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Suspiros poéticos e saudades (1865)/Ao General Lafayette
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[[Categoria:Texto rubricado pelo autor em 1834]]
[[Categoria:Suspiros Poéticos e Saudades]]
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A tacha maldita/III
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André Koehne
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{{navegar
|obra=A tacha maldita
|autor=Manuel de Oliveira Paiva
|anterior=[[A tacha maldita/II|Secundo]]
|posterior=[[A tacha maldita/IV|Quarto]]
|seção=Tertio
|notas=
}}
<poem>
;I
Do tempo ainda a rápida ampulheta
Não marcara seis horas,
Ainda envolto em grossa manta preta
Dormia o velho sol, pai das auroras.
E já toda a família da madrinha
Da menina gentil, da Zabelinha,
Mergulhava nas águas buliçosas,
Banhava as belas carnes cor de rosas:
Como nos céus a Lua se metia
Das nuvens vaporosas,
Ligeiras, luminosas,
De instante a instante na sutil bacia.
;II
Por entre os coqueirais do Pajeú
Já penetrava o sol;
As cunhãs com as cuias de beiju,
As velhas rezadeiras de lençol,
Os matutos co'as cargas de farinha,
Vendedoras da Feira, os da ''geninha''
— Corrupção da gostosa gengibirra -
Na hora em que se acorda e que se espirra
Saindo ao ar da frígida manhã,
Transitavam na rua:
Como transita a Lua
Entre as nuvens do céu linda e louçã.
Onde foi que o jardim da Aclamação,
No Rio de Janeiro,
Pôde mais comover o coração
— Apesar de cheirar muito a dinheiro —
Que o nosso majestoso Pajeú?
Onde contrasta a gia, o cururu,
Com o vem-vem, o canário, a patativa!
Onde esbelta e sem ordem surge altiva
A prima do poeta, a Natureza:
Como na humanidade
Surgiu a Liberdade
Dos lodaçais da Revolução Francesa!
E como, agora mesmo,
Sutil, divina, a esmo,
Brotou a Abolição na Fortaleza!
Os bandos das graúnas se levantam,
Entre os carnaubais,
Entoam para os céus cantos que encantam,
Que nos fazem bradar: Basta, não mais! —
Erguem-se assim da rede as cearenses,
Nossas priminhas belas. — Fluminenses!
Vós também sois bonitas, eu bem sei;
Haveis porém de obedecer a lei:
— O clarão desse sol que chamam Corte
Encadeia as moreninhas,
Que tombam como as rolinhas
De alva parede ao chão de negra morte.
Oh não te zangues Fluminense bela!
Oh não me causes pânico!
Venhas tu do Mozart, ou da Cancela,
De Botafogo ou do Jardim Botânico,
Do Príncipe Imperial, ou do Sant'Ana,
Da rua do Ouvidor.., confessa, humana,
Que a estação que passas em Petrópolis,
Na Tijuca, em Friburgo, em Teresópolis,
Faz-te esquecer as belas companheiras
Que nos salões vaidosas
Preferem ir pomposas!...
Façamos nossas pazes, brasileiras!
;III
Rodava lentamente um velho carro
De um'alta família.
Lançando aos transeuntes vil escarro,
De olhos encovados p'la vigília,
Olhar cínico, faces pardacentas,
Vinha dentro um rapaz. — Cousas cruentas
Sua figura só por si dizia:
Como apontam o odor de maresia,
A roupa tinta pelo cajueiro,
A pele requeimada,
A fala compassada,
Entre os homens da praia o jangadeiro.
la se refazer em Mecejana
O pobre libertino.
Era um filho de Dona Marciana,
Que fora para a Europa, inda menino,
Aprender a riscar na pedra o giz,
Nas grandes faculdades de Paris.
Aprendera, porém, uma outra cousa
Que costuma levar o moço à lousa.
Não deixa de saber ''engenharias''
Quem conhece o ''champagne'',
Muito embora o que ganhe
Ponha a juro no jogo e nas orgias.
Ao encontrar o seu mimoso filho,
Disse-lhe: Já vais?
— Sim, senhora. E estaca o seu tordilho,
E para o carro sob os coqueirais...
De Izabel, Marciana era a madrinha.
Vinha um bonde ao tinir da campainha.
E moças, carro e bonde confrontaram-se:
Do bonde olhares mil relancearam-se
Muito naturalmente sobre elas...
— Depois minha batuta
Dirá quem desta luta
Foi ferido e feriu, feios ou belas.
</poem>
[[Categoria:A tacha maldita|A 03]]
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Hino do município de São Pedro do Paraná
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Correção De Erro
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{{hino
|obra=Hino do município de [[w:São Pedro do Paraná|São Pedro do Paraná]]
|autor=Sebastião Lima
|notas=
}}
<poem>
São Pedro do Paraná
Sentinela avançada a velar
Teu filho amado não te esquecerá
E o seu nome para sempre irá guardar.
Das matas verdejantes
Da força criadora
Surgiste triunfante
Numa aurora redentora
Nasceste com o destino
Dos que nascem para a glória
Tens o nome paladino
Tua estrada é da vitória.
E o teu solo acolhedor
Pronto está a receber
Dás a todos o calor
E a alegria de viver.
E aos heróicos fundadores
Nosso preito de saudades
Este hino de louvores
E de amor pra eternidade.
ESTRIBILHO
Do labor dos filhos teus é o sucesso
Na caminhada rumo ao progresso.
São Pedro do Paraná
Sentinela avançada a velar
Teu filho amado não te esquecerá
E o teu nome para sempre irá guardar.
</poem>
[[Categoria:Hinos do Paraná|Sao Pedro do Parana]]
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/44
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Gamoneiro
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/* Validada */ Correção de OCR
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<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 30 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
De minha fronte em torno. Da alta abobada
Desce um pavor que me penetra todo!
De mim proximo voas, sinto-o, sinto-o,
Oh desejado espirito. — Revela-te!
Ah como o seio se me rasga! Como
Por novas sensações os meus sentidos
Todos anceam. A ti todo entregue
Sinto meu coração. Alfim mostrar-te
É força, embora a vida isso me custe!
</poem>
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{{c|''(Toma o livro e pronuncia mysteriosamente o signo do''}} {{c|''espirito. Reluz uma chamma avermelhada. O''}}
{{c|''espirito apparece na chamma)''}}
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{{c|'''ESPIRITO'''}}
<poem>
Quem me ousa evocar?
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO''' ''(desviando o rosto)''}}
<poem>
{{Gap|10em}}Semblante horrendo!
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''ESPIRITO'''}}
<poem>
Com força me attrahiste, á minha esphera
Longo tempo aspiraste, e agora —
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
{{Gap|15.5em}}Sinto
Que teu aspecto supportar não posso!
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''ESPIRITO'''}}
<poem>
Por olhar-me de perto, ancioso choras,
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/45
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Gamoneiro
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Uso de apóstrofo tipográfico
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 31 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Por escutar-me a voz, por vêr-me a face;
De tu’alma ao clamor possante acudo
E eis-me aqui! Que miseravel mêdo
De ti, mais que homem, se apodera? Onde
Está da alma o grito, aonde o peito
Que em si pôde crear, suster um mundo,
Que intumeceu, tremendo de alegria,
Té elevar-se á altura dos espiritos?
Onde estás, Fausto, a quem ouvi os brados
E aspiraste a mim co’as forças todas?
És tu que de meu halito cercado,
Qual encolhido verme, temeroso,
De teu ser até o intimo estremeces?
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
Hei-de ceder-te a ti, vulto de chammas?
Sou eu, sou Fausto, teu egual me julgo.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''ESPIRITO'''}}
<poem>
No mar da vida, no volver dos factos,
Abaixo, acima boio,
Aqui e alli vagueio!
A morte, o nascer,
Um pelago eterno,
Tecido cambiante,
Brilhante viver,
Assim do tempo no tear ruidoso,
Vivente manto á divindade teço.
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/46
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Gamoneiro
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/* Validada */ Ajuste de lacunas
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 32 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude>{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
Tu que o mundo vastissimo circumdas,
Quam perto sou de ti, potente espirito.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''ESPIRITO'''}}
<poem>
És egual ao espirito que entendes,
A mim não!
</poem>
{{d|''(desapparece)''}}
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO''' ''(cahindo por terra)''}}
<poem>
{{Gap|6em}}A ti não? à quem pois posso
Egualar eu, da divindade imagem,
Se nem a ti?
</poem>
{{dhr}}
{{d|''(Batem)''}}
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
{{Gap|6em}}Oh morte! eis o meu famulo!
Em nada se tornou meu summo encanto!
Ha de vir perturbar este importuno,
Este seccante, apparições tão plenas!
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
{{c|''(De chambre e barrete de dormir, com um candieiro''}}
{{c|''na mão; Fausto volta-se contrariado)''}}
{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
Perdoae, mas ouvi que declamaveis;
Lieis talvez uma tragedia grega?
</poem><noinclude></noinclude>
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Gamoneiro
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 33 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Dess’arte um pouco eu aprender quizera,
Pois possue hoje em dia grande peso.
Ouvi dizer que bem podia um comico
A qualquer prégador servir de mestre.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
Sim, póde ser, se o prégador for comico.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
Ai! quem vive encerrado em sua cella,
E só lá n’um Domingo avista o mundo,
E mesmo assim de longe, por um oculo,
Mal póde a arte ter de convencel-o!
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
Se a fundo não sentís, jámais a tendes,
Se do intimo d’alma vos não brota
E com espontanea, poderosa força,
Os corações não vence dos ouvintes.
Estudae sem cessar, grudae palavras,
Dos restos d’outrem cosinhae um prato,
Do acervo de cinzas que juntardes
Chammas mesquinhas assoprae a custo!
Pasmo sereis de bobos e creanças,
Se ao vosso paladar isso se ageita;
Mas corações não ganhareis vós nunca,
Se o proprio coração vos ficar mudo.
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/48
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2026-07-26T02:27:56Z
Gamoneiro
43372
/* Validada */
556414
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 34 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude>{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
Porém a exposição faz a fortuna
Do orador; comquanto bem o sinta
Longe estou d’alcançal-o.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
{{Gap|11em}}Lucro honesto
Buscae sómente, e não façaes de bobo
Cascaveis agitando. O senso recto,
O claro entendimento, por si mesmos
Sem muit’arte s’expoem. Pois se tiverdes
Que dizer cousas serias, é preciso
Excogitar palavras? Sim, os vossos
Discursos reluzentes, ostentando
Ante os ouvintes enfeitados nadas,
Aridos são como o vento d’outomno
Que nas folhas mirradas rumoreja.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
Valha-nos o Senhor, a arte é longa
E nossa vida curta. Angustiados
Peito e cabeça em meus trabalhos criticos,
Bastas vezes eu sinto. Quanto custa
Os meios conseguir que ás fontes guiam!
Inda um pobre diabo não alcança
Da senda o meio, quando o leva morte.
</poem><noinclude>Correção de OCR e uso de acento tipográfico</noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/49
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Gamoneiro
43372
/* Validada */ Uso de apóstrofo tipográfico
556416
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 35 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude>{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
É pergaminho o manancial sagrado
Donde brota p’ra a sede eterno liquido?
Se te elle não manar da propria alma
Conforto não terás.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
{{Gap|10em}}Perdoae; delicia
Infinda é ao espirito dos tempos
Poder-se transportar, vêr como antes
De nós pensaram sabios e quam longe
O progresso recente altivo chega.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
Bem longe, sim, té ás proprias estrellas!
Os tempos que passaram, meu amigo,
Um livro são p’ra nós de septe sêllos;
O que chamaes espirito dos tempos
D’alguns senhores vem a ser o espirito,
Em que os tempos s’espelham. Muitas vezes
Lastima é, de que á primeira vista
Enojado se foge. Ou vil monturo,
Ou pejado armazem de velhos trastes,
Ou solemne e gravissima comedia,
Com excellentes maximas pragmaticas,
De titeres na boca bem cabidas!
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/50
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Gamoneiro
43372
/* Validada */ Uso de apóstrofo tipográfico
556419
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 36 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude>{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
Porém o mundo, a mente e o peito humano
Quem não desejará vir a entendel-os?
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO'''}}
<poem>
Pois sim; aquillo que entender se chama!
Quem sabe o proprio nome dar ás cousas?
Aquelles que jámais o comprehenderam
E que insensatos, descobrindo: o peito,
Pensar e sentimento á turba abriram;
Na fogueira e na cruz o tem expiado.
Amigo, desculpae, vai alta a noite,
É mister desta vez interromper-nos.
</poem>
{{dhr}}
{{c|'''WAGNER'''}}
<poem>
Velara de bom grado ind’algum tempo
Só por tão doutamente conversar-vos,
Mas ámanhã, santa manhã de Paschoa,
Uma ou outra pergunta permitti-me.
Com zelo ao estudar me hei dedicado,
Sei muito, mas quizera saber tudo.
</poem>
{{dhr}}
{{d|''(sahe)''}}
{{dhr}}
{{c|'''FAUSTO''' ''(só)''}}
<poem>
Como não foge toda a espr’ança á mente
Que á apparencia insipida se apega,
Que com avida mão busca thesouros
E satisfeita fica, achando vermes!
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/51
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Gamoneiro
43372
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556422
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 37 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
De tal homem a voz resoar ousa
Onde espiritos mil me circumdaram?
Mas ai! que desta vez graças te rendo,
Tu dos filhos da terra o mais mesquinho.
Vieste arrebatar-me ao desespero,
Que a razão destruir-me ameaçava.
Ai, que a apparição foi tão gigante,
Que misero pigmeu me achei ante ella!
{{dhr}}
Eu imagem de Deus, que me achei proximo
Da verdade eternal ao claro espelho,
Que do meu ser gosei na luz etherea,
Despojado do involucro terrestre;
Eu mais que cherubim, que a activa força,
Cheio d’aspirações, já me arrojava
A diffundir nas veias da natura;
Vida divina no crear gosando:
Bem caro o expiei, tão alto sonho,
Uma voz de trovão lançou-me ao longe.
{{dhr}}
Comtigo de egualar-me ousar não posso.
Se a força de attrahir-te me foi dada,
Para reter-te falleceu-me a força.
No ineffavel sentir daquelle instante,
Tão pequeno e tão grande me sentia;
Tu, cruel, repellindo-me, arrojaste-me
Do commum dos mortaes á sorte incerta!
Quem me ha de ensinar? Que fugir devo?
</poem><noinclude>{{d|3}}</noinclude>
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Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/52
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Gamoneiro
43372
/* Validada */ Correção de OCR e uso de apóstrofo tipográfico
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proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 38 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Áquelle impulso obedecer me cumpre?
Ai, que nossas acções, quaes nossos males,
De nossa vida á marcha põem tropeços.
{{dhr}}
Ao mais bello do que concebe o espirito,
Sempre estranha materia vem mesclar-se.
Quando o Bom desta vida nos é dado,
Chamamos o Melhor, fallaz engano.
Os altos sentimentos que nos deram
Vida, se gelam no lidar terreno,
Essa imaginação que outr’ora ousara
Com attrevido vôo aos ceus subir-se,
De pouco espaço se contenta agora,
Pois que do tempo na voragem funda,
Uma apoz outra esp’rança naufragaram.
O cuidado no fundo peito aninha-se,
Inquieto se agita, e o socego
E o doce prazer, de vario aspeito
Revestido perturba; ora da esposa
A apparencia tomando, ora do filho,
E do paterno lar; ou qual incendio
Ferro ou peçonha, ou furiosas aguas; —
Ante o que te não fere, tremes medroso,
E o que não perdes, é mister que o chores.
{{dhr}}
Os Deuses não egualo! sinto-o a fundo;
Qual o verme sou eu que o pó revolve,
</poem><noinclude></noinclude>
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| [[Index:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu|Suspiros Poéticos e Saudades]]
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— Se ele tiver o apôio de vocês todos, quem poderá com êle? Vocês são os milhões; os Tatuíras não passam de centenas. Se sendo tão poucos os Tatuíras dominam e exploram a vocês que são milhões, isso vem duma coisa só: falta de conhecimento por parte de vocês. Eʼ que vocês '''não sabem!''' E o remédio é um só: procurar saber. No dia em que todos souberem como as coisas são, ah, nesse dia tudo começa a mudar, e em vez da felicidade ficar só com as centenas, passará a ser também dos milhões.
— Mas como a gente há de saber, se cada um diz uma coisa? Jornal eu não leio, mas o Chico Vira lê e outro dia me disse que os jornais andam falando horrores do comunismo.
— Os jornais deles, está claro que dizem horrores. Mas os jornais comunistas, ou do Prestes, êsses dizem as coisas de {{PT||modo diferente. Em que vocês devem acreditar? No que dizem os Tatuiras e os jornais dos Tatuiras, ou no que dizem os homens que querem o bem de vocês, a felicidade de vocês, a segurança de vocês? Os homens que padecem por vocês, como esse Prestes que já passou nove anos no cárcere, incomunicável, só porque em vez de se decidir pela felicidade dos Tatuiras, se decidiu pela felicidade de Zé Brasil?}}
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'''— {{Capitular|S}}'''e êle tiver o apôio de vocês todos, quem poderá com êle? Vocês são a maioria. Vocês são os milhões; os Tatuiras não passam de centenas. Se sendo tão poucos os Tatuiras dominam e exploram a vocês que são milhões, isso vem duma coisa só: falta de conhecimento por parte de vocês. Eʼ que vocês '''não sabem!''' E o remédio é um só: procurar saber. No dia em que todos souberem como as coisas são, ah, nesse dia tudo começa a mudar, e em vez da felicidade ficar só com as centenas, passará a ser também dos milhões.
— Mas como a gente há de saber, se cada um diz uma coisa? Jornal eu não leio, mas o Chico Vira lê e outro dia me disse que os jornais andam falando horrores do comunismo.
— Os jornais deles, está claro que dizem horrores. Mas os jornais comunistas, ou do Prestes, êsses dizem as coisas de {{PT||modo diferente. Em que vocês devem acreditar? No que dizem os Tatuiras e os jornais dos Tatuiras, ou no que dizem os homens que querem o bem de vocês, a felicidade de vocês, a segurança de vocês? Os homens que padecem por vocês, como esse Prestes que já passou nove anos no cárcere, incomunicável, só porque em vez de se decidir pela felicidade dos Tatuiras, se decidiu pela felicidade de Zé Brasil?}}
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'''{{Capitular|{{xx-smaller|—}}{{smaller|S}}}}'''e êle tiver o apôio de vocês todos, quem poderá com êle? Vocês são a maioria. Vocês são os milhões; os Tatuiras não passam de centenas. Se sendo tão poucos os Tatuiras dominam e exploram a vocês que são milhões, isso vem duma coisa só: falta de conhecimento por parte de vocês. Eʼ que vocês '''não sabem!''' E o remédio é um só: procurar saber. No dia em que todos souberem como as coisas são, ah, nesse dia tudo começa a mudar, e em vez da felicidade ficar só com as centenas, passará a ser também dos milhões.
— Mas como a gente há de saber, se cada um diz uma coisa? Jornal eu não leio, mas o Chico Vira lê e outro dia me disse que os jornais andam falando horrores do comunismo.
— Os jornais deles, está claro que dizem horrores. Mas os jornais comunistas, ou do Prestes, êsses dizem as coisas de {{PT||modo diferente. Em que vocês devem acreditar? No que dizem os Tatuiras e os jornais dos Tatuiras, ou no que dizem os homens que querem o bem de vocês, a felicidade de vocês, a segurança de vocês? Os homens que padecem por vocês, como esse Prestes que já passou nove anos no cárcere, incomunicável, só porque em vez de se decidir pela felicidade dos Tatuiras, se decidiu pela felicidade de Zé Brasil?}}
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{{Gcapitular|N|2em}}ascido em virgem plaga americana,
Onde da independencia o livre sopro
:::Os homens vivifica;
Onde de azul setim n’um céo sem nódoa
Lucido gyra o disco coruscante,
:::Que ao vate o genio inflamma;
Sem que do medo a dextra me agrilhoe,
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Porêm venerabundo, a mente exalço
:::Ao heroe de dous Mundos:
Tu, da gloria no céo, não dado a muitos,
Rutilas fulgurante apar de Washington,
:::Co’ a luz que a liberdade
De seu divino rosto escapar deixa,
Qual cometa fatal á tyrannia.
:::Oh grande Lafayette!
Oh portentoso nome! honra da França!
Nome, que no orbe cresce, como em bosques,
:::Altos, frondosos cedros
Nos alcantis do Líbano se elevam,
E as tormentas, e os raios assoberbam
:::Contra elles fulminados.
De nós aprenderão os filhos nossos
A repetir teu nome, ainda no berço,
:::Com innocentes labios;
Nossos filhos aos seus, estes aos netos
Irão passando intacta esta lembrança;
:::Como a través dos evos
As colossaes pyramides, que emblemas
São da grandeza, e da existencia eterna,
:::Ovantes teem passado.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|269}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Mas é grande ardimento! Ave sem canto,
Longe de seu vergel peregrinando,
:::Em remontado vôo
Querer modular sons, cantar teu nome!
Sympathica affeição, magico impulso
:::A ti porêm me arrasta,
E de prazer o coração no peito
Expande-se a teu nome, qual se expande,
:::Em perfumado effuvio,
O doce arôma do ananaz gostoso.
E tu, qual prazer sentes, quando tomas
:::Esse infante em teus braços?
Esse infante gentil, de heroes progenie,
Filho de Zenowiez, hoje sem Patria,
:::Que um Despota roubou-lh’a?
Qual te anima alegria esperançosa,
Quando de Kosciuzko vês o sangue
:::Gyrar em suas veias,
E as entranhas nutrir-lhe ainda tenras?
Oh! como é grato levantar nos braços
:::O filho de um guerreiro,
Que malfadado sim, mas virtuoso,
Sobranceiro se mostra á sorte adversa!
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|270|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
:::Ah, praza a Deos clemente
Que por ti embalado esse menino,
Por ti n’agua lavado do baptismo,
:::Raro exemplo seguindo
De seus nobres maiores, seja um dia
O que foi Kosciuszko, e o que tens sido.
:::Oh! si o porvir contemplo,
Quem sabe si ainda um dia!..... Mas não pódem
Humanas mãos romper o véo de trevas,
:::Com que a Providencia
Esconde a mortaes olhos o futuro.
Em sibyllino arrojo não pretendo
:::Interpretar mysterios.
Cresça ó joven Emilio sempre ao lado
Do immortal Lafayette, e aprenda, e saiba
:::Amar a liberdade.
}}
::{{x-smaller|Pariz, Janeiro de 1834.}}
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{{c|XLI.}}
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{{c|{{x-larger|AS SENHORAS BRASILEIRAS.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=stanza|
{{Gcapitular|N|2em}}as veias o sangue já não me galopa,
Nem sacros furores nos labios me fervem;
A lyra canora do cysne Beocio
:::Deixei sobre a trípode.
Os risos fagueiros do Genio da Patria
Agora me inspiram idéas suaves.
Os vossos encantos, oh bellas patricias,
:::Eu canto dulcísono.
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|272|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza|
Imperio das graças, oh sexo mimoso,
Vós sois o principio da nossa existencia;
Dos nossos prazeres orige’ ineffavel;
:::Sem vós que seriamos?
A lua que brilha n’um céo azulado,
E os raios argenteos no río reflecte,
É quadro bem lindo! porêm vossas faces
:::Teem graças mais nítidas
Os dias que alegres comvosco passamos,
São horas bem curtas, são breves instantes;
E os breves instantes da ausensia saudosa
:::São noites bem tetricas.
O canto das aves, que sôa nos bosques,
É grato aos ouvidos do homem selvagem;
Porêm vossas vozes teem mais melodia
:::Que as vozes dos pássaros.
A rosa tem cheiro que o ar embalsama,
A rosa tem cores que esmaltam os prados;
Porêm para imagem da vossa belleza
:::A rosa é invalida.
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|273}}</noinclude>{{Ppoem|start=|end=|
As aguas teem perlas, o céo tem estrellas,
Os campos teem flores, a terra tem ouro;
Mas vós venceis tudo; vós sois da Natura
:::A obra protótypa.
Por vós afinaram mil vates as lyras;
Por vós mil guerreiros á gloria voaram;
E até nações cultas por vós sacudiram
:::Seu jugo tyrannico.
Oh Anjos da terra, da Patria ornamento,
Donzellas, esposas, e mães carinhosas,
Na lucta que temos co’o vil despotismo,
:::Mostrai-vos magnanimas.
Os vossos encantos de premio só sirvam
A quem ama a Patria, ao sabio, e ao justo.
Deixai que ociosos, e os nossos imigos
:::No lodo revolvam-se.
}}
::{{x-smaller|1831.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|273}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=close|
As aguas teem perlas, o céo tem estrellas,
Os campos teem flores, a terra tem ouro;
Mas vós venceis tudo; vós sois da Natura
:::A obra protótypa.
Por vós afinaram mil vates as lyras;
Por vós mil guerreiros á gloria voaram;
E até nações cultas por vós sacudiram
:::Seu jugo tyrannico.
Oh Anjos da terra, da Patria ornamento,
Donzellas, esposas, e mães carinhosas,
Na lucta que temos co’o vil despotismo,
:::Mostrai-vos magnanimas.
Os vossos encantos de premio só sirvam
A quem ama a Patria, ao sabio, e ao justo.
Deixai que ociosos, e os nossos imigos
:::No lodo revolvam-se.
}}
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{{c|XLII.}}
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{{c|{{x-larger|A MINHA LYRA.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=stanza|
{{Gcapitular|Q|2em}}uando o sol era o meu astro,
E a minha mente inspirava,
No enlevo do estro inflammado
Alegre a lyra eu vibrava.
Co’ a Grecia, e Roma sonhando,
Colhendo flores da historia,
Á minha Patria querida
Hymnos tecia de gloria.
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|275}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza|
No fogo da mocidade,
Nessa estação da alegria,
Cantava gratas mentiras,
Amores qu’eu não sentia.
Ás vezes tambem chorava;
E tu, oh lyra presaga,
Já teu destino previas,
E o pranto que ora te alaga.
Qual na rosa que emmurchece
Sécca o orvalho que a aljofrava,
Assim seccou-se em meus labios
O riso que os enfeitava.
Minha voz enrouquecêo-se,
Meu coração enluctou-se,
E o astro que me aclarava
Em densa treva nublou-se.
Antes que o sopro do tempo
Murchasse a flor de meu rosto,
A pallidez já o tinge,
Causada pelo desgosto.
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|276|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza|
A folha na primavera,
Si pelo insecto é roída,
Assim perde o verde esmalte,
Assim murcha, e cái sem vida.
Deixei a prezada Patria,
Deixei a mãe carinhosa;
Perdêo então minha lyra
Sua voz harmoniosa.
Ao som das vagas do Oceano
Foi minha lyra aprendendo
A suspirar quando chóro,
A ir commigo gemendo,
Companheira de meu fado,
Pelo mundo vagueando,
Junctos os Alpes subimos,
Estranhas terras pizando.
Nos Alpes, como n’um throno
Que me alçava alêm do mundo,
A gloria do Omnipotente
Entoei venerabundo.
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|277}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza|
Entre gothicas pilastras,
Arroubado no infinito,
Cantei a vida futura,
Consolo de um peito afflicto.
Sentado sobre ruínas,
Achei um echo na lyra;
E sobre o nada da vida,
Dêo-me sons qu’eu nunca ouvíra.
Entre campas, e cyprestes,
Sozinho n’um cemiterio,
Chorando a sorte de um vate,
Na lyra achei refrigerio.
Solitario entre os viventes,
Do mundo desconhecido,
Como a planta errante d’agua
Apenas tenho vivido.
A gloria, esperança vária,
Sonho fallaz do acordado,
Febre que os Genios inspira,
Só me não tem inspirado.
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|278|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=close|
Amiga melancolia,
Consumidora saudade,
Vós envolveis os meus dias
Desta triste suavidade.
Em cada estação ostenta
Diverso aspecto a Natura;
Ora de crystaes se adorna,
Ora de fresca verdura.
As aves tambem renovam
Seu canto co’a Natureza;
Tudo muda, só minha alma
Conserva sua tristeza.
Unico bem qu’eu possuo,
Oh minha estimada lyra,
Companheira de infortunios,
Commigo chora, e suspira.
}}
::{{x-smaller|1836.}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|||279}}</noinclude>{{dhr|2}}
{{c|XLIII.}}
{{dhr|3}}
{{c|{{x-larger|O CANTO DO CYSNE.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|M|2em}}eus versos são suspiros de minha alma,
Sem outra lei que o interno sentimento;
E como o fumo que do fogo se ergue,
Sobem ao céo, e perdem-se nos ares.
Como o acceso thuríbulo balança
Ante o altar, de incenso alimentado,
Suavissimos perfumes exhalando,
:::Assim minha alma oscilla
Das illusões do mundo afadigada;
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|280|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=stanza|
E suspirando então pelo infinito,
Humilde a Deos seu pensamento exalça.
:::Cada pensamento meu,
:::Como uma baga de incenso,
:::Do thurib’lo de minha alma
:::Sóbe ao alcáçar do Immenso.
Eis porque ainda no da vida exilio,
Entre o véo de tristeza que me enlucta
Alguns assomos de prazer reçumbram,
:::Como do pyrilampo
Na escuridão da selva a luz lampeja;
:::Eis porque minha lyra
Inopinados sons desliza ás vezes:
Eis porque ainda para mim um riso
:::A Natureza enfeita;
Eis porque a noite presta-me seu bálsamo,
E na aurora que surge encantos acho.
:::Echo para meus suspiros
:::Eu acho na Natureza;
:::E para a voz de minha alma
:::Um accento de tristeza.
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|281}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow|
Ah! porventura a lyra abandonada,
Que rota e muda jaz de pó coberta,
:::Porventura ainda vive?
A lyra morre, quando mais não sôa,
Morre, quando estalando a ultima corda,
Evapora o seu ultimo soluço.
:::Assim sou eu sobre a terra;
:::É minha alma como a lyra,
:::Que morre quando não geme;
:::Que vive quando suspira.
Como vive o proscripto em riba estranha?
:::No pensamento apenas,
Nos quadros de sua alma, tristes quadros,
Como a noite sem lua, e sem estrellas;
Quadros nublosos, pela mão traçados
:::Da pallida Saudade.
Oh mundo, oh mundo, exilio de minha alma!
Vida, cruel tyranno que me prendes!
:::O que é a vida? Um continuo
:::Passar das trevas á aurora;
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|282|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
:::Cadeia que nos arrasta,
:::Turbilhão que nos devora.
Eis a vida!… E depois?… Mysterio horrivel!
Infinito, onde o espirito se perde,
:::Como um átomo no espaço;
Deserto, onde vagueia a phantasia,
Repouso e asylo incerta procurando,
Como nos areáes da ardente Arabia
O peregrino afadigado busca,
Para a sêde aplacar, mesquinha fonte,
E um ramo que lhe abrigue os lassos membros.
:::Talvez que amanhã se ultíme
:::A sentença do proscripto,
:::E que livre das cadeias,
:::Vagueie nêsse infinito.
E quem sabe si a voz da Eternidade
:::Agora me revela,
Que este manto, que ennoita a Natureza,
Como do esquife o mortuario panno,
Para sempre a meus olhos cobre a terra?
}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|283}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=stanza|
Quem sabe si ao raiar da aurora crástina,
:::Ao seu hymno de vida
Um echo faltará de minha lyra,
:::De minha alma um gemido?
::Cada minuto da vida
::Póde ser o derradeiro;
::Da vida ao nada ha um ponto,
::E o homem passa-o ligeiro.
O Cysne que desliza á flor do lago,
Perlas formando co’ o bater das azas,
:::Mudo a garganta alonga,
E só da morte a voz n’ella resôa;
Como uma frauta que do tronco pende
:::Por amoroso voto,
:::Pelo vento agitada,
Embalança, e suaves harmonias
:::Exhala de seu tubo:
Assim a voz do cysne se desata,
:::Pela morte inspirado;
:::Assim se melodia,
Para doce entoar o hymno extremo.
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/294
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|284|{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow|
:::Mas acaso sabe o Cysne,
:::Terno canto desferindo,
:::Que em cada accento que sólta,
:::A vida lhe vai fugindo?
Companheiro do Cysne, o tenro arbusto
:::Que uma só vez floresce,
E quando assim se adorna, murcha, e morre,
Como no dia nupcial a esposa,
Sabe elle porventura que essas flores
:::São as galas da morte?
A lampada que expira, e um clarão sólta,
Acaso sabe si lhe míngoa o oleo?
O río que no prado se resvala,
:::Acaso dizer póde:
Amanhã terá fim minha corrente?
E o zephyro que brinca saltitando
Sobre as frescas corollas, sabe acaso,
Si ainda existirá no sol seguinte?
:::Nós acaso conhecemos
:::Melhor que elles nossa sorte?
:::Podemos dizer: este hymno
:::É nosso hymno de morte?
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/295
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Junglk
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SUSPIROS POETICOS.}}|285}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=close|
Eu canto como o Cysne, sem que saiba
:::Si é meu ultimo canto;
Como o arbusto que brota mortaes flores,
Minha alma se dilata, e aromas verte;
Como a luz que fallece, e se afogueia,
Em sacro amor meu coração se inflamma;
Como o rio que manso se desliza,
Como o ligeiro Zephyro que adeja,
:::Se devolvem meus dias,
Como vagas do mar, um após outro,
E não sei qual será o derradeiro.
::Inda um suspiro, minha alma,
::Como o Cysne hoje exhalemos.
::Si amanhã vírmos a aurora,
::Novos hymnos entoemos.
::::Cantemos, cantemos
::::Co’ a noite, e co’ o dia,
::::Seja nossa vida
::::Contínua harmonia.
}}
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/297
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Junglk
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Junglk" /></noinclude>{{dhr|4}}
{{c|{{xxx-larger|SAUDADES.}}}}
{{dhr|4}}<noinclude></noinclude>
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Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/6
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{right|{{larger|'''AGRADECIMENTOS'''}}}}
Aos entrevistados, listados ao final do livro, que contaram toda a história descrita neste livro.
{{dhr|3}}
Ao Toné, que além das entrevistas, foi responsável pela revisão técnica e indicou as pessoas que poderiam conceder entrevista.
{{dhr|3}}
Ao professor Armando Milioni, pelas sugestões valiosas.
{{dhr|3}}
À minha família, aos amigos e aos funcionários do SindCT, pelo apoio e pela ajuda prestados durante a produção deste livro.
{{dhr|3}}
À diretoria do SindCT, por permitir e fornecer toda a estrutura necessária para a execução deste trabalho, em especial ao Sérgio Rosim, idealizador deste livro, Lais Mallaco, que fez as primeiras revisões, e Acioli Antônio de Olivo, que articulou importantes entrevistas.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
8v2z42k1q2ug8b14p2n81dg8vd1v9x2
Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/193
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Erick Soares3
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/* !Páginas validadas */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>todas as teclas da urna. Foi um sistema considerado um sucesso, mas que foi possível apenas ao posicionar o rádio a menos de 30 cm da urna. Mesmo não sendo algo que seria utilizado durante as eleições para 'espionar' o voto do eleitor, a informação levou os técnicos do TSE a realizarem uma melhoria bem significativa na urna, uma blindagem no teclado, a fim de não emitir mais nenhuma onda e criptografar toda a informação digitada já no teclado.
Mesmo que as urnas não possuam qualquer ligação com a internet, nem equipamentos de hardware que o permitam, nem qualquer meio de comunicação, nos dias que antecedem as eleições, o TSE se prepara para qualquer tipo de ataque de hackers em seus sistemas.
O TSE também promoveu o primeiro teste controlado de invasão entre 10 e 13 de novembro de 2009. Nove equipes de possíveis hackers, com um total de 38 especialistas, foram inscritas para participarem do teste. Dos especialistas inscritos, 20 compareceram e tentaram, sem sucesso, quebrar os mecanismos de segurança das urnas eletrônicas. Esse teste foi supervisionado por sete instituições: Organização dos Estados Brasileiros, Câmara Federal, Exército Brasileiro, Serviço Federal de Processamento de<noinclude>{{center|'''192'''}}</noinclude>
rsyyvk4p8jx3gz1cu0f0gr6mj4l3hwx
Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/194
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Erick Soares3
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/* !Páginas validadas */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Dados, Tribunal de Contas da União, Federação Nacional de Empresas de Informática e Polícia Civil do Distrito Federal.
Foram registrados testes de invasão em urnas eletrônicas de outros países, como Estados Unidos, Paraguai, Holanda e Índia. Entretanto, nenhuma dessas urnas se assemelha à urna eletrônica brasileira. Lembrando que, em um dos sistemas de segurança da urna, qualquer tentativa de instalação de software promove o ‘‘travamento’’ da urna, que para de funcionar imediatamente, independente de tamanho ou formato do software que se deseja instalar. Isso impede que qualquer ação seja realizada, até mesmo uma simples cópia de informação contida na urna. Além disso, como visto anteriormente, para que alguém tenha acesso à urna, deveria conter equipamentos que permitissem conexão à rede ou à internet, o que não há.
“''Teve uma ocasião em que nós levamos três urnas para a Unicamp e pedimos para que eles quebrassem o sigilo. Juntaram em torno de 8 PhDs (Philosophy Doctors -pessoas com doutorado).''
''Antes deles começarem, eu dei duas palestras para explicar todo o funcionamento e estrutura da urna.''
''Depois de um mês, nos retornaram dizendo: 'a urna é segura e''<noinclude>{{center|'''193'''}}</noinclude>
7okb1i72qbv6irgt44j4i1axg2hqhkj
Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/195
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''robusta´. Eles conseguiram alterar só um byte. E, quando isso''
''acontece, a urna para de funcionar''”, contou Paulo Nakaya.
{{right|{{x-larger|{{âncora|Auditorias paralelas|'''Auditorias paralelas'''}}}}}}
Em toda eleição, no dia da votação, urnas sorteadas pela Justiça Eleitoral são submetidas a uma auditoria paralela para demonstrar, em tempo real, a fidelidade da urna em relação aos votos recebidos. Antes conhecido como votação paralela, em 2018, o procedimento passou a ser chamado de “Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas sob Condições Normais de Uso”.
Os TREs sorteiam as urnas em suas respectivas sedes. Algumas urnas são usadas para a votação simulada: simulação da votação com urnas oficiais alimentadas com as listas oficiais de candidatos e de eleitores, e outras urnas são destinadas a auditorias dos sistemas nelas instalados.
Em local público e sob a fiscalização de partidos, entidades e qualquer cidadão interessado, os TREs realizam o sorteio das urnas e a “votação simulada”, com as mesmas condições de uma seção eleitoral oficial, no mesmo dia e horário da votação oficial, em ambos os turnos. Também é contratada pelo TSE uma<noinclude>{{center|'''194'''}}</noinclude>
lgcdky772fmyv1jz6vc7h1e0hl5p1gs
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>empresa de auditoria, que acompanha o procedimento em todo o país.
Para essa auditagem, são utilizadas cédulas de papel preenchidas por representantes de partidos e entidades. Cada voto é registrado na urna eletrônica e, paralelamente, em um computador à parte, com sistema próprio desenvolvido para esse fim. Cada detalhe do processo é filmado por diversas câmeras de vídeo estrategicamente posicionadas no ambiente.
Ao final da votação, no mesmo horário oficial, é feita a comparação dos dois resultados: o da apuração por meio do boletim da urna eletrônica e o da soma dos votos das cédulas de papel. O objetivo final é que seja comprovada a coincidência entre os resultados obtidos nos boletins de urna, nos relatórios emitidos pelo sistema de apoio à votação paralela, nas cédulas da auditoria de funcionamento das urnas eletrônicas e no registro digital dos votos apurados.
O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, foi Ministro do TSE em 2016, durante as eleições municipais, e acompanhou o processo da auditoria das urnas em votação simulada:
“''Um fato que acompanhei, enquanto presidente do TSE, nas''<noinclude>{{center|'''195'''}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|perguntas e respostas}}|CAPITULO VI}}
{{dhr|4}}
A 4 de dezembro marcavam os chronometros cinco horas da
manhā terrestres qnando os viajantes despertaram; eram passadas cincoenta e quatro horas de viagem. Em relaçāo ao tempo apenas tinham excedido em cinco horas e quarenta minutos,
ametade da duraçāo que se calculara que haviam de premanecer dentro do projectil; mas em relaçāo ao espaço percorrido
tinham já feito perto de sete decimas partes da travessia total.
Particularidade esta que era consequencia de diminuiçāo regular de velocidade.
E como observassem entāo a Terra pela vidraça do pavimento, já esta lhes appareceu qual escura mancha immersa na
irradiaçāo solar. Já nem viram crescente nem luz cendrada. No
dia seguinte, á meia noite, devia a Terra entrar na phase de
Terra Nova, exactamente no momento em que a Lua entrasse
no pleni-lunio.
Pela parte superior ia-se o astro das noites aproximando
cada vez mais da linha seguida pelo projectil, por fórma que
havia de vir a encontrar-se com este exactamente á hora indi-<noinclude></noinclude>
4y5bm0bl2wlk5x8wojcer63rzwqfbyu
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|65|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>cada. Em torno dos viajantes estava a negra abobada constellada de pontos brilhantes que pareciam mover-se lentamente,
mas cujo volume relativo nāo parecia ter-se modificado, pela
distancia consideravel a que estavam.
O Sol e as estrellas appareciam exactamente taes como se
viam da Terra. A Lua é que augmentara consideravelmente de
volume; porém, os oculos de alcance dos viajantes, que em
summa nāo podiam ser de grande força, podiam servir ainda
para fazer observaçōes uteis na superficie do astro, ou entāo para reconhecer-lhe disposiçōes topographicas ou geologicas.
Passava-se por consequencia o tempo em conversas sem fim,
que principalmente versavam ácerea da Lua. Fornecia cada
qual o seu contingente de conhecimentos particulares.
Barbicane e Nicholl sempre a serio, Miguel Ardan sempre
phantasiado. Serviu de assumpto inexgotavel para todas as
conjecturas a situaçāo e a direcçāo do projectil, os incidentes
que podiam occorrer e as precauçōes que havia de exigir a futura quéda na Lua.
Exactamente na occasiāo do almoço, provocou da parte de
Barbicane resposta curiosa e digna de mensāo, uma pergunta
de Miguel Ardan em relaçāo ao projectil. Miguel, imaginando
por supposiçāo que um obstaculo de natureza qualquer detivesse a bala ainda animada da formidavel velocidade inicial,
quiz saber quaes haviam de ser as circumstancias dʼesta hypothese.
— Mas o que eu nāo vejo, respondeu Barbicane, é a fórma
por que o projectil poderia ser detido.
— Mas supponhamos, respondeu Miguel.
— É supposiçāo irrealisavel, replicou o pratico Barbicane. A
nāo ser qué lhe faltasse de subito a força de impulsāo. Mas,
ainda nʼesse caso, a velocidade do projectil haveria de diminuir
gradualmente, e a paragem nāo seria repentina.
— Ora admitte que foi de encontro a outro corpo no espaço.
— Mas qual?
— Esse bolido enorme que encontramos, por exemplo.
{{nop}}<noinclude>{{right|5}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|66|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Nʼesse caso, disse Nicholl, ter-se-ia feito o projectil em
mil pedaços, e nós de companhia.
— Melhor de que isso, respondeu Barbicane, teriamos sido
queimados em vida.
— Qeimados! exclamou Miguel. Por minha fé! sinto que se
nāo désse o caso, só para experimentar.
— E havias de experimental-o, respondeu Barbicane. Na
actualidade é facto averiguado que o calor nāo é mais do que
uma modificaçāo do movimento. Aquecer agua, por exemplo,
isto é, acrescentar-lhe calor, vale o mesmo que dar-lhe movimento ás molleculas.
— Essa! disse Miguel, é uma theoria engenhosa, é!
— E exacta, meu caro amigo, porque dá explicaçāo de todos
os phenomenos do calorico. O calor é apenas um movimento
mollecular, uma simples oscillaçāo das particulas de qualquer
corpo. Quando, por exemplo, apertâmos o freio de um comboio,
o comboio pára. E em que se torna o movimento de que o comboio ia animado? Transforma-se em calor, e aquece o freio.
Porque rasāo se encebam os eixos de rodas? Para evitar que
aqueçam, considerando que esse calor seria movimento perdido por transformaçāo. Entendes?
— Se entendo, respondeu Miguel, admiravelmente! Assim,
por exemplo, quando eu, depois de ter corrido por muito tempo, ficando alagado em suor, que me corre pelo corpo em bagas, me vejo obrigado a parar, qual é a rasāo do facto? É muito
simples! É porque se me transformou o movimento em calor!
Barbicane nāo poude encobrir um sorriso ao ouvir esta saida
de Miguel. Mas, atando o fio do discurso, disse:
— Em consequencia do que deixo dito, se occorresse um
choque, teria succedido ao nosso projectil o que succede a
qualquer bala, que cae em braza depois de bater nʼuma chapa
de metal. Foi o movimento que se transformou em calor. Affirmo
conseguintemente que se o nosso projectil tivesse ido de encontro ao bolido, a velocidade dʼelle, repentinamente anniquilada, havia de transformar-se em calor capaz de o volatisar instantaneamente.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|182}}</noinclude>Joāo Valjean, desvanecia-se ante o orgulho de ter tam
bem adivinhado logo no principio e de haver tido por tanto tempo tam perfeito instincto. O contentamento de
Javert manifestou-se na sua attitude soberana. A desformidade do triumpho expandiu-se naquella fronte acanhada. Mostrou todo o horror que pode ver-se em um
rosto satisfeito.
Javert naquelle momento estava no céu. Sem que o
pensasse claramente, mas nāo obstante com uma intuiçāo confusa de quanto valia e do seu triumpho, personificava, elle Javert, a justiça, a luz e a verdade em sua
funcçāo celeste de esmagar o mal. Atrás e em torno de
si, e em profundezas infinitas, tinha a autoridade, a razāo,
a cousa julgada, a consciencia legal, a vindicta publica,
todas as estrellas, protegia a ordem, fazia rebentar da
lei o raio, vingava a sociedade, era a força ás ordens
do absoluto; entonava-se cingido de luz ; havia na sua
victoria um resto de repto e de combate ; em pé, altivo, resplandecente, ostentava a bestialidade sobrehumana
de um archanjo feroz : a sombra temerosa da acçāo que
praticava tornava-lhe visivel no punho convulsivamente
cerrado o vago lampejo do gladio social ; feliz e indignado, tinha debaixo das plantas o crime, o vicio, a rebelliāo,
a perdiçāo, o inferno, resplandecia, exterminava, sorria-se e havia uma incontestavel grandeza nesse SanʼMiguel
monstruoso.
Javert, assim horrivel, nada tinha de ignobil.
A probidade, a sinceridade, a candura, a convicçāo, a
idéa do dever, sāo cousas que, errando, podem tornar-se hediondas, mas que, assim mesmo hediondas, nada
perdem da propria grandeza ; a sua magestade, peculiar
da consciencia humana, persiste no horror : sāo virtudes
que têem um vicio—o erro. A inexoravel alegria espontanea de um fanatico que commetteu uma atrocidade conserva nāo sei que esplendor lugubremente veneravel. Javert, sem que o desconfiasse, era, como todo o
ignorante que triumpha, digno de lastima no meio de
seu formidavel jubilo. Nada era tam pungente e terrivel
como esse semblante em que se mostrava o que poderia chamar-se—toda a perversidade do bem.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo segundo/Livro oitavo/III
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<pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=371 to=374 header=1 />
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[[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 8/03]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|a autoridade reassume os deus direitos.}}|IV}}
{{dhr|4}}
Fantina nāo tinha visto Javert desde o dia em que o
''maire'' a tirara das māos daquelle homem. O seu cerebro enfermo nāo comprehendeu nada; pareceu-lhe que
elle viera para prendê-la. Nāo pôde supportar aquella
figura borrivel, tapou o rosto com as māos e gritou angustiada:
—Salve-me, senr. Magdalena!
Joāo Valjean,—Ssó assim o chamaremos daqui em deante,—Stinha-se erguido. Disse para Fantina com a sua
voz mais branda e calma:
—Nāo tenha medo. Nāo é por você que elle aqui
vem.
Depois, dirigindo-se a Javert, disse:
—Já sei o que quer.
Javert respondeu :
—Anda dahi !
Houve no modo porque Javert pronunciou estas duas
palavras o que quer que fosse selvatico e phrenetico.
Javert nāo disse: « Anda dahi! » disse « ''Andahi!'' » Ne-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|a autoridade reassume os seus direitos.}}|IV}}
{{dhr|4}}
Fantina nāo tinha visto Javert desde o dia em que o
''maire'' a tirara das māos daquelle homem. O seu cerebro enfermo nāo comprehendeu nada; pareceu-lhe que
elle viera para prendê-la. Nāo pôde supportar aquella
figura borrivel, tapou o rosto com as māos e gritou angustiada:
—Salve-me, senr. Magdalena!
Joāo Valjean,—Ssó assim o chamaremos daqui em deante,—Stinha-se erguido. Disse para Fantina com a sua
voz mais branda e calma:
—Nāo tenha medo. Nāo é por você que elle aqui
vem.
Depois, dirigindo-se a Javert, disse:
—Já sei o que quer.
Javert respondeu :
—Anda dahi !
Houve no modo porque Javert pronunciou estas duas
palavras o que quer que fosse selvatico e phrenetico.
Javert nāo disse: « Anda dahi! » disse « ''Andahi!'' » Ne-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|184}}</noinclude>nhuma orthographia poderia exprimir o tom com que
isto foi pronunciado ; já nāo era palavra lumana ; era
um rugido.
Nāo procedeu como de costume ; nāo expôz o caso;
nāo exhibiu mandado de captura. Para elle, Joāo Valjean era uma especie de combatente mysterioso e invencivel, um lutador tenebroso , que apertava nos braços havia cinco annos sem poder derriba-lo. Aquella
prisāo nāo era um principio, mas um fim. Limitou-se
a dizer :
—Anda dahi !
Assim fallando, nāo deu um passo; cravou em Joāo
Valjean esse olhar que elle empregava como harpāo, e
com o qual attrahia violentamente a si os miseraveis.
Fôra esse mesmo olhar que Fantina sentira entranhar-se-lhe até á medulla dos ossos havia dous mezes.
Ao grito de Javert, Fantina tornára a abrir os olhos.
O senr. ''maire'' alli estava; o que podia ella temer ?
Javert avançou até ao meio do quarto e bradou :
—Entāo, nāo vens ?
A misera olhou em torno de si. As unicas pessoas que
alli se achavam eram a religiosa e o ''maire''. A quem se
dirigia pois aquelle autoamento abjecto? A ella sómente.
Estremeceu.
Entāo viu uma cousa inaudita, de tal modo inaudita
que de certo nunca lhe apparecêra igual nos mais negros
delirios da febre.
Viu o beleguim Javert deitar a māo á gola do senr.
''maire;'' viu o senr. ''maire'' curvar a cabeça. Pareceu-lhe
que o mundo se aniquilava.
Javert comeffeito agarrára a Joāo Valjean pela gola.
—Senr. ''maire!'' gritou Fantina.
Javert soltou uma gargalhada, essa medonha gargalhada que lhe descobria todos os dentes.
—Aqui já nāo ha ''maire!''
Joāo Valjean nem tentou afastar a māo que o segurava
pela gola da sobre-casaca. Disse:
—Javert.. .
Javert interrompeu-o.
—Chama-me senr. inspector.
—Senhor, proseguiu Joāo Valjean, desejava dizer-lhe
uma palavra em particular.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/62
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 58 —}}</noinclude>sua cega ambição e malevolo animo, entrou a requerer ao sr. desembargador intendente dos diamantes, [[w:pt:Rafael Pardinho|Raphael Pires Pardinho]], que
mandasse dar exactas buscas em todas as vendas e lojas d’este
continente : como forão nos arraiaes da Govêa, Milho Verde, S.
Gonçalo e Rio Manso, e em algumas do Tijuco, e não sendo
achado cousa alguma em que houvesse o mais leve prejuizo da
fazenda real, mandarão notificar seus donos para serem exterminados, fazendo-se todo este procedimento sem culpa e sem mais
motivo ou causa, que um simples requerimento do dito administrador ; além de outros muitos insultos, que está de continuo
obrando, como a sua vontade e máo animo o pede, sem attender ao gravíssimo prejuizo, que tem causado á real fazenda de
Sua Magestade, que sem duvida ha de experimentar na falta da
capitação de tantas lojas e vendas e na renda dos dizimos o entradas , pela falta de gente e commercio ; e tambsm as rendas
d’este senado experimentão o mesmo vexame (e tão necessárias
para as obras publicas), principalmente as rendas das aferições e
cabeças de gado, pela razão das causas já referidas, pelas quaes
se estão vendo os moradores d’esta villa e comarca postos na
maior consternação, e perigo de succederem gravíssimas minas.
« O referido exponho a v.m. para que por serviço de Sua Magestade, que Deos guarde, queira mandar passar precatória ao dito
dr. desembargador intendente, para que se abstenha de um tão
injusto procedimento contra os vassallos do mesmo Senhor, sem
se lhes achar a mais leve culpa, e nem haver formado processo
contra elles, para serem tão asperamente castigados, e só têm
aquella culpa que o malévolo animo do administrador e cega ambição lhes quer formar. A elle é que só assentava bem o dar-se
uma rigorosa busca por diamantes, porque os manêa, como lhe
parece e quer; e não aos pobres vassallos, que estão nas suas
lojas e vendas, nas quaes apenas ganhão seu sustento e com que
pagar a capitação real ».
Para intelligencia da accusação que n’este requerimento se faz
ao contratador, é preciso saber que pelas clausulas da arrematação e estatuto particular da companhia, todos os diamantes que<noinclude></noinclude>
huoagfzpl5cf5btdgp5opsazmzfo13g
Hino do município de Horizonte (Ceará)
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Erick Emanuel 1
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/* */ Hino do município de Horizonte
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'''I'''
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Erick Emanuel 1
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/* */
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text/x-wiki
phoiac9h4m842xq45sp7s6u21eteeq1
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Erick Emanuel 1
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Adição do hino do município que estava em falta
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text/x-wiki
Letra por Miriam Carlos Moreira de Souza
Melodia por Miriam Carlos Moreira de Souza
I
Entre toda gente cearense
Um povo se destaca e tem ação
Não cruza os braços, vai à luta
No trabalho encontra a redenção
Que é o caminho da paz, da liberdade
Do progresso e da emancipação
II
Cristalinas são as tuas fontes
Que correm banhando a imensidão
E o belo vale do Pacoti
Faz crescer e florir a plantação
E a natureza amiga e conivente
Da minha terra meu querido torrão
Refrão
Horizonte! O esplendor do luar
Reflete tua força e beleza
E o Ceará resplandece de luz
Orgulhoso de tua grandeza
III
Dinamismo, coragem e competência
Talento, saúde e educação
Representam o bem maior
Riqueza sem igual do cidadão
Que conquistou respeito e integridade
Rompendo para sempre a servidão!
not39a9xuadi5k4i3satklntzg1ieem
Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades
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2026-07-25T16:08:59Z
Junglk
34905
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu" include=297 header=1 /> [[Categoria:Suspiros Poéticos e Saudades]]
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text/x-wiki
<pages index="Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu" include=297 header=1 />
[[Categoria:Suspiros Poéticos e Saudades]]
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Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/63
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Túllio F
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 59 —}}</noinclude>se extrahissem devião ser recolhidos ao cofre da intendencia, e só
erão entregues ao contratador, depois de conferidos na ocasião em
que se fazia a sua remessa para a caixa da companhia estabelecida em Lisboa. Era uma segurança a bem dos interessados no
contrato e da fazenda real, sem estar a qual paga em Lisboa da
capitação, que lhe era devida, não podia haver dividendo. É à
violação d'esta condição que alludem, com ou sem fundamento,
os peticionarios no requerimento que transcrevemos.
Raphael Pires Pardinho, não dando importancia à precatoria do
ouvidor da villa do Principe, lh'a devolveu em uma carta particular, que temos á vista e da qual transcreveremos alguns trechos
por fazerem conhecer o caracter do intendente.
« Não se lhes faz (aos habitantes do districto) injustiça ou injúria em se lhes dar rigorosas buscas, todas as vezes que o commandante do destacamento, os contratadores e eu o quizermos,
e repetir com elles as diligencias, que me requererem e me parecerem convenientes, pois a tudo se sujeitàrão de boa vontade:
de que facilmente se podem livrar sahindo da demarcação.
« Dê-me v. m. licença, ou eu como velho a tomo para lhe
dizer: — Não tem ainda cabal conhecimento dos mercadores vendilhões e mais gente das Minas. Deve ter por certo que todos
têm a mesma condição dos negros; porque como n'estes é natural furtarem tudo quanto podem, assim n'aquelles o é permutarem tudo quanto têm pelos furtos, que lhes levão á casa. Pelo
que nunca são excessivas, antes muito precisas as prevenções,
cautellas e diligencias, que com elles se tiverem para os deshabituar das suspiradas traficancias de diamantes.
« Diga-me v. m. ingenuamente por quem é: o que discorrerà,
quem ler aquella representação, do zelo do bem commum da comarca, que os camaristas não têm?...... Diga v. m. o que quizer,
que eu sempre presumirei, sem lhe fazer offensa, ser a especiosa
capa com que intentão encobrir seus interesses particulares e dos
que os soprão de fóra..... O tempo, descobridor de todas as cousas
duvidosas, poderá verificar-nos ainda mais esta.
« Devo tambem dizer a v. m. que n'estas diligencias não {{começo de palavra hifenizada|in|interessa}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 60 —}}</noinclude>{{término de palavra hifenizada|teressa|interessa}} só a companhia, porém muito mais o serviço do Soberano; o que não póde alcançar a fraca comprehensão dos camaristas. Mas bem poderão reflectir, que, sem uma grande e particular razão, não manteria Sua Magestade quatro annos, com tanta
despeza de sua fazenda, a prohibição dos diamantes, e antes elle
quererá ver o districto diamantino despovoado de seus moradores, do que tornarem estes ás suas passadas traficancias de diamantes...... »
A resposta, que deu o ouvidor à carta do intendente, que tanto
maltratára uma corporação respeitavel como era a camara da villa
do Principe, demonstra sua fraqueza de animo e acanhada intelligencia. Transcreveremos o seguinte trecho:
« Vejo a carta de v. m. Eu, senhor, não tenho adiante dos
olhos outra cousa mais que o serviço de Deos e de El-Rei.....,
nem foi meu animo contender com v. m.; antes quero seguir em
tudo os dictames, que sua autoridade, annos e experiencia fazem
mais respeitaveis, e assim approvo por bem determinadas as disposições de v. m. E como espero ver a v. m. n'esse arraial,
n'elle darei a mão à palmatoria, no caso que v. m. entenda que
delinquí contra seu espirito.
« N'esta villa se levantou uma borrasca porque alguns não querem justiça direita; porém em se desterrando d'aqui um lettrado
malevolo e perturbador da paz, logo isto ha de ficar em socego.
Aos pés de v. m. fica muito rendida minha vontade e obediencia >>.
Não sabemos qual seja o lettrado de quem falla o ouvidor.
Talvez fosse o dr. Antonio de Macedo, que exercia a advocacia no juizo
da intendencia e da ouvidoria da comarca, e de cujos escriptos,
que encontramos em alguns processos, já transpira liberdade quiçá
demasiada para o tempo. Então as autoridades consideravão os
advogados como perturbadores da ordem da justiça. Querião uma
justiça rapida, expedita, sem formalidades. Os advogados, naturalmente formalistas, obstavão o livre curso da arbitrariedade: d'ahi
provinha o desaffecto, que lhes votavão os julgadores. Em breve
veremos ordenar-se que sejão exterminados do districto, e, sob
penas rigorosas, prohibido n'elle o exercicio da advocacia.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 61 —}}</noinclude>Em uma queixa que varios mineiros concessionarios de lavras
auriferas, dirigirão ao governador sobre o procedimento do con-
tratador, que quiz impedir-lhes a mineração, a pretexto que ella
offendia os serviços do contrato, lemos o seguinte:
« Os supplicantes não esperão mais que a continuação das
violencias e vexames, que experimentão e todos os povos circumvisinhos; esperão por instantes se mande prender a seus escravos,
pois é público no dito arraial (do Tijuco), que se tem passado
ordens, e para estas se passarem basta requerel-o o contratador
ou seja de palavra ou por escripto, sem outro fundamento algum
mais que a sua vontade; porque esta só se inclina à destruição
dos mineiros, despejo e exterminio dos moradores e mercadores da
demarcação, e geral destruição e assolação da mesma. Elle vai
conseguindo o seu intento, affectando poderes que lhe não são
concedidos, sem que os ministros régios da demarcação lh'o encontrem, pondo-se os moradores d'ella na maior consternação; de
fórma que resulta contra elle un geral clamor. E a não serem
tão leaes vassallos, tementes a Deos e ás justiças, e attentos ao
prudentissimo, piissimo e paternal regimen com que v. exc. governa seus subditos, terião resultado consequencias muito prejudiciaes e fataes ruinas...... »
Entretanto se entravão em conflicto os interesses do contrato
e os da fazenda real, Raphael Pires Pardinho propendia para os
d'esta.
Para darem principio aos trabalhos de mineração no Jequitinhonha, os contratadores havião ajustado com certo fazendeiro, Francisco
Martins, o córte e conducção de toda a madeira necessaria. Sabendo
Pardinho d'esse contrato mandou intimal-os para o rescindirem; porque o córte e conducção das madeiras devião ser feitas com os 600
escravos capitados. Os contratadores replicárão, allegando que esse
preparativo não era propriamente acto de mineração.
Não entraremos na longa discussão juridica que suscitou-se sobre
esta questão entre o intendente e os contratadores, e que fórma
um volumoso processo que temos presente: ella não offerece interesse ao leitor. Os contratadores não podendo obter de {{começo de palavra hifenizada|Pardi|Pardinho}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 62 —}}</noinclude>{{término de palavra hifenizada|dinho|Pardinho}} uma só decisão favoravel, recorrerão ao governador [[w:pt:Gomes Freire de Andrade, 1.º Conde de Bobadela|Gomes Freire de Andrade]] e este declarou que podião madeirar com es-
cravos além dos 600 capitados, ou ajustar com madeireiros o córte e
conducção das madeiras precisas, com tanto que as descarregassem
um tiro de espingarda distante dos barrancos do rio ».
Pardinho protestou energicamente contra esta decisão em lin-
guagem talvez descomedida, como consta de sua correspondencia
com o governador. Em uma de suas cartas lemos o seguinte:
« ...... O que eu afirmo para que a todo tempo conste a bem
da fazenda real (e se for necessario o juro aos Santos Evangelhos), é que se convim no contrato dos diamantes por 230$000
por cada um dos seiscentos escravos, foi na certeza de que estes
havião de fazer o serviço necessario, que negros costumão fazer
para se extrahir diamantes, sem se poder metter mais negros que
os seiscentos capitados.... »
Em outra carta diz:
« Achou v. exe. que elles (os contratadores) tinhão razão: faça-se o que v. exc. determina; porém não posso deixar de lhe
dizer que esta materia é de grandes consequencias não só para
este contrato, mas tambem para os futuros, e me parece preciso
tomar v. exe. melhores informações...... Entre os achaques que
os annos causão aos velhos, é o de viverem timoratos e desconfiados de si mesmos, do qual me não posso escusar. A piedade
de Sua Magestade mandou-me para este emprego, e se eu podesse dizer (como v. exc. justamente disse), que tinha a minha
reputação bem estabelecida, não desconfiára de que até meus amigos duvidarião de meu comportamento ».
Pardinho continúa em amargas queixas contra a decisão do
governador, que responde-lhe em termos attenciosos, reconhecendo serem ellas motivadas pelo grande zelo do intendente em favor
dos interesses da corôa.
Poderiamos multiplicar a citação de exemplos que demonstrão
a prepotencia dos contratadores. Basta o que fica dito: outros factos
irão apparecendo no correr d'esta narração.
Pardinho já cançado do emprego de intendente, um dos mais<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 63 —}}</noinclude>laboriosos da capitania, allegando sua avançada idade e incommodos, que soffria, pedio e obteve sua demissão. El-rei mandou
que o governador o louvasse pelos bons serviços, que prestára
durante o tempo de sua intendencia.<noinclude></noinclude>
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