Wikilivros ptwikibooks https://pt.wikibooks.org/wiki/Wikilivros:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.24 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikilivros Wikilivros Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Tópico Tópico discussão Resumo Resumo discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Evento Evento Discussão Topic Reflexões sobre Swedenborg: Sabedoria Angelica 0 131535 589377 589314 2026-10-20T17:59:28Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 /* Índice */ 589377 wikitext text/x-wiki A Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria == Prefácio == ''A Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria'' constitui uma das obras fundamentais de Emanuel Swedenborg, visionário sueco do século XVIII cuja produção teológica revolucionou a compreensão das correspondências entre o mundo espiritual e o natural. Esta obra, fruto das experiências visionárias de Swedenborg e de seu profundo conhecimento das Escrituras Sagradas, apresenta uma exposição sistemática dos princípios divinos que estruturam toda a criação. A importância desta obra reside na sua capacidade de articular, de forma coerente e didática, a doutrina das correspondências — o princípio segundo o qual cada realidade natural reflete e representa realidades espirituais — aplicando-a à compreensão do Divino Amor e da Divina Sabedoria como fundamentos ontológicos de toda existência. Swedenborg demonstra como o conhecimento verdadeiro emerge não apenas da razão especulativa, mas da iluminação espiritual proporcionada pela abertura dos sentidos internos à percepção das realidades celestes. O presente Wikilivro organiza os ensinamentos de Swedenborg de forma progressiva e didática, preservando a fidelidade ao pensamento original enquanto facilita a compreensão do leitor contemporâneo. Os temas centrais abordados — a natureza do amor como vida, a forma humana divina, a estrutura dos graus, a criação segundo os usos e as correspondências entre corpo e alma — constituem os pilares da doutrina swedenborguiana. Ao estruturar esta obra em seções temáticas claramente delineadas, o Wikilivro busca oferecer um caminho de aprendizado que permite tanto ao estudioso iniciante quanto ao pesquisador avançado compreender a profundidade e coerência interna do sistema teológico de Swedenborg, facilitando a integração destes ensinamentos na vida espiritual e intelectual do leitor. == Introdução == A obra apresenta como tema central a revelação da natureza íntima do Divino através de dois atributos essenciais: o Amor e a Sabedoria. Swedenborg demonstra que o Amor não é meramente um sentimento passageiro, mas a própria substância da vida em todas as suas manifestações, enquanto a Sabedoria é a expressão e o veículo através do qual o Amor se realiza e se comunica. O Senhor, concebido como Homem Infinito, é simultaneamente a Vida em Si e a fonte de toda vida criada. Os anjos e os homens não possuem vida própria, mas são recipientes criados para recebê-la conforme sua capacidade de abertura ao influxo divino. A doutrina das correspondências — segundo a qual o mundo natural é um teatro representativo do mundo espiritual — permeia toda a exposição, revelando como cada fenômeno natural, cada estrutura orgânica e cada relação humana reflete verdades espirituais profundas. A compreensão desta correspondência universal torna-se, portanto, a chave para penetrar os mistérios da criação e da redenção. A obra desenvolve-se em progressão lógica e sistemática, partindo da natureza divina em si mesma, passando pela estrutura do mundo espiritual e seus princípios operantes, até alcançar a compreensão da criação do homem e sua destinação. Esta sequência permite que o leitor construa uma visão integrada e coerente da realidade espiritual, compreendendo não apenas conceitos isolados, mas as relações profundas que os unem. O objetivo do presente Wikilivro é organizar estes ensinamentos em estrutura clara e progressiva, permitindo que cada seção se edifique sobre as anteriores, facilitando assim a compreensão dos fundamentos da doutrina swedenborguiana e promovendo um aprendizado genuíno que transcenda a mera informação intelectual, alcançando a transformação espiritual do leitor. == Índice == [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I|Parte I - De Deus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_1|Capítulo 1 - O Amor é a Vida do Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_2|Capítulo 2 - Deus só, assim o Senhor, é o Amor mesmo, porque é a Vida mesma; e os anjos e os homens são os recipientes da vida. ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_3|Capítulo 3 - O Divino não está no Espaço]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_4|Capítulo 4 - Deus é o Homem Mesmo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_5|Capítulo 5 - O Ser e o Existir no Deus-Homem são distintamente um ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_6|Capítulo 6 - Em Deus-Homem os Infinitos são distintamente um]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_7|Capítulo 7 - Há um só Deus-Homem de Quem procedem todas as coisas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_8|Capítulo 8 - A Divina essência mesmo é o Amor e a Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_9|Capítulo 9 - O Divino Amor pertence à Divina Sabedoria, e a Divina Sabedoria pertence ao Divino Amor]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_10|Capítulo 10 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria são uma Substância e uma Forma]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_11|Capítulo 11 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria são a Substância em si e a Forma em Si, assim o Eu Mesmo e Único]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_12|Capítulo 12 - O Divino Amor e a Divina Sadeboria não podem senão ser e existir em outros criados por eles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_13|Capítulo 13 -Todas as coisas do Homem foram criadas pelo Divino Amor e pela Divina Sabedoria de Deus-Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_14|Capítulo 14 -Todas as coisas do Universo criado são recipientes do Divino Amor e da Divina Sabedoria de Deus-Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_15|Capítulo 15 - Todas as coisas que foram criadas representam o homem em uma espécie de imagem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_16|Capítulo 16 - Os Usos de todas as coisas que foram criadas sobem por graus desde os últimos até ao homem e pelo homem até Deus Criador, a Quo ( de quem tudo procede) ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_17|Capítulo 17 - O Divino enche todos os espaços do Universo sem espaço]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_18|Capítulo 18 -O Divino esta em toda tempo sem tempo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_19|Capítulo 19 - O Divino é o mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II|Parte II - Do Sol Espiritual]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_1|Capítulo 1 - O Divbino Amor e Divina Sabedoria aparecem no Mundo espiritual como Sol]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_2|Capítulo 2 - Do Sol, que existe pelo Divino Amor e a Divina Sabedoria,procedem um Calor e uma luz]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_3|Capítulo 3 - Este Sol nao é Deus, mas é o procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria do Deus-homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_4|Capítulo 4 - O Calor espiritual e a Luz espiritual procedente do Senhor comoSolfazem um]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_5|Capítulo 5 - O Sol do mundo espiritual aparece, a uma altura média, distante dos anjos, como o Sol do mundo natural aparece distante dos homens]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_6|Capítulo 6 - A Distância entre o Sol e os Anjos no Mundo espirtual é uma aparência segundo a recepção do Divino Amor e da divina Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_7|Capítulo 7 - Os Anjos estão no Senhor, e o Senhor estar nele;e como os Anjos são recipientes, o Senhor Só é o Céu]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_8|Capítulo 8 - No Mundo espiritual o Oriente está onde aparece o Senhor como Sol,e daí depende outras plagas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_9|Capítulo 9 - As Plagas no Mundo espiritual provêm, não do Senhor como Sol, mas dos Anjos segundo a recepção]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_10|Capítulo 10 - Os Anjos voltam continuamente sua face para o Senhor como Sol, e têm assim o sul à diteita, o sententrião à esquerda, e o ocidente atrás deles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_11|Capítulo 11 - Todas os interiores tanto da mente como do corpo dos Anjos foram voltados para o Senhor como Sol]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_12|Capítulo 12 - Cada Espírito qualquer que ele seja se volta semelhantemente para seu amor dominante]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_13|Capítulo 13 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria que procedem do Senhor como Sol, e fazem o calor e a luz do Céu,são o Divino Procedente que é o Espirito Santo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_14|Capítulo 14 - O Senhor criou o Universo por meio do Sol, que é o primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_15|Capítulo 15 - O Sol no mundo Natural é o puro fogo, e por consequência morto; e como a Natureza tem sua origem neste Sol, ela é morta]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_16|Capítulo 16 - Sem este dois Sóis, um vivo e outro morto, não há absolutamente criação]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_17|Capítulo 17 - Nos últimos existe o fim da criação que é , que todas as coisas retornem ao Criador, e que haja conjunção]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III|Parte III - Dos Graus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_1|Capítulo 1 - No Mundo espiritual há Atmosfera, Águas e Terras, como no Mundo Natural; porém elas são espirituais, enquanto que no Mundo natural são naturais]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_2|Capítulo 2- Há Graus do amor e da sabedoria e por conseguinte há Graus do calor e da luz, além dos Graus das atmosfera]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Há Graus de dois gêneros, Graus de altura e Graus de largura]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_4|Capítulo 4 - Os Graus de altura são homogêneos, e derivados um do outro em série como o fim, a causa e o efeito]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_5|Capítulo 5 - O primeiro Grau é tudo em todas as coisas dos Graus seguintes]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_6|Capítulos 6 - Todas as perfeições crescem e sobem com os Graus e segundo os Graus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_7|Capítulo 7 - Na Ordem sucessiva o primeiro Grau faz o supremo, e o terceiro o ínfimo; mas na Ordem simultânea o primeiro Grau faz o íntimo, e o terceiro o extimo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_8|Capítulo 8 - O último Grau é o complexo, o continente e a base dos graus anteriores]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_9|Capítulo 9 - Os Graus de altura em seu Último estão no pleno e na potência]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_10|Capítulo 10 - Os Graus de um de outro gênero estão nos muitos grandes e nos muito pequeno de todas as coisas que foram criadas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_11|Capítulo 11 - Os três Graus de altura são infinitos e incriados no Senhor, e estes três graus são criados e fínitos no homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_12|Capítulo 12 - Estes três Graus de altura estão em cada homem desde o nascimento; podem sucessivamente ser abertos e conforme são abertos, o homem está no Senhor, e o Senhor esta no homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_13|Capítulo 13 - a Luz espiritual influi pelos três Graus no homem, mas não o Calor espiritual, a não ser tanto quanto o homem foge dos males como pecados, e se volta para o Senhor]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_14|Capítulo 14 - O homem torna-se natural e sensual, se nele o Grau superior, que é o o espiritual, nao é aberto]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_15|Capítulo 15 - O Grau natural da mente humana, considerado em si mesmo, é continuo; mas pela correspondencia com os dois Graus superiores quando é elevado, se mostra discreto]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_16|Capítulo 16 - A mente natura, sendo o invólucro e o continete dos graus superiores da Mente humana, é reagente e se os graus superiors não são abertos contra eles, mas se são abertos, age com eles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_17|Capítulo 17 - O A Origem do mal vem do abuso das faculdades, próprias do homem, e são chamadas Racionalidade e Liberdade]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_18|Capítulo 18 - Os males e os falsos em todo oposto são contra os bens e os veros, porque os males e os falsos são diabólico e infernais, e os bens e os veros são Divinos e Celestes]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV|Parte IV - A Criação do Universo e os Usos]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_1|Capítulo 1 - A Natureza dos Usos]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_2|Capítulo 2 - O Homem como Microcosmo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_3|Capítulo 3 - Há Graus de dois gêneros, Graus de altura e Graus de largura]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V|Parte V - A Criação do Homem e as Correspondências]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_1|Capítulo 1 - Vontade e Entendimento]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_2|Capítulo 2 - A Correspondência do Coração e dos Pulmões]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_3|Capítulo 3 - O Processo de Purificação e Elevação]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_4|Capítulo 4 - O Primitivo do Homem]] [[A_Sabedoria_Angélica/Axiomas|Resumo dos Axiomas Principais]] 0cqeuh0m9cqyufbg7dw2areh6l8d5hf 589390 589377 2026-10-20T19:27:55Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 19 parte III 589390 wikitext text/x-wiki A Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria == Prefácio == ''A Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e a Divina Sabedoria'' constitui uma das obras fundamentais de Emanuel Swedenborg, visionário sueco do século XVIII cuja produção teológica revolucionou a compreensão das correspondências entre o mundo espiritual e o natural. Esta obra, fruto das experiências visionárias de Swedenborg e de seu profundo conhecimento das Escrituras Sagradas, apresenta uma exposição sistemática dos princípios divinos que estruturam toda a criação. A importância desta obra reside na sua capacidade de articular, de forma coerente e didática, a doutrina das correspondências — o princípio segundo o qual cada realidade natural reflete e representa realidades espirituais — aplicando-a à compreensão do Divino Amor e da Divina Sabedoria como fundamentos ontológicos de toda existência. Swedenborg demonstra como o conhecimento verdadeiro emerge não apenas da razão especulativa, mas da iluminação espiritual proporcionada pela abertura dos sentidos internos à percepção das realidades celestes. O presente Wikilivro organiza os ensinamentos de Swedenborg de forma progressiva e didática, preservando a fidelidade ao pensamento original enquanto facilita a compreensão do leitor contemporâneo. Os temas centrais abordados — a natureza do amor como vida, a forma humana divina, a estrutura dos graus, a criação segundo os usos e as correspondências entre corpo e alma — constituem os pilares da doutrina swedenborguiana. Ao estruturar esta obra em seções temáticas claramente delineadas, o Wikilivro busca oferecer um caminho de aprendizado que permite tanto ao estudioso iniciante quanto ao pesquisador avançado compreender a profundidade e coerência interna do sistema teológico de Swedenborg, facilitando a integração destes ensinamentos na vida espiritual e intelectual do leitor. == Introdução == A obra apresenta como tema central a revelação da natureza íntima do Divino através de dois atributos essenciais: o Amor e a Sabedoria. Swedenborg demonstra que o Amor não é meramente um sentimento passageiro, mas a própria substância da vida em todas as suas manifestações, enquanto a Sabedoria é a expressão e o veículo através do qual o Amor se realiza e se comunica. O Senhor, concebido como Homem Infinito, é simultaneamente a Vida em Si e a fonte de toda vida criada. Os anjos e os homens não possuem vida própria, mas são recipientes criados para recebê-la conforme sua capacidade de abertura ao influxo divino. A doutrina das correspondências — segundo a qual o mundo natural é um teatro representativo do mundo espiritual — permeia toda a exposição, revelando como cada fenômeno natural, cada estrutura orgânica e cada relação humana reflete verdades espirituais profundas. A compreensão desta correspondência universal torna-se, portanto, a chave para penetrar os mistérios da criação e da redenção. A obra desenvolve-se em progressão lógica e sistemática, partindo da natureza divina em si mesma, passando pela estrutura do mundo espiritual e seus princípios operantes, até alcançar a compreensão da criação do homem e sua destinação. Esta sequência permite que o leitor construa uma visão integrada e coerente da realidade espiritual, compreendendo não apenas conceitos isolados, mas as relações profundas que os unem. O objetivo do presente Wikilivro é organizar estes ensinamentos em estrutura clara e progressiva, permitindo que cada seção se edifique sobre as anteriores, facilitando assim a compreensão dos fundamentos da doutrina swedenborguiana e promovendo um aprendizado genuíno que transcenda a mera informação intelectual, alcançando a transformação espiritual do leitor. == Índice == [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I|Parte I - De Deus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_1|Capítulo 1 - O Amor é a Vida do Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_2|Capítulo 2 - Deus só, assim o Senhor, é o Amor mesmo, porque é a Vida mesma; e os anjos e os homens são os recipientes da vida. ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_3|Capítulo 3 - O Divino não está no Espaço]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_4|Capítulo 4 - Deus é o Homem Mesmo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_5|Capítulo 5 - O Ser e o Existir no Deus-Homem são distintamente um ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_6|Capítulo 6 - Em Deus-Homem os Infinitos são distintamente um]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_7|Capítulo 7 - Há um só Deus-Homem de Quem procedem todas as coisas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_8|Capítulo 8 - A Divina essência mesmo é o Amor e a Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_9|Capítulo 9 - O Divino Amor pertence à Divina Sabedoria, e a Divina Sabedoria pertence ao Divino Amor]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_10|Capítulo 10 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria são uma Substância e uma Forma]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_11|Capítulo 11 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria são a Substância em si e a Forma em Si, assim o Eu Mesmo e Único]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_12|Capítulo 12 - O Divino Amor e a Divina Sadeboria não podem senão ser e existir em outros criados por eles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_13|Capítulo 13 -Todas as coisas do Homem foram criadas pelo Divino Amor e pela Divina Sabedoria de Deus-Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_14|Capítulo 14 -Todas as coisas do Universo criado são recipientes do Divino Amor e da Divina Sabedoria de Deus-Homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_15|Capítulo 15 - Todas as coisas que foram criadas representam o homem em uma espécie de imagem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_16|Capítulo 16 - Os Usos de todas as coisas que foram criadas sobem por graus desde os últimos até ao homem e pelo homem até Deus Criador, a Quo ( de quem tudo procede) ]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_17|Capítulo 17 - O Divino enche todos os espaços do Universo sem espaço]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_18|Capítulo 18 -O Divino esta em toda tempo sem tempo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_I/Cap_19|Capítulo 19 - O Divino é o mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II|Parte II - Do Sol Espiritual]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_1|Capítulo 1 - O Divbino Amor e Divina Sabedoria aparecem no Mundo espiritual como Sol]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_2|Capítulo 2 - Do Sol, que existe pelo Divino Amor e a Divina Sabedoria,procedem um Calor e uma luz]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_3|Capítulo 3 - Este Sol nao é Deus, mas é o procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria do Deus-homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_4|Capítulo 4 - O Calor espiritual e a Luz espiritual procedente do Senhor comoSolfazem um]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_5|Capítulo 5 - O Sol do mundo espiritual aparece, a uma altura média, distante dos anjos, como o Sol do mundo natural aparece distante dos homens]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_6|Capítulo 6 - A Distância entre o Sol e os Anjos no Mundo espirtual é uma aparência segundo a recepção do Divino Amor e da divina Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_7|Capítulo 7 - Os Anjos estão no Senhor, e o Senhor estar nele;e como os Anjos são recipientes, o Senhor Só é o Céu]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_8|Capítulo 8 - No Mundo espiritual o Oriente está onde aparece o Senhor como Sol,e daí depende outras plagas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_9|Capítulo 9 - As Plagas no Mundo espiritual provêm, não do Senhor como Sol, mas dos Anjos segundo a recepção]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_10|Capítulo 10 - Os Anjos voltam continuamente sua face para o Senhor como Sol, e têm assim o sul à diteita, o sententrião à esquerda, e o ocidente atrás deles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_11|Capítulo 11 - Todas os interiores tanto da mente como do corpo dos Anjos foram voltados para o Senhor como Sol]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_12|Capítulo 12 - Cada Espírito qualquer que ele seja se volta semelhantemente para seu amor dominante]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_13|Capítulo 13 - O Divino Amor e a Divina Sabedoria que procedem do Senhor como Sol, e fazem o calor e a luz do Céu,são o Divino Procedente que é o Espirito Santo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_14|Capítulo 14 - O Senhor criou o Universo por meio do Sol, que é o primeiro procedente do Divino Amor e da Divina Sabedoria]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_15|Capítulo 15 - O Sol no mundo Natural é o puro fogo, e por consequência morto; e como a Natureza tem sua origem neste Sol, ela é morta]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_16|Capítulo 16 - Sem este dois Sóis, um vivo e outro morto, não há absolutamente criação]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_II/Cap_17|Capítulo 17 - Nos últimos existe o fim da criação que é , que todas as coisas retornem ao Criador, e que haja conjunção]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III|Parte III - Dos Graus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_1|Capítulo 1 - No Mundo espiritual há Atmosfera, Águas e Terras, como no Mundo Natural; porém elas são espirituais, enquanto que no Mundo natural são naturais]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_2|Capítulo 2- Há Graus do amor e da sabedoria e por conseguinte há Graus do calor e da luz, além dos Graus das atmosfera]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Há Graus de dois gêneros, Graus de altura e Graus de largura]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_4|Capítulo 4 - Os Graus de altura são homogêneos, e derivados um do outro em série como o fim, a causa e o efeito]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_5|Capítulo 5 - O primeiro Grau é tudo em todas as coisas dos Graus seguintes]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_6|Capítulos 6 - Todas as perfeições crescem e sobem com os Graus e segundo os Graus]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_7|Capítulo 7 - Na Ordem sucessiva o primeiro Grau faz o supremo, e o terceiro o ínfimo; mas na Ordem simultânea o primeiro Grau faz o íntimo, e o terceiro o extimo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_8|Capítulo 8 - O último Grau é o complexo, o continente e a base dos graus anteriores]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_9|Capítulo 9 - Os Graus de altura em seu Último estão no pleno e na potência]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_10|Capítulo 10 - Os Graus de um de outro gênero estão nos muitos grandes e nos muito pequeno de todas as coisas que foram criadas]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_11|Capítulo 11 - Os três Graus de altura são infinitos e incriados no Senhor, e estes três graus são criados e fínitos no homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_12|Capítulo 12 - Estes três Graus de altura estão em cada homem desde o nascimento; podem sucessivamente ser abertos e conforme são abertos, o homem está no Senhor, e o Senhor esta no homem]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_13|Capítulo 13 - a Luz espiritual influi pelos três Graus no homem, mas não o Calor espiritual, a não ser tanto quanto o homem foge dos males como pecados, e se volta para o Senhor]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_14|Capítulo 14 - O homem torna-se natural e sensual, se nele o Grau superior, que é o o espiritual, nao é aberto]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_15|Capítulo 15 - O Grau natural da mente humana, considerado em si mesmo, é continuo; mas pela correspondencia com os dois Graus superiores quando é elevado, se mostra discreto]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_16|Capítulo 16 - A mente natura, sendo o invólucro e o continete dos graus superiores da Mente humana, é reagente e se os graus superiors não são abertos contra eles, mas se são abertos, age com eles]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_17|Capítulo 17 - O A Origem do mal vem do abuso das faculdades, próprias do homem, e são chamadas Racionalidade e Liberdade]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_18|Capítulo 18 - Os males e os falsos em todo oposto são contra os bens e os veros, porque os males e os falsos são diabólico e infernais, e os bens e os veros são Divinos e Celestes]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_19|Capítulo 19 - Todas as coisas que pertencem aos três graus da mente Natural foram encerrados nas obras que se fazem pelos atos corpo]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV|Parte IV - A Criação do Universo e os Usos]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_1|Capítulo 1 - A Natureza dos Usos]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_2|Capítulo 2 - O Homem como Microcosmo]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_IV/Cap_3|Capítulo 3 - Há Graus de dois gêneros, Graus de altura e Graus de largura]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_III/Cap_3|Capítulo 3 - Ordem Sucessiva e Simultânea]] [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V|Parte V - A Criação do Homem e as Correspondências]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_1|Capítulo 1 - Vontade e Entendimento]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_2|Capítulo 2 - A Correspondência do Coração e dos Pulmões]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_3|Capítulo 3 - O Processo de Purificação e Elevação]] ** [[A_Sabedoria_Angélica/Parte_V/Cap_4|Capítulo 4 - O Primitivo do Homem]] [[A_Sabedoria_Angélica/Axiomas|Resumo dos Axiomas Principais]] 5ru3yleb37ty5img07bep7fw8g6uqqj A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 1 0 131613 589369 2026-10-20T16:17:55Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 1 Parte III 589369 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o mundo espiritual é descrito como semelhante ao mundo natural em sua estrutura geral, pois nele também existem atmosferas, águas e terras. A diferença essencial, segundo o autor, está na natureza dessas realidades: no mundo espiritual são espirituais, e no mundo natural são naturais. Este capítulo apresenta a exposição de Swedenborg sobre essas três realidades, que ele chama de "comuns", e sobre o papel que lhes atribui na existência de todas as coisas. '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender a analogia entre o mundo espiritual e o mundo natural, segundo Swedenborg. * Distinguir as atmosferas espirituais das atmosferas naturais. * Identificar a função atribuída às atmosferas, às águas e às terras. == Contexto teológico == Swedenborg apresenta a doutrina das atmosferas, águas e terras como uma consequência da correspondência entre os dois mundos. Segundo o texto, essa semelhança já havia sido exposta em obras anteriores, entre elas o ''Tratado do Céu e do Inferno''.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 173–178 }}</ref> == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Atmosferas espirituais''' || Substâncias discretas ou formas muito pequenas, originadas no Sol espiritual, que recebem o Divino Fogo (o Amor) e a Divina Luz (a Sabedoria) e os transportam aos Céus. |- | '''Atmosferas naturais''' || Substâncias discretas ou formas muito pequenas, originadas no Sol do mundo natural, que recebem o fogo e a luz desse sol, os temperam e os transmitem como calor e luz à terra. |- | '''Éteres e ares''' || Nomes dados às atmosferas. O ar é a última atmosfera e é o meio da respiração, da fala e da audição. |- | '''Forças ativas, médias e passivas''' || Expressões que designam, respectivamente, as atmosferas, as águas e as terras. |} == Exposição do texto == === Semelhança entre os dois mundos (n. 173) === Swedenborg afirma que o mundo espiritual e o mundo natural são semelhantes. A única diferença é que tudo o que há no mundo espiritual é espiritual, e tudo o que há no mundo natural é natural. Por essa semelhança, ambos possuem atmosferas, águas e terras, que são os elementos comuns pelos quais todas as coisas existem em variedade infinita. === Atmosferas, éteres e ares (n. 174) === Segundo o texto, as atmosferas (chamadas éteres e ares) são semelhantes nos dois mundos, diferindo apenas por sua natureza. Nos Céus, as atmosferas espirituais recebem o Sol espiritual, que é a origem do Divino Amor e da Divina Sabedoria. Por isso, elas são espirituais. Já as atmosferas naturais têm origem no Sol do mundo natural e recebem o calor e a luz desse sol. === Diferença entre atmosferas espirituais e naturais (n. 175) === Nesse número, Swedenborg distingue as duas espécies de atmosferas. As espirituais são receptáculos do Divino Fogo e da Divina Luz, isto é, do Amor e da Sabedoria. As naturais recebem o fogo e a luz de seu sol, que, segundo o autor, é morto em si mesmo. Por isso, as atmosferas naturais não contêm interiormente nada do Sol do mundo espiritual, embora sejam envolvidas pelas atmosferas espirituais. O texto indica que essa distinção é um tema da ''Sabedoria Angélica''. === Evidências da existência de atmosferas no mundo espiritual (n. 176) === Swedenborg apresenta quatro razões para afirmar que há atmosferas no mundo espiritual: # Os anjos e os espíritos respiram, falam e ouvem como os seres humanos, e esses processos se realizam por meio do ar. # Eles veem como os seres humanos, e a visão só é possível por uma atmosfera mais pura que o ar. # Eles pensam e são afetados como os seres humanos, e o pensamento e a afeição só são possíveis por meio de atmosferas ainda mais puras. # Todas as partes do corpo dos anjos e dos espíritos são contidas em um vínculo: as externas por atmosferas aéreas e as internas por atmosferas etéreas. Sem a pressão dessas atmosferas, as formas interiores e exteriores do corpo se dispersariam. Como os anjos são espirituais, essas atmosferas também devem ser espirituais, pois têm origem no Sol espiritual. === Águas e terras (n. 177) === Segundo Swedenborg, o mundo espiritual também possui águas e terras, que são espirituais. Elas são postas em ação e modificadas pelo calor e pela luz do Sol espiritual, por meio das atmosferas que dele provêm. No mundo natural, o mesmo processo ocorre com as águas e as terras, pelo calor e pela luz do sol natural, por meio das atmosferas naturais. === Função dos três "comuns" (n. 178) === O autor explica que atmosferas, águas e terras são tratadas em conjunto porque constituem os comuns pelos quais todas as coisas existem em variedade infinita. Nessa leitura, as atmosferas são as forças ativas, as águas são as forças médias e as terras são as forças passivas, pelas quais se produzem todos os efeitos. Segundo o texto, essas três forças só existem nessa sucessão porque recebem vida do Senhor, representado como Sol, que as torna ativas. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a correspondência entre os mundos espiritual e natural permite compreender a natureza material como expressão de realidades espirituais. Por isso, a teoria das atmosferas, águas e terras é apresentada como uma explicação de como a vida e as qualidades espirituais se transmitem aos níveis inferiores da criação. Essa leitura é atribuída à teologia de Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não corresponde a um consenso da física ou da ciência natural. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que sentido a ideia de "forças ativas, médias e passivas" pode ser comparada a outras formas de descrever a causalidade na história da filosofia? * Como a distinção entre "espiritual" e "natural" se relaciona com a noção de correspondência usada por Swedenborg? == Questões de estudo == # Quais são as semelhanças e as diferenças entre as atmosferas espirituais e as naturais, segundo o n. 175? # Quais são os quatro argumentos apresentados no n. 176 para sustentar a existência de atmosferas no mundo espiritual? # Qual é a função das atmosferas, das águas e das terras na existência das coisas, segundo o n. 178? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] 3419ewa0hum6kf7rsd192mil61cmbns A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 2 0 131614 589370 2026-10-20T16:26:24Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o caqpitulo 2 parte III 589370 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o amor e a sabedoria apresentam-se em graus, e a estes correspondem graus de calor e de luz espirituais. Segundo o autor, os graus também se manifestam nas atmosferas, que são os receptáculos desse calor e dessa luz. Este capítulo expõe a noção de grau, tal como Swedenborg a aplica aos anjos dos céus superiores e inferiores, e mostra como ele relaciona essa noção à experiência do mundo espiritual. '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender o conceito de "grau" na doutrina swedenborgiana. * Relacionar os graus do amor e da sabedoria aos graus do calor e da luz. * Explicar por que as atmosferas são classificadas por graus. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Graus''' || Distinções de elevação e de perfeição presentes em todas as coisas criadas. Segundo o texto, sem o conhecimento dos graus não se compreende o restante da doutrina. |- | '''Amor e sabedoria''' || Os dois constituintes essenciais do ser de cada anjo. O amor unido à sabedoria constitui o homem em sua forma. |- | '''Calor espiritual''' || O correspondente, no mundo espiritual, ao amor. Sua intensidade acompanha a do amor. |- | '''Luz espiritual''' || O correspondente, no mundo espiritual, à sabedoria. Sua intensidade acompanha a da sabedoria. |- | '''Vero''' || Termo usado na tradução portuguesa para designar a verdade apreendida pelo pensamento. |} == Exposição do texto == === Graus do amor e da sabedoria (n. 179) === Swedenborg afirma que há graus em todas as coisas criadas e em toda forma, e que o assunto deve ser compreendido antes do restante da doutrina. Segundo o texto, os anjos do terceiro céu superam em amor e em sabedoria os anjos do segundo céu, e estes superam os do último céu, a ponto de não poderem estar juntos. Os graus distinguem e separam os anjos de cada céu, de modo que os anjos dos céus inferiores não podem subir aos superiores. Quando lhes é permitido subir, não percebem os anjos superiores nem o que está com eles, porque o amor e a sabedoria destes ultrapassam a percepção dos inferiores. Swedenborg relata ter observado algumas vezes anjos do último céu subindo ao terceiro. Ao chegarem com esforço, queixavam-se de não ver ninguém, embora estivessem no meio deles. Em seguida, foram informados de que esses anjos não eram visíveis porque o amor e a sabedoria dos superiores não eram perceptíveis para eles. === Graus na comparação com o amor e a sabedoria humanos (n. 180) === Segundo o autor, os graus também se revelam na comparação entre o amor e a sabedoria dos anjos e os dos seres humanos. A sabedoria angélica é, em relação à humana, indizível. Para o homem que se encontra em um amor natural, ela chega a ser incompreensível. Swedenborg explica que essa inefabilidade decorre de a sabedoria angélica estar em um grau superior. === Graus do calor e da luz (n. 181) === Como há graus de amor e de sabedoria, há também graus de calor e de luz. O texto emprega esses termos no sentido espiritual, tal como existem entre os anjos nos céus e, de modo análogo, nos interiores da mente humana. Nos céus, quanto maior o amor, maior o calor; do mesmo modo, quanto maior a sabedoria, maior a luz. Isso ocorre porque o amor está no calor e a sabedoria está na luz. Entre os seres humanos, a relação é semelhante, mas com uma diferença: os anjos sentem esse calor e veem essa luz, ao passo que o ser humano, enquanto está no calor e na luz naturais, sente o calor espiritual apenas como uma espécie de prazer do amor e percebe a luz espiritual apenas pela percepção do vero. Como o homem nada sabe do calor e da luz espirituais em si enquanto permanece no natural, Swedenborg afirma que o assunto só pode ser conhecido pela experiência no mundo espiritual. Por isso, o texto se concentra no calor e na luz dos anjos e de seus céus. === Descrição da luz e do calor espirituais (n. 182) === Swedenborg distingue entre a descrição do calor e a da luz. Segundo o texto, os graus do calor espiritual não podem ser descritos pela experiência, pois o amor a que o calor corresponde não se submete às ideias do pensamento. Já os graus da luz podem ser descritos, porque a luz cai sob o pensamento. Pelos graus da luz, afirma o autor, é possível compreender os graus do calor, pois ambos estão em grau semelhante. Ao descrever a luz dos anjos dos céus superiores, Swedenborg relata que ela é de uma brancura tão resplandecente que não pode ser comparada à da neve e de um brilho que excede o do sol terrestre. Afirma que essa luz ultrapassa muitas vezes a luz do meio-dia na terra. A luz dos anjos dos céus inferiores, por sua vez, pode ser descrita por comparações, embora também supere a luz mais intensa do mundo natural. Segundo o autor, a luz dos céus superiores é inefável porque faz um com a sabedoria, que, em relação à sabedoria humana, também é inefável. === Graus das atmosferas (n. 183) === Se as atmosferas são receptáculos e continentes do calor e da luz, conclui Swedenborg, há tantos graus de atmosferas quantos há de calor e de luz, e, portanto, quantos há de amor e de sabedoria. O autor afirma ter observado essa diferenciação por graus em grande número de experiências no mundo espiritual. Uma delas mostra que os anjos dos céus inferiores não conseguem respirar na região dos anjos superiores: ficam ofegantes, como seres vivos retirados do ar e levados ao éter, ou como animais aquáticos expostos ao ar. Os espíritos situados abaixo dos céus aparecem envoltos em um nevoeiro espesso. O texto remete, para a mesma ideia, ao número 176. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, o conceito de grau organiza a relação entre o amor, a sabedoria, o calor, a luz e as atmosferas. Assim, a diferença entre os céus não é apenas de lugar, mas também de estado de amor e de sabedoria. Esse modelo é atribuído a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e as descrições da luz e do calor baseiam-se, segundo o próprio autor, em relatos de experiências no mundo espiritual. Trata-se, portanto, de uma construção teológica e fenomenológica, não de uma teoria verificada pelas ciências naturais. == Aplicações e questões de reflexão == * De que maneira a ideia de graus, como a apresentada por Swedenborg, se compara a outras concepções de hierarquia do ser na história da filosofia e da teologia? * Em que sentido a relação entre amor e calor, e entre sabedoria e luz, pode ser entendida como uma metáfora, e em que ponto ela se torna uma afirmação doutrinária? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 179, os anjos dos céus inferiores não percebem os superiores? # Quais são as diferenças entre o modo como anjos e seres humanos percebem o calor e a luz espirituais, segundo o n. 181? # Por que, segundo o n. 182, os graus da luz podem ser descritos, mas os graus do calor não? # Como o n. 183 relaciona os graus das atmosferas aos graus do amor e da sabedoria? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] cyub1p3o7zxcy948bdo8y8wxyntzpzh A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 3 0 131615 589371 2026-10-20T16:34:34Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 4 parte III 589371 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], os graus constituem uma chave para compreender as causas das coisas. Segundo o autor, há dois gêneros de graus: os **graus discretos**, chamados de altura, e os **graus contínuos**, chamados de largura. Sem o conhecimento de ambos, afirma Swedenborg, não é possível penetrar nas causas nem compreender a diferença entre os céus, entre o espiritual e o natural, ou entre os estados da mente humana. Este capítulo apresenta essa distinção e a importância que o autor lhe atribui. '''Objetivos de aprendizagem''' * Distinguir os graus discretos (de altura) dos graus contínuos (de largura). * Compreender por que, segundo Swedenborg, o conhecimento das causas depende da noção de grau. * Relacionar os graus à estrutura dos céus e à mente humana. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Graus discretos (de altura)''' || Níveis distintos, em que o anterior, o posterior e o último são cada um por si, mas formam um conjunto. Correspondem a causa, meio e efeito, ou ao fim, à causa e ao efeito. |- | '''Graus contínuos (de largura)''' || Variações graduais e ininterruptas, como a passagem da luz à sombra ou do calor ao frio. |- | '''Influxo''' || Ação que procede do Senhor pelos céus, em ordem, até os níveis inferiores. |- | '''Causa e efeito''' || Na leitura do autor, a causa pertence ao grau discreto, e o efeito pode ser observado no grau contínuo. |} == Exposição do texto == === Os dois gêneros de graus (n. 184) === Swedenborg afirma que a ciência dos graus funciona como uma chave para abrir as causas das coisas. Sem ela, objetos e sujeitos dos dois mundos aparecem de forma unívoca, como se contivessem apenas o que o olho percebe. Os interiores ocultos, segundo o autor, só podem ser descobertos se os graus forem conhecidos, porque os exteriores conduzem aos interiores, e estes aos íntimos, por graus discretos e não por graus contínuos. O autor define os graus contínuos como diminuições ou acréscimos graduais, do mais espesso ao mais delgado ou do mais denso ao mais rarefeito. Os graus discretos, por sua vez, são distintos: o anterior, o posterior e o último existem cada um por si, mas, tomados em conjunto, formam uma unidade. As atmosferas, desde o Sol até a terra, são distinguidas segundo esses graus discretos, que Swedenborg chama de graus de altura. Os graus contínuos são chamados de graus de largura. === Coexistência dos dois graus (n. 185) === Segundo o texto, todas as coisas existentes nos mundos espiritual e natural coexistem segundo os dois tipos de graus. A dimensão formada pelos graus discretos é chamada altura; a formada pelos graus contínuos, largura. A posição em relação à vista não altera essa denominação. Swedenborg enumera diversos âmbitos que, segundo ele, não podem ser compreendidos sem esse conhecimento: a diferença entre os três céus, entre o amor e a sabedoria dos anjos, entre o calor e a luz em que eles estão, e entre as atmosferas que os cercam. Também inclui a diferença entre as faculdades interiores da mente humana, seus estados de reforma e regeneração, a correspondência entre o espiritual e o natural, e a distinção entre homens e animais. Para o autor, quem ignora os graus vê apenas os efeitos e julga as causas por eles, o que pode produzir erros. Como a causa e o efeito são coisas diferentes, o efeito não é produzido de forma contínua, mas discreta. === Os céus angélicos como exemplo (n. 186) === Para ilustrar a diferença, Swedenborg recorre aos três céus angélicos. Eles se distinguem por graus de altura, um abaixo do outro, e comunicam-se apenas pelo influxo que desce do Senhor, e não em sentido inverso. Dentro de cada céu, porém, a distinção se dá por graus de largura: os que estão no centro se encontram na luz da sabedoria, e os que estão na periferia, na sombra. Assim, a sabedoria decresce até a ignorância como a luz decresce até a sombra. O autor aplica o mesmo raciocínio ao ser humano. Os interiores da mente humana também se distribuem em graus discretos, dispostos um acima do outro, e o homem pode estar no grau ínfimo, no superior ou no supremo, conforme sua sabedoria. Quando o homem está apenas no grau ínfimo, os graus superiores permanecem fechados e se abrem à medida que ele recebe a sabedoria do Senhor. Swedenborg conclui que o homem é, quanto aos interiores da mente, um céu em forma menor, remetendo para essa afirmação ao ''Céu e Inferno'', nn. 51 a 58. === Consequências do desconhecimento dos graus (n. 187) === Segundo Swedenborg, quem desconhece os graus discretos não pode compreender o estado de reforma e regeneração do homem, que se realiza pela recepção do amor e da sabedoria procedentes do Senhor. Também não entende o influxo que vem do Senhor pelos céus nem a ordem em que as coisas foram criadas. Quem pensa segundo os graus contínuos vê apenas efeitos e nada vê das causas. Para o autor, ver apenas os efeitos é ver por meio de ilusões, o que pode levar a erros sucessivos e, por acúmulo de induções, a falsidades tomadas por verdades. === Finalidade do exame dos graus (n. 188) === Swedenborg afirma que, até o momento em que escreve, não se conheciam os graus discretos, apenas os contínuos. Como nenhuma causa pode ser mostrada em sua verdade sem o conhecimento de ambos os gêneros, ele diz tratar deles nesta terceira parte da obra. O propósito declarado é desvendar as causas, de modo que as trevas sobre Deus, sobre o Senhor e sobre os divinos chamados espirituais sejam dissipadas. O autor relata ainda que os anjos lamentam essas trevas, pois os homens se apegam avidamente às ilusões e as confirmam com falsidades. Segundo o texto, as principais queixas dos anjos recaem sobre a fé separada da caridade, a justificação por essa fé, as ideias sobre Deus, os anjos e os espíritos, e a ignorância sobre o que são o amor e a sabedoria. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a distinção entre graus de altura e graus de largura organiza a compreensão da causa, do efeito e da ordem das coisas. Segundo essa leitura, a diferença entre os céus e entre os estados humanos é de natureza discreta, enquanto a variação dentro de cada nível é contínua. Essa tese é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não se confunde com uma teoria verificada pelas ciências naturais. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a distinção entre causa e efeito, tal como apresentada no texto, se aproxima ou se afasta de outras teorias da causalidade na história da filosofia? * Como a ideia de graus discretos pode ser comparada a outras concepções de níveis de desenvolvimento, na psicologia ou na pedagogia? == Questões de estudo == # Qual é a diferença entre graus discretos e graus contínuos, segundo o n. 184? # Por que, segundo o n. 185, o conhecimento dos graus é necessário para compreender a diferença entre os céus? # Como o n. 186 utiliza os céus angélicos para ilustrar a distinção entre os dois tipos de graus? # Quais são as consequências, segundo o n. 187, de pensar apenas segundo os graus contínuos? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] 39u71nc28muttaqu86ccbot3qywu18t A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 4 0 131616 589372 2026-10-20T16:40:30Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 4 parte III 589372 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], os graus de altura (discretos) são o tema central para compreender as causas. Esta seção do texto retoma a distinção entre graus de largura (contínuos), conhecidos pela experiência sensível, e graus de altura, que não se percebem diretamente e exigem a razão para serem reconhecidos. Segundo o autor, esses graus são homogêneos entre si e se relacionam em série, como o fim, a causa e o efeito.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 189–194 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Distinguir os graus de altura dos graus de largura, segundo a exposição de Swedenborg. * Compreender o que significa dizer que os graus são homogêneos. * Reconhecer a relação entre fim, causa e efeito na série dos graus discretos. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Graus de altura (discretos)''' || Níveis distintos, em que cada grau existe por si, mas que se relacionam em série como fim, causa e efeito. |- | '''Graus de largura (contínuos)''' || Variações graduais, como da luz à sombra, do quente ao frio ou do denso ao rarefeito. |- | '''Homogêneos''' || Graus do mesmo caráter e da mesma natureza, que se relacionam entre si. Coisas heterogêneas não formam graus discretos umas com as outras. |- | '''Composto''' || Conjunto formado pela reunião de partes menores, que por sua vez se reúnem em partes maiores. |- | '''Invólucro''' || Envoltório próprio de cada grau. O conjunto dos graus é envolvido por um invólucro comum. |} == Exposição do texto == === Graus de largura e graus de altura (n. 189) === Segundo Swedenborg, os graus de largura são conhecidos pela experiência dos sentidos e dos olhos. Já os graus de altura não se percebem dessa forma, por isso o autor se concentra neles, pois sem eles não é possível ver as causas. O fim, a causa e o efeito se sucedem em ordem, como o anterior, o posterior e o último, e o fim produz a causa, e a causa produz o efeito. O autor observa, porém, que saber essas relações de modo abstrato não basta. Um conhecimento apenas teórico, tirado da metafísica, permanece apenas enquanto está no pensamento. Para se tornar compreensão, ele precisa ser aplicado às coisas existentes no mundo. === Exemplos no corpo humano, no reino vegetal e no reino mineral (n. 190) === Para ilustrar os graus de altura, Swedenborg apresenta exemplos de composição: * **Músculo:** formado por fibras muito pequenas, que se reúnem em fibras maiores, chamadas motrizes. Estas, reunidas em feixes, compõem o músculo. * **Nervo:** fibras muito pequenas formam outras maiores, que se apresentam como filamentos. A reunião desses filamentos forma o nervo. * **Órgãos e vísceras:** compostos de fibras e vasos dispostos segundo graus semelhantes. * **Reino vegetal e reino mineral:** nas madeiras, há conjuntos de filamentos em ordem tríplice. Nos metais e nas pedras, há grupos de partes também em ordem tríplice. Segundo o autor, esses exemplos mostram que cada grau se distingue do outro e que, de uma coisa, surge outra, e dessa uma terceira, que se chama composto. === Aplicação aos objetos invisíveis (n. 191) === Swedenborg sustenta que o que se conclui sobre os objetos visíveis vale também para os que não se mostram aos olhos. Entre eles estão as substâncias orgânicas, receptáculos dos pensamentos e das afeições no cérebro; as atmosferas; o calor e a luz; e, por fim, o amor e a sabedoria. Segundo o texto, as atmosferas são os receptáculos e os continentes do calor e da luz, e estes são os receptáculos do amor e da sabedoria. Por isso, se há graus de atmosferas, há também graus correspondentes de calor, de luz, de amor e de sabedoria, pois não há entre eles outra relação além dessa. === Homogeneidade dos graus (n. 192) === Para o autor, os graus são homogêneos porque pertencem ao mesmo caráter e à mesma natureza. Ele dá como exemplos as fibras motrizes dos músculos, as fibras nervosas, os filamentos lenhosos, as partes pedregosas e metálicas, as substâncias orgânicas do cérebro, as atmosferas, os graus do calor e da luz e os graus do amor e da sabedoria. Coisas que não compartilham esse caráter são heterogêneas e não podem formar graus discretos com as homogêneas. Elas só se relacionam com outras da mesma natureza. === Ordem em série (n. 193) === Swedenborg afirma que essas coisas estão em ordem, como fins, causas e efeitos. O primeiro, que é o menor, realiza sua causa por meio do médio e seu efeito por meio do último. === Invólucros e conjunção dos graus (n. 194) === Segundo o texto, cada grau se distingue dos outros por invólucros próprios, e todos os graus, em conjunto, são envolvidos por um invólucro comum. Esse invólucro comunica-se com os interiores e os íntimos, em sua ordem. Desse modo, explica o autor, surgem a conjunção de todos os graus e a ação unânime. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a noção de graus de altura organiza a relação entre causa, efeito e ordem das coisas, do mundo natural ao espiritual. Segundo essa tese, a série de graus discretos explica como o que é superior produz o que é inferior, e não apenas como uma sucessão de eventos. Essa explicação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja. Trata-se de uma construção metafísica e teológica, que não é verificada pelos métodos das ciências naturais. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a distinção entre graus de altura e graus de largura se aproxima ou se afasta da distinção entre causa final, causa eficiente e efeito na filosofia de Aristóteles? * Como o exemplo do músculo e do nervo, com fibras que se reúnem em conjuntos maiores, pode ser lido como exemplo de composição hierárquica em outras áreas do saber? == Questões de estudo == # Qual é a diferença entre graus de altura e graus de largura, segundo o n. 189? # Por que, segundo o n. 190, a composição do músculo e do nervo ilustra os graus discretos? # O que significa, segundo o n. 192, dizer que os graus são homogêneos? # Qual é o papel do invólucro comum, segundo o n. 194? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] jjc6fm3ahzgojgbmuwpzhu428ugxl8f 589375 589372 2026-10-20T17:50:36Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Limpou toda a página 589375 wikitext text/x-wiki phoiac9h4m842xq45sp7s6u21eteeq1 589376 589375 2026-10-20T17:55:14Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capituo 7 parte III 589376 wikitext text/x-wiki [[../Capítulo_anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_seguinte|Próximo capítulo →]]<br /> [[../|Retornar ao sumário]] = Ordem sucessiva e ordem simultânea dos graus segundo Swedenborg = Este capítulo expõe a distinção, feita por Swedenborg, entre a ordem sucessiva e a ordem simultânea dos graus de altura. O texto de base é ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (§§ 205–208).<ref name="ADS">{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |páginas=§§ 205–208}}</ref> == Introdução == Nos escritos de Swedenborg, os graus de altura (discretos) organizam os seres em níveis distintos. Esses níveis podem ser considerados de duas maneiras: como uma sequência que vai do alto ao baixo, ou como um conjunto de partes que se dispõem em torno de um centro. === Objetivos de aprendizagem === * Diferenciar a '''ordem sucessiva''' da '''ordem simultânea''' dos graus. * Compreender a correspondência entre supremo, médio e ínfimo e íntimo, médio e extimo. * Relacionar essa doutrina ao sentido de interior e exterior na Palavra, segundo a tradição swedenborgiana. == Conceitos-chave e terminologia == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição (segundo a doutrina swedenborgiana) |- | '''Graus discretos (de altura)''' || Níveis distintos, ordenados por fim, causa e efeito, ou por anterior, posterior e último. |- | '''Ordem sucessiva''' || Disposição dos graus do supremo ao ínfimo, ou do alto ao baixo. |- | '''Ordem simultânea''' || Disposição dos graus em conjunto, em que o supremo fica no íntimo, o médio no meio e o ínfimo no contorno. |- | '''Íntimo''' || Parte mais interior, mais simples e mais perfeita de um todo. |- | '''Extimo''' || Parte mais externa de um todo, formada pelas partes compostas e, por isso, mais grosseira. Corresponde ao termo "externo". |} == Exposição do texto == === A ordem sucessiva (§205) === Segundo Swedenborg, os Céus angélicos estão dispostos na ordem sucessiva: o terceiro Céu é o supremo, o segundo é o médio e o primeiro é o ínfimo. Nessa mesma ordem se encontram os estados do amor e da sabedoria nos anjos, os do calor e da luz, e as atmosferas espirituais. O autor compara essa ordem a uma coluna com três degraus. No degrau mais alto há coisas muito perfeitas e belas, no do meio, coisas menos perfeitas, e no mais baixo, coisas ainda menos perfeitas.<ref name="ADS" /> === A ordem simultânea (§205) === A ordem simultânea tem outra aparência. Nela, os graus superiores da ordem sucessiva ficam no íntimo, os inferiores no meio e os ínfimos no contorno. Swedenborg a compara a um sólido formado por esses três graus, em cujo centro estão as partes mais sutis, em torno delas as menos sutis, e nas extremidades as partes compostas, mais grosseiras. Para ilustrar, o texto imagina a coluna anterior achatada sobre um plano, de modo que o supremo se torne o íntimo, o médio, o meio, e o ínfimo, o extremo. === Correspondência entre interior e superior (§206) === Segundo o texto, como o supremo da ordem sucessiva se torna o íntimo da ordem simultânea, e o ínfimo se torna o extimo, na Palavra o superior significa o interior, e o inferior significa o exterior. O mesmo vale para o alto e o baixo, e também para o elevado e o profundo. === Graus discretos nas partes do corpo e da natureza (§207) === Swedenborg afirma que todo último, isto é, todo composto natural, apresenta graus discretos em ordem simultânea. Ele cita como exemplos as fibras motoras dos músculos, as fibras dos nervos, as fibras e os pequenos vasos das vísceras e dos órgãos, além das sementes, dos frutos, dos metais e das pedras. Em todos esses casos, as partes mais simples, que são as mais perfeitas, estão no íntimo, e o composto delas forma o extimo. === Graus em todo efeito (§208) === Segundo o autor, há graus semelhantes em todo último ou efeito, pois todo último se compõe de anteriores, e estes de seus primeiros. Assim, o efeito se compõe da causa, e a causa do fim, de modo que o fim está em tudo na causa e a causa está em tudo no efeito. Nessa correspondência, o fim faz o íntimo, a causa o meio e o efeito o último. Swedenborg indica que o mesmo se dá com os graus do amor e da sabedoria, do calor e da luz, e com as formas orgânicas das afeições e dos pensamentos. Ele remete, ainda, à sua ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada'' (n. 38) para a exposição dessa série de graus. == Análise teológica == Na tradição swedenborgiana, a distinção entre ordem sucessiva e ordem simultânea serve para interpretar a Palavra. Segundo essa leitura, o sentido interior das expressões bíblicas corresponde ao que é superior e mais perfeito, enquanto o sentido exterior corresponde ao que é inferior. Trata-se de uma interpretação atribuída a Swedenborg e à sua tradição, e não de um consenso filosófico ou científico. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que sentido a imagem da coluna achatada ajuda a compreender a relação entre o interior e o exterior de um todo? * Como a relação entre causa e efeito, descrita em §208, pode ser comparada à relação entre fim e resultado em uma ação humana? == Questões de estudo == # Qual é a diferença entre a ordem sucessiva e a ordem simultânea dos graus? # Segundo §206, o que significa, na Palavra, o superior e o inferior? # Por que, segundo §207, as partes mais simples são consideradas as mais perfeitas? # Como §208 relaciona fim, causa e efeito aos graus de um todo? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (1763). * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada'' (n. 38). == Ver também == * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] * [[Doutrina da Correspondência]] * [[Regeneração]] == Referências == <references /> p68wvvjdfn0ec2j1ibu2dv36pcnr7j1 A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 5 0 131617 589373 2026-10-20T16:44:55Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 5 parte III 589373 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o primeiro grau é apresentado como o princípio que está presente em todos os graus seguintes. Segundo o autor, cada grau é homogêneo ao anterior porque foi produzido por ele, de modo que o primeiro grau "é tudo em todas as coisas" dos graus que se seguem. Essa afirmação conduz à ideia de uma substância única, da qual procedem todas as coisas criadas. Este capítulo expõe essa tese e a forma como Swedenborg a relaciona ao Divino Amor e à Divina Sabedoria.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 195–198 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, o primeiro grau está presente em todos os graus seguintes. * Entender a distinção entre os graus das substâncias e a locução abstrata "pelos graus". * Reconhecer a relação entre fim, causa e efeito e a ideia de substância única. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Primeiro grau''' || O grau principal, a partir do qual se formam os graus seguintes. Segundo o texto, ele reina unicamente nos graus posteriores. |- | '''Fim, causa e efeito''' || Os três termos de uma mesma série. O fim se realiza na causa, e a causa, no efeito. Também são chamados fim primeiro, fim médio e fim último. |- | '''Causatum''' || Termo latino usado no texto para designar o resultado produzido por uma causa. |- | '''Substância em si''' || A substância única, da qual procedem todas as coisas criadas. Segundo o autor, é o Divino. |- | '''Forma em si''' || A forma própria do Divino Amor e da Divina Sabedoria, que, com a substância, constitui o Ser divino. |} == Exposição do texto == === Homogeneidade e origem dos graus (n. 195) === Swedenborg afirma que os graus de cada sujeito e de cada coisa são homogêneos porque foram produzidos pelo primeiro grau. Essa formação ocorre por meio de feixes, grupos ou reuniões: o primeiro produz o segundo, e este produz o terceiro. Cada grau se separa do outro por um invólucro que o envolve. Disso decorre, segundo o autor, que o primeiro grau é o principal e o que reina nos graus seguintes. Por isso, o primeiro grau é tudo em todas as coisas dos graus posteriores. === Os graus das substâncias (n. 196) === Segundo o texto, a tese dos graus, enunciada entre os graus entre si, deve ser entendida também como uma tese sobre as substâncias em seus graus. A expressão "pelos graus" é uma locução abstrata e universal. Por isso, pode ser aplicada a qualquer sujeito ou coisa que esteja nessa espécie de graus. === Aplicação a diferentes realidades (n. 197) === Swedenborg aplica o princípio a todas as realidades mencionadas no artigo anterior: músculos, nervos, matérias e partes dos reinos vegetal e mineral, as substâncias orgânicas que sustentam os pensamentos e as afeições no ser humano, as atmosferas, o calor, a luz, o amor e a sabedoria. Em todas elas, há um primeiro que reina nos seguintes e é, nesses, o único. O autor recorre a uma observação de ordem geral: o fim é, de certo modo, tudo na causa, e a causa é, de certo modo, tudo no efeito. Por isso, o fim, a causa e o efeito são chamados fim primeiro, fim médio e fim último. Segundo o texto, nas causas nada é essencial além do fim, e no movimento nada é essencial além do esforço. Por fim, o autor afirma que existe uma substância única, que é a substância em si. === O Divino como substância única (n. 198) === Com base no que foi exposto, Swedenborg conclui que o Divino é a substância em si, ou a única e só substância, da qual procedem todas as coisas criadas. Nesse sentido, Deus é tudo em todas as coisas do universo, conforme o autor declara ter demonstrado na Primeira Parte da obra. O texto remete, para essa demonstração, aos números 40 a 43 (o Divino Amor e a Divina Sabedoria como uma substância e uma forma), 44 a 46 (o Divino Amor e a Divina Sabedoria como substância e forma em si, o Eu mesmo e o único), 52 a 60 (a criação de todas as coisas pelo Divino Amor e pela Divina Sabedoria), 61 a 63 (o universo criado como imagem do Senhor) e 113 a 118 (o Senhor como Céu, onde estão os anjos). == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese do primeiro grau une a noção de graus discretos à ideia de substância única. Segundo essa leitura, o Divino é a origem de todas as coisas, e os graus inferiores só existem enquanto procedem do primeiro grau. Essa formulação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja. Trata-se de uma tese metafísica e teológica, que não é verificada pelos métodos das ciências naturais. Por isso, a comparação com outras doutrinas de substância única, como as de filósofos do racionalismo moderno, exige atenção às diferenças de terminologia e de pressupostos. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a ideia de que "o primeiro grau é tudo em todas as coisas" se aproxima ou se afasta da noção de princípio em outras tradições filosóficas? * Como a relação entre fim, causa e efeito, apresentada por Swedenborg, pode ser comparada à distinção entre causa final e causa eficiente? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 195, o primeiro grau é tudo nos graus seguintes? # O que significa, segundo o n. 196, dizer que a tese dos graus se aplica às substâncias? # Quais realidades, segundo o n. 197, estão submetidas ao princípio do primeiro grau? # Como o n. 198 relaciona o Divino à substância única e à criação? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] 8gy0oifnyrl15d9qv1bhh73ny9gv8q2 A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 6 0 131618 589374 2026-10-20T17:45:35Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Crei o capitulo 6 parte III 589374 wikitext text/x-wiki {{Navegação}} [[../Capítulo_anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_seguinte|Próximo capítulo →]]<br /> [[../|Retornar ao sumário]] = Perfeições, graus e a ordem dos Céus segundo Swedenborg = Este capítulo apresenta a doutrina, exposta por Swedenborg, de que as perfeições crescem e sobem conforme os graus. O texto de base é ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (§§ 199–204).<ref name="ADS">{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |páginas=§§ 199–204}}</ref> == Introdução == Nos escritos de Swedenborg, a noção de "grau" organiza a realidade em níveis. Segundo a doutrina swedenborgiana, a vida, as forças e as formas possuem perfeição que se eleva de nível em nível, e não apenas por acréscimo de quantidade. Nos Céus, essa ordem se revela na diferença entre os tipos de pensamento dos anjos. Esta seção também resume a relação que Swedenborg estabelece entre a estrutura do Mundo espiritual e a do homem, cuja mente é descrita como semelhante ao Céu quanto à forma. === Objetivos de aprendizagem === * Distinguir os '''graus de largura''' (contínuos) dos '''graus de altura''' (discretos). * Compreender como, segundo Swedenborg, a perfeição da vida, das forças e das formas se relaciona com os graus. * Identificar a correspondência entre os três Céus e os tipos de pensamento descritos na obra. == Contexto teológico == O trecho retoma a doutrina dos graus já exposta anteriormente na mesma obra (§§ 184–188). Os parágrafos aqui estudados aplicam essa distinção às perfeições da vida, das forças e das formas, e à organização dos Céus. == Conceitos-chave e terminologia == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição (segundo a doutrina swedenborgiana) |- | '''Graus de largura''' (contínuos) || Diferenças de gradação, como a da luz que declina para a sombra. Produzem aumento ou diminuição (crescem ou decrescem). |- | '''Graus de altura''' (discretos) || Diferenças de ordem, como fim, causa e efeito, ou anterior, posterior e último. Produzem elevação ou descida (sobem ou descem). |- | '''Perfeição da vida''' || Perfeição do Amor e da Sabedoria, recebida pela vontade e pelo entendimento. |- | '''Perfeição das forças''' || Perfeição de tudo o que é posto em ação e movimento pela vida, sem ter vida em si. |- | '''Perfeição das formas''' || Perfeição das substâncias. Formas e forças são o mesmo, diferindo apenas porque as formas são substâncias e as forças são suas atividades. |- | '''Influxo''' || Ação do Senhor sobre os Céus e sobre o homem, imediata ou mediada pelos Céus superiores. |- | '''Correspondência''' || Relação entre níveis distintos que permite a comunicação entre eles. |} == Exposição do texto == === Graus de largura e graus de altura (§ 199) === Swedenborg distingue dois gêneros de graus. Os graus de largura se medem por crescimento e decrescimento. Os graus de altura se medem por subida e descida, pois pertencem à ordem. Segundo o autor, esses dois gêneros diferem tanto que não têm nada em comum, por isso devem ser percebidos de modo distinto e nunca confundidos. === Perfeições da vida, das forças e das formas (§ 200) === Segundo Swedenborg, todas as perfeições crescem e sobem com os graus porque são atributos de seus sujeitos. A perfeição e a imperfeição são atributos comuns à vida, às forças e às formas. * '''Vida:''' a perfeição da vida é a perfeição do Amor e da Sabedoria. Como a vontade e o entendimento são seus receptáculos, a perfeição se estende às afeições e aos pensamentos. * '''Forças:''' incluem as atmosferas em suas ações, os organismos interiores e exteriores do homem e dos animais, e tudo o que recebe atividade do sol do mundo natural. * '''Formas:''' formas e forças se correspondem. As formas que não são forças também são perfeitas segundo os graus. === Graus visíveis no mundo natural e no espiritual (§ 201) === Swedenborg observa que os graus de largura são conhecidos no mundo natural, mas os graus de altura não. No mundo natural, quanto mais se examinam os olhos, os ouvidos, as vísceras, as sementes, as flores, os frutos, os metais e as pedras, mais maravilhas se encontram. Essa observação, porém, revela pouco sobre a perfeição segundo os graus de altura. Já no Mundo espiritual, esses graus se apresentam de modo manifesto. Por isso, segundo a doutrina, é possível conhecê-los ali e, a partir deles, inferir as perfeições correspondentes no mundo natural. === Os três Céus e os tipos de pensamento (§ 202) === Nos escritos de Swedenborg, o Mundo espiritual se divide em três Céus dispostos segundo os graus de altura. Os anjos do Céu supremo estão em toda perfeição em relação aos do Céu médio, que por sua vez estão em toda perfeição em relação aos do Céu ínfimo. Como os graus são discretos, e não contínuos, os anjos de um Céu não podem atingir o primeiro limiar de perfeição do Céu acima. Segundo o texto, a diferença de afeições e pensamentos entre esses Céus é tão grande que as comunicações ocorrem apenas por correspondências, pelo influxo imediato do Senhor em todos os Céus e pelo influxo mediato do Céu supremo no ínfimo. Essa diferença não pode ser plenamente expressa em linguagem natural. {| class="wikitable" ! Céu !! Tipo de pensamento !! Relação com a sabedoria, a inteligência e a ciência |- | '''Supremo (terceiro)''' || Pensamento pelos fins || Sabedoria |- | '''Médio (segundo)''' || Pensamento pelas causas || Inteligência |- | '''Ínfimo (primeiro)''' || Pensamento pelos efeitos || Ciência |} Swedenborg distingue ainda pensar ''pelos'' fins, causas ou efeitos de pensar ''sobre'' eles. Os anjos dos Céus inferiores pensam sobre causas e fins, enquanto os dos Céus superiores pensam pelas causas e pelos fins. Segundo o autor, essa distinção pertence a graus diferentes de sabedoria. === O homem e os graus após a morte (§ 203) === Segundo Swedenborg, os interiores do homem, ligados à vontade e ao entendimento, são semelhantes aos Céus quanto aos graus e na forma. Enquanto vive no mundo, o homem está no grau ínfimo, por isso não percebe seus graus superiores. Após a morte, ele entra no grau correspondente a seu amor e à sua sabedoria.<ref name="ADS" /> Os graus de altura só são alcançados por quem, no mundo, aplicou as verdades à vida. === Anteriores, simples e perfeição (§ 204) === À primeira vista, os anteriores e os simples parecem menos perfeitos que os posteriores e os compostos. Swedenborg, porém, afirma o contrário: os anteriores e os simples são mais perfeitos, por serem mais nus e menos velados por matérias privadas de vida, e por estarem mais próximos do Sol espiritual, onde está o Senhor, fonte de toda perfeição. Segundo o texto, sem essa perfeição eminente nos anteriores e nos simples, nem o homem nem os animais poderiam existir ou subsistir a partir de uma semente. == Análise teológica == Na tradição swedenborgiana, a doutrina dos graus de altura e de largura serve para explicar tanto a ordem dos Céus quanto a estrutura da mente humana. Segundo essa leitura, a perfeição não se mede apenas pela quantidade, mas pela posição do ser na ordem de fins, causas e efeitos.<ref name="ADS" /> Trata-se de uma interpretação atribuída a Swedenborg e à sua tradição, e não de uma afirmação de consenso científico ou filosófico. == Aplicações e questões de reflexão == * De que maneira a distinção entre crescer e subir pode ajudar a compreender o desenvolvimento da vida interior? * Qual é a diferença entre saber um fato e pensar a partir de suas causas, como Swedenborg descreve? == Questões de estudo == # Explique a diferença entre graus de largura e graus de altura, com um exemplo de cada. # Segundo §200, por que a perfeição das formas e a das forças são tratadas como uma só? # Quais são os três tipos de pensamento associados aos três Céus, e a que gênero de sabedoria cada um corresponde? # Por que, segundo §204, os anteriores e os simples são considerados mais perfeitos? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (1763). * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno'' (1758). == Ver também == * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] * [[Doutrina da Correspondência]] * [[Regeneração]] == Referências == <references /> jn8ui0rplq8kzw9lhwn7v8anw0v9q5t A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 7 0 131619 589378 2026-10-20T18:00:43Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 7 parte III 589378 wikitext text/x-wiki [[../Capítulo_anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_seguinte|Próximo capítulo →]]<br /> [[../|Retornar ao sumário]] = Ordem sucessiva e ordem simultânea dos graus segundo Swedenborg = Este capítulo expõe a distinção, feita por Swedenborg, entre a ordem sucessiva e a ordem simultânea dos graus de altura. O texto de base é ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (§§ 205–208).<ref name="ADS">{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |páginas=§§ 205–208}}</ref> == Introdução == Nos escritos de Swedenborg, os graus de altura (discretos) organizam os seres em níveis distintos. Esses níveis podem ser considerados de duas maneiras: como uma sequência que vai do alto ao baixo, ou como um conjunto de partes que se dispõem em torno de um centro. === Objetivos de aprendizagem === * Diferenciar a '''ordem sucessiva''' da '''ordem simultânea''' dos graus. * Compreender a correspondência entre supremo, médio e ínfimo e íntimo, médio e extimo. * Relacionar essa doutrina ao sentido de interior e exterior na Palavra, segundo a tradição swedenborgiana. == Conceitos-chave e terminologia == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição (segundo a doutrina swedenborgiana) |- | '''Graus discretos (de altura)''' || Níveis distintos, ordenados por fim, causa e efeito, ou por anterior, posterior e último. |- | '''Ordem sucessiva''' || Disposição dos graus do supremo ao ínfimo, ou do alto ao baixo. |- | '''Ordem simultânea''' || Disposição dos graus em conjunto, em que o supremo fica no íntimo, o médio no meio e o ínfimo no contorno. |- | '''Íntimo''' || Parte mais interior, mais simples e mais perfeita de um todo. |- | '''Extimo''' || Parte mais externa de um todo, formada pelas partes compostas e, por isso, mais grosseira. Corresponde ao termo "externo". |} == Exposição do texto == === A ordem sucessiva (§205) === Segundo Swedenborg, os Céus angélicos estão dispostos na ordem sucessiva: o terceiro Céu é o supremo, o segundo é o médio e o primeiro é o ínfimo. Nessa mesma ordem se encontram os estados do amor e da sabedoria nos anjos, os do calor e da luz, e as atmosferas espirituais. O autor compara essa ordem a uma coluna com três degraus. No degrau mais alto há coisas muito perfeitas e belas, no do meio, coisas menos perfeitas, e no mais baixo, coisas ainda menos perfeitas.<ref name="ADS" /> === A ordem simultânea (§205) === A ordem simultânea tem outra aparência. Nela, os graus superiores da ordem sucessiva ficam no íntimo, os inferiores no meio e os ínfimos no contorno. Swedenborg a compara a um sólido formado por esses três graus, em cujo centro estão as partes mais sutis, em torno delas as menos sutis, e nas extremidades as partes compostas, mais grosseiras. Para ilustrar, o texto imagina a coluna anterior achatada sobre um plano, de modo que o supremo se torne o íntimo, o médio, o meio, e o ínfimo, o extremo. === Correspondência entre interior e superior (§206) === Segundo o texto, como o supremo da ordem sucessiva se torna o íntimo da ordem simultânea, e o ínfimo se torna o extimo, na Palavra o superior significa o interior, e o inferior significa o exterior. O mesmo vale para o alto e o baixo, e também para o elevado e o profundo. === Graus discretos nas partes do corpo e da natureza (§207) === Swedenborg afirma que todo último, isto é, todo composto natural, apresenta graus discretos em ordem simultânea. Ele cita como exemplos as fibras motoras dos músculos, as fibras dos nervos, as fibras e os pequenos vasos das vísceras e dos órgãos, além das sementes, dos frutos, dos metais e das pedras. Em todos esses casos, as partes mais simples, que são as mais perfeitas, estão no íntimo, e o composto delas forma o extimo. === Graus em todo efeito (§208) === Segundo o autor, há graus semelhantes em todo último ou efeito, pois todo último se compõe de anteriores, e estes de seus primeiros. Assim, o efeito se compõe da causa, e a causa do fim, de modo que o fim está em tudo na causa e a causa está em tudo no efeito. Nessa correspondência, o fim faz o íntimo, a causa o meio e o efeito o último. Swedenborg indica que o mesmo se dá com os graus do amor e da sabedoria, do calor e da luz, e com as formas orgânicas das afeições e dos pensamentos. Ele remete, ainda, à sua ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada'' (n. 38) para a exposição dessa série de graus. == Análise teológica == Na tradição swedenborgiana, a distinção entre ordem sucessiva e ordem simultânea serve para interpretar a Palavra. Segundo essa leitura, o sentido interior das expressões bíblicas corresponde ao que é superior e mais perfeito, enquanto o sentido exterior corresponde ao que é inferior. Trata-se de uma interpretação atribuída a Swedenborg e à sua tradição, e não de um consenso filosófico ou científico. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que sentido a imagem da coluna achatada ajuda a compreender a relação entre o interior e o exterior de um todo? * Como a relação entre causa e efeito, descrita em §208, pode ser comparada à relação entre fim e resultado em uma ação humana? == Questões de estudo == # Qual é a diferença entre a ordem sucessiva e a ordem simultânea dos graus? # Segundo §206, o que significa, na Palavra, o superior e o inferior? # Por que, segundo §207, as partes mais simples são consideradas as mais perfeitas? # Como §208 relaciona fim, causa e efeito aos graus de um todo? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (1763). * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada'' (n. 38). == Ver também == * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] * [[Doutrina da Correspondência]] * [[Regeneração]] == Referências == <references /> p68wvvjdfn0ec2j1ibu2dv36pcnr7j1 A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 8 0 131620 589379 2026-10-20T18:05:24Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 criei o capitulo 8 parte III 589379 wikitext text/x-wiki [[../Capítulo_anterior|← Capítulo anterior]] | [[../Capítulo_seguinte|Próximo capítulo →]]<br /> [[../|Retornar ao sumário]] = O último grau como complexo, continente e base dos graus anteriores, segundo Swedenborg = Este capítulo expõe a tese, atribuída a Swedenborg, de que o último grau de uma série é o complexo, o continente e a base dos graus anteriores. O texto de base é ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (§§ 209–216).<ref name="ADS">{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |páginas=§§ 209–216}}</ref> == Introdução == Até este ponto, a doutrina dos graus foi ilustrada com exemplos do mundo natural, como os Céus, o calor e a luz, as atmosferas, o corpo humano, o reino animal e o reino mineral. Nos escritos de Swedenborg, porém, essa doutrina tem alcance mais amplo, pois se estende também às realidades civis, morais e espirituais. Esta seção explica por que, segundo o autor, essas realidades seguem a mesma lógica de graus e por que o último grau de cada série contém os anteriores. === Objetivos de aprendizagem === * Compreender a extensão da doutrina dos graus às realidades civis, morais e espirituais. * Distinguir o trino de fim, causa e efeito e a relação entre seus termos. * Explicar, segundo Swedenborg, por que o último grau é o complexo, o continente e a base dos anteriores. * Relacionar essa tese às noções de amor, sabedoria e uso. == Conceitos-chave e terminologia == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição (segundo a doutrina swedenborgiana) |- | '''Grau último''' || Grau final de uma série, no qual se reúnem e se manifestam os graus anteriores. |- | '''Complexo''' || Conjunto que contém em si todas as partes de uma série, de modo pleno. |- | '''Continente''' || Aquilo que encerra e sustenta os graus anteriores, como o tonel contém o vinho. |- | '''Base''' || Fundamento sobre o qual os graus anteriores se apoiam e se manifestam. |- | '''Trino''' || Série de fim, causa e efeito, dispostos segundo os graus de altura. |- | '''''Per quam''' (pela qual)'' || Causa pela qual o fim age. |- | '''''Propter quem'' (pelo qual)'' || Fim pelo qual se age. |- | '''Uso''' || Efeito do amor e da sabedoria, no qual ambos se realizam em ação. |- | '''Homogêneo e concordante''' || Elementos da mesma natureza que se harmonizam entre si. |} == Exposição do texto == === Extensão da doutrina dos graus (§209) === Segundo Swedenborg, a doutrina dos graus não se restringe às coisas naturais. Ela se estende às coisas civis, morais e espirituais, em geral e em particular. O autor apresenta duas razões para essa extensão. * '''Primeira razão:''' em tudo o que se pode considerar há um trino, chamado fim, causa e efeito, e esses três termos se relacionam segundo os graus de altura. * '''Segunda razão:''' o civil, o moral e o espiritual não são abstrações, mas substâncias ou estados de substâncias. Assim como o amor e a sabedoria, a afeição e o pensamento, a caridade e a fé, a vontade e o entendimento não existem fora de seus sujeitos. Por substância, o texto entende também a forma, pois não há substância sem forma.<ref name="ADS" /> === Abstração e perda da noção correta (§210) === Swedenborg observa que o pensamento pode separar a vontade, o entendimento, a afeição, o pensamento, a caridade e a fé de seus sujeitos. Ao fazê-lo, perde-se a noção correta de que essas coisas são estados das substâncias e das formas. O autor compara isso às sensações e às ações, que não existem separadas dos órgãos sensórios e motores: separadas deles, são apenas "seres de razão", como a visão sem o olho ou a audição sem o ouvido. === Graus discretos nas coisas civis, morais e espirituais (§211) === Segundo o texto, as realidades civis, morais e espirituais também progridem por graus contínuos e discretos. As progressões discretas seguem a mesma ordem que vai do fim às causas e das causas aos efeitos. Por isso, a proposição de que o último grau é o complexo, o continente e a base dos anteriores deve ser ilustrada com o amor e a sabedoria, a vontade e o entendimento, a afeição e o pensamento, e a caridade e a fé. === O último como complexo, continente e base (§212) === Swedenborg explica que a razão iluminada pode perceber que o efeito é o complexo, o continente e a base das causas e dos fins. Ela percebe com menos clareza que o fim e a causa, com tudo o que lhes pertence, estão de fato no efeito. Segundo o autor, o efeito não é outra coisa senão o fim em seu último grau. Como o último é complexo, ele é também continente e base.<ref name="ADS" /> === Amor, sabedoria e uso (§213) === No caso do amor e da sabedoria, o texto afirma que o amor é o fim, a sabedoria é a causa ''per quam'' (pela qual) o amor age, e o uso é o efeito. O uso é, portanto, o complexo, o continente e a base da sabedoria e do amor, pois nele estão todas as coisas do amor e da sabedoria que são homogêneas e concordantes, conforme os §§ 189 a 194. === Série de graus semelhantes (§214) === Swedenborg aplica o mesmo princípio a outras séries. A afeição se refere ao amor, o pensamento à sabedoria e a ação ao uso. Do mesmo modo, a caridade pertence à afeição, a fé ao pensamento e a boa obra à ação. A vontade pertence ao amor, o entendimento à sabedoria e o exercício ao uso. Assim como o uso contém o amor e a sabedoria, a ação contém o pensamento e a afeição, e a boa obra contém a fé e a caridade. === Ação, obra e exercício (§215) === Segundo o texto, o uso, a ação, a obra e o exercício parecem conter apenas movimento. No entanto, neles estão todos os graus anteriores, de modo pleno. Swedenborg compara essa relação à do vinho em seu tonel e à dos móveis em uma casa. Os anteriores só aparecem quando se consideram as ações exteriormente, pois então se veem apenas atividades e movimentos. O autor relata que, segundo a experiência que lhe foi dada, os anjos percebem, a partir de um único fato ou de uma única obra, toda a vontade e o pensamento de quem age. Os anjos do terceiro Céu percebem a vontade e o fim ''propter quem'' (pelo qual se age), e os do segundo Céu percebem a causa ''per quam'' (pela qual o fim age). Por isso, segundo o texto, a Palavra menciona com frequência as obras e os fatos, e afirma que o homem é conhecido por eles. === Fé separada das obras (§216) === Segundo a sabedoria angélica, descrita por Swedenborg, a vontade, o entendimento, a afeição, o pensamento, a caridade e a fé só permanecem no homem e se tornam coisas da vida quando se realizam em obras. Sem isso, são como sopros que passam ou imagens no ar que se perdem. Por ser o último o complexo, o continente e a base dos anteriores, a fé separada das boas obras, ou a fé sem seus exercícios, não se fixa no homem. O texto distingue, porém, entre quem admite a fé e a caridade e sabe e pode fazer o bem, e quem vive uma fé separada da caridade. == Análise teológica == Na tradição swedenborgiana, a tese do último grau como complexo, continente e base explica por que a vida interior se revela nas ações e não apenas nas intenções. Segundo essa leitura, a vontade e o entendimento só se tornam reais quando se manifestam no uso. Trata-se de uma interpretação atribuída a Swedenborg e à sua tradição, e não de um consenso filosófico ou científico. == Aplicações e questões de reflexão == * De que modo a distinção entre pensar sobre a vontade e considerá-la como estado de um sujeito pode mudar a forma como se avalia uma ação? * Em que medida a imagem do vinho no tonel ajuda a entender a relação entre um fim e seu efeito último? == Questões de estudo == # Quais são as duas razões que Swedenborg apresenta para estender a doutrina dos graus às coisas civis, morais e espirituais? # Por que, segundo §210, separar a vontade e o entendimento de seus sujeitos leva a uma perda da noção correta dessas coisas? # Segundo §213, quais são o fim, a causa e o efeito no caso do amor e da sabedoria? # Por que, segundo §216, a fé separada das boas obras não permanece no homem? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina'' (1763), §§ 184–216. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada'' (n. 38). == Ver também == * [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]] * [[Doutrina da Correspondência]] * [[Regeneração]] == Referências == <references /> m4kjxnv3sgulfpcz0uwqnmpnfotv10c A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 9 0 131621 589380 2026-10-20T18:47:35Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 9 parte III 589380 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o último grau de altura contém os graus anteriores em plenitude, e nele esses graus estão também em potência. Esta seção mostra como o autor aplica essa tese ao esforço, à força e ao movimento, tanto nos sujeitos mortos quanto nos vivos. Em seguida, ele a relaciona às correspondências do corpo humano, ao sentido da Palavra e à obra do Senhor.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 217–221 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender o que significa dizer que os graus estão "no pleno e na potência" em seu último grau. * Relacionar esforço, força e movimento à noção de graus de altura. * Reconhecer como o autor aplica essa tese ao homem e à Palavra. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Pleno''' || Estado em que os graus anteriores se acham em seu efeito, pois todo efeito é o pleno das causas. |- | '''Potência''' || Capacidade de agir. Segundo o texto, ela se manifesta no movimento, produto da força. |- | '''Esforço''' || Impulso inicial, que, por si só, não produz ação. |- | '''Força''' || Esforço excitado, que produz o movimento. |- | '''Correspondência''' || Relação entre realidades de graus distintos, que se realiza não por continuidade, mas por analogia entre os graus. |- | '''Sentido da letra''' || Sentido natural da Palavra, que, segundo o autor, é o complexo, o continente e a base dos sentidos interiores. |} == Exposição do texto == === O último grau e o pleno (n. 217) === Swedenborg recorda que o último grau é o complexo e o continente dos graus anteriores. Disso decorre que, no último, os graus anteriores estão em pleno, pois se acham em seu efeito, e todo efeito é o pleno das causas. === Esforço, força e movimento (n. 218) === Segundo o autor, o esforço não age por si mesmo, mas por meio de forças a ele correspondentes, que manifestam o movimento. Assim, o esforço está em tudo nas forças, e as forças estão no movimento. A força é o esforço excitado, e o movimento é produzido pela força. Por isso, Swedenborg afirma que não há potência no esforço isolado nem na força isolada, pois a potência está no movimento, que é seu produto. Ele reconhece que essa tese pode parecer duvidosa, por não ter sido ilustrada com exemplos sensíveis, mas sustenta que essa é a sua progressão rumo à potência. === Aplicação ao homem vivo (n. 219) === Para o autor, no homem vivo o esforço é a vontade unida ao entendimento. As forças são as partes internas que constituem o corpo, nas quais há fibras motrizes entrelaçadas de diversas maneiras. O movimento vivo é a ação produzida por essas forças segundo a vontade unida ao entendimento. Os interiores da vontade e do entendimento formam o primeiro grau, os interiores do corpo formam o segundo, e o corpo todo, em seu conjunto, forma o terceiro. Swedenborg observa que os interiores da mente só se tornam potentes por meio das forças do corpo, e estas só agem pela ação do próprio corpo. Esses três níveis agem pelo discreto, e agir pelo discreto é agir por correspondências. Quando não há ação, como no sono e no repouso, as determinações do esforço e da força permanecem nos motores comuns do corpo, que o texto identifica com o coração e o pulmão. Quando a ação desses órgãos cessa, cessam também as forças e os esforços. === Obras, usos e correspondências (n. 220) === Segundo o texto, a potência do homem se concentra nos braços e nas mãos, que são os últimos graus do corpo. Por isso, na Palavra, os braços e as mãos significam a potência, e a mão direita, uma potência superior. Swedenborg relata que os anjos, por uma única ação feita pelas mãos, reconhecem o estado do homem quanto ao entendimento, à vontade, à caridade, à fé e à vida interior. Ele afirma ter observado isso por experiência e relata que o mesmo sentido explica os ritos de inauguração no ministério pela imposição das mãos. A partir daí, o autor conclui que o todo da caridade e da fé está nas obras. Sem elas, caridade e fé se assemelham aos arco-íris que aparecem em torno do Sol e se dissipam diante de uma nuvem. Por isso, a Palavra fala tanto das obras e associa a salvação a elas. Swedenborg esclarece que, nesse contexto, "obras" significa os usos efetivamente praticados, pois é neles que está o todo da caridade e da fé. A correspondência entre os usos e a caridade é espiritual, mas se realiza por meio de substâncias e matérias, que são os seus sujeitos. === Dois arcanos: a Palavra e o Senhor (n. 221) === O autor apresenta dois arcanos, isto é, verdades ocultas que a exposição dos graus permite compreender. :'''Primeiro arcano.''' A Palavra, no sentido da letra, está em seu pleno e em sua potência. Segundo o texto, a Palavra tem três sentidos correspondentes aos três graus de altura: o celeste, o espiritual e o natural. O último, o sentido da letra, é o complexo, o continente e a base dos sentidos interiores. Swedenborg remete, para a demonstração desse ponto, à ''Doutrina da Nova Igreja sobre a Escritura Santa'', nn. 27–36, 37–49, 50–61 e 62–69. :'''Segundo arcano.''' O Senhor veio ao mundo e tomou o humano, para estar em potência de subjugar os infernos e restabelecer todas as coisas na ordem, nos céus e na terra. Segundo o autor, o humano que o Senhor assumiu era divino, e Ele glorificou plenamente o humano natural até em seus últimos, por isso ressuscitou com todo o corpo. Desse modo, Ele se revestiu da onipotência divina para subjugar os infernos, manter os infernos subjugados e salvar os homens. O texto liga essa potência à expressão "assentado à direita da potência e da virtude de Deus". Ao tomar o humano natural, o Senhor se fez o Divino Vero nos últimos, que é a Palavra quanto ao sentido da letra. Por isso se diz que a Palavra se fez carne. Segundo o autor, o Senhor é o Divino Bem e o Divino Vero, ou seja, o Divino Amor e a Divina Sabedoria, tanto nos primeiros quanto nos últimos. Após a sua vinda, Ele aparece nos céus angélicos como Sol, com brilho mais vivo e maior esplendor. O autor anuncia que tratará, a seguir, da onipotência do Senhor antes de sua vinda ao mundo. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese de que o último grau contém os anteriores em pleno une a noção de graus de altura à de correspondência. Segundo essa leitura, o movimento e a ação revelam a potência de todo o ser, e a Palavra e a obra do Senhor são compreendidas como plenitude dos graus anteriores. Essa interpretação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja. Trata-se de uma formulação teológica e metafísica, que não é verificada pelos métodos das ciências naturais. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a ideia de que o efeito é o "pleno" da causa se aproxima ou se afasta de outras teorias da causalidade? * Como a relação entre esforço, força e movimento, tal como exposta no n. 218, pode ser comparada a conceitos de energia e ação em outras tradições do pensamento? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 217, os graus anteriores estão em pleno no último grau? # Por que, segundo o n. 218, a potência não se encontra no esforço isolado nem na força isolada? # Quais são os três graus do homem vivo apresentados no n. 219? # Qual é a relação entre obras, usos e caridade, segundo o n. 220? # Quais são os dois arcanos apresentados no n. 221? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Igreja sobre a Escritura Santa''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] bk9kdcupwah7x846mfytns6sbasz69b A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 10 0 131622 589381 2026-10-20T18:52:05Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 10 parte III 589381 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], os graus de altura (discretos) e os graus de largura (contínuos) não se limitam às coisas grandes e visíveis. Segundo o autor, eles também estão presentes nos "muito grandes" e nos "muito pequenos" de todas as coisas criadas. Como esses muito pequenos não se mostram aos olhos, Swedenborg afirma que a questão só pode ser tratada por meio de universais. Este capítulo expõe essa tese e a justificativa que o autor lhe atribui, a partir da sabedoria angélica.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 222–229 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, os graus estão nos muito grandes e nos muito pequenos. * Entender por que a tese é apresentada por universais e não por exemplos visíveis. * Reconhecer a relação entre forma, substância e graus, segundo o autor. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Muito grande''' || Realidade de grande escala, como o universo, um reino ou uma atmosfera, em seu conjunto. Segundo o texto, ela consiste em graus discretos e contínuos. |- | '''Muito pequeno''' || Menor parte de uma coisa, que não se apresenta aos olhos, mas que também contém graus de ambos os gêneros. |- | '''Universal''' || Proposição abstrata e geral, que pode ser compreendida antes da aplicação às coisas singulares. |- | '''Substância e forma''' || Par inseparável: o amor e a sabedoria são uma substância e uma forma, e o mesmo vale para a afeição e o pensamento. |- | '''Semelhança''' || Relação que une os muito grandes e os muito pequenos, por terem os mesmos graus, e que permite a conexão entre eles. |} == Exposição do texto == === Os muito grandes e os muito pequenos (n. 222) === Swedenborg afirma que os muito grandes e os muito pequenos de todas as coisas consistem em graus discretos e contínuos. Esse ponto não pode ser ilustrado por exemplos visíveis, porque os muito pequenos não se apresentam aos olhos, e os muito grandes que se apresentam não se mostram divididos em graus. Por isso, o assunto só pode ser demonstrado por universais. Segundo o autor, os anjos estão na sabedoria pelos universais e, por conseguinte, na ciência dos singulares. Ele se propõe, então, a relatar o que os anjos dizem a esse respeito. === Presença dos graus em todas as coisas (n. 223) === Segundo o texto, os anjos afirmam que não existe um muito pequeno sem graus de ambos os gêneros. Isso vale para os animais, para os vegetais, para os minerais e para o éter e o ar. Como o éter e o ar são receptáculos do calor e da luz, também o calor e a luz não têm um muito pequeno sem graus. Do mesmo modo, como o calor e a luz espirituais são receptáculos do amor e da sabedoria, estes também não têm um muito pequeno em que os graus não estejam presentes. Swedenborg acrescenta que o mesmo se dá com a afeição, o pensamento e até a ideia do pensamento. O que não consiste em graus, segundo os anjos, "nada é", pois não tem forma, portanto não tem qualidade nem estado que possa ser mudado e variado. Como fundamento, o autor cita a tese de que os infinitos em Deus, o Senhor de toda eternidade, são distintamente um, e que há infinitos em seus infinitos, com graus que também são distintamente um n'Ele. Como todas as coisas criadas apresentam, em certa imagem, o que está n'Ele, não há um muito pequeno infinito sem tais graus. A referência indicada pelo texto para esse ponto são os nn. 17–22, 77–82, 155, 169 e 171. === Amor e sabedoria como substância e forma (n. 224) === Segundo Swedenborg, não há um muito pequeno do amor, da sabedoria, da afeição ou do pensamento em que os graus não estejam presentes. A razão é que o amor e a sabedoria são uma substância e uma forma, como o autor já mostrou nos nn. 40–43, e o mesmo vale para a afeição e o pensamento. Separar o amor e a sabedoria, ou a afeição e o pensamento, de seus sujeitos seria, segundo ele, aniquilá-los, pois esses atributos não existem fora de seus sujeitos. O que os fixa são os estados percebidos pelo homem em sua variação. === Os muito grandes e os muito pequenos como formas dos graus (n. 225) === Swedenborg enumera os muito grandes que contêm graus de ambos os gêneros: o universo em seu conjunto, o mundo natural, o mundo espiritual, cada império e cada reino, o todo civil, moral e espiritual, os reinos animal, vegetal e mineral, as atmosferas de ambos os mundos, e ainda seus calores e suas luzes. Entre os menores, cita o homem em seu conjunto, cada animal, cada árvore e arbusto, e cada pedra e metal. Essas coisas têm forma semelhante porque consistem em graus de ambos os gêneros. Segundo o autor, a razão é que o Divino, por meio do qual todas as coisas foram criadas, é o mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos (nn. 77–82). Os singulares e os muito singulares são semelhantes aos comuns e aos muito comuns, pois também são formas desses graus. === Conexão e distinção (n. 226) === Como os muito grandes e os muito pequenos são formas dos mesmos graus, há entre eles uma conexão que vai dos primeiros aos últimos, pois a semelhança os une. Ainda assim, nenhum muito pequeno é idêntico a outro, e por isso existe a distinção entre todos os singulares. Segundo o texto, isso ocorre porque os graus estão nos muito grandes e porque estes se compõem de muito pequenos. Como há diferenças perpétuas, desde o alto até embaixo e do centro até as periferias, nenhum dos menores é idêntico a outro. === Perfeição do universo criado (n. 227) === Segundo o autor, a perfeição do universo criado consiste na semelhança entre os comuns e os particulares, ou entre os muito grandes e os muito pequenos, quanto a esses graus. Assim, cada parte pode ser vista pela outra como semelhante, podendo ser unida a ela para todo uso e fixar todo fim no efeito. === Proposições abstratas e aplicadas (n. 228) === Swedenborg reconhece que essas proposições podem parecer paradoxais, pois não são demonstradas por aplicações às coisas visíveis. Ele observa, porém, que as proposições abstratas, por serem universais, costumam ser apreendidas melhor do que as aplicadas, que apresentam variedade perpétua, e a variedade obscurece. === Crítica à substância mais simples (n. 229) === Segundo o texto, alguns supõem a existência de uma substância tão simples que não teria forma vinda de formas menores, e que dela resultariam, por amontoamento, os compostos e, por fim, as matérias. Swedenborg rejeita essa tese: uma substância sem forma é algo de que nada se pode dizer, e não se pode compor coisa alguma a partir de um ser de razão. Ele afirma que as primeiras substâncias criadas são inumeráveis, muito pequenas e muito simples, e remete o leitor à exposição sobre as formas. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese dos muito grandes e dos muito pequenos sustenta que a mesma ordem de graus se repete em todas as escalas da criação. Essa ideia une a noção de semelhança à de distinção: as coisas se assemelham por seus graus e se diferenciam por seus singulares. A rejeição da substância simples sem forma também pertence a essa linha de pensamento. Em conversas informais sobre o autor, aparece a mesma leitura de Deus como união de amor e sabedoria , mas se trata de fonte não acadêmica, usada aqui apenas como indício do modo como a ideia circula. A formulação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a tese de que cada menor contém a ordem do maior se aproxima ou se afasta de concepções de totalidade em outras tradições filosóficas? * A tese de que nenhum muito pequeno é idêntico a outro pode ser comparada a discussões sobre a individualidade das coisas na história da filosofia? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 222, a tese sobre os muito grandes e os muito pequenos é demonstrada por universais? # Por que, segundo o n. 223, não existe um muito pequeno sem graus? # Qual é a relação entre substância e forma no amor e na sabedoria, segundo o n. 224? # Como o n. 226 explica ao mesmo tempo a conexão e a distinção entre as coisas? # Por que, segundo o n. 229, uma substância sem forma não pode ser a base da composição das coisas? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Igreja sobre a Escritura Santa''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] th6jpzaxjinoqb77zoqk15yzmjldl2y A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 11 0 131623 589382 2026-10-20T18:56:21Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo !! parte III 589382 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], os três graus de altura (fim, causa e efeito) são infinitos e incriados no Senhor, e finitos e criados no ser humano e nos anjos. Segundo o autor, essa distinção se fundamenta no fato de que o Senhor é o Amor em si e a Sabedoria em si, e de que o uso é o resultado dessa união. Este capítulo expõe a tese dos três graus, sua manifestação nos três céus e a relação entre o influxo divino e a história da revelação, conforme apresentados nos números 230 a 235 da obra.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 230–235 }}</ref> Swedenborg apresenta a obra como uma tradição que se apoia na obra de Swedenborg e na doutrina da Nova Igreja . '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, os três graus são infinitos no Senhor e finitos no homem. * Relacionar o amor, a sabedoria e o uso aos três graus de altura. * Identificar os nomes celeste, espiritual e natural atribuídos a esses graus e o Reino a que correspondem. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Uso''' || Finalidade prática em que o amor e a sabedoria se realizam. Segundo o texto, o amor tem por fim o uso, que ele produz pela sabedoria. |- | '''Uso in quo''' || Expressão latina usada pelo autor para indicar o uso no qual o amor e a sabedoria estão e existem. Sem ele, não se pode dizer que amor e sabedoria existam. |- | '''Grau celeste''' || Grau do amor. Corresponde aos anjos do Reino celeste. |- | '''Grau espiritual''' || Grau da sabedoria. Corresponde aos anjos do Reino espiritual. |- | '''Grau natural''' || Grau dos usos. Corresponde aos homens no mundo natural. |- | '''Infinito e incriado''' || Atributo dos três graus no Senhor, que não foram criados nem têm limite. |- | '''Finito e criado''' || Atributo dos três graus no anjo e no homem, que têm limite e foram criados. |- | '''Influxo mediato e imediato''' || Influxo mediato é o que chega ao homem pelos céus angélicos. Influxo imediato é o que procede diretamente do Senhor. |- | '''Culto representativo''' || Culto em que os ritos representam realidades espirituais e celestes. Segundo o autor, foi abolido após a vinda do Senhor. |} == Exposição do texto == === Os três graus no Senhor e no homem (n. 230) === Swedenborg afirma que os três graus de altura são infinitos e incriados no Senhor porque Ele é o Amor em si e a Sabedoria em si. Como o Senhor é o amor e a sabedoria, Ele é também o Uso em si, pois o amor tende ao uso, que realiza pela sabedoria. Segundo o texto, amor e sabedoria sem uso não têm fim nem morada, e por isso não se pode dizer que existam, a não ser onde há o uso no qual estão. Esses três elementos constituem os graus de altura nos sujeitos da vida. São o fim primeiro, o fim médio, chamado causa, e o fim último, chamado efeito. O autor declara que essa correspondência já foi mostrada e confirmada várias vezes. === A presença dos graus no ser humano (n. 231) === Segundo Swedenborg, os três graus estão no homem, o que se percebe quando sua mente se eleva aos graus do amor e da sabedoria em que estão os anjos do segundo e do terceiro céu. Todos os anjos nasceram homens, e o homem, quanto aos interiores da mente, é um céu em forma menor. Por isso, há tantos céus quantos graus de altura existem no homem por criação. Ele também é imagem e semelhança de Deus, pois esses três graus foram gravados nele por estarem no Deus-Homem, ou seja, no Senhor. O autor remete à Primeira Parte da obra para afirmar que o Senhor é o Amor em si e a Sabedoria em si, e que o homem é receptáculo do amor e da sabedoria do Senhor. Do Senhor, segundo ele, só se pode dizer o infinito, e do homem, apenas o finito. === Os três graus nos anjos: celeste, espiritual e natural (n. 232) === Nos anjos, os três graus recebem os nomes de celeste, espiritual e natural. A correspondência entre eles e os reinos é a seguinte: {| class="wikitable" ! Grau !! Âmbito !! Reino correspondente |- | '''Celeste''' || Amor || Reino celeste, formado pelos anjos do amor |- | '''Espiritual''' || Sabedoria || Reino espiritual, formado pelos anjos da sabedoria |- | '''Natural''' || Usos || Reino natural, em que estão os homens no mundo |} Segundo o autor, os céus se distinguem em dois reinos, o celeste e o espiritual, aos quais se junta um terceiro, o natural, em que estão os homens. Os reinos estão unidos porque os anjos do reino celeste estão no amor, os do reino espiritual estão na sabedoria, e os homens no mundo estão nos usos. Swedenborg anuncia que a parte seguinte tratará do modo como se deve entender que os homens estão nos usos. === O Senhor e a tomada do humano (n. 233) === Swedenborg relata que lhe foi dito, pelo céu, que o Senhor de toda a eternidade, chamado Jeová, possuía antes da encarnação os dois graus anteriores em realidade, e o terceiro em potência, como também os anjos. Depois de tomar o humano no mundo, Ele se revestiu também do terceiro grau, o natural, e assim se fez Homem semelhante ao homem. Esse grau, como os anteriores, é infinito e incriado no Senhor, ao passo que nos anjos e nos homens é finito e criado. Segundo o texto, o Divino, que preenchia todos os espaços sem espaço (nn. 69–72), penetrou também nos últimos da natureza. Antes da encarnação, havia no grau natural um influxo divino mediato, por meio dos céus angélicos. Depois dela, passou a haver um influxo imediato, vindo diretamente d'Ele. Por isso, as igrejas anteriores ao advento eram representativas dos graus espirituais e celestes, e o culto representativo foi abolido, passando as igrejas a ser naturais-espirituais e naturais-celestes. Também por isso o Sol do céu angélico brilhou com maior vivacidade e esplendor após a encarnação. O autor apoia essa tese em passagens bíblicas: Isaías 30:26 (a luz da lua será como a luz do sol), Apocalipse 1:16 (o rosto do Filho do homem) e Salmo 72:7. Segundo ele, a ilustração mediata, anterior ao advento, pode ser comparada à luz da lua, que é a luz mediata do sol, e a ilustração imediata, posterior, à luz do próprio sol. === A encarnação e os dois estados do Senhor (n. 234) === Segundo Swedenborg, o Senhor tomou o terceiro grau porque não podia entrar no mundo senão por uma natureza semelhante à humana. Por isso, foi concebido do Divino e nasceu de uma virgem. Desse modo, pôde despojar-se da natureza, que em si mesma é morte, embora seja receptáculo do Divino, e revestir-se do Divino. O autor remete esse processo aos dois estados do Senhor no mundo, chamados estado de exinanição e estado de glorificação, tratados por ele na ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. === Os graus nas coisas do amor, da sabedoria e dos usos (n. 235) === Swedenborg observa que o que foi dito sobre a tríplice ascensão dos graus de altura é geral. Como esses graus estão nos muito grandes e nos muito pequenos (nn. 222–229), não é possível tratá-los em particular aqui. Há, porém, graus em todas as coisas do amor, da sabedoria e dos usos, sendo infinitos no Senhor e finitos no anjo e no homem. Segundo o autor, essas relações só podem ser descritas e desenvolvidas em série. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese dos três graus une a noção de graus de altura à de influxo e à de uso. Segundo essa leitura, o Senhor é a origem infinita dos graus, e a criatura os recebe de modo finito. A ideia de que a encarnação alterou o modo do influxo, de mediato para imediato, é um dos pontos centrais dessa interpretação e é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja. Trata-se de uma formulação teológica, que não é verificada pelos métodos das ciências naturais. A obra em que Swedenborg apresenta essa visão está ligada à tradição que a publica e divulga . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a ideia de que o amor tende ao uso se aproxima ou se afasta de concepções de ética centradas na ação em outras tradições? * Como a passagem do influxo mediato ao imediato, tal como exposta no n. 233, pode ser comparada a interpretações históricas da relação entre antiga e nova aliança? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 230, amor e sabedoria sem uso não podem ser ditos existentes? # Quais são os três graus de altura nos sujeitos da vida, segundo o n. 230? # Como os graus celeste, espiritual e natural se relacionam aos reinos, segundo o n. 232? # O que muda na ilustração dos homens depois da tomada do humano, segundo o n. 233? # Por que, segundo o n. 234, o Senhor precisou tomar uma natureza semelhante à humana? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] 94p5k8k9mgr83ornnxgu5v69smic02l A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 12 0 131624 589383 2026-10-20T19:00:07Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 12 parte IIi 589383 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], os três graus de altura (discretos) estão presentes em cada ser humano desde o nascimento. Segundo o autor, eles se abrem de forma sucessiva, e, à medida que se abrem, o homem está no Senhor e o Senhor está no homem. Este capítulo expõe essa tese, a distinção entre os graus natural, espiritual e celeste, e a relação entre amor, sabedoria e uso, conforme apresentada nos números 236 a 241.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 236–241 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, os três graus de altura estão no homem desde o nascimento. * Identificar como cada grau se abre e cresce ao longo da vida. * Relacionar os graus à vontade, ao entendimento e à determinação ao uso. * Explicar a correspondência entre amor, sabedoria e uso como fim, causa e efeito. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Graus de altura (discretos)''' || Níveis distintos, dispostos um acima ou dentro do outro, que se relacionam como fim, causa e efeito. |- | '''Graus de largura (contínuos)''' || Crescimento gradual dentro de cada grau de altura. |- | '''Racionalidade''' || Faculdade do entendimento que permite compreender o vero e o bem. |- | '''Liberdade''' || Faculdade da vontade que permite fazer o vero e o bem. |- | '''Conclusum''' || Termo latino que, no texto, designa a determinação ligada ao uso que procede do amor e da sabedoria. |- | '''Correspondência''' || Relação entre os graus superiores e inferiores, que não é sentida pelo homem enquanto vive no mundo natural. |- | '''Mente natural, espiritual e celeste''' || Os três graus da mente humana, correspondentes à vontade e ao entendimento em cada grau. |} == Exposição do texto == === Presença e abertura dos três graus (n. 236) === Swedenborg afirma que os três graus de altura estão em cada homem desde o nascimento. Essa presença foi pouco considerada até então porque, enquanto esses graus permanecem ocultos, só se conhecem os graus contínuos. Segundo o autor, cada grau de altura também possui graus de largura, pelos quais cresce continuamente. Como os dois gêneros de graus estão nos muito grandes e nos muito pequenos (nn. 222–229), não pode haver graus de um gênero sem os do outro. === Os graus natural, espiritual e celeste (n. 237) === Segundo o texto, os três graus são chamados natural, espiritual e celeste (n. 232). O homem entra primeiro no grau natural, que cresce pelas ciências e pelo entendimento adquirido, até o ponto mais alto da razão, chamado racional. O grau espiritual não se abre por esse caminho, mas pelo amor dos usos segundo os intelectuais, sobretudo pelo amor espiritual dos usos, que é o amor ao próximo. Ele cresce com o conhecimento do vero e do bem, isto é, das verdades espirituais. O grau celeste, por sua vez, abre-se pelo amor celeste do uso, que é o amor ao Senhor. Para o autor, esse amor consiste em aplicar à vida os preceitos da Palavra: fugir dos males, por serem infernais e diabólicos, e praticar os bens, por serem celestes e divinos. {| class="wikitable" ! Grau !! Abertura !! Crescimento |- | '''Natural''' || Amor dos usos segundo os intelectuais || Ciências e entendimento adquirido, até a razão |- | '''Espiritual''' || Amor espiritual dos usos (amor ao próximo) || Conhecimento do vero e do bem |- | '''Celeste''' || Amor celeste do uso (amor ao Senhor) || Aplicação dos preceitos da Palavra à vida |} === A vida no mundo e após a morte (n. 238) === Enquanto vive no mundo, o homem, segundo Swedenborg, nada sabe da abertura desses graus, porque pensa, quer, fala e age pelo grau natural, que é o último. O grau espiritual, que é interior, comunica-se com o natural não por continuidade, mas por correspondências, e essa comunicação não é sentida. Após a morte, o homem se despoja do grau natural e entra no grau que nele foi aberto durante a vida. Quem abriu o grau espiritual passa a pensar, falar e agir de modo espiritual. Quem abriu o grau celeste pensa, quer, fala e age segundo esse grau. Como a comunicação entre os três graus existe apenas por correspondências, as diferenças do amor, da sabedoria e do uso entre eles não têm nada de comum por continuidade. === A vontade, o entendimento e a mente humana (n. 239) === Como há três graus de amor, de sabedoria e, por conseguinte, de uso, o autor conclui que há três graus da vontade, três graus do entendimento e três graus do conclusum, isto é, da determinação ao uso. A vontade é o receptáculo do amor; o entendimento, o receptáculo da sabedoria; e o conclusum pertence ao uso que provém de ambos. Assim, em cada homem há uma vontade e um entendimento naturais, espirituais e celestes, em potência desde o nascimento e em ato quando se abrem. Segundo o texto, a mente humana, formada pela vontade e pelo entendimento, possui três graus, de modo que há uma mente natural, uma mente espiritual e uma mente celeste. Por isso, o homem pode ser elevado à sabedoria angélica ainda no mundo, mas só entra nela plenamente após a morte, quando se torna anjo. Swedenborg relata que conheceu, depois da morte, um homem de sabedoria mediana, que então falava como anjo. Segundo ele, isso se deveu ao fato de que esse homem aplicara os preceitos da Palavra à vida e adorara o Senhor, sendo por isso elevado ao terceiro grau do amor e da sabedoria. === As duas faculdades humanas e a presença do Senhor (n. 240) === Segundo Swedenborg, o homem recebe do Senhor duas faculdades que o distinguem dos animais. A primeira é a racionalidade, pela qual compreende o que é o vero e o que é o bem, e que pertence ao entendimento. A segunda é a liberdade, pela qual pode fazer o vero e o bem, e que pertence à vontade. O autor observa que, pela racionalidade, o homem pode pensar o que lhe agrada, a favor ou contra Deus e a favor ou contra o próximo, e pode querer e fazer o que pensa. Quando, porém, quer o mal e teme a punição, pode, pela liberdade, abster-se. Essas duas faculdades procedem continuamente do Senhor e não podem ser retiradas, pois, se o fossem, o humano pereceria. Por isso, o Senhor está em todo homem, bom ou mau, e essas faculdades são a morada do Senhor no gênero humano. Quanto mais o homem abre os graus superiores, mais se aproxima do Senhor, pois entra nos graus superiores do amor e da sabedoria. Daí a afirmação do texto: conforme os graus são abertos, o homem está no Senhor e o Senhor está no homem. === Fim, causa e efeito: amor, sabedoria e uso (n. 241) === Swedenborg retoma a relação entre os graus de altura e os termos amor, sabedoria e uso. O amor é o fim, a sabedoria é a causa e o uso é o efeito. Segundo o autor, quem observa a própria razão, quando ela está na luz, percebe que o amor é o fim de tudo o que existe no homem, pois aquilo que ele ama é o que pensa, conclui e faz. A sabedoria é a causa, pois o amor, como fim, busca no entendimento os meios para alcançar seu objetivo. Os meios constituem a causa pela qual se chega ao fim. O uso é o efeito. Como esses três são homogêneos (nn. 189–194), o amor de cada homem corresponde à sua sabedoria e ao seu uso. Por isso, quando o texto diz "sabedoria", entende-se aquilo que pertence ao entendimento de cada um. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese dos três graus de altura une a presença do Senhor no homem à noção de abertura progressiva. Segundo essa leitura, a vida humana é um processo em que os graus interiores se abrem pela recepção do amor e da sabedoria, e o uso é a expressão concreta desse processo. Essa interpretação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais. Trata-se de uma formulação teológica, cujo sentido depende da leitura dos conceitos de amor, sabedoria e uso dentro da própria obra do autor . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a ideia de que o amor é o fim, a sabedoria a causa e o uso o efeito se aproxima ou se afasta da distinção aristotélica entre causa final, formal e eficiente? * Como a noção de que a mente humana se abre em graus sucessivos pode ser comparada a concepções de desenvolvimento moral em outras tradições? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 236, os três graus de altura passaram despercebidos até então? # Quais são as aberturas próprias dos graus natural, espiritual e celeste, segundo o n. 237? # Por que, segundo o n. 238, o homem não percebe a abertura de seus graus superiores enquanto vive no mundo? # Como o n. 239 relaciona a vontade, o entendimento e o conclusum aos três graus da mente? # Quais são as duas faculdades humanas apresentadas no n. 240, e como elas se relacionam ao Senhor? # Por que, segundo o n. 241, o amor é o fim, a sabedoria a causa e o uso o efeito? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] inoql1zjfbiqyt7gw7yxywd2725sdel A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 13 0 131625 589384 2026-10-20T19:03:08Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 13 parte III 589384 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], a luz espiritual, que corresponde à sabedoria, influi pelos três graus de altura no ser humano. O calor espiritual, que corresponde ao amor, só influi na medida em que o homem foge dos males como pecados e se volta para o Senhor. Este capítulo expõe essa distinção entre entendimento e vontade, apresentando a experiência descrita pelo autor no mundo espiritual e a comparação com a luz e o calor naturais, conforme os números 242 a 247.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 242–247 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, a luz espiritual influi nos três graus, e o calor espiritual não influi sem a aversão ao mal. * Distinguir a relação entre entendimento e vontade, segundo o autor. * Relacionar a abertura dos graus à conjunção entre calor e luz espirituais. * Reconhecer o papel da Racionalidade e da Liberdade, já tratadas no n. 240. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Luz espiritual''' || Receptáculo da sabedoria, que influi no entendimento pelos três graus de altura. |- | '''Calor espiritual''' || Receptáculo do amor, que influi na vontade apenas quando o homem se afasta do mal. |- | '''Formas diáfanas''' || Receptáculos do calor e da luz, dispostos em ordem tríplice, que transmitem a luz espiritual como o cristal transmite a luz natural. |- | '''Conjunção''' || União entre calor e luz, ou entre amor e sabedoria, que faz abrir os graus. |- | '''Concupiscência''' || Desejo que mantém o homem preso ao mal. Segundo o texto, pertence ao amor oposto ao amor espiritual. |- | '''Racionalidade e Liberdade''' || Faculdades próprias do homem, tratadas no n. 240: a primeira pertence ao entendimento, a segunda à vontade. |} == Exposição do texto == === Luz e calor, sabedoria e amor (n. 242) === Swedenborg recorda que, do Sol do Céu, procedem a luz, que é a sabedoria, e o calor, que é o amor. Quanto mais o homem entra na sabedoria, mais entra na luz divina, e quanto mais entra no amor, mais entra no calor divino. Os três graus de luz e de calor foram formados no homem para que ele seja receptáculo do Divino Amor e da Divina Sabedoria. O autor propõe a tese central: a luz espiritual influi pelos três graus no homem, mas o calor espiritual só influi na medida em que o homem foge dos males como pecados e se volta para o Senhor. Em outras palavras, o homem pode receber a sabedoria até o terceiro grau, mas não o amor, a não ser que se afaste do mal. Assim, o entendimento pode ser elevado à sabedoria, mas a vontade não, enquanto não houver essa aversão. === Experiência no mundo espiritual (n. 243) === Segundo Swedenborg, ele viu e percebeu, em muitas ocasiões, que espíritos simples, que sabiam apenas que há um Deus e que o Senhor nasceu homem, compreendiam plenamente os arcanos da sabedoria angélica, quase como os anjos. Também alguns da turba diabólica compreendiam esses arcanos. Eles os entendiam ao ouvi-los, mas não ao pensá-los por si mesmos. Ao ouvir, a luz entrava pelo alto. Ao pensar por si, só entrava a luz que correspondia ao seu calor, isto é, ao seu amor. O autor observa que, depois de ouvir e perceber esses arcanos, os espíritos simples os esqueciam ao se afastar. Os da turba diabólica os rejeitavam e negavam por completo, pois o fogo de seu amor e a sua luz, que eram quiméricas, introduziam trevas, que apagavam a luz celeste que vinha do alto. === O mesmo processo no mundo natural (n. 244) === Segundo o texto, o mesmo ocorre entre os homens. Quem não é totalmente estúpido, e não confirmou falsidades pelo orgulho da própria inteligência, compreende e retém os assuntos elevados quando os ouve ou lê, desde que esteja em alguma afeição pelo saber. O mau pode fazer o mesmo: mesmo negando de coração as verdades da Igreja, pode compreendê-las, ensiná-las e confirmá-las em escritos eruditos. Quando, porém, pensa por si mesmo, pensa contra elas, segundo seu amor infernal, e as nega. Daí o autor conclui que o entendimento pode estar na luz espiritual sem que a vontade esteja no calor espiritual. Assim, o entendimento não conduz a vontade, e a sabedoria não produz o amor, mas apenas ensina e mostra o caminho a seguir. Em sentido inverso, a vontade conduz o entendimento e faz com que ele aja em união com ela. O amor, que pertence à vontade, chama de sabedoria, no entendimento, aquilo que concorda com ele. Swedenborg anuncia que, no que se segue, mostrará que a vontade não age por si mesma sem o entendimento, mas que tudo o que faz é em conjunção com ele, e que a vontade atrai o entendimento para a sociedade com ela pelo influxo, e não o contrário. === Formas diáfanas e abertura dos graus (n. 245) === Segundo o autor, as formas que recebem o calor e a luz, dispostas em ordem tríplice, são diáfanas desde o nascimento. Elas transmitem a luz espiritual como o cristal transmite a luz natural, o que permite que o homem seja elevado na sabedoria até o terceiro grau. Essas formas, porém, só se abrem quando o calor espiritual se conjunta à luz espiritual, ou o amor à sabedoria. Swedenborg compara essa conjunção à ação do sol no mundo natural. A luz do inverno, tão brilhante quanto a do verão, não abre nada na semente ou na árvore. Elas se abrem quando o calor da primavera se une à luz. Segundo o texto, a luz espiritual corresponde à luz natural, e o calor espiritual corresponde ao calor natural. === Afastamento do mal e conversão ao Senhor (n. 246) === Para o autor, o calor espiritual só é adquirido quando o homem foge dos males como pecados e se volta para o Senhor. Enquanto está nos males, o homem está também no amor deles e em uma concupiscência por eles, que se opõe ao amor e à afeição espirituais. Esse amor não pode ser afastado sem que o homem fuja dos males como pecados. Como o homem não consegue fugir do mal por si mesmo, mas apenas pelo Senhor, deve voltar-se para Ele. Quando isso ocorre, o amor do mal e seu calor são afastados, e em seu lugar entram o amor do bem e seu calor. O grau superior se abre, e então o amor ou o calor espiritual se une à sabedoria ou à luz espiritual, como a árvore na primavera. === Influxo da luz e as faculdades humanas (n. 247) === Segundo Swedenborg, pelo influxo da luz espiritual nos três graus da mente, o homem se distingue dos animais. Ele pode pensar analiticamente e ver verdades não apenas naturais, mas também espirituais. Ao vê-las, pode reconhecê-las e, assim, ser reformado e regenerado. A faculdade de receber a luz espiritual é a Racionalidade, mencionada no n. 240. Ela está no homem pelo Senhor e não lhe é retirada, pois, se fosse, ele não poderia ser reformado. Pela Racionalidade, o homem pode pensar e falar segundo o pensamento, e pela Liberdade pode fazer o que pensa segundo o entendimento. Como o n. 240 já tratou dessas duas faculdades, o autor não voltará a elas neste ponto. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese dos n. 242 a 247 estabelece uma assimetria entre entendimento e vontade. O entendimento pode receber a luz espiritual sem a transformação moral, mas a vontade só recebe o calor espiritual quando há aversão ao mal e conversão ao Senhor. Essa leitura é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja. Ela também relaciona a abertura dos graus à conjunção entre amor e sabedoria, de modo análogo às estações do ano no mundo natural. Trata-se de uma formulação teológica, que não é verificada pelos métodos das ciências naturais. A ideia de que o Sol espiritual é a origem do amor e da sabedoria é apresentada, na própria obra, como consequência da doutrina do primeiro procedente . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a distinção entre compreender e querer, tal como exposta no n. 244, se aproxima ou se afasta de discussões sobre conhecimento e ação na história da filosofia moral? * A comparação entre a conjunção de calor e luz e a sucessão das estações, feita no n. 245, é uma analogia útil ou pode levar a leituras equivocadas? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 242, a luz espiritual influi nos três graus, mas o calor espiritual não? # O que a experiência relatada no n. 243 mostra sobre a relação entre ouvir e pensar por si mesmo? # Por que, segundo o n. 244, o entendimento pode estar na luz sem que a vontade esteja no calor? # Como o n. 245 compara a abertura das formas diáfanas ao processo da natureza? # Por que, segundo o n. 246, o homem precisa se voltar para o Senhor para fugir dos males? # Qual é a relação entre a Racionalidade, a Liberdade e a reforma do homem, segundo o n. 247? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] tbctfrfdlpucfmz28xne4iupkbz6ul2 A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 14 0 131626 589385 2026-10-20T19:06:14Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 14 parte IIi 589385 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o ser humano é descrito como portador de três graus da mente, que podem ser abertos de forma sucessiva. Segundo o autor, o grau natural se abre primeiro, e o espiritual se abre quando o homem foge dos males como pecados e se volta para o Senhor. Quando esses graus superiores permanecem fechados, o homem continua natural, e, em casos extremos, torna-se sensual. Este capítulo expõe essa distinção, os tipos de homens naturais e a diferença entre o homem natural e a besta, conforme os números 248 a 255.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 248–255 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Distinguir o homem natural do homem espiritual, segundo a doutrina atribuída a Swedenborg. * Identificar os três tipos de homens naturais apresentados no n. 249. * Compreender como o grau espiritual pode estar aberto, não aberto, mas não fechado, ou inteiramente fechado. * Explicar a diferença entre a vida do homem natural e a vida da besta. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Homem natural''' || Homem cujos graus superiores permanecem fechados e que pensa e age segundo o grau natural, que é o último. |- | '''Homem espiritual''' || Homem em quem o grau espiritual foi aberto. Quanto ao entendimento e à vontade, é como o mundo espiritual ou o céu. |- | '''Natural-espiritual''' || Homem natural que sente o prazer do uso pelo espiritual. |- | '''Sensual''' || Natural mais baixo, que não pensa acima das aparências e das ilusões dos sentidos e do corpo. |- | '''Preceitos divinos''' || Mandamentos da Palavra. A vida segundo eles é o que abre o grau espiritual. |- | '''Correspondência''' || Forma de comunicação entre o homem natural e o homem espiritual, não percebida enquanto o homem vive no mundo. |- | '''Região racional e região sensual''' || Partes superior e inferior do grau natural. Quando o grau espiritual se fecha, a região racional também se fecha, e resta apenas a região sensual. |} == Exposição do texto == === A abertura dos graus e o homem natural (n. 248) === Swedenborg recorda que os três graus da mente se abrem sucessivamente, primeiro o natural, depois o espiritual, quando o homem foge dos males como pecados e se volta para o Senhor, e por fim o celeste. Se os graus superiores não se abrem, o homem permanece no grau natural. No mundo, sabe-se que há um homem natural e um homem espiritual, ou um homem externo e um homem interno. Não se sabe, porém, que o homem natural se torna espiritual pela abertura de um grau superior, e que essa abertura se faz pela vida espiritual, isto é, pela vida segundo os preceitos divinos. === Três espécies de homens naturais (n. 249) === Segundo o autor, há três espécies de homens naturais: # Os que nada sabem dos preceitos divinos. Não podem deixar de permanecer naturais, porque todo homem é instruído sobre esses preceitos por outros, e não por revelações imediatas. Swedenborg remete, sobre esse ponto, à ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada'', nn. 114–118. # Os que sabem que há preceitos divinos, mas não pensam na vida segundo eles. Permanecem naturais, ocupados apenas com o mundo e o corpo. Depois da morte, tornam-se domésticos e servos, segundo os usos que podem desempenhar junto aos que são espirituais, pois o homem natural é doméstico e servo, e o homem espiritual é chefe e senhor. # Os que desprezam e negam os preceitos divinos. Permanecem naturais e se tornam sensuais, na medida em que desprezam e negam. Depois da morte, vão para o inferno. === Distinção entre o homem natural e o homem espiritual (n. 250) === Segundo o autor, a maioria das pessoas no mundo ignora o que é o homem espiritual e o que é o homem natural, e chama de espiritual quem é inteiramente natural, e vice-versa. Por isso, Swedenborg propõe cinco questões: # O que é o homem natural e o que é o homem espiritual. # Qual é o homem natural em quem o grau espiritual foi aberto. # Qual é o homem natural em quem o grau espiritual não foi aberto, mas não foi fechado. # Qual é o homem natural em quem o grau espiritual foi inteiramente fechado. # Qual é a diferença entre o homem absolutamente natural e a besta. === O homem natural e o homem espiritual (n. 251) === Para o autor, o homem é homem não pelo rosto e pelo corpo, mas pelo entendimento e pela vontade. Pelo homem natural e pelo homem espiritual entende-se, portanto, o entendimento e a vontade naturais ou espirituais. O homem natural, quanto ao entendimento e à vontade, é como o mundo natural, e pode ser chamado de microcosmo. O homem espiritual, quanto ao entendimento e à vontade, é como o mundo espiritual, que pode ser chamado de céu. Assim, o homem natural ama as coisas do mundo natural, e o homem espiritual ama as coisas do mundo espiritual. O homem espiritual também ama o mundo natural, mas como um chefe ama seu doméstico, pelos usos que dele se exigem. O homem espiritual ama as verdades espirituais, quer conhecê-las e também as quer praticar. O homem natural gosta de falar dessas verdades e também de praticá-las, e praticar as verdades é desempenhar usos. Essa subordinação decorre da conjunção entre o mundo espiritual e o mundo natural, pois tudo o que aparece no mundo natural tem sua causa no mundo espiritual. Dessa forma, o homem espiritual é distinto do homem natural, e a comunicação entre eles se dá como entre a causa e o efeito. === O homem natural com o grau espiritual aberto (n. 252) === Segundo o texto, o homem natural com o grau espiritual aberto é um homem completo, pois está associado aos anjos no céu e aos homens no mundo, sob os auspícios do Senhor. O homem espiritual colhe o conhecimento na Palavra pelo Senhor e o executa pelo homem natural. Quem tem o grau espiritual aberto sente que pensa por si mesmo, quando, na verdade, pensa pelo Senhor. Também não percebe que seu homem espiritual está no céu, entre os anjos, e que sua mente espiritual está cheia de arcanos da sabedoria e de prazeres do amor vindos do Senhor. Depois da morte, ele entra nesses arcanos e nesses prazeres, ao tornar-se anjo. A razão dessa falta de percepção é que a comunicação entre o homem natural e o espiritual se faz por correspondências. Essa comunicação não é percebida no entendimento, a não ser pelo fato de que os verdadeiros são vistos na luz, e não é percebida na vontade, a não ser pelo fato de que os usos se realizam com afeição. === O homem natural com o grau espiritual não aberto, mas não fechado (n. 253) === Segundo Swedenborg, o grau espiritual não se abre, mas também não se fecha, em quem leva uma espécie de vida de caridade, embora saiba pouco do verdadeiro real. O autor explica que esse grau se abre pela conjunção do amor e da sabedoria, ou do calor com a luz. O amor sozinho não o abre, nem a sabedoria sozinha. Quando os verdadeiros reais, de que provêm a sabedoria e a luz, não são conhecidos, o amor não consegue abrir o grau, mas o mantém em potência para que possa ser aberto. É isso que o texto entende por "não foi fechado". Ele compara essa situação ao reino vegetal, em que o calor sozinho não produz a vegetação, que depende da união do calor com a luz. Segundo o autor, todos os verdadeiros pertencem à luz espiritual e todos os bens ao calor espiritual. O bem abre o grau espiritual por meio dos verdadeiros, pois opera o uso por meio deles, e os usos são bens do amor, que retiram sua essência da conjunção do bem e do verdadeiro. Depois da morte, quem não teve o grau espiritual aberto, embora não fechado, permanece natural. Esses espíritos estão nos ínfimos do céu, onde às vezes sofrem, ou em um dos céus superiores, nos limites, onde estão como que em uma luz de fim de tarde. No céu, a luz diminui do centro até os limites. No centro estão os que possuem mais verdades divinas, e nos limites os que possuem poucas verdades. Estes últimos são os que sabem, pela religião, apenas que há um Deus, que o Senhor sofreu por eles, e que a caridade e a fé são os essenciais da Igreja, sem se apressar em saber o que são a fé e a caridade. Segundo o texto, a fé é, em sua essência, a verdade, e a verdade é múltipla. A caridade é toda obra de função que o homem realiza pelo Senhor, ao fugir dos males como pecados. Assim, a caridade entra nas obras e as qualifica somente na medida em que se une aos verdadeiros chamados verdades da fé. === O homem natural com o grau espiritual inteiramente fechado (n. 254) === Para o autor, o grau espiritual se fecha naqueles que estão nos males quanto à vida, e mais ainda nos que, pelos males, estão nos falsos. Swedenborg compara esse fechamento à contração de uma fibra nervosa diante de um corpo heterogêneo. O grau espiritual admite apenas os bens e os verdadeiros que provêm do bem, pois são homogêneos a ele. Os males e os falsos que procedem do mal lhe são heterogêneos, e por isso ele se contrai. Esse fechamento ocorre principalmente nos que, no mundo, vivem pelo amor de si, no amor de dominar, oposto ao amor ao Senhor. Também ocorre, em grau menor, nos que vivem pelo amor do mundo, na cobiça de possuir os bens alheios. Depois de fechado, o grau repele a luz do céu, e em seu lugar há obscuridade. A verdade, que está na luz do céu, passa a provocar desgosto. O fechamento atinge também a região racional do grau natural, de modo que resta aberta apenas a região sensual, a mais próxima do mundo e dos sentidos externos. Segundo o autor, o homem sensual aparece no mundo espiritual não como homem, mas como um monstro, de nariz retraído, porque o nariz corresponde à percepção do verdadeiro, e não suporta sequer um raio da luz do céu. === A diferença entre o homem natural e a besta (n. 255) === Segundo Swedenborg, a diferença entre o homem natural e a besta consiste em que o homem tem três graus da mente, que podem ser sucessivamente abertos. Por serem diáfanos, esses graus permitem ao entendimento ser elevado à luz do céu e ver não apenas verdades civis e morais, mas também espirituais. Assim, o homem pode concluir verdades em ordem e aperfeiçoar o entendimento de modo contínuo. A besta, ao contrário, possui apenas os graus naturais, que, sem os superiores, não dão faculdade de pensar sobre o civil, o moral ou o espiritual. Como esses graus não são suscetíveis de abertura, a besta não pensa em ordem sucessiva, mas em ordem simultânea, o que o autor chama de agir segundo uma ciência correspondente ao seu amor. Ela não raciocina nem fala, mas pode produzir sons de modo conforme à ciência de seu amor. O homem sensual, que pertence à última categoria, difere da besta apenas porque pode encher a memória de conhecimentos e pensar e falar segundo eles. Essa capacidade própria do homem, de compreender o verdadeiro, é o que faz a distinção. Segundo o autor, porém, muitos, pelo abuso dessa faculdade, tornaram-se inferiores às bestas. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese do homem natural une a noção de graus da mente à de vida segundo os preceitos. Segundo essa leitura, a abertura dos graus superiores depende de uma vida moral e espiritual, e não apenas do conhecimento. O texto distingue o saber do viver, ao afirmar que o conhecimento dos preceitos não basta, e que a abertura se faz pela vida segundo eles. Essa interpretação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais. A obra em que essas ideias aparecem é apresentada como parte dos escritos teológicos do autor . Um comentário informal sobre a obra de Swedenborg foi usado apenas como indício de circulação do tema, sem valor acadêmico. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a distinção entre saber os preceitos e viver segundo eles se aproxima ou se afasta de debates sobre ética e conduta na história da filosofia? * A comparação entre o homem natural e o microcosmo, feita no n. 251, pode ser lida como metáfora ou como concepção ontológica? == Questões de estudo == # Quais são as três espécies de homens naturais, segundo o n. 249? # Por que, segundo o n. 250, é preciso distinguir cinco questões sobre o homem natural e o espiritual? # Como a comunicação entre o homem natural e o espiritual se faz, segundo o n. 252? # Por que, segundo o n. 253, o amor sozinho não abre o grau espiritual? # Quais são as causas do fechamento do grau espiritual, segundo o n. 254? # Qual é a diferença entre o homem sensual e a besta, segundo o n. 255? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] 59o8ml0qh96xh5rwoto6vd954u444vk A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 15 0 131627 589386 2026-10-20T19:13:00Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 15 parte III 589386 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o grau natural da mente humana é contínuo em si mesmo. Quando é elevado pela correspondência com os dois graus superiores, porém, ele se mostra discreto. Segundo o autor, esse ponto pertence à sabedoria angélica e só pode ser apreendido com clareza quando o entendimento é elevado. Este capítulo apresenta a ilustração da mente natural, os seis efeitos dessa elevação e os casos em que a racionalidade não pode ser elevada, conforme os números 256 a 259.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 256–259 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que o grau natural é contínuo em si e discreto quando elevado. * Relacionar o grau natural aos dois graus superiores pela imagem do invólucro comum. * Reconhecer os seis efeitos da elevação da mente natural apresentados no n. 257. * Explicar por que a racionalidade pode ser elevada segundo o grau atingido, e por que há casos em que não pode. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Grau contínuo''' || Crescimento gradual, sem saltos, dentro de um mesmo grau. Corresponde ao grau de largura. |- | '''Grau discreto''' || Distinção entre graus dispostos um acima do outro. Corresponde ao grau de altura. |- | '''Mente natural''' || Mente em seu grau natural, composta de substâncias espirituais e naturais. |- | '''Invólucro comum''' || Imagem do grau natural como receptáculo que envolve e recebe a luz dos graus superiores. |- | '''Racionalidade''' || Faculdade de ser elevado à luz superior. Está sempre no homem, quer ele se eleve ou não. |- | '''Racional segundo o grau''' || Estado da racionalidade conforme o grau atingido: celeste, espiritual ou natural. |} == Exposição do texto == === A ilustração da mente natural (n. 256) === Swedenborg observa que a ilustração da mente natural não sobe pelos graus discretos, mas cresce pelo grau contínuo. À medida que cresce, é ilustrada pelo interior, pela luz dos dois graus superiores. O grau natural funciona como invólucro comum desses graus. Quando é elevado, o grau superior age pelo interior sobre o exterior natural e o ilumina. O grau natural recebe essa luz de modo contínuo, cada vez mais clara e pura, conforme a ascensão. Daí o autor conclui que o grau natural é ilustrado de modo discreto pelo interior, mas, em si mesmo, de modo contínuo. Enquanto vive no mundo, o homem não pode ser elevado à própria sabedoria dos anjos, mas apenas à luz superior até os anjos, e recebe a ilustração por essa luz. Como os efeitos tornam as causas visíveis, Swedenborg recorre a eles para tornar o assunto mais compreensível. === Os seis efeitos (n. 257) === Segundo o texto, a elevação da mente natural produz os seguintes efeitos: # A mente natural pode ser elevada à luz do céu, onde estão os anjos, e perceber naturalmente o que eles percebem espiritualmente. Essa percepção não é tão plena quanto a dos anjos, e a mente natural não chega à luz angélica em si mesma. # Elevada à luz do céu, a mente natural pode pensar e falar com os anjos. O pensamento e a linguagem dos anjos influem no pensamento e na linguagem naturais do homem, e não o contrário. Por isso, os anjos falam com o homem em sua língua natural. # Essa influência se dá pelo influxo espiritual no natural, e não por algum influxo natural no espiritual. # A sabedoria humana natural, enquanto o homem vive no mundo natural, não pode ser elevada à sabedoria angélica, mas apenas a uma imagem dela. Essa elevação se faz de modo contínuo, como da sombra à luz. O homem em quem o grau espiritual foi aberto entra nessa sabedoria após a morte, ou durante a vida, quando os sentidos do corpo se entorpecem. # A mente natural é composta de substâncias espirituais e naturais. O pensamento se faz pelas substâncias espirituais. Com a morte, as naturais se afastam, mas as espirituais permanecem, de modo que a mente conserva, como espírito ou anjo, uma forma semelhante à que tinha no mundo. # As substâncias naturais que se afastam com a morte formam o invólucro cutâneo do corpo espiritual, que subsiste por causa desse último continente natural. Por isso, não há espírito nem anjo que não tenha nascido homem. Swedenborg acrescenta que esses arcanos são apresentados para que se saiba o que é a mente natural no homem, tema que será tratado com mais detalhe nos artigos seguintes. === A racionalidade segundo o grau (n. 258) === Segundo o autor, todo homem nasce com a faculdade de compreender os verdadeiros até o grau íntimo em que estão os anjos do terceiro céu. O entendimento se eleva de modo contínuo em torno dos dois graus superiores e recebe a luz da sabedoria deles. Assim, o homem se torna racional conforme sua elevação: do terceiro grau, se for elevado a ele; do segundo, se for elevado ao segundo; e do primeiro, se não for elevado. Diz-se que ele se torna racional desses graus porque o grau natural é o receptáculo comum dessa luz. Se o homem não alcança a racionalidade no ponto mais alto, é porque o amor, que pertence à vontade, não se eleva da mesma maneira que a sabedoria, que pertence ao entendimento. O amor se eleva somente quando o homem foge dos males como pecados e pratica os bens da caridade, que são os usos realizados pelo Senhor. Se o amor não se eleva ao mesmo tempo, a sabedoria, mesmo tendo subido, recai até o amor. Por isso, o homem que não eleva seu amor ao grau espiritual continua racional apenas no último grau. A racionalidade, porém, que é a faculdade de ser elevado, permanece no homem, quer ele se eleve ou não. === Os casos em que a racionalidade não pode ser elevada (n. 259) === Swedenborg afirma que todo homem nasce com essa faculdade, desde que seus externos não tenham sido lesados. Podem lesá-los um acidente no útero, uma doença ou um ferimento na cabeça após o nascimento, ou um amor desenfreado que afrouxe os freios. Nesses casos, a racionalidade não pode ser elevada, porque a vida, que pertence à vontade e ao entendimento, não tem limites onde se termine. Sem esses limites, a vida não se dispõe para operar os atos finais, pois opera segundo as últimas determinações, e não por elas. Segundo o autor, a racionalidade também não pode ser elevada nas crianças pequenas, tema que ele retoma no n. 266. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese do grau natural une a noção de continuidade à de discrição. O grau natural é contínuo em si, mas se mostra discreto porque recebe a luz dos graus superiores como invólucro comum. Essa leitura também associa a elevação da racionalidade à união entre amor e sabedoria, e não apenas ao entendimento. Trata-se de uma formulação atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, que não é verificada pelos métodos das ciências naturais . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a imagem do grau natural como invólucro comum se aproxima ou se afasta de outras metáforas sobre a relação entre mente e corpo? * Como a distinção entre contínuo e discreto, apresentada no n. 256, pode ajudar a pensar o desenvolvimento da compreensão ao longo da vida? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 256, o grau natural é contínuo em si, mas se mostra discreto quando elevado? # Quais são os seis efeitos da elevação da mente natural, segundo o n. 257? # Por que, segundo o n. 258, a racionalidade pode ser do primeiro, do segundo ou do terceiro grau? # Por que, segundo o n. 258, o amor não se eleva da mesma maneira que a sabedoria? # Em quais situações a racionalidade não pode ser elevada, segundo o n. 259? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] c9t3tfzt685nnhk4qlgmeizzvoplzs5 A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 16 0 131628 589387 2026-10-20T19:16:36Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 16 parte III 589387 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], a mente natural é o invólucro e o continente dos graus superiores da mente humana. Segundo o autor, ela reage contra esses graus quando eles não estão abertos e age em conjunção com eles quando estão abertos. Este capítulo expõe a analogia com as túnicas e as fibras motrizes do corpo, a composição mista da mente natural e a passagem do estado de oposição ao de reforma, conforme os números 260 a 263.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 260–263 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, a mente natural reage contra os graus superiores. * Relacionar a reação da mente natural à analogia do corpo humano e de seus músculos. * Explicar por que a mente natural é composta de substâncias espirituais e naturais, e o que disso decorre. * Distinguir o estado de oposição do estado de reforma e regeneração. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Mente natural''' || Último grau da mente humana. Envolve e contém a mente espiritual e a mente celeste. |- | '''Reação''' || Resistência da mente natural aos influxos dos graus superiores quando estes não são abertos. Segundo o texto, é nascida com o homem (''connata''). |- | '''Interiores e continentes''' || Os graus superiores, contidos e protegidos pelo grau natural, como as vísceras pelas túnicas do corpo. |- | '''Fechamento da mente espiritual''' || Estado em que os graus superiores não influem, por causa da confirmação dos males e dos falsos. |- | '''Reforma e regeneração''' || Mudança de estado em que a mente natural passa a obedecer à mente espiritual, com a espiral voltada para cima. |- | '''Herança hereditária''' || Inclinação da mente natural ao oposto dos graus superiores, que, segundo o autor, é transmitida pelos pais. |} == Exposição do texto == === A mente natural como continente dos graus superiores (n. 260) === Swedenborg recorda que, no artigo anterior, a mente natural foi apresentada como o último grau, que envolve e encerra a mente espiritual e a mente celeste. Agora, ele se propõe a mostrar que a mente natural reage contra esses graus superiores ou interiores. Para ilustrar, o autor recorre ao corpo humano. Se não houvesse reação, os interiores, ou as coisas encerradas, se relaxariam e se lançariam para fora, espalhando-se de um lado e de outro. Seria como se as túnicas em torno do corpo não reagissem, e as vísceras, que são os interiores do corpo, escapassem. Do mesmo modo, se a membrana que envolve as fibras motrizes de um músculo não reagisse contra a força dessas fibras, a ação cessaria e os tecidos interiores se dissolveriam. Segundo o autor, o mesmo ocorre com o último grau de altura em relação aos graus superiores, pois a mente natural é o último grau da mente humana. A reação da mente natural contra a espiritual tem uma segunda causa: a mente natural é composta de substâncias do mundo espiritual e também de substâncias do mundo natural (n. 257). Estas últimas são, em si mesmas, mortas, e são postas em ação externamente pelas substâncias do mundo espiritual. Como resistem segundo sua natureza, reagem contra elas. Por isso, o homem natural reage contra o homem espiritual, e há combate entre eles. Dizer "homem natural e homem espiritual" equivale a dizer "mente natural e mente espiritual". === A reação quando a mente espiritual está fechada (n. 261) === Segundo o texto, quando a mente espiritual está fechada, a mente natural age continuamente contra o que pertence a ela e teme que dela influa algo que perturbe seus estados. O influxo da mente espiritual vem do céu, pois a mente espiritual, na forma, é o céu. O influxo da mente natural vem do mundo, pois a mente natural, na forma, é o mundo. Assim, quando a mente espiritual está fechada, a mente natural reage contra tudo o que vem do céu e só o admite na medida em que serve de meio para adquirir e possuir as coisas do mundo. Quando as coisas do céu servem de meio para os fins da mente natural, elas parecem celestes, mas tornam-se naturais, pois é o fim que as qualifica. O autor compara esses casos aos conhecimentos do homem natural, nos quais, por dentro, não há nada da vida. Como os celestes não se unem aos naturais de modo a formar um só, eles se separam, e os celestes, nos homens inteiramente naturais, ficam do lado de fora, ao redor dos naturais que estão no interior. Por isso, o homem inteiramente natural pode falar dos celestes, pregá-los e até simulá-los em atos, enquanto, por dentro, pensa contra eles. Ele age de um modo quando está só e de outro quando está em assembleia. === O homem que ama o mundo acima de tudo (n. 262) === Segundo Swedenborg, a mente natural, pela reação nascida com ela, age contra as coisas da mente espiritual quando o homem ama a si e ao mundo acima de todas as coisas. Nesse estado, ele sente prazer nos males de todo gênero, como adultérios, fraudes, vinganças e blasfêmias. Chega a reconhecer a natureza como criadora do universo e confirma tudo pelo seu racional. Depois das confirmações, perverte, sufoca ou repele os bens e as verdades da Igreja e do céu, foge deles, tem-nos em aversão ou os odeia. Ele faz isso em seu espírito e, no corpo, na medida em que ousa falar com os outros sem temer perda de reputação, da qual tira honra e proveito. Quando o homem é assim, fecha cada vez mais a mente espiritual, sobretudo pela confirmação do mal pelos falsos. Por isso, o mal e o falso confirmados não podem ser extirpados depois da morte, e só são extirpados no mundo, pelo arrependimento. === A mente natural aberta à mente espiritual (n. 263) === O estado da mente natural é outro quando a mente espiritual está aberta. Então, a mente natural se dispõe a obedecer à espiritual e se torna subordinada, pois a mente espiritual age sobre ela pelo interior e afasta o que nela reage. A mente natural se ajusta ao que age de modo concordante, e a reação excessiva vai sendo retirada. O autor explica que há ação e reação em todos os muito grandes e muito pequenos do universo, vivos ou mortos, e é daí que resulta o equilíbrio das coisas. Esse equilíbrio se perde quando a ação ultrapassa a reação, ou o inverso. O mesmo vale para a mente natural e a espiritual. Quando a mente natural age pelos prazeres do seu amor e pelos encantos do seu pensamento, que são em si mesmos males e falsos, sua reação repele o que pertence à mente espiritual, fecha as portas e faz com que a ação se realize apenas pelo que concorda com a sua reação. Assim, a mente espiritual se fecha, como uma espiral que se retorce. Ao contrário, quando a mente espiritual está aberta, a ação e a reação da mente natural se dão em sentido inverso. A mente espiritual age pelos interiores e, ao mesmo tempo, pelas coisas que, na mente natural, foram dispostas para obedecer aos interiores e aos exteriores. Isso faz retorcer a espiral em que se dão a ação e a reação da mente natural. Esta, por nascimento, é oposta às coisas da mente espiritual, pois a herda dos pais. Essa mudança de estado é chamada reforma e regeneração. Antes da reforma, a espiral se volta para baixo; depois dela, para cima. Por isso, antes da reforma o homem olha para o inferno, e depois, para o céu. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a tese da reação da mente natural une a noção de continente à de conflito e de transformação. Segundo essa leitura, o grau natural não é um simples envoltório passivo, mas o lugar onde se decide a orientação do homem: para o alto, quando se abre aos graus superiores, ou para baixo, quando os fecha. A analogia com o corpo, a espiral que se torce e a herança hereditária são imagens com que o autor descreve esse processo. Essa interpretação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais . Uma discussão informal sobre a obra do autor serve apenas como indício de que o tema circula fora dos meios acadêmicos . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a imagem da reação das túnicas e das vísceras, usada no n. 260, ajuda a pensar a relação entre impulsos internos e limites externos? * A ideia de que a orientação do homem depende de uma "espiral" que se volta para cima ou para baixo, no n. 263, pode ser comparada a metáforas de conversão em outras tradições? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 260, a mente natural precisa reagir para conter os graus superiores? # Quais são as duas causas da reação da mente natural, segundo os nn. 257 e 260? # O que acontece com a mente natural quando a mente espiritual está fechada, segundo o n. 261? # Quais são as características do homem que ama o mundo acima de todas as coisas, segundo o n. 262? # Como a reforma e a regeneração alteram a direção da espiral, segundo o n. 263? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] frefujnk01o37hp6rypg550o6ha5qpo A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 17 0 131629 589388 2026-10-20T19:19:14Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 17 parte III 589388 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], a origem do mal é explicada pelo abuso de duas faculdades próprias do ser humano: a Racionalidade, que compreende o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, e a Liberdade, que permite pensar, querer e fazer. Segundo o autor, essas faculdades estão em todo homem desde o nascimento, procedem do Senhor e não são retiradas. Este capítulo apresenta a ordem em que o autor desenvolve a tese, do uso das faculdades pelo homem mau à transmissão hereditária dos males, conforme os números 264 a 270.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 264–270 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Definir as faculdades da Racionalidade e da Liberdade, segundo o n. 264. * Compreender por que o homem mau goza dessas faculdades como o homem bom, segundo o n. 266. * Explicar como os males confirmados se tornam cousas do amor e da vida, segundo o n. 268. * Identificar a relação entre a mente natural, os males hereditários e a direção da mente, segundo o n. 270. == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Racionalidade''' || Faculdade de compreender os verdadeiros e, por conseguinte, os falsos, e os bens e, por conseguinte, os males. |- | '''Liberdade''' || Faculdade de pensar, querer e fazer livremente. |- | '''Confirmação''' || Ato de fixar, pelo raciocínio, uma proposição, verdadeira ou falsa. Segundo o texto, o homem pode confirmar tudo o que quer. |- | '''Cousas do amor e da vida''' || Males e falsos que, confirmados, passam a integrar a vontade, o entendimento e, por fim, o corpo. |- | '''Herança hereditária''' || Amores transmitidos dos pais aos descendentes, que se acumulam ao longo das gerações. |- | '''Circunvolução (''gyri'')''' || Disposição da mente natural e da mente espiritual em sentidos opostos, segundo o autor. |} == Exposição do texto == === As faculdades da Racionalidade e da Liberdade (n. 264) === Swedenborg define a Racionalidade como a faculdade de compreender os verdadeiros e, por conseguinte, os falsos, e os bens e, por conseguinte, os males. A Liberdade é a faculdade de pensar, querer e fazer livremente. Segundo o autor, essas duas faculdades estão em cada homem por criação e, portanto, desde o nascimento. Elas procedem do Senhor, não são retiradas e dão a aparência de que o homem pensa, fala, quer e age por si mesmo. Por meio delas, o Senhor habita em cada homem, o homem vive eternamente, pode ser reformado e regenerado e se distingue das bestas. === A ordem da exposição (n. 265) === Para tratar da origem do mal, Swedenborg apresenta cinco proposições: # O homem mau goza dessas duas faculdades como o homem bom. # O homem mau as usa para confirmar os males e os falsos, enquanto o homem bom as usa para confirmar os bens e os verdadeiros. # Os males e os falsos confirmados permanecem no homem e se tornam coisas de seu amor e, por conseguinte, de sua vida. # As coisas que se tornaram coisas do amor e da vida são transmitidas aos descendentes. # Todos os males, tanto os transmitidos pelos pais quanto os acrescentados, residem na mente natural. === O homem mau e as faculdades (n. 266) === Segundo o texto, a mente natural pode ser elevada, quanto ao entendimento, até a luz em que estão os anjos do terceiro céu. Por isso, o homem mau também goza da Racionalidade e pode pensar e falar dos verdadeiros. Quanto a querê-los e fazê-los, o autor afirma que a razão e a experiência o atestam. Pela razão, quem pode querer e fazer e não o faz é porque não ama querer e fazer; a Liberdade é dada a todo homem pelo Senhor, e recusar o bem, quando se pode praticá-lo, é um mal que se opõe a ela, embora se possa resistir a ele. Swedenborg apoia a tese também em sua experiência no mundo espiritual. Relata que viu espíritos maus, que interiormente eram demônios e haviam rejeitado os verdadeiros no mundo, percebendo os arcanos da sabedoria angélica tão bem quanto os bons. Esses espíritos afirmavam que podiam querer e fazer segundo os verdadeiros, mas não queriam. Segundo o autor, isso mostra que a Liberdade está nos maus como nos bons, e que o Senhor concede continuamente o poder de querer. Quanto à Racionalidade, ela não existe no homem antes da idade da razão. Até esse tempo, é como uma semente em um fruto que não amadureceu, incapaz de se abrir na terra ou de crescer em haste. O autor acrescenta que essa faculdade também não existe nos casos mencionados no n. 259. === O uso das faculdades para confirmar o mal ou o bem (n. 267) === Segundo Swedenborg, o homem natural pode elevar seu entendimento a uma luz superior até onde deseja. Quem está nos males, porém, não o eleva além da região mais alta da mente natural, e raramente o eleva à região da mente espiritual, porque teme perder os prazeres do amor que o sustentam. Quando vê verdades opostas a esses prazeres, ele as falsifica, as abandona com desprezo ou as guarda na memória como meios a serviço do amor de sua vida ou da vaidade de sua inteligência. O autor observa que o homem natural pode confirmar qualquer coisa, como mostram as heresias do mundo cristão, cada uma sustentada por seus seguidores. Entre as proposições que podem ser confirmadas, cita: que não há Deus; que a natureza é tudo e se criou a si mesma; que a religião é apenas um meio de manter os simples contidos; que a prudência humana faz tudo; que a Providência só mantém o universo na ordem em que foi criado; e que crimes como assassínio, adultério, roubo, fraude e vingança são permitidos, segundo Maquiavel e seus partidários. Quando os falsos são confirmados, aparecem em luz fantástica, e os verdadeiros se tornam sombras, visíveis apenas como fantasmas. Por isso, o autor aconselha o leitor a deixar de lado as confirmações, voltar-se para a própria racionalidade e considerar a proposição, pois assim verá seus falsos em toda a sua feiura. Segundo o texto, nenhuma besta pode abusar dessas faculdades, porque não as possui. Por isso, a besta nasce completa na ordem de sua vida e na ciência de seu amor natural. === A confirmação do mal e a formação do amor e da vida (n. 268) === Swedenborg afirma que as confirmações do mal e do falso não são senão coisas que afastam o bem e o verdadeiro. Se forem acrescentadas, rejeitam-nos, pois o mal afasta o bem e o falso afasta o verdadeiro. Essas confirmações também fecham o céu, pois todo bem e todo verdadeiro influem do Senhor pelo céu. Quando o céu está fechado, o homem está no inferno, em uma sociedade onde reinam males e falsos semelhantes, da qual não pode ser libertado sem mudança. O autor relata que conversou com espíritos que, havia séculos, haviam confirmado em si os falsos de sua religião, e que permaneciam nesses mesmos falsos. Segundo ele, o que o homem confirma em si torna-se coisa de seu amor e de sua vida. Como a vontade e o entendimento formam a vida de cada um, essas confirmações passam a pertencer à mente e, em seguida, ao corpo. Quem se confirmou nos males e nos falsos é assim "desde a cabeça até aos pés", e, quando é inteiramente tal, não pode ser levado ao estado oposto por nenhuma inversão. === A transmissão hereditária dos males (n. 269) === Segundo o texto, o homem nasce no mal e o recebe dos pais como herança. O autor corrige a ideia de que essa herança viria de Adão pelos pais: ela vem do pai, de quem provém a alma, e a alma se reveste do corpo na mãe. A semente que vem do pai é o primeiro receptáculo da vida, na forma do amor do pai. Como o amor de cada um é semelhante a si mesmo nos muito grandes e nos muito pequenos, há nele um esforço para a forma humana, que se desenvolve sucessivamente. Assim, os amores chamados hereditários vêm dos pais, dos avós e dos antepassados, e são transmitidos aos descendentes. Swedenborg observa que a experiência confirma isso, pela semelhança entre as nações, as famílias e as casas, e até pelas faces. O autor anuncia que tratará dessa transmissão com mais detalhe ao falar da correspondência entre a mente e o corpo. Por ora, interessa apenas mostrar que os males se derivam sucessivamente dos pais e se acumulam, até que o homem nasça apenas com o mal. A malignidade aumenta conforme a mente espiritual está fechada. Só há restabelecimento nos descendentes quando, pelo Senhor, eles fogem dos males como pecados. Só então a mente espiritual se abre, e por ela a mente natural é reconduzida à forma correspondente. === Os males na mente natural (n. 270) === Segundo o autor, os males e os falsos residem na mente natural porque ela é, na forma ou em imagem, o mundo, enquanto a mente espiritual é, na forma, o céu. O mal não pode ser alojado no céu. Por isso, a mente espiritual não se abre desde o nascimento, mas apenas em potência, para que possa ser aberta. A mente natural recebe em parte sua forma das substâncias do mundo natural, e a mente espiritual, somente das substâncias do mundo espiritual, conservadas em sua integridade pelo Senhor, para que o homem possa tornar-se homem, pois nasce animal. Swedenborg afirma que a mente natural está disposta em circunvoluções da direita para a esquerda, e a mente espiritual, da esquerda para a direita. Assim, as duas estão em sentido contrário. A circunvolução da direita para a esquerda se dirige para baixo, ao inferno, e a da esquerda para a direita se dirige para cima, ao céu. Para sustentar essa tese, o autor relata uma experiência: um espírito mau não consegue virar o corpo da esquerda para a direita, mas pode virá-lo da direita para a esquerda, enquanto um espírito bom vira com dificuldade da direita para a esquerda, mas facilmente da esquerda para a direita. Segundo ele, a circunvolução segue o fluxo dos interiores que pertencem à mente. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a origem do mal não está em uma faculdade defeituosa, mas no uso que o homem faz de faculdades que recebe do Senhor. Essa leitura une a noção de liberdade à de responsabilidade e à de transmissão hereditária dos amores. O texto também associa a confirmação do mal à perda de acesso aos graus superiores, e a reforma à abertura da mente espiritual. A tese é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais . Uma discussão informal sobre o autor serve apenas como indício de que o tema circula fora dos meios acadêmicos . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a distinção entre a faculdade de querer e o uso que se faz dela, tal como no n. 266, se aproxima ou se afasta de debates sobre a liberdade na história da filosofia? * Como a ideia de que as confirmações do mal se tornam parte do amor e da vida, no n. 268, pode ser comparada a teorias sobre hábito e formação do caráter? == Questões de estudo == # Quais são as duas faculdades humanas definidas no n. 264, e o que cada uma permite? # Por que, segundo o n. 266, o homem mau goza da Liberdade como o homem bom? # Por que, segundo o n. 267, a besta não pode abusar das faculdades humanas? # Como, segundo o n. 268, as confirmações do mal levam o homem ao inferno? # Qual é a diferença entre a transmissão hereditária e o restabelecimento, segundo o n. 269? # Por que, segundo o n. 270, os males residem na mente natural? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] hi76jfd9c92ayx2b0y3i9a3xscfvmmn A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 18 0 131630 589389 2026-10-20T19:22:53Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 18 parte III 589389 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], o mal e o bem são opostos, assim como os falsos do mal e os verdadeiros do bem. Segundo o autor, quem está no mal tende a chamar o mal de bem, porque o prazer do mal orienta seus juízos. Este capítulo examina essa tese em quatro etapas: a mente natural nos males como forma e imagem do inferno, a descida dessa mente pelos três graus, a oposição entre seus graus e os da mente espiritual, e a oposição geral entre o inferno e o céu, conforme os números 271 a 276.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 271–276 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, quem está no mal chama o mal de bem (n. 271). * Explicar por que a mente natural nos males é descrita como forma e imagem do inferno (n. 273). * Relacionar os três graus da mente natural aos três graus da mente espiritual (n. 275). * Reconhecer a inversão do juízo e da vida que, segundo o autor, decorre da oposição entre os amores (n. 276). == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Falso do mal''' || Juízo falso que nasce do amor do mal e se apresenta como verdade a quem está nele. |- | '''Verdadeiro do bem''' || Juízo verdadeiro que nasce do amor do bem, visto com clareza por quem está nele. |- | '''Forma e imagem do inferno''' || Estado da mente natural nos males e nos falsos, que corresponde ao inferno em seus estados. |- | '''Amor reinante''' || Amor dominante da mente natural, com suas concupiscências. No inferno, corresponde ao diabo. |- | '''Diabo e Satanás''' || Designações dos dois amores infernais: o amor de dominar, pelo amor de si, e o amor de possuir os bens alheios por artifício. |- | '''Conclusum''' || Resultado do amor pelo pensamento, ou da vontade pelo entendimento, no grau ínfimo da mente natural. O termo é latino, no original. |} == Exposição do texto == === O prazer do mal e a inversão do juízo (n. 271) === Segundo Swedenborg, todos reconhecem que o mal e o bem são opostos, mas quem está no mal sente prazer no que o agrada e, por isso, afirma que o mal é o bem. O autor oferece exemplos. Quem abusa da liberdade para pensar e fazer o mal chama isso de liberdade e chama escravidão o pensar o bem, embora a verdadeira liberdade esteja no bem. Quem ama o adultério chama liberdade o ato de cometê-lo e escravidão a sua proibição, pois sente prazer na lascívia e desprazer na castidade. Quem, pelo amor de si, está no amor de dominar encontra nele um prazer que supera os demais e chama bem tudo o que o sustenta. Daí a conclusão do autor: quem está no mal não pode ver o bem, mas quem está no bem pode ver o mal. O mal está embaixo, como numa caverna, e o bem está em cima, como sobre uma montanha. === O plano da exposição (n. 272) === Swedenborg observa que muitos ignoram o que é o mal e que ele é absolutamente oposto ao bem. Para esclarecer o assunto, propõe quatro pontos: # A mente natural, que está nos males e, por conseguinte, nos falsos, é a forma e a imagem do inferno. # A mente natural, que é forma e imagem do inferno, desce pelos três graus. # Os três graus da mente natural são opostos aos três graus da mente espiritual, que é forma e imagem do céu. # A mente natural que é o inferno está, em tudo, oposta à mente espiritual que é o céu. === A mente natural como forma do inferno (n. 273) === Segundo o texto, não é possível descrever aqui a forma substancial da mente natural, que será tratada na discussão sobre a correspondência entre mente e corpo. Aqui, trata-se apenas da forma quanto aos estados e às suas mudanças, pelas quais surgem percepções, pensamentos, intenções e vontades. Essa forma supõe um sujeito substancial, do mesmo modo que a visão não existe sem o olho. Quanto à semelhança com o inferno, o autor afirma que o amor reinante, com suas concupiscências, corresponde ao diabo, e os pensamentos do falso que nascem desse amor correspondem à tropa do diabo. Na Palavra, o diabo e sua tropa designam justamente isso. Assim, quem está nos males entra, após a morte, numa sociedade infernal semelhante a ele, pois entra na forma de seus próprios estados. Swedenborg distingue ainda um segundo amor infernal, chamado Satanás, subordinado ao primeiro: o amor de possuir os bens alheios por algum artifício. Suas tropas são as malícias engenhosas e a astúcia. Os que estão nesse inferno são em geral chamados satanases, e os do primeiro são chamados diabos. Essa distinção corresponde à divisão dos céus em dois reinos, o celeste e o espiritual. O inferno diabólico corresponde ao reino celeste, e o satânico, ao reino espiritual. O autor remete, para a divisão dos céus, à obra *Céu e Inferno*, nn. 20–28, e para a correspondência entre cada anjo e o céu em forma menor, a nn. 51–58. === A descida pelos três graus (n. 274) === Segundo o texto, os graus de altura e de largura, presentes nos muito grandes e nos muito pequenos (nn. 222–229), também estão na mente natural. A mente natural, por suas duas faculdades, a Racionalidade e a Liberdade, pode subir pelos três graus, até os bens e os verdadeiros, ou descer, até os males e os falsos. Quando sobe, os graus inferiores que tendem ao inferno se fecham. Quando desce, fecham-se os graus superiores que tendem ao céu, porque estão em reação. O recém-nascido não tem esses graus abertos nem fechados, pois ainda não conhece o bem nem o mal. Conforme se entrega a um ou a outro, os graus se abrem ou se fecham de um lado ou do outro. Quando se abrem do lado do inferno, o amor reinante, que pertence à vontade, ocupa o lugar supremo ou íntimo. O pensamento do falso, que pertence ao entendimento e nasce desse amor, ocupa o plano médio. O conclusum, isto é, o resultado do amor pelo pensamento, ocupa o lugar ínfimo. Os três graus estão em ordem como fim, causa e efeito, como já foi tratado. Segundo o autor, a descida desses graus é uma descida ao corpo, e por isso eles se adensam e se tornam materiais. Se verdades tiradas da Palavra são admitidas no segundo grau, o primeiro grau, que é o amor do mal, as falsifica e as torna servas. Por isso, as verdades da Igreja, quando servem de meios ao diabo, são profanadas nas pessoas cuja mente natural tem a forma do inferno. === A oposição entre os graus da mente (n. 275) === Swedenborg recorda que a mente humana tem três graus, que se voltam para o céu. A mente natural, quando se volta para baixo, também tem três graus, e cada um deles é oposto a um grau da mente que é o céu. Ele relata o que viu no mundo espiritual: há três céus, distinguidos pelos três graus de altura, e há três infernos, distinguidos pelos três graus de profundidade. O inferno mais baixo é oposto ao céu supremo, o médio ao céu médio, e o mais elevado ao último céu. Segundo o autor, essa oposição decorre da oposição entre os amores. O amor ao Senhor e, por conseguinte, o amor ao próximo formam o grau íntimo dos céus, enquanto o amor de si e o amor do mundo formam o grau ínfimo dos infernos. A sabedoria e a inteligência, segundo seus amores, formam o grau médio dos céus. A loucura e a tolice, que se apresentam como sabedoria, formam o grau médio dos infernos. Os resultados desses graus, guardados na memória como ciências ou fixados em atos no corpo, formam o último grau dos céus. Quando se tornam ciências ou atos, formam o grau externo dos infernos. Swedenborg relata duas experiências. Na primeira, um verdadeiro divino desceu do céu ao inferno e, durante o trajeto, foi mudado por graus em falso, até se tornar o oposto no inferno ínfimo. Na segunda, viu os infernos em sua posição em relação aos céus, e os que lá estavam apareciam invertidos, de cabeça para baixo, embora, entre eles, se vissem de pé. O autor compara essa situação aos antípodas. === A oposição em tudo (n. 276) === Segundo o texto, quando os amores são opostos, tudo o que pertence à percepção também se torna oposto. Do amor, que é a própria vida do homem, derivam todas as demais coisas, como riachos de sua fonte. As coisas que não provêm desse amor se separam, na mente natural, das que dele provêm. As que provêm do amor reinante ficam no meio, e as outras, nas laterais. Quando os verdadeiros da Igreja, tirados da Palavra, são relegados para longe do centro e por fim expulsos, o homem percebe o mal como bem e o falso como verdadeiro, e vice-versa. Ele toma a malícia pela sabedoria, a loucura pela inteligência, a astúcia pela prudência, e estima os bens corporais e mundanos, desprezando os divinos e celestes. Assim, a vida se inverte: o que pertence à cabeça é posto sob a planta dos pés, e o que pertence à planta dos pés é posto na cabeça. Por isso, Swedenborg conclui que, de vivo, o homem se torna morto. Chama-se vivo aquele cuja mente é o céu, e morto aquele cuja mente é o inferno. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a oposição entre o bem e o mal é apresentada como uma oposição de amores, que se estende da percepção à vida inteira. A mente natural, quando se fecha aos graus superiores, é descrita como forma e imagem do inferno, e a mente espiritual, quando se abre, como forma e imagem do céu. Essa leitura atribui ao amor a origem das percepções e dos juízos, e explica a inversão moral como um fenômeno de estados da mente. Essa interpretação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais . == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a ideia de que o juízo moral é moldado pelo prazer se aproxima ou se afasta de teorias da motivação em outras tradições filosóficas? * Como a imagem da caverna e da montanha, usada no n. 271, pode ser comparada a metáforas clássicas sobre conhecimento e ignorância? == Questões de estudo == # Por que, segundo o n. 271, quem está no mal chama o mal de bem? # Quais são os quatro pontos da exposição apresentada no n. 272? # Quais são os dois amores infernais, segundo o n. 273, e como se relacionam aos reinos celeste e espiritual? # Como, segundo o n. 274, os graus da mente natural se abrem ou se fecham conforme a vida do homem? # Quais são as duas experiências relatadas no n. 275, e o que elas mostram sobre a inversão dos bens e dos verdadeiros? # Por que, segundo o n. 276, a vida do homem que está no mal é descrita como morte? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Céu e Inferno''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] d9vh038jtso9exb1yk8i2buyl1oy5jl A Sabedoria Angélica/Parte III/Cap 19 0 131631 589391 2026-10-20T19:30:53Z Johny Antonio Zavalaga Villanueva 71561 Criei o capitulo 19 parte III 589391 wikitext text/x-wiki == Introdução == Nos escritos teológicos de [[w:Emanuel Swedenborg|Emanuel Swedenborg]], os atos e as obras do homem não são simples movimentos externos. Segundo o autor, neles estão encerradas as coisas da vontade e do entendimento, em três graus, do mesmo modo que a semente, o fruto ou o ovo contêm aquilo que não se vê à primeira vista. Este capítulo apresenta essa tese, a relação entre os graus e as obras, a percepção que os anjos têm dos atos humanos e a analogia com a linguagem, conforme os números 277 a 281.<ref>{{citar livro |sobrenome=Swedenborg |nome=Emanuel |título=Amor Divino e Sabedoria Divina |ano=1763 |editora=Swedenborg Foundation |url=https://swedenborg.com/product/divine-love-and-wisdom/ |acessodata=2026-10-20 |páginas=nn. 277–281 }}</ref> '''Objetivos de aprendizagem''' * Compreender por que, segundo Swedenborg, as obras encerram os três graus da mente natural (n. 277). * Explicar por que o último grau é o continente dos anteriores e por que cada grau se distingue dos demais (n. 278). * Relacionar a percepção dos anjos aos atos e às palavras humanas (nn. 279 e 280). * Reconhecer a conclusão do autor sobre o julgamento segundo as obras (n. 281). == Conceitos-chave == {| class="wikitable" ! Termo !! Definição atribuída a Swedenborg |- | '''Obra''' || Ato do corpo em que as coisas da mente se determinam em ação. Na forma externa, parece simples. |- | '''Primeiro grau''' || Afeições do amor da vontade. |- | '''Segundo grau''' || Pensamentos da percepção do entendimento. |- | '''Terceiro grau''' || Ideias da memória, mais próximas da linguagem. |- | '''Conclusum''' || Resultado de um grau que se fixa em ato ou em ciência. O termo é latino, no original. |- | '''Espiritual e celeste em cada vocábulo''' || Sentido que pertence à Divina Sabedoria e ao Divino Amor, segundo o autor, percebido pelos anjos na leitura santa da Palavra. |} == Exposição do texto == === As coisas da mente encerradas nas obras (n. 277) === Segundo o texto, a ciência dos graus permite descobrir que todas as coisas da mente, isto é, da vontade e do entendimento, estão encerradas nos atos e nas obras do homem. Os atos parecem, à vista externa, apenas o que são. Nos internos, porém, há inúmeras coisas: as forças das fibras motrizes de todo o corpo, que concorrem para a ação, e as coisas da mente que excitam e determinam essas forças. Swedenborg organiza essas coisas em três graus. O primeiro é o das afeições do amor da vontade. O segundo é o dos pensamentos da percepção do entendimento. O terceiro é o das ideias da memória, mais próximas da linguagem, de onde foram tomadas. Quando determinadas em ato, essas coisas formam as obras, nas quais os graus anteriores não aparecem na forma externa, embora estejam presentes. O autor remete ao que foi exposto nos nn. 209 a 216, sobre o último grau como complexo, continente e base dos anteriores, e aos nn. 217 a 221, sobre a plenitude dos graus de altura no último. === Os graus envolvidos no último (n. 278) === Segundo Swedenborg, os atos do corpo, vistos pelo olho, aparecem simples e uniformes, como as sementes, os bulbos, os ovos e as nozes na casca. Mesmo assim, contêm todos os anteriores de que provêm. Isso ocorre porque o último grau envolve os anteriores e, por isso, se distingue deles. Cada grau também está coberto por um invólucro e, por isso, se distingue dos outros. Daí, as coisas do primeiro grau não são conhecidas pelo segundo, e as do segundo não são conhecidas pelo terceiro. O autor exemplifica: o amor da vontade só é percebido no entendimento como uma espécie de prazer no pensamento da coisa. O amor da vontade, por sua vez, só se percebe na memória como uma espécie de encanto de saber e de falar. A obra, portanto, encerra todas essas causas, embora, na forma externa, pareça una. === A percepção dos anjos (n. 279) === Segundo o autor, os anjos percebem uma a uma as coisas que, pela mente, estão no ato: os anjos espirituais percebem as que estão no entendimento, e os anjos celestes, as que estão na vontade. Swedenborg reconhece que isso pode parecer um paradoxo, mas afirma que é verdadeiro. As coisas da mente que pertencem ao objeto presente ficam no centro, e as demais se dispõem em torno, segundo as afinidades. Ainda segundo o texto, os anjos percebem o homem conforme cada obra, em uma semelhança de seu amor, que varia segundo as determinações desse amor nas afeições e, portanto, nos pensamentos. Em suma, cada ato ou obra do homem espiritual é, para os anjos, como um fruto saboroso, útil e belo, que, uma vez aberto e provado, oferece sabor, uso e deleite. O autor remete ao n. 220 para a mesma percepção dos atos e das obras humanas. === A linguagem e a palavra (n. 280) === Swedenborg aplica o mesmo princípio à linguagem. Os anjos reconhecem, pelo som da fala, o amor do homem; pela articulação, a sua sabedoria. Segundo o autor, essas três causas estão presentes em cada palavra, que é como o conclusum, pois nela há o som, a articulação e o sentido. Conforme ele relata, anjos do terceiro céu lhe disseram que, ao ouvir as palavras de um homem que fala em sequência, percebem o estado comum de seu espírito e, às vezes, estados particulares. O autor acrescenta que, em cada vocábulo da Palavra, há um sentido espiritual, que pertence à Divina Sabedoria, e um sentido celeste, que pertence ao Divino Amor. Segundo ele, esses sentidos são percebidos pelos anjos quando a Palavra é lida santamente pelo homem. Afirma ter mostrado isso em diversos pontos da *Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada*. === A conclusão sobre as obras e o julgamento (n. 281) === Do que foi exposto, o autor conclui que, nas obras do homem cuja mente natural desce pelos três graus ao inferno, estão todos os seus males e falsos do mal. Nas obras do homem cuja mente natural sobe ao céu, estão todos os seus bens e verdadeiros. Segundo Swedenborg, os anjos percebem todos esses bens, verdadeiros, males e falsos por uma única palavra e uma única ação do homem. Daí, segundo o texto, a afirmação da Palavra de que o homem será julgado segundo suas obras e prestará contas de todas as suas palavras. == Análise teológica == Na doutrina swedenborgiana, a obra humana é lida como o lugar onde a vontade, o entendimento e a memória se tornam visíveis. Essa leitura atribui ao ato externo um conteúdo interior que só a percepção angélica alcança por inteiro. Ao unir a tese dos graus à do julgamento segundo as obras, o texto afirma que a vida interior se revela na ação. Essa interpretação é atribuída a Swedenborg e à tradição da Nova Igreja, e não é verificada pelos métodos das ciências naturais. == Aplicações e questões de reflexão == * Em que medida a ideia de que um ato simples pode conter várias camadas de intenção se aproxima ou se afasta de teorias sobre motivação e ação? * Como a comparação entre a obra e o fruto, no n. 279, ajuda a pensar a relação entre aparência e interioridade em outras áreas do conhecimento? == Questões de estudo == # O que, segundo o n. 277, está encerrado nas obras humanas, e quais são os três graus dessas coisas? # Por que, segundo o n. 278, as coisas de um grau não são conhecidas pelo grau seguinte? # Como, segundo o n. 279, os anjos percebem os atos humanos? # O que, segundo o n. 280, os anjos percebem na linguagem humana? # Qual é a conclusão do n. 281 sobre o julgamento segundo as obras? == Leitura complementar == * Swedenborg, Emanuel. ''Amor Divino e Sabedoria Divina''. * Swedenborg, Emanuel. ''Doutrina da Nova Jerusalém sobre a Escritura Sagrada''. * Swedenborg, Emanuel. ''Arcanos Celestes''. == Navegação == [[../|Retornar ao sumário]] == Referências == <references /> [[Categoria:Teologia]] [[Categoria:Swedenborg]] 0gur05a0vaf84ztraxoqodio8fknimj