Wikilivros ptwikibooks https://pt.wikibooks.org/wiki/Wikilivros:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.24 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikilivros Wikilivros Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Tópico Tópico discussão Resumo Resumo discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Evento Evento Discussão Topic Haskell/Tipos básicos 0 92994 589310 472905 2026-10-13T16:43:36Z Luciérnaga de conocimiento 67836 589310 wikitext text/x-wiki {{Em tradução}} {{clear}} {{HaskellÍndice|Introdução}} Em programação, '''tipo''' são usados para agrupar valores similares, com características similares, dentre de uma certa categoria. Em Haskell, seu sistema de tipos é uma ferramenta poderosa usada para evitar muitos erros triviais dentro de um programa. == Introdução == Quando se cria um programa, geralmente temos que lidar com várias entidades diferentes. Por exemplo, a operação <math>2 + 3</math>. O que são 2 e 3? Números. E o sinal de mais no meio deles? Não é um número, e trata-se de um símbolo que representa a operação de adição que queremos fazer entre 2 e 3. Agora, imagine um programa que lhe peça seu nome, e o cumprimente com uma mensagem de "Olá". Nem seu nome, nem a mensagem são números, mas trata-se de palavras. São, portanto, texto. Em programação, quando nos referimos a texto, geralmente dizemos ''String'', que significa "fio" ou "cadeia", em inglês. É uma forma curta de dizer "uma cadeia de caracteres". {{nota|Em Haskell, há uma regra de que o nome de qualquer tipo deve começar em letra maiúscula. De aqui em diante, sempre seguiremos esta regra.}} Um banco de dados é um bom exemplo para ilustrar os diferentes tipos de dados possíveis. Imagine que temos uma tabela de contatos, como uma agenda. O conteúdo poderia ser o seguinte: {|class="wikitable" | Primeiro nome | Sobrenome | Endereço de correspondência | Número do telefone |- | João | Romão | Ladeira do Livramento, 77, Cortiço, Rio de Janeiro | 218444 |- | Severino | Retirante | Av. Capibaribe-Rio, 1025, Recife | 813586 |} Os campos de cada entrada possuem um valor diferente. <tt>João</tt> é um valor. <tt>Ladeira do Livramento, 77, Cortiço, Rio de Janeiro</tt> e <tt>218444</tt> são outros dois. Em termos de seus tipos, "Primeiro nome" e "Sobrenome" são textos, então são do tipo String. À primeira vista, poderíamos classificar "Endereço de correspondência" também como texto. Entretanto, há diferentes formas de se interpretar um endereço como este. O primeiro nome pode ser o nome do prédio, ou o nome da rua, enquanto números subsequentes podem ser o número do imóvel ou de seu lote escriturado. E as palavras seguintes podem ser o nome do bairro ou da cidade. É possível também que o endereço comece por "Caixa Postal", e neste caso, ele sequer indica um endereço final, mas apenas uma caixa de correspondência em alguma agência postal. Portanto, cada parte do endereço tem um significado próprio. A princípio poderíamos dizer que o endereço trata-se de um String. De fato, ele o é, mas aí perderíamos muitas informações importantes. Quando algo é definido com String, dizemos que se trata de uma simples sequencia de caracteres, enquanto que, se pudermos encaixá-lo numa categoria mais específica, teremos bem mais informações a cerca de seu conteúdo. Por exemplo, se soubermos que um String trata-se de um Endereço, já temos muito mais informações a seu respeito, e podemos agora interpretá-lo e manipulá-lo de maneira mais apropriada. Essa mesma lógica também pode ser aplicada aos números de telefone. Podemos especificar um tipo chamado NúmeroTelefone e assim, quando houver algum número desse tipo, poderíamos buscar padrões como códigos de área ou de país. Um outro motivo para não tratá-los como números comuns, é que não convém fazermos operações artiméticas com eles: o que você espera conseguir ao multiplicar um NúmeroTelefone por 100, ou dividí-lo pela metade? É possível que o resultado nem seja um número de telefone válido. Além disso, não é aceitável perder, omitir ou arredondá-los pelo mesmo motivo. === A utilidade dos tipos === Mas por que é que separar e categorizar coisas nos ajuda a programar? Uma vez que temos os tipos definidos, podemos especificar o que se pode ou não fazer com os valores. Isso ajuda bastante a evitar erros quando tempos programas muito extensos. == Usando o comando interativo <code>:type</code> == Vamos explorar o funcionamento dos tipos usando uma sessão do GHCi. O tipo de uma expressão pode ser verificado usando-se o comando <code>:type</code>, ou <code>:t</code>. Tente com booleanos e expressões booleanas: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :type True True :: Bool Prelude> :type False False :: Bool Prelude> :t (3 < 5) (3 < 5) :: Bool }} O símbolo <tt>::</tt> aparece em todos os resultados, e é lido com o "é do tipo", e é seguido por uma ''assinatura de tipo'', ou ''anotação de tipo''. <code>:t</code> nos mostra que valores de verdadeiro (<code>True</code>) ou falso (<code>False</code>) são do tipo <code>Bool</code>. Até mesmo expressões possuem um tipo definido: quando elas forem avaliadas, elas resultarão num valor do tipo <code>Bool</code>. Talvez já esteja claro para você, mas vale notar que <code>Bool</code> é o tipo de dado escolhido para representar valores do tipo sim ou não. Por exemplo: se um valor for encontrado ou não, se um botão foi pressionado ou não. == Caracteres e ''strings''== Vamos agora testar <code>:t</code> com outros coisas. Em Haskell, um único caractere é representado cercando-o por aspas simples: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :t 'H' 'H' :: Char }} Temos, então, que caracteres são do tipo <code>Char</code>, abreviação de ''character'' (caractere, em inglês). Agora, em vez de usarmos um único caractere, para representar uma cadeia deles, devemo usar aspas duplas: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :t "Olá, mundo" "Olá, mundo" :: [Char] }} De novo, temos <code>Char</code>, só que cercado por colchetes. <code>[Char]</code> significa uma ''lista'' de caracteres. Haskell considera que toda cadeia de caracteres é uma lista. Lista, em geral, são bem importantes em Haskell, e falaremos sobre elas mais adiante. {{Exercício|1= # Use <code>:type</code> seguido de um valor como <code>"H"</code> no GHCi. Perceba que usamos aspas duplas aqui. O que acontece? Por quê? # Use <code>:type</code> seguido de um valor como <code>'Olá, mundo'</code> no GHCi. Perceba que usamos aspas simples aqui. O que acontece? Por quê? }} Haskell nos permite criar ''sinônimos de tipos'', que funcionam como sinônimos na linguagem humana: palavras diferentes que tem o mesmo significado. Esses sinônimos são nomes alternativos para os tipos. Por exemplo, <tt>String</tt> é definido como um sinônimo para <tt>[Char]</tt>, e por isso podemos substituir um pelo outro: <syntaxhighlight lang="haskell"> "Olá, mundo" :: String </syntaxhighlight> O código acima é perfeitamente válido, e é muito mais claro para humanos ler <code>String</code> uma única vez, do que ler <code>[Char]</code> e interpretar que trata-se de uma lista de caracteres e, portanto um ''string''. == Tipos das funções == Até agora vimos os tipos de alguns valores (''strings'', booleanos, caracteres etc.). Também vimos que tais tipos nos ajudam a categorizar e descrever certos valores de forma mais convenientes. Agora, veremos o que faz o sistema de tipos de Haskell tão importante e poderoso: ''funções'' possuem tipos também. === Exemplo === Podemo inverter um booleano usando a função <code>not</code>, como já vimos. Para sabermos o tipo de uma função, temos levar duas coisas em consideração: os tipos de seus argumentos, e o tipo do valor que ela retorna, isto é, o tipo de sua saída. Para o caso de <code>not</code> as coisas são bem simples: ela recebe um valor do tipo <code>Bool</code> e retorna outro do tipo <code>Bool</code>. A notação que usamos em Haskell é a seguinte: <syntaxhighlight lang=haskell> not :: Bool -> Bool </syntaxhighlight> Essa linha pode ser lida como: "<tt>not</tt> é do tipo que recebe valores do tipo <tt>Bool</tt> e retorna valores do tipo <tt>Bool</tt>". Em outras palavras: uma função de <tt>Bool</tt> (a entrada) em <tt>Bool</tt> (a saída). No GHCi, podemos usar <code>:t</code> em funções também: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :t not not :: Bool -> Bool }} Portanto, o tipo de uma função sempre é descrito em termos dos tipos de sua entrada e do tipo de sua saída. === Exemplo: <code>chr</code> e <code>ord</code> === A representação de texto sempre foi um problema para computadores. Em sua linguagem mais básica, um computador só pode interpretar dados binários: 1 e 0. Para representar um texto, cada caractere deve primeiramente ser convertido a um número, que pode ser convertido para sua forma binária e depois interpretada pelo computador. A conversão para a forma binária é uma tarefa trivial para a máquina, portanto, só nos interessa a conversar de um caractere para sua forma numérica. A forma mais simples para tal tarefa seria escrever todos os caracteres possíveis e enumerá-los. Por exemplos, se fizermos "a" corresponder a 1, "b" poderia ser 2, "c" seria 3, e assim por diante. Haskell já possui um padrão de enumeração de caracteres definido, e seria tedioso buscar em sua tabela os valores numéricos sempre que precisarmos deles. Por conveniência, já temos duas funções que fazem este trabalho: <code>chr</code> (uma abreviação de ''char''), e <code>ord</code>.<ref group=nota>Não é exatemente assim que <code>chr</code> e <code>ord</code> funcionam, mas descrição é válida por enquanto.</ref> Vamos investigar os tipos de <code>chr</code> e <code>ord</code>: <syntaxhighlight lang=haskell> chr :: Int -> Char ord :: Char -> Int </syntaxhighlight> Como já sabemos o que <code>Char</code> significa, vamos explicar sobre <code>Int</code>. Este tipo se refere a números inteiros, e é apenas um dentre alguns outros tipos de números definidos em Haskell. Na verdade, existe também mais de um tipo para representar números inteiros em Haskell. A assinatura de tipo de <code>chr</code> nos diz que ela recebe um argumento do tipo <code>Int</code>, um número inteiro, e avalia um resultado do tipo <code>Char</code>. O caso de <code>ord</code> é o oposto: recebe um argumento do tipo <code>Char</code> e retorna um do tipo <code>Int</code>. Analisando ambas assinaturas, fica claro qual das funções converte um caractere num número (<code>ord</code>), e qual faz a operação inversa (<code>chr</code>). Agora, alguns exemplos. Estas funções não estão nativamente disponíveis, ao abrir uma sessão do GHCi, precisamos usar o comando <code>:module Data.Char</code> (ou usar <code>:m</code>) para carregar o módulo Data.Char, que é onde elas estão definidas. {{HaskellGHCi|1= Prelude> :m Data.Char Prelude Data.Char> chr 97 'a' Prelude Data.Char> chr 98 'b' Prelude Data.Char> ord 'c' 99 }} === Funções de mais de um argumento === Qual seria o tipo de uma função com mais de um argumento? <syntaxhighlight lang=haskell> xor p q = (p || q) && not (p && q) </syntaxhighlight> <code>xor</code> é a função "ou exclusivo", que avalia se apenas um dos argumentos for <code>True</code>. Se ambos ou nenhum forem verdadeiros, ela retorna <code>False</code>. O método básico para descrever o tipo de uma função de mais de um argumento é simplesmente escrever os tipos de cada argumento, em linha, e em sequência (primeiro <code>p</code>, depois <code>q</code>, por exemplo) e, por último, adicionar o tipo da saída. Depois basta intercalá-los com <code>-></code>.<ref group=nota>Cobriremos mais sobre este assunto no capítulo sobre [[Haskell/Funções de alta ordem|funções de alta ordem]].</ref> <ol> <li> Escreva o tipo dos argumentos de entrada, em sequência, e o tipo da saída no fim. A definição de <code>xor</code> já nos diz que ela avalia se seus argumentos são <code>True</code> ou <code>False</code>. Então eles só podem ser do tipo <code>Bool</code>. Sua saída também é do mesmo tipo, <code>Bool</code>: <pre> Bool Bool Bool ^^^^ p é do tipo Bool ^^^^ q é do tipo Bool ^^^^ a saída também é do tipo Bool </pre> </li> <li>Intercale os tipos usando <code>-></code>: <pre>Bool -> Bool -> Bool</pre> </li> </ol> Portanto, a assinatura de <code>xor</code> é: <syntaxhighlight lang=haskell> xor :: Bool -> Bool -> Bool </syntaxhighlight> Ela pode ser lida como: "<tt>xor</tt> é do tipo que recebe dois <tt>Bool</tt> e retorna um <tt>Bool</tt>". === Exemplo: <code>abrirJanela</code> === A medida que alguém aprofunda seus conhecimentos de programação, alguns termos técnicos tornam-se triviais. Um deles, são as chamadas ''bibliotecas'', que são arquivos de código com um determinado propósito, mas que podem ser usados por diferentes programas. E um dos tipos de bibliotecas mais comuns é o de GUI (''<u>G</u>raphical <u>U</u>nser <u>I</u>nterface'', ou ''interface gráfica de usuário'', em inglês). O que se espera encontrar neste tipo de biblioteca são funções para criar, botões, menus e interação com mouse e teclado, por exemplo. Uma possível função seria <code>abrirJanela</code>, que provavelmente abre uma nova janela quando executada. A assinatura de uma função como esta poderia ser: <syntaxhighlight lang=haskell> abrirJanela :: JanelaTitulo -> JanelaTamanho -> Janela </syntaxhighlight> Não precisamos entender a fundo a definição destes tipos, mas seus nomes nos ajudam a entender o que é necessário para criar uma janela. É bastante provável também que eles estejam definidos dentro da biblioteca da própria biblioteca que possui define <code>abrirJanela</code>. Vamos investigar por partes. Lembre-se do que explicamos na [[#Funções de mais de um argumento|seção anterior]]: o último tipo descrito na assinatura de uma função é o tipo de sua saída. Portanto, quantos argumentos <code>abrirJanela</code> exige? Dois argumentos. Quais são os seus tipos? <code>JanelaTitulo</code> e <code>JanelaTamanho</code>. E qual o tipo da saída? É <code>Janela</code>. Assim, podemos entender que: "<code>abrirJanela</code> é uma função que cria uma nova janela e que para isso exige um título e um tamanho". Perceba que não é preciso já ter usado uma função para entender o que ela faz: quando usamos tipos cujos nomes são claros o bastante, a assinatura da função nos dá dicas de seu funcionamento. É um bom hábito testar as funções com <code>:t</code> no GHCi antes de usá-la e, quanto mais você o fizer, melhor será sua intuição para interpretar os tipos das funções. {{Exercícios|1= Tente deduzir quais as anotações de tipos das seguintes funções. Se alguma delas envolver números, suponha que sejam do tipo Int. # <code>negativo</code>: uma função que recebe um Int e retorna seu oposto (sinal invertido). Ex: <code>negativo 4 {{=}} -4</code>; <code>negativo (-2) {{=}} 2</code>. # <code>({{!!}})</code>: a função lógica "ou". Ela recebe dois booleanos e compara se pelo menos um deles é verdadeiro. Se sim, retorna verdadeiro, se não, falso. # <code>diasNoMes</code>: uma função que calcula a quantidade de dias num determinado mês. Ela recebe uma valor para indicar se o ano é bissexto ou não, e o número do mês, de 1 a 12. # <code>f x y {{=}} not x {{!!}} y</code> # <code>g x = (2*x - 1)^2</code> }} == Anotações de tipo em arquivos de código == Agora que já entendemos um pouco o que são os tipos e no que eles podem nos ajudar, vejamos como fazer este tipo de anotação num código fonte de um programa que você está escrevendo. Considere a função <code>xor</code> que definimos antes. Se quisermos defini-la dentro de um arquivo, e quisermos anotar seu tipo, basta escrever: <syntaxhighlight lang=haskell> xor :: Bool -> Bool -> Bool xor p q = (p || q) && not (p && q) </syntaxhighlight> Só isso. Para maior clareza, é comum que a anotação apareça imediatamente antes da definição, então é recomendável que você se atenha a esta convenção. Além de facilitar que humanos entendam o funcionamento da função, as anotações de tipo tão são fundamentais para que o compilador as interprete corretamente, como veremos a seguir. === Inferindo tipos === Como dissemos antes, funções possuem tipo. É importante destacar que elas ''sempre'' possuem tipo. Mas como é que escrevemos as funções do capítulo anterior sem nenhum assinatura? Isso é possível porque o compilador consegue ''inferir'' o tipo de uma função baseando-se nas operações que ela executa. Vejamos o seguinte caso: <syntaxhighlight lang=haskell> ehL c = c == 'l' </syntaxhighlight> <code>ehL</code> é uma função de um argumento e que retorna o resultado da expressão <code>c == 'l'</code>. Mesmo sem anotarmos explicitamente o tipo de <code>c</code> e da saída, podemos tentar deduzir a assinatura de <code>ehL</code>. Veja: * É uma função de um argumento, <code>c</code>. E toda função em Haskell tem apenas uma saída. _ -> _ * A saída é resultado da operação <code>c == 'l'</code>. Como já vimos, <code>(==)</code> é uma comparação de igualdade, e comparações geralmente resultam em respostas do tipo sim ou não, o que pode ser representado pelo tipo Bool. Na verdade, já vimos <code>(==)</code> em [[Haskell/Verdadeiro ou falso|Verdadeiro ou falso]], então sabemos que sua saída é um Bool, com certeza. _ -> Bool * A função <code>(==)</code> compara <code>c</code> com <code>'l'</code>. Sabemos que não faz sentido comparar coisas de tipos diferentes. O valor <code>'l'</code> é do tipo Char, portanto, só faz sentido que <code>c</code> seja do mesmo tipo. Char -> Bool Se quiser verificar o que acabamos de fazer, defina <code>ehL</code> no GHCi sem uma assinatura e depois use <code>:t</code> para verificar seu tipo: {{HaskellGHCi|1= Prelude> let ehL c = c == 'l' Prelude> :t ehL ehL :: Char -> Bool }} O compilador realiza um processo bastante parecido com este para definir o tipo de uma função. Entretanto, ele pode não resultar na assinatura que você espera ou deseja, ou sequer conseguir chegar a uma assinatura final. Por isso, é recomendável sempre escrever a anotação de tipo de suas funções: <syntaxhighlight lang=haskell> ehL :: Char -> Bool ehL c = c == 'l' </syntaxhighlight> Há também outros bons motivos para incluí-las no código: * '''Documentação:''' como já vimos, anotações de tipo ajudam a entender o que uma função faz. ''Documentar'' um programa, é justamente descrever o que suas partes fazem e como funcionam. Claro que comentários ajudam, mas em Haskell as anotações de tipo são tão importantes quanto comentários. * '''''Debugging'':''' muitos ''bugs'', ou erros encontrados nos programas são causados quando se uma função de forma errada. As anotações de tipo ajudam você e o compilador a descobrir se uma função está sendo usada de forma correta, verificando os tipos das muitas entradas e saídas que seu programa pode gerar. Quando declaramos as anotações e ocorre algum erro de incompatibilidade de tipos, o compilador sempre mostra uma mensagem dizendo onde está o problema. Se os tipos forem omitidos, o compilador pode inferi-las de uma forma que funcionem num parte, mas que causem outros erros inesperados durante a execução, ou outro erro de compilação em outra parte. Vejamos um exemplo simples de ''debugging''. Tente o seguinte no GHCi: {{HaskellGHCi|1= Prelude> "olá" ++ " mundo" "olá mundo" Prelude> "olá" + " mundo" <interactive>:2:1: error: * No instance for (Num [Char]) arising from a use of `+' * In the expression: "ola" + " mundo" In an equation for `it': it = "ola" + " mundo" }} Acabamos de introduzir a função <code>(++)</code>, que nada mais faz que concatenar os dois Strings: <code>"ola"</code> e <code>" mundo"</code>. Se por um erro de digitação você escrever <tt>+</tt> em vez de <tt>++</tt>, a mensagem de erro acima apareceria. De forma resumida, ela nos diz que <code>(+)</code> só está definida para dados <code>Num</code>, e que estamos tentando aplicá-la a dados do tipo <code>[Char]</code>, ou String, como já vimos. É importante dizer que a checagem de tipos não previne completamente a ocorrência de erros. Na verdade, ainda podemos escrever uma função de uma forma que não funcione como a desejada. Mas mesmo aí, pensar nas operações que podemos ou não fazer como cada tipo de dado, nos ajuda guiar nossa lógica programação. == Notas == <references group=nota/> dt67hjff1lvdv4tl00nxe0j0zwy17si 589311 589310 2026-10-13T17:42:49Z Luciérnaga de conocimiento 67836 589311 wikitext text/x-wiki {{Em tradução}} {{clear}} {{HaskellÍndice|Introdução}} Em programação, '''tipo''' são usados para agrupar valores similares, com características similares, dentre de uma certa categoria. Em Haskell, seu sistema de tipos é uma ferramenta poderosa usada para evitar muitos erros triviais dentro de um programa. == Introdução == Quando se cria um programa, geralmente temos que lidar com várias entidades diferentes. Por exemplo, a operação <math>2 + 3</math>. O que são 2 e 3? Números. E o sinal de mais no meio deles? Não é um número, e trata-se de um símbolo que representa a operação de adição que queremos fazer entre 2 e 3. Agora, imagine um programa que lhe peça seu nome, e o cumprimente com uma mensagem de "Olá". Nem seu nome, nem a mensagem são números, mas trata-se de palavras. São, portanto, texto. Em programação, quando nos referimos a texto, geralmente dizemos ''String'', que significa "fio" ou "cadeia", em inglês. É uma forma curta de dizer "uma cadeia de caracteres". {{Nota à margem|Em Haskell, há uma regra de que o nome de qualquer tipo deve começar em letra maiúscula. De aqui em diante, sempre seguiremos esta regra.}} Um banco de dados é um bom exemplo para ilustrar os diferentes tipos de dados possíveis. Imagine que temos uma tabela de contatos, como uma agenda. O conteúdo poderia ser o seguinte: {|class="wikitable" | Primeiro nome | Sobrenome | Endereço de correspondência | Número do telefone |- | João | Romão | Ladeira do Livramento, 77, Cortiço, Rio de Janeiro | 218444 |- | Severino | Retirante | Av. Capibaribe-Rio, 1025, Recife | 813586 |} Os campos de cada entrada possuem um valor diferente. <tt>João</tt> é um valor. <tt>Ladeira do Livramento, 77, Cortiço, Rio de Janeiro</tt> e <tt>218444</tt> são outros dois. Em termos de seus tipos, "Primeiro nome" e "Sobrenome" são textos, então são do tipo String. À primeira vista, poderíamos classificar "Endereço de correspondência" também como texto. Entretanto, há diferentes formas de se interpretar um endereço como este. O primeiro nome pode ser o nome do prédio, ou o nome da rua, enquanto números subsequentes podem ser o número do imóvel ou de seu lote escriturado. E as palavras seguintes podem ser o nome do bairro ou da cidade. É possível também que o endereço comece por "Caixa Postal", e neste caso, ele sequer indica um endereço final, mas apenas uma caixa de correspondência em alguma agência postal. Portanto, cada parte do endereço tem um significado próprio. A princípio poderíamos dizer que o endereço trata-se de um String. De fato, ele o é, mas aí perderíamos muitas informações importantes. Quando algo é definido com String, dizemos que se trata de uma simples sequencia de caracteres, enquanto que, se pudermos encaixá-lo numa categoria mais específica, teremos bem mais informações a cerca de seu conteúdo. Por exemplo, se soubermos que um String trata-se de um Endereço, já temos muito mais informações a seu respeito, e podemos agora interpretá-lo e manipulá-lo de maneira mais apropriada. Essa mesma lógica também pode ser aplicada aos números de telefone. Podemos especificar um tipo chamado NúmeroTelefone e assim, quando houver algum número desse tipo, poderíamos buscar padrões como códigos de área ou de país. Um outro motivo para não tratá-los como números comuns, é que não convém fazermos operações artiméticas com eles: o que você espera conseguir ao multiplicar um NúmeroTelefone por 100, ou dividí-lo pela metade? É possível que o resultado nem seja um número de telefone válido. Além disso, não é aceitável perder, omitir ou arredondá-los pelo mesmo motivo. === A utilidade dos tipos === Mas por que é que separar e categorizar coisas nos ajuda a programar? Uma vez que temos os tipos definidos, podemos especificar o que se pode ou não fazer com os valores. Isso ajuda bastante a evitar erros quando tempos programas muito extensos. == Usando o comando interativo <code>:type</code> == Vamos explorar o funcionamento dos tipos usando uma sessão do GHCi. O tipo de uma expressão pode ser verificado usando-se o comando <code>:type</code>, ou <code>:t</code>. Tente com booleanos e expressões booleanas: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :type True True :: Bool Prelude> :type False False :: Bool Prelude> :t (3 < 5) (3 < 5) :: Bool }} O símbolo <tt>::</tt> aparece em todos os resultados, e é lido com o "é do tipo", e é seguido por uma ''assinatura de tipo'', ou ''anotação de tipo''. <code>:t</code> nos mostra que valores de verdadeiro (<code>True</code>) ou falso (<code>False</code>) são do tipo <code>Bool</code>. Até mesmo expressões possuem um tipo definido: quando elas forem avaliadas, elas resultarão num valor do tipo <code>Bool</code>. Talvez já esteja claro para você, mas vale notar que <code>Bool</code> é o tipo de dado escolhido para representar valores do tipo sim ou não. Por exemplo: se um valor for encontrado ou não, se um botão foi pressionado ou não. == Caracteres e ''strings''== Vamos agora testar <code>:t</code> com outros coisas. Em Haskell, um único caractere é representado cercando-o por aspas simples: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :t 'H' 'H' :: Char }} Temos, então, que caracteres são do tipo <code>Char</code>, abreviação de ''character'' (caractere, em inglês). Agora, em vez de usarmos um único caractere, para representar uma cadeia deles, devemo usar aspas duplas: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :t "Olá, mundo" "Olá, mundo" :: [Char] }} De novo, temos <code>Char</code>, só que cercado por colchetes. <code>[Char]</code> significa uma ''lista'' de caracteres. Haskell considera que toda cadeia de caracteres é uma lista. Lista, em geral, são bem importantes em Haskell, e falaremos sobre elas mais adiante. {{Exercício|1= # Use <code>:type</code> seguido de um valor como <code>"H"</code> no GHCi. Perceba que usamos aspas duplas aqui. O que acontece? Por quê? # Use <code>:type</code> seguido de um valor como <code>'Olá, mundo'</code> no GHCi. Perceba que usamos aspas simples aqui. O que acontece? Por quê? }} Haskell nos permite criar ''sinônimos de tipos'', que funcionam como sinônimos na linguagem humana: palavras diferentes que tem o mesmo significado. Esses sinônimos são nomes alternativos para os tipos. Por exemplo, <tt>String</tt> é definido como um sinônimo para <tt>[Char]</tt>, e por isso podemos substituir um pelo outro: <syntaxhighlight lang="haskell"> "Olá, mundo" :: String </syntaxhighlight> O código acima é perfeitamente válido, e é muito mais claro para humanos ler <code>String</code> uma única vez, do que ler <code>[Char]</code> e interpretar que trata-se de uma lista de caracteres e, portanto um ''string''. == Tipos das funções == Até agora vimos os tipos de alguns valores (''strings'', booleanos, caracteres etc.). Também vimos que tais tipos nos ajudam a categorizar e descrever certos valores de forma mais convenientes. Agora, veremos o que faz o sistema de tipos de Haskell tão importante e poderoso: ''funções'' possuem tipos também. === Exemplo === Podemo inverter um booleano usando a função <code>not</code>, como já vimos. Para sabermos o tipo de uma função, temos levar duas coisas em consideração: os tipos de seus argumentos, e o tipo do valor que ela retorna, isto é, o tipo de sua saída. Para o caso de <code>not</code> as coisas são bem simples: ela recebe um valor do tipo <code>Bool</code> e retorna outro do tipo <code>Bool</code>. A notação que usamos em Haskell é a seguinte: <syntaxhighlight lang=haskell> not :: Bool -> Bool </syntaxhighlight> Essa linha pode ser lida como: "<tt>not</tt> é do tipo que recebe valores do tipo <tt>Bool</tt> e retorna valores do tipo <tt>Bool</tt>". Em outras palavras: uma função de <tt>Bool</tt> (a entrada) em <tt>Bool</tt> (a saída). No GHCi, podemos usar <code>:t</code> em funções também: {{HaskellGHCi|1= Prelude> :t not not :: Bool -> Bool }} Portanto, o tipo de uma função sempre é descrito em termos dos tipos de sua entrada e do tipo de sua saída. === Exemplo: <code>chr</code> e <code>ord</code> === A representação de texto sempre foi um problema para computadores. Em sua linguagem mais básica, um computador só pode interpretar dados binários: 1 e 0. Para representar um texto, cada caractere deve primeiramente ser convertido a um número, que pode ser convertido para sua forma binária e depois interpretada pelo computador. A conversão para a forma binária é uma tarefa trivial para a máquina, portanto, só nos interessa a conversar de um caractere para sua forma numérica. A forma mais simples para tal tarefa seria escrever todos os caracteres possíveis e enumerá-los. Por exemplos, se fizermos "a" corresponder a 1, "b" poderia ser 2, "c" seria 3, e assim por diante. Haskell já possui um padrão de enumeração de caracteres definido, e seria tedioso buscar em sua tabela os valores numéricos sempre que precisarmos deles. Por conveniência, já temos duas funções que fazem este trabalho: <code>chr</code> (uma abreviação de ''char''), e <code>ord</code>.<ref group=nota>Não é exatemente assim que <code>chr</code> e <code>ord</code> funcionam, mas descrição é válida por enquanto.</ref> Vamos investigar os tipos de <code>chr</code> e <code>ord</code>: <syntaxhighlight lang=haskell> chr :: Int -> Char ord :: Char -> Int </syntaxhighlight> Como já sabemos o que <code>Char</code> significa, vamos explicar sobre <code>Int</code>. Este tipo se refere a números inteiros, e é apenas um dentre alguns outros tipos de números definidos em Haskell. Na verdade, existe também mais de um tipo para representar números inteiros em Haskell. A assinatura de tipo de <code>chr</code> nos diz que ela recebe um argumento do tipo <code>Int</code>, um número inteiro, e avalia um resultado do tipo <code>Char</code>. O caso de <code>ord</code> é o oposto: recebe um argumento do tipo <code>Char</code> e retorna um do tipo <code>Int</code>. Analisando ambas assinaturas, fica claro qual das funções converte um caractere num número (<code>ord</code>), e qual faz a operação inversa (<code>chr</code>). Agora, alguns exemplos. Estas funções não estão nativamente disponíveis, ao abrir uma sessão do GHCi, precisamos usar o comando <code>:module Data.Char</code> (ou usar <code>:m</code>) para carregar o módulo Data.Char, que é onde elas estão definidas. {{HaskellGHCi|1= Prelude> :m Data.Char Prelude Data.Char> chr 97 'a' Prelude Data.Char> chr 98 'b' Prelude Data.Char> ord 'c' 99 }} === Funções de mais de um argumento === Qual seria o tipo de uma função com mais de um argumento? <syntaxhighlight lang=haskell> xor p q = (p || q) && not (p && q) </syntaxhighlight> <code>xor</code> é a função "ou exclusivo", que avalia se apenas um dos argumentos for <code>True</code>. Se ambos ou nenhum forem verdadeiros, ela retorna <code>False</code>. O método básico para descrever o tipo de uma função de mais de um argumento é simplesmente escrever os tipos de cada argumento, em linha, e em sequência (primeiro <code>p</code>, depois <code>q</code>, por exemplo) e, por último, adicionar o tipo da saída. Depois basta intercalá-los com <code>-></code>.<ref group=nota>Cobriremos mais sobre este assunto no capítulo sobre [[Haskell/Funções de alta ordem|funções de alta ordem]].</ref> <ol> <li> Escreva o tipo dos argumentos de entrada, em sequência, e o tipo da saída no fim. A definição de <code>xor</code> já nos diz que ela avalia se seus argumentos são <code>True</code> ou <code>False</code>. Então eles só podem ser do tipo <code>Bool</code>. Sua saída também é do mesmo tipo, <code>Bool</code>: <pre> Bool Bool Bool ^^^^ p é do tipo Bool ^^^^ q é do tipo Bool ^^^^ a saída também é do tipo Bool </pre> </li> <li>Intercale os tipos usando <code>-></code>: <pre>Bool -> Bool -> Bool</pre> </li> </ol> Portanto, a assinatura de <code>xor</code> é: <syntaxhighlight lang=haskell> xor :: Bool -> Bool -> Bool </syntaxhighlight> Ela pode ser lida como: "<tt>xor</tt> é do tipo que recebe dois <tt>Bool</tt> e retorna um <tt>Bool</tt>". === Exemplo: <code>abrirJanela</code> === A medida que alguém aprofunda seus conhecimentos de programação, alguns termos técnicos tornam-se triviais. Um deles, são as chamadas ''bibliotecas'', que são arquivos de código com um determinado propósito, mas que podem ser usados por diferentes programas. E um dos tipos de bibliotecas mais comuns é o de GUI (''<u>G</u>raphical <u>U</u>nser <u>I</u>nterface'', ou ''interface gráfica de usuário'', em inglês). O que se espera encontrar neste tipo de biblioteca são funções para criar, botões, menus e interação com mouse e teclado, por exemplo. Uma possível função seria <code>abrirJanela</code>, que provavelmente abre uma nova janela quando executada. A assinatura de uma função como esta poderia ser: <syntaxhighlight lang=haskell> abrirJanela :: JanelaTitulo -> JanelaTamanho -> Janela </syntaxhighlight> Não precisamos entender a fundo a definição destes tipos, mas seus nomes nos ajudam a entender o que é necessário para criar uma janela. É bastante provável também que eles estejam definidos dentro da biblioteca da própria biblioteca que possui define <code>abrirJanela</code>. Vamos investigar por partes. Lembre-se do que explicamos na [[#Funções de mais de um argumento|seção anterior]]: o último tipo descrito na assinatura de uma função é o tipo de sua saída. Portanto, quantos argumentos <code>abrirJanela</code> exige? Dois argumentos. Quais são os seus tipos? <code>JanelaTitulo</code> e <code>JanelaTamanho</code>. E qual o tipo da saída? É <code>Janela</code>. Assim, podemos entender que: "<code>abrirJanela</code> é uma função que cria uma nova janela e que para isso exige um título e um tamanho". Perceba que não é preciso já ter usado uma função para entender o que ela faz: quando usamos tipos cujos nomes são claros o bastante, a assinatura da função nos dá dicas de seu funcionamento. É um bom hábito testar as funções com <code>:t</code> no GHCi antes de usá-la e, quanto mais você o fizer, melhor será sua intuição para interpretar os tipos das funções. {{Exercícios|1= Tente deduzir quais as anotações de tipos das seguintes funções. Se alguma delas envolver números, suponha que sejam do tipo Int. # <code>negativo</code>: uma função que recebe um Int e retorna seu oposto (sinal invertido). Ex: <code>negativo 4 {{=}} -4</code>; <code>negativo (-2) {{=}} 2</code>. # <code>({{!!}})</code>: a função lógica "ou". Ela recebe dois booleanos e compara se pelo menos um deles é verdadeiro. Se sim, retorna verdadeiro, se não, falso. # <code>diasNoMes</code>: uma função que calcula a quantidade de dias num determinado mês. Ela recebe uma valor para indicar se o ano é bissexto ou não, e o número do mês, de 1 a 12. # <code>f x y {{=}} not x {{!!}} y</code> # <code>g x = (2*x - 1)^2</code> }} == Anotações de tipo em arquivos de código == Agora que já entendemos um pouco o que são os tipos e no que eles podem nos ajudar, vejamos como fazer este tipo de anotação num código fonte de um programa que você está escrevendo. Considere a função <code>xor</code> que definimos antes. Se quisermos defini-la dentro de um arquivo, e quisermos anotar seu tipo, basta escrever: <syntaxhighlight lang=haskell> xor :: Bool -> Bool -> Bool xor p q = (p || q) && not (p && q) </syntaxhighlight> Só isso. Para maior clareza, é comum que a anotação apareça imediatamente antes da definição, então é recomendável que você se atenha a esta convenção. Além de facilitar que humanos entendam o funcionamento da função, as anotações de tipo tão são fundamentais para que o compilador as interprete corretamente, como veremos a seguir. === Inferindo tipos === Como dissemos antes, funções possuem tipo. É importante destacar que elas ''sempre'' possuem tipo. Mas como é que escrevemos as funções do capítulo anterior sem nenhum assinatura? Isso é possível porque o compilador consegue ''inferir'' o tipo de uma função baseando-se nas operações que ela executa. Vejamos o seguinte caso: <syntaxhighlight lang=haskell> ehL c = c == 'l' </syntaxhighlight> <code>ehL</code> é uma função de um argumento e que retorna o resultado da expressão <code>c == 'l'</code>. Mesmo sem anotarmos explicitamente o tipo de <code>c</code> e da saída, podemos tentar deduzir a assinatura de <code>ehL</code>. Veja: * É uma função de um argumento, <code>c</code>. E toda função em Haskell tem apenas uma saída. _ -> _ * A saída é resultado da operação <code>c == 'l'</code>. Como já vimos, <code>(==)</code> é uma comparação de igualdade, e comparações geralmente resultam em respostas do tipo sim ou não, o que pode ser representado pelo tipo Bool. Na verdade, já vimos <code>(==)</code> em [[Haskell/Verdadeiro ou falso|Verdadeiro ou falso]], então sabemos que sua saída é um Bool, com certeza. _ -> Bool * A função <code>(==)</code> compara <code>c</code> com <code>'l'</code>. Sabemos que não faz sentido comparar coisas de tipos diferentes. O valor <code>'l'</code> é do tipo Char, portanto, só faz sentido que <code>c</code> seja do mesmo tipo. Char -> Bool Se quiser verificar o que acabamos de fazer, defina <code>ehL</code> no GHCi sem uma assinatura e depois use <code>:t</code> para verificar seu tipo: {{HaskellGHCi|1= Prelude> let ehL c = c == 'l' Prelude> :t ehL ehL :: Char -> Bool }} O compilador realiza um processo bastante parecido com este para definir o tipo de uma função. Entretanto, ele pode não resultar na assinatura que você espera ou deseja, ou sequer conseguir chegar a uma assinatura final. Por isso, é recomendável sempre escrever a anotação de tipo de suas funções: <syntaxhighlight lang=haskell> ehL :: Char -> Bool ehL c = c == 'l' </syntaxhighlight> Há também outros bons motivos para incluí-las no código: * '''Documentação:''' como já vimos, anotações de tipo ajudam a entender o que uma função faz. ''Documentar'' um programa, é justamente descrever o que suas partes fazem e como funcionam. Claro que comentários ajudam, mas em Haskell as anotações de tipo são tão importantes quanto comentários. * '''''Debugging'':''' muitos ''bugs'', ou erros encontrados nos programas são causados quando se uma função de forma errada. As anotações de tipo ajudam você e o compilador a descobrir se uma função está sendo usada de forma correta, verificando os tipos das muitas entradas e saídas que seu programa pode gerar. Quando declaramos as anotações e ocorre algum erro de incompatibilidade de tipos, o compilador sempre mostra uma mensagem dizendo onde está o problema. Se os tipos forem omitidos, o compilador pode inferi-las de uma forma que funcionem num parte, mas que causem outros erros inesperados durante a execução, ou outro erro de compilação em outra parte. Vejamos um exemplo simples de ''debugging''. Tente o seguinte no GHCi: {{HaskellGHCi|1= Prelude> "olá" ++ " mundo" "olá mundo" Prelude> "olá" + " mundo" <interactive>:2:1: error: * No instance for (Num [Char]) arising from a use of `+' * In the expression: "ola" + " mundo" In an equation for `it': it = "ola" + " mundo" }} Acabamos de introduzir a função <code>(++)</code>, que nada mais faz que concatenar os dois Strings: <code>"ola"</code> e <code>" mundo"</code>. Se por um erro de digitação você escrever <tt>+</tt> em vez de <tt>++</tt>, a mensagem de erro acima apareceria. De forma resumida, ela nos diz que <code>(+)</code> só está definida para dados <code>Num</code>, e que estamos tentando aplicá-la a dados do tipo <code>[Char]</code>, ou String, como já vimos. É importante dizer que a checagem de tipos não previne completamente a ocorrência de erros. Na verdade, ainda podemos escrever uma função de uma forma que não funcione como a desejada. Mas mesmo aí, pensar nas operações que podemos ou não fazer como cada tipo de dado, nos ajuda guiar nossa lógica programação. == Notas == <references group=nota/> 9rq4ipbhjrck13rt89za4zzuilcd3yw Paine’s Records:Editora Independente 0 100776 589315 588259 2026-10-14T00:00:06Z Leonardopaines 70852 /* Divisões e marcas */ 589315 wikitext text/x-wiki {{Monomódulo}} {{Info/Empresa | nome = Paine’s Records | imagem = <!-- Insira nome do arquivo de imagem, se houver --> | tipo = Editora independente | fundação = 1 de julho de 2025 | fundador = Leonardo Silveira Paines | localização = Brasil | indústria = Publicações literárias, genealogia, mídia e serviços financeiros | produtos = Livros, registros históricos, compilações genealógicas, serviços de mídia, educação e serviços bancários | site = www.painesrecords.com }} [[File:File 00000000c708720eae462a357c9774cf.png|thumb|Brasil marca, empresa]] '''Paine’s Records''' é uma editora independente fundada em 1º de julho de 2025 por [[Autor:Leonardo Silveira Paines]]. Inicialmente dedicada à preservação e divulgação de registros históricos e publicações genealógicas, a organização ampliou suas atividades para abarcar marcas de mídia, educação e serviços financeiros, atuando em formatos digitais e físicos sob demanda. == História == A editora foi criada como desdobramento do projeto genealógico da [[Família Paines]], que envolvia a digitalização e republicação de documentos antigos como o ''Paine Family Records – Volume 1'' (1880) e a produção do inédito ''Volume 2''. Desde sua fundação em julho de 2025, a Paine’s Records se propôs a ser uma plataforma de valorização da memória familiar e do conhecimento histórico acessível. Em progressiva expansão, a organização evoluiu para um conglomerado que reúne diversas marcas e serviços nas áreas de mídia, pesquisa, educação e finanças, mantendo a atividade editorial como núcleo histórico do grupo. Além do resgate literário, a editora passou a administrar elementos simbólicos da linhagem Paines, como o [[jazigo da Família Paines]], localizado em território brasileiro, e arquivos genealógicos privados mantidos por gerações. == Divisões e marcas == A Editora Paine’s Records detém as seguintes marcas e unidades operacionais: * '''The Paines Times ''' Braço de notícias e divulgação internacional da editora. *''' Gazeta Paines ''' Braço de notícias e divulgação regional da Editora. * ''' Universidade de Galilei''' Braço educacional de MBA e cursos soltos da editora. * ''' RECORDS + BRASIL ''' Podcast e Rádio FM da Editora. Todos os veículos de mídia e assistentes de serviço do grupo possuem componentes de inteligência artificial para curadoria, atendimento e produção de conteúdo, e operam presenças institucionais nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, oferecendo serviços automatizados de informação, suporte e distribuição de conteúdo. == Publicações == A editora organiza e publica materiais em formato colaborativo e com licenças livres, além de obras autorais e temáticas diversas. Entre os títulos publicados sob o selo da editora e das suas marcas, destacam-se: * '''''Paine Family Records – Volume 1''''' (republicação comentada no [[Wikibooks]]) * '''''Paine Family Records – Volume 2''''' * '''Paine Family Ancestry''' * '''''Família Paines: Nossas Raízes''''' * '''''Relações Internacionais para Iniciantes''''' * '''''Comércio Exterior e Negócios Internacionais para Leigos''''' * '''''Manifesto Moderno Econômico''''' (versão em inglês) * '''''Manual da Ansiedade: Dicas Rápidas para Dias Caóticos''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Crimes do Passado''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Uma Nova História''''' * '''''Direito Trabalhista Simplificado''''' * '''''Cartas para Meus Filhos e Para o Mundo''''' * '''Manifesto Econômico Moderno Volume II''' (Versão inglês) * '''O Príncipe, Nicolau Maquiavel''' (versão traduzida para o PtBR) * '''A arte da Guerra''' (versão traduzida para o PTbr) * '''Só o sofrimento Coletivo Gera a União''' * '''Livro de Honra da Família Paines''' * '''''O Último Legado: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''O Último Legado II: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''Investigação Forense e Perícia Criminal: Teoria e Prática''''' * '''''Física para Iniciantes''''' * ''''' Grimorios Painesferianos ''''' * ''''' Volkandov- Grimorios Painesferianos II ''''' * ''''' O Acorrentado- Grimorios Painesferianos III ''''' * ''''' Família Paines: Genealogia ''''' * ''''' Entro outros best sellers ''''' == Missão e Visão == A missão da Paine’s Records é preservar a herança intelectual e cultural de famílias históricas, começando pela Família Paines, promovendo o livre acesso ao conhecimento, à identidade e à memória intergeracional. O conglomerado busca integrar produção editorial, jornalismo especializado, formação acadêmica e soluções financeiras para apoiar a cadeia cultural independente. A empresa também se compromete com ações ambientais. Desde 2025, é responsável pelo plantio de mais de '''2 mil árvores nativas da Mata Atlântica''', em parceria com o projeto ambiental '''SOS Mata Atlântica''', como forma de compensação ecológica vinculada às publicações físicas. == Importância Cultural == Apesar de recente, o grupo Paine’s Records consolidou-se como uma referência em genealogia aplicada, micro-história familiar e mídia especializada. Suas publicações e produtos digitais têm sido utilizados em projetos escolares, estudos acadêmicos, iniciativas culturais e por pequenos empreendedores culturais. As marcas do conglomerado fortalecem a presença temática (história, direito trabalhista, geopolítica e jornalismo) em canais digitais e redes sociais. O conglomerado também custodia e divulga o '''Hino da Casa Silveira & Paines''', um símbolo de união entre os ramos familiares Silveira e Paines, preservado em formato musical e textual como parte do acervo cultural da família. == Estrutura e atuação digital == O grupo integra soluções baseadas em inteligência artificial para indexação, atendimento ao público e automatização editorial. Nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, as marcas mantêm assistentes e canais de comunicação automatizados que facilitam o acesso a conteúdos, cursos e notícias, respeitando as normas de privacidade e as políticas das plataformas. == Ver também == * [[Família Paines]] * [[Genealogia]] * [[Heráldica]] * [[História das famílias no Brasil]] * [[SOS Mata Atlântica]] * [[Jazigo da Família Paines]] == Referências == {{referências}} == Ligações externas == * [https://pt.wikibooks.org/wiki/Paine_Family_Records_-_Volume_1 Paine Family Records – Volume 1 no Wikibooks] * [https://codepen.io/Contato-Alpha/pen/myeJzoR Site oficial da Paine’s Records no CodePen] * [[Família Paines]] * [[ Grupo Paine’s Records]] {{Ficha do livro |Etapa = 8 <!-- Finalizado --> |Autor = Leonardo Silveira Paines |Nível educacional 1 = Superior <!-- Cultura, História, Genealogia --> |Tema 1 = História Familiar, Tradições, Heráldica |CDD 1 = 929.7 <!-- CDD para Heráldica e Honrarias --> |CDU 1 = 929 <!-- CDU para Nome pessoal e brasões --> |CBC 1 = CS71 <!-- CBC para Genealogia e brasões --> }} m2fijt9k9968lu86jp8mfnxqowqlu2z 589316 589315 2026-10-14T00:02:25Z Leonardopaines 70852 /* Publicações */ 589316 wikitext text/x-wiki {{Monomódulo}} {{Info/Empresa | nome = Paine’s Records | imagem = <!-- Insira nome do arquivo de imagem, se houver --> | tipo = Editora independente | fundação = 1 de julho de 2025 | fundador = Leonardo Silveira Paines | localização = Brasil | indústria = Publicações literárias, genealogia, mídia e serviços financeiros | produtos = Livros, registros históricos, compilações genealógicas, serviços de mídia, educação e serviços bancários | site = www.painesrecords.com }} [[File:File 00000000c708720eae462a357c9774cf.png|thumb|Brasil marca, empresa]] '''Paine’s Records''' é uma editora independente fundada em 1º de julho de 2025 por [[Autor:Leonardo Silveira Paines]]. Inicialmente dedicada à preservação e divulgação de registros históricos e publicações genealógicas, a organização ampliou suas atividades para abarcar marcas de mídia, educação e serviços financeiros, atuando em formatos digitais e físicos sob demanda. == História == A editora foi criada como desdobramento do projeto genealógico da [[Família Paines]], que envolvia a digitalização e republicação de documentos antigos como o ''Paine Family Records – Volume 1'' (1880) e a produção do inédito ''Volume 2''. Desde sua fundação em julho de 2025, a Paine’s Records se propôs a ser uma plataforma de valorização da memória familiar e do conhecimento histórico acessível. Em progressiva expansão, a organização evoluiu para um conglomerado que reúne diversas marcas e serviços nas áreas de mídia, pesquisa, educação e finanças, mantendo a atividade editorial como núcleo histórico do grupo. Além do resgate literário, a editora passou a administrar elementos simbólicos da linhagem Paines, como o [[jazigo da Família Paines]], localizado em território brasileiro, e arquivos genealógicos privados mantidos por gerações. == Divisões e marcas == A Editora Paine’s Records detém as seguintes marcas e unidades operacionais: * '''The Paines Times ''' Braço de notícias e divulgação internacional da editora. *''' Gazeta Paines ''' Braço de notícias e divulgação regional da Editora. * ''' Universidade de Galilei''' Braço educacional de MBA e cursos soltos da editora. * ''' RECORDS + BRASIL ''' Podcast e Rádio FM da Editora. Todos os veículos de mídia e assistentes de serviço do grupo possuem componentes de inteligência artificial para curadoria, atendimento e produção de conteúdo, e operam presenças institucionais nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, oferecendo serviços automatizados de informação, suporte e distribuição de conteúdo. == Publicações == A editora organiza e publica materiais em formato colaborativo e com licenças livres, além de obras autorais e temáticas diversas. Entre os títulos publicados sob o selo da editora e das suas marcas, destacam-se: * '''''Paine Family Records – Volume 1''''' (republicação comentada no [[Wikibooks]]) * '''''Paine Family Records – Volume 2''''' * '''Paine Family Ancestry''' * '''''Família Paines: Nossas Raízes''''' * ''''' Cartas para meus filhos e o mundo ''''' * '''''Relações Internacionais para Iniciantes''''' * '''''Comércio Exterior e Negócios Internacionais para Leigos''''' * '''''Manifesto Moderno Econômico''''' (versão em inglês) * '''''Manual da Ansiedade: Dicas Rápidas para Dias Caóticos''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Crimes do Passado''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Uma Nova História''''' * '''''Direito Trabalhista Simplificado''''' * '''''Cartas para Meus Filhos e Para o Mundo''''' * '''Manifesto Econômico Moderno Volume II''' (Versão inglês) * '''O Príncipe, Nicolau Maquiavel''' (versão traduzida para o PtBR) * '''A arte da Guerra''' (versão traduzida para o PTbr) * '''Só o sofrimento Coletivo Gera a União''' * '''Livro de Honra da Família Paines''' * '''''O Último Legado: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''O Último Legado II: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''Investigação Forense e Perícia Criminal: Teoria e Prática''''' * '''''Física para Iniciantes''''' * ''''' Grimorios Painesferianos ''''' * ''''' Volkandov- Grimorios Painesferianos II ''''' * ''''' O Acorrentado- Grimorios Painesferianos III ''''' * ''''' Família Paines: Genealogia ''''' * ''''' Diario de um Veterano''''' * ''''' Os Grandes Pensadores ''''' * ''''' Atlas das Religiões do Brasil ''''' * ''''' Necronomicom ''''' * ''''' Diário de um "ex" Cafajeste ''''' == Missão e Visão == A missão da Paine’s Records é preservar a herança intelectual e cultural de famílias históricas, começando pela Família Paines, promovendo o livre acesso ao conhecimento, à identidade e à memória intergeracional. O conglomerado busca integrar produção editorial, jornalismo especializado, formação acadêmica e soluções financeiras para apoiar a cadeia cultural independente. A empresa também se compromete com ações ambientais. Desde 2025, é responsável pelo plantio de mais de '''2 mil árvores nativas da Mata Atlântica''', em parceria com o projeto ambiental '''SOS Mata Atlântica''', como forma de compensação ecológica vinculada às publicações físicas. == Importância Cultural == Apesar de recente, o grupo Paine’s Records consolidou-se como uma referência em genealogia aplicada, micro-história familiar e mídia especializada. Suas publicações e produtos digitais têm sido utilizados em projetos escolares, estudos acadêmicos, iniciativas culturais e por pequenos empreendedores culturais. As marcas do conglomerado fortalecem a presença temática (história, direito trabalhista, geopolítica e jornalismo) em canais digitais e redes sociais. O conglomerado também custodia e divulga o '''Hino da Casa Silveira & Paines''', um símbolo de união entre os ramos familiares Silveira e Paines, preservado em formato musical e textual como parte do acervo cultural da família. == Estrutura e atuação digital == O grupo integra soluções baseadas em inteligência artificial para indexação, atendimento ao público e automatização editorial. Nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, as marcas mantêm assistentes e canais de comunicação automatizados que facilitam o acesso a conteúdos, cursos e notícias, respeitando as normas de privacidade e as políticas das plataformas. == Ver também == * [[Família Paines]] * [[Genealogia]] * [[Heráldica]] * [[História das famílias no Brasil]] * [[SOS Mata Atlântica]] * [[Jazigo da Família Paines]] == Referências == {{referências}} == Ligações externas == * [https://pt.wikibooks.org/wiki/Paine_Family_Records_-_Volume_1 Paine Family Records – Volume 1 no Wikibooks] * [https://codepen.io/Contato-Alpha/pen/myeJzoR Site oficial da Paine’s Records no CodePen] * [[Família Paines]] * [[ Grupo Paine’s Records]] {{Ficha do livro |Etapa = 8 <!-- Finalizado --> |Autor = Leonardo Silveira Paines |Nível educacional 1 = Superior <!-- Cultura, História, Genealogia --> |Tema 1 = História Familiar, Tradições, Heráldica |CDD 1 = 929.7 <!-- CDD para Heráldica e Honrarias --> |CDU 1 = 929 <!-- CDU para Nome pessoal e brasões --> |CBC 1 = CS71 <!-- CBC para Genealogia e brasões --> }} rpbyjbfrojzydsf1m9vb2x8j19jjt6n 589317 589316 2026-10-14T00:03:09Z Leonardopaines 70852 /* Importância Cultural */ 589317 wikitext text/x-wiki {{Monomódulo}} {{Info/Empresa | nome = Paine’s Records | imagem = <!-- Insira nome do arquivo de imagem, se houver --> | tipo = Editora independente | fundação = 1 de julho de 2025 | fundador = Leonardo Silveira Paines | localização = Brasil | indústria = Publicações literárias, genealogia, mídia e serviços financeiros | produtos = Livros, registros históricos, compilações genealógicas, serviços de mídia, educação e serviços bancários | site = www.painesrecords.com }} [[File:File 00000000c708720eae462a357c9774cf.png|thumb|Brasil marca, empresa]] '''Paine’s Records''' é uma editora independente fundada em 1º de julho de 2025 por [[Autor:Leonardo Silveira Paines]]. Inicialmente dedicada à preservação e divulgação de registros históricos e publicações genealógicas, a organização ampliou suas atividades para abarcar marcas de mídia, educação e serviços financeiros, atuando em formatos digitais e físicos sob demanda. == História == A editora foi criada como desdobramento do projeto genealógico da [[Família Paines]], que envolvia a digitalização e republicação de documentos antigos como o ''Paine Family Records – Volume 1'' (1880) e a produção do inédito ''Volume 2''. Desde sua fundação em julho de 2025, a Paine’s Records se propôs a ser uma plataforma de valorização da memória familiar e do conhecimento histórico acessível. Em progressiva expansão, a organização evoluiu para um conglomerado que reúne diversas marcas e serviços nas áreas de mídia, pesquisa, educação e finanças, mantendo a atividade editorial como núcleo histórico do grupo. Além do resgate literário, a editora passou a administrar elementos simbólicos da linhagem Paines, como o [[jazigo da Família Paines]], localizado em território brasileiro, e arquivos genealógicos privados mantidos por gerações. == Divisões e marcas == A Editora Paine’s Records detém as seguintes marcas e unidades operacionais: * '''The Paines Times ''' Braço de notícias e divulgação internacional da editora. *''' Gazeta Paines ''' Braço de notícias e divulgação regional da Editora. * ''' Universidade de Galilei''' Braço educacional de MBA e cursos soltos da editora. * ''' RECORDS + BRASIL ''' Podcast e Rádio FM da Editora. Todos os veículos de mídia e assistentes de serviço do grupo possuem componentes de inteligência artificial para curadoria, atendimento e produção de conteúdo, e operam presenças institucionais nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, oferecendo serviços automatizados de informação, suporte e distribuição de conteúdo. == Publicações == A editora organiza e publica materiais em formato colaborativo e com licenças livres, além de obras autorais e temáticas diversas. Entre os títulos publicados sob o selo da editora e das suas marcas, destacam-se: * '''''Paine Family Records – Volume 1''''' (republicação comentada no [[Wikibooks]]) * '''''Paine Family Records – Volume 2''''' * '''Paine Family Ancestry''' * '''''Família Paines: Nossas Raízes''''' * ''''' Cartas para meus filhos e o mundo ''''' * '''''Relações Internacionais para Iniciantes''''' * '''''Comércio Exterior e Negócios Internacionais para Leigos''''' * '''''Manifesto Moderno Econômico''''' (versão em inglês) * '''''Manual da Ansiedade: Dicas Rápidas para Dias Caóticos''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Crimes do Passado''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Uma Nova História''''' * '''''Direito Trabalhista Simplificado''''' * '''''Cartas para Meus Filhos e Para o Mundo''''' * '''Manifesto Econômico Moderno Volume II''' (Versão inglês) * '''O Príncipe, Nicolau Maquiavel''' (versão traduzida para o PtBR) * '''A arte da Guerra''' (versão traduzida para o PTbr) * '''Só o sofrimento Coletivo Gera a União''' * '''Livro de Honra da Família Paines''' * '''''O Último Legado: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''O Último Legado II: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''Investigação Forense e Perícia Criminal: Teoria e Prática''''' * '''''Física para Iniciantes''''' * ''''' Grimorios Painesferianos ''''' * ''''' Volkandov- Grimorios Painesferianos II ''''' * ''''' O Acorrentado- Grimorios Painesferianos III ''''' * ''''' Família Paines: Genealogia ''''' * ''''' Diario de um Veterano''''' * ''''' Os Grandes Pensadores ''''' * ''''' Atlas das Religiões do Brasil ''''' * ''''' Necronomicom ''''' * ''''' Diário de um "ex" Cafajeste ''''' == Missão e Visão == A missão da Paine’s Records é preservar a herança intelectual e cultural de famílias históricas, começando pela Família Paines, promovendo o livre acesso ao conhecimento, à identidade e à memória intergeracional. O conglomerado busca integrar produção editorial, jornalismo especializado, formação acadêmica e soluções financeiras para apoiar a cadeia cultural independente. A empresa também se compromete com ações ambientais. Desde 2025, é responsável pelo plantio de mais de '''2 mil árvores nativas da Mata Atlântica''', em parceria com o projeto ambiental '''SOS Mata Atlântica''', como forma de compensação ecológica vinculada às publicações físicas. == Importância Cultural == Apesar de recente, o grupo Paines consolidou-se como uma referência em genealogia aplicada, micro-história familiar e mídia especializada. Suas publicações e produtos digitais têm sido utilizados em projetos escolares, estudos acadêmicos, iniciativas culturais e por pequenos empreendedores culturais. As marcas do conglomerado fortalecem a presença temática (história, direito trabalhista, geopolítica e jornalismo) em canais digitais e redes sociais. O conglomerado também custodia e divulga o '''Hino da Casa Silveira & Paines''', um símbolo de união entre os ramos familiares Silveira e Paines, preservado em formato musical e textual como parte do acervo cultural da família. == Estrutura e atuação digital == O grupo integra soluções baseadas em inteligência artificial para indexação, atendimento ao público e automatização editorial. Nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, as marcas mantêm assistentes e canais de comunicação automatizados que facilitam o acesso a conteúdos, cursos e notícias, respeitando as normas de privacidade e as políticas das plataformas. == Ver também == * [[Família Paines]] * [[Genealogia]] * [[Heráldica]] * [[História das famílias no Brasil]] * [[SOS Mata Atlântica]] * [[Jazigo da Família Paines]] == Referências == {{referências}} == Ligações externas == * [https://pt.wikibooks.org/wiki/Paine_Family_Records_-_Volume_1 Paine Family Records – Volume 1 no Wikibooks] * [https://codepen.io/Contato-Alpha/pen/myeJzoR Site oficial da Paine’s Records no CodePen] * [[Família Paines]] * [[ Grupo Paine’s Records]] {{Ficha do livro |Etapa = 8 <!-- Finalizado --> |Autor = Leonardo Silveira Paines |Nível educacional 1 = Superior <!-- Cultura, História, Genealogia --> |Tema 1 = História Familiar, Tradições, Heráldica |CDD 1 = 929.7 <!-- CDD para Heráldica e Honrarias --> |CDU 1 = 929 <!-- CDU para Nome pessoal e brasões --> |CBC 1 = CS71 <!-- CBC para Genealogia e brasões --> }} cj9expfstqtddepen8r6orixs2lea28 589318 589317 2026-10-14T00:04:32Z Leonardopaines 70852 /* Ligações externas */ 589318 wikitext text/x-wiki {{Monomódulo}} {{Info/Empresa | nome = Paine’s Records | imagem = <!-- Insira nome do arquivo de imagem, se houver --> | tipo = Editora independente | fundação = 1 de julho de 2025 | fundador = Leonardo Silveira Paines | localização = Brasil | indústria = Publicações literárias, genealogia, mídia e serviços financeiros | produtos = Livros, registros históricos, compilações genealógicas, serviços de mídia, educação e serviços bancários | site = www.painesrecords.com }} [[File:File 00000000c708720eae462a357c9774cf.png|thumb|Brasil marca, empresa]] '''Paine’s Records''' é uma editora independente fundada em 1º de julho de 2025 por [[Autor:Leonardo Silveira Paines]]. Inicialmente dedicada à preservação e divulgação de registros históricos e publicações genealógicas, a organização ampliou suas atividades para abarcar marcas de mídia, educação e serviços financeiros, atuando em formatos digitais e físicos sob demanda. == História == A editora foi criada como desdobramento do projeto genealógico da [[Família Paines]], que envolvia a digitalização e republicação de documentos antigos como o ''Paine Family Records – Volume 1'' (1880) e a produção do inédito ''Volume 2''. Desde sua fundação em julho de 2025, a Paine’s Records se propôs a ser uma plataforma de valorização da memória familiar e do conhecimento histórico acessível. Em progressiva expansão, a organização evoluiu para um conglomerado que reúne diversas marcas e serviços nas áreas de mídia, pesquisa, educação e finanças, mantendo a atividade editorial como núcleo histórico do grupo. Além do resgate literário, a editora passou a administrar elementos simbólicos da linhagem Paines, como o [[jazigo da Família Paines]], localizado em território brasileiro, e arquivos genealógicos privados mantidos por gerações. == Divisões e marcas == A Editora Paine’s Records detém as seguintes marcas e unidades operacionais: * '''The Paines Times ''' Braço de notícias e divulgação internacional da editora. *''' Gazeta Paines ''' Braço de notícias e divulgação regional da Editora. * ''' Universidade de Galilei''' Braço educacional de MBA e cursos soltos da editora. * ''' RECORDS + BRASIL ''' Podcast e Rádio FM da Editora. Todos os veículos de mídia e assistentes de serviço do grupo possuem componentes de inteligência artificial para curadoria, atendimento e produção de conteúdo, e operam presenças institucionais nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, oferecendo serviços automatizados de informação, suporte e distribuição de conteúdo. == Publicações == A editora organiza e publica materiais em formato colaborativo e com licenças livres, além de obras autorais e temáticas diversas. Entre os títulos publicados sob o selo da editora e das suas marcas, destacam-se: * '''''Paine Family Records – Volume 1''''' (republicação comentada no [[Wikibooks]]) * '''''Paine Family Records – Volume 2''''' * '''Paine Family Ancestry''' * '''''Família Paines: Nossas Raízes''''' * ''''' Cartas para meus filhos e o mundo ''''' * '''''Relações Internacionais para Iniciantes''''' * '''''Comércio Exterior e Negócios Internacionais para Leigos''''' * '''''Manifesto Moderno Econômico''''' (versão em inglês) * '''''Manual da Ansiedade: Dicas Rápidas para Dias Caóticos''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Crimes do Passado''''' * '''''Mr & Mrs Paines: Uma Nova História''''' * '''''Direito Trabalhista Simplificado''''' * '''''Cartas para Meus Filhos e Para o Mundo''''' * '''Manifesto Econômico Moderno Volume II''' (Versão inglês) * '''O Príncipe, Nicolau Maquiavel''' (versão traduzida para o PtBR) * '''A arte da Guerra''' (versão traduzida para o PTbr) * '''Só o sofrimento Coletivo Gera a União''' * '''Livro de Honra da Família Paines''' * '''''O Último Legado: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''O Último Legado II: Uma Autobiografia de Leonardo Silveira Paines''''' * '''''Investigação Forense e Perícia Criminal: Teoria e Prática''''' * '''''Física para Iniciantes''''' * ''''' Grimorios Painesferianos ''''' * ''''' Volkandov- Grimorios Painesferianos II ''''' * ''''' O Acorrentado- Grimorios Painesferianos III ''''' * ''''' Família Paines: Genealogia ''''' * ''''' Diario de um Veterano''''' * ''''' Os Grandes Pensadores ''''' * ''''' Atlas das Religiões do Brasil ''''' * ''''' Necronomicom ''''' * ''''' Diário de um "ex" Cafajeste ''''' == Missão e Visão == A missão da Paine’s Records é preservar a herança intelectual e cultural de famílias históricas, começando pela Família Paines, promovendo o livre acesso ao conhecimento, à identidade e à memória intergeracional. O conglomerado busca integrar produção editorial, jornalismo especializado, formação acadêmica e soluções financeiras para apoiar a cadeia cultural independente. A empresa também se compromete com ações ambientais. Desde 2025, é responsável pelo plantio de mais de '''2 mil árvores nativas da Mata Atlântica''', em parceria com o projeto ambiental '''SOS Mata Atlântica''', como forma de compensação ecológica vinculada às publicações físicas. == Importância Cultural == Apesar de recente, o grupo Paines consolidou-se como uma referência em genealogia aplicada, micro-história familiar e mídia especializada. Suas publicações e produtos digitais têm sido utilizados em projetos escolares, estudos acadêmicos, iniciativas culturais e por pequenos empreendedores culturais. As marcas do conglomerado fortalecem a presença temática (história, direito trabalhista, geopolítica e jornalismo) em canais digitais e redes sociais. O conglomerado também custodia e divulga o '''Hino da Casa Silveira & Paines''', um símbolo de união entre os ramos familiares Silveira e Paines, preservado em formato musical e textual como parte do acervo cultural da família. == Estrutura e atuação digital == O grupo integra soluções baseadas em inteligência artificial para indexação, atendimento ao público e automatização editorial. Nas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, as marcas mantêm assistentes e canais de comunicação automatizados que facilitam o acesso a conteúdos, cursos e notícias, respeitando as normas de privacidade e as políticas das plataformas. == Ver também == * [[Família Paines]] * [[Genealogia]] * [[Heráldica]] * [[História das famílias no Brasil]] * [[SOS Mata Atlântica]] * [[Jazigo da Família Paines]] == Referências == {{referências}} == Ligações externas == * [https://pt.wikibooks.org/wiki/Paine_Family_Records_-_Volume_1 Paine Family Records – Volume 1 no Wikibooks] * [https://paines-records-3.webnode.page/ Site Oficial da Paine’s Records | Editora] * [[Família Paines]] * [[ Grupo Paines]] {{Ficha do livro |Etapa = 8 <!-- Finalizado --> |Autor = Leonardo Silveira Paines |Nível educacional 1 = Superior <!-- Cultura, História, Genealogia --> |Tema 1 = História Familiar, Tradições, Heráldica |CDD 1 = 929.7 <!-- CDD para Heráldica e Honrarias --> |CDU 1 = 929 <!-- CDU para Nome pessoal e brasões --> |CBC 1 = CS71 <!-- CBC para Genealogia e brasões --> }} nfifswgnxyrd6m0hyr6r5ge6046mxp5 Reflexões sobre Swedenborg: Sabedoria Angelica 0 131535 589314 589099 2026-10-13T20:07:54Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Formulei o indice da Parte III 589314 wikitext text/x-wiki A Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria == Prefácio == ''A Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria'' constitui uma das obras fundamentais de Emanuel Swedenborg, visionário sueco do século XVIII cuja produção teológica revolucionou a compreensão das correspondências entre o mundo espiritual e o natural. Esta obra, fruto das experiências visionárias de Swedenborg e de seu profundo conhecimento das Escrituras Sagradas, apresenta uma exposição sistemática dos princípios divinos que estruturam toda a criação. A importância desta obra reside na sua capacidade de articular, de forma coerente e didática, a doutrina das correspondências — o princípio segundo o qual cada realidade natural reflete e representa realidades espirituais — aplicando-a à compreensão do Divino Amor e da Divina Sabedoria como fundamentos ontológicos de toda existência. Swedenborg demonstra como o conhecimento verdadeiro emerge não apenas da razão especulativa, mas da iluminação espiritual proporcionada pela abertura dos sentidos internos à percepção das realidades celestes. O presente Wikilivro organiza os ensinamentos de Swedenborg de forma progressiva e didática, preservando a fidelidade ao pensamento original enquanto facilita a compreensão do leitor contemporâneo. Os temas centrais abordados — a natureza do amor como vida, a forma humana divina, a estrutura dos graus, a criação segundo os usos e as correspondências entre corpo e alma — constituem os pilares da doutrina swedenborguiana. Ao estruturar esta obra em seções temáticas claramente delineadas, o Wikilivro busca oferecer um caminho de aprendizado que permite tanto ao estudioso iniciante quanto ao pesquisador avançado compreender a profundidade e coerência interna do sistema teológico de Swedenborg, facilitando a integração destes ensinamentos na vida espiritual e intelectual do leitor. == Introdução == A obra apresenta como tema central a revelação da natureza íntima do Divino através de dois atributos essenciais: o Amor e a Sabedoria. Swedenborg demonstra que o Amor não é meramente um sentimento passageiro, mas a própria substância da vida em todas as suas manifestações, enquanto a Sabedoria é a expressão e o veículo através do qual o Amor se realiza e se comunica. O Senhor, concebido como Homem Infinito, é simultaneamente a Vida em Si e a fonte de toda vida criada. Os anjos e os homens não possuem vida própria, mas são recipientes criados para recebê-la conforme sua capacidade de abertura ao influxo divino. A doutrina das correspondências — segundo a qual o mundo natural é um teatro representativo do mundo espiritual — permeia toda a exposição, revelando como cada fenômeno natural, cada estrutura orgânica e cada relação humana reflete verdades espirituais profundas. A compreensão desta correspondência universal torna-se, portanto, a chave para penetrar os mistérios da criação e da redenção. A obra desenvolve-se em progressão lógica e sistemática, partindo da natureza divina em si mesma, passando pela estrutura do mundo espiritual e seus princípios operantes, até alcançar a compreensão da criação do homem e sua destinação. Esta sequência permite que o leitor construa uma visão integrada e coerente da realidade espiritual, compreendendo não apenas conceitos isolados, mas as relações profundas que os unem. O objetivo do presente Wikilivro é organizar estes ensinamentos em estrutura clara e progressiva, permitindo que cada seção se edifique sobre as anteriores, facilitando assim a compreensão dos fundamentos da doutrina swedenborguiana e promovendo um aprendizado genuíno que transcenda a mera informação intelectual, alcançando a transformação espiritual do leitor. == Índice == [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I|Parte I - De Deus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_1|Capítulo 1 - O Amor é a Vida do Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_2|Capítulo 2 - Deus só, assim o Senhor, é o Amor mesmo, porque é a Vida mesma; e os anjos e os homens são os recipientes da vida. ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_3|Capítulo 3 - O Divino não está no Espaço]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_4|Capítulo 4 - Deus é o Homem Mesmo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_5|Capítulo 5 - O Ser e o Existir no Deus-Homem são distintamente um ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_6|Capítulo 6 - Em Deus-Homem os Infinitos são distintamente um]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_7|Capítulo 7 - Há um só Deus-Homem de Quem procedem todas as coisas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_8|Capítulo 8 - A Divina essência mesmo é o Amor e a Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_9|Capítulo 9 - O Divino Amor pertence à Divina Sabedoria, e a Divina Sabedoria pertence ao Divino Amor]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_10|Capítulo 10 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria são uma Substância e uma Forma]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_11|Capítulo 11 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria são a Substância em si e a Forma em Si, assim o Eu Mesmo e Único]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_12|Capítulo 12 - O Divino Amor e a Divina Sadeboria não podem senão ser e existir em outros criados por eles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_13|Capítulo 13 -Todas as coisas do Homem foram criadas pelo Divino Amor e pela Divina Sabedoria de Deus-Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_14|Capítulo 14 -Todas as coisas do Universo criado são recipientes do Divino Amor e da Divina Sabedoria de Deus-Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_15|Capítulo 15 - Todas as coisas que foram criadas representam o homem em uma espécie de imagem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_16|Capítulo 16 - Os Usos de todas as coisas que foram criadas sobem por graus desde os últimos até ao homem e pelo homem até Deus Criador, a Quo ( de quem tudo procede) ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_17|Capítulo 17 - O Divino enche todos os espaços do Universo sem espaço]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_18|Capítulo 18 -O Divino esta em toda tempo sem tempo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_19|Capítulo 19 - O Divino é o mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II|Parte II - Do Sol Espiritual]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_1|Capítulo 1 - O Divbino Amor e Divina Sabedoria aparecem no Mundo espiritual como Sol]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_2|Capítulo 2 - Do Sol, que existe pelo Divino Amor e a Divina Sabedoria,procedem um Calor e uma luz]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_3|Capítulo 3 - Este Sol nao é Deus, mas é o procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria do Deus-homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_4|Capítulo 4 - O Calor espiritual e a Luz espiritual procedente do Senhor comoSolfazem um]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_5|Capítulo 5 - O Sol do mundo espiritual aparece, a uma altura média, distante dos anjos, como o Sol do mundo natural aparece distante dos homens]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_6|Capítulo 6 - A Distância entre o Sol e os Anjos no Mundo espirtual é uma aparência segundo a recepção do Divino Amor e da divina Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_7|Capítulo 7 - Os Anjos estão no Senhor, e o Senhor estar nele;e como os Anjos são recipientes, o Senhor Só é o Céu]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_8|Capítulo 8 - No Mundo espiritual o Oriente está onde aparece o Senhor como Sol,e daí depende outras plagas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_9|Capítulo 9 - As Plagas no Mundo espiritual provêm, não do Senhor como Sol, mas dos Anjos segundo a recepção]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_10|Capítulo 10 - Os Anjos voltam continuamente sua face para o Senhor como Sol, e têm assim o sul à diteita, o sententrião à esquerda, e o ocidente atrás deles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_11|Capítulo 11 - Todas os interiores tanto da mente como do corpo dos Anjos foram voltados para o Senhor como Sol]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_12|Capítulo 12 - Cada Espírito qualquer que ele seja se volta semelhantemente para seu amor dominante]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_13|Capítulo 13 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria que procedem do Senhor como Sol, e fazem o calor e a luz do Céu,são o Divino Procedente que é o Espirito Santo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_14|Capítulo 14 - O Senhor criou o Universo por meio do Sol, que é o primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_15|Capítulo 15 - O Sol no mundo Natural é o puro fogo, e por consequência morto; e como a Natureza tem sua origem neste Sol, ela é morta]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_16|Capítulo 16 - Sem este dois Sóis, um vivo e outro morto, não há absolutamente criação]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_17|Capítulo 17 - Nos últimos existe o fim da criação que é , que todas as coisas retornem ao Criador, e que haja conjunção]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III|Parte III - Dos Graus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_1|Capítulo 1 - No Mundo espiritual há Atmosfera, Águas e Terras, como no Mundo Natural; porém elas são espirituais, enquanto que no Mundo natural são naturais]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_2|Capítulo 2- Há Graus do amor e da sabedoria e por conseguinte há Graus do calor e da luz, além dos Graus das atmosfera]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Há Graus de dois gêneros, Graus de altura e Graus de largura]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_4|Capítulo 4 - Os Graus de altura são homogêneos, e derivados um do outro em série como o fim, a causa e o efeito]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_5|Capítulo 5 - O primeiro Grau é tudo em todas as coisas dos Graus seguintes]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_6|Capítulos 6 - Todas as perfeições crescem e sobem com os Graus e segundo os Graus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_4|Capítulo 7 - Na Ordem sucessiva o primeiro Grau faz o supremo, e o terceiro o ínfimo; mas na Ordem simultânea o primeiro Grau faz o íntimo, e o terceiro o extimo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_8|Capítulo 8 - O último Grau é o complexo, o continente e a base dos graus anteriores]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_9|Capítulo 9 - Os Graus de altura em seu Último estão no pleno e na potência]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_10|Capítulo 10 - Os Graus de um de outro gênero estão nos muitos grandes e nos muito pequeno de todas as coisas que foram criadas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_11|Capítulo 11 - Os três Graus de altura são infinitos e incriados no Senhor, e estes três graus são criados e fínitos no homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_12|Capítulo 12 - Estes três Graus de altura estão em cada homem desde o nascimento; podem sucessivamente ser abertos e conforme são abertos, o homem está no Senhor, e o Senhor esta no homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_13|Capítulo 13 - a Luz espiritual influi pelos três Graus no homem, mas não o Calor espiritual, a não ser tanto quanto o homem foge dos males como pecados, e se volta para o Senhor]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_14|Capítulo 14 - O homem torna-se natural e sensual, se nele o Grau superior, que é o o espiritual, nao é aberto]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_15|Capítulo 15 - O Grau natural da mente humana, considerado em si mesmo, é continuo; mas pela correspondencia com os dois Graus superiores quando é elevado, se mostra discreto]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_16|Capítulo 16 - A mente natura, sendo o invólucro e o continete dos graus superiores da Mente humana, é reagente e se os graus superiors não são abertos contra eles, mas se são abertos, age com eles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_17|Capítulo 17 - O A Origem do mal vem do abuso das faculdades, próprias do homem, e são chamadas Racionalidade e Liberdade]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_18|Capítulo 18 - Os males e os falsos em todo oposto são contra os bens e os veros, porque os males e os falsos são diabólico e infernais, e os bens e os veros são Divinos e Celestes]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV|Parte IV - A Criação do Universo e os Usos]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_1|Capítulo 1 - A Natureza dos Usos]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_2|Capítulo 2 - O Homem como Microcosmo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_3|Capítulo 3 - Há Graus de dois gêneros, Graus de altura e Graus de largura]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V|Parte V - A Criação do Homem e as Correspondências]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_1|Capítulo 1 - Vontade e Entendimento]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_2|Capítulo 2 - A Correspondência do Coração e dos Pulmões]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_3|Capítulo 3 - O Processo de Purificação e Elevação]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_4|Capítulo 4 - O Primitivo do Homem]] [[A_Sabedoria_Angélica/Axiomas|Resumo dos Axiomas Principais]] tj89i0a8x1jif2tnlotvv1qedf3vmdd A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 11 0 131597 589303 2026-10-13T13:40:33Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Crei a parte II capitulo 11 589303 wikitext text/x-wiki == Todos os Interiores da Mente e do Corpo dos Anjos Voltados para o Senhor == === Introdução === Este capítulo apresenta uma exposição da doutrina swedenborgiana sobre a correspondência entre a mente (vontade e entendimento) e o corpo dos anjos, com ênfase na orientação espiritual de todos os seus interiores e exteriores em direção ao Senhor como Sol espiritual. Swedenborg descreve como a estrutura completa do ser angélico — física e mental — funciona como uma unidade integrada, refletindo a forma divina. '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender a correspondência entre mente e corpo segundo a teologia swedenborgiana * Identificar os graus de interioridade (interiores e exteriores) no ser angélico * Reconhecer como a conversão para o Senhor afeta a totalidade do ser * Diferenciar a orientação espiritual dos anjos regenerados daquela dos espíritos não regenerados --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Correspondência''' : Relação de harmonia e conexão entre o mundo espiritual e o mundo natural; segundo Swedenborg, todas as coisas do corpo correspondem às coisas da mente. ; '''Interiores''' : Os aspectos mais profundos ou essenciais da mente (afeições, pensamentos internos) e do corpo (cérebro, vísceras, coração, pulmão). ; '''Exteriores''' : Os aspectos mais superficiais ou manifestos da mente e do corpo, que dependem dos interiores para sua ação. ; '''Vontade e Entendimento''' : As duas faculdades fundamentais da mente humana e angélica; a vontade é o princípio do amor e da ação; o entendimento é o princípio da sabedoria e do conhecimento. ; '''Influxo''' : A influência ou fluxo do divino (amor e sabedoria) nos interiores da mente e do corpo. ; '''Conversão para o Senhor''' : O ato de orientar toda a estrutura do ser — mente e corpo — em direção ao Senhor como centro e fonte de vida espiritual. --- === A Estrutura Completa do Ser Angélico === ==== Os Anjos Possuem Mente e Corpo (§135) ==== De acordo com os escritos de Swedenborg, os anjos não são seres puramente espirituais ou incorpóreos, mas possuem uma estrutura análoga à dos homens na terra. Swedenborg afirma que "os Anjos têm um entendimento e uma vontade, têm uma face e um corpo, e têm também os interiores do entendimento e da vontade, e os interiores da face e do corpo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§135}}</ref> Esta estrutura compreende: * '''Interiores da mente:''' as afeições e os pensamentos interiores * '''Interiores da face:''' os cérebros * '''Interiores do corpo:''' as vísceras, sendo o coração e o pulmão os principais * '''Forma externa:''' a face e o corpo visíveis Swedenborg sublinha que "não é a forma externa sem estes internos que faz com que eles sejam homens, mas é a forma externa junto a estes internos, ou antes proveniente destes internos".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§135}}</ref> Sem os interiores, o corpo seria apenas uma imagem sem vida. --- ==== A Correspondência entre Mente e Corpo (§136) ==== A relação entre a mente (vontade e entendimento) e o corpo é de correspondência perfeita. Segundo Swedenborg, "a vontade e o entendimento governam o corpo à sua vontade, pois o que o entendimento pensa a boca o pronuncia, e o que a vontade quer o corpo o faz".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§136}}</ref> Esta correspondência implica que: # A forma do corpo corresponde à forma do entendimento e da vontade # Os interiores da mente fazem um com os interiores do corpo # Os exteriores da mente fazem um com os exteriores do corpo # Há "inumeráveis cousas" em ambas as formas que se correspondem mutuamente Desta correspondência resulta que "a Mente, ou a vontade e o entendimento, governa o corpo à sua vontade, assim absolutamente como ele se governa a si mesmo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§136}}</ref> --- === A Conversão de Todos os Interiores para o Senhor === ==== Orientação Total do Ser (§137) ==== Dado que os interiores da mente estão em correspondência com os interiores do corpo, quando os interiores da mente se voltam para o Senhor, os do corpo também o fazem. Swedenborg explica: "Pois que os interiores da mente fazem um com os interiores do corpo, segue-se que quando os interiores da mente se voltam para o Senhor como Sol, os interiores do corpo também fazem o mesmo; e pois que os exteriores de um e de outro, tanto da mente como do corpo, dependem de seus interiores, resulta que eles também fazem o mesmo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§137}}</ref> Esta orientação não é apenas externa ou superficial, mas abrange a totalidade do ser: * Todos os interiores da mente * Todos os interiores do corpo * Todos os exteriores da mente * Todos os exteriores do corpo Na tradição swedenborgiana, esta conversão é descrita como o anjo voltando "à face e o corpo para o Senhor como Sol", o que significa que "não somente ele O encara com os olhos e com a face, mas também com toda sua mente e com todo seu coração, isto é, com todas as cousas da vontade e do entendimento, e ao mesmo tempo com todas as do corpo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§137}}</ref> --- ==== A Conversão como Elevação Espiritual (§138) ==== De acordo com Swedenborg, esta conversão para o Senhor não é meramente simbólica ou intelectual, mas uma "conversão efetiva", uma "certa elevação". Ele descreve o processo: "Se é elevado no calor e na luz do Céu, o que se faz porque os interiores são abertos; quando eles são abertos, o amor e a sabedoria influem nos interiores da mente, e o calor e a luz do Céu influem nos interiores do corpo, dai a elevação, que é como se se passasse de uma nuvem espessa para o ar, ou do ar para o éter".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§138}}</ref> Este processo envolve: * '''Abertura dos interiores:''' a disposição da mente para receber o influxo divino * '''Influxo do amor e da sabedoria:''' a influência direta do Senhor nos interiores da mente * '''Influxo do calor e da luz do Céu:''' a influência do Senhor nos interiores do corpo * '''Elevação:''' a transformação qualitativa do estado espiritual, comparável a uma ascensão de um plano de existência a outro Swedenborg afirma que "o amor e a sabedoria com seu calor e sua luz são no homem, o Senhor que, como já foi dito, o volta para Ele".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§138}}</ref> ===== O Contraste com os Espíritos Não Regenerados ===== O oposto ocorre com aqueles que não estão no amor e na sabedoria, ou ainda mais com aqueles que são contra eles. Swedenborg descreve: "Seus interiores, tanto da mente como do corpo, foram fechados, e quando foram fechados, os exteriores reagem contra o Senhor, pois uma tal natureza está neles; dai vem que eles voltam o dorso ao Senhor, e voltar o dorso ao Senhor, é se voltar para o inferno".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§138}}</ref> --- === A Necessidade Conjunta do Amor e da Sabedoria === ==== Amor e Sabedoria como Princípios Integrados (§139) ==== Swedenborg enfatiza que a conversão efetiva para o Senhor não provém do amor isolado, nem da sabedoria isolada, mas da integração de ambos: "Esta conversão efetiva para o Senhor provém do amor e ao mesmo tempo da sabedoria, não do amor só, nem da sabedoria só; o amor só é como o ser sem o seu existir, pois o amor existe na sabedoria; e a sabedoria sem o amor é como o existir sem o ser, pois a sabedoria existe pelo amor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§139}}</ref> Esta relação pode ser compreendida através de uma analogia: * '''Amor sem sabedoria:''' como o "ser" sem o "existir" — potencial sem manifestação * '''Sabedoria sem amor:''' como o "existir" sem o "ser" — manifestação sem essência ===== Amor Humano versus Amor Divino ===== Swedenborg distingue entre o amor humano e o amor divino: "Há, é verdade, um amor sem a sabedoria, mas este amor pertence ao homem e não ao Senhor; e há também uma sabedoria sem o amor, esta sabedoria vem, é verdade do Senhor, mas não tem o Senhor em si, pois é como a luz do inverno que vem, é verdade, do sol, mas a essência do sol, que está no calor, não está nela".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§139}}</ref> A metáfora da "luz do inverno" ilustra que a sabedoria sem o amor divino é fria, desprovida da essência vivificante que caracteriza a verdadeira transformação espiritual. === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Doutrina da Correspondência]] — Aprofundamento na doutrina central * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Amor Divino e Sabedoria Divina]] — Complemento teológico --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../|Retornar ao sumário]] | [[../Capítulo_XX|Próximo capítulo →]] 2y85guc0bcd4p3lxetqvabl8b3eu531 A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 12 0 131598 589304 2026-10-13T13:53:42Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 12 parte II 589304 wikitext text/x-wiki == Cada Espírito se Volta para seu Amor Dominante == === Introdução === Este capítulo apresenta a doutrina swedenborgiana sobre a orientação espiritual de cada ser — anjo, espírito ou humano — em relação ao seu amor dominante. Swedenborg descreve como o amor funciona como o princípio organizador da vida espiritual, determinando não apenas a localização e a sociedade de cada espírito, mas também sua percepção e sua orientação no mundo espiritual. O texto estabelece a distinção fundamental entre dois amores opostos: o amor para com o Senhor (que caracteriza o Céu) e o amor de dominar pelo amor de si (que caracteriza o Inferno). '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender as definições de espírito, anjo e satanás segundo a teologia swedenborgiana * Identificar os dois amores fundamentais que estruturam o universo espiritual * Reconhecer como o amor dominante determina a orientação e a localização de cada ser * Entender a correspondência entre amor, visão espiritual e movimento no mundo espiritual * Diferenciar entre o amor de dominar pelo amor de si e o amor de fazer usos --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Mundo dos Espíritos''' : O reino intermediário entre o Céu e o Inferno, onde todo ser humano entra imediatamente após a morte, permanecendo ali enquanto é preparado para sua destinação final. ; '''Espírito''' : Qualquer ser humano que, após a morte, se encontra no Mundo dos Espíritos, em processo de preparação para o Céu ou para o Inferno. ; '''Anjo''' : Um espírito que foi elevado do Mundo dos Espíritos para o Céu, tendo completado sua preparação espiritual. ; '''Satanás ou Diabo''' : Um espírito que foi precipitado do Mundo dos Espíritos para o Inferno, tendo completado sua preparação para esse estado. ; '''Espírito Angélico''' : Um espírito no Mundo dos Espíritos que está sendo preparado para o Céu e está em conjunção com o Céu. ; '''Espírito Infernal''' : Um espírito no Mundo dos Espíritos que está sendo preparado para o Inferno e está em conjunção com o Inferno. ; '''Amor Dominante''' : O amor fundamental que caracteriza a vida de um ser e determina sua orientação espiritual, sua localização e sua associação com outros seres de amor semelhante. ; '''Mundo Espiritual''' : O conjunto complexo formado pelo Mundo dos Espíritos, o Céu e o Inferno. ; '''Influxo''' : A comunicação e a influência que os espíritos exercem sobre os homens vivos através de seus amores. ; '''Amor para com o Senhor''' : O amor celestial que constitui a cabeça de todos os amores celestes e caracteriza os habitantes do Céu. ; '''Amor de Dominar pelo Amor de Si''' : O amor infernal que constitui a cabeça de todos os amores infernais e caracteriza os habitantes do Inferno. --- === Definições Fundamentais: Espírito, Anjo e Satanás === ==== O Destino Pós-Morte e o Mundo dos Espíritos (§140) ==== De acordo com Swedenborg, todo ser humano, após a morte, entra primeiro no Mundo dos Espíritos, um reino intermediário localizado entre o Céu e o Inferno. Swedenborg afirma: "Todo homem, depois da morte, entra primeiro no Mundo dos Espíritos, que fica no meio entre o Céu e o Inferno; e aí ele completa seus tempos ou seus estados, e segundo sua vida é preparado ou para o Céu ou para o Inferno".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§140}}</ref> Durante este período de preparação, os seres recebem designações específicas conforme seu destino: * '''Espírito:''' Qualquer ser humano que se encontra no Mundo dos Espíritos * '''Anjo:''' Um espírito elevado do Mundo dos Espíritos para o Céu * '''Satanás ou Diabo:''' Um espírito precipitado do Mundo dos Espíritos para o Inferno Swedenborg também distingue entre dois tipos de espíritos em preparação: * '''Espírito Angélico:''' Aquele preparado para o Céu, em conjunção com o Céu durante sua preparação * '''Espírito Infernal:''' Aquele preparado para o Inferno, em conjunção com o Inferno durante sua preparação ====== A Conexão entre Espíritos e Seres Vivos ====== Um aspecto importante da doutrina swedenborgiana é que todos os espíritos no Mundo dos Espíritos estão conectados aos seres humanos vivos. Swedenborg explica: "Todos os Espíritos que estão no Mundo dos Espíritos são adjuntos a homens, porque os homens quanto aos interiores de suas mentes estão igualmente entre o Céu e o Inferno, e por estes Espíritos comunicam com o Céu ou com o Inferno, segundo a vida".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§140}}</ref> ====== Distinção entre Mundo dos Espíritos e Mundo Espiritual ====== Swedenborg faz uma distinção importante entre dois conceitos frequentemente confundidos: "Uma cousa é o Mundo dos Espíritos e outra cousa é o Mundo Espiritual; o Mundo dos Espíritos é aquele de que se acaba de falar; mas o Mundo Espiritual é no complexo este Mundo dos Espíritos e o Céu e o Inferno".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§140}}</ref> Em outras palavras: * O '''Mundo dos Espíritos''' é apenas o reino intermediário * O '''Mundo Espiritual''' é a totalidade que inclui o Mundo dos Espíritos, o Céu e o Inferno --- === Os Dois Amores Fundamentais === ==== A Estrutura do Universo Espiritual Baseada no Amor (§141) ==== Segundo a teologia swedenborgiana, todo o universo espiritual é organizado e estruturado de acordo com os amores. Swedenborg afirma: "O Céu inteiro foi distinguido em Sociedades segundo todas as diferenças dos amores; semelhantemente o Inferno; e semelhantemente o Mundo dos Espíritos; mas o Céu foi distinguido em Sociedades segundo as diferenças dos amores celestes, o Inferno segundo as diferenças dos amores infernais, e o Mundo dos Espíritos segundo as diferenças dos amores, tanto celestes como infernais".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§141}}</ref> ====== Os Dois Amores Capitais ====== Dentre todos os amores, Swedenborg identifica dois que são fundamentais e aos quais todos os outros se referem: "Há dois Amores, que são as Cabeças de todos os outros, ou aos quais se referem todos os outros amores: o Amor que é a Cabeça, ou ao qual se referem todos os amores celestes, é o Amor para com o Senhor; e o Amor que é a Cabeça, ou ao qual se referem todos os amores infernais, é o Amor de dominar pelo amor de si; estes dois amores são diametralmente opostos um ao outro".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§141}}</ref> Estes dois amores podem ser resumidos como: | Amor | Característica | Destino | |------|---|---| | '''Amor para com o Senhor''' | Cabeça de todos os amores celestes; desejo de ser conduzido pelo Senhor | Céu | | '''Amor de Dominar pelo Amor de Si''' | Cabeça de todos os amores infernais; desejo de dominar por si mesmo | Inferno | --- === A Orientação Espiritual Determinada pelo Amor === ==== A Oposição Fundamental (§142) ==== Dado que os dois amores fundamentais são diametralmente opostos, a orientação espiritual de cada ser é igualmente oposta. Swedenborg explica: "Pois que estes dois Amores, o Amor para com o Senhor e o Amor de dominar pelo amor de si, são inteiramente opostos um ao outro; e que todos os que estão no Amor para com o Senhor se voltam para o Senhor como Sol, como foi mostrado no Artigo precedente, pode-se ver que todos os que estão no Amor de dominar pelo amor de si voltam o dorso ao Senhor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§142}}</ref> ====== A Diferença entre Dois Tipos de Amor de Dominar ====== Swedenborg faz uma distinção importante entre dois tipos de amor de dominar: "Diz-se dominar pelo amor de si, porque há o amor de dominar rejo amor de fazer usos, amor que, porque faz um com o amor em reação ao próximo, é o amor espiritual; todavia, este amor não deve ser chamado amor de dominar, mas deve ser chamado amor de fazer usos".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§142}}</ref> Esta distinção é fundamental: * '''Amor de Dominar pelo Amor de Si:''' Desejo de dominar os outros para satisfação própria; é infernal * '''Amor de Fazer Usos:''' Desejo de servir e beneficiar o próximo; é celestial e não deve ser confundido com o amor de dominar --- === O Amor como Princípio Determinante da Vida === ==== O Amor é a Vida de Cada Um (§143) ==== Swedenborg estabelece que o amor não é meramente um sentimento ou uma inclinação, mas o próprio princípio vital de cada ser. Ele afirma: "Que cada espírito, qualquer que seja, se volta para seu amor dominante, é porque o amor é a vida de cada um, como foi mostrado na Primeira Parte, nºs 1, 2, 3; e a vida volta seus receptáculos, que são chamados membros, órgãos e vísceras, assim o homem inteiro, para esta sociedade que está com ele em um amor semelhante, assim para onde está seu amor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§143}}</ref> Esta afirmação implica que: * O amor é o princípio vital fundamental de cada ser * A vida orienta todo o ser (membros, órgãos, vísceras) em direção ao seu amor dominante * Cada ser é atraído para a sociedade de seres que compartilham seu amor * O amor determina para onde o ser se volta e se move --- === A Orientação Espacial dos Espíritos Infernais === ==== A Inversão da Orientação (§144) ==== Como o amor de dominar pelo amor de si é inteiramente oposto ao amor para com o Senhor, a orientação espacial dos espíritos infernais é invertida. Swedenborg descreve: "Como o amor de dominar pelo amor de si é inteiramente oposto ao amor para com o Senhor, é por isso que os espíritos, que estão neste amor de dominar voltam a face para trás do Senhor, e, por conseguinte dirigem os olhos para o Ocidente desse Mundo; e porque assim estão quanto ao corpo em sentido contrário, têm atrás de si o Oriente, à direita o Setentrião, e à esquerda o Sul".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§144}}</ref> ====== O Significado Simbólico das Direções ====== Os pontos cardeais no mundo espiritual têm significados específicos para os espíritos infernais: * '''Atrás (Oriente):''' O Senhor, que eles odeiam * '''Direita (Setentrião):''' As ilusões e falsidades, que eles amam * '''Esquerda (Sul):''' A luz da sabedoria, que eles desprezam ====== A Percepção Espiritual Conformada ao Amor ====== Swedenborg ressalta que a percepção espiritual de cada ser é moldada por seu amor: "Podem se voltar em todos os sentidos, mas todas as cousas que vêem em torno deles aparecem semelhantes a seu amor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§144}}</ref> ====== Os Espíritos Naturais-Sensuais ====== Swedenborg descreve uma categoria particular de espíritos infernais: "Todos esses são naturais-sensuais, e alguns são tais, que acreditam que só eles vivem, e que consideram todos os outros como imagens; acreditam-se sábios acima de todos, embora sejam insensatos".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§144}}</ref> --- === Os Caminhos no Mundo dos Espíritos === ==== A Topografia Espiritual Determinada pelo Amor (§145) ==== No Mundo dos Espíritos, a paisagem e os caminhos refletem a estrutura do universo espiritual baseada no amor. Swedenborg descreve: "No Mundo dos Espíritos, aparecem caminhos, traçados como os caminhos no Mundo natural, alguns conduzem ao Céu, e outros ao Inferno; mas os caminhos que conduzem ao Inferno não aparecem aos que vão para o Céu, e os caminhos que conduzem ao Céu não aparecem aos que vão para o Inferno".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§145}}</ref> ====== A Multiplicidade de Caminhos ====== A estrutura dos caminhos no Mundo dos Espíritos é complexa e multifacetada: "Estes caminhos são inumeráveis, pois há um para cada sociedade do Céu, e para cada sociedade do Inferno; cada espírito entra no caminho que conduz à sociedade de seu amor, e não vê os caminhos que tendem para outro lugar".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§145}}</ref> ====== O Movimento Espiritual Conforme o Amor ====== A conclusão lógica desta doutrina é que cada espírito se move naturalmente em direção à sua destinação: "Daí vem que cada espírito caminha assim para frente, à medida que se volta para seu amor dominante".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§145}}</ref> === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Doutrina da Correspondência]] — Aprofundamento na correspondência entre o espiritual e o natural * [[Regeneração]] — Processo de transformação espiritual --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../Capítulo_Anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_Proximo|Próximo capítulo →]] [[../|Retornar ao sumário]] b53y39dvx92zb41whc3ec97o6xatw3l A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 13 0 131599 589305 2026-10-13T13:58:27Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Capitulo 13 parte II 589305 wikitext text/x-wiki == O Divino Amor e a Divina Sabedoria: O Divino Procedente como Espírito Santo == === Introdução === Este capítulo apresenta a doutrina swedenborgiana sobre a Trindade Divina e a natureza do Espírito Santo, baseando-se na visão de Swedenborg sobre o Senhor como Sol no mundo espiritual. Swedenborg propõe que o entendimento da Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — torna-se claro quando se compreende que o Divino Procedente (Espírito Santo) emana do Senhor assim como o calor e a luz emanam do sol. Este capítulo também aborda como o Divino Procedente atua na ilustração (iluminação) do entendimento humano e angélico, sempre mediado pelo Senhor. '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender a estrutura da Trindade segundo a teologia swedenborgiana * Reconhecer a distinção entre Divino a Quo (Pai), Divino Humano (Filho) e Divino Procedente (Espírito Santo) * Entender a metáfora do Senhor como Sol e a emanação do calor e da luz espirituais * Identificar como o Divino Procedente atua na ilustração do entendimento * Compreender o papel dos anjos e espíritos na mediação da ilustração divina --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Trindade Divina''' : A estrutura trinitária de Deus segundo a teologia cristã, compreendida por Swedenborg como Pai (Divino a Quo), Filho (Divino Humano) e Espírito Santo (Divino Procedente), todos em uma única Pessoa e Essência. ; '''Divino a Quo''' : O Divino do qual tudo procede; identificado com o Pai na Trindade tradicional. ; '''Divino Humano''' : O aspecto divino encarnado no Filho; a humanidade do Senhor Jesus Cristo. ; '''Divino Procedente''' : O Divino que procede do Senhor; identificado com o Espírito Santo na Trindade tradicional. ; '''Senhor como Sol''' : A manifestação do Senhor no mundo espiritual como um Sol espiritual, do qual emanam calor e luz divinos. ; '''Calor Espiritual''' : O Divino Amor que emana do Senhor como Sol espiritual. ; '''Luz Espiritual''' : A Divina Sabedoria que emana do Senhor como Sol espiritual. ; '''Ilustração''' : O ato pelo qual o Senhor, através do Divino Procedente, ilumina o entendimento humano e angélico com a verdade divina. ; '''Nuvens Espirituais''' : Os pensamentos que envolvem os interiores do entendimento; podem ser brancas (pensamentos segundo os verdadeiros) ou negras (pensamentos segundo os falsos). ; '''Verdade Divina''' : O conteúdo da Sabedoria Divina que procede do Senhor e ilumina o entendimento. --- === A Estrutura da Trindade Divina === ==== A Unidade de Pessoa e Essência (§146) ==== De acordo com Swedenborg, a compreensão correta da Trindade começa com o reconhecimento de que Deus é um em Pessoa e em Essência. Swedenborg afirma: "Na Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor, foi mostrado que Deus é um em Pessoa e em Essência, no qual está a Trindade, e que este Deus é o Senhor; e também que a Trindade do Senhor é chamada Pai, Filho e Espírito Santo, e que o Divino a Quo (de que tudo procede) é chamado Pai, o Divino Humano Filho, e o Divino Procedente Espírito Santo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§146}}</ref> ====== Os Três Aspectos da Divindade ====== Swedenborg distingue três aspectos da Divindade, todos pertencentes a uma única Pessoa: * '''Divino a Quo (Pai):''' O Divino do qual tudo procede; a fonte originária * '''Divino Humano (Filho):''' O aspecto divino manifestado na humanidade; a encarnação * '''Divino Procedente (Espírito Santo):''' O Divino que procede continuamente do Senhor ====== A Razão da Incompreensão Anterior ====== Swedenborg explica por que o conceito de "Divino Procedente" permaneceu obscuro até então: "Diz-se o Divino procedente, e não obstante ninguém sabe porque se diz Procedente; se não se sabe, é porque até ao presente ignorou-se que o Senhor diante dos Anjos aparece como Sol, e que deste Sol procede um Calor que em sua essência é o Divino Amor, e uma Luz que em sua essência é a Divina Sabedoria".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§146}}</ref> --- === O Senhor como Sol e a Emanação do Divino === ==== A Metáfora do Sol Espiritual (§146) ==== A chave para compreender o Divino Procedente, segundo Swedenborg, é reconhecer que o Senhor aparece como um Sol no mundo espiritual. Desta aparição emanam o calor e a luz, que são a essência do Divino Amor e da Divina Sabedoria. Swedenborg afirma: "Agora quando se sabe que o Senhor aparece como Sol, pode-se ter uma justa ideia do Divino procedente, que é chamado Espírito Santo, a saber, que é um com o Senhor, mas que procede d'Ele, como o Calor e a Luz procedem do Sol; é mesmo por isso que, tanto quanto os Anjos estão no amor e na sabedoria, tanto estão no Divino Calor e na Divina Luz".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§146}}</ref> ====== A Importância desta Compreensão ====== Swedenborg ressalta que sem este conhecimento, a natureza do Divino Procedente permaneceria incompreensível: "Sem o conhecimento de que o Senhor no Mundo espiritual aparece como Sol, e que seu Divino procede assim, não se pode jamais saber o que é entendido por proceder, por exemplo, se é unicamente comunicar as cousas que pertencem ao Pai e ao Filho, ou somente ilustrar e ensinar; mas a verdade é que assim não é de uma razão ilustrada reconhecer o Divino Procedente como Divino por si, e chamá-lo Deus, e distingui-lo, quando também é sabido que Deus é um, e que é Onipresente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§146}}</ref> --- === A Onipresença do Divino Procedente === ==== A Recepção Diferenciada do Divino (§147) ==== Swedenborg explica como o Divino Procedente está presente em todos os seres, mas é recebido de maneira diferente conforme o estado de cada um. Ele afirma: "Foi mostrado acima que Deus não está no espaço, e que isso mesmo é Onipresente; e também que o Divino é o mesmo por toda arte, mas que sua aparência diferente nos anjos e nos homens vem à uma recepção diferente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§147}}</ref> ====== O Processo de Mediação através das Atmosferas ====== Swedenborg descreve como o Divino Procedente se manifesta através de camadas intermediárias: "Agora, pois que o Divino Procedente do Senhor como Sol está na Luz e no Calor, e que a luz e o calor influem primeiro nos recipientes universais, que no Mundo são chamadas atmosferas, e que estas são os recipientes das nuvens, pode-se ver que, do mesmo modo que os interiores que pertencem ao entendimento no homem ou no anjo foram envolvidos de tais nuvens, do mesmo modo o é o receptáculo do Divino procedente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§147}}</ref> ====== As Nuvens Espirituais: Pensamentos e Verdades ====== Swedenborg explica o significado das "nuvens espirituais" que envolvem o entendimento: "Pelas nuvens são entendidas as nuvens espirituais, que são os pensamentos, os quais estão em concordância com a Divina Sabedoria se elas vêm dos veros, e estão em discordância se vêm dos falsos; é mesmo por isso que os pensamentos segundo os veros no Mundo espiritual, quando se apresentam à vista aparecem como nuvens brancas, e os pensamentos segundo os falsos como nuvens negras".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§147}}</ref> ====== A Presença Diferenciada do Divino Procedente ====== A conclusão é que o Divino Procedente está presente em todos, mas de maneiras distintas: "Por estas explicações pode-se ver que o Divino procedente está, na verdade, em todo homem, mas é diferentemente velado em cada um".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§147}}</ref> --- === A Ação do Divino Procedente: Abrasar e Iluminar === ==== O Duplo Efeito do Divino Procedente (§148) ==== Swedenborg descreve como o Divino Procedente atua de duas maneiras: aquecendo (abraçando) a vontade e iluminando o entendimento. Ele afirma: "Como o Divino mesmo está presente no anjo e no homem pelo calor e a luz espirituais, é por isso que se diz daqueles que estão nos veros da Divina Sabedoria e nos bens do Divino Amor, quando são afetados por eles e pela afeição pensam sobre estes veros e nestes bens, que estão abrasados de Deus, o que acontece mesmo às vezes até à percepção e a sensação, como quando um Pregador fala com zelo; se diz também dos mesmos que são iluminados de Deus, porque o Senhor por Seu Divino procedente não somente abrasa a vontade pelo Calor espiritual, mas também ilumina o entendimento pela Luz espiritual".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§148}}</ref> ====== Os Dois Aspectos da Ação Divina ====== A ação do Divino Procedente compreende: * '''Abrasar:''' O aquecimento da vontade pelo Calor Espiritual (Divino Amor) * '''Iluminar:''' A iluminação do entendimento pela Luz Espiritual (Divina Sabedoria) --- === O Espírito Santo como Verdade Divina === ==== O Espírito Santo é a Verdade (§149) ==== Swedenborg afirma que o Espírito Santo é identificado com a Verdade Divina que procede do Senhor. Ele cita passagens bíblicas para sustentar esta afirmação: "Que o Espírito Santo seja o mesmo que o Senhor, e que seja a Verdade mesma pela qual há para o homem ilustração, isto é evidente por estas passagens da Palavra: 'Jesus disse: Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá a toda Verdade; ele não falará, por si mesmo, mas tudo que tiver ouvido pronunciará' (João 16, 13). 'Ele me glorificará, porque de mim receberá, e vô-lo anunciará' (João 16, 14, 15). 'Ele morará nos Discípulos, e estará neles' (João 14, 17; 15, 26). 'Jesus disse: As palavras que vos pronúncio são Espírito e são Vida' (João 6, 63)".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§149}}</ref> ====== A Conclusão sobre o Espírito Santo ====== Swedenborg conclui: "Por estas passagens é evidente que a Verdade mesma, que procede do Senhor, é chamada Espírito Santo; e como está na luz, ilustra".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§149}}</ref> --- === A Mediação Angélica na Ilustração === ==== A Ilustração Vem do Senhor Através de Mediadores (§150) ==== Swedenborg esclarece que, embora a ilustração seja sempre do Senhor, ela é mediada pelos anjos e espíritos. Ele afirma: "A ilustração, que é atribuída ao Espírito Santo, está, na verdade, no homem pelo Senhor, não obstante ela se faz por meio dos espíritos e dos anjos; mas qual é esta mediação, é o que não pode ainda ser descrito; dir-se-á unicamente que os anjos e os espíritos não podem de modo algum ilustrar o homem por eles mesmos, pois eles são ilustrados do mesmo modo que o homem pelo Senhor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§150}}</ref> ====== A Origem Única da Ilustração ====== Swedenborg conclui que toda ilustração tem uma única origem: "E como são semelhantemente ilustrados, segue-se que toda ilustração vem do Senhor só; se se faz por meio dos anjos e dos espíritos, é porque o homem, que está na ilustração, é então colocado no meio de certos anjos e de certos espíritos, que recebem do Senhor só a ilustração mais que os outros".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§150}}</ref> --- === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Doutrina da Correspondência]] — Compreensão da correspondência entre o natural e o espiritual * [[Amor Divino e Sabedoria Divina]] — Aprofundamento na natureza do Divino Amor e Sabedoria --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../Capítulo_Anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_Proximo|Próximo capítulo →]] [[../|Retornar ao sumário]] 0m29iy2sw3gaq0vpsgzo7shvl3q3z4q A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 14 0 131600 589306 2026-10-13T14:03:07Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Capitulo 14 parte II 589306 wikitext text/x-wiki == O Senhor Criou o Universo por Meio do Sol Espiritual == === Introdução === Este capítulo apresenta a doutrina swedenborgiana sobre a Criação do Universo, enfatizando o papel central do Sol espiritual como primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria. Swedenborg propõe que toda a criação — tanto o mundo espiritual quanto o natural — foi realizada pelo Senhor através do Sol espiritual, que funciona como o princípio causador de todas as coisas. O capítulo também aborda a estrutura tríplice de Fim, Causa e Efeito presente em toda criação, bem como a necessidade de transcender as categorias de espaço e tempo para compreender adequadamente a Criação. '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender o papel do Sol espiritual na Criação segundo Swedenborg * Identificar a distinção entre o Sol espiritual e o Sol natural * Reconhecer a estrutura de Fim, Causa e Efeito em toda criação * Entender como a subsistência das coisas depende continuamente do influxo solar * Compreender a necessidade de transcender espaço e tempo para apreender a Criação * Reconhecer a origem da variedade no universo criado --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Senhor''' : Deus de toda eternidade, também chamado Jeová e Pai Criador; segundo Swedenborg, é um com o Divino Amor e a Divina Sabedoria. ; '''Sol Espiritual''' : O primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria; a causa primeira de toda criação espiritual e natural. ; '''Sol Natural''' : O sol do mundo natural; criado pelo Senhor como auxílio secundário; localizado abaixo do Sol espiritual. ; '''Mundo Espiritual''' : O reino espiritual localizado acima do Sol natural, onde residem os anjos e espíritos. ; '''Mundo Natural''' : O reino natural ou físico, localizado abaixo do Sol natural. ; '''Subsistência''' : A manutenção contínua da existência de todas as coisas através do influxo do Sol; uma "perpétua existência". ; '''Influxo''' : O fluxo contínuo de influência do Sol através das atmosferas que sustenta todas as coisas em seu lugar. ; '''Fim''' : O propósito ou objetivo final de uma coisa criada; reside no Sol espiritual. ; '''Causa''' : O princípio intermediário que produz efeitos; reside no Mundo espiritual. ; '''Efeito''' : O resultado ou manifestação de uma causa; reside no Mundo natural. ; '''Deus-Homem''' : A forma divina que contém infinitos em si de maneira distinta; a humanidade divina do Senhor. ; '''Infinitos''' : As perfeições divinas infinitas contidas em Deus; distintos em Deus, mas refletidos como indefinidos na criação. ; '''Indefinidos''' : Os reflexos finitos dos infinitos divinos na criação; a variedade limitada que corresponde à infinitude divina. --- === O Conceito de Senhor e a Criação === ==== A Identidade do Senhor (§151) ==== Swedenborg começa esclarecendo que pelo termo "Senhor" entende-se Deus de toda eternidade. Ele afirma: "Pelo Senhor é entendido Deus de toda eternidade ou Jehovah, que é chamado Pai e Criador, porque o Senhor é um com Ele, como foi mostrado na Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor; é por isso que, no que segue, onde se trata também da Criação, Ele é chamado o Senhor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§151}}</ref> Esta identificação estabelece que o Senhor é o Criador único e que sua identidade como Pai e Criador é indissociável de sua natureza divina. --- === O Sol Espiritual como Primeiro Procedente === ==== A Criação pelo Divino Amor e Sabedoria (§152) ==== Swedenborg afirma que todas as coisas do Universo foram criadas pelo Divino Amor e pela Divina Sabedoria, e que isto se realizou por meio do Sol espiritual. Ele explica: "Que todas as cousas do Universo tenham sido criadas pelo Divino Amor e pela Divina Sabedoria, é o que foi plenamente mostrado na Primeira Parte, especialmente nos nºs 52, 53; aqui agora se mostrará que foi por meio do Sol, que é o Primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§152}}</ref> ====== O Sol como Princípio Primeiro da Criação ====== Swedenborg argumenta que o Sol é o primeiro da criação porque todas as coisas subsistem por ele: "Quem quer que possa ver os efeitos pelas causas, e em seguida ver pelas causas os efeitos em sua ordem e em sua série, não pode negar que o Sol seja o primeiro da criação, pois por ele subsistem todas as cousas que estão em seu Mundo, e como subsistem por ele, existiram também por ele".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§152}}</ref> ====== A Subsistência como Existência Perpétua ====== Swedenborg estabelece uma distinção importante entre existência e subsistência: "Um conclui e atesta o outro, com efeito, elas estão todas sob seu aspecto, porque ele as colocou para que aí estejam; e tê-las sob ele, é colocá-las continuamente; é por isso também que se diz que a subsistência é uma perpétua existência".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§152}}</ref> ====== O Influxo Solar através das Atmosferas ====== Swedenborg descreve o mecanismo pelo qual o Sol mantém todas as coisas em existência: "Se alguma cousa fosse mesmo subtraída inteiramente ao influxo do sol pelas atmosferas, isso seria imediatamente dissolvido; pois as atmosferas, que são de mais puras em mais puras, e postas ativamente em potência pelo sol, contêm cada cousa em seu lugar".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§152}}</ref> ====== A Conclusão sobre o Sol como Primeiro da Criação ====== Swedenborg conclui: "Ora, pois que a subsistência do universo e de todas as cousas do universo vem do Sol, é evidente que o Sol é o primeiro da criação a Quo (do qual tudo procede). Foi dito do Sol, mas é entendido do Senhor pelo sol, pois o sol também foi criado pelo Senhor".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§152}}</ref> --- === Os Dois Sóis: Espiritual e Natural === ==== A Distinção entre os Dois Sóis (§153) ==== Swedenborg estabelece que existem dois sóis pelos quais todas as coisas foram criadas: "Há dois Sóis, pelos quais todas as cousas foram criadas pelo Senhor, o Sol do Mundo espiritual e o Sol do Mundo natural; todas as cousas criadas vêm do Senhor pelo Sol do Mundo espiritual; pois o Sol natural está muito abaixo do Sol espiritual".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§153}}</ref> ====== A Hierarquia dos Mundos ====== A estrutura hierárquica dos mundos é descrita como segue: "Está a uma meia distância, acima dele está o Mundo espiritual, e abaixo dele está o Mundo natural; e o Sol do Mundo natural foi criado para dar um auxílio secundário".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§153}}</ref> | Nível | Componente | Função | |-------|-----------|--------| | Superior | Mundo Espiritual | Causas de todas as coisas | | Intermediário | Sol Natural | Auxílio secundário | | Inferior | Mundo Natural | Efeitos de todas as coisas | --- === A Estrutura Tríplice: Fim, Causa e Efeito === ==== A Razão da Criação pelo Sol Espiritual (§154) ==== Swedenborg explica por que a Criação foi realizada pelo Sol espiritual: "Se o Universo e todas as cousas do Universo foram criadas pelo Senhor por meio do Sol do Mundo espiritual, é porque este Sol é o primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria, e todas as cousas vêm do Divino Amor e da Divina Sabedoria".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§154}}</ref> ====== A Presença Universal de Três Elementos ====== Swedenborg afirma que em toda criação estão presentes três elementos: "Em todo objeto criado, tanto no maior como no menor, há três cousas: o Fim, a Causa e o Efeito; não há objeto criado no qual estas três não estejam".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§154}}</ref> ====== A Distribuição dos Três no Universo ====== Swedenborg descreve como estes três elementos se distribuem no Universo: "No Maior ou no Universo estes Três existem nesta ordem: No Sol, que é o Primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria, está o Fim de todas as cousas; no Mundo espiritual estão as Causas de todas as cousas; e no Mundo natural estão os efeitos de todas as cousas".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§154}}</ref> ====== A Conclusão sobre a Criação ====== Swedenborg conclui: "Ora, pois que não há objeto criado, não estejam estes três, segue-se que o Senhor criou o Universo e todas as cousas do Universo pelo Sol onde está o fim de todas as cousas".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§154}}</ref> --- === Transcendendo Espaço e Tempo para Compreender a Criação === ==== A Necessidade de Abstrair Espaço e Tempo (§155) ==== Swedenborg afirma que a Criação não pode ser compreendida enquanto espaço e tempo forem retidos no pensamento: "A Criação mesma não pode ser posta ao alcance da concepção, se o espaço e o tempo forem afastados do pensamento; mas se forem afastados ela pode ser apreendida. Afasta-os, se o podes, ou tanto quanto podes, e mantém a mente em uma ideia separada do espaço e do tempo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§155}}</ref> ====== A Equivalência entre Muito Grande e Muito Pequeno ====== Quando espaço e tempo são abstraídos, surge uma compreensão paradoxal: "Perceberás que o muito grande do espaço e o muito pequeno do espaço em nada diferem, e então não poderás ter da Criação do universo senão uma ideia semelhante à da Criação dos singulares no Universo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§155}}</ref> ====== A Origem da Variedade ====== Swedenborg explica a origem da variedade no universo criado: "Verás que a diversidade nos objetos criados vem de que os Infinitos estão em Deus-Homem, e por consequência os indefinidos no Sol, que é o primeiro procedente de Deus, e de que estes indefinidos existem como que em uma imagem no Universo criado".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§155}}</ref> ====== A Impossibilidade de Repetição ====== Swedenborg conclui que não pode haver duas coisas idênticas: "Provém daí que não possa haver em lugar algum uma cousa que seja a mesma que uma outra; daí vem à variedade de todas as cousas, variedade que se apresenta diante dos olhos com o espaço no Mundo natural, e na aparência de espaço no Mundo espiritual".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§155}}</ref> --- === Criação do Eterno e do Infinito === ==== A Criação não é Sucessiva (§156) ==== Swedenborg esclarece que a Criação não deve ser compreendida como um processo sucessivo no tempo: "Não se pode dizer que a criação do Universo e de todas as cousas do Universo tenha sido feita de um espaço a um espaço e de um tempo a um tempo, assim progressivamente e sucessivamente, mas deve-se dizer que tenham sido feitas do Eterno e do Infinito".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§156}}</ref> ====== O Eterno e o Infinito Divinos ====== Swedenborg distingue entre o Eterno e o Infinito divinos e seus análogos naturais: "Não do Eterno do tempo, pois que nele não o há, mas do Eterno do não-tempo; pois é a mesma cousa que o Divino, nem do Infinito do espaço, pois que nele não o há tampouco, mas do Infinito do não-espaço, o que é também a mesma cousa que o Divino".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§156}}</ref> ====== A Apreensão pela Luz Espiritual ====== Swedenborg reconhece que esta compreensão ultrapassa a luz natural, mas é acessível à luz espiritual: "Sei que isso ultrapassa as ideias dos pensamentos que estão na luz natural, mas isso não ultrapassa as ideias dos pensamentos que estão na luz espiritual, pois nestes nada há do espaço nem do tempo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§156}}</ref> ====== A Possibilidade de Compreensão Racional ====== Swedenborg afirma que mesmo a razão natural pode chegar a certa compreensão: "Mesmo isso não ultrapassa tampouco absolutamente as ideias dos pensamentos na luz natural, pois quando se diz que não há infinito do espaço, cada um o afirma segundo a razão; dá-se o mesmo com o eterno, pois é o infinito do tempo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§156}}</ref> ====== A Distinção entre Eternidade e Perpetuidade ====== Swedenborg esclarece a diferença entre duas formas de conceber a eternidade: "Se se diz eternamente (in aeternum), isso é apreendido segundo o tempo; mas de toda eternidade (ab aeterno), não é apreendido a não ser que o tempo seja afastado".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§156}}</ref> --- === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Amor Divino e Sabedoria Divina]] — Aprofundamento na natureza do Divino Amor e Sabedoria * [[Doutrina da Correspondência]] — Compreensão da correspondência entre o espiritual e o natural --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../Capítulo_Anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_Proximo|Próximo capítulo →]] [[../|Retornar ao sumário]] 2118xy2crdn8ljwmyhf1trk6qu4kvyt A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 15 0 131601 589307 2026-10-13T14:07:33Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitlu 15 parte II 589307 wikitext text/x-wiki == O Sol Natural como Fogo Morto e a Origem da Natureza == === Introdução === Este capítulo apresenta a doutrina swedenborgiana sobre a natureza do Sol natural e sua relação com a Criação. Swedenborg afirma que o Sol do mundo natural é um fogo puramente material, desprovido de vida, enquanto toda a vida e atividade criativa procedem do Sol espiritual. Consequentemente, a Natureza — incluindo a Terra, as atmosferas, o calor e a luz naturais — é fundamentalmente morta, sendo animada apenas pela influência espiritual que a acompanha. O capítulo também aborda as implicações filosóficas e espirituais de se atribuir toda a criação à Natureza, resultando no naturalismo e no ceticismo espiritual. '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender a distinção entre o Sol natural (morto) e o Sol espiritual (vivo) * Reconhecer que a Natureza é fundamentalmente morta, mas animada por influências espirituais * Entender por que o culto do Sol é considerado abominável na teologia swedenborgiana * Identificar as características da Natureza: espaço, tempo e imutabilidade * Compreender as consequências espirituais do naturalismo extremo * Reconhecer que as faculdades de pensar e querer permanecem em todos os seres --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Sol Natural''' : O sol do mundo físico; um fogo puramente material do qual foi separado tudo que pertence à vida. ; '''Sol Espiritual''' : O sol do mundo espiritual; um fogo no qual reside a Vida Divina; o primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria. ; '''Natureza''' : O conjunto de todas as coisas criadas que procedem do Sol natural; fundamentalmente morta, mas animada pela influência espiritual. ; '''Morto''' : Na teologia swedenborgiana, refere-se ao que não possui vida própria, mas é animado por uma força externa. ; '''Vivo''' : O que possui vida própria ou é animado pela vida divina. ; '''Calor Natural''' : O calor que procede do Sol natural; morto em si mesmo. ; '''Luz Natural''' : A luz que procede do Sol natural; morta em si mesma. ; '''Atmosferas''' : As camadas de ar e éter que recebem e transportam o calor e a luz do Sol natural. ; '''Terras''' : Os elementos materiais do globo terrestre; mortos em si mesmos. ; '''Vegetais''' : Formas de usos; seres vivos que dependem da animação espiritual. ; '''Animais''' : Formas de vida; seres vivos que dependem da animação espiritual. ; '''Espaço''' : Propriedade característica da Natureza; ausente no mundo espiritual. ; '''Tempo''' : Propriedade característica da Natureza; ausente no mundo espiritual. ; '''Natural-Sensual''' : Um estado espiritual em que a mente é fechada para as realidades espirituais e aberta apenas aos sentidos corporais. ; '''Racionalidade''' : A faculdade de pensar; presente em todos os seres, mesmo nos diabos. ; '''Liberdade''' : A faculdade de querer; presente em todos os seres, mesmo nos diabos. --- === A Natureza Morta do Sol Natural === ==== O Sol Natural é Inteiramente Morto (§157) ==== De acordo com Swedenborg, a Criação não pode ser atribuída ao Sol natural, mas apenas ao Sol espiritual. Ele afirma: "A Criação mesma não pode em cousa alguma ser atribuída ao Sol do Mundo natural, mas o deve ser inteiramente ao Sol do Mundo espiritual, pois que o Sol do Mundo natural é inteiramente morto, enquanto que o Sol do Mundo espiritual é vivo, pois é o primeiro Procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§157}}</ref> ====== A Analogia do Instrumento ====== Swedenborg utiliza uma analogia para esclarecer esta relação: "Pois que o que é morto não age por si mesmo, mas é posto em ação; e por isso que atribuir-lhe alguma cousa da criação, será como se se atribuísse a um instrumento, posto em ação pelas mãos de um operário, a obra que o operário faz".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§157}}</ref> ====== A Natureza do Fogo em Ambos os Sóis ====== Swedenborg descreve a diferença fundamental entre os dois sóis: "O Sol do Mundo natural é um puro Fogo do qual foi separado tudo que pertence à vida; mas o Sol do Mundo espiritual é um Fogo no qual está a Vida Divina".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§157}}</ref> ====== A Percepção Angélica do Fogo ====== Swedenborg descreve como os anjos compreendem a diferença entre os dois fogos: "A ideia Angélica sobre o fogo do Sol do Mundo natural, e sobre o Fogo do Sol do Mundo espiritual, é que a Vida Divina está interiormente no Fogo do Sol do Mundo espiritual e exteriormente no Fogo do Sol do Mundo natural".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§157}}</ref> ====== A Dependência do Sol Natural ====== Swedenborg conclui que a atividade do Sol natural depende inteiramente do Sol espiritual: "Por aí pode-se ver que a atividade do Sol natural vem não dele, mas da força viva procedente do Sol do Mundo espiritual; se portanto a força viva deste Sol fosse retirada ou suprimida, o Sol natural cairia".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§157}}</ref> ====== O Culto do Sol como Abominação ====== Swedenborg afirma que o culto do Sol é o mais baixo de todos os cultos: "Dai vem que o culto do Sol é o mais baixo de todos os cultos de Deus, pois é um culto absolutamente morto, como o Sol mesmo; é por isso que na Palavra este culto é chamado uma abominação".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§157}}</ref> --- === A Mortalidade de Todas as Coisas Naturais === ==== O Calor e a Luz Naturais são Mortos (§158) ==== Swedenborg estende a caracterização de "morto" a todos os elementos que procedem do Sol natural: "Pois que o Sol do Mundo natural é puro fogo, e que por consequência é morto, o Calor que dele procede é, portanto morto também; do mesmo modo é morta a Luz que dele procede; do mesmo modo são mortas as Atmosferas, que são chamadas éter e ar, e que recebem em seu seio e transportam o calor e a luz deste Sol".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§158}}</ref> ====== A Animação Espiritual da Natureza ====== Apesar de toda a Natureza ser morta em si mesma, ela é animada pela influência espiritual: "Pois que tudo isso é morto, todas e cada uma das cousas do globo terrestre, que estão abaixo e são chamadas terras, são mortas também; mas não obstante todas estas cousas, em geral e em particular foram envolvidas por espirituais que procedem e profluem do Sol do Mundo espiritual".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§158}}</ref> ====== A Necessidade da Animação Espiritual ====== Swedenborg explica as consequências se a Natureza não fosse envolvida por influências espirituais: "Se não tivessem sido assim envolvidas as terras não poderiam ser postas em ação, nem produzir formas de usos que são os vegetais, e formas da vida que são os animais, nem fornecer os materiais pelos quais o homem existe e subsiste".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§158}}</ref> --- === A Natureza como Totalidade Morta === ==== A Definição da Natureza (§159) ==== Swedenborg define a Natureza em sua totalidade como morta: "Ora, como a Natureza começa por este Sol, e como tudo que existe e subsiste por ele é chamado Natural, segue-se que a Natureza, com todas e cada uma das cousas que a compõem, é morta".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§159}}</ref> ====== A Aparência de Vida na Natureza ====== Apesar disso, a Natureza parece viva nos seres vivos: "Se a Natureza aparece no homem e no animal como viva, é pela Vida que a acompanha e a põe em ação".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§159}}</ref> --- === Espaço e Tempo como Propriedades da Natureza === ==== O Espaço é Próprio da Natureza (§160) ==== Swedenborg afirma que o espaço é uma propriedade característica da Natureza, ausente no mundo espiritual: "Pois que os ínfimos da Natureza que constituem as terras são mortos, e não são nem mutáveis nem variáveis segundo os estados das afeições e dos pensamentos, como no Mundo espiritual, mas são imutáveis e fixos, é por isso que na Natureza há espaços e distâncias de espaços".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§160}}</ref> ====== A Razão da Existência do Espaço ====== Swedenborg explica por que o espaço existe: "Há tais cousas porque a criação acaba aí, e aí subsiste em seu repouso. Por isso é evidente que os espaços são próprios da natureza; e pois que os espaços aí não são aparências de espaços segundo os estados da vida, como no Mundo espiritual, eles também podem ser chamados mortos".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§160}}</ref> ====== O Tempo é Próprio da Natureza (§161) ====== Da mesma forma, Swedenborg afirma que o tempo é uma propriedade característica da Natureza: "Como os tempos são igualmente fixos e constantes, eles também são próprios da natureza, pois o tempo do dia é constantemente de vinte e quatro horas, e o tempo do ano é constantemente de trezentos e sessenta e cinco dias e um quarto".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§161}}</ref> ====== Os Estados Cíclicos da Natureza ====== Swedenborg descreve os ciclos regulares que caracterizam a Natureza: "Os estados mesmos da luz e da sombra, do calor e do frio, que variam estes tempos, voltam também constantemente; os estados que voltam cada dia são a manhã, o meio-dia, a tarde e a noite, e os que voltam cada ano são a primavera, o verão, o outono e o inverno".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§161}}</ref> ====== A Mortalidade dos Estados Naturais ====== Swedenborg conclui que todos estes estados são mortos: "Os estados do ano variam, constantemente também os estados dos dias; todos estes estados, não sendo estados da vida, como no Mundo espiritual, são mortos também".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§161}}</ref> ====== O Contraste com o Mundo Espiritual ====== Swedenborg contrasta os estados naturais com os do mundo espiritual: "Pois no Mundo espiritual há uma Luz contínua e um Calor contínuo, e a Luz corresponde ao estado da sabedoria, e o Calor ao estado do amor dos anjos, o que torna vivos os seus estados".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§161}}</ref> --- === As Consequências Espirituais do Naturalismo === ==== O Perigo do Naturalismo Extremo (§162) ==== Swedenborg descreve as consequências espirituais de se atribuir todas as coisas à Natureza: "Por isso pode-se ver a loucura daqueles que atribuem todas as cousas à Natureza; os que se confirmaram pela Natureza introduziram em si este estado, pelo qual não querem mais elevar a mente acima da natureza, por isso a sua Mente é fechada por cima e aberta por baixo, e assim o homem se torna natural-sensual, isto é, espiritualmente morto".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§162}}</ref> ====== A Limitação ao Sensorial ====== Swedenborg explica como o naturalismo extremo limita o pensamento: "E como então não pensa senão pelas cousas que hauriu pelos sentidos do corpo, ou no mundo por estes sentidos ele nega a Deus também de coração".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§162}}</ref> ====== O Rompimento da Conjunção com o Céu ====== Swedenborg descreve as consequências espirituais desta atitude: "Então toda conjunção com o Céu estando rompida, se faz uma conjunção com o Inferno, restando somente as faculdades de pensar e de querer, a faculdade de pensar pela racionalidade, e a faculdade de querer pela liberdade, faculdades que estão pelo Senhor em cada homem, e não são retiradas".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§162}}</ref> ====== A Universalidade das Faculdades ====== Swedenborg afirma que as faculdades de pensar e querer estão presentes em todos os seres: "Estas duas faculdades estão nos diabos como nos anjos, mas os diabos as aplicam em extravagar e em mal-fazer, e os anjos em ser sábios e em bem-fazer".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§162}}</ref> --- === Comparação: Propriedades da Natureza e do Mundo Espiritual === | Propriedade | Natureza | Mundo Espiritual | |-------------|---------|-----------------| | '''Espaço''' | Fixo e real | Aparência segundo estados da vida | | '''Tempo''' | Fixo e cíclico | Ausente; continuidade de estados | | '''Luz''' | Morta; varia com ciclos | Viva; corresponde à sabedoria | | '''Calor''' | Morto; varia com ciclos | Vivo; corresponde ao amor | | '''Vida''' | Morta em si; animada externamente | Viva; intrínseca | | '''Mutabilidade''' | Imutável e fixo | Mutável segundo afeições e pensamentos | --- === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Amor Divino e Sabedoria Divina]] — Aprofundamento na natureza do Divino Amor e Sabedoria * [[Doutrina da Correspondência]] — Compreensão da correspondência entre o espiritual e o natural --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../Capítulo_Anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_Proximo|Próximo capítulo →]] [[../|Retornar ao sumário]] gjd5cqpx6lg125j9c4nmv49rcenc4s8 A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 16 0 131602 589308 2026-10-13T14:11:48Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Capitulo 16 parte II 589308 wikitext text/x-wiki == Sem os Dois Sóis — um Vivo e outro Morto — Não há Criação == === Introdução === Este capítulo apresenta a doutrina swedenborgiana sobre a necessidade de dois sóis — o Sol espiritual (vivo) e o Sol natural (morto) — para a existência da Criação. Swedenborg afirma que o Universo é dividido em dois mundos absolutamente distintos: o Mundo Espiritual (habitado por anjos e espíritos) e o Mundo Natural (habitado por seres humanos). Cada mundo possui seu próprio sol como origem e princípio. O capítulo também aborda a relação de dependência entre o vivo e o morto, refutando a ideia de que a Natureza é autossuficiente ou que a vida possa proceder da matéria morta. '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender a distinção fundamental entre o Mundo Espiritual e o Mundo Natural * Reconhecer a necessidade de dois sóis para a existência de dois mundos distintos * Entender por que o Sol natural (morto) foi criado pelo Sol espiritual (vivo) * Compreender o papel da Terra como base e consolidação da Criação * Identificar a relação de dependência entre o vivo e o morto * Refutar a noção de que a vida procede da Natureza --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Mundo Espiritual''' : O reino habitado por anjos e espíritos; caracterizado por realidades vivas e espirituais. ; '''Mundo Natural''' : O reino habitado por seres humanos; caracterizado por realidades materiais e naturais. ; '''Face Externa''' : A aparência exterior; semelhante entre os dois mundos. ; '''Face Interna''' : A natureza essencial; absolutamente diferente entre os dois mundos. ; '''Pensamento Espiritual''' : O modo de pensar próprio dos seres espirituais; não tem nada em comum com o pensamento natural. ; '''Linguagem Espiritual''' : O modo de falar próprio dos seres espirituais; não tem nada em comum com a linguagem natural. ; '''Pensamento Natural''' : O modo de pensar próprio dos seres naturais; baseado nos sentidos corporais. ; '''Linguagem Natural''' : O modo de falar próprio dos seres naturais; baseado nos sons corporais. ; '''Sol Vivo''' : O Sol do Mundo Espiritual; origem de todas as coisas espirituais; primeiro procedente do Divino Amor e Sabedoria. ; '''Sol Morto''' : O Sol do Mundo Natural; origem de todas as coisas naturais; criado pelo Sol vivo. ; '''Origens''' : Os princípios primários dos quais todas as coisas procedem; os dois sóis são as origens dos dois mundos. ; '''Fixo, Determinado e Constante''' : Características do Mundo Natural que resultam da criação pelo Sol morto. ; '''Globo Terrestre''' : A Terra; base e consolidação da Criação; última obra na qual tudo se termina. ; '''Matriz''' : A Terra como geradora dos efeitos que são os fins da Criação. ; '''Influxo Físico''' : A teoria (rejeitada por Swedenborg) de que o físico pode agir sobre o espiritual. ; '''Inércia''' : A qualidade de ser inerte; característica da Natureza em si mesma. --- === A Distinção entre os Dois Mundos === ==== A Semelhança Externa e a Diferença Interna (§163) ==== De acordo com Swedenborg, o Universo é dividido em dois mundos absolutamente distintos. Ele afirma: "O Universo em geral foi distinguido em dois Mundos, um Espiritual e outro Natural; no Mundo espiritual estão os Anjos e os Espíritos, no Mundo natural estão os Homens; estes dois Mundos são absolutamente semelhantes quanto à face externa, e de tal modo semelhantes que não podem ser distinguidos, mas quanto à face interna são absolutamente diferentes".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§163}}</ref> ====== A Natureza Espiritual dos Seres Espirituais ====== Swedenborg explica que os seres no Mundo Espiritual são espirituais e, portanto, pensam e falam espiritualmente: "Os homens mesmos que estão no Mundo espiritual, os quais, como foi dito, são chamados Anjos e Espíritos, são espirituais; e porque são espirituais, pensam espiritualmente e falam espiritualmente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§163}}</ref> ====== A Natureza Natural dos Seres Naturais ====== Da mesma forma, os seres no Mundo Natural são naturais e pensam e falam naturalmente: "Mas os homens que estão no Mundo natural são naturais, e por consequência pensam naturalmente e falam naturalmente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§163}}</ref> ====== A Incompatibilidade entre Pensamento e Linguagem ====== Swedenborg afirma que não há compatibilidade entre os modos de pensar e falar dos dois mundos: "O pensamento espiritual e a linguagem espiritual nada têm de comum com o pensamento natural e a linguagem natural. Daí é evidente que estes dois Mundos, o espiritual e o natural, são absolutamente distintos entre si, ao ponto de não poderem de maneira alguma estar juntos".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§163}}</ref> --- === A Necessidade de Dois Sóis === ==== A Necessidade Lógica de Dois Sóis (§164) ==== Swedenborg argumenta que, dado que os dois mundos são absolutamente distintos, deve haver dois sóis correspondentes: "Ora, pois que estes dois Mundos são assim distintos, é necessário que haja dois Sóis, um de que procedem todos os espirituais, e o outro de que procedem todos os naturais".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§164}}</ref> ====== A Correspondência entre Origem e Natureza ====== Swedenborg estabelece a correspondência entre a natureza de cada sol e a natureza das coisas que dele procedem: "E como todos os espirituais em sua origem são vivos, e todos os naturais por sua origem são mortos, e como os Sóis são as Origens, segue-se que um dos Sóis é vivo e que o outro é morto".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§164}}</ref> ====== A Criação do Sol Morto pelo Sol Vivo ====== Swedenborg conclui que o Sol morto foi criado pelo Sol vivo: "E também que o Sol morto mesmo foi criado pelo Senhor por meio do Sol vivo".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§164}}</ref> --- === O Propósito do Sol Morto === ==== A Fixidez e Constância da Natureza (§165) ==== Swedenborg explica o propósito da criação do Sol morto: "Se o Sol morto foi criado, foi a fim de que nos últimos todas as cousas sejam fixas, determinadas e constantes, e que por isso existam as cousas que devem se perpetuar e durar longamente; assim e não de outro modo está fundada a Criação".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§165}}</ref> ====== A Terra como Base e Consolidação ====== Swedenborg descreve o papel especial da Terra: "O Globo terráqueo, no qual, sobre e em torno do qual estão essas cousas, é como a base e a consolidação, pois é a última obra na qual tudo se termina, e sobre a qual tudo se repousa".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§165}}</ref> ====== A Terra como Matriz ====== Swedenborg também descreve a Terra como uma matriz geradora: "Que ele seja também como uma Matriz, pela qual os efeitos, que são os fins da Criação, são produzidos, é o que será dito no que segue".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§165}}</ref> --- === A Dependência do Morto em Relação ao Vivo === ==== A Criação pelo Sol Vivo (§166) ==== Swedenborg afirma que o Senhor criou todas as coisas pelo Sol vivo e nada pelo Sol morto: "Que o Senhor tenha criado todas as cousas pelo Sol vivo, e nada tenha criado pelo Sol morto, é o que se pode ver pelo fato de que o vivo dispõe o morto sob sua dependência, e o forma para seus usos, que são seus fins, mas não reciprocamente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§166}}</ref> ====== A Refutação do Naturalismo ====== Swedenborg refuta a ideia de que a vida procede da Natureza: "Só um homem privado da razão pode pensar que todas as cousas vêm da natureza, e que a vida vem dela também, este não sabe o que é a vida; a natureza não pode dispor a vida seja para o que for, pois a natureza é em si mesma absolutamente inerte".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§166}}</ref> ====== A Impossibilidade do Morto Agir no Vivo ====== Swedenborg afirma que é contra a ordem natural que o morto aja no vivo: "Que o morto aja no vivo, ou a força morta na força viva, ou, o que é a mesma cousa, o natural no espiritual, é absolutamente contra a ordem, e por consequência pensar isso é contra a luz da sã razão".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§166}}</ref> ====== A Ação do Vivo no Morto ====== Swedenborg esclarece que o vivo pode agir no morto, mas não o contrário: "É verdade que o morto ou o natural pode ser desmoronado ou mudado de várias maneiras por acidentes externos, entretanto jamais pode ele agir sobre a vida, mas a vida age nele segundo a mudança de forma introduzida".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§166}}</ref> ====== A Analogia do Influxo Físico ====== Swedenborg utiliza a analogia do influxo físico para ilustrar a impossibilidade: "Dá-se com isso como com o influxo físico nas operações espirituais da alma; sabe-se que este influxo não existe, porque não é possível".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§166}}</ref> --- === Comparação: Características dos Dois Mundos === | Aspecto | Mundo Espiritual | Mundo Natural | |--------|-----------------|---------------| | '''Origem''' | Sol Espiritual (vivo) | Sol Natural (morto) | | '''Habitantes''' | Anjos e Espíritos | Seres Humanos | | '''Natureza dos Seres''' | Espirituais | Naturais | | '''Modo de Pensar''' | Pensamento espiritual | Pensamento natural | | '''Modo de Falar''' | Linguagem espiritual | Linguagem natural | | '''Face Externa''' | Semelhante ao Natural | Semelhante ao Espiritual | | '''Face Interna''' | Absolutamente diferente | Absolutamente diferente | | '''Características''' | Vivo, mutável, dinâmico | Morto, fixo, constante | | '''Luz e Calor''' | Contínuos e vivos | Cíclicos e mortos | --- === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Amor Divino e Sabedoria Divina]] — Aprofundamento na natureza do Divino Amor e Sabedoria * [[Doutrina da Correspondência]] — Compreensão da correspondência entre o espiritual e o natural --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../Capítulo_Anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_Proximo|Próximo capítulo →]] [[../|Retornar ao sumário]] cr6es8zedlo21dmnllpplvzfufqyogu A Sabedoria Angélica/Parte II/Cap 17 0 131603 589309 2026-10-13T14:19:10Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Crei o capitulo 17 parte II 589309 wikitext text/x-wiki == Nos Últimos Existe o Fim da Criação: Conjunção Eterna com o Criador == === Introdução === Este capítulo apresenta a doutrina swedenborgiana sobre o fim último da Criação. Swedenborg afirma que o propósito final de toda a Criação é a conjunção eterna entre o Criador e o Universo criado. Para compreender este fim, é necessário entender a estrutura tríplice presente em todas as coisas: Fim, Causa e Efeito. Swedenborg demonstra como estes três elementos estão presentes em Deus, refletem-se em toda a Criação, e culminam na relação entre o ser humano e o Criador. O capítulo também aborda como os fins últimos se tornam fins primeiros em uma série contínua que retorna ao Criador. '''Objetivos de aprendizagem:''' * Compreender a estrutura tríplice de Fim, Causa e Efeito * Reconhecer que estes três elementos devem estar presentes em toda coisa para que ela seja algo * Entender que o Fim é tudo na Causa e tudo no Efeito * Identificar o fim universal de toda a Criação: a conjunção eterna com o Criador * Compreender o papel do ser humano como sujeito recipiente do Divino * Reconhecer como os fins últimos se tornam fins primeiros em série contínua --- === Conceitos-Chave e Terminologia === ; '''Fim''' : O propósito ou objetivo; o primeiro dos três elementos (Fim, Causa, Efeito). ; '''Causa''' : O princípio intermediário que produz efeitos; o segundo dos três elementos. ; '''Efeito''' : O resultado ou manifestação; o terceiro dos três elementos; também chamado Fim Último. ; '''Fim Primeiro''' : O propósito original ou objetivo fundamental. ; '''Fim Médio''' : A Causa; o princípio intermediário que realiza o Fim Primeiro. ; '''Fim Último''' : O Efeito; a manifestação final do Fim Primeiro através da Causa. ; '''Sujeito''' : O receptáculo ou substância na qual Fim, Causa e Efeito existem juntos. ; '''Conjunção''' : A união ou ligação; especialmente a conjunção eterna entre o Criador e a Criação. ; '''Reciprocidade''' : A relação mútua; a capacidade de receber e responder. ; '''Habitáculos e Moradas''' : Os sujeitos nos quais o Divino pode habitar e permanecer. ; '''Recipientes do Divino''' : Os seres (especialmente os humanos) que podem receber o Amor e a Sabedoria divinos. ; '''Elevação''' : O movimento ascendente das formas de usos desde a Terra até ao Homem e deste até a Deus. ; '''Série Contínua''' : A sequência ininterrupta de fins que se transformam em novos fins primeiros. ; '''Exalação''' : A influência ou emanação; mesmo as coisas aparentemente inertes possuem alguma eficiência. --- === A Estrutura Tríplice: Fim, Causa e Efeito === ==== Os Três Fins que se Seguem em Ordem (§167) ==== De acordo com Swedenborg, toda coisa criada possui uma estrutura tríplice fundamental. Ele afirma: "Há três deles que se seguem em ordem, os quais são chamados Fim primeiro, Fim médio e Fim último; são chamados Fim, Causa e Efeito; estes três devem estar juntos em todo sujeito para que ele seja alguma cousa".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§167}}</ref> ====== A Impossibilidade de Existência sem os Três ====== Swedenborg enfatiza que nenhum destes elementos pode existir isoladamente: "Pois não há Fim primeiro sem um Fim médio, e ao mesmo tempo sem um Fim último, ou, o que é a mesma cousa, não há Fim só sem uma causa e sem um efeito; semelhantemente não há Causa só sem um fim de que ela provém, e sem um efeito em que ela esteja; semelhantemente não há Efeito só, ou Efeito sem causa e sem fim".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§167}}</ref> ====== A Razão da Necessidade dos Três ====== Swedenborg explica por que estes três elementos devem estar sempre presentes: "Que assim seja, pode-se apreender se se pensar que o Fim sem efeito, ou separado do efeito não é alguma cousa que exista, também não é senão uma palavra; pois o Fim, para que efetivamente seja um fim, deve ter sido terminado, e ele é terminado no efeito, no qual o primeiro é chamado Fim porque é o Fim".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§167}}</ref> ====== A Aparência de Independência da Causa ====== Swedenborg esclarece que a Causa parece existir por si, mas isto é uma ilusão: "Parece que o agente ou eficiente existe por si, mas isso é uma aparência proveniente de estar ele em um efeito, mas se for separado do efeito, no mesmo instante desaparece".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§167}}</ref> ====== A Conclusão sobre a Necessidade dos Três ====== Swedenborg conclui: "Por estas explicações é evidente que estes três, o Fim, a Causa e o Efeito, devem estar em todo sujeito para que ele seja alguma cousa".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§167}}</ref> --- === O Fim é Tudo na Causa e no Efeito === ==== A Totalidade do Fim (§168) ==== Swedenborg afirma que o Fim não é apenas um elemento entre três, mas é tudo em cada um deles: "Além disso, é preciso que se saiba que o Fim é tudo na Causa, e também tudo no Efeito; e por isso que o Fim, a Causa e o Efeito, são chamados Fim primeiro, Fim médio e Fim último".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§168}}</ref> ====== O Fim Necessita de um Receptáculo ====== Swedenborg explica que o Fim não pode existir isoladamente: "Mas para que o Fim seja tudo na causa, é preciso que haja alguma cousa pelo fim, no qual ele estará; e para que seja tudo no efeito, é preciso que haja alguma cousa pelo fim por meio da causa, na qual ele estará".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§168}}</ref> ====== O Fim Último como Subsistência ====== Swedenborg conclui que o Fim Último (Efeito) é onde o Fim subsiste: "Pois o fim não pode estar em si só, mas deve estar em alguma cousa existente por si, na qual quanto a seu todo possa estar e ser eficiente agindo, até que subsista; aquilo em que se subsiste é o Fim último, que é chamado Efeito".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§168}}</ref> --- === A Estrutura Tríplice no Universo Criado === ==== Os Três Elementos em Toda a Criação (§169) ==== Swedenborg afirma que a estrutura tríplice está presente em toda a Criação: "No Universo criado, tanto nos seus muito grandes como nos seus muito pequenos, há estes três, a saber, o fim, a causa e o efeito; se estes três estão nos muito grandes e nos muito pequenos do Universo criado, é porque em Deus Criador, que é o Senhor de toda a eternidade, há estes três".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§169}}</ref> ====== A Unidade Distinta dos Três em Deus ====== Swedenborg explica como os três são um em Deus: "Mas como Ele é infinito, e como os infinitos no Infinito são distintamente um, como foi demonstrado acima, nº 17 a 22, é por isso também que estes três no Senhor e em seus infinitos, são distintamente um".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§169}}</ref> ====== A Imagem do Senhor na Criação ====== Swedenborg conclui que o Universo, como imagem do Senhor, obtém estes três em todas as coisas: "Daí vem que o Universo, que foi criado pelo Ser do Senhor, e que, considerado quanto aos usos, é a imagem do Senhor, obteve estes três em todas e cada uma de suas cousas".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§169}}</ref> --- === O Fim Universal: Conjunção Eterna === ==== O Fim de Todas as Coisas (§170) ==== Swedenborg identifica o fim universal de toda a Criação: "O fim universal ou de todas as cousas da criação, é que haja uma conjunção eterna do Criador com o Universo criado; e esta conjunção não é possível, a não ser que haja sujeitos nos quais o Divino do Criador possa estar como em si, assim nos quais possa habitar e permanecer".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§170}}</ref> ====== Os Sujeitos Recipientes do Divino ====== Swedenborg descreve as qualidades necessárias destes sujeitos: "Estes sujeitos, para que sejam seus habitáculos e moradas, devem ser recipientes de seu Amor e de sua Sabedoria como por eles mesmos, assim devem como por eles mesmos se elevar para o Criador, e se conjuntar com Ele; sem este recíproco não há conjunção".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§170}}</ref> ====== Os Homens como Sujeitos Recipientes ====== Swedenborg identifica os seres humanos como estes sujeitos: "Estes sujeitos são os Homens, que podem como por eles se elevar e se conjuntar; que os homens sejam tais sujeitos, e que sejam recipientes do Divino como por eles mesmos, isso foi demonstrado acima várias vezes".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§170}}</ref> ====== A Presença do Senhor em Toda Obra Criada ====== Swedenborg explica as consequências desta conjunção: "Por esta conjunção o Senhor está presente em toda obra criada por Ele, pois todo objeto criado é finalmente para o homem; é por isso que os usos de todas as cousas que foram criadas sobem por graus desde os últimos até ao homem, e pelo homem até a Deus Criador a Quo (de quem tudo procede), como foi mostrado acima, nº 65 a 68".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§170}}</ref> --- === A Progressão Contínua para o Fim Último === ==== A Criação Tende Continuamente para o Fim Último (§171) ==== Swedenborg descreve como toda a Criação se move em direção ao fim último: "A criação tende continuamente para este último fim por estes três, que são o fim, a causa e o efeito, porque estes três estão no Senhor Criador como acaba de ser dito; e como o Divino está em todo espaço sem espaço, nº 69 a 72; e é o mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos, nº 77 a 82; daí é evidente que em sua progressão comum para o fim último o universo criado é o fim médio respectivamente".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§171}}</ref> ====== A Elevação das Formas de Usos ====== Swedenborg descreve o processo de elevação: "Pois as formas dos usos em sua ordem são continuamente elevadas da terra pelo Senhor Criador até ao homem que, quanto a seu corpo, vem também da terra; o homem é elevado em seguida pelo Senhor, por meio da recepção do amor e da sabedoria; e para que ele receba o amor e a sabedoria, os meios foram todos providos; e isso é feito de tal maneira que ele pode receber desde que o queira".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§171}}</ref> ====== O Retorno de Todas as Coisas ao Criador ====== Swedenborg conclui que o fim último é o retorno ao Criador: "Pelo que acaba de ser dito, pode-se ver, ainda que não o seja senão de uma maneira comum, que nos últimos existe o fim da criação, que é, que todas as cousas retornem ao Criador, e que haja conjunção".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§171}}</ref> --- === Os Fins Últimos se Tornam Fins Primeiros === ==== A Série Contínua de Fins (§172) ==== Swedenborg afirma que os fins últimos se transformam em fins primeiros em uma série contínua: "Que estes três, o Fim, a Causa e o Efeito, estejam em todas e cada uma das cousas que foram criadas pode-se ainda vê-lo em que todos os efeitos, que são chamados fins últimos, tornam-se de novo fins primeiros em uma série contínua a partir do Primeiro, que é o Senhor Criador, até ao último, que é a conjunção do homem com Ele".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§172}}</ref> ====== A Eficiência em Todas as Coisas ====== Swedenborg afirma que mesmo as coisas aparentemente inertes possuem alguma eficiência: "Que todos os fins últimos se tomam de novo fins primeiros, isso é evidente em que não existe uma cousa de tal modo inerte e morta que nada tenha de eficiente em si; mesmo de um grão de areia sai uma exalação que ajuda a produzir alguma cousa, por consequência a ser eficiente em alguma cousa".<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Céu e Inferno |ano=1758 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/heaven-and-hell/ |acessodata=2026-10-13 |páginas=§172}}</ref> --- === Estrutura Tríplice: Resumo Esquemático === | Nível | Fim Primeiro | Fim Médio (Causa) | Fim Último (Efeito) | |-------|--------------|------------------|-------------------| | '''Divino''' | Vontade divina | Sabedoria divina | Ação divina | | '''Universo''' | Propósito da Criação | Leis naturais e espirituais | Manifestação criada | | '''Natureza''' | Perpetuação | Processos naturais | Formas criadas | | '''Humanidade''' | Elevação espiritual | Recepção de amor e sabedoria | Conjunção com Deus | --- === Leitura Complementar === * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] — Biografia e contexto histórico * [[Céu e Inferno (Swedenborg)|Céu e Inferno]] — Obra completa * [[Amor Divino e Sabedoria Divina]] — Aprofundamento na natureza do Divino Amor e Sabedoria * [[Doutrina da Correspondência]] — Compreensão da correspondência entre o espiritual e o natural --- == Referências == <references /> --- === Navegação === [[../Capítulo_Anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_Proximo|Próximo capítulo →]] [[../|Retornar ao sumário]] 73hbfasc2kwiow8citvf5pd0305gc6c Predefinição:Nota à margem 10 131604 589312 2026-10-13T17:43:51Z Luciérnaga de conocimiento 67836 Criou a página com "<div bgcolor="#f0f0ff" style="float:{{{side|left}}}; 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