Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.12 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades/Invocação á Saudade 0 20111 556470 495141 2026-07-26T16:58:20Z Junglk 34905 556470 wikitext text/x-wiki <pages index="Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu" from=299 to=305 header=1 /> {{dhr}} {{Smallrefs|fs=85%}} [[Categoria:Suspiros Poéticos e Saudades]] 2w88ktnxkewtlon9cvwtkvi63cbof0h Marcha soldado 0 29327 556478 390242 2026-07-27T00:22:48Z Magi129 37993 556478 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra=Marcha soldado |autor= |notas= }} <poem> Marcha soldado Cabeça de Papel Se não marchar direito Vai preso pro quartel! O quartel pegou fogo A polícia deu sinal Acode, acode, acode A bandeira nacional! </poem> [[Categoria:Cantigas de roda]] 1ercp73zwzxdxlovfbzgj51udsfz82u Autor:Laudelino Freire 102 179709 556476 533603 2026-07-26T21:34:01Z Junglk 34905 Atualizando foto + obras 556476 wikitext text/x-wiki {{autor/v2 | InicialUltimoNome = F | nome = Laudelino Freire | nome completo = Laudelino de Oliveira Freire | nome nativo = | imagem = Laudelino Freire em 1918.jpg | imagem_tamanho = | legenda = Fotografia datada de 30 de agosto de 1918, da autoria de G. Huebner & Amaral. | data_nascimento = {{dni|26|1|1873|si}} | nacionalidade = {{BRAn|o}} | data_morte = {{morte|18|6|1937|26|1|1873}} | género = | período = | temas = | abl = sim | MiscBio = '''Laudelino Freire''' foi um advogado, jornalista, professor, político, crítico literário, crítico de arte e filólogo sergipano. }} == Obras == === Editor === {{Lista de documentos início|gênero}} {{Documento|data=1913|título=Sonetos brasileiros|galeria=Sonetos brasileiros (1913).djvu|progresso=1|gênero=Antologia|notas={{smaller|Ilustrado por M. J. Garnier.}}}} {{Lista de documentos final}} {{autores}} {{controle de autoridade}} {{Brasil DP-Autor|morte=1937}} {{DEFAULTSORT:Freire, Laudelino}} [[Categoria:Autores sergipanos]] [[Categoria:Laudelino Freire| ]] p6pmn7dnxm6f2k2qwcbwgriprin84bg Wikisource:GUS2Wiki 4 217577 556427 556014 2026-07-26T12:59:54Z Alexis Jazz 29519 Updating gadget usage statistics from [[Special:GadgetUsage]] ([[phab:T121049]]) 556427 wikitext text/x-wiki {{#ifexist:Project:GUS2Wiki/top|{{/top}}|This page provides a historical record of [[Special:GadgetUsage]] through its page history. To get the data in CSV format, see wikitext. To customize this message or add categories, create [[/top]].}} Os seguintes dados estão na cache e foram atualizados pela última vez a 2026-07-25T18:44:09Z. {{PLURAL:5000|Está disponível na cache um máximo de um resultado|Estão disponíveis na cache um máximo de 5000 resultados}}. {| class="sortable wikitable" ! 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Tu, tyranna da ausencia, que retratas Em fugitiva sombra, em negro quadro :::A imagem do passado; Que ao filho sempre a mãe annosa antolhas, A patria ao peregrino, o amigo ao amigo, }}<noinclude></noinclude> bro83q0iqn3t414k9w7yj0gnbto9d93 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/300 106 231557 556449 495133 2026-07-26T15:42:46Z Junglk 34905 /* Revista */ 556449 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|290|{{smaller|SAUDADES}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| O esposo á esposa; e ao malfadado escravo, Que sem futuro pelo mundo vaga, Mostras a liberdade, e o lar paterno; E a cada simulacro que apresentas, Com farpado aguilhão rasgas o peito :::Do triste que te soffre; E nos olhos sanguineos, encovados, :::Não lagrimas distillas, Mas fel, só atro fel, barbara, espremes. Oh saudade! Oh martyrio de alma nobre! Máo-grado o teu pungir, como és suave! Como a rosa de espinhos guarnecida Aguilhôa, e apraz co’ o doce aroma, Tu feres, e mitigas com lembranças. Mas ah! o teu espinho ainda é mais duro; E essas tuas lembranças são fallaces, Flores são que o punhal de Harmodios cobrem. Para agora opprimir-me tudo se ergue; Tudo agora de encantos se reveste, Para mais aggravar minha saudade. Sitios qu’eu desdenhei, sitios que amava, }}<noinclude></noinclude> jhvob3cnx0bm77y3pe9e8wf0ezhbglj Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/301 106 231558 556450 495134 2026-07-26T15:45:22Z Junglk 34905 /* Revista */ 556450 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES}}|291}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=stanza| Templos que orar me viram respeitoso, Estes céos de saphira, estas montanhas Cobertas de cocares de palmeiras, Pais, amigos, irmãos, ah! tudo, tudo Me está representando a phantasia, Como que pouco a pouco quer matar-me. Que scena ha-hi que mais encantos tenha, Que ver languida virgem, pudibunda, Pallida a fronte, as faces desbotadas, Baixos os olhos, revoando a coma, E uma terna expressão de occulta angustia :::Que lavra-lhe as entranhas? Que scena ha-hi que mais encantos tenha, Que vêl-a n’um baixel, segura ao mastro, Suspiros exhalar, longos suspiros, Que vôam murmurando, e se misturam Co’ os ventos que sibilam nas enxarcias? De vez em quando olhar, e só ver nuvens, Nuvens que o céo encobrem, retratando Fugitivas imagens, que recordam Terras da patria; quem, meu Deos, quem póde :::Resistir á tal scena? }}<noinclude></noinclude> bx2gyfyliirv97t8ec2o0ixc3ya52vh Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/302 106 231559 556459 495140 2026-07-26T16:48:23Z Junglk 34905 /* Revista */ 556459 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|292|{{smaller|SAUDADES}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow| Tu matas, oh saudade!… Ás crespas ondas, Delirante Moêma<ref>Veja-se o Episodio de Moêma, [[Caramuru/VI|canto VI]], p. 172, do poema [[Caramuru|Caramurù]] de {{a|José de Santa Rita Durão|S. Rita Durão}}.</ref>, e quasi insana, Por ti ferida se arremessa… e morre,… :::Que não póde a mesquinha Longe viver do fugitivo amante, Que tanto amor pagára com desprezos. Lyndoia<ref>Episodio do [[O Uraguai|Uruguay]], poema de {{a|Basílio da Gama|José Basilio da Gama}}, [[O Uraguai/III|canto III]].</ref>, entregue á dor, desesperada N’ausencia de Cacambo, mal lhe sôa Do caro esposo o ultimo suspiro, Tambem suspira, odeia a vida,… e morre… E tu; Clara infeliz<ref>Este caso é original.</ref>, filha dos bosques, :::Gerada entre palmeiras, Nada póde aprazer-te, nada póde :::Extinguir-te a lembrança Da rustica cabana, onde embalada Em berço foste de tecidas varas. De diurnas, domesticas fadigas Descançada, lá quando alveja a lua Em fundo azul, mil vezes te enxergaram }}<noinclude>{{reflist}}</noinclude> lww5gc3bfou1moqr0ivmat4iosdgvz3 556462 556459 2026-07-26T16:50:18Z Junglk 34905 556462 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|292|{{smaller|SAUDADES}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow| Tu matas, oh saudade!… Ás crespas ondas, Delirante Moêma<ref>Veja-se o Episodio de Moêma, [[Caramuru/VI|canto VI]], p. 172, do poema [[Caramuru|Caramurù]] de {{a|José de Santa Rita Durão|S. Rita Durão}}.</ref>, e quasi insana, Por ti ferida se arremessa… e morre,… :::Que não póde a mesquinha Longe viver do fugitivo amante, Que tanto amor pagára com desprezos. 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De diurnas, domesticas fadigas Descançada, lá quando alveja a lua Em fundo azul, mil vezes te enxergaram }}<noinclude>{{reflist}}</noinclude> 07bcj6ninw39gm457kvrgfbt31mww8b Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/303 106 231560 556464 495136 2026-07-26T16:52:45Z Junglk 34905 /* Revista */ 556464 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES}}|293}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| N’um tronco de coqueiro reclinada, Cantar da infancia tua arias saudosas, Arias bebidas nos materno labios: :::Ai… minha mãe, dizias. Ai… minha mãe… quem sabe si ainda vives! Aldeia onde nasci, pobre cabana, Rêde que me embalavas, eu vos chóro! Oh terra do Brasil, terra querida, Quantas vezes do misero Africano Te regaram as lagrimas saudosas? Quantas vezes teus bosques repetiram :::Magoados accentos :::Do cantico do escravo, Ao som dos duros golpes do machado! Oh barbara ambição, que sem piedade, Cega e surda de Christo a lei postergas, E assoberbando mares, e perigos, Vais infame roubar, não vans riquezas, :::Mas homens, que escravisas! Mil vezes o Senhor, para punir-te, Oppoz ao teu baixel ondas, e ventos; }}<noinclude></noinclude> d69ddgswj78uq9hxht31eywjul8qnk7 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/304 106 231561 556467 495137 2026-07-26T16:55:04Z Junglk 34905 /* Revista */ 556467 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|294|{{smaller|SAUDADES}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow| :::Mil vezes, mas embalde, Nas cavernas do mar cahío gemendo. Á voz do Eterno obediente a terra :::Se mostra austera e parca, Que a lagrima do escravo esteriliza :::O terreno que orvalha. A Natureza préza a Liberdade, E só franqueia aos livres seus thesouros. Oh suspirada, oh cara Liberdade, Descende asinha do Africano á choça, Seu pranto enxuga, quebra-lhe as cadeias, E adoça-lhe da patria a dôr saudosa. Oh palavras! oh lingua! quão sois fracas, Para d’alma narrar os sentimentos! Oh saudade, afflicção dura e suave! Oh saudade, que o rosto me descóras, Saudade, que me apertas, que nos labios :::Séccas-me o almo riso, E o pensamento meu absorves todo, Como uma esponja o liquido, e o repartes Co’ o passado, o presente, e co’ o futuro. }}<noinclude></noinclude> nm1tw1tv3m21rlw1dv4mzaaax68oo72 Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/305 106 231562 556468 495138 2026-07-26T16:57:52Z Junglk 34905 /* Revista */ 556468 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES}}|295}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close| :::Oh saudade! Oh saudade! Minhas endechas mal carpidas colhe; Dá-me um lugubre som, como o das vagas :::Que nas praias se quebram Sem ordem, como os meus chorados cantos; Uma voz sepulchral, como a da rôla Que em solitaria selva se lamenta; Um accento funéreo, um echo lugubre, Como o echo das grótas, quando a chuva :::Gotteja reboando. Ah! corram minhas lagrimas, ah! corram A quantos meus gemidos escutarem. :::Oh saudade! Oh saudade! :::Pois que em minha alma habitas, E sem cessar me lembras pais, e Patria, Minhas tristes endechas serão tuas, Saudade, serei teu… Saudade, és minha. }} {{dhr|1.5}} {{Linha customizada|sp|20|fy1|40|sp|20}}<noinclude></noinclude> 15pbb6feoymrtx5snvif87xujxx5v75 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/10 106 238766 556469 511661 2026-07-26T16:58:19Z Erick Soares3 19404 556469 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{right|{{x-larger|'''SUMÁRIO'''}}}} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Prefácio|'''Prefácio''']] |título= |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/12|11]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Nota da Autora|'''Nota da Autora''']] |título= 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{{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 15|'''Mitos sobre a urna''']] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/242|241]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 16|'''Manifesto''']] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/260|259]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 17|'''Relatórios técnicos''']] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/264|263]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 18|'''Briga judicial por 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{{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Anexo especial|'''ANEXO ESPECIAL: As primeiras Leis Eleitorais brasileiras''']] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/292|291]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título={{gap}}{{gap}}{{gap}}[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Anexo especial#Código Eleitoral de 1932|Código Eleitoral de 1932]] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/292|291]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título={{gap}}{{gap}}{{gap}}[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Anexo especial#Lei Saraiva|Lei Saraiva]] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/321|320]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40|largura-s = 80 |seção= |título=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Referências bibliográficas|'''Referências bibliográficas''']] |página=[[Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/346|345]] }} {{nop}}<noinclude></noinclude> qwoo07gmz8rii5gwtkice761o4zmcxy Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/197 106 239025 556437 539509 2026-07-26T14:20:31Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556437 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''eleições realizadas em 2016, é que, no dia anterior à eleição, há um sorteio de urnas, que são apanhadas nos locais onde elas estiverem, muitas vezes de helicóptero, e são trazidas para uma central de apuração. E ali se faz uma votação simulada, acompanhada por todos os partidos. Para o local de onde foi tirada a urna, manda-se uma urna nova, com a mesma programação. Só para se fazer uma checagem pública e saber se não há manipulação. Os partidos não mandam mais representantes para acompanhar, não se interessam, de tão tranquilos que estão com a fidelidade da programação e da própria urna.''” O processo acontece em todos os estados e começa cerca de um mês anterior à data da eleição. O trabalho para a auditoria se inicia com Tribunais Regionais Eleitorais - TREs, que devem, em sessão pública, em até 30 dias antes das eleições, nomear uma Comissão de Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas. Essa comissão deve ser composta por: um juiz de direito, que será o presidente; e, no mínimo, seis servidores da Justiça Eleitoral, sendo pelo menos um da Corregedoria Regional Eleitoral, um da Secretaria Judiciária e um da Secretaria de Tecnologia da Informação. {{nop}}<noinclude>{{center|'''196'''}}</noinclude> 9b3mhgbabm4jk5cbiyp0pavztc5z7dj Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/198 106 239026 556438 512227 2026-07-26T14:22:14Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556438 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>O Procurador Regional Eleitoral deve indicar, então, um representante do Ministério Público para acompanhar os trabalhos da comissão. Os partidos políticos, as coligações, a OAB, o Congresso Nacional, o STF, a Controladoria-Geral da União, o Departamento de Polícia Federal, a Sociedade Brasileira de Computação - SBC, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia - Confea e os departamentos de Tecnologia da Informação de universidades também podem indicar representantes para acompanhar os trabalhos do grupo. Os TREs devem informar, em edital e com divulgação nos respectivos sites, no período de 20 dias antes das eleições, o local onde será realizada a auditoria. No mesmo prazo, eles devem expedir ofícios aos partidos políticos, comunicando sobre o horário e o local onde será realizado o sorteio das urnas que serão auditadas na véspera do pleito. O ofício também deve conter o horário e o local da auditoria no dia da eleição, informando sobre a participação de seus representantes. Na véspera das eleições, a Justiça Eleitoral deve sortear, em cerimônia pública, algumas seções eleitorais de todo o país. O número de urnas a ser auditado varia, de três a cinco, dependendo<noinclude>{{center|'''197'''}}</noinclude> 7d41thio8hbj4jgl5kur677njxp6hcl Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/199 106 239027 556439 512228 2026-07-26T14:23:26Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556439 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>do número de seções eleitorais que a unidade da Federação possuir. Ainda na véspera das eleições, as urnas eletrônicas escolhidas devem ser retiradas das seções de origem e instaladas imediatamente nos TREs, em salas com câmeras de filmagem. As urnas retiradas das seções são, então, substituídas por novos equipamentos. Imediatamente após o sorteio das seções, os respectivos Juízes Eleitorais são notificados por ofício encaminhado via FAX e, na sequência, por telefone, para recolher a urna sorteada no local de votação e aguardar a retirada pela equipe responsável referente à coleta. Em algumas regiões do país, essas equipes dispõem até de um avião para retirarem as urnas eletrônicas dos locais distantes (mais de 200 km da capital). As urnas sorteadas são encaminhadas ao local da votação paralela. Em São Paulo, por exemplo, o procedimento ocorre na Câmara Municipal. A comissão deve providenciar o número de cédulas de votação, por seção eleitoral sorteada, que corresponda a, aleatoriamente, entre 75% e 82% do número de eleitores registrados na respectiva seção eleitoral. As cédulas deverão ser preenchidas por<noinclude>{{center|'''198'''}}</noinclude> 892tyqg1kxhw7qkjvqost3em7b2u9de Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/200 106 239028 556440 539510 2026-07-26T14:24:35Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556440 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>representantes dos partidos políticos e das coligações e guardadas em urnas de lona lacradas. Caso os partidos não preencham esse número de cédulas, crianças e adolescentes de 7 a 15 anos, convidadas pela Comissão responsável, preencherão tantas quantas forem necessárias para completar o montante. As cédulas serão preenchidas com números correspondentes a candidatos registrados e votos de legenda, assim como votos nulos e brancos. No dia da eleição, a “votação paralela” se inicia no mesmo horário da votação oficial, às 8h. A partir da impressão da zerésima pela urna, prova de que não há nenhum voto dentro do equipamento, todos os votos das cédulas preenchidas no dia anterior são digitados, um por um, na urna eletrônica e também em um sistema paralelo em computador. As câmeras filmam os números digitados no teclado da urna. Ao final da votação, a urna imprime um Boletim de Urna e o sistema auxiliar também emite um boletim. Os dados dos dois equipamentos são comparados pela comissão de auditoria e é verificado se a urna funcionou normalmente, bem como se foram registrados exatamente os votos das cédulas em papel digitados na urna. {{nop}}<noinclude>{{center|'''199'''}}</noinclude> g0anhyxkzkh29k1jeygtd1utgcvx8gt Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/201 106 239029 556441 512381 2026-07-26T14:25:51Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556441 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Todo o processo é monitorado e seguido pelos representantes indicados. Os trabalhos da comissão podem ser acompanhados por qualquer interessado. Além disso, a comissão responsável pela votação paralela também deverá dar publicidade a todas as suas decisões. Muitos TREs, inclusive, passaram a transmitir a auditoria ao vivo, pelo YouTube. Vale destacar que é contratada pelo TSE uma empresa de auditoria, que acompanha o procedimento em todo o país. Essa fiscalização é realizada, em todas as fases dos trabalhos, nos Tribunais Regionais Eleitorais. Em todos os anos de auditoria, em uma das votações paralelas realizadas, apenas uma urna apresentou divergência dos resultados. Ao realizar a checagem, foi constatada falha humana: a pessoa responsável por registrar o voto na urna cometeu um erro de digitação. Desde a sua criação, esse processo, transparente e organizado, sempre atestou a integridade dos sistemas da urna eletrônica. A outra parte das urnas sorteadas é destinada à auditoria de verificação da autenticidade e integridade dos sistemas. Essa auditoria possibilita que partidos, entidades e cidadãos interessados verifiquem se as assinaturas digitais dos sistemas<noinclude>{{center|'''200'''}}</noinclude> a5dhvekutr2kya4vq1r2pxyetmnc6bf Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/205 106 239031 556442 512383 2026-07-26T14:27:53Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556442 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>equipamentos, com sede administrativa em Curitiba. Conforme a licitação feita pelo TSE, serão fabricadas 225 mil urnas do novo modelo, uma proposta orçada em R$ 799 milhões. A entrega está prevista para maio de 2022. E, seguindo o imposto pela Corte em 1996, a vida útil do equipamento é de dez anos. Em 2022, a nova urna será utilizada apenas em algumas regiões do país. O modelo anterior, atualizado em 2015, também fará parte do processo eleitoral. No total, 577 mil urnas eletrônicas serão utilizadas nas eleições. “''Com menos consumo de energia e ergonomicamente mais adequada, vai mudar a carinha da urna eletrônica, mas a essência continua a mesma, com hardware simples, robusto, durável, que dê para usar durante muito tempo, com dispositivos de segurança e que pode ter outros dispositivos de segurança agregados''”, conta Toné. Dentre as principais mudanças na urna eletrônica, pode-se destacar: * Terminal do mesário com tela totalmente gráfica e superfície sensível ao toque, sem teclado físico; * Processador do tipo System on a Chip (SOC), 18 vezes mais rápido que o modelo 2015; {{nop}}<noinclude>{{center|'''204'''}}</noinclude> ivl3r4ie0vbfx1yfaw1mop4at7zwa8o Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/206 106 239032 556443 512384 2026-07-26T14:29:41Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556443 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>* Bateria do tipo Lítio Ferro-Fosfato: menor custo de conservação por não necessitar de recarga; * Expectativa de duração da bateria por toda a vida útil da urna; * Mídia de aplicação do tipo pen drive, o que traz maior flexibilidade logística para os TREs na geração de mídias. “''É um projeto de 2016. Ela teve alguns avanços, principalmente na parte de ergonomia. Ficou na forma de um totem, o teclado ficou centralizado, mais junto à tela, mais próximo do campo visual da tela. No mesmo momento que o eleitor está digitando, ele está vendo o voto na tela. Existem melhorias em requisitos de segurança, de componentes eletrônicos, o terminal do mesário é praticamente um tablet, com vários recursos, apresentando, inclusive, a foto do eleitor no terminal do mesário. As baterias são e uma nova tecnologia que dispensa um trabalho, que é feito constantemente em todas as urnas, de carga de 3 em 3 meses, entre outros aprimoramentos do modelo de engenharia dentro o equipamento. Permite acoplar outros equipamentos, como uma impressora para o voto impresso, ou mecanismos para traplégicos, por exemplo, um dispositivo de verificação de movimento de olhos para que o eleitor possa votar sem utilizar as''<noinclude>{{center|'''205'''}}</noinclude> h6wme0ixdk6fz5lzi26jmol9odiervc Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/207 106 239033 556444 539513 2026-07-26T14:30:12Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556444 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''próprias mãos (esse dispositivo ainda não está disponível, mas está sendo estudado para que seja viabilizado)''”, contou Giuseppe Janino. O teclado também teve um salto tecnológico com botões com duplo fator de contato, permitindo que o próprio equipamento identifique casos de mau contato ou curto-circuito, acelerando um possível processo de substituição, caso seja necessário. A nova urna também permitirá mais agilidade no trabalho dos mesários, que poderão iniciar a identificação de um eleitor enquanto outro ainda registra seu voto, diminuindo as filas nas seções eleitorais. {{nop}}<noinclude>{{center|'''206'''}}</noinclude> 059i76re59thwyjk53zeafewmnmuw4i Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/208 106 239034 556445 512387 2026-07-26T14:31:59Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556445 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{right|<big>'''<big>DIMINUIÇÃO DE VOTOS <br>BRANCOS E NULOS</big>'''</big>}} Além de democratizar o voto, ao possibilitar que eleitores analfabetos e cegos também possam votar, o sistema de voto eletrônico teve um grande impacto na diminuição dos números de votos nulos no país. Jairo Nicolau, pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - Iuperj, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, após a eleição de 1998, destacou que “''a principal razão da introdução do voto eletrônico foi dar cabo das fraudes, ainda significativas em partes do país, sobretudo na fase de apuração dos votos. Inquestionavelmente, esse objetivo foi alcançado. Mas seu grande mérito foi ter tornado mais fácil o ato de votar para o enorme contingente de eleitores de baixa escolaridade, reduzindo, assim, de maneira impressionante, os votos inválidos.''” O professor foi além, ao classificar o sistema de voto eletrônico como “''uma revolução política no país''”. ''Segundo ele,'' “''milhões de eleitores passaram a ter suas preferências realmente contabilizadas pelo sistema representativo. Não dá ainda para dizer com precisão a magnitude desta revolução, mas o número pode chegar facilmente a 10 milhões de eleitores. Parece pouco,''<noinclude>{{center|'''207'''}}</noinclude> jh96qcxne2baczr1r0993rv6q4u7e1f Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/209 106 239035 556446 539514 2026-07-26T14:32:45Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556446 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''mas aí cabem, somados, os eleitores que foram às urnas nas últimas eleições em Portugal, na Nova Zelândia e na Finlândia''”. Já o professor da Universidade de Brasília, David Fleischer, destacou, em seu artigo “As eleições municipais no Brasil: uma análise comparativa (1982-2000)”, as mudanças ocorridas nos índices de votos nulos: “''as diferenças significativas estão nas duas eleições para vereador. Comparado com o pleito de 1996, em 2000 a proporção de votos válidos aumentou de 86,49% para 93,91%, enquanto os votos em branco e nulos diminuíram de 13,51% para 6,09%. Sem dúvida, este fenômeno se deve em grande parte à utilização da urna eletrônica em todo o Brasil em 2000, enquanto esta técnica foi experimentada em apenas 51 das maiores cidades em 1996''”. {{nop}}<noinclude>{{center|'''208'''}}</noinclude> lhw2ovvlozt82opwahr501m9r2m0iqx Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/210 106 239036 556454 512389 2026-07-26T16:42:55Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556454 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>Impressão do Voto:<br> a polêmica em 2021</big>'''</big>}} A impressão do voto é um assunto que sempre retorna à discussão e, volta e meia, é encaminhado ao Congresso algum projeto para sua implantação. A intenção seria: o eleitor realiza o registro do voto na urna eletrônica, a urna realiza a impressão do voto, o eleitor confere o voto impresso e ele é automaticamente inserido em outra urna. A justificativa seria evitar fraudes da urna eletrônica. Esse foi o procedimento adotado na primeira eleição realizada com urnas eletrônicas em 1996. Naquele ano, alguns municípios realizaram as eleições para prefeitos e vereadores com urnas que faziam a impressão do voto. Ao todo, foram utilizadas 70 mil dessas urnas. Paulo Camarão relata que houve muitos problemas e o TSE decidiu ser mais simples e mais econômica a remoção definitiva do voto impresso. Nas eleições seguintes, já definido que não haveria voto impresso, o presidente do TSE na época determinou que deveria haver o voto impresso, pelo menos, em parte das urnas. Camarão entrou em contato com os TREs, para que cinco<noinclude>{{center|'''209'''}}</noinclude> jf72rc809r5c7bjia213sbgvi868c4m Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/211 106 239037 556455 512390 2026-07-26T16:44:06Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556455 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>municípios de cada estado utilizassem as urnas com impressoras. Isso seria cerca de 5.500 urnas. O presidente do TSE considerou a amostragem muito pequena e insistiu por um número maior. De volta às negociações com os TREs, Camarão conseguiu aumentar o número para pouco mais de 20 mil urnas. Para a realização das eleições de 2002, a história se repetiu. O Ministro Jobim era Presidente do TSE e coube a ele resolver essa questão. Jobim acompanhou os técnicos para entender quais seriam os problemas, visitou o Senado e a Câmara para conversar com parlamentares. Por fim, convidou a equipe técnica para ir ao seu apartamento e prestar mais esclarecimentos, para que pudesse tomar uma decisão. “''Ele dizia: vocês venham aqui que vocês vão me explicar esse negócio da urna eletrônica''”, conta Toné. “''Ele pedia para cada um dos técnicos dar suas explicações e, dependendo da explicação, ele dizia: deixa eu raciocinar agora.'' ''Eu dizia: Ministro… ele interrompia: Toni, com licença, agora estou raciocinando.'' ''O que ele fez?'' ''Vamos botar essa tal de urna impressora em tantas urnas eletrônicas, fazer um boletim estatístico e mostrar,''<noinclude>{{center|'''210'''}}</noinclude> 3jzapkyefannj8rvi3wipz0e1t8ydql Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/212 106 239038 556456 512391 2026-07-26T16:45:06Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556456 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''estatisticamente, que isso é prejudicial''”, explicou Toné. Foram utilizadas urnas com voto impresso em todas as seções eleitorais de Sergipe, do Distrito Federal e em mais 73 municípios do país, com a participação de cerca de 7 milhões de eleitores. Os custos para a implantação foram muito altos. O tempo de votação nas seções com voto impresso foi superior ao tempo nas seções onde não havia. Além disso, o número de panes nas impressoras foi expressivo e o procedimento de carga dos programas foi mais demorado. Giuseppe Janino acompanhou essa experiência e relata: “''Foi o caos. No Distrito Federal a votação foi até uma hora da manhã. E se verificou toda a problemática.'' ''O mais grave é voltar a mão do homem no processo, aquilo que foi eliminado em 1996, que era a fonte de toda a fraude.'' ''Quando tem a impressão do voto, o eleitor vota, a máquina imprime o voto, verifica a impressão no vidro e vai para um saco plástico, ninguém vai tocar. Mas, depois, alguém vai contar. Como vai contar? Vai se jogar esse voto em cima de uma mesa, vai botar a mão do homem para contar. Não tem outra forma.'' ''Existem pessoas bem-intencionadas que acreditavam que isso realmente daria maior transparência e outras, realmente''<noinclude>{{center|'''211'''}}</noinclude> gwwtzlwqicary2zpid0paztb0mwm3ss Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/213 106 239039 556457 512392 2026-07-26T16:46:00Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556457 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''tendenciosas, que queriam tumultuar. O TSE experimentou o voto impresso. Ele não fala de teoria, ele fala com experiência. Ele verificou que é um processo totalmente ineficiente, ineficaz e, além disso, é muito prejudicial.''” Na tentativa de colocar um ponto final na polêmica, a Lei 10.740/2003 substituiu o voto impresso pelo registro digital do voto. Em 2009, uma reviravolta: a Lei 12.034/2009 determinou algumas alterações no sistema eletrônico de votação brasileiro, entre elas o retorno do voto impresso a partir das eleições de 2014: “''Art. 5º Fica criado, a partir das eleições de 2014, inclusive, o voto impresso conferido pelo eleitor, garantido o total sigilo do voto e observadas as seguintes regras:'' ''§ 1º A máquina de votar exibirá para o eleitor, primeiramente, as telas referentes às eleições proporcionais; em seguida, aquelas referentes às eleições majoritárias; finalmente, o voto completo para conferência visual do eleitor e confirmação final do voto.'' ''§ 2º Após a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica imprimirá um número único de identificação do voto associado à sua própria assinatura digital.'' {{nop}}<noinclude>{{center|'''212'''}}</noinclude> do4jtue11wenq33zgj5c2tnukq5lvne Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/214 106 239040 556458 512393 2026-07-26T16:47:17Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556458 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''§ 3º O voto deverá ser depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.'' § 4º Após o fim da votação, a Justiça Eleitoral realizará, em audiência pública, auditoria independente do software mediante o sorteio de 2% (dois por cento) das urnas eletrônicas de cada Zona Eleitoral, respeitado o limite mínimo de 3 (três) máquinas por município, que deverão ter seus votos em papel contados e comparados com os resultados apresentados pelo respectivo boletim de urna. § 5º É permitido o uso de identificação do eleitor por sua biometria ou pela digitação do seu nome ou número de eleitor, desde que a máquina de identificar não tenha nenhuma conexão com a urna eletrônica.” {{dhr|3}} De acordo com o texto contido na Lei, a urna eletrônica seguiria o mesmo procedimento de voto de até então, exibindo as telas referentes aos votos digitados. Entretanto, após a confirmação do eleitor, a urna imprimiria um número único de identificação do voto, associado à sua própria assinatura digital. Após a impressão, o voto seria depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado<noinclude>{{center|'''213'''}}</noinclude> rpxs6pbv3tf4oj9kkdjcp58megd0486 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/215 106 239041 556460 512394 2026-07-26T16:48:31Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556460 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>para, posteriormente, passar por auditoria independente, em audiência pública, a ser realizada pela Justiça Eleitoral após o fim da votação. O objetivo desse procedimento era comparar o resultado apresentado na urna eletrônica com o resultado dos votos impressos. Giuseppe Janino também explica que, além das falhas mecânicas que podem ocorrer na hora da impressão do voto, essa sistemática nos levaria de volta ao tempo das fraudes em eleições realizadas com cédulas de papel: “''Com essa alternativa do voto impresso como mecanismo de auditoria, não precisa mais de inteligência para fraudar uma eleição, basta um pouquinho de habilidade.'' ''Hoje o voto é protegido por todas as funcionalidades digitais, é criptografado, assinado digitalmente, é protegido com funções de imutabilidade, e pode ser verificado com vários mecanismos. Se você pegar o mesmo voto e colocar no papel, você não tem mais nada disso.'' ''Pra fraudar, no paradigma digital, precisa de muita inteligência. Você precisa de um supercomputador, trabalhando seis meses para quebrar uma criptografia daquela, precisa de um supercomputador trabalhando 7 meses para quebrar uma''<noinclude>{{center|'''214'''}}</noinclude> 27jm2t88a9iu5epp8a13n8cprqe61sa Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/216 106 239042 556461 512395 2026-07-26T16:50:08Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556461 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''assinatura digital e, se quebrar, vai ficar rastro. No voto em papel você não precisa de nada disso. Um pouquinho de habilidade, você subtrai um voto. Aí não bateu papel com digital, você vai acreditar no papel ou no digital? Ninguém vai decidir, qual é a saída? Anular aquela seção.'' ''Eu sei que meu candidato vai perder naquela seção, eu vou dar um jeito de simplesmente subtrair um voto em papel.”'' A Justiça Eleitoral se posicionou publicamente contrária a esse ponto da Lei, por considerar que a impressão seria um retrocesso aos tempos de votação por cédula em papel. A impressão dos votos, além de desnecessária, geraria custos adicionais de cerca de bilhões de reais aos cofres públicos. Também há o entendimento de que impressão do voto fere o artigo 14 da Constituição Federal, que garante o voto secreto. A Procuradoria-Geral da República - PGR ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4543, para impedir a impressão do voto, pois poderia tornar vulnerável o sigilo do voto, abrir a possibilidade de coação de eleitores e aumentar a possibilidade de fraudes eleitorais. No dia 19 de setembro de 2011, os Ministros do STF concederam uma medida cautelar para suspender, até o julgamento de mérito<noinclude>{{center|'''215'''}}</noinclude> 3oe8xdwew1xhsgp5u11of8cacjwog17 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/217 106 239043 556463 512396 2026-07-26T16:51:45Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556463 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>da ADI, a aplicação do voto impresso nas eleições de 2012. Nessa concessão, já se anunciava qual seria a decisão do STF, pelo exposto na conclusão do voto da Ministra Carmen Lúcia: “''Pelo exposto, voto no sentido de deferir a medida cautelar requerida, para suspender os efeitos do art. 5º da Lei n. 12.034/09, porque presentes a plausibilidade jurídica dos argumentos lançados pela Procuradoria-Geral da República e o perigo da demora, pois a persistência da eficácia do dispositivo legal questionado impõe a aquisição e adequação dos equipamentos de votação, mudança na estrutura e dinâmica do Serviço de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral, a braços com as providências necessárias para a realização das eleições de 2012 e que teriam, ainda, que adotar procedimentos paralelos de licitações, mudança de sistema, gastos públicos, para a adaptação determinada, sem possibilidade de saneamento ou de refazimento destes dispêndios tecnológicos e financeiros após a sua realização e que seriam descartados e sem aproveitamento se, ao final, vier a ser declarado inconstitucional o dispositivo legal impugnado.''” {{dhr|3}} O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4543<noinclude>{{center|'''216'''}}</noinclude> 5osy2x9pdqxx8nh5tblg7spf1lbwg0f Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/218 106 239044 556465 512398 2026-07-26T16:52:54Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556465 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>ocorreu em 6 de novembro de 2013. A decisão do STF foi unânime: “''EMENTA: CONSTITUCIONAL. ELEITORAL. ART. 5º DA LEI Nº 12.034/2009: IMPRESSÃO DE VOTO.'' ''SIGILO DO VOTO: DIREITO FUNDAMENTAL DO CIDADÃO.'' ''VULNERAÇÃO POSSÍVEL DA URNA COM O SISTEMA DE IMPRESSÃO DO VOTO: INCONSISTÊNCIAS PROVOCADAS NO SISTEMA E NAS GARANTIAS DOS CIDADÃOS.'' ''INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA.'' {{dhr|3}} ''AÇÃO JULGADA PROCEDENTE.'' {{dhr|3}} ''1. A exigência legal do voto impresso no processo de votação, contendo número de identificação associado à assinatura digital do eleitor, vulnera o segredo do voto, garantia constitucional expressa.'' ''2. A garantia da inviolabilidade do voto impõe a necessidade de se assegurar ser impessoal o voto para garantia da liberdade de manifestação, evitando-se coação sobre o eleitor.'' ''3. A manutenção da urna em aberto põe em risco a segurança do sistema, possibilitando fraudes, o que não se harmoniza com as normas constitucionais de garantia do eleitor.'' {{nop}}<noinclude>{{center|'''217'''}}</noinclude> m7z99th7uuxmxrcdzdgav9pbkn8sbhz Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/219 106 239045 556466 539493 2026-07-26T16:54:19Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556466 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''4. Ação julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 5º da Lei nº 12.034/2009.''” {{dhr|3}} ''(ADI 4543, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-199 DIVULG 10-10-2014 PUBLIC 13-10-2014)'' {{dhr|3}} Em 2015, o tema voltou ao Congresso, com a aprovação da Lei nº 13.165/2015, que impôs novamente a obrigatoriedade do voto impresso, seguindo os preceitos da Lei anterior, 2009, para a sistemática da impressão dos votos. Com essa medida, a urna eletrônica precisou ser reformulada para adotar o sistema de impressão que deveria começar a substituir, aos poucos, as urnas antigas, a partir das eleições de 2018. Ao final de 2017, porém, o TSE desistiu de iniciar a substituição das urnas eletrônicas para o novo modelo, pois concluiu que o prazo de testes seria muito curto. A melhor opção foi licitar um módulo impressor de votos - MIV, para ser acoplado às urnas em uso. O MIV, desenvolvido pela empresa Quattro Eletrônica, é constituído por uma impressora de votos, um visor do voto, um transportador do voto e uma urna plástica descartável. {{nop}}<noinclude>{{center|'''218'''}}</noinclude> fycusopzi4ma7guxldbtq7dlwjt7oa5 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/73 106 254933 556428 2026-07-26T13:48:33Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556428 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|67|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Que succederia entāo se a Terra parasse de subito no seu movimento de translaçāo? perguntou Nicholl. — Elevar-se-ia a temperatura dʼella a ponto, responden Barbicane, que ficava immediatamente reduzida a vapores. — Ora ahí está, disse Miguel, um meio de acabar o mundo que tornava o negocio muito simples. — E se a Terra caisse sobre o Sol? disse Nicholl. — Essa quéda, segundo foi calculado, haveria de desenvolver uma quantidade de calor igual ao produzido por mil e seiscentos globos de carvāo de volume igual ao do globo terrestre. — Nāo era mau supplemento de temperatura para o Sol, replicou Miguel Ardan. Os habitantes de Urano ou de Neptuno é que se nāo haviam de queixar, que de certo morrem de frio lá nos planetas. — Por consequencia, caros amigos, qualquer movimento repentinamente anniquilado produz calor. Esta theoria ministra meio de explicar o calor do disco solar, suppondo-o alímentado por uma saraivada de bolidos que lhe caem sem cessar na superficie. Até já se calculou... — Cuidado! murmurou Miguel. Lá vem elle com os temiveis numeros. — Até já se calculou, proseguiu imperturbavel Barbicane, que o choque de cada bolido com o Sol deve produzir calor igual ao de quatro mil massas de hulha de igual volume. — E a intensidade do calor solar, qual é? — E igual á que resultaria da combustāo de uma camada de carvāo capaz de envolver o globo solar, e com vinte e sete kilometros de espessura. — E esse calor?... — Era bastante para fazer ferver por hora dois mil e novecentos milhōes myriametros cubicos de agua. — E ainda nāo estamos assados!? exclamou Miguel. — Nāo, respondeu Barbicane, porque a atmosphera terrestre absorve quatro decimas partes do calor solar, e alem dʼisso, porque, a fracçāo dʼeste calor interceptada pela Terra é apenas uns dois milhōes de avos da irradiaçāo total. {{nop}}<noinclude></noinclude> 847vzk6dvcs6pw07dnkhd9q4gwrrqp1 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/74 106 254934 556429 2026-07-26T13:52:32Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556429 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|68|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Vejo entāo que está tudo regulado pela melhor fórma possivel, replicou Miguel, e que a tal atmosphera é na realidade uma invençāo util, porque nāo sómente nos ministra meio de respirar, mas até impede que sejamos assados. — Sim, disse Nicholl, mas, por desgraça, nāo ha de succeder outro tanto na Lua, — Ora, exelamou Miguel, sempre cheio de confiança. Se ha là habitantes, de certo que respiram. Se já lá os nāo ha, sempre hāo de ter deixado oxygenio bastante para tres, quando mais nāo seja no fundo das cavidades, onde se accumula por força do proprio peso! E entāo que tem! nāo se trepa ás montanhas! ora ahi está. E Miguel, tendo-se levantado, foi-se a contemplar o disco lunar que entāo brilhava com tāo vivo esplendor, que mal podiam os olhos fixal-o. Apre que tal ha de ser lá o calor! — E o día, respondeu Nicholl, que dura lá trezentas e sessenta horas! — Em compensaçāo, disse Barbicane, tambem as noites duram o mesmo, e como o calor se perde pela irradiaçāo, a temperatura nocturna deve ser igual á dos espaços planetarios. — Bonito paiz! disse Miguel. Mas nāo importa! Quem me dera já lá estar! Hein! caros camaradas, como ha de ser curioso ter a Terra por Lua! vel-a nascer no horisonte! reconhecer-lhe a configuraçāo dos continentes! dizer commigo mesmo: Ali é a America, acolá a Europa! e depois seguil-a com os olhos quando vae a desapparecer entre os raios do Sol! A proposito, Barbicane, para os selenitas ha eclipses? — Ha eclipses do Sol, respondeu Barbicane, quando os centros dos tres astros estāo na mesma recta, estando a Terra no meio. Mas estes eclipses sāo todos annulares, e a Terra, que emquanto duram se projecta como uma mancha escura sobre o disco solar, deixa a descoberto a maior parte dʼeste. — E porque é que nāo ha nenhum eclipse total? perguntou Nicholl. Porventura nāo se estende o cone da sombra projeetada pela Terra ainda para alem da Lua? — Assim era, se nāo attendessemos á refracçāo produzida<noinclude></noinclude> ldwvv5jyvkqan84gv37vfii1d063scn Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/75 106 254935 556430 2026-07-26T13:56:29Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556430 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|69|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>pela atmosphera terrestre; mas nāo se attendermos á tal refracçāo. Ora seja ''delta'' primo a parallaxe, e ''p'' primo o semi-diametro apparente... — Uf! disse Miguel, nāo tarda ahí a metade de ''v'', zero quadrado!... Falla de maneira que se entenda, homem das algebras! — Pois seja; em linguagem vulgar, respondeu Barbicane, a distancia média da Lua à Terra é de sessenta raios terrestres e o comprimento do cone de sombra reduz-se, em virtude da refracçāo, a menos de quarenta e dois raios. Resulta, portanto, dʼaqui que, quando se realisam os eclipses, está a Lua alem do cone de sombra pura, e que o Sol lhe envia nāo só os raios da peripheria, mas tambem os do centro. — Entāo, disse Miguel, que historia é essa, porque é que ha eclipses sem os dever haver? — Por uma unica rasāo. É porque esses taes raios solares sāo enfraquecidos pela refracçāo, e porque a atmosphera que atravessam extingue a maior parte dʼelles! — Satisfaz-me a explicaçāo, respondeu Miguel. Demais, lá havemos de ver quando lá chegarmos. — Dize-me agora cá, Barbicane. Pensas acaso que a Lua seja um antigo planeta? — Olhem que idéa! — É verdade, replicou Miguel, todo amavel e cheio de si ; acodem-me ás vezes idéas dʼeste genero. — Mas de Miguel é que ellá nāo é, a tal idéa, responden Nicholl. — Ora essa! entāo en nāo passo de um plagiario. — Certamente, respondeu Nicholl. Segundo resam as antigas tradiçōes, affirmam os Arcadios que os antepassados dʼelles habitaram na Terra antes da Lua ser satellite dʼesta. Alguns sabios, partindo dʼeste facto, consideram a Lua como um cometa, que a sua orbita trouxe um dia bastante perto da Terra. para que ficasse retido pela attracçāo terrestre. — E que ha de verdade em tal hypothese ? perguntou Miguel. {{nop}}<noinclude></noinclude> ap2pzqf5cbc5okodin74s500uzspqxi Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/377 106 254936 556432 2026-07-26T14:01:25Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556432 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|185}}</noinclude>—Alto! falla alto, respondeu Javert, comigo todos fallam alto! João Valjean continuou abaixando a voz: —Queria fazer-lhe uma supplica.... —Digo-te que falles alto. —Mas que só deve ser ouvida pelo senhor..... —Que me importa? não ouço! João Valjean voltou-se para elle, e disse-lhe rapidamente e em voz mui baixa: —Conceda-me tres dias! Tres dias, para ir buscar a filha desta desgraçada mulher! Pagarei o que for preciso! O senhor me acompanhará se quizer. —Estás bricando! bradou Javert. Devéras, não te suppunha tam pateta! Pedes-me tres dias para te pôres ao fresco! Dizes que é para ir buscar a filha desta rapariga! Ah! ah! é divertido! é realmente muito divertido ! Fantina estremeceu. —Minha filha! exclamou, ir buscar minha filha? Então ella não está aqui! Minha irman, responda-me, onde está Cosetta? eu quero minha filna! senr. Magdalena ! senr. ''maire'' ! Javert bateu com o pé. —Ahi temos a outra, agora ! Vê lá se te calas, marota! Que diabo de terra esta, onde os galės são magistrados e as mulheres perdidas tratadas como condessas ! Ah ! tudo isto vae ter seu termo; já era tempo! Olhou fixamente para Fantina, e accrescentou, tornando a deitar a mão á gravata, á camisa e á gola de João Valjean: —Digo-te que aqui já não ha senr. Magdalena nem senr. ''maire''. O que ha é um ladrão, um salteador, um galé chamado João Valjean ! é elle que está neste momente nas minhas mãos ! ahi tens o que ha ! Fantina ergueu-se toda tremula, firmando-se em ambos os braços inteiriçados e em ambas as mãos, olhou para João Valjean, olhou para Javert, olhou para a religiosa, abriu a boca, como se quizesse fallar, sahiu-lhe um estertor da garganta, bateram-lhe os dentes, estendeu os braços com angustia, abrindo convulsivamente as mãos, e estendendo-as em torno de si como um misero que se afoga, depois catiu de subito em cima do travesseiro. {{nop}}<noinclude></noinclude> 3rwcho4bdt6iystbcq01kyfgp71l1dh 556433 556432 2026-07-26T14:03:02Z Erick Soares3 19404 556433 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|185}}</noinclude>—Alto! falla alto, respondeu Javert, comigo todos fallam alto! Joāo Valjean continuou abaixando a voz: —Queria fazer-lhe uma supplica.... —Digo-te que falles alto. —Mas que só deve ser ouvida pelo senhor..... —Que me importa? nāo ouço! Joāo Valjean voltou-se para elle, e disse-lhe rapidamente e em voz mui baixa: —Conceda-me tres dias! Tres dias, para ir buscar a filha desta desgraçada mulher! Pagarei o que for preciso! O senhor me acompanhará se quizer. —Estás bricando! bradou Javert. Devéras, nāo te suppunha tam pateta! Pedes-me tres dias para te pôres ao fresco! Dizes que é para ir buscar a filha desta rapariga! Ah! ah! é divertido! é realmente muito divertido ! Fantina estremeceu. —Minha filha! exclamou, ir buscar minha filha? Entāo ella nāo está aqui! Minha irman, responda-me, onde está Cosetta? eu quero minha filna! senr. Magdalena ! senr. ''maire'' ! Javert bateu com o pé. —Ahi temos a outra, agora ! Vê lá se te calas, marota! Que diabo de terra esta, onde os galės sāo magistrados e as mulheres perdidas tratadas como condessas ! Ah ! tudo isto vae ter seu termo; já era tempo! Olhou fixamente para Fantina, e accrescentou, tornando a deitar a māo á gravata, á camisa e á gola de Joāo Valjean: —Digo-te que aqui já nāo ha senr. Magdalena nem senr. ''maire''. O que ha é um ladrāo, um salteador, um galé chamado Joāo Valjean ! é elle que está neste momente nas minhas māos ! ahi tens o que ha ! Fantina ergueu-se toda tremula, firmando-se em ambos os braços inteiriçados e em ambas as māos, olhou para Joāo Valjean, olhou para Javert, olhou para a religiosa, abriu a boca, como se quizesse fallar, sahiu-lhe um estertor da garganta, bateram-lhe os dentes, estendeu os braços com angustia, abrindo convulsivamente as māos, e estendendo-as em torno de si como um misero que se afoga, depois catiu de subito em cima do travesseiro. {{nop}}<noinclude></noinclude> d3l6yblch8zftnu0cog7p05dhjmeb7f Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/378 106 254937 556434 2026-07-26T14:08:04Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556434 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|186}}</noinclude>A fronte bateu na cabeceira do leito e pendeu-lhe inerte para o peito, com a bocca aberta, os olhos arregalados e sem brilho. Estava morta. Joāo Valjean pegou na mão com que Javert o segurava, e abriu-a como se fòra a de uma creança; depois disse-lhe: —Você matou esta mulher. —Acabemos com isto! bradou Javert furioso; nāo estou aqui para ouvir sermōes. Deixemo-nos de perlengas; os soldados estāo là em baixo; é caminhar quanto antes, quando nāo, olha as algemas ! Havia nʼum canto do quarto uma velha cama de ferro bastante estragada, onde as irmans descansavam quando passavam a noite a velar. Joāo Valjean caminhou para essa cama, arrancou em um abrir e fechar de olhos a barra da cabeceira, já de todo desconjuntada, cousa facil para musculos como os seus, empunhou essa vara de ferro, e encarou Javert. Javer recuou até á porta. Joāo Valjean, com a sua barra em punho, dirigiu-se lentamente para o leito de Fantina. Quando alli chegou voltou-se e disse para Javert com uma voz que apenas podia ouvir-se : —Dou-lhe de conselho que nāo me incommode neste momento. O que é certo é que Javert tremia. Lembrou-se de ir chamar os soldados, mas Joāo Valjean podia aproveitar-se desse momento para evadir-se. Ficou, pois; pegou a bengala pela ponteira, e encostou-se á ombreira da porta, sem tirar os olhos de cima de João Valjean. João Valjean firmou o cotovello na maçaneta da cabeceira do leito, encostou o rosto na māo, e pôz-se a contemplar Fantina immovel e inteiriçada. Ficou assim, absorto, mudo, e já não pensando evidentemente em cousa alguma desta vida. No rosto e na attitude não se lhe notava mais do que uma inexprimivel commiseração. Passados alguns instantes nesse cogitar, inclinou-se para Fantina e fallou-lhe em voz baixa. O que lhe diria elle? O que poderia dizer aquelle homem condemnado aquella mulher que estava morta? Que palavras seriam essas? Ninguem na terra as ouviu. Tê-las-hia ouvido a defunta? Ha illusões que são talvez<noinclude></noinclude> 2r9sn0b7oxk4ljs2fl1v7894jd69rvo Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/379 106 254938 556435 2026-07-26T14:10:59Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556435 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|187}}</noinclude>realidades sublimes. O que não padece duvida é que a irman Simplicia, unica testemunha do que então se passava alli, referiu muitas vezes que, no momento em que Joāo Valjean fallou ao ouvido de Fantina, viu claramente com os seus proprios olhos assomar um ineffavel sorriso naquelles pallidos labios e naquelles olhos immoveis, cheios do assombro do tumulo. Joāo Valjean pegou com ambas as māos na cabeça de Fantina e accommodou-a em cima do travesseiro, como uma māe faria com seu filho ; depois atou-lhe o cordāo da camisa e metteu-lhe os cabellos para dentro da touca. Feito isto, fechou-lhe os olhos. O rosto de Fantina naquelle instante parecia estranhamente illuminado. A morte é a entrada para a luz verdadeira. A māo de Fantina pendia fóra do leito. João Valjean ajoelhou-se deante daquella mão, levantou-a devagarinho e beijou-a. Depois ergueu-se, e voltando-se para Javert: —Agora, disse, posso segui-lo. {{nop}}<noinclude></noinclude> b2to7mxzrws0py20ynftfb9r5dpflkm Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo segundo/Livro oitavo/IV 0 254939 556436 2026-07-26T14:12:15Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=375 to=379 header=1 /> {{Modernização}} {{DP-1}} [[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 8/04]] 556436 wikitext text/x-wiki <pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=375 to=379 header=1 /> {{Modernização}} {{DP-1}} [[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 8/04]] o4u77fk25uh9gkwvcqr6xj7cuqggejz Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/68 106 254940 556452 2026-07-26T16:08:50Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556452 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" /></noinclude>{{dhr}} {{T2||CAPITULO VIII}} {{dhr}} <small>Placido de Almeida Moutoso, segundo intendente, extermina as pessoas sem occupação. — Bando contra as ''quitandeiras''. — Segundo contrato dos diamantes. — O estrangeiro aufere mais lucros que o governo portuguez. — Diamantes do Serro Frio; sua abundancia. — O contrabando. - O ''garimpeiro''. — Uma ''garimpeira''. Negros fugidos. — Licenças por escripto. - Minas do Paracatú. - Bando sobre os comboieiros.</small> Foi nomeado intendente dos diamantes no anno de '''1741''' o dr. Placido de Almeida Moutoso, que já exercia o cargo de intendente da capitação da comarca. O primeiro acto do novo intendente, logo que tomou posse, foi mandar que despejassem a demarcação todas as pessoas que não mostrassem ter um emprego ou officio, sob pena de serem presas e enviadas com praça para a Nova Colonia. « E bem assim incorrerá na dita pena toda a pessoa de qualquer qualidade e condição que seja, que tiver, ajudar, ou consentir em suas casas, roças, sitios ou fazendas, alguem sem officio ou emprego ». Por bando do 1º de Março de '''1743''' foi prohibido « ás negras ou mulatas fôrras ou captivas, andarem com taboleiros pelas ruas ou lavras, só lhes sendo permittido venderem os generos comestiveis nos arraiaes e nos lugares que para esse fim lhes forem marcados, sob pena de duzentos açoutes e quinze dias de prisão ». No arraial do Tijuco o intendente designou a rua, que por essa razão foi chamada da ''Quitanda'', denominação que até hoje ainda<noinclude></noinclude> gxqun80vgnfxcp00mb4s0o1kk1fg3ol 556453 556452 2026-07-26T16:09:27Z Túllio F 37740 556453 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" /></noinclude>{{dhr}} {{T2||CAPITULO VIII}} {{dhr}} <small>Placido de Almeida Moutoso, segundo intendente, extermina as pessoas sem occupação. — Bando contra as ''quitandeiras''. — Segundo contrato dos diamantes. — O estrangeiro aufere mais lucros que o governo portuguez. — Diamantes do Serro Frio; sua abundancia. — O contrabando. - O ''garimpeiro''. — Uma ''garimpeira''. — Negros fugidos. — Licenças por escripto. - Minas do Paracatú. - Bando sobre os comboieiros.</small> Foi nomeado intendente dos diamantes no anno de '''1741''' o dr. Placido de Almeida Moutoso, que já exercia o cargo de intendente da capitação da comarca. O primeiro acto do novo intendente, logo que tomou posse, foi mandar que despejassem a demarcação todas as pessoas que não mostrassem ter um emprego ou officio, sob pena de serem presas e enviadas com praça para a Nova Colonia. « E bem assim incorrerá na dita pena toda a pessoa de qualquer qualidade e condição que seja, que tiver, ajudar, ou consentir em suas casas, roças, sitios ou fazendas, alguem sem officio ou emprego ». Por bando do 1º de Março de '''1743''' foi prohibido « ás negras ou mulatas fôrras ou captivas, andarem com taboleiros pelas ruas ou lavras, só lhes sendo permittido venderem os generos comestiveis nos arraiaes e nos lugares que para esse fim lhes forem marcados, sob pena de duzentos açoutes e quinze dias de prisão ». No arraial do Tijuco o intendente designou a rua, que por essa razão foi chamada da ''Quitanda'', denominação que até hoje ainda<noinclude></noinclude> 2hg21hvlmsqzaamja18egmqe5r0eckk Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/69 106 254941 556474 2026-07-26T20:38:40Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556474 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 65 —}}</noinclude>conserva. Só ahi é que se podia fazer o pequeno mercado das ''quitandeiras''. No ultimo de Dezembro de '''1743''' terminou-se o prazo da arrematação do primeiro contrato dos diamantes, que foi renovado com os mesmos contratadores [[w:pt:João Fernandes de Oliveira|João Fernandes de Oliveira]] e Francisco Ferreira da Silva por mais quatro annos, a contarem-se do 1° de Janeiro de 1744 ao ultimo de Dezembro de 1747, e com as mesmas condições do primeiro. Forão-lhes concedidos os mesmos terrenos, para minerarem, por ainda não estarem exhaustos. Por não termos presentes os ''Livros das entradas dos diamantes para o cofre'' (*) não podemos declarar o numero dos quilates de diamantes extrahidos pelo primeiro e subsequentes contratos. Em um pequeno folheto anonymo, que corre impresso, do anno de 1821, intitulado: ''Refutação da proclamação de Manoel Ferreira da Ca- mara Bittencourt e Sá'', geralmente attribuido ao dr. José Vieira Couto, lemos o seguinte: « Digo mais que ainda mesmo no tempo dos contratadores, quando as remessas montavão de cinco a dez mil oitavas (annualmente), nem assim estes deixavão em Portugal a utilidade que devião deixar. Elles ião sustentar e enriquecer centenares de offieiaes estrangeiros, como lapidarios, ourives, cravadores e outros muitos, que se occupavão em preparar machinas e mais instrumentos precisos à labutação d'esta manufactura, emquanto os portuguezes, mortos á fome, conservavão-se ociosos. Além d'isso que immenso cabedal não mettia no paiz estrangeiro a exportação d'estes diamantes! Porém os portuguezes com o seu estupido systema entregavão quasi toda a utilidade, que lhes poderia resultar da mão de obra, a inglezes e hollandezes. Não preciso insistir mais na demonstração d'esta verdade: porém contarei sempre um caso que presenciei. Um inglez comprou um diamante por 24$000, que depois de lapidado na Inglaterra foi vendido por 300$000. Este <sub>(*) Estes livros erão cinco, que se achavão na secretaria dos terrenos diamantinos, e forão remettidos para Ouro Preto, por ordem do inspector da thesouraria da provincia, de 4 de Fevereiro de 1847.</sub> 9<noinclude></noinclude> oghy6upyag03vb1zuqyubtongd4o94t Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/70 106 254942 556475 2026-07-26T21:19:35Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556475 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 66 —}}</noinclude>diamante deixou em Portugal ou no Brasil 24$000, na Inglaterra 276$000. Assim como vai em pequeno ponto, assim vai em grande ». [[w:pt:John Mawe|João Mawe]], naturalista e negociante de diamantes em Londres, que com permissão do governo viajou na [[w:pt:Comarca do Serro Frio|comarca do Serro Frio]] em 1807, diz no Tratado dos diamantes e pedras preciosas: « Em consequencia da favoravel exposição da descoberta de diamantes do Serro Frio, forão estes procurados com a maior avidez. Fizerão-se extensas especulações e chegárão à Europa em tal abundancia, que se receiou serião muito desapreciados. Para evitar isto espalhou-se de proposito o boato que os diamantes do Brasil erão decididamente inferiores aos orientaes. Outros interessados no seu commercio negavão que fossem da America, e declaravão que erão o refugo das minas da India, enviados do [[w:pt:Hindustão|Indostão]] a [[w:pt:Goa|Gôa]] d'ali transmittidos ao Rio de Janeiro. Estas informações falsas excitárão na Europa um grande prejuizo contra os diamantes do Brasil; cahirão logo nas mãos de poucas pessoas, que sabião melhor manejar o negocio, as quaes antevendo que o governo não podia ficar indifferente, comprárão todos os que se lhes offerecerão, e tomárão o engenhoso expediente de occultamente transmittirem os diamantes brasileiros a Goa, e d'ahi a Bengala, onde erão baptisados como legitimos diamantes orientaes, comprados a altos preços e transmittidos a Inglaterra, d'onde se espalhavão pela Europa. Erão em toda a parte recebidos pelos consignatarios manufactureiros de brilhantes, como genuinos diamantes orientaes. Trazidos assim a uma competencia manifesta, achou-se que erão em nada inferiores ás mais bellas pedras de [[w:pt:Golconda|Golconda]]. O primeiro prejuizo foi logo abandonado pelo commercio, mas fez uma notavel impressão nas pessoas pouco conhecedoras do diamante. Podese com verdade affimar, que a Europa depende quasi que inteiramente do Brasil para o supprimento dos diamantes ». Uma das principaes causas que motivárão o bando de 9 de Julho de 1734, de que já fallámos, prohibindo a mineração de diamantes na demarcação, foi a grande abundancia d'este genero, que enfartára o mercado de Lisboa nos annos anteriores: razão porque no mesmo<noinclude></noinclude> cs4eynb24gbgfb6ow866l5f96c9y2le Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/71 106 254943 556479 2026-07-27T02:14:15Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556479 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 67 —}}</noinclude>bando se prohibe fazerem-se novos ''descobertos'', cumprindo dar-se parte ao intendente dos que se fizessem casualmente, para providenciar a respeito. A abundancia tendia a diminuir-lhes o valor, e procurava-se encarecêl-os. Idéas erradas do tempo, porque o pre- juizo que poderia soffrer a real fazenda com a depreciação dos diamantes, compensava-se com a quantidade: e mais necessidades satisfazião-se, embora de luxo, e augmentava-se a riqueza do paiz. N'este mesmo sentido, vinhão muitas outras ordens da corte; e [[w:pt:Rafael Pardinho|Raphael Pires Pardinho]] em suas correspondencias de continuo se queixava, e fazia ver o erro em que laboravão os ministros do rei. « O que eu fallo, dizia elle em uma de suas cartas, não pode soar bem na corte, onde se não attende tanto ao augmento da real fazenda, como a conservar a estimação dos diamantes ». Bem difficil era evitar completamente o contrabando dos diamantes e sua extracção clandestina, apezar da vigilancia das autoridades, encarregadas de prevenil-o, e da severidade, diremos mesmo da barbaridade com que se punião os chamados traficantes. Algumas vezes elle se fez em larga escala. Não ha producto da industria de melhor conducção e que mais facilmente se possa occultar. A sua mineração clandestina era quasi impossivel vedar-se pela vasta extensão das terras diamantinas cheias de precipicios, escondrijos, brenhas, profundos valles, serras alcantiladas<ref>íngremes</ref>, cavernosas, como é em geral este sólo, em muitos pontos só transitaveis e accessiveis aos animaes ferozes ou ao audaz e intrepido garimpeiro, que arrostava todos os perigos e supportava com coragem as maiores privações. Diz [[w:pt:John Mawe|Mawe]] que, fundado em razões fortes, computa em dous milhões de libras esterlinas os diamantes vendidos por contrabando, e que erão de melhor qualidade e a preços mais commodos que os do governo. Não sabemos que razões fortes levárão Mawe a fazer este calculo. É impossivel um calculo mesmo aproximado da quantidade e muito menos da qualidade dos diamantes extraviados por contrabando. Tanto o comprador como o vendedor tinhão especial interesse em occultar este commercio, que nunca transpirava no Brasil;<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> nyxdxpgfs6opf0les1pxhafo7mxc6qa Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/72 106 254944 556480 2026-07-27T02:49:04Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556480 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 68 —}}</noinclude>só dos apprehendidos e confiscados se poderia conhecer a importancia. Depois de transportados do Brasil, os compravão ourives, lapidarios e negociantes de todas as partes do mundo. E Mawe teve razões fortes para calcular em dous milhões de libras esterlinas os diamantes vendidos por contrabando, conhecer sua qualidade e preços! Usamos acima da palavra ''garimpeiro'': corre-nos a obrigação de explical-a ao leitor. ''Garimpo'' era a mineração furtiva, clandestina do diamante, e ''garimpeiro'', o que a exercia. Já conhecemos as penas severas com que era punido o garimpo. Garimpeiro tornava-se muitas vezes aquelle que obrigado a expatriar-se ou a passar uma vida de miserias, porque com a prohibição da mineração se lhe tirava o unico meio de subsistencia, ia exercer uma industria, a mineração clandestina, que julgava um direito seu, injustamente usurpado; — era aquelle que, condemnado a degredo para o sólo ardente africano, vendo sua familia na miseria, por lhe terem sido confiscados todos os bens, por qualquer arte ou casualidade escapava á punição (*) e ia homisiar-se nos profundos reconditos de nossas brenhas, d'onde poderia talvez offerecer algum auxilio á familia, que fóra obrigado a abandonar, e ver ainda a patria, filhos, parentes ou amigos, de quem já se despedira para sempre; era finalmente o audaz, intrepido e ambicioso aventureiro, que ia buscar fortuna n'essa vida cheia de riscos, perigos e emoções (**). <sub>(*) No anno de 1742 forão remettidos para Villa Rica encorrentados sete presos, que ião cumprir a Africa a pena de degredo, a que tinhão sido condemnados. No arraial da Conceição conseguírão illudir a vigilancia dos guardas que os conduzião, e evadirão-se. Dous annos depois um d'elles foi capturado como garimpeiro, perto do arraial da [[w:pt:Gouveia (Minas Gerais)|Govêa]]. Dos outros nunca mais houve noticia. <sub>(**) Em uma carta de [[w:pt:Gomes Freire de Andrade, 1.º Conde de Bobadela|Gomes Freire de Andrade]] dirigida de [[w:pt:Ouro Preto|Villa Rica]] ao intendente Moutoso<ref>Plácido de Almeida Moutoso</ref>, de 1745, lemos o seguinte: a Bem sei que ha ahi (no [[w:pt:Diamantina|Tijuco]]) homens ambiciosos, que deveudo ser fieis vassallos de Sua Magestade, pelo contrario em desprezo de todas as leis, vão procurar for tuna na mineração prohibida ».</sub><noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> jo7e3k629zxrfjetgpwhisd0bpub7g1 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/227 106 254945 556481 2026-07-27T10:16:51Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A BE Agoftinho, pera dar indulgencia aquelles, que antiga- mente conhecerão, e não aberrárão, ou fe defviárão da fua Deidade. {{lema|ABERTA}}. s. f. Buraco, fenda, frefta, greta. GasP. DOS REIS. Rel. 5, 12 Eftavão humas grades por cima da cornija, que prendião todo aquelle circuito com fuas abertas, as quaes deixavão livres todas as cuftofas figuras. ANDRAD. Chr. 3, 7 Mandou o Capitão mór do mar tapar a aberta, que era feita. M. BERN.... 556481 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A BE Agoftinho, pera dar indulgencia aquelles, que antiga- mente conhecerão, e não aberrárão, ou fe defviárão da fua Deidade. {{lema|ABERTA}}. s. f. Buraco, fenda, frefta, greta. GasP. DOS REIS. Rel. 5, 12 Eftavão humas grades por cima da cornija, que prendião todo aquelle circuito com fuas abertas, as quaes deixavão livres todas as cuftofas figuras. ANDRAD. Chr. 3, 7 Mandou o Capitão mór do mar tapar a aberta, que era feita. M. BERN. Floreft. 2, 6, 235, A A qual [pe- dra] tinha para huma das partes huma greta grande, ou aberta que lhe parecia por dentro fer dourada ou de ouro. Abertura, lugar aberto. CASTANH. Hift. 5, 59 E deo Santiago nos Mouros por huma aberta, que estava antre a tranqueira, e as cafas. BARR. Dec. 2, 3, 2 Huma das quaes abertas ou paflos eftá na frontaria defta villa Calaiate. Luc. Vid. 3, 13 Mas chegando pouco depois com a galeota a fazer agoada n'huma aberta da cöfta &c. Sanja, que fe faz na margem do rio, para conduzir agoa a algum lugar. ORDEN. DE D. MAN. 1,7 Outrofi dará cartas que pertenção ás abertas, e valladores nof- fos, e conhecerá dos feitos, que ás ditas abertas, e val- las pertencerem. Leño, Report. 57 Juiz dos feitos del- Rei conhece dos feitos, que pertencem ás vallas, e abertas. MEND. DE VASc. Sit. 2, 170 E como eftes cam- pos eftão tão cercados de rios, pades, e abertas, são muito fujeitos a nevoas. Parte defunida no veftido para qualquer ufo. FEST. NA CANON. 34 As abertas do colete tomadas com botões de diamantes. Pl. Claros que fe deixão no que fe efereve. PROV. DA HIST. GEN. 3, 4, 161. p. 305 E o ençarra amento com fuas abertas, e capitulos. {{lema|ABERTAMENTE}}. adv. mod. Singelamente, fem disfarce, ou diffimulação. CAM. Ecl. 2, 14 O' tempo já paflado! quão prefente Te vejo abertamente na vontade! PAIV. Serm. 2, 491 Eu imagino o influxo de Deos nas almas fer como Sol, que tanto mais aberta e copiofamente fe communica, quanto menos impedimento tem de nuvens, que o affombráo. LOBAT. Palm. 5, 13 Ficárão os Turcos tão fatisfeitos da fua generofidade e manfidão, que abertamente lhe differão como &c. Claramente, manifeftamente, publicamente. SABELL. Eneiad. 2, 4, 48 Começarão logo abertamente a fugir. PINT. PEK. Hift. 1, 26, 116 Sem poderem por clara Geographia fer comprehendidos tão abertamente no erro. VIEIR. Cart. 2, 20 E quando a primeira parte della [obra] efteja acabada ... então fe podia pedir abertamente ä licença para o prélo. {{lema|ABERTO, A}}. p. p. irregul. de Abrir. Do Lat. Apertus. BARR. Dec. 1, 1, 2. CAM. Luf. 6, 39. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 1. Ufafe como adj. Patente, pofto d venda. Das Mer- cadorias. VIEIR. Serm. 6, 3, 4. n. 90 Quanto fe acha ..em Lisboa desde S. Paulo até a Confeitaria, e Ribeira... tudo fe via aberto, e expofto em cada huma das vendas da Bahia. Não cercado, fem muros, fortificações &c. Dos luga- res, villas, cidades, pórros de mar &c. Cour. Dec. 12,1 2, 1 Pois vivião n'huma terra toda aberta e fem defen- sáo nenhuma. SEVER. Difc.44 y Eftando naquelle tempo os pórtos abertos fem fortalezas ou caftellos, que prohibif- fem eftas entradas. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 12, 8, 483 Deftruião todos os lugares abertos e fem defenfa dos Ca- tholicos. Met. Sincero, franco, fem diffimulação ou engano. VERCIAL, Sacram. 1, 15, 94 A fexta [condição] que fe- ja [a confifsão] crara, e aberta, porque o peccador de- ve confeffar craramente- o feu peccado. FERR. Poem. De boa Cart. 2, 1 Não fe fogigão corações humanos vontade á força, hum peito aberto Os vence de bom amor, fem arte e enganos. M: BERN. Floreft. 2, 5, 184, B Sejamos de coração aberto, ainda que por illo pa- reçamos de entendimento cerrado. Largo, efpaçofo, vafto. Applicafe ao ar, ao cam- po, e ao mar para denotar a fua extensão, ou immen- fa grandeza. CAM. Luf. 5, 75 N'um rio, que alli fahe ao mar aberto. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 1 A voz, em fahindo da bocca, entra logo ao ar aberto. ORIENT. Lufit. 34 Já o gallo matutino começava defpertar os guardadores a que tiraffem dos encerrados curraes o manfo gado ao campo aberto. Não cerrado, não fechado pela dianteira. Das vef- tiduras. ESTAT. DA ORD. DE SANTIAG. 8 E nas veftiduras abertas o tragão [o habito] á parte efquerda. LEIS EXTRAV. 4, 1, 6. n. 1 E os Procuradores, Le- trados, e Phyficos graduados podetão trazer lobas abertas: ANDRAD. Chr. I, 4 E em cima húa capa aberta fri- zada. Não cicatrizado, não cerrado, de que efcorre fangue ou materia. ORDEN. DE D. MAN. I, 5. Nom dém cartas de fegurança em cafo de feridas abertas. Fzo, Tr. 1; 64, 4 Eftando ainda as feridas frefcas e as chagas aber- tas. VEIG. Laur. Od. 1, 1 Vede... Que trazeis as fe- ridas inda abertas. Afroxado, relaxado, enfraquecido com o trabalho, pancada, &c. FERR. Poem. Eleg. Co' efprito quebrado, o peito aberto, Hora cahe Magdalena, hora efmorece Chega ao fepulchro, Sol já defcoberto. Lise. Jard. 59, 6 Compara o Senhor o amigo falfo ao eftropeado ou aberto. Cavallo aberto pelos peitos. O que por pancada ou movimento forte desloca huma ou ambas as pás. FERNAND. Palm. 3, 32 Se vierão a encontrar com tanta força, que o cavallo de Belcar, aberto pelos peitos, cahib logo morto. S Aberto. Cavall. Largo, feparado, que não ajunta os braços on pernas, e fe não confunde nos movimentos Dos cavallos. LEIS EXTRAV. Addiç. 35 Outro fi de- vem os ditos cavallos, quanto poffivel for, fer de bons cafcos, lizos, grandes, e concavos, abertos, e al- tos dos talócs, as mãos direitas e não zambras &c. TR. DA GINET. 2, 5 Que paffee [o cavallo] bem aber- to, e levante bem os braços. PINT. PACHEC. Tr. da Gi- her. 13 Que feja [o potro] bem aberto, e arregaçado por dettaz.. To Aberto. Forenf. Abertas, e publicadas inquirições. Dizem-fe eftas, quando fe publicão para fe arrezoar o fei- viftos e examinados pelos litigantes, ou feus Advo- gados, os depoimentos das teftemunhas. ORDEN. DE D. MAN. 1, 65 Dará [a teftemunha] feu teftemunho fecre- tamente, fem nenhuma das partes delle ferem fabedores, até as inquirições ferem abertas e publicadas. REGIM. D EVOR. 4, 105 Salvo fe abertas e publicadas as inquiri- ções &c. CAMINH. Form. da Ord. Judic. 29 Hei as inqui- rições por abertas e publicadas. A o em abertas e publicadas. fórm. adv. met. Claramente, manifestamente, fem rebuço ou disfarce. LOB Cort. 5, 50 A Dama, que não trazia ainda aquella af feição em abertas e publicadas &c. CHAO. Serm. Ge- nuin. 8, 193 E tu, alma vergonhofa, depбe outro de tua cobardia, e a abertas e publicadas ferve a Deos. Subft.. que fe lhe ajuntão com fignificação parti cular. Campanha aberta. Milic. Em campanha aberta. Em campina rafa. Diz-fe das batalhas e de outra qualquer acção militar, quando fe pelêja de frente a frente, pa- ra differença dos cercos das praças, &c. VIEIR. Serm. 7, 13, 5. n. 460 Ou fendo fitiado, ou em campanha, aberta, fempre ás forças do braço, e da efpada ajunta- -va as da oração. ilic. A of em campo Campo aberto, Milic. A ou em campo aberto. O mefmo que Em campanha aberta. ARR. Dial. 4, 7 Onde com elle em campo aberto batalhaffem. BRIT. Mon. 1, 4. c. 20 Havendo tão poucos dias, que os Portuguczes The havião fuftentado guerra a campo aberto. Carta aberta. ant. Inftrumento authentico. Sovs. Hift. I, 5, 25. Doaç, do ann. 1291.] Em teftemoyo da qual coufa dei a ellas efta carta aberta fellada, do meu fello. Credito aberto. O que fem limite fe abre a alguem para poder pedir à vontade dinheiro, e mercadorias. COMM. DE RUI FREIR. 2, 33 Ejuntamente lhe deo credito aber- to, para em cafo, que neceffitaffe de mais dinheiro &c. CARDOS. Agiol. 3, 251 Mandou a Roma hum Religio+ fo de fatisfação ... com credito aberto para tratar da fua beatificação de S. Fr. Gil] Elmo aberto. Armer. O que pofto fobre o efcudo das armas das familias dos Nobres, que não são Titulares, denota linhagem antiga, pois fe não costuma abrir o el- mo, fenão da quarta geração por diante; denotando o con trario o elmo fechado. CASTANH. Hift. 1, 88 E doulhe [por armas] hum clmo de prata aberto, guarnecido de ouro. VILL. Boas, Nobiliarch. 26 Sobre o efcudo das Armas de, fua familia, póe os nobres, que não são Ti- tulares, o elmo, o qual fe não abre fenáo da quarra geração por diante, e até à quarta geração não vão de to<noinclude></noinclude> 15dbvadvociekvrkoif6lcddy2qw7ur Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/228 106 254946 556482 2026-07-27T10:23:17Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ABE todo abertos; porque elmo aberto denota linhagem anti- ga, e o contrario o cerrado: Guerra aberta. A que folcmnemente fe declarou ao inimigo, ou fe lhe faz com força defcoberta. Azur. Chr. 3, 28 Em todo o feu fenhorio não podião al entender, fenão que todavia tinhão guerra aberta com Portugal. CORT. R. Naufr. 12, 129 Refpeitando A guerra e diffenção, que aberta tinha. Licença aberta. A que be ampla e fem reftricção. ARR. Dial. 1,... 556482 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ABE todo abertos; porque elmo aberto denota linhagem anti- ga, e o contrario o cerrado: Guerra aberta. A que folcmnemente fe declarou ao inimigo, ou fe lhe faz com força defcoberta. Azur. Chr. 3, 28 Em todo o feu fenhorio não podião al entender, fenão que todavia tinhão guerra aberta com Portugal. CORT. R. Naufr. 12, 129 Refpeitando A guerra e diffenção, que aberta tinha. Licença aberta. A que be ampla e fem reftricção. ARR. Dial. 1, 20 Ufar de mais aberta licença. Peito aberto. Milic. A peito aberto. form. adv. O mefino que Em campanha aberta. ESPER. Hift. 2, 10 23. n. 2 E fahindo da fegurança dos muros, os foi buf- car [os inimigos] ao caminho, onde a peito aberto lhes aprefentaffe batalha. Retro aberto. A retro aberto. fórm. adv. Com con- dição de remir a coufa vendida dentro de certo prazo. VIEIR. Serm. 8, 256 O mefmo fe ufa hoje nas galés do Me- diterraneo, em que fe vendem os homens a retro aberto. Rifco aberto. A rifco aberto. fórm. adv. Com pe- rigo manifefto e evidente. FREIR. Vid. 2., 37 Os Mouros ordenárão, que fe continuaffe a bataria a rifco aberto. Em aberto. fórm, adv. Ufafe a refpeito das cou- fas, quando eftão imperfeitas e por acabar; e aflim fe diz Achar em aberto; Deixar em aberto; Eftar em aberto; Ficar em aberto; Ter em aberto. ANDRAD. Chr. 4, 72 Nos livros da matricula da India fe acharão em aberto os titulos de vinte e dous mil homens. BRIT. Mon. 1, 3. c. 15. Morales, a quem convinha fupprir fuas promeffas, como profeguidor da Hiftoria, que lhe ficou imperfeita, o deixou em aberto, fem tocar palavra defta materia. Sous. Hift 1, 3, 17 No qual teftamen- to] deixando efmolas. . . pera as obras do nollo Con- vento de Santarem; que fabia eftarem em aberto &c. ALBUQ. Comm. 4, 15 E porque lhe era neceffario par- tirfe pera dar expediente a alguns negocios, que ficavão em aberto, defpediofe do Çamorim. VIEIR. Serm. 1, 15, 7. col. 1106 Sobre tudo tenho muitos negocios em aberto, muitas dependencias, &c. Tambem fe ufa a refpeito da guerra ou contenda para moftrar, què fe faz declaradamente e com força defcoberta. AzuR. Chr. 3, 4 Que fe a guerra antre Por- tugal e Caftella ficalle em aberto &c. BARR. Dec. 2, 3,2 A qual [paz] já não merecião por caufa da guer- ra, que tinhão em aberto com elRei de Ormuz. GOES, Chr. de D. Man. 1, 29 A qual querella lhes ficou fem- pre em aberto com os de Burgos. A refpeito das culpas, fe diz, quando eftas não tem. fido caftigadas. M. BERN. Luz e Cal. 1, 9, 244 Pois he certo, que diante de Deos tenho muitas culpas cm aber- to e por pagar, ao menos da vida paffada. {{lema|ABERTO}}. s. m. ant. e. pouc, uf. O mefmo que Aberta. GASP. DOS REIS, Rel. 9, 21 Tem elte meio corpo.cm o peito hum aberto cercado de huma tarja de prata. {{lema|ABERTURA}}. s. f. Acção e effeito de patentear ou abrir alguma coufa fechada. Leño, Chr. de D. Aff. III. 92 Da qual abertura da fepultura... me deo hum efcrito de fua mão o P. M. Fr. Bartholomeu Ferreira. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 24, 4, 324 E porque a abertura das portas do céo eftava refervada para a fé da Santiflima Trinda- de, não era jufto, que o ceo fe prometteffe fenão na Lei da Graça. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 26. n. 6 Entre os finaes, que houve na morte de Chrifto, os mais admi- raveis, e tremendos forão as aberturas das fepultu- ras. Acção e effeito de dividir, fender, e feparar o que eftá unido. ARR. Dial. 10, 77 Porque não fentiffe terremo- nem temeffe aberturas de terra. VIEIR. Serm. 8, 162 Os fellos do Apocalipfe hiãofe abrindo hum por hum, e a cada abertura tocava hum Anjo huma trom- cada abertura tocay beta. Fenda, frefta, buraco. Cour. Dec. 5, 8, 12 E que pela abertura della terra] fahira huma mulher. SA DE MEN. Mal. 2, 32 Os navegantes vendo as aber- turas, Opeito lhes trefpaffa o medo frio. VIEIR. Serm. 6, 3, 4. n. 93 Puzemos em huma de fuas aber- turas huma unica peça affentada fobre a terra núa, e defigual. Met. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 106 Filhos meus abrime huma abertura de penitencia, quanta he a do fundo de huma agulha, e vos abrirei aberturas de mifericordia, pelas quaes pofsão entrat coches, e car. toças. ABE Epith. Cavernofa. CORT. R. Naufr. 5, 53. Larga: ARR. Dial. 9, 14. Medonha. .LOBAT. Palm. 5, 1. Pro- fundiffima. BARRET. Flos Sanct. 1, 30, 2. Parte defunida, cu feparada no vestido. REGR. DA ORD. DE S. TIAG. 9 A' maneira de loba fem franzimen- so, nem abertura. CONST. DE VISEU, 12; 1 Tragão lo- bas cerradas, as: quaes ferão de compridão honefta, e ao menos que cheguem ao cólo do pé, e com feus cor- cheres na abertura do peito. FR. SIN. COELH. Chr. 2. 18, 179 E o habito he preto, do qual pela abertura da capa fe parece parte delfe. Principio de algum ato folemne, como de Concilio, Collegio, Concurfo de Universidade, &c. TAVOR. Hift. 204 Eu lho lembrei por algumas vezes. de quanta importan- cia era já a abertura do Concilio. Ris. DE MACED. Vid. da Emp. E celebradas as ceremonias da Igreja na abertu- ra dos Synodos &c. Entrada, ou principio de algum negocio, acção, &c. VIEIR. Cart. 2, 13 Porque tive alguma communicação .com a peffoa incognita, de que dei conta, e me pare- ce muito, accommodada para a abertura, e conclusão do negocio, a introduzi, nelle... Met. uf. Conjuntura, meio, opportunidade para fe fazer alguma confa. T. da Alfandega. Meza da Abertura. Lugar, onde fe abrem os fardos, ou fe faz veftoria do que vem a def- pacho com affiftencia do Feitor da Abertura. BLUT. Vo- cab. , Alveit. Enfermidade do cavallo aberto pelos peitos. GRISL. Defeng. 3, 109 Cozida [a farinha de tremoços] em agoa com a raiz de cardo matacão cura.b.as aberturas dos cavallos. Forenf. Ato juridico de abrir o teftamento, que eftava cerrado ou fellado REGIM. D'EVOR. 5, 8 E nos teftamentos abertos, e de palavra, em que não ha publicação, e abertura judicial, não pode facilmente conftar do dia do falecimento. PROV. DA HIST. GEN. 4, 6, 199. p. 313. ann. 1583 Saibáo quantos efte publi- co inftrumento de abertura de teftamento virem &c.: {{lema|ABESENTADO, A}}. adj. Armer. Que tem befantes. BRAND. Mon, 3, 11, 2 Trazem [os Almeidas ] por armas tres befantes de ouro entre huma dobre ctuz, e bordadura do mefmo ouro, e por timbre huma aguia de vermelho abefentada de ouro. FR. LEño, Bened. 2, 2 Append. §. ultim. E por timbre, huma aguia de vermelho abefentada de ouro. VILL. BOAS, Nobiliarch. 28. Timbre huma aguia de vermelho abefentada de ouro.) {{lema|ABESPA}} s.f. ant. O mefmo que Vefpa. FERR.. DE: VASC. Aulegr. 1, 6 Eu não quero affrontalo, mas fe me vier a abefpa ao nariz, tanto me póde indinar, que &c. Sous. DE MACED, Ev. 1, 16, 75. n. 8 Huma Provincia [fe defpovoou] ...por abefpas... ABESPAO. s. m. ant. O mefimo que Vefpão. JER. CARROS. Dict. SANCH. Art. 112 y Crabo, nif. abefpão. BENT. PER. Thes. kobro {{lema|ABESPINHA}}. s. f. ant. dim. de Abefpa. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ABESSINO, A}}. adj. O mefmo que Abexim. M. FERNAND. Alm. 1, 2, 2. n. 114. Abelinos, que são póvos da Ethio- pia, fujeiros ao Prefte João. {{lema|ABESOURO}}, s. m. ant. O mefimo que Befouro. BARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ABESSO}}. s. m. ant. O mesmo que Aveffo. LEI. D'ANDRAD. Mifc. 16, 459 [Carra de Egas Moniz Coelho à fua Dama.] Nom farom eftes meis olhos, Tal abeffo, fem rezom. {{lema|ABESTIM}}. s. m. O mefmo que Asbesto. BLUT. Vocab. {{lema|ABESTO}}. s. m. O mefmo que Asbefto. BLUT. Vocab. {{lema|ABESTRUZ}}. s. m. ant. Vej. Aveftruz.; {{lema|ABETA}}. s. f. pouc. uf. dim. de Aba. SALGUEIR. Rel. 32 Que levava penduradas nas abetas vinte e quatro pon- tas de criftal encaftoadas em ouro. {{lema|ABETARDA}}. s. ant. O mefimo que Batarda. FERNAND. FERR. Art. 6, 10 As Abetardas são as maiores aves, e as que fazem ventagem a todas, as que pafsáo á nolla Hefpanha são pardas na côr, no talhe, e feição dos noffos perűs: porém de maior corpo, e cabeça nos olhos o que nós temos bianco, tem, ellas amarello. On- de crião feus filhos, alli morão fempre; não andão em peregrinação como as de que até agora falamos. Cha- máole Abetardas, porque como fejão pezadas para fe levantarem, e tomarem feu vóo, correm primeiro ade- jando para tomarem vento, e com elle fe poderem le- var da terra; pelo que os Latinos lhe chamáo Avis tarda. ARA<noinclude></noinclude> 6ojfpzc2bb80q10irzoyd0w3syjgpih 556483 556482 2026-07-27T10:26:20Z MLReis 41056 556483 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ABE todo abertos; porque elmo aberto denota linhagem anti- ga, e o contrario o cerrado: Guerra aberta. A que folcmnemente fe declarou ao inimigo, ou fe lhe faz com força defcoberta. Azur. Chr. 3, 28 Em todo o feu fenhorio não podião al entender, fenão que todavia tinhão guerra aberta com Portugal. CORT. R. Naufr. 12, 129 Refpeitando A guerra e diffenção, que aberta tinha. Licença aberta. A que be ampla e fem reftricção. ARR. Dial. 1, 20 Ufar de mais aberta licença. Peito aberto. Milic. A peito aberto. form. adv. O mefino que Em campanha aberta. ESPER. Hift. 2, 10 23. n. 2 E fahindo da fegurança dos muros, os foi buf- car [os inimigos] ao caminho, onde a peito aberto lhes aprefentaffe batalha. Retro aberto. A retro aberto. fórm. adv. Com con- dição de remir a coufa vendida dentro de certo prazo. VIEIR. Serm. 8, 256 O mefmo fe ufa hoje nas galés do Me- diterraneo, em que fe vendem os homens a retro aberto. Rifco aberto. A rifco aberto. fórm. adv. Com pe- rigo manifefto e evidente. FREIR. Vid. 2., 37 Os Mouros ordenárão, que fe continuaffe a bataria a rifco aberto. Em aberto. fórm, adv. Ufafe a refpeito das cou- fas, quando eftão imperfeitas e por acabar; e aflim fe diz Achar em aberto; Deixar em aberto; Eftar em aberto; Ficar em aberto; Ter em aberto. ANDRAD. Chr. 4, 72 Nos livros da matricula da India fe acharão em aberto os titulos de vinte e dous mil homens. BRIT. Mon. 1, 3. c. 15. Morales, a quem convinha fupprir fuas promeffas, como profeguidor da Hiftoria, que lhe ficou imperfeita, o deixou em aberto, fem tocar palavra defta materia. Sous. Hift 1, 3, 17 No qual teftamen- to] deixando efmolas. . . pera as obras do nollo Con- vento de Santarem; que fabia eftarem em aberto &c. ALBUQ. Comm. 4, 15 E porque lhe era neceffario par- tirfe pera dar expediente a alguns negocios, que ficavão em aberto, defpediofe do Çamorim. VIEIR. Serm. 1, 15, 7. col. 1106 Sobre tudo tenho muitos negocios em aberto, muitas dependencias, &c. Tambem fe ufa a refpeito da guerra ou contenda para moftrar, què fe faz declaradamente e com força defcoberta. AzuR. Chr. 3, 4 Que fe a guerra antre Por- tugal e Caftella ficalle em aberto &c. BARR. Dec. 2, 3,2 A qual [paz] já não merecião por caufa da guer- ra, que tinhão em aberto com elRei de Ormuz. GOES, Chr. de D. Man. 1, 29 A qual querella lhes ficou fem- pre em aberto com os de Burgos. A refpeito das culpas, fe diz, quando eftas não tem. fido caftigadas. M. BERN. Luz e Cal. 1, 9, 244 Pois he certo, que diante de Deos tenho muitas culpas cm aber- to e por pagar, ao menos da vida paffada. {{lema|ABERTO}}. s. m. ant. e. pouc. uſ. O mefmo que Aberta. GASP. DOS REIS, Rel. 9, 21 Tem elte meio corpo.cm o peito hum aberto cercado de huma tarja de prata. {{lema|ABERTURA}}. s. f. Acção e effeito de patentear ou abrir alguma coufa fechada. Leño, Chr. de D. Aff. III. 92 Da qual abertura da fepultura... me deo hum efcrito de fua mão o P. M. Fr. Bartholomeu Ferreira. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 24, 4, 324 E porque a abertura das portas do céo eftava refervada para a fé da Santiflima Trinda- de, não era jufto, que o ceo fe prometteffe fenão na Lei da Graça. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 26. n. 6 Entre os finaes, que houve na morte de Chrifto, os mais admi- raveis, e tremendos forão as aberturas das fepultu- ras. Acção e effeito de dividir, fender, e feparar o que eftá unido. ARR. Dial. 10, 77 Porque não fentiffe terremo- nem temeffe aberturas de terra. VIEIR. Serm. 8, 162 Os fellos do Apocalipfe hiãofe abrindo hum por hum, e a cada abertura tocava hum Anjo huma trom- cada abertura tocay beta. Fenda, frefta, buraco. Cour. Dec. 5, 8, 12 E que pela abertura della terra] fahira huma mulher. SA DE MEN. Mal. 2, 32 Os navegantes vendo as aber- turas, Opeito lhes trefpaffa o medo frio. VIEIR. Serm. 6, 3, 4. n. 93 Puzemos em huma de fuas aber- turas huma unica peça affentada fobre a terra núa, e defigual. Met. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 106 Filhos meus abrime huma abertura de penitencia, quanta he a do fundo de huma agulha, e vos abrirei aberturas de mifericordia, pelas quaes pofsão entrat coches, e car. toças. ABE Epith. Cavernofa. CORT. R. Naufr. 5, 53. Larga: ARR. Dial. 9, 14. Medonha. .LOBAT. Palm. 5, 1. Pro- fundiffima. BARRET. Flos Sanct. 1, 30, 2. Parte defunida, cu feparada no vestido. REGR. DA ORD. DE S. TIAG. 9 A' maneira de loba fem franzimen- so, nem abertura. CONST. DE VISEU, 12; 1 Tragão lo- bas cerradas, as: quaes ferão de compridão honefta, e ao menos que cheguem ao cólo do pé, e com feus cor- cheres na abertura do peito. FR. SIN. COELH. Chr. 2. 18, 179 E o habito he preto, do qual pela abertura da capa fe parece parte delfe. Principio de algum ato folemne, como de Concilio, Collegio, Concurfo de Universidade, &c. TAVOR. Hift. 204 Eu lho lembrei por algumas vezes. de quanta importan- cia era já a abertura do Concilio. Ris. DE MACED. Vid. da Emp. E celebradas as ceremonias da Igreja na abertu- ra dos Synodos &c. Entrada, ou principio de algum negocio, acção, &c. VIEIR. Cart. 2, 13 Porque tive alguma communicação .com a peffoa incognita, de que dei conta, e me pare- ce muito, accommodada para a abertura, e conclusão do negocio, a introduzi, nelle... Met. uf. Conjuntura, meio, opportunidade para fe fazer alguma confa. T. da Alfandega. Meza da Abertura. Lugar, onde fe abrem os fardos, ou fe faz veftoria do que vem a def- pacho com affiftencia do Feitor da Abertura. BLUT. Vo- cab. , Alveit. Enfermidade do cavallo aberto pelos peitos. GRISL. Defeng. 3, 109 Cozida [a farinha de tremoços] em agoa com a raiz de cardo matacão cura.b.as aberturas dos cavallos. Forenf. Ato juridico de abrir o teftamento, que eftava cerrado ou fellado REGIM. D'EVOR. 5, 8 E nos teftamentos abertos, e de palavra, em que não ha publicação, e abertura judicial, não pode facilmente conftar do dia do falecimento. PROV. DA HIST. GEN. 4, 6, 199. p. 313. ann. 1583 Saibáo quantos efte publi- co inftrumento de abertura de teftamento virem &c.: {{lema|ABESENTADO, A}}. adj. Armer. Que tem befantes. BRAND. Mon, 3, 11, 2 Trazem [os Almeidas ] por armas tres befantes de ouro entre huma dobre ctuz, e bordadura do mefmo ouro, e por timbre huma aguia de vermelho abefentada de ouro. FR. LEño, Bened. 2, 2 Append. §. ultim. E por timbre, huma aguia de vermelho abefentada de ouro. VILL. BOAS, Nobiliarch. 28. Timbre huma aguia de vermelho abefentada de ouro.) {{lema|ABESPA}} s.f. ant. O mefmo que Vefpa. FERR.. DE: VASC. Aulegr. 1, 6 Eu não quero affrontalo, mas fe me vier a abefpa ao nariz, tanto me póde indinar, que &c. Sous. DE MACED, Ev. 1, 16, 75. n. 8 Huma Provincia [fe defpovoou] ...por abefpas... ABESPAO. s. m. ant. O mefimo que Vefpão. JER. CARROS. Dict. SANCH. Art. 112 y Crabo, nif. abefpão. BENT. PER. Thes. kobro {{lema|ABESPINHA}}. s. f. ant. dim. de Abefpa. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ABESSINO, A}}. adj. O mefmo que Abexim. M. FERNAND. Alm. 1, 2, 2. n. 114. Abelinos, que são póvos da Ethio- pia, fujeiros ao Prefte João. {{lema|ABESOURO}}, s. m. ant. O mefimo que Befouro. BARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ABESSO}}. s. m. ant. O mesmo que Aveffo. LEI. D'ANDRAD. Mifc. 16, 459 [Carra de Egas Moniz Coelho à fua Dama.] Nom farom eftes meis olhos, Tal abeffo, fem rezom. {{lema|ABESTIM}}. s. m. O mefmo que Asbesto. BLUT. Vocab. {{lema|ABESTO}}. s. m. O mefmo que Asbefto. BLUT. Vocab. {{lema|ABESTRUZ}}. s. m. ant. Vej. Aveftruz.; {{lema|ABETA}}. s. f. pouc. uſ. dim. de Aba. SALGUEIR. Rel. 32 Que levava penduradas nas abetas vinte e quatro pon- tas de criftal encaftoadas em ouro. {{lema|ABETARDA}}. s. ant. O mefimo que Batarda. FERNAND. FERR. Art. 6, 10 As Abetardas são as maiores aves, e as que fazem ventagem a todas, as que pafsáo á nolla Hefpanha são pardas na côr, no talhe, e feição dos noffos perűs: porém de maior corpo, e cabeça nos olhos o que nós temos bianco, tem, ellas amarello. On- de crião feus filhos, alli morão fempre; não andão em peregrinação como as de que até agora falamos. Cha- máole Abetardas, porque como fejão pezadas para fe levantarem, e tomarem feu vóo, correm primeiro ade- jando para tomarem vento, e com elle fe poderem le- var da terra; pelo que os Latinos lhe chamáo Avis tarda. ARA<noinclude></noinclude> iv8voe5uvni2m2z5d71vo0cwba970oo Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/229 106 254947 556484 2026-07-27T10:34:26Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A BE ARAVI. Succeff. 4, I Povoada [a terra] de javalis, corços, abetardas, &c. {{lema|ABETARDADO, A}}. adj. De cor de batarda (Abutarda- do) LEIS EXTRAV. Addicç. 32 E não fe devem acce- ptar pera padres cavallos mellados, andrinos, abutarda- dos, toveiros, &c. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. 10 Ruço ruão, que participa de branco, e do ruão, que fazen- do algumas rodas, fe diz [o cavallo] ruço palpado, ruço mcllado, ruço abetardado, que re... 556484 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A BE ARAVI. Succeff. 4, I Povoada [a terra] de javalis, corços, abetardas, &c. {{lema|ABETARDADO, A}}. adj. De cor de batarda (Abutarda- do) LEIS EXTRAV. Addicç. 32 E não fe devem acce- ptar pera padres cavallos mellados, andrinos, abutarda- dos, toveiros, &c. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. 10 Ruço ruão, que participa de branco, e do ruão, que fazen- do algumas rodas, fe diz [o cavallo] ruço palpado, ruço mcllado, ruço abetardado, que reprefenta a cor d'abetarda. {{lema|ABETE}}. s. m. Efpecie de pinheiro, a que Linneo chanta Pinus abies, e diftribue na Monoicia Monadelphia do fen fyftema dos vegetaes. As flores mafculinas defta arvore tem o caliz de quatro foliolos, fem corolla, e com mui- tos eftames: as femeninas estão difpoftas em pinha, cada eftame contendo de ordinario dous flofculos, fem corolla e com hum fó piftillo os feus fructos, deno- minados pinhoes, são guarnecidos de huma aza membra- nofa. Tem as folhas folitarias, fem bainha alguma na bafe, afloveladas, mucronadas, lizas, e difpoftas em dous renques. (Abeto) do Lat. Abies. CORT. R. Naufr. 12, 134 E vendo a bocca Da fombrofa caverna tão profunda, Cercada em derredor de abetos negros &c. MEND. DE VASC. Sit. 2, 178 Ao longo delles [rios] puderamos ter muitos alemos, faias, choupos, ulmos, abetes, &c. SANCH. Art. 1oz Abies, tis, Abeto, arvo- re como pinho. {{lema|ABETERNO}}. fórm. adv. Deſde a eternidade. He locução puramente Latina. Ab cterno. ARR. Dial. 10, 2 Voilo Pa- dre volo impos abeterno. Maus. Aff. Afr. 6, 99 Com que Deos abeterno fe convida. VIEIR. Serm. 4, 10, 9. n. 373 O Verbo fazendofe homem, aflim como fôra ge- rado abeterno da fubftancia de Deos; allim &cc. ABETERNO, A. adj. Eterno, fem principio. Cour. Dec. 5,6,3 Trata mais efta primeira parte da matería dos Anjos... que dizem, que não foráo creados, e que são abeternos com o melmo Deos. {{lema|ABETO}}. s. m. Vej. Abete. {{lema|ABETUMADO, A}}. p. p. de Abecumar. Goes, Chr. de D. Man. 3, 49. CUNя. Catal. 1, 12. M. GODINH, Rel. 16, 92. {{lema|ABETUMAR}}. v. a. Untar com betume ou outro material ſemelhante. ant. Abatumar Abutumar SABELL, Eneid. 2, 8, 119 Abutumárão todos os póços, donde elles ti- ravão agoa. MARIZ, Dial. 4, 18 Abetumárãolbe todo o eorpo eom eftopas, breu, è alcatráo. CARDos. Agiol. 3, 512 Lhe abetumárão o corpo todo com'eftopas, breu, e alcatrão. Met. FERR. DE VASC. Aulegr. 1, 8 Tendes logo ou- tro [defconto] pera abatumar todos effes, que he faber certo que vos querem bem. {{lema|ABEXIM}}. adj. de huma term. Natural, ou morador da Abaf- fia. ant. Abexí. F. ALVAR. Inform. 9 Fez feu teftamen- to na lingo Portugueza... e affi na lingoa abexi. At- BUQ: Comm. 4, 6 E tomiráo nella mulheres, e moços Abexins. Cove. Dec. 7, 4, 6 Trajo, que as Senhoras Abexins usão. {{lema|ABEXIM}}. s. m. O natural, on morador da Abaffia on Ethiopia alta. ARR. Dial. 4, I Nem nas terras do Im- perio dos Abexis verieis a fabulofa pheniz gozar do ar líquido, e fereno. TELL. Hift. 1,3,5. O nome de feus habitadores he Abexins ou Abexís; elles dizem Abex, carregando no x, e porque nós não pomos tão facil- mente o accento no x, dizemos em lugar de Abex Abe- xim, e a elles chamamos Abexins. M. BERN. Floreft. 3, 3, 9, B Governava efta praça hum Abexim (affim cha- mão aos Ethiopes do Prefte João) e são eftes Abexins por feu valor, e fidelidade muito eftimados neftas ter- ras. {{lema|ABIBE}}. s. m. Certa ave de arribação, a que Linneo cha- ma Tringa vanellus. He da grandeza de hum pombo, fillipede, de quatro dedos, tres anteriores e hum pof- terior, com unhas muito curtas. Tem o bico negro, re- eto, e inchado para a ponta a crifta ou pennacho preto, a parte fuperior do pefcoço cinzenta com reflexos ef- verdinhados, a garganta branca, o anterior do pescoço negro, o dórfo verde dourado, o peito e ventre bran- cos, e as azas de vinte e fete pennas. Vive focialmen- te, he de grande vivacidade, leve no vôo e carreira: nutrefe de vermes e infectos nos valles e terrenos hu- midos ou enxarcadiços. O feu nome talvez foi derivado das fuas vozes que parecem exprimir as fyllabas bi, bi, bi. Conforme o P. Bento Pereira efte nome he tambem dado á ave Ibis, famofa na Hiftoria dos anti- gos Egypciós, confiderada antigamente por muitos Ná turaliftas, como huma efpecie de cegonha, e por Brif- fon, como huma efpecie de Courli. BENT. PER: Thes. Abibe, ave. Ibis, is, vel ibidis. {{lema|ABICADO, A}}. p. p. de Abicar. CASTANH. Hift. 3, 30. MEND. PINT. Peregr. 173. COUT. Dec. 4, 5, 4. {{lema|ABICAR}}. v. a. Chegar á praia, fazendolbe por nellà o bico. As embarcações. MEND. PINT. Peregr. 50 Com deter- minação, de ahi ás marés abicar o junco grande, em que hia, por lhe fazer muita agoa. Cour. Dec. 6, 6, 1, E huma terrada, que fe foi abicar a terra." Met. Aproximarfe. D. F. MAN. Muf. 64. Camfonh. de Euterp. Igual effe, cftá abicado A fer muito def honrado. Neutr. Tocar a praia, por nella o beque, ca bico da prod. VIEIR. Serm. 4, 8, 8. n. 297. Abica á praia o defconhecido baixel. {{lema|ABJECÇÃO}}. s. f. Defprezo, abatimento, defeftimação. Do Lat. Abjectio. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 32, 84 Oppro- brio, e abjecção do povo são duas palavras latinas ent extremo gráo fignificativas de eftado abatido; porque querem dizer mais que affronta, deshonra, e injuria, e coufa baixa... E abjecção do povo he a coufa quc merece fer táo defprezada, e efquecida de todos, que ainda he muito para ella andar debaixo dos pés da gen- te. Paiv. Serm. 2, 237 Búfcou [ Nicodemus ] b feu corpo morto [de Chrifto] na maior força do odio dos Judeos, e de fua abjecção e deshonra, publicamente, pa-. ra o enterrar, fem medo de ninguem. Sous. Vid. 5, 12 Ha huma humildade, que procede do animo cativo, fer- vil, e apoucado, cujo verdadeiro nome não he humil- dade, fenão vileza, e abjecção, e o feu contrario he alti veza. {{lema|ABJECTISSIMO, A}}. fuperl. de Abjecto. GUERREIR. Rela 4, 2, 7. M. FERNAND. Alm. I, 2, 2. n. 106. {{lema|ABJECTO, A}}. adj. Vil, defprezivel. Do Lat. Abjectus. Paiv. Serm. 3 34 Na mais baixa é mais abjecta parte do templo. Sous. Vid. 5, 12 Porque quanto [a humilda- de] foge de altiva, tanto fe alonga de vil, e abjecta. VIEIR. Serm. 4, 10, 5. n.356 Eu fou hum bichinho da terra, e não fou homem, porque fou o opprobio dos homens, e o abjeto da plebe. {{lema|ABIETINO, A}}. adj. Da arvore Abete. Do Lat. Abietinus. (Abiatino) MORAT. Luz, 6, 1 Tambem ufamos da cor- mentina abietina para purgar a vefiga, fem miftura, nemi alteração Pratic. 3, 7, 9 Tomarão tormentina abia tina tres onças. {{lema|ABIL}}. adj. de huma term. e os feus detivados. Vej. Hab. {{lema|ABILHAMENTO}}. s. m. antiq. O mefmo que Atavio. LEÃO, Orig. 27. {{lema|ABILHAR}}. v. a. antiq. O mefmó que Ataviar. Leño, Orig. {{lema|ABINHA}}. s. f. dim. de Aba. GASP. Dos Reis, Rel. 38, 46. {{lema|ABINÍCIO}}. form. adv. Defde o principio, defde que o mi- do be mundo. He locução puramente Latina. Ab initio. F. ALv. Inform. 61 E vem já de abinicio de escravos. MEMOR. DAS PROEZ. I, 16 Diligencias humanas nunca puderão, nem podem preverter a ordem, em que o fum- mo Regedor tem abinicio poftas as coufas do mundo. MACHAD. Cerc.z, 29 A Cidade com moftras de alegria, Como fe de abinicio voffa fofle, Por poder recebervos como deve, Com feftas, e apparatos fe apercebe. {{lema|ABINTESTADO}}. fórm. adv. Sem ter feito teftamento. Do Lat. Ab inteftato. FERN. LOP. Chr. de D. J. 1. z 126 E outros quaefquer eftranhos por teftamento, ou abintefta- do. ORDEN. DE D. MAN. 1, 8 E por quanto nas noffas Ilhas falecem algumas peffoas abinteftado &c. PINT. RIBE R. Ufurp. 37 Concede o Direito nas heranças abinteftado o beneficio da reprefentação. {{lema|ABINTESTADO, A}}. adj. Que não fez teftamento. (Ab- enteftado) REGIM. DE EVOR. 15, 42 Tomará informação das peffoas, que morrerão abinteftadas. EsTAT. DA ORD. DE. S. THIAC. 35 Conio a fazenda dos abinteftados per- tence à Ordem &c. FR. NICOL. D'Oriv. Grandez. Prol. Fazenda de naufragios, de que fe não fabe dono; e de abinteftados, que não tem herdeiros forçados. Que não be declarado em teftamento. Das peffoas, e coufas. Prov. DA HIST. GEN. 1, 2, 31. P. 468. ann. 1423 Em todo o cafo feus herdeiros afli abinteftados) como por teftamento; hajáb &c. RECIM. DA FAZEND. 94, 41 Bens abinteftados: {{lema|ABISMADO, A}}. p. p. de Abifmar. TELL. Hift. 4, 29, 377. AMARAL, Seim. 119, 4. ABIS-<noinclude></noinclude> o91e6ijabifwhfjagup9hnf1sluh8zs Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/230 106 254948 556485 2026-07-27T10:44:36Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A BI {{lema|ABISMAL}}. adj. de huma term. pouc. uf. Do abifmo, per- tencente ao abifimo. CHAG. Efcol. 3, 167 Contidera effe abifinal calabouço, effe profundo barranco, que rens diante. {{lema|ABISMAR}}. v. a. Lançar no abifmo. BLUT. Vocab. Met. Afombrar, deixar confufo, ou como fora de fi por effeito de admiração, c pafmo. VIEIR. Serm. 7, 2, 2. n. 51. O peccavi he huma onda, que a abifma [a al- ma efcrupulofa] em {{Uso|Com pron. pef... 556485 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude> A BI {{lema|ABISMAL}}. adj. de huma term. pouc. uf. Do abifmo, per- tencente ao abifimo. CHAG. Efcol. 3, 167 Contidera effe abifinal calabouço, effe profundo barranco, que rens diante. {{lema|ABISMAR}}. v. a. Lançar no abifmo. BLUT. Vocab. Met. Afombrar, deixar confufo, ou como fora de fi por effeito de admiração, c pafmo. VIEIR. Serm. 7, 2, 2. n. 51. O peccavi he huma onda, que a abifma [a al- ma efcrupulofa] em {{Uso|Com pron. peff.}} Sunirfe, efconderfe como ein hum abifmo. No prop. e met. Luz, Serm. 1, 167, 3 La fe foi [Adão ] abifmar debaixo de huma arvore, por mais que "Deos por elle bráda, não acode. AMARAL, Serm. 303, 4 Quando mais favorecido de Deos, então fe abif- nou mais no profundo da humildade. VIEIR. Scrm. 4, 10, 5. n. 356 O primeiro abifmo foi a Encarnação do Verbo, porque fazendole Deos homem, fe abifmou e fumio de tal forte a Divindade na natureza humana, que &c. {{lema|ABISMO}}. s. m. Profundidade immenfa, e a que fe não acha termo. Dizfe particularmente das agoas no fentido. que fe toma na Sagrada Efcritura. Do Lat. Abyfus. VieIR. Serm. 4, 10, 5. n. 356 Abifimo já fabeis, que he hum pego immenfo, e profundiffimo, como aquelle, de que falla a Efcritura na primeira creação dos elementos. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 16. n. 8 Deos logo no primeiro inftante de terra creou a terra, ou o globo da terra, com o abifmo, pelo qual fe entende toda aquella intercapedo ou immenfidade de efpaço, que vai defdo globo da rer- ra, tambem en globo, até o céo empyreo. M. BERN. Paraif. 1, 6 Abifmo (palavra Grega, que. quer dizer fem fundo) he, como dizem S. Balilio, e Santo Agoſti- nho, huma profundeza altiflima de muitas agoas, a que ignoramos o fundo. Fundo au parte mais baixa do mar. BARR. Dec. 1, 5, z Efta furia de vento deo fim a elle, e aos outros, mertendoos no abifio da grandeza daquelle mar Ocea- no. Luc. Vid. 6, 15 Os mares feitos em ferras já fe punhão nas eftrellas, já defcobrião os abifmos. MAUS. Aff. Afr. 3, 49 Quando fentem no abifino mais profun- Ferver em rolos altos as areas. do Met. O que he immenfo e incomprehenfivel. BERN. Rim. ao B. Jef. Eleg. z Es fonte de miferia; mar de dores, Abifmo de trifteza, e de cuidados. HEIT. PINT. Dial. 2, 1, 9 Mettidos n'hum abifio e fundura de pen- famentos. ARR. Dial. 10, 46 Por mais graças e louvo- res, que lhe demos [a Deos] nenhuma coufa accrece e fe augmenta em o abifmo de fua honra, gloria, e ma- geftade infinita. Inferno, lugar ou morada dos condemnados. BARR. Dec. 1,31 Ags máo: lançava no abifio da terra, lugar chamado inferno, habitação dos diabos. CORT. R. Cerc. 10, 136 O maldade nefanda, ó dignas almas De tormento fem fim là nos abifmos. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 10 Tu alevantas os juftos e fantos até os altos céos, e derribas os impios e damnados até os profundos abifmos. Epith. Alto. Co ceo.) Maus. Aff. Afr. 9, 132 . Baixo. Luz, Serm. 2, 26, 1. Cavernofo. PER. Elegiad. 2, 32 y. Efcuro. Maus. Aff. Aft. 7, 117. VIEIR. Serm. 4, 8, 8. n. 297. Efpantofo. SEPULCHR. Refeiç. I, I, 15. p. 7. col. 1. Fundo. D. HILAR. Voz, 16, 97. CORT. R. Naufr. 12, 132 . Immenfiffimo. M. BERN. Paraif. 94. Inexhaufto. FERNAND. GALV. Serm. 1, 72, 4. Infernal. (o inferno) CAM. Canç. 2, 2. M. BERN. Floreft. 1, 4, 120, C. Infimo. TELL. Hift. 2, 4, 110. Infinito. M. BERN. Luz e Cal. 2, 4, 386. Negro. (o inferno.) CoRT. R. Naufr. 9, 91. Occulto. VIEIR. Serm. 5, 13, 2. n. 435. Profundo. CORT. R. Nauft. 13, 152. LOBAT. Palin. 5, 14. Temerofo. CORT. R. Naufr. 11, 125. Tenebrofo. (o inferno.) Luz, Serm. 2, 104, 4. Tremendo. CHAG. Ef- col. 6, 395. Trifte. CORT. R. Cerc. i, 11. Vafto. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 17. 11. 24. Fabricar fobre abifmos. fraf. proverb. Obrar fem fun- damento. Prov. DA HIST. GEN. 4, 6, 272. p. 616. ann. 1642 E aquelles, que quizerão fundar a fua fortuna fabricarão fobre abifmos. Adag. Hum abifino chama outro abifno. FR. ISID. DE BARREIR. Hift. 12. VIEIR. Serm. 4, 10,.5. n. 356. {{lema|ABISSO}}. s. m. Vej. Abyffo. {{lema|ABITA}}. s. f. Marinh. Certos pãos, em cruz debaixo do caf- tello da prôa, onde fazem fixas as amarras, e tem qua- tro curvas para fortificar com fuas cavilhas efcateladas, que são fechadas. GOES, Chr. de D. Man. 4, 78 Paffou A BL [o pelouro] toda a não em comprido de pppoa a proa levandolhe hum pedaço da abita. {{lema|ABITALHADO, A}}. adj. .antiq. Provido de vitualbas ou mantimentos neceffarios, principalmente nos exercitos, nos navios, &c. De Bitalha, antiq. o mefmo que Vitualha. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 1, zz E fendo certa [ a Rainha como fe elle [Meftre ] trigava pera partir, em náos, que já tinha bem abitalbadas &c. CASTANH. Hift. 3, 32 E porque os Mouros crêffem, que elle estava mui- to abaftado de mantimentos, banqueteouos naquelles dous *dias, como quem eftava muito bem abitalhado. {{lema|ABITAR}}. v. a. ant. e os feu derivados. Vej. Habitar. {{lema|ABITO}}. s. m. ant. Vej. Habito. {{lema|ABITUAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Habiruar. {{lema|ABJURAÇÃO}}. s. f. Ato de abjurar. BRIT. Mon. 2, 6. c. 19 Pera fe dar ordem á conversão dos Bifpos, c pef- foas illuftres, cuja abjuração defejava, que foffe feita em publico. Sous. Hift. I, 2, 14 Aqui fez a primeira retractação ou abjuração de feus defconcertos. CчNH. Hift. de Brag. 1, 52, 221 E forão táo verdadeiras e de co- ração as abjurações, que de feus erros fizerão eftes Pre- lados, que &c. {{lema|ABJURADO, A}}. p. p. de Abjurar. VEIG, Laur. Od. 2, 9. VIEIR. Serm. 9. do Rof. II, 6, 424. M. BERN. Flo- reft. 2, 2, 291, A. {{lema|ABJURAR}}. v. a. Defdizer, retractar. O erro ou falfa dou- trina, que fe havia feguido, particularmente em mare- ria de Fé. Do Lat. Abjurare. Cour. Dec. 7, 8, 2. E abjurárão todas as heregias de Neftor. BRIT. Mon. 2, 5. c. 30 Vierão ao Concilio abjurar fua opinião. Sous. Hift. 1, 1, 2 Deixáráofe vencer da verdade, e abjurárão a heregia. Abominar, deteftar. CALV. Homil 1, 295 Abjuro, e de todo de mim lanço a gloria fó a Deos devida, VIEIR, Serm. 2, 9, 5. n. 280 Pois fe Abrahão creo no verdadeiro Deos, abjurando os idolos &c. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 5. n. 48. p. 372 A' qual admoeftando o Sa- cerdote, que lançaffe fóra, e abjurafe tão illicita ami- zade, e deixaffe aquella peffoa fua parenta, diffe &c. Neurt. Negar com juramento falfo. Feo, Tr. 2, 148, 4 Melhor aconfelhado foi S. João em fugir.. que S. Pedro em feguir, para depois abjurar. A Abjurar de leve ou de vehemente ou em fórma. Termos, de que ufa o Tribunal da Inquifição, para de- notar, que hum réo fe retractou com juramento do erro ou erros contra a Fé ou bons coftumes, de que foi ac- culado e convencido por leyes ou vehementes e claros indicios. Br.UT. Vocab. {{lema|ABLACTAÇÃO}}. s. f. pouc. uf. Acção de defmawmar ou -apartar do leite da mãi, ou ama. Do Lat. barb. Abla- &tatio. CEIT. Quadrag. 1, 135, 2. Ainda que alguns [Me- dicos querem que fe haja de fazer a ablactação nos dous annos. {{lema|ABLACTADO, A}}. adj. pouc. uf. Defmanimado, que fe apartou do leite da mai ou ama. Do Lat. barb. Ablacia- tus. CEIT. Quadrag. 1, 135, 3 Ablatada a Senhora dos peitos da mãi. {{lema|ABLANDAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Abran dar. VIT. CHRIST. 3, 34. {{lema|ABLATIVO}}. s. m. Gramm. O fexto e ultimo cafo na de- clinação dos nomes. Do Lat. Ablativus. Paiv. Serm. 1 353 Expõe eftes ablativos por effectivos ou cafos inftrumentacs. BRIT. Mon. 2, 6. c. 20 E o nome da Ci- dade fique em ablativo de por fi. SANCH. Art. 39 y Em ablativo estará De quem, por quem, ou fem quem, Com que a obra fe fará.. Ablativo abfoluto, O que não tem regencia. FR. FAU- CTUOS, PER. Art. 167 y O'ablativo abfoluto he aquelle, que não depende de regencia alguma, mas por fi fó conftrue. ROBOR. Gramm. 3, 4 Moftráofe os ufos dos ablativos, que chamão abfolutos de peffoa, e de coufa. {{lema|ABLATIVO, A}}. adj. pouc. uf. Que tira. Do Lat. Alla- tivus. Sovs. Vid. 2, 11 E pera efte effeito bafta con- virmos todos na caufa ablativa , que he o Papa, que póde tirar e fufpender effe poder. VELASC. Acclam. 419 Se deve advertir, que entre as coufas, em que ha pro- bibição expreffa de Direito, para fe não poderem pref- crever, são as que fe occupão com aquelle genero de força que fe chama expulfiva, ou ablativa. {{lema|ABLEGAR}}. v. a. pouc. ul. Defterrar, enviar on mandar para outra parte. Do Lat. Ablegare. M. BERN. Floreft. 1, 182, A Levanton [Juliano] o defterro aos Bifpos Catholicos, que feu anteceffor Conftantino tinha ablegado.. {{lema|ABLUÇÃO}}. s. f. Lavatorio, acção de limpar ou purificar. lavan-<noinclude></noinclude> 4w1pyf48mxoxvsswumyhailnm6nvqjr