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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|<big>'''PROLOGO'''</big><br/>}}
favor, que em eſpaço d'oito mezes aca-<br/>
bei de a trasladar. Da qual a V. Real<br/>
Caſa leva a maior gloria: porque ella<br/>
foi o claro eſtudo em que toda minha<br/>
vida empreguei. E por cima das arcas<br/>
da voſſa guardarropa, publicamente,<br/>
como muitos ſabem, ſem outro repou-<br/>
ſo, ſem. mais recolhimento, onde o jui-<br/>
zo quieto pudeſſe eſcolher as couſas<br/>
que a fanteſia lhe repreſentava; fiz o<br/>
que meu amor, e voſſo favor ordenara-<br/>
õ. E como colhi eſte fruito, o mais<br/>
temporaõ do que devera, mandei-o im-<br/>
primir. No qual tempo por vontade da<br/>
Summa Potencia, recebeſte o Real Ce-<br/>
tro digno de Vós, e Vós muito mais<br/>
delle. E eſte cuidado de governar, re-<br/>
ger, e prover todalas particularida-<br/>
des de voſſos Povos, e Reinos, me fi-<br/>
zeraõ eſtimar em muito o que tinha co-<br/>
meçado. Porque quando lho dirigi no<br/>
ſeguinte Prologo, as menos occupações<br/>
que entaõ tinha, lhe faziaõ tomar al-<br/>
guma pera emendar meus erros. Mas<br/>
agora na ſegunda maõ, que lhe a mais<br/>
balhofa, conhecendo a fraqueza de.<br/>
meu eſtillo, e a grandeza de Voſſà Real<br/>
Eſtado, fizeraõ-me duvidar o que fa-<br/>
ria:<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|<big>'''PROLOGO'''</big><br/>}}
ria: Se perder o gaſto que tinha feito<br/>
na impreſſaõ, entregando o meu traba-<br/>
1ho ao fogo, ou ſahir á luz com elle.<br/>
E neſtas duvidas, ſobreveio o temor de<br/>
fazer tal deſacatamento ás couſas onde<br/>
Voſſa Alteza puſera os olhos. E deſte<br/>
temor, tomei ouſadia pera dar fim ao<br/>
que me inda naõ ſàtisfaz: Porque to-<br/>
dalas obras tem arrependimento. As boas<br/>
quando naõ trazem o effeito pera que<br/>
ſe ordenaõ: As más por ſe fazerem, as<br/>
duvidoſas por terem o fim incerto. Eſte<br/>
he outro novo temor com que as pri-<br/>
micias de minha pobreza ſe apreſentaõ<br/>
ante Voſſa Real Mageſtade. A quem pe-<br/>
ço, naõ como ellas merecem, mas ſe<br/>
de vós eſpera, ſejaõ inda favorecidas.<br/>
PRO-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|<big>'''PROLOGO'''</big><br/>}}
prefeiçaõ ſem tacha, mui poucas vezes,<br/>
ou nunca ſe, viraõ em huma ſó peſſoa;<br/>
diſſe Homero · Naô deo Deos a hum<br/>
todalas couſas. Mas iſto ſe naõ enten-<br/>
de em V. Alteza, pois álem das virtu-<br/>
des, que por maõ divina em V. Real<br/>
Peſſoa foraõ influidas; de todalas gra-<br/>
ças que a natureza tinha, vos fez juſ-<br/>
tamente verdadeiro poſſuidor. E bem o<br/>
tendes moſtrado, Principe excellente,<br/>
deſde o principio. de voſſa infancia, té<br/>
o preſente tempo da perfeita adoleſcen-<br/>
cia: uſando de cada hua, nos caſos,<br/>
e tempos opportunos pera que foraõ or-<br/>
denadas, ſem entremeter as de prazer<br/>
em tempo de peſar, mas par ordem diſ-<br/>
tribuidas, que ſaõ em V. Real Senho-<br/>
ria exemplo pera quem perfeitamente<br/>
quizer obrar. E como eu, Illuſtriſſimo<br/>
Principe , foſſe criado ſobre a diſcipli-<br/>
na deſtas magnificas obras, que no diſ-<br/>
curſo de ſua vida tem feito, notei quam<br/>
grande inimigo era da ocioſidade dan-<br/>
noſa, e neſta parte (pois minha baixa<br/>
qualidade a mais naõ podia ſupprir)<br/>
quiz imitar ſeu virtuoſo exercicio, len-<br/>
do as vidas, e obras dos paſſados, e<br/>
excellentes Principes, que tanto exem-<br/>
plo ·<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''<big>PROLOGO</big>'''<br/>}}
plo com ellas deraõ, até o tempo del-<br/>
Rei Noſſo Senhor, e progenitor voſſo<br/>
que aſſi a todas eſcureceo, como o cla-<br/>
ro Sol ás Eſtrellas cega, alcançando vi-<br/>
ctoria por mar, por ·terra, e Senhorio<br/>
de povos, em menos tempo do que a<br/>
vontade os póde deſejar. E por tanto,<br/>
com verdade ſe diz desfallecer-lhe mun-<br/>
do para o conquiſtar e naõ victoria,<br/>
ſaber, e induſtria, para outros alcan-<br/>
çar, (ſe os ahi houveſſe neſte;) que no<br/>
outro, ſegundo ſuas pias, e virtuoſas<br/>
obras, aſſaz tem ganhado de glona. E<br/>
ainda que V. Alteza delle herdaſſe, naõ<br/>
inclinardes os ouvidos a couſas de voſ-<br/>
ſo louvor, naõ me parece juſto chegar<br/>
a huas, e a outras, ſem pagar o de-<br/>
bito, e tributo por Deos ordenado:<br/>
Que he louvar a quem bem obra. Por-<br/>
que com o tal louvor damos graças a<br/>
elle eterno Miniſtrador das virtuoſas<br/>
operações, e miraculoſas façanhas. Pois<br/>
quem ſerá de tanta ingratidaõ, Princi-<br/>
pe mui eſclarecido, que ſe naõ entre-<br/>
meta a quere-Las louvar, principalmente<br/>
aquelles com quem neſta parte de bem<br/>
dizer, a natureza communicou ſua gra-<br/>
ça? E porque quanto me ella aqui tem<br/>
ne-<noinclude></noinclude>
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2026-05-20T11:23:44Z
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''<big>PROLOGO</big>'''<br/>}}
negado, acreſcentou em deſejo de vos<br/>
ſervir, beijarei voſſas Reais mãos, por<br/>
que perdoeis a meu fraco, e atrevido<br/>
engenho, commetter eſtes commettimen-<br/>
tos de louvor, pois a outras peſſoas de<br/>
mais ſaber, e authoridade he permiti-<br/>
da licença de navegar pelo mar de ſuas<br/>
grandes obras, dignas de tal memoria.<br/>
Porque a pouca ſufficiencia de meu en<br/>
genho, ainda agora em pequenos rios<br/>
póde ſer perdida; naõ tendo idade, e<br/>
eſtudo pera em taõ a1to golfaõ me en-<br/>
tremeter ao qual Livio, Saluſtio, Vir-<br/>
gilio, nem Lucano, creio que deraõ<br/>
principio, pois taõ difficultoſo lhes fo-<br/>
ra de achar meio, e fim. E como eu,<br/>
Principe mui poderoſo, nas obras que<br/>
eſtes compuſeraõ gaſtaſſe o que me reſ-<br/>
tava de tempo, depois que em outras<br/>
couſas vos ſervia, offereceo ſe caſo, que<br/>
todo em voſſo ſeryiço empregado foſſe.<br/>
Digo iſto, preclaro Senhor, porque en-<br/>
tre alguns Alemães, e Eſtrangeiros, que<br/>
com a Rainha noſſa Senhora a eſtes Rei-<br/>
nos de Portugal vieraõ, foi Carlim De-<br/>
lamor (homem fidalgo, e bem docto<br/>
em todalas couſas que a tal peſſoa co-<br/>
vinhaõ.) E como as ſuas me contenta-<br/>
vaõ,<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''<big>PROLOGO</big>'''<br/>}}
vaõ, trabalhei por alcançar delle ſua<br/>
converſaçaõ, e amizade. E conhecendo<br/>
e1le iſto de mim , deome tanta parte<br/>
della, que ſatisfez a meu deſejo. E em<br/>
quanto neſtes Reinos eſteve, entre mui-<br/>
tas couſas de paſſatempo que neſte ti-<br/>
nha-mos, era contar elle as grandezas<br/>
dos Emperadores de Alemanha, e Conſ-<br/>
tantinopla, com tanta ordem, e con-<br/>
certo, que parecia ter o proprio origi-<br/>
nal dellas na memoria. E as que alli luſ-<br/>
travaõ em mais admiraçaõ, e grandeza,<br/>
eraõ do Emperador Clarimundo, que,<br/>
ſegundo ſaõ maravilhoſas, fazem preſu-<br/>
mir, ſerem mais favor d'eſcriptores,<br/>
que verdadeira relaçaõ da verdade. Po-<br/>
rém, pois das antigas couſas naõ temos<br/>
outra certeza, he neceſſario darmos-lhe<br/>
tanta fé, quanta nos ella teſtificaõ. Quan-<br/>
to mais, que a experiencia das noſſas<br/>
preſentes autorizaõ todalas ſuas paſſa-<br/>
das. E quem neſta verdade duvidar, po-<br/>
nha os olhos na grandeza das obras del-<br/>
Rei voſſo padre, e desfará'a roda do<br/>
pouco credito, que a todalas outras der.<br/>
E já no tempo deſte, naõ menos Chriſ-<br/>
tianiſſimo, que esforçado Principe, moſ-<br/>
trava huma figura do que os de ſua lin-<br/>
gua<noinclude></noinclude>
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Strudel45
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|<big>'''PROLOGO'''</big><br/>}}
guagem no ſeu fariaõ: porque a elle eſ-<br/>
colheo Deos pera origem dos Reis de<br/>
Portugal, donde V. Alteza havia de<br/>
deſcender (como adiante neſte primeiro<br/>
capitulo ſe dirá.) E porque ſómente os<br/>
Ungaros, e Gregos de ſuas memoraveis<br/>
façanhas tinhaõ lembrança, (pelas em<br/>
ſua linguagem terem eſcriptas,) quiz<br/>
treſpaſſar eſta primeira parte de ſua<br/>
Chronica em a noſſa Portugueza, por-<br/>
que a nós ſuas couſas também publi-<br/>
cas foſſem, pois nos tocaõ pela par-<br/>
te que delle recebemos que foraõ taõ<br/>
Chriſtianiſſimos, e poderoſos Reis, como<br/>
os Portuguezes tem alcançado, ( ſen-<br/>
do primeiro da Summa Potencia conce-<br/>
dido.) E ainda, magnanimo Principe,<br/>
que ſeja digno de muita reprehenſaõ,<br/>
pelo atrevimento que tomei, em trasla-<br/>
dar cousſa, que com divina eloquencia<br/>
devera ſer relatada. Naõ creio que o<br/>
ſerei em tanto extremo, como o fora de<br/>
meu deſejo, em naõ obrar obra de que<br/>
V. Alteza foſſe servido: pois eſte he o<br/>
fim pera que quero longa vida: e eſta<br/>
vontade me deſculpa da culpa, que por<br/>
iſſo me quizerem dar. E tambem, con-<br/>
ſiderando eu ſer feitura voſſa, acudio-<br/>
me<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''<big>PROLOGO</big>'''.<br/>}}
me hum fervor de fé, que naõ podia<br/>
alguem reprehender eſte atrevimento<br/>
crendo que ha de ſer favorecido da voſſa<br/>
liberal vontade, como todalas couſas ze-<br/>
loſas de bem obrar o saõ. E eſte favor<br/>
dará tanto luſtro ao tempo que d‘aqui<br/>
empreguei, que cegará a quem lhe qui-<br/>
zer pôr nome de perdido. E poſto. que<br/>
deſte perigo ſeja ſalvo, naõ creio ſer<br/>
mui ſeguro do que acháraõ quantos eſ-<br/>
creveraõ. Porque difficil he eſcapar_al-<br/>
guem da diverſidade dos juizos ocioſos:<br/>
os quaes tem hum parecer pera julgar,<br/>
e outro ſentir pera fazer: e todos emen-<br/>
daõ o alheio, e poucos ſentem o ſeu.<br/>
Mas primeiro que minha fama ſeus com-<br/>
bates ſinta, beijarei voſſas Reaes mãos,<br/>
porque mandeis prover eſta taõ grande,<br/>
e excelente Chronica, com melhor in-<br/>
vençaõ, e mais avondoſa eloquencia, e<br/>
inventiva elegancia, do que ſe nella por<br/>
minha dureza achará. E com eſte ſeguro<br/>
Real, de Real maõ recebido, ſerei ſal-<br/>
vo do impetuoſo murmurar.<br/>
CON-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''<big>CONCORDANCIA,</big>'''<br/>}}
{{block center|''Que o Trasladador faz entre dois Chro-''<br/>}}
{{block center|''niſtas, ſobre a vinda de D. Henri-''<br/>}}
{{block center|''que a eſtes Reinos de Espanha,''<br/>}}
{{block center|''e ſobre e ſua Genealogia.''<br/>}}
<big>'''A'''</big>Inda que iſto ſeja fóra da ordem,<br/>
e principio deſta Chronica; por<br/>
ſer mui neceſſario á trasladaçaõ<br/>
della, me pareceo couſa juſta, e devi-<br/>
da, tocar aquillo, de que tem neceſſida-<br/>
de: Porque aquelles, que as Chronicas<br/>
dos Reis de Portugal, e Caſtella lerem,<br/>
naõ tenhaõ algua duvida, em que poſ-<br/>
ſaõ embicar. Digo iſto, porque ſegundo<br/>
Duarte Galvaõ no principio da Chroni-<br/>
ca que delRei D. Affonſo Henriques<br/>
compôs (primeiro deſte nome em Por-<br/>
tugal) contando da vinda de D. Henri-<br/>
que ſeu Pai no tempo del Rei D. Affonſo<br/>
de Caſtella, que Emperador de Eſpanha<br/>
ſe chamava, diz ſer eſte D. Henrique ſe-<br/>
gundogenito delRei de Ungria, e de hu-<br/>
ma irmãa do Conde D. Reimaõ de To-<br/>
loſa , que com o Conde D. Reimaõ de<br/>
Saõ Gil todos juntos a eſtes Reinos de<br/>
Eſpanha vieraõ. E Moſſem Diogo de<br/>
Valera na ſua Valereana tem o contra-<br/>
rio,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>rio, dizendo como D. Henrique era na-<br/>
tural de Conſtantinopla, e que ſervindo<br/>
na guerra a elRei D. Affonfo de Caſtella<br/>
fazendo obras dignas de tal galardaõ<br/>
lhe dera ſua filha Thareja por legitima<br/>
mulher, e em dote as terras, que entaõ<br/>
em Portugal aos Mouros eraõ tomadas;<br/>
como ſe mais largamente na Chronica<br/>
delRei D. Affonſo moſtra. Pois parece<br/>
neſta contrariedade da patria, e nature-<br/>
za de D. Henrique, que eſtes dois Chro-<br/>
niſtas diſcordaõ, e quem naõ ſouber a<br/>
razaõ que ambos tinhaõ pera fazer eſta<br/>
differença, naõ ſei como iſto julgaráõ.<br/>
Porém, pois nos Deos trouxe em noſſos<br/>
tempos Hiſtoria por onde foſſe-mos cer-<br/>
tos da Genealogia deſte bemaventurado<br/>
D. Henrique, primeiro fundamento da<br/>
Caſa de Portugal, poderemos dar razaõ<br/>
a quem della tiver neceſſidade. E porque<br/>
no terceiro livro deſta parte ſe mani-<br/>
feſta mui claro, e por extenſo as couſas<br/>
do pai de D. Henrique, e as ſuas, e a<br/>
razaõ, porque veio a eſtes Reinos de<br/>
Eſpanha; ſe deixa aqui de tocar. Só-<br/>
mente digo, ſegundo o que neſtas par-<br/>
tes vi, que D. Henrique era neto de<br/>
Clarimundo (as grandezas, e obras do<br/>
qual,<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>qual, neſte volume com tanto louvor,<br/>
e gloria ſua ſe manifeſtaõ,) que foi Rei<br/>
de Ungria por fallecimento de Adriano<br/>
ſeu Pai e por parte de Clarinda ſua<br/>
mulher, herdou o Imperio de Conſtan-<br/>
tinopla, ao qual ſuccedeo neſtes dois<br/>
Senhorios D. Sancho ſeu filho, pai de<br/>
D. Henrique. Aſſi, que naõ ſem cauſa<br/>
diz hum Chroniſta, que veio de Conſ-<br/>
tantinopla; e outro, que era natural de<br/>
Ungria, pois ſeu pai neſte tempo eſtes<br/>
dois taõ grandes Senhorios governava,<br/>
e poſſuhia.<br/>
VI-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>*********************
{{block center|'''<big><big>VIDA</big></big>'''<br/>}}
{{block center|DE<br/>}}
{{block center|<big>'''<big>JOAÕ DE BARROS.</big>'''</big><br/>}}
'''<big><big>N</big></big>'''A Republica de Athenas (que<br/>
entre os antigos foi a primeira<br/>
que enſinou a honrar com pre-<br/>
mios públicos as virtudes excellentes<br/>
dos Cidadaens) naõ ſe via levantado<br/>
maior numero de eſtatuas aos Capitaens,<br/>
que aos Eſcritores; antes eraõ eſtes tan-<br/>
to mais galardoados, que ſó a Demetrio<br/>
Phalereu, diſcipulo de Teofraſto, dedi-<br/>
caraõ mais de 300. em ſeu louvor: e<br/>
muito mór cuidado puzeraõ em eſcrever<br/>
as vidas dos ſeus Filoſofos, e Orado-<br/>
res, queas dos Principes, e Capitaens<br/>
da meſma Republica. Moviaõ-ſe, pare-<br/>
ce, os Athenienſes, a premiar taõ lar-<br/>
gamente o trabalho da eſcritura, naõ<br/>
ſó por elle ſer eſpiritual, e da milicia<br/>
corporal pela maior parte, mas por ain<br/>
da neſta parte lhe levarem os eſcritores<br/>
muita vantagem; porque na milicia nao<br/>
a<br/>
póde<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>ii
{{block center|<big>'''VIDA'''</big> '''DE''' <big>'''JOAÕ'''</big><br/>}}
póde hum Capitaõ alcançar victoria fem<br/>
o valor dos ſoldados, a quem deve gran-<br/>
de parte de ſua gloria mas os Eſcrito-<br/>
res acabaõ naõ menores emprezas na<br/>
compoſiçaõ de ſuas obras, ſem ſe vale-<br/>
rem nellas mais que de ſeu trabalho, e<br/>
valor proprio. E do meſmo modo, na<br/>
milicia trabalhaõ muitos pela conſerva-<br/>
çaõ de hum ſó Principe, ou Governa-<br/>
dor, que muitas vezes he hum tiranno<br/>
da Republica; e na eſcritura hum ſó tra-<br/>
balha pela conſervaçaõ de todos, e faz<br/>
com ella viver na lembrança dos ho-<br/>
mens, aquelles, que pela patria entre-<br/>
garaõ liberalmente as vidas, e conſer-<br/>
vando a memoria das couſas paſſadas,<br/>
dá regras para acertar nas futuras. Po-<br/>
rém como eſte bom coſtume de Athenas<br/>
tem ceſſado ha muitos annos, vemos<br/>
agora iſto pelo contrario, ſendo muitos<br/>
os que eſcrevem hiſtorias de Capitaens,<br/>
e raros os que ſe occupaõ em nos dar<br/>
noticia dos que as eſcreveraõ, particu-<br/>
larmente neſte Reino, onde, ainda que<br/>
naõ he pequena a falta que temos do<br/>
conhecimento dos Eſcritores antigos, he<br/>
mais pera ſentir o pouco, que comum-<br/>
mente ſe alcança do noſſo grande Joaõ<br/>
de<noinclude></noinclude>
njyrngr2to4nz7sq02ft9s3pkn0b1lv
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xxv {{block center|Outro Dialogo imprimio, a que intitu-<br/>}} {{block center|lou da Vicioſa vergonha, naõ ſómente<br<br/>}}/>}} {{block center|pera evitar que naõ leſſem os meninos<br/>}} {{block center|por feitos de Tabellioens, que ordinaria-<br/>}} {{block center|mente ſaõ de ruim letra, e ſem nenhu-<br/>}} {{block center|ma Ortografia, com que ficaõ eſcreven-<br/>}} {{...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xxv
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{{block center|que lhes dá os aviſos neceſſarios pera<br/>}}
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{{block center|couſas, que havia de tratar, que pedio<br/>}}
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{{block center|deſſe o que neſta materia da vergonha<br/>}}
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{{block center|da a perfeiçaõ, e certeza poder tratar<br/>}}
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>{{block center|'''DE''' <big>'''BARROS'''</big><br/>}} xxv
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: semelhantes: - ''senhor, telhado, telheira'', etc. e pronuncia-se - ''sinhor, tilhado, tilheira'', etc. Inversamente, diz-se - ''defenitivo'' (= difinitivo), — ''decedido'' (decidido), - ''deffeciente'' (= difficiente), - ''defenido'' (= definido), etc. A terminação - ''oa'' - tem, geralmente, o som de - ''oua''; ex.:- ''Lisboua''(= Lisboa), - ''toua'' -(? toa, do verbo-toar), - ''boua'' - (= boa), - (caçoa; do verbo - caçoar). Supr...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>semelhantes: - ''senhor, telhado, telheira'', etc. e pronuncia-se - ''sinhor, tilhado, tilheira'', etc.
Inversamente, diz-se - ''defenitivo'' (= difinitivo), — ''decedido'' (decidido), - ''deffeciente'' (= difficiente), - ''defenido'' (= definido), etc.
A terminação - ''oa'' - tem, geralmente, o som de - ''oua''; ex.:- ''Lisboua''(= Lisboa), - ''toua'' -(? toa, do verbo-toar), - ''boua'' - (= boa), - (caçoa; do verbo - caçoar).
Suprime-se o primeiro - o - em ''croa'' - (=coroa), ''broa'' (boroa), etc.
Tanto se diz - ''auga'' -, como - ''agoa'' -, mas acentua-se a tendência para fixar-se a última pronúncia.
O - ''s'' - tem o seu som próprio, brando, sibilado e não o de - ''z'' - em ''caseiro, pêso, rosa'', etc. que se pronuncia, apertando a língua contra os dentes; e o de dois - ''ss'' - em ''suavidade, sarmento, santo'', etc. A palavra - ''precisar'' - caracteriza bem a diferença entre a pronúncia popular do - ''s'' - e do - ''z'' -.
Suprime-se o - ''m'' - em - ''bom'' - e diz-se - ''bô'' -.
As palavras terminadas em - ''rio'' -, como ''armário, sudário, relicário, Januário, confessionário'', etc. pronunciam-se como tendo a sua antiga forma gráfica - ''armairo, sudairo, relicairo, Januairo, confessionairo'', etc.
'''{{c|MORFOLOGIA}}'''
É muito vulgar, em alguns verbos, a troca da 1.ª pessoa do pretérito perfeito, modo indicativo, pela 3.ª, e diz-se: - eu ''teve'', por - eu ''tive'' -; eu ''fez'' -, por - eu ''fiz'' —; eu ''esteve'', por - eu ''estive''.
Junta-se, para concordar, uma palavra no plural com o verbo no singular, sobretudo quando se interroga, como: que ''taes'' é? (= que ''tal'' é?), - ''quaes'' é? (= ''qual'' é?).
O advérbio - ''aonde'' - tem a sua forma antiga - ''a donde''.
O - ''ô'' - da primeira sílaba dalgumas palavras, como - ''ôvo, côrva, pôrco, cômo'', pronuncia-se, no ''singular'', com som aberto, isto é, como tendo acento agudo, ex.: ''óvo, pórco, córno, córvo'', etc. Inversamente, no ''plural'', pronuncia-se: ''ôvos, pôrcos, côrvos'', etc.
A sílaba - ''ga'' -, final dalgumas palavras, como - ''cantiga, figa, amiga'', etc., tem o som e valor do - ''g'' - nas palavras - ''aguia figueira'', ''Guedes'', etc.
'''{{c|Vocabulário e locuções<ref>Os vocábulos precedidos de asterisco não vem no Dicionário de Cândido de Figueiredo; e os precedidos de traço (-) vem, mas com significado diferente.</ref>}}'''
'''{{c|A}}'''
* ''Abanadélla'', subs.- acção de abanar, de sacudir com força.
* ''Abécer'', v.- apetecer. Não me «''abéce''» = não me apetece.
* ''Abejoum'', s. m.- avantesma.
* ''Abeládo'', a, adj.- meio enxuto.
- ''Abelhar'', v.- trabalhar com cuidado.
* ''Abenir'', v.- concordar.
* ''Abentar'', v.- agarrar o animal pelas ventas.
* ''Acadar'', v.- receber nas mãos, ou no regaço, alguma coisa, atirada de alto, sem a deixar cair.
* ''Acadimar'', v.- acertar.
* ''Açafanhar'', v. n.- estragar.
-''Acanhotado'', a, adj. - de formas toscas; um tanto estúpido.
{{rule}}<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>semelhantes: - ''senhor, telhado, telheira'', etc. e pronuncia-se - ''sinhor, tilhado, tilheira'', etc.
Inversamente, diz-se - ''defenitivo'' (= difinitivo), — ''decedido'' (decidido), - ''deffeciente'' (= difficiente), - ''defenido'' (= definido), etc.
A terminação - ''oa'' - tem, geralmente, o som de - ''oua''; ex.:- ''Lisboua''(= Lisboa), - ''toua'' -(? toa, do verbo-toar), - ''boua'' - (= boa), - (caçoa; do verbo - caçoar).
Suprime-se o primeiro - o - em ''croa'' - (=coroa), ''broa'' (boroa), etc.
Tanto se diz - ''auga'' -, como - ''agoa'' -, mas acentua-se a tendência para fixar-se a última pronúncia.
O - ''s'' - tem o seu som próprio, brando, sibilado e não o de - ''z'' - em ''caseiro, pêso, rosa'', etc. que se pronuncia, apertando a língua contra os dentes; e o de dois - ''ss'' - em ''suavidade, sarmento, santo'', etc. A palavra - ''precisar'' - caracteriza bem a diferença entre a pronúncia popular do - ''s'' - e do - ''z'' -.
Suprime-se o - ''m'' - em - ''bom'' - e diz-se - ''bô'' -.
As palavras terminadas em - ''rio'' -, como ''armário, sudário, relicário, Januário, confessionário'', etc. pronunciam-se como tendo a sua antiga forma gráfica - ''armairo, sudairo, relicairo, Januairo, confessionairo'', etc.
'''{{c|MORFOLOGIA}}'''
É muito vulgar, em alguns verbos, a troca da 1.ª pessoa do pretérito perfeito, modo indicativo, pela 3.ª, e diz-se: - eu ''teve'', por - eu ''tive'' -; eu ''fez'' -, por - eu ''fiz'' —; eu ''esteve'', por - eu ''estive''.
Junta-se, para concordar, uma palavra no plural com o verbo no singular, sobretudo quando se interroga, como: que ''taes'' é? (= que ''tal'' é?), - ''quaes'' é? (= ''qual'' é?).
O advérbio - ''aonde'' - tem a sua forma antiga - ''a donde''.
O - ''ô'' - da primeira sílaba dalgumas palavras, como - ''ôvo, côrva, pôrco, cômo'', pronuncia-se, no ''singular'', com som aberto, isto é, como tendo acento agudo, ex.: ''óvo, pórco, córno, córvo'', etc. Inversamente, no ''plural'', pronuncia-se: ''ôvos, pôrcos, côrvos'', etc.
A sílaba - ''ga'' -, final dalgumas palavras, como - ''cantiga, figa, amiga'', etc., tem o som e valor do - ''g'' - nas palavras - ''aguia figueira'', ''Guedes'', etc.
'''{{c|Vocabulário e locuções<ref>Os vocábulos precedidos de asterisco não vem no Dicionário de Cândido de Figueiredo; e os precedidos de traço (-) vem, mas com significado diferente.</ref>}}'''
'''{{c|A}}'''
* ''Abanadélla'', subs.- acção de abanar, de sacudir com força.
* ''Abécer'', v.- apetecer. Não me «''abéce''» = não me apetece.
* ''Abejoum'', s. m.- avantesma.
* ''Abeládo'', a, adj.- meio enxuto.
- ''Abelhar'', v.- trabalhar com cuidado.
* ''Abenir'', v.- concordar.
* ''Abentar'', v.- agarrar o animal pelas ventas.
* ''Acadar'', v.- receber nas mãos, ou no regaço, alguma coisa, atirada de alto, sem a deixar cair.
* ''Acadimar'', v.- acertar.
* ''Açafanhar'', v. n.- estragar.
- ''Acanhotado'', a, adj. - de formas toscas; um tanto estúpido.
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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/154
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: * ''Açarçalhar'', v. n.- guaguejar. * ''Acarrear'', loc. (-gado) - procurar e conduzir o gado (em geral vacum) para a corte, quando está fora. - ''Acarrejar'', v.- transportar cargas às costas, ou à cabeça. * ''Acarvalhar'', v. - cortar pela primeira vez as galhas ao carvalho. - ''Achegador'', sub. m.- alcoviteiro. - ''Achegar'', v. (-a vaca, a égua, etc.) - levá-la à padreação. - ''Acunhar'', v. a. - socar, apunhar com gana. -...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Açarçalhar'', v. n.- guaguejar.
* ''Acarrear'', loc. (-gado) - procurar e conduzir o gado (em geral vacum) para a corte, quando está fora.
- ''Acarrejar'', v.- transportar cargas às costas, ou à cabeça.
* ''Acarvalhar'', v. - cortar pela primeira vez as galhas ao carvalho.
- ''Achegador'', sub. m.- alcoviteiro.
- ''Achegar'', v. (-a vaca, a égua, etc.) - levá-la à padreação.
- ''Acunhar'', v. a. - socar, apunhar com gana.
- ''Adêlha'', s. f.- tremonha; mulher grossa, cheia, com os seios muito desenvolvidos.
* ''Adubadéla'', s. f.- grande tareia.
* ''Afancar'', v.- bater em...; praticar o acto de cópula.
* ''Afeitiar'', v. - dar forma agradável, perfeita.
* ''Afiambrado'', ''a'', adj.- bem posto, janota.
* ''Agàitádo'', ''a'', adj.- som semelhante ao da gaita.
- ''Agulhar'', v. a.- estimular, provocar; intrigar.
* ''Ala!'' interj.- lá fóra, andar, rua!
* ''Alabarádo'', ''a'', adj.- crestado.
* ''Alabarar'', v. a.- crestar.
* ''Albeiro'', adj. (moinho-) moinho para moer trigo.
* ''Albeiros'', loc. (fazer-) - fazer mal, fazer desaguisados.
- ''Albóio'', s. m.- casa grande, mal tratada e com mau aspecto.
- ''Aleitar'', v. n.- a assentar bem uma pedra na parede.
* ''Almuntaria'', s. f. = almutulia.
- ''Altôr'', s. m. = altura.
* ''Amanteigar-se'', v.- amancebar-se.
* ''Amarguém'', s. m.- amargor.
- ''Amatar'', v. (- a farinha) - escaldá-la com água muito quente, temperada de sal, para fabricar o pão de milho maïz.
- ''Amear'', v.- partir ao meio.
* ''Amoncalhar'', v.- amarfanhar, amarrotar.
* ''Angustio'', n. pr. = Augusto.
- ''Anha'', loc. (ficar com a -) - diz-se da fileira de malhadores que não malha tão certo como a fronteira.
* ''Annovar'', v.- cultivar terras, que só o são em períodos largos.
- ''Antepôr'', v.- deixar caminhar a junta de gado que tira o carro sem ir ninguém diante dela.
* ''Ante-vem'', s. m.- refeição que, às vezes, se dá nas lavradas antes da merenda.
* ''Antom'', adv. = então.
* ''Antóne'', n. pr. = António.
* ''Antre'', prep. = entre.
* ''Apascaçádo'', ''a'', adj.- lorpa; pouco avisado.
* ''Apesunhado'', ''a'', adj.- que tem pulsos grossos.
* ''Apetarar'', v.- adquirir nódoas, manchas, a fruta.
* ''Apicondrado'', ''a'', adj.- sombrio, taciturno.
* ''Apilarado'', ''a'', adj.— bem arranjado, bem posto, asseado.
* ''Apular'', v.- subir a uma árvore.
* ''Aquélla'', loc. - (não tenha -) não faça cerimónia.
* ''Aquellar, aquillar, aquelloutrar'',- verbos de emprego muito frequente e de variada significação, como: ''aquélla'' o cesto = arranja o cesto; ''Aquélla'' a porta = fecha ou abre a porta, se está aberta ou fechada, etc.
* ''Arnento'', ''a'', adj.- muito salgado (o peixe).
* ''Arrabaçar'', v.- cortar à mão plantas herbáceas, mas não rente.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: * ''Arreloar'', v.- gabar-se; ser moída muito grossa a farinha. * ''Arriba!'' interj.- a pé, a cima, levantar! - ''Arrieiro'', s. m.- peça de madeira sobre a qual assenta o eixo do rodízio nos moinhos de água. * ''Ascordar'', v. = acordar, deixar de dormir. * ''Assequeirado'', ''a'', adj.- terreno, ou terra de pouca lentura. * ''Atacunhar'', v.- calçar com força; encher muito. * ''Atimar'', v.- dispor bem, com arranjo. Atíma o ce...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Arreloar'', v.- gabar-se; ser moída muito grossa a farinha.
* ''Arriba!'' interj.- a pé, a cima, levantar!
- ''Arrieiro'', s. m.- peça de madeira sobre a qual assenta o eixo do rodízio nos moinhos de água.
* ''Ascordar'', v. = acordar, deixar de dormir.
* ''Assequeirado'', ''a'', adj.- terreno, ou terra de pouca lentura.
* ''Atacunhar'', v.- calçar com força; encher muito.
* ''Atimar'', v.- dispor bem, com arranjo. Atíma o cesto, a gravata, etc.
* ''Atímos'', s.- conjunto de aprestos para fazer alguma coisa.
* ''Atoleirado'', ''a'', adj. = atoleimado.
* ''Azedém'', sub.- azedume, travo.
'''{{c|B}}'''
* ''Bacúro'', s. m. = bácoro.
* ''Badante'', adj.- diz-se da pedra que inclina para fora do prumo.
* ''Balhadoiro'', s. m.- lugar em que se baila ou dança.
* ''Balhar'', v.- dançar.
* ''Baloánas'', s.- tanto significa o mentiroso, como a própria mentira.
* ''Bambão'', s. m.- dobre de sinos; (tocar a -).
* ''Banzão'', s. m.- degrau da escada portátil.
* ''Banzeiro'', s. m. - banzão.
* ''Barranheira'', s. f.- local onde há barro e terra.
* ''Barrêno'', s. m.- haste de ferro, calçada de aço nas duas extremidades, em forma de cunha. Serve para broquear pedra.
- ''Bazulaque'',- substantivamente - gordo.
* ''Beije-mão'' (de vóssinhoria; -de vocencê), — forma de cumprimentar, usada nas freguesias do alto-concelho.
* ''Belancia'', s. f. = melancia.
* ''Belandinas'', loc.-, (andar em -),- andar azafamado, de um lado para outro.
* ''Belouras'', s. f.- massa feita de farinha de milho e de trigo e de sangue de porco, de que se fazem uns pães que se cosem em água gorda, por ocasião do cerrabulho.
* ''Bem-de-fallar'', loc.- modo de dizer.
* ''Berregár'', v.- berrar.
- ''Bezêrra'', s. f.- parte crua, ou mal cosida, do bolo, ou do pão de milho maïz.
- ''Bichóca'', s. f.- buraco de árvore feito por lagarta.
* ''Bico'', loc.- (dar um), dar um beijo. (Usa-se nas freguesias do alto-concelho).
* ''Boieiro'', s.- homem que tem boi de padreação.
* ''Boirar'', v.- bater em alguém. É frequente no alto-concelho.
- ''Boquejar'', v.- comer alguma coisa para poder beber.
* ''Borraceira'', s. f.- nevoeiro espesso.
- ''Bouça'', s. f.- giestal.
* ''Braço-de-trabalho'', loc.- pessoa que trabalha muito e com cuidado.
* ''Branquém'', s. m.- cor branca; tendência para ela.
* ''Bricheiro'', adj.- homem que vende fazendas de briche de porta em porta.
* ''Brijões'', s. m.- giestas secas.
* ''Bruar'', v.- fazer estrondo; grande sussurro. O mar ''brua''; está a «''bruar''» = está a trovejar.
- ''Búcha'', loc. - (é uma ),- entaladela, embaraço, apuro.
* ''Burmeiro'', s. m.- abcesso no dedo.
* ''Burné'', s. m.- guarda da Companhia dos Tabacos.<noinclude></noinclude>
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preceitos''<br/>}}
{{block center|''da noſſa fé, que nella vaõ eſcritos. &c'':
<br/>}}
{{block center|Outro ſemelhante zelo o fez intentar<br/>}}
{{block center|outra obra de naõ menor engenho, (I)<br/>}}
e
______________________________________________________
(1) Decada 2. lib. 4. cap. 4.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|C}}''' - ''Cabadulhar'', v.- fazer os cabadulhos. - ''Cabadúlho'', s. m.- parte do campo que se cava antes de meter o arado. * ''Cabaneirice'', subs.- acto ou vida de cabaneiro. * ''Cabanél'', s.- espécie de cabana, ordinariamente aberta de um lado. * ''Cabelleiro'', s. m.- cada um dos cabelos da cabeça, considerado individualmente. - ''Cabrita'', loc. (ficar com a -),- o mesmo que ''anha''. - ''Cachaço'', s. m.- sopapo,...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|C}}'''
- ''Cabadulhar'', v.- fazer os cabadulhos.
- ''Cabadúlho'', s. m.- parte do campo que se cava antes de meter o arado.
* ''Cabaneirice'', subs.- acto ou vida de cabaneiro.
* ''Cabanél'', s.- espécie de cabana, ordinariamente aberta de um lado.
* ''Cabelleiro'', s. m.- cada um dos cabelos da cabeça, considerado individualmente.
- ''Cabrita'', loc. (ficar com a -),- o mesmo que ''anha''.
- ''Cachaço'', s. m.- sopapo, soco.
- ''Cachar'', v.- cortar, rapar as ervas, o mato, no giestal ou no paúl.
* ''Cachêna'', loc.- (dar de-) bater a valer.
* ''Cachoeira'', adj.- que anda saída. Diz-se da porca.
* ''Cachofêlhos'', s. m.- pequenos recantos de terras de cultura mas de pouco valor.
- ''Cáco'', loc. (é um -) indivíduo que anda quasi sempre adoentado.
- ''Cadeixo'', s. m.- peça de ferro que liga a treita ao timão do arado.
- ''Cadella'', loc.- (é uma -),- mulher dissoluta.
* ''Cadeleiro'', adj. - femeeiro.
* ''Cadelice'', s. f.- acto de andar às cadelas.
- ''Cadóz'', s. m.- cavalo ou égua muito grande e de mau feitio.
* ''Cagalhitar'', v.- expelir cagalhitas, ciscar.
* ''Cagalhitas'', sub.- excrementos dos ratos, das ovelhas, cabras, etc.
* ''Cagópe'', s. m.- rã na sua primeira fase.
* ''Caibrada'', s. f.- bordoada.
* ''Caixeiros'', s. m.- tamborileiros.
* ''Cáje'', = quasi.
- ''Calhamaço'', s. m.- prostituta.
- ''Calipto'', s. m = eucalipto.
- ''Camear'', v.- procurar a caça na cama.
* ''Camuéca'', s. f.- bebedeira.
- ''Canastro'', s. m.- espigueiro.
- ''Canear'', v.- pretender faltar à palavra com fracas evasivas.
- ''Canécha'', s. f. - cangôsta.
- ''Canellos'', loc. (ser de -), ser forte, valente; ''canêllos'', s. m.- tubos de madeira para apanhar toupeiras.
- ''Canêna'', loc. (dar de -), bater muito.
- ''Canga-lagartas'', loc.- aquele que é vagaroso.
- ''Canhar'', v.- limpar, na eira, com vassoura, os cereais, passando-a de leve por cima deles.
- ''Cánhos'', s. m.- torrães duros que ficam no campo depois da lavrada.
* ''Caniné'', s. f.- multidão de indivíduos arruaceiros.
* ''Canistrél'', s. m.- armadilha, para apanhar pássaros.
- ''Cantador'', ''cantadeira'', adj.- homem ou mulher que canta cantigas ao desafio, em descantes.
- ''Canté!'' int.- quem dera!
- ''Caquear'', v.- adoecer a cada passo.
* ''Carpêllo'', s. m.- restelo.
* ''Carrúlo'', s. m.- a região occipital, núca.
- ''Cartél'', s. m.- casa para abrigo e habitação pouco demorada.
- ''Cascalheira'', s. f.- rebentos, hastes novas, bastas, nascidas das touças dos carvalhos, dos castanheiros, etc.
- ''Casco'', s. m.- quantia em que se avalia o gado que é dado de parceria.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: - ''Catatáu'', loc.- (ir de -), ir de trambulhão. * ''Ceivo'', adj.- aberto. * ''Cenisga'', s. f.- órgão sexual da mulher, vulva, parrameiro. - ''Chinar'', v.- tomar tabaco. - ''Cifra'', s. f.- vulva da mulher. ''Cigalhinho'', s. m.- o mesmo que ''cigalho''. ''Cigálho'', s. m.- parte muito pequena de qualquer cousa. - ''Ciscar'', v.- espalhar por muitos sítios. - ''Cobérto'', sub. m.- cabana especialmente destinada para abrigo....
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>- ''Catatáu'', loc.- (ir de -), ir de trambulhão.
* ''Ceivo'', adj.- aberto.
* ''Cenisga'', s. f.- órgão sexual da mulher, vulva, parrameiro.
- ''Chinar'', v.- tomar tabaco.
- ''Cifra'', s. f.- vulva da mulher.
''Cigalhinho'', s. m.- o mesmo que ''cigalho''.
''Cigálho'', s. m.- parte muito pequena de qualquer cousa.
- ''Ciscar'', v.- espalhar por muitos sítios.
- ''Cobérto'', sub. m.- cabana especialmente destinada para abrigo.
- ''Cóca'', s. f.- presunção.
- ''Códega'', adj.- vaca que não está prenha.
- ''Códego'', s. m.- gelo que faz endurecer a superfície do solo.
* ''Coécas'', s. f.- calças estreitas e curtas.
* ''Cofarte'', adv.- bastante.
* ''Coirácha'', s. f.- mulher dissoluta, de maus costumes.
''Coitédinho'', = coitadinho.
- ''Comido'', loc. (ser-),- ser enganado.
* ''Conré'', s. f. -(r forte) multidão, grande número de pessoas.
* ''Cópa'', loc. (- de palha), - homem sem importância, sem valor; pequeno feixe de palha maïz.
* ''Corrícas'', s. f.- rugas.
- ''Cóscos'', s. m.- restos do trigo, ou do centeio, que ficam na pragana depois de malhado.
* ''Costeira'', s. f.- ladeira.
''Cotrilheiro'', adj.- farroupilha.
''Coucouas'', s. f.- peças de madeira que se pregam na parte inferior das chêdas.
- ''Cróça'', s. f.- agasalho em forma de capote, feito de junco; loc.- ser bonacheirão.
* ''Crócha'', s. f.- pendão, guia do milho maïz.
- ''Crúhna'', s. f.- caroço de fruta, como cereja, pêcego, etc.
* ''Çudra'', s. f.- camada de esterco, pegajosa, nos tecidos.
- ''Cunca'', s. f.- tijela grande acogulada de comida.
- ''Cunco'', s. m.- pá côncava para enformar boroas de pão de milho maïz.
- ''Cúrro'', s. m.— sítio, ou casa, onde são padreadas as éguas.
* ''Curtidélla'', s. f.- tareia.
* ''Curtir'', v.- bater muito em alguém.
'''{{c|D}}'''
- ''Decepado'', ''a'', adj.- indolente.
* ''Delariádo'', ''a'', = delirado.
* ''Derruchir'', v.- emagrecer muito.
* ''Desdobradella'', s. f. - grande sóva.
- ''Desenfadado'', ''a'',- muito desavergonhado.
* ''Docém'', s. m.— doçura especial e imprópria da coisa.
'''{{c|E}}'''
''Eido'', s. m.- terreno junto à casa de habitação.
- ''Embaraçada'', (mulher-) mulher grávida.
* ''Embordear'', v.- enlamear; sujar.
* ''Embosteirar'', v.- untar de bosta.
* ''Empellar'', v.- nascer erva no campo.
* ''Empellicar'', v.- padejar o pão para ir a coser no forno.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: xxviii {{block center|<big>'''VIDA'''</big> '''DE''' <big>'''JOAÕ'''</big><br/>}} {{block center|e foi, que vendo como os homens oc-<br/>}} {{block center|cupavaõ o mais do tempo jugando, in-<br/>}} {{block center|ventou hum jogo de tab olas, a que re-<br/>}} {{block center|duzio as Eticas de Ariſtoteles, introdu-<br/>}} {{block center|zindo nelle as virtudes, e vicios, por<br/>}} {{block center|exceſſo, e por defeito o qual jogo...
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{{block center|nelles, ao menos, aprenderem os ho-<br/>}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: - ''Empenar'', v.- (- alguém) intimar alguém. Diz-se das intimações ''vocais'' feitas pelos cabos de polícia ou pelo regedor. * ''Encabritar'', v.- amuar, levar a mal. * ''Encadilhar'', v.- acertar. * ''Encaladélla'', s. f.- uma meia cosedura. * ''Encalar'', v.- dar uma meia cosedura. - ''Encalcar'', v.- calcar muito. * ''Encardinado'', a, adj. - borracho, embriagado. * ''Encatrafiar''-''se'', v.- introduzir-se, meter-se dentro....
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>- ''Empenar'', v.- (- alguém) intimar alguém. Diz-se das intimações ''vocais'' feitas pelos cabos de polícia ou pelo regedor.
* ''Encabritar'', v.- amuar, levar a mal.
* ''Encadilhar'', v.- acertar.
* ''Encaladélla'', s. f.- uma meia cosedura.
* ''Encalar'', v.- dar uma meia cosedura.
- ''Encalcar'', v.- calcar muito.
* ''Encardinado'', a, adj. - borracho, embriagado.
* ''Encatrafiar''-''se'', v.- introduzir-se, meter-se dentro.
* ''Ençudrado'', a, adj.— sujo.
* ''Énes'', s. m.- anus.
* ''Enfróstar-se'', v.- tornar-se mandrião.
* ''Enfunicar-se'', v.- azedar-se, levar a mal.
''Enganar'', v.- ajudar a engolir, a comer, uma coisa que não apetece.
* ''Engeitar'', v.- alcançar, ficar grávida (a mulher).
- ''Engenheiro'', s. m.- Homem que trabalha, que se emprega em serrar madeiras nas fábricas de serração, chamadas aqui - «engenhos de serra».
- ''Engenhos'', s. m.- os ossos, as articulações.
* ''Engouviado'',- encolhido, esgrouvinhado.
* ''Engrilar-se'', v.- repontar, recalcitrar.
* ''Entrecôsto'', s. m.- costelas do porco.
* ''Enviadoiro'', s. m.- esófago.
''Erveira'', s. f.- faringe dos hervíboros.
* ''Escachafeder'', v.- ter muito medo.
* ''Escachoar'', v.- ferver de cachão.
* ''Escalifrado'', a, adj.- muito magro.
''Escambro'', s. m.- serenar o tempo, por intervalos.
- ''Escavichar'', v.- trabalhar para sustentar-se, para alimentar-se.
* ''Escorbiar'', v.- espreitar com interesse.
* ''Escravanáda'', s. f.- bátega de chuva muito fria, com saraiva.
- ''Escrivão'', s. m.- cavalinho do leite, em geral de cor preta.
''Escurrichar'' = escorripichar.
- ''Espadilha'', s. f.- espécie de espátula com pequenos furos a todo o comprimento, usada para urdir a teia.
* ''Espardalhar'', v.- entornar, espalhando muito.
- ''Espingardão'', s. m.- mulher muito alta, desajeitada e corpulenta.
''Esquinêta'', loc. (olhar de -), olhar de esguêlha.
* ''Estanchar'', v.- espetar na terra.
- ''Estandarte'', s. m.- mulher muito alta.
* ''Estardálho'', s. m.- pessoa ou coisa feia e desproporcionada; pénis.
- ''Esterroar'', v.- publicar, espalhar por toda a parte.
* ''Estiçadouro'', s. m.- pau comprido para avivar as brasas do forno.
- ''Estinhar'', v.- desviar a água do rio, quando é pouca, de uma parte do leito para outra; secar.
* ''Estirada'', s. f.- caminhada longa.
* ''Estiradélla'', s. f.- acção de estirar as pernas, andando.
* ''Estrambolhar-se'' = espoldrinhar-se.
* ''Estrar'', v.- lançar mato na corte.
- ''Estremecer'', (-água), aquecer água, ou qualquer líquido.
'''{{c|F}}'''
- ''Faiscádo'', s. m.- fasquio e fasquiado.
- ''Faiscar'', v.- fasquiar.<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: * ''Falhocar e falocar'', v.- nevar; cair flocos de neve. * ''Falhôco e falóco'', s. m.- flocos de neve. - ''Fandango'', s. m.- vulva da mulher, parrameiro. ''Fanfar'', v.- impor de valente. * ''Farear'', v.- andar à cata, a pesquisar. * ''Farinhôto'', a, adj.- farinhento. * ''Farte'', loc. (que -), o bastante, o suficiente. * ''Fatino'', s. m.- saco pequeno. * ''Favéca'', s. f.- vagem do feijão. * ''Ferrea'', s. f.- pá de fer...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Falhocar e falocar'', v.- nevar; cair flocos de neve.
* ''Falhôco e falóco'', s. m.- flocos de neve.
- ''Fandango'', s. m.- vulva da mulher, parrameiro.
''Fanfar'', v.- impor de valente.
* ''Farear'', v.- andar à cata, a pesquisar.
* ''Farinhôto'', a, adj.- farinhento.
* ''Farte'', loc. (que -), o bastante, o suficiente.
* ''Fatino'', s. m.- saco pequeno.
* ''Favéca'', s. f.- vagem do feijão.
* ''Ferrea'', s. f.- pá de ferro para retirar as brazas do forno.
- ''Ferrête'', s. m.- pequena ponta de metal numa das extremidades dos cordões com que se apertam os coletes das mulheres.
* ''Ferrunchar'', v.- tocar mal instrumento de corda.
* ''Fianço'', s..m.- linho ou estopa em rama para fiar.
''Fleima'' = fleugma.
* ''Fochícas'''''', s. m.- que mexe em tudo.
- ''Fôjo'''''', s. m.- entrada para o adro com passadeiras (de pedra ou de ferro) sobre uma escavação ou vão.
''Fôlgo'''''' = folego.
- ''Força''''''!. interj.- vá! para a frente!
''Formalheira'''''', s. f.- sítio junto da lareira onde se lança a cinza.
* ''Forrica'''''', s. f.- desinteria.
''Forneiro'''''', s. m.- montículo, de forma cónica, feito de torrões para calcinar.
* ''Fradar'''''', v.- perder a folha o feijão ao nascer.
* ''Fraguear'''''', v.- defecar.
- ''Frescura'''''', s. f.- a roupa branca, como lençois, toalhas, etc.
- ''Freuma'''''' = fleugma.
* ''Frósteiro'', a, adj. — madraço.
- ''Fumeiro'', s. m.- foeiro do carro de bois.
* ''Fundégo'', s. m.- poço natural, muito fundo, no rio.
- ''Fungão'', s. m.- aparelho composto de uma pequena e delgada tabuinha a que se prende uma guita para lhe dar um movimento de rotação, que produz certo som.
'''{{c|G}}'''
* ''Gábedo'', s. m.- apresto de cosinha para conter alguma coisa, ex.: o alguidar, a bacia, o púcaro, etc.
- ''Gafar'', v. n.- ter muito mau sabor (isto gafa); dar uma descompostura violenta, (gafeio-o).
* ''Gallifates'', s. m.- gatunos.
* ''Gambérnias'', adj.- indivíduo de pernas muito altas e delgadas.
* ''Gamellório'', s. m.- comezaina grosseira e abundante.
- ''Garvata'' = gravata.
- ''Grammada'', s. f.- espadelada.
- ''Grammar'', v.- espadelar.
* ''Gravalha'', s. f.- caruma, agulhas de pinheiro.
- ''Grêta'', s. f.- cenisga.
- ''Grudar'', loc. (- as mãos, - as unhas em...) agarrar com muita força, apertar muito com as mãos.
'''{{c|H}}'''
* ''Hêrdo'', s. m.- herança.
'''{{c|I}}'''
* ''Igoua''! interj.- diz-se à vaca para ela colocar os pés de forma a poder ser ordenhada.
''Imitir'' = imitar.
* ''Impesinhar'', v.- tornar-se pegajoso o pão, as batatas cosidas, etc.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Falhocar e falocar'', v.- nevar; cair flocos de neve.
* ''Falhôco e falóco'', s. m.- flocos de neve.
- ''Fandango'', s. m.- vulva da mulher, parrameiro.
''Fanfar'', v.- impor de valente.
* ''Farear'', v.- andar à cata, a pesquisar.
* ''Farinhôto'', a, adj.- farinhento.
* ''Farte'', loc. (que -), o bastante, o suficiente.
* ''Fatino'', s. m.- saco pequeno.
* ''Favéca'', s. f.- vagem do feijão.
* ''Ferrea'', s. f.- pá de ferro para retirar as brazas do forno.
- ''Ferrête'', s. m.- pequena ponta de metal numa das extremidades dos cordões com que se apertam os coletes das mulheres.
* ''Ferrunchar'', v.- tocar mal instrumento de corda.
* ''Fianço'', s..m.- linho ou estopa em rama para fiar.
''Fleima'' = fleugma.
* ''Fochícas'', s. m.- que mexe em tudo.
- ''Fôjo'', s. m.- entrada para o adro com passadeiras (de pedra ou de ferro) sobre uma escavação ou vão.
''Fôlgo''= folego.
- ''Força''!. interj.- vá! para a frente!
''Formalheira'', s. f.- sítio junto da lareira onde se lança a cinza.
* ''Forrica'', s. f.- desinteria.
''Forneiro'', s. m.- montículo, de forma cónica, feito de torrões para calcinar.
* ''Fradar'', v.- perder a folha o feijão ao nascer.
* ''Fraguear'', v.- defecar.
- ''Frescura'', s. f.- a roupa branca, como lençois, toalhas, etc.
- ''Freuma'' = fleugma.
* ''Frósteiro'', a, adj. — madraço.
- ''Fumeiro'', s. m.- foeiro do carro de bois.
* ''Fundégo'', s. m.- poço natural, muito fundo, no rio.
- ''Fungão'', s. m.- aparelho composto de uma pequena e delgada tabuinha a que se prende uma guita para lhe dar um movimento de rotação, que produz certo som.
'''{{c|G}}'''
* ''Gábedo'', s. m.- apresto de cosinha para conter alguma coisa, ex.: o alguidar, a bacia, o púcaro, etc.
- ''Gafar'', v. n.- ter muito mau sabor (isto gafa); dar uma descompostura violenta, (gafeio-o).
* ''Gallifates'', s. m.- gatunos.
* ''Gambérnias'', adj.- indivíduo de pernas muito altas e delgadas.
* ''Gamellório'', s. m.- comezaina grosseira e abundante.
- ''Garvata'' = gravata.
- ''Grammada'', s. f.- espadelada.
- ''Grammar'', v.- espadelar.
* ''Gravalha'', s. f.- caruma, agulhas de pinheiro.
- ''Grêta'', s. f.- cenisga.
- ''Grudar'', loc. (- as mãos, - as unhas em...) agarrar com muita força, apertar muito com as mãos.
'''{{c|H}}'''
* ''Hêrdo'', s. m.- herança.
'''{{c|I}}'''
* ''Igoua''! interj.- diz-se à vaca para ela colocar os pés de forma a poder ser ordenhada.
''Imitir'' = imitar.
* ''Impesinhar'', v.- tornar-se pegajoso o pão, as batatas cosidas, etc.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Falhocar e falocar'', v.- nevar; cair flocos de neve.
* ''Falhôco e falóco'', s. m.- flocos de neve.
- ''Fandango'', s. m.- vulva da mulher, parrameiro.
''Fanfar'', v.- impor de valente.
* ''Farear'', v.- andar à cata, a pesquisar.
* ''Farinhôto'', a, adj.- farinhento.
* ''Farte'', loc. (que -), o bastante, o suficiente.
* ''Fatino'', s. m.- saco pequeno.
* ''Favéca'', s. f.- vagem do feijão.
* ''Ferrea'', s. f.- pá de ferro para retirar as brazas do forno.
- ''Ferrête'', s. m.- pequena ponta de metal numa das extremidades dos cordões com que se apertam os coletes das mulheres.
* ''Ferrunchar'', v.- tocar mal instrumento de corda.
* ''Fianço'', s..m.- linho ou estopa em rama para fiar.
''Fleima'' = fleugma.
* ''Fochícas'', s. m.- que mexe em tudo.
- ''Fôjo'', s. m.- entrada para o adro com passadeiras (de pedra ou de ferro) sobre uma escavação ou vão.
''Fôlgo''= folego.
- ''Força!''. interj.- vá! para a frente!
''Formalheira'', s. f.- sítio junto da lareira onde se lança a cinza.
* ''Forrica'', s. f.- desinteria.
''Forneiro'', s. m.- montículo, de forma cónica, feito de torrões para calcinar.
* ''Fradar'', v.- perder a folha o feijão ao nascer.
* ''Fraguear'', v.- defecar.
- ''Frescura'', s. f.- a roupa branca, como lençois, toalhas, etc.
- ''Freuma'' = fleugma.
* ''Frósteiro'', a, adj. — madraço.
- ''Fumeiro'', s. m.- foeiro do carro de bois.
* ''Fundégo'', s. m.- poço natural, muito fundo, no rio.
- ''Fungão'', s. m.- aparelho composto de uma pequena e delgada tabuinha a que se prende uma guita para lhe dar um movimento de rotação, que produz certo som.
'''{{c|G}}'''
* ''Gábedo'', s. m.- apresto de cosinha para conter alguma coisa, ex.: o alguidar, a bacia, o púcaro, etc.
- ''Gafar'', v. n.- ter muito mau sabor (isto gafa); dar uma descompostura violenta, (gafeio-o).
* ''Gallifates'', s. m.- gatunos.
* ''Gambérnias'', adj.- indivíduo de pernas muito altas e delgadas.
* ''Gamellório'', s. m.- comezaina grosseira e abundante.
- ''Garvata'' = gravata.
- ''Grammada'', s. f.- espadelada.
- ''Grammar'', v.- espadelar.
* ''Gravalha'', s. f.- caruma, agulhas de pinheiro.
- ''Grêta'', s. f.- cenisga.
- ''Grudar'', loc. (- as mãos, - as unhas em...) agarrar com muita força, apertar muito com as mãos.
'''{{c|H}}'''
* ''Hêrdo'', s. m.- herança.
'''{{c|I}}'''
* ''Igoua!'' interj.- diz-se à vaca para ela colocar os pés de forma a poder ser ordenhada.
''Imitir'' = imitar.
* ''Impesinhar'', v.- tornar-se pegajoso o pão, as batatas cosidas, etc.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: * ''Impontar'', v.- despedir, mandar embora. - ''Inço'', s. m.- gado ovino ou caprino, de manadio. * ''Indas'' = ainda. * ''Infornar'', v.- meter o pão no forno. ''Inguento'' = unguento. * ''Inguinar'', v.- apoquentar, amofinar. A sílaba - ''gui'' - deste vocábulo pronuncia-se como a de ''gui''-ta, etc. * ''Inorar'', v.- estranhar, admirar. ''Inteiras'', s. f.- umbreiras da porta do forno de coser pão. '''{{c|J}}''' ''Jabél''...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Impontar'', v.- despedir, mandar embora.
- ''Inço'', s. m.- gado ovino ou caprino, de manadio.
* ''Indas'' = ainda.
* ''Infornar'', v.- meter o pão no forno.
''Inguento'' = unguento.
* ''Inguinar'', v.- apoquentar, amofinar. A sílaba - ''gui'' - deste vocábulo pronuncia-se como a de ''gui''-ta, etc.
* ''Inorar'', v.- estranhar, admirar.
''Inteiras'', s. f.- umbreiras da porta do forno de coser pão.
'''{{c|J}}'''
''Jabél'' = Isabel.
''Jazus'' = Jesus.
* ''Jérra'', s. f.- almotolia pequena.
* ''Jouba e joubinha'', s. f.- sardinha muito pequena.
- ''Juntar'', v.- espadelar segunda vez o linho, para o apurar mais.
- ''Juntoira'', s. f.- uma pequena peça de ferramenta de carpinteiro.
'''{{c|L}}'''
- ''Laboura'', s. f.- terra que produz cereais, mas leve e com pouca, ou sem água de rega.
* ''Labrujada'', s. f.- acto de remexer muito a comida.
* ''Labrujar'', v.- remeximento da lavadura que o porco faz, respirando nela pelo focinho.
- ''Lacão'', s. m.- grande rasgão.
* ''Ladairo'', s. m.- arrasoado muito prolongado.
''Lámbego'', loc. (n'um -) fazer uma coisa muito depressa.
* ''Lamite'' = dinamite.
* ''Lampedejar'' = relampaguear.
* ''Lámpedo'' = relâmpago.
* ''Landreiro'', s. m.- varapau de carvalho.
* ''Lapím'', s. m.- larápio.
* ''Lapardo'', s. m.- homem gordo e baixo.
* ''Laudácias'', s. f.- palavras astuciosas ditas carinhosamente, amavelmente.
* ''Leigavel'', adj.- amorável, carinhoso. No alto concelho a sílaba - ''ga'' - deste vocábulo, pronuncia-se dando ao - g - o valor que tem na palavra - ''aguia'', etc.
* ''Leriar'', v.- falar sem tom nem som.
* ''Lérias'', loc. (é um -), indivíduo que fala muito e sem propósito.
* ''Léstro'', adj.- destro, desembaraçado, ágil.
* ''Licante'', adj.- tratante, maroto, mal procedido.
* ''Lisposo'', a, adj. - pessoa esquesitamente apurada no arranjo doméstico e nas comidas.
* ''Ludra'', s. f.- sudra reluzente no fato.
* ''Lumes'', s. m..- sítios do eixo do carro de bois onde assentam as coucouas.
''Lupar'', v.- andar à cata, escutando e espreitando.
''Lúpias'', s. m.- sôfrego no comer.
{{c|M}}
- ''Maçarôco'', s. m.- pessoa baixa e cheia.
* ''Maçôto'', adj.- leite desnatado.
''Mágeira'', loc. (levado da -) esforçado, corajoso.
* ''Magrém'', s. m.- magreza pronunciada e doentia.
* ''Manáta'', adj.- atratantado.
''Mandinga'', loc. (ter -), ser má de aturar, rabugenta (diz-se das crianças).
- ''Mangueira'', s. f.- cabo do mangual.
* ''Manjarucáda'', s. f.- comida mal feita e muito misturada.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>* ''Impontar'', v.- despedir, mandar embora.
- ''Inço'', s. m.- gado ovino ou caprino, de manadio.
* ''Indas'' = ainda.
* ''Infornar'', v.- meter o pão no forno.
''Inguento'' = unguento.
* ''Inguinar'', v.- apoquentar, amofinar. A sílaba - ''gui'' - deste vocábulo pronuncia-se como a de ''gui''-ta, etc.
* ''Inorar'', v.- estranhar, admirar.
''Inteiras'', s. f.- umbreiras da porta do forno de coser pão.
'''{{c|J}}'''
''Jabél'' = Isabel.
''Jazus'' = Jesus.
* ''Jérra'', s. f.- almotolia pequena.
* ''Jouba e joubinha'', s. f.- sardinha muito pequena.
- ''Juntar'', v.- espadelar segunda vez o linho, para o apurar mais.
- ''Juntoira'', s. f.- uma pequena peça de ferramenta de carpinteiro.
'''{{c|L}}'''
- ''Laboura'', s. f.- terra que produz cereais, mas leve e com pouca, ou sem água de rega.
* ''Labrujada'', s. f.- acto de remexer muito a comida.
* ''Labrujar'', v.- remeximento da lavadura que o porco faz, respirando nela pelo focinho.
- ''Lacão'', s. m.- grande rasgão.
* ''Ladairo'', s. m.- arrasoado muito prolongado.
''Lámbego'', loc. (n'um -) fazer uma coisa muito depressa.
* ''Lamite'' = dinamite.
* ''Lampedejar'' = relampaguear.
* ''Lámpedo'' = relâmpago.
* ''Landreiro'', s. m.- varapau de carvalho.
* ''Lapím'', s. m.- larápio.
* ''Lapardo'', s. m.- homem gordo e baixo.
* ''Laudácias'', s. f.- palavras astuciosas ditas carinhosamente, amavelmente.
* ''Leigavel'', adj.- amorável, carinhoso. No alto concelho a sílaba - ''ga'' - deste vocábulo, pronuncia-se dando ao - g - o valor que tem na palavra - ''aguia'', etc.
* ''Leriar'', v.- falar sem tom nem som.
* ''Lérias'', loc. (é um -), indivíduo que fala muito e sem propósito.
* ''Léstro'', adj.- destro, desembaraçado, ágil.
* ''Licante'', adj.- tratante, maroto, mal procedido.
* ''Lisposo'', a, adj. - pessoa esquesitamente apurada no arranjo doméstico e nas comidas.
* ''Ludra'', s. f.- sudra reluzente no fato.
* ''Lumes'', s. m..- sítios do eixo do carro de bois onde assentam as coucouas.
''Lupar'', v.- andar à cata, escutando e espreitando.
''Lúpias'', s. m.- sôfrego no comer.
'''{{c|M}}'''
- ''Maçarôco'', s. m.- pessoa baixa e cheia.
* ''Maçôto'', adj.- leite desnatado.
''Mágeira'', loc. (levado da -) esforçado, corajoso.
* ''Magrém'', s. m.- magreza pronunciada e doentia.
* ''Manáta'', adj.- atratantado.
''Mandinga'', loc. (ter -), ser má de aturar, rabugenta (diz-se das crianças).
- ''Mangueira'', s. f.- cabo do mangual.
* ''Manjarucáda'', s. f.- comida mal feita e muito misturada.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>ças com as de um monstro daquelle porte.
Mas o principe defende-se com heroismo, arremessando golpes sobre golpes á cabeça do
Escorpião, embora já se sentisse cançado. E
a lucta terminaria de um modo fatal ao peixinho si um facto assombroso não viesse mudar a situação. E foi que no melhor da batalha surgiu inesperadamente da cozinha
uma bruxa de panno, armada de um espeto
de assar lombo de porco.
— Emilia !... gritou Narizinho, que
desde o caso do sapo, no dia da chegada, esquecera completamente a sua querida boneca.
Emilia, em fraldas de camisa, avança
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 46 crop).jpg|centro|350px]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>ças com as de um monstro daquelle porte.
Mas o principe defende-se com heroismo, arremessando golpes sobre golpes á cabeça do
Escorpião, embora já se sentisse cançado. E
a lucta terminaria de um modo fatal ao peixinho si um facto assombroso não viesse mudar a situação. E foi que no melhor da batalha surgiu inesperadamente da cozinha
uma bruxa de panno, armada de um espeto
de assar lombo de porco.
— Emilia !... gritou Narizinho, que
desde o caso do sapo, no dia da chegada, esquecera completamente a sua querida boneca.
Emilia, em fraldas de camisa, avança {{PT||para o Escorpião e — ''zás ! zás !'' fura-lhe os
dois olhos num relance. O monstro dá tamanho urro que o palacio estremece, e depois rebola-se no chão espumando de colera
e dôr.}}
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 46 crop).jpg|centro|350px]]
{{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}42{{gap}}☉}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{PT|para o Escorpião e — ''zás ! zás !'' fura-lhe os
dois olhos num relance. O monstro dá tamanho urro que o palacio estremece, e depois rebola-se no chão espumando de colera
e dôr.}}
Hurrah ! Estava ganha a batalha, graças ao espeto da estranha creatura em fraldas de camisa.
— Quem é ? quem é ella ? interrogavam os bichinhos numa grande curiosidade
de saber quem era a exotica heroina. Narizinho saltou do throno e veiu para a boneca
de braços abertos.
— Perdôa, boa Emilia, o ter-me esquecido de ti ! Mas deixa estar que pedirei ao
principe que te faça condessa desta côrte —
e abraçou-a, chorando. Em seguida dirigiu-se ao principe e beijou-lhe as mãos em agradecimento de haver arriscado a sua preciosa
vida por amor della.
Foi uma scena commovente. Mas, apesar da gravidade do momento, a barata invejosa, depois de espiar si o gafanhotinho
verde não estava perto, disse ao ouvido da
besoura:
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Vae ver que isto inda acaba em casamento ! Santo de casa não faz milagre...
E suspirou. Coitada ! Eram ciumes. Apesar de velha e feia essa barata solteirona não
perdia a esperança de casar com o principe.
Não se enxergava, a coróca...
A festa parou ahi. Os convidados recolheram-se ás suas casas, inda com os coraçõezinhos batendo, do susto, emquanto cincoenta saúvas possantes arrastavam o Escorpião para fóra. Bem que esperneou elle !
Bufou, espumejou, e resistiu lançando terriveis botes a
torto e a direito. Mas {{PT||lá foi parar num carcere de pedra, com
uma corrente de ferro ao pescoço.}}
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 48 crop).jpg|centro|350px]]
{{PT|lá foi parar num carcere de pedra, com
uma corrente de ferro ao pescoço.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 12"/>— Bufa agora, ladrão ! disse um grillo
da guarda, fincando-lhe um valente ponta-pé no focinho.
— Alto lá! gritou o Capitão. Eߴ prova de
covardia bater em quem não pode defender-se.
E mandou fechar a entrada do carcere
com uma pedra pesada para evitar que o
povo lynchasse o prisioneiro.
{{dhr|3}}
<section end="Cap. 12"/>
<section begin="Cap. 13"/>{{T2|DEPOIS DA FESTA|'''XIII'''}}
{{dhr|3}}
No dia seguinte Narizinho e Emilia levantaram-se tarde, depois de almoçar na cama, servidas por criadas abelhas, muito galantes em suas toucas entiotadas. Estavam ainda nervosas do grande susto da vespera. O doutor Caramujo receitou-lhes as pilulas de mestre Serra-páu, recommendando passeios pelo campo. Narizinho, depois de tomar o remedio, saiu em companhia de Dona Aranha e passeou durante uma boa hora pelos jardins do palacio. Emquanto isso as<section end="Cap. 13"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}45{{gap}}☉}}</noinclude>
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XII
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|71|borda_inferior=sim}}</noinclude>primento do canhão é igual a vinte até vinte e cinco vezes o diametro da bala, e pesa o canhão duzentas e trinta e cinco a duzentos e quarenta vezes o peso dߴesta.
— Não é bastante, clamou impetuoso, J.-T. Maston.
— Convenho nߴisso, meu digno amigo, e, na realidade, se nos cingirmos á proporção apontada, para um projectil de 9 pés de largura e de 30:000 libras de peso, não terá o machinismo mais do que 225 pés de comprimento e de 7.200:000 libras de peso.
— É ridiculo, redarguiu J.-T. Maston. Tanto vale usar de uma pistola!
— Tambem penso assim, respondeu Barbicane, e é por isso que tenho tenção de quadruplicar esse comprimento, e de construir um canhão de 900 pés de comprido.
O general e o major apresentaram algumas objecções, entretanto a proposta sustentada com animação pelo secretario do Gun-Club foi a final definitivamente adoptada.
«Decidido este ponto, disse Elphiston, que espessura havemos de dar ás paredes?
— Seis pés, respondeu Barbicane.
— De certo que não imaginaes collocar uma massa d'essa ordem em cima de um reparo? perguntou o major.
— Isso é que havia de ser soberbo! disse J.-T. Maston.
— Mas impraticavel, respondeu Barbicane. Nada, penso que o machinismo deve ser moldado mesmo no solo, guarnecido de arcos de ferro forjado, e apertado n'uma obra bem espessa e solida de pedra e cal, por forma que adquira toda a resistencia do terreno circumdante. Depois de fundida a peça ha de se lhe brocar, calibrar e polir a alma com extremo cuidado, para evitar que exista o vento<ref>Intersticio que existe ás vezes entre a bala e a alma da peça, e que provém de não serem exactamente iguaes os diametros.</ref> da bala.
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{{c|Vista ideal do canhão de J.-T. Maston ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/69|pag. 70]]).}}
Por esta fórma não ha de haver perda alguma de gazes e a força expansiva da polvora transformar-se-ha toda em impulsão.
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: [[File:Delaterrelalun00vern 0059 1.png|centro|400px]] {{c|O monge Schwartz inventando a polvora ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/76|pag. 77]]).}} — Hurrah! hurrah! clamou J.-T. Maston, já temos canhão. — Ainda não! respondeu Barbicane, acalmando com o gesto a impaciencia do amigo. {{nop}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|73|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0059 1.png|centro|400px]]
{{c|O monge Schwartz inventando a polvora ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/76|pag. 77]]).}}
— Hurrah! hurrah! clamou J.-T. Maston, já temos canhão.
— Ainda não! respondeu Barbicane, acalmando com o gesto a impaciencia do amigo.
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{{block center|''conſcripta fuiſſe, & recte ſane; ea''<br/>}}
{{block center|''enim, quæ hujuſmodi colloquendi ratio-''<br/>}}
{{block center|ne tractantur, introduclis pro dignita-<br/>}}
{{block center|''te perſonis, apertius diſputantur, &''<br/>}}
{{block center|''vehementius imprimuntur &c''. Pela meſ-<br/>}}
{{block center|ma razaõ uſou tambem Tulio delles,<br/>}}
{{block center|como o diz no primeiro das ſuas Tuſ-<br/>}}
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{{block center|''noſtræ explicentur, quaſi agatur res''<br/>}}
{{block center|''non quaſi narretur''. Neſtes Dialogos ſe<br/>}}
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{{block center|tinha outro filho mais velho, o que pa-<br/>}}
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{{block center|neſte achava, ou por aquella ſua idade<br/>}}
{{block center|ſer entaõ mais propria de aprender, e<br/>}}
{{block center|por iſſo lhe dedicou alguns tratados<br/>}}
{{block center|moraes como tambem fizeraõ outros<br/>}}
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Eti-<noinclude></noinclude>
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Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/52
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{{block center|que o puderaõ fazer com rendozas, e<br/>}}
{{block center|magnificas heranças.<br/>}}
{{block center|Deo o Papa Paulo III. o Capello de<br/>}}
{{block center|Cardeal ao Infante D. Henrique Arce-<br/>}}
{{block center|biſpo de Evora, (I) na undecima<br/>}}
{{block center|creaçaõ que fez de Cardeaes em 16. de<br/>}}
{{block center|Dezembro de 1545. Mandou logo o In-<br/>}}
{{block center|fante no anno ſeguinte de 1546. dar as<br/>}}
{{block center|graças deſta dignidade ao Summo Pon-<br/>}}
{{block center|tifice por Gaſpar Barreiros Conego de<br/>}}
{{block center|Evora, diſcipulo, e ſobrinho de Joaõ<br/>}}
{{block center|de Barros, filho de Maria de Barros
ſua<br/>}}
{{block center|irmaã, e de Ruy Barreiros. Concorriaõ<br/>}}
{{block center|em Gaſpar Barreiros muitas letras, ſe<br/>}}
{{block center|engenho, e porque naõ fizeſſe o cami-<br/>}}
{{block center|nho infructuoſamente, lhe encommen-<br/>}}
{{block center|dou (ſegundo o meſmo Gaſpar Barrei-<br/>}}
{{block center|ros refere ao Cardeal na Dedicatoria
da<br/>}}
{{block center|ſua Corographia) que eſcreveſſe parti-<br/>}}
{{block center|cularmente todos os lugares por onde<br/>}}
{{block center|paſſaſſe, com tudo o que acerca de
ſuas<br/>}}
{{block center|fundaçoens, nomes antigos, e mudança<br/>}}
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<br/>}}
va
____________________________________________________________
(I) Corografia de Gaſpar Barreiros.<noinclude></noinclude>
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CHRONICA DO EMPERAOOR
Claudio , Rei de Franca , todas estas
cousas fossem manifestas ; considerando
o proveito, que do tal casamento podia
alcançar, mandou-lhe seus Embaiado-
res, dizendo , que a clara fama de suas
virtuosas, e esforçadas obras eraõ taõ
geral a todos, que naõ só a elle, que ti-
nha muita razaõ pera o desejar , mas a
todolos Reys commovia a querer sua a-
mizade, e aliança. Assi que por estaa cau-
sa, como por descender do Real Tronco
dos Reis de Ungria, elle desejava de o
ajuntar por matrimonio com Briayna sua
legitima filha, se lhe a elle aprouvesse.
E que oulhasse quanto proveito d'aqui
sucedia : porque sendo ambos liados per
tam sancto ajuntamento, elle tinha por
fé, que Deos seria sempre em sua ajuda,
assi no acrecentamento de sua honra, e
Reynos, como na destruiçaõ de seus
inimigos. E mais que esta aliança seria
causa de se destruirem os odios, que os
Reys de França com elles tiveram, e
por se de todo gastarem algũas reliquias,
se ainda no pouco que davaõ ; lhe pe-
dia, que folgasse de o aceitar por pay,
e verdadeiro amigo, e que as outras cou-
sas, que ganhava, considerasse bem nel-
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CHRONICA DO EMPERAOOR
Claudio , Rei de Franca , todas estas <br />
cousas fossem manifestas ; considerando
o proveito, que do tal casamento podia
alcançar, mandou-lhe seus Embaiado-
res, dizendo , que a clara fama de suas
virtuosas, e esforçadas obras eraõ taõ
geral a todos, que naõ só a elle, que ti-
nha muita razaõ pera o desejar , mas a
todolos Reys commovia a querer sua a-
mizade, e aliança. Assi que por estaa cau-
sa, como por descender do Real Tronco
dos Reis de Ungria, elle desejava de o
ajuntar por matrimonio com Briayna sua
legitima filha, se lhe a elle aprouvesse.
E que oulhasse quanto proveito d'aqui
sucedia : porque sendo ambos liados per
tam sancto ajuntamento, elle tinha por
fé, que Deos seria sempre em sua ajuda,
assi no acrecentamento de sua honra, e
Reynos, como na destruiçaõ de seus
inimigos. E mais que esta aliança seria
causa de se destruirem os odios, que os
Reys de França com elles tiveram, e
por se de todo gastarem algũas reliquias,
se ainda no pouco que davaõ ; lhe pe-
dia, que folgasse de o aceitar por pay,
e verdadeiro amigo, e que as outras cou-
sas, que ganhava, considerasse bem nel-
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CHRONICA DO EMPERAOOR
Claudio , Rei de Franca , todas estas <br />
cousas fossem manifestas ; considerando<br />
o proveito, que do tal casamento podia<br />
alcançar, mandou-lhe seus Embaiado-<br />
res, dizendo , que a clara fama de suas<br />
virtuosas, e esforçadas obras eraõ taõ<br />
geral a todos, que naõ só a elle, que ti-<br />
nha muita razaõ pera o desejar , mas a<br />
todolos Reys commovia a querer sua a-<br />
mizade, e aliança. Assi que por estaa cau-<br />
sa, como por descender do Real Tronco<br />
dos Reis de Ungria, elle desejava de o<br />
ajuntar por matrimonio com Briayna sua<br />
legitima filha, se lhe a elle aprouvesse.<br />
E que oulhasse quanto proveito d'aqui<br />
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tam sancto ajuntamento, elle tinha por<br />
fé, que Deos seria sempre em sua ajuda,<br />
assi no acrecentamento de sua honra, e <br />
Reynos, como na destruiçaõ de seus <br />
inimigos. E mais que esta aliança seria<br />
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Reys de França com elles tiveram, e<br />
por se de todo gastarem algũas reliquias,<br />
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e verdadeiro amigo, e que as outras cou-<br />
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Claudio, Rei de França , todas eſtas <br />
couſas foſſem manifeſtas; conſiderando<br />
o proveito, que do tal caſamento podia<br />
alcançar, mandou-lhe seus Embaixado-<br />
res, dizendo, que a clara fama de ſuas<br />
virtuoſas, e esforçadas obras eraõ taõ<br />
geral a todos, que naõ só a elle, que ti-<br />
nha muita razaõ pera o desejar, mas a<br />
todolos Reys commovia a querer ſua a-<br />
mizade, e aliança. Aſſi que por eſta cau-<br />
ſa, como por deſcender do Real Tronco<br />
dos Reis de Ungria, elle deſejava de o<br />
ajuntar por matrimonio com Briayna ſua<br />
legitima filha, ſe lhe a elle aprouveſſe.<br />
E que oulhaſſe quanto proveito d'aqui<br />
ſucedia: porque ſendo ambos liados per<br />
tam ſancto ajuntamento, elle tinha por<br />
fé, que Deos ſeria ſempre em ſua ajuda,<br />
aſſi no acrecentamento de ſua honra, e <br />
Reynos, como na destruiçaõ de ſeus <br />
inimigos. E mais que eſta aliança ſeria<br />
cauſa de ſe deſtruirem os odios, que os<br />
Reys de França com elles tiveram, e<br />
por ſe de todo gaſtarem algũas reliquias,<br />
ſe ainda no pouco que davaõ; lhe pe-<br />
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e verdadeiro amigo, e que as outras cou-<br />
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Claudio, Rei de França , todas eſtas <br />
couſas foſſem manifeſtas; conſiderando<br />
o proveito, que do tal caſamento podia<br />
alcançar, mandou-lhe seus Embaixado-<br />
res, dizendo, que a clara fama de ſuas<br />
virtuoſas, e esforçadas obras eraõ taõ<br />
geral a todos, que naõ só a elle, que ti-<br />
nha muita razaõ pera o deſejar, mas a<br />
todolos Reys commovia a querer ſua a-<br />
mizade, e aliança. Aſſi que por eſta cau-<br />
ſa, como por deſcender do Real Tronco<br />
dos Reis de Ungria, elle deſejava de o<br />
ajuntar por matrimonio com Briayna ſua<br />
legitima filha, ſe lhe a elle aprouveſſe.<br />
E que oulhaſſe quanto proveito d'aqui<br />
ſucedia: porque ſendo ambos liados per<br />
tam ſancto ajuntamento, elle tinha por<br />
fé, que Deos ſeria ſempre em ſua ajuda,<br />
aſſi no acrecentamento de ſua honra, e <br />
Reynos, como na destruiçaõ de ſeus <br />
inimigos. E mais que eſta aliança ſeria<br />
cauſa de ſe deſtruirem os odios, que os<br />
Reys de França com elles tiveram, e<br />
por ſe de todo gaſtarem algũas reliquias,<br />
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e verdadeiro amigo, e que as outras cou-<br />
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1. Janeiro, 2. Fevereiro, 3. Março, 4. Abril, 5. Maio, 6. Junho, 7. Quintilis, 8. Sextilis, 9. Setembro, 10. Outubro, 11. Novembro e 12. Dezembro
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