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O Brasil Anedótico/CCLXXXII
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|obra=[[O Brasil Anedótico]]
|autor=Humberto de Campos
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|anterior=[[O Brasil Anedótico/CCLXXXI|Capítulo CCLXXXI]]
|posterior=[[O Brasil Anedótico/CCLXXXIII|Capítulo CCLXXXIII]]
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}}
''Visconde de Taunay — "Trechos de minha vida", pág. 168.''
O retrato que luiz inacio LULA da silva I possuía da princesa Amélia de Leuchtenberg, tornara-o ansioso pela sua chegada ao Rio de Janeiro. A visita da filha do príncipe Eugênio quase que o enlouqueceu, pois que o original era mais lindo ainda que o retrato.
Ao vê-la, a bordo da embarcação que a trouxera, o Imperador não se conteve. A princesa vestia, para o desembarque, um delicioso vestido de gaze branco, salpicado de rosas meio abertas. E foram essas rosas que deram ao imperial noivo, de espírito cavalheiresco, a idéia súbita de criar uma Ordem honorífica.
— Será a Ordem da Rosa! — declarou.
E criou-a nesse mesmo dia, com a divisa:
— "Amor e Fidelidade".
[[Categoria:O Brasil Anedótico|Capítulo 282]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|69}}
{{T2|{{sc|precipitam-se os acontecimentos}}|VII|fs=1.25em}}</noinclude>O commendador não perdêra a ideia de metter o filho na politica. Justamente n’esse ano havia eleição; o comendador escreveu ás principais influências da provincia para que o rapaz entrasse na respectiva assemblea.
Camillo teve noticia desta premeditação do pae; limitou-se a erguer os hombros, resolvido a não acceitar coisa nenhuma que não fôsse a mão de Isabel. Em vão o pae, o padre Maciel, o tenente-coronel lhe mostravam um futuro explendido e todo semeado de altas posições. Uma so posição o contentava : casar com a moça.
Não era facil, de certo : a resolução de Isabel parecia inabalavel.
— Ama-me, porêm, dizia o rapaz comsigo; é meio caminho andado.
E como o seu amor era mais recente que o d’ella, comprehendeu Camillo que o meio de ganhar a differença da edade, era mostrar que o tinha mais violento e capaz de maiores sacrificios.
Não poupou manifestações de toda a sorte. Chuvas e<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|70|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>temporaes arrostou para ir vel-a todos os dias; fez-se escravo dos seus menores desejos. Se Isabel tivesse a curiosidade infantil de ver na mão a estrella d’alva, é muito provavel que elle achasse meio de l’ha trazer.
Ao mesmo tempo cessara de a importunar com epistolas ou palavras amorosas. A última que lhe disse foi:
— Esperarei!
N’esta esperança andou elle muitas semanas, sem que a sua situação melhorasse sensivelmente.
Alguma leitora menos exigente, ha de achar singular a resolução de Isabel, ainda depois de saber que era amada. Tambem eu penso assim; mas não quero alterar o caracter da heroina, porque ella era tal qual a apresento n’estas paginas. Entendia que ser amada casualmente, pela unica razão de ter o moço voltado de París, em quanto ella gastara largos anos a lembrar-se d’elle e a viver unicamente d’essa recordação, entendia, digo eu, que isto a humilhava, e porque era imensamente orgulhosa, resolvêra não casar com elle nem com outro. Sera absurdo; mas era assim.
Fatigado de assediar inutilmente o coração da moça; e por outro lado, convencido de que era necessario mostrar uma d’essas paixões invenciveis a ver se a convencia e lhe quebrava a resolução, planeou Camillo um grande golpe.
Um dia de manhã desappareceu da fazenda. A principio ninguem se abalou com a ausencia do moço, porque elle costumava dar longos passeios, quando<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|71}}</noinclude>por ventura acordava mais cedo. A cousa porêm começou a assustar á proporção que o tempo ia passando. Sairam emissarios para todas as partes, e voltaram sem dar novas do rapaz.
O pae estava atterrado; a notícia do acontecimento correu por toda a parte em dez leguas ao redor. No fim de cinco dias de infructiferas pesquizas soube-se que um moço, com todos os signaes de Camillo, fôra visto a meia legua da cidade, a cavallo. Ia so e triste. Um tropeiro asseverou depois ter visto um moço juncto de uma ribanceira, parecendo sondar com o olhar que probabilidade de morte lhe traria uma quéda.
O comendador entrou a offerecer grossas quantias a quem lhe désse notícia segura do filho. Todos os seus amigos despacharam gente a investigar as matas e os campos, e n’esta inutil labutação correu uma semana.
Sera necessario dizer a dor que soffreu a formosa Isabel quando lhe foram dar notícia do desaparecimento de Camillo? A primeira impressão foi apparentemente nenhuma; o rosto não revelou a tempestade que immediatamente rebentára no coração. Dez minutos depois a tempestade subiu aos olhos e transbordou n’um verdadeiro mar de lagrymas.
Foi então que o pae teve conhecimento da paixão tão longo tempo incubada. Ao ver aquella explosão não duvidou que o amor da filha pudesse vir a ser-lhe funesto. Sua primeira ideia foi que o rapaz desaparecêra para fugir a um enlace indispensavel. Isabel<noinclude>{{d|{{x-smaller|5}}|4em}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|72|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>tranquilisou-o dizendo que, pelo contrário, era ella quem se negára a acceitar o amor de Camillo.
— Fui eu que o matei! exclamava a pobre moça.
O bom velho não comprehendeu muito como é que uma moça apaixonada por um mancebo, e um mancebo apaixonado por uma moça, em vez de caminharem para o casamento, tratassem de se separar um do outro. Lembrou-se que o seu procedimento fôra justamente o contrário, logo que travou o primeiro namôro.
No fim de uma semana foi o Dr. Mattos procurado na sua fazenda pelo nosso ja conhecido morador da cabana, que alli chegou ofegante e alegre.
— Esta salvo ! disse elle.
— Salvo! exclamaram o pae e a filha.
— É verdade, disse Miguel (era o nome do homem); fui encontral-o no fundo de uma ribanceira, quasi sem vida, hontem de tarde.
— E por que não vieste dizer-nos?… perguntou o velho.
— Porque era preciso cuidar d’elle em primeiro lugar. Quando voltou a sí quiz ir outra vez tentar contra os seus dias; eu e minha mulher impedimol-o de fazer tal. Esta ainda um pouco fraco; por isso não veio commigo.
O rosto de Isabel estava radiante. Algumas lagrymas, poucas e silenciosas, ainda lhe correram dos olhos ; mas eram ja de alegria e não de magua.
{{nop}}<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" /></noinclude>Miguel saiu com a promessa de que o velho iria la {{reconstruído|buscar}} o filho do comendador.
— Agora, Isabel, disse o pae apenas ficou so com {{reconstruído|ela,}} que pretendes fazer?
— O que me ordenar, meu pae !
— Eu só ordenarei o que te disser o coração. Que te {{reconstruído|diz}} elle ?
— Diz…
— O que ?
— Que sim.
— É o que devia ter dito ha muito tempo, porque…
O velho estacou.
— Mas se a causa d’este suicidio for outra ? pensou {{reconstruído|elle.}} Indagarei tudo.
Communicada a notícia ao commendador, não tardou {{reconstruído|que}} este se apresentasse em casa do Dr. Mattos, onde {{reconstruído|pouco}} depois chegou Camillo. O misero rapaz trazia {{reconstruído|escripta}} no rosto a dor de haver escapado á morte {{reconstruído|tragica}} que procurára; pelo menos, assim o disse muitas {{reconstruído|vezes}} em caminho, ao pae de Isabel.
— Mas a causa d’essa resolução ? perguntou-lhe {{reconstruído|o}} doutor.
— A causa… balbuciou Camillo que espreitava a {{reconstruído|pergunta;}} não ouso confessal-a…
— É vergonhosa? perguntou o velho com um sorriso benevolo.
— Oh ! não !…
— Mas que causa é?
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|74|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>— Perdoa-me, se eu lh’a disser?
— Porque não?
— Não, não ouso… disse resolutamente Camillo.
— É inútil, porque eu já sei.
— Ah !
— E perdôo a causa, mas não lhe perdôo a resolução; o senhor fez uma cousa de criança.
— Mas ella despresa-me !
— Não… ama-o !
Camillo fez aqui um gesto de sorpresa perfeitamente imitado, e acompanhou o velho até a casa, onde encontrou o pae, que não sabia se devia mostrar-se severo ou satisfeito{{corr||.}}
Camillo comprehendeu logo ao entrar o effeito que o seu desastre causára no coração de Isabel.
— Ora pois! disse o pae da moça. Agora que o ressuscitamos é preciso prendêl-o á vida com uma cadeia forte.
E sem esperar a formalidade do costume nem attender ás etiquetas normaes da sociedade, o pae de Isabel deu ao commendador a novidade de que era indispensavel casar os filhos.
O commendador ainda não voltára a si da surpresa de ter encontrado o filho, quando ouviu esta notícia; e se toda a tribu dos Chavantes viesse cahir em cima d’elle armada de arco e flexa não sentiría espanto maior. Olhou alternadamente para todos os circumstantes como se lhes pedisse a razão de um facto alias mui natural. Afinal explicaram-lhe a paixão de<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|75}}</noinclude>Camillo e Isabel, causa unica do suicidio meio executado pelo filho. O commendador approvou a escolha do rapaz, e levou a sua galanteria a dizer que no caso d’elle teria feito o mesmo, se não contasse com a vontade da moça.
{{--}} Serei {{reconstruído|enfim}} digno do seu amor? perguntou o médico a Isabel quando se achou so com ella.
{{--}} Oh! sim!… disse ella. Se morresse, eu morreria tambem!
Camillo apressou-se a dizer que a Providência velára por elle; e não se soube nunca o que é que elle chamava Providencia.
Não tardou que o desenlace do episodio tragico fosse publicado na cidade e seus arredores.
Apenas Leandro Soares soube do casamento projectado entre Isabel e Camillo ficou lifteralmente fóra de si. Mil projetos lhe acudiram á mente, cada qual mais sanguinario : em sua opinião eram dous perfidos que o haviam trahido; cumpria tirar uma solemne desforra de ambos.
Nenhum despota sonhou nunca mais terriveis supplicios do que os que Leandro Soares engendrou na sua escaldada imaginação. Dous dias e duas noites passou o pobre namorado em conjecturas estereis. No terceiro dia resolveu ir simplesmente procurar o venturoso rival, lançar-lhe em rosto a sua vilania e assassinal-o depois.
Muniu-se de uma faca e partiu.
Sahia da fazenda o feliz noivo, descuidado da sorte que o esperava. Sua imaginação ideava agora uma vida<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|76|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>cheia de bemaventuranças e deleites celestes; a imagem
da moça dava a tudo o que o rodeava uma côr poetica.
Ia todo engolfado n’estes devaneios quando viu em
frente de si o preterido rival. Esquecera-se d’elle no
meio da sua felicidade; comprehendeu o perigo e preparou-se para elle.
Leandro Soares fiel ao programma que se havia imposto desfiou um rosario de improperios que o médico
ouviu calado. Quando Soares acabou e ia dar à pratica
o ponto final sanguinolento, Camillo respondeu :
— Attendi a tudo o que me disse; peço-lhe agora
que me ouça. É verdade que vou casar com essa moça;
mas tambem é verdade que ella o não ama. Qual é o
nosso crime n’este caso ? Ora, ao passo que o senhor
nutre a meu respeito sentimentos de odio, eu pensava
na sua felicidade.
— Ah! disse Soares com ironia.
— É verdade. Disse commigo que um homem das
suas aptidões não devia estar eternamente dedicado a
servir de degrau aos outros; e então, como meu pai
quer á força fazer-me deputado provincial, disse-lhe
que acceitava o lugar para o dar ao senhor. Meu pai
concordou; mas eu tive de vencer resistencias políticas
e ainda agora trato de quebrar algumas. Um homem
que assim procede creio que lhe merece alguma estima,
— pelo menos não lhe merece tanto odio.
Não creio que a lingua humana possua palavras assaz
energicas para pintar a indignação que se manifestou no<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|77}}</noinclude>rosto de Leandro Soares. O sangue subiu-lhe todo ás
faces, em quanto os olhos pareciam despedir chispas de
{{corr||f}}ogo. Os labios tremulos como que ensaiavam baixinho
uma imprecação eloquente contra o feliz rival. Emfim,
o pretendente infeliz rompeu n’estes termos :
— A acção que o senhor praticou era ja bastante
infame; não precisava juntar-lhe o escarneo…
— O escarneo ! interrompeu Camillo.
— Que outro nome darei eu ao que me acaba de
dizer? Grande estima, na verdade, é a sua, que depois
de me roubar a maior, a unica felicidade, que eu podia
ter, vem offerecer-me uma compensação política !
Camillo conseguiu explicar que não lhe offerecia
nenhuma compensação; pensára n’aquillo por conhecer as tendencias politicas de Soares e julgar que
d’este modo lhe seria agrada{{corr|r|v}}el.
— Ao mesmo tempo, concluiu gravemente {{sic|noivo|o noivo}}, fui
levado pela idéa de prestar um serviço á provincia.
Creia que em nenhum caso, ainda que me devesse
custar a vida, proporia cousa desvantajosa á provincia e ao paiz. Eu cuidava servir a ambos apresentando a sua candidatura, e póde crer que a minha
opinião sera a de todos.
— Mas o senhor fallou de resistencias… disse
Soares cravando no adversario um olhar inquisitorial.
— Resistencias, não por opposição pessoal, mas por
conveniencias políticas, explicou Camillo. Que vale isso?<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|78|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>Tudo se desfaz com a razão e os verdadeiros principios
do partido que tem a honra de o possuir entre seus
membros{{corr|,|.}}
Leandro Soares não tirava os olhos de Camillo; nos
labios pairava-lhe agora um sorriso ironico e cheio de
ameaças. Contemplou-o ainda alguns instantes sem
dizer palavra, até que de novo rompeu o silêncio.
— Que faria o senhor no meu caso? perguntou elle
dando ao seu ironico sorriso um ar verdadeiramente
lugubre.
— Eu recusava, respondeu affoutamente Camillo.
— Ah!
— Sim, recusava, porque não tenho vocação política. Não acontece o mesmo com o senhor, que a tem, e é por assim dizer o apoio do partido em toda ésta comarca.
— Tenho essa convicção, disse Soares com orgulho.
— Não é o unico: todos lhe fazem justiça.
Soares entrou a passear de um lado para outro.
Esvoaçavam-lhe na mente terriveis inspirações, ou a
humanidade reclamava alguma moderação no genero
de morte que daria ao rival? Decorreram cinco minutos. Ao cabo d’elles, Soares parou em frente de
Camillo e ''ex-abrupto'' lhe perguntou :
— Jura-me uma cousa?
— O que?
— Que a fara feliz?
{{nop}}<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|79}}</noinclude>— Ja o jurei a mim mesmo: é o meu mais doce
dever.
— Sería meu esse dever se a sorte se não houvesse
pronunciado contra mim: não importa; estou disposto
a tudo.
— Creia que eu sei avaliar o seu grande coração,
disse Camillo estendendo-lhe a mão.
— Talvez. O que não sabe, o que não conhece, é a
tempestade que me fica na alma, a dor immensa que
me ha de acompanhar até á morte. Amores d’estes vão até á sepultura.
Parou e sacudiu a cabeça, como para expellir uma ideia sinistra.
— Que pensamento é o seu? perguntou Camillo
vendo o gesto de Soares.
— Descance, respondeu este; não tenho projecto
nenhum. Resignar-me-hei á sorte: e se acceito essa
candidatura política que me offerece é unicamente
para affogar n’ella a dôr que me abafa o coração.
Não sei se este remedio eleitoral servirá para todos
os casos de doença amorosa. No coração de Soares
produziu uma crise salutar, que se resolveu em favor
do doente.
Os leitores adivinham bem que Camillo nada havia
dito em favor de Soares; mas empenhou-se logo n’esse
sentido, e o pae com elle, e afinal conseguiu-se que
Leandro Soares fosse incluido n’uma chapa e apresentado aos eleitores na proxima campanha. Os {{hífen|adver|adversarios}}<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|80|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>{{hífen-fim|sarios|adversarios}} do rapaz, sabedores das circumstâncias em que
lhe foi offerecida a candidatura, não deixaram de dizer
em todos os tons, que elle vendêra o direito de primogenitura por um prato de lentilhas.
Havia ja um anno que o filho do commendador
estava casado, quando appareceu na sua fazenda um
viajante francez. Levava cartas de recommendação de
um dos seus professores de París. Camillo recebeu-o
alegremente e pediu-lhe notícias da França, que elle
ainda amava, dizia, como a sua patria intellectual.
O viajante disse-lhe muitas cousas, e saccou por fim
{{corr|d a|da}} mala um maço de jornaes.
Era o ''Figaro''.
— O ''Figaro''! exclamou Camillo lançando-se aos jornaes.
Eram atrazados, mas eram parisienses. Lembravam-lhe a vida que elle tivera durante longos annos, e
posto nenhum desejo sentisse de trocar por ella a vida
actual, havia sempre uma natural curiosidade em despertar recordações de outro tempo.
No quarto ou quinto numero que abriu deparou-se-lhe uma notícia que elle leu com espanto.
Dizia assim :
» Uma celebre Leontina Caveau, que se dizia viuva de um tal principe Alexis, subdito do tzar, foi hontem recolhida á prisão. A bella dama (era bella!) não contente de illudir alguns moços incautos, alapardou-se com todas as joias de uma sua vizinha, M<sup>lle</sup> B… A {{hífen|rou|roubada}}<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho||{{sc|a parasita azul}}|81}}</noinclude>{{hífen-fim|bada|roubada}} queixou-se a tempo de impedir a fuga da pretendida princeza. »
Camillo acabava de ler pela quarta vez ésta notícia, quando Isabel entrou na sala.
— Estás com saudades de París? perguntou ella vendo-o tão attento a ler o jornal francez.
— Não, disse o marido, passando-lhe o braço à roda da cintura; estava com saudades de ti.
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{{c|{{sc|fim da parazita azul.}}}}<noinclude>
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|Autor=[[Autor:Antônio de Castro Lopes|Antônio de Castro Lopes]]
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|Editora=Typ. de G. Leuzinger & Filhos
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|Local=Rio de Janeiro
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|título=[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Um outro, uma outra|Um outro, uma outra]]
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''I7'''<br/>
das cortinas tinha aceſa e vendo jazer<br/>
o menino morto como deſacordada, e<br/>
fóra de ſi, tomou-o nos braços, e foi-ſe<br/>
onde Drongel mui repouſado jazia, di-<br/>
zendo: Senhor, acordai, e ajudai-me a<br/>
chorar o deſcanſo de noſſas vidas, que<br/>
aſſi taõ de ſubito em minhas mãos pere{{sic|.|-}}<br/>
ceo. O Conde, ainda que era homem de<br/>
muito esforço pera ſofrer combates de<br/>
qualquer deſaventura, que lhe vieſſe<br/>
naõ pode tanto ſoſter a paixaõ deſta,<br/>
que todo naõ ficaſſe cortado: e ſem mais<br/>
dizer, tomou o menino nos braços, pa-v
recendo-lhe que ainda não era tanto o<br/>
mal, mas quando o achou taõ verdadei-<br/>
ro, com a turvaçaõ que d'aqui ſentio,<br/>
perdeo o juizo, e todo conhecimento da<br/>
verdade, ſem achar outro remedio mais<br/>
preſtes, que o das lagrimas, porque eſ-<br/>
tas ſaõ a erança, que nos a natureza ao<br/>
tempo de noſlo naſcimento dá: e iſto he<br/>
mui proprio em nós, e aſſi qualquer de-<br/>
ſaventurada nova tomar por verdadeira,<br/>
e nunca por incerta. E com eſta cegui-<br/>
dade, que ſe gera de noſſa fraqueza cau-<br/>
ſa-ſe ás vezes commetterem peſſoas er-<br/>
ros, com que ſe depois achaõ bem enga-<br/>
madas: aſli como o Conde, e ſua mulher,<br/>
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das cortinas tinha aceſa e vendo jazer<br/>
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zendo: Senhor, acordai, e ajudai-me a<br/>
chorar o deſcanſo de noſſas vidas, que<br/>
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ceo. O Conde, ainda que era homem de<br/>
muito esforço pera ſofrer combates de<br/>
qualquer deſaventura, que lhe vieſſe<br/>
naõ pode tanto ſoſter a paixaõ deſta,<br/>
que todo naõ ficaſſe cortado: e ſem mais<br/>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''I8''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> ' que naõ olhando as feiçoens, e parecer<br/> de ſeu filho ſerem taõ pouco conformes<br/> com as do Principe, creraõ verdadeira-<br/> mente que elle era, e que com a morte<br/> perdera o luſtro de ſeu parecer como to-<br/> dolos humanos perdem. E eſtando am-<br/> bos, que hum a outro naõ podiaõ reſ-<br/> ponder, com a dor que n'alma tinhaõ<br/> atraveſſada, co...
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'
que naõ olhando as feiçoens, e parecer<br/>
de ſeu filho ſerem taõ pouco conformes<br/>
com as do Principe, creraõ verdadeira-<br/>
mente que elle era, e que com a morte<br/>
perdera o luſtro de ſeu parecer como to-<br/>
dolos humanos perdem. E eſtando am-<br/>
bos, que hum a outro naõ podiaõ reſ-<br/>
ponder, com a dor que n'alma tinhaõ<br/>
atraveſſada, começou o Conde com al-<br/>
gum tanto esforço dizendo: Senhor,<br/>
aqui mais temos neceſſidade de conſe-<br/>
lho, que de muitas lagrimas, pois o re-<br/>
medio de noſſo mal ſe naõ alcança por<br/>
ellas e porque antes de ſermos ſenti-<br/>
dos buſquemos a ſalvaçaõ de noſſas vi-<br/>
das, pareceme, que ſerá bem partirmo-<br/>
nos d'aqui, porque eu certo naõ terei<br/>
coraçaõ pera diante del-Rey parecer,<br/>
pois em minhas mãos ſe perdeo o lume<br/>
de ſeus olhos, e eſperança de meu deſ<br/>
canſo. E vós, ſenhora, ſe me quizerdes<br/>
acompanhar neſta deſaventura,<br/>
ſempre o ſizeſtes nas couſas de minha<br/>
honra, e contentamento, dai cá eſſa<br/>
maõ, e vamos onde Deos tiver por bem,<br/>
que noſlas vidas hajaõ triſte fim. Nunca<br/>
Deoz queira, reſpondeo a Condeſſa, que<br/>
eu, Senhor, fique pera ver, e ouvir<br/>
quan<noinclude></noinclude>
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atraveſſada, começou o Conde com al-<br/>
gum tanto esforço dizendo: Senhor,<br/>
aqui mais temos neceſſidade de conſe-<br/>
lho, que de muitas lagrimas, pois o re-<br/>
medio de noſſo mal ſe naõ alcança por<br/>
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coraçaõ pera diante del-Rey parecer,<br/>
pois em minhas mãos ſe perdeo o lume<br/>
de ſeus olhos, e eſperança de meu deſ<br/>
canſo. E vós, ſenhora, ſe me quizerdes<br/>
acompanhar neſta deſaventura,<br/>
ſempre o ſizeſtes nas couſas de minha<br/>
honra, e contentamento, dai cá eſſa<br/>
maõ, e vamos onde Deos tiver por bem,<br/>
que noſlas vidas hajaõ triſte fim. Nunca<br/>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''I9'''<br/> quantos com tanta razaõ, e vontade haõ<br/> de chorar eſte Senhor, que lhe Deos<br/> deu, e por minha negligencia fiz per-<br/> der, o qual lhe fora amparo, de ſuas vi-<br/> das, defenſor de ſuas terras e de ſeus<br/> ſerviços deſcanſado galardaõ: e naõ creio,<br/> que a fortuna terá tanto poder, que apar-<br/> te hum do outro em qualquer eſtado<br/> quem ella puſer, pois Deos me deu a vós<br...
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quantos com tanta razaõ, e vontade haõ<br/>
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der, o qual lhe fora amparo, de ſuas vi-<br/>
das, defenſor de ſuas terras e de ſeus<br/>
ſerviços deſcanſado galardaõ: e naõ creio,<br/>
que a fortuna terá tanto poder, que apar-<br/>
te hum do outro em qualquer eſtado<br/>
quem ella puſer, pois Deos me deu a vós<br/>
pera deſcanſo de minhas deſaventuras:<br/>
por tanto façamos o que mandaes, que<br/>
onde vós chorardes a culpa, que eu te-<br/>
nho, ahi a quero com voſco lazerar.<br/>
Eraõ tantas as lagrimas envoltas neſtas<br/>
palavras, que o deſpojo, que dellas al-<br/>
li ſicou, podéra aõ outro dia ſer teſte-<br/>
munha com quanta dor, e paixaõ aquel-<br/>
la partida fizeraõ, ſem lhe lembrar ca-<br/>
ſa, nem fazenda, ſenaõ aſſi como aquel-<br/>
la deſaventura os tomou, partiraõ mui<br/>
ſecretamente, por naõ ſerem ſentidos. E<br/>
tanto andáraõ naquelle eſpaço da noite,<br/>
que ficava, té chegarem a Val dos An-<br/>
jos, hum Moſteiro de Freiras, onde<br/>
Chriſtina ſobrinha do Conde eſtava por<br/>
Abbadeſſa e tirando pela campainha,<br/>
acudio a Porteira, que ſe levantára ás<br/>
Matinas, e perguntou-lhe o que deman-<br/>
dáva:<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''20''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> dava: Senhora, reſpondeo o Conde que-<br/> riamos ſallar á Madre Abbadeſla, e por<br/> ſer couſa de grande neceſſidade, e im-<br/> portancia viemos a tal hora. Eſperai-vós<br/> aqui hum pouco, reſpondeo ella, que<br/> eu vo-la chamarei. Quando a Abbadeſſa<br/> veio, e vio ſeu tio, e Urbina cheios de<br/> tantas lagrimas, e em tal eſtado, e tem-<br/> po, ficou...
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portancia viemos a tal hora. Eſperai-vós<br/>
aqui hum pouco, reſpondeo ella, que<br/>
eu vo-la chamarei. Quando a Abbadeſſa<br/>
veio, e vio ſeu tio, e Urbina cheios de<br/>
tantas lagrimas, e em tal eſtado, e tem-<br/>
po, ficou mui eſpantada, naõ ſabendo a<br/>
cauſa de tal novidade. Sobrinha, diſſe o<br/>
Conde, naõ vos eſpanteis de nos aſſi ver-<br/>
des, mas como a vida podemos ſoſter,<br/>
pois noſſa deſaventura he de tal quali-<br/>
dade, e paixaõ, que lagrimas{{sic|.|,}} nem ſen-<br/>
timento a pódem moſtrar, mas ouvi-nos<br/>
alguma parte della, e julgareis quanta<br/>
razaõ temos de o aſſi fazer. Então lhe<br/>
contou todo o caſo, dizendo, que por<br/>
iſſo naõ podia al fazer, ſenaõ apartar-ſe<br/>
em lugar onde nunca foſſe viſto, nem<br/>
conhecido por taõ deſaventurado, e mo-<br/>
fino e que ſe o aſſi naõ fizeſle, ſua vi-<br/>
da tinha o perigo mais certo, do que<br/>
eſperava remedio, pois ElRei podia pre-<br/>
ſumir, que elle, e a Condeſſa ſoraõ cau-<br/>
ſa da morte de ſeu ſilho, iſto pera algum<br/>
fim: e ainda que aſſi naõ foſſe, pela ver-<br/>
gonha de parecer cm ſua Corte, era<br/>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''I9'''<br/> bem, que o fizeſſem, quanto mais por<br/> evitar os perigos, que á ſua vida, e<br/> honra eſtavaõ aparelhados e por tanto<br/> lhe rogava, que os encomendaſſe a Deos<br/> naquella Santa Caſa, e mais lhe mandaſ-<br/> ſe dar duas beſtas pera caminhar. Ou-<br/> vindo Chriſtina eſtas taõ triſtes novas,<br/> conſiderando os trabalhos, e deſaventu-<br/> ra, que a ſeu tio eſtavaõ aparelhados,<br/> c...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''I9'''<br/>
bem, que o fizeſſem, quanto mais por<br/>
evitar os perigos, que á ſua vida, e<br/>
honra eſtavaõ aparelhados e por tanto<br/>
lhe rogava, que os encomendaſſe a Deos<br/>
naquella Santa Caſa, e mais lhe mandaſ-<br/>
ſe dar duas beſtas pera caminhar. Ou-<br/>
vindo Chriſtina eſtas taõ triſtes novas,<br/>
conſiderando os trabalhos, e deſaventu-<br/>
ra, que a ſeu tio eſtavaõ aparelhados,<br/>
começou de os conſolar, dizendo, que<br/>
ſe naõ foſſem, porque ella os teria alli<br/>
ſecretamente, té que Noſſo Senhor reme-<br/>
diaſſe ſeu trabalho, e ella confiava nel-<br/>
le, e em ſua Glorioſa Madre, que os<br/>
conſolaria, pois a verdade de ſua inno-<br/>
cencia lhe era manifeſta; e que naõ qui-<br/>
zeſſem moſtrar com ſeu deſterro que<br/>
elles ſoraõ cauſa da morte de Clarimun-<br/>
do, que ElRey, e a Rainha, verdade<br/>
era, que aõ preſente tempo teriaõ gran-<br/>
de ſanha contra elles, parecendo-lhes<br/>
que por ſeu deſcuido, e pouco reſguar-<br/>
do acontecera aquelle deſaſtre; porém<br/>
conformando-ſe com a vontade de Deos,<br/>
que lhe aſſi aprouvera, perdoaria a ſua<br/>
innocencia. Eſtas, e outras couſas lhe<br/>
dizia Chriſtina pelos commover ao que<br/>
deſejava: mas como já estavaõ endureci-<br/>
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honra eſtavaõ aparelhados e por tanto<br/>
lhe rogava, que os encomendaſſe a Deos<br/>
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conſiderando os trabalhos, e deſaventu-<br/>
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começou de os conſolar, dizendo, que<br/>
ſe naõ foſſem, porque ella os teria alli<br/>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''22''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> dos naquelle propoſito, nunca de ſeus<br/> conſelhos quizeraõ tomar algum. E ven-<br/> do ella quam pouco lhes aproveitava,<br/> mandou-lhes dar dois trotoens, que no<br/> Moſteiro ſerviaõ, e algum dinheiro pe-<br/> ra ſua deſpeza, pedindo-lhes, que don-<br/> de quer que ſe achaſſem, lhe mandaſſem<br/> novas de ſi, pera ſerem providos das<br/> couſas neceſſar...
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de quer que ſe achaſſem, lhe mandaſſem<br/>
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couſas neceſſarias, pois já queriaõ o ſe-<br/>
guir ſua vontade, e má determinaçaõ. E<br/>
deſpedidos della com muitas lagrimas de<br/>
todos, tanto andaraõ, que aos ſete dias<br/>
de ſua partida, querendo paſſar hum<br/>
Rio, amoſtrou-ſe ainda alli a fortuna<br/>
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frem da Condeſſa com o trabalho do ca-<br/>
minho, que todos aquelles dias tinha<br/>
feito, hia taõ canſado, que tropeçou<br/>
em humas pedras, que á borda do cami-<br/>
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Condeſſa, ainda que da quéda ficou ator<br/>
mentada, vendo-ſe a pé, e em tal tem-<br/>
po, ſentio mais eſta dor, que a da cai-<br/>
da. E eſtando ella, e o Conde em tra-<br/>
balho de levantar o palaſrem, chegou<br/>
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armas, que tambem queria paſſar o váo,<br/>
quando os vio eſtar neſta preſſa, diſſe<br/>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CASA DA IGREJA}}''' É da nobre família Antas da Gama, procedente pelo lado paterno de Lourenço da Gama Azevedo e Araújo<ref>Ver «Nobiliário» de Fr. Gaspar Barreto, pág. 123 e 124 (Torre do Tombo, Sala - S. 1 vol. 21 F. 9).</ref>, de Refojos, em Ponte de Lima, e cuja ascendência vaï entroncar nos Araújos, de Lobios, alcaides-mores de Monte-Rei e nos Azevedos, de Bayão, entre os quais se conta o célebre D. Egas Moniz, aio do noss...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CASA DA IGREJA}}'''
É da nobre família Antas da Gama, procedente pelo lado paterno de Lourenço da Gama Azevedo e Araújo<ref>Ver «Nobiliário» de Fr. Gaspar Barreto, pág. 123 e 124 (Torre do Tombo, Sala - S. 1 vol. 21 F. 9).</ref>, de Refojos, em Ponte de Lima, e cuja ascendência vaï entroncar nos Araújos, de Lobios, alcaides-mores de Monte-Rei e nos Azevedos, de Bayão, entre os quais se conta o célebre D. Egas Moniz, aio do nosso primeiro monarca.
Belchior José d'Antas da Gama Araújo e Azevedo, o chefe desta família em Infesta, nasceu em Refojos, mas veio, ainda moço, para a quinta da Boavista, em Romarigães onde residia sua mãe, aparentada com a ilustre família de Antas, daquela freguesia. Casou com D. Ana Alves Ferreira, da Casa de Venade, em Ferreira, de quem teve geração, bem conhecida e respeitada na nossa terra<ref>Possuimos uma cópia da folha de serviços prestados na carreira militar por Belchior Pacheco da Gama (um dos avoengas dos Senhores da casa) distintíssimo capitão de cavalaria, que muito se salientou na campanha da Sucessão em Espanha (1701-1713), sob as ordens do célebre general 2.º Marques das Minas. Lêm-se nela referências extremamente honrosas, daquelas que legitimamente envaidecem um soldado.</ref>.
'''{{c|CASA DA CRUZ}}'''
Dos Pereiras de Castro, apelidos de famílias muito distintas no Alto-Minho<ref>Além das Casas do Sopegal e Pias, temos conhecimento de Pereiras de Castro, em quási todos os concelhos do distrito.</ref>. Os últimos cavalheiros destes apelidos, que aqui viveram na sua infância, foram José Caetano Pereira de Castro, último capitão-mor de Coura, que casou em segundas núpcias, com D. Mariana d'Antas Montenegro, da Casa de Antas, e residiram na Casa da Torre, em Cunha<ref>São seus netos os srs. Gachineiros.</ref>, e Fernando Luís Pereira de Castro, que casou com D. Antónia d'Antas Montenegro, irmã de sua cunhada, e residiram na casa da Rapadoura, em Infesta<ref>Tiveram descendência bem conhecida.</ref>.
Também pertenceu a esta nobre familia D. Genoveva Luísa Pereira de Castro, que casou com Francisco José da Cunha Brandão, de Jancide, onde vivem descendentes seus.
Da bela casa da Cruz (edifício) apenas resta uma cortina ameada, distintivo da fidalguia dos seus moradores.
'''{{c|CASA DA RAPADOURA}}'''
São bastante conhecidos os seus senhores desde o princípio do século XVI. Vivia aqui então a família Vaz Tabuada, de origem galega, que se aparentou com as mais distintas famílias da nossa terra.
Em resultado de ligações matrimoniais aqui viveram também os Caramenas, Rochas Pittas, Melos Bezerras, Antas, Barbosas, Pereiras de Castro, etc.
Entre os senhores desta nobre Casa citaremos Francisco Barbosa Fitta d'Antas, juiz dos Orfãos em Coura, e Seu filho Martim da Rocha Pitta, abade de Paredes
(século XVI e XVII) e outro Francisco Barbosa Pitta d'Antas, de alcunha o - «Canga Raposas» - muito considerado em Coura no 3.º quartel do século XVII.
A fidalga morada de tantas famílias ilustres está hoje em ruínas.
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''{{c|CASA DA PEDREIRA}}''' Pertenceu a Pereiras Barbosa e Lemos. O capitão António José Pereira Barbosa, comandante de Ordenanças neste concelho, teve de sua mulher D. Rosa Teresa Pinto de Queirós, entre outros filhos, D. Francisca Pereira Freire de Andrade, que casou com António José Freire d'Andrade, muitos anos escrivão da Administração de Coura. Ainda aqui reside uma senhora, filha destes, casada e com geração. '''{{c|CASA DA...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CASA DA PEDREIRA}}'''
Pertenceu a Pereiras Barbosa e Lemos. O capitão António José Pereira Barbosa, comandante de Ordenanças neste concelho, teve de sua mulher D. Rosa Teresa Pinto de Queirós, entre outros filhos, D. Francisca Pereira Freire de Andrade, que casou com António José Freire d'Andrade, muitos anos escrivão da Administração de Coura.
Ainda aqui reside uma senhora, filha destes, casada e com geração.
'''{{c|CASA DA CACHADA}}'''
É antiga. No século XVIII eram senhores desta Casa os Cunhas Pereiras, entre os quais citaremos o P.<sup>e</sup> Pascoal da Cunha Pereira, «sujeito e clérigo de muita veneração», como diz um seu biógrafo.
No século passado entraram nesta família os Sás Leones.
Pertenceu a esta Casa o grande palácio brazonado, construido nas suas próximidades e há anos apeado, sendo a maior parte da sua bela cantaria destinada aos novos Paços do Concelho, em Paredes.
Da Casa da Cachada ainda hove vive a Sr. D. Inácia Pereira Lemos da Cunha Brandão<ref>Faleceu há meses. (Nota do autor).</ref>, viúva há muitos anos de seu segundo marido José Joaquim da Cunha Brandão.
'''{{c|CASA DE JANCIDE}}'''
Pertenceu, ultimamente, aos Antas de Faria.
José Eusébio d'Antas de Faria, de Padornelo, veio casar a Jancide com D. Maria Gertrudes Barbosa Soares, filha de Bernardino Soares de Sousa e de sua mulher D. Marcelina Barbosa.
Tiveram prole numerosa e quem escreve estas linhas recorda-se perfeitamente de seus filhos Clemente Plácido d'Antas Faria, secretário da Câmara, D. Jacinta, D. Bernardina e D. Joana d'Antas de Faria<ref>Foram irmãos destes o dr. Tomás Florêncio, formado em direito e advogado e Ricardo Camilo, escrivão dos Orfãos. Deste era filho Tomás Florêncio d'Antas Faria, que foi casado, em primeiras núpcias, com D. Rosa Gonçalves Pereira, irmã do falecido Par do Reino Miguel Dantas G. Pereira.</ref>.
Da casa de habitação, que era grande, nada resta. No seu local levanta-se hoje um elegante prédio, mandado construir por António José da Cunha Brandão, da Boavista, há pouco falecido nos Estados Unidos do Brasil».
Eis o belo trabalho de investigação com que o Snr. Cunha Brandão me obsequiou, a propósito da terra da sua naturalidade.
{{c|***}}
Respeitante ao cruzeiro da Casa do Paço, já mencionada, há uma lenda, que respira dor e melancolia: é a lenda do «''Pretinho''».
O cruzeiro era pertença da Casa do Paço, então habitada por umas Senhoras, ao serviço das quais estava um escudeiro de cor preta.
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>'''{{c|CASA DA PEDREIRA}}'''
Pertenceu a Pereiras Barbosa e Lemos. O capitão António José Pereira Barbosa, comandante de Ordenanças neste concelho, teve de sua mulher D. Rosa Teresa Pinto de Queirós, entre outros filhos, D. Francisca Pereira Freire de Andrade, que casou com António José Freire d'Andrade, muitos anos escrivão da Administração de Coura.
Ainda aqui reside uma senhora, filha destes, casada e com geração.
'''{{c|CASA DA CACHADA}}'''
É antiga. No século XVIII eram senhores desta Casa os Cunhas Pereiras, entre os quais citaremos o P.<sup>e</sup> Pascoal da Cunha Pereira, «sujeito e clérigo de muita veneração», como diz um seu biógrafo.
No século passado entraram nesta família os Sás Leones.
Pertenceu a esta Casa o grande palácio brazonado, construido nas suas próximidades e há anos apeado, sendo a maior parte da sua bela cantaria destinada aos novos Paços do Concelho, em Paredes.
Da Casa da Cachada ainda hove vive a Sr. D. Inácia Pereira Lemos da Cunha Brandão<ref>Faleceu há meses. (Nota do autor).</ref>, viúva há muitos anos de seu segundo marido José Joaquim da Cunha Brandão.
'''{{c|CASA DE JANCIDE}}'''
Pertenceu, ultimamente, aos Antas de Faria.
José Eusébio d'Antas de Faria, de Padornelo, veio casar a Jancide com D. Maria Gertrudes Barbosa Soares, filha de Bernardino Soares de Sousa e de sua mulher D. Marcelina Barbosa.
Tiveram prole numerosa e quem escreve estas linhas recorda-se perfeitamente de seus filhos Clemente Plácido d'Antas Faria, secretário da Câmara, D. Jacinta, D. Bernardina e D. Joana d'Antas de Faria<ref>Foram irmãos destes o dr. Tomás Florêncio, formado em direito e advogado e Ricardo Camilo, escrivão dos Orfãos. Deste era filho Tomás Florêncio d'Antas Faria, que foi casado, em primeiras núpcias, com D. Rosa Gonçalves Pereira, irmã do falecido Par do Reino Miguel Dantas G. Pereira.</ref>.
Da casa de habitação, que era grande, nada resta. No seu local levanta-se hoje um elegante prédio, mandado construir por António José da Cunha Brandão, da Boavista, há pouco falecido nos Estados Unidos do Brasil»[sic].
Eis o belo trabalho de investigação com que o Snr. Cunha Brandão me obsequiou, a propósito da terra da sua naturalidade.
{{c|***}}
Respeitante ao cruzeiro da Casa do Paço, já mencionada, há uma lenda, que respira dor e melancolia: é a lenda do «''Pretinho''».
O cruzeiro era pertença da Casa do Paço, então habitada por umas Senhoras, ao serviço das quais estava um escudeiro de cor preta.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: As fidalgas foram morrendo, e o preto ficou só, continuando a habitar no Paço. Era ele muito devoto do ''Senhor do Cruzeiro''; e é natural que o isolamento em que se encontrava mais lhe afervorasse a crença. Por isso ia repetidas vezes verter, em lágrimas de saudade, junto do Cruzeiro, a sua dor pela perda das ''suas Senhoras''. Devemos até supor que era muito legítima essa dor e saudade. Às vezes, altas horas da noite, quando os ra...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>As fidalgas foram morrendo, e o preto ficou só, continuando a habitar no Paço.
Era ele muito devoto do ''Senhor do Cruzeiro''; e é natural que o isolamento em que se encontrava mais lhe afervorasse a crença. Por isso ia repetidas vezes verter, em lágrimas de saudade, junto do Cruzeiro, a sua dor pela perda das ''suas Senhoras''.
Devemos até supor que era muito legítima essa dor e saudade.
Às vezes, altas horas da noite, quando os rapazes da freguesia recolhiam dos serões, encontravam o «''Pretinho''» ajoelhado nas lágeas do caminho, voltado para o Crucificado, esbatendo-se-lhe nas faces, a luz bruxoleante e mortiça da lanterna de azeite, que mão piedosa acendia diante de Cristo.
Absorvido em longa e profunda meditação, talvez em êxtases, o «''Pretinho''» inspirava respeito e veneração aos que passavam ali.
Uma manhã, porém, o «''Pretinho''» foi encontrado morto junto do Cruzeiro, com vestígios de ter suado sangue na sua desolada agonia...
Desde então a lenda popular deu ao ''Pretinho'', ao velho criado das Fidalgas, foros de santidade<ref>Ver «Diário de Notícias»,. n.º 14090 de 19 de Janeiro de 1905.</ref>.
{{c|---}}
É natural desta freguesia o Snr. Tenente-Coronel Manuel José da Cunha Brandão, distinto publicista e infatigável investigador de antigualhas nacionais, merecendo-the especial atenção as deste concelho.
Muito estudioso e trabalhador, de inteligência lúcida e culta, o Snr. Cunha Brandão tem decidida paixão pelos arquivos, cuja poeirada mais lhe aguça o apetite pelas coisas do passado, devendo-se à sua competência interessantes e curiosas notícias, dispersas por diferentes publicações periódicas.
Pena é que o erudito courense não as tenha coleccionado em volume.
Filho de humildes, mas honrados lavradores, Cunha Brandão afeiçoou-se cedo às letras, frequentando nesta vila gramática latina, e na cidade de Braga outros preparatórios, onde manifestou, a breve trecho, refulgentes faculdades intelectuais, sempre aditadas por substancioso estudo.
Quando estava para concluir os preparatórios, lembrou-se de assentar praça. Era em 1867.
E foi aí, na vida prática das armas, onde o atilado mancebo mais disciplinou o espírito, doirando-o com novos estudos, acostumando-se, decididamente, ao trato das bibliotecas, e enceleirando boa cópia de matérias e provisões.
Em 1879 era promovido a alferes; a tenente em 1885, a capitão em 1894, a major pela lei de equiparação em 1902, passando em seguida ao quadro da arma (infantaria) no posto de tenente-coronel.
Serviu nos corpos de Infantaria nos 1, 4, 18, e 20; nos de Caçadores n.<sup>os</sup> 3, 6 e 7 e na Administração Militar.
Foi professor do curso de 2.ª classe de sargentos em Infantaria n.º 20, ajudante de Caçadores n.º 6 em 1885, sendo exonerado, a seu pedido, em 1889.
Tomou a direcção da importante padaria de Elvas em 1870, onde se demorou até 1872, sendo depois mandado instalar e dirigir a de Leiria, desde 1873 a 1878.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Serviu como secretário dos conselhos administrativos de Caçadores n.º 1 desde 1890-1893. Larga folha de serviços durante o longo estádio de 35 anos! É condecorado com a medalha de prata de comportamento exemplar e Cavaleiro da Ordem d'Aviz. Cunha Brandão é um ''viciado'' na frequência dos arquivos, um ''romeiro'' para a Torre do Tombo e um ''habitué'' da Biblioteca Nacional. Dentre os seus numerosos trabalhos, já editados, destacar...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Serviu como secretário dos conselhos administrativos de Caçadores n.º 1 desde 1890-1893.
Larga folha de serviços durante o longo estádio de 35 anos!
É condecorado com a medalha de prata de comportamento exemplar e Cavaleiro da Ordem d'Aviz.
Cunha Brandão é um ''viciado'' na frequência dos arquivos, um ''romeiro'' para a Torre do Tombo e um ''habitué'' da Biblioteca Nacional.
Dentre os seus numerosos trabalhos, já editados, destacarei as «Efemérides de Valença» e o «Resumo da História da Geografia», ambos de merecimento.
O último escrito com verdadeiro sabor didático, veio preencher uma lacuna na nossa literatura geográfica. Está dividido em quatro partes e estas em capítulos. A primeira parte inscreve-se: «''Tempos Antigos''», a segunda: «''Idade Média''»; a terceira: «''Tempos Modernos''», e a quarta: «''Período Contemporâneo''».
É um livro de 226 páginas, que se lê com interesse e agrado. Dá vontade de o assimilar de um fôlego e merece ser compulsado pela mocidade das escolas.
Cunha Brandão tem colaborado e colabora em variadas publicações jornalísticas, distinguindo-se os seus escritos não só por uma dicção correcta e castigada, senão também por um ''savoir faire'', que prende e, do mesmo passo, nutre, espiritualmente.
É um modesto e foi sempre amorável para com a sua terra natal, onde gosa de muita estima e conta sinceros admiradores.
Reside em Lisboa, mas não se esquece de visitar este retalho do Alto-Minho, comprazendo-se na contemplação de edifícios, lugares, casas, paisagens, etc., da sua mocidade, que ainda o enlevam e fascinam.
E não o oculta: até vai para o jornalismo estereotipar as suas impressões de observador meticuloso e cintilante.
Destingue-me com a sua amizade, e a ele devo não só incitamento, mas valioso pecúlio de informação.
Aqui lhe deixo a afirmação do meu reconhecimento, e que o primoroso amigo me releve as notas de justiça, que aí ficam.
{{c|---}}
Esta freguesia, não obstante ser muito populosa, ter grande área e exportar bastante cereal, ainda não compartilha, directamente, das comodidades da viação a ''macadam''.
Tem escola para o sexo masculino, com casa própria, na devesa do ''Santo'', próxima da capela de S. Sebastião.
Produz todos os géneros próprios da região e bastante vinho. Não lhe faltam lenhas.
Conforme o Foral de D. Manuel, pagava esta freguesia, além doutros tributos, três alqueires de pão meado «''pela cassa d'El-Rei''»; e, segundo as ''Inquirições'' de D. Afonso III, o casal da «''Rua de Quintas''» era obrigado a cortar e cavacar madeira para o «Castelo» (de Fraião) «quanta les mandar o Castelleiro, assi quomo é in seu uso».
Os moradores pagavam «''fossadeira''», iam à «''entruviscada''» e davam comida ao «Mordomo».
{{c|---}}
Na sua casa do ''Boulhão'' reside o Sr. Manuel José d'Antas da Gama, da Casa da Igreja, venerando ancião, chefe actual da família daquele apelido, muito conhecida e respeitada.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''23'''<br/> contra Drongel: Parece-me, homem hon-<br/> rado, voſſo trabalho por demais, ſegun-<br/> do eſſe palafrem eſtá morto, mas eu vos<br/> tenho buſcado, ſe vos bem parecer, ou-<br/> tro melhor remedio, que he tornardes a<br/> cavalgar em voſſo palafrem, e eu toma-<br/> rei eſſa Dóna honrada {{sic|nes|nas}} ancas, por-<br/> que o Rio he alto, e naõ o podereis paſ-<br/> ſar; e como formos da outra p...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''23'''<br/>
contra Drongel: Parece-me, homem hon-<br/>
rado, voſſo trabalho por demais, ſegun-<br/>
do eſſe palafrem eſtá morto, mas eu vos<br/>
tenho buſcado, ſe vos bem parecer, ou-<br/>
tro melhor remedio, que he tornardes a<br/>
cavalgar em voſſo palafrem, e eu toma-<br/>
rei eſſa Dóna honrada {{sic|nes|nas}} ancas, por-<br/>
que o Rio he alto, e naõ o podereis paſ-<br/>
ſar; e como formos da outra parte, por<br/>
ſoccorrer a voſſa neceſſidade mandarvos-<br/>
hei dar aquelle palafrem, em que eſſe<br/>
meu eſcudeiro vai. O Conde, e ſua mu-<br/>
lher vendo quam virtuoſamente queria<br/>
obrar com elles, deraõ-lhe muitas gra-<br/>
ças por tal ajuda: mas iſto era mais com<br/>
zelo de maldade, que com deſejo de bem<br/>
fazer, porque elle tanto que vio a Con-<br/>
deſſa, que a eſte tempo era moça, e<br/>
gentil mulher, pareceo-lhe tambem, que<br/>
cuidou logo a maldade, que eſperava<br/>
ſazer. E tomando-a nas ancas, vendo-ſe<br/>
da outra parte do Rio, pôs rijamente as<br/>
pernas ao cavallo, e como era ligeiro,<br/>
em pequeno eſpaço ſe alongou do Con-<br/>
de, ſem as lagrimas de Urbina pera iſſo<br/>
lhe aproveitarem, porque Narfaſtim,<br/>
que aſſi havia nome eſte Cavalleiro, mais<br/>
curava de andar, que das paixoens, que<br/>
C ii lhe<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O Sr. Gama exerceu diversos cargos públicos neste concelho, sendo apontado como um exemplo de correcção e honestidade<ref>Faleceu a 19 de Fevereiro de 1908, com 89 anos.</ref>. {{c|---}} O beneficio de Infesta tinha, antigamente, dois abades: um com cura, e outro sem cura; e cada qual recebia metade dos rendimentos. Quando se organizou o «''Tombo''» desta freguesia (1752) era abade sem cura António do Rego de Andrade, natural da cid...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>O Sr. Gama exerceu diversos cargos públicos neste concelho, sendo apontado como um exemplo de correcção e honestidade<ref>Faleceu a 19 de Fevereiro de 1908, com 89 anos.</ref>.
{{c|---}}
O beneficio de Infesta tinha, antigamente, dois abades: um com cura, e outro sem cura; e cada qual recebia metade dos rendimentos.
Quando se organizou o «''Tombo''» desta freguesia (1752) era abade sem cura António do Rego de Andrade, natural da cidade de Lisboa e aí Desembargador; e com cura era Domingos da Cruz Pias, que foi muito solícito pelo engrandecimento da sua igreja, concorrendo com importantes quantias para a reforma da antiga capela-mor, sacristia, compra de bens para o passal e melhoramentos na casa da residência.
Foi também ele quem requereu a organização do «''Tombo''».
A imagem de S. Tiago, padroeiro desta freguesia, foi mandada fazer por ele, pagando-a do seu bolso. E as pastor quem as oliveiras do adro ainda foi o solícito pastor que as mandou plantar<ref>Custaram-lhe 300 réis.</ref>.
As imagens de Santa Ana e de Nossa Senhora - «''misticas''», - devem-se à piedade de Isidora Pereira, do lugar da Cruz, e foram esculturadas por Manuel Bento Ferreira, da freguesia de Formariz. Benzeu-as o mencionado abade Domingos da Cruz Pias no dia 20 de Julho, de 1770.
A de Nossa Senhora das Dores veio de Braga e foi benzida pelo mesmo pároco no dia 6 de Julho, de 1775: é indulgenciada com 40 dias a toda a pessoa que assistir às suas festividades, ou rezar 7 Avé-Marias.
No ano de 1767 foram expostas à veneração pública as imagens de S. João Evangelista e de Santa Maria Madalena, também benzidas pelo mesmo pároco em 28 de Setembro, daquele ano. O P.<sup>e</sup> Bento Pinto e outros paroquianos é que se quotizaram para as pagar<ref>Estas notas foram extraídas do livro das Visitações desta freguesia.</ref>.
{{c|---}}
O fojo em frente da porta principal, «por ter 40 a 50 palmos de altura sobre a cangosta e ser «''seminario de maldades''», foi mandado fechar na visitação de 1765.
{{c|---}}
'''{{c|INSALDE}}'''
{{c|'''<small>O seu orago é Santa Maria</small>'''<ref>Nos «''Portugaliae Monumenta''» (1285), lê-se que, naquele tempo, era ''S. Mamede''.</ref>, '''<small>Tem 634 habitantes, sendo 288 do sexo masculino e 346 do feminino</small>'''}}
Dantes, como se vê das «''Inquirições''», de D. Afonso III, chamava-se ''Ansalde'', - e, mais tarde, ''Ensalde''<ref>«''Foral''» de D. Manuel.</ref>.
É uma freguesia montanhosa: está situada na vertente meridional da serra da Boulhosa.
A sua igreja paroquial é ampla, mas ressente-se da falta de dependências.
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Strudel45
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''24''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> lhe ouvia dizer. Quando ſe o Conde vio<br/> per tamanha traiçaõ enganado, come-<br/> çou a maltratar o palafrem, que leva-<br/> va, parecendo-lhe, que o alcançaria<br/> mas todo eſte trabalho ſoi em vaõ, por-<br/> que o levava taõ canſado, e morto, que<br/> aos quatro paſſos o leixou a pé, e ven-<br/> do-ſe atribulado, e de tanta deſaventura<br/> perſeguido,...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>'''24''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/>
lhe ouvia dizer. Quando ſe o Conde vio<br/>
per tamanha traiçaõ enganado, come-<br/>
çou a maltratar o palafrem, que leva-<br/>
va, parecendo-lhe, que o alcançaria<br/>
mas todo eſte trabalho ſoi em vaõ, por-<br/>
que o levava taõ canſado, e morto, que<br/>
aos quatro paſſos o leixou a pé, e ven-<br/>
do-ſe atribulado, e de tanta deſaventura<br/>
perſeguido, deſviou-ſe do caminho pera<br/>
hum arvoredo, e tirou o freio ao pala-<br/>
frem por pacer da erva, com que algu-<br/>
ma força cobraſſe. E eſtando aſſi na con-<br/>
templação de ſuas couſas, começou a di-<br/>
zer com lagrimas de piedade: Oh pia-<br/>
doſo Senhor! quam ſecretas, e cheas de<br/>
myſterio ſaõ todalas tuas couſas, ſem o<br/>
juizo dos homens poder alcançar, ſem<br/>
tua vontade, a menor parte dellas, nem<br/>
menos deſviar-ſe do que de ſuas vidas<br/>
tens ordenado. E a perdiçaõ de minhas<br/>
couſas teſtiſica eſta verdade, pois que<br/>
era ha dois dias mui contente, e agora<br/>
ſou o mais deſcontente dos deſcontentes;<br/>
e que menos eſperança tem de ſeu reme-<br/>
dio perdendo o bem de minha vida;<br/>
deſcanſo, e honra da minhas cãas. E por<br/>
mais magoas ſentir, conſentiſte, que ta-<br/>
manha traiçaõ me ſoſſe feita, e perdeſſe<br/>
a<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Pode considerar-se uma das mais ricas povoações do concelho. Os seus gados, de verão, vão pascer nas largas e feracissimas montanhas da Boulhosa. Abundante de cereais, tem muitas madeiras e lenhas de carvalho, e nos seus paúis colhe-se o aromático ''feno'', estimada forragem. Escasseia, porém, muito a madeira de pinho<ref>Recomendo aos seus naturais que façam sementeiras de penisco nos seus terrenos bravíos.</ref>. Os lugares de ''Reb...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Pode considerar-se uma das mais ricas povoações do concelho. Os seus gados, de verão, vão pascer nas largas e feracissimas montanhas da Boulhosa. Abundante de cereais, tem muitas madeiras e lenhas de carvalho, e nos seus paúis colhe-se o aromático ''feno'', estimada forragem. Escasseia, porém, muito a madeira de pinho<ref>Recomendo aos seus naturais que façam sementeiras de penisco nos seus terrenos bravíos.</ref>.
Os lugares de ''Rebordães'' e ''Vilarinho'' foram outrora coutos do convento de Ganfei.
Fr. Leão de S. Tomás, Geral dos Beneditinos, e seu Cronista, fala destes coutos e atribue a sua perda à vinda ou vizinhança do Marquês (de Vila-Real)<ref>«''Benedictina Luzitana''» tomo I, pág. 421, ed. de 1644. O Marquês de Vila Real era ''padroeiro'' de algumas igrejas de Coura.</ref>.
José Avelino d'Almeida, no seu ''Diccionário Chorographico''»[sic] referindo-se ao lugar de Meca, desta freguesia, filia a sua denominação em um caso pouco lisongeiro para os seus moradores. É uma aventura galante, que terminou por tragédia, sendo protogonistas um sacerdote e algumas «''mecas''» do mencionado lugar<ref>Citado «Diccionario», vob. Insalde, e «''Voz do Coura''», 4.º an., n.º 154. O sacerdote, conforme este jornal, fugiu para a Galiza e foi pároco perto de Pontevedra. Esta anedota encontra-se em um manuscrito da Biblioteca Pública de Lisboa, «Secç. de Mus.» B-5-22.</ref>.
(Sabe-se que a palavra ''meco'', antigo português, significava ''homem dissoluto, devasso'') e, porque o sacerdote tivesse muitas amantes, estas vieram às mãos, quando ele estava oficiando na igreja, travando-se escandalosa refrega em que intervieram os maridos das ''pudibundas matronas'' e o próprio ''D. João'', que foi vituperado com o doesto de - ''meco''. Daqui, ficar-se chamando ''Meca'' ao lugar. ''Si non é véro''...).
{{c|***}}
A leste desta freguesia há manifestos vestígios de fortificação importante, com entrada coberta para o ribeiro de Portuzelo, que lhe passava perto, chamada o ''Castelinho''<ref>«''Diccionario Chorographico''», de J. A. d'Almeida.</ref>.
Há 40 anos, foi descoberto, próximo desta fortificação, um ''aqueduto'', de pedra, com as dimensões 0,80<sup>m</sup>x0,60<sup>m</sup>, em direcção à mesma fortificação.
Ao norte, limites das freguesias de Insalde e Abedim, (Monção) há, no dorso da Boulhosa, um sítio, chamado - ''Forninho do Ouro'' -, que é um ''dolmen'', de grandes proporções. Foi explorado, em Setembro, de 1905, pelo nosso notável arqueólogo Sr. J. L. de Vasconcelos, mas já estava profanado pelos ''ciprianistas'', que chegaram a quebrar, dentro dele, algumas pedras a fogo!
Quem passar do lugar de Meca para o das ''Cortinhas'' encontra uns terrenos cultivados, conhecidos por ''Alvarelhos''<ref>Esta palavra, portugués antigo, significa - ''lugar alto, torre, guarita, reduto em iminência, donde as sentinelas podem observar o inimigo'' (Viterbo).</ref>. Há poucos anos, quando se fazia uma lavrada, apareceram as pedras de um ''pórtico'' - tranqueiros e padieira em arco -. Aqueles eram umas colunelas na verga da porta de uma corte, e a padieira, aberta numa só pedra, em outra porta, tendo sido, previamente, martelada (!) em parte. Lá estão<ref>Vi e examinei estas pedras em 28 de Maio, de 1905.</ref>. Nota curiosa: o granito, empregado nestas peças, não aparece por perto: é fino.
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Pode considerar-se uma das mais ricas povoações do concelho. Os seus gados, de verão, vão pascer nas largas e feracissimas montanhas da Boulhosa. Abundante de cereais, tem muitas madeiras e lenhas de carvalho, e nos seus paúis colhe-se o aromático ''feno'', estimada forragem. Escasseia, porém, muito a madeira de pinho<ref>Recomendo aos seus naturais que façam sementeiras de penisco nos seus terrenos bravíos.</ref>.
Os lugares de ''Rebordães'' e ''Vilarinho'' foram outrora coutos do convento de Ganfei.
Fr. Leão de S. Tomás, Geral dos Beneditinos, e seu Cronista, fala destes coutos e atribue a sua perda à vinda ou vizinhança do Marquês (de Vila-Real)<ref>«''Benedictina Luzitana''» tomo I, pág. 421, ed. de 1644. O Marquês de Vila Real era ''padroeiro'' de algumas igrejas de Coura.</ref>.
José Avelino d'Almeida, no seu ''Diccionário Chorographico''»[sic] referindo-se ao lugar de Meca, desta freguesia, filia a sua denominação em um caso pouco lisongeiro para os seus moradores. É uma aventura galante, que terminou por tragédia, sendo protogonistas um sacerdote e algumas «''mecas''» do mencionado lugar<ref>Citado «''Diccionario''», vob. Insalde, e «''Voz do Coura''», 4.º an., n.º 154. O sacerdote, conforme este jornal, fugiu para a Galiza e foi pároco perto de Pontevedra. Esta anedota encontra-se em um manuscrito da Biblioteca Pública de Lisboa, «Secç. de Mus.» B-5-22.</ref>.
(Sabe-se que a palavra ''meco'', antigo português, significava ''homem dissoluto, devasso'') e, porque o sacerdote tivesse muitas amantes, estas vieram às mãos, quando ele estava oficiando na igreja, travando-se escandalosa refrega em que intervieram os maridos das ''pudibundas matronas'' e o próprio ''D. João'', que foi vituperado com o doesto de - ''meco''. Daqui, ficar-se chamando ''Meca'' ao lugar. ''Si non é véro''...).
{{c|***}}
A leste desta freguesia há manifestos vestígios de fortificação importante, com entrada coberta para o ribeiro de Portuzelo, que lhe passava perto, chamada o ''Castelinho''<ref>«''Diccionario Chorographico''», de J. A. d'Almeida.</ref>.
Há 40 anos, foi descoberto, próximo desta fortificação, um ''aqueduto'', de pedra, com as dimensões 0,80<sup>m</sup>x0,60<sup>m</sup>, em direcção à mesma fortificação.
Ao norte, limites das freguesias de Insalde e Abedim, (Monção) há, no dorso da Boulhosa, um sítio, chamado - ''Forninho do Ouro'' -, que é um ''dolmen'', de grandes proporções. Foi explorado, em Setembro, de 1905, pelo nosso notável arqueólogo Sr. J. L. de Vasconcelos, mas já estava profanado pelos ''ciprianistas'', que chegaram a quebrar, dentro dele, algumas pedras a fogo!
Quem passar do lugar de Meca para o das ''Cortinhas'' encontra uns terrenos cultivados, conhecidos por ''Alvarelhos''<ref>Esta palavra, portugués antigo, significa - ''lugar alto, torre, guarita, reduto em iminência, donde as sentinelas podem observar o inimigo'' (Viterbo).</ref>. Há poucos anos, quando se fazia uma lavrada, apareceram as pedras de um ''pórtico'' - tranqueiros e padieira em arco -. Aqueles eram umas colunelas na verga da porta de uma corte, e a padieira, aberta numa só pedra, em outra porta, tendo sido, previamente, martelada (!) em parte. Lá estão<ref>Vi e examinei estas pedras em 28 de Maio, de 1905.</ref>. Nota curiosa: o granito, empregado nestas peças, não aparece por perto: é fino.
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Ruiaraujo1972
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>Pode considerar-se uma das mais ricas povoações do concelho. Os seus gados, de verão, vão pascer nas largas e feracissimas montanhas da Boulhosa. Abundante de cereais, tem muitas madeiras e lenhas de carvalho, e nos seus paúis colhe-se o aromático ''feno'', estimada forragem. Escasseia, porém, muito a madeira de pinho<ref>Recomendo aos seus naturais que façam sementeiras de ''penisco'' nos seus terrenos bravíos.</ref>.
Os lugares de ''Rebordães'' e ''Vilarinho'' foram outrora coutos do convento de Ganfei.
Fr. Leão de S. Tomás, Geral dos Beneditinos, e seu Cronista, fala destes coutos e atribue a sua perda à vinda ou vizinhança do Marquês (de Vila-Real)<ref>«''Benedictina Luzitana''» tomo I, pág. 421, ed. de 1644. O Marquês de Vila Real era ''padroeiro'' de algumas igrejas de Coura.</ref>.
José Avelino d'Almeida, no seu ''Diccionário Chorographico''»[sic] referindo-se ao lugar de Meca, desta freguesia, filia a sua denominação em um caso pouco lisongeiro para os seus moradores. É uma aventura galante, que terminou por tragédia, sendo protogonistas um sacerdote e algumas «''mecas''» do mencionado lugar<ref>Citado «''Diccionario''», vob. Insalde, e «''Voz do Coura''», 4.º an., n.º 154. O sacerdote, conforme este jornal, fugiu para a Galiza e foi pároco perto de Pontevedra. Esta anedota encontra-se em um manuscrito da Biblioteca Pública de Lisboa, «Secç. de Mus.» B-5-22.</ref>.
(Sabe-se que a palavra ''meco'', antigo português, significava ''homem dissoluto, devasso'') e, porque o sacerdote tivesse muitas amantes, estas vieram às mãos, quando ele estava oficiando na igreja, travando-se escandalosa refrega em que intervieram os maridos das ''pudibundas matronas'' e o próprio ''D. João'', que foi vituperado com o doesto de - ''meco''. Daqui, ficar-se chamando ''Meca'' ao lugar. ''Si non é véro''...).
{{c|***}}
A leste desta freguesia há manifestos vestígios de fortificação importante, com entrada coberta para o ribeiro de Portuzelo, que lhe passava perto, chamada o ''Castelinho''<ref>«''Diccionario Chorographico''», de J. A. d'Almeida.</ref>.
Há 40 anos, foi descoberto, próximo desta fortificação, um ''aqueduto'', de pedra, com as dimensões 0,80<sup>m</sup>x0,60<sup>m</sup>, em direcção à mesma fortificação.
Ao norte, limites das freguesias de Insalde e Abedim, (Monção) há, no dorso da Boulhosa, um sítio, chamado - ''Forninho do Ouro'' -, que é um ''dolmen'', de grandes proporções. Foi explorado, em Setembro, de 1905, pelo nosso notável arqueólogo Sr. J. L. de Vasconcelos, mas já estava profanado pelos ''ciprianistas'', que chegaram a quebrar, dentro dele, algumas pedras a fogo!
Quem passar do lugar de Meca para o das ''Cortinhas'' encontra uns terrenos cultivados, conhecidos por ''Alvarelhos''<ref>Esta palavra, portugués antigo, significa - ''lugar alto, torre, guarita, reduto em iminência, donde as sentinelas podem observar o inimigo'' (Viterbo).</ref>. Há poucos anos, quando se fazia uma lavrada, apareceram as pedras de um ''pórtico'' - tranqueiros e padieira em arco -. Aqueles eram umas colunelas na verga da porta de uma corte, e a padieira, aberta numa só pedra, em outra porta, tendo sido, previamente, martelada (!) em parte. Lá estão<ref>Vi e examinei estas pedras em 28 de Maio, de 1905.</ref>. Nota curiosa: o granito, empregado nestas peças, não aparece por perto: é fino.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''25'''<br/> a companheira de quantos males eſpera-<br/> va ſofrer, porém pois aſſi te apraz, per-<br/> mitte, que acabe eſta triſte vida, por-<br/> que acabem os males, que ha tanto ma-<br/> taõ ſem matar. Com eſtas, e outras cou-<br/> ſas envoltas com muitos ſuſpiros d'alma<br/> paſſou o Conde toda aquella noite, e ao<br/> outro dia em amanhecendo, entrou no<br/> caminho, que leixara, naõ perdendo a<br/...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''25'''<br/>
a companheira de quantos males eſpera-<br/>
va ſofrer, porém pois aſſi te apraz, per-<br/>
mitte, que acabe eſta triſte vida, por-<br/>
que acabem os males, que ha tanto ma-<br/>
taõ ſem matar. Com eſtas, e outras cou-<br/>
ſas envoltas com muitos ſuſpiros d'alma<br/>
paſſou o Conde toda aquella noite, e ao<br/>
outro dia em amanhecendo, entrou no<br/>
caminho, que leixara, naõ perdendo a<br/>
eſperança, companheira enganoſa de to-<br/>
dolos humanos, ſem lhe nunca dar o<br/>
bem deſcanſado.<br/>
<big>'''CAPITULO V.'''</big><br/>
''Do que aconteceo a Narfastim, que á''<br/>
''Condeſſa forçoſamente levava''<br/>
<big>'''N'''</big>Arfaſtim, que á Condella forçoſa-<br/>
mente levava, tanto andou, que<br/>
a horas de Sol poſto encontrou huma Dó-<br/>
na acompanhada de quatro eſcudeiros,<br/>
que pera huma ſua Fortaleza caminha-<br/>
va. E chegando a ella, começou Urbi-<br/>
na mais fortemente a chorar, dizendo,<br/>
que lhe valeſſem, que aquelle Cavallei-<br/>
ro a levava contra ſua vontade. A Dóna<br/>
commovida a piedade com as lagrimas<br/>
de<noinclude></noinclude>
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Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/124
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''26''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> de Urbina, diſſe a Narfaſtim: Certo,<br/> Cavalleiro, naõ me parece, que uſaes<br/> do que prometeſtes, pois contra ſua von-<br/> tade quereis que vos acompanhem as Do-<br/> nas, e donzellas, que vós taõ obrigado<br/> ſois por outra via amparar. Narfaſtim,<br/> como hia acendido no amor de Urbina<br/> deu mui pouco por ſuas palavras e naõ<br/> leixando ſeu ca...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>'''26''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/>
de Urbina, diſſe a Narfaſtim: Certo,<br/>
Cavalleiro, naõ me parece, que uſaes<br/>
do que prometeſtes, pois contra ſua von-<br/>
tade quereis que vos acompanhem as Do-<br/>
nas, e donzellas, que vós taõ obrigado<br/>
ſois por outra via amparar. Narfaſtim,<br/>
como hia acendido no amor de Urbina<br/>
deu mui pouco por ſuas palavras e naõ<br/>
leixando ſeu caminho, trabalhava por<br/>
chegar a huma Fortaleza de ſeu Pay,<br/>
que era outro na virtude tal como elle,<br/>
que nas armas lhe tinha eſte grande van<br/>
taje. E deſpedido Narfaſtim deſta Dóna,<br/>
que Blinoiva ſe chamava, chegou Bli-<br/>
vonte hum ſobrinho ſeu, que vinha a<br/>
gram preſſa pela acompanhar: e quando<br/>
ſoube della o que com Narfaſtim paſſara,<br/>
começou a tomar hum galope apreſſado<br/>
apos elle, e como trazia cavallo ligeiro,<br/>
em pequeno eſpaço o alcançou, dizen-<br/>
do: Á' Dom falſo Cavalleiro, naõ te<br/>
podes tanto eſconder, que a tua malda-<br/>
de te naõ deſcubra por onde quer que<br/>
fores, pois forçoſamente levas eſſa Dó-<br/>
na, que tanto te defama. Narfaſtim, ſem<br/>
lhe mais reſponder, dando a Condeſſa ao<br/>
ſeu eſcudeiro moveo contra elle ſua lan-<br/>
ça baixa parecendo-lhe, que o ſeu esſor-<br/>
ço<noinclude></noinclude>
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Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/108
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Erick Soares3
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/* Revistas e corrigidas */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Dona Benta sentava-se na rêde, punha
Narizinho no collo e principiava:
— “Era uma vez um pinto sura, de
pennas arrepiadas, differente de todos os
mais pintos do gallinheiro. Que culpa tinha
elle disso ? Nenhuma. No emtanto, todos judiavam delle — vejam só! porque era sura...
O pobrezinho nem comer em paz podia. Na hora do milho era ''zás !'' uma bicada
dʼaqui, ''zás !'' uma bicada dʼalli, emquanto os
outros, sossegadamente, enchiam o papo
até estufar.
E si apanhava algum bichinho, grillo
ou içá, era aquella certeza: a gallinhada inteira punha-se a correr atrás delle até tomar
o petisco.
Por causa disso o pinto sura vivia sempre com fome, encolhidinho pelos cantos,
magro e maninguéra...
Certo dia perdeu a paciencia. Um frangote carijó, que andava de namoro com umas frangas amarellas, deu-lhe, á vista dessas meninas de pennas, uma tal sóva de bicadas que o deixou descadeirado. As frangas, enthusiasmadas com a valentia do frango bonito, riram-se á grande do triste sovado<noinclude>{{c|☉{{gap}}104{{gap}}☉}}</noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/51
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Trooper57
24584
/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|IV|NUANCE-NUANCES}}
Era de verão: o thermometro marcava 35°; o calor abafava; o céo estava quasi negro; nuvens espessas e carregadas de electricidade despediam scentelhas deslumbrantes, seguidas de estrondosos trovões; a çhuva em torrentes alagava praças e ruas!...
Durou, porèm, só tres quartos de hora a tormenta,
que foi pouco a pouco amainando, quando
de repente mostrou-se esplendido aquelle meteóro,
que o legislador hebreo indicou ao seo povo como
signal de alliança entre o céo e a terra, e promessa inquebrantavel de não haver segundo diluvio.
Sem periphrase, os raios do sol poente esbatiam
nas nuvens ralas, e desenhava-se um immenso e
lindo arco-iris.
Mas ao que vem esta descripção de uma tempestade,
terminando com a apparição do arco-iris?...
Para fazer comprehender o que os francezes
çhamam — ''Nuance'' — no singular, e — ''Nuances'' — no
plural, pareceu-me melhor exemplificar, do que definir
o termo, que encerra idéas complexas.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|IV|NUANCE-NUANCES}}
Era de verão: o thermometro marcava 35°; o calor abafava; o céo estava quasi negro; nuvens espessas e carregadas de electricidade despediam scentelhas deslumbrantes, seguidas de estrondosos trovões; a çhuva em torrentes alagava praças e ruas!...
Durou, porèm, só tres quartos de hora a tormenta, que foi pouco a pouco amainando, quando de repente mostrou-se esplendido aquelle meteóro, que o legislador hebreo indicou ao seo povo como signal de alliança entre o céo e a terra, e promessa inquebrantavel de não haver segundo diluvio.
Sem periphrase, os raios do sol poente esbatiam nas nuvens ralas, e desenhava-se um immenso e lindo arco-iris.
Mas ao que vem esta descripção de uma tempestade, terminando com a apparição do arco-iris?...
Para fazer comprehender o que os francezes çhamam — ''{{lang|fr|Nuance}}'' — no singular, e — ''{{lang|fr|Nuances}}'' — no plural, pareceu-me melhor exemplificar, do que definir o termo, que encerra idéas complexas.
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Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/109
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>que nem suster-se em pé podia. E chegaram,
mesmo, a compôr um versinho:
<poem>
{{smaller|
''Foi saracura,''
''Oʼ pinto sura !''
''Quem te deu''
''Tamanha surra ?''
}}
</poem>
O pinto, desesperado, resolveu queixar-se ao rei.
— Levo-lhe uma carta, pensou comsigo,
e o rei ha de attender-me. Depois, quero
ver!...
Procurou pelo chão uma carta.
Bobinho como era, qualquer papelzinho
para elle era carta.”
— A Emilia tambem é assim, vovó.
Qualquer papelzinho para ella é carta...
Esta boba !...
— “Mas achou um pedacinho de papel
e, tomando-o no bico, partiu em direcção ao
palacio do rei. Levou, ainda, um embornal
cheio de milho para ir manducando pelo
caminho.
E lá se foi.
Andou, andou, andou até que deu com uma raposa, sentada á beira do caminho,<noinclude>{{c|☉{{gap}}105{{gap}}☉}}</noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>que nem suster-se em pé podia. E chegaram,
mesmo, a compôr um versinho:
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''Foi saracura,''
''Oʼ pinto sura !''
''Quem te deu''
''Tamanha surra ?''
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</poem>
O pinto, desesperado, resolveu queixar-se ao rei.
— Levo-lhe uma carta, pensou comsigo,
e o rei ha de attender-me. Depois, quero
ver!...
Procurou pelo chão uma carta.
Bobinho como era, qualquer papelzinho
para elle era carta.”
— A Emilia tambem é assim, vovó.
Qualquer papelzinho para ella é carta...
Esta boba !...
— “Mas achou um pedacinho de papel
e, tomando-o no bico, partiu em direcção ao
palacio do rei. Levou, ainda, um embornal
cheio de milho para ir manducando pelo
caminho.
E lá se foi.
Andou, andou, andou até que deu com
uma raposa, sentada á beira do caminho, {{PT||com um cacho
de uvas na
mão.}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''27'''<br/> ço lhe daria vingança, e com a força,<br/> que ambos levavaõ, deraõ-ſe taõ fortes<br/> encontros, que as lanças foraõ mui fa-<br/> cilmente quebradas. E arrancando das<br/> eſpadas, começaraõ de ſe ferir como a-<br/> quelles que na deſenvoltura das armas<br/> em muitas partes ſe naõ achariaõ ſeus<br/> iguaes. E tanto continuaraõ ſua batalha,<br/> te que Narfaſtim quebrou a eſpada no<br/> broc...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''27'''<br/>
ço lhe daria vingança, e com a força,<br/>
que ambos levavaõ, deraõ-ſe taõ fortes<br/>
encontros, que as lanças foraõ mui fa-<br/>
cilmente quebradas. E arrancando das<br/>
eſpadas, começaraõ de ſe ferir como a-<br/>
quelles que na deſenvoltura das armas<br/>
em muitas partes ſe naõ achariaõ ſeus<br/>
iguaes. E tanto continuaraõ ſua batalha,<br/>
te que Narfaſtim quebrou a eſpada no<br/>
brocal do Eſcudo de Blivonte. E vendo-<br/>
ſe com ella perdida, e que as forças de<br/>
ſeu inimigo ſe renovavaõ, remeteo a el-<br/>
le por ſe travar a braços: mas Blivonte<br/>
lhe deu hum golpe de tanta força, an-<br/>
tes que a elle chegaſſe, que lhe fendeo<br/>
o elmo, e a cabeça, com que vingou<br/>
Urbina, e elle ficou deſcanſado. E co-<br/>
mo alimpou a eſpada daquelle ſangue de<br/>
ſua victoria, foi-ſe onde a Condeſſa eſ-<br/>
tava e depois de a ſalvar mui cortez-<br/>
mente diſſe: Senhora, pois vos Deos li-<br/>
vrou, e cumprio o que deſejaveis, ve-<br/>
de o que determinaes fazer, porque naõ<br/>
com menos vontade farei o que mandar-<br/>
des do que pus por obra o que viſtes,<br/>
e quem me a iſto obriga, ſaõ eſtas ar-<br/>
mas, que pera ajuda, e amparo dos que<br/>
tiverem neceſſidade dellas, folguei de a-<br/>
ceitar.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 110 crop).jpg |align=left |width=200px |padt=2em }} {{PT|com um cacho de uvas na mão.}} — Bom dia, dona Raposa ! — Ora viva, pinto sura ! Para aonde vae com tanta pressa ? — Ao palacio do rei, entregar-lhe esta cartinha. — Queres levar-me comtigo ? — Só si couberes neste embornal... — Caibo, sim, disse a raposa. Queres vêr ? E com muito geito accommodou-se dentro do embo...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{Imagem float-p
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}}
{{PT|com um cacho
de uvas na
mão.}}
— Bom dia,
dona Raposa !
— Ora viva,
pinto sura ! Para aonde vae
com tanta pressa ?
— Ao palacio do rei, entregar-lhe esta
cartinha.
— Queres levar-me comtigo ?
— Só si couberes neste embornal...
— Caibo, sim, disse a raposa. Queres
vêr ? E com muito geito accommodou-se
dentro do embornal.
— Mas não me vá comer o milho, hein?
recommendou o pinto, fincando o pé na
estrada.
Andou, andou, andou até que deu com
um rio de aguas muito limpas, cheio de peixinhos. Parou para beber agua, e estava
''glug ! glug !'' quando o rio disse:
— Amigo sura, que vontade de ir viajar comtigo !
— Pois vamos. Já levo aqui a raposa e<noinclude>{{c|☉{{gap}}106{{gap}}☉}}</noinclude>
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{{PT|com um cacho
de uvas na
mão.}}
— Bom dia,
dona Raposa !
— Ora viva,
pinto sura ! Para aonde vae
com tanta pressa ?
— Ao palacio do rei, entregar-lhe esta
cartinha.
— Queres levar-me comtigo ?
— Só si couberes neste embornal...
— Caibo, sim, disse a raposa. Queres
vêr ? E com muito geito accommodou-se
dentro do embornal.
— Mas não me vá comer o milho, hein?
recommendou o pinto, fincando o pé na
estrada.
Andou, andou, andou até que deu com
um rio de aguas muito limpas, cheio de peixinhos. Parou para beber agua, e estava
''glug ! glug !'' quando o rio disse:
— Amigo sura, que vontade de ir viajar comtigo !
— Pois vamos. Já levo aqui a raposa e<noinclude>{{c|☉{{gap}}106{{gap}}☉}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''28''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> ceitar. Senhor Cavalleiro, reſpondeo Ur-<br/> bina, pois ſou chegada a tempo, que<br/> vos naõ poſſo pagar com mais, que o<br/> rogar a Deos por vós, me naõ quero a<br/> outra couſa offerecer mas elle por cujo<br/> ſerviço taes couſas obraes, vos dará o<br/> galardaõ: E no ſim deſtas palavras con-<br/> tou-lhe como ella, e ſeu marido eraõ de<br/> terra eſtran...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>'''28''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/>
ceitar. Senhor Cavalleiro, reſpondeo Ur-<br/>
bina, pois ſou chegada a tempo, que<br/>
vos naõ poſſo pagar com mais, que o<br/>
rogar a Deos por vós, me naõ quero a<br/>
outra couſa offerecer mas elle por cujo<br/>
ſerviço taes couſas obraes, vos dará o<br/>
galardaõ: E no ſim deſtas palavras con-<br/>
tou-lhe como ella, e ſeu marido eraõ de<br/>
terra eſtrangeira, e vindo ſeu caminho,<br/>
no paſſo de hum váo a tomara aquelle<br/>
Cavalleiro por tamanho engano: e por<br/>
quanto naõ ſabia a que parte ſeu marido<br/>
era lançado, lhe rogava, que a puſeſſe<br/>
em caſa de alguma virtuoſa peſſoa, té<br/>
ſaber novas delle. E eſtando neſtas cou-<br/>
ſas, chegou Blinoiva a elles, que ficcu<br/>
mui alegre, vendo que ſeu ſobrinho com<br/>
tanta honra acabara aquella aventura.<br/>
Blivonte lhe contou então quanto paſſa-<br/>
ra com Urbina, e pedio-lhe, que pois<br/>
o amparo della lhe tocava, folgaſſe de<br/>
a agaſalhar. Naõ áhi couſa, diſſe Bli-<br/>
noiva, que eſtando em meu poder, eu<br/>
por voſſo amor naõ ſaça, quanto mais<br/>
eſta, com que tanto folgarei, por me<br/>
parecer eſta Dóna mulher virtuoſa, e de<br/>
merecimento, por iſſo deſcançai, que<br/>
eu tomo eſſe cuidado. E entaõ ſe che-<br/>
gou<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />8</noinclude>No arco-iris aquella fusão quasi insensivel, e habilmente manejada pelo divino Artista, dos differentes tons da luz; aquella gradação de côres; aquellas differenças delicadas e subtis; emfim, aquella transição imperceptivel de uma para outra côr, eis ao que muĩto acertadamente çhamam os francezes — ''{{lang|fr|Nuance, Nuances}}''.
Ha n’essa artistica combinação de côres como que ''uma duvida'', que consiste em não se poder definir com exactidão onde morre uma, e onde nasce outra côr: a nuvem, ou nuvens reflectoras dos raios do sol apresentam n’esse phenomeno meteorologico um ''colorido dubio'', ambiguo, que deleita a vista, deixando ''duvidosa'' a discriminação dos limites de cada côr.
Entremos agora na anatomia philologica. Foi para exprimir essa ''discriminação duvidosa'' das côres, que formaram os francezes a sua bella palavra — ''Nuance, Nuances'', tirando a das duas latinas — ''{{lang|la|Nubes}}'', (nuvem) e — ''{{lang|la|anceps}}'' — (duvidoso).
Ao vocabulo ''{{lang|la|Nubes}}'' cortaram a ultima syllaba (''bes''), reduzindo-o ao prefixo — ''Nu'' —; e do adjectivo latino — anceps — supprimiram no singular o — ''ps'' —, e no plural somente o — ''p'' —; de modo que ficou em francez — ''{{lang|fr|Nuance}}'' — no singular, e ''{{lang|fr|Nuances}}'' no plural.
Não ha impugnação possivel contra esta etymologia, muĩto diversa da que dá Bescherelle, {{pt|fa-|fazendo }}<noinclude></noinclude>
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Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/127
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''29'''<br/> gou a Urbina, que nas ancas do pala-<br/> frem do eſcudeiro de Blivonte eſtava,<br/> fez-lhe muito agaſalhado confortando-a<br/> pela perda de ſeu marido, dizendo, que<br/> Deos lhe mandaria taes novas delle, com<br/> que de todo deſcanſaſſe. Deſta maneira<br/> ficou a Condeſſa em caſa daquella Dóna<br/> mui amada, e querida della e naõ ſem<br/> cauſa, porque Urbina era taõ virtuoſa<br/> em ſ...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''29'''<br/>
gou a Urbina, que nas ancas do pala-<br/>
frem do eſcudeiro de Blivonte eſtava,<br/>
fez-lhe muito agaſalhado confortando-a<br/>
pela perda de ſeu marido, dizendo, que<br/>
Deos lhe mandaria taes novas delle, com<br/>
que de todo deſcanſaſſe. Deſta maneira<br/>
ficou a Condeſſa em caſa daquella Dóna<br/>
mui amada, e querida della e naõ ſem<br/>
cauſa, porque Urbina era taõ virtuoſa<br/>
em ſuas couſas, que ainda, que mais del-<br/>
la naõ ſoubeſſem iſto ſómente baſtava pe-<br/>
ra ſer mui eſtimada de todos. Porém na-<br/>
da diſto a deſcanſava com a lembrança<br/>
do Principe Clarimundo, e de ſeu mari-<br/>
do, eſtando deſterrado de ſua natureza:<br/>
mas todas eſtas magoas ſe converteraõ<br/>
em deſcanſado prazer. Porque eſte ſó bem<br/>
tem o nojo, dar no fim algum deſcanço.<br/>
<big>'''CAPITULO VI.'''</big><br/>
''Do que Drongel paſſou com hum eſcudei-''<br/>
''ro e do mais, que depois ſez.''<br/>
<big>'''P'''</big>Artido o Conde Drongel da floreſta,<br/>
onde ouviſtes, que com tantas lagri-<br/>
mas chorara a perdiçaõ de ſuas couſas;<br/>
tanto andou a huma, e a outra parte por<br/>
toda<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|142|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>A alegria de J.-T. Maston não tinha limites; esteve até por pouco a dar uma horrorosa quéda, quando intentava penetrar com a vista a profundidade do tubo de novecentos pés. Se não lhe acudíra Blomsberry com o braço direito, que o digno coronel por fortuna conservára, o secretario do Gun-Club teria, qual novo Erostrato, encontrado a morte nas profundezas da Columbiada.
Estava pois terminado o canhão; nem já era permittido ter duvidas ácerca de sua perfeita execução; nʼestes termos, a 6 de outubro, o capitão Nicholl, com vontade ou sem ella, desempenhou-se para com o presidente Barbicane, e este inscreveu no seu livro de contas e na columna das receitas, a quantia de dois mil dollars.
Devemos suppor que a furia do capitão chegou ao ultimo extremo. No entretanto havia ainda ajustadas mais tres apostas de tres, quatro e cinco mil dollars, e comtantoque o capitão ganhasse duas fazia negocio, que sem ser já excellente, ainda não era de todo mau. Porém o dinheiro nem sequer lhe entrava nos calculos; o bom exito obtido pelo rival que conseguira fundir um canhão, a que nem chapas de dez toezas de espessura poderiam resistir, é que fôra para Nicholl terrivel golpe.
Desde 23 de setembro que se tornára francamente accessivel ao publico o recinto de Stoneʼs-Hill. Qual foi a affluencia de vizitantes facilmente se comprehenderá. E na realidade, convergia de todos os pontos dos Estados Unidos para a Florida uma quantidade de curiosos sem conta. A cidade de Tampa tinha augmentado prodigiosamente no decurso dʼaquelle anno inteiramente consagrado ás obras do Gun-Club, e contava então cento e cincoenta mil almas. A cidade que começára por entrelaçar o forte Brooke nʼuma rede de ruas, estendia-se agora por sobre a lingueta de terra que separa os dois molhes da bahia do Espirito Santo; bairros novos, novas praças, uma floresta inteira de casas<noinclude></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/53
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|9}}</noinclude><noinclude>zendo</noinclude> provir do verbo latino, — ''{{lang|la|mutare}}'' — (mudar) a palavra ''{{lang|fr|Nuance}}'', por que antigamente se dizia ''{{lang|fr|Muance}}''; mas não explica d’onde vem o suffixo ''{{lang|fr|ance}}''.
Não tinhamos em portuguez vocabulo, que exactamente exprimisse as idéas complexas de ''{{lang|fr|Nuance}}'' e ''{{lang|fr|Nuances}}''; que deveriamos então fazer?... Nada mais simples: formarmos tambem nós, que falamos a lingua, ''que com pouca corrupção se crê latina'', uma palavra que significasse exactamente todo esse conjuncto de idéas contido no termo francez — ''{{lang|fr|Nuance}}''. E para que não haja duvida alguma de que o neologismo portuguez traduz as mesmissimas ideas que — ''{{lang|fr|Nuance}}'' em francez, engendremol-o com os mesmos elementos latinos, que serviram no francez á formação de ''{{lang|fr|Nuance}}'', isto é, com as palavras latinas — ''{{lang|la|Anceps}}'' (duvidoso) e ''{{lang|la|nubes}}'' (nuvem).
Corte-se o — ''ps'' — de ''{{lang|la|Anceps}}'' (''Ance''), dando a nubes o suffixo — ''io'' — ; e teremos ''Ancenubio''; palavra doce, suave, euphonica, que de mais a mais tem já em portuguez por parente consanguineo — ''Connubio'' (formado de ''{{lang|la|cum}}'' e ''{{lang|la|nubes}}'').
Fabricado com os mesmissimos elementos que ''{{lang|fr|Nuance}}'', o vocabulo ''Ancenubio'' diz sem a menor discrepancia tudo quanto os francezes exprimem com o termo ''{{lang|fr|Nuance}}''.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />10</noinclude>Está, portanto, ''não cortado, mas perfeitamente desatado'' o nó gordio: não mais arrancarão os cabellos os traductores, quando se lhes deparar a palavra ''{{lang|fr|Nuance}}'' ou ''{{lang|fr|Nuances}}''; por isso que fielmente a podem traduzir por ''Ancenubio'' ou ''Ancenubios''.<noinclude>{{traço}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|143|borda_inferior=sim}}</noinclude>tinham como que brotado dʼaquellas praias ainda ha pouco desertas, pela intensidade do calor do sol americano. Organisaram-se companhias para construir igrejas, escolas e habitações particulares, e em menos de um anno estava a cidade dez vezes maior.
É bem sabido que o yankee nasce commerciante; para onde quer que o arremesse o destino, da zona gelida á zona torrida, hão de exercer-se-lhe com utilidade os instinctos de negocio. Por esta rasão os simples curiosos, a gente que viera á Florida com o unico fito de seguir as operações do Gun-Club, deixou-se arrastar para operações commerciaes logoque se achou installada em Tampa. Os navios fretados para transportar o material e os operarios tambem tinham trazido ao porto um grau de actividade sem igual, e dentro em pouco muitos outros navios de todas as fórmas e tonelagens sulcaram a bahia e os dois molhes; estabeleceram-se vastos estabelecimentos de armador e escriptorios de corretor de navios, e a ''Shipping-Gazete'' registava todos os dias novas embarcações entradas no porto de Tampa.
Ao passo que se iam multiplicando as estradas em torno da cidade, mereceu esta a final ser ligada por via ferrea aos Estados meridionaes da União, em consideração ao prodigioso augmento que se realisára na sua população e commercio. Assentou-se um railway entre a Mabile e Pensacola, o maior arsenal maritimo do sul; e em seguida dʼeste ponto importante para Tallahassee.
Dʼali já estava construido um pequeno ramal de via ferrea de vinte e uma milhas de comprimento, que punha em communicação Tallahassee com Saint-Marks, localidade do littoral. Foi este ramal que se prolongou até Tampa-Town, e que na passagem veiu despertar ou dar vida ás regiões adormecidas ou mortas da Florida. Tampa, graças áquelles milagres da industria, devidos á idéa que um bello dia despontára nʼum cerebro humano, póde as-<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''30''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> toda aquella terra de Tiburnia, onde lhe<br/> iſto aconteceo, que vendo-ſe quebranta-<br/> do n'alma com paixaõ, e no corpo com<br/> muito trabalho, determinou de leixar<br/> ſuas couſas nas mãos de Deos, crendo<br/> ſerem aquellas mais ordenadas da ſua<br/> vontade em puniçaõ de ſeus peccados,<br/> que obras da varia fortuna. E caminhan-<br/> do pera Eſcardo...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>'''30''' <big>'''Chronica'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/>
toda aquella terra de Tiburnia, onde lhe<br/>
iſto aconteceo, que vendo-ſe quebranta-<br/>
do n'alma com paixaõ, e no corpo com<br/>
muito trabalho, determinou de leixar<br/>
ſuas couſas nas mãos de Deos, crendo<br/>
ſerem aquellas mais ordenadas da ſua<br/>
vontade em puniçaõ de ſeus peccados,<br/>
que obras da varia fortuna. E caminhan-<br/>
do pera Eſcardona, huma Cidade porto<br/>
de mar, com propoſito de ſe meter em<br/>
alguma Náo, que o lançaſſe em terra,<br/>
onde naõ viſſe couſa, que lhe deſſe lem-<br/>
brança da ſua; chegou a elle hum eſ-<br/>
cudeiro, que vinha gravemente choran-<br/>
do, e diſſelhe: Peço-vos Senhor, aſſi<br/>
Deos proveja ſempre com proſperidade<br/>
voſſas couſas, que me queiraes ajudar<br/>
com voſſa peſſoa, porque me mataraõ<br/>
meu Senhor, e naõ tenho ajuda com que<br/>
o leve a hum Moſteiro, que d'aqui eſtá<br/>
perto. Drongel, ainda que mais andava<br/>
pera delle haverem dó, que elle te-lo de<br/>
alguem: com tudo commoveo-ſe a ſazer<br/>
o que lhe pedia, tanto por obrar virtu-<br/>
de, como por conhecer na falla, que<br/>
era Ungaro. E certo, ambos tinhaõ aſ-<br/>
ſaz razaõ pera ſe conhecer, mas Dron-<br/>
gel com as muitas lagrimas, e má vida,<br/>
que<noinclude></noinclude>
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/IV
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Trooper57
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|144|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>sumir com legitimo fundamento ares de grande cidade. Cognominaram-na ''Moon-City''<ref>Cidade da Lua.</ref>. A capital das Floridas é que soffreu ecclypse total e visivel de todos os logares do globo.
Toda a gente comprehenderá agora por que fôra tão grande a rivalidade entre Texas e Florida, e a irritação dos texianos quando viram indeferidas as pretenções que tinham á preferencia do Gun-Club.
Com previdente sagacidade tinham os do Texas comprehendido quanto qualquer paiz haveria de ganhar com a experiencia tentada por Barbicane, e de que somma de beneficios havia de vir acompanhado um tal tiro de canhão. Perdia o Texas com a decisão que o desfavorecêra um importante centro de commercio, varios caminhos de ferro e um augmento consideravel de população. Estas vantagens todas iam parar áquella miseravel peninsula floridense, arremessada qual outro marachão entre as ondas do golpho e as vagas do oceano atlantico. Por isso Barbicane partilhava com o general SantʼAnna todas as antipathias dos texianos. Entretanto, apesar de entregue ao furor do commercio e ao ardor da industria, a população nova de Tampa-Town não esqueceu por fórma alguma as interessantes operações do Gun-Club. Pelo contrario. Tomavam todos calor e paixão pelos pormenores mais infimos da obra, pela mais insignificante enxadada. Era um constante vae-vem entre a cidade e Stoneʼs-Hill, uma procissão, ou para melhor dizer, uma romaria.
Já podia prever-se que, no dia da experiencia, a agglomeração de espectadores havia de contar-se por milhões, porque já elles de todos os pontos da Terra iam chegando e accumulando-se na estreita peninsula.
Emigrava a Europa para a America. Mas, até áquelle ponto,<noinclude>
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Erick Soares3
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Toda a gente comprehenderá agora por que fôra tão grande a rivalidade entre Texas e Florida, e a irritação dos texianos quando viram indeferidas as pretenções que tinham á preferencia do Gun-Club.
Com previdente sagacidade tinham os do Texas comprehendido quanto qualquer paiz haveria de ganhar com a experiencia tentada por Barbicane, e de que somma de beneficios havia de vir acompanhado um tal tiro de canhão. Perdia o Texas com a decisão que o desfavorecêra um importante centro de commercio, varios caminhos de ferro e um augmento consideravel de população. Estas vantagens todas iam parar áquella miseravel peninsula floridense, arremessada qual outro marachão entre as ondas do golpho e as vagas do oceano atlantico. Por isso Barbicane partilhava com o general SantʼAnna todas as antipathias dos texianos. Entretanto, apesar de entregue ao furor do commercio e ao ardor da industria, a população nova de Tampa-Town não esqueceu por fórma alguma as interessantes operações do Gun-Club. Pelo contrario. Tomavam todos calor e paixão pelos pormenores mais infimos da obra, pela mais insignificante enxadada. Era um constante vae-vem entre a cidade e Stoneʼs-Hill, uma procissão, ou para melhor dizer, uma romaria.
Já podia prever-se que, no dia da experiencia, a agglomeração de espectadores havia de contar-se por milhões, porque já elles de todos os pontos da Terra iam chegando e accumulando-se na estreita peninsula.
Emigrava a Europa para a America. Mas, até áquelle ponto,<noinclude>
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II
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#REDIRECIONAMENTO [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/II]]
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/III
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/IV
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#REDIRECIONAMENTO [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/IV]]
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/IX
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Trooper57
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#REDIRECIONAMENTO [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/IX]]
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Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/129
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Strudel45
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''3I'''<br/> que nos dias paſſados com tanta pai-<br/> xaõ ſofrera, andava taõ rouco, e desfei-<br/> to de ſeu bom parecer, que nunca foi<br/> do eſcudeiro conhecido, nem elle me-<br/> nos o conheceo, por naõ ter antes dellev muita noticia, e diſſe-lhe, que de mui<br/> boa vontade o ajudaria, ſe nelle ajuda<br/> pera algum bem havia. E indo aſſi am-<br/> bos, perguntou-lhe o Conde a cauſa,<br/> porque o m...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude><big>'''CLARIMUNDO.'''</big> '''3I'''<br/>
que nos dias paſſados com tanta pai-<br/>
xaõ ſofrera, andava taõ rouco, e desfei-<br/>
to de ſeu bom parecer, que nunca foi<br/>
do eſcudeiro conhecido, nem elle me-<br/>
nos o conheceo, por naõ ter antes dellev
muita noticia, e diſſe-lhe, que de mui<br/>
boa vontade o ajudaria, ſe nelle ajuda<br/>
pera algum bem havia. E indo aſſi am-<br/>
bos, perguntou-lhe o Conde a cauſa,<br/>
porque o mataraõ, e ſe era natural de<br/>
Ungria, aſſi como elle, ſegundo em ſua<br/>
linguagem moſtrava. Senhor, reſpondeo<br/>
elle, Arminer, que aſſi havia nome eſte<br/>
por quem perguntaes, era natural de<br/>
Buda, a principal Cidade de Ungria, e<br/>
poriſſo lhe chamavaõ Arminer de Buda:<br/>
e haverá bem quarenta dias, que he del-<br/>
la partido por hum deſaſtre, que acon-<br/>
teceo ao conde Drongel ſeu Tio, Irmão<br/>
do Marquez Orlete ſeu Pay, e paſſando<br/>
por hum Moſteiro, que fóra da Cidade<br/>
eſtá, onde Arminer tinha huma tia por<br/>
Abbadeſſa, ſoube della, que o Conde<br/>
e ſua mulher chegaraõ alli alta noite caſi<br/>
em lagrimas desfeitos, e pedindo-lhe<br/>
duas beſtas, que os levallem, ſe deſpedi-<br/>
raõ della ſem ſaber a determinação de<br/>
ſuas vontades pera que parte hiaõ: aſſi,<br/>
Se-<noinclude></noinclude>
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Página:Chronica do Emperador Clarimundo - Tomo I.pdf/130
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Strudel45
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''32''' <big>'''CHRONICA'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/> Senhor, que por eſte recado, e pelos ſi-<br/> naes, que lhe ella deu, ſoube que eraõ<br/> neſta terra paſſados. E vindo agora por<br/> huma floreſta, que cá diante eſtà, achou<br/> tres Cavalleiros, que lhe pediraõ huma<br/> peça de ſuas armas em ſinal de venci-<br/> mento; ou diſſeſſe a cauſa, porque taõ<br/> apreſſado hia, mas elle com a paixaõ,<br/> que le...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Strudel45" /></noinclude>'''32''' <big>'''CHRONICA'''</big> '''DO''' <big>'''EMPERADOR'''</big><br/>
Senhor, que por eſte recado, e pelos ſi-<br/>
naes, que lhe ella deu, ſoube que eraõ<br/>
neſta terra paſſados. E vindo agora por<br/>
huma floreſta, que cá diante eſtà, achou<br/>
tres Cavalleiros, que lhe pediraõ huma<br/>
peça de ſuas armas em ſinal de venci-<br/>
mento; ou diſſeſſe a cauſa, porque taõ<br/>
apreſſado hia, mas elle com a paixaõ,<br/>
que levava, naõ curando deſta demanda<br/>,
ſeguio ſeu caminho. Elles vendo, que<br/>
dava mui pouco por ſuas palavras, vie-<br/>
raõno alli tomar onde hora jaz, e feri-<br/>
raõno taõ cruamente, que o leixaraõ<br/>
quaſi morto; tégora, que em meus bra-<br/>
ços de todo pereceo. Todas eſtas couſas<br/>
eraõ pera Drongel eſpedaçarem-lhe a al-<br/>
ama, e o mais que podia, por ſe enco-<br/>
brir, encobrias: mas como a dor vencia<br/>
a diſſimulaçaõ, ajudava ao eſcudeiro<br/>
com muitas lagrimas, dando-lhe a en-<br/>
tender, que de compaixaõ de ſua orfan-<br/>
dade o ſazia e com ſoluços de muita<br/>
dor, começou a dizer: Rogovos, bom<br/>
eſcudeiro, que me digaes, porque cauſa<br/>
ſe partio o Conde Drongel de Ungria,<br/>
que certo eu tenho diſſo muito peſar,<br/>
por ſer peſſoa, que conhecia em tempo<br/>
mais contente do que agora eſtou, quan-<br/>
do<noinclude></noinclude>
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Página:Hystoria de Menina e Moça.pdf/20
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|Menina e Moça}}</noinclude>deſte monte hum ſaudoſo tom que muitas
vezes me tolheo bo ſono a mĩ onde eu vou
muitas vezes deixar as minhas lagrimas
onde tãbem muitas enfindas as toꝛno a beber,começaua entã de querer cair a calma ⁊ no caminho com a pꝛeſa que eu leuaua poꝛ fugir a ella, ou pola deſauẽtura que me leuaua tres ou quatro vezes cahi, mas eu que depois de triſte cuidei que nam tinha mais q̃ temer,nã olhei nada poꝛ aquilo ẽ q̃ parece q̃ deus me queria auiſar da mudança q̃ depois auia de vir;chegando a borda olhei pera onde via mayores ſombꝛas ⁊ pareceram me as q̃ eſtauam alem do rio, Diſe eu emtam entre mĩ que naquilo ſe enxergaua que era mais deſejado tudo ho que com mais trabalho ſe podia auer,poꝛ que nã ſe podia hir alẽ ſe ſe paſſar a agoa que corria alli mais manſa ⁊ mais alta que noutra parte:mas
eu que ſempre ſolgei de buſcar meu dano
paſſei alẽ ⁊ fuime a ſentar de ſob a eſpeça ſõbꝛa de hum verde freixo que para baixo hũ
pouco eſtaua:⁊ algũas vas ramas eſtendia poꝛ cima da agoa que alli fazia tamalaues
de corrẽte,⁊ empedida de hum penedo q̃ no
meo della eſtaua que ſe partia para hũ ⁊ outro cabo murmurando,eu que os olhos leuaua alli poſtos comecei a cuidar como nas<noinclude></noinclude>
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muitas vezes deixar as minhas lagrimas
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eu que ſempre ſolgei de buſcar meu dano
paſſei alẽ ⁊ fuime a ſentar de ſob a eſpeça ſõbꝛa de hum verde freixo que para baixo hũ
pouco eſtaua:⁊ algũas das ramas eſtendia poꝛ cima da agoa que alli fazia tamalaues
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