Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.3 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Autor:Euclides da Cunha 102 1803 553043 546716 2026-05-25T01:17:25Z JppBr98 28173 553043 wikitext text/x-wiki {{Autor/v2 | InicialUltimoNome = C | nome = Euclides da Cunha | nome completo = Euclides Rodrigues da Cunha | nome nativo = | imagem = Euclides da Cunha.jpg | imagem_tamanho = | legenda = | nacionalidade = {{BRAn|o}} | data_nascimento = {{dni|20|1|1866|si}} | data_morte = {{morte|15|8|1909|20|1|1866}} | género = | período = | temas = | abl = | Wikipedia = Euclides da Cunha | Wikiquote = Euclides da Cunha | MiscBio = '''Euclides da Cunha''' foi um escritor, engenheiro, poeta, sociólogo, militar, jornalista e historiador brasileiro. }} {{audível}} ==Obras== === Livros === {{Lista de documentos início}} {{documento|título=Diário de uma expedição|data=1897|edições=Diário de uma expedição}} {{documento|título=Os Sertões|data=1902|edições=Os Sertões}} {{documento|título=Contrastes e confrontos|data=1907}} {{documento|título=Peru versus Bolívia|data=1907|galeria=Perú versus Bolivia.djvu}} {{documento|título=À Margem da História|notas={{som}}}} {{documento|título=Caderneta de campo}} {{Lista de documentos final}} ==== Prefácios ==== {{Lista de documentos início|autor|notas=Notas}} {{documento|título=O Brasil Mental|data=1898|autor=Sampaio Bruno}} {{documento|título=[[Poemas e Canções (Vicente de Carvalho, 1917)|Poemas e Canções]]|data=1917|galeria=Poemas e Canções (Vicente de Carvalho, 1917).pdf|autor=Vicente de Carvalho|notas=escrito em 30 de setembro de 1908}} {{Lista de documentos final}} ==== Conferências ==== {{Lista de documentos início}} {{documento|título=Castro Alves e seu tempo}} {{Lista de documentos final}} ==== Poesias ==== {{Lista de documentos início}} {{documento|título=Caderno Ondas}} {{documento|título=Dispersos}} {{documento|título=Postais}} {{Lista de documentos final}} === Periódicos e esparsos === ==== Crônica ==== {{Lista de documentos início}} {{documento|título=Crônicas}} {{documento|título=À Margem da Geografia}} {{Lista de documentos final}} ==== Relatório ==== {{Lista de documentos início}} {{documento|título=Relatório da comissão mista brasileiro-peruana de reconhecimento do Alto Purus}} {{Lista de documentos final}} === Correspondências === {{Lista de documentos início}} {{documento|título=Correspondência ativa|edições=Correspondência ativa}} {{documento|título=Correspondência passiva}} {{documento|título=Correspondência oficial}} {{documento|título=Correspondência de terceiros}} {{Lista de documentos final}} {{Brasil DP-Autor|morte=1909}} {{autores}} {{controle de autoridade}} [[Categoria:Autores brasileiros]] [[Categoria:Guerra de Canudos]] [[Categoria:Militares]] qh254lmmnutgae2rlny5a1cr1quekkm Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/265 106 37608 552992 364561 2026-05-24T14:47:24Z Junglk 34905 /* Revista */ 552992 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|243}}</noinclude>ceiava ver desapparecer uma das principaes bases sobre que a metropole assentava a sua superioridade. Na colonia existiam capacidades, bem se sabia no velho Reino, tanto melhor quanto o seculo XVIII portuguez fôra intellectualmente de metade brazileiro. O que faltava em absoluto era universalidade de educação, justamente o que aquelle designio aspirava a introduzir no nosso meio espiritual. Em compensação Dom João VI e o conde da Barca, inimigo politico de Linhares e seu digno emulo na intelligencia e na cultura, deram principio a uma Academia de Bellas Artes <ref>Foi primeiro chamada Escola de Sciencias, Artes e Officios.</ref>, organizada com artistas francezes de merito e reputação contractados por intermedio do marquez de Marialva, embaixador em Pariz depois da restauração dos Bourbons, o mesmo casquilho de quem Garrett escreveu que, apoz morto, as hetairas parisienses disputaram para recordação anneis do cabello. Ha até quem julgue, e Debret o insinua, que a primeira idéa da Academia nasceu das conversações de [[Autor:Alexander von Humboldt|Alexandre de Humboldt]] com aquelle diplomata e illustre fidalgo portuguez, que em França soubera constituir-se um circulo de artistas, sabios e homens de lettras, para ajudar e soccorrer os quaes estava sempre generosamente franca a sua bolsa. Barca era aliás bem capaz de ter elle só tido a lembrança, si Dom João VI não fosse o amador esclarecido que desde Lisboa se revelara na protecção dispensada a artistas nacionaes, e tambem estrangeiros como o famoso gravador Bartolozzi. Esse gentilhomem affavel e distincto, tão completamente do seu fim de seculo, tão filho d’aquelle periodo de transição; esse bibliomano por tantos annos valetudinario; esse aristocrata sem pretenção e sem preconceitos, com uma<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> synjj21epaf8kwcbtvzbvwaqo5f1cup Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/266 106 37609 552993 364562 2026-05-24T14:57:18Z Junglk 34905 /* Revista */ 552993 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|244|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>expressão tão aguda no seu fino rosto comprido, mostrava-se por igual devotado ás artes, ás sciencias e ás industrias. Na sua casa encontrava-se sempre hospedado algum profissional: ou o cavalheiro [[w:pt:Sigismund von Neukomm|Neukomm]], discipulo favorito de [[w:pt:Joseph Haydn|Haydn]] e compositor da real capella, ou um pintor italiano agarrado não se sabia onde, ou algum dos muitos mechanicos, gravadores ou outros artistas para quem elle obtinha pensões do Thesouro afim de aperfeiçoarem na Europa os seus talentos e aptidões naturaes. Refere Debret que n’um pateo da casa do intelligente ministro existia uma officina para fabrico de porcelana; n’uma dependencia funccionava um laboratorio de chimica para melhoramento, entre outras industrias, da distillação da aguardente de canna; n’um deposito jaziam as peças incompletas d’uma machina a vapor mandada vir de Londres. Logo em seguida á chegada da côrte ao Brazil, emquanto D. Rodrigo tomava pressurosamente conta das pastas que o seu rival gerira no Reino e que por seu turno d’elle viria a herdar, fundou Barca (então ainda simplesmente Antonio de Araujo) uma Sociedade de animação á industria e mechanica, a qual até 1822 se resentiu da apathia geral para emprehendimentos de semelhante natureza, que fôra trazida do Reino na esquadra da emigração e contaminava todos os serviços publicos, paralysando esforços individuaes vigorosos e tornando mui pouco fructuosas tentativas promissivas como aquella. O grupo de artistas importados de Pariz e desembarcados no Rio em Março de 1816, era dirigido por [[w:pt:Joachim Lebreton|Lebreton]], secretario perpetuo da classe de Bellas Artes do Instituto de França, e compunha-se de J. B. Debret, pintor d’historia; [[w:pt:Nicolas-Antoine Taunay|Nicolas A. Taunay]], pintor de genero e de paizagem; outro Taunay, [[w:pt:Auguste-Marie Taunay|Augusto]], esculptor e irmão do pintor; [[w:pt|Grandjean de Montigny|Grandjean]]<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> c5cledjk69hlalmtf7aywfsbxk24om8 552994 552993 2026-05-24T14:57:30Z Junglk 34905 Correção 552994 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|244|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>expressão tão aguda no seu fino rosto comprido, mostrava-se por igual devotado ás artes, ás sciencias e ás industrias. Na sua casa encontrava-se sempre hospedado algum profissional: ou o cavalheiro [[w:pt:Sigismund von Neukomm|Neukomm]], discipulo favorito de [[w:pt:Joseph Haydn|Haydn]] e compositor da real capella, ou um pintor italiano agarrado não se sabia onde, ou algum dos muitos mechanicos, gravadores ou outros artistas para quem elle obtinha pensões do Thesouro afim de aperfeiçoarem na Europa os seus talentos e aptidões naturaes. Refere Debret que n’um pateo da casa do intelligente ministro existia uma officina para fabrico de porcelana; n’uma dependencia funccionava um laboratorio de chimica para melhoramento, entre outras industrias, da distillação da aguardente de canna; n’um deposito jaziam as peças incompletas d’uma machina a vapor mandada vir de Londres. Logo em seguida á chegada da côrte ao Brazil, emquanto D. Rodrigo tomava pressurosamente conta das pastas que o seu rival gerira no Reino e que por seu turno d’elle viria a herdar, fundou Barca (então ainda simplesmente Antonio de Araujo) uma Sociedade de animação á industria e mechanica, a qual até 1822 se resentiu da apathia geral para emprehendimentos de semelhante natureza, que fôra trazida do Reino na esquadra da emigração e contaminava todos os serviços publicos, paralysando esforços individuaes vigorosos e tornando mui pouco fructuosas tentativas promissivas como aquella. O grupo de artistas importados de Pariz e desembarcados no Rio em Março de 1816, era dirigido por [[w:pt:Joachim Lebreton|Lebreton]], secretario perpetuo da classe de Bellas Artes do Instituto de França, e compunha-se de J. B. Debret, pintor d’historia; [[w:pt:Nicolas-Antoine Taunay|Nicolas A. Taunay]], pintor de genero e de paizagem; outro Taunay, [[w:pt:Auguste-Marie Taunay|Augusto]], esculptor e irmão do pintor; [[w:pt|Grandjean de Montigny|Grandjean]]<noinclude></noinclude> kkhmdw3h5ztfkiexwhyehf3uj1xua1r Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/267 106 37610 552996 364563 2026-05-24T15:03:03Z Junglk 34905 /* Revista */ 552996 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|245}}</noinclude>de Montigny, architecto; François Ovide, professor de mechanica; [[w:pt|Charles Simon Pradier|Simon Pradier]], abridor ou gravador em talha fina, e François Bonrepos, ajudante do esculptor Taunay. O governo francez não podia oppor-se, mas não viu com olhos muito favoraveis essa emigração de capacidades artisticas organizada pelo embaixador de Portugal. Maler no Rio chegou a pensar que se tratava de um exilio disfarçado de individuos affectos ao Imperio, mas o proprio Ministerio de Estrangeiros negou que houvesse tal, affirmando ser voluntaria a expatriação e não se acharem os artistas em questão visados pela policia ou ameaçados pelas leis de segurança da monarchia restaurada <ref>Despacho de 25 de Abril de 1816, ''ibidem''.</ref>. “E’ provavel, escrevia o ministro, que alguns d’elles cederam ao afastarem-se da França, a um vago sentimento de inquietação, e imaginaram que além mar encontrariam mais tranquillidade. Outros foram apenas levados para o Brazil pela esperança de se estabelecerem e fazerem fortuna, julgando que n’uma occasião em que as produccões artisticas gosam porventura entre nós de menor procura, seus talentos seriam melhor apreciados na sua nova residencia. Ha sem duvida lugar de crer que uma parte d’esses calculos resultará fallaz e que esses viajores deplorarão, apoz algum tempo de demora no Brazil, ter deixado um paiz mais adiantado nas artes e por consequente mais de feição a assegurar-lhes os recursos que elles desejam.” Não se enganava o Ministerio francez. O designio da côrte do Rio tanto tinha de sympathico quanto de ousado e algo mesmo de incongruente, pois que o povo no Brazil carecia muito mais de ensino industrial que de artistico. As bellas-artes necessitam apoiar-se sobre as artes mechanicas,<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 8jmawfmf1sztclhk17n66rhbbsmokc1 552997 552996 2026-05-24T15:03:20Z Junglk 34905 Correção 552997 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|245}}</noinclude>de Montigny, architecto; François Ovide, professor de mechanica; [[w:pt:Charles Simon Pradier|Simon Pradier]], abridor ou gravador em talha fina, e François Bonrepos, ajudante do esculptor Taunay. O governo francez não podia oppor-se, mas não viu com olhos muito favoraveis essa emigração de capacidades artisticas organizada pelo embaixador de Portugal. Maler no Rio chegou a pensar que se tratava de um exilio disfarçado de individuos affectos ao Imperio, mas o proprio Ministerio de Estrangeiros negou que houvesse tal, affirmando ser voluntaria a expatriação e não se acharem os artistas em questão visados pela policia ou ameaçados pelas leis de segurança da monarchia restaurada <ref>Despacho de 25 de Abril de 1816, ''ibidem''.</ref>. “E’ provavel, escrevia o ministro, que alguns d’elles cederam ao afastarem-se da França, a um vago sentimento de inquietação, e imaginaram que além mar encontrariam mais tranquillidade. Outros foram apenas levados para o Brazil pela esperança de se estabelecerem e fazerem fortuna, julgando que n’uma occasião em que as produccões artisticas gosam porventura entre nós de menor procura, seus talentos seriam melhor apreciados na sua nova residencia. Ha sem duvida lugar de crer que uma parte d’esses calculos resultará fallaz e que esses viajores deplorarão, apoz algum tempo de demora no Brazil, ter deixado um paiz mais adiantado nas artes e por consequente mais de feição a assegurar-lhes os recursos que elles desejam.” Não se enganava o Ministerio francez. O designio da côrte do Rio tanto tinha de sympathico quanto de ousado e algo mesmo de incongruente, pois que o povo no Brazil carecia muito mais de ensino industrial que de artistico. As bellas-artes necessitam apoiar-se sobre as artes mechanicas,<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> it6uutlb63cya14zt4odfnsbq57pu76 História da Mitologia/XXVI 0 142572 553036 551941 2026-05-24T23:48:38Z Oursana 22134 -+Lucas Cranach (I) - Nymph at the source - Musée des beaux-arts et d'archéologie de Besançon.jpg 553036 wikitext text/x-wiki {{Em tradução}} {{navegar |obra=[[História da Mitologia]] |autor=Thomas Bulfinch |anterior=[[História da Mitologia/XXV|XXV – Árion - Íbico]] |posterior=[[História da Mitologia/XXVII|XXVII - A Guerra de Troia]] |seção= XXVI – Endimião - Órion - Aurora e Titono - Ácis e Galateia |notas= }} == [[:w:Diana (mitologia)|Diana]] e [[:w:Endimião|Endimião]] == [[Imagem:Lucas Cranach (I) - Nymph at the source - Musée des beaux-arts et d'archéologie de Besançon.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">[[:w:Diana (mitologia)|Diana]] repousando<br>pintura de [[:w:Lucas Cranach, o Velho|Lucas Cranach, o Velho]] (1472-1553)</span>]] Endimião era um belo rapaz que levava seu rebanho para pastar no [[:w:Montes Beşparmak|Monte Latmos]]. Numa noite com céu claro e límpido, a lua, olhou para baixo e viu que ele estava dormindo. O coração frio da deusa virgem se aqueceu com a beleza insuperável do rapaz, então, ela desceu até onde ele estava, e o beijou, e o ficou observando enquanto ele dormia. Há uma outra versão para esta história que diz que Júpiter favoreceu o rapaz com o dom da juventude eterna em combinação com o sono perpétuo. De uma pessoa tão abençoada poderemos ter somente algumas histórias para contar. Diana, diziam, cuidava para que a sorte dele não fosse mudada por causa da sua inatividade, pois ela havia multiplicado o rebanho dele, e protegido suas ovelhas e cordeiros dos animais selvagens. A história de Endimião tem um encanto particular, pelo sentido humano que ela traduz, de modo tão sutil. Vemos em Endimião, o jovem poeta, onde a fantasia e o amor buscam em vão aquilo que possa satisfazê-los, encontrando esse momento favorito na tranquilidade do luar, e embalando ali, sob os clarões da contemplação brilhante e silenciosa, a melancolia e o ardor que o consomem. A história sugere um amor poético e ambicioso, uma vida entregue mais aos sonhos do que à realidade, bem como a uma morte prematura e agradável. --S. G. B. O "Endimião" de [[:w:John Keats|John Keats]] (1795-1821) é um poema bárbaro e criativo, contendo alguns versos primorosos, como este, dedicado à lua: <poem> "... As vacas dormindo Deitadas em teu sonho cintilante nos campos divinos. Uma série de montanhas sobem incessantemente, Ambiciosas para reverenciar os teus olhos, E contudo a tua bênção não alcança Um esconderijo obscuro, um único lugar Onde o prazer possa ser desfrutado; a [[:w:carriça|carriça]], em seu ninho Conserva a beleza do rosto na tranquilidade da paisagem;" etc., etc. </poem> O poeta [[:w:Edward Young|Edward Young]] (1681-1765), no poema "Pensamentos Noturnos," se refere a Endimião desta maneira: <poem> "... Este pensamentos são teus, deusa da noite; De ti promanam, como os suspiros secretos do que amam, Enquanto os outros dormem; portanto, Cíntia, os poetas fingem Velados pelas sombras macias que descem da tua morada, Seu pastor te consola por ela menos enamorado, Do que eu por ti" </poem> O dramaturgo [[:w:John Fletcher (dramaturgo)|John Fletcher]] (1579-1625), em seu "Pastora fiel," nos diz: <poem> "Como a pálida Diana, caçando no bosque, Viu pela primeira vez o jovem Endimião, de cujos olhos Colheu o fogo eterno que jamais se extingue; E o transportou suavemente durante um sonho, Suas têmporas adormecidas pela papoula, até o topo Do velho Latmos, onde ela se inclina todas as noites, Dourando a montanha com a luz do seu irmão, Para beijá-lo docemente." </poem> == [[:w:Órion (mitologia)|Órion]] == [[Imagem:Diane auprès du cadavre d'Orion from Uranographia by Johann Elert Bode.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">Diana sobre o cadáver de Órion<br>da obra de [[:w:Daniel Seiter|Daniel Seiter]] (1642-1705)(</span>]] Órion era filho de [[:w:Neptuno (mitologia)|Netuno]]. Ele era um belo gigante e poderoso caçador. Seu pai lhe concedeu o poder de vagar pelas profundezas do mar, ou, como dizem, de andar pela sua superfície. Órion era apaixonado por [[:w:Mérope|Mérope]], filha de [[:w:Enopião|Enopião]], rei de [[:w:Quios|Quios]], e desejava se casar com ela. Ele acabou com as feras selvagens da ilha, e trouxe os despojos da caça como oferenda para a sua amada; mas como Enopião adiava constantemente a sua permissão, Órion tentou tomar posse da donzela por meio da violência. O pai dela, indignado com a conduta do rapaz, embriagou Órion, mandou cegar o rapaz e o lançou na praia. O herói, agora cego, seguiu as batidas do martelo de um [[:w:Ciclope|Ciclope]], até chegar na ilha de [[:w:Lemnos|Lemnos]], onde encontrou a forja de [[:w:Vulcano (mitologia)|Vulcano]], que se apiedou do infeliz, e lhe ofereceu [[:w:Cedálion|Quedalião]], um de seus homens, como seu guia até a morada do céu. Colocando Quedalião em seus ombros, Órion rumou para o Oriente, e lá encontrou o deus sol, que com sua luz lhe restaurou a visão. Depois deste fato, o gigante viveu como caçador em companhia de Diana, de quem ele era favorito, e dizem até que ela pretendia se casar com ele. O irmão dela ficou muito descontente e muitas vezes chegou a repreendê-la, mas ela não lhe dava crédito. Um dia, ao observar Órion que caminhava pelo mar com a cabeça um pouco acima da superfície, Apolo o indicou com o dedo para sua irmã, dizendo que ela não conseguiria acertar aquele ponto negro em cima das águas. A deusa dos arcos disparou a flecha que teve um desfecho infeliz. As ondas rolaram o corpo sem vida de Órion até a praia, e deplorando seu erro fatal com uma chuva de lágrimas, Diana o colocou entre as estrelas, onde ele ressurge como um gigante, com uma guirlanda, uma espada, e uma pele de leão, e uma clava. [[:w:Sírius|Sírio]], o seu cachorro, fez questão de segui-lo, e as [[:w:Plêiades (mitologia)|Plêiades]], foram voando atrás dele. As Plêiades eram filhas de [[Atlas (mitologia)|Atlas]], e ninfas que faziam parte do séquito de Diana. Um dia Órion as viu, se apaixonou por elas e decidiu persegui-las. Angustiadas, pediram aos deuses para que suas formas fosse mudadas, e Júpiter se compadeceu delas e as transformou em pombas, tornando-as uma constelação no céu. Embora elas fossem em número de sete, apenas seis estrelas eram visíveis, pois Electra, uma delas, diziam ter deixado o seu posto para que ela não pudesse contemplar as ruínas de Troia, pois essa cidade tinha sido fundada por [[:w:Dardano|Dardano]], seu filho. Esse fato exerceu tamanho efeito sobre as suas irmãs que desde então as estrelas começaram a ficar pálidas. O poeta [[:w:Henry Wadsworth Longfellow|Henry Wadsworth Longfellow]] (1807-1882) escreveu um poema sobre o "Desaparecimento de Órion." As estrofes seguintes são aquelas onde ele faz menção à esta história mítica. Devemos levar em conta que no globo celeste Órion é representado com seus trajes em pele de leão e segurando uma clava. No instante em que as estrelas da constelação desaparecem uma a uma por causa do luar, o poeta nos diz: [[Imagem:Orion from Uranographia by Johann Elert Bode.jpg|thumb|300px|center|<span style="text-align:center;">Órion, o caçador gigante<br>da obra [[:w:Uranografia|Uranografia]] de [[:w:Johann Elert Bode|Johann Elert Bode]] (1747-1826)(</span>]] <poem> "Cai a pele vermelha de leão Aos seus pés, dentro do rio. Sua clava poderosa não mais fere As têmporas do touro; mas ele, Cambaleante como outrora ao longo da praia, Quando foi cegado por Enopião Buscou o ferreiro em sua forja, E subindo pela garganta estreita, Fixou seus olhos sem expressão no sol." </poem> O poeta [[:w:Alfred Tennyson|Alfred Tennyson]] (1809-1892) possui uma teoria sobre as Plêiades: <poem> "Muitas noites contemplei as Plêiades, ascendendo a suave sombra, Deslizando como uma revoada de [[:w:Vaga-lume|vaga-lumes]] num adorno de prata." </poem> --Locksley Hall. [[:w:Lord Byron|Byron]] se refere às Plêiades desaparecidas: "Como as plêiades desaparecidas, não mais foram vistas lá embaixo." Veja também [http://books.google.com.br/books?id=R_BLAAAAcAAJ&pg=PA113&lpg=PA113&dq=Fel%C3%ADcia+Hemans+Pleiades&source=bl&ots=D69JLF4EFC&sig=yyoPBzZZB8Uu1WaMniZPtA2H7JQ&hl=pt-BR&sa=X&ei=gf4eU5qpEsnfkgeW7oGQDQ&ved=0CCwQ6AEwAA#v=onepage&q=Fel%C3%ADcia%20Hemans%20Pleiades&f=false os versos] da poetisa inglesa [[:w:Felicia Hemans|Felícia Hemans]] (1793-1835) sobre o mesmo tema. == [[:w:Aurora (mitologia)|Aurora]] e [[:w:Titono|Titono]] == [[Imagem:Aurora and Tithonus by Francesco De Mura.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">Aurora e Titono<br>da obra de [[:w:Francesco de Mura|Francesco de Mura]] (1696–1784)</span>]] Aurora, a deusa do [[:w:Aurora (mitologia)|Amanhecer]], como a sua irmã [[:w:Lua|Lua]], era algumas vezes inspirada pelo amor dos mortais. O seu grande favorito era Titono, filho de [[:w:Laomedonte|Laomedonte]], rei de [[:w:Troia|Troia]]. Ela o raptou, e convenceu Júpiter a conceder-lhe a imortalidade; porém, esquecendo-se de adicionar a juventude ao presente que havia dado, depois de algum tempo ela começou a perceber, para seu grande pesar, que ele estava envelhecendo. Quando o seu cabelo começou a ficar todo branco ela não mais desejava a sua companhia; embora ele residisse ainda em seu palácio, se fartasse dos [[:w:Ambrosia|alimentos ambrosiais]], e usasse os trajes celestiais. Com o passar do tempo, ele não conseguia mais movimentar seus braços e pernas, e então, ela o trancou em seu quarto, onde a sua voz fraca, por vezes, podia ser ouvida. E por último, ela o transformou num gafanhoto. Mêmnon era filho de Aurora e Titono. Ele era rei dos etíopes, e vivia no extremo oriente, nas costas do Oceano. Ele tinha vindo, junto com seus guerreiros, para oferecer ajuda ao seu pai na [[:w:Guerra de Troia|Guerra de Troia]]. O [[:w:Príamo|rei Príamo]] o recebeu com grandes honras, e ouvia com admiração as suas histórias sobre as maravilhas nas costas do Oceano. No mesmo dia de sua chegada, Mêmnon, impaciente com tanto repouso, conduziu suas tropas até os campos de batalha. [[:w:Antíloco|Antíloco]], o valoroso filho de [[:w:Nestor|Nestor]], foi morto por suas mãos, e os gregos já estavam fugindo, quando [[:w:Aquiles|Aquiles]] apareceu e a batalha foi reiniciada. Uma disputa longa e discutível se estabeleceu entre Aquiles e o filho de Aurora; finalmente, a vitória foi declarada por Aquiles, Mêmnon foi derrotado, e os troianos fugiram desalentados. Aurora, que do seu trono celestial havia assistido, com preocupação, os riscos que o seu filho desafiou, quando ela percebeu que ele iria ser derrotado, ordenou que seus irmãos, [[:w:Ventos (mitologia)|os Ventos]], trouxessem o corpo dele até a margem do rio Esepo<ref>Rio Esepo: rio perto de [[:w:Troia|Troia]], que flui do [[:w: Monte Ida (Turquia)|Monte Ida]] até o mar.</ref>, na [[:w:Paflagónia|Paflagônia]]. De madrugada, a Aurora chegou, acompanhada pelas [[:w:Horas|Horas]] e pelas [[:w:Plêiades (mitologia)|Plêiades]], chorando e lamentando muito o filho morto. A Noite, apiedando-se da sua dor, cobriu o céu de nuvens; toda a natureza chorou o filho de Aurora. Os etíopes ergueram seu túmulo nas margens do rio que fluía até o bosque das ninfas, e Júpiter fez com que as fagulhas e cinzas de sua pira funerária se transformassem em aves, as quais, se dividindo em dois bandos, combateram sobre a pira até caírem sobre as chamas. Todos os anos, no aniversário de sua morte, elas retornam e celebram as exéquias de Mêmnon da mesma maneira. Aurora ficou inconsolável com a perda do filho. Suas lágrimas caem sem cessar, e podem ser vistas nas primeiras horas da manhã sob a forma de gotas de orvalho que cai sobre a relva. Diferentemente da maioria das maravilhas contadas pela mitologia antiga, ainda existem alguns monumentos que comemoram este fato. Nas margens do rio Nilo, no Egito, existem duas estátuas colossais, uma das quais dizem ser a estátua de Mêmnon. Registros de escritores antigos afirmam que quando os primeiros raios do sol nascente caem sobre a estátua, um som é ouvido vindo da direção do monumento, o qual eles comparam aos sons de uma corda de harpa. Pairam algumas dúvidas sobre a identificação da estátua existente com aquela descrita pelos antigos, e os sons misteriosos lançam ainda mais dúvidas. No entanto, não faltam alguns testemunhos modernos com relação a esses acordes que ainda podem ser ouvidos. Já foi sugerido que os sons produzidos pelo ar em confinamento que escapam por fendas ou cavernas sobre rochedos podem ter fornecido algum fundamento para a história. [[:w:John Gardner Wilkinson|Sir Gardner Wilkinson]], um viajante de nossos dias, autor de grande autoridade, examinou a estátua de que falamos, e descobriu que nela havia um buraco, e que "na borda da estátua existe uma pedra, que ao receber uma pancada, emite um som metálico, que ainda poderia ser utilizado para enganar um visitante, que esteja predisposto a acreditar em seus poderes." A estátua de Mêmnon que emite sons é o tema favorito, a quem os poetas fazem referências. [[:w:Erasmus Darwin|Erasmus Darwin]] (1731-1802), em seu poema "O Jardim Botânico" diz o seguinte: <poem> "Então, o sol sagrado do templo de Mêmnon Acordes de harmonia vibram no canto matinal; Tocados por fachos orientais, ecoam de volta A lira vivaz, vibrando todas as suas cordas; Passagens harmoniosas refletem a suavidade dos sons, E ecos sagrados amplificam à canção de adoração." Livro I., 1., 182. </poem> == [[:w:Ácis|Ácis]] e [[:w:Galateia|Galateia]] == [[Imagem:Claude Lorrain 001.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">[[:w:Ácis|Ácis]] e [[:w:Galateia|Galateia]]<br>da obra de [[:w:Claude Lorrain|Claude Lorrain]] (1604–1682)</span>]] [[:w:Cila (filha de Niso)|Cila]] era uma bela virgem que vivia na Sicília, e favorita das ninfas do mar. Muitos pretendentes a desejavam, mas ela rejeitava todos eles, e se refugiava na gruta de [[:w:Galateia|Galateia]], e contava à ninfa como ele era perseguida. Um dia a deusa, enquanto Cila arrumava seus cabelos, ouvia a história, e disse à ela, "No entanto, minha querida, os seus perseguidores não fazem parte da raça rústica de homens, a quem possas rejeitar quando quiseres; mas eu, filha de Nereu, e protegida por um grupo muito grande de irmãs, não encontrei refúgio para a paixão do [[:w:Ciclope|Ciclope]], exceto no fundo do mar;" e as lágrimas lhe impediram que continuasse a falar, as quais foram enxugadas por seus delicados dedos, acalmando a deusa, "Diga-me, querida," disse Cila, "o motivo dos teus pesares." Galateia então, respondeu, "Ácis era filho de [[:w:Fauno|Fauno]] e de uma [[:w:Náiade|Náiade]]." "Seu pai e sua mãe o amavam muito, mas o amor deles não era igual ao meu. Pois o belo rapaz só dava atenções a mim, e ele tinha apenas dezesseis anos de idade, e a barba rala apenas começava a escurecer a sua face. Da mesma forma que eu buscava a companhia dele, o Ciclope também buscava a minha; e se você me perguntasse se o meu amor por Ácis ou se o meu ódio por Polifemo era mais forte, não saberia dizê-lo; eles tinham medidas iguais. Oh Vênus, como a tua força é poderosa! este feroz gigante, o terror dos bosques, a quem nenhum estrangeiro infeliz escapava ileso, e que desafiava o próprio Jove, aprendeu a sentir o que era o amor, e, movido por uma paixão à minha pessoa, esquecia dos rebanhos e de sua caverna onde nada lhe faltava." "Então, pela primeira vez, o ciclope começou a cuidar da própria aparência, e tentar tornar-se mais agradável; ele alisou com um pente o emaranhado de seus cabelos, e fazia a barba com uma foice, contemplava na água sua fisionomia rústica, e procurava melhorar o seu aspecto. Sua adoração por matar, sua ferocidade e sede de sangue já não sentia mais, e os navios que chegavam à sua ilha iam embora com segurança. [[:w:Polifemo|Polifemo]] caminhava pela praia de um lado para outro, criando longas trilhas com seus passos pesados, e, quando se cansava, ia descansar na tranquilidade da sua caverna." "Há um penhasco que se projeta para dentro do mar, cujas águas lavam suas encostas de ambos os lados. Para lá subiu um dia o enorme Ciclope, e ficou sentado enquanto seu rebanho se dispersava por todos os lados. Colocando no chão o cajado, que poderia ser usado como mastro para segurar a vela de um navio, e pegando seu instrumento, feito por inúmeros tubos, fez com que as montanhas e as águas ecoassem os acordes de sua canção. Eu fiquei escondida debaixo de uma pedra ao lado do meu adorado Ácis, e ouvia a canção que tocava ao longe. Ele fazia exagerados elogios à minha beleza, mesclados com censuras apaixonadas com relação à minha frieza e crueldade." "Quando ele terminou de cantar, ele se levantou, e, qual um touro raivoso que não consegue ficar parado, desapareceu no meio do bosque. Ácis e eu não nos preocupamos mais com ele, até que de repente, ele apareceu no lugar que permitia a nossa visão quando estávamos sentados. "Eu vejo vocês," exclamou ele, "e farei que este seja o último dos seus encontros amorosos." Sua voz era um rugido que somente um Ciclope furioso conseguiria emitir. Até o Monte Etna tremeu com o seu bramido. Eu, tomada por completo terror, mergulhei na água. Ácis se virou e fugiu, gritando, "Salvai-me, Galateia, salvai-me, meus pais!" O Ciclope o perseguia, e arrancando uma pedra da lateral da montanha, a arremessou contra ele. Embora apenas um canto da pedra houvesse tocado seu corpo, ela o derrubou." "Tudo o que eu podia fazer eu fiz por Ácis. Eu o cobri com as honras de seu avô, o deus dos rios. O sangue vermelho escorria por debaixo da rocha, mas aos poucos foi ficando mais pálido e parecia a correnteza de um rio que havia ficado turva por causa da chuva, e com o passar do tempo foi se tornando clara. A pedra rachou, e a água, que jorrava da fenda, pronunciava um murmúrio agradável." E assim, Ácis foi transformado num rio, e o rio reteve o nome de Ácis. O poeta [[:w:John Dryden|John Dryden]] (1631-1700) em seu poema "[https://en.wikipedia.org/wiki/Iphigenia#Cymon_and_Iphigenia Simão] e [[:w:Ifigénia|Ifigênia]],"<ref>{{((en))}} [http://www.bartleby.com/204/134.html Simão e Ifigênia]</ref> conta a história de um bufão que se transformou num cavalheiro pelos poderes do amor, de uma forma que associa traços de semelhanças com a velha história de Galateia e o Ciclope. <poem> "O que os cuidados de um pai ou de um tutor Poderiam incutir com dores em seu coração bruto, O melhor instrutor, o Amor, o inspirou num único instante, Quando foram disparados os estéreis fundamentos da fecundidade. O amor ensinou a ele o pudor, e o pudor com amor pela luta Logo ensinou a ele as doces cortesias da vida." </poem> == Notas e Referências do Tradutor == <references /> [[Categoria:História da Mitologia]] n35uddxzpn7ueyo579htadco1v88ngs 553039 553036 2026-05-25T00:50:25Z Oursana 22134 -+Lucas Cranach (I) - La Nymphe à la source (Musée des beaux-arts et d'archéologie de Besançon).jpg 553039 wikitext text/x-wiki {{Em tradução}} {{navegar |obra=[[História da Mitologia]] |autor=Thomas Bulfinch |anterior=[[História da Mitologia/XXV|XXV – Árion - Íbico]] |posterior=[[História da Mitologia/XXVII|XXVII - A Guerra de Troia]] |seção= XXVI – Endimião - Órion - Aurora e Titono - Ácis e Galateia |notas= }} == [[:w:Diana (mitologia)|Diana]] e [[:w:Endimião|Endimião]] == [[Imagem:Lucas Cranach (I) - La Nymphe à la source (Musée des beaux-arts et d'archéologie de Besançon).jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">[[:w:Diana (mitologia)|Diana]] repousando<br>pintura de [[:w:Lucas Cranach, o Velho|Lucas Cranach, o Velho]] (1472-1553)</span>]] Endimião era um belo rapaz que levava seu rebanho para pastar no [[:w:Montes Beşparmak|Monte Latmos]]. Numa noite com céu claro e límpido, a lua, olhou para baixo e viu que ele estava dormindo. O coração frio da deusa virgem se aqueceu com a beleza insuperável do rapaz, então, ela desceu até onde ele estava, e o beijou, e o ficou observando enquanto ele dormia. Há uma outra versão para esta história que diz que Júpiter favoreceu o rapaz com o dom da juventude eterna em combinação com o sono perpétuo. De uma pessoa tão abençoada poderemos ter somente algumas histórias para contar. Diana, diziam, cuidava para que a sorte dele não fosse mudada por causa da sua inatividade, pois ela havia multiplicado o rebanho dele, e protegido suas ovelhas e cordeiros dos animais selvagens. A história de Endimião tem um encanto particular, pelo sentido humano que ela traduz, de modo tão sutil. Vemos em Endimião, o jovem poeta, onde a fantasia e o amor buscam em vão aquilo que possa satisfazê-los, encontrando esse momento favorito na tranquilidade do luar, e embalando ali, sob os clarões da contemplação brilhante e silenciosa, a melancolia e o ardor que o consomem. A história sugere um amor poético e ambicioso, uma vida entregue mais aos sonhos do que à realidade, bem como a uma morte prematura e agradável. --S. G. B. O "Endimião" de [[:w:John Keats|John Keats]] (1795-1821) é um poema bárbaro e criativo, contendo alguns versos primorosos, como este, dedicado à lua: <poem> "... As vacas dormindo Deitadas em teu sonho cintilante nos campos divinos. Uma série de montanhas sobem incessantemente, Ambiciosas para reverenciar os teus olhos, E contudo a tua bênção não alcança Um esconderijo obscuro, um único lugar Onde o prazer possa ser desfrutado; a [[:w:carriça|carriça]], em seu ninho Conserva a beleza do rosto na tranquilidade da paisagem;" etc., etc. </poem> O poeta [[:w:Edward Young|Edward Young]] (1681-1765), no poema "Pensamentos Noturnos," se refere a Endimião desta maneira: <poem> "... Este pensamentos são teus, deusa da noite; De ti promanam, como os suspiros secretos do que amam, Enquanto os outros dormem; portanto, Cíntia, os poetas fingem Velados pelas sombras macias que descem da tua morada, Seu pastor te consola por ela menos enamorado, Do que eu por ti" </poem> O dramaturgo [[:w:John Fletcher (dramaturgo)|John Fletcher]] (1579-1625), em seu "Pastora fiel," nos diz: <poem> "Como a pálida Diana, caçando no bosque, Viu pela primeira vez o jovem Endimião, de cujos olhos Colheu o fogo eterno que jamais se extingue; E o transportou suavemente durante um sonho, Suas têmporas adormecidas pela papoula, até o topo Do velho Latmos, onde ela se inclina todas as noites, Dourando a montanha com a luz do seu irmão, Para beijá-lo docemente." </poem> == [[:w:Órion (mitologia)|Órion]] == [[Imagem:Diane auprès du cadavre d'Orion from Uranographia by Johann Elert Bode.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">Diana sobre o cadáver de Órion<br>da obra de [[:w:Daniel Seiter|Daniel Seiter]] (1642-1705)(</span>]] Órion era filho de [[:w:Neptuno (mitologia)|Netuno]]. Ele era um belo gigante e poderoso caçador. Seu pai lhe concedeu o poder de vagar pelas profundezas do mar, ou, como dizem, de andar pela sua superfície. Órion era apaixonado por [[:w:Mérope|Mérope]], filha de [[:w:Enopião|Enopião]], rei de [[:w:Quios|Quios]], e desejava se casar com ela. Ele acabou com as feras selvagens da ilha, e trouxe os despojos da caça como oferenda para a sua amada; mas como Enopião adiava constantemente a sua permissão, Órion tentou tomar posse da donzela por meio da violência. O pai dela, indignado com a conduta do rapaz, embriagou Órion, mandou cegar o rapaz e o lançou na praia. O herói, agora cego, seguiu as batidas do martelo de um [[:w:Ciclope|Ciclope]], até chegar na ilha de [[:w:Lemnos|Lemnos]], onde encontrou a forja de [[:w:Vulcano (mitologia)|Vulcano]], que se apiedou do infeliz, e lhe ofereceu [[:w:Cedálion|Quedalião]], um de seus homens, como seu guia até a morada do céu. Colocando Quedalião em seus ombros, Órion rumou para o Oriente, e lá encontrou o deus sol, que com sua luz lhe restaurou a visão. Depois deste fato, o gigante viveu como caçador em companhia de Diana, de quem ele era favorito, e dizem até que ela pretendia se casar com ele. O irmão dela ficou muito descontente e muitas vezes chegou a repreendê-la, mas ela não lhe dava crédito. Um dia, ao observar Órion que caminhava pelo mar com a cabeça um pouco acima da superfície, Apolo o indicou com o dedo para sua irmã, dizendo que ela não conseguiria acertar aquele ponto negro em cima das águas. A deusa dos arcos disparou a flecha que teve um desfecho infeliz. As ondas rolaram o corpo sem vida de Órion até a praia, e deplorando seu erro fatal com uma chuva de lágrimas, Diana o colocou entre as estrelas, onde ele ressurge como um gigante, com uma guirlanda, uma espada, e uma pele de leão, e uma clava. [[:w:Sírius|Sírio]], o seu cachorro, fez questão de segui-lo, e as [[:w:Plêiades (mitologia)|Plêiades]], foram voando atrás dele. As Plêiades eram filhas de [[Atlas (mitologia)|Atlas]], e ninfas que faziam parte do séquito de Diana. Um dia Órion as viu, se apaixonou por elas e decidiu persegui-las. Angustiadas, pediram aos deuses para que suas formas fosse mudadas, e Júpiter se compadeceu delas e as transformou em pombas, tornando-as uma constelação no céu. Embora elas fossem em número de sete, apenas seis estrelas eram visíveis, pois Electra, uma delas, diziam ter deixado o seu posto para que ela não pudesse contemplar as ruínas de Troia, pois essa cidade tinha sido fundada por [[:w:Dardano|Dardano]], seu filho. Esse fato exerceu tamanho efeito sobre as suas irmãs que desde então as estrelas começaram a ficar pálidas. O poeta [[:w:Henry Wadsworth Longfellow|Henry Wadsworth Longfellow]] (1807-1882) escreveu um poema sobre o "Desaparecimento de Órion." As estrofes seguintes são aquelas onde ele faz menção à esta história mítica. Devemos levar em conta que no globo celeste Órion é representado com seus trajes em pele de leão e segurando uma clava. No instante em que as estrelas da constelação desaparecem uma a uma por causa do luar, o poeta nos diz: [[Imagem:Orion from Uranographia by Johann Elert Bode.jpg|thumb|300px|center|<span style="text-align:center;">Órion, o caçador gigante<br>da obra [[:w:Uranografia|Uranografia]] de [[:w:Johann Elert Bode|Johann Elert Bode]] (1747-1826)(</span>]] <poem> "Cai a pele vermelha de leão Aos seus pés, dentro do rio. Sua clava poderosa não mais fere As têmporas do touro; mas ele, Cambaleante como outrora ao longo da praia, Quando foi cegado por Enopião Buscou o ferreiro em sua forja, E subindo pela garganta estreita, Fixou seus olhos sem expressão no sol." </poem> O poeta [[:w:Alfred Tennyson|Alfred Tennyson]] (1809-1892) possui uma teoria sobre as Plêiades: <poem> "Muitas noites contemplei as Plêiades, ascendendo a suave sombra, Deslizando como uma revoada de [[:w:Vaga-lume|vaga-lumes]] num adorno de prata." </poem> --Locksley Hall. [[:w:Lord Byron|Byron]] se refere às Plêiades desaparecidas: "Como as plêiades desaparecidas, não mais foram vistas lá embaixo." Veja também [http://books.google.com.br/books?id=R_BLAAAAcAAJ&pg=PA113&lpg=PA113&dq=Fel%C3%ADcia+Hemans+Pleiades&source=bl&ots=D69JLF4EFC&sig=yyoPBzZZB8Uu1WaMniZPtA2H7JQ&hl=pt-BR&sa=X&ei=gf4eU5qpEsnfkgeW7oGQDQ&ved=0CCwQ6AEwAA#v=onepage&q=Fel%C3%ADcia%20Hemans%20Pleiades&f=false os versos] da poetisa inglesa [[:w:Felicia Hemans|Felícia Hemans]] (1793-1835) sobre o mesmo tema. == [[:w:Aurora (mitologia)|Aurora]] e [[:w:Titono|Titono]] == [[Imagem:Aurora and Tithonus by Francesco De Mura.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">Aurora e Titono<br>da obra de [[:w:Francesco de Mura|Francesco de Mura]] (1696–1784)</span>]] Aurora, a deusa do [[:w:Aurora (mitologia)|Amanhecer]], como a sua irmã [[:w:Lua|Lua]], era algumas vezes inspirada pelo amor dos mortais. O seu grande favorito era Titono, filho de [[:w:Laomedonte|Laomedonte]], rei de [[:w:Troia|Troia]]. Ela o raptou, e convenceu Júpiter a conceder-lhe a imortalidade; porém, esquecendo-se de adicionar a juventude ao presente que havia dado, depois de algum tempo ela começou a perceber, para seu grande pesar, que ele estava envelhecendo. Quando o seu cabelo começou a ficar todo branco ela não mais desejava a sua companhia; embora ele residisse ainda em seu palácio, se fartasse dos [[:w:Ambrosia|alimentos ambrosiais]], e usasse os trajes celestiais. Com o passar do tempo, ele não conseguia mais movimentar seus braços e pernas, e então, ela o trancou em seu quarto, onde a sua voz fraca, por vezes, podia ser ouvida. E por último, ela o transformou num gafanhoto. Mêmnon era filho de Aurora e Titono. Ele era rei dos etíopes, e vivia no extremo oriente, nas costas do Oceano. Ele tinha vindo, junto com seus guerreiros, para oferecer ajuda ao seu pai na [[:w:Guerra de Troia|Guerra de Troia]]. O [[:w:Príamo|rei Príamo]] o recebeu com grandes honras, e ouvia com admiração as suas histórias sobre as maravilhas nas costas do Oceano. No mesmo dia de sua chegada, Mêmnon, impaciente com tanto repouso, conduziu suas tropas até os campos de batalha. [[:w:Antíloco|Antíloco]], o valoroso filho de [[:w:Nestor|Nestor]], foi morto por suas mãos, e os gregos já estavam fugindo, quando [[:w:Aquiles|Aquiles]] apareceu e a batalha foi reiniciada. Uma disputa longa e discutível se estabeleceu entre Aquiles e o filho de Aurora; finalmente, a vitória foi declarada por Aquiles, Mêmnon foi derrotado, e os troianos fugiram desalentados. Aurora, que do seu trono celestial havia assistido, com preocupação, os riscos que o seu filho desafiou, quando ela percebeu que ele iria ser derrotado, ordenou que seus irmãos, [[:w:Ventos (mitologia)|os Ventos]], trouxessem o corpo dele até a margem do rio Esepo<ref>Rio Esepo: rio perto de [[:w:Troia|Troia]], que flui do [[:w: Monte Ida (Turquia)|Monte Ida]] até o mar.</ref>, na [[:w:Paflagónia|Paflagônia]]. De madrugada, a Aurora chegou, acompanhada pelas [[:w:Horas|Horas]] e pelas [[:w:Plêiades (mitologia)|Plêiades]], chorando e lamentando muito o filho morto. A Noite, apiedando-se da sua dor, cobriu o céu de nuvens; toda a natureza chorou o filho de Aurora. Os etíopes ergueram seu túmulo nas margens do rio que fluía até o bosque das ninfas, e Júpiter fez com que as fagulhas e cinzas de sua pira funerária se transformassem em aves, as quais, se dividindo em dois bandos, combateram sobre a pira até caírem sobre as chamas. Todos os anos, no aniversário de sua morte, elas retornam e celebram as exéquias de Mêmnon da mesma maneira. Aurora ficou inconsolável com a perda do filho. Suas lágrimas caem sem cessar, e podem ser vistas nas primeiras horas da manhã sob a forma de gotas de orvalho que cai sobre a relva. Diferentemente da maioria das maravilhas contadas pela mitologia antiga, ainda existem alguns monumentos que comemoram este fato. Nas margens do rio Nilo, no Egito, existem duas estátuas colossais, uma das quais dizem ser a estátua de Mêmnon. Registros de escritores antigos afirmam que quando os primeiros raios do sol nascente caem sobre a estátua, um som é ouvido vindo da direção do monumento, o qual eles comparam aos sons de uma corda de harpa. Pairam algumas dúvidas sobre a identificação da estátua existente com aquela descrita pelos antigos, e os sons misteriosos lançam ainda mais dúvidas. No entanto, não faltam alguns testemunhos modernos com relação a esses acordes que ainda podem ser ouvidos. Já foi sugerido que os sons produzidos pelo ar em confinamento que escapam por fendas ou cavernas sobre rochedos podem ter fornecido algum fundamento para a história. [[:w:John Gardner Wilkinson|Sir Gardner Wilkinson]], um viajante de nossos dias, autor de grande autoridade, examinou a estátua de que falamos, e descobriu que nela havia um buraco, e que "na borda da estátua existe uma pedra, que ao receber uma pancada, emite um som metálico, que ainda poderia ser utilizado para enganar um visitante, que esteja predisposto a acreditar em seus poderes." A estátua de Mêmnon que emite sons é o tema favorito, a quem os poetas fazem referências. [[:w:Erasmus Darwin|Erasmus Darwin]] (1731-1802), em seu poema "O Jardim Botânico" diz o seguinte: <poem> "Então, o sol sagrado do templo de Mêmnon Acordes de harmonia vibram no canto matinal; Tocados por fachos orientais, ecoam de volta A lira vivaz, vibrando todas as suas cordas; Passagens harmoniosas refletem a suavidade dos sons, E ecos sagrados amplificam à canção de adoração." Livro I., 1., 182. </poem> == [[:w:Ácis|Ácis]] e [[:w:Galateia|Galateia]] == [[Imagem:Claude Lorrain 001.jpg|thumb|500px|center|<span style="text-align:center;">[[:w:Ácis|Ácis]] e [[:w:Galateia|Galateia]]<br>da obra de [[:w:Claude Lorrain|Claude Lorrain]] (1604–1682)</span>]] [[:w:Cila (filha de Niso)|Cila]] era uma bela virgem que vivia na Sicília, e favorita das ninfas do mar. Muitos pretendentes a desejavam, mas ela rejeitava todos eles, e se refugiava na gruta de [[:w:Galateia|Galateia]], e contava à ninfa como ele era perseguida. Um dia a deusa, enquanto Cila arrumava seus cabelos, ouvia a história, e disse à ela, "No entanto, minha querida, os seus perseguidores não fazem parte da raça rústica de homens, a quem possas rejeitar quando quiseres; mas eu, filha de Nereu, e protegida por um grupo muito grande de irmãs, não encontrei refúgio para a paixão do [[:w:Ciclope|Ciclope]], exceto no fundo do mar;" e as lágrimas lhe impediram que continuasse a falar, as quais foram enxugadas por seus delicados dedos, acalmando a deusa, "Diga-me, querida," disse Cila, "o motivo dos teus pesares." Galateia então, respondeu, "Ácis era filho de [[:w:Fauno|Fauno]] e de uma [[:w:Náiade|Náiade]]." "Seu pai e sua mãe o amavam muito, mas o amor deles não era igual ao meu. Pois o belo rapaz só dava atenções a mim, e ele tinha apenas dezesseis anos de idade, e a barba rala apenas começava a escurecer a sua face. Da mesma forma que eu buscava a companhia dele, o Ciclope também buscava a minha; e se você me perguntasse se o meu amor por Ácis ou se o meu ódio por Polifemo era mais forte, não saberia dizê-lo; eles tinham medidas iguais. Oh Vênus, como a tua força é poderosa! este feroz gigante, o terror dos bosques, a quem nenhum estrangeiro infeliz escapava ileso, e que desafiava o próprio Jove, aprendeu a sentir o que era o amor, e, movido por uma paixão à minha pessoa, esquecia dos rebanhos e de sua caverna onde nada lhe faltava." "Então, pela primeira vez, o ciclope começou a cuidar da própria aparência, e tentar tornar-se mais agradável; ele alisou com um pente o emaranhado de seus cabelos, e fazia a barba com uma foice, contemplava na água sua fisionomia rústica, e procurava melhorar o seu aspecto. Sua adoração por matar, sua ferocidade e sede de sangue já não sentia mais, e os navios que chegavam à sua ilha iam embora com segurança. 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Ácis e eu não nos preocupamos mais com ele, até que de repente, ele apareceu no lugar que permitia a nossa visão quando estávamos sentados. "Eu vejo vocês," exclamou ele, "e farei que este seja o último dos seus encontros amorosos." Sua voz era um rugido que somente um Ciclope furioso conseguiria emitir. Até o Monte Etna tremeu com o seu bramido. Eu, tomada por completo terror, mergulhei na água. Ácis se virou e fugiu, gritando, "Salvai-me, Galateia, salvai-me, meus pais!" O Ciclope o perseguia, e arrancando uma pedra da lateral da montanha, a arremessou contra ele. Embora apenas um canto da pedra houvesse tocado seu corpo, ela o derrubou." "Tudo o que eu podia fazer eu fiz por Ácis. Eu o cobri com as honras de seu avô, o deus dos rios. O sangue vermelho escorria por debaixo da rocha, mas aos poucos foi ficando mais pálido e parecia a correnteza de um rio que havia ficado turva por causa da chuva, e com o passar do tempo foi se tornando clara. A pedra rachou, e a água, que jorrava da fenda, pronunciava um murmúrio agradável." E assim, Ácis foi transformado num rio, e o rio reteve o nome de Ácis. O poeta [[:w:John Dryden|John Dryden]] (1631-1700) em seu poema "[https://en.wikipedia.org/wiki/Iphigenia#Cymon_and_Iphigenia Simão] e [[:w:Ifigénia|Ifigênia]],"<ref>{{((en))}} [http://www.bartleby.com/204/134.html Simão e Ifigênia]</ref> conta a história de um bufão que se transformou num cavalheiro pelos poderes do amor, de uma forma que associa traços de semelhanças com a velha história de Galateia e o Ciclope. <poem> "O que os cuidados de um pai ou de um tutor Poderiam incutir com dores em seu coração bruto, O melhor instrutor, o Amor, o inspirou num único instante, Quando foram disparados os estéreis fundamentos da fecundidade. O amor ensinou a ele o pudor, e o pudor com amor pela luta Logo ensinou a ele as doces cortesias da vida." </poem> == Notas e Referências do Tradutor == <references /> [[Categoria:História da Mitologia]] ols0vvzknpq1up0yecyg3pv2ejthdcw Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/24 106 202734 553034 436373 2026-05-24T21:51:56Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553034 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|18||HISTORIAS E SONHOS}}</noinclude>{{hífen-fim|ricão|mangericão}} ou alecrim. Isto ás vezes; e, ás vezes também, uma touceira de bananeira. A guaxima cresce, e o capim, e a vassourinha, e o carrapicho e outros arbustos sylvestres e tenazes. O barracão de D. Felismina era de um só aposento, mas o da visinha, D. Emerenciana, tinha dous. Eram ambos da primeira especie. D. Emerenciana era casada com o Sr. Romualdo, servente ou cousa que o valha em uma dependencia da grande officina do Trajano. Era preta como D. Felismina e honesta como ella. Defronte ficava a residencia da Antonia, uma rapariga branca, com dous filhos pequenos, sempre sujos e rôtos. A sua residencia era mais modesta: as paredes do seu barracão eram de taipa. A visinhança, ao mesmo tempo que falava della, tinha-lhe piedade: — Coitada! Uma desgraçada! Uma perdida! Era bem nova ella, mas fanada pelo soffrimento e pela miseria. Com os seus vinte e poucos annos de edade, de boas feições, mesmo delicadas, a sua historia devia ser a triste historia de todas essas raparigas por ahi… Mal comendo, ella e os filhos; mal tendo com que se cobrir, todas as manhãs, quando sahia a comprar um pouco de café e assucar, na venda do Antunes, e, na padaria do Camargo, um pão — que lhe teria custado quem sabe! que profunda {{errata|provocação|provação|Historias e sonhos (1920)/Errata}} no seu pudor de mulher, para ganhal-o — não se esquecia nunca de colher pelo caminho uns ''boas-noites'', umas flôres de melão de S. Caetano, de pinhão, de quaresma, de manacás, de maricás — o que encontrasse — para enfeitar-se ou trazel-as nas mãos, em ramilhete. Todos da rua dos Maricás — era este o nome daquelle trilho de Inhaúma — conheciam-lhe a vida, mas {{sic|como|com}} a piedade e compaixão proprias á ternura do coração do povo humilde pela desgraça, tratavam-na como outra fosse ella e a socorriam nas suas horas de maiores afflições. Só {{corr|e|o}} Antunes, o da venda, com o seu empedernido<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude> dja8cbn6do7rjery6tzuykm6il48xat Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/25 106 202735 553035 436374 2026-05-24T23:15:37Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553035 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|HISTORIAS E SONHOS||19}}</noinclude>coração de futuro grande burguez, é que dizia, se lhe perguntavam quem era: — Uma vagabunda. D. Felismina gozava de toda a consideração nas cercanias e até de credito, tanto no Antunes, como no Camargo da padaria. Além de lavar para fóra, tinha uma pequena pensão que lhe deixara o marido, guarda-freios da Central, morto em um desastre. Era uma preta de meia edade, mas já sem attractivo algum. Tudo nella era dependurado e todas as suas carnes flacidas. Lavava todo o dia e todo dia vivia preoccupada com o seu humilde mister. Ninguem lhe sabia uma falta, um desgarro qualquer e todos a respeitavam pela sua honra e virtude. Era das pessoas mais estimadas da ruella e todos depositavam na humilde creoula a maior confiança. Só a Bahiana tinha-a mais. Esta, porém, era «rica». Morava em uma das poucas casas de tijolo da rua dos Espinhos, casa que era della. Vendedora de angú, em outros tempos, conseguira juntar alguma cousa e adquirira aquella casita, a mais bem tratada da rua. Tinha “homem” em quanto lhe servia; e, quando elle vinha aborrecel-a mandava-o embora, mesmo a cabo de vassoura. Muito energica e animosa, possuia uma piedade contida que se revelou perfeitamente numa aventura curiosa de sua vida. Uma manhã, havia cinco ou seis annos, sahindo com o seu taboleiro de angú, encontrou em uma calçada um embrulho um tanto grande. Arriou o taboleiro e foi ver o que era. Era uma creança, branca — uma menina. Deu os passos necessarios e criava a criança, que, nas immediações, era conhecida por “bahianinha”. E, ao ir ás compras na venda, o caixeiro lhe dizia por brincadeira: — ''Baianinha'', tua mãe é negra. A pequena arrufava-se e respondia com indignação: — Negra é tu, ''seu'' burro! A Baiana, porém, era ''rica'', estava mais distante. D. Felismina, porém, ficava mais próximo da vida de toda aquella gente da rua. Os seus conselhos eram ouvidos e procurados, e os seus remedios eram acceitos como se partissem<noinclude></noinclude> duieus1081z0b2ruek0133zl78po2cw Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/26 106 202736 553038 436375 2026-05-25T00:47:33Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553038 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|20||HISTORIAS E SONHOS}}</noinclude>da prescripção de um doutor. Ninguem como ella sabia dar um chá conveniente, nem aconselhar em casos de dissidias domesticas. Detestava a feitiçaria, os bruxedos, os macumbeiros, com as suas orgias e barulhadas; mas, inclinava-se para o espiritismo, frequentando as sessões do ''seu'' Frederico, um antigo collega do seu marido, mas branco, que morava adiante, um pouco acima. Além da medicina de chás e tizanas, ella aconselhava áquella gente os medicamentos homœopathicos. A belladona, o aconito, a brionia, o sulfur, eram os seus remedios preferidos e quasi sempre os tinha em casa, para o seu uso e dos outros. Certa vez salvou um dos filhos da Antonia de uma convulsão e esta lhe ficou tão grata que chegou a prometter que se emendaria. D. Felismina morava com o seu filho José, o Zéca, um pretinho de pelle de velludo, macia de acariciar o olhar, com a carapinha sempre aparada pelos cuidados da mão de sua mãe, e tambem com as roupas sempre limpas, graças tambem aos cuidados della. Tinha todos os traços de sua raça, os bons e os máos; e muita doçura e tristeza vaga nos pequenos olhos que quasi ficavam no mesmo plano da testa estreita. Era-lhe este seu filho, o seu braço direito, o seu unico esteio, o arrimo de sua vida com os seus nove ou dez annos de idade. Doce, resignado, e obediente, não havia ordem de sua mãe que elle não cumprisse religiosamente. De manhã, o seu encargo era levar e trazer a roupa dos freguezes; e elle carregava os taboleiros de roupa e trazia as trouxas; sem o menor desvio de caminho. Se ia á casa do ''seu'' Carvalho, ia até lá, entregava ou recebia a roupa e voltava sem fazer a menor traquinada, a menor escapada de criança por aquellas ruas que são mais estradas que ruas mesmo. Almoçava e a mãe quasi sempre precisava: — Zéca, vai á venda e traz dous tostões de sabão «regador». Na venda, entre todo aquelle pessoal tão especial e curioso das vendas suburbanas: carroceiros, verdureiros,<noinclude></noinclude> nfutfqrkk0gq6soprutqkc1gm5rfxs9 Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/27 106 202737 553040 436376 2026-05-25T00:57:16Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553040 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|HISTORIAS E SONHOS||21}}</noinclude>carvoeiros, de passagens; ''habitués'' do paraty, como os ha na cidade de ''chopps''; conversadores da visinhança, gente sem ter que fazer que não se sabe como {{errata|vivem|vive|Historias e sonhos (1920)/Errata}}, mas que {{errata|vivem|vive|Historias e sonhos (1920)/Errata}} honestamente; um ou outro degradado da sua condição anterior ou nascimento — entre toda essa gente, Zéca era mais imperioso e gritava: — Caixeiro, ''mi'' serve já. Dous tostões de sabão “regador”. Se o caixeiro estava attendendo á D. Anninha, mulher do servente dos Telegraphos, Fortes, e não vinha attendel-o logo, Zéca insistia, fingindo-se irritado: — ''Mi despache'', caixeiro! Dous tostões de sabão “regador”. ''Seu Eduardo'', o caixeiro, que era bom e habituado a supportar a insolencia dos pequenos que vão ás compras, fazia docemente: — Espere, menino. Você não vê que estou servindo, aqui, a D. {{sic|Anninhas|Anninha}}! A mãe tinha vontade de pôl-o no collegio; ella sentia a necessidade disso todas as vezes que era obrigada a sommar os róes. Não sabendo lêr, escrever e contar, tinha que pedir a ''seu'' Frederico, aquelle ''branco'' que fôra colega do seu marido. Mas, pondo-o no collegio, quem havia de levar-lhe e trazer-lhe a roupa? Quem havia de fazer-lhe as compras? A’ tarde, Zéca descansava, brincava com as crianças do lugar um pouco; mas, ao anoitecer, já estava perto da mãe que remendava a roupa dos freguezes, á luz do lampião de kerozene, cuja fumaça ennegrecia o zinco do tecto do barracão. Se bem fosse com a mãe todos os mezes receber a modica pensão que o pai deixara, na Caixa dos Guarda-Freios, o seu sonho não era viver no centro da cidade, nas suas ruas brilhantes, cheias de bondes, automoveis, carroças e gente. Zeca desprezava aquillo tudo. O seu sonho era o Engenho de Dentro e o seu cinema. Ter dinheiro, para ir sempre a elle, vêr-lhe instantemente as ''fitas'' que os grandes cartazes anunciavam e o tympano a soar continuamente<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude> ta0t1r2xeu9ar7wcahkrdh76bacm04w Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/28 106 202738 553042 436377 2026-05-25T01:10:42Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553042 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|22||HISTORIAS E SONHOS}}</noinclude>insistia no convite de vêl-as. Quando sua mãe permittia, aos domingos, com outra criança ajuizada da vizinhança, ia até á estação, até lá, defronte do fascinante cinema. {{corr|Encostava se|Encostava-se}}, então, á grade da estrada de ferro e ficava a olhar, no alto, minutos a fio, aquelles grandes paineis, cheios de grandes figuras, deslumbrantes na sua cercadura de lampadas electricas, como se tudo aquillo fosse uma promessa de felicidade. Como attingiria aquillo? O céo talvez não fosse mais belo… Em cima dos seus tamancos domingueiros, com o terno de casimira que a caridade do Coronel Castro lhe dera, e a tesoura de sua mãe adaptara a seu corpo, elle, fascinado, não pensava senão naquelle cinema brilhante de luzes e apinhado de povo. Nem o apito dos trens o distrahia e só a passagem dos bondes electricos {{errata|aborreciam-n’o|aborrecia-o|Historias e sonhos (1920)/Errata}} um pouco, por lhe tirar a vista do divertimento. Não tinha inveja dos que entravam; o que elle queria, era entrar também. Como havia de ser uma ''fita''? As moças se moviam sob luzes? Como faziam-n’as grandes, parecidas? Como appareciam os homens tal e qual? As arvores e as ruas? E sem fallar, como é que tudo aquillo fallava? Podia ter dinheiro para ir, pois, em geral, sempre os freguezes de sua mãe lhe davam um nickel ou outro; mas, mal os apanhava, levava-os á mãe que sempre andava necessitada delles, para a compra do trincal, do polvilho, do sabão e mesmo para a comida que comiam. Distrahil-os com o cinema seria feio e ingratidão, para com a sua mãe. Um dia havia de ir ao Cinema, sem sacrifical-a, sem enganal-a, como máo filho. Elle não o era como o Carlos que até furtava os do proprio pae… Zéca, por seu procedimento, pela sua dedicação á mãe, era muito estimado de todos e todos lhe davam gratificações, gorjetas, balas, fructas, quando ia entregar ou buscar a roupa. Muitos se interessavam com a mãe, para pôl-o em um recolhimento, em um Asylo; ella, porém, embora quizesse vêl-o sabendo lêr, sempre objectava, e com razão, a necessidade que tinha dos seus serviços, pois era este seu unico<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude> 56otdn6k5kh7r2njcgri1bkrj0e1o7u Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/29 106 202739 553054 436378 2026-05-25T09:33:56Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553054 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|HISTORIAS E SONHOS||23}}</noinclude>filho o braço direito della, seu unico auxílio, o seu unico ''homem''. Uma vez quasi cedeu. O ''seu'' Castro, o Coronel, empregado aposentado da Alfandega, conhecido em Inhaùma pelo seu genio bemfazejo e seu infortúnio com os filhos e filhas, viera-lhe até á sua propria casa, até áquelle barracão, naquella modesta rua, bordada de um lado e outro de sébes de maricás e de ''pinhão'', e expoz-lhe a que vinha. D. Felismina respondeu-lhe com lagrimas nos olhos: — Não posso, ''seu'' Coronel; não posso… Como hei de viver sem elle? E’ elle quem me ajuda… Sei bem que é preciso aprender, saber, mas… — Você vae lá para casa, Felismina; e não precisa {{errata|estar matando-se|estar se matando|Historias e sonhos (1920)/Errata}}. Titubeou a rapariga e o velho funccionario comprehendeu, pois desde ha muito já tinha comprehendido, na gente de côr, especialmente nas negras, esse amor, esse apego á casa própria, á sua choupana, ao seu rancho, ao seu barracão — uma espécie de protesto de posse contra a dependencia da escravidão que soffreram durante seculos. Apezar da recusa, o Coronel Castro, em quem a edade e as desgraças domesticas, tinham mais enchido de bondade o seu coração naturalmente bom, nunca deixou de interessar-se pela criança que o penalisava excessivamente. A sua meiguice, a sua resignação, aquelle arduo trabalho diario para a sua edade eram motivos para que o velho e tristonho aposentado sempre a olhasse com a mais extremada sympathia. Quando o pretinho ia á sua casa levar-lhe a sua ou a roupa das filhas, dava-lhe sempre qualquer cousa, puxava-lhe a lingua, perguntava-lhe pelas suas necessidades. Certo dia, em começo do anno, o pequeno Zéca chegou-lhe em casa com a physionomia um tanto transtornada. Parecia ter chorado e muito. O Coronel, homem para quem, como disse um sábio, não havia nada insignificante e desprezivel que pudesse causar dôr ou prazer á mais humilde criatura, que não merecesse a attenção do philosopho — o Coronel interrogou-o sobre o motivo de sua magua. {{nop}}<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude> gw09c9mtimju1658wudo3qsc0zee1di Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/30 106 202740 553055 436379 2026-05-25T09:45:00Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553055 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|24||HISTORIAS E SONHOS}}</noinclude>— Foi tua mãe? — Não, ''seu'' Coronel. — Que foi, então, Zéca? O pequeno não quiz dizer e não cessava de olhar o chão, de encaral-o, de craval-o, de caval-o, de enterrar toda a sua vida nelle. Zéca estava na varanda de uma velha casa de fazenda, como ainda as ha muitas por lá, varanda em parapeito e columnas, no classico estylo dessas velhas habitações; o Coronel nella tambem estava lendo os jornaes, na cadeira de balanço, e só deixára a leitura, quando avistou o pequeno que subia a ladeira com o taboleiro de roupa á cabeça. A attitude do pequeno, a sua recusa em confessar o motivo do seu chôro e o seu todo de desalento fizeram que o velho funccionario, já por ternura natural, já por bondosa curiosidade, procurasse a causa da dôr que feria tão profundamente aquella criança tão pobre, tão humilde, tão desgraçada, quasi miseravel. — {{errata|Diz|Dize|Historias e sonhos (1920)/Errata}}, Zéca. Dize que eu te darei uma vestimenta de ''diabinho'' no Carnaval que está ahi. O pretinho levantou a cabeça e olhou com um grande e brusco olhar de agradecimento, de commovido agradecimento áquelle velho de tão bellos cabellos brancos. Confessou; e Castro nada disse a ninguem da humilde e ingenua confissão do pretinho Zéca. Approximou-se o Carnaval; e, quando foi sabbado, vespera delle, D. Felismina retirou mais cedo dos arames a roupa branca que estivera a seccar. Atarefada com esse serviço, ella não viu que o seu filho entrara-lhe pelo barracão a dentro, sobraçando um embrulho guizalhante e um outro, com rasgões no papel, por onde sahiam recurvados chifres e uma formidável lingua vermelha. Era uma horrível mascara de ''diabo''. D. Felismina veio para o interior do barracão; e poz-se a arrumar a roupa secca ou côrada. Zéca, distrahido, no outro extremo do aposento, não a viu entrar e, julgando-a lá fóra, desembrulhou os apetrechos carnavalescos. Sobre a humilde e tosca mesa de pinho estendeu uma rubra {{hífen|vesti|vestimenta}}<noinclude>{{smallrefs|group="errata"}}</noinclude> 55qzup842r4hkkk87xuxl2375vx8eiq Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/31 106 202741 553057 436380 2026-05-25T10:13:54Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553057 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|HISTORIAS E SONHOS||25}}</noinclude>{{hífen-fim|menta|vestimenta}} de ganga rala e uma mascara apavorante de olhos esbugalhados, lingua retorcida e chifres agressivos, appareceu tão amedrontadora que se o proprio diabo a visse teria medo. A mãe, ao barulho dos guizos, virou-se, e, vendo aquilo, ficou subitamente cheia de más suspeitas: — Zéca, que é isso? Uma visão dolorosa lhe chegou aos olhos, da casa de Detenção, das suas grades, dos seus muros altos… Ah! meu Deus! Antes uma boa morte!… E repetiu ainda mais severamente: — Que é isso, Zéca? Onde você arranjou isso? — Não… mamãe… não… — Você roubou, meu filho?… Zéca, meu filho! Pobre, sim; mas ladrão, não! Ah! meu Deus!… Onde você arranjou isso, Zéca? A pobre mulher quase chorava e o pequeno, transido de medo e com a commoção diante da dôr da mãe, balbuciava, titubeava e as palavras não lhe vinham. Afinal, disse: — Mas… mamãe… não foi assim… — Como foi? Diz! — Foi ''seu'' Castro quem me deu. Eu não pedi… D. Felismina socegou e o pequeno tambem. Passados instantes, ella perguntou com outra voz: — Mas para que, você quer isso? Antes tivesse dado a você umas camisas… Para que essas bobagens? Isso é para gente rica, que póde. Enfim… — Mas, mamãe, eu aceitei, porque precisava. — Disto! ninguem precisa disto! Precisa-se de roupa e comida… Isto são tolices! — Eu precisava, sim senhora. — Como, você precisava? — Não lhe contei que ha mezes, diversas vezes, quando passava, para ir á casa de D. Ludovina, diante do portão do capitão Albuquerque, os meninos g{{reconstruído|ri}}tavam oh! moleque! — oh! moleque! — oh! negro! — oh! gibi! Não lhe contei? — Contou-me; e dahi? {{nop}}<noinclude> <references/></div></noinclude> gai7ads77e4wsjarb4ac7p2de4gj9co Página:Historias e sonhos - contos (1920).djvu/32 106 202742 553058 436381 2026-05-25T10:18:47Z JppBr98 28173 /* Revista */ 553058 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|26||HISTORIAS E SONHOS}}</noinclude>— Por isso quando o Coronel me prometteu a phantasia, eu acceitei. — Que tem uma cousa com a outra? — Queria amanhã passar por lá e metter medo aos meninos que me vaiaram. {{nop}}<noinclude></noinclude> hhz1rllsmmnklkspvts78m7g31nxoud Autor:Oswald de Andrade 102 211106 553031 549321 2026-05-24T18:07:34Z Junglk 34905 Atualizando página 553031 wikitext text/x-wiki {{Autor/v2 | InicialUltimoNome = A | nome = Oswald de Andrade | nome completo = José Oswald de Sousa de Andrade | nome nativo = | imagem = | imagem_tamanho = | legenda = | nacionalidade = {{BRAn|o}} | data_nascimento = {{dni|11|1|1890|si}} | data_morte = {{morte|22|10|1954|11|1|1890}} | género = Masculino | período = Modernismo | temas = Nacionalismo, antropofagia, modernismo | abl = | Wikipedia = Oswald de Andrade | Wikiquote = Oswald de Andrade | Wikicommons = Oswald de Andrade | MiscBio = '''José Oswald de Sousa de Andrade''' foi um poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro. }} == Obras == {{Autor-digitalizar}} {{Lista de documentos início|gênero}} {{Documento|data=1921|título=O Meu Poeta Futurista|galeria=|progresso=|gênero=Ensaio|notas=|scan=}} {{Documento|data=1922|título=Os Condenados|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=1º volume da Trilogia do Exílio|scan={{esl|1=https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8829}}}} {{Documento|data=1924|título=Memórias Sentimentais de João Miramar|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=|scan={{esl|1=https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8723}}}} {{Documento|data=1924|título=Manifesto da Poesia Pau-Brasil|galeria=|progresso=|gênero=Manifesto|notas=|scan=}} 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{{BRAn|o}} | data_nascimento = {{dni|11|1|1890|si}} | data_morte = {{morte|22|10|1954|11|1|1890}} | género = Masculino | período = Modernismo | temas = Nacionalismo, antropofagia, modernismo | abl = | Wikipedia = Oswald de Andrade | Wikiquote = Oswald de Andrade | Wikicommons = Oswald de Andrade | MiscBio = '''José Oswald de Sousa de Andrade''' foi um poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro. }} == Obras == {{Autor-digitalizar}} {{Lista de documentos início|gênero}} {{Documento|data=1921|título=O Meu Poeta Futurista|galeria=|progresso=|gênero=Ensaio|notas=|scan=}} {{Documento|data=1922|título=Os Condenados|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=1º volume da Trilogia do Exílio|scan={{esl|1=https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8829}}}} {{Documento|data=1924|título=Memórias Sentimentais de João Miramar|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=|scan={{esl|1=https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8723}}}} {{Documento|data=1924|título=Manifesto da Poesia 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src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|22|0|5|0|3|70}} | [[Index:A Luneta Magica, Tomo I (1869).pdf|A luneta magica]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:AI-13.pdf|Ato Institucional Número Treze]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:AI-6.pdf|Ato Institucional Número Seis]] |- | {{Barra de progresso|0|0|32|7|0|61}} | [[Index:Da Terra á Lua.pdf|Da Terra á Lua]] |- | {{Barra de progresso|54|0|40|2|5|-1}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|3|0|0|0|1|96}} | [[Index:Floresta de varios romances (1869).pdf|Floresta de varios romances]] |- | {{Barra de progresso|75|0|17|0|8|0}} | [[Index:Historias e sonhos - contos (1920).djvu|Historias e sonhos]] |- | {{Barra de progresso|0|0|34|0|3|63}} | [[Index:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado]] |- | {{Barra de progresso|96|0|1|0|3|0}} | [[Index:O Crime do Padre Amaro.djvu|O Crime do Padre Amaro]]: cenas da vida devota]] |- | {{Barra de progresso|0|0|1|0|2|97}} | [[Index:O primo Basílio (1900).djvu|O Primo Basílio]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> h4b2pccbplntpt0ggzkaq0inca25pvm Utilizador Discussão:~2026-30777-84 3 253649 552984 2026-05-24T14:37:40Z Junglk 34905 /* Vandalismo */ nova secção 552984 wikitext text/x-wiki == Vandalismo == {{Aviso}} [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h37min de 24 de maio de 2026 (UTC) otsatzahyogu4qtt3cn0977tl9la6qt Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/64 106 253651 552999 2026-05-24T15:34:47Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 552999 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|O CASTIGO|'''XVII'''}} {{dhr|3}} Logo ao clarear do dia Narizinho pulou da cama, afflicta por saber o que teria acontecido, e soube do seguinte. O principe, assim que a menina se recolheu, tomou as armas e dirigiu-se ao corpo da guarda, pé ante pé. E pelo buraco da fechadura descobriu o capitão em conferencia com dois grillos traidores. — Vocês, dizia o capitão, dirigem-se agora ao palacio, sobem pela janella, entram no quarto do principe, e amarram-no bem amarrado á cama, emquanto eu vou combinar com o Escorpião o resto da ''festa''. Vamos ! Toda a cautela é pouca !... Nem bem o principe ouviu aquillo e já voltou correndo para o seu quarto. Entreabriu a janella, por onde os traidores haviam de entrar, e collocou em baixo uma gaiola de alçapão, de modo que quem pulasse para dentro cahiria prisioneiro. E ficou esperando. {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}60{{gap}}☉}}</noinclude> 66etlef76hnmswcop9wahd06fs0avrj Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/65 106 253652 553000 2026-05-24T15:37:39Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 553000 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Dʼahi a pouco ouviu vozes abafadas do lado de fóra e logo em seguida tres cabeças que assomavam á janella, muito resabiadas. Os conspiradores pararam um momento á escuta. Depois, certos de que o principe dormia a bom dormir, saltaram para dentro e... cahiram presos na gaiola ! {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 65 crop).jpg |align=left |width=300px |padt=2em }} Eram tres grillos mal encarados, de má fama, que já por varias vezes soffreram punições por andarem a judiar dos bichinhos pacificos do reino. Como eram muito ambiciosos queriam agora tomar conta do governo. O principe, incontinente, agarrou um cadeado e trancou bem trancadinha a porta da gaiola. Os grillos, de tão assombrados, estavam de bocca aberta sem poder falar. O principe não disse nada. Sahiu do quarto e foi acordar um grillo fiel, dizendo-lhe: {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}61{{gap}}☉}}</noinclude> b4yb7b7fe333rn71jafoh33ekm2akcx Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/66 106 253653 553001 2026-05-24T15:40:26Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 553001 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Vá procurar o capitão da guarda e diga-lhe baixinho ao ouvido: — “Os tres emissarios te mandam dizer que o “negocio” está feito, mas que precisam da tua presença no quarto do principe”. Diga isso e azule !... {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 66 crop).jpg |align=left |width=300px |padt=2em }} O grillo recadeiro fez tres cabriolas e montou de um salto numa linda bicycletinha, repetiu de cabeça as palavras do principe, deitou-se na machina e — ''fon!'' ''fon ! fon !'' partiu como um raio, ventando, em procura do capitão. Encontrou-o a rondar por perto do carcere do monstro. Approximou-se e repetiu-lhe ao ouvido o recado. O capitão quiz perguntar mais coisas, mas quando abriu a bocca já o mensageiro tinha sumido. — Muito bem! exclamou o capitão lá<noinclude>{{c|☉{{gap}}62{{gap}}☉}}</noinclude> 7gvl1bf25h04ltiafwo42sro6sd1z37 Página:Da Terra á Lua.pdf/89 106 253654 553002 2026-05-24T15:51:47Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: esphericas ou conicas. Recusa do presidente, que decididamente não queria arriscar os louros da ultima victoria que alcançára. Nicholl, ainda mais estimulado por aquella inqualificavel obstinação, quiz tentar Barbicane dando-lhe de partido todas as probabilidades favoraveis, e propoz-lhe collocar a chapa a duzentas jardas de distancia do canhão. E Barbicane a teimar na recusa. A cem jardas? Nem a setenta e cinco. «Pois então a cincoenta,... 553002 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|90|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>esphericas ou conicas. Recusa do presidente, que decididamente não queria arriscar os louros da ultima victoria que alcançára. Nicholl, ainda mais estimulado por aquella inqualificavel obstinação, quiz tentar Barbicane dando-lhe de partido todas as probabilidades favoraveis, e propoz-lhe collocar a chapa a duzentas jardas de distancia do canhão. E Barbicane a teimar na recusa. A cem jardas? Nem a setenta e cinco. «Pois então a cincoenta, clamou o capitão pela voz dos jornaes, ou a vinte e cinco jardas, e ponho-me eu por detrás da minha couraça!» Barbicane mandou responder que não atiraria, nem que o capitão Nicholl se pozesse diante em vez de se pôr de trás. Ao ler esta ultima replica não pôde Nicholl conter-se mais, e arrastou a discussão para o campo das personalidades, insinuando que a cobardia era cousa indivisivel, e que o homem que se recusa a disparar um tiro de canhão não está muito longe de ter-lhe medo, que em summa esses artilheiros que nos tempos de agora se batem a seis milhas de distancia substituiam prudentemente a coragem individual por formulas de mathematicas, e que no fim de contas tanta coragem havia em esperar placidamente uma bala detrás de uma couraça; como em arremessa-la com todas as regras da arte. Nem palavra respondeu Barbicane a taes insinuações; talvez mesmo nem dʼellas tivesse conhecimento, que lhe absorviam por então todas as forças do espirito os calculos previos do seu grande projecto. Quando Barbicane realisou a famosa communicação ao Gun-Club, é que a raiva do capitão Nicholl chegou ao paroxysmo. Referviam-lhe com ella nʼalma um ciume immenso e um sentimento de impotencia absoluta! Que havia de inventar que fosse superior áquella columbiada de novecentos pés! Qual havia de ser a couraça capaz de resistir a um projectil de trinta mil libras! {{nop}}<noinclude></noinclude> b47xxkdwxht6w41eudewwgrr8y52e7s Página:Da Terra á Lua.pdf/90 106 253655 553003 2026-05-24T15:53:39Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Nos primeiros momentos ficou Nicholl aterrado, aniquilado, esmigalhado por aquelle «tiro de canhão»; mas depois levantou-se, e resolveu esmagar a proposta debaixo do peso da sua argumentação. Combateu por consequencia com grande violencia os trabalhos do Gun-Club; publicou grande numero de cartas, de que os jornaes não recusaram a reproducção. Tentou demolir scientificamente a obra de Barbicane, e uma vez iniciada a guerra, serviu-se de t... 553003 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|91|borda_inferior=sim}}</noinclude>Nos primeiros momentos ficou Nicholl aterrado, aniquilado, esmigalhado por aquelle «tiro de canhão»; mas depois levantou-se, e resolveu esmagar a proposta debaixo do peso da sua argumentação. Combateu por consequencia com grande violencia os trabalhos do Gun-Club; publicou grande numero de cartas, de que os jornaes não recusaram a reproducção. Tentou demolir scientificamente a obra de Barbicane, e uma vez iniciada a guerra, serviu-se de toda a casta de argumentos, que, força é dize-lo, foram as mais das vezes especiosos e de baixo quilate. O ataque a Barbicane começou, e com summa violencia, pelas questões de algarismos; Nicholl tentou demonstrar por <math>A+B</math> que eram falsas as formulas de que se servia o presidente, e accusou-o de ignorar os principios rudimentares da balistica. Entre outros erros de que lhe fazia cargo, apontava-lhe a impossibilidade, demonstrada, segundo os calculos dʼelle Nicholl, de imprimir a um corpo qualquer a velocidade de doze mil jardas por segundo; sustentou com a algebra em punho, que ainda mesmo animado dʼessa velocidade, nunca projectil de peso tal havia de ir alem dos limites da atmosphera terrestre! Nem sequer oito leguas havia de percorrer! Ainda mais. Dado, mas não concedido que se podesse conseguir tal velocidade, e ainda reputada esta sufficiente, nem o obuz poderia resistir á pressão dos gazes, que se haviam de desenvolver pela inflammação de um milhão e seiscentas mil libras de polvora, nem que resistisse a essa pressão poderia supportar temperatura de tal ordem. Havia sim de derreter-se ao sair da columbiada, e cair em chuva de fogo por sobre os craneos dos imprudentes espectadores. Barbicane nem deu mostras de perceber o ataque, e proseguiu na obra encetada. Nicholl então discutiu o assumpto por outra ordem de considerações; não fallando já na provada inutilidade da experiencia sob todos os respeitos, considerou-a como extremamente peri-<noinclude></noinclude> ryaji9lxwfx3tvpyr6p9kos7lnyyfl6 553010 553003 2026-05-24T16:01:10Z Erick Soares3 19404 553010 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|91|borda_inferior=sim}}</noinclude>Nos primeiros momentos ficou Nicholl aterrado, aniquilado, esmigalhado por aquelle «tiro de canhão»; mas depois levantou-se, e resolveu esmagar a proposta debaixo do peso da sua argumentação. Combateu por consequencia com grande violencia os trabalhos do Gun-Club; publicou grande numero de cartas, de que os jornaes não recusaram a reproducção. Tentou demolir scientificamente a obra de Barbicane, e uma vez iniciada a guerra, serviu-se de toda a casta de argumentos, que, força é dize-lo, foram as mais das vezes especiosos e de baixo quilate. O ataque a Barbicane começou, e com summa violencia, pelas questões de algarismos; Nicholl tentou demonstrar por <math>A+B</math> que eram falsas as formulas de que se servia o presidente, e accusou-o de ignorar os principios rudimentares da balistica. Entre outros erros de que lhe fazia cargo, apontava-lhe a impossibilidade, demonstrada, segundo os calculos dʼelle Nicholl, de imprimir a um corpo qualquer a velocidade de doze mil jardas por segundo; sustentou com a algebra em punho, que ainda mesmo animado dʼessa velocidade, nunca projectil de peso tal havia de ir alem dos limites da atmosphera terrestre! Nem sequer oito leguas havia de percorrer! Ainda mais. Dado, mas não concedido que se podesse conseguir tal velocidade, e ainda reputada esta sufficiente, nem o obuz poderia resistir á pressão dos gazes, que se haviam de desenvolver pela inflammação de um milhão e seiscentas mil libras de polvora, nem que resistisse a essa pressão poderia supportar temperatura de tal ordem. Havia sim de derreter-se ao sair da columbiada, e cair em chuva de fogo por sobre os craneos dos imprudentes espectadores. Barbicane nem deu mostras de perceber o ataque, e proseguiu na obra encetada. Nicholl então discutiu o assumpto por outra ordem de considerações; não fallando já na provada inutilidade da experiencia sob todos os respeitos, considerou-a como extremamente peri{{PT||gosa, quer para os cidadãos que viessem auctorisar com a sua presença tão condemnavel espectaculo, quer para as cidades que ficassem proximas do deploravel canhão; fez tambem notar que {{PT||se o projectil não alcançasse o alvo, o contrario do que era aliás absolutamente impossivel, evidentemente havia de cair na Terra, e que a quéda de uma massa dʼaquella ordem, multiplicada pelo {{PT||quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}}}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 4l8kffggajx5i5yiljnm8xltcfz4jmy Página:Da Terra á Lua.pdf/91 106 253656 553004 2026-05-24T15:56:37Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: [[File:Delaterrelalun00vern 0075 1.png|centro|400px]] {{c|Foi necessario pôr sentinellas á vista aos deputados ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/102|pag. 103]]).}} {{PT|gosa, quer para os cidadãos que viessem auctorisar com a sua presença tão condemnavel espectaculo, quer para as cidades que ficassem proximas do deploravel canhão; fez tambem notar que}} {{nop}} 553004 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|92|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0075 1.png|centro|400px]] {{c|Foi necessario pôr sentinellas á vista aos deputados ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/102|pag. 103]]).}} {{PT|gosa, quer para os cidadãos que viessem auctorisar com a sua presença tão condemnavel espectaculo, quer para as cidades que ficassem proximas do deploravel canhão; fez tambem notar que}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 9x84sem41thggg5cp3vm7ztuw4jqh0w 553009 553004 2026-05-24T16:00:54Z Erick Soares3 19404 553009 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|92|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0075 1.png|centro|400px]] {{c|Foi necessario pôr sentinellas á vista aos deputados ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/102|pag. 103]]).}} {{PT|gosa, quer para os cidadãos que viessem auctorisar com a sua presença tão condemnavel espectaculo, quer para as cidades que ficassem proximas do deploravel canhão; fez tambem notar que {{PT||se o projectil não alcançasse o alvo, o contrario do que era aliás absolutamente impossivel, evidentemente havia de cair na Terra, e que a quéda de uma massa dʼaquella ordem, multiplicada pelo {{PT||quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}}}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> fp1lkvidjx7blirypw828kgsukdr0bt Página:Da Terra á Lua.pdf/92 106 253657 553005 2026-05-24T15:58:35Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: [[File:Delaterrelalun00vern 0082 1.png|centro|400px]] {{PT|se o projectil não alcançasse o alvo, o contrario do que era aliás absolutamente impossivel, evidentemente havia de cair na Terra, e que a quéda de uma massa dʼaquella ordem, multiplicada pelo}} {{nop}} 553005 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|93|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0082 1.png|centro|400px]] {{PT|se o projectil não alcançasse o alvo, o contrario do que era aliás absolutamente impossivel, evidentemente havia de cair na Terra, e que a quéda de uma massa dʼaquella ordem, multiplicada pelo}} {{nop}}<noinclude></noinclude> fcnclmuo2pom3u6h951x74znvumm0ue 553008 553005 2026-05-24T16:00:36Z Erick Soares3 19404 553008 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|93|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0082 1.png|centro|400px]] {{PT|se o projectil não alcançasse o alvo, o contrario do que era aliás absolutamente impossivel, evidentemente havia de cair na Terra, e que a quéda de uma massa dʼaquella ordem, multiplicada pelo {{PT||quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> d0gm9we87ye0eqdwja2l77mttpuc7f9 553014 553008 2026-05-24T16:11:20Z Erick Soares3 19404 553014 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|93|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0082 1.png|centro|400px]] {{c|Abriram-se as subscripções ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/107|pag. 108]]).}} {{PT|se o projectil não alcançasse o alvo, o contrario do que era aliás absolutamente impossivel, evidentemente havia de cair na Terra, e que a quéda de uma massa dʼaquella ordem, multiplicada pelo {{PT||quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> tcd2nt3w6i61tlfisep89oeek6sifum Página:Da Terra á Lua.pdf/93 106 253658 553007 2026-05-24T16:00:19Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{PT|quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}} Do que deixâmos dito se deprehende qual o grau de exageração a que se deixára... 553007 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{rh|94|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>{{PT|quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}} Do que deixâmos dito se deprehende qual o grau de exageração a que se deixára arrastar o capitão Nicholl. Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. Em consequencia propoz publicamente no ''Enquirer'' de Richmond uma serie de apostas em proporção ascendente, cujo quadro é o seguinte: Apostava o capitão:<noinclude></noinclude> ns34mckaij1bqke5z5ysp0ap6vsjwmj 553011 553007 2026-05-24T16:04:36Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ 553011 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|94|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>{{PT|quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}} Do que deixâmos dito se deprehende qual o grau de exageração a que se deixára arrastar o capitão Nicholl. Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. Em consequencia propoz publicamente no ''Enquirer'' de Richmond uma serie de apostas em proporção ascendente, cujo quadro é o seguinte: Apostava o capitão: {{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção=1.º |título=Que não chegariam a realisar-se fundos sufficientes para levar a effeito o emprehendimento do Gun-Club |página=1:000 dollars }} {{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção=2.º |título=Que a operação de fundir um canhão de novecentos pés de comprimento era impraticavel e não podia ter bom exito |página=2:000 dollars }} {{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção=3.º |título=Que havia de ser impossivel carregar a columbiada, e que o pyroxylo se havia de inflammar por si proprio só pela pressão do projectil |página=3:000 dollars }} {{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção=4.º |título=Que a columbiada havia de rebentar ao pri{{PT||meiro tiro |página=4:000 dollars }}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> h1x425xwuofcosap4hc9bt1yh920895 553015 553011 2026-05-24T16:12:02Z Erick Soares3 19404 553015 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|94|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>{{PT|quadrado da respectiva velocidade, viria a pôr em grave risco um qualquer ponto do globo: em conclusão que, em circumstancias taes, casos havia em que, sem atacar nem de leve os direitos dos cidadãos livres, se tornava necessaria a intervenção do governo, poisque se não devia pôr em risco a segurança de todos por dar satisfação aos caprichos de um só.}} Do que deixâmos dito se deprehende qual o grau de exageração a que se deixára arrastar o capitão Nicholl. Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Da opinião que professava era o capitão sectario unico, e por conseguinte ninguem lhe ligou importancia ás agourentas prophecias. Deixaram-no gritar á vontade, e que seccasse os bofes, já que o levava em gosto. Fizera-se o capitão defensor de uma causa de antemão perdida: ouviam-no, mas ninguem o escutava, e nem um só admirador pôde arrancar ao presidente do Gun-Club. Este nem se deu ao trabalho de refutar os argumentos do adversario. Nicholl, mettido nʼeste beco sem saída, e sem poder ao menos arriscar o corpo em prol da causa que defendia, resolveu arriscar ao menos o dinheiro. 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Eram nada menos de quinze mil dollars<ref>Oitenta e um mil e trezentos francos ou quatorze contos seiscentos e trinta e quatro mil réis, a cento e oitenta réis o franco.</ref>. Apesar da importancia da aposta, recebeu o capitão no dia 19 de maio um bilhete lacrado, concebido nos termos de soberbo laconismo que se seguem: «Baltimore, 18 de outubro.—Acceito.=''Barbicane''.» {{dhr|4}} <section end="Cap. 10"/> <section begin="Cap. 11"/>{{t2|{{lsp||A FLÓRIDA E O TEXAS}}|CAPITULO XI}} {{dhr}} Entretanto estava ainda uma questão por decidir; faltava escolher logar propicio para fazer a experiencia. Segundo as recommendações do observatorio de Cambridge, devia o tiro ser dirigido perpendicularmente ao plano do horisonte, isto é, para o zenith; e visto como a Lua não chega ao zenith senão dos logares terrestres situados entre 0° e 28° de latitude, ou, por outras palavras, como a declinação lunar maxima é apenas de 28°<ref>A declinação de um astro é a sua distancia ao equador celeste medida no seu meridiano. A ascensão recta é o arco do equador comprehendido entre o meridiano do astro e o ponto vernal.</ref>, estava o problema reduzido a determinar exactamente o ponto do globo onde deveria ser fundida a immensa columbiada. {{nop}}<section end="Cap. 11"/><noinclude> {{smallrefs}}</noinclude> fpwls0ex8yz0bubg8cw6h1b8kz6gozb 553016 553012 2026-05-24T16:12:17Z Erick Soares3 19404 553016 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|95|borda_inferior=sim}}</noinclude><section begin="Cap. 10"/>{{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção= |título={{PT|meiro tiro |página=4:000 dollars}} }} {{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção=5º |título=Que a bala não havia de percorrer nem seis milhas de trajectoria, e tornaria a cair na Terra alguns segundos depois de disparado o tiro |página=5:000 dollars }} Por aqui se vê que importante somma arriscava o capitão, só por sustentar a sua invencivel teimosia. Eram nada menos de quinze mil dollars<ref>Oitenta e um mil e trezentos francos ou quatorze contos seiscentos e trinta e quatro mil réis, a cento e oitenta réis o franco.</ref>. Apesar da importancia da aposta, recebeu o capitão no dia 19 de maio um bilhete lacrado, concebido nos termos de soberbo laconismo que se seguem: «Baltimore, 18 de outubro.—Acceito.=''Barbicane''.» {{dhr|4}} <section end="Cap. 10"/> <section begin="Cap. 11"/>{{t2|{{lsp||A FLÓRIDA E O TEXAS}}|CAPITULO XI}} {{dhr}} Entretanto estava ainda uma questão por decidir; faltava escolher logar propicio para fazer a experiencia. Segundo as recommendações do observatorio de Cambridge, devia o tiro ser dirigido perpendicularmente ao plano do horisonte, isto é, para o zenith; e visto como a Lua não chega ao zenith senão dos logares terrestres situados entre 0° e 28° de latitude, ou, por outras palavras, como a declinação lunar maxima é apenas de 28°<ref>A declinação de um astro é a sua distancia ao equador celeste medida no seu meridiano. A ascensão recta é o arco do equador comprehendido entre o meridiano do astro e o ponto vernal.</ref>, estava o problema reduzido a determinar exactamente o ponto do globo onde deveria ser fundida a immensa columbiada. {{nop}}<section end="Cap. 11"/><noinclude> {{smallrefs}}</noinclude> r5tj6ws5gwbmtiydh1bf2g29iq28ohg 553018 553016 2026-05-24T16:14:16Z Erick Soares3 19404 553018 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|95|borda_inferior=sim}}</noinclude><section begin="Cap. 10"/>{{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção= |título={{PT|meiro tiro}} |{{PT|página= 4:000 dollars}} }} {{tabela|indentation=-1| largura = 36em | largura-s = 80 |largura-p=20 |seção=5º |título=Que a bala não havia de percorrer nem seis milhas de trajectoria, e tornaria a cair na Terra alguns segundos depois de disparado o tiro |página=5:000 dollars }} Por aqui se vê que importante somma arriscava o capitão, só por sustentar a sua invencivel teimosia. Eram nada menos de quinze mil dollars<ref>Oitenta e um mil e trezentos francos ou quatorze contos seiscentos e trinta e quatro mil réis, a cento e oitenta réis o franco.</ref>. Apesar da importancia da aposta, recebeu o capitão no dia 19 de maio um bilhete lacrado, concebido nos termos de soberbo laconismo que se seguem: «Baltimore, 18 de outubro.—Acceito.=''Barbicane''.» {{dhr|4}} <section end="Cap. 10"/> <section begin="Cap. 11"/>{{t2|{{lsp||A FLÓRIDA E O TEXAS}}|CAPITULO XI}} {{dhr}} Entretanto estava ainda uma questão por decidir; faltava escolher logar propicio para fazer a experiencia. Segundo as recommendações do observatorio de Cambridge, devia o tiro ser dirigido perpendicularmente ao plano do horisonte, isto é, para o zenith; e visto como a Lua não chega ao zenith senão dos logares terrestres situados entre 0° e 28° de latitude, ou, por outras palavras, como a declinação lunar maxima é apenas de 28°<ref>A declinação de um astro é a sua distancia ao equador celeste medida no seu meridiano. 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Eram nada menos de quinze mil dollars<ref>Oitenta e um mil e trezentos francos ou quatorze contos seiscentos e trinta e quatro mil réis, a cento e oitenta réis o franco.</ref>. Apesar da importancia da aposta, recebeu o capitão no dia 19 de maio um bilhete lacrado, concebido nos termos de soberbo laconismo que se seguem: «Baltimore, 18 de outubro.—Acceito.=''Barbicane''.» {{dhr|4}} <section end="Cap. 10"/> <section begin="Cap. 11"/>{{t2|{{lsp||A FLÓRIDA E O TEXAS}}|CAPITULO XI}} {{dhr}} Entretanto estava ainda uma questão por decidir; faltava escolher logar propicio para fazer a experiencia. 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