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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{#ifexpr:251 mod 2| {{rh||SERMÕES.|251}} | {{rh|251|SERMÕES}} }}</noinclude>racional nos homens. E notae a desgraça do trigo, que onde só podia esperar razão, alli achou maior aggravo. As pedras secaram-no, os espinhos afogaram-no, as aves comeram-no, e os homens? Pisaram-no: ''Conculcatum est. Ah hominibus'' (Diz a Glossa). Quando Christo mandou prégar os apostolos pelo mundo, disse-lhes desta maneira: ''Euntes in mundum universum, prædicate omni creaturæ:'' (Marc. XVI — 15) Ide, e prégae a toda a creatura. Como assim, Senhor? Os animaes não são creaturas? As arvores não são creaturas? As pedras não são creaturas? Pois hão os apostolos de prégar ás pedras? Hão de prégar aos troncos? Hão de prégar aos animaes? Sim: diz S. Gregorio depois de S. Agostinho. Porque como os apostolos iam prégar a todas as nações do mundo, muitas dellas barbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as especies de creaturas: haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos, haviam de achar homens pedras. E quando os prégadores evangelicos vão prégar a toda a creatura, que se armem contra elles todas as creaturas? Grande desgraça!
Mas ainda a do semeador do nosso evangelho não foi a maior. A maior é a que se tem experimentado na seara aonde eu fui, e para onde venho. Tudo o que aqui padeceu o trigo, padeceram lá os semeadores. Se bem advertirdes, houve aqui trigo mirrado, trigo afogado, trigo comido, e trigo pisado. Trigo mirrado: ''Natum aruit, quia non habebat humorem;'' trigo afogado: ''Exortæ spinæ suffocaverunt illud;'' trigo comido: ''Volucres cæli comederunt illud;'' trigo pisado: ''Conculcatum est''. Tudo isto padeceram os semeadores evangelicos da missão do Maranhão de doze annos a esta parte. Houve missionarios afogados, porque uns se afogaram na boca do grande rio das Amazonas: houve missionarios comidos, porque a outros comeram os barbaros na ilha dos Aroans: houve missionarios mirrados, porque taes tornaram os da jornada dos Tocantins, mirrados da fome e da doença, onde tal houve, que andando vinte e dois dias perdido nas brenhas, matou sómente a sede com o orvalho que lambia das folhas. Vêde se lhe quadra bem o ''Natum aruit, quia non habebat humorem?'' E que sobre mirrallos, sobre afogados, sobre comidos, ainda se vejam pisados e<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{rh||{{sc|Tratados da Terra e Gente do Brasil}}|289|borda_inferior=1}}</noinclude><noinclude>rada,</noinclude> de maravilhosa {{Ilegível}}, com Santo Lenho, tres cabeças das Onze mil virgens, com outras muitas e grandes reliquias de santos, e uma imagem de Nossa Senhora de S. Lucas, mui formosa e devota.
A cerca é muito grande, bale o mar nella, por dentro se vão os padres embarcar, tem uma fonte perenne de boa agua com seu tanque, aonde se vão recrear; está cheia de arvores d’espinho, parreiras de Portugal, as quaes se as podam a seus tempos, todo o anno estão verdes, com uvas, ou maduras ou em agraço. A terra tem muitas fructas. sc. ananazes, pacobas, e todo o anno ha fructas nos refeitorios. O ananaz é fructa real, dá-se em umas como pencas de cardos ou folhas d’erva babosa, são da feição e tamanho de pinhas, todos cheios de olhos, os quaes dão umas formosíssimas flores de varias côres: são de bom gosto, cheiram bem, para dôr de pedra são salutifero: delles fazem os indios vinho, e tem outras boas commodidades; a maior parte do anno os ha. Tem alguns coqueiros, e uma arvore que chamam ''cuieira'' que não dá mais do que cabaças, é fresca e muito para ver. Legumes não faltam da terra e de Portugal; bringellas, alfaces, couves, aboboras, rabãos e outros legumes e hortaliças. Fóra de casa, tão longe como Villa Franca de Coimbra, tem um tanque mui formoso, em que andará um bom navio; anda cheio de peixes: junto a elle ha muitos bosques de arvoredos mui frescos; alli se vão recrear os assuetos, e no tanque entram algumas ribeiras de bôa agua em grande quantidade.{{Tratados da terra e gente do Brasil (1925) ref|383|XI}}<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: E, a confirmar isto, (fala ainda o processo), o mesmo Capitão-mór, no dia 21 de Agosto, daquele ano, «por si próprio e seus criados», prendeu dois guardas de Vila Nova de Cerveira, meteu-os na cadeia e aí os teve dois dias, mandando entregar aos donos (deve dizer-se - ''contrabandistas'') as fazendas apreendidas<ref>O processo correu pela alfândega da Barca e não só foi aí pronunciado o Capitão-mór, mas o juiz ordinário e vereadores. d...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>E, a confirmar isto, (fala ainda o processo), o mesmo Capitão-mór, no dia 21 de Agosto, daquele ano, «por si próprio e seus criados», prendeu dois guardas de Vila Nova de Cerveira, meteu-os na cadeia e aí os teve dois dias, mandando entregar aos donos (deve dizer-se - ''contrabandistas'') as fazendas apreendidas<ref>O processo correu pela alfândega da Barca e não só foi aí
pronunciado o Capitão-mór, mas o juiz ordinário e vereadores. da. Câmara de Coura; estes, por terem passado ordens aos seus oficiais para prenderem os guardas. O genealogista Leonel de Sousa e Andrade, ao tempo vereador, também foi pronunciado, mas obteve provimento no agravo de injusta pronúncia, assim como o Procurador do concelho.</ref>.
Foi preciso que o chefe da alfândega viesse, pessoalmente, reclamar a soltura dos seus subordinados, para eles não continuarem sob os ferros... do Capitão-mór.
{{c|---}}
A capela do Valilongo, sob a invocação de Santo António, assim como o seu vínculo, são de instituição do P.<sup>e</sup> António Faria e Sousa Bacelar. Em 1783 era seu administrador António de Antas da Gama.
{{c|---}}
O último «Tombo» desta freguesia, como o da sua anexa (Romarigães) foi organizado em 1783, a requerimento do seu pároco Ps Manuel Martins da Fonseca.
Neste documento menciona-se como sendo ''muito antiga'' a talha do altar do Menino Deus, do lado da epístola; diz-se que a torre «é feita de novo», e que a nova frontaria do templo ia ser construída à custa do abade e que já se
andava aparelhando e lavrando pedra para ela.
Na frontaria da capela da Gandra, pertencente ao vínculo deste nome, a que me referi acima, vê-se esta inscrição:
{{c|ESTA CAPEL}}
{{c|A M. DOV FAZR'ORIO}}
{{c|AO SOARES BRAND}}
{{c|AO. ESE DISE. M. NEL}}
{{c||A APRA A 23 DE}}
{{c|JANRO DI. 71X<ref>O ano - 1709 - está errado, pois que a lª missa, que se celebrou nesta capela, foi no ano de 1740, como se mostra e vi pelos documentos respectivos, tais como a licença para ela, donde consta também o nome do sacerdote encarregado de a celebrar; licença para a bênção da cȧpela, etc., etc.</ref>}}
A igreja paroquial é ampla bastante e bem alumiada.
O alçado e correcção de linhas do altar-mór são dignos de menção, assim como a torre.
Na igreja há um cális de prata dourada que apresenta, borilada na base, esta legenda:
{{c|ARDERE LVCERE NOLITE CONFORMARI MICSE}}
No fundo da copa vêem-se estas letras:
{{c|CVLO}}
e um brasão de armas eclesiásticas.
Deve ser muito antigo.
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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/188
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: No dia 31 de Março, de 1834, acamparam e bivacaram as tropas liberais, sob o comando de Napier, nesta freguesia, partindo ao romper do dia em direcção a Valença, cuja praça capitulou a 3 de Abril, do mesmo ano. Napier, depois de se apoderar de Viana do Castelo em 27 de Março, de Ponte do Lima em 28, transpôs a serra da Labruja, em direcção a Coura, em 30. Na jornada de Viana até Coura foi Napier acompanhado pelo dr. António de Antas...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>No dia 31 de Março, de 1834, acamparam e bivacaram as tropas liberais, sob o comando de Napier, nesta freguesia, partindo ao romper do dia em direcção a Valença, cuja praça capitulou a 3 de Abril, do mesmo ano.
Napier, depois de se apoderar de Viana do Castelo em 27 de Março, de Ponte do Lima em 28, transpôs a serra da Labruja, em direcção a Coura, em 30.
Na jornada de Viana até Coura foi Napier acompanhado pelo dr. António de Antas Bacelar e Barbosa, da Casa do Outeiro, desta freguesia, que era capitão do regimento de Milícias de Viana do Castelo, e faleceu em Março, de 1872<ref>''Voz de Coura'', 1.º ano, n.º 27.</ref>.
{{c|BICO}}
{{c|Orago S. João Baptista. Tem 859 habitantes; 411 do sexo masculino e 448 do feminino}}
Bastante alta, com grande área, assenta e distende-se esta freguesia pela encosta ocidental da serra do Corno de Bico.
É abundante a sua produção de cereais. Tem bons e extensos montados, onde os paroquianos lançam os seus gados, de verão.
Os seus numerosos giestais fornecem o apreciado molime<ref>Rama das giestas verdes.</ref> para adubo das terras.
A igreja paroquial é espaçosa, está bem cuidada, sendo uma das melhores do concelho.
Por iniciativa do seu actual pároco - o rev. abade Casimiro José Rodrigues Barbosa - foi substituída a antiga torre por outra, que está bem lançada e condiz com a grandeza do templo. Tem pára-raios.
Há duas escolas aqui, sendo uma para o sexo masculino e outra para o feminino.
Diz-se que nesta freguesia têm sido encontrados vestígios de importante povoação antiga, como tijolos, pedras lavradas, colunas, urnas de pedra, de tijolo, etc.; e a tradição confirma a existência de uma cidade, de que se
perdeu o nome<ref>''Portugal Antigo e Moderno'', vol. 1° pág. 399. Fui informado pelo sr. Nuno Vieira Machado, rico proprietário desta freguesia, que, há anos, apareceu numa propriedade sua, muita telha de rebordo. Estava soterrada.</ref>.
No «Dicc. Geographico», II, pag. 182, na Torre do Tombo, lê-se que «na quinta da Pereira, desta freguesia, servia de pés a uma grande mesa de pedra uma coluna de pedra, bem lavrada, que não há muitos anos<ref>Esta informação é do ano de 1758.</ref> ao acaso se descobriu debaixo da terra, em sítio a que chamam o ''Telhado''. Menos anos há que, abrindo-se no lugar de Luzío ou Thúmio, seu arrabalde, um poço para tirar água, se achou quantidade de louça de porcelana branca... Entre os lugares de Pedraído e Luzío há um certo sítio, que ainda hoje chamam alguns ''Galdegai'', e outros, ''Coroa de Rei''...»
Acrescentava, ainda, o pároco, que aqueles inventos, bem como os nomes de ''Telhado, Galdegai'' e ''Coroa de Rei'', inculcavam ter havido nesta freguesia alguma povoação antiga; e que, sendo assim, ele acreditava ter sido a cidade chamada «Cória», que com pouca corrupção deu o nome ao rio Coura, pois é em Bico onde ele principia<ref>«Archeologo Portuguez», vol. II, pág. 309.</ref>.
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Ruiaraujo1972
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>No dia 31 de Março, de 1834, acamparam e bivacaram as tropas liberais, sob o comando de Napier, nesta freguesia, partindo ao romper do dia em direcção a Valença, cuja praça capitulou a 3 de Abril, do mesmo ano.
Napier, depois de se apoderar de Viana do Castelo em 27 de Março, de Ponte do Lima em 28, transpôs a serra da Labruja, em direcção a Coura, em 30.
Na jornada de Viana até Coura foi Napier acompanhado pelo dr. António de Antas Bacelar e Barbosa, da Casa do Outeiro, desta freguesia, que era capitão do regimento de Milícias de Viana do Castelo, e faleceu em Março, de 1872<ref>''Voz de Coura'', 1.º ano, n.º 27.</ref>.
'''{{c|BICO}}'''
'''{{c|<small>Orago S. João Baptista. Tem 859 habitantes; 411 do sexo masculino e 448 do feminino</small>}}'''
Bastante alta, com grande área, assenta e distende-se esta freguesia pela encosta ocidental da serra do Corno de Bico.
É abundante a sua produção de cereais. Tem bons e extensos montados, onde os paroquianos lançam os seus gados, de verão.
Os seus numerosos giestais fornecem o apreciado molime<ref>Rama das giestas verdes.</ref> para adubo das terras.
A igreja paroquial é espaçosa, está bem cuidada, sendo uma das melhores do concelho.
Por iniciativa do seu actual pároco - o rev. abade Casimiro José Rodrigues Barbosa - foi substituída a antiga torre por outra, que está bem lançada e condiz com a grandeza do templo. Tem pára-raios.
Há duas escolas aqui, sendo uma para o sexo masculino e outra para o feminino.
Diz-se que nesta freguesia têm sido encontrados vestígios de importante povoação antiga, como tijolos, pedras lavradas, colunas, urnas de pedra, de tijolo, etc.; e a tradição confirma a existência de uma cidade, de que se
perdeu o nome<ref>''Portugal Antigo e Moderno'', vol. 1° pág. 399. Fui informado pelo sr. Nuno Vieira Machado, rico proprietário desta freguesia, que, há anos, apareceu numa propriedade sua, muita telha de rebordo. Estava soterrada.</ref>.
No «Dicc. Geographico», II, pag. 182, na Torre do Tombo, lê-se que «na quinta da Pereira, desta freguesia, servia de pés a uma grande mesa de pedra uma coluna de pedra, bem lavrada, que não há muitos anos<ref>Esta informação é do ano de 1758.</ref> ao acaso se descobriu debaixo da terra, em sítio a que chamam o ''Telhado''. Menos anos há que, abrindo-se no lugar de Luzío ou Thúmio, seu arrabalde, um poço para tirar água, se achou quantidade de louça de porcelana branca... Entre os lugares de Pedraído e Luzío há um certo sítio, que ainda hoje chamam alguns ''Galdegai'', e outros, ''Coroa de Rei''...»
Acrescentava, ainda, o pároco, que aqueles inventos, bem como os nomes de ''Telhado, Galdegai'' e ''Coroa de Rei'', inculcavam ter havido nesta freguesia alguma povoação antiga; e que, sendo assim, ele acreditava ter sido a cidade chamada «Cória», que com pouca corrupção deu o nome ao rio Coura, pois é em Bico onde ele principia<ref>«Archeologo Portuguez», vol. II, pág. 309.</ref>.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>No dia 31 de Março, de 1834, acamparam e bivacaram as tropas liberais, sob o comando de Napier, nesta freguesia, partindo ao romper do dia em direcção a Valença, cuja praça capitulou a 3 de Abril, do mesmo ano.
Napier, depois de se apoderar de Viana do Castelo em 27 de Março, de Ponte do Lima em 28, transpôs a serra da Labruja, em direcção a Coura, em 30.
Na jornada de Viana até Coura foi Napier acompanhado pelo dr. António de Antas Bacelar e Barbosa, da Casa do Outeiro, desta freguesia, que era capitão do regimento de Milícias de Viana do Castelo, e faleceu em Março, de 1872<ref>''Voz de Coura'', 1.º ano, n.º 27.</ref>.
'''{{c|BICO}}'''
'''{{c|<small>Orago S. João Baptista. Tem 859 habitantes; 411 do sexo masculino e 448 do feminino</small>}}'''
Bastante alta, com grande área, assenta e distende-se esta freguesia pela encosta ocidental da serra do Corno de Bico.
É abundante a sua produção de cereais. Tem bons e extensos montados, onde os paroquianos lançam os seus gados, de verão.
Os seus numerosos giestais fornecem o apreciado ''molime''<ref>Rama das giestas verdes.</ref> para adubo das terras.
A igreja paroquial é espaçosa, está bem cuidada, sendo uma das melhores do concelho.
Por iniciativa do seu actual pároco - o rev. abade Casimiro José Rodrigues Barbosa - foi substituída a antiga torre por outra, que está bem lançada e condiz com a grandeza do templo. Tem pára-raios.
Há duas escolas aqui, sendo uma para o sexo masculino e outra para o feminino.
Diz-se que nesta freguesia têm sido encontrados vestígios de importante povoação antiga, como tijolos, pedras lavradas, colunas, urnas de pedra, de tijolo, etc.; e a tradição confirma a existência de uma cidade, de que se
perdeu o nome<ref>''Portugal Antigo e Moderno'', vol. 1° pág. 399. Fui informado pelo sr. Nuno Vieira Machado, rico proprietário desta freguesia, que, há anos, apareceu numa propriedade sua, muita telha de rebordo. Estava soterrada.</ref>.
No «Dicc. Geographico», II, pag. 182, na Torre do Tombo, lê-se que «na quinta da Pereira, desta freguesia, servia de pés a uma grande mesa de pedra uma coluna de pedra, bem lavrada, que não há muitos anos<ref>Esta informação é do ano de 1758.</ref> ao acaso se descobriu debaixo da terra, em sítio a que chamam o ''Telhado''. Menos anos há que, abrindo-se no lugar de Luzío ou Thúmio, seu arrabalde, um poço para tirar água, se achou quantidade de louça de porcelana branca... Entre os lugares de Pedraído e Luzío há um certo sítio, que ainda hoje chamam alguns ''Galdegai'', e outros, ''Coroa de Rei''...»
Acrescentava, ainda, o pároco, que aqueles inventos, bem como os nomes de ''Telhado, Galdegai'' e ''Coroa de Rei'', inculcavam ter havido nesta freguesia alguma povoação antiga; e que, sendo assim, ele acreditava ter sido a cidade chamada «Cória», que com pouca corrupção deu o nome ao rio Coura, pois é em Bico onde ele principia<ref>«Archeologo Portuguez», vol. II, pág. 309.</ref>.
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>No dia 31 de Março, de 1834, acamparam e bivacaram as tropas liberais, sob o comando de Napier, nesta freguesia, partindo ao romper do dia em direcção a Valença, cuja praça capitulou a 3 de Abril, do mesmo ano.
Napier, depois de se apoderar de Viana do Castelo em 27 de Março, de Ponte do Lima em 28, transpôs a serra da Labruja, em direcção a Coura, em 30.
Na jornada de Viana até Coura foi Napier acompanhado pelo dr. António de Antas Bacelar e Barbosa, da Casa do Outeiro, desta freguesia, que era capitão do regimento de Milícias de Viana do Castelo, e faleceu em Março, de 1872<ref>''Voz de Coura'', 1.º ano, n.º 27.</ref>.
'''{{c|BICO}}'''
'''{{c|<small>Orago S. João Baptista. Tem 859 habitantes; 411 do sexo masculino e 448 do feminino</small>}}'''
Bastante alta, com grande área, assenta e distende-se esta freguesia pela encosta ocidental da serra do Corno de Bico.
É abundante a sua produção de cereais. Tem bons e extensos montados, onde os paroquianos lançam os seus gados, de verão.
Os seus numerosos giestais fornecem o apreciado ''molime''<ref>Rama das giestas verdes.</ref> para adubo das terras.
A igreja paroquial é espaçosa, está bem cuidada, sendo uma das melhores do concelho.
Por iniciativa do seu actual pároco - o rev. abade Casimiro José Rodrigues Barbosa - foi substituída a antiga torre por outra, que está bem lançada e condiz com a grandeza do templo. Tem pára-raios.
Há duas escolas aqui, sendo uma para o sexo masculino e outra para o feminino.
Diz-se que nesta freguesia têm sido encontrados vestígios de importante povoação antiga, como tijolos, pedras lavradas, colunas, urnas de pedra, de tijolo, etc.; e a tradição confirma a existência de uma cidade, de que se
perdeu o nome<ref>''Portugal Antigo e Moderno'', vol. 1º pág. 399. Fui informado pelo sr. Nuno Vieira Machado, rico proprietário desta freguesia, que, há anos, apareceu numa propriedade sua, muita telha de rebordo. Estava soterrada.</ref>.
No «Dicc. Geographico», II, pag. 182, na Torre do Tombo, lê-se que «na quinta da Pereira, desta freguesia, servia de pés a uma grande mesa de pedra uma coluna de pedra, bem lavrada, que não há muitos anos<ref>Esta informação é do ano de 1758.</ref> ao acaso se descobriu debaixo da terra, em sítio a que chamam o ''Telhado''. Menos anos há que, abrindo-se no lugar de Luzío ou Thúmio, seu arrabalde, um poço para tirar água, se achou quantidade de louça de porcelana branca... Entre os lugares de Pedraído e Luzío há um certo sítio, que ainda hoje chamam alguns ''Galdegai'', e outros, ''Coroa de Rei''...»
Acrescentava, ainda, o pároco, que aqueles inventos, bem como os nomes de ''Telhado, Galdegai'' e ''Coroa de Rei'', inculcavam ter havido nesta freguesia alguma povoação antiga; e que, sendo assim, ele acreditava ter sido a cidade chamada «Cória», que com pouca corrupção deu o nome ao rio Coura, pois é em Bico onde ele principia<ref>«Archeologo Portuguez», vol. II, pág. 309.</ref>.
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>No dia 31 de Março, de 1834, acamparam e bivacaram as tropas liberais, sob o comando de Napier, nesta freguesia, partindo ao romper do dia em direcção a Valença, cuja praça capitulou a 3 de Abril, do mesmo ano.
Napier, depois de se apoderar de Viana do Castelo em 27 de Março, de Ponte do Lima em 28, transpôs a serra da Labruja, em direcção a Coura, em 30.
Na jornada de Viana até Coura foi Napier acompanhado pelo dr. António de Antas Bacelar e Barbosa, da Casa do Outeiro, desta freguesia, que era capitão do regimento de Milícias de Viana do Castelo, e faleceu em Março, de 1872<ref>''Voz de Coura'', 1.º ano, n.º 27.</ref>.
'''{{c|BICO}}'''
'''{{c|<small>Orago S. João Baptista. Tem 859 habitantes; 411 do sexo masculino e 448 do feminino</small>}}'''
Bastante alta, com grande área, assenta e distende-se esta freguesia pela encosta ocidental da serra do Corno de Bico.
É abundante a sua produção de cereais. Tem bons e extensos montados, onde os paroquianos lançam os seus gados, de verão.
Os seus numerosos giestais fornecem o apreciado ''molime''<ref>Rama das giestas verdes.</ref> para adubo das terras.
A igreja paroquial é espaçosa, está bem cuidada, sendo uma das melhores do concelho.
Por iniciativa do seu actual pároco - o rev. abade Casimiro José Rodrigues Barbosa - foi substituída a antiga torre por outra, que está bem lançada e condiz com a grandeza do templo. Tem pára-raios.
Há duas escolas aqui, sendo uma para o sexo masculino e outra para o feminino.
Diz-se que nesta freguesia têm sido encontrados vestígios de importante povoação antiga, como tijolos, pedras lavradas, colunas, urnas de pedra, de tijolo, etc.; e a tradição confirma a existência de uma cidade, de que se
perdeu o nome<ref>''Portugal Antigo e Moderno'', vol. 1.º pág. 399. Fui informado pelo sr. Nuno Vieira Machado, rico proprietário desta freguesia, que, há anos, apareceu numa propriedade sua, muita telha de rebordo. Estava soterrada.</ref>.
No «Dicc. Geographico», II, pag. 182, na Torre do Tombo, lê-se que «na quinta da Pereira, desta freguesia, servia de pés a uma grande mesa de pedra uma coluna de pedra, bem lavrada, que não há muitos anos<ref>Esta informação é do ano de 1758.</ref> ao acaso se descobriu debaixo da terra, em sítio a que chamam o ''Telhado''. Menos anos há que, abrindo-se no lugar de Luzío ou Thúmio, seu arrabalde, um poço para tirar água, se achou quantidade de louça de porcelana branca... Entre os lugares de Pedraído e Luzío há um certo sítio, que ainda hoje chamam alguns ''Galdegai'', e outros, ''Coroa de Rei''...»
Acrescentava, ainda, o pároco, que aqueles inventos, bem como os nomes de ''Telhado, Galdegai'' e ''Coroa de Rei'', inculcavam ter havido nesta freguesia alguma povoação antiga; e que, sendo assim, ele acreditava ter sido a cidade chamada «Cória», que com pouca corrupção deu o nome ao rio Coura, pois é em Bico onde ele principia<ref>«Archeologo Portuguez», vol. II, pág. 309.</ref>.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Foi daqui natural Francisco da Cunha, filho de Rui Fernandes e de Vitória da Cunha. De regresso das Índias de Castela, onde serviu o Rei e colheu grossos cabedais, voltou a Madrid ao tempo em que estava declarada a guerra entre a França e Espanha. Coronel de um terço, foi mandado contra os franceses, a quem deu batalha junto de Fonte-Rabia, sendo feliz e obrando como valente português. O rei deu-lhe o hábito de Cristo, e vindo à fre...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Foi daqui natural Francisco da Cunha, filho de Rui Fernandes e de Vitória da Cunha.
De regresso das Índias de Castela, onde serviu o Rei e colheu grossos cabedais, voltou a Madrid ao tempo em que estava declarada a guerra entre a França e Espanha.
Coronel de um terço, foi mandado contra os franceses, a quem deu batalha junto de Fonte-Rabia, sendo feliz e obrando como valente português.
O rei deu-lhe o hábito de Cristo, e vindo à freguesia de Cunha tirar inquirições para poder receber aquela distinção, reedificou a torre ameada do lugar do Outeiro (Cfr. cap. XXV, n. 10, e freguesia de - Cunha).
Tem havido nesta freguesia casas importantes, como a da Chela, da Igreja, da Pereira, etc., tendo pertencido as primeiras a Braz de Antas da Gama, que casou com sua sobrinha D. Maria Madalena de Lima Brandão, neta de D. Maria Barbosa da Rocha de Antas (Cfr. freguesia de Agoalonga).
Actualmente é senhor e possuidor da casa da Chela o Sr. António José Dantas Guerreiro, general reformado.
Não vou fazer-lhe aqui a biografia, mas é de justiça registar duas linhas da sua feição escolar e militar, porque tem honrado, sempre, a terra que lhe foi berço.
O perfil do general Guerreiro é uma lição para a actualidade, e por isso é de bom conselho levantá-lo diante dos seus conterrâneos, para que todos o vejam fora da penumbra da sua excessiva modéstia.
Foram seus pais António José Pereira e sua esposa D. Rosa Joaquina Dantas Guerreiro, irmã do conselheiro e ministro de Estado José António Guerreiro, um dos membros da Regência na ilha Terceira por ocasião das nossas lutas civis.
O sr. general Guerreiro nasceu nesta freguesia.
Muito novo, foi estudar gramática latina e latinidade na vila de Caminha, indo depois para o liceu de Braga frequentar as mais disciplinas de que se compunha o ''Curso Geral'', tendo a glória de ser o primeiro aluno daquele
estabelecimento literário, que foi galardoado com a ''Carta'' de aprovação no mesmo ''Curso''.
Assentou praça no regimento de artilharia n.º 3, então aquartelado em Valença, no dia 5 de Fevereiro, de 1852.
No ano lectivo de 1857-1858, matriculou-se no curso preparatório de artilharia, professado na Escola Politécnica de Lisboa, e no dia 23 de Outubro, de 1858, era promovido a alferes-aluno.
Em 4 de Julho, de 1860, teve promoção a 2.º tenente, e a 1.º, em 5 de Julho, de 1862.
Depois, a capitão em 2 de Dezembro, de 1875; em seguida a major, no dia 8 de Janeiro, de 1879; a tenente-coronel em 8 de Novembro, de 1883 e a coronel em 22 de Outubro, de 1888.
No fim deste ano pediu e foi-lhe concedida a reforma.
É seco e árido este ciclo, feito de números. Parece que não ressuma dele um perfume, uma nota que impressione.
Os números - os ferozes algarismos - não deixam ver uma ''étape'', onde o espírito descanse e a alma se emocione, explodindo em aplausos.
Vejamos, porém, o ''ciclo, no interior'': ilustração, mérito real, o dever cumprido, actividade inteligente, honestidade, honradez, brio e trabalho.
De feito: desde 16 de Novembro, de 1862, até 2 de Dezembro, de 1865, o general Guerreiro serviu como ''ajudante de artilharia n.º 3''.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>com os seus botões. O tyranno já está seguro ! Vou lá agora e com as minhas proprias
unhas arranco-lhe os figados.
E esfregando as mãos foi correndo para
o palacio. Viu a janella do quarto do principe aberta e subiu pela escada que os outros
haviam deixado. Chegando ao ultimo degráo
pulou para dentro do quarto...
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 67 crop).jpg|center|350px]]
Mas antes de alcançar o chão sentiu uma
dôr no peito.
— Ai ! ai ! gritou.
Era o principe que o tinha varado no
ar com a sua terrivel espada...
— Miseravel ! Toma, para justo castigo<noinclude>{{c|☉{{gap}}63{{gap}}☉}}</noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>da tua deslealdade ! disse o principe, cortando-lhe a cabeça com um novo golpe de espada. O corpo do capitão pererecou no tapete
uns instantes, ao lado da cabeça, em cujo
olhos estava gravado o espanto pelo imprevisto desenlace da conspiração.
O principe, embainhando a espada, chamou alguns soldados fieis para que levassem dalli a gaiola com os tres traidores.
— Ponham junto com estes traidores
o Escorpião, amarrem na gaiola uma grande pedra e lancem-na ao lago !...
Os guardas assim fizeram, e o monstro,
em vez de casar com Narizinho e subir a um
throno, foi morrer afogado no fundo da
lagoa...
Bem feito ! disse a menina quando
soube do castigo. Assim morra toda a raça
dos traidores !
E foi correndo dar parabens ao principe
victorioso. O principe abraçou-a e beijou-a
na testa, commovido.
— Salvaste o meu reino. Em recompensa vaes receber a corôa de princeza e sentar-te no throno, ao meu lado, como a mais ado-<noinclude>{{c|☉{{gap}}64{{gap}}☉}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>rada das esposas, disse elle pondo-lhe no dedo o annel de noiva.
Narizinho sentiu uma alegria immensa
e, toda perturbada, ia responder, quando
uma voz conhecida a despertou:
— Narizinho, vovó está chamando !
A menina sentou-se na relva, esfregou
os olhos, viu o ribeirão a deslisar como sempre e lá na porteira a tia velha de lenço
amarrado na cabeça.
Que pena ! Tudo aquillo não passara
dum lindo sonho...
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 69 crop).jpg|centro|350px]]
{{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}65{{gap}}☉}}</noinclude>
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XVII
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Erick Soares3
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Na legislatura, que começou em 15 de Abril, de 1868, é eleito deputado e vai tomar assento em Cortes. Em 13 de Janeiro, de 1869, é nomeado «adjunto» à fábrica de fundição de canhões, em Lisboa<ref>Estão na praça de Valença algumas peças. fundidas sob a sua direcção.</ref>. A sua prova inspirou confiança, porque denunciava competência; e por isso, em 4 de Agosto, de 1874, foi-lhe confiada a gravíssima e espinhosa missão de ir ao estra...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Na legislatura, que começou em 15 de Abril, de 1868, é eleito deputado e vai tomar assento em Cortes.
Em 13 de Janeiro, de 1869, é nomeado «adjunto» à fábrica de fundição de canhões, em Lisboa<ref>Estão na praça de Valença algumas peças. fundidas sob a sua direcção.</ref>.
A sua prova inspirou confiança, porque denunciava competência; e por isso, em 4 de Agosto, de 1874, foi-lhe confiada a gravíssima e espinhosa missão de ir ao estrangeiro realizar uma encomenda e compra de armamento e correame para o nosso exército.
Com esse fito seguiu para Inglaterra no dia 18 do mesmo mês, e aí se demorou até 13 de Novembro, do ano seguinte: quasi quinze meses.
Para se avaliar como nas repartições superiores do Estado foi apreciado este serviço, basta dizer que, poucos dias depois do seu regresso, era nomeado Sub-Director da mencionada fundição, em 30 de Dezembro, do mesmo ano (1874).
Em 1879, fim de Janeiro, passou a Director efectivo.
Mas não é só isto: outras comissões, quiçá mais gravosas, vieram pôr em foco a competência do brioso e ilustrado oficial.
Assim, em 26 de Agosto de 1880, ele é nomeado Vogal da comissão encarregada de estudar os melhoramentos a introduzir nos estabelecimentos fabris, que estavam sob o Comando Geral de Artilharia.
Para exercer outra nova comissão de serviço público, fez entrega da Direcção da fundição de canhões em 8 de Novembro, de 1881, por lhe ter sido confiado o cargo de Inspector do material de guerra da 3.ª divisão militar, que
exerceu até fins do ano de 1888.
Bela e gloriosa folha de serviços!
Foi casado com D. Amália Augusta Guerreiro, bondosíssima senhora, falecida há poucos anos.
Sempre extremoso pela família, veio residir no seio dela, correspondendo-se, reciprocamente, com os afectos mais carinhosos.
Seu irmão - o dr. José António Pereira Dantas Guerreiro - era formado em direito, cujo acto fez no dia 13 de Junho, de 1845.
Casou na freguesia de Longos Vales, concelho de Monção.
O Sr. General Guerreiro, depois de servir a pátria durante 30 anos e de ter exercido Comissões de tanta monta, que representaram centenas de contos de reis, recolheu pobre à sua terra natal.
Pobre, sim, porque apenas trouxe consigo o vencimento regulamentar.
{{c|---}}
Há anos houve nesta freguesia um conflito - um levantamento popular -, conhecido por «Guerra de Bico», cuja origem foi o enterramento de um cadáver no adro da igreja paroquial contra a vontade do povo, que o desenterrou pouco depois da sua inhumação e foi-lhe dar sepultura dentro do templo.
A autoridade administrativa, sabedora do desacato, reclamou força armada para restabelecer a ordem.
Veio, pois, uma força de 30 praças, comandada por um tenente<ref>Era o Sr. Francisco Pereira de Magalhães, agora coronel e Comissário de Polícia no Porto.</ref>, que foi acompanhada para esta freguesia
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Na legislatura, que começou em 15 de Abril, de 1868, é eleito deputado e vai tomar assento em Cortes.
Em 13 de Janeiro, de 1869, é nomeado «adjunto» à fábrica de fundição de canhões, em Lisboa<ref>Estão na praça de Valença algumas peças. fundidas sob a sua direcção.</ref>.
A sua prova inspirou confiança, porque denunciava competência; e por isso, em 4 de Agosto, de 1874, foi-lhe confiada a gravíssima e espinhosa missão de ir ao estrangeiro realizar uma encomenda e compra de armamento e correame para o nosso exército.
Com esse fito seguiu para Inglaterra no dia 18 do mesmo mês, e aí se demorou até 13 de Novembro, do ano seguinte: quasi quinze meses.
Para se avaliar como nas repartições superiores do Estado foi apreciado este serviço, basta dizer que, poucos dias depois do seu regresso, era nomeado ''Sub-Director'' da mencionada fundição, em 30 de Dezembro, do mesmo ano (1874).
Em 1879, fim de Janeiro, passou a ''Director'' efectivo.
Mas não é só isto: outras comissões, quiçá mais gravosas, vieram pôr em foco a competência do brioso e ilustrado oficial.
Assim, em 26 de Agosto de 1880, ele é nomeado Vogal da comissão encarregada de estudar os melhoramentos a introduzir nos estabelecimentos fabris, que estavam sob o Comando Geral de Artilharia.
Para exercer outra nova comissão de serviço público, fez entrega da Direcção da fundição de canhões em 8 de Novembro, de 1881, por lhe ter sido confiado o cargo de ''Inspector'' do material de guerra da 3.ª divisão militar, que
exerceu até fins do ano de 1888.
Bela e gloriosa folha de serviços!
Foi casado com D. Amália Augusta Guerreiro, bondosíssima senhora, falecida há poucos anos.
Sempre extremoso pela família, veio residir no seio dela, correspondendo-se, reciprocamente, com os afectos mais carinhosos.
Seu irmão - o dr. José António Pereira Dantas Guerreiro - era formado em direito, cujo acto fez no dia 13 de Junho, de 1845.
Casou na freguesia de Longos Vales, concelho de Monção.
O Sr. General Guerreiro, depois de servir a pátria durante 30 anos e de ter exercido Comissões de tanta monta, que representaram centenas de contos de reis, recolheu pobre à sua terra natal.
''Pobre'', sim, porque apenas trouxe consigo o vencimento regulamentar.
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Há anos houve nesta freguesia um conflito - ''um levantamento popular'' -, conhecido por «''Guerra de Bico''», cuja origem foi o enterramento de um cadáver no adro da igreja paroquial contra a vontade do povo, que o desenterrou pouco depois da sua inhumação e foi-lhe dar sepultura dentro do templo.
A autoridade administrativa, sabedora do desacato, reclamou força armada para restabelecer a ordem.
Veio, pois, uma força de 30 praças, comandada por um tenente<ref>Era o Sr. Francisco Pereira de Magalhães, agora coronel e Comissário de Polícia no Porto.</ref>, que foi acompanhada para esta freguesia
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Página:Da Terra á Lua.pdf/95
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Erick Soares3
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: No dia 20 de outubro estava reunido o Gun-Club em sessão magna, e Barbicane levára comsigo um magnifico mappa dos Estados Unidos, de Z. Belltropp. Porém J.-T. Maston, sem lhe dar tempo nem para o desenrolar, pediu a palavra com a sua vehemencia habitual, e encetou o debate nos seguintes termos: «Honrados collegas, o assumpto que vae hoje aqui ser discutido tem uma importancia verdadeiramente nacional, e vae offerecer-nos occasião de prati...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|96|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>No dia 20 de outubro estava reunido o Gun-Club em sessão magna, e Barbicane levára comsigo um magnifico mappa dos Estados Unidos, de Z. Belltropp. Porém J.-T. Maston, sem lhe dar tempo nem para o desenrolar, pediu a palavra com a sua vehemencia habitual, e encetou o debate nos seguintes termos:
«Honrados collegas, o assumpto que vae hoje aqui ser discutido tem uma importancia verdadeiramente nacional, e vae offerecer-nos occasião de praticarmos um grande acto de patriotismo.»
Os socios do Gun-Club olharam uns para os outros, sem que ninguem lograsse attingir o ponto de mira do orador.
«Nenhum de vós, proseguiu este, pensa sequer em transigir em cousa que diga respeito á gloria do seu paiz, e se algum direito ha que a União possa com justiça reivindicar, é por certo o de conter em seus flancos o formidavel canhão do Gun-Club. Ora, nas circumstancias actuaes...
— Caro Maston, interrompeu o presidente.
«Permitti-me que desenvolva o meu pensamento, proseguiu o orador. Nas circumstancias actuaes somos forçados a escolher um logar terrestre sufficientemente proximo do equador, para que a experiencia seja feita em boas condições...
— Se me daes licença, tornou Barbicane.
— Peço livre discussão das idéas de cada um, replicou o effervescente J.-T. Maston, e sustento que o territorio dʼonde ha de partir o nosso glorioso projectil deve ser parte integrante da União americana.
— Isso não tem a menor duvida! responderam alguns socios.
— Pois bem! Já que nossas fronteiras não são bastantemente amplas, já que pela parte do sul o Oceano nos oppõe insuperavel obstaculo, já que nos é forçoso ir alem dos Estados Unidos e a um paiz limitrophe buscar esse vigesimo oitavo parallelo, considero o facto como um legitimo ''casus belli'', e proponho que se declare guerra ao Mexico!
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Erick Soares3
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — Nada! isso não! exclamaram de todos os lados. — Não! replicou J.-T. Maston. É essa uma palavra que pasmo de ouvir nʼeste recinto! — Mas attendei!... — Nunca! Não tenho que attender! exclamou o fogoso orador. Mais tarde ou mais cedo ha de vir a realisar-se essa guerra, e o que vos proponho é que rebente hoje mesmo. — Maston, disse Barbicane, forçando a attenção do orador pela ruidosa detonação da campainha presidencial, retiro-vos a...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|97|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Nada! isso não! exclamaram de todos os lados.
— Não! replicou J.-T. Maston. É essa uma palavra que pasmo de ouvir nʼeste recinto!
— Mas attendei!...
— Nunca! Não tenho que attender! exclamou o fogoso orador. Mais tarde ou mais cedo ha de vir a realisar-se essa guerra, e o que vos proponho é que rebente hoje mesmo.
— Maston, disse Barbicane, forçando a attenção do orador pela ruidosa detonação da campainha presidencial, retiro-vos a palavra!
Maston ainda queria replicar, mas alguns dos collegas conseguiram conte-lo.
«Concordo, disse Barbicane, em que a experiencia não póde nem deve ser tentada senão em terras da União; mas se o meu impaciente amigo me tivera deixado fallar, se tivera sequer volvido os olhos para um mappa, saberia que é perfeitamente inutil declarar guerra aos vizinhos, visto como algumas das fronteiras dos Estados Unidos se estendem alem do parallelo vigesimo oitavo. Senão vejam: temos ao nosso dispor toda a parte meridional do Texas e das Floridas.»
Terminou por aqui o incidente; mas não foi sem custo que J.-T. Maston se deixou convencer. Decidiu-se, em consequencia, que a columbiada havia de ser fundida e moldada no solo do Texas ou no da Florida. Porém esta resolução estava destinada para fazer nascer uma rivalidade sem exemplo entre as cidades dʼestes dois estados.
O vigesimo oitavo parallelo corta a costa americana pela peninsula da Florida, que divide em duas partes approximadamente iguaes, lança-se depois no golpho do Mexico, e subtende o arco formado pelas costas do Alabama, do Mississipi e da Luiziania. Passa dʼahi ao Texas, do qual corta uma saliencia, e prolonga-se através do Mexico, transpõe a Sonora, salta por cima da velha<noinclude>{{right|13}}</noinclude>
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Erick Soares3
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: California e vae perder-se nos mares do Pacifico. Não havia pois senão as porções da Florida e do Texas, situadas ao sul d'esse parallelo, que estivessem nas condições de latitude recommendadas pelo observatorio de Cambridge. Na parte meridional da Florida não se encontram cidades de importancia, e só por ali pullulam fortalezas levantadas para servir de defeza contra os indios nomadas. Só uma cidade, Tampa-Town, podia reclamar em favor d...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|98|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>California e vae perder-se nos mares do Pacifico. Não havia pois senão as porções da Florida e do Texas, situadas ao sul d'esse parallelo, que estivessem nas condições de latitude recommendadas pelo observatorio de Cambridge.
Na parte meridional da Florida não se encontram cidades de importancia, e só por ali pullulam fortalezas levantadas para servir de defeza contra os indios nomadas. Só uma cidade, Tampa-Town, podia reclamar em favor da sua situação na lide e apresentar-se com alguns direitos a ser attendida.
Pelo contrario, no Texas são mais numerosas e mais importantes as cidades. Corpus-Christi no condado de Nucces, e todas as cidades situadas no Rio Bravo, taes como Laredo, Comalites e Santo Ignacio; no Web, taes como Roma e Rio Grande City; no Stow, taes como Edimburgo; no Hidalgo, Santa Rita, El Panda e Brownsville e as do Caméron formaram uma liga imponente contra as pretensões da Florida.
Assim, logo que se tornou publica a resolução chegaram a Baltimore pela via mais rapida os deputados floridenses e texianos, e a partir dʼesse momento o presidente Barbicane e os socios de influencia do Gun-Club viram-se cercados dia e noite de reclamações formidaveis.
Na Grecia foram sete as cidades que disputaram a honra de terem sido berço de Homero; aqui dois Estados inteiros estiveram quasi a chegar ás do cabo por causa de um canhão.
Viram-se então aquelles «ferozes irmãos» passeiar armados pelas ruas da cidade. E sempre que se encontravam era de temer conflicto, que poderia ter serias consequencias.
Mas emfim lá estavam a habilidade e a prudencia do presidente Barbicane para conjurar o perigo. Ás demonstrações pessoaes serviu de derivativo a publicidade dos jornaes dos differentes Estados. Foram sustentaculos da causa do Texas o ''New York Herald'' e a ''Tribuna'', ao passo que o ''Times'' e a ''{{começo de palavra hifenizada|American Re|American Review}}''<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ''{{término de palavra hifenizada|view|American Review}}'' tomaram decididamente as partes pelos deputados floridenses. Os socios do Gun-Club é que não sabiam a quem haviam de dar ouvidos. Apresentava-se altivo o Texas com seus vinte e seis condados, dispostos a modo de bateria; respondia-lhe a Florida, que para territorio seis vezes menor valem doze condados mais do que vinte e seis. O Texas impava com os seus trezentos e trinta mil i...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>''{{término de palavra hifenizada|view|American Review}}'' tomaram decididamente as partes pelos deputados floridenses.
Os socios do Gun-Club é que não sabiam a quem haviam de dar ouvidos.
Apresentava-se altivo o Texas com seus vinte e seis condados, dispostos a modo de bateria; respondia-lhe a Florida, que para territorio seis vezes menor valem doze condados mais do que vinte e seis.
O Texas impava com os seus trezentos e trinta mil indigenas; mas a Florida, que tem menor superficie, jactava-se de poder reputar-se mais povoada com os seus cincoenta e seis mil; e não ficava por aqui: chegava a accusar o Texas de possuir certa especialidade de febres paludosas, que uns annos por outros lhe vinham a custar alguns milhares de habitantes, e o caso é que não mentia.
O Texas, pela sua parte replicava: que a respeito de febres, nada tinha a Florida que lhe invejar, e que era, pelo menos, imprudente quem chamava aos outros paizes insalubres, tendo a honra de ter em casa o ''vomito negro'' no estado chronico. E o caso é que o Texas tambem fallava verdade.
«Demais a mais, accrescentavam os texianos pela via do ''New-York Herald'', de alguma consideração é credor o estado onde nasce o melhor algodão de toda a America, o estado que produz a melhor madeira de carvalho para construcção de navios, o estado que tem nas entranhas dos seus terrenos soberba ''hulha'', e minas taes, que o seu producto em ferro é de cincoenta por cento do minerio puro.»
A isto replicava o ''American Review'', que o solo da Florida, sem ter aliás tantas riquezas, offerecia todavia melhores condições para moldar e fundir a columbiada, visto como era composto de areias e terras argillosas.
Porém, tornavam os do Texas, antes de fundir seja lá o que<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: pelo administrador do concelho<ref>Dr. Albano A. Barreiros de Oliveira.</ref>; e, tendo chegado à ponte dos Cavaleiros, foi recebida hostilmente pela população, que viera postar-se a um outeiro, em ordem de batalha<ref>A ordem era: à frente, 1.ª fila, crianças; depois, 2.ª fila, as mulheres; na rectaguarda, o sexo forte: material - pedras, de arremesso.</ref>. O comandante da força percebeu logo que a disposição popular, no seu entrin...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>pelo administrador do concelho<ref>Dr. Albano A. Barreiros de Oliveira.</ref>; e, tendo chegado à ponte dos Cavaleiros, foi recebida hostilmente pela população, que viera postar-se a um outeiro, em ordem de batalha<ref>A ordem era: à frente, 1.ª fila, crianças; depois, 2.ª fila, as mulheres; na rectaguarda, o sexo forte: material - pedras, de arremesso.</ref>.
O comandante da força percebeu logo que a disposição popular, no seu entrincheiramento, visava inutilizar-lhe a acção repressiva, pois seria uma crueldade investir ou atirar sobre crianças e mulheres.
Fizeram-se, pela força, uns tiros com pontarias altas, a fim de intimidar os amotinados; estes, porém, responderam com grande assuada, e gritos subversivos.
Que fazer?
Para se evitar a efusão de sangue, julgou o administrador ser de bom conselho fazer retirar a força para a vila, e assim se praticou.
Os ânimos foram serenando, sem contudo deixar de recear-se nova conflagração.
Para a prevenir, pois, e aplicar tal ou qual castigo aos desordeiros, a autoridade reclamou outra força, de 200 praças, que foi abotelar-se nesta freguesia pelo tempo de oito dias.
A imprensa periódica tomou conta do caso e noticiou-o, salientando este movimento de tropas, pois que a coluna era composta de soldados de infantaria n.º 3, de Viana do Castelo, e de caçadores n.° 7, de Valença.
A Espanha, reforçou, então, a sua guarnição da beira-Minho; e... Bismark - o Chanceler da Alemanha - chegou a interrogar o governo de Madrid, perguntando-lhe o que havia<ref>Assim o li em um jornal do tempo, que não arquivei.</ref>.
Não obstante, os habitantes desta freguesia, à parte umas ingénuas veleidades de valentões de feira, são laboriosos, tratáveis e pontuais no cumprimento dos seus contratos.
{{c|---}}
Segundo as «Inquirições» de D. Afonso III, os moradores do casal da «''Cavalleira''» eram obrigados a levar madeira para o Castelo de Fraião, ir à «''entruviscada''»<ref>A «''Entruviscada''» era um direito dominical muito frequente nos princípios da monarquía. Por ele era o enfiteuta obrigado, não só a aprontar o trovisco, que se lançava ao rio (modo mais frequente de pescar naqueles tempos), mas a concorrer com a «''merenda''» do senhorio e comitiva, uma vez por ano. Quasi todos os casais próximos do rio pagavam este imposto ou ''direitura'', como então se dizia. (Pimho Leal, vol. 3.º, fl. 39).</ref> ao rio Coura e correr monte com o Rico-Homem da terra.
Também pagavam «''fossadeira''»<ref>«''Fossadeira''» e ''Fossado'' era uma expedição militar, cavalgada, que ia a terras inimigas colher frutos, talar campos, saquear, etc. O Fossado compunha-se de cavaleiros, escudeiros e tropas regulares e de gente de toda a qualidade, incluindo mulheres, rapazes, para trazerem a pilhagem. (Pinho Leal, vol. 3.º, pág. 220).</ref> em fogaças ou dinheiro, iam à «anuduva»<ref>Onus a que estavam sujeitos os povos consistindo no serviço que se fazia nas cavas e muralhas dos castelos, em sua reformação. (''Dicc''. de Moraes).</ref> e davam «''vida''» (de comer) ao Mordomo do Rei<ref>Mordomo-foreiro, encarregado da cobrança dos foros do Rei.</ref>.
{{c|---}}
Pelo foral de D. Manuel pagava esta freguesia 10 alqueires de centeio, os do lugar do Thúmio mais 8 alqueires, e os de Vilares 1.
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Referem aquelas «Inquirições» que D. Maior tinha um filho, chamado «April»>, e que «Roy Calaza» o quiz enforcar; então sua mãe «peitou-lhe» (a Ruy Calaça), a vida do filho a troco da sua herdade de «Agro-meão», que até ali pagava foro a El-Rei, e depois não. {{c|---}} '''{{c|CASTANHEIRA}}''' '''{{c|<small>Orago S. Pedro, Apóstolo. Conta 688 habitantes: 306 do sexo masculino e 382 do feminino</small>}}''' O seu último abade colado f...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Referem aquelas «Inquirições» que D. Maior tinha um filho, chamado «April»>, e que «Roy Calaza» o quiz enforcar; então sua mãe «peitou-lhe» (a Ruy Calaça), a vida do filho a troco da sua herdade de «Agro-meão», que até ali
pagava foro a El-Rei, e depois não.
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'''{{c|CASTANHEIRA}}'''
'''{{c|<small>Orago S. Pedro, Apóstolo. Conta 688 habitantes: 306 do sexo masculino e 382 do feminino</small>}}'''
O seu último abade colado foi o rev. Francisco António Dantas Guerreiro, natural de Lanhelas, concelho de Caminha.
Actualmente é paroquiada pelo Sr. P.<sup>e</sup> António José Rodrigues Barbosa, daqui natural.
O solo é frio, mas produz cereais e excelente batata.
Tem abundância de lenhas e madeiras de carvalho, mas escasseiam as de pinho.
Há nesta freguesia uma capela<ref>Está em ruínas. Tinha a invocação de Nossa Senhora das Neves, cuja imagem passou para a capela do Covelo.</ref> sob a invocação de N. Senhora de Gontróde, à qual foram consignados os dízimos, que pagavam os moradores do lugar de Somil, pelo Arcebispo de Braga D. Baltazar Limpo.
O prazo de Gontróde pagava 44 alqueires de pão meado à Colegiada de Valença.
Lê-se nas «Inquirições» de D. Afonso III, que a capela daquela invocação, com o seu património, tinha sido doada por D. Mendo Dias a seu filho, e este testou dela a favor da Sé de Tuy.
Esta doação era muito anterior ao tempo das ditas «Inquirições», porque os louvados que nela intervieram, declararam, que «''ouviram falar dela a seus avós e pais''».
Há três capelas nesta freguesia: de S. Francisco, no lugar de Chavião; de S. Silvestre, no das Corredouras; de N. Senhora dos Remédios, mandada construir, há anos, pelo sr. José António Rodrigues, da casa de Cajade, no sítio do Monte dos Penedos, e ainda há outra, sob a invocação de N. Senhora das Necessidades, no lugar do Cubelo.
É cortada, a poente, pela estrada municipal para Ponte do Lima; e a norte, pela distrital n.º 1.
Tem escola para o sexo masculino.
Houve aqui uma casa de distinção, chamada de - ''Gonta''.
Os seus fundadores foram Rui Fernandes de Araújo, filho de Pedro de Araújo, Fidalgo da Casa Real, juiz dos Orfãos, e de sua mulher D. Antónia Rodrigues de Araújo, senhores da casa de - ''Malburguête''.
André Rodrigues Barbosa, 2.º filho daquele Rui de Araújo e de sua mulher D. Isabel Barbosa de Sousa (5.ª filha de Henrique de Caldas e Sousa e de sua mulher D. Francisca Barbosa, a Justeira (Cfr. Vascões), ficou prisioneiro na batalha de Alcácer-Kibir<ref>André Rodrigues Barbosa teve outro irmão, chamado Gaspar de Sousa Caldas, mais velho, que sucedeu na casa e oficio de seu pai. Este Gaspar foi também senhor da casa e prazo da Igreja, em Parada, onde viveu. Na quinta de - ''Malburgête'' fez ele o seu testamento a 16 de Julho de 1662. Também foi herdeiro de seu tio Fernando Rodrigues, que testou em 4 de Fevereiro, de 1585, deixando-lhe esta quinta e bens vinculados, com a obrigação de mandar celebrar 12 missas e de edificar uma capela. Também viveu em Castanheira (Cfr. cap. XXV, n.º 12).</ref>.
A casa de ''Vermuím'', desta freguesia, vem de Gaspar de Antas Barbosa, que teve duas filhas bastardas: D. Juliana
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <section begin="X"/>d. Antonio de Barreiros favores valiosos e prometteu dar perpetuamente a cêra para o altar. <section end="X"/> <section begin="XI"/>{{âncora|XI}} XI — Refere-se Cardim à quinta do Tanque, que actualmente é conhecida por quinta dos Lazaros, situada no arrebalde de Brotas, a uma legua da cidade da Bahia. Ahi viveu o padre Antonio Vieira os ultimos annos de sua vida. <section end="XI"/> XHE O collegio da Bahia foi o se...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{rh||{{sc|Tratados da Terra e Gente do Brasil}}|381|borda_inferior=1}}</noinclude><section begin="X"/>d. Antonio de Barreiros favores valiosos e prometteu dar perpetuamente a cêra para o altar.
<section end="X"/>
<section begin="XI"/>{{âncora|XI}}
XI — Refere-se Cardim à quinta do Tanque, que actualmente é conhecida por quinta dos Lazaros, situada no arrebalde de Brotas, a uma legua da cidade da Bahia. Ahi viveu o padre Antonio Vieira os ultimos annos de sua vida.
<section end="XI"/>
XHE O collegio da Bahia foi o segundo estabelecido
no Brasil, sendo o primeiro o de S. Paulo de Piratininga.
O anno de sua fundação foi o de 1556, quando padre
Manuel da Nobrega voltou do Sul, tendo desistido de ir
ao rio da Prata. Por provisão de 7 de Novembro de 1364,
el-rei d. Sebastião dotou o collegio para sessenta irmãos.
"Como a cidade da Bahia teve grandes augmentos nos
engenhos de assuear e fazendas e muito trato de portu-
guezes, como é o assento dos governadores e bispos
(escreve Anchieta Informacies citadas, ps. 23 assim
lambem cresceu muilo, porque lodos os irmãos que eram
mandados de Portugal vinham a elle (collegio) e prose-
guiu seu estudo muito de proposito, abrindu-se escolas
para todos os de fóra. Nella ha de ordinario escola de
ler, escrever e algarismos, duas classes de humanidades.
leram-se já dois cursos de artes, en que se fizeram alguns
mestres de casa e de fóra e agora (1584) se acaba terceiro.
Ha licão ordinaria de casos de consciencia, e. às vezes,
duas de theologia, donde sabiram ja alguns aancebos
pregadores, de que o bispo se aproveita para a sua sé, e
alguns caras para as freguezias. A este collegio estiveram
subordinadas todas as casas das capitanias, até que houve
outros colegios, e agora não são mais a elle subordinadas
que as dos théos e Porto Seguro."
1 dotação real era de tres mil ducados de renda
annual, "que seus officiaes pagam mui mal, peto que o
collegio está endividado" lastima Anchieta, ibi, ps.
36. A cal de ustra, como chama Cardim, era a extrahida<noinclude></noinclude>
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Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/70
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Erick Soares3
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