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Guia de estudos em política linguísticas
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Sejam todos bem-vindos ao guia de estudos em Políticas Linguísticas https://en.wikipedia.org/wiki/Language_policy que tem como objetivo proporcionar um caminho de aprendizagem colaborativa em torno dos entendimentos sobre linguagem, política e globalização https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica.
Abaixo, apresentamos alguns textos e livros (no total de oito referências bibliográficas) que podem ser essenciais e úteis no caminho de aprendizagem de todos os interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre Políticas Linguísticas https://pt.wikiversity.org/wiki/Projeto_Agentes_de_Pol%C3%ADticas_Lingu%C3%ADsticas.
Gostaríamos de frisar, de antemão, que os resumos/resenhas aqui apresentados são resultados de um olhar subjetivo da autora. Assim, sugerimos que cada leitor que tenha acesso a esse site (e guia de estudos) cliquem nos links inseridos ao longo do texto e façam o download completo dos textos, para posterior apreciação. Boa leitura!
'''SUGESTÃO DE LEITURA 1'''
''Bilinguismo e Biculturalismo como Fenômenos Individuais e Sociais''
Trazemos para conhecimento dos leitores o artigo de Fishman (2010), Bilinguismo e Biculturalismo como Fenômenos Individuais e Sociais http://www.tandfonline.com/loi/rmmm20, publicado pela Yeshiva University https://www.yu.edu/, onde o autor examina o bilingüismo https://revistas.pucsp.br/intercambio/article/download/3488/2296 e o biculturalismo https://en.wikipedia.org/wiki/Biculturalism tanto em nível individual quanto societal, destacando a complexidade das relações entre línguas, culturas e funções sociais.
O autor discute em seu texto como a alocação de funções linguísticas em sociedades bilíngues pode ser estável, especialmente quando há compartimentalização social clara entre diferentes variedades linguísticas. O artigo apresenta o contexto do bilingüismo e do biculturalismo, diferenciando suas manifestações individuais e coletivas. O objetivo do trabalho é analisar como a compartimentalização social https://pt.wikipedia.org/wiki/Compartimentaliza%C3%A7%C3%A3o_(psicologia) influencia a estabilidade do uso de múltiplas línguas e culturas em uma sociedade. A compartimentalização social influencia a estabilidade do uso de múltiplas línguas em sociedades bilíngues ao criar limites claros entre diferentes funções sociais e contextos em que essas línguas são utilizadas.
Um exemplo interessante que o autor traz é que quando há uma forte compartimentalização, como em situações de diglossia https://pt.wikipedia.org/wiki/Diglossia, as línguas ou variedades linguísticas são atribuídas a funções específicas, mantendo uma separação rígida, o que favorece a estabilidade do bilinguismo. Por outro lado, a modernização, com suas redes abertas, relações fluidas e urbanização crescente, tende a diminuir essa compartimentalização, tornando o uso de múltiplas línguas mais fluido e menos rígido, o que pode afetar a estabilidade do bilinguismo societal. Desta forma, a urbanização e a mobilidade afetam as relações entre línguas e culturas em sociedades bilíngues ao reduzir a compartimentalização social, que anteriormente mantinha limites claros entre diferentes funções e contextos de uso linguístico e cultural.
Hoje em dia, as redes sociais se tornaram um canal aberto para a fluidez das relações, o que diminui a rigidez na separação de línguas e culturas https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais. Isso leva a uma maior mistura e intercâmbio entre elas, tornando as manifestações de bilinguismo e biculturismo mais fluidas e menos dependentes de fronteiras sociais rígidas. Entretanto, o autor problematiza a questão da diminuição da compartimentalização social, impulsionada pela urbanização e mobilidade, uma vez que isto pode ter várias consequências negativas para a preservação das línguas e culturas tradicionais. Primeiramente, ao reduzir as fronteiras rígidas entre diferentes funções sociais e contextos culturais, essas línguas e culturas podem se tornar mais vulneráveis à assimilação por elementos mais dominantes ou globais, levando à perda de suas características distintivas. Além disso, a maior interação e intercâmbio cultural podem diluir as práticas tradicionais, tornando-as menos visíveis e menos praticadas, o que compromete sua transmissão às novas gerações. Desta forma, a ausência de limites claros entre diferentes grupos culturais pode dificultar a manutenção de identidades culturais específicas, acelerando o processo de homogeneização cultural e linguística https://pt.wikipedia.org/wiki/Homogeneiza%C3%A7%C3%A3o_cultural .
Pensando nisso e para fortalecer a compartimentalização social e proteger as línguas e culturas tradicionais, o autor cita algumas estratégias que podem ser adotadas. Uma delas é promover políticas que reconheçam e valorizem as línguas e culturas locais, criando espaços específicos onde essas manifestações possam ser praticadas e transmitidas de geração em geração. Além disso, é importante incentivar a manutenção de práticas culturais tradicionais e o uso de línguas em contextos específicos, reforçando a distinção entre diferentes funções sociais e culturais. O autor também enfatiza que ações educativas e de conscientização podem ajudar a valorizar a diversidade cultural, reforçando a importância de preservar identidades específicas em meio às mudanças sociais e urbanas. Assim, Fishman realiza uma revisão teórica e sociológica de casos de bilinguismo estável, utilizando exemplos de políticas linguísticas nacionais, como nas Filipinas https://petletras.paginas.ufsc.br/2025/04/08/contexto-colonial-politicas-linguisticas-nas-filipinas/, onde o inglês e o filipino são promovidos como línguas de prestígio (H), enquanto línguas locais, como o tagalo, ocupam funções menos valorizadas (L). O autor destaca a necessidade de mais estudos sobre as relações entre compartimentalização social e manifestações de biculturalismo e bilinguismo, especialmente em contextos de modernização acelerada.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 2'''
''As Políticas Linguísticas''
O livro As Políticas Linguísticas, de Louis- Jean Calvet (2007) https://pt.scribd.com/document/716497145/As-politicas-linguisticas-Louis-Jean-Calvet, apresenta uma análise densa sobre os conceitos de Políticas Linguísticas, em especial sobre o princípio de territorialidade ou de personalidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_territorialidade, que trata do direito à língua e de como ela deve ser determinada, seja pelo território ou pela identidade dos falantes. Além disso, o livro aborda a importância do direito à língua, que garante o uso e a promoção das línguas das comunidades que compõem a cidadania. Esses princípios orientam as ações sobre a língua, seja na intervenção direta, como na padronização e fixação de alfabetos, ou na gestão do status das línguas, como na promoção de línguas veiculares ou minoritárias.
Calvet apresenta Os principais desafios enfrentados na implementação de políticas linguísticas em países multilíngues, incluindo a complexidade de estabelecer uma padronização linguística https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/3611, como exemplificado na tentativa de intervenção no léxico e ortografia de línguas, e a gestão do status das diferentes línguas presentes na sociedade. Além disso, o autor cita que há dificuldades relacionadas à resistência de comunidades que defendem suas línguas minoritárias ou tradicionais, como ocorre na promoção de línguas minoritárias ou na defesa do status internacional de línguas como o francês. Outro desafio importante é lidar com a substituição de línguas coloniais, como na arabização na África do Norte, que envolve processos de mudança cultural e política complexos, muitas vezes enfrentando resistência ou dificuldades na implementação efetiva dessas políticas.
O autor também trás exemplos de políticas linguísticas bem-sucedidas que podem servir de modelo, incluindo a padronização de uma língua, como ocorreu na Noruega https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_norueguesa, onde a padronização de línguas nacionais foi eficaz. Além disso, a promoção de uma língua veicular https://periodicos.ufjf.br/index.php/veredas/article/view/35916/24321, como o caso da Tanzânia https://en.wikipedia.org/wiki/Languages_of_Tanzania, demonstra como a valorização de uma língua comum pode facilitar a comunicação e fortalecer a identidade nacional. Outro exemplo importante é a defesa do status internacional de línguas como o francês, que, por meio de ações coordenadas na Europa e na Francofonia https://pt.wikipedia.org/wiki/Francofonia, conseguiu consolidar sua presença global, promovendo a paz linguística e a cooperação internacional. Esses exemplos mostram estratégias que envolvem legislação, padronização e valorização internacional, que podem ser adaptadas a diferentes contextos.
Segundo o livro, as políticas de padronização linguística podem afetar as línguas minoritárias ou indígenas de diversas maneiras. Por um lado, a padronização pode contribuir para a preservação e valorização dessas línguas, especialmente quando há reconhecimento oficial e esforços para sua documentação e ensino, como exemplificado na promoção de línguas minoritárias e na paz linguística. Por outro lado, a imposição de uma língua padrão pode levar à marginalização ou até à substituição dessas línguas, como ocorreu na arabização na África do Norte https://www.britannica.com/place/North-Africa/The-growth-of-urban-life, onde a substituição de línguas coloniais por árabe resultou na perda de línguas tradicionais. Assim, a padronização, se não for cuidadosamente planejada e sensível às especificidades culturais, pode representar uma ameaça à diversidade linguística https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39, levando à diminuição do uso e do prestígio das línguas minoritárias ou indígenas.
Pensando nos países com grande diversidade linguística, Calvet observa que há a dificuldade de garantir o reconhecimento e o respeito às línguas minoritárias e indígenas, especialmente quando há uma forte tendência à padronização e à imposição de uma língua oficial. Como exemplificado na promoção de línguas minoritárias e na paz linguística, a implementação dessas políticas requer sensibilidade cultural e o envolvimento ativo das comunidades, o que nem sempre é fácil de alcançar. Além disso, a resistência de grupos que defendem suas línguas tradicionais ou minoritárias pode dificultar a adoção de políticas inclusivas https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/gestaoeinovacao/inovacao-governamental-carreiras-transversais/inovacao-governamental/gestao-de-carreiras/lins/linguagem-inclusiva, especialmente se essas políticas forem percebidas como ameaças à identidade cultural ou à autonomia dessas comunidades.
Portanto, a complexidade de equilibrar a padronização com a diversidade, além de lidar com questões políticas, culturais e sociais, constitui um grande desafio na promoção de políticas linguísticas verdadeiramente inclusivas. Além do mais, a resistência política ou social pode impactar significativamente a implementação de políticas linguísticas, pois muitas vezes há conflitos de interesses, identidades culturais e percepções de ameaça à autonomia das comunidades. O livro aponta como exemplo a resistência às mudanças na língua na África do Norte, a substituição de línguas coloniais por árabe enfrentou forte resistência de grupos que viam essas ações como uma ameaça à sua cultura e história. Além disso, a resistência social pode surgir de comunidades que defendem suas línguas tradicionais ou minoritárias, considerando-as essenciais para sua identidade, o que pode dificultar a adoção de políticas de padronização ou de promoção de línguas veiculares.
Assim, o impacto da resistência política e social muitas vezes se manifesta na paralisação, modificação ou até na rejeição total de políticas linguísticas, exigindo estratégias de diálogo, sensibilização e inclusão para que essas políticas possam avançar de forma efetiva. Ademais, o livro nos explica que o conceito de "política linguística" começou a ser utilizado de forma sistemática no Brasil apenas recentemente, diferentemente de outros países latino-americanos, como Argentina e os países andinos. No Brasil, a ideologia da "língua única" https://pt.wikipedia.org/wiki/Monoglotismo historicamente camuflou a realidade plurilíngue do país, dificultando o debate sobre políticas linguísticas. O consenso em torno do português como língua nacional tem limitado a discussão sobre a diversidade linguística e a necessidade de políticas específicas para diferentes comunidades.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 3'''
''Orientações no Planejamento Linguístico''
A terceira sugestão de leitura é do trabalho de Richard Luiz, com o texto Orientações no Planejamento Linguístico https://www.researchgate.net/publication/261641231_Orientations_in_Language_Planning. O artigo examina as diferentes orientações que fundamentam o planejamento linguístico e sua influência sobre políticas e práticas educacionais, especialmente nos Estados Unidos.
O autor propõe três orientações principais: língua como problema, língua como direito e língua como recurso http://www.revel.inf.br/files/e92f933a3b0ca404b70a1698852e4ebd.pdf. A orientação língua como recurso pode ser aplicada na prática da educação bilíngue promovendo uma valorização da diversidade linguística como um ativo social e educacional. Isso implica em reconhecer e utilizar as diferentes línguas presentes na comunidade como recursos para o aprendizado, enriquecendo o currículo e fortalecendo a identidade cultural dos estudantes.
Além disso, essa abordagem incentiva a integração das línguas minoritárias na educação, promovendo o bilinguismo e o bilíngue como uma vantagem, ao invés de um obstáculo. Dessa forma, a educação bilíngue passa a ser vista como uma ferramenta para potencializar o desenvolvimento social, cultural e econômico, ao mesmo tempo em que respeita e valoriza as múltiplas identidades linguísticas de seus usuários.
Para o autor alguns desafios podem surgir na implementação de uma política de línguas como recurso na educação, sendo elas: a resistência cultural e política, que pode dificultar o reconhecimento e valorização das línguas minoritárias; a falta de recursos e formação adequada para professores; o que compromete a qualidade do ensino bilíngue e a possível hostilidade, que muitas vezes está enraizada nas orientações problemáticas e de direitos, dificultando a integração e o entendimento entre diferentes grupos linguísticos. Além disso, há o desafio de criar uma política consistente e sustentável que realmente valorize a diversidade linguística como um ativo, sem que ela seja vista apenas como uma questão de conflito ou de direitos, o que exige uma mudança de paradigma e de atitudes na sociedade.
O pesquisador enfoca bastante a importância da formação de professores https://www.scielo.br/j/ccedes/a/G7Fqdms45c6bxtK8XSF6tbq/?lang=pt&format=pdf, complementando que esta pode ser aprimorada por meio de programas de capacitação que enfatizem a valorização das línguas como recursos, promovendo uma compreensão profunda da diversidade linguística e cultural. Para tal, é preciso incluir treinamentos específicos sobre metodologias de ensino bilíngue, estratégias para integrar as línguas minoritárias de forma positiva e o desenvolvimento de competências interculturais.
Além disso, é fundamental oferecer formação contínua que estimule a reflexão sobre o papel das línguas como ativos sociais, incentivando os professores a adotarem uma postura de valorização e respeito às diferentes línguas e identidades. Dessa forma, os docentes estarão melhor preparados para apoiar uma política de língua como recurso, promovendo um ambiente de aprendizagem inclusivo, que valorize a diversidade e contribua para a construção de uma política linguística responsável e sustentável.
As estratégias mencionadas anteriormente podem ser adaptadas para diferentes contextos culturais e linguísticos ao considerar as especificidades de cada comunidade. Por exemplo, ao trabalhar com comunidades indígenas ou minoritárias, é importante incorporar elementos culturais e tradicionais nas atividades, usando materiais autênticos que reflitam suas realidades e histórias. Além disso, as atividades podem ser ajustadas para respeitar as normas sociais, valores e formas de comunicação de cada grupo, promovendo o diálogo intercultural e o reconhecimento mútuo.
Outra adaptação relevante citada pelo autor é a inclusão de práticas que valorizem as línguas locais e suas funções sociais, como projetos de preservação linguística, que reforçam a importância de cada língua como recurso cultural e identitário. Assim, diferentes metodologias podem ser flexíveis, combinando abordagens tradicionais e inovadoras, sempre com o objetivo de fortalecer a identidade linguística e promover o respeito às diversidades culturais, contribuindo para uma educação mais inclusiva e sensível às especificidades de cada contexto.
Além disso, práticas de ensino que envolvam a troca de experiências culturais, como rodas de conversa, entrevistas com membros da comunidade e atividades de intercâmbio cultural, ajudam a valorizar as línguas como recursos culturais vivos https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=3053. Essas metodologias promovem o respeito às diversidades culturais, fortalecem a identidade dos estudantes e contribuem para uma aprendizagem mais significativa, que reconheça as línguas como elementos essenciais de suas culturas e histórias.
Assim, o texto destaca que as concepções básicas sobre o papel da língua na sociedade moldam os esforços de planejamento linguístico em diferentes contextos, mas o autor observa que, apesar de avanços na delimitação do campo, ainda há carência de modelos conceituais sólidos para orientar a literatura sobre o tema. O trabalho adota uma abordagem teórica e analítica, revisando a literatura internacional e discutindo exemplos práticos, especialmente no contexto da educação bilíngue nos Estados Unidos https://www.scielo.br/j/ep/a/fV5zLF4y7pLg4cvMY9F4P6k/?lang=pt. O autor defende o desenvolvimento de uma orientação baseada na língua como recurso, visando integrar a educação bilíngue a uma política linguística mais responsável e inclusiva. Um ponto de destaque no texto é que o pesquisador sugere a necessidade de maior elaboração teórica e prática sobre orientações da língua como recurso, bem como da criação de modelos conceituais mais robustos para o campo. O artigo enfatiza a importância de repensar as bases conceituais do planejamento linguístico para promover políticas mais eficazes e inclusivas, especialmente no contexto da educação bilíngue.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 4'''
''Política Linguística e Internacionalização: A Língua Portuguesa no Mundo Globalizado do Século XXI''
Para essa sugestão de leitura trazemos o artigo Política Linguística e Internacionalização: a Língua Portuguesa no Mundo Globalizado do Século XXI https://www.scielo.br/j/tla/a/MvzjfZ35mKhnxHjWW5W7rMk/?format=html&lang=pt do pesquisador Gilvan Muller de Oliveira.
O artigo analisa a internacionalização da língua portuguesa no contexto do reposicionamento global dos países da CPLP no século XXI https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_dos_Pa%C3%ADses_de_L%C3%ADngua_Portuguesa, destacando o impacto do Acordo Ortográfico de 1990 https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990 e a necessidade de gestão compartilhada da língua. Os principais desafios enfrentados na internacionalização da língua portuguesa, segundo o artigo, incluem a fragmentação normativa entre os países lusófonos, especialmente entre Brasil e Portugal, que podem dificultar uma projeção internacional unificada.
Além disso, existem impasses na gestão da língua, como a necessidade de estabelecer políticas linguísticas eficazes e de cooperação multilateral para promover uma normatização convergente. Outro desafio importante é o fortalecimento da presença do português em diferentes nichos globais, como o mercado digital e os meios de comunicação, que ainda apresentam limitações devido às políticas de fechamento linguístico e às políticas de proteção do mercado interno, especialmente no Brasil, que dificultam a circulação de bens culturais e a valorização do português como língua internacional.
Para o autor, as principais estratégias para promover a internacionalização da língua portuguesa no século XXI incluem o reconhecimento e a valorização dos recursos linguísticos brasileiros, bem como das línguas de imigração faladas no país https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/as-linguas-imigrantes-no-portugues-do-brasil/, que podem ser instrumentalizadas para fortalecer a presença do português no exterior. Além disso, o pesquisador complementa que é fundamental estabelecer parcerias estratégicas com países de língua espanhola, aproveitando a alta intercompreensão entre as línguas, e ampliar a cooperação com blocos econômicos e organizações internacionais onde o português é oficial, como a CPLP, Mercosul https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul e BRICS https://pt.wikipedia.org/wiki/BRICS.
Outra estratégia importante é fortalecer a relação com o inglês, melhorando a interatividade em língua inglesa para facilitar a circulação de conhecimento científico e tecnológico, além de promover a troca cultural e econômica. Essas ações visam ampliar o potencial de internacionalização do português, promovendo sua presença em diferentes ambientes globais e fortalecendo sua posição como língua de cultura, ciência e negócios.
Para fortalecer a relação do português com o inglês no contexto da ciência e tecnologia, algumas ações específicas podem ser adotadas. Segundo o pesquisador, primeiramente, é fundamental melhorar a interatividade em inglês, promovendo a tradução e a circulação da pesquisa científica produzida em português, de modo a ampliar acessibilidade e impacto em mercados internacionais. Além disso, é importante incentivar a formação de profissionais bilíngues, especialmente em inglês, por meio de programas de capacitação e mobilidade acadêmica, como o Programa Ciência Sem Fronteiras https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_sem_Fronteiras, que prepara jovens para atuar em ambientes internacionais.
Outra ação relevante é fortalecer parcerias com países de língua inglesa, como Índia e África do Sul, que possuem centros universitários e de pesquisa de destaque, facilitando acordos de cooperação, intercâmbio de conhecimentos e projetos conjuntos. Essas ações visam criar uma ponte mais sólida entre o português e o inglês, potencializando a produção científica e tecnológica de países lusófonos e ampliando sua presença no cenário global.
Projetos de cooperação internacional bem-sucedidos entre países lusófonos e anglófonos que podem servir de modelo incluem o projeto do VOC https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2022/10/para-paises-lusofonos-cooperacao-e-o-caminho-para-superar-os-desafios-na-implementacao-do-acordo-de-paris, que promove a normatização convergente do português e fortalece institucionalmente o Instituto Internacional da Língua Portuguesa https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Internacional_da_L%C3%ADngua_Portuguesa. Esse projeto envolve colóquios internacionais que abordam temas estratégicos, como a diversidade linguística, o português nas diásporas, o uso no mundo digital e sua presença em organizações internacionais, culminando na formulação de políticas compartilhadas e na gestão conjunta da língua. Essas iniciativas demonstram a importância de ações coordenadas, de gestão compartilhada e de diálogo multilateral para fortalecer a posição do português no cenário internacional.
Essas ações contribuem para a formulação de diretrizes e para a implementação de projetos estratégicos de forma coordenada. Além disso, podem estabelecer convênios de cooperação técnica, financiando e apoiando a criação de equipes multidisciplinares que executem ações concretas, como a normatização de línguas, a promoção do português em organismos internacionais, assim como o fortalecimento de sua presença em blocos econômicos e diplomáticos. Por fim, as organizações internacionais podem atuar como mediadoras e facilitadoras de alianças geolinguísticas https://pt.wikipedia.org/wiki/Geolingu%C3%ADstica, promovendo o diálogo e a cooperação entre países de diferentes línguas e culturas, ampliando o espaço de atuação do português e fortalecendo sua inserção global. O artigo conclui nos informando sobre o potencial do português como língua internacional e que a internacionalização efetiva depende de políticas integradas, gestão compartilhada e valorização do multilinguismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Multilinguismo.
'''SUGESTÃO DE LEITURA CINCO'''
''O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP – Aspectos da Gestão de uma Organização Político-Linguística Original''
Seguimos com outra contribuição do pesquisador Gilvan Muller de Oliveira, agora com o artigo O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP: aspectos da gestão de uma organização político-linguística original https://revistas.usp.br/linhadagua/pt_BR/article/view/154926.
O artigo apresenta uma sistematização histórica do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) https://iilp.cplp.org/ , órgão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dividindo sua trajetória em quatro fases: Concepção (1989-99), Instalação (2000-05), Consolidação (2006-10) e Expansão (2011-presente). O autor analisa o funcionamento, realizações e limitações do IILP na promoção do português como língua pluricêntrica https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_pluric%C3%AAntrica, destacando projetos contemporâneos e desafios de gestão.
O texto contribui para a compreensão das políticas linguísticas do português, especialmente na promoção internacional da língua, destacando o caráter inovador do IILP como instituição multilateral, suas potencialidades e fragilidades financeiras e políticas, e sua singularidade no contexto das grandes línguas internacionais.
O IILP é uma instituição da CPLP com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e tem como missão promover, defender, enriquecer e difundir a língua portuguesa como veículo de cultura, educação e ciência. Essa instituição estrutura-se em Direção Executiva (sede em Cabo Verde) e Conselho Científico (composto por Comissões Nacionais dos Estados Membros).
O financiamento desta instituição provém de contribuições obrigatórias dos Estados Membros, sendo que os principais desafios enfrentados pelo IILP na captação de recursos externos incluem a dependência de contribuições obrigatórias dos Estados Membros, que muitas vezes são insuficientes ou atrasadas, dificultando a realização de projetos e parcerias. Além disso, a instituição enfrenta dificuldades na obtenção de recursos adicionais por meio de editais de agências financiadoras, devido à sua limitada capacidade de captação e à forte concorrência por esses fundos. Outro desafio importante é a burocracia e a complexidade dos processos de negociação, que tornam longos e difíceis os procedimentos para a obtenção de consensos e a aprovação de recursos, especialmente em um contexto de relações sujeitas a tensões políticas e interesses divergentes entre os países membros.
O IILP tem utilizado várias estratégias para superar as dificuldades financeiras e de gestão. Uma delas é a captação de recursos externos, além das contribuições obrigatórias dos Estados Membros. Por exemplo, a partir de 2011, o instituto conseguiu captar recursos de editais de agências financiadoras, como os fundos da União Europeia https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia, que contribuíram para o seu financiamento. Além disso, o IILP busca fortalecer sua autonomia administrativa, financeira e patrimonial, consolidando sua estrutura institucional, sede própria e um orçamento aprovado, mesmo que mínimo. Outra estratégia importante é a articulação dos recursos e esforços técnicos, científicos e financeiros dos Estados Membros, promovendo uma gestão colegiada e intergovernamental, que visa otimizar os recursos disponíveis e ampliar sua atuação. Essas ações refletem uma tentativa de garantir a continuidade e o desenvolvimento do instituto, mesmo diante de um cenário de recursos limitados e dificuldades na arrecadação das quotas obrigatórias.
Essas ações refletem uma tentativa de diversificar suas fontes de recursos e ampliar sua capacidade de execução de projetos, além das contribuições dos Estados Membros, o IILP destaca-se como modelo inovador de gestão de uma língua internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_mundial, promovendo cooperação e superando a lógica hierárquica colonial. Apesar das dificuldades, tem ampliado sua relevância no espaço lusófono, adaptando-se às demandas do século XXI. O futuro do instituto dependerá da continuidade do apoio político e da capacidade de responder a desafios geopolíticos e de internacionalização.
'''
SUGESTÃO DE LEITURA SEIS'''
''A Norma Brasileira da Língua Portuguesa (NBLP): Alcance, Formação e Difusão''
Gilvan Müller de Oliveira, nesse outro trabalho com título A Norma Brasileira de Língua Portuguesa: alcances, formação e difusão https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7671489 analisa três dimensões centrais da NBLP: seu alcance geopolítico e demográfico, sua formação histórica e sociolinguística, e sua difusão internacional como língua estrangeira.
O texto busca situar a NBLP https://revistas.pucsp.br/index.php/verbum/article/download/51954/pdf/154302 no contexto do sistema pluricêntrico da língua portuguesa https://iilp.cplp.org/portugues-pluricentrico/, especialmente no momento em que o português transita de uma gestão nacional para uma internacional. A NBLP é apresentada como uma das normas de uma língua pluricêntrica, coexistindo com a norma europeia e normas emergentes (angolana, moçambicana). O conceito de norma linguística é discutido sob diferentes perspectivas, destacando-se sua função social, cultural e política, e seu papel na regulação dos usos oficiais da língua. O alcance da NBLP é avaliado a partir de quatro critérios principais: população orientada para a NBLP, projeção demográfica futura, dimensão do sistema educacional e produção científica e presença e influência na Internet.
O Brasil possui o quinto maior sistema universitário do mundo https://www.bbc.com/portuguese/geral-61237842, com 7,3 milhões de estudantes no ensino superior e 250 mil artigos científicos publicados entre 2011 e 2016, majoritariamente em português. O Brasil é o 4º país em número de usuários da Internet https://brasil.un.org/pt-br/77784-brasil-%C3%A9-o-quarto-pa%C3%ADs-com-mais-usu%C3%A1rios-de-internet-do-mundo-diz-relat%C3%B3rio-da-onu, representando quase 89% dos usuários de português online, o que amplia a influência da NBLP em ambientes digitais e na tradução automática.
O alcance da NBLP envolve aspectos como a população orientada para essa norma, a projeção demográfica futura, a dimensão do sistema educacional e a presença na internet. O autor, em seu artigo, apresenta a origem histórica, o caráter regionalizado e polarizado, e o do processo de constituição e evolução ao longo do tempo da NBLP. Ademais, a difusão internacional da NBLP é abordada através de instrumentos de promoção, como exames de proficiência e cooperação multilaterais, além do impacto da sua presença na internet e na atuação em mercados de línguas estrangeiras.
Para o pesquisador, os principais desafios enfrentados na unificação das normas do português entre os países lusófonos incluem a superação das diferenças históricas, culturais e políticas que marcaram a formação de cada norma nacional. Um dos obstáculos é a forte regionalização e polarização da norma brasileira, que reflete a diversidade linguística e social do país, dificultando uma norma única e homogênea. Além disso, há a questão do nacionalismo linguístico, que muitas vezes reforça a separação entre as normas do português europeu e brasileiro https://www.cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/article/view/3632, dificultando a construção de uma gestão pluricêntrica e intercultural da língua.
As diferenças culturais entre os países lusófonos influenciam significativamente a unificação das normas do português, pois refletem as distintas trajetórias históricas, sociais e linguísticas de cada país. Essas diferenças se manifestam na formação de normas regionais, como a norma brasileira, que é altamente regionalizada devido à diversidade de regiões e suas variações linguísticas, e na existência de normas emergentes em países como Angola e Moçambique https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/download/49614/53705/60954, que estão desenvolvendo instrumentos próprios para suas variedades linguísticas. Além disso, a sociedade brasileira, marcada por uma forte polarização social e uma história de formação de uma diglossia, contribui para uma norma que muitas vezes é elitista e distante do uso cotidiano de grande parte da população, dificultando uma padronização comum. Cada país possui suas próprias especificidades culturais e sociais, reforçando o desafio de criar uma norma única, que seja aceita e praticada por todos os falantes, promovendo uma gestão pluricêntrica e intercultural da língua.
Além disso, é fundamental valorizar a diversidade linguística e cultural de cada país, promovendo uma abordagem que respeite as especificidades regionais e sociais, ao mesmo tempo em que busca pontos de convergência. Outra estratégia importante é a criação de instrumentos comuns de normatização, como o Vocabulário Ortográfico Comum https://voc.cplp.org/, que possam servir de base para uma padronização flexível, permitindo variações regionais e sociais, mas mantendo uma unidade de referência. Investir na educação e na formação de professores e profissionais de linguagem que estejam sensibilizados para a importância do plurilinguismo e do interculturalismo também é essencial para consolidar uma norma que seja legítima e aceita por todos os países lusófonos.
'''SUGESTÃO DE LEITURA SETE'''
''Linguística e Colonialismo''
Outra contribuição de Louis-Jean Calvet é o livro Linguística e Colonialismo https://pt.scribd.com/document/613573649/Calvet-Linguistica-y-Colonialismo. O livro aborda a relação entre linguística e colonialismo, destacando como o estudo das línguas foi influenciado por contextos coloniais. A tradução de Luciano Padilla Lopez https://ar.linkedin.com/in/luciano-padilla-l%C3%B3pez-a43607202 sugere uma análise crítica sobre como o colonialismo impactou a pesquisa e a compreensão das línguas, possivelmente discutindo questões de poder, dominação cultural e a imposição de línguas colonizadoras sobre línguas indígenas. Calvet propõe uma reflexão sobre o papel da linguística na perpetuação ou resistência a práticas coloniais, enfatizando a importância de considerar fatores históricos e sociais na análise linguística.
Ao longo da leitura o autor destaca que o colonialismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Colonialismo impactou a pesquisa linguística ao influenciar a forma como as línguas eram estudadas e compreendidas, muitas vezes refletindo relações de poder e dominação cultural. Ele também aponta que o colonialismo levou à imposição de línguas colonizadoras https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_gerais sobre línguas indígenas, o que pode ter contribuído para a marginalização e perda de línguas nativas. Além disso, o pesquisador sugere que a pesquisa linguística muitas vezes foi usada para perpetuar práticas coloniais, reforçando estruturas de poder e controle, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre a necessidade de uma abordagem mais crítica e consciente do papel da linguística nesse contexto.
Calvet explora nesse livro o colonialismo em sua vertente mais obscura, trazendo inúmeros exemplos das consequências coloniais nas mais variadas culturas e línguas ao redor do mundo. Porém, para ele, as políticas linguísticas https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2019/10/17/o-que-sao-politicas-linguisticas/ podem desempenhar um papel crucial no equilíbrio entre a valorização da língua local e a incorporação de empréstimos de outras línguas. Quando políticas oficiais promovem o reconhecimento e a valorização da língua própria, incentivando o uso de vocabulário tradicional e a preservação de expressões culturais, elas fortalecem a identidade cultural e resistem à influência de empréstimos externos. Por outro lado, políticas que incentivam a abertura ao contato linguístico, promovendo a incorporação de empréstimos de forma consciente e adaptada, podem enriquecer a língua local sem comprometer sua essência, desde que haja uma valorização do patrimônio linguístico próprio. Assim, um equilíbrio eficaz pode ser alcançado por meio de políticas que promovam a valorização do idioma local, ao mesmo tempo em que reconhecem a importância de empréstimos como elementos de dinamismo cultural e de adaptação às mudanças sociais e tecnológicas.
O autor também aborda as contribuições das comunidades https://doceru.com/doc/xxn508ne e explica que estas mesmas comunidades podem participar ativamente na formulação de políticas linguísticas que promovam o equilíbrio entre a valorização da língua local e a incorporação de empréstimos de outras línguas através de processos de diálogo, consulta e inclusão. Uma estratégia importante para alcançar tal objetivo é envolver representantes culturais, acadêmicos, líderes comunitários e a sociedade civil na discussão sobre quais elementos linguísticos devem ser preservados e como os empréstimos podem ser integrados de forma que respeitem a identidade cultural.
Além disso, a criação de espaços de debate e de educação que promovam o entendimento sobre a importância de manter a riqueza do idioma próprio, ao mesmo tempo em que reconhecem a influência de línguas externas, é fundamental. A educação pode contribuir de forma significativa para uma participação mais ativa das comunidades na formulação de políticas linguísticas ao promover o conhecimento crítico sobre a importância da língua própria e o impacto dos empréstimos linguísticos. Dessa forma, a educação atua como um catalisador para fortalecer a autonomia linguística e promover um diálogo mais democrático e consciente sobre o uso e a evolução das línguas, indo de contra o próprio sistema de colonialismo.
'''SUGESTÃO DE LEITURA OITO'''
''Imperialismo Linguístico''
Nossa última contribuição neste guia de estudos é o livro Imperialismo Linguístico https://www.researchgate.net/publication/31837620_Linguistic_Imperialism_R_Phillipson, de Robert Phillipson. Este livro é dividido em 10 capítulos, investigando o fenômeno contemporâneo do inglês como língua mundial https://pt.wikipedia.org/wiki/Ingl%C3%AAs_internacional e analisando como a língua inglesa conseguiu a ser tão dominante e por quê. Assim, o autor propõe o estudo paulatino da disseminação histórica do inglês ao redor do mundo para entender se houve promoção ativa do idioma como instrumento da política externa https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_externa de grandes países de língua inglesa e de países do Terceiro Mundo, principalmente por meio da ajuda ao desenvolvimento educacional e do ensino de inglês.
O autor, ao longo do livro, aponta que as políticas linguísticas herdadas pelos países do Terceiro Mundo influenciam suas relações econômicas e políticas com países de língua inglesa de várias maneiras. Primeiramente, essas políticas muitas vezes refletem uma dependência de apoio externo, especialmente na área de educação, onde o ensino do inglês é promovido como uma estratégia de desenvolvimento, mas que pode acabar perpetuando desigualdades entre Norte e Sul. Além disso, ao adotar políticas que favorecem o inglês, esses países podem se alinhar mais estreitamente às agendas econômicas e políticas dos países de língua inglesa, facilitando acordos comerciais e alianças estratégicas, mas também podendo limitar o desenvolvimento de suas próprias línguas e culturas. Isso, a partir das reflexões do pesquisador, nos revelam a transmissão de uma ideologia que valoriza o inglês como ferramenta de progresso e modernidade, reforçando uma relação de dependência e subordinação, na qual o idioma se torna um instrumento de poder e influência global, moldando as relações internacionais dessas nações.
Para preservar suas línguas e culturas diante da influência do inglês, os países do Terceiro Mundo podem adotar várias estratégias. Uma delas é fortalecer e valorizar suas línguas nativas por meio de políticas públicas que promovam o ensino, o uso e a valorização dessas línguas em todos os níveis educacionais e sociais. Além disso, é importante desenvolver e apoiar a produção cultural local, como literatura, música, cinema e outras manifestações artísticas, que reforcem a identidade cultural própria. Outra estratégia fundamental é promover a educação bilíngue ou multilíngue, garantindo que as línguas indígenas e locais tenham espaço e reconhecimento, ao mesmo tempo em que se ensina o inglês de forma crítica e consciente, sem que ele substitua ou diminua a importância das línguas nativas. Essas ações podem ajudar a fortalecer a soberania cultural e a resistência às pressões de dominação linguística global, criando uma alternativa ao impacto da influência do inglês na formação da identidade nacional.
-Caros leitores, após esse breve resumo informativo sobre cada sugestão de pesquisa e estudo supracitado acima, convidamos vocês para aprofundarem essas investigações acessando os materiais indicados na íntegra! Reforçamos que indicações de leituras extras foram anexadas ao longo do texto, caso o leitor tenha alguma dúvida ou curiosidade sobre os temas explorados. Esperamos poder ter contribuído de forma positiva e significativa nessa jornada de conhecimentos! Avante!
'''REFERÊNCIAS UTILIZADAS NESSE GUIA DE ESTUDOS:'''
https://gl.wikipedia.org/wiki/Atlas_interactivo_UNESCO_das_linguas_en_perigo_no_mundo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica
https://en.wikipedia.org/wiki/Language_policy
https://pt.wikiversity.org/wiki/Projeto_Agentes_de_Pol%C3%ADticas_Lingu%C3%ADsticas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADticas_lingu%C3%ADsticas_in_vivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_do_Brasil
https://pt.scribd.com/document/716497145/As-politicas-linguisticas-Louis-Jean-Calvet
https://www.researchgate.net/publication/261641231_Orientations_in_Language_Planning
https://www.scielo.br/j/tla/a/MvzjfZ35mKhnxHjWW5W7rMk/?format=html&lang=pt
https://revistas.usp.br/linhadagua/pt_BR/article/view/154926
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7671489
https://pt.scribd.com/document/613573649/Calvet-Linguistica-y-Colonialismo
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text/x-wiki
Sejam todos bem-vindos ao Guia de Estudos em Políticas Linguísticas https://en.wikipedia.org/wiki/Language_policy que tem como objetivo proporcionar um caminho de aprendizagem colaborativa em torno dos entendimentos sobre linguagem, política e globalização https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica.
Abaixo, apresentamos alguns textos e livros (no total de oito referências bibliográficas) que podem ser essenciais e úteis no caminho de aprendizagem de todos os interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre Políticas Linguísticas https://pt.wikiversity.org/wiki/Projeto_Agentes_de_Pol%C3%ADticas_Lingu%C3%ADsticas.
Gostaríamos de frisar, de antemão, que os resumos/resenhas aqui apresentados são resultados de um olhar subjetivo da autora. Assim, sugerimos que cada leitor que tenha acesso a esse site (e guia de estudos) cliquem nos links inseridos ao longo do texto e façam o download completo dos textos, para posterior apreciação. Boa leitura!
'''SUGESTÃO DE LEITURA 1'''
''Bilinguismo e Biculturalismo como Fenômenos Individuais e Sociais''
Trazemos para conhecimento dos leitores o artigo de Fishman (2010), Bilinguismo e Biculturalismo como Fenômenos Individuais e Sociais http://www.tandfonline.com/loi/rmmm20, publicado pela Yeshiva University https://www.yu.edu/, onde o autor examina o bilingüismo https://revistas.pucsp.br/intercambio/article/download/3488/2296 e o biculturalismo https://en.wikipedia.org/wiki/Biculturalism tanto em nível individual quanto societal, destacando a complexidade das relações entre línguas, culturas e funções sociais.
O autor discute em seu texto como a alocação de funções linguísticas em sociedades bilíngues pode ser estável, especialmente quando há compartimentalização social clara entre diferentes variedades linguísticas. O artigo apresenta o contexto do bilingüismo e do biculturalismo, diferenciando suas manifestações individuais e coletivas. O objetivo do trabalho é analisar como a compartimentalização social https://pt.wikipedia.org/wiki/Compartimentaliza%C3%A7%C3%A3o_(psicologia) influencia a estabilidade do uso de múltiplas línguas e culturas em uma sociedade. A compartimentalização social influencia a estabilidade do uso de múltiplas línguas em sociedades bilíngues ao criar limites claros entre diferentes funções sociais e contextos em que essas línguas são utilizadas.
Um exemplo interessante que o autor traz é que quando há uma forte compartimentalização, como em situações de diglossia https://pt.wikipedia.org/wiki/Diglossia, as línguas ou variedades linguísticas são atribuídas a funções específicas, mantendo uma separação rígida, o que favorece a estabilidade do bilinguismo. Por outro lado, a modernização, com suas redes abertas, relações fluidas e urbanização crescente, tende a diminuir essa compartimentalização, tornando o uso de múltiplas línguas mais fluido e menos rígido, o que pode afetar a estabilidade do bilinguismo societal. Desta forma, a urbanização e a mobilidade afetam as relações entre línguas e culturas em sociedades bilíngues ao reduzir a compartimentalização social, que anteriormente mantinha limites claros entre diferentes funções e contextos de uso linguístico e cultural.
Hoje em dia, as redes sociais se tornaram um canal aberto para a fluidez das relações, o que diminui a rigidez na separação de línguas e culturas https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais. Isso leva a uma maior mistura e intercâmbio entre elas, tornando as manifestações de bilinguismo e biculturismo mais fluidas e menos dependentes de fronteiras sociais rígidas. Entretanto, o autor problematiza a questão da diminuição da compartimentalização social, impulsionada pela urbanização e mobilidade, uma vez que isto pode ter várias consequências negativas para a preservação das línguas e culturas tradicionais. Primeiramente, ao reduzir as fronteiras rígidas entre diferentes funções sociais e contextos culturais, essas línguas e culturas podem se tornar mais vulneráveis à assimilação por elementos mais dominantes ou globais, levando à perda de suas características distintivas. Além disso, a maior interação e intercâmbio cultural podem diluir as práticas tradicionais, tornando-as menos visíveis e menos praticadas, o que compromete sua transmissão às novas gerações. Desta forma, a ausência de limites claros entre diferentes grupos culturais pode dificultar a manutenção de identidades culturais específicas, acelerando o processo de homogeneização cultural e linguística https://pt.wikipedia.org/wiki/Homogeneiza%C3%A7%C3%A3o_cultural .
Pensando nisso e para fortalecer a compartimentalização social e proteger as línguas e culturas tradicionais, o autor cita algumas estratégias que podem ser adotadas. Uma delas é promover políticas que reconheçam e valorizem as línguas e culturas locais, criando espaços específicos onde essas manifestações possam ser praticadas e transmitidas de geração em geração. Além disso, é importante incentivar a manutenção de práticas culturais tradicionais e o uso de línguas em contextos específicos, reforçando a distinção entre diferentes funções sociais e culturais. O autor também enfatiza que ações educativas e de conscientização podem ajudar a valorizar a diversidade cultural, reforçando a importância de preservar identidades específicas em meio às mudanças sociais e urbanas. Assim, Fishman realiza uma revisão teórica e sociológica de casos de bilinguismo estável, utilizando exemplos de políticas linguísticas nacionais, como nas Filipinas https://petletras.paginas.ufsc.br/2025/04/08/contexto-colonial-politicas-linguisticas-nas-filipinas/, onde o inglês e o filipino são promovidos como línguas de prestígio (H), enquanto línguas locais, como o tagalo, ocupam funções menos valorizadas (L). O autor destaca a necessidade de mais estudos sobre as relações entre compartimentalização social e manifestações de biculturalismo e bilinguismo, especialmente em contextos de modernização acelerada.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 2'''
''As Políticas Linguísticas''
O livro As Políticas Linguísticas, de Louis- Jean Calvet (2007) https://pt.scribd.com/document/716497145/As-politicas-linguisticas-Louis-Jean-Calvet, apresenta uma análise densa sobre os conceitos de Políticas Linguísticas, em especial sobre o princípio de territorialidade ou de personalidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_territorialidade, que trata do direito à língua e de como ela deve ser determinada, seja pelo território ou pela identidade dos falantes. Além disso, o livro aborda a importância do direito à língua, que garante o uso e a promoção das línguas das comunidades que compõem a cidadania. Esses princípios orientam as ações sobre a língua, seja na intervenção direta, como na padronização e fixação de alfabetos, ou na gestão do status das línguas, como na promoção de línguas veiculares ou minoritárias.
Calvet apresenta Os principais desafios enfrentados na implementação de políticas linguísticas em países multilíngues, incluindo a complexidade de estabelecer uma padronização linguística https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/3611, como exemplificado na tentativa de intervenção no léxico e ortografia de línguas, e a gestão do status das diferentes línguas presentes na sociedade. Além disso, o autor cita que há dificuldades relacionadas à resistência de comunidades que defendem suas línguas minoritárias ou tradicionais, como ocorre na promoção de línguas minoritárias ou na defesa do status internacional de línguas como o francês. Outro desafio importante é lidar com a substituição de línguas coloniais, como na arabização na África do Norte, que envolve processos de mudança cultural e política complexos, muitas vezes enfrentando resistência ou dificuldades na implementação efetiva dessas políticas.
O autor também trás exemplos de políticas linguísticas bem-sucedidas que podem servir de modelo, incluindo a padronização de uma língua, como ocorreu na Noruega https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_norueguesa, onde a padronização de línguas nacionais foi eficaz. Além disso, a promoção de uma língua veicular https://periodicos.ufjf.br/index.php/veredas/article/view/35916/24321, como o caso da Tanzânia https://en.wikipedia.org/wiki/Languages_of_Tanzania, demonstra como a valorização de uma língua comum pode facilitar a comunicação e fortalecer a identidade nacional. Outro exemplo importante é a defesa do status internacional de línguas como o francês, que, por meio de ações coordenadas na Europa e na Francofonia https://pt.wikipedia.org/wiki/Francofonia, conseguiu consolidar sua presença global, promovendo a paz linguística e a cooperação internacional. Esses exemplos mostram estratégias que envolvem legislação, padronização e valorização internacional, que podem ser adaptadas a diferentes contextos.
Segundo o livro, as políticas de padronização linguística podem afetar as línguas minoritárias ou indígenas de diversas maneiras. Por um lado, a padronização pode contribuir para a preservação e valorização dessas línguas, especialmente quando há reconhecimento oficial e esforços para sua documentação e ensino, como exemplificado na promoção de línguas minoritárias e na paz linguística. Por outro lado, a imposição de uma língua padrão pode levar à marginalização ou até à substituição dessas línguas, como ocorreu na arabização na África do Norte https://www.britannica.com/place/North-Africa/The-growth-of-urban-life, onde a substituição de línguas coloniais por árabe resultou na perda de línguas tradicionais. Assim, a padronização, se não for cuidadosamente planejada e sensível às especificidades culturais, pode representar uma ameaça à diversidade linguística https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39, levando à diminuição do uso e do prestígio das línguas minoritárias ou indígenas.
Pensando nos países com grande diversidade linguística, Calvet observa que há a dificuldade de garantir o reconhecimento e o respeito às línguas minoritárias e indígenas, especialmente quando há uma forte tendência à padronização e à imposição de uma língua oficial. Como exemplificado na promoção de línguas minoritárias e na paz linguística, a implementação dessas políticas requer sensibilidade cultural e o envolvimento ativo das comunidades, o que nem sempre é fácil de alcançar. Além disso, a resistência de grupos que defendem suas línguas tradicionais ou minoritárias pode dificultar a adoção de políticas inclusivas https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/gestaoeinovacao/inovacao-governamental-carreiras-transversais/inovacao-governamental/gestao-de-carreiras/lins/linguagem-inclusiva, especialmente se essas políticas forem percebidas como ameaças à identidade cultural ou à autonomia dessas comunidades.
Portanto, a complexidade de equilibrar a padronização com a diversidade, além de lidar com questões políticas, culturais e sociais, constitui um grande desafio na promoção de políticas linguísticas verdadeiramente inclusivas. Além do mais, a resistência política ou social pode impactar significativamente a implementação de políticas linguísticas, pois muitas vezes há conflitos de interesses, identidades culturais e percepções de ameaça à autonomia das comunidades. O livro aponta como exemplo a resistência às mudanças na língua na África do Norte, a substituição de línguas coloniais por árabe enfrentou forte resistência de grupos que viam essas ações como uma ameaça à sua cultura e história. Além disso, a resistência social pode surgir de comunidades que defendem suas línguas tradicionais ou minoritárias, considerando-as essenciais para sua identidade, o que pode dificultar a adoção de políticas de padronização ou de promoção de línguas veiculares.
Assim, o impacto da resistência política e social muitas vezes se manifesta na paralisação, modificação ou até na rejeição total de políticas linguísticas, exigindo estratégias de diálogo, sensibilização e inclusão para que essas políticas possam avançar de forma efetiva. Ademais, o livro nos explica que o conceito de "política linguística" começou a ser utilizado de forma sistemática no Brasil apenas recentemente, diferentemente de outros países latino-americanos, como Argentina e os países andinos. No Brasil, a ideologia da "língua única" https://pt.wikipedia.org/wiki/Monoglotismo historicamente camuflou a realidade plurilíngue do país, dificultando o debate sobre políticas linguísticas. O consenso em torno do português como língua nacional tem limitado a discussão sobre a diversidade linguística e a necessidade de políticas específicas para diferentes comunidades.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 3'''
''Orientações no Planejamento Linguístico''
A terceira sugestão de leitura é do trabalho de Richard Luiz, com o texto Orientações no Planejamento Linguístico https://www.researchgate.net/publication/261641231_Orientations_in_Language_Planning. O artigo examina as diferentes orientações que fundamentam o planejamento linguístico e sua influência sobre políticas e práticas educacionais, especialmente nos Estados Unidos.
O autor propõe três orientações principais: língua como problema, língua como direito e língua como recurso http://www.revel.inf.br/files/e92f933a3b0ca404b70a1698852e4ebd.pdf. A orientação língua como recurso pode ser aplicada na prática da educação bilíngue promovendo uma valorização da diversidade linguística como um ativo social e educacional. Isso implica em reconhecer e utilizar as diferentes línguas presentes na comunidade como recursos para o aprendizado, enriquecendo o currículo e fortalecendo a identidade cultural dos estudantes.
Além disso, essa abordagem incentiva a integração das línguas minoritárias na educação, promovendo o bilinguismo e o bilíngue como uma vantagem, ao invés de um obstáculo. Dessa forma, a educação bilíngue passa a ser vista como uma ferramenta para potencializar o desenvolvimento social, cultural e econômico, ao mesmo tempo em que respeita e valoriza as múltiplas identidades linguísticas de seus usuários.
Para o autor alguns desafios podem surgir na implementação de uma política de línguas como recurso na educação, sendo elas: a resistência cultural e política, que pode dificultar o reconhecimento e valorização das línguas minoritárias; a falta de recursos e formação adequada para professores; o que compromete a qualidade do ensino bilíngue e a possível hostilidade, que muitas vezes está enraizada nas orientações problemáticas e de direitos, dificultando a integração e o entendimento entre diferentes grupos linguísticos. Além disso, há o desafio de criar uma política consistente e sustentável que realmente valorize a diversidade linguística como um ativo, sem que ela seja vista apenas como uma questão de conflito ou de direitos, o que exige uma mudança de paradigma e de atitudes na sociedade.
O pesquisador enfoca bastante a importância da formação de professores https://www.scielo.br/j/ccedes/a/G7Fqdms45c6bxtK8XSF6tbq/?lang=pt&format=pdf, complementando que esta pode ser aprimorada por meio de programas de capacitação que enfatizem a valorização das línguas como recursos, promovendo uma compreensão profunda da diversidade linguística e cultural. Para tal, é preciso incluir treinamentos específicos sobre metodologias de ensino bilíngue, estratégias para integrar as línguas minoritárias de forma positiva e o desenvolvimento de competências interculturais.
Além disso, é fundamental oferecer formação contínua que estimule a reflexão sobre o papel das línguas como ativos sociais, incentivando os professores a adotarem uma postura de valorização e respeito às diferentes línguas e identidades. Dessa forma, os docentes estarão melhor preparados para apoiar uma política de língua como recurso, promovendo um ambiente de aprendizagem inclusivo, que valorize a diversidade e contribua para a construção de uma política linguística responsável e sustentável.
As estratégias mencionadas anteriormente podem ser adaptadas para diferentes contextos culturais e linguísticos ao considerar as especificidades de cada comunidade. Por exemplo, ao trabalhar com comunidades indígenas ou minoritárias, é importante incorporar elementos culturais e tradicionais nas atividades, usando materiais autênticos que reflitam suas realidades e histórias. Além disso, as atividades podem ser ajustadas para respeitar as normas sociais, valores e formas de comunicação de cada grupo, promovendo o diálogo intercultural e o reconhecimento mútuo.
Outra adaptação relevante citada pelo autor é a inclusão de práticas que valorizem as línguas locais e suas funções sociais, como projetos de preservação linguística, que reforçam a importância de cada língua como recurso cultural e identitário. Assim, diferentes metodologias podem ser flexíveis, combinando abordagens tradicionais e inovadoras, sempre com o objetivo de fortalecer a identidade linguística e promover o respeito às diversidades culturais, contribuindo para uma educação mais inclusiva e sensível às especificidades de cada contexto.
Além disso, práticas de ensino que envolvam a troca de experiências culturais, como rodas de conversa, entrevistas com membros da comunidade e atividades de intercâmbio cultural, ajudam a valorizar as línguas como recursos culturais vivos https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=3053. Essas metodologias promovem o respeito às diversidades culturais, fortalecem a identidade dos estudantes e contribuem para uma aprendizagem mais significativa, que reconheça as línguas como elementos essenciais de suas culturas e histórias.
Assim, o texto destaca que as concepções básicas sobre o papel da língua na sociedade moldam os esforços de planejamento linguístico em diferentes contextos, mas o autor observa que, apesar de avanços na delimitação do campo, ainda há carência de modelos conceituais sólidos para orientar a literatura sobre o tema. O trabalho adota uma abordagem teórica e analítica, revisando a literatura internacional e discutindo exemplos práticos, especialmente no contexto da educação bilíngue nos Estados Unidos https://www.scielo.br/j/ep/a/fV5zLF4y7pLg4cvMY9F4P6k/?lang=pt. O autor defende o desenvolvimento de uma orientação baseada na língua como recurso, visando integrar a educação bilíngue a uma política linguística mais responsável e inclusiva. Um ponto de destaque no texto é que o pesquisador sugere a necessidade de maior elaboração teórica e prática sobre orientações da língua como recurso, bem como da criação de modelos conceituais mais robustos para o campo. O artigo enfatiza a importância de repensar as bases conceituais do planejamento linguístico para promover políticas mais eficazes e inclusivas, especialmente no contexto da educação bilíngue.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 4'''
''Política Linguística e Internacionalização: A Língua Portuguesa no Mundo Globalizado do Século XXI''
Para essa sugestão de leitura trazemos o artigo Política Linguística e Internacionalização: a Língua Portuguesa no Mundo Globalizado do Século XXI https://www.scielo.br/j/tla/a/MvzjfZ35mKhnxHjWW5W7rMk/?format=html&lang=pt do pesquisador Gilvan Muller de Oliveira.
O artigo analisa a internacionalização da língua portuguesa no contexto do reposicionamento global dos países da CPLP no século XXI https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_dos_Pa%C3%ADses_de_L%C3%ADngua_Portuguesa, destacando o impacto do Acordo Ortográfico de 1990 https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990 e a necessidade de gestão compartilhada da língua. Os principais desafios enfrentados na internacionalização da língua portuguesa, segundo o artigo, incluem a fragmentação normativa entre os países lusófonos, especialmente entre Brasil e Portugal, que podem dificultar uma projeção internacional unificada.
Além disso, existem impasses na gestão da língua, como a necessidade de estabelecer políticas linguísticas eficazes e de cooperação multilateral para promover uma normatização convergente. Outro desafio importante é o fortalecimento da presença do português em diferentes nichos globais, como o mercado digital e os meios de comunicação, que ainda apresentam limitações devido às políticas de fechamento linguístico e às políticas de proteção do mercado interno, especialmente no Brasil, que dificultam a circulação de bens culturais e a valorização do português como língua internacional.
Para o autor, as principais estratégias para promover a internacionalização da língua portuguesa no século XXI incluem o reconhecimento e a valorização dos recursos linguísticos brasileiros, bem como das línguas de imigração faladas no país https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/as-linguas-imigrantes-no-portugues-do-brasil/, que podem ser instrumentalizadas para fortalecer a presença do português no exterior. Além disso, o pesquisador complementa que é fundamental estabelecer parcerias estratégicas com países de língua espanhola, aproveitando a alta intercompreensão entre as línguas, e ampliar a cooperação com blocos econômicos e organizações internacionais onde o português é oficial, como a CPLP, Mercosul https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul e BRICS https://pt.wikipedia.org/wiki/BRICS.
Outra estratégia importante é fortalecer a relação com o inglês, melhorando a interatividade em língua inglesa para facilitar a circulação de conhecimento científico e tecnológico, além de promover a troca cultural e econômica. Essas ações visam ampliar o potencial de internacionalização do português, promovendo sua presença em diferentes ambientes globais e fortalecendo sua posição como língua de cultura, ciência e negócios.
Para fortalecer a relação do português com o inglês no contexto da ciência e tecnologia, algumas ações específicas podem ser adotadas. Segundo o pesquisador, primeiramente, é fundamental melhorar a interatividade em inglês, promovendo a tradução e a circulação da pesquisa científica produzida em português, de modo a ampliar acessibilidade e impacto em mercados internacionais. Além disso, é importante incentivar a formação de profissionais bilíngues, especialmente em inglês, por meio de programas de capacitação e mobilidade acadêmica, como o Programa Ciência Sem Fronteiras https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_sem_Fronteiras, que prepara jovens para atuar em ambientes internacionais.
Outra ação relevante é fortalecer parcerias com países de língua inglesa, como Índia e África do Sul, que possuem centros universitários e de pesquisa de destaque, facilitando acordos de cooperação, intercâmbio de conhecimentos e projetos conjuntos. Essas ações visam criar uma ponte mais sólida entre o português e o inglês, potencializando a produção científica e tecnológica de países lusófonos e ampliando sua presença no cenário global.
Projetos de cooperação internacional bem-sucedidos entre países lusófonos e anglófonos que podem servir de modelo incluem o projeto do VOC https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2022/10/para-paises-lusofonos-cooperacao-e-o-caminho-para-superar-os-desafios-na-implementacao-do-acordo-de-paris, que promove a normatização convergente do português e fortalece institucionalmente o Instituto Internacional da Língua Portuguesa https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Internacional_da_L%C3%ADngua_Portuguesa. Esse projeto envolve colóquios internacionais que abordam temas estratégicos, como a diversidade linguística, o português nas diásporas, o uso no mundo digital e sua presença em organizações internacionais, culminando na formulação de políticas compartilhadas e na gestão conjunta da língua. Essas iniciativas demonstram a importância de ações coordenadas, de gestão compartilhada e de diálogo multilateral para fortalecer a posição do português no cenário internacional.
Essas ações contribuem para a formulação de diretrizes e para a implementação de projetos estratégicos de forma coordenada. Além disso, podem estabelecer convênios de cooperação técnica, financiando e apoiando a criação de equipes multidisciplinares que executem ações concretas, como a normatização de línguas, a promoção do português em organismos internacionais, assim como o fortalecimento de sua presença em blocos econômicos e diplomáticos. Por fim, as organizações internacionais podem atuar como mediadoras e facilitadoras de alianças geolinguísticas https://pt.wikipedia.org/wiki/Geolingu%C3%ADstica, promovendo o diálogo e a cooperação entre países de diferentes línguas e culturas, ampliando o espaço de atuação do português e fortalecendo sua inserção global. O artigo conclui nos informando sobre o potencial do português como língua internacional e que a internacionalização efetiva depende de políticas integradas, gestão compartilhada e valorização do multilinguismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Multilinguismo.
'''SUGESTÃO DE LEITURA CINCO'''
''O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP – Aspectos da Gestão de uma Organização Político-Linguística Original''
Seguimos com outra contribuição do pesquisador Gilvan Muller de Oliveira, agora com o artigo O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP: aspectos da gestão de uma organização político-linguística original https://revistas.usp.br/linhadagua/pt_BR/article/view/154926.
O artigo apresenta uma sistematização histórica do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) https://iilp.cplp.org/ , órgão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dividindo sua trajetória em quatro fases: Concepção (1989-99), Instalação (2000-05), Consolidação (2006-10) e Expansão (2011-presente). O autor analisa o funcionamento, realizações e limitações do IILP na promoção do português como língua pluricêntrica https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_pluric%C3%AAntrica, destacando projetos contemporâneos e desafios de gestão.
O texto contribui para a compreensão das políticas linguísticas do português, especialmente na promoção internacional da língua, destacando o caráter inovador do IILP como instituição multilateral, suas potencialidades e fragilidades financeiras e políticas, e sua singularidade no contexto das grandes línguas internacionais.
O IILP é uma instituição da CPLP com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e tem como missão promover, defender, enriquecer e difundir a língua portuguesa como veículo de cultura, educação e ciência. Essa instituição estrutura-se em Direção Executiva (sede em Cabo Verde) e Conselho Científico (composto por Comissões Nacionais dos Estados Membros).
O financiamento desta instituição provém de contribuições obrigatórias dos Estados Membros, sendo que os principais desafios enfrentados pelo IILP na captação de recursos externos incluem a dependência de contribuições obrigatórias dos Estados Membros, que muitas vezes são insuficientes ou atrasadas, dificultando a realização de projetos e parcerias. Além disso, a instituição enfrenta dificuldades na obtenção de recursos adicionais por meio de editais de agências financiadoras, devido à sua limitada capacidade de captação e à forte concorrência por esses fundos. Outro desafio importante é a burocracia e a complexidade dos processos de negociação, que tornam longos e difíceis os procedimentos para a obtenção de consensos e a aprovação de recursos, especialmente em um contexto de relações sujeitas a tensões políticas e interesses divergentes entre os países membros.
O IILP tem utilizado várias estratégias para superar as dificuldades financeiras e de gestão. Uma delas é a captação de recursos externos, além das contribuições obrigatórias dos Estados Membros. Por exemplo, a partir de 2011, o instituto conseguiu captar recursos de editais de agências financiadoras, como os fundos da União Europeia https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia, que contribuíram para o seu financiamento. Além disso, o IILP busca fortalecer sua autonomia administrativa, financeira e patrimonial, consolidando sua estrutura institucional, sede própria e um orçamento aprovado, mesmo que mínimo. Outra estratégia importante é a articulação dos recursos e esforços técnicos, científicos e financeiros dos Estados Membros, promovendo uma gestão colegiada e intergovernamental, que visa otimizar os recursos disponíveis e ampliar sua atuação. Essas ações refletem uma tentativa de garantir a continuidade e o desenvolvimento do instituto, mesmo diante de um cenário de recursos limitados e dificuldades na arrecadação das quotas obrigatórias.
Essas ações refletem uma tentativa de diversificar suas fontes de recursos e ampliar sua capacidade de execução de projetos, além das contribuições dos Estados Membros, o IILP destaca-se como modelo inovador de gestão de uma língua internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_mundial, promovendo cooperação e superando a lógica hierárquica colonial. Apesar das dificuldades, tem ampliado sua relevância no espaço lusófono, adaptando-se às demandas do século XXI. O futuro do instituto dependerá da continuidade do apoio político e da capacidade de responder a desafios geopolíticos e de internacionalização.
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SUGESTÃO DE LEITURA SEIS'''
''A Norma Brasileira da Língua Portuguesa (NBLP): Alcance, Formação e Difusão''
Gilvan Müller de Oliveira, nesse outro trabalho com título A Norma Brasileira de Língua Portuguesa: alcances, formação e difusão https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7671489 analisa três dimensões centrais da NBLP: seu alcance geopolítico e demográfico, sua formação histórica e sociolinguística, e sua difusão internacional como língua estrangeira.
O texto busca situar a NBLP https://revistas.pucsp.br/index.php/verbum/article/download/51954/pdf/154302 no contexto do sistema pluricêntrico da língua portuguesa https://iilp.cplp.org/portugues-pluricentrico/, especialmente no momento em que o português transita de uma gestão nacional para uma internacional. A NBLP é apresentada como uma das normas de uma língua pluricêntrica, coexistindo com a norma europeia e normas emergentes (angolana, moçambicana). O conceito de norma linguística é discutido sob diferentes perspectivas, destacando-se sua função social, cultural e política, e seu papel na regulação dos usos oficiais da língua. O alcance da NBLP é avaliado a partir de quatro critérios principais: população orientada para a NBLP, projeção demográfica futura, dimensão do sistema educacional e produção científica e presença e influência na Internet.
O Brasil possui o quinto maior sistema universitário do mundo https://www.bbc.com/portuguese/geral-61237842, com 7,3 milhões de estudantes no ensino superior e 250 mil artigos científicos publicados entre 2011 e 2016, majoritariamente em português. O Brasil é o 4º país em número de usuários da Internet https://brasil.un.org/pt-br/77784-brasil-%C3%A9-o-quarto-pa%C3%ADs-com-mais-usu%C3%A1rios-de-internet-do-mundo-diz-relat%C3%B3rio-da-onu, representando quase 89% dos usuários de português online, o que amplia a influência da NBLP em ambientes digitais e na tradução automática.
O alcance da NBLP envolve aspectos como a população orientada para essa norma, a projeção demográfica futura, a dimensão do sistema educacional e a presença na internet. O autor, em seu artigo, apresenta a origem histórica, o caráter regionalizado e polarizado, e o do processo de constituição e evolução ao longo do tempo da NBLP. Ademais, a difusão internacional da NBLP é abordada através de instrumentos de promoção, como exames de proficiência e cooperação multilaterais, além do impacto da sua presença na internet e na atuação em mercados de línguas estrangeiras.
Para o pesquisador, os principais desafios enfrentados na unificação das normas do português entre os países lusófonos incluem a superação das diferenças históricas, culturais e políticas que marcaram a formação de cada norma nacional. Um dos obstáculos é a forte regionalização e polarização da norma brasileira, que reflete a diversidade linguística e social do país, dificultando uma norma única e homogênea. Além disso, há a questão do nacionalismo linguístico, que muitas vezes reforça a separação entre as normas do português europeu e brasileiro https://www.cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/article/view/3632, dificultando a construção de uma gestão pluricêntrica e intercultural da língua.
As diferenças culturais entre os países lusófonos influenciam significativamente a unificação das normas do português, pois refletem as distintas trajetórias históricas, sociais e linguísticas de cada país. Essas diferenças se manifestam na formação de normas regionais, como a norma brasileira, que é altamente regionalizada devido à diversidade de regiões e suas variações linguísticas, e na existência de normas emergentes em países como Angola e Moçambique https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/download/49614/53705/60954, que estão desenvolvendo instrumentos próprios para suas variedades linguísticas. Além disso, a sociedade brasileira, marcada por uma forte polarização social e uma história de formação de uma diglossia, contribui para uma norma que muitas vezes é elitista e distante do uso cotidiano de grande parte da população, dificultando uma padronização comum. Cada país possui suas próprias especificidades culturais e sociais, reforçando o desafio de criar uma norma única, que seja aceita e praticada por todos os falantes, promovendo uma gestão pluricêntrica e intercultural da língua.
Além disso, é fundamental valorizar a diversidade linguística e cultural de cada país, promovendo uma abordagem que respeite as especificidades regionais e sociais, ao mesmo tempo em que busca pontos de convergência. Outra estratégia importante é a criação de instrumentos comuns de normatização, como o Vocabulário Ortográfico Comum https://voc.cplp.org/, que possam servir de base para uma padronização flexível, permitindo variações regionais e sociais, mas mantendo uma unidade de referência. Investir na educação e na formação de professores e profissionais de linguagem que estejam sensibilizados para a importância do plurilinguismo e do interculturalismo também é essencial para consolidar uma norma que seja legítima e aceita por todos os países lusófonos.
'''SUGESTÃO DE LEITURA SETE'''
''Linguística e Colonialismo''
Outra contribuição de Louis-Jean Calvet é o livro Linguística e Colonialismo https://pt.scribd.com/document/613573649/Calvet-Linguistica-y-Colonialismo. O livro aborda a relação entre linguística e colonialismo, destacando como o estudo das línguas foi influenciado por contextos coloniais. A tradução de Luciano Padilla Lopez https://ar.linkedin.com/in/luciano-padilla-l%C3%B3pez-a43607202 sugere uma análise crítica sobre como o colonialismo impactou a pesquisa e a compreensão das línguas, possivelmente discutindo questões de poder, dominação cultural e a imposição de línguas colonizadoras sobre línguas indígenas. Calvet propõe uma reflexão sobre o papel da linguística na perpetuação ou resistência a práticas coloniais, enfatizando a importância de considerar fatores históricos e sociais na análise linguística.
Ao longo da leitura o autor destaca que o colonialismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Colonialismo impactou a pesquisa linguística ao influenciar a forma como as línguas eram estudadas e compreendidas, muitas vezes refletindo relações de poder e dominação cultural. Ele também aponta que o colonialismo levou à imposição de línguas colonizadoras https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_gerais sobre línguas indígenas, o que pode ter contribuído para a marginalização e perda de línguas nativas. Além disso, o pesquisador sugere que a pesquisa linguística muitas vezes foi usada para perpetuar práticas coloniais, reforçando estruturas de poder e controle, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre a necessidade de uma abordagem mais crítica e consciente do papel da linguística nesse contexto.
Calvet explora nesse livro o colonialismo em sua vertente mais obscura, trazendo inúmeros exemplos das consequências coloniais nas mais variadas culturas e línguas ao redor do mundo. Porém, para ele, as políticas linguísticas https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2019/10/17/o-que-sao-politicas-linguisticas/ podem desempenhar um papel crucial no equilíbrio entre a valorização da língua local e a incorporação de empréstimos de outras línguas. Quando políticas oficiais promovem o reconhecimento e a valorização da língua própria, incentivando o uso de vocabulário tradicional e a preservação de expressões culturais, elas fortalecem a identidade cultural e resistem à influência de empréstimos externos. Por outro lado, políticas que incentivam a abertura ao contato linguístico, promovendo a incorporação de empréstimos de forma consciente e adaptada, podem enriquecer a língua local sem comprometer sua essência, desde que haja uma valorização do patrimônio linguístico próprio. Assim, um equilíbrio eficaz pode ser alcançado por meio de políticas que promovam a valorização do idioma local, ao mesmo tempo em que reconhecem a importância de empréstimos como elementos de dinamismo cultural e de adaptação às mudanças sociais e tecnológicas.
O autor também aborda as contribuições das comunidades https://doceru.com/doc/xxn508ne e explica que estas mesmas comunidades podem participar ativamente na formulação de políticas linguísticas que promovam o equilíbrio entre a valorização da língua local e a incorporação de empréstimos de outras línguas através de processos de diálogo, consulta e inclusão. Uma estratégia importante para alcançar tal objetivo é envolver representantes culturais, acadêmicos, líderes comunitários e a sociedade civil na discussão sobre quais elementos linguísticos devem ser preservados e como os empréstimos podem ser integrados de forma que respeitem a identidade cultural.
Além disso, a criação de espaços de debate e de educação que promovam o entendimento sobre a importância de manter a riqueza do idioma próprio, ao mesmo tempo em que reconhecem a influência de línguas externas, é fundamental. A educação pode contribuir de forma significativa para uma participação mais ativa das comunidades na formulação de políticas linguísticas ao promover o conhecimento crítico sobre a importância da língua própria e o impacto dos empréstimos linguísticos. Dessa forma, a educação atua como um catalisador para fortalecer a autonomia linguística e promover um diálogo mais democrático e consciente sobre o uso e a evolução das línguas, indo de contra o próprio sistema de colonialismo.
'''SUGESTÃO DE LEITURA OITO'''
''Imperialismo Linguístico''
Nossa última contribuição neste guia de estudos é o livro Imperialismo Linguístico https://www.researchgate.net/publication/31837620_Linguistic_Imperialism_R_Phillipson, de Robert Phillipson. Este livro é dividido em 10 capítulos, investigando o fenômeno contemporâneo do inglês como língua mundial https://pt.wikipedia.org/wiki/Ingl%C3%AAs_internacional e analisando como a língua inglesa conseguiu a ser tão dominante e por quê. Assim, o autor propõe o estudo paulatino da disseminação histórica do inglês ao redor do mundo para entender se houve promoção ativa do idioma como instrumento da política externa https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_externa de grandes países de língua inglesa e de países do Terceiro Mundo, principalmente por meio da ajuda ao desenvolvimento educacional e do ensino de inglês.
O autor, ao longo do livro, aponta que as políticas linguísticas herdadas pelos países do Terceiro Mundo influenciam suas relações econômicas e políticas com países de língua inglesa de várias maneiras. Primeiramente, essas políticas muitas vezes refletem uma dependência de apoio externo, especialmente na área de educação, onde o ensino do inglês é promovido como uma estratégia de desenvolvimento, mas que pode acabar perpetuando desigualdades entre Norte e Sul. Além disso, ao adotar políticas que favorecem o inglês, esses países podem se alinhar mais estreitamente às agendas econômicas e políticas dos países de língua inglesa, facilitando acordos comerciais e alianças estratégicas, mas também podendo limitar o desenvolvimento de suas próprias línguas e culturas. Isso, a partir das reflexões do pesquisador, nos revelam a transmissão de uma ideologia que valoriza o inglês como ferramenta de progresso e modernidade, reforçando uma relação de dependência e subordinação, na qual o idioma se torna um instrumento de poder e influência global, moldando as relações internacionais dessas nações.
Para preservar suas línguas e culturas diante da influência do inglês, os países do Terceiro Mundo podem adotar várias estratégias. Uma delas é fortalecer e valorizar suas línguas nativas por meio de políticas públicas que promovam o ensino, o uso e a valorização dessas línguas em todos os níveis educacionais e sociais. Além disso, é importante desenvolver e apoiar a produção cultural local, como literatura, música, cinema e outras manifestações artísticas, que reforcem a identidade cultural própria. Outra estratégia fundamental é promover a educação bilíngue ou multilíngue, garantindo que as línguas indígenas e locais tenham espaço e reconhecimento, ao mesmo tempo em que se ensina o inglês de forma crítica e consciente, sem que ele substitua ou diminua a importância das línguas nativas. Essas ações podem ajudar a fortalecer a soberania cultural e a resistência às pressões de dominação linguística global, criando uma alternativa ao impacto da influência do inglês na formação da identidade nacional.
-Caros leitores, após esse breve resumo informativo sobre cada sugestão de pesquisa e estudo supracitado acima, convidamos vocês para aprofundarem essas investigações acessando os materiais indicados na íntegra! Reforçamos que indicações de leituras extras foram anexadas ao longo do texto, caso o leitor tenha alguma dúvida ou curiosidade sobre os temas explorados. Esperamos poder ter contribuído de forma positiva e significativa nessa jornada de conhecimentos! Avante!
'''REFERÊNCIAS UTILIZADAS NESSE GUIA DE ESTUDOS:'''
https://gl.wikipedia.org/wiki/Atlas_interactivo_UNESCO_das_linguas_en_perigo_no_mundo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica
https://en.wikipedia.org/wiki/Language_policy
https://pt.wikiversity.org/wiki/Projeto_Agentes_de_Pol%C3%ADticas_Lingu%C3%ADsticas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADticas_lingu%C3%ADsticas_in_vivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_do_Brasil
https://pt.scribd.com/document/716497145/As-politicas-linguisticas-Louis-Jean-Calvet
https://www.researchgate.net/publication/261641231_Orientations_in_Language_Planning
https://www.scielo.br/j/tla/a/MvzjfZ35mKhnxHjWW5W7rMk/?format=html&lang=pt
https://revistas.usp.br/linhadagua/pt_BR/article/view/154926
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7671489
https://pt.scribd.com/document/613573649/Calvet-Linguistica-y-Colonialismo
https://www.researchgate.net/publication/31837620_Linguistic_Imperialism_R_Phillipson
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text/x-wiki
Sejam todos bem-vindos ao Guia de Estudos em Políticas Linguísticas https://en.wikipedia.org/wiki/Language_policy que tem como objetivo proporcionar um caminho de aprendizagem colaborativa em torno dos entendimentos sobre linguagem, política e globalização https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica.
Abaixo, apresentamos alguns textos e livros (no total de oito referências bibliográficas) que podem ser essenciais e úteis no caminho de aprendizagem de todos os interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre Políticas Linguísticas https://pt.wikiversity.org/wiki/Projeto_Agentes_de_Pol%C3%ADticas_Lingu%C3%ADsticas.
Gostaríamos de frisar, de antemão, que os resumos/resenhas aqui apresentados são resultados de um olhar subjetivo da autora. Assim, sugerimos que cada leitor que tenha acesso a esse site (e guia de estudos) cliquem nos links inseridos ao longo do texto e façam o download completo dos textos, para posterior apreciação. Boa leitura!
'''SUGESTÃO DE LEITURA 1'''
''Bilinguismo e Biculturalismo como Fenômenos Individuais e Sociais''
Trazemos para conhecimento dos leitores o artigo de Fishman (2010), Bilinguismo e Biculturalismo como Fenômenos Individuais e Sociais http://www.tandfonline.com/loi/rmmm20, publicado pela Yeshiva University https://www.yu.edu/, onde o autor examina o bilingüismo https://revistas.pucsp.br/intercambio/article/download/3488/2296 e o biculturalismo https://en.wikipedia.org/wiki/Biculturalism tanto em nível individual quanto societal, destacando a complexidade das relações entre línguas, culturas e funções sociais.
O autor discute em seu texto como a alocação de funções linguísticas em sociedades bilíngues pode ser estável, especialmente quando há compartimentalização social clara entre diferentes variedades linguísticas. O artigo apresenta o contexto do bilingüismo e do biculturalismo, diferenciando suas manifestações individuais e coletivas. O objetivo do trabalho é analisar como a compartimentalização social https://pt.wikipedia.org/wiki/Compartimentaliza%C3%A7%C3%A3o_(psicologia) influencia a estabilidade do uso de múltiplas línguas e culturas em uma sociedade. A compartimentalização social influencia a estabilidade do uso de múltiplas línguas em sociedades bilíngues ao criar limites claros entre diferentes funções sociais e contextos em que essas línguas são utilizadas.
Um exemplo interessante que o autor traz é que quando há uma forte compartimentalização, como em situações de diglossia https://pt.wikipedia.org/wiki/Diglossia, as línguas ou variedades linguísticas são atribuídas a funções específicas, mantendo uma separação rígida, o que favorece a estabilidade do bilinguismo. Por outro lado, a modernização, com suas redes abertas, relações fluidas e urbanização crescente, tende a diminuir essa compartimentalização, tornando o uso de múltiplas línguas mais fluido e menos rígido, o que pode afetar a estabilidade do bilinguismo societal. Desta forma, a urbanização e a mobilidade afetam as relações entre línguas e culturas em sociedades bilíngues ao reduzir a compartimentalização social, que anteriormente mantinha limites claros entre diferentes funções e contextos de uso linguístico e cultural.
Hoje em dia, as redes sociais se tornaram um canal aberto para a fluidez das relações, o que diminui a rigidez na separação de línguas e culturas https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/povos-e-comunidades-tradicionais. Isso leva a uma maior mistura e intercâmbio entre elas, tornando as manifestações de bilinguismo e biculturismo mais fluidas e menos dependentes de fronteiras sociais rígidas. Entretanto, o autor problematiza a questão da diminuição da compartimentalização social, impulsionada pela urbanização e mobilidade, uma vez que isto pode ter várias consequências negativas para a preservação das línguas e culturas tradicionais. Primeiramente, ao reduzir as fronteiras rígidas entre diferentes funções sociais e contextos culturais, essas línguas e culturas podem se tornar mais vulneráveis à assimilação por elementos mais dominantes ou globais, levando à perda de suas características distintivas. Além disso, a maior interação e intercâmbio cultural podem diluir as práticas tradicionais, tornando-as menos visíveis e menos praticadas, o que compromete sua transmissão às novas gerações. Desta forma, a ausência de limites claros entre diferentes grupos culturais pode dificultar a manutenção de identidades culturais específicas, acelerando o processo de homogeneização cultural e linguística https://pt.wikipedia.org/wiki/Homogeneiza%C3%A7%C3%A3o_cultural .
Pensando nisso e para fortalecer a compartimentalização social e proteger as línguas e culturas tradicionais, o autor cita algumas estratégias que podem ser adotadas. Uma delas é promover políticas que reconheçam e valorizem as línguas e culturas locais, criando espaços específicos onde essas manifestações possam ser praticadas e transmitidas de geração em geração. Além disso, é importante incentivar a manutenção de práticas culturais tradicionais e o uso de línguas em contextos específicos, reforçando a distinção entre diferentes funções sociais e culturais. O autor também enfatiza que ações educativas e de conscientização podem ajudar a valorizar a diversidade cultural, reforçando a importância de preservar identidades específicas em meio às mudanças sociais e urbanas. Assim, Fishman realiza uma revisão teórica e sociológica de casos de bilinguismo estável, utilizando exemplos de políticas linguísticas nacionais, como nas Filipinas https://petletras.paginas.ufsc.br/2025/04/08/contexto-colonial-politicas-linguisticas-nas-filipinas/, onde o inglês e o filipino são promovidos como línguas de prestígio (H), enquanto línguas locais, como o tagalo, ocupam funções menos valorizadas (L). O autor destaca a necessidade de mais estudos sobre as relações entre compartimentalização social e manifestações de biculturalismo e bilinguismo, especialmente em contextos de modernização acelerada.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 2'''
''As Políticas Linguísticas''
O livro As Políticas Linguísticas, de Louis- Jean Calvet (2007) https://pt.scribd.com/document/716497145/As-politicas-linguisticas-Louis-Jean-Calvet, apresenta uma análise densa sobre os conceitos de Políticas Linguísticas, em especial sobre o princípio de territorialidade ou de personalidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_territorialidade, que trata do direito à língua e de como ela deve ser determinada, seja pelo território ou pela identidade dos falantes. Além disso, o livro aborda a importância do direito à língua, que garante o uso e a promoção das línguas das comunidades que compõem a cidadania. Esses princípios orientam as ações sobre a língua, seja na intervenção direta, como na padronização e fixação de alfabetos, ou na gestão do status das línguas, como na promoção de línguas veiculares ou minoritárias.
Calvet apresenta Os principais desafios enfrentados na implementação de políticas linguísticas em países multilíngues, incluindo a complexidade de estabelecer uma padronização linguística https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/3611, como exemplificado na tentativa de intervenção no léxico e ortografia de línguas, e a gestão do status das diferentes línguas presentes na sociedade. Além disso, o autor cita que há dificuldades relacionadas à resistência de comunidades que defendem suas línguas minoritárias ou tradicionais, como ocorre na promoção de línguas minoritárias ou na defesa do status internacional de línguas como o francês. Outro desafio importante é lidar com a substituição de línguas coloniais, como na arabização na África do Norte, que envolve processos de mudança cultural e política complexos, muitas vezes enfrentando resistência ou dificuldades na implementação efetiva dessas políticas.
O autor também trás exemplos de políticas linguísticas bem-sucedidas que podem servir de modelo, incluindo a padronização de uma língua, como ocorreu na Noruega https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_norueguesa, onde a padronização de línguas nacionais foi eficaz. Além disso, a promoção de uma língua veicular https://periodicos.ufjf.br/index.php/veredas/article/view/35916/24321, como o caso da Tanzânia https://en.wikipedia.org/wiki/Languages_of_Tanzania, demonstra como a valorização de uma língua comum pode facilitar a comunicação e fortalecer a identidade nacional. Outro exemplo importante é a defesa do status internacional de línguas como o francês, que, por meio de ações coordenadas na Europa e na Francofonia https://pt.wikipedia.org/wiki/Francofonia, conseguiu consolidar sua presença global, promovendo a paz linguística e a cooperação internacional. Esses exemplos mostram estratégias que envolvem legislação, padronização e valorização internacional, que podem ser adaptadas a diferentes contextos.
Segundo o livro, as políticas de padronização linguística podem afetar as línguas minoritárias ou indígenas de diversas maneiras. Por um lado, a padronização pode contribuir para a preservação e valorização dessas línguas, especialmente quando há reconhecimento oficial e esforços para sua documentação e ensino, como exemplificado na promoção de línguas minoritárias e na paz linguística. Por outro lado, a imposição de uma língua padrão pode levar à marginalização ou até à substituição dessas línguas, como ocorreu na arabização na África do Norte https://www.britannica.com/place/North-Africa/The-growth-of-urban-life, onde a substituição de línguas coloniais por árabe resultou na perda de línguas tradicionais. Assim, a padronização, se não for cuidadosamente planejada e sensível às especificidades culturais, pode representar uma ameaça à diversidade linguística https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3053&catid=28&Itemid=39, levando à diminuição do uso e do prestígio das línguas minoritárias ou indígenas.
Pensando nos países com grande diversidade linguística, Calvet observa que há a dificuldade de garantir o reconhecimento e o respeito às línguas minoritárias e indígenas, especialmente quando há uma forte tendência à padronização e à imposição de uma língua oficial. Como exemplificado na promoção de línguas minoritárias e na paz linguística, a implementação dessas políticas requer sensibilidade cultural e o envolvimento ativo das comunidades, o que nem sempre é fácil de alcançar. Além disso, a resistência de grupos que defendem suas línguas tradicionais ou minoritárias pode dificultar a adoção de políticas inclusivas https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/gestaoeinovacao/inovacao-governamental-carreiras-transversais/inovacao-governamental/gestao-de-carreiras/lins/linguagem-inclusiva, especialmente se essas políticas forem percebidas como ameaças à identidade cultural ou à autonomia dessas comunidades.
Portanto, a complexidade de equilibrar a padronização com a diversidade, além de lidar com questões políticas, culturais e sociais, constitui um grande desafio na promoção de políticas linguísticas verdadeiramente inclusivas. Além do mais, a resistência política ou social pode impactar significativamente a implementação de políticas linguísticas, pois muitas vezes há conflitos de interesses, identidades culturais e percepções de ameaça à autonomia das comunidades. O livro aponta como exemplo a resistência às mudanças na língua na África do Norte, a substituição de línguas coloniais por árabe enfrentou forte resistência de grupos que viam essas ações como uma ameaça à sua cultura e história. Além disso, a resistência social pode surgir de comunidades que defendem suas línguas tradicionais ou minoritárias, considerando-as essenciais para sua identidade, o que pode dificultar a adoção de políticas de padronização ou de promoção de línguas veiculares.
Assim, o impacto da resistência política e social muitas vezes se manifesta na paralisação, modificação ou até na rejeição total de políticas linguísticas, exigindo estratégias de diálogo, sensibilização e inclusão para que essas políticas possam avançar de forma efetiva. Ademais, o livro nos explica que o conceito de "política linguística" começou a ser utilizado de forma sistemática no Brasil apenas recentemente, diferentemente de outros países latino-americanos, como Argentina e os países andinos. No Brasil, a ideologia da "língua única" https://pt.wikipedia.org/wiki/Monoglotismo historicamente camuflou a realidade plurilíngue do país, dificultando o debate sobre políticas linguísticas. O consenso em torno do português como língua nacional tem limitado a discussão sobre a diversidade linguística e a necessidade de políticas específicas para diferentes comunidades.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 3'''
''Orientações no Planejamento Linguístico''
A terceira sugestão de leitura é do trabalho de Richard Luiz, com o texto Orientações no Planejamento Linguístico https://www.researchgate.net/publication/261641231_Orientations_in_Language_Planning. O artigo examina as diferentes orientações que fundamentam o planejamento linguístico e sua influência sobre políticas e práticas educacionais, especialmente nos Estados Unidos.
O autor propõe três orientações principais: língua como problema, língua como direito e língua como recurso http://www.revel.inf.br/files/e92f933a3b0ca404b70a1698852e4ebd.pdf. A orientação língua como recurso pode ser aplicada na prática da educação bilíngue promovendo uma valorização da diversidade linguística como um ativo social e educacional. Isso implica em reconhecer e utilizar as diferentes línguas presentes na comunidade como recursos para o aprendizado, enriquecendo o currículo e fortalecendo a identidade cultural dos estudantes.
Além disso, essa abordagem incentiva a integração das línguas minoritárias na educação, promovendo o bilinguismo e o bilíngue como uma vantagem, ao invés de um obstáculo. Dessa forma, a educação bilíngue passa a ser vista como uma ferramenta para potencializar o desenvolvimento social, cultural e econômico, ao mesmo tempo em que respeita e valoriza as múltiplas identidades linguísticas de seus usuários.
Para o autor alguns desafios podem surgir na implementação de uma política de línguas como recurso na educação, sendo elas: a resistência cultural e política, que pode dificultar o reconhecimento e valorização das línguas minoritárias; a falta de recursos e formação adequada para professores; o que compromete a qualidade do ensino bilíngue e a possível hostilidade, que muitas vezes está enraizada nas orientações problemáticas e de direitos, dificultando a integração e o entendimento entre diferentes grupos linguísticos. Além disso, há o desafio de criar uma política consistente e sustentável que realmente valorize a diversidade linguística como um ativo, sem que ela seja vista apenas como uma questão de conflito ou de direitos, o que exige uma mudança de paradigma e de atitudes na sociedade.
O pesquisador enfoca bastante a importância da formação de professores https://www.scielo.br/j/ccedes/a/G7Fqdms45c6bxtK8XSF6tbq/?lang=pt&format=pdf, complementando que esta pode ser aprimorada por meio de programas de capacitação que enfatizem a valorização das línguas como recursos, promovendo uma compreensão profunda da diversidade linguística e cultural. Para tal, é preciso incluir treinamentos específicos sobre metodologias de ensino bilíngue, estratégias para integrar as línguas minoritárias de forma positiva e o desenvolvimento de competências interculturais.
Além disso, é fundamental oferecer formação contínua que estimule a reflexão sobre o papel das línguas como ativos sociais, incentivando os professores a adotarem uma postura de valorização e respeito às diferentes línguas e identidades. Dessa forma, os docentes estarão melhor preparados para apoiar uma política de língua como recurso, promovendo um ambiente de aprendizagem inclusivo, que valorize a diversidade e contribua para a construção de uma política linguística responsável e sustentável.
As estratégias mencionadas anteriormente podem ser adaptadas para diferentes contextos culturais e linguísticos ao considerar as especificidades de cada comunidade. Por exemplo, ao trabalhar com comunidades indígenas ou minoritárias, é importante incorporar elementos culturais e tradicionais nas atividades, usando materiais autênticos que reflitam suas realidades e histórias. Além disso, as atividades podem ser ajustadas para respeitar as normas sociais, valores e formas de comunicação de cada grupo, promovendo o diálogo intercultural e o reconhecimento mútuo.
Outra adaptação relevante citada pelo autor é a inclusão de práticas que valorizem as línguas locais e suas funções sociais, como projetos de preservação linguística, que reforçam a importância de cada língua como recurso cultural e identitário. Assim, diferentes metodologias podem ser flexíveis, combinando abordagens tradicionais e inovadoras, sempre com o objetivo de fortalecer a identidade linguística e promover o respeito às diversidades culturais, contribuindo para uma educação mais inclusiva e sensível às especificidades de cada contexto.
Além disso, práticas de ensino que envolvam a troca de experiências culturais, como rodas de conversa, entrevistas com membros da comunidade e atividades de intercâmbio cultural, ajudam a valorizar as línguas como recursos culturais vivos https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=3053. Essas metodologias promovem o respeito às diversidades culturais, fortalecem a identidade dos estudantes e contribuem para uma aprendizagem mais significativa, que reconheça as línguas como elementos essenciais de suas culturas e histórias.
Assim, o texto destaca que as concepções básicas sobre o papel da língua na sociedade moldam os esforços de planejamento linguístico em diferentes contextos, mas o autor observa que, apesar de avanços na delimitação do campo, ainda há carência de modelos conceituais sólidos para orientar a literatura sobre o tema. O trabalho adota uma abordagem teórica e analítica, revisando a literatura internacional e discutindo exemplos práticos, especialmente no contexto da educação bilíngue nos Estados Unidos https://www.scielo.br/j/ep/a/fV5zLF4y7pLg4cvMY9F4P6k/?lang=pt. O autor defende o desenvolvimento de uma orientação baseada na língua como recurso, visando integrar a educação bilíngue a uma política linguística mais responsável e inclusiva. Um ponto de destaque no texto é que o pesquisador sugere a necessidade de maior elaboração teórica e prática sobre orientações da língua como recurso, bem como da criação de modelos conceituais mais robustos para o campo. O artigo enfatiza a importância de repensar as bases conceituais do planejamento linguístico para promover políticas mais eficazes e inclusivas, especialmente no contexto da educação bilíngue.
'''SUGESTÃO DE LEITURA 4'''
''Política Linguística e Internacionalização: A Língua Portuguesa no Mundo Globalizado do Século XXI''
Para essa sugestão de leitura trazemos o artigo Política Linguística e Internacionalização: a Língua Portuguesa no Mundo Globalizado do Século XXI https://www.scielo.br/j/tla/a/MvzjfZ35mKhnxHjWW5W7rMk/?format=html&lang=pt do pesquisador Gilvan Muller de Oliveira.
O artigo analisa a internacionalização da língua portuguesa no contexto do reposicionamento global dos países da CPLP no século XXI https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_dos_Pa%C3%ADses_de_L%C3%ADngua_Portuguesa, destacando o impacto do Acordo Ortográfico de 1990 https://pt.wikipedia.org/wiki/Acordo_Ortogr%C3%A1fico_de_1990 e a necessidade de gestão compartilhada da língua. Os principais desafios enfrentados na internacionalização da língua portuguesa, segundo o artigo, incluem a fragmentação normativa entre os países lusófonos, especialmente entre Brasil e Portugal, que podem dificultar uma projeção internacional unificada.
Além disso, existem impasses na gestão da língua, como a necessidade de estabelecer políticas linguísticas eficazes e de cooperação multilateral para promover uma normatização convergente. Outro desafio importante é o fortalecimento da presença do português em diferentes nichos globais, como o mercado digital e os meios de comunicação, que ainda apresentam limitações devido às políticas de fechamento linguístico e às políticas de proteção do mercado interno, especialmente no Brasil, que dificultam a circulação de bens culturais e a valorização do português como língua internacional.
Para o autor, as principais estratégias para promover a internacionalização da língua portuguesa no século XXI incluem o reconhecimento e a valorização dos recursos linguísticos brasileiros, bem como das línguas de imigração faladas no país https://www.museudalinguaportuguesa.org.br/as-linguas-imigrantes-no-portugues-do-brasil/, que podem ser instrumentalizadas para fortalecer a presença do português no exterior. Além disso, o pesquisador complementa que é fundamental estabelecer parcerias estratégicas com países de língua espanhola, aproveitando a alta intercompreensão entre as línguas, e ampliar a cooperação com blocos econômicos e organizações internacionais onde o português é oficial, como a CPLP, Mercosul https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul e BRICS https://pt.wikipedia.org/wiki/BRICS.
Outra estratégia importante é fortalecer a relação com o inglês, melhorando a interatividade em língua inglesa para facilitar a circulação de conhecimento científico e tecnológico, além de promover a troca cultural e econômica. Essas ações visam ampliar o potencial de internacionalização do português, promovendo sua presença em diferentes ambientes globais e fortalecendo sua posição como língua de cultura, ciência e negócios.
Para fortalecer a relação do português com o inglês no contexto da ciência e tecnologia, algumas ações específicas podem ser adotadas. Segundo o pesquisador, primeiramente, é fundamental melhorar a interatividade em inglês, promovendo a tradução e a circulação da pesquisa científica produzida em português, de modo a ampliar acessibilidade e impacto em mercados internacionais. Além disso, é importante incentivar a formação de profissionais bilíngues, especialmente em inglês, por meio de programas de capacitação e mobilidade acadêmica, como o Programa Ciência Sem Fronteiras https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_sem_Fronteiras, que prepara jovens para atuar em ambientes internacionais.
Outra ação relevante é fortalecer parcerias com países de língua inglesa, como Índia e África do Sul, que possuem centros universitários e de pesquisa de destaque, facilitando acordos de cooperação, intercâmbio de conhecimentos e projetos conjuntos. Essas ações visam criar uma ponte mais sólida entre o português e o inglês, potencializando a produção científica e tecnológica de países lusófonos e ampliando sua presença no cenário global.
Projetos de cooperação internacional bem-sucedidos entre países lusófonos e anglófonos que podem servir de modelo incluem o projeto do VOC https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2022/10/para-paises-lusofonos-cooperacao-e-o-caminho-para-superar-os-desafios-na-implementacao-do-acordo-de-paris, que promove a normatização convergente do português e fortalece institucionalmente o Instituto Internacional da Língua Portuguesa https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Internacional_da_L%C3%ADngua_Portuguesa. Esse projeto envolve colóquios internacionais que abordam temas estratégicos, como a diversidade linguística, o português nas diásporas, o uso no mundo digital e sua presença em organizações internacionais, culminando na formulação de políticas compartilhadas e na gestão conjunta da língua. Essas iniciativas demonstram a importância de ações coordenadas, de gestão compartilhada e de diálogo multilateral para fortalecer a posição do português no cenário internacional.
Essas ações contribuem para a formulação de diretrizes e para a implementação de projetos estratégicos de forma coordenada. Além disso, podem estabelecer convênios de cooperação técnica, financiando e apoiando a criação de equipes multidisciplinares que executem ações concretas, como a normatização de línguas, a promoção do português em organismos internacionais, assim como o fortalecimento de sua presença em blocos econômicos e diplomáticos. Por fim, as organizações internacionais podem atuar como mediadoras e facilitadoras de alianças geolinguísticas https://pt.wikipedia.org/wiki/Geolingu%C3%ADstica, promovendo o diálogo e a cooperação entre países de diferentes línguas e culturas, ampliando o espaço de atuação do português e fortalecendo sua inserção global. O artigo conclui nos informando sobre o potencial do português como língua internacional e que a internacionalização efetiva depende de políticas integradas, gestão compartilhada e valorização do multilinguismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Multilinguismo.
'''SUGESTÃO DE LEITURA CINCO'''
''O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP – Aspectos da Gestão de uma Organização Político-Linguística Original''
Seguimos com outra contribuição do pesquisador Gilvan Muller de Oliveira, agora com o artigo O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP: aspectos da gestão de uma organização político-linguística original https://revistas.usp.br/linhadagua/pt_BR/article/view/154926.
O artigo apresenta uma sistematização histórica do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) https://iilp.cplp.org/ , órgão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dividindo sua trajetória em quatro fases: Concepção (1989-99), Instalação (2000-05), Consolidação (2006-10) e Expansão (2011-presente). O autor analisa o funcionamento, realizações e limitações do IILP na promoção do português como língua pluricêntrica https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_pluric%C3%AAntrica, destacando projetos contemporâneos e desafios de gestão.
O texto contribui para a compreensão das políticas linguísticas do português, especialmente na promoção internacional da língua, destacando o caráter inovador do IILP como instituição multilateral, suas potencialidades e fragilidades financeiras e políticas, e sua singularidade no contexto das grandes línguas internacionais.
O IILP é uma instituição da CPLP com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e tem como missão promover, defender, enriquecer e difundir a língua portuguesa como veículo de cultura, educação e ciência. Essa instituição estrutura-se em Direção Executiva (sede em Cabo Verde) e Conselho Científico (composto por Comissões Nacionais dos Estados Membros).
O financiamento desta instituição provém de contribuições obrigatórias dos Estados Membros, sendo que os principais desafios enfrentados pelo IILP na captação de recursos externos incluem a dependência de contribuições obrigatórias dos Estados Membros, que muitas vezes são insuficientes ou atrasadas, dificultando a realização de projetos e parcerias. Além disso, a instituição enfrenta dificuldades na obtenção de recursos adicionais por meio de editais de agências financiadoras, devido à sua limitada capacidade de captação e à forte concorrência por esses fundos. Outro desafio importante é a burocracia e a complexidade dos processos de negociação, que tornam longos e difíceis os procedimentos para a obtenção de consensos e a aprovação de recursos, especialmente em um contexto de relações sujeitas a tensões políticas e interesses divergentes entre os países membros.
O IILP tem utilizado várias estratégias para superar as dificuldades financeiras e de gestão. Uma delas é a captação de recursos externos, além das contribuições obrigatórias dos Estados Membros. Por exemplo, a partir de 2011, o instituto conseguiu captar recursos de editais de agências financiadoras, como os fundos da União Europeia https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia, que contribuíram para o seu financiamento. Além disso, o IILP busca fortalecer sua autonomia administrativa, financeira e patrimonial, consolidando sua estrutura institucional, sede própria e um orçamento aprovado, mesmo que mínimo. Outra estratégia importante é a articulação dos recursos e esforços técnicos, científicos e financeiros dos Estados Membros, promovendo uma gestão colegiada e intergovernamental, que visa otimizar os recursos disponíveis e ampliar sua atuação. Essas ações refletem uma tentativa de garantir a continuidade e o desenvolvimento do instituto, mesmo diante de um cenário de recursos limitados e dificuldades na arrecadação das quotas obrigatórias.
Essas ações refletem uma tentativa de diversificar suas fontes de recursos e ampliar sua capacidade de execução de projetos, além das contribuições dos Estados Membros, o IILP destaca-se como modelo inovador de gestão de uma língua internacional https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_mundial, promovendo cooperação e superando a lógica hierárquica colonial. Apesar das dificuldades, tem ampliado sua relevância no espaço lusófono, adaptando-se às demandas do século XXI. O futuro do instituto dependerá da continuidade do apoio político e da capacidade de responder a desafios geopolíticos e de internacionalização.
'''
SUGESTÃO DE LEITURA SEIS'''
''A Norma Brasileira da Língua Portuguesa (NBLP): Alcance, Formação e Difusão''
Gilvan Müller de Oliveira, nesse outro trabalho com título A Norma Brasileira de Língua Portuguesa: alcances, formação e difusão https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7671489 analisa três dimensões centrais da NBLP: seu alcance geopolítico e demográfico, sua formação histórica e sociolinguística, e sua difusão internacional como língua estrangeira.
O texto busca situar a NBLP https://revistas.pucsp.br/index.php/verbum/article/download/51954/pdf/154302 no contexto do sistema pluricêntrico da língua portuguesa https://iilp.cplp.org/portugues-pluricentrico/, especialmente no momento em que o português transita de uma gestão nacional para uma internacional. A NBLP é apresentada como uma das normas de uma língua pluricêntrica, coexistindo com a norma europeia e normas emergentes (angolana, moçambicana). O conceito de norma linguística é discutido sob diferentes perspectivas, destacando-se sua função social, cultural e política, e seu papel na regulação dos usos oficiais da língua. O alcance da NBLP é avaliado a partir de quatro critérios principais: população orientada para a NBLP, projeção demográfica futura, dimensão do sistema educacional e produção científica e presença e influência na Internet.
O Brasil possui o quinto maior sistema universitário do mundo https://www.bbc.com/portuguese/geral-61237842, com 7,3 milhões de estudantes no ensino superior e 250 mil artigos científicos publicados entre 2011 e 2016, majoritariamente em português. O Brasil é o 4º país em número de usuários da Internet https://brasil.un.org/pt-br/77784-brasil-%C3%A9-o-quarto-pa%C3%ADs-com-mais-usu%C3%A1rios-de-internet-do-mundo-diz-relat%C3%B3rio-da-onu, representando quase 89% dos usuários de português online, o que amplia a influência da NBLP em ambientes digitais e na tradução automática.
O alcance da NBLP envolve aspectos como a população orientada para essa norma, a projeção demográfica futura, a dimensão do sistema educacional e a presença na internet. O autor, em seu artigo, apresenta a origem histórica, o caráter regionalizado e polarizado, e o do processo de constituição e evolução ao longo do tempo da NBLP. Ademais, a difusão internacional da NBLP é abordada através de instrumentos de promoção, como exames de proficiência e cooperação multilaterais, além do impacto da sua presença na internet e na atuação em mercados de línguas estrangeiras.
Para o pesquisador, os principais desafios enfrentados na unificação das normas do português entre os países lusófonos incluem a superação das diferenças históricas, culturais e políticas que marcaram a formação de cada norma nacional. Um dos obstáculos é a forte regionalização e polarização da norma brasileira, que reflete a diversidade linguística e social do país, dificultando uma norma única e homogênea. Além disso, há a questão do nacionalismo linguístico, que muitas vezes reforça a separação entre as normas do português europeu e brasileiro https://www.cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/article/view/3632, dificultando a construção de uma gestão pluricêntrica e intercultural da língua.
As diferenças culturais entre os países lusófonos influenciam significativamente a unificação das normas do português, pois refletem as distintas trajetórias históricas, sociais e linguísticas de cada país. Essas diferenças se manifestam na formação de normas regionais, como a norma brasileira, que é altamente regionalizada devido à diversidade de regiões e suas variações linguísticas, e na existência de normas emergentes em países como Angola e Moçambique https://revistas.usp.br/viaatlantica/article/download/49614/53705/60954, que estão desenvolvendo instrumentos próprios para suas variedades linguísticas. Além disso, a sociedade brasileira, marcada por uma forte polarização social e uma história de formação de uma diglossia, contribui para uma norma que muitas vezes é elitista e distante do uso cotidiano de grande parte da população, dificultando uma padronização comum. Cada país possui suas próprias especificidades culturais e sociais, reforçando o desafio de criar uma norma única, que seja aceita e praticada por todos os falantes, promovendo uma gestão pluricêntrica e intercultural da língua.
Além disso, é fundamental valorizar a diversidade linguística e cultural de cada país, promovendo uma abordagem que respeite as especificidades regionais e sociais, ao mesmo tempo em que busca pontos de convergência. Outra estratégia importante é a criação de instrumentos comuns de normatização, como o Vocabulário Ortográfico Comum https://voc.cplp.org/, que possam servir de base para uma padronização flexível, permitindo variações regionais e sociais, mas mantendo uma unidade de referência. Investir na educação e na formação de professores e profissionais de linguagem que estejam sensibilizados para a importância do plurilinguismo e do interculturalismo também é essencial para consolidar uma norma que seja legítima e aceita por todos os países lusófonos.
'''SUGESTÃO DE LEITURA SETE'''
''Linguística e Colonialismo''
Outra contribuição de Louis-Jean Calvet é o livro Linguística e Colonialismo https://pt.scribd.com/document/613573649/Calvet-Linguistica-y-Colonialismo. O livro aborda a relação entre linguística e colonialismo, destacando como o estudo das línguas foi influenciado por contextos coloniais. A tradução de Luciano Padilla Lopez https://ar.linkedin.com/in/luciano-padilla-l%C3%B3pez-a43607202 sugere uma análise crítica sobre como o colonialismo impactou a pesquisa e a compreensão das línguas, possivelmente discutindo questões de poder, dominação cultural e a imposição de línguas colonizadoras sobre línguas indígenas. Calvet propõe uma reflexão sobre o papel da linguística na perpetuação ou resistência a práticas coloniais, enfatizando a importância de considerar fatores históricos e sociais na análise linguística.
Ao longo da leitura o autor destaca que o colonialismo https://pt.wikipedia.org/wiki/Colonialismo impactou a pesquisa linguística ao influenciar a forma como as línguas eram estudadas e compreendidas, muitas vezes refletindo relações de poder e dominação cultural. Ele também aponta que o colonialismo levou à imposição de línguas colonizadoras https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_gerais sobre línguas indígenas, o que pode ter contribuído para a marginalização e perda de línguas nativas. Além disso, o pesquisador sugere que a pesquisa linguística muitas vezes foi usada para perpetuar práticas coloniais, reforçando estruturas de poder e controle, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão sobre a necessidade de uma abordagem mais crítica e consciente do papel da linguística nesse contexto.
Calvet explora nesse livro o colonialismo em sua vertente mais obscura, trazendo inúmeros exemplos das consequências coloniais nas mais variadas culturas e línguas ao redor do mundo. Porém, para ele, as políticas linguísticas https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2019/10/17/o-que-sao-politicas-linguisticas/ podem desempenhar um papel crucial no equilíbrio entre a valorização da língua local e a incorporação de empréstimos de outras línguas. Quando políticas oficiais promovem o reconhecimento e a valorização da língua própria, incentivando o uso de vocabulário tradicional e a preservação de expressões culturais, elas fortalecem a identidade cultural e resistem à influência de empréstimos externos. Por outro lado, políticas que incentivam a abertura ao contato linguístico, promovendo a incorporação de empréstimos de forma consciente e adaptada, podem enriquecer a língua local sem comprometer sua essência, desde que haja uma valorização do patrimônio linguístico próprio. Assim, um equilíbrio eficaz pode ser alcançado por meio de políticas que promovam a valorização do idioma local, ao mesmo tempo em que reconhecem a importância de empréstimos como elementos de dinamismo cultural e de adaptação às mudanças sociais e tecnológicas.
O autor também aborda as contribuições das comunidades https://doceru.com/doc/xxn508ne e explica que estas mesmas comunidades podem participar ativamente na formulação de políticas linguísticas que promovam o equilíbrio entre a valorização da língua local e a incorporação de empréstimos de outras línguas através de processos de diálogo, consulta e inclusão. Uma estratégia importante para alcançar tal objetivo é envolver representantes culturais, acadêmicos, líderes comunitários e a sociedade civil na discussão sobre quais elementos linguísticos devem ser preservados e como os empréstimos podem ser integrados de forma que respeitem a identidade cultural.
Além disso, a criação de espaços de debate e de educação que promovam o entendimento sobre a importância de manter a riqueza do idioma próprio, ao mesmo tempo em que reconhecem a influência de línguas externas, é fundamental. A educação pode contribuir de forma significativa para uma participação mais ativa das comunidades na formulação de políticas linguísticas ao promover o conhecimento crítico sobre a importância da língua própria e o impacto dos empréstimos linguísticos. Dessa forma, a educação atua como um catalisador para fortalecer a autonomia linguística e promover um diálogo mais democrático e consciente sobre o uso e a evolução das línguas, indo de contra o próprio sistema de colonialismo.
'''SUGESTÃO DE LEITURA OITO'''
''Imperialismo Linguístico''
Nossa última contribuição neste guia de estudos é o livro Imperialismo Linguístico https://www.researchgate.net/publication/31837620_Linguistic_Imperialism_R_Phillipson, de Robert Phillipson. Este livro é dividido em 10 capítulos, investigando o fenômeno contemporâneo do inglês como língua mundial https://pt.wikipedia.org/wiki/Ingl%C3%AAs_internacional e analisando como a língua inglesa conseguiu a ser tão dominante e por quê. Assim, o autor propõe o estudo paulatino da disseminação histórica do inglês ao redor do mundo para entender se houve promoção ativa do idioma como instrumento da [https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_externa política externa] https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_externa de grandes países de língua inglesa e de países do Terceiro Mundo, principalmente por meio da ajuda ao desenvolvimento educacional e do ensino de inglês.
O autor, ao longo do livro, aponta que as políticas linguísticas herdadas pelos países do Terceiro Mundo influenciam suas relações econômicas e políticas com países de língua inglesa de várias maneiras. Primeiramente, essas políticas muitas vezes refletem uma dependência de apoio externo, especialmente na área de educação, onde o ensino do inglês é promovido como uma estratégia de desenvolvimento, mas que pode acabar perpetuando desigualdades entre Norte e Sul. Além disso, ao adotar políticas que favorecem o inglês, esses países podem se alinhar mais estreitamente às agendas econômicas e políticas dos países de língua inglesa, facilitando acordos comerciais e alianças estratégicas, mas também podendo limitar o desenvolvimento de suas próprias línguas e culturas. Isso, a partir das reflexões do pesquisador, nos revelam a transmissão de uma ideologia que valoriza o inglês como ferramenta de progresso e modernidade, reforçando uma relação de dependência e subordinação, na qual o idioma se torna um instrumento de poder e influência global, moldando as relações internacionais dessas nações.
Para preservar suas línguas e culturas diante da influência do inglês, os países do Terceiro Mundo podem adotar várias estratégias. Uma delas é fortalecer e valorizar suas línguas nativas por meio de políticas públicas que promovam o ensino, o uso e a valorização dessas línguas em todos os níveis educacionais e sociais. Além disso, é importante desenvolver e apoiar a produção cultural local, como literatura, música, cinema e outras manifestações artísticas, que reforcem a identidade cultural própria. Outra estratégia fundamental é promover a educação bilíngue ou multilíngue, garantindo que as línguas indígenas e locais tenham espaço e reconhecimento, ao mesmo tempo em que se ensina o inglês de forma crítica e consciente, sem que ele substitua ou diminua a importância das línguas nativas. Essas ações podem ajudar a fortalecer a soberania cultural e a resistência às pressões de dominação linguística global, criando uma alternativa ao impacto da influência do inglês na formação da identidade nacional.
-Caros leitores, após esse breve resumo informativo sobre cada sugestão de pesquisa e estudo supracitado acima, convidamos vocês para aprofundarem essas investigações acessando os materiais indicados na íntegra! Reforçamos que indicações de leituras extras foram anexadas ao longo do texto, caso o leitor tenha alguma dúvida ou curiosidade sobre os temas explorados. Esperamos poder ter contribuído de forma positiva e significativa nessa jornada de conhecimentos! Avante!
'''REFERÊNCIAS UTILIZADAS NESSE GUIA DE ESTUDOS:'''
https://gl.wikipedia.org/wiki/Atlas_interactivo_UNESCO_das_linguas_en_perigo_no_mundo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica
https://en.wikipedia.org/wiki/Language_policy
https://pt.wikiversity.org/wiki/Projeto_Agentes_de_Pol%C3%ADticas_Lingu%C3%ADsticas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Pol%C3%ADtica_lingu%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADticas_lingu%C3%ADsticas_in_vivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_do_Brasil
https://pt.scribd.com/document/716497145/As-politicas-linguisticas-Louis-Jean-Calvet
https://www.researchgate.net/publication/261641231_Orientations_in_Language_Planning
https://www.scielo.br/j/tla/a/MvzjfZ35mKhnxHjWW5W7rMk/?format=html&lang=pt
https://revistas.usp.br/linhadagua/pt_BR/article/view/154926
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7671489
https://pt.scribd.com/document/613573649/Calvet-Linguistica-y-Colonialismo
https://www.researchgate.net/publication/31837620_Linguistic_Imperialism_R_Phillipson
r42idcy9d3d9jnnhbzu51i5136psfgi