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Marcha soldado
Cabeça de Papel
Se não marchar direito
Vai preso pro quartel!
O quartel pegou fogo
A polícia deu sinal
Acode, acode, acode
A bandeira nacional!
</poem>
[[Categoria:Cantigas de roda]]
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Autor:Laudelino Freire
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| MiscBio = '''Laudelino Freire''' foi um advogado, jornalista, professor, político, crítico literário, crítico de arte e filólogo sergipano.
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== Obras ==
=== Editor ===
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{{Documento|data=1913|título=Sonetos brasileiros|galeria=Sonetos brasileiros (1913).djvu|progresso=1|gênero=Antologia|notas={{smaller|Ilustrado por M. J. Garnier.}}}}
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[[Categoria:Autores sergipanos]]
[[Categoria:Laudelino Freire| ]]
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{{Gcapitular|T|2em}}u, que n’alma te embebes magoada,
Melancolica dôr, e gotta a gotta
Vertes no coração toxico acerbo,
Que entorpece a existencia, e a vida rala!
Tu, tyranna da ausencia, que retratas
Em fugitiva sombra, em negro quadro
:::A imagem do passado;
Que ao filho sempre a mãe annosa antolhas,
A patria ao peregrino, o amigo ao amigo,
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O esposo á esposa; e ao malfadado escravo,
Que sem futuro pelo mundo vaga,
Mostras a liberdade, e o lar paterno;
E a cada simulacro que apresentas,
Com farpado aguilhão rasgas o peito
:::Do triste que te soffre;
E nos olhos sanguineos, encovados,
:::Não lagrimas distillas,
Mas fel, só atro fel, barbara, espremes.
Oh saudade! Oh martyrio de alma nobre!
Máo-grado o teu pungir, como és suave!
Como a rosa de espinhos guarnecida
Aguilhôa, e apraz co’ o doce aroma,
Tu feres, e mitigas com lembranças.
Mas ah! o teu espinho ainda é mais duro;
E essas tuas lembranças são fallaces,
Flores são que o punhal de Harmodios cobrem.
Para agora opprimir-me tudo se ergue;
Tudo agora de encantos se reveste,
Para mais aggravar minha saudade.
Sitios qu’eu desdenhei, sitios que amava,
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES}}|291}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=stanza|
Templos que orar me viram respeitoso,
Estes céos de saphira, estas montanhas
Cobertas de cocares de palmeiras,
Pais, amigos, irmãos, ah! tudo, tudo
Me está representando a phantasia,
Como que pouco a pouco quer matar-me.
Que scena ha-hi que mais encantos tenha,
Que ver languida virgem, pudibunda,
Pallida a fronte, as faces desbotadas,
Baixos os olhos, revoando a coma,
E uma terna expressão de occulta angustia
:::Que lavra-lhe as entranhas?
Que scena ha-hi que mais encantos tenha,
Que vêl-a n’um baixel, segura ao mastro,
Suspiros exhalar, longos suspiros,
Que vôam murmurando, e se misturam
Co’ os ventos que sibilam nas enxarcias?
De vez em quando olhar, e só ver nuvens,
Nuvens que o céo encobrem, retratando
Fugitivas imagens, que recordam
Terras da patria; quem, meu Deos, quem póde
:::Resistir á tal scena?
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|292|{{smaller|SAUDADES}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow|
Tu matas, oh saudade!… Ás crespas ondas,
Delirante Moêma<ref>Veja-se o Episodio de Moêma, [[Caramuru/VI|canto VI]], p. 172, do poema [[Caramuru|Caramurù]] de {{a|José de Santa Rita Durão|S. Rita Durão}}.</ref>, e quasi insana,
Por ti ferida se arremessa… e morre,…
:::Que não póde a mesquinha
Longe viver do fugitivo amante,
Que tanto amor pagára com desprezos.
Lyndoia<ref>Episodio do [[O Uraguai|Uruguay]], poema de {{a|Basílio da Gama|José Basilio da Gama}}, [[O Uraguai/III|canto III]].</ref>, entregue á dor, desesperada
N’ausencia de Cacambo, mal lhe sôa
Do caro esposo o ultimo suspiro,
Tambem suspira, odeia a vida,… e morre…
E tu; Clara infeliz<ref>Este caso é original.</ref>, filha dos bosques,
:::Gerada entre palmeiras,
Nada póde aprazer-te, nada póde
:::Extinguir-te a lembrança
Da rustica cabana, onde embalada
Em berço foste de tecidas varas.
De diurnas, domesticas fadigas
Descançada, lá quando alveja a lua
Em fundo azul, mil vezes te enxergaram
}}<noinclude>{{reflist}}</noinclude>
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Tu matas, oh saudade!… Ás crespas ondas,
Delirante Moêma<ref>Veja-se o Episodio de Moêma, [[Caramuru/VI|canto VI]], p. 172, do poema [[Caramuru|Caramurù]] de {{a|José de Santa Rita Durão|S. Rita Durão}}.</ref>, e quasi insana,
Por ti ferida se arremessa… e morre,…
:::Que não póde a mesquinha
Longe viver do fugitivo amante,
Que tanto amor pagára com desprezos.
Lyndoia<ref>Episodio do [[O Uraguay|Uruguay]], poema de {{a|Basílio da Gama|José Basilio da Gama}}, [[O Uraguay/III|canto III]].</ref>, entregue á dor, desesperada
N’ausencia de Cacambo, mal lhe sôa
Do caro esposo o ultimo suspiro,
Tambem suspira, odeia a vida,… e morre…
E tu; Clara infeliz<ref>Este caso é original.</ref>, filha dos bosques,
:::Gerada entre palmeiras,
Nada póde aprazer-te, nada póde
:::Extinguir-te a lembrança
Da rustica cabana, onde embalada
Em berço foste de tecidas varas.
De diurnas, domesticas fadigas
Descançada, lá quando alveja a lua
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/303
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N’um tronco de coqueiro reclinada,
Cantar da infancia tua arias saudosas,
Arias bebidas nos materno labios:
:::Ai… minha mãe, dizias.
Ai… minha mãe… quem sabe si ainda vives!
Aldeia onde nasci, pobre cabana,
Rêde que me embalavas, eu vos chóro!
Oh terra do Brasil, terra querida,
Quantas vezes do misero Africano
Te regaram as lagrimas saudosas?
Quantas vezes teus bosques repetiram
:::Magoados accentos
:::Do cantico do escravo,
Ao som dos duros golpes do machado!
Oh barbara ambição, que sem piedade,
Cega e surda de Christo a lei postergas,
E assoberbando mares, e perigos,
Vais infame roubar, não vans riquezas,
:::Mas homens, que escravisas!
Mil vezes o Senhor, para punir-te,
Oppoz ao teu baixel ondas, e ventos;
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:::Mil vezes, mas embalde,
Nas cavernas do mar cahío gemendo.
Á voz do Eterno obediente a terra
:::Se mostra austera e parca,
Que a lagrima do escravo esteriliza
:::O terreno que orvalha.
A Natureza préza a Liberdade,
E só franqueia aos livres seus thesouros.
Oh suspirada, oh cara Liberdade,
Descende asinha do Africano á choça,
Seu pranto enxuga, quebra-lhe as cadeias,
E adoça-lhe da patria a dôr saudosa.
Oh palavras! oh lingua! quão sois fracas,
Para d’alma narrar os sentimentos!
Oh saudade, afflicção dura e suave!
Oh saudade, que o rosto me descóras,
Saudade, que me apertas, que nos labios
:::Séccas-me o almo riso,
E o pensamento meu absorves todo,
Como uma esponja o liquido, e o repartes
Co’ o passado, o presente, e co’ o futuro.
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:::Oh saudade! Oh saudade!
Minhas endechas mal carpidas colhe;
Dá-me um lugubre som, como o das vagas
:::Que nas praias se quebram
Sem ordem, como os meus chorados cantos;
Uma voz sepulchral, como a da rôla
Que em solitaria selva se lamenta;
Um accento funéreo, um echo lugubre,
Como o echo das grótas, quando a chuva
:::Gotteja reboando.
Ah! corram minhas lagrimas, ah! corram
A quantos meus gemidos escutarem.
:::Oh saudade! Oh saudade!
:::Pois que em minha alma habitas,
E sem cessar me lembras pais, e Patria,
Minhas tristes endechas serão tuas,
Saudade, serei teu… Saudade, és minha.
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|título=[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 9|'''A apuração com urna eletrônica''']]
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''eleições realizadas em 2016, é que, no dia anterior à eleição, há um sorteio de urnas, que são apanhadas nos locais onde elas estiverem, muitas vezes de helicóptero, e são trazidas para uma central de apuração. E ali se faz uma votação simulada, acompanhada por todos os partidos. Para o local de onde foi tirada a urna, manda-se uma urna nova, com a mesma programação. Só para se fazer uma checagem pública e saber se não há manipulação. Os partidos não mandam mais representantes para acompanhar, não se interessam, de tão tranquilos que estão com a fidelidade da programação e da própria urna.''”
O processo acontece em todos os estados e começa cerca de um mês anterior à data da eleição. O trabalho para a auditoria se inicia com Tribunais Regionais Eleitorais - TREs, que devem, em sessão pública, em até 30 dias antes das eleições, nomear uma Comissão de Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas.
Essa comissão deve ser composta por: um juiz de direito, que será o presidente; e, no mínimo, seis servidores da Justiça Eleitoral, sendo pelo menos um da Corregedoria Regional Eleitoral, um da Secretaria Judiciária e um da Secretaria de Tecnologia da Informação.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>O Procurador Regional Eleitoral deve indicar, então, um representante do Ministério Público para acompanhar os trabalhos da comissão. Os partidos políticos, as coligações, a OAB, o Congresso Nacional, o STF, a Controladoria-Geral da União, o Departamento de Polícia Federal, a Sociedade Brasileira de Computação - SBC, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia - Confea e os departamentos de Tecnologia da Informação de universidades também podem indicar representantes para acompanhar os trabalhos do grupo.
Os TREs devem informar, em edital e com divulgação nos respectivos sites, no período de 20 dias antes das eleições, o local onde será realizada a auditoria.
No mesmo prazo, eles devem expedir ofícios aos partidos políticos, comunicando sobre o horário e o local onde será realizado o sorteio das urnas que serão auditadas na véspera do pleito. O ofício também deve conter o horário e o local da auditoria no dia da eleição, informando sobre a participação de seus representantes.
Na véspera das eleições, a Justiça Eleitoral deve sortear, em cerimônia pública, algumas seções eleitorais de todo o país. O número de urnas a ser auditado varia, de três a cinco, dependendo<noinclude>{{center|'''197'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>do número de seções eleitorais que a unidade da Federação possuir.
Ainda na véspera das eleições, as urnas eletrônicas escolhidas devem ser retiradas das seções de origem e instaladas imediatamente nos TREs, em salas com câmeras de filmagem. As urnas retiradas das seções são, então, substituídas por novos equipamentos.
Imediatamente após o sorteio das seções, os respectivos Juízes Eleitorais são notificados por ofício encaminhado via FAX e, na sequência, por telefone, para recolher a urna sorteada no local de votação e aguardar a retirada pela equipe responsável referente à coleta. Em algumas regiões do país, essas equipes dispõem até de um avião para retirarem as urnas eletrônicas dos locais distantes (mais de 200 km da capital).
As urnas sorteadas são encaminhadas ao local da votação paralela. Em São Paulo, por exemplo, o procedimento ocorre na Câmara Municipal.
A comissão deve providenciar o número de cédulas de votação, por seção eleitoral sorteada, que corresponda a, aleatoriamente, entre 75% e 82% do número de eleitores registrados na respectiva seção eleitoral. As cédulas deverão ser preenchidas por<noinclude>{{center|'''198'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>representantes dos partidos políticos e das coligações e guardadas em urnas de lona lacradas.
Caso os partidos não preencham esse número de cédulas, crianças e adolescentes de 7 a 15 anos, convidadas pela Comissão responsável, preencherão tantas quantas forem necessárias para completar o montante. As cédulas serão preenchidas com números correspondentes a candidatos registrados e votos de legenda, assim como votos nulos e brancos.
No dia da eleição, a “votação paralela” se inicia no mesmo horário da votação oficial, às 8h. A partir da impressão da zerésima pela urna, prova de que não há nenhum voto dentro do equipamento, todos os votos das cédulas preenchidas no dia anterior são digitados, um por um, na urna eletrônica e também em um sistema paralelo em computador. As câmeras filmam os números digitados no teclado da urna.
Ao final da votação, a urna imprime um Boletim de Urna e o sistema auxiliar também emite um boletim. Os dados dos dois equipamentos são comparados pela comissão de auditoria e é verificado se a urna funcionou normalmente, bem como se foram registrados exatamente os votos das cédulas em papel digitados na urna.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Todo o processo é monitorado e seguido pelos representantes indicados. Os trabalhos da comissão podem ser acompanhados por qualquer interessado. Além disso, a comissão responsável pela votação paralela também deverá dar publicidade a todas as suas decisões. Muitos TREs, inclusive, passaram a transmitir a auditoria ao vivo, pelo YouTube.
Vale destacar que é contratada pelo TSE uma empresa de auditoria, que acompanha o procedimento em todo o país. Essa fiscalização é realizada, em todas as fases dos trabalhos, nos Tribunais Regionais Eleitorais.
Em todos os anos de auditoria, em uma das votações paralelas realizadas, apenas uma urna apresentou divergência dos resultados. Ao realizar a checagem, foi constatada falha humana: a pessoa responsável por registrar o voto na urna cometeu um erro de digitação.
Desde a sua criação, esse processo, transparente e organizado, sempre atestou a integridade dos sistemas da urna eletrônica.
A outra parte das urnas sorteadas é destinada à auditoria de verificação da autenticidade e integridade dos sistemas. Essa auditoria possibilita que partidos, entidades e cidadãos interessados verifiquem se as assinaturas digitais dos sistemas<noinclude>{{center|'''200'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>equipamentos, com sede administrativa em Curitiba.
Conforme a licitação feita pelo TSE, serão fabricadas 225 mil urnas do novo modelo, uma proposta orçada em R$ 799 milhões. A entrega está prevista para maio de 2022. E, seguindo o imposto pela Corte em 1996, a vida útil do equipamento é de dez anos.
Em 2022, a nova urna será utilizada apenas em algumas regiões do país. O modelo anterior, atualizado em 2015, também fará parte do processo eleitoral. No total, 577 mil urnas eletrônicas serão utilizadas nas eleições.
“''Com menos consumo de energia e ergonomicamente mais adequada, vai mudar a carinha da urna eletrônica, mas a essência continua a mesma, com hardware simples, robusto, durável, que dê para usar durante muito tempo, com dispositivos de segurança e que pode ter outros dispositivos de segurança agregados''”, conta Toné.
Dentre as principais mudanças na urna eletrônica, pode-se destacar:
* Terminal do mesário com tela totalmente gráfica e superfície sensível ao toque, sem teclado físico;
* Processador do tipo System on a Chip (SOC), 18 vezes mais rápido que o modelo 2015;
{{nop}}<noinclude>{{center|'''204'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>* Bateria do tipo Lítio Ferro-Fosfato: menor custo de conservação por não necessitar de recarga;
* Expectativa de duração da bateria por toda a vida útil da urna;
* Mídia de aplicação do tipo pen drive, o que traz maior flexibilidade logística para os TREs na geração de mídias.
“''É um projeto de 2016. Ela teve alguns avanços, principalmente na parte de ergonomia. Ficou na forma de um totem, o teclado ficou centralizado, mais junto à tela, mais próximo do campo visual da tela. No mesmo momento que o eleitor está digitando, ele está vendo o voto na tela. Existem melhorias em requisitos de segurança, de componentes eletrônicos, o terminal do mesário é praticamente um tablet, com vários recursos, apresentando, inclusive, a foto do eleitor no terminal do mesário. As baterias são e uma nova tecnologia que dispensa um trabalho, que é feito constantemente em todas as urnas, de carga de 3 em 3 meses, entre outros aprimoramentos do modelo de engenharia dentro o equipamento. Permite acoplar outros equipamentos, como uma impressora para o voto impresso, ou mecanismos para traplégicos, por exemplo, um dispositivo de verificação de movimento de olhos para que o eleitor possa votar sem utilizar as''<noinclude>{{center|'''205'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''próprias mãos (esse dispositivo ainda não está disponível, mas está sendo estudado para que seja viabilizado)''”, contou Giuseppe Janino.
O teclado também teve um salto tecnológico com botões com duplo fator de contato, permitindo que o próprio equipamento identifique casos de mau contato ou curto-circuito, acelerando um possível processo de substituição, caso seja necessário.
A nova urna também permitirá mais agilidade no trabalho dos mesários, que poderão iniciar a identificação de um eleitor enquanto outro ainda registra seu voto, diminuindo as filas nas seções eleitorais.
{{nop}}<noinclude>{{center|'''206'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{right|<big>'''<big>DIMINUIÇÃO DE VOTOS <br>BRANCOS E NULOS</big>'''</big>}}
Além de democratizar o voto, ao possibilitar que eleitores analfabetos e cegos também possam votar, o sistema de voto eletrônico teve um grande impacto na diminuição dos números de votos nulos no país. Jairo Nicolau, pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - Iuperj, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, após a eleição de 1998, destacou que “''a principal razão da introdução do voto eletrônico foi dar cabo das fraudes, ainda significativas em partes do país, sobretudo na fase de apuração dos votos. Inquestionavelmente, esse objetivo foi alcançado. Mas seu grande mérito foi ter tornado mais fácil o ato de votar para o enorme contingente de eleitores de baixa escolaridade, reduzindo, assim, de maneira impressionante, os votos inválidos.''”
O professor foi além, ao classificar o sistema de voto eletrônico como “''uma revolução política no país''”. ''Segundo ele,'' “''milhões de eleitores passaram a ter suas preferências realmente contabilizadas pelo sistema representativo. Não dá ainda para dizer com precisão a magnitude desta revolução, mas o número pode chegar facilmente a 10 milhões de eleitores. Parece pouco,''<noinclude>{{center|'''207'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''mas aí cabem, somados, os eleitores que foram às urnas nas últimas eleições em Portugal, na Nova Zelândia e na Finlândia''”.
Já o professor da Universidade de Brasília, David Fleischer, destacou, em seu artigo “As eleições municipais no Brasil: uma análise comparativa (1982-2000)”, as mudanças ocorridas nos índices de votos nulos: “''as diferenças significativas estão nas duas eleições para vereador. Comparado com o pleito de 1996, em 2000 a proporção de votos válidos aumentou de 86,49% para 93,91%, enquanto os votos em branco e nulos diminuíram de 13,51% para 6,09%. Sem dúvida, este fenômeno se deve em grande parte à utilização da urna eletrônica em todo o Brasil em 2000, enquanto esta técnica foi experimentada em apenas 51 das maiores cidades em 1996''”.
{{nop}}<noinclude>{{center|'''208'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>Impressão do Voto:<br> a polêmica em 2021</big>'''</big>}}
A impressão do voto é um assunto que sempre retorna à discussão e, volta e meia, é encaminhado ao Congresso algum projeto para sua implantação. A intenção seria: o eleitor realiza o registro do voto na urna eletrônica, a urna realiza a impressão do voto, o eleitor confere o voto impresso e ele é automaticamente inserido em outra urna. A justificativa seria evitar fraudes da urna eletrônica.
Esse foi o procedimento adotado na primeira eleição realizada com urnas eletrônicas em 1996. Naquele ano, alguns municípios realizaram as eleições para prefeitos e vereadores com urnas que faziam a impressão do voto. Ao todo, foram utilizadas 70 mil dessas urnas.
Paulo Camarão relata que houve muitos problemas e o TSE decidiu ser mais simples e mais econômica a remoção definitiva do voto impresso.
Nas eleições seguintes, já definido que não haveria voto impresso, o presidente do TSE na época determinou que deveria haver o voto impresso, pelo menos, em parte das urnas.
Camarão entrou em contato com os TREs, para que cinco<noinclude>{{center|'''209'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>municípios de cada estado utilizassem as urnas com impressoras. Isso seria cerca de 5.500 urnas. O presidente do TSE considerou a amostragem muito pequena e insistiu por um número maior. De volta às negociações com os TREs, Camarão conseguiu aumentar o número para pouco mais de 20 mil urnas.
Para a realização das eleições de 2002, a história se repetiu.
O Ministro Jobim era Presidente do TSE e coube a ele resolver essa questão. Jobim acompanhou os técnicos para entender quais seriam os problemas, visitou o Senado e a Câmara para conversar com parlamentares. Por fim, convidou a equipe técnica para ir ao seu apartamento e prestar mais esclarecimentos, para que pudesse tomar uma decisão. “''Ele dizia: vocês venham aqui que vocês vão me explicar esse negócio da urna eletrônica''”, conta Toné.
“''Ele pedia para cada um dos técnicos dar suas explicações e, dependendo da explicação, ele dizia: deixa eu raciocinar agora.''
''Eu dizia: Ministro… ele interrompia: Toni, com licença, agora estou raciocinando.''
''O que ele fez?''
''Vamos botar essa tal de urna impressora em tantas urnas eletrônicas, fazer um boletim estatístico e mostrar,''<noinclude>{{center|'''210'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''estatisticamente, que isso é prejudicial''”, explicou Toné.
Foram utilizadas urnas com voto impresso em todas as seções eleitorais de Sergipe, do Distrito Federal e em mais 73 municípios do país, com a participação de cerca de 7 milhões de eleitores.
Os custos para a implantação foram muito altos. O tempo de votação nas seções com voto impresso foi superior ao tempo nas seções onde não havia. Além disso, o número de panes nas impressoras foi expressivo e o procedimento de carga dos programas foi mais demorado.
Giuseppe Janino acompanhou essa experiência e relata:
“''Foi o caos. No Distrito Federal a votação foi até uma hora da manhã. E se verificou toda a problemática.''
''O mais grave é voltar a mão do homem no processo, aquilo que foi eliminado em 1996, que era a fonte de toda a fraude.''
''Quando tem a impressão do voto, o eleitor vota, a máquina imprime o voto, verifica a impressão no vidro e vai para um saco plástico, ninguém vai tocar. Mas, depois, alguém vai contar. Como vai contar? Vai se jogar esse voto em cima de uma mesa, vai botar a mão do homem para contar. Não tem outra forma.''
''Existem pessoas bem-intencionadas que acreditavam que isso realmente daria maior transparência e outras, realmente''<noinclude>{{center|'''211'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''tendenciosas, que queriam tumultuar. O TSE experimentou o voto impresso. Ele não fala de teoria, ele fala com experiência. Ele verificou que é um processo totalmente ineficiente, ineficaz e, além disso, é muito prejudicial.''”
Na tentativa de colocar um ponto final na polêmica, a Lei 10.740/2003 substituiu o voto impresso pelo registro digital do voto.
Em 2009, uma reviravolta: a Lei 12.034/2009 determinou algumas alterações no sistema eletrônico de votação brasileiro, entre elas o retorno do voto impresso a partir das eleições de 2014:
“''Art. 5º Fica criado, a partir das eleições de 2014, inclusive, o voto impresso conferido pelo eleitor, garantido o total sigilo do voto e observadas as seguintes regras:''
''§ 1º A máquina de votar exibirá para o eleitor, primeiramente, as telas referentes às eleições proporcionais; em seguida, aquelas referentes às eleições majoritárias; finalmente, o voto completo para conferência visual do eleitor e confirmação final do voto.''
''§ 2º Após a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica imprimirá um número único de identificação do voto associado à sua própria assinatura digital.''
{{nop}}<noinclude>{{center|'''212'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''§ 3º O voto deverá ser depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado.''
§ 4º Após o fim da votação, a Justiça Eleitoral realizará, em audiência pública, auditoria independente do software mediante o sorteio de 2% (dois por cento) das urnas eletrônicas de cada Zona Eleitoral, respeitado o limite mínimo de 3 (três) máquinas por município, que deverão ter seus votos em papel contados e comparados com os resultados apresentados pelo respectivo boletim de urna.
§ 5º É permitido o uso de identificação do eleitor por sua biometria ou pela digitação do seu nome ou número de eleitor, desde que a máquina de identificar não tenha nenhuma conexão com a urna eletrônica.”
{{dhr|3}}
De acordo com o texto contido na Lei, a urna eletrônica seguiria o mesmo procedimento de voto de até então, exibindo as telas referentes aos votos digitados. Entretanto, após a confirmação do eleitor, a urna imprimiria um número único de identificação do voto, associado à sua própria assinatura digital.
Após a impressão, o voto seria depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em local previamente lacrado<noinclude>{{center|'''213'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>para, posteriormente, passar por auditoria independente, em audiência pública, a ser realizada pela Justiça Eleitoral após o fim da votação. O objetivo desse procedimento era comparar o resultado apresentado na urna eletrônica com o resultado dos votos impressos.
Giuseppe Janino também explica que, além das falhas mecânicas que podem ocorrer na hora da impressão do voto, essa sistemática nos levaria de volta ao tempo das fraudes em eleições realizadas com cédulas de papel:
“''Com essa alternativa do voto impresso como mecanismo de auditoria, não precisa mais de inteligência para fraudar uma eleição, basta um pouquinho de habilidade.''
''Hoje o voto é protegido por todas as funcionalidades digitais, é criptografado, assinado digitalmente, é protegido com funções de imutabilidade, e pode ser verificado com vários mecanismos. Se você pegar o mesmo voto e colocar no papel, você não tem mais nada disso.''
''Pra fraudar, no paradigma digital, precisa de muita inteligência. Você precisa de um supercomputador, trabalhando seis meses para quebrar uma criptografia daquela, precisa de um supercomputador trabalhando 7 meses para quebrar uma''<noinclude>{{center|'''214'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''assinatura digital e, se quebrar, vai ficar rastro. No voto em papel você não precisa de nada disso. Um pouquinho de habilidade, você subtrai um voto. Aí não bateu papel com digital, você vai acreditar no papel ou no digital? Ninguém vai decidir, qual é a saída? Anular aquela seção.''
''Eu sei que meu candidato vai perder naquela seção, eu vou dar um jeito de simplesmente subtrair um voto em papel.”''
A Justiça Eleitoral se posicionou publicamente contrária a esse ponto da Lei, por considerar que a impressão seria um retrocesso aos tempos de votação por cédula em papel. A impressão dos votos, além de desnecessária, geraria custos adicionais de cerca de bilhões de reais aos cofres públicos.
Também há o entendimento de que impressão do voto fere o artigo 14 da Constituição Federal, que garante o voto secreto.
A Procuradoria-Geral da República - PGR ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4543, para impedir a impressão do voto, pois poderia tornar vulnerável o sigilo do voto, abrir a possibilidade de coação de eleitores e aumentar a possibilidade de fraudes eleitorais.
No dia 19 de setembro de 2011, os Ministros do STF concederam uma medida cautelar para suspender, até o julgamento de mérito<noinclude>{{center|'''215'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>da ADI, a aplicação do voto impresso nas eleições de 2012. Nessa concessão, já se anunciava qual seria a decisão do STF, pelo exposto na conclusão do voto da Ministra Carmen Lúcia:
“''Pelo exposto, voto no sentido de deferir a medida cautelar requerida, para suspender os efeitos do art. 5º da Lei n. 12.034/09, porque presentes a plausibilidade jurídica dos argumentos lançados pela Procuradoria-Geral da República e o perigo da demora, pois a persistência da eficácia do dispositivo legal questionado impõe a aquisição e adequação dos equipamentos de votação, mudança na estrutura e dinâmica do Serviço de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral, a braços com as providências necessárias para a realização das eleições de 2012 e que teriam, ainda, que adotar procedimentos paralelos de licitações, mudança de sistema, gastos públicos, para a adaptação determinada, sem possibilidade de saneamento ou de refazimento destes dispêndios tecnológicos e financeiros após a sua realização e que seriam descartados e sem aproveitamento se, ao final, vier a ser declarado inconstitucional o dispositivo legal impugnado.''”
{{dhr|3}}
O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4543<noinclude>{{center|'''216'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>ocorreu em 6 de novembro de 2013. A decisão do STF foi unânime:
“''EMENTA: CONSTITUCIONAL. ELEITORAL. ART. 5º DA LEI Nº 12.034/2009: IMPRESSÃO DE VOTO.''
''SIGILO DO VOTO: DIREITO FUNDAMENTAL DO CIDADÃO.''
''VULNERAÇÃO POSSÍVEL DA URNA COM O SISTEMA DE IMPRESSÃO DO VOTO: INCONSISTÊNCIAS PROVOCADAS NO SISTEMA E NAS GARANTIAS DOS CIDADÃOS.''
''INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA.''
{{dhr|3}}
''AÇÃO JULGADA PROCEDENTE.''
{{dhr|3}}
''1. A exigência legal do voto impresso no processo de votação, contendo número de identificação associado à assinatura digital do eleitor, vulnera o segredo do voto, garantia constitucional expressa.''
''2. A garantia da inviolabilidade do voto impõe a necessidade de se assegurar ser impessoal o voto para garantia da liberdade de manifestação, evitando-se coação sobre o eleitor.''
''3. A manutenção da urna em aberto põe em risco a segurança do sistema, possibilitando fraudes, o que não se harmoniza com as normas constitucionais de garantia do eleitor.''
{{nop}}<noinclude>{{center|'''217'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''4. Ação julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 5º da Lei nº 12.034/2009.''”
{{dhr|3}}
''(ADI 4543, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-199 DIVULG 10-10-2014 PUBLIC 13-10-2014)''
{{dhr|3}}
Em 2015, o tema voltou ao Congresso, com a aprovação da Lei nº 13.165/2015, que impôs novamente a obrigatoriedade do voto impresso, seguindo os preceitos da Lei anterior, 2009, para a sistemática da impressão dos votos. Com essa medida, a urna eletrônica precisou ser reformulada para adotar o sistema de impressão que deveria começar a substituir, aos poucos, as urnas antigas, a partir das eleições de 2018.
Ao final de 2017, porém, o TSE desistiu de iniciar a substituição das urnas eletrônicas para o novo modelo, pois concluiu que o prazo de testes seria muito curto. A melhor opção foi licitar um módulo impressor de votos - MIV, para ser acoplado às urnas em uso. O MIV, desenvolvido pela empresa Quattro Eletrônica, é constituído por uma impressora de votos, um visor do voto, um transportador do voto e uma urna plástica descartável.
{{nop}}<noinclude>{{center|'''218'''}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|67|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Que succederia entāo se a Terra parasse de subito no seu
movimento de translaçāo? perguntou Nicholl.
— Elevar-se-ia a temperatura dʼella a ponto, responden Barbicane, que ficava immediatamente reduzida a vapores.
— Ora ahí está, disse Miguel, um meio de acabar o mundo
que tornava o negocio muito simples.
— E se a Terra caisse sobre o Sol? disse Nicholl.
— Essa quéda, segundo foi calculado, haveria de desenvolver
uma quantidade de calor igual ao produzido por mil e seiscentos globos de carvāo de volume igual ao do globo terrestre.
— Nāo era mau supplemento de temperatura para o Sol, replicou Miguel Ardan. Os habitantes de Urano ou de Neptuno é
que se nāo haviam de queixar, que de certo morrem de frio
lá nos planetas.
— Por consequencia, caros amigos, qualquer movimento repentinamente anniquilado produz calor. Esta theoria ministra
meio de explicar o calor do disco solar, suppondo-o alímentado
por uma saraivada de bolidos que lhe caem sem cessar na superficie. Até já se calculou...
— Cuidado! murmurou Miguel. Lá vem elle com os temiveis
numeros.
— Até já se calculou, proseguiu imperturbavel Barbicane,
que o choque de cada bolido com o Sol deve produzir calor
igual ao de quatro mil massas de hulha de igual volume.
— E a intensidade do calor solar, qual é?
— E igual á que resultaria da combustāo de uma camada de
carvāo capaz de envolver o globo solar, e com vinte e sete kilometros de espessura.
— E esse calor?...
— Era bastante para fazer ferver por hora dois mil e novecentos milhōes myriametros cubicos de agua.
— E ainda nāo estamos assados!? exclamou Miguel.
— Nāo, respondeu Barbicane, porque a atmosphera terrestre
absorve quatro decimas partes do calor solar, e alem dʼisso,
porque, a fracçāo dʼeste calor interceptada pela Terra é apenas
uns dois milhōes de avos da irradiaçāo total.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|68|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Vejo entāo que está tudo regulado pela melhor fórma possivel, replicou Miguel, e que a tal atmosphera é na realidade
uma invençāo util, porque nāo sómente nos ministra meio de
respirar, mas até impede que sejamos assados.
— Sim, disse Nicholl, mas, por desgraça, nāo ha de succeder
outro tanto na Lua,
— Ora, exelamou Miguel, sempre cheio de confiança. Se ha
là habitantes, de certo que respiram. Se já lá os nāo ha, sempre hāo de ter deixado oxygenio bastante para tres, quando
mais nāo seja no fundo das cavidades, onde se accumula por
força do proprio peso! E entāo que tem! nāo se trepa ás montanhas! ora ahi está.
E Miguel, tendo-se levantado, foi-se a contemplar o disco lunar que entāo brilhava com tāo vivo esplendor, que mal podiam
os olhos fixal-o. Apre que tal ha de ser lá o calor!
— E o día, respondeu Nicholl, que dura lá trezentas e sessenta horas!
— Em compensaçāo, disse Barbicane, tambem as noites duram o mesmo, e como o calor se perde pela irradiaçāo, a temperatura nocturna deve ser igual á dos espaços planetarios.
— Bonito paiz! disse Miguel. Mas nāo importa! Quem me dera já lá estar! Hein! caros camaradas, como ha de ser curioso
ter a Terra por Lua! vel-a nascer no horisonte! reconhecer-lhe
a configuraçāo dos continentes! dizer commigo mesmo: Ali é
a America, acolá a Europa! e depois seguil-a com os olhos
quando vae a desapparecer entre os raios do Sol! A proposito,
Barbicane, para os selenitas ha eclipses?
— Ha eclipses do Sol, respondeu Barbicane, quando os centros dos tres astros estāo na mesma recta, estando a Terra no
meio. Mas estes eclipses sāo todos annulares, e a Terra, que
emquanto duram se projecta como uma mancha escura sobre o
disco solar, deixa a descoberto a maior parte dʼeste.
— E porque é que nāo ha nenhum eclipse total? perguntou
Nicholl. Porventura nāo se estende o cone da sombra projeetada pela Terra ainda para alem da Lua?
— Assim era, se nāo attendessemos á refracçāo produzida<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|69|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>pela atmosphera terrestre; mas nāo se attendermos á tal refracçāo. Ora seja ''delta'' primo a parallaxe, e ''p'' primo o semi-diametro apparente...
— Uf! disse Miguel, nāo tarda ahí a metade de ''v'', zero quadrado!... Falla de maneira que se entenda, homem das algebras!
— Pois seja; em linguagem vulgar, respondeu Barbicane, a
distancia média da Lua à Terra é de sessenta raios terrestres
e o comprimento do cone de sombra reduz-se, em virtude da
refracçāo, a menos de quarenta e dois raios. Resulta, portanto,
dʼaqui que, quando se realisam os eclipses, está a Lua alem
do cone de sombra pura, e que o Sol lhe envia nāo só os raios
da peripheria, mas tambem os do centro.
— Entāo, disse Miguel, que historia é essa, porque é que ha
eclipses sem os dever haver?
— Por uma unica rasāo. É porque esses taes raios solares
sāo enfraquecidos pela refracçāo, e porque a atmosphera que
atravessam extingue a maior parte dʼelles!
— Satisfaz-me a explicaçāo, respondeu Miguel. Demais, lá
havemos de ver quando lá chegarmos.
— Dize-me agora cá, Barbicane. Pensas acaso que a Lua seja um antigo planeta?
— Olhem que idéa!
— É verdade, replicou Miguel, todo amavel e cheio de si ;
acodem-me ás vezes idéas dʼeste genero.
— Mas de Miguel é que ellá nāo é, a tal idéa, responden Nicholl.
— Ora essa! entāo en nāo passo de um plagiario.
— Certamente, respondeu Nicholl. Segundo resam as antigas
tradiçōes, affirmam os Arcadios que os antepassados dʼelles habitaram na Terra antes da Lua ser satellite dʼesta. Alguns sabios, partindo dʼeste facto, consideram a Lua como um cometa, que a sua orbita trouxe um dia bastante perto da Terra.
para que ficasse retido pela attracçāo terrestre.
— E que ha de verdade em tal hypothese ? perguntou Miguel.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/377
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|185}}</noinclude>—Alto! falla alto, respondeu Javert, comigo todos fallam alto!
João Valjean continuou abaixando a voz:
—Queria fazer-lhe uma supplica....
—Digo-te que falles alto.
—Mas que só deve ser ouvida pelo senhor.....
—Que me importa? não ouço!
João Valjean voltou-se para elle, e disse-lhe rapidamente e em voz mui baixa:
—Conceda-me tres dias! Tres dias, para ir buscar a
filha desta desgraçada mulher! Pagarei o que for preciso! O senhor me acompanhará se quizer.
—Estás bricando! bradou Javert. Devéras, não te suppunha tam pateta! Pedes-me tres dias para te pôres ao
fresco! Dizes que é para ir buscar a filha desta rapariga! Ah! ah! é divertido! é realmente muito divertido !
Fantina estremeceu.
—Minha filha! exclamou, ir buscar minha filha?
Então ella não está aqui! Minha irman, responda-me, onde está Cosetta? eu quero minha filna! senr. Magdalena !
senr. ''maire'' !
Javert bateu com o pé.
—Ahi temos a outra, agora ! Vê lá se te calas, marota! Que diabo de terra esta, onde os galės são magistrados e as mulheres perdidas tratadas como condessas !
Ah ! tudo isto vae ter seu termo; já era tempo!
Olhou fixamente para Fantina, e accrescentou, tornando a deitar a mão á gravata, á camisa e á gola de João
Valjean:
—Digo-te que aqui já não ha senr. Magdalena nem
senr. ''maire''. O que ha é um ladrão, um salteador, um
galé chamado João Valjean ! é elle que está neste momente nas minhas mãos ! ahi tens o que ha !
Fantina ergueu-se toda tremula, firmando-se em ambos os braços inteiriçados e em ambas as mãos, olhou
para João Valjean, olhou para Javert, olhou para a religiosa, abriu a boca, como se quizesse fallar, sahiu-lhe
um estertor da garganta, bateram-lhe os dentes, estendeu os braços com angustia, abrindo convulsivamente
as mãos, e estendendo-as em torno de si como um
misero que se afoga, depois catiu de subito em cima do
travesseiro.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|185}}</noinclude>—Alto! falla alto, respondeu Javert, comigo todos fallam alto!
Joāo Valjean continuou abaixando a voz:
—Queria fazer-lhe uma supplica....
—Digo-te que falles alto.
—Mas que só deve ser ouvida pelo senhor.....
—Que me importa? nāo ouço!
Joāo Valjean voltou-se para elle, e disse-lhe rapidamente e em voz mui baixa:
—Conceda-me tres dias! Tres dias, para ir buscar a
filha desta desgraçada mulher! Pagarei o que for preciso! O senhor me acompanhará se quizer.
—Estás bricando! bradou Javert. Devéras, nāo te suppunha tam pateta! Pedes-me tres dias para te pôres ao
fresco! Dizes que é para ir buscar a filha desta rapariga! Ah! ah! é divertido! é realmente muito divertido !
Fantina estremeceu.
—Minha filha! exclamou, ir buscar minha filha?
Entāo ella nāo está aqui! Minha irman, responda-me, onde está Cosetta? eu quero minha filna! senr. Magdalena !
senr. ''maire'' !
Javert bateu com o pé.
—Ahi temos a outra, agora ! Vê lá se te calas, marota! Que diabo de terra esta, onde os galės sāo magistrados e as mulheres perdidas tratadas como condessas !
Ah ! tudo isto vae ter seu termo; já era tempo!
Olhou fixamente para Fantina, e accrescentou, tornando a deitar a māo á gravata, á camisa e á gola de Joāo
Valjean:
—Digo-te que aqui já nāo ha senr. Magdalena nem
senr. ''maire''. O que ha é um ladrāo, um salteador, um
galé chamado Joāo Valjean ! é elle que está neste momente nas minhas māos ! ahi tens o que ha !
Fantina ergueu-se toda tremula, firmando-se em ambos os braços inteiriçados e em ambas as māos, olhou
para Joāo Valjean, olhou para Javert, olhou para a religiosa, abriu a boca, como se quizesse fallar, sahiu-lhe
um estertor da garganta, bateram-lhe os dentes, estendeu os braços com angustia, abrindo convulsivamente
as māos, e estendendo-as em torno de si como um
misero que se afoga, depois catiu de subito em cima do
travesseiro.
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Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/378
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|186}}</noinclude>A fronte bateu na cabeceira do leito e pendeu-lhe inerte para o peito, com a bocca aberta, os olhos arregalados e sem brilho.
Estava morta.
Joāo Valjean pegou na mão com que Javert o segurava, e abriu-a como se fòra a de uma creança; depois disse-lhe:
—Você matou esta mulher.
—Acabemos com isto! bradou Javert furioso; nāo estou aqui para ouvir sermōes. Deixemo-nos de perlengas;
os soldados estāo là em baixo; é caminhar quanto antes, quando nāo, olha as algemas !
Havia nʼum canto do quarto uma velha cama de ferro
bastante estragada, onde as irmans descansavam quando
passavam a noite a velar. Joāo Valjean caminhou para
essa cama, arrancou em um abrir e fechar de olhos a
barra da cabeceira, já de todo desconjuntada, cousa facil
para musculos como os seus, empunhou essa vara de
ferro, e encarou Javert. Javer recuou até á porta.
Joāo Valjean, com a sua barra em punho, dirigiu-se
lentamente para o leito de Fantina. Quando alli chegou
voltou-se e disse para Javert com uma voz que apenas
podia ouvir-se :
—Dou-lhe de conselho que nāo me incommode neste
momento.
O que é certo é que Javert tremia.
Lembrou-se de ir chamar os soldados, mas Joāo Valjean podia aproveitar-se desse momento para evadir-se.
Ficou, pois; pegou a bengala pela ponteira, e encostou-se á ombreira da porta, sem tirar os olhos de cima de
João Valjean.
João Valjean firmou o cotovello na maçaneta da cabeceira do leito, encostou o rosto na māo, e pôz-se a contemplar Fantina immovel e inteiriçada. Ficou assim, absorto, mudo, e já não pensando evidentemente em cousa alguma desta vida. No rosto e na attitude não se lhe
notava mais do que uma inexprimivel commiseração.
Passados alguns instantes nesse cogitar, inclinou-se para
Fantina e fallou-lhe em voz baixa.
O que lhe diria elle? O que poderia dizer aquelle homem condemnado aquella mulher que estava morta?
Que palavras seriam essas? Ninguem na terra as ouviu.
Tê-las-hia ouvido a defunta? Ha illusões que são talvez<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|187}}</noinclude>realidades sublimes. O que não padece duvida é que a
irman Simplicia, unica testemunha do que então se passava alli, referiu muitas vezes que, no momento em que
Joāo Valjean fallou ao ouvido de Fantina, viu claramente com os seus proprios olhos assomar um ineffavel sorriso naquelles pallidos labios e naquelles olhos immoveis,
cheios do assombro do tumulo.
Joāo Valjean pegou com ambas as māos na cabeça de
Fantina e accommodou-a em cima do travesseiro, como
uma māe faria com seu filho ; depois atou-lhe o cordāo da camisa e metteu-lhe os cabellos para dentro da
touca. Feito isto, fechou-lhe os olhos.
O rosto de Fantina naquelle instante parecia estranhamente illuminado.
A morte é a entrada para a luz verdadeira.
A māo de Fantina pendia fóra do leito. João Valjean
ajoelhou-se deante daquella mão, levantou-a devagarinho
e beijou-a.
Depois ergueu-se, e voltando-se para Javert:
—Agora, disse, posso segui-lo.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo segundo/Livro oitavo/IV
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<pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=375 to=379 header=1 />
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[[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 8/04]]
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" /></noinclude>{{dhr}}
{{T2||CAPITULO VIII}}
{{dhr}}
<small>Placido de Almeida Moutoso, segundo intendente, extermina as pessoas sem
occupação. — Bando contra as ''quitandeiras''. — Segundo contrato dos diamantes. — O estrangeiro aufere mais lucros que o governo portuguez. — Diamantes do Serro Frio; sua abundancia. — O contrabando. - O ''garimpeiro''. — Uma ''garimpeira''. Negros fugidos. — Licenças por escripto. - Minas do Paracatú. - Bando sobre os comboieiros.</small>
Foi nomeado intendente dos diamantes no anno de '''1741''' o
dr. Placido de Almeida Moutoso, que já exercia o cargo de intendente da capitação da comarca.
O primeiro acto do novo intendente, logo que tomou posse,
foi mandar que despejassem a demarcação todas as pessoas que
não mostrassem ter um emprego ou officio, sob pena de serem
presas e enviadas com praça para a Nova Colonia. « E bem assim incorrerá na dita pena toda a pessoa de qualquer qualidade e condição que seja, que tiver, ajudar, ou consentir em suas casas, roças, sitios ou fazendas, alguem sem officio ou emprego ».
Por bando do 1º de Março de '''1743''' foi prohibido « ás negras
ou mulatas fôrras ou captivas, andarem com taboleiros pelas ruas
ou lavras, só lhes sendo permittido venderem os generos comestiveis nos arraiaes e nos lugares que para esse fim lhes forem marcados, sob pena de duzentos açoutes e quinze dias de prisão ».
No arraial do Tijuco o intendente designou a rua, que por essa
razão foi chamada da ''Quitanda'', denominação que até hoje ainda<noinclude></noinclude>
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{{T2||CAPITULO VIII}}
{{dhr}}
<small>Placido de Almeida Moutoso, segundo intendente, extermina as pessoas sem
occupação. — Bando contra as ''quitandeiras''. — Segundo contrato dos diamantes. — O estrangeiro aufere mais lucros que o governo portuguez. — Diamantes do Serro Frio; sua abundancia. — O contrabando. - O ''garimpeiro''. — Uma ''garimpeira''. — Negros fugidos. — Licenças por escripto. - Minas do Paracatú. - Bando sobre os comboieiros.</small>
Foi nomeado intendente dos diamantes no anno de '''1741''' o
dr. Placido de Almeida Moutoso, que já exercia o cargo de intendente da capitação da comarca.
O primeiro acto do novo intendente, logo que tomou posse,
foi mandar que despejassem a demarcação todas as pessoas que
não mostrassem ter um emprego ou officio, sob pena de serem
presas e enviadas com praça para a Nova Colonia. « E bem assim incorrerá na dita pena toda a pessoa de qualquer qualidade e condição que seja, que tiver, ajudar, ou consentir em suas casas, roças, sitios ou fazendas, alguem sem officio ou emprego ».
Por bando do 1º de Março de '''1743''' foi prohibido « ás negras
ou mulatas fôrras ou captivas, andarem com taboleiros pelas ruas
ou lavras, só lhes sendo permittido venderem os generos comestiveis nos arraiaes e nos lugares que para esse fim lhes forem marcados, sob pena de duzentos açoutes e quinze dias de prisão ».
No arraial do Tijuco o intendente designou a rua, que por essa
razão foi chamada da ''Quitanda'', denominação que até hoje ainda<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 65 —}}</noinclude>conserva. Só ahi é que se podia fazer o pequeno mercado das
''quitandeiras''.
No ultimo de Dezembro de '''1743''' terminou-se o prazo da arrematação do primeiro contrato dos diamantes, que foi renovado
com os mesmos contratadores [[w:pt:João Fernandes de Oliveira|João Fernandes de Oliveira]] e Francisco Ferreira da Silva por mais quatro annos, a contarem-se do
1° de Janeiro de 1744 ao ultimo de Dezembro de 1747, e com
as mesmas condições do primeiro. Forão-lhes concedidos os mesmos
terrenos, para minerarem, por ainda não estarem exhaustos.
Por não termos presentes os ''Livros das entradas dos diamantes
para o cofre'' (*) não podemos declarar o numero dos quilates de
diamantes extrahidos pelo primeiro e subsequentes contratos. Em
um pequeno folheto anonymo, que corre impresso, do anno de 1821,
intitulado: ''Refutação da proclamação de Manoel Ferreira da Ca-
mara Bittencourt e Sá'', geralmente attribuido ao dr. José Vieira
Couto, lemos o seguinte:
« Digo mais que ainda mesmo no tempo dos contratadores,
quando as remessas montavão de cinco a dez mil oitavas (annualmente), nem assim estes deixavão em Portugal a utilidade que
devião deixar. Elles ião sustentar e enriquecer centenares de offieiaes estrangeiros, como lapidarios, ourives, cravadores e outros
muitos, que se occupavão em preparar machinas e mais instrumentos precisos à labutação d'esta manufactura, emquanto os portuguezes, mortos á fome, conservavão-se ociosos. Além d'isso que
immenso cabedal não mettia no paiz estrangeiro a exportação d'estes
diamantes! Porém os portuguezes com o seu estupido systema
entregavão quasi toda a utilidade, que lhes poderia resultar da
mão de obra, a inglezes e hollandezes. Não preciso insistir mais
na demonstração d'esta verdade: porém contarei sempre um caso
que presenciei. Um inglez comprou um diamante por 24$000, que
depois de lapidado na Inglaterra foi vendido por 300$000. Este
<sub>(*) Estes livros erão cinco, que se achavão na secretaria dos terrenos diamantinos, e forão remettidos para Ouro Preto, por ordem do inspector da thesouraria da provincia, de 4 de Fevereiro de 1847.</sub>
9<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 66 —}}</noinclude>diamante deixou em Portugal ou no Brasil 24$000, na Inglaterra 276$000. Assim como vai em pequeno ponto, assim vai em grande ».
[[w:pt:John Mawe|João Mawe]], naturalista e negociante de diamantes em Londres,
que com permissão do governo viajou na [[w:pt:Comarca do Serro Frio|comarca do Serro Frio]] em
1807, diz no Tratado dos diamantes e pedras preciosas:
« Em consequencia da favoravel exposição da descoberta de diamantes do Serro Frio, forão estes procurados com a maior avidez.
Fizerão-se extensas especulações e chegárão à Europa em tal abundancia, que se receiou serião muito desapreciados. Para evitar isto
espalhou-se de proposito o boato que os diamantes do Brasil erão
decididamente inferiores aos orientaes. Outros interessados no
seu commercio negavão que fossem da America, e declaravão que
erão o refugo das minas da India, enviados do [[w:pt:Hindustão|Indostão]] a [[w:pt:Goa|Gôa]]
d'ali transmittidos ao Rio de Janeiro. Estas informações falsas
excitárão na Europa um grande prejuizo contra os diamantes do
Brasil; cahirão logo nas mãos de poucas pessoas, que sabião melhor manejar o negocio, as quaes antevendo que o governo não
podia ficar indifferente, comprárão todos os que se lhes offerecerão, e tomárão o engenhoso expediente de occultamente transmittirem os diamantes brasileiros a Goa, e d'ahi a Bengala, onde
erão baptisados como legitimos diamantes orientaes, comprados a
altos preços e transmittidos a Inglaterra, d'onde se espalhavão pela
Europa. Erão em toda a parte recebidos pelos consignatarios manufactureiros de brilhantes, como genuinos diamantes orientaes. Trazidos assim a uma competencia manifesta, achou-se que erão em nada inferiores ás mais bellas pedras de [[w:pt:Golconda|Golconda]]. O primeiro prejuizo foi logo abandonado pelo commercio, mas fez uma notavel impressão nas pessoas pouco conhecedoras do diamante. Podese com verdade affimar, que a Europa depende quasi que inteiramente do Brasil para o supprimento dos diamantes ».
Uma das principaes causas que motivárão o bando de 9 de Julho
de 1734, de que já fallámos, prohibindo a mineração de diamantes
na demarcação, foi a grande abundancia d'este genero, que enfartára
o mercado de Lisboa nos annos anteriores: razão porque no mesmo<noinclude></noinclude>
cs4eynb24gbgfb6ow866l5f96c9y2le
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 67 —}}</noinclude>bando se prohibe fazerem-se novos ''descobertos'', cumprindo dar-se
parte ao intendente dos que se fizessem casualmente, para providenciar a respeito. A abundancia tendia a diminuir-lhes o valor,
e procurava-se encarecêl-os. Idéas erradas do tempo, porque o pre-
juizo que poderia soffrer a real fazenda com a depreciação dos
diamantes, compensava-se com a quantidade: e mais necessidades
satisfazião-se, embora de luxo, e augmentava-se a riqueza do paiz.
N'este mesmo sentido, vinhão muitas outras ordens da corte; e
[[w:pt:Rafael Pardinho|Raphael Pires Pardinho]] em suas correspondencias de continuo se queixava, e fazia ver o erro em que laboravão os ministros do rei.
« O que eu fallo, dizia elle em uma de suas cartas, não pode soar
bem na corte, onde se não attende tanto ao augmento da real
fazenda, como a conservar a estimação dos diamantes ».
Bem difficil era evitar completamente o contrabando dos diamantes e sua extracção clandestina, apezar da vigilancia das autoridades, encarregadas de prevenil-o, e da severidade, diremos
mesmo da barbaridade com que se punião os chamados traficantes. Algumas vezes elle se fez em larga escala. Não ha producto
da industria de melhor conducção e que mais facilmente se possa
occultar. A sua mineração clandestina era quasi impossivel vedar-se pela vasta extensão das terras diamantinas cheias de precipicios, escondrijos, brenhas, profundos valles, serras alcantiladas<ref>íngremes</ref>,
cavernosas, como é em geral este sólo, em muitos pontos só transitaveis e accessiveis aos animaes ferozes ou ao audaz e intrepido
garimpeiro, que arrostava todos os perigos e supportava com coragem as maiores privações.
Diz [[w:pt:John Mawe|Mawe]] que, fundado em razões fortes, computa em dous milhões de libras esterlinas os diamantes vendidos por contrabando,
e que erão de melhor qualidade e a preços mais commodos que
os do governo.
Não sabemos que razões fortes levárão Mawe a fazer este calculo. É impossivel um calculo mesmo aproximado da quantidade
e muito menos da qualidade dos diamantes extraviados por contrabando. Tanto o comprador como o vendedor tinhão especial interesse em occultar este commercio, que nunca transpirava no Brasil;<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
nyxdxpgfs6opf0les1pxhafo7mxc6qa
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 68 —}}</noinclude>só dos apprehendidos e confiscados se poderia conhecer a importancia. Depois de transportados do Brasil, os compravão ourives, lapidarios e negociantes de todas as partes do mundo. E Mawe teve razões fortes para calcular em dous milhões de libras esterlinas os diamantes vendidos por contrabando, conhecer sua qualidade e preços!
Usamos acima da palavra ''garimpeiro'': corre-nos a obrigação de
explical-a ao leitor.
''Garimpo'' era a mineração furtiva, clandestina do diamante, e
''garimpeiro'', o que a exercia. Já conhecemos as penas severas com
que era punido o garimpo.
Garimpeiro tornava-se muitas vezes aquelle que obrigado a expatriar-se ou a passar uma vida de miserias, porque com a prohibição da mineração se lhe tirava o unico meio de subsistencia, ia exercer uma industria, a mineração clandestina, que julgava um direito seu, injustamente usurpado; — era aquelle que, condemnado a degredo para o sólo ardente africano, vendo sua
familia na miseria, por lhe terem sido confiscados todos os bens,
por qualquer arte ou casualidade escapava á punição (*) e ia
homisiar-se nos profundos reconditos de nossas brenhas, d'onde
poderia talvez offerecer algum auxilio á familia, que fóra obrigado a abandonar, e ver ainda a patria, filhos, parentes ou amigos, de quem já se despedira para sempre; era finalmente o audaz, intrepido e ambicioso aventureiro, que ia buscar fortuna n'essa vida cheia de riscos, perigos e emoções (**).
<sub>(*) No anno de 1742 forão remettidos para Villa Rica encorrentados
sete presos, que ião cumprir a Africa a pena de degredo, a que tinhão
sido condemnados. No arraial da Conceição conseguírão illudir a vigilancia dos guardas que os conduzião, e evadirão-se. Dous annos depois um
d'elles foi capturado como garimpeiro, perto do arraial da [[w:pt:Gouveia (Minas Gerais)|Govêa]]. Dos outros nunca mais houve noticia.
<sub>(**) Em uma carta de [[w:pt:Gomes Freire de Andrade, 1.º Conde de Bobadela|Gomes Freire de Andrade]] dirigida de [[w:pt:Ouro Preto|Villa Rica]]
ao intendente Moutoso<ref>Plácido de Almeida Moutoso</ref>, de 1745, lemos o seguinte: a Bem sei que ha ahi
(no [[w:pt:Diamantina|Tijuco]]) homens ambiciosos, que deveudo ser fieis vassallos de Sua
Magestade, pelo contrario em desprezo de todas as leis, vão procurar for
tuna na mineração prohibida ».</sub><noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
jo7e3k629zxrfjetgpwhisd0bpub7g1
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/227
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A BE Agoftinho, pera dar indulgencia aquelles, que antiga- mente conhecerão, e não aberrárão, ou fe defviárão da fua Deidade. {{lema|ABERTA}}. s. f. Buraco, fenda, frefta, greta. GasP. DOS REIS. Rel. 5, 12 Eftavão humas grades por cima da cornija, que prendião todo aquelle circuito com fuas abertas, as quaes deixavão livres todas as cuftofas figuras. ANDRAD. Chr. 3, 7 Mandou o Capitão mór do mar tapar a aberta, que era feita. M. BERN....
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A BE
Agoftinho, pera dar indulgencia aquelles, que antiga-
mente conhecerão, e não aberrárão, ou fe defviárão da
fua Deidade.
{{lema|ABERTA}}. s. f. Buraco, fenda, frefta, greta. GasP. DOS REIS.
Rel. 5, 12 Eftavão humas grades por cima da cornija, que
prendião todo aquelle circuito com fuas abertas, as quaes
deixavão livres todas as cuftofas figuras. ANDRAD. Chr.
3, 7 Mandou o Capitão mór do mar tapar a aberta,
que era feita. M. BERN. Floreft. 2, 6, 235, A A qual [pe-
dra] tinha para huma das partes huma greta grande, ou
aberta que lhe parecia por dentro fer dourada ou de
ouro.
Abertura, lugar aberto. CASTANH. Hift. 5, 59 E
deo Santiago nos Mouros por huma aberta, que estava
antre a tranqueira, e as cafas. BARR. Dec. 2, 3, 2 Huma
das quaes abertas ou paflos eftá na frontaria defta villa
Calaiate. Luc. Vid. 3, 13 Mas chegando pouco depois
com a galeota a fazer agoada n'huma aberta da cöfta
&c.
Sanja, que fe faz na margem do rio, para conduzir
agoa a algum lugar. ORDEN. DE D. MAN. 1,7 Outrofi
dará cartas
que pertenção ás abertas, e valladores nof-
fos, e conhecerá dos feitos, que ás ditas abertas, e val-
las pertencerem. Leño, Report. 57 Juiz dos feitos del-
Rei conhece dos feitos, que pertencem ás vallas, e
abertas. MEND. DE VASc. Sit. 2, 170 E como eftes cam-
pos eftão tão cercados de rios, pades, e abertas, são
muito fujeitos a nevoas.
Parte defunida no veftido para qualquer ufo. FEST. NA
CANON. 34 As abertas do colete tomadas com botões
de diamantes.
Pl. Claros que fe deixão
no que fe efereve.
PROV. DA HIST. GEN. 3, 4, 161. p. 305 E o ençarra
amento com fuas abertas, e capitulos.
{{lema|ABERTAMENTE}}. adv. mod. Singelamente, fem disfarce,
ou diffimulação. CAM. Ecl. 2, 14 O' tempo já paflado!
quão prefente Te vejo abertamente na vontade! PAIV.
Serm. 2, 491 Eu imagino o influxo de Deos nas almas
fer como Sol, que tanto mais aberta e copiofamente fe
communica, quanto menos impedimento tem de nuvens,
que o affombráo. LOBAT. Palm. 5, 13 Ficárão os Turcos tão
fatisfeitos da fua generofidade e manfidão, que abertamente
lhe differão como &c.
Claramente, manifeftamente, publicamente. SABELL.
Eneiad. 2, 4, 48 Começarão logo abertamente a fugir.
PINT. PEK. Hift. 1, 26, 116 Sem poderem por clara
Geographia fer comprehendidos tão abertamente no erro.
VIEIR. Cart. 2, 20 E quando a primeira parte della [obra]
efteja acabada ... então fe podia pedir abertamente ä
licença para o prélo.
{{lema|ABERTO, A}}. p. p. irregul. de Abrir. Do Lat. Apertus.
BARR. Dec. 1, 1, 2. CAM. Luf. 6, 39. HEIT. PINT.
Dial. 2, 3, 1.
Ufafe como adj. Patente, pofto d venda. Das Mer-
cadorias. VIEIR. Serm. 6, 3, 4. n. 90 Quanto fe acha
..em Lisboa desde S. Paulo até a Confeitaria, e Ribeira...
tudo fe via aberto, e expofto em cada huma das vendas
da Bahia.
Não cercado, fem muros, fortificações &c. Dos luga-
res, villas, cidades, pórros de mar &c. Cour. Dec. 12,1
2, 1 Pois vivião n'huma terra toda aberta e fem defen-
sáo nenhuma. SEVER. Difc.44 y Eftando naquelle tempo os
pórtos abertos fem fortalezas ou caftellos, que prohibif-
fem eftas entradas. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 12, 8, 483
Deftruião todos os lugares abertos e fem defenfa dos Ca-
tholicos.
Met. Sincero, franco, fem diffimulação ou engano.
VERCIAL, Sacram. 1, 15, 94 A fexta [condição] que fe-
ja [a confifsão] crara, e aberta, porque o peccador de-
ve confeffar craramente- o feu peccado. FERR. Poem.
De boa
Cart. 2, 1 Não fe fogigão corações humanos
vontade á força, hum peito aberto Os vence de bom
amor, fem arte e enganos. M: BERN. Floreft. 2, 5, 184,
B Sejamos de coração aberto, ainda que por illo pa-
reçamos de entendimento cerrado.
Largo, efpaçofo, vafto. Applicafe ao ar, ao cam-
po, e ao mar para denotar a fua extensão, ou immen-
fa grandeza. CAM. Luf. 5, 75 N'um rio, que alli fahe
ao mar aberto. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 1 A voz, em
fahindo da bocca, entra logo ao ar aberto. ORIENT. Lufit.
34 Já o gallo matutino começava defpertar os
guardadores a que tiraffem dos encerrados curraes o
manfo gado ao campo aberto.
Não cerrado, não fechado pela dianteira. Das vef-
tiduras. ESTAT. DA ORD. DE SANTIAG. 8 E nas
veftiduras abertas o tragão [o habito] á parte efquerda.
LEIS EXTRAV. 4, 1, 6. n. 1 E os Procuradores, Le-
trados, e Phyficos graduados podetão trazer lobas abertas:
ANDRAD. Chr. I, 4 E em cima húa capa aberta fri-
zada.
Não cicatrizado, não cerrado, de que efcorre fangue
ou materia. ORDEN. DE D. MAN. I, 5. Nom dém cartas
de fegurança em cafo de feridas abertas. Fzo, Tr. 1;
64, 4 Eftando ainda as feridas frefcas e as chagas aber-
tas. VEIG. Laur. Od. 1, 1 Vede... Que trazeis as fe-
ridas inda abertas.
Afroxado, relaxado, enfraquecido com o trabalho,
pancada, &c. FERR. Poem. Eleg. Co' efprito quebrado,
o peito aberto, Hora cahe Magdalena, hora efmorece
Chega ao fepulchro, Sol já defcoberto. Lise. Jard. 59,
6 Compara o Senhor o amigo falfo ao eftropeado ou
aberto.
Cavallo aberto pelos peitos. O que por pancada ou
movimento forte desloca huma ou ambas as pás. FERNAND.
Palm. 3, 32 Se vierão a encontrar com tanta força,
que o cavallo de Belcar, aberto pelos peitos, cahib logo
morto. S
Aberto. Cavall. Largo, feparado, que não ajunta
os braços on pernas, e fe não confunde nos movimentos
Dos cavallos. LEIS EXTRAV. Addiç. 35 Outro fi de-
vem os ditos cavallos, quanto poffivel for, fer de
bons cafcos, lizos, grandes, e concavos, abertos, e al-
tos dos talócs, as mãos direitas e não zambras &c.
TR. DA GINET. 2, 5 Que paffee [o cavallo] bem aber-
to, e levante bem os braços. PINT. PACHEC. Tr. da Gi-
her. 13 Que feja [o potro] bem aberto, e arregaçado por
dettaz..
To
Aberto. Forenf. Abertas, e publicadas inquirições.
Dizem-fe eftas, quando fe publicão para fe arrezoar o fei-
viftos e examinados pelos litigantes, ou feus Advo-
gados, os depoimentos das teftemunhas. ORDEN. DE D.
MAN. 1, 65 Dará [a teftemunha] feu teftemunho fecre-
tamente, fem nenhuma das partes delle ferem fabedores,
até as inquirições ferem abertas e publicadas. REGIM. D
EVOR. 4, 105 Salvo fe abertas e publicadas as inquiri-
ções &c. CAMINH. Form. da Ord. Judic. 29 Hei as inqui-
rições por abertas e publicadas.
A o em abertas e publicadas. fórm. adv. met.
Claramente, manifestamente, fem rebuço ou disfarce. LOB
Cort. 5, 50 A Dama, que não trazia ainda aquella af
feição em abertas e publicadas &c. CHAO. Serm. Ge-
nuin. 8, 193 E tu, alma vergonhofa, depбe outro de
tua cobardia, e a abertas e publicadas ferve a Deos.
Subft.. que fe lhe ajuntão com fignificação parti
cular.
Campanha aberta. Milic. Em campanha aberta. Em
campina rafa. Diz-fe das batalhas e de outra qualquer
acção militar, quando fe pelêja de frente a frente, pa-
ra differença dos cercos das praças, &c. VIEIR. Serm.
7, 13, 5. n. 460 Ou fendo fitiado, ou em campanha,
aberta, fempre ás forças do braço, e da efpada ajunta-
-va as da oração.
ilic. A of em campo
Campo aberto, Milic. A ou em campo aberto. O
mefmo que Em campanha aberta. ARR. Dial. 4, 7 Onde
com elle em campo aberto batalhaffem. BRIT. Mon. 1,
4. c. 20 Havendo tão poucos dias, que os Portuguczes
The havião fuftentado guerra a campo aberto.
Carta aberta. ant. Inftrumento authentico. Sovs. Hift.
I, 5, 25. Doaç, do ann. 1291.] Em teftemoyo da
qual coufa dei a ellas efta carta aberta fellada, do meu
fello.
Credito aberto. O que fem limite fe abre a alguem
para poder pedir à vontade dinheiro, e mercadorias. COMM.
DE RUI FREIR. 2, 33 Ejuntamente lhe deo credito aber-
to, para em cafo, que neceffitaffe de mais dinheiro &c.
CARDOS. Agiol. 3, 251 Mandou a Roma hum Religio+
fo de fatisfação ... com credito aberto para tratar da fua
beatificação de S. Fr. Gil]
Elmo aberto. Armer. O que pofto fobre o efcudo das
armas das familias dos Nobres, que não são Titulares,
denota linhagem antiga, pois fe não costuma abrir o el-
mo, fenão da quarta geração por diante; denotando o con
trario o elmo fechado. CASTANH. Hift. 1, 88 E doulhe
[por armas] hum clmo de prata aberto, guarnecido de
ouro. VILL. Boas, Nobiliarch. 26 Sobre o efcudo das
Armas de, fua familia, póe os nobres, que não são Ti-
tulares, o elmo, o qual fe não abre fenáo da quarra
geração por diante, e até à quarta geração não vão de
to<noinclude></noinclude>
15dbvadvociekvrkoif6lcddy2qw7ur
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/228
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MLReis
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ABE todo abertos; porque elmo aberto denota linhagem anti- ga, e o contrario o cerrado: Guerra aberta. A que folcmnemente fe declarou ao inimigo, ou fe lhe faz com força defcoberta. Azur. Chr. 3, 28 Em todo o feu fenhorio não podião al entender, fenão que todavia tinhão guerra aberta com Portugal. CORT. R. Naufr. 12, 129 Refpeitando A guerra e diffenção, que aberta tinha. Licença aberta. A que be ampla e fem reftricção. ARR. Dial. 1,...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ABE
todo abertos; porque elmo aberto denota linhagem anti-
ga, e o contrario o cerrado:
Guerra aberta. A que folcmnemente fe declarou ao
inimigo, ou fe lhe faz com força defcoberta. Azur. Chr.
3, 28 Em todo o feu fenhorio não podião al entender,
fenão que todavia tinhão guerra aberta com Portugal.
CORT. R. Naufr. 12, 129 Refpeitando A guerra e
diffenção, que aberta tinha.
Licença aberta. A que be ampla e fem reftricção. ARR.
Dial. 1, 20 Ufar de mais aberta licença.
Peito aberto. Milic. A peito aberto. form. adv. O
mefino que Em campanha aberta. ESPER. Hift. 2, 10
23. n. 2 E fahindo da fegurança dos muros, os foi buf-
car [os inimigos] ao caminho, onde a peito aberto lhes
aprefentaffe batalha.
Retro aberto. A retro aberto. fórm. adv. Com con-
dição de remir a coufa vendida dentro de certo prazo. VIEIR.
Serm. 8, 256 O mefmo fe ufa hoje nas galés do Me-
diterraneo, em que fe vendem os homens a retro
aberto.
Rifco aberto. A rifco aberto. fórm. adv. Com pe-
rigo manifefto e evidente. FREIR. Vid. 2., 37 Os Mouros
ordenárão, que fe continuaffe a bataria a rifco aberto.
Em aberto. fórm, adv. Ufafe a refpeito das cou-
fas, quando eftão imperfeitas e por acabar; e aflim fe
diz Achar em aberto; Deixar em aberto; Eftar em
aberto; Ficar em aberto; Ter em aberto. ANDRAD. Chr.
4, 72 Nos livros da matricula da India fe acharão em
aberto os titulos de vinte e dous mil homens. BRIT.
Mon. 1, 3. c. 15. Morales, a quem convinha fupprir
fuas promeffas, como profeguidor da Hiftoria, que lhe
ficou imperfeita, o deixou em aberto, fem tocar palavra
defta materia. Sous. Hift 1, 3, 17 No qual teftamen-
to] deixando efmolas. . . pera as obras do nollo Con-
vento de Santarem; que fabia eftarem em aberto &c.
ALBUQ. Comm. 4, 15 E porque lhe era neceffario par-
tirfe pera dar expediente a alguns negocios, que ficavão
em aberto, defpediofe do Çamorim. VIEIR. Serm. 1,
15, 7. col. 1106 Sobre tudo tenho muitos negocios em
aberto, muitas dependencias, &c.
Tambem fe ufa a refpeito da guerra ou contenda
para moftrar, què fe faz declaradamente e com força
defcoberta. AzuR. Chr. 3, 4 Que fe a guerra antre Por-
tugal e Caftella ficalle em aberto &c. BARR. Dec. 2,
3,2 A qual [paz] já não merecião por caufa da guer-
ra, que tinhão em aberto com elRei de Ormuz. GOES,
Chr. de D. Man. 1, 29 A qual querella lhes ficou fem-
pre em aberto com os de Burgos.
A refpeito das culpas, fe diz, quando eftas não tem.
fido caftigadas. M. BERN. Luz e Cal. 1, 9, 244 Pois he
certo, que diante de Deos tenho muitas culpas cm aber-
to e por pagar, ao menos da vida paffada.
{{lema|ABERTO}}. s. m. ant. e. pouc, uf. O mefmo que Aberta.
GASP. DOS REIS, Rel. 9, 21 Tem elte meio corpo.cm
o peito hum aberto cercado de huma tarja de prata.
{{lema|ABERTURA}}. s. f. Acção e effeito de patentear ou abrir
alguma coufa fechada. Leño, Chr. de D. Aff. III. 92 Da
qual abertura da fepultura... me deo hum efcrito de
fua mão o P. M. Fr. Bartholomeu Ferreira. VIEIR. Serm.
10. do Rof. 24, 4, 324 E porque a abertura das portas
do céo eftava refervada para a fé da Santiflima Trinda-
de, não era jufto, que o ceo fe prometteffe fenão na Lei
da Graça. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 26. n. 6 Entre os
finaes, que houve na morte de Chrifto, os mais admi-
raveis,
e tremendos forão as aberturas das fepultu-
ras.
Acção e effeito de dividir, fender, e feparar o que eftá
unido. ARR. Dial. 10, 77 Porque não fentiffe terremo-
nem temeffe aberturas de terra. VIEIR. Serm. 8,
162 Os fellos do Apocalipfe hiãofe abrindo hum por
hum, e a cada abertura tocava hum Anjo huma trom-
cada abertura tocay
beta.
Fenda, frefta, buraco. Cour. Dec. 5, 8, 12 E
que pela abertura della terra] fahira huma mulher.
SA DE MEN. Mal. 2, 32 Os navegantes vendo as aber-
turas,
Opeito lhes trefpaffa o medo frio. VIEIR.
Serm. 6, 3, 4. n. 93 Puzemos em huma de fuas aber-
turas huma unica peça affentada fobre a terra núa, e
defigual.
Met. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 106 Filhos
meus abrime huma abertura de penitencia, quanta he
a do fundo de huma agulha, e vos abrirei aberturas de
mifericordia, pelas quaes pofsão entrat coches, e car.
toças.
ABE
Epith. Cavernofa. CORT. R. Naufr. 5, 53. Larga:
ARR. Dial. 9, 14. Medonha. .LOBAT. Palm. 5, 1. Pro-
fundiffima. BARRET. Flos Sanct. 1, 30, 2.
Parte defunida, cu feparada no vestido. REGR. DA
ORD. DE S. TIAG. 9 A' maneira de loba fem franzimen-
so, nem abertura. CONST. DE VISEU, 12; 1 Tragão lo-
bas cerradas, as: quaes ferão de compridão honefta, e ao
menos que cheguem ao cólo do pé, e com feus cor-
cheres na abertura do peito. FR. SIN. COELH. Chr. 2.
18, 179 E o habito he preto, do qual pela abertura da
capa fe parece parte delfe.
Principio de algum ato folemne, como de Concilio,
Collegio, Concurfo de Universidade, &c. TAVOR. Hift. 204
Eu lho lembrei por algumas vezes. de quanta importan-
cia era já a abertura do Concilio. Ris. DE MACED. Vid. da
Emp. E celebradas as ceremonias da Igreja na abertu-
ra dos Synodos &c.
Entrada, ou principio de algum negocio, acção, &c.
VIEIR. Cart. 2, 13 Porque tive alguma communicação
.com a peffoa incognita, de que dei conta, e me pare-
ce muito, accommodada para a abertura, e conclusão do
negocio, a introduzi, nelle...
Met. uf. Conjuntura, meio, opportunidade para fe
fazer alguma confa.
T. da Alfandega. Meza da Abertura. Lugar, onde
fe abrem os fardos, ou fe faz veftoria do que vem a def-
pacho com affiftencia do Feitor da Abertura. BLUT. Vo-
cab.
,
Alveit. Enfermidade do cavallo aberto pelos peitos.
GRISL. Defeng. 3, 109 Cozida [a farinha de tremoços]
em agoa com a raiz de cardo matacão cura.b.as
aberturas dos cavallos.
Forenf. Ato juridico de abrir o teftamento, que
eftava cerrado
ou fellado REGIM. D'EVOR. 5, 8 E
nos teftamentos abertos, e de palavra, em que não ha
publicação, e abertura judicial, não pode facilmente
conftar do dia do falecimento. PROV. DA HIST. GEN.
4, 6, 199. p. 313. ann. 1583 Saibáo quantos efte publi-
co inftrumento de abertura de teftamento virem &c.:
{{lema|ABESENTADO, A}}. adj. Armer. Que tem befantes. BRAND.
Mon, 3, 11, 2 Trazem [os Almeidas ] por armas tres
befantes de ouro entre huma dobre ctuz, e bordadura
do mefmo ouro, e por timbre huma aguia de vermelho
abefentada de ouro. FR. LEño, Bened. 2, 2 Append. §.
ultim. E por timbre, huma aguia de vermelho abefentada
de ouro. VILL. BOAS, Nobiliarch. 28. Timbre huma aguia
de vermelho abefentada de ouro.)
{{lema|ABESPA}} s.f. ant. O mefmo que Vefpa. FERR.. DE: VASC.
Aulegr. 1, 6 Eu não quero affrontalo, mas fe me vier
a abefpa ao nariz, tanto me póde indinar, que &c. Sous.
DE MACED, Ev. 1, 16, 75. n. 8 Huma Provincia [fe
defpovoou] ...por abefpas...
ABESPAO. s. m. ant. O mefimo que Vefpão. JER. CARROS.
Dict. SANCH. Art. 112 y Crabo, nif. abefpão. BENT.
PER. Thes.
kobro
{{lema|ABESPINHA}}. s. f. ant. dim. de Abefpa. JER. CARDOS.
Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ABESSINO, A}}. adj. O mefmo que Abexim. M. FERNAND.
Alm. 1, 2, 2. n. 114. Abelinos, que são póvos da Ethio-
pia, fujeiros ao Prefte João.
{{lema|ABESOURO}}, s. m. ant. O mefimo que Befouro. BARDOS.
Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ABESSO}}. s. m. ant. O mesmo que Aveffo. LEI. D'ANDRAD.
Mifc. 16, 459 [Carra de Egas Moniz Coelho à fua
Dama.] Nom farom eftes meis olhos, Tal abeffo, fem
rezom.
{{lema|ABESTIM}}. s. m. O mefmo que Asbesto. BLUT. Vocab.
{{lema|ABESTO}}. s. m. O mefmo que Asbefto. BLUT. Vocab.
{{lema|ABESTRUZ}}. s. m. ant. Vej. Aveftruz.;
{{lema|ABETA}}. s. f. pouc. uf. dim. de Aba. SALGUEIR. Rel. 32
Que levava penduradas nas abetas vinte e quatro pon-
tas de criftal encaftoadas em ouro.
{{lema|ABETARDA}}. s. ant. O mefimo que Batarda. FERNAND.
FERR. Art. 6, 10 As Abetardas são as maiores aves, e
as que fazem ventagem a todas, as que pafsáo á nolla
Hefpanha são pardas na côr, no talhe, e feição dos
noffos perűs: porém de maior corpo, e cabeça nos
olhos o que nós temos bianco, tem, ellas amarello. On-
de crião feus filhos, alli morão fempre; não andão em
peregrinação como as de que até agora falamos. Cha-
máole Abetardas, porque como fejão pezadas para fe
levantarem, e tomarem feu vóo, correm primeiro ade-
jando para tomarem vento, e com elle fe poderem le-
var da terra; pelo que os Latinos lhe chamáo Avis tarda.
ARA<noinclude></noinclude>
6ojfpzc2bb80q10irzoyd0w3syjgpih
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ABE
todo abertos; porque elmo aberto denota linhagem anti-
ga, e o contrario o cerrado:
Guerra aberta. A que folcmnemente fe declarou ao
inimigo, ou fe lhe faz com força defcoberta. Azur. Chr.
3, 28 Em todo o feu fenhorio não podião al entender,
fenão que todavia tinhão guerra aberta com Portugal.
CORT. R. Naufr. 12, 129 Refpeitando A guerra e
diffenção, que aberta tinha.
Licença aberta. A que be ampla e fem reftricção. ARR.
Dial. 1, 20 Ufar de mais aberta licença.
Peito aberto. Milic. A peito aberto. form. adv. O
mefino que Em campanha aberta. ESPER. Hift. 2, 10
23. n. 2 E fahindo da fegurança dos muros, os foi buf-
car [os inimigos] ao caminho, onde a peito aberto lhes
aprefentaffe batalha.
Retro aberto. A retro aberto. fórm. adv. Com con-
dição de remir a coufa vendida dentro de certo prazo. VIEIR.
Serm. 8, 256 O mefmo fe ufa hoje nas galés do Me-
diterraneo, em que fe vendem os homens a retro
aberto.
Rifco aberto. A rifco aberto. fórm. adv. Com pe-
rigo manifefto e evidente. FREIR. Vid. 2., 37 Os Mouros
ordenárão, que fe continuaffe a bataria a rifco aberto.
Em aberto. fórm, adv. Ufafe a refpeito das cou-
fas, quando eftão imperfeitas e por acabar; e aflim fe
diz Achar em aberto; Deixar em aberto; Eftar em
aberto; Ficar em aberto; Ter em aberto. ANDRAD. Chr.
4, 72 Nos livros da matricula da India fe acharão em
aberto os titulos de vinte e dous mil homens. BRIT.
Mon. 1, 3. c. 15. Morales, a quem convinha fupprir
fuas promeffas, como profeguidor da Hiftoria, que lhe
ficou imperfeita, o deixou em aberto, fem tocar palavra
defta materia. Sous. Hift 1, 3, 17 No qual teftamen-
to] deixando efmolas. . . pera as obras do nollo Con-
vento de Santarem; que fabia eftarem em aberto &c.
ALBUQ. Comm. 4, 15 E porque lhe era neceffario par-
tirfe pera dar expediente a alguns negocios, que ficavão
em aberto, defpediofe do Çamorim. VIEIR. Serm. 1,
15, 7. col. 1106 Sobre tudo tenho muitos negocios em
aberto, muitas dependencias, &c.
Tambem fe ufa a refpeito da guerra ou contenda
para moftrar, què fe faz declaradamente e com força
defcoberta. AzuR. Chr. 3, 4 Que fe a guerra antre Por-
tugal e Caftella ficalle em aberto &c. BARR. Dec. 2,
3,2 A qual [paz] já não merecião por caufa da guer-
ra, que tinhão em aberto com elRei de Ormuz. GOES,
Chr. de D. Man. 1, 29 A qual querella lhes ficou fem-
pre em aberto com os de Burgos.
A refpeito das culpas, fe diz, quando eftas não tem.
fido caftigadas. M. BERN. Luz e Cal. 1, 9, 244 Pois he
certo, que diante de Deos tenho muitas culpas cm aber-
to e por pagar, ao menos da vida paffada.
{{lema|ABERTO}}. s. m. ant. e. pouc. uſ. O mefmo que Aberta.
GASP. DOS REIS, Rel. 9, 21 Tem elte meio corpo.cm
o peito hum aberto cercado de huma tarja de prata.
{{lema|ABERTURA}}. s. f. Acção e effeito de patentear ou abrir
alguma coufa fechada. Leño, Chr. de D. Aff. III. 92 Da
qual abertura da fepultura... me deo hum efcrito de
fua mão o P. M. Fr. Bartholomeu Ferreira. VIEIR. Serm.
10. do Rof. 24, 4, 324 E porque a abertura das portas
do céo eftava refervada para a fé da Santiflima Trinda-
de, não era jufto, que o ceo fe prometteffe fenão na Lei
da Graça. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 26. n. 6 Entre os
finaes, que houve na morte de Chrifto, os mais admi-
raveis,
e tremendos forão as aberturas das fepultu-
ras.
Acção e effeito de dividir, fender, e feparar o que eftá
unido. ARR. Dial. 10, 77 Porque não fentiffe terremo-
nem temeffe aberturas de terra. VIEIR. Serm. 8,
162 Os fellos do Apocalipfe hiãofe abrindo hum por
hum, e a cada abertura tocava hum Anjo huma trom-
cada abertura tocay
beta.
Fenda, frefta, buraco. Cour. Dec. 5, 8, 12 E
que pela abertura della terra] fahira huma mulher.
SA DE MEN. Mal. 2, 32 Os navegantes vendo as aber-
turas,
Opeito lhes trefpaffa o medo frio. VIEIR.
Serm. 6, 3, 4. n. 93 Puzemos em huma de fuas aber-
turas huma unica peça affentada fobre a terra núa, e
defigual.
Met. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 106 Filhos
meus abrime huma abertura de penitencia, quanta he
a do fundo de huma agulha, e vos abrirei aberturas de
mifericordia, pelas quaes pofsão entrat coches, e car.
toças.
ABE
Epith. Cavernofa. CORT. R. Naufr. 5, 53. Larga:
ARR. Dial. 9, 14. Medonha. .LOBAT. Palm. 5, 1. Pro-
fundiffima. BARRET. Flos Sanct. 1, 30, 2.
Parte defunida, cu feparada no vestido. REGR. DA
ORD. DE S. TIAG. 9 A' maneira de loba fem franzimen-
so, nem abertura. CONST. DE VISEU, 12; 1 Tragão lo-
bas cerradas, as: quaes ferão de compridão honefta, e ao
menos que cheguem ao cólo do pé, e com feus cor-
cheres na abertura do peito. FR. SIN. COELH. Chr. 2.
18, 179 E o habito he preto, do qual pela abertura da
capa fe parece parte delfe.
Principio de algum ato folemne, como de Concilio,
Collegio, Concurfo de Universidade, &c. TAVOR. Hift. 204
Eu lho lembrei por algumas vezes. de quanta importan-
cia era já a abertura do Concilio. Ris. DE MACED. Vid. da
Emp. E celebradas as ceremonias da Igreja na abertu-
ra dos Synodos &c.
Entrada, ou principio de algum negocio, acção, &c.
VIEIR. Cart. 2, 13 Porque tive alguma communicação
.com a peffoa incognita, de que dei conta, e me pare-
ce muito, accommodada para a abertura, e conclusão do
negocio, a introduzi, nelle...
Met. uf. Conjuntura, meio, opportunidade para fe
fazer alguma confa.
T. da Alfandega. Meza da Abertura. Lugar, onde
fe abrem os fardos, ou fe faz veftoria do que vem a def-
pacho com affiftencia do Feitor da Abertura. BLUT. Vo-
cab.
,
Alveit. Enfermidade do cavallo aberto pelos peitos.
GRISL. Defeng. 3, 109 Cozida [a farinha de tremoços]
em agoa com a raiz de cardo matacão cura.b.as
aberturas dos cavallos.
Forenf. Ato juridico de abrir o teftamento, que
eftava cerrado
ou fellado REGIM. D'EVOR. 5, 8 E
nos teftamentos abertos, e de palavra, em que não ha
publicação, e abertura judicial, não pode facilmente
conftar do dia do falecimento. PROV. DA HIST. GEN.
4, 6, 199. p. 313. ann. 1583 Saibáo quantos efte publi-
co inftrumento de abertura de teftamento virem &c.:
{{lema|ABESENTADO, A}}. adj. Armer. Que tem befantes. BRAND.
Mon, 3, 11, 2 Trazem [os Almeidas ] por armas tres
befantes de ouro entre huma dobre ctuz, e bordadura
do mefmo ouro, e por timbre huma aguia de vermelho
abefentada de ouro. FR. LEño, Bened. 2, 2 Append. §.
ultim. E por timbre, huma aguia de vermelho abefentada
de ouro. VILL. BOAS, Nobiliarch. 28. Timbre huma aguia
de vermelho abefentada de ouro.)
{{lema|ABESPA}} s.f. ant. O mefmo que Vefpa. FERR.. DE: VASC.
Aulegr. 1, 6 Eu não quero affrontalo, mas fe me vier
a abefpa ao nariz, tanto me póde indinar, que &c. Sous.
DE MACED, Ev. 1, 16, 75. n. 8 Huma Provincia [fe
defpovoou] ...por abefpas...
ABESPAO. s. m. ant. O mefimo que Vefpão. JER. CARROS.
Dict. SANCH. Art. 112 y Crabo, nif. abefpão. BENT.
PER. Thes.
kobro
{{lema|ABESPINHA}}. s. f. ant. dim. de Abefpa. JER. CARDOS.
Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ABESSINO, A}}. adj. O mefmo que Abexim. M. FERNAND.
Alm. 1, 2, 2. n. 114. Abelinos, que são póvos da Ethio-
pia, fujeiros ao Prefte João.
{{lema|ABESOURO}}, s. m. ant. O mefimo que Befouro. BARDOS.
Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ABESSO}}. s. m. ant. O mesmo que Aveffo. LEI. D'ANDRAD.
Mifc. 16, 459 [Carra de Egas Moniz Coelho à fua
Dama.] Nom farom eftes meis olhos, Tal abeffo, fem
rezom.
{{lema|ABESTIM}}. s. m. O mefmo que Asbesto. BLUT. Vocab.
{{lema|ABESTO}}. s. m. O mefmo que Asbefto. BLUT. Vocab.
{{lema|ABESTRUZ}}. s. m. ant. Vej. Aveftruz.;
{{lema|ABETA}}. s. f. pouc. uſ. dim. de Aba. SALGUEIR. Rel. 32
Que levava penduradas nas abetas vinte e quatro pon-
tas de criftal encaftoadas em ouro.
{{lema|ABETARDA}}. s. ant. O mefimo que Batarda. FERNAND.
FERR. Art. 6, 10 As Abetardas são as maiores aves, e
as que fazem ventagem a todas, as que pafsáo á nolla
Hefpanha são pardas na côr, no talhe, e feição dos
noffos perűs: porém de maior corpo, e cabeça nos
olhos o que nós temos bianco, tem, ellas amarello. On-
de crião feus filhos, alli morão fempre; não andão em
peregrinação como as de que até agora falamos. Cha-
máole Abetardas, porque como fejão pezadas para fe
levantarem, e tomarem feu vóo, correm primeiro ade-
jando para tomarem vento, e com elle fe poderem le-
var da terra; pelo que os Latinos lhe chamáo Avis tarda.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A BE ARAVI. Succeff. 4, I Povoada [a terra] de javalis, corços, abetardas, &c. {{lema|ABETARDADO, A}}. adj. De cor de batarda (Abutarda- do) LEIS EXTRAV. Addicç. 32 E não fe devem acce- ptar pera padres cavallos mellados, andrinos, abutarda- dos, toveiros, &c. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. 10 Ruço ruão, que participa de branco, e do ruão, que fazen- do algumas rodas, fe diz [o cavallo] ruço palpado, ruço mcllado, ruço abetardado, que re...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A BE
ARAVI. Succeff. 4, I Povoada [a terra] de javalis,
corços, abetardas, &c.
{{lema|ABETARDADO, A}}. adj. De cor de batarda (Abutarda-
do) LEIS EXTRAV. Addicç. 32 E não fe devem acce-
ptar pera padres cavallos mellados, andrinos, abutarda-
dos, toveiros, &c. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. 10 Ruço
ruão, que participa de branco, e do ruão, que fazen-
do algumas rodas, fe diz [o cavallo] ruço palpado,
ruço mcllado, ruço abetardado, que reprefenta a cor
d'abetarda.
{{lema|ABETE}}. s. m. Efpecie de pinheiro, a que Linneo chanta
Pinus abies, e diftribue na Monoicia Monadelphia do fen
fyftema dos vegetaes. As flores mafculinas defta arvore
tem o caliz de quatro foliolos, fem corolla, e com mui-
tos eftames: as femeninas estão difpoftas em pinha,
cada eftame contendo de ordinario dous flofculos, fem
corolla e com hum fó piftillo os feus fructos, deno-
minados pinhoes, são guarnecidos de huma aza membra-
nofa. Tem as folhas folitarias, fem bainha alguma na
bafe, afloveladas, mucronadas, lizas, e difpoftas em
dous renques. (Abeto) do Lat. Abies. CORT. R. Naufr.
12, 134 E vendo a bocca Da fombrofa caverna tão
profunda, Cercada em derredor de abetos negros &c.
MEND. DE VASC. Sit. 2, 178 Ao longo delles [rios]
puderamos ter muitos alemos, faias, choupos, ulmos,
abetes, &c. SANCH. Art. 1oz Abies, tis, Abeto, arvo-
re como pinho.
{{lema|ABETERNO}}. fórm. adv. Deſde a eternidade. He locução
puramente Latina. Ab cterno. ARR. Dial. 10, 2 Voilo Pa-
dre volo impos abeterno. Maus. Aff. Afr. 6, 99 Com
que Deos abeterno fe convida. VIEIR. Serm. 4, 10, 9.
n. 373 O Verbo fazendofe homem, aflim como fôra ge-
rado abeterno da fubftancia de Deos; allim &cc.
ABETERNO, A. adj. Eterno, fem principio. Cour. Dec.
5,6,3 Trata mais efta primeira parte da matería dos
Anjos... que dizem, que não foráo creados, e que
são abeternos com o melmo Deos.
{{lema|ABETO}}. s. m. Vej. Abete.
{{lema|ABETUMADO, A}}. p. p. de Abecumar. Goes, Chr. de
D. Man. 3, 49. CUNя. Catal. 1, 12. M. GODINH, Rel.
16, 92.
{{lema|ABETUMAR}}. v. a. Untar com betume ou outro material
ſemelhante. ant. Abatumar Abutumar SABELL, Eneid.
2, 8, 119 Abutumárão todos os póços, donde elles ti-
ravão agoa. MARIZ, Dial. 4, 18 Abetumárãolbe todo
o eorpo eom eftopas, breu, è alcatráo. CARDos. Agiol.
3, 512 Lhe abetumárão o corpo todo com'eftopas, breu,
e alcatrão.
Met. FERR. DE VASC. Aulegr. 1, 8 Tendes logo ou-
tro [defconto] pera abatumar todos effes, que he faber
certo que vos querem bem.
{{lema|ABEXIM}}. adj. de huma term. Natural, ou morador da Abaf-
fia. ant. Abexí. F. ALVAR. Inform. 9 Fez feu teftamen-
to na lingo Portugueza... e affi na lingoa abexi. At-
BUQ: Comm. 4, 6 E tomiráo nella mulheres, e moços
Abexins. Cove. Dec. 7, 4, 6 Trajo, que as Senhoras
Abexins usão.
{{lema|ABEXIM}}. s. m. O natural, on morador da Abaffia on
Ethiopia alta. ARR. Dial. 4, I Nem nas terras do Im-
perio dos Abexis verieis a fabulofa pheniz gozar do ar
líquido, e fereno. TELL. Hift. 1,3,5. O nome de feus
habitadores he Abexins ou Abexís; elles dizem Abex,
carregando no x, e porque nós não pomos tão facil-
mente o accento no x, dizemos em lugar de Abex Abe-
xim, e a elles chamamos Abexins. M. BERN. Floreft. 3,
3, 9, B Governava efta praça hum Abexim (affim cha-
mão aos Ethiopes do Prefte João) e são eftes Abexins
por feu valor, e fidelidade muito eftimados neftas ter-
ras.
{{lema|ABIBE}}. s. m. Certa ave de arribação, a que Linneo cha-
ma Tringa vanellus. He da grandeza de hum pombo,
fillipede, de quatro dedos, tres anteriores e hum pof-
terior, com unhas muito curtas. Tem o bico negro, re-
eto, e inchado para a ponta a crifta ou pennacho preto,
a parte fuperior do pefcoço cinzenta com reflexos ef-
verdinhados, a garganta branca, o anterior do pescoço
negro, o dórfo verde dourado, o peito e ventre bran-
cos, e as azas de vinte e fete pennas. Vive focialmen-
te, he de grande vivacidade, leve no vôo e carreira:
nutrefe de vermes e infectos nos valles e terrenos hu-
midos ou enxarcadiços. O feu nome talvez foi derivado
das fuas vozes que parecem exprimir as fyllabas bi,
bi, bi. Conforme o P. Bento Pereira efte nome he
tambem dado á ave Ibis, famofa na Hiftoria dos anti-
gos Egypciós, confiderada antigamente por muitos Ná
turaliftas, como huma efpecie de cegonha, e por Brif-
fon, como huma efpecie de Courli. BENT. PER: Thes.
Abibe, ave. Ibis, is, vel ibidis.
{{lema|ABICADO, A}}. p. p. de Abicar. CASTANH. Hift. 3, 30.
MEND. PINT. Peregr. 173. COUT. Dec. 4, 5, 4.
{{lema|ABICAR}}. v. a. Chegar á praia, fazendolbe por nellà o
bico. As embarcações. MEND. PINT. Peregr. 50 Com deter-
minação, de ahi ás marés abicar o junco grande, em que
hia, por lhe fazer muita agoa. Cour. Dec. 6, 6, 1,
E huma terrada, que fe foi abicar a terra."
Met. Aproximarfe. D. F. MAN. Muf. 64. Camfonh.
de Euterp. Igual effe, cftá abicado A fer muito def
honrado.
Neutr. Tocar a praia, por nella o beque, ca bico
da prod. VIEIR. Serm. 4, 8, 8. n. 297. Abica á praia
o defconhecido baixel.
{{lema|ABJECÇÃO}}. s. f. Defprezo, abatimento, defeftimação. Do
Lat. Abjectio. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 32, 84 Oppro-
brio, e abjecção do povo são duas palavras latinas ent
extremo gráo fignificativas de eftado abatido; porque
querem dizer mais que affronta, deshonra, e injuria, e
coufa baixa... E abjecção do povo he a coufa quc
merece fer táo defprezada, e efquecida de todos, que
ainda he muito para ella andar debaixo dos pés da gen-
te. Paiv. Serm. 2, 237 Búfcou [ Nicodemus ] b feu
corpo morto [de Chrifto] na maior força do odio dos
Judeos, e de fua abjecção e deshonra, publicamente, pa-.
ra o enterrar, fem medo de ninguem. Sous. Vid. 5, 12
Ha huma humildade, que procede do animo cativo, fer-
vil, e apoucado, cujo verdadeiro nome não he humil-
dade, fenão vileza, e abjecção, e o feu contrario he
alti veza.
{{lema|ABJECTISSIMO, A}}. fuperl. de Abjecto. GUERREIR. Rela
4, 2, 7. M. FERNAND. Alm. I, 2, 2. n. 106.
{{lema|ABJECTO, A}}. adj. Vil, defprezivel. Do Lat. Abjectus.
Paiv. Serm. 3 34 Na mais baixa é mais abjecta parte
do templo. Sous. Vid. 5, 12 Porque quanto [a humilda-
de] foge de altiva, tanto fe alonga de vil, e abjecta.
VIEIR. Serm. 4, 10, 5. n.356 Eu fou hum bichinho da
terra, e não fou homem, porque fou o opprobio dos
homens, e o abjeto da plebe.
{{lema|ABIETINO, A}}. adj. Da arvore Abete. Do Lat. Abietinus.
(Abiatino) MORAT. Luz, 6, 1 Tambem ufamos da cor-
mentina abietina para purgar a vefiga, fem miftura, nemi
alteração Pratic. 3, 7, 9 Tomarão tormentina abia
tina tres onças.
{{lema|ABIL}}. adj. de huma term. e os feus detivados. Vej. Hab.
{{lema|ABILHAMENTO}}. s. m. antiq. O mefmo que Atavio. LEÃO,
Orig. 27.
{{lema|ABILHAR}}. v. a. antiq. O mefmó que Ataviar. Leño, Orig.
{{lema|ABINHA}}. s. f. dim. de Aba. GASP. Dos Reis, Rel. 38,
46.
{{lema|ABINÍCIO}}. form. adv. Defde o principio, defde que o mi-
do be mundo. He locução puramente Latina. Ab initio.
F. ALv. Inform. 61 E vem já de abinicio de escravos.
MEMOR. DAS PROEZ. I, 16 Diligencias humanas nunca
puderão, nem podem preverter a ordem, em que o fum-
mo Regedor tem abinicio poftas as coufas do mundo.
MACHAD. Cerc.z, 29 A Cidade com moftras de alegria,
Como fe de abinicio voffa fofle, Por poder recebervos
como deve, Com feftas, e apparatos fe apercebe.
{{lema|ABINTESTADO}}. fórm. adv. Sem ter feito teftamento. Do
Lat. Ab inteftato. FERN. LOP. Chr. de D. J. 1. z 126 E
outros quaefquer eftranhos por teftamento, ou abintefta-
do. ORDEN. DE D. MAN. 1, 8 E por quanto nas noffas Ilhas
falecem algumas peffoas abinteftado &c. PINT. RIBE R.
Ufurp. 37 Concede o Direito nas heranças abinteftado
o beneficio da reprefentação.
{{lema|ABINTESTADO, A}}. adj. Que não fez teftamento. (Ab-
enteftado) REGIM. DE EVOR. 15, 42 Tomará informação
das peffoas, que morrerão abinteftadas. EsTAT. DA ORD.
DE. S. THIAC. 35 Conio a fazenda dos abinteftados per-
tence à Ordem &c. FR. NICOL. D'Oriv. Grandez. Prol.
Fazenda de naufragios, de que fe não fabe dono; e de
abinteftados, que não tem herdeiros forçados.
Que não be declarado em teftamento. Das peffoas,
e coufas. Prov. DA HIST. GEN. 1, 2, 31. P. 468. ann.
1423 Em todo o cafo feus herdeiros afli abinteftados)
como por teftamento; hajáb &c. RECIM. DA FAZEND.
94, 41 Bens abinteftados:
{{lema|ABISMADO, A}}. p. p. de Abifmar. TELL. Hift. 4, 29,
377. AMARAL, Seim. 119, 4.
ABIS-<noinclude></noinclude>
o91e6ijabifwhfjagup9hnf1sluh8zs
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/230
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MLReis
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A BI
{{lema|ABISMAL}}. adj. de huma term. pouc. uf. Do abifmo, per-
tencente ao abifimo. CHAG. Efcol. 3, 167 Contidera effe
abifinal calabouço, effe profundo barranco, que rens
diante.
{{lema|ABISMAR}}. v. a. Lançar no abifmo. BLUT. Vocab.
Met. Afombrar, deixar confufo, ou como fora de
fi por effeito de admiração, c pafmo. VIEIR. Serm. 7, 2,
2. n. 51. O peccavi he huma onda, que a abifma [a al-
ma efcrupulofa]
em
{{Uso|Com pron. peff.}} Sunirfe, efconderfe como ein hum
abifmo. No prop. e met. Luz, Serm. 1, 167, 3 La fe
foi [Adão ] abifmar debaixo de huma arvore, por mais
que "Deos por elle bráda, não acode. AMARAL, Serm.
303, 4 Quando mais favorecido de Deos, então fe abif-
nou mais no profundo da humildade. VIEIR. Scrm. 4,
10, 5. n. 356 O primeiro abifmo foi a Encarnação do
Verbo, porque fazendole Deos homem, fe abifmou e
fumio de tal forte a Divindade na natureza humana,
que &c.
{{lema|ABISMO}}. s. m. Profundidade immenfa, e a que fe não acha
termo. Dizfe particularmente das agoas no fentido.
que fe toma na Sagrada Efcritura. Do Lat. Abyfus. VieIR.
Serm. 4, 10, 5. n. 356 Abifimo já fabeis, que he hum
pego immenfo, e profundiffimo, como aquelle, de que
falla a Efcritura na primeira creação dos elementos. M.
FERNAND. Alm. 2, 1, 16. n. 8 Deos logo no primeiro
inftante de terra creou a terra, ou o globo da terra, com
o abifmo, pelo qual fe entende toda aquella intercapedo
ou immenfidade de efpaço, que vai defdo globo da rer-
ra, tambem en globo, até o céo empyreo. M. BERN.
Paraif. 1, 6 Abifmo (palavra Grega, que. quer dizer
fem fundo) he, como dizem S. Balilio, e Santo Agoſti-
nho, huma profundeza altiflima de muitas agoas, a que
ignoramos o fundo.
Fundo au parte mais baixa do mar. BARR. Dec. 1,
5, z Efta furia de vento deo fim a elle, e aos outros,
mertendoos no abifio da grandeza daquelle mar Ocea-
no. Luc. Vid. 6, 15 Os mares feitos em ferras já fe
punhão nas eftrellas, já defcobrião os abifmos. MAUS.
Aff. Afr. 3, 49 Quando fentem no abifino mais profun-
Ferver em rolos altos as areas.
do
Met. O que he immenfo e incomprehenfivel. BERN.
Rim. ao B. Jef. Eleg. z Es fonte de miferia; mar de
dores,
Abifmo de trifteza, e de cuidados. HEIT. PINT.
Dial. 2, 1, 9 Mettidos n'hum abifio e fundura de pen-
famentos. ARR. Dial. 10, 46 Por mais graças e louvo-
res, que lhe demos [a Deos] nenhuma coufa accrece
e fe augmenta em o abifmo de fua honra, gloria, e ma-
geftade infinita.
Inferno, lugar ou morada dos condemnados. BARR.
Dec. 1,31 Ags máo: lançava no abifio da terra,
lugar chamado inferno, habitação dos diabos. CORT. R.
Cerc. 10, 136 O maldade nefanda, ó dignas almas
De tormento fem fim là nos abifmos. HEIT. PINT. Dial.
1, 3, 10 Tu alevantas os juftos e fantos até os altos
céos, e derribas os impios e damnados até os profundos
abifmos.
Epith. Alto. Co ceo.) Maus. Aff. Afr. 9, 132 .
Baixo. Luz, Serm. 2, 26, 1. Cavernofo. PER. Elegiad.
2, 32 y. Efcuro. Maus. Aff. Aft. 7, 117. VIEIR. Serm.
4, 8, 8. n. 297. Efpantofo. SEPULCHR. Refeiç. I, I, 15.
p. 7. col. 1. Fundo. D. HILAR. Voz, 16, 97. CORT. R.
Naufr. 12, 132 . Immenfiffimo. M. BERN. Paraif. 94.
Inexhaufto. FERNAND. GALV. Serm. 1, 72, 4. Infernal.
(o inferno) CAM. Canç. 2, 2. M. BERN. Floreft. 1, 4,
120, C. Infimo. TELL. Hift. 2, 4, 110. Infinito. M. BERN.
Luz e Cal. 2, 4, 386. Negro. (o inferno.) CoRT. R.
Naufr. 9, 91. Occulto. VIEIR. Serm. 5, 13, 2. n. 435.
Profundo. CORT. R. Nauft. 13, 152. LOBAT. Palin. 5,
14. Temerofo. CORT. R. Naufr. 11, 125. Tenebrofo. (o
inferno.) Luz, Serm. 2, 104, 4. Tremendo. CHAG. Ef-
col. 6, 395. Trifte. CORT. R. Cerc. i, 11. Vafto. M.
FERNAND. Alm. 2, 1, 17. 11. 24.
Fabricar fobre abifmos. fraf. proverb. Obrar fem fun-
damento. Prov. DA HIST. GEN. 4, 6, 272. p. 616. ann.
1642 E aquelles, que quizerão fundar a fua fortuna
fabricarão fobre abifmos.
Adag. Hum abifino chama outro abifno. FR. ISID.
DE BARREIR. Hift. 12. VIEIR. Serm. 4, 10,.5. n. 356.
{{lema|ABISSO}}. s. m. Vej. Abyffo.
{{lema|ABITA}}. s. f. Marinh. Certos pãos, em cruz debaixo do caf-
tello da prôa, onde fazem fixas as amarras, e tem qua-
tro curvas para fortificar com fuas cavilhas efcateladas,
que são fechadas. GOES, Chr. de D. Man. 4, 78 Paffou
A BL
[o pelouro] toda a não em comprido de pppoa a proa
levandolhe hum pedaço da abita.
{{lema|ABITALHADO, A}}. adj. .antiq. Provido de vitualbas ou
mantimentos neceffarios, principalmente nos exercitos, nos
navios, &c. De Bitalha, antiq. o mefmo que Vitualha.
FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 1, zz E fendo certa [ a
Rainha como fe elle [Meftre ] trigava pera partir, em
náos, que já tinha bem abitalbadas &c. CASTANH. Hift.
3, 32 E porque os Mouros crêffem, que elle estava mui-
to abaftado de mantimentos, banqueteouos naquelles dous
*dias, como quem eftava muito bem abitalhado.
{{lema|ABITAR}}. v. a. ant. e os feu derivados. Vej. Habitar.
{{lema|ABITO}}. s. m. ant. Vej. Habito.
{{lema|ABITUAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Habiruar.
{{lema|ABJURAÇÃO}}. s. f. Ato de abjurar. BRIT. Mon. 2, 6. c.
19 Pera fe dar ordem á conversão dos Bifpos, c pef-
foas illuftres, cuja abjuração defejava, que foffe feita
em publico. Sous. Hift. I, 2, 14 Aqui fez a primeira
retractação ou abjuração de feus defconcertos. CчNH. Hift.
de Brag. 1, 52, 221 E forão táo verdadeiras e de co-
ração as abjurações, que de feus erros fizerão eftes Pre-
lados, que &c.
{{lema|ABJURADO, A}}. p. p. de Abjurar. VEIG, Laur. Od. 2,
9. VIEIR. Serm. 9. do Rof. II, 6, 424. M. BERN. Flo-
reft. 2, 2, 291, A.
{{lema|ABJURAR}}. v. a. Defdizer, retractar. O erro ou falfa dou-
trina, que fe havia feguido, particularmente em mare-
ria de Fé. Do Lat. Abjurare. Cour. Dec. 7, 8, 2. E
abjurárão todas as heregias de Neftor. BRIT. Mon. 2,
5. c. 30 Vierão ao Concilio abjurar fua opinião. Sous.
Hift. 1, 1, 2 Deixáráofe vencer da verdade, e abjurárão
a heregia.
Abominar, deteftar. CALV. Homil 1, 295 Abjuro,
e de todo de mim lanço a gloria fó a Deos devida,
VIEIR, Serm. 2, 9, 5. n. 280 Pois fe Abrahão creo no
verdadeiro Deos, abjurando os idolos &c. M. FERNAND.
Alm. 3, 2, 5. n. 48. p. 372 A' qual admoeftando o Sa-
cerdote, que lançaffe fóra, e abjurafe tão illicita ami-
zade, e deixaffe aquella peffoa fua parenta, diffe &c.
Neurt. Negar com juramento falfo. Feo, Tr. 2,
148, 4 Melhor aconfelhado foi S. João em fugir..
que S. Pedro em feguir, para depois abjurar.
A
Abjurar de leve ou de vehemente ou em fórma.
Termos, de que ufa o Tribunal da Inquifição, para de-
notar, que hum réo fe retractou com juramento do erro
ou erros contra a Fé ou bons coftumes, de que foi ac-
culado e convencido por leyes ou vehementes e claros
indicios. Br.UT. Vocab.
{{lema|ABLACTAÇÃO}}. s. f. pouc. uf. Acção de defmawmar ou
-apartar do leite da mãi, ou ama. Do Lat. barb. Abla-
&tatio. CEIT. Quadrag. 1, 135, 2. Ainda que alguns [Me-
dicos querem que fe haja de fazer a ablactação nos dous
annos.
{{lema|ABLACTADO, A}}. adj. pouc. uf. Defmanimado, que fe
apartou do leite da mai ou ama. Do Lat. barb. Ablacia-
tus. CEIT. Quadrag. 1, 135, 3 Ablatada a Senhora dos
peitos da mãi.
{{lema|ABLANDAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Abran
dar. VIT. CHRIST. 3, 34.
{{lema|ABLATIVO}}. s. m. Gramm. O fexto e ultimo cafo na de-
clinação dos nomes. Do Lat. Ablativus. Paiv. Serm. 1
353 Expõe eftes ablativos por effectivos ou cafos
inftrumentacs. BRIT. Mon. 2, 6. c. 20 E o nome da Ci-
dade fique em ablativo de por fi. SANCH. Art. 39 y Em
ablativo estará De quem, por quem, ou fem quem,
Com que a obra fe fará..
Ablativo abfoluto, O que não tem regencia. FR. FAU-
CTUOS, PER. Art. 167 y O'ablativo abfoluto he aquelle,
que não depende de regencia alguma, mas por fi fó
conftrue. ROBOR. Gramm. 3, 4 Moftráofe os ufos dos
ablativos, que chamão abfolutos de peffoa, e de coufa.
{{lema|ABLATIVO, A}}. adj. pouc. uf. Que tira. Do Lat. Alla-
tivus. Sovs. Vid. 2, 11 E pera efte effeito bafta con-
virmos todos na caufa ablativa , que he o Papa, que
póde tirar e fufpender effe poder. VELASC. Acclam. 419
Se deve advertir, que entre as coufas, em que ha pro-
bibição expreffa de Direito, para fe não poderem pref-
crever, são as que fe occupão com aquelle genero de
força que fe chama expulfiva, ou ablativa.
{{lema|ABLEGAR}}. v. a. pouc. ul. Defterrar, enviar on mandar
para outra parte. Do Lat. Ablegare. M. BERN. Floreft.
1, 182, A Levanton [Juliano] o defterro aos Bifpos
Catholicos, que feu anteceffor Conftantino tinha ablegado..
{{lema|ABLUÇÃO}}. s. f. Lavatorio, acção de limpar ou purificar.
lavan-<noinclude></noinclude>
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