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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|240|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Dir-se-hia que tudo se animára ao sopro scientifico. N’uma sociedade que hontem só lograria distinguir-se pelo atrazo, de um momento para outro ouviram-se conferencias philosophicas <ref>As conferencias ou prelecções philosophicas, abertas em 1813 na sala do Real Collegio de São Joaquim, tinham por thema a theoria do discurso e da linguagem, o tratado das paixões e o systema do mundo, abrangendo portanto logica, grammatica, rhetorica, esthetica, ethica, direito natural, ontologia, sciencias mathematicas, astronomicas e physicas, e theologia natural. Foram obra do illustre Silvestre Pinheiro Ferreira, publicista, jurisconsulto, economista e philosopho do maior merito, um dos raros homens de quasi universal erudição, no dizer de um dos seus biographos (José Silvestre Ribeiro, ob. cit.) Talvez influisse na iniciativa de Silvestre Pinheiro Ferreira o desejo de prestar serviços ao desenvolvimento intellectual do Brazil, assim recobrando as boas graças do Principe Regente, cujo favor perdera por se haver recusado no anno anterior (1812) a ir negociar pazes entre Buenos Ayres e Montevidéo, a menos de lhe ser reconhecido caracter publico ou diplomatico. Esta foi a commissão confiada ao agente Rademacker. Informam as cartas de Marrocos de 29 de Agosto e 7 de Outubro que o agente recalcitrante foi mesmo por isso degradado para a ilha da Madeira, sendo perdoado depois de já estar a bordo pela intervenção de lord Strangford e pelos esforços da propria consorte.</ref>, concederam-se patentes de invenção, analysaram-se aguas mineraes para serem consumidas e exploradas, ensaiou-se a introducção de typos de faunas estranhas como o camello da Arabia e a cabra da India. No centro longinquo de Cuyabá chegou a organizar-se em 1817 uma companhia de mineração a exemplo da que no mesmo anno se organizou em Minas Geraes pelas instancias de Eschwege <ref>Da transformação que para os trabalhos de mineração se derivou da acção official em tempo de Dom João VI dá conta historica e scientifica o recente e valioso trabalho do [[Autor:Pandiá Calógeras|Sr. Pandiá Calogeras]] — ''[[As Minas do Brazil e sua Legislação]]''. Rio, 1904, 2 vols.</ref>. E a melhor prova de que o anterior empirismo cedia o passo á investigação scientifica está em que por decreto de 25 de Janeiro de 1812 se fundava no Rio um laboratorio pratico, “tendo em consideração as muitas vantagens, que devem resultar, em beneficio dos meus fieis vassallos, do conhecimento das diversas substancias, que ás<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|241}}</noinclude>artes, ao commercio e industria nacionaes podem subministrar os differentes productos dos trez reinos da natureza, extrahidos dos meus dominios ultramarinos.”
Onde era desconhecida a producção typographica, entraram de repente os prélos a dar á luz numerosos trabalhos. No tempo que medeia entre as ''[[Observações commerciaes e economicas]]'' de [[Autor:Silva Lisboa|Silva Lisboa]] (1808) e as ''[[Memorias do Rio de Janeiro]]'' de [[Autor:Monsenhor Pizarro|Monsenhor Pizarro]] (1820), sahiram da Impressão Regia obras didacticas, de moral, de philosophia aristotelica, poeticas, dramaticas, mercantis, clinicas, nauticas, de todo o genero. Si bem que não existindo liberdade de imprensa, uma revista “litteraria, politica e mercantil” assaz interessante — ''[[O Patriota]]'' — foi editada nos annos de 1813 e 1814, diffundindo pelas classes alta e media a instrucção que nas suas paginas era fornecida por homens do valor de Silvestre Pinheiro Ferreira, José Bonifacio de Andrada e Silva, Domingos Borges de Barros, Marianno J. Pereira da Fonseca (futuro marquez de Maricá) e outros.
Não havia porém censura que obstasse á franca circulação do ''Correio Braziliense'', onde se criticava com talento toda a marcha da politica portugueza e todos os processos da sua administração. Em Portugal a Regencia, mais realista do que o Rei, vedara esse periodico, que no Rio era Dom João VI o primeiro a ler com assiduidade <ref>Para combater o effeito d’essa publicação em paiz estrangeiro, subvencionava a embaixada portugueza de Londres o ''[[Investigador Portuguez]]'', que durou de 1811 a 1819 (o ''Correio'' durou de 1808 a 1822) e foi primeiramente dirigido pelos Drs. Bernardo José de Arantes e Castro e Vicente Pedro Nolasco e Castro. Depois de 1814 dirigio-o o conhecido escriptor, traductor de Tacito, mais tarde emigrado liberal José Liberato Freire de Carvalho, adquirindo então o periodico maior independencia.</ref>. E si em Lisboa nos fins do seculo XVIII eram perseguidos sem piedade quaesquer livros francezes — uma denominação<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|242|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>que abrangia todas as publicações estrangeiras — , no Brazil eram tão illudidas as interdicções oppostas ás idéas impressas importadas de fóra que, Luccock é quem o affirma, ao tempo da residencia da côrte portugueza eram muito lidos Voltaire e Rousseau, a saber, os emancipadores do pensamento latino, e não eram desconhecidos nas traducções os auctores inglezes e allemães, Shakspeare e Pope, Gessner e Klopstock.
Entre o sexo feminino mesmo foram sensiveis os progressos realizados pela educação. Entre esse sexo era naturalmente a ignorancia mais extensa e marcada, quasi que se limitando a instrucção das senhoras mais distinctas a saberem rezar, contar de côr e perceber a linguagem das flores, por outra os meios de correspondencia com os santos e com os namorados. Debret já falla porém n’um collegio de meninas aberto no convento da Ajuda, ao lado do recolhimento, e n’outros collegios, leigos, com professores, onde se ensinavam lingua portugueza, arithmetica, cathecismo, bordado e costura. Emigrados francezes davam por esse tempo licções particulares do seu idioma e de geographia. Maior incremento só tomaria a educação feminina depois de 1820, quando se vulgarizou o conhecimento do francez e se tornou grande a frequencia dos collegios de meninas, nos quaes passaram a ser cultivadas prendas como o canto, a dança e o desenho <ref>Debret, ''{{lang|fr|Voyage Pittoresque et Historique au Brésil}}'', vol. III.</ref>.
Sómente gorou o projecto de uma Universidade — projecto acariciado pelo Rei, que chegou a convidar José Bonifacio para director d’ella, mas não igualmente favorecido por todos os seus ministros—pela tenaz opposição do ainda preponderante elemento portuguez, o qual assim re-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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A propriedade literária e artística está garantida em todos os países que aderiram à Convenção de Berna. Março de 1911. No Brasil, pela lei nº 2.577 de 17 de Janeiro de 1912
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(DA SEGUNDA EDIÇÃO)
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{{Capitular|O}} {{Small-caps|Crime do Padre Amaro}} recebeu no Brasil e em Portugal alguma atenção da Crítica, quando foi publicado ulteriormente um romance intitulado — {{Small-caps|O Primo Basílio}}. E no Brasil e em Portugal escreveu-se (sem todavia se aduzir nenhuma prova efectiva) que {{Small-caps|O Crime do Padre Amaro}}, era uma imitação do romance do {{abbr|snr.|senhor}} {{abbr|E.|Émile}} Zola — {{Small-caps|La Faute de L'Abbé Mouret}}; ou que este livro do autor do {{Small-caps|Assomoir}} e de outros magistrais estudos sociais sugerira a ideia, os personagens, a intenção do {{Small-caps|Crime do Padre Amaro}}.
Eu tenho algumas razões para crer que isto não é correcto. {{Small-caps|O Crime do Padre Amaro}} foi escrito em 1871, lido a alguns amigos em 1872, e publicado em 1874. O livro do {{abbr|snr.|senhor}} Zola, {{Small-caps|La Faute de L'Abbé Mouret}} (que é o quinto volume da série {{Small-caps|Rougon Macquart}}), foi escrito e publicado em 1875.
Mas (ainda que isto pareça sobrenatural) eu considero esta razão apenas como subalterna e insuficiente. Eu podia, enfim, ter penetrado no cérebro, no pensamento do {{abbr|snr.|senhor}} Zola, e ter avistado, entre as formas ainda indecisas das suas criacões futuras, a figura do abade Mouret,<noinclude>{{c|5}}</noinclude>
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Uma edição que não voltará a ser reimpressa. Uma edição para os bibliógrafos e para os apaixonados pelo bom livro. Uma Jóia preciosa
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{{Gap}}CONSIDERANDO que se impoẽ, no interêsse dos Estados e Municípios e em defesa dos princípios da Revolução de 31 de Março de 1964, a edição de normas que disciplinem o funcionamento das Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais e a renumeração dos respectivos membros;
{{Gap}}CONSIDERANDO que constitui privilégio inaceitável contar-se, para fins de aposentadoria, o período de exercício do mandato legislativo por tempo superior ao do próprio mandato;
{{Gap}}CONSIDERANDO que, no interêsse de preservar e consolidar a Revolução, é desaconcelhável a realização de eleições parciais, para cargos executivos ou legislativos da União, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios,
{{Gap}}RESOLVE editar o seguinte Ato Institucional:
{{Gap}}Art. 1º - Os deputados estaduais não poderão perceber subsídios superiores a dois terços, quem em relação {{PT||ao valor da parte fixa, como ao da parte variável, dos que são atribuídos aos Deputados Federais, nem ajuda de custo excedente a êsse limite.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" />{{d|-2-}}</noinclude>{{PT|ao valor da parte fixa, como ao da parte variável, dos que são atribuídos aos Deputados Federais, nem ajuda de custo excedente a êsse limite.}}
{{Justificado|
{{Gap}}Parágrafo único - Não será devida ajuda de custo quando houver convocação extraordinária de Assembléia, no intervalo das sessões legislativas, ou prorrogação destas.
{{Gap}}Art. 2º - Durante o mês, não poderá exceder de oito (8) o número de sessões extraordinárias remuneradas das Assembléias Legislativas.
{{Gap}}Art. 3º - Além dos subsídios e da ajuda de custo, a que se referem os artigos anteriores, nenhum outro pagamento poderá ser feito, a qualquer título ou sob qualquer pretexto, a deputado estadual, pelo exercício do mandato ou em razão dele.
{{Gap}}Art. 4º - O § 2º do art. 16 da [[Constituição_de_1967_da_República_Federativa_do_Brasil|Constituição de 24 de janeiro de 1967]], passa a vigorar com a seguinte redação:
{{Gap}}{{Gap}}"Art. 16 -
{{linha horizontal|width=40em|height=5px}}
{{Gap}}{{Gap}}§ 2º - Sòmente serão remunerados os vereadores das Capitais e dos Municípios de população superior a trezentos mil (300.000) habitantes , dentro dos linites e critérios fixados em lei complementar."
{{Gap}}Art. 5º - E vedado às Câmaras Municipais realizar, durante o mês, mais de três (3) sessões extraordinárias remuneradas.
{{Gap}}Art. 6º - Nenhum funcionário público da União , Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios, assim como das respectivas autarquias, poderá contar, para qualquer efeito, o período correspondente ao exercício de mandato eletivo por tempo excedente à efetiva duração dêste.
{{Gap}}Art. 7º - Ficam suspensas quaisquer eleições par{{PT||parciais para cargos executivos ou legislativos da União, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios.}}
}}<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" />{{d|-3-}}</noinclude>{{PT|parciais para cargos executivos ou legislativos da União, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios.}}
{{Justificado|
{{Gap}}§ 1º - Nos Municípios em que se vagarem os cargos de Prefeito e Vice-Prefeito, em virtude de renúncia, morte, perda ou extinção do mandato dos respectivos titulares , será decretada, pelo Presidente da República, a intervenção federal.
{{Gap}}§ 2º - Se a vacância do cargo de Prefeito Municipal coincidir com o término do mandato dos membros da Câmara Municipal, o Interventor exercerá, também, as atribuições que a êste confere a Lei Orgânica dos Municípios.
{{Gap}}Art. 9º - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acôrdo com êste Ato Institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
{{Gap}}Art. 10º - O Presidente da República poderá baixar Atos Complementares para a execução dêste Ato Institucional.
{{Gap}}Art. 11º - O presente Ato Institucional entra em vigor nesta data, revôgadas as disposições em contrário.
{{Gap}}Brasília-DF., em 26 de fevereiro de 1969;</br>
148º da Idependência e 81º da República.
}}
{{c|[[:w:Costa_e_Silva|Costa e Silva]]}}
{{c|[[:w:Luís_da_Gama_e_Silva|Luís Antônio da Gama e Silva]]}}
{{c|[[:w:Augusto_Rademaker|Augusto Hamann Rademaker Grünewald]]}}
{{c|[[:w:Aurélio_de_Lira_Tavares|Aurélio de Lyra Tavares]]}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 8 —}}</noinclude>— “E o ajudante? Tem-n’o cá? — perguntei.
O rosto do meu pharoleiro mudou de expressão. Vi de relance que eram inimigos.
— “E’ aquelle estupor que lá pesca, — disse apontando da janella um vulto immovel, acocorado n’um penedo.
— “Está a apanhar garoupinhas. E’ o Cabrea. Máu companheiro, máu homem…
Entreparou. Percebi que mascava uma confidencia difficil. Mas a confidencia denunciou-se apenas. Gerebita sacudiu a cabeça e murmurou como de si para si:
— “Está cá de pouco, e é o unico homem no mundo que não podia cá estar! Já reclamei, já mostrei o perigo ao capitão do porto, mas qual!…
Estranha creatura, o homem! Isolados do mundo n’aquella fragua, ambos naufragos da vida, o odio os separava… Não faltavam, entretanto, accomodações no pharol para as familias dos seus guardiães. Porque não as tinham ali? Seria um bocado de mundo a lenir as agruras do emparedamento. Interpellei-o, mas Gerebita retrucou-me de modo enviezado:
— “Familia não tenho, isto é, tenho e não tenho. Tenho, porque sou casado, e não tenho porque… Historias! Estas coisas de familia é bom que fiquem cá com a gente.
Notei de novo que, a pique d’uma revelação, mascava o segredo, por desconfiança ou pudor. Suas feições endureceram. Sombras más annuvearam-lhe a physionomia. E mais torvo inda me pareceu quando Cabrea entrou, sobraçando um balaio de pescado. Typo de má cara, passou, em direitura á coisinha, sem nos volver um olhar. Mal se sumiu o bruto Gerebita exclamou “Raio do diabo!” {{hífen|perspe|perspegando}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 9 —}}</noinclude>{{hífen-fim|gando|perspegando}} n’um caixote expiatorio um murro de fender pinho. Depois:
— “O mundo é tão grande, ha tanta gente no mundo, e cae-me aqui o unico companheiro que eu não podia ter…
— “Porque?
— “Porque?… Porque… é um louco.
Entre o primeiro e o segundo “porque” notei transição radical. Dubio o primeiro, o segundo afigurou-se-me resoluto, como illuminado pelo clarão de uma ideia brotada no momento.
Desde esse dia nunca mais Gerebita abandonou o thema da loucura do outro. Demonstrava-m’a de mil maneiras.
— “E aqui, onde os sãos perdem a tramontana, — argumentava — um já assim rachado de telha aos tres por dois rebenta como bomba em fogueira. Eu jógo que não vára o mez. Não vê os seus modos?
Metade por suggestão, metade por observação leviana, razoavel me pareceu a prophecia, e como Gerebita sem cessar malhasse na mesma tecla, acabei por convencer-me que o casmurro era um fadado ao hospicio, com pouco tempo de equilibrio nos miolos.
Um dia Gerebita abordou a questão nestes termos:
— “Quero que o senhor me resolva um caso: estão dois homens sós n’uma casa; de repente um enlouquece e rompe, como cação esfomeado, sobre o outro. O outro deve deixar-se matar como um porco ou tem o direito de atolar a faca na garganta do bicho?
Era por demais clara a consulta. Respondi como um rabula positivo:
— “Se Cabrea enlouquecesse e te aggredisse, não havendo soccoro á mão, matal-o seria um direito natural de defesa. Matar {{hífen|pa|para}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|— 10 —}}</noinclude>{{hífen-fim|ra|para}} não morrer não é crime, mas isto só em ultimo caso, você comprehende.
— "Comprehendo, comprehendo, respondeu-me distrahidamente como quem lá segue os volteios duma ideia secreta e, depois de longa pausa,
— "Seja o que Deus quizer" — murmurou entre si, recahindo em scismas.
Deixei-me ficar á janella a ver cahir a tarde. Nada mais triste do que uma ave-maria no ermo. A tréva espessára as aguas e absorvia no céo os derradeiros palores da luz. No poente, um leque aluarado vermelhava nas varetas, com dedadas sangrentas de nuvens a barral-o de listrões horizonaes. Triste... A ardosia do mar, as primeiras estrellinhas entreluzindo a medo, o marulho na pedra, "tchá", "tchá", compassado, eterno... A alma confrangeu-se-me de angustia. Vi-me naufrago, retido para sempre n'um navio de pedra, grudado como desconforme craca na pedranceira da ilhota. E pela primeira vez na vida senti profundas saudades dessa coisa sordida a mais reles de quantas inventou a civilisação, o "café", com o seu tumulto, a sua poeira, o seu bafio a tabaco e a sua freguezia habitual de vagabundissimos "agentes de negocios"
Correram dias. Minto. No vazio daquele dissaborido viver no ermo o tempo não corria — arrastava-se com a lentidão da lesma por sobre o chão liso e sem fim.
Gerebita tornara-se enfadonho. Não mais narrava pinturescos incidentes da sua vida de marujo. Afferrado á idéa fixa da loucura do Cabrea, só cuidava em demonstrar-me os progressos della. Fóra desse thema sinistro sua<noinclude></noinclude>
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— “Comprehendo, comprehendo, {{reconstruído|respondeu-me}} distrahidamente como quem lá segue os volteios duma ideia secreta e, depois de longa pausa,
— “Seja o que Deus quizer” — murmurou entre si, recahindo em scismas.
Deixei-me ficar á janella a ver cahir a {{reconstruído|tarde}}. Nada mais triste do que uma ave-maria {{reconstruído|no}} ermo. A tréva espessára as aguas e {{reconstruído|absorvia}} no céo os derradeiros palores da luz. No poente, um leque aluarado vermelhava nas {{reconstruído|varetas}}, com dedadas sangrentas de nuvens {{reconstruído|a}} barral-o de listrões horizontaes. Triste… A ardosia do mar, as primeiras estrellinhas entreluzindo a medo, o marulho na pedra, “tchá”, “tchá”, compassado, eterno… A {{reconstruído|alma}} confrangeu-se-me de angustia. Vi-me {{reconstruído|naufrago}}, retido para sempre n’um navio de {{reconstruído|pedra}}, grudado como desconforme craca na {{reconstruído|pedranceira}} da ilhota. E pela primeira vez {{reconstruído|na}} vida senti profundas saudades dessa coisa {{reconstruído|sordida}}, a mais reles de quantas inventou a {{reconstruído|civilisação}}, o “café”, com o seu tumulto, a {{reconstruído|sua}} poeira, o seu bafio a tabaco e a sua freguezia habitual de vagabundissimos “agentes {{reconstruído|de}} negocios”
Correram dias. Minto. No vazio daquele {{reconstruído|dissaborido}} viver no ermo o tempo não corria — arrastava-se com a lentidão da lesma por {{reconstruído|sobre}} chão liso e sem fim.
Gerebita tornara-se enfadonho. Não mais {{reconstruído|narrava}} pinturescos incidentes da sua vida de {{reconstruído|marujo}}. Afferrado á idéa fixa da loucura do {{reconstruído|Cabrea}}, só cuidava em demonstrar-me os progressos della. Fóra desse thema sinistro sua<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 11 —}}</noinclude>occupação era seguir de olhos os navios que repontavam ao largo té vel-os sumirem na curva das aguas. Velas, poucas alvejavam, tirante barquinhas de pesca. Mas uma que surgia lá nos levava os olhos e a imaginação.
Como casa bem com o mar o barco de vela! E que sordido baratão craquento é ao pé delle o navio de vapor!
Escunas, corvetas, pequeninos “cutters”, fragatas, lugres, brigues, hiates… O que lá vae passano de leveza e graça!… Substituem-n’as, ás garças leves, feios escaravelhos de ferro e pixe; a ellas, que viviam de brisas e ventos, negros comedores de carvão, bicharocos que mugem roncos de touro enrouquecido.
Progresso amigo, tu és commodo, és delicioso, mas feio a valer.
Que fizeste da coisa linda que é a vela enfunada? do barco á antiga, onde resoavam canções de maruja, e todo se enleava de cordame, e trazia gageiro na gavea, e lendas de serpentes marinhas na bocca dos marinheiros, e a Nossa Senhora dos Navegantes em todas as almas, e o medo das sereias em todas as imaginações?
Desfez-se a poesia do reino encantado de Amphitrita ao ronco dos “Lusitanias”, hoteis ambulantes com “garçons” em vez de “lobos do mar”, incaracteristicos, cosmopolitas, sem donaire, sem capitães de suiças, pittorescos no falar como seiscentos milhões de caravellas. O carvão sujou a aquarella maravilhosa que Hannon e Ulysses vinha pintando o veleiro na tela oceanica…
— Se pára o caso dos loucos e te mettes por intermezos poeticos para uso de meninas<noinclude></noinclude>
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A propriedade literária e artística está garantida em todos os países que aderiram à Convenção de Berna. Março de 1911. No Brasil, pela lei nº 2.577 de 17 de Janeiro de 1912
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'''Artes Gráficas — Porto'''
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Historias e sonhos (1920)/O moleque
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[[Categoria:Lima Barreto]]
[[Categoria:Contos brasileiros]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{x-larger|'''''O Moleque'''''}}}}</noinclude>{{d|''A Arnaldo Damasceno Vieira''}}
Reclus, na sua Geographia Universal, tratando do Brasil, notava a necessidade de conservarmos os nomes tupys dos logares de uma terra. Têm elles, diz o grande geographo, a vantagem de possuir quasi todos um sentido claro, muito claro, nas suas palavras, exprimindo algum facto da natureza, a côr das aguas correntes, a altura, a forma ou o aspecto dos rochedos, a vegetação ou a aridez da região. No Rio de Janeiro, ha de facto nomes tupys tão eloquentes, para traduzir a forma ou o encanto dos logares que ficamos pasmos, quando lhes sabemos a significação, com o poder poetico, com a força de emoção superior de que eram capazes os primitivos cannibaes habitantes desta região, diante dos aspectos da natureza tão bella e singular que é a que cerca e limita a nossa cidade. Bastam os nomes da bahia. Como não traduz bem a sua seducção, o seu recato, a sua fascinação, o nome: Guanabara — seio do mar? E se o mar abriu aqui um seio foi para nelle esconder as suas aguas — Niteroy — agua escondida.
{{nop}}<noinclude>
<references/></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" /></noinclude>Esses nomes tupys, nos accidentes naturais das cercanias da cidade, são os documentos mais antigos que ella possui das vidas que aqui floresceram e morreram. Edificada em um terreno que é o mais antigo do globo, nos depósitos sedimentares das velhas regiões, até hoje não se encontram vestigios quaisquer da vida prehistórica. A terra é velha, mas as vidas que viveram nella, não deixaram, ao que parece, nenhum traço directo ou indirecto de sua passagem. Os mais antigos testemunhos das existências anteriores ás nossas, que por aqui passaram, são esses nomes em linguagem dos indios que habitavam estes logares; e são assim bem recentes, relativamente.
Ha, parece, na fatalidade destas terras, uma necessidade de não conservar impressões das sucessivas camadas de vida que ellas deviam ter presenciado o desenvolvimento e o desapparecimento. Estes nomes tupaicos mesmo tendem a desapparecer e todos sabem que, quando uma turma de trabalhadores, em excavações de qualquer natureza, encontra uma igaçaba, logo se apressam em partil-a, em destruil-a como cousa demoniaca ou indigna de ficar entre os de hoje. A pobre talha mortuaria dos tamoyos é sacrificada impiedosamente.
Frageis eram os artefactos dos indios e todas as suas outras obras; frageis são tambem as nossas de hoje, tanto assim que os mais antigos monumentos do Rio são de seculo e meio; e a cidade vae já para o caminho dos quatrocentos annos.
O nosso granito vetusto, tão velho quanto {{sic|á|a}} terra, sobre o qual repousa a cidade, capricha em querer o {{sic|fragir|fragil}}, o pouco duradouro. A sua grandeza e a sua antiguidade não admittem rivaes.
Ainda hoje esse espirito do logar domina a construcção dos nossos edifícios publicos e particulares, que estão a rachar e a desabar, a todo o instante. E’ como se a terra não deseje que fiquem nella, outras creações, outras vidas, senão as florestas que {{sic|ellas|ella}} gera, e os animaes que nestas vivem.
Ella as faz brotar, apezar de tudo, para sustentar e {{hífen|osten|ostentar}}<noinclude>
<references/></div></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|HISTORIAS E SONHOS||15}}</noinclude>{{hífen-fim|tar|ostentar}} um instante, vidas que devem desapparecer sem deixar vestigios. Extranho capricho…
Quer ser um recolhimento, um logar de repouso, de parada, para o turbilhão que arrasta a creação a constantes mudanças nos seres vivos; mas só isto, continuando ella firme, inabalavel, gerando e recebendo vidas; mas, de tal modo que as novas que viérem, não possam saber quaes foram as que lhes antecederam.
Desde que as suas rochas surgiram, quantas formas de vida ella já viu? Innumeras, milhares; mas de nenhuma quiz guardar uma lembrança, uma {{errata|religião|reliquia|Historias e sonhos (1920)/Errata}}, para que a Vida não acreditasse que podia rivalizar com a sua eternidade.
Mesmo os nomes indios, como já foi observado, se apagam, vão se apagando, para dar logar a nomes banaes de figurões ainda mais banaes, de fórma que essa pequena antiguidade de quatro seculos desapparecerá em breve, as novas denominações talvez não durem tanto.
Nenhum testemunho, dentro em pouco, haverá das almas que elles representam, dessas consciencias tamoyas que tentaram, com taes appelidos macular a virgindade da incalculavel duração da terra. Sapopemba, é já um general qualquer, e tantos outros logares do Rio de Janeiro, vão perdendo insensivelmente os seus nomes tupys.
Inhaùma é ainda dos poucos logares da cidade que conserva o seu primitivo nome caboclo, zombando dos esforços dos nossos edis para apagal-o.
E’ um subúrbio de gente pobre, e o bonde que lá leva, atravessa umas ruas de largura desigual, que, não se sabe, porque, ora são muito estreitas, ora muito largas, bordadas de casas e casitas sem que nellas se depare um jardinsinho mais tratado ou se lobrigue, aos fundos, uma horta mais viçosa. Ha, porém, robustas e velhas mangueiras que protestam contra aquelle abandono da terra. Fogem para lá, sobretudo para seus morros e escuros arredores, aquelles que ainda querem cultivar a Divindade como seus avós. Nas suas redondezas, é o logar das macumbas, das praticas de feitiçaria com que a theologia da policia implica, pois<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|16||HISTORIAS E SONHOS}}</noinclude>não póde admittir nas nossas almas depositos de crenças {{reconstruído|an}}cestraes. O espiritismo se mistura a elles e a sua difusão é pasmosa. A egreja catholica unicamente não satisfaz {{reconstruído|o}} nosso povo humilde. E’ quasi abstracta para elle, theor{{reconstruído|ica.}} Da divindade, não dá, apezar das imagens, de agua be{{reconstruído|nta}} e outros objetos do seu culto, nenhum signal p{{reconstruído|al}}pavel, tangivel de que ella está presente. O padre, para {{reconstruído|o}} grosso do povo, não se comunica no mal com ella; mas {{reconstruído|o}} medium, o feiticeiro, o macumbeiro, se não a recebem nos seus {{errata|trancos|transes|Historias e sonhos (1920)/Errata}}, recebem, entretanto, almas e espiritos que, por já não serem mais da Terra, estão mais perto de Deus {{reconstruído|e}} participam um pouco da sua eterna e immensa sabedoria.
Os mediuns que curam, merecem mais respeito {{sic|a|e}} veneração que os mais famosos medicos da moda. Os seus milagres são contados de bocca em bocca, e a gente de todas as condições e matizes de raça a elles recorre nos seus desesperos de perder a saude e ir ao encontro da Morte. O curioso — o que era preciso estudar mais de vagar — é o amalgama de tantas crenças desencontradas a que preside a egreja catholica com os seus santos e beatos. A feitiçaria{{reconstruído|,}} o espiritismo, a cartomancia e a agiologia catholica se baralham naquellas praticas, de modo que faz parecer que de tal baralhamento de sentimentos religiosos possa vir nascer uma grande religião, como nasceram de semelhantes misturas as maiores religiões historicas.
Na confusão do seu pensamento religioso, nas necessidades presentes de sua pobresa, nos seus embates moraes e dos familiares, cada uma dessas crenças attende a uma solicitação de cada uma daquellas almas, e a cada instante de suas necessidades.
A gravidade de pensamento que todo esse espectaculo provoca e as lembranças historicas que acodem, fazem perguntar se a terra que não tem querido guardar na sua grandeza traços das vidas e das almas que por {{sic|ellas|ella}} têm passado, ainda desta vez não consentirá que fiquem vestigios, pegadas, impressões das actuaes que, nella, hoje soffrem e mergulham, a seu modo, no Mysterio que nos<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|HISTORIAS E SONHOS||17}}</noinclude>cerca, para {{errata|esquecel-a soturnamente e a luz do sol|esquecel-as soturnamente; e pensa-se isto sob a luz do sol|Historias e sonhos (1920)/Errata}}, alegre, clara, forte e alta, que recorta no céo azul as montanhas que se alongam para tocal-o, {{errata|como se vê|tal como se vê|Historias e sonhos (1920)/Errata}} nesse logar de Inhaùma, antiga aldeia de indios, a serra dos Orgãos, solemne, soberba…
Numa das ruas desse humilde arrabalde, antes trilho que mesmo rua, em que as aguas cavaram sulcos caprichosos, todo elle bordado de {{errata|manacás|maricás|Historias e sonhos (1920)/Errata}} que, quando floriam, {{errata|tocavam-no|tôcavam-se|Historias e sonhos (1920)/Errata}} de flocos brancos, morava em um barracão D. Felismina.
O ''barracão'' é uma especie architectonica muito curiosa e muito especial áquellas paragens da cidade. Não é a nossa conhecida choupana de sapê e de paredes ''a sopapos''. E’ menos e é mais. E’ menos, porque em geral, é menor, com muito menos accommodações; é mais, porque a cobertura é mais civilisada; é de zinco ou de telhas. Ha duas especies. Em uma, as paredes são feitas de taboas; ás vezes, verdadeiramente taboas; em outras, de pedaços de caixões. A especie, mais aparentada com o nosso ''rancho'' roceiro, possue as paredes como este: são de taipa. Estes ultimos são mais baixos e a vegetação das bordas das ruas e caminhos os dissimula, aos olhos dos transeuntes; mas aquelles têm mais porte e não se envergonham de ser vistos. Ha alguns com dous aposentos; mas quasi sempre, tanto os de uma como de outra especie, só {{sic|possue|possuem}} um. A cozinha é feita fóra, sob um telheiro tosco, um puxado no telhado da edificação, para aproveitar o abrigo de uma das paredes da barraca; e tudo cercado do mais desolador abandono. Se o morador cria gallinhas, ellas vivem soltas, dormem nas arvores, misturam-se com as dos visinhos e, por isso, provocam rixas violentas entre as mulheres e maridos, quando disputam a posse dos ovos.
Por vezes, no fundo, na frente ou aos lados delles, ha uma arvore de mais vulto: um cajueiro, um mamoeiro, uma pitangueira, uma jaqueira, uma laranjeira; mas nenhum sinal de amanho do terreno, de tentativa de cultura, a não ser um canteirozinho com uns pés de {{hífen|mange|mangericão}}<noinclude></br>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 12 —}}</noinclude>olheirudas, vou dormir. Volta ao pharol, romanticão de má morte.
— Devia castigar-te sonegando á tua curiosidade o epilogo do meu drama, ó filho do Café e do carvão.
— Conta, conta.
— Certa tarde Gerebita chamou a minha attenção para o aggravamento da loucura de Cabrea e adduziu varias provas concludentes.
— “Queira Deus não seja hoje!…
— “Tens medo?
— “Medo? Eu? De Cabrea?
Queria que tu visses a extranha expressão de ferocidade que lhe endureceu o rosto!…
A conversa parou ahi. Gerebita chupava cachimbadas nervosas, fechado de sobrecenho como quem rumina uma idéa fixa. Deixou-me e logo em seguida subiu. Como anoitecesse, recolhi pouco depois e deitei-me. Dormi e sonhei. Sonhei um sonho agitadissimo, guinholesco, com luctas, facadas, o diabo. Lembro-me que, aggredido por um facinora, desfechei contra elle cinco tiros de revólver; as balas, porém, grudaram-se á parede e deram de resoar e barulhar d’um modo tal que me despertou. Mas, acordado, continuei a ouvir o mesmo rumor, vindo de cima, da lanterna. Presinto a catastrophe esperada. Salto da cama, e aguço o ouvido: barulho de lucta. Corro á escada, galgo-a aos tres degráos, mas no topo esbarro com a porta fechada. Tento abril-a; não cede. Escuto: era de facto lucta. Rolavam corpos no chão, fazendo retinir os vidros da lanterna, e ouvia-se um resfolegar surdo entremeiado de embates contra os moveis. Completa escuridão. Nenhuma restea de luz coava para a escada.
Minha situação era esquerda. Ficar ali, {{hífen|inu|inutil}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 13 —}}</noinclude>{{hífen-fim|til|inutil}}, quando portas a dentro dois homens se entrematavam?
Estava nessa dubiedade quando um choque violento escancarou-me a porta{{corr||.}} Um clarão de sol chofrou-me os olhos. Senti nas pernas um tranco e rodei escada abaixo, de cambulhada com dois corpos engalfinhados. Ergui-me, tonto, e vi em rebolo no chão os dois pharoleiros atracados. Atirei-me á lucta em auxilio de Gerebita.
— “Dois contra um! gemeu Cabrea suffocado, é cobardia!
Pela primeira vez lhe ouvia a voz, e hoje noto que nada nella denunciava loucura. No momento pensei diversamente, se é que pensei alguma coisa.
Gerebita, com grande assombro meu, tambem me repelliu.
— “Não, não! Eu só!
Nisto um pégão de nortada, varrendo a torre, trancou a porta do lanternim com estrondo. Envolveu-nos de novo a escuridão.
Começa aqui o horror.
Os rugidos que ouvi, os arrancos e sacões formidaveis da lucta nas trevas, a minha anciedade… Estão ahi uns minutos de vida que não desejo ver reproduzidos.
Perdi a noção do tempo. Durou muito aquillo? Não sei dizer. Só sei que, a tantas, ouvi, escapo ao peito de Gerebita, um urro de dor, e logo em seguida uma imprecação, “desgraçado”, cujas derradeiras syllabas morreram n’um trincar de dentes atassalhando carnos. Cabrea grugulejou uns roncos que se casaram com o arquejar do peito de Gerebita. A lucta esmoreceu.
Sem palavras na bocca, cegado pela escuridão, eu só ouvia, fóra, os uivos da nortada, e ali, aquelle arquejo do vencedor exhausto,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 14 —}}</noinclude>cahido á beira do vencido. Com os olhos da imaginação eu via esse quadro, que com os da cara enxergava tanto como se tivera a cabeça envolta em velludo negro.
Não te conto os pormenores do epilogo. Obtive luz e o que vi não te conto. Não te descrevo o hediondo aspecto de Cabrea, com a carotida estralhaçada a dente, cahido n’um lago de sangue. Nem te digo o estado de Gerebita, com a cara e o peito vermelhos, a mão sangrenta com um dedo a menos, estatelado no chão sem sentidos. Nem te conto os meus transes diante daquelles corpos martyrisados, áquella hora da noite, daquella terrivel noite, negra como esta e sacudida por um vento do
inferno…
Na manhã seguinte Gerebita pousou a mão no meu hombro e disse:
— “O mar não leva daqui os corpos á praia. O mundo não precisa saber de que morreu Cabrea. Cahiu n’agua, — morte de marinheiro, e o moço é testemunha de que matei para não morrer. Foi defesa. Agora vae jurar-me
que isto ficará entre nós.
Jurei-o lealmente, tocando de leve a mão mutilada. E elle, num accesso de infinito desalento, quedou-se immovel, a olhar para o chão, murmurando insistentemente:
— “Eu bem avisei. Não me acreditaram. Agora, está ahi, está ahi, está ahi…
Nesse mesmo dia veiu buscar-me o Dunga. Mal a “Gaivota” largou, narrei-lhe a morte do pharoleiro, romanceando-a: Cabrea, louco, a despenhar-se torre abaixo e a sumir-se para sempre no seio das ondas.
Dunga, assombrado, susteve no ar os remos.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 15 —}}</noinclude>— “Pois morreu? e louco?
— “Está claro!
— “Claro lhe parece, que a mim…
— “Conhecia-o?
— “Não conhecia outra coisa. Des’que furtou a Maria Rita…
— “Que Maria Rita?
— “Pois a Maria Rita, mulher do Gerebita, então não sabe? que elle seduziu, hom’essa.
Abri a minha maior bocca e arregalei o que pude os olhos.
— “Como sabe disso?
— “E’ boa. Sei porque sei, como sei que aquella gaivota que ali vae é uma e que este mar é mar. A Maria Rila era uma morena de truz, perigosa como o demo. O tolo do Gerebita derreou-se d’amores pela bisca e lá casou. E vae ella, a songuinha, mal o homem sahia no “Puru’s”, mettia em casa ao Cabrea. E nesse jogo viveram até que um dia fugiram juntos para outra terra. O pobre do Gerebita, se não acabou de paixão, é que é teso. Mas entrou para o pharol, o que é tambem um modo de morrer p’r’o mundo. Pois bem. A bola vira, o tempo corre, e vae senão quando quem mette o Governo no pharol, em lugar do defunto Gavriel? Ao Cabrea! Ao Cabrea que tambem andava descrente da vida porque a Rita fugira com terceiro. Coisas do mundo. Agora diz-me V. S. que o homem enlouqueceu e rodou do penedo e lá o róe o peixe. Está bem. Antes assim. Que do contrario era em ponta de faca que aquillo acabaria.
Calei-me. Ha situações na vida em que as ideias embaralham de tal arte que é de bom conselho deixal-as assentarem-se de per si, como liquidos turvos. Eis como…
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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{{lh}}
{{dhr|0.25em}}
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{{c|SERMÃO|style=font-family:serif|fs=450%}}
{{c|PELO BOM SUCCESSO|style=font-family:serif|fs=130%}}
{{c|{{sc|das}}|style=font-family:serif}}
{{c|ARMAS DE PORTUGAL|style=letter-spacing:10px;font-family:serif|fs=350%}}
{{c|CONTRA AS DE HOLLANDA|style=font-family:serif|fs=180%}}
{{c|'''Prégado na Egreja de Nossa Senhora d’Ajuda da cidade da Bahia, no anno de 1640.'''}}
{{lh|4em}}
{{alinhamento deslocado|{{justificado|''Exurge, quare obdormis, Domine? Exurge, et ne repellas in finem. Quare faciem tuam avertis, oblivisceris inopiæ nostræ, et tribulationis nostræ? Exurge, Domine, adjuva nos et redime, non propter nomen tuum.'' — Psal. 43.}}}}
{{c|I.}}
Com estas palavras piedosamente resolutas, mais protestando que orando, dá fim o Propheta Rei ao psalmo quarenta e tres — psalmo que desde o principio até o fim não parece senão cortado para os tempos e occasião presente. O doutor maximo S. Jeronymo, e depois delle os outros expositores, dizem que se intende á letra de qualquer reino, ou provincia catholica, destruida e assolada por inimigos da fé. Mas entre todos os reinos do mundo a nenhum quadra melhor que ao nosso reino de Portugal; e entre todas as provincias de Portugal a nenhuma vem mais ao justo que á miseravel provincia do Brazil. Vamos lendo todo o psalmo, e em todas as clausulas delle veremos retratadas os da nossa fortuna; o que fomos, e o que somos.
{{nop}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{rh|6|SERMÕES.|}}</noinclude>''Deus auribus nostris audivimus, Patres nostri annuntiaverunt: nobis opus, quod operatus et in diebus eorum, et in diebus antiquis.'' (Psal. XLIII — 2) Ouvimos (começa o Propheta) a nossos paes, lemos nas nossas historias, ainda os mais velhos viram, em parte, com seus olhos, as obras maravilhosas, as proezas, as victorias, as conquistas, que por meio dos portuguezes obrou em tempos passados vossa omnipotencia, Senhor: ''Manus tua gentes disperdidit, et plantasti eos: afflixiste populos, et expulisti eos.'' (Ibid. — 3) Vossa mão foi a que venceu e sujeitou tantas nações barbaras, belicosas e indomitas, e as despojou do dominio de suas proprias terras, para nellas os plantar, como plantou com tão bem fundadas raizes; e para nellas os dilatar, como dilatou, e estendeu em todas as partes do mundo, na Africa, na Asia, na America. ''Nec enim in gladio suo possederunt terram, et brachium eorum non salvavit eos, sed dextera tua, et brachium tuum, et illuminatio vultus tui, quoniam complacuisti in eis.'' (Ibid. — 4) Porque não foi a força do seu braço, nem a da sua espada a que lhes sujeitou as terras que possuiram, e as gentes e reis que avassallaram, senão a virtude de vossa dextra omnipotente, e a luz e o premio supremo de vosso beneplacito, com que nelles vos agradastes, e delles vos servistes. Até aqui a relação ou memoria das felicidades passadas, com que passa o Propheta aos tempos e desgraças presentes.
''Nunc autem repulisti et confudisti nos: et non egredieris Deus in virtutibus nostris.'' (Ibid. — 10) Porém agora, Senhor, vemos tudo isto tão trocado, que já parece que nos deixastes de todo, e nos lançastes de vós, porque já não ides diante das nossas bandeiras, nem capitaneaes como d’antes os nossos exercitos: ''Avertisti non retrorsum post inimicos nostros, et qui oderunt nos, diripiebant sibi.'' (Ibid. — 11) Os que tão costumados eramos a vencer e triumphar, não por fracos, mas por castigados, fazeis que voltemos as costas a nossos inimigos (que como são açoute de vossa justiça, justo é que lhes demos as costas), e perdidos os que antigamente foram despojos do nosso valor, são agora roubo da sua cobiça: ''Dedisti nos tanquam oves escarum: et in gentibus dispersisti nos'' (Ibid. — 12). Os velhos, as mulheres, os meninos não teem forças, nem armas com que se defender, morrem como ovelhas<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|7}}</noinclude>innocentes ás mãos da crueldade heretica, e os que podem escapar á morte, desterrando-se a terras estranhas, perdem a casa e a patria: ''Posuisti nos opprobrium vicinis nostris, subsanationem, et derisum his, qui sunt in circuitu nostro'' (Ibid. — 14). Não fôra tanto para sentir, se, perdidas fazendas e vidas, se salvára ao menos a honra; mas tambem esta a passos contados se vae perdendo; e aquelle nome portuguez, tão celebrado nos annaes da fama, já o herege insolente com as victorias o affronta, e o gentio de que estamos cercados, e que tanto o venerava e temia, já o despreza.
Com tanta propriedade como isto descreve David neste psalmo nossas desgraças, contrapondo o que somos hoje ao que {{corr|fomosem|fomos em}} quanto Deus queria, para que na experiencia {{corr|presonte|presente}} cresça a dôr por opposição com a memoria do passado. Occorre aqui ao pensamento o que não é licito sair á lingua; e não falta quem discorra tacitamente, que a causa desta differença tão notavel foi a mudança da monarchia. Não havia de ser assim (dizem) se vivêra um D. Manuel, um D. João o terceiro, ou a fatalidade de um Sebastião não sepultára com elle os reis portuguezes. Mas o mesmo Propheta no mesmo psalmo nos dá o desengano desta falsa maginação: ''Tu es ipse rex meus, et Deus meus: qui mandas salutes Jacob'' (Ibid. (Ibid. — 5). O reino de Portugal, como o mesmo Deus nos declarou na sua fundação, é reino seu e não nosso: ''Volo enim in tes et in semine tuo imperium mihi stabilire''; e como Deus é o rei: ''Tu es ipse rex meus, et Deus meus''; e este rei é o que manda, e o que governa: ''Qui mandas salutes Jacob'', elle que não se muda, é o que causa estas differenças, e não os reis que se mudaram. Á vista, pois, desta verdade certa, e sem engano, esteve um pouco suspenso o nosso Propheta na consideração de tantas calamidades, até que para remedio dellas o mesmo Deus, que o alumiava, lhe inspirou um conselho altissimo, nas palavras que tomei por thema.
''Exurge, quare obdormis, Domine? Exurge, et ne repellas in finem. Quare faciem tuam avertis, oblivisceris inopiæ nostræ, et tribulationis nostræ? Exurge, Domixe, adjuva nos, et redime nos propter nomen tuum''. Não préga David ao povo, não o exhorta ou reprehende, não faz contra elle invictivas, posto que bem {{hífen|mereci|merecidas}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{rh|8|SERMÕES.|}}</noinclude>{{hífen-fim|das|merecidas}}; mas todo arrebatado de um novo e extraordinario espirito, se volta não só a Deus, mas piedosamente atrevido contra elle. Assim como Martha disse a Christo: ''Domine non est tibi curæ?'' (S. Luc. X {{--}} 40) assim estranha David reverentemente a Deus, e quasi o accusa de descuidado. Queixa-se das desattenções de sua misericordia e providencia, que isso é considerar a Deus dormindo: ''Exurge, quare obdormis Domine?'' Repete-lhe que accorde, e que não deixe chegar os damnos ao fim, permissão indigna de sua piedade: ''Exurge, et ne repellas in finem.'' Pede-lhe a razão por que aparta de nós os olhos e nos volta o rosto: ''Quare faciem tuam avertis;'' e por que se esquece da nossa miseria, e não faz caso de nossos trabalhos: ''Oblivisceris inopiæ nostræ et tribulationis nostræ?'' E não só pede de qualquer modo esta razão do que Deus faz e permitte, senão que insta a que lh’a dê, uma e outra vez: ''Quare obdormis? Quare oblivisceris?'' Finalmente, depois destas perguntas, a que suppõe que não tem Deus resposta, e destes argumentos com que presume o tem convencido, protesta diante do tribunal de sua justiça e piedade, que tem obrigação de nos acudir, de nos ajudar, e de nos libertar logo: ''Exurge, Domine, adjuva nos, et redime nos''. E para mais obrigar ao mesmo Senhor, não protesta por nosso bem e remedio, senão por parte da sua honra e gloria: ''Propter nomen tuum.''
Esta é (Todo Poderoso e Todo Misericordioso Deus), esta é a traça de que usou para render vossa piedade, quem tanto se conformava com vosso coração. E desta usarei eu tambem hoje, pois o estado em que nos vemos, mais é o mesmo que similhante. Não hei de prégar hoje ao povo, não hei de fallar com os homens; mais alto hão de sair as minhas palavras ou as minhas vozes: a vosso peito divino se ha de dirigir todo o sermão. É este o ultimo de quinze dias continuos, em que todas as egrejas desta Metropole, a esse mesmo throno de vossa patente Magestade teem representado suas deprecações; e pois o dia é o ultimo, justo será que nelle se acuda tambem ao ultimo e unico remedio. Todos estes dias se cançaram debalde os oradores evangelicos em prégar penitencia aos homens; e pois elles se não converteram, quero eu, Senhor, converter-vos a vós. Tão presumido. venho de vossa {{hífen|mi|misericordia}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|9}}</noinclude>{{hífen-fim|sericordia|misericordia}}, Deus meu, que ainda que nós somos os peccadores, vós haveis de ser o arrependido.
O que venho a pedir ou protestar, Senhor, é que nos ajudeis e nos liberteis ''Adjuva nos, et redime nos''. Mui conformes são estas petições ambas ao logar e ao tempo. Em tempo que tão opprimidos e tão captivos estamos, que devemos pedir com maior necessidade senão que nos liberteis: ''Redime nos?'' E na casa da Senhora d’Ajuda, que devemos esperar com maior confiança, senão que nos ajudeis: ''Adjuva nos?'' Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando, pois esta é a licença e liberdade que tem quem não pede favor senão justiça. Se a causa fôra só nossa, e eu viera a rogar só por nosso remedio, pedira favor e misericordia. Mas como a causa, Senhor, é mais vossa que nossa, e como venho a requerer por parte de vossa honra e gloria, e pelo credito de vosso nome: ''Propter nomen tuum'', razão é que peça só razão, justo é que peça só justiça. Sobre este presupposto vos hei de arguir, vos hei de argumentar; e confio tanto da vossa razão e da vossa benignidade, que tambem vos hei de convencer. Se chegar a me queixar de vós, e a accusar as dilações de vossa justiça, ou as desattenções de vossa misericordia: ''Quare obdormis: quare oblivisceris'', não será esta vez a primeira em que soffrestes similhantes excessos a quem advoga por vossa causa. As custas de toda a demanda tambem vós, Senhor, as haveis de pagar, porque me ha de dar a vossa mesma graça as razões com que vos hei de arguir, a efficacia com que vos hei de apertar, e todas as armas com que vos hei de render. E se para isto não bastam os merecimentos da causa, supprirão os da Virgem Santissima, em cuja ajuda principalmente confio: ''Ave Maria''.
{{c|II.}}
''Exurge, quare obdormis, Domine?'' Querer argumentar com Deus, e convencel-o com razões, não só difficultoso assumpto parece, mas empreza declaradamente impossivel, sobre arrojada temeridade. ''Ó Homo, tu quis es, qui respondeas Deus? Nunquid dici figmentum ei, qui se finxit: Quid me fecisti sic?'' (Rom. IX<noinclude>{{smaller|{{rh|T. I.||2}}}}</noinclude>
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Vinicius Gasparin
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<noinclude><pagequality level="4" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{c|class=capa|{{larger|EÇA DE QUEIROZ}}{{traço}}
{{dhr|3em}}
{{Xxxx-larger|O PRIMO<br />BASÍLIO}}<br />(EPISÓDIO DOMÉSTICO)
{{Imagem float-p|file=Decus in Labore - Livraria Lello (alternativo).png|width=60px|align=center|padt=5em|padb=5em}}
LELLO & IRMÃO — EDITORES<br />{{fine|RUA DAS CARMELITAS, 144 — PORTO}}}}<noinclude></noinclude>
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Junglk
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" /></noinclude>{{dhr|2}}
{{c|THEORIA DO MEDALHÃO|fs=170%|style=word-spacing:0.3em}}
{{c|{{sc|DIALOGO.}}}}
{{dhr|2}}
{{lh}}
{{dhr|4}}
— Estás com somno?
— Não, senhor.
— Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela.
Que horas são?
— Onze.
— Sahiu o ultimo conviva do nosso modesto jantar.
Com que, meu peralta, chegaste aos teus vinte e um
annos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de
1854, vinhas tu á luz, um pirralho de nada, e estás
homem, longos bigodes, alguns namoros…
— Papai…
— Não te ponhas com denguices, e fallemos como
dous amigos sérios. Fecha aquella porta; vou dizer-te
cousas importantes. Senta-te e conversemos. Vinte
e um annos, algumas apolices, um diploma, pódes<noinclude></noinclude>
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Vinicius Gasparin
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{c|ATO INSTITUCIONAL Nº 6, DE 1º DE FEVEREIRO DE 1969}}
{{c|O Presidente da República,}}
{{Justificado|
{{Gap}}Considerando que, como decorre do [[Ato_Institucional_Número_Cinco|Ato Institucional nº 5]], de 13 de dezembro de 1968, a Revolução Brasileira reafirmou não se haver exaurido o seu Poder Constituinte, cuja ação continua e continuará, em tôda sua plenitude, para atingir os ideais superiores do movimento revolucionário e consolidar a sua obra;
{{Gap}}Considerando que, como órgão máximo do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal é uma instituição de ordem constitucional, recebendo da Lei Maior, devidamente definidas, sua estrutura, atribuições e competência;
{{Gap}}Considerando haver o Governo, que ainda detém o Poder Constituinte, admitido, por conveniência da própria Justiça, a necessidade de modificar a composição e de alterar a competetência do Supremo Tribunal Federal, visando a fortalecer sua posição de Côrte eminentemente constitucional e, reduzindolhe os encargos, faciliter o exercício de suas atribuições;
{{Gap}}Considerando que as pessoas atingidas pelas{{PT||sanções políticas e administrativas do processo revolucionário devem ter igualdade de tratamento sob o império das normas institucionais e demais regras legais delas decorrentes,}}
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/61
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Era o sapo. Narizinho respirou, alliviada, e abrindo a janella perguntou-lhe o que
havia.
— Tu me salvaste a vida, respondeu o
sapo, e eu quero salvar a tua. Escuta lá. Depois que me tiraram as pedrinhas da barriga, eu sahi do jardim e fui encorujar-me
num canto escuro para sarar da cortadura
com todo o meu sossego. Achei uma tóca a
meu geito e lá estava a cochilar, quando, á
meia noite, ouvi cochicho de vozes ao lado.
Como sou muito curioso, encostei o ouvido
a uma fresta que dava para o carcere do Escorpião Negro e puz-me a escutar. A principio me pareceu que o monstro cego falava
comsigo mesmo. Mas não era assim. O mons{{PT||tro conversava com o capitão da guarda, cuja
voz conheço muito bem. Estavam conspirando contra o principe, e muito tempo levaram combinando os planos duma revolta
afim de matar o principe e enforcar todos
os nobres do reino. Combinaram tambem
que subiria ao throno o Escorpião cego, sendo Narizinho obrigada a casar com elle...}}
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 61 crop).jpg|centro|350px]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{PT|tro conversava com o capitão da guarda, cuja
voz conheço muito bem. Estavam conspirando contra o principe, e muito tempo levaram combinando os planos duma revolta
afim de matar o principe e enforcar todos
os nobres do reino. Combinaram tambem
que subiria ao throno o Escorpião cego, sendo Narizinho obrigada a casar com elle...}}
A menina, mal ouviu aquillo, arregalou
os olhos e ficou
sem fala uma
porção de tempo,
com o coração
aos pinotes.
— Tia Nastacia, acuda! exclamou ella, cahindo numa cadeira
com um chilique
tal que o major Agarra se viu em apuros
para despertal-a com borrifos dʼagua fria.
Quando Narizinho voltou a si, o sapo disse:
— Vamos, menina ! Nada de fraquezas.
Eʼ preciso avisar o principe emquanto é
tempo.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{PT|tro conversava com o capitão da guarda, cuja
voz conheço muito bem. Estavam conspirando contra o principe, e muito tempo levaram combinando os planos duma revolta
afim de matar o principe e enforcar todos
os nobres do reino. Combinaram tambem
que subiria ao throno o Escorpião cego, sendo Narizinho obrigada a casar com elle...}}
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A menina, mal ouviu aquillo, arregalou
os olhos e ficou
sem fala uma
porção de tempo,
com o coração
aos pinotes.
— Tia Nastacia, acuda! exclamou ella, cahindo numa cadeira
com um chilique
tal que o major Agarra se viu em apuros
para despertal-a com borrifos dʼagua fria.
Quando Narizinho voltou a si, o sapo disse:
— Vamos, menina ! Nada de fraquezas.
Eʼ preciso avisar o principe emquanto é
tempo.
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Narizinho, com lagrimas nos olhos, agradeceu o aviso do sapo e sahiu correndo
em direcção aos aposentos do principe. Lá
bateu na porta, furiosamente. O principe, assim que ouviu as
pancadas, julgou
que fosse o mordomo com a noticia dʼalgum novo
inimigo que houvesse penetrado
no reino, e corajosamente pulou
da cama de espada na mão; mas vendo em
sua frente Narizinho, em camisola, abriu a
bocca, num espanto.
— Depressa, principe ! Estão conspirando contra a vossa vida !... disse ella. E
desfiou toda a historia contada pelo sapo. O
principe ouviu tudo em silencio, de cara amarrada. E depois de meditar uns momentos disse com uma grande calma:
— Estou acostumado á lucta e sei defender-me. Volta para o teu quarto e dorme
sossegada que esta noite mesmo castigarei
os criminosos.
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XVI
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O projectil, apenas expellido, havia de escapar em poucos decimos de segundo ao alcance da vista; depois para poucos privilegiados era verem com os proprios olhos o que lhe havia de succeder, como se haveria através do espaço, e por que fórma havia de alcançar a Lua. Por este motivo é que os preparativos para a experiencia e os exactos pormenores da execução eram, para a maioria, a parte verdadeiramente interessante dʼella. E todavia o at...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|87|borda_inferior=sim}}</noinclude>O projectil, apenas expellido, havia de escapar em poucos decimos de segundo ao alcance da vista; depois para poucos privilegiados era verem com os proprios olhos o que lhe havia de succeder, como se haveria através do espaço, e por que fórma havia de alcançar a Lua. Por este motivo é que os preparativos para a experiencia e os exactos pormenores da execução eram, para a maioria, a parte verdadeiramente interessante dʼella.
E todavia o attractivo puramente scientifico do emprehendimento recebeu de um subito incidente novo incitamento.
Já dissemos de quão numerosas legiões de admiradores e amigos tinha o projecto Barbicane trazido a adhesão ao seu auctor, e comtudo por mais honrosa e extraordinaria que fosse, aquella maioria não tinha de ter unanimidade. Um só homem, um só em todos os Estados da União, lavrou protesto contra a tentativa do Gun-Club, que atacou com violencia sempre que se lhe proporcionou para isso occasião; e, tal é a natureza humana, que para Barbicane valeu mais aquella opposição de um só do que os applausos de todos os outros.
Apesar de que Barbicane bem conhecia quaes os motivos de tal antipathia, e dʼonde vinha aquella solitaria inimizade, que era pessoal e de antiga data, e finalmente em que rivalidades de amor proprio creára raizes.
Aquelle perseverante inimigo, nunca o presidente do Gun-Club o tinha visto. E felizmente, porque o encontro dʼaquelles dois homens havia por certo de trazer consequencias funestas.
Aquelle rival era, como Barbicane, um homem de sciencia, natureza altiva, audaz, convicta e violenta, um yankee puro. Chamavam-lhe o capitão Nicholl, e habitava em Philadelphia.
Ninguem desconhece a curiosa luta que durante a guerra federal se travou entre o projectil e a couraça dos navios blindados; aquelle tinha por fito especial varar esta; esta obstinava-se decididamente a não se deixar varar.
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Dʼeste facto proveio uma transformação de raiz na marinha dos differentes estados dos dois continentes. Bala e couraça lutaram com obstinação nunca vista; crescia o volume de uma, augmentava logo a espessura da outra, e em constante proporção. Os navios marchavam para o fogo armados de peças formidaveis e abrigados por invulneravel concha. Os ''Merrimac'', os ''Monitor'', os ''Ram-Tenesse'', os ''Weckausen''<ref>Navios de guerra american...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|88|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>Dʼeste facto proveio uma transformação de raiz na marinha dos differentes estados dos dois continentes.
Bala e couraça lutaram com obstinação nunca vista; crescia o volume de uma, augmentava logo a espessura da outra, e em constante proporção.
Os navios marchavam para o fogo armados de peças formidaveis e abrigados por invulneravel concha. Os ''Merrimac'', os ''Monitor'', os ''Ram-Tenesse'', os ''Weckausen''<ref>Navios de guerra americanos.</ref> arremessavam enormes projectis, depois de encouraçados contra os projectis alheios. Faziam a outrem o que não queriam que lhes fizessem, que é o principio immoral sobre que assenta toda a arte da guerra.
Ora se Barbicane fôra notavel fundidor de projectis, Nicholl não lhe ficára a dever nada como forjador de chapas para couraças. Fundia um de noite e de dia em Baltimore, forjava o outro de dia e de noite em Philadelphia. Cada um dʼelles seguia ordem de idéas diametralmente oppostas.
Barbicane a inventar nova bala, e Nicholl a inventar nova couraça. Passava o presidente do Gun-Club a vida a abrir buracos, e o capitão gastava os dias da existência a impedir-lhʼo. Dʼaqui nasceu uma rivalidade de todos os instantes, que dos factos foi passando ás pessoas. Apparecia Nicholl a Barbicane em sonhos sob fórma de impenetravel couraça de encontro á qual se ia fazer pedaços, Barbicane apparecia nas visões nocturnas de Nicholl qual projectil que o varava de lado a lado.
E comtudo, apesar de caminharem por linhas divergentes, estes homens tinham de encontrar-se um dia, apesar de todos os axiomas da sciencia geometrica; mas havia de ser no terreno do duello. Muito felizmente para cidadãos tão uteis ao seu paiz, separavam-nos boas cincoenta ou sessenta milhas, e os amigos de am-<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: bos semearam-lhe o caminho de taes e tantos obstaculos, que nunca conseguiram encontrar-se. Lá qual dos dois inventores levava a palma ao outro, é que ninguem sabia ao certo: os resultados obtidos tornavam difficil apreciar com justiça. No fim de contas, o que mais plausivel parecia, é que a couraça havia de ser a primeira a ceder á bala, e todavia para os competentes ainda era caso de duvida. Por occasião das ultimas experiencias feitas...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|89|borda_inferior=sim}}</noinclude>bos semearam-lhe o caminho de taes e tantos obstaculos, que nunca conseguiram encontrar-se.
Lá qual dos dois inventores levava a palma ao outro, é que ninguem sabia ao certo: os resultados obtidos tornavam difficil apreciar com justiça. No fim de contas, o que mais plausivel parecia, é que a couraça havia de ser a primeira a ceder á bala, e todavia para os competentes ainda era caso de duvida. Por occasião das ultimas experiencias feitas, os projectis cylindro-conicos de Barbicane tinham ido espetar-se como alfinetes nas couraças de Nicholl; nʼesse dia reputou-se o forjador de chapas de couraça de Philadelphia plenamente victorioso, e o mais profundo desprezo pareceu-lhe ainda sentimento demasiadamente elevado para pagar os merecimentos do seu rival; mas quando este, algum tempo depois, substituiu por simples obuzes de seiscentas libras as balas conicas, teve o capitão que descer do alto pedestal das suas pretensões. E na realidade estes projectis, aindaque animados de mediocre velocidade<ref>O peso de polvora empregado era apenas um duodecimo do peso do obuz.</ref>, esmigalharam, esburacaram, fizeram voar em pedaços as chapas de melhor metal.
Tinham as cousas chegado a estes pontos, e a todos parecia que a bala devia ficar com a palma da victoria, quando terminou a guerra no mesmo dia em que Nicholl dava a ultima demão a uma nova couraça de aço forjado! No seu genero, era esta verdadeira obra prima, e capaz de desafiar todos os projectis imaginaveis. Fê-la o capitão transportar para o polygono de Washington, e mandou cartel ao presidente do Gun-Club, desafiando-o a vará-la.
Barbicane, como a paz já estava feita, não quiz tentar a experiencia. Nicholl, então, furioso, offereceu expor a chapa que inventara ao choque das balas mais inverosimeis, massiças, ôcas,<noinclude>{{smallrefs}} {{right|12}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" />{{c|{{xx-larger|ERRATA}}}}</noinclude>Durante a impressão deste livro, por motivos totalmente
intimos, foram atormentadas as condições de vida, tanto
da do autor como da do seu amigo que se encarregou da
revisão das respectivas provas. Não foi possivel, por isso,
que o primeiro seguisse esse trabalho enfadonho, como era
do seu dever, e que o segundo puzesse toda a sua attenção
na ingrata tarefa a que se havia imposto com a maxima boa
vontade.
Dessa forma, a modesta obra sahiu impressa cheia de
«gatos», alguns, por insignificantes, capazes de serem immediatamente corrigidos pelo leitor de bôa fé, como sejam:
a troca de ''a'' por ''o'' e vice-versa, a omissão de certas palavras, algumas faltas na pontuação, etc; entretanto ha outros descuidos mais graves que precisam ser indicados e emendados.
Como são, relativamente, muitos, a errata que se segue,
sai um pouco longa. O editor e o autor pedem ao leitor
mil desculpas por esse defeito do livro, que, embora pequeno, os acabrunha immensamente; mas são obrigados a
fazel-o, no proprio interesse do leitor.
Eis a errata:
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{xx-larger|ERRATA}}}}</noinclude>Durante a impressão deste livro, por motivos totalmente
intimos, foram atormentadas as condições de vida, tanto
da do autor como da do seu amigo que se encarregou da
revisão das respectivas provas. Não foi possivel, por isso,
que o primeiro seguisse esse trabalho enfadonho, como era
do seu dever, e que o segundo puzesse toda a sua attenção
na ingrata tarefa a que se havia imposto com a maxima boa
vontade.
Dessa forma, a modesta obra sahiu impressa cheia de
«gatos», alguns, por insignificantes, capazes de serem immediatamente corrigidos pelo leitor de bôa fé, como sejam:
a troca de ''a'' por ''o'' e vice-versa, a omissão de certas palavras, algumas faltas na pontuação, etc; entretanto ha outros descuidos mais graves que precisam ser indicados e emendados.
Como são, relativamente, muitos, a errata que se segue,
sai um pouco longa. O editor e o autor pedem ao leitor
mil desculpas por esse defeito do livro, que, embora pequeno, os acabrunha immensamente; mas são obrigados a
fazel-o, no proprio interesse do leitor.
Eis a errata:
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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|-
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<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{c|ATO INSTITUCIONAL Nº 13, DE 5 DE SETEMBRO DE 1969}}
{{Bloco direito|OS MINISTROS DE ESTADO DA MARINHA DE GUERRA, DO<br/> EXERCITO E DA AERONÁUTICA MILITAR, no uso das<br/> atribuições que lhes confere o artigo 1º do [[Ato_Institucional_Número_Doze|Ato Institucional nº 12]],<br/> de 31 de agosto de 1969, RESOLVEM editar o seguinte}}
{{c|ATO INSTITUCIONAL}}
{{Justificado|
{{Gap}}Art. 1º- O Poder Executivo poderá, mediante proposta dos Ministros de Estado da Justiça, da Marinha de Guerra, do Exército ou da Aeronáutica Militar, banir do território nacional o brasileiro que, comprovadamente, se tornar inconveniente, nocivo ou perigoso à Segurança Nacional.
{{Gap}}Parágrafo único - Enquanto perdurar o banimento, ficam suspensos o processo ou a execução da pena a que, por ventura, esteja respondendo ou condenado o banido, assim como a prescrição da ação ou da condenação.
{{Gap}}Art. 2º Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com êste Ato Institucional e Atos Complementares dêle decorrentes, bem como os {{PT||respectivos efeitos.}}
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Vinicius Gasparin" /></noinclude>{{PT|respectivos efeitos.}}
{{Justificado|
{{Gap}}Art. 3º Este Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
{{Gap}}Brasília, em 5 de setembro de 1969;<br/>
148º da Independência e 81º da República.
}}
{{c|[[:w:Augusto_Rademaker|Augusto Hamann Rademaker Grünewald]]}}
{{c|[[:w:Aurélio_de_Lira_Tavares|Aurélio de Lira Tavares]]}}
{{c|[[:w:Márcio_de_Sousa_Melo|Márcio de Sousa e Melo]]}}
{{c|[[:w:Luís_da_Gama_e_Silva|Luís Antônio da Gama e Silva]]}}
{{c|[[:w:Magalhães_Pinto|José de Magalhães Pinto]]}}
{{c|[[:w:Delfim_Netto|Antônio Delfim Netto]]}}
{{c|[[:w:Mário_Andreazza|Mário David Andreazza]]}}
{{c|[[:w:Ivo_Arzua_Pereira|Ivo Arzua Pereira]]}}
{{c|[[:w:Tarso_Dutra|Tarso Dutra]]}}
{{c|[[:w:Jarbas_Passarinho|Jarbas G. Passarinho]]}}
{{c|[[:w:Leonel_Tavares_Miranda_de_Albuquerque|Leonel Miranda]]}}
{{c|[[:w:Macedo_Soares_(militar)|Edmundo de Macedo Soares]]}}
{{c|[[:w:Antônio_Dias_Leite_Júnior|Antônio Dias Leite Júnior]]}}
{{c|[[:w:Hélio_Beltrão|Hélio Beltrão]]}}
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<small>POR</small>
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[[:w:Garcia_de_Resende|Garcia de Rezende]].
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{{C|
{{Serifa|
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Gayeté
(Montaigne, Des livres)
Ex Libris
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Historias e sonhos (1920)/Errata
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