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Ato Institucional Número Um
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Vinicius Gasparin
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==À Nação==
É indispensável fixar o conceito de movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova perspectiva sôbre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento, não só no espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma autêntica revolução.
A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz, não o interêsse e a vontade de um grupo, mas o interêsse e a vontade da Nação.
A revolução vitoriosa se investe no exercício do poder constituinte. Èsse se manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do poder constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como poder constituinte, se legitima por si mesma.
Ela destitui o Govêrno anterior e tem a capacidade de constituir o nòvo Govêrno. Nela se contém a fôrça normativa, inerente ao poder constituinte. Ela edita norma jurídica sem que nisso seja limitada pela nova atividade anterior à sua vitória.
Os Chefes da revolução vitoriosa, graças à ação das Fôrças Armadas e ao apoio inequívoco da Nação, representam o povo, em seu nome exercem o poder constituinte, de que o povo é único titular.
O Ato Institucional que é hoje editado pelos comandantes em chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, em nome da revolução que se tornou vitoriosa com apoio da Nação na sua quase totalidade, se destina a assegurar ao nôvo Govêrno a ser instituído os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar, de modo direto e imediato, os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa Pátria. A revolução vitoriosa necessita de ser institucionalizada e se apressa pela sua institucionalização a limitar os plenos podêres de que efetivamente dispõe.
O presente Ato institucional só poderia ser editado pela revolução vitoriosa, representada pelos comandos em chefe das três armas que respondem, no momento, pela realização dos objetivos revolucionários, cuja frustração estão decididas a impedir.
Os processos constitucionais não funcionaram para destituir o Govêrno, que deliberadamente se dispunha a bolchevizar o País.
Destituído pela revolução, só a esta cabe ditar as normas e os processos de constituição do nôvo Govêrno e atribuir-lhe os podêres ou os instrumentos jurídicos que lhe assegurem o exercício do poder no exclusivo interêsse do País. Para demonstrar que não pretendemos radicalizar o processo revolucionário, decidimos manter a Constituição de 1946, limitando-nos a modificá-la, apenas, na parte relativa aos podêres do Presidente da República, a fim de que êste possa cumprir a missão de restaurar no Brasil a ordem econômica e financeira e tomar as urgentes medidas destinadas a drenar o bolsão comunista, cuja purulência já se havia infiltrado não só na cúpula do Govêrno como nas suas dependências administrativas. Para reduzir ainda mais os plenos podêres de que se acha investida a revolução vitoriosa, resolvemos, igualmente, manter o Congresso Nacional, com as reservas relativas aos seus podêres, constantes do presente Ato Institucional.
Fica, assim, bem claro que a revolução não procura legitimar-se através do Congresso. Este é que recebe neste Ato Institucional, resultante do exercício do poder constituinte, inerente a tôdas as revoluções, a sua legitimação. Em nome da revolução vitoriosa, e no intuito de consolidar a sua vitória, de maneira a assegurar a realização dos seus objetivos e garantir ao País um Govêrno capaz de atender aos anseios do povo brasileiro, o comando supremo da revolução, representada pelos comandantes em chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, resolve editar o seguinte:
==Ato Institucional==
===Artigo 1º===
São mantidas a [[Constituição de 1946 dos Estados Unidos do Brasil|Constituição de 1946]] e as Constituições estaduais e respectivas emendas, com as modificações constantes dêste Ato.
===Artigo 2º===
A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República, cujos mandatos terminarão em 31 de janeiro de 1966, será realizada pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, dentro de dois dias, a contar dêste Ato, em sessão pública e votação nominal.
'''§ 1º''' Se não fôr obtido ''quorum'' na primeira votação, outra realizar-se-á, no mesmo dia, sendo considerado eleito quem obtiver maioria simples de votos; no caso de empate, prosseguir-se-á na votação até que um dos candidatos obtenha essa maioria.
'''§ 2º''' Para a eleição regulada neste artigo, não haverá inelegibilidades.
===Artigo 3º===
O Presidente da República poderá remeter ao Congresso Nacional projetos de emenda à Constituição.
'''Parágrafo único'''
Os projetos de emenda constitucional, enviados pelo Presidente da República, serão apreciados em reunião do Congresso Nacional, dentro de trinta dias, a contar do seu recebimento, em duas sessões, com o intervalo mínimo de dez dias, e serão considerados aprovados quando obtiverem, em ambas as votações, a maioria absoluta dos membros das duas Casas do Congresso.
===Artigo 4º===
O Presidente da República poderá enviar ao Congresso Nacional projetos de lei sôbre qualquer matéria, os quais deverão ser apreciados dentro de trinta dias, a contar do seu recebimento na Câmara dos Deputados e de igual prazo no Senado Federal; caso contrário, serão tidos como aprovados.
'''Parágrafo único'''
O Presidente da República, se julgar urgente a medida, poderá solicitar que a apreciação do projeto se faça em trinta dias, em sessão conjunta do Congresso Nacional, na forma prevista neste artigo.
===Artigo 5º===
Caberá, privativamente, ao Presidente da República a iniciativa dos projetos de lei que criem ou aumentem a despesa pública; não serão admitidas a êsse projeto, em qualquer das Casas do Congresso Nacional, emendas que aumentem a despesa proposta pelo Presidente da República.
===Artigo 6º===
O Presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio, ou prorrogá-lo, pelo prazo máximo de trinta dias. O seu ato será submetido ao Congresso Nacional, acompanhado de justificação, dentro de 48 horas.
===Artigo 7º===
Ficam suspensas, por seis meses, as garantias constitucionais ou legais de vitaliciedade e estabilidade.
'''§ 1º''' Mediante investigação sumária, no prazo fixado neste artigo, os titulares dessas garantias poderão ser demitidos ou dispensados, ou ainda, com vencimentos e vantagens proporcionais ao tempo de serviço, postos em disponibilidade, aposentados, transferidos para a Reserva ou reformados por decreto do Presidente da República ou, em se tratando de servidores estaduais, por decreto do Govêrno do Estado, desde que tenham atentado contra a segurança do País, o regime democrático e a probidade da administração pública, sem prejuízo das sanções penais a que estejam sujeitos.
'''§ 2º''' Ficam sujeitos às mesmas sanções os servidores municipais. Neste caso, a sanção prevista no § 1º lhes será aplicada por decreto do Governador do Estado, mediante proposta do Prefeito Municipal.
'''§ 3º''' Do ato que atingir servidor estadual ou municipal vitalício, caberá recurso para o Presidente da República.
'''§ 4º''' O contrôle jurisdicional dêsses atos limitar-se-á ao exame de formalidades extrínsecas, vedada a apreciação dos fatos que os motivaram, bem como da sua conveniência ou oportunidade.
===Artigo 8º===
Os inquéritos e processos visando apuração da responsabilidade pela prática de crimes contra o Estado ou o seu patrimônio e a ordem política e social ou de atos de caráter revolucionário poderão ser instaurados individual ou coletivamente.
===Artigo 9º===
A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República, que tomarão posse no dia 31 de janeiro de 1966, será realizada em 3 de outubro de 1965.
===Artigo 10°===
No interêsse da paz, da honra nacional e sem as limitações previstas na Constituição, os comandantes em chefe que editam o presente Ato poderão suspender os direitos políticos pelo prazo de dez anos e cassar os mandatos legislativos federais, estaduais e municipais, excluída a apreciação judicial dêsses atos.
'''Parágrafo único'''
Empossado o Presidente da República, êsse, por indicação do Conselho de Segurança Nacional dentro de sessenta dias, poderá praticar os atos previstos neste artigo.
===Artigo 11º===
O presente Ato vigora desde a sua data até 31 de janeiro de 1966; revogadas as disposições em contrário.
<center>Rio de Janeiro-GB, 9 de abril de 1964.</center>
<center>General do Exército Artur da Costa e Silva.</center>
<center>Tenente-Brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo.</center>
<center>Vice-Almirante Augusto Radamaker.</center>
[[Categoria:1964]]
[[Categoria:Atos institucionais|01]]
[[Categoria:Ditadura militar brasileira]]
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Ato Institucional Número Cinco
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Vinicius Gasparin
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[[Categoria:Atos institucionais|05]]
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Vinicius Gasparin
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Vinicius Gasparin
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Ato Institucional Número Doze
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Vinicius Gasparin
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< [[Wikipedia:pt:Ato Institucional Número Doze|Artigo da Wikipédia sobre o Ato Institucional Número Doze]]
==ATO INSTITUCIONAL Nº 12==
'''DE 1 DE SETEMBRO DE 1969'''
Em nome do Governo e da Revolução de 31 de março de 1964, pelos motivos expostos, resolvem baixar o seguinte Ato Institucional:
*OS MINISTROS DA MARINHA DE GUERRA, DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA , em nome do Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva, temporariamente impedido do exercício de suas funções por motivo de saúde, e
*CONSIDERANDO que continua em plena vigência o Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, que manteve a Constituição com as modificações nela introduzidas;
*CONSIDERANDO que o Ato Complementar nº 38, de 13 de dezembro de 1968, decretou o recesso do Congresso Nacional;
*CONSIDERANDO que os compromissos assumidos perante a Nação, pelas forças armadas, desde a Revolução vitoriosa de 31 de março de 1964, ainda perduram e não devem sofrer solução de continuidade;
*CONSIDERANDO que, nesta conformidade, e ouvido o Alto Comando das forças armadas, o exercício, da suprema autoridade do Governo e de Comandante supremo das forças armadas, durante o impedimento temporário do Presidente Arthur da Costa e Silva deve caber aos seus Ministros auxiliares, diretamente responsáveis pela execução das medidas destinadas a preservar a segurança nacional, o gozo pacífico dos direitos dos cidadãos e os compromissos internacionais, resolvem editar o seguinte Ato Institucional nº 12:
==Art 1º==
Enquanto durar o impedimento temporário do Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva, por motivo de saúde, as suas funções serão exercidas pelos Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar nos termos dos Atos Institucionais e Complementares, bem como da Constituição de 24 de janeiro de 1967.
==Art 2º==
Os Ministros militares baixarão os atos necessários à continuidade administrativa, à preservação dos direitos individuais e ao cumprimento dos compromissos de ordem internacional.
==Art 3º==
Continuam em exercício os Poderes e órgãos da Administração federal, estadual e municipal que não foram atingidos pelos Atos Institucionais o Complementares.
==Art 4º==
Cessado o impedimento, o Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva, reassumirá as suas funções em toda a sua plenitude.
==Art 5º==
Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
==Art 6º==
Este Ato entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
*Rio de Janeiro - GB, 01 de setembro de 1969; 148º da Independência e 81º da República.
<poem>
AUGUSTO HAMANN RADEMAKER GRÜNEWALD
Aurélio de Lyra Tavares
Márcio de Souza e Mello
Luís Antônio da Gama e Silva
José de Magalhães Pinto
Antônio Delfim Netto
Mário David Andreazza
Ivo Arzua Pereira
Tarso Dutra
Jarbas G. Passarinho
Leonel Miranda
Edmundo de Macedo Soares
Antônio Dias Leite Júnior
Hélio Beltrão
José Costa Cavalcanti
Carlos F. de Simas
</poem>
[[Categoria:1969]]
[[Categoria:Atos institucionais|12]]
[[Categoria:Ditadura militar brasileira]]
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Ato Institucional Número Treze
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2026-05-23T05:40:00Z
Vinicius Gasparin
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text/x-wiki
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|autor=|obra=Ato Institucional Número Treze}}
{{wikipédia|Ato Institucional Número Treze}}
OS MINISTROS DE ESTADO DA MARINHA DE GUERRA, DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA MILITAR, no uso das atribuições que lhes confere, o art. 1º do [[Ato Institucional Número Doze|Ato Institucional nº 12]], de 31 de agosto de 1969, resolvem editar o seguinte Ato Institucional:
===Artigo 1º===
O Poder Executivo poderá, mediante proposta dos Ministros de Estado da Justiça, da Marinha de Guerra, do Exército ou da Aeronáutica Militar, banir do território nacional o brasileiro que, comprovadamente, se tornar inconveniente, nocivo ou perigoso à segurança nacional.
'''Parágrafo único'''
Enquanto perdurar o banimento, ficam suspensos o processo ou a execução da pena a que, porventura, esteja respondendo ou condenado o banido, assim como a prescrição da ação ou da condenação.
===Artigo 2º===
Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato Institucional e Atos Complementares dele decorrentes, bem como os respectivos efeitos.
===Artigo 3º===
Este Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
<center>Brasília, 5 de setembro de 1969;
:148º da Independência e 81º da República.
:AUGUSTO HAMANN RADEMAKER GRüNEWALD
:Aurélio de Lyra Tavares
:Márcio de Souza e Mello
:Luís Antônio da Gama e Silva
:José de Magalhães Pinto
:Antônio Delfim Netto
:Mário David Andreazza
:Ivo Arzua Pereira
:Tarso Dutra
:Jarbas G. Passarinho
:Leonel Miranda
:Edmundo de Macedo Soares
:Antônio Dias Leite Júnior
:Hélio Beltrão
:José Costa Cavalcanti
:Carlos F. de Simas
</center>
[[Categoria:1969]]
[[Categoria:Atos institucionais|13]]
[[Categoria:Ditadura militar brasileira]]
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Ato Institucional Número Dezesseis
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2026-05-23T05:40:22Z
Vinicius Gasparin
41079
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text/x-wiki
< [[Wikipedia:pt:Ato Institucional Número Dezesseis|Artigo da Wikipédia sobre o Ato Institucional Número Dezesseis]]
ATO INSTITUCIONAL Nº 16, DE 14 DE OUTUBRO DE 1969
OS MINISTROS DA MARINHA DE GUERRA, DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA MILITAR , no exercício da Presidência da República, ouvido o Alto Comando das forças armadas, e
CONSIDERANDO ter sido o Presidente da República, Marechal Arthur da Costa e Silva, atacado de lamentável e grave enfermidade;
CONSIDERANDO estar Sua Excelência totalmente impedido, no momento, para o pleno exercício de suas funções, não obstante achar-se em estado de lucidez;
CONSIDERANDO a conclusão exarada em laudo médico proferido aos vinte e cinco de setembro próximo passado e confirmada em novo laudo, com data de quatro do corrente, pelos renomados especialistas que o assistem, de que "se eventualmente o Presidente da República, lúcido como está, vier a atingir a recuperação completa desejada por todos, poderá reassumir suas funções, ficando, porém, novamente exposto a situações de stress que contribuíram para sua enfermidade atual";
CONSIDERANDO que, diante disso, a reassunção de seu cargo, se para tanto viesse a readquirir condições, não se poderia dar sem grave e irreparável risco para sua saúde;
CONSIDERANDO que a conjuntura nacional impõe encargos cada vez mais pesados ao Chefe do Poder Executivo;
CONSIDERANDO que o Marechal Arthur da Costa e Silva, com o conhecimento da sua família, manifestou desejo de que se promovesse a sua substituição no cargo;
CONSIDERANDO que os superiores interesses do País exigem o preenchimento imediato, em caráter permanente, do cargo de Presidente da República, e
CONSIDERANDO, por fim, que o Ato Institucional nº 12, de 31 de agosto do corrente ano, no seu art. 1º, atribuiu aos Ministros militares a substituição do Presidente da República no seu impedimento temporário, resolvem editar o seguinte Ato Institucional:
Art 1º - É declarada a vacância do cargo de Presidente da República, visto que o seu titular, Marechal Arthur da Costa e Silva, está inabilitado para exercê-lo, em razão da enfermidade que o acometeu.
Art 2º - É declarado vago, também, o cargo de Vice-Presidente da República, ficando suspensa, até a eleição e posse do novo Presidente e Vice-Presidente, a vigência do art. 80 da Constituição federal de 24 de janeiro de 1967.
Art - 3º - Enquanto não se realizarem a eleição e posse do Presidente da República, a Chefia do Poder Executivo continuará a ser exercida pelos Ministros militares.
Art 4º - A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República, de que trata este Ato, será realizada no dia 25 do corrente mês de outubro, pelos membros do Congresso Nacional, em sessão pública e votação nominal.
§ 1º - A sessão conjunta do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, para os fins deste artigo, será dirigida pela Mesa da primeira dessas Casas do Congresso.
§ 2º - Os Partidos Políticos, por seus Diretórios Nacionais, inscreverão, perante a Mesa do Senado Federal, os candidatos a Presidência e Vice-Presidência da República até vinte e quatro horas antes do dia marcado para o pleito. § 3º - O Diretório Nacional de cada Partido funcionará, para escolha dos candidatos a que se refere o parágrafo anterior, com poderes de Convenção Nacional, dispensados os prazos e as demais formalidades estabelecidas pela Lei Eleitoral.
§ 4º - Será considerado eleito Presidente o candidato que obtiver maioria absoluta de votos.
§ 5º - Se nenhum candidato obtiver maioria absoluta na primeira votação, os escrutínios serão repetidos, e a eleição dar-se-á no terceiro, por maioria simples; no caso de empate, prosseguir-se-á na votação até que um dos candidatos obtenha essa maioria.
§ 6º - O candidato a Vice-Presidente considerar-se-á eleito em virtude da eleição do candidato a Presidente com ele registrado.
§ 7º - Para a eleição regulada neste artigo, não haverá inelegibilidades, nem a exigência, para o candidato militar, de filiação político-partidária.
§ 8º - A posse do Presidente e do Vice-Presidente da República dar-se-á no dia 30 de outubro do corrente ano, em sessão solene do Congresso Nacional, presidida pelo Presidente do Senado Federal.
Art 5º - O mandato do Presidente e do Vice-Presidente da República, eleitos na forma do artigo anterior, terminará a 15 de março de 1974.
Art 6º - Embora convocado o Congresso Nacional, os Ministros militares, no exercício da Presidência da República, poderão, até 30 do corrente mês de outubro, em caso de urgência ou de interesse público relevante, legislar, mediante decreto-lei, sobre todas as matérias de competência da União.
Art 7º - As atuais Mesas do Senado e da Câmara dos Deputados, irreelegíveis, para o período imediato, têm seus mandatos, prorrogados até 31 de março de 1970, elegendo-se, todavia, novos membros para as vagas existentes ou que vierem a ocorrer.
Art 8º - Ficam excluídos de apreciação judicial os atos praticados com fundamento no presente Ato Institucional e Atos Complementares dele decorrentes, bem como os respectivos, efeitos.
Art 9º - Este Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
Brasília, 14 de outubro de 1969; 148º da Independência e 81º da República.
<poem>
AUGUSTO HAMANN RADEMAKER GRÜNEWALD
Aurélio de Lyra Tavares
Márcio de Souza e Mello
Luís Antônio da Gama e Silva
José de Magalhães Pinto
Antônio Delfim Netto
Mário David Andreazza
Ivo Arzua Pereira
Tarso Dutra
Newton Burlamaqui Barreira
Leonel Miranda
Edmundo de Macedo Soares
Antônio Dias Leite Júnior
Hélio Beltrão
José Costa Cavalcanti
Carlos F. de Simas
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[[Categoria:Ditadura militar brasileira]]
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Teoria do medalhão
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<pages index="Papeis-avulsos--1882.pdf" from=99 to=114 header=1 notas="Originalmente publicado em ''Gazeta de notícias'' no ano de 1881 e posteriormente recompilado em ''[[Papéis avulsos]]''." />
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A parasita azul/IV
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A Alma do Lázaro/II/XI
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André Koehne
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|autor=José de Alencar
|seção=Segunda Parte: O Diário, 22 de março de 1752
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Decorei finalmente as endeixas que tamanha impressão me fizeram, da primeira vez que as ouvi, pela sua singeleza
A menina canta-as todas as noites, ao nascer da estrela d'alva. É uma Ave-Maria graciosa e pura; inspirou-a o amor filial santificado pela religião.
Tornei a ouvi-la ontem, e hoje ainda ouço o eco a murmurejar-me dentro d'alma.
Quero escrevê-la.
Os homens ricos de prazeres e afeições, desfloram apenas as suas alegrias; quando o quisessem, não teriam tempo de estancar-lhes a última gota de essência.
Fazem como as crianças que babujam e provam de todos os frutos, e de nenhum se fartam.
Esses pródigos de sua alma não compreendem decerto a usura dos pobres e deserdados, como eu, quando Deus lhes depara no deserto da vida com um óbolo de prazer.
Avaro de sua migalha, que lhe é tesouro, não se cansa de a gozar; vive nela, sonha dela. Quer senti-la por todos os modos e a todos os instantes.
Assim fui eu com aqueles versos, que muitos acharão mesquinhos; mas, ou fosse pela voz harmoniosa que os dissera, ou pelo desvelo e saudade que respiravam, ou pela cadência suave do ritmo; me infundiram não sei que doce melancolia.
É outra cousa que os felizes não compreendem, como a melancolia é supremo júbilo para as almas imersas num continuado descrer e numa acerba tristeza.
Mas a canção... Não me saciei de a escutar, de a recordar, de a repetir às vagas que rumorejavam na praia. Quero senti-la pelos olhos. Já a ouvi tantas vezes, ainda não a vi.
Esquecer-me-ia?...
Não! — lembro-me...
<poem>
Ave, Maria! Ave, estrela,
Formosa estrela do mar!
Dá-me novas de meu pai,
Que se foi a navegar.
Por esses mares dalém
Vai seu brigue a bolinar.
— Leme á orça! Molha a vela!
E deixa o vento soprar.
A borrasca o não assusta:
Não se teme de afrontar;
Mas eu que temo por ela
Vivo somente a rezar.
Fio de ti, minha estrela,
Que o protejas sem cessar.
Faz que bem cedo ele possa
A minha mie abraçar.
Dá-lhe tempo de bonança,
Mares de leite a surcar;
Vento á feição, quanto baste
Para depressa chegar.
Ave, Maria! Ave, estrela,
Formosa estrela do mar!
Cheia de graça tu brilhas
A quem te sabe adorar.
</poem>
Onde aprendeu aquela menina esta oração?... Quem lha ensinou? Por que a diz ela todas as noites?
[[Categoria:A Alma do Lázaro|Segunda Parte: O Diário, 11]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|103}}</noinclude>— Nem eu te digo outra cousa. E’ difficil, come
tempo, muito tempo, leva annos, paciencia, trabalho,
e felizes os que chegam a entrar na terra promettida!
Os que lá não penetram, engole-os a obscuridade.
Mas os que triunpham! E tu triumpharás,
crê-me. Verás cahir as muralhas de Jerichó ao som
das trompas sagradas. Só então poderás dizer que
estás fixado. Começa nesse dia a tua phase de ornamento
indispensavel, de figura obrigada, de rotulo.
Acabou-se a necessidade de farejar occasiões, comissões,
irmandades; ellas virão ter comtigo, com o
seu ar pesadão e crú de substantivos desadjectivados,
e tu serás o adjectivo dessas orações opacas, o
''odorifero'' das flores, o ''anilado'' dos céus, o ''prestimoso''
dos cidadãos, o ''noticioso'' e ''succulento'' dos relatorios.
E ser isso é o principal, porque o adjectivo é a alma
do idioma, a sua porção idealista e metaphysica. O
substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo
do vocabulario.
— E parece-lhe que todo esse officio é apenas um
sobresalente para os ''deficits'' da vida?
— De certo; não fica excluida nenhuma outra
actividade.
— Nem politica?
— Nem politica. Toda a questão é não infringir<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|106|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>{{hífen-fim|hido|contrahido}} por Luciano, transmitido a Swift e Voltaire, feição propria dos scepticos e desabusados. Não. Usa antes a chalaça, a nossa boa chalaça amiga, gorducha, redonda, franca, sem biocos, nem véus, que se mette pela cara dos outros, estala com uma palmada, faz pular o sangue nas veias, e arrebentar de riso os suspensorios. Usa a chalaça. Que é isto?
— Meia noite.
— Meia noite? Entras nos teus vinte e dois annos, meu peralta; estás definitivamente maior. Vamos dormir, que é tarde. Rumina bem o que te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa d’esta noite vale o ''Principe'' de Machiavelli. Vamos dormir.<noinclude>{{c|{{sc|fim da theoria do medalhão}}}}
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|43}}</noinclude>seus habitos de París, em que o commendador julgou não dever perturbal-o. Accordava portanto às 11 horas da manhã, excepto os domingos, em que ia á missa, para de todo em todo não offender os habitos da terra.
{{--}} Que diabo é isto, padre? gritou Camillo do quarto onde estava, e no momento em que uma girandola lhe abria definitivamente os olhos.
{{--}} Que ha de ser? respondeu o padre Maciel, metendo a cabeça pela porta: é a festa.
{{--}} Então a festa começa de noite?
{{--}} De noite! exclamou o padre. É dia claro.
Camillo não pôde conciliar o somno, e viu-se obrigado a levantar-se. Almoçou com o padre, contou duas anecdotas, confessou ao hóspede que París era o ideal das cidades, e sahiu para ir ter á casa do imperador do divino. O padre sahiu com elle. Em caminho viram de longe Leandro Soares.
{{--}} Não me dira, padre, perguntou Camillo, por que razão a filha do Dr. Mattos não attende àquelle pobre rapaz que gosta tanto d’ella?
Maciel concertou os oculos e expoz a seguinte reflexão:
{{--}} Você parece tolo.
{{--}} Não tanto, como lhe pareço, replicou o filho do commendador, por que mais de uma pessoa tem feito a mesma pergunta.
{{--}} Assim é, na verdade, disse o padre; mas ha<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|44|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>cousas que outros dizem e a gente não repete. A Isabelinha não gosta do Soares simplesmente porque não gosta.
{{--}} Não lhe parece que essa moça é um tanto exquisita?
{{--}} Não, disse o padre, parece-me uma grande finoria.
{{--}} Ah! porque?
{{--}} Suspeito que tem muita ambição; não acceita o amor do Soares, a ver se pilha algum casamento que lhe abra a porta das grandezas políticas.
{{--}} Ora, disse Camillo levantando os hombros.
{{--}} Não acredita?
{{--}} Não.
{{--}} Pode ser que me engane; mas creio que é isto mesmo. Aqui cada qual dá uma explicação á isenção de Isabel; todas as explicações porêm me parecem absurdas; a minha é a melhor.
Camillo fez algumas objecções á explicação do padre, e despediu-se {{corr|d’ellle|d’elle}} para ir á casa do tenente-coronel.
O festivo imperador estava litteralmente fóra de si. Era a primeira vez que exercia aquelle cargo honorifico e timbrava em fazel-o brilhantemente, e até melhor que os seus predecessores. Ao natural desejo de não ficar por baixo, acrescia o elemento da inveja política. Alguns adversarios seus diziam pela boca pequena que o brioso coronel não era capaz de dar conta da mão.
{{nop}}<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|45}}</noinclude>{{--}} Pois verão se sou capaz, foi o que elle disse ao ouvir de alguns amigos a malicia dos adversários.
Quando Camillo entrou na sala, acabava o tenente-coronel de explicar umas ordens relativas ao jantar que se devia seguir á festa, e ouvia algumas informações que lhe dava um irmão definidor acerca de uma ceremonia da sacristia.
{{--}} Não ouso fallar-lhe, coronel, disse o filho do commendador, quando o Veiga ficou so com elle; não ouso interrompel-o.
{{--}} Não interrompe, acudiu o imperador do divino; agora deve tudo estar acabado. O commendador vem?
{{--}} Ja ca deve estar.
{{--}} Ja viu a egreja?
{{--}} Ainda não.
{{--}} Está muito bonita. Não é por me gabar; creio que a festa não desmerecerá das outras, e até em algumas cousas ha de ir melhor.
Era absolutamente impossivel não concordar com ésta opinião, quando aquelle que a exprimia fazia assim o seu proprio louvor. Camillo encareceu ainda mais o merito da festa. O coronel ouvia-o com um riso de satisfação íntima, e dispunha-se a provar que o seu joven amigo ainda não apreciava bem a situação, quando este, desviou a conversa, perguntando:
{{--}} Ainda não veio o Dr. Mattos?
{{--}} Ja.
{{--}} Com a familia?
{{nop}}<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|46|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>{{--}} Sim, com a familia.
N’este momento foram interrompidos pelo som de muitos foguetes e de uma musica que se aproximava.
{{--}} São elles! disse Veiga; vem buscar-me. Ha de dar-me licença.
O coronel estava até então de calça preta e rodaque de brim. Correu a preparar-se com o traje e as insignias do seu elevado cargo. Camillo chegou á janella para ver o cortejo. Não tardou que este apparecesse composto de uma banda de musica, da irmandade do Espirito Santo e dos pastores da vespera. Os irmãos vestiam as suas opas encarnadas, e vinham a passo grave, cercados do povo, que enchia a rua e se agglomerava á porta do tenente-coronel para vel-o sahir.
Quando o cortejo parou em frente da casa do tenente-coronel cessou a musica de tocar e todos os olhos se voltaram curiosamente para as janellas. Mas o imperador estreante estava ainda por completar a sua edição, e os curiosos tiveram de contentar-se com a pessoa do Dr. Camillo. Entretanto quatro ou seis irmãos mais graduados destacaram-se do grupo e subiram as escadas do tenente-coronel.
Minutos depois cumprimentava Camillo os ditos irmãos graduados, um dos quaes, mais graduado que os outros, não o era so no cargo, mas tambem, e sobretudo, no tamanho. E a estatura do major Braz sería a cousa mais notavel da sua pessoa, se lhe não pedisse<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|47}}</noinclude>meças a magreza do proprio major. A opa do major, apezar disto, ficava-lhe bem, porque nem ia até abaixo da curva da perna como a dos outros, nem lhe ficava na cintura, como devêra, no caso de ter sido feita pela mesma medida. Era uma opa termo-medio. Ficava-lhe entre a cintura e a curva, e foi feita assim de proposito para conciliar os principios da elegancia com a estatura do major.
Todos os irmãos graduados estenderam a mão ao filho do commendador e perguntaram anciosamente pelo tenente-coronel.
{{--}} Não tarda; foi vestir-se, respondeu Camillo.
{{--}} A egreja está cheia, disse um dos irmãos graduados; so se espera por elle.
{{--}} É justo esperar, opinou o major Braz.
{{--}} Apoiado, disse o côro dos irmãos.
{{--}} Demais, continuou o immenso official, temos tempo; e não vamos para longe.
Os outros irmãos apoiaram com o gesto esta opinião do major, que, acto continuo, começou a dizer a Camillo os mil trabalhos que a festa lhes dera, a elle e aos cavalheiros que o acompanhavam n’aquella ocasião, não menos que ao tenente-coronel.
{{--}} Como recompensa dos nossos debeis esforços (Camillo fez um sinal negativo a éstas palavras do major Braz), temos {{errata|a consciencia|consciencia|Página:Historias_da_meia_noite.djvu/237}} de que a cousa não sahirá de todo mal.
Ainda éstas palavras não tinham bem sahido dos<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|48|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>labios do digno official, quando assomou á porta da sala o tenente-coronel em todo o esplendor da sua transformação.
Camillo perdêra de todo as noções que tinha a respeito do traje e insignias de um imperador do Espirito-Santo. Não foi pois sem grande pasmo que viu assomar á porta da sala a figura do tenente-coronel.
Alêm da calça preta, que ja tinha no corpo quando alli chegou Camillo, o tenente-coronel envergára uma casaca, que pela regularidade e elegancia do córte podia rivalisar com as dos mais apurados membros do Cassino Fluminense. Até ahi tudo ia bem. Ao peito rutilava uma vasta commenda da ordem da Rosa, que lhe não ficava mal. Mas o que excedeu a toda a expectação, o que pintou no rosto do nosso Camillo a mais completa expressão de assombro, foi uma brilhante e vistosa coroa de papelão forrado de papel dourado, que o tenente-coronel trazia na cabeça.
Camillo recuou um passo e cravou os olhos na insignia imperial do tenente-coronel. Ja lhe não lembrava aquelle acessorio indispensavel em occasiões semelhantes, e tendo vivido oito annos no meio de uma civilisação diversa, não imaginava que ainda existissem costumes que elle julgava enterrados.
O tenente-coronel apertou a mão a todos os amigos e declarou que estava prompto a acompanhal-os.
{{--}} Não façamos esperar o povo, disse elle.
Immediatamente, desceram á rua. Houve no povo um<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|49}}</noinclude>movimento de curiosidade, quando viu apparecer á porta a opa encarnada de um dos irmãos que haviam subido. Logo atraz appareceu outra opa, e não tardou que as restantes opas apparecessem tambem flanqueando o vistoso imperador. A coroa dourada, apenas o sol lhe bateu de chapa, entrou a despedir faiscas quasi inverosimeis. O tenente-coronel olhou a um lado e outro, fez algumas inclinações leves de cabeça a uma ou outra pessoa da multidão, e foi occupar o seu lugar de honra no cortejo. A musica rompeu logo uma marcha, que foi executada pelo tenente-coronel, a irmandade e os pastores, na direcção da egreja.
Apenas da egreja avistaram o cortejo, o sineiro que ja estava á espreita, poz em obra as lições mais complicadas do seu officio, em quanto uma girandola, entremeada de alguns foguetes soltos, annunciava ás nuvens do ceu que o imperador do divino era chegado. Na egreja houve um reboliço geral apenas se annunciou que era chegado o imperador. Um mestre de cerimonias activo e desempenado ia abrindo alas, com grande difficuldade, porque o povo, ancioso por ver a figura do tenente-coronel, agglomerava-se desordenadamente e desfazia a obra do mestre de cerimonias. Afinal aconteceu o que sempre acontece n’essas ocasiões; as alas foram-se abrindo por si mesmas, e ainda que com algum custo, o tenente-coronel atravessou a multidão, precedido e acompanhado pela irmandade, até chegar ao throno que se levantava ao lado do altar-mor. Subiu<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|50|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>com firmeza os degraus do throno, e sentou-se n’elle, tão orgulhoso como se governasse d'alli todos os imperios junctos do mundo.
Quando Camillo chegou á egreja, ja a festa havia começado. Achou um lugar soffrivel, ou antes inteiramente bom, porque dalli podia dominar um grande grupo de senhoras, entre as quaes descobriu a formosa Isabel.
Camillo estava ancioso por fallar outra vez a Isabel. O encontro na estrada e a singular perspicacia de que a moça dera prova n’essa ocasião, não lhe haviam sahido da cabeça. A moça pareceu não dar por elle; mas Camillo era tão versado em tratar com o bello sexo, que não lhe foi difficil perceber que ella o tinha visto e intencionalmente não voltava os olhos para o lado d’elle. Ésta circumstância, ligada aos incidentes do domingo anterior, fez-lhe nascer no espirito a seguinte pergunta:
{{--}} Mas que tem ella contra mim?
A festa proseguiu sem novidade. Camillo não tirava os olhos de sua bella charada, nome que ja lhe dava, mas a charada parecia refractaria a todo o sentimento de curiosidade. Uma vez porêm, quasi no fim, encontraram-se os olhos de ambos. Pede a verdade que se diga que o rapaz sorprehendeu a moça a olhar para elle. Comprimentou-a; foi correspondido; nada mais. Acabada a festa foi a irmandade levar o tenente-coronel até a casa. No meio da lufa-lufa da sahida, Camillo, que estava<noinclude>
<references/></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|51}}</noinclude>embebido a olhar para Isabel, ouviu uma voz desconhecida que lhe dizia ao ouvido:
{{--}} Veja o que faz!
Camillo voltou-se e deu com um homem baixinho e magro, de olhos miudos e vivos, pobre mas aceiadamente trajado. Encararam-se alguns segundos sem dizer palavra. Camillo não conhecia aquella cara e não se atrevia a pedir a explicação das palavras que ouvíra, com quanto ardesse por saber o resto.
{{--}} Ha um mysterio, continuou o desconhecido. Quer descobril-o?
Houve algum tempo de silêncio.
{{--}} O lugar não é proprio, disse Camillo; mas se tem alguma cousa que me dizer…
{{--}} Não; descubra o senhor mesmo.
E dizendo isto desappareceu no meio do povo o homem baixinho e magro, de olhos vivos e miudos. Camillo acotovelou umas dez ou doze pessoas, pisou uns quinze ou vinte callos, pediu outras tantas vezes perdão da sua imprudencia, até que se achou na rua sem ver nada que se parecesse com o desconhecido.
{{--}} Um romance! disse elle; estou em pleno romance.
N’isto sahiam da igreja Isabel, D. Gertrudes e o Dr. Mattos. Camillo aproximou-se do grupo e comprimentou-os. Mattos deu o braço a D. Gertrudes; Camillo offereceu timidamente o seu a Isabel. A moça hesitou; mas não era possivel recusar. Passou o braço no do joven médico e o grupo dirigiu-se para a casa onde o<noinclude>
<references/></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|52|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>tenente-coronel ja estava e mais algumas pessoas importantes da localidade. No meio do povo havia um homem que tambem se dirigia para a casa do coronel e que não tirava os olhos de Camillo e de Isabel. Esse homem mordia o labio até fazer sangue. Sera preciso dizer que era Leandro Soares?
{{nop}}<noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Urupês (1919) (page 6 crop).jpg|centro|300px]]
{{t2|Os Pharoleiros}}
{{capitular|ficheiro =Urupês - N (1919) (page 6 crop).jpg}}AVIO?
Dava azo á duvida uma luz vermelha a piscar na escuridão da noite. Escuridão, não direi de breu, que não é o breu de sobejo
escuro para referir um negror daquelles. De cego de nascença{{corr|.|,}} vá.
Ceu e mar fundia-os um só carvão, sem fresta nem pique além da pinta vermelha, que, subito, se fez amarella.
— Lá mudou de côr, é pharol.
E como era pharol a conversa recahiu sobre pharóes. Eduardo interpellou-me de chofre sobre a ideia que eu delles fazia.
— A ideia de toda a gente, ora essa!
— Quer dizer, uma ideia falsa. “Toda a gente” é um monstro com orelhas d’asno e miolos de macaco, incapaz d’uma ideia sensata sobre o que quer que seja. Tens na cabeça, respeito a pharol, uma ideia de rua, recebida do vulgo e nunca recunhada na matriz d’uma impressão pessoal. {{corr|E’|É}}rro?
— Confesso-me capaz de estarrecer um auditorio de casaca, conferenciando sobre o thema: mas não affirmo que o pharol decripto se pareça com algum.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Urupês (1919) (page 6 crop).jpg|centro|300px]]
{{t2|Os Pharoleiros}}
{{capitular|ficheiro =Urupês - N (1919) (page 6 crop).jpg}}AVIO?
Dava azo á duvida uma luz vermelha a piscar na escuridão da noite. Escuridão, não direi de breu, que não é o breu de sobejo
escuro para referir um negror daquelles. De cego de nascença{{corr|.|,}} vá.
Ceu e mar fundia-os um só carvão, sem fresta nem pique além da pinta vermelha, que, subito, se fez amarella.
— Lá mudou de côr, é pharol.
E como era pharol a conversa recahiu sobre pharóes. Eduardo interpellou-me de chofre sobre a ideia que eu delles fazia.
— A ideia de toda a gente, ora essa!
— Quer dizer, uma ideia falsa. “Toda a gente” é um monstro com orelhas d’asno e miolos de macaco, incapaz d’uma ideia sensata sobre o que quer que seja. Tens na cabeça, respeito a pharol, uma ideia de rua, recebida do vulgo e nunca recunhada na matriz d’uma impressão pessoal. E’rro?
— Confesso-me capaz de estarrecer um auditorio de casaca, conferenciando sobre o thema: mas não affirmo que o pharol decripto se pareça com algum.
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" /></noinclude><center>
MONTEIRO LOBATO<br>
____
<span style="font-size:250%;">URUPÊS<br>
<span style="font-size:50%;">(CONTOS)<br>
<span style="font-size:110%;">QUINTA EDIÇÃO<br>
(12° MILHEIRO)
Ed. da Revista do Brasil<br>
S. PAULO<br>
1919
</center><noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{c|— 2 —}}</noinclude>— Pois asseguro-te eu, sem menospreço do teu engenho, que tal conferencia, ouvida por um pharoleiro, poria o homem de olho parvo, a dizer como o outro: se percebo, sebo!
— Acredito. E entenderia melhor a tua séca? — retorqui abespinhado.
— E’ de crer. Já vivi uma temporada inesquecivel no pharol dos Albatrozes, e falaria de cadeira.
— Viveste em pharol! — exclamei com espanto.
— E lá fui comparsa n’uma tragedia nocturna de arrepiar cabellos. O escuro desta noite evoca-me o tremendo drama…
Estavamos ambos de bruços na amurada do “Orion”, em hora propicia ao esbagoar d’um dramalhão inedito. Esporeado na curiosidade, provoquei-o:
— Vamos ao caso, que estes negrumes clamam espectros que o povoem. E’ calamidade á Shakespeare ou á Ibsen?
— Assigna o meu drama um nome maior que o de Shakespeare…
— ???
— …a Vida, a grande mestra dos Shakespeares maiores e menores.
Eduardo começou do principio.
— O pharol é um romance. Um romance iniciado na antiguidade, com fogueiras armadas nos promontorios, para norteio das embarcações de remo, e continuado seculos em fóra até nossos possantes holophotes electricos. Emquanto subsistir no mundo o homem, o romance “Pharol” não conhecerá epilogo. Monotono como as calmarias, embrecham-se nelle, a espaços, capitulos de tragedia e loucura — gravuras pungentes de Doré quebrando a monotonia de um<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 3 —}}</noinclude>diario de bordo. O caso dos Albatrozes foi um delles.
Gerebita metteu-se no pharol aos vinte e tres annos. E’ raro isso.
— Quem é Gerebita?
— Sabel-o-ás em tempo. E’ raro isso porque no geral só se mettem nas torres maritimos erados, quarentões batidos pela vida e descrentes das suas illusões. Deixar a terra na quadra verdolenga dos vinte annos é apavorante. A terra!… Nós mal damos tento da nossa profunda adaptação ao meio terreno. A sua fixidez, o variegado dos aspectos, o bulicio humano, a cidade, os campos, a mulher, as arvores… Sabem os pharoleiros melhor do que ninguem o valor dessas teias.
Enlurados num bioco de pedra, tudo quanto para nós é sensação de todos os instantes nelles é saudade ou desejo. Cessam os ouvidos de ouvir a musica da terra, rumorejo de arvoredo, vozes amigas, barulho da rua, as mil e uma notas d’uma polyphonia que nós sabemos que o é, e encantadora, unicamente quando uma segregação prolongada nos ensina a lhe conhecer o rythmo. Cessam os olhos de rever as imagens que desde a meninice lhes são habituaes. Para os ouvidos só ha ali, dia e noite, anno e anno, o marulho das vagas ás chicotadas no enrocamento da torre. Para a vista, a eterna massa que ondula, ora torva, ora azul.
Variante unica trazem-n’a as velas que passam de largo, donairosas como garças, ou os transatlanticos pennachados de fumo.
Figura tu a vida de um homem, desraigado á querencia, e assim posto, qual galé, dentro d’uma torre de pedra, grudada como<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 4 —}}</noinclude>craca a um ilhéo tambem de pedra. Terá poesia de longe; de perto é allucinante.
— Mas o Gerebita…
— Uma leitura de Kipling despertou-me a curiosidade de conhecer um pharol por dentro.
— “O perturbador do trafego?”
— Parabens pela argucia. Foi justamente a historia do Dowse o ponto inicial do meu drama.
Esse desejo incubou-se-me cá dentro, á espera d’occasião para grelar.
Certo dia fui espairecer ao cáes, e lá estava, de mãos ás costas, a seguir o vôo dos joão-grandes e a notar a gamma dos verdes luzentes que a sombra dos barcos ondeia na agua represada dos portos, quando abicou uma lancha e vi saltar em terra um homem de feições duras e pelle encorreada. Ao passar por pé d’um magote de catraeiros, um delles chasqueou em tom amolecado:
— “Gerebita, como vae a Maria Rita?
O desembarcadiço rosnou um palavrão de grosso calibre, e seguiu caminho, de sobrecenho carregado.
Interessou-me aquelle typo.
— “Quem é? indaguei.
— “Pois quem ha de ser senão o pharoleiro dos Albatrozes? Não vê a lancha?
De facto, a lancha era do pharol. A velha ideia deu-me cotoveladas: é hora!
Fui-lhe no encalço.
— “Sr. Gerebita…”
O homem entreparou, como admirado de ouvir-se nomear por bocca desconhecida. Emparelhei-me com elle e, enquanto andavamos, fui-lhe expondo os meus projetos.
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 5 —}}</noinclude>— “Não póde ser, respondeu, o regulamento prohibe sapos na torre; só com ordem superior.
Ora eu tenho corrido mundo, sei que marosca é essa de ordens superiores. Metti a mão no bolso e cochichei-lhe o argumento decisivo. O pharoleiro reluctou uns instantes, mas corrompeu-se mais depressa do que supuz e, guardando o dinheiro, disse:
— “Procure o Dunga, patrão da “Gaivota Branca”, terceiro armazem. Diga-lhe que já falou commigo. De quinta-feira em diante. E bico, hein?
Prometti-lh’o caladissimo e tornei ao cáes em cata do Dunga. Que sim — foi a resposta do ilhéu palavroso, logo que expuz o negocio — já fizera isso certa vez a “outro maluco”, e sabia prender a lingua para não atazanar a vida aos amigos.
E como me informasse do pharoleiro:
— “E’ Gerebita, d’appellido ganho no “Puru’s”', onde serviu como grumete. Ao depois se metteu na lanterna, pr’amor d’amores, o alarve, como se faltassem ellas por ahi, e bem catitas. Mulheres! A mim é que não empecem, as songuinhas. O demo as tolha, que eu…
E foi pelas mulheres além, a dar de rijo, com razões nem melhores nem peiores que as de Schopenhauer d’alto bordo.
No dia aprazado, antemanhã, a “Gaivota”, largava de rumo ao pharol. Saltei n’um atracadouro tosco, de difficil abordagem. Encontrei o pharoleiro occupado em pulir os metaes da lanterna. Recebeu-me de boa sombra, largando o esfregão para fazer as honras da casa. Examinei tudo, dos alicerces ao lanternim, e á hora d’almoço já entendia de pharol mais que uma encyclopedia. Gerebita deu<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 5 —}}</noinclude>— “Não póde ser, respondeu, o regulamento prohibe sapos na torre; só com ordem superior.
Ora eu tenho corrido mundo, sei que marosca é essa de ordens superiores. Metti a mão no bolso e cochichei-lhe o argumento decisivo. O pharoleiro reluctou uns instantes, mas corrompeu-se mais depressa do que supuz e, guardando o dinheiro, disse:
— “Procure o Dunga, patrão da “Gaivota Branca”, terceiro armazem. Diga-lhe que já falou commigo. De quinta-feira em diante. E bico, hein?
Prometti-lh’o caladissimo e tornei ao cáes em cata do Dunga. Que sim — foi a resposta do ilhéu palavroso, logo que expuz o negocio — já fizera isso certa vez a “outro maluco”, e sabia prender a lingua para não atazanar a vida aos amigos.
E como me informasse do pharoleiro:
— “E’ Gerebita, d’appellido ganho no “Puru’s”, onde serviu como grumete. Ao depois se metteu na lanterna, pr’amor d’amores, o alarve, como se faltassem ellas por ahi, e bem catitas. Mulheres! A mim é que não empecem, as songuinhas. O demo as tolha, que eu…
E foi pelas mulheres além, a dar de rijo, com razões nem melhores nem peiores que as de Schopenhauer d’alto bordo.
No dia aprazado, antemanhã, a “Gaivota”, largava de rumo ao pharol. Saltei n’um atracadouro tosco, de difficil abordagem. Encontrei o pharoleiro occupado em pulir os metaes da lanterna. Recebeu-me de boa sombra, largando o esfregão para fazer as honras da casa. Examinei tudo, dos alicerces ao lanternim, e á hora d’almoço já entendia de pharol mais que uma encyclopedia. Gerebita deu<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 6 —}}</noinclude>trela á lingua e falou do officio com muita psychologia e psychologia melhor do que a que um romancista põe num romance maçador. Tambem narrou a sua vida desde menino, a grumetagem no “Puru’s”, sua paixão pelo mar e, por fim, a entrada para o pharol aos vinte e tres annos de idade.
— “Porque, assim tão moço?
— “Caprichos do coração, má sorte, coisas… respondeu com ar triste; e accrescentou após uma pausa, mudando de tom:
— “Pois a vida é cá isto que vê. Boasinha, hein? Entretanto, boa ou má, temos, os pharoleiros, um orgulho: sem nós, essa bicharada de ferro que passeia n’agua fumando seus dois, seus tres charutos{{corr|..|…}}
— “Lá vem um! — interrompeu-se, fisgando com a luneta uma fumaça remota.
— “Bandeira allemã, duas chaminés, rumo sul. Ha de ser um “Cap”, o “Trafalgar”, talvez. Seja lá que diabo fôr, vá com Deus. Mas como ia dizendo, sem os pharoleiros a manobrar a “optica” esses comedores de carvão haviam de rachar atoinha ahi pelos bancos. Basta cahir a cerração e põem-se elles tontos, a urrar de medo pela bocca das sereias, que é mesmo um cortar a alma á gente. Porque, então, nem pharol nem caracol. E’ a cegueira. Navegam com a morte no leme. Fóra disso salva-os o foguinho lá de cima. Pouco antes da minha entrada para aqui houve desgraça. Um cargueiro do “Bremen” rachou o bico alli no Capellão… Quem é o “Capellão?” Ah! ah! o “Capellão!” Pois o “Capellão” é o raio da terceira pedra a boreste. São tres deste lado, a “Menina”, que é a primeira, a “Gurutuba” que é a do meio. A criminosa é o “Capellão” que reponta mais ao largo e só mostra a corôa nas grandes {{hífen|va|vasantes}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 7 —}}</noinclude>{{hífen-fim|santes|vasantes}}. Cá a bombordo ainda ha duas, a “Virgem” e a “Maldicta”, onde bateu o “Rotterdam”.
— “E aquella lisinha, acolá ?
— “Uma coitada que nem nome tem. E’ mansa, está muito perto da terra, não faz mal a navio. Ali mora um anequim, bichanca do tamanho do diabo, que gosta de virar canôas. Mas, aqui para nós, moço, isto é embromação. Peixe mora em todo o mar, não tem toca como bicho de terra. E’ abusão de pescador. Quando ha mar, não se enxerga nada por ali; mas se a agua serena, e vem vindo a vasante, vai appareccendo um lombo de pedra lisa com geito de peixe. Passa um pescador atolambado, vê aquillo de longe. E’ anequim! é anequim! e toca a safar com o medão n’alma. Se acontece embrabecer a agua, e dá temporal, e a canôa vira: qu’é de Fulano? tá, tá, tá, foi o anequim! Toda a gente péga feito mulher velha: foi o anequim do pharol! Ora ahi está como são as coisas. Elle ha muito anequim e tintureiras por aqui. Onde é mar sem cação? Mas dizer que um tal móra ali, é embroma.
E na sua pinturesca linguagem de maritimo, que ás vezes se tornava prodigiosamente technica, narrou-me toda a vida daquellas paragens maldictas. Falou de como, segundo a tradição, se foram baptisando os recifes; falou dos crimes de cada um, das hecatombes periodicas de aves nocturnas que, cegadas pela luz, batem de peito contra os vidros da lanterna, juncando o chão de corpinhos latejantes; das medonhas tormentas nas quaes o pharol estremece como a tiritar de pavor. De que não falou Gerebita, naquelle inesquecivel dia?
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|8}}''' {{c|Este nosso Formariz,}} {{c|Cercado de pinheirais,}} {{c|Tem duas torres no meio,}} {{c|Onde batem meus ais.}} '''{{c|9}}''' {{c|Viva o lugar do Burgo!<ref>Povoação da freguesia de Formariz.</ref>}} {{c|É um poço de água choca:}} {{c|Não vi lugar tão pequeno,}} {{c|Nem moças com tanta «cóca»<ref>Presunção.</ref>.}} '''{{c|10}}''' {{c|Adeus, Paredes de Coura!}} {{c|Por aqui me vou, andando;}} {{c|Deixo-te a...
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{{c|Por aqui me vou, andando;}}
{{c|Deixo-te a alma em penhor}}
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'''{{c|11}}'''
{{c|Adeus, Paredes de Coura!}}
{{c|Terra de espinhos e montes;}}
{{c|Tenho olhos e não te vejo...}}
{{c|Os olhos são duas fontes.}}
'''{{c|12}}'''
{{c|A oliveira no monte}}
{{c|Que azeitona pode dar?}}
{{c|A filha da «cabaneira»<ref>Mulher muito pobre.</ref>}}
{{c|Que amores pode tomar?}}
'''{{c|13}}'''
{{c|Coração, sino d'aldeia;}}
{{C|Sino, coração da gente:}}
{{c|Um a sentir, quando bate,}}
{{c|Outro, a bater, quando sente.}}
'''{{c|14}}'''
{{c|«Indas» que balas me matem}}
{{c|Qu'elas venham da Bahia...}}
{{c|As balas que m'a mi matam}}
{{c|São esses teus olhos, Maria.}}
'''{{c|15}}'''
{{c|O anel que me tu deste,}}
{{c|Era de vidro: quebrou!}}
{{c|S'o amor não dura mais...}}
{{c|O anel pouco durou.}}
'''{{c|16}}'''
{{c|A minha terra é em Coira,}}
{{c|Tenho n'ela um altar}}
{{c|E faço n'ele oração}}
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'''{{c|17}}'''
{{c|Fui à Igreja d'Infesta<ref>Freguesia deste concelho.</ref>}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>xavam, compassadamente, o “Nocturno do
Luar”, acompanhadas do cri-cri de milhares
de grillinhos.
O principe deu uma volta pelo jardim
em companhia da menina e depois a convidou para um passeio de gondola. Lá se fo{{PT||ram, numa linda gondola de madreperola,
remada por doze cavallos marinhos.}}
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 58 crop).jpg|centro|400px]]
{{PT|ram, numa linda gondola de madreperola,
remada por doze cavallos marinhos.}}
E por muito tempo vogaram sobre as
aguas, embalados pelos formosos versos que
uma libelinha poetisa recitava ao som de pequenina harpa tangida por mestre Louva-a-Deus.
De volta desse passeio encantador o
principe teve uma idéa:
— Vamos dar um gyro de aeroplano ?
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Erick Soares3
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Luar”, acompanhadas do ''cri-cri'' de milhares
de grillinhos.
O principe deu uma volta pelo jardim
em companhia da menina e depois a convidou para um passeio de gondola. Lá se fo{{PT||ram, numa linda gondola de madreperola,
remada por doze cavallos marinhos.}}
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 58 crop).jpg|centro|400px]]
{{PT|ram, numa linda gondola de madreperola,
remada por doze cavallos marinhos.}}
E por muito tempo vogaram sobre as
aguas, embalados pelos formosos versos que
uma libelinha poetisa recitava ao som de pequenina harpa tangida por mestre Louva-a-Deus.
De volta desse passeio encantador o
principe teve uma idéa:
— Vamos dar um gyro de aeroplano ?
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Até aereoplanos ha por aqui? perguntou a menina, espantada.
— Ha, sim. E mais seguros que os aeroplanos dos homens ,vaes ver, respondeu o
principe.
Apesar do medinho, Lucia encheu-se de
coragem e acceitou o convite.
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}}
Veio logo um
aerogrillo. Era
um grillão verde,
que trazia nas
costas a barquinha de vime e na
cabeça dois insectos, um besouro
e um vagalume. Este vagalume, com os seus
grandes olhos phosphorescentes, servia de
pharol ao aeroplano e o besouro estava alli
para zumbir, fingindo o barulho da hélice.
Narizinho achou muita graça na engenhosa invenção e trepou á barquinha sem
medo. 0 besouro zumbiu e o aerogrillo disparou como um raio pelos ares afóra. Subiram, subiram, subiram. . . Subiram tão alto
que a terra de lá paredia uma laranja.
Atravessaram nuvens brancas como al-<noinclude>{{c|☉{{gap}}55{{gap}}☉}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 15"/>godão, formadas de agulhas de gelo, e chegaram pertinho da lua. Lucia quiz apeiar na
lua, mas o principe teve receio e ella contentou-se de tocal-a com a pontinha do dedo.
E assim, voando, voando, boiaram em pleno
azul até que o sol despontou.
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<section end="Cap. 15"/>
<section begin="Cap. 16"/>{{t2|A CONSPIRAÇÃO|'''XVI'''}}
{{dhr}}
Dias depois, uma noite, estava Narizinho no melhor do somno, quando acordou
com uma batida na janella.
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}}
— ''T o c !'' ...
''toc!... toc!''
— Quem é ?
disse ella, pulando da cama, assustada.
— Boa noite,
bella princeza,
respondeu uma
voz conhecida.Tenho um segredo a
te revelar.
{{nop}}<section end="Cap. 16"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}56{{gap}}☉}}</noinclude>
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Erick Soares3
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Dias depois, uma noite, estava Narizinho no melhor do somno, quando acordou
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''toc!... toc!''
— Quem é ?
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voz conhecida.Tenho um segredo a
te revelar.
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XV
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Erick Soares3
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|18}}''' {{c|Rezei muito, rezei tudo,}} {{c|Até rezei a chorar.}} {{c|«Indas» que meu pai não queira}} {{c|C'o santo hei de casar.}} '''{{c|19}}''' {{c|S. Bento da Porta-Aberta<ref>Capela da freguesia de Cossourado, onde se venera S. Bento.</ref>,}} {{c|Cercado de pinheirais,}} {{c|No dia da tua festa}} {{c|Hão-de acabar os meus ais.}} '''{{c|20}}''' {{c|Minha mãe dá-me conselhos}} {{c|Em lágrimas embrulhados;}}...
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{{c|Rezei muito, rezei tudo,}}
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{{c|Minha mãe dá-me conselhos}}
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{{c|P'ra eu dar aos namorados.}}
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{{c|O cravo, depois de seco,}}
{{c|«Senefica» amor perdido:}}
{{c|«Indas» qu'eu queira não posso}}
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{{c|Quem quer bem, anda de noite,}}
{{c|Dorme à porta do amor;}}
{{c|Das pedras faz travesseiro,}}
{{c|Das estrelas cobertor.}}
'''{{c|23}}'''
{{c|O coração e os olhos}}
{{c|São dois amantes leais:}}
{{c|Quando o coração 'stá triste,}}
{{c|Os olhos dão os sinais.}}
'''{{c|24}}'''
{{c|Eu hei de assubir ao alto,}}
{{c|Ao alto da Lavandisca;}}
{{c|Hei de me deixar cair}}
{{c|N'esses teus braços, Francisca.}}
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{{c|Antoninho pede cravo,}}
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{{c|«Alcipreste» não se rega,}}
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{{c|Qu'eu inda te não deixei.}}
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{{c|Mas eu inda não virei.}}
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Ruiaraujo1972
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text/x-wiki
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{{c|Minha mãe dá-me conselhos}}
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Erick Soares3
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — Em vista dʼisso, respondeu J.-T. Maston, parece-me que não ha que hesitar, e que a escolha está de per si feita. — A não ser que deis preferencia ao oiro ''pulverisado'', replicou rindo, o major, riso que o susceptivel secretario pagou com um gesto ameaçador do seu gancho. Barbicane conservára-se até aquelle momento estranho á discussão. Deixava fallar e ouvia. Era evidente que tinha o juizo formado ácerca do assumpto. Por isso limitou...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|82|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Em vista dʼisso, respondeu J.-T. Maston, parece-me que não ha que hesitar, e que a escolha está de per si feita.
— A não ser que deis preferencia ao oiro ''pulverisado'', replicou rindo, o major, riso que o susceptivel secretario pagou com um gesto ameaçador do seu gancho.
Barbicane conservára-se até aquelle momento estranho á discussão. Deixava fallar e ouvia. Era evidente que tinha o juizo formado ácerca do assumpto. Por isso limitou-se a dizer o seguinte:
«Em conclusão, meus amigos, que quantidade de polvora, reputaes necessaria?»
Entre-olharam-se por um momento os tres socios do Gun-Club.
«Duzentas mil libras, disse por fim Morgan.
— Quinhentas mil, replicou o major.
— Oitocentas mil!» exclamou J.-T. Maston.
Dʼesta vez não se atreveu Elphiston a alcunhar o collega de exagerado. E com rasão, que se tratava de arremessar á Lua um projectil de vinte mil libras de peso, e de communicar a este uma força inicial de doze mil jardas por segundo. Seguiu-se portanto um momento de silencio á triplice proposta feita pelos tres collegas.
Quebrou-o finalmente o presidente Barbicane.
«Estimaveis camaradas, disse este com voz placida, parto eu do principio, que a resistencia do nosso canhão, construido nas condições requeridas, é illimitada. Portanto vou causar surpreza ao honrado J.-T. Maston, affirmando-lhe que ainda foi timido nos seus calculos, e proponho que sejam duplicadas as oitocentas mil libras de polvora em que fallou.
— Um milhão e seiscentas mil libras? disse J.-T. Maston, dando um salto na cadeira.
— Nada menos.
— Mas, nʼesse caso, voltâmos ao meu canhão de meia milha de comprimento.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|82|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Em vista dʼisso, respondeu J.-T. Maston, parece-me que não ha que hesitar, e que a escolha está de per si feita.
— A não ser que deis preferencia ao oiro ''pulverisado'', replicou rindo, o major, riso que o susceptivel secretario pagou com um gesto ameaçador do seu gancho.
Barbicane conservára-se até aquelle momento estranho á discussão. Deixava fallar e ouvia. Era evidente que tinha o juizo formado ácerca do assumpto. Por isso limitou-se a dizer o seguinte:
«Em conclusão, meus amigos, que quantidade de polvora, reputaes necessaria?»
Entre-olharam-se por um momento os tres socios do Gun-Club.
«Duzentas mil libras, disse por fim Morgan.
— Quinhentas mil, replicou o major.
— Oitocentas mil!» exclamou J.-T. Maston.
Dʼesta vez não se atreveu Elphiston a alcunhar o collega de exagerado. E com rasão, que se tratava de arremessar á Lua um projectil de vinte mil libras de peso, e de communicar a este uma força inicial de doze mil jardas por segundo. Seguiu-se portanto um momento de silencio á triplice proposta feita pelos tres collegas.
Quebrou-o finalmente o presidente Barbicane.
«Estimaveis camaradas, disse este com voz placida, parto eu do principio, que a resistencia do nosso canhão, construido nas condições requeridas, é illimitada. Portanto vou causar surpreza ao honrado J.-T. Maston, affirmando-lhe que ainda foi timido nos seus calculos, e proponho que sejam duplicadas as oitocentas mil libras de polvora em que fallou.
— Um milhão e seiscentas mil libras? disse J.-T. Maston, dando um salto na cadeira.
— Nada menos.
— Mas, nʼesse caso, voltâmos ao meu canhão de meia milha de comprimento.
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — É claro, disse o major. — Um milhão e seiscentas mil libras de polvora, continuou o secretario da commissão, hão de occupar um espaço igual a vinte e dois mil pés cubicos<ref>Pouco menos de oitocentos metros cubicos.</ref> approximadamente; e como o canhão em que accordastes tem um volume interno apenas igual a cincoenta e quatro mil pés cubicos<ref>Dois mil metros cubicos.</ref>, ha de ficar cheio até quasi ao meio, sendo por esta form...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|83|borda_inferior=sim}}</noinclude>— É claro, disse o major.
— Um milhão e seiscentas mil libras de polvora, continuou o secretario da commissão, hão de occupar um espaço igual a vinte e dois mil pés cubicos<ref>Pouco menos de oitocentos metros cubicos.</ref> approximadamente; e como o canhão em que accordastes tem um volume interno apenas igual a cincoenta e quatro mil pés cubicos<ref>Dois mil metros cubicos.</ref>, ha de ficar cheio até quasi ao meio, sendo por esta forma a alma pequena, para que a força expulsiva dos gazes imprima ao projectil impulsão bastante.
Isto não tinha replica. O que J.-T. Maston dizia era a pura verdade. Voltaram-se todos para Barbicane.
«Apesar de tudo, tornou o presidente, insisto na quantidade de polvora que indiquei. Reflecti que um milhão e seiscentas mil libras de polvora hão de transformar-se em seis milhares de milhões de litros de gazes. Ouviram bem? Seis milhares de milhões!
— Mas então o que se ha de fazer? perguntou o general.
— É muito facil; havemos de reduzir o volume dʼesta enorme quantidade de polvora, sem lhe diminuir por fórma alguma a potencia mechanica.
— Bem! Mas por que meio?
— É o que vou dizer-vos, respondeu sem nenhum entono Barbicane.
Os interlocutores devoravam-nʼo com o olhar.
«Com effeito, continuou elle, nada é mais facil do que reduzir essa massa de polvora a um volume quatro vezes menor. Todos tendes conhecimento dʼessa curiosa substancia que constitue os tecidos elementares dos vegetaes e que se chama cellulose.
— Ah! interrompeu o major. Começo a comprehender, meu caro Barbicane.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|84|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Essa substancia, disse o presidente, extrahe-se no estado de perfeita pureza de diversos corpos, e principalmente do algodão, que não é senão a penugem das sementes do algodoeiro. Ora o algodão, combinado a frio com o acido azotico, transforma-se em uma substancia eminentemente insoluvel, eminentemente combustivel e eminentemente explosiva. Descobriu esta substancia ha já annos, em 1832, o chimico francez Braconnot, e poz-lhe o nome de xyloidina. Em 1838 outro francez, Pelouze, estudou-lhe as differentes propriedades; e finalmente em 1846, Shonbein, professor de chimica em Bâle, propo-la para polvora de guerra. Esta polvora é o algodão azotico.
— Ou pyroxylo, respondeu Elphiston.
— Ou algodão-polvora, respondeu Morgan.
— Pois não haverá um nome de americano que se possa escrever ao lado dʼessa descoberta? exclamou J.-T. Maston, movido por vivo sentimento de amor proprio nacional.
— Infelizmente nem um só, respondeu o major.
— Apesar dʼisso, continuou o presidente, por dar prazer a Maston, sempre lhe direi que póde estabelecer-se proxima relação entre os trabalhos de um nosso concidadão e o estudo da cellulose; porque o collodion, que é um dos agentes principaes da photographia, não é senão pyroxylo dissolvido em ether misturado com alcool, e o collodion foi descoberto por Maynard, que era então estudante de medicina em Boston<ref>Nʼesta discussão reivindica o presidente Barbicane para um compatriota seu a invenção do collodion.<br/>{{gap}}Em que pese ao estimavel Maston, diremos que ha aqui erro, que vem da similhança de nomes. Em 1847, Maynard, estudante de medicina em Boston, teve, é verdade, a idéa de applicar o collodion ao tratamento das chagas; mas o collodion já era conhecido desde 1846. É a um francez, espirito distincto, homem de sciencia, a um tempo pintor, poeta, philosopho, hellenista e chimico, Luiz Ménard, que cabe a honra d'esta grande descoberta.</ref>.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|84|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Essa substancia, disse o presidente, extrahe-se no estado de perfeita pureza de diversos corpos, e principalmente do algodão, que não é senão a penugem das sementes do algodoeiro. Ora o algodão, combinado a frio com o acido azotico, transforma-se em uma substancia eminentemente insoluvel, eminentemente combustivel e eminentemente explosiva. Descobriu esta substancia ha já annos, em 1832, o chimico francez Braconnot, e poz-lhe o nome de xyloidina. Em 1838 outro francez, Pelouze, estudou-lhe as differentes propriedades; e finalmente em 1846, Shonbein, professor de chimica em Bâle, propo-la para polvora de guerra. Esta polvora é o algodão azotico.
— Ou pyroxylo, respondeu Elphiston.
— Ou algodão-polvora, respondeu Morgan.
— Pois não haverá um nome de americano que se possa escrever ao lado dʼessa descoberta? exclamou J.-T. Maston, movido por vivo sentimento de amor proprio nacional.
— Infelizmente nem um só, respondeu o major.
— Apesar dʼisso, continuou o presidente, por dar prazer a Maston, sempre lhe direi que póde estabelecer-se proxima relação entre os trabalhos de um nosso concidadão e o estudo da cellulose; porque o collodion, que é um dos agentes principaes da photographia, não é senão pyroxylo dissolvido em ether misturado com alcool, e o collodion foi descoberto por Maynard, que era então estudante de medicina em Boston<ref>{{gap}}Nʼesta discussão reivindica o presidente Barbicane para um compatriota seu a invenção do collodion.<br/>{{gap}}Em que pese ao estimavel Maston, diremos que ha aqui erro, que vem da similhança de nomes. Em 1847, Maynard, estudante de medicina em Boston, teve, é verdade, a idéa de applicar o collodion ao tratamento das chagas; mas o collodion já era conhecido desde 1846. É a um francez, espirito distincto, homem de sciencia, a um tempo pintor, poeta, philosopho, hellenista e chimico, Luiz Ménard, que cabe a honra d'esta grande descoberta.</ref>.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|84|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Essa substancia, disse o presidente, extrahe-se no estado de perfeita pureza de diversos corpos, e principalmente do algodão, que não é senão a penugem das sementes do algodoeiro. Ora o algodão, combinado a frio com o acido azotico, transforma-se em uma substancia eminentemente insoluvel, eminentemente combustivel e eminentemente explosiva. Descobriu esta substancia ha já annos, em 1832, o chimico francez Braconnot, e poz-lhe o nome de xyloidina. Em 1838 outro francez, Pelouze, estudou-lhe as differentes propriedades; e finalmente em 1846, Shonbein, professor de chimica em Bâle, propo-la para polvora de guerra. Esta polvora é o algodão azotico.
— Ou pyroxylo, respondeu Elphiston.
— Ou algodão-polvora, respondeu Morgan.
— Pois não haverá um nome de americano que se possa escrever ao lado dʼessa descoberta? exclamou J.-T. Maston, movido por vivo sentimento de amor proprio nacional.
— Infelizmente nem um só, respondeu o major.
— Apesar dʼisso, continuou o presidente, por dar prazer a Maston, sempre lhe direi que póde estabelecer-se proxima relação entre os trabalhos de um nosso concidadão e o estudo da cellulose; porque o collodion, que é um dos agentes principaes da photographia, não é senão pyroxylo dissolvido em ether misturado com alcool, e o collodion foi descoberto por Maynard, que era então estudante de medicina em Boston<ref>Nʼesta discussão reivindica o presidente Barbicane para um compatriota seu a invenção do collodion.<br/>{{gap}}Em que pese ao estimavel Maston, diremos que ha aqui erro, que vem da similhança de nomes. Em 1847, Maynard, estudante de medicina em Boston, teve, é verdade, a idéa de applicar o collodion ao tratamento das chagas; mas o collodion já era conhecido desde 1846. É a um francez, espirito distincto, homem de sciencia, a um tempo pintor, poeta, philosopho, hellenista e chimico, Luiz Ménard, que cabe a honra d'esta grande descoberta.</ref>.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|28}}''' {{c|Não te encostes à roseira,}} {{c|Que tem botões para abrir;}} {{c|Mas encosta-te ao meu peito}} {{c|E terás um bom dormir.}} '''{{c|29}}''' {{c|Nos teus olhos vejo água}} {{c|E sangue no coração.}} {{c|Lavarás com essa água}} {{c|A tua ingratidão?}} <big>'''{{c|SEGUNDA PARTE}}'''</big> {{c|---}} '''{{c|Freguesias do Concelho}}''' '''{{c|AGOALONGA}}''' <small>'''{{c|O seu orago é S. Pato. Tem 481 habit...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|28}}'''
{{c|Não te encostes à roseira,}}
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'''{{c|29}}'''
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'''{{c|Freguesias do Concelho}}'''
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BASTANTE montanhosa, clima frio, não se pode dizer que seja muito produtiva.
Os seus montados são largos.
É atravessada, de nascente a poente, pelo regato de Rieiro, e de oeste a leste pela estrada distrital n.º 1, que lhe dá fácil acesso para a vila e outras localidades.
Tem assento nesta freguesia a importante casa do Outeiro.
O último senhor dela foi o falecido Visconde de Peso de Melgaço Júlio César de Castro de Sousa Menezes e Abreu, casado com a Ex.<sup>ma</sup> Sr.ª Viscondessa do mesmo título D. Francisca Rosa d'Antas Bacelar e Barbosa.
Esta senhora é descendente dos Antas de Rubiães, por D. Maria Barbosa d'Antas, que foi casada com Paulo Correia Felgueiras.
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'''{{c|<small>AGOALONGA</small>}}'''
<small>'''{{c|O seu orago é S. Pato. Tem 481 habitantes: 214 do sexo masculino e 267 do feminino<ref>A população desta e demais freguesias do concelho está computada pelo censo de 1900.</ref>}}'''</small>
BASTANTE montanhosa, clima frio, não se pode dizer que seja muito produtiva.
Os seus montados são largos.
É atravessada, de nascente a poente, pelo regato de Rieiro, e de oeste a leste pela estrada distrital n.º 1, que lhe dá fácil acesso para a vila e outras localidades.
Tem assento nesta freguesia a importante casa do Outeiro.
O último senhor dela foi o falecido Visconde de Peso de Melgaço Júlio César de Castro de Sousa Menezes e Abreu, casado com a Ex.<sup>ma</sup> Sr.ª Viscondessa do mesmo título D. Francisca Rosa d'Antas Bacelar e Barbosa.
Esta senhora é descendente dos Antas de Rubiães, por D. Maria Barbosa d'Antas, que foi casada com Paulo Correia Felgueiras.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|85|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Pois então, hurrah! por Maynard e pelo algodão-polvora! exclamou o ruidoso secretario do Gun-Club.
— Voltemos ao pyroxylo, proseguiu Barbicane. Conheceis-lhe já as propriedades que no-lo vão tornar precioso: prepara-se com extrema facilidade: é mergulhar algodão no acido azotico fumegante durante quinze minutos, lava-lo depois em grande quantidade de agua, secca-lo e nada mais.
— É na realidade extremamente simples, disse Morgan.
— Alem dʼisto o pyroxylo é inalteravel pela humidade, qualidade que devemos reputar preciosa, visto como hão de ser necessarios muitos dias para carregar o nosso canhão; é inflammavel a cento e setenta graus centigrados, em vez de duzentos e quarenta, e arde tão subitamente, que póde ser queimado em cima de polvora vulgar, sem que esta tenha tempo de inflammar-se.
— Perfeitamente, respondeu o major.
— Tem só um inconveniente: é caro.
— Isso que importa? interrompeu J.-T. Maston.
— Em conclusão; communica aos projectis velocidade quatro vezes maior que a da polvora. Acrescentarei ainda que, misturado com oito decimos do seu peso de nitrato de potassa, lhe augmenta a potencia explosiva em proporção notavel.
— E será necessario faze-lo? perguntou o major.
— Creio que não, respondeu Barbicane. Em conclusão, em vez de um milhão e seiscentas mil libras de polvora, teremos apenas quatrocentas mil libras de algodão-polvora, e como se podem comprimir sem perigo, em vinte e sete pés cubicos, quinhentas libras de algodão azotico, esta substancia vem a encher a nossa columbiada sómente até á altura de trinta toezas. Por esta maneira terá a bala a percorrer mais de setecentos pés de alma do canhão, sob a acção do esforço de seis milhares de milhões de litros de gazes antes de voar em liberdade para o astro das noites.»
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|86|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude><section begin="Cap. 9"/>Ao ouvir o final dʼeste periodo não pôde, de commovido, conter-se J.-T. Maston; lançou-se nos braços do amigo com vehemencia de projectil; mettia-lhe as costellas dentro, se a solida construcção de Barbicane não estivera á prova de bomba.
Terminou com este incidente a terceira sessão da commissão. Barbicane e os seus audazes collegas, a quem nada parecia impossivel, tinham acabado de resolver o problema tão complexo do projectil, do canhão e das polvoras. Elaborado o plano, restava a execução.
«Insignificantes pormenores, bagatella», lhe chamava J.-T. Maston.
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<section begin="Cap. 10"/>{{t2|{{smaller|UM INIMIGO POR VINTE E CINCO MILHÕES DE AMIGOS}}|'''CAPITULO X'''}}
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O publico americano encontrava poderosos incentivos de curiosidade até nos mais insignificantes pormenores do emprehendimento do Gun-Club, e seguia passo a passo as discussões da commissão.
Os preparativos mais simples para aquella grande experiencia, as questões de algarismos que dʼella nasciam, as difficuldades mechanicas que havia a resolver, nʼuma palavra a sua mise en train eram o que preoccupava em grau elevadissimo a opinião.
Mais de um anno havia de decorrer ainda entre o começo e o termo final dos trabalhos preparatorios; mas este intervallo de tempo não havia de ser esteril em emoções; a escolha de logares para a perfuração, a construcção do molde, a fundição da columbiada e o perigosissimo carregamento dʼella, tudo era mais que sufficiente para excitar a curiosidade publica.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|86|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude><section begin="Cap. 9"/>Ao ouvir o final dʼeste periodo não pôde, de commovido, conter-se J.-T. Maston; lançou-se nos braços do amigo com vehemencia de projectil; mettia-lhe as costellas dentro, se a solida construcção de Barbicane não estivera á prova de bomba.
Terminou com este incidente a terceira sessão da commissão. Barbicane e os seus audazes collegas, a quem nada parecia impossivel, tinham acabado de resolver o problema tão complexo do projectil, do canhão e das polvoras. Elaborado o plano, restava a execução.
«Insignificantes pormenores, bagatella», lhe chamava J.-T. Maston.
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<section begin="Cap. 10"/>{{t2|{{smaller|UM INIMIGO POR VINTE E CINCO MILHÕES DE AMIGOS}}|CAPITULO X}}
{{dhr|3}}
O publico americano encontrava poderosos incentivos de curiosidade até nos mais insignificantes pormenores do emprehendimento do Gun-Club, e seguia passo a passo as discussões da commissão.
Os preparativos mais simples para aquella grande experiencia, as questões de algarismos que dʼella nasciam, as difficuldades mechanicas que havia a resolver, nʼuma palavra a sua mise en train eram o que preoccupava em grau elevadissimo a opinião.
Mais de um anno havia de decorrer ainda entre o começo e o termo final dos trabalhos preparatorios; mas este intervallo de tempo não havia de ser esteril em emoções; a escolha de logares para a perfuração, a construcção do molde, a fundição da columbiada e o perigosissimo carregamento dʼella, tudo era mais que sufficiente para excitar a curiosidade publica.
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Da Terra á Lua/IX
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: D. Maria Barbosa d'Antas era filha de Bartolomeu d'Antas, 3.º morgado e senhor do Paço e solar de Antas, que casou com D. Brites de Barbosa, da casa de Boiamonte, em Formariz. Vasco Barbosa d'Antas era avô da dita D. Maria Barbosa d'Antas e pai do mencionado Bartolomeu d'Antas<ref>Antas e Dantas são apelidos. Com relação aos do Paço de Antas tenho encontrado escrito, em diversos documentos, duma e doutra forma.</ref>; e Fernão d'Antas...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>D. Maria Barbosa d'Antas era filha de Bartolomeu d'Antas, 3.º morgado e senhor do Paço e solar de Antas, que casou com D. Brites de Barbosa, da casa de Boiamonte, em Formariz.
Vasco Barbosa d'Antas era avô da dita D. Maria Barbosa d'Antas e pai do mencionado Bartolomeu d'Antas<ref>Antas e Dantas são apelidos. Com relação aos do Paço de Antas tenho encontrado escrito, em diversos documentos, duma e doutra forma.</ref>; e Fernão d'Antas, instituidor do morgadio nas quintas de S. Rozendo e S. Miguel de Fontoura, senhor da Honra de
Fraião, solar das Antas e padroados de Agoalonga, Cossourado, S. Martinho, Romarigães e Rubiães, foi seu bisavô.
Este Fernão d'Antas teve, além de outros filhos, Lopo d'Antas - o ''Romano''.
Aquele Vasco Barbosa d'Antas é que foi concedido o brasão de armas desta família, em 21 de Outubro de 1571, por El-Rei D. Sebastião<ref>Livros da Chancelaria de D. Sebastião (Inédito, do dr. Manuel da Cunha Andrade e Sousa).</ref>.
A antiga e nobre família dos Antas está representada nesta freguesía de Agoalonga pela dita Sr.ª Viscondessa do Peso, por ser filha do falecido José Joaquim d'Antas Bacelar e Barbosa, e na de Rubiães pelo Sr. Pedro d'Antas Bacelar e Barbosa, senhor do vínculo e irmão daquela Senhora.
Do casamento de José Joaquim d'Antas Bacelar e Barbosa com a Sr.ª D. Maria da Madre de Deus Pinto do Amaral Freitas houve, além da Sr.ª Viscondessa do Peso,
mais os seguintes filhos:
D. Isabel Maria d'Antas Bacelar e Barbosa;
D. Antónia Maria d'Antas Bacelar e Barbosa;
D. Maria Joana d'Antas Bacelar e Barbosa;
Pedro d'Antas Bacelar e Barbosa.
Na ordem da geração a Sr.a Viscondessa foi a 2.ª filha e D. Antónia a 3.ª.
O falecido Visconde do Peso exerceu, por vezes, o cargo de administrador deste concelho, e era Moço-Fidalgo da Casa Real.
Seus pais foram o dr. António Augusto de Castro Sousa Meneses e sua mulher D. Maria Luiza d'Alcantara de Abreu e Canto, da cidade de Elvas; aquele, 7.º morgado da quinta e vínculo da Gandra, nesta freguesia.
Do consórcio do Visconde do Peso com a Sr.ª Viscondessa ficaram estes filhos:
D. Júlia Albertina.
D. Isabel Maria.
Amaro.
D. Maria Carolina.
D. Maria Luiza.
Pedro.
D. Maria Augusta.
O brasão dos Antas compõe-se de uma cruz em campo vermelho, formada de seis lisonjas de prata, tendo por timbre uma anta, de côr natural, etc.
O dos Abreus tem cinco estrelas de ouro, colocadas em santor, em escudo vermelho: o timbre são dois braços de leão, de ouro, em aspas.
A Sr.ª Viscondessa do Peso é neta de Francisco de Antas Bacelar e de sua mulher D. Francisca Rosa Pereira de Antas, que casaram em uma 5.ª feira, 19 de Janeiro, de 1786, tendo ele 15 anos de idade.
Este Francisco Barbosa de Antas era filho do Capitão-mór Pedro de Antas Bacelar, e aquela D. Francisca Rosa Pereira de Antas era sobrinha do rev.º Manuel Martins da Fonseca, abade de Mei, concelho dos Arcos de Valdevez, e
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mais tarde, de Agoalonga, e comissário do Santo Ofício. Foi este sacerdote que dotou a dita sua sobrinha para casamento, dando-lhe entre outros bens, os de Trulhe, deveza do Val de Moreira e rocios, etc., na freguesia de Rubiães. O dito abade Fonseca foi herdeiro de Braz de Antas da Gama, que era irmão da referida D. Francisca Pereira de Antas, e senhor da casa da Chela, em Bico, e das quintas da Gorda e do Outeiro, em Agoalonga. Po...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>mais tarde, de Agoalonga, e comissário do Santo Ofício.
Foi este sacerdote que dotou a dita sua sobrinha para casamento, dando-lhe entre outros bens, os de Trulhe, deveza do Val de Moreira e rocios, etc., na freguesia de Rubiães.
O dito abade Fonseca foi herdeiro de Braz de Antas da Gama, que era irmão da referida D. Francisca Pereira de Antas, e senhor da casa da Chela, em Bico, e das quintas da Gorda e do Outeiro, em Agoalonga.
Por este abade, pois, é que vieram aos Antas, daquela freguesia, as quintas do Outeiro, da Gorda, etc.<ref>Consta de um processo, intentado em 1813 pelo dito Capitão-mór contra o P.<sup>e</sup> Teotónio José Brandão, de Agoalonga. O processo está em meu poder.</ref>.
E é, por isso, que o brazão de armas da casa do Outeiro é o dos Martins Fonsecas, que consta de escudo esquartelado, cortado em facha, com as armas dos Estevens e Martins, tendo por timbre a águia daqueles, etc.
A capela e quinta da Gandra, antigo vínculo deste nome, pertence hoje à Sr. D. Isabel Maria, 2.ª filha da Sr.ª Viscondessa do Peso, por lhe ter sido legada, em testamento, por seu avô paterno.
Este vínculo foi instituído pelo Pe João Soares Brandão, natural da freguesia de Rubiães (''cfr''. cap. XXV, n.º 33), em 1738, adicionado e modificado por escritura de 1749.
Era destinada à veneração e conservação da capela, ali mandada edificar pelo instituidor no dito ano de 1738<ref>O P<sup>e</sup> João Soares Brandão era filho de Gaspar Francisco da Cunha e de Maria da Costa Dantas, sua mulher. No seu testamento, que vi e li, deixou 3.437 missas, sendo 300 destas pelos seus fregueses, escravos e forros. Para a ponte nova de Rubiães (entre Antas e a igreja paroquial) legou 4008000 réis e o plano dela, devendo ser construída abaixo das ''poldras de Antas''.
Para esmolas ''pias'' 460$000 réis. Declarou no testamento, que nas gavetas de um bufete se encontrava ''ouro em pó, barras de ouro'', etc., de que dispôs.
Aos Lugares Santos, de Jerusalém, legou 50$000 réis.
Instituiu a sua alma por herdeira.
Mandou entregar a roupa de vestir aos pobres; ordenou que o produto dos seus móveis fosse aplicado em vestuário para as suas escravas.
Às filhas de seu primo Pantaleão da Costa Dantas legou 100 oitavas de ouro em pó; diversas confrarias foram contempladas umas com 10 oitavas e outras com 6.</ref>.
O administrador do vínculo foi Bernardino José de Castro Barreto e Menezes com sua mulher D. Antónia Cunha Dantas, sobrinhos do instituidor<ref>Também li que o primeiro foi Braz Dantas.</ref>.
Os administradores eram obrigados a pagar, de ''pitança''<ref>''Pitança'' - ração diária, mesada.</ref> uma dúzia de presuntos e dois paníz de unto, postos em Lisboa, cada ano.
Aquela D. Antónia da Cunha Dantas era filha de Ana da Costa Dantas, irmã do dito P.<sup>e</sup> João Soares.
Entre os encargos do vínculo era o primeiro haver missa, todos os domingos e dias santos, na capela e outra nas 2.<sup>as</sup> feiras.
A construção da capela, compra do sino, imagens, cruz de prata, castiçais do mesmo metal, paramentos, tribuna, etc., importaram em - 1.336$665 réis; e os bens e dinheiro mutuado, do vínculo, representavam o capital de - 7.666$111 réis<ref>O instituidor proibiu, expressamente, em testamento, que houvesse pombal nos bens do vínculo.</ref>.
O instituidor obteve da Santa Sé um Breve, datado de
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>mais tarde, de Agoalonga, e comissário do Santo Ofício.
Foi este sacerdote que dotou a dita sua sobrinha para casamento, dando-lhe entre outros bens, os de Trulhe, deveza do Val de Moreira e rocios, etc., na freguesia de Rubiães.
O dito abade Fonseca foi herdeiro de Braz de Antas da Gama, que era irmão da referida D. Francisca Pereira de Antas, e senhor da casa da Chela, em Bico, e das quintas da Gorda e do Outeiro, em Agoalonga.
Por este abade, pois, é que vieram aos Antas, daquela freguesia, as quintas do Outeiro, da Gorda, etc.<ref>Consta de um processo, intentado em 1813 pelo dito Capitão-mór contra o P.<sup>e</sup> Teotónio José Brandão, de Agoalonga. O processo está em meu poder.</ref>.
E é, por isso, que o brazão de armas da casa do Outeiro é o dos Martins Fonsecas, que consta de escudo esquartelado, cortado em facha, com as armas dos Estevens e Martins, tendo por timbre a águia daqueles, etc.
A capela e quinta da Gandra, antigo vínculo deste nome, pertence hoje à Sr. D. Isabel Maria, 2.ª filha da Sr.ª Viscondessa do Peso, por lhe ter sido legada, em testamento, por seu avô paterno.
Este vínculo foi instituído pelo Pe João Soares Brandão, natural da freguesia de Rubiães (''cfr''. cap. XXV, n.º 33), em 1738, adicionado e modificado por escritura de 1749.
Era destinada à veneração e conservação da capela, ali mandada edificar pelo instituidor no dito ano de 1738<ref>O P.<sup>e</sup> João Soares Brandão era filho de Gaspar Francisco da Cunha e de Maria da Costa Dantas, sua mulher. No seu testamento, que vi e li, deixou 3.437 missas, sendo 300 destas pelos seus fregueses, escravos e forros. Para a ponte nova de Rubiães (entre Antas e a igreja paroquial) legou 4008000 réis e o plano dela, devendo ser construída abaixo das ''poldras de Antas''.
Para esmolas ''pias'' 460$000 réis. Declarou no testamento, que nas gavetas de um bufete se encontrava ''ouro em pó, barras de ouro'', etc., de que dispôs.
Aos Lugares Santos, de Jerusalém, legou 50$000 réis.
Instituiu a sua alma por herdeira.
Mandou entregar a roupa de vestir aos pobres; ordenou que o produto dos seus móveis fosse aplicado em vestuário para as suas escravas.
Às filhas de seu primo Pantaleão da Costa Dantas legou 100 oitavas de ouro em pó; diversas confrarias foram contempladas umas com 10 oitavas e outras com 6.</ref>.
O administrador do vínculo foi Bernardino José de Castro Barreto e Menezes com sua mulher D. Antónia Cunha Dantas, sobrinhos do instituidor<ref>Também li que o primeiro foi Braz Dantas.</ref>.
Os administradores eram obrigados a pagar, de ''pitança''<ref>''Pitança'' - ração diária, mesada.</ref> uma dúzia de presuntos e dois paníz de unto, postos em Lisboa, cada ano.
Aquela D. Antónia da Cunha Dantas era filha de Ana da Costa Dantas, irmã do dito P.<sup>e</sup> João Soares.
Entre os encargos do vínculo era o primeiro haver missa, todos os domingos e dias santos, na capela e outra nas 2.<sup>as</sup> feiras.
A construção da capela, compra do sino, imagens, cruz de prata, castiçais do mesmo metal, paramentos, tribuna, etc., importaram em - 1.336$665 réis; e os bens e dinheiro mutuado, do vínculo, representavam o capital de - 7.666$111 réis<ref>O instituidor proibiu, expressamente, em testamento, que houvesse pombal nos bens do vínculo.</ref>.
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 24 de Abril, de 1744, pelo qual era proibido emprestar paramentos ou alfaias da capela. Foi natural desta freguesia Severino José de Antas da Gama, alferes do regimento de infantaria n.º 23. Era nobre, e morreu defendendo a sua pátria no cerco de Badajoz, em 1812. Seus pais foram Teotónio de Antas da Gama e D. Maria Pereira Rangel, sua esposa<ref>Consta de um processo de habilitação de herdeira, intentado por sua mãe, no antigo julg...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>24 de Abril, de 1744, pelo qual era proibido emprestar paramentos ou alfaias da capela.
Foi natural desta freguesia Severino José de Antas da Gama, alferes do regimento de infantaria n.º 23.
Era nobre, e morreu defendendo a sua pátria no cerco de Badajoz, em 1812.
Seus pais foram Teotónio de Antas da Gama e D. Maria Pereira Rangel, sua esposa<ref>Consta de um processo de habilitação de herdeira, intentado por sua mãe, no antigo julgado de Coura. Está em meu poder.</ref>.
Braz de Antas da Gama, a quem já me referi, foi Capitão-mór de Coura, Cavaleiro professo na Ordem de Cristo e senhor da quinta da Gorda. Casou com D. Maria Madalena Barbosa Lima Brandão, havendo deste matrimónio uma filha, chamada D. Constança Maria Isabel Antónia de Antas da Gama, que casou com D. Bernardino José Trancoso de Lira<ref>Era senhor de Lyra e Losada, na Galiza.</ref>, em primeiras núpcias, mas, viuvando, contraiu segundas com D. João de Lira.
Braz de Antas da Gama merece registo especial, porque, a meu ver, ele encarnou o histórico tipo de - ''Capitão-mór'' - pelo seu feitio turbulento, audacioso e despótico, neste concelho.
Na memória popular ainda está viva a tradição dos seus desatinos e autoritarismo.
Entrava nas feiras, conta-se, montando fogoso cavalo, que dirigia sobre as tendas de louça, para ter o prazer de a esmagar e ver a cara com que ficavam os pobres feirantes.
Depois... pagava-a.
Não obedecia aos mandados da justiça e corria a pau os seus quadrilheiros.
Mandado apresentar no Paço dos nossos reis (diz-se), onde tinha chegado a notícia dos seus ''feitos'', é convidado a montar um manhoso potro das cavalariças reais, para que este saldasse as turbulências do Capitão-mór, amolgando-lhe as costelas. Mas o cavaleiro courense soube mostrar que o seu acicate era de tempera mais rija que os dos cavaleiros da Corte: o cavalo, depois da primeira investida e desfilada sob o calção de Braz de Antas, caía, de extenuado, no chão.
De autêntico, por constar dum processo crime, que vi e tive em meu poder, posso relatar o seguinte:
O guarda da alfândega da Ponte da Barca Francisco Barbosa, da freguesia da Miranda (Arcos), dirigiu-se, no dia 9 de Setembro, de 1747, à feira de Paredes, em Coura, para exercer a sua fiscalização. Mal entrado aí, foi prevenido de que se retirasse, «porque andava nela o Capitão-mór Braz de Antas da Gama, armado, trazendo mais de 40 homens também armados de espingardas, clavinas e cacheiras, para espancar os oficiais das alfândegas que nela andassem, e que com gente armada tinha tomado as entradas e saídas da dita feira, para que nela não fizessem diligências pertencentes aos seus ofícios...»
O agente do fisco, muito amigo e zeloso das coisas do Rei, mas mais da integridade física das suas costelas, pôde escapar-se e... fez caminho para os Arcos. Chegado, porém, a certo sítio daquele concelho, apareceram-lhe três homens mascarados e dão-lhe uma tapona de alto lá com ela. Só na cabeça tinha «cinco feridas abertas em sangue».
O processo diz que Braz de Antas fora o mandatário, «por não querer nem consentir que no concelho de Coura entrassem guardas das alfândegas para acautelarem os direitos reais, por ser lugar e feira onde se vendem muitas
fazendas, que vêem do reino da Galiza».
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|104|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>as regras e obrigaçoes capitaes. Podes pertencer a
qualquer partido, liberal ou conservador, republicano
ou ultramontano, com a clausula unica de não ligar
nenhuma idéa especial a esses vocabulos, e reconhecer-lhe sómente a utilidade do ''scibboleth'' biblico.</br>
— Se for ao parlamento, posso occupar a tribuna?</br>
— Podes e deves; é um modo de convocar a
attenção publica. Quanto á materia dos discursos,
tens á escolha: — ou os negocios miudos, ou a metaphysica politica, mas prefere a metaphysica. Os
negocios miudos, força é confessal-o, não desdizem
d’aquella chateza de bom tom, propria de una medalhão acabado; mas, se poderes, adopta a metaphysica; — é mais fácil e mais attrahente. Suppõe que desejas saber porque motivo a 7ª companhia de infantaria foi transferida de Uruguayana para Cangussú; serás ouvido tão sómente pelo ministro da
guerra, que te explicará em dez minutos as razões
d’esse acto. Não assim a metaphysica. Um discurso
de metaphysica politica apaixona naturalmente os
partidos e o publico, chama os apartes e as respostas.
E depois nao obriga a pensar e descobrir. N’esse
ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado,
formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforges da memoria. Em todo caso, nao transcedas<noinclude></noinclude>
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nenhuma idéa especial a esses vocabulos, e reconhecer-lhe sómente a utilidade do ''scibboleth'' biblico.
— Se for ao parlamento, posso occupar a tribuna?
— Podes e deves; é um modo de convocar a
attenção publica. Quanto á materia dos discursos,
tens á escolha: — ou os negocios miudos, ou a metaphysica politica, mas prefere a metaphysica. Os
negocios miudos, força é confessal-o, não desdizem
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guerra, que te explicará em dez minutos as razões
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de metaphysica politica apaixona naturalmente os
partidos e o publico, chama os apartes e as respostas.
E depois nao obriga a pensar e descobrir. N’esse
ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado,
formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforges da memoria. Em todo caso, nao transcedas<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|105}}</noinclude>nunca os limites de uma invejavel vulgaridade.</br>
— Farei o que puder. Nenhuma imaginação?</br>
— Nenhuma; antes faze correr o boato de que
um tal dom é ínfimo.</br>
— Nenhuma philosophia?</br>
— Entendamo-nos: no papel e na lingua alguma,
na realidade nada. « Philosophia da historia, » por
exemplo, é uma locução que deves empregar com
frequencia, mas prohibo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros.
Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.</br>
— Tambem ao riso?</br>
— Como ao riso?</br>
— Ficar serio, muito serio…</br>
— Conforme. Tens um um genio folgasão, prasenteiro, não has de sofreal-o nem eliminal-o ; pódes
brincar e rir alguma vez. Medalhão não quer dizer
melancolico. Um grave póde ter seus momentos de
expansão alegre. Sómente, — e este ponto é melindroso…</br>
— Diga.</br>
— Somente não deves empregar a ironia, esse
movimento ao canto da boca, cheio do mysterios,
inventado por algum grego da decadencia, {{hífen|contra|contrahido}}<noinclude></noinclude>
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— Farei o que puder. Nenhuma imaginação?
— Nenhuma; antes faze correr o boato de que
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— Nenhuma philosophia?
— Entendamo-nos: no papel e na lingua alguma,
na realidade nada. « Philosophia da historia, » por
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Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc., etc.
— Tambem ao riso?
— Como ao riso?
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— Conforme. Tens um um genio folgasão, prasenteiro, não has de sofreal-o nem eliminal-o ; pódes
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melancolico. Um grave póde ter seus momentos de
expansão alegre. Sómente, — e este ponto é melindroso…
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— Somente não deves empregar a ironia, esse
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|106|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>{{hífen-fim|hido|contrahido}} por Luciano, transmitido a Swift e Voltaire, feição propria dos scepticos e desabusados. Não. Usa antes a chalaça, a nossa boa chalaça amiga, gorducha, redonda, franca, sem biocos, nem véus, que se mette pela cara dos outros, estala com uma palmada, faz pular o sangue nas veias, e arrebentar de riso os suspensorios. Usa a chalaça. Que é isto?
— Meia noite.
— Meia noite? Entras nos teus vinte e dois annos, meu peralta; estás definitivamente maior. Vamos dormir, que é tarde. Rumina bem o que te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa d’esta noite vale o ''Principe'' de Machiavelli. Vamos dormir.<noinclude>
{{c|{{sc|fim da theoria do medalhão}}}}</noinclude>
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Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/100
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JppBr98
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|92|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa,
na lavoura, na industria, no commercio, nas lettras
ou nas artes. Ha infinitas carreiras diante de ti.
Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira
syllaba do nosso destino. Os mesmos Pitt e
Napoleão, apezar de precoces, não foram tudo aos
vinte e um annos. Mas, qualquer que seja a profissão
da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e
illustre, ou pelo menos notavel, que te levantes acima
da obscuridade commum. A vida, Janjão, é uma
enorme loteria; os premios são poucos, os mallogrados
innumeros, e com os suspiros de uma geração
é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a
vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as
cousas integralmente, com seus onus e precalços, glorias
e desdouros, e ir por diante.
— Sim, senhor.
— Entretanto, assim como é de boa economia
guardar um pão para a velhice, assim também é de
boa pratica social acautellar um ofício para a hypothese
de que os outros falhem, ou não indemnisem
sufficientemente o esforço da nossa ambição. É isto o
que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.
— Creia que lhe agradeço; mas que officio, não
me dirá?
{{NOP}}<noinclude></noinclude>
461our5hbtr2q6nsikn438dz99rjhvb
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|104|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>são raros. Ha-os também de quarenta annos, e outros
mais precoces, de trinta e cinco e de trinta; não são,
todavia, vulgares. Não fallo dos de vinte e cinco
annos: esse madrugar é privilegio do genio.
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na
carreira, deves pôr todo o cuidado nas idéas que
houveres de nutrir para uso alheio e proprio. O
melhor será não as ter absolutamente; cousa que
entenderás bem, imaginando, por exemplo, um actor
defraudado do uso de um braço. Elle pode, por um
milagre de artificio, dissimular o defeito aos olhos da
platéa; mas era muito melhor dispor dos dous. O
mesmo se dá com as idéas; póde-se, com violencia,
abafal-as, escondel-as até á morte; mas nem essa
habilidade é commum, nem tão constante esforço
conviria ao exercicio da vida.
— Mas quem lhe diz que eu...
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces
dotado da perfeita inopia mental, conveniente ao uso
deste nobre officio. Não me refiro tanto á fidelidade
com que repetes n’uma sala as opiniões ouvidas
n’uma esquina, e vice-versa, porque esse facto, posto
indique certa carência de idéas, ainda assim póde não
passar de uma traição da memoria. Não; refiro-me<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|94|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>são raros. Ha-os também de quarenta annos, e outros
mais precoces, de trinta e cinco e de trinta; não são,
todavia, vulgares. Não fallo dos de vinte e cinco
annos: esse madrugar é privilegio do genio.
— Entendo.
— Venhamos ao principal. Uma vez entrado na
carreira, deves pôr todo o cuidado nas idéas que
houveres de nutrir para uso alheio e proprio. O
melhor será não as ter absolutamente; cousa que
entenderás bem, imaginando, por exemplo, um actor
defraudado do uso de um braço. Elle pode, por um
milagre de artificio, dissimular o defeito aos olhos da
platéa; mas era muito melhor dispor dos dous. O
mesmo se dá com as idéas; póde-se, com violencia,
abafal-as, escondel-as até á morte; mas nem essa
habilidade é commum, nem tão constante esforço
conviria ao exercicio da vida.
— Mas quem lhe diz que eu...
— Tu, meu filho, se me não engano, pareces
dotado da perfeita inopia mental, conveniente ao uso
deste nobre officio. Não me refiro tanto á fidelidade
com que repetes n’uma sala as opiniões ouvidas
n’uma esquina, e vice-versa, porque esse facto, posto
indique certa carência de idéas, ainda assim póde não
passar de uma traição da memoria. Não; refiro-me<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|96|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>— Como assim, se também é um exercicio
corporal?
— Não digo que não, mas ha cousas em que a
observação desmente a theoria. Se te aconselho
excepcionalmente o bilhar é porque as estatisticas
mais escrupulosas mostram que tres quartas partes
dos habituados do taco partilham as opiniões do
mesmo taco. O passeio nas ruas, mormente nas de
recreio e parada, é utilissimo, com a condição de não
andares desacompanhado, porque a solidão é officina
de idéas, e o espirito deixado a si mesmo, embora no
meio da multidão, póde adquirir uma tal ou qual
actividade.
— Mas se eu não tiver á mão um amigo apto e
disposto a ir commigo?
— Não faz mal; tens o valente recurso de mesclar-te
aos pasmatorios, em que toda a poeira da
solidão se dissipa. As livrarias, ou por causa da
atmosphera do logar, ou por qualquer outra razão
que me escapa, não são propicias ao nosso fim; e,
não obstante, há grande conveniencia em entrar por
ellas, de quando em quando, não digo ás ocultas,
mas ás escancaras. Pódes resolver a difficuldade de
um modo simples: vai alli falar do boato do dia, da
anecdota da semana, de um contrabando, de uma<noinclude></noinclude>
3e7wfse85tu41w51p4tlpmd0iuxma3v
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|98|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>{{término de palavra hifenizada|cellente|excellente}} fecho de artigo politico; o mesmo direi do
''Si vis pacem para bellum''. Alguns costumam renovar
o sabor de uma citação intercalando-a n’uma
phrase nova, original e bella, mas não te aconselho
esse artificio: seria desnaturar-lhe as graças vetustas.
Melhor do que tudo isso, porem, que afinal não passa
de mero adorno, são as phrases feitas, as locuções
convencionaes, as formulas consagradas pelos annos,
incrustadas na memória individual e publica. Essas
formulas têm a vantagem de não obrigar os outros
a um esforço inutil. Não as relaciono agora, mas
fal-o-hei por escrito. De resto, o mesmo officio te
irá ensinando os elementos d’essa arte difficil de
pensar o pensado. Quanto á utilidade de um tal
systema, basta figurar uma hypothese. Faz-se uma
lei, executa-se, não produz effeito, subsiste o mal.
Eis ahi uma questão que póde aguçar as curiosidades
vadias, dar ensejo a um inquerito pedantesco, a uma
collecta fastidiosa de documentos e observações,
analyse das causas provaveis, causas certas, causas
possiveis, um estudo infinito das aptidões do sujeito
reformado, da natureza do mal, da manipulação do
remedio, das circumstancias da applicação; materia,
enfim, para todo um andaime de palavras, conceitos,
e desvarios. Tu poupas aos teus semelhantes todo<noinclude></noinclude>
jfjkjwq84n2u9s7iemxc9cgklx85qj4
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|100|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>dia em que viesses a assenhoriar-te do espirito
d’aquellas leis e formulas, serias provavelmente
levado a empregal-as com um tal ou qual comedimento,
como a costureira — esperta e afreguezada, —
que, segundo um poeta classico,
<poem>Quanto mais panno tem, mais poupa o córte,
Menos monte alardea de retalhos;</poem>
e este phenomeno, tratando-se de um medalhão, é
que não seria scientifico.
— Upa, que a profissão é diffícil.
— E ainda não chegamos ao cabo.
— Vamos a elle.
— Não te fallei ainda dos beneficios da publicidade.
A publicidade é uma dona loureira e senhoril,
que tu deves requestar á força de pequenos mimos,
confeitos, almofadinhas, cousas miudas, que antes
exprimem a constancia do affecto do que o atrevimento
e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores
d’ella mediante acções heroicas ou custosas,
é um sestro proprio d’esse illustre lunatico. O verdadeiro
medalhão tem outra politica. Longe de inventar
um ''Tratado scientifico da creação dos carneiros'',
compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a fórma
de um jantar, cuja noticia não pode ser indifferente<noinclude></noinclude>
9iyc7oly9ml8n0izdwbg3v22tvhiv4o
Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/110
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|102|PAPEIS AVULSOS||}}</noinclude>em qualquer casa publica. Dessa maneira o nome
fica ligado á pessoa; os que houverem lido o teu recente
discurso (supponhamos) na sessão inaugural
da União dos Cabellereiros, reconhecerão na compostura
das feições o autor dessa obra grave, em que
a « alavanca do progresso » e o « suor do trabalho »,
vencem as « fauces hiantes » da miseria. No caso de
que uma commissão te leve á casa o retrato, deves
agradecer-lhe o obsequio com um discurso cheio de
gratidão e um copo d’agua: é uso antigo, razoavel e
honesto. Convidarás então os melhores amigos, os
parentes, e, se fôr possível, uma ou duas pessoas de
representação. Mais. Se esse dia é um dia de gloria
ou regosijo, não vejo que possas, decentemente, recusar
um lugar á mesa aos ''reporters'' dos jornaes.
Em todo o caso, se as obrigações desses cidadãos os
retiverem n’outra parte, podes ajudal-os de certa
maneira, redigindo tu mesmo a noticia da festa;
e, dado que por um tal ou qual escrupulo, aliás desculpavel,
não queiras com a própria mão annexar ao
teu nome os qualificativos dignos delle, incumbe a
noticia a algum amigo ou parente.
— Digo-lhe que o que vosmecê me ensina não é
nada facil.
{{NOP}}<noinclude></noinclude>
j9dhztacsd3qk0gcuo1xits0s5h7ye7
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|103}}</noinclude>— Nem eu te digo outra cousa. E’ difficil, come
tempo, muito tempo, leva annos, paciencia, trabalho,
e felizes os que chegam a entrar na terra promettida!
Os que lá não penetram, engole-os a obscuridade.
Mas os que triunpham! E tu triumpharás,
crê-me. Verás cahir as muralhas de Jerichó ao som
das trompas sagradas. Só então poderás dizer que
estás fixado. Começa nesse dia a tua phase de ornamento
indispensavel, de figura obrigada, de rotulo.
Acabou-se a necessidade de farejar occasiões, comissões,
irmandades; ellas virão ter comtigo, com o
seu ar pesadão e crú de substantivos desadjectivados,
e tu serás o adjectivo dessas orações opacas, o
''odorifero'' das flores, o ''anilado'' dos céus, o ''prestimoso''
dos cidadãos, o ''noticioso'' e ''succulento'' dos relatorios.
E ser isso é o principal, porque o adjectivo é a alma
do idioma, a sua porção idealista e metaphysica. O
substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo
do vocabulario.
— E parece-lhe que todo esse officio é apenas um
sobresalente para os ''deficits'' da vida?
— De certo; não fica excluida nenhuma outra
actividade.
— Nem politica?
— Nem politica. Toda a questão é não infringir<noinclude></noinclude>
itac7bar9j3nj921mh3sqn2ykycp46a
Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/109
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|101}}</noinclude>aos seus concidadãos. Uma noticia traz outra; cinco,
dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos do
mundo. Commissões ou deputações para felicitar um
agraciado, um benemerito, um forasteiro, tem singulares
merecimentos, e assim as irmandades e associações
diversas, sejam mythologicas, cynegeticas ou
coreographicas. Os sucessos de certa ordem, embora
de pouca monta, podem ser trazidos a lume, comtanto
que ponham em relevo a tua pessoa. Explico-me. Se
caires de um carro, sem outro damno, além do susto,
é útil mandal-o dizer aos quatro ventos, não pelo
facto em si, que é insignificante, mas pelo effeito de
recordar um nome caro ás affeições geraes. Percebeste?
— Percebi.
— Essa é publicidade constante, barata, facil, de
todos os dias; mas ha outra. Qualquer que seja a
theoria das artes, é fora de duvida que o sentimento
da familia, a amisade pessoal e a estima publica
instigam á reproducção das feições de um homem
amado ou benemérito. Nada obsta a que sejas objecto
de uma tal distincção, principalmente se a
sagacidade dos amigos não achar em ti repugnancia.
Em semelhante caso, não só as regras da mais vulgar
polidez mandam aceitar o retrato ou o busto, como<noinclude></noinclude>
mkfdj3lvt4zazt05zuartwc1dhadav9
Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/107
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|105}}</noinclude>esse immenso aranzel, tu dizes simplesmente: Antes
das leis, reformemos os costumes! - E esta phrase
synthetica, transparente, limpida, tirada ao peculio
commum, resolve mais depressa o problema, entra
pelos espiritos como um jorro subito de sol.
— Vejo por ahi que vosmecê condemna toda e
qualquer applicação de processos modernos.
— Entendamo-nos. Condemno a applicação, louvo
a denominação. O mesmo direi de toda a recente
terminologia scientifica; deves decoral-a. Com quanto
o rasgo peculiar do medalhão seja uma certa attitude
de deus Termino, e as sciencias sejam obra do movimento
humano, como tens de ser medalhão mais
tarde, convém tomar as armas do teu tempo. E de
duas uma: — ou ellas estarão usadas e divulgadas
d’aqui a trinta anos, ou conservar-se-hão novas: no
primeiro caso, pertencem-te de fôro proprio; no segundo,
podes ter a coquetice de as trazer, para
mostrar que tambem és pintor. De outiva, com o
tempo, irás sabendo a que leis, casos e phenomenos
responde toda essa terminologia; porque o methodo
de interrogar os proprios mestres e officiaes da
sciencia, nos seus livros, estudos e memorias, além
de tedioso e cançativo, traz o perigo de inocular
idéas novas, e é radicalmente falso. Accresce que no<noinclude></noinclude>
niomh5pi1qzaznm71funzw092kerueo
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|99}}</noinclude>esse immenso aranzel, tu dizes simplesmente: Antes
das leis, reformemos os costumes! - E esta phrase
synthetica, transparente, limpida, tirada ao peculio
commum, resolve mais depressa o problema, entra
pelos espiritos como um jorro subito de sol.
— Vejo por ahi que vosmecê condemna toda e
qualquer applicação de processos modernos.
— Entendamo-nos. Condemno a applicação, louvo
a denominação. O mesmo direi de toda a recente
terminologia scientifica; deves decoral-a. Com quanto
o rasgo peculiar do medalhão seja uma certa attitude
de deus Termino, e as sciencias sejam obra do movimento
humano, como tens de ser medalhão mais
tarde, convém tomar as armas do teu tempo. E de
duas uma: — ou ellas estarão usadas e divulgadas
d’aqui a trinta anos, ou conservar-se-hão novas: no
primeiro caso, pertencem-te de fôro proprio; no segundo,
podes ter a coquetice de as trazer, para
mostrar que tambem és pintor. De outiva, com o
tempo, irás sabendo a que leis, casos e phenomenos
responde toda essa terminologia; porque o methodo
de interrogar os proprios mestres e officiaes da
sciencia, nos seus livros, estudos e memorias, além
de tedioso e cançativo, traz o perigo de inocular
idéas novas, e é radicalmente falso. Accresce que no<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|97}}</noinclude>calumnia, de um cometa, de qualquer cousa, quando
não prefiras interrogar directamente os leitores
habituaes das bellas chronicas de Mazade: 75 por
cento d’esses estimaveis cavalheiros repetir-te-hão as
mesmas opiniões, e uma tal monotonia é grandemente
saudavel. Com este regimen, durante oito,
dez, dezoito meses — suponhamos dous anos, —
reduzes o intellecto, por mais prodigo que seja, á
sobriedade, á disciplina, ao equilíbrio commum. Não
trato do vocabulario, porque elle está sub-entendido
no uso das idéas; ha de ser naturalmente simples,
tibio, apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de
clarim...
— Isto é o diabo! Não poder adornar o estylo,
de quando em quando...
— Podes; podes empregar umas quantas figuras
expressivas, a hidra de Lerna, por exemplo, a cabeça
de Meduza, o tonel das Danaides, as azas de Icaro,
e outras, que romanticos, classicos e realistas empregam
sem desar, quando precisam d’ellas. Sentenças
latinas, ditos historicos, versos celebres, brocardos
jurídicos, maximas, é de bom aviso trazel-os comtigo
para os discursos de sobremesa, de felicitação,
ou de agradecimento. ''Caveant, consules'' é um {{começo de palavra hifenizada|ex|excellente}}<noinclude></noinclude>
gqnlefi8dt1nj3cwkprg8e4hvbegjjz
Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/103
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|95}}</noinclude>ao gesto correcto e perfilado com que usas expender
francamente as tuas sympathias ou antipathias
ácerca do córte de um collete, das dimensões de um
chapéu, do ranger ou calar das botas novas. Eis ahi
um sintoma eloquente, eis ahi uma esperança, No
entanto, podendo acontecer que, com a edade, venhas
a ser affligido de algumas idéas proprias, urge
apparelhar fortemente o espirito. As idéas são de sua
natureza expontaneas e subitas; por mais que as
sofreemos, ellas irrompem e precipitam-se. Dahi a
certeza com que o vulgo, cujo faro é extremamente
delicado, distingue o medalhão completo do medalhão
incompleto.
— Creio que assim seja; mas um tal obstáculo é
invencivel.
— Não é; ha um meio; é lançar mão de um
regimen debilitante, ler compendios de rhetorica,
ouvir certos discursos, etc. O voltarete, o dominó e
o whist são remedios approvados. O whist tem até
a rara vantagem de acostumar ao silencio, que é a
fórma mais accentuada da circumpecção. Não digo
o mesmo da natação, da equitação e da gymnastica,
embora ellas façam repousar o cerebro; mas por isso
mesmo que o fazem repousar, restituem-lhe as forças
e a actividade perdidas. O bilhar é excelente.
{{NOP}}<noinclude></noinclude>
mnoe4bd6to8qdkwey89rn5n32ud16wx
Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/101
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||THEORIA DO MEDALHÃO|93}}</noinclude>— Nenhum me parece mais util e cabido que o
de medalhão. Ser medalhão foi o sonho da minha
mocidade; faltaram-me, porém, as instrucções de
um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e
relevo moral, alem das esperanças que deposito em
ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende.
És moço, tens naturalmente o ardor, a exhuberancia,
os improvisos da edade; não os rejeites,
mas modera-os de modo que aos quarenta e cinco
annos possas entrar francamente no regimen do
aprumo e do compasso. O sabio que disse: « a gravidade
é um mysterio do corpo », definiu a compostura
do medalhão. Não confundas essa gravidade com
aquella outra que, embora resida no aspecto, é um
puro reflexo ou emanação do espírito; essa é do corpo,
tão sómente do corpo, um sinal da natureza ou
um geito da vida. Quanto á edade de quarenta e
cinco annos...
— É verdade, por que quarenta e cinco annos?
— Não é, como podes suppôr, um limite arbitrario,
filho do puro capricho; é a data normal do
phenomeno. Geralmente, o verdadeiro medalhão começa
a manifestar-se entre os quarenta e cinco e
cincoenta anos, comquanto alguns exemplos se dêm
entre os cincoenta e cinco e os sessenta; mas estes<noinclude></noinclude>
qy06unin9z656ci8hn9i800jfloybzm
Página:Papeis-avulsos--1882.pdf/99
106
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2026-05-23T03:15:03Z
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — Estás com somno? — Não, senhor. — Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela. Que horas são? — Onze. — Sahiu o ultimo conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um annos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu á luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos bigodes, alguns namoros... — Papai... — Não te ponhas com denguices, e fallemos como dous amigos sérios. Fecha aq...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" /></noinclude>— Estás com somno?
— Não, senhor.
— Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela.
Que horas são?
— Onze.
— Sahiu o ultimo conviva do nosso modesto jantar.
Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um
annos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de
1854, vinhas tu á luz, um pirralho de nada, e estás
homem, longos bigodes, alguns namoros...
— Papai...
— Não te ponhas com denguices, e fallemos como
dous amigos sérios. Fecha aquella porta; vou dizer-te
cousas importantes. Senta-te e conversemos. Vinte
e um annos, algumas apolices, um diploma, pódes<noinclude></noinclude>
qsw5fr2y3zzhl040eeyqgp94mlq69nb
1. Domingo, 2. Segunda-feira, 3. Terça-feira, 4. Quarta-feira, 5. Quinta-feira, 6. Sexta-feira e 7. Sábado
0
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2026-05-23T03:22:34Z
~2026-30777-84
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1. Domingo, 2. Segunda-feira, 3. Terça-feira, 4. Quarta-feira, 5. Quinta-feira, 6. Sexta-feira e 7. Sábado
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1. Domingo, 2. Segunda-feira, 3. Terça-feira, 4. Quarta-feira, 5. Quinta-feira, 6. Sexta-feira e 7. Sábado
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1. Domingo, 2. Segunda-feira, 3. Terça-feira, 4. Quarta-feira, 5. Quinta-feira, 6. Sexta-feira, 7. Sábado e 8. Nundinae
0
253614
552877
2026-05-23T03:24:34Z
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Vinicius Gasparin
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<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{c|ATO INSTITUCIONAL Nº 6, DE 1º DE FEVEREIRO DE 1969}}
{{c|O Presidente da República,}}
{{Justificado|
{{Gap}}Considerando que, como decorre do [[Ato_Institucional_Número_Cinco|Ato Institucional nº 5]], de 13 de dezembro de 1968, a Revolução Brasileira reafirmou não se haver exaurido o seu Poder Constituinte, cuja ação continua e continuará, em tôda sua plenitude, para atingir os ideais superiores do movimento revolucionário e consolidar a sua obra;
{{Gap}}Considerando que, como órgão máximo do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal é uma instituição de ordem constitucional, recebendo da Lei Maior, devidamente definidas, sua estrutura, atribuições e competência;
{{Gap}}Considerando haver o Governo, que ainda detém o Poder Constituinte, admitido, por conveniência da própria Justiça, a necessidade de modificar a composição e de alterar a competetência do Supremo Tribunal Federal, visando a fortalecer sua posição de Côrte eminentemente constitucional e, reduzindolhe os encargos, faciliter o exercício de suas atribuições;
{{Gap}}Considerando que as pessoas atingidas pelas{{PT||sanções políticas e administrativas do processo revolucionário devem ter igualdade de tratamento sob o império das normas institucionais e demais regras legais delas decorrentes,}}
}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{PT|sanções políticas e administrativas do processo revolucionário devem ter igualdade de tratamento sob o império das normas institucionais e demais regras legais delas decorrentes,}}
{{c|Resolve editar o seguinte}}
{{c|ΑΤΟ INSTITUCIONAL}}
{{Justificado|
{{Gap}}Art. 1º. Os dispositivos da [[Constituição_de_1967_da_República_Federativa_do_Brasil|Constituição de 24 de janeiro de 1967]], adiante indicados, passam a vigorar com a seguinte redação :
{{Gap}}"Art. 113. O Supremo Tribunal Federal , com séde na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional, compõe-se de onze (11) Ministros.
{{Gap}}§ 1º. Os Ministros serão nome ados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal, dentre brasileiros natos, maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada.
{{Gap}}§ 2º. Os Ministros serão, nos crimes de responsabilidade, processados e julgados pelo Senado Federal."
{{Gap}}"Art. 114. Compete ao Supremo Tribunal Federal :
{{linha horizontal|width=40em|height=5px}}
{{Gap}}II - julgar em recurso ordinário :
{{Gap}}a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos tribunais locais ου federais, quando denegatória a decisão, não podendo o recurso ser substituído por pedido originário;
{{Gap}}b) as causas em que forem partes um Estado estrangeiro e pessoa domiciliada ou residen{{PT||te no País;}}
}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" />{{d|2•}}</noinclude>{{PT|sanções políticas e administrativas do processo revolucionário devem ter igualdade de tratamento sob o império das normas institucionais e demais regras legais delas decorrentes,}}
{{c|Resolve editar o seguinte}}
{{c|ΑΤΟ INSTITUCIONAL}}
{{Justificado|
{{Gap}}Art. 1º. Os dispositivos da [[Constituição_de_1967_da_República_Federativa_do_Brasil|Constituição de 24 de janeiro de 1967]], adiante indicados, passam a vigorar com a seguinte redação :
{{Gap}}"Art. 113. O Supremo Tribunal Federal , com séde na Capital da União e jurisdição em todo o território nacional, compõe-se de onze (11) Ministros.
{{Gap}}§ 1º. Os Ministros serão nome ados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pelo Senado Federal, dentre brasileiros natos, maiores de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada.
{{Gap}}§ 2º. Os Ministros serão, nos crimes de responsabilidade, processados e julgados pelo Senado Federal."
{{Gap}}"Art. 114. Compete ao Supremo Tribunal Federal :
{{linha horizontal|width=40em|height=5px}}
{{Gap}}II - julgar em recurso ordinário :
{{Gap}}a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos tribunais locais ου federais, quando denegatória a decisão, não podendo o recurso ser substituído por pedido originário;
{{Gap}}b) as causas em que forem partes um Estado estrangeiro e pessoa domiciliada ou residen{{PT||te no País;}}
}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" />{{d|3•}}</noinclude>{{PT|te no País;}}
{{Justificado|
{{Gap}}c) os casos previstos no art. 122, § 2º;
{{Gap}}III - julgar mediante recurso extraordinário as causas decididas em única ou última instância por outros tribunais, quando a decisão recorrida:
{{Gap}}a) contrariar dispositivo desta Constituição ou negar vigência a tratado ou lei federal;
{{Gap}}b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
{{Gap}}c) julgar válida lei ou ato do govêrno local contestado em face da Constituição ou de lei federal;
d) dar à lei interpretação divergente da que lhe haja dado outro tribunal ou o próprio Supremo Tribunal Federal."
{{Gap}}Art. 122. A Justiça Militar compete processar e julgar, nos crimes militares definidos em lei, os militares e as pessoas que lhes são assemelhados.
{{Gap}}§ 1º. Esse fôro especial poderá estender-se aos civís, nos casos expressos em lei para repressão de crimes contra a segurança nacional ou as instituições militares.
{{Gap}}§ 2º. Compete originariamente ao Superior Tribunal Militar processar e julgar os Governadores de Estado e seus Secretários, nos crimes referidos no § 1º.
{{Gap}}§ 3º. A lei regulará a aplicação das penas da legislação militar em tempo de guerra."
{{Gap}}Art. 2º. As disposições do artigo 5º e seus parágrafos 1º e 2º do [[Ato_Institucional_Número_Cinco|Ato Institucional nº 5]], de 13 de dezembro de 1968, aplicam-se às pessoas punidas com fundamento no artigo 10 e seu parágrafo único do [[Ato_Institucional_Número_Um|Ato Institucional nº 1]], de 9 de abril de 1964, ou no artigo 15 do [[Ato_Institucional_Número_Dois|Ato Institucional nº 2]], de{{PT||de 27 de outubro de 1965.}}
}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" />{{d|4•}}</noinclude>{{PT|de 27 de outubro de 1965.}}
{{Justificado|
{{Gap}}Art. 3º. Ficam ratificadas as emendas constitucionais feitas por Atos Complementares subseqüentes ao [[Ato_Institucional_Número_Cinco|Ato Institucional nº 5]], de 13 de dezembro de 1968.
{{Gap}}Art. 4º. Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com êste Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
{{Gap}}Art. 5º. O presente Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
{{Gap}}Brasília-DF., em 1º de fevereiro de 1969;</br>
148º da Independência e 81° da República.
}}
{{c|[[Costa_e_Silva|Costa e Silva]]}}
{{c|[[Luís_da_Gama_e_Silva|Luís Antônio da Gama e Silva]]}}
{{c|[[Augusto_Rademaker|Augusto Hamann Rademaker Grünewald]]}}
{{c|[[Aurélio_de_Lira_Tavares|Aurélio de Lyra Tavares]]}}
{{c|[[Magalhães_Pinto|José de Magalhães Pinto]]}}
{{c|[[Delfim_Netto|Antônio Delfim Netto]]}}
{{c|[[Mário_Andreazza|Mário David Andreazza]]}}
{{c|[[Ivo_Arzua_Pereira|Ivo Arzua Pereira]]}}
{{c|[[Tarso_Dutra|Tarso Dutra]]}}
{{c|[[Jarbas_Passarinho|Jarbas G. Passarinho]]}}
{{c|[[Márcio_de_Sousa_Melo|Márcio de Souza e Mello]]}}
{{c|[[Leonel_Tavares_Miranda_de_Albuquerque|Leonel Miranda]]}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" />{{d|4•}}</noinclude>{{PT|de 27 de outubro de 1965.}}
{{Justificado|
{{Gap}}Art. 3º. Ficam ratificadas as emendas constitucionais feitas por Atos Complementares subseqüentes ao [[Ato_Institucional_Número_Cinco|Ato Institucional nº 5]], de 13 de dezembro de 1968.
{{Gap}}Art. 4º. Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com êste Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
{{Gap}}Art. 5º. O presente Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
{{Gap}}Brasília-DF., em 1º de fevereiro de 1969;</br>
148º da Independência e 81° da República.
}}
{{c|[[:w:Costa_e_Silva|Costa e Silva]]}}
{{c|[[:w:Luís_da_Gama_e_Silva|Luís Antônio da Gama e Silva]]}}
{{c|[[:w:Augusto_Rademaker|Augusto Hamann Rademaker Grünewald]]}}
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{{c|[[:w:Leonel_Tavares_Miranda_de_Albuquerque|Leonel Miranda]]}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{c|[[:w:Antônio_Dias_Leite_Júnior|Antônio Dias Leite Júnior]]}}
{{c|[[:w:Macedo_Soares_(militar)|Edmundo de Macedo Soares]]}}
{{c|[[:w:Hélio_Beltrão|Hélio Beltrão]]}}
{{c|[[:w:José_Costa_Cavalcanti|José Costa Cavalcanti]]}}
{{c|[[:w:Carlos_Furtado_de_Simas|Carlos F. de Simas]]}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = Ato Institucional Número Seis | autor = Brasil | anterior = [[Ato_Institucional_Número_Cinco|AI-5]] | seção = AI-6 | posterior = [[Ato_Institucional_Número_Sete|AI-7]] | notas = {{wikipédia|Ato Institucional Número Seis}} }} <pages index="AI-6.pdf" from=1 to=5/> [[Categoria:1969]] [[Categoria:Atos institucionais|06]] [[Categoria:Ditadura militar brasileira]]
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