Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.6 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Autor:Martins Pena 102 5240 554139 548979 2026-06-11T14:22:36Z Junglk 34905 Adicionando antologias 554139 wikitext text/x-wiki {{Autor/v2 | InicialUltimoNome = P | nome = Martins Pena | nome completo = | nome nativo = | imagem = Martins Pena.jpg | imagem_tamanho = | legenda = | data_nascimento = {{dni|5|11|1815|si}} | nacionalidade = {{BRAn|o}} | data_morte = {{morte|7|12|1848|5|11|1815}} | género = | período = | temas = | abl = sim | Wikipedia = Martins Pena | Wikiquote = | Wikicommons = Martins Pena | MiscBio = '''Luís Carlos Martins Pena''' foi um dramaturgo, diplomata e introdutor da comédia de costumes no Brasil. É patrono da Academia Brasileira de Letras. }} ==Obras== {{Lista de documentos início|gênero}} {{Documento|data=1837|título=A Família e a Festa da Roça|galeria=|progresso=|gênero=Comédia|notas=}} {{Documento|data=1837|título=Fernando, ou O Cinto Acusador|galeria=|progresso=|gênero=Drama|notas=}} {{Documento|data=1837|título=O Juiz de Paz na Roça|galeria=|progresso=|gênero=Comédia|notas=}} {{Documento|data=c. {{ano|1837}}|título=Um Sertanejo na Corte|galeria=|progresso=|gênero=Comédia|notas=}} {{Documento|data=1838|título=D. João de Lira, ou O Repto|galeria=|progresso=|gênero=Drama|notas=}} {{Documento|data=1839|título=D. 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Os marinheiros narravam entre si, por noites de luar e calmaria, quando não tinham que fazer, lendas e histórias muitas vezes forjadas ali mesmo no fio da conversa... O comandante, diziam, não gostava de saias, era homem de gênio esquisito, sem entusiasmo pela mulher, preferindo viver a seu modo, lá com a sua gente, com os seus marinheiros... E havia sempre uma dissimulação respeitosa, um pigarrear malici­oso, quando se falava no comandante. Fosse como fosse, ninguém o desrespeitava, todos o queriam assim mesmo cheio de mistério, com o seu belo porte de fidalgo, manso às vezes, disciplinador intransigente, modelo dos oficiais. Bom-Crioulo, porém, nunca o estimara verdadeiramente: olhava-o com certa desconfiança, não podia se acostumar àquela voz untuosa, àquele derretido aspecto protetoral que ele sabia fingir nos momentos de bom humor. Evitava-o como se evita um inimigo irreconciliável. Por quê? Ele próprio, Bom-Crioulo, ignorava. Repugnância instintiva, natu­ral antipatia — forças opostas que se repelem... — Esse homem nasceu para me fazer mal, pensava o negro supers­ticiosamente. Metido em ferros no mesmo dia do "rolo", a imagem do coman­dante brilhou na caligem de sua embriaguez e o perseguiu toda a noite sem trégua, sem o deixar um instante, ora terrível, ameaçadora, implacável, outras vezes doce, meiga e complacente... Dormiu essa noite numa sepultura de ferro, espécie de jaula estreita e sem luz, onde só cabia um homem. Trancado ali dentro, imóvel, porque os pés e as mãos estavam presos, adormeceu quando os outros acordavam, ao primeiro toque d'alvorada, quase dia. Durante o sono viu a figura do português inchando para ele com uma faca, desafiando-o: "Vem, negro, vem, que eu te mostro!" Era um homem reforçado, em cuja roupa havia manchas de sangue — barba longa, olhar atrevido. Iam se pegar, mas Aleixo não consentiu dizendo que a polícia vinha-os prender, que não valia a pena brigar por uma coisa à-toa... Então Bom-Crioulo, como gostava do pequeno, fugiu, deixando o português no meio de uma praça muito grande, cheia de arvoredos. A realidade, porém, veio despertá-lo. Eram onze horas. Tinha-se aberto a porta da ''solitária'' e, mesmo em jejum, ele ia ser castigado. Faltava o comandante para se dar princípio à solenidade. Uma onda de luz banhou a prisão iluminando o rosto do marinheiro. — Levante-se! ordenou o sargento da guarda. Bom-Crioulo não podia se mover: foi preciso que o segurassem. Apertava-lhe a boca uma mordaça de ferro. Havia no seu olhar uma indignação muda e triste. Ergueu-se trôpego, bambo, os olhos como duas tochas, uma equimose roxa na face, porque adormecera com a cabeça no joelho em posição de múmia indígena. Fez-lhe bem o ar livre da manhã; a luz que se esperdiçava no espaço reanimou-o; todo ele sentiu-se vibrar; oferecia-se ao castigo sem medo, impávido e sereno, odiando intimamente, lá no fundo de sua natureza humana, aquela gente que o cercava exultando, talvez, com a sua desgraça. Não tinha ninguém por ele — era um abandonado, um infeliz... O próprio Aleixo onde estaria? Essa lembrança o comoveu. Sim, o Aleixo era a causa de tudo... Enquanto vivera na companhia do grumete, nunca se embriagara positivamente: bebia, de longe em longe, um golezinho de cachaça, para aquecer, e ficava satisfeito. Agora não, só se contentava com a terça e gostava de repetir. — Ah! seu Aleixo, seu Aleixo!... Como da outra vez, na corveta, houve "mostra geral", a guarnição inteira formou à ré, na tolda. O castigo foi tremendo. — Não se iluda a guarnição deste navio! perorou o comandante. Desobediência, embriaguez e pederastia são crimes de primeira ordem. Não se iludam!... E, como da outra vez, Bom-Crioulo emudeceu profundamente sob os golpes da chibata. Apanhou calado, retorcendo-se a cada golpe na dor imensa que o cortava d'alto a baixo, como se todo ele fosse uma grande chaga aberta, viva e cruenta... Morria-lhe na garganta um grunhido estertoroso e imperceptível, cheio de angústia, comprimido e seco; dilatavam-se-lhe os músculos da face em contrações galvânicas; o sangue, convulsionado, rugia dentro, nas artérias, no coração, no íntimo da sua natureza física, palpitante, caudaloso, numa pletora descomunal! Ele sofria tudo com aquele orgulho selvagem de animal ferido, que se não pode vingar porque está preso, e que morre sem um gemido, com o olhar aceso em cólera impotente! Errava na luz intensa do meio-dia uma tristeza vaga e universal. Lá de fora, da barra, vinha, encrespando a água, um arzinho fresco impregnado de maresia. A cidade, em anfiteatro, cintilava entre monta­nhas na lânguida apatia daquela hora calmosa. O vulto do couraçado, largo e imóvel no meio da baía, com o seu enorme aríete, com a sua cobertura de lona, resplandecia destacado, longe dos outros navios, longe de terra, fantástico, arquitetural! À última chibatada, Bom-Crioulo rodou e caiu em cheio sobre o convés, porejando sangue. Ah! mas não havia no seu dorso uma nesga de pele que não fosse atingida pelo vime. Caiu fatalmente, quando já lhe não restava a menor energia no organismo, quando se tornara desumano o castigo e a dor sobrepujara a vontade. Só então apareceu o médico, trêmulo e nervoso, dizendo que "não era nada, que não era nada; que trouxessem o vidrinho de éter e água, um pouco d'água"... O comandante aproximou-se também, mas retirou-se logo com o seu desdenhoso aspecto de fofa nobreza: — "Não se iludam, não se iludam!" E daí a pouco largava um escaler sem flâmula, conduzindo o marinheiro para o hospital. — Fica-te, malvado, fica-te! exclamou Bom-Crioulo, voltando-se para o couraçado, em caminho: — Fica-te! Aleixo nesse dia estava de folga, e muito cedo, coisa de uma ho­ra, veio a terra impelido por uma grande saudade que o fazia agora escravo da portuguesa. Receava encontrar Bom-Crioulo, ter de o suportar com os seus caprichos, com o seu bodum africano, com os seus ímpetos de touro, e esta lembrança entristecia-o como um arrependi­mento. Ficara abominando o negro, odiando-o quase, cheio de re­pugnância, cheio de nojo por aquele animal com formas de homem, que se dizia seu amigo unicamente para o gozar. Tinha pena dele, compadecia-se, porque, afinal, devia-lhe favores, mas não o estimava: nunca o estimara! Subiu devagar, pé ante pé, a escada do sobradinho, meticuloso, agarrando-se à parede, ouvido alerta, comprimindo a respiração. —Felizmente a porta de cima estava aberta... De vez em quando pisava em falso e os coturnos de bezerro gemiam surdamente. — Era o diabo se Bom-Crioulo estivesse... Foi andando sempre cauteloso, té à sala de jantar. Ninguém! Enfiou pela cozinha; e, da janela que abria para o quintal, viu lá baixo, vergada sobre um montão de roupa úmida, a portuguesa em tamancos, arregaçada e sem casaco, às voltas, cantarolando. O instinto fê-la voltar-se e olhar pra cima; seu primeiro movimento foi um grito de surpresa e alegria: — Oh! o pequenino, o meu pequenino! já lá vou. Espera, sim? Aleixo pediu silêncio, com o dedo na boca, e, indicando o sótão, perguntou, debruçando-se à janela, se Bom-Crioulo estava... — Qual Bom-Crioulo! rompeu D. Carolina alto, sem mistério, estabanadamente. Qual Bom-Crioulo! Tua negra está só, meu peque­nino! Deixa-me enxugar esta roupinha, ouviste? Já lá vou... Mas o grumete não se conteve: desceu ao quintal para examinar aquela fartura de mulher em trajos de lavadeira, que seus olhos viam extasiados. Com efeito, a portuguesa estava irresistível para um adolescente nas condições de Aleixo, bisonho em aventuras dessa ordem, e cuja virilidade apenas começava a destoucar-se D. Carolina vestia camisa e saia curta que lhe dava pelos joelhos: a cabeça estava coberta com um grande lenço de chita amarrado por baixo do pescoço. — Não venhas, meu pequeno, disse ela percebendo as intenções de Aleixo. Olha, deixa-me acabar isto, sim? O grumete formalizou-se: — "Oh! podia acabar, podia acabar..." E logo, aproximando-se: — Vim apenas vê-la de perto... — Estás caçoando, hein! estás caçoando com a tua velha... — Caçoando, não. Estou falando sério. A portuguesa desatou numa risada límpida e gostosa, de uma sonoridade vibrante, sacudindo os quadris, cabeceando histericamente: — Ora meu pimpolho! Ora o meu rico pimpolhozinho! E ria, ria num desespero. Aleixo encavacou: — Está bom, vou-me embora... — Oh! não, não... Brincadeira! Se vais, fico zangada. Vê lá, hein! vê lá... E com fingida ternura, ameigando a voz: — Fica, meu bonitinho, fica, junto da tua negra..... Ele sorriu vagamente e entraram a conversar como bons amigos. — Estiveram ali, debaixo do telheiro de zinco, um ror de tempo — o grumete sentado à beira do tanque, perna trançada, a portuguesa muito açodada na faina de concluir a lavagem. Fora daquele pequeno espaço refrescado pela água, brilhava o sol com uma intensidade rútila e abrasadora. O capim seco do corador ardia, muito raso, muito desolado e outoniço. Na vizinhança, um papa­gaio de estima berrava estridentemente. Havia grande calma. A água da bica não cessava de cantar no tanque, escorrendo, escorrendo... Aleixo dependurou a jaqueta de flanela azul e deixou-se ficar em camisa de meia, ouvindo cantar a água, enquanto D. Carolina ia enxaguando a roupa. Falaram em Bom-Crioulo e riram à custa do negro, baixinho, à socapa. — Boa criatura! sentenciou a portuguesa com um quê de ironia. — Para o fogo! acrescentou Aleixo. Não sabiam do "rolo". A portuguesa disse apenas que o outro saíra na véspera, depois de meio-dia, e não regressara. — Naturalmente fora preso... Um relógio deu horas. — Quantas? perguntou a mulher. — Quatro, disse o grumete. — Jesus! Vou acabar, vou acabar! Fica pr'amanhã o resto. — É! Basta de trabalho, isso não vai a matar, disse Aleixo erguendo-se. E seus olhos pousaram traiçoeiramente sobre o colo nu, sobre a espádua nua de D. Carolina, cheios de desejo, ávidos de gozo. Ela, como se sentisse no próprio corpo as ferroadas daquele olhar, como se lhe experimentasse o calor vivo, a força magnética, o poder físico, material e irresistível, chegou-se ao grumete e disse-lhe ao ouvido estas palavras, que produziram nele o efeito indizível e vago de um estremecimento nervoso. — Vamos tomar banho?... — Aqui? — Por que não? — Podem ver... — Fecha-se a porta da rua. Não tenho inquilinos agora... Aleixo não disse que sim nem que não. Espreguiçou-se todo, contorcendo-se num espasmo incompleto, sentindo um friozinho bom, extraordinariamente bom, uma comoçãozinha maravilhosa percorrer-­lhe as fibras, descendo pelo espinhaço e espalhando-se por todo o organismo. A portuguesa foi depressa lá cima, ao sobrado, e voltou, sem demora, com a face radiante. Quis ela mesma despir o rapaz, tirar-lhe a camisa de meia, tirar-lhe as calças, pô-lo nu a seus olhos. Bom-Crioulo já lhe havia dito que Aleixo "tinha formas de mulher". Depois começou a se despir também... O tanque estava cheio a transbordar. Via-se-lhe o fundo claro através da água límpida e fresca. Ninguém os via naquela nudez primitiva, frente a frente — o corpo largo e mole da portuguesa em contraste com as formas ideais e rijas do efebo —, escandalosamente nus, pecadoramente bíblicos no silêncio do quintalejo ao abrigo do sol que vibrava em torno do pequeno alpendre a sua luz de ouro fulvo! O que eles fizeram, antes e depois do banho, ninguém saberá nunca. Os muros do quintal abafaram toda essa misteriosa cena de erotismo consumada ali por trás da rua da Misericórdia num belíssimo dia de novembro. D. Carolina realizara, enfim, o seu desejo, a sua ambição de mulher gasta: possuir um amante novo, mocinho, imberbe, com uma ponta de ingenuidade a ruborizar-lhe a face, um amante quase ideal, que fosse para ela o que um animal de estima é para seu dono — leal, sincero, dedicado té ao sacríficio. Aleixo remoçava-a como um elixir estranho, milagrosamente afrodisíaco. Sentia-se outra depois que se metera com o pequerrucho: retesavam-se-lhe os nervos, abria-se-lhe o apetite, entrava-lhe n'alma uma extraordinária alegria de noiva em plena lua-de-mel, toda ela vi­brava numa festiva exuberância de vida, numa eclosão torrencial de feli­cidade — o corpo leve, o espírito calmo... Aleixo pertencia-lhe, enfim; era seu, completamente seu; ela o tinha agora preso como um belo pás­saro que se deixa engaiolar tinha-lhe ensinado segredinhos de amor, e ele gostara imenso, e jurara nunca mais abandoná-la, nunca mais! O grumete, por sua vez, experimentava o que experimentaria qualquer adolescente — uma tendência fatal para a portuguesa, um forte desejo de possuí-la sempre, sempre, a toda hora, uma vontade irresistível de mordê-la, de cheirá-la, de palpá-la num frenesi de gozo, num grande ímpeto selvagem de novilho insaciável. A tarde passou rapidamente. Depois do jantar (sopa, cozido e bananas de S. Tomé, fora o vinho fornecido pelo açougueiro) dirigiram-se à sala da frente. Aleixo quis ver o álbum de retratos; a portuguesa trouxe-lho. E sentados no velho sofá, num quase abraço — ele muito curioso, desejando saber de quem eram as fotografias, ela meio derreada, o cabelo úmido e solto, explicando minuciosamente cada figura, paisagens da Europa, trechos de Portugal e das ilhas —, esperaram a noite. Escureceu. D. Carolina foi acender o bico de gás, queixando-se do calor, "que a sua vontade era não sair d'água, viver dentro d'água, morrer n'água, flutuando"... Aleixo riu, achou graça, lembrando-se, talvez, da semelhança que havia entre a portuguesa e uma grande corveta bojuda... — Ora, dize uma coisa, ó pequerrucho, tu me queres bem mesmo ou isso é uma esquisitice, uma pândega? E risonha, sentando-se: — Mas olha, dize a verdade! Vê lá se me vens com história... Ele então disse que estimava-a do fundo do coração e tornou a jurar que havia de morrer junto dela, na mesma cama — juntinho, lado a lado... — E se morreres a bordo, no mar? — Paciência, murmurou o grumete num tom de tristeza. Mas, arrependida, ela o cobriu de beijos: — Não, ele não morreria no mar. Brincadeira, brincadeira... Havia no rosto imberbe e liso do grumete uns tons fugitivos de ternura virginal, o quer que era breve e delicado, a branca melancolia de certas flores, o recolhimento ingênuo e discreto de uma educanda; e era isso justamente, era esse ''quê'' indefinível, essa poesia inocente derramada no semblante de Aleixo, que provocava a portuguesa, ferindo a corda sensível do seu coração abandonado e gasto. Era uma pena, decerto, ver aquele rosto de mulher, aquelas formas de mulher, aquela estatuazinha de mármore, entregue às mãos grosseiras de um marinheiro, de um negro... Muita vez o pequeno fora seduzido, arrastado. Ela até fazia um benefício, uma obra de caridade... Aquilo com o outro, afinal, era uma grossa patifaria, uma bandalheira, um pecado, um crime! Se Aleixo havia de se desgraçar nas unhas do negro, era melhor que ela, uma mulher, o salvasse. Lucravam ambos: ele e ela... Mas Aleixo não podia esquecer Bom-Crioulo. A figura do negro acompanhava-o a toda parte, a bordo e em terra, quer ele quisesse quer não, com uma insistência de remorso. Desejava odiá-lo sinceramente, positivamente, esquecê-lo para sempre, varrê-lo da imaginação como a um pensamento mau, como a uma obsessão insólita e enervante; mas, debalde! O aspecto repreensivo do marinheiro estava gravado em seu espírito indelevelmente; a cada instante lembrava-se da musculatura rija de Bom-Crioulo, de seu gênio rancoroso e vingativo, de sua natureza extraordinária — híbrido conjunto de malvadez e tolerância —, de seus arrebatamentos, de sua tendência para o crime, e tudo isso, todas essas recordações o acovardavam, punham-lhe no sangue um calefrio de terror, um vago estremecimento de medo, qualquer coisa latente e aflitiva... Suas expansões com a portuguesa eram incompletas, vibravam-lhe os lábios em sorrisos de falsário, cada vez que ela o exaltava para deprimir o outro... Toda a noite foi um delírio de gozo e sensualidade. D. Carolina cevou o seu hermafroditismo agudo com beijos e abraços e sucções violentas... [[Categoria:Bom Crioulo|Capítulo 08]] jsw0ppzy6wm3emwza80j9mut0xvpg95 Bom Crioulo/IX 0 14673 554162 508201 2026-06-11T17:11:03Z ElegantEgotist 38106 /* */ 554162 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra=[[Bom Crioulo]] |autor=Adolfo Caminha |seção=Capítulo IX |anterior=[[Bom Crioulo/VIII|Capítulo VIII]] |posterior=[[Bom Crioulo/X|Capítulo X]] |notas= }} Vida triste era a de Bom-Crioulo, agora, no hospital, longe da rua da Misericórdia e do seu único afeto, obrigado a um regímen conven­tual, alimentando-se parcamente, ouvindo a toda hora gemidos que lhe entravam na alma como uma salmodia agourenta, como a dorida expressão de seu próprio abandono, metido entre as paredes de uma lúgubre enfermaria — ele que amava a liberdade com um entusiasmo selvagem, e cujo ideal era viver sempre na companhia de Aleixo, do ingrato Aleixo... A figura do rapazinho, rechonchuda e nédia, esvoaçava-lhe na imaginação provocadoramente, seduzindo-o, arrastando-o para um mundo de gozos, para uma atmosfera de lubricidade, para o silêncio misterioso de uma existência devotada ao amor clandestino, ao regalo soberano da carne, a todos os delírios de uma paixão que chegava à loucura. A ausência aumentava-lhe o desespero, aquela vida triste de hospital enchia-o de aborrecimentos, era um castigo sem nome para quem, como ele, reclamava liberdade e amor — liberdade absoluta de proceder conforme o seu temperamento, amor físico por uma criatura do mesmo sexo que o seu, extraordinariamente querida como Aleixo... Nunca mais tivera notícias dele, nunca mais o vira, nunca mais haviam trocado um simples olhar... Entretanto, que de recordações povoavam-lhe o cérebro, à noite, quando, só ele, Bom-Crioulo, d'olhos abertos no escuro, fitando o teto da enfermaria, velava, ele só, ali dentro! Que de recordações, meu Deus! Via, como se estivesse vendo na realidade, as formas do grumete, o seu olhar azul e a face branca, o quartinho morno da rua da Misericórdia, trepado, lá cima, no sótão, à beira do telhado, a cama de lona, o retrato do imperador, pregado à parede, muito sério, com um ar de suprema bonomia, e tudo que o cercava no voluptuoso ambiente, onde vivera tantos dias de felicidade... Ficava horas e horas pensando, horas e horas mergulhado numa abstração vagarosa, num êxtase calmo, recordando, capítulo por capítulo, a história de seu amor. Daí um profundo e inexplicável desgosto, uma idiossincrasia especial feita de ciúme e de ternura dolente. Imaginava coisas de homem que perdeu o juízo: — Aleixo ainda o estimaria? Não, com certeza. Se ainda o estimasse, tê-lo-ia procurado, onde quer que ele, Bom-Crioulo, estivesse; mas Aleixo nunca mais se importara, desde o dia da separação. Quem sabe? novos amores.. O negro enchia-se de ódio ao mesmo tempo que sentia aumentar dentro do coração o desejo de possuir eternamente o rapazinho. Desejava-o, sim, mas virgem de qualquer outro contato que não fosse o dele, queria-o como dantes, para si unicamente, para viver a seu lado, obediente a seus caprichos, fiel a um regímen de existência comum, serena e cheia de dedicações mútuas. Era-lhe impossível abandonar o grumete; e agora principalmente, agora é que esse amor, essa obsessão doentia redobrada com uma força prodigiosa impelindo-o para o outro, acordando zelos que pareciam estagnados, comovendo fibras que já tinham perdido antigas energias. O Bom-Crioulo da corveta, sensual e uranista, cheio de desejos inconfessáveis, perseguindo o aprendiz de marinheiro como quem fareja urna rapariga que estreia na libertinagem, o Bom-Crioulo erotômano da rua da Misericórdia, caindo em êxtase perante um efebo nu, como um selvagem do Zanzibar diante de um ídolo sagrado pelo fetichismo africano — ressurgia milagrosamente. Ele ali se achava no hospital, abandonado e só, gemendo tristezas inconsoláveis, arrastando os farrapos de sua alma, ganindo — pobre cão sem dono — blasfêmias contra a sorte que o desligara de Aleixo, contra Deus, contra tudo! As janelas da enfermaria davam para o mar, ficavam defronte dos Órgãos, abriam para o fundo melancólico da baía. Na sala umas dez camas de ferro, colocadas em ordem, simetricamente imobilizavam-se com os seus cobertores de lã vermelha dobrados a meio e pondo uma nota viva de sangue na brancura dos lençóis. Aí, como em todos os alojamentos do hospital, predominava um cheiro erradio de desinfetantes, o vago odor característico das casas de saúde e dos necrotérios, insuportável, às vezes, como uma exalação de sepultura aberta. Os doentes, em seu uniforme branco de algodão, erguiam-se e tinham licença para recrear fora, nas dependências do estabelecimento, licença especial do médico a quem estavam entregues. Cada enfermaria tinha o seu especialista. Bom-Crioulo fora recolhido à seção dos escrofulosos, à grande sala que dizia para o mar e donde se gozava um belíssimo aspecto de natureza americana. Indiferente a tudo que não fosse o grumete, cuja lembrança infligia-lhe as maiores torturas, ninguém o vira sorrir depois que baixara ao hospital. Carrancudo, o olhar atrevido e ameaçador — fugindo à com­panhia dos outros, não podia esquecer, não podia apagar do espírito aquela ideia-pesadelo: o grumete nos braços doutro homem... Ah! bastava isso para tirar-lhe o sossego, para fazer dele um ente miserável, contorcendo-se nas angústias de um crime bárbaro. Aleixo fazia-o padecer noites inteiras, dias sucessivos, como ave que se debate em estreita gaiola de ferro. — Amava muito, decerto, queria um bem louco ao pequeno, preferia-o a todas as mulheres bonitas do mundo! Enquanto iam-lhe cicatrizando as feridas roxas do corpo tatuado pela chibata, abria-se-lhe na alma rude de marinheiro um grande vácuo: terrível sensação de desespero acometia-o cada vez que pensava no outro, nesse grumete sem alma que o iniciara no amor e que o fazia sofrer as amarguras de uma vida de condenado... Bom-Crioulo sentia-se transformar inteiramente; alguma coisa profunda e grave, que ele próprio não sabia explicar, assim como um prenúncio fatal de desgraça, punha-o triste, arrebatava-o às alegrias da camaradagem, dando-lhe um aspecto estranho de malvadez rebuçada. — Aquilo não era hospital, aquilo era um inferno! monologava crispando o beiço em assomos de raiva feroz. Estava-se-lhe esgotando a paciência. Já uma vez pedira alta; se o queriam levam a capricho, então adeus!... Morria, mas não dava parte de fraco... Era homem, que diabo! e um homem deve mostrar para que veio ao mundo... Embirrava com toda gente, afinal: — Enfermeiros brutos! Cozi­nheiros de frege! O próprio médico, assim que lhe dava as costas, era logo insultado. Seu consolo nesse abandono de galé, nessa espécie de viuvez d'alma, era o retrato de Aleixo, uma fotografia de baixo preço tirada na rua do Hospício, quando ele e o pequeno moravam juntos na corveta. Representava o grumete em uniforme azul, perfilado, teso, com um sorriso pulha descerrando-lhe os lábios, a mão direita pousada frou­xamente no espaldar de uma larga cadeira de braços, todo meigo, todo ''petit-jesus''... Bom-Crioulo guardava essa miniatura religiosamente, com cautelas de namorado, e à noite, quando se ia deitar, despedia-se dela com um beijo úmido e voluptuoso. Habituara-se àquilo do mesmo modo que se habituara a fazer o sinal-da-cruz antes de fechar os olhos. Uma superstição pueril de amante cheio de ternuras... Agora, porém, esse amuleto inestimável acompanhava-o a toda parte. Durante o dia mesmo, ele sacava-o fora do bolso e punha-se numa contemplação mística, num vago enleio ideal, a olhar o retrato de Aleixo, como se daquele cartão inanimado e frio lhe pudesse vir um raio de amor, um luar de esperança... Achava-o muito parecido com o original, oh! mesmo muito... Os olhos, a boca, o sorriso, o nariz... tudo! Como é que se podia, num momento, copiar assim as feições de uma criatura! Era ele, exatamente o Aleixo! E ficava admirado, ficava idiota, perdia a cabeça, quando seus olhos caíam sobre o pequeno "registro"... Ria-se, às vezes, para ele, sem que ninguém visse, retirado para um canto obscuro, longe dos outros. E cada dia que passava era como se fosse um ano, um século, uma eternidade! Lembrou-se de pedir a alguém que lhe escrevesse um recado ao grumete, duas palavras, uma linha... Talvez ele nem soubesse onde estava o Bom-Crioulo... Falou a um rapazinho, empregado no hospital: era favor, sim? um favorzinho... E ali mesmo, na enfermaria, perto da janela que olhava para os Órgãos, quase ao escurecer, traçaram estas palavras: {{d|"''Meu querido Aleixo''}} {{d|''Não sei o que é feito de ti, não sei o que é feito do meu bom e carinhoso amigo da rua da Misericórdia. Parece que tudo acabou entre nós... Eu aqui estou, no hospital, já vai quase um mês, e espero que me venhas consolar algumas horas com a tua presença. Estou sempre a me lembrar do nosso quartinho... Não faltes. Vem amanhã, que é domingo.''}} {{d|''Teu''}} {{d|Bom-Crioulo"}} Somente isto. — Queria ver agora como se portava o "senhor Aleixo", se ainda o estimava, se era o mesmo da corveta, o mesmo da rua da Misericórdia, meigo e dócil, carinhoso e reconhecido. No dia seguinte, pela manhã cedo, o primeiro escaler que largou da ilha para terra conduzia o bilhetinho cautelosamente fechado, escrito numa garatuja desigual, tortuosa, indecifrável, que o empregado traçara ao crepúsculo, defronte do mar e à pressa. O negro ficou ansioso pela resposta, numa inquietação de namorado que espera o desejado momento de abraçar a sua ''ela'', contando as horas minuto por minuto, frenético às vezes, quando, por uma ilusão do ouvido, julgava perceber a voz do outro, animado agora e depois completamente desanimado, à proporção que as horas iam passando, fazendo cálculos ideais, balbuciando monólogos imper­ceptíveis, indo e vindo pelos corredores, pelas dependências do hospital como um idiota, como uma pessoa inconsciente. — E se ''ele'' não viesse? Ah! decididamente é porque já não o estimava: é porque o desprezava. Mas, ao menos, havia de responder fosse o que fosse. Não podia acreditar que ''ele'', sempre tão amável, tão bom e solícito, rasgasse o bilhete sem dar uma respostazinha, um ''sim'' ou um ''não''. Qual!... Tinha penteado o cabelo, mudado a roupa, e de instante a instante fazia uma chegada ao espelhinho, ao seu miserável caco de espelho, um traste que possuía no fundo da maca. Passou a hora do almoço, chegou a hora do jantar, entraram e saíram marinheiros, a sineta badalou novas baixas, tocou meio-dia, e nada! nem sinal de Aleixo, nem sombra dele! — Era mesmo para uma pessoa danar! Se não quisesse ir, dissesse! Começava a perder a esperança. — Amigos! fie-se a gente em amigos!... Crescia-lhe a inquietação moral, crescia-lhe o desespero como uma onda que vai pouco a pouco intumescendo, empolando-se, até se desfazer em espuma, quebrar-se de encontro à rocha... — Não almo­çara, não jantara, e o resultado era aquele: o senhor Aleixo divertia-se! E quando as corvetas da esquadra fizeram sinal de "arriar a bandeira", quando o portão do hospital fechou-se às visitas, uma tempestade de ódio levantou-se no interior daquele homem capaz de todas as dedicações e de todos os horrores. Bom-Crioulo rugiu interiormente; alguma coisa espedaçou-se dentro dele, tamanho foi o abalo do seu corpo. Entrara-lhe no espírito a convicção, a certeza absoluta de que o pequeno estava com "outro", abandonara-o. Recolheu-se à enfermaria taciturno, cheio de cólera, num delírio de raiva surda, numa febre de vingança que até lhe incendiava o rosto por fora, queimando a pele... Veio a noite e ele não pôde dormir, nem fechar os olhos. Espojava-se na cama, de um lado para o outro, abafado, sem ar que lhe enchesse os pulmões, numa terrível crise de nervos, como se estivesse a lutar com fantasmas, ora repuxando os lençóis, ora desco­brindo-se todo na agonia de uma formidável dispneia. — Abandonado, ele! abandonado por aquele que o devia estimar como a um pai! Abandonado por Aleixo, pelo seu querido Aleixo!... Parecia-lhe incrível! Desespero igual nunca ele experimentara. Só lhe vinham à imaginação coisas tristes, ideias lúgubres. E, para maior infelicidade, para maior desgraça, ouviu toda a noite alguém gemer na enfermaria vizinha — uma voz de homem, grossa, abafada, inimitável, chamando pelo nome de Jesus e que a ele, Bom-Crioulo, parecia a sua própria voz de amante infeliz apelando para a suprema bondade de Deus... O desgraçado, quem quer que fosse, gemia, gemia sem trégua, cortado de dores horríveis. Pairava na atmosfera calma do hospital um cheiro muito vivo de alfazema queimada, assim como um vago odor de câmara mortuária. Bom-Crioulo que nunca, em sua vida, tivera medo, e que sempre desafiara a morte corajosamente, não pôde evitar, essa noite, um calefriozinho de pavor. Houve um momento em que se revoltou contra o pobre doente que gemia. — Diabo! Não se podia dormir com aquele agouro!... Se tinha de morrer, morresse logo... Mas, arrependeu-se: — Coitado! era algum desgraçado como ele, algum pobre marinheiro sem amigo na terra.... Os gemidos foram pouco a pouco cessando, pouco a pouco diminuindo — triste monodia que se cala no silêncio da noite. Pela madrugada sentia-se ainda o cheiro de alfazema, enjoativo e penetrante, mas o doente cessara de gemer. Quem sabe se teria morrido? Foi embalado por essa ideia desoladora que Bom-Crioulo caiu no sono... Davam três horas. Nesse dia, como nos outros, a mesma preocupação, a mesma ideia fixa, obstinada e mortificante, encheu a alma do pederasta. Ele próprio se admirava de como é que "aquilo" renascera — ele que se julgava forte para não se impressionar com tolices, ele que supunha tudo fácil, tudo passageiro na vida! — Porque afinal (refletia) quando se ama uma rapariga bonita, uma mulher nova, branca ou mesmo de cor — vá! Um homem perde a cabeça, e com razão; mas, andar uma pessoa triste, sem comer, sem dormir, sem fazer pela vida, por causa de outro homem, por causa de um "individuozinho" que se abre para todo mundo — é uma grande loucura... Mas embalde procurava iludir-se: a imagem de Aleixo agarrava-se-lhe ao espírito e cada vez o torturava mais; borboleta importuna, esvoaçava em torno dele, provocando-lhe o apetite sensual, estimu­lando-o como um afrodisíaco milagroso, fazendo-lhe renascerem todas as forças vivas do organismo genital, que ele julgara enfraquecidas pelo excesso, pela intemperança. Sentia-se forte ainda para grandes cometimentos, para maiores provas de virilidade, e nenhuma criatura humana, fosse a mais bela de todas as mulheres, alcançaria proporcionar-lhe tanto gozo, tanta fe­licidade, num só momento, como Aleixo, o delicioso e incomparável grumete, que era, agora, o seu único desejo, a sua única ambição no mundo. Havia de o possuir, havia de o gozar, como dantes, por que não? Morto ou vivo, deste ou daquele modo, Aleixo havia de lhe pertencer! Começou a imaginar um meio de fugir, de abandonar o hospital em procura do grumete. — Ora, adeus! o que tem de ser sempre é! Já não podia suportar cheiro de hospital. Para castigo bastava... Mas, como fugir? como iludir a vigilância das sentinelas? Uma vez embaixo, no cais, era fácil tomar um bote de ganho, ou mesmo ir a nado... E os dias passavam, uns após outros, com a mesma uniformidade, cheios de monotonia, cheios do sol quente de estio, e Bom-Crioulo não achava ocasião oportuna de realizar o seu plano de fuga. Ia-se-lhe tornando cada vez mais insuportável a existência naquela espécie de convento de inválidos. Estava magro, visivelmente magro: — "estava acabado!" E que sonhos horríveis, que pesadelos! Uma noite sonhou que Aleixo tinha morrido com uma facada no coração; que ele, Bom-Crioulo, via o pequeno ensanguentado numa cama de vento, nuzinho, os beiços muito roxos... e que a portuguesa, D. Carolina, chorava perdidamente, enxugando os olhos com um grande lenço de tabaco... — Já viram que extravagância?... E outros e outros sonhos... Se continuasse ali naquele presídio, acabava maluco, era capaz de morrer doido. — Oh! sim, queria fugir, não tolerava mais aquilo. "— ... que os pariu!..." E todos os dias a mesma coisa, o mesmo penar, a mesma serie de ideias vagas, incompletas, as mesmas oscilações, as mesmas dúvidas. Uma noite ia sendo preso quando tentava escalar o muro do hospital... [[Categoria:Bom Crioulo|Capítulo 09]] h9w2i7mo2ealxajw4i0ym769t3l0mq7 Bom Crioulo/XII 0 14698 554138 508204 2026-06-11T12:39:06Z ~2026-34531-28 43098 554138 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra=[[Bom Crioulo]] |autor=Adolfo Caminha |seção=Capítulo XII |anterior=[[Bom Crioulo/XI|Capítulo XI]] |posterior= |notas= }} Quase nenhum movimento ainda na rua da Misericórdia; sujeitos malvestidos, operários e ganhadores, desciam com um ar miserável e bisonho de ovelhas mansas que seguem fatalmente, num passo ronceiro, numa lentidão arrastada, numa quase indolência de eu­nucos. A vaca do leite, com as grandes tetas pesadas, um chocalho ao pescoço, ia no seu giro quotidiano, muito dócil, o ventre bojudo, uma baba a escorrer-lhe do focinho em fios d’espuma. A carrocinha do lixo, pintada de azul, andava na sua faina matinal, parando aqui, parando acolá. Nenhum esto de vida quebrava a monotonia do quarteirão, somente o ruído dos bondes e uma ou outra voz falando alto. Pairava um cheiro forte de urina, assim como uma emanação agressiva de mictório público, envenenando a atmosfera, intoxicando a respiração. Os primeiros reflexos do sol batiam nas vidraças obliquamente acordando os ­moradores, colorindo a frente das casas em pinceladas de ouro, dando brilhos de cristal puro ao granito dos portais, doendo na vista como fulgurações quentes de revérbero; e já se começava a sentir um calorzinho brando, uma tepidez morrinhenta, um princípio de mormaço. Abriam-se botequins preguiçosamente, lojas de negócio, es­tabelecimentos de madeira, carvoarias, quitandas. O movimento, porém, aumentava com a luz; multiplicavam-se os transeuntes numa confusão bizarra de cores e ''toilettes'': daqui, dali, surgiam caras estranhas, fisionomias amarrotadas pelo sono, como abelhas de um cortiço. A vida recomeçava. Bom-Crioulo foi encurtando o passo, diminuindo a marcha, cal­culando a distância, lento e lento, rumo do sobradinho. Já o avistava: era o mesmo de outrora, o mesmíssimo, com as duas janelas da frente, com o seu aspecto antigo, do tempo del-rei, e lá, no alto, lá cima, no telhado, a trapeira sumindo-se, enterrando-se, dependurada quase... Veio-lhe um não sei quê, uma saudade, como coisa que lhe en­trasse n'alma, a dor de uma ingratidão muito velha, quase apagada. Sim, a dor de uma ingratidão: ali é que ele se juntara ao outro com uma confiança de noivos; ali é que ele tinha passado o melhor da sua vida; ali é que ele tinha aprendido a amar, a "querer bem"... E murmurava entre dentes, banhado no eflúvio das suas remi­niscências, levado pelo fio inquebrantável das doces recordações: — "Aquele sobradinho, aquele sobradinho!..." Lembrava-se claramente, nitidamente, de quando ele e o pequeno voltaram do ''cruzeiro'' e lá foram juntinhos, para o quarto de cima, onde morrera, dias antes, o português, de febre amarela. Oh! tinha tudo na cabeça; lembrava-se bem: a primeira noite, os modos ingênuos de Aleixo, a cena da vela... — tudo estava gravado em sua imaginação, tudo! Enchiam-se-lhe os olhos d'água, turvava-se-lhe a vista, nem era bom pensar... Bom-Crioulo sentia-se mais do que nunca abandonado, mais do que nunca lhe doía fundo o desprezo do grumete, esse desprezo calculado, proposital, voluntário, com que Aleixo o esmagava, o ludibriava impunemente. — "Ah! era assim, hein? Pois havia de lhas pagar hoje ou amanhã. A gente é como um copo d’água: vai-se enchendo, vai-se enchendo, até não poder mais!" Faiscavam-lhe as retinas como duas brasas, como dois fogachos, por trás da névoa úmida das lágrimas; todo ele vibrava, todo ele tremia, como um epiléptico: vinham-lhe cóleras, ímpetos, aflições... Quase não se podia conter diante daquela casa, que era como o túmulo mesmo das suas ilusões. Transfigurava-se, enlouquecia de ódio, espumava de cólera, de raiva, de ciúme! O aspecto das coisas, o mundo exterior, a gente que passava para o trabalho, tudo quanto seus olhos viam naquela hora de amargura, o próprio sol, a própria luz torrencial do dia causava-lhe um tédio imenso; arrancando-lhe blasfêmias da boca entreaberta num sorriso agoniado e convulso. Não tinha coragem de fitar, de demorar os olhos no sobradinho: baixava-os logo gelado: — "Era ali mesmo, tal e qual!" Começou, de repente, a sentir uma zoada no ouvido, um rumor vago de insetos, uma coisa desagradável, incômoda e amofi­nadora; tremiam-lhe as pernas; ia-lhe faltando a respiração. Era um mal-estar, um nervoso, uma aflição, um delírio, um vago desejo de matar, de assassinar, de ver sangue... Passou a mão nos olhos, trêmulo, encostando-se à coluna de um gás; quase não podia ter-se em pé: estava sem forças, o hospital enfraquecera-o, debilitara-o horrorosa­mente, o "maldito hospital". — "Nunca mais havia de lá pôr os pés, nunca mais!" A porta do sobrado estava fechada; em cima, a meia vidraça de uma janela conservava-se aberta; nem parecia morar gente ali: uma imobilidade sepulcral, desoladora! Bom-Crioulo rodou nos calcanhares, atônito, sem consciência do meio em que estava, o olhar perdido ao longe, na rua, e foi andando, andando, muito devagar por ali acima. De repente — "Ah! a padaria!" Já se não lembrava; era a mesma também, a mesmíssima, com o seu grande letreiro na fachada — ''Padaria Lusitana'', com as suas três portas, debaixo de um sobrado, quase defronte da portuguesa. Vinha lá dos fundos um cheiro bom de massa, um apetitoso cheiro de pão quente. Enfiou pelo estabelecimento, e, sem reflexionar, dirigiu-se ao empregado, um muito vivo, rapazola, que, pelos modos, parecia de além-mar. — O senhor sabe me dizer se ainda mora ali defronte, no sobradinho, uma portuguesa? — D. Carolina? — Essa mesma: uma gorda, bonitona... — Mora, pois não! disse o outro com um quê de malícia nos olhos. — E um rapazinho, marinheiro, de olhos azuis...? — Também. Acordam tarde. Ultimamente a porta vive fechada. Costumam sair juntos à noite... — Saem juntos? — Pois não! A mim me parece que o menino é bem espertinho... Bom-Crioulo estremeceu. Ia saber tudo, agora, pela boca do caixeiro: a ocasião era a melhor, porque o dono do estabelecimento andava fora. — O senhor não estará enganado? tornou ele, muito curioso, precipitadamente, numa voz quase humilde, o olhar grudado no rapaz. E entrou a explicar, a dizer como era a portuguesa, como era o marinheiro: — Uma gorda, bonitona, muito vistosa, d'olhos grandes, que alugava quartos... — Essa mesma, homem! — O outro não tinha barba, era meio criança ainda, olhos azuis, muito alvo, bonitinho... — Exatamente, informou o caixeiro. Foram ao teatro, ontem, à ''Tomada da Bastilha''. Conheço muito a D. Carolina. Dizem até que está amigada com o pequeno... Quase as mesmas palavras do Herculano! A mesma história de mulher! Bom-Crioulo ficou imóvel, calado, perdido nas suas ideias. —Aleixo amigado com a portuguesa, com a D. Carolina! Era inacreditável, era um desaforo sem nome, um desrespeito, uma falta de vergonha, um escândalo! — Está admirado? perguntou o rapaz fitando o negro, cujo olhar tinha agora uma dolorosa, uma extraordinária, uma indizível expressão de melancolia e surpresa. Não se admire, não, que é o que todos dizem... E logo, interrompendo-se, com o braço estendido: — Olhe, nem de propósito: aí vem ele, o pequeno... Aleixo ia saindo porta fora tranquilamente, apertado na sua roupa azul e branca de marinheiro, a camisa decotada, a calça justa. O negro teve um daqueles ímpetos medonhos, que o acometiam às vezes; garganteou um — oh! rouco, abafado, comprimido, e, ligeiro, furioso, perdido de cólera, sem dar tempo a nada, precipitou-se, numa vertigem de seta, para a rua. Não via nada, não enxergava nada, tresvariado, como se de repente lhe houvesse fugido a luz dos olhos e a razão do cérebro. Precipitou-se, e, esbarrando com o grumete, fintou-o pelo braço. Tremia numa crise formidável de desespero, os olhos conges­tionados, um suor frio a porejar-lhe da testa negra e reluzente. O pequeno estacou surpreendido: — Sou eu mesmo, rugiu Bom-Crioulo, sou eu mesmo! Pensavas que era só meter-te com a portuguesa, hein? Olha para esta cara, olha como estou magro, como estou acabado... Olha, olha! E apertava bruscamente o outro, sacudindo-o como se o quisesse atirar ao chão. — Vê lá se me conheces, anda! Olha bem para esta cara! O efebo debatia-se, pálido, aterrado: — Me largue! Não me provoque, senão eu grito! — Anda pr'aí, grita, se és capaz! Grita, safado, sem-vergonha... mal-agradecido! Sua voz tomava uma inflexão voluptuosa e terrível ao mesmo tempo a palavra saía-lhe gaguejada, estuporada e trêmula. — Grita, anda! O outro mudava de cores, recuava trôpego, a língua presa, quase a chorar, numa aflição de culpado, o olhar azul submisso refletindo a imagem do negro: — Me largue, repetiu. Eu lhe peço: me largue! Transeuntes olhavam-nos de banda e voltavam-se para os ver naquela posição, rosto a rosto, juntinhos, agarrados misteriosamente. Porque Bom-Crioulo não falava alto, que todos ouvissem, não dava escândalo, não fazia alarme: sua voz era um rugido cavernoso e histérico, um regougo abafado, longínquo e profundo. — Grita, anda, grita pela vaca da Carolina! — Me solte! continuou o efebo trêmulo, acovardado. Me largue! — Não te largo, não, coisinha ruim, não te largo, não! Bom-Crioulo, este que aqui está, não é o que tu pensas... — Mas eu não fiz nada! Me solte, que é tarde! Os olhos do negro tinham uma expressão feroz e amargurada, muito rubros, cruzando-se, às vezes, num estrabismo nervoso de alucinado. Um sujeito parou defronte, a olhá-los; vieram depois outras pessoas, outros curiosos; um marinheiro da Capitania, um italiano carregado de flandres, um guarda-municipal, crianças, mulheres... Houve logo um fecha-fecha, um tumulto, um alvoroço. Trilaram apitos; vozes gritavam — rolo! rolo! e a multidão crescia no meio da rua, procurando lugar, empurrando, abrindo caminho, precipitando-se, formando um grande círculo de gente ao redor dos dois marinheiros, invisíveis agora. Os bondes paravam. Senhoras vinham à janela, compondo os cabelos, numa ânsia de novidade. Latiam cães. Um movimento cheio de rumores, uma balbúrdia! Circulavam boatos aterradores, notícias vagas, incompletas. Inventavam-se histórias de assassinato, de cabeça que­brada, de sangue. Cada olhar, cada fisionomia era uma interrogação. Chegavam soldados, marinheiros, policiais. Fechavam-se portas com estrondo. Alguma coisa extraordinária tinha havido porque, de repente, o povo recuou, abrindo passagem, num atropelo. — Abre! abre! diziam soldados erguendo o refle. De cima, das casas, mãos apontavam pra baixo. E D. Carolina, que também chegara à janela com a vozeria, com o barulho, viu, entre duas filas de curiosos, o grumete ensanguentado... — Jesus! Meu Deus! Uma nuvem escureceu-lhe a vista, correu-lhe um frio pelo corpo, e toda ela tremia horrorizada, branca, imóvel. Muitas vistas dirigiam-se para o sobradinho. Aleixo passava nos braços de dois marinheiros, levado como um fardo, o corpo mole, a cabeça pendida para trás, roxo, os olhos imóveis, a boca entreaberta. O azul-escuro da camisa e a calça branca tinham grandes nódoas vermelhas. O pescoço estava envolvido num chumaço de panos. Os braços caíam-lhe, sem vida, inertes, bambos, numa frouxidão de membros mutilados. A rua enchia-se de gente pelas janelas, pelas portas, pelas calçadas. Era uma curiosidade tumultuosa e flagrante a saltar dos olhos, um desejo irresistível de ''ver'', uma irresistível atração, uma ânsia! Ninguém se importava com "o outro", com o negro, que lá ia, rua abaixo, triste e desolado, entre baionetas, à luz quente da manhã: todos, porém, todos queriam "''ver'' o cadáver", analisar o ferimento, meter o nariz na chaga... Mas um carro rodou, todo lúgubre, todo fechado, e a onda dos curiosos foi se espalhando, se espalhando, té cair tudo na monotonia habitual, no eterno vaivém. [[Categoria:Bom Crioulo|Capítulo 12]] aax0kp5w6tlwjpthn9sfk6oqfksyajm Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/201 106 230157 554141 492788 2026-06-11T15:02:12Z Junglk 34905 /* Revista */ 554141 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|||191}}</noinclude>{{dhr|2}} {{c|XXVII.}} {{dhr|3}} {{c|{{x-larger|UMA NOITE NO COLISEO.}}}} {{c|{{smaller|A MEU AMIGO FRANCISCO DE SALES TORRES-HOMEM.}}}} {{dhr|3}} {{Ppoem|end=follow| {{Gcapitular|É|2em}} sublime o espectaculo que offrecem Da prisca Roma os pallidos destroços, Quando da noite a placida lanterna Branquejando na abóbada cinzenta, Seu funebre clarão, como alvas flores, Entre elles vagamente enfiia, estende. Tudo é confuso então, tudo é mysterio, Tudo infunde pavor, melancolia! }}<noinclude></noinclude> 6k4avjcn3shme8943f6qarvnzzvmf4h Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/202 106 230158 554142 492789 2026-06-11T15:05:01Z Junglk 34905 /* Revista */ 554142 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|192|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| Dos sonhos na mansão julga-se a mente, De escarpados rochedos rodeiado, De sombras, de phantasmas, que vagueiam, Que n’um arco se escondem, n’outro surgem. Os fanaes que no campo amarellejam, Circulados de auréolas moribundas, A lembrança despertam desses fogos, Que ás vezes os cadaveres exhalam De noite, das recem-abertas campas. Que profundos, terriveis pensamentos A uma alma pensativa não inspiram Estas reliquias da grandeza antiga Da augusta mãe de heroes, que agora vemos Como n’um cimiterio esparsos ossos Ao tempo branquejando. Aqui o homem Estrangeiro não é; elle conhece Estas ruínas, e com ellas falla Uma mystica lingua, que alma entende. Mas ah! inda esta terra hoje é manchada Com sangue humano! Ind’ hoje estas columnas }}<noinclude></noinclude> gncb3bunw4hfk1ed3rmy16mi5vs0jh3 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/203 106 230159 554143 492790 2026-06-11T15:07:35Z Junglk 34905 /* Revista */ 554143 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|193}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| Dos derrocados templos de impios deoses, Occultam os punhaes de impios Romanos. Nem no reino da morte ha segurança! Por toda parte o crime o homem segue! Não passeiam aqui brancos phantasmas Entre os sombrios arcos; nem as grutas Do palacio dos Cesares somente Ao mocho gemedor asylo prestam. Não, não; são assassinos que profanam Deste precinto o lugubre silencio, Tão propicio aos philosophos, e aos vates. Á sombra das ruínas solitarias Oh, que nefandos crimes vis sicarios, Da Humanidade opprobrio, não perpetram, Sem temor de seu Deos, e da justiça! Como que calejada a consciencia, Cançada de gritar, os abandona. Como de nós tão perto a morte vimos, Neste mesmo logar; onde assentados Ouvímos soluçar ave agoureira; }}<noinclude></noinclude> 10cw67cv3vvc295y82m6pgek12nm8uc Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/204 106 230160 554145 492791 2026-06-11T15:10:03Z Junglk 34905 /* Revista */ 554145 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|194|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| Que no templo de Venus acoutada, Suffocados gemidos arrancava Do intimo do peito; como um homem, Que nas vascas da morte, em vão luctando, Sem esperança já, soccorro implora. Oh severa sciencia, tu condemnas Estes, da nossa infancia, preconceitos. Mas quem póde negar que ruíns desditas Presagiadas são milhões de vezes? Si a negra borboleta que esvoaça Em torno do casal, e n’elle pousa: Si o tetrico carpir de ave nocturna; Si d’alma o repentino abatimento; Certas palpitações inopinadas; Os sonhos, as visões, nada annunciam; Si é falsa crença de alma allucinada, Que á infancia, e á velhice o medo incute; Ao menos na do homem propria essencia, Mysteriosa essencia, apoio encontra; Que a Razão, do céo filha, não tão facil Se eclipsa pela opaca sombra do erro. Não se oppõe á Razão a crença nossa, }}<noinclude></noinclude> 9tdtzx9akupml54qoqywur6xute87l0 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/205 106 230161 554146 492792 2026-06-11T15:11:47Z Junglk 34905 /* Revista */ 554146 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|195}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| Que nem sempre á Razão o céo concede A mina profundar inescrutavel, Onde de effeitos mil se occulta a causa. Que mysterio é maior que o germen do homem? Que mysterio é maior que a vida sua? Que mysterio é maior que a sua morte? Oh mysterios sublimes! — D’onde, oh homem, A evidencia te veio, que este mundo, Que fóra de ti vês, real exista? Na terra para mim tudo é mysterio, Eu, o que sei, e tudo quando ignoro. Dia aziago foi todo este dia, Desde o surgir do sol, té seu occaso. O coração pejado de tristeza Procura a solidão, ama o mysterio. Bella era a noite, mais que o dia bella! Alvinilente a lua rutilava, Como um rosto de virgem pudibunda, Que em seu jardim passeia solitaria. Ao Capitolio fui, e foi commigo O Amigo fiel; junctos passámos }}<noinclude></noinclude> 89oz0uwexdb7mvqgcs16ojwcvswc3dj Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/206 106 230162 554147 492793 2026-06-11T15:13:49Z Junglk 34905 /* Revista */ 554147 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|196|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| De Tito o arco, e ao pé do Palatino De um mocho ouvimos horridos gemidos. Que os ares magoavam, resoando Do Colisêo nos longos corredores. Um pouco repousámos sobre o muro Do cesareo palacio esboroado. O mocho carpidor gemêo tres vezes; Os nossos corações se apavoraram, E ambos involuntarios suspirámos; Tristes versos, que a mente alli dictou-nos, Com luctuosas vozes repetimos. De pois de meditar sobre os presagios, Marchámos para o Flavio amphitheatro. Co’um archote na mão, de estancia em estancia, Cobertos de compridas, brancas vestes, Como phantasmas gravemente andando, Mais e mais o horror desses recessos Dest’arte nossos vultos augmentavam. Oh! quem póde narrar scenas tão funebres? Do archote a luz o tecto avermelhava, Co’a fria luz da lua contrastando; Cinéreo fumo, deslizando em ondas, }}<noinclude></noinclude> i2wt3qjtrolbrwphun35qnghkb344sq Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/207 106 230163 554148 492794 2026-06-11T15:15:36Z Junglk 34905 /* Revista */ 554148 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|197}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| Fugitivos duendes simulavam; E para mais pavor, do fundo peito. Deixavamos saír longos suspiros, Que em toda a galeria reboavam. Cançados de gozar de mil maneiras Essas scenas sublimes, regressámos Para o nosso aposento, atrás deixando O arco triumphal de Constantino. Tudo estava em silencio, immovel tudo; Só resoava o som dos nossos passos, E ante nós nossa sombra caminhava. Eis que chegando ao sitio onde sentados Ave sinistra soluçar ouvímos, Tres, de punhaes armados, negros vultos, Como da terra erguidos, nos investem!.. Qual nosso susto foi! Nos feros rostos, Nos scintillantes olhos desses monstros De suas almas vís o intento lêmos. Nas laminas luzentes co’ os reflexos Do claro astro da noite, e que apontadas Sobre os peitos estavam, nossa morte }}<noinclude></noinclude> 24d0s8sfnaeyo91assog2uxa2obqju1 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/208 106 230164 554149 492795 2026-06-11T15:17:17Z Junglk 34905 /* Revista */ 554149 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|198|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close| Com côr sanguinea viamos pintada. Só pelo Amigo cada qual temia. E qual foi, oh minha alma, nesse ensejo O pensamento teu?… A Patria! A Patria! Não mais vel-a: — morrer tão longe d’ella; Sem por ella ter feito um sacrificio! Distante de meus pais… Oh Providencia! Ouviste o coração que te invocava, E tu salvaste o Amigo, e me salvaste Das cruas garras dos sedentos tigres. Mais que o aureo metal é cara a vida; Para louvar a Deos vivos estamos. }} {{x-smaller|Roma, 11 de Abril de 1835.}} {{dhr|1.5}} {{Linha customizada|sp|20|fy1|40|sp|20}}<noinclude></noinclude> is2mzk8xi8x397waarbz2d76ad1flxf Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/209 106 230166 554186 492807 2026-06-12T11:08:39Z Junglk 34905 /* Revista */ 554186 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|||199}}</noinclude>{{dhr|2}} {{c|XXVIII.}} {{dhr|3}} {{c|{{x-larger|PARA QUE VIM EU AO MUNDO?}}}} {{dhr|3}} {{Ppoem|end=stanza| {{Gcapitular|D|2em}}o céo as estrellas Acaso no brilho São todas iguaes? São umas mais bellas, E outras parecem Funéreos fanaes. Assim são os fados Dos tristes mortaes. }}<noinclude></noinclude> hphmkzyes37l6j9qk58bu0up7wznwpk 554190 554186 2026-06-12T11:17:46Z Junglk 34905 Correção 554190 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|||199}}</noinclude>{{dhr|2}} {{c|XXVIII.}} {{dhr|3}} {{c|{{x-larger|PARA QUE VIM EU AO MUNDO?}}}} {{dhr|3}} {{Ppoem|end=stanza| ::::{{Gcapitular|D|2em}}o céo as estrellas ::::Acaso no brilho ::::São todas iguaes? ::::São umas mais bellas, ::::E outras parecem ::::Funéreos fanaes. ::::Assim são os fados ::::Dos tristes mortaes. }}<noinclude></noinclude> g65yh6bpqqz0p8vmw8m9wigtew2crl8 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/210 106 230167 554187 492808 2026-06-12T11:10:38Z Junglk 34905 /* Revista */ 554187 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|200|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza| Cada qual tem sua sorte; Um foi para a dôr gerado, E outro pela ventura Ao nascer foi embalado. Quanto mais penso, mais creio Neste mysterio profundo; E a mim mesmo então pergunto: Para que vim eu ao mundo? Como reposta esperando, Escuto silencioso; No coração, que palpita, Murmura um som luctuoso. Sôa essa voz em meu peito Como em caverna profunda, Como um suspiro exhalado Pela vaga gemebunda. Para a dôr, me diz, nasceste; Para a dôr, para o tormento; Teus males só terão termo Co' o teu ultimo momento. }}<noinclude></noinclude> lnmfz2nh0ytwpy8om7pjz68tlvzj0kx 554191 554187 2026-06-12T11:18:26Z Junglk 34905 Correção 554191 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|200|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza| ::::Cada qual tem sua sorte; ::::Um foi para a dôr gerado, ::::E outro pela ventura ::::Ao nascer foi embalado. ::::Quanto mais penso, mais creio ::::Neste mysterio profundo; ::::E a mim mesmo então pergunto: ::::Para que vim eu ao mundo? ::::Como reposta esperando, ::::Escuto silencioso; ::::No coração, que palpita, ::::Murmura um som luctuoso. ::::Sôa essa voz em meu peito ::::Como em caverna profunda, ::::Como um suspiro exhalado ::::Pela vaga gemebunda. ::::Para a dôr, me diz, nasceste; ::::Para a dôr, para o tormento; ::::Teus males só terão termo ::::Co’ o teu ultimo momento. }}<noinclude></noinclude> 5cb4udu9636613kfsck9p3h21j0s6ky Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/211 106 230168 554188 492809 2026-06-12T11:13:52Z Junglk 34905 /* Revista */ 554188 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|201}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza| Soffrer, tal é meu fado! — Eu me resigno. E que al hei de fazer? — Curta é a vida… E quem me tolhe qu' eu de todo a encurte? Não serei livre de lançar por terra Um fardo que me acurva, um fardo inutil? É a vida para uns nectar suave, Toxico é para mim; — devo tragal-o? :::Acaso Deos me dice: A ti toca soffrer por mil que gozam. Mas eu blasphemo, oh céos! Que voz me grita: „Mortal, olha o que fazes! Contra a vida Não ouses attentar. Quem vida dêo-te Só quando lhe aprouver tirar-t’a póde.“ Oh meu Deos! compaixão. Minha alma humilde Graça implora da sua insana idéa. Rir, ou chorar, eis só o que o homem sabe; :::Si não canta, blasphema! ::::A sorte choremos, ::::Que avessa nos é; ::::Mas não blasphememos, ::::Vivamos co’ a Fé. }}<noinclude></noinclude> 5e7c911k00rtyl20ie6swhqqm5458p9 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/212 106 230169 554189 492810 2026-06-12T11:16:29Z Junglk 34905 /* Revista */ 554189 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|202|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow| Qual a esponja de liquido embebida, De perpetua, lethal melancolia :::Pejado tenho o peito; :::Minha alma amortecida, E como que em seu tumulo encerrada, Só pela dôr á vida é revocada. Oh minha alma, tu és como a lanterna ::::Do cemiterio, Que ante o altar, sobre um esquife solta ::::Pallor funéreo. ::::A sorte choremos, ::::Que avessa nos é; ::::Mas não blasphememos, ::::Vivamos co’ a Fé. Oh prazer! Oh doçura da existencia! :::Meta tão desejada De todos os mortaes, para quem inda Brilha no céo a estrella da esperança. Oh benigno sol, que a vida aqueces, :::Para mim te eclipsaste! }}<noinclude></noinclude> jrhlwj0m9yg3j4ciavzyayq0x422kvs Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/213 106 230170 554192 492811 2026-06-12T11:20:40Z Junglk 34905 /* Revista */ 554192 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|203}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close| E si ás vezes phosphorico lampejas, Quando eu, afeito á dôr, te não desejo, É para exacerbar meu soffrimento. Ah! nem me afága da esperança o riso, Nem me consola amor: tudo me fóge. ::::A sorte choremos, ::::Que avessa nos é; ::::Mas não blasphememos, ::::Vivamos co’ a Fé. }} {{x-smaller|Bolonha, Maio de 1835.}} {{dhr|1.5}} {{Linha customizada|sp|20|fy1|40|sp|20}}<noinclude></noinclude> ido2bvi8fm7hlwa6tv3vc9gh26rth1b Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/367 106 252375 554193 549538 2026-06-12T11:52:52Z Junglk 34905 Adição de âncora 554193 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh| |{{smaller|NOTAS.}}|357}}</noinclude>a uma substancia primaria, seja o nome qual for, ou se contradizem a cada passo. <section end="nota2"/> {{dhr}} {{lh|2em}} {{dhr}} <section begin="nota3"/> {{c|{{larger|O CARCERE DE TASSO.}}}} {{âncora|nota1|{{c|Nota 1. {{small|Pag. 208, v. 22.}}}}}} {{Poema|......... E tu, oh Silva...|fs=80%}} Antonio José da Silva, natural do Río de Janeiro, poeta comico, foi queimado vivo n’um ''auto-da-fé'', em Lisboa, em 1739, porque, dizia-se, era Judeo. {{dhr}} {{lh|2em}} {{dhr}} {{âncora|nota2|{{c|Nota 2. {{small|Pag. 209, v. 8.}}}}}} {{Poema|Tu Claudio octogenario.|fs=80%}} Claudio Manoel da Costa, conhecido com o nome de ''Glauceste Saturníno'', distincto poeta, de quem correm algumas poesias impressas, sendo accusado, já avançado em annos, e preso com outros illustres poetas, deo-se a morte na prisão. {{dhr}} {{lh|2em}} {{dhr}} {{âncora|nota3|{{c|Nota 3. {{small|Pag. 209, v. 12.}}}}}} {{Poema| Lá sai Dircêo saudoso, suspirando Pela cara Marilia. |fs=80%}} Thomas Antonio Gonzaga, tão conhecido com o nome de Dircêo, immortal nas suas Lyras. Nós lhe consagramos esta nota, porque, de quantos teem lido suas Lyras nem todos sabem que reaes foram<noinclude></noinclude> j8ufhmk6lhrxx3l88lxwyluobyolhr8 Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/29 106 253836 554144 553427 2026-06-11T15:07:45Z JppBr98 28173 554144 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{#ifexpr:13 mod 2| {{rh||SERMÕES.|13}} | {{rh|13|SERMÕES}} }}</noinclude>{{hífen-fim|cem|enfraquecem}} os nossos exercitos, escalem as suas muralhas, e despovoem os seus presidios: os conselhos que, quando vós quereis castigar, se {{sic|corropem|corrompem}}, em nós sejam allumiados, e nelles enfatuados e confusos. Mude a victoria as insignias, desaffrontem-se as cruzes catholicas, triumphem as vossas chagas nas nossas bandeiras, e conheça humilhada e desenganada a perfidia, que só a fé romana, que professamos, é fé, e só ella a verdadeira e a vossa. Mas ainda ha mais quem diga: ''Ne quæso dicant Ægyptii:'' Olhae, Senhor, que vivemos entre gentios, uns que o são, outros que o foram hontem: e estes que dirão? Que dirá o tapuya barbaro sem conhecimento de Deus? Que dirá o indio inconstante, a quem falta a pia affeição da nossa fé? Que dirá o ethiope boçal, que apenas foi molhado com a agua do baptismo sem mais doutrina? Não ha duvida, que todos estes, como não teem capacidade para sondar o profundo de vossos juisos, beberão o erro pelos olhos. Dirão pelos effeitos que vêem, que a nossa fé é falsa, e a dos hollandezes a verdadeira, e crerão que são mais christãos sendo como elles. A seita do hereje torpe e brutal, concorda mais com a brutalidade do barbaro: a largueza e soltura da vida, que foi a origem e o fomento da heresia, casa-se mais com os costumes depravados e corrupção do gentilismo: e que pagão haverá que se converta á fé que lhe prêgamos, ou que novo christão já convertido, que se não preverta, intendendo e persuadindo-se uns e outros, que no herege é premiada a sua lei, e no catholico se castiga a nossa? Pois se estes são os effeitos, posto que não pretendidos, de vosso rigor e castigo, justamente começado em nós, porque razão se atea e passa com tanto damno aos que não são cumplices nas nossas culpas: ''Cur irascitur furor tuus?'' Porque continúa sem estes reparos o que vós mesmo chamastes furor; e porque não acabaes já de embainhar a espada de vossa ira? Se tão gravemente offendido do povo hebreu, por um ''que dirão'' dos egypcios lhe perdoastes; o que dizem os hereges, e o que dirão os gentios, não será bastante motivo, para que vossa rigorosa mão suspenda o castigo, e perdoe tambem os nossos peccados, pois, ainda que grandes, são menores? Os hebreus adoraram o idolo, faltaram á fé, deixaram o culto do verdadeiro Deus, chamaram<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 5b5z7wtmvoa01gczw8z9w0zf0mmgm9g Página:Contrastes e confrontos.pdf/383 106 254018 554183 553887 2026-06-12T09:18:32Z JppBr98 28173 554183 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" /></noinclude>{{c|{{x-larger|INDICE}}}} {{dhr|300%}} {{rule|5em}} {{dhr|400%}} {{d|{{small|Pag.}}}} {{dtpl||PREFACIO|5|4}} {{dtpl||Dous grandes estylos|23|4}} {{dtpl||Nota complementar|67|4}} {{dtpl||Heroes e bandidos|69|4}} {{dtpl||O marechal de ferro|79|4}} {{dtpl||O Kaiser|89|4}} {{dtpl||A Arcadia da Allemanha|99|4}} {{dtpl||A vida das estatuas|109|4}} {{dtpl||Anchieta|117|4}} {{dtpl||Garimpeiros|123|4}} {{dtpl||Uma comedia historica|133|4}} {{dtpl||Plano de uma cruzada — I|141|4}} {{dtpl|||151|4}} {{dtpl|||160|4}} {{dtpl||A missão da Russia|169|4}} {{dtpl||Transpondo o Himalaya|177|4}} {{dtpl||Conjecturas|185|4}} {{dtpl||Contrastes e Confrontos|197|4}} {{dtpl||Conflicto inevitavel|207|4}}<noinclude></noinclude> svez208f3myove0fcc2kj7wpieku7z4 Página:Da Terra á Lua.pdf/150 106 254142 554155 554110 2026-06-11T15:34:19Z Erick Soares3 19404 554155 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|151|borda_inferior=sim}}</noinclude>era uma solução clara e positiva que lhes socegasse o espirito. Pouco a pouco reuniram-se em grupos os individuos isolados; os grupos foram-se condensando por influencia da curiosidade, como os atomos se aggregam em virtude da attracção mollecular, e a final vieram a transformar-se em multidão compacta, que tomou em direitura á morada do presidente Barbicane. Este, desde que chegára o telegramma, não dera por fórma alguma a conhecer o que dʼelle pensava; deixára correr a opinião de J.-T. Maston, sem manifestar approvação nem censura; estava mettido ao canto, e na idéa de esperar pelos acontecimentos, mas com que elle não contava era com a impaciencia publica; por isso viu com olhos de pouca satisfação accumular-se-lhe debaixo das janellas a população de Tampa. Em breve o forçaram a mostrar-se ao publico, mil murmurios e vociferações. É de ver que o presidente tinha todos os deveres e portanto todos os incommodos attributos da celebridade. Logo que Barbicane appareceu reinou silencio na multidão e um cidadão que tomou a palavra dirigiu-lhe, sem mais rodeios, a seguinte pergunta: «O personagem designado no telegramma pelo nome de Miguel Ardan, seguiu ou não viagem para a America? — Meus senhores, respondeu Barbicane, tanto o sei eu como vós outros. — Pois é necessario sabe-lo, exclamaram algumas vozes impacientes. — O tempo é que nos ha de desenganar, respondeu friamente o presidente. — Ao tempo não assiste direito para conservar um paiz inteiro em suspensão, replicou o orador. E os planos do projectil já se mandaram modificar, como se pede no telegramma? — Ainda não, meus senhores; mas, todos têem muita rasão, é necessario desenganarmo-nʼos; o telegrapho foi que causou {{pt||todas estas emoções, pois seja o telegrapho quem complete as noticias que trouxe.}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 493cuqrtdnigi5jhpfnn714ev8lhv4m Página:Processo crime de Homicídio, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0004).pdf/2 106 254144 554132 2026-06-11T12:08:58Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{abv|M|mo|Meretíssimo}} Sñr {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. [?] Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mes de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</... 554132 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" />{{d|2}}</noinclude>{{abv|M|mo|Meretíssimo}} Sñr {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. [?] Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mes de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</small> O promotor publico da Comarca, abaixo assignado em cumprimento, em cumprimento dos deveres de seu cargo e na forma da lei, vem perante Vª Exª denunciar Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira pelos factos delictuosos seguintes: Na noute de 5 do corrente, na venda de Firmino Galvâo sita no Bairro de Rebouças, nesta Comarca, os denunciados quizeram obrigar o preto Fidelis a beber aguardente. Recusando este, foi ameaçado pelos denunciados. Correndo Fidelis em fuga, foi alcançado pelos denunciados, dos quaes o primeiro disparou um tiro de revolver sobre Fidelis, tendo sido este tambem esbordoado pelos dous outros denunciados Comquanto Fidelis não tivesse sido attingido pelo projectil do tiro, todavia<noinclude></noinclude> 3wyub9qhoi2tgbd9pxdn3zrsgqbpjut 554133 554132 2026-06-11T12:10:21Z Ygor G. Alves de Souza 38807 554133 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" />{{d|2}}</noinclude>{{abv|M|mo|Meretíssimo}} Sñr {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. [?] Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mes de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</small> {{alinhamento deslocado|O promotor publico da Comarca,}} abaixo assignado em cumprimento, em cumprimento dos deveres de seu cargo e na forma da lei, vem perante Vª Exª denunciar Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira pelos factos delictuosos seguintes: Na noute de 5 do corrente, na venda de Firmino Galvâo sita no Bairro de Rebouças, nesta Comarca, os denunciados quizeram obrigar o preto Fidelis a beber aguardente. Recusando este, foi ameaçado pelos denunciados. Correndo Fidelis em fuga, foi alcançado pelos denunciados, dos quaes o primeiro disparou um tiro de revolver sobre Fidelis, tendo sido este tambem esbordoado pelos dous outros denunciados Comquanto Fidelis não tivesse sido attingido pelo projectil do tiro, todavia<noinclude></noinclude> t9cl9mp31bpc7i8p81jzrb2118crr5v 554134 554133 2026-06-11T12:11:16Z Ygor G. Alves de Souza 38807 554134 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" />{{d|2}}</noinclude>{{abv|M|mo|Meretíssimo}} Sñr {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. [?] Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mes de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</small> {{alinhamento deslocado}} O promotor publico da Comarca, abaixo assignado em cumprimento, em cumprimento dos deveres de seu cargo e na forma da lei, vem perante Vª Exª denunciar Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira pelos factos delictuosos seguintes: </div> Na noute de 5 do corrente, na venda de Firmino Galvâo sita no Bairro de Rebouças, nesta Comarca, os denunciados quizeram obrigar o preto Fidelis a beber aguardente. Recusando este, foi ameaçado pelos denunciados. Correndo Fidelis em fuga, foi alcançado pelos denunciados, dos quaes o primeiro disparou um tiro de revolver sobre Fidelis, tendo sido este tambem esbordoado pelos dous outros denunciados Comquanto Fidelis não tivesse sido attingido pelo projectil do tiro, todavia<noinclude></noinclude> okhapqbaqepeqw7gwhvfptkh8fjnqyx 554135 554134 2026-06-11T12:12:30Z Ygor G. Alves de Souza 38807 554135 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" />{{d|2}}</noinclude>{{abv|M|mo|Meretíssimo}} Sñr {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. [?] Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mes de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</small> {{justificado}} O promotor publico da Comarca, abaixo assignado em cumprimento, em cumprimento dos deveres de seu cargo e na forma da lei, vem perante Vª Exª denunciar Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira pelos factos delictuosos seguintes: Na noute de 5 do corrente, na venda de Firmino Galvâo sita no Bairro de Rebouças, nesta Comarca, os denunciados quizeram obrigar o preto Fidelis a beber aguardente. Recusando este, foi ameaçado pelos denunciados. Correndo Fidelis em fuga, foi alcançado pelos denunciados, dos quaes o primeiro disparou um tiro de revolver sobre Fidelis, tendo sido este tambem esbordoado pelos dous outros denunciados Comquanto Fidelis não tivesse sido attingido pelo projectil do tiro, todavia </div><noinclude></noinclude> m2qkkg023uoi1c499cph2mqsnu8xd2a 554136 554135 2026-06-11T12:12:41Z Ygor G. Alves de Souza 38807 554136 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" />{{d|2}}</noinclude>{{abv|M|mo|Meretíssimo}} Sñr {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. [?] Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mes de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</small> O promotor publico da Comarca, abaixo assignado em cumprimento, em cumprimento dos deveres de seu cargo e na forma da lei, vem perante Vª Exª denunciar Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira pelos factos delictuosos seguintes: Na noute de 5 do corrente, na venda de Firmino Galvâo sita no Bairro de Rebouças, nesta Comarca, os denunciados quizeram obrigar o preto Fidelis a beber aguardente. Recusando este, foi ameaçado pelos denunciados. Correndo Fidelis em fuga, foi alcançado pelos denunciados, dos quaes o primeiro disparou um tiro de revolver sobre Fidelis, tendo sido este tambem esbordoado pelos dous outros denunciados Comquanto Fidelis não tivesse sido attingido pelo projectil do tiro, todavia<noinclude></noinclude> 3wyub9qhoi2tgbd9pxdn3zrsgqbpjut 554168 554136 2026-06-11T19:22:39Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* Revistas e corrigidas */ 554168 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Ygor G. Alves de Souza" />{{d|2}}</noinclude>{{abv|M|mo|Meretíssimo}} {{abv|Sñr||Senhor}} {{abv|D|r|Doutor}} Juiz de Direito (2ª Vara <small>Apresentada hoje. A. Recebo a denuncia. Designo o dia 1º do proximo mez de Junho, à 1 hora, em cartorio, para inquirição das testemunhas, que serão citadas, citando-se também os réos. Expeça-se o mandado de prisão preventiva, requisitado pela autoridade policial, contra o réo Antonio Benite, como indiciado em o crime previsto pelo art. 254 combinado com</small> O promotor publico da Comarca, abaixo assignado em cumprimento, em cumprimento dos deveres de seu cargo e na forma da lei, vem perante {{abv|V|a|Vossa}} {{abv|Ex|a|Excelência}} denunciar Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira pelos factos delictuosos seguintes: Na noute de 5 do corrente, na venda de Firmino Galvâo sita no Bairro de Rebouças, nesta Comarca, os denunciados quizeram obrigar o preto Fidelis a beber aguardente. Recusando este, foi ameaçado pelos denunciados. Correndo Fidelis em fuga, foi alcançado pelos denunciados, dos quaes o primeiro disparou um tiro de revolver sobre Fidelis, tendo sido este tambem esbordoado pelos dous outros denunciados. Comquanto Fidelis não tivesse sido attingido pelo projectil do tiro, todavia<noinclude></noinclude> jyvzyz7qgbgr91fvkspe9su8sp0zpkg Página:Processo crime de Homicídio, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0004).pdf/3 106 254145 554137 2026-06-11T12:21:11Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: oa63 de Cadiser teriaõ Camprines eq eicaro 1ol vit Lt Juor Saluleunliao lomecidadopr vente deuiuesasda lal pracedimenho bemtr de eclemiusheuas penaodoAladidoloLeualemlemmad oeo etiledeuemocomesdiusallimardeuur adoecomahasieaspeuxodoAlo Ses doulelodos parrezev eidodesesaeserveu aoquesaleahaus comodete doaulo decom sodedeiitodeSadee eparaqueassem sepelque se asferece a pe deule deuiratraoqualdeesserialeganecbida tara efua de Vezeveasdem... 554137 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>oa63 de Cadiser teriaõ Camprines eq eicaro 1ol vit Lt Juor Saluleunliao lomecidadopr vente deuiuesasda lal pracedimenho bemtr de eclemiusheuas penaodoAladidoloLeualemlemmad oeo etiledeuemocomesdiusallimardeuur adoecomahasieaspeuxodoAlo Ses doulelodos parrezev eidodesesaeserveu aoquesaleahaus comodete doaulo decom sodedeiitodeSadee eparaqueassem sepelque se asferece a pe deule deuiratraoqualdeesserialeganecbida tara efua de Vezeveasdemtradosudos emequemuanauadasdespeditoeSeuao dasaSeidoArrado eecodspozcoucodes asetimsCancraarralodotil de diteeltedeismio codoga Seles Lencaq dequee te asahiadique de desiqecedogardiaelporadeuaarque rdasaoLeshemembsabaixoavila deoaihesdevsasevlad af oroSezerneulo peudo eu ateemar oluigapae LeASa<noinclude></noinclude> 770mzw3gvn5sm3snhplppg7put5z8rm 554171 554137 2026-06-11T19:40:59Z Ygor G. Alves de Souza 38807 554171 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>o {{abv|art||artigo}} 63 do Codigo Penal. Campinas, 29 de maio de 1901. Pinto &[?] Costa[?]<noinclude></noinclude> 1zdi5p2ekis9jem0kn4ft8b05eobyku 554172 554171 2026-06-11T19:42:22Z Quinlan83 33475 Requesting deletion 554172 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="" /></noinclude>{{delete|Test page}}<noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>o {{abv|art||artigo}} 63 do Codigo Penal. Campinas, 29 de maio de 1901. Pinto &[?] Costa[?]<noinclude></noinclude><noinclude></noinclude> a5kfbou1rgjxqcief1giojmuoxolsvp Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/120 106 254146 554150 2026-06-11T15:20:17Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554150 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|O PICHOCHO'}} {{dhr|3}} {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 120 crop).jpg |align=left |width=250px |padt=2em }} Alguns dias mais tarde, alli pelas tres horas, um homem a cavallo entrou no terreiro. Bateu palmas e — Oʼ de casa ! gritou. Narizinho, que estava arrumando a mesa, ouviu o chamado e veiu ver quem era. — Eʼ aqui a casa de Dona Benta de Oliveira ? — Sim, senhor. — Desejo um particular com ella. — Pois apeie e entre. O homem apeiou, entrou, sentou-se e Narizinho correu a chamar a vovó. {{nop}}<noinclude>{{c|☉{{gap}}116{{gap}}☉}}</noinclude> irsj0ddncav5z129tp3pz8vgrcoiu9y Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/121 106 254147 554151 2026-06-11T15:22:53Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554151 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Ande, ʼvó, que está ahi um sujeito de fóra, magro, de barbinha no queixo, espóra no calcanhar, olho gateado, cigarro atrás da orelha, pé no chão, e geito assim daquelle frango que morreu estuporado outro dia. — Quem será? disse comsigo a velha, dirigindo-se para a sala. Era um capataz do tio Antonio, que vinha trazer a noticia da sua morte e uma carta. A velha, depois de enxugar uma lagrima, arrumou os oculos no nariz e leu a carta do fallecido, que lhe pedia para criar o Pedrinho, “um orphão de oito annos sem outro amparo na vida a não ser ella”. D. Benta, concluida a leitura, perguntou: — E onde está elle ? O homem de barbinha no queixo respondeu: — Por ahi ! Veiu commigo, mas como é muito acanhado não houve geito de entrar, e sururúcou por ahi afóra... — Com effeito ! disse a velha, guardando os oculos. Então é assim, o Pedrinho ? — Ser assim, não é, respondeu o homem.<noinclude>{{c|☉{{gap}}117{{gap}}☉}}</noinclude> kej06smkmrj1tmalfamhbwfdk1aincw Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/35 106 254148 554152 2026-06-11T15:24:17Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554152 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|19}}</noinclude>nós, que fomos os convidados, não nos escusámos, nem duvidámos de vir, antes rompemos por muitos inconvenientes, em que poderamos duvidar; se viemos e nos assentámos á meza; como nos excluis agora e lançaes fóra della e introduzis violentamente os cegos e mancos, e daes os nossos logares ao hereje? Quando em tudo o mais foram elles tão bons como nós, ou nós tão maus como elles, porque nos não ha de valer pelo menos o privilegio e prerogativa da fé? Em tudo parece, Senhor, que trocaes os estylos de vossa providencia e mudaes as leis de vossa justiça comnosco. Aquellas dez virgens do vosso evangelho todas se renderam ao somno, todas adormeceram, todas foram iguaes no mesmo descuido: ''Dormitaverunt omnes {{sic|es|et}} dormierunt.'' (S. Math. XXV — 5) E comtudo a cinco dellas passou-lhe o Esposo por este defeito, e só porque conservaram as alampadas acezas, mereceram entrar ás vodas, de que as outras foram excluidas. Se assim é, Senhor meu, se assim o julgastes então (que vós sois aquelle Esposo divino) porque não nos val a nós tambem conservar as alampadas da fé acezas, que no hereje estão tão apagadas e tão mortas? É possivel, que haveis de abrir as portas a quem traz as alampadas apagadas, e que as haveis de fechar a quem as tem acezas? Reparae, Senhor, que não é auctoridade do vosso divino tribunal, que sáiam delle no mesmo caso duas sentenças tão encontradas. Se ás que deixaram apagar as alampadas se disse: ''Nescio vos:'' (Ibid. — 12) se para ellas se fecharam as portas: ''{{sic|Clausu|Clausua}} est janua:'' (Ibid. — 10) quem merece ouvir de vossa boca um ''Nescio vos'' tremendo, senão o hereje que vos não conhece? E a quem deveis dar com a porta nos olhos, senão ao hereje que os tem tão cegos? Mas eu vejo que nem esta cegueira, nem este desconhecimento, tão merecedores de vosso rigor, lhes retarda o progresso de suas fortunas, antes a passo largo se veem chegando a nós suas armas victoriosas, e cedo nos baterão ás portas desta vossa cidade — desta vossa cidade disse; mas não sei se o nome do Salvador, com que a honrastes, a salvará e deffenderá, como já outra vez não deffendeu; nem sei se estas nossas deprecações, posto que tão repetidas e continuadas, acharão accesso a vosso conspecto divino,<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 4k4ujp501d7kb9fv193zmqrqywl13vc Página:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf/122 106 254149 554153 2026-06-11T15:25:20Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 554153 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>Isto é só no primeiro dia. Amanhã já está manso, vae ver... {{Imagem float-p |file=Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 122 crop).jpg |align=left |width=300px |padt=2em }} — A velha disse — Com licença ! — e foi para dentro dar a noticia aos outros. Narizinho, ao saber da grande novidade, bateu palmas de alegria; mas a Anastacia resmungou: — Agora é que péga fogo no sitio, direito ! Inda mais que elle é Pedro, e todo Pedro é reinador... E virando-se para a velha: — Quer que leve café na sala ? — Leve, sim. E você, Narizinho, vá-me procurar por ahi esse caipirinha arisco. A menina não esperou segunda ordem: sahiu como um busca-pé. No terreiro parou. Viu dois animaes arreados, junto á cerca, mas não enxergou menino nenhum. Procura que procura, de<noinclude>{{c|☉{{gap}}118{{gap}}☉}}</noinclude> lre74ocvjwz46yv00a4hgj31puartxq Página:Da Terra á Lua.pdf/151 106 254150 554154 2026-06-11T15:34:06Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: [[File:Delaterrelalun00vern 0115 1.png|centro|400px]] {{c|Michel Ardan ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/153|pag. 154]]).}} {{pt|todas estas emoções, pois seja o telegrapho quem complete as noticias que trouxe.}} — «Ao telegrapho! ao telegrapho!» bradou a multidão. {{nop}} 554154 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|152|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0115 1.png|centro|400px]] {{c|Michel Ardan ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/153|pag. 154]]).}} {{pt|todas estas emoções, pois seja o telegrapho quem complete as noticias que trouxe.}} — «Ao telegrapho! ao telegrapho!» bradou a multidão. {{nop}}<noinclude></noinclude> setsw57m8tcehtn10ca54niie9yobu0 Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/36 106 254151 554156 2026-06-11T15:34:40Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554156 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|20|SERMÕES.}}</noinclude>pois ha tantos annos que está bradado ao ceu a nossa justa dôr, sem vossa clemencia dar ouvidos a nossos clamores. Se acaso fôr assim (o que vós não permittaes), e está determinado em vosso secreto juiso que entrem os herejes na Bahia, o que só vos represento humildemente e muito devéras, é, que antes da execução da sentença repareis bem, Senhor, no que vos póde succeder depois, e que o consulteis com vosso coração, em quanto é tempo; porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remedio. Bem estaes na intenção e allusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Tambem antes do diluvio estaveis vós mui colerico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aquelles cem annos, nunca houve remedio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se emfim as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já estará satisfeita vossa justiça: senão quando ao terceiro dia começaram a aboiar os corpos mortos, e a surgir e apparecer em multidão infinita aquellas figuras palidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragedia, que nunca viram os anjos, que homens que a vissem, não os havia. Vistes vós tambem (como se o visseis de novo) aquelle lastimosissimo espectaculo, e posto que não chorastes, porque ainda não tinheis olhos capazes de lagrimas, enterneceram-se porém as entranhas de vossa divindade, com tão intrinseca dôr: ''Tactus dolore cordis intrinsecus'' (Genes. VI — 6) que do modo que em vós cabe arrependimento, vos arrependestes do que tinheis feito ao mundo, e foi tão inteira a vossa contricção, que não só tivestes pezar do passado, senão proposito firme de nunca mais o fazer: ''Nequaquam ultra maledicam terræ propter homines.'' (Ibid. VIII — 21) Este sois, Senhor, este sois: e pois este, não vos tomeis com vosso coração. Para que é fazer agora valentias contra elle, se o seu sentimento, e o vosso as ha de pagar depois? Já que as execuções de vossa justiça custam arrependimentos á vossa bondade, vêde o que fazeis antes que o façaes, não vos aconteça outra. E para que o vejaes com côres humanas, que já vos não são estranhas, dae-me licença, que eu vos represente primeiro ao vivo as lastimas e {{hífen|mi|miserias}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> ngt7uj81yf8cz1xt5e1jq1orp39z6ux 554157 554156 2026-06-11T15:35:00Z JppBr98 28173 554157 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|20|SERMÕES.}}</noinclude>pois ha tantos annos que está bradado ao ceu a nossa justa dôr, sem vossa clemencia dar ouvidos a nossos clamores. Se acaso fôr assim (o que vós não permittaes), e está determinado em vosso secreto juiso que entrem os herejes na Bahia, o que só vos represento humildemente e muito devéras, é, que antes da execução da sentença repareis bem, Senhor, no que vos póde succeder depois, e que o consulteis com vosso coração, em quanto é tempo; porque melhor será arrepender agora, que quando o mal passado não tenha remedio. Bem estaes na intenção e allusão com que digo isto, e na razão, fundada em vós mesmo, que tenho para o dizer. Tambem antes do diluvio estaveis vós mui colerico e irado contra os homens, e por mais que Noé orava em todos aquelles cem annos, nunca houve remedio para que se aplacasse vossa ira. Romperam-se emfim as cataratas do céu, cresceu o mar até os cumes dos montes, alagou-se o mundo todo: já estará satisfeita vossa justiça: senão quando ao terceiro dia começaram a aboiar os corpos mortos, e a surgir e apparecer em multidão infinita aquellas figuras palidas, e então se representou sobre as ondas a mais triste e funesta tragedia, que nunca viram os anjos, que homens que a vissem, não os havia. Vistes vós tambem (como se o visseis de novo) aquelle lastimosissimo espectaculo, e posto que não chorastes, porque ainda não tinheis olhos capazes de lagrimas, enterneceram-se porém as entranhas de vossa divindade, com tão intrinseca dôr: ''Tactus dolore cordis intrinsecus'' (Genes. VI — 6) que do modo que em vós cabe arrependimento, vos arrependestes do que tinheis feito ao mundo, e foi tão inteira a vossa contricção, que não só tivestes pezar do passado, senão proposito firme de nunca mais o fazer: ''Nequaquam ultra maledicam terræ propter homines.'' (Ibid. VIII — 21) Este sois, Senhor, este sois: e pois este, não vos tomeis com vosso coração. Para que é fazer agora valentias contra elle, se o seu sentimento, e o vosso as ha de pagar depois? Já que as execuções de vossa justiça custam arrependimentos á vossa bondade, vêde o que fazeis antes que o façaes, não vos aconteça outra. E para que o vejaes com côres humanas, que já vos não são estranhas, dae-me licença, que eu vos represente primeiro ao vivo as lastimas e {{hífen|mi|miserias}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 2dvezzqnk0gtesw6l8t8fcmkhkh2krr Página:Da Terra á Lua.pdf/152 106 254152 554158 2026-06-11T15:36:06Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: [[File:Delaterrelalun00vern 0122 1.png|centro|400px]] {{c|O meeting ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/160|pag. 161]]).}} Barbicane desceu de casa, e tomando á frente dʼaquelle immenso ajuntamento dirigiu-se para a repartição da administração dos telegraphos. {{nop}} 554158 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|153|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0122 1.png|centro|400px]] {{c|O meeting ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/160|pag. 161]]).}} Barbicane desceu de casa, e tomando á frente dʼaquelle immenso ajuntamento dirigiu-se para a repartição da administração dos telegraphos. {{nop}}<noinclude>{{right|20}}</noinclude> 9k0hkgqr05jhbvdr5vc3a649ctpy1ja Página:Da Terra á Lua.pdf/153 106 254153 554159 2026-06-11T15:37:48Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Poucos minutos depois enviava-se um telegramma ao syndico dos corretores de navios de Liverpool em que se lhe pedia resposta ás seguintes perguntas: «Que especie de navio é o ''Atlanta''? «Quando é que largou esse navio da Europa? «Estaria a bordo um francez chamado Miguel Ardan?» Duas horas depois recebia Barbicane esclarecimentos por tal fórma precisos, que nem deixavam logar á menor duvida. «O paquete ''o Atlanta'', de Liverpool, f... 554159 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|154|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>Poucos minutos depois enviava-se um telegramma ao syndico dos corretores de navios de Liverpool em que se lhe pedia resposta ás seguintes perguntas: «Que especie de navio é o ''Atlanta''? «Quando é que largou esse navio da Europa? «Estaria a bordo um francez chamado Miguel Ardan?» Duas horas depois recebia Barbicane esclarecimentos por tal fórma precisos, que nem deixavam logar á menor duvida. «O paquete ''o Atlanta'', de Liverpool, fez-se ao mar no dia 2 de outubro, fazendo-se de véla para Tampa-Town; a bordo ia um francez, inscripto no livro dos passageiros com o nome de Miguel Ardan.» Quando o presidente viu assim confirmado o conteúdo do primeiro telegramma, brilharam-lhe os olhos em subita chamma, cerraram-se-lhe violentamente os punhos, e houve até quem o ouvisse murmurar: Então, sempre é verdade! sempre é possivel! existe esse francez! e dentro em quinze dias ha de estar aqui! Mas é, por certo, um louco! um cerebro escandecido!... Nunca consentirei...» E apesar dʼisso, nʼaquella mesma noite já escrevia á casa Breadwill e C.a, para lhe pedir que suspendesse até nova ordem a fundição do projectil. Relatar a emoção que se apossou da America inteira; como o effeito da communicação Barbicane foi excedido no decuplo; o que disseram os jornaes da União, por que modo acceitaram a nova e em que rythmo contaram a chegada do heroe do velho continente; pintar a febril agitação, em que todos viviam contando as horas, os minutos e os segundos; dar idéa mesmo longiqua, da pesada obsessão que se apoderou de todos os cerebros dominados por um pensamento unico; mostrar como todas as occupações cederam a uma unica preoccupação; os trabalhos parados, o commercio suspenso, navios que estavam promptos a<noinclude></noinclude> joljxxpx8y3vz0sjk46tiyoz4gag5wz Página:Hystoria de Menina e Moça.pdf/21 106 254154 554160 2026-06-11T16:00:25Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554160 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||Menina e Moça|vi}}</noinclude>couſas que nam tinham entendimento, auia tambem fazerenſe hũas as outras nojo, ⁊ eſtaua alli apꝛendendo tomar algum conſoꝛto no meu mal, q̃ aſſi aquele penedo eſtaua ali anojando aquella agoa que queria hir ſeu caminho como as minhas deſanenturas noutro tempo ſohiam fazer a tudo o q̃ mais queria que aguoꝛa ja nam quero nada ⁊ creciame daquilo hũ pezar poꝛ que a cabo do penedo toꝛnaua a aguoa a juntarſe e hir ſeu caminho ſem eſtrondo algum mas antes parecia q̃ coꝛria alli mais de preſa q̃ pela outra parte,e dizia eu que ſeria aquilo poꝛ ſe apartar mais azinha daquele penedo ymigo de ſeu curſo natural que como poꝛ foꝛça alli eſtaua,nam tardou muito q̃ eſtando eu aſſi cuidando ſobꝛe hum verde ramo que poꝛ cima da agua ſe eſtendia ſe veo apouſentar hũ roiſinol e começou tam docemẽte cantar que de todo me leuou apos ſi ho meu ſentido de ouuir:e elle cada vez crecia mais em ſeus queixumes cada oꝛa pareſcia que como canſado queria acabar,ſe nam quando toꝛnaua como que começaua entã a triſte da auezinha q{{corr|n|u}}e eſtandoſe aſi queixando nã ſei como cayo moꝛta ſobꝛe a agoa:e caindo poꝛ ẽtre as ramas,muitas follas cairam tambem com ella e pareceo aquilo ſinal de pezar a<noinclude></noinclude> p1wvuf91rslefqar0od4gv21cfmvywi 554184 554160 2026-06-12T10:06:07Z JppBr98 28173 554184 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||Menina e Moça|vi}}</noinclude>couſas que nam tinham entendimento, auia tambem fazerenſe hũas as outras nojo, ⁊ eſtaua alli apꝛendendo tomar algum conſoꝛto no meu mal, q̃ aſſi aquele penedo eſtaua ali anojando aquella agoa que queria hir ſeu caminho como as minhas deſanenturas noutro tempo ſohiam fazer a tudo o q̃ mais queria que aguoꝛa ja nam quero nada ⁊ creciame daquilo hũ pezar poꝛ que a cabo do penedo toꝛnaua a aguoa a juntarſe e hir ſeu caminho ſem eſtrondo algum mas antes parecia q̃ coꝛria alli mais de preſa q̃ pela outra parte,e dizia eu que ſeria aquilo poꝛ ſe apartar mais azinha daquele penedo ymigo de ſeu curſo natural que como poꝛ foꝛça alli eſtaua,nam tardou muito q̃ eſtando eu aſſi cuidando ſobꝛe hum verde ramo que poꝛ cima da agua ſe eſtendia ſe veo apouſentar hũ roiſinol e começou tam docemẽte cantar que de todo me leuou apos ſi ho meu ſentido de ouuir:e elle cada vez crecia mais em ſeus queixumes cada oꝛa pareſcia que como canſado queria acabar,ſe nam quando toꝛnaua como que começaua entã a triſte da auezinha q{{corr|n|u}}e eſtandoſe aſi queixando nã ſei como cayo moꝛta ſobꝛe a agoa:e caindo poꝛ ẽtre as ramas,muitas follas cairam tambem com ella e pareceo aquilo ſinal de pezar {{hífen|a|aq̃lle}}<noinclude></noinclude> howxjsu6ropdgqw0k5lfq82xjoqg1uw Página:Processo crime de Homicídio, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0004).pdf/1 106 254155 554163 2026-06-11T18:51:02Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* Não revisadas */ 554163 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>Summario de culpa. A Justiça, por seu promotor. {{abv|A||Autor}} Antonio Benite, Domingos Franco e Tobias Teixeira {{abv|R.R||Réus}} Autoação Anno de mil novecentos e um aos vinte e nove dias do mez de Maio n'esta cidade de Campinas, Estado de S. Paulo, em meu cartorio autúo a denuncia e o inquerito policial que adiante seguem. E do que faço este termo. Eu, Antonio Duarte Pimentel, Escrivão o subscrevi.<noinclude></noinclude> rsfbbg5ly2boe9r6og1kvdfo13nef6j Página:Processo crime de Homicídio, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0004).pdf/5 106 254156 554164 2026-06-11T18:51:53Z LucasVCR 43102 /* Não revista */ 554164 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="LucasVCR" /></noinclude>Delegacia de Policia de Campinas Inquerito Policial A Justiça {{abv|A.||Autor}} Antonio Benito e outros {{abv|R.R.|Réus}} Autuação. Aos seis dias do mez de Maio de mil e novecentos e um, nesta cidade de Campinas, na Repartição da Policia, onde é meu cartorio, autuo o abaixo assignado como segue. Eu Antonio Cavalheiro []escrivaõ escrevi 4<noinclude></noinclude> 9qiszmx6l2dsxevdpuxd1l7ytkdc9qn 554165 554164 2026-06-11T19:03:02Z LucasVCR 43102 554165 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="LucasVCR" /></noinclude>Delegacia de Policia de Campinas. Inquerito Policial. A Justiça {{abv|A||Autor}} Antonio Benito e outros {{abv|RR||Réus}} Autuação. Aos seis dias do mez de Maio de mil e novecentos e um, nesta cidade de Campinas, na Repartição da Policia, onde é meu cartorio, autuo o abaixo assignado como segue. Eu Antonio Cavalheiro [?]escrivaõ escrevi.<noinclude></noinclude> tf3gqejgcz02uyybje3qy9u8c4dm10b 554166 554165 2026-06-11T19:04:36Z LucasVCR 43102 554166 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="LucasVCR" /></noinclude>Delegacia de Policia de Campinas. Inquerito Policial. A Justiça {{abv|A||Autor}} Antonio Benito e outros {{abv|RR||Réus}} Autuação. Aos seis dias do mez de Maio de mil e novecentos e um, nesta cidade de Campinas, na Repartição da Policia, onde é meu cartorio, autuo o abaixo assignado como segue. Eu Antonio Cavalheiro [?]escrivaõ escrevi.<noinclude></noinclude> f5hprb8wq9lk2l5mpltp6f5t4iky400 554167 554166 2026-06-11T19:05:16Z LucasVCR 43102 554167 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="LucasVCR" /></noinclude>Delegacia de Policia de Campinas. Inquerito Policial. A Justiça {{abv|A||Autor}} Antonio Beniti e outros {{abv|RR||Réus}} Autuação. Aos seis dias do mez de Maio de mil e novecentos e um, nesta cidade de Campinas, na Repartição da Policia, onde é meu cartorio, autuo o abaixo assignado como segue. Eu Antonio Cavalheiro [?]escrivaõ escrevi.<noinclude></noinclude> eomaoi31mphsjmjbrddh1alq3ac97p3 Página:Processo crime de Homicídio, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0004).pdf/4 106 254157 554169 2026-06-11T19:36:48Z Bbrunohigino 43100 /* Não revista */ 554169 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Bbrunohigino" /></noinclude>Testemunhas: Antonio do Valle, Francisco José de Abreu, x Firmino Galvão Florencio de Vasconsellos e José Candido. Campinas, 28 de Maio de 19011 Paulo Machado<noinclude></noinclude> nx5v3gx088jddbf87792v9l26p9i1h4 554170 554169 2026-06-11T19:37:50Z Bbrunohigino 43100 554170 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Bbrunohigino" /></noinclude>Testemunhas: Antonio do Valle, Francisco José de Abreu, x Firmino Galvão Florencio de Vasconsellos e José Candido. Campinas, 28 de Maio de 1901 Paulo Machado<noinclude></noinclude> epiys83y3y6d6ng214p81ik4pfmfll6 554173 554170 2026-06-11T19:47:23Z Bbrunohigino 43100 554173 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Bbrunohigino" /></noinclude>Testemunhas: Antonio do Valle, Francisco José de Abreu, x Firmino Galvão, Florencio de Vasconsellos e José Candido. Campinas, 28 de Maio de 1901 Paulo Machado<noinclude></noinclude> os0gsm0oyiiqvaec0yghxh3kjuw2zrc Página:Processo crime de Roubo - Furto, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0047).pdf/1 106 254158 554174 2026-06-11T20:05:17Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|1902}} Tribunal do Jury de Campinas Escrivão J. Pereira A Justiça A. Bianchi Giovanni e Ostellino Efisio R.R. Autuação Aos cinco de Junho de mil novecentos e dous, nesta cidade de Campinas, na sala do tribunal do {{reconstruído|jury}} autuo[?] o processo {{ilegível}} {{ilegível}} {{ilegível}} 554174 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>{{c|1902}} Tribunal do Jury de Campinas Escrivão J. Pereira A Justiça A. Bianchi Giovanni e Ostellino Efisio R.R. Autuação Aos cinco de Junho de mil novecentos e dous, nesta cidade de Campinas, na sala do tribunal do {{reconstruído|jury}} autuo[?] o processo {{ilegível}} {{ilegível}} {{ilegível}}<noinclude></noinclude> onb3h4mrol7z58f5tvatyx6ay8ab785 Página:Processo crime de Lesões Corporais, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0003).pdf/8 106 254159 554175 2026-06-11T20:09:36Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Auto de corpo de delicto. Aos vinte oido dias do mez de Setembro de mil novecentos e [?] 554175 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>Auto de corpo de delicto. Aos vinte oido dias do mez de Setembro de mil novecentos e [?]<noinclude></noinclude> lc51o4dnh76lf7b26v2bw9hyer551x7 Página:Processo crime de Roubo - Furto, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0047).pdf/216 106 254160 554176 2026-06-11T20:14:55Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Juntada Na mesma data retro declarada, em meu cartorio junto a estes autos o documento que adiante segue. e do que faço este termo, Eu, Antonio Duarte Pimentel, Escrivão, o escrevi 554176 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>Juntada Na mesma data retro declarada, em meu cartorio junto a estes autos o documento que adiante segue. e do que faço este termo, Eu, Antonio Duarte Pimentel, Escrivão, o escrevi<noinclude></noinclude> mfgladodnkxf9l02xphc8tl8zehmxi1 Página:Processo crime de Lenocinio, Centro de Memória UNICAMP (TJ 1.6.0005).pdf/1 106 254161 554177 2026-06-11T20:20:43Z Ygor G. Alves de Souza 38807 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Traslado do processo em que é autora a Justiça e réa Benedicta Deplhino[?] de Campos 554177 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Ygor G. Alves de Souza" /></noinclude>Traslado do processo em que é autora a Justiça e réa Benedicta Deplhino[?] de Campos<noinclude></noinclude> blfm8ti8vpjklb8ezmxdb2aoxay0tk4 Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/37 106 254162 554178 2026-06-11T20:54:58Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554178 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|21}}</noinclude>{{hífen-fim|serias|miserias}} deste futuro diluvio; e se esta representação vos não enternecer, e tiverdes entranhas para o vêr sem grande dôr, executae-o embora. Finjamos pois (o que até fingido e imaginado faz horror, finjamos que vem a Bahia e o resto do Brazil a mãos dos hollandezes: que é o que ha de succeder em tal caso? Entrarão por esta cidade com furia de vencedores e de hereges: não perdoarão a estado, a sexo, nem a idade: com os fios dos mesmos alfanges medirão a todos: chorarão as mulheres, vendo que se não guarda decóro á sua modestia: chorarão os velhos, vendo que se não guarda respeito ás suas cãs: chorarão os nobres, vendo que se não guarda cortezia á sua qualidade: chorarão os religiosos e veneraveis sacerdotes, vendo que até as corôas sagradas os não defendem: chorarão finalmente todos, e entre todos mais lastimosamente os innocentes, porque nem a esses perdoará (como em outras occasiões não perdoou), a deshumanidade heretica. Sei eu, Senhor, que só por amor dos innocentes, dissestes vós {{sic|algum|alguma}} hora, que não era bem castigar a Ninive. Mas não sei que tempos, nem que desgraça é esta nossa, que até a mesma innocencia vos não abranda. Pois tambem a vós, Senhor, vos ha de alcançar parte do castigo (que é o que mais sente a piedade christã), tambem a vós ha de chegar. Entrarão os herejes nesta egreja e nas outras: arrebatarão essa custodia, em que agora estaes adorado dos anjos: tomarão os calices e vasos sagrados, e applical-os-hão a suas nefandas embriaguezes: derribarão dos altares os vultos e estatuas dos santos, deformal-as-hão a cutiladas, e metel-as-hão no fogo: e não perdoarão as mãos furiosas e sacrilegas, nem ás imagens tremendas de Christo crucificado, nem ás da Virgem Maria. Não me admiro tanto, Senhor, de que hajaes de consentir similhantes aggravos e affrontas nas vossas imagens, pois já as permittistes em vosso sacratissimo corpo; mas nas da Virgem Maria, nas de vossa Santissima Mãe, não sei como isto póde estar com a piedade e amor de Filho. No monte Calvario esteve esta Senhora sempre ao pé da cruz; e com serem aquelles algozes tão descortezes e crueis, nenhum se atreveu a lhe tocar nem a lhe perder o {{hífen|res|respeito}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> dgqs5dqq9v28pgz5ag2nffgz253n6w4 Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/38 106 254163 554179 2026-06-11T21:07:01Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554179 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|22|SERMÕES.}}</noinclude>{{hífen-fim|peito|respeito}}. Assim foi, e assim havia de ser, porque assim o tinheis vós promettido pelo propheta: ''Flagellum non appropinquabit tabernaculo tuo.'' (Psal. XC — 10) Pois, Filho da Virgem Maria, se tanto cuidado tivestes então do respeito e decoro de vossa Mãe, como consentis agora, que se lhe façam tantos desacatos? Nem me digaes, Senhor, que lá era a pessoa, cá a imagem. Imagem somente da mesma Virgem, era a arca do testamento, e só porque Oza a quiz tocar, lhe tirastes a vida. Pois se então havia tanto rigor para quem offendia a imagem de Maria, porque o não ha tambem agora? Bastava então qualquer dos outros desacatos ás coisas sagradas, para uma severissima demonstração vossa ainda milagrosa. Se a Jeroboão, porque levantou a mão para um propheta, se lhe secou logo o braço milagrosamente; como aos hereges depois de se atreverem a affrontar vossos santos, lhes ficam ainda braços para outros delictos? Se a Balthasar por beber pelos vasos do templo, em que não se consagrava vosso sangue, o privastes da vida e do reino, porque vivem os hereges, que convertem vossos calices a usos prophanos? Já não ha tres dedos que escrevam sentença de morte contra sacrilegos? Em fim, Senhor, despojados assim os templos, e derribados os altares, acabar-se-ha no Brazil a christandade catholica: acabar{{corr| |-}}se-ha o culto divino: nascerá herva nas egrejas, como nos campos: não haverá quem entre nellas. Passará um dia de Natal, e não haverá memoria de vosso nascimento: passará a quaresma, e a semana santa, e não se celebrarão os mysterios de vossa Paixão. Choraram as pedras das ruas, como diz Jeremias que choravam as de Jerusalem destruida: ''Viæ Sion lugent, eò quòd non sint qui veniant ad solemnitatem:'' (Thren. I — 4) Ver-se-hão ermas e solitarias, e que as não pisa a {{sic|devação|devoção}} dos fieis, como costumava em similhantes dias. Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as digam: morrerão os catholicos sem confissão, nem sacramentos: prégar-se-hão heresias nestes mesmos pulpitos; e em logar de São Jeronymo, e Santo Agostinho, ouvir-se-hão e allegar-se-hão nelles os infames nomes de Calvino e Luthero; beberão a falsa doutrina os innocentes que ficarem, reliquias dos portuguezes; e chegaremos a estado, que se {{hífen|per|perguntarem}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> khvm9mt3drh6cplzjgr1ia7qxa6q40h 554180 554179 2026-06-11T21:07:26Z JppBr98 28173 554180 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|22|SERMÕES.}}</noinclude>{{hífen-fim|peito|respeito}}. Assim foi, e assim havia de ser, porque assim o tinheis vós promettido pelo propheta: ''Flagellum non appropinquabit tabernaculo tuo.'' (Psal. XC — 10) Pois, Filho da Virgem Maria, se tanto cuidado tivestes então do respeito e decoro de vossa Mãe, como consentis agora, que se lhe façam tantos desacatos? Nem me digaes, Senhor, que lá era a pessoa, cá a imagem. Imagem somente da mesma Virgem, era a arca do testamento, e só porque Oza a quiz tocar, lhe tirastes a vida. Pois se então havia tanto rigor para quem offendia a imagem de Maria, porque o não ha tambem agora? Bastava então qualquer dos outros desacatos ás coisas sagradas, para uma severissima demonstração vossa ainda milagrosa. Se a Jeroboão, porque levantou a mão para um propheta, se lhe secou logo o braço milagrosamente; como aos hereges depois de se atreverem a affrontar vossos santos, lhes ficam ainda braços para outros delictos? Se a Balthasar por beber pelos vasos do templo, em que não se consagrava vosso sangue, o privastes da vida e do reino, porque vivem os hereges, que convertem vossos calices a usos prophanos? Já não ha tres dedos que escrevam sentença de morte contra sacrilegos? Em fim, Senhor, despojados assim os templos, e derribados os altares, acabar-se-ha no Brazil a christandade catholica: acabar{{corr| |-}}se-ha o culto divino: nascerá herva nas egrejas, como nos campos: não haverá quem entre nellas. Passará um dia de Natal, e não haverá memoria de vosso nascimento: passará a quaresma, e a semana santa, e não se celebrarão os mysterios de vossa Paixão. Choraram as pedras das ruas, como diz Jeremias que choravam as de Jerusalem destruida: ''Viæ Sion lugent, eò quòd non sint qui veniant ad solemnitatem:'' (Thren. I — 4) Ver-se-hão ermas e solitarias, e que as não pisa a {{sic|devação|devoção}} dos fieis, como costumava em similhantes dias. Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as digam: morrerão os catholicos sem confissão, nem sacramentos: prégar-se-hão heresias nestes mesmos pulpitos; e em logar de São Jeronymo, e Santo Agostinho, ouvir-se-hão e allegar-se-hão nelles os infames nomes de Calvino e Luthero; beberão a falsa doutrina os innocentes que ficarem, reliquias dos portuguezes; e chegaremos a estado, que se {{hífen|per|perguntarem}}<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> ki9hnvjbf7hw8lwlbfiyanq15bhrhuv Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/39 106 254164 554181 2026-06-11T21:17:32Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554181 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||SERMÕES.|23}}</noinclude>{{hífen-fim|guntarem|perguntarem}} aos filhos e netos dos que aqui estão: Menino, de que seita sois? Um responderá, eu sou calvinista; outro, eu sou lutherano. Pois isto se ha de soffrer, Deus meu? Quando quizestes entregar vossas ovelhas a São Pedro, examinastel-o tres vezes, se voz amava: ''Diligis me, diligis me, diligis me?'' (S. Joan. XXI — 15) E agora as entregaes desta maneira, não a pastores, senão aos lobos? Sois o mesmo, ou sois outro? Aos hereges o vosso rebanho? Aos hereges as almas? Como tenho dito, e nomeei almas, não vos quero dizer mais. Já sei, Senhor, que vos haveis de enternecer e arrepender, e que não haveis de ter coração para vêr taes lastimas, e taes estragos. E se assim é (que assim o estão promettendo vossas entranhas piedosissimas), se é que ha de haver dôr, se é que ha de haver arrependimento depois, cessem as iras, cessem as execuções agora, que não é justo vos contente antes o de que vos ha de pesar em algum tempo. Muito honrastes, Senhor, ao homem na creação do mundo, formando-o com vossas proprias mãos, informando-o, e animando-o com vosso proprio alento, e imprimindo nelle o caracter de vossa imagem e similhança. Mas parece que logo desde aquelle mesmo dia vos não contentastes delle, porque de todas as outras coisas que creastes, diz a escriptura que vos pareceram bem: ''Vidit Deus quòd esset bonum;'' (Genes. I — 10) e só do homem o não diz. Na admiração desta mysteriosa reticencia andou desde então suspenso, e vacillando o juiso humano, não podendo penetrar qual fosse a causa, por que agradando-vos com tão publica demonstração todas as vossas obras, só do homem, que era a mais perfeita de todas, não mostrasseis agrado. Finalmente, passados mais de mil e setecentos annos, a mesma Escriptura que tinha calado aquelle mysterio, nos declarou que vós estaveis arrependido de ter creado o homem: ''Pœnituit eum quod hominem fecisset in terra:'' (Ibid. VI — 6) e que vós mesmo dissestes, que vos pezava: ''Pœnitet me fecisse eos:'' (Ibid. — 7) e então ficou patente, e manifesto a todos o segredo que tantos tempos tinheis occultado. E vós, Senhor, dizeis que vos peza, e que estaes arrependido de ter creado o homem; pois essa é a causa por que logo desde principio de sua creação vos não agradastes delle, nem quizestes que se dissesse,<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> o86kbzx9rw6372923wxw43jmm6djrzf Página:(1854) Sermões do padre Antonio Vieira, Volume 1.djvu/40 106 254165 554182 2026-06-11T21:23:34Z JppBr98 28173 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: que vos parecera bem: julgando, como era razão, por coisa muito alheia de vossa sabedoria e providencia, que em nenhum tempo vos agradasse, nem parecesse bem aquillo de que depois vos havieis de arrepender{{corr|.|,}} e ter pesar de ter feito: ''Pœnitet me fecisse.'' 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Sendo pois esta a condição verdadeiramente divina, e a altissima razão de estado de vossa providencia, não haver jamais agrado do que ha de haver arrependimento; e sendo tambem certo nas piedosissimas entranhas de vossa misericordia, que se permittirdes agora as lastimas, as miserias, os estragos, que tenho representado, é força que vos ha de pesar depois, e vos haveis de arrepender; arrependei-vos, misericordioso Deus, em quanto estamos em tempo, ponde em nós os olhos de vossa piedade, ide á mão á vossa irritada justiça, quebre vosso amor as settas de vossa ira, e não permittaes tantos damnos, e tão irreparaveis. Isto é o que vos pedem tantas vezes prostradas diante de vosso divino acatamento estas almas tão fielmente catholicas em nome seu, e de todas as deste estado. E não vos fazem esta humilde deprecação pelas perdas temporaes, de que cedem, e as podeis executar nelles por outras vias; mas pela perda espiritual eterna de tantas almas, pelas injurias de vossos templos e altares, pela exterminação do sacrosanto sacrificio de vosso corpo e sangue, e pela ausencia insoffrivel, pela ausencia e saudades desse Santissimo Sacramento, que não sabemos quanto tempo teremos presente. {{dhr}} {{c|V.}} {{dhr}} Chegado a este ponto, de que não sei, nem se póde passar, parece-me que nos está dizendo vossa divina e humana bondade, Senhor, que o fizereis assim facilmente, e vos deixarieis persua- dir e convencer destas nossas razões, senão que está clamando por outra parte vossa divina justiça e como sois igualmente justo e misericordioso, que não podeis deixar de castigar, sendo os pec- cados do Brazil tantos e tão grandes. Confesso, Deus meu, que assim é, e todos confessamos que somos grandissimos peccadores. Mas tão longe estou de me aquietar com esta resposta, que antes esses mesmos peccados muitos e grandes, são um novo e pode-<noinclude>{{dhr|1}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> clve09idcu87x97yspljk4gcp7if70k Página:Hystoria de Menina e Moça.pdf/22 106 254166 554185 2026-06-12T10:27:38Z JppBr98 28173 /* Revista */ 554185 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|Menina e Moça}}</noinclude>{{hífen-fim|q̃lle|aq̃lle}} aruoꝛedo ſeu caſo tam deſeſtrado ,leuauaha apos ſi a agoa ⁊ as folhas apos ella. quiſera a eu tomar mas poꝛ a coꝛrẽte que alli fazia grande,e poꝛ ho mato que dalli para baixo acerca do rio logo eſtaua,pꝛeſteſmẽte ſe me alongou da viſta. Mas ho cozaçã me doeu tanto entam em ver tam aſinha moꝛto quem antes tam pouco auia que vira eſtar cantando, que nam pude ter as lagrimas:certo que poꝛ couſa deſte mundo depois q̃ eu perdi outra couſa nã me pareceo a mĩ que choꝛaſſe aſſi de vontade:mas em parte eſte meu cuydado nã foy em vão poꝛ q̃ ainda que poꝛ a deſauẽtura da quella auezinha foſſẽ cauſadas minhas lagrimas, laa ao ſahir dellas ſoꝛam jũtas outras minhas lembꝛanças triſtes, grande pedaço de tempo eſtiue aſſi,embarguados meus olhos antre os cuydados que muito tẽpo auia que me tinham jaa entam, ⁊ inda teram te quando venha o tempo que algũa peſſoa eſtranha de doo de mĩ cõ as ſuas maõs cerre eſtes meus olhos q̃ nunca ſoꝛam ſartos de me moſtrarẽ magoas .Eſtãdo aſſi para donde coꝛria ha agoa, ſenti bolir ho aruoꝛedo cuidãdo que foſſe outra couſa tomoume medo mas olhando para laa vi que vinha hũa molher,e põdo nella bem os olhos vi que<noinclude></noinclude> rue3ptl1s31iecivzeoek623totb69c Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/214 106 254167 554194 2026-06-12T11:57:32Z Junglk 34905 /* Revista */ 554194 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|204||}}</noinclude>{{dhr|2}} {{c|XXIX.}} {{dhr|3}} {{c|{{x-larger|O CARCERE DE TASSO.}}}} {{c|{{smaller|EM FERRARA.}}}} {{dhr|3}} {{Ppoem|end=follow| {{Gcapitular|Q|2em}}ue vim eu aqui ver? — Uma masmorra Humida, estreita, onde respiro apenas! Si a fronte elevo, o negro tecto róço; Si estendo os braços, a largura abranjo; Dous passos bastam a medir seu fundo. Que vim eu aqui ver? — Nomes escriptos De um lado e de outro de centenas de homens, }}<noinclude></noinclude> ge3vsc0djcbngn8u2a4n6q7asvk1rvx