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Autor:João Manuel Pereira da Silva
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| nome = J. M. Pereira da Silva
| nome completo = João Manuel Pereira da Silva
| nome nativo =
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| legenda =
| nacionalidade = {{BRAn|o}}
| data_nascimento = {{dni|30|08|1817|si}}
| data_morte = {{morte|16|06|1898|30|08|1817}}
| género =
| período = [[Portal:Romantismo|Romantismo]]
| temas = Romance histórico, biografia, história do Brasil, crítica literária
| abl = sim
| Wikipedia = João Manuel Pereira da Silva
| Wikiquote =
| Wikicommons = Category:João Manuel Pereira da Silva
| MiscBio = '''João Manuel Pereira da Silva''' foi um escritor, romancista, historiador, crítico literário, biógrafo, poeta, tradutor, advogado e político brasileiro do Império. Cofundou, em 1839, a ''Revista Nacional e Estrangeira''; ocupou uma cadeira no Senado Imperial (1888–1889) e foi o fundador da cadeira 34 da [[Portal:Academia Brasileira de Letras|Academia Brasileira de Letras]].
}}
== Obras ==
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1838|título=Uma paixão de artista|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=}}
{{Documento|data=1839|título=O aniversário de D. Manuel em 1828|galeria=|progresso=|gênero=Novela|notas=In: ''[[Jornal do Commercio]]''}}
{{Documento|data=1839|título=Religião, amor e pátria|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=In: ''[[Jornal do Commercio]]''}}
{{Documento|data=1840|título=Jerônimo Corte-Real|galeria=|progresso=|gênero=Crônica|notas=}}
{{Documento|data=1843|título=Parnaso brasileiro|galeria=|progresso=|gênero=Antologia|notas=2 Volumes}}
{{Documento|data=1847|título=Plutarco brasileiro|galeria=|progresso=|gênero=Biografia|notas=2 Volumes}}
{{Documento|data=1858|título=Os varões ilustres do Brasil durante os tempos coloniais|galeria=|progresso=|gênero=Biografia|notas=}}
{{Documento|data=1862|título=Obras literárias e políticas|galeria=|progresso=|gênero=Antologia|notas=2 Volumes}}
{{Documento|data=1864|título=História da fundação do Império brasileiro|galeria=|progresso=|gênero=História|notas=7 Volumes}}
{{Documento|data=1866|título=Manuel de Moraes|galeria=|progresso=|gênero=Crônica|notas=}}
{{Documento|data=1871|título=Segundo período do Reinado de D. Pedro I no Brasil|galeria=|progresso=|gênero=História|notas=}}
{{Documento|data=1879|título=História do Brasil de 1831 a 1840|galeria=|progresso=|gênero=História|notas=Conclui a trilogia histórica sobre o período 1808–1840.}}
{{Documento|data=1884|título=Nacionalidade da língua e literatura de Portugal e do Brasil|galeria=|progresso=|gênero=Ensaio|notas=}}
{{Documento|data=1891|título=Felinto Elísio e sua época|galeria=|progresso=|gênero=Estudo|notas=}}
{{Documento|data=1892|título=Cristóvão Colombo e o descobrimento da América|galeria=|progresso=|gênero=Conferências|notas=}}
{{Documento|data=1897|título=Memórias do meu tempo|galeria=|progresso=|gênero=Memórias|notas=2 Volumes}}
{{Documento|data=[s.d.]|título=Aspásia|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=}}
{{Lista de documentos final}}
=== Em Periódicos ===
==== Colaborações ====
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1839|título=Jornal do Commercio|galeria=|progresso=|gênero=Jornal|notas=}}
{{Documento|data=1839|título=Revista Nacional e Estrangeira|galeria=|progresso=|gênero=Revista|notas=Cofundada com {{A|Pedro de Alcântara Bellegarde}} e {{A|Josino do Nascimento Silva}}.}}
{{Lista de documentos final}}
==== Artigos ====
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1836|título=Estudos sobre a literatura|galeria=|progresso=|gênero=Ensaio|notas=In: ''[[Niterói (revista)|Niterói]]'', vol. I, n.º 2}}
{{Documento|data=1837|título=Luísa|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 10.}}
{{Documento|data=1837|título=Uma aventura em Veneza|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 11.}}
{{Documento|data=1837|título=Um primeiro amor|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 13.}}
{{Documento|data=1837|título=As catacumbas de S. Francisco de Paula|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 14.}}
{{Documento|data=1837|título=Um último adeus|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 15.}}
{{Documento|data=1837|título=[[Maria (João Manuel Pereira da Silva)|Maria]]|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 18.}}
{{Documento|data=1891|título=Sacrifícios que suportou a Europa com o descobrimento, posse e colonização da América |galeria=|progresso=|gênero=Conferência|notas=In: ''[[Revista da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro]]'', t. VII}}
{{Lista de documentos final}}
== Sobre o autor ==
{{Lista de documentos início|autor}}
{{Documento|data=1898|título=Pereira da Silva (João Manuel P.)|autor=Sacramento Blake|galeria=|progresso=|gênero=|notas=In: ''[[Diccionario Bibliographico Brazileiro|Dicionário Bibliográfico Brasileiro]]''}}
{{Lista de documentos final}}
{{autores}}
{{controle de autoridade}}
{{Brasil DP-Autor|morte=1898}}
[[Categoria:Escritores do Brasil|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Romancistas do Brasil|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Historiadores do Brasil|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Membros da Academia Brasileira de Letras|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Nascidos em 1817|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Falecidos em 1898|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Autores do Romantismo|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:João Manuel Pereira da Silva| ]]
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| temas = Romance histórico, biografia, história do Brasil, crítica literária
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| Wikipedia = João Manuel Pereira da Silva
| Wikiquote =
| Wikicommons = Category:João Manuel Pereira da Silva
| MiscBio = '''João Manuel Pereira da Silva''' foi um escritor, romancista, historiador, crítico literário, biógrafo, poeta, tradutor, advogado e político brasileiro do Império. Cofundou, em 1839, a ''Revista Nacional e Estrangeira''; ocupou uma cadeira no Senado Imperial (1888–1889) e foi o fundador da cadeira 34 da [[Portal:Academia Brasileira de Letras|Academia Brasileira de Letras]].
}}
== Obras ==
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1838|título=Uma paixão de artista|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=}}
{{Documento|data=1839|título=O aniversário de D. Manuel em 1828|galeria=|progresso=|gênero=Novela|notas=In: ''[[Jornal do Commercio]]''}}
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{{Documento|data=1840|título=Jerônimo Corte-Real|galeria=|progresso=|gênero=Crônica|notas=}}
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=== Em Periódicos ===
==== Colaborações ====
{{Lista de documentos início|gênero}}
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{{Documento|data=1839|título=Revista Nacional e Estrangeira|galeria=|progresso=|gênero=Revista|notas=Cofundada com {{A|Pedro de Alcântara Bellegarde}} e {{A|Josino do Nascimento Silva}}.}}
{{Lista de documentos final}}
==== Artigos ====
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1836|título=Estudos sobre a literatura|galeria=|progresso=|gênero=Ensaio|notas=In: ''[[Niterói (revista)|Niterói]]'', vol. I, n.º 2}}
{{Documento|data=1837|título=Luísa|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 10.}}
{{Documento|data=1837|título=Uma aventura em Veneza|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Gabinete de Leitura]]'', n.º 11.}}
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{{Lista de documentos final}}
== Sobre o autor ==
{{Lista de documentos início|autor}}
{{Documento|data=1898|título=Pereira da Silva (João Manuel P.)|autor=Sacramento Blake|galeria=|progresso=|gênero=|notas=In: ''[[Diccionario Bibliographico Brazileiro|Dicionário Bibliográfico Brasileiro]]''}}
{{Lista de documentos final}}
{{autores}}
{{controle de autoridade}}
{{Brasil DP-Autor|morte=1898}}
[[Categoria:Escritores do Brasil|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Romancistas do Brasil|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Historiadores do Brasil|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Membros da Academia Brasileira de Letras|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Nascidos em 1817|Silva, J. M. Pereira da]]
[[Categoria:Falecidos em 1898|Silva, J. M. Pereira da]]
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[[Categoria:João Manuel Pereira da Silva| ]]
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[[Pretensões|Embora um vate canhoto]]
Dos loucos augmente a lista,</div>
Seja Cysne ou gafanhoto,</div>
Não encontra quem resista</div>
Dos seus versos á leitura</div>
Que diverte, inda que é dura!</div>
([[Autor:Faustino Xavier de Novais|F. X. de Novaes]].)}}</div>
No meu cantinho,</div>
Encolhidinho,</div>
Mansinho e quedo,</div>
Banindo o medo,</div>
Do torpe mundo,</div>
Tam furibundo,</div>
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Fastidiosa —</div>
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[[Pretensões|Embora um vate canhoto]]
Dos loucos augmente a lista,<br>
Seja Cysne ou gafanhoto,<br>
Não encontra quem resista<br>
Dos seus versos á leitura<br>
Que diverte, inda que é dura!<br>
([[Autor:Faustino Xavier de Novais|F. X. de Novaes]].)}}</div><br>
No meu cantinho,<br>
Encolhidinho,<br>
Mansinho e quedo,<br>
Banindo o medo,<br>
Do torpe mundo,<br>
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[[Pretensões|Embora um vate canhoto]]
Dos loucos augmente a lista,<br>
Seja Cysne ou gafanhoto,<br>
Não encontra quem resista<br>
Dos seus versos á leitura<br>
Que diverte, inda que é dura!<br>
([[Autor:Faustino Xavier de Novais|F. X. de Novaes]].)}}</div><br>
No meu cantinho,<br>
Encolhidinho,<br>
Mansinho e quedo,<br>
Banindo o medo,<br>
Do torpe mundo,<br>
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Fastidiosa —<br>
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[[Pretensões|Embora um vate canhoto]]<br>
Dos loucos augmente a lista,<br>
Seja Cysne ou gafanhoto,<br>
Não encontra quem resista<br>
Dos seus versos á leitura<br>
Que diverte, inda que é dura!<br>
([[Autor:Faustino Xavier de Novais|F. X. de Novaes]].)}}</div><br>
No meu cantinho,<br>
Encolhidinho,<br>
Mansinho e quedo,<br>
Banindo o medo,<br>
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Tam furibundo,<br>
Em fria prosa<br>
Fastidiosa —<br>
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Não contes comigo,<br>
Que sou pobretão:<br>
Em cousas mimosas<br>
Sou mesmo um ratão.<br>
Não fallo das flores,<br>
Dos prados não fallo,<br>
Nem tracto dos sinos<br>
Porque teem badalo;<br>
Da rola que geme,<br>
A’ borda do ninho,<br>
Do tenue regato<br>
Que corre mansinho;<br>
Nem das travessuras<br>
Do terno Cupido,<br>
Que faz do beato<br>
Janota garrido.<br>
</div>
Mas se queres que alinhave<br>
Palavras desconchavadas,<br>
Desculpa, com paciencia,<br>
Sandices que vão rithmadas.<br>
{{margem esquerda|5%}}
Desprenda-se a veia,<br>
Comece a festança,<br>
Mordendo, cortando —<br>
Com toda chibança.<br>
Ateie-se a Musa,<br>
Na magra cachola,<br>
Com phrases flammantes<br>
De chôcho pachola<br>
E qual estudante,<br>
Campando de sabio,<br>
Que empunha a luneta,<br>
Que é seu astrolabio:<br>
{{NOP}}<noinclude></div></noinclude>
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Página:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu/66
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<noinclude><pagequality level="3" user="555" /></noinclude>{{c|{{x-larger|A UM NARIZ}}}}
<poem>
{{margem esquerda|10%}}{{smaller|
[[Vá de retrato|Você perdoe]],<br>
Nariz nefando,<br>
Que eu vou cortando<br>
E ainda fica nariz em que se assoe.
[[Autor:Gregório de Matos|G. de Mattos]].}}</div>
Ahi vai, leitores,<br>
Um monstro esguio,<br>
Que em corropio<br>
De uma rua tem posto os moradores.<br>
Mayor que a prôa<br>
Da náo de linha,<br>
Tem camarinha<br>
Aonde á tarde se obumbra a tocha côa,<br>
{{NOP}}<noinclude></noinclude>
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| [[Index:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf|Chronica do Emperador Clarimundo]]
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| [[Index:Da Terra á Lua.pdf|Da Terra á Lua]]
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| [[Index:Historias da meia noite.djvu|Historias da meia noite]]
|-
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| [[Index:Livro de acórdãos 15.pdf|Livro 4º de Acórdão da Mesa e Junta]]
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| [[Index:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho Arrebitado]]
|-
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| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
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| [[Index:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf|No Alto Minho. Paredes de Coura]]
|-
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|-
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| [[Index:Revista do Brasil, 1921, anno VI, v XVI, n 61.pdf|Revista do Brasil]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|48|REVISTA DO BRASIL|}}</noinclude>Nas arvores, só um ou outro tico-tico; no chão, só formiguinhas ruivas{{gap}}A menina, para matar o tempo, principiou a observar o {{PT||corre-corre das formigas e logo esqueceu a zanga com a boneca.}}
[[File:Revista do Brasil, 1921, anno VI, v XVI, n 61 (page 90 crop).jpg|centro|300px]]
{{PT|corre-corre das formigas e logo esqueceu a zanga com a boneca.}}
— Já reparou, Emilia, como as formigas conversam? Que pena não entender a gente o que ellas dizem...
— "A gente" é modo de dizer, replicou Emilia, porque eu bem que entendo o que ellas dizem.
— Verdade?
— Verdade sim, entendo muito bem, e si ficares aqui commigo conto-te toda a historinha que ellas conversam. Repare. Vem uma de lá e outra de cá. Logo que se encontrem pegam de prosa.
Dito e feito. As formigas encontraram-se e principiaram a tagarelar; depois, cada uma seguiu o seu caminho.
— Fiquei na mesma, disse a menina.
— Pois eu não, retrucou a boneca. A de lá disse: "Encontrou o corpo do besourinho verde?" A de cá respondeu: "Não". A de lá: "Pois volte e procure perto do pé de pitanga, naquella pedra onde mora uma paquinha. Esse besouro morreu hontem lá que eu vi" A de cá: "Pois está direito, vou ver isso". E foi.
Esta formiga que dá ordens deve ser a dona de casa do formigueiro. Tem uns ares de mandona e não sae daqui de perto, a entrar e a sair do buraquinho, como quem toma conta do serviço. A outra é carregadeira.
Devia ser isso mesmo porque logo depois chegou de fóra uma terceira formiguinha, muito apressada, que cochichou com ella e voltou para trás.
— Que é que disse esta? perguntou Narizinho.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LUCIA|49}}</noinclude>— Disse que tinham apanhado uma bella minhoca ao pé da porteira mas que precisavam de mais gente para trazel-a.
— Emilia!... Você me bobeando!... exclamou a menina, desconfiada. Mas vou espiar, e si não fôr verdade você me paga!
E disparou em direcção da porteira. Procura que procura, achou logo á beirada dum tijuco uma pobre minhoca corcoveando com varias formiguinhas no lombo.
Teve vontade de libertar a prisioneira, mas a curiosidade de vêr o que acontecia foi maior, e lá deixou a minhoca entregue ao seu triste destino.
Novas formiguinhas foram chegando que, de um bote — ''zás'' — ferravam a minhoca duma vez. Não demorou muito e já eram mais de vinte. A minhoca, cançada de corcovear, foi molleando o corpo e acabou morrendo. As formiguinhas então começaram a arrastal-a para o formigueiro. Que custo! A bicha pesava umas {{PT||sete arrobas — arrobinhas de formiga — gorda que estava, de banha, e ia enganchando pelo caminho em quanto pedregulho ou capim havia; mas as carregadeiras, pacientes, davam volta a todos os embaraços e lá iam.}}
[[File:Revista do Brasil, 1921, anno VI, v XVI, n 61 (page 93 crop).jpg|centro|300px]]
{{PT|sete arrobas — arrobinhas de formiga — gorda que estava, de banha, e ia enganchando pelo caminho em quanto pedregulho ou capim havia; mas as carregadeiras, pacientes, davam volta a todos os embaraços e lá iam.}}
Afinal, depois de meia hora de trabalheira, deram com a minhoca em casa. Mas aqui nova atrapalhação. Não havia geito de recolher a minhoca inteira. E agora? Nisto appareceu a formiga mandona. Examinou o caso e deu ordem para que a picassem em doze pedacinhos.
Aquillo foi ''zás-tras''. Em tres tempos, em vez de minhoca havia no chão uma duzia de roletes de carne. Cada lote de tres for-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LUCIA|49}}</noinclude>— Disse que tinham apanhado uma bella minhoca ao pé da porteira mas que precisavam de mais gente para trazel-a.
— Emilia!... Você me bobeando!... exclamou a menina, desconfiada. Mas vou espiar, e si não fôr verdade você me paga!
E disparou em direcção da porteira. Procura que procura, achou logo á beirada dum tijuco uma pobre minhoca corcoveando com varias formiguinhas no lombo.
Teve vontade de libertar a prisioneira, mas a curiosidade de vêr o que acontecia foi maior, e lá deixou a minhoca entregue ao seu triste destino.
Novas formiguinhas foram chegando que, de um bote — ''zás'' — ferravam a minhoca duma vez. Não demorou muito e já eram mais de vinte. A minhoca, cançada de corcovear, foi molleando o corpo e acabou morrendo. As formiguinhas então começaram a arrastal-a para o formigueiro. Que custo! A bicha pesava umas {{PT||sete arrobas — arrobinhas de formiga — gorda que estava, de banha, e ia enganchando pelo caminho em quanto pedregulho ou capim havia; mas as carregadeiras, pacientes, davam volta a todos os embaraços e lá iam.}}
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{{PT|sete arrobas — arrobinhas de formiga — gorda que estava, de banha, e ia enganchando pelo caminho em quanto pedregulho ou capim havia; mas as carregadeiras, pacientes, davam volta a todos os embaraços e lá iam.}}
Afinal, depois de meia hora de trabalheira, deram com a minhoca em casa. Mas aqui nova atrapalhação. Não havia geito de recolher a minhoca inteira. E agora? Nisto appareceu a formiga mandona. Examinou o caso e deu ordem para que a picassem em doze pedacinhos.
Aquillo foi ''zás-tras''. Em tres tempos, em vez de minhoca havia no chão uma duzia de roletes de carne. Cada lote de tres for-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|50|REVISTA DO BRASIL|}}</noinclude>migas arrastou um rolete, de modo que num instante a carnaria toda soverteu pelo buraquinho a dentro.
Sim, senhoras! exclamou a menina. Servicinho limpo! Mas {{PT||o demo queira ser minhoca neste quintal!...}}
[[File:Revista do Brasil, 1921, anno VI, v XVI, n 61 (page 94 crop).jpg|centro|300px]]
{{PT|o demo queira ser minhoca neste quintal!...}}
— Bem feito, disse Emilia. Quem a mandou ser abelhuda? Si estivesse quietinha como as outras lá dentro da terra não aconteceria nada. Bem feito!
— Você diz isso porque é de panno e não sabe o que é dôr... concluiu Narizinho compassivamente...
{{c|''(Illustrações de Voltolino)''}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Revista do Brasil, 1921, anno VI, v XVI, n 62.pdf/39
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LUCIA|125}}</noinclude>— O Marquez? perguntou Lucia com ansiedade.
— O Marquez está são e salvo. E ferrado numa abobora, regalando-se...
— Muito bem! exclamou ella, contente por haver salvo a vidinha de Rabicó. Agora, senhor Mix, quero que me arranje uns {{PT||burros de carga afim de que eu possa levar mel para a vóvó. Mel e cera — a Nastacia quer muito um pelotinho de cera bem branca.}}
[[File:Revista do Brasil, 1921, anno VI, v XVI, n 62 (page 39 crop).jpg|centro|300px]]
{{PT|burros de carga afim de que eu possa levar mel para a vóvó. Mel e cera — a Nastacia quer muito um pelotinho de cera bem branca.}}
Tom Mix sahiu a arrumar a tropa e Lucia, voltando-se para a Rainha, propoz:
— Pode V. Majestade vender-me um tostão de mel?
— Dou-te o mel que quizeres, respondeu a Rainha sorrindo. Quanto ao tostão, guarda-o para ti, que aqui entre nós não tem valor o dinheiro dos homens. Entra lá naquella sala, que é o deposito de mel, e leva quanto quizeres.
Narizinho e Emilia encaminharam-se para o deposito. Muito bem arrumado tudo. Havia potinhos de cera em quantidade, todos iguaes, cheios até á bocca e tampados.
— Querem mel? perguntou logo uma abelha de avental que tomava conta do deposito.
— Queremos, sim! mel e cera.
— De que qualidade?
— Ha de muitas qualidades?
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" /></noinclude>[[File:Urupês (1919) (page 37 crop).jpg|centro|400px]]
{{t2|A Colcha de Retalhos}}
{{capitular|ficheiro=Urupês U (1919) (page 37 crop).jpg}}PA!
Cavalgo e parto
A natureza por estes dias de Março acorda tarde. Passa as manhãs embrulhada n’um roupão de neblinas e é com espreguiçamentos de mulher vadia que despe os veus da cerração para o banho de sol. A nevoa esmaia o relevo da paizagem, desbota-lhe as cores. Tudo parece coado atravez dum cristal despolido.
Vejo a orla de capins tufados como debrum pelo fio dos barrancos; vejo o roxo-terra da estrada descorar passos adiante; e nada mais vejo senão, a espaços, o vulto gottejante d’alguns angiqueiros marginaes.
Agora, uma porteira.
Aqui, a encruzilhada do Labrego.
Tomo á destra, em direitura ao sitio do José Alvorada.
Este sujeito mora-me a talho de pegar um roçado no capoeirão convisinho aos Periquitos, nata de terra que pelas boccas do caheté legitimo, da unha de vacca e da caquéra está a clamar foice e covas de milho.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 38 —}}</noinclude>Não é difficil a puxada: com cincoenta braças de carreador bóto a roça no caminho.
Tres alqueires, só no bom. Talvez quatro. A noventa por um — nove vezes quatro trinta e seis: tresentos e sessenta alqueires de oito mãos. Descontadas as bandeiras que o porco estraga e o que comem a paca e o rato… Será a filha do Alvorada?
— Bom dia, menina. O pae está em casa?
E’ a sua unica filha. Pelo geito não vae em mais de quatorze annos. Que frescura! Lembra os pés d’avenca viçados nas grotas noruegas. Mas arredia e itê como a fruta do gravatá. Olhem como se acanhou! D’olhos baixos, finge arrumar a rodilha. Veiu pegar agua a este cor’go e é milagre não se haver esgueirado por detraz daquella moita de taquarys, ao avistar-me.
— O pae está lá? insisti.
Respondeu um “está” enleiado, sem erguer os olhos da rodilha.
Como a vida do matto asselvaja estas veadinhas! Note-se que os Alvoradas não são caipiras. O velho, quando comprou a situação dos Periquitos, vinha da cidade; lembro-me até que entrava em sua casa um jornal.
Mas a vida lhes correu dura na lucta contra terras ensapesadas e seccas onde se encurtam as colheitas por mais que redobre o trabalho. Foram-se rareando as idas á cidade e, ao cabo, de todo se supprimiram. Depois que lhes nasceu a menina, rebento floral em annos outoniços, e que a geada queimou o café novo — uma tamina, tres mil pés — o homem, amuado, nunca mais espichou pé fóra do sitio.
Se o marido deu assim em urumbeva, a mulher, essa enraizou de peão para o resto da vida. Costumava dizer: mulher na roça vae<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 34 —}}</noinclude>á villa tres vezes, uma a baptisar, outra a casar, terceira a enterrar.
Com taes casmurrices na cabeça dos velhos, a pobresinha da Pingo d’Agua — tinha esse appellido a Maria das Dores — era natural que se tolhesse na desenvoltura ao extremo de ganhar medo á gente. Fôra uma vez á villa, com vinte dias, a baptisar. E já lá ia nos quatorze annos sem nunca mais ter-se arredado d’ali.
Ler? Escrever? Patacoadas, falta de serviço, dizia a mãe. Que lhe valeu a ella ler e escrever que nem uma professora, se des’que casou nunca mais teve geito de abrir um livro? Na roça como na roça.
Deixei a menina ás voltas com a rodilha e embrenhei-me por um atalho conducente á morada.
Que ruinaria!…
Da casa antiga aluira uma ala, e o restante, além da cumieira sellada, tinha o oitão fóra do prumo.
O velho pomar, roido de formiga, succumbira de inanição; tres ou quatro laranjeiras macillentas, roidas de broca, sopesando o polvo retrançado da herva de passarinho, na ancia de sobreviver abrolhavam ainda rebentos ouriçados de pu’as. Fóra d’isso mamoeiros, a silvestre goiaba, e araçás, promiscuamente com o matto invasor que só respeitava o terreirinho batido, fronteiriço á casa. Tapera, quasi, e enlurados nella, o que é mais triste, almas humanas em tapera.
Bati as palmas. O’ de casa!
Appareceu a mulher.
— Está o seu Zé?
— Inda agorinha saiu, — mas não demora, foi queimar um mel na massaranduva do pasto. Apeie e entre.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 35 —}}</noinclude>Amarrei o cavallo a um moirão de cerca e entrei. Acabadinha a Sinh’Anna. Toda rugas na cara, e uma côr… Estranhei-lh’a.
— Doença, gemeu, estou no fim. Estomago, figado, uma dor aqui no peito que responde na cacunda… Casa velha é o que é.
— Metade é scisma, disse-lhe para consolo.
— Eu é que sei, retrucou ella, suspirando.
Entrementes surgiu da cosinha uma velhota bem apessoada, no cerne, rija e tesa, que me saudou, e:
— Está espantado do geito da Nhanna? Esta gente de agora não presta para nada… Olhe que eu com 70 no lombo não me troco por ella. Criei a minha neta, inda lavo, cosinho e coso. Admira-se? Coso sim!…
— Mecê é gabola porque nunca padeceu doença, — nem dor de dente!… Mas eu? Pobre de mim! Só admiro de inda estar fóra da cova… Ahi vem o Zé.
Chegava o Alvorada. Ao ver-me abriu a cara,
— Ora viva quem se lembra dos pobres! Não pego na sua mão porque estou assim! E’ só melado. Bonito, hein? Estava difficil, n’um ôco muito alto e sem geito, mas sempre tirei. Não é jity não, é mel de pau.
Depôz a cuia de favos n’um mocho e se foi á janella lavar as mãos sob a caneca d’agua que a mulher despejava. E pondo os olhos no cavallo:
— Hoje veiu no picaço… Bom bicho! Eu sempre digo: animaes aqui no redor são este picaço e a ruana do Izé de Lima. O mais é cavallaria de moenda.
Neste momento entrou a menina, de pote á cabeça. Ao vel-a o pae apontou a cuia de mel.
— Está ahi, filha, o doce da aposta. Perdi, paguei. Negocio é negocio. Que aposta? Ah!<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 36 —}}</noinclude>ah! Brincadeira. A gente cá na roça quando não tem serviço com qualquer coisa se diverte. Vinha passando um bando de maritacas. Eu disse atôa: são mais de dez! Pingo negou: não chega lá! Apostamos. Eram nove. Ella ganhou o doce. Doce da roça mel é. Esta songuinha só vendo, não é o que parece, não!
A loquela do Alvorada não desmedrára com o atrazo da vida. Em se lhe dando corda, revivia o tagarella da cidade.
Expuz-lhe o meu negocio. O homem refranziu a testa e reflexionou um bocado, de queixo preso. Depois:
— Eu hoje, franqueza, não valho mais nada. Des’que cahi daquella peste de mundeu da ponte preta, fiquei assim como quebrado por dentro. Não escóro serviço, e para lidar com camaradas no eito não basta ter bocca. Sem puxar a enxada de par com elles, a coisa não vae. Lembra-se da empreitada do anno retrazado? Pois sahi perdendo. O tranca do Mina me quebrou um machado e furtou uma foice{{corr||.}} Com esses prejuizos não livrei o jornal. Desde então fiz cruz em serviço alheio. Se inda teimo neste sapeseiro é por via da menina; senão largava tudo e ia viver no matto como bicho. E’ o Pingo que inda me dá um pouco de coragem… — continuou com ternura.
A velhinha sentára-se á luz da janella, e abrindo uma caixeta puzera-se a coser, de oculos no nariz.
Approximei-me, admirativo:
— Sim, senhora! Com setenta annos!
Sorriu-se, lisonjeada.
— E’ para ver. E isto aqui tem coisa! E’ uma colcha de retalhos que venho cosendo ha quatorze annos, des’que Pingo nasceu. Dos vestidinhos della vou guardando nesta caixa<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 37 —}}</noinclude>cada isca que sobeja e um dia as coso. Veja que galantaria de serviço.
E estendeu-me ante os olhos um panno variegado, de quadradinhos maiores e menores, todos de chita, cada qual de um padrão.
— Esta colcha é o meu presente de noivado. O ultimo retalho hade ser do vestido de casamento, não é Pingo?
Pingo d’Agua não respondeu. Mettida na cosinha, percebi-a a espiar-me pela fresta da porta.
Mais dois dedos de prosa, um cafésinho ralo — escolha com rapadura — e,
— Bom, rematei levantando-me do mocho de tres pernas, como não pode ser, paciencia. Apezar disso acho que deve pensar um bocado. Olhe que este anno se estão pagando os roçados a oitenta mil réis. Dá para ganhar, não?
— Que dá eu sei que dá, mas tambem sei para quem dá. Um perrengue como eu não pensa mais nisso, não. Quando era gente, muitas peguei a sessenta, e não me arrependi. Mas hoje…
— Nesse caso…
{{c|* * *}}
Transcorreram dois annos sem que eu tornasse aos Periquitos. Nesse intervallo Dona Anna falleceu. Era fatal a dor que respondia na cacunda. E me não mais aflorava á tona da memoria a imagem daquelles humildes urupês, quando chegou aos meus ouvidos o zum-zum corrente no bairro, uma coisa apenas crivel: o filho de um sitiante visinho, rapaz de todo pancada, furtára o Pingo d’Água aos Periquitos.
— Como isso? Uma menina tão acanhada!…
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 38 —}}</noinclude>— E’ para ver! Desconfiem das sonsas… Fugiu, e lá rodou com elle para a cidade — não para casar, nem para enterrar. Foi ser “moça” a pombinha...
O incidente ficou a azoinar-me o bestunto. A’ noite perdi o somno revivendo scenas da ultima visita ao sitio, e disso brotou a ideia de lá tornar. Para? Confesso, mera curiosidade, para ouvir os commentarios da triste velhinha. Que golpe! Desta feita ia-se-lhe a rijeza de cerne.
Fui.
Setembro entumecia gommos novos em cada arbusto. Nenhuma neblina. A paizagem desenhava-se nitida até aos cabeços dos morros e ás distantes serras azues.
Por amor á symetria montava eu o mesmo picarso. Transpuz a mesma porteira. Atalhei pelo mesmo trilho.
No corrego vi, com os olhos da imaginação, o vulto da menina envergonhada, com o pote descançado na lage e toda ás voltas com a rodilha. Mais uns passos e a tapera antolhou-se-me deserta. As tres arvores do pomar extincto eram já galhaça resecca e poenta. Só os mamoeiros subsistiam, mais crescidos, sempre apinhados de fructos. O resto peiorára, descambando para o lugubre. Ruira o oitão e o terreirinho pintalgara-se de moitas de guanxuma, cordão de frade e joás:
— O’ da casa!
Silencio. Tres vezes repelli o appello. Por fim surgiu dos fundos uma sombra acurvada e tremula.
— Bom dia, nha Joaquina. Está o seu Zé?
Não me reconheceu a velhinha. O Zé fôra á villa vender aquillo para mudar de terra. Fez-me entrar, logo que me dei a conhecer, pedindo escusas da má vista.
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 42 —}}</noinclude>Um mez depois, morria. Soube que lhe não cumpriram a ultima vontade.
Que importa ao mundo a vontade ultima d’uma pobre velhinha da roça?
Pieguices…
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{c|— 39 —}}</noinclude>Entrei para a saleta vasia.
— Tem coragem de estar aqui sósinha?
— Eu? Sosinha estou em toda a parte… Morreu-me tudo, a filha, a neta… Sente-se, disse, apontando para o mocho de dois annos atraz.
Sentei-me com um nó na garganta. Não sabia que dizer. Por fim:
— O que é a vida, nha Joaquina! Parece que foi hontem que estive aqui. Apezar das doenças, iam vivendo felizes. Hoje…
A velha limpou no canhão da manga uma lagrima.
— Viver 72 annos para acabar assim… Felizmente a morte não tarda. Já a sinto cá dentro.
Confragia-se-me o coração n’aquelle ermo onde tudo era passado, a terra, as laranjeiras, a casa, as vidas, salvo, tremulo espectro sobrevivente como a alma da tapera, a triste velhinha encanecida cujos olhos poucas lagrimas estilavam, tantas chorára.
— Que mais agora? murmurou pausadamente em voz de quem já não é deste mundo. Até á “desgraça” eu não queria morrer. Velha e inutil inda gostava da vida. Morreu-me a filha, mas restava a neta que é duas vezes filha e era o meu consolo. Desencaminharam a pobresinha… Agora, que mais? Só peço a Deus que me tire logo e logo…
Relanceei o olhar pela sala vazia. A caixeta de costura ainda estava sobre a arca, no lugar de sempre. Meus olhos pousaram nella, marasmados.
A velha adivinhou-me o pensamento e, erguendo-se, pegou da caixa com mãos tremulas.
Abriu-a. Tirou de dentro a colcha {{hífen|inacaba|inacabada}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 40 —}}</noinclude>{{hífen-fim|da|inacabada}}, contemplou-a longamente. Depois, com tremuras na voz, disse:
— Dezaseis anos! E não pude acabar a colcha… Ninguem imagina o que é para mim esta prenda. Cada retalho tem sua historia e me lembra um vestidinho de Pingo d’Agua. Aqui leio a vidinha della des’que nasceu.
Este, olhe, foi da primeira camiseta que vestiu…
Tão galantinha! Estou a vel-a no meu braço, tentando pegar os oculos com a mãosinha gorda…
Este azul, de listras, lembra um vestido que lhe deu a madrinha aos tres annos.
Ella já andava pela casa inteira, armando reinações, perseguindo a Romão, que um dia, por signal, lhe metteu as unhas. Chamava-me “óó aquina”.
Este vermelho, de rosinhas, foi quando completou os cinco annos. Estava com elle por occasião do tombo na pedra do corrego d’'onde lhe veiu aquella marquinha no queixo, não reparou?
Este cá de xadrezinho foi pelos sete annos; eu mesma o fiz, e o fiz de sainha comprida e paletó de quartinho. Ficou tão engraçada feita uma mulhersinha!
Pingo d’Agua já sabia temperar um virado quando usou este aqui, de argolinhas roxas em fundo branco. Digo isto porque foi com elle que entornou uma panella e queimou aos mãos.
Este roxo, usou-o quando tinha dez annos e cahiu de sarampo, muito malsinha. Os dias e noites que passei ao pé della, a contar historias! Como gostava da Gata Borralheira!…
A velha enxugou na colcha uma lagrima, e calou-se.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="JppBr98" />{{c|— 41 —}}</noinclude>— E este? perguntei, apontando um retalho amarello, para avival-a.
Pausou um bocado a trise avó, em contemplação. Depois:
— Este é novo. Já tinha 15 annos quando o vestiu pela primeira vez n’um mutirão do Labrego. Não gosto delle. Parece-me que a desgraça começa aqui. Ficou um vestido muito assentadinho no corpo e galante, mas, pelas minhas contas, foi o culpado do Labreguinho engraçar-se da coitada. Hoje sei disso. Naquelle tempo nada suspeitava…
— Este, disse-lhe eu, fingindo recordar-me, é o que ellla vestia quando cá estive.
— E’ engano seu. Era, quer ver qual? era este de pintas vermelhas, repare bem.
— E’ verdade, é verdade, menti, agora me lembro, era isso mesmo. E este derradeiro?
Após uma pausa dorida, a pobre creatura sacudiu a cabeça, e balbuciou:
— Este é o da desgraça. Foi o ultimo que lhe fiz. Com elle fugiu… e me matou.
Calou-se, a lacrimejar, tremula.
Calei-me tambem, oppresso d’um infinito apertão d’alma.
Que quadro immensamente triste aquelle fim de vida machucado pela mocidade louca!…
E ficamos, ambos, assim immoveis, de olhos pregados na colcha. Ella, por fim, quebrou o silencio:
— Era o meu presente de noivado. Deus não quiz. Será agora a minha mortalha. Já pedi que me enterrassem com ella…
E guardou-a dobradinha na caixa, envolta n’um suspiro.
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/* Século XIX */
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__NOTOC__
== [[File:Flag of Brazil.svg|18px]] Brasileiros ==
{{Div col|3}}
=== Século XVI ===
* {{A|Ambrósio Fernandes Brandão}} (c. 1555 - c. 1618) {{100%}}
* {{A|Bento Teixeira}} (c. 1561 - c. 1618) {{100%}}
* {{A|Frei Vicente do Salvador}} (1564 - c. 1636) {{100%}}
=== Século XVII ===
* {{A|Antônio Vieira}} (1608 - 1697) {{075%}}
* {{A|Nuno Marques Pereira}} (1625 - 1728) {{100%}}
* {{A|Gregório de Matos}} (1636 - 1696) {{075%}}
* {{A|Manuel Botelho de Oliveira}} (1636 - 1711) {{100%}}
* {{A|André João Antonil}} (1649 - 1716) {{100%}}
* {{A|Sebastião da Rocha Pita}} (1660 - 1738) {{100%}}
* {{A|Manuel de Santa Maria}} (c. 1668 - c. 1730) {{100%}}
=== Século XVIII ===
* {{A|Matias Aires}} (1705 - 1763) {{100%}}
* {{A|Teresa Margarida da Silva e Orta}} (1711 - 1793) {{100%}}
* {{A|Gaspar da Madre de Deus}} (1715 - 1800) {{100%}}
* {{A|Santa Rita Durão}} (1722 - 1784) {{100%}}
* {{A|Cláudio Manuel da Costa}} (1729 - 1789) {{100%}}
* {{A|Domingos Caldas Barbosa}} (1740 - 1800) {{100%}}
* {{A|Basílio da Gama}} (1741 - 1795) {{100%}}
* {{A|Alvarenga Peixoto}} (1744 - 1792) {{100%}}
* {{A|Tomás Antônio Gonzaga}} (1744 - 1810) {{100%}}
* {{A|Manuel Inácio da Silva Alvarenga}} (1749 - 1814) {{100%}}
* {{A|Sousa Caldas}} (1762 - 1814) {{000%}}
* {{A|Francisco Carlos Teixeira da Silva}} (1763 - 1829) {{100%}}
* {{A|José Bonifácio}} (1763 - 1838)
* {{A|Mariano José Pereira da Fonseca}} (1773 - 1848) {{100%}}
* {{A|Hipólito da Costa}} (1774 - 1823) {{075%}}
* {{A|Frei Caneca}} (1779 - 1825) {{075%}}
* {{A|Beatriz Brandão}} (1779 - 1868) {{100%}}
* {{A|Januário da Cunha Barbosa}} (1780 - 1846) {{100%}}
* {{A|Diogo Antônio Feijó}} (1784 - 1843) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco do Monte Alverne|Francisco de Mont'Alverne]] (1784 - 1858)
* {{A|Evaristo da Veiga}} (1799 - 1837) {{100%}}
=== Século XIX ===
* {{A|Araújo Porto Alegre}} (1806 - 1879) {{100%}}
* {{A|Ana Eurídice Eufrosina de Barandas}} (1806 - 1863) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teófilo Ottoni|Teófilo Ottoni]] (1807 - 1869)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Paula Brito|Paula Brito]] (1809 - 1861)
* {{A|Nísia Floresta}} (1810 - 1885) {{100%}}
* {{A|Gonçalves de Magalhães}} (1811 - 1882) {{075%}}
* {{A|Teixeira e Sousa}} (1812 - 1861) {{100%}}
* {{A|Francisco de Sales Torres Homem}} (1812 - 1876) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Justiniano José da Rocha|Justiniano José da Rocha]] (1812 - 1862)
* {{A|João Lisboa}} (1812 - 1863)
* {{A|Martins Pena}} (1815 - 1848) {{100%}}
* {{A|Francisco Adolfo de Varnhagen}} (1816 - 1878)
* {{A|João Manuel Pereira da Silva}} (1817 - 1898) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Violante Bivar e Velasco|Violante Bivar e Velasco]] (1817 - 1875)
* {{A|Joaquim Manuel de Macedo}} (1820 - 1882)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Tristão de Alencar Araripe|Tristão de Alencar Araripe]] (1821 - 1908)
* {{A|Maria Firmina dos Reis}} (1822 - 1917)
* {{A|Gonçalves Dias}} (1823 - 1864)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ana Luísa de Azevedo Castro|Ana Luísa de Azevedo Castro]] (1823 - 1869)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Agostinho Marques Perdigão Malheiro (filho)|Agostinho Marques Perdigão Malheiro (filho)]] (1824 - 1881)
* {{A|Bernardo Guimarães}} (1825 - 1884)
* {{A|Francisco Otaviano}} (1825 - 1889)
* {{A|Dom Pedro II}} (1825 - 1891)
* {{A|Laurindo Rabelo}} (1826 - 1864)
* {{A|Augusto Emílio Zaluar}} (1826 - 1882)
* {{A|Adélia Fonseca}} (1827 - 1920)
* {{A|Aureliano José Lessa}} (1828 - 1861) {{100%}}
* {{A|Joaquim Felício dos Santos}} (1828 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Henriques Leal|Antônio Henriques Leal]] (1828 - 1885)
* {{A|José de Alencar}} (1829 - 1877)
* {{A|Qorpo Santo}} (1829 - 1883)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Angélica Ribeiro|Maria Angélica Ribeiro]] (1829 - 1880)
* {{A|Luís da Gama}} (1830 - 1882)
* {{A|Álvares de Azevedo}} (1831 - 1852)
* {{A|Manuel Antônio de Almeida}} (1831 - 1861)
* {{A|Junqueira Freire}} (1832 - 1855)
* {{A|Sousândrade}} (1833 - 1902) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teixeira de Melo|Teixeira de Melo]] (1833 - 1907)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Soriano de Souza|José Soriano de Souza]] (1833 - 1895)
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* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Luís Pereira de Sousa|Pedro Luís Pereira de Sousa]] (1839 - 1884)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernesto Carneiro Ribeiro|Ernesto Carneiro Ribeiro]] (1839 - 1920)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Pereira Barreto|Luís Pereira Barreto]] (1840 - 1923)
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* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Vieira Fazenda|José Vieira Fazenda]] (1847 - 1917)
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* {{A|Araripe Júnior}} (1848 - 1911)
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* {{A|Ruy Barbosa}} (1849 - 1923)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho|Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho]] (1850 - 1898)
* {{A|Adelina Lopes Vieira}} (1850 - 1922)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ferreira Leal|Ferreira Leal]] (1850 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Artur de Oliveira|Artur de Oliveira]] (1851 - 1882)
* {{A|Domingos Olímpio}} (1851 - 1906) {{100%}}
* {{A|Manuel Querino}} (1851 - 1923)
* {{A|Sílvio Romero}} (1851 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Josefina Álvares de Azevedo|Josefina Álvares de Azevedo]] (1851 - 1913)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Emília Bandeira de Melo|Emília Bandeira de Melo]] (1852 - 1910)
* {{A|Narcisa Amália}} (1852 - 1924)
* {{A|Emília Moncorvo Bandeira de Melo}} (1852 - 1910)
* {{A|Capistrano de Abreu}} (1853 - 1927)
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* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Revocata Heloísa de Melo|Revocata Heloísa de Melo]] (1853 - 1944)
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* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Julieta de Melo Monteiro|Julieta de Melo Monteiro]] (1855 - 1928)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teixeira Mendes (filósofo)|Teixeira Mendes]] (1855 - 1927)
* {{A|Teodoro Sampaio}} (1855 - 1937)
* {{A|Fontoura Xavier}} (1856 - 1922)
* {{A|Aluísio Azevedo}} (1857 - 1913)
* {{A|José Veríssimo}} (1857 - 1916)
* {{A|Alberto de Oliveira}} (1857 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Filinto de Almeida|Filinto de Almeida]] (1857 - 1945)
* {{A|Rocha Pombo}} (1857 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Horácio de Carvalho|Horácio de Carvalho]] (1857 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Paula Ney|Paula Ney]] (1858 - 1897)
* {{A|Raimundo Correia}} (1859 - 1911)
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* {{A|Valentim Magalhães}} (1859 - 1903)
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* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luiza Leonardo|Luiza Leonardo]] (1859 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto de Lima (político)|Augusto de Lima]] (1859 - 1934)
* {{A|João Ribeiro}} (1860 - 1934)
* {{A|Eduardo Prado}} (1860 - 1901)
* {{A|Afonso Celso}} (1860 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio da Silva Jardim|Antônio da Silva Jardim]] (1860 - 1891)
* {{A|Cruz e Sousa}} (1861 - 1898)
* {{A|Manuel de Oliveira Paiva}} (1861 - 1892)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Xavier Marques|Xavier Marques]] (1861 - 1942)
* {{A|Luís Murat}} (1861 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Amélia Rodrigues|Amélia Rodrigues]] (1861 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Xavier Marques|Xavier Marques]] (1861 - 1942)
* {{A|Raimundo de Farias Brito}} (1862 - 1917)
* {{A|Júlia Lopes de Almeida}} (1862 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Domício da Gama|Domício da Gama]] (1862 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fausto Cardoso|Fausto Cardoso]] (1862 - 1906)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lindolfo Rocha|Lindolfo Rocha]] (1862 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Nina Rodrigues|Nina Rodrigues]] (1862 - 1906)
* {{A|Catulo da Paixão Cearense}} (1863 - 1946)
* {{A|Raul Pompeia}} (1863 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gonzaga Duque|Gonzaga Duque]] (1863 - 1911)
* {{A|Virgílio Várzea}} (1863 - 1941)
* {{A|Coelho Neto}} (1864 - 1934)
* {{A|Pardal Mallet}} (1864 - 1894)
* {{A|Tito Lívio de Castro}} (1864 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fábio Luz|Fábio Luz]] (1864 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Andradina de Oliveira|Andradina de Oliveira]] (1864 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alberto Torres|Alberto Torres]] (1865 - 1917)
* {{A|Olavo Bilac}} (1865 - 1918)
* {{A|João Simões Lopes Neto}} (1865 - 1916)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alcindo Guanabara|Alcindo Guanabara]] (1865 - 1918)
* {{A|Euclides da Cunha}} (1866 - 1909)
* {{A|Emiliano Perneta}} (1866 - 1921)
* {{A|Vicente de Carvalho}} (1866 - 1924)
* {{A|Emílio de Meneses}} (1866 - 1918)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rodrigo Otávio|Rodrigo Otávio]] (1866 - 1944)
* {{A|Rego Monteiro}} (1866 - 1952) {{100%}}
* {{A|João Marques de Carvalho}} (1866 - 1910)
* {{A|Adolfo Caminha}} (1867 - 1897) {{100%}}
* {{A|Medeiros e Albuquerque}} (1867 - 1934) {{100%}}
* {{A|Oliveira Lima}} (1867 - 1928) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Mário Pederneiras|Mário Pederneiras]] (1867 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Passos|Guimarães Passos]] (1867 - 1909)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Presciliana Duarte de Almeida|Presciliana Duarte de Almeida]] (1867 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Passos|Guimarães Passos]] (1868 - 1909)
* {{A|Graça Aranha}} (1868 - 1931) {{100%}}
* {{A|Afonso Arinos}} (1868 - 1916)
* {{A|Manuel Bonfim}} (1868 - 1932)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Sales|Antônio Sales]] (1868 - 1940)
* {{A|Nestor Vítor}} (1868 - 1932)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Rabelo|Pedro Rabelo]] (1868 - 1905)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Júlia Cortines|Júlia Cortines]] (1868 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Max Fleiuss|Max Fleiuss]] (1868 - 1943)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Figueiredo Pimentel|Figueiredo Pimentel]] (1869 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Chrysanthème|Chrysanthème]] (1869 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Gastão d'Escragnolle Dória|Luís Gastão d'Escragnolle Dória]] (1869 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Dario Persiano de Castro Vellozo|Dario Persiano de Castro Vellozo]] (1869 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Liberato Bittencourt|Liberato Bittencourt]] (1869 - 1948)
* {{A|Adherbal de Carvalho}} (1869 - 1915)
* {{A|Paulo Prado}} (1869 - 1943)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Zeferino Brasil|Zeferino Brasil]] (1870 - 1942)
* {{A|Alphonsus de Guimaraens}} (1870 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Osório Duque-Estrada|Osório Duque-Estrada]] (1870 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Péthion de Villar|Péthion de Villar]] (1870 - 1924)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lívio Barreto|Lívio Barreto]] (1870 - 1895)
* {{A|Francisca Júlia}} (1871 - 1920)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Paes de Barros|Maria Paes de Barros]] (1871 - 1952)
* {{A|Alberto Rangel}} (1871 - 1945)
* {{A|Mário de Alencar}} (1872 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Batista Cepelos|Batista Cepelos]] (1872 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Faria Neves Sobrinho|Faria Neves Sobrinho]] (1872 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Silveira Neto|Silveira Neto]] (1872 - 1942)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Valdomiro Silveira|Valdomiro Silveira]] (1873 - 1941)
* {{A|Laudelino Freire}} (1873 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rodolfo Garcia|Rodolfo Garcia]] (1873 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Valdomiro Silveira|Valdomiro Silveira]] (1873 - 1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul Pederneiras|Raul Pederneiras]] (1874 - 1953)
* {{A|Henrique Castriciano de Sousa}} (1874 - 1947)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Dias Fernandes|Carlos Dias Fernandes]] (1874 - 1942)
* {{A|Amadeu Amaral}} (1875 - 1929)
* {{A|Afonso d'Escragnolle Taunay}} (1876 - 1958)
* {{A|Afrânio Peixoto}} (1876 - 1947) {{100%}}
* {{A|Auta de Souza}} (1876 - 1901)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manoel Arão|Manoel Arão]] (1876 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alcides Maia|Alcides Maia]] (1878 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Marcelo Gama|Marcelo Gama]] (1878 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maranhão Sobrinho|Maranhão Sobrinho]] (1879 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Félix Pacheco|Félix Pacheco]] (1879 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Artur de Sales|Artur de Sales]] (1879 - 1952)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Everardo Backheuser|Everardo Backheuser]] (1879 - 1951)
* {{A|Albertina Bertha}} (1880 - 1953) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jonas da Silva|Jonas da Silva]] (1880 - 1947)
* {{A|Elysio de Carvalho}} (1880- 1925)
* {{A|Lima Barreto}} (1881 - 1922)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Maria Goulart de Andrade|José Maria Goulart de Andrade]] (1881 - 1936)
* {{A|João do Rio}} (1881 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Azevedo Amaral|Azevedo Amaral]] (1881 - 1942)
* {{A|Monteiro Lobato}} (1882 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Oliveira Viana|Oliveira Viana]] (1883 - 1951)
* {{A|Augusto dos Anjos}} (1884 - 1914)
* {{A|Godofredo Rangel}} (1884 - 1954)
* {{A|Martins Fontes}} (1884 - 1937) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roquette-Pinto|Roquette-Pinto]] (1884 - 1954)
* {{A|Antônio Francisco da Costa e Silva}} (1885 - 1950)
* {{A|Antônio Torres}} (1885 - 1934)
* {{A|Pedro Kilkerry}} (1885 - 1917)
* {{A|Humberto de Campos}} (1886 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernani Rosas|Ernani Rosas]] (1886 - 1955)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Lacerda de Moura|Maria Lacerda de Moura]] (1887 - 1945)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hermes Fontes|Hermes Fontes]] (1888 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gastão Cruls|Gastão Cruls]] (1888 - 1955)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roberto Simonsen|Roberto Simonsen]] (1889 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cásper Líbero|Cásper Líbero]] (1889 - 1943)
* {{A|Oswald de Andrade}} (1890 - 1954) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Felipe Daudt de Oliveira|Felipe Daudt de Oliveira]] (1890 - 1933)
* {{A|Jackson de Figueiredo}} (1891 - 1928) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ercília Nogueira Cobra|Ercília Nogueira Cobra]]
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eduardo Guimarães|Eduardo Guimarães]] (1892 - 1928)
* {{A|Graciliano Ramos}} (1892 - 1953) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Juó Bananére|Juó Bananére]] (1892 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jorge de Lima|Jorge de Lima]] (1893 - 1953)
* {{A|Mário de Andrade}} (1893 - 1945)
* {{A|Ronald de Carvalho}} (1893 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Leonel Franca|Leonel Franca]] (1893 - 1948)
* {{A|Paulo Setúbal}} (1893 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hugo de Carvalho Ramos|Hugo de Carvalho Ramos]] (1895 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul de Leoni|Raul de Leoni]] (1895 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alceu de Freitas Wamosy|Alceu de Freitas Wamosy]] (1895 - 1923)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Galeão Coutinho|Galeão Coutinho]] (1897 - 1951)
* {{A|Rodrigues de Abreu}} (1897 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Virgílio de Melo Franco|Virgílio de Melo Franco]] (1897 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eugênia Álvaro Moreyra|Eugênia Álvaro Moreyra]] (1898 - 1948)
=== Século XX ===
* {{A|Antonieta de Barros}} (1901 - 1952)
* {{A|Alcântara Machado}} (1901 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Alphonsus|João Alphonsus]] (1901 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carmen Cinira|Carmen Cinira]] (1902 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Arthur Ramos|Arthur Ramos]] (1903 - 1949)
{{Div col fim}}
== [[File:Flag of Portugal.svg|18px]] Portugueses ==
{{Div col|3}}
=== Século XIV ===
* {{A|Fernão Lopes}} (c. 1385 - c. 1460)
=== Século XV ===
* {{A|Gomes Eanes de Zurara}} (c. 1410 - c. 1474)
* {{A|Rui de Pina}} (c. 1440 - c. 1522)
* {{A|Garcia de Resende}} (c. 1470 - 1536)
* {{A|Sá de Miranda}} (1481 - 1558)
* {{A|Bernardim Ribeiro}} (c. 1482 - c. 1552)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gaspar Correia|Gaspar Correia]] (c. 1492 - c. 1563)
* {{A|João de Barros}} (1496 - 1570)
=== Século XVI ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brás de Albuquerque|Brás de Albuquerque]] (c. 1500 - 1581)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Martim Afonso de Sousa|Martim Afonso de Sousa]] (c. 1500 - 1564)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fernão Lopes de Castanheda|Fernão Lopes de Castanheda]] (c. 1500 - 1559)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Samuel Usque|Samuel Usque]] (c. 1500 - c. 1560)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Damião de Góis|Damião de Góis]] (1502 - 1574)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gonçalo Annes Bandarra|Gonçalo Annes Bandarra]] (c. 1502 - c. 1556)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Galvão|António Galvão]] (c. 1503 - 1557)
* {{A|Jerónimo Osório}} (1506 - 1580)
* {{A|Fernão Mendes Pinto}} (c. 1510 - 1583)
* {{A|Jorge Ferreira de Vasconcelos}} (c. 1515 - c. 1585)
* {{A|Manuel da Nóbrega}} (1517 - 1570)
* {{A|Pedro de Andrade Caminha}} (c. 1520 - 1589)
* {{A|Luís Vaz de Camões}} (c. 1524 - 1580)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Ferreira|António Ferreira]] (1528 - 1569)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei Heitor Pinto|Frei Heitor Pinto]] (c. 1528 - c. 1584)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jerónimo Corte-Real|Jerónimo Corte-Real]] (c. 1530 - c. 1588)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Amador Arrais|Amador Arrais]] (c. 1530 - 1600)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Agostinho Pimenta|Agostinho Pimenta]] (1540 - 1619)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Andrade|Francisco de Andrade]] (c. 1540 - 1614)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pero de Magalhães Gândavo|Pero de Magalhães Gândavo]] (c. 1540 - c. 1580)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Pereira Brandão|Luís Pereira Brandão]] (c. 1540 - c. 1590)
* {{A|Diogo do Couto}} (c. 1542 - 1616)
* {{A|Miguel Leitão de Andrada}} (c. 1553 - 1630)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei Luís de Sousa|Frei Luís de Sousa]] (c. 1555 - 1632)
* {{A|Ambrósio Fernandes Brandão}} (c. 1555 - c. 1618)
* {{A|Bernardo de Brito}} (1569 - 1617)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gabriel Pereira de Castro|Gabriel Pereira de Castro]] (1571 - 1632)
* {{A|Francisco Rodrigues Lobo}} (1580 - 1622)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Brandão|António Brandão]] (1584 - 1637)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel de Faria e Sousa|Manuel de Faria e Sousa]] (1590 - 1649)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jacinto Freire de Andrade|Jacinto Freire de Andrade]] (1597 - 1657)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brás Garcia de Mascarenhas|Brás Garcia de Mascarenhas]] (1596 - 1656)
=== Século XVII ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Sá de Meneses|Francisco de Sá de Meneses]] (c. 1600 - 1664)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Violante do Céu|Violante do Céu]] (1601 - 1693)
* {{A|Francisco Manuel de Melo}} (1608 - 1666)
* {{A|Jerónimo Baía}} (c. 1620 - 1688)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei António das Chagas|Frei António das Chagas]] (1631 - 1682)
* {{A|Manuel Bernardes}} (1644 - 1710)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco Xavier de Meneses|Francisco Xavier de Meneses]] (1673 - 1743)
* {{A|António Caetano de Sousa}} (1674 - 1759)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Diogo Barbosa Machado|Diogo Barbosa Machado]] (1682 - 1772)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bernardo Gomes de Brito|Bernardo Gomes de Brito]] (1688 - c. 1760)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Nunes Ribeiro Sanches|António Nunes Ribeiro Sanches]] (1699 - 1782)
=== Século XVIII ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António José da Silva|António José da Silva]] (1705 - 1739)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Dinis da Cruz e Silva|António Dinis da Cruz e Silva]] (1731 - 1799)
* {{A|Filinto Elísio}} (1734 - 1819)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Anastácio da Cunha|José Anastácio da Cunha]] (1744 - 1787)
* {{A|Tomás Antônio Gonzaga}} (1744 - 1810)
* {{A|Bocage}} (1765 - 1805)
* {{A|Curvo Semedo}} (1766 - 1838)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de São Luís Saraiva|Francisco de São Luís Saraiva]] (1766 - 1845)
* {{A|José Agostinho de Macedo}} (1761 - 1831)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Maria da Costa e Silva|José Maria da Costa e Silva]] (1788 - 1854)
* {{A|Almeida Garrett}} (1799 - 1854)
* {{A|António Feliciano de Castilho}} (1800 - 1875)
=== Século XIX ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luz Soriano|Luz Soriano]] (1802 - 1891)
* {{A|Alexandre Herculano}} (1810 - 1877)
* {{A|João de Lemos}} (1819 - 1890)
* {{A|José da Silva Mendes Leal}} (1820 - 1886)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Augusto Rebelo da Silva|Luís Augusto Rebelo da Silva]] (1822 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João de Andrade Corvo|João de Andrade Corvo]] (1824 - 1890)
* {{A|Camilo Castelo Branco}} (1825 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Pedro Lopes de Mendonça|António Pedro Lopes de Mendonça]] (1826 - 1865)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Soares de Passos|Soares de Passos]] (1826 - 1860)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Arnaldo Gama|Arnaldo Gama]] (1828 - 1869)
* {{A|Raimundo António de Bulhão Pato}} (1828 - 1912)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernesto Biester|Ernesto Biester]] (1829 - 1880)
* {{A|João de Deus}} (1830 - 1896)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Júlio César Machado|Júlio César Machado]] (1835 - 1890)
* {{A|Ramalho Ortigão}} (1836 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Cardoso Vieira de Castro|José Cardoso Vieira de Castro]] (1837 - 1872)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Penha|João Penha]] (1838 - 1919)
* {{A|Júlio Dinis}} (1839 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fernando Caldeira|Fernando Caldeira]] (1841 - 1894)
* {{A|Pinheiro Chagas}} (1842 - 1895)
* {{A|Antero de Quental}} (1842 - 1891)
* {{A|Teófilo Braga}} (1843 - 1924)
* {{A|Luciano Cordeiro}} (1844 - 1900)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guiomar Torresão|Guiomar Torresão]] (1844 - 1898)
* {{A|Joaquim Pedro de Oliveira Martins}} (1845 - 1894)
* {{A|Eça de Queirós}} (1845 - 1900)
* {{A|Joaquim Pedro de Oliveira Martins}} (1845 - 1894)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sousa Viterbo|Sousa Viterbo]] (1845 - 1910)
* {{A|António Cândido Gonçalves Crespo}} (1846 - 1883)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rafael Bordalo Pinheiro|Rafael Bordalo Pinheiro]] (1846 - 1905)
* {{A|Adolfo Coelho}} (1847 - 1927)
* {{A|Maria Amália Vaz de Carvalho}} (1847 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Gomes Leal|António Gomes Leal]] (1848 - 1921)
* {{A|Francisco Teixeira de Queirós}} (1848 - 1919)
* {{A|Alberto Pimentel}} (1849 - 1925)
* {{A|Guerra Junqueiro}} (1850 - 1923)
* {{A|Gervásio Lobato}} (1850 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís de Magalhães|Luís de Magalhães]] (1850 - 1924)
* {{A|Venceslau de Morais}} (1854 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Gonçalves Zarco da Câmara|João Gonçalves Zarco da Câmara]] (1855 - 1908)
* {{A|Cesário Verde}} (1855 - 1886)
* {{A|Abel Botelho}} (1854 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Marcelino Mesquita|Marcelino Mesquita]] (1856 - 1919)
* {{A|Fialho de Almeida}} (1857 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sampaio Bruno|Sampaio Bruno]] (1857 - 1915)
* {{A|Leite de Vasconcelos}} (1858 - 1941)
* {{A|António Feijó}} (1859 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alfredo Gallis|Alfredo Gallis]] (1859 - 1910)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Teixeira Gomes|Manuel Teixeira Gomes]] (1860 - 1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Francisco Trindade Coelho|José Francisco Trindade Coelho]] (1861 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brito Camacho|Brito Camacho]] (1862 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Nobre|António Nobre]] (1867 - 1900)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul Brandão|Raul Brandão]] (1867 - 1930)
* {{A|Camilo Pessanha}} (1867 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alice Moderno|Alice Moderno]] (1867 - 1946)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eugénio de Castro|Eugénio de Castro]] (1869 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Gil|Augusto Gil]] (1870 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roberto de Mesquita|Roberto de Mesquita]] (1871 - 1923)
* {{A|Ana de Castro Osório}} (1872 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Malheiro Dias|Carlos Malheiro Dias]] (1875 -1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Duro|José Duro]] (1875 - 1899)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Laranjeira|Manuel Laranjeira]] (1877 - 1912)
* {{A|Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos}} (1877 - 1952)
* [[w:Visconde de Vila-Moura|Visconde de Vila-Moura]] (1877 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Afonso Lopes Vieira|Afonso Lopes Vieira]] (1878 - 1946)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Patrício|António Patrício]] (1878 - 1930)
* {{A|Alfredo Pimenta}} (1882 - 1950)
* {{A|Leonardo Coimbra}} (1883 - 1936)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Albino Forjaz de Sampaio|Albino Forjaz de Sampaio]] (1884 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hipólito Raposo|Hipólito Raposo]] (1885 - 1953)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Sardinha|António Sardinha]] (1887 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fidelino de Figueiredo|Fidelino de Figueiredo]] (1888 - 1967)
* {{A|Fernando Pessoa}} (1888 - 1935)
* {{A|Mário de Sá-Carneiro}} (1890 - 1916)
* {{A|Florbela Espanca}} (1894 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Soeiro Pereira Gomes|Soeiro Pereira Gomes]] (1909 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Maria Lisboa|António Maria Lisboa]] (1928 - 1953)
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Galeria:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf
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Erick Soares3
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*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/I|Narizinho]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/II|A Somneca]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/III|O Espirro]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/IV|Aguas Claras]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/V|O Castigo do Sapo]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/VI|No Palacio]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/VII|A Enfermaria]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/VIII|No Palacio Real]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/IX|D. Aranha Costureira]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/X|O Baile]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XI|O Escorpião Negro]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XII|A Coragem da Emilia]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XIII|Depois da Festa]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XIV|Uma Operação do Dr. Caramujo]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XV|A Festa Veneziana]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XVI|A Conspiração]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/XVII|O Castigo]]
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*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/I|Tempo de Jaboticaba]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/II|O Enterro da Vespa]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/III|A Pescaria da Emilia]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/IV|As Formiguinhas]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/V|Pedrinho Pichochoʼ]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/VI|O Presunto de Pernilongo]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/VII|Os Croquetes]]
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*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/IX|O Pichochoʼ]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/X|O Monjolinho]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/XI|Antes do Rabicoʼ]]
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*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/I|No Reino das Abelhas]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/II|O Assalto]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/III|Tom-Mix]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/IV|As Muletas do Besouro]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/V|Saudades]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/VI|O Perdão]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/VII|A Colmeia]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/VIII|A Rainha]]
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)
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Erick Soares3
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{{c|Primeira parte}}
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/I|Narizinho]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/II|A Somneca]]
*[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Primeira parte/III|O Espirro]]
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: É muito fértil em cereais, de toda a espécie, frutas e vinho. Produz madeiras de carvalho e pinho. Comunica com a freguesia de Ferreira pela ponte do Bouço; com a de Linhares, pelo pontão de Gonçalvinho e com a de Infesta, pela ponte ''Nova'' sobre o rio Coura. É tradição que esta ponte foi mandada construir a expensas do já mencionado devoto da Senhora do Livramento. Em 1784 os moradores das freguesias de Formariz e Ferreira reque...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>É muito fértil em cereais, de toda a espécie, frutas e vinho.
Produz madeiras de carvalho e pinho.
Comunica com a freguesia de Ferreira pela ponte do Bouço; com a de Linhares, pelo pontão de Gonçalvinho e com a de Infesta, pela ponte ''Nova'' sobre o rio Coura.
É tradição que esta ponte foi mandada construir a expensas do já mencionado devoto da Senhora do Livramento.
Em 1784 os moradores das freguesias de Formariz e Ferreira requereram à Rainha D. Maria 1.ª Provisão para construir esta ponte e ''fintar'' aqueles que transitassem por ela, e devia ser lançada no «''Porto das Vaccas''».
A Rainha mandou informar o Corregedor de Viana<ref>Esta petição, com o despacho da Rainha, está em meu poder.</ref>.
Isto, porém, não obsta àquela tradição, pois podia o custeio da obra ser pago pelo devoto, embora a licença para ela fosse promovida pelos povos mais directamente interessados.
{{c|---}}
Ao norte desta freguesia está o monte do ''Crasto'', onde se encontram restos de fortificação; e, na sua encosta norte, vê-se um bloco natural, granítico, em que está aberta uma pequena pia circular, chamada dos ''quatro abades'', porque ela é limite comum às freguesias de Formariz, Ferreira, Mozelos e Padornelo.
Esta freguesia é paroquiada pelo abade Rev. António Luís da Cunha Coutinho, da casa das Encouradas.
Antes deste, foi seu abade o Rev. Francisco José da Cunha, que contava 91 anos quando faleceu, e que a paroquiou durante 46!
Os lugares principais são: ''Vale, Ribeiro, Vilameá, Encouradas, Armilo, Carvalhas, Portelinha, Monte, Outeiro, Estrada, Burgo, Lajas, Cidade, Agrela, Paço, Maceira e Reirigo''.
{{c|---}}
Lê-se no Foral de D. Manuel que cada morador pagava um alqueire de centeio para o Castelo de Fraião, pelo direito de apascentar os gados nos seus montados, mas eram isentos deste foro aqueles que não usassem deste direito.
No mesmo diploma se lê mais que - o ''Casal do Castelo de Fraião'', era d'El-Rei<ref>''Foral de D. Manuel'', na freguesia de Formariz.</ref>.
Havia nesta freguesia muitos casais foreiros ao convento de Ganfei (Valença), entre eles os do ''Outeiro'', de ''Armilo'', de ''Rui Capão'', de ''Gonçalo Capão'', de ''Beatriz Enes'',de ''Vila-Meā'' e outros.
E no códice, n.º 412, do mesmo Convento, fala-se do prazo de ''Casal-de-Eirigo'' (hoje - ''Casaldrigo''), no lugar do Vale.
Segundo as ''Inquirições'' de D. Afonso III, havia quatro casais que pagavam «''fossadeira''» (9 dinheiros) e os moradores eram obrigados a ir à «''anuduva''» e «''entroviscada''»: pagavam «''loitosa''» (lutuosa) e davam de comer ao Mordomo de El-Rei.
Há nesta freguesia um sítio, chamado - ''Penices'' -<ref>«''Penices''» parece ser derivação de - ''penedices''.</ref>, onde o rio Coura desaparece, escuando-se e fazendo um
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>exclamou a menina, desconfiada. Mas vou
espiar, e si não fôr verdade, você me paga!.
E disparou em direcção da porteira
Procura que procura, achou logo, á beira
dum tijuco, uma pobre minhoca corcoveando com varias formiguinhas no lombo.
Teve vontade de libertar a prisioneira,
mas a curiosidade de vêr o que acontecia
foi maior, e lá deixou a minhoca entregue
ao seu triste destino.
Novas formiguinhas foram chegando
que, de um bote — ''zás!'', ferravam a minhoca, duma vez ! Não demorou muito e já
eram mais de vinte. A minhoca, cançada de
corcovear, foi molleando o corpo e acabou
morrendo. As formiguinhas, então, começaram a arrastal-a para o formigueiro. Que
custo! A bicha
pesava umas sete
arrobas — arrobinhas de formiga — gorda que
estava, e ia enganchando pelo
caminho em quanto pedregulho ou capim
havia; mas as carregadeiras, pacientes, davam volta a todos os embaraços e lá iam.
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>exclamou a menina, desconfiada. Mas vou
espiar, e si não fôr verdade, você me paga!.
E disparou em direcção da porteira
Procura que procura, achou logo, á beira
dum tijuco, uma pobre minhoca corcoveando com varias formiguinhas no lombo.
Teve vontade de libertar a prisioneira,
mas a curiosidade de vêr o que acontecia
foi maior, e lá deixou a minhoca entregue
ao seu triste destino.
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Novas formiguinhas foram chegando
que, de um bote — ''zás!'', ferravam a minhoca, duma vez ! Não demorou muito e já
eram mais de vinte. A minhoca, cançada de
corcovear, foi molleando o corpo e acabou
morrendo. As formiguinhas, então, começaram a arrastal-a para o formigueiro. Que
custo! A bicha
pesava umas sete
arrobas — arrobinhas de formiga — gorda que
estava, e ia enganchando pelo
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Afinal, depois de meia hora de trabalheira, deram com a minhoca em casa. Mas
aqui nova atrapalhação. Não havia geito de
recolher a minhoca inteira. E agora ? Nisto
appareceu a formiga mandona, examinou o
caso e deu ordem para que a picassem em
doze pedacinhos.
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Aquillo foi ''zás-traz !'' Em tres tempos,
em vez de minhoca havia no
chão uma duzia de roletes
de carne. Cada lote de tres
formigas arrastou um rolete, de
modo que, num
instante, a carnaria toda soverteu pelo buraquinho a dentro.
— Sim, senhora ! exclamou a menina.
Servicinho limpo ! Mas o demo queira ser
minhoca neste quintal...
— Bem feito ! disse Emilia. Quem mandeu a minhoca ser abelhuda ? Si estivesse
quietinha, como as outras, lá dentro da terra, não aconteceria nada. Bem feito !
— Você diz isso porque é de panno e
não sabe o que é dôr... concluiu Narizinho,
compassivamente.
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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/233
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: percurso de 200 metros por baixo de pedras, que ocupam o seu leito naquela extensão. {{c|---}} O cruzeiro da confraria de N. Senhora do Livramento, junto da estrada municipal, e próximo da fonte da Maceira, foi transferido para ali do monte da Capela, no ano de 1906. -- imagem -- Edificio da Escola de Formariz Esta freguesia tem escola para o sexo masculino, com casa própria, do modelo oficial do arquitecto sr. Adães Bermudes....
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>percurso de 200 metros por baixo de pedras, que ocupam o seu leito naquela extensão.
{{c|---}}
O cruzeiro da confraria de N. Senhora do Livramento, junto da estrada municipal, e próximo da fonte da Maceira, foi transferido para ali do monte da Capela, no ano de 1906.
-- imagem --
Edificio da Escola de Formariz
Esta freguesia tem escola para o sexo masculino, com casa própria, do modelo oficial do arquitecto sr. Adães Bermudes.
No dia 27 de Outubro, de 1907, inaugurou-se nela uma ''Caixa Económica Escolar'', presidindo à sessão o sr. Álvaro de Lemos, Alferes do Regimento de Infantaria n.º 3, e fervoroso propagandista da instrução primária.
Esta ''Caixa'' é comum às freguesias de Formariz e Ferreira.
Pelas suas prosperidades, os meus melhores votos.
{{c|---}}
Na guerra da ''Restauração'', quando este concelho foi escolhido para base de operações contra os galegos, serviu de ''paiol'' a Igreja desta freguesia (deve entender-se a sua sacristia).
{{c|---}}
'''{{c|INFESTA}}'''
'''{{c|<small>Padroeiro S. Tiago-maior. População, 819 habitantes, sendo 350 do sexo masculino e 469 do feminino</small>}}'''
''Infesta'' quer dizer-terra em ladeira.
Dantes escrevia-se - ''Enfesta''<ref>«Inquirições» de D. Afonso III, 1.º vol., pág. 160, e Foral de D. Manuel.</ref>.
''Foneticamente'', infesta ou enfesta soam como - «''em festa''»: e, de facto, uma das linhas características do seu povo é ser alegre, cortez, polido e urbano, traduzindo no trato social a paisagem saltitante e sorridente da sua terra. Até se distingue doutras freguesias pela sua «''veia muzical''», que, de longa data, cultiva com apreciável vocação.
É ver: muitos dos trabalhos campestres são pretexto para a população rural desta freguesia exibir as suas canções, gorgeadas por vozes argentinas, como soe dizer-se.
Como a natureza é pródiga de compensações!
Trabalhar e... cantar.
Uma vaga de suor... e uma estrofe.
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Segunda parte/IV
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=88 to=93 fromsection="Cap. 4" notas="Ver também: [[Revista do Brasil/Nº 61/Volume 16/Lucia|Lucia, ou A Menina do Narizinho Arrebitado]]" header=1/> {{PD-old-70-BR}} {{Modernização}}
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<pages index="Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf" from=88 to=93 fromsection="Cap. 4" notas="Ver também: [[Revista do Brasil/Nº 61/Volume 16/Lucia|Lucia, ou A Menina do Narizinho Arrebitado]]" header=1/>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O arado, fendendo a terra: a lira popular, revoando no espaço! Lutar, cantando, para viver... sofrendo. É assim a grande população agrícola: geme no tugúrio e gorgeia na campina. Pede à terra pão e paga-lho em baladas. A eterna criança - o povo dos campos - acaricia a terra, para que lhe dê a próvida apojadura dos seus seios. Maravilhoso! Fale, porém, o inclito filho desta aldeia, que tanto a vem enobrecendo, o Sr. Tenente Corone...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>O arado, fendendo a terra: a lira popular, revoando no espaço!
Lutar, cantando, para viver... sofrendo.
É assim a grande população agrícola: geme no tugúrio e gorgeia na campina.
Pede à terra pão e paga-lho em baladas.
A eterna criança - o povo dos campos - acaricia a terra, para que lhe dê a próvida apojadura dos seus seios.
Maravilhoso!
Fale, porém, o inclito filho desta aldeia, que tanto a vem enobrecendo, o Sr. Tenente Coronel Cunha Brandão:
«Cercada por pequenos montes, que graciosamente a emolduram pelo nascente, sul e poente, é limitada ao norte pelo rio Coura, que a separa de Linhares e Formariz
Em Riba-Coura, como se lhe chama à parte setentrional da freguesia, há digno de menção o sítio de ''Pena-Cabrão'', que faz recordar um ''cromlek'' dos tempos pré-históricos por ligeiros pontos de contacto com esta espécie de monumentos megalíticos.
«''Pena-Cabrão''» quer dizer - ''rocha para cabras'', ou ''por onde andam cabras'', e é bem apropriada a designação.
Descobre-se deste penhasco um horizonte pouco desafogado, mas sem dúvida interessante: na frente depara-se ao observador o ''Crasto de Bruzendes''; mais distante, o padrasto da Cividade em Cossourado, mandado fortificar pelos romanos para proteger a estrada militar, que passava ao sopé; para o norte, Linhares, Ferreira e Formariz, em formoso anfiteatro pelos contrafortes meridionais da Boulhosa.
Desde a margem esquerda do rio até Pena-Cabrão o terreno sobe em declive muito rápido; mas dali até à Portela, que antigos códices chamam de D. Elvira, o percurso, de cerca de três quilómetros, é em declive suave.
A leste da Portela está o cabeço de ''Montezelo''<ref>Nós opinamos por - Montezelo - «''monte pequeno''», como indica o seu sufixo - elo.</ref> que
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Igreja de Infesta
o povo chama de ''Montozêlo'' e alguns eruditos ''Ventozêlo'', a cujo cume vale bem a pena subir.
Que encanto! Que extraordinária impressão de deslumbramento!
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — Tendes rasão, disse então o engenheiro Murchison, devemos afastar-nos quanto possivel dos lençoes de agua na direcção da brocagem; entretanto se encontrarmos nascentes, não é mal sem remedio, ou havemos de esgota-las com machinas, ou desvia-las. É caso diverso dos poços artesianos<ref>Gastaram-se nove annos para abrir o poço de Grenelle, que tem quinhentos e quarenta e sete metros de altura.</ref>, estreitos e escuros, onde verruma, cubo...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|119|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Tendes rasão, disse então o engenheiro Murchison, devemos afastar-nos quanto possivel dos lençoes de agua na direcção da brocagem; entretanto se encontrarmos nascentes, não é mal sem remedio, ou havemos de esgota-las com machinas, ou desvia-las. É caso diverso dos poços artesianos<ref>Gastaram-se nove annos para abrir o poço de Grenelle, que tem quinhentos e quarenta e sete metros de altura.</ref>, estreitos e escuros, onde verruma, cubo e sonda, toda a ferramenta do perfurador, em summa, trabalha ás escuras. Aqui não. Havemos de trabalhar com o céu á vista, á luz do dia, com o alvião e picareta em punho; e com o auxilio de algumas minas, a tarefa ha de ir andando com rapidez.
— Todavia, replicou Barbicane, se pela elevação do solo ou pela natureza do terreno podérmos evitar a luta com as aguas subterraneas, mais rapido e perfeito ha de ser o trabalho: tratemos pois de abrir fosso em terreno situado a algumas centenas de toezas acima do nivel do mar.
— Tem rasão, senhor Barbicane, e se me não engano, dentro em pouco havemos de achar sitio adequado.
— Ai! o que eu queria era ouvir já a primeira enxadada, disse o presidente.
— E eu a ultima! exclamou J.-T. Maston.
— Lá havemos de chegar, senhores, e acreditem que a companhia da fabrica Goldspring não ha de ter que pagar-lhe a multa por mora.
— Por Santa Barbara! que deveis ter rasão! replicou J.-T. Maston; cem dollars por dia até que a Lua volte a estar nas mesmas condições, isto é, durante dezoito annos e onze dias, vem a dar, como bem deveis saber, seiscentos e cincoenta e oito mil e cem dollars<ref>Seiscentos quarenta e dois contos, quarenta e dois mil trezentos e sessenta réis.</ref>?
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — Não, senhor, nem o sabemos, respondeu o engenheiro, nem havemos de ter necessidade de que no-lo façam saber.» Por volta das dez horas da manhã; já o pequeno rancho tinha andado a sua duzia de milhas: ás campinas ferteis succedêra a região das florestas. Desenvolviam-se ali com profusão tropical as mais variadas essencias. Eram formadas aquellas quasi impenetraveis florestas de romeiras, laranjeiras, limoeiros, figueiras, oliveiras, dama...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|120|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Não, senhor, nem o sabemos, respondeu o engenheiro, nem havemos de ter necessidade de que no-lo façam saber.»
Por volta das dez horas da manhã; já o pequeno rancho tinha andado a sua duzia de milhas: ás campinas ferteis succedêra a região das florestas. Desenvolviam-se ali com profusão tropical as mais variadas essencias. Eram formadas aquellas quasi impenetraveis florestas de romeiras, laranjeiras, limoeiros, figueiras, oliveiras, damasqueiros, bananeiras, e grandes cepas de vinha, cujos fructos e flores rivalisavam em colorido e perfume. Á fragrante sombra dʼaquellas magnificas arvores cantavam e esvoaçavam numerosissimas aves pintadas de brilhantes côres, entre as quaes se distinguiam mais particularmente as garças americanas, cujo ninho deveria ser um guarda-joias para ser digno dʼaquellas preciosidades empennadas.
J.-T. Maston e o major não podiam ter diante de si tão opulenta natureza sem lhe admirar as esplendidas bellezas.
Mas o presidente Barbicane é que era pouco sensivel a tantas maravilhas, e estava com pressa de proseguir, porque região tão fertil por sua mesma fertilidade lhe desagradava. Não era hydroscopo<ref>Em termo vulgar, vedor.{{right|''(Nota do traductor.)''}}</ref>, mas apesar dʼisso presentia a agua debaixo dos pés, porque debalde procurava signaes de aridez incontestavel.
Entretanto íam avançando; tiveram de passar a vau alguns rios, e não sem perigo, que os caïmans de quinze a dezoito pés de comprimento abundam por aquelles logares. J.-T. Maston ameaçava-os atrevidamente com a temivel ganchorra, mas não conseguia atemorisar senão pelicanos, narsejas e phaetontes, selvagens habitantes dʼaquellas margens. Té os grandes flamingos côr de rosa o olhavam com ar de estupidez.
Por fim aquelles habitantes das regiões humidas tambem foram desapparecendo; já as arvores, menos grossas, appareciam rareadas<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: das em matas menos espessas; alguns grupos isolados se destacavam nas infinitas planuras onde perpassavam em manadas os gamos assustados. «Até que emfim! exclamou Barbicane, levantando-se nos estribos, chegámos á região dos pinheiros. — Que é tambem a dos selvagens,» respondeu o major. E viam-se na verdade no horisonte alguns seminólas; agitavam-se, corriam de uns para os outros nos rapidos corseis, brandindo compridas lanças ou descarr...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|121|borda_inferior=sim}}</noinclude>das em matas menos espessas; alguns grupos isolados se destacavam nas infinitas planuras onde perpassavam em manadas os gamos assustados.
«Até que emfim! exclamou Barbicane, levantando-se nos estribos, chegámos á região dos pinheiros.
— Que é tambem a dos selvagens,» respondeu o major.
E viam-se na verdade no horisonte alguns seminólas; agitavam-se, corriam de uns para os outros nos rapidos corseis, brandindo compridas lanças ou descarregando as espingardas de detonação surda de que costumam usar. Tambem ficaram-se nʼestas demonstrações de hostilidade, sem mais inquietar Barbicane e companheiros.
Estes estavam collocados no meio de um plaino pedregoso, local vasto e descoberto, de grande numero de acres de extensão, que o sol inundava com raios abrazadores. Era este plaino formado por uma grande entumescencia de terreno, que parecia offerecer aos socios do Gun-Club todas as condições requeridas para a collocação da Columbiada.
«Alto! disse Barbicane, parando. Este sitio tem nome cá no paiz?
— Chama-se Stoneʼs Hill<ref>Collina das pedras.</ref>,» respondeu um dos da Florida.
Barbicane, sem dizer mais palavra, apeou-se, pegou dos instrumentos e começou a determinar a posição com grande precisão; o pequeno rancho reunido em volta dʼelle olhava-o em profundo silencio.
Nʼaquelle momento passava o sol pelo meridiano. Barbicane, passados instantes, escreveu rapidamente o resultado da observação que fizera e disse:
«Este logar está situado a trezentas toezas acima do nivel do<noinclude>{{smallrefs}} {{right|16}}</noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|122|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude><section begin="Cap. 13"/>mar, a 27° 7ʼ de latitude e a 5° 7ʼ de longitude oeste<ref>A contar do meridiano de Washington. A differença para o meridiano de Lisboa é de 67° 56ʼ 31",35. Esta longitude é portanto, em relação ao meridiano de Lisboa 73° 3ʼ 31",35 O.{{right|''(Nota do traductor''}}</ref>; afigura-se-me que a sua natureza arida e penhascosa apresenta todas as condições favoraveis para a experiencia; será portanto nʼesta planura que havemos de construir armazens, officinas, fornos, cabanas para operarios, e será dʼaqui, dʼaqui mesmo, repetiu batendo com o pé no vertice de Stoneʼs-Hill, que o nosso projectil ha de alar-se para os espaços do mundo solar!»
{{dhr|4}}
<section end="Cap. 13"/>
<section begin="Cap. 14"/>{{t2|{{smaller|ALVIÃO E TROLHA}}|'''CAPITULO XIV'''}}
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Nʼaquella mesma noite voltava Barbicane e companheiros a Tampa-Town, e o engenheiro Murchison tornava a embarcar no ''Tampico'' para Nova Orleans. Tinha de engajar ali um exercito de operarios, e de trazer comsigo, no regresso, a maior parte do material. Os socios do Gun-Club ficaram em Tampa-Town, para organisarem os primeiros trabalhos com o auxilio da gente do paiz.
Oito dias depois do da partida, voltava o ''Tampico'' á bahia do Espirito Santo acompanhado de uma esquadrilha de barcos de vapor. Murchison tinha conseguido angariar mil e quinhentos trabalhadores. Nas tristes epochas da escravidão todo o tempo e trabalho que se empregasse em tal empenho teria sido perdido.<section end="Cap. 14"/><noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''8''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> na Garça, ſem fazer pontas a hũa, nem<br/> a outra parte, ſubio direito a ella, e ſen-<br/> do já taõ alto, que os outros falcoens<br/> o viraõ, deixaraõ a Garça, vindo-ſe to-<br/> dos a elle, aſſi como a inimigo mortal,<br/> e começaraõ hũa batalha mui crua pera<br/> ſuas carnes, ferindo cada hum rijamente<br/> por onde podiaõ alcançar a Bronay, mas<br/> elle...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>'''8''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/>
na Garça, ſem fazer pontas a hũa, nem<br/>
a outra parte, ſubio direito a ella, e ſen-<br/>
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o viraõ, deixaraõ a Garça, vindo-ſe to-<br/>
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ſuas carnes, ferindo cada hum rijamente<br/>
por onde podiaõ alcançar a Bronay, mas<br/>
elle contra tanta multidaõ ás vezes ſe de-<br/>
fendia, e outras offendia, ajudando-ſe<br/>
das armas, que lhe a natureza dera. E<br/>
andando aſſi todos baralhados, e ElRei<br/>
mui agaſtado por quam pouco ſoccorro<br/>
lhe podia dar, começou a Garça a pôr-<br/>
ſe da ſua banda, ferindo aos outros fal-<br/>
coens gravemente, e elle com eſte favor;<br/>
e ajuda cobrou tanto esſorço, que em<br/>
pequeno eſpaço, hum, e hum, os lan-<br/>
çou todos eſpedaçados aos pés do caval-<br/>
lo, em que ElRei eſtava: do que ficou<br/>
mui eſpantado, e muito mais quando<br/>
vio, que a Garça era feita ſua contra-<br/>
ria, e com grande vontade, e mór crue-<br/>
za do que os outros falcoens fizeraõ, ſe<br/>
andavaõ ferindo. E tanto tempo ſe mal-<br/>
trataraõ, que já canſados e de todalas<br/>
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Da Terra á Lua/XIII
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Erick Soares3
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Da Terra á Lua.pdf" from=111 to=121 fromsection="Cap. 13" tosection="Cap. 13" header=1/> {{rule|5em|align=left}} {{Smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:From the Earth to the Moon/Chapter XIII]] [[be:З пушкі на Луну/Ад Зямлі да Луны/XIII]] [[it:Dalla Terra alla Luna/Capitolo XIII]]
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Strudel45
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''9'''<br/> ſem mais delles parecer, que hum fer-<br/> vor, que ſubitamente ſe levantou n'agoa,<br/> em tanta quantidade temeroſo, que os<br/> olhos, que tal caſo viraõ, naõ ſe delei-<br/> tavaõ muito em no olhar, com que fi-<br/> caraõ todos mui triſtes, naõ ſabendo a<br/> cauſa de tamanha novidade. E como a<br/> humana natureza couſas taõ prodigioſas<br/> mais atribue a mal, que a contentamen-<br/> to ſ...
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pera a Cidade praticando naquelle novo<br/>
acontecimento, encontrou muita gente<br/>
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va de outra maior deſaventura, dizen-<br/>
do Senhor, acudi a voſſa Cidade Segu-<br/>
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mui poderoſas, e deſtruio todalas Náos,<br/>
e Navios, que nelle eſtavaõ, ſem alguem<br/>
poder a iſſo reſiſtir: ſómente o Conde<br/>
Drongel, que ſahio a elle com eſſa gen-<br/>
te, que mais preſtes achou e a Rainha<br/>
eſtá recolheita na maior fortaleza do<br/>
Caſtello. ElRei com eſta nova de maior<br/>
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zeſſe, com ſua preſença o remediaſſe :<br/>
mas<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Fomos ali há pouco, numa tarde de Agosto. Os ardores do sol iam amaciando com a inclinação do astro radioso sobre o poente, onde se divisavam ''stratus'' de uma cor fulgurante, em parte esbatidos. Perante os nossos olhos, graças à diafaneidade da atmosfera e à luz, ainda bastante intensa, que a banhava, desenrolava-se, brilhante, a paisagem. Lá para o norte os serros ásperos da Velha Galiza que pareciam tapetar a cúpula anilada do cé...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Fomos ali há pouco, numa tarde de Agosto. Os ardores do sol iam amaciando com a inclinação do astro radioso sobre o poente, onde se divisavam ''stratus'' de uma cor fulgurante, em parte esbatidos.
Perante os nossos olhos, graças à diafaneidade da atmosfera e à luz, ainda bastante intensa, que a banhava, desenrolava-se, brilhante, a paisagem.
Lá para o norte os serros ásperos da Velha Galiza que pareciam tapetar a cúpula anilada do céu. Para o sueste um castelo de blocos colossais<ref>O «''Corno de Bico''».</ref>, de granito, como que sugestionando que seria ali que os titans mitológicos iniciaram a escalada do Olimpo.
Para nordeste a «''Pena''», alcandorada das penedias da Boulhosa, ora amimada pelos beijos cariciosos de uma viração suave, ora impiedosamente fustigada pelas rajadas ásperas da tempestade.
Pelas quebradas e socalcos, pelas colinas recostadas nos contrafortes dos montes, as casas brancas, muito brancas algumas, faíscando aos raios do sol, parecendo rir-se para nós. No vale estreito, lá em baixo, em percurso caprichoso, que mal vemos, o rio, cujo sussurro chega, embora fraco, até nós, agora deslisando tranquilo, mas às vezes feroz, mordendo raivoso as rochas do leito ou das margens alcantiladas.
Por toda a parte, marchetada em deleitosos cambiantes uma vegetação luxuriante, em que predomina a cor verde, a cor da esperança.
Que empolgante quadro para quem possue o senso estético dos coloridos!
Que terno enlevo absorve os nossos sentidos perante tanta beleza! Como o nosso espírito, sempre ávido de sensações emocionantes, agora maravilhado perante estas prodigalidades da natureza, se evola, súplice, até Deus!
..............................................................................
Como povoação, Infesta deve ser muito antiga. Nós, porém, só encontramos as primeiras notícias dela nas ''Inquirições'' de D. Afonso III (século XIII).
É ali designada por ''Collactio Sancti Jacobi da Enfesta'', e era então seu pároco Fernando Nunes.
Da antiguidade, a que acabamos de aludir, parece haver provas, embora fracas. Constitui-as o local ainda hoje chamado ''Antônhas'', noutro tempo ''Antinhas''<ref>Esta informação consta de uma escritura de prazo feita em 7 de Janeiro de 1757 pelo procurador dos beneditinos de Ganfei a Francisco da Cunha, do lugar da Cruz. Lê-se ali... «leiras chamadas Antonhas, que antigamente se chamavam das Antinhas. (Códice 420 de Ganfei, na Torre do Tombo).</ref> o que parece implicar ter sido habitada nos tempos pré-históricos, pois, como se sabe, chamavam-se ''antas'', na opinião de doutos arqueólogos, uns monumentos megalíticos, consagrados naqueles tempos aos mortos.
Nas referidas ''Inquirições'' também se fala de «''Porta da Cividade''» e «''Cividade''», o que leva a presumir que por aqui existisse alguma povoação romana ou de outro povo antigo<ref>Citam-se igualmente os locais de ''Roriz'', ''Pelagio'', ''Frogiaz'', et., que parecem de procedència sueva ou goda.</ref>.
''Infesta'' figura no Foral de D. Manuel (concedido a Coura em 2 de Junho de 1515), onde se faz um arrolamento das propriedades foreiras à Coroa. Não há ali nada de notável e a prova é que apenas tomamos nota de que o lugar hoje chamado ''Terrio'' ou ''Tarrio'' é ali designado por
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Fomos ali há pouco, numa tarde de Agosto. Os ardores do sol iam amaciando com a inclinação do astro radioso sobre o poente, onde se divisavam ''stratus'' de uma cor fulgurante, em parte esbatidos.
Perante os nossos olhos, graças à diafaneidade da atmosfera e à luz, ainda bastante intensa, que a banhava, desenrolava-se, brilhante, a paisagem.
Lá para o norte os serros ásperos da Velha Galiza que pareciam tapetar a cúpula anilada do céu. Para o sueste um castelo de blocos colossais<ref>O «''Corno de Bico''».</ref>, de granito, como que sugestionando que seria ali que os titans mitológicos iniciaram a escalada do Olimpo.
Para nordeste a «''Pena''», alcandorada das penedias da Boulhosa, ora amimada pelos beijos cariciosos de uma viração suave, ora impiedosamente fustigada pelas rajadas ásperas da tempestade.
Pelas quebradas e socalcos, pelas colinas recostadas nos contrafortes dos montes, as casas brancas, muito brancas algumas, faíscando aos raios do sol, parecendo rir-se para nós. No vale estreito, lá em baixo, em percurso caprichoso, que mal vemos, o rio, cujo sussurro chega, embora fraco, até nós, agora deslisando tranquilo, mas às vezes feroz, mordendo raivoso as rochas do leito ou das margens alcantiladas.
Por toda a parte, marchetada em deleitosos cambiantes uma vegetação luxuriante, em que predomina a cor verde, a cor da esperança.
Que empolgante quadro para quem possue o senso estético dos coloridos!
Que terno enlevo absorve os nossos sentidos perante tanta beleza! Como o nosso espírito, sempre ávido de sensações emocionantes, agora maravilhado perante estas prodigalidades da natureza, se evola, súplice, até Deus!
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Como povoação, Infesta deve ser muito antiga. Nós, porém, só encontramos as primeiras notícias dela nas ''Inquirições'' de D. Afonso III (século XIII).
É ali designada por ''Collactio Sancti Jacobi da Enfesta'', e era então seu pároco Fernando Nunes.
Da antiguidade, a que acabamos de aludir, parece haver provas, embora fracas. Constitui-as o local ainda hoje chamado ''Antônhas'', noutro tempo ''Antinhas''<ref>Esta informação consta de uma escritura de prazo feita em 7 de Janeiro de 1757 pelo procurador dos beneditinos de Ganfei a Francisco da Cunha, do lugar da Cruz. Lê-se ali... «leiras chamadas Antonhas, que antigamente se chamavam das Antinhas. (Códice 420 de Ganfei, na Torre do Tombo).</ref> o que parece implicar ter sido habitada nos tempos pré-históricos, pois, como se sabe, chamavam-se ''antas'', na opinião de doutos arqueólogos, uns monumentos megalíticos, consagrados naqueles tempos aos mortos.
Nas referidas ''Inquirições'' também se fala de «''Porta da Cividade''» e «''Cividade''», o que leva a presumir que por aqui existisse alguma povoação romana ou de outro povo antigo<ref>Citam-se igualmente os locais de ''Roriz'', ''Pelagio'', ''Frogiaz'', et., que parecem de procedència sueva ou goda.</ref>.
''Infesta'' figura no Foral de D. Manuel (concedido a Coura em 2 de Junho de 1515), onde se faz um arrolamento das propriedades foreiras à Coroa. Não há ali nada de notável e a prova é que apenas tomamos nota de que o lugar hoje chamado ''Terrio'' ou ''Tarrio'' é ali designado por
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: - ''tralo Rio'', ou seja - ''a trás do rio'', o insignificante regato que nasce em Castiçonha e vai morrer no Coura em frente de Bruzendes. ............................................................................................ No sítio das ''Lages d'Agua d'Alto'' é digno de ver-se o espectáculo que este rio (o da Valsa) oferece no inverno, em ocasião de cheia. As águas resvalam, impetuosas, por um talude de granito, extenso, e...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>- ''tralo Rio'', ou seja - ''a trás do rio'', o insignificante regato que nasce em Castiçonha e vai morrer no Coura em frente de Bruzendes.
............................................................................................
No sítio das ''Lages d'Agua d'Alto'' é digno de ver-se o espectáculo que este rio (o da Valsa) oferece no inverno, em ocasião de cheia. As águas resvalam, impetuosas, por um talude de granito, extenso, e em declive rápido, que termina por um corte abrupto, donde as águas se precipitam em um poço profundo (''Cfr.'' cap. III).
O sussurro originado pela queda ouve-se a grande distância, como a grande distância se distingue a nuvem de vapor que se eleva acima do poço.
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A igreja, de uma só nave, é modesta.
Sofreu grandes reparações no tempo do falecido abade Clemente da Cunha, que foi incansável em promover o seu aformoseamento<ref>A pedido do falecido Par do Reino Miguel Dantas o Estado subsidiou a reconstrução desta igreja com a importante verba de 1.000$000 réis. (''Nota do autor'').</ref>. O campanário, de belo estilo arquitectónico, desperta a atenção pela sua altura e elegância. É defendido por um pára-raios.
Um dos altares, da invocação do Menino Jesus, goza de privilégio plenário, que lhe foi concedido pelo papa Pio VI em Breve de 28 de Maio de 1783. São de valor artístico as imagens de Nossa Senhora do Carmo, S. Roque e S. Francisco.
Na capela do Sacramento está, devidamente, uma campa de granito, sob a qual repousam os restos mortais da mãe do abade Clemente.
Há na freguesia as capelas de ''S. Sebastião'' e de ''Nossa Senhora da Conceição'', aquela em Roriz e esta em Tarrio. São públicas e nelas se festejam as respectivas imagens em Julho e Agosto<ref>A da Conceição, depois das reparações feitas no século XVIII, foi benzida no dia 8 de Setembro de 1776. (''Nota do autor'').</ref>.
Capelas particulares há as de ''S. Bento'', de ''Santo António'', e de ''Nossa Senhora da Graça''. A primeira, no Pedroso, deveu a sua erecção, no século XVIII, ao reverendo Miguel Pereira, ilustrado filho da terra e abade de Cristelo de Caminha, o qual tinha grande devoção pelo prestigioso fundador do célebre cenóbio do Monte Cassino; a de Santo António, cujo altar é de talha, pertence à antiga Casa do Freixieiro e foi mandada construir, no mesmo século, por Manuel Pereira Barbosa; e, finalmente, a de Nossa Senhora da Graça, em Couró, foi mandada construir, em 1835, pelo padre Manuel da Cunha Mendes de Sousa que residiu numa casa próxima.
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''{{c|NOBREZA EM INFESTA}}''
{{c|CASA DO PAÇO}}
Em Infesta, como nas demais freguesias do concelho, houve muitas famílias ilustres, das quais há mais ou menos vestígios.
Algumas viveram em casas sumptuosas, entre as quais se destacou o ''Paço do Outeiro''.
Existiu esta casa notável ao poente do lugar de
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>- ''tralo Rio'', ou seja - ''a trás do rio'', o insignificante regato que nasce em Castiçonha e vai morrer no Coura em frente de Bruzendes.
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No sítio das ''Lages d'Agua d'Alto'' é digno de ver-se o espectáculo que este rio (o da Valsa) oferece no inverno, em ocasião de cheia. As águas resvalam, impetuosas, por um talude de granito, extenso, e em declive rápido, que termina por um corte abrupto, donde as águas se precipitam em um poço profundo (''Cfr.'' cap. III).
O sussurro originado pela queda ouve-se a grande distância, como a grande distância se distingue a nuvem de vapor que se eleva acima do poço.
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A igreja, de uma só nave, é modesta.
Sofreu grandes reparações no tempo do falecido abade Clemente da Cunha, que foi incansável em promover o seu aformoseamento<ref>A pedido do falecido Par do Reino Miguel Dantas o Estado subsidiou a reconstrução desta igreja com a importante verba de 1.000$000 réis. (''Nota do autor'').</ref>. O campanário, de belo estilo arquitectónico, desperta a atenção pela sua altura e elegância. É defendido por um pára-raios.
Um dos altares, da invocação do Menino Jesus, goza de privilégio plenário, que lhe foi concedido pelo papa Pio VI em Breve de 28 de Maio de 1783. São de valor artístico as imagens de Nossa Senhora do Carmo, S. Roque e S. Francisco.
Na capela do Sacramento está, devidamente, uma campa de granito, sob a qual repousam os restos mortais da mãe do abade Clemente.
Há na freguesia as capelas de ''S. Sebastião'' e de ''Nossa Senhora da Conceição'', aquela em Roriz e esta em Tarrio. São públicas e nelas se festejam as respectivas imagens em Julho e Agosto<ref>A da Conceição, depois das reparações feitas no século XVIII, foi benzida no dia 8 de Setembro de 1776. (''Nota do autor'').</ref>.
Capelas particulares há as de ''S. Bento'', de ''Santo António'', e de ''Nossa Senhora da Graça''. A primeira, no Pedroso, deveu a sua erecção, no século XVIII, ao reverendo Miguel Pereira, ilustrado filho da terra e abade de Cristelo de Caminha, o qual tinha grande devoção pelo prestigioso fundador do célebre cenóbio do Monte Cassino; a de Santo António, cujo altar é de talha, pertence à antiga Casa do Freixieiro e foi mandada construir, no mesmo século, por Manuel Pereira Barbosa; e, finalmente, a de Nossa Senhora da Graça, em Couró, foi mandada construir, em 1835, pelo padre Manuel da Cunha Mendes de Sousa que residiu numa casa próxima.
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'''{{c|NOBREZA EM INFESTA}}'''
{{c|CASA DO PAÇO}}
Em Infesta, como nas demais freguesias do concelho, houve muitas famílias ilustres, das quais há mais ou menos vestígios.
Algumas viveram em casas sumptuosas, entre as quais se destacou o ''Paço do Outeiro''.
Existiu esta casa notável ao poente do lugar de
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>- ''tralo Rio'', ou seja - ''a trás do rio'', o insignificante regato que nasce em Castiçonha e vai morrer no Coura em frente de Bruzendes.
............................................................................................
No sítio das ''Lages d'Agua d'Alto'' é digno de ver-se o espectáculo que este rio (o da Valsa) oferece no inverno, em ocasião de cheia. As águas resvalam, impetuosas, por um talude de granito, extenso, e em declive rápido, que termina por um corte abrupto, donde as águas se precipitam em um poço profundo (''Cfr.'' cap. III).
O sussurro originado pela queda ouve-se a grande distância, como a grande distância se distingue a nuvem de vapor que se eleva acima do poço.
{{c|---}}
A igreja, de uma só nave, é modesta.
Sofreu grandes reparações no tempo do falecido abade Clemente da Cunha, que foi incansável em promover o seu aformoseamento<ref>A pedido do falecido Par do Reino Miguel Dantas o Estado subsidiou a reconstrução desta igreja com a importante verba de 1.000$000 réis. (''Nota do autor'').</ref>. O campanário, de belo estilo arquitectónico, desperta a atenção pela sua altura e elegância. É defendido por um pára-raios.
Um dos altares, da invocação do Menino Jesus, goza de privilégio plenário, que lhe foi concedido pelo papa Pio VI em Breve de 28 de Maio de 1783. São de valor artístico as imagens de Nossa Senhora do Carmo, S. Roque e S. Francisco.
Na capela do Sacramento está, devidamente, uma campa de granito, sob a qual repousam os restos mortais da mãe do abade Clemente.
Há na freguesia as capelas de ''S. Sebastião'' e de ''Nossa Senhora da Conceição'', aquela em Roriz e esta em Tarrio. São públicas e nelas se festejam as respectivas imagens em Julho e Agosto<ref>A da Conceição, depois das reparações feitas no século XVIII, foi benzida no dia 8 de Setembro de 1776. (''Nota do autor'').</ref>.
Capelas particulares há as de ''S. Bento'', de ''Santo António'', e de ''Nossa Senhora da Graça''. A primeira, no Pedroso, deveu a sua erecção, no século XVIII, ao reverendo Miguel Pereira, ilustrado filho da terra e abade de Cristelo de Caminha, o qual tinha grande devoção pelo prestigioso fundador do célebre cenóbio do Monte Cassino; a de Santo António, cujo altar é de talha, pertence à antiga Casa do Freixieiro e foi mandada construir, no mesmo século, por Manuel Pereira Barbosa; e, finalmente, a de Nossa Senhora da Graça, em Couró, foi mandada construir, em 1835, pelo padre Manuel da Cunha Mendes de Sousa que residiu numa casa próxima.
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'''{{c|NOBREZA EM INFESTA}}'''
{{c|CASA DO PAÇO}}
Em Infesta, como nas demais freguesias do concelho, houve muitas famílias ilustres, das quais há mais ou menos vestígios.
Algumas viveram em casas sumptuosas, entre as quais se destacou o ''Paço do Outeiro''.
Existiu esta casa notável ao poente do lugar de
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Jancide, lugar que foi noutros tempos um verdadeiro alfobre de nobreza. O sítio do Outeiro é já mencionado nas ''Inquirições'' de D. Afonso III, mas não há ali a menor referência ao Paço, o que evidentemente indica ser a fundação de data posterior, mas para nós desconhecida. O que se sabe com segurança é que no século XV já existia a casa do Paço, sendo então propriedade dos Caramenas<ref>Os Caramenas vieram da Galiza. Veja-se o Nobi...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Jancide, lugar que foi noutros tempos um verdadeiro alfobre de nobreza.
O sítio do Outeiro é já mencionado nas ''Inquirições'' de D. Afonso III, mas não há ali a menor referência ao Paço, o que evidentemente indica ser a fundação de data posterior, mas para nós desconhecida.
O que se sabe com segurança é que no século XV já existia a casa do Paço, sendo então propriedade dos Caramenas<ref>Os Caramenas vieram da Galiza. Veja-se o Nobiliário de Andrade Leitão.</ref>, de Cristelo.
Pelo casamento de uma Senhora daquela família com o fidalgo galego Pedro Vaz de Tabuada, veio este casal fixar residência no Outeiro, e ainda no fim do século XVI aqui continuava a sua descendência, pois no Códice n.º 355 de prazos do convento de Ganfei (Torre do Tombo) se faz menção do prazo da Quinta do Outeiro, feito (em 1574) a Gregório Vaz, filho de Gaspar Vaz; e ainda doutros Códices se vê que este prazo passou para os Cunhas, que, como os
Caldas, os Rochas Pittas, os Antas, os Barbosas, os Sotto-mayores, se entroncaram, por alianças matrimoniais, na primitiva família e entre si.
A última renovação deste prazo, que encontramos nos papéis de Ganfei, data de 1756, e foi feita em Formariz, nas casas que ali possuiam os beneditinos, a favor dos fidalgos proprietários D. Francisca Maria da Rocha Sotto-mayor, da família dos Antas, e seu marido Luís António Soares Pereira de Lira.
Pouco depois passou, por herança, aos Antas Montenegros, senhores da Casa d'Antas, em Rubiães, aquela propriedade; e destes (estava já em ruínas o Paço) aos Pereiras de Castro, pelo casamento de D. Antónia d'Antas Montenegro com Fernando Luís Pereira de Castro, da nobre Casa da Cruz, próxima e a leste de ''Jancide'', sendo os herdeiros destes os que a venderam ao falecido Bento José Barbosa, de Paredes.
Hoje, da importante fábrica, que tantas gerações distintas habitaram, nada resta. Só a alguns metros do local em que existiu o portão de entrada da velha Quinta do Outeiro, para o nascente, se vê ainda o Cruzeiro, mandado
erigir no 2.º quartel do século XVIII e que foi pertença da mesma quinta.
{{c|CASA DO FREIXIEIRO}}
É antiga, mas só encontramos notícias dela desde o século XVII. Pertencia à família Pereiras Barbosas, que pelo primeiro destes apelidos, procedia dos Pereiras de Lizouros.
Baltasar Pereira de Cerqueira, que pelo seu casamento com D. Maria da Cunha, da nobre e antiga Casa solar de Cunha, foi o tronco dos Pereiras da Cunha, era irmão da Senhora que veio casar no Freixieiro.
Os membros desta família, que encontramos em destaque, são: Manuel Pereira Barbosa, familiar do Santo Ofício e fundador, já disse, da capela de Santo António, que faleceu com demonstrações de «predistinado», conforme um seu biógrafo.
Nesta casa residiram, posteriormente, os Freires d'Andrade, família nobre e antiga, de que se encontram vestígios neste concelho desde o século XVII. Citaremos Diogo Freire d'Andrade, da freguesia de Cunha, juiz dos Orfãos em Coura no reinado de D. João V.
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|Menina e Moça.}}</noinclude>hos triſtes ho poderã çeer mas ahi nã hos ouue mais depois q̃ nas mulheres ouue piadade, nas mulheres fim poꝛ q̃ ſẽpꝛe nos homẽs ouue deſamoꝛ. Mas ꝑa ellas nam ho faço eu q̃ pois q̃ ho ſeu mal he tamaño que ſe nam pode confortar com outro nhũ he para as mais entriſtecer, ſem razam ſeria querer eu q̃ ho leſſem ellas, mas ãtes lhes peço muito q̃ fujã delle e de todalas couſas de triſteza que aynda cõ iſto poucos ſeram os dias que ande poder ſer ledas poꝛ que aſſi eſta oꝛdenado pela deſuentura cõ q̃ ellas naſcẽ. Para hũa ſoo peſoa podia elle ſeer mas deſta nam ſoube eu mais parte depois que ſuas deſditas ⁊ minhas ho levarã para longes terras ⁊ eſtranhas, onde bem ſei eu que viuo ou moꝛto ho poſuye a terra ſem prazer nhũ.
{{capitular|M|font-size=3em}}eu amigo verdadeiro quem me vos leuou tam longe que vos comigo eu com voſco ſoos ſuhiamos paſſar noſſos nojos grandes ⁊ tã pequenos para hos de deſpois. A vos contaua eu tudo, como vos vos foſtes tudo ſe toꝛnou triſteza nẽ parece ainda ſe nam que eſtaua eſpꝛeitando jaa q̃ vos foſeis. ⁊ poꝛ que tudo ainda mais me magoaſſe tamſomente nam me foy deixado em voſa partida ho conforto de ſaber<noinclude></noinclude>
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Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/108
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''10''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> mas quando chegou, por muito que niſ-<br/> ſo fez, já todalas couſas eſtavaõ apacifi-<br/> cadas; porque Drongel, como aquelle<br/> que nos taes actos tinha gaſtado parte de<br/> ſua vida, tomou todalas Galés, e cati-<br/> vou Arnicalaz, ſómente duas eſcaparaõ,<br/> mas neſtas ſe achou tanta riqueza, com<br/> que ſe bem pagaraõ os dannos, que ti-<br/> nhaõ fe...
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ſua vida, tomou todalas Galés, e cati-<br/>
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mas neſtas ſe achou tanta riqueza, com<br/>
que ſe bem pagaraõ os dannos, que ti-<br/>
nhaõ feito. E ao tempo que ſe eſtas cou-<br/>
ſas acabaraõ, e ElRei entrava pelas por-<br/>
tas do Caſtello, em que a Rainha eſta-<br/>
va; começou de vir a noite taõ eſcura,<br/>
e cheia de tempeſtade, que ſe naõ podiaõ<br/>
os homens com a furia dos ventos ou-<br/>
vir: Pois os relampagos, e braveza do<br/>
mar miſturada com ameudados trovoens,<br/>
era em tanta quantidade temeroſo, que<br/>
lhes fazia trazer á memoria os males,<br/>
que tinhaõ feito, arrependendo-ſe del-<br/>
les. E andando aſſi todo o povo com te-<br/>
mor do medo paſſado, e ſinaes preſen-<br/>
tes, por ſuas caſas com cirios bentos, e<br/>
com outras devoçoens, que nos taes<br/>
tempos ſe fazem, de que quebrou tanta<br/>
multidaõ d'agoa miſturada com groſſa<br/>
pedra, que já todos mais curavaõ das al-<br/>
mas, que da ſalvaçaõ das vidas, crendo<br/>
ſer aquelle outro ſegundo diluvio. E com<br/>
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que nos taes actos tinha gaſtado parte de<br/>
ſua vida, tomou todalas Galés, e cati-<br/>
vou Arnicalaz, ſómente duas eſcaparaõ,<br/>
mas neſtas ſe achou tanta riqueza, com<br/>
que ſe bem pagaraõ os dannos, que ti-<br/>
nhaõ feito. E ao tempo que ſe eſtas cou-<br/>
ſas acabaraõ, e ElRei entrava pelas por-<br/>
tas do Caſtello, em que a Rainha eſta-<br/>
va; começou de vir a noite taõ eſcura,<br/>
e cheia de tempeſtade, que ſe naõ podiaõ<br/>
os homens com a furia dos ventos ou-<br/>
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mar miſturada com ameudados trovoens,<br/>
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lhes fazia trazer á memoria os males,<br/>
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mor do medo paſſado, e ſinaes preſen-<br/>
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com outras devoçoens, que nos taes<br/>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|15}}</noinclude>daes. Tiraes estas terras aos portuguezes , a quem no principio as déstes ; e bastava dizer a quem as déstes, para perigar o credito de vosso nome, que não podem dar nome de liberal mercês com arrependimento. Para que nos disse S. Paulo, que vós, Senhor, quando daes, não vos arrependeis: ''Sine pænitentia enim sunt dona Dei?'' (Rom. XI — 29) Mas deixado isto á parte: tiraes estas terras áquelles mesmos portuguezes , a quem escolhestes entre todas as nações do mundo para conquistadores da vossa fé, e a quem déstes por armas, como insignia e divisa singular, vossas proprias chagas. E será bem, Supremo Senhor e Governador do universo, que ás sagradas quinas de Portugal, e ás armas e chagas de Christo, succedam as hereticas listas de Hollanda, rebeldes a seu rei e a Deus? Será bem que estas se vejam tremular ao vento victoriosas, e aquellas abatidas, arrastadas, e ignominiosamente rendidas? ''Et quid facies magno nomini tuo?'' (Josué VII — 9) E que fareis (como dizia Josué) ou que será feito de vosso glorioso nome em casos de tanta affronta?
Tiraes tambem o Brazil aos portuguezes, que assim estas terras vastissimas, como as remotissimas do Oriente, as conquistaram á custa de tantas vidas e tanto sangue, mais por dilatar vosso nome e vossa fé (que esse era o zelo daquelles christianissimos reis), que por amplificar e estender seu imperio. Assim fostes servido que entrassemos nestes novos mundos, tão honrada e tão gloriosamente, e assim permittis que saiamos agora (quem tal imaginaria de vossa bondade), com tanta affronta e ignominia? Oh como receio, que não falte quem diga o que diziam os egypcios: ''Callidè eduxit eos, ut interficeret, et deleret è terra:'' (Exod. XXXII — 12 ) Que a larga mão com que nos déstes tantos dominios e reinos não foram mercês de vossa liberalidade, senão cautela e dissimulação de vossa ira, para aqui, fóra e longe de nossa patria, nos matardes, nos destruirdes, nos acabardes de todo. Se esta havia de ser a paga e o fructo de nossos trabalhos, para que foi o trabalhar, para que foi o servir, para que foi o derramar tanto e tão illustre sangue nestas conquistas? Para que abrimos os mares nunca d’antes navegados? Para que descobrimos as regiões e os climas não conhecidos? Para que contrastamos os ventos e as tempestades com<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|16|SERMÕES.|}}</noinclude>tanto arrojo, que apenas ha baixio no Oceano, que não esteja infamado com miserabilissimos naufragios de portuguezes? E depois de tantos perigos, depois de tantas desgraças, depois de tantas e tão lastimosas mortes, ou nas praias desertas sem sepultura, ou sepultados nas entranhas dos alarves, das feras, dos peixes, que as terras que assim ganhamos, as hajamos de perder assim ! Oh quanto melhor nos fôra nunca conseguir, nem intentar taes emprezas!
Mais santo que nós era Josué, menos apurada tinha a paciencia, e comtudo em occasião similhante não fallou (fallando comvosco) por differente linguagem. Depois de os filhos de Israel passarem ás terras ultramarinas do Jordão, como nós a estas, avançou parte do exercito a dar assalto á cidade de Hay, a qual nos eccos do nome já parece que trazia o prognostico do infeliz successo que os israelitas nella tiveram; porque foram rotos, e desbaratados, posto que com menos mortos e feridos do que nós por cá costumamos. E que faria Josué á vista desta desgraça? Rasga as vestiduras imperiaes, lança-se por terra, começa a clamar ao céu: ''Heu Domine Deus, quid voluisti traducere populum istum Jordanem fluvium, ut traderes nos in manus Amorrhœi?'' (Josué VII — 7) Deus meu, e Senhor meu, que é isto? Para que nos mandastes passar o Jordão, e nos metestes de posse destas terras, se aqui nos havieis de entregar nas mãos dos Amorrheus e perder-nos? ''Utinam mansissemus trans Jordanem!'' (Ibid.) Oh nunca nós passaramos tal rio! Assim se queixava Josué a Deus, e assim nos podemos nós queixar, e com muito maior razão que elle. Se este havia de ser o fim de nossas navegações, se estas fortunas nos esperavam nas terras conquistadas: ''Utinam mansissemus trans Jordanem?'' provéra a vossa divina Magestade, que nunca sairamos de Portugal, nem fiaramos nossas vidas ás ondas e aos ventos, nem conheceramos, ou puzeramos os pés em terras estranhas. Ganhal-as para as não lograr, desgraça foi e não ventura: possuil-as para as perder, castigo foi de vossa ira, Senhor, e não mercê, nem favor de vossa liberalidade. Se determinaveis dar estas mesmas terras aos piratas de Hollanda, porque lh’as não destes em quanto eram agrestes e incultas senão agora? Tantos serviços<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|17}}</noinclude>vos tem feito esta gente pervertida e apostata, que nos mandastes primeiro cá por seus aposentadores, para lhes lavrarmos as terras, para lhes edificarmos as cidades, e depois de cultivadas e enriquecidas lh’as entregardes? Assim se hão de lograr os herejes, e inimigos da fé dos trabalhos portuguezes e dos suores catholicos? ''En queis consevimus agros?'' (Virgíl.) Eis-aqui para quem trabalhamos ha tantos annos! Mas pois vós, Senhor, o quereis e ordenaes assim, fazei o que fordes servido. Entregae aos hollandezes o Brazil, entregae-lhes as Indias, entregae-lhes as Hespanhas (que não são menos perigosas as consequencias do Brazil perdido), entregae-lhes quanto temos e possuimos (como já lhe, entregastes tanta parte); ponde em suas mãos o mundo; e a nós, aos portuguezes e hespanhoes, deixae-nos, repudiae-nos, desfazei-nos, acabae-nos. Mas só digo e lembro a vossa Magestade, Senhor, que estes mesmos que agora desfavoreceis e lançaes de vós, póde ser que os queiraes algum dia, e que os não tenhaes.
Não me atrevera a fallar assim, se não tirára as palavras da boca de Job, que, como tão lastimado, não é muito entre muitas vezes nesta tragedia. Queixava-se o exemplo da paciencia a Deus (que nos quer Deus soffridos, mas não insensiveis), queixava-se do tesão de suas penas, demandando e altercando, porque se lhe não havia de remittir e afrouxar um pouco o rigor dellas; e como a todas as replicas e instancias o Senhor se mostrasse inexoravel, quando já não teve mais que dizer, concluiu assim: ''Ecce nunc in pulvere dormiam, et si mane {{sic|mo|me}} quæsieris, non subsistam.'' (Job. VII — 21 ) Já que não quereis, Senhor, desistir ou moderar o tormento, já que não quereis senão continuar o rigor e chegar com elle ao cabo, seja muito embora, matae-me, consumi-me, enterrae-me; ''Ecce nunc in pulvere dormiam;'' mas só vos digo e vos lembro uma coisa: que se me buscardes amanhã, que me não haveis de achar: ''Et si mane me quæsieris, non subsistam.'' Tereis aos sabeos, tereis aos caldeos, que sejam o roubo e o açoite de vossa casa; mas não achareis a um Job que a sirva, não achareis a um Job que a venere, não achareis a um Job, que ainda com suas chagas a não desauctorise. O mesmo digo eu, Senhor, que não é muito rompa nos mesmos affectos, quem se vê no mesmo estado. Abrasae, {{hífen|des|destrui}}<noinclude>{{rh|{{small|T. I.}}||{{small|3}}}}</noinclude>
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Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/34
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|18|SERMÕES.}}</noinclude>{{hífen-fim|trui|destrui}}, consumi-nos a todos; mas póde ser que algum dia queiraes hespanhoes e portuguezes, e que os não acheis. Hollanda vos dará os apostolicos conquistadores, que levem pelo mundo os estandartes da cruz: Hollanda vos dará os prégadores evangelicos, que semeem nas terras dos barbaros a doutrina catholica, e a reguem com o proprio sangue: Hollanda defenderá a verdade de vossos sacramentos, e a auctoridade da egreja romana: Hollanda edificará templos, Hollanda levantará altares, Hollanda consagrará sacerdotes e offerecerá o sacrificio de vosso santissimo corpo: Hollanda emfim vos servirá e {{sic|venera|venerará}} tão religiosamente como em Amsterdam, Meldeburg e Flisinga, e em todas as outras colonias daquelle frio e alagado inferno, se está fazendo todos os dias.
{{c|IV.}}
Bem vejo que me podeis dizer, Senhor, que a propagação de vossa fé, e as obras de vossa gloria não dependem de nós, nem de ninguem, e que sois poderoso, quando faltem homens, para fazer das pedras filhos de Abraham. Mas tambem a vossa sabedoria, e a experiencia de todos os seculos nos tem ensinado, que depois de Adão não creastes homens de novo, que vos servis dos que tendes neste mundo, e que nunca admittis os menos bons, senão em falta dos melhores. Assim o fizestes na parabola do banquete. Mandastes chamar os convidados, que tinheis escolhido, e porque elles se escusaram, e não quizeram vir, então admittistes os cegos e mancos, e os introduzistes em seu logar: ''Cæcos, et claudos introduc huc.'' (S. Luc. XIV — 21 ) E se esta é, Deus meu, a regular disposição de vossa providencia divina, como a vemos agora tão trocada em nós, e tão differente comnosco? Quaes foram estes convidados e quaes são estes cegos e mancos? Os convidados fomos nós, a quem primeiro chamastes para estas terras, e nellas nos puzestes a meza, tão franca e abundante, como de vossa grandeza se podia esperar. Os cegos e mancos são os lutheranos e calvinistas, cegos sem fé, e mancos sem obras; na reprovação das quaes consiste o principal erro da sua heresia. Pois se<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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