Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.12 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Autor:Joaquim Manuel de Macedo 102 14873 556630 511850 2026-07-28T09:55:37Z Hyju 3042 556630 wikitext text/x-wiki {{Autor | InicialUltimoNome = M | nome = Joaquim Manuel de Macedo | nome completo = | nome nativo = | imagem = Joaquim Manuel de Macedo 1866.png | imagem_tamanho = | legenda = | nacionalidade = {{BRAn|o}} | data_nascimento = {{dni|24|6|1820|si}} | data_morte = {{morte|11|4|1882|24|6|1820}} | género = | período = | temas = | abl = | Wikipedia = Joaquim Manuel de Macedo | Wikiquote = Joaquim Manuel de Macedo | MiscBio = '''Joaquim Manuel de Macedo''' foi um escritor brasileiro. }} == Obras == ===Romances=== * {{ano|1838}}: O forasteiro * {{ano|1844}}: {{livro digitalizado/ico|Anexo:Versões/A Moreninha|A Moreninha}} * {{ano|1845}}: {{livro digitalizado|O moço loiro|O moço loiro (Tomo I).pdf|O Moço Loiro}} * {{ano|1848}}: [[Os Dois Amores]] * {{ano|1849}}: {{livro digitalizado|Rosa (Joaquim Manuel de Macedo)|Rosa - romance brasileiro, t1 (nova ed.).pdf|Rosa: romance brasileiro}} * {{ano|1849}}: O rio do quarto * {{ano|1849}}: Uma paixão romântica * {{ano|1854}}: Vicentina * {{ano|1855}}: A carteira de meu tio * {{ano|1855}}: Os romances da semana : {{smaller|[[A bolsa de seda]] • [[O Fim do Mundo]] • [[O Romance de uma velha]] • [[Uma paixão amorosa]] • [[Inocêncio]] • [[O veneno das flores]]}} * {{ano|1865}}: O culto do dever * {{ano|1867}}: Memórias do sobrinho de meu tio * {{ano|1868}}: {{livro digitalizado|A luneta mágica|A Luneta Magica, Tomo I (1869).pdf|A luneta mágica}} * {{ano|1869}}: {{livro digitalizado/ico|Anexo:Versões/As Vítimas-Algozes|As Vítimas-Algozes}} * {{ano|1870}}: A namoradeira * {{ano|1870}}: Nina * {{ano|1870}}: {{livro digitalizado|As mulheres de mantilha|As mulheres de mantilha.djvu|As mulheres de mantilha}} * {{ano|1871}}: Um noivo a duas noivas * {{ano|1872}}: Os quatro pontos cardeais * {{ano|1872}}: A misteriosa * {{ano|1876}}: A baronesa de amor * {{ano|1878}}: Memórias da rua do Ouvidor * {{ano|1914}}: Amores de um médico === Poesias === * {{ano|1857}}: {{livro digitalizado|A nebulosa (Joaquim Manuel de Macedo, 1870)|A nebulosa.djvu|A Nebulosa}} * {{ano|1867}}: Mazellas da actualidade === Teatro === ;Dramas * {{ano|1845}}: O Cego * {{ano|1849}}: Cobé * {{ano|1863}}: Lusbela ;Comédias * {{ano|1856}}: O Fantasma Branco * {{ano|1858}}: O primo da Califórnia * {{ano|1860}}: [[Luxo e Vaidade]] * {{ano|1863}}: A torre em concurso * {{ano|1873}}: Cincinato Quebra-Louças ;Miscelânea * 18--: Os dois mineiros na corte * {{ano|1860}}: Amor e pátria * {{ano|1863}}: Teatro do doutor Joaquim Manuel de Macedo * {{ano|1863}}: O novo Otelo * {{ano|1869}}: Romance de uma velha * {{ano|1870}}: Remissão de pecados * {{ano|1870}}: Uma pupila rica * {{ano|1873}}: [[Antonica da Silva]] * {{ano|1877}}: Vingança por vingança * {{ano|1879}}: Pai Cuco, o feiticeiro * {{ano|1885}}: O macaco da vizinha ===Tradução=== * {{ano|1873}}: {{livro digitalizado|Noções de corographia do Brasil|Noções de corographia do Brasil (Primeira Parte).pdf}} ===Outros=== * {{ano|1873}}: {{livro digitalizado|Terceira exposição brazileira em 1873|Terceira exposição brazileira em 1873.pdf}} * {{ano|1878}}: {{livro digitalizado|Mulheres celebres|Mulheres celebres.pdf}} {{autores}} {{controle de autoridade}} [[Categoria:Joaquim Manuel de Macedo|Joaquim Manuel de Macedo]] 3oy9r28oyqm653f21besl1go8u9yc7o Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/53 106 189569 556516 416177 2026-07-27T20:44:29Z Gamoneiro 43372 /* Validada */ Correção de OCR e uso de apóstrofo tipográfico 556516 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 39 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem> Que vivendo no pó, delle nutrido, Do caminhante o pé mata e soterra. {{dhr}} Pois não é pó o que nestas paredes Em tantas prateleiras me suffoca? O lixo que nest’antro carunchoso Cheio de mil velorios, me comprime? Hei d’aqui eu achar o que me falta? Hei de talvez ir lêr em mil volumes Que em toda a parte os homens padeceram, Que aqui e alli, houve um feliz entr’elles? Com teu rir descarnado tu, caveira, Que me dizes senão, que em outro tempo, Como o meu delirou teu pobre cerebro, A luz do dia procurou, com vasto Desejo de verdade, e vagou triste Em deprimente, lugubre crepusculo! Com essas molas, rodas, alavancas Escarneceis de mim, vós instrumentos. Ante as portas estive a que devieis Servir de chaves; ingenhoso é certo O mechanismo vosso, mas correl-o, O pesado ferrolho, não soubestes. Amante do mysterio, á luz do dia Não deixa despojar-se a natureza Do seu escuro veu, e o que ao espirito Não quizer revelar-te, nem com helices Lh’o arrebatas, nem com alavancas. </poem><noinclude></noinclude> f4yj04govi78i1om3g9s4nljh1p52ms Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/54 106 189570 556517 416178 2026-07-27T20:48:35Z Gamoneiro 43372 /* Validada */ Correção de OCR e uso de apóstrofo tipográfico 556517 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 40 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem> Antigos utensilios, que não uso, Jazeis aqui porque a meu pae servistes; E tu, polé vetusta, ennegreceste Tanto ha que na banca tem ardido A amortecida lampada. Mil vezes Antes a pobre herança haver disperso, Do que penar aqui com este pouco Opprimido. O que herdámos d’avoengos É mister que o gosemos p’ra ser nosso! O que não se approveita é grave carga, E só nos serve o que o momento off’rece. {{dhr}} Mas porque sinto a vista acolá presa? Aquelle frasco é para os olhos iman? Porque de subito uma luz m’inunda, Doce como a da lua em denso bosque? {{dhr}} Eu te saúdo, singular redoma, Que respeitoso para baixo tiro! Sciencia, e arte humana em ti venero. Tu essencia dos succos soporiferos, E das forças lethaes supremo extracto, A teu senhor te mostra favoravel! Vejo-te e meu soffrer tem lenitivo, Toco-te e já serena o meu anceio, Do espirito as vagas tranquillisam-se. Ao alto mar me sinto transportado, </poem><noinclude></noinclude> schc4z738fb6jgd1f9ugnnptg1m49xn Página:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu/55 106 189571 556518 416179 2026-07-27T20:53:35Z Gamoneiro 43372 /* Validada */ Correção de OCR e uso de apóstrofo tipográfico 556518 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Gamoneiro" />{{c|— 41 —}}{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem> Brilha a meus pés das ondas o espelho, Uma luz nova attrahe-me a novas praias. {{dhr}} Carro de fogo para mim fluctua Com ligeiro oscillar. Sinto-me prompto Por novo trilho à penetrar o Ether, Té á ’sphera da pura actividade. Este alto viver, prazer de Deuses, Verme ind’ha pouco, julgas tu mer’cel-o? De certo, ousa sómente desta terra Ao adorado sol voltar as costas! Ousa romper com energia ardente As portas que tremendo os mais evitam! Agora é tempo de provar com factos, Que dos Deuses não cede á magestade A dignidade do homem, arrostando Com ess’antro terrivel em que a mente De si mesma a tormento se condemna, Té a passagem penetrando estreita, Em torno a cuja boca ruge o inferno; E ousando transpol-a hardidamente, Embora em risco de passar ao Nada. {{dhr}} Vem tu agora, crystallino calix, Teu velho estojo para sempre deixa, De mim ha tantos annos olvidado! Nos paternos festins brilhaste alegres, E os convivas sisudos excitaste, </poem><noinclude></noinclude> 9b3evrx77srwmykytj9rpk4kqw4v6k7 Predefinição:Progressos recentes 10 220893 556495 556477 2026-07-27T14:00:12Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 556495 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|8|0|1|2|1|88}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|48|0|46|2|5|-1}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|0|0|84|10|6|0}} | [[Index:Fausto Traduzido por Agostinho Dornellas 1867.djvu|Fausto: Tragedia de Goethe]] |- | {{Barra de progresso|0|0|31|0|4|65}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|15|0|0|0|2|83}} | [[Index:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf|Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio]] |- | {{Barra de progresso|10|0|75|5|5|5}} | [[Index:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu|Suspiros Poéticos e Saudades]] |- | {{Barra de progresso|0|0|82|12|6|0}} | [[Index:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf|Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira]] |- | {{Barra de progresso|0|0|9|0|3|88}} | [[Index:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. 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[[File:Novas urnas eletrônicas - TSE.jpg|centro|300px]] {{c|''Nova Urna, Abdias Pinheiro SECON TSE''}} O anúncio do novo modelo de urna eletrônica (UE 2020) foi realizado no final de 2021, em Manaus, na fábrica Positivo Tecnologia, empresa responsável pela produção dos<noinclude>{{c|'''203'''}}</noinclude> 92nbnqdx7gpk6ng55mtr6g6tjrzf1n6 Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Introdução 0 238774 556598 511698 2026-07-28T02:29:59Z Erick Soares3 19404 556598 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=24 to=28 next="[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 1|'''Eleições no Brasil''']]" header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} d22bbarijq3nfjyxysrcfdde2jax47p Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 1 0 238798 556597 511699 2026-07-28T02:29:28Z Erick Soares3 19404 556597 wikitext text/x-wiki <pages 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urna eletrônica brasileira/Capítulo 4 0 238931 556595 511968 2026-07-28T02:27:06Z Erick Soares3 19404 556595 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=72 to=132 next="[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 5|'''O funcionamento da urna eletrônica''']]" header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} dsgp5opq6hmieomzczumux6jc1fencq Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 5 0 238951 556594 512007 2026-07-28T02:26:26Z Erick Soares3 19404 556594 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=134 to=148 prev="[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 4|'''A história da criação da urna eletrônica''']]" header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} 27g2wc89p1girbskym1m1jayxn80jqp Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 6 0 238954 556593 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level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Em 2018, o Senado Federal arquivou uma Sugestão Legislativa (SUG nº 39 de 2017) enviada ao Portal e-Cidadania por um cidadão do Paraná, que solicitava o retorno das cédulas de papel e de urnas de lona para a eleição de 2018. Na campanha para as eleições presidenciais de 2018, o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, começou a fazer declarações contra o uso da urna eletrônica, dizendo que, caso perdesse as eleições, estaria clara a ocorrência de fraude. Após ser eleito no segundo turno das eleições, sua campanha contra o uso das urnas eletrônicas se intensificou com acusação de fraude: “''pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude. E nós temos não apenas palavra, temos comprovado, brevemente quero mostrar, porque precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos. Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes (…)''”, declarou num evento realizado com apoiadores do governo, em Miami, em março de 2020. Após as eleições presidenciais dos Estados Unidos, Bolsonaro retomou o assunto: “''Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que''<noinclude>{{center|'''219'''}}</noinclude> 7r8mdmkwrvfxzee5el3eokv264xxmek Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/221 106 239047 556504 512403 2026-07-27T18:24:53Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556504 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''os Estados Unidos.'' ''Lá [EUA], o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente lá que votou três, quatro vezes, mortos que votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí.''” Apesar das acusações, Bolsonaro nunca conseguiu provar a ocorrência de qualquer fraude nas eleições brasileiras. “''O PT e o partido do Bolsonaro, na época o PSL, constituíram as duas maiores bancadas da Câmara. Então não há como dizer que pode ter havido fraude. Pelo contrário. Em princípio ele, Bolsonaro, era um candidato não provável, ou, pelo menos, um vitorioso não provável. A sua vitória constituiu um fator de surpresa. Essa acusação é totalmente injusta e não tem prova''”, afirmou o Ministro Gilmar Mendes. Meses mais tarde, na internet, Bolsonaro confirmou não ter provas das acusações realizadas e se desculpou publicamente com o TSE. Em 2021, a Proposta de Emenda à Constituição nº 135, apresentada em 2019, para o retorno da impressão dos votos, causou enorme confusão nos eleitores. Nas redes sociais, muitos se manifestavam a favor do procedimento, porém com o<noinclude>{{center|'''220'''}}</noinclude> 0itwmk9fud13u2cg9t0ttagz62c3r9i Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/222 106 239048 556505 512404 2026-07-27T18:25:59Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556505 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>entendimento errôneo de que a impressão do voto seria um recibo para o eleitor levar para a casa, com os nomes dos candidatos nos quais teria votado. Num outro entendimento, o voto em papel seria utilizado apenas para auditoria, em caso de dúvida sobre o resultado da eleição. A proposta apresentada, na realidade, trazia o retorno da apuração através do voto em papel, tornando a urna eletrônica uma mera substituidora da caneta nas antigas eleições em cédula de papel. O procedimento requerido traria de volta uma infinidade de problemas que a urna solucionou, entre eles os diversos tipos de fraudes na apuração, já mencionados em capítulos anteriores, e a diminuição de eleitores aptos a votar. Como analfabetos e cegos poderiam fazer a conferência da impressão do voto? Além disso, assim como também já mencionado anteriormente, a impressão do voto requer mais equipamentos físicos: a impressora, um visor para a conferência do voto, uma máquina para o corte do papel, compartimento maior para armazenamento do papel, mais bateria para o funcionamento em localidades sem energia elétrica e até mesmo para todos os locais, para precaver uma eventual falta de energia, urna para depósito do voto em papel e a<noinclude>{{center|'''221'''}}</noinclude> 0x5c7p8sw5kvm2n7it02xoi3wspndch Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/223 106 239049 556506 512405 2026-07-27T18:26:58Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556506 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>programação no sistema da urna, para obedecer ao procedimento. O Ministro do STF e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, concedeu uma entrevista ao programa Prerrô, na TVT, em junho de 2021, na qual foi questionado sobre a impressão de voto. Para ele, a impressão do voto, seria “''uma volta no túnel do tempo a um país de fraudes e eleições contestadas. (…) (Os votos impressos) vão precisar ser transportados para algum lugar, no país do roubo de cargas, da milícia, do PCC, da Família do Norte. (…) Depois vamos ter que guardar esses votos, lembrando que o Brasil era o país em que as urnas apareciam 'grávidas' ou esvaziadas. E vamos ter que recontar a mão, porque é o único sentido do voto impresso. Vamos voltar ao tempo em que votos apareciam, desapareciam, gente que comia voto… vamos criar um mecanismo de auditagem menos seguro do que a urna eletrônica.''” Em entrevista ao TRE da Bahia em 2021, o Ministro Velloso relatou: “''A impressão do voto traz complicações e insegurança. É que o atraso não combina com o progresso, a burrice abomina a inteligência. E foi o que aconteceu, quando tivemos, em curto''<noinclude>{{center|'''222'''}}</noinclude> ja3bqki7n6c7f8qv68rjqqzajwm3ja0 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/224 106 239050 556507 512406 2026-07-27T18:28:41Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556507 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''espaço de tempo, o voto impresso. Dou um exemplo: a impressora do seu escritório, quantas vezes enguiçou, ou parou, por desarranjo? Imagine uma pequena impressora, adaptada a milhares de urnas eletrônicas, rodando Brasil afora, sujeita às intempéries do clima, calor, frio, chuva. A experiência, então, não foi boa. Muitas travaram a votação, que teve de continuar com a cédula de papel, tumultuando a votação. E mais: o voto impresso, além de possibilitar a quebra do sigilo do voto, é absolutamente desnecessário e nada acrescenta, porque a urna eletrônica pode ser auditada antes, durante e depois das eleições. Ela tem mais de sete mecanismos de segurança. E mais: eleitor de má-fé, servindo a candidato ou a partidos – e quantos, de má-fé, poderiam alegar “votei no candidato X e o voto impresso indica o candidato Y.” E como resolver o impasse? E o transporte desses impressos, pelo território continental do Brasil? A recontagem manual nos faria retornar ao sistema antigo das fraudes. Afinal, qual o propósito dos que pedem o voto impresso? Na verdade, querem uma forma de impugnar o resultado das eleições, se lhes for desfavorável. Nos Estados Unidos, que têm, na maioria dos Estados, o voto em papel, os trumpistas impugnaram os resultados da apuração.''” {{nop}}<noinclude>{{center|'''223'''}}</noinclude> r2h5b3qrxocnjv479trerno6prz34dt Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/225 106 239051 556508 512408 2026-07-27T18:30:01Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556508 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Para os técnicos, a questão da impressão não é um problema de difícil resolução, mas custaria alguns bilhões a mais aos cofres públicos. Caso um novo Projeto de Lei exija a impressão do voto apenas para auditoria posterior, os TREs precisarão se organizar para armazenar os votos impressos em local seguro, pelo tempo que a lei determinar. As primeiras eleições com a urna eletrônica já provaram ser desnecessário, caro e burocrático realizar a impressão do voto. Já o fizeram. Já vivenciaram todos os problemas da impressão do voto apenas para auditoria. Já provaram que a urna eletrônica é mais segura que o voto em papel. Por sorte, a Comissão Especial que avaliou a questão assim, também analisou, dando parecer desfavorável à impressão do voto. Eis o parecer: {{dhr|3}} “''De um modo geral, ainda que não se esteja propondo, necessariamente, um retorno ao modelo anterior, a introdução de um comprovante impresso traz sérios riscos ao processo democrático, associado ao contato humano com toneladas de papel:'' {{nop}}<noinclude>{{center|'''224'''}}</noinclude> gdo14hod1vni0z4yagiyl6x0l0f8gq6 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/226 106 239052 556509 512409 2026-07-27T18:31:26Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556509 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''- Haveria, em primeiro lugar, mais riscos no transporte e na custódia de urnas, que envolveriam, mais uma vez, toneladas de papel, gerando novas oportunidades para eventuais fraudes.'' ''- Haveria, também, a potencialização de fraudes no processo de apuração, uma vez que se traria de volta o contato de um grande número de pessoas com pequenos pedaços de papel, favorecendo a adição ou supressão de votos, ainda que fosse apurada apenas uma amostra dos comprovantes impressos. E isso estendendo no tempo a apuração, por dias ou mesmo semanas e, com isso, mais uma vez, favorecendo a ação humana maliciosa.'' ''- O problema da adição ou supressão de votos impressos também não é resolvido com assinaturas digitais ou QR Codes.'' ''Se a premissa é que o sistema atual é vulnerável sobretudo a um ataque interno, de funcionários da Justiça Eleitoral, podendo haver, por exemplo, a replicação de assinaturas digitais. Da mesma maneira, se softwares são fraudáveis, o voto em determinado candidato poderia ser associado à adulteração das assinaturas ou falhas de impressão do QR Code, anulando posteriormente aquela cédula.'' ''- Ao criar o elemento do comprovante como prova última,''<noinclude>{{center|'''225'''}}</noinclude> op1syoozkpgxga52twjklo6dzxfw5y6 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/227 106 239053 556510 512410 2026-07-27T18:32:38Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556510 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''ainda que o eleitor pudesse cancelar posteriormente seu voto, como no sistema atual, haveria também a potencialização da compra de votos, pela exigência de foto do comprovante, inclusive pela exploração do desconhecimento do novo sistema.'' ''- Haveria ainda a potencialização de tumultos, daqueles que, para prejudicar seções nas quais seus adversários sejam mais fortes, indiquem maliciosamente discrepância entre o voto eletrônico e o comprovante, para atrasar ou impedir o voto das demais pessoas.'' ''Do ponto de vista da inclusão, como oportunamente salientado no voto em separado dos ilustres Deputados Arlindo Chinaglia, Odair Cunha e Carlos Veras, o sistema também traria novos problemas, como, por exemplo:'' ''- A adição da impressora, como componente eletromecânico, adiciona mais chances de falhas e travamentos no curso da eleição, o que pode retardar, ou mesmo inviabilizar, o direito de voto em determinadas seções eleitorais, especialmente as mais pobres e distantes dos grandes centros.'' ''- A existência de um comprovante impresso, com layout distinto da urna eletrônica e composto por letras e números bem menores e sem possibilidade de contato manual, prejudicará a''<noinclude>{{center|'''226'''}}</noinclude> 6zflu4j1to3c6j1s78z7ptnvcptgg3o Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/228 106 239054 556511 512411 2026-07-27T18:35:16Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556511 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''acessibilidade do sistema, um dos maiores ganhos trazidos pelas urnas eletrônicas, vulnerando o direito ao voto de cidadãos brasileiros analfabetos e deficientes visuais.'' ''- Por fim, partidos pequenos, ou em ascensão, terão dificuldades de acompanhar a apuração dos votos impressos ou sua recontagem, em caso de auditoria, estabelecendo desigualdades que hoje simplesmente não são preocupações para nossas agremiações.'' ''Finalmente, é preciso considerar que a proposta apresentada não entrega o que promete aos eleitores brasileiros, não agregando nenhum avanço consistente no sistema de votação brasileiro que não seja, ao mesmo tempo, acompanhada de uma desvantagem ainda maior:'' ''- O comprovante impresso é apresentado como uma forma do eleitor “auditar” seu voto, como se o processo eleitoral terminasse quando o comprovante cai na urna. O exercício da lógica e a própria análise da história brasileira apontam, no entanto, que as potenciais chances de erro, fraude e fenômenos análogos encontram-se na apuração ou mesmo na auditoria manual desses votos, com todas as desvantagens associadas ao papel.'' ''- Assim, partindo da premissa da possibilidade de fraude, o''<noinclude>{{center|'''227'''}}</noinclude> 4phrtg0mwwibkz01w89kx7kpfk7wcr2 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/229 106 239055 556512 512412 2026-07-27T18:36:25Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556512 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''voto impresso, nesse aspecto, pode consistir em um instrumento para iludir o eleitor. Vota-se João, lê-se João no comprovante e acredita-se na integridade do sistema, mas, na apuração, João pode desaparecer ou se tornar José pela própria ação humana.'' ''- Se usado apenas para fins de auditoria, o voto impresso cria outro problema. Quem seria o responsável por essa auditoria? Se for o TSE, as desconfianças dos defensores do voto impresso permaneceriam. Se ela ficar a cargo do partido que a deseja, por que confiar mais em um partido adversário político que na autoridade eleitoral?'' ''- Ademais, ao agregar a todos os processos envolvidos na eleição atual um código de gerenciamento de impressão, impressoras e cédulas de papel, sob a justificativa de proteger o sistema, sua “superfície de ataque” é aumentada. Em outras palavras, as chances para possíveis fraudes se multiplicam.'' ''- Além das já citadas adições ou supressões de comprovantes impressos, é possível, em tese, se a premissa é que softwares são fraudáveis, gerenciar a impressora para produzir mais votos impressos que aqueles indicados pelos eleitores, o que seria suficiente para anular os votos de uma seção.'' ''Seria possível também, em tese, como já sinalizado, associar o''<noinclude>{{center|'''228'''}}</noinclude> ovo3dkuw04jeu15uset3bdyf6jbs4as Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/230 106 239056 556523 512413 2026-07-27T22:12:30Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556523 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''voto em determinado candidato a falhas na impressão para dificultar posteriormente a apuração.'' ''- Esses problemas, nos levam inclusive a um dos principais dilemas da introdução de um comprovante impresso: a desconfiança na utilização de softwares, se levada a sério, precisa conduzir ao seu abandono por completo no processo eleitoral.'' ''- Outro dilema central reside no seguinte questionamento: qual seria a consequência jurídica da discrepância entre os votos eletrônicos e os votos em papel? Se vale o eletrônico, não haveria por que adotar o papel. Se vale o papel, o eletrônico também de pouco vale. E se a solução for anular os votos dessa urna, trata-se, mais uma vez, de um incentivo a quem queira fraudar ou tumultuar seções nas quais possui desvantagem. Nesse sentido, bastaria a adição ou supressão de uma cédula para causar um problema de difícil solução.'' ''No curso dos trabalhos da Comissão, o eminente relator, Deputado Filipe Barros, tentou oferecer, no âmbito de seu parecer, soluções para alguns dos problemas acima aventados. As propostas consolidadas em seu substitutivo, pela própria natureza da matéria e a despeito das intenções do ilustre''<noinclude>{{center|'''229'''}}</noinclude> jvphhu5ppgydcqh71fp1a4ixjx022yn Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/231 106 239057 556524 512414 2026-07-27T22:13:38Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556524 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''Deputado, trouxeram alguns problemas ainda maiores, reforçados na complementação de voto apresentada no dia 04/08/2021. Abaixo, estão relacionados alguns exemplos.'' ''- Ao prever no último documento apresentado que 'a apuração consiste na contagem dos votos colhidos na seção eleitoral, pela mesa receptora de votos', o relator faz com que o comprovante impresso não seja um instrumento de eventual auditoria, mas o elemento central do processo, abolindo, na prática, o voto eletrônico. No modelo do relator, a urna eletrônica converte-se apenas em uma 'caneta', bastante cara ao contribuinte inclusive, para o preenchimento da cédula impressa.'' ''- Ademais, a proposta de que a apuração seja realizada na própria seção eleitoral aumentará exponencialmente as chances de fraude e tumulto nas eleições. Temos, hoje, no Brasil, quase meio milhão de seções eleitorais, muitas delas em áreas remotas, de difícil acesso, algumas sem acesso à energia elétrica e outras sob o controle ou forte influência de oligarquias e do crime organizado. Além disso, nem os partidos e nem os órgãos de controle terão estrutura para acompanhar tantas seções e o número de pessoas em contato com as cédulas impressas será''<noinclude>{{center|'''230'''}}</noinclude> kiryet7pg18s4gl0ogcixqhpt3zuamc Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/232 106 239058 556525 512415 2026-07-27T22:14:42Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556525 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''multiplicado exponencialmente.'' ''- Esse problema é agravado pela própria extensão da apuração no tempo. Poderão ser horas, e mesmo dias, apurando votos em cada seção (lembre-se, quase meio milhão), sem clareza de como se dará a totalização dos votos a partir do resultado. Se feita de maneira manual, haverá mais retrocesso e chances de fraude. Se feita de maneira eletrônica, a totalização ficaria sujeita às mesmas críticas que hoje lhe fazem parte dos defensores do voto impresso e passará a se lutar por “totalização manual” ou “totalização auditável”.'' ''- Na mesma esteira, a última versão do substitutivo do relator versa que os registros impressos serão “preservados pelo prazo de 5 (cinco) anos contados a partir do dia seguinte da proclamação do resultado”. Mais uma vez, toneladas de papel terão que ser custodiadas, dessa vez por anos, gerando novas preocupações e vulnerabilidades para o processo eleitoral e, portanto, para a democracia brasileira.'' ''- As vulnerabilidades geradas pela contagem manual de votos em quase meio milhão de seções eleitorais são coroadas, em seguida, pela disposição de que os partidos poderão requerer, em 15 dias, a partir da proclamação do resultado, “a recontagem''<noinclude>{{center|'''231'''}}</noinclude> 34xy13b9ebhfc9zoufzbgqfn4buwbu3 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/233 106 239059 556526 512416 2026-07-27T22:17:53Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556526 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''de votos de determinada seção eleitoral, perante o juízo eleitoral a que a respectiva seção eleitoral faz parte”.'' ''Estabelece-se aí uma faculdade subjetiva, destituída de qualquer condição para o seu exercício, como indícios ou suspeitas de fraude. Trata-se de um convite para a insubordinação do derrotado e para o tumulto do processo democrático. Bastará, como já assinalado, a supressão ou acréscimo de uma única cédula para a potencial anulação do processo eleitoral.'' ''- Outro ponto grave da última versão do substitutivo é a vulneração e, para a maior parte de suas implicações, a abolição do princípio da anualidade (ou anterioridade) da lei eleitoral previsto no artigo 16 da Constituição Federal. O relator passa a resumir o referido princípio à vedação de legislações que interfiram na “paridade entre candidatos”. Do ponto de vista formal, qualquer falta de paridade levaria à inconstitucionalidade de uma norma, uma vez que se estaria desrespeitando o direito constitucional à igualdade. Assim, para efeitos práticos, o princípio da anualidade é esvaziado.'' ''- É abolida, por exemplo, toda a ideia, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, desse princípio também como uma''<noinclude>{{center|'''232'''}}</noinclude> nwa37492iile1kmue8cnnlii6zoht4b Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/234 106 239060 556527 512417 2026-07-27T22:19:11Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556527 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''“garantia individual do cidadão-eleitor”, “a quem assiste o direito de receber do Estado, o necessário grau de segurança e de certeza jurídicas contra alterações abruptas das regras inerentes à disputa eleitoral” (ADI 3.345, rel. min Celso de Mello). Assim, visando eliminar a anterioridade para a implementação imediata do voto impresso, o relator deixa, ainda que inadvertidamente, os eleitores brasileiros vulneráveis ao casuísmo das maiorias políticas eventuais.'' ''- Ainda que medidas iníquas possam ser questionadas por outros meios, na versão do relator, o princípio da anterioridade não protege mais o eleitor contra mudanças abruptas nas regras de alistamento eleitoral, mudança de domicílio ou exigência de documentos adicionais para a votação, por exemplo, que poderiam ser aprovadas às vésperas da eleição.'' ''- Mas os “candidatos”, únicos titulares do direito à anterioridade na proposta apresentada, também podem ser prejudicados. Muitas regras formalmente “paritárias” podem vir a ter impacto desigual sobre candidatos e partidos políticos. Aumentos no tempo de filiação partidária ou domicílio eleitoral, por exemplo, são regras que valem para todos, mas que, uma vez aprovadas às vésperas do período eleitoral, poderiam ter um''<noinclude>{{center|'''233'''}}</noinclude> 7ovf6803klh2tds4cga5i2bbzy5slpt Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/235 106 239061 556528 512418 2026-07-27T22:20:27Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556528 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''impacto desigual sobre candidatos, impedindo que muitos pudessem se candidatar.'' ''- Da mesma maneira, as estratégias dos partidos políticos para o processo eleitoral, pensadas com um mínimo de antecedência, poderiam ser simplesmente arruinadas com mudanças realizadas de véspera, em princípio isonômicas, como mudanças no sistema eleitoral, restrição ou ampliação da campanha na internet ou no regime de coligações majoritárias, por exemplo. Nesse sentido, quem é o algoz em um dia, pode facilmente converter-se em vítima do casuísmo em um outro dia. A Constituição, enfraquecida no substitutivo do relator, nesse sentido, nos protege e, portanto, é importante defendê-la a despeito de qualquer divergência partidária.'' ''- Assim, diante das possibilidades assinaladas, é possível perceber que a última versão do substitutivo do relator, eminente Deputado Filipe Barros, no afã de implementar o voto impresso, acaba por sugerir uma mudança constitucional que, se aprovada, representaria o maior golpe na segurança jurídica das eleições que já se viu desde a promulgação da Constituição de 88.'' ''A população brasileira depois de vinte e cinco anos da''<noinclude>{{center|'''234'''}}</noinclude> fx3hluhvp3xf6u79d3srqftfuip1ukz Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/236 106 239062 556513 512419 2026-07-27T18:38:14Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 556513 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''utilização da urna eletrônica, reconhece e testemunha a conquista que ela representa. Diferentemente do período em que o voto era em papel, não há nenhuma confirmação de uma única fraude nesse período, e mais, não houve sequer uma única suspeita fundamentada nesse longo ¼ de século. Nosso objetivo, enquanto sociedade é continuarmos defendendo a democracia, a segurança nos processos eleitorais, sem negar ou combater os avanços já conseguidos.''” {{dhr|3}} Mesmo após o parecer contrário, a PEC foi encaminhada à votação na Câmara dos Deputados, em 10 de agosto de 2021. Para sua aprovação, seriam necessários 308 votos, mas obteve 229 votos e foi arquivada. Para o Ministro Gilmar Mendes, a apresentação de uma PEC para a realização da impressão do voto foi além da desconfiança no processo eleitoral: “''o problema é o ambiente político que se criou, que leva a uma discussão de alguns que não estão interessados em só colocar em dúvida o sistema eleitoral, mas em criar uma insegurança jurídica a ponto de contestar o resultado das eleições. Se esse é o propósito e se isso está se materializando na votação dessa PEC, ela não é boa.''” {{nop}}<noinclude>{{center|'''235'''}}</noinclude> b7fqf3p8y42yq0imn3trolxe57hfe9m Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/238 106 239063 556529 512421 2026-07-27T22:21:33Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556529 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>SÓ O BRASIL TEM <br>URNAS ELETRÔNICAS?</big>'''</big>}} Engana-se quem pensa que o voto eletrônico é exclusividade brasileira. Segundo o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral - IDEA Internacional, sediado em Estocolmo, na Suécia, além do Brasil, outros 46 países souberam tirar proveito dos avanços tecnológicos para agilização e garantia da lisura de seus processos eleitorais. Ainda segundo o IDEA, 16 desses países adotam máquinas de votação eletrônica de gravação direta. Isso significa que não utilizam boletins de papel e, assim, registram os votos unicamente de forma eletrônica. A lista dos países que fazem utilização de urnas eletrônicas inclui nações de sólida tradição democrática, como Suíça, Canadá, Austrália e Estados Unidos (em alguns estados). Na América Latina, México, Argentina e Peru também fazem uso do sistema. Na Ásia, além de Japão e Coreia do Sul, há o exemplo da Índia. Maior democracia do mundo em número de eleitores, mais de 800 milhões, o país utiliza urnas eletrônicas semelhantes às brasileiras, mas adaptadas à sua realidade eleitoral. De acordo com o TSE, sete agências de checagem<noinclude>{{center|'''237'''}}</noinclude> 5go4ig8baqb55vwi8ioyfv0aw1fsnfq Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/239 106 239064 556530 512422 2026-07-27T22:23:42Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556530 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>confirmaram que essa informação é confiável. A Argentina testou o equipamento brasileiro em 2003, mas apenas os residentes na Província de Buenos Aires puderam utilizar o equipamento oficial. Posteriormente, experiências com outros modelos foram feitas, culminando, em 2009, em um teste de um sistema eletrônico inovador, que usava cédulas eleitorais com dupla gravação do voto dado: impressa e gravado em chip eletrônico. Finalmente em 2011, os argentinos decidiram produzir seus próprios equipamentos eletrônicos para votação, o Vot-Ar, com registros simultâneos, impresso e digital, do voto. Nas eleições de 2011, na Província de Salta, 33% dos eleitores votaram nos equipamentos Vot-Ar, ampliando para 66% em 2013 e 100% dos eleitores em 2015. Em 2014, a Índia passa a usar urnas com voto impresso que atendem ao [[:w:pt:Princípio da independência do software em sistemas eleitorais|Princípio da Independência do Software em Sistemas Eleitorais]]. O Equador implementou o voto eletrônico em suas eleições em 2017, após teste realizado em 2014 em algumas províncias, usando as tecnologias desenvolvidas na Argentina, Venezuela e Rússia. A urna eletrônica brasileira foi projetada e construída no Brasil,<noinclude>{{center|'''238'''}}</noinclude> 4ca3qjvkr6arvh877eppoj28pctnijq Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/240 106 239065 556531 539494 2026-07-27T22:24:21Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556531 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>por brasileiros, para brasileiros, para ser usada aqui, segundo as características e necessidades únicas do nosso país. Não há nenhuma influência estrangeira no nosso sistema eleitoral. O sucesso do processo eleitoral brasileiro não se restringe à urna eletrônica em si, apesar de ser ela o produto mais visível. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, após as eleições gerais de 2010, mostrou que 94,4% dos brasileiros aprovavam o sistema eletrônico e 85% dos entrevistados afirmaram não ter tido qualquer dificuldade na hora do voto. Além disso, a urna eletrônica possibilitou um processo eleitoral realmente democrático e acessível para todos, já que a votação é realizada através de números e a conferência do voto digitado pode ser visualizada na tela, tanto com o nome do candidato, quanto com a sua imagem, além de poder ser ouvida por pessoas cegas, utilizando um fone de ouvido. {{nop}}<noinclude>{{center|'''239'''}}</noinclude> qkvuqf1xz18k30xqy1zp61tsspffhbl Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/242 106 239066 556532 512424 2026-07-27T22:25:18Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556532 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>MITOS SOBRE A URNA</big>'''</big>}} Com a popularização da internet e o aumento do uso das redes sociais, o boato também ganhou seu espaço, sendo reinventado através das famosas “Fake News”. E o processo eleitoral brasileiro, todo ano, é vítima de algumas dessas fakes. '''“Só o Brasil utiliza urna eletrônica”''' Como descrito no capítulo anterior, até 2021, 46 países utilizavam o sistema eletrônico de votos, sendo que países como Paraguai e Argentina utilizaram o modelo brasileiro em algumas eleições. O site INTERNATIONAL IDEA SUPPORTING DEMOCRACY WORLDWIDE apresenta um mapa dos países que utilizam o sistema de voto eletrônico: {{nop}}<noinclude>{{center|'''241'''}}</noinclude> tre5hty7r2r7ta8j142yhfr4oa2oxqg 556581 556532 2026-07-28T02:16:44Z Erick Soares3 19404 556581 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>MITOS SOBRE A URNA</big>'''</big>}} {{dhr|3}} Com a popularização da internet e o aumento do uso das redes sociais, o boato também ganhou seu espaço, sendo reinventado através das famosas “Fake News”. E o processo eleitoral brasileiro, todo ano, é vítima de algumas dessas fakes. '''“Só o Brasil utiliza urna eletrônica”''' Como descrito no capítulo anterior, até 2021, 46 países utilizavam o sistema eletrônico de votos, sendo que países como Paraguai e Argentina utilizaram o modelo brasileiro em algumas eleições. O site INTERNATIONAL IDEA SUPPORTING DEMOCRACY WORLDWIDE apresenta um mapa dos países que utilizam o sistema de voto eletrônico: {{nop}}<noinclude>{{center|'''241'''}}</noinclude> 9ukzsviqlmb6wqzizjuky1rjk6m7rzs 556582 556581 2026-07-28T02:17:05Z Erick Soares3 19404 556582 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>MITOS SOBRE A URNA</big>'''</big>}} {{dhr|3}} Com a popularização da internet e o aumento do uso das redes sociais, o boato também ganhou seu espaço, sendo reinventado através das famosas “Fake News”. E o processo eleitoral brasileiro, todo ano, é vítima de algumas dessas fakes. {{dhr}} '''“Só o Brasil utiliza urna eletrônica”''' Como descrito no capítulo anterior, até 2021, 46 países utilizavam o sistema eletrônico de votos, sendo que países como Paraguai e Argentina utilizaram o modelo brasileiro em algumas eleições. O site INTERNATIONAL IDEA SUPPORTING DEMOCRACY WORLDWIDE apresenta um mapa dos países que utilizam o sistema de voto eletrônico: {{nop}}<noinclude>{{center|'''241'''}}</noinclude> qeb1rh81lbtvcglmvtf5pbzqs54byzf Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/243 106 239067 556580 512584 2026-07-28T02:16:06Z Erick Soares3 19404 556580 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:E-voting map.png|400px|center]] {{c|''Crédito: www.idea.int - O mapa pode ser acessado no site:<br>www.idea.int/news-media/media/use-e-voting-around-world''}} {{dhr|3}} '''“A urna eletrônica é fabricada pela Venezuela”''' Um boato insinua que o sistema eleitoral brasileiro poderia ser fraudado pelo governo da Venezuela, pois a responsável pela fabricação e desenvolvimento das urnas seria a empresa Smartmatic, britânica, fundada por venezuelanos, nos Estados Unidos. Por ter sido fundada por venezuelanos, circula a informação de que a empresa seria venezuelana, mas é<noinclude>{{center|'''242'''}}</noinclude> smtb93r5lob258ty3kuf1jxby849pep Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/244 106 239068 556533 512426 2026-07-27T22:26:18Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556533 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>inicialmente americana e hoje britânica. Ao longo do livro, pudemos relatar como foi todo o processo de projeto, desenvolvimento e produção da urna eletrônica brasileira e a quantidade de pessoas envolvidas em todo esse processo. Além disso, a empresa Smartmatic jamais venceu um processo licitatório para fabricar urnas no Brasil. Em alguns países, os equipamentos são adquiridos com empresas particulares, mas, no Brasil, o projeto é do TSE, independentemente da empresa que vença a licitação. {{dhr|3}} '''“Invasão hacker”''' Alguns boatos afirmam que hackers podem invadir o sistema utilizado nas urnas eletrônicas para alteração dos votos e mudança do vencedor da eleição e outros afirmam que isso já teria acontecido. De fato, como foi visto, isso não é possível. O TSE realiza, periodicamente, testes públicos de segurança e, até hoje, ninguém conseguiu invadir o sistema. A urna não possui comunicação com internet, seja por rede wi-fi ou física; não há equipamento na urna que permita tal conexão. Além de não permitir conexão, caso alguém consiga acessar<noinclude>{{center|'''243'''}}</noinclude> 8w7m31tzt165gpxm4lmauezj3ewd9x5 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/245 106 239069 556534 512427 2026-07-27T22:27:22Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556534 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>alguma urna fisicamente, pois pela internet não é possível, e queira inserir um software que não seja o da própria urna, ela simplesmente não funciona, ou, em termos populares, “trava”. {{dhr|3}} '''“A criptografia não é confiável”''' Criptografia é uma cifragem dos dados para embaralhar as informações de forma que apenas os que detém a chave para “descriptografar” os dados tenham acesso à informação original, mantendo o sigilo de dados em diversos softwares e aplicativos. Essa tecnologia também está presente nas urnas eletrônicas para proteger os votos. Para a primeira urna eletrônica desenvolvida, os técnicos do TSE buscaram comprar a tecnologia da criptografia estadunidense. Pela lei dos Estados Unidos, a criptografia é considerada uma informação sensível tecnologicamente e, obedecendo aos pré-requisitos na venda dessa informação, os EUA deteriam a “chave” que permitiria o acesso às informações constantes na urna, se tivessem interesse. De posse dessas informações, os técnicos solicitaram o desenvolvimento de uma criptografia brasileira, exclusiva para a utilização nas urnas eletrônicas, tornando-a ainda mais segura. {{nop}}<noinclude>{{center|'''244'''}}</noinclude> 6zl5lvkixj0e1jil9pxbfq2hzafqf4w Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/246 106 239070 556537 539495 2026-07-28T01:19:35Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556537 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Até hoje ninguém conseguiu quebrar o sigilo da urna. {{dhr|3}} '''“Não é possível auditar as urnas”''' Alguns candidatos, ao perderem as eleições, costumam levantar dúvidas sobre o processo eleitoral, principalmente se tiveram um bom resultado nas pesquisas prévias. Solicitar a recontagem dos votos era uma prática comum, nesses casos, quando a eleição era em cédulas de papel. Com as urnas eletrônicas, os resultados são precisos, podem ser comparados com os boletins de urna fixados nos colégios eleitorais, mas a recontagem é desnecessária, o que é equivalente a verificar na calculadora se o resultado de 2 + 2 realmente é 4. Então, surgiu um boato alegando que a urna não pode ser auditada. Mesmo assim, o sistema desenvolvido pelo TSE permite que seja feita uma auditoria dos votos assim como nas eleições com votos impressos. “''Todas as urnas podem ser auditadas. O equipamento grava todas os votos em uma tabela de forma aleatória, para não permitir identificar a sequência dos eleitores que votaram, e esse registro é assinado por meio de um certificado digital. Esse material fica disponível para que os partidos façam uma recontagem''", explica Giuseppe Janino. {{nop}}<noinclude>{{center|'''245'''}}</noinclude> cq5jm55zd1hvd9skbihsqbdv5imdz16 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/247 106 239071 556538 512429 2026-07-28T01:20:35Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556538 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>No segundo turno da eleição de 2014, Dilma X Aécio, por exemplo, o PSDB auditou as urnas após as eleições e não constatou nenhum indício de irregularidade. Em 2021, quando se criou a polêmica sobre a segurança da urna e a impressão do voto, o PSDB fez uma declaração pública a favor do sistema eleitoral brasileiro: “''o PSDB segue confiando no sistema eleitoral brasileiro''”. Em entrevista para este livro, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou: “''Nunca houve reclamações do sistema atual, que se mostra eficaz. Por que, então, mudar o que está funcionando?''” E sobre a apuração de votos com o sistema de urnas eletrônicas: “''Eu acho que a apuração é mais segura do que foi no passado, quando se fazia com papel. Há reclamações vagas, que nunca ofereceram prova.''” {{dhr|3}} '''“O voto não é secreto”''' Um grande receio das pessoas em relação à urna vem do boato de que seria possível saber o voto de cada eleitor. Entre os sistemas de segurança da urna eletrônica brasileira, existe um especialmente desenvolvido para “embaralhar” as<noinclude>{{center|'''246'''}}</noinclude> msgegxk6jgm2oulh2d8nulebqzal6ag Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/248 106 239072 556539 512431 2026-07-28T01:21:40Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556539 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>informações e impedir que isso aconteça. O sigilo do voto é um preceito constitucional, garantido pelo artigo 14 da Constituição Federal. E isso foi cuidadosamente trabalhado pelos técnicos, impedindo a vinculação do eleitor ao seu voto. {{dhr|3}} '''“Vídeo mostra fraude em urna eletrônica”''' Foi divulgado um vídeo que sugere fraude nas urnas eletrônicas, tendo por base um equipamento que apresentou problemas no teclado em Auditoria Pública realizada pelo TRE-SP, em 20 de outubro de 2018. O vídeo veiculado distorce o que foi verificado na Auditoria Pública realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo TRE-SP. Nas eleições daquele ano, uma das urnas eletrônicas do estado de São Paulo apresentou uma falha mecânica durante o primeiro turno das eleições. Prontamente, o TRE-SP adotou o procedimento correto de substituição do equipamento defeituoso por uma urna de contingência, sem que esse defeito pudesse influenciar no resultado do pleito eleitoral. A Auditoria empreendida pelo TRE-SP foi realizada com urnas das duas seções eleitorais, onde foram registradas ocorrências de<noinclude>{{center|'''247'''}}</noinclude> n4dbcf2axey6jlhowc0sg0hp28sduf5 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/249 106 239073 556540 512433 2026-07-28T01:22:44Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556540 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>problemas no primeiro turno das eleições. Os testes confirmaram a integridade e a autenticidade dos sistemas instalados em todas as urnas auditadas, tanto a urna substituída, quanto a substituta. Na análise do hardware de cada equipamento, observou-se defeito no tecla do da urna eletrônica que funcionou originariamente na seção 227, da 404ª Zona Eleitoral - Cidade Tiradentes. Nessa urna específica, foram observados defeitos aleatórios em teclas diversas durante a digitação após sucessivas repetições do autoteste, o qual é o procedimento padrão para verificação do regular funcionamento de todos os componentes da urna eletrônica: tela, teclado e áudio, entre outros, e do terminal do mesário. A Justiça Eleitoral sempre promove a imediata substituição de qualquer urna eletrônica com defeito técnico. A urna eletrônica auditada foi substituída no início da manhã do dia da eleição, tão logo se tomou conhecimento da ocorrência de defeitos. A substituição foi registrada tanto na ata da seção eleitoral, preenchida pelos mesários, quanto nos registros de log da urna eletrônica. O defeito aparecia em números aleatórios, conforme os vários<noinclude>{{center|'''248'''}}</noinclude> 1aqdgj4hw6i3xwdiome830zqdp5r0gy Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/250 106 239074 556541 512434 2026-07-28T01:23:30Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556541 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>testes realizados. Para descartar qualquer suspeita de fraude, a equipe de auditoria fez testes com os diversos números, nos diversos cargos, constatando que o defeito não ocorria somente com um número ou cargo específico. A auditoria comprovou que houve falha no equipamento, e não fraude, conforme erroneamente sugerido no vídeo veiculado. Falhas podem ocorrer em equipamentos eletrônicos. A substituição por urnas de contingência é o procedimento a ser adotado nessas situações, o que foi prontamente realizado nas seções eleitorais onde tais problemas ocorreram. Para verificar se a falha não alterou o total de votos, foi realizada a auditoria de votação paralela em ambas as seções eleitorais, procedimento em que foram novamente digitados os votos recebidos pelas urnas eletrônicas, e comparado esse montante digitado com os Boletins de Urna originais dessas seções eleitorais. Em todas as urnas verificadas, a conferência entre o digitado e o resultado original foi coincidente. {{dhr|3}} '''“Tecnologia da urna é a mesma desde 1996”''' As urnas brasileiras e o sistema eletrônico de votação têm sido continuamente atualizados e modernizados, desde sua<noinclude>{{center|'''249'''}}</noinclude> 332izjwnuzn2ukdgwkdcffz4g8ni608 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/251 106 239075 556542 539496 2026-07-28T01:24:57Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556542 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>implantação no país, em 1996. É falsa a afirmação de que as urnas eletrônicas atuais apresentam a mesma tecnologia de 1996. O sistema de votação brasileiro é objeto de aprimoramentos constantes, que acompanham o desenvolvimento científico nas áreas de segurança de sistemas e de sistemas embarcados. Embora o design exterior da urna tenha sido preservado ao longo dos anos, por dentro, a urna evoluiu significativamente. O TSE adquiriu urnas nos anos de 1996, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013, 2015 e 2020. Os modelos de 1996 a 2008 já não estão mais em uso. A cada novo modelo, as urnas eletrônicas tornaram-se mais modernas e seguras. A manutenção do mesmo “visual”, com singelas modificações, não significa que todos os modelos de urnas eletrônicas utilizados sejam os mesmos. “''A parte referente ao equipamento teve algumas mudanças, mas já estavam previstas, a gente só não sabia como fazer. A arquitetura conceitual da urna é a mesma desde 1995. Algumas coisas nós não conseguimos implementar, então definimos fases de implementação. A implementação seria gradativa, até atingir o ponto que satisfizesse os requisitos finais''”, afirma Catsumi. {{nop}}<noinclude>{{center|'''250'''}}</noinclude> eenhgv9xku7ny2pe0eiz0kttttcrzok Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/252 106 239076 556543 512436 2026-07-28T01:25:52Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556543 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{dhr|3}} '''“Urna eletrônica brasileira foi hackeada nos Estados Unidos”''' Um texto difundido nas redes sociais afirma que a urna eletrônica brasileira teria sido invadida em uma convenção hacker realizada em julho de 2017, na cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos. A mensagem diz também que os participantes do encontro teriam violado o sistema do equipamento brasileiro em menos de duas horas. O encontro de hackers, ao qual a citação compartilhada na internet se refere, de fato existe. É a Defcon, considerada a mais tradicional conferência de hackers do mundo. Portanto, essa parte do texto é verdadeira. Contudo, a informação de que a urna eletrônica brasileira teria sido invadida durante o evento é completamente falsa. Naquela edição do evento, dois técnicos do Tribunal Superior Eleitoral - TSE participaram da Defcon, para conferirem o trabalho dos especialistas que tentavam atacar os modelos de urnas usadas nos Estados Unidos. Ou seja, em nenhum momento os equipamentos brasileiros foram submetidos aos testes realizados durante a conferência. Os servidores do TSE também aproveitaram a oportunidade<noinclude>{{center|'''251'''}}</noinclude> pdy66c9uxk582qpw5f72hxa6ib29ajb Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/253 106 239077 556544 512438 2026-07-28T01:26:50Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556544 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>para observar a organização do encontro e coletar experiências para aprimoramento do Teste Público de Segurança, uma espécie de versão brasileira da Defcon. Desde 2009, o TSE convidou especialistas em tecnologia para tentar burlar as barreiras de proteção da urna eletrônica e dos sistemas a ela vinculados. Qualquer brasileiro com mais de 18 anos pode se inscrever para participar. A ideia do Teste Público de Segurança é verificar se há alguma vulnerabilidade que possa comprometer a segurança do processo eleitoral brasileiro. Caso alguma fragilidade seja identificada, ela é corrigida e novamente testada pelos participantes antes da realização do pleito. {{dhr|3}} '''“Sala secreta no TSE”''' Um dos boatos que ganhou força nas últimas eleições é que “a apuração dos votos é feita por meia dúzia de pessoas, de forma secreta (...) em uma sala lá do TSE”. Como relatado ao longo do livro, a apuração dos votos é realizada automaticamente pela urna eletrônica, assim que a votação é encerrada. A apuração ainda emite um comprovante, o Boletim de Urna, que contém a quantidade de votos registrados na urna para cada candidato e<noinclude>{{center|'''252'''}}</noinclude> g4ezahvyc9uneyhsapca4211e6na73j Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/254 106 239078 556545 539497 2026-07-28T01:30:01Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556545 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>partido, além dos votos nulos e em branco. O Boletim é fixado no local de votação, visível a todos, de modo que o resultado da urna se torna público e definitivo. As vias adicionais são entregues aos fiscais dos partidos políticos. Esse processo de apuração pela urna eletrônica acontece antes da transmissão de resultados, que ocorre por uma rede de transmissão de dados criptografados. Ao chegarem ao TSE, a integridade e a autenticidade dos dados são verificadas e se inicia a totalização, isto é, a soma dos resultados de cada urna eletrônica, por supercomputador localizado fisicamente no tribunal. O resultado final divulgado pelo TSE sempre correspondeu à soma dos votos de cada um dos boletins de urna impressos em cada seção eleitoral do país. Portanto, o resultado definitivo de cada urna sai impresso, é tornado público após a votação e pode ser facilmente confrontado por qualquer eleitor, com os dados divulgados pelo TSE na internet, após a conclusão da totalização. Os partidos e outras entidades fiscalizadoras também podem solicitar todos os arquivos das urnas eletrônicas e do banco de dados da totalização para verificação posterior. {{nop}}<noinclude>{{center|'''253'''}}</noinclude> sf92duhakdrjdg6b07hhvjao7b65vb0 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/255 106 239079 556546 539498 2026-07-28T01:31:33Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556546 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{dhr|3}} '''“O sistema eletrônico não é auditável”''' O sistema de voto eletrônico adotado no Brasil pode ser auditado antes, durante e após a eleição. Durante todo o processo, há diversos mecanismos de auditoria e verificação dos resultados que podem ser acompanhados pelos partidos políticos, pelo Ministério Público, pela Ordem dos Advogados do Brasil e por mais de uma dezena de entidades fiscalizadoras, além do próprio eleitor. Os interessados em fiscalizar a votação podem: acompanhar o desenvolvimento dos sistemas eleitorais; participar do Teste Público de Segurança; acompanhar a preparação das urnas eletrônicas; acompanhar o teste de integridade no dia da votação; verificar os boletins de urna impressos nas seções ou obter sua versão digital por QR Code; ter acesso a todos os arquivos eletrônicos gerados na eleição para verificações; entre outros. A proposta de contagem de votos impressos manualmente pelos próprios mesários, em substituição à apuração automática pela urna eletrônica, não criaria um mecanismo de auditoria adicional, mas representaria a volta ao antigo modelo de voto em papel, marcado por diversas fraudes na história brasileira. {{nop}}<noinclude>{{center|'''254'''}}</noinclude> nx8n2s54si7qbaugb7392gyloxlddp0 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/256 106 239080 556547 512442 2026-07-28T01:33:12Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556547 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{dhr|3}} '''“Voto impresso é mais seguro que o eletrônico”''' Finalmente, chegamos ao ponto mais polêmico: o que é mais seguro, voto em cédula de papel, voto impresso ou voto eletrônico? Retornando ao início do livro, quando fizemos um breve resumo de como eram as eleições com a utilização de cédulas de papel, notamos que a fraude, tanto durante a votação, quanto durante a apuração, não era apenas uma possibilidade, mas uma constante. Descartamos, portanto, a votação em cédula de papel como um sistema seguro. O voto impresso seria um processo de votação que utilizaria a urna eletrônica para registro e conferência do voto por parte do eleitor, e impressão do voto, com seu depósito numa urna, sem que o eleitor tenha contato com essa impressão. Cabe aqui um parêntese: quando posta em votação essa possibilidade, algumas pessoas confundiram a impressão do voto com um recibo de votação, contendo os candidatos escolhidos, o qual poderia ser “levado pra casa”. Essa possibilidade nunca foi apresentada ao Congresso, pois emitir um recibo de voto dessa maneira acabaria com o sigilo do voto e marcaria o retorno do “voto de cabresto”. {{nop}}<noinclude>{{center|'''255'''}}</noinclude> n71wcbn828zzhr3shg8ja9ao61ud5no Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/257 106 239081 556548 539499 2026-07-28T01:34:26Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556548 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Retornando ao voto impresso, a apuração oficial dos votos seria através do papel e realizada pelos mesários em cada seção eleitoral. Mais de uma vez já relatamos que a fraude na apuração em papel era muito comum. E, como relatou o Toné, “''bastaria um mesário desaparecer com um único voto, ao ver que seu candidato não está vencendo naquela urna, para anular o resultado da seção''”. A história nos mostra que a votação através de cédula de papel está muito mais sujeita a fraudes e erros humanos. Uma Comissão Especial avaliou a Proposta de Emenda Constitucional sobre impressão do voto e apuração através do voto em papel, e emitiu parecer contrário à PEC, por considerar ser muito mais seguro e democrático o voto através da urna eletrônica. Por fim, podemos concordar com o presidente do TSE, Ministro Luís Roberto Barroso, ao afirmar que o atual processo eletrônico de votação adotado no Brasil é seguro, auditável e transparente, ressaltando o histórico de 25 anos, completados em 2021, sem registros de fraudes nas eleições brasileiras. A cada ano, novos boatos surgem a respeito da urna eletrônica.<noinclude>{{center|'''256'''}}</noinclude> 3fnouywsx8tw6eofbd0m7xrwqmtjqlb Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/258 106 239082 556549 539500 2026-07-28T01:34:44Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556549 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Até hoje, nenhuma alegação de fraude no sistema de voto eletrônico, seja no processo de votação ou de apuração, foi confirmado. Para combater as informações falsas que circulam na internet, o TSE criou uma seção em seu site, dedicada a esclarecer a população. A página é chamada de “Fato ou Boato do TSE”: https://www.justicaeleitoral.jus.br/fato-ou-boato/ {{nop}}<noinclude>{{center|'''257'''}}</noinclude> bkvmbblknes2wy49vr0qn5cny8n8ytp Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/260 106 239084 556550 539501 2026-07-28T01:35:48Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556550 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>MANIFESTO</big>'''</big>}} {{dhr|3}} Em agosto de 2021, após a polêmica criada sobre a segurança da urna eletrônica brasileira, Presidentes do TSE, desde 1988, defenderam, em carta aberta, as eleições com urnas eletrônicas! {{dhr|3}} “O Presidente, Vice-Presidente, futuro Presidente e todos os ex-Presidentes do Tribunal Superior Eleitoral desde a Constituição de 1988 vêm perante a sociedade brasileira afirmar o que se segue: 1. Eleições livres, seguras e limpas são da essência da democracia. No Brasil, o Congresso Nacional, por meio de legislação própria, e o Tribunal Superior Eleitoral, como organizador das eleições, conseguiram eliminar um passado de fraudes eleitorais que marcaram a história do Brasil, no Império e na República. 2. Desde 1996, quando da implantação do sistema de votação eletrônica, jamais se documentou qualquer episódio de fraude nas eleições. Nesse período, o TSE já foi presidido por 15 Ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao longo dos seus 25 anos de existência, a urna eletrônica passou por sucessivos processos de modernização e aprimoramento, contando com diversas<noinclude>{{center|'''259'''}}</noinclude> 5rgayrupv097omptemvzpeiaegj6t76 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/261 106 239085 556551 512446 2026-07-28T01:37:20Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556551 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>camadas de segurança. 3. As urnas eletrônicas são auditáveis em todas as etapas do processo, antes, durante e depois das eleições. Todos os passos, da elaboração do programa à divulgação dos resultados, podem ser acompanhados pelos partidos políticos, Procuradoria-Geral da República, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outros que são especialmente convidados. É importante observar, ainda, que as urnas eletrônicas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto, por não estarem conectadas à internet. 4. O voto impresso não é um mecanismo adequado de auditoria a se somar aos já existentes por ser menos seguro do que o voto eletrônico, em razão dos riscos decorrentes da manipulação humana e da quebra de sigilo. Muitos países que optaram por não adotar o voto puramente eletrônico tiveram experiências históricas diferentes das nossas, sem os problemas de fraude ocorridos no Brasil com o voto em papel. Em muitos outros, a existência de voto em papel não impediu as constantes alegações de fraude, como revelam episódios recentes. 5. A contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, cenário das<noinclude>{{center|'''260'''}}</noinclude> he8o2850apadfh921e74m9u1alldld5 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/262 106 239086 556552 539502 2026-07-28T01:38:11Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556552 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil. 6. A Justiça Eleitoral, por seus representantes de ontem, de hoje e do futuro, garante à sociedade brasileira a segurança, transparência e auditabilidade do sistema. Todos os Ministros, juízes e servidores que a compõem continuam comprometidos com a democracia brasileira, com integridade, dedicação e responsabilidade. {{dhr|3}} Ministro LUÍS ROBERTO BARROSO Ministro LUIZ EDSON FACHIN Ministro ALEXANDRE DE MORAES Ministra ROSA WEBER Ministro LUIZ FUX Ministro GILMAR MENDES Ministro DIAS TOFFOLI Ministra CÁRMEN LÚCIA Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Ministro MARCO AURÉLIO MELLO Ministro CARLOS AYRES BRITTO Ministro CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO Ministro JOSÉ PAULO SEPÚLVEDA PERTENCE {{nop}}<noinclude>{{center|'''261'''}}</noinclude> 4mc5lz8r7wi46mi9y76io5ttliyn4mv Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/263 106 239087 556553 539503 2026-07-28T01:38:23Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556553 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Ministro NELSON JOBIM Ministro ILMAR GALVÃO Ministro SYDNEY SANCHES Ministro FRANCISCO REZEK Ministro NÉRI DA SILVEIRA” {{nop}}<noinclude>{{center|'''262'''}}</noinclude> 4c0of1rav77rve7hwreucv3ugquw915 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/264 106 239088 556554 539504 2026-07-28T01:42:11Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556554 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>RELATÓRIOS TÉCNICOS</big>'''</big>}} {{dhr|3}} A partir de 2002, foram encomendados relatórios técnicos para analisar a segurança e confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras, financiados por diferentes instituições. A maioria dos relatórios pode ser facilmente encontrada pela internet. {{c|'''Relatórios Técnicos sobre as Urnas Eletrônicas Brasileiras:'''}} {| class="wikitable" style="text-align: center;" !Ano!!Nome de referência!!Autores!!Financiado por |- |2002||Relatório UNICAMP||8 professores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)||TSE |- |2002||Relatório COPPE||4 professores da COPPE-UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, unidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro)||PT |- |2003||Relatório SBC||2 professores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e da UFSC (Universidade Federal de São Carlos)||SBC (Sociedade Brasileira de Computação) / TSE |- |2004||Relatório BRISA||Pesquisadores da Associação BRISA||TSE |- |2006||Relatório Alagoas-2006||1 professor do ITA (Instituto de Tecnologia Espacial)||PTB-AL |- |2008||Relatório FACTI-CENPRA||Pesquisadores do CTI-MCTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer - Ministério da Ciência e Tecnologia)||TSE |- |2009||Relatório CMTSE||4 pesquisadores do Comitê Multidisciplinar do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)||TSE |- |2010||Relatório CMind||10 profissionais do Comitê Multidisciplinar Independente||Autores |- |2012||Relatório UnB-1||4 profissionais em TI da UnB (Universidade Federal de Brasília)||UnB |- |2015||Relatório Auditoria PSDB||5 profissionais em TI do Comitê Multidisciplinar Independente||Autores |} {{nop}}<noinclude>{{center|'''263'''}}</noinclude> pt7acewnr0niigf8ms5n0ov1t0l9wyg Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/265 106 239089 556555 512467 2026-07-28T01:43:37Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556555 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Um dos relatórios de fácil acesso é o Relatório Auditoria PSDB. Em 2015, após as eleições, houve muitas denúncias de fraudes nas urnas eletrônicas e o PSDB encomendou a auditoria, realizada por profissionais de Tecnologia da Informação, alguns deles, defensores da impressão de voto, desde antes da realização dessa auditoria. ''Mesmo relatando dificuldades em realizar a auditoria, os profissionais concluíram não haver fraude:'' “''houve denúncias de fraudes como: urna votava 'sozinha', documentos da seção eleitoral jogados no lixo, em uma zerésima havia 400 votos para a candidata Dilma Rousseff e urna registrava 44 quando se tentava digitar 45. Essas denúncias eram individuais e localizadas, não evidenciando um problema sistêmico, e foram esclarecidas pelo TSE logo no voto inicial que aprovou a auditoria. Em especial, o caso da zerésima com 400 votos era grosseira falsificação. A conclusão é que todas essas denúncias de fraude foram infundadas e sem potencial de alterar a verdade eleitoral.'' ''O caso da eleição do PSDB com o candidato Aécio Neves teve muita discussão, porque havia projeções que davam vitória ao candidato Aécio Neves, sobretudo depois do resultado, inesperado, que ele obteve em São Paulo. Então, com alguma''<noinclude>{{center|'''264'''}}</noinclude> 3t98an47abfxpc8h9r34xj4yafmj15c Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/266 106 239090 556556 512469 2026-07-28T01:44:49Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556556 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''diferença, ele poderia ganhar as eleições. No primeiro turno, o PSDB perdeu as eleições para governador em Minas Gerais, ficando debilitado para as eleições, em segundo turno, nesse estado''”, explicou o Ministro Gilmar Mendes. O relatório mais recente foi publicado pelo TCU, em 10 de agosto de 2021, após a polêmica criada sobre o sistema de auditoria da urna e uma suposta necessidade de impressão de voto. O relatório técnico, com 38 páginas, lista detalhadamente os procedimentos operacionais que garantem a integridade do processo, muitos dos quais relatados neste livro. O relatório apontou a justificativa para a implantação do sistema de voto eletrônico: “''o sistema atual de votação eletrônica foi implementado a partir da identificação de vulnerabilidades históricas que maculavam os resultados das eleições, especialmente em razão das intervenções humanas nas diferentes etapas do processo eleitoral, desde a votação, com voto em papel depositado na urna pelo próprio eleitor, até a apuração e totalização dos votos''”. Sobre a questão da segurança, afirmou: “''houve um inegável avanço nos quesitos segurança e confiabilidade das eleições a partir da implementação da votação eletrônica, que minimizou''<noinclude>{{center|'''265'''}}</noinclude> gc385h7mbuoyn0acmhtjy8zullz9fjv Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/267 106 239091 556557 512470 2026-07-28T01:45:45Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556557 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''riscos da intervenção humana. Existem mecanismos de auditagem em todo o processo de votação, desde a etapa do desenvolvimento dos sistemas, passando pela realização de testes públicos de segurança, teste de integridade (votação paralela), até a totalização e a divulgação do resultado, contemplando medidas de verificação, mesmo após a conclusão do processo eleitoral''”. Por fim, o relatório do TCU recomendou ao TSE apenas ações de divulgação dos procedimentos de auditoria e segurança da urna: “''promova e/ou aprimore política contínua de comunicação e informação à sociedade acerca dos mecanismos de auditabilidade, transparência e segurança da sistemática brasileira de votação, com o objetivo de estimular maior participação popular e elevar o nível de conhecimento e confiança no processo eleitoral, tendo em vista o princípio da transparência''; ''(...)'' ''adote providências no sentido de dar maior abrangência e visibilidade à auditoria de funcionamento das urnas eletrônicas sob condições normais de uso, também chamada de votação paralela, prevista no art. 51, I, da Resolução-TSE 23.603/2019, com''<noinclude>{{center|'''266'''}}</noinclude> 7kk4ohwudpknfbnu6gbelnuyhnzpoik Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/268 106 239092 556558 512471 2026-07-28T01:46:05Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556558 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''vistas a consolidá-la, perante a sociedade, como mecanismo de fiscalização, validação e confiabilidade da urna eletrônica, tendo em vista o princípio da transparência''”. {{nop}}<noinclude>{{center|'''267'''}}</noinclude> 15d8z2q8l77cz6coa7c66we8j4du97u Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/270 106 239094 556559 512472 2026-07-28T01:47:19Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556559 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>BRIGA JUDICIAL POR PATENTE</big>'''</big>}} {{dhr|3}} Em 2002, foi iniciada uma briga judicial pela patente da urna eletrônica. O engenheiro Carlos Cesar Moretzsohn Rocha entrou na Justiça contra o TSE, por entender ser o verdadeiro criador da Urna Eletrônica Brasileira. ''Em 1995, Rocha dirigia a empresa Omnitech, que foi contratada pela multinacional Unisys, para trabalhar na criação e na montagem da primeira versão da urna. O projeto foi o vencedor na primeira licitação para a fabricação da urna.'' Carlos Rocha alega que, logo após desenvolver seu sistema, em 1996, entrou com um pedido de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI, registrado sob o número PI9601961-1A. O TSE também entrou com um pedido de patente, registrado sob o número PI 9806563-7. Segundo Carlos Rocha, a Procomp, empresa que forneceu as urnas em 1998 e 2000, produziu uma réplica de seu desenho industrial, também sem pagar direitos autorais. No edital do TSE, de dezembro de 1995, e no contrato com a Unisys, um artigo determinava a transferência definitiva “''dos direitos patrimoniais de autoria''” para o TSE. Entretanto, Rocha<noinclude>{{center|'''269'''}}</noinclude> grz53ij6ptcwdy6rtkgzgsuxr9v1gq4 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/271 106 239095 556560 512475 2026-07-28T01:48:56Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556560 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>alega que o texto não impede o registro de sua patente. O contrato do tribunal com a Unisys aponta cessão de direitos autorais “''que decorram da utilização direta ou indireta pela Justiça Eleitoral''”. Para Carlos Rocha, “''isso é apenas direito de uso. O direito autoral é de quem criou. E o TSE não criou a urna. Tanto é que, no início, deu as diretrizes básicas e surgiram três propostas completamente diferentes''”, afirma. ''O ex-secretário de Informática do TSE, Paulo César Camarão, defende que foram os técnicos do tribunal que idealizaram a urna eletrônica e listaram o que queriam em 1994, itens que deveriam ser seguidos pelas empresas interessadas em fornecê-la ao TSE, conforme publicado em edital. “A Unisys desenvolveu o projeto decidido pelos técnicos do tribunal, sem mudar nada''”, explica Camarão. ''O processo corre em sigilo de Justiça, por força de um decreto do então presidente Fernando Henrique Cardoso.'' ''O site “Blog dos Inventores” relatou a disputa, apostando que Rocha vença a batalha: “logo após assinar o contrato de licença de uso da tecnologia, para a fabricação de urnas, pela empresa Unisys Brasil, em março de 1996, o engenheiro eletrônico formado pelo ITA Carlos Rocha realizou o depósito do pedido de patente''<noinclude>{{center|'''270'''}}</noinclude> tvu6yasgiq9s4ynyyr58d0aurvx78qd Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/272 106 239096 556561 512474 2026-07-28T01:49:39Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556561 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>''de invenção da urna eletrônica brasileira, no INPI, em junho de 1996, para atender aos compromissos definidos, naquele contrato. O pedido foi indeferido em 2001, por não atender aos requisitos legais exigidos para uma patente de invenção. Um recurso foi interposto pelo requerente, solicitando conversão do pedido como modelo de utilidade, no entanto, em novembro de 2003, o processamento do pedido foi suspenso com base em ação judicial. O INPI contestou, integralmente, o pleito apresentado, pela União, deixando claro que o pedido de patente do engenheiro Carlos Rocha é o único que pode vir a ser aprovado pelo INPI.''” {{nop}}<noinclude>{{center|'''271'''}}</noinclude> 0y1aeb3ywe5hfri2tw93kjyvys0r9wx Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/274 106 239098 556562 512477 2026-07-28T01:51:00Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556562 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>POSFÁCIO</big>'''</big>}} {{dhr|3}} Este posfácio se inicia com agradecimento à Fernanda Andrade e ao SindCT, pela iniciativa de descrever, de forma muito consistente, um pouco da história da urna eletrônica brasileira. Naturalmente muitos podem se perguntar a razão de se escrever sobre um equipamento. Essa dúvida vai se esvaindo ao se ler o livro, quando então pode-se observar que não se trata somente de um relato sobre tecnologia. Em seu prefácio, o Ministro Velloso foi muito feliz ao abordar diferentes aspectos que motivaram o projeto, e é muito importante destacar a importância de suas decisões e orientações, quando presidente do TSE, ao viabilizar e justificar projeto de tamanha magnitude, com muita coragem e determinação. A urna eletrônica vem sendo produzida há mais de 25 anos e é a ponta de um iceberg que foi a informatização de toda a Justiça Eleitoral brasileira. Assim como diferentes nichos do serviço público brasileiro, a Justiça Eleitoral se viu obrigada a adotar mecanismos tecnológicos para enfrentar muitos de seus problemas crônicos,<noinclude>{{center|'''273'''}}</noinclude> chnt5pdeox4t7f03kvzkjhl2g4v9g29 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/275 106 239099 556563 512478 2026-07-28T01:52:06Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556563 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>causados, em sua maioria, pela ação humana na manipulação de votos, seja na coleta, seja na apuração. A urna eletrônica não chegou sozinha para modernizar e proporcionar mais segurança e transparência no processo eleitoral brasileiro. Junto com a urna, houve toda uma revolução silenciosa de preparação da Justiça Eleitoral para enfrentar o desafio de adotar tecnologia em seus processos. Foi, e continua sendo, necessário investimento em modernização do cadastro de eleitores, processamento de contagem de votos, uso das mais recentes tecnologias de comunicação de dados, desenvolvimento de soluções próprias de aplicativos baseados em sistemas livres, soluções de segurança da informação, e muitas outras ações. A Justiça Eleitoral teve de sair de uma situação, no início dos anos 90, onde parte do processamento de dados em eleições era feito por terceiros, para então alcançar, nos dias de hoje, uma situação de infraestrutura própria, dimensionada de maneira extremamente racional, com capilaridade de cobertura de mais de 5.000 municípios, com todos seus escritórios contando com recursos mínimos de processamento e comunicação de dados, com o objetivo de levar segurança no cadastro de eleitores e<noinclude>{{center|'''274'''}}</noinclude> 2bx7ze5fx4m00p7anyuv2aiycflkhfr Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/276 106 239100 556564 512480 2026-07-28T01:53:23Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556564 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>gestão organizada das eleições de maneira rápida e uniforme. Essa dimensão da infraestrutura necessária e existente na Justiça Eleitoral nem sempre é de conhecimento da população. Um cuidado louvável, que também foi adotado por todos os serviços públicos de muito êxito no Brasil, foi a capacitação dos recursos humanos da Justiça Eleitoral na área de tecnologia, formando em seus quadros profissionais altamente qualificados, que fazem uma gestão extremamente profissional de toda essa infraestrutura tecnológica. E o sucesso dessa formação ao longo dos anos pode ser melhor visto quando se vê as equipes técnicas do TSE e dos TREs trabalhando com as universidades e os institutos de pesquisa, na condução da constante modernização do sistema eleitoral brasileiro. Isso não tem preço. Não é só a Justiça Eleitoral que tem essa postura no serviço público. Isso acontece na Receita Federal, na Secretaria de Governo Digital, no TCU, na CGU e em muitos órgãos públicos que têm em seus quadros profissionais da área de tecnologia capacitados não somente a operar os sistemas, mas a pensar e conceber melhores sistemas em benefício da população brasileira. Digo e repito infinitamente, a urna eletrônica é a ponta do<noinclude>{{center|'''275'''}}</noinclude> lt76bxcsstlpjopx82svj9jjci60xux Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/277 106 239101 556565 512481 2026-07-28T01:57:24Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556565 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>iceberg, que é todo o aparato tecnológico e humano que nos permite ter as maiores eleições do mundo. São mais de 500 mil urnas ligadas ao mesmo tempo, são mais de 2 milhões de mesários trabalhando em conjunto, são milhares de técnicos cuidando para que a festa da democracia seja um sucesso, sem contar com o impulso que se dá à indústria local e às prestadoras de serviços de apoio na área de tecnologia da informação. São números que não aparecem. A magnitude de todo o processo impressiona e cria em todos que participam uma admiração sem tamanho, admiração que acaba impregnando até os prestadores de serviço e empresas que participam do processo eleitoral. Todos ficam engajados e trabalham muito mais que a encomenda, sentindo-se responsáveis de igual para igual pelo sucesso das eleições, assim como os servidores da Justiça Eleitoral. Nesse processo todo, a urna eletrônica tem seu papel fundamental de ser o instrumento de coleta dos votos de forma automatizada, porém tem um papel maior ainda que é materializar um novo conceito aplicado às eleições, de uso de tecnologia para garantir um processo eleitoral com lisura e transparência. Como todo equipamento eletrônico, a urna eletrônica está em<noinclude>{{center|'''276'''}}</noinclude> 7wkfb0uh7napm6iw60vkc83evrjvjx9 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/278 106 239102 556566 512482 2026-07-28T01:59:51Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556566 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>constante aperfeiçoamento e vem adotando, de versão em versão, as mais recentes técnicas de segurança e confiabilidade. Este livro, assim como as diversas publicações sobre as urnas eletrônicas brasileiras, é um retrato de todo esforço e dedicação para se quebrar paradigmas muito enraizados na cultura eleitoral brasileira e mostra como isso foi conseguido com a urna eletrônica e toda a modernização alcançada na infraestrutura da Justiça Eleitoral nos últimos 30 anos. A eleição não se resume ao uso da urna eletrônica. A urna é o símbolo de todo o esforço de modernização e adoção de tecnologia em nosso processo eleitoral. Assim como o motor movido a álcool, os satélites brasileiros e muitas outras tecnologias em uso no nosso país, a urna teve a contribuição de técnicos dos centros de excelência locais, DCTA e INPE, fazendo parte de um time imenso de diversas instituições somadas à Justiça Eleitoral, todos mergulhados na sinergia de ter um país melhor. “Tudo que você quis saber sobre a urna eletrônica brasileira” faz uma viagem com começo, meio e..... continuação, destacando o esforço necessário de todos para que o processo alcançado não se retraia. Não se trata de defender ou criticar a urna eletrônica, mas<noinclude>{{center|'''277'''}}</noinclude> nbmqsta9zme564856ctjayc2iq25l8r Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/279 106 239103 556568 512483 2026-07-28T02:00:38Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556568 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>de destacar seu papel na transformação que ocorreu nos últimos 25 anos em todo o processo eleitoral brasileiro, que se tornou um dos mais confiáveis em todo o mundo. Essa não é uma constatação local, e sim de todos os observadores internacionais que vêm acompanhar nossas eleições. Todos estão de parabéns, os idealizadores, os técnicos, a indústria, os prestadores de serviço de infraestrutura, os centros de pesquisa, os servidores da Justiça Eleitoral e os milhões de voluntários que fazem de nossas eleições as maiores e mais modernas do mundo, assim como estão de parabéns os idealizadores deste livro, que permitem a muitos conhecer um pouco mais deste imenso processo do qual nos orgulhamos de participar. {{dhr|4}} {{d|'''''Antonio Esio Salgado (Toné)'''''}}<noinclude>{{center|'''278'''}}</noinclude> 1itybhqyi6y1jak1ulxpixq5rksnux3 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/280 106 239104 556569 512484 2026-07-28T02:01:45Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556569 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>SUGESTÃO DE LEITURA <br>COMPLEMENTAR</big>'''</big>}} {{dhr|3}} Em 1997, o Dr. Paulo César Bhering Camarão, que concedeu entrevista para este livro, publicou o livro '''“O Voto Informatizado: Legitimidade Democrática”''', da editora Empresa das Artes. Nesse livro, Camarão descreve os trabalhos realizados para a implantação das urnas eletrônicas para as eleições de 1996. É um livro rico em documentos e transcrição de discursos oficiais. Em 2021, Giuseppe Janino, que também concedeu entrevista para este livro, publicou o livro: '''“O quinto ninja”''', que narra sua participação, no período de 25 anos, no desenvolvimento da urna eletrônica e seu aprimoramento durante sua trajetória como servidor concursado do TSE. Também em 2021, o TRE-BA publicou o livro '''“25 anos da urna eletrônica: tecnologia e integridade nas eleições brasileiras”'''. O livro contém uma entrevista com o ex-Ministro Carlos Velloso, além de artigos, resgatando a história da urna e os benefícios de sua implantação. A urna eletrônica também foi tema de muitas dissertações de mestrado e teses de doutorado que podem ser encontradas pela<noinclude>{{center|'''279'''}}</noinclude> jyq5wtdwhep5l9frb9r923orznihd8z Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/281 106 239105 556570 512485 2026-07-28T02:02:06Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556570 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>internet. Algumas dessas pesquisas retratam como a informatização do voto foi fundamental para o processo de redemocratização do voto. Já o site do TSE, sempre muito transparente, apresenta todas as informações sobre as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro, a legislação e, principalmente, informações de combate às fake news, disseminadas nas redes sociais. {{nop}}<noinclude>{{center|'''280'''}}</noinclude> lvma7hbwhy6nbyjhdxzsrm2jylix7o1 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/282 106 239106 556571 512486 2026-07-28T02:03:09Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556571 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{d|<big>'''<big>ENTREVISTAS REALIZADAS</big>'''</big>}} {{dhr|3}} (Em ordem alfabética) {{dhr|3}} '''Antonio Esio Salgado (Toné)''' Graduou-se em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ, 1980) e obteve o título de Mestre em Eletrônica e Telecomunicações pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, 1985). É Servidor Público Federal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - MCTI/INPE desde 02/1982, Tecnologista Sênior, Coordenador de Tecnologia da Informação (COCTI/INPE). Atua em projetos na área de comunicação de dados e segurança da informação, gestão de processos licitatórios e automação de processos administrativos. Foi Coordenador do Convênio TSE/INPE, atendendo ao Tribunal Superior Eleitoral - TSE, nas atividades de desenvolvimento da urna eletrônica, segurança da informação e desenvolvimento de ambientes de redes de comunicação de dados aplicados à Justiça Eleitoral. Atualmente, integra as equipes de desenvolvimento e especificação de novos modelos de Urnas Eletrônicas, nos projetos conduzidos pelo TSE. É Professor Assistente II no<noinclude>{{center|'''281'''}}</noinclude> 0ohe8wwrtric1cif1vbwkrhipwhvi79 Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/283 106 239107 556572 539505 2026-07-28T02:04:49Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556572 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Departamento de Informática da Universidade de Taubaté - UNITAU desde 02/1992, onde leciona a cadeira Redes de Computadores e orienta trabalhos na área de comunicação de dados, segurança da informação e gerência de projetos. Tem experiência na área de Engenharia Elétrica/Eletrônica, com ênfase em Sistemas de Telecomunicações, atuando principalmente nos seguintes temas: redes de comunicação de dados, segurança da informação, urna eletrônica, gerência/concepção de projetos, governança de TI e processos licitatórios na área de TI no serviço público. {{dhr|3}} '''Arlindo Chinaglia''' Arlindo Chinaglia Junior é médico e político brasileiro, membro fundador do Partido dos Trabalhadores - PT. Graduado em Medicina pela Universidade de Brasília - UnB, com especialização em saúde pública, presidiu a Central Única dos Trabalhadores - CUT e o Sindicato dos Médicos, ambos do estado de São Paulo. É Deputado Federal por São Paulo há sete mandatos, tendo sido presidente da Câmara dos Deputados entre 2007 e 2009. Foi também Deputado Estadual do Estado de São Paulo e Presidente do Parlamento do Mercosul. {{nop}}<noinclude>{{center|'''282'''}}</noinclude> 1wn5vxqld5ajw7snchmu4og7lldmvqq Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/284 106 239108 556573 512488 2026-07-28T02:07:19Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556573 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{dhr|3}} '''Ministro Carlos Mário da Silva Velloso''' Conhecido como pai da urna eletrônica, o Ministro Velloso é graduado em Filosofia e em Direito e membro da Academia Mineira de Letras. Foi Juiz Federal em Minas Gerais, de 1967 a 1977; Ministro do Tribunal Federal de Recursos entre dezembro de 1977 e abril 1989; Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral, de 1985 a 1987; Ministro do Tribunal Superior Eleitoral - TSE entre 1983 e 1985 e, depois, de 1985 a 1987; Ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, de 13 de junho de 1990 a 19 de janeiro de 2006, tendo sido presidente no período de 1999 a 2001; Ministro do TSE entre 1992 e 1996, onde foi presidente de 1994 a 1996; e Ministro do Superior Tribunal de Justiça - STJ entre abril de 1989 e junho de 1990. Além de seus cargos na justiça, foi também professor titular de Direito Constitucional da FMD na PUC Minas, de 1969 a 1977, onde foi Diretor de 1976 a 1977; professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da UFMG, de 1975 a 1977; professor de Direito Tributário e Ciência das Finanças da UNA-MG, de 1968 a 1974; professor titular de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, de 1978 a 1998; professor emérito da FMD na PUC Minas; professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília - FD/UnB; doutor “honoris causa” da<noinclude>{{center|'''283'''}}</noinclude> 30m6kk140quhjv3pp6gp51yvp0vdtlq Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/285 106 239109 556574 539506 2026-07-28T02:08:46Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556574 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Universidade de Craiova, Romênia, em abril de 2001; e Doutor Honoris Causa, concedido pelo Reitor Paulo Alonso, da UniverCidade, 2002. {{dhr|3}} '''Fernando Haddad''' Fernando Haddad é acadêmico, advogado e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores - PT. É professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo - USP, instituição pela qual se graduou como Bacharel em Direito, Mestre em Economia e Doutor em Filosofia. Foi nomeado Ministro da Educação em julho de 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecendo no cargo até janeiro de 2012. Durante seu mandato como Ministro, houve a criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), a implementação da Universidade Aberta do Brasil e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, assim como a implementação do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a reformulação e ampliação do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior - FIES e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2012, foi eleito prefeito do município de<noinclude>{{center|'''284'''}}</noinclude> qfhfnl00cn3ie1ljese6x7wc309ll1x Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/286 106 239110 556575 539507 2026-07-28T02:10:07Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556575 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>São Paulo. Em setembro de 2018, lançou sua campanha como candidato à Presidência da República para as eleições gerais no Brasil em 2018, mas perdeu para seu adversário. É membro fundador do Grupo de Puebla, grupo apontado como o sucessor do Foro de São Paulo, criado em 12 de julho de 2019, no México. {{dhr|3}} '''Fernando Henrique Cardoso''' Também conhecido como FHC, é sociólogo, cientista político, professor universitário, escritor e político brasileiro. Filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira - PSDB, foi o 34º Presidente da República Federativa do Brasil, entre 1995 e 2003. FHC graduou-se em Sociologia pela Universidade de São Paulo e, mais tarde, tornou-se professor emérito daquela universidade. Atualmente, preside a Fundação Fernando Henrique Cardoso, fundada por ele em 2004, e participa de diversos conselhos consultivos em diferentes órgãos no exterior, como Clinton Global Initiative, Universidade Brown e United Nations Foundation. Também é membro do The Elders e da Academia Brasileira de Letras e presidente de honra do PSDB. {{nop}}<noinclude>{{center|'''285'''}}</noinclude> omgppu0jsjhwyq0oitit4tpb920tkub Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/287 106 239111 556576 512491 2026-07-28T02:11:50Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556576 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{dhr|3}} '''Ministro Gilmar Mendes''' Gilmar Ferreira Mendes é jurista, magistrado e professor brasileiro. É Ministro do Supremo Tribunal Federal - STF desde 20 de junho de 2002, tendo presidido a corte entre 2008 e 2010 e sendo o atual decano, membro mais antigo. Foi indicado pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo exerceu o cargo de Advogado-Geral da União desde janeiro de 2000. Mestre e Doutor em Direito pela Universidade de Münster, é docente da Universidade de Brasília - UnB, pela qual se graduou, e do Instituto Brasiliense de Direito Público - IDP, do qual é cofundador. Recebeu o Prêmio Jabuti, em 2008, como um dos autores do livro “Curso de Direito Constitucional”, e em 2014, como um dos organizadores da obra “Comentários à Constituição do Brasil”, ambos pela Editora Saraiva. Ingressou no Ministério Público Federal como Procurador da República em 1985 e, posteriormente, exerceu diversos cargos na administração pública federal, tais como Consultor Jurídico da Secretaria-Geral da Presidência da República, Assessor do Ministério da Justiça, Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil e Advogado-Geral da União, antes de sua nomeação ao STF. {{nop}}<noinclude>{{center|'''286'''}}</noinclude> 27xd5ltzh7aogrri0vgiw9non3ciclg Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/288 106 239112 556577 512492 2026-07-28T02:13:10Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556577 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. {{dhr|3}} '''Giuseppe Janino''' Servidor de carreira do TSE, onde atuou por 25 anos e foi secretário de Tecnologia da Informação por 15 anos. Possui MBA em Tecnologia da Informação, pós-graduação em Análise de Sistemas e Redes de Computadores e graduação em Matemática. É autor do livro “O quinto ninja”, publicado em 2021, pela Vidaria livros, e membro do Project Management Institute (PMI), nos EUA, e do PMI Chapter, no Distrito Federal. Foi membro do Comitê Gestor de Identificação Civil Nacional - ICN. {{dhr|3}} '''Oswaldo Catsumi Imamura''' Graduou-se em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica em 1978, obteve o título de Mestre em Telecomunicações pela University of Electro-Communications em 1983 e o título de Doutor em Electrical Engineering pela The University of Tokyo (1987). Atualmente, é Pesquisador Titular do Instituto de Estudos Avançados do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial - DCTA, ocupando o cargo de Subdiretor<noinclude>{{center|'''287'''}}</noinclude> q45c12qi13hgbpuqyivtxudjsplpz0p Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/289 106 239113 556578 512493 2026-07-28T02:14:09Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556578 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>Técnico. Exerceu cargo de professor colaborador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e atua como consultor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e da Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, colaborador do Tribunal Superior Eleitoral e consultor da Organização das Nações Unidas. Tem experiência na área de Engenharia Eletrônica e Informação, com ênfase em telecomunicações, modelamento e processamento digital de sinais, filtros digitais, codificação de sinais, arquitetura de processadores e computadores, sistemas embarcados e críticos e segurança da informação. {{dhr|3}} '''Paulo César Bhering Camarão''' Autor do livro “O Voto Informatizado: Legitimidade Democrática”, Camarão é diplomado em Física pela UFRJ. Foi pesquisador chefe do Instituto de Engenharia Nuclear/CNEN, Analista de Sistemas e Superintendente de Negócios do Serpro. Foi também Presidente da Comissão Técnica que elaborou o projeto técnico para licitação e produção das primeiras urnas eletrônicas, de 1995 a 1996. Após os trabalhos da Comissão, ao longo de sua carreira, assumiu as funções de Assessor de Gestão da Informação, de Secretário de Projetos Especiais e, por último,<noinclude>{{center|'''288'''}}</noinclude> kod28jtpqtjgxp9o9lx59oy2sep92uu Página:Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf/290 106 239114 556579 539508 2026-07-28T02:14:50Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas validadas */ 556579 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" /></noinclude>de Assessor Chefe de Planejamento e Gestão, todas no TSE. {{dhr|3}} '''Paulo Nakaya''' Graduou-se em Tecnologia em Controle de Qualidade e mestrado em Computação Aplicada - Softwares, Comunicações e Redes. Servidor de carreira do INPE, trabalhou como analista de sistemas, analista de banco de dados, analista de suporte, gerente de redes, chefe de suporte técnico, subchefe do Departamento de Informática e chefe do Departamento de Informática. No TSE, atuou com Desenvolvimento do Plano Diretor de Eleições, projeto e implantação de toda a rede computacional nos 27 Tribunais Regionais Eleitorais e do TSE, projeto, desenvolvimento e implantação da Urna Eletrônica brasileira, desenvolvimento e implantação da logística das eleições com Urnas Eletrônicas. {{nop}}<noinclude>{{center|'''289'''}}</noinclude> iq47cq8ijg54o64nb49nkzfwtq7tk8b Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 10 0 239190 556588 512520 2026-07-28T02:22:27Z Erick Soares3 19404 556588 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=172 to=202 next="[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 11|'''Novo Modelo de Urna''']]" header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} 2i1ca84bphsvukfrj8mtnkur9o8fj5n Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 11 0 239192 556587 512527 2026-07-28T02:20:00Z Erick Soares3 19404 556587 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=204 to=207 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} 2rkun7wgm6jje4rqn3tbior8jkgzasn Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 12 0 239204 556586 512577 2026-07-28T02:19:43Z Erick Soares3 19404 556586 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=208 to=209 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} otkknmk2e9emojtawnt206oj6e9syw5 Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 13 0 239205 556585 512579 2026-07-28T02:19:28Z Erick Soares3 19404 556585 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=210 to=237 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} illmvz58us5c61h1p1pctvh4sp78vzg Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 14 0 239206 556584 512580 2026-07-28T02:19:12Z Erick Soares3 19404 556584 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=238 to=241 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} ejbv1rdpbtroc10ng1s6eakxzzptklf Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 15 0 239207 556583 512582 2026-07-28T02:18:54Z Erick Soares3 19404 556583 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=242 to=259 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} cyomgtvi6xgrfzh908oyygi9en4krzg Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 16 0 239208 556599 512583 2026-07-28T02:30:51Z Erick Soares3 19404 556599 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=260 to=263 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} pr0muq39m08qro4xlciy1c43gyr85yb Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 17 0 239213 556600 512596 2026-07-28T02:31:50Z Erick Soares3 19404 556600 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=264 to=269 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} o9lvz6phyribt0aat9x9ytbd2qmqx41 Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Capítulo 18 0 239214 556601 512598 2026-07-28T02:32:15Z Erick Soares3 19404 556601 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=270 to=273 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} sawewsgtvnva9h2wldpifvsqvgy5s9y Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Posfácio 0 239215 556602 512600 2026-07-28T02:32:32Z Erick Soares3 19404 556602 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=274 to=279 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} 4l2se8fpobc0g5w1wj1vrrex4mp6s8q Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Sugestão de leitura complementar 0 239216 556603 512601 2026-07-28T02:32:54Z Erick Soares3 19404 556603 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=280 to=281 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} tgzj1fjj8o3b6gv0ame1qfm933htv7n Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Entrevistas realizadas 0 239217 556604 512603 2026-07-28T02:33:16Z Erick Soares3 19404 556604 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=282 to=291 header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} 3bdcbe14zljqpainbb0tnyoillzqk4u Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Anexo especial 0 239354 556605 513205 2026-07-28T02:33:57Z Erick Soares3 19404 556605 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=292 to=345 next="[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Referências bibliográficas|'''Referências bibliográficas''']]" header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} [[Categoria:Leis do Brasil]] fq4qh2jw5nknl0mx6fhx7hwk7pxenti Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Referências bibliográficas 0 239420 556606 513416 2026-07-28T02:34:33Z Erick Soares3 19404 556606 wikitext text/x-wiki <pages index="Tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-a-urna-eletronica-brasileira.pdf" from=346 to=353 prev="[[Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Anexo especial|'''Anexo especial''']]" header=1/> {{CC-BY-SA-4.0}} p1ccsm8khshuoppohogzxx2pf5n5mhv Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/231 106 254949 556486 2026-07-27T13:04:26Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: lavando. Dizfe do Baptifmo. Do Lat. Ablutio. MONTEIR Art. 26, 6 No Sacramento do baptifmo ha dous gene- ros de marerias remota, que he agoa elementar; 'pro- xima, que he ablução. CARV. Comp. 2, 8, 75 Não ob- fta o não se poder fazer o baptifmo na agoa congela- da, porque fe dá diverfa razão, porque o baptifmo he ablução, e não fe verifica a fórma do baptifmo no ge- lo, que não lava. Tambem fe chama aflim a ceremonia, com que o Sacerdot... 556486 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>lavando. Dizfe do Baptifmo. Do Lat. Ablutio. MONTEIR Art. 26, 6 No Sacramento do baptifmo ha dous gene- ros de marerias remota, que he agoa elementar; 'pro- xima, que he ablução. CARV. Comp. 2, 8, 75 Não ob- fta o não se poder fazer o baptifmo na agoa congela- da, porque fe dá diverfa razão, porque o baptifmo he ablução, e não fe verifica a fórma do baptifmo no ge- lo, que não lava. Tambem fe chama aflim a ceremonia, com que o Sacerdote no Santo Sacrificio da Miffa, lava e purifica os dedos fobre o Caliz com vinho e agoa depois de ha- ver confumido. ESTAT. DOS CONEG. AZUIS, 66, 40 Só- mente agoa as mãos, e dar ablução faça o Subdiacono. CAMPELL. Thef. 38 E pera a ultima ablução, deitará pri- meiro vinho no Caliz, então agoa fobre os dedos, com que o Celebrante purificará o Caliz. Da mefma forte fe nomcia o lavatorio, que fe dá depois da Sagrada Communhão. M. BERN. Floreit. 1, 3, 85, C E fendo neceffario commungar, o mefmo Empe- rador the fervio de joelhos o valo da ablução.. Farmac. Acção de preparar algum medicamento em algum licor para o purgar de alguma má qualidade. BLUT. Vocab. Chim. Acção de purificar qualquer materia com re- - petidas infusões. BLUT. Vocab. {{lema|ABNEGAÇÃO}}. s. f. Acção de abnegar ou renunciar abfo- luta e voluntariamente à propria vontade, os prazeres e as paixões. FEO, Tr. 2, 110, 1 Diz o gloriofo Apoito- lo S. Paulo.. que a abnegação verdadeira confiite não em crucificar a carne, mas o peccado, que nella reina- va, com todos os feus miniftros, quaes são as paixões e as concupifcencias della. SEVER. Prompt. 25., 2, 84 y A outra divida, que o homem fe deve a fi mefmo, he a mortificação e abnegação do juizo da propria vonrade, e da came com abftinencias, jejuns, &c. VIEIR.. Serm. 8, 417 Na mefma negação [de fer fanto] o mais alto, ou o mais profundo da fantidade, que he a abnegação de fi mefmo &c. as S Acção de negar ou recufar o que fe pede ou requer. pouc. uf. TELL. Chr. 1, 17. n. 8 Satisfazendo.. ao efcandalo, que alguns poderião ter de fua abnega- ção e feccura. Abjuração, acção de fe defdizer ou retractar. pouc. uf. GUERREIR. Rel. 2, 3, 16 Ratificando todos com fum- me gofto... a abnegação de fuas herefias. {{lema|ABNEGADO, A}}. p. p. de Abnegar. M. BERN. Paraif. 4, I. {{lema|ABNEGADOR, ORA}}. adj. pouc. uf. Que abnega. Luz, Tr. do Defej. 4, 1 Em quanto ime não perfeição na virtude abnegadora de tudo, fiquemos em hum meio, entre a cidade e o deferto. {{lema|ABNEGAR}}. v. a. Afcet. Rejeitar, reprovar. Do Lat. Abue- -gare. Feo, Tr. 2, 209, 3 Quem quizer faber, diz São João Chryfoftomo, que coufa feja huma peffoa abnegarfe a fi melmo, veja como abnega a outra , que lhe fez por onde. M. BERN. Paraif. 4, 3 Abrahão, facrificando a Ifaac feu amado filho, fymboliza ao fervo de Deos, abnegando o amor, proprio. ab i Abnegar a fua ou a propria vontade. Renunciar abfoluta e voluntariamente aos feus effeitos, quaes são a fatisfação dos prazeres, dos appetites, das paixões, &c. CART. DE JAP. I, 11, 4 Depois de a haver abnegado [a propria vontade] no voto da obediencia &c. TELL. Chr. 2, 4, 1. n. 4 Não fe tratava de outra coufa nef- >té rempo no Collegio de Coimbra mais que abnegar a propria vontade. BARRET. Flos Sanct. 2, 282, 2 Porque ao homem lhe cufta tudo quanto tem, cuftalhe levar perpetuamente fua cruz, abnegar fua vontade, mortificar os appetites da fua carne, &c. mas Com pron. peff. Reg. abf ou a fi mefmo ou a fi proprio. O mefmo que Abnegar a propria ou a. fua von- tade. D. HILAR. Voz, 6, 25 Não diffe neguefe, abneguefe, accrefcentando á negação huma dicção abftra- ctiva, pequena na fórma, mas grande na fignificação. Fro, Tr. 2, 143, 1. Daquella humildade e paciencia, que em fi retratou, abnegandofe a fi proprio, e padecen- do tanto, quanto fomente pudera foffrer, quem juntamen- te foffe Deos, e homem. CARDOS. Agiol. 3, 11 E fe fot aquelle [galardão] que na Bemaventurança logrão os que fe abnegarão a fi mefmos... não quizera. eu &c; {{lema|A' BOA FE}}. form. adv. Vej. Fé. A {{lema|A' BOAMENTE}}. fórm. adv. Facilmente; commodamente. ESTAT. DOS CONEG. REGUL 1, 3, 2 Ordenamos, ..que nos mosteiros da noffa Congregação fe faça procif- são folemne pola clauftra, podendo fer áboamente nas feftas de quatro cantores, de noffo Senhor, e de noffa Senhora. AzEv. Correcç. 2, 1, 14. p. 94 Que mais d- boamente pudera alcançar. MoкAT. Luz, 6, 10 açucar rofado tomafé a toda a hora, . . . o qual lubricando e humedecendo os inteftinos, provoca a camara, o que a natureza dá áboamente. {{lema|ABOBADA}}. s. f. Archit. Tecto feito de pedra cu de tijolo fem madeira, cujas partes todas entie fi connexas fe vão voltando em forma de arco. (Abobeda, Aboboda.) ant. A- boveda. Ha abobadas de muitos feitias, e fe denominão differentemente, fegundo a fua diverfa conftrucção, figu- ra ou ornatos; e aflim fe diz: Abobada chata, de barre- te, de berço, de laçarias, de lunetas, de meia laranja, de farapanel, de volta abatida, de volta de cordel, de volta de efcarção, de volta em berço, de volta por arefta, fingéla, &c. BARR. Dec. 3, 3, 5 E quando hião por elle rio] tombaya a folha ou qualquer moto, que fe fizeffe, como em huma abobeda. "Sous. Hift. 1, 1, 12 Dentro divisão de Capella, e corpo de Igreja,.com fen arco em meio, tudo cerrado em abobada. CEIT. Quadrag. 2, 17, 2 Mas foi tão excellente. e rica a pe- draria, torres, abobadas, e mais edificios, que &c. Cafa fubterranea con tecto ou cobertura de abobada. TELL. Chr. 2, 4, 24. n. 7 O que eftá lançado pela parte do Oriente com os cubiculos, cifternas, abobedas, que fervem de celleiros, com ourras mais officinas. Met. O que tem a figura de abobada, e fe vai vol- tando em forma de arco. Luc. Vid. 8, 3 Té à primeira ..abobada do céo. CASTR. Ulyff. 7, 92 Rebenta o pó fulphureo abrazado, Que dando no ar afperrimo bra- mido, Na abobada do céo refponde o brado. VIEIR. Serm. 3, 3, 9. n. 148. Como quereis vós, que fobre duas columnas] tão fracas fe fuftente aquelle immen- fo edificio, que rodeão e cobrem as abobadas do firma- mento? Subft., que mais de ordinario fe lhe antepoe. Cha- ve da. FEST. NA CANONIZ. 161 . ESPEк. Hift. 1, 4, 21. n. 2. Concavidade da .... MOR. Palm. 1, 18. Efvão da. BERNARD. RIE. Menin. 2, 36. Fecho da ESPER. Hift. 2, 8, 33. n. 2. CARD OS. Agiol. 2, 704. Remate da... FEST. NA CANONIZ. 46 . Epith. Alta. Sous. Hift. 3, 5, 12. Azulejada ar- tificiofamente. M. FERNAND. Alm. 2, 2, 1. n. 17. Brinca- da com flores e filacterias de ouro. M. FERNAND. Alm. 2, 2, t. n. 17. Cerrada. F. ALv. Inform. 37. Dourada. PER. Elegiad: 10, 140. FEST. NA CANONIZ. 199 y. Enramada. SOTTOM. Ribeir. 1, 24 . Estofada de mil lavores. FEST- NA CANONIZ. 199 y. Formofa. FERNAND. Palm. 3, 60. Forte. GAV, Cerc. 2, 8. LOB. Condeft. 11, 9. Grof fiffima. M. BERN. Exerc. 2, 5, 3. p. 25t. Inteira. Ď. G. COUTINH. Jorn. 88. Lavrada (bem) BENARD. RIB. Menin. 2, 36. F. ALv. Inform. 54. Lavrada de ame- gos ricamente obrados. GASP. DOS REIS, Rel. 6, 14. Maravilhofa. VIT. CHIST. 4 36, 170 . Obrada curio- famente. D. G. COUTINH. Jorn. 88. Redonda. GASP. DOS REIS, Rel. 16, 28 y. Semcada de artificiofos la- ços. M. FERNAND. Alm. 2, 2, 1. n. 17. Vaftiffima do fir- mamento. M. BERN. Exerc. 2, 4, 9. p. 149. Verb. Cerrar a abobada. (pôrlbe os ultimos tijolos, ou pedras, no meio do convexo, os quaes, fendo mais eftrei- tos por baixo, que por cima, a apertão e fegurão.) GASP Dos Reis, Rel. 22, 33. VIEIR. Serm. 7, 1, 15. 11. 43. Met. Acabar, concluir, rematar. FERR. DE VASC. Aulegr. 1,4 Em extremo folgára de faber Latim, por- que fempre achais nelle huns contrafortes, que çarrão a abobeda a pedir por bocca. D. F. MAN. Apol. 419 E o autor politico cerra melhor as abobedas do feu difcurfo. Fechar a... (o mefino que cerrar a...) VIEIR Serm. 11, 15, 6. n. 622. Mer. Reg. abf. ou à alg. c. Feo, Tr. Quadrag. 1, 69, 1 Em pedirmos Rei, acabamos de fechar a abobada a noffas culpas. Luz, Serm. 2; 2, 165. col. 4 Matárão a Chtifto, fechárão a abobeda, puzerão o remate a to- dos os peccados de feus antepaffados... Por a chave na abobada de alguma confa. Fraf. meta (concluila, levala ao cabo.) HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 16 Cuidando elles que eftão já pera pôr a chave na abobada de feu contentamento, cahe todo o edificio. {{lema|ABOBADADO, A}}. p. p. de Abobadar. F. ALv. Inform. 35: BARR. Dec. 1, 1, 3. GUERREIR. Rel. 3, 4, 1. {{lema|ABOBADAR}}. v. a. Formdr abobada, ou fazer cm arco, e de feitio de abobada. JER. CARDOS. Dict BENT. PER. Thes.<noinclude></noinclude> q4uwd6lqsvawy4u0a36d587wuap5qm3 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/232 106 254950 556487 2026-07-27T13:07:32Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{lema|ABOBADAZINHA}}. s. f. dim. de Abobada. HisT. TRAG. MARIT. I, 283. {{lema|ABOBADILHA}}. s. f. dim. de Abobada. Abobada de geffo tabicado, ou o efpaço coberto de gelo em figura de aboba- da, entre viga e viga nos tectos das cafas. S. ANN. Chr. 2, 33, 487 E o Padre Fr. Pedro Thomás renovou to- do o interior do Collegio, fazendo forro de abobedi- lhas, e o folho, portas, e janellas de boa madeira. {{lema|ABOBADO, A}}. P. P. Vej. A... 556487 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>{{lema|ABOBADAZINHA}}. s. f. dim. de Abobada. HisT. TRAG. MARIT. I, 283. {{lema|ABOBADILHA}}. s. f. dim. de Abobada. Abobada de geffo tabicado, ou o efpaço coberto de gelo em figura de aboba- da, entre viga e viga nos tectos das cafas. S. ANN. Chr. 2, 33, 487 E o Padre Fr. Pedro Thomás renovou to- do o interior do Collegio, fazendo forro de abobedi- lhas, e o folho, portas, e janellas de boa madeira. {{lema|ABOBADO, A}}. P. P. Vej. Abou, {{lema|ABOBAR}}, v. a. {{lema|ABOBORA}}. s. f. Fructo da aboboreira. (Abobara, Abo- bera) GIL Vic. Obr. 4, 248 y Não coma fenão len- tilhas, Si, ou abobora cozida. CASTANH. Hift. 1, 26 Vierão de terra quarro homens em huma almadia a bor- do da capitaina, que trouverão a vender muitas abobo- Tas e pepinos. Govv. Jorn. 3, 10 Nem fe femea nella [Ilha de Socotorá] coufa alguma, tirando algumas abo- boras e ervilhas. Abobora agrefte ou filveftre. O mefmo que Cabaci- nha e Colocynthida. PER. D'AFONS. Poder. 10, 253, To- pa com hum genero de abobaras agreftes, ou cabaci- nhas, mais pequenas que as das hortas, muito amargo- fas, que a Sagrada Efcrirura chama colocynthidas. Abobora branca, carneira ou de carneiro, cabaça, ou cabaço. Fructo de huma efpecie de aboborcira, que Lin- neo chama Cucurbita lagenaria. Efta efpecie tem as folhas hum tanto angulofas, cotanofas, e com duas glandulas na bafe pela banda debaixo; os feus fructos são lenho- fos no eltado de plena madureza, e denominados caba-- gos, quando são oblongos, e cabaças, quando são coni- cos, conftituindo aflim duas variedades de plantas nefta mefima efpecie. Os da primeira variedade, em quanto eftão verdes e tenros, são ufados como hortaliça; o feu principal ufo antigamente era cozêlos com carneiro, don- de lhe. veio o nome de abobora carneira ou de carnei- ro. CABREIR. Comp. 5 Tomem femente de pepinos brancos e aboboras brancas, pizado tudo muito bem. GRISL. Defeng. 3, 62 Abobora de carneiro. . . he fria e hu- mida no fegundo gráo. Abobora de Guiné, que vulgarmente fe chama menina. Fructo de huma efpecie de aboboreira, a que Lin- neo chama Cucurbira pepo, e a qual diz ter as folhas lo- badas, e os fructos lizos, fem nós, nem. tuberofidades al- gumas. He ufada como hortaliça. SANT. Ethiop. 1, 3, 6 - Tem fobre os hombros huma corcova, como huma gran- de abobora de Guiné. M. FERN. Alm. 8, 3, 2. n. 305. p. 883 O feu manjar abobora de Guiné cozida em agoa. {{lema|ABOBORADO, A}}. p. p. de Aboborar. Cuav. Atal, 211. {{lema|ABOBORAL}}. s. m. Terreno femeado de aboboras. BLUT. Vocab. {{lema|ABOBORAR}}. v. a. Por as comidas, principalmente de maf- fa, fobre fogo moderado, para que pouco a pouco embe bão em fi o caldo on molho. Monar. Tr. Unic. s Nel- le leite fe aboborará o pão. DoмING. RODRIG. Art.z. Molhadas as fopas] com o caldo, ponhãofe a aboborar. {{lema|ABOBOREIRA}}. s. f. Certo genero de plantas, que produ- zem aboboras, diftribuido por Linuco na Monoicia Synge- nefta do feu fyftema dos vegetacs, debaixo do nome de cu- curbita. As flores mafculinas das especies defte genero tem o caliz de cinco dentes, a corolla fendida em cin- co lacinias, e as antheras foftidas en tres filetes: as femininas tem o caliz e corolla femelhantes as mafcu- linas, o piftillo trifendido, e as fenientes do feu fructo com à margem hum tanro tumida ou emborada. FR. Ist- DOR. DE BARREIR. Signif. 2, 441 Querem alguns autores, que a aboboreira feja fymbolo de efperanças váas. {{lema|ABOBORINHA}}. s. f. dim. de Abobora. BENT. PER. Thes. {{lema|A BOCCA CHEIA}}. Fórm.adv. Vej. Bocca. {{lema|A' BOCCA FECHADA, A BOCCA QUE QUERES.}} {{lema|ABOCCADO, A}}. p. p. de Aboccar. Ufafe de commum quando fe trata da artilharia e armas de fogo. Reg. abf. ou a alguma parte. Sous. Hift. 3, 4, 7. MARINH. Comm. 1, 15. VIEIR. Serm 2, 11, 3. n. 341. {{lema|A BOCCADOS}}, fórm. adv. Vej. Boccado. {{lema|ABOCCADURA}}. s. f. Artilh. Abertura da bocca das pe- ças de artilharia. M. Pazz, Comp. 30 Feita huma linha recta fe tomará com bum compaffo de pontas direitas a aboccadura da peça. {{lema|ABOCCANHADO, A}}. p. p. de Aboccanhar. Sous. Hift. 2, 2, 10. ESPER. Hift. I, 4, 24. n. 2. VIEIR. Serm. 12, 8, 4. n. 202. {{lema|ABOCCANHAR}}, v. a. Defpedaçar, tirar a boccados, com os dentes. De Bocca. Luz, Serm. 1, 2, 21. col. 3 Ima- ginai que chegais ao altar, c que vos pondes fobre aquelle Deos, e que o aboccanhais e eltais desfazendo a boccados &c. VIEIR. Serm. 7, 10, 4. n. 320 Tanto que veem a pelle da morta [ráa] todas a ella com a bocca aberta; e fe alguma fe adianta às demais, todas a aboccanbala e a mordela. Met. FR. G. DA SILv. Vid. 3. Prol. Porém fe [a morte te mordeo e aboccanbou, não engulio de todo. BRIT. Mon. 1, 2. c. 16 Como homem, que vinha de- liberado a conquistar rafamente toda a Helpanha, e não queria aboccanhar muito, pera no fim da jornada le achar fem coufa nenhuma. MARINH. Comm. 2, 12 l'or lhe não ficar coufa, que não aboccanhafem com inveja, odio, e pouco zelo da confervação do Reino. Neutr. Por a bocca. Luz, Tr. do Defej. 6, 5 E tanto prefume o demonio de fi, que dizendolhe Deos: Confiderafte a neu fervo Job, por ventura quando an- davas aboccanhando pola terra, reparafte em meu fervo Job? &c. Aboccanhar em lingoagem alheia. Fraf. met. e. vulg. Ir dizendo a boccados algumas palavras de lingoa ef- trangeira. D. F. MAN. Cart, de Guia, 83 y Outras, que fe prezão de entender verfos, aboccanhão em lin- goagens albeias, tratão queftões de amor e de fineza &c. {{lema|ABOCCAR}}. v. a. Pegar com a bocca. Dizle particularmen- te do cáo de caça, quando no alcance da preza aferra della com a bocca. BARRET. Eneid. 5, 101 Mifturão mãos com mãos, e quafi abcccão, Mas quanto de mais perto hum a outro offende, Tanto. mais à batalha fe provocáo. Apontar, pôr em direitura ao fitio, em que fe per- tende dar. A artilharia ou qualquer arma de fogo. TELL. Hift. 6, 13, 562 Tem porém aboccados pelos cavallei- ros dos baluartes alguns falcões e berços. M. GODINE. Rel. 9, 47 Jogava a náo] quatorze peças, mas fó duas tinha aboccadas nas bombardeiras da poppa. M. BERN. Floreft. 1, 5, 188 C Hum homem, com quem Deos eftá mal, traz ao peito aboccadas as armas de foga da fua ira. Começar a entrar. BARR. Dec. 2, 5,9 Começando de aboccar o portal pera entrarem todos de miftura.c Das embarcações. Nos eftreitos, pórtos, rios, &c. BARR. Dec. 1, 10, 5 Atravelfando aquelle grão golfão até aboccar os dous eftreitos, que diffemos. MEND. INT. Peregr. 71 E atraveffando daqui outro golfão aboccon a lefte franco hum eftreito de dez legoas na bocca, que fe dizia Seleupaquim. Neutr. Na fobredita fignificação. Reg. por ou fo bre algum lugar. ANDRAD. Chr. 2, 64. E aboccando fo- bre hum porto, em que vio grandes fumos &c. MEND. PINT. Peregr. 28 No fim dos quaes [dias] aboccámos por hum eftreito, que fe dizia Quatanquer. CARNEIR. Rot. do Braz. 16 E des que aboccardes pela Ilha dos lo- bos, levai boa vigia. Dizfe do mar, quando faz entrada por algum ef- treito. Luc. Vid. 1, 12 A maior parte daquella gargan- ta dos mares, que vão aboccar ao eftreito de Meca. Gouv. Jorn. I, I Chegou a efta Ilha, que eftá na gar- ganta dos mares, que vão aboccar ao eftreito do mar roxo. Vir à bocca, ou a algum lugar eftreito, começar a entrar ou a fahir por elle. FERR. DE VASC. Aulegr. 1, 9 Parece aquelle, que la abocca na traveffa voflo afilhado Dinardo Pereira. MORAT. Tr. Unic. 6 Da relaxação do utero, quando abocca e fahe fóra. , Defemboccar vir ter ou dar por fabida eftreita a algum lugar. Das ruas, caminhos, &c. BARR. Dec. 2, 6,4 E rambem porque vinhão aboccar as principaes ruas naquella ponte. {{lema|ABOCETADO, A}}. adj. Que tem feitio ou figura de boce- ta. Dizfe particularmente da feição do rofto, quando efte he redondo. BLUT. Vocab. Met. CANCION. 90, 3 Vindo, Senhor, efte dia Do Paço bem enfadado, Vi rapado Dom Garcia, Vi .Dom Garcia rapado.. Vio tão abocetado, E tão por Que diffe logo antre mim; Eft'homem vem en- rim, gicanado. {{lema|A'BOFE'}}. form. adv. ant. O mesmo que: A boa fé. Vej. Fé. Git Vic. Obr. 1, 28 y Tenhoo eu por façanha, E não pequena, abofé. EUFROs. Prol. Abofé, eu me averia bem comvofco. ALBUQ. Comm. 2, 5 O Viforei lhe refpondeo, não fei ábofé, ferá como Deos quizer. {{lema|ABOFETADO, A}}. p. p. de Abofetar. Vir. CHRIT. 4, 8, 31. {{lema|ABOFETAR}}. v. a. antiq. Dar buma ou mais bofetadas.<noinclude></noinclude> q7y0y690gyl1v44r0z6qk0nmt2yi4hc 556488 556487 2026-07-27T13:07:39Z MLReis 41056 /* Problemática */ 556488 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="MLReis" /></noinclude>{{lema|ABOBADAZINHA}}. s. f. dim. de Abobada. HisT. TRAG. MARIT. I, 283. {{lema|ABOBADILHA}}. s. f. dim. de Abobada. Abobada de geffo tabicado, ou o efpaço coberto de gelo em figura de aboba- da, entre viga e viga nos tectos das cafas. S. ANN. Chr. 2, 33, 487 E o Padre Fr. Pedro Thomás renovou to- do o interior do Collegio, fazendo forro de abobedi- lhas, e o folho, portas, e janellas de boa madeira. {{lema|ABOBADO, A}}. P. P. Vej. Abou, {{lema|ABOBAR}}, v. a. {{lema|ABOBORA}}. s. f. Fructo da aboboreira. (Abobara, Abo- bera) GIL Vic. Obr. 4, 248 y Não coma fenão len- tilhas, Si, ou abobora cozida. CASTANH. Hift. 1, 26 Vierão de terra quarro homens em huma almadia a bor- do da capitaina, que trouverão a vender muitas abobo- Tas e pepinos. Govv. Jorn. 3, 10 Nem fe femea nella [Ilha de Socotorá] coufa alguma, tirando algumas abo- boras e ervilhas. Abobora agrefte ou filveftre. O mefmo que Cabaci- nha e Colocynthida. PER. D'AFONS. Poder. 10, 253, To- pa com hum genero de abobaras agreftes, ou cabaci- nhas, mais pequenas que as das hortas, muito amargo- fas, que a Sagrada Efcrirura chama colocynthidas. Abobora branca, carneira ou de carneiro, cabaça, ou cabaço. Fructo de huma efpecie de aboborcira, que Lin- neo chama Cucurbita lagenaria. Efta efpecie tem as folhas hum tanto angulofas, cotanofas, e com duas glandulas na bafe pela banda debaixo; os feus fructos são lenho- fos no eltado de plena madureza, e denominados caba-- gos, quando são oblongos, e cabaças, quando são coni- cos, conftituindo aflim duas variedades de plantas nefta mefima efpecie. Os da primeira variedade, em quanto eftão verdes e tenros, são ufados como hortaliça; o feu principal ufo antigamente era cozêlos com carneiro, don- de lhe. veio o nome de abobora carneira ou de carnei- ro. CABREIR. Comp. 5 Tomem femente de pepinos brancos e aboboras brancas, pizado tudo muito bem. GRISL. Defeng. 3, 62 Abobora de carneiro. . . he fria e hu- mida no fegundo gráo. Abobora de Guiné, que vulgarmente fe chama menina. Fructo de huma efpecie de aboboreira, a que Lin- neo chama Cucurbira pepo, e a qual diz ter as folhas lo- badas, e os fructos lizos, fem nós, nem. tuberofidades al- gumas. He ufada como hortaliça. SANT. Ethiop. 1, 3, 6 - Tem fobre os hombros huma corcova, como huma gran- de abobora de Guiné. M. FERN. Alm. 8, 3, 2. n. 305. p. 883 O feu manjar abobora de Guiné cozida em agoa. {{lema|ABOBORADO, A}}. p. p. de Aboborar. Cuav. Atal, 211. {{lema|ABOBORAL}}. s. m. Terreno femeado de aboboras. BLUT. Vocab. {{lema|ABOBORAR}}. v. a. Por as comidas, principalmente de maf- fa, fobre fogo moderado, para que pouco a pouco embe bão em fi o caldo on molho. Monar. Tr. Unic. s Nel- le leite fe aboborará o pão. DoмING. RODRIG. Art.z. Molhadas as fopas] com o caldo, ponhãofe a aboborar. {{lema|ABOBOREIRA}}. s. f. Certo genero de plantas, que produ- zem aboboras, diftribuido por Linuco na Monoicia Synge- nefta do feu fyftema dos vegetacs, debaixo do nome de cu- curbita. As flores mafculinas das especies defte genero tem o caliz de cinco dentes, a corolla fendida em cin- co lacinias, e as antheras foftidas en tres filetes: as femininas tem o caliz e corolla femelhantes as mafcu- linas, o piftillo trifendido, e as fenientes do feu fructo com à margem hum tanro tumida ou emborada. FR. Ist- DOR. DE BARREIR. Signif. 2, 441 Querem alguns autores, que a aboboreira feja fymbolo de efperanças váas. {{lema|ABOBORINHA}}. s. f. dim. de Abobora. BENT. PER. Thes. {{lema|A BOCCA CHEIA}}. Fórm.adv. Vej. Bocca. {{lema|A' BOCCA FECHADA, A BOCCA QUE QUERES.}} {{lema|ABOCCADO, A}}. p. p. de Aboccar. Ufafe de commum quando fe trata da artilharia e armas de fogo. Reg. abf. ou a alguma parte. Sous. Hift. 3, 4, 7. MARINH. Comm. 1, 15. VIEIR. Serm 2, 11, 3. n. 341. {{lema|A BOCCADOS}}, fórm. adv. Vej. Boccado. {{lema|ABOCCADURA}}. s. f. Artilh. Abertura da bocca das pe- ças de artilharia. M. Pazz, Comp. 30 Feita huma linha recta fe tomará com bum compaffo de pontas direitas a aboccadura da peça. {{lema|ABOCCANHADO, A}}. p. p. de Aboccanhar. Sous. Hift. 2, 2, 10. ESPER. Hift. I, 4, 24. n. 2. VIEIR. Serm. 12, 8, 4. n. 202. {{lema|ABOCCANHAR}}, v. a. Defpedaçar, tirar a boccados, com os dentes. De Bocca. Luz, Serm. 1, 2, 21. col. 3 Ima- ginai que chegais ao altar, c que vos pondes fobre aquelle Deos, e que o aboccanhais e eltais desfazendo a boccados &c. VIEIR. Serm. 7, 10, 4. n. 320 Tanto que veem a pelle da morta [ráa] todas a ella com a bocca aberta; e fe alguma fe adianta às demais, todas a aboccanbala e a mordela. Met. FR. G. DA SILv. Vid. 3. Prol. Porém fe [a morte te mordeo e aboccanbou, não engulio de todo. BRIT. Mon. 1, 2. c. 16 Como homem, que vinha de- liberado a conquistar rafamente toda a Helpanha, e não queria aboccanhar muito, pera no fim da jornada le achar fem coufa nenhuma. MARINH. Comm. 2, 12 l'or lhe não ficar coufa, que não aboccanhafem com inveja, odio, e pouco zelo da confervação do Reino. Neutr. Por a bocca. Luz, Tr. do Defej. 6, 5 E tanto prefume o demonio de fi, que dizendolhe Deos: Confiderafte a neu fervo Job, por ventura quando an- davas aboccanhando pola terra, reparafte em meu fervo Job? &c. Aboccanhar em lingoagem alheia. Fraf. met. e. vulg. Ir dizendo a boccados algumas palavras de lingoa ef- trangeira. D. F. MAN. Cart, de Guia, 83 y Outras, que fe prezão de entender verfos, aboccanhão em lin- goagens albeias, tratão queftões de amor e de fineza &c. {{lema|ABOCCAR}}. v. a. Pegar com a bocca. Dizle particularmen- te do cáo de caça, quando no alcance da preza aferra della com a bocca. BARRET. Eneid. 5, 101 Mifturão mãos com mãos, e quafi abcccão, Mas quanto de mais perto hum a outro offende, Tanto. mais à batalha fe provocáo. Apontar, pôr em direitura ao fitio, em que fe per- tende dar. A artilharia ou qualquer arma de fogo. TELL. Hift. 6, 13, 562 Tem porém aboccados pelos cavallei- ros dos baluartes alguns falcões e berços. M. GODINE. Rel. 9, 47 Jogava a náo] quatorze peças, mas fó duas tinha aboccadas nas bombardeiras da poppa. M. BERN. Floreft. 1, 5, 188 C Hum homem, com quem Deos eftá mal, traz ao peito aboccadas as armas de foga da fua ira. Começar a entrar. BARR. Dec. 2, 5,9 Começando de aboccar o portal pera entrarem todos de miftura.c Das embarcações. Nos eftreitos, pórtos, rios, &c. BARR. Dec. 1, 10, 5 Atravelfando aquelle grão golfão até aboccar os dous eftreitos, que diffemos. MEND. INT. Peregr. 71 E atraveffando daqui outro golfão aboccon a lefte franco hum eftreito de dez legoas na bocca, que fe dizia Seleupaquim. Neutr. Na fobredita fignificação. Reg. por ou fo bre algum lugar. ANDRAD. Chr. 2, 64. E aboccando fo- bre hum porto, em que vio grandes fumos &c. MEND. PINT. Peregr. 28 No fim dos quaes [dias] aboccámos por hum eftreito, que fe dizia Quatanquer. CARNEIR. Rot. do Braz. 16 E des que aboccardes pela Ilha dos lo- bos, levai boa vigia. Dizfe do mar, quando faz entrada por algum ef- treito. Luc. Vid. 1, 12 A maior parte daquella gargan- ta dos mares, que vão aboccar ao eftreito de Meca. Gouv. Jorn. I, I Chegou a efta Ilha, que eftá na gar- ganta dos mares, que vão aboccar ao eftreito do mar roxo. Vir à bocca, ou a algum lugar eftreito, começar a entrar ou a fahir por elle. FERR. DE VASC. Aulegr. 1, 9 Parece aquelle, que la abocca na traveffa voflo afilhado Dinardo Pereira. MORAT. Tr. Unic. 6 Da relaxação do utero, quando abocca e fahe fóra. , Defemboccar vir ter ou dar por fabida eftreita a algum lugar. Das ruas, caminhos, &c. BARR. Dec. 2, 6,4 E rambem porque vinhão aboccar as principaes ruas naquella ponte. {{lema|ABOCETADO, A}}. adj. Que tem feitio ou figura de boce- ta. Dizfe particularmente da feição do rofto, quando efte he redondo. BLUT. Vocab. Met. CANCION. 90, 3 Vindo, Senhor, efte dia Do Paço bem enfadado, Vi rapado Dom Garcia, Vi .Dom Garcia rapado.. Vio tão abocetado, E tão por Que diffe logo antre mim; Eft'homem vem en- rim, gicanado. {{lema|A'BOFE'}}. form. adv. ant. O mesmo que: A boa fé. Vej. Fé. Git Vic. Obr. 1, 28 y Tenhoo eu por façanha, E não pequena, abofé. EUFROs. Prol. Abofé, eu me averia bem comvofco. ALBUQ. Comm. 2, 5 O Viforei lhe refpondeo, não fei ábofé, ferá como Deos quizer. {{lema|ABOFETADO, A}}. p. p. de Abofetar. Vir. 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VIT. CHRIST. 1, 61, 184 Efcarnecido, e abo- feteado, e crucificado. MONTEIR. Art. 14, 21 Sua real cabeça atravellada e magoada.com duros espinhos, faces cufpidas, rofto abofeteado, lingoa mirrada com fede. {{lema|ABOIADÓ, A}}. p. p. de Aboiar. ANDRAD. Chr. 3, 16. Cour. Dec. 12, 3, 2. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 18, -4; 9. {{lema|ABOIAR}}. v. a. Matinh. Atar ou prender com cordas o que fe lança fóra da embarcação, para que não vá ao fundo, e fe poja tornar a recolher. CASTANH. Hift. 8, 109 E mandando aboiar a artilharia, forão póftos fobre ella os maftos e vergas dos navios. BARR. Dec. 4, 4, 18 Mas a gente fe falvou com a artilharia toda, fómente hum balilifco, que aboidrão, e depois o vierão tirar &c. Cour. Dec. 12, 6, 2 E tão refoluto eftava nifto, que mandou metter o dinheiro, as efpingardas, e munições cm pipas, e quartos, e aboiar tudo com viradores grof- fos e fortes, pera o tempo da neceflidade. Neutr. Com pron. peff. ou fem elle. Surgir, vir ao cimo d'agoa. VIEIR. Serm. 3, 14, 4. n. 590 Ao ter- ceiro dia [depois do diluvio ] começarão a aboiar os cor- pos mortos, e furgir. 8, 48 Allim como fe vai def- 1 fazendo o fai com a agoa, aflim vão furgindo, e fe vão aboiando as cortiças pouco a pouco. {{lema|ABOIZ}}. s. f. Armadilha para a caça de coclhos paffaros &c. formada de huma vara mettida no chão e dobrada, com hum laço, em que ella fica preza. DESCOBR. DA FRO- LID. 119 E em Auricamque the enfinárão os Indios co- mo lhe armavão aos coelhos] que era com aboizes grof- fas, que lhe alçavão os pés do chão. {{lema|ABOLAR}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Abollar. {{lema|ABOLEIMADO, A}}. adj. Efpalmado, chato. Tomada a metaphora dos bolos de foborralho, que são muito cha- tos. BLUT. Vocab. Met. Groffeiro, bôto, rombo. Das peffoas e do cf- pirito. BLUT. Vocab. {{lema|ABOLETADO, A}}. p. p. de Aboletar. {{lema|ABOLETAR}}. v. a. Milic. Repartir pelas cafas, para nellas ferem agafalhados e bofpedados, por força de hum efcrito, a que chamão bolêto. Os foldados ou gente de guerra. BLUT. Vocab. {{lema|ABOLIÇÃO}}. s. f. Acção e effeito de abolir. PINT. RIB. Luftr. 3, 95 De que inferem, que geralmente fe póde dizer, que a abolição ou filencio do crime, fe não deve de conceder, fem primeiro o offendido dar feu confenti- mento. VIEIR. Cart. 2, 57 A total abolição dos refgates e entradas ao fertão, deve fer o primeiro alicerce defte edificio, para que Deos o favoreça e profpere. M. FER- NAND. Alm. 3, 3, 2. n. 66. p. 735 De muitos modos com tudo aproveita a efmóla feita pelo peccador, pera abolição do peccado mortal. {{lema|A BOLINA}}. form. adv. Vej. Bolina. {{lema|ABOLINADO, A}}. p. p. de Abolinar. PIMENT. Art. 2, .. 20, 102. {{lema|ABOLINAR}}. v. n. Marinh. Andar á bolina. CASTANH. Hift. .7, 95 Em amanhecendo foife Chriftovão de Soufa em bufca dos imigos, indo abolinando ao longo da terra com o terrenho. BARR. Dec. 3, 3, 8 Cuidando Chriftovão de Soufa, que efta caravéla lhe ficava atraz, por não fer boa pera abolinar no tempo, que a levou ao longo da cóf ta. MARINH. Difc. 15, 117. Arribárão huma [galeota] a Goa, e outra a Chaul, por não poderem abolinar, e aguardar os norocftes. {{lema|ABOLIR}}. v. a. pouc. uf. Annullar, revogar, extinguir por em total defufo. Dizfe principalmente a refpeito de leis, e coftumes. Do Lat. Abolere. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 181 Não quero ó Sacerdotes Judaicos, voffos facrificios, que em breve abolirei. {{lema|ABOLLADO, A}}. p. p. de Abollar. Mos. Palm. 1, 9. CASTR. Ulyff. 8, 8;. TELL. Hift. 3, 28, 280. {{lema|ABOLLAR}}. v. a. Amolgar, amaffar com golpe alguma pe- ca de metal de modo que lhe faça na fuperficie alguna concavidade, e clevação pela parte oppofta. De Bollo, voz Caftelhana, que fignifica contusão, ou concavidade, que fe faz em forma de bexiga em alguma coufa de metal, ou femelhante materia flexivel, dandolhe grande golpe fem a quebrar. Mox. Palm. 1, 27 Com tamanha panca- da, que lhe abollou o climo por algumas partes. CAM. Luf., 51 Mas o de Lufo, amnez, couraça, e malha Rompe, córta, desfaz, abolla, e talha. CORR. Conim. diz: He propriamente Abollar, amolgar, e desfazer, c nefta fignificação fe póe aqui, e affi usão defta palavra os que entendem bem a lingoa Portugucza. Toscan. Parall. 84 Porém Rui da Silva o efpremco entre os bra- ços com tão estranha força, que lhe fez faltar os olhos, c lingoa fóra, abollandolbe, como cera, as armas, c mettendolhas por dentro. {{lema|ABOLORECER}}. v. n. Crear bolor, fazerfe lolorento. A- VELL. Report. 3, 45 Pão vindo do forno, aberto, e pofto ao fereno, fe fe abolorcce de noite &c. {{lema|ABOLORIO}}. s. m. antiq. Afcendencia. De Abô, ant. Avô. CANCION. 99, z Alli vos trouxerão, hu font congrega- dos Todolos corpos de voflo abolorio, Durante o mundo ferá mui notorio A grande memoria dos hi fc. pultados. {{lema|A BOMBORDO}}. fórm. adv. Vej. Bombordo. {{lema|ABOMINAÇÃO}}. s. f. Acção de abominar. Sous. Hift. 1, 1, 11 Humas efcólas, donde fe ouviffem vozes conti- nnas, que eftiveffem retinindo nas orelhas do povo, ora com louvores de Deos, ora com brádos, e clamôres em abominação dos vicios, e peccados. L. ALv. Serm. 2, 4, 2. n. 5 Huma contrição fina com abominação de todos os peccados commettidos. A mesma coufa, que fe abomina; ou crime, impieda- de, peccado abominavel. BARR. Dec. 1, 6, 3 E por fer [náo] mui grande, e fegura, forão nella muitos Mou- ros honrados em romaria á fua abominação de Méca. Luc. Vid. 1, 12 Luz tão neceffaria pera deixarem as abominações de Mafamede. HEIT. PINT. Dial. 2, 5, I Nos proverbios diz Salomão: Abominação de Deos são mãos pensamentos, Epith. Defoladora. SERR. Difc: 1, 123. Detcfta- vel. L. BRAND. Medit. 1, 4, 7. P. 351. Efcandalofa. Luc. Vid. io, 2. Execranda. TELL. Hift. 6, 34, 635. Feia. Luc. Vid. 10, 17. Horrenda. ESPER. Hift. 2, 11, 12. n. 6. Impia. ARR. Dial. 1, 15. Nefanda. CALV. Homil. 1, 640. Sacrilega. ESPER. Hift. 2, 11, 43. n. 1. Torpe. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 6. {{lema|ABOMINADO, A}}. p. p. de Abominar. SANT. Ethiop. I, 3, 1. SA' DE MEN. Mal. 1, 51, VIEIR. Serm. 7, 12, 13. n. 433- {{lema|ABOMINANDO, A}}. adj. O mesmo que Abominavel. Do Lat. Abominandus. ANDRAD, Cerc. 6, 26, 1 Traz efte abominando, enorme feito Se apparelha para outro mais enorme. TELL. Chr. 1, 2, 29. n. 6 Por lhe estranha- rem fua abominanda fenfualidade. CARDOS. Agiol. 2, 204 E para que os matadores fe não gloriaffem de tão nefan- do, e abominando feito &c. {{lema|ABOMINAR}}. v. a. Deteftar, ter horror, aborrecer, repro- var. Do Lat. Abominari. BARR. Dec. 1, 10, 6 O que elles mais abominavão, era fer elle caufa. de os Cafres leva- rem tantos Mouros cativos. CRUZ, Pocf. Vid. de S. Cath. 19 Devias defiftir de teus enganos, Falfas fuperftições abominando Deffes teus falfos Deofes condenados. BRIT. Mon. 1, 3. c. 10 Além de abominar publicamente o que feu irmão fizera entre os foldados. {{lema|ABOMINAVEL}}. adj. de huma term. Deteftavel, digno de grande odio, e aversão. Do Lat. Abominabilis. GALY. Chr. 31 Depois de limpa, e mundificada [a mefquita] das abominaveis ceremonias, que ahi crão feitas da feita de Mafamede. CAM. Luf. 7, 47 Veemfe abominaveis cf- culturas. Cour. Dec. 4, 7, 7 Porque o porco he mui- to abominavel a elles. {{lema|ABOMINAVELMENTE}}. adv. mod. Por modo abomina- vel. CATHEC. ROM. 293 Porém muito mais fe offendem elles, quando abominavelmente çujão o animo com odio. CART. DE JAP. 1, 211, 4 Eftão. ahi cinco mil Bonzos, e vivem muito abominavelmente. CuAo. Obr. 2, 18 Pe- quei, fiz mal, abominavelmente pequei, pois vos offcn- di, defviandome da voffa lei. {{lema|ABOMINAVILISSIMO}}, A. fuperl. de Abominavel. GRAN. Comp. 2, 7 {{lema|ABOMINOSO, A}}. adj. ant. O mefmo que Abominavel. CAM. Luf. 10, 47 Não ferá a culpa abominofo inceflo. Superfticiofo. Cour. Dec. 5, 6, 4 E são nifto táo abominofos, que já fe aconteceo chegarem muitos ao ex- tremo da vida, fó por não rocarem no comer do outro. {{lema|A BOM RECADO.}} fórm. adv. Vej. Recado. {{lema|A BOM TEMPO}}. form. adv. Vėj. Tempo. {{lema|ABONAÇÃO}}. s. f. Approvação, acção de qualificar por boa alguma pelloa, ou coufa. BARR. Dec. 3, 5, 7 Porque além deftas razões derão elles outras em abonação da grandeza, e eftado do feu Principe. Sous. Hift. 1, 1, 19 E defde logo lhe mandou paffar huma provisão ge- ral pera feus Reis, em particular abonação é recommendação<noinclude></noinclude> fa6nvea87qa43whf3i19twza0wdinmj Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/234 106 254952 556490 2026-07-27T13:21:25Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: dação de fua peffoa. VIEIR. Serm. 1, 7, 8. col. 535 Quantas vezes com abonações falfificadas fe roubáo os premios ao benemerito, e triunfa com elles o indigno? Prerogativa, ou final, com que alguem fe abona, c fe faz digno de estimação. ARR. Dial. 4, 28 Tendo tantas caveiras, e mortes pera contas, que por devação, ou abonação levais ao pefcoço. FR. F. BRAND. Oraç. Fu- nebr. 19 De tempo bem antigo foi a fobrevefte, ou ca- faca vermelha... 556490 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>dação de fua peffoa. VIEIR. Serm. 1, 7, 8. col. 535 Quantas vezes com abonações falfificadas fe roubáo os premios ao benemerito, e triunfa com elles o indigno? Prerogativa, ou final, com que alguem fe abona, c fe faz digno de estimação. ARR. Dial. 4, 28 Tendo tantas caveiras, e mortes pera contas, que por devação, ou abonação levais ao pefcoço. FR. F. BRAND. Oraç. Fu- nebr. 19 De tempo bem antigo foi a fobrevefte, ou ca- faca vermelha abonação de nobre independencia, e de animos alheios da vileza do intereffe. L. BRAND. Medit. 1,1, 34. p. 219 Porque obedecer, ainda em o mais cuf- tofo e arrifcado, he credito, e abonação da pelloa, que fe fujeita ao preceito divino. Obrigação de quem afiança, ou fe conftitue fiador de alguem. Atlim fe diz: Carta de abonação, efcrito de abonação, &c. No propr. e met. CALV. Homil. 1, 62 Como a formofura feja carta de abonação, quiz Deos com a muita, que lhe deo, abonar a leu fervo. FEO, Tr. 1, 62, 1 E fora neceffario a hum Anjo levar hum eferito de abonação de como procedia bem comvofco, como cá fazeis aos creados, que defpedis, para que ou- trem fe firva delles.. Obrigação de quem afiança, ou abona o fiador. BARR. Viciof. Verg. 20 Aqui empreftimos, fianças, abonações té leixar os filhos por portas. {{lema|ABONADISSIMO, A}}. fuperl. de Abonado. F. DE MEN- Doç. Serm. 2, 103, 12. {{lema|ABONADO, A}}. p. p. de Abonar. BARR. Dec. 3, 9, 1. FERR. DE VASC. Ulyflip. 2, 3. BRIT. Mon. 1, 2. tit. 5. Ufafe como adj. Que não tem nullidade alguma, das que prefereve o Direito. E aflim fe diz: Prova abonada, teftemunha, ou teftemunho abonado. No propr. e mer. LOB. Cort, 12, 112 A conto [a jomada] diante de tão abo- nadas teftemunhas. L. ALv. Serm. 2, 8, 1. n. z Mais abo- nada prova temos em Chrifto. ESPER. Hift. 2, 12, 6. n. 1 Cujo teftemunho he muito mais abonado, que &c. Abonado. Que tem bens, e cabedaes. ORDEN. DE D. MAN. 1, 67 Em quanto o juiz achar parente do orfão abonado pera fer tutor, nom conftrangerá o que nom for abonado, pofto que feja parente mais chegado em gráo, que o aboñado. Cour. Dec. 4, 8, 5 E the efcreveffe toda fua fazenda, que viria entregue em mãos de peffoas abonadas. Leão, Report. 48 Fiança, que dão os deve- dores, a que elRei da efpaço, ainda que fejão abonados. Fiador abonado. Aquelle, que tem bens fufficientes para fatisfazer o que afiança. No propr. e met. ORDEN. DE D. MAN. 1, 67 Dará fiador abonado ao juiz. HEIT. PINT. Dial. 2,3, 11 Que paffaffe huma certa contia de dinheiro, em que o condenavão, ou déffe fiadores abonados. VIEIR. Serm. 7, 13, 8. n. 470 Parece que não eftava máo o fen- tido do enigma. . . fe tiveffe fiador. Eu o tenho, e mui- to abonado. Fiança abonada. A que dá o fiador abonado. Tam- bem no propr. e met. ANDRAD. Chr. 4, 72 E para os provar, lhe tomaffe fiança abonada, e fegura. ESTAT. DA UNIV. 4, 9, 3 Dando fianças abonadas, conforme a eftes eftatutos. M. BERN. Serm. 1, 7, 9 Não he abona- da a fiança de Chrifto. {{lema|ABONADOR, ORA}}. adj. Que abona. Fr. F. BRAND. Mon. 5. Ded. Concurrencia abonadora de fer V. M. Liberta- dor e Reftituidor dado por Deos. SERR. Difc. 1, 5 Ella [refpofta] foi fempre o efcudo de prova, de fua innocen- cia e abonadora fiel de fuas obras. {{lema|ABONADOR}}. s. m. ORA. s. f. O que, ou a que abona, approva, dá por boa alguma coufa. TELL. Chr. 2, 4, 3. n. 6. Os procedimentos da Companhia... tinhão taes abo- nadores. SEVER. Prompt. 185 Defte modo he Deos . . . abonado com tantos abonadores, quantas são as creaturas do univerfo. M. BERN. Floreft. 3, 5, 217, B Defta tra- dição antiga traz o celebre Annalifta Lezana por abona- dores a Jofé Antiocheno, Jodoco Clitoveo, &c. Que fe obriga a pagar, faltando o fiador á fua obrigação; fiador do fiador. REGIM. DA FAZEND. 159, 63 E aquelles, que nom teverem bens, e fazendas... fe- rom prefos até havermos todo o em que nos forem de- vedores, e obrigados per elles, e pelos bens de feus fiadores, e abonadores. LEIS EXTRAV. 5, 5, I E da prisão fe faça execução em fuas fazendas, e de, feus fia- dores, e abonadores. ORDEN. DE D. PEDR. I, 10, 15 Jufticas, e officiaes, que conhecem dos feitos da fazen- da da Univerfidade de Coimbra; entre a dita Univerſida- de, e os rendeiros, e recebedores, fiadores, e abo- nadores de fuas rendas. Met. M. BERN. Paraif. 1; 12 E de huma; e outra coufa tenho por abonador o Evangelho. CuRv. Tr. da Peft. 5, 24 Defta verdade he abonadora a experiencia. {{lema|ABONANÇA}}. s. f. antiq. O mefino que Bonança. JER. CAR- DOS. Dict. {{lema|ABONANÇAR}}. v. a. Marinh. Socegar, ferenar, aplacar.. Cour. Dec. 7, 8, 1 Fazendolhe (Deos] mercè de lhe abrandar os ventos, e abonançar os mares. Neutr. Serenarfe, ceffar a tormenta, fazerfe o tem- po bonança. Com pron. peff. ou fem elle. CASTANH. Hift. 6, 55 E fe deixou eftar até o outro dia que abonanfaffe o tempo. TAVOR. Hift. 336 Da Ilha da Madeira por diante fe abonançou o tempo. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 10, 290 Defde o mefmo dia defte vóto começou logo a tor- menta a abrandar, e abonançar a tempeftade. {{lema|ABONAR}}. v. a. Dar por bom, approvar, acreditar alguem; attribuindolbe boas qualidades. "BRIT. Mon. 1, 2. c. 23- Os Hiftoriadores Romanos, por abonar fua gente, cortão ás vezes pela eftranha. ARR. Dial. 1, 23 Não fe póde juftificar, nem abonar o homem comparado com Deos. PAEZ, Serm. 1, 7 Quando Ifac... quiz abonar feu fi- lho Jacob de verdadeiro, dixe &c. As coufas. BARR. Dec. 2, 6, 9 A fim de abona- rem a maldade, que commettèrão. SEVER. Difc. 126 Lou- vando, e abonando feu engenho em muitas partes dos feus Lufiadas. PINT. RIB. Rel. 3, 4 Nem he culpa abo- nar huma peffoa fuas partes, quando a neceffidade a obriga. Provar, fazer certo. BRIT. Chr. 3, 28 Duqueza, pouco he o amor, que tanto abonaftes na vida. FR. BER- NARD. DA SILV. Défenf. 2, 42 Tanto mais, que pera abonar nofla doutrina, bafta o Apoftolo S. Paulo. Fro, Tr. 2, 75, 2 Deos noffo Senhor com os milagres da paciencia aboncu os do poder.. Commerc. uf. Levar em conta, affentar no livro dé receita o que fe recebeo à conta de maior quantia. Afiançar, e fazer bom o pagamento na falta de ou- tro. No propr. met. BRIT. Chr. 2, 424 A túdo lhe abonou o Santo fua palavra, e prometteo de na noite feguinte lhe trazer feguro, e confirmação do que am- bos capitulárão. VIEIR. Serm. 8, 181 Abonando efta pro- meffa com as mefmas lagrimas. M. BERN. Floreft. 5 4y 60, C Quando a acção abona a palavra, penetra a pala vra o coração. Com pron. peff. Prezarfe, gloriarfe, jactarfe, BARR Viciof. Verg. 9 A'cerca da arte, que folgarias faber, querome eu abonar comtigo. CAM. Luf. 10, 9 A fortu- na ne faz o engenho frio, Do qual já não me jacto, hem me abono. Paiv. Serm. z, 138 Não he lingoagem de Chriftão abonarfe hum homem polos males, que não faz. Abonarfe a alguma coufa. Segurarfe, ou prometter- fe capaz de a fazer. BRIT. Mon. 1, 3. c. 17 Abonando- Je a moftrar em todas as coufas, que fuccedeffem, quan- to conhecimento tinhão de femelhantes mercês. {{lema|ABONDAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Abundar. {{lema|ABONO}}. s. m. O mefimo que Abonação. CEIT. Serm. 1, 240, 4 E por mais que a lafciva mulher o tranftornou pera lhe cortar a cabeça, não lhe pôde tirar da fua boc- ca o abono, e louvor de fua virtude. PINT. RIB. Rel. I, I Levando em feu abono o bom credito de voffa Ma- geftade. CARDOS. Agiol. 1, 148 Cujos óffos. . . forão achados mui alvos e cheirofos, em abono de fua virtude. Mufic. He quando huma falfa vem a ter o lugar de outra voz. MAN. NUN. Art. 28 Defculpa, ou abono de ligadura, que he efpecie imperfeita, e fechar a claufu- la, que fera fempre efpecie perfeita. Abonos. pl. Tentos, que fe repartem igualmente pelos jogadores, no principio dos jogos acafcarrilhados. no propr. e met. ACAD. DOS SING. 2, 4. Silv. O jogo perderáo nunca os abonos. {{lema|ABORÇAR}}. v. a. Bolçar o leite. Das crianças. BLUT. Vocab. {{lema|A BORDA}}. fórm. adv. Vej. Bórda. {{lema|ABORDADO, A}}. p. p. de Abordar. Cour. Dec. 5, 5, 9. MEND. PINT. Peregr. 163. {{lema|ABORDADOR}}. s. m. O que aborda. BLUT. Vocab. {{lema|A BORDO}}. fórm. adv. Vej. Bordo. {{lema|ABORDAR}}. v. a. Chegar ao bordo de alguma embarcação; Reg. alg. c. ou com alg. c. De Bordo. ANDRAD. Chr. 4,79 Laeximena vendo , que trabalhava em vão por abordar com a caravella &c. LOBAT. Palm. 6, 21 Por- que chegando a fufta a abordar com a galé &c. D. FERN. DE MEN. Hift. 3, 117, 240 Com muita gente armada a enveftirão, e abordárão a caravella] por duas partes. {{lema|ABORDAR}}, v. n. Chegar d praia, on borda do mar ou rio.<noinclude></noinclude> qqm130apjcejqc4t2ck0ttyoboyri9a Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/235 106 254953 556491 2026-07-27T13:24:13Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: rio. De Borda. Reg. abf. em, ou com alg. c. LOBAT. Palm. 5, 14 proprio mar os lançou em huma lar- ga, e eftendida praia onde abordou o pequeno batèl. MAUS. DE CASTELBR. Vid. 2, 21 E trifte porque tão de- preffa aborda Do morto mar na cófta do receio. BRIT. Mon. 2, 5. c. 6. Hum barco que em pouco efpaço, abordou com terra dentro no porto. Met. act. Abordar alguma coufa, ou huma coufa com outra. Chegarfe ou chegalla a ella. PINT. PER. Hi... 556491 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>rio. De Borda. Reg. abf. em, ou com alg. c. LOBAT. Palm. 5, 14 proprio mar os lançou em huma lar- ga, e eftendida praia onde abordou o pequeno batèl. MAUS. DE CASTELBR. Vid. 2, 21 E trifte porque tão de- preffa aborda Do morto mar na cófta do receio. BRIT. Mon. 2, 5. c. 6. Hum barco que em pouco efpaço, abordou com terra dentro no porto. Met. act. Abordar alguma coufa, ou huma coufa com outra. Chegarfe ou chegalla a ella. PINT. PER. Hift. 2, 23, 63 Chegavãofe os Mouros já então muito, quafi abordando feus vallos, e trinchêas com as eftancias de Fernão Telles. Cour. Dec. 5, 3, 10 Pera mais á fua vontade abordarem o caftello. Com pron. peff. DESCOBR. DA FROLID. 82 Refifti- rão [os Indios] o que puderão, té os Chriftãos chegarem junto delles : e vendo que a piragoa hia s'abordar em terra, fugirão por huns canavereaes. [Efcreve çabordar nefte lugar; e affim mefmo em outro 172.; mas prova- velmente he erro. {{lema|ABORDOAR}}. v. n. Firmarfe ou encoftarfe em bordão. MA- RINH. Doutr. 12 Lhes fação calar, arvorar, abor- doar, e abater as picas. FEST. NA CANON. 194 Viafe alli outra dança de romeiros, que com feus habitos, e éfclavinas, chapéos pardos com vieiras, bordocs de pão preto na mão, abordoando todos a la una, dançavão mui gravemente. {{lema|ABORELECER}}. v. n. Vej. Abolorecer. BARBOS. Dict. {{lema|ABORRECEDOR, ORA}}. adj. Que aborrece. PAIV. Serm. 3, 187 Infundi dentro em minhas entranhas hum efpi- rito direito, amador de voffa lei, e avorrecedor de meus antigos defatinos. PINT. RIB. Injuft. Succeff. 1, 62 Cou- fa ordinaria entre confinantes fempre entre fi contrarios, c aborrecedores de fe verem fujeitos a leis alheias. VIEIR. Serm. 6, 7, 3. n. 202 Hum Rei tão amante dá juftiça, e táo aborrecedor da defigualdade, neceffariamen- te havia de fer o que foi. {{lema|ABORRECER}}. v. a. Ter odio, e aversão. Do Lat. Abhor- rere. Ant. Avorrecer. BARK. Paneg. 56, 333 O homem, por fer creado á imagem e femelhança de Deos, natu- ralmente aborrece as coufas feias. PAIV. Serm. 3, 13 Por- que julgando as coufas pelo que são, não fómente fe náo hão de avorrecer os inimigos, mas pódefe contar por dita têlos. Los. Ecl. 2 Oxalá que me envejárão, não que me aborrecerão. Adv. Altamente. ANDRAD. Cerc. 6, 26, 2. Extre- manente. M. BERN. Floreft. I, 1, 2, B. Fortemente. D. CATH. INF. Regr. 1, 4. Furiofamente. VIEIR. Serm. 11, 13, 2. n. 553. Gravemente. LIMP. Fug. 6, 9, 189. col. 1. Internamente. ALV. DA CUNH. Efcól. 15, 5. Inti- mamente. FR. THOM. DA VEIG. Confid. 1, 22, 2. n. 2. Intenfiffimamente. M. BERN. Floreft. 3, 3, 65, B. Mor- talmente. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 243. De morte. L. ALV. Serm. 2, 5, 3. n. 7. Sobre maneira. LiSB. Jard. a alg. FERR. Brift. 1, 3. Fazer.. a alg. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 192. Gerar... Paiv. Serm. 2, 255- Grangear o... de alg. VIEIR. Serm. 7, 12, 13. n. 436. Por alg. em... FERNAND Palm. 3, 18 a alg... de alg. c. GRAN. Comp. 1, z. Ser em... por alg. c. (fer por ella aborrecido.) VIT. CHRIST. 3, 116. y. Sentir... L. ALv. Amor, Prol. Ter... a alg, ou a alg. c. BARR Dec. 4,8,9. Tomar... a alg. ou a alg. c. CASTANH. Hift. 2, 30. Trazer... (caufalo.) Azur. Chr. 3, 91. ABORRECIVEL. adj. de huma term. Odiofo, digno de fer aborrecido. PAIV. Serm. 3, 42 Fizeftes que até os vof- fos ferviços foffem aborreciveis. BRIT. Mon. 2, 6. tit. 4 Mas governoufe tão mal no temporal e efpiritual, que vêo a fer aborrecivel a Deos. VIEIR. Serm. I, 3.7. col. 215 Mas Chrifto defejado por faudades, até a união de feu proprio corpo lhe faz aborrecivel. {{lema|ABORRECIVELMENTE}}. adv. mod. Odiofamente, com. aborrecimento. BENT. PER. Thes. {{lema|ABORRIDAMENTE}}. adv. mod. Triftemente. BENT. PER. Thes. E tão {{lema|ABORRIDO, A}}. p. p. de Abortir. Reg. de, ou a. Vir. CHRIST. 2, 26, 77 Som juras feas e aborridas ao ou- vido. CANCION. 34, 3 Oh que dias tão perdidos, minguados, E de mim mefmo perfeguidos, E aborri- dos. CORT R. Cerc. 10, 145 Lentas calmas penofas e avorridas. Ufafe como adj. Defcontente, defgoftofo. CEIT: Serm. 2, 11, 1 Em fim não tinha o mundo mais ainda que a fegunda idade, ... e já tinha crefcido de manei- ra, que aborrido Deos de tanto e táo máo mundo man- dou o diluvio. Agaftadiço, rabugento; que de fi mefmo fe aborre- ce, e de qualquer coufa fe enfada e defgofta, como os doentes, velhos, e meninos. EUFKOS. 2, 7 Inda não estou tanto no cabo, lá vem os aborridos cincoenta annos, leixaime agora lograr dos vinte. Sous. Hift. 1, 2, 14 Agora hia mudo, carregado e aborrido. TELL. Hift. 5, 33, 490 Acharão o Emperador de cama, trifte, pcnfa-- tivo, e mui aborrido. {{lema|ABORRIR}}. v. a. pouc. uf. Aborrecer. MATT. Jeruf. 8, 66 Senhor, diz, tu, que fabes, que a conquifta Do ci- vil fangue, a minha dextra aborre. BARRET. Eneid. 12, 120 E o mancebo Menetes, que aborria A guerra em vão &c. {{lema|ABORRIVEL}}. adj. de huma term. pouć. uf. Aborrecivel; deteftavel, abominavel. CEIT. Serm. 2, 14, 3 E não bàf- tão tantas virtudes para fazer aquelle Farifeo amavel; antes aborrivel. MEDEIR. Perf. Sold. 44, 14 E pelo con- trario o defcomedimento odiofo e mui aborrivel. M. FER- NAND. Alm. 33,5.n. 220. p. 648 Santa Catharina Genu- enfe, depois de ver huma vez no demonio, difle, que The fora aquella vifta intoleravel, não por medo, que tiveffe do demonio, imas por huma repugnancia aboi ri- vel, que caufava. 560eutr. Caufar odio, fer aborrecivel. Cax. Ecl. 9, {{lema|ABORSO}}. s. m. O mesmo que Aborto. CART. DE JAP. 1; I A vida me aborrece, a morte quero. ARR. Dial. 9, 17 Então começamos a fentir quão grande mercè efta foi, quando elles peccados nos começão a aborrecer. Sous. Vid. 2, 1 Aborrecialhe a Igreja ] em quanro lhe pare- cia, que o cuidado della lhe tirava entregarfe a Deos. Com pron. peff. O mesmo que Aborrecer. act. Reg. de alg. ou de alg. c. Sous. Hift. 2, 1, 18 Aborreciaje muito dos negocios temporaes. Adag. Crefce, e aborrece. D. F. MAN. Cart. 2, 18 Crefceis, e não aborreceis. {{lema|ABORRECIDAMENTE}}. adv. mod. Odiofamente. BENT. PER. Thes. {{lema|ABORRECIDO, A}}. p. p. de Aborrecer. FERR. Poem. Ecl. 6. MOR. Palm. 2, 118. VIEI. Serm. 7, 5, 2. n. 136. 2 {{lema|ABORRECIMENTO}}. s.m. Odio aversão. MOR. Pálm. 1, 169 E a batalha fez mais por aborrecimento, que lem- brança da victoria. CAM. Ecl. 4, 17 Tal aborrecimento Merece hum capital teu inimigo. BRIT. Mon. 2, 6. c. 21 Acabou feus dias em aborrecimento, e defprézo de todos. Epith. Capital. CART. DE JAT. 1, 208, 1. Cruel. ESPER. Hift. 2, 6, 4. n. 1. Entranhavel. FR, BERNARD, DA SILV: Defenf. 1, 35. Eftranho. BARRET. Flos Sanct. 2, 35, 2. Intrinfeco. PAEZ, Serm. 2, 123, 3. Sobrena- tural. L. ALv. Amor, 3. 92, 4.Neftes mofteiros fe commettem muitos aborfos c homicidios. CEIT. Serm. I, 163, 2 Por ventura cuidaria o mundo feria o Baptifta fete mezinhos, ou náfcido de aborfo. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 15. n. 27 Outro erro de Ariftoteles fazer licito o aborfo. Met. VIEIR. Serm: 10. do Rof. 30, 5, 550 Os fructos são os partos das flores, e as flores, que não chegão a efte parto, são aborfos. M. BERN. Luz e Cal. 1, 1, 5 Nefte cafo o tal propofito cofre perigo de pa- decer aborfo. {{lema|ABORTADO, A}}. p. p. de Abortar. PALAC. Summ. 311 : D. G. COUTINH. Jorn. 40 y. VIEIR. Voz. 15, 10, 3. P. 317. {{lema|ABORTAR}}. v. a. Mal parir, parir antes do tempo, que a natureza determinou para a maturação do féto. Dizfe mais propriamente na mulher dos tres mezes da concepção até aos fete. Do Lat. Abortare. D. GASP. DE LEÃO, Cart. 2, 15 Nunca abortou mulher do cheiro da carne fanra. PALAC. Summ. I Voluntariamente abortar he peccado de homicidio. Sous. Hift. 1, 6, 7 Foi parecer dos Medi- cos, que morreria do mal, fenão procuraffe abortar a creatura. Mér. M. Txost. Inful. 1; 106 Males, que aborta a baixa natureza. VIEIR. Setm. 4, 15, 4. n. 550 Accom- modãofe á gente mais fem entendimento e fem difcut- fo de quantas creou, ou abortou a natureza., Act. e neutr. met. Mallograr, ou mallograrfe, não ter effeito, BLUT. Vocab. no act. Verb. Accender fe em.. BRIT. Chr. 3, 11. Cabir em o de alg. PARAD. Art. 3, 20, 162. col. 4. Co- brar D. BASIL. DE FAR. Vid. 3. Conceber... CUNж. Catal. 2, 19. Crear... Sous. Hift. 1, 2, 33. Deixar... {{lema|ABORTIVO, A}}. adj. Nafcido de aborto, on fóra de tempo.<noinclude></noinclude> raofjrtwuywdticm8zf686ekhnbc2pp 556492 556491 2026-07-27T13:26:22Z MLReis 41056 556492 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>rio. De Borda. Reg. abf. em, ou com alg. c. LOBAT. Palm. 5, 14 proprio mar os lançou em huma lar- ga, e eftendida praia onde abordou o pequeno batèl. MAUS. DE CASTELBR. Vid. 2, 21 E trifte porque tão de- preffa aborda Do morto mar na cófta do receio. BRIT. Mon. 2, 5. c. 6. Hum barco que em pouco efpaço, abordou com terra dentro no porto. Met. act. Abordar alguma coufa, ou huma coufa com outra. Chegarfe ou chegalla a ella. PINT. PER. Hift. 2, 23, 63 Chegavãofe os Mouros já então muito, quafi abordando feus vallos, e trinchêas com as eftancias de Fernão Telles. Cour. Dec. 5, 3, 10 Pera mais á fua vontade abordarem o caftello. Com pron. peff. DESCOBR. DA FROLID. 82 Refifti- rão [os Indios] o que puderão, té os Chriftãos chegarem junto delles : e vendo que a piragoa hia s'abordar em terra, fugirão por huns canavereaes. [Efcreve çabordar nefte lugar; e affim mefmo em outro 172.; mas prova- velmente he erro. {{lema|ABORDOAR}}. v. n. Firmarfe ou encoftarfe em bordão. MA- RINH. Doutr. 12 Lhes fação calar, arvorar, abor- doar, e abater as picas. FEST. NA CANON. 194 Viafe alli outra dança de romeiros, que com feus habitos, e éfclavinas, chapéos pardos com vieiras, bordocs de pão preto na mão, abordoando todos a la una, dançavão mui gravemente. {{lema|ABORELECER}}. v. n. Vej. Abolorecer. BARBOS. Dict. {{lema|ABORRECEDOR, ORA}}. adj. Que aborrece. PAIV. Serm. 3, 187 Infundi dentro em minhas entranhas hum efpi- rito direito, amador de voffa lei, e avorrecedor de meus antigos defatinos. PINT. RIB. Injuft. Succeff. 1, 62 Cou- fa ordinaria entre confinantes fempre entre fi contrarios, c aborrecedores de fe verem fujeitos a leis alheias. VIEIR. Serm. 6, 7, 3. n. 202 Hum Rei tão amante dá juftiça, e táo aborrecedor da defigualdade, neceffariamen- te havia de fer o que foi. {{lema|ABORRECER}}. v. a. Ter odio, e aversão. Do Lat. Abhor- rere. Ant. Avorrecer. BARK. Paneg. 56, 333 O homem, por fer creado á imagem e femelhança de Deos, natu- ralmente aborrece as coufas feias. PAIV. Serm. 3, 13 Por- que julgando as coufas pelo que são, não fómente fe náo hão de avorrecer os inimigos, mas pódefe contar por dita têlos. Los. Ecl. 2 Oxalá que me envejárão, não que me aborrecerão. Adv. Altamente. ANDRAD. Cerc. 6, 26, 2. Extre- manente. M. BERN. Floreft. I, 1, 2, B. Fortemente. D. CATH. INF. Regr. 1, 4. Furiofamente. VIEIR. Serm. 11, 13, 2. n. 553. Gravemente. LIMP. Fug. 6, 9, 189. col. 1. Internamente. ALV. DA CUNH. Efcól. 15, 5. Inti- mamente. FR. THOM. DA VEIG. Confid. 1, 22, 2. n. 2. Intenfiffimamente. M. BERN. Floreft. 3, 3, 65, B. Mor- talmente. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 243. De morte. L. ALV. Serm. 2, 5, 3. n. 7. Sobre maneira. LiSB. Jard. a alg. FERR. Brift. 1, 3. Fazer.. a alg. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 192. Gerar... Paiv. Serm. 2, 255- Grangear o... de alg. VIEIR. Serm. 7, 12, 13. n. 436. Por alg. em... FERNAND Palm. 3, 18 a alg... de alg. c. GRAN. Comp. 1, z. Ser em... por alg. c. (fer por ella aborrecido.) VIT. CHRIST. 3, 116. y. Sentir... L. ALv. Amor, Prol. Ter... a alg, ou a alg. c. BARR Dec. 4,8,9. Tomar... a alg. ou a alg. c. CASTANH. Hift. 2, 30. Trazer... (caufalo.) Azur. Chr. 3, 91. ABORRECIVEL. adj. de huma term. Odiofo, digno de fer aborrecido. PAIV. Serm. 3, 42 Fizeftes que até os vof- fos ferviços foffem aborreciveis. BRIT. Mon. 2, 6. tit. 4 Mas governoufe tão mal no temporal e efpiritual, que vêo a fer aborrecivel a Deos. VIEIR. Serm. I, 3.7. col. 215 Mas Chrifto defejado por faudades, até a união de feu proprio corpo lhe faz aborrecivel. {{lema|ABORRECIVELMENTE}}. adv. mod. Odiofamente, com. aborrecimento. BENT. PER. Thes. {{lema|ABORRIDAMENTE}}. adv. mod. Triftemente. BENT. PER. Thes. E tão {{lema|ABORRIDO, A}}. p. p. de Abortir. Reg. de, ou a. Vir. CHRIST. 2, 26, 77 Som juras feas e aborridas ao ou- vido. CANCION. 34, 3 Oh que dias tão perdidos, minguados, E de mim mefmo perfeguidos, E aborri- dos. CORT R. Cerc. 10, 145 Lentas calmas penofas e avorridas. Ufafe como adj. Defcontente, defgoftofo. CEIT: Serm. 2, 11, 1 Em fim não tinha o mundo mais ainda que a fegunda idade, ... e já tinha crefcido de manei- ra, que aborrido Deos de tanto e táo máo mundo man- dou o diluvio. Agaftadiço, rabugento; que de fi mefmo fe aborre- ce, e de qualquer coufa fe enfada e defgofta, como os doentes, velhos, e meninos. EUFKOS. 2, 7 Inda não estou tanto no cabo, lá vem os aborridos cincoenta annos, leixaime agora lograr dos vinte. Sous. Hift. 1, 2, 14 Agora hia mudo, carregado e aborrido. TELL. Hift. 5, 33, 490 Acharão o Emperador de cama, trifte, pcnfa-- tivo, e mui aborrido. {{lema|ABORRIR}}. v. a. pouc. uf. Aborrecer. MATT. Jeruf. 8, 66 Senhor, diz, tu, que fabes, que a conquifta Do ci- vil fangue, a minha dextra aborre. BARRET. Eneid. 12, 120 E o mancebo Menetes, que aborria A guerra em vão &c. {{lema|ABORRIVEL}}. adj. de huma term. pouć. uf. Aborrecivel; deteftavel, abominavel. CEIT. Serm. 2, 14, 3 E não bàf- tão tantas virtudes para fazer aquelle Farifeo amavel; antes aborrivel. MEDEIR. Perf. Sold. 44, 14 E pelo con- trario o defcomedimento odiofo e mui aborrivel. M. FER- NAND. Alm. 33,5.n. 220. p. 648 Santa Catharina Genu- enfe, depois de ver huma vez no demonio, difle, que The fora aquella vifta intoleravel, não por medo, que tiveffe do demonio, imas por huma repugnancia aboi ri- vel, que caufava. 560eutr. Caufar odio, fer aborrecivel. Cax. Ecl. 9, {{lema|ABORSO}}. s. m. O mesmo que Aborto. CART. DE JAP. 1; I A vida me aborrece, a morte quero. ARR. Dial. 9, 17 Então começamos a fentir quão grande mercè efta foi, quando elles peccados nos começão a aborrecer. Sous. Vid. 2, 1 Aborrecialhe a Igreja ] em quanro lhe pare- cia, que o cuidado della lhe tirava entregarfe a Deos. Com pron. peff. O mesmo que Aborrecer. act. Reg. de alg. ou de alg. c. Sous. Hift. 2, 1, 18 Aborreciaje muito dos negocios temporaes. Adag. Crefce, e aborrece. D. F. MAN. Cart. 2, 18 Crefceis, e não aborreceis. {{lema|ABORRECIDAMENTE}}. adv. mod. Odiofamente. BENT. PER. Thes. {{lema|ABORRECIDO, A}}. p. p. de Aborrecer. FERR. Poem. Ecl. 6. MOR. Palm. 2, 118. VIEI. Serm. 7, 5, 2. n. 136. 2 {{lema|ABORRECIMENTO}}. s.m. Odio aversão. MOR. Pálm. 1, 169 E a batalha fez mais por aborrecimento, que lem- brança da victoria. CAM. Ecl. 4, 17 Tal aborrecimento Merece hum capital teu inimigo. BRIT. Mon. 2, 6. c. 21 Acabou feus dias em aborrecimento, e defprézo de todos. Epith. Capital. CART. DE JAT. 1, 208, 1. Cruel. ESPER. Hift. 2, 6, 4. n. 1. Entranhavel. FR, BERNARD, DA SILV: Defenf. 1, 35. Eftranho. BARRET. Flos Sanct. 2, 35, 2. Intrinfeco. PAEZ, Serm. 2, 123, 3. Sobrena- tural. L. ALv. Amor, 3. 92, 4.Neftes mofteiros fe commettem muitos aborfos c homicidios. CEIT. Serm. I, 163, 2 Por ventura cuidaria o mundo feria o Baptifta fete mezinhos, ou náfcido de aborfo. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 15. n. 27 Outro erro de Ariftoteles fazer licito o aborfo. Met. VIEIR. Serm: 10. do Rof. 30, 5, 550 Os fructos são os partos das flores, e as flores, que não chegão a efte parto, são aborfos. M. BERN. Luz e Cal. 1, 1, 5 Nefte cafo o tal propofito cofre perigo de pa- decer aborfo. {{lema|ABORTADO, A}}. p. p. de Abortar. PALAC. Summ. 311 : D. G. COUTINH. Jorn. 40 y. VIEIR. Voz. 15, 10, 3. P. 317. {{lema|ABORTAR}}. v. a. Mal parir, parir antes do tempo, que a natureza determinou para a maturação do féto. Dizfe mais propriamente na mulher dos tres mezes da concepção até aos fete. Do Lat. Abortare. D. GASP. DE LEÃO, Cart. 2, 15 Nunca abortou mulher do cheiro da carne fanra. PALAC. Summ. I Voluntariamente abortar he peccado de homicidio. Sous. Hift. 1, 6, 7 Foi parecer dos Medi- cos, que morreria do mal, fenão procuraffe abortar a creatura. Mér. M. Txost. Inful. 1; 106 Males, que aborta a baixa natureza. VIEIR. Setm. 4, 15, 4. n. 550 Accom- modãofe á gente mais fem entendimento e fem difcut- fo de quantas creou, ou abortou a natureza., Act. e neutr. met. Mallograr, ou mallograrfe, não ter effeito, BLUT. Vocab. no act. Verb. Accender fe em.. BRIT. Chr. 3, 11. Cabir em o de alg. PARAD. Art. 3, 20, 162. col. 4. Co- brar D. BASIL. DE FAR. Vid. 3. Conceber... CUNж. Catal. 2, 19. Crear... Sous. Hift. 1, 2, 33. Deixar... {{lema|ABORTIVO, A}}. adj. Nafcido de aborto, on fóra de tempo.<noinclude></noinclude> 3vemfc58x1ubg9o31paeabgdtk2xefq Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/236 106 254954 556493 2026-07-27T13:30:24Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: po. Do Lat. Abortivus. FR. MARC. Exerc. 55, 264 Não he vivo filho da graça, mas abortivo, infenfivel e mor- to. Los. Primav. 2, 3 Hum manchado çurrão da pel- le de hum abortivo novilho. M. BERN. Luz e Cal. 2, 3 334 Ficando tantos de fóra, como engcitados e abor- tivos. Met. FREIR. Vid. 2, 111 Nafcido de pais Chri- ftãos, perjurára a fé paterna, em que fora creado, co- mo fruito abortivo de Catholicas plantas. VIEIR. Serm. 11, 7, 5. n.... 556493 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude> po. Do Lat. Abortivus. FR. MARC. Exerc. 55, 264 Não he vivo filho da graça, mas abortivo, infenfivel e mor- to. Los. Primav. 2, 3 Hum manchado çurrão da pel- le de hum abortivo novilho. M. BERN. Luz e Cal. 2, 3 334 Ficando tantos de fóra, como engcitados e abor- tivos. Met. FREIR. Vid. 2, 111 Nafcido de pais Chri- ftãos, perjurára a fé paterna, em que fora creado, co- mo fruito abortivo de Catholicas plantas. VIEIR. Serm. 11, 7, 5. n. 305 E porque foi abortivo S. Paulo...abor- tivo Paulo e abortivo Eftanislão; Paulo da primeira com- panhia de Jefus, Eftanistão da fegunda. Met. Mallogrado, fem effeito, ou com máo fucceffo. ALV. DA CUNH. Efcól. 11, 8 Raras vezes são as victo- rias tão feguras, que hum defordenado appetite, bem que de jufta vingança, as não poffa tornar abortivas. {{lema|ABORTIVO}}. s. m. ant. O mefino que Aborto. FR. MARC. Chr. 2 6, 26 Reffufcitou hum abortivo, e criança morta. ARR. Dial. 1, 21 E o peor he, que os boccados compoftos, que poc certo termino ás noifas vidas, el- les Medicos os enfinão, e dos movitos e abortivos são confelheiros. Met. Cunn. Hift. de Brag. 1, 113, 451 Promet- tivos logo mandar efte parto, ou para melhor dizer, abortivo. {{lema|ABORTO}}. s. m. Movito, parto antes de tempo. MARIZ, Dial. 4, 15 As mulheres pejadas fazião aborto. LOB. Defeng. 14 E a mulher prenhe, que a bebe [a agoa] conferva o parto fem por nenhum cafo ou fucceffo fazer aborto. MADEIR. Meth. 1, 49 Camaras continuas, que em mulher prenhada ameação aborto. Creatura nafcida antes do tempo. VirLL. BOAS, No- biliarch. 3 Condenando pela infelicidade daquelles a me- moria de tão peftiferos abortos. M. FERNAND. Alm. 1, 1, 4. n. 52 Acontece algumas vezes pela lafcivia e defor- dem dos pais com penfamentos brutaes na conceição, nafcerem monftros, prodigios, abortos, e outras coufas. Met. Coufa monftruofa, defeituofa, imperfeita. ALv. DA CUNI. Efcól., 18, 2 O genio deftes abortos da licen- ciofa fortuna, o expreffou palliadamente o Emperador Ma- ximiano. Aborto da natureza. Exprefsáo proverbial em boa e má parte. Peffoa de prodigiofo talento on de extra- ordinaria maldade; ou coufa rara e cftupenda. ARAUJ. Succeff. 1 Quartel foi de Decio Bruto, que he fitio monftruofo, aborto da natureza; quem já mais vio ou tro tal M. BERN. Floreft. 2, 4, 157 B E efte aborto da natureza não convinha à Republica. {{lema|ABOTOADEIRA}}. s. f. Mulher que abotoa. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ABOTOADO, A}}. p. p. de Abotoar. RESEND. Chr. 131. FR. MARC. Chr. 1, 9, 3. LOB. Cort. I, 15. Ter os olhos abotoados. Fraf. proverb. Obrar, co- mo cego. AMARAL, Serm. 297, 6 Vigiei e madruguei tan- to, que á força abri os olhos, que eftavio abotoados ainda com o fomno, obrigandoos a ver a Deos.. Abotoado. Efgrim. Que tem botão na ponta. Appli- cafe á efpada preta, &c. ACAD. DOS SING. I, 11 Romanc. Com as pretas [efpadas] faz tal guerta Por não fer abotoadas, Que na primeira venida Todo o coração trefpaffa. {{lema|ABOTOADOR}}. s. m. O que abotoa. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ABOTOADURA}}. s. f. Acção de abotoar. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. Collecção de botões de hum veftido. FEST. NA CANON. 17 Veftido à cortezaa com calças negras de obra e cou- ra do mefmo feitio, com abotoadura de ouro. VILL. Boas, Nobiliarch. I Os Athenienfes trazião por divifa de fua nobreza humas cigarras de ouro na abotoadura dos veftidos. M. BERN. Luz e Cal. 1, 6, 144 S. Fran- cifco de Sales dizia, que defejava ter huma abotoadura nos labios, para fe deter em defabotoar primeiro que fahiffe a palavra. Pl. Marinh. Certos ferros, que vem debaixo das me- zas de guarnição, e tem mão na euxarcia com fuas bigo- tas. BLUT. Vocab. {{lema|ABOTOAR}}. v. a. Metter os botões nas cafas para apertar o veftido. Ros. Hift. 2, 195, 1 Nos dias de fefta não confentia, que lhe abotoaffem as mangas da faia. Prov. DA HIST. GEN. 4, 6, 165. p. 191 Como o Duque abo- toava o jubão, fahia &c. Dizfe dos mefmos botões. Couт. Dec. 5, 1, 11 Os botões, que a abotoavão [a cabaia] erão todos de diaz mantes engaftados em ouro. MONTEIR. Art. 25, 26 Duas [pedras preciofas] primeiramente engaftadas em ouro, abotoavão pela parte dos hombros a veftidura chamada fuperhumeral. Met. Apertar e ajuftar o veftido com cordão, fitta, b. BLUT. Vocab. T. de Alfaiate. uf. Fazer as cafas, e pregar os bo- tões no vestido. Abotoar. v. n. Brotar, lançar botões. Das arvores e flores. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ABOUBADO, A}}. p. p. de Aboubar. SERR. Difc. 1, 185. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 176. {{lema|ABOUBAR}}. v. a. que fo fe ufa com pron. peff. Fazer- fe mentecapto. (abobar) SERR. Difc. 2, 328 Lhes fazem razão de eftado e autoridade real aboubaremfe e encapaciraremfe defte modo. Todas as palavras, que alguns efcrevem por Aboy, bufquemfe cm Aboi. {{lema|ABRA}}. s. f. Enfeada on porto, affim do mar como dos rios, fechado ou defendido de qualquer forte do impeto das agoas e ventos, e com baftante fundo, para nelle anco- Tarem navios em todo o tempo. Do Arab. Abra. Deriva- fe do verbo abara, entrar para dentro, paflar de hum lugar para outro, ou paffar álem. AzUR. Chr. 3, 60 E eftando afli naquella abra de Gibraltar aqueceo, que Scc. Batt. Dec. 3, 3, 8 Tambem nas abras dos rios pedião achar alguns navios de Mouros. LEIS EXTRAV. 6, 1, 8 Por quanto os navios da armada de Portu- gal, e do Algarve como de outras partes, fe vinhão lançar ácerca dos pórtos, e abras, e quebradas de Caftel- {{lema|ABRAÇADO, A}}. p. p. de Abraçar. CAM. Luf. 5, 48. BRIT. Chr. I, 17. VIEIR. Serm. 7, 4, 3. n. 128. {{lema|ABRAÇADOR, ORA}}. adj. pouc. uf. Que abraça. Ga- LEG. Templ I, 112: Vide amorofa, abraçadora hera. D. F. MAN. Epan. 3, 323 Gente abraçadora de vaas ef- peranças. {{lema|ABRAÇAMENTO}}. s. m. antiq. Abraço, acção de abraçar: VIT. CHRIST. I, 12, 41 y Nom he duvida, que defte abraçamento, que Simcom fez de Chrifto, recebeffe mui- tas confolações, e muitos dões de graça. FR. MARC. Chr. 2, 1, 10. Cant. 17 Efta cruz ordena doce a pena Em fentila lhe dá contentamento, rerei fem tento A feu abraçamento, Porque viva mor- rendo nefte, amor. Ter por Cor- {{lema|ABRAÇANTE}}. p. a. de Abraçar. ant. e pouc. uf. FR. MARC. Chr. 2, 2, 10. Cant. 39 Ampliffimo em caridade To- da coufa abraçante. {{lema|ABRAÇAR}}. v. a. Cercar com os braços, tomar ou apertar entre elles, e comfigo. De ordinario de huma peffoa a ou- tra em final de amor e carinho. FERR. Poem. Caftr. 4 Abraçaime, meus filhos, abraçaime, Defpedivos dos pei- tos, que mammaftes. BRIT. Chr. 1, 17 Quando chegou [o Pai] a noflo Padre S. Bernardo...o abraçou tres ve- zes, e lhe deo outras tantas paz no rofto. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 17, 2, 45 Pois agora permitte Chrifto e concede á Magdalena, e ás outras Matias, que fe fancem a feus pés, e lhos abracem. Por força e com má vontade. ANDRAD. Chr. 4, 5 Porém logo alli fhe acudirão Jeronimo Mealha ... c Manoel Caftanho... que derrubou o Mouro que o tinha abraçado. CASTR. Ulyff. 6,77 Se abração, rafgão te que o mais ferido, Sem defcobrir fraqueza, cahe rendido. Met. D. FR. BR. DE BARR, Efpelh. 3, 6.0' Se- nhor, quando com meu amor te abraçarei com os abra- ços da minha alma FR. MARC. Exerc. 28, 132 A vós, fummo e cxcellentislimo bem, abrace com os braços do amor. MAUS. Aft. Afr. 4, 60 Que fe a fortuna prof- pera os abraça [aos Chriftáos] A voffa crueldade avi- va a fua.. Adv. e fórm. Amorofanente. BARR. Clarim., 107 Apertadamente. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 17, 2, 45. Re- nignamente. M. BERN. Paraif. 59. Cariciofamente. M.BERN. Medit. 10, 3. Com grande amor. F. DE MENDOç. Serm. 2, 92, 18. Com moftra de amor. GUERREIR. Rel. 5, 4, 4. Com nos muito apertados. Maus. Aff. Affr. 6, 92 y. Com os abraços da alma. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 6. Com os abraços do amor. FR. MARC. Exerc. 28, 137 y. Com os abraços do defejo. VIT. CHRIST., I, 44. Com os braços da caridade. ARR. Dial. 10, 4. Com feus braços. Ros. Hift. 2, 198, 4 Comfigo. CORT. R. Cerc. 11, 173. BRIT. Chr, 1, 26. Docemente. GRAN. Comp. 3; 13. Ef treitamente. CORT. R. Naufr. 4, 42 Y. Brir. Chr. 3, 25. Fami-<noinclude></noinclude> 1qjtkiikaqzv9ftl4g5c37zlo03w5y4 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/237 106 254955 556494 2026-07-27T13:31:30Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A BR Familiarmente. FR. MARC. Chi. 1, 7, 17. Firmemente. M. BERN. Paraif. 3. Fortemente. M. BERN. Floreft. 5, 10, 488, C. Intimamente. VIEIR. Serm. 3, 1, 1. n. 1. Mui de vontade. GALV. Chr. 11. Suavemente. CHAG. Obr. 2, 414. Ternamente. MATT. Jeruf. 12, 12. Met. Cercar, rodear. BARR. Dec. 1, 10, 1 A qual [terra] abração, em modo de ilha, dous braços de hum rio. CORT. R. Naufr. 4, 42 Huma ditofa cinta eftrei- tamente O belliflimo corpo... 556494 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A BR Familiarmente. FR. MARC. Chi. 1, 7, 17. Firmemente. M. BERN. Paraif. 3. Fortemente. M. BERN. Floreft. 5, 10, 488, C. Intimamente. VIEIR. Serm. 3, 1, 1. n. 1. Mui de vontade. GALV. Chr. 11. Suavemente. CHAG. Obr. 2, 414. Ternamente. MATT. Jeruf. 12, 12. Met. Cercar, rodear. BARR. Dec. 1, 10, 1 A qual [terra] abração, em modo de ilha, dous braços de hum rio. CORT. R. Naufr. 4, 42 Huma ditofa cinta eftrei- tamente O belliflimo corpo abraça. VIEIR. Serm. 6, 4, 5. n. 119 E fe me perguntarem tambem, fobre que mere- cimentos ou talentos de Pedro allentou Deos a proporção e juftiça deftes feus decretos? Refponde Eufebio Gali- cano, que... muito particularmente fobre o inftrumento univerfal, não do anzol ou do arpão, fenão da rede, que cerca e abraça fem diftinção a todos. Met. Comprehender, conter em fi. ARR. Dial., 10, 58 Memphis abraça tres cidades. ORIENT. Lufit. 109 Sobre a borda do tanque, que abraçava no feio as criftalinas agoas. VEIG. Laur. Od. 2, 3 Oh bellas a meus olhos Paredes, que verteis Caridades a molhos, Quando me abraçareis? Quando a porta de eftrellas me abri- reis? De coufas incorporeas. VEIG. Laur. Od. 6, 7 A Trindade alli pinta, Que, fendo nas peffoas tão dif- tincta, Abraça com eminencia Diverfas Relações na mefma Effencia. PINT. RIB. Luftr. 1, 4 E ainda abraça em fi a alma a fórma e caracteres dos mais elementos. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 19, 2,0139 O circulo.do Ro- fario, que cada dia rezão, os inclue, abraça, e com- prehende a todos os paffos da vida de Chrifto] Abranger, occupar. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 35 Penetrando e abraçando todas as potencias da alma. DUART. RESEND. Tr. 92 E a terra, que tem o noveno lugar, fempre eftá immota, e tem o mais baixo.affento, e abraça o meio lugar do mundo. Sous. Hift. 1, 2, 1 Abraça defta parte tudo o que he cercado de muro na villa. Abraçar. Ajuntar, unir. FERR. Poem. Son. 2, 15 Abraçãofe entre fi Juftiça e Paz. CORT. R. Cerc. 10, 147 Duas telhas tomava, é com betume De pez negro c vifcofo ambas abraça. VIEIR. Serm. 10.. do Rof. 19, 5 139 Outros autores porém concilião e abração ambos ef- .tes fentidos. Admittir de boa vontade, approvar, eleger, feguir. HEIT. PINT. Dial. 2, 1, 9 Abraçar os confelhos do Sa- grado Evangelho. Sous. Hift. I, I, I Da mefma manei- ra abraçon Hefpanha com tanta devação e amor todas as Ordens, que hoje ha na Igreja de Deos. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 16, 5, 21 Em femelhante cafo de huns, que repudiarão a Chrifto, e outros, que abraçarão a fua Fé, diz S. Lucas &c. Receber bem admittir fem repugnancia. Particular- mente do estomago a refpeito dos alimentos. Azev. Cor- recç. 1, 3, 12. p. 354, Os mantimentos, que fe comem com vontade, os recebe e abraça o eftomago. MORAT. Luz, 6, 1 Para que o eftomago, abraçando o mantimen- to, defconheça a infuavidade do remedio. SERR. Difc. 2, 532 Afli tambem a demafiada foberania dos Reis do mun- do, e a mageftade váa, que lhes dão os homens, os inca- pacita para co a devida modeftia abraçarem e teceberen a tinta da verdade. Tomar a fi ou para tratar, como hum negocio, ou para feguir, como bum inftituto, &c. BRIT. Chr. 4, 2 De tal modo abraçou a obfervancia e rigor monachal, que &c. LEON. DA Cost. Georg. Prol. 42 Nem Noé, Abra- hão, Loth, Moifés, David, e outros juftos, que lou- várão a agricultura, nunca a abraçárão, fe achárão nel- Ia alguma coufa, que a podeffe macular. VIEIR. Serm. 1, 6, 2. col. 389 Elle [S. Ignacio] foi o que abraçou a conquifta de todas as gentilidades em ambos os mun- dos. Com pton. pef. Unirfe, apertarfe com alguma pef- foa ou coufa, tomandoa entre os braços. Reg. a ou com. LOBAT. Palm. 5, 22 Perdidas as eftribeiras, cahira, fe com valerofo animo fe não abraçára ao cóló do cavallo. LEÃO, Chr. de D. Din. 124 ElRei, pofpofto todo o aca- tamento dos altares e fepulturas dos Reis com que fe elles abraçavão, os mandou tirar para os juftiçar. Luc. Vid. 4, Dandofe elle por acabado, arremette e abra- çafe com huma cruz, que eftava arvorada na praia. Com alguma peifoa em final de amor e carinho. MEND. PINT. Peregr. 152 As miferaveis padecentes com affás de lagrimas fe abraçavão humas cont as outras. PER. Elegiad. 3, 39 Qual co' a mái fe abraça eftteita- A BR 29 mente. BRIT. Chr. 3, 25 Valêo tanto à autoridade do Santo, que fe conformárão, e abraçandofe huns a out- outros, confirmárão a paz entre fi pera fempre. Por força e com má vontade. LOBAT. Palm. 5, 66 Se abraçou com elle, e a pezar da fua refiftencia, o lançou fóra da camera com maravilhofa prefteza. AN- DRAD. Chr. 4, 5 Hum delles [Mouros] lhe deo huma lançada e o outro fe foi abraçar com elle. Mer. CAM. Eleg. 6, 5 Os alamos fe abração co ás videiras. PAIV. Serm. 3, 48 Afli fe abraça o demonio com noffas proprias inclinações, que &c. ARR. Dial. 5, 20 No amor, com que a alma cafta e pura fe liga, vin- cúla, e abraça com a divina mente. Mer. Accommodarfe, conformarfe. MEND. PINT. Pe- regr. 70 Como Antonio de Faria era naturalmente curio- fo, e não lhe faltava tambeni cobiça, fe, abraçou co. parecer defte Chim. FR. MARC. Vid. 3, 2 Afli nos deve- mos abraçar com a Fé, que não deixemos a caridade do proximo. Asi. Dial. 3, 14 E fe abraçarão co's fo- nhos e fingimentos dos feus Rabinos, de que fe com- poz o feu Thalmud. Met. Chegarfe, avizinharfe. BARk. Dec. 3, 3, 8 E parecendolhe, que abraçandofe mais com a cófta, em alguma enfeada ficatia mais abrigado dos ventos &c. CARNEIR. Rot. do Braz. 164 E idevos abraçando tudo o que poderdes com terra, até dardes fé de Matanças. Seguir fe, vir immediatamente depois. CASTR. Ulyff. I, 75 Que fe abração com laço fempiterno Outono, Primavera, Inverno. Eftio, Adag. Quem muito abraça, pouco aperta. M.BERN.' Luz e Cal. I, I, 10. {{lema|ABRAÇAR}}. s. m. antiq. O mefmo que Abraço. VIT. CHRIST. 3,7, 20 Apertandoo com abraçares d'amor, per mi- fericordia, que o acompanhava. {{lema|ABRAÇO}}. s. m. Acção de tomar ou apertar entre os braços. De ordinario de huma peffoa com outra em final de ami- zade. FERR. Brift. 2, 7. E mais lhe darás por amor de mi efte abraço. CAM. Eleg. 6, 11 Dando fóra de fi ao vento abraços. Sous. Hift. 1, 1, 18 Defpedio o Santo a feus filhos com benções e abraços. Met. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. I, II Donde quer que fahiffem [as adverfidades] nós as defejariamos com toda vontade, e com amorofo abraço as receberia- mos. FR. MARC. Chr. 2, 6, 27 Todo fe derretia em aquelles abraços do amor divino. GRAN. Comp. 2, 20 Amemos a Chrifto e defejemos feus abraços, e achare- mos fer facil tudo o que nos parece. fer difficultofo. Abraço de paz. T. da Univ. BLUT. Vocab. He o que o Cancellario, Reitor, e cada hum dos Meftres c Dcu- tores em Artes dão ao novo Mestre, depois da oração do Padrinho, e das mais ceremonias, que fe praticão uefte acto. Epith. Affetuofo. L. ALv. Amor, 15. Amavel. D.CA- TII. INF. Regr. 2, 15. Amorofo. FR. GASP. DE S. BERNARD. Itin: 1. SA' DE.MEN. Mal. 8, 11. Apertado. Los. Peregr. I, 4. M. BERN. Floreft. 1, 3, 30, C. Cariciofo. M. BERN. Paraif. 58. Cafto. CEIT. Quadrag. 1, 150, 4. Deleitofo. S. ANN. Chr. 3, 37, 837. Derradeiro. Luc. Vid. 1, 10. Doce. ARR. Dial. 2, 15. VEIG. Laur. Od. 4, 3. Dulcifi mo. FR. MARC. Chr. 1, 8, 26. Duriffimo. CASTR. Ulyff. 6, 82. Efpiritual. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 18. Estreito. CORT. R. Naufr. 2, 23. LOBAT. Palm. 5, 25. Famintos (pl.) Luz, Serm. 2, 2, 18. col. 4. Graciofo. VIT. CHRIST. 4, 36, 171 . Grande. LOBAT. Palm. 5, 55. Indiffoluvel. ARR. Dial. 10, 26. Interior. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 18. Intimo. GUERREIR. Rel. 3, 4, 4. Lifonjeiro. VIEIR. Serm. 11, 1, 4. n. 12. Mimofo. BRIT. Chr. 1, 26. Molle. ARR. Dial. 10, 52. Mutuo. CEIT. Quadrag. 1., 148, 2. Paternal. M. BERN. Paraif 58. Puro. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 22. Reciproco. SA DE MEN. Mal. 10,39. Regalado. BARRET. Flos Sanct 2, 344; 2. Santo. Luc. Vid. 1, 4. Saudofo. Curn. Hift. de Brag. 2, 85, 374. Suave. FR. TH. DE JES. Tràb. I, 5, 119. Tenaciffing. SA DE MEN. Mal. 5, 29. Vão. SA' DE MEN. Mal. I, 75. Ultimo. Maus. Aff. Afr. 9, 137 VIEIR. Serm. 7, 1, 13. n. 38. Verb. Abraçar com . . F. ALv. Inform. 2, 4. Ac ceitar M. BERN. Luz e Cal, 2, 2, 305. Afogar com ARR. Dial. 2, 15. Apertar com... VID. DE Sus. 6. Apertado de... Ros. Hift. 1, 87, 2. Cercar com... FR. MARC. Exerc. 1, 2 y. Dar... a ou em alg. Lo- BAT. Palm. 5, 55. Dar os ultimos...(defpedirfe pela ultima vez.) VIEIR. Serm. 7, 1, 13. n. 38. Derreterfe_em FR. MARC. Cht. 2, 6, 27. Envolto em.. D. FR.<noinclude></noinclude> cen2jk4gjn4z1dua0xrnaaf1m38rx6z Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/76 106 254956 556496 2026-07-27T18:04:58Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556496 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|70|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Nada, respondeu Barbicane, e a prova é que a Lua nāo conservou vestigios do envolucro gazoso que acompanha sempre os cometas. — Porém, nāo poderia ter succedido que a Lua, no seu perihelio e antes de se tornar em satellite da Terra, passasse sufficientemente perto do Sol, para lá deixar por evaporaçāo toda a substancia gazosa.? — É possivel, amigo Nicholl, mas pouco provavel. — Porque? — Lá agora porque... Á fé que nāo sei dizer-tʼo — Ai! quantos centenares de volumes poderiam escrever-se com tudo quanto eu ignoro! exclamou Miguel. — Ora pois! quantas horas sāo? perguntou Barbicane. — Tres, respondeu Nicholl. — Como passa o tempo, disse Miguel, nʼestas conversas de sabios taes como nós! Decididamente percebo que me estou instruindo em demasia! Estou aqui, estou-me tornando um poço de sciencia! E dizendo isto, Miguel trepou á cupula do projectil '''«para''' observar melhor a Lua», dizia elle. No entretanto os companheiros contemplavam o espaço através do vidro inferior, sem encontrarom de novo cousa que merecesse especial mençāo. Desceu Miguel, aproximou-se logo da vigia lateral, e de subito brotou-lhe dos labios uma exclamaçāo de surpreza. — Que ha de novo? perguntou Barbicane. O presidente aproximou-se da vidraça, e viu uma especie de sacco espalmado fluctuando no exterior a poucos metros de distancia do projectil. O tal objecto parecia estar immovel como a bala, e ia portanto animado do mesmo movimento ascensional que ella. — Que diacho de historia será aquella? repetiu Miguel Ardan. Será acaso algum corpusculo do espaço, que o nosso projectil retem dentro da sua esphera de attracçāo, e que lhe vá servir de companhia até à Lua? — O que me admira, respondeu Nicholl, é que sendo, como de certo é, o peso especifico dʼesse corpo menor que o da ba-<noinclude></noinclude> gvr1xsk707zln8bh2hxiv33fczszj2j Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/77 106 254957 556497 2026-07-27T18:07:41Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556497 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|71|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>la, elle se mantenha tāo exactamente ao mesmo nivel que ella! — Nicholl, respondeu Barbicane, passado um momento de reflexāo, nāo sei que objecto é esse, mas o que sei perfeitamente é a rasāo por que elle navega de conserva com o projectil. — E porque? — Porque vogâmos no vasio, men caro capitāo, e porque no vasio os corpos movem-se ou caem,—o que vale o mesmo,— com igual velocidade, qualquer que seja a densidade ou a fórma dʼelles. O ar que, em virtude da resistencia que apresenta, dá origem ás differenças de peso. Quando se faz pneumaticamente o vasio dentro de qualquer tubo, todos os objectos que caem lá dentro, quer sejam grāos de poeira quer grāos de chumbo, caem com igual rapidez. Aqui, no espaço, temos a mesma causa e, portanto, o mesmo effeito. — Perfeitamente exacto, disse Nicholl; e tudo quanto deitar-mos para fóra do projectil nos ha de fazer companhia na viagem até à Lua. — Ah! que grandes pedaços de asnos que nós somos! exclamou Miguel. — Que rasāo ha para similhante qualificaçāo? perguntou Barbicane. — Ha, que deviamos ter carregado o projectil de objectos inuteis, taes como livros, instrumentos, ferramentas, etc. Deitavamos tudo fóra e seguia-nos tudo a reboque! Agora me lembra. E nós porque é que nāo passeâmos lá por fóra como o tal bolido? Porque é que nāo nos deitámos ao espaço pela vigia? Que prazer seria o sentir-se assim em suspensāo no ether, mais favorecido do que a ave que tem de bater continuamente as azas para se aguentar! — Nāo duvido, disse Barbicane, e respirar? — Maldito ar que falta tāo pouco a proposito! — Mas se nāo faltára o ar, como a tua densidade é inferior á do projectil, depressa ficavas lá para traz. — Entāo é um circulo vicioso. {{nop}}<noinclude></noinclude> tnxobfxi8j0bxf7e1gok3d0yerd6zhw Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/78 106 254958 556498 2026-07-27T18:09:11Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556498 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|72|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— O mais vicioso que póde imaginar-se. — E nāo ha remedio senāo ficar encarcerado no wagon? — Assim é necessario. — Ah! exclamou Miguel com voz formidavel. — Que tens? perguntou Nicholl. — É que sei, adivinho o que é esse supposto bolido! Nāo é um asteroide que nos acompanha! Nāo é tambem nenhum pedaço de planeta. — Entāo que é? perguntou Barbicane. — E o nosso desditoso cāo! o malfadado esposo de Diana! E na realidade, aquelle objecto deformado, transfigurado, reduzido a nada, era o cadaver de Satellite, espalmado como um folle de gaita sem vento, que subia, subia até mais nāo! {{nop}}<noinclude></noinclude> 1ftuow6xxll45b0ltqgda6g77a28ql3 Á Roda da Lua (5ª edição)/VI 0 254959 556499 2026-07-27T18:10:19Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=70 to=78 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/VI]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_VI._Вопросы_и_отвѣты.]] 556499 wikitext text/x-wiki <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=70 to=78 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/VI]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_VI._Вопросы_и_отвѣты.]] 1p0feurw9097dn6vm7ps2cehj8xijqe Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/380 106 254960 556500 2026-07-27T18:13:35Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556500 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|188}}</noinclude>{{t2|{{sc|tumulo condigno.}}|V}} {{dhr|3}} Javert depositou João Valjean na cadêa da cidade. A prisāo do senr. Magdalena produziu em M. sobre o M. una sensaçāo, ou antes um assombro extraordinario. Sentimos nāo poder occultar que a estas simples palavras: «''Era um galé''» quasi todos o abandonáram. Em menos de duas horas os beneficios que havia feito foram esquecidos , e elle não foi mais do que um ''galé''. Importa dizer que ainda nāo eram sabidos os detalhes do que se passara em Arras. Durante o dia ouviam-se em todos os os pontos da cidade conversaçōes como esta: — Entāo já sabe? Era um ex-galé ! — Quem? — O ''maire''. — Como o senr. Magdalena ? — Sim. — Divéras? — Elle nāo se chamava Magdalena; tem um nome horrivel, Bejean, Bojean, Boujean. — Ah! meu Deus! — Está preso ! — Preso ! — Na cadêa, na cadêa da cidade, emquanto nāo for transferido. {{nop}}<noinclude></noinclude> 87s33wct86fsh769clh72y29dkjqitw Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/381 106 254961 556501 2026-07-27T18:17:53Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556501 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|189}}</noinclude>— Transferido! Vae ser transferido! Para onde ? — Tem de ir responder ao jury por um roubo commettido no meio da estrada ha annos. — Pois bem! eu já desconfiava. O homem era bom de mais, muito perfeito, muito beato. Recusava condecoraçōes, dava soldos a quantos garotos encontrava. Sempre desconfiei que tudo isto encobria algum crime. Os ''salōes'' sobretudo abundaram neste sentido. Una senhora velha, assignante da ''Bandeira Branca'', fez esta reflexāo , cuja profundeza é quasi impossivel sondar: — Estimo que isto acontecesse. Eʼ uma liçāo para os bonapartistas! Foi assim que o fantasma que se chamára Magdalena se dissipou em M. sobre o M. Tres ou quatro pessoas sómente em toda a cidade se conservaram fieis á sua memoria. A velha porteira que o havia servido foi deste numero. Ao cahir da noite , naquelle mesmo dia , essa digna velha achava-se no seu cubiculo, ainda toda assustada e reflectindo tristemente. A fabrica estivera fechada todo o dia, o portāo achava-se aferrollado , a rua deserta. Em casa só havia as duas religiosas , as irmans Perpetua e Simplicia, que velevam junto do cadaver de Fantina. Quando chegou a hora em que Magdalena costumava recolher-se a boa porteira levantou-se machinalmente , tirou de uma gaveta a chave do aposento de Magdalena e o castiçal de que elle se servia todas as noites para allumiar-se na ida para o seu quarto, pendurou a chave no prego donde elle costumava tira-la e pôz o castiçal ao lado, como se o esperasse. Depois sentou-se e poz-se de novo a scismar. A pobre velha fizera tudo aquillo sem a menor consciencia. Só ao cabo de mais de duas horas sahiu ella da sua meditaçaão, e entāo exclamou : — Eʼ verdade! Jesus, meu Deus! eu pendurei-lhe a chave ao prego ! Neste momento a vidraça do quartinho ahriu-se, uma māo passou pela abertura , pegou na chave e no castiçal e acendeu a vela na luz que alli estava. A porteira levantou os olhos e ficou boqui-aberta, sofreando un grito prestes a sahir-lhe da garganta. {{nop}}<noinclude> {{left|48}}</noinclude> ph5y23vr2osr79jhb0as7gapyb73n7f Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/382 106 254962 556502 2026-07-27T18:22:15Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 556502 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|190}}</noinclude>Ella conhecía aquella māo , aquelle braço , aquella manga. Era o senr. Magdalena. Passaram-se alguns segundos antes que ella pudesse fallar, de tam ''assombrada'' que se sentiu, como dizia depois contando a sua aventura. —Meu Deus, senr. ''maire !'' exclamou a velha, eu suppunha que vm.... Calou-se; o final da phrase houvera desmentido o respeito do principio. Joāo Valjean era sempre para ella o senr. ''maire''. Elle completou o sentido: —Estava na cadêa, disse. Sim, estava ; quebrei uma grade da janella, saltei de cima de um telhado á rua, e aqui me tem. Vou para o meu quarto, vá-me chamar a irinan Simplicia. Ha de estar sem duvida junto da pobre mulher. A velba obedeceu a toda a pressa. Joāo Valjean nenhuma recommendaçāo lhe fez ; estava certo que a boa mulher o guardaria melhor do que elle a si proprio. Nunca se soube como elle pôde entrar no pateo sem que lhe abrissem o portāo. Tinha na verdade, e trazia sempre comsigo, uma chave que abria o trinco de uma portinha lateral ; mas na prisāo deviam tê-lo apalpado e tirado-lhe essa chave. Eʼ ponto que nāo foi esclarecido. Subiu a escada que ia ter ao seu quarto. Chegando a cima, deixou a vela nos ultimos degráus, abriu a porta com a menor bulha que pôde, e foi fechar ás apalpadellas a vidraça e as portas da janella ; depois voltou á escada, apanhou o castiçal e entrou no quarto. A precauçāo era util; lembrado estará o leitor que aquella janella dava para a rua. Lançou um olhar em torno de si, para a mesa, para a poltrona, para a cama, que se achava tal qual fóra feita havia tres dias. Nenhum vestigio restava da desordem da penultima noite. A porteira arrumára tudo. Tirára, porém, das cinzas do fogāo e puzera asseiadamente em cima da mesa os dous pedaços do bordāo ferrado e a moeda de quarenta soldos ennegrecida pelo fogo. Elle pegou em uma folha de papel e escreveu: «''Aqui'' ''estāo os dous pedaços do meu bastāo ferrado e a moeda de quarenta soldos roubada a Gervasinho, de que'' ''fallei hontem no tribunal do jury''», e pôz em cima desse papel a moeda de prata e os dous pedaços de fer-<noinclude></noinclude> nbm7iuoplumd6u47sfg1vbgw1odjava Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/73 106 254963 556515 2026-07-27T20:08:45Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556515 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 69 —}}</noinclude>Não se confunda o garimpeiro com o bandido. Foragido, perseguido, sempre em luta com a sociedade, o garimpeiro só vivia do trabalho do garimpo, trabalho na verdade prohibido pela lei, — e era seu unico crime — mas, respeitava a vida, os direitos, a propriedade de seus concidadãos. Nossas estradas erão seguras, e talvez mais seguras do que hoje, e o viajante que por ellas transitava não temia o encontro do inoftensivo garimpeiro. De centenares de processos que temos presentes, não encontramos um só em que elles tenhão sido aceusados de um rapto, de um roubo, ou de qualquer outro attentado criminoso : pelo contrario n’esta narração, a seu tempo, teremos de registar factos de generosidade, dedicação e verdadeiro heroismo praticados por elles. Ora dormindo descuidado ao relento no meio dos campos; ora refugiado no alto de alcantilada<ref>penhascos íngremes</ref> rocha, como um atalaia<ref>vigia, sentinela</ref> á espreita do inimigo; outro dia abrigado nos andurriaes<ref>lugares ermos, sem caminhos</ref> dos montes, ou nas profundas grutas de socavadas serras; sempre errante, perseguido, sem um abrigo certo ; — assim vivia o garimpeiro. A caça que se dava ao garimpeiro era cruel, desapiedada, encarniçada ; erão perseguidos e se procurava exterminal-os como a animaes ferozes. As partidas do rei, disseminadas por todo o districto, patrulhavão os corregos, os campos, as serras, os montes, sem cessar dia e noite, rendendo-se, renovando-se ; se encontravão o garimpeiro desprevenido, sua captura devia ser feita a todo transe. Quanto ainda os campos diamantinos alvejão com os ossos de nossos infelizes patricios, testemunhando a barbara tyrannia, que sobre nós pesou outr’ora! Nunca o garimpeiro aggredia as tropas reaes, mas, quando accommettido, sabia defender-se com coragem, e quasi sempre as rechaçava, se o combate travava-se em igual numero e condição, porque combatia para salvar a vida e liberdade : quando victorioso, voltava pacifico para o trabalho e não procurava tirar proveito da victoria; e quando vencido e prisioneiro, no meio dos maiores soffrimentos, porque o fazião passar, não traiha seus companheiros e nem confessava os complices, que poderia comprometter.<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> tia3x2zzcgxsn7z04scgwcezypc5ziv Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/74 106 254964 556519 2026-07-27T20:53:41Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556519 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 70 —}}</noinclude>Quer o leitor saber quem tambem garimpava, ou acompanhava os garimpeiros? No anno de 1742 uma partida de dragões sustentou um renhido combate com alguns garimpeiros nas vizinhanças do rio Manso. Entre estes sobresahíra um mais joven, que, talvez por ser mais audaz e intrepido, foi aprisionado; os outros fugírão. Trazido preso e mettido no tronco da cadêa, ahi foi o escrivão da intendencia fazer o que se chamava ''auto de prisão, habito e tonsura''. D'este auto consta que o preso era « de estatura baixa e delicada, olhos e cabellos negros, còr morena, feições finas e regulares, sem barba alguma; e sendo-lhe perguntado qual sua idade, naturalidade, filiação, profissão, estado e se tinha algumas ordens ou era professo em alguma religião, recusára obstinadamente responder a qualquer d'estas perguntas ». No mesmo dia, — não sabemos porque meio, e nem o consta dos autos —, reconheceu-se que o garimpeiro era uma bella rapariga, disfarçada em homem. No dia seguinte, — tambem ignoramos porque meio —, quando o escrivão voltou à cadêa só achou o tronco da bella prisioneira, que tinha se evadido durante a noite. De nada mais sabemos e nem ousaremos asseverar se n'esta fuga houve complicidade da parte das autoridades. Quem o sabe? Não confundamos tambem o garimpeiro com o negro fugido: este quando encontrava alguma rez<ref>Rês: animal quadrúpede abatido para consumo do ser humano</ref> no campo matava para não morrer de fome; quando se offerecia occasião garimpava ou faiscava ouro; mas o seu crime não era furtar gado, ou minerar ás occultas, seu grande crime consistia em fugir do captiveiro. Por curiosidade transcreveremos textualmente o alvará de 3 de Março de 1741: « Eu El-Rei faço saber aos que este alvará virem, que sendo-me presentes os insultos, que no Brasil commettem os escravos fugidos, a que vulgarmente chamão calhambolas (sic), passando a fazer o excesso de se juntarem em quilombos; e sendo preciso acudir com remedios que evitem esta desordem: - hei por bem que a todos os negros, que forem achados em quilombos, estando n'elles voluntariamente, se lhes ponha com fogo uma marca<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> c1jvecjnnbjc6zdm64rpfzv2xo5h6pr Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/75 106 254965 556521 2026-07-27T21:00:34Z Túllio F 37740 /* Não revisadas */ transcrição 556521 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 71 —}}</noinclude>em uma espadoa com a letra — F —, que para este effeito haverá nas camaras: e se quando se fôr executar esta pena, fôr achado já com a mesma marca, se lhe cortará uma orelha, tudo por simples mandado do juiz de fóra, ou ordinário da terra ou do ouvidor da comarca, sem processo algum e só pela notoriedade do facto, logo que do quilombo fòr trazido, antes de entrar para a cadêa ». No dia 21 de Maio de 1745 um individuo de nome Francisco José da Silva foi notificado para comparecer á presença do intendente Placido de Almeida Moutoso. Interrogado por sua profissão respondeu ser cobrador de negociantes da praça do Rio de Janeiro. O caso era grave. Os bandos prohibião que residisse na demarcação pessoa alguma que não tivesse um officio ou emprego. Interrogado se obtivera licença para entrar na demarcação, respondeu que obtivera licença vocal do intendente Raphael Pires Pardinho. Depois da retirada de Pardinho apparecião muitos individuos com ''licenças vocaes'' suas para poderem residir no Tijuco. Moutoso, julgando o negocio grave, o levou ao conhecimento do governador Gomes Freire de Andrade, que se achava em Tijuco, onde vinha frequentemente e demorava-se por largo tempo. No dia seguinte (22 de Maio de 1745) publicou-se ao som de caixa o seguinte bando: « Por quanto, sem embargo do meu bando do 1º de Março de 1743, me consta se introduzem nas terras demarcadas pessoas avulsas, que só servem de defraudar a real fazenda...... Mando que do dia de S. João d’este presente anno em diante não possa haver pessoa alguma branca no districto demarcado sem especial licença por escripto do dr. desembargador intendente, que lhe permittirá a residência por um anno, não incluindo n’esta resenha as pessoas que com as suas familias se achão já estabelecidas cora roças próprias, ou residem ha annos n’este arraial, ou em algum outro das terras demarcadas. E, passados oito dias do prescripto, achandose alguma pessoa sem o dito escripto, incorrerá nas penas impostas aos traficantes, etc. »<noinclude></noinclude> b2lfr53ik5t42tobzlsqvm6saigodyp Discussão:Hino do município de Marajá do Sena 1 254966 556536 2026-07-28T00:54:05Z ~2026-42009-22 43425 /* Não há áudio do Hino */ nova secção 556536 wikitext text/x-wiki == Não há áudio do Hino == Olá. Estou solicitando para colocarem o áudio do Hino e/ou suas notas & velocidade das notas. Sem isso, não tem como o Hino ser tocado nem reproduzido. [[Especial:Contribuições/&#126;2026-42009-22|&#126;2026-42009-22]] ([[Utilizador Discussão:&#126;2026-42009-22|discussão]]) 00h54min de 28 de julho de 2026 (UTC) cqehux9s3c5r75s3vn9suwkuf52eulm Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/238 106 254967 556608 2026-07-28T08:26:12Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: BR. DE BARR. Efpelh. 3, 20. Farto de... COEL. REBELL. Muf. 13. Ligado com...M. THом. Fen. 4, 24. Rece- ber... de alg. VIEIR. Cart. 2, 2. {{lema|A BRAÇO PARTIDO}}. form adv. Vej. Braço. {{lema|ABRAHÃO}}. s. m. Nome Hebraico, que fignifica pai de hu- ma grande multidão. Allim quiz Deos fe chamaffe hum fanto Patriarcha, chamado antes Abram. Dáfe eftc nome ao pai ou chefe de huma familia muito numerofa. Sous. Vid. 2, 18 Não ha palavras,... 556608 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>BR. DE BARR. Efpelh. 3, 20. Farto de... COEL. REBELL. Muf. 13. Ligado com...M. THом. Fen. 4, 24. Rece- ber... de alg. VIEIR. Cart. 2, 2. {{lema|A BRAÇO PARTIDO}}. form adv. Vej. Braço. {{lema|ABRAHÃO}}. s. m. Nome Hebraico, que fignifica pai de hu- ma grande multidão. Allim quiz Deos fe chamaffe hum fanto Patriarcha, chamado antes Abram. Dáfe eftc nome ao pai ou chefe de huma familia muito numerofa. Sous. Vid. 2, 18 Não ha palavras, que declarem bem a con- folação efpiritual, que o Arcebispo fentia, vendofe na cafa, que aquelle grande Abrahão [S. Domingos tanto amára. ESPER, Hift. Prelud. 4 Que elle [S. Francifco] foffe o Abrabão da Lei nova, e ditofo pai de muitas gentes. Seio de Abrahão. Vej. Seio. {{lema|ABRAICO, A}}. adj. antiq. O mesmo que Hebraico. VIT. CHIRST. 1, 9, 34. VERCIAL, Sacram. 2, 85, 59. CAN- CION. 25, 2. {{lema|ABRANDADO, A}}. p. p. de Abrandar. FEO, Tr. 1, 119, 2. {{lema|ABRANDAMENTO}}. s. m. antiq. Acção e effeito de abran- dar. VIT. CHRIST. 2, 5, 16 E por leixar grande abran- damento e conforto a aquelles, que padeceffem depois injuftamente. D. CATH. INF. Regr. 1, 19 E affi he feito em elles de o receberem abrandamento da primeira raiz do peccado. {{lema|ABRANDAR}}. v. a. Amollecer, tornar brando e molle o que era duro. HEIT. PINT. Dial. 1, 6, 5 E o mefmo fogo endurece o barro, e abranda a cera até a derreter. Luz, Serm. I 2, 61. col. 2 O Sol fécca a terra, e abranda a ceta. A. DA CRUZ, Recop. Cap. Univ. 2 Pera abrandar as durezas, e eftender os nervos encolhidos'e endurecidos. Reg. em. MoR. Palm. 2, 85 Porém ainda que eftas vifitações e o amor, com que fe fazião, foffem muito de eftimar, abraudavão pouco na dôr de Floramão. Met. Fazer fuave ou menos afpero e difficil de fof- frer. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. 15 Pelo contrario para abrandar ainda mais o freio brando para cavallos teime- tofos de bocca &c. Fazer docil e bimano, enternecer. MEMOR. DAS PROEZ. 1, 35 O poder da formofura de huma dama té a mon- ftruofos juizos abranda e vence. FERR. Poem. Eleg. 9 Gloriofa Maria, effe fervor, Em que tua alma ardia, a gtá corrente, Em que a lavafte pera o Grá Senhor, Inflamme e abrande a fria e dura gente. LEON. DA COST. Georg. I, 48. not. i Os quaes [homens] elle com do- ces palavras foi pouco a pouco abrandando, até os per- fuadir a vir habitar os planos. Mer. Os irracionaes e confas infenfiveis. ÇAM. Luf. 5,48 Alli depois que as pedras abrandarem Com lagrimas de dor e mágoa pura &c. VEIG. Laur. Od. 3, 9 O Soberano Orpheo, Que rochas abrandou, pedras moveo. LEON. DA COST. Ecl. 4, 18. not. m Fingem, que Orpheo com a fuavidade do feu canto abrandava as féras. Met. Aplacar, focegar, ferenar, reduzir da pér- turbação ou paixão ao eftado natural. As peffoas. GOES, Chr. de D. Man. 3, 40 D. Leonor veio abrandar tanto a vontade del Rei, que &c. FERR. Poem. Od. 1, 8 En- cruecefe o Amot, quem ha qu'o abrande? SEVER. Prom- pt. 11, 10, 41 A palavra fuave accrefcenta os amigos, e abranda os inimigos. As mefmas paixões, ou qualquer perturbação. MoR. Palm. 1, 2 Porque depois nenhuma coufa he tão forte de foffrer, que o tempo não na abrande. FERR. Pocni. Od. 1, 8 A chamma viva, Qu'o cego moço onde quer accende, Com teus fuaves verfos nos abranda. BRIT. Chr. 4, 4 Trabalho por abrandar fua indignação. O mar, os ares &c. FERR. Poem. Ecl. 6 Sabe cla- ra branca lúa, os céos ferena, O ar abranda. CAM. Canç. 15, 2 Com doce accento os ares abrandando. Moderar, diminuir de força ou efficacia. BARR. Vi- ciof. Verg. 10 Qualquer coufa fixa e natural, per arte fe abranda, mas não vencc. REG. Summul. 7 E fendo mui acre [o humor] tem neceflidade de fe adoçar e abrandar. Das peffoas ou coufas a refpeito das proprias qua- lidades ou exceffos. FERR. Poem. Ecl. 5 O vento a furia abranda. CAN. Ecl. 5, 32 Abranda o ferto forte a for- taleza. Abrandar feições. Pintur. CARDOS. Agiol. 3, 197 Chegada a noite, gaftou toda ella o Irmão [Domingos da Cunha em abrandar as feições de hum retrato [do S. Xaviere unir os claros e os cfcuros, dandolhe de novo alguns retoques. Abrandar letras. Darlhe mais fuave e facil pronun- ciação. Luc. Vid. 2, 18 Comendo, fegundo o feu.coftu- me, o tempo humas letras, e abrandando outras, ficou Ceilão. Abrandar os olhos. Darlbe hum ar e movimento, de ternura. Maus. Aff. Afr. 4, 59 Forão para falar, em- mudecêráo, Ella os olhos e feu tormento abranda.. e Abrandar os ouvidos. Commnovelos grata e fuave- mente. LEON. DA COST. Ecl. 3, 12. not. e E com o feu canto afaga e abranda noffos ouvidos, Abrandar verfos. Tornalos mais fuaves, cadentes, armoniofos. FERR. Poem. Cart. 1, 8 Aquelles verfos, teus doces e puros Entenda eu fempre, e figa: elles abran- dem, Elles dem graça aos meus frios e duros. BERN. Lim. Cart. 12 Emenda, córta, abranda, fintão fogo Da tua ardente mufa (falla dos feus verfos.) Abrandar. neutr. Fazerfe molle o que era duro. Com pron. pelf. ou fem elle. FEo, Tr. 1, 31, 2 Alli como o ferro abrazado, com agoa, que lhe lanção, tão fora eftá de abrandar, que antes torna á fua dureza antiga &c, FR. LEÃO, Bened. 1, 1, 2. c. 8 Abrandandofe a pedra com o contacto da cantara de agoa. Mer. Aquietarfe, focegarfe, moderarfe, conterfe. Das peffoas acerca da efficacia e conftancia das acções, da natural afpereza de condição, e do impeto das pai- xões. BARR. Dec. 1, 6, 7 Que fe elle. Almirante qui- zeffe algum tanto abrandar de feus queixumes &c. FEAR. Brift. 2, 4 Eftas erão as minhas traveffuras. Depois can- cei, abrandei, fou já tão manfarrão, como vês. HEIT. PINT. Dial, 2, 1, 20 Affi como a terra amollece com a agoa, affi o homem nobre abranda com boas palavras. Da propria condiçãó e paixões. GOES, Chr. de D. Man. 3, 40 Dona Leonor, mulher de Dom Alvaro... vendo, que a fanha del Rei fe não abrandava &c. ARR. Dial. 5, 14 Não ha condição tão terrivel, que vendofe obedecida e foffrida, não fe abrande. Maus. Aft.. Afr. 7, 110 Logo fe abranda O medo. De qualquer mal', doença, dör, &c. FERR. Poem. Caftr. 1 Omal s' abranda, o bem contandoo crefce. CAM. Canç. 10, 2 Porque nem com gritar a dôr fe abranda. PAIV. Serm. 3, 92 Como a febre abrandou De qualquer agente natural e das fuas acções. PAIV. Serm. 3, 54 Diz [S. João Chryfoftomo que nunca vio coufa inquieta e alterada, que com o tempo fe não abrandaffe por fi mefma. Heir. PINT. Dial. 2, 1, 12 Sc efte vento da prefunção não abranda &c. Luc. Vid. 1, 4 Mas como pera tudo havia rempo, em quan- to o do Inverno não abrandava &c. {{lema|ABRANDECER}}. v. n. pouc. uf. O mesmo que Abrandar. MORAT. Pratic. I, 6, 4 Depois de eftar de molho tem- po baftante para abrandecer, efpremafe o panninho. {{lema|ABRANGER}}. v. a. Abarcar, rodear, comprehender, con- ter em fi. BERN. Lim. Cart. 33, Porque afli ireis creando táo gião bojo, Que não fe abrangerá com qualquer cin- to. ČASTR. Ulyff. 1, 4 Achareis quanto abrange o mar pro- fundo, FR. LEÃO, Bened. I, 2, 2. c. 22 Porque muitas [arvores] tinhão o tronco táo groffo, que tres homens com os braços eftendidos o não podião abranger. Alcançar, chegar, eftenderfe até alguem ou alguma coufa. Azur. Chr. 3, 168 Empero todos aquelles couros forão pellados ao depois, em quanto o fogo abrangeo. Ros, Vid. 1, 2, 1 Aquelle que abrange de fim a fim, e todo mundo encerra em feu punho. Sous. Hift. 1, 1, 17 Abrangia ao veftido o fogo, que ardia na alma. Met. Paiv. Serm. 3, 156 As virtudes da gente particular, quando muito abrangem a fua familia e ámi- gos, mas as dos Principes eftendemfe por todas as par- tes. ANDRAD. Chr. 2, 51 Em que fe aproveitou da gente delRei, que viera nas terradas que por eftar no mar, lhe não abrangêra a doença. VEIG. Laur.. Ecl. I Ai que magros andavão Os mimofos cabritos, e os cordeiros, Que tambem minha pena os abrangia. Do entendimento, defejo, forças, &c. FERN. LOF. Chr. de D. J. I. 1, 162 O qual [Mefere de Aviz] fempre entendeo de fervir e amar, e fer muito obediente em quaefquer coufas, que me fua Mercè mandar, e o meu bom defejo puder abranger. Mor, Palm. 2, 159 O Se- nhor Daliarte, que tem o juizo mais vivo, poderá dizer o mais, a que o meu não abrange. FR. MARC. Chr. !, I, I Era tambem de condição fua fão cobiçofo, mas largo e liberal, mais do que abrangião fuas forças. Das coufas a refpeito da duração. Fro, Tr. 2, 136, 4 As novidades velhas de vinho, azeite, mel, e man-<noinclude></noinclude> mzmhat06fh9vqd4vowl5q2r9yo52m8b Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/239 106 254968 556609 2026-07-28T08:34:38Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: manteiga, queijos e cera abrangião ás novas. Chegar, bajtar, fer fufficiente. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 80. p. 517 Se a fazenda mais abranger, he minha vontade, &c. Sovs. Vid. 4, 25 E pera abranger [a efmó- laa muitos, e muitos dias, determinou não dar mais cada dia, que tres cruzados. VIEIR. Serm. 6, 9.3. n. 266 Efe a limitação dos ordenados não abrange a tanto, eftendelahão fem limite os defordenados.t Abranger em alguem ou alguma co... 556609 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>manteiga, queijos e cera abrangião ás novas. Chegar, bajtar, fer fufficiente. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 80. p. 517 Se a fazenda mais abranger, he minha vontade, &c. Sovs. Vid. 4, 25 E pera abranger [a efmó- laa muitos, e muitos dias, determinou não dar mais cada dia, que tres cruzados. VIEIR. Serm. 6, 9.3. n. 266 Efe a limitação dos ordenados não abrange a tanto, eftendelahão fem limite os defordenados.t Abranger em alguem ou alguma coufa. O mefmo que a alguem ou a alguma coufa. MoR. Palm. 2, 169 Ifto não fomente abrangen no commum dos cavalleiros &c. BERN. Lim. Ecl. 8 Eis sôa o valle, onde o fom doce abrange. MENDOç: Jorn. 2, 16 O poder dos Reis não he limitado, e a mais abrange, que no feu imperio. Abranger com a mão. Apprehender, pegar, agar- rar. Maus. Aff. Afr. 6, 101 Jà fe trefpaffa toda, ja fe efpanta, Como que alguem co à mão a toca e abrange. com a vifta. Ver, alcançar com a vifta. HEIT. PINT. Dial. 1, 4, 7 Da ousra [banda ] fe via o grande mar, per que fe eftendião os olhos, até onde podião com a abranger. vifta, abanos. O mesmo que com a vifta. BERNARD. RIB. Menin. 2, 8 E como ella o abrangeo bem dos olhos: veio pôrfe ácerca delle., {{lema|ABRAZADAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. Ardentemente com grande força, e vehemencia. CHAG. Obr. 2, 40, 5 E aqui farei por que fe me reprefente, qual ferá o fogo do inferno nos madeiros feccos da culpa, fe na planta verde da Graça fe ateou abrazadamente o fogo da mal- dade humana. {{lema|ABRAZADISSIMO, A}}. fuperl. de Abrazado. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 33, 99. F. DE MENDOÇ. Setm. 2, 184, 13. M. BERN. Medit. 15, 1. {{lema|ABRAZADO, A}}. p. p. de Abrazar. FERR. Poem. Ecl. 10. ANDRAD. Chr. 4, 78. VIEIR. Serm. 7, 2, 6. n. 66. Ufafe como adj. Kermelho, côr de braza, SALGUEIR. Rel. 19. Marlota de téla abrazada. MONTEIR. Art. 29, 9 A açucena branca, o cravo, abrazado, a rola encarnada. CASTR. Ulyff 3, 38. A neve he efcura, á Galaréa fer- mofa, E fem côr o rubí mais abrazado.. Do rosto por effeito de paixão ou cançaço. FERR. DE VASC Ulyp. 5, 4 Como vem abrazada, deve fet de cortida, que não he mão final de eftar a virtude em falvo. MoR. Palm. 1, 41 Então tirando o elmo, fi- cou ráo abrazado do trabalho paffado, que c mesmo trabalho o fez parecer mais gentil homem, do que era de feu natural. S. ANN. Chr. 3, 17, 684 Algumas vezes, quando orava, a ouviáo eftar fallando com Deos, como rofto mui abrazado. {{lema|ABRAZADOR, ORA}}. adj. Que abraza. LAVANH. Viag. 34 Cruel perfeguidor dos Chriftãos, deftruidor de fuas Igrejas, e abrazador dos córpos fantos. B. ESTAÇ. Rim. 48 . Se.o noffo fogo cȧ for comparado Co fogo abra- zador do efcuto inferno. VIEI. Serm. I, 4, 4. col. 252 Elemento [o fogo] terrivel, bravo, indomito, abraza- dor, executivo e confumidor de tudo.. Met. TELL. Hift. 2, 17, 138 Os quaes [olhos parece que ainda fem luz fulminavão raios de ira abra- zadora. Feo, Tr. 1, 1, 3 Por mais feridos, que vamos, como o cervo, e cheios de fettas do demonio, pot abra- zadoras e hervadas, que fejão. EsгER. Hift. 1, 3, 26. n. 7 Por ferem fuas palavras abrazadoras dos vicios. Torrente abrazador. GALHEG. Templ. 2, 58 Como lá pela terra, em que habitava O Santo Loth, abia- zador torrente Os campos deftruia, e devaftava A vil cidade da nefaria gente. Vento abrazador. SEVER. Prompt. 4, 2, 17 A in- gratidão he vento abrazador, que fécca a fonte_da divina clemencia. VIEIR. Serm. 12, 16, 4. n. 424 Diz o rexto, que mandou Deos hum vento abrazador. Ven- tum urentem, para que feccaffe o lodo. {{lema|ABRAZAMENTO}}. s. m. Acção e effeito de abrazar. PAIV. Serm. 2, 360 Podia por ventura renderfe ao breviffimo abrazamento do corpo aquelle, cuja fé apagava o ardor eterno do inferno. PINT. PER. Hift. 2, 20, 55 y Com tantas mottes, e abrazamentos de povoações. MONTEIR. Art. 25, 6 Se he verdade, que a mór nobreza e perfei- ção do Sacrificio não fe ha de medir tanto pela mudança e abrazamento, da offerta, quanto pela honra e glotia, que delle Deos recebe &c. Met. FR. TH. DE JES. Trab: 1, 1, 61 O' frieza, ó dureza minha! Derreteia, Senhot, com voffo divino abrazamento. {{lema|ABRAZAR}}. v. a. Queimar, reduzir a brazas e cinzas, confumir à força de fogo. BARR. Dec. 1; 6, 5 Elle abra zaria em fogo aquella fua cidade. CAM. Luf. 8, 5 Que fe lá na Afia Troia infigne abraza [Ulyffes] Cá na Euro- pa Lisboa ingente. funda. MEND. PINT. Peregr. 210 Rei, que tal diz, fogo do céo o abraze. Met. Aquecer exceffivamente. Los. Peregr. i, 4 Ho- ra caia a neve fria, Hora o Sol abraze a terra. Sous! Hift. 1, 1, 19 Juntandofe a força das calmas, que abra- zavão a terra. M. THOM. Inful. I, 121 As gentes a re- poufo ptovocando Tymbrĉo, cujo calor então violento Abrazava das agoas o elemento. Caufar violento ardor e commoção no corpo. ARR. Dial. 9, 19 Mandou Deos ferpentes fobre elles, que lhes mordião as carnes, e abrazavão as entranhas. Met. No animo. CORT. R. Naufr. 3, 33 Hum pefti- fero ardor lhe abraza o peito. Luc. Vid. 5, 1 Da boc- ca nunca lhe fahe fenão louvado feja Jefu Chrifto,.com tanto amor e fervor, que abraza aos que o ouvem. Sous. Vid. 2, 19 E o Prior e Padres eftayão admirados da efficacia das palavras, da força, que fazião n'alma; e como penetravão e abrazavão. Das paixões, e outtas affeições do animo. ARR. Dial. 10, 72 Por aquellas dores, que trefpaffárão e a- brazarão voflo coração LEON. DA COST, Ecl. 2,8 A mi com todo amot me abraza e queima. VIEIR. Serm. 6, 11, 4. 11. 326 Porque defendendo a honra ao menos de huma das partes a caftidade, tiveffe refiftencia o vicio da torpeza e não abrazafe, totalmente o mefmo mundo. As peffoas a refpeito dellas. CORT. R. Naufr. 1, 7 Em fecreta amorofa doce chamma Abraza de contino ò trifte peito. SALGUEIR. Ref. 72 O ardente fogo do amor de Chrifto, que o abrazava. TELL. Chr. 2, 5, 8: n. 1 Acudir a dous homens principaes, a quem o diabo abraza em odios. Vexar, deftruir, devaftar, eftragar, confumir. Pef- foas e coufas. BARR. Dec. 1, 1, 1 Da furia e fogo das quaes cruezas, que efte Abedelá fazia faltou huma faifca , que veio abrazar toda Hefpanha. BERN. Flor. Son. 117 Dos fructos, que com feu trabalho duto Co- lherão pera fi da terra duta Lhes fazem fuftentar quem os abraza. VIEIR. Serm. 6, 4, 7. n. 128 Com os feus camellos, e outras grandes manadas de todo o ge- nero de gados, á maneira de enxames de gafanhotos, ta- lavão e abrazavão es campos. Cavall. Cançar, maltratar. GALV. D'ANDR. Att. 2 7 E o peot he, que ha Meftres, que nos manejos fem pióes abrazão os cavallos a varadas. Neutr. Arder, padecer violento calor. Reg. abf ou com calor. Azev. Correcç. 1, 3, 14. p. 368 As partes ex- teriores abrazão com calor. Abrazar. Com pron. peff. Arder, conceber fogo, ou confumirfe à força delle. GOES, Chr. de D. Man. 1, 99 Que da praia eftavão pafmados olhando, como fe rão de fubito abrazavão dezefete náos groffas, FERR. Poem. Cart. 1, 2 Abrazãofe caftellos, cahe o muro. D. BASIL. Vid. 8., 43 Nem he poffivel ao homem.... paffear fobre as brazas, fem fe lhe abrazarem as plantas." Met. Sous. Hift. 1, 1, 27 Dizia, que fe fentia com elles [accidentes] abrazar toda interiormente. VID. DE SUS. 6 De maneira, que não fó fe abrazale todo até as entranhas nefte fanto fogo, mas &c. Abrazarfe com, de, ou em alguma paixão ou damno. Sentilo na fud maior intenção e força, padecelo em grande gráo. Cruz, Poef. Eleg. 7 Póde quem tudo póde melhorarme Tanto no que petrendo,. inda que indi- gno, Que finta d'amor Teu todo abrazarme. LOBAT. Palm. 5 Palmeirim, que em viva cóleta fe abrazava. ESPER. Hift. 2, 10, 9. n. 4 Aconteceo abrazarfe o celei ro com gorgulho. Adag. Muitas filhas em cafa, tudo fe abraza. {{lema|ABRAZIADO, A}}. adj. Vermelho à femelhança de braza. GIL Vic. Obr. 4, 207 Ai que fatei d'empachada 0% vergonhofa de mi, Como vou abraziada Amara corrida, e torvada, Mas preffa me ttaz aqui. MEND! PINT. Peregr. 207 E em muitos paffos apertando os pu- nhos das mãos com hum fetvor impetuofo, e o rofto abraziado, dizia &c. M. BERN. Floreft. 3, 6, 304, B Sahio em fim com os olhos lagrimofos, e femblante abraziado. {{lema|ABREBOCCA}}. s. f. Alveit. Certo inftrimento de Alveitara GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 24 Metterá o meftre o abre- bocca na bocca do cavallo. {{lema|ABREGO}}. s. m. antiq. Sudoefte, vento do meio dia, que corre entre o Auftro, e o Zephiro. Por corrupção de Afri. co.<noinclude></noinclude> 358a6x0t11ba1lpxq37g9de8r1l07r9 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/240 106 254969 556610 2026-07-28T08:36:24Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: to. VIT. CHRIST. 1, 6, 21 E começou de andar con- tra o abrego. D. CATH. INF. Regr. 2, 15 Eu affirmo, que a Rainha do abrego fe levantará em juizo com efta pre- fenre geração. SA DE MEN. Mal. 2, 78 Fero abrego mór guerra ao mar movia, Furibundo mcdonho, defgrc- nhado, {{lema|ABRENUNCIAÇÃO}}. s. f. Acção de abrenuusiar. err. Ab- rununciação. Ros. Vid. 2, 127, 2 E' defta negação, e abrununciação, deo hum conhecimento ao diabo, efcrito c... 556610 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>to. VIT. CHRIST. 1, 6, 21 E começou de andar con- tra o abrego. D. CATH. INF. Regr. 2, 15 Eu affirmo, que a Rainha do abrego fe levantará em juizo com efta pre- fenre geração. SA DE MEN. Mal. 2, 78 Fero abrego mór guerra ao mar movia, Furibundo mcdonho, defgrc- nhado, {{lema|ABRENUNCIAÇÃO}}. s. f. Acção de abrenuusiar. err. Ab- rununciação. Ros. Vid. 2, 127, 2 E' defta negação, e abrununciação, deo hum conhecimento ao diabo, efcrito com o feu proprio fangue. M. BERN. Luz e Cal. 1, 9, 230 E entretanto fe defcuidão dos pontos lhanos e fub- ftanciaes do Evangelho, que são abrenunciação de tudo &c. {{lema|ABRENUNCIAR}}. v. a. 1. Eccl. Renunciar. Na pronun- ciação ruftica c comica Abarrunciar. GIL VIC. Obr. i, 53 Abarruncio Satanás. Ros. Vid. 2, 127, 2 Theophi- lo por mandado do demonio negou a Chrifto, e a fua Mái, e abrenunciou a profissão da Chriftandade, e o que promettêra no baptifmo. ARR. Dial. 6, 5 Pois ru abre- nuncias Satanás, e todas fuas obras, o mundo e roda fua pompa. GUERREIR. Rel. 5, 3, 21 Em final que do coração abrenunciava ao demonio. {{lema|ABREPTICIO, A}}. adj. Poffeffo. Do Lat. barb. Abrepti- tius. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 2. n. 26. p. 215 Anti- gamente havia muitos prejuros abrepticios pelo demonio. {{lema|ABREVIAR}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Abbreviar. {{lema|ABRIDO, A}}. p. p. regul. e anr, de Abrir. FERN. LOP. Chr. de D. J. 1. 2, 191, D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 32. Sous Hift. 2, 4, 3. (Affento de 1435.). {{lema|ABRIDOR}}. s. m. O que abre. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 42, 231 A companhia dos dous puriffimos efpiritos, primei- ros abridores e caminhantes da real eftrada da fanra cruz. Official, que grava ou efculpe. FR. NIC. DE OLIV. Grandez. 4, 8 Abridores de armas per officio, tres. {{lema|ABRIDOR, ORA}}. adj. ant. Medic. Aperiente, que tem virtude e força de abrir as vias e póros do corpo, e faci- litar o curfo dos humores. ORT. Colloq. 43, 160 y Se o bóde primeiro comer aipo e outras coufas abridoras. A. DA CRUZ, Recop. 5, 170 E he [a falfa] de fua natureza abridora. CARREIR. Comp. 68 He [o pão fanto] abridor, diurético, defeccarivo, &c.. {{lema|ABRIGADA}}. s. f. Sitio agazalbado e defendido das incle- mencias do tempo, frio, chuvas, ventos, &c. Cour. Dec. 6, 6, 4 Aonde havia abrigada dos levanres, que ven- tavão rijo. Los. Ecl. 1 Façamos, que hum pouco eftê Comnofco nefta abrigada. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 78. p. 58 Quem não folga de vêr o diftinto, com que hum bruto animal ... fabe bufcar de comer, c as abri- gadas, que toma de inverno. Met. BARR. Dec. 3, 10, 10 E que fabia bufcar boas abrigadas, quando havia tormenta de pelejar com os inimigos. O mefimo que Abrigada. SA DE MIR. {{lema|ABRIGADO}}. s. m. Cart. 5, 13 Mas tornando ao abrigado, Onde me far- tei aos ventos &c. HEIT. PINT. Dial. 1. Prol. Quando os ventos são afperos e tempeftuofos, fogem as aves pera o abrigado. REG. Inftruç. 86 Fugindo das calmas pera as fombras, dos frios pera os abrigados. {{lema|ABRIGADO, A}}. p. p. de Abrigar. BARR. Dec. 3, 9, 7. BARREIR, Chorogr. 89. ALBUQ. Comm. 1, 3. {{lema|ABRIGADOR}}. s. m. O que abriga. BENT. PER. Thes. {{lema|ABRIGAR}}. v. a. Agazalhar, defender, refguardar do ar, frio, vento, chuva, e outras injurias do tempo. De Lat. Apricare. ou de Briga, que alguns querem, fegundo Fr. L. dos Anj. Jard. 92, feja vocabulo do anrigo lingoa- gem de Hefpanha, o qual fignifica gente pofta em de- fensão e briga, e porque a ella fe abrigavão muitos homens, veio a fer nome de povoação. BARR. Dec. I, 8, 9 Em torno della eftão quatro ilheos, que tambem abrigão aquelle porto. FR. TH. DE JES. Trab. 1, 6, 131 Vejo efta cafinha tão aberta, que não ha canto, em que vos pofsão abrigar. ARR. Dial. 8, 8 Aprendamos a fer pera elles compaffivos dos filhos das cegonhas, que ven- do os pais debilitados e depennados com a velhice, os abrigão com fuas_azas. Met. ARR. Dial. 10, 63 Efta Senhora abriga e fup- pre as neceßidades de todos. FERNAND. GALV. Serm. I, 56, 4 A todos agazalha [a mifericordia] fem exceição de peffoas, e a todos abriga da tormenra da neceffida- de. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 252. p. 847 Santo Agathonio morreo defpedaçado dos leões, que em ou- tro rempo o abrigárão em fuas covas. Met. com pron. peff. Acolherfe, foccorrerfe. Reg. a alg. ou a alg. c. BARR. Dec. 3, 8, 2 EIRei de Pedir ao tempo, que fe acolhêo pera Pacem, pera fe abrigar a A BR nós, &c. Lam. Cerc. 1, 10 E porque fe armava da banda de Samatra hum tempo borrafcofo e defconverfavel, e a noire fe apropinquava, fe abrigou Triftão, Vaz com a armada de remo ao focairo da não e do galcão. Feo, Tr. Quadr. 1, 88, z Quem á fombra de Deos fe abri- ga, fombra de Dcos o cobre. {{lema|ABRIGO}}. s. m. Agazalbo, reparo, defenfa, resguardo contra o frio, e outras injurias do tempo. PAIV. Serm. 3, 52 Recolher em cafa aos que andão pela rua fem abrigo, rremendo com frio. Sous. Hift. 1, 5, 9 E como a fua vida era paffar a noite fem cama e fem abrigo fo- bre a rerra núa &c. LEON. DA COST. Ecl. I, 1 Aqui deixou ha pouco entr'eftas baftas Aveleiras d'hum par- to dous cabritos, Sobr'efta pedra durat ('ah) fem a- brigo. Met. Amparo, protecção, foccorro. BARR. Dec. 3, 6, 60 qual fe vio ráo ncceflitado de remedio, que fe acolhèo a Cóchi a bufcar o noffo abrigo. BERN. -Lim. Ecl. Que nos deixaftes cá em choro e pranto, Paf- tor formofo e fanto, Sem gosto, fem confelho, fem abrigo. ARR. Dial. 2, 5 Faltarlhehia Deos com fua fide- lidade, e não faria do mundo. ofaria abrigo aos feus contra os infultos Sitio defendido do frio, e outros rigores do tempo. BARR. Dec. 1, 8, 9 Na face da ilha, contra a terra fir-. me, fica o abrigo pera as nãos. ANDRAD. Chr. 4, 47 E o mefmo era no verão com ponente rijo, c que com le-. vante brando havia alli abrigo. MAUS. Aff. Afr. 4, 69 Jazia [a gente] Pelo florente abrigo derramada. Met. GoEs, Chr. de D. Man. I, 10 E, como gen- te fem paftor nem abrigo, fe efpalhou por diverfas par- tes do mundo. CAM. Сanç. 6, 8 Que em vós achem abrigo As mágoas, que aqui digo. HEIT. PINT. Dial. I. Prol. E vieráofe todas as artes] recolher no quieto remanfo e pacifico abrigo defte Reino. Epith. Accommodado. SEPULCHR. Refeiç. Ded. Bom: FERR. Poem. Ecl. 2. Certo. Loв. Conde ft. 16, 51. Coftu- mado. SoUTOM. Ribeir. 4, 138 y. Divinal. D. CATH. INF. Regr. 1, 2. Doce. FERR. Pocm. Son. 1, 51. Fero de aves e feras. CASTR. Ulyff. 8, 32. Florente. MAUS. Aff. Afr. 4, 69. Pacifico. HEIT. PINT. Dial. 1. Prol. Piedofo. SA DE MEN. Mal. 5, 30. Quieto. Los. Ecl. 1. Seguro. FERR. Poem. Hift. de S. Comb. Tranquillo. PER. Elegiad. 12, 164. Verb. Achar .... em alg. CAM. Canç. 6, 8. LEÃO, Defcript. 89. em alg. c. PER. Elegiad. 14, 206 . ein alg. lug. L.. BRAND. Medit. I, 1, 35. p. 224. Bufcar.. FERR. Pocm. Son. 2, 15. em alg. ou ent alg. c. SA DE MEN. Mal. 5, 30. CARDOS. Agiol. 3, 660. o... de alg. BARR. Dec. 3, 6, 6. Chegarfe ao... de alg. D. CATH. INF. Regr. I, 2. Dar... a alg. c. FERR. Poem. Ecl. 2, alg. por... a alg. c. SEPULCHR. Re- feiç. Ded. Eftar fem... Lon. Ecl. 4. Fazer... HIST. TRAG. MARIT. I, 339. a alg. contra alg. c. ARR. Dial. 2, 5. Grangear o... a alg. c. SEPULCHR. Refeiç. Ded. Miniftrar... a alg. D. CATH. INF. Regr. 1; 3. Perder o... D. F. MAN. Muf. 171. Viol. de Thal. Procu- rar o... M. THOм. Fen. 7, 15. Recolberfe no... de alg. lug. HEIT. PINT. Dial. 1. Prol. Ser... de alg. ANDRAD. Chr. 1, 19. Servir de... a alg. PURIF. Chr. 1, 3, 1. §. 3. Ter... FERNAND. GALV. Serm. 1, 59, 4. alg. CUNH. Caral. z, 10. em alg. contra alg. GUER- REIR. Rel. 2, 3, 15. Tomar... D. F. MAN. Epan. 3, 336. alg. c. por... SA' DE MEN. Mal. 3, 29. 82. eme Adag. A boi velho não cates abrigo. DELIC. Adag. Homem fem abrigo, paffarò fem ninho. DELIC. Adag. 92. {{lema|ABRIL}}. s. m. O quarto mez do anno, conforme o computo ecclefiaftico, e o fegundo antigamente na conta dos Romanos. Tem trinra dias, e nelle enrra o Sol no figno de Tau- ro, o fegundo do Zodiaco. Do Lat. Aprilis. CAM. Canc 11, 1 Nem roxa flor de Abril Pintor do campo ame- no e da verdura. AvELL. Reporr. I, 14 Foi chamado af- fi Abril, porque Aphrilis efcrito com h fignifica efcuma, da qual foi procreada Venus [a quem efte mez foi con- fagrado ] BRIT. Mon. 2, 5. c.7 No mez de Abril, quan- do nafcião os pács, e florecião os campos. res Met. Dizfe das peffoas, denotando particularmente a mocidade. FERR. Poem. Od. 1, 8 Em quanto dos amo- Reina doce brandura Livre da neve, que feu fogo esfria, E torna o lédo Abril rrifte Janeiro. PER. D'AFONS. Poder. 6, 159 Té que chegou o Abril de fua primavera, em que já começavão a refplendecer as lu zes<noinclude></noinclude> drwt32i3jm7gpyzlr8dosaox9xo2hro Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/241 106 254970 556611 2026-07-28T08:37:48Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: zes de feus olhos. CARDOS. Agiol. 25 385 No mais flo- rído Abril da fua idade. A refpeito do tempo denota frefcura, amenidade, ferenidade. EuPROS. 1, 4 E faz de todo o anno hum eterno Abril. FERR. Poem. Ecl. 4 Com tua vifta hum no- vo Abril florece Em toda parte. VEIG. Laur. Od. 3, 1 Quando.. [Sol] Enfeitais voffos raios, Brotan- do Abris, e derramando Maios.. Epith. Aprazivel. Feo, Serm. 12 y. Deliciofo. Ga- LHEG. Templ. I, 10. Eterno... 556611 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>zes de feus olhos. CARDOS. Agiol. 25 385 No mais flo- rído Abril da fua idade. A refpeito do tempo denota frefcura, amenidade, ferenidade. EuPROS. 1, 4 E faz de todo o anno hum eterno Abril. FERR. Poem. Ecl. 4 Com tua vifta hum no- vo Abril florece Em toda parte. VEIG. Laur. Od. 3, 1 Quando.. [Sol] Enfeitais voffos raios, Brotan- do Abris, e derramando Maios.. Epith. Aprazivel. Feo, Serm. 12 y. Deliciofo. Ga- LHEG. Templ. I, 10. Eterno. EuPROS. 1, 4. CASTR. Ulym. 1, 73. Florido. PER. Elegiad. 5, 61 y. CARDOS. Agiol. 2, 385. Formofo. M. THOM. Fen. 9, 1. Frefco. CASTR. Ulyff. 8, 138. Lédo. FERR. Poem. Od. 1, 8. Perpetuo. FERR. Poem. Ecl. 1. Suaviffimo. GALHEG. Templ. 1, 10. Verde. FERR. Poem. Ecl. 8. Adag. Abril agoas mil, coadas por hum mandil, e em Maio tres e quatro. DELIC. Adag. 4. Abril e Maio chave de todo o anno. DELIC. Adag. 4. Abril frio e molhado enche o celleiro, e farta o gado. DELIC. Adag. 4. Abril frio, pão e vinho. DELIC. Adag. 4. Altas ou baixas em Abril vem as Pafchoas. DELIC. A- dag. 26. Ao principio, ou ao fim Abril coftuma fer ruim. DE- .LIC. Adag. 26. A rêz perdida em Abril cobra a vida. DELIC. Adag. 82. As manhãas de Abril, são doces de dormir. BLUT. Vo- cab. A tí chova todo o anno, e a mim chova Abril e Maio. DELIC. Adag. 5. Bófta de Março tira nodoas quatro, bófta de Abril tira nodoas mil. HERN. NUN. Refran. 18 y. Do grão re fei contar, que em Abril não ha de eftar nafcido, nem por femear. DELIC. Adag. 6. Em Abril queijos mil, e em Maio tres ou quatro. DE- LIC. Adag. 6. Em Abril vai ondc. has de ir, e toma ao teu covil. DE- 11C. Adag. 33. Em Janeiro fécca a ovelha fuas, madeixas no fumeiro, e em Março no prado, e em Abril as vai ordir. DELIC. Adag. 182. Entre Abril e Maio moenda para todo o anno. DELIC. Adag. 65. Ficate embora mundo, deixarmehas Abril e Maio. DE- LIC. Adag. 7. Fio de Abril nas pedras vai ferir. 'DELIC. Adag. 7. Guarda pão para Maio, lenha para Abril. DELIC.Adag. 187. Huma agoa de Maio e tres de Abril valem por mil. DE- LIC. Adag. 8. Janeiro geofo Fevereiro nevofo, Março molinhofo, Abril chuvofo, Maio ventofo fazem o anno formofo. DELIC. Adag. 183. Março ventofo,e Abril chuvofo do bom colmear fa- zem aftrofo. DELIG. Adag. 9: No principio ou no fim Abril foe fer ruim. DELIC. Adag. 186. Por Abril dorme o moço ruim, e por Maio o moço', e o amo. DELIC. Adag. 11. Por todo Abril máo he defcobrir. DELIC. Adag..12.. Quem me vir e me ouvir guarde pão para Maio, e le- nha para Abril. DELIC. Adag. 73. Se chover em Maio, carregará o Rei o carro ; e em Abril o carril; e entre Abril c Maio, o carril e a carro. HERN. NUN. Refran. 106. Senão chover em Maio e Abril, dará o Rei o carro c o carril por huma fogaça e por hum funil, e a filha, a quem fha pedir. HERN. NUN. Refran. 106. Senão chover entre Maio e Abril, venderá el Rei o car- ro e o carril. DELIC. Adag. 15.. Solho de Abril abrelhe a mão, e deixao ir. HERN. NUN. Refran. 112 y... Somno de Abril deixao a teu filho dormir. DELIC. Adag. 136. Vaite embora Janeiro, deixarmehas Abril e Maio. DE- LIC. Adag. 183. {{lema|ABRILHANTADO, A}}. p. p. de Abrilhantar. {{lema|ABRILHANTAR}}. v. a. uf. Lavrar e polir, cortando em differentes fuperficies contrapoftas, para que com a reverbe- ração da luz fe auguente o brilbar. Os diamantes, ou pe- dras preciofas, e tambem a prata. {{lema|ABRIMENTO}}. s. m. Acção e effeito de abrir. SABELL. Eneid. 1,5, 34 Quanto ao milagre fatidico daquella cóva, mut- tos riverão por certo, que aquelle abrimento da terra não era fómente em meio de Grecia, mas que era o enibi; go de todo o mundo. FR. MARC. Chr. 2, 3, 19 Rir fem abrimento dos dentes. PROV. DA HIST. GEN. 4, 6, 219. P. 398. ann. 1609 Saibáo quantos efte inftrumento de abrimento de teftamento virem &c. {{lema|ABRIR}}. v. a. Defunir, feparar deixando espaço, e tirando o impedimento, que havia para entrar ou fabir em algu- ma cafa, para que a luz fe communique, para ver ou tirar o que eftri dentro de alguna confa, &c. Do Lat. Aperire. GOES, Chr. de D. Man. I, I Na hora, que el- Rei faleceo, os Senhores c peffoas principacs, que ahi erão prefentes ... abrirão o teftamento. FERR. Poem. Eleg. 8 De mágoa cortado Lume accendo, abro a por- ta, entra tremendo O moço rodo frio e enregelado. BRIT. Chr. 3, 32 E fazendoo depois abrir [o fepulchro] . com inftrumentos de ferro &c. Abf. Abrir a porta, franquear a entrada de algum lugar, SA DE MIR. Eftrang. 4, 61 y Aqui he [a pou- fada] ou lá, abri. Efta gente não ouve abri digo. FR. MARG, Vid. 2, 1 Batei, e abrirvoshão; porque todo o que pede, recebe; e o que bufca, acha; e ao que bate, fe abre. VIEIR. Serm. 14, 2, 1. n. 50 Se pergun- tarmos mais, como e de que maneira abrimos com pon- tualidade a Deos, refponde o mefmo fanto Doutor &c. Quando exercita a fua fignificação em algum nome, que fignifica espaço ou abertura, como: abrir porta ou janella em alguma parede, cóva, butaco, &c. tanto val, como fazer. GAVI, Cerc. 12, 40 Dando hum cabou- queiro com huma alavanca hum grande golpe, abrio hum buraco. CASTR. Ulyff. 6, 62 Tal ao furor da generofa efpada, Com que largo caminho vai abrindo, As hof- res inimigas fe apartavão. PAIV. D'ANDRAD. Exam. 4, 26 Tem poder a frequencia das ondas pera abrir na dureza de huma rocha viva largas e efpaçofas concavi- dades. Met. Declarar, manifeftar defcobrir o que he oc- culto ou difficil de achar ou entender. FERR. Poem. Cart. 2, 6 Abre jà, meu Caftilho, effas riquezas, Que tan ro ha já que em ri Phebo enthefoura, Solta o grão rio, farta mil pobrezas. PINT. RIB. Rel. 3, 57 Abrio Seneca mais efte penfamento, e a força defta verdade. VIEIR. Serm. 11, 15, 2. n. 6oz Vamos á Efcritura, e abranios nella hum novo e grande reparo. Fender, rachar, partir. MEMOR. DAS PROEZ. I, 29 O tomou com hum golpe pelas cóftas, que o abrio to- do. PER, Elegiad. 16, 234 y Do fructo tinha a côr, quando dourado O verde ouriço abre e efpedaça. FER- NAND. Palm. 3, 55 Serviãono de raes golpes, que a- brindolhe as armas por algumas partes, lhas tingião to- das das fuas feridas. Separar, dividir o que está unido, ou junto. BRIT. Chr. 5, 28 Chorando de laftima de ver abrir com açou-. tes hum corpo tão magro e debilitado com jejuns. Vip. DE SUS. 17 E coçandofe nos peitos com os prégos, abria as carnes tão crúa e feiamente, que &c.. A gente de armas em acção militar. CAM. Luf. 10, 43 Abrindo com a efpada o efpeffo e horrendo Efqua- drão de gentios, e de Mouros. Sous. COUTINH. Cerc. I, 15 E elle foi açommetter os imigos com muito esfor- ço, os quaes abrio em duas partes. BRIT. DE LEM. Abe cedar. 1, 7, 58 Sahem quatro ou feis foldados armados juntos de huma cafa, e abrem por onde querem,.até chegarem à fua bandeira. 2 No fobredito fentido, dizemos: abrir a bocca, os braços, as mãos, os olhos; as pernas; abrir livros, ou algum lugar delles; abrir as flores, que ellas abrem os botões, ou que as fuas folhas fe abrem, &c. FFRK, Poem. Cart. 1, 6 Quando mais ociofo então abrindo Os bons livros. CAM. Luf. 5, 55 Como doudo corri de longe abrindo Os braços. GAVI, Cerc. 13, 52 Por efpaço de hum Credo efteve abrindo, e cerrando a mão. BRIT. Chr. 6, 12 Lhe diffe, que abriffe a bocca.e tendoa aberta &c. Luc. Vid. 8, 5 Como fe abrem, cftch- dem, e dobrão a compaffo as folhas [do lirio] LOB. Con- deft. 11, 24 Abre os olhos, tégora defcontentes, varões e heroas foberanos. VEIG. Laur. Od. 1, 9 Hentem fe cftavão rindo As rofas.... Os botões de curo abrindo. L. Arv. Amor, 11 E fe Deos elpalha pe- las creaturas belleza e graça, abrindo a tempo as flo- res &c. GALV. D'ANDRAD. Art. 2, 20 Abrir muito as pernas do alto das virilhas. SEPULCHR. Refeiç. 4, 18 Abrio o lugar de Ifaias, em que manda annunciar o Evangelho a pobres. Verás Abrir a lança. Cavall. Defviala, retirala para fó- Ta GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 63 Tem mais efte. modo<noinclude></noinclude> hmg0xhyzmah4zeg2zq7tyvpwrtlp7cv Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/242 106 254971 556612 2026-07-28T08:40:32Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de obrar com a mão esquerda, não poder, abrir bem a lança para fóra, que he o bom. Abrir o cavallo. Cavall. Voltalo para fóra da car- reira, que levava. GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 47 E antes de chegar ao fim della [volta] não fecharão as voltas, fenão cada qual abrirá o cavallo fobre a mão esquerda. Abrir. "Gravar, cfculpir. Reg. abf. ou em. MAUS. Aff. Afr. 12, 190 Se abrio em pedra com aguda ponta. Letreiro. PINT. RIB. Rel. I, 3 Promette... 556612 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>de obrar com a mão esquerda, não poder, abrir bem a lança para fóra, que he o bom. Abrir o cavallo. Cavall. Voltalo para fóra da car- reira, que levava. GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 47 E antes de chegar ao fim della [volta] não fecharão as voltas, fenão cada qual abrirá o cavallo fobre a mão esquerda. Abrir. "Gravar, cfculpir. Reg. abf. ou em. MAUS. Aff. Afr. 12, 190 Se abrio em pedra com aguda ponta. Letreiro. PINT. RIB. Rel. I, 3 Promette firmeza efte cof- Tume de abrir em bronze. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 17. n. 48 Que Efcultor, por mais perito que feja, abrirá tanto ao natural huma imagem defta planta, como &c. Dar principio a alguma função ou acto público, co- mo: aulas, collegios, aftos literarios, concurfos de Univer- fidades, ou congreffos de qualquer genero. TELL. Chr. 2 5, 14. n. 7 Abrirãofe os eftudos em vinte e nove de Agofto do mefmo anno. TAVOR. Hift. 202 Certificando- me de fua determinação em abrir o Concilio, tanto que eftes Principes fe quizeffem concordar. L. Arv. Serm. 3, 19, 4. n. 13 Quando Chrifto abrio cfcóla de fua dou- trina, difle, que aprendeffem delle, que era humilde de coração. {{Uso|Cirurg}}. Tirar por arte, e com inftrumento a crian- ça do ventre à mulher, que não pode parir. BRIT. Chr. 6, 18 Sollicitada [a mulher] do filho, que trazia no ventre, pedia que a abriffem, pera "que, tirandoo vivo, pudeffe receber a agoa do bautifmo. Separar ou romper os tegumentos com ferro, ou. de outro qualquer modo; para curar algum defcito inter- 11o, ou langar fora algum bumor eftranho e nocivo. BRIT. Chr. 6, 18 Com a força do chôro, quebrára [o meni- no] das virilhas ambas, e como o Medicos fe não atre- veffem a lhe dar remedio fem o abrirem &c. Luc. Vid. 6,3 Affi parece, que ajuda o Çurgião com os oleos brandos a poftema, quando todavia não pertende, que crefça pera não farar, mas que amadureça pera a abrir. A. DA CRUZ, Recop. 2, 1 Tres modos ha de abrir os apoftemas. Abrir fontes. Vej. Fonte.. Abrir fedenhos. Vej. Sedenho. Abrir abf. ou abrir os póros Medić, Defembaraçar as vias, e facilitar o curfo dos humores. CABREIR. Comp. 68 Como as unturas abrão os póros, e faião os doentes com elles abertos ao ar com muita facilidade &c. A- ZEV. Correcç. I, 1, 2. p. 44 Por quanto outros reme- dios mais convenientes lhe fervem, como são abrir, adelgaçar, &c. Mokaт. Pratic. I, 2, 1.Os medicamen- tos, que fervem para os ataques do figado, hão de rer a virtude de abrir. Abrir as obftruções ou opilações.. Desfazelas. A. DA CRUZ, Recop. 5, 170 Soro de leite .. abre as opilações do figado c baço. MORAT. Tr. Unic. I Toma- do o vinho em moderada quantidade; desfaz as ven- tofidades, abre as obftruções, &c. Abrir as terras. Agric. Lavralas com as primeiras agoas do outono, para depois fe femearem. BLUT. Vocab. Abrit. abf. ou abrir voltas. Cavall. Começalas a dar, fazelas a cavallo. GALV. D'ANDRAD. Art. I, 40 E eftan- do déftro o difcipulo em obrar neftas voltas, fe enfina- rá a que elle as obre e abra por fi melmo... e que quando as começar, as abrirá, marcando bem com a vifta os finaes , que achar no terreno, que efte he o meio pera que as faiba abrir fem mestre. 1, 46 Quando abrirem os cavalleiros ] voltando os corpos, adar- gandofe não dêm efporadas. Fraf. Abrir agoa. A embarcação. Vej. Agoa.alg. c. a alg. cafo. (expola, fujeitala a elle) VEIG. Laur. Od. 6, 2.alicerces. Vej. Alicerce. fua alma a alg. Vej. Alma. as azas. Vej. Aza.bocca ou à bocca. (fallar, romper o filencio) CORT. R. Naufr.1, 14. BRIT. Chr.1, 11. Não abrir bocca ou fua bocca. (não fe queixar ou laftimar, padecendo) ARR. Dial. 3, 25. CARDOS. Agiol. 2, 216. Abrir brecba Milic. (arruinar com máquinas de guerra parte do muro de bama praça on caftello) VIEIR. Serm. 2, 4, 5. n. 114. a alg. Met. (abrandarlbe a intet- reza, perfuadilo, fazelo mudar de partido) M. BERN. Flo- reft. 3, 3, 124, A. Abrir a cabeça a alg. Vej. Cabeça. caminho a alg. c. Met. (darlbe modo de chegar ou acon- terer) PER. Elegiad. 1, 14. BRIT. Chr. 3, 28.a alg. em alg. c. (fer primeiro, que elle a fazela) BRIT. Chr. 2, 29. para alg. c. (facilitala, dar meios de fe fazer) BARREIR, Chorogr. 86. BRIT. Chr. 2, 28. por alguma parte, de ou para alg. lug. (fer o primeiro a ir por elle) CAM. Luf. 10, 52. VEIG. Laur. Od. 1, 2. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 29, 3, 519. Abrirfe caminho a alg. de alg. c. (ter occafião de a fazer) BARK. Paneg. 32, 322. a alg. de ou para alg. c. (achar maneira de a confeguir) BRIT. Chr. I, 22. 6, 27. Abrir campo- abf, ou em que alg. c. fe faça. (dar lugar e opportunidade de a fa- zer) SOVER. Hift. 1, 11: VIEIR. Serm. 4, 11, 5. n. 394- Abrirfe campo a alg. (offerecerfelbe occafião) Patv. Serm. 2, 69. Abrir caufa a alg. c. (dar motivo para que fe ef- pere, ou tenha por poffivel) FERR. Poem. Ecl. 6. coração a alg. ou a alg. c. (darlbe entrada, recebela, ad- mittila com toda a vontade) FR. MARC. Chr. 2, 1, 50. M. BERN. Paraif. 2.- os dentes a alg. Met. (difpórfe a refiftirlbe) SERR. Difc. 1, 314. o dia. Poet. (come- çar a manifeftalo. Do Sol) CAM. Eleg. 4, 1.0 en- tendimento a alg. (alumiarlbo, illuftrarlbo) PAIV. Serm. 3, 70 . BRIT. Chr. 6, 12. entrada a alg. em alg. lug. (franquearlbo) FR. TH. DE JES. Trab. I, 23, 520 V. as efperanças a alg. (começarlbas a dar) TELL. Chr. 1, 2, 20. n. 1. Abriremfe as efperanças a alg. (começalas a ter) TELL. Chr. I, I, 12. n. 8. Abrir a eftrada a, ou de alg. c. (defcobrir, ou facilitar os meios de fe fazer ou confeguir) ANDRAD. Cerc. I, 2, 4. VIEIR. Serm. 1. Prol. exemplo. Vej. Exemplo.as fontes. (fazelas cor- rer) FERR. Poem. Cart. 2, 9. o juizo a alg. (o mef- mo que abrir o entendimento a alg.) BARR. Dec. I, 4,5- loja. Vej. Loja. a luz do dia. Poet. (começar a manifeftala. Da aurora) M. THOм. Inful. 4, 1. mão, ou as mãos, abf. a, ou para com alg. (fer libe- ral, ou dar com liberalidade a alg.) VIT. CHRIST., I, 8 . HEIT. PINT. Dial. 2, 1, 18., BRIT. Chr. 5, 3. as mãos a alg. (acceitarlbe peita ou dadiva) ARR. Dial. 5, 6₁ mão de alg. ou de alg. c. (deixala defampara- la) GALV. Chr. 14. BRIT. Mon. 2, 6. c. 6. Abrindo a mão, ou abrindo e cerrando a mão, ou em hum abrir de mão. (o mefmo que em bum abrir de olhos) EvFROS. 2, 5. FERR. Poem. Cart. 2, 4. CHAG. Serm. Genuin. 11, 271. Abrir o mar. (navegar) CAM. Luf. 5, 84.al-. guma materia. (apontala, on começala a tratar) BARR Viciof. Verg. 7.a mina. (rompela) GAvI. Cerc. 12, 40. Abrife occafião a alg. de, ou para alg. c. (ter. opportunidade de a fazer ou, confeguir ). TELL. Chr. 2, 5, 6. 11. 7. PURIF. Chr. 2, 77. §. 1. Abrir elho. (dar ou fazer ter advertencia e cautela) FERR. DE VASC. Ulyffip. 1, 1. Abrir os olhos. (acordar, defpertar do fommo) M. THOM. Inful, 1, 88. (começar a ter vifta) L. ALv. Serm. 2; 2, 2. n. 5. Met. (olhar por fi, e peloffens intereffes) EurROS. Prol. BRIT. Mon. 1, 2, c. 1. ou de alg. (darlbe vifta) BRIT. Chr. 3., 17. FR. MARC. Chr. I, 1, 14. Met. (darlbe entendimento) ARK. Dial. 9, 17. Abrir alg. c. os olhos. Met. (começar a ap- parecer, on a ter confiftencia) SERR. Difc. 2, 533 No mefmo ponto, em que nelles [Reis] abre os olhos qual- quer vicio, fe lhes começa a ir fazendo acceito, quem os cria na diflimulação_delle. Abrir os olhos a alg. c. (defejala, procurala) FERR. Poem. Cart. 2, 2. alg. a alg. c. (fazerlha ver, conhecer, feguir) FERR. Poem. Son. 1, 38. BRIT. Chr. 1., 3. para alg.c. (co- meçala o ver ou conhecer) TELL. Chr. 2, 5, 2. n. 2. A- briremfe os olbos a alg. (receber o fentido da vifta) CALV. Homil. 2, 234-a alg. abf. ou para alg. c. Mer. (il- luftrarfelbe o entendimento) PAIV. Serm. 3, 1. da alma a alg. (o mefmo que abrirfelbe o entendimento. Principalmente em coufas moraes) Luc. Vid. 6, 3. BRIT. Chr. 5, 9. do entendimento. (attender, advertir) L. ALV. Amor, 9. Abrir de olhos. (final feito com os olbos, ou feja ameaçando, ou dando a entender o que fe quer) PINT. RIB. Rel. 1, 87. Em bum abrir de olbos, ou em bum abrir e fechar de olhos. (com fumma brevidade e pref teza) VIEIR. Sem. 8, 263. M. FERNAND. Alm. 1, 1, 6. n. 5. Em quanto fe abre e terra o olho. (o mefmo que em bum abrir de olhos) D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 4. Abrir as orelhas a alg. (darlbe attenção) CEIT. Serm. 1,8,4a alg. c. Cefcutala attentamente) ARR. Dial. 1, 10. Abriremfe as orelhas a alg. (receber o fentido do ouvir) CALV. Homil. 2, 234. Abrir os ouvidos. (efcutar) CALV. Homil. 2, 67. a alg. c: (o mefmo que abrir as orelbas a alg. c.) VIEIR. Palavr. 13, 3. 6. p. 165. de alg. (dar- The o fentido do ouvir), BRIT. Chr. 3, 9. Abriremfe. os ouvidos de alg. para alg. c. (ouvila com attenção e boa vontade) BRIT. Chr. 3,9 Abrir palavras do peito. (fal- lar fefudamente) CAM. Luf. 8, 64. ROLL. Noviff. 1, 81. & passo ou o paffo a alg, ou a alg.c. (darlbe ou fran- quearlbe a paffagem) Lise. Jard. 437, 2. VIEIR. Voz. 15, 7, 1. p. 168. M. BERN, Paraif. 1. a alg. a alg.c. (dat<noinclude></noinclude> 2jivputahf6ef710jgb8f64c7s80fhc Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/243 106 254972 556613 2026-07-28T08:42:32Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: (darlhe entrada para ella) SA' DE MEN. Mal. 3, 55. A- brir o peito ou o feu peito a alg. (manifeftarlbe tudo o que fe fente ou fabe) SOVER. Hift. 1, 5. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 155. dos olhos de alg. (o mefmo que a alg.) FERR. Poem. Cart. 1, 2. a alg. c. (admitti- la, recebela no animo) PER. Elegiad. 14, 207 y. Abrir a porta a alg. c. (franquearlbe a entrada) BRIT. Chr. 4, 1. VIEIR. Serm. 4, 1, 6. n. 23.- (fazerlbe caminho., indo dian... 556613 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>(darlhe entrada para ella) SA' DE MEN. Mal. 3, 55. A- brir o peito ou o feu peito a alg. (manifeftarlbe tudo o que fe fente ou fabe) SOVER. Hift. 1, 5. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 155. dos olhos de alg. (o mefmo que a alg.) FERR. Poem. Cart. 1, 2. a alg. c. (admitti- la, recebela no animo) PER. Elegiad. 14, 207 y. Abrir a porta a alg. c. (franquearlbe a entrada) BRIT. Chr. 4, 1. VIEIR. Serm. 4, 1, 6. n. 23.- (fazerlbe caminho., indo diante) FR. TH. DE JES. Trab. 1, 23, 523. Abrir à porta ou portas a alg. ou a alg. c. (admittila, darlhe entrada) VEIG. Laur. Od. 6, 2. VIEIR. Serm. 4, 12, 6. n. 445 a porta do coração a alg. c. (recebela no ani- mo) PALAC. Summ. 343 y.as portas da vontade a alg. c. (confentir nella, querela) HEIT., PINT. Dial. I, 2, 5. a porta ou portas de alg. c. (facilitar a com- municação, desfazer os obftaculos, que bavia a feu refpei- to) BARR. Dec. I, 1, 2. NORONH. Tr. 24, 43. portas ou as portas de par em par. Vej. De par em par. Abrir- fe a porta a alg. c. (começarfe a fazer, ufar, ou confen- tir) PALAC. Summ. 353 . Quando huma porta fe cerra, foutra fe abre. (quando por huma parte fuccede mal, por Goutra vem o remedio, ou algum bem) EUFкos. 1, 6. Abrir preço. Vej. Preço. a terra. (lavrar) VEIG. Laur. Ecl. .4. os thefouros da Igreja. (conceder indulgencias. Dq Papa) BRIT. Chr. 3, 15. trincheira. Milic. (dar prin- cipio aos ataques de huma praça) MEN. Paneg. 7. veias. (fangrar) CABREIR. Pelt. 2. venda. (expór as mercadorias para ferem vendidas) FERR. DE VASC. Ulyf- fip. 1, 7. via a alg. (mofrarlbe o caminho) M. THом. Inful. 4, 29. a alg. de alg. c. (facilitarlhe o alean- gala) CHAG. Obr. 1, 3, 3. Abrir a vontade abf. ou a vontade de comer. (excitar o appetite) GRIST. Defeng. 3, 16. M. BERN. Floreft. 1., I, I, C. ...Abrir neutr. Separarfe, defviarfe. GaLv. D'ANDRAD. Art. 1 61 Se o touro, em fahindo do touril, abrir pera a mão esquerda, ou pera a direita &c. 1, 63 E a lan- ça, abrindo pelo lado efquerdo, fica fraca. e pelo di- reito, inda que abra muito, fica forre. Fenderfe, racharfe, gretarfe, fazer abertura. BARR. Dec. 2, 3, 5 Abrio, a não de Pero d'Affonfeca, por r fer velha. CAM. Luf. 9, 59, Abre a romáa moftrando a rubi- *cunda Côr, com que tu, rubi, teu preço perdes.⚫ Sous. Hift. 1, 2, 1 O fegundo valle, que, fegundo a nofla comparação, abre entre o dedo pollegar, e o in- dex &c. Com pron. peff. FERR. Poem. 1, 9 Qu' o céo ou tra vez s'abra, e o mundo alague. CORT. R. Cerc. 4, 52 Jà fe abria A não por mil lugares recolhendo Quafi o mar todo em fi. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 22 A romáa cheia de bellos gtãos, dandolhe em cheio o raio do fervente Sol, fe abre, c'moftra feus fermofos e ru- bicundos grãos. Dilatarfe, fazer abertura, deixando efpaço. Com pron. peff. ou fem elle. D. FR. BR. DE BARR. Espelh. 3, 31 Tão impetuofo he feito o movimento da devação, que, abrindofe inuito o coração e faltando com alegria &c. GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 38 E os pés, que abrão o me- nos que fer poffa. Met. Manifeftarfe, defcobrirfe, apparecer. CAM. Luf. 10, 32 Mas oh que luz tamanha, que abrir fin- to. Dizfe das flores, quando feparão e eftendem as fo- lhas, que tinhão recolhidas no botão. MATT. Jeruf. 18, 23 Abria hum lirio aqut, alli huma rofa. FREIR. Vid. 4, 36 Que aquellas tenras flores, que começavão a abrir no jardim da Igreja, não as quizeffe deixar defabrigadas ás injurias do ardor da idolatria. M. BERN. Medit. 2... 21 Pela madrugada, hora propria de abrirem as flores. Começar a ferenarfe, ceffarem as chuvas e ventos, ou o rigor dos frios, geadas, &c. Do tempo. FREIR. Vid. 2, 144. Em abrindo o tempo, não ferião os Portu- guezes tardos em darfe huns aos outros as mãos nos maiores perigos. Abtir, ou abrir dos peitos, ou pelos peitos. Def pegar huma ou ambas as pás de feu lugar a força de pan- cada, ou de exceffo. Dos cavallos. MoR. Palm. 2,127 O[cavallo] do guardador do vulto de Miraguarda abrio dos peitos. Rec. Summul. 44 Se o cavallo der tão gran- de pancada ou fizer algum exceffo tão violento, que defpegue huma ou ambas as pas de feu lugar, que he aquillo,.a que propriamente le chama abrir, ou def pentear &t. VILL. BOAS, Nobiliarch. 24 Correndo o ca- vallo, em que hia o Alferes, foi topar no canto da Sé, 'onde abrio pelos peitos. T. de Efgrim. Defcobrirfe. Ton. Luiz, Liç. 19 A mais certa ferida aos efquerdos, he incitar por fora ao rofto, e em abrindo, darlhe hum revez por dentro. , Abrirse a, os com alg. Defcobrirlhe o proprio intc- rior ou communicarlbe fem referva algum fegredo. ME- MOR. DAS PROEZ. I, 41 Elle fe lhe abrio, e lhe deo conta dos feus fundamentos. CALV. Homil. 1, 246 Hou- vefe com foffrimento e cautéla, porque a inimigos não nos havemos de abrir. M. BERN. Floreft. 1, 2, 57; A Não podias occultamente abrirte comigo. a alg. c. Difpôrfe, facilitarfe a recebela. PiNT. PER. Hift. 2, 21, 58 Parecendo fempre dalli por diante, que devia de crecer no Hidalcão o defejo della [paz] pois. fe abria tanto z iffo. Abrirfe o céo em favor de alg, ou contra alg. Ser Deos favoravel, ou contrario a alg. BARR. Dec. 2, 3, 6 Que parecia abrirfe o ceo, e o animo de todos em efpi- rito de furia contra aquella perfida gente. CASTILH. Comm. I Puzeffem diante quantas vezes virão com os olhos abrirente os céos em notlo favor. Abrirfe huni efquadrão. Dividirfe pelo meio, fazen- do bum quarto de conversão, e deixando bum claro, para que paffe tropa, artilharia ou equipagem. BRIT. Chr. 5; 18 Que fe abrio [o efquadrão] pera efte effeito, e de- pois de ferem os ginetes paffados, fe tornou a cetrar. MEND. DE VASC. Art. 142 De força fe hão de retirar [as mangas e guarnição] o que não podem fazer fem fe met- ter pelo efquadrão, com o que elles mefmos o ajudarão a romper; pois fe ha de abrir para os recolher. Adag. Abre a tua bolça, abrirci a minha bocca. DELIC. Adag. 113. Quem tem doença, abra a bolça, e tenha paciencia. • DELIC. Adag. 129. {{lema|ABRIXAR}}. v. a. Talvez o mefmo que Abrir. comic. è vulg. FERR. DE VASC. Aulegt. 2, 2 Moça abrixa ef- fes olhos, pera ninguem olhes teza, não fejas janel- leira, &c. {{lema|ABROCADADO, A}}. adj. Tecido ou feito á maneira de brocado. Aborcadado. FEo, Tr. Quadrag. 1; 147,1 Vef- tiduras Phrygias erão, cou humas, que chamamos abor- cadadas, feitas á agulha de varlas cores, ou borladas .com certos engaftes. SALGUEIR. Rel. 32 O [veftido] de- baixo de damafco abrocadado. col- {{lema|ABROCHADO, A}}. p. p. de Abrochar. MoR. Dial: 3, 29: MEND. PINT. Peregr. 124. PAIV. Serm. 1, 254. {{lema|ABROCHADURA}}. s. f. Acção de apertar ou fegurar cont brocha, colchetes, &c. BENT. PER. Thes. {{lema|ABROCHAR}}. v. a. Apertar ou fegurar com brocha chetes, cordões, bc. MoR. Palm. 2., 111 Em cima cobria huma capa de efcarlata branca, forrada de fétim bran- co, que fe abrochava por diante com huns diamantes á maneira ds botões. Les. Cort. 2, 16 y E trazia] 0 redor hum cincto largo de correia, que abrochava no cabo debaixo. TR. DA CIN. 8, 19 Tambem pera a mefma parte fe abrocha a fifgola e focinheira das cabe- çadas. {{lema|ABROGAÇÃO}}. s. f. Anullação, revogação de lei cu pri- vilegio. ESTAT. DA UNIV. 2, 1, 9 Declaração se sabrc- gação dos eftatutos.. {{lema|ABROGADO, A}}. p. p. de Abrogar. CEIT. Serm. 2, 218, 2. PINT. RIB. Injuft. Succeff. 4, 76. M. FERNAND. Alm. 3, 1, 21. {{lema|ABROGAR}}. v. a. Jurifpr. Anullar revogar. A lei; privilegio, coftume, &c. Do Lat. Abrogare. ARR. Dial. 3, 20 Abrogar a lei propriamente he anullala, depois que começou ter força e obrigar. CEIT. Quadrag: 2, 63 i Morrendo o Melitas, fará novo teftamento, abrogan- do os facrificios e ceremonias. PINT. RIE. Rcl. 1, 63 Abrogar ou revogar Ordenação, fó o Principe legisla- dor e lei viva o póde fazer. Met. ARR. Dial. 3, 18 A Theodoreto parece que como os facrificios, aflim tambem os inftrumentos mufi- cos da Sinagoga forão abrogados. Curr. Serm2, 280, 4 Da lei nova não tinha elle [Sacramento da Eucharif tia que incluir em fi, pois abrogou todos os mais, e elle fo ficou cm a Igreja, como unico Sol, cuja clari- dade e perfeição apaga toda a mais luz. {{lema|ABROLHADO, A}}. p. p. de Abrolhar. VID. DE Sus. 22. {{lema|ABROLHAR}}. v. n. Agric. Lançar os primeiros gonios on olhos. Da vide. De Abrir e Olho. MATT. Jeruf. 15, 35 E que as vides mais ferteis abrolbavao. M. FERNAND Alm. 1, 2, 2. n. 103 Vai recontando os infortunios, que the podem vir no temporal, como, não florecer a figuei- ra, não abrolhar a vinha, não correfponder o olival &c. Met<noinclude></noinclude> mq3vcybckmk3a7e7d9mto39an9aef4p 556614 556613 2026-07-28T08:43:14Z MLReis 41056 556614 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>(darlhe entrada para ella) SA' DE MEN. Mal. 3, 55. A- brir o peito ou o feu peito a alg. (manifeftarlbe tudo o que fe fente ou fabe) SOVER. Hift. 1, 5. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 155. dos olhos de alg. (o mefmo que a alg.) FERR. Poem. Cart. 1, 2. a alg. c. (admitti- la, recebela no animo) PER. Elegiad. 14, 207 y. Abrir a porta a alg. c. (franquearlbe a entrada) BRIT. Chr. 4, 1. VIEIR. Serm. 4, 1, 6. n. 23.- (fazerlbe caminho., indo diante) FR. TH. DE JES. Trab. 1, 23, 523. Abrir à porta ou portas a alg. ou a alg. c. (admittila, darlhe entrada) VEIG. Laur. Od. 6, 2. VIEIR. Serm. 4, 12, 6. n. 445 a porta do coração a alg. c. (recebela no ani- mo) PALAC. Summ. 343 y.as portas da vontade a alg. c. (confentir nella, querela) HEIT., PINT. Dial. I, 2, 5. a porta ou portas de alg. c. (facilitar a com- municação, desfazer os obftaculos, que bavia a feu refpei- to) BARR. Dec. I, 1, 2. NORONH. Tr. 24, 43. portas ou as portas de par em par. Vej. De par em par. Abrir- fe a porta a alg. c. (começarfe a fazer, ufar, ou confen- tir) PALAC. Summ. 353 . Quando huma porta fe cerra, foutra fe abre. (quando por huma parte fuccede mal, por Goutra vem o remedio, ou algum bem) EUFкos. 1, 6. Abrir preço. Vej. Preço. a terra. (lavrar) VEIG. Laur. Ecl. .4. os thefouros da Igreja. (conceder indulgencias. Dq Papa) BRIT. Chr. 3, 15. trincheira. Milic. (dar prin- cipio aos ataques de huma praça) MEN. Paneg. 7. veias. (fangrar) CABREIR. Pelt. 2. venda. (expór as mercadorias para ferem vendidas) FERR. DE VASC. Ulyf- fip. 1, 7. via a alg. (mofrarlbe o caminho) M. THом. Inful. 4, 29. a alg. de alg. c. (facilitarlhe o alean- gala) CHAG. Obr. 1, 3, 3. Abrir a vontade abf. ou a vontade de comer. (excitar o appetite) GRIST. Defeng. 3, 16. M. BERN. Floreft. 1., I, I, C. ...Abrir neutr. Separarfe, defviarfe. GaLv. D'ANDRAD. Art. 1 61 Se o touro, em fahindo do touril, abrir pera a mão esquerda, ou pera a direita &c. 1, 63 E a lan- ça, abrindo pelo lado efquerdo, fica fraca. e pelo di- reito, inda que abra muito, fica forre. Fenderfe, racharfe, gretarfe, fazer abertura. BARR. Dec. 2, 3, 5 Abrio, a não de Pero d'Affonfeca, por r fer velha. CAM. Luf. 9, 59, Abre a romáa moftrando a rubi- cunda Côr, com que tu, rubi, teu preço perdes. Sous. Hift. 1, 2, 1 O fegundo valle, que, fegundo a nofla comparação, abre entre o dedo pollegar, e o in- dex &c. Com pron. peff. FERR. Poem. 1, 9 Qu' o céo ou tra vez s'abra, e o mundo alague. CORT. R. Cerc. 4, 52 Jà fe abria A não por mil lugares recolhendo Quafi o mar todo em fi. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 22 A romáa cheia de bellos gtãos, dandolhe em cheio o raio do fervente Sol, fe abre, c'moftra feus fermofos e ru- bicundos grãos. Dilatarfe, fazer abertura, deixando efpaço. Com pron. peff. ou fem elle. D. FR. BR. DE BARR. Espelh. 3, 31 Tão impetuofo he feito o movimento da devação, que, abrindofe inuito o coração e faltando com alegria &c. GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 38 E os pés, que abrão o me- nos que fer poffa. Met. Manifeftarfe, defcobrirfe, apparecer. CAM. Luf. 10, 32 Mas oh que luz tamanha, que abrir fin- to. Dizfe das flores, quando feparão e eftendem as fo- lhas, que tinhão recolhidas no botão. MATT. Jeruf. 18, 23 Abria hum lirio aqut, alli huma rofa. FREIR. Vid. 4, 36 Que aquellas tenras flores, que começavão a abrir no jardim da Igreja, não as quizeffe deixar defabrigadas ás injurias do ardor da idolatria. M. BERN. Medit. 2... 21 Pela madrugada, hora propria de abrirem as flores. Começar a ferenarfe, ceffarem as chuvas e ventos, ou o rigor dos frios, geadas, &c. Do tempo. FREIR. Vid. 2, 144. Em abrindo o tempo, não ferião os Portu- guezes tardos em darfe huns aos outros as mãos nos maiores perigos. Abtir, ou abrir dos peitos, ou pelos peitos. Def pegar huma ou ambas as pás de feu lugar a força de pan- cada, ou de exceffo. Dos cavallos. MoR. Palm. 2,127 O[cavallo] do guardador do vulto de Miraguarda abrio dos peitos. Rec. Summul. 44 Se o cavallo der tão gran- de pancada ou fizer algum exceffo tão violento, que defpegue huma ou ambas as pas de feu lugar, que he aquillo,.a que propriamente le chama abrir, ou def pentear &t. VILL. BOAS, Nobiliarch. 24 Correndo o ca- vallo, em que hia o Alferes, foi topar no canto da Sé, 'onde abrio pelos peitos. T. de Efgrim. Defcobrirfe. Ton. Luiz, Liç. 19 A mais certa ferida aos efquerdos, he incitar por fora ao rofto, e em abrindo, darlhe hum revez por dentro. , Abrirse a, os com alg. Defcobrirlhe o proprio intc- rior ou communicarlbe fem referva algum fegredo. ME- MOR. DAS PROEZ. I, 41 Elle fe lhe abrio, e lhe deo conta dos feus fundamentos. CALV. Homil. 1, 246 Hou- vefe com foffrimento e cautéla, porque a inimigos não nos havemos de abrir. M. BERN. Floreft. 1, 2, 57; A Não podias occultamente abrirte comigo. a alg. c. Difpôrfe, facilitarfe a recebela. PiNT. PER. Hift. 2, 21, 58 Parecendo fempre dalli por diante, que devia de crecer no Hidalcão o defejo della [paz] pois. fe abria tanto z iffo. Abrirfe o céo em favor de alg, ou contra alg. Ser Deos favoravel, ou contrario a alg. BARR. Dec. 2, 3, 6 Que parecia abrirfe o ceo, e o animo de todos em efpi- rito de furia contra aquella perfida gente. CASTILH. Comm. I Puzeffem diante quantas vezes virão com os olhos abrirente os céos em notlo favor. Abrirfe huni efquadrão. Dividirfe pelo meio, fazen- do bum quarto de conversão, e deixando bum claro, para que paffe tropa, artilharia ou equipagem. BRIT. Chr. 5; 18 Que fe abrio [o efquadrão] pera efte effeito, e de- pois de ferem os ginetes paffados, fe tornou a cetrar. MEND. DE VASC. Art. 142 De força fe hão de retirar [as mangas e guarnição] o que não podem fazer fem fe met- ter pelo efquadrão, com o que elles mefmos o ajudarão a romper; pois fe ha de abrir para os recolher. Adag. Abre a tua bolça, abrirci a minha bocca. DELIC. Adag. 113. Quem tem doença, abra a bolça, e tenha paciencia. • DELIC. Adag. 129. {{lema|ABRIXAR}}. v. a. Talvez o mefmo que Abrir. comic. è vulg. FERR. DE VASC. Aulegt. 2, 2 Moça abrixa ef- fes olhos, pera ninguem olhes teza, não fejas janel- leira, &c. {{lema|ABROCADADO, A}}. adj. Tecido ou feito á maneira de brocado. Aborcadado. FEo, Tr. Quadrag. 1; 147,1 Vef- tiduras Phrygias erão, cou humas, que chamamos abor- cadadas, feitas á agulha de varlas cores, ou borladas .com certos engaftes. SALGUEIR. Rel. 32 O [veftido] de- baixo de damafco abrocadado. col- {{lema|ABROCHADO, A}}. p. p. de Abrochar. MoR. Dial: 3, 29: MEND. PINT. Peregr. 124. PAIV. Serm. 1, 254. {{lema|ABROCHADURA}}. s. f. Acção de apertar ou fegurar cont brocha, colchetes, &c. BENT. PER. Thes. {{lema|ABROCHAR}}. v. a. Apertar ou fegurar com brocha chetes, cordões, bc. MoR. Palm. 2., 111 Em cima cobria huma capa de efcarlata branca, forrada de fétim bran- co, que fe abrochava por diante com huns diamantes á maneira ds botões. Les. Cort. 2, 16 y E trazia] 0 redor hum cincto largo de correia, que abrochava no cabo debaixo. TR. DA CIN. 8, 19 Tambem pera a mefma parte fe abrocha a fifgola e focinheira das cabe- çadas. {{lema|ABROGAÇÃO}}. s. f. Anullação, revogação de lei cu pri- vilegio. ESTAT. DA UNIV. 2, 1, 9 Declaração se sabrc- gação dos eftatutos.. {{lema|ABROGADO, A}}. p. p. de Abrogar. CEIT. Serm. 2, 218, 2. PINT. RIB. Injuft. Succeff. 4, 76. M. FERNAND. Alm. 3, 1, 21. {{lema|ABROGAR}}. v. a. Jurifpr. Anullar revogar. A lei; privilegio, coftume, &c. Do Lat. Abrogare. ARR. Dial. 3, 20 Abrogar a lei propriamente he anullala, depois que começou ter força e obrigar. CEIT. Quadrag: 2, 63 i Morrendo o Melitas, fará novo teftamento, abrogan- do os facrificios e ceremonias. PINT. RIE. Rcl. 1, 63 Abrogar ou revogar Ordenação, fó o Principe legisla- dor e lei viva o póde fazer. Met. ARR. Dial. 3, 18 A Theodoreto parece que como os facrificios, aflim tambem os inftrumentos mufi- cos da Sinagoga forão abrogados. Curr. Serm2, 280, 4 Da lei nova não tinha elle [Sacramento da Eucharif tia que incluir em fi, pois abrogou todos os mais, e elle fo ficou cm a Igreja, como unico Sol, cuja clari- dade e perfeição apaga toda a mais luz. {{lema|ABROLHADO, A}}. p. p. de Abrolhar. VID. DE Sus. 22. {{lema|ABROLHAR}}. v. n. Agric. Lançar os primeiros gonios on olhos. Da vide. De Abrir e Olho. MATT. Jeruf. 15, 35 E que as vides mais ferteis abrolbavao. M. FERNAND Alm. 1, 2, 2. n. 103 Vai recontando os infortunios, que the podem vir no temporal, como, não florecer a figuei- ra, não abrolhar a vinha, não correfponder o olival &c. Met<noinclude></noinclude> lvlhts10jmtok29ivm6psu0r3lx2ihc Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/244 106 254973 556615 2026-07-28T08:45:22Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Met. Rec. Summul. 99, A farna viva he aquella, que não abrolba mais por cima do couro, que huma cafpa. {{lema|ABROLHO}}. s. m. Certa planta berbacea. Ha duas efpecies de abrolhos huma terreftre, outra aquatica. O abrolho terreftre (tribulus terreftris) diftribuido por Linneo na De- candria Monogynia do feu Syftema dos Vegeta es, tem o caule proftrado fobre a terra, as folhas jugadas com feis pares de foliolos quafi iguaes, as flores... 556615 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude> Met. Rec. Summul. 99, A farna viva he aquella, que não abrolba mais por cima do couro, que huma cafpa. {{lema|ABROLHO}}. s. m. Certa planta berbacea. Ha duas efpecies de abrolhos huma terreftre, outra aquatica. O abrolho terreftre (tribulus terreftris) diftribuido por Linneo na De- candria Monogynia do feu Syftema dos Vegeta es, tem o caule proftrado fobre a terra, as folhas jugadas com feis pares de foliolos quafi iguaes, as flores com o ca- liz. partido em cinco lacinias, a cotolla de cinco petalas amarellas, patentemente abertas, e fem eftylete no pif- tillo; o feu fructo be compofto de cinco capfulas com quatro efpinhos cada huma, e com muitas fementes. O abrolho aquatico ou marinho (Trapa natans) diftribuido na Tetrandria Monogynia do Syftema de Linnco, he hu- ma planta propria das lagoas tanto de agoa doce, como falgada; tem duas fortes de folhas; as que eftão mer- gulhadas na agoa são fendidas em muitas lacinias capil- Tares e as fluctuantes são rhomboidaes com os pecio- los inchados em fórma de maffa ; as fuas flores tem o caliz partido em quatro lacinias, a corolla de quatro pe- talas, e dão por fructo huma noz guarnecida de quatro cfpinhos oppoitos, os quaes tinhão dantes fido lacinias do caliz. De Abre e Olho. Ufafe de ordinario no plu- ral. CAM Ecl. 4, 25 Abrolhos me parecem frefcas flores. BRIT. Chr. I, 1 Lançandofe em huma mata de abrolhos. ORIENT. Lufit. 260 y Será medonho e trifte o lirio cafto, O defditofo abrolho florecente. Obra artificial com figura de abrolho. MoR. Palm. 1, 17 Armas femeadas de abrolhos de ouro. Efpinho de qualquer genero. Sous. Hift. 1, 1, 14 Por eftas calidades, e porque nafce [a rola] armada de efpinhos e abrolhos, que offendem c magoão &c. M. BERN. Floreft. 2, 4, 160, B E pegandolhe da mão, vi, que tinha nella cravado altamente hum agudo abro- Met. Paiv. Serm. 1, 323 . Porque fe com vos cultivardes e trazerdes muito tento em vós, não vos podeis ter que não brote effa carne mil abrolhos, que ferá fe nos deixarmos a beneficio da natureza? HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 2 O mundo he huma cafa pintada de fóra, e de dentro efcura, juncada de efpinhos e abro- lhos. FEO, Tr. 2, 12, 1 Fazem os Santos pouco cafo dos abrolhos dos trabalhos. Epith. Agudo. VID. DE SUS. 33. Afpero. ORIENT. Lufit. 22. Deflitofo. ORIENT. Lufit. 260 y. Duro. CAM. Ecl. 521. Punfante. M. THом. Fen. 6, 59. Secco. FER- NAND. Pálm. 3, 90. Trifte. FERNAND. Palm. 3, 90. Apartar abrolhos. Fraf, proverb. Fazer coufa mo- lefta. MACHAD. Alf. 1, 66 Eftou livre, e com focego, Quer Silvio, que aparte abrolhos, De tal confelho re- bom he o abrolho. nego. Adag. Para mal de coftado, DELIC. Adag. 129. Quem abrolhos femeia, efpinhos colhe. DELIC. Adag. 129. Milic. Eftrepe, ferro com bicos cravado occultamen- te no chão, para eftorvar. algum paffo ao inimigo, prin- cipalmente d'cavallaria. BARR. Dec. 1, 7, 6 Mandou de noite fecretamente metter humas eftacadas mui agudas de pãos toftados em lugar de abrolhos, pera fe encravar a gente. ALBUQ. Comm. 3, 24 E pela banda da praia, onde era o defembarcadouro, mandou lançar muitos abrolhos cheios de herva, pera encravar a nofla gente. CAM. Luf. 10, 57 Abrolbos ferreos mil, paffos eftreitos., Tranqueiras, baluartes, lanças, fettas, Tudo fico, que rompas e fometras, Pôra alg. Fraf. proverb. met. Loв. Cort. 9, 82 E affim como virdes Çurgião ou Boticario, que acabou a Grammatica na quinta claffe, pondelbe abrolho, que o não tirareis. com vinte galgos, á eftrada do fallar commum, Marinh. pl. Sitios no mar cheios de baixos ou cacho- pos occultos. Hist. TRAG. MARIT. 2, 69 Deitão [os ven- tosas nãos para a cófta do Brazil com grande perigo de Te perderem em muitos baixos, que alli ha, a que chamão abrolbos. 2, 345 Dando muitas pancadas [o Ieme] e trazendoa [a náo] por cima dos abrolbos, bai- xos, &c. {{lema|ABROLHOZINHO}}. s. m. dim. de Abrolho. BARRET. Flos Sanct. 1, 296, 1. {{lema|ABRONZADO, A}}. adj. Pintado de cor de bronze. LAVANH. Viag. 23 Os cartões e feftões [das columnas] abron- zados. {{lema|ABROQUELADO, A}}. p. p. de Abroquelar. ARAUJ. Suc- ceff. z, J. {{lema|ABROQUELAR}}. v. a. fo ufado com pron, peff. No pro pr. e met. Defenderfe, precaverfe, acautelarfe. GIL Vic. Obr. 4, 229 Daqui avante fifo, fifo; Juro a Deos, qu' eu m abroquéle. MoR. Dial. 1, 8 Mas quanto perigo he tomarfe homem coni hum efcudeiro refinado, que fe abroquéla por todas as partes de maneira, que por ne- nhuma o achareis em defcoberto. {{lema|ABROTANO}}. s. m. Certa planta arbustiva. He de duas caftas huma denominada macho, outra femea. A plan- ta vulgarmente chamada entre nós Abrotapo femea he a Artemifia abrotanum de Linneo, e por elle diftribuida na Syngenefia Polygamia fuperflua do feu Syftema dos Vegetaes; efte arbulto tem os ramos levantados, as fo- lhas aromaticas, divididas em muitas lacinias fetaceas; as fuas flores tem o caliz com efcamas imbricadas, con- vergentes, e redondeadas, as.corollulas todas tubulofas o receptaculo, hum tanto felpudo, e as fementes fem pappilho ou pennacho algum. O Abrotano, a que cof- tumão entre nós dar o nome de macho he a Santolina chamaecypariffus de Linneo, c por elle diftribuida na Syn- genefia Polygamia igual do feu Syftema efte arbusto tem as folhas denteadas para quatro lados; os feus pe- dunculos dão huma fó flor com o caliz hemispherico de foliolos imbricados, com, corollulas amarellas todas tubulofas; as fuas fementes não tem pappilho ou penna- cho algum, e o feu receptaculo cfta guarnecido de pe- quenas palhas. Advertimos com tudo, que Linneo, e ou- tros Botanicos modernos reconhecem por Abrotano ma- cho dos autigos, o que entre nós he chamado femea," e ao contrario por femea, o que entre nós he denominado macho. MADEIR. Meth. 1, 38 Se lavará a cabeça com cozimento de poejos, mentraftos, abrotano, avenca, &c. CURV. Atal. 414 O çumo da herva abrotano he admi- ravel para adelgaçar o fangue, que fe coalha na bexi- ga. {{lema|ABROTAR}}. v. a. antiq. O mefimo que Brotar. D. HILAR. Voz, 22, 128, 1. {{lema|ABROTEA}} s. f. Certa planta herbacea. He da familia na- .tural das Liliaceas denominada por Linneo Afphodelus ramofus, e por elle diftribuida na Hexandria Monogy- nia do feu Syftema dos. Vegetaes. Efta planta tem as raizes tuberofas e enfeixadas, as fuas folhas são todas. radicaes, longas, lizas, e aquilhadas; dá huma hafte ramofa guarnecida de muitas; flores fem caliz algum, com a corolla fottopofta ao germe, partida em feis la- cinias brancas, e com os eftames foftidos em efcamas, as quaes fe achão encoftadas ao germe, co encobrem. He a Abrotea tuberofa e inodora dos modernos, cha- mada tambem e com mais acerto Abrotega; porque a Abrotea verdadeira, de que trata Grisley Defeng. I, he o Abrotano macho. Vej. Abrotano. DESCOBR. DA ERO- LID. 152 Calafeteavão os bargantins] com huma cf- topa de huma herva, como abroteas... que lá fe cha- mão Enequim. GRISL. Defeng. 1, 1 Abrotea, Abrota- num; mas efta mui afamada herva defcreve Diofcorides no liv. 3. 25. CURV. Atal. 157 Tambem as curareis cer- tamente, fe esfregardes as taes empigens feis, ou fete dias com os jafmins ou com cumo da raiz da herva abrotea. Certo peixe. He peixe do alto, Malacopeterigio ju- gular, do genero Gadus de Linneo, e por confeguinte congénere da Pefcada, e Bacalháo. Tem de hum até dous palmos de comprido pouco mais ou menos, e qua- tro até feis dedos de largo no ventre. O feu cotpo he oblongo e compreffo, bojudo hum tanto no ventre, e deprimido e chato para o fim da cauda. He todo cober- to de pequenas efcamas hum tanto ovaes-obtufas, e fi- namente eftriadas; a cabeça he proporcionada ao cor- po, cunhiforme, e efcamofa; o focinho obrufo, com dous meatos nafaes diante de cada hum dos olhos. Tem a maxilla inferior muito pouco mais curta do que a fu- perior, e com hum cirrho ou appendice fetaceo; a fu- perior muito movediça em razão da membrana, a que pofteriormente eftá apegada na fua maior extensão; hu- ma e outra maxilla, como tambeni o paladar, fauces, e os tuberculos das guelras são denticulados com dentes miudos, agudos, e baftos. Os .feus olhos são grandes, e altamente fituados; os operculos grandes, pofterior- mente agudos , flexiveis, cfcamofos e compoftos de tres laminas. Tem na membrana branchioftega fete offi- culos. O anus efta fituado hum tanto acima do meio do corpo, ifto he mais para a banda da cabeça do que da barbatana caudal. Tem fobre o dórfo duas barbatanas approximadas, a anterior hum tanto triangular, e de on-<noinclude></noinclude> tb4eoea9ywdw2zd7imkbuevbjoq39zy Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/245 106 254974 556616 2026-07-28T08:51:48Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ze raios, e a pofterior immediata com feffenta c tres; longitudinal, e defadunada da caudal. As peitoraes são medias, pontudas, e com dezoito raios, os de cinia mais longos. As ventraes fituadas anterior e inferiormente das peitoraes, e mais compridas do que ellas, eftão hum pouco diftantes entre fi, são lineares, compoftas de dous raios, e fendidas hum tanto acima do meio eni dous ra- mos cirrhiformes, defiguaes, o de cima alguma mais... 556616 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ze raios, e a pofterior immediata com feffenta c tres; longitudinal, e defadunada da caudal. As peitoraes são medias, pontudas, e com dezoito raios, os de cinia mais longos. As ventraes fituadas anterior e inferiormente das peitoraes, e mais compridas do que ellas, eftão hum pouco diftantes entre fi, são lineares, compoftas de dous raios, e fendidas hum tanto acima do meio eni dous ra- mos cirrhiformes, defiguaes, o de cima alguma mais comprido. A anal confta de scincoenta e oitua quafi iguaes, he longitudinal, e defadunada da caudal. A caudal he arqueada, obovada, e compofta de trinta raios. Efte peixe, pofto que não he dos mais communs na noffa ribeira. de Lisboa, não tem com tudo grande eftima, por fer pouco goftofo. M. THOм. Inful. 10, 123 A fria abrotea. MADEIR. Meth. 1, 23, 7 Porém haven- do muito faltio, permittirfeha algum peixe. leve.... co- mo azevia, abroted, faneca, &c. ABRUNHEIRO. s. m. Certo. arbufculo. He denominado por Linneo Prunus fpinofa, e por elle diftribuido na Ico- fandria Monogynia do. feu Syftema dos Vegetaes. Efta planta he mui frequente em Portugal, principalmente nas feves das herdades; rem as folhas glabras, e lanceola- das, e os ramos efpinhofos as fuas flores são foftidas em pedunculos difpoftos folitariamente, e não dous a dous, tem o caliz fottopofto ao germe, fendido em cin- co lacinias, e a corolla de cinco petalas brancas: o feu fructo, vulgarmente chamado abrunho ou abrunho bra- vo, he huma drupa rôxa, de gofto acérbo, e com o caroço oval, agudo, e de futuras hum tanto prominen-. tes. GRISL. Defeng. 3, 155 Se affentará no cozimento feito de abrunhos, e da cafca da raiz de abrunheiro. {{lema|ABRUNHO}}. s. m. Fructo do abrunheiro. A. DA CRUZ, Re- cop. 5, 164 Misturado com pós de myrrha, e çumo de abrunhos. GRISL. Defeng. 3, 155 Abrunbos... são frios, e moderadamente fèccos, e aftringentes. {{lema|ABSCESSO}}. s. m. Cirurg. Tumor, que faz materia; ajun- tamento de humores ou fangue, que fe forma em alguma parte interior do corpo. Do Lat. Abfceffus. BLUT. Vocab. Dirivafe do verbo Latino abfcedere, apartarfe, fepararse, porque no abfceffo as partes, que receberão em fi o hu- mor preternatural, diffolvem a fua união, e ainda que contiguas, fe apartão humas das outras. MADEIR. Me- th. 1, 35, 2 Propriamente fc chamão abfceffos, fegundo Paulo, que são os apoftêmas cálidos convertidos em ma- teria. MORAT. Luz, 2, 3 E fe purgarão pelas urinas, livrando de abfceffos, recahidas e obftrucções. CURV. Polyanth. 1, 14, 56 Póde fer algum abfceffo junto do fundo do eftomago. {{lema|ABSCONDER}}. v. a. antiq. O mefmo que Efconder. Do Lat. Abfcondere. ViT. CHRIST. I Proem. VERCIAL, Sacram. 3, 117, 143. {{lema|ABSCONDIDO, A}}. p. p. de Abfconder. ViT. CHRIST. 1, 29, 91. ANDR. DE RESEND. Hift. 9. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 28. n. 6. {{lema|ABSCONDITO, A}}. adj. O mefmo que Efcondido. Do Lat. Abfconditus. CEIT. Quadrag. 1, 41, 2 Então fe moftra fer trino, e muito em peffoas, myfterio tão abfcondito. CARDOS. Agiol. 2, 171 Achaváono muitas vezes no mais abfcondito, e retirado da Igreja, elevado, e privado dos fentidos. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 6 O mefmo Deos defde o principio da creação do mundo revelou profun- dos, e abfconditos myfterios, e facramentos. {{lema|ABSENCIA}}. s. f. antiq. Vej. Aufencia. D. CATH. INF. Regt. I, 4. SABELL. Encid. I, I, 5. FERNAND. GALV. Serm. 3, 76, 1. {{lema|ABSENTADO, A}}. p. p. de Abfentar. FR. THOM. DA VEIG. Evang. 1, 136, 4. {{lema|ABSENTAR}}. v. a. antiq. Vej. Aufentar. CONST. DE LISE. 13, 3. SERR. Difc. 2, 610. Sous. DE MAC. Ev. 2, 61, 528. n. 20. {{lema|ABSENTE}}. adj. de huma term. antiq. Vej. Aufente. CONST. de LISB. 13, 3. PALAC. Summ. 17. COMP. E SUNNAR. 18, 93. 3. PALAC {{lema|ABSINTHIO}}. s. m. Certa efpecie herbacea de lofna. He denominada por Linneo Arteniifia abfinthium, e por elle diftribuida na Syngenefia Polygamia fuperflua do feu Syftema dos Vegetaes. As fuas folhas são compoftas, e fendidas em muitas lacinias; as flores são hum tanto globofas com pedunculos curvados para baixo, tem o caliz com efcamas imbricadas e redon- ,convergentes, deadas, e as corollulas todas tubulofas; as fuas femen- tes não são coroadas de pappilho ou pennacho algum, e o feu receptaculo he felpudo. Sem embargo defte no- me pertencer propriamente á planta aqui defcripta, he com tudo ainda applicado a outras efpècies de Jofna; como são a Arteniifia arborefcens, pontica, maritima &c. ESTIN. DO AM. Div. 1, 4, 17 Agora com fel, e abfinthio, e myrrha nos fariemos. D. F. MAN. Tr. 169 E Jeremias não tinha razão] de profetizar a diffolução de Jerufalem pela amargura do abfinthio, fem &c. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 95. p. 161 Eftes Santos antigos... tinhão aquella memoria do peccado] por mais anargo- fa, que o fel, e o abfinthio. Met. MONTEIR. Art. 14, 16 O gofto adoçado coni manjares faborofos, ferá amargado com abfinthios inter- naes. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 95. p. 561 Lembraivos, Senhor, do defamparo, em que fiquei, depois de pec- car e tambem vos lembrai do abfinthio do fel, e amargura, que agora me caufa. M. BERN. Floreft. 4., 5; 345 Mas que muito fe no mundo, e na vida não fe fuftentão os fervos de Deos] mais que de fel de mi- ferias, abjintbio de tribulações, e veneno de calamidades {{lema|ABSOLTO, A}}. adj. Que fe julgou livre do crime imputado em juizo. Do Lar. Abfolutus. ant. Affolto. BARR. Dec. 4. Apol. Vendo o juiz, que a accufação. . . procedia de inveja, o houve por abfolto. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 23 Egnacio Merello matou fua mulher, porque a. achou bebendo vinho, e foi abfolto por Romulo. BRIT. Mon. 2, 5. c. 7 Quando vcio de Judéa pera Roma, e nella foi abfolto da accufação dos judeos. Dizfe a refpeito de qualquer culpa, peccado, ou p na FR. THом. DA VEIG, Confid. 1, 2, 3. n. 4 O devedor (diz mais S. Gregorio) que começa a pagar não fica por iffo abfolto de toda a divida. L. ALv. Ceo de Gr. 97 Se quereis que Deos vos julgue por abfolto da di- vida, pagai por inreito. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 6, 2, 214 Se déftes, abfoltos, fe não déftes, condenados.. Theol. A que fe conferio abfolvição dos peccados no facramento da penitencia. CASTANH. Hift. 2, 59 Feita a confissão geral, e affolsos per hum clerigo, partirão pe- ra a cidade com preamar. FR. MARC. Chr. I, I, III Sabendo firmemente e tendo, que dos facerdotes, que receberem penitencia e abfolvição, ferão abfoltos. BRIT. Chr. 2, 17 Chegado á fanta cidade, e abfolto pelo Pa- triarcha de fuas culpas, fe recolheo a fazer vida foli- Exempto, defobrigado, difpenfado. Dizfe a refpei- to de qualquer cargo, emprego, dignidade, obrigação, encargo, &c. FR. MARC. Chr. 2, 1, 56. Alcançou fer ab- folto do officio de Geral: BRIT. Mon, 2, 7. tit. 4 Abful- tos os vaffallos do juramento de fidelidade. Sous. Vid. 4, 21 Sua renunciação fora pelo Papa acceitada, e el le affolto do Arcebispado. {{Uso|Juriſpr}}. A que fe levantou cenfura, ou interdicto. BRIT Mon. 4, 13. c. 4 E denunciamos, que fica abfolto de redo vinculo de excommunhão. SYN. Dioc. 3, 9 E affi fe algum fôr oufado à fazer o contrario, ... não ferá affolto da cenfura, em que incorreo. CONST. DE GOA, 12 Da qual excommunhão... nenhum póde fer ab- folto, fenão pelo Santo Padre. Solto, defatado, defprendido. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 33 E quanto he poflivel, defatado, e abfol- to de todas coufas. COMP. SUMMAR. 23, 58 Quando hum delles [defpofados] entra em Religião, ou tomou ordens facras, o outro fica abfolto dos efpoforios. M. FER- NAND. Alm. 3, 2, 2. n. 14. p. 323 Coni lágrimas faz feus votos a Deos, e a Santa Valburga, com que for abfolto daquelle horrivel nexo. {{lema|ABSOLUÇÃO}}. s. f. ant. O mesmo que Abfolvição. Do Lat. Abfolutio. ORDEN. DE D. MAN. 3, 13 E nom moftrando tanto pór o feito, perque mereça abfolução &c. PAIV. Serm. 3, 22 Não pode haver abfolução do peccado fem firme propofito de emenda. CoNST. DE LISB. 3., 5 E elle Confeflor] achar que tem commettido, tal pecca- do, cuja abfolução pertença a nós, ou a noflo Provifor &c.nop {{lema|ABSOLVER}}. v. 4. Julgar livre do crime imputado em ju zo, ter por fem culpa o accufado. Do Lat. Abfolvere. ant. Affolver. Reg. abf. ou alg, ou alg. de. QRDEN. DE D. MAN. 1, Em modo que fempre fiquem ttes [Defem- bargadores] concordes em condenar, e abfolver. GOES, Chr. de D. MAN. 3, 63 George d'Albuquerque proce- deo contra os Capitáes, e peffoas nobres, por não obe- decerém a feus mandados; do que dahi a poucos dias os abfolveo. PINT. RIE. Luftr. 3, 66 He coufa mais fe gura nos cafos duvidofos abfolver o culpado, que con- denar o innocente. Dizfe à refpeito de qualquer culpa, peccado, ou<noinclude></noinclude> 9gsvj8mtqo3r15ofk199mx79v66dsi6 556617 556616 2026-07-28T08:52:12Z MLReis 41056 556617 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ze raios, e a pofterior immediata com feffenta c tres; longitudinal, e defadunada da caudal. As peitoraes são medias, pontudas, e com dezoito raios, os de cinia mais longos. As ventraes fituadas anterior e inferiormente das peitoraes, e mais compridas do que ellas, eftão hum pouco diftantes entre fi, são lineares, compoftas de dous raios, e fendidas hum tanto acima do meio eni dous ra- mos cirrhiformes, defiguaes, o de cima alguma mais comprido. A anal confta de scincoenta e oitua quafi iguaes, he longitudinal, e defadunada da caudal. A caudal he arqueada, obovada, e compofta de trinta raios. Efte peixe, pofto que não he dos mais communs na noffa ribeira. de Lisboa, não tem com tudo grande eftima, por fer pouco goftofo. M. THOм. Inful. 10, 123 A fria abrotea. MADEIR. Meth. 1, 23, 7 Porém haven- do muito faltio, permittirfeha algum peixe. leve.... co- mo azevia, abroted, faneca, &c. {{lema|ABRUNHEIRO}}. s. m. Certo. arbufculo. He denominado por Linneo Prunus fpinofa, e por elle diftribuido na Ico- fandria Monogynia do. feu Syftema dos Vegetaes. Efta planta he mui frequente em Portugal, principalmente nas feves das herdades; rem as folhas glabras, e lanceola- das, e os ramos efpinhofos as fuas flores são foftidas em pedunculos difpoftos folitariamente, e não dous a dous, tem o caliz fottopofto ao germe, fendido em cin- co lacinias, e a corolla de cinco petalas brancas: o feu fructo, vulgarmente chamado abrunho ou abrunho bra- vo, he huma drupa rôxa, de gofto acérbo, e com o caroço oval, agudo, e de futuras hum tanto prominen-. tes. GRISL. Defeng. 3, 155 Se affentará no cozimento feito de abrunhos, e da cafca da raiz de abrunheiro. {{lema|ABRUNHO}}. s. m. Fructo do abrunheiro. A. DA CRUZ, Re- cop. 5, 164 Misturado com pós de myrrha, e çumo de abrunhos. GRISL. Defeng. 3, 155 Abrunbos... são frios, e moderadamente fèccos, e aftringentes. {{lema|ABSCESSO}}. s. m. Cirurg. Tumor, que faz materia; ajun- tamento de humores ou fangue, que fe forma em alguma parte interior do corpo. Do Lat. Abfceffus. BLUT. Vocab. Dirivafe do verbo Latino abfcedere, apartarfe, fepararse, porque no abfceffo as partes, que receberão em fi o hu- mor preternatural, diffolvem a fua união, e ainda que contiguas, fe apartão humas das outras. MADEIR. Me- th. 1, 35, 2 Propriamente fc chamão abfceffos, fegundo Paulo, que são os apoftêmas cálidos convertidos em ma- teria. MORAT. Luz, 2, 3 E fe purgarão pelas urinas, livrando de abfceffos, recahidas e obftrucções. CURV. Polyanth. 1, 14, 56 Póde fer algum abfceffo junto do fundo do eftomago. {{lema|ABSCONDER}}. v. a. antiq. O mefmo que Efconder. Do Lat. Abfcondere. ViT. CHRIST. I Proem. VERCIAL, Sacram. 3, 117, 143. {{lema|ABSCONDIDO, A}}. p. p. de Abfconder. ViT. CHRIST. 1, 29, 91. ANDR. DE RESEND. Hift. 9. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 28. n. 6. {{lema|ABSCONDITO, A}}. adj. O mefmo que Efcondido. Do Lat. Abfconditus. CEIT. Quadrag. 1, 41, 2 Então fe moftra fer trino, e muito em peffoas, myfterio tão abfcondito. CARDOS. Agiol. 2, 171 Achaváono muitas vezes no mais abfcondito, e retirado da Igreja, elevado, e privado dos fentidos. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 6 O mefmo Deos defde o principio da creação do mundo revelou profun- dos, e abfconditos myfterios, e facramentos. {{lema|ABSENCIA}}. s. f. antiq. Vej. Aufencia. D. CATH. INF. Regt. I, 4. SABELL. Encid. I, I, 5. FERNAND. GALV. Serm. 3, 76, 1. {{lema|ABSENTADO, A}}. p. p. de Abfentar. FR. THOM. DA VEIG. Evang. 1, 136, 4. {{lema|ABSENTAR}}. v. a. antiq. Vej. Aufentar. CONST. DE LISE. 13, 3. SERR. Difc. 2, 610. Sous. DE MAC. Ev. 2, 61, 528. n. 20. {{lema|ABSENTE}}. adj. de huma term. antiq. Vej. Aufente. CONST. de LISB. 13, 3. PALAC. Summ. 17. COMP. E SUNNAR. 18, 93. 3. PALAC {{lema|ABSINTHIO}}. s. m. Certa efpecie herbacea de lofna. He denominada por Linneo Arteniifia abfinthium, e por elle diftribuida na Syngenefia Polygamia fuperflua do feu Syftema dos Vegetaes. As fuas folhas são compoftas, e fendidas em muitas lacinias; as flores são hum tanto globofas com pedunculos curvados para baixo, tem o caliz com efcamas imbricadas e redon- ,convergentes, deadas, e as corollulas todas tubulofas; as fuas femen- tes não são coroadas de pappilho ou pennacho algum, e o feu receptaculo he felpudo. Sem embargo defte no- me pertencer propriamente á planta aqui defcripta, he com tudo ainda applicado a outras efpècies de Jofna; como são a Arteniifia arborefcens, pontica, maritima &c. ESTIN. DO AM. Div. 1, 4, 17 Agora com fel, e abfinthio, e myrrha nos fariemos. D. F. MAN. Tr. 169 E Jeremias não tinha razão] de profetizar a diffolução de Jerufalem pela amargura do abfinthio, fem &c. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 95. p. 161 Eftes Santos antigos... tinhão aquella memoria do peccado] por mais anargo- fa, que o fel, e o abfinthio. Met. MONTEIR. Art. 14, 16 O gofto adoçado coni manjares faborofos, ferá amargado com abfinthios inter- naes. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 95. p. 561 Lembraivos, Senhor, do defamparo, em que fiquei, depois de pec- car e tambem vos lembrai do abfinthio do fel, e amargura, que agora me caufa. M. BERN. Floreft. 4., 5; 345 Mas que muito fe no mundo, e na vida não fe fuftentão os fervos de Deos] mais que de fel de mi- ferias, abjintbio de tribulações, e veneno de calamidades {{lema|ABSOLTO, A}}. adj. Que fe julgou livre do crime imputado em juizo. Do Lar. Abfolutus. ant. Affolto. BARR. Dec. 4. Apol. Vendo o juiz, que a accufação. . . procedia de inveja, o houve por abfolto. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 23 Egnacio Merello matou fua mulher, porque a. achou bebendo vinho, e foi abfolto por Romulo. BRIT. Mon. 2, 5. c. 7 Quando vcio de Judéa pera Roma, e nella foi abfolto da accufação dos judeos. Dizfe a refpeito de qualquer culpa, peccado, ou p na FR. THом. DA VEIG, Confid. 1, 2, 3. n. 4 O devedor (diz mais S. Gregorio) que começa a pagar não fica por iffo abfolto de toda a divida. L. ALv. Ceo de Gr. 97 Se quereis que Deos vos julgue por abfolto da di- vida, pagai por inreito. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 6, 2, 214 Se déftes, abfoltos, fe não déftes, condenados.. Theol. A que fe conferio abfolvição dos peccados no facramento da penitencia. CASTANH. Hift. 2, 59 Feita a confissão geral, e affolsos per hum clerigo, partirão pe- ra a cidade com preamar. FR. MARC. Chr. I, I, III Sabendo firmemente e tendo, que dos facerdotes, que receberem penitencia e abfolvição, ferão abfoltos. BRIT. Chr. 2, 17 Chegado á fanta cidade, e abfolto pelo Pa- triarcha de fuas culpas, fe recolheo a fazer vida foli- Exempto, defobrigado, difpenfado. Dizfe a refpei- to de qualquer cargo, emprego, dignidade, obrigação, encargo, &c. FR. MARC. Chr. 2, 1, 56. Alcançou fer ab- folto do officio de Geral: BRIT. Mon, 2, 7. tit. 4 Abful- tos os vaffallos do juramento de fidelidade. Sous. Vid. 4, 21 Sua renunciação fora pelo Papa acceitada, e el le affolto do Arcebispado. {{Uso|Juriſpr}}. A que fe levantou cenfura, ou interdicto. BRIT Mon. 4, 13. c. 4 E denunciamos, que fica abfolto de redo vinculo de excommunhão. SYN. Dioc. 3, 9 E affi fe algum fôr oufado à fazer o contrario, ... não ferá affolto da cenfura, em que incorreo. CONST. DE GOA, 12 Da qual excommunhão... nenhum póde fer ab- folto, fenão pelo Santo Padre. Solto, defatado, defprendido. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 33 E quanto he poflivel, defatado, e abfol- to de todas coufas. COMP. SUMMAR. 23, 58 Quando hum delles [defpofados] entra em Religião, ou tomou ordens facras, o outro fica abfolto dos efpoforios. M. FER- NAND. Alm. 3, 2, 2. n. 14. p. 323 Coni lágrimas faz feus votos a Deos, e a Santa Valburga, com que for abfolto daquelle horrivel nexo. {{lema|ABSOLUÇÃO}}. s. f. ant. O mesmo que Abfolvição. Do Lat. Abfolutio. ORDEN. DE D. MAN. 3, 13 E nom moftrando tanto pór o feito, perque mereça abfolução &c. PAIV. Serm. 3, 22 Não pode haver abfolução do peccado fem firme propofito de emenda. CoNST. DE LISB. 3., 5 E elle Confeflor] achar que tem commettido, tal pecca- do, cuja abfolução pertença a nós, ou a noflo Provifor &c.nop {{lema|ABSOLVER}}. v. 4. Julgar livre do crime imputado em ju zo, ter por fem culpa o accufado. Do Lat. Abfolvere. ant. Affolver. Reg. abf. ou alg, ou alg. de. QRDEN. DE D. MAN. 1, Em modo que fempre fiquem ttes [Defem- bargadores] concordes em condenar, e abfolver. GOES, Chr. de D. MAN. 3, 63 George d'Albuquerque proce- deo contra os Capitáes, e peffoas nobres, por não obe- decerém a feus mandados; do que dahi a poucos dias os abfolveo. PINT. RIE. Luftr. 3, 66 He coufa mais fe gura nos cafos duvidofos abfolver o culpado, que con- denar o innocente. Dizfe à refpeito de qualquer culpa, peccado, ou<noinclude></noinclude> 379z8um2e15rg6dc1rg551pe7726h10 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/246 106 254975 556618 2026-07-28T08:53:20Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: pena. Mon. Palm. 1, 9 Effa efcufa, que dais, não vos abfolve de ferdes cuipado. Paiv. Serni. 3, 4 Deos vos ha de condenar, ou abfolver do jejum, não pelo que vós dizeis de vós, fenão pelo que elle de vós fabe. Cour. Dec. 12, 5,8 Porque fua vontade he fua lei, e feu appetite feu prelado, que o abfolve logo de quebrar todos os juramentos, que river feitos. Theol. Conferir o Confeffor ao penitente abfolvição de feus peccados no facramento... 556618 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>pena. Mon. Palm. 1, 9 Effa efcufa, que dais, não vos abfolve de ferdes cuipado. Paiv. Serni. 3, 4 Deos vos ha de condenar, ou abfolver do jejum, não pelo que vós dizeis de vós, fenão pelo que elle de vós fabe. Cour. Dec. 12, 5,8 Porque fua vontade he fua lei, e feu appetite feu prelado, que o abfolve logo de quebrar todos os juramentos, que river feitos. Theol. Conferir o Confeffor ao penitente abfolvição de feus peccados no facramento. da penitencia. FR. MARC. Chr. 2, 2, 12 Nenhum Confeffor poffa abfolver dos ro- camentos impudicos, fenão o que river licença de ab- folver do peccado da carne. Cour. Dec. 5, 6, 3 Que coufa feja peccado, e como fe póde remir, c abfolver, e porque. Luc. Vid. 6, 3 Fui ter com hum. Vigairo, mas não me quiz abfolver. Jurifpr. Levantar efcommunhão, ou interdicto. CON- ST. DE EVOR, 3, 7 Pola qual pufemos nefta Confti- tuição a fórma breve, e neceffaria pera abfolver afli da excommunhão, como dos peccados. BRIT. Chr. 2, 11 O. fim principal de fua vinda era pera os unir ao verdadei- ro gremio da Igreja Carholica... e abfolvélos das cen- furas em que tinhão cahido. Sous. Vid. 2., 11: Péla qual jurifdição o Bifpo] julga, caftiga, efcommunga, c abfolve. Eximir, defobrigar, difpenfar. Dizfe a refpeiro de qualquer cargo, dignidade, officio, emprego, obriga- ção, encargo, &cc BRIT. Chr. 1, 6 Começou de dar exe- cução ao que fe lhe . . . mandava, abfolvendo os Reli- giofos da obediencia, que por fua profifsão the devião. Sous. Hift. 1, 1, 17 Ordenou então, que em rodos os ca- pitulos geraes fe fizeffe eleição de certo numero de Pa- dres, cujo officio, e poder foffe reprehender o Geral, havendo cuipas, e caftigalo, e abfolvelo, fendo neceff- Crio. VIEIR. Serm. 6, 12, 6. n. 355 Como fe havia de reftaurar. o Brazil, fe o Capitão de Infanraria por co- mer as praças aos foldados, os abfolvia das guardas, e das ourras obrigações militares? Concluir, cumprir, effcituar, dar á execução. PER. . Elegiad. 1, 11 Faz depois, que fe ordene hum cafamen- to, Em que fe abfolva o Lufo juramento. M. FER- NAND. Alm. 2, 1, 24. n. 5 O filencio de Chrifto affim diante defte como de outros juizes, abfolveo, e acabou a apología de Adão. uros juze Refolver, deslindar, decidir. Dizfe dos argumentos, queftões, difficuldades, &c. Vir. CHRIST. I, 15, 50 E muito fe efpantavão da fua prudencia, que havia em perguntar, e arguir em contra, e das refpoftas, que da- vas e em abfolver. HEIT PINT. Dial. I, 5, 2 Abfolver, e explicar as altas queftocs philofophicas. Met. Diffolver, defatar. SoTTOM. Ribeir. 4, 130 Abfolvefe a alma, e refolvefe o corpo; a que fe abfol- ve, fica defembaraçada, e o que em terrà fe refolve, nada fica fentindo. FR. ISIDOR. DE BARREIR. Signif. 1, 268 Abfolvefe a alma, e refolvefe o corpo; a que fe abfol ve, fica defembaraçada, e o que fe refolve em terra, fica não fentindo nada. Pintur. Unir algumas cores já poftas com outro pincel. BLUT. Vocab. Abfolver da inftancia. Forení. Defebrigar o réo da accufação por falta de provas, ficando a caufa pendente, para fe poder profeguir quando as houver. ORDEN. DE D. MAN. 3, 13 Se alguma peffoa fizer cirar outra c nom parecer e o diro cirado pedir ao juiz, que o abfolva da tal citação . . . o juiz o abfolverá, e fe depois o rornar a citar ... c nom parecer ab- folveloba outra vez daquella inftancia. AzEV. Correcç. 2, 3, 131 E abfolvemos ao diro Alexandre Quintilio da in- ftancia.. {{lema|ABSOLVIÇÃO}}. s. f. Acção de julgar livre do crime, o que delle foi accufado em juizo. ORDEN. DE D. MAN. 3, 15 Em mancira [feja informado o juiz] que juftamente poffa dar fentença de abfolvição, ou condenação, conforme a petição. CAMINH. Fórm. da ord. jud. 30. Sentença dè abfolvição. ORDEN. DE D. PEDR. II. 1, 24, 41 E ifto não haverá lugar, quando a fentcnça för de abfolvição, e fem cuftas, Dizfe a refpcito de qualquer culpa, peccado, ou pe- na. VIT. CHRIST. 3, 27 y Nom fomos dignos de haver a grandeza do galardom, que he Deos, fem a abfolvi- com, per o homem Deos. MENDOÇ. Jorn. 2, 10 Por ref- peito do que póde importar abfolvição, quando fc. offe- recer. So us. Hift. 1, 3, 9 Porque os aggreffores procu- ravão rer hum amigo em cafa do valido, e iffo baftava pera abfolvição, e fegurança, Theol. Acção, porque o Sacerdote abfolve: dos pec- cados ao penitente no facramento da penitencia. BARR. Dec. 1, 8, 5 Onde fendo juntos, o Vigairo dos cleri- gos the fez huma confifsão geral, e abfolvição plenatia pela Bulla concedida, caos que percceffem naquelle acto da fé. SANT. Ethiop. I, 48 Confefsiofe em pé, e em pé lhe da o Sacerdote a abfolvição VIEIR. Serm. 4, 1, i. n. 3 A abfolvição, e a graça, pofto que livre dos peccados paffados, não fegura do perigo para os futuros. Epith. Geral. Bana. Dec. 2, 2, 1. Perpetua. Azur. Chr. 3, 10. Plenaria. BARR. Dec. 1, 8, 5. Sacerdotal. MARTYR. Cathec. 1, 100 y. Sacramental. M. BERN. Fio- reft. 3, 8, 476, A. Valtofa PALAC. Sunim. 3 y. Fer- dadeira. M. FERNAND, Alm. 3, 3, 129. p. 584..> vad Verb. Alcançar...VIEIR. Cart. 2; 70. Dar...a alg. Azuk. Chr. 3, 10. Denegara alg. CoNST, DE BRAG. 15, I, 1. Dilatar a... a alg. CONST. DE BRAG. 15, 1, 1. Fazer a alg... de alg. c. (darlha) BARR. Dec. 1, 8, 5. Ginbar. REGR, DA ORD. DE S. THIAG. 33. Haver DECRET. DO CONCIL: TRID. Decrer. :2. can. 11. Impedir a MONTEIR. Merh. 41. Importar ... MENDOÇ. Jorn. 2 10. Merecer... MONTEIR, MC- th. 41 y. Negar... M. FERNAND. Alm. 2, 1, 12. n. 97. Pedir .CONST. DE EVOR. 15, 4. Receber... BARR. Dec. 292, 1. Refervarea a alg. CONST. DE EVOR. 15, 5 or los Difpenfação, defobrigação de cargo,, dignidade, offi- cio, emprego, obrigação, encargo, &c. Saus. Hift. 1, 1, 23 Recorrerão áà Sé Apoftolica, pedirão abfolvição do cargo, e adminiftração delle. BRAND. Mon. 9, 10, 36 Os Religiofos de S. Domingos pedirão abfolvição do go- verno daquella cafa. ESPER. Hift. 1, 1, 29. n. 4 Pedio algumas vezes abfolvição daquella guardiania.. Acção de levantar cenfura, ou interdicto. Azun. Chr. 3, 10 E efte [Summo Pontifice] nos dá abfolvição per- petua, quando direitamente morremos guerreando os in- ficis. BRIT. Chr. 2, 11 Pera the pedir ao Legado] ab- folvição, e fe reconciliar por feu meio com Deos, e com a Igreja Catholica. Sous. Hift. 1, 1, 21 E levantará com abfolvição geral todas as fentenças, que deo, e fez dar. Abfolvição da inftancia. Forenf. Meio termo de que fe ufa quando a caufa fe não pode plenamente decidir por falta de provas, deixando affim pendente o litigio, pa- ra fe renovar no cafo de fe defcobrirem. LEIS EXTRAV. 3, I, 7. n. 30. Adag. Donde vem a éxcommunhão, de lá vem a abfolvição. HERN. NUN. Refran. 35 .. {{lema|ABSOLVIDO, A}}. p. p. De Abfolver. D. F. MAN. Epan. 1, 150. CARV. Chorogr. 3, 2., 8. c. 19. p. 404. M. BERN. Floreft. 1, 6, 274, {{lema|ABSOLVIMENTO}}. s. m. antiq. O mesmo que Abfolvição. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 2, 126 Humildofamente nos .foi fuppricado., que de benignidade Apoftolica tiveffemos por bem a ti provêr fobre efto de beneficio d'affolvimen- to, e de convenienre graça. {{lema|ABSOLUTAMENTE}}. adv. mod. Independentemente, dif poticamente, com todo o dominio, jurifdicção, e liberdade. MEND PINT. Peregr. 168 Talvez que lhe fora melhor [aos Reis] paftarem nos campos, como os brutos, que ufarem da fua vonrade rão alifolutamente, e contra ra- zão. Luc. Vid. 1, 15 Tem o imperio do mar tão abfolu-. tamente, que &c. SANT. Ethiop. I, I, 10 E fazem ab- folutamente tudo o que querem. Geralmente, commimimente, Jem tocar circunftancias, nem individuar particularidades. ARR. Dial. 10, 2 Foi a [dor] de Chrifto maior em fua paixão (abfolutamente fallando) que qualquer outra padecida dos homens neſta vida. ROBOR. Declar. 8, 43 Afli como quando abfoluta- mente fe diz o Padre Sanro, fe entende o Papa. AZEV. Correcç. I, 1, 11. p. 149 Pois abfolutamente mandão al- guns Medicos, não durma o enfermo fobre a purga. Totalmente, inteiramente, perfeitamente. TELL. Chr. I, 2, 10. n. 4 Como, fe abfolutamente não estiveffe em cafa de feus pais. M. FERNAND. Alm. 1, 5, 4. n. 2 E por cfta razão tambem S. Jeronimo a chama [a Senho- ra abfolutamente chêa de graça. M. BERN. Luz e Cal. 2, 1, 252 Amemos a Deos, porque fo elle abfoluta- mente he boment fem condição Illimitadamente ou reftricção. FR. MARC. Chr. 2, 3, 20 Das coufas contingenres, negar, ou affirmar abfolutamente, não he de noflo arbirrio, on poder. ARR. Dial 3, 20 Sempiternum, e feculum não fe diz abfolutamente do tempo, que não tem fim. ESTAÇ. Antig. 9, 8 Achafe a era pofta diverfamente, hora com<noinclude></noinclude> tc9145xgdkad95isgr7cvslk4o36lc1 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/247 106 254976 556619 2026-07-28T08:56:33Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: verbo, hora com prepofição, e as mais das vezes ab- folutamente. {{lema|ABSOLUTISSIMO, A}}. fuperl. de Abfoluto. ARR. Díal. 10, 6. ESTAÇ. Antig. 68, 3. MONTEIR. Arr. 14. 11. ABSOLUTO, A. adj. Difpotico, foberano, independente, -que tem fupremo dominio, e não reconhece fuperior. Do Lat. Abfolutus. ant. Aufoluto. De peffoas. SA DE MIR. Cart: 6 Poderofo, abfoluto, e fo fenhor... Livremente, o que quer, fo póde Amor. BARR. Dec. I, 6, 1 Er... 556619 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>verbo, hora com prepofição, e as mais das vezes ab- folutamente. {{lema|ABSOLUTISSIMO, A}}. fuperl. de Abfoluto. ARR. Díal. 10, 6. ESTAÇ. Antig. 68, 3. MONTEIR. Arr. 14. 11. ABSOLUTO, A. adj. Difpotico, foberano, independente, -que tem fupremo dominio, e não reconhece fuperior. Do Lat. Abfolutus. ant. Aufoluto. De peffoas. SA DE MIR. Cart: 6 Poderofo, abfoluto, e fo fenhor... Livremente, o que quer, fo póde Amor. BARR. Dec. I, 6, 1 Erão feitos tao abfolutos fenhores de toda a riqueza dos pót- tos do mar, que &c. Luc. Vid. 1, 15 Daquellas partes elles [os Mouros] erão antigos poffuidores, e fenhores abfolutos. De coufas, como jurifdicção, poder, &c. BARR. Dec. 2, 6, 3 Eftes cada hnm em fua povoação tinha jurdição abfoluta fobre aquelles, que vivião nella. FERR. Poem. Cart. 2, I Sómente em Deos razão he a von- tade; Abfoluto poder não o ha na terra, Qu antes ferá injuftiça, e crueldade. VIEIR. Serm. 1, 4, 5. col. 264 A luz não lhe deo [Deos] jurdição limitada, fc- não abfoluta para todo o lugar, e para todo o rempo. Imperiofo voluntario, altivo de condição. PAIV. Serm. 2, 538 Bem fei, que a fe rer pouca conta com o que fe diz, chamareis defavergonhamento, ou fer ab- foluto, ou outros nomes peores. D. F. MAN. Épan. 1, 77 Porém o Linhares foi defcobrindo hum efpirito ifento, e abfoluto, defprezador de toda a dependencia. M. BERN. Floreft: 1,9, 379, CE chegando hum meftre de ce- remonias a perguntarlhe [a Xilto Quinro] fe eftava pcla .eleição, e acceitava o Ponrificado, refpondeo abfoluto : Não acceitar está Illimitado, fem condição, ou reftricção. Sous. Hift. 1,1,4 Pera o que affirma de feu parecer abfoluto, que &c. ESPER. Hift. 1, 1, 2. n. 3 Advertindo, que podia fer a profecia condicional, ou abfoluta. M. FERNAND. Alm. 1, 6, 3. n. 16 Poderia acontecer... eftar dada a fentença não abfoluta, mas condicionada. Julgado innocente, ou livre do crime imputado em juizo. ORDEN. DE D. MAN. 1, 1, 71 E daquello, de que o réo vai abfoluto. SANT. Erhiop. 1, 1, 11 Com efta próva ficão abfolutos daquella culpa, que lhe panhão. VIEIR. Serm. 6, 4, 6. n. 121 Pronunciando antes das fén- tenças dos juizes, ou caftigo, aos que havião de fer con- denados, ou a foltura, e liberdade, aos que fahião abfolutos. Dizfe a refpeito de qualquer culpa, peccado, ou pena, ou das mefmas culpas. Leão, Defcripç. 83 Foffe abfoluto de culpa e pena no attigo da morte. VIEIR. Serm. 4, 1, 1, n. O mefmo Senhor...rotalmente perdoa- dos, e abfolutos [os noffos peccados] nos recolhe en--- tre os braços de fua mifericordia. Theol. A que fe conferio abfolvição facramental BARR. Dec. 4, 4, 22 Sendo confeffados, e abfolutos per hum Religiofo de S. Francifco. CATHEC. ROM. 209 Nenhuma peffoa deve fer abfoluta, fe primeiro não prometer ref- tituir as coufas, que forem d'outrem. CARDOS. Agiol. 2, 215 Mettida a véla na mão, e abfoluto com as indul- gencias da ordem. Jurifpr. A que fe levantou excommunhão, ou interdicto. PIN. Chr. de D. Aff. II. 3 ElRei, e os feus forão da excommunhão aufolutos. CONST. DE EVOR. 8 2. Das quaes excommunhões não ferão abfolutos, até não fatisfa- zerem com as ditas penas. LEño, Chr. de D. Sanch. II. 72 Pola qual carta elle, e os feus forão abfolutos da excommunhão. Abfoluro por todos os numeros. Cabalmente perfei- to. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 1. n. 4 Fazem huma obra per todos os numeros abfoluta. Ablativo abfoluto. Gramm. Vej. Ablativo. {{lema|ABSOLUTORIO, A}}. adj. Jurifpr. De abfolvição, ou juf- tificação. Do Lat. Abfolutorius. REGIM. D'EVOR. 4, 126 E fendo a dita fentença abfolutoria &c. CONST. DO PORT. 98 E o que fe livrar fobre fiança, ouvirá a fen- tença, hora feja abfolutoria, hora condenatoria, da ca- dea. CONST. DE GOA, 33, 2 E o que fe livrar fobre fiança, ouvirá a fentença, hora feja abfolatoria, ou con- denatoria, da cadea. {{lema|ABSONO, A}}. adj. pouc. uf. Defarrazoado, oppofto do que deve fer. Do Lat. Abfonus. acc. na primeira. TELL. Hift. 2, 19, 144 Com outras patranhas tão abfonas, que &c. M. FERNAND. Alm. 1, 6, 4. n. 15 Tambem não terá [nin- guem por coufa abfona, e impoffivel; que os peitos da Senhora pera noffa doutrina, e confolação exprimif fem leite. {{lema|ABSORBENTE}}. p. a. de Abforber. Medic. Defeccante, que cnxuga, ou confome os humores, ou qualquer fluido, at- trabindoo a fi. Dizfe dos medicamentos Cuevo Polyanrh, 2, 25, 180, n. 2 Como eftes remedios são alcálicos, va- zios, e abforbentes, embebendo cm fi os os ácidos, fazer que o fangue fenão deffóre tanto. {{lema|ABSORBER}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Abforver. {{lema|ABSORPTO, A}}. adj. Submergido. Do Lat. Abforpcus. (Ab- forto) CEIT. Serm. 1; 306, E aparta [da hoftia ] ha- ma pequenina parte, que deita em o caliz abforia em o fangue de Chrifto. Maus. Aff. Afr. 11, 171 Fer- mofo Silva, que em feu fangue abforto Fez de fi fa- crificio. CASTR. Ulyff. 5, 53 No monftruofo Polyfema cégo O grão Neptuno, que offendido tenho, Não quer, que em fuas ondas quafi abforto, Bufque paz, ache vida, alcance porto. is Mer. Arrebatado, enlevado, tranfportado. Applicafe as peffoas, pelo que refpeità as potencias da alma: PAIV. Serm. 3, 107 E ando de todo efcondida e abforta cm Deos. ARR. Dial. 2, 13 Quando rebatados em Deos [S. Bento e fua irmãa] c abforptos na confideração de qua bondade, fe não podião apartar hum do outro. MAUS. Aff. Afr. 5, 89 y Hum dia em oração, que abforto ef- {{lema|ABSORPTO}}. 5. m. Afcer. le pouc. uf. Rapso, cullevamento ou alienação dos fentidos corporaes. ARR. Diál. 6, ; Di- go mais, que per muiras conjecturas fe póde entender, que não convem agora prefumirmos de merecer, que Deos nos regale com mimos fobrenaturaes quaes são visões, elevações, rebatamentos, rranfportações, abfor- {{lema|ABSORTO, A}}. adj. Vej. Abforpto. on the {{lema|ABSORVER}}. v. a. Submergir, fubverter, tragar ou fumir dentro em fi. Do mar, dos rios, da terra, 8cc. Do Lat. Abforbere. (Abforber) Aag. Dial. 3, 22: Algum diluvio a abforvera [a Jerufalem] ou a terra fe abrita, e a tra- gára. GALHEG. Templ. 2 124 E qual do mar fe queixa, que o abforbe. ARAUJ. Succeff. 1, 18 Onde lhe entra o grande Rio Sil, que pofto he com foberba, e arrogan- cia de muitas mais agoas, tudo fua nobreza do Rio Mi- nho abforbe, e extingue. Met. ESTIM, DO AM. Div. 2, 9, 76 Coufa he cer- to pera efpantar, como tão pequena coufa, como he d noflo coração, fe não abforbe na immenfa bondade divi- na. CEIT. Quadrág. 1, 38, 2 A experiencia nos moftra, que quando huma coufa muito grande fe ajunta a outra pequenina, de maneira a abforbe e acanha, que lhe nao dá lugar pera fer ou apparecer. acanha, continúa Abforver. Embeber em fi, forver on chupar a fi a agoa, ou algum outro liquido. Ufafe rambem com pron. peff. e dizie do mefmo licôr, quando efte fe embebe em alguma coufa, dilipándofe ou confumindofe alli. TELL. Hift. 1, 5, 12 E que o Nilo abforvendofe debaixo da terra... vinha a fabir em Africa. CARDOS. Agiol. 3, 59 Hà huns banhos, cuja agoa rebenta a 3 de Maio, e aré 14 de Serembro, em que a terra a ab- forve outra vez: M. BERN. Floreft. 5, 2, 18, B Raian- do o Sol, abforbefe o orvalho da fria noite, ebuan Mer. CEIT. Serin. 1, 84, 2 Quando a dor vai ao fummo, que póde fer, he enxuta: porque de maneira occupa o coração e olhos que os abforbe e deffecca. ARAUS. Succeff. 3, 1 Defdo principio, que Galliza occu- pou efte nome, occupáráo Vacceos, Arevacos e Pelen- dones, éftes feus. Os quacs Frei João da la Puente pc- ra o fim dc firuar Numancia em Sofia, abforbe. M. FER- NAND. Alm. 1, 2, 2. n. 35 A côr cerulea, que no cco vemos, não he outra coufa fenão a grande profundida- de da altiffima luz, porque fe tão miftura com outra cor, nem tem termo, abforbe e hebéra o olho pera af- fim the parecer. Met. e Afcet. Arrebatar, enlevar attrabindo ou le- vando a fi. As peffoàs ou o efpirito. D. MAN. DE PORTUG. Tr. 475 Porque o fentido que a caridade perfeita- mente abforber falo como infenfivel pera os desejos terreaes. FEO, Tr. 1, 123, 4 E fua vida crão humas continuas revelações, as quaes quanto mais the abfor- bião a alma, tanto mais lhe enfraquecião o corpo. S. ANN. Chr. 3, 37, 838 O divino fofto de todo a abfor- veo, achando nelle fó mais fermofura, mageftade, e grandeza, que em todo o creado junto. {{lema|ABSORVIDO, A}}. p. p. de Abforvet. D. FR. BR. DE BARR.. Efpelh. 3 3, 40. FR. MARC. Vid. 4, 3. AvELL. Report. {{lema|ABSORVIMENTO}}. s. m. pouc. uf. Acção e effeito de ab<noinclude></noinclude> h205co4frcyfeq8u70q0zsnvyu655mz Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/248 106 254977 556620 2026-07-28T08:59:20Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: forver. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 177 Sinal de que a alma eftava embebida, e com algum abforbimento no ob- jecto contemplado. {{lema|ABSPICIO}}. s. m. antiq. O mefmo que Aufpicio. SABELL. Eneid. 2., I, 5. {{lema|ABSTEMIO, A}}. adj. Que não bebe vinho. Do Lat. Abfte- mins. Leão, Defcripç. 12 Pelo que ainda agora neítas partes fe achão mais homens abflemios, que nas outras. CONST. DE LISB. 1, 12, 98 Se he abftemio, de manci- ra que qu... 556620 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude> forver. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 177 Sinal de que a alma eftava embebida, e com algum abforbimento no ob- jecto contemplado. {{lema|ABSPICIO}}. s. m. antiq. O mefmo que Aufpicio. SABELL. Eneid. 2., I, 5. {{lema|ABSTEMIO, A}}. adj. Que não bebe vinho. Do Lat. Abfte- mins. Leão, Defcripç. 12 Pelo que ainda agora neítas partes fe achão mais homens abflemios, que nas outras. CONST. DE LISB. 1, 12, 98 Se he abftemio, de manci- ra que quando bebe vinho, the venhão vomiros &c. A1v. DA CUNH. Efcól. 1, 10 Deixou de beber vinho el Rei D. João o III, logo todo o Portugal abundou de abfte- mios. {{lema|ABSTENÇÃO}}. s. f. uf. Acção de fe abfter. Abitenção da herança. Forenf. Alto judicial, por que o legitimo berdeiro renuncia a herança. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ABSTENER}}. v. n. antiq. O mesmo que Abfter. Tambem fe ufa com pron. peff. VERCIAL, Sacram. 2, 164, 84 Ef- to ha lugar, quando elle be amoeft.do por feu prelado em a fórma, que deve e nom quiz abftener e ceffar pec- cado. 3, 85, 127. Tres maneiras fom de jejum, a primeira he jejum grande e geral s. abfteuerfe homem e apartarfe de todalas maldades. {{lema|ABSTER}}. v.ta. Privar. Do Lat. Abftinere. D. F. MAN. Cart. 2, 33 Donde não convem, como entre nós o C e o S, antes são letras differentiflimas, que abftem as vozes daquelle fom, que as faz confoantes. Com pron. peff. Privarfe, fepararfe. Reg. a ou de alg. c. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 22 Quem diffe, que effes Egypcios fe abftinhão de vinho. FR. MARC. Chr. 2, 2, 10 O qual porque com fua pobreza não podia com car- ga de tantos filhos, de todo fe abftinha do acto matri- monial. Fro, Tr. 2, 119, 1 Só aquelles fe abftem ao amor proprio, e dão de mão aos defpropofitos, que com- figo traz, que são governados pelo efpirito. Cohibir, conter, refrear. AnAus. Succeff. 3,31 Não efteye na mão do General abftelos, por caufa da preci- pitada furia. M. Tном. Fen. 6, 54 Do buitre fero em Ticio a inclemencia Com a canina fome o curfo ab- Steve. Com pron. peff. Moderarfe, refrearfe. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh, 2, 8 Com a qual temperança ] todas potencias da alma fe abftem e refreão de toda fuperflui- dade. Sous. Vid. 1, 17 E na verdade mais policia pare- ce, e maior limpeza abfteremfe as niãos facerdotaes de tudo o que he menos decente que o trato do altar. PARAD. Art. I, 15, 34. col. 4 Parece neceffario, que ca- da hum fe abftenba dentro dos limites do officio pera que na natuteza o creou. Abfterfe da herança. Forenf. ut. Declarar judicial- mente não querer ter parte na berança. Abfter. neutr. Privarfe. Reg. de ou a alg. c. ARR. Dial 5, 17 Em tal cafo mais feguro ferá abfter de am- bas. Fro, Tr. 2, 145, 3 Porque para aquelles, que paf- são a vida em hum continuo vigiar com Deos na ora- ção, e cm hum perpetuo abfter a todo genero de gofto mundano &c. REG. Summul.78 Como as purgas causão grande ancia e fadiga aos cavallos, he neceffario abfter dellas o mais que puderem. Adag. No foffrer e abfter eftá todo o vencer. BLUT. Vocab: {{lema|ABSTERAMENTE}}. adv. mod. antiq. Vej. Aufteramente. FR. G. DA SILV. Vid. 2, 12. {{lema|ABSTERGENTE}}. p. a. de Abfterger. Medic. Que purifica e alimpa. MADEIR. Meth. 1, 8, 1 Mas como ifto fe fa- ça com medicamentos abftergentes, attrahentes, e corro- fivos &c. MORAT. Luz, 3, 3 Depois de baixa a catara- ta, fe tratará de refolver a nevoa com remedios abfter- gentes. {{lema|ABTERGER}}. v. a. pouc. uf. Limpar e enxugar. Do Lat. Abftergere. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 24. n. 34 E como the atárão as mãos depois de lhe atarem a cruz, não podia abfterger o fangue, que o rofto lhe banhava. Medic. Purgar, mundificar. MADEIR. Meth. 2, 23, 3 As obftruções [cura Galeno] abftergendo o humor. MORAT. Luz, 5, 3 Os diureticos frios são os que tem moderada virtude de abfterger, attenuar, e refrigerar. CURV. Atal. 52 Efte balfamo tem. huma divina, admira- vel, e prontiffima virtude de abrandar, fuppurar, rom- per, abrir, abfterger, alimpar, e encourar as chagas, fe- ridas, &c. {{lema|ABSTERIDADE}}. s. f. antiq. Vej. Aufteridade. FR. MARC. Chr, 2,533. {{lema|ABSTERO, A}}. adj. antiq. Vej. Auftero. D. FR. Br. DE BARR. Efpelh. 2, 2. BRIT. Chr. 5, 33. {{lema|ABSTERSIVO}}, A. adj. Medic. O mefimo que Abftergente.. ORT. Colloq, 36, 142 y Porque nos nollos melões, por ferem abfterfivos ou alimpadores, duvidão alguns na lua compreixão fer fria. MADEIR. Meth. 1, 7 Antes, em lu- gar de repercuflivos, devemos ufar de attractivos, ab- fter fivos, e corrofivos, que tenhão virtude de attrahir, mundificar, e confumir todo o venefico contagio. MORAT. Tr. Unic. 7 Farfehão ajudas abfterfivas com cozimento de cevada e farellos. Subft. MADEIR. Meth. 1, 8, 2 O fal he muito bom abfterfivo e defeccativo. {{lema|ABSTINAÇÃO}}. s. f. antiq. Vej. Obftinação. VIT. CHRIST. 2, 13, 43. D. CATH. INF. Regr. 2, 5. {{lema|ABSTINADO, A}}. adj. antiq. Vej. Obítinado. VIT, CHRIST. 1, 2, 28. GIL Vic. Obr. 1, 41. {{lema|ABSTINENCIA}}. s. f. Acção de fe privar e abfter de al- guma confa. Dizfe abftinencia a ou de alg. c. Do Lat. Abftinentia. antiq. Auitinencia. BARR.. Dec. 3. Prol. Cá deites taes exemplos mais procede licença de vicios, que abftinencia delles. Can. Luf. 7, 40 Das carnes_tem grandiffima abftinencia. Feo, Tr. 2., 236, 2 A qual [pe- nitencia] fe refolve en aborrecimento do mundo, e ab- ftinencia aos vicios. Habito de refrear os appetites, moderarthes os ex- ceffos, e privarfe de qualquer genero de prazer on gofto fenfivel. VERCIAL, Sacram. 1, 59, 39 Abftinencia he vir- rude, pola qual refrea o homem a fanha que toma contra outro, ou encobre com cara alegre. FR. MARC. Chr. 2, 2, 2 No anno de fua provação, fe deo tanto á oração, abftinencia, mortificação da carne o novo dif- cipulo de Chrifto &c. BRIT. Chr. 1, 1 Aqui efteve [S. Bento fepultado tres annos...perfeiçoandofe na ab- ftinencia e quietação do efpirito de tal modo, que &c. Virtude moral, que modera os exceffos do comer, ou o exercicio della. Confundefe ás vezes com a fobriedade ou moderação do beber. HEIT. Pint. Dial. 2, 4, 23 Ve- des aqui a abftidencia e fobriedade de Roma em tempos antigos. SEVER. Prompt. 1, 1, 1 He a abftinencia parte da temperança, e a ella pertence refrear o appetite hu- mano dos manjares de maneira, que não tome, nem defeje fenão o que lhe convem, e naquella quantidade, tempo, e lugar, modo, e fim, que ordena a razão, e Deos quer para confervação da vida e faude corporal. MON- TEIR. Art. 8, 2 Abftinencia he virtude, que governa e modera o fenrido do gofto em materias de comer. Abftinencia, abi. ou Abftinencia da carne ou de carne. Privação de comer carne em certos dias por preceito ou devoção. Azua. Chr. 3, 57 E porque os Moutos em aquelle tempo fazem fuas abftinencias, afli como fazemos em noffas corefmas &c. GRAN. Comp. 3, 5. Ha outra terceira maneira de jejum, que fe chama canonico e ec- clefiaftico, quando em certos dias fazemos abftinencia.de carne,MEND. PINT. Peregr. 92 Mandou lançar pregão, que fob pena de morte nenhuma peffoa comeffe em to- dos aquelles tres dias mais que huma fó vez, porque com a abftinencia da carne ficaffe o efpirito pronto com Deos. Epith. Admiravet. CANDOS. Agiof. 1, 79. Antiga. CALV. Homil., 53. Apertada. CARDOS. Agiol. 3, 92. Afpera. Ros. Vid. 2, 169, 2. Continua. Luc. Vid. 3, 2. Continuada. VIEIR. Serm. I, 15, 5. col. 1093. Difcreta. M. BERN. Luz e Cal. 1, 9, 246. Dura. PURIF. Chr. I, 2, 4. § 5. Estranha. GUERREIR. Rel. 5, 2, 3. Eftreita. FR. MARC. Chr. 1, 1, 16. Extraordinaria. FERNAND. GALV. Serm. 2, 134, 3. Extrema. VIEIR. Serm. 2, 15, 5. n. 499. Extremada. Ros. Vid. 2, 176, 3. Fervorofa CALV. Homil. I, 53. Grandiflima. CAM. Luf. 7, 40. Le- ve. TELL. Chr. 2, 6, 22. n. 8. Maravilhofa. Ros. Vid. 2, 152, 3. Miraculofa. CALV. Homil. 1, 58. Perfeita. L. BRAND. Medit. 1, 2, 69. p. 426. Perpétua. BRIT. Chr. 2, 28. Pobre. VIEIR. Serm. 1, 15, 5. col. 1093. Prodigiofa. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 23, 3, 289. Pro- luxa. D. F. Max. Cart. de Guia', 146 y. Pura. VIEIR. Serm. 7, 4, 2. n. 126. Rara. EsPER. Hift. I, I, 29. n. 3. Rigorofa. BRIT. Chr. 1, 19. Santa. FR. G. DA SILV. Vid. 132. Singular. GAAN. Comp. 2, 18. Summa. L. ALv. Serm. 3, 19, 8. n. 27. Voluntaria. Fr. G. DA Stiv. Vid. 7, 3. Verb. Cortado fer de... LEño, Defcripç. 82. De- bilitado das... BRIT. Chr. 1, 13. Fazer abf (j juar) Azur. Chr. 3, 57. de alg. c. (privarfe da fen fo) PAIN. Serm. 1. 80. Guardar... Sous, Hift. 3,5, 15.<noinclude></noinclude> oa2z9oigbfequxw2kg6ntprcfmdu82m Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/249 106 254978 556622 2026-07-28T09:01:30Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 5. Mitigar a : Ros. Hift. 2, 152, 4. Quebrantado com... ESPER. HIST. I, 1, 31. n. 4. Quebrar a... MARTYR. Cathec. 2, 160. Viver em... D. F. MAN Carr. de Guia, 146 y. {{lema|ABSTINENTE}}. adj. de huma tetm. Que fe abftem e při- va do ufo de alguma coufa. Do Lat. Abftinens, PiN. Chr. de D. Aff. IV. 51 Dos vicios da carne crão mui cbfti- nentes. FR. FRUCTUOS. PER. Att. 238 Aftinente de vinho. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 67 Eltava todo o povo... 556622 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>5. Mitigar a : Ros. Hift. 2, 152, 4. Quebrantado com... ESPER. HIST. I, 1, 31. n. 4. Quebrar a... MARTYR. Cathec. 2, 160. Viver em... D. F. MAN Carr. de Guia, 146 y. {{lema|ABSTINENTE}}. adj. de huma tetm. Que fe abftem e při- va do ufo de alguma coufa. Do Lat. Abftinens, PiN. Chr. de D. Aff. IV. 51 Dos vicios da carne crão mui cbfti- nentes. FR. FRUCTUOS. PER. Att. 238 Aftinente de vinho. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 67 Eltava todo o povo con- forme á direcção de Moilés, puro de todo o trato, até das próprias mulheres abftinentes. Moderado em todo genero de appettites. Applicafe particularmente ás peffons de vida mortificada e peniten- te, ou a eft mefma vida. Goes, Chr. de D. Man. 1, 60 Que andão por todas aquellas provincias prégando fuas feitas, muito abftinentes de vida. FR. MARC. Chr. 1. Prol. E aprendeflem os ricos não gaftar feus bens em vaidades do mundo... mas en obras de mifericordia e em vida abftinente. PAIV. Setm. 3, 77 Como he fer fobrio no comer, modefto nas palavras, comedido, abfti- nente, e outras virtudes femelhantes. Parco e moderado no comer. Tomafe ás vezes pot fo- brio e moderado no beber. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 23 Todos os homens dados excellivamente ao vinho, forão fempre reprendidos, e todos os abftinentes louyados. GRAN. Comp. 2, 18 Muitos mortèrão polo demafiado comer c beber mas o que he abftinente vivirá larga vida. CALV. Defenf. 14 Foi tão abftinente, que affirma delle Laercio, que não comia mais que pão e hervas, bebendo fempte agoa. Subft. Luz, Serm. 2, 60, 1 Quando o demonio fe reprefentou monarcha do mundo, e quiz perfuadir ao desfeito abftinente, que eftava no deferto, que o feguif- fe. e obedeceffe por feu fenhor &c. LisB. Jard. 2,50 verdadeiro abftinente evita todo o mal, guardando a de- vida moderação em tudo. M. FERNAND. Alm. 1, 7, 3. n. 69 E devefe notar, que eftes famofos abftinentes, não fomente vivêrão muito, mas tambem morrerão fem dôres, nem anguftias.. {{lema|ABSTINENTISSIMO, A}}. fuperl. de Abftinente. FR. A: DE S. Dox. Vid. 140, 2. BRIT. Chr. 4, 8. BARRET. Flos Sanct. 2, 88, 1. {{lema|ABSTRACÇÃO}}. s. f. uf. Acção de feparar ou tirar buma cou- Ja da união de outra. Met. CEIT. Serm. 1, 108, 1 E o fenhorio e 'rei- nado de Chrifto como hia deitat raizes nos corações, mais fe fundou na facilidade e branduta, que na abftrac- ção e ifenção imperiofa. M. BERN. Luz e Cal. 1, 8, 161 Muita abftracção dos negocios do feculo. Abittacção. Philof. Acção, por que o entendimento fepa- 1a ou confidera feparadamente alguma cousa, deixadas ou- tras, com que estava naturalmente unida. VLEIR. Serm. 7, 44. n. 131 Mas efta abftracção não chega a fer fubli- memente heroica. M. BERN. Luz e Cal. 2, 4, 380 Sois hum fó, não por abftracção ou univerfalidade; pois fois fingulariffimo, e exiltis realmente. Abftracção, abf. ou Abstracção dos fentidos. Efta- do, em que a alma occupada toda na contemplação de algun objeto não attend: ds imprefsões feitas no corpo. CARDOS. Agiol. 2, 278 Padecendo admiraveis abftraces dos fen- tidos. VIEIR. Serm. 9. do Ros. 3, 9, 142 A quem ou- vítão... foi ao mefmo Chrifto, que mudo no exterior, lhes fallou interiormente aos ouvidos da alına, e por in fomnis na maior abftracção e filencio de todos os feriti dos do corpo. M. FERNAND. Alm. I, 1, 2. n. 39 E já Tullio do que paffa em fonhos tiron a immortalidade da alma, confiderando tambem a abftracção que diffe.mos. {{lema|ABSTRACTAMENTE}}. adv. mod. Com abftracção., M. BERN. Floteft. 1. 5, 164, C, Os livros fallão mais abftra- &ta e geralmente. {{lema|ABSTRACTIVO, A}}. adj. Philof: Que abftrabe ou tem vir- tude de abftrahir, que fepara ou confidera buma coufa dei- xada outra. D. HILAR. Voz, 6, 25 Accrecentando á negação huma dicção abftrativa. Que fe alcança por abftracção, deixando o que nos objectos ba de fenfivel, e confiderando fo o que fignificão ou reprefentão ao entendimento. CEIT. Serm. 1, 194, Affi tambem nefte banquere, que os Anjos derão aos ho- mens no defetto, intentavão, que no fabor do manná o tomaffem tambem a Chrifto no Sacramento, cuja figura elle era porém não chegáráo là, e como groffeiros alli fe ficárão no conhecimento intuitivo e prefente, per- cebendo fo o que eftava ao carão e roque da lingoa, não fubindo ao abftrativo e futuro. S. ANN. Chr. 1; 8; 58 Mas foi do genero das visões claras, que os Theolo gos, chamão abftractivas, , por meio das quaes vemos a Deos, não fó com certeza, fenão com clareza, en al- guns effeitos feus. M. Bern. Floreft. 2, 3, 61, CA glociofa Santa Gertrudes, que, como grande mimofa de Deos, teve delle altiffimas noticias abftractivas, diz &c. {{lema|ABSTRACTO, A}}. adj. Separado ou tirado da união, em que estava com outra cousa. Do Lat. Abftratus. M. BERN. Floreft. 3; 8, 472, B As coufas, que tem fer, mais ab- ftrato e eminente, encerrão virtualmente e equivalem ás que tem fer mais contrahido e inferior. Philof. Separado pelo entendimento, confiderado á par- te e fora da fua natural união com outra coufa. CEIT. Quadrag. 1, 43, 4 Os nomes abftractos tem hum cfpiri- to no fignificat maior ainda que os concretos, e são mui ordinarios pera encarecimentos, M. FERNAND. Alm. 1, 1, 2. n. 3 Quem vos fórma idéas e effencias totalmente abstractas da materia e mais ainda alheias dos fentidos M. BERN. Floreft. 1, 5, 194, B Efte modo de fallar por predicados abftratos eleva mais o noffo conceito. Abftracto do corpo ou dos fentidos. Diftrabido, ex- tatico, alienado dos fentidos. FR. MARC. Chr. 2, 7, 27 Sendo a alma por algum efpiritual objecto do corpo abftra- ta. CARDOS. Agiol. 2, 122 Muitas vezes ficava abstracto dos fentidos. Em abftracto. fórm. adv. {{Uso|Philoſ}}. Segundo a idéa dó modo, attributo, on propriedade, abftrahindo o entendimen- to do fujeito, em que fe acha; como quando fe confidera a extensão, a cor &c. feparandons pelo entendimento do cor- po, com que estão naturalmente unidas. ARR.. Dial. 10, 45 Não fe contentou de no la propôr em abftracto ou em acto fignato (como fallão os Philofophos) mas pôla dian- te a feus Difcipulos em concreto ou no acto exercito. CEIT. Serm. 1, 153, 4 Applico ifto ao noffo Santo : cafou com huma donzella, mái da fé, a mefma pureza e virgindade em abftracto, toda a perfeição do céo. VIEIR Serm. 7, 10, 5. n. 326 De forte que, em fentença de S. Paulo canonica e de fé, fe tomarmos.a avareza em fi mefma e em abftracto, he idolatria. {{lema|ABSTRACTO}}. s. m. Philoſ. A coufa abftrahida e feparada pelo entendimento da união de outras; ou o que fignifica alguma forma com exclusão do fujeito. FR. SIM. COELH. Chr. 21, 96 Nem as relações e abftrattos do Doutor fubtil. M. DA VEIG. Rel. 1, 13, 32 Porque, como não fabem Philofophia, não fazem differença de abftractose concretos. M. BERN. Floreft. 5, 2, 222, C Os abstractos encarecem mais o que dizem do que os concretos. {{lema|ABSTRAHIDO, A}}. p. p. de Abftrahir. CEIT. Serm. 1, 37, 2. D. F. MAN. Art. Cabal. 166. M. BERN. Floreft. 2, 3, 62, B. {{Uso|Ufafe como adj.}} Apartado, feparado retira- do. Das peffoas a refpeito do trato e comununicação com outras. ESPER. Hift. 1, 1, 14. n. 3 Vivia nelle [con- vento como monge folitario, abftrabido totalmente, de comunicar com feculares. S. ANN. Chr. 1, 45, 273 Se recolheo elle a huns exercicios efpirituaes, peta nelles abftrabido das creaturas, tratar com Deos o negocio, que por ferviço feu tomava a pcitos. M. BERN. Floreft. 1, 4, 114, C Devem refguardat o coração defempenhado, abftrabido filenciofo, e folitatio pata o commercio di- vino: {{lema|ABSTRAHIR}}. v. a. Separar, apartar, alienar buma cou fa da união de outra. Do Lat. Abftrahere. CALV. Homil. 2, 582 O Angelico Doutor difputando de ect fi, rapto e arrebatamento d'alma, diz, que he elevação da alma nas coufas divinas, elevada por o Divino Efpirito, que a abftrahe dos fentidos. CIT. Quadrag. 2, 21, 2 Pois nem obtáo, nem defejão os Judeus] nem entend.m bens do céo erernos e gloriofos, que fe abftrabem da materia e trato corporco. L. ALv. Serm. 2, 18, 7. n. zo Mais pa- ra fe render ás fuas paixões, que para imitar aquella pureza, que o abftrahe de carne e fangue. Met. CEIT. Serm. I, 49, 4 E não debalde, Chrifto pera fundar huma lei de amizade e amor, a abftrabio dos bens da terra. Feo, Tr. 2, 127, Quem fó na noi- teabftrabir o penfamento do dia, que está para fe The feguit, chorarà a perdida e morta luz, CARDOS. Agiol. 2, 171 A força da oração o abftrahio defte def- terto. Abftrahir. Philof. Separar mentalmente ou confiderar feparadamente huma coufa, deixadas outras, com que ella cftá unida por natureza. BLUT. Vocab.<noinclude></noinclude> blefyu76sfvifpva1lg82x4xri7tjb0 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/250 106 254979 556623 2026-07-28T09:03:28Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Com pron. peff. Abfterfe, fepararfe, apartarfe Reg. a, ou de alg. c. D. F. MAN. Apol. 173 Do mef- mo modo julgo eu o frade ... que je abftrahio ao fe- culo. SERR. Difc. 2, 349 Se os Medicos o não obriga- rão a elRei D. João II.] a fe abftrahir delle [govemo] L. ALV. Amor, 13 Vereis em o mesmo tempo a outro da mefma idade, e com os mefmos ou fuperiores talen- tos, que de tudo fe abftrahe, fem fe render á violencia da gula, que tambem in... 556623 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Com pron. peff. Abfterfe, fepararfe, apartarfe Reg. a, ou de alg. c. D. F. MAN. Apol. 173 Do mef- mo modo julgo eu o frade ... que je abftrahio ao fe- culo. SERR. Difc. 2, 349 Se os Medicos o não obriga- rão a elRei D. João II.] a fe abftrahir delle [govemo] L. ALV. Amor, 13 Vereis em o mesmo tempo a outro da mefma idade, e com os mefmos ou fuperiores talen- tos, que de tudo fe abftrahe, fem fe render á violencia da gula, que tambem inquieta. Albearfe ou apartarfe dos objetos fenfiveis, não os attender, para fe dir inteiramente á confideração daquillo, em que fe occupa o penfa nento. Do efpirito. M. FERNAND. Alm. 1, 1, 2. n. 38 A alma racional, quando fe abftra- he das corporaes, faz-fe mais apta pera receber o influxo das fubftancias efpirituaes, Abftrahir. neutr. Omittir, deixar ou pôr de parte, não fazer conta ou cafo. Reg. de. ESPER. Hilt. 1, 3, 23. n. 4 Porque como era pollivel abftrabindo de mila- deixar tantos documentos de fabedoria em fere an- gre, nos, que viveo, depois dos eftudos de Verceli. VIEIR. Serm. 11, 9, 5. n. 379 Para enfinar a nola [obedien- cia que ha de abftrahir totalmente do lugar, e que o não ha de ter, nem querer procurar certo. M. FERNAND, Alm. 2, 1, 6. n. 18 Ifto, olhando pera a natureza das coufas e abftrabindo de que Deos de outra maneira difpo. zeffe e lhe perfiniffe outros termos. {{lema|ABSTRUSO, A}}. adj. Occulto, recondito, de dificil entrada ou conhecimento. Do Lat. Abftrufus. Leão, Defcripf. 7 E porque efta materia... he tão abftrufa e intrincada,. que &c. GUERREIR. Rel. 5, 3, 21 E ainda nas dificul- dades mui abftrufas do Bapps, que não fabe fenão quem as aprende de propofito, fabia efcapulir e livrarfe dellas. M. BERN. Floreft. 2, 3, 90, B Onde encerrou em eni- gmas os myfterios abftrufos da tal feiencia. {{lema|ABSURDAMENTE}}. adv. mod. Por modo repugnante á ra- zia. M. BERN. Floreft. 1, 3, 97, A E ainda mais ab- furdamente fentio Averroes, dizendo &c. {{lema|ABSURDISSIMO, A}}. fuperl. de Abfurdo. ARR. Dial. 10, 32. Leão, Chr. de D. Aff. V. 43. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 7. n. 19. Aff {{lema|ABSURDO, A}}. adj. Contrario ou repugnante á razão, fó- ra de propofito. Do Lat. Abfurdus. HEIT. PINT. Dial. z, 2, 9 He coufa abfurda não alimpar o trigo do jôio. ARR. Dial. 3, 29 Emendai os coftumes abfurdos de tantos bar- baros. LEÃO, Chr. de D. Aff. III. 94. E muito mais abfurdo que tudo he dizer &c. {{lema|ABSURDO}}. s. m. Acção ou dito repugnante à razão, in- epcia, defpropofito. BRIT. Mon. 1, 1. tit. 1. Enganado com a conta dos Gregos, a quem fegue, da qual nafcem mil abfurdos clariffimos. Ceur. Serm. 2, 284, 4 Porém havendo de dar em hum de dous abfurdos &c. Sous. Hift. 1, 1, 25 Pera furtar o corpo a dar razão dos ab- furdos, que lhe lançou ás cóftas. Epith. Clariffimo. BRIT. Mon. i, 1. tit. 1. Enormie. M. BERN. Floreft. 5, 10, 474, C. Graviffimo. VIEIR. Voz. 1, 7, 191. Indubitavel. Azev. Correcç. 2, 3, 243. Manifesto. CARDOS. Agiol. 1. Advert. 4, 11. {{lema|ABSYNTHIO}}. s. m. Vej. Abfinthio. Todas as palavras, que alguns efcrevem por Abu, e não fe acharem na fua ordem, bufquemfe em Abo. ABUJAO. s. f. vulg. O mefmo que Visão. por corrupção. D. F. MAN. Muf. 251, Viol. de Thal. Aut. Eis vem a negra abujão, Em fim não tive efcapúla. {{lema|ABULLAR}}. v. 2. pouc. uf. e fó com pron. peff. Tomar 1. peff. Toma bulla. De Bulla, CEIT. Quadrag. 2 239, 2 Outros porque he estado da razão de fua faude (fenão he mais de fua imaginação) de maneira fe abullão pera o cor- po, deixando o mais importante pera a. alma, que são as indulgencias &c. {{lema|ABUNDADO, A}}. p. p. de Abundar. antiq. Avondado. Ufa- fe como adj. O mefimo que Abundante. RESEND. Mifc. 156 He [a India] de arroz mui avondada. F. ALV. Inform. 30 He terra mui avondada de mantimentos. FR. MARC. Chr. 2, 4, 36 E nós, que fomos cheios de pec- cados, fejamos tão avondados de feus bens tão fobeja- mente &c. {{lema|ABUNDANÇA}}. s. f. ant. O mefmo que Abundancia. (A- bondança, Avondança.) RESEND. Mifc. 156 Ha nella [India] toda avondança De maças, cravo, canella. Can. Luf. 5, 54 Encherãome com grandes abondanças O peito de desejos e efperanças. Leão, Chr. de D. Duart. 8 A terra e avondança della he do Senhor, que fez na- cer o Sol fobre os bons e mãos. {{lema|ABUNDANCIA}}. s. f. Cópia, multidão, grande quantidade de varias coufas, ou das mefias de hum fo genero ent algum lugar. Do Lat. Abundantia. ant. Avundancia, GOES, Chr. de D. Man. 1, 26 Davafe tudo bom mercado, pola grande abundancia, que deftas coufas [caça e pefcado] então havia. HEIT, PINT: Dial. 2, 3, 1 A abundancia dos bens temporaes traz comfigo efquecimento dos bens eternos. ARR. Dial. 3, 26 Provada com razões de va- róes infignes em engenho e doutrina dos quaes houve em a piedade Chriftáa cópia e abundancia feliciffi ma. Epith. Admiravel. ARR. Dial. 4, 31. Benaventura- da. SABELL. Eneid. 1, 3, 15. Copiofa. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 11. 11. 55. Deliciofa. M. BERN. Floreit. 2, 4, 143, C. Demafiada. A. DE VASc. Anj. 2, 4, 3. part. 2. p. 60. Estranha. ORIENT. Lufit. 144 . Eftupenda. M. BERN. Floreft. 4, 14, 162. Fecunda. Lisa. Jard. 439, 7. Felici- fima. ARR. Dial. 3, 26. Grandiffima. Paiv. Serm. 2x 253. Inceffante. M. BERN. Floreit. 4, 1, 190. Larga. ARB. Dial. 10, 6. Maravilhofa. Luz, Tr. do Defej. 8, 1. Opulenta. M. BERN. Luz e Cal. 1, 6, 137. Profunda. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 6. n. 25. Singular. VIEIR. Pa- lavr. 13, 3, 10. p. 215. Abundancia. Opulencia, riqueza, cópia de bens da fortuna. ANDRAD. Chr. 1, to Efta profperidade e boa fortuna veio em fim a dar moftra de alguma mudança e declinação; porque eita grande riqueza e abundancia [do Reino] que fe devèra de poupar para as necellida- des da honra &c. Sous. Hift. 1, 1, 11 A abundancia e ociofidade trazem todos os vicios efperros, fenhores das almas. D. F. MAN. Carta de Guia, 146 Muito peor devão os creados a abundancia miferavel, que a pobreza liberal. Anno ou tempo de abundancia. O em que os fru- &os da terra são muitos, e por bom preço. Bair. Chr. 1, 21 Houve nefte tempo huma fome geral e muito gran- de no Reino de França, e como os Religiofos de Cla- raval erão pobres em tempo de abundancia, nefte de neceflidade fe virão em termos de não poderem viver na- quelle lugar. Em abundancia. Abundantemente, copiofamente. A VELL. Report. 358. Copiofa [colheita] e em abundan. cia. CORT. R. Naufr. 4, 44 Já fe trazem manjares. ex- quifitos Em abundancia mais que os de Cleopatra. LEON.. DA COST. Ecl. Vid: de Virg. Cad' anno mandava aos pais para fe fuftentarem ouro em abundancia. Para maior abundancia. Leão, Chr. de D. Afr. V. 45 Item foi concordado, e firmado... que pera maior abundancia elle dito Senhor Rei de Caftella receba per fi a dita Senhora Infanta em publico por fua mulher. CAMINH. Fórm. dos contract. 8 Que pera maior abon- dança e feguridade fua &c. {{lema|ABUNDANTE}}. p. a. de Abundar. Que abunda ou tem abun- dancia. Reg. abf. de ou cm. Das pelloas e coufas. CAM. Luf. 7, 1 Já tendes diante A terta de riquezas abun- dante. Luc. Vid. 2, 23 Por aquella Ilha fer mais abun- dante. RIB. DE MAC. Rel. 2, i Dominar aquelles paizes abundantes em fructos e gente laboriofa. Copiofo, que he em grande quantidade. D. M. DE POR- TUG. Tr. da Oraç. 460 E quanto mais fanto, tanro mais o choro, e lagrimas mais abundantes. CAM. Ecl. 5, 14 Recobra o fructo fertil e abundante," Da rerra o lavra- dor, fe nella cança. Sovs. Hift. 3, 3, 5 Alimpainos de culpas e peccados com efta fonte, e com eftes mila- gres, affi como com ella e com elles nos dais abundan- te pafto. Numero abundante. Vej. Numero. Logarithmo abundante. Vej. Logarithmo. {{lema|ABUNDANTEMENTE}}. adv. mod. Copiofamente, em a- bundancia, GRAN. Comp. 2, 16 Difficultofamente deixão de fazer obras de came os que abundantemente .camem carne. Sous. Hift. 1, 6, 34 Pudera estar hoje a cafa não fó competente e abundantemente provida contra todos os damnos &c. REG. Summul. 12 E fe deixará fangrar o pé ou a mão abundantemente. {{lema|ABUNDANTISSIMAMENTE}}. adv. fuperl. de Abundan- temente. CAMP. Receb, 7. ARR. Dial. 9, 18. FER- NAND. GALV. Serm. I, 39, 2. {{lema|ABUNDANTISSIMO, A}}. fuperl. de Abundante. BARREIR. Chorogr. 41 . CORT. R. Cerc. 1, 7. MEND. PINT. Pe- regr. 67. {{lema|ABUNDAR}}. v. a. pouc. uf. Fazer abundante. antiq. Abon- dar, Avondar. Do Lat. Abundare. S. MAR. Chr. 1.3, 6. n. 4 Ifto he que abundou aquelle Mofteiro com tan- tos fructos de virtudes, c bons exemplos. cit an<noinclude></noinclude> 1tah508k7tkp4iwgunycj60gux4c97e Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/251 106 254980 556624 2026-07-28T09:18:01Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Uso|Neutr}}. Ter grande cópia e affluencia de alguma con- fa. Reg. de ou em. BARR. Dec. 3, 5, 10 Náo he de orer huma coufa ráo commum, e tão divulgada... abun dar de tantos vicios. CAM. Luf. 6, 43 Lá na grande In- glaterra, que da neve Boreal fempre abunda. FR. GAST. DE S. BERNARD. Itin. 7 Abundão cni gado notavelmente. Baftar, fer fufficicute, chegar para alguna confa. Reg. abf. ou para. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 20; Adelgaçan... 556624 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude> {{Uso|Neutr}}. Ter grande cópia e affluencia de alguma con- fa. Reg. de ou em. BARR. Dec. 3, 5, 10 Náo he de orer huma coufa ráo commum, e tão divulgada... abun dar de tantos vicios. CAM. Luf. 6, 43 Lá na grande In- glaterra, que da neve Boreal fempre abunda. FR. GAST. DE S. BERNARD. Itin. 7 Abundão cni gado notavelmente. Baftar, fer fufficicute, chegar para alguna confa. Reg. abf. ou para. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 20; Adelgaçando taes defpezas, lhe poderião avondar fuas rendas pera o gaftamento ordenado. PROV. DA HIST. GEN. 1, 2, 18. p. 126. ann. 1437 E porque nós manda- mos que efte noflo Moefteiro hajão tantas donas, quan- tas puderem avondar os bens deffe Moefteiro &c. Ser de mais, ou em grande quantidade, e fupera- bundancia. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 2, zo Que faz [a alegria] interiormente avondar efle coração com do- ciffima deleitação. ARR. Dial. 8, 23 Onde abundou o de- licto, coftuma Dcos fazer trasbordar a graça. Sous. DE Mac. Ev. Pref. E fempre tive por criminofas as [pala- vras que abundão à exprefsão do conceito. Abundar no feu fentido, on no feu fentir. Seguir o feu parecer. SEVER. Difc. 4, 158 Porque fendo to- dos eftes ufos fantos, cada hum abundava em feu fentido. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 24. n. 21 Cada hum abunda no feu fentir. {{lema|ABUNDOSAMENTE}}. adv. mod. O mefino que Abundante- mente, antiq. Avondofamente. D. FR. BR. DE BARR. Efpe- 1h., 9 Aquelles divinos raios tão avoudofamente, c fem interpolamento. BERNARD. RIB. Menim. Écl. 5 Porque o Em as tulhas, que não tem gorgullo não vem bundofamente o trigo. Fr. MARC. Chr. 2, 1, 61. Viver abundofamente como os ricos do mundo. {{lema|ABUNDOSO, A}}. adj. O mefmo que Abundante. BARR. Dec. 3, 2, 5 A mais rerra delle he chaa, e de campinas, principalmente a que vem. regando o rio Menão, que faz o Reino mui aburidofo de todalas fementes, e manrimen- tos. CAM. Luf. 7, 70 Porque elles com virtude fobrehu- Os deiiárão dos campos abundofos Do rico Té- jo, e frefca Guadiana. FR. MARC. Chr. 2, 10, 14 Com attenta alma revolvemos os abundofos fructos. {{lema|ABUNHADIO}}. s. m. A obrigação do abunhado, que confta dos livros da Aldea, para fe reclamar o abunhado, que fu- gio para outra. BLUT Vocab. Suppl. mana {{lema|ABUNHADO}}. s. m. T..da India Porrugueza, na Provin- cia do Norte, de que he Capital Baçaim. Aquelle, que nafcendo nas terras de qualquer Senhorio, tem obrigação de ajudar a fua cultura, por meio de certa porção della, com que o abunhado fe fuftenta são cafiigados como deferto- res, fe abandonão a Aldea, em que nafcerão, e o Senhor obriga por juftica a reftituição do feu abunbado, mas não os póde vender, nem caftigar; e affim não os comprehcnde a vilcza do cativeiro. Abunhado he o mefmo que Curumbim. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ABURACAR}}. v. a. pouc. uf. Efbaracar, fazer, ou abrir buracos. LEÃO, Chr, de D. Aft. V. 58 De fen grande esforço forão teftemunhas as muitas feridas de lança e efpada, com que lhe aburacdrão todo o corpo. un {{lema|ABURRAR}}. v. a. Ufafe com pron. petl. Moftrarfe muito trifte, fazerfe eftolido. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ABUSÃO}}. s. f. Abufo, mão uso das coufas Do Lat. Abu- fio. ARR. Dial. z, 2 Grande abusão fervir a Senhora, e dominar a efcrava. BRIT. Chr. 6, 5. Pois era abusão e monftruofidade fer o pai julgado dos filhos, o prelado dos fubditos, e o paftor das ovelhas. Los. Cort. 2, 13 E mais quando o ufo he abusão... abfurdo ado- Engano, illusão, falfa perfuasão ptado pelo vulgo.. NORONH. Tr. 39, 69 O' grande abusão de mortaes, digna de fer reprehendida, illicitamente que- rem fer ricos. MEND. PINT. Peregr. 161 E porque não pareça abusão ifto, de que trato Sec. Cour. Dec. 5, 5, 6 Por onde fe vê quão grande abusão he. cuidarem al- guns, que efta conquifta do Oriente foi com negros defpidos, e nús. Conto fingido patranha, fabula apadrinhada pelo povo. Azur. Chr. 3, 61 E elles, como são gente'mance- ba crerlheháo quantas abusões the elle differ. ORT. Colloq. 42, 156 Peçovos por mercè, que em breves pa- lavras digais o que he [o pão da cobia] de que terra vem, e fe he abusão, ou dito falfo do povo, ou fe aproveita pera alguma coufa. PAIV. D'ANDRAD. Exam. 3, 24 E que as abusões dos antigos fejão autorizadas por verdadeiras nas opiniões dos mais modernos, bem o ve- mos &c. Perfuasão falfa em. materia de Religião, acção fur dada nella opinião ou pratica fuperfticiofa. BARR, Dec. 4,7, 20 Martim Affonfo não curando deffas alusões, como Capitão prudente Sc. GOES, Chr. de D. Man. 3, 39 Lancemos de nós todalas abusões diabolicas de fata- nás e feus enganos. Cour. Dec. 12, 3, 9 Pera fe go- vernarem em policia Chriftaa; c bons coftumes, tiran- dolhes alguns, que tinhão cheios de alusões. Certa figura de Rhetorica, a que cs Gregos chamão Catachrefis. BLUT. Vocab. {{lema|ABUSAR}}. v. n. Ufar mal de alguma confa, cbrar contra a razão, boa ordem, c jufta regra das confas. Do Lar. Abuti. Reg. abf. com, de. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3,5 Efte tal, ainda que fete vezes em o dia feja rou bado em extafis, eftá porém em núa narureza, ou 4- bufa com a graça de Deos pera fua damnação. CARDOS. Agiol. 1, 173, 1 Porque não viffe o mundo com quão pouca razão abufava de feu teftemunho. VIEIR. Serm. 4', 3, 7. n. 93 E ponhamos o exemplo nas amizades, affei- çoes, e correspondencias, que no mundo fe usão; c tambem nas que fe abusão fóra do mundo. {{lema|ABUSIVAMENTE}}. adv. mod. Com, ou por abufo, ou abu são. Do Lat. Abufive. MORAT. Luz 5, 4 Outros feme- lhantes medicamentos] de que tão abufivamente, usão tantos com maior prejuízo do que proveito da fua faude. Sous. DE MAC. Ev. 1, 18, 88. n. 11 Que abufivamente fe toma a palavra [peculium] por qualquer patrimonio. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 25. n. 72 Os demais abufiva; e um- braticamente são pais. {{lema|ABUSO}}. s. m. Mdo ufo de alguma coufa, contrario a fua natureza on fim. Do Lat. Abufus. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 19 Huma coufa he reprehender a Medicina, outra o abufo della. Gouv. Jom. 1, 21 O Matrimonio fe redu- <zio á fórma do fanro Concilio Tridentino, tirandofe nel- le muitos abufos, que corrião. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 22, 1, 237 Nas quaes [fenhoras] não fó fe rem intro- duzido o abufo dos trajos tão alheios da antiga modef- tia, e compoftura, mas &c. Acção ou coftume contratio d razão e ordem regula- da das cousas. Luc. Vid, 2, 22 Requerer fobre tudo o remedio de muitos abufos de grande prejuizo a conver- são dos gentios. CORT. R. Naufr. 10, 102 Antiga en- fermidade, cego abufo. Sovs. Vid. 2, 1 Como o unico remedio pera as muitas defordens; e abujos. Forenf. Abufo formal. He far mal do feu privile- gio, e fazer mais do que ao privilegiado he permittido. BLUT. Vocab. Abufo occafional. He quando do feu proprio privi legio toma o privilegiado occafião de delinquir, deftruindo com o delicto o fundamento do privilegio. BLUT. Vocab.. Epith. Abominavel. Paiv. Serm. 3, 4. Antigo. CAM Canç. 1o, 10. Cego. BERN. Lim. Cart. 23. Deteftavel. DECRET. DO CONCIL. TRID. fef. 25. can. 19. Diabolico. M. BERN. Floreft. 1, 4, 132, A. Enorme. FR. BERNARD. DA SILV. Defenf. 1, 27. Envelhecido. ESPER. Hift. 2, 6, 25. n. 8. Excuravel. M. BERN. Floreft. 1, 4, 132, A. Gentilico. Sous. Hift. 2, 2, 5. Geral. VIEIR. Serm: 7, 4, 2. n. 126. Impertinente. Esraç. Antig. 14, 1. Infame. L. ALv. Ceo de Graç. 13, 5. Infernal. TELL. Hift.1, 36, 89. Infoffrivel. PURIF. Chr. 2, 4, 1. §. 6. Intolera vel. VIEIK. Serm. 3, 4, 7. n. 179. Lifongeiro. BERN. Lini. Cart. 23. Maldito. VIEIR. Serm. 3, 9, 5. n. 403 Mortal. CATHEC. ROM. 151. Nefando. MEND. PINT. Pe- regr. 169. Notavel., VIEIR. Serm. II, 8, 6. n. 334. Par- ticular. VIEIR. Serm. 2, 4, 7. n. 125. Perniciofd. M. BERN. Floreft. 3, 3, 106, C. Peftilencial. PALAC. Summ. 9. Prejudicial. VIEIR. Serm: 2, 457. n: 124. Torpe. SA' DE MEN, Mal. 7, 16. Vao. BERN. Lim. Cart. 23. Univerfal: VIEIR. Serm. 5, 6.3. n. 178. 08: Verb. Arrancar... ESPER. Hift. 1, 3, 11. 6. 4: Atalhar.. CONST DE LEIR. 172. Conimetterca CONST. DE LEIR. 20, 2. Convencer VIEIR. Serm. 5, 6, 2. n. 178. Correger... DECRET. DO CONCIL. TRID. Can 22. Cortar por ... M. FERNAND. Alm. 3, 3, 5. n. 235. p. 665. Dar alg. cm.. SALGAD. Theatr. 2, 15. De- fender ... DECRET. DO CONCIL. TRID. Seff. 22. Deixar .. ARR. Dial. 2, 4. Defarreigar... de alg. D. G. L.COUTINH. Jorn. 27. Defterrar..CUNK. Hift. de Brag. i, 16, 39. d'entre alguns. M. BERN. Floreft. 2, 113, C. Emendar.. VIEIR. Serm. M 9, 6. n. 382. Eftra- onbar... ARR. Dial. 10, 50. Evitar...CONST, Ex TRAV. DO FUNCH. 9, 5. Excluir... ESPER. Hift. z, 6, 28. n. 3. Extinguir. VIEIR, Serm. 2, 4, 7. n. 125. Ex- tirpar.. CONST. DE LEIR. 15, 3. Fazer... CONST. DR Evoz. 3, 7. Introduzir... VISIR, Serm. 10. do Rofj<noinclude></noinclude> 6dfny9jyo2e9cznvleqlphqzj42itoj Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/252 106 254981 556625 2026-07-28T09:20:06Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 22, 1, 238. Moftrar... PAEZ, Serm. 13 348. Refor- mar... BRIT. Chr. 2, 1. Refrear Luz, Serm. 1, 172, 1. Reprovar... VIEIR. Serm. 10. do Rof. 22, 3., 253. Refutar... VIEIR. Serm. 5, 6, 2. n. 178. Seguir ... L. ALv. Serm. 1., 10, 2. n. 7. Tirar. . . M. THом. Fen. 2, 62. VIEIR. Serm. 3, 2, 9. n. 58. {{lema|ABUTARDADO, A}}. adj. ant. Vej. Abetardado. {{lema|ABUTERE}}. s. m. ant. Vej. Abutre.. {{lema|ABUTRE}}. s. m. Certa ave de rapina,... 556625 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude> 22, 1, 238. Moftrar... PAEZ, Serm. 13 348. Refor- mar... BRIT. Chr. 2, 1. Refrear Luz, Serm. 1, 172, 1. Reprovar... VIEIR. Serm. 10. do Rof. 22, 3., 253. Refutar... VIEIR. Serm. 5, 6, 2. n. 178. Seguir ... L. ALv. Serm. 1., 10, 2. n. 7. Tirar. . . M. THом. Fen. 2, 62. VIEIR. Serm. 3, 2, 9. n. 58. {{lema|ABUTARDADO, A}}. adj. ant. Vej. Abetardado. {{lema|ABUTERE}}. s. m. ant. Vej. Abutre.. {{lema|ABUTRE}}. s. m. Certa ave de rapina, denominada por Lin- neo Vultur percnopteros. He fiflipede, com quatro dedos lividos, tres anteriores, e hum pofterior; tem o bico na bafe coberto de pelle núa, curto e uncinado, começan- do a fua curvatura hum tanto diftante da fua origem. O macho tem tres pés c duas pollegadas de comprido, e na envergadura, ou defde as extremidades de aza a aza, oito pés. A femea he maior e tem nove pés na en- vergadura, e tres pés e oito pollegadas de comprido. As fuas plumas são arruivadas e malhadas de efcuro, as pennas negras, o ventre branco, a cabeça alongada, c os olhos pequenos. A pennugem da cabeça e pescoço he branca, raza, e denfà, deixando com tudo entrevèr a côr azulada da pelle; o papo he prominente, coberto de pennugem efcuta mefclada de branco. Efta ave he de grande voracidade, e exhala de fi hum cheiro muito def- agradavel; poe poucos óvos, e fó huma vez no anno; faz o feu ninho nos rochedos alcantilados dos Perinéos, e: outras montanhas. Em alguns lugares de Portugal dãolhe o nome de Aguia real, c com effeito a fua eftatura parece affemelbala ás aguias, mas differe na realidade de todas as aguias, por ter os olhos mais prominentes, pela cabeça e pefcoço pennugentos, e não plumofos, por ter as unhas menos compridas, e menos uncinadas, . a pennugem do interior das azas fina, a pofição do corpo femihorizontal, e nunca já mais elevada, o vôo pezado e feu natural mais foffrego, mais glutae, e menos animofo, unindofe muitos contra hum, atacan- do fómente 03 fracos, e remeffandofe aos cadaveres, de que gofta muito de nutrirfe. ant. Abutere, Abuytre: pt. Abuteres. BARR. Dec. 1, 1, 10 Principalmente abuteres, e outras [aves] que feguem as immundicias do povoado. PER. Elegiad. 11, 149 Dizendo huns no tempo de Tra- quino, Abuytres cento foi, que efpedaçarão Da Aguia os filhos. Feo, Tr. 3, 14, 2 Vedes bem? melhor a aguia. Cheirais bem? melhor o abatre. Ant. f. SABELL. Eneid. 2, 5, 68 Até fenão torna- Até lenão torna rem a ajuntar aquellas abutres todas. Met. ARR. Dial. 9, 13 E cuido que fó efte pen- famento he ao enfermo mór enfermidade, vendofe por huma parte cercado de lobos, e por outra de abutres, que na vontade, fendo vivo, o tem por morto. {{lema|ABUTUA}}. s. f. Parreira brava. Vej. Butua. Beur. Vocab. ...Suppl. {{lema|ABUYTRE}}. s. m. ant. Vej. Abutre..A {{lema|ABYSMAR}}. v. a. elfeus derivados. Vej. Abifmar {{lema|ABYSSO}}. s. m. ant. Sumidouro, concavidade vafta, ou pro- funda, que fome a agoa, e quanto the lanção. Do Lat. Aby us. (Abiffo) FR. MARC. Chr. 2, 1, 59 Não vendo o baixo abyfo de redor. Sous. DE MAC. Ev. 1, 11, 36. n. 4 Havendo já na conftituição do mundo dado leis aos abyfos, e ás ágoas. Met. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 39 Em tão profundiffima profundeza do abyfo divino feria mergu- Thado, que &c. ESTIM. DO As. Div. 1, 2, 12: E nifto fe manifeftou o abyffo da tua immenfa piedade. Sovs. DE MAC. Ev. Ded. Do profundo abyffo do meu nada. 20 Inferno. CANCION. 40, 3 Alli Echo com Narci- zo Vi, e Pafife com Minos, Nas funduras do aby o E a filha del Rei Nizo Com fufpiros mui contiños. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 4, 1 E affi em fua conver- são com grande perigo fe pafseão, affi como fobre a boc- ca do abyfo infernal. CAM. Canç. 2; 7 Porque aquelles, que eftão na noite efcura, Não fentirião tanto o trifte aby fo, Se ignoraffem o bem do Paraifo. {{lema|A CA'}}. fórm. adv. Para td. Seguefe de ordinario aos ad- verbios donde, quando. Luz, Serm, 50, 4 Cuidava eu aqui, de quando acá fe moftra o demonio tão libe- ral,&c. F..DE MENDOÇ. Serm. 2, 322, 2 Não nos co- nbeceis de quando. acá iffo? L. Arv. Serm. 2, 9, 2. n. - Donde acá, tantos mimos a Jacob 39,2 {{lema|ACABADAMENTE}}. adv. mod. Exactamente, com a ulti- mia perfeição. D. CATH. INF. Regr. z, 8 A regra da obfervancia e apartamento do ermo pera fugir aos arroit dos do mundo, todo em fi acabadamente cumprio. VER- CIAL, Sacram. 2, 63, 55 E por quanto nefte Sacramen- to da Confirmação fe da, e confirma acabadamente o Efpirito fanto do Bautifmo &c. CART. DE JAP. 1, 79, 2 Eftas coufas forão todas feitas com ajuda e favor di- vino tão acabadamente, que &c. {{lema|ACABADO, A}}. p. p. de Acabar. BARR. Dec. 1, 1, 10 CAM. Luf. 10, 54. Sous. Hift. 1, 1, 12. {{Uso|Ufafe como adj}}. Acabado de alguma coufa. Que a pofue perfeitamente. D. CATH. INF. Regr. 2; 18 Compri- da de honeftidade e graça, acabada de fantidade a paz. VERCIAL, Sacram. 2, 122 Que quer dizer quan- tos recebemos o fanto corpo., e fangue de teu filho por efta participaçom, e comminhom do altar, que he Deos, fejamos chêos, e acabados da bençom e graça ce- leftial. Perfeito, primorofo, excellente. Ajuntãofelhe de or- dinario os adv. bem ou muito. Reg. abf. ou cm. BERNARD. RIB. Menin. 2, 9 Verdade he, que ella he formofa, e muito acabada. GOES, Chr. de D. Man. 3, 30 Tudo mui- to primo, e bem acabado. Ros. Hift. 1, 13, 2 Na vir-. gindade con fumado na humildade mui acabado. Los. Primav. 33 Vendo a formofa Silvia, a quem o céo fez em tudo tão acabada, que &c. Acabado em fi mefmo. Que tem em fi o feu termo, ok limite, que não tem limites. ARR. Dial. 3, 27 Que a Deos, fendo, como he, no viver eterno, e na perfei- ção infinito, e acabado em fi mefmo &c. Acabado. Velho, gaftado do tempo, e da ida- de. Das peffoas. Sous. Vid. 4, 9 Afli velho e acabado, e entregue de todo a outros exercicios &c. CHAG. Ra- milket. 12, 25 E agora apenas vos conheço fegund vos vejo velho, acabado, e confumido... Verb. Dar alg. por... (julgalo morto) Sous. Hift. 159: alg. c. por... BARR. Dec. 2, 4, Darfe porou darfe de todo por... FERNAND. Palm. 3, 40. Ter por PAIV. Serm. 2, 26. 145. Adag. Obra começada, meia acabada. DELIC. Adag. {{lema|ACABADOR}}. s. m. ant. O que acaba. Vir. CHRIST. 4, 19, 91 Jefu... Salvador noffo, e acabador da maravi- thofa e gloriofa obra, que recebefte do Padre por aca- bar &c. D: CATH. INF. Regr. 1, 2 Efguardando em accrecentador, e acabador da fé Jefu Chrifto, que he feito por nós obediente.is {{lema|ACABAMENTO}}. s. m. Acção e effeito de acabar. Barr. Dec. 3, 5, 3 Porque coino o acabamento da fortaleza havia mifter muito tempo &c. MOR. Palm. 2, 122 Re- cear, ou temer o feu derradeiro acabamento não he mui- to que lhe vinha por natureza, como a homem huma- no, compofto da materia, e fórma dos outros homens. BARRET. Eneid. 10, 56 Quando o perfido Rutulo queria A ferro, e fogo o noffo acabamento. {{lema|ACABANTE}}. adv. mod. ant. Por fim ou no fim. de. Sx- BELL. Eneid. I, 8, 108 Acabante de dizer ifto, fe.tor- nou pera os feus ainda de noite. ESTAT. DOS CONEG. Azuis, 2, 13 Acabante a Miffa do Efpirito Santo, o Rector geral mandará tanger a campáa pera entrarem a capitulo. Cor. Dec. 4, 7, 4 Que acabante aquelle fei- to &c. {{lema|ACABANTE}}. p. a. de Acabar. antiq. e pouc. uf. VIT. CHRIST. 33, 7 Ou graça começante, e meante, e acabante. {{lema|ACABAR}}. v. 2. Concluir, completar, fazer de todo, dar a ultimamão. Os arrefactos. De Cabo. ant. Acavar. Goas, Chr. de D. Man. 2, 4. Lhe deo artilharia, mantimen- tos, e oitenta homens Portuguezes, e officiaes pera a acabar a fortaleza.] LEão, Chr. de D. Sanch. I. 64 E [houve ] D. Conftança Sanches, que acabou o moeftei- To de S. Francifco de Coimbra. FR. L. DOS ANJ. Jard. 2, 34 Mandou acabar o. mofteiro de Almofter ...e mor- reo antes de o acabar. Levar ao cabo, concluir, terminar, findar, fazer completamente. As acçõens, e negocios. CAM. Luf. 1, 82 Tanto que eftas palavras acabou O Mouro, nas taes coufas fabio e experto. FR. MARC. Chr. I, 1, 32 E par- tiofe dalli com muita preffa, por acabar fua jornada. B. ESTAÇ. Rim. 60 Que amor, que tudo vence, acaba tu- Acabar bem, ou em bem. Concluir alguma coufa felizmente, com bom, e favoravel exito. NORONH TI. 49, 92 Afti pera bem começar, como pera perfeverar.x c asabar em bem. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 1 Não bafta co. meça<noinclude></noinclude> a1u8qsplhkn7kdn8ngn9gnd3blv31xr Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/253 106 254982 556626 2026-07-28T09:23:48Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: meçar bem, mas he neceffario bem acabar. Leão; Chr. de D. Sanch. 1. 65 Dona Maria Paez the perfuadio que tudo fe acabaria bem. mal. Infelizmente, com forte contraria. LEON. DA COST. Ecl. 3, 12. not. c Quem começa de Deos, não póde acabar mal..by Acabar. Findar, terminar, rematar. A respeito da duração. CHR. DO CONDEST. 73 E nefte cftado acabou feus dias. BERNARD. RIE. Menin. 1, 1 Pera vir aqui acabar os poucos dias de vida. BRIT. Chr.... 556626 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>meçar bem, mas he neceffario bem acabar. Leão; Chr. de D. Sanch. 1. 65 Dona Maria Paez the perfuadio que tudo fe acabaria bem. mal. Infelizmente, com forte contraria. LEON. DA COST. Ecl. 3, 12. not. c Quem começa de Deos, não póde acabar mal..by Acabar. Findar, terminar, rematar. A respeito da duração. CHR. DO CONDEST. 73 E nefte cftado acabou feus dias. BERNARD. RIE. Menin. 1, 1 Pera vir aqui acabar os poucos dias de vida. BRIT. Chr. 2, 19 E não fe acabavão ainda as admirações do primeiro milagre, quando fe começavão as d'outro.com stapt Neutr. RESEND: Mifc. 174 Tudo acaba fenão o amar a Deos. CAM. Canç. 4; 1 Por onde minhas mágoas Pera nunca acabar fe começarão. Paiv. Serm. 3, 143 Os que não vivem fenão para as coulas, que com a vi- da fe acabão, eftes morrem quando ellas acabão. Acabar. Terminar. A refpeito da exrensão. ANDRAD. Inftit. 69 Fará com feu esforço Que os rermos da ef- paçofa larga India Se acabem, onde o mundo os feus acaba. FR. FRUCTUOS. PER. Art. 132 Todos os ver- bos activos.acabão a primeira peífoa do indicativo em 0. Neutr. Fenecer, terminarfe, ter limite ou fim. A ref- peito da extensão. Ufafe com pron. peff. ou fem elle. BERNARD, RIB. Menin. 1, 2 Paflava eu minha vida como fohia, hora... hora em me pôr do mais alto delle [mon- te] a olhar a terra como hia acabar ao mar. MAUS. Aff. Afr. 6, 44 Efta formofa e linda praderia N'ourra gentil cerca fe acabava. ARAUJ. Succeff. 4; I Serra de Monchique começa fobre Villa Nova de mil fontes, e acaba en Mértola, Terminarfe, rematarfe. A refpeito da figura. BARR. Dial: em louvor da nofla lingoa 56 E os que acabão em z, os quaes são Mourifcos. Maus. Aff. Aft. 5, 77 Da cinta pera baixo deshumano, Que em pés de cabra acaba o que lhe refta. SANT. Ethiop. 2; 4, 22 Huma lombada, que vai correndo ao longo do mar até acabar mar até acabar em huma ponta delgada. gar Falecer, morrer. BARR. Dec. 1, 1, 15 Por efta ma- neira acabou efte gentil homem. FERR. Poem. Son. 2, 2024 Não viva eu mais que em quanto conhecida Efta verdade faça, então acabe. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 5 Outros Philofophos da gentilidade, que, por fenão fabe- rem falvar, acabarão defeftradamente. Acabar. Deftruir, dar cabo, matar. As pefloas. CAM. Luf 2, 25 Se a vira o caçador, que o vulto hu- mano Perdeo vendo Diana n'agoa clara, Nunca fa- mintos galgos o matárão, Que primeiro defejos o aca- bárão. Luc. Vid. 2, 7 Affentão de acabar e apagar de todo a cafta dos Paravàs. FREIR. Vid. 1, 44 Que os Principes, com quem trazião guerra, não perderião a occafião de os acabar, vendo no berço quem os havia de defender. Outra qualquer coufa. SANT. Ethiop. I, I, 26 He tanta a quantidade defte peixe nefte tempo, que não ha quem o pofla definçar e acabar Sous. Hift. I, 1, 2 En- finoulhe [a Virgem] fagrada devação do Rofario, com certeza, que feria remedio efficaz pera vencer, e acabar a heregia. CHAG. Obr. 1, 2, 2 Os Signos não dão final de que fe acabe cedo o mundo. Acabar com alguem," ou alguma coufa. Deftruir, dar cabo d'alguem, ou de alguma coufa. CAM. Eleg. 6,7. Ceffar de entender com alguem, ou com alguma cou- fa. EurROS. I, 6. Seu pai manda, a mái manda, a ir- máa manda, nunca acabão comigo. Acabar. Confeguir, obter, alcançar, fazer que al- guma coufa fe faca. MEMOR. DAS PROEZ. I, 13 Lagri- mas e fermofuta Tudo podéráo acabar. BARR. Dec. 2, 7,5 O premio as coufas, que antes delle fe tem por impolliveis, elle as faz leves, e finalmente acaba tu- do. Gavi, Cerc. 1, 5 Tinha tanta eloquencia efte Ca- ciz, e era tão eficaz cm fuas razões, que acabou o que pertendia, que era desfazer a ponte... a huma; e aquella fo fer fervida delle, não podia ata- bar comfigo defefperarfe das outras. Paiv. Serni, 1, 212 Quem ama a Deos, não pode acabar comfigo offendelő, c defcontentalo. PER. Elegiad. 6, 82 Quando te hum co- ração defaifocega, Que a razão com a cobiça váa pe leja, O que acabar não pode com o inimigo, Ou amigo, o acaba hoirem co ajigo. coni o feu coração, com o feu zelo, &c. O mef- no que Acabar comfigo. BRIT. Chr. 17 Tendoos abra cados comfigo largo elpaço...fem poder acabar com feu coração de os ver apartados de fi. 1927 Não pode o Prior Guido] acabar com feu zelo, que leí- kaffe &c. no peito de alguem alguma coufá. O mesmo que Acabar com alguem. FERNAND. Palm. 4, 11 Tendo pers fi, que o que a razão não acabaffe no peito de fua fe nhora acabatia por ventura o ulo, e continuação do tempo. Acabat de fazer alguma coufa. Cefar deixar de a fazer, por termo d acção. CRUZ, Pdes Ecl. 2. Dize- me tu primeiro fe acabajte De fallar tantas coufas ef- cufadas. Sovs. Hift. 1, 6, 27 Que fe Roma eftimou tanto os feus Decios, que não acaba de os por no ceo com louvores &c. BARRET. Eneid. 9, Que duvidas? acaba, toma efpirito. Completala, fazela de todo. Seguefelhe a part. de; e hum verbo no infinito. Cour. Dec. 5, 4, 11 Determi- Hárão de ver fe podião acabar de ganhar o baluarte. Luc. Vid. 1, Eftes acabavão de efpitar, aquelles calião de novo. VIEIR. Serm. 4, 1, 10. n. 44 Nas coufas feceas o ultimo grão, e nas líquidas a ultima gotta, são as que acabão de encher a medida. oloilo Tela feito proxima e immediatamente. FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 4, 6 O que acabamos de dizer antes difto. BRIT. Chr. 1, 27 Nem he muita maravilha a que ata- bamos de contar. L. ALv. Ceo de graç. 6, 8 Como o mefmo Profeta Rei acabava de dizer.com de fer, ou fazerfe alguma coufa. Completarfe, fa- zerfe de tudo. REGR. DA ORD. DE S. TAG. 8 y De ma- neira que fe acabe de ler. Cour. Déc. 47, 7 Orde- nou o demonio ainda outro cafo, pera acabarem os Por- tuguezes de fer aborrecidos naquellas Ilhas. Ser não, ou nunca acabat. Ser coufa muito exenfa e prolixa. Mor. Palm. 1, 12 E afli todos os outros, que querelos nomear cádá hum por fi feria não acabar. CART DE JAP. I, 4, 4 O que paffei feria munca acabar. A- VEIR. Irin. 33 Eu vi nelle [dia] tantos exceffos, e cle- vamentos efpirituaes a Frades, e feculares, que fe os houveffe de elcrever, feria ninca acabari Acabarfe o mundo. Dizfe quando fe quer exaggerar a grandeza de algum mal, que fe teme; e denota deitrui- ção univerfal. FERNAND. Palm. 4, 4 Se começou hum ef trondo por todo o bofque tão medonho, e espantofo que parecia, que o mundo fe acabava! of Ainda o mundo fe não acabou. Formula, que denota reftar ainda alguma efperança, on haver a que fe torne FERR. DE VASC. Ulyflip. 1, 7 Inda fe o mundo não caea- bou. {{lema|ACABELLADO, A}}. adj. Caftanho claro, amarello efcuro, cor de folha fecca. FEST. NA CANON. 39 Nos pés meias de feda acabelladas. SALGUEIR. Rel. 16 Marlota de dor- te de ouro acabellado. holod o {{lema|ACABO}}. s. in. ant. O mefmo que Cabo. FR. LA DOS ANJ. Jard. 395 A tocha dá maior claridade quando cftá no a- cabo. {{lema|ACABO}}. adv. temp. Por fim, ou no fim. Seguefelhe a parti- cula de com nome de medida do tempo. Goss, Chr de D. Man. 1, 30 No que fe paffarão dezoito dias acabo des quaes partirão os Reis pera Caragoça. FERNAND Palni. 3 69 Até que acabo de muitos dias forão ter a Theffalia. Cost. R. Naufr. 9, 96 y Acabo dellas [ho- ras abre os trefpaffados Olhos. de muito. Muito depois. JER. CARDO's. Dict. BENT. PER. Thes. lo meme de pouco. Pouco depois. D. CATH. INP. Regr. 2,5 Came dada aos vermes, cheia de toda cujidade, con cebida em peccados, comprida de fedores e acabo de pouco, manjar de bichos. CASTANH. Hift. 8, 9 De que ...elles houverão tamanho medo, que acabo de pouco que pelêjavão fugirão, ay ip com alguem alguma coufa ou que faça alguma coufa. Perfuadilo, convencelo, confegnila delle. EvFROS. 6 Bem que com mulheres nada fe acaba com razão, a que ellas nunca fe inclináo. CAM. Luf. 6, yo E bem crê que com elle tudo acabe. PAv. Serm. 3, 11 He affronta. do Efpirito Santo levar a melhor delle, e acabar mais tom as mãos o espirito de Lucifer, que com os bons o Efpirito Santo. I co pop comfigo Perfuadirfe, convencerfe, refolverfe, af fentar comfigo. Mor. Palm. 2, 141 Pera fe dar de todo Adv. lug. Immediato, junto. BRIT. DE LEN. Abeced. 2, 23, 80 Que a leve [a bandeira] arvorada.e- cabo delle [Alferes] outros tres ou quatro amigos.com muito cuidado, que &c. Loz, Peregr. 2, 10 E mais ef<noinclude></noinclude> g5vpd6pyyj13zlkeuv0wprp7o2hljxh Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/254 106 254983 556627 2026-07-28T09:25:58Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: tando acabo de ti, jufto he que me não trigue o cora- ção nenhum receio. {{lema|ACABRAMAR}}. v. a. ruftic. Acabramar o boi. Atarlhe a Fé ao corno. BENT. PER. Thes. {{lema|ACABRUNHADO, A}}. {{Uso|vulg}}. p. p. de Acabrunhar. BLUT. Vocab. {{lema|ACABRUNHAR}}. v. a. vulg. Affigir, opprimir. BLUT. Vocab. {{lema|ACABURRO}}. adj. [milho] F. ALVAR. Inform. 47 Fazem pão de toda femente, i, de trigo, cevada, e milho acaburio &c. Vej. Milho.... 556627 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>tando acabo de ti, jufto he que me não trigue o cora- ção nenhum receio. {{lema|ACABRAMAR}}. v. a. ruftic. Acabramar o boi. Atarlhe a Fé ao corno. BENT. PER. Thes. {{lema|ACABRUNHADO, A}}. {{Uso|vulg}}. p. p. de Acabrunhar. BLUT. Vocab. {{lema|ACABRUNHAR}}. v. a. vulg. Affigir, opprimir. BLUT. Vocab. {{lema|ACABURRO}}. adj. [milho] F. ALVAR. Inform. 47 Fazem pão de toda femente, i, de trigo, cevada, e milho acaburio &c. Vej. Milho. {{lema|A CAÇA}}. form. adv. Vej. Caça. {{lema|ACAÇAPADO, A}}. p. p. de Acaçapar. BENT. PER. Thes. {{lema|ACACAPAR}}. v. a. que fo fe ufa com pron. peff. O mef- mo que Agachar, BLUT. Vocab. {{lema|ACACHADO, A}}. adj. pouc, uf. O mefmo que Agachado. LIT. DANBAD. Mifc. 8, 251 E eu nas fuas cóftas aca- chado me fui demandar o dito poftigo do Xeque. Ro- BOR. Pott. 256 Em quanto o efpreitador: acabado occupa- va a entrada &c. {{lema|ACACHOAR}}. v. n. pouc. uf. Fazer cachão. ARAUI. Suc- ceff. 4, 1 Onde cite rio fe ouve acachoar, quando le- ya muita agoa, por fe diffundir eftranhameate alcantilado. {{lema|ACACIA}}. s. f. Certa arvore, que tambem fe chama Acacia verdadeira, ou Aeneia do Egypto. He huma efpecie de efpongeira fempre verde, denominada por Linneo Mi- mofa nilotica, e por elle diftribuida na Polygamia Mo- noicia do feu Syftema dos Vegetacs. Efta arvore tem a cafca dos feus ramos extremos liza, e algum tapto pur- purea as fuas folhas são duas vezes pinnuladas.com dous até cinco pares de foliolos parciaes, entre o extre- mo par deftes foliolos ha huma glandula no peciolo mc- diato, e na bafe do peciolo commum dous efpinhos pa- .otentes, mais compridos do que os das efpongeiras ordi- narias dos noffos jardins. As fuas flores são amarellas, difpoftas em espigas.globofas, pedunculadas, c com flof- culos huns hermaphroditos, outros malculinos os her- maphroditos tem o caliz com cinco denticulos, a corolla fendida en cinco, pequenas lacinias, muitos eftames, c hum fó piftillo to feu fructo: he huma vagem glabra denigrida, comprimida e torulofa, com torulos algum tanto rhomboidaesos flofculos mafculinos não tem pif- tillo, e são em tudo o mais femelhantes aos hermaphro- ditos. Efta arvore he indigena do Egypto c Arabia, c della mana a melhor gomma arabia, que nos trazem do Levante. Buur. Vocab. Certa arvore Americana. Acacia falfa où baftarda. Ha da familia natural das leguminofas, denominada por Linneo Robinia pfendo-acacia, e por elle diftribuida na Diadelphia decandria do feu Syftema. Efta arvore exo- tica he hoje cultivada em muitos jardins e lamedas da Eropa tem as folhas pinnuladas com hum foliolo im- pare e com eftipulas elpinhofas na bafe do feu pecio- lo commum; as fuas flores eftão difpoftas em cachos com pedunculos parciaes uniflóros; o caliz he termina- do em quatro denticulos, a corolla branca, e o fen fru- do huma vagem prolongada, e bojuda. Biur. Vocab. Pharmac. Certo producto ufado em Medicina, como adftringeute. He de duas fortes Acacia do Egypto, que che o fucco efprimido dos fructos verdes da Acacia ver- -dadeira, condenfado com o calor do Sol, e preparado em pequenos bolos de meio arratel de pezo quando mui- toe Acacia da Europa, ou Acacia do reino, que he o fucco extrahido dos abrunhos bravos pouco antes de maduros, e condenfado pela força do calor, ou ainda os mefmos abrunhos feccos. Efta Acacia foi fubftituida á precedente pelos Medicos Arabes. Alguns dão tambem o nome de Acacia da Europa ás flores feccas do Abru- nheiro bravo, as quaes dizem fer de virtude laxativa. ORT. Colloq 23 Nem [o Aloes] fe falfifica com gomina arabica e acacia (como dizem Plinio e Diofco- rides) porque ha nefta terra pouca gomma e acacia. MA- DEIR. Meth. 1, 38 Acacia, laudano, de cada hum meia onça. CABREIR. Comp. 38 Tomnem oleo xardino, eftora- que, mitrha, acacia, partes iguaes. {{lema|ACADEMIA}}, s. f. Certo lugar aprazivel e coberto de ar- voredo, onde Platão, e depois delle outros Philofophos en- finavão a Philofopbia. Lat. Academia. Como a voz Lati- na, em razão da etymologia Grega tem a penultima commua, daqui vem pronunciarfe em Portuguez ou com accento na penultima, ou na antepenultima. HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 2. E fe foi [Platáo] a hum lugar folitario, chamado Academia, donde depois as efcolas dos Philofo- phos tomário efte nome. Ans. Dial. 5, 17. Plato ofere- vendo a Orgias, lhe dizia... Muito mais eftudo pera confelhar meus amigos, que pera ler na Academia aos Philofophos. Seita dos Philofophos, a que Platão deo. origem no fobredito lugar, ou a Philofophia e doutrina deftes mesmos Philofophos. FR. MARC. Vid. 2, 10 Achon pois Bafilio na Igreja o que não podia achar na Academia. FR. BER- NARD, DA SILV. Defenf. 1, Apollonio [efcreveo] da continencia, que fe guardava na Academia de Platao. Met. Efcola de qualquer Philofopho, HEIT, PINT. Dial. 1, 3, 7 E foi ventilada efta questão nas acade- mias dos Philofophos de Grecia &c. FR. BERNARD, DA SILV. Defenf. 2, 12 E-parecendo a Coráce, baltava o que lhe tinha enfinado. [a Thifias] pera tão pouco pre- mio, pediolhe o reftante da divida , defpedindoo de fua academia. VIEIR. Serm. 3, 8, 2. n. 327 A mais grave e oftentofa difputa, que nunca ouvirão as academias &c. Univerfidade on Estudos geraes, onde fe, enfinão as artes liberaes, e as fciencias. ARR. Dial, 4, 21 Conver- fando a nobreza deftes Reinos, que no mefmo tempo. eftudava na fua infigne Academia. (Falla de Coimbra) FR.. BERNARD, DA SILV, Defenf. 2, 14 Edificou muitos tem- plos e Academias. Sovs. Hift. 1, 3, 40 Floreceo fem- pre nefta cafa cftudo geral de Philofophia e Theologia, e he a primeira Academia da Ordem nefta Provincia. Sociedade ou congreffo de peffoas literatas, que fe de- dicão ao eftudo das Sciencias, Artes, Bellas letras &c. tratando e conferindo entre fi o que melbor conduz para o feu progreflo é perfeição. Particularmente fe dá effe no- me aquellas, que forão inftituidas, ou fe achão appro- vadas com autoridade pública. HEIT. PINT. Dial. 1, Prol. Pois eftà conftituindo a fua Villaviçofa em univerfal A- cademia. MEND. DE VASG, Art. 67 Accio, Poeta, não fez nunca cortezia a Cefar, quando hia á Academia dos Poe- tas. VIEIR. Voz. 1, 10, 9. p. 340 Não fe referem nas converfações os verfos do Conde, nem nas Academias fe allegão os feus difcurfos politicos; Qualquer ajuntamento de peffoas cruditas para fint de exercitarem feus engenhos em algum genero de compofi- ção ou eftudo ou o certame literario, que fe celebra por occafião de alguma feftividade pública, onde as mais das vezes fe affignão affumptos, e propõe premios. ACAD. DOS SING. I, 1. Oraç. Mageftofa Academia, que os Singula- res de Lisboa fazer intentão. GALHEG. Templ. 4, 20% De Dom Fernando Albia de Caftra veja la tempera- da a lira Caftelhana, Que ainda que he Caftelhana o claro Téjo A honra na Academia Lufitana. Congreso publico ou particular das Artes liberaes; no qual pela exercicio e enulação fe promove o adiantamen- to daquella Arte que alli fe cultiva e affim fe diz: Academia de Pintura, de Efeultura, de Mujica be. BARRET. Rel. 98 Defta Academia literal pafsão os que hão de feguir as armas, a outras Academias de brida, efgrima, mufica, e dança. GALV. D'ANDRAD. Art. 1, 2 A Academia ferá junto da caval hariça. D. F. MAN. Muf. 212. Viol, de Thal. Romanc. 27 Introdução feftiva de huma Academia de Muficos e Poetas. Met. Das fobreditas fignificações. ARR. Dial. 10, 41 As efcólas humanas bão mifter idade, e não a Aca- demia do Efpirito Santo. LEÃO, Defcripç. 62 E afli ef- tes todos fazião huma Academia fanta, em que tratavão coufas de fua falvação. Sous. Vid. 5, 28 E poderamos ajuntar outros Abbades, Conegos, e Beneficiados, to- dos defta creação, e deka Academia. [Falla da cafa do Arcebifpo Epith. Celebrada. ARR.. Dial. 7, 14. Floreute. Pu RIF. Chr. 2, 7, 1. S. 3. Geral. ESPER. Hift. 1, 2, It. n.. 1. Grave. PURIF. Chr. 2, 7, 1. §. 3. Illuftre. CHAG. Serm. Genuin. 7, 140. Infigne, FR. NIC. DE OLIV, Gran- dez. 2, 4. Mageftofa. ACAD. DOS SING. I, 1. Oraç. Re- putada (bem.) ALV. DA CUNH, Efcól. 19, 19. Univerfal. HEIT. PINT. Dial, 1. Prol. {{lema|ACADEMIALMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. De modo aca- demico. D. F. MAN. Apol. 353 Fizerão comigo que... lhes leffe academialmente... huma lição de Politica. {{lema|ACADEMIAR}}. v. a. pouc. uf. Obrar como Academico. D. F. MAN. Muf. 213. Viol. de Thal. Romanc. 27 Mas para que na Academia De hoje todos. academiem De modo, .. que a noffas almas Muita doutrina aproveite &c. {{lema|ACADEMICO, A}}. adj. Que pertence & Academia. Do Lat. Academicus. HEIT. PINT. Dial, 2, 1, 6 Mas tambem fei que os Philofophos Academicos e Peripateticos a contra- xião com razões claras e evidentes. TELL. Chr. 1, 1, 36. n. 9 O mefmo achamos efcrito de Platão, que efti-<noinclude></noinclude> 3mmrjhmq4c1puvxxczpoxukjvo52cij Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/255 106 254984 556628 2026-07-28T09:39:16Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mava mais o fecréto das filvas academicas, que a refplen dor do applaufo de Athenas. MONTEIR. Art. 8, 12 Fef- tejo, Senhor ver a elles levantados a cadeiras altas, pulpitos luftroles, ciencias ho luftrofas, fciencias honrofas, gráos academicos; Subft. Philofopho da feita de Platão. FR. SIM. COE. in. Chr. 2, 14, 162 Ficava tudo o mais firme, mais in- certo, que a verdade das coufas na opinião dos Acade- anicos. HEIT. PINT. Dial. I, I, I... 556628 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>mava mais o fecréto das filvas academicas, que a refplen dor do applaufo de Athenas. MONTEIR. Art. 8, 12 Fef- tejo, Senhor ver a elles levantados a cadeiras altas, pulpitos luftroles, ciencias ho luftrofas, fciencias honrofas, gráos academicos; Subft. Philofopho da feita de Platão. FR. SIM. COE. in. Chr. 2, 14, 162 Ficava tudo o mais firme, mais in- certo, que a verdade das coufas na opinião dos Acade- anicos. HEIT. PINT. Dial. I, I, I Que a [dúvida ] não terá fenão quem fegundo coftume dos Academicos quizer tem tudo duvidar.. VIRIR. Serm. 3, 8, 6. n. 347 E as ef- cólas e feitas, que feguião tão diverfas, e ainda contra- rias, como a dos Pythagoricos, a dos Cynicos, a dós -Peripateticos, a dos Eftoicos, a dos Academicos, e as ob demais. Membro ou Socio de alguma Academia; ou o que curfa os estudos em huma Universidade. ACAD. DOS SING. 1, 16. Oraç. Aflim fábios, difcretos, e entendidos Aca- demicos meus. TELL. Chr. I, 1, 21. n. 3 Quão pouco eftimados erão... dos Academicos da Univerfidade, que os defprezaváo. BARRET. Flos Sanct. 2, 72, 2 Entra na fala, aonde acudirão os Meftres com mólhos de varas pera o açoutar, e grande concurfó de Academicos ao ef- petaculo. {{lema|ACAECER}}. v. h. impeff. ant. Acontecer, fucceder. BERNARD. RIB. Menin. 1, 30 Todas as coufas, que depois faz, tomais à peor parte, como aqui acaeceo. MENOR. DAS PROEZ. 1, 25 O Mouro apaffionado comfigo do que lhe acaecera &c.. FERR. DE VASC. Ulyflip. 5, 8 Se à todos huma hora por outra não acaeceffen: mofinas, não se po- derião compadecer os profperos. {{lema|ACAENTAR}}. v. a. antiq. O mefmo que Aquentar. Vir. CHRIST. 4, 10, 49 . {{lema|ACAFELADO, A}}. p. p. de. Acafelar. F. ALv. Inform. 109. CASTANH. Hift. 3, 103. TELL. Hift. 4, 26, 365. {{lema|ACAFELADOR}}. s. m. O que acafela. JER. CARDOS. Dict. BENT, PER. Thes. {{lema|ACAFELADURA}}. s. f. Acção de acafelar. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thcs. {{lema|ACAFELAR}}. v. a. Rebocar, cobrir a parede por modo que fique igual eliza, com cal amaffada coin areia. Do Arab. Caffala, tapar com pedra e cal. Derivafe do verbo Cafal, fechar com cadeado, ou com fechadura. Na fc- gunda conjugação fignifica tapar huma porta, janella ou frefta com pedra e cal. Goes, Chr. de D. Man. 2, 18 Mandando entupir as bombardeiras, antes que as os Mou- ros viffem, de pedra e barro pela banda de fóra, e aca- felar de maneira, que era tudo parede igual. Met. CANCION: 80 y, 1 Qu aproveita bem fallar, S'as razões não vão provadas, Sáo modo d' acafclar, São finaes de defamor. EUROS. 5, I E por vida de Ama de quebrar o banco, fe me cedo não acudis, pe- ra acafelar quantas mentiras por vós digo a fenhora mi- nha comadre. FERR. DE VASC. Uly flip. 5, 8 E muito cer- to he de quem tem má farinha acafelala com boas re- zões fobejas. {{lema|ACAIRELADO, A}}. p. p. de Acairelar. RAM. Cht. 42. SAL- GUEIR. Rel. 41. FEST. NA CANON. 28 y. Met. FERR: DE VASC. Uiyflip. 2, 7 Mas quantos póftos tem huns olhos acairelados de huma meiguice forgicada? {{lema|ACAIRELAR}}. v. a. uf. Pôr cairel, cercar ou ornar com cai- rel. {{lema|ACALANTAR}}. v. a. ant. Vej... Acalentar. {{lema|ACALCADO, A}}. antiq. p. p. O mefino que. Acamado. PIN. Chr. de D. Aff. II. 5. {{lema|ACALCANHADO, A}}. p. p. de Acalcanhar. PINT. RIB. Defeng. 27. D. F. MAN. Apol. 400. Ufafe como adj. e applicafe ao çapato, cujo talão fe enruga e mette para baixo do calcanhar. {{lema|ACALCANHAR}}. v. a. Pizar, on bater com os pés. PINT. Ris. Rel. 3, 1 Soffrendo humilde [o mar.] os empuxos faceis do nadador ociofo, que com as mãos o bate, e com os pés o acaleanba e efcoucinha. Acalcanhar o çapato. Dobrarlle o talão, e enchelo de rugas. BLUT. Vocab. Neutr. Ter ou formarse em feitio de calcanhar. REG. Inftrucç. 18 Será o canello da ferradura mais groffo da quella parte pera donde torce e alcacanba a mão. {{lema|ACALÇADO, A}}. p. p. de Acalçar. GALV. Chr. 48. {{lema|ACALÇAR}}. v. a. antiq. O mefimo que Alcançar. VIT: CHRIST. 3, 13, 36 y Muitos bens faz a fé no homem ...O quarto impetra e acalça coufas, que pede. CHR. DO CONDEST. 24 Pera acalçar Nunalvrez no caminho D. CATH. INF. Regr. 1, 4 E acalçon virtude pera fazer milagres. {{lema|ACALENTADO, A}}. p. p. de Acalentar. BENT. PER. Thes. {{lema|ACALENTAR}}. v. a. Embaraçar ou fecegar o choro de hu ma criança. [Acalantar] ant. Aqualentar. BARR. Paneg. 36, 333 Nos meninos acerca dos cocos e medos, com que os acalentão fuas amas. ARR. Dial. 10, 50 Ho ra o afagava e acalentava como menino. Sous. Vid. 1, 1 Sendo affi que femelhanres viftas são o coco, com que as amas affombrão, ou acalentão os meninos defta, ou ainda de maior idade. Met. Aplacar, confolar. As peffoas. Goss, Chr. do Princ. 79 E principalmente o Duque de Guimarães ... depennando as barbas e os cabellos da cabeça, fez grandes prantos c lamentações . . . no que paffou hum bom pedaço fem o ninguem poder acalentar. GUERREIR. Rel. 3, 1, 3 Acalenton a boa mai [a filha] e a affegu- rou, dizendo que eftiveffe defcançada, que affi o fa- ria, como lhe aconfelhava. Cair. Serm. 2, 121, 3 E foi neceffario o pai [do Prodigo] acalentalo. [ao irmão mais velho com lhe dizer: Omnia mea tua funt: Quan- do eu morrer, ahi te ha de ficar tudo. Abrandar, mitigar, quietar. As coufás. AVEIR. Itin. Tomárão todos aquelles Gregos tanto contentamento do fuccedido eftando eu corrido, que não podiamos acalentar a feíta. VEIG. Laur. Ecl. 3 Com teu bem nof- fa mágoa acalautamos. PINT. RIE. Ufurp. 46 Não ha cou- fa, que máis acalente as lagrimas e fufpiros de hum po- vo por feu Rei defunto, que a fuccefsão de Principe não eftrangeiro, fenão proprio e natural. {{lema|ACALMADO, A}}. p. p. de Acalmar. F. DE MENDOÇ. Serm: 1, 77, 20: Antiq. Abaftado, provido copiofamente. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 18 Efta torre eftava muito. acalmada, muitos toucinhos, e lenha atá o primeiro fobrado. {{lema|ACALMAR}}. v. n. Serenarfe, aplacarfe, focegarfe. Do ven- to. Goes, Chr. de D. Man. 2, 26 Ao qual perigo lhe fobreveo acalmarlhe o vento. ALBUQ. Comm. 4, 7 Quan- do acalmão os levantes, venta terrenho. SA' DE MEN. Mal. 1, 85 Tal como a náb, a quem o vento acalnia. Met. Abrandarfe, moderarfe. Do animo, ou de al- gum dos feus affectos. Maus. Aff. Afr. 5, 72 Cuja fo- berba gloria inda que acalme No Rei defunto &c. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 243, 6 Tudo junto: fervor da almá , e rigor do corpo porque fe o corpo folga, d efpirito acalma. Acalmar, v. a; antiq. fo fe ufa com pron. pell. Fer- necerfe, baftecerfe, proverfe abundantemente. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 1, 101 E acalmoufe de lenha, e catnes,. e outras coufas, que pera defensão pertencião. (fe não be erro da imprefsão) {{lema|ACAMADO, A}}. p. p. de Acamar. A. be Vasc. Anj. 2, 4,8. part. 7. p. 249. M. BERN. Luz e Cal. 2, 1, 253. ACAMAR. v. a. Derribar, proftrar, lançar no chão. Par-. ticularmente as fearas. BARBOS. Dict. Met. Abater, humilbar. Ceir. Serm. z, 3335 * Tratou [o demonio de acamarvos; como trigo, id eft, derribarvos na fé. Maus. Aff. Afr. 5. 77 Divulgarfe do monftro logo a fama, Que alguns frácos espíritos acama. Neutr. Proftrarfe, derribarfe. Da feara. Fк. THом. DA VEIG. Confid. 1, 21, 3. n. I A muita fertilidade faz acainar a feara. Lop. Defeng. to Afli são as noffas fca- ras, que a muita fertilidade as faz acamar. Adoecer, cahir na cama. BAREOS. Dict. {{lema|ACAMPADO, A}}. uf. p. p. de Acampar. {{lema|ACAMPAMENTO}}. s. m. uf. Acção de acampar, cu o mef- mo fitio e terreno, onde o excrcito fe acampa. {{lema|ACAMPAR}}. v. n. {{Uso|Milic}}. Alojarfe, affentar o campo ou ar- raial eni algum terreno para ifo deftinado. Do exercito. MARINI. Comm. 1, 4 Acampava por ella [raia de Caf tella] a noffa Ronda, que conftava de dez foldados de cavallo. PINENT. Meth. 1,2 5. p. 235 Obrigandoo [o inimigo a acampar diftantiffimo da praça. {{lema|ACAMUÇADO, A}}. adj. ant. ou {{lema|ACAMURCADO, A}}. adj. c he como hoje fe diz. Ama- rello, de cor de camurça. SALGAD. Theatr. z, 10 Çapa- tinhos á Franceza, E mcias acamuçadas. ACAD. DOS SING. 1, 11. Oraç. E em huma tarja acamugada com les tras de azeviche fe lia efta letra. {{lema|ACANALLADO, A}}. adj. Cavall. Vej. Acanellado. {{lema|ACANE'A}}. s. f. pouc. uf. Vej. Hacanea. {{lema|ACANELLADO, A}}. adj. De cor de canella. SALGUEIE. Rel, 19 Meias e ligas acanelladas.<noinclude></noinclude> 4fq3owrp5b3840pbwdrywivn2hf9msl Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/256 106 254985 556629 2026-07-28T09:48:32Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: T. de Tecedeira. uf. Que tem canellas. Do panno. Cavall. e melhor Acanallado. Que forma hum canal. Applicafe de commum aos lombos do cavallo, que pela fua gordura, fórmão hum canal até a cauda. LEIS Ex- TRAY. Addiç. 35 Os lombos [do cavallo] largos e aca- nellados. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. L5, 56 Os tiros [do freio] não muito ardegos e curtos, groffos os affen- tos, e barbella acanallada. {{lema|ACANHADAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf.... 556629 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>T. de Tecedeira. uf. Que tem canellas. Do panno. Cavall. e melhor Acanallado. Que forma hum canal. Applicafe de commum aos lombos do cavallo, que pela fua gordura, fórmão hum canal até a cauda. LEIS Ex- TRAY. Addiç. 35 Os lombos [do cavallo] largos e aca- nellados. PINT. PACHEC. Tr. da Ginet. L5, 56 Os tiros [do freio] não muito ardegos e curtos, groffos os affen- tos, e barbella acanallada. {{lema|ACANHADAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. Com acanba- mento. Lise. Jard. 431, 1 Todos aquelles homens forão creados no captiveiro do Egypto, opprimida e acanba- damente. {{lema|ACANHADO, A}}. p. p. de Acanhar. MEMOR. DAS PROEZ. I, 44. ARR. Dial. 2, 5. LOBAT. Palm. 6, 7. Ufafe como adj. Timido, covarde, pufillanime. CALV. Defenf. 14 E porque os Juftos não são tão acanhados, como &c. Ceit. Scrm. 1, 91, 2 Tambem efta fuppofi- ção tivera, pouco que provar., fe a miferia dos nofos tempos não tivera já aos Fidalgos nobres tão acanhados. PER. D'AFONS. Poder. 7, 174 E fe o amor he hum fo- go, que não fe póde efconder, como he pollivel, que hum verdadeiro amante poffa fer tímido e acanbado: Abatido, bumilde. MARIZ, Dial. 1, 4 Mais efti- mulados de huma virtuofa emulação, que de huma aca- nhada inveja. FERNAND. GALV. Serm. 1, 4, 4 Almas do- bradas e refolhadas não são fidalgas, fenão baixas e a- canhadas. ORIENT. Lufit. 117 Mas como a differença dos eftados No moço penfamentos não foffria, Que foffem ráo rafteiros e acanbados &c. Apertado, eftreito. Applicafe aos lugares. CARDOS. Agiol. 2, 218 Recolhiafe n'hum fottão, que fica debaixo do Coro alto, o qual era tão acanhado, que efcaflamen- te podia eftar nelle de joelhos. S. MAR. Chr. 1, 6, 15. n. 12 Parecendolhe a Igreja do Mofteiro pequena e aca- nbada. {{lema|ACANHADOR, ORA}}. adj. Que acanba. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ACANHAMENTO}}. s. m. Acção e effeito de acanbar. Fr. TH. DE JES. Trab. 1, 14, 324 O acanbamento dos nobres, a foberba dos ricos. PAIV. Serm. z, 490 Fez que foffe motivo de remedio o que dantes era acanhamento. PINT. RIE. Rel. 3, 2 Digo ifto por, alguns Syndicantes, que hontem. fyndicados e particularestudo nelles era hum acanbamento e humildade indigna do a que afpiravão. {{lema|ACANHAR}}. v. a. Abater, apoucar, bumilhar. As peffons. EUFROS. 1, 1 Homem, que folga de acanhar outro, que não tem por imigo, natureza de fatanas. Paiv. Serm. 3, 183 E. afli fica ranto mais louvado e engrandecido Deos] quanto mais fe esforção a perfeguir e acanbar fcus fervos. FERNAND. GALV. Serm. 2, 26, 4 Muitas ve- zes a forte poc no alto os que merecem menos, e aos que fobejão merecimentos e partes, abate e acanba. O animo e as coufas. EurROS. 1, 3 Quanto fof- frimento dá a pobreza, e como acanha os cipiritos, c cerra os pórtos a rudo. LOBAT. Palm. 5, 89 He tanta a voffa [valentia] tornou o aventureiro, que facilmente acanba todas as ourras do; mais famofos do mundo. FEO, Tr. 3, 135, 3 Os Farifeos movidos d'inveja to- máráo á fua conta acanbar a gloria de Chrifto. Apertar, fazer eftreito. Os lugares. CEIT. Serm 2, 41, 4 Como cidades, que fundadas em alto, fenão po- dem acanhar e aplanar. ESPER. Hift. 13, 13. n.5 Nef te tempo não fómente, amplificava os Paços o dito. Rei D. João, acanbando. o Convento, mas tambem difpunha nelles humas feftas grandiofas, Com pron. peff. Acovardarfe, abaterfe, humilhar- fe. EvrRos. 5, 5 Não vos acanbeis, que não ha coufa tão difficil que com bom esforco fenão alcance. PAIV. Serm. 3, 48 E afli fica em grande próva da Fé abarer- fc e acanharfe o efpirito com as neceflidades, e acci- deptes temporaes. VEIG. Laur. Ded. Vede como o feri- do não fe acanha. Acanharfe a alguem out a alguma coufa. Cederlbe, renderfelbe, fubmetterfelbe.. EUFROS. 1, 1 Nunca vos aca- nbcis à fortuna, fe a quereis vencer. MARIZ, Dial. 1, 5 Como feja ordinario de animos temperados, não fe a- canharem aos foberbos e levantados &c. ORIENT. Lufit. 60 A vil opinião do vulgo incerto, Que não faz della eftima, não me acanbo. {{lema|ACANHOAR}}. v. a. Difparar os canbões ou peças de arti- Ibaria contra algum lugar, on alguma coufa. BLUT. Vo- cab. Suppl. {{lema|ACANHONEAR}}. v. a. O mefmo que Acanhoar. ARAUJ. Succeff. 1, 2 Donde açanbonedrão aquella villa, com A CA perda de cafas e morte de alguma gente. {{lema|ACANNAVEADO, A}}. p. p. de Acannavear. M. BERN. Flo reft. 4, 12, 93. {{lema|ACANNAVEAR}}. v. a. Metter pontas de cannas por entre as unhas e a carne. GOES., Chr. de D. Man. 4, 8 Atado em huma cruz feita em afpa, ein que o acaniavedrão, e tirárão pouco a pouco as unhas dos pés e das mãos. MARIZ, Dial. 4, 18 Dons dias o tiverão em tormento, crucificado em huma cruz afpada, e nella o acannaven- rão. D. FERN. DE MEN. Hift. 3, 82, 179 Indignado o Mouro, o mandou atar a hum pão, e acannavear pelos rapazes. {{lema|A CANTAROS}}. form. adv. Vej. Cantato. {{lema|ACANTHE}}. s. f. Certa arvore de que falla Virgilio, con- tros Autores antigos, a qual julgamos fer a Acacia do Egypto. Do Lat. Acanthus. LEON. DA COST. Ecl. 3, I, y not. n Tambem [acantho ] he nome de huma arvo- re, que nafce no Egypto, como diz Servio, chamada Acanthe, porque he cheia de efpinhas; e fempre tem fo- lhas e efta verde. Defta fallou o poeta [Virgilio] no fe- gundo livro das Georgicas, dizendo: bacchas femper frondentis acanthi, as bagas do acantho, que fempre rem folhas, c eftá verde. {{lema|ACANTHICO, A}}. adj. pouc. uf. Do acantho ou perten- cente ao acantho. ORIENT. Lufit. 272 Em que gaftou a vida o bom Pierico? Hora em flores colher do ramo acanthico, Hora occupado no exercicio Delico,.. Enganava o pezar c'o doce cantico. {{lema|ACANTHO}}. s. m. Certa herva, a que tambem fe chama Branca urfina de Italia, ou Herva gigante. He denomi- nada por Linneo Acanthus mollis, e diftribuida na Di- dynania Angiofpermia do feu Syftema dos Vegetaes Tem as folhas vaftas, finuadas, lizas, fem efpinhos, verdenegras, infipidas, e inodóras (antigamente erão muito ufadas como emollientes) O caliz das fuas flores he de dous labios, a corolla de hum fó, com tres lo- bulos, co feu fructo huma capfula de duas cellulas, com poucas fementes. He indigena da Europa meridio- nal, e florece na primavera nos fuburbios de Lisboa, onde fe di copiofamente pelas feves. Além defta efpe- cie ha ainda outros Acanthos na Europa meridional, co- mo por exemplo o Acantho, efpinhofo de Linneo (A- canthus fpinofus). o qual tem as folhas pinnatifidas com lacinias agudas, e espinhofas; mas deftas efpecies não fe devem entender os noflos Autores, quando usão fimplef- mente da palavra Acantho. ORIENT. Lufit. 176 Odorifero nardo, alegre acantho. CASTR. Ulyff. 1, 78 O acantho, e o amaracho, que extinto De feus aromas o vapor derrama. LEON. DA COST. Ecl. 3, 11 y. not. n Ao acantho chama Mancinello herva urbana, e diz que tem a folha levantada e comprida dous generos ha defta herva, fegundo Plinio no livro decimo fegundo, huma aguda e crefpa, e he mais curtas outra liza e mais com- prida. Vej. Acanthe. curta, outra liza e mais com {{lema|ACANTOADO, A}}. p. p. de Acantoar. Ufafe mais frequen- temente que o verbo. REG. Inftrucç. 84 Porque irlhe met- ter o garrocháo, onde elle touro eftiver acan:oado, &c. FR. LEO, Bened. 2, 1, 2. Prelud. 1 Efte felice fuccef- fo deo animo a D. Affonfo pera fe fahir das Afturias ... aonde os noffos eftavão como: acantoados. CHAG. Efcól. 5, 378 Ifto acontece ás grimpas do alto; mas ás grimpas humildes e acantoadas, que he a gente com- mua, não acontece affim. Met. FERNAND. GALV. Scrm. 2, 32, 3 E por iffo a .:: verdade andava acantoada, e não oufava apparecer pu- blicamente. PARAD. Ant. 3, 7, 137. col. 1. De nenhuma coufa fe moleftáo máis os vaffallos de valor, que de ve- rem amontoar as houras e riquezas em refpeiro da af- feição do Principe, seftando acantoados os que trabalhão e merecem. S. ANN. Chr. 1, 12, 80 E a familia acan- toada não póde fer clara e luftrofa.. {{lema|ACANTOAR}}. v. a. Metter cu por ao canto. BENT. PER. Thes. não Met. com pron. peff. Efconderfe, occultarse, apparecer. CEIT. Serm. 1, 91, 2 Izentos [os fidalgos] e libertos pera feu proveito, ifto fim; porém acantoño- fe pera a virtude. {{lema|ACANTONADO, A}}. p. p. de Acantonar. {{lema|ACANTONAR}} v. a. Milic. uf. Diftribuir o cxercito, on al- gum corpo de tropas por varios lugares, ou para defcanço On por não fer tempo proprio para andar em campanha e ordinariamente fe faz ifto por tempo determinado antes da abertura da mesma campanha, ou de tomar quarteis de inverno,<noinclude></noinclude> 270msl7c9iw5qx8fxfjeurreqskdu0a Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/257 106 254986 556631 2026-07-28T09:56:41Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{lema|ACAPELLADO, A}}. p. p. de Acapellar. BARK. Dec. 25 6, 10.00 Ufafe como adj. Que levanta grandes ondas bunas fobre outras. Applicafe ao mar. BARR. Dec. 2, 4, 1 E abaixo e acima defta fahida tudo era cófta, em que o mar quebrava de longe, mui acapellado. {{lema|ACAPELLAR}}. v. a. Socobrar, fubmergir. Das ondas. De Capello, tomada a metaphora da figura, com que as on- das quebrão nas praias, encrefpandofe humas fobre ou- tras em f... 556631 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>{{lema|ACAPELLADO, A}}. p. p. de Acapellar. BARK. Dec. 25 6, 10.00 Ufafe como adj. Que levanta grandes ondas bunas fobre outras. Applicafe ao mar. BARR. Dec. 2, 4, 1 E abaixo e acima defta fahida tudo era cófta, em que o mar quebrava de longe, mui acapellado. {{lema|ACAPELLAR}}. v. a. Socobrar, fubmergir. Das ondas. De Capello, tomada a metaphora da figura, com que as on- das quebrão nas praias, encrefpandofe humas fobre ou- tras em fórma de capello. BARR. Dec. 3, 3, 3 Quebra- va o mar em flor, é acapellava qualquer coufa, que a- chava diante. ALBUQ. Comm. 1, 13 E ajuntárão muita gente pera defenderem que os noffos não defembarcaf- fem confiados tambem no mar, que artebentava em terra, por fer cófta brava, que ao defembarcar os aca- pellaria, e morrerião todos. GAVI, Cerc. 7, 18 y Com que alagavão os bateis ao defembarcar, acapellando a gen- te debaixo delles. {{lema|ACAPITULADO, A}}. adj. pouc. uf. Dividido em capitu- fos. Applicafe ao livro. F. ALv. Inform. 81 Diffelhe, que S. Paulo] efcreve de geito dos Profetas, e que me pa- recia que hum livro fo, e que o faria acapitulado, por- que efcrevia a muitas partes. {{lema|A CARÃO}}. fórm. adv. Vej. Carão: {{lema|ACAREAÇÃO}}. s. f. Forenf. e uf. Acção e effeito de acarear. {{lema|ACAREAMENTO}}. s. m. {{Uso|Forenſ}}. O mefmo que Acareação. BLUT. Vocab. {{lema|ACAREAR}}. v. a. {{Uso|Forenſ}}. e uf. Por algum cara a cara com outro, para que fe vejão e fallem, principalmente fe são cor- reos, on teftemunhas, que jurárão em alguma devafa, pa- ra je vir no conhecimento do delinquente. De Cara. Ganhar com caricias. BLUT. Vocab. Suppl. Met. CHAG. Cart. 2, 46 Só fentimos que lhe falte a caridade, que defejamos merecer e acarear em tudo poflivel. Acarear. Na caça he o mesmo que enxotar os paffa- ros brandamente, até os chegar onde pofsão cabir no vif- co. Querem alguns, que fe diga Carear. BLUT. Vocab. ...Suppl. {{lema|ACARI}}. s. m. Certo bichinho minutiffimo, efpecie de carra- pato pequenino, que vive na cera, nos queijos velbos, nas -obreas, e farinha. He o Acarus ciro, que no Syftema Entomologico de Linneo fe acha diftribuido na Divisão dos Apteros, ou infectos inalados. Tem a cabeça algum tanto parda, ás vezes de cor de ocra, pequena, e com dous olhos; as antennas fimplices, e curtas; oito per- nas, as quatro anteriores mais groffas do que as pofte- riores, e as coxas de côr de octa; o ventre lizo, grof- fo, oval, esbranquiçado, e com duas fedas mais cur- tas do que o corpo. He palavra Grega Azze. M. BERN. Luz e Cal. 2, 4, 376 Quem dirá, que em hum bichinho tamanino, que quafi efcapa da vifta mais perfpicaz e át- tenta, qual he o chamado Acari, e fe cria na cera cor- rupta, ha lugar para a organização de tantos membros, de que he força confeffar a razão, que elle fe com- põe? {{lema|ACARICIADO, A}}. p. p. de Acariciar. EXEQ. DE FILIPP. I. 35. Sous. Hift. 3, 5, 4. BARRET. Flos Sanct. 2, 383, 1. {{lema|ACARICIADOR, ORA}}. adj. Que acaricia. SERR. Difc. 2, 405 Invenções mercantís grangeadoras, c acariciado- ras de corações humanos. 2, 586 E tão acariciador e feiticeiro era [elRei D. João II. que &c. {{lema|ACARICIAR}}. v. a. Fazer afagos e caricias, tratar com amor e carinho. FERNAND. GALV. Serm. 32 249,1 Aos de cafa, como a conhecidos feus acaricião os cães ] e vão diante fazendo mil feftas. M. Tиoм. Inful. 6, 123 Por carta affegurandoo O chama, o acaricia. PINT. RIB. Luftr. 3, 10 Amava os cidadãos Romanos, deferialhes, acariciavaos, fazialhes a vontade. {{lema|ACARICIATIVO, A}}. adj. pouc. uf. Carinhofo, benigno, cheio de caricias e afagos. LEIT D'ANDRAD. Mifc. 4, 91 O ferviço e recebimento do hofpede e gente da cafa, o mais acariciativo, que pode cuidarfe. {{lema|ACARIO}}. s. m. antiq. Vej. Aquario. {{lema|A CARLINGA}}. fórm. adv. Marinh. Vej. Carlinga. {{lema|ACARRADO, A}}. p. p. de Acatrar. Dizfe do gado de lǎa, quando na força da calma bufca alguma fombra, unin- dofe entre fi, e com as cabeças baixas eftá como paf- mado. Tambem fe diz das gallinhas, e mais aves, que eftão fobre os óvos mui afficadamente. BLUT. Vocab. Met. Dizfe das peffoas, que eftão como amorteci- das ou por exceffo do vinho, ou por gravidade da doen- ça e intensão da febre, ou por fomno profundo, &c. PAIN. Sem. 2, 582 Quer dizer, que muito em demafia eftá acarrado no fomno, quem não acorda a hum tania- nho tropel de Santos. {{lema|ACARRAR}}. v. n. antiq. Ficar fixo fem acção ou mudança. LEIT, D'ANDRAD, Mifc. 16, 458 (Verf. de Egas Moniz Coelho a fua Dama) Mei jazido e mei amar Em bös acarra. Acarrar. com pron. peff. Refguardarfe da força do Solo gado de la, ajuntandofe para fe pör á fombra. BENT, PER. Thes. {{lema|ACARREAR}}. v. a. Occafionar, caufar, trazer comfigo. De Carro por met. Sous. Hift. I, 1, 11 Affi o perfuadia, e juntamente fazia temer, difcorrendo polas miferias, e infamias do peccado, e polas penas e caftigos, que acar- rea em vida e morte. PINT. KIB. Rel. 1, 81 Melhor fe compadecem as defcargas das obrepções e fubrepções, das mentiras, das occupações dos Principes e feus Mi- niftros, que acarreão [acareão, erro da ediç.] caufa de efquecimento, que em homens póde fer inculpavel. Ma- RINH. Doutr. 21 Enfinou o Hiftoriador Romano, que não convinha na profperidade determinar nada com feu con- trario foberba e violentamente, nem fiarfe demasiado da fortuna prefente, eftando incerto do que ha de acar- rear à tarde. {{lema|ACARRETADO, A}}. p. p. de Acarretar. ORIENT. Lufit. 153. ESTAÇ. Antig. 73, 7. VIEIR. Serm. 1, 1, 5. col.38.. Ufafe como adj. Montado em carreta. Applicafe á artilharia. Cour. Dec. 5, 7, 11 O Governador mandou ordenar oito peças de artilharia de campo, e cem mof. quetes acarretados, e muitas munições. {{lema|ACARRETADOR}}. s. m. O que acarreta. Cout. Dec. 5, 3,2 Sendo os Fidalgos, é rodos os mais Portuguezes os acarretadores dos materiaes. GUERREIR. Rel. 5, 1, 6 Hum acarretador de agoa. CONST. DO PORT. 83 Dizimti- ros, fendeiros, e acarretadores. {{lema|ACARRETADURA}}. s. f. Acção de acarretar. JER. CAR- Dos. Dict. {{lema|ACARRETAR}}. v. a. Levar, conduzir, tranfportar de hum lugar para outro cm carro ou carreta e tambem fe diz do que fe tranfporta a cabeça, ds cóftas, ou por qualquer ou- tro modo. GOES, Chr. de D. Man. 1, 102 Ao qual ne- gocio lhe fervião efcravos e moços, que com muita di- ligencia acarretavão lenha. ALBUQ. Comm. I, 27 Os béf- teiros e efpingardeiros, que eftavão a porta da Villa em guarda dos que andavão acarretando agoa pera ás náos CORT. R. Cerc. 6, 65 Huns madeira acarretão, outros abrem Com forças e com ferto a dura terra. Met. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 189 E todalas boas rezões, que a feu propofito acarretar podião. Sous. Vid. 3, 8 Em havendo falta de fufficiencia nos aprefen- tados, era tempo perdido cuidarfe que os havia de paf-. far por mais valias, que acarretaffem. TELL. Hift. 4, 352 395 Até me defcarregar da carga do trabalho, que acar- retei por comprido tempo, por amor defta fanta Fé Ca- tholica. Met. Encaminhar, dirigir. Reg. alg. c. a alg, ou a alg. lug. ou alg. a alg. c. FR. MARC. Chr. 1, 2; 32 Mas ha alguns de parecer e conto d'alguns Prelados, que os acarretão a outras coufas com exemplos dos An- tigos. Tr. 1, 3, 20 y Sinal he de grande frieza em nos, que affi acarretamos a nós eftas coufas temporaès. COUT. Dec. 4, 2, 1 Por acarretar áquelle portó todas as embarcações de todas as partes do Oriente. Met. Occafionar, caufar; trazer comfigo. MoR. Palm. 2, 135 Não fem lagrimas da Princeza Polinarda, que neftes tempos antre as peffoas defacoftumadas a iffo, o amor e a vergonha de fe verem em tal auto as acȧr- retão. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 7 E pera ifto importa fa- ber o que faz pera a falvação das almas, e não querer antes enjeitar o que acarreta fua perdição. ARR. Dial. 5, 21 Mandando ao esforçado, que não tema, nem fuja da- quelles perigos, que lhe acarretão gloria. {{lema|ACARRETO}}. s. m. Acção de acarretar. Patac: Summ. 453 Taes são os [tributos] que fe poe por coufas de acarre- to, que fe levão e trazem. Leão, Report. 79 Pena dos Senhores ou Fidalgos, que conftrangem os moradores, que os firvão em acarretos, fem lhes pagar. FR. L. Dos ANJ, Jard: 501 Vio que o número dos foldados, que alli havia, era vindo a muita diminuição, e que lhes eta neceffario dividiremfe huns perá pelêjarem, e outros pe ra fervirem nos repairos e acarretos da terra e pedra. Met. Acção de dizer ou allegar alguma coufa força- damente ou fora de feu lugar e tempo, ou a mefma cou fa affim dita e allegada. EUFROs. 4, 1 Porque fem- pre anda bufcando como falle nelle por feus acarretos.<noinclude></noinclude> cu2ou5mwjov1ue9id9f5rm4y62ufb2c Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/258 106 254987 556633 2026-07-28T10:26:50Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: BARREIR. Chorogr. 153. E por fer coufa muito graciofa pera defenfadamento do leitor, me movi a efcrever os fundamentos e acarretos, com que elle quer provar ifto. ORIENT. Lufit. 133 Divertindo a materia com acarretos alheios do noffo propofito. De acarreto. fórm. adv. met. Serve para denotar o que fe diz ou faz com incommodo ou forçadamente. ARR. Dial. 3, 23 Ha prégadores, que... vindolhe judo de acarreto, por fe acreditarem, usão offi... 556633 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>BARREIR. Chorogr. 153. E por fer coufa muito graciofa pera defenfadamento do leitor, me movi a efcrever os fundamentos e acarretos, com que elle quer provar ifto. ORIENT. Lufit. 133 Divertindo a materia com acarretos alheios do noffo propofito. De acarreto. fórm. adv. met. Serve para denotar o que fe diz ou faz com incommodo ou forçadamente. ARR. Dial. 3, 23 Ha prégadores, que... vindolhe judo de acarreto, por fe acreditarem, usão officio de caçadores vãos, que &c. Todas as palavras, que em alguns Antigos fe achão efcritas por Acar, e não cftão aqui na fua ordem, buf- quemfe em Acra. {{lema|ACASO}}. s. m. Cafualidade, cafo fortuito, fucceffo impenfa- do. Do Lat. Cafus. D. F. MAN. Apol. Parece acafo, e he providencia verfe a emenda na ruim eleição da von- tade. VISIR. Serm. 4, 8, 1. n. 268 E quantas vezes os que parecerão acafos, forão confelhos altiffimos da Pro- videncia. {{lema|ACASO}}. adv. mod. Cafualmente, accidentalmente, fem fe efperar nem imaginar. BERN. Lim. Cart. 5 A cigarra im- portuna, que paflava Acafo por alli morta de fome, Que lhe empreftaffe delle [trigo] the rogava. TEL.I.. Chr. 1, 1, 30. n. 6 Derãolhe acajo hum recado da parte do Superior &c. CHAG. Obr. 1, 28 Ouvis hum fucceffo do mundo, ou hiftoria dita acafo, e parecevos que falla com vofco. Inadvertidamente, fem confelbo, fein reflexão. FERR. Poem. Cart. 2, 13 Não fe cegue o bom Rei, não efco- lha ou tome Acafo ou a montáo. FERNAND, GALV. Serm. 2, 107, 3 Dizendo acafo huma palavra ociofa, ficou tão fentido, que tres dias inteiros a chorou. Sous." Hift. 1, 1, 11 Mal e com grande rifco torna ao mar e ondas das Cortes, quem huma vez lhe pôde ou. foube fugir, foffe acafo ou por confelho. Com interrogação. Por ventura. CHAG. Obr. 1, 10, 10 Acafo he o trazer plumas? iffo deo a natureza a hu- ma ave. Se acafo. Se por ventura ou cafualmente. BRIT. Chr. I, 3 Mas fe acafo a Communidade for tal, que em lu- gar da modeftia fe veja nella diffolução &c. ORIENT. Lufit. 260 E fe acafo nella [terra] fe alcanção [as vai- dades] algum dia, como te pagas daquillo, que defeja do atormenta, e nem alcançado fatisfaz? {{lema|ACASTELHANADO, A}}. adj. Semelhante a Caftelbano, affeiçoado a Caftella ou aos Caftelbanos. PINT. Riz. Rel. ao Pontif. 252 Bom defengano pudéra já ter o Caftelha- no e o Acaftelhanado, de que he vontade Divina, que feja Rei D. João IV. MARINH. Comm. 1, 22 Como tam- bem o fez a outro foldado de cavallo Portuguez acafte- Ihanado, que padecia os mefmos defeitos. {{lema|ACASTELLADO, A}}. p. p. de Acaftellar. Applicafe par- ticularmente aos lugares, villas, &c. TENREIR. Itin. 63. COUT. Dec. 4, 5, 7. LEño, Chr. de D. Aff. V. 25- Tambem fe applica ás peffoas, que refidem em al- gum caftello ou o defendem contra os inimigos. M.THOM. Fen.7, 112. ARAUJ. Succeff. i, 16. VIEIR. Voz. 1, 1, 1. p.6. Ufafe como adj. e applicafe ao elefante armado com caftello, fegundo antigamente fc coftumava na guer- ra. GOES, Chr. de D. MAN. 3, 28. Com tres elefantes diante de fi acaftellados. Feito á maneira de caftello. ACAD. DOS SING. 2, 7. Oraç. Neffe caftello, ou piramide de livros acaftellada. {{lema|ACASTELLAR}}. v. a. pouc. uf. Fortificar com caftello. Os lugares, villas, &c. TELL. Chr. 2, 6, 3. n. 10 Não fe prezão os Reis dos Abexins] de os povoar [os luga- res] de os ornar com edificios fumptuofos... nem de os fortalecer ou acaftellar com prefidios. Com pron. peff. Metterfe on fazerfe forte em hum caftello ou outro algum lugar defenfavel para fazer guer- ra ou refiftir aos inimigos. ARAUJ. Succefl. 3, 3 Seus crea- dos, que crão dezoito bem armados, fe acaftelldrão na cafa e puférão em defenfa. FR. F. BRAND. Mon. 5, 16, 45 Porque fe acaftellavão nellas [cafas fortes] os fenho- res. delles [folares] e daqui fomentavão fuas parcialida- des. Met. F. DE MENDOç. Serm. 2, 369, 4 Quem fe poderá acaftellar contra a morte? D. E. MAN. Cart. 2, 78 Façamo affi certo V.. S. fervindofe de me mandar mui- to boas novas de como paffa: que como as en receber, eu me acaftellarei com muita razão nefte Caftello. PINT. RIB. Luftr. 2, 147 Acaftellãofe na avareza todos os de- lictos como em huma fortaleza todos, os inftrumentos de fazer mal.. {{lema|ACASUSA}}. adv. mod. antiq: e comic. O mefino que Acti fo. GIL Vic. Obr. 1, 29 y Padres vedes a fenhora, Que eu achei bem acafufa. {{lema|ACATADAMENTE}}. adv. mod. Com acatamento ou reve rencia. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|ACATADO, A}}. p. p. de Acatar. Goss, Chr. de D. MAN! 1, 56. MOR. Palm. 2, 101. Cour. Dec. 4; 8, 13. {{lema|ACATADURA}}. s. f. ant. O mefmo que Catadura. CANCION. 116 2 Em campo d'ouro hum leão De mui bra- va acatadura. MoR. Palm. 2, 118 E o rofto defcoberto, que ainda que foffe mancebo, cra compofto de huma fe- rocidade medonha e acatadura efpantofa. TELL. Chr. 2, 6, 9. n. 5 São animaes [os gomares ].grandes na efta- tura... e terriveis no afpeclo e acatadura. Antiq. Acção de olhar attentamente e confiderar bem alguma coufa. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 4, 4 Com huma fimple acatadura contemplo todo aquello, que Deos he em fua fimplicidade. {{lema|ACATAMENTO}}. s. m. Reverencia, refpeito, veneração. BARR. Dec. 1, 3, 6 Não reprefentava homem de fuas cores, mas hum Principe, a que fe devia todo acatamento. FR. MARC. Chr. I, 1,5 Porque Deos nellas [Igrejas] fof- fe fervido com a devida reverencia e acatamento. BERN. Lim. Ecl. 7 Vinde, ó bellas Ninfas, vinde afinha A Celebrar com devido acatamento De voffa bella Nize o nacimento. Epith. Agradavel. S. ANN. Chr. 1, 42, 252. Amo- rofo. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 11. Devido. ARR Dial. 4, 25. Devoto. Maus. Aff. Aft. 3, 47. Effranbo CART. DE JAP, 2, 251, 1. Extraordinario. Lise. Jard. 241, 8. Filial. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 1. Gran- diffimo. MEND. PINT. Peregr. 198. Honefto. FERR. DE VASC. Aulegr. 3, 3. Honrado. CORT. R. Cerc. 9, 104 Humilde. BARRET. Flos Sanct. 2, 171, 1. Notavel. MENDJ PINT. Peregr. 168. Profundo. Sous. Vid. 5, 20. Religiofo M. BERN. Paraif. 8, 2. Sagrado. SovER. Hift. 2, 28 Summo. Liss, Jard. 238, 2. Verb. Conceder. . . a alg. DUART. DE RES. Tr. 11 Dever .a alg. Luz, Serm. 2, 14, 1. Deverfe ou fer, devido... . a alg. ORDEN. DE D. MAN. 1, 77. BARR Dec. 1, 3, 6. Fazer...a alg. CAM. Luf. 1, 41. COUT. Dec. 6, 7, 5 para alg. Dias, Rof. 2, 2.pa- ra alg. lug. MEND. PINT. Peregr. 29. Guardar... a algs BARR. Dec. 2, 10, 8. Merecer ... MOR. Palm. 1, Moftrar...a alg. FERR. Poem. Ecl. 1. CART. DE JAP 2, 5, 3. Mover alg. a... FERR. Poem. Hift. de SJ Comb. Em feus olhos fe via huma gravidade, Que até as fétas movia a acatamento. Perder o... a alg. Mox. Palm. 2, 145. Pofpôr o PIN. Chr. de D. Din. 23 Os quaes pofpofto todo acatamento d'altares c das fepulturas dos Reis feus avós, a que fe abraça- vão, mandou elRei logo tirar. LEño, Chr. de D. Din. 124 ElRei pofpofto todo o acatamento dos altares e fe- pulturas dos Reis .. os mandou tirar para os juftiçar. Romper o a alg. (não lho guardar) BRIT. Mon. 1, 3. tit. 3. Ter... a alg. BARR. Dec. 2, 10, 8. alg. ou alg.c. em... GOES, Chr. de D. Man. 1, 56. GRAN. Comp. 3, 14. Tratar alg. com... MoR. Palm. 1, 1. Ufar de... acerca de alg. PIN. Chr. de D. Din. 21. Acatamento. Prefença on vista de peffoa Divina on humana, que infunde refpeito, e a que fe deve reverencia. MOR. Palm. 2, 138 Ambos juntos ante o acatamento del- Rei e Rainha fe prefentarão ante ella com os giolhos em terra. PINHEIR. Oraç. do Juram. Quem fe atreverá a paffar com a memoria perante o acatamento de tantos Reis e Emperadores de huma e da outra parte? ARR. Dial. 8, 21 E como, taes podem as prefentar ante o di- vino acatamento. Epith. Divino. GRAN. Comp. 3, 17. Graciofo. Pi NHEIR. Oraç. Mageftofo. M. BERN. Exerc. 2, 6, 7. p. 469. Soberano. VIEIR. Serm. 5, 10, 11. n. 369. Veneravel: FR. MARC. Chr. 1, 2, 65. Acatamento. Gefto ou femblante. BARR. Dec. 1, 13 16 acatamento à primeira vifta (por a gravidade de fua peffoa) hum pouco temerofo. FR. MARC. Chr. 1, 2, 65 Huma noite lhe appareceo em fonhos hum Sacerdo- te veftido de veftiduras brancas de grande honeftidade, e era velho de mui veneravel acatamiento. {{lema|ACATAR}}. v. a. Venerar, reverenciar, dar moftras fenfi veis de refpeito. RESEND. Chr. 190 Que defta maneira acatava chonrava e reverenciava o culto Divino. Goss, Chr. de D. Man. 3, 60 A qual [Virgem Maria] como Madre de Deos, e caridade de todalas gentes, Vir gem<noinclude></noinclude> iw0voctxu1wsoz7zhd1ox5ltysyg7xh Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/259 106 254988 556634 2026-07-28T10:36:41Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: gem das virgens, acato e venero de todo meu coração. FERR. Brift. 1, 3 Entre as boas doutrinas, que lhe da- vão [os Lacedemonios aos filhos.] principalmente era, que acata fem muito aos velhos que os honraffem c lhes déffem lugar onde quer que eftiveffem. Antiq. Olhar com attenção. Reg. alg. c. ou fobre alg. ou alg. c. VERCIAL; Sacram. I, 58, 38 y Memoria he aquella, pola qual o homem acata e retem as coufas, que forom paffadas. 3, 138... 556634 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>gem das virgens, acato e venero de todo meu coração. FERR. Brift. 1, 3 Entre as boas doutrinas, que lhe da- vão [os Lacedemonios aos filhos.] principalmente era, que acata fem muito aos velhos que os honraffem c lhes déffem lugar onde quer que eftiveffem. Antiq. Olhar com attenção. Reg. alg. c. ou fobre alg. ou alg. c. VERCIAL; Sacram. I, 58, 38 y Memoria he aquella, pola qual o homem acata e retem as coufas, que forom paffadas. 3, 138, 149 Epifcopus em Grego, quer dizer fpeculator em Latim, porque deve ef- pecular e acatar fobre o povo. Acatar ordens. Fraf. met Guardar refpeito. SERR. Difc. I, 34 Ainda que della [Politica falfa] já tenha dito alguma coufa. e adiante, onde quer que a en contrar não lhe haja de acatar ordeus; todavia &c. {{lema|ACATARRADO, A}}. adj. ant. Que tem catarro. D. F. MAN. Apol. zz Os fazia recolher por chuvas, neves, e ventos, mortos, acatarrados, e fóra de horas. {{lema|ACATASSOLADO, A}}. adj. De furtacores. Applicafe a cer- tos tecidos de fêda. De Cataffol. PAIV. Serm. 1, 192 O primeiro era hum panno de fêda acataffolada. CEIT. Serm. 2, 283, 2 Na vefte ou tunica acatafolada e on- dada fignificava] o elemento da agoa. Sous. Vid. 6, 10 Veltia ao antigo humas roupas largas de huma fèda acata folada, que fazia varias cores.. Mer. HEIT. PINT. Dial. 2, 1, 2 Se os homens quizeffem cahir na conta de quão varias e acataoladas são as coufas do mundo, e verlhe o fio de perio &c. {{lema|ACATES}}. s. m. Vej. Achates. {{lema|ACATHISTO}}. s. m Na Igreja Grega era o dia; ou a ceremonia e pia folemnidade, com que no Sabbado da quinta femana da Quarefma cantava o Clero em pé e fem fe affentar toda aquella noite huns hymnos em lou- vor da Virgem Mái de Deos, por ter livrado tres ve- zes a Cidade de Conftantinopola das invasões dos Bar- baros. BLUT. Vocab. {{lema|ACAVALLADO, A}}. p. p. de Acavallar. Applicafe á egoa. LEIS EXTRAV. Addicc. 13. {{lema|ACAVALLAR}}. v. a. Lançar a egoa ao cavallo para que a cubra. LEIS EXTRAV. Addicç. zi E fe cafo for que não trouxer granhão com as ditas egoas, e quizer ter caval- Io em fua cafa para as acavallar, darlheheis juramento dos fantos Evangelhos, que acavallem todas as fuas egoas com o dito cavallo fómente. {{lema|ACAUDELLADO, A}}. p. p. de Acaudellar. CHR. DO CON- DEST. 2. GOES, Chr. de D. Man. 3, 20. FR. Six. COELH. Chr. 1, 19, 77: {{lema|ACAUDELLAR}}. v. a. ant. Omefmio que Acaudilhar. COND. D. PEDR. Nobil: 4, 47 E D. Rodrigo Forjaz acaudellou aquelles, que hi eltavom. FERN. Los. Chr. de D. J. I. 2, 11 Com huns vinte efcudeiros anrře homens d'armas e de pé, os quaes acaudellava e recolhia. LEão, Chr. de D. J. I. 50 Os quaes [homens de armas] acaudellava é recolhia. telar. JER. CARDOS. Dict. BAREOS. Dict. BENT. PER, Thes. . add {{lema|ACAUDILHADO, A}}. p. p. de Acaudilhar. FERN: LOP. Chr. de D. J. I. 1, 122. SA DE MEN. Mal. 12, 66. {{lema|ACAUDILHAR}}. v. a. Conduzir, governar e mandar a gen- te de guerra, como feu Cabo ou Capitão. Cour. Dec. 12, 2, 8 E os mais que o Capitão mór notneou pera acau- dilbarem a gente. SA DE MEN. Mal. 9, 17 Acaudilba Carol mil Camboianos. {{lema|ACAUTELADAMENTE}}. adv. mod. Com cautela. BRIT. Mon. 2, 5. c. 10 Atalhou a tudo ácauteladamente. Luz, Serm. 1, 10,3 Effas lembranças por ventura fervifvof- hão de emendardes a vida, paffandoa com muiros efcru- pulos e mui acauteladamente? PER. DE AFONS. Poder. 9, 225 Com quem fallando acauteladamente &c. {{lema|ACAUTELADISSIMO, A}}. fuperl. de Acaurelad b. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 7. n. 38 Em todas as fuas obras eta fempre cauteladijimo. {{lema|ACAUTELADO, A}}. p. p. de Acautelar. FERNAND. GALV. Serm. 1, 0, 3. D. BASIL. DE FAR. Vid. 8. {{Uso|Ufafe mais frequentemente como adj}}. Provido, que Je acautela. FERR. DE VASC. Ulyffip. 5, 6 O fer muito acautelado às vezes he parvoice. Los. Cort. 4, 36 He homem dcautelado, que fabe o que ha de fazer. MAUS. Aff. Afr. 4, 61 y Os Troianos Táo pouco por feu mal acautelados. Aftuto, manhofo, fagaz com malicia ou para en- ganar. ORIENT. Lufit. 128 O peito da fapoza acaute- Tada. CES. Summ. 2, 2 Os Meridionaes aftutos, acaute- lados e maliciofos, mais prontos ao artificio, que á re- fiftencia &c. {{lema|ACAUTELAMENTO}}. s. m. Gautela, on acção de fe acau- {{lema|ACAUTELAR}}. v. a. Por alguem fobre avifo ou de preven- ção, para que não commetta erio ou caia em perigo, on The fucceda damno, &c. AMARAL; Serm. 130, 4 Acautele efte erro tão craffo ads que não são juizes, pera que fe não entremettão, fem o ferem, a julgar e condenar em feu coração a feus proximos tão temerariamente, como fazem. VIEIR. Serm. 4, 1, i. n. 3 Sobre efte grande rifco de tornarmos a adoecer depois de sãos e cahir de- pois de levantados, nos avifa e acautela o Divino Oraculo. Com pron. peff. Ufar de cautéla,, prevenirfe, pre- caverfe, refguardandofe anticipadamente de alguma coufa. Azur. Chr. 3, 5 Afli como Principe fefudo acautelando- fe dos damnos, que poderião acontecer a vós e a elles, guardou fempre o feu fegredo. SA' DE MIR. Vilhalp. 4, 5 Por fe homem acautelar não perde nada. So us. Vid. 3; 4 Hoje vai rudo tanto ao revez, que o primeiro contra quem fe acautelão os Governadores das Republicas he o mefmo, que acabarão de eleger pera o cargo. Acautelar. neutr. Prevenirfe, ufar de cautela. Feo, Tr. Quadr. I, 3, I Aquelle vive feguro dos males, que fe enfaia e apparelha para elles, por quanro o preme- ditalos faz acautelar contra o damno, que podem fazer. Todas as vozes, que não estiverem efcritas por Aça, bufquemfe em Affa. {{lema|AÇACAL}}. s. m. Agoadeiro, o que acarreta agoa. Do Arab. Affakca. He o participio do verbo Sakça, dar de beber, regar as plantas, vender agoa, &c. CANCION. 18, 3 Com pão de real Punhadas ao garo, Tres oito o paro, E dous o açaqual, BARR. Dec. 2, 2, De bois de carga, que fervião de açacacs [Acalçaes, err. da ediç: de acarretar agoa, quinhentos. EUFROS. 2, 3 Por- que levais tão má vida? não çançais de ir rantas vezes ao rio, fazerdes de vós açacal, não he direito. {{lema|AÇACALADAMENTE}}. adv. mod. Polidamente. JER. CAR- Dos. Dict. BENT. PER. Thes. {{lema|AÇACALADO, A}}. p. p. de Açacalar. CASTANK. Hift. 1, 68. CORT. R. Naufr. 9, 89. PRIM. HONR. 4, 2. {{lema|AÇACALADOR}}. s. m. Artifice, que pule e alimpa as ar- mas brancas. SEVER. Notic. 2, 3, 40 Regatáo, barbei- ro, açacalador. {{lema|AÇACALADURA}}. s. f. Acção e effeito de açacalar. BENT. PER, Thes. Arte de açacalar. BLUT. Vocab. {{lema|AÇACALAR}}. v. a. Polir, alimpar, brunir as efpadas ou outras armas brancas. Do Arab. Sakçala, brunir, alim- par algum inftrumento. Leão, Orig. 15, 97 O traz en- tre os vocabulos, a que não podemos dat origem certa. Covr. Dec. 4, 3, 9 Levando rodos fua artilharia e aça calando fuas armas. Met. Aperfeiçoar, apurar. FERR. DE VASC. Aulegr. 2, 10 E de fe irem açacalando os engenhos modernos, ficáo os antigos botos e ferrugentos, que não tem aço. MOR. Dial. I, 12 Se vós açacalais fete ou oito, he a fentença tanta á cufta da fidalguia, que nunca acabais em al. HEIT. PINT. Dial. I, 5, 1i Ver muitas coufas açacala o engenho. {{lema|AÇAFATA}}. s. f. uf. T. do Paço. O mefmo que Moça do açafate. Vej. Açafate. {{lema|ACAFATE}}. s. m. Ceftinho tecido de verga de tres ou qua- tro dedos de altura, fem arco, nem azas e ordinarla- mente ferve para trazer a coftura, roupa e coufas feme- lhantes. Do Arab. Afafatha. Leão, Orig. 10, 62 Lhe dá por origem Çafait. EUFROS. 4; 2 Quem me andou já bulindo no meu açafate. FERNAND. Palm. 3, 60 As Ninfas coroadas de ouro e rofas Em ricos açafates Ihe aprefentão De feus bellos jardins fruitas mimofas. Vi- EIR. Serm. 9. do Rof. 8, 4, 301 Não ha dúvida que ef ta offerta, como de todo o campo mettido em hum açafate, e de todo o anno recopilado em hum dia; lhe feria muito agradavel." Moça do açafate. T. do Paço. Creada, que traz e aprefenta os veftidos e toucados ds peffoas Redes. Affim dita, por fe conduzirem as taes alfaias em hum açafa- te. CARV. Chorogt. 3, 2, 8. c. 35. P. 536 Cafou com D. Antonia Thomazia de Miranda, moça do açafate da Se- nhora Infante D. Ifabel de Saboia. {{lema|AÇAFATINHO}}. s. m. dim. de Açafate. JER. CARDOS. Dict. BARBOs. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|AÇAFRA}}. s. f. ant. O mesmo que Cafra, e he como hoje fe diz. FERNAND. GALV. Serm. I, 147, 2. D. F. MAN Cart. 357 {{lema|AÇAFRAR}}. v. n. antiq. Fazerfe arifco, efquivo, defdenbo-<noinclude></noinclude> 8fefhfzd1xlrd7klooiphez8wxxyg2l Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/260 106 254989 556635 2026-07-28T10:39:39Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: fo, ou intratavel. De Cáfaro. CANCION. 1773 Senhor d'ilhargas capuz Lhe mandai de tafetá E buz buz, Que com mais açafrará. {{lema|AÇAFRÃO}}. Certa planta bolbofa. He denominada por Linnco Crocus officinalis Jativuse diftribuida na Triandria Monogynia do fea Syftema dos Vegetaes. Florece no principio da primavera; a fua flor he radical, e guarne- cida de huma efpatha univalve; e a corolla azul, fen- dida em feis lacinias iguaes, tubulo... 556635 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>fo, ou intratavel. De Cáfaro. CANCION. 1773 Senhor d'ilhargas capuz Lhe mandai de tafetá E buz buz, Que com mais açafrará. {{lema|AÇAFRÃO}}. Certa planta bolbofa. He denominada por Linnco Crocus officinalis Jativuse diftribuida na Triandria Monogynia do fea Syftema dos Vegetaes. Florece no principio da primavera; a fua flor he radical, e guarne- cida de huma efpatha univalve; e a corolla azul, fen- dida em feis lacinias iguaes, tubulofa com o tubo mui- to comprido; o fcu fructo he huma capfula trilobada: Paffada a florefcencia, as fuas folhas feccáofe, e defap- parecem. O eftylere da fua flor he profundamente raf- gado em rres fegmentos louros, enrolados, e mais lar- gos na parte fuperior, dotados de hum parricular chei- ro e fabor aromatico e amargofo, e da propriedade de fazer córar a agoa de amarello. Eftes fegmentos ou fios colhidos apenas a flor abrio, e depois feccados fobre papellão em hum parricular genero de fornalhas conftrui- das para efte fim, são rambem denominados Açafrão ou fèveras de Açafrão, que fe vende nas nollas Boricas, lojas de droguiltas, &c. He indigena da Natolia, e At- chipelago, e cultivafe: ha muitos annos em differenres paizes da Europa. Do Arab. Azzafarano. Derivafe do Perfico Zaafar, que fignifica a mefma coufa. MEND. PINT. Peregr. 165 Vimos tambem... cochonilha, roça- malha, açafrão &c. ORIENT. Lufir. 164 O nardo alegre e açafrão falutifero fe vião defenrolar as tranças bellas em companhia do murice preciofo. SANT. Ethiop. 1, 4, I Muitas pedras furadas por denrro . . . mas são mui pezadas e amarellas como açafrão. Met. Côr de açafrão. VEIG. Laur. Od. 6, 5 De aça- frão doce e lindo O galéro tingis refplandecente. (Fal- la da rofa.) {{lema|AÇAFROA}}. s. f. Certa planta indigena do Egypto, e ho- je cultivada em muitos paizes da Europa. He o Cartha- mus tinctorius de Linneo, diftribuido na Syngenefia Po- lygamia igual do feu Syftema dos Vegetaes. Tem as folhas ovadas, inteiras, ferreadas, e culeadas: as fuas flores (que tambem fe chamão Acafroa, por darem hu- ma côr femelhante, á que dá o açafrão, donde veio o nome á planta) são compoftas de flofculos todos tubu- lofos, de côr ruiva, e inodóros; o caliz he ovado, e compoft de foliolos embricados, terminados em huma efcania fecca algum tanto ovada; as fementes não tem pennacho, e o feu receptaculo he pelludo. Os flofculos defta planta tingem a agoa de vermelho os ácidos e as preparações metallicas communicão a efta agoa huma bella cor de rofa, que ferve nas rinturarias dos pannos, e tambem para pofturas do rofto, mifturada com certa argilla fina de Briançon. GRISL. Defeng. 3, 36 Açafroa Cardamus, Cnicus, Diofc. I. 4. c. 168. A flôr e a fe- mente he fecca e quente, paffante o fegundo grao. {{lema|ACAFROADO, A}}. p. p. de Açafroar. AVEIR. Itin. 78. HIST. TRAG MARIT. I, 300. M. GODINH. Rel. 6. 28. Met. CALV. Homil. 1, 612 Aafroados com quarro annos de eftudos mal paffados, fe dão por dignos. Ufafe como adj. De cor de açafrão, ou amarello tof- tado. ORT. Colloq. 49, 188 y Ou póde fer que eftava efcrito mazafrani', que quer dizer dos amarellos, ou dos asdfroados. AvELL. Report. 2, 20, 48 Das cores tem [a Lua] branco e acafroado. SEVER. Difc. 129 Sendo mancebo tinha o cabello tão lonro, que tirava a dya- froado. {{lema|AÇAFROAR}}. v. a. Tingir de açafrão cu de cor de açafrão. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thes." Adubar ou temperar com açafrão. CURV. Atal, 43 Tomafe fobre ellas [pirolas] palladas duas horas, hum caldo de gallinha bem açafroado. {{lema|AÇAFROL}}. s. m. Açafrão agrefte, ou as plantas, que o produzem. Eftas são duas variedades da Açafroeira ou planra, que dá o verdadeiro açafrão aromatico. Huma he denominada Açafrol do outono, por florecer nefta ef- tação tem as folhas enroladas e mais eftreiras do que a Açafroeira; he o Crocus officinalis autumnalis de Lin- nco. A outra variedade tem o nome de Açafrol da pri- mavera, por florecer nefte tempo; as fuas folhas são mais largas do que as da Açafroeira, e não enroladas; he o Crocus officinalis vernus de Linneo. Ambas eftas va- riedades do Crocus officinalis fativus differem delle pelas folhas; por não terem o eftylete tão profundamente fen- dido em tres fegmentos, e por eftes fegmentos ou ef- tigmas ferem muito pouco ou nada aromaricos, fendo alias em tudo o mais inteiramente femelhantes. Os efti- gmas das flores deftas duas plantas são muitas vezes mifturados com o verdadeiro Açafrão aromatico pelos vendedores fraudulentos, c daqui entendemos, que pro- cedeo a diftincção dos nomes Açafrol, e Açafrão; o pri- meiro indicando o Açafrão falfo, eo fegundo o verda- deiro. Alguns dos noffos tendeiros e droguiftas eftendem a accepção do rermo Açafrol a toda a forte de:fèveras, com que fe coftuma falfificar o Açafrão verdadeiro; nef- ta accepção o nome. Açafrol compete não fo ás fèveras da flor das duas variedades fobreditas, mas ainda aos ef- tames e eftylete do verdadeiro: Açafrão, e ás fèveras da flor da Ixia bulbocodium de Linneo, que tem grande ana- ..logia com o genero Crocus, e que fe pudera chamar Aça- frol baftardo. Todas eftas tres caftas de Açafrol. vege- tão e produzem incultamente cm. Portugal; o do Outo-. no he muiro abundante na ferra da Louzáa. LEIT. D'AN- DRAD. Mifc. 4, 95 Ou tambem por fer agrefte, c fe cha mar por iffo açafrol, e fe cuidar fer o que muitas vezes nos vendem falfificado. {{lema|AÇAIMO}}. s. m. Vej. Açamo...CATIDA {{lema|AÇALHAR}}. v. a. anr. O mefmo que Çalhar. BARR. Dec. 4, 10, 11 Andando elle dando ordeni pera fe açalhar huma bombarda. {{lema|AÇAMADO, A}}. p. p. de Açamar. GIL Vic. Obr. 4, 2123 PAIV. Serm. 3, 35 . Luc. Vid. 7, 14. {{lema|AÇAMAR}}. v. a. Por agamo. EurRos. 3, 2 Ainda que os açamcis como libreos &c. LEON. DA COST. Ecl. 10, 42. not. m Imporra encabreftar ou açamar os bois com fif- cellas, porque não roão as vergontas tenras das arvores. TELL. Chr. 1, 1, 43. n. 9 For menos que ifto differão os Gregos do feu Orpheo, que o feguião as pedras, que. amanfou tigres, e açamon leões. Met. PAIV. Serm. 3, 2 O temor de Deos açama a lingoa. Luc. Vid. 5, 11 Aos que tudo põe em fallar, quem faz que não ouve, os agama. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 234, 17 Acudiftes vós, clementiffimo Jefu, com vofla mifericordia, enfreaftes os mares, açamaftes os ventos. ferenattes as tempeftades &c. {{lema|AÇAMARCAR}}. v. a. antiq. O mefmo que Abarcar. BAR . Bos. Dict. BENT. PER. Thes.. {{lema|AGAMBARCAR}}. v. a. antiq. O mefmo que Açamarcar. FERR. DE VASC. Aulegr. 5, 6 Porque não cuide nenhum galante, que açambarca com boas razões o que a razão não foffre. {{lema|ACAMO}}. s. m. Efpecie de freio, cabrefto a modo de bolça, feito de correias ou cordas, em que fe mette o focinho dos cães, fordes, &c. para que não mordão ou comão. Do Arab. Kamamo. Derivafe do verbo furdo Kamma, cobrir, ta- par, ligar, enfrear &c. MEND. PIN. Peregr. 124 Com cada, hum dos gigantes ] feu grande libreo, prezos ro- dos com cadeias de prata, e todos cos feus açamos do mefmo. MAUS. Aff. Afr. 1o, 149 Em quanto o açamo as fortes prezas cerra. Met. Maus. Aff. Afr. 8, 125 y Sete Hectores são eftes e baftantes A pör a todo o mundo acamo e freio.. SERR. Difc. 1, 119 Porque elles mefmos [Prégadores li- fonjeiros fe açamavão com o dçamo da cobiça e ambi- ção dos bens terrenos. QUADA {{lema|ACÇÃO}}. s. f. Operação do agente, exercicio de qualquer po- tencia activa ou de por alguna coufa por obra. Do Lat. Adio. antiq. Aução. ARR. Dial. 9, 10 Mas quanto ao que diffeftes, que o homem nefta vida ufava pouco das no- biliffimas acções da mente &c. CEIT. Serm. 1, 268, 2 Como podem peccar aquelles, cujas vonrades Deos fuf- tenta e confirma em todo fem acção, nem concurfo pc- ra o mal? VIEIR. Voz. 15, 2, 3. p. 58 O verdadeiro obediente não ha de rer movimento, nem acção propria. Feito, obra, operação. CAM. Eleg. 10, 6 E perten- deis Deixamos de acções voffas larga hiftoria. ARR Dial. 5, 5 Pozfe Deos de perto contemplar as opc- rações e acções dos que julgão. VIEIR. Serm. I, 593 col. 312 O maior premio das acções heroicas he fazelas. Poftura, figura, modo ou geito do corpo, ou de al- guma das fuas partes. CES. Summ. 3, 4 Não fe negue a fi mefme o refpeito, que lhe tem para compôr fuas ac- ções. TELL. Chr. 1, f, 8. n. z Tal era...a religiofa compofição, com que entrárão pelas falas do Paço, que em todas fuas acções fe enxergava, que mais as menea- va e regia hum fuperior movimento do efpirito, que &c. Dizfe nefte mefmo fentido das pinturas, eftatuas; &c. VIEIR. Serm. 11, 1, 5. n. 18 E o que mais nella [pintura] fe admirava, era eftar pinrado o foldado. em tal acção no meio de huma efcada, que nem podia di- vifarfe fe fubia ou defcia.<noinclude></noinclude> 261gdul7e148o2n6x0kh0qzjtmaidd1 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/261 106 254990 556636 2026-07-28T10:47:53Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Aceno, movimento ou gefto, com que fe dá a enten- der alguma confa. VIEIR. Serm. 4, 11, 7. n. 413 Mas quem fe atreverá a pronunciar por palavras o que o mefmo amor emmudecido por refpeito, fe não atreveo a fignificar fenão por acenos e por acções. Gefto on movimento de braços e corpo com que o Orador, o Actor, ou qualquer peffoa fallando acompanha a voz, e anima as exprefsões para lhes dar a força e viveza correfpondente. CART. DE JAP.... 556636 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Aceno, movimento ou gefto, com que fe dá a enten- der alguma confa. VIEIR. Serm. 4, 11, 7. n. 413 Mas quem fe atreverá a pronunciar por palavras o que o mefmo amor emmudecido por refpeito, fe não atreveo a fignificar fenão por acenos e por acções. Gefto on movimento de braços e corpo com que o Orador, o Actor, ou qualquer peffoa fallando acompanha a voz, e anima as exprefsões para lhes dar a força e viveza correfpondente. CART. DE JAP. I, 184, 2 Sua voz, brandura, e acção, que tinha na prégação, madureza , por certo que era muito pera confiderar. Los. Cort. I, 9 Porém concedendo à prarica a excellencia, a acção, o modo e a graça de fallar, que &c. VIEIR. Serm. 11, io, 5. n. 424 E donde lhe vinha a Sanro Antonio eſta táo extraordinaria efficacia? Vinhalhe do que dizia, e ACE tuições contra a acceitação das dignidades. 5% Approvação, eftima, applauso. Sous. Hift. 2, 2, 10 Ouvido fempre o Prégador] com grande acceitação. ESPER. Hift. 14, 22. n. 3 Havia grangeado [o Con- vento] por tempo baftante tão grande acceitação no par- ticular do pulpiro, que &c. CARDOS. Agiol. 2, 199 Co- mo era bem vifto na Côrte, e ouvido com tanta accei- tação &c. Acceiração de peffoas. Affeição, paixasanta acci- paixão ou inclina- ção, que fe tem a huma pessoa mais do que a outra fem olbar merecimento, nem attender à razão. PALAC. Summ. 17 Acceptação de peffoas he o que a hum por feu me- recimento fe, deve, dalo a outros, não por merecimen- tos fenão por outros refpeitos. MONTEIR. Art. 6, z da voz e acção, cont que o dizia que dizia, eccitação de peffos, que não mede premios, nem pe- Forenf. Direito, que fe tem para pedir alguma cou- fa en juizo. Os Juriftas diftinguem muitas efpecies de acção porém principalmente fe divide em acção pef- foal, e real: peifoal he, quando á dívida, ou ao que fe demanda, fó eftà obrigada a peffoa: e real, quando fe pertende ter direiro aos bens. Os Anrigos fempre efcre- vem Aução. ORDEN. DE D. MAN. 3, 1 E fe a citação hou- Iver de fer feita fobre alguma aução real &c. BARR. Dec. 1, 10, 6 Os quaes em juizo mandou Nuno Vaz, que cada hum per fi allegaffe de feu direito, e moftraffe a aução, que tinha em feu requerimento. RIB. DE MAC. Juiz. Hift. Cedeo S. Luiz a acção, que tinha ao Rei- no de Caftella por fua mái. Met. MoR. Palm. 2, 138 Porque effes de todo per- dião a aução de fe poder combater em nome da Senho- ra, por quem já forão vencidos. Luc. Vid. 9, 12 Pois fe roubava a fi mefmo o titulo e ação do Reino eterno em o céo, e a adopção de filho de Deos em a terra. Sous. Hift. 1, 2, 42 A eftes tres ajuntaremos hum fó, que tratamos e alcançámos, e não tem menos aução pera fi- car neftas memorias, que aquelles, que concorrerão nos principios defte Convento. Acção. Forenf. Libello ou arrazoado, que fe offere- ce em juizo para demandar algum réo, ORDEN. DE D. MAN. 1,6 Item tomará conhecimento [o Corregedor da Côr- te por aução nova de todos os feitos civeis. Leão, Report. 37 Nem fe paga dizima das fentenças dos Corregedores das Comarcas, que conhecem de auções novas em os lugares, em que ha Juizes de Fóra. VIEIR. Serm. 3, 5, 1. n. 204 Já diffe Quintiliano, que as gran- des acções não háo mifter exordio. Acção. Milic. Batalha, choque, recontro. MEN. Pa- neg. 34 Pera que não houvelle acção grande, em que o Conde de S. João não tiveffe parte. Eftar em acção. uf. Dizfe das tropas, quando actual- mente eftão em alguma operação de guerra, como dar batalha, defender ou atacat hum pofto, fitiar huma pra- ça, &c. Acção. Poet. Affumpto, argumento on materia prin- cipal do poema epico ou dramatico. SEVER. Difc. 106 O Poeta efcolhe huma fó acção de hum heroe, e effa refere não ponrualmente como foi, mas como devia fer. Commerc. uf. Huma de muitas partes ou porções iguaes, com que entra cada hum dos focios a compor o fundo ou capital de buma companhia de commercio acquirindo di- reito ao feu refpectivo lucro. Acção de graças. Ato devoto e humilde, com que fe dd graças a Deos pelos beneficios recebidos. D. CATH. INF. Regr. 2, 5 E ainda então oras em espirito, quando o coração accefo de defejos celeftiaes, todo he occupado em louvores divinaes, e paga a Deos e lhe aprefenta au- ção de graças. A. DE VASc. Anj. 2, 5, 8. part. 4. p. 563 Só peta fazer o facrificio, acabado o diluvio, em acção de graças não esperou [Noć] ordem ou preceito algum. TELL. Chr. 2., 4, 1. n. 7 Foi dizer Miffa, a qual aca- bada, fe recolheo em acção de graças. Acção ou Acções. plur. ant. O mesmo que Actas, e he como hoje fe diz. Govv. Jorn. 1, 20 Com o que fé concluio a fegunda acção do fegundo dia do fynodo. Fɛo, Tr. Quadr. 1, 78, 1 Como refere Peltano, que foi o que collegio as acções do Concilio Ephefino. {{lema|ACCEITAÇÃO}}. s. f. Acção e effeito de acceitar ou receber o que fe offereceo ou deo. ant. Acceptação. BARR. Dec. 1. Ded. E na acceptação defte trabalho e perigo, a que me difpuis &c. CARD. INF. D. HENR. Medit. 102 Porque fem defejo e acceitação de nolla parte não podemos re- ceber efta tamanha mercê. TELL. Chr. I, 1, 26. n. 4 Em nenhum deftes cafos obrigava o decreto das confti- nas por merecimentos, mas por refpeitos particulares de amizade, inimizade, e femelhantes. PINT. RIB. Luftr. 2, 15 He a acceitação de peffoas hum humano e defor- denado refpeito, com que fe diftribuem os bens communs não conforme aos merecimentos, partes, e dignidades de cada peffoa, mas conforme ao favor, graça, ou in- tereffe particular: quando effa diftribuição fe devêra fa- zer fegundo a igualdade defta parte da juftiça. {{lema|ACCEITADO, A}}. p. p. de Acceitar. BARR. Dec. 1; 9, 3. FERR. DE VASC. Ulyffip. 4, 1. FR. TH. DE JES. Trab. 1, 22, 498. {{lema|ACCEITADOR, ORA}}. adj. Que acceita. FERR. DE VASCA Ulyffip. 3,2 O Senhor, que he acceirador das obras pias, feitas por feu refpeiro aos feus mínimos, volo receba. MOR. Palm. 2, 161 Que fem forte lhe concedèrão fer o quarto, por fer acceitador do defafio.. ANDRAD. Inftir. 80 Porque não he poflivel, que naquelle, A quem dotou a fábia natureza De huma quafi divina fermofura, Fal- te huma condição branda, amorofa, De todo bem ca- paz e acceitadora. Subft. EurRos. 3, 4 Que certo fóra he de todo o bom confelho, fenão fe cónforma com a vontade do acccitador, fer mal recebido. Acceitador de peffoas. O que favorece a hunts mais do que a outros, não fegundo o merecimento, mas levado fo de algum affecto ou motivo particular, e fem attender á razão. CORR. Comm. 7, 84 Müitos quizerão nefta par- te tocar a Luiz de Camões de homem affeiçoado, cac- ceitador de peffoas. FR. MARC. Vid. 2, 4 Deos não he acceitador de peffoas, mas toda gente, que o teme, e obra com juftiça, lhe he acceita. CEIT. Serm. 2, 60, z Porém não he efte o fentido do Santo, fenão que da luz do mundo e univerfal havião tomar o não fer acceitado- res de peffoas. {{lema|ACCEITAMENTO}}. s. m. pouc. uf. O mesmo que Acceita- ção. Luz, Serm. 3, 102, 2 Vede como o povò derta- deiro no chamamento he primeiro no acceitamento. {{lema|ACCEITANTE}}. p. a. de Acceitar. Que acceita. Leão; Chr. de D. Aff. V. 46 Promettemos per folemne eftipula- ção, feita per interrogatorio do Notario abaixo efcrito acccitante, como peffoa publica &c. Sous. Hift. 1, 2, 21 Como acceitantes todos defte contrato em nome do Rei. CUNH. Hift. de Brag. 2, 28, 123 E que a París, onde então eftava [D. Affonfo III.] foffem o Arcebif- po, o Bifpo de Coimbra, e os mais Embaixadores a to- marlhe o juramento e homenage, como procuradores do Reino, e acceitantes do contrato. {{lema|ACCEITAR}}. v. a. Receber o que fe dd ou offerece. Do Lat. Acceptare. ant. Acceptar. Ordinariamente fe efcrevia com hum c. CAM. Luf. 7, 28 O Porruguez acceita de vontade O que lédo Monçaide the offerece. Gaes, Chr. de D. Man. 2, 1 A Dom Francifco d'Almeida fez el Rei mui- tas mercès, por acceitar efte cargo. HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 10 Deixando hum onzeneiro por herdeiro de muita fazenda ao Abbade Arfenio, não na quiz elle acceitar, nem tomar nada della, nem darfe por herdeiro. Admittir alguma coufa, abraçandoa ou conforman- dofelbe. BARR. Dec. 1, 3, 6. Por então não acceptou o baptifmo. Luc. Vid. i, 12 Acceitárão os Socotorinos] alguns ritos catholicos mais importantes. BRIT. Chr. 6, 36 E como não acceitaffem efcula, e totnaffem a inftar de novo &c. Approvar, ter por bom. EUFROs. i, 4 Se alguma verdade fe acceita, ha de fer encoberta de muito mimo e brandura. MEMOR, DAS PROEZ. 1, 28 O rempo enfina antes força, a diffimular muitas confas, que o entendi- mento não acceita. Mavs. Aff. Afr. 5, 72 Cada qual del- les efta empreza fanta Na mais fegura patte d'alma aceita. Rece<noinclude></noinclude> a033mqqhch7cbawq1vbuu4oi24t2koe