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Na manhã de um sabbado, 25 de abril, andava tudo em alvoroço em casa de José Lemos. Preparava-se o apparelho de jantar dos dias de festa, lavavam-se as
escadas e os corredores, enchiam-se os leitões e os
perús para serem assados no forno da padaria de fronte;
tudo era movimento; alguma cousa grande ia acontecer
n’esse dia.
O arranjo da sala ficou a cargo de José Lemos. O
respeitavel dono da casa, trepado n’um banco, tratava
de pregar á parede duas gravuras compradas na vespera
em casa do Bernasconi; uma representava a ''Morte de
Sardanapalo''; outra a ''Execução de Maria Stuart''. Houve
alguma lucta entre elle e a mulher a respeito da collocação da primeira gravura. D. Beatriz achou que era<noinclude>
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Na manhã de um sabbado, 25 de abril, andava tudo em alvoroço em casa de José Lemos. Preparava-se o apparelho de jantar dos dias de festa, lavavam-se as
escadas e os corredores, enchiam-se os leitões e os
perús para serem assados no forno da padaria de fronte;
tudo era movimento; alguma cousa grande ia acontecer
n’esse dia.
O arranjo da sala ficou a cargo de José Lemos. O
respeitavel dono da casa, trepado n’um banco, tratava
de pregar á parede duas gravuras compradas na vespera
em casa do Bernasconi; uma representava a ''Morte de Sardanapalo''; outra a ''Execução de Maria Stuart''. Houve
alguma lucta entre elle e a mulher a respeito da collocação da primeira gravura. D. Beatriz achou que era<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|86|{{sc|historia da meia noite}}|}}</noinclude>indecente um grupo de homem abraçado com tantas mulheres. Alêm d’isso, não lhe pareciam proprios dous quadros funebres em dia de festa. José Lemos que tinha sido membro de uma sociedade litteraria, quando era rapaz, respondeu triumphantemente que os dous quadros eram historicos, e que a história está bem em todas as familias. Podia accrescentar que nem todas as familias estão bem na história; mas este trocadilho era mais lugubre que os quadros.
D. Beatriz, com as chaves na mão, mas sem a ''melena desgrenhada'' do soneto de Tolentino, andava litteralmente da sala para a cozinha, dando ordens, apressando as escravas, tirando toalhas e guardanapos lavados e mandando fazer compras, em summa, occupada nas mil cousas que estão a cargo de uma dona de casa, maxime n’um dia de tanta magnitude.
De quando em quando, chegava D. Beatriz á escada que ia ter ao segundo andar, e gritava:
— Meninas, venham almoçar.
Mas parece que as meninas não tinham pressa, porque so depois das nove horas acudiram ao oitavo chamado da mãe, ja disposta a subir ao quarto das pequenas, o que era verdadeiro sacrificio da parte de uma senhora tão gorda.
Eram duas moreninhas de truz as filhas do casal Lemos. Uma representava ter vinte annos, outra dezesete; ambas eram altas e um tanto refeitas. A mais velha estava um pouco pallida; a outra, coradinha e alegre,<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|as bodas de luiz duarte}}|87}}</noinclude>desceu cantando não sei que romance do Alcazar, então em moda. Parecia que das duas a mais feliz sería a que cantava; não era; a mais feliz era a outra que n’esse dia devia ligar-se pelos laços matrimoniaes ao joven Luiz Duarte, com quem nutrira longo e porfiado namôro. Estava pallida por ter tido uma insomnia terrivel, doença de que até então não padecêra nunca. Ha doenças assim.
Desceram as duas pequenas, tomaram a benção á mãe, que lhes fez um rapido discurso de reprehensão e foram á sala para fallar ao pae. José Lemos, que pela setima vez trocava a posição dos quadros, consultou as filhas sôbre se era melhor que a ''Stuart'' ficasse do lado do sofá ou do lado opposto. As meninas disseram que era melhor deixal-a onde estava, e ésta opinião poz termo ás dúvidas de José Lemos que deu por concluida a tarefa e foi almoçar.
Alêm de José Lemos, sua mulher D. Beatriz, Carlota (a noiva) e Luiza, estavam á meza Rodrigo Lemos e o menino Antonico, filhos tambem do casal Lemos. Rodrigo tinha dezoito annos e Antonico seis; o Antonico era a miniatura do Rodrigo; distinguiam-se ambos por uma notavel preguiça, e n’isso eram perfeitamente irmãos. Rodrigo desde as oito horas da manhã gastou o tempo em duas cousas: ler os annuncios do ''Jornal'' e ir á cozinha saber em que altura estava o almoço. Quanto ao Antonico, tinha comido ás seis horas um bom prato de<noinclude>{{d|{{small|6}}|3em}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|88|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>mingau, na fórma do costume, e so se occupou em dormir tranquillamente até que a mucama o foi chamar.
O almôço correu sem novidade. José Lemos era homem que comia calado; Rodrigo contou o enrêdo da comedia que vira na noite antecedente no Gymnasio; e não se fallou em outra cousa durante o almôço. Quando este acabou, Rodrigo levantou-se para ir fumar; e José Lemos encostando os braços na mesa perguntou se o tempo ameaçava chuva. Effectivamente o ceu estava sombrio, e a Tijuca não apresentava bom aspecto.
Quando o Antonico ia levantar-se, impetrada a licença, ouviu da mãe este aviso:
— Olha la, Antonico, não faças logo ao jantar o que fazes sempre que ha gente de fóra.
— O que é que elle faz? perguntou José Lemos.
— Fica envergonhado e mette o dedo no nariz. So os meninos tolos é que fazem isto: eu não quero semelhante cousa.
O Antonico ficou envergonhado com a reprimenda e foi para a sala lavado em lagrymas. D. Beatriz correu logo atraz para acalentar o seu Benjamim, e todos os mais se levantaram da mesa.
José Lemos indagou da mulher se não faltava nenhum convite, e depois de certificar-se que estavam convidados todos os que deviam assistir á festa, foi vestir-se para sahir. Immediatamente foi incumbido de várias cousas: recommendar ao cabelleireiro que viesse cedo, comprar luvas para a mulher e as filhas, avisar de novo<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|as bodas de luiz duarte}}|89}}</noinclude>os carros, encommendar os sorvetes e os vinhos, e outras cousas mais em que poderia ser ajudado pelo joven Rodrigo, se este homonymo do Cid não tivesse ido dormir para ''descançar o almôço''.
Apenas José Lemos poz a sola dos sapatos em contacto com as pedras da rua, D. Beatriz disse a sua filha Carlota que a acompanhasse á sala, e apenas alli chegaram ambas, proferiu a boa senhora o seguinte ''speech'' :
— Minha filha, hoje termina a tua vida de solteira, e amanhã começa a tua vida de casada. Eu, que ja passei pela mesma transformação, sei praticamente que o caracter de uma senhora casada traz comsigo responsabilidades gravissimas. Bom é que cada qual aprenda á sua custa; mas eu sigo n’isto o exemplo de tua avó, que na vespera da minha união com teu pae, expoz em linguagem clara e simples a significação do casamento e a alta responsabilidade d’essa nova posição…
D. Beatriz estacou; Carlota que attribuiu o silêncio da mãe ao desejo de obter uma resposta, não achou melhor palavra do que um beijo amorosamente filial.
Entretanto, se a noiva de Luiz Duarte tivesse espiado tres dias antes pela fechadura do gabinete de seu pae, adivinharia que D. Beatriz recitava um discurso composto por José Lemos, e que o silêncio era simplesmente um eclipse de memoria.
Melhor fôra que D. Beatriz, como as outras mães, tirasse alguns conselhos do seu coração e da sua experiencia. O amor materno é a melhor rhetorica d’este<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|90|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>mundo. Mas o Sr. José Lemos, que conservára desde a juventude um sestro litterario, achou que fazia mal expondo a cara metade a alguns erros grammaticaes n’uma occasião tão solemne.
Continuou D. Beatriz o seu discurso, que não foi longo, e terminou perguntando se realmente Carlota amava o noivo, e se aquelle casamento não era, como podia acontecer, um resultado de despeito. A moça respondeu que amava ao noivo tanto como a seus paes. A mãe acabou beijando a filha com ternura, não estudada na prosa de José Lemos.
Pelas duas horas da tarde voltou este, suando em bica, mas satisfeito de si, porque alêm de ter dado conta de todas as incumbencias da mulher, relativas aos carros, cabelleireiro, etc., conseguiu que o tenente Porfirio fosse la jantar, cousa que até então estava duvidosa.
O tenente Porfirio era o typo do orador de sobremesa; possuia o entono, a facilidade, a graça, todas as condições necessarias a esse mister. À posse de tão bellos talentos proporcionava ao tenente Porfirio alguns lucros de valor; raro domingo ou dia de festa jantava em casa. Convidava-se o tenente Porfirio com a condição tacita de fazer um discurso, como se convida um musico para tocar alguma cousa. O tenente Porfirio estava entre o creme e o cafe; e não se cuide que era acepipe gratuito; o bom homem, se bem fallava, melhor comia. De maneira que, bem pesadas as cousas, o discurso valia o jantar.
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|as bodas de luiz duarte}}|87}}</noinclude>Foi grande assumpto de debate nos tres dias anteriores ao dia das bodas, se o jantar devia preceder a cerimonia ou vice-versa. O pae da noiva inclinava-se a que o casamento fosse celebrado depois do jantar, e n’isto era apoiado pelo joven Rodrigo, que com uma sagacidade digna de estadista, percebeu que, no caso contrário, o jantar sería muito tarde. Prevaleceu entretanto a opinião de D. Beatriz que achou exquisito ir para a egreja com a barriga cheia. Nenhuma razão theologica ou disciplinar se oppunha a isso, mas a esposa de José de Lemos tinha opiniões especiaes em assumpto de egreja.
Venceu a sua opinião.
Pelas quatro horas começaram a chegar convidados.
Os primeiros foram os Villelas, familia composta de Justiniano Villela, chefe de secção aposentado, D. Margarida, sua esposa, e D. Augusta, sobrinha de ambos.
A cabeça de Justiniano Villela, — se se póde chamar cabeça a uma jaca mettida n’uma gravata de cinco voltas, — era um exemplo da prodigalidade da natureza quando quer fazer cabeças grandes. Affirmavam, porêm, algumas pessoas que o talento não correspondia ao tamanho; posto que tivesse corrido algum tempo o boato contrário. Não sei de que talento fallavam essas pessoas; e a palavra póde ter várias applicações. O certo é que um talento teve Justiniano Villela, foi a escolha da mulher, senhora que, apesar dos seus quarenta e seis annos bem puchados, ainda merecia, no entender de José Lemos, dez minutos de attenção.
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|92|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>Trajava Justiniano Villela como é de uso em taes reuniões; e a unica cousa verdadeiramente digna de nota eram os seus sapatos inglezes de apertar no peito do pe por meio de cordões. Ora, como o marido de D. Margarida, tinha horror ás calças compridas, aconteceu que apenas se sentou deixou patente a alvura de um fino e immaculado par de meias.
Alêm do ordenado com que foi aposentado, tinha Justiniano Villela uma casa e dous molecotes, e com isso ia vivendo menos mal. Não gostava de política; mas tinha opiniões assentadas a respeito dos negocios publicos. Jogava o solo e o gamão todos os dias, alternadamente; gabava as cousas do seu tempo; e tomava rapé com o dedo polegar e o dedo medio.
Outros convidados foram chegando, mas em pequena quantidade, porque á cerimonia e ao jantar so devia assistir um pequeno número de pessoas íntimas.
Ás quatro horas e meia chegou o padrinho, Dr. Valença, e a madrinha, sua irmã viuva D. Virginia. José Lemos correu a abraçar o Dr. Valença; mas este que era homem formalista e ceremonioso, repelliu brandamente o amigo, dizendo-lhe ao ouvido que n’aquelle dia toda a gravidade era pouca. Depois, com uma serenidade que so elle possuia, entrou o Dr. Valença e foi comprimentar a dona da casa e as outras senhoras.
Era elle homem de seus cincoenta annos, nem gordo nem magro, mas dotado de um largo peito e um largo abdomen que lhe davam maior gravidade ao rosto e ás<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|as bodas de luiz duarte}}|93}}</noinclude>maneiras. O abdomen é a expressão mais positiva da gravidade humana; um homem magro tem necessariamente os movimentos rapidos; ao passo que para ser completamente grave precisa ter os movimentos tardos e medidos. Um homem verdadeiramente grave não póde gastar menos de dous minutos em tirar o lenço e assoar-se. O Dr. Valença gastava tres quando estava com defluxo e quatro no estado normal. Era um homem gravissimo.
Insisto n’este ponto porque é a maior prova da intelligencia do Dr. Valença. Comprehendeu este advogado, logo que sahiu da academia, que a primeira condição para merecer a consideração dos outros era ser grave; e indagando o que era gravidade pareceu-lhe que não era nem o pêso da reflexão, nem a seriedade do espirito, mas unicamente certo ''mysterio do corpo'', como lhe chama Larochefoucault; o qual mysterio accrescentará o leitor, é como a bandeira dos neutros em tempo de guerra: salva do exame a carga que cobre.
Podia-se dar uma boa gratificação a quem descobrisse uma ruga na casaca do Dr. Valença. O collete tinha apenas tres botões e abria-se até ao pescoço em fórma de coração. Um elegante claque completava a ''toileite'' do Dr. Valença. Não era elle bonito de feições no sentido afeminado que alguns dão à belleza masculina; mas não deixava de ter certa correcção nas linhas do rosto, o qual se cobria de um veu de serenidade que lhe ficava a matar.
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|94|{{sc|historias da meia noite}}|}}</noinclude>Depois da entrada dos padrinhos, José Lemos perguntou pelo noivo, e o Dr. Valença respondeu que não sabia d’elle. Eram ja cinco horas. Os convidados, que cuidavam ter chegado tarde para a ceremonia, ficaram desagradavelmente sorprehendidos com a demora, e Justiniano Villela confessou ao ouvido da mulher que estava arrependido de não ter comido alguma cousa antes. Era justamente o que estava fazendo o joven Rodrigo Lemos, desde que percebeu que o jantar viria la para as sete horas.
A irmã do Dr. Valença de quem não faltei detidamente por ser uma das figuras insignificantes que jamais produziu a raça de Eva, apenas entrou manifestou logo o desejo de ir ver a noiva, e D. Beatriz sahiu com ella da sala, deixando plena liberdade ao marido que encectava uma conversação com a interessante esposa do Sr. Villela.
— Os noivos de hoje não se apressam, disse philosophicamente Justiniano ; quando eu me casei fui o primeiro que appareceu em casa da noiva.
A ésta observação, toda filha do estomago implacavel do ex-chefe de secção, o Dr. Valença respondeu dizendo :
— Comprehendo a demora e a commoção de apparecer diante da noiva.
Todos sorriram ouvindo ésta defeza do noivo ausente e a conversa tomou certa animação.
Justamente, no momento em que Villela discutia<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|as bodas de luiz duarte}}|95}}</noinclude>com o Dr. Valença as vantagens do tempo antigo {{sic|sôbro|sôbre}} o tempo actual, e as moças conversavam entre si do último córte dos vestidos, entrou na sala a noiva, escoltada pela mãe e pela madrinha, vindo logo na retaguarda a interessante Luiza, acompanhada do joven Antonico.
Eu não seria narrador exacto nem de bom gôsto se não dissesse que houve na sala um murmúrio de admiração.
Carlota estava effectivamente deslumbrante com o seu vestido branco, e a sua grinalda de flores de larangeira, e o seu finissimo veu, sem outra joia mais que os seus olhos negros, verdadeiros diamantes da melhor agua.
José Lemos interrompeu a conversa em que estava com a esposa de Justiniano, e contemplou a filha. Foi a noiva apresentada aos convidados, e conduzida para o sopha, onde se sentou entre a madrinha e o padrinho. Este,{{corr|| }}pondo o claque em pe sôbre a perna, e sôbre o claque a mão apertada n’uma luva de tres mil e quinhentos, disse á afilhada palavras de louvor que a moça ouviu corando e sorrindo, alliança amavel de vaidade e modestia.
Ouviram-se passos na escada, e ja o Sr. José Lemos esperava ver entrar o futuro genro, quando assomou á porta o grupo dos irmãos Valladares.
D’estes dois irmãos, o mais velho, que se chamava Callisto, era um homem amarello, nariz aquilino,<noinclude>
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{cabeçalho|96|{{sc|historia da meia noite}}|}}</noinclude>cabellos castanhos e olhos redondos. Chamava-se o mais moço Eduardo, e so differençava do irmão na côr, que era vermelha. Eram ambos empregados n’uma Companhia, e estavam na flor dos quarenta para cima. Outra diferença havia: era que Eduardo cultivava a poesia quando as cifras lh’o permittiam, ao passo que o irmão era inimigo de tudo o que cheirava a litteratura.
Passava o tempo, e nem o noivo, nem o tenente Porfirio davam signaes de si. O noivo era essencial para o casamento, e o tenente para o jantar. Eram cinco e meia quando appareceu finalmente Luiz Duarte. Houve um ''Gloria in excelsis Deo'' no interior de todos os convidados.
Luiz Duarte appareceu á porta da sala, e d’ahi mesmo fez uma cortezia geral, cheia de graça e tão ceremoniosa que o padrinho lh’a invejou. Era um rapaz de vinte e cinco annos, tez mui alva, bigode louro e sem barba nenhuma. Trazia o cabello apartado no centro da cabeça. Os labios eram tão rubros que um dos Valladares disse ao ouvido do outro : Parece que os tingiu. Em summa, Luiz Duarte era uma figura capaz de agradar a uma moça de vinte annos, e eu não teria grande repugnancia em chamar-lhe um Adonis, se elle realmente o fosse. Mas não era. Dada a hora, sahiram osnoivos, os paes e os padrinhos, e foram á egreja, que ficava perto; os outros convidados ficaram em casa, fazendo as honras d’ella a menina Luiza e o joven {{hífen|Ro|Rodrigo,}}<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|as bodas de luiz duarte}}|97}}</noinclude>{{hífen-fim|drigo,|Rodrigo,}} a quem o pae foi chamar, e que appareceu logo trajado no rigor da moda.
— É um par de pombos, disse a Sra. D. Margarida Villela, apenas sahiu a comitiva.
— É verdade! disseram em coro os dois irmãos Valladares e Justiniano Villela.
A menina Luiza, que era alegre por natureza, alegrou a situação, conversando com as outras moças, uma das quaes, a convite seu, foi tocar alguma cousa ao piano. Calisto Valladares suspeitava que houvesse uma omissão nas Escripturas, e vinha a ser que entre as pragas do Egypto devia ter figurado o piano. Imagine o leitor com que cara viu elle sahir uma das moças do seu logar e dirigir-se ao fatal instrumento. Soltou um longo suspiro e começou a contemplar as duas gravuras compradas na vespera.
— Que magnifico é isto! exclamou elle diante do ''Sardanapalo'', quadro que elle achava detestavel.
— Foi papae quem escolheu, disse Rodrigo, e foi essa a primeira palavra que pronunciou desde que entrou na sala.
— Pois, senhor, tem bom gosto, continuou Calisto; não sei se conhecem o assumpto do quadro…
— O assumpto é ''Sardanapalo'', disse affoitamente Rodrigo.
— Bem sei, retrucou Calisto, estimando que a conversa pegasse; mas eu pergunto se…
Não pôde acabar; soaram os primeiros compassos.
{{nop}}<noinclude>
<references/></noinclude>
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santos_Dumont_en_las_cataratas.pdf 3]
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|-
|pt
|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Direitos_das_mulheres_e_injusti%C3%A7a_dos_homens.pdf direitos] ([https://piaui.folha.uol.com.br/travessura-revolucionaria/ ler também])
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|pt
|[https://www.scielo.br/j/archai/a/mdx8X6YR5s5pZZqtbjpvNwd/?lang=pt fedro] ([https://impactum-journals.uc.pt/archai/article/view/12574?articlesBySameAuthorPage=3 1])
|12
|-
|en
|[https://www.scielo.br/j/bjr/a/9H85ZdP37xWMh6QPcCgDzSy/?lang=en scandal] ([https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/1673 1])
| 37
|-
|pt
|[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Problema]]
|150
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 1]]
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|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38768877 Evolução]
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|en
|[[:commons:File:Translation of the Institutional Act.pdf|TIA]]
|4
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|[[Galeria:Lara, tr. T. A. Craveiro (1837).pdf|Lara]]
|59
|-
|en
|[[:commons:File:Institutional Act Number Five.pdf|TIA5]]
|4
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|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 2]]
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|[https://www.google.com/books/edition/_/hnUlAQAAMAAJ América]
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|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4926 Revo]
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|-
|pt
|[https://www.google.com.br/books/edition/O_minotauro/4N3uAAAAMAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0&bsq=%22Monteiro%20Lobato%22 Minotauro]
|220
|-
|pt/en
|[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-765X2023000100321&lang=pt Swartz]
|17
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 3]]
|30
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf]]
|186
|-
|pt
|[[:File:Muito além de Leonel Brizola.pdf|Brizola]]
|215
|-
|pt
|[https://www.google.com/books/edition/_/2Qu6Ve1nPdwC Memorias]
|144
|-
|pt
|[https://web.archive.org/web/20240305091556/https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/wp-content/uploads/tainacan-items/2868/8629/mml_obr0025.pdf Viagem ao Céu]
|152
|-
|pt
|[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos 1]]
|430
|-
|pt
|[[A Maravilhosa Vida de Santos=Dumont]]
|119
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 4]]
|18
|-
|pt
|[[Galeria:Jean de Léry - História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil (trad. Monteiro Lobato, 1926).pdf|Terra do Brasil]]
|285
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (II).pdf|Napoleão 2]]
|499
|-
|pt
|[https://www.google.com/books/edition/_/QiA_AAAAIAAJ Pommery]
|210
|-
|pt
|[https://repository.library.brown.edu/studio/item/bdr:dbvhvk24/ Centro acadêmico candido de oliveira]
|11
|-
|en
|[https://repository.library.brown.edu/studio/item/bdr:dbvhvk24/ Translation centro]
|12
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38768246 Constituição paulista]
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|-
|pt
|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8872 estrella]
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|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 5]]
|53
|-
|pt
|[https://books.google.ch/books?id=p8BLAQAAIAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s Exilio]
|200
|-
|en
|[[:s:en:Index:Youth and children’s adaptations to COVID-19 in Brazil.pdf|youth]]
|108
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1]]
|452
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 6]]
|16
|-
|pt
|[https://www.editorafi.org/ebook/534bolsonarismo bolf]
|159
|-
|en
|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Stars]]
|412
|-
|pt
| [[:File:Diretas já (Pedro Simon, 1984).pdf|Diretas já]]
|66
|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal]]
|307
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros]]
|308
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 7]]
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|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/768199 Mon to Rep]
|303
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38767768 Pasteur]
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|-
|pt
|[[Galeria:Efêmero Revisitado.pdf]]
|193
|-
|pt
|[[Galeria:Revista da Exposição Anthropologica Brazileira (1882).pdf|Revista da exposição]]
|145
|-
|pt
|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8913 Barão]
|142
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 8]]
|18
|-
|pt
|[[Galeria:Os Noivos (v.2).pdf]]
|472
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 2).pdf|Federalista 2]]
|282
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38769569 O cerco do corintho]
|50
|-
|pt
|[[Galeria:Cronicas-de-um-Tetranacional-do-Software-Livre.pdf]]
|119
|-
|pt
|[[Galeria:Idéas de Géca Tatú.pdf|Géca]]
|211
|-
|pt
|[[Galeria:Contos Escolhidos.pdf|Contos]]
|239
|-
|pt
|[[Galeria:A Cultura é Livre.pdf]]
|254
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf]]
|214
|-
|pt
|[[:File:Preito a Camões.pdf|Camões]]
|51
|-
|en
|[https://www.jstor.org/stable/community.38767573 Minor Camões]
|33
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 3).pdf]]
|243
|-
|pt
|[[Galeria:O Senhor D. Pedro II, imperador do Brasil, biographia, por Joaquim Pinto de Campos ; e com uma advertencia por Camillo Castello Branco.pdf|Biografia do Senhor D. Pedro II]]
|96
|-
|pt
|[[:File:Statira e Zoroastes.pdf|Statira]]
|56
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38769995 Portugal, Brasil e Grã-Bretanha]
|53
|-
|en
|[https://www.jstor.org/stable/community.38768623 Portugal, Brazil and United Kingdon]
|32
|-
|pt
|[[:File:Da vida e feitos de Alexandre de Gusmão e de Bartholomeu Lourenço de Gusmão.pdf|Da vida]]
|117
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Os Sabios Illustres|Os Sabios Illustres.pdf}}
|162
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Galeria Illustre (Mulheres Célebres)|Galeria Illustre (Mulheres Célebres).pdf|Galeria Illustre}}
|173
|-
|pt
|{{livro digitalizado|A Genealogia da Moral|A genealogia da moral.pdf}}
|176
|-
|pt
|[https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/memorias-da-emilia/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&search=Mem%C3%B3rias&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F Memorias da Emilia]
|122
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Diario de um Soldado (Vol. 1)|Diario de um Soldado Vol. 1.pdf|Diário de um soldado}}
|189
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Vida e viagens de Fernão de Magalhães|Vida e viagens de Fernão de Magalhães, por Diego de Barros Arana; traducção do hespanhol de Fernando de Magalhães Villas-Boas. Com um appendice original.pdf}}
|206
|-
|pt
|[https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/o-picapau-amarelo/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&paged=1&search=picapau%20amarelo&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F Amarelo]
|178
|-
|pt
|[[Galeria:Quem trabalha tem alfaia.pdf|Quem trabalha tem alfaia]]
|242
|-
|en
|[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature]]
|303
|-
|pt
|[https://permalinkbnd.bnportugal.gov.pt/records/item/92629-resumo-do-systema-de-medicina-e-traduccao-da-materia-medica-do-doutor-erasmo-darwin Erasmo]
|408
|-
|pt
|[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/603 justiniano]
|138
|-
|pt
|[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/497 Ferdinand]
|452
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Paraguai 1]
|570
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Paraguai 2]
|730
|}
<div style="clear:both;"></div>
<div style="box-shadow: 0 0 .3em #999; border-radius: .2em; margin: 1em 0 2em 0; padding: 1px;">
<div style="background: #ffe6a7; border-radius: .2em; color: #282828; font-size:125%; padding: .4em .8em .5em;"><span style="opacity: .7;">[[File:Icons8 flat approval.svg|25px|link=|alt=]]</span> '''Projetos Finalizados''' </div>
<div title="Projets en chantier" style="padding: 1em;font-size:80%">
<gallery heights="240px" widths="180px" mode="packed" class="center">
<!--2026-->
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Ficheiro:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|page=29|thumb|'''[[O Cruzeiro (Revista)/Ano I/Nº I/10 de novembro de 1928/A Éra das Forças Hydraulicas|A Éra das Forças Hydraulicas]]'''
<!--2025-->
Ficheiro:Historia das invenções.pdf|page=7|thumb|'''[[Historia das invenções (4ª edição)]]'''
File:Franklin - A Sciencia do bom homem (1864).pdf|page=3|thumb|'''[[A Sciencia do Bom Homem Ricardo]]'''
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File:Capa Peter Pan (Colorida).jpg|link=Galeria:Peter Pan (Lobato, 1935).pdf|thumb|'''[[Peter Pan (Lobato, 1935)]]'''
File:Georgismo e Comunismo.pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Georgismo e Comunismo|'''[[Georgismo e Comunismo]]'''
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File:O choque das raças.pdf|thumb|link=Galeria:O choque das raças.pdf|page=5|'''[[O Choque das Raças]]'''
File:O Drama do Pax.pdf|page=1|thumb|link=Galeria:O Drama do Pax.pdf|'''[[O Drama do Pax]]'''
File:As Reinações de Narizinho.pdf|link=Galeria:As Reinações de Narizinho.pdf|thumb|page=8|'''[[As Reinações de Narizinho]]'''
File:Zé Brasil.pdf|link=Galeria:Zé Brasil.pdf|page=5|thumb|'''[[Zé Brasil]]'''
File:Nenê (transcrito).pdf|link=Galeria:Nenê (transcrito).pdf|thumb|page=2|'''[[Nenê (rascunho)|Nenê]]'''
File:Mundo da Lua.pdf|link=Galeria:Mundo da Lua.pdf|thumb|page=1|'''[[Mundo da Lua]]'''
File:Emília, a cidadã-modelo soviética.pdf|link=Galeria:Emília, a cidadã-modelo soviética.pdf|thumb|page=1|'''[[DELTA/Volume 35/Número 1/Emília, a cidadã-modelo soviética|Emília, a cidadã-modelo soviética]]'''
File:A Chave do Tamanho (Lajolo).pdf|link=A Chave do Tamanho (Lajolo).pdf|page=1|thumb|'''[[Projeto História/Volume 32/A Chave do Tamanho|A Chave do Tamanho]]'''
File:Meu captiveiro entre os selvagens do Brasil.pdf|link=Galeria:Meu captiveiro entre os selvagens do Brasil.pdf|thumb|page=7|'''[[Meu Captiveiro entre os Selvagens do Brasil (2ª edição)]]'''
File:MML Em Tigelópolis.pdf|thumb|link=Galeria:MML Em Tigelópolis.pdf|'''[[Em Tigellópolis]]'''
File:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf|link=Galeria:Fabulas de Narizinho (Brasiliana).pdf|page=1|thumb|'''[[Fabulas de Narizinho]]'''
File:O Dia (SC) - 1916-12-15.pdf|thumb|link=Galeria:O Dia (SC) - 1916-12-15.pdf|page=1|'''[[O Dia (Santa Catarina)/Ano XVI/Número 8453/Os sub-productos do café|Os sub-productos do café]]'''
File:A Sempre Viva (Paraná) - 1925-01-15.pdf|page=7|link=Galeria:A Sempre Viva (Paraná) - 1925-01-15.pdf|'''[[A Sempre Viva (Paraná)/Ano 1/Número 9/A suprema viagem|A suprema viagem]]'''
File:O Dia (Paraná) - 1924-04-25.pdf|link=Galeria:O Dia (Paraná) - 1924-04-25.pdf|page=5|thumb|'''[[O Dia (Paraná)/1924/Número 256/Página 5/Os Felizes|Os Felizes]]'''
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File:Ideologia-californiana revisado1.pdf|thumb|link=Galeria:Ideologia-californiana revisado1.pdf|page=1|'''[[A Ideologia Californiana]]'''
File:Páginas Tímidas.pdf|link=Galeria=Páginas Tímidas.pdf|page=3|thumb|'''[[Paginas Timidas]]'''
File:O Reino de Kiato.pdf|link=Galeria:O Reino de Kiato.pdf|thumb|'''[[O Reino de Kiato]]'''
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File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|page=483|link=Galeria=Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|'''[[Revista do Brasil/Número 20/Volume 5/Cavalleria rusticana|Cavalleria rusticana]]'''
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File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=94|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/Vida ociosa|Vida ociosa]]
File:Petição.pdf|link=Galeria:Petição.pdf|thumb|page=5|'''[[Petição do Pe. Bartholomeu de Gusmão]]'''
File:A lavoura e a guerra.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:A lavoura e a guerra.pdf|'''[[A lavoura e a guerra]]'''
File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|thumb|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=113|'''[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/Cartas Inéditas|Cartas Inéditas]]'''
File:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|link=Galeria:Revista do Brasil, 1917, anno II, v V, n 17.pdf|page=60|thumb|'''[[Revista do Brasil/Volume 5/Número 17/O Corvo|O Corvo]]'''
File:As biografias históricas de Santos Dumont.pdf|link=Galeria:As biografias históricas de Santos Dumont.pdf|thumb|page=1|'''[[Scientiae Studia/Volume 11/Número 3/As biografias históricas de Santos Dumont|As biografias históricas de Santos Dumont]]'''
File:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|link=Galeria:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|thumb|page=1|'''[[A toponímia indígena artificial no Brasil]]'''
File:A Novella Semanal.pdf|link=Galeria:A Novella Semanal.pdf|page=264|thumb|'''[[A Novella Semanal/O Avô|O Avô]]'''
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File:Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro.pdf|link=Galeria:Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro.pdf|thumb|page=1|'''[[Os topônimos com a posposição tupi -pe no território brasileiro]]'''
File:Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu (Série de Gilgámesh 1).pdf|link=Galeria:Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu (Série de Gilgámesh 1).pdf|thumb|page=1|'''[[Sîn-lēqi-unninni, Ele o abismo viu]]'''
File:Como se faz um Herói.pdf|thumb|page=1|link=Galeria:Como se faz um Herói.pdf|'''[[Como se faz um Herói]]'''
File:Santos Dumont - o vôo que mudou a história da aviação.pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Santos Dumont - o vôo que mudou a história da aviação.pdf|'''[[Santos Dumont: o vôo que mudou a história da aviação]]'''
File:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu|link=Galeria:Primeiras trovas burlescas de Getulino (1904).djvu|thumb|page=1|'''[[Primeiras Trovas Burlescas de Getulino]]'''
File:Certidão de óbito de Alberto Santos Dumont.pdf|link=Galeria=Certidão de óbito de Alberto Santos Dumont.pdf|thumb|'''[[Certidão de Óbito de Alberto Santos Dumont]]'''
Ficheiro:Cadu_Simões.jpg|thumb|'''[[Sobre Domínio Público e Cultura Livre]]'''
File:Concedendo um conto de réis à Santos Dumont.pdf|link=Galeria:Concedendo um conto de réis à Santos Dumont.pdf|thumb|'''[[Concedendo um conto de réis a Santos Dumont]]'''
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<!--[[Discurso do Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Cerimônia de Posse no Congresso Nacional (1 de janeiro de 2019)|Discruso]]-->
File:A Novella Semanal.pdf|link=Galeria:A Novella Semanal.pdf|page=9|thumb|'''[[A Novella Semanal/O 22 da "Marajó"|O 22 da Marajó]]'''
File:Machado de Assis @ A Nação (Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1874).pdf|page=1|thumb|link=Galeria:Machado de Assis @ A Nação (Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1874).pdf|'''[[A Nação (Rio de Janeiro)/1874/08-13/«Jerusalém» por monsenhor Pinto de Campos|«Jerusalém» por monsenhor Pinto de Campos]]'''
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File:Almanach Brazileiro Illustrado (1877).pdf|link=Galeria:Almanach Brazileiro Illustrado (1877).pdf|thumb|page=309|'''[[Almanach brazileiro illustrado/1877/Charitas|Charitas]]'''
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File:Almanach Brazileiro Illustrado (1878).pdf|link=Galeria:Almanach Brazileiro Illustrado (1878).pdf|thumb|page=394|'''[[Almanach brazileiro illustrado/1878/Job|Job]]'''
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File:86311283-Original-Version-of-Alice-s-Adventures-in-Wonderland-by-Lewis-Carroll.djvu|link=Galeria:86311283-Original-Version-of-Alice-s-Adventures-in-Wonderland-by-Lewis-Carroll.djvu|thumb|'''[[Aventuras de Alice em Baixo da Terra]]'''
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File:Negrinha- Contos (1920).pdf|link=Galeria:Negrinha- Contos (1920).pdf|thumb|page=3|'''[[Negrinha (4º milheiro)]]'''
File:Monteiro Lobato.jpg|link=Rabiscando|thumb|'''[[Rabiscando]]'''
File:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|link=Galeria:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|thumb|'''[[Meteorito de Bendegó: relatorio (1888)]]'''
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File:Aaron Swartz at Boston Wikipedia Meetup, 2009-08-18.jpg|link=Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso|thumb|'''[[Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso]]'''
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{{capitular|H}}{{sc|á sessenta}} e tantos anos um professor de matemática de Oxford, Lewis Carroll, muito amigo das crianças, fêz um passeio de bote pelo Tâmisa com três menininhas. Para diverti-las foi inventando uma história de que elas muito gostaram.
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Chegando em casa teve a idéia de escrever essa história — e assim nasceu para a biblioteca infantil universal mais uma obra-prima — “Alice in Wonderland.”
Ficou famoso o livro entre os povos de língua inglêsa. Foi traduzido em outros idiomas. Seu autor imortalizou-se.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|8|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Hoje aparece em português. Traduzir é sempre difícil. Traduzir uma obra como a de Lewis Carroll, mais que difícil, é dificílimo. Trata-se do sonho duma menina travêssa — sonho em inglês, de coisas inglêsas, com palavras, referências, citações, alusões, versos, humorismo, trocadilhos, tudo inglês, isto é, especial, feito exclusivamente para a mentalidade dos inglesinhos.
O tradutor fêz o que pôde, mas pede aos pequenos leitores que não julguem o original pelo arremêdo. Vai de diferenças a diferença das duas línguas e a diferença das duas mentalidades, a inglêsa e a brasileira.
Há dois anos o original manuscrito de “Alice in Wonderland”, do próprio punho do autor, apareceu num leilão de
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livros velhos em Londres. Vários pretendentes o disputaram, entre êles o Museu Britânico, que havia destinado para a sua aquisição uma verba de 12.500 libras esterlinas. Essa verba foi insuficiente. Um americano apareceu, que lançou mais e afinal ficou com o manuscrito pela quantia de 15.400 libras, ou 75.259 dólares. Qualquer cousa como um milhão e quinhen-
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|8|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Hoje aparece em português. Traduzir é sempre difícil. Traduzir uma obra como a de Lewis Carroll, mais que difícil, é dificílimo. Trata-se do sonho duma menina travêssa — sonho em inglês, de coisas inglêsas, com palavras, referências, citações, alusões, versos, humorismo, trocadilhos, tudo inglês, isto é, especial, feito exclusivamente para a mentalidade dos inglesinhos.
O tradutor fêz o que pôde, mas pede aos pequenos leitores que não julguem o original pelo arremêdo. Vai de diferenças a diferença das duas línguas e a diferença das duas mentalidades, a inglêsa e a brasileira.
Há dois anos o original manuscrito de “Alice in Wonderland”, do próprio punho do autor, apareceu num leilão de {{PT||livros velhos em Londres. Vários pretendentes o disputaram, entre êles o Museu Britânico, que havia destinado para a sua aquisição uma verba de 12.500 libras esterlinas. Essa verba foi insuficiente. Um americano apareceu, que lançou mais e afinal ficou com o manuscrito pela quantia de 15.400 libras, ou 75.259 dólares. Qualquer cousa como um milhão e quinhen{{PT||tos mil cruzeiros ao câmbio de hoje. Isto mostra o alto grau de aprêço em que em certos países é tida a obra literária.}}}}
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{{PT|livros velhos em Londres. Vários pretendentes o disputaram, entre êles o Museu Britânico, que havia destinado para a sua aquisição uma verba de 12.500 libras esterlinas. Essa verba foi insuficiente. Um americano apareceu, que lançou mais e afinal ficou com o manuscrito pela quantia de 15.400 libras, ou 75.259 dólares. Qualquer cousa como um milhão e quinhen{{PT||tos mil cruzeiros ao câmbio de hoje. Isto mostra o alto grau de aprêço em que em certos países é tida a obra literária.}}}}
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS|9}}</noinclude>{{PT|tos mil cruzeiros ao câmbio de hoje. Isto mostra o alto grau de aprêço em que em certos países é tida a obra literária.}}
As crianças brasileiras vão ler a história de Alice por artes de Narizinho. Tanto insistiu esta menina em vê-la em português (Narizinho ainda não sabe inglês), que não houve remédio, apesar de ser, como dissemos, uma obra intraduzível.
— Serve assim mesmo, disse ela ao ler a tradução da primeira parte hoje publicada (a segunda “Through The Looking Glass”, inda é mais maluca)<ref>Vide o outro volume desta série, ''Alice no País do Espelho''.</ref>. Dá uma idéia, embora “muito pálida”, como diz a Emília”...
{{nop}}<noinclude>
<br>
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<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''VIAGEM À TOCA DOS COELHOS'''|CAPÍTULO I}}
{{capitular|A}}{{smaller|LICE}} ESTAVA sentada com sua irmã num banco do jardim. Como não tivesse o que fazer, começou a aborrecer-se. Olhava com cara de enjôo para o livro que a irmã lia.
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— Que coisa sem graça, livro sem figura nem diálogos!...
Do livro o seu olhar foi ter a um canteiro de margaridas que havia perto, e ela pensou lá dentro da sua cabecinha se valeria a pena levantar-se do banco para fazer um buquê. Pensou só, porque o dia estava quente<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|12|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>e ela com uma grande preguiça. Nisto um Coelho Branco, de olhos côr de pitanga, apareceu no jardim.
Alice não estranhou aquilo, como também achou muito natural que o Coelho murmurasse consigo mesmo: “Como é tarde, mamãe!”
Em seguida o Coelho puxou do bôlso do colête um relógio para ver que horas eram. Isto, sim, Alice estranhou, pois nunca tinha ouvido falar de Coelho que usasse colête e relógio. Ergueu-se então e dirigiu-se para o animalzinho, o qual fugiu assustado. Alice disparou {{PT||atrás. O Coelho meteu-se por uma toca. Alice também, sem refletir que é muito fácil entrar em toca, mas muito difícil sair.}}
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{{PT|atrás. O Coelho meteu-se por uma toca. Alice também, sem refletir que é muito fácil entrar em toca, mas muito difícil sair.}}
Era um túnel estreito e comprido, que em certo ponto virava um buracão de não acabar mais. Alice es-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||VIAGEM À TOCA DOS COELHOS|13}}</noinclude>corregou e caiu no buraco. Caiu, e foi caindo e não acabava mais de cair. Ou então foi caindo tão devagar que o buraco parecia mais fundo do que realmente era. Alice nunca pôde esclarecer êste ponto.
Enquanto ia caindo, ia olhando para baixo, a ver se enxergava alguma coisa. Nada enxergou; o fundo era escuro como a noite. Olhou então para os lados e viu muitos armários e estantes de livros, e também mapas {{PT||pendurados. Num dêsses armários havia um pote com letreiro. Alice leu: “''Laranjada''”. Destampou o pote, já lambendo os lábios é com água na bôca. Vazio! De raiva, ia jogá-lo no fundo do buraco; mas lembrou-se que poderia cair na cabeça de alguém e botou-o de novo no lugar. E continuou a cair.}}
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{{PT|pendurados. Num dêsses armários havia um pote com letreiro. Alice leu: “''Laranjada''”. Destampou o pote, já lambendo os lábios é com água na bôca. Vazio! De raiva, ia jogá-lo no fundo do buraco; mas lembrou-se que poderia cair na cabeça de alguém e botou-o de novo no lugar. E continuou a cair.}}
Sim, senhor! “pensou com o seus botões. “Depois duma queda destas fico mestra em tombos. Poderei cair da escada lá em casa sem susto nenhum. E até do telhado! E todos vão arregalar os olhos, espantados da minha valentia.”
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|14|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Alice caiu, caiu, caiu. Não chegava nunca ao fim do buraco. “Quantos quilômetros já terei descido? pen{{PT||sou. Com certeza estou pertinho do centro da terra, a uns 6.600 quilômetros, talvez.”}}
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{{PT|sou. Com certeza estou pertinho do centro da terra, a uns 6.600 quilômetros, talvez.”}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|'''A CASA DO ESPELHO'''}}|{{sc|CAPÍTULO I}}}}
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{{capitular|D}}{{sc|uma coisa}} Alice estava certa: de que o gatinho branco nada tinha que ver com aquilo. A culpa era tôda do gatinho prêto. Isso porque enquanto o gatinho prêto estava reinando na sala, o gatinho branco estêve nas unhas de sua mãe Diná, a sofrer uma lavagem de cara.
Diná lavava os seus filhotes assim: agarrava um dêles pela orelha e o fixava com uma das patas ao chão; {{PT||com a outra esfregava-lhe a cara, a começar pelo focinho. E êles se submetiam a essa toalete muito quietos, rosnando apenas, pois sabiam que a esfrega era para bem dêles.}}
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{{PT|com a outra esfregava-lhe a cara, a começar pelo focinho. E êles se submetiam a essa toalete muito quietos, rosnando apenas, pois sabiam que a esfrega era para bem dêles.}}
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{{capitular|D}}{{sc|uma coisa}} Alice estava certa: de que o gatinho branco nada tinha que ver com aquilo. A culpa era tôda do gatinho prêto. Isso porque enquanto o gatinho prêto estava reinando na sala, o gatinho branco estêve nas unhas de sua mãe Diná, a sofrer uma lavagem de cara.
Diná lavava os seus filhotes assim: agarrava um dêles pela orelha e o fixava com uma das patas ao chão; {{PT||com a outra esfregava-lhe a cara, a começar pelo focinho. E êles se submetiam a essa toalete muito quietos, rosnando apenas, pois sabiam que a esfrega era para bem dêles.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|16|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Alice continuava a cair, cair, cair. Não podia fazer outra coisa senão cair. Para matar o tempo, começou a pensar na sua gatinha Diná. “Coitada! Creio que Diná vai estranhar muito a minha ausência esta noite. Bom será que não se esqueçam de lhe dar o seu pires de leite, à hora do chá. Minha cara Diná, eu só queria ver você aqui neste buraco para caçar uns morcegos. Sim, porque {{PT||estou caindo no ar e no ar não há rato, há morcegos, que são ratos de asas. Mas será que gato come morcêgo?”}}
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{{PT|estou caindo no ar e no ar não há rato, há morcegos, que são ratos de asas. Mas será que gato come morcêgo?”}}
Alice começou a sentir uma certa sonolência e nesse estado o pensamento fica preguiçoso. Entrou a repetir muitas vezes a mesma frase: “Gato come morcêgo?” As vêzes repetia errado: “Morcêgo come gato?” E como não obtivesse resposta continuava a repetir<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A CASA DO ESPELHO|13}}</noinclude>e o atirasse na neve, hein? Olhe, nem mais um ''pio'', está ouvindo?
E com o dedo indicador erguido:
— Vou passar em revista tôdas as suas más ações de hoje. Em primeiro lugar você miou muito quando {{PT||Diná o esfregava, de manhã. Não negue. Ouvi perfeitamente. Que diz? Como? A pata de Diná esbarrou em seu olhinho direito? É? Mas de quem foi a culpa? Por que ficou de ôlho aberto? Não venha com essa escapatória, que não aceito. Vamos agora à segunda má ação. {{PT||Você puxou o gatinho branco pelo rabo quando êle estava a beber o seu pires de leite. Quê? Estava com sêde? Êle também estava — e havia chegado primeiro. Agora, a terceira má ação: desenrolar o meu novêlo de lã. Três culpas, Kitty, e ainda não foi punido por nenhuma! Estou juntando os castigos para quarta-feira.}}}}
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{{PT|Diná o esfregava, de manhã. Não negue. Ouvi perfeitamente. Que diz? Como? A pata de Diná esbarrou em seu olhinho direito? É? Mas de quem foi a culpa? Por que ficou de ôlho aberto? Não venha com essa escapatória, que não aceito. Vamos agora à segunda má ação. {{PT||Você puxou o gatinho branco pelo rabo quando êle estava a beber o seu pires de leite. Quê? Estava com sêde? Êle também estava — e havia chegado primeiro. Agora, a terceira má ação: desenrolar o meu novêlo de lã. Três culpas, Kitty, e ainda não foi punido por nenhuma! Estou juntando os castigos para quarta-feira.}}}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|14|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>{{PT|Você puxou o gatinho branco pelo rabo quando êle estava a beber o seu pires de leite. Quê? Estava com sêde? Êle também estava — e havia chegado primeiro. Agora, a terceira má ação: desenrolar o meu novêlo de lã. Três culpas, Kitty, e ainda não foi punido por nenhuma! Estou juntando os castigos para quarta-feira.}}
Depois, pensando nas suas próprias reinações, continuou:
— Suponha-se que ''êles'' juntem os meus castigos. Que fariam no fim do ano? Com certeza me mandariam para a cadeia. Ou — deixe-me ver — suponha-se que cada castigo consista em me deixarem sem jantar. Então, no dia do castigo somado, eu teria de ficar sem cinqüenta jantares, pelo menos...
E para o gatinho:
— Está ouvindo o bater da neve na vidraça, Kitty? Gosto dêsse barulhinho. Parece que a neve está beijando os vidros do outro lado, não? Será que a neve beija assim as árvores e os campos porque os ''ama''? Depois ela os recobre duma camada branquinha, talvez dizendo: “Durmam, queridos, durmam bem até que o verão retorne.” E quando tudo renasce de novo ao calor do verão, Kitty, as árvores e os campos se vestem de verde e dançam — dançam tão lindo quando o vento sopra!... Oh, eu quero que seja assim! concluiu Alice deixando cair o novêlo para bater palmas de alegria. Quero que as árvores realmente comecem a dormir no outono quando as fôlhas entram a amarelar!...
Depois:
— Kitty, você sabe jogar xadrez? Não se ria. Estou falando sério. Pergunto porque quando eu estava a<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|18|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>por uma portinha tão estreita? Nem sua cabeça cabia. “Oh, exclamou, que pena a gente não ser como os óculos de alcance, que espicham à vontade! Se eu pudesse espichar-me, como óculos de alcance ou bala puxa-puxa, iria, já e já, ver aquêle jardim tão lindo.”
Não sendo possível aquilo, Alice ergueu-se e voltou para perto da mesa, esperando encontrar outra chave {{PT||ou algum livro mágico que lhe ensinasse a virar em óculos de alcance ou bala puxa-puxa. Só encontrou um vidrinho (que antes não estava lá) com um letreiro dizendo: ''Beba-me''.}}
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{{PT|ou algum livro mágico que lhe ensinasse a virar em óculos de alcance ou bala puxa-puxa. Só encontrou um vidrinho (que antes não estava lá) com um letreiro dizendo: ''Beba-me''.}}
“Muito fácil dizer “beba-me”, pensou Alice," mas não sou nenhuma tôla para ir bebendo o que não sei o que é. Vou ler o que está escrito em baixo do letreiro para verificar se não é veneno.”
Alice havia lido várias histórias de meninas que se queimaram, ou foram devoradas pelas feras, por não<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||VIAGEM À TOCA DOS COELHOS|19}}</noinclude>darem atenção ao que os pais ensinam. Sabia que quando a mamãe diz, por exemplo: ''ferro em brasa queima, faca de ponta espeta, navalha corta o dedo e sai sangue'', porque tudo isso é verdade. Sabia também que bebendo qualquer droga de vidro marcado com a palavra ''Veneno'', o certo é morrer de morte horrorosa.
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Mas como o vidrinho não trazia a palavra ''Veneno'', Alice resolveu provar o líquido que havia nêle. Provou-o com a ponta da língua; achou-o gostoso. Provou mais<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|20|Lewis Carroll|}}</noinclude>e acabou bebendo tudo (de fato era apenas um licor de cereja muito bom.)
{{***}}
“Que coisa esquisita!” exclamou Alice. “Parece que estou a encolher-me tôda, como um óculo de alcance!”
E assim era. Estava encolhendo tanto, e tanto encolheu, que ficou de meio palmo de altura. Chegou a sentir-se nervosa, de mêdo de ficar pequenininha como tôco de vela de árvore de Natal.
Isso também não. Essas velas vão diminuindo, diminuindo, e de repente o pavio cai para um lado e era uma vez a vela. Extinguem-se. Não! Não! Não queria acabar a vida assim. E esperou uns minutos, muito ansiosa, a ver se parava de encolher. Felizmente parou em meio palmo. Ora graças!
Assim que se pilhou pequenininha, correu à portinhola com a idéia de ir ao jardim. Mas lembrou-se que a tinha fechado e pôsto a chave em cima da mesa. E agora? Como tirar a chave de lá? Alice tentou todos os meios. Tentou subir por uma das pernas da mesa; tentou pular. Nada conseguiu e, desesperada, sentou-se no chão e chorou.
De repente disse para si mesma: “Bôba! De que vale chorar?” Alice era menina inteligente e prática, das tais que costumam dar bons conselhos a si mesmas. Às vêzes chegava a ponto de repreender-se com tanta severidade que se punha a chorar. Uma vez estêve a ponto de castigar-se a si própria com pancadas — uma vez que cometeu um erro muito grave numa partida de ''croquet'' que estava jogando consigo mesma. Sim, consigo<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||VIAGEM À TOCA DOS COELHOS|21}}</noinclude>mesma, porque quando estava só e precisava de companheira para brincar, Alice tinha a mania de julgar-se duas pessoas.
“Não vale a pena chorar,” repetiu ela; “também não vale a pena ser duas pessoas. Contento-me em ser apenas uma menina bem educada.”
Mas naquele momento seus olhos fixaram-se numa caixinha de vidro, que estava debaixo da mesa: abriu-a e encontrou dentro um doce muito bonito, com um letreiro de passas que dizia: ''Coma-me''.
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“Está bem, vou comer êste doce”, disse ela; “com certeza me fará crescer de modo que eu possa alcançar a chavinha. Se em vez disso me fizer ficar menor ainda, poderei passar pelo buraco da fechadura e assim chegar ao lindo jardim.”
Alice começou a comer o doce, dizendo: “Que irá acontecer?” E punha a mão sobre a cabeça para veri-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|22|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>ficar se estava crescendo ou diminuindo. Mas com grande surprêsa viu que permanecia na mesma, nem maior, nem menor. Ficou desapontada com o doce. Era um doce comum, um doce ordinário, dêsses que estava acostumada a comer todos os dias. Um ''doce natural'', em suma, e Alice só gostava das coisas extraordinárias. Lembrou-se de que talvez fôsse diferente se comesse o doce inteiro — e comeu-o todinho.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A CASA DO ESPELHO|17}}</noinclude>“''Êles'' não conservam esta sala tão bem arrumada como a lá de casa”, pensou Alice ao ver diversas peças de xadrez caídas nas cinzas da chaminé. Logo depois {{PT||observou que essas peças estavam vivinhas e passeando duas a duas.}}
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{{PT|observou que essas peças estavam vivinhas e passeando duas a duas.}}
— Aqui está o Rei Branco e com êle a Rainha Branca, murmurou Alice baixinho para não assustá-los. Lá estão o Rei Negro e a Rainha Negra, sentados no atiçador de fogo e perto dêles, duas Torres de braços<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|18|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>dados. Será que podem ouvir-me? Que não podem ver-me, sei, pois chego bem pertinho sem que se assustem. Creio que fiquei invisível...
[[File:Aliceroom2.jpg|centro|400px]]
Nisto alguma coisa começou a mexer-se na mesa, atrás de Alice. Voltando o rosto viu ela um Peão Branco que rolava impaciente e batia o pé. Ficou atenta, a ver o que sucedia.
— Meu filho! gritou a Rainha Branca precipitando-se para o lado do peão com tal ímpeto que derrubou<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{lsp||'''A SACUDIDELA'''}}|{{lsp||CAPÍTULO X}}}}
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{{capitular|A}}{{sc|lice agarrou}} a boneca de celulóide em que a Rainha Negra se havia transformado. Não encontrou resistência nenhuma. Apenas a cara da boneca foi mudando e os olhos foram ficando verdes. Depois o corpo da boneca foi-se tornando macio e peludo...
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{lsp||'''MIAU! MIAU!'''}}|{{lsp||CAPÍTULO XI}}}}
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...e realmente a Rainha-boneca virou num gatinho.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A CASA DO ESPELHO|19}}</noinclude>o Rei na cinza. Meu lírio! Meu imperial gatinho! gritava ela tentando transpor a grade da chaminé.
— Imperial malandro! murmurou o Rei a esfregar o nariz amarrotado pela queda. Bem que tinha êle razão de estar danado com a Rainha, pois ficara coberto de cinzas da cabeça aos pés.
[[File:Chessmen.jpg|centro|350px]]
Ansiosa por ser útil, Alice tomou a Rainha e a colocou no tabuleiro, perto do peãozinho que esperneava com ataque. Mas o fato de ser erguida do chão até à mesa fêz a Rainha perder o fôlego, de modo que ao chegar permaneceu uns minutos arquejante, sem poder abraçar o barulhento filhinho. Logo porém que recobrou completamente o fôlego, gritou para o Rei, que ficara embaixo, na cinza: Cuidado com o vulcão!
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A CASA DO ESPELHO|21}}</noinclude>voltou correndo para despejá-lo na cara do Rei. Felizmente o encontrou já voltado a si e cochichando com a Rainha, tão baixo que Alice mal podia ouvir.
[[File:White_king1.jpg|centro|350px]]
— Tive tanto mêdo que esfriei até ao fundo dos ossos, dizia êle.
— Você nunca teve ossos, meu caro... respondeu a Rainha.
— O horror daquele momento!... prosseguiu o Rei. Jamais poderei esquecê-lo...
— Esquece, sim. Você é um grande esquecido. Para que não esqueça deve tomar nota.
O Rei aceitou o conselho e tirando do bôlso um enorme livro de notas começou a escrever com um lápis aquêle horror que sentira. Vendo as suas dificuldades, Alice resolveu ajudá-lo. Veio para trás dêle e segurou<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|22|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>na ponta do lápis para o guiar. O pobre Rei ficou atrapalhado e por alguns instantes lutou em silêncio com o lápis. Alice, porém, que tinha mais fôrça, venceu.
— Tenho que arranjar outro lápis, disse o rei por fim. Este está muito pesado e escreve por si coisas que não tenho intenção de escrever.
— Que coisas êle escreve? perguntou a Rainha com os olhos no livro de notas, onde leu: ''O Cavalo Branco está escorregando do atiçador. Êle equilibra-se mal.'' Depois disse: — Mas isto não pode ser a nota do horror que você sentiu, meu caro!
[[File:White_knight1.jpg|centro|350px]]
Havia na mesa, perto de Alice, um livro, e enquanto a menina permanecia sentada a observar o Rei (Alice ainda estava com o tinteiro na mão para caso o Rei desfalecesse outra vez), voltou-lhe as folhas para ler algum pedacinho. O livro, entretanto, era escrito numa língua desconhecida, como se poderá ver por esta amostra:
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A CASA DO ESPELHO|23}}</noinclude><poem>
!sárt-sáz, sárt-sáZ! siod, mU! siod, mU
sáz - ra on uinuz adapse A
!sárt - uiac ortsnom od açebac A
... sárt arap odnaetoniP
</poem>
— Parece um lindo verso, disse consigo Alice, que a princípio nada entendera. Quem sabe se está ao contrário e com um espelho poderei ler direito? Vamos fazer a experiência. Para isso tenho que passar à outra sala. Sim sim, antes, porém, quero dar uma vista dolhos pelo jardim.
Mal o pensou e já o pôs em prática. Deixou a sala a correr, descendo pelo corrimão em vez de descer pela escada. Essa história de descer por escadas é coisa de gente velha. Desceu voando e num segundo foi parar no vestíbulo que dava para o jardim.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{capitular||LAGO DAS LÁGRIMAS|25}}</noinclude>numa das mãos um par de luvas e na outra um leque. Vinha saracoteando e falando entre dentes: “Meu {{PT||Deus! Será que a Duquesa não vai zangar-se com a minha demora?”}}
{{RetallaImatge
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{{PT|Deus! Será que a Duquesa não vai zangar-se com a minha demora?”}}
No desespêro em que Alice estava, lembrou-se de pedir socorro ao Coelho e disse-lhe em voz baixa, com<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LAGO DAS LÁGRIMAS|27}}</noinclude>nha!” Se fizerem isso, perguntarei: “Digam primeiro o meu nome, digam quem sou eu, porque se disserem meu nome certo, se disserem que sou Alice, então sairei daqui; mas se disserem que sou a Zuleica, ah, então ficarei enterrada nesta cova tôda a vida.”
E Alice, já cansada de estar no fundo daquele buraco, olhou para cima, ansiosa de ver aparecer por lá alguma cara de gente que a avistasse e dissesse quem ela era.
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Nisto olhou para as mãos e notou que sem o perceber havia calçado as luvas do Coelho.
“Como pôde ser isto?” exclamou muito admirada. “Como pude calçar estas luvas tão pequeninas? Querem ver que diminuí de tamanho sem o notar?” Dizendo isto, correu para perto da mesa a fim de medir-se, e verificou que encolhera de novo e estava com apenas sete centímetros de altura. E notou ainda que continuava<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|28|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>a diminuir. Descobriu logo que a causa daquilo era o leque que tinha na mão, leque mágico — e jogou-o para longe, de mêdo de desaparecer totalmente.
“De que escapei!” murmurou, ainda assustada da repentina mudança, mas satisfeita por ver que ainda restavam sete centímetros dela mesma e que agora poderia ir ter ao jardim.
Correu então para a portinha; mas logo reparou que esquecera de tirar a chave de cima da mesa quando dispunha de altura para isso, de modo que estava tudo {{PT||na mesma — isto é, sem poder alcançar a chave e sem poder ir ao jardim.}}
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{{PT|na mesma — isto é, sem poder alcançar a chave e sem poder ir ao jardim.}}
“As coisas vão de mal a pior,” disse. “As coisas vão péssimas... As coisas vão...” e Alice não pôde concluir<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{lsp||'''SONHO?'''}}|{{lsp||CAPÍTULO XII}}}}
{{dhr|3}}
{{capitular|— V}}{{sc|ossa Majestade}} não deve rosnar tão alto, disse Alice esfregando os olhos sonolentos e dirigindo-se respeitosamente ao gatinho. Você despertou-me dum lindo sonho, ao qual estêve presente, olhando-me o tempo todo. Foi uma viagem extraordinária pelo País do Espelho, sabe?
É hábito de os gatinhos (havia Alice observado tempos antes) responder com rosnidos a tudo quanto a gente lhes diz. “Se os gatos rosnassem para dizer Sim e miassem para dizer Não, seria possível sustentar com êles uma conversação. Mas como conversar com quem rosna o tempo todo, e portanto respondeu só dum jeito.”
O gatinho havia rosnado em resposta à sua pergunta. Como saber se havia respondido sim ou não?
Em vista disso a menina desistiu da conversa e olhou para o tabuleiro de xadrez, que estava sôbre a mesa. Depois tomou dêle a Rainha Negra e a pôs no tapête, bem defronte ao gatinho.
— Vamos, Kitty, disse ela. Confesse que você se transformou nessa Rainha durante todo o meu sonho.
Mais tarde Alice explicou à sua irmã que ao fazer isso o gatinho virara o rosto, como pretendendo não ser verdade que se houvesse transformado em alguma<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||SONHO|133}}</noinclude>rainha. Mas que o fêz de jeito a dar a perceber que tinha de fato virado rainha.
— Sente-se um pouco mais durinho, disse-lhe ela, assim, assim. E agora tome um beijo em honra de ter sido rainha.
Depois, voltando o rosto, deu com o gatinho branco, que ainda fazia a sua toalete, lambendo a pata e es{{pt||fregando-a no focinho: — Olá! Com que então andou disfarçado em Rainha Branca, hein? Mais cuidado com êle, Diná! Saiba que êsse seu filho costuma virar rainha quando quer.}}
[[File:Alice_White_Kitten.jpg|centro|300px]]
{{pt|fregando-a no focinho: — Olá! Com que então andou disfarçado em Rainha Branca, hein? Mais cuidado com êle, Diná! Saiba que êsse seu filho costuma virar rainha quando quer.}}
Alice estava sentada no tapête, com os três bichinhos no colo.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|32|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>nem de cachorro, já que o senhor não gosta dêsses entes.
Ouvindo tais palavras, o Rato voltou e veio vagarosamente colocar-se de novo perto dela. Estava pálido de emoção (assim pensou Alice) e mal pôde dizer, em voz débil: — Vamos para a margem. Lá contarei porque não posso ouvir falar de gatos e cães.
Era tempo. O lago estava enchendo-se de bichos. Havia um pato, um ganso, um papagaio e até uma àguiazinha nova. E mais bichos de pena e pêlo. Por entre êles Alice abriu caminho e nadou para a margem, seguida do senhor ratinho.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|30|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>Sem discutir êsse ponto, Alice continuou na sua explicação, dizendo que andara em procura do caminho que conduzia ao morro.
— Morro! exclamou a Rainha com desprêzo. Conheço morros perto dos quais êste não passa dum queno buraco.
[[File:Curious_country.jpg|centro|300px]]
— Não pode ser! exclamou Alice animando-se a contradizê-la. Um morro jamais poderá parecer um buraco. Isso é bobagem...
A Rainha sacudiu a cabeça e disse:
— Você pode chamar a isto bobagem, mas eu tenho ouvido bobagens perto das quais esta pode ser considerada sabedoria igual à dos dicionários.
Receosa de que a Rainha estivesse ofendida, Alice imitou-se a fazer uma saudação de cabeça. Em seguida as duas caminharam em silêncio até o alto do morro.
Por alguns minutos a menina se manteve calada, com os olhos postos na paisagem que dali se descorti-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||UMA REUNIÃO ORIGINAL|35}}</noinclude>O Rato achou o Pato tão estúpido que não lhe deu resposta e prosseguiu na seca: O arcebispo, então, foi ao encontro de Guilherme para lhe oferecer a coroa de rei da Inglaterra. No príncipio o novo rei agiu com moderação; mas a insòlência dos seus companheiros normandos... Aqui o ''secante'' interrompeu a seca para perguntar a Alice: Querida senhorita, como está se sentindo agora? Melhor?
— Qual melhor o quê! Estou encharcada como antes, respondeu Alice torcendo a sainha. Parece que sua história não seca roupa, só seca a paciência dos ouvintes.
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— Nesse caso, interveio o Ganso em tom solene, requeiro que se levante a sessão para que sejam adotadas enérgicas providências.
— Fale língua de gente! gritou a Pequenina Águia. Sou muito jovem; ainda não aprendi as pala-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|32|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>“Será que tudo corre juntamente conosco?” pensou Alice consigo. E a Rainha, como que adivinhando êsse pensamento, retrucou: — Mais depressa! Não pense em coisa nenhuma.
Alice não pensava em pensar, sentindo até que nunca mais conseguiria pensar coisa nenhuma em sua vida, tal era a falta de fôlego que a atormentava. Apesar disso a Rainha prosseguia no seu “Mais depressa!” de sempre, arrastando-a com ímpeto cada vez maior.
— Estaremos chegando? perguntou por fim a menina já exausta.
— Quase! respondeu a Rainha. Mais dez minutos e chegaremos. Depressa! Depressa! e em silêncio continuaram ambas a correr com tamanha rapidez que o vento parecia arrancar o cabelo de Alice.
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— Agora! Mais depressa ainda! exclamou logo adiante a Rainha, aumentando ainda mais a velocidade.<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|36|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>vras dificeis. E acho até que nem o Senhor Ganso entendeu muito bem o que disse, e a Pequenina Aguiazinha meteu a cabeça debaixo da asa para esconder um sorriso, enquanto os outros riam alto.
— O que eu queria dizer, prosseguiu o Ganso um tanto ofendido, era que a melhor coisa para secar é uma corrida ''sui generis''.
— Que coisa é uma corrida ''sui generis?'' indagou Alice, não tanto porque o desejasse saber, mas porque o Ganso havia feito uma pausa, como se pensasse que alguém deveria dar algum aparte, que não apareceu.
— O melhor meio de explicar é fazer. Vamos organizar a corrida ''sui generis''.
E começou. Primeiro traçou no chio um circulo muito torto “o feitio exato não importa” foi logo dizendo, e colocou cada um dos presentes ao longo do risco, aqui, ali, lá. Não era preciso nem dizer um, dois, três,
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{{PT|para começar. A corrida começava sem isso. Começavam a correr quando queriam e paravam também quando queriam, de sorte que não era fácil saber quando a corrida acabava. Assim se fêz. Correram cerca de meia hora e ao fim dêsse tempo notaram que estavam todos enxutos. Então o Ganso gritou: — Pronto! A corrida}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|36|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>vras dificeis. E acho até que nem o Senhor Ganso entendeu muito bem o que disse, e a Pequenina Aguiazinha meteu a cabeça debaixo da asa para esconder um sorriso, enquanto os outros riam alto.
— O que eu queria dizer, prosseguiu o Ganso um tanto ofendido, era que a melhor coisa para secar é uma corrida ''sui generis''.
— Que coisa é uma corrida ''sui generis?'' indagou Alice, não tanto porque o desejasse saber, mas porque o Ganso havia feito uma pausa, como se pensasse que alguém deveria dar algum aparte, que não apareceu.
— O melhor meio de explicar é fazer. Vamos organizar a corrida ''sui generis''.
E começou. Primeiro traçou no chio um circulo muito torto “o feitio exato não importa” foi logo dizendo, e colocou cada um dos presentes ao longo do risco, aqui, ali, lá. Não era preciso nem dizer um, dois, três, {{PT||para começar. A corrida começava sem isso. Começavam a correr quando queriam e paravam também quando queriam, de sorte que não era fácil saber quando a corrida acabava. Assim se fêz. Correram cerca de meia hora e ao fim dêsse tempo notaram que estavam todos enxutos. Então o Ganso gritou: — Pronto! A corrida {{PT||acabou. Todos, cansados e resfolegantes, se reuniram em tôrno dêle, perguntando: — Mas quem ganhou?}}}}
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{{PT|para começar. A corrida começava sem isso. Começavam a correr quando queriam e paravam também quando queriam, de sorte que não era fácil saber quando a corrida acabava. Assim se fêz. Correram cerca de meia hora e ao fim dêsse tempo notaram que estavam todos enxutos. Então o Ganso gritou: — Pronto! A corrida {{PT||acabou. Todos, cansados e resfolegantes, se reuniram em tôrno dêle, perguntando: — Mas quem ganhou?}}}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||UMA REUNIÃO GENIAL|37}}</noinclude>{{PT|acabou. Todos, cansados e resfolegantes, se reuniram em tôrno dêle, perguntando: — Mas quem ganhou?}}
O Ganso ficou atrapalhado e permaneceu uns segundos com o dedo espetado na testa, pensando. Por fim deu a decisão: — Todos ganharam e todos vão receber prêmios.
— Mas quem vai distribuir prêmios?
— Está claro que é ela, disse o Ganso apontando para a menina. E os bichinhos incontinênti rodearam Alice: — Prêmios! Venham os prêmios!
Alice não sabia o que fazer. Olhou em redor e nada viu que servisse para prêmio. Lembrou-se então que tinha no bôlso uma caixinha de bombons. Tirou-a fora, abriu-a e deu um docinho a cada um. Foi a conta.
— Mas também ela tem direito a prêmio, disse o Rato.
— Pois de certo, concordou o Ganso com tôda a seriedade. E virando-se para Alice perguntou: — Que mais coisas tem vêce no bôlso?
— Só êste dedal, disse Alice, tirando do seu bôlso um dedal de tostão, que deu ao Ganso.
Todos rodearam a menina enquanto o Ganso, com solenidade, lhe apresentava o dedal de tostão com estas palavras: — Pedimos que aceite êste precioso dedal como prova de nossa mais profunda admiração. Todos aplaudiram e Alice meteu o dedal no bôlso outra vez.
A menina achou aquilo um tanto absurdo e cômico, mas não teve coragem de rir, porque os bichos estavam agindo muito a sério. Por isso não destampou nenhuma risada, limitando-se a agradecer com uma cortesia de cabeça.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|38|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— E agora? Agora o que tinham a fazer era comer os prêmios — e foi isso uma pequena tragédia. As aves e bichos que não estavam acostumados a comer bombons se atrapalharam. Uma das aves engasgou-se, sendo preciso que lhe dessem socos nas costas. Terminada a comi{{PT||lança dos prêmios, puseram-se novamente em círculo e pediram ao Rato que falasse.}}
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{{PT|lança dos prêmios, puseram-se novamente em círculo e pediram ao Rato que falasse.}}
Você me prometeu contar sua história, e explicar por que motivo tem ódio às letras G, e C, disse a<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{lsp||'''OS INSETOS DO ESPELHO'''}}|{{lsp|CAPÍTULO III}}}}
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{{capitular|A}}{{sc|ntes de}} mais nada era-lhe preciso fazer um estudo do país em que penetrara. “Isto será como nas lições de geografia”, pensou Alice pondo-se na ponta dos pés para ver ao longe. “Rios principais — não vejo nenhum rio, principal ou não. Montanhas principais só existe esta onde estou, que creio não tem nome. Cidades principais... Esperem! Há lá embaixo criaturas fabricando mel! Abelhas, não podem ser. Não existem abelhas “avistáveis” desta distância...”
Por algum tempo permaneceu Alice em silêncio, observando as criaturas que andavam de flor em flor, sugando os cálices, como fazem as abelhas. Todavia não eram abelhas. Davam idéia de elefantes e ao observar isto Alice ficou sem fôlego de tanto mêdo. “Que flores monstruosas devem ser as dêste país!” pensou ela. “Do tamanho de casas! Devem conter enormes quantidades de mel. Vou descer até lá para ver, resolveu. Mas logo ficou indecisa e murmurou, olhando para os lados: “Não ainda. Preciso primeiro arranjar um bom galho de árvore para varrê-los todos. E que engraçado quando me perguntarem lá em casa sobre este passeio, se<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||OS INSETOS DO ESPELHO|37}}</noinclude>gostei ou não! Gostei, sim, hei de responder, embora fizesse muito calor e os elefantes me metessem mêdo.”
E depois duma pausa: “O melhor será descer pelo outro lado. Visitarei os elefantes mais tarde. Agora tenho de alcançar a terceira casa.”
E com essa desculpa Alice pulou o primeiro dos seis riozinhos que separavam as casas do tabuleiro de xadrez.
{{dhr|3}}
{{***}}
{{dhr|3}}
— Os seus bilhetes, façam favor! disse o Guarda pondo a cabeça na janela. Imediatamente todos puxaram os respectivos bilhetes, que eram quase do tamanho dos passageiros.
— Vamos, o seu bilhete, menina! continuou o Guarda olhando severamente para Alice. Em tôrno vozes zangadas murmuravam com azedume: — Não faça o Guarda esperar, menina! O tempo aqui vale mil libras esterlinas por minuto.
— Creio que não tenho bilhete, respondeu Alice em tom medroso. Não encontrei nenhuma bilheteria pelo caminho, lá na terra donde vim.
Apesar da sua desculpa, o côro de vozes zangadas continuou: — Não há lugar aqui para gente dessa tal terra. A nossa terra vale mil libras esterlinas a polegada.
— Não se desculpe, prosseguiu o Guarda. Você comprou um bilhete ao foguista da máquina, eu sei. Só a fumaça da máquina vale mil libras cada baforada.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||UMA REUNIÃO ORIGINAL|39}}</noinclude>menina em voz meio baixa, receosa de que o Rato se ofendesse outra vez.
— A minha história é muito triste e comprida, suspirou o Rato.
Alice, que naquele momento estava com olhos postos na caudinha do Rato, ficou a imaginar que a sua história deveria ser tão comprida como sua cauda, talvez mais comprida ainda e tôda cheia de voltas. E lá dentro da cabeça pôs-se a imaginar que a história do Rato devia ser qualquer coisa assim:
<div class="poema">
{{c|Romão disse a um ratinho}}
{{c| que ia passando por perto}}
{{c| {{gap}}{{gap}}dêle:{{gap}}“Pare aí.{{gap}}Temos já}}
{{c| {{gap}}de ir ao juiz.{{gap}}Quero te}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}acusar.”{{gap}}“Vamos”,{{gap}}res-}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}pondeu o ratinho.{{gap}}“A}}
{{c| {{gap}}{{gap}}consciência de nada me}}
{{c| {{gap}}acusa e saberei defen-}}
{{c| der-me.” “Muito bem”,}}
{{c| disse o gato. “Aqui}}
{{c| {{gap}}{{smaller|estamos diante do se-}}}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{smaller|nhor juiz.”{{gap}}“Não o}}}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{smaller|vejo”, disse o rati-}}}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{smaller|nho. {{gap}}“O juiz sou}}}}
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{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{smaller|E{{gap}}o{{gap}}júri?”,{{gap}}per-}}}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{smaller|guntou{{gap}}o{{gap}}ratinho.}}}}
{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{smaller|“O{{gap}}júri{{gap}}também}}}}
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{{c| {{gap}}{{gap}}{{smaller|motor?”{{gap}}pergun-}}}}
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{{c| {{gap}}{{x-smaller|“O promotor}}}}
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{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{x-smaller|você é tu-}}}}
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{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{x-smaller|“Sim por-}}}}
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{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{x-smaller|gato. Vou}}}}
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{{c| {{gap}}{{gap}}{{gap}}{{gap}}{{x-smaller|você.”}}}}
</div>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{cabeçalho|44|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>De fato assim foi. Mal bebeu uma parte do líquido e já espichou de tal maneira que a cabeça esbarrou no teto. Teve de parar de beber, se não ficaria de pescoço torto. Colocou a garrafa no lugar onde a encontrara e disse: "Basta! Espero que não crescerei mais, porque mesmo do tamanho que estou não sei como sair dêste quarto. Não passo mais pelas portas. Fui burra. Bebi demais."
Era tarde. O mal estava feito. Apesar de não ter bebido tôda a garrafa, bebera demais e continuava a crescer lentamente. Alice foi espichando, espichando.
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Começava a não mais caber no quarto. Teve de ajoelhar-se. Mas nem assim. Como continuasse a crescer, teve de enfiar os braços pelas janelas e os pés pela porta. Felizmente aquêle absurdo crescimento não foi além. Chegado até um certo ponto, parou. Mas a sua situação era das mais embaraçosas. Estava enormíssima, sem poder mover-se, com braços e pernas para fora da casa.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Sintegrity" />{{cabeçalho|44|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>De fato assim foi. Mal bebeu uma parte do líquido e já espichou de tal maneira que a cabeça esbarrou no teto. Teve de parar de beber, se não ficaria de pescoço torto. Colocou a garrafa no lugar onde a encontrara e disse: "Basta! Espero que não crescerei mais, porque mesmo do tamanho que estou não sei como sair dêste quarto. Não passo mais pelas portas. Fui burra. Bebi demais."
Era tarde. O mal estava feito. Apesar de não ter bebido tôda a garrafa, bebera demais e continuava a crescer lentamente. Alice foi espichando, espichando. {{PT||Começava a não mais caber no quarto. Teve de ajoelhar-se. Mas nem assim. Como continuasse a crescer, teve de enfiar os braços pelas janelas e os pés pela porta. Felizmente aquêle absurdo crescimento não foi além. Chegado até um certo ponto, parou. Mas a sua situação era das mais embaraçosas. Estava enormíssima, sem poder mover-se, com braços e pernas para fora da casa.}}
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{{PT|Começava a não mais caber no quarto. Teve de ajoelhar-se. Mas nem assim. Como continuasse a crescer, teve de enfiar os braços pelas janelas e os pés pela porta. Felizmente aquêle absurdo crescimento não foi além. Chegado até um certo ponto, parou. Mas a sua situação era das mais embaraçosas. Estava enormíssima, sem poder mover-se, com braços e pernas para fora da casa.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||OS INSETOS DO ESPELHO|39}}</noinclude>Mas o respeitável senhor vestido de papel moveu-se por fim e, inclinando-se para Alice, murmurou-lhe ao ouvido: — Não faça caso do que estão a dizer, minha cara menina; trate, sim, de arranjar um bilhete logo que o trem parar.
— Não arranjo coisa nenhuma! gritou Alice com impaciência. Não pertenço a êste trem eu estava no morro inda há pouco e quero voltar para lá.
[[File:Alice_guard.jpg|centro|300px]]
Nisto uma vozinha muito débil começou a cochichar coisas em seu ouvido.
— Quem é você? perguntou a menina.
— Um velho amigo, respondeu a vozinha. Sou um inseto.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|40|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>— Que espécie de inseto? perguntou Alice amedrontada, porque podia ser algum inseto de ferrão venenoso. Mas não pôde ouvir a resposta: o trem entrara a apitar precisamente naquele instante.
O cavalo, que havia metido a cabeça pela janela, recolheu-se de novo, dizendo: — Um grande rio! Temos de pular por cima
Todos os passageiros mostraram-se contentes com a novidade, menos a menina, que se apavorou com a idéia dum trem a saltar como cabrito por cima de rios. “Em todo caso”, pensou, “irei cair na quarta casa e tarei livre dêstes trapalhões.” Logo em seguida percebeu que o trem se levantava no ar, já no pulo. De mêdo de cair, agarrou-se ao que estava mais perto da sua mão. Era a barba dum bode.
{{dhr|3}}
{{***}}
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Mas a barba do bode como que se derreteu na mão de Alice, que de novo se achou sentada debaixo da árvore, enquanto o Pernilongo (era o tal inseto de vozinha débil) se balançava num ramo sôbre a sua cabeça, a abanar-se com as asas.
Um pernilongo bem grande, assim do tamanho duma galinha. Não obstante, Alice não teve mêdo nenhum.
— Com que então você não gosta de todos os insetos! disse êle calmamente como se nada houvesse acontecido.
— Gosto só dos que falam, respondeu Alice. Mas nenhum fala, lá na terra donde venho.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||OS INSETOS DO ESPELHO|41}}</noinclude>— Que espécie de insetos você ''ama'', lá na terra donde vem?
— Não ''amo'' a nenhum, absolutamente, respondeu Alice, porque tenho mêdo dêles, sobretudo dos cascudos que usam ferrão. Conheço-os apenas de nome e posso citar vários.
— Êsses insetos costumam atender a êsses nomes? perguntou o Pernilongo.
— Nunca observei isso, mas duvido muito.
— Nesse caso para que os homens lhes dão nomes?
— Porque tôdas as coisas têm nomes, ora esta!
— Vamos lá. Diga o nome dos que conhece.
— Existe o Louva-a-deus, começou Alice contando nos dedos. Existe o...
[[File:Rocking_horse_fly.jpg|centro|300px]]
— Basta, exclamou o Pernilongo. Ali adiante, naquela moita, você poderá ver o Cavalo Voador. É todo de pau e anda saltando de galho em galho.
— De que vive êle? perguntou Alice cheia de curiosidade.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O COELHO DÁ ORDENS|47}}</noinclude>tem debaixo da janela!” pensou Alice. “Que será que tencionam fazer de mim? Tirar-me pela janela é impossível — e sinto muito. Daria tudo para safar-me desta horrível situação.”
Um tempo se passou sem que ouvisse coisa nenhuma. Por fim notou um barulho de rodas, e ouviu outras vozes, de gente que falava com espanto. A menina {{PT||pôde distinguir frases como estas: “Onde está a outra escada? Eu só trouxe uma. Periquito que traga a outra. Aqui, Periquito! Traga-a para aqui! Encoste-a nesse canto. Isso. Não alcança? Que pena! Temos que emendar uma escada noutra. Amarre bem, Periquito! Será que o beiral do telhado agüenta? Cuidado com essa têlha sôlta! Está cai-não-cai. Suba, Periquito, e desça pela chaminé. Não tenha mêdo, vá, ande!”}}
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{{PT|pôde distinguir frases como estas: “Onde está a outra escada? Eu só trouxe uma. Periquito que traga a outra. Aqui, Periquito! Traga-a para aqui! Encoste-a nesse canto. Isso. Não alcança? Que pena! Temos que emendar uma escada noutra. Amarre bem, Periquito! Será que o beiral do telhado agüenta? Cuidado com essa têlha sôlta! Está cai-não-cai. Suba, Periquito, e desça pela chaminé. Não tenha mêdo, vá, ande!”}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|42|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>— De serragem de madeira, respondeu o Pernilongo. Vamos ver outro. Cite outro que conheça.
Alice olhava para o Cavalo Voador com grande interêsse, notando que havia sido envernizado de fresco, tão brilhante se mostrava. E, distraída, disse: — Há a Mariposa.
— Olhe para o ramo que pende sôbre a sua cabeça, disse o Pernilongo, e nêle verá uma. Tem o corpo feito de pudim, as asas de açúcar-cande e a cabeça de passa.
[[File:Snap-dragon-fly.jpg|centro|300px]]
— E de que vive?
— De mingau de aveia e bombocado. Costuma fazer seu ninho nas árvores de Natal, explicou o Pernilongo.
— E existe também a Borboleta, prosseguiu Alice depois de bem examinar o inseto de corpo de pudim.
— Rastejando no chão você poderá ver um bicho-cabeludo, do qual saem as borboletas, disse o Pernilongo.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||OS INSETOS DO ESPELHO|43}}</noinclude>— De que se alimenta?
— De cabelos e môlho à maionese,
Alice refletiu que seria dificil às lagartas encontrarem maionese pelo caminho. — E que acontece quando não acham maionese? perguntou.
[[File:Bread_and_butterfly.jpg|centro|300px]]
— Nesse caso morrem de fome.
— Coitadas! Isso lhes deve acontecer muitas vêzes! refletiu Alice pensativamente.
— Sim, acontece sempre, confirmou o Pernilongo.
Alice caiu em silêncio por uns instantes, a meditar, enquanto o Pernilongo se distraía com ''fiuns'' em tôrno da sua cabeça. Por fim pousou de novo e disse: — Imagino que você não deseja perder o nome que tem...
— Não! Não! respondeu Alice um tanto ansiosa com aquela possibilidade.
— É, mas não sei... continuou o inseto, como se aquilo estivesse prestes a suceder. Imagine o que aconteceria se você voltasse para casa sem nome. A sua go-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|48|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Alice pensou: “Já sei quem vai aparecer pelo canudo da chaminé: é o tal Periquito. Ele que venha, que quando aparecer lhe prego um pontapé.” E encolheu-se o mais que pôde, à espera, até que um animalzinho, que não pôde perceber qual fôsse, surgiu em baixo da chaminé. Alice deu-lhe um pontapé com tôda a energia.
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O pobre Periquito voou pelos ares como um foguete, indo cair longe dali.
Houve nova barulheira e muito corre-corre. — Vá salvar o Periquito! ordenava o Coelho. — Levante-lhe a cabeça. Dê-lhe um pouco de pinga para que volte a si. Vamos, rapaz! Conte lá o que aconteceu.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O COELHO DÁ ORDENS|51}}</noinclude>de mato. “Gostaria imenso de tê-lo comigo para lhe ensinar uma porção de prendas, isso caso eu não fosse tão pequenininha. Vejo que tenho de crescer novamente e quanto antes. Mas como será? Que devo fazer? Suponho que tenho de beber ou comer qualquer coisa desta terra das maravilhas. Mas beber ou comer o quê? Eis o grande problema.”
Realmente, era êsse o grande problema. Tinha de comer ou beber alguma coisa, mas o quê? Alice olhou para as ervas e flôres em redor e nada viu que lhe parecesse de beber ou comer. Nisto avistou um grande cogumelo da sua altura. Examinou-o de todos os lados e lembrou-se de examiná-lo também do lado de cima. Trepou a uma pedra perto e de lá pôde ver, sentado no tôpo do cogumelo, um Bicho-Cabeludo que fumava calmamente o seu cachimbo e parecia indiferente ao que se passava em redor.
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||CONSELHOS DO BICHO-CABELUDO|53}}</noinclude>de idéias, e estou certa de que achará o caso bastante esquisito.
— Está muito enganada.
— Bem, talvez o seu cérebro seja diferente do meu. O que sei é que estas mudanças me parecem muito estranhas, a ''mim''.
— ''Mim?'' replicou o Bicho-Cabeludo. Quem é ''mim?''
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Essa pergunta fêz a conversa voltar ao comêço e Alice irritou-se com as impertinências do Bicho. Em vista disso respondeu-lhe com secura: — Acho que o senhor é que devia me dizer quem é.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{lsp||'''TWEEDLEDUM E TWEEDLEDEE'''}}|{{lsp||CAPÍTULO IV}}}}
{{capitular|E}}{{smaller|STAVAM}} os dois de pé sob uma árvore, abraçados. Alice logo os distinguiu um do outro, porque o primeiro tinha a sílaba {{larger|DUM}} visível no bico do colarinho e o segundo tinha a sílaba {{larger|DEE}}. “A palavra {{larger|TWEEDLE}} deve estar nas costas do colarinho”, pensou Alice.
[[File:Alice_Tweedledum.jpg|centro|300px]]
Tão imóveis permaneciam êles que nem pareciam vivos. Alice resolveu dar volta por trás para ver se a palavra {{smaller|TWEEDLE}} estava mesmo escrita nas costas do cola-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|56|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>três vêzes, espreguiçou-se e, descendo de cima do cogumelo, meteu-se por entre as ervas, dizendo:
— Um dos lados aumenta a estatura; o outro diminui.
“Um dos lados do quê?” pensou Alice consigo.
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— Do cogumelo, respondeu o Bicho-Cabeludo, como se ela houvesse falado em voz alta — e, isto dizendo, desapareceu.
Alice ficou muito preocupada, olhando para o cogumelo a ver se adivinhava que lado aumentava e que<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||CONSELHOS DO BICHO-CABELUDO|57}}</noinclude>lado diminuía estatura de gente. Como o cogumelo fôsse perfeitamente redondo, o problema se tornava difícil, porque pròpriamente não havia lados. Por fim resolveu experimentar. Espichou as duas mãos e arrancou ao mesmo tempo dois pedaços do chapéu do cogumelo, tomados de lados opostos. E ficou a olhar para êles refletindo:
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— E agora, qual será? Por fim, com muito cuidado, fincou os dentes no pedacinho que estava na mão direita — e imediatamente sentiu uma pancada no queixo. É que diminuíra com tanta rapidez que seu queixo viera bater no chão. Assustada com a mudança e receosa de diminuir a ponto de desaparecer para sempre, mordeu o pedacinho da mão esquerda. O efeito foi justamente o contrário. Pôs-se a crescer com a maior velocidade! Seu pescoço espichou mais que o de uma girafa e breve surgiu como um mastro acima da floresta. Alice olhou para baixo e viu lá longe os seus ombros...
"Meus ombros!" exclamou. "Tão longe de mim que mal os vejo! E minhas mãos? Coitadinhas! Nem enxergá-las consigo..."
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||TWEEDLEDUM E TWEEDLEDEE|53}}</noinclude>carpinteiro na praia. Puseram-se a conversar, atraindo como ouvintes tôdas as ostras das redondezas — milhares de ostras que abriam as suas conchas e punham a carinha de fora para ouvi-los. Contando casos que muito interessavam às ostras, distraìdamente iam êles comendo-as. Comeram-nas tôdas — e depois ficaram desesperados quando viram que haviam engolido o auditório inteirinho, só deixando cascas no chão.
[[File:Walrus_and_Carpenter_2.jpg|centro|300px]]
Dee porém teve de interromper o recitativo em vista dum rumor semelhante ao bufo duma locomotiva que se aproximasse — locomotiva ou alguma fera. — Haverá leões ou tigres por aqui? perguntou Alice aflita.
— Não, êsse barulho não passa dos roncos do Rei Negro. Ronca muito quando dorme, explicou Dee.
— Vamos vê-lo, disseram em seguida os dois irmãos, agarrando a menina pelo braço e puxando-a para o sítio onde estava o dorminhoco.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|54|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>— Lindo quadro, hein? disse Dee ao avistarem o rei.
Alice de nenhum modo pôde concordar. O tal Rei Negro, de gorro de dormir na cabeça e encolhido ao pé duma árvore, mais dava a idéia dum montinho de lixo {{PT||do que dum rei. Notando que Sua Majestade estava de cócoras no chão, a cuidadosa menina apenas observou: — Coitado! Vai resfriar-se nessa relva úmida...}}
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{{PT|do que dum rei. Notando que Sua Majestade estava de cócoras no chão, a cuidadosa menina apenas observou: — Coitado! Vai resfriar-se nessa relva úmida...}}
— Veja! exclamou Dee. Está sonhando. É você capaz de adivinhar os sonhos dêle?
— Não. Nem eu, nem ninguém no mundo, respondeu Alice.
— Pois eu adivinho, afirmou Dee batendo palmas de triunfo. Está sonhando com você. E, diga-me se êle não estivesse sonhando com você, onde estaria você agora?
— Que pergunta! Estaria onde estou, respondeu Alice.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||TWEEDLEDUM E TWEEDLEDEE|57}}</noinclude>va com a cabeça a qual ficou de fora, a abrir e fechar os olhos e a bôca. “Tal qual um peixe”, pensou Alice.
Voltando à calma, Tweedledum berrou para o irmão: — Está desafiado para um duelo!
[[File:Tweedledum2.jpg|centro|300px]]
— Aceito, respondeu Tweedledee tristemente. Mas com a condição de que ela nos ajudará a fazer os preparativos.
Assentes nisto, os dois irmãos, de braços dados, se dirigiram para dentro da floresta, donde voltaram com um carregamento de coisas estapafúrdias — almofadas, cobertores, tapêtes, toalhas, tampas de caçarola e baldes.
— Espero, disse Dum a Alice, que você saiba pregar alfinêtes e dar pontos. Tem que ajustar todas estas coisas sobre os nossos corpos.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|62|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Segundo, porque estão fazendo barulho lá dentro e ninguém ouve.
Reinava, de fato, grande barulho dentro da casa, e de vez em quando ouvia-se rumor de pratos quebrados.
— Diga-me então, observou Alice, que devo fazer para entrar?
— Podia haver razão para que você batesse, continuou o criado sem responder ao perguntado, se a porta estivesse entre nós dois. Isto é, se eu estivesse do {{PT||lado de dentro e você do lado de fora. Ou o contrário. Se você estivesse do lado de dentro e eu do lado de fora, eu poderia abrir para você sair. O criado dizia isso sem tirar os olhos do céu, o que Alice achou muito pouco delicado.}}
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{{PT|lado de dentro e você do lado de fora. Ou o contrário. Se você estivesse do lado de dentro e eu do lado de fora, eu poderia abrir para você sair. O criado dizia isso sem tirar os olhos do céu, o que Alice achou muito pouco delicado.}}
— Mas, pensou a menina consigo, talvez êle não tenha culpa disso. Seus olhos são quase no alto da ca-<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||PORQUINHO E PIMENTA|63}}</noinclude>beça e com certeza não pode baixá-los. Em todo caso nada lhe custaria responder à minha pergunta. E repetiu-a: “Diga-me, senhor, por onde poderei entrar?”
— Ficarei sentado aqui até amanhã, foi a estranha resposta do criado e nesse momento a porta abriu-se e um prato veio voando lá de dentro, que esbarrou no nariz do criado e foi quebrar-se na árvore próxima.
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— Ou talvez até depois de amanhã, continuou êle no mesmo tom, como se nada houvesse acontecido.
— Como devo entrar? perguntou Alice elevando a voz e já irritada.
— Você vai entrar mesmo? perguntou o criado. É esta a primeira questão que temos de resolver.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||PORQUINHO E PIMENTA|65}}</noinclude>Alice recuou ao ouvir esta última palavra, dita em tom de cólera. Mas logo percebeu que não fôra dirigida a ela, e sim à criança que estava no colo da dama e que com certeza fizera alguma coisa merecedora da palavra.
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— Não sabia dessa raça de gatos careteiros, disse Alice. Nem nunca supus que gato pudesse fazer careta.
— Todos podem e muitos fazem, ensinou a dama.
— Nunca vi nenhum que fizesse, nem sei de nenhum que faça.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|66|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— É que você não sabe muita coisa, disse a Duquesa.
Alice não gostou da observação e pensou que seria melhor mudar de assunto. Enquanto pensava nisso, a cozinheira tirou do fogo a panela de sopa e começou a {{PT||jogar na Duquesa e na criança tudo quanto se achava ao seu alcance — primeiro as caçarolas, depois os pratos e as terrinas. A Duquesa não ligou a mínima importância àquilo, nem mesmo quando uma sopeira lhe esborrachou o nariz. Quanto à criança, não se podia dizer que estivesse chorando das caçaroladas e pratadas que ia recebendo, porque já estava chorando desde o começo.}}
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{{PT|jogar na Duquesa e na criança tudo quanto se achava ao seu alcance — primeiro as caçarolas, depois os pratos e as terrinas. A Duquesa não ligou a mínima importância àquilo, nem mesmo quando uma sopeira lhe esborrachou o nariz. Quanto à criança, não se podia dizer que estivesse chorando das caçaroladas e pratadas que ia recebendo, porque já estava chorando desde o começo.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LÃ E ÁGUA|63}}</noinclude>— Não gosto de geléia, seja gostosa ou não, repito.
— Nem a comeria, minha cara, porque a geléia é um dia sim, um dia não, ou melhor, geléia ontem e geléia amanhã — nunca geléia hoje.
[[File:Hatter.jpg|centro|300px]]
— Não entendo êsse modo de dar geléia. Parece-me um tanto confuso.
— Isso vem do meu modo de viver para trás, explicou a Rainha bondosamente. Concordo que no começo atrapalha um pouco.
— Viver para trás! exclamou Alice com espanto. Nunca ouvi falar de semelhante coisa!
— No entanto há uma enorme vantagem nisso, menina. Vive-se dobrado.
— Eu só vivo para a frente, observou Alice. Não sei lembrar-me de nada que ainda não haja acontecido.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||PORQUINHO E PIMENTA|67}}</noinclude>— Pare, mulher! gritou Alice. Olhe o que está fazendo!
— Se todos só olhassem para os seus próprios negócios, o mundo andaria muito mais depressa do que anda, grunhiu a Duquesa.
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— Se o mundo andasse mais depressa, retrucou Alice muito contente de mostrar ciência, não haveria vantagem nenhuma. Os dias e noites ficavam muito mais curtos do que são. Como a senhora sabe, a terra leva 24 horas para girar em tôrno do seu eixo.
— Por falar em eixo, corte o queixo dela, cozinheira! gritou a Duquesa.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||PORQUINHO E PIMENTA|69}}</noinclude>tiro daqui, com certeza que a matam em dois ou três dias.”
Estas palavras foram ditas em voz alta, e a criança que havia parado de espirrar, grunhiu como em resposta.
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— Fique quieta! gritou Alice. Não meta o bedelho em conversa dos mais velhos.
A criança grunhiu novamente, e Alice examinou-lhe a cara pela primeira vez. Tinha um nariz muito revirado para cima, que mais parecia focinho — o que muito aborreceu Alice. Além do mais, aquêles grunhidos suspeitos...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||PORQUINHO E PIMENTA|71}}</noinclude>— Pode dizer-me que caminho devo tomar?
— Isso depende do lugar para onde quer ir, respondeu com muito propósito o gato.
— Não tenho destino certo.
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— Nesse caso, qualquer caminho serve.
— Servirá, sim, se o caminho fôr ter a ''algum lugar'', sugeriu Alice.
— Qualquer caminho conduz a algum ponto, se você andar depressa e chegar, disse o gato.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|72|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>{{RetallaImatge
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Alice viu logo que o felino era animal de muito bom senso, nada parecido com o criado idiota. E fêz outra pergunta.
— Diga-me, Senhor Gato, que espécie de gente é a que vive nestas paragens?
— Dêste lado vive o Chapeleiro, respondeu o Gato apontando com a mão esquerda, e dêste outro lado vive a Lebre Telhuda. Visite ao qual quiser. Ambos são malucos.
— Mas eu não gosto de lidar com gente maluca, disse Alice.
— Então está pegada, porque aqui tudo é maluco. Eu sou maluco. Você é maluca.
— Como sabe que sou maluca? perguntou Alice.
— Deve ser, respondeu o Gato; do contrário não estaria aqui.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LÃ E ÁGUA|67}}</noinclude>— Vejo que você não tem muita prática da vida, menina. Quando eu tinha a sua idade sempre acreditei em coisas impossíveis pelo menos meia hora por dia. Ás vêzes chegava a acreditar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã. E mudando de assunto: — Lá se vai o meu xale outra vez!
[[File:John_Tenniel_Alice_and_the_Knitting_Sheep.jpeg|centro|300px]]
Enquanto ela falava o alfinête tinha-se aberto e uma súbita rajada de vento arremessara o xale para além dum riacho. A Rainha espichou os braços e voando qual uma ave conseguiu apanhá-lo no ar.
— Apanhei-o! gritou muito contente. E agora você vai ver que sei prendê-lo por mim mesma.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''UM CHÁ DE DOIDOS VARRIDOS'''|CAPÍTULO VII}}
{{capitular|O}} {{smaller|CHAPELEIRO}} e a Lebre Telhuda estavam tomando chá debaixo duma árvore, fronteira à casa. Entre os dois sentara-se um Rato do Campo, o qual dormia a bom dormir, e sono tão pesado que a Lebre e o Chape{{PT||leiro apoiavam nêle os cotovelos, como se fosse almofada.}}
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{{PT|leiro apoiavam nêle os cotovelos, como se fosse almofada.}}
“Muito mal deve estar passando o Rato” pensou Alice. Em todo caso, como está dormindo, talvez não sinta a dor.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||LÃ E ÁGUA|73}}</noinclude>objeto que vejo na minha frente? Tem galhos!... Uma árvore!... Que esquisito, árvores crescendo aqui! E agora vejo um riozinho... Não pode haver no mundo loja mais estranha do que esta...
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{{***}}
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Quanto mais Alice se adiantava na direção do ôvo, mais se admirava, porque os objetos todos se iam transformando em árvores.
“Até o ovo é capaz também de deitar galhos e fôlhas!” pensou ela.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|78|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Dois dias de diferença! suspirou o Chapeleiro. E, dirigindo-se à Lebre, com ar aflito: — Torno a repetir que a manteiga não serve...
— Era a melhor que havia, respondeu a Lebre humildemente.
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— Sim, mas está cheia de migalhas de casca de pão. Aposto que você a tirou da lata com a faca de pão.
A Lebre veio examinar o relógio que o Chapeleiro tinha na mão e fêz também cara aflita. Pegou-o, meteu-o na xícara de chá e, depois de o mirar e remirar, repetiu o que já havia dito:
— Não havia manteiga de melhor qualidade.
Alice também observara o relógio, espiando por entre as orelhas da Lebre.
— Que relógio esquisito! exclamou. Marca dias em vez de horas.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||UM CHÁ DE DOIDOS VARRIDOS|79}}</noinclude>— E que mal há nisso? inquiriu o Chapeleiro. Por acaso marca o seu relógio os anos?
— Seria absurdo, porque durante um ano qualquer relógio acaba a corda muitas vêzes. Por isso não há relógio que marque ano.
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— É justamente o que acontece com o meu, disse o Chapeleiro, deixando a menina completamente atrapalhada. Alice não pôde compreender coisa nenhuma, não achando nenhum sentido nas suas palavras. E declarou:
— Não compreendi muito bem o que o senhor disse...
Em vez de responder, o Chapeleiro gritou: — O Rato do Campo dormiu outra vez! e despejou-lhe chá no nariz, fazendo-os sacudir a cabeça com impaciência.
— Claro, claro, disse o Rato sem abrir os olhos. Era precisamente o que eu ia dizer.
— Já resolveu a charada? perguntou de repente o Chapeleiro, voltando-se para Alice.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''O CAMPO DE CROQUET DA RAINHA'''|CAPITULO VIII}}
{{capitular|L}}{{smaller|OGO NA}} entrada do jardim havia uma enorme roseira coberta de rosas brancas, que três jardineiros estavam apressadamente pintando de vermelho. Achando {{PT||o caso muito curioso, Alice aproximou-se para ver melhor. E pôde ouvir a conversa dos jardineiros.}}
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{{PT|o caso muito curioso, Alice aproximou-se para ver melhor. E pôde ouvir a conversa dos jardineiros.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|88|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Cuidado, Cinco! Não me espirre tinta dêsse jeito!
— Não foi por culpa minha. Foi o Sete que me deu um empurrão, respondeu o Cinco de mau humor.
O Sete olhou atravessado e contestou:
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— Você tem a mania de fazer as coisas e pôr culpa nos outros...
— Cale a bôca que é o melhor! retrucou o Cinco. Não foi à toa que a Rainha disse ontem que você merecia ser decapitado.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|89}}</noinclude>— Decapitado, por que? indagou o que havia falado primeiro.
— Não é da sua conta, Dois. Cuide do seu serviço, respondeu o Sete.
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— É, sim, da conta dêle! disse o Cinco. E vou contar porque foi. Foi porque levou para a cozinheira batatas de dália como se fossem batatas doces.
O Sete ia largando o pincel para responder, quando deu com a menina desconhecida. Ficou atrapalhado e por fim cumprimentou-a. Os outros também largaram do serviço e fizeram o mesmo. — Poderão os senhores explicar-me por que motivo estão pintando essas rosas? perguntou a menina.
Cinco e Sete nada responderam, limitando-se a olhar para Dois, que disse em voz baixa: — Por uma razão muito simples. Esta roseira devia ser de rosas vermelhas, mas nós, por engano, plantamos uma roseira de rosas brancas. Se a rainha souber, manda-nos cortar a cabeça. Por isso estamos a corrigir o nosso êrro antes que ela chegue.
Nisso o Cinco, que estivera de olhos postos numa certa direção, gritou muito aflito: — A Rainha vem vindo! Os três lançaram-se por terra, com as caras ocultas {{PT||nas mãos, enquanto Alice olhava no rumo indicado. Tinha imensa curiosidade de conhecer a Rainha.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|91}}</noinclude>{{PT|nas mãos, enquanto Alice olhava no rumo indicado. Tinha imensa curiosidade de conhecer a Rainha.}}
Lá vinha a grande dama! A frente marchavam dez soldados armados de paus. Tinham a mesma forma dos três jardineiros, quadrados e chatos como cartas de ba-
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{{PT|ralho, com mãos e pés saindo dos cantos. Em seguida vinham os fidalgos da Côrte, ornamentados de naipes de ouro e marchando dois a dois, como os soldados. Depois vinham as crianças da Côrte também em número de dez e vestidinhas de naipes de copas. A seguir vinham os convidados, na maioria reis e rainhas — e entre êles Alice reconheceu o Coelho Branco. Vinha fa-}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|91}}</noinclude>{{PT|nas mãos, enquanto Alice olhava no rumo indicado. Tinha imensa curiosidade de conhecer a Rainha.}}
Lá vinha a grande dama! A frente marchavam dez soldados armados de paus. Tinham a mesma forma dos três jardineiros, quadrados e chatos como cartas de ba{{PT||ralho, com mãos e pés saindo dos cantos. Em seguida vinham os fidalgos da Côrte, ornamentados de naipes de ouro e marchando dois a dois, como os soldados. Depois vinham as crianças da Côrte também em número de dez e vestidinhas de naipes de copas. A seguir vinham os convidados, na maioria reis e rainhas — e entre êles Alice reconheceu o Coelho Branco. Vinha fa{{PT||lando muito depressa, sorrindo a tudo que lhe diziam e passou por Alice sem lhe dar atenção. Depois vinha o Valete de Copas, carregando a coroa do Rei numa almofada de veludo; e finalmente vinham o Rei e a Rainha de Copas.}}}}
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{{PT|ralho, com mãos e pés saindo dos cantos. Em seguida vinham os fidalgos da Côrte, ornamentados de naipes de ouro e marchando dois a dois, como os soldados. Depois vinham as crianças da Côrte também em número de dez e vestidinhas de naipes de copas. A seguir vinham os convidados, na maioria reis e rainhas — e entre êles Alice reconheceu o Coelho Branco. Vinha fa{{PT||lando muito depressa, sorrindo a tudo que lhe diziam e passou por Alice sem lhe dar atenção. Depois vinha o Valete de Copas, carregando a coroa do Rei numa almofada de veludo; e finalmente vinham o Rei e a Rainha de Copas.}}}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|92|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>{{PT|lando muito depressa, sorrindo a tudo que lhe diziam e passou por Alice sem lhe dar atenção. Depois vinha o Valete de Copas, carregando a coroa do Rei numa almofada de veludo; e finalmente vinham o Rei e a Rainha de Copas.}}
Alice ficou na dúvida se devia deitar-se no chão como os três jardineiros, embora jamais ouvisse falar de semelhante prática à passagem dos cortejos reais. “Além disso”, pensou ela, “de que serviria um cortejo, se todos tivessem de deitar-se de cara para a terra durante a passagem? Ninguém poderia vê-lo e os cortejos {{PT||existem para ser vistos.” Resolveu ficar de pé e aguardar os acontecimentos. Quando o cortejo lhe passou à frente, todos pararam e fixaram os olhos nela.}}
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{{PT|existem para ser vistos.” Resolveu ficar de pé e aguardar os acontecimentos. Quando o cortejo lhe passou à frente, todos pararam e fixaram os olhos nela.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|93}}</noinclude>— Quem é esta menina? perguntou com severidade a Rainha, voltando-se para o Valete de Copas, o qual, em resposta, limitou-se a sorrir, fazendo uma reverência.
— Idiota! exclamou a Rainha. E dirigindo-se a Alice indagou: — Como se chama?
— Saiba Vossa Majestade que meu nome é Alice, respondeu a menina delicadamente. E pensou consigo: “Nada tenho a recear, porque tôda esta gente não passa de baralho de cartas com pernas, braços e cabeças.”
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— E quem são êstes figurões? perguntou a Rainha apontando para os três jardineiros. Como estivessem deitados de costas para cima, e as costas das cartas de baralho são tôdas iguais, não podia saber se os jardineiros eram reis ou valetes.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|94|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Como posso saber se não sou daqui? respondeu Alice, admirada da sua própria coragem. Não é da minha conta.
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A Rainha ficou vermelha e depois de olhá-la por algum tempo exclamou, num acesso de cólera: — Cortem-lhe a cabeça!
— Não seja tôla! gritou a corajosa menina, deixando a Rainha estupefata. Nisto o Rei pôs a mão no ombro da grande dama e observou calmamente:
— Não faça caso, Rainha. Trata-se duma simples garôta — mas a Rainha deu-lhe um safanão e ordenou ao Valete:
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O LEÃO E O UNICÓRNIO|87}}</noinclude>— Sim, encontrei, respondeu Alice. Alguns milhares, creio.
— Quatro mil duzentos e sete, é êste o número exato. declarou o Rei lendo no livrinho a nota a respeito.
[[File:Heaps_of_men.jpg|centro|300px]]
Não pude mandar todos os cavalos porque dois dêles são necessários ao jogo do xadrez, como você sabe. Também não mandei os dois Mensageiros, porque tinham ido à cidade. Espie a estrada e diga-me se avista algum dêles.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|95}}</noinclude>— Vire-os para cima! o que o Valete fêz com a ponta do pé.
— Levantem-se! bradou a Rainha.
Os três jardineiros levantaram-se e começaram a fazer humildes reverências ao Rei, à Rainha, aos fidalgos e a todos mais.
— Parem com isso! ordenou a Rainha. Que estavam fazendo aqui?
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— Saiba Vossa Majestade, começou a responder o Dois, ajoelhando-se para falar, que estávamos...
— Estou vendo! gritou a Rainha de olhos postos na roseira. E voltando-se para os soldados: — Cortem-lhes a cabeça! ordenou.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|96|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>Em seguida o cortejo moveu-se para frente, ficando ali os soldados incumbidos de executar a real sentença. Os pobres jardineiros correram para Alice, pedindo-lhe socorro. A menina apiedou-se e resolveu de{{PT||fendê-los. Agarrou-os e escondeu-os num vaso de flôres que havia perto. Os soldados procuraram-nos em vão e por fim lá se foram, muito sossegados da vida.}}
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{{PT|fendê-los. Agarrou-os e escondeu-os num vaso de flôres que havia perto. Os soldados procuraram-nos em vão e por fim lá se foram, muito sossegados da vida.}}
— Cortaram as cabeças daqueles patifes? indagou a Rainha logo que os soldados se reuniram ao cortejo.
— Saiba Vossa Majestade que as cabeças dêles lá se foram! responderam todos a um tempo.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|97}}</noinclude>— Muito bem! exclamou a Rainha satisfeita. E, voltando-se para Alice, gritou de longe: — Sabe jogar ''croquet!''
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— Sim, respondeu Alice sem hesitar.
— Então venha! ordenou a grande dama.
Alice correu a acompanhar o cortejo, muito curiosa do que iria acontecer.
— Que lindo dia! exclamou uma voz a seu lado.
Era o Coelho Branco.
— Lindo, realmente, concordou a menina. Onde está a Duquesa?
O Coelho Branco ergueu-se na ponta dos pés e disse-lhe ao ouvido:
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|98|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Foi condenada à morte!
— Por quê?
— Está com pena dela?
— Nenhuma. Estou apenas curiosa de saber a causa da sua condenação.
— Ela deu um sopapo na cara da Rainha... começou o Coelho a contar, mas teve de interromper a {{PT||narrativa, tal o acesso de riso que atacou Alice. O Coelho ficou receoso de que a Rainha percebesse o assunto da conversa e afastou-se disfarçadamente.}}
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{{PT|narrativa, tal o acesso de riso que atacou Alice. O Coelho ficou receoso de que a Rainha percebesse o assunto da conversa e afastou-se disfarçadamente.}}
Tinham chegado ao campo de ''croquet''.
— Coloquem-se todos nos seus lugares! ordenou a Rainha com voz de trovão.
Os jogadores obedeceram. Correram em tôdas as direções, tropeçando uns sobre os outros e por fim colocaram-se cada qual no seu lugar. Ia começar a partida.
Alice jamais vira um campo de ''croquet'' como aquêle, cheio de altos e baixos. As bolas eram ouriços vivos e os arcos eram formados pelos soldados, dobrados pelo meio do corpo, com as mãos e os pés enterrados no solo.
Os jogadores jogavam todos ao mesmo tempo e não paravam de discutir um só instante. De minuto em minuto a Rainha irritava-se e, batendo o pé com fúria, ordenava: — Cortem-lhe a cabeça!
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|99}}</noinclude>Alice começou a ficar inquieta, porque embora ainda não tivesse brigado com a Rainha, via que isso podia acontecer dum instante para outro e — “Que será de mim então? A moda é cortar a cabeça por qualquer coisa, e andam tanto na moda, que já não há cabeças em cima dos pescoços.”
Pôs-se a procurar o jeito de escapar dali sem dar na vista. Súbito notou alguma coisa estranha no ar {{PT||Prestando maior atenção, percebeu o que era. “O Gato Careteiro!” exclamou.”Tenho agora com quem conversar um bocado.”}}
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{{PT|Prestando maior atenção, percebeu o que era. “O Gato Careteiro!” exclamou.”Tenho agora com quem conversar um bocado.”}}
— Como vai, menina? disse-lhe o Gato, parando de fazer caretas.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O LEÃO E O UNICÓRNIO|93}}</noinclude>Por um minuto ou dois Alice permaneceu em silêncio; súbito deu um pinote. — Olhe! Olhe! exclamou apontando. — Lá vem a Rainha Branca a correr! Vem voando, quase! Como estas Rainhas sabem andar depressa!
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— Algum inimigo corre atrás dela, explicou o Rei sem sequer erguer os olhos na direção apontada. A floresta está cheia de inimigos.
— Mas, observou Alice muito admirada, não vai Vossa Majestade correr em defesa da Rainha?
— Inútil, inútil, respondeu o Rei. Ela sabe correr à tôda. Não obstante, lançarei no meu caderninho uma nota a respeito disso, se você quer. A Rainha é uma boa criatura, disse êle como para si próprio, enquanto abria<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|101}}</noinclude>— Já li num livro, lembrou Alice, que só um gato pode olhar firme para um rei.
— Pode ser que sim, advertiu o Rei, mas vou já mandar botar êsse gato daqui para fora. E chamou a Rainha, que ia passando.
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— Minha cara, desejo que mandes dar cabo dêste gato.
A Rainha resolvia tôdas as situações sempre do mesmo modo — “Corte a cabeça!” Por isso limitou-se a gritar: — Cortem-lhe a cabeça!
— Eu mesmo vou buscar o carrasco, disse o Rei, afastando-se.
Enquanto isso, o jôgo continuava, sempre na maior confusão. A Rainha já mandara decapitar metade dos<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O CAMPO DE ''CROQUET'' DA RAINHA|103}}</noinclude>sigo a Duquesa, já não restava do gato nem sombra. Rei, Rainha e mais membros da Côrte procuraram-no por tôda parte, furiosos por terem sido logrados de tão estranha maneira. Depois voltaram ao jôgo.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|98|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>ouvidos e acabaram por ensurdecê-la de todo. Apavorada, Alice saltou o regato de um pulo.
{{dhr|3}}
{{***}}
{{dhr|3}}
Lá do outro lado percebeu que o Leão e o Unicórnio se levantavam, furiosos de terem sido atrapalhados em sua festa. O barulho dos tambores crescia. Alice tapou os ouvidos com quanta força pôde, pensando consigo:
— Se êste barulho não os lança fora da cidade, então nada no mundo o fará...
{{dhr|3}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''A HISTÓRIA DA TARTARUGA FALSA'''|CAPÍTULO IX}}
{{capitular|— V}}{{smaller|OCÊ NÃO}} pode imaginar como estou contente por vê-la de novo, minha querida! disse a Duquesa tomando afetuosamente Alice pelo braço.
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Satisfeita com a disposição de espírito da grande dama, Alice imaginou que talvez fôsse a pimenta em<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A HISTÓRIA DA TARTARUGA FALSA|105}}</noinclude>pó, que pairava no ar da cozinha, o que a tornara tão selvagem e bruta naquele dia.
— Quando eu fôr duquesa, não terei pimenta na cozinha, pensou consigo. Talvez seja a pimenta que botam na comida o que deixa a gente tão esquentada, e o vinagre seja o que deixa a gente azêda, e o açúcar seja o que deixa a gente amável. Ah, se todos soubessem disso...
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— Está pensando nalguma coisa muito interessante! exclamou a Duquesa.
— Como sabe? perguntou Alice.
— Porque está calada e absorvida, respondeu a Du-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|106|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>quesa achegando-se ainda mais. Alice nada gostou daquilo, primeiro porque a grande dama era horrivelmente feia, e segundo, porque sua cabeça lhe dava pelos ombros e, como tivesse cabelos horrivelmente espetados, não era agradável o contacto. Como, porém, não quisesse ser grosseira, tudo suportou de cara alegre e continuou na conversa.
— Estão jogando o ''croquet'' muito melhor agora, disse:
— A moral do fato é que é o amor que faz o mundo girar, observou a Duquesa.
Querendo mostrar sabedoria, Alice replicou:
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— Assim é, porque cada qual só cuida dos seus próprios interêsses.
— Realmente! concordou a dama, batendo com o queixo pontudo no ombro da menina. E acrescentou,<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||“É INVENÇÃO MINHA”|101}}</noinclude>E como se comportam bem os cavalos, imóveis em seus lugares, como se fôssem tabuleiros de xadrez!...
Outra Regra de Batalha que Alice não percebeu era que êles sempre caíam de ponta cabeça, e que a luta {{PT||terminaria quando ambos assim caíssem ao mesmo tempo, um ao lado do outro. Logo que isso aconteceu, ergueram-se os dois, apertaram-se as mãos e o Cavaleiro Negro, montando de novo, partiu no galope.}}
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{{PT|terminaria quando ambos assim caíssem ao mesmo tempo, um ao lado do outro. Logo que isso aconteceu, ergueram-se os dois, apertaram-se as mãos e o Cavaleiro Negro, montando de novo, partiu no galope.}}
— Foi uma vitória gloriosa, não acha? murmurou o Cavaleiro Branco ainda sem fôlego, dirigindo-se para ela.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A HISTÓRIA DA TARTARUGA FALSA|107}}</noinclude>muito fora de propósito: — Livra-me dos ares que te livrarei dos males.
— Como gosta de se mostrar sabida! pensou Alice consigo.
— Pensando de novo? observou a Duquesa.
— Penso porque quero. Creio que tenho o direito de pensar, respondeu a menina já meio aborrecida.
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— Você tem o direito de pensar como os porcos têm o direito de voar. É a mo... disse a Duquesa, interrompendo-se na palavra "moral."
Alice estranhou a interrupção e notou que o braço da grande dama começava a tremer. Erguendo os olhos<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|108|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>compreendeu a causa. Era a Rainha que vinha chegando de braços cruzados e carrancuda.
— Que lindo dia, Majestade! exclamou a Duquesa em voz amável, mas débil, para agradar à Rainha. Esta, porém, não se deixou amolecer e disse, batendo o pé:
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— Vou dar-lhe um bom conselho, Duquesa. Ou você some-se já daqui, ou a sua cabeça voa do pescoço. Escolha!
Está claro que a grande dama preferiu conservar a cabeça no pescoço e safar-se.
— Vamos continuar o nosso jôgo, disse então a Rainha à Alice.
Tão assustada estava esta com aquêles modos despóticos, que nada replicou e seguiu-a qual sombra.
Os demais convidados haviam aproveitado o afastamento da Rainha para um breve repouso debaixo das árvores; mas, apenas viram-na de volta, correram pressurosos, certes de que qualquer demora lhes custaria a cabeça fora do pescoço.
O jogo retomou seu curso. Durante todo o tempo não cessava a Rainha de discutir e zangar-se, terminando sempre com o inevitável e terrível: “Cortem-lhe a<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|110|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— A quem é que você chama pândega? interrogou Alice.
— Ela, quem mais? Está sempre a ameaçar de morte céus e terras e no entanto aqui não se mata ninguém. Venha comigo.
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— Tôda a gente por aqui gosta de dizer “Venha!” Nunca fui tão mandada em tôda a minha vida... pensou Alice.
Não longe dali descobriram a Tartaruga Falsa, que estava sentada numa pedra, sòzinha e muito triste. Alice reparou que a tartaruga suspirava tão profundamente que o coração parecia saltar-lhe fora do peito. Teve dó da infeliz e perguntou ao Grifo: — Que é que ela tem?<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|112|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Por que é que lhe chamavam assim, se não era êsse o seu verdadeiro nome? interpelou Alice.
— Davamos-lhe êsse nome por ser a nossa mestra e por ser muito grande, respondeu a contadeira com cara aborrecida. Que pergunta tôla!
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— Sim, observou o Grifo. Acho que é bobagem fazer perguntas como essa, e tanto êle como a Tartaruga se calaram, de olhos postos na menina.
— Continue, melindrosa! replicou Alice com ironia. Se não, ficaremos aqui o dia inteiro.
A tartaruga prosseguiu:
— Íamos à escola do mar, por mais que você custe a crer no que digo.
— Eu não disse que não acreditava! interrompeu a menina.
— Não disse mas pensou, redarguiu a Tartaruga.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||"É INVENÇÃO MINHA"|105}}</noinclude>Alice parece que não gostou da idéia, nem quis experimentá-la. Calou-se e foi caminhando ao lado dêle em silêncio. De quando em quando parava para arrumar o Cavaleiro na sela, visto como era um péssimo cavaleiro.
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Sempre que o cavalo parava (e parava cada passinho) êle afocinhava para a frente, e sempre que o cavalo se punha outra vez em marcha êle pendia para trás. Além disso costumava cair de lado, e muitas vêzes do lado da menina, que para evitar ser machucada nunca se aproximava do cavalo.
— Parece-me que você não tem muita prática de andar a cavalo, disse ela numa das ocasiões em que o arrumou na sela.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|108|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>— Não ainda, respondeu o cavaleiro gravemente, e por isso nada posso afirmar com segurança. Receio mesmo que seja um tanto difícil.
O pobre Cavaleiro pareceu tão vexado com a idéia de que sua invenção não valia grande coisa que de {{PT||dó dêle Alice mudou de assunto. — Que lindo elmo você tem! exclamou ela de súbito. — É invenção sua?}}
[[File:Alice_1.jpg|centro|300px]]
{{PT|dó dêle Alice mudou de assunto. — Que lindo elmo você tem! exclamou ela de súbito. — É invenção sua?}}
O Cavaleiro olhou com orgulho para o elmo que pendia do arção da sela. — Sim, respondeu, mas já inventei coisa melhor, em forma de canudo. Quando eu caía êsse elmo tocava o chão antes da minha cabeça, de modo que a queda ficava menor. O perigo era ficar entalado dentro dêle, o que me aconteceu uma vez. O meu rival, vendo o elmo no chão, pensou que estivesse vazio e o pôs em sua cabeça, comigo dentro.
O Cavaleiro falava com tamanha seriedade que Alice não se animou a rir.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|110|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>— Comprida, sim, mas lindíssima. Quem a ouve não deixa de chorar ou de rir, à vontade.
Assim dizendo deteve o cavalo e largou as rédeas. Depois, marcando o compasso com uma das mãos e sor{{PT||rindo como se estivesse antegozando a sua própria música, deu comêço à cantoria.}}
[[File:Knight2.jpg|centro|300px]]
{{PT|rindo como se estivesse antegozando a sua própria música, deu comêço à cantoria.}}
De tôdas as estranhas coisas que Alice viu naquele dia, através do Espelho, foi essa cena a que melhor se gravou em sua memória. Anos mais tarde ainda se recordava de tudo perfeitamente: dos bondosos olhos azuis do Cavaleiro, do sol no poente a iluminar o seu cabelo e a brilhar em sua armadura, do cavalo pastando em sossêgo com as rédeas pendentes do pescoço. Ao longe, as sombras da floresta espêssa. Tudo isto ficou como<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|112|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>E pulou o riozinho. Caiu do outro lado sôbre uma relva macia.
— Oh, como estou contente de haver chegado! Mas... que é isto em minha cabeça? exclamou, sentindo {{PT||que qualquer coisa havia caído do céu sôbre sua cabeça e nela se enterrara firme. Qualquer coisa dura e pesada... Alice tirou-a com esforço e viu...}}
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{{PT|que qualquer coisa havia caído do céu sôbre sua cabeça e nela se enterrara firme. Qualquer coisa dura e pesada... Alice tirou-a com esforço e viu...}}
Era uma coroa de ouro!
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|116|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Duas filas! emendou a Tartaruga. Uma de focas, outra de tartarugas. Isso depois de limpar-se a praia das águas-vivas, ou peixes gelatinosos.
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— O que dá muito trabalho, porque são difíceis de ser pegados. Depois cada um dá um passo à frente, tendo uma lagosta como par, ajuntou o Grifo.
— Dois passos! emendou a Tartaruga. E cada um muda de lagosta, voltando todos para trás. Depois, sabe o que acontece? Atiram com...
— ... as lagostas para o mar! concluiu o Grifo.
— O mais longe que podem! acrescentou a Tartaruga.
— E nadam atrás delas! ajuntou o Grifo.
— E as lagostas voltam outra vez! gritou a Tartaruga. Voltam para a praia. Tudo isto não passa da primeira contradança, explicou ela baixando a voz, e como ambos estivessem a dar saltos para melhor mostrar como era a dança, parece que caíram em si e envergonharam-se, porque chegado a êsse ponto {{começo de palavra hifenizada|sentaram-|sentaram-se}}<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|118|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>— Está enganada quanto à farinha de biscoito. Os peixes não podem andar cobertos de farinha, porque a água os está lavando constantemente. Mas é verdade que têm o rabo na bôca, disse a Tartaruga.
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— Qual a razão disso?
— Em vez de responder, a Tartaruga bocejou e disse ao Grifo: “Conte!”
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{lsp||'''A RAINHA ALICE'''}}|{{lsp||CAPÍTULO IX}}}}
{{capitular|— Q}}{{smaller|UE BOM!}} Que bom! exclamou Alice. Não esperei ficar Rainha tão cedo! — E faço notar a Vossa Majestade! (acrescentou ralhando consigo mesma como era seu costume) que não é próprio de rainha isso de sentar-se na grama.
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Levantou-se e pôs-se a caminhar, muito tesinha a princípio, de mêdo que a coroa caísse, mas logo ficou à vontade, vendo que não havia ninguém a observá-la. Sentou-se de novo, dizendo: — Saberei representar o meu papel, quando fôr necessário.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||A QUADRILHA DAS LAGOSTAS|121}}</noinclude>— Pare com isso duma vez! Está tão atrapalhada que já estou ficando com dor de cabeça.
Alice respirou, porque parar com aquilo era justamente o que ela queria. O Grifo, então, perguntou-lhe {{PT||se desejava vê-los ensaiar outra figura da Dança das Lagostas.}}
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{{PT|se desejava vê-los ensaiar outra figura da Dança das Lagostas.}}
— Não, respondeu Alice. Prefiro que a Tartaruga cante outra cantiga.
— Bem, disse o Grifo um tanto desnorteado. Gostos não se discutem. Cante a "Sopa de Tartaruga", minha cara amiga!
A Tartaruga Falsa suspirou profundamente e começou a cantar, soluçando de vez em quando:
<poem>
''Esperando os convidados na sua terrina, etc.''
''Bela sopa, gordurenta e cheirosa...''
</poem>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|124|{{sc|lewis carroll}}|}}</noinclude>Alice demorou o pensamento nessa idéia, sentindo-se orgulhosa de saber que coisa eram jurados. Poucas meninas da sua idade sabem o que significa isso — e ela sabia.
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Os jurados mostravam-se muito atarefados, escrevendo palavras e números nas pedras que tinham diante de si, sôbre a mesa.
— Que estão a escrever? perguntou ela ao Grifo em voz baixa, não podendo compreender que tivessem {{PT||o que escrever antes de começados os trabalhos do julgamento.}}
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{{PT|o que escrever antes de começados os trabalhos do julgamento.}}
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|126|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>bolos, em certo dia do mês corrente. O Valete de Copas entrou escondido na cozinha e comeu-os todos, mas todos, todos, sem deixar uma isca.”
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— Eis o crime, disse o Juiz. Vamos agora proceder ao julgamento.
— Ainda não, ainda não! apressou-se a gritar o Coelho Branco. Ainda há muito que fazer antes que os jurados possam deliberar.
— Chame então a primeira testemunha, ordenou o Juiz.
— O Coelho Branco tocou novamente o clarim e gritou:
— A primeira testemunha que se apresente!
Era o Chapeleiro. Apresentou-se com uma xícara<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||QUEM FURTOU OS BOLOS?|127}}</noinclude>de chá na mão esquerda e uma fatia de pão-de-ló na direita.
— Peço perdão a Vossa Majestade por apresentar-me assim, mas a explicação é que quando me chamaram para vir testemunhar eu não havia terminado de tomar {{PT||o meu chá, e não vejo razão nenhuma para interromper tão importante serviço.}}
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{{PT|o meu chá, e não vejo razão nenhuma para interromper tão importante serviço.}}
— Acho que já devia ter acabado de tomar êsse chá, disse o Rei. Quando foi que começou?
— Creio que no dia 1.º de abril, Majestade, respondeu êle.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|124|ALICE NO PAÍS DO ESPELHO|}}</noinclude>convidados, pois eu não saberia a quem dirigir os convites", pensou ela.
Havia três cadeiras no tôpo da mesa, duas ocupadas pelas Rainhas e a do meio vazia. Alice ocupou-a, um tanto incomodada com o silêncio reinante e ansiosa por que o rompessem. Quem o fêz foi a Rainha Negra.
[[File:Leg_of_mutton.jpg|centro|200px]]
— Você perdeu a sopa e o peixe, disse ela. Tragam o assado! ordenou em seguida aos garçons, que imediatamente puseram diante de Alice uma perna de carneiro. A menina ficou tonta, não sabendo como servir-se.
— Está acanhada? disse a Rainha Negra. Deixe-me apresentá-la a esta perna de carneiro. Alice... Sr. Carneiro. Sr. Carneiro... Alice.
A perna de carneiro ergueu-se no prato e fêz um<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||QUEM FURTOU OS BOLOS?|129}}</noinclude>Nisto Alice sentiu que estava a crescer novamente, e tanto que teve vontade de sair correndo para o pátio. Pensando melhor, resolveu ficar na sala enquanto coubesse nela. A seu lado estava o Rato do Campo, que principiou a ser espremido pela menina.
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— Não me empurre! Você assim me sufoca, disse êle.
— Não é culpa minha, respondeu Alice. É culpa do meu crescimento.
— Pois aqui ninguém tem o direito de ir crescendo assim. Incomoda aos demais, protestou o Rato.
— Não seja tolo! retrucou Alice. Você está a fazer o mesmo.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||QUEM FURTOU OS BOLOS?|131}}</noinclude>— Se não foi ela, continuou êste, então foi o Rato do Campo que disse! continuou o acusado, olhando ansioso para o Rato com mêdo de que êle também negasse. Mas o rato, que dormia a bom dormir, nada negou.
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— Depois, prosseguiu o Chapeleiro, cortei mais pão-de-ló, e...
— Mas que foi que disse o Rato do Campo? perguntou um dos jurados.
— Não me lembro mais, respondeu o Chapeleiro. Faz tanto tempo...
— Pois, você tem de lembrar-se, se não morrerá esfolado vivo! berrou o Rei furioso.
— Sou um pobre coitado, Real Senhor! exclamou novamente o mísero.
— Malandro de marca maior é o que você é, seu grande patife! concluiu o Rei.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||QUEM FURTOU OS BOLOS?|133}}</noinclude>quilômetro de distância, correndo mais veloz que dois veados.
A segunda testemunha chamada foi a cozinheira da Duquesa. Trazia um pacote de pimenta na mão, e antes {{PT||que se colocasse no tablado, onde as testemunhas vinham depor, já os assistentes mais próximos começaram a espirrar que não se acabava mais.}}
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{{PT|que se colocasse no tablado, onde as testemunhas vinham depor, já os assistentes mais próximos começaram a espirrar que não se acabava mais.}}
— Preste o seu depoimento! disse o Rei.
— Não posso ! respondeu a cozinheira.
O Rei olhou de revés para o Coelho Branco, que o aconselhou em voz baixa: "Vossa Majestade deve fazer outras perguntas a esta senhora."
— Muito bem, exclamou o Rei em tom melancólico. Se devo, devo. E, chegando-se bem perto da testemunha, perguntou:
— Como é que se faz bôlo de frigideira?
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|136|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>a sua emoção. Estava de bôca aberta, com os olhos fitos no fôrro.
— Que sabe você a respeito dêste caso? perguntou o Rei afinal.
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— Eu? Nada!
— Nada, nada mesmo? insistiu o Rei.
— Nadíssima mesmíssimo! continuou a menina.
— Êste depoimento é muito importante, disse o Rei aos jurados, que imediatamente escreveram nas pedras as reais palavras. Mas o rei distraiu-se com a palavra “importante” e começou a repetir de si para si, em voz alta: “importante, sem importância, importante, sem importância...” e os jurados escreveram as<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho||O DEPOIMENTO DE ALICE|137}}</noinclude>duas coisas, o que era um absurdo. Alice viu o êrro, mas refletiu que no fim tudo dava certo.
Nesse momento o Rei, que também escrevera qualquer coisa no seu livro de notas, exclamou: "Silêncio!" Em seguida passou a ler.
— Diz o artigo 42: ''Tôdas as pessoas cujo tamanho exceda de um quilômetro, são obrigadas a deixar o recinto do tribunal.''
A assistência inteira olhou para Alice.
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— Que é que querem de mim? gritou ela. Eu não tenho um quilômetro de altura.
— Tem! afirmou o Rei.
— Tem até dois! ajuntou a Rainha.
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|140|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>mos de ouvir ler.” Mas nenhum tentou explicar o que significava o papel.
— Se não há a menor parcela de prova na poesia, observou o Rei, isso nos evita o trabalho de procurá-la.
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Ainda assim, não sei... disse, colocando o papel sôbre os joelhos. Parece-me que há alguma evidência... Pichocarra... Você pichocarra?
O Valete de Copas abanou tristemente a cabeça e respondeu: “Quem me dera pichocarrar!”
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|142|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>recimento. Era uma chuva de naipes, de ases, de valetes, de reis, de damas, de setes, de biscas, de coringas que não tinha mais fim. Tantos e tantos naipes, que Alice se sentiu sufocada e... abriu os olhos. Viu-se en{{PT||tão no jardim do comêço desta história, deitada no banco, com a cabeça nos joelhos de sua irmã, que lhe passava carinhosamente a mão sôbre a cabecinha loura.}}
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{{PT|tão no jardim do comêço desta história, deitada no banco, com a cabeça nos joelhos de sua irmã, que lhe passava carinhosamente a mão sôbre a cabecinha loura.}}
— Acorde duma vez, Alicinha! Você está dormindo demais hoje.
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{cabeçalho|142|LEWIS CARROLL|}}</noinclude>recimento. Era uma chuva de naipes, de ases, de valetes, de reis, de damas, de setes, de biscas, de coringas que não tinha mais fim. Tantos e tantos naipes, que Alice se sentiu sufocada e... abriu os olhos. Viu-se en{{PT||tão no jardim do comêço desta história, deitada no banco, com a cabeça nos joelhos de sua irmã, que lhe passava carinhosamente a mão sôbre a cabecinha loura.}}
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Galeria:Hystoria de Menina e Moça.pdf
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text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=Hystoria de Menina e Moça, por Bernardim Rybeiro agora de novo estampada e com summa deligencia emendada
|Subtítulo=''E aßi algumas Eglogas ſuas com o mais que na pagina ſeguinte ſe uera''
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Bernardim Ribeiro|Bernardim Ribeiro]]
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[[Categoria:Bernardim Ribeiro]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|246|{{sc|o caixeiro da taverna}}}}</noinclude>{{sc|angelica}}. — E um desaforo!…
{{sc|manoel}}. — Se não fosse o respeito que tenho a esta casa, tinha-lhe atirado com aquella pipa á cabeça!
{{sc|angelica}}. — Soldado de tarimba…
{{sc|manoel}}. — Case lá a irmã com quem quizer…
{{sc|angelica}}. — Mas tu te sorprendeste quando elle disse que a ia casar com o alteres?…
{{sc|manoel}}. — Foi sorpresa de compaixão… Quem póde ver de sangue frio entregar uma pobre menina daquellas a um extravagante como é o alferes?…
{{sc|angelica}}. — E’ extravagante?
{{sc|manoel}}. — Chi!… como não faz idéa!… já foi coronel, e, por causa da sua má cabeça, tem descido de postos… breve estará soldado raso… mas deixal-o…
{{sc|angelica}}. — Assim o querem, assim o tenham… Tratemos de nós…
{{sc|manoel}}, ''á parte''. — Ai!
{{sc|angelica}}. — Manoel, estou resolvida a dar sociedade n’esta minha venda a certa pessoa…
{{sc|manoel}}, ''á parte''. — Meu Deus!…
{{sc|angelica}}. — Uma mulher, por si só, pouco representa… Que dizes do meu projecto?
{{sc|manoel}}. — Que só me resta sahir desta casa.
{{sc|angelica}}. — Sahir de minha casa!…
{{sc|manoel}}. — Emquanto é della unica senhora, sirvo com prazer, mas quando tiver um sócio, um homem estranho, não posso, não devo…
{{sc|angelica}}, ''sorrindo-se''. — Não sejas tão precipitado… espera um instante… vou lá dentro escrever um papel… não te digo mais nada… verás… Espera, Manoelinho, espera, verás… (''Sae.'')
{{dhr}}
{{c|{{x-larger|SCENA VIII}}}}
{{c|MANOEL, depois DEOLINDA.}}
{{sc|manoel}}, ''só''. — Será possivel?!… ouviram bem os meus ouvidos as suas palavras?… Espera, Manoelinho, espera… e verás!… Oh! dita! oh! fortuna!… serei {{hífen|so|socio!…}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>em dois minutos, com um bocado de macella
e uma agulha.
— Anastacia !... exclamou o medico
escandalizado. Alguma curandeira ! Macella !... Uma mézinha vulgar! Oh santa ignorancia ! Admira-me ver uma princeza tão
importante desprezar assim a sciencia dos
Sacerdotes de Hippocrates para entregar a
Condessa aos cuidados de uma preta !...
— Eʼ que não quero que aconteça com
ella, replicou Narizinho, o mesmo que aconteceu com os bagres, que o doutor alinhavou, á força de purgantes e suadouros...
{{Imagem float-p
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}}
O doutor Caramujo
tossiu, disfarçou e... sumiu-se.
Nisto, um zangão appareceu, dizendo:
— Aqui no palacio
não ha muletas, mas ahi na rua costuma
andar um besouro mendigo que possue duas.
Vou ver si o encontro.
Encontrou-o, logo adeante, pedindo esmolas, de chapéo na mão, numa esquina. Narizinho foi ter com elle, e já ia pondo no<noinclude>{{c|☉{{gap}}151{{gap}}☉}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>seu chapéo um pedacinho de bolo quando
o mendigo lhe disse:
— Não me conhece mais ?
A menina encarou-o bem:
— Estou te reconhecendo, sim ! Não és
aquelle da beira do rio, que me arrancou um
feixinho de sobrancelhas ?
— Isso mesmo ! confirmou o besouro.
Por signal que por causa dʼaquelle espirro
cahi de máo geito e fiquei assim, aleijado para o resto da vida.
Narizinho condoeu-se da sua desgraça
e pôl-o no bolso, dizendo:
— Fica quietinho ahi, e vae comendo
um bolo, que te levarei para casa e lá arrumarei a tua vida de modo a não precisares
viver de esmolas.
Depois, tomando-lhe as muletas, deu-as
á Emilia:
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}}
— Arruma-te nisso, perna secca, e vamos entrar que são
horas.
Um zangão deu-lhe o braço e Lucia, muito lampeira, subiu as escadarias. A-<noinclude>{{c|☉{{gap}}152{{gap}}☉}}</noinclude>
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o mendigo lhe disse:
— Não me conhece mais ?
A menina encarou-o bem:
— Estou te reconhecendo, sim ! Não és
aquelle da beira do rio, que me arrancou um
feixinho de sobrancelhas ?
— Isso mesmo ! confirmou o besouro.
Por signal que por causa dʼaquelle espirro
cahi de máo geito e fiquei assim, aleijado para o resto da vida.
Narizinho condoeu-se da sua desgraça
e pôl-o no bolso, dizendo:
— Fica quietinho ahi, e vae comendo
um bolo, que te levarei para casa e lá arrumarei a tua vida de modo a não precisares
viver de esmolas.
Depois, tomando-lhe as muletas, deu-as
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— Arruma-te nisso, perna secca, e vamos entrar que são
horas.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude><section begin="Cap. 4"/>trás vinha a boneca, balançando a perna vazia e fazendo ''tóc, tóc'' com as muletas do besouro.
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<section end="Cap. 4"/>
<section begin="Cap. 5"/>{{t2|SAUDADES}}
{{dhr|3}}
O palacio estava cheiinho de convidados,
não só do reino das Abelhas, como de outros
reinos vizinhos. Foi assim que a menina encontrou lá muitos conhecidos seus, do Reino
[[File:Narizinho Arrebitado (1° ed.) (page 157 crop).jpg|centro|400px]]
das Aguas Claras. Estava o kágado, a barata
invejosa, o maestro colleirinha e muitos outros. Narizinho sentiu saudades do reino
onde havia passado momentos tão delicio-<section end="Cap. 5"/><noinclude>{{c|☉{{gap}}153{{gap}}☉}}</noinclude>
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O palacio estava cheiinho de convidados,
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{PT|sos. Chamou para perto de si o kágado e
disse:}}
— Senhor Cascudo, que novas me dá
do Reino das Aguas Claras ? Como vae passando o principe ?
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|padt=2em
}}
O kágado fez cara
triste.
— O nosso bom
principe, depois que a
menina partiu, ficou
inconsolavel, e hoje
já não é o mesmo.
Está velho, com as escamas falhadas e os olhos mortos de tanto
chorar.
— Pobre principe ! suspirou Narizinho,
enxugando uma lagrima. Quer dizer que
continua solteiro ?!
— Pois decerto. Está solteiro e solteiro
ha de morrer. “Já que não pude casar com
a princeza Narizinho, diz elle sempre, não
me caso com mais ninguem”.
A menina enxugou outra lagrima; em
seguida perguntou:
— E o major Agarra ?
— O major Agarra casou-se com a filha<noinclude>{{c|☉{{gap}}154{{gap}}☉}}</noinclude>
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Narizinho Arrebitado (1ª edição)/Terceira parte/IV
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|190|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>rica, em que os contendores se buscam por entre as matas, se espreitam pelas abertas das çarças, e atiram um ao outro, no meio das devezas, como quem atira a um animal feroz.
Nʼesse momento é que ambos os adversarios devem ter inveja das maravilhosas qualidades que caracterisam os indios das planicies, da rapida intelligencia e da engenhosa astucia de que estes são dotados, do faro e da peculiar percepção dos rastos que os distinguem, quando seguem pela pista o inimigo. Em taes occasiões é que o menor erro, a menor hesitação, um passo só que seja, dado em falso, podem trazer por consequencia a morte. Em taes recontros levam por vezes os yankees de companhia os seus cães, e perseguem-se assim durante horas inteiras, desempenhando a um tempo os papeis de caça e caçador.
«Que diabo de gente são estes americanos! exclamou Miguel Ardan, depois que o companheiro acabou de lhe descrever com extrema energia todas aquellas scenas.
— Somos assim tal qual, respondeu com modestia J.-T. Maston; mas vamos apressando o passo.»
Entretanto por mais que Maston e Ardan corressem através da planicie, ainda humida do orvalho da noite, passando arrozaes e ribeiros, tomando sempre pelo caminho mais curto, não lograram chegar ao bosque de Skersnow, antes das cinco horas e meia. Barbicane já havia boa meia hora que devia ter-lhe passado a orla.
Trabalhava ali um velho ''bushman'', cuja occupação era desfazer em cavacos as arvores que derrubava com o machado.
Maston correu para elle a gritar:
«Vistes entrar na mata um homem armado de ''rifle'', Barbicane, o presidente... o meu melhor amigo?...»
O digno secretario do Gun-Club pensava ingenuamente que o seu presidente havia por força de ser conhecido do mundo inteiro. Mas o bushman não deu mostras de o comprehender.
«Um caçador, disse então Ardan.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||DA TERRA Á LUA|191|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Um caçador, sim vi, respondeu o ''bushman''.
— E ha muito?
— Ha de haver uma hora.
— Já é tarde! clamou Maston.
— E ouvistes tiros de espingarda? perguntou Miguel Ardan.
— Nada.
— Nem um só?
— Nem um. Não me parece que o tal caçador tenha feito lá muito grande caçada!
— Que se ha de fazer? disse Maston.
— É entrar na mata, mesmo correndo risco de apanhar algum balasio, que não nos fosse destinado.
— Ah! exclamou Maston com accentuação, de cuja franqueza não era permittido duvidar-se, antes eu queria apanhar dez balas na minha propria cabeça, de que acertasse uma só na de Barbicane.
— Então ávante!» replicou Ardan, apertando a mão do companheiro.
Segundos depois desappareciam os dois amigos na espessura da mata, que era formada de cyprestes-gigantes, sycomoros, tulipeiras, oliveiras, tamarindos, carvalheiras e magnolias. Entrelaçavam-se as ramadas dʼaquellas differentes arvores, em tão emmaranhada confusão, que não consentiam que a vista alcançasse muito ao longe. Miguel Ardan e Maston caminhavam um junto do outro, passando em silencio por entre as hervas altas, abrindo caminho por entre agudas silvas e vigorosas trepadeiras, inquirindo com o olhar as moitas ou as ramadas perdidas por entre a sombria espessura da folhagem, e esperando a cada instante ouvir a temivel detonação dos ''rifles''.
Rasto de Barbicane, na sua passagem através do bosque, é que não logravam reconhecer. Caminhavam ás cegas por aquellas veredas apenas pisadas, em que qualquer indio teria seguido passo por passo a marcha do adversario.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|192|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>Passada uma hora em pesquizas inuteis, fizeram alto os dois companheiros. Redobrára-lhes a inquietação de espirito.
«É porque está tudo acabado, disse Maston desanimado. Barbicane não era homem que jogasse astucias com o inimigo, nem que lhe armasse laços ou usasse de manobras! É franco e corajoso de mais para isso. Caminhou em frente, direito ao perigo, e por certo a tal distancia do ''bushman'' que o vento levou, sem que este a ouvisse, a detonação das armas de fogo!
— Mas nós! respondeu Miguel Ardan. Desde que entrámos no bosque não haviamos de ter ouvido alguma cousa!
— E se chegámos tarde! exclamou Maston com intonação de desespero.
— Miguel Ardan como não tinha replica que dar-lhe proseguiu com Maston na marcha interrompida.
De tempos a tempos davam grandes gritos: chamavam ora por Barbicane, ora por Nicholl; mas nenhum dos dois adversarios respondia ás vozes dʼelles. Apenas alegres bandos de aves, despertadas pelo ruido, desappareciam por entre as ramadas, ou algum gamo assustado fugia precipitado através da mata.
Por mais uma hora ainda se prolongaram as pesquizas. Já fôra explorada a maior parte da mata, e nada que revelasse a presença dos combatentes. Era caso para pôr em duvida as asserções do ''bushman'', e Ardan pensava já em desistir de continuar por mais tempo uma busca inutil, quando, de subito, Maston estacou.
— Chit! murmurou elle. Está acolá alguem!
— Alguem? respondeu Miguel Ardan.
— Sim! um homem! Parece estar immovel. Já não tem o ''rifle'' nas mãos. Que estará fazendo?
— Mas reconheces-lo? perguntou Ardan, a quem, myope como era, de pouco servia a vista em tal conjunctura.
— Sim! sim! Lá se volta, respondeu Maston.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|o caixeiro da taverna}}|245}}</noinclude>{{sc|angelica}}, ''a Quintino''. — Senhor!…
{{sc|quintino}}. — Barbaças?… eu te ensinarei…
{{sc|angelica}}. — Sr. sargento…
{{sc|quintino}}. — Deixe-me sangral-o…
{{sc|manoel}}, ''á parte''. — Quer fazer a irmã viuva…
{{sc|angelica}}, ''a Quintino''. — Tranquillise-se… embainhe essa espada…
{{sc|quintino}}, ''a Manoel.'' — Já eu te resava por alma… respeito as senhoras… é o que te salva!
{{sc|manoel}}, ''á parte''. — Bello cunhado!
{{sc|angelica}}. — O Sr. sargento póde ficar descançado… o Sr. Manoel, meu primeiro caixeiro, não é capaz de desinquietar sua irmã.
{{sc|manoel}}. — Que duvida!
{{sc|angelica}}. — Tem outras coisas em que cuidar…
{{sc|manoel}}. — Sim, tenho outras muitas coisas. (''Assim dizendo, péga na mão de Angelica, e beija-a.'')
{{sc|angelica}}. — Ah!… (''Pondo a mão sobre o coração.'')
{{sc|quintino}}. — Muito estimo, porque tenho cá certas vistas a seu respeito… quero casal-a…
{{sc|manoel}}, ''á parte''. — Casar minha mulher!
{{sc|quintino}}, ''continuando''. — Com o alferes da minha companhia…
{{sc|manoel}}. — Casal-a com o alferes?…
{{sc|quintino}}. — Sim, e tem que dizer?…
{{sc|manoel}}. — Casal-a!
{{sc|angelica}}. — Que tens tu com isso?…
{{sc|manoel}}, ''constrangendo-se''. — Nada, nada! (''A’ parte.'') E então!… (''Alto.'') Póde casal-a com quem quizer… (''A’ parte.'') O diabo é se ella se esquece de que está casada commigo!…
{{sc|quintino}}. — Meu menino, esta espada corta muito bem orelhas… e guarde-os Deus… (''Sae.'')
{{dhr}}
{{c|{{x-larger|SCENA VII}}}}
{{c|MANOEL {{sc|e}} ANGELICA.}}
{{sc|manoel}}. — Ora ahi está como se bota um homem a perder!… vem o diabo de um Ferrabraz destes provocal-o…
{{nop}}<noinclude>{{d|14.|4em}}</noinclude>
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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/288
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|<big>Índice</big>}} I PARTE: {{right|Pag.}} Dedicatória..........................................................13 À minha terra........................................................15 Ao Leitor............................................................17 Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21 » II - Orografia..............................................55 » III - Hidrografia......
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|<big>Índice</big>}}
I PARTE:
{{right|Pag.}}
Dedicatória..........................................................13
À minha terra........................................................15
Ao Leitor............................................................17
Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
» II - Orografia..............................................55
» III - Hidrografia............................................81
» IV - Miliários..............................................97
» V - Dólmens ou antas......................................109
» VI - Moedas romanas........................................121
» VII - Achado pré-histórico..................................127
» VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
» IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
» X - Implantação do sistema liberal........................151
» XI - O cisma religioso.....................................167
» XII - Criação da comarca....................................175
» XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
» XIV - Cadeia................................................205
» XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
» XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
» XVII - Indústria.............................................237
» XVIII - Instrução popular.....................................247
» XIX - Imprensa periódica....................................255
» XX - Viação................................................261
» XXI - Feiras e Mercados.....................................277
» XXII - Hospital e Misericórdia...............................283<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|<big>Índice</big>}}
I PARTE:
{{right|Pag.}}
Dedicatória..........................................................13
À minha terra........................................................15
Ao Leitor............................................................17
Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
» II - Orografia..............................................55
» III - Hidrografia............................................81
» IV - Miliários..............................................97
» V - Dólmens ou antas......................................109
» VI - Moedas romanas........................................121
» VII - Achado pré-histórico..................................127
» VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
» IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
» X - Implantação do sistema liberal........................151
» XI - O cisma religioso.....................................167
» XII - Criação da comarca....................................175
» XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
» XIV - Cadeia................................................205
» XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
» XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
» XVII - Indústria.............................................237
» XVIII - Instrução popular.....................................247
» XIX - Imprensa periódica....................................255
» XX - Viação................................................261
» XXI - Feiras e Mercados.....................................277
» XXII - Hospital e Misericórdia...............................283<noinclude></noinclude>
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Ruiaraujo1972
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|<big>Índice</big>}}
I PARTE:
{{right|Pag.}}
* Dedicatória..........................................................13
* À minha terra........................................................15
Ao Leitor............................................................17
Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
» II - Orografia..............................................55
» III - Hidrografia............................................81
» IV - Miliários..............................................97
» V - Dólmens ou antas......................................109
» VI - Moedas romanas........................................121
» VII - Achado pré-histórico..................................127
» VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
» IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
» X - Implantação do sistema liberal........................151
» XI - O cisma religioso.....................................167
» XII - Criação da comarca....................................175
» XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
» XIV - Cadeia................................................205
» XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
» XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
» XVII - Indústria.............................................237
» XVIII - Instrução popular.....................................247
» XIX - Imprensa periódica....................................255
» XX - Viação................................................261
» XXI - Feiras e Mercados.....................................277
» XXII - Hospital e Misericórdia...............................283<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{c|<big>Índice</big>}}
I PARTE:
{{right|Pag.}}
* Dedicatória..........................................................13
* À minha terra........................................................15
* Ao Leitor............................................................17
* Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
* » II - Orografia..............................................55
* » III - Hidrografia............................................81
* » IV - Miliários..............................................97
* » V - Dólmens ou antas......................................109
* » VI - Moedas romanas........................................121
* » VII - Achado pré-histórico..................................127
* » VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
* » IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
* » X - Implantação do sistema liberal........................151
* » XI - O cisma religioso.....................................167
* » XII - Criação da comarca....................................175
* » XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
* » XIV - Cadeia................................................205
* » XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
* » XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
* » XVII - Indústria.............................................237
* » XVIII - Instrução popular.....................................247
* » XIX - Imprensa periódica....................................255
* » XX - Viação................................................261
* » XXI - Feiras e Mercados.....................................277
* » XXII - Hospital e Misericórdia...............................283<noinclude></noinclude>
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I PARTE:
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* Dedicatória.........................................................................13
* À minha terra........................................................15
* Ao Leitor............................................................17
* Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
* » II - Orografia..............................................55
* » III - Hidrografia............................................81
* » IV - Miliários..............................................97
* » V - Dólmens ou antas......................................109
* » VI - Moedas romanas........................................121
* » VII - Achado pré-histórico..................................127
* » VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
* » IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
* » X - Implantação do sistema liberal........................151
* » XI - O cisma religioso.....................................167
* » XII - Criação da comarca....................................175
* » XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
* » XIV - Cadeia................................................205
* » XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
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I PARTE:
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* Dedicatória.......................................................................................................................13
* À minha terra........................................................15
* Ao Leitor............................................................17
* Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
* » II - Orografia..............................................55
* » III - Hidrografia............................................81
* » IV - Miliários..............................................97
* » V - Dólmens ou antas......................................109
* » VI - Moedas romanas........................................121
* » VII - Achado pré-histórico..................................127
* » VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
* » IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
* » X - Implantação do sistema liberal........................151
* » XI - O cisma religioso.....................................167
* » XII - Criação da comarca....................................175
* » XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
* » XIV - Cadeia................................................205
* » XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
* » XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
* » XVII - Indústria.............................................237
* » XVIII - Instrução popular.....................................247
* » XIX - Imprensa periódica....................................255
* » XX - Viação................................................261
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I PARTE:
{{right|Pag.}}
* Dedicatória....................................................................................................................13
* À minha terra..........................................................................................................................15
* Ao Leitor............................................................17
* Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
* » II - Orografia..............................................55
* » III - Hidrografia............................................81
* » IV - Miliários..............................................97
* » V - Dólmens ou antas......................................109
* » VI - Moedas romanas........................................121
* » VII - Achado pré-histórico..................................127
* » VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
* » IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
* » X - Implantação do sistema liberal........................151
* » XI - O cisma religioso.....................................167
* » XII - Criação da comarca....................................175
* » XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
* » XIV - Cadeia................................................205
* » XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
* » XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
* » XVII - Indústria.............................................237
* » XVIII - Instrução popular.....................................247
* » XIX - Imprensa periódica....................................255
* » XX - Viação................................................261
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I PARTE:
{{right|Pag.}}
* Dedicatória....................................................................................................................13
* À minha terra.............................................................15
* Ao Leitor............................................................17
* Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
* » II - Orografia..............................................55
* » III - Hidrografia............................................81
* » IV - Miliários..............................................97
* » V - Dólmens ou antas......................................109
* » VI - Moedas romanas........................................121
* » VII - Achado pré-histórico..................................127
* » VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
* » IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
* » X - Implantação do sistema liberal........................151
* » XI - O cisma religioso.....................................167
* » XII - Criação da comarca....................................175
* » XIII - O novo tribunal e Paço do Concelho....................197
* » XIV - Cadeia................................................205
* » XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
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I PARTE:
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* Dedicatória...............................................................13
* À minha terra.............................................................15
* Ao Leitor............................................................17
* Capit. I - O concelho de Paredes de Coura.........................21
* » II - Orografia..............................................55
* » III - Hidrografia............................................81
* » IV - Miliários..............................................97
* » V - Dólmens ou antas......................................109
* » VI - Moedas romanas........................................121
* » VII - Achado pré-histórico..................................127
* » VIII - Castros, Cividades, Atalaias, Carritél, Fachos e Aras 131
* » IX - Antigo julgado de Frayão..............................139
* » X - Implantação do sistema liberal........................151
* » XI - O cisma religioso.....................................167
* » XII - Criação da comarca....................................175
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* » XIV - Cadeia................................................205
* » XV - Agricultura, sua forma e forragens....................209
* » XVI - Montados, sua arborização. Caça.......................229
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{right|Pag.}} * Capit. XXIII - Real Confraria do E. Santo...............................291 * » XXIV - Linguagem popular, vocabulário e locuções......................305 * » XXV - Galeria de courenses ilustres...................................335 * » XXVI - Cancioneiro regional...........................................361 '''II PARTE:''' {{c|'''FREGUESIAS'''}} * Agualonga...................369 * Bico........................378 *...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>{{right|Pag.}}
* Capit. XXIII - Real Confraria do E. Santo...............................291
* » XXIV - Linguagem popular, vocabulário e locuções......................305
* » XXV - Galeria de courenses ilustres...................................335
* » XXVI - Cancioneiro regional...........................................361
'''II PARTE:'''
{{c|'''FREGUESIAS'''}}
* Agualonga...................369
* Bico........................378
* Castanheira.................386
* Cristelo....................389
* Cossourado..................396
* Coura (S. Martinho de-).....404
* Cunha.......................407
* Ferreira....................423
* Formariz....................440
* Infesta.....................469
* Insalde.....................487
* Linhares....................497
* Mozelos.....................502
* Padornelo...................512
* Parada......................515
* Paredes.....................520
* Porreiras...................541
* Rezende.....................544
* Romarigäes..................546
* Rubiães.....................550
* Vascões.....................561
{{c|'''ADITAMENTO'''}}
{{c|---}}
{{c|'''CAPÍTULO II'''}}
A 10 de Agosto, deste ano (1910), por iniciativa duma comissão, composta da Câmara Municipal e dos munícipes srs. drs. Júlio C. Gomes Barbosa e Manuel J. da Cunha Brandão, Júlio de Lemos e Manuel Cândido G. Pereira, foi mandada colocar no frontispício da capela de Cerdeira uma lápide, de mármore, comemorativa dos combates da Travanca.
O acto revestiu uma solenidade e brilhantismo nunca visto neste concelho, fazendo-se representar o sr. ministro da Guerra pelo sr. Conselheiro J. de Sousa Tavares, chefe do seu gabinete, e o sr. Governador Civil pelo sr. Gaspar
Leite, 1.º oficial do Governo Civil de Viana do Castelo.
As Câmaras de Ponte do Lima e Arcos de Valdevez também se fizeram representar.
Assistiu uma força de caçadores n.º 7, com a respectiva bandeira e banda.
O vogal da comissão sr. Cunha Brandão escreveu uma memória, a propósito dos referidos combates, que tem sido muito encomiada e merecido rasgados elogios dos profissionais.
A inscrição é esta:
«AD PERPETUAM REI MEMORIAM<noinclude></noinclude>
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Página:No Alto Minho Paredes de Coura.pdf/290
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: «Colocou-se esta lápide, por subscrição, a 10 de Agosto de 1910. Esta capela, para cuja construção el-rei D. Afonso VI deu cem mil réis, comemora a vitória alcançada pelas nossas tropas sobre as castelhanas nos combates da Travanca a 9 e 10 de Agosto de 1662. Nestes combates entrou, como auxiliar, a gente do concelho, ao mando do sargento-mór António Pereira da Cunha, de Paredes.» O sr. dr. Bernardo Chouzal, ilustre filho desta loca...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>«Colocou-se esta lápide, por subscrição, a 10 de Agosto de 1910.
Esta capela, para cuja construção el-rei D. Afonso VI deu cem mil réis, comemora a vitória alcançada pelas nossas tropas sobre as castelhanas nos combates da Travanca a 9 e 10 de Agosto de 1662.
Nestes combates entrou, como auxiliar, a gente do concelho, ao mando do sargento-mór António Pereira da Cunha, de Paredes.»
O sr. dr. Bernardo Chouzal, ilustre filho desta localidade e cónego da Sé de Évora, proferiu uma alocução brilhantíssima, por ocasião do descerramento da lápide.
{{c|---}}
{{c|'''CAPÍTULO XVIII'''}}
Em 1909 o Governo forneceu algum mobiliário para três escolas deste concelho, creio que a instâncias do digno sub-inspector escolar.
Mas que mobiliário!
Além de pessimamente executado, é de madeira de pinho, e parte dele chegou aqui partido e inutilizado. Um dos actuais vereadores - o sr. Comendador Domingos Cunha, tendo conhecimento da penúria em que se encontram muitas escolas, ofereceu à Câmara Municipal o donativo de 200 000 réis para esta corporação o aplicar em mobiliário escolar.
Registo com prazer esta benemerência.
{{c|'''<big>Índice</big>''' das Principais Matérias}}
Abade Bento de Barbosa Soares
Clemente da Cunha
A
Miguel da Cunha Brandão Pereira
Simão António Barbosa
Abusos gentilicos
Aclamação da Rainha
Adães Bermudes
Adubos
Advogados
Aedicula
Afluentes do rio Coura
Aginha
Agricultura
Águas de Coura
Águas ferruginosas
Agualonga
Alamos
Alberto Gomes Barbosa
Alfaias agricolas
Algebrista
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Alpendre antigo
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<noinclude><pagequality level="1" user="Ruiaraujo1972" /></noinclude>«Colocou-se esta lápide, por subscrição, a 10 de Agosto de 1910.
Esta capela, para cuja construção el-rei D. Afonso VI deu cem mil réis, comemora a vitória alcançada pelas nossas tropas sobre as castelhanas nos combates da Travanca a 9 e 10 de Agosto de 1662.
Nestes combates entrou, como auxiliar, a gente do concelho, ao mando do sargento-mór António Pereira da Cunha, de Paredes.»
O sr. dr. Bernardo Chouzal, ilustre filho desta localidade e cónego da Sé de Évora, proferiu uma alocução brilhantíssima, por ocasião do descerramento da lápide.
{{c|---}}
{{c|'''CAPÍTULO XVIII'''}}
Em 1909 o Governo forneceu algum mobiliário para três escolas deste concelho, creio que a instâncias do digno sub-inspector escolar.
Mas que mobiliário!
Além de pessimamente executado, é de madeira de pinho, e parte dele chegou aqui partido e inutilizado. Um dos actuais vereadores - o sr. Comendador Domingos Cunha, tendo conhecimento da penúria em que se encontram muitas escolas, ofereceu à Câmara Municipal o donativo de 200 000 réis para esta corporação o aplicar em mobiliário escolar.
Registo com prazer esta benemerência.
{{c|'''<big>Índice</big>'''}}
{{c|'''das'''}}
{{c|'''Principais Matérias'''}}
Abade Bento de Barbosa Soares
Clemente da Cunha
A
Miguel da Cunha Brandão Pereira
Simão António Barbosa
Abusos gentilicos
Aclamação da Rainha
Adães Bermudes
Adubos
Advogados
Aedicula
Afluentes do rio Coura
Aginha
Agricultura
Águas de Coura
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Agualonga
Alamos
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Esta capela, para cuja construção el-rei D. Afonso VI deu cem mil réis, comemora a vitória alcançada pelas nossas tropas sobre as castelhanas nos combates da Travanca a 9 e 10 de Agosto de 1662.
Nestes combates entrou, como auxiliar, a gente do concelho, ao mando do sargento-mór António Pereira da Cunha, de Paredes.»
O sr. dr. Bernardo Chouzal, ilustre filho desta localidade e cónego da Sé de Évora, proferiu uma alocução brilhantíssima, por ocasião do descerramento da lápide.
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{{c|'''CAPÍTULO XVIII'''}}
Em 1909 o Governo forneceu algum mobiliário para três escolas deste concelho, creio que a instâncias do digno sub-inspector escolar.
Mas que mobiliário!
Além de pessimamente executado, é de madeira de pinho, e parte dele chegou aqui partido e inutilizado. Um dos actuais vereadores - o sr. Comendador Domingos Cunha, tendo conhecimento da penúria em que se encontram muitas escolas, ofereceu à Câmara Municipal o donativo de 200 000 réis para esta corporação o aplicar em mobiliário escolar.
Registo com prazer esta benemerência.
{{c|'''<big>Índice</big>'''}}
{{c|das}}
{{c|Principais Matérias}}
Abade Bento de Barbosa Soares
Clemente da Cunha
A
Miguel da Cunha Brandão Pereira
Simão António Barbosa
Abusos gentilicos
Aclamação da Rainha
Adães Bermudes
Adubos
Advogados
Aedicula
Afluentes do rio Coura
Aginha
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Águas de Coura
Águas ferruginosas
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|o caixeiro da taverna}}|253}}</noinclude>{{sc|francisco}}. — Então, Sra. Deolinda… que me diz a esta?… Deve-me estar agradecida… salvei seu marido…
{{sc|deolinda}}. — Que marido!… envergonha-se de ter-me por mulher…
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{{alinhamento deslocado|Os mesmos ANGELICA, seguida de MANOEL, que traz algumas garrafas; pára á porta vendo FRANCISCO abraçar DEOLINDA.|2em|-2em}}
{{sc|francisco}}. — Não se espante… Abrace-me, que ella nos vê.
{{sc|deolinda}}, ''vendo Manoel''. — Ah! pois bem, abracemo-nos… (''Abraçam-se.'') Assim me vingarei delle…
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|o caixeiro da taverna}}|247}}</noinclude>{{hífen-fim|cio!…|socio!…}} oh!… o prazer suffoca-me… d’aqui a uma hora já não serei caixeiro… vou andar de cabeça levantada, orgulhoso, ufano… Socio!… palavra magica! Ninguem, ninguem no mundo perturbará a minha felicidade…
{{sc|deolinda}}, ''entrando''. — Manoel?
{{sc|manoel}}. — Oh! que me havia esquecido de minha mulher…
{{sc|deolinda}}. — Ouve.
{{sc|manoel}}. — Vae-te embora.
{{sc|deolinda}}. — Hein?…
{{sc|manoel}}, ''empurrando-a''. — Vae-te embora, vae-te embora, diabo!
{{sc|deolinda}}. — Assim me recebes!… queres que me vá?
{{sc|manoel}}. — Sim… sim…
{{sc|deolinda}}. — Sabes que mais? isto assim não póde durar… é preciso que declares o nosso casamento…
{{sc|manoel}}, ''com cólera e fallando em voz baixa''. — Desgraçada! cala-te… cala-te…
{{sc|deolinda}}. — Se és meu marido…
{{sc|manoel}}, ''tapando-lhe a bocca com a mão''. — Cala-te, ou metto-te esta mão pela bocca dentro…
{{sc|deolinda}}, chorando alto. — Hi! hi! hi!
{{sc|manoel}}, ''raivoso e faltando entre os dentes''. — Olha que te mato!…
{{sc|deolinda}}. — Hi! hi! hi!
{{sc|manoel}}, ''na maior affiiçção''. — Se minha ama chega, {{corr|escou|estou}} arranjado!… (''Raivoso.'') Mulher!… (''Indo espiar á porta.'') Hoje me perco!… Ainda estará escrevendo?… (''Com ternura.'') Deolinda!
{{sc|deolinda}}. — Hi! hi! hi!
{{sc|manoel}}. — Deolinda, não chores, tem compaixão de teu marido, que tanto {{corr|de|te}} ama.
{{sc|deolinda}}. — Deixe-me!… hi! hi! hi!…
{{sc|manoel}}, ''á parte''. — Se a velha chega… (''Para Deolinda.'') Amanhã ou depois tudo declararei… mas hoje… oh!…
{{sc|deolinda}}. — E até lá, meu irmão estará me maltratando, e me atrapalhando para que eu me case com o alferes…
{{sc|manoel}}. — Mas tu não te casarás!…
{{sc|deolinda}}. — Quem sabe!…
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Menina e Moça (Bernardim Ribeiro)
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{cabeçalho para portais | notas = '''Menina e Moça''', também conhecida como '''Saudades''', é a primeira novela pastoril da Península Ibérica, escrita em português por {{A|Bernardim Ribeiro}}. {{smaller|''(Wikipédia)''}} }}{{TOC}} {{lista de versões}} * {{ano|1554}}: {{livro digitalizado|Hystoria de Menina e Moça (1554)|Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça}}, editada em Ferrara. {{smaller|(1ᵃ edição)}} * {{ano|1905}}: {{...
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| notas = '''Menina e Moça''', também conhecida como '''Saudades''', é a primeira novela pastoril da Península Ibérica, escrita em português por {{A|Bernardim Ribeiro}}. {{smaller|''(Wikipédia)''}}
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* {{ano|1554}}: {{livro digitalizado|Hystoria de Menina e Moça (1554)|Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça}}, editada em Ferrara. {{smaller|(1ᵃ edição)}}
* {{ano|1905}}: {{livro digitalizado|Saudades (1905)|Saudades (1905).pdf|Saudades}}, edição dirigida por {{A|Delfim Guimarães}}, ed. Guimarães & C.
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* {{ano|1554}}: {{livro digitalizado|Hystoria de Menina e Moça (1554)|Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça}}, editada em Ferrara. {{smaller|(1ᵃ edição)}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||Mentna e Moça.|ix}}</noinclude>pode ſe nã muy tarde dezer,filho.Ella(cuydando que perauentura ho nam queria dezer) Mas bẽ ſe vee niſſo,me diſſe,ſenhoꝛa que ſois doutra parte ⁊ nã ha muito q̃ eſtais neſta,pois dos deſaſtres que ſobꝛe eſte ribeiro acontecem vos eſpantais q̃ he hũa hyſtoꝛia muyto falada neſta terra toda ⁊ poꝛ aqui derradoꝛ,muyto ha que aconteceo; lẽbꝛame que era Eu menina ⁊ ouuiha jaa cõtar a meu pai poꝛ hiſtoꝛia: agoꝛa ainda folgo de cuydar nella ,pelos grandes acõtecimentos de deſauenturas que nella ouue, y inda que nenhum mal alheo poſſa cõfoꝛtar ho pꝛopio decadahũ, parte de ajuda pera ho ſufrimẽto me he ſaber eu que antigo he fazeremſe as couſas ſem razam,e contra razam.De boa vontade (que parece que ainda a nam ouuiſtes) volla contara que ſegundo entendo deuem vos aprazer as couſas triſtes como me vos a mi dezeis. Ho Sol (lhe reſpõdi) vai alto ⁊ eu folgariamuyto de
a ouuir pela ouuir a vos ⁊ deſpois ꝑo ſaber como nam buſquei em balde eſta terra para minhas triſtezas pois tanto ha que ſe coſtumam nella.Outra coſa ſenhoꝛa vos quiſera eu agoꝛa dantes pꝛeguntar mas ſique para deſpois que pera tudo auera tempo, ainda que pois a hyſtoꝛia diseis que he de {{hífen|tri|triſtezas}}<noinclude></noinclude>
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