Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.2 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/7 106 184693 552440 496985 2026-05-15T19:57:37Z Erick Soares3 19404 552440 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 3. crop).png|center|500px]] {{dhr|5}} {{t2|O SOMNO Á BEIRA DO RIO|sp = 0.1em}} {{dhr|2}} <hr style="width: 5em; height:1px; border:none; color:#000; background-color:#000; margin:auto;" /> {{dhr|4}} {{Capitular|N|cor=black}}AQUELLA casinha branca, — lá muito longe, móra uma triste velha, de mais de setenta annos. Coitada! Bem no fim da vida que está, e tremula, e catacega, sem um só dente na bocca— jururú... Todo o mundo tem dó d'ella: — Que tristeza viver sozinha no meio do matto... {{PT||[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado - Emília (pag 4. crop).png|left|150px]]}} Pois estão enganados. A velha vive feliz e bem contente da vida, graças a uma netinha órfã de pae e mãe, que lá mora des'que nasceu. Menina morena, de olhos pretos como duas jaboticabas – e reinadeira até alli!... Chama-se Lucia, mas ninguem a trata assim. Tem appellido. Yayá? Nenê? Maricota? Nada disso. Seu appellido é "Narizinho Rebitado", – não é preciso dizer porque. Alem de Lucia, existe na casa a tia Anastacia, uma excellente negra {{PT||de estimação, e mais a Excellentissima Senhora Dona Emilia, uma boneca de panno, fabricada pela preta e muito feiosa, a pobre, com seus olhos de retroz preto e as sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma cara de bruxa.}}<noinclude></noinclude> m696ilsza4c4a6zudjfqwfl9p4z4fgb 552444 552440 2026-05-15T20:10:26Z Erick Soares3 19404 552444 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 3. crop).png|center|500px]] {{dhr|5}} {{t2|O SOMNO Á BEIRA DO RIO|sp = 0.1em}} {{dhr|2}} <hr style="width: 5em; height:1px; border:none; color:#000; background-color:#000; margin:auto;" /> {{dhr|4}} {{Capitular|N|cor=black}}AQUELLA casinha branca, — lá muito longe, móra uma triste velha, de mais de setenta annos. Coitada! Bem no fim da vida que está, e tremula, e catacega, sem um só dente na bocca— jururú... Todo o mundo tem dó d'ella: — Que tristeza viver sozinha no meio do matto... Pois estão enganados. A velha vive feliz e bem contente da vida, graças a uma netinha órfã de pae e mãe, que lá mora des'que nasceu. Menina morena, de olhos pretos como duas jaboticabas – e reinadeira até alli!... Chama-se Lucia, mas ninguem a trata assim. Tem appellido. Yayá? Nenê? Maricota? Nada disso. Seu appellido é "Narizinho Rebitado", – não é preciso dizer porque. Alem de Lucia, existe na casa a tia Anastacia, uma excellente negra {{PT||de estimação, e mais a Excellentissima Senhora Dona Emilia, uma boneca de panno, fabricada pela preta e muito feiosa, a pobre, com seus olhos de retroz preto e as sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma cara de bruxa.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> otukv55y380oqdrtxsgp652v9g9lv4t Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/8 106 184697 552439 480667 2026-05-15T19:56:51Z Erick Soares3 19404 552439 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Todidac" />{{lh}}{{cabeçalho|''4''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{PT|[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado - Emília (pag 4. crop).png|left|150px]]}} {{PT|de estimação, e mais a Excellentissima Senhora Dona Emilia, uma boneca de panno, fabricada pela preta e muito feiosa, a pobre, com seus olhos de retroz preto e as sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma cara de bruxa.}} Mas apesar disso Narizinho quer muito bem á Sra. Dona Emilia, vive a conversar com ella e nunca se deita sem primeiro accommodal-a numa rêdinha armada entre dois pés de cadeira. Fóra esta bruxa de panno, o outro encanto de Narizinho é um ribeirão que passa no fundo do pomar, de aguas tão claras que se vêem as pedras do fundo e toda a peixaria miuda. Não se passa um dia sem que Lucia vá sentar-se á beira d'agua, na raiz de um velho ingázeiro, alli ficando horas, a ouvir o barulhinho da corrente e a dar comida aos peixes. E elles bem que a conhecem! É vir chegando a menina e todos lá vêm correndo, de longe, com as cabecinhas erguidas, numa grande famiteza. Chegam primeiro os piquiras, os guarús barrigudinhos, de olhos saltados; vêm depois os lambarys ariscos de rabo vermelho; e finalmente uma ou outra parapitinga desconfiada. E nesse divertimento fica a menina até que a tia Anastacia appareça no portãosinho do pomar e grite com a sua voz socegada: — Narizinho! Vovó está chamando! E assim vivem aquellas tres creaturas, lá no fundo do grotoão, muito socegadas da vida, sem inquietações nem aborrecimentos. Certa vez, estando a menina á beira do rio, com a sua boneca, sentiu os olhos pesados e uma grande lombeira pelo corpo. Estirou-se na relva e logo dormiu, embalada pelo murmurinho do ribeirão. E estava já a sonhar um {{PT||lindo sonho quando sentiu cocegas no rosto. Arregalou os olhos e, com grande assombro, viu de pé na ponta do seu narizinho um peixinho vestido. Vestido sim, pois não! Trazia casaco vermelho, cartola na cabeça e flôr ao peito: — uma galanteza! O animalzinho olhava para o rosto della com ar de quem não está comprehendendo coisa nenhuma.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> l3p4y6yeuhgs9e5llmfqtd1cf7us441 552441 552439 2026-05-15T19:58:11Z Erick Soares3 19404 552441 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Todidac" />{{lh}}{{cabeçalho|''4''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{PT|[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado - Emília (pag 4. crop).png|left|150px]]}} {{PT|de estimação, e mais a Excellentissima Senhora Dona Emilia, uma boneca de panno, fabricada pela preta e muito feiosa, a pobre, com seus olhos de retroz preto e as sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma cara de bruxa.}} Mas apesar disso Narizinho quer muito bem á Sra. Dona Emilia, vive a conversar com ella e nunca se deita sem primeiro accommodal-a numa rêdinha armada entre dois pés de cadeira. Fóra esta bruxa de panno, o outro encanto de Narizinho é um ribeirão que passa no fundo do pomar, de aguas tão claras que se vêem as pedras do fundo e toda a peixaria miuda. Não se passa um dia sem que Lucia vá sentar-se á beira d'agua, na raiz de um velho ingázeiro, alli ficando horas, a ouvir o barulhinho da corrente e a dar comida aos peixes. E elles bem que a conhecem! É vir chegando a menina e todos lá vêm correndo, de longe, com as cabecinhas erguidas, numa grande famiteza. Chegam primeiro os piquiras, os guarús barrigudinhos, de olhos saltados; vêm depois os lambarys ariscos de rabo vermelho; e finalmente uma ou outra parapitinga desconfiada. E nesse divertimento fica a menina até que a tia Anastacia appareça no portãosinho do pomar e grite com a sua voz socegada: — Narizinho! Vovó está chamando! E assim vivem aquellas tres creaturas, lá no fundo do grotoão, muito socegadas da vida, sem inquietações nem aborrecimentos. Certa vez, estando a menina á beira do rio, com a sua boneca, sentiu os olhos pesados e uma grande lombeira pelo corpo. Estirou-se na relva e logo dormiu, embalada pelo murmurinho do ribeirão. E estava já a sonhar um {{PT||lindo sonho quando sentiu cocegas no rosto. Arregalou os olhos e, com grande assombro, viu de pé na ponta do seu narizinho um peixinho vestido. Vestido sim, pois não! Trazia casaco vermelho, cartola na cabeça e flôr ao peito: — uma galanteza! O animalzinho olhava para o rosto della com ar de quem não está comprehendendo coisa nenhuma.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> mrmgm3djokl3lbbbogckmc36ab3nbgz 552443 552441 2026-05-15T20:10:10Z Erick Soares3 19404 552443 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Todidac" />{{lh}}{{cabeçalho|''4''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado - Emília (pag 4. crop).png|left|150px]] {{PT|de estimação, e mais a Excellentissima Senhora Dona Emilia, uma boneca de panno, fabricada pela preta e muito feiosa, a pobre, com seus olhos de retroz preto e as sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma cara de bruxa.}} Mas apesar disso Narizinho quer muito bem á Sra. Dona Emilia, vive a conversar com ella e nunca se deita sem primeiro accommodal-a numa rêdinha armada entre dois pés de cadeira. Fóra esta bruxa de panno, o outro encanto de Narizinho é um ribeirão que passa no fundo do pomar, de aguas tão claras que se vêem as pedras do fundo e toda a peixaria miuda. Não se passa um dia sem que Lucia vá sentar-se á beira d'agua, na raiz de um velho ingázeiro, alli ficando horas, a ouvir o barulhinho da corrente e a dar comida aos peixes. E elles bem que a conhecem! É vir chegando a menina e todos lá vêm correndo, de longe, com as cabecinhas erguidas, numa grande famiteza. Chegam primeiro os piquiras, os guarús barrigudinhos, de olhos saltados; vêm depois os lambarys ariscos de rabo vermelho; e finalmente uma ou outra parapitinga desconfiada. E nesse divertimento fica a menina até que a tia Anastacia appareça no portãosinho do pomar e grite com a sua voz socegada: — Narizinho! Vovó está chamando! E assim vivem aquellas tres creaturas, lá no fundo do grotoão, muito socegadas da vida, sem inquietações nem aborrecimentos. Certa vez, estando a menina á beira do rio, com a sua boneca, sentiu os olhos pesados e uma grande lombeira pelo corpo. Estirou-se na relva e logo dormiu, embalada pelo murmurinho do ribeirão. E estava já a sonhar um {{PT||lindo sonho quando sentiu cocegas no rosto. Arregalou os olhos e, com grande assombro, viu de pé na ponta do seu narizinho um peixinho vestido. Vestido sim, pois não! Trazia casaco vermelho, cartola na cabeça e flôr ao peito: — uma galanteza! O animalzinho olhava para o rosto della com ar de quem não está comprehendendo coisa nenhuma.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> afmgdw9kqo4k6dzo9cme58i7kcudbso Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/9 106 184743 552446 480989 2026-05-16T00:11:46Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 552446 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''5''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 5. crop).png|right|180px]] {{PT|lindo sonho quando sentiu cocegas no rosto. Arregalou os olhos e, com grande assombro, viu de pé na ponta do seu narizinho um peixinho vestido. Vestido sim, pois não! Trazia casaco vermelho, cartola na cabeça e flôr ao peito: — uma galanteza! O animalzinho olhava para o rosto della com ar de quem não está comprehendendo coisa nenhuma.}} Tão admirada ficou a menina da maravilhosa scena que reteve o folego, com medo de assustar o curioso, e assim permaneceu algum tempo até que a zoada de um insecto a distrahiu. Era um besourão que voava por cima da sua cabeça e que depois dumas tantas voltas veiu pousar-lhe na testa. Narizinho, arrepiada, ia espantal-o com um bom tabefe, quando notou que tambem elle estava vestido de gente, com sobrecasaca, oculos e bengalão. Conteve-se e ficou bem quietinha a ver em que dava aquillo. O besouro, notando a presença do senhor peixe, levou a mão ao chapéo e cumprimentou-o amavelmente: — Ora viva, mestre Escamado! Como lhe vae a saúdinha? — Assim, assim, amigo Cascudo. Lasquei hontem tres escamas do lombo e o medico receitou-me ares de campo. Vim tomar o remedio, mas aqui encontrei este morro que não é meu conhecido, e estou a parafusar que diacho de terra tão branca e lisa é esta. Será porventura marmore? disse, batendo com a biqueira do guarda-chuva no nariz de Narizinho. O besouro, sujeitão muito entendido em questões de terra, pois vive {{PT||a fazer buracos, agachou-se, ageitou no bico os oculos e depois de examinar a "terra" disse:}} {{nop}}<noinclude></noinclude> ab9htkghj235qs5ocgbmr7bg9ahpssy Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/10 106 184747 552447 480669 2026-05-16T00:14:15Z Erick Soares3 19404 552447 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''6''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 6. crop).png |align=left |width=320px |padt=2em }} {{PT|a fazer buracos, agachou-se, ageitou no bico os oculos e depois de examinar a "terra" disse:}} — Marmore não é. Parece antes borracha ou requeijão!... — E estas plantinhas sem folhas? perguntou Escamado, mostrando as sobrancelhas. — Devem ser varas de vime ou barbatanas, não vê como são flexiveis? Vou levar um feixinho dellas ao compadre Grillo para que me faça um balaio de costura. — E eu outro, para Dona Aranha Costureira collocar nos espartilhos. E puzeram-se os dois a tirar fios da sobrancelha de Narizinho. Cada "barbatana" que arrancavam era uma dorzinha aguda, e bem vontade teve a "terra" de varrel-os d'alli com uma tapona, mas tudo supportou, sem a menor careta, tão interessante estava achando a singular aventura. E ficou immovel, a espiar a manobra dos curiosos bichinhos entretidos na colheira das varas de barbatana, pensando lá comsigo: {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 6. crop) - 2.png |align=right |width=300px |padt=2em }} {{nop}}<noinclude></noinclude> khdd4m136qj1ndajalag0t5a2wi3l0c Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/11 106 184750 552448 409527 2026-05-16T00:14:33Z Erick Soares3 19404 552448 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''7''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>— Esta é boa! Parece que virei baleia!... Em seguida o peixinho, com o feixe de barbatanas debaixo do braço, desceu e principiou a examinar attentamente os labios e as faces da menina. Deante do nariz parou e, apontando-lhe para as ventas, disse: — Ora aqui está uma tóca muito geitosa para um casal de besouros. Dois commodos, um para o marido, outro para a senhora besoura. Optimo !... [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 7. crop).png|right|190px]] — Geitosa ella é, disse o besouro, mas bom será que não more aqui algum maldicto escorpião!... — Não creio, retrucou o peixinho. Os escorpiões mudaram-se para o outro lado do rio, onde ha muitos cupins velhos. — Apesar disso, acrescentou o besouro, corre na bocca do povo que um delles anda por cá, assolando estas paragens. E bem pode ser que esteja escondido justamente nesta caverna. — Não creio, disse o peixinho. Tenho uma boa policia que me informa dos menores passos desses monstros. — Em todo o caso vejamos, disse prudentemente o besouro, sacudindo dentro da "tocca" o seu bengalão : — Hu! Hu! Sae fóra, tinhoso! Mas aconteceu que a bengala fez cocegas nas ventas da menina e ella, por mais que se expremesse, não poude conter um grande espirro: "Atchin!" {{nop}}<noinclude></noinclude> frxzaovd0eze0uwzwdd930nf9m8tepq Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/12 106 184758 552449 409526 2026-05-16T00:15:13Z Erick Soares3 19404 552449 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''8''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 8. crop).png|left|200px]] Os dois bichinhos, pegados de surpreza, reviraram de pernas para o ar, cahindo um grande tombo no chão. — Não disse? exclamou o besouro, erguendo-se e limpando com a manga o chapéo sujo de terra. Não disse que havia "coisa" ahi dentro? É a tóca do Escorpião Negro, não resta a menor duvida, e eu com raças de ferrão venenoso não quero historias, não! Até logo, amigo Escamado, sáre bem e seja muito feliz. Caspité! E lá se foi pelos ares afóra, zumbindo que nem um aeroplano... {{dhr|5}} {{Capitular|O|cor=black}} peixinho, porem, era um guarú valente que nunca teve medo de cucas, e porisso alli continuou firme, cada vez mais interessado em decifrar o enigma. Pensou, pensou muito tempo, de mãosinha no queixo, e de repente, vendo a boneca ao lado da menina, bateu na testa, numa grande alegria: — E esta! Pois não é que é Narizinho Rebitado, a nossa amiguinha de todos os dias? Bello encontro! Vou convidal-a a visitar o Reino das<noinclude></noinclude> g3unoeavawubi24i56pe0a7jc45mrkb Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/14 106 184807 552450 497008 2026-05-16T00:15:59Z Erick Soares3 19404 552450 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''10''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>de uma noite sem estrellas, e Narizinho parou, cheia de medo. O peixinho sorriu e disse: {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 10. crop).png |align=left |width=200px |padt=2em }} — Os filhos dos homens só enxergam quando ha luz, mas os filhos das aguas são como as corujas: — tanto vêem no claro como no escuro. E puxou do bolso um vagalume de olhos accesos, pendurado num cabinho de arame. A caverna clareou á luz da lanterna viva, e Narizinho poude ver que se achava n'um corredor comprido, especie de tunnel, com uma porta ao fundo, fechada. Encostado nessa porta estava um sapo rajado, de espada á cintura, capacete na cabeça e lança na mão. Era o guarda do palacio. Mas dormia a somno solto, num regalo! — É isto! exclamou o principe, furioso. Pago a mestre "Agarra - e - Não - Larga - Mais" cincoenta moscas por dia para me tomar conta desta porta e assim que sáio o ladrão ferra-me no somno! Mas desta vez me paga! disse preparando-se para acordal-o a ponta-pés. — Não! Não! interviu Narizinho. Vamos antes pregar-lhe uma boa peça. Tiramos as armas desse dorminhoco e vestimol-o com a roupa da Emilia. Imagine o espanto delle quando acordar! Escamado achou optima a idéa e, pulando os dois de contentes, {{Começo de palavra hifenizada|puze|puzeram-se}}<noinclude></noinclude> gz4nas1t3zrkp8w0st2g4mih8b87o8b Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/15 106 184812 552451 480670 2026-05-16T00:16:11Z Erick Soares3 19404 552451 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''11''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Término de palavra hifenizada|ram-se|puzeram-se}} a despir o sapo, muito devagarinho : depois amarraram-lhe á cintura o saiote de pintas vermelhas da Emilia, puzeram-lhe na cabeça a touca da boneca e, em lugar da lança, um guarda-chuva. Ficou tão engraçado o pobre sapo que a menina a custo continha as gargalhadas. [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 11. crop).png|right|150px]] — Vamos acordal-o agora, disse Escamado, pespegando-lhe um formidavel pontapé na barriga. — Hum! gemeu o sapo, arregalando os olhos e abrindo a bocca, espantado de ver o principe em companhia d'uma menina desconhecida e d'uma senhora boneca muito envergonhada de achar-se em fralda de camisa. Escamado, muito têsinho, engrossou a voz e ralhou: — Bella cousa, mestre Agarra. Vestido de mulher, você o guarda do palacio! — Vestido de mulher? Eu? disse o sapo espantado. — Mire-se neste espelho, disse o principe. Só então o sapo percebeu a judiaria de que tinha sido victima. Ficou apalermado, a olhar para o principe, para a menina e para o espelho, sem nada comprehender do caso. — Agora, por castigo, disse o principe, em vez das cincoenta {{PT||moscas do nosso trato, vae engulir hoje cincoenta pedrinhas redondas, ouviu?}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 60nktbg72x79t2q83mswookw2zafebx Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/19 106 184860 552452 480672 2026-05-16T00:16:53Z Erick Soares3 19404 552452 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''15''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>dos doentes. Os dois bagres de barriga amarella estavam numa das camas, embrulhados em tres cobertores, muito pallidos e suando em bicas. Escamado tomou-lhes o pulso e viu que tinham febre alta. — Queira Deus não batam as botas!... disse elle para Narizinho. O doutor Caramujo é um grande medico mas os doentes d'elle morrem todos... Não tem sorte nenhuma... Mais adeante, em outra cama, gemia o pae-barata, ferido mortalmente pela rá verde. — Como vae este freguez? perguntou o principe. — Muito mal, respondeu Caramujo. Quebrou cinco pernas, rasgou uma asa, e está todo arrebentado por dentro. Dei-lhe as pilulas de mestre Escaravelho mas não tenho esperanças de salval-o. — Já se confessou? indagou o principe? [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 15. crop).png|right|150px]] — Confessou-se agorinha mesmo e vae commungar neste instante. Ahi vem Frei Louva-a-Deos com os sacramentos. Nem bem pronunciara o medico taes palavras, eis que entra Frei Louva-a-Deos, acompanhado dum mosquito coroinha. Era tão triste a scena que Narizinho sentiu vontade de chorar. O frade animou o doente, falou da belleza do céo e offereceu-lhe a hostia sagrada : uma escamazinha de peixe. Nem podia sentar-se na cama, o pobre. Foi preciso que as irmás enfermeiras {{PT||o erguessem pelos hombros e ficassem alli a sustel-o. O baratão moribundo enguliu a hostia, fez uma careta, engasgou, tossiu e morreu.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 1x50g9havhj2e7kobh4fb6cxqn6eomr Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/21 106 184877 552453 496987 2026-05-16T00:17:21Z Erick Soares3 19404 552453 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''17''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{dhr|5}} {{T2|NO PALACIO REAL|sp = 0.1em}} {{Capitular|D|cor=black}}E volta ao palacio real teve a menina occasião de visitar numerosas salas, lindamente enfeitadas com avencas, samambaias e musgos de todas as cores. Viu tambem a bibliotheca, cheia de livros onde os sabios escreveram toda a historia do reino. E lá estava, ainda, folheando-os, um por um, quando um grillo recadeiro veiu chamal-a para o jantar. Foi, sentou-se á mesa ao lado do principe, e muito admirou o bom gosto com que tudo estava arrumado. — Artes das senhoras saúvas, disse Escamado. São ellas que colhem as florinhas do campo e enfeitam estes vasos. [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 17. crop).png|right|150px]] Os pratos eram lindas conchas côr de rosa, e as terrinhas, busios de brilhante esmalte. Grillos verdes serviam de criados e traziam da cozinha os pratos em que um caranguejo gordo, de avental branco e gorra, ia dando os ultimos retoques. Veiu uma deliciosa sopa de barbas de camarão, e, depois, lombo de marisco, filé de cigarra, entrecosto de mãe-d-'agua, omelete {{PT||de ovos de tainha. Para a sobremesa trouxeram mel de jity em petalas de magnolia, e mil outras preciosidades.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 38nr8vnvjnov3uc76p9rr8kgic9lhne Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/24 106 184882 552454 409541 2026-05-16T00:19:05Z Erick Soares3 19404 552454 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''20''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 20. crop).png |align=right |width=150px |padt=2em }} Não podia haver coisa mais linda e Narizinho bateu palmas de alegria, deixando a aranha toda cheia de si porque esse vestido era inteirinho obra della; ella mesma fabricára o fio, tecera a gaze e ella mesma o cosera. — Vejo que a menina tem muito bom gosto! disse a aranha lisonjeada. E, linda como é, si fôr com elle á festa, certamente que será a rainha da noite. E poz-se a vestil-a, deante {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 20. crop) - 2.png |align=left |width=150px |padt=2em }} de um espelho de prata. Penteou-lhe o cabello á moda do reino, calçou-lhe nos pés lindos escarpins de ouro e, nas mãos, luvas fabricadas com pellica de pecego. Deu-lhe depois um maravilhoso leque bordado a raios de sol sobre asas de mãe-d'-agua. Narizinho não cabia em si de<noinclude></noinclude> sfz72jbhri3rplgi7l7ommh7rwd899h Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/25 106 184885 552455 480676 2026-05-16T00:19:25Z Erick Soares3 19404 552455 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''21''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>gosto e mirando-se, ao espelho, duvidava dos proprios olhos: — Serei eu mesma uma fada das Mil e Uma Noites? Quando julgou que já estivesse prompta veiu a Aranha com varios cofres cheios de diademas, collares, anneis e braceletes capazes de dar inveja ás mais opulentas princezas do mundo. Narizinho escolheu as mais lindas e assim recamada de ouro e brilhantes ficou a scintillar como um sol. [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 21. crop).png|right|250px]] — Está "quasi" prompta, disse a Aranha. — Quasi? disse Narizinho, sorrindo. Pois falta ainda alguma cousa? A aranha respondeu mandando vir escrinios com pó das asas das mais raras borboletas e polvilhou-a inteira de azul furta-côr. Que maravilha! O proprio espelho chegou a abrir a bocca, espantado de tanta formosura. Subitamente a porta abriu-se e appareceu o principe. — Senhora, disse elle, a côrte reunida no grande salão aguarda anciosa a rainha da festa. Vinde! E, dando-lhe a mão, conduziu-a com grande cerimonia ao baile. Mal Narizinho entrou, pela sala real correu um murmurio de admiração, muito explicavel, visto como jamais apparecera em Aguas Claras creatura assim tão deslumbrante. E começaram a cochichar que com certeza era a propria Fada dos Rios que se encarnára na menina. Algumas damas chegaram {{PT||a morder os labios de inveja quando Narizinho passou á frente dellas, pelo braço do principe, em direcção ao throno. E uma feia barata descascada, amarella de inveja, murmurou ao ouvido de uma besoura de pernas cambaias, torcendo o nariz:}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 3tketz9c9up6dzgbfndnzkg0k64j767 Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/26 106 184886 552456 497017 2026-05-16T00:20:23Z Erick Soares3 19404 552456 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''22''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 22. crop).png|center|300px]] {{PT|a morder os labios de inveja quando Narizinho passou á frente dellas, pelo braço do principe, em direcção ao throno. E uma feia barata descascada, amarella de inveja, murmurou ao ouvido de uma besoura de pernas cambaias, torcendo o nariz:}} — Nem porisso!... {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 22. crop) - 2.png |align=left |width=150px |padt=2em }} {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 22. crop) - 3.png |align=right |width=150px |padt=2em }} Mas um gentil grillinho verde que estava atrás ouviu o desabafo da invejosa e castigou-a, ferrando-lhe uma terrivel dentada na perna secca. A barata gemeu de dôr mas aproveitou a lição, ficando bem caladinha o resto da noite. A sala estava que era um céo aberto. Em vez de lampadas havia no tecto, pelas paredes e pelos vasos, formosos buquês de raios de sol colhidos pela manhã. Flores em quantidade, lindas flo{{PT||res do campo, arrumadas em festões pelas senhoras abelhas. Em redor da sala, sentada em cadeirinhas de madreperola, a nobreza da côrte, em trajes de gala, esperava as ordens do principe.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> olj8dunm5rnma4kapv7sbgk1152s9lk Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/27 106 184887 552457 480678 2026-05-16T00:20:56Z Erick Soares3 19404 552457 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''23''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 23. crop).png|center|200px]] [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 23. crop) - 2.png|left|150px]] [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 23. crop) - 3.png|right|151px]] {{PT|res do campo, arrumadas em festões pelas senhoras abelhas. Em redor da sala, sentada em cadeirinhas de madreperola, a nobreza da côrte, em trajes de gala, esperava as ordens do principe.}} Havia de tudo. Besouros sérios, de oculos e casaca preta. Baratinhas de mantilha, com myosotis no cabello. Abelhas douradas muito finas de cintura, com laços de fita nas asas. Moscas azues; rãs de todas as côres; lindas mães-d'-agua de corpo esguio e leves como bailarinas; camondongos de collete branco e sapatos de fivella; borboletas com toucadinhos de gaze; mariposas, ma- {{PT||mangavas... Havia ainda peixes de todos os formatos, caranguejos cascudos que só andam de lado; camarões que se atrapalhavam com tantas pernas; mariscos de casca aberta como livros; caramujos que carregam a casa ás costas e andam apalpando o caminho com as trombas. Havia até um velho kagado de olhinhos pretos e casca envernizada de novo.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> pvkbecax1fdclfae8et7uss8540wqw7 Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/28 106 184888 552458 497018 2026-05-16T00:21:18Z Erick Soares3 19404 552458 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''24''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 24. crop).png|center|200px]] {{PT|mangavas... Havia ainda peixes de todos os formatos, caranguejos cascudos que só andam de lado; camarões que se atrapalhavam com tantas pernas; mariscos de casca aberta como livros; caramujos que carregam a casa ás costas e andam apalpando o caminho com as trombas. Havia até um velho kagado de olhinhos pretos e casca envernizada de novo.}} A orchestra era composta de cigarras e passarinhos miúdos: canarios, pintasilgos, papacapins, corruiras, viuvinhas. A' frente della estava, de batuta no bico, um sabiá-do-campo, maestro de fama. Essa orchestra executou as musicas mais lindas do mundo, fados de rouxinol, canções de patativa, barcarolas de Martim-pescador. Uma lindeza!... [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 24. crop) - 2.png|right|200px]] Afinal o principe deu ordem para a quadrilha. A orchestra rompeu uma composição do maestro Colleirinha e os cavalheiros principiaram a {{PT||tirar as damas. Quem marcava era um faceiro tangará, famoso mestre sala da côrte. Narizinho, sentada no throno, estava doidinha por dançar. Mas a quadrilha passou-se e ninguem veiu tiral-a. Logo depois, entretanto, a orchestra rompeu a Valsa Real e o principe, levantando-se, disse á menina:}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 5o7dycw58cctpbj2h5nh442u3om2c8w Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/33 106 184895 552459 409550 2026-05-16T00:21:58Z Erick Soares3 19404 552459 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''29''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Término de palavra hifenizada|tuação|situação}}. E foi que no melhor da batalha surgiu inesperadamente da cozinha uma bruxa de panno, armada de um espeto de assar lombo de porco. — Emilia!... gritou Narizinho, que desde o caso do sapo, no dia da chegada, esquecera completamente a sua querida boneca. {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 29. crop).png |align=left |width=200px |padt=2em }} Emilia, em fraldas de camisa, avançou para o Escorpião e zás! zás! fura-lhe os dois olhos num relance. O monstro dá tamanho urro que o palacio estremece, e depois rebola-se no chão espumando de colera e dôr. Hurrah! Estava ganha a batalha, graças ao espeto da estranha creatura em fraldas de camisa. — Quem é? quem é? interrogavam de todos os lados os bichinhos numa grande curiosidade de saber quem era a exotica heroina. Narizinho saltou do throno e veiu para ella de braços abertos. — Perdôa, boa Emilia, ter-me esquecido de ti ! Mas deixa estar que pedirei ao principe que te faça condessa desta côrte — e abraçou-a, chorando. Em seguida dirigiu-se ao principe e beijou-lhe as mãos em agradecimento por haver arriscado a sua preciosa vida por amor della. Foi uma scena commovente. Mas, apesar da gravidade do momento, a barata invejosa espiou si o grillinho verde não estava perto e disse ao ouvido da besoura: — Vae ver que isto ainda acaba em casamento... E suspirou. Coitada! Eram ciumes. Apesar de velha e feia essa<noinclude></noinclude> 7enmvdj8qifqsr4yjh01qi3eqnlbjz1 Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/35 106 184899 552460 464986 2026-05-16T00:22:37Z Erick Soares3 19404 552460 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''31''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>e passeou durante uma bôa hora pelos jardins do palacio, emquanto as saúvas experimentavam vestidos em Emilia. A menina pediu noticias do principe. Disseram-lhe que tinha sahido de viagem para as fronteiras afim de organizar a defesa contra a invasão de outros monstros. Narizinho suspirou de saudades e disse: [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 31. crop) - 2.png|left|200px]] [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 31. crop).png|right|200px]] — Vou confessar-te, amiga aranha, o meu grande segredo. Desde hontem que me sinto apaixonada pelo principe... Disse e corou. A Aranha sorriu-se e respondeu: — E elle muito merece o amor da menina, porque não existe no mundo inteiro principe mais valoroso. Meu desejo é que se casem porque do contrario o principe é capaz de engraçar-se {{Começo de palavra hifenizada|d'al|d'alguma}}<noinclude></noinclude> ioo6lpa7ad7gwt03enze7qoimx78wn3 Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/36 106 184900 552461 409553 2026-05-16T00:23:06Z Erick Soares3 19404 552461 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''32''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Término de palavra hifenizada|guma|d'alguma}} barata e o reino soffreria a vergonha de ser governado por uma rainha que volta e meia perde a casca... E assim, conversando, caminhava as duas pelas alamedas muito limpinhas e bem arrumadas do jardim. Todas as manhãs as formigas corriam o parque inteiro catando todos os cisquinhos, aparando os gramados e deixando tudo que era um primor. Havia um lago á beira do qual pararam, mirando-se no espelho liquido. Estavam pensativas ambas: Narizinho com saudades do principe e a Aranha com saudades das sessenta filhas papadas por mestre sapo. Nisto ouviram um gemido a certa distancia. Approximaram-se. Era mestre Agarra que alli gemia com uma barriga enorme estufada de pedrinhas. {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 32. crop).png |align=left |width=200px |padt=2em }} — Ai de mim, chorava elle, que não posso nem andar!... Menina dos cabellos de ouro, tenha dó deste pobre sapo e peça ao principe que me perdôe!... Narizinho tinha bom coração e, compadecida da miseria do infeliz animal, prometteu intervir em seu favor. — Veja, disse ella á Aranha, este {{Começo de palavra hifenizada|coita|coitado}}<noinclude></noinclude> hjt486a7ij9goesvxx96kkn03a5vjze Utilizador:Erick Soares3 2 184902 552433 552283 2026-05-15T17:19:51Z Erick Soares3 19404 552433 wikitext text/x-wiki {{página de usuário}} {{#babel:pt-br|en-3}} {{Userbox/Idade|dia=24|mes=12|ano=1999}} [[W:Usuário:Erick Soares3|Página na Wikipédia]]. [https://xtools.wmflabs.org/pages/pt.wikisource.org/Erick%20Soares3/all#106 Meu trabalho feito aqui] ;Trabalhos que desejo adicionar {| class="wikitable" |- ! WS !! Livro !! Páginas |- |Pt |{{livro digitalizado|Narizinho Arrebitado (1ª edição)|Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado}} | |- |pt |[[Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11|Darwin e Graham]] | |- |pt |[[Galeria:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|Previsão]] | |- |pt |[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Landelphone_(LM-0018).pdf Landelphone] | |- |en |[[:en:Index:Machado of Brazil (Machado).djvu|Machado of Brazil]] | |- |pt |[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Problema]] | |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 1]] | |- |en |[[:commons:File:Translation of Preamble to Institutional Act.pdf|Preamble]] | |- |pt |[https://www.jstor.org/stable/community.38768877 Evolução] | |- |en |[[:commons:File:Translation of the Institutional Act.pdf|TIA]] | |- |pt |[[Galeria:Lara, tr. T. A. Craveiro (1837).pdf|Lara]] | |- |en |[[:commons:File:Preamble to Institutional Act 5.pdf|TIA5]] | |- |en |[[:commons:File:Institutional Act Number Five.pdf|TIA5]] | |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 2]] | |- |pt |[https://www.google.com/books/edition/_/hnUlAQAAMAAJ América] | |- |pt |[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4926 Revo] | |- |pt |[https://www.google.com.br/books/edition/O_minotauro/4N3uAAAAMAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0&bsq=%22Monteiro%20Lobato%22 Minotauro] | |- |en |[https://en.wikisource.org/wiki/Author:Maria_Callcott Journey to Brasil] | |- |pt/en |[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-765X2023000100321&lang=pt Swartz] | |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 3]] | |- |pt |[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf]] | |- |pt |[https://www.google.com/books/edition/_/2Qu6Ve1nPdwC Memorias] | |- |pt |[https://web.archive.org/web/20240305091556/https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/wp-content/uploads/tainacan-items/2868/8629/mml_obr0025.pdf Viagem ao Céu] | |- |pt |[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos 1]] | |- |pt |[[A Maravilhosa Vida de Santos=Dumont]] |11 |- |pt |[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 4]] | |- |pt |[[Galeria:Jean de Léry - História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil (trad. 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Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 5]] *[https://acervo.bn.gov.br/Sophia_web/acervo/detalhe/1225052 direitos] ([https://piaui.folha.uol.com.br/travessura-revolucionaria/ ler também]) *[https://books.google.ch/books?id=p8BLAQAAIAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s Exilio] *[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Tradução] * [https://literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=8065 ernani] *[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1]] - IV *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 6]] * [[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Stars]] * [[:File:Diretas já (Pedro Simon, 1984).pdf|Diretas já]] *[[Lincoln: narração de sua vida pessoal]] *[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros]] *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 7]] *[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/768199 Mon to Rep] *[https://www.jstor.org/stable/community.38767768 Pasteur] - 23 * [[Galeria:Efêmero Revisitado.pdf]] * [[Galeria:Revista da Exposição Anthropologica Brazileira (1882).pdf|Revista da exposição]] * [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8913 Barão] *[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 8]] * [[Galeria:Os Noivos (v.2).pdf]] *[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 2).pdf|Federalista 2]] *[https://www.jstor.org/stable/community.38769569 O cerco do corintho] - 50 *[[Galeria:Cronicas-de-um-Tetranacional-do-Software-Livre.pdf]] * [[Galeria:Idéas de Géca Tatú.pdf|Géca]] *[[Galeria:Contos Escolhidos.pdf|Contos]] *[[Galeria:A Cultura é Livre.pdf]] * [[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf]] * [[:File:Preito a Camões.pdf|Camões]] * [https://www.jstor.org/stable/community.38767573 Minor Camões] - 33 *[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 3).pdf]] * [[Galeria:O Senhor D. Pedro II, imperador do Brasil, biographia, por Joaquim Pinto de Campos ; e com uma advertencia por Camillo Castello Branco.pdf|Biografia do Senhor D. Pedro II]] - 96 * [[:File:Statira e Zoroastes.pdf|Statira]] - 56 {{tabela-meio}} *[https://www.jstor.org/stable/community.38769995 Portugal, Brasil e Grã-Bretanha] - 53 *[https://www.jstor.org/stable/community.38768623 Portugal, Brazil and United Kingdon] *[[:File:Da vida e feitos de Alexandre de Gusmão e de Bartholomeu Lourenço de Gusmão.pdf|Da vida]] - 117 *{{livro digitalizado|Os Sabios Illustres|Os Sabios Illustres.pdf}} - 162 *{{livro digitalizado|Galeria Illustre (Mulheres Célebres)|Galeria Illustre (Mulheres Célebres).pdf|Galeria Illustre}} - 173 páginas *{{livro digitalizado|A Genealogia da Moral|A genealogia da moral.pdf}} - 176 páginas * [https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/memorias-da-emilia/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&search=Mem%C3%B3rias&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F 122] *{{livro digitalizado|Diario de um Soldado (Vol. 1)|Diario de um Soldado Vol. 1.pdf|Diário de um soldado}} - 189 *{{livro digitalizado|Vida e viagens de Fernão de Magalhães|Vida e viagens de Fernão de Magalhães, por Diego de Barros Arana; traducção do hespanhol de Fernando de Magalhães Villas-Boas. Com um appendice original.pdf}} - 206 * [https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/o-picapau-amarelo/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&paged=1&search=picapau%20amarelo&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F 178] *[[Galeria:Quem trabalha tem alfaia.pdf|Quem trabalha tem alfaia]] - 242 *[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature]] 303 *[https://permalinkbnd.bnportugal.gov.pt/records/item/92629-resumo-do-systema-de-medicina-e-traduccao-da-materia-medica-do-doutor-erasmo-darwin Erasmo] *[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/603 justiniano] *[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/497 Ferdinand] {{tabela-fim}} |} <div style="clear:both;"></div> <div style="box-shadow: 0 0 .3em #999; border-radius: .2em; margin: 1em 0 2em 0; padding: 1px;"> <div style="background: #ffe6a7; border-radius: .2em; color: #282828; font-size:125%; padding: .4em .8em .5em;"><span style="opacity: .7;">[[File:Icons8 flat approval.svg|25px|link=|alt=]]</span> &nbsp; '''Projetos Finalizados''' </div> <div title="Projets en chantier" style="padding: 1em;font-size:80%"> <gallery heights="240px" widths="180px" mode="packed" class="center"> <!--2025--> Ficheiro:Historia das invenções.pdf|page=7|thumb|'''[[Historia das invenções (4ª edição)]]''' File:Franklin - A Sciencia do bom homem (1864).pdf|page=3|thumb|'''[[A Sciencia do Bom Homem Ricardo]]''' File:Apontamentos de Psychologia.pdf|page=1|thumb|'''[[Apontamentos de Psychologia]]''' File:Vida Ociosa Capa (Restored).jpg|thumb|link=Galeria:Vida Ociosa (2ª edição).pdf|'''[[Vida Ociosa (2ª edição)]]''' File:Byron-Giaurpoema.pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Byron-Giaurpoema.pdf|'''[[O Giaur]]''' File:Representação à Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura.pdf|thumb|link=Galeria:Representação à Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura.pdf|'''[[Representação de José Bonifácio sobre a escravatura]]''' File:Byron, Parisina (1905).pdf|link=Galeria:Byron, Parisina (1905).pdf|thumb|page=2|'''[[Parisina (1905)|Parisina]]''' File:A Verdade (Honorio Lima, 1900).pdf|link=Galeria:A Verdade (Honorio Lima, 1900).pdf|page=2|thumb|'''[[A Verdade]]''' File:Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China.pdf|thumb|link=Galeria:Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China.pdf|'''[[Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China]]''' File:Lisboa no anno três mil.pdf|thumb|page=5|link=Galeria:Lisboa no anno três mil.pdf|'''[[Lisboa no anno três mil]]''' File:A Nova Aurora.pdf|thumb|link=Galeria:A Nova Aurora.pdf|'''[[A Nova Aurora]]''' File:Em direção à paz.pdf|thumb|link=Galeria:Em direção à paz.pdf|'''[[Em direção à paz]]''' File:Credo de Liberdade.pdf|page=3|thumb|link=Galeria:Credo de Liberdade.pdf|'''[[Credo de Liberdade]]''' File:Dois Discursos (Vargas, 1940).pdf|thumb|link=Galeria:Dois Discursos (Vargas, 1940).pdf|page=2|'''[[Dois discursos]]''' File:Poesias de Dom Pedro II.pdf|thumb|link=:oldwikisource:Index:Poesias de Dom Pedro II.pdf|page=6|'''[[:oldwikisource:Poesias de Dom Pedro II|Poesias de D. Pedro II]]''' File:Dialogo entre dous mortos.pdf|page=3|thumb|link=Galeria:Dialogo entre dous mortos.pdf|'''[[Dialogo entre dous mortos]]''' File:Os Noivos (filme de 1913).pdf|thumb|link=Galeria:Os Noivos (filme de 1913).pdf|page=2|'''[[Os Noivos (filme de 1913)]]''' File:Os ultimos dias de Pompeia (filme de 1913).pdf|link=Galeria:Os ultimos dias de Pompeia (filme de 1913).pdf|thumb|page=2|'''[[Os ultimos dias de Pompeia]]''' File:Combate de Oscar e Dermid.pdf|thumb|link=Galeria:Combate de Oscar e Dermid.pdf|page=2|'''[[Combate de Oscar e Dermid]]''' File:Congratulação brasileira pela independência.pdf|thumb|link=Galeria:Congratulação brasileira pela independência.pdf|page=2|'''[[Congratulação brasileira pela ratificação do tratado da independencia do Brasil]]''' File:A Constituição Americana (Luiz Vossion).pdf|thumb|link=Galeria:A Constituição Americana (Luiz Vossion).pdf|page=2|'''[[A Constituição Americana]]''' File:Declaração das Nações Unidas e Carta do Atlântico.pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Declaração das Nações Unidas e Carta do Atlântico.pdf|'''[[Declaração das Nações Unidas e Carta do Atlântico]]''' File:Terceiro discurso de inauguração (FDR).pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Terceiro discurso de inauguração (FDR).pdf|'''[[Terceiro Discurso de Investidura do Senhor Franklin D. Roosevelt]]''' File:Discurso de Pearl Harbor.pdf|thumb|link=Galeria:Discurso de Pearl Harbor.pdf|page=2|'''[[Discurso de Pearl Harbor]]''' File:Pushkin-Semtitulo.pdf|thumb|link=Galeria:Pushkin-Semtitulo.pdf|page=2|'''[[Sem titulo]]''' File:Ultimo adeos de J. Washington.pdf|thumb|link=Galeria:Ultimo adeos de J. Washington.pdf|page=14|'''[[Ultimo adeos de J. Washington à nação americana]]''' File:O Beija-Flor, No. 8, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 8, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 8|O Beija-Flor, N° 8]]''' File:O Beija-Flor, No. 7, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 7, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 7|O Beija-Flor, N° 7]]''' File:O Beija-Flor, No. 6, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 6, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 6|O Beija-Flor, N° 6]]''' File:O Beija-Flor, No. 5, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 5, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 5|O Beija-Flor, N° 5]]''' File:O Beija-Flor, No. 4, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 4, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 4|O Beija-Flor, N° 4]]''' File:O Beija-Flor, No. 3, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 3, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 3|O Beija-Flor, N° 3]]''' File:Byron-MazeppaLord.pdf|thumb|link=Galeria:Byron-MazeppaLord.pdf|page=2|'''[[Mazeppa]]''' File:O descobrimento do Brasil (J. C. Rodrigues., 1905).pdf|link=Galeria:O descobrimento do Brasil (J. C. Rodrigues., 1905).pdf|thumb|page=2|'''[[O descobrimento do Brasil]]''' File:Dialogo entre dous cidadãos do reino de Zilbra.pdf|thumb|link=Galeria:Dialogo entre dous cidadãos do reino de Zilbra.pdf|page=2|'''[[Dialogo entre dous cidadãos do reino de Zilbra]]''' File:O Beija-Flor, No. 2, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 2, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 2|O Beija-Flor, N° 2]]''' File:Cabral-DialogoentreBonaparte.pdf|thumb|link=Galeria:Cabral-DialogoentreBonaparte.pdf|page=2|'''[[Dialogo entre Bonaparte, seu irmão José, Berthier e Lasnnes]]''' File:O Beija-Flor, No. 1, 1830.pdf|link=Galeria:O Beija-Flor, No. 1, 1830.pdf|thumb|'''[[O Beija-Flor (1830)/Número 1|O Beija-Flor, N° 1]]''' File:Nosso primo americano, Machado de Assis.pdf|thumb|link=Galeria:Nosso primo americano, Machado de Assis.pdf|'''[[Machado de Assis em linha/Volume 6/Número 11/Nosso primo americano, Machado de Assis|Nosso primo americano, Machado de Assis]]''' File:José de Anchieta à luz da Historia Patria - compilação historica.pdf|thumb|link=Galeria:José de Anchieta à luz da Historia Patria - compilação historica.pdf|'''[[José de Anchieta à Luz da Historia Patria]]''' File:A Historia do Fantasma Inexperiente (Wells, 1923).pdf|thumb|link=Galeria:A Historia do Fantasma Inexperiente (Wells, 1923).pdf|'''[[A Historia do Fantasma Inexperiente]]''' File:Descripçaõ do novo invento aerostatico.pdf|thumb|link=Galeria:Descripçaõ do novo invento aerostatico.pdf|'''[[Descripçaõ do novo invento aerostatico]]''' File:Manifesto da Independencia dos Estados Unidos d'America.pdf|link=Galeria:Manifesto da Independencia dos Estados Unidos d'America.pdf|thumb|page=2|'''[[Manifesto da Independencia dos Estados Unidos d՚America]]''' File:Poesias.pdf|page=3|link=Galeria:Poesias.pdf|thumb|'''[[Poesias (Zaluar)|Poesias]]''' File:Patente brasileira n.3279.pdf|thumb|link=Galeria:Patente brasileira n.3279.pdf|'''[[Patente brasileira 3279]]''' File:Democracia (Wells).pdf|link=Galeria:Democracia (Wells).pdf|thumb|'''[[Correio da Manhã/19 de fevereiro de 1928/Democracia|Democracia]]''' File:O Teleforo.pdf|link=Galeria:O Teleforo.pdf|thumb|'''[[Jornal do Commercio/1899/O Teleforo|O Teleforo]]''' File:Pau Brasil (Andrade, 1925) (page 7 crop).jpg|link=Galeria:Pau Brasil (Andrade, 1925).pdf|thumb|'''[[Pau Brasil]]''' <!--2024--> File:O escândalo do petroleo.pdf|thumb|link=Galeria:O escândalo do petroleo.pdf|page=7|'''[[O Escandalo do Petroleo]]''' File:Cartas tupis dos Camarões.pdf|thumb|page=2|link=:oldwikisource:Index:Cartas tupis dos Camarões.pdf|'''[[: oldwikisource:Cartas tupis dos Camarões|Cartas tupis dos Camarões]] File:Restauração historica da Villa de Santo André da Borda do Campo.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Restauração historica da Villa de Santo André da Borda do Campo.pdf|'''[[Revista do Instituto Historico e Geographico de S. Paulo/Volume 9/Restauração historica|Restauração histórica]]''' File:Adeoses da Imperatriz Amelia ao menino-imperador adormecido.pdf|thumb|link=Galeria:Adeoses da Imperatriz Amelia ao menino-imperador adormecido.pdf|page=5|'''[[Adeoses da Imperatriz Amelia ao menino-imperador adormecido]]''' File:Sonetos do Exilio, recolhidos por Um Brasileiro.pdf|thumb|link=Galeria:Sonetos do Exilio, recolhidos por Um Brasileiro.pdf|page=11|'''[[Sonetos do Exilio]]''' File:Testamento de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal em 1832..pdf|thumb|link=Testamento de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal em 1832..pdf|page=3|'''[[Testamento de D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal]]''' File:Retrato do Imperador Marco Aurélio (livro 1 das Reflexões).pdf|thumb|link=Galeria:Retrato do Imperador Marco Aurélio (livro 1 das Reflexões).pdf|page=11|'''[[:oldwikisource:Retrato do Imperador Marco Aurélio|Retrato do Imperador Marco Aurélio]]''' File:Os heróes brazileiros na campanha do sul em 1865.pdf|thumb|link=Galeria:Os heróes brazileiros na campanha do sul em 1865.pdf|page=5|'''[[Os heróes brazileiros na campanha do sul em 1865]]''' File:Ballada do Enforcado.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Ballada do Enforcado.pdf|thumb|'''[[Ballada do Enforcado]]''' File:Fabulas (9ª edição).pdf|thumb|link=Galeria:Fabulas (9ª edição).pdf|'''[[Fabulas (9ª edição)]]''' File:A Sensibilidade nacional e estrangeira.pdf|thumb|link=Galeria:A Sensibilidade nacional e estrangeira.pdf|page=5|'''[[A Sensibilidade nacional e estrangeira]]''' File:Vidas seccas.pdf|link=Galeria:Vidas seccas.pdf|thumb|page=5|'''[[Vidas seccas]]''' File:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf|thumb|link=Galeria:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf|'''[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira]]''' File:As Caçadas de Pedrinho (1ª edição).pdf|thumb|link=As Caçadas de Pedrinho (1ª edição).pdf|'''[[As Caçadas de Pedrinho]]''' File:O precursor do abolicionismo no Brasil.pdf|link=Galeria:O precursor do abolicionismo no Brasil.pdf|thumb|page=7|'''[[O precursor do abolicionismo no Brasil]]''' File:Memórias de um Negro (1940).pdf|thumb|page=1|'''[[Memorias de um Negro]]''' File:Exaltação (1916).pdf|thumb|link=Galeria:Exaltação (1916).pdf|page=5|'''[[Exaltação (1916)|Exaltação]]''' File:O Saci (8ª edição).pdf|thumb|link=Galeria:O Saci (8ª edição).pdf|'''[[O Saci (8ª edição)]]''' File:Alice no País das Maravilhas (Trad. 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Pedro Duque de Bragança.pdf|page=9|thumb|link=Galeria:Carta posthuma de D. Pedro Duque de Bragança.pdf|'''[[Carta posthuma de D. Pedro, Duque de Bragança aos Brasileiros]]''' File:Decreto. Tendo de ausentar-Me desta Capital por mais de uma semana, para ir visitar a Provincia de S. Paulo, e cumprindo, (.).pdf|thumb|link=Galeria:Decreto. Tendo de ausentar-Me desta Capital por mais de uma semana, para ir visitar a Provincia de S. Paulo, e cumprindo, (.).pdf|'''[[Decreto de 13 de agosto de 1822]]''' File:O Ganso das Neves.pdf|link=Galeria:O Ganso das Neves.pdf|thumb|page=2|'''[[O Ganso das Neves]]''' File:A Estrella do Sul.pdf|page=9|link=Galeria:A Estrella do Sul.pdf|thumb|'''[[A Estrella do Sul]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|page=483|link=Galeria=Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|'''[[Revista do Brasil/Número 20/Volume 5/Cavalleria rusticana|Cavalleria rusticana]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=204|thumb|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|'''[[Revista do Brasil/Número 18/Volume 5/Pollice Verso|Pollice Verso]]''' File:A Revista (1925-1926).pdf|link=Galeria:A Revista (1925-1926).pdf|thumb|page=135|'''[[A Revista/Ano 1/Número 3/Sambinha|Sambinha]]''' File:A Revista (1925-1926).pdf|page=27|link=Galeria:A Revista (1925-1926).pdf|thumb|'''[[A Revista/Ano 1/Número 1/Duas Figuras|Duas figuras]]''' File:A Revista (1925-1926).pdf|page=16|thumb|link=Galeria:A Revista (1925-1926).pdf|'''[[A Revista/Ano 1/Número 1/Capitulo|Capitulo]]''' File:A Revista (1925-1926).pdf|page=151|link=Galeria:A Revista (1925-1926).pdf|thumb|'''[[A Revista/Ano 1/Número 3/Os Caprichos da Sorte|Os Caprichos da Sorte]]''' File:A Revista (1925-1926).pdf|link=Galeria:A Revista (1925-1926).pdf|page=95|thumb|'''[[A Revista/Ano 1/Número 2/O Carteiro|O Carteiro]]''' File:A saga de Apsû no Enūma eliš.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:A saga de Apsû no Enūma eliš.pdf|'''[[A saga de Apsû no Enūma eliš]]''' File:Descobrimento prodigioso e suas incalculaveis consequências para o futuro da humanidade.pdf|link=Galeria:Descobrimento prodigioso e suas incalculaveis consequências para o futuro da humanidade.pdf|page=7|thumb|'''[[Descobrimento Prodigioso e suas Incalculaveis Consequências para o Futuro da Humanidade]]''' File:Invenção dos aeróstatos reivindicada.pdf|page=9|thumb|link=Galeria:Invenção dos aeróstatos reivindicada.pdf|'''[[Invenção dos Aeróstatos Reivindicada]]''' File:Os Ovos de Paschoa.pdf|page=7|thumb|link=Galeria:Os Ovos de Paschoa.pdf|'''[[Os Ovos de Paschoa]]''' File:Cinco de Maio - ode heroica.pdf|link=Galeria:Cinco de Maio - ode heroica.pdf|page=5|thumb|'''[[Cinco de Maio (1885)|Cinco de Maio]]''' File:Os Negros (1921).pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Os Negros (1921).pdf|'''[[Os Negros]]''' File:Meu amor! adoro-te!.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Meu amor! adoro-te!.pdf|'''[[Meu amor! adoro-te!]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=94|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/Vida ociosa|Vida ociosa]] File:Petição.pdf|link=Galeria:Petição.pdf|thumb|page=5|'''[[Petição do Pe. Bartholomeu de Gusmão]]''' File:A lavoura e a guerra.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:A lavoura e a guerra.pdf|'''[[A lavoura e a guerra]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=113|'''[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/Cartas Inéditas|Cartas Inéditas]]''' File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=60|thumb|'''[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/O Corvo|O Corvo]]''' File:As biografias históricas de Santos Dumont.pdf|link=Galeria:As biografias históricas de Santos Dumont.pdf|thumb|page=1|'''[[Scientiae Studia/Volume 11/Número 3/As biografias históricas de Santos Dumont|As biografias históricas de Santos Dumont]]''' File:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|link=Galeria:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|thumb|page=1|'''[[A toponímia indígena artificial no Brasil]]''' File:A Novella Semanal.pdf|link=Galeria:A Novella Semanal.pdf|page=264|thumb|'''[[A Novella Semanal/O Avô|O Avô]]''' <!--2021--> File:Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro.pdf|link=Galeria:Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro.pdf|thumb|page=1|'''[[Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro]]''' File:Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu (Série de Gilgámesh 1).pdf|link=Galeria:Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu (Série de Gilgámesh 1).pdf|thumb|page=1|'''[[Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu]]''' File:Como se faz um Herói.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Como se faz um Herói.pdf|'''[[Como se faz um Herói]]''' File:Santos Dumont - o vôo que mudou a história da aviação.pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Santos Dumont - o vôo que mudou a história da aviação.pdf|'''[[Santos Dumont: o vôo que mudou a história da aviação]]''' File:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu|link=Galeria:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu|thumb|page=1|'''[[Primeiras Trovas Burlescas de Getulino]]''' File:Certidão de óbito de Alberto Santos Dumont.pdf|link=Galeria=Certidão de óbito de Alberto Santos Dumont.pdf|thumb|'''[[Certidão de Óbito de Alberto Santos Dumont]]''' Ficheiro:Cadu_Simões.jpg|thumb|'''[[Sobre Domínio Público e Cultura Livre]]''' File:Concedendo um conto de réis à Santos Dumont.pdf|link=Galeria:Concedendo um conto de réis à Santos Dumont.pdf|thumb|'''[[Concedendo um conto de réis a Santos Dumont]]''' <!--2020--> <!--[[Discurso do Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Cerimônia de Posse no Congresso Nacional (1 de janeiro de 2019)|Discruso]]--> File:A Novella Semanal.pdf|link=Galeria:A Novella Semanal.pdf|page=9|thumb|'''[[A Novella Semanal/O 22 da "Marajó"|O 22 da Marajó]]''' File:Machado de Assis @ A Nação (Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1874).pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Machado de Assis @ A Nação (Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1874).pdf|'''[[A Nação (Rio de Janeiro)/1874/08-13/«Jerusalém» por monsenhor Pinto de Campos|«Jerusalém» por monsenhor Pinto de Campos]]''' File:Revista Luso-Brasileira (1860), n2.pdf|link=Galeria:Revista Luso-Brasileira (1860), n2.pdf|thumb|page=25|'''[[Revista Luso-Brasileira/1860/2/Lembranças de minha mãi|Lembranças de minha mãi]]''' File:Almanach Brazileiro Illustrado (1877).pdf|link=Galeria:Almanach Brazileiro Illustrado (1877).pdf|thumb|page=309|'''[[Almanach brazileiro illustrado/1877/Charitas|Charitas]]''' File:Marmota Fluminense n830.pdf|link=Galeria:Marmota Fluminense n830.pdf|thumb|page=4|'''[[Marmota Fluminense/830/Beijos|Beijos]]''' File:Almanach Brazileiro Illustrado (1878).pdf|link=Galeria:Almanach Brazileiro Illustrado (1878).pdf|thumb|page=394|'''[[Almanach brazileiro illustrado/1878/Job|Job]]''' File:O Jequitinhonha (1862).pdf|link=Galeria:O Jequitinhonha (1862).pdf|thumb|'''[[A historia do Brasil escripta pelo Dr. Jeremias no anno de 2862]]''' File:Fantina- (scenas da escravidão).pdf|link=Galeria:Fantina- (scenas da escravidão).pdf|thumb|page=7|'''[[Fantina]]''' <!--2019--> File:A propósito da exposição Malfatti.jpg|link=Galeria:A propósito da exposição Malfatti.jpg|thumb|'''[[O Estado de S. Paulo/A propósito da exposição Malfatti|A propósito da exposição Malfatti]]''' File:86311283-Original-Version-of-Alice-s-Adventures-in-Wonderland-by-Lewis-Carroll.djvu|link=Galeria:86311283-Original-Version-of-Alice-s-Adventures-in-Wonderland-by-Lewis-Carroll.djvu|thumb|'''[[Aventuras de Alice em Baixo da Terra]]''' File:畫麗珠萃秀 Gathering Gems of Beauty (梁木蘭) 2.jpg|link=A Balada de Mulan|thumb|'''[[A Balada de Mulan]]''' Ficheiro%3AA_Menina_do_Narizinho_Arrebitado_(Capa).png|link=Galeria:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf|thumb|'''[[A Menina do Narizinho Arrebitado]]''' File:Machado de Assis aos 57 anos.jpg|link=Hynno Nacional|thumb|'''[[Hynno Nacional]]''' File:Negrinha- Contos (1920).pdf|link=Galeria:Negrinha- Contos (1920).pdf|thumb|page=3|'''[[Negrinha (4º milheiro)]]''' File:Monteiro Lobato.jpg|link=Rabiscando|thumb|'''[[Rabiscando]]''' File:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|link=Galeria:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|thumb|'''[[Meteorito de Bendegó: relatorio (1888)]]''' File:Jéca Tatuzinho (1924).pdf|link=Galeria:Jéca Tatuzinho (1924).pdf|thumb|page=1|'''[[Jéca Tatuzinho]]''' <!--2018--> File:Aaron Swartz at Boston Wikipedia Meetup, 2009-08-18.jpg|link=Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso|thumb|'''[[Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso]]''' </gallery> </div> </div> i6w87n68kdgh8mtxczxh7fqao8siop5 Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/38 106 184908 552462 409555 2026-05-16T00:23:41Z Erick Soares3 19404 552462 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''34''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>Narizinho calou-se porque era bem verdade aquillo... Nisto soaram tambores e clarins ao longe. Era o principe que voltava á frente duma guarda de grillos. O coração de Narizinho bateu apressado. — Salve! disse o principe logo que viu a menina. Salve a senhora do meu coração! — Si sou a senhora do teu coração, respondeu ella, quero pedir-te uma graça... — Ordene que será obedecida, disse o principe. — Quero o perdão do mestre Agarra, declarou Narizinho, que alli está gemendo com as cincoenta pedras na barriga. O principe concedeu a graça pedida e ordenou que chamassem o doutor Caramujo para extrahir as pedras. Veiu o doutor co a sua maleta de cirurgião. Examinou o sapo empanturrado, apalpou, ergueu os oculos para a testa e disse: {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 34. crop).png |align=left |width=200px |padt=2em }} — E preciso abrir-lhe uma "casa" na barriga. — Pois abra, ordenou o principe. O doutor Caramujo arregaçou as mandas, pôz o avental e, ajudado por varias formigas, deu começo á operação. O sapo foi posto de costas, com a barriga para o ar, e as saúvas, com os afiados ferrões, abriram nella um córte. Depois entraram pela abertura a dentro e foram tirando uma<noinclude></noinclude> f5ve3jiuoeij385nkserhqkuclci7sz Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/39 106 184914 552463 409556 2026-05-16T00:24:26Z Erick Soares3 19404 552463 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''35''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>por uma as cincoenta pedrinhas do castigo. Quando saiu a ultima, mestre Agarra deu um grande suspiro de allivio. Reunidas as pedras e feita lá dentro uma limpeza, o medico tratou de costurar o córte. Para isso uniu as beiradas da "casa" e mandou que as formigas ferrassem alli o ferrão, de modo que cada ferrotoada era um ponto. E assim deu trez pontos, ficando trez formigas agarradas á barriga do sapo. Depois o medico tomou uma tesoura e foi guilhotinando as formigas, de geito que só ficassem na pelle do sapo as cabeças das coitadas. {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 35. crop).png |align=right |width=200px |padt=2em }} Mestre Agarra agradeceu ao doutor o serviço e, afim de não perder tempo, foi chamando para o papo os corpos das tres formigas degoladas que esperneavam no chão. Era um grande pandego, este mestre Agarra! Terminada aquella curiosa operação, Narizinho continuou o seu passeio com Dona Aranha, recolhendo-se mais tarde muito satisfeita comsigo por ter salvado a vida de uma pobre creatura de Deos, condemnada a um supplicio doloroso pelo simples facto de ser dorminhoco. — Amiga aranha, disse ella, o principe perdoou ao pobre sapo. Perdoas tambem? — Nunca! respondeu a aranha. Não posso esquecer dos meus filhos... {{nop}}<noinclude></noinclude> 04qj1hvijap8ryetwlaj3yzta661qhn Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/40 106 184915 552464 497035 2026-05-16T00:24:41Z Erick Soares3 19404 552464 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''36''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude><section begin="Capitulo5"/>[[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 36. crop).png|center|300px]] {{dhr|5}} {{t2|A FESTA VENEZIANA|sp = 0.1em}} {{Capitular|N|cor=black}}ESSA noite houve uma pequena festa nocturna nos jardins do palacio. Pelas avenidas de areia muito alva perfilavam-se vagalumes immoveis, de olhos arregalados como tochas, servindo de lampiões. No lago, pequenas rãs serenatistas coaxavam, compassadamente, o "Nocturno do Luar", acompanhadas do cri-cri de milhares de grillinhos. O principe deu uma volta pelo jardim em companhia da menina e depois a convidou para um passeio de gondola. Lá se foram, na gondola de madreperola, remada por doze cavallos marinhos. E vogaram sobre as aguas, embalados pelos formosos versos que uma libelinha poetisa recitava ao som de pequenina harpa tangida por mestre Louva-a-Deus. {{nop}} <section end="Capitulo5"/><noinclude></noinclude> 4c4l7nfun3kbj6vgnf3w79yfzs46rwt Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/41 106 184917 552465 497036 2026-05-16T00:25:51Z Erick Soares3 19404 552465 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''37''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude><section begin="Capitulo5"/>De volta desse lindo passeio o principe convidou-a para voar. — Até aeroplanos ha por aqui? perguntou a menina, espantada. — E mais seguros que os aeroplanos dos homens, vaes ver, respondeu o principe. Apesar do medinho a menina encheu-se de coragem e acceitou o convite. Veiu logo um aerogrillo. Era um grillão verde, que trazia nas costas a barquinha de vime na cabeça de dois insectos, um besouro e um vagalume. Este vagalume, com os seus grandes olhos phosphorescentes, servia de pharol ao aeroplano e o besouro estava alli para zumbir, fingindo o barulho da helice. Narizinho achou muita graça na engenhosa invenção e trepou á barquinha sem medo. O besouro zumbiu e o aerogrillo disparou como um raio pelos ares afóra. Subiram, subiram, subiram tão alto que a terra de lá parecia uma laranja. Atravessaram nuvens, chegaram muito pertinho da lua, que a menina teve o gosto de tocar com a pontinha do dedo. E só desceram quando o sol vinha raiando. <section end="Capitulo5"/> <section begin="Capitulo6"/> {{t2|A TRAMA|sp = 0.1em}} {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 37. crop).png |align=right |width=300px |padt=2em }} {{Capitular|N|cor=black}}A noite desse dia estava Narizinho no melhor do somno quando acordou com uma batida na janella. — Toc!... toc!... {{nop}}<section end="Capitulo6"/><noinclude></noinclude> c5h03w7vwmaldmbl0fl2nxj1ftxrkl0 Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/44 106 184922 552466 496991 2026-05-16T00:26:56Z Erick Soares3 19404 552466 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''40''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude><section begin="Capitulo6"/>{{Término de palavra hifenizada|lencio|silencio}} de cara amarrada. E, depois de meditar uns momentos, disse com grande calma: — Estou acostumado á lucta e sei defender-me. Volta para o teu quarto e dorme socegada que esta noite mesmo castigarei os criminosos. <section end="Capitulo6"/> <section begin="Capitulo7"/> {{t2|O CASTIGO|sp = 0.1em}} {{dhr}} {{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (page 40. crop).png |align=left |width=200px |padt=2em }} {{Capitular|L|cor=black}}OGO ao clarear do dia Narizinho pulou da cama, afflicta por saber o que tinha acontecido, e soube o seguinte. O principe, assim que a menina se recolheu, tomou as armas e dirigiu-se ao corpo da guarda, pé ante pé. E pelo buraco da fechadura descobriu o capitão em conferencia com dois grillos trahidores. — Vocês, dizia elle, vão agora ao palacio, sobem pela janella, entram no quarto do principe e amarram-no á cama, emquanto eu vou combinar com o Escorpião o resto da festa. Vamos! Toda a cautela é pouca!.. {{nop}}<section end="Capitulo7"/><noinclude></noinclude> lpw6zesbkpg8sqcrpo3dqkqix1ehqco Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/45 106 184925 552467 497040 2026-05-16T00:27:25Z Erick Soares3 19404 552467 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''41''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 41. crop).png |align=right |width=200px |padt=2em }} Nem bem o principe ouviu aquillo e já voltou correndo para o seu quarto. Entreabriu a janella por onde os trahidores haviam de entrar e collocou em baixo uma gaiola de alçapão, de modo que quem pulasse para dentro cahiria prisioneiro. E ficou esperando. D'ahi ha pouco ouviu vozes abafadas do lado de fóra e logo em seguida tres cabeças que assomavam á janella, muito resabiadas. Os conspiraores pararam um momento á escuta. Depois, certos de que o principe dormia bem a dormir, saltaram para dentro e... cahiram presos na gaiola! O principe incotinente agarrou um cadeado e trancou bem trancadinha a porta da gaiola. Os grillos, de tão assombrados, estavam de bocca aberta sem poder falar. O principe não disse nada. Sahiu do quarto e foi acordar um grillo fiel, dizendo-lhe: — Vá procurar o capitão da guarda e diga-lhe baixinho ao ouvido: — "Os tres emissarios te mandam dizer que o "negocio" está feito, mas que precisam da tua presença no quarto do principe". Diga isso baixinho e suma-se ! O grillo recadeiro lá foi em procura do capitão e encontrou-o rondando o carcere do monstro. Approximou-se e repetiu-lhe no ouvido o recado. O capitão quiz perguntar mais coisas, mas quando abriu a bocca já o mensageiro tinha sumido. {{nop}}<noinclude></noinclude> p624b8gryas8z16ule6vlc8e2vvi86w Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/46 106 184928 552468 409563 2026-05-16T00:27:58Z Erick Soares3 19404 552468 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''42''|&nbsp;|''A MENINA DO''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>{{Imagem float-p |file=A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 42. crop).png |align=left |width=300px |padt=2em }} — Muito bem! exclamou elle. O tyranno já está seguro! Vou lá agora e com as minhas proprias unhas arranco-lhe os figados. E esfregando as mãos foi correndo para o palacio. Viu a janella do quarto do principe aberta e subiu pela escada que os outros haviam deixado. Chegando ao ultimo degráo pulou para dentro do quarto. Mas antes de alcançar o chão sentiu uma dôr no peito. Ai! ai! gritou. Era o principe que o tinha varado no ar com a sua terrivel espada. — Miseravel! Toma, para justo castigo da tua deslealdade! disse o principe cortando-lhe a cabeça com um novo golpe de espada. O corpo do capitão pererecou no tapete uns instantes, ao lado da cabeça, em cujo olhos estava gravado o espanto pelo imprevisto desenlace da conspiração. O principe, embainhando a espada, chamou alguns soldados fieis para que levassem dalli a gaiola com os tres trahidores. — Ponham dentro, junto com estes trahidores, o Escorpião, amarrem em cima da gaiola uma grande pedra e lancem-na ao lago. Os guardas assim fizeram e o monstro, em vez de casar com Narizinho e subir a um throno, foi morrer afogado no fundo da lagôa... — Bem feito! disse a menina quando soube do castigo. Assim morra toda a raça dos trahidores! E foi correndo dar parabens ao principe victorioso, que a abraçou e a beijou na testa, commovido. {{nop}}<noinclude></noinclude> q4a0m17dsjdzcnebi3403vginofpvmf Página:A Menina do Narizinho Arrebitado (1920).pdf/47 106 184934 552469 497043 2026-05-16T00:28:09Z Erick Soares3 19404 552469 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{lh}}{{cabeçalho|''NARIZINHO ARREBITADO''|&nbsp;|''43''}}{{lh}}{{lh}}</noinclude>— Salvaste o meu reino. Em recompensa vaes receber e corôa de princeza e sentar-te no throno, ao meu lado, como a mais adorada das esposas, disse pondo-lhe no dedo o annel de noiva. Narizinho sentiu uma alegria immensa e, toda perturbada, ia responder, quando uma voz conhecida a despertou: — Narizinho, vovó está chamando! A menina sentou-se na relva, esfregou os olhos, viu o ribeirão a deslisar como sempre e lá na porteira a tia velha de lenço amarrado na cabeça. Que pena! Tudo aquillo não passara dum lindo sonho... [[File:A Menina do Narizinho Arrebitado (pag 43. crop).png|center|300px]] {{nop}}<noinclude></noinclude> 23c398obeetcy627wzc0tt02octr0qd Wikisource:GUS2Wiki 4 217577 552483 551994 2026-05-16T11:44:49Z Alexis Jazz 29519 Updating gadget usage statistics from [[Special:GadgetUsage]] ([[phab:T121049]]) 552483 wikitext text/x-wiki {{#ifexist:Project:GUS2Wiki/top|{{/top}}|This page provides a historical record of [[Special:GadgetUsage]] through its page history. To get the data in CSV format, see wikitext. To customize this message or add categories, create [[/top]].}} Os seguintes dados estão na cache e foram atualizados pela última vez a 2026-05-13T18:42:01Z. {{PLURAL:5000|Está disponível na cache um máximo de um resultado|Estão disponíveis na cache um máximo de 5000 resultados}}. {| class="sortable wikitable" ! 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PAULO}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> pxcaag6kn854vxntks1sq78u8l449n4 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/15 106 252943 552409 550771 2026-05-15T14:44:56Z Juwan 38021 552409 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{cabeçalho||INTRODUCÇÃO.|III}}</noinclude>O que porém ſe acaſo deixára de ſer aſſim, longe he de controverſia ſobre eſte particular o judicioſo parecer do noſſo illuſtre Poeta Antonio Ferreira; (<ref>(a) Poem. Cart. 2; 10.</ref>) vem a ſer, que <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;">Geralmente foi dada boa licença <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;"> A's lingoas; humas ás outras ſe roubárão:<br/> Só o bom ſpirito faz a differença. </div> </div> Pelo que tendo a Nação Portugueza, como ſem dúvida tem, cópia deſtes bons e raros eſpiritos, os quaes, pelo dizer com palavras de outro tambem famoſo Poeta noſſo, (<ref>(b) {{bib|Bern. Lim.}} Cart. 4.</ref>) nos forão a lingoa enriquecendo, nas rimas e na proſa em altos ditos; ſó parece nos falta converter em proveito commum pelo modo, que vou a apontar, o muito, que delles ſe póde e deve tomar, para o reduzir a hum ſó corpo. E já que por induſtria ſua a meſma lingoa chegou a obter tanta abundancia, gala, elevação, e nobreza; da noſſa diligencia ſeja procurarlhe a conſervação e perpetuidade de huns tão bellos dotes, ou, ſe poſſivel for, até mesmo darlhes luſtre mais realçado. Se pois a Planta, que apreſento, de hum Diccionario da referida lingoa, como inſtrumento, que ſó conſidero proprio para ſe conſeguir o ſobredito fim; ſe, como digo, eſta Planta na fórma, que reſpeitoſamente a offereço á Academia, não deſmerecer a ſua benevola graça, ou for tão venturoſa, que debaixo da ſua ſabia direcção, e honorifico patrocinio paſſe a executarfe, terei por grande dita haver com tão debeis forças ſubminiſtrado eſte ligeiro ſerviço á meſma lingoa, e moſtrado igualmente aſſim, hum tal qual indicio de zelo nacional, á Academia. Deſta he bem que ella ſó haja de eſperar tudo quanto deſde já ſe lhe póde felizmente augurar, quero dizer, a perfeição e a immortalidade. E tempo virá, em que por eſte reſpeito com juſta conveniencia melhor ſe lhe accommodem eſtes verſos, que já ſe lhe applicárão: <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;"> Ditoſa lingoa noſſa, que eſtendendo<br> Vás já teu nome tanto, que ſeguro<br> Inveja a toda outra irás fazendo. (<ref>(c) O meſmo ahi meſmo.</ref>) </div> Ou eſtoutros, os quaes ainda mais por ſua genuina allusão ao deſtino da Academia, muito ao proprio lhe poderão convir: <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;"> Renova mil memorias<br> Lingoa aos teus eſquecida,<br> Ou por falta d'amor, ou falta d'arte ;<br> Sé para ſempre lida<br> Nas Portuguezas glorias,<br> Que em ti a Apollo honra darão e a Marte. (<ref>(d) {{bib|Ferr}}. Poem. Od. 1, 1.</ref>) </div> O muito, que o infatigavel e erudito P. D. Raphael Bluteau tentou fazer em beneficio da noſſa lingoa, de juſtiça deve merecer á Nação Portugueza não menor reconhecimento, do que a Heſpanhola dedica por igual motivo a D. Sebaſtião Covarrubias. O ſeu Theſouro da lingoa Caſtelhana da meſma ſorte, que o Vocabulario Portuguez e Latino do ſobredito Bluteau, forão os com que anticipárão a ambas as nações o conhecimento da neceſſidade e fructo, que ſe dá em obras deſta natureza. Mas aſſim como a Real Academia Heſpanhola não teve por baſtante o anterior trabalho do ſeu Covarrubias para deixar de compôr hum Diccionario inteiramente novo, igual razão ſe deve formar o noſſo , pois não he mais do que os Heſpanhoes tinhão, aquillo, que entre nós neſta parte ſe acha feito. Porém a fim de que ſe conheça quanto nos he grata a memoria do dito Bluteau pelos ſerviços, que conſagrou á Nação Portugueza, e quão de veras ſe lhe deſeja por hum tão honroſo titulo perpetuar ſeu celebre nome, não ſó com elle ſe autorizárão todas aquellas vozes, que em nenhum outro eſcritor noſſo ſe encontrarem; mas das ſuas meſmas definições, etymologias e obſervações, ſe podem ( parecendo ) receber aquellas, que por ſeu incançavel eſtudo ſe conhecerem com exacção preoccupadas. Se alguem com tudo preſumir a olhos cerrados , que deſneceſſariamente ſe emprehende hum Diccionario da Lingoa Portugueza, em razão de já poſſuirmos o ſeu volumoſo Vocabulario; o titulo deſte meſmo Vocabulario, a redundancia da ſua prolixa erudição, a falta de innumeraveis vocabulos Portuguezes, e de autoridades, que na maior parte das ſuas accepções qualifiquem os meſmos, que traz, finalmente a má eleição deſſas taes poucas autoridades fſem crítica, nem graduação, ſerá per ſi de ſobejo para logo lhe deſvanecer a ſua falſa ſuppoſição. E iſto meſmo com facilidade ſumma ſe lhe fizera evidente (ſe tal fora o deſignio) dandolhe a ver hum ſem conto de definições ou explicações de termos por varios modos defeituoſas, muitas etymologias erradas ou pouco ſeguras, havendo outras certas ou mais provaveis, e não menos citações de Autores Portuguezes impropriamente allegadas, ou em confirmação de ſignificado, para que não ſervem, ou pelo modo viciado com que eſtão tranſcritas; (<ref name="e">(e) Sirva de exemplo o lugar de {{bib|Barros}}, Dec. 1. liv. 1. cap. 11, que Bluteau traz para confirmação de que a palavra Carnagem ſignifica matança de homens, quando a dita voz alli ſe entende por provisão de carnes; e devende manſmo [continuação na nota 5 da página seguinte]</ref>) além de outros defeitos aſſás notaveis ainda naquillo {{PT|meſ-|meſmo,}}<noinclude></noinclude> ndmy2b77jdk0tezhz2a3z6ehpbb8ufb 552412 552409 2026-05-15T14:51:36Z Juwan 38021 552412 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{cabeçalho||INTRODUCÇÃO.|III}}</noinclude>O que porém ſe acaſo deixára de ſer aſſim, longe he de controverſia ſobre eſte particular o judicioſo parecer do noſſo illuſtre Poeta Antonio Ferreira; (<ref>(a) Poem. Cart. 2; 10.</ref>) vem a ſer, que <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;">Geralmente foi dada boa licença <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;"> A's lingoas; humas ás outras ſe roubárão:<br/> Só o bom ſpirito faz a differença. </div> </div> Pelo que tendo a Nação Portugueza, como ſem dúvida tem, cópia deſtes bons e raros eſpiritos, os quaes, pelo dizer com palavras de outro tambem famoſo Poeta noſſo, (<ref>(b) {{bib|Bern. Lim.}} Cart. 4.</ref>) nos forão a lingoa enriquecendo, nas rimas e na proſa em altos ditos; ſó parece nos falta converter em proveito commum pelo modo, que vou a apontar, o muito, que delles ſe póde e deve tomar, para o reduzir a hum ſó corpo. E já que por induſtria ſua a meſma lingoa chegou a obter tanta abundancia, gala, elevação, e nobreza; da noſſa diligencia ſeja procurarlhe a conſervação e perpetuidade de huns tão bellos dotes, ou, ſe poſſivel for, até mesmo darlhes luſtre mais realçado. Se pois a Planta, que apreſento, de hum Diccionario da referida lingoa, como inſtrumento, que ſó conſidero proprio para ſe conſeguir o ſobredito fim; ſe, como digo, eſta Planta na fórma, que reſpeitoſamente a offereço á Academia, não deſmerecer a ſua benevola graça, ou for tão venturoſa, que debaixo da ſua ſabia direcção, e honorifico patrocinio paſſe a executarfe, terei por grande dita haver com tão debeis forças ſubminiſtrado eſte ligeiro ſerviço á meſma lingoa, e moſtrado igualmente aſſim, hum tal qual indicio de zelo nacional, á Academia. Deſta he bem que ella ſó haja de eſperar tudo quanto deſde já ſe lhe póde felizmente augurar, quero dizer, a perfeição e a immortalidade. E tempo virá, em que por eſte reſpeito com juſta conveniencia melhor ſe lhe accommodem eſtes verſos, que já ſe lhe applicárão: <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;"> Ditoſa lingoa noſſa, que eſtendendo<br> Vás já teu nome tanto, que ſeguro<br> Inveja a toda outra irás fazendo. (<ref>(c) O meſmo ahi meſmo.</ref>) </div> Ou eſtoutros, os quaes ainda mais por ſua genuina allusão ao deſtino da Academia, muito ao proprio lhe poderão convir: <div style="padding-left: 2em; overflow: hidden;"> Renova mil memorias<br> Lingoa aos teus eſquecida,<br> Ou por falta d'amor, ou falta d'arte ;<br> Sé para ſempre lida<br> Nas Portuguezas glorias,<br> Que em ti a Apollo honra darão e a Marte. (<ref>(d) {{bib|Ferr}}. Poem. Od. 1, 1.</ref>) </div> O muito, que o infatigavel e erudito P. D. Raphael Bluteau tentou fazer em beneficio da noſſa lingoa, de juſtiça deve merecer á Nação Portugueza não menor reconhecimento, do que a Heſpanhola dedica por igual motivo a D. Sebaſtião Covarrubias. O ſeu Theſouro da lingoa Caſtelhana da meſma ſorte, que o Vocabulario Portuguez e Latino do ſobredito Bluteau, forão os com que anticipárão a ambas as nações o conhecimento da neceſſidade e fructo, que ſe dá em obras deſta natureza. Mas aſſim como a Real Academia Heſpanhola não teve por baſtante o anterior trabalho do ſeu Covarrubias para deixar de compôr hum Diccionario inteiramente novo, igual razão ſe deve formar o noſſo , pois não he mais do que os Heſpanhoes tinhão, aquillo, que entre nós neſta parte ſe acha feito. Porém a fim de que ſe conheça quanto nos he grata a memoria do dito Bluteau pelos ſerviços, que conſagrou á Nação Portugueza, e quão de veras ſe lhe deſeja por hum tão honroſo titulo perpetuar ſeu celebre nome, não ſó com elle ſe autorizárão todas aquellas vozes, que em nenhum outro eſcritor noſſo ſe encontrarem; mas das ſuas meſmas definições, etymologias e obſervações, ſe podem ( parecendo ) receber aquellas, que por ſeu incançavel eſtudo ſe conhecerem com exacção preoccupadas. Se alguem com tudo preſumir a olhos cerrados , que deſneceſſariamente ſe emprehende hum Diccionario da Lingoa Portugueza, em razão de já poſſuirmos o ſeu volumoſo Vocabulario; o titulo deſte meſmo Vocabulario, a redundancia da ſua prolixa erudição, a falta de innumeraveis vocabulos Portuguezes, e de autoridades, que na maior parte das ſuas accepções qualifiquem os meſmos, que traz, finalmente a má eleição deſſas taes poucas autoridades fſem crítica, nem graduação, ſerá per ſi de ſobejo para logo lhe deſvanecer a ſua falſa ſuppoſição. E iſto meſmo com facilidade ſumma ſe lhe fizera evidente (ſe tal fora o deſignio) dandolhe a ver hum ſem conto de definições ou explicações de termos por varios modos defeituoſas, muitas etymologias erradas ou pouco ſeguras, havendo outras certas ou mais provaveis, e não menos citações de Autores Portuguezes impropriamente allegadas, ou em confirmação de ſignificado, para que não ſervem, ou pelo modo viciado com que eſtão tranſcritas; (<ref name="e">(e) Sirva de exemplo o lugar de {{bib|Barros}}, Dec. 1. liv. 1. cap. 11, que Bluteau traz para confirmação de que a palavra Carnagem ſignifica matança de homens, quando a dita voz alli ſe entende por provisão de carnes; e devende {{PT|manſ-|manſmo}}</ref>) além de outros defeitos aſſás notaveis ainda naquillo {{PT|meſ-|meſmo,}}<noinclude></noinclude> i0jchth3ipsg0ckv6m5hh83w6dbi494 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/16 106 252944 552411 550770 2026-05-15T14:50:14Z Juwan 38021 552411 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{cabeçalho|IV|PLANTA DO DICCIONARIO.|}}</noinclude>{{tph|mo,|meſmo,}} que directamente toca á lingoa Portugueza. E deſta ſorte ficaria a toda a luz manifeſto, que a referida lingoa não ſe acha atégora enriquecida, como por inadvertencia ſuppoſerão os Academicos Heſpanhoes (<ref>(a) Hiſt. da Acad. Heſpanh. tom. I. do Diccionario, §. 4.</ref>) com hum perfeitiſſimo Diccionario. {{center|{{larger|PLANTA DO DICCIONARIO.}}}} {{center|I.}} {{Capitular|O}} Diccionario da Lingoa Portugueza, cujo projecto ſe offerece, deverá conter os vocabulos puramente Portuguezes em todas as ſuas ſignificações, aſſim proprias, como translatas, declarandoſe em cada huma dellas a ſua natureza, propriedade é força, juntamente com o uſo regular ou anomalia das palavras e fraſes, fixado tudo pelos exemplos dos Autores claſſicos da ſobredita lingoa, e conſtruido, ſegundo parece, pelo methodo ſeguinte. {{center|II.}} <p style="text-indent: 2em;"> Começarſcha a leitura dos Autores Portuguezes, que conſervamos, pelos primeiros Eſcritores, que principiárão a formar a noſſa lingoa. Taes são o Nobiliario do Conde D. Pedro, as Chronicas de Fernão Lopes, Gomes Eannes d'Azurara, a anonyma do Condeſtavel D. Nuno Alvares Pereira, a Vita Chriſti, que ſe diz ſer de Fr. Bernardo de Alcobaça, a Regra e Perfeição da converſação dos Monges pela Senhora Infanta D. Catharina, o Cancioneiro geral, publicado por Garcia de Refende, a Menina e Moça e mais obras de Bernardim Ribeiro, as de Gil Vicente, e quaeſquer outras, que estiverem impreſſas, aindaque ſejão da mais remota antiguidade; poisque a eſta em todas as lingoas ſe conſagra huma eſpecie de culto, como a reſpeito de Ennio diz Quintiliano. (<ref>(b) Ennium ſicut ſacros vetuſtate lucos adoremus, in quibus grandia et antiqua robora iam non tantam habent ſpeciem, quantam religionem. ''Inſt. Orat. lib. X. c. 1''.</ref>) Todas as palavras antiquadas dos referidos eſcritos entrarão no Diccionario, da meſma ſorte as dos antigos monumentos, como eſcrituras, doações, teſtamentos, &c. que eſtiverem impreſſos, ajuntandoſelhes a declaração do anno ou ſeculo, a que pertencem, e citandoſe o Autor ou livro, onde ſe encontra o tal monumento. Continuarſeha a meſma leitura deſde Franciſco de Sá de Miranda, o primeiro dos noſſos polidos e elegantes Claſſicos, o mais chronologicamente, que for poſſivel por todo o decurſo do XVI e XVII ſeculos, em cujo fim, ſe lhes fixará o termo. (<ref>(c) Quando ſe fecha o numero dos Eſcritores, que autorizão as vozes do Diccionario, no fim do ſeculo XVII não he porque ſe entenda, que deſde então até ao preſente deixára de haver entre nós quantidade de bons eſcritores em differentes generos. Porém como, particularmente do meio do paſſado ſeculo por diante, os eſtudos eſcolaticos, e o eſpirito commum de ſubtilizar, começarão a corromper a arte de bem dizer; e a maior parte dos Literatos, empregada em erudições, ſe foi deſcuidando de praticar os primores da noſſa lingoa, vindo eſta depois com exceſſo a eſtragarſe quaſi de todo pela leitura de livros eſtrangeiros, eſpecialmente Francezes, em que muitos ſó ſe occuparão, e mais que tudo pelas peſſimas traducções dos ditos livros, fique por iſſo para tempo mais remoto do noſſo, graduar o merecimento daquellas obras, que ſouberão preſervarſe de huma tal infecção. Semelhante juizo, como feito impune e livremente ſem reſpeitos, nem parcialidade, ficará ſendo, como he já por conſenſo univerſal o dos Autores, de que nos ſervimos, recto, ſólido e inalteravel. Outro tanto fez a Real Academia Heſpanhola no ſeu Diccionario, o que tambem já antes havia praricado a de Cruſca, e varias outras.</ref>) </p> {{center|III.}} <p style="text-indent: 2em;"> Darſeha ſempre a preferencia para autorizar os vocabulos áquelles dos noſſos Autores, que indiſputavelmente ſe reputão Claſſicos. E poſtoque neſte numero ſe devão contar todos quantos decorrem deſde o meio do XVI ſeculo até fim deſte meſmo ſeculo, e ainda alguns primeiros do outro immediato; (<ref>(d) A idade mais elegante da pureza da noſſa lingoa poderá (parecendo) contarſe deſde o anno de 1540, em que começarão a ler na Universidade de Coimbra os inſignes Meſtres, que elRei D. João III. nella eſtabeleceo; e terminarſe no anno de 1626, na qual ſahio a luz a primeira parte da Hiſtoria de S. Domingos por Fr. Luiz de Souſa, por ſer esta a ultima obra, que o Autor em ſua vida publicou.</ref>) aquelles porém, que mais conſtantemente caſtigárão as ſuas obras, e tem mais reconhecido e provado credito por cauſa da elegancia de ſeu eſtilo, ſerão tambem com mais frequencia citados, não ſe havendo tanto conſideração ao tempo, como ao intrinſeco merecimento de ſeus eſcritos. </p> {{center|IV.}} <p style="text-indent: 2em;"> Da meſma ſorte ſe procederá com os Autores, que ſe ſeguem a Fr. Luiz de Souſa até ao fim do ſeculo paſſado. Delles ſe fará porém ſelecção, admittindo ſómente os que por ſua lingoagem e estilo ſe julgarem diſſo merecedores. Guidarſeha em ajuntar algum deſtes aos precedentes, </p> <ref>creverſe deſta maneira: E na ida e vinda té tornar á Ilha das Garças fazer carnagem, per vezes que ſabirão na terra firme, tomarão cincoenta almas; o Bluteau o cita aſſim: Se tornar à Ilha fazer carnagens, por vezes, que ſabirão na terra firme.</ref><noinclude></noinclude> 6u69yezmvxow7hawwbw021df6kl1uf1 552415 552411 2026-05-15T15:01:28Z Juwan 38021 552415 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{cabeçalho|IV|PLANTA DO DICCIONARIO.|}}</noinclude>{{tph|mo,|meſmo,}} que directamente toca á lingoa Portugueza. E deſta ſorte ficaria a toda a luz manifeſto, que a referida lingoa não ſe acha atégora enriquecida, como por inadvertencia ſuppoſerão os Academicos Heſpanhoes (<ref>(a) Hiſt. da Acad. Heſpanh. tom. I. do Diccionario, §. 4.</ref>) com hum perfeitiſſimo Diccionario. {{center|{{larger|{{lsp|0.5em|PLANTA DO DICCIONARI|O.}}}}}} {{center|I.}} {{Capitular|O}} Diccionario da Lingoa Portugueza, cujo projecto ſe offerece, deverá conter os vocabulos puramente Portuguezes em todas as ſuas ſignificações, aſſim proprias, como translatas, declarandoſe em cada huma dellas a ſua natureza, propriedade é força, juntamente com o uſo regular ou anomalia das palavras e fraſes, fixado tudo pelos exemplos dos Autores claſſicos da ſobredita lingoa, e conſtruido, ſegundo parece, pelo methodo ſeguinte. {{center|II.}} <p style="text-indent: 2em;"> Começarſcha a leitura dos Autores Portuguezes, que conſervamos, pelos primeiros Eſcritores, que principiárão a formar a noſſa lingoa. Taes são o Nobiliario do Conde D. Pedro, as Chronicas de Fernão Lopes, Gomes Eannes d'Azurara, a anonyma do Condeſtavel D. Nuno Alvares Pereira, a Vita Chriſti, que ſe diz ſer de Fr. Bernardo de Alcobaça, a Regra e Perfeição da converſação dos Monges pela Senhora Infanta D. Catharina, o Cancioneiro geral, publicado por Garcia de Refende, a Menina e Moça e mais obras de Bernardim Ribeiro, as de Gil Vicente, e quaeſquer outras, que estiverem impreſſas, aindaque ſejão da mais remota antiguidade; poisque a eſta em todas as lingoas ſe conſagra huma eſpecie de culto, como a reſpeito de Ennio diz Quintiliano. (<ref>(b) Ennium ſicut ſacros vetuſtate lucos adoremus, in quibus grandia et antiqua robora iam non tantam habent ſpeciem, quantam religionem. ''Inſt. Orat. lib. X. c. 1''.</ref>) Todas as palavras antiquadas dos referidos eſcritos entrarão no Diccionario, da meſma ſorte as dos antigos monumentos, como eſcrituras, doações, teſtamentos, &c. que eſtiverem impreſſos, ajuntandoſelhes a declaração do anno ou ſeculo, a que pertencem, e citandoſe o Autor ou livro, onde ſe encontra o tal monumento. Continuarſeha a meſma leitura deſde Franciſco de Sá de Miranda, o primeiro dos noſſos polidos e elegantes Claſſicos, o mais chronologicamente, que for poſſivel por todo o decurſo do XVI e XVII ſeculos, em cujo fim, ſe lhes fixará o termo. (<ref>(c) Quando ſe fecha o numero dos Eſcritores, que autorizão as vozes do Diccionario, no fim do ſeculo XVII não he porque ſe entenda, que deſde então até ao preſente deixára de haver entre nós quantidade de bons eſcritores em differentes generos. Porém como, particularmente do meio do paſſado ſeculo por diante, os eſtudos eſcolaticos, e o eſpirito commum de ſubtilizar, começarão a corromper a arte de bem dizer; e a maior parte dos Literatos, empregada em erudições, ſe foi deſcuidando de praticar os primores da noſſa lingoa, vindo eſta depois com exceſſo a eſtragarſe quaſi de todo pela leitura de livros eſtrangeiros, eſpecialmente Francezes, em que muitos ſó ſe occuparão, e mais que tudo pelas peſſimas traducções dos ditos livros, fique por iſſo para tempo mais remoto do noſſo, graduar o merecimento daquellas obras, que ſouberão preſervarſe de huma tal infecção. Semelhante juizo, como feito impune e livremente ſem reſpeitos, nem parcialidade, ficará ſendo, como he já por conſenſo univerſal o dos Autores, de que nos ſervimos, recto, ſólido e inalteravel. Outro tanto fez a Real Academia Heſpanhola no ſeu Diccionario, o que tambem já antes havia praricado a de Cruſca, e varias outras.</ref>) </p> {{center|III.}} <p style="text-indent: 2em;"> Darſeha ſempre a preferencia para autorizar os vocabulos áquelles dos noſſos Autores, que indiſputavelmente ſe reputão Claſſicos. E poſtoque neſte numero ſe devão contar todos quantos decorrem deſde o meio do XVI ſeculo até fim deſte meſmo ſeculo, e ainda alguns primeiros do outro immediato; (<ref>(d) A idade mais elegante da pureza da noſſa lingoa poderá (parecendo) contarſe deſde o anno de 1540, em que começarão a ler na Universidade de Coimbra os inſignes Meſtres, que elRei D. João III. nella eſtabeleceo; e terminarſe no anno de 1626, na qual ſahio a luz a primeira parte da Hiſtoria de S. Domingos por Fr. Luiz de Souſa, por ſer esta a ultima obra, que o Autor em ſua vida publicou.</ref>) aquelles porém, que mais conſtantemente caſtigárão as ſuas obras, e tem mais reconhecido e provado credito por cauſa da elegancia de ſeu eſtilo, ſerão tambem com mais frequencia citados, não ſe havendo tanto conſideração ao tempo, como ao intrinſeco merecimento de ſeus eſcritos. </p> {{center|IV.}} <p style="text-indent: 2em;"> Da meſma ſorte ſe procederá com os Autores, que ſe ſeguem a Fr. Luiz de Souſa até ao fim do ſeculo paſſado. Delles ſe fará porém ſelecção, admittindo ſómente os que por ſua lingoagem e estilo ſe julgarem diſſo merecedores. Guidarſeha em ajuntar algum deſtes aos precedentes, </p> <ref>creverſe deſta maneira: E na ida e vinda té tornar á Ilha das Garças fazer carnagem, per vezes que ſabirão na terra firme, tomarão cincoenta almas; o Bluteau o cita aſſim: Se tornar à Ilha fazer carnagens, por vezes, que ſabirão na terra firme.</ref><noinclude></noinclude> 7djs251quvlx5jscp7qyrtd1cqmxk2j 552416 552415 2026-05-15T15:06:02Z Juwan 38021 552416 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{cabeçalho|IV|{{uc|Planta do Diccionario.}}|}}</noinclude>{{tph|mo,|meſmo,}} que directamente toca á lingoa Portugueza. E deſta ſorte ficaria a toda a luz manifeſto, que a referida lingoa não ſe acha atégora enriquecida, como por inadvertencia ſuppoſerão os Academicos Heſpanhoes (<ref>(a) Hiſt. da Acad. Heſpanh. tom. I. do Diccionario, §. 4.</ref>) com hum perfeitiſſimo Diccionario. {{center|{{larger|{{uc|{{lsp|0.25em|Planta do Diccionari|o.}}}}}}}} {{center|I.}} {{Capitular|O}} Diccionario da Lingoa Portugueza, cujo projecto ſe offerece, deverá conter os vocabulos puramente Portuguezes em todas as ſuas ſignificações, aſſim proprias, como translatas, declarandoſe em cada huma dellas a ſua natureza, propriedade é força, juntamente com o uſo regular ou anomalia das palavras e fraſes, fixado tudo pelos exemplos dos Autores claſſicos da ſobredita lingoa, e conſtruido, ſegundo parece, pelo methodo ſeguinte. {{center|II.}} <p style="text-indent: 2em;"> Começarſcha a leitura dos Autores Portuguezes, que conſervamos, pelos primeiros Eſcritores, que principiárão a formar a noſſa lingoa. Taes são o Nobiliario do Conde D. Pedro, as Chronicas de Fernão Lopes, Gomes Eannes d'Azurara, a anonyma do Condeſtavel D. Nuno Alvares Pereira, a Vita Chriſti, que ſe diz ſer de Fr. Bernardo de Alcobaça, a Regra e Perfeição da converſação dos Monges pela Senhora Infanta D. Catharina, o Cancioneiro geral, publicado por Garcia de Refende, a Menina e Moça e mais obras de Bernardim Ribeiro, as de Gil Vicente, e quaeſquer outras, que estiverem impreſſas, aindaque ſejão da mais remota antiguidade; poisque a eſta em todas as lingoas ſe conſagra huma eſpecie de culto, como a reſpeito de Ennio diz Quintiliano. (<ref>(b) Ennium ſicut ſacros vetuſtate lucos adoremus, in quibus grandia et antiqua robora iam non tantam habent ſpeciem, quantam religionem. ''Inſt. Orat. lib. X. c. 1''.</ref>) Todas as palavras antiquadas dos referidos eſcritos entrarão no Diccionario, da meſma ſorte as dos antigos monumentos, como eſcrituras, doações, teſtamentos, &c. que eſtiverem impreſſos, ajuntandoſelhes a declaração do anno ou ſeculo, a que pertencem, e citandoſe o Autor ou livro, onde ſe encontra o tal monumento. Continuarſeha a meſma leitura deſde Franciſco de Sá de Miranda, o primeiro dos noſſos polidos e elegantes Claſſicos, o mais chronologicamente, que for poſſivel por todo o decurſo do XVI e XVII ſeculos, em cujo fim, ſe lhes fixará o termo. (<ref>(c) Quando ſe fecha o numero dos Eſcritores, que autorizão as vozes do Diccionario, no fim do ſeculo XVII não he porque ſe entenda, que deſde então até ao preſente deixára de haver entre nós quantidade de bons eſcritores em differentes generos. Porém como, particularmente do meio do paſſado ſeculo por diante, os eſtudos eſcolaticos, e o eſpirito commum de ſubtilizar, começarão a corromper a arte de bem dizer; e a maior parte dos Literatos, empregada em erudições, ſe foi deſcuidando de praticar os primores da noſſa lingoa, vindo eſta depois com exceſſo a eſtragarſe quaſi de todo pela leitura de livros eſtrangeiros, eſpecialmente Francezes, em que muitos ſó ſe occuparão, e mais que tudo pelas peſſimas traducções dos ditos livros, fique por iſſo para tempo mais remoto do noſſo, graduar o merecimento daquellas obras, que ſouberão preſervarſe de huma tal infecção. Semelhante juizo, como feito impune e livremente ſem reſpeitos, nem parcialidade, ficará ſendo, como he já por conſenſo univerſal o dos Autores, de que nos ſervimos, recto, ſólido e inalteravel. Outro tanto fez a Real Academia Heſpanhola no ſeu Diccionario, o que tambem já antes havia praricado a de Cruſca, e varias outras.</ref>) </p> {{center|III.}} <p style="text-indent: 2em;"> Darſeha ſempre a preferencia para autorizar os vocabulos áquelles dos noſſos Autores, que indiſputavelmente ſe reputão Claſſicos. E poſtoque neſte numero ſe devão contar todos quantos decorrem deſde o meio do XVI ſeculo até fim deſte meſmo ſeculo, e ainda alguns primeiros do outro immediato; (<ref>(d) A idade mais elegante da pureza da noſſa lingoa poderá (parecendo) contarſe deſde o anno de 1540, em que começarão a ler na Universidade de Coimbra os inſignes Meſtres, que elRei D. João III. nella eſtabeleceo; e terminarſe no anno de 1626, na qual ſahio a luz a primeira parte da Hiſtoria de S. Domingos por Fr. Luiz de Souſa, por ſer esta a ultima obra, que o Autor em ſua vida publicou.</ref>) aquelles porém, que mais conſtantemente caſtigárão as ſuas obras, e tem mais reconhecido e provado credito por cauſa da elegancia de ſeu eſtilo, ſerão tambem com mais frequencia citados, não ſe havendo tanto conſideração ao tempo, como ao intrinſeco merecimento de ſeus eſcritos. </p> {{center|IV.}} <p style="text-indent: 2em;"> Da meſma ſorte ſe procederá com os Autores, que ſe ſeguem a Fr. Luiz de Souſa até ao fim do ſeculo paſſado. Delles ſe fará porém ſelecção, admittindo ſómente os que por ſua lingoagem e estilo ſe julgarem diſſo merecedores. Guidarſeha em ajuntar algum deſtes aos precedentes, </p> <ref>creverſe deſta maneira: E na ida e vinda té tornar á Ilha das Garças fazer carnagem, per vezes que ſabirão na terra firme, tomarão cincoenta almas; o Bluteau o cita aſſim: Se tornar à Ilha fazer carnagens, por vezes, que ſabirão na terra firme.</ref><noinclude><references /></noinclude> nd6uv4znj27vstmmukdco9qetbcmumg Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/17 106 252945 552413 550732 2026-05-15T14:51:45Z Juwan 38021 552413 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{cabeçalho||PLANTA DO DICCIONARIO.|XIII}}</noinclude>e iſto muito em particular naquellas vozes, que de preſente paſsão por velhas ou totalmente antiquadas, para que aſſim ſe conheça não o ſerem na realidade tanto, que dellas não ſe hajão ſervido autores de boa nota, e não muito afaſtados do noſſo tempo. Quando houver exemplo de Poeta que autorize os vocabulos em cada huma das ſuas accepções, aindaque elle não ſeja dos da maior conſideração, nunca o tal exemplo ſe omittirá, fazendoſe outro tanto nas vozes, que ſe julgão puramente poeticas, todas as vezes, que para ellas ſe der autoridade da proſa. Mas quando neſtes ſegundos ſe encontrar a definição, explicação ou etymologia da voz dominante, em tal caſo ſe porá ſempre eſta autoridade, que deverá até meſmo (ſe neceſſario for) preferir a de qualquer eſcritor ou mais antigo, ou mais illuſtre, que com ella poſſa concorrer. Os Autores e livros facultativos confirmárão meramente os termos privativos das materias, em que ſe empregárão. {{center|V.}} <p style="text-indent: 2em;"> Logo que ſe for lendo cada hum dos Autores , para ſe lhes extrahirem os paſſos, que hão de comprovar as palavras e fraſes, ſe irá formando hum juizo crítico, feito por analyſe ou comparação, e corroborado com teſtemunhos extrinſecos, ſe os houver, para pelo dito juizo ſe lhe determinar o gráo de autoridade, em que ſe deve conſtituir. A iſto ſe ajuntará huma breve noticia do meſmo Autor, notandoſe aquillo, que ou por omissão calou, ou enganoſamente referio o não menos erudito, que laborioſo Abbade Diogo Barboſa Machado na Bibliotheca Luſitana. Nunca deixarão de ſe declarar as ſeguintes particularidades. Vem a ſer; o nome por inteiro do Autor, o anno em que naſceo e morreo, ou ao menos o ſeculo ou reinado em que floreceo, e a ſua patria. O titulo tambem de cada obra ſe trasladará tal, qual ſe acha impreſſo, com o nome do Impreſſor ou officina, anno da impressão, fórma do volume, e, quando alguma dellas couſtar de muitos volumes ou tomos, ſe expreſſará o total numero deſtes. Devem eſcolherſe para a leitura as edições mais correctas, ou por primeiras, ou por haverem ſido reviſtas pelos proprios Autores, ou finalmente formadas ſobre originaes autographos: e ſó na abſoluta falta deſtas ſe lançará mão de outras, dando ſempre a preferencia ás que mais ſe aproximarem á idade dos Autores. </p> {{center|VI.}} <p style="text-indent: 2em;"> Todas as palavras appellativas da Lingoa Portugueza, qualquer que ſeja dellas a eſpecie, ſem excluir (como já ſe diſſe) as antiquadas, terão lugar no Diccionario. Nellas ſe obſervará para facilidade e commodo de todo genero de leitores, a inalteravel ordem de alphabeto. Eſta regra ſerá ſem exceição, pois que até os participios, os termos compoſtos, verbaes, diminutivos, augmentativos, e os ſuperlativos, ou eſtes regularmente ſe formem dos ſeus poſitivos, ou ſejão irregulares, aſſim como tambem os adverbios de toda a qualidade, ſe não devem della eximir. Os modos ou fórmulas adverbiaes, que ſe compõe de duas dicções, ſem embargo de ſe haverem de collocar na voz dominante, irão ſempre no ſeu lugar alphabetico, remettendo para ella o leitor, com a declaração: Vej. ''vejaſe''; aſſim como: A''' vontade. Vej. Vontade''; ''De repente. Vej. Repente''; ''Por fim. Vej. Fim''. Porém aquellas fórmulas adverbiaes, que pelo coſtume de ſe proferirem inſeperaveis, parecem huma ſó dicção; aſſim como: ''Abaixo, Acima, Adiante, &c.'', e as outras, cujo ſimples não eſtá em uſo, por exemplo: ''A eito, A pique, A's rebatinhas, &c''. irão ſegundo a regularidade do alphabeto. Iſto meſmo ſe poderá tambem permittir a algumas poucas das da primeira eſpecie acima indicada, á haver de ſuppôrſe que mais facil e ordinariamente ſe procurarão no Diccionario com a união da particula, que na palavra, a que ella ſe ajunta. </p> {{center|VII.}} <p style="text-indent: 2em;"> Os termos privativos das Provincias e Conquiſtas de Portugal, que ſe achão nas obras impreſſas dos noſſos eſcritores claſſicos, entrarão igualmente no ſobredito numero dos mais appellativos. E como taes ſerão pelo meſmo modo admittidos no Diccionario os adjectivos formados dos nomes proprios, por cauſa das ſuas varias inflexões. Por conclusão da claſſe dos appellativos em geral ſó deixarão de ſe receber as palavras, que nuamente exprimem objecto deshoneſto ou ſordido, e as locuções de ''gira'' apenas conhecidas e uſadas por peſſoas da infima condição. Mas nunca ſe haja de entender, que na conta deſtas ultimas ſe incluem as expreſsões burleſcas e vulgares, que ſuppoſto não convenhão aos aſſumptos ſerios e graves, não deixão por iſſo de ſer Portuguezas, muito proprias do eſtilo jocoſo, e energicas no familiar. Quando porém os termos comicos ou ruſticos ſe encontrão com orthographia de propoſito viciada, para ſe arremedar aſſim ao natural o idiotiſmo da baixa plebe, eſtes taes ſem terem artigo de per ſi, reduzirſehão á voz principal; aſſim como: ''Aceitalar'' a ''Acutilar'', ''Arcambuz'' e ''Alcambuz'' a ''Arcabuz'', ''Coiração'' a ''Coração'', &c. e ſemelhantemente os demais, pondolhes exemplos com eſta tal configuração. </p><noinclude>{{rodapé||4|}}</noinclude> g21jgveixni1tydt2tp7uj0ux1e9rvg Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/7 106 253240 552445 551956 2026-05-15T20:11:55Z Erick Soares3 19404 552445 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 7 crop).jpg|centro|400px]] {{dhr}} {{c|{{larger|{{lsp||PRIMEIRA PARTE}}}}}} {{dhr}} {{t2|NARIZINHO|I}} {{dhr|2em}} {{Capitular|N|ficheiro=Narizinho Arrebitado - N - (1° ed.) (page 7 crop).jpg|tamanho=50px}}AQUELLA cazinha branca, lá muito longe, móra Dona Benta de Oliveira, uma velha de mais de sessenta annos. — Coitada! dizem todos que passam por lá. Que tristeza viver assim sózinha no meio do matto... Pois estão enganados. A velha vive muito feliz e bem contente da vida, graças a uma nétinha órfã de pae e mãe, que lá móra desʼque nasceu. Menina morena, de olhos pretos como duas jaboticabas — e reinadei-<noinclude> {{c|☉{{gap}}3{{gap}}☉}}</noinclude> 6ry6itxd96ua63bfyfo0u4ngt5bm54f Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/115 106 253426 552398 2026-05-15T12:04:56Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|Penisco}}''' Darei uimas brevíssimas indicações, de carácter prático, a este respeito. A sementeira do ''penisco'' faz-se à ''raza'', ou a lanço, ''às leiras'', ''em quadrado'', e ''em covachos''<ref>«Pinhaes», por C. A. de Sousa Pimentel.</ref>. A primeira é muito trabalhosa e demanda grande dispêndio para revolver a terra destinada à sementeira, porque é indispensável extrair-lhe as raízes do mato, que iriam tolher o nascim... 552398 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|Penisco}}''' Darei uimas brevíssimas indicações, de carácter prático, a este respeito. A sementeira do ''penisco'' faz-se à ''raza'', ou a lanço, ''às leiras'', ''em quadrado'', e ''em covachos''<ref>«Pinhaes», por C. A. de Sousa Pimentel.</ref>. A primeira é muito trabalhosa e demanda grande dispêndio para revolver a terra destinada à sementeira, porque é indispensável extrair-lhe as raízes do mato, que iriam tolher o nascimento e bom resultado dela. A segunda, ''em galeiras'', mais fácil e menos dispendiosa, é, talvez, a mais conveniente e adaptável aos nossos montes. Consiste em traçar no terreno alinhamentos, paralelos e equidistantes, com 1 metro de largura, cavados a pequena profundidade, nos quais se semeia o ''penisco''. Entre alinhamento e alinhamento, deve deixar-se um espaço de 2<sup>m</sup>,5 a 3 metros. Cumpre, porém, ter em conta, que nos terrenos de encosta estes alinhamentos ou galeiras baixas, devem ser traçados - ''de travéz'' -, isto é, perpendiculares à encosta, para que as águas pluviais não arrastem as terras remexidas, e com elas a semente. A sementeira ''em quadrados'' é, apenas, uma modificação da anterior e fica mais barata ainda. Em vez de se preparar a galeira em todo o seu comprimento, unicamente se preparam os ''quadrados'', com 1 metro de largura, desbravando, somente neles, a terra. Nestes quadrados é que se lança o ''penisco''. A sementeira ''em covachos'' tem aplicação aos terrenos muito inclinados. Difere da antecedente em que, nos quadrados, a terra fica quasi ao nível que tinha antes do preparo, e por isso as sementes são ligeiramente enterradas; enquanto que ''nos covachos'', a terra, no interior destes, fica a maior profundidade. É um meio mais eficaz para resistir à acção das águas. Em qualquer destas sementeiras o ''penisco'' deve ser enterrado de 2 a 3 centímetros, de profundidade. Depois de nascidas, precisam as novas plantas de cuidados, como a catagem das ervas nocivas e ''desbastes'' oportunos. O 1.º desbaste deve fazer-se até aos cinco anos, e o 2.º entre os oito e os dez. {{c|---}} Há outras essências, de mais rápido desenvolvimento, cuja adaptação se não procura ao presente, mas deve contar-se com ela como elemento de riqueza. Está neste caso a ''amoreira'', para a cultura do ''sirgo'', cuja indústria se faz nas nossas províncias da Beira e Trás-os-Montes, onde os terrenos e clima não diferem, essencialmente, dos da província do Minho. A Câmara actual obteve 200 pés na estação de Mirandela, que fez plantar na vila e outros sítios do concelho. '''{{c|Sirgo}}''' Bem podia implantar-se a indústria do '''sirgo''' nesta localidade, porque as classes pobres encontrariam nela o seu ganha-pão. Com fábricas de seda à nossa beira - Braga e Porto - para comprar o ''casulo'', bem servidos.de estradas, como estamos, talvez esta indústria prosperasse entre nós e nela {{rule}}<noinclude></noinclude> e2ohexg14m4zlwlombc6k325vjdkjob 552399 552398 2026-05-15T12:05:26Z Ruiaraujo1972 38032 552399 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|Penisco}}''' Darei umas brevíssimas indicações, de carácter prático, a este respeito. A sementeira do ''penisco'' faz-se à ''raza'', ou a lanço, ''às leiras'', ''em quadrado'', e ''em covachos''<ref>«Pinhaes», por C. A. de Sousa Pimentel.</ref>. A primeira é muito trabalhosa e demanda grande dispêndio para revolver a terra destinada à sementeira, porque é indispensável extrair-lhe as raízes do mato, que iriam tolher o nascimento e bom resultado dela. A segunda, ''em galeiras'', mais fácil e menos dispendiosa, é, talvez, a mais conveniente e adaptável aos nossos montes. Consiste em traçar no terreno alinhamentos, paralelos e equidistantes, com 1 metro de largura, cavados a pequena profundidade, nos quais se semeia o ''penisco''. Entre alinhamento e alinhamento, deve deixar-se um espaço de 2<sup>m</sup>,5 a 3 metros. Cumpre, porém, ter em conta, que nos terrenos de encosta estes alinhamentos ou galeiras baixas, devem ser traçados - ''de travéz'' -, isto é, perpendiculares à encosta, para que as águas pluviais não arrastem as terras remexidas, e com elas a semente. A sementeira ''em quadrados'' é, apenas, uma modificação da anterior e fica mais barata ainda. Em vez de se preparar a galeira em todo o seu comprimento, unicamente se preparam os ''quadrados'', com 1 metro de largura, desbravando, somente neles, a terra. Nestes quadrados é que se lança o ''penisco''. A sementeira ''em covachos'' tem aplicação aos terrenos muito inclinados. Difere da antecedente em que, nos quadrados, a terra fica quasi ao nível que tinha antes do preparo, e por isso as sementes são ligeiramente enterradas; enquanto que ''nos covachos'', a terra, no interior destes, fica a maior profundidade. É um meio mais eficaz para resistir à acção das águas. Em qualquer destas sementeiras o ''penisco'' deve ser enterrado de 2 a 3 centímetros, de profundidade. Depois de nascidas, precisam as novas plantas de cuidados, como a catagem das ervas nocivas e ''desbastes'' oportunos. O 1.º desbaste deve fazer-se até aos cinco anos, e o 2.º entre os oito e os dez. {{c|---}} Há outras essências, de mais rápido desenvolvimento, cuja adaptação se não procura ao presente, mas deve contar-se com ela como elemento de riqueza. Está neste caso a ''amoreira'', para a cultura do ''sirgo'', cuja indústria se faz nas nossas províncias da Beira e Trás-os-Montes, onde os terrenos e clima não diferem, essencialmente, dos da província do Minho. A Câmara actual obteve 200 pés na estação de Mirandela, que fez plantar na vila e outros sítios do concelho. '''{{c|Sirgo}}''' Bem podia implantar-se a indústria do '''sirgo''' nesta localidade, porque as classes pobres encontrariam nela o seu ganha-pão. Com fábricas de seda à nossa beira - Braga e Porto - para comprar o ''casulo'', bem servidos.de estradas, como estamos, talvez esta indústria prosperasse entre nós e nela {{rule}}<noinclude></noinclude> 4hk6hzmobb8wssciy7n1nsmdgfb2tb7 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/116 106 253427 552400 2026-05-15T12:19:39Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: teríamos atenuante, de valia, contra essa febre de emigração, que nos depaupera e arruina. E não me alcunhem de visionário, pois esta ideia não é nova, nem reclamo para mim privilégio de invenção. Em tempos passados (século XVIII), já se olhava para esta fonte de riqueza com certo carinho e solicitude. Não só as Câmaras, mas os Corregedores se interessavam pela arborização. Na correição de 1793, feita pelo dr. António David Morais T... 552400 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>teríamos atenuante, de valia, contra essa febre de emigração, que nos depaupera e arruina. E não me alcunhem de visionário, pois esta ideia não é nova, nem reclamo para mim privilégio de invenção. Em tempos passados (século XVIII), já se olhava para esta fonte de riqueza com certo carinho e solicitude. Não só as Câmaras, mas os Corregedores se interessavam pela arborização. Na correição de 1793, feita pelo dr. António David Morais Teixeira, deixou ele um capítulo em que se preceituava que todos os moradores do concelho plantassem nas suas terras e campos, ou nos baldios, 6 castanheiros cada ano, sob pena de 65000 réis para aquele que não cumprisse. Também mandou semear penisco nos baldios, com a mesma cominação; e à Câmara ordenou que averiguasse «quantas amoreiras havia no concelho», devendo remeter-lhe a relação delas, no prazo de 20 dias, «para se por em execução a criação do bicho da sêda». E cada morador era obrigado a plantar em terreno seu duas amoreiras, cada ano<ref>«Liv. das Correições», no arquivo da Cámara.</ref>. A criação do sirgo já era, pois, naquele tempo, considerada como adaptável às nossas terras. A meu ver, a função mais imperiosa e interessante das nossas vereações é fomentar a riqueza concelhia, aproveitando-se dessas poucas facilidades que o Estado lhes proporciona nas leis sobre o regime florestal e criação do sirgo. {{c|---}} A nogueira preta, o castanheiro da Índia, a paulonwia imperial, etc., árvores de crescimento rápido, tem importante valor florestal, e a primeira dá óptimo resultado na marcenaria. Ensaiem-se também. Na estrada real, n.º 24, à entrada da vila, aí temos nós belos exemplares de nogueiras pretas, não obstante ser relativamente nova a sua plantação. Os choupos ou alamos, são óptimos para os terrenos húmidos e até vão bem nos secos<ref>Vejam-se os que existem no adro da capela do Livramento, freguesia de Formariz.</ref>; e notáveis pela beleza da sua folhagem são os platanos, que, sem o menor cuidado de cultura, aí estão a embelezar alguns pontos das ribas do nosso rio Coura. O castanheiro, cuja madeira, não falando do fruto, é tão apreciável, cumpre não o deixar desaparecer de todo. Teime-se e lute-se pela sua conservação, como se faz pela vinha. É bom recordar que na Correição de 1789, o Corregedor obrigou todo o morador deste concelho a plantar, cada ano, 12 castanheiros, e 24 vídeiras, oferecendo, como estímulo, um prémio pecuniário àquele que plantasse mais árvores do que o número indicado. É que a arborização é «riqueza, beleza e saúde»<ref>«Port. Ant. E Mod.», de Pinho Leal.</ref>. '''{{c|Caça}}''' O sport da caça está na ordem do dia. E, contudo, nem o Estado, nem as Câmaras Municipais (falo das de Coura) fazem cumprir as suas leis e Posturas. {{rule}}<noinclude></noinclude> 3nw6wqffkrjgkgcqco96x4kz0qtbesu 552401 552400 2026-05-15T12:24:27Z Ruiaraujo1972 38032 552401 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>teríamos atenuante, de valia, contra essa febre de emigração, que nos depaupera e arruina. E não me alcunhem de visionário, pois esta ideia não é nova, nem reclamo para mim privilégio de invenção. Em tempos passados (século XVIII), já se olhava para esta fonte de riqueza com certo carinho e solicitude. Não só as Câmaras, mas os ''Corregedores'' se interessavam pela arborização. Na ''correição'' de 1793, feita pelo dr. António David Morais Teixeira, deixou ele um ''capítulo'' em que se preceituava que todos os moradores do concelho plantassem nas suas terras e campos, ou nos ''baldios'', 6 castanheiros cada ano, sob pena de 65000 réis para aquele que não cumprisse. Também mandou semear ''penisco'' nos baldios, com a mesma cominação; e à Câmara ordenou que averiguasse «''quantas amoreiras havia no concelho''», devendo remeter-lhe a relação delas, no prazo de 20 dias, «''para se por em execução a criação do bicho da sêda''». E cada morador era obrigado a plantar em terreno seu ''duas amoreiras'', cada ano<ref>«Liv. das Correições», no arquivo da Cámara.</ref>. A criação do ''sirgo'' já era, pois, naquele tempo, considerada como adaptável às nossas terras. A meu ver, a função mais imperiosa e interessante das nossas vereações é fomentar a riqueza concelhia, aproveitando-se dessas poucas facilidades que o Estado lhes proporciona nas leis sobre o regime florestal e criação do ''sirgo''. {{c|---}} A ''nogueira preta'', o ''castanheiro da Índia'', a ''paulonwia imperial'', etc., árvores de crescimento rápido, tem importante valor florestal, e a primeira dá óptimo resultado na marcenaria. Ensaiem-se também. Na estrada real, n.º 24, à entrada da vila, aí temos nós belos exemplares de ''nogueiras pretas'', não obstante ser relativamente nova a sua plantação. Os ''choupos'' ou ''alamos'', são óptimos para os terrenos húmidos e até vão bem nos secos<ref>Vejam-se os que existem no adro da capela do Livramento, freguesia de Formariz.</ref>; e notáveis pela beleza da sua folhagem são os ''platanos'', que, sem o menor cuidado de cultura, aí estão a embelezar alguns pontos das ribas do nosso rio Coura. O ''castanheiro'', cuja madeira, não falando do fruto, é tão apreciável, cumpre não o deixar desaparecer de todo. Teime-se e lute-se pela sua conservação, como se faz pela vinha. É bom recordar que na Correição de 1789, o ''Corregedor'' obrigou todo o morador deste concelho a plantar, cada ano, 12 ''castanheiros'', e 24 ''videiras'', oferecendo, como estímulo, um prémio pecuniário àquele que plantasse mais árvores do que o número indicado. É que a arborização é «riqueza, beleza e saúde»<ref>«Port. Ant. E Mod.», de Pinho Leal.</ref>. '''{{c|Caça}}''' O ''sport'' da caça está na ordem do dia. E, contudo, nem o Estado, nem as Câmaras Municipais (falo das de Coura) fazem cumprir as suas leis e ''Posturas''. {{rule}}<noinclude></noinclude> ahu9nl34awsoq3ajs6858mta8lwtf96 Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/39 106 253428 552402 2026-05-15T13:53:31Z Strudel45 38659 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xvii {{block center|amigo Clemente, de outra occupaçaõ<br/>}} {{block center|ſemelhante (1) ''Diſtringor officio, ut''<br/>}} {{block center|''maximo'' (diz elle) ''ſic moleſtiſſimo, ſe-''<br/>}} {{block center|''deo pro tribunali, ſubnoto libellos, con-''<br/>}} {{block center|''ficio tabulas, ſcribo plurimas, ſed il-''<br/>}} {{block center|''literatiſſimas literas; ſoleo n... 552402 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xvii {{block center|amigo Clemente, de outra occupaçaõ<br/>}} {{block center|ſemelhante (1) ''Diſtringor officio, ut''<br/>}} {{block center|''maximo'' (diz elle) ''ſic moleſtiſſimo, ſe-''<br/>}} {{block center|''deo pro tribunali, ſubnoto libellos, con-''<br/>}} {{block center|''ficio tabulas, ſcribo plurimas, ſed il-''<br/>}} {{block center|''literatiſſimas literas; ſoleo non numquam''<br/>}} {{block center|''(nam id ipſum quando contingit) de''<br/>}} {{block center|''his occupationibus apud Euphratrem''<br/>}} {{block center|''queri: ille me conſolatur: affirmat etiam''<br/>}} {{block center|''eſſe hanc Philofophiæ, & quidem pul-''<br/>}} {{block center|''cherrimam partem, agere negotium pu-''<br/>}} {{block center|''blicum &c.'' 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I.<noinclude></noinclude> 4tq6z0he9d7rf1zexan10pyac1mjc2a Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/117 106 253429 552405 2026-05-15T14:03:19Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Ainda no ano de 1907 a Câmara deste concelho introduziu algumas modificações no seu código de Posturas, tendentes à protecção da propagação da caça: mas afigura-se-me que, se ela não for proibida, em absoluto, um ano ou dois, nos nossos montes, nada se conseguirá. A razão é óbvia: é que as ''armadilhas'' pululam, os ''amadores'', dos concelhos circunvizinhos, são insaciáveis e o ''defeso'' não se observa com rigor. A fundação de um '... 552405 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Ainda no ano de 1907 a Câmara deste concelho introduziu algumas modificações no seu código de Posturas, tendentes à protecção da propagação da caça: mas afigura-se-me que, se ela não for proibida, em absoluto, um ano ou dois, nos nossos montes, nada se conseguirá. A razão é óbvia: é que as ''armadilhas'' pululam, os ''amadores'', dos concelhos circunvizinhos, são insaciáveis e o ''defeso'' não se observa com rigor. A fundação de um ''clube de caçadores'', que curasse de fiscalizar a observância das leis protectoras, dos regulamentos e da repovoação, seria meio eficaz, segundo penso, para evitar muito abuso. Em toda a província do Minho talvez não haja montes tão próprios e aptos para a caça como os deste concelho, e contudo ela tende a desaparecer. As espécies que existem são - a ''lebre'', o ''coelho'', e a ''perdiz''<ref>Também há a raposa, a martaranha (martha), o tourão, e o teixugo.</ref>. O javali e a corça só extraviados é que, agora, aparecem por cá. Faça-se observar, pois, o defeso à risca, sem contemporizações; cumpram-se, rigorosamente, as Posturas, e tanto basta para que os nossos montes se povoem de caça. Como as alegres caravanas de caçadores afluiriam à nossa terra! E isto não é para desprezar, não só pela animação que lhe imprimiriam, mas porque, mais e mais, a tornariam conhecida: e o comércio não seria o menos quinhoeiro. '''{{c|CAPÍTULO XVII}}''' '''{{c|Indústria}}''' SE não é esta a feição característica da actividade local, não pode, contudo, deixar de reconhecer-se que algumas indústrias têem nascido e caminhado, de par, com a ''lavoura cerealífera''. A predisposição dos terrenos, a sua facilidade em enrelvarem-se, a necessidade de gados para o labor das terras e preparo de adubos, fizeram nascer, sem artificio, a indústria da criação pecuária. E, como os montados são largos, ferazes e abundantes de águas, é neles que se faz boa parte da criação do manadio - ''bovino'' e ''cavalar''. O gado ''vacum'' é de regular corpulência e formas, prevalecendo o «''pisco''», devido, talvez, a cruzamentos com a raça «''barrosã''», muito estimada aqui. Não há raças especiais para a secreção do leite; apenas, durante a criação do novilho, é que são ordenhadas as vacas, sem por isso deixarem de prestar serviço na lavoura, a que, principalmente, são destinadas. {{rule}}<noinclude></noinclude> e7lv0ryi25wyr2zyl61f7yg2fb357jt Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/118 106 253430 552406 2026-05-15T14:15:33Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: As raças ''Alderney'', ''Holandesa'', ''Gersey'', etc., são desconhecidas para os lavradores. Nas freguesias que vizinham com os montes largos, há bastante gado lanígero, cujos proprietários não só lhe aproveitam a lã, mas os cordeiros, para vender. Além destes produtos, ainda este gado fornece outro mais estimado, talvez: é o seu adubo, muito apreciado para as terras frias ou húmidas. A criação do ''cavalar'', em manada, foi muito... 552406 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>As raças ''Alderney'', ''Holandesa'', ''Gersey'', etc., são desconhecidas para os lavradores. Nas freguesias que vizinham com os montes largos, há bastante gado lanígero, cujos proprietários não só lhe aproveitam a lã, mas os cordeiros, para vender. Além destes produtos, ainda este gado fornece outro mais estimado, talvez: é o seu adubo, muito apreciado para as terras frias ou húmidas. A criação do ''cavalar'', em manada, foi muito lucrativa e intensa em tempos passados. Hoje está muito reduzida. Antes da rede tributária emalhar este elemento de riqueza, era considerável o gado desta espécie que povoava os nossos montes. Mas, depois que o fisco lhe cravou as garras, porventura mais daninhas que as do lobo, a sua decadência acentuou-se tristemente. Porquê? pois a lei sumptuária não isenta as «''egoas de creação''»? Assim é, com efeito. O mal não estava na lei, mas na sua prática, na forma como os agentes do fisco a aplicavam, dando-lhe uma latitude que brigava com o seu espírito. As coisas passavam-se assim: muitas das éguas lançadas à manada para a reprodução, vinham de prestar cómodo pessoal, tendo um tal ou qual ensino de sela; e por isso, uma ou outra vez, sempre raras, o dono da manada, já para mandar uma carga de milho à moenda, já para fazer, incidentalmente, uma jornada a cavalo, servia-se de alguma égua da manada. É claro que este «''commodo pessoal''», por não ser habitual, nem ter carácter de permanência, não bastava, em boa razão, para fintar o dono do animal: todavia o burocrata tributava-o. Daqui reclamações, caminhadas para a repartição de fazenda, para o escritório do advogado, perda de tempo, despesas e outros vexames, como a má catadura, a irritabilidade do empregado, etc. E, porque o caso se repetía todos os anos, veio o desânimo, o aborrecimento dos criadores, que, para se libertarem desta situação, gravosa e incómoda, foram-se desfazendo das éguas, ou não as substituiam quando morriam, ou quando se tornavam infecundas. Resultado: esta importante fonte de riqueza concelhia, com os golpes do fisco, vibrados pelo ''trop de zéle'' do funcionalismo fazendário, quasi desapareceu. Presidente nato, durante dezasseis anos, da junta fiscal das matrizes, fui testemunha ocular deste furor tributário, ao qual sempre procurei contrapor justo correctivo, por estar convencido de que a tributação exagerada aniquila-se a si própria, por eliminar a matéria colectável, em muitos casos. {{c|---}} Procurar desenvolver esta indústria local, quer concedendo prémios à melhor manada, quer facilitando «''reprodutores''» de sangue, seria bom serviço municipal. As nossas vereações têm aqui largo campo para a sua acção administradora e fecunda iniciativa: piano e piano...muito podem fazer. Para isso, porém, precisam de conceber e preparar ''um plano'' praticável, que abranja o fomento e a riqueza municipais. É preciso ''semear'' para ''colher''.<noinclude></noinclude> 4ylq7zzb8xxnozi3bs483oyavqkxsp7 Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/119 106 253431 552407 2026-05-15T14:28:52Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: --imagem-- Fábrica de lacticínios, de Mantelães ''Outra indústria'', aliás importante, é a de lacticínios, da fábrica de ''Mantelães''. Quem diria, há 18 anos, que a palavra - ''progredior'' - lema das conquistas civilizadoras, havia de ter uma concretização, tão completa, como audaz, nesta fábrica? Quem poderia imaginar que o antigo pardieiro, coberto de colmo, enegrecido pelo tempo, onde se arrastava o rudimentar engenho de ser... 552407 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>--imagem-- Fábrica de lacticínios, de Mantelães ''Outra indústria'', aliás importante, é a de lacticínios, da fábrica de ''Mantelães''. Quem diria, há 18 anos, que a palavra - ''progredior'' - lema das conquistas civilizadoras, havia de ter uma concretização, tão completa, como audaz, nesta fábrica? Quem poderia imaginar que o antigo pardieiro, coberto de colmo, enegrecido pelo tempo, onde se arrastava o rudimentar engenho de serrar madeira, havia de ser substituído, ''no seu próprio lugar'', pelo moderno e bem aperfeiçoado edifício da nova fábrica, cujo motor e multiplices engrenagens são factor valiosíssimo de riqueza pública e privada? Mas é um facto. O aparecimento desta fábrica não foi um empreendimento ''casual'' e inconsciente. Pelo contrário, traduz a nítida intuição do aproveitamento da força motriz do rio Coura e da matéria prima - o leite - que era abundante, mas andava desperdiçado<ref>«Minho Pittoresco», pág. 138. O Padre Carvalho, na sua «Chorographia Portugueza», já dizia que este concelho era fértil de muitos lacticinios, natas e manteigas em tanta quantidade, que serviam de alimento, todo o ano, a seus moradores, em que entravam muitos nobres.</ref>. Faltava, apenas, a iniciativa - a potente alavanca dos grandes cometimentos -, que também apareceu. O conselheiro Miguel Dantas - capitalista, passou a ser -''industrial''. A fábrica foi instalada, provisoriamente, numa dependência da casa de residência do sr. dr. Manuel d'Azevedo Araújo e Gama, conceituado lente da Universidade. A 8 de Maio, de 1891, entravam para ela ''trinta e oito'' litros de leite. Uma mesquinhez e um desconforto! Mas, no fim do mês, o livro das entradas já acusava uma recepção de 2.830 litros. Entretanto, o seu proprietário ia curando, fortuna vária, das obras indispensáveis, não só para o aproveitamento do motor natural, hidráulico, mas para a instalação definitiva, pouco abaixo da ponte de Mantelães; e no dia 17 de Fevereiro, de 1892, abriram-se, pela primeira vez, as portas do novo templo industrial à exploração do leite e seus derivados. Dotada de aparelhos e maquinismos modernos, tem a fábrica ''duas desnatadeiras'': - Burmeister, sistema holandês e a - Laval, sistema francês, com seis mil voltas por minuto. As ''batelas'' - (Carpentier, modelo francês) são ''duas''. O ''malaxeur'' - (Bergedafer-Eiseneverk) é do sistema ham- {{rule}}<noinclude></noinclude> rdd8uf9vz78ee99g31t6g32cgnclajl Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/120 106 253432 552408 2026-05-15T14:39:16Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: burguês. O ''motor'', com a força de 8 cavalos, imprime movimento a todos os maquinismos; e a caldeira, a vapor, com capacidade para 500 litros, fornece água para a lavagem dos depósitos do leite, utensílios da sua condução e esquentadores. Tem a fábrica dependências para oficinas de caixões de madeira, soldagem das latas e pocilga. Desde a sua instalação até 31 de Dezembro, de 1907, pagou 8.200.418 litros de leite, na importância de... 552408 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>burguês. O ''motor'', com a força de 8 cavalos, imprime movimento a todos os maquinismos; e a caldeira, a vapor, com capacidade para 500 litros, fornece água para a lavagem dos depósitos do leite, utensílios da sua condução e esquentadores. Tem a fábrica dependências para oficinas de caixões de madeira, soldagem das latas e pocilga. Desde a sua instalação até 31 de Dezembro, de 1907, pagou 8.200.418 litros de leite, na importância de reis 200.707$782! Soma extraordinária, para este meio! A eloquência dos números impõe-se. {{c|---}} Para que os produtos da fábrica merecessem a consagração do consumidor, contratou o seu proprietário (conselheiro Miguel Dantas) um prático estrangeiro - Mr. A. Duran, que vencia o ordenado mensal de 500 francos, mais tarde elevado a 600. A princípio, fazia-se a condução do leite por meio de mulheres, que o iam buscar a casa do fornecedor; depois, passou a ser feito em burras com ''andas'', e agora faz-se em carroças. A ''moeda'' da fábrica, para pagamento do leite, foi, primeiramente, representada por ''cédulas'' de papel, que, mais tarde, foram substituídas por chapas de latão, circulares, delgadas, ''fixas'', que são entregues aos fornecedores no acto da venda do leite. No ''primeiro domingo'', de cada mês, são estas ''fichas'' apresentadas por aqueles na fábrica, e aí recebem, em moeda corrente, o respectivo valor. Assim se tem praticado, religiosamente, desde a instalação. As ''fichas'', que são de diversos tamanhos, contêm uma ''legenda'' e dentro dela um destes três algarismos - 1, 2, e 5, correspondentes a igual número de litros. Esta ''moeda'' não só é recebida pelo comércio local, em pagamento dos artigos que vende, mas nos concelhos circunvizinhos, sobretudo em Valença, e até na cidade de Tuy (Galiza). {{c|---}} O edifício da fábrica, construção apropriada, vistosa e elegante, não tem as largas dimensões das oficinas que demandam numeroso pessoal: contudo o tom de novidade, estrutura e disposição, que o caracterizam, denunciam-lhe o destino. É sobranceiro ao rio Coura, que lhe dá a força impulsiva, porque é o seu motor. Muito branqueado, de janelas abertas, olhando para a estrada real, parece que está a sorrir-se para o viandante. A disciplina e ordem, indispensáveis para o seu bom funcionamento, determinou a proibição da entrada a quem não é empregado no serviço da fábrica, mas o seu antigo proprietário autorizava, com prazer, a sua inspecção aos forasteiros, que lhe manifestavam desejo de a visitar, e assim se faz hoje. Para ''refrescar'' a nata, há uma nascente, privativa da fábrica, mandada pesquizar pelo falecido conselheiro Miguel Dantas. Corre, directamente, para um tanque, de cantaria, onde são imergidos os recipientes que contêm a nata; e, antes desta operação, cai sobre o ''refrescador'', onde aquela passa, depois da desnatação.<noinclude></noinclude> 2o0p91e8i9n18n4yirk3fai5qeejqeu Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/121 106 253433 552410 2026-05-15T14:49:28Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Quer-me parecer que as apreciáveis qualidades da manteiga, são devidas, em grande parte, à frescura e beleza desta água. A sua ''lavagem'' também é feita com ela. {{c|---}} É hoje conhecida em todo o país a manteiga da fábrica de ''Mantelães'', ou melhor - do conselheiro Miguel Dantas<ref>Pertence agora ao sr. conselheiro Bernardino Machado.</ref>. A febre de instalações similares, que se desenvolveu no norte do país, depois do apa... 552410 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Quer-me parecer que as apreciáveis qualidades da manteiga, são devidas, em grande parte, à frescura e beleza desta água. A sua ''lavagem'' também é feita com ela. {{c|---}} É hoje conhecida em todo o país a manteiga da fábrica de ''Mantelães'', ou melhor - do conselheiro Miguel Dantas<ref>Pertence agora ao sr. conselheiro Bernardino Machado.</ref>. A febre de instalações similares, que se desenvolveu no norte do país, depois do aparecimento desta fábrica, não diminuiu a procura dos seus produtos, sobretudo da manteiga, nem excedeu o asseio e acurado do seu fabrico. A manteiga ocupa lugar distinto entre as suas congéneres. Sem reclamos espalhafatosos, que nem sempre são garantia de pureza e de probidade, ela entrou facilmente no mercado e nele se tem conservado pelo seu valor intrínseco. O consumidor aceitou-a, sem solicitações, e registou-a como das melhores. Mais pura e asseada não a há: testemunho ''de visu''. {{c|---}} Hoje, a vida desta fábrica está consubstanciada com a vida doméstica e económica da população regional. O seu desaparecimento acarretaria penosas dificuldades ao movimento comercial e económico desta localidade, pois muitas famílias trazem pautada a sua administração pelas receitas que auferem da fábrica, com a venda do leite. Pena é que o nosso lavrador não procure libertar-se da rotina, pelo que diz respeito à preparação de forragens e pastagens para o gado vacum. O leite podia ser muito mais abundante. Já o distinto valenciano - José A. Vieira, dizia, em 1886, no seu «Minho Pittoresco»: «O fabrico das manteigas (em Coura) é rudimentar e no entanto a que se oferece no mercado é agradável e pura; sendo grande a sua indústria de gados, abundantes as suas águas, Coura podia, ''como nenhuma outra região do norte'', ser a séde de uma importante indústria lacticínia. O leite é, por assim dizer, desperdiçado e as vacas não dão a quantidade que dariam, quando especialmente educadas para a lactação.»<ref>Obra citada, pág. 138.</ref> Seria conselho ou ''previsão'' do notável paisagista? {{c|---}} Lembro aos meus conterrâneos a conveniência, senão necessidade, de organizar associações de «''seguros''» para os seus gados. Tão generalizado como está aqui o contrato de - «''parceria pecuária''», chamo a atenção, sobretudo dos parceiros ''proprietários'', para este ponderoso assunto. {{rule}}<noinclude></noinclude> 982r70a9q4c3313g8rq68uthbal46gx Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/40 106 253434 552417 2026-05-15T15:24:57Z Strudel45 38659 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: xviii {{block center|<big>'''VIDA'''</big> '''DE''' <big>'''JOAÕ'''</big><br/>}} {{block center|partio ElRey aquella Provincia em va-<br/>}} {{block center|rias Capitanías, na forma que os Reys<br/>}} {{block center|primeiros fizeraõ povoar as Ilhas acha-<br/>}} {{block center|das no mar Oceano; mas naõ foi igual<br/>}} {{block center|o ſucceſſo, porque ſendo cada Ilha hu-<br/>}} {{block center|ma pequena porçaõ de terra, onde na... 552417 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>xviii {{block center|<big>'''VIDA'''</big> '''DE''' <big>'''JOAÕ'''</big><br/>}} {{block center|partio ElRey aquella Provincia em va-<br/>}} {{block center|rias Capitanías, na forma que os Reys<br/>}} {{block center|primeiros fizeraõ povoar as Ilhas acha-<br/>}} {{block center|das no mar Oceano; mas naõ foi igual<br/>}} {{block center|o ſucceſſo, porque ſendo cada Ilha hu-<br/>}} {{block center|ma pequena porçaõ de terra, onde naõ<br/>}} {{block center|havia habitadores que defendeſſem a en-<br/>}} {{block center|trada aos eſtrangeiros, foi facil couſa<br/>}} {{block center|povoar cada Capitaõ a ſua; ajudando-ſe<br/>}} {{block center|principalmente da viſinhança do Rei-<br/>}} {{block center|no e da preſtança, que humas ás ou-<br/>}} {{block center|tras ſe faziaõ, por eſtarem perto, e<br/>}} {{block center|quaſi á viſta. Porem no Braſil como ca-<br/>}} {{block center|da Capitanía era de cincoenta legoas de<br/>}} {{block center|coſta, e habitada de gentes guerreiras,<br/>}} {{block center|tendo o ſoccorro de Portugal duas mil<br/>}} {{block center|legoas diſtante, e cada Capitanía taõ<br/>}} {{block center|fraca, que naõ podia ſocorrer a viſinha,<br/>}} {{block center|vieraõ as mais deſtas povoaçoens, que<br/>}} {{block center|intentáraõ os donatarios, a perecer de<br/>}} {{block center|todo, e ſó quafi tiveraõ bom ſucceſſo as<br/>}} {{block center|que os Reis tomaraõ pera ſi; porque<br/>}} {{block center|como as fazendas neſte Reino, pela eſ-<br/>}} {{block center|treiteza delle, ſejaõ muito limitadas<br/>}} {{block center|naõ tiveraõ aquelles povoadores cabe-<br/>}} {{block center|dal para ſe valerem do novo ſocorro,<br/>}} {{block center|ſe padeceraõ qualquer infortunio, prin-<br/>}} {{block center|cipalmente nos principios. Joaõ de Bar-<br/>}} ros<noinclude></noinclude> 3ok4ychpqwviw6qgedtf6thxqtq9k7x Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/41 106 253435 552418 2026-05-15T15:34:39Z Strudel45 38659 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xix {{block center|ros com tudo como era de nobre eſpiri-<br/>}} {{block center|to, e deſejoſo de ſe empregar em cou-<br/>}} {{block center|ſas grandes, pedio a ElRey huma deſ<br/>}} {{block center|tas Capitanías, e elle lha concedeo de<br/>}} {{block center|juro, e herdade, com os privilegios,<br/>}} {{block center|e doaçoens das outras; mas alcançando<br/>}} {{block center... 552418 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xix {{block center|ros com tudo como era de nobre eſpiri-<br/>}} {{block center|to, e deſejoſo de ſe empregar em cou-<br/>}} {{block center|ſas grandes, pedio a ElRey huma deſ<br/>}} {{block center|tas Capitanías, e elle lha concedeo de<br/>}} {{block center|juro, e herdade, com os privilegios,<br/>}} {{block center|e doaçoens das outras; mas alcançando<br/>}} {{block center|bem as difficuldades da empreſa, deter-<br/>}} {{block center|minou dar parte della a Aires da Cu-<br/>}} {{block center|nha, e a Fernaõ d'Alvrez d'Andrada<br/>}} {{block center|Theſoureiro mór do Reyno (pai de<br/>}} {{block center|Franciſco d' Andrada Chroniſta mòr)<br/>}} {{block center|pera, com eſte cabedal mayor, poder<br/>}} {{block center|reduzir a empreza a proſpero fim. Fez-<br/>}} {{block center|ſe por parte deſta companhia a maior<br/>}} {{block center|armada, que para aquellas partes até<br/>}} {{block center|entaõ tinha ido, porque ſe apreſtaraõ<br/>}} {{block center|dez Navios, com nove centos homens,<br/>}} {{block center|dos quaes eraõ mais de cento de caval-<br/>}} {{block center|lo; e com todo o neceſſario pera a jor-<br/>}} {{block center|nada, de mantimentos, muniçoens<br/>}} {{block center|artilheria, ſe fizeraõ á véla no anno de<br/>}} {{block center|1539. indo por Capitaõ o meſmo Aires<br/>}} {{block center|da Cunha, que levava com ſigo dous<br/>}} {{block center|filhos de Joaõ de Barros.<br/>}} {{block center|Era a Capitanía que lhe coube em<br/>}} {{block center|ſorte a do Maranhaõ parte ſeptentrio-<br/>}} {{block center|nal do Braſil, e a mais ennobrecida del-<br/>}} {{block center|le, em grandeza de rios, fertilidade de<br/>}} plan- {{block center|b ii<br/>}}<noinclude></noinclude> 17vtm5c2h0feldfv6t8arlstsii0hri Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/42 106 253436 552419 2026-05-15T15:43:21Z Strudel45 38659 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: xx {{block center|<big>'''VIDA'''</big> '''DE''' <big>'''JOAÕ'''</big><br/>}} {{block center|plantas, abundancia de animaes, e fa-<br/>}} {{block center|ma de riquiſſimas minas. 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Gafanhotos verdes serviam á mesa e traziam da cozinha os petiscos em que um gordo caranguejo, de avental branco e gôrra, ia dando os ultimos retoques. Veiu uma deliciosa sopa de barbas de camarão, e, depois, [[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 30 crop).jpg|centro|400px]] lombo de marisco, filé de cigarra, entrecosto de mãe-dߴagua, omeléte de ova de tainha. Para sobremesa trouxeram mel de jaty em petalas de magnolia, e mil outras preciosidades. Emquanto jantavam, uma excellente orchestra de cigarras, piuns e pernilongos,<noinclude>{{c|☉{{gap}}26{{gap}}☉}}</noinclude> kvizfi81vfxvpe70wxgwm2rdo41tevo Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/31 106 253438 552424 2026-05-15T16:47:26Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 552424 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>afinadissimos, executava lindas musicas compostas pelo maestro Sabiá-do-campo. Vieram depois os dançarinos tangarás e dançaram graciosos bailados. Em seguida appareceu um papagaio real que tinha fama de orador. Subiu á tribuna de um poleiro de ouro e fez um bello discurso a respeito da arte de falar. Provou que os homens tinham aprendido a falar com os papagaios, e não os papagaios com os homens, como estes gabolas andavam a dizer. Uma chuva de palmas acolheu as suas palavras. O mesmo não aconteceu, porem, com a poetiza Lagartixa, que principiou a recitar uma longa poesia e engasgou no meio, acabando o recitativo em chôro e faniquito. Para destruir essa má impressão vieram tres vagalumes magicos que fizeram varias sortes, sendo muito apreciada a sorte de engulir fogo. Narizinho, encantada, batia palmas a cada novidade e ria-se muito das graças e micagens que o bôbo da côrte fazia. Este bôbo era o caruncho Carlito Pirolito, um corcundinha pegado dentro dum caroço de<noinclude>{{c|☉{{gap}}27{{gap}}☉}}</noinclude> o25vhykhctli13kv8stiukfd2lceahp 552426 552424 2026-05-15T16:52:58Z Erick Soares3 19404 552426 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>afinadissimos, executava lindas musicas compostas pelo maestro Sabiá-do-campo. Vieram depois os dançarinos tangarás e dançaram graciosos bailados. Em seguida appareceu um papagaio real que tinha fama de orador. Subiu á tribuna de um poleiro de ouro e fez um bello discurso a respeito da arte de falar. Provou que os homens tinham aprendido a falar com os papagaios, e não os papagaios com os homens, como estes gabolas andavam a dizer. Uma chuva de palmas acolheu as suas palavras. O mesmo não aconteceu, porem, com a poetiza Lagartixa, que principiou a recitar uma longa poesia e engasgou no meio, acabando o recitativo em chôro e faniquito. Para destruir essa má impressão vieram tres vagalumes magicos que fizeram varias sortes, sendo muito apreciada a sorte de engulir fogo. Narizinho, encantada, batia palmas a cada novidade e ria-se muito das graças e micagens que o bôbo da côrte fazia. Este bôbo era o caruncho Carlito Pirolito, um corcundinha pegado dentro dum caroço de {{PT||milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}27{{gap}}☉}}</noinclude> sib3bkt75rfs64qjuyxsd53bjbgio8a 552427 552426 2026-05-15T16:53:11Z Erick Soares3 19404 552427 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>afinadissimos, executava lindas musicas compostas pelo maestro Sabiá-do-campo. Vieram depois os dançarinos tangarás e dançaram graciosos bailados. Em seguida appareceu um papagaio real que tinha fama de orador. Subiu á tribuna de um poleiro de ouro e fez um bello discurso a respeito da arte de falar. Provou que os homens tinham aprendido a falar com os papagaios, e não os papagaios com os homens, como estes gabolas andavam a dizer. Uma chuva de palmas acolheu as suas palavras. O mesmo não aconteceu, porem, com a poetiza Lagartixa, que principiou a recitar uma longa poesia e engasgou no meio, acabando o recitativo em chôro e faniquito. Para destruir essa má impressão vieram tres vagalumes magicos que fizeram varias sortes, sendo muito apreciada a sorte de engulir fogo. Narizinho, encantada, batia palmas a cada novidade e ria-se muito das graças e micagens que o bôbo da côrte fazia. Este bôbo era o caruncho Carlito Pirolito, um corcundinha pegado dentro dum caroço de {{PT||milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}} {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}27{{gap}}☉}}</noinclude> 55p3eac1mrh0ttlczdoxvc252encf1i 552436 552427 2026-05-15T19:54:14Z Erick Soares3 19404 552436 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>afinadissimos, executava lindas musicas compostas pelo maestro Sabiá-do-campo. Vieram depois os dançarinos tangarás e dançaram graciosos bailados. Em seguida appareceu um papagaio real que tinha fama de orador. Subiu á tribuna de um poleiro de ouro e fez um bello discurso a respeito da arte de falar. Provou que os homens tinham aprendido a falar com os papagaios, e não os papagaios com os homens, como estes gabolas andavam a dizer. Uma chuva de palmas acolheu as suas palavras. O mesmo não aconteceu, porem, com a poetiza Lagartixa, que principiou a recitar uma longa poesia e engasgou no meio, acabando o recitativo em chôro e faniquito. Para destruir essa má impressão vieram tres vagalumes magicos que fizeram varias sortes, sendo muito apreciada a sorte de engulir fogo. {{PT||{{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 32 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }}}} Narizinho, encantada, batia palmas a cada novidade e ria-se muito das graças e micagens que o bôbo da côrte fazia. Este bôbo era o caruncho Carlito Pirolito, um corcundinha pegado dentro dum caroço de {{PT||milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}} {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}27{{gap}}☉}}</noinclude> 6zg8q4cg2uisgof9lzu1b70dwtx4nmz Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/32 106 253439 552425 2026-05-15T16:52:39Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 552425 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 8"/>{{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 32 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }} {{PT|milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}} E assim correu a alegre refeição, deixando no espirito da menina recordações inesqueciveis. {{dhr|3}} <section end="Cap. 8"/> <section begin="Cap. 9"/>{{t2|D. ARANHA COSTUREIRA|'''IX'''}} {{dhr|3}} Logo que saiu da mesa recolheu-se Narizinho ao quarto afim de preparar-se para o baile da noite. Para servil-a encontrou lá<section end="Cap. 9"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}28{{gap}}☉}}</noinclude> 6w1akusc29h4owzbs080de80rz5kqvu 552435 552425 2026-05-15T19:53:57Z Erick Soares3 19404 552435 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 8"/>{{PT|{{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 32 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }}}} {{PT|milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}} E assim correu a alegre refeição, deixando no espirito da menina recordações inesqueciveis. {{dhr|3}} <section end="Cap. 8"/> <section begin="Cap. 9"/>{{t2|D. ARANHA COSTUREIRA|'''IX'''}} {{dhr|3}} Logo que saiu da mesa recolheu-se Narizinho ao quarto afim de preparar-se para o baile da noite. Para servil-a encontrou lá<section end="Cap. 9"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}28{{gap}}☉}}</noinclude> mlygazuqisxlxkaxwuvda3wm520fysn 552437 552435 2026-05-15T19:54:54Z Erick Soares3 19404 552437 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 8"/>{{PT|{{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 32 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }}}} {{PT|milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}} {{gap}}E assim correu a alegre refeição, deixando no espirito da menina recordações inesqueciveis. {{dhr|3}} <section end="Cap. 8"/> <section begin="Cap. 9"/>{{t2|D. ARANHA COSTUREIRA|'''IX'''}} {{dhr|3}} Logo que saiu da mesa recolheu-se Narizinho ao quarto afim de preparar-se para o baile da noite. Para servil-a encontrou lá<section end="Cap. 9"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}28{{gap}}☉}}</noinclude> ak1f5td1800mjdi3uqpcy66e1cwqnku 552438 552437 2026-05-15T19:55:24Z Erick Soares3 19404 552438 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 8"/>{{PT|{{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 32 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }}}} {{PT|milho e criado pelo principe para divertir a côrte. Durante o jantar sentou-se ao lado de Narizinho e não parou de fazer diabruras e molecagens o tempo todo.}} E assim correu a alegre refeição, deixando no espirito da menina recordações inesqueciveis. {{dhr|3}} <section end="Cap. 8"/> <section begin="Cap. 9"/>{{t2|D. ARANHA COSTUREIRA|'''IX'''}} {{dhr|3}} Logo que saiu da mesa recolheu-se Narizinho ao quarto afim de preparar-se para o baile da noite. Para servil-a encontrou lá<section end="Cap. 9"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}28{{gap}}☉}}</noinclude> nzbe0anv2l0gn787c0sokegwv0qhuvr Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/VIII 0 253440 552428 2026-05-15T16:56:16Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=28 to=32 fromsection="Cap. 8" tosection="Cap. 8" header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}} 552428 wikitext text/x-wiki <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=28 to=32 fromsection="Cap. 8" tosection="Cap. 8" header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}} 7vevdyq581d0karqoe219kf9axnl47t Página:Da Terra á Lua.pdf/58 106 253441 552430 2026-05-15T17:01:48Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mathematica, a bala moral. Para mim a bala é a mais esplendida manifestação do poder do homem; na bala resume-se este poder todo inteiro, e foi quando a inventou que o homem mais se approximou do Creador! — Muito bem! disse o major Elphiston. — E na verdade, exclamou o orador, se Deus fez as estrellas e os planetas, o homem fez a bala, que é o ''criterium'' das velocidades terrestres e uma imitação, em menores proporções, dos astros que... 552430 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|59|borda_inferior=sim}}</noinclude>mathematica, a bala moral. Para mim a bala é a mais esplendida manifestação do poder do homem; na bala resume-se este poder todo inteiro, e foi quando a inventou que o homem mais se approximou do Creador! — Muito bem! disse o major Elphiston. — E na verdade, exclamou o orador, se Deus fez as estrellas e os planetas, o homem fez a bala, que é o ''criterium'' das velocidades terrestres e uma imitação, em menores proporções, dos astros que erram no espaço, que não são mais do que outros tantos projectis! Pertence a Deus a velocidade da electricidade, a Deus a velocidade da luz, a velocidade das estrellas, a velocidade dos cometas, a velocidade dos planetas, a velocidade dos satellites, a velocidade do som, a velocidade do vento! Mas a nós os homens a velocidade da bala, cem vezes superior á velocidade da locomotiva ou do mais rapido corcel!» J.-T. Maston estava exaltado; entoando á bala este hymno sagrado, percebiam-se-lhe na voz inflexões lyricas. «Querem algarismos? proseguiu elle; ei-los, e que fallam bem alto! Olhem simplesmente a modesta bala de vinte e quatro<ref>Isto é de calibre vinte e quatro, que pesa vinte e quatro libras.</ref>, que corre oitocentas mil vezes menos veloz que a electricidade, seiscentas e quarenta mil vezes menos veloz que a luz, setenta e seis vezes menos veloz que a Terra, no movimento de translação em volta do Sol, e que todavia, quando sáe do canhão, excede em rapidez o som<ref>É por esta rasão que depois de termos ouvido a detonação da peça já não podemos ser feridos pela bala.</ref>, anda 200 toezas em cada segundo, 2:000 toezas em 10 segundos, 14 milhas (6 leguas) em cada minuto, 840 milhas (360 leguas) por hora, 27:100 milhas (8:640 leguas) por dia, ou, o que vale o mesmo, 7.336:500 milhas (3.155:760 leguas) por anno, velocidade igual á dos pontos do equador no movi-<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> b8unmahlwsyjrz2tlp4ssgmetvjl81b Página:Da Terra á Lua.pdf/59 106 253442 552431 2026-05-15T17:05:33Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mento de rotação do globo. Gastaria portanto 11 dias para ir á Lua, 12 annos para chegar ao Sol, 360 annos para alcançar Neptuno, situado no extremo limite do mundo solar. Eis o que fazia tão modesta bala, producto de mãos humanas! Que será quando vintuplicando-lhe a velocidade, a arremessarmos com a velocidade de 7 milhas por segundo! Ah! soberba bala! esplendido projectil! Exulto em acreditar que has de ser recebida lá em cima com todas... 552431 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|60|VIAGENS MARAVILHOSAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>mento de rotação do globo. Gastaria portanto 11 dias para ir á Lua, 12 annos para chegar ao Sol, 360 annos para alcançar Neptuno, situado no extremo limite do mundo solar. Eis o que fazia tão modesta bala, producto de mãos humanas! Que será quando vintuplicando-lhe a velocidade, a arremessarmos com a velocidade de 7 milhas por segundo! Ah! soberba bala! esplendido projectil! Exulto em acreditar que has de ser recebida lá em cima com todas as honras devidas a um embaixador terrestre!» Com repetidos hurrahs applaudiram os auditores esta altisonante peroração, e J.-T. Maston sentou-se extremamente commovido e recebendo felicitações de todos os collegas. «E agora, disse Barbicane, que já demos largas á poesia, atiremo-nos directamente ao assumpto.» — Estamos promptos, responderam os membros da commissão, absorvendo ao mesmo tempo meia duzia de sandwiches por cabeça. — Já tendes conhecimento do problema que temos de resolver, continuou o presidente; trata-se de imprimir a um projectil uma velocidade de 12:000 jardas por segundo. «Tenho rasões para acreditar que havemos de conseguir bom resultado. Mas, por agora, limitemo-nos a examinar as velocidades obtidas até hoje; o general Morgan póde instruir-nos cabalmente a este respeito. — E com tanta maior facilidade, respondeu o general, que, durante a guerra, fui eu membro da commissão de experiencias. Dir-vos-hei, pois, que os canhões de cem de Dahlgreen, cujo alcance era de 2:500 toezas, imprimiam ao projectil respectivo a velocidade inicial de 500 jardas por segundo. — Bem. E a Columbiada<ref>Columbiadas chamaram os americanos áquellas enormes machinas de destruição.</ref> Rodman, perguntou o presidente? {{nop}}<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> qnn3czytutth7b0j5fy2o41y0s4lsug Página:Da Terra á Lua.pdf/60 106 253443 552432 2026-05-15T17:09:01Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — A Columbiada Rodman, ensaiada no forte de Hamilton, proximo a New York, arremessava uma bala, que tinha de peso meia tonelada, á distancia de 6 milhas, com a velocidade de 800 jardas por segundo, resultado este a que nunca chegaram, nem Armstrong, nem Palisser, em Inglaterra. — Oh ! os inglezes ! murmurou J.-T. Maston, apontando para o horisonte leste com o temivel gancho. São portanto essas 800 jardas o ''maximum'' de velocidade, pros... 552432 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|61|borda_inferior=sim}}</noinclude>— A Columbiada Rodman, ensaiada no forte de Hamilton, proximo a New York, arremessava uma bala, que tinha de peso meia tonelada, á distancia de 6 milhas, com a velocidade de 800 jardas por segundo, resultado este a que nunca chegaram, nem Armstrong, nem Palisser, em Inglaterra. — Oh ! os inglezes ! murmurou J.-T. Maston, apontando para o horisonte leste com o temivel gancho. São portanto essas 800 jardas o ''maximum'' de velocidade, proseguiu Barbicane, que se tem podido obter até hoje? — É verdade, respondeu Morgan. — Todavia, replicou Maston, sempre devo dizer, que, se o meu morteiro não tivera rebentado... — Pois sim, mas rebentou, redarguiu Barbicane, acompanhando a resposta com um gesto amigavel. Tomemos pois por ponto de partida a velocidade de 800 jardas. Ha de ser necessario vintuplica-la, e nߴestes termos, guardando para outra sessão o estudo dos meios proprios para produzir tal velocidade, chamarei a vossa attenção, caros collegas, para as dimensões que convem dar á bala. Bem deveis imaginar que no caso presente não tratâmos de projectis que pesem quando muito meia tonelada. — E porque ? perguntou o major ? — Porque a bala que estamos discutindo, respondeu promptamente J.-T. Maston, deve ser bastantemente volumosa para solicitar a attenção dos habitantes da Lua, se é que lá os ha. — É verdade, redarguiu Barbicane, e tambem por outra rasão ainda mais importante. — E qual é ella, Barbicane ? perguntou o major. — É que não me parece bastante mandar um projectil á Lua, e ficar só nߴisso ; julgo necessario que o acompanhemos durante a viagem e até ao momento de bater no alvo. — O que! disseram a um tempo. O general e o major, um tanto surprehendidos com a proposta. {{nop}}<noinclude></noinclude> 6zabga4il9ohjlw83foqcaangmrccqy Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/122 106 253444 552470 2026-05-16T10:01:57Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|CAPÍTULO XVIII}} {{c|Instrução Popular<ref>Depois de escrito este capítulo, li no jornal «A Aurora do Lima», n.<sup>os</sup> 7.635 e 7.636, uns belos artigos, aconselhando a criação de uma «Liga» contra o analfabetismo minhoto. Simpática propaganda, que já é realidade.</ref>}} ESTE capítulo tem sombras e luz. Podia escrever-se com a vergonha e tristeza que o analfabetismo inspira, ou com o fervor e alegria, que a luta contra e... 552470 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|CAPÍTULO XVIII}} {{c|Instrução Popular<ref>Depois de escrito este capítulo, li no jornal «A Aurora do Lima», n.<sup>os</sup> 7.635 e 7.636, uns belos artigos, aconselhando a criação de uma «Liga» contra o analfabetismo minhoto. Simpática propaganda, que já é realidade.</ref>}} ESTE capítulo tem sombras e luz. Podia escrever-se com a vergonha e tristeza que o analfabetismo inspira, ou com o fervor e alegria, que a luta contra ele desperta. A instrução primária! É tão pouco!... E nem esse ''pouco'' o povo tem. Porquê? Em boa verdade, não pode dizer-se que o povo deste concelho seja refractário ao ensino. É vítima, como tudo o que é nosso, da ''brandura dos nossos costumes''. Os grandes núcleos da instrução superior estão centralizados, como não podia deixar de ser, em algumas cidades<noinclude></noinclude> 4mou67aiyl44oeqtof421cqrjsrbff2 552471 552470 2026-05-16T10:02:30Z Ruiaraujo1972 38032 552471 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO XVIII}}''' {{c|'''Instrução Popular'''<ref>Depois de escrito este capítulo, li no jornal «A Aurora do Lima», n.<sup>os</sup> 7.635 e 7.636, uns belos artigos, aconselhando a criação de uma «Liga» contra o analfabetismo minhoto. Simpática propaganda, que já é realidade.</ref>}} ESTE capítulo tem sombras e luz. Podia escrever-se com a vergonha e tristeza que o analfabetismo inspira, ou com o fervor e alegria, que a luta contra ele desperta. A instrução primária! É tão pouco!... E nem esse ''pouco'' o povo tem. Porquê? Em boa verdade, não pode dizer-se que o povo deste concelho seja refractário ao ensino. É vítima, como tudo o que é nosso, da ''brandura dos nossos costumes''. Os grandes núcleos da instrução superior estão centralizados, como não podia deixar de ser, em algumas cidades {{rule}}<noinclude></noinclude> 4ci7orxv92wcx4pr73ojdp8w45j9wpx Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/123 106 253445 552472 2026-05-16T10:20:54Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: e a sua demanda é cara e consubstancia ónus pesadíssimo para as classes médias. Não falo das menos remediadas. A instrução ''secundária'', ministrada nos liceus, a medo vai irradiando para a província, para os concelhos. O «''centralismo''» e a pesadíssima soma de encargos que o Estado despeja sobre as corporações municipais, são barreiras perante as quais cedem, de desânimo, as melhores iniciativas. As mesmas «''escolas agrícolas'... 552472 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>e a sua demanda é cara e consubstancia ónus pesadíssimo para as classes médias. Não falo das menos remediadas. A instrução ''secundária'', ministrada nos liceus, a medo vai irradiando para a província, para os concelhos. O «''centralismo''» e a pesadíssima soma de encargos que o Estado despeja sobre as corporações municipais, são barreiras perante as quais cedem, de desânimo, as melhores iniciativas. As mesmas «''escolas agrícolas''», tão proveitosas à popu- lação dos campos, são, apenas, um ensaio, devido, no norte do país, a uma benemerente iniciativa particular. E, contudo, não é preciso ser águia para ver nelas, além de outros benefícios, valiosa atenuante para o cancro da emigração. Certo, não era um utopista o conselheiro Emídio Navarro, quando, ministro das Obras Públicas, as criou. Por isso a sua intensa disseminação, mesmo sob formas modestas, será factor de ressurgimento para a lavoura nacional. Que a sua população anda tão desprezada! Tudo pela população das oficinas; nada pela dos campos! O agricultor é, hoje, na sociedade portuguesa, - o ''pária''. Para ele não há «''creches''», «''cozinhas económicas''», nem «''horas de trabalho''», nem patronos ''socialistas'', nem ''filósofos humanitários'', nem... O «''servo da gleba''» há-de produzir o pão, criar o boi, fabricar o linho, o vinho, o arroz, o azeite, etc., mas, ''moita carrasco'', ninguém lhe patrocina a causa. Labuta, desde o alvorecer da manhã até de noite, e ninguém, nenhum dos ''humanitários de tablado'', pede, para ele - para o «''servo da gleba''» melhoria de vencimento, horas ''regulamentares'' de trabalho, ''reivindicações''!... Dêem-lhe, pelo menos, a ''instrução primária'' e as ''escolas móveis'', conforme a necessidade regional. O burocrata não se contenta com o seu vencimento e ''pede mais''; o professorado, está mal remunerado e ''pede mais''; o magistrado precisa ser independente e ''pede mais''; o militar defende a pátria e ''pede mais''; o agricultor e o trabalhador da terra dão-nos de comer, e... ''morrem à fome''. Eu não falo do grande lavrador, do grande proprietário: ''lembro'', apenas, ''o servo da gleba''... o agricultor, o colono. Dêem-lhe o ''ensino prático''! Neste concelho há 18 escolas primárias para 21 freguesias. Corresponde a cada escola 723 habitantes. Não vai longe que, aqui, havia somente quatro; e, pouco antes, apenas duas. Mas o mal subsiste. Diz-se que a instrução primária é ''obrigatória''. E ''dezoito escolas'' não bastariam para extirpar o ''analfabetismo'' neste concelho? Não faltam leis, não falta funcionalismo superior, Direcções Gerais, repartições, ajudas de custo, tantos por cento para fundo da instrução primária, Conselhos Superiores...; e, entre cada cem habitantes deste ''afortunado'' país somente ''vinte'' é que sabem ler, escrever e contar!! Sabem?! ''Dicant paduani''. Mas virá o mal dos professores? Não. Esta meritória classe constitui, presentemente, neste concelho, uma verdadeira pleiade de infatigáveis e denodados atletas contra o analfabetismo.<noinclude></noinclude> 9l0wlw2ly5ag199t75ltsrfq17mi7af Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/124 106 253446 552473 2026-05-16T10:31:01Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Tenho verdadeiro prazer em deixar aqui consignada esta afirmação, como testemunho não só da estima pessoal que tenho por muitos, mas em homenagem à justiça, que é devida a todos. Até se me afigura que, pela sua devoção ao magistério e fervorosa solicitude pelo desenvolvimento dos seus alunos, eles constituem, a ''élite'' do professorado distrital. Onde está, pois, a origem desta doença intelectual? Deve ser complexa, mas não tenho d... 552473 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Tenho verdadeiro prazer em deixar aqui consignada esta afirmação, como testemunho não só da estima pessoal que tenho por muitos, mas em homenagem à justiça, que é devida a todos. Até se me afigura que, pela sua devoção ao magistério e fervorosa solicitude pelo desenvolvimento dos seus alunos, eles constituem, a ''élite'' do professorado distrital. Onde está, pois, a origem desta doença intelectual? Deve ser complexa, mas não tenho dúvida em assinalar-lhe esta: ''não ser, verdadeiramente, obrigatório o ensino''. É o que eu vejo e presencio todos os dias, todos os meses e todos os anos. Não haja dúvidas: o ensino só é obrigatório no papel. A prática da lei é desgraçada. Os pais, os superiores, os tutores, os encarregados dos menores, não cumprem, nem são compelidos a cumprir a lei, nem os regulamentos. Este é o facto geral: só o não vê quem não tem olhos de ver. Faça-se que a frequência obrigatória passe do papel à prática e ter-se-á dado o golpe de misericórdia no ''monstro'', que tanto nos rebaixa e humilha aos olhos do mundo civilizado. Oitenta por cento de analfabetos!... Triste e assombroso. {{c|---}} Todas estas escolas, porém, estão desprovidas de mobiliário apropriado e higiénico; ou, se algum tem... (como lhe chamarei, para não ferir susceptibilidades?) é vergonhoso! Paga o povo, anualmente, importante contribuição para a instrução primária<ref>No orçamento municipal, deste concelho, para o ano de 1906-1907, foi votada a verba de 2.163$863 réis, da qual o Estado nada cedeu para mobilia.</ref> e as escolas deste concelho estão quasi nuas de mobiliário, porque uns pedaços de madeira de pinho, a desfazerem-se em farinha, que nelas existem, à laia de bancos e mesas, não merecem a aparatosa denominação de ''mobília''. Podem, apenas, servir para lançar ao fogo e para... atrofiar o delicado organismo das crianças somente. Suma razão tinha o 4.º congresso nacional contra a tuberculose, reunido na cidade do Porto, ao enunciar esta conclusão: «Que seja desde já banido das nossas escolas... todo o mobiliário defeituoso existente». E não observou aquela ilustrada e humanitária assembleia isso que, na maioria das escolas deste concelho, se mascara com o nome pomposo de - ''mobiliário''! Urge prover de remédio e pôr ponto neste repreensível e lastimoso estado de coisas. Para onde vai o dinheiro que o pobre povo deste concelho paga para o fundo da instrução primária? Onde mete o Estado os dois contos e tantos mil réis que nós lhe entregamos, pontualmente, todos os anos? Será esta a proclamada instrução gratuita? Os fornecedores de mobiliário para algumas, poucas, escolas do distrito, atam as mãos na cabeça, porque o Estado caloteia-os. Será preciso gritar - «aqui d'El-Rei» - para que o Estado forneça mobiliário às escolas deste concelho? Isto envergonha e revolta. Lavro, pois, o meu enérgico e sentido protesto.<noinclude></noinclude> mji7ogapmepwly0j2mpuvk5w6lsrllh 552474 552473 2026-05-16T10:31:23Z Ruiaraujo1972 38032 552474 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Tenho verdadeiro prazer em deixar aqui consignada esta afirmação, como testemunho não só da estima pessoal que tenho por muitos, mas em homenagem à justiça, que é devida a todos. Até se me afigura que, pela sua devoção ao magistério e fervorosa solicitude pelo desenvolvimento dos seus alunos, eles constituem, a ''élite'' do professorado distrital. Onde está, pois, a origem desta doença intelectual? Deve ser complexa, mas não tenho dúvida em assinalar-lhe esta: ''não ser, verdadeiramente, obrigatório o ensino''. É o que eu vejo e presencio todos os dias, todos os meses e todos os anos. Não haja dúvidas: o ensino só é obrigatório no papel. A prática da lei é desgraçada. Os pais, os superiores, os tutores, os encarregados dos menores, não cumprem, nem são compelidos a cumprir a lei, nem os regulamentos. Este é o facto geral: só o não vê quem não tem olhos de ver. Faça-se que a frequência obrigatória passe do papel à prática e ter-se-á dado o golpe de misericórdia no ''monstro'', que tanto nos rebaixa e humilha aos olhos do mundo civilizado. Oitenta por cento de analfabetos!... Triste e assombroso. {{c|---}} Todas estas escolas, porém, estão desprovidas de mobiliário apropriado e higiénico; ou, se algum tem... (como lhe chamarei, para não ferir susceptibilidades?) é vergonhoso! Paga o povo, anualmente, importante contribuição para a instrução primária<ref>No orçamento municipal, deste concelho, para o ano de 1906-1907, foi votada a verba de 2.163$863 réis, da qual o Estado nada cedeu para mobilia.</ref> e as escolas deste concelho estão quasi nuas de mobiliário, porque uns pedaços de madeira de pinho, a desfazerem-se em farinha, que nelas existem, à laia de bancos e mesas, não merecem a aparatosa denominação de ''mobília''. Podem, apenas, servir para lançar ao fogo e para... atrofiar o delicado organismo das crianças somente. Suma razão tinha o 4.º congresso nacional contra a tuberculose, reunido na cidade do Porto, ao enunciar esta conclusão: «Que seja desde já banido das nossas escolas... todo o mobiliário defeituoso existente». E não observou aquela ilustrada e humanitária assembleia isso que, na maioria das escolas deste concelho, se mascara com o nome pomposo de - ''mobiliário''! Urge prover de remédio e pôr ponto neste repreensível e lastimoso estado de coisas. Para onde vai o dinheiro que o pobre povo deste concelho paga para o fundo da instrução primária? Onde mete o Estado os dois contos e tantos mil réis que nós lhe entregamos, pontualmente, todos os anos? Será esta a proclamada instrução gratuita? Os fornecedores de mobiliário para algumas, poucas, escolas do distrito, atam as mãos na cabeça, porque o Estado caloteia-os. Será preciso gritar - «aqui d'El-Rei» - para que o Estado forneça mobiliário às escolas deste concelho? Isto envergonha e revolta. Lavro, pois, o meu enérgico e sentido protesto. {{rule}}<noinclude></noinclude> sc8sb2llz26szv8osbqp9u2tu2v6jod Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/125 106 253447 552475 2026-05-16T10:44:12Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Guerra ao analfabetismo! eis o grito; e contudo não basta isto. Guerra também ao centralismo, que entorpece, entibia e aniquila a administração local. {{c|---}} Na vila houve uma cadeira de gramática latina, que foi suprimida há cerca de 50 anos: dantes, tinha a sua sede na freguesia de Formariz. Era muito concorrida e frequentada não só pelos da terra, como por muitos estudantes dos concelhos limítrofes<ref>Ainda me lembro de algun... 552475 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Guerra ao analfabetismo! eis o grito; e contudo não basta isto. Guerra também ao centralismo, que entorpece, entibia e aniquila a administração local. {{c|---}} Na vila houve uma cadeira de gramática latina, que foi suprimida há cerca de 50 anos: dantes, tinha a sua sede na freguesia de Formariz. Era muito concorrida e frequentada não só pelos da terra, como por muitos estudantes dos concelhos limítrofes<ref>Ainda me lembro de alguns lavradores que recortavam a sua conversa com aforismos e frases latinas. Tinham frequentado aquela aula.</ref>, quando estava naquela freguesia. {{c|---}} O confronto do passado local com o presente, revela, apesar de tudo, algum progresso, como pode inferir-se do documento municipal, que vou transcrever, pelo qual se evidencia o conceito que, ao tempo, se fazia deste serviço. É o «Relatório das ocorrências, que tiveram lugar neste concelho no ano de 1853-1854»<ref>Arquivo da Câmara Municipal.</ref>. Diz ele: '''{{c|«Instrução pública»}}''' «A instrução pública neste concelho é suficiente, porém os professores são poucos para um concelho que tem 21 freguesias e bastante remotas umas das outras. Neste concelho há apenas duas cadeiras de ensino primário, pagas pelo Tesouro, as quais são bem situadas e são frequentadas por 120 alunos. Precisa-se muito doutra cadeira de ensino primário, na freguesia de Cristelo, em razão de ficarem as freguesias de Castanheira, Bico, Vascões, Parada e Cristelo distantes da outra escola mais de meia légua. Há, além disto, outras escolas particulares<ref>Eram alguns sacerdotes e outras pessoas, que, ''gratuitamente'', se prestavam a isto.</ref> pelas diferentes freguesías, mas com pouco aproveitamento. Há neste concelho una escola de ensino repentino»<ref>Durou pouco. A este método (repentino) chamava-se do - mandrião, - por ser a letra - A - formada, graficamente, por um homem, encostado a uma árvore: este era o ''mandrião''.</ref>. {{c|---}} Em ''Consulta'' da extinta Junta Geral deste distrito, de 23 de Março, de 1866, reconhecia esta corporação, que nos concelhos melhormente providos de escolas, havia a percentagem de 175 crianças para cada uma, e nas outras, 200 e mais! Em consequência, pedia ao Governo a criação de mais 35 escolas para todo o distrito, sendo ''duas'' para o concelho de Coura. A mesma corporação ainda consultou no sentido de ser criada uma cadeira do sexo feminino para a capital de cada concelho; e, entre outras, indicou uma para este, porque a não tinha. E quando, pelo decreto de 22 de Dezembro, de 1864, foi organizado o ensino agrícola do país, a mesma corporação, não só pediu, mas dotou, desde logo, com 800$000 réis, a instalação de - ''uma quinta distrital'', onde aquele ensino fosse ministrado, teórica e praticamente, para preparar «''proprietários'', ''feitores'', ''criados'' e ''jornaleiros peritos'', porque na lavoura, dizia a Junta Geral, não podia dar-se a divisão do trabalho, pois o proprietário é, ao mesmo {{rule}}<noinclude></noinclude> cmrywx5pgjcpujtnumkrks743pulpb3 552476 552475 2026-05-16T10:44:53Z Ruiaraujo1972 38032 552476 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Guerra ao analfabetismo! eis o grito; e contudo não basta isto. Guerra também ao centralismo, que entorpece, entibia e aniquila a administração local. {{c|---}} Na vila houve uma cadeira de gramática latina, que foi suprimida há cerca de 50 anos: dantes, tinha a sua sede na freguesia de Formariz. Era muito concorrida e frequentada não só pelos da terra, como por muitos estudantes dos concelhos limítrofes<ref>Ainda me lembro de alguns lavradores que recortavam a sua conversa com aforismos e frases latinas. Tinham frequentado aquela aula.</ref>, quando estava naquela freguesia. {{c|---}} O confronto do passado local com o presente, revela, apesar de tudo, algum progresso, como pode inferir-se do documento municipal, que vou transcrever, pelo qual se evidencia o conceito que, ao tempo, se fazia deste serviço. É o «Relatório das ocorrências, que tiveram lugar neste concelho no ano de 1853-1854»<ref>Arquivo da Câmara Municipal.</ref>. Diz ele: '''{{c|«Instrução pública»}}''' «A instrução pública neste concelho é suficiente, porém os professores são poucos para um concelho que tem 21 freguesias e bastante remotas umas das outras. Neste concelho há apenas duas cadeiras de ensino primário, pagas pelo Tesouro, as quais são bem situadas e são frequentadas por 120 alunos. Precisa-se muito doutra cadeira de ensino primário, na freguesia de Cristelo, em razão de ficarem as freguesias de Castanheira, Bico, Vascões, Parada e Cristelo distantes da outra escola mais de meia légua. Há, além disto, outras escolas particulares<ref>Eram alguns sacerdotes e outras pessoas, que, ''gratuitamente'', se prestavam a isto.</ref> pelas diferentes freguesías, mas com pouco aproveitamento. Há neste concelho uma escola de ensino repentino»<ref>Durou pouco. A este método (repentino) chamava-se do - mandrião, - por ser a letra - A - formada, graficamente, por um homem, encostado a uma árvore: este era o ''mandrião''.</ref>. {{c|---}} Em ''Consulta'' da extinta Junta Geral deste distrito, de 23 de Março, de 1866, reconhecia esta corporação, que nos concelhos melhormente providos de escolas, havia a percentagem de 175 crianças para cada uma, e nas outras, 200 e mais! Em consequência, pedia ao Governo a criação de mais 35 escolas para todo o distrito, sendo ''duas'' para o concelho de Coura. A mesma corporação ainda consultou no sentido de ser criada uma cadeira do sexo feminino para a capital de cada concelho; e, entre outras, indicou uma para este, porque a não tinha. E quando, pelo decreto de 22 de Dezembro, de 1864, foi organizado o ensino agrícola do país, a mesma corporação, não só pediu, mas dotou, desde logo, com 800$000 réis, a instalação de - ''uma quinta distrital'', onde aquele ensino fosse ministrado, teórica e praticamente, para preparar «''proprietários'', ''feitores'', ''criados'' e ''jornaleiros peritos'', porque na lavoura, dizia a Junta Geral, não podia dar-se a divisão do trabalho, pois o proprietário é, ao mesmo {{rule}}<noinclude></noinclude> tr5b2862dxi18hzqrikvzyxf9sqjyqq Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/126 106 253448 552478 2026-05-16T11:02:56Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: tempo, ''produtor de cereais'', ''cultivador da vinha'', ''criador de gados'', ''fabricante e manipulador dos seus produtos'', ''tendo também de atender aos prados, ao pomar, à horta e à floresta.''» A falta, que aquela corporação assinalava, ainda não foi remediada neste concelho; e por isso o ''ensino agrícola'' é substituído pela velha rotina. O que se dizia, em geral, para todo o distrito, tem especial aplicação para esta localid... 552478 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>tempo, ''produtor de cereais'', ''cultivador da vinha'', ''criador de gados'', ''fabricante e manipulador dos seus produtos'', ''tendo também de atender aos prados, ao pomar, à horta e à floresta.''» A falta, que aquela corporação assinalava, ainda não foi remediada neste concelho; e por isso o ''ensino agrícola'' é substituído pela velha rotina. O que se dizia, em geral, para todo o distrito, tem especial aplicação para esta localidade, porque o solo e o clima prestam-se a variadas culturas e nele existem largos tratos de terrenos incultos. {{c|---}} Dissemos que, com relação ao passado, tinha havido ''algum progresso'', quanto à instrução popular, isto é, a saber ler, escrever e contar. O facto explica-se, porque, dantes, se não havia escolas oficiais, havia escolas particulares em todas as freguesias do concelho, regidas, ''gratuitamente'', ou pelos párocos, ou por simples sacerdotes, ou ainda por pessoas de alguma ilustração, que, voluntariamente, estes como aqueles, assumiam o encargo de prestar ao povo este valioso serviço. Caminhou-se, pois, ''alguma coisa'', mas não tanto como era de esperar das novas leis, regulamentos e processos adoptados. E fecho este capítulo com uma nota triste: é que o nosso lavrador e trabalhador rural esquecem, em geral, o que aprenderam na escola, passados poucos anos, porque... nunca mais tornam a ler um livro ou jornal, nem escrever duas linhas. '''{{c|CAPÍTULO XIX}}''' '''{{c|Imprensa periódica}}''' DATA de há poucos anos o aparecimento do ''jornalismo'' entre nós. Não foi, pois, nesta escora que alicerçou o rejuvenescimento e progresso hodierno deste concelho. Quando apareceu, estava feito o melhor e o mais importante. Devido, talvez, a esta circunstância, é que nas cruas e intensíssimas lutas do nosso noviciado político (1878-1883) nunca houve os desmandos e violências, que a imprensa periódica sertaneja já tem suscitado e alimentado em muitas terras provincianas. O primeiro periódico, aqui publicado, foi o ― ''Jornal de Coura''. Eram seus redactores os srs. dr. Bernardo Chouzal e padre Casimiro Rodrigues de Sá; aquele, actualmente, cónego da Sé de Évora e este, abade da freguesia de Padornelo.<noinclude></noinclude> chgymbtszu5vrbrcm9ru6cqsvkbdu9u Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/127 106 253449 552479 2026-05-16T11:13:06Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Editor era o sr. padre Alfredo Machado, e proprietário o sr. João de Sousa Lobo. Imprimia-se na tipografia do ''Jornal de Coura''. Apareceu o seu 1.º número no dia 1.º de Dezembro, de 1895, e terminou com o n.º 40, publicado em 30 de Agosto, de 1896. Dizia-se imparcial e publicava-se aos domingos. Até ao n.º 15, do dia 8 de Março, deste último ano, tudo correu bem; mas, neste dia, foi editado outro jornal, ''com o mesmo título'', e... 552479 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Editor era o sr. padre Alfredo Machado, e proprietário o sr. João de Sousa Lobo. Imprimia-se na tipografia do ''Jornal de Coura''. Apareceu o seu 1.º número no dia 1.º de Dezembro, de 1895, e terminou com o n.º 40, publicado em 30 de Agosto, de 1896. Dizia-se imparcial e publicava-se aos domingos. Até ao n.º 15, do dia 8 de Março, deste último ano, tudo correu bem; mas, neste dia, foi editado outro jornal, ''com o mesmo título'', e com estas modificações: redactor - o sr. padre Casimiro Rodrigues de Sá; proprietário, e administrador - o sr. padre Alfredo Machado; tipografia do - ''Jornal de Coura''. O seu editorial era encimado com esta epígrafe: «''Novo rumo''». Que tinha havido? No mesmo día 8 de Março e com o n.º 15, publicava-se também um - ''Jornal de Coura'', (eram, pois, dois com este título), tendo como redactores: os srs. padre Manuel Joaquim de Figueiredo e dr. Bernardo Chouzal; editor, este mesmo cavalheiro, e tipografia do - ''Jornal de Coura''. Não dizia quem era o proprietário, e publicava-se, como o outro, aos domingos. Do seu contexto nada transparecia, que pudesse explicar esta ''dualidade'' de edições: contudo havia ''unidade'' de títulos e de tipografia, como parecia. A verdade é que uma das edições: a primeira foi impressa, desde o n.º 1.º, na tipografia própria deste jornal, e a edição posterior - a que começou no n.º 15 - passou para outra, obtida para esse fim. Ambos os jornais se arrogavam o direito de propriedade ao ''título'', mas é certo que a segunda edição foi, no começo, impressa no Porto, e só o foi em Coura, desde que o sr. dr. António Cândido Nogueira comprou prelo para isso. A princípio, o papel e formato era igual para os dois jornais; depois, o da segunda edição, era maior. O sr. padre Alfredo Machado foi o primeiro que fez o ''registo'' do título do seu jornal. Convém saber que, pouco tempo antes do aparecimento daquelas duas edições, tinha-se dado uma cisão no partido regenerador local, dividindo-se em duas facções - a dos ''velhos'', que tinha por chefe o falecido conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, e a dos - ''novos'', capitaneada pelo sr. dr. António C. Nogueira. Neste acontecimento é que se filia a existência, simultânea, dos dois jornais, com o mesmo título. Um, representava a - ''guarda velha'', e outro, a - ''guarda nova''. Foi assim que foram conhecidas as duas facções, que, poucos meses depois, se congrassaram. O jornal da ''guarda nova'' terminou, consequentemente, com o n.º 38, publicado em 16 de Agosto, de 1896; e o da ''guarda velha'', em 30 do mesmo mês e ano, com o n.º 40. Foram os srs. padre Alfredo Machado e João de Sousa Lobo que implantaram aqui a imprensa periódica. Vê-se, pois, que a sua iniciação foi cortada de incidentes e quiçá de surpresas. {{c|---}} Depois veio o - ''Libertador de Coura''. Foi seu proprietário, bem como da tipografia, o sr. Francisco Bento de Sá, benemérito filho deste concelho,<noinclude></noinclude> 6my59nxybvbannlqft3mse3mlnr6o4a Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/128 106 253450 552480 2026-05-16T11:19:42Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ora em Manaus, (república brasileira), e redactor, o mesmo Sr. Sousa Lobo. Apresentou-se como imparcial. Foi publicado o seu 1.º número no dia 31 de Janeiro, de 1896, suspendendo a publicação em 28 de Fevereiro, de 1900, por doença do seu redactor. O móbil do sr. Francisco Bento de Sá, ao adquirir o prelo e material tipográfico para este jornal, foi prestar um serviço à sua terra natal, que já lhe deve muito, e muito ainda espera de... 552480 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>ora em Manaus, (república brasileira), e redactor, o mesmo Sr. Sousa Lobo. Apresentou-se como imparcial. Foi publicado o seu 1.º número no dia 31 de Janeiro, de 1896, suspendendo a publicação em 28 de Fevereiro, de 1900, por doença do seu redactor. O móbil do sr. Francisco Bento de Sá, ao adquirir o prelo e material tipográfico para este jornal, foi prestar um serviço à sua terra natal, que já lhe deve muito, e muito ainda espera dele. {{c|---}} De seguida apareceu o - Clamor do Povo. Foi seu proprietário, redactor e editor, o já mencionado sr. padre Casimiro Rodrigues de Sá. Era semanal e inculcava-se - democrata-cristão. Publicaram-se 52 números. {{c|---}} Finalmente, veio a - Voz de Coura. Os seus fundadores foram os srs. Gaspar José Rodrigues Barbosa, ex-professor de instrução primária, e Eduardo Pereira Bacelar, comerciante. Aquele, era redactor e editor, e este, administrador. Imprimia-se na tipografia do Monitor, em Matosinhos, e publicava-se às quintas-feiras. Apresentou-se como imparcial. O seu 1.º número apareceu no dia 6 de Agosto, de 1903. Mais tarde, por acordo entre o seu proprietário e o sr. Sousa Lobo, passou a ser impresso nesta vila, na tipografia do sr. Francisco Bento de Sá, que generosamente a cedeu para este fim. Nestas condições continuou a sua publicação até agora, desde o n.º 34, editado no dia 21 de Maio, de 1904<ref>Terminou a sua publicação com o n.º 160, publicado em Dezembro, de 1906, por ter falecido o seu redactor sr. João de Sousa Lobo em 23 de Novembro, do mesmo ano, e reapareceu no dia 30 de Março, de 1907, com o n.º 161. É seu director o sr. Júlio dos Reis Lemos, conhecido literato e publicista. O jornal diz-se independente, sem côr política. (Depois de escrita esta nota, deixou a sua direcção este distinto publicista, e tomou conta dela o seu primeiro fundador o sr. Gaspar José Rodrigues Barbosa).</ref>. O seu editor é o sr. Serafim José Rodrigues Barbosa. Quando era impresso em Matosinhos, tinha a administração nas ''Corredouras'', lugar sertanejo da freguesia de Castanheira: agora é na vila. {{c|---}} A vida destas publicações tem sido, tanto ou quanto, acidentada e já deu lugar a violentos desforços pessoais. A defesa dos interesses locais, a nossa reconstituição agrícola, o desenvolvimento da criação dos gados, as culturas pratenses, a silvicultura, a introdução de novas indústrias, o fomento e a riqueza concelhias, são assuntos e pontos de estudo, que podem dar largo campo à acção educativa da imprensa jornalística local. É assim que compreendo a sua importância e missão civilizadora nesta região. {{rule}}<noinclude></noinclude> hd6gbshhe1vtxc745lcyyjzzvqzucg7 552481 552480 2026-05-16T11:20:56Z Ruiaraujo1972 38032 552481 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>ora em Manaus, (república brasileira), e redactor, o mesmo Sr. Sousa Lobo. Apresentou-se como imparcial. Foi publicado o seu 1.º número no dia 31 de Janeiro, de 1896, suspendendo a publicação em 28 de Fevereiro, de 1900, por doença do seu redactor. O móbil do sr. Francisco Bento de Sá, ao adquirir o prelo e material tipográfico para este jornal, foi prestar um serviço à sua terra natal, que já lhe deve muito, e muito ainda espera dele. {{c|---}} De seguida apareceu o - ''Clamor do Povo''. Foi seu proprietário, redactor e editor, o já mencionado sr. padre Casimiro Rodrigues de Sá. Era semanal e inculcava-se - democrata-cristão. Publicaram-se 52 números. {{c|---}} Finalmente, veio a - ''Voz de Coura''. Os seus fundadores foram os srs. Gaspar José Rodrigues Barbosa, ex-professor de instrução primária, e Eduardo Pereira Bacelar, comerciante. Aquele, era redactor e editor, e este, administrador. Imprimia-se na tipografia do ''Monitor'', em Matosinhos, e publicava-se às quintas-feiras. Apresentou-se como imparcial. O seu 1.º número apareceu no dia 6 de Agosto, de 1903. Mais tarde, por acordo entre o seu proprietário e o sr. Sousa Lobo, passou a ser impresso nesta vila, na tipografia do sr. Francisco Bento de Sá, que generosamente a cedeu para este fim. Nestas condições continuou a sua publicação até agora, desde o n.º 34, editado no dia 21 de Maio, de 1904<ref>Terminou a sua publicação com o n.º 160, publicado em Dezembro, de 1906, por ter falecido o seu redactor sr. João de Sousa Lobo em 23 de Novembro, do mesmo ano, e reapareceu no dia 30 de Março, de 1907, com o n.º 161. É seu director o sr. Júlio dos Reis Lemos, conhecido literato e publicista. O jornal diz-se independente, sem côr política. (Depois de escrita esta nota, deixou a sua direcção este distinto publicista, e tomou conta dela o seu primeiro fundador o sr. Gaspar José Rodrigues Barbosa).</ref>. O seu editor é o sr. Serafim José Rodrigues Barbosa. Quando era impresso em Matosinhos, tinha a administração nas ''Corredouras'', lugar sertanejo da freguesia de Castanheira: agora é na vila. {{c|---}} A vida destas publicações tem sido, tanto ou quanto, acidentada e já deu lugar a violentos desforços pessoais. A defesa dos interesses locais, a nossa reconstituição agrícola, o desenvolvimento da criação dos gados, as culturas pratenses, a silvicultura, a introdução de novas indústrias, o fomento e a riqueza concelhias, são assuntos e pontos de estudo, que podem dar largo campo à acção educativa da imprensa jornalística local. É assim que compreendo a sua importância e missão civilizadora nesta região. {{rule}}<noinclude></noinclude> 9ttm4zt9i9dpaoahjc07jtecb4fepxy Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/129 106 253451 552482 2026-05-16T11:36:55Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CAPÍTULO XX}}''' '''{{c|Viação}}''' POUCAS terras haverá no país, onde a viação, a ''macadam'', tenha tido tanto incremento. As estradas cruzam-se, cortam-se e recortam-se, por todo o concelho. Presentemente, apenas há três freguesias - Infesta, Parada e Porreiras, - que não gosam, directa e imediatamente, deste melhoramento e grande benefício. Desde 1881 tem sido uma verdadeira febre. E justificam-se, não só pelo aciden... 552482 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CAPÍTULO XX}}''' '''{{c|Viação}}''' POUCAS terras haverá no país, onde a viação, a ''macadam'', tenha tido tanto incremento. As estradas cruzam-se, cortam-se e recortam-se, por todo o concelho. Presentemente, apenas há três freguesias - Infesta, Parada e Porreiras, - que não gosam, directa e imediatamente, deste melhoramento e grande benefício. Desde 1881 tem sido uma verdadeira febre. E justificam-se, não só pelo acidentado do terreno, pelo rio, ribeiros, torrentes pluviais, que, muitas vezes, impediam o trânsito e comunicações, mas pela necessidade de valorizar, pela exportação, a nossa produção cerealífera. Impunha-se, pois, a substituição das velhas estradas. O resultado foi visto e todos os dias se afirma no progressivo desenvolvimento da terra. Dantes, o nosso isolamento era completo. Encerrados dentro do cingulo dos nossos montes, não havia mão bem-<noinclude></noinclude> 8ag5g3ydl0avx4cbt3i4iqsnyewwbfd Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/130 106 253452 552484 2026-05-16T11:45:37Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: fazeja, que fizesse derivar para aqui uma migalha do Erário Público. E as vereações municipais só acordavam, quando a estação tutelar lhes lembrava o seu dever<ref>Veja-se, adiante, «Estrada municipal para Ponte do Lima».</ref>. Estudou-se uma estrada real, há 50 anos, de Valença para Ponte do Lima, com passagem forçada por aqui. Ficou no papel. A edilidade courense, para atender às constantes reclamações do povo, realizava uns pro... 552484 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fazeja, que fizesse derivar para aqui uma migalha do Erário Público. E as vereações municipais só acordavam, quando a estação tutelar lhes lembrava o seu dever<ref>Veja-se, adiante, «Estrada municipal para Ponte do Lima».</ref>. Estudou-se uma estrada real, há 50 anos, de Valença para Ponte do Lima, com passagem forçada por aqui. Ficou no papel. A edilidade courense, para atender às constantes reclamações do povo, realizava uns projectos de viação, que morriam na secretaria. Em 1866, sessão de 15 de Setembro, foi apresentado e aprovado um - «''Plano provisório dos caminhos concelhios e municipais''» -, cujo fim era ligar-nos às vilas dos Arcos de Valdevez e de Monção ''por dois caminhos concelhios''. {{c|---}} A principal artéria de viação é, actualmente, a estrada real n.º 24, que nos liga com a estação de S. Pedro da Torre. Começarei, pois, por ela a relação das notas que vou apresentar: ESTRADA REAL, N.º 24, DE S. PEDRO DA TORRE À PORTELA DO EXTREMO, POR PAREDES DE COURA:<ref>As notas referentes a estradas reais, foram tomadas em relação ao dia 1.º de Janeiro, de 1905.</ref> O primeiro lanço, desde a estação de S. Pedro até entroncar na estrada de Cerveira para Valença (n.º 23), sítio do ''Marco'', foi construído por conta do caminho de ferro do Minho e Douro, pouco tempo depois da sua abertura à exploração. Os trabalhos posteriores datam de 1881. Está construída até à Portela da Cobeluda, freguesia de Insalde, na extensão de 23 kilómetros, assim distribuídos: --imagem-- Ponte de Mantelães (vista do nascente) 18 kilómetros até Paredes de Coura (vila) e 5 daqui àquela Portela. Em 1885 abriu-se ao trânsito público, desde S. Pedro até esta vila. As suas principais obras são: ''pontão de Reais'' ou Calcova; ''pontão do Anho-Mau'', na freguesia de Linhares; ''pontão de Quintã'', sobre o ribeiro deste nome, na de Ferreira; ''pontão do Bouço'', sobre o ribeiro deste nome, entre as freguesías de Ferreira e Formariz; ''pontão dos Freis'', nesta {{rule}}<noinclude></noinclude> n5tgwxkv64t38be4lbimwvlwscq6js5 552486 552484 2026-05-16T11:54:57Z Ruiaraujo1972 38032 552486 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fazeja, que fizesse derivar para aqui uma migalha do Erário Público. E as vereações municipais só acordavam, quando a estação tutelar lhes lembrava o seu dever<ref>Veja-se, adiante, «Estrada municipal para Ponte do Lima».</ref>. Estudou-se uma estrada real, há 50 anos, de Valença para Ponte do Lima, com passagem forçada por aqui. Ficou no papel. A edilidade courense, para atender às constantes reclamações do povo, realizava uns projectos de viação, que morriam na secretaria. Em 1866, sessão de 15 de Setembro, foi apresentado e aprovado um - «''Plano provisório dos caminhos concelhios e municipais''» -, cujo fim era ligar-nos às vilas dos Arcos de Valdevez e de Monção ''por dois caminhos concelhios''. {{c|---}} A principal artéria de viação é, actualmente, a estrada real n.º 24, que nos liga com a estação de S. Pedro da Torre. Começarei, pois, por ela a relação das notas que vou apresentar: {{c|ESTRADA REAL, N.º 24, DE S. PEDRO DA TORRE À PORTELA DO EXTREMO, POR PAREDES DE COURA:}}<ref>As notas referentes a estradas reais, foram tomadas em relação ao dia 1.º de Janeiro, de 1905.</ref> O primeiro lanço, desde a estação de S. Pedro até entroncar na estrada de Cerveira para Valença (n.º 23), sítio do ''Marco'', foi construído por conta do caminho de ferro do Minho e Douro, pouco tempo depois da sua abertura à exploração. Os trabalhos posteriores datam de 1881. Está construída até à Portela da Cobeluda, freguesia de Insalde, na extensão de 23 kilómetros, assim distribuídos: --imagem-- Ponte de Mantelães (vista do nascente) 18 kilómetros até Paredes de Coura (vila) e 5 daqui àquela Portela. Em 1885 abriu-se ao trânsito público, desde S. Pedro até esta vila. As suas principais obras são: ''pontão de Reais'' ou Calcova; ''pontão do Anho-Mau'', na freguesia de Linhares; ''pontão de Quintã'', sobre o ribeiro deste nome, na de Ferreira; ''pontão do Bouço'', sobre o ribeiro deste nome, entre as freguesías de Ferreira e Formariz; ''pontão dos Freis'', nesta {{rule}}<noinclude></noinclude> sot1o33igy2atn43xqt521uhmk76gp7 552487 552486 2026-05-16T11:55:17Z Ruiaraujo1972 38032 552487 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>fazeja, que fizesse derivar para aqui uma migalha do Erário Público. E as vereações municipais só acordavam, quando a estação tutelar lhes lembrava o seu dever<ref>Veja-se, adiante, «Estrada municipal para Ponte do Lima».</ref>. Estudou-se uma estrada real, há 50 anos, de Valença para Ponte do Lima, com passagem forçada por aqui. Ficou no papel. A edilidade courense, para atender às constantes reclamações do povo, realizava uns projectos de viação, que morriam na secretaria. Em 1866, sessão de 15 de Setembro, foi apresentado e aprovado um - «''Plano provisório dos caminhos concelhios e municipais''» -, cujo fim era ligar-nos às vilas dos Arcos de Valdevez e de Monção ''por dois caminhos concelhios''. {{c|---}} A principal artéria de viação é, actualmente, a estrada real n.º 24, que nos liga com a estação de S. Pedro da Torre. Começarei, pois, por ela a relação das notas que vou apresentar: {{c|ESTRADA REAL, N.º 24, DE S. PEDRO DA TORRE À PORTELA DO EXTREMO, POR PAREDES DE COURA:<ref>As notas referentes a estradas reais, foram tomadas em relação ao dia 1.º de Janeiro, de 1905.</ref>}} O primeiro lanço, desde a estação de S. Pedro até entroncar na estrada de Cerveira para Valença (n.º 23), sítio do ''Marco'', foi construído por conta do caminho de ferro do Minho e Douro, pouco tempo depois da sua abertura à exploração. Os trabalhos posteriores datam de 1881. Está construída até à Portela da Cobeluda, freguesia de Insalde, na extensão de 23 kilómetros, assim distribuídos: --imagem-- Ponte de Mantelães (vista do nascente) 18 kilómetros até Paredes de Coura (vila) e 5 daqui àquela Portela. Em 1885 abriu-se ao trânsito público, desde S. Pedro até esta vila. As suas principais obras são: ''pontão de Reais'' ou Calcova; ''pontão do Anho-Mau'', na freguesia de Linhares; ''pontão de Quintã'', sobre o ribeiro deste nome, na de Ferreira; ''pontão do Bouço'', sobre o ribeiro deste nome, entre as freguesías de Ferreira e Formariz; ''pontão dos Freis'', nesta {{rule}}<noinclude></noinclude> sm297xud939fqpg8d73mj03mrw2oyph Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/131 106 253453 552485 2026-05-16T11:54:18Z Ruiaraujo1972 38032 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: última; ''ponte de Mantelães'', sobre o rio Coura, na mesma freguesia; ''ponte da Féteira'', sobre o mesmo río, entre as freguesias de Paredes e Mozelos, e ''pontão dos Brunheiros'', sobre o ribeiro do mesmo nome, entre as de Mozelos e Padornelo. A ''ponte de Mantelães'' não foi construída de novo, mas somente alargada, sobre os arcos, por meio de um sistema de cachorros, a todo o seu comprimento, com adaptação de novos ''encontros'',... 552485 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>última; ''ponte de Mantelães'', sobre o rio Coura, na mesma freguesia; ''ponte da Féteira'', sobre o mesmo río, entre as freguesias de Paredes e Mozelos, e ''pontão dos Brunheiros'', sobre o ribeiro do mesmo nome, entre as de Mozelos e Padornelo. A ''ponte de Mantelães'' não foi construída de novo, mas somente alargada, sobre os arcos, por meio de um sistema de cachorros, a todo o seu comprimento, com adaptação de novos ''encontros'', nas testeiras. -- imagem -- Ponte da Féteira, entre Paredes e Mozelos, na estrada real, sobre o rlo Coura Tem gradil de ferro, a servir de guardas. A sua construção primária data de muitos séculos. Tem três arcos, ficando no centro o maior. Entre este e os laterais há dois corta-mares. É muito semelhante à ponte romana, de Rubiães, e pode considerar-se de ''veneranda memória'': pelo menos é histórica (Cfr. cap. IX). Os trabalhos do 5.º lanço, desde Paredes (vila) à Portela da Cobeluda, começaram no mês de Janeiro, de 1885, e terminaram em 1887. Despesa com a construção deste lanço: {{c|Ponte da Féteira .........5.774$800}} {{c|Pontão dos Brunheiros ........2.429$550}} {{c|Expropriações, terraplanagem,}} {{c|aquedutos, vedações, muros de}} {{c|suporte, material e outras obras ......27.569$205}} {{c|---}} {{c|Total... 35.773$555}}<ref>Não pude apurar, por falta de elementos na Secção das O. Públicas deste concelho, o custo dos outros 18 kilómetros.</ref> Do lugar das ''Angústias'', freguesia de Padornelo, próximo da referida Portela, construiu-se o {{c|RAMAL, OU ESTRADA DE SERVENTIA DAS ANGÚSTIAS À TORRE-VELHA (INSALDE)}} Principiou no mês de Fevereiro, de 1891, e terminou em Junho, de 1895. Mede - 1.864,<sup>m</sup>20. Tem um ''pontão'' sobre o ribeiro que desce do monte da Boulhosa. Importou, incluindo aquele, em - 8.864$865 réis. {{rule}}<noinclude></noinclude> rco0sn2x1tl2j4797qpmvgfqsd51znm