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Dom Casmurro/XXX
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Albertoleoncio
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Hino do município de Nova Itaberaba
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{{hino
|obra=Hino de Nova Itaberaba
|letra por=Evandro Furlan, Lúcia Filippi Chiella Ferla e Wilma Oliveira Dutra
|melodia por=Gilnei Adanete Thesing
}}
Brilhante terra onde vigora a natureza
O Brasão ilustra os feitios desta riqueza
Foi desbravando os espaços desta história
Que pioneiros erigiram esta condição de glória
Ametista oculta em lençóis de terra
Surgindo ao lavrar a planície ou a serra
Tal como uma bênção que pode ser tida
A divina tarefa de semear a vida
;Estribilho
Nova Itaberaba, linda pedra brilhante
Nova Itaberaba, quanta beleza, que lugar aconchegante
O seu brilho não se ofusca no horizonte
Faz conjunto com as belezas naturais
Fauna, flora, rios e ilha, nossas fontes
São heranças dos nossos ancestrais
Como berço de uma luta sem fronteiras
As mulheres daqui foram as primeiras
Nova Itaberaba, a eterna promotora
Das conquistas da mulher agricultora
;Estribilho
Nova Itaberaba, linda pedra brilhante
Nova Itaberaba, quanta beleza, que lugar aconchegante
Nosso povo, herói e lutador
Que cultua a paz e o amor
Com trabalho nossa gente enaltece
Um futuro promissor nos engrandece
Que Deus conserve essa terra produtiva
Nas cores da bandeira sempre vivas
Iluminada pelo sol da esperança
Enaltecendo o sorriso das crianças
[[Categoria:Hinos de Santa Catarina|Nova Itaberaba]]
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Hino do município de Catanduvas (Santa Catarina)
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Hino de Catanduvas Santa Catarina
Música e Arranjos: Simão Elias Wolf
Letra: Comunidade Catanduvense
Adaptação: Juliano André Cunha
<poem>
Catanduvas, Catanduvas
Força do povo herança de um passado
Que trabalha, e semeia honestidade
Canta e reza sua fé.
Abençoado seja o lindo verde
De suas terras planas
Honradas e desbravadas
Pela força de nossos imigrantes
Águas santas saciam a sede
De nossas crenças aliviando
As marcas do Contestado
Na memória dos pioneiros.
Catanduvas ,Catanduvas
Força do povo herança de um passado
Que trabalha, e semeia honestidade
Canta e reza sua fé.
Verde mata hoje preservada
A madeira e a erva,
Por sua alma transportada
Cidade jardim que encanta e ensina
A cada amanhecer amar esse chão
Quando longe daqui bate a saudade
Da sincera hospitalidade traduzida
E uma roda de chimarrão.
Catanduvas,Catanduvas
Força do povo herança de um passado
Que trabalha, e semeia honestidade
Canta e reza sua fé.
</poem>
[[Categoria:Hinos de Santa Catarina|Catanduvas]]
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Voltas e mortes glosados
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|obra=Voltas e motes glosados
|autor=Gonçalves Dias
|notas=Rio, 24 d'outubro de 1846
}}
<poem>
'''I'''
Não posso dizer que não,
Não posso dizer que sim.
VOLTA
Senhora, pois que podeis
Dizer que não, ou que sim,
A ambos não magoeis:
Dizei — sim, mas não a ele;
Dizei — não, mas não a mim.
OUTRAVOLTA
Senhora, que amor é esse,
Ou que nova sem-razão!
Que se eu vos pergunto — sim?
Respondeis-me sempre — não!
Senhora, é isso paixão?
Oh! que o é, mas não por mim;
Que quando vós dizeis — sim,
Um não quisera eu então!
Já nem sei que bem vos queira,
Nem que mais querer vos possa;
Sede antes vossa que dele,
Sede antes minha que vossa.
</poem>
[[Categoria:Gonçalves Dias]]
[[Categoria:1846]]
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Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades/Adeos ao meu Amigo M. de Araújo Porto-Alegre
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[[Categoria:Suspiros Poéticos e Saudades]]
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Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades/Ao deixar Pariz
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[[Categoria:Suspiros Poéticos e Saudades]]
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Os Timbiras/II
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{{navegar
|obra=[[Os Timbiras]]
|autor=Gonçalves Dias
|seção=Canto Segundo
|anterior=[[Os Timbiras/I|Canto Primeiro]]
|posterior=[[Os Timbiras/III|Canto Terceiro]]
|notas=
}}
<poem>
Desdobra-se da noite o manto escuro:
Leve brisa subtil pela floresta
Enreda-se e murmura, - amplo silêncio
Reina por fim. Nem saberás tu como
Essa imagem da morte é triste e torva.
Se nunca, a sós contigo, a pressentisse
Longe deste zunir da turba inquieta.
No ermo, sim; procura o ermo e as selvas...
Escuta o som final, o extremo alento,
Que exala em fins do dia a natureza!
O pensamento, que incessante voa,
Vai do som â mudez, da luz às sombras
E da terra sem flor, ao céu sem astro.
Simelha a graça luz, qu'inda vacila
Quando, em ledo sarau, o extremo acorde
No deserto salão geme, e se apaga!
Era pujante o chefe dos Timbiras,
Sem conto seus guerreiros, três as tabas,
Opimas, - uma e uma derramadas
Em giro, como dança dos guerreiros.
Quem não folgara de as achar nas matas!
Três flores em três hastes diferentes
Num mesmo tronco, - três irmãs formosas
Por um laço de amor ali prendidas
No ermo; mas vivendo aventuradas?
Deu-lhes assento o herói entre dois montes,
Em chã copada de frondosos bosques.
Ali o cajazeiro as perfumava,,
O cajueiro, na estação das flores,
De vivo sangue marchetava as folhas?
As mangas, curvas à feição de um arco,
Beijavam-lhes o teto; a sapucaia
Lambia a terra , - em graciosos laços
Doces maracujás de espessas ramas
Sorriam-se pendentes; o pau-d'arco
Fabricava um dossel de cróceas flores,
E as parasitas de matiz brilhante
A úsnea das palmeiras estrelavam!
Quadro risonho e grande, em que não fosse
Em granito eu em mármore talhado!
Nem palácios, nem Tôrres avistaras,
Nem castelos que os anos vão comento,
Nem grimpas, nem zimbórios, nem feituras
Em pedra, que os humanos tanto exaltam!
Rudas palhoças só! que mais carece
Quem há de ter somente um sol de vida,
Jazendo negro pó antes do ocaso?
Que mais? Tão bem a dor há de sentar-se
E a morte revoar tão solta em gritos
Ali, como nos átrios dos senhores.
Tão bem a compaixão há de cobrir-se
De dó, limpando as lágrimas do aflito.
Incerteza voraz, tímida esp'rança,
Desejo, inquietação também lá moram;
Que sobra pois em nós, que falta neles?
De Itajubá separam-se os guerreiros;
Mudos, às portas das sombrias tabas,
Imóveis, nem que fossem duros troncos,
Pensativos meditam: Já da guerra
Nada receiam, que Itajubá os manda?
O encanto, os manitôs inda o protege,
Vela tupã sobre ele, e os santos piagas
Comprida série de floridas quadras
Ver lhe asseguram: nem de há pouco a luta,
Melhor dissertas de renome ensejo,
Os desmentiu, que nunca os piagas mentem.
Medo, certo, não têm; são todos bravos!
Por que meditam pois? Também não sabem!
Sai o piaga no entanto da caverna,
Que nunca humanos olhos penetraram
Com ligeiro cendal os rins aperta,
Cocar de escuras plumas se debruça
Da fronte, em que se enxerga em fundas rugas
O tenaz pensamento afigurado.
Cercam-lhe os pulsos cascavéis loquazes,
Respondem outros, no tripúdio sacro
Dos pés. Vem majestoso, e grave, e cheio
Do Deus, que o peito seu, tão fraco, habita.
E em quanto o fumo lhe volteia em torno,
Como neblina em torno ao sol que nasce,
Ruidoso maracá nas mãos sustenta,
Solta do sacro rito os sons cadentes.
{{separador}}
Visita-nos Tupã, quando dormimos,
É só por seu querer que estão sonhamos;
Escute-me Tupã! Sobre vós outros,
Poder do maracá por mim tangido,
Os sonhos desçam, quando o orvalho desce.
"O poder de Anhangá cresce co'a noite;
Sota de noite o mau seus maus ministros:
Caraibebes na floresta acendem
A falsa luz, que o caçador transvia.
Caraibebes enganosas formas
Dão-nos aos sonhos, quando nós sonhamos.
Poder do fumo, que lhes quebra o encanto,
De vós se partam; masTupã vos olhe,
Descendo os sonhos, quando o orvalho desce.
"O sonho e a vida são dois galhos gêmeos;
São dois irmãos quer um laço amigo aperta:
A noite é o laço; mas Tupã é o troco
E a seve e o sagüi que circula em ambos.
Vive melhor que da existência ignaro,
Na paz da noite, novas forças cria.
O louco vive com aferro, em quanto
N1alma lhe ondeiam do delírio as sombras,
De vida espúrias; Deus porém lhas rompe
E na loucura do porvir no fala!
Tupã vos olhe, e sobre vós do Ibaque
Os sonhos desçam, quando o orvalho desce!"
Assim cantava o piaga merencório,
Tangia o maracá, dançava em roda
Dos guerreiros: poderá ouvido atento
Os sons finais da lúgubre toada
Na plácida mudez da noite amiga
De longe, em côro ouvir? "Sobre nós outros
Os sonos desçam, quando o orvalho desce."
Calou-se o piaga, ka descansam todos!
Almo Tupã os comunique em sonhos,
E os que sabem tão bem vencer batalhas
Quando acordados malbaratam golpes
Saibam dormidos figurar triunfos!
Mas que medita o chefe dos Timbiras?
Bosqueja por ventura ardis de guerra,
Fabrica e enreda as ásperas ciladas,
E a olhos nus do pensamento enxerga
Desfeita em sangue revolver-se em gritos
Morte pávida e má?! ou sente e avista,
Escandecida a mente, o Deus da guerra
Impávido Aresqui, sanhudo e forte,,
Calcar aos pés cadáveres sem conto,
Na destra ingente sacudindo a maça,
Donde certeira como o raio, desce
A morte, e banha-se orgulhosa - em sangue?
Al sente o bravo; outro pensar o ocupa!
Nem Aresqui,nem sangue se lhe antolha,
Nem resolve consigo ardis de guerra,
Nem combates, nem lágrimas medita:
Sentiu calar-lhe n'alma em sentimento
Gelado e mudo, como o véu da noite.
Jatir, dos olhos negros, onde pára?
Que faz que lida: ou que fortuna corre?
Três sóis já são passados: quanto espaço,
Quanto azar não correu nos amplos bosques
O impróvido mancebo aventureiro?
Ali na relva a cascavel se esconde,
Ali, das ramas debruçado, o tigre
Aferra traiçoeiro a presa incauta!
Reserve-lhe Tupã mais fama e glória,
E voz amiga de cantor suave
C'os altos feitos lhe embalsame o nome!
Assim discorre o chefe, que em nodoso
Tronco rudo-lavrado se recosta?
Não tem poder a noite em seus sentidos,
Que a mesma idéia de contínuo volvem.
Vela e treme nos tetos da cabana
A baça luz das resinosas tochas,
Acres perfumes recendendo; - alastram
De rubins cor de brasa a flor do rio!
"Ouvira com prazer um triste canto,
Diz lá consigo; um canto merencório.
Que este presságio fúnebre espancasse.
Bem sinto um não se que aferventar-se-me
Nos olhos, que vai prestes expandir-se:
Não sei chorar, bem sei; mas fora grato,
Talvez bem grato!à noite, e a sós comigo
Sentir macias lágrimas correndo.
O talo agreste de um cipó em graça
Verte compridas lágrimas cortado
O tronco do cajá desfaz-se em goma,
Suspira o vento, o passarinho canta,
O homem cora! eu só, mais desditoso,
Invejo o passarinho, o tronco, o arbusto,
E quem, feliz, de lágrimas se paga"
Longo espaço depois falou consigo,
Mudo e sombrio: "Sabiá das matas,
Croá (diz ele ao filho d'Iandiroba)
As mais canoras aves, as mais tristes
No bosque, a suspirar contigo aprendam.
Canta, pois que trocara de bom grado
Os altos feitos pelos doces carmes
Quem quer que os escutou, mesmo Itajubá.
Eudeceu: na taba quase escura,
Com pé alterno a dança vagarosa,
Aos sons do maracá, traçava os passos.
"Flor de beleza, luz de amor, Coema,
Murmurava o cantor, onde te foste,
Tão doce e bela, quanto o sol raiava?
Coema, quanto amor que nos deixaste?
Eras tão meiga, teu sorrir tão brando,
Tão macios teus olhos! teus acentos
Cantar perene, tua voz gorjeios
Ruas palavras mel! O romper d'alva,
Se encantos punha a par dos teus encantos
Tentava embalde pleitear contigo!
Não tinha a ema porte mais soberbo,
Nem com mais graça recurvava o colo!
Coema, luz de amor, onde te foste?
"Amava-te o melhor, o mais guerreiro
Dentre nós? elegeu-te companheira,
A ti somente, que só tu achavas
Sorriso e graça na presença dele
Flor, que nasceste no musgoso cedro,
Cobravas páreas de abundante seiva,
Tinhas abrigo e proteção das ramas...
Que vendaval te despegou do tronco,
E ao longe, em pó, te esperdiçou no vale?
Coema, luz de amor, flor de beleza,
Onde te foste, quando o sol raiava?
"Anhangá rebocou estreita igara
Contra a corrente: Orapacém vem nela,
Orapacém, Tupinambá famoso
Conta prodígios duma raça estranha,
Tão alva como o dia, quando nasce,
Ou como a areia cândida e luzente,
Que as águas dum regato sempre lavam.
Raça, q quem os raios prontos servem,
E o trovão e o relâmpago acompanham
Já de Orapacém os mais guerreiros
Mordem o pó, e as tabas feitas cinza
Clamam vingança em vão contra os estranhos.
Talvez d'outros estranhos perseguidos,
Em punição talvez d'atroz delito.
Orapacém, fugindo, brada sempre:
Mair! Mair! Tupã! - Terror que mostra,
Brados que solta, e as derrocadas tabas,
Desde Tapuitapera alto proclamam
Do vencedor a indômita pujança.
Ai! não viesse nunca as nossas tabas
O tapuia mendaz, que os bravos feitos
Narrava do Mair; nunca os ouviras,
Flor de beleza, luz de amor, Coema!
"A cega desventura, nunca ouvida,
Nos move à compaixão: prestes corremos
Com ledo gasalhado a restaura-los
Da vil dureza do seu fado: dormem
Nas nossas redes diligentes vamos
Colher-lhes frutos, -- descansados folgam
Nas nossas tabas? Itajubá mesmo
Of'rece abrigo ao palrador tapuia!
Hospedes são, nos diz; Tupã os manda:
Os filhos de tupâ serão bem vindos,
Onde Itajubá impera! - Ao que não eram,
Nem filhos de Tupã, nem gratos hóspedes
Os vis que o rio, a custo, nos trouxera;
Antes dolosa resfriada serpe
Que ao nosso lar creou vida e peçonha.
Quem nunca os vira! porem tu, Coema,
Leda avezinha, que adejavas livre,
Asas da cor da prata ao sol abrindo,
A serpente cruel porque fitaste,
Se já do olhado mau sentias pejo?!
"Ouvimos, uma vez, da noite em meio,
Voz de aflita mulher pedir socorro
E em tom sumido lastimar-se ao longe.
Opacém! - bradou feroz três vezes
O filho de Jaguar: clamou debalde.
Somente acode o eco à voz irada,,
Quando ele o malfeitor no instinto enxerga.
Em sanhas rompe o chefe hospitaleiro,
E tenta com afã chegar ao termo,
Donde as querelas míseras partiam.
Chegou - já tarde! - nós, mais tardos inda,
Assistimos ao súbito espetáculo!
"Queimam-se raros fogos nas desertas
Margens do rio, quase imerso em trevas:
Afadigados no labor noturno,
Os traiçoeiros hóspedes caminham,
Pejando à pressa as côncavas igaras.
Longe, Coema, a doce flor dos bosques,
Com voz de embrandecer duros penhascos,
Suplica e roja em vão aos pés do fero,
Caviloso tapuia! Não resiste
Ao fogo da paixão, que dentro lavra,
O bárbaro, que a viu, que a vê tão bela!
"Vai arrastá-la, - quando sente uns passos
Rápidos, breves, - volta-se: - Itajubá!
Grita; e os seus, medrosos, receiando
A perigosa luz, os fogos matam.
Mas, no extremo clarão que eles soltaram,
Viu-se Itajubá com seu arco em punho,
Calculando a distância, a força e o tiro:
Era grande a distância, a força imensa...
"E a raiva incrível, continua o chefe,
A antiga cicatriz sentindo abrir-se!
Ficou-me o arco em dois nas mãos partido,
E a frecha vil caiu-me sãos pés sem força."
E assim dizendo nos cerrados punhos
De novo pensativo a fronte oprime.
"Sim, tornava o Cantor, Imenso e forte
Devera o arco ser, que entre nós todos
Só um achou, que lhe vergasse as pontas,
Quando Jaguar morreu! - partiu-se o arco!
Depois ouviu-se um grito, após ruído,
Que as águas fazem no tombar de um corpo;
Depois - silêncio e trevas...
-"Nessas trevas,
Replicava Itajubá, - inteira a noite,
Louco vaguei, corri d'encontro as rochas,
Meu corpo lacerei nos espinheiros,
Mordi sem tino a terra já cansado:
Soluçavam porém meus frouxos lábios
O nome dela tão querido, e o nome...
Aos vis Tupinambás nunca os eu veja,
Ou morra, antes de mim, meu nome e glória
Se os não hei de punir ao recordar-me
A aurora infausta que me trouxe aos olhos
O cadáver..." Parou, que a estreita gorja
Recusa aos cavos sons prestar acento.
"Descansa agora o pálido cadáver,
Continua o cantor junto à corrente
So regato, que volve areias d'ouro.
Ali agrestes flores lhe matizão
O modesto sepulcro, - aves canoras
Descantam tristes nênias so compasso
Das águas, que também nênia soluçam
"Suspirada Coema, em paz descansa
No teu florido e fúnebre jazigo;
Mas quando a noite dominar no espaço,
Quando a lua coar úmidos raios
Por entre as densas, buliçosas ramas,
Da cândida neblina veste as formas,
E vem no bosque suspirar co'a brisa:
Ao guerreiro, qu dorme, inspira sonhos,
E à virgem, que adormece, amor inspira."
Calou-se o maracá rugiu de novo
A extrema vez, e jaz emudecido.
Mas no remanso do silêncio e trevas,
Como débil vagido, escutarias
Queixosa voz, que repetia em sonhos:
"Veste, Coema, as formas da neblina,
Ou vem nos raios trêmulos da lua
Cantar, viver e suspirar comigo."
{{separador}}
Ogib, o velho pai do aventureiro
Jatir, não dorme nos vazios tetos:
Do filho ausente prendem-no cuidados;
Vela cansado e triste o pai coitado,
Lembrando-se desastres que passaram
Impróvidos, no bosque pernoitando.
E vela, - e a mente aflita mais se enluta,
Quanto mais cresce a noite e as trevas crescem!
Já tarde, sente uns passos apressados,
Medindo a taba escura; o velho treme,
Estende a mão convulsa, e roça um corpo
Molhado e tiritante: a voz lhe falta...
Atende largo espaço, até que escuta
A voz do sempre aflito Piaíba,
Ao pé do fogo extinto lastimar-se.
"O louco Piaíba, a noite inteira,
Andou nas matas; miserando sofre;
O corpo tem aberto em fundas chagas,
E o orvalho gotejou fogo sobre elas;
Como o verme na fruta, um Deus maligno
Lhe mora na cabeça, oh! quanto sofre!
"Em quanto o velho Ogib está dormindo,
Vou-me aquecer;
O fogo é bom, o fogo aquece muito;
Tira o sofrer.
Em quanto o velho dorme, não me expulsa
D'ao pé do lar;
Dou-lhe a mensagem, que me deu a morte,
Quando acordar!
Eu via a morte: vi-a bem de perto
Em hora má!
Vi´-a de perto, não me quis consigo,
Por ser tão má.
Só não tem coração, dizem os velhos,
E é bem de ver;
Que, se o tivera, me daria a morte,
Que é meu querer.
Não quis matar-me; mas é bem formosa;
Eu vi-a bem:
É como a virgem, que não tem amores,
Nem ódios tem..
O fogo é bom, o fogo aquece muito,
Quero-lhe bem!"
Remexe, assim dizendo, as frias cinzas
E mais e mais conchega-se o borralho.
O velho entanto, erguido a meio corpo
Na rede, escuta pávido, e tirita
De frio e medo, - quase igual delírio
Castiga-lhe as idéias transtornadas.
"Já me não lembra o que me disse a morte!...
Ah! sim, já sei!
-Junto ao sepulcro da fiel Coema,
Ali serei:
Ogib emprazo, que a falar me venha
Ao anoitecer! -
O velho Ogib há-de ficar contente
Co'o meu dizer;
Talvez que o velho, que viveu já muito,
Queira morrer!"
Emudeceu: alfim tornou mais brando.
"Mas dizem que a morte procura mancebos,
Porém tal não é:
Que colhe as florinhas abertas de fresco
E os frutos no pé?!...
Não, não, que só ama sem folha as flores,
E sem perfeição;
E os frutos perdidos, que apanha golosa,
Caídos no chão.
Também me não lembra que tempo hei vivido,
Nem por que razão
Da morte me queixo,que vejo, e não vê-me,
Tão sem compaixão."
As ânsias não vencendo, que o soçobram
Salta da curva rede Ogib aflito;
Trêmulo as trevas apalpando, topa,
E roja miserando aos pés do louco.
- "Oh! dize-me, se a viste, e se em tua alma
Algum sentir humano inda se aninha,
Jatir, que é feito dele? Disse a morte
Haver-me cubiçado o moço imberbe,
A cara luz dos meus cansados olhos:
Oh dize-o! Assim o espírito inimigo
Folgados anos respirar te deixe!"
O louco ouviu nas trevas os soluços
Do velho, mas seus olhos nada alcançam:
Pasma, e de novo o seu cantar começa:
"Em quanto o velho dorme, não me expulsa
D'ao pé do lar."
- "Mas expulsei-te eu nunca?
Tornava Ogib a desfazer-se em pranto,
Em ânsias de transido desespero.
Bem sei que um Deus te mora dentro d'alma;
E nunca houvera Ogib de espancar-te
Do lar, onde Tupã é venerado.
Mas fala! oh! fala, uma só vez repete-o:
Vagaste à noite nas sombrias matas..."
"Silencio! brada o louco, não escutas:?!"
E pára, como ouvindo uns sons longínquos.
Depois prossegue: "Piaíba o louco
Errou de noite nas sombrias matas;
O corpo tem aberto em fundas chagas,
E o orvalho gotejou fogo sobre elas.
Geme e sofre e sente fome e frio,
Nem há quem de seus males se condoa.
Oh! tenho frio! o fogo é bom, e aquece,
Quero-lhe bem!"
- "Tupã, que tudo podes,
Orava Ogib em lágrima desfeito,
A vida inútil do cansado velho
Toma, se a queres; mas que eu veja em vida
Meu filho, só depois me colha a morte!
</poem>
[[Categoria:Os Timbiras|Canto 02]]
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Os Timbiras/III
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|autor=Gonçalves Dias
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<poem>
Era a hora em que a flor balança o cálix
Aos doces beijos da serena brisa,
Quando a ema soberba alteia o colo,
Roçando apenas o matiz relvoso;
Quando o sol em doirando os altos montes,
E as ledas aves à porfia trinam,
E a verde coma dos frondosos cerros
Quando a corrente meio oculta soa
De sob o denso véu da parda névoa;
Quando nos panos das mais brancas nuvens
Desenha a aurora melindrosos quadros
Gentis orlados com listões de fogo;
Quando o vivo carmim do esbelto cáctus
Refulge a mêdo abrilhantado esmalte,
Doce poeira da aljofradas gotas,
Ou pó sutil de pérolas desfeitas.
Era a hora gentil, filha de amores,
Era o nascer do sol, libando as meigas,
Risonhas faces da luzente aurora!
Era o canto e o perfume, a luz e a vida,
Uma só coisa e muitas, - melhor face
Da sempre vária e bela natureza:
Um quadro antigo, que já vimos todos,
Que todos com prazer vemos de novo.
Ama o filho do bosque contemplar-te,
Risonha aurora, - ama acordar contigo;
Ama espreitar nos céus a luz que nasce,
Ou rósea ou branca, já carmim, já fogo,
Já tímidos reflexos, já torrentes
De luz, que fere oblíqua os altos cimos.
Amavam contemplar-te os de Itajubá
Impávidos guerreiros, quando as tabas
Imensas, que Jaguar fundou primeiro
Cresciam, como crescem gigantescos
Cedros nas matas, prolongando a sombra
Longes nos vales, - e na copa excelsa
Do sol estivo os abrasados raios
Parando em vasto leito de esmeraldas.
As três formosas tabas de Itajubá
Já foram como os cedros gigantescos
Da corrente impedrada: hoje acamados
Fósseis que dormem sob a térrea crusta,
Que os homens e as nações por fim sepultam
No bojo imenso! - Chame-lhe progresso
Quem do extermínio secular se ufana:
Eu modesto cantor do povo exinto
Chorarei nos vastíssimos sepulcros,
Que vão do mar ao Andes, e do Prata
Ao largo e doce mar das Amazonas.
Ali me sentarei meditabundo
Em sítio, onde não oiçam meus ouvidos
Os sons freqüentes d'europeus machados
Por mãos de escravos Afros manejados:
Nem veja as matas arrasar, e os troncos,
Donde chorando a preciosa goma,
Resina virtuosa e grato incenso
A nossa incúria grande eterno asselam:
Em sítio onde os meus olhos não descubram
Triste arremedo de longínquas terras.
Aos crimes das nações Deus não perdoa:
Do pai aos filhos e do filho aos netos,
Por que um deles de todo apague a culpa,
Virá correndo a maldição - contínua,
Como fuzis de uma cadeia eterna.
Virão nas nossas festas mais solenes
Miríade de sombras miserandas,
Escarnecendo, secar o nosso orgulho
De nação; mas nação que tem por base
Os frios ossos da nação senhora,
E por cimento a cinza profanada
Dos mortos, amassada aos pés de escravos.
Não me deslumbra a luz da velha Europa;
Há-de apagar-se mas que a inunde agora;
E nós?... sucamos leite mau na infância,
Foi corrompido o ar que respiramos,
Havemos de acabar talvez primeiro.
América infeliz! - que bem sabia,
Quem te criou tão bela e tão sozinha,
Dos teus destinos maus! Grande e sublime
Corres de pólo a pólo entre os sois mares
Máximos de globo: anos da infância
Contavas tu por séculos! que vida
Não fora a tua na sazão das flores!
Que majestosos frutos, na velhice,
Não deras tu, filha melhor do Eterno?!
Velho tutor e avaro cubiçou-te,
Desvalida pupila, a herança pingue
Cedeste, fraca; e entrelaçaste os anos
Da mocidade em flor - às cãs e à vida
Do velho, que já pende e já declina
Do leito conjugal imerecido
À campa, onde talvez cuida encontrar-te!
Tu, filho de Jaguar, guerreiro ilustre,
E os teus, de que então vós ocupáveis,
Quando nos vossos mares alinhadas
As naus de Holanda, os galeões de Espanha,
As fragatas de França, e as caravelas
E portuguesas naus se abalroavam,
Retalhado entre si vosso domínio,
Qual se vosso não fora? Ardia o prélio,
Fervia o mar em fogo a meia-noite,
Nuvem de espesso fumo condensado
Toldava astros e céus; e o mar e os montes
Acordavam rugindo aos sons troantes
Da insólita peleja! - Vós, guerreiros,
Vós, que fazíeis, quando a espavorida
Fera bravia procurava asilo
Nas fundas matas, e na praia o monstro
Marinho, a quem o mar, já não seguro
Reparo contra a fôrça e indústria humana,
Lançava alheio e pávido na areia?
Agudas setas, válidos tacapes
Fabricavam talvez!... ai não... capelas,
Capelas enastravam para ornato
Do vencedor; - grinaldas penduravam
Dos alindados tetos, por que vissem
Os forasteiros, que os paternos ossos
Deixando atrás, sem manitôs vagavam,
Os filhos de Tupã como os hospedam
Na terra, a que Tupã não dera ferros!
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Rompia a fresca aurora, rutilando
Sinais de um lia límpido e sereno.
Então vinham saindo os de Itajubá
Fortes guerreiros a contar os sonhos
Com que Tupã amigo os bafejara,
Quando as estrelas pálidas tombavam,
Já de clarão maior esmorecidas.
Vinham ledos ou tristes na aparência,
Timoratos ou cheios de hardimento,
Como o futuro evento se espelhava
Nos sonhos, bons ou maus; mas acordá-los
Disparatados, e o melhor de tantos
Coligir, era missão mais alta.
Não fosse o piaga intérprete divino,
Nem os seus olhos penetrantes vissem
O porvir, ao través do véu do tempo,
Como ao través do corpo a mente enxergam;
Não fosse, quem há que se afoutasse
Em campo de batalha a expor a vida,
A vida nossa tão querida, e tanto
Da flor a vida breve semilhando:
Roaz inseto a vai traçando em giro,
Nem mais revive uma só vez cortada!
Mande porém Tupã seus gratos filhos,
Rogados sonhos, que os decifra o piaga:
E Tupã, de benigno os influi sempre
Em vesp'ras de batalha, como as chuvas
Descem, quando a terra humores pede,
Ou como, em sazão própria, brotam flores.
Postam-se em forma de crescente os bravos:
Ávida turba mulheril no entanto
O rito sacro impaciente aguarde.
Brincam na relva os folgazões meninos,
Em quanto os mais crescidos, contemplando
O aparato elétrico das armas,
Enlevam-se; e, mordidos pela inveja,
Discorrem lá consigo: - Quando havemos,
Nós outros, d'empunhar daqueles arcos,
E quando levaremos de vencida
As hostes vis do pérfido Gamela!
Vem por fim Itajubá. O piaga austero,
Volvendo o maracá nas mãos mirradas,
Pergunta: - "Foi o espírito convosco,
O espírito da fôrça, e os ledos sonhos,
Ministros de Tupã, núncios da glória?"
- Sim, foram, lhe respondem, ledos sonhos,
Correios de Tupã; mas o mais claro
É duro nó que o piaga só desata.
"Dizei-os pois, que vos escuta o piaga"
Disse, e maneja o maracá: das bocas
Do mistério divino, em puros flocos
De neve, o fumo em borbotões golfeja.
Diz um qu, divagando em matas virgens,
Sentira a luz fugir-lhe de repente
Dos olhos, - se não foi que a natureza,
Por mágico feitiço transtornada,
Vestia por si mesma novas galas
E aspectos novos, - nem as elegantes,
Viçosas trepadeiras, nem as rêdes
Agrestes do cipó já divisava.
Em lugar da floresta, uma clareira
Relvosa descobria, em vez da árvores
Tão altas, de que havia pouco o bosque
Parecia ufanar-se, - um tronco apenas,
Mas tronco tal que os resumia a todos.
Ali sozinho o tronco agigantado
Luxuriava em folhas verde-negras,
Em flores cor de sangue, e na abundância
Sos frutos, como nunca os viu nas matas;
Tão alvos como a flor do mamãozeiro,
De macia penugem debruados.
"Extático de os ver ali tão belos
Tais frutos, que eu algures nunca vira,
O bárbaro dizia, fui colhendo
O melhor, por que o visse de mais perto.
Pesar de não saber se era salubre,
Ansiava gosta-lo, e em fura lida
Lutava o meu desejo co'a prudência.
Venceu aquêle! ai não vencesse nunca!
Nunca, ludibrio não dos meus desejos,
Mordessem-no meus lábios ressequidos.
Conta-lo me arrepia! - Mal o toco,
Força-me a rejeita-lo um quê oculto,
Que os nervos me estremece: a causa inquiro...
Eis que uma cobra, uma coral, de dentro
Desdobra o corpo lúbrico, e em três voltas,
Mas grata armila, me circunda o braço.
Da vista e do contato horrorizado,
Sacudo o estranho ornato; e vão me agito:
Com quanto mais afã tento livrar-me,
Mais apertado o sinto. - Nisto acordo,
Úmido o corpo e fatigado, e a mente
Molesta ainda do combate inglório.
O que é, não sei; tu sabes tudo, ó Piaga
Há e talvez razão que eu não alcanço,
Que certo isto não é sonhar batalhas."
- "Haja sentido oculto no teu sonho,
(Diz ao guerreiro o piaga) eu, que levanto
O véu do tempo, e aos mortais o mostro.
Dir-to-ei por certo; mas eu creio e tenho
Que algum gênio turbou-te a fantasia,
Talvez angüera de traidor Gamela;
Que os Gamelas são pérfidos em morte,
Como em vida." - Assim é, diz Itajubá.
Outro sonhou caçadas abundantes,
Temíveis caitetus, pacas ligeiras,
Coatis e jabotins, - te onça e tigres,
Tudo em rimas, em feixes: outro em sonhos
Nada disto enxergou: porém cardumes
De peixes vários, que o timbó prestante
Trazia quase à mão, se não fechados
Em mondes espaçosos! - gáudio imenso!
De os ver ali raivando na estacada
Tão grandes serubins, trauíras tantas,
Ou boiando sem tino à flor da aguas!
Outros não viram nem mondes, nem peixes,
Nem aves, nem quadrúpedes: mas grandes
Samotins transbordando argêntea espuma
Do fervente cauim; e por três noites
Girar em roda a taça do banquete,
Em quanto cada qual memora em cantos
Os feitos próprios: reina o guau, que passa
Destes àqueles com cadencia alterna.
"O piaga exulta! Eu vos auguro, ó bravos
Do herói Timbira (clama entusiasta)
Leda vitória! Nunca em nossas tabas
Haverá de correr melhor folgançã,
Nem ganhareis jamais honra tamanha.
Bem sabeis como é de uso entre os que vencem
Festejar o triunfo: o canto e a dança
Marcham de par, - banquetes se preparam,
E a glória da nação mais alta brilha!
Oh! nunca sobre as tabas de Itajubá
Haverá de nascer mais grata aurora!"
Soam festivos gritos, e as pocemas
Dos guerreiros, que sôfregos escutam
Do piaga os ditos, e o feliz augúrio
Da próxima vitória. Não dissera
Quem quer que fosse estranho aos usos deles
Senão que por aquela densa pinha
De vulgo, se espalhara a fausta nova
De gloriosa ação já consumada,
Que os seus, validos da vitória, obraram.
Entanto Japeguá, posto de parte,
Em quanto lavra em todos o contágio
Da glória e do prazer, - bem claro mostra
No rosto descontente o que medita.
"Prazer que em altos gritos se propala,
Discorre lá consigo o Americano,
"É como a chama rápida correndo
Nas folhas da pindoba: é falso e breve!"
Atenta nele o chefe dos Timbiras,
Como que interno, igual pressentimento
Rejeita, seu mau grado, a voz do piaga.
"Que pensa Japeguá? Acaso em sonhos
Tremendo e torvo se lhe antolha o êxito
Da batalha? ou seja, ou não conosco,
Que tarda em nos dizer seu pensamento?"
"Eu, vi" Japeguá ( e assim dizendo,
Sacode vezes três a fronte adusta,
Onde gravara da prudência o sêlo
Contínuo meditar). "Vi altos combros
De mortos já polutos, - via lagoas
Brutas de sangue impuro e negrejante;
Vi setas e carcaz espedaçados,
Tacapes adentados, ou partidos
Ou já sem fio! - vi..." Eis Catucaba
Mal sofrido intervém, interronpendo
A narração do sonhador de males.
Bravo e hardido como é, nunca a prudência
Lhe foi virtude, nem por tal a aceita.
Nunca o membi guerreiro em seus ouvidos
Troou medonho, inóspito combate,
Que às armas não corresse o valeroso,
Intrépido soldado; mais que tudo
Amava a luta, o sangue, vascas, transes,
Convulsos arrepios, altos gritos
Do vencedor, imprecações sumidas
Do que, vencido, jaz no pó sem glória.
Sim, ama e que o tráfego das armas
Talvez melhor que a si; nem mais risonha
Imagem se lhe antolha, nem há cousa
Que tenha em mais apreço ou mais cubice.
O p'rigo que aventasse era feitiço,
Que em delírio de febre o transtornava.
Fanático de si, ébrio de glória,
Lá se arrojava intrépido e brioso,
Onde pior, onde mais negro o via.
Não eram dois na esquadra de Itajubá
De gênios em mais pontos encontrados:
Por isso em luta sempre. Catucaba,
Fragueiro, inquieto, sempre aventuroso,
Em cata de mais glória e mais renome,
Sempre à mira de encontros arriscados,
Sempre o arco na mão, sempre embebida
Na corda tesa e frecha equilibrada.
Ninguém mais solto em vozes, mais galhardo
No guerreiro desplante, ou que mostrasse
Atrevido e soberbo e forte em campo
Quer pujança maior, que mais orgulho.
Japeguá, corajoso, mas prudente,
Evitava o conflito, via o risco,
Media o seu poder e as posses dele
E o azar da luta e descansava em ócio.
Sua própria indolência revelava
Ânimo grande e não vulgar coragem.
Se fosse lá nos paramos da Líbia,
Deitado à sombra da árvore gigante,
O leão da Numídia bem poderá
Trilhar por junto dele os movediços
Combros da areia, - amedrontando os ares
Com aquele bramir agreste e rudo,
Que as feras sem terror ouvir não sabem.
O índio ouvira impávido o rugido,
Sem que o terror lhe distingisse as faces;
E ao rei dos animais voltando o rosto,
Somente porque mais à jeito o visse,
Viras ambos, sombrios, majestosos,
Contemplarem-se á espaço, destemidos;
D'estranheza o leão os seus rugidos
Na gorja sufocar, e a nobre cauda,
Entre medos e assomos de hardimento,
Mover de leve e irresoluto aos ventos!
Um - era a luz fugaz fácil prendida
Nas plumas do algodão: luz que deslumbra
E que em breve amortece: outro - faísca,
Que surda, pouco a pouco vai lavrando
Não vista e não sentida te que surge
Dum jato só, tornada incêndio e fumo.
"Que viste? diz-lhe o êmulo brioso,
"Só coalheiras de sangue inficionado,
Só tacapes e setas bipartidas,
E corpos já corruptos?! Eia, ó fraco,
Embora em ócio ignavo aqui descanses,
E nos misteres feminis te adestres!
Ninguém te cama à vida dos combates,
Não te almeja ninguém por companheiro,
Nem há-de o sonho teu acobardar-nos.
É certo que haverá mortos sem conto,
Mas não seremos nós; - setas partidas,
As nossas, não; tacapes amolgados...
Mas os nossos verás mais bem talhantes,
Quando houverem partido imigos crânios.
"Herói, não em façanhas, mas nos ditos
Lidador que a vileza d'alma encobres
Com frases descorteses, - já te viram,
Pendentes braço e armas, contemplando
Os feitos meus, pesar que sou cobarde.
Essa infame tarefa que me incumbes
É minha, sim; mas por diverso modo:
Não ministro cauim às vossas festas;
Mas na refrega o meu trabalho é vosso.
Da batalha no campo achais defuntos,
Vossa glória e brasão, corpos sem conto,
Cujas feridas largas e profundas,
De largas e profundas, denunciam
A mão que as sói fazer com tanto efeito.
Não tenho espaço, onde recolha os ossos,
Não tenho cinto, onde pendure os crânios,
Nem colar onde caibam tantos dentes,
De quantos venci já; por isso inteiros
Lá vo-los deixo, heróis; e vós lá ides,
Em que me não queirais por companheiro,
Rivais dos urubus, fortes guerreiros,
Fácil triunfo conquistar nas trevas,
Aos vorazes tatus roubando a presa."
Calou-se... e o vulgo rosna em tôrno d'ambos,
Deste ou daquele herói tomando as partes.
Pois quê?... há-de ficar tamanha afronta
Impune, e não haveis levar das armas,
Por que o sangue a desbote e apague inteira?"
Diziam, - e a tais ditos mais fermente
A raiva em ambos; fazem-lhes terreiro,
Já verga o arco, já se entesa a corda,
Já batem pés no solo pulvurento:
Correra o sangue de um, talvez o de ambos,
Que sobre os dois a morte, abrira as asas!
Silêncio! brada o chefe dos Timbiras,
Interposto severo em meio da ambos;
De um lado e outro a turba circunfusa
Emudece, - divide-as largo espaço,
De cujo centro gira os torvos olhos
O herói, e só de olhar lhe estende as raias.
Assim de altivo píncaro descamba
Enorme rocha, obstruindo o leito
De um rio caudaloso: as fundas águas
Latindo envão na rocha volumosa
Separam-se, cavando novos leitos,
Em quanto o antigo se resseca e abras.
Silêncio!disse; e em torno os olhos gira,
Fúlgidos, negros: orgulhosas frontes,
Que aos golpes do tacape não se dobram
Em torno sobre o peito vão caindo
Uma após outra: altivo um só apenas
Rebelde arrosta o olhar! - rápido golpe,
Rápido e forte, como o raio, o prostra
Na arena em sangue! Mosqueado tigre,
Se cai no meio de preás medrosos,
Talvez no primo impulso algum aferra;
Vulgacho imbele! - ao mísero que prende
E torce ainda nas compridas garras,
Longe, sem vida, desdenhoso o arroja.
Assim o herói. Por longo trato mudo
Soberdo e grande alfim mostrando o rio,
Quedou sem mais dizer; o rio ao longe
As águas, como sempre, majestosas
Na gorja das montanhas derramava,
Caudal, imenso. Trás daqueles montes,
Diz Itajubá, não sabeis quem seja?
Afronta e nome vil haja o guerreiro,
Que ousa lutas ferir, travar discórdias,
Quando o imigo boré tão perto soa."
Acorre o piaga em meio do conflito:
"Prudência, ó filho de Jaguar, exclama;
Nem mais sangue timbira se derrame,
Que já não basta por pagar-nos deste,
Que derramaste, quando houver nas veias
Dos pérfidos Gamelas. O que ouviste,
Que o forte Japeguá diz ter sonhado,
Assela o que tupã me está dizendo
Cá dentro em mim nos decifrados sonhos,
Depois que os funestou propínquo sangue."
"Devoto piaga (Mojacá prossegue)
Que vida austera e penitente vives
Dos rochedos na Iapa venerada,
Tu, dos gênios do Ibaque bem fadado,
Tu face a face com Tupã praticas
E ves nos sonos meus melhor qu'eu mesmo.
Escuta, e dize, ó venerando piaga
(Benévolo Tupã teus ditos oiça)
Angüera mau turbou-te a fantasia,
Aflito Mojacá, teu sonho mente."
Palavras tais no índio circunspecto,
Cujos lábios envão nunca se abriram;
Guerreiro, cujos sonhos nunca foram,
Nem mesmo em risco estreito, pavorosos;
No vulgo frio horror vão trescalando,
Que entre a crença do piaga, e a deferência
Devida a tanto herói flutua incerta.
"Eu vi, diz ele, vi em baba imiga
Guerreiro, como vós, comado e hirsuto!
A corda estreita do cruento rito
Os rins lhe aperta? a dura tangapema
Sobre-está-lhe fatal; - cantos se entoam
E a tuba dançatriz em torno gira.
Sono não foi, que o vi, como vos vejo;
Mas não vos direi já quem fosse o triste!
Se vísseis, como eu vi, a fronte altiva,
O olhar soberbo, - aquela força grande,
Aquele riso desdenhoso e fundo...
Talvez um só, nenhum talvez se encontre,
eu seja para estar no passo horrendo
Tão seguro de si, tão descansado!"
Acaso um tronco volumoso e tôsco
De escamas fortes entre si travadas
Ali perto jazia. Ogib, o velho,
Pai do errante Jatir, ali sentou-se.
Ali triste pensava, até que o sonho
Do aflito Mojacá veio acorda-lo.
"Tupã! que mal te fiz, que assim me colha
Do teu furor a seta envenenada?
Com voz choroza e trêmula clamava.
"Escuto os gabos que só cabem nele,
Vejo e conheço o costumado ornato
Do filho meu querido! isto que fora,
A quem tão infeliz como eu não fosse,
Ventura grande, me constringe o peito!
Conheço o filho meu no que disseste,
Guerreiro, como a flor pelo perfume,
Como o esposo conhece a grata esposa
Pelas usadas plumas da araçóia,
Que entre as folhas do bosque a espaços brilha,
Ai! nunca brilhe a flor, se hão de roê-la
Insetos; nunca vague a linda esposa
No bosque, se há de as feras devora-la!"
A dor que mostra o velho em todo o aspecto,
Nas vozes por soluços atalhadas,
Nas lágrimas que chora, os move a todos
A triste compaixão; mas mais àquele,
Que, antes do pobre pai, já todo angústias,
Da própria narração se enternecia.
Às querelas de Ogib volta o rosto
O fatal sonhador, - que, seu mau grado,
As setas da aflição tendo cravado
Nas entranhas de um pai, quer logo o suco,
Fresco e saudável, do louvor, na chaga
Verter-lhe, donde o sangue em jorros salta.
"Tal era, tão impávido (prossegue,
Fitando o velho Ogib o seu desplante,
Qual foi o de Jatir naquele dia,
Quando, novel nas artes do guerreiro,
Circundado se viu à nossa vista
D'imiga multidão: todos o vimos;
Todos da clara estirpe deslembrados,
Clamamos tristes, pávidos: "É morto!"
Ele porém que o arco usar não pode,
O válido tacape desprendendo,
Sacode-o, vibra-o: fere, prostra e mata
A êste, àquele; e em volumosos feixes
Acerva a turba vil, lucrando um nome.
Tapir, caudilho seu, que não suporta
Que um homem só e quase inerme, o cubra
De tamanho labéu, altivo brada:
"Cede-me, estulto, cede ao meu tacape
Que nunca ameaçou ninguém debalde."
E assim dizendo vibra crebros golpes,
Co a bruta folha retalhando os ares!
Um coiro de tapir, em vez de escudo,
Rijo e piloso lhe guardava os membros.
Jatir, do arco seu curvando as pontas,
Sacode a seta fina e sibilante,
Que vara o couro e o corpo surge for.
Tomba de chofre o índio, e o som da queda
Remata o som que a voz não rematara.
Vista a pel' do tapir, que o resguardava,
Japi, mesmo Japi lhe inveja o tiro."
Todo o campo se aflige, todos clamam:
"Jatir! Jatir! o forte entre os mais fortes."
Ordem não há; mulheres e meninos
Baralham-se em tropel: o pranto, os gritos
Confundem-se: do velho Ogib entanto
Mal se percebe a voz "Jatir" gritando.
Itajubá por fim silêncio impondo
À turba mulheril, e à dos guerreiros
Nesta batalha: "Consultemos, disse,
Consultemos o piaga: às vezes pode
O santo velho, serenando o ibaque,
Amigo bom tornar o Deus malquisto."
Mas ora não! - responde o piaga iroso.
"Só quando ruge a negra tempestade,
"Só quando a fúria d'Anhangá fuzila
Raios do escuro céu na terra aflita
Do piaga vos lembrais? Tanta lembrança,
Tarda e fatal, guerreiros! Quantas vezes
Não fui, em mesmo, nos terreiros vossos
Fincar o santo maracá? Debalde,
Debalde o fui, que à noite o achava sempre
Sem oferta, que aos Deuses tanto prazem!
Nu e despido o vi, como ora o vedes.
(E assim dizendo mostra o sacrossanto
Mistério, que de irado pareceu-lhes
Soltar mais rouco som no seu rugido)
Quem de vós se lembrou que o santo Piaga
Na lapa dos rochedos se mirrava
Apura míngua? Só Tupã, que ao velho
Deu não sentir os dentes aguçados
Da fome, que por dentro o remordia,
E mais cruel, passada entre os seus filhos!"
Cegou-nos Anhangá, diz Itajubá,
Fincando o maracá nos meus terreiros,
Cegou-nos certo! - nunca o vi sem honras!
Que o vira, bom piaga... oh!não se diga
Que um homem só, dos meus, perece à mingua,
(Quem quer que seja, quanto mais um Piaga)
Quando campeam tantos homens d'arco
Nas tabas de Itajubá, - tantas donas
Na cultura dos campos adestradas.
hoje mesmo farei que ao antro escuro
Caminhem tantos dons, tantas ofertas,
Que o teu santo mistério há de por força,
Quer queiras, quer não, dormir sobre elas!
"Talvez a rica of'renda aplaca os Deuses,
E saudável conselho a noite inspira!"
Disse e sem ais dizer se acolhe à gruta.
À caça, ó meus guerreiros, brada o chefe;
Ledas donzelas ao cauim se apliquem,
Os meninos à pesca, à roça as donas,
Eia!" - Ferve o labor, reina o tumulto,
Que quase tanto val como a alegria,
Ou antes, só prazer que o povo gosta.
Já deslembrados do que ausente choram
Favor das turbas que tão leve passas!
Ledos no peito, ledos na aparência
Todos se incumbem da tarefa usada.
Trabalho no prazer, prazer que moras
Dentro de tanto afã! festa que nasces
Sob auspícios tão maus, possa algum gênio,
Possa Tupã sorrir-te carinhoso,
E das alturas condoer-se amigo
Do triste, órfão de amor, e pai sem filho!
</poem>
[[Categoria:Os Timbiras|Canto 03]]
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Os Timbiras/IV
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<poem>
BEM VINDO seja o fausto mensageiro,
O melífluo Timbira, cujos lábios
Destilam sons mais doces do que os favos
Que errado caçador na brenha inculta
Por ventura topou! Hóspede amigo,
Ledo núcio de paz, que o território
Pisou de imigas hostes, quando a aurora
Despontava nos céus - bem vindo seja!
Não luz mas brando e grato o romper d'alva
Que o teu sereno aspecto; nem mais doce
A fresca brisa da manhã cicia
Pela selvosa encosta, que a mensagem
Que o chefe imigo e fero anseia ouvir-te.
Melífluo Jurecei, bem vindo sejas
Dos Gamelas ao chefe, Gurupema,
Senhor dos arcos, quebrador das setas,
Das selvas rei, filho de Icrá valente.
Assim consigo as hostes do Gamela:
Consigo só, que a usada gravidade
Já na garganta, a voz lhes retardava.
Não veio Jurucei? Posto de fronte,
Arco e flecha na mão feito pedaços,
Certo sinal do respeitoso encargo,
Por terra não lançou? - Que pois augura
Tal vinda, a não ser que o audaz Timbira
Melhor conselho toma: e por ventura
De Gurupema receiando as forcas,
Amiga paz lhe of1rece, e em sinal dela
So vencido Gamela o corpo entrega?!
Em bem! que a torva sombra vagarosa
Do outrora chefe seu há-de aplacar-se,
Ouvindo a mesma voz das carpideiras,
E vendo no sarcófago depostas
As armas, que no ibaque hão-de servi-lhe,
E junto ao corpo, que foi seu, as plumas,
Em quanto vivo, insígnias do mando.
Embora ostente o chefe dos Timbiras
O ganhado troféu; embora à cinta
Ufano prenda o gadelhudo crânio,
Aberto em croa, do infeliz Gamela.
Embora; mas porém amigas quedem
Do Timbira e Gamela as grandes tabas;
E largo em roda na floresta imperem,
Que o mundo em peso, unidas, afrontaram!
Nascia a aurora: do Gamela as hostes
Em pé, na praia, mensageiro aguardam
Sisudos, graves. Um caudal regato,
Cujo branco areial a prata imita,
Sereno ali volvia as mansas águas,
Como que triste de as levar ao rio,
Que ao mar conduz a rápida torrente
Por entre a selva umbrosa e brocas penhas.
Esta a praia! - em redor troncos gigantes,
Que a folhagem no rio debruçavam,
Onde beber frescor os galhos vinham,
Cuxuriando em viço! - penduradas
Trepadeiras gentis da coma excelsa,
Estrelando do bosque o verde manto
Aqui, ali, de flores cintilantes,
Meneiavam-se ao vento, como fitas,
De que se enastra a coma a virgem bela.
Era um prado, uma várzea, um tabuleiro
Com mimoso tapiz de várias flores,
Agrestes, sim, mas belas, Gênio amigo
Chegou-lhe só a mágica vergasta!
Ei-las a prumo ao logo da corrente
Com requebros louçãos a enamorá-la!
A nós de embira aos troncos amarradas
Quase igaras em conto figuravam
Ousada ponte no correr das águas
Por força mais qu1humana trabalhada.
Vê-as e pasma Jurecei, notando
O imigo poderio, e seu mau grado
Vai lá consigo mesmo discorrendo:
"Muitos, certo e as nossas tabas forte,
Itajubá invencível; mas da guerra
É sempre incerto o azar e sempre vário!
E... quem sabe? - talvez... mas nunca, oh! nunca!
Itajubá! Itajubá! - onde há no mundo
Posses que valham contrastar seu nome?
Onde a seta que valha derriba-lo,
E a tribo ou povo que os Timbiras vençam?!"
Entre as hostes que a si tinha fronteiras
Penetra! - tão galhardo era o seu gesto,
Que os Gamelas em si tão bem disseram:
- Missão de paz o traga, que se os outros
São tão feros assim, Tupã nos valha,
Sim, Tupã; que o não pode o rei das selvas!"
Hospedagem sincera entanto of'recem
A quem talvez não tardará busca-los
Com fina seta no leal combate.
Às igaras o levam pressurosos,
Servem-lhe o piraquém na guerra usado,
E os loiros sons so colmeal agreste;
Servem-lhe amigos suculento pasto
Em banquete frugal; servem-lhe taças
(A ver se mais que a fome o instiga a sede)
Do espumoso cauim, - taças pesadas
Na funda noz da sapucaia abertas.
Sem temor o timbira vai provando
O mel, o piraquém, as iguarias;
Mas dos vinhos coíbe-se prudente.
Em remoto lugar forma conselho
O rei da selvas, Gurupema, em quanto
Restaura o mensageiro os lassos membros.
Chama primeiro Cab-oçu valente;
As ríspidas melenas corridias
Cortam-lhe o rosto, - Pendem-lhe nas costas,
Hirtas e lesas, como o junco em feixes
Acamados no leito ressequido
D'invernosa corrente, O rosto feio
Aqui, ali negreja manchas negras
Como da bananeira a larga folha,
Colhida ao romper d'alva, qu'uma virgem
Nas mãos lascivas machucou brincando.
Valente é Caba-oçu; mas sem piedade!
Como senta fera almeja sangue
E de malvada ação cruel se paga.
Apressou em combate um seu contrário,
Que mais imigo tinha entre os imigos:
Da guerra os duros vínculos lançou-lhe
E à terreiro o chamou, como é de usança
Para o triunfo bélico adornado.
Fizeram-lhe terreiro os mais d'entôrno:
Ele do sacrifício empunha a maça,
Impropérios assaca, vibra o golpe,
E antes que tombe o corpo, aferra os dentes
No crânio fulminado: jorra o sangue
No rosto, e em gorgulhões se expande o cérebro,
Que a fera humana rábida mastiga!
E em quanto limpa à desgrenhada coma
Do sevo pasto o esquálido sobejo,
Bárbaras hostes do Gamela torcem,
À tanto horror, o transtornado rosto.
Vem Jepiaba, o forte entre os mais fortes,
Taiatu, Taiatinga, Nupançaba,
Tucura o ágil, Cravatá sombrio,
Andira, o sonhador de agouros tristes,
Que ele é primeiro a desmentir co'as armas,
Pirera que jamais não foi vencido,
Itapeba, rival de Gurupema,
Oquena, que por si vale mil arcos,
Escudo e defensão dos seus que ampara;
E outros, e muitos outros, cuja morte
Não foi sem glória no cantar dos bardos.
Guerreiros! Gurupema assim começa,
"Antes de ouvir o mensageiro estranho,
Consultar-vos me é força; a nós incumbe
Vingar do rei da selva a morte indigna.
Do que morreu, em que lhe seja eu filho,
E a todos nós da gloriosa herança
Compete o desagravo. Se nos busca
O filho de Jaguar, é que nos teme;
A nossa fúria por ventura intenta
Voltar a mais amigo sentimento.
Talvez do vosso chefe o corpo e as armas
Com larga pompa nos envia agora:
Basta-vos isto?
Guerra! guerra! exclamam.
Notai porém quanto é pujante o chefe,
Que os Timbiras dirige. Sempre o segue
Fácil vitória, e mesmo antes da luta
As galas triunfais dispõe seguro.
Embora, dizem uns; outros murmuram,
Que de tão grande herói, qualquer que seja
A oferta expiatória, em bem, se aceite.
Vacilam no conselho. A injúria é grande,
Bem fundo a sentem, mas bem grande é o risco.
"Se o orgulho desce a ponto no Timbira,
Que pazes nos propõe, diz Itapeba
Com dura voz e cavernoso acento,
Já está vencido! - Alguém pensa o contrário
(E com despeito a Gurupema encara)
Alguém, não eu! Se havemos de barato
Dar-lhe a vitória, humildes aceitando
O triste câmbio (a idéia só me irrita)
De um morto por um arco tão valente,
Aqui as armas vis faço pedaços
Em breve trato, e vou-me a ter com esse,
Que sabe leis ditar, mesmo vencido!"
Como tormenta, que rouqueja ao longe
E som confuso espalha em surdos ecos;
Como rápida flecha corta os ares,
Já perto soa, já mais perto brame,
Já sobranceira enfim roncando estala;
Nasce fraco rumor que logo cresce,
Avulta, ruge, horríssono ribomba.
Oquena! Oquena! o herói nunca vencido,
Com voz troante e procelosa exclama,
Dominando o rumor, que longe Esaú:
"Fujam tímidas aves aos lampejos
Do raio abrasador, - medrosas fujam!
Mas não será que o herói se acanhe ao vê-los!
Itapeba, só nós somos guerreiros;
Só nos, que a olhos nus fitando o raio,
Da glória a senda estreita à par trilhamos.
Tens em mim quanto sou e quanto valho,
Armas e braço enfim!"
Eis rompe a densa
Turba que d'entôrno d'Itapeba
Formidável barreira alevantava.
Quadro pasmoso! os dois de mãos travadas,
Sereno o aspecto, plácido o semblante,
À fúria popular se apresentavam
De constância e valor somente armados.
Eram escolhos gêmeos, empinados,
Que a fúria de um vulcão ergueu nos mares.
Eterno ali serão co'os pés no abismo,
Com os negros cimos devassando as nuvens,
Se outra força maior os não afunda.
Ruge embalde o tufão, embalde as vagas
Do fundo pego à flor do mar borbulham!
Estranha a turba, e pasma o desusado
Arrojo, que jamais assim não viram!
Mas mais que todos Caba-oçu valente
Enleva-se da ação que o maravilha;
E de nobre furor tomado e cheio,
Clama altivo: "Eu também serei convosco,
Eu também, que a só mercê vos peço
De haver às mãos o pérfido Timbira.
Seja, o que mais lhe apraz invulnerável,
Que d'armas não careço por vence-lo.
Aqui o tenho, - aqui comigo o aperto,
Estreitamente o aperto nestes braços,
(E os braços mostra e os peitos musculosos)
Há-de medir a terra já vencido,
E orgulho e vida perderá co'o sangue,
Arrã soprada, que um menino espoca!"
E bate o chão, e o pé na areia enterra,
Orgulhoso e robusto: o vulgo aplaude,
De prazer rancor soltando gritos
Tão altos, tais, como se ali tivera
Aos pés, rendido e morto o herói Timbira.
Por entre os alvos dentes que branquejam,
Ri-se o prazer nos lábios do Gamela.
Aos rosto a cor lhe sobe, aos olhos chega
Fugaz clarão da raiva que aos Timbiras
Votou de há muito, e mais que tudo ao chefe,
Que o espolio paternal mostra vaidoso.
Com gesto senhoril silêncio impondo
Alegre aos três a mão calosa of'rece,
Rompendo nestas vozes: "Desde quando
Cabe ao soldado pleitear combates
E ao chefe em ócio viver seguro?
Guerreiros sois, que os atos bem no provam;
Mas se vos não apraz ter-me por chefe,
Guerreiro tão bem sou, e onde se ajuntam
Guerreiros, hão-de haver logar os bravos!
Serei convosco, disse. - E aos três se passa.
Soam batidos arcos, rompem gritos
Do festivo prazer, sobe de ponto
O ruidoso aplaudir, Só Itapeba,
Que ao seu rival deu azo de triunfo,
Mal satisfeito e quase irado rosna.
Um Tapuia, guerreiro adventício,
Filhado acaso à tribo dos Gamelas,
Pede atenção, - prestam-lhe ouvidos todos.
Estranho é certo; porém longa vida
A velhice robusta lhe autoriza.
Muito há visto, sofreu muitos reveses,
Longas terras correu, aprendeu muito;
Mas quem é, donde vem, qual é seu nome?
Ninguém o sabe: ele não o disse nunca.
Que vida teve, a que nação pertence,
Que azar o trouxe à tribo dos Gamelas?
Ignora-se também. Nem mesmo o chefe
Perguntar-lhe se atreve. É forte, é sábio,
É velho e experiente, o mais que importa?
Chamem-lhe o forasteiro, é quanto basta.
Se à caça os aconselha, a caça abunda;
Se à pesca, os rios cobrem-se de peixes;
Se à guerra, ai da nação que ele indigita!
Valem seus ditos mais que valem sonhos,
E acerta mais que os piagas nos conselhos.
Mancebo (assim diz ele a Gurupema)
"Já vi o que por vós não será visto,
Imensas tabas, bárbaros imigos,
Como nunca os vereis; andei já tanto,
Que o não fareis, andando a vida inteira!
Estranhos casos vi, chefes pujantes!
Tabira, o rei dos bravos Tobajaras,
Alquíndar, que talvez já não exista,
Iperu, Jepipó de Mambucaba,
E Coniã, rei dos festins guerreiros;
E outros, e outros mais. Pois eu vos digo,
Ação, que eu saiba, de tão grandes Cabos,
Como a vossa não foi, - nem tal façanha
Fizeram nunca, e sei que foram grandes!
Itapeba entre os seus não encontraras,
Que não pagasse com seu sangue o arrojo
Se tanto as claras por-se-lhes contrário.
Mas quem do humano sangue derramado
Por ventura se peja? - em que logares
A glória da peleja horror infunde?
Ninguém, nenhures, ou somente aonde,
Ou só aquele que já viu infunde
Cruas vagas de sangue; e os turvos rios
Mortos por tributo ao mar volvendo.
Vi-as eu, inda novo; mas tal vista
do humano sangue saciou-me a sede.
Ouvi-me, Gurupema, ouvi-me todos:
Da sua tentativa o rei das selvas
Teve por prêmio o lacrimoso evento:
E era chefe brioso e bom soldado!
Só não pode sofrer que alguém dissesse
Haver outro maior tão perto dele!
A vaidade o cegou! hardida empresa
Cometeu, mas por si: de fora, e longe
Os seus o viram deslindas seu pleito.
Vencido foi... a vossa lei de guerra,
Bárbara, sim, mas lei, - dava ao Timbira
Usar, com ele usou, do seu triunfo.
A que pois fabricar novos combates?
Por que empreende-los nós, quando mais justos
Os Timbiras talvez mover poderam?
Que vos importa a vós vencer batalhas?
Tendes rios piscosos, fundas matas,
Inúmeros guerreiros, tabas fortes;
Que mais vos é mister? Tupã é grande:
De um lado o mar se estende sem limites,
Pingues florestas d'outro lado correm
Sem limites também. Quantas igaras
Quantos arcos houvermos, nas florestas,
No mar, nos rios caberão às largas:
Por que então batalhar? por que insensatos,
Buscando o inútil, necessário aos outros,
Sangue e vida arriscar em néscias lutas?
Se o filho de Jaguar trazer-nos manda
Do chefe desdidoto e frio corpo,
Aceite-se... se não... voltemos sempre,
Ou com ele, ou sem ele, às nossas tabas,
Às nossas tabas mudas, lacrimosas,
Que hão-de certo enlutar nossos guerreiros,
Quer vencedores voltem quer vencidos."
Do forasteiro, que tão solto fala
E tão livre argumenta, Gurupema
Pesa a prudente voz, e alfim responde:
Tupã decidirá," - Oh! não decide,
(Como consigo diz o forasteiro)
Não decide Tupã humanos casos,
Quando imprudente e cego o homem corre
D'encontro ao fado seu: não valem sonhos,
Nem da prudência meditado aviso
Do atalho infausto a desviar-lhe os passos!"
O chefe dos Gamelas não responde:
Vai pensativo demandando a praia,
Onde o Timbira mensageiro o aguarda.
Reina o silêncio, sentam-se na arena,
Jurucei, Gurupema e os mais com eles.
Amiga recepção, - ali não viras
Nem pompa oriental, nem galas ricas,
Nem armados salões, nem corte egrégia,
Nem régios passos, nem caçoilas fundas,
Onde a cheirosa goma se derrete.
Era tudo singelo, simples tudo,
Na carência do ornato - o grande, o belo.
Na própria singeleza a majestade
Era a terra o palácio, as nuvens teto,
Colunatas os troncos gigantescos,
Balcões os montes, pavimento a relva,
Candelabros a lua, o sol e os astros.
Lá estão na branca areia descansados.
Como festiva taça num banquete,
O cachimbo de paz, correndo em roda,
Se fumo adelgaçado cobre os ares.
Almejam, sim, ouvir o mensageiro,
E mudos são contudo: não dissera,
Quem quer que os visse ali tão descuidoso,
Que ardor inquieto e fundo os ansiava.
O forte Gurupema alfim começa
Após côngruo silêncio, em voz pausada:
Saúde ao núncio do Timbira! disse.
Tornou-lhe Jurucei: "Paz aos Gamelas,
Renome e glória ao chefe seu preclaro!
- A que vens pois? Nós te escutamos: fala
"Todos vós, que me ouvis, vistes boiantes,
À mercê da corrente, o arco e as setas
Feitas pedaços, por mim mesmo inúteis."
"E de to ver folguei; mas quero eu mesmo
Ouvir dos lábios teus quanto imagino.
Acata-me Itajubá, e de medroso
Tenta poupar aos seus tristeza e luto?
A flor das Tabas suas, talvez manda
Trazer-me o corpo e as armas do Gamela,
Vencido, em mal, no desleal combate!
Pois seja, que talvez não queira eu sangue,
E do justo furor quebrando as setas...
Mas dize-o tu primeiro... Nada temas,
È sagrado entre nós guerreiro inerme,
E mais sagrado o mensageiro estranho."
Treme de pasmo e cólera o Timbira,
Ao ouvir tal discurso. - Mais surpreso
Não fica o pescador, que mariscando
Vai na maré vazante, quando avista
Envolto em Iodo um tubarão na praia,
Que reputa sem vida, passa rente,
E co'as malas da rede acaso o açoita
E a desleixo; - feroz o monstro acorda
E escancarando as fauces mostra nelas
Em sete filas alinhada a morte!
Tal ficou Jurecei, - não de receio,
Mas de surpresa atônito, - o contrário,
Que de o ver merencório não se agasta,
A que proponha o seu encargo o anima.
"Não ignavo temor a voz me embarga,
Emudeço de ver quão mal conheces
Do filho de Jaguar os altos brios!
Esta a mensagem que por mim vos manda:
Três grandes tabas, onde heróis pululam,
Tantos e mais que nós, tanto e mais bravos,
Caídas a seus pés a voz lhe escutam.
Não quer dos vossos derramar mais sangue:
Tigre cevado em carnes palpitante,
Rejeita a fácil presa; nem o tenta
De perjuros haver troféus sem glória.
Em quanto pois a maça não sopesa,
Em quanto no carcaz dormem-lhe as setas
Imóveis - atendei! - cortai no bosque
Troncos robustos e frondosas palmas
E novas tabas construí no campo,
Onde o corpo caiu do rei das sevas,
Onde empastado inda enrubece a terra
Sangue daquele herói que vos infama!
Aquela briga enfim de dois, tamanhos,
Sinalai; porque estranho caminheiro
Amigas vendo e juntas nossas tabas
E a fé que usais guardar, sabendo, exclame:
Vejo um povo de heróis, e um grande chefe!"
Em quanto escuta o mensageiro estranho,
Gurupema, talvez sem que o sentisse,
Vai pouco e pouco erguendo o corpo inteiro.
A baça cor do rosto é sempre a mesma,
O mesmo o aspecto, - a válida postura
A quem de longe vê, somente indica
Vigor descomunal, e a gravidade
Que os próprios Índios por incrível notam.
Era uma estátua, exceto só nos olhos,
Que por entre as em vão caídas pálpebras
Clarão funéreo derramava entorno.
Quero ver que valor mostras nas armas,
(Diz ao Timbira, que a resposta agrada)
Tu que arrogante, em frases descorteses,
Guerra declaras, quando paz of'reces.
Quebraste o arco teu quando chegaste,
O meu te of'reço! O quebrador dos arcos
Nos dons por certo liberal se mostra,
Quando o seu arco of'rece: julga e pasma!"
Do pejado carcaz tira uma seta,
Na corda a ajeita, - o arco entesa e curva,
Atira, - soa a corda, a flecha voa
Com silvos de serpente. Sobre a copa
Duma arvore frondosa descansava
Há pouco um cenembi, - flechado agora
Despenha-se no rio, sopra iroso,
A cortante serrilha embora erriça,
Co'a dura cauda embora açoita as águas;
A corrente o conduz, e em breve trato
O hastil da flecha sobrenada a prumo.
Poderá Jurecei, alçando o braço,
Poupar ação tão baixa àqueles bosques,
Onde os guerreiros de Itajubá imperam.
Imóvel, mudo contemplou o rio
Se chôfre o cenembi cair flechado,
Lutar co'a morte, ensangüentando as águas,
Desaparecer, - a voz por fim levanta:
"Ó rei das selvas, Gurupema, escuta:
Tu, que medroso em face d'Itajuba
Não ousaras tocar o pó que o vento
Nas folhas dos seus bosques deposita;
Senhor das selvas, que de longe o insultas,
Por que me vês aqui sozinho e fraco,
Fraco e sem armas, onde armado imperas;
Senhor das selvas (que antes flecha acesa
Sobre os tetos houvesses arrojado,
Onde as mulheres tens e os filhos caros),
Nunca miraste um alvo mais funesto
Nem tiro mais fatal vibraste nunca.
Com lágrimas de sangue hás de chora-lo,
Maldizendo o lugar, o ensejo, o dia,
O braço, a força, o ânimo, o conselho
Do delito infeliz que vai perder-te!
Eu, sozinho entre os teus que me rodeiam,
Sem armas, entre as armas que descubro,
Sem medo, entre os medrosos que me cercam,
Em tanta solidão seguro e ousado,
Rosto a rosto contigo, e no teu campo.
Digo-te, ó Gurupema, ó rei das selvas,
Que és vil, qu'és fraco!
Sibilante flecha
Rompe da turva-multa e crava o braço
Do ousado Jurecei, qu'inda falava.
"É seguro entre vós guerreiro inerme,
E mais seguro o mensageiro estranho!
Disse com riso mofador nos lábios.
Aceito o arco, ó chefe, e a treda flecha,
Que vos hei-de tornar, ultriz da ofensa
Infame, que Aimorés nunca sonharam!
Ide , correi, quem cós impede a marcha?
Vingai esta corrente, não mui longe
Os Timbiras estão! - Voltai da empresa
Com este feito heróico rematado;
Fugi, se vos apraz; fugi, cobarde!
Vida por gota pagareis meu sangue;
Por onde quer que fordes de fugida
Vai o fero Itajubá perseguir-vos
Por água ou terra, ou campos, ou florestas;
Tremei!...
E como o raio em noite escura
Cegou, desapareceu! De timorato
Procura Gurupema o autor do crime,
E autor lhe não descobre; inquire... embalde!
Ninguém foi, ninguém sabe, e todos viram.
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==Conteúdo==
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Autor:António de Sousa Bastos
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| Wikipedia = António de Sousa Bastos
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| MiscBio = '''António de Sousa Bastos''' foi um dramaturgo, empresário teatral e jornalista português.}}
== Obra==
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Diccionario do Theatro Portuguez/Á memoria de José Carlos dos Santos
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|notas=
}}
<center>A' .MEMORIA
DE
<big>José Carlos dos Santos</big></center>
<poem>
{{d|{{Parágrafo}}A ti, grande actor, grande mestre do theatro portuguez
á tua inolvidavel memoria, dedico este trabalho, para o apa-
drinhar com o teu nome glorioso.
{{Parágrafo}}Ao lado de Emilia das Neves, o maior genio que tem
deslumbrado o nosso theatro, ao lado de Joaquim José Tasso,
esse gigante da nossa scena, ha de ser immorredouro José
Carlos dos Santos.
{{Parágrafo}}O artista incomparavel, que tu foste, mais tarde ou mais
cedo tem de ser perpetuado no marmore, ao lado de Gil Vi-
cente e Garrett, para que assim conheçam os vindouros essa
trindade sublime do theatro portuguez: o seu fundador, o
seu reformador e o notabilissimo mestre e exemplo de quantos
ainda hoje labutam na espinhosa, difficil e ao mesmo tempo
brilhante carreira do theatro.
{{Parágrafo}}Punge-me a saudade do teu convivio, notabilissimo ar-
tista; chora ainda a scena portugueza a tua perda irrepa-
ravel. Sê abençoado por todos nós!}}
{{d|<big>S</big>OUSA <big>B</big>ASTOS}}
</poem>
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|autor=Antônio de Sousa Bastos
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|seção=Prefácio
|notas=
}}
<center><big>'''SÓ DUAS PALAVRAS'''</big></center>
{{separador}}
<div class="prose">
Isto não é uma obra litteraria nem pretenciosa. Não o po-
deria mesmo ser, dada a insufficiencia do auctor.
N'um paiz em que tanto se ama o theatro e tão pouco d'elle
se sabe e se cuida, julgo útil esta publicação.
São rarissimos em Portugal os livros sobre theatro, faltando
mesmo os mais elementares. É por isso que se impunha a neces-
sidade d'um ''Diccionario do Theatro Portuguez'', que pudésse
ser consultado pelos estudiosos e pelos que ignoram muito do
que lhes seria indispensável saber.
Não sou certamente dos mais competentes para emprehen-
der tão arduo e difficil trabalho; todavia, visto que os mestres se
não dispõem á espinhosa tarefa, lanço mão d'ella, e depois os
competentes que a aperfeiçoem.
Isto representa em todo o caso grande somma de trabalho,
que oxalá seja proveitoso.
Pouco tinha a que recorrer na nossa terra, na nossa littera-
tura, para auxiliar o emprehendimento; consultei, porem, livros
francezes e italianos, aproveitando d'elles o que julguei conve-
niente para a obra.
Se com este trabalho não consegui os meus fins, agrade-
çam-me ao menos as boas intenções.
{{d|''S. B''.}}
</div>
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Diccionario do Theatro Portuguez/Aba
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O Grande Patriota
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André Koehne
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concordância básica
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|autor=Pedro Kilkerry
|obra=O Grande Patriota
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|notas=Manifesto publicado na Gazeta do Povo. Salvador, 30. mar. 1915 – Ano X, nº287, p. 1, localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.
}}
Mais um ciclo de fecunda venceu ontem o progressista e democrático governo estadista que há três anos, ver felicitando a Bahia, mal grado a grita desesperada dos habituais maldizentes.
Muito tem custado ao dr. J. J. Seabra, o desempenho de seus patrióticos desejos, devido aos entraves imprevistos no desbravar do caminho que S. Excia. impôs-se a percorrer até a realização dos seus grandiosos planos de elevação desta terra, quer materialmente falando onde seus esforços têm sido hercúleos antes a deficiência de meios e que moral e intelectualmente, para o qual muito tem contribuído os bons exemplos de honestidade, tolerância e justiça peculiares ao espírito culto de S. Excia.
A impertubabilidade com que o dr. J. J. Seabra, tem sabido encarar os mais intrincados e imprevistos casos que se tem tão satisfatoriamente desfeito às mas conseqüências anunciadas, prova à evidência, o seu tino administrativo e a verdadeira compreensão da rota que se traçou.
No decorrer de sua administração não se nota um ato sequer que demonstre o menor vislumbre de desfalecimento em sua forte organização de lutador emérito e decido pelas causas justas e honestas.
Por qualquer face que se encare a trabalhosa administração Seabra, há de forçosamente encontrar-se os vestígios de uma nova ordem de coisas completamente destoante daqueles antigos moldes à que se apegavam como ostras, ao rochedo os seus antecessores cujos moldes consistia unicamente no primovivere deinde pfilosophare pouco se lhes dando cor os clamores da coletividade o rebaixamento de sues créditos.
Se o dr. Seabra não tem feito tudo quanto calculava fazer em benefício desta terra todo mundo sabe quais as causas que concorreram para isso, causas completamente alheias a toda e qualquer previsão – guerra européia rebentou como um terremoto fazendo ruir num instante todos os cálculos possíveis em matéria de finanças; não houve em todo mundo quem não sentisse mais ou menos os seus efeitos desastrosos, sendo a Bahia nesta emergência infelizmente atingida, por lhe ter faltado os recursos com que contava para o desenvolvimento de seu progresso e quiçá da remodelação de sua capital donde por certo, lhe resultaria grande soma de bem estar e conseqüente aumento de suas rendas para ocorrer pontualmente todos os seus compromissos.
Mas, ainda assim, lutando com todas as dificuldades financeiras, S. Excia., quando deixar o governo da Bahia, assinalará a sua passagem por um sem número de benefícios que não acharão símile entre tudo quanto fizeram seus antecessores, em 20 anos passados.
No entanto, não é demais notar; todos eles encontraram o tesouro folgado em relação às necessidades daqueles tempos ao passo que o atual governo lutando com a deficiência das rendas tem pago muitas dívidas atrasadas, realizado muitos melhoramentos sem deixar de acudir em tempo aos compromissos da dívida externa!
Poderão dizer: o dr. Seabra não fez tudo quanto pretendia fazer mas não poderão negar que fez muitíssimo mais ao que esses parlapatões que lhe antecederam e que hoje fazem quorum come esta oposição sistemática que não escolhe meios para guerrear a situação atual.
Não escapará a história quando se ocupar do governo do dr. J. J. Seabra na Bahia de salientar também os valiosos serviços que lhe tem prestado seus leais e distintos auxiliares principalmente o dr. Arlindo Fragoso, cuja competência em todos os misteres da pública administração é juntamente reconhecida por gregos e troianos.
A Bahia, que se desvanece de ser pátria do dr. J. J. Seabra a quem vota acendrado amor e deve os maiores benefícios não pode deixar de exultar por tão assinalados triunfos e fazer votos para que sua honesta e patriótica administração chegue ao término realizando todos os seus ideais de grandeza de prosperidades para este pedaço da Federação brasileira que se orgulha em tê-lo por filho.
[[Categoria:Pedro Kilkerry]]
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Categoria:Antônio de Sousa Bastos
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O moço de nariz comprido não pertencia ao numero dos namorados de arribação; seus intentos eram strictamente conjugaes. Tinha vinte e seis annos,{{corr|| }}era laborioso, bem quisto, economico, singello e sincero, um verdadeiro filho de Minas. Podia fazer a felicidade de uma moça.
A moça, pela sua parte, soubera insinuar-se tanto no espirito delle, que por pouco lhe fez perder o emprêgo. Um dia, chegando-se o patrão á escrevaninha em que elle trabalhava, viu um papelinho debaixo do tinteiro, e leu a palavra ''amor'', duas ou tres vezes repetida. Uma que fôsse bastava para fazel-o subir ás nuvens. O Sr. Gomes Arruda coutrahiu as sobrancelhas, concentrou as ideias, e improvisou uma allocução extensa e ameaçadora, em que o misero guarda-livros so percebeu a expressão ''olho da rua''.
Olho da rua é uma expressão grave. O guarda-livros meditou n’ella, reconheceu a justiça do patrão, e tratou de emendar-se dos descuidos,{{corr|| }}não do amor. O amor ia-se enraizando n’elle cada vez mais; era a primeira paixão séria que o rapaz sentia, accrescendo que elle acertára logo de dar com uma mestra no officio.
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|132|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>— Isto assim não póde coatinuar, pensava o rapaz de nariz comprido, coçando o queixo e caminhando uma noite para casa, o melhor é casar-me logo de uma vez. Com o que me dão la em casa e o producto de alguma escripta por fóra, creio que poderei occorrer ás despezas; o resto pertence a Deus.
Não tardou que Ernesto desconfiasse das intenções do rapaz de nariz comprido. Uma vez chegou a sorprehender um olhar da moça e do rival. Enfadou-se, e na primeira occasião que teve interpellou a namorada a respeito d’aquella circumstância equívoca.
— Confesse ! dizia elle.
— Oh! meu Deus! exclamou a moça; você de tudo desconfia. Olhei para elle, sim, é verdade, mas olhei por sua causa.
— Por minha causa? perguntou Ernesto com um tom gelado de ironia.
— Sim, examinava-lhe a gravata, que é muito bonita, para dar uma a você no dia de Anno Bom. Agora que me obrigou a descobrir tudo, veja se me lembra outro mimo, porque esse ja não serve.
Ernesto cahiu em si; recordou que effectivamente havia no olhar da moça uma tal ou qual intenção dadival, se me permittem este adjectivo obsoleto; toda a sua colera converteu-se n’um sorriso amavel e contricto, e o arrufo não foi adiante.
Dias depois, era um domingo, estando elle e ella na sala, e um filho de Vieira á janella, foram os dous {{hífen|na|namorados}}<noinclude>
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Não tardou que Ernesto desconfiasse das intenções do rapaz de nariz comprido. Uma vez chegou a sorprehender um olhar da moça e do rival. Enfadou-se, e na primeira occasião que teve interpellou a namorada a respeito d’aquella circumstância equívoca.
— Confesse ! dizia elle.
— Oh! meu Deus! exclamou a moça; você de tudo desconfia. Olhei para elle, sim, é verdade, mas olhei por sua causa.
— Por minha causa? perguntou Ernesto com um tom gelado de ironia.
— Sim, examinava-lhe a gravata, que é muito bonita, para dar uma a você no dia de Anno Bom. Agora que me obrigou a descobrir tudo, veja se me lembra outro mimo, porque esse ja não serve.
Ernesto cahiu em si; recordou que effectivamente havia no olhar da moça uma tal ou qual intenção dadival, se me permittem este adjectivo obsoleto; toda a sua colera converteu-se n’um sorriso amavel e contricto, e o arrufo não foi adiante.
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|133}}</noinclude>{{hífen-fim|morados|namorados}} interrompidos pelo pequeno que descêra, gritando:
— Ahi vem elle ! ahi vem elle !
— Elle quem? disse Ernesto sentindo esmigalhar-se-lhe o coração.
Chegou á janella: era o rival.
Appareceu a tempo a tia de Rosina; uma tempestade imminente ja pairava na fronte afogueada de Ernesto.
Pouco depois entrou na sala o rapaz de nariz comprido, que, ao ver Ernesto, pareceu sorrir maliciosamente. Ernesto encordoou. Seus olhares, se fossem punhaes, teriam commnettido dous assassinatos n’aquelle instante. Conteve-se, porêm, para melhor observar os dous. Rosina não parecia prestar ao outro attenção de caracter especial; tratava-o com polidez apenas. Isto aquistou um pouco o ânimo revolto do Ernesto, que ao cabo de una hora estava restituido á sua usual bemaventurança{{corr||.}}
Não reparou porêm nos olhares desconfiados que o rapaz de nariz comprido lhe lançava de quando em quando. O sorriso malicioso desapparecêra dos labios do guarda-livros. A suspeita entrara-lhe no espirito ao ver a maneira indifferente, ou quasi, com que o tratava Rosina, posto tratasse de egual modo ao outro pretendente.
— Sera seriamente um rival? pensava o rapaz de nariz comprido.
Na primeira occasião em que pôde trocar duas {{hífen|pala|palavras}}<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|134|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>{{hífen-fim|vras|palavras}} com a namorada, sem testemunhas, o que foi logo no dia seguinte, manifestou a desconfiança que lhe escurecêra o espirito ate alli tão côr de rosa. Rosina soltou uma risada, — uma d’essas risadas que levam a convicção ao fundo d’alma — a tal ponto que o rapaz de nariz comprido julgou de sua dignidade não insistir na absurda suspeita.
— Ja lhe disse: elle bem vontade tem de que eu o namore, mas perde o tempo: eu so tenho uma cara e um coração.
— Oh ! Rosina, tu es um anjo !
— Quem dera !
— Um anjo, sim, insistiu o rapaz de nariz comprido; e creio que posso chamar-te brevemente minha espôsa.
Os olhos da moça faiscaram de contentamento.
— Sim, continuou o namorado; daqui a dous mezes estaremos casados…
— Ah!
— Se todavia…
Rosina empallideceu.
— Todavia? repetiu ella.
— Se todavia, o sr. Vieira consentir…
— Porque não, disse a moça tranquillisando-se do susto que tivera; elle deseja a minha felicidade; e o casamento comtigo é a minha felicidade maior. Ainda quando porêm se opponha aos impulsos do meu coração, basta que eu queira para que os nossos desejos se realisem. Mas descança; meu tio não porá obstaculos.
{{nop}}<noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|135}}</noinclude>O rapaz de nariz comprido ficou ainda a olhar para a moça alguns minutos sem dizer palavra; admirava duas cousas: a fórça d’alma de Rosina e o amor que ella lhe dedicava. Quem rompeu o silêncio foi ella.
— Mas então d’aqui a dous mezes?
— So se a sorte me for adversa.
— E poderá sel-o?
— Quem sabe? respondeu o rapaz de nariz comprido com um suspiro de dúvida.
Logo depois desta perspectiva de felicidade, a concha em que se pesavam as esperanças de Ernesto começou a subir um pouco. Elle via que Rosina effectivamente parecia ir diminuindo as cartas, e nas poucas que ja então recebía della, a paixão era menos intensa, a phraze estudada, acanhada e fria. Quando estavam junctos havia menos intimidade expansiva; a presença delle parecia constrangel-a. Ernesto entrou seriamente a crer que a batalha estava perdida.
Infelizmente a tactica deste namorado, era perguntar á propria moça se eram fundadas as suspeitas delle, ao que ella respondia vivamente que não, e isto bastava a restituir-lhe a paz do espirito. Não era longa nem profunda a quietação; o laconismo epistolar de Rosina, a frieza de seus modos, a presença do outro, tudo isso sombreava singularmente o espirito de Ernesto. Mas tão depressa cahia no abysmo do desespêro, como ascendia ás regiões da celeste bemaventurança, — mostrando assim o que a natureza queria que elle<noinclude>{{d|{{small|9}}{{gap}}}}
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|136|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>fôsse, — alma inconsistente e passiva — levada, como a folha, ao sabor de todos os ventos.
Entretanto, era difficil que a verdade não se lhe mettesse pelos olhos. Um dia reparou que, alêm da suspeitosa affectuosidade de Rosina, havia da parte do tio certas attenções caracteristicas para com o rival. Não se enganava; com quanto o novo pretendente ainda não houvesse pedido formalmente a mão da moça, era quasi certo para o sr. Vieira que nelle se preparava novo sobrinho, e acertando de ser este um homem do commercio, não podia haver, na opinião do tio, mais feliz escolha.
Desisto de pintar os desesperos, os terrores, as imprecações de Ernesto no dia em que a certeza da derrota mais funda e de raiz se lhe cravou no coração. Ja então lhe não bastou a negativa de Rosina, que aliás lhe pareceu frouxa,e effectivamente o era. O triste moço chegou a desconfiar que a amada e o rival estariam de accordo para mofar delle.
Como por via de regra, é da nossa miseravel condição que o amor proprio domine o simples amor, apenas aquella suspeita lhe pareceu provavel, apoderou-se delle uma feroz indignação, e duvido que nenhum quinto acto de mellodrama ostente maior somma de sangue derramado do que elle verteu na phantasia. Na phantasia, apenas, compassiva leitora, não so porque elle era incapaz de fazer mal a um seu semelhante,{{corr|| }}mas sobretudo porque repugnava á sua natureza achar uma resolução<noinclude>
<references/></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|137}}</noinclude>qualquer. Por esse motivo, depois de muito e longo cogitar, confiou todos os seus pesares e suspeitas ao companheiro de casa e pediu-lhe um conselho; Jorge deu-lhe dous.
— Minha opinião, disse Jorge, é que não te importes com ella e vás trabalhar, que é cousa mais séria.
— Nunca !
— Nunca trabalhar ?
— Não; nunca esquecel-a.
— Bem, disse Jorge descalçando a bota do pe esquerdo, n’esse caso vai ter com esse sujeito de quem desconfias e entende-te com elle.
— Acceito ! exclamou Ernesto; é o melhor. Mas, continuou elle depois de reflectir um instante, e se elle não fôr meu rival, que hei de fazer? como descobrir se ha outro ?
— N’esse caso, disse Jorge estendendo-se philosophicamente na marqueza, n’esse caso o meu conselho é que tu, elle e ella vão todos para o diabo que os carregue.
Ernesto cerrou os ouvidos á blasphemia, vestiu-se e sahiu.<noinclude>
<references/></noinclude>
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;Notas
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santos_Dumont_at_the_falls.pdf 2]
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|[[:File:VLS-1 V01 (Diário da Câmara dos Deputados).pdf|V01]], [[:File:VLS-1 V02 (Diário da Câmara dos Deputados).pdf|V02]] e [[:File:Acidente de Alcântara (Diário do Congresso Nacional).pdf|V03]] [[:File:Acidente de Alcântara (Anais do Senado Federal).pdf|V03]]
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Direitos_das_mulheres_e_injusti%C3%A7a_dos_homens.pdf direitos] ([https://piaui.folha.uol.com.br/travessura-revolucionaria/ ler também])
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|en
|[https://www.scielo.br/j/bjr/a/9H85ZdP37xWMh6QPcCgDzSy/?lang=en scandal] ([https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/1673 1])
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|-
|pt
|[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Theophilo e Sodré]]
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|-
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|[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Problema]]
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 1]]
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|[[Galeria:Lara, tr. T. A. Craveiro (1837).pdf|Lara]]
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 2]]
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|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4926 Revo]
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 3]]
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|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf|VIII-XI]]
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|[https://www.google.com/books/edition/_/2Qu6Ve1nPdwC Memorias]
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|[https://www.google.com.br/books/edition/_/AjzuAAAAMAAJ?hl=pt-BR Robin Hood]
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|-
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|[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos II-III]]
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|[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos XVI-XIX]]
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|-
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|[[A Maravilhosa Vida de Santos=Dumont|XI-fim]]
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|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis III.1]]
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis III.4-IV.5]]
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|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf|Miseraveis IV.6]]
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|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf|Miseraveis IV.7-8]]
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|-
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|[[Galeria:Jean de Léry - História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil (trad. Monteiro Lobato, 1926).pdf|Terra do Brasil]]
|285
|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (II).pdf|Napoleão 2]]
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|[https://www.google.com/books/edition/_/QiA_AAAAIAAJ Pommery]
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|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 5]]
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|[https://books.google.ch/books?id=p8BLAQAAIAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s Exilio]
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|[[:s:en:Index:Youth and children’s adaptations to COVID-19 in Brazil.pdf|youth]]
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|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. IV]]
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|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. V]]
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|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. VI-IX]]
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|-
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||[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. X]]
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|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. XII]]
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|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. XIII]]
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|-
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|[https://www.editorafi.org/ebook/534bolsonarismo bolf]
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|-
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|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|On the Moon]]
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|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Beyond the Earth]]
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|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Goals of Stellar Navigation]]
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|-
|en
|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Change on Relative Gravity]]
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|-
|en
||[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Ether Island]]
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|-
|-
|pt
| [[:File:Diretas já (Pedro Simon, 1984).pdf|Diretas já]]
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|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal|Fundamentos]]
|141
|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal|Audacias]]
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|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal|Vitória]]
|53
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 8-10]]
|91
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 11-13]]
|71
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 14]]
|40
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 15]]
|51
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros Trd/Ref]]
|56
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 7]]
|81
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/768199 Mon to Rep]
|303
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38767768 Pasteur]
|23
|-
|pt
|[[Galeria:Efêmero Revisitado.pdf]]
|193
|-
|pt
|[[Galeria:Revista da Exposição Anthropologica Brazileira (1882).pdf|Revista da exposição]]
|145
|-
|pt
|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8913 Barão]
|142
|-
|pt
|[[Galeria:Os Noivos (v.2).pdf]]
|472
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 2).pdf|Federalista 2]]
|282
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38769569 O cerco do corintho]
|50
|-
|pt
|[[Galeria:Cronicas-de-um-Tetranacional-do-Software-Livre.pdf]]
|119
|-
|pt
|[[Galeria:Openldap Ultimate.pdf|Openldap]]
|199
|-
|pt
|[[Galeria:Idéas de Géca Tatú.pdf|Géca]]
|211
|-
|pt
|[[Galeria:Contos Escolhidos.pdf|Contos]]
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|-
|pt
|[[Galeria:A Cultura é Livre.pdf]]
|254
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|2-5]]
|35
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|6-10]]
|49
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|11-15]]
|45
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|Restante]]
|64
|-
|pt
|[[:File:Preito a Camões.pdf|Camões]]
|51
|-
|en
|[https://www.jstor.org/stable/community.38767573 Minor Camões]
|33
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 3).pdf]]
|243
|-
|pt
|[[Galeria:O Senhor D. Pedro II, imperador do Brasil, biographia, por Joaquim Pinto de Campos ; e com uma advertencia por Camillo Castello Branco.pdf|Biografia do Senhor D. Pedro II]]
|96
|-
|pt
|[[:File:Statira e Zoroastes.pdf|Statira]]
|56
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38769995 Portugal, Brasil e Grã-Bretanha]
|53
|-
|en
|[https://www.jstor.org/stable/community.38768623 Portugal, Brazil and United Kingdon]
|32
|-
|pt
|[[:File:Da vida e feitos de Alexandre de Gusmão e de Bartholomeu Lourenço de Gusmão.pdf|Da vida]]
|117
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Os Sabios Illustres|Os Sabios Illustres.pdf}}
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|-
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|{{livro digitalizado|Galeria Illustre (Mulheres Célebres)|Galeria Illustre (Mulheres Célebres).pdf|Galeria Illustre}}
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|-
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|{{livro digitalizado|A Genealogia da Moral|A genealogia da moral.pdf}}
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|-
|pt
|[https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/memorias-da-emilia/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&search=Mem%C3%B3rias&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F Memorias da Emilia]
|122
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Diario de um Soldado (Vol. 1)|Diario de um Soldado Vol. 1.pdf|Diário de um soldado}}
|189
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Vida e viagens de Fernão de Magalhães|Vida e viagens de Fernão de Magalhães, por Diego de Barros Arana; traducção do hespanhol de Fernando de Magalhães Villas-Boas. Com um appendice original.pdf}}
|206
|-
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|[https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/o-picapau-amarelo/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&paged=1&search=picapau%20amarelo&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F Amarelo]
|178
|-
|pt
|[[Galeria:Quem trabalha tem alfaia.pdf|Quem trabalha tem alfaia]]
|242
|-
|pt
|[https://permalinkbnd.bnportugal.gov.pt/records/item/92629-resumo-do-systema-de-medicina-e-traduccao-da-materia-medica-do-doutor-erasmo-darwin Erasmo]
|408
|-
|pt
|[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/603 justiniano]
|138
|-
|pt
|[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/497 Ferdinand]
|452
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Paraguai 1]
|570
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Paraguai 2]
|730
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/435|Miseráveis V.1-2]]
|50
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/435|Miseráveis V.3]]
|43
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/436|Miseráveis V.4-5]]
|56
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/436|Miseráveis VI.6-7]]
|42
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/436|Miseráveis VI.8]]
|114
|-
|en
|[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature part 1]]
|128
|-
|en
|[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature part 2]]
|170
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miserávei VII.1-2]]
|64
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miseráveis VII.3-4]]
|52
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miseráveis VII-5-6]]
|67
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miseravis VII/VIII-7-8]]
|69
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/200|Miseravis VIII-9-13]]
|104
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/200|Miseravis VIII-14-15]]
|69
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/619|Miseraveis IX-1]]
|119
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/619|Miseraveis IX-2-4]]
|82
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/620|Miseraveis X-5-biografia]]
|157
|}
<div style="clear:both;"></div>
<div style="box-shadow: 0 0 .3em #999; border-radius: .2em; margin: 1em 0 2em 0; padding: 1px;">
<div style="background: #ffe6a7; border-radius: .2em; color: #282828; font-size:125%; padding: .4em .8em .5em;"><span style="opacity: .7;">[[File:Icons8 flat approval.svg|25px|link=|alt=]]</span> '''Projetos Finalizados''' </div>
<div title="Projets en chantier" style="padding: 1em;font-size:80%">
<gallery heights="240px" widths="180px" mode="packed" class="center">
<!--2026-->
Ficheiro:Da Terra á Lua.pdf|page=3|thumb|'''[[Da Terra á Lua]]'''
Ficheiro:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|page=1|thumb|'''[[Narizinho Arrebitado (1ª edição)]]'''
Ficheiro:O Legado de Aaron Swartz.pdf|page=1|thumb|'''[[Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação/Volume 21/O Legado de Aaron Swartz|O Legado de Aaron Swartz]]'''
Ficheiro:Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão.pdf|page=1|thumb|'''[[Revista Archai/Volume 34/Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão]]
Ficheiro:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|page=214|thumb|'''[[Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|O Recife de Grês do Porto de Pernambuco]]'''
Ficheiro:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|page=29|thumb|'''[[O Cruzeiro (Revista)/Ano I/Nº I/10 de novembro de 1928/A Éra das Forças Hydraulicas|A Éra das Forças Hydraulicas]]'''
<!--2025-->
Ficheiro:Historia das invenções.pdf|page=7|thumb|'''[[Historia das invenções (4ª edição)]]'''
File:Franklin - A Sciencia do bom homem (1864).pdf|page=3|thumb|'''[[A Sciencia do Bom Homem Ricardo]]'''
File:Apontamentos de Psychologia.pdf|page=1|thumb|'''[[Apontamentos de Psychologia]]'''
File:Vida Ociosa Capa (Restored).jpg|thumb|link=Galeria:Vida Ociosa (2ª edição).pdf|'''[[Vida Ociosa (2ª edição)]]'''
File:Byron-Giaurpoema.pdf|thumb|page=2|link=Galeria:Byron-Giaurpoema.pdf|'''[[O Giaur]]'''
File:Representação à Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura.pdf|thumb|link=Galeria:Representação à Assembléia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura.pdf|'''[[Representação de José Bonifácio sobre a escravatura]]'''
File:Byron, Parisina (1905).pdf|link=Galeria:Byron, Parisina (1905).pdf|thumb|page=2|'''[[Parisina (1905)|Parisina]]'''
File:A Verdade (Honorio Lima, 1900).pdf|link=Galeria:A Verdade (Honorio Lima, 1900).pdf|page=2|thumb|'''[[A Verdade]]'''
File:Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China.pdf|thumb|link=Galeria:Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China.pdf|'''[[Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China]]'''
File:Lisboa no anno três mil.pdf|thumb|page=5|link=Galeria:Lisboa no anno três mil.pdf|'''[[Lisboa no anno três mil]]'''
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File:Em direção à paz.pdf|thumb|link=Galeria:Em direção à paz.pdf|'''[[Em direção à paz]]'''
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File:Dois Discursos (Vargas, 1940).pdf|thumb|link=Galeria:Dois Discursos (Vargas, 1940).pdf|page=2|'''[[Dois discursos]]'''
File:Poesias de Dom Pedro II.pdf|thumb|link=:oldwikisource:Index:Poesias de Dom Pedro II.pdf|page=6|'''[[:oldwikisource:Poesias de Dom Pedro II|Poesias de D. Pedro II]]'''
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File:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|link=Galeria:Meteorito de Bendegó - relatório apresentado ao ministerio da agricultura, commercio e obras publicas (...) sobre a remoção do meteorito de Bendengó do sertão da provincia da Bahia para o Museu Nacional.pdf|thumb|'''[[Meteorito de Bendegó: relatorio (1888)]]'''
File:Jéca Tatuzinho (1924).pdf|link=Galeria:Jéca Tatuzinho (1924).pdf|thumb|page=1|'''[[Jéca Tatuzinho]]'''
<!--2018-->
File:Aaron Swartz at Boston Wikipedia Meetup, 2009-08-18.jpg|link=Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso|thumb|'''[[Manifesto da Guerrilha do Livre Acesso]]'''
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Gamoneiro
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Em Portugal á ''Bibliotheca do Cura de Aldeia''.
No Brazil ao snr. Adriano de Castro, residente no Rio de Janeiro.
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{{c|'''O Santissimo.'''}}
{{dhr}}
Terás entendido que aquella lembrança do imperador
ácerca da medicina não era mais que a suggestão
da minha pouca vontade de sair do Rio de
Janeiro. Os sonhos do accordado são como os outros
sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações
e das nossas recordações. Vá que fosse para
S. Paulo, mas a Europa... Era muito longe, muito
mar e muito tempo. Viva a medicina! Iria contar
estas esperanças a Capitú.
— Parece que vae sair o Santissimo, disse
alguem no omnibus. Ouço um sino; é, creio que é
em Santo Antonio dos Pobres. Pare, Sr. recebedor!
O recebedor das passagens puxou a correia que ia
ter ao braço do cocheiro, o omnibus parou, e o
homem desceu. José Dias deu duas voltas rapidas
á cabeça, pegou-me no braço e fez-me descer comsigo.
Iriamos tambem acompanhar o Santissimo.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh||{{sc|dom casmurro}}|87}}</noinclude>Effectivaniente, o sino chamava os fieis áquelle
serviço da ultima hora. Já havia algumas pessoas
na sacristia. Era a primeira vez que me achava em
momento tão grave; obedeci, a principio constrangido,
mas logo depois satisfeito, menos pela caridade
do serviço que por me dar um officio de
homem. Quando o sacristão começou a distribuir as
opas, entrou um sujeito esbaforido; era o meu
visinho Padua, que tambem ia acompanhar o Santissimo.
Deu comnosco, veiu comprimentar-nos.
José Dias fez um gesto de aborrecido, e apenas lhe
respondeu com uma palavra secca, olhando para o
padre, que lavava as mãos. Depois, como Padua
falasse ao sacristão, baixinho, approximou-se delles;
eu fiz a mesma cousa. Padua solicitava do sacristão
uma das varas do pallio. José Dias pediu uma para si.
— Ha só uma disponivel, disse o sacristão.
— Pois essa, disse José Dias.
— Mas eu tinha pedido primeiro, aventurou
Padua.
— Pediu primeiro, mas entrou tarde, retorquiu
José Dias; eu já cá estava. Leve uma tocha.
Padua, apesar do medo que tinha ao outro, teimava
em querer a vara, tudo isto em voz baixa e
surda. O sacristão achou meio de conciliar a rivalidade,
tomando a si obter de um dos outros seguradores
do palio que cedesse a vara ao Padua,
conhecido na parochia, como José Dias. Assim fez;
mas José Dias transtornou ainda esta combinação.
Não, uma vez que tinhamos outra vara disponivel,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|88|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>pedia-a para mim, « joven seminarista », a quem
esta distincção cabia mais direitamente. Padua
ficou pallido, como as tochas. Era pôr á prova o
coração de um pae. O sacristão, que me conhecia
de me ver alli com minha mãe, aos domingos, perguntou
de curioso se eu era devéras seminarista.
— Ainda não, mas vae sel-o, respondeu José
Dias piscando o olho esquerdo para mim, que,
apesar do aviso, fiquei zangado.
— Bem, cedo ao nosso Bentinho, suspirou o pae
de Capitú.
Pela minha parte, quiz ceder-lhe a vara; lembrou-me
que elle costumava acompanhar o Santissimo
Sacramento aos moribundos, levando uma
tocha, mas que a ultima vez conseguira uma vara
do pallio. A distincção especial do pallio vinha de
cobrir o vigario e o sacramento ; para tocha qualquer
pessoa servia. Foi elle mesmo que me contou
e explicou isto, cheio de uma gloria pia e risonha.
Assim fica entendido o alvoroço com que entrára na
egreja; era a segunda vez do pallio, tanto que cuidou
logo de ir pedil-o. E nada! E tornava á tocha commum,
outra vez a interinidade interrompida; o administrador
regressava ao antigo cargo... Quiz ceder-lhe
a vara; o aggregado tolheu-me esse acto de
generosidade, e pediu ao sacristão que nos puzesse,
a elle e a mim, com as duas varas da frente,
rompendo a marcha do pallio.
Opas enfiadas, tochas distribuídas e accesas,
padre e ciborio promptos, o sacristão de hyssope e
campainha nos mãos, saiu o prestilo á rua. Quando<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh||{{sc|dom casmurro}}|89}}</noinclude>me vi com uma das varas, passando pelos fieis, que
se ajoelhavam, fiquei commovido. Padua roía a
tocha amargamente. É uma metaphora, não acho
outra fórma mais viva de dizer a dôr e a humilhação
do meu visinho. De resto, não pude miral-o
por muito tempo, nem ao aggregado, que, parallelamente
a mim, erguia a cabeça com o ar de ser elle
proprio o Deus dos exercitos. Com pouco, senti-me
cançado; os braços caíam-me, felizmente a casa
era perto, na rua do Senado.
A enferma ora uma senhora viuva, tísica, tinha
uma filha de quinze ou dezeseis annos, que estava
chorando á porta do quarto. A moça não era formosa,
talvez nem tivesse graça; os cabellos caíam despenteados,
e as lagrimas faziam-lhe encarquilhar
os olhos. Não obstante, o total falava e captivava o
coração. O vigario confessou a doente, deu-lhe a
communhão e os santos oleos. O pranto da moça
redobrou tanto que senti os meus olhos molhados e
fugi. Vim para perto de uma janella. Pobre creatura!
A dôr era communicativa em si mesma; complicada
da lembrança de minha mãe, doeu-me mais,
e, quando enfim pensei em Capitú, senti um impeto
de soluçar tambem, enfiei pelo corredor, e ouvi
alguem dizer-me :
— Não chore assim !
A imagem de Capitú ia commigo, e a minha imaginação,
assim como lhe attribuira lagrimas, ha
pouco, assim lhe encheu a bocca de riso agora; vi-a
escrever no muro, falar-me, andar á volta, com os
braços no ar; ouvi distinctamente o meu nome, de<noinclude></noinclude>
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se ajoelhavam, fiquei commovido. Padua roía a
tocha amargamente. É uma metaphora, não acho
outra fórma mais viva de dizer a dôr e a humilhação
do meu visinho. De resto, não pude miral-o
por muito tempo, nem ao aggregado, que, parallelamente
a mim, erguia a cabeça com o ar de ser elle
proprio o Deus dos exercitos. Com pouco, senti-me
cançado; os braços caíam-me, felizmente a casa
era perto, na rua do Senado.
A enferma ora uma senhora viuva, tísica, tinha
uma filha de quinze ou dezeseis annos, que estava
chorando á porta do quarto. A moça não era formosa,
talvez nem tivesse graça; os cabellos caíam despenteados,
e as lagrimas faziam-lhe encarquilhar
os olhos. Não obstante, o total falava e captivava o
coração. O vigario confessou a doente, deu-lhe a
communhão e os santos oleos. O pranto da moça
redobrou tanto que senti os meus olhos molhados e
fugi. Vim para perto de uma janella. Pobre creatura!
A dôr era communicativa em si mesma; complicada
da lembrança de minha mãe, doeu-me mais,
e, quando enfim pensei em Capitú, senti um impeto
de soluçar tambem, enfiei pelo corredor, e ouvi
alguem dizer-me :
— Não chore assim!
A imagem de Capitú ia commigo, e a minha imaginação,
assim como lhe attribuira lagrimas, ha
pouco, assim lhe encheu a bocca de riso agora; vi-a
escrever no muro, falar-me, andar á volta, com os
braços no ar; ouvi distinctamente o meu nome, de<noinclude></noinclude>
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Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|90|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>uma doçura que me embriagou, e a voz era della.
As tochas accesas, tão lugubres na occasião,
tinham-me ares de um lustre nupcial... Que era
lustre nupcial? Não sei; era alguma cousa contraria
á morte, e não vejo outra mais que bodas. Esta
nova sensação me dominou tanto que José Dias
veiu a mim, e me disse ao ouvido, em voz baixa:
— Não ria assim !
Fiquei serio depressa. Era o momento da saida.
Peguei da minha vara; e, como já conhecia a distancia,
e agora voltavamos para a egreja, o que
fazia a distancia menor, — o peso da vara era mui
pequeno. Demais, o sol cá fóra, a animação da rua,
os rapazes da minha edade que me fitavam cheios
de inveja, as devotas que chegavam ás janellas ou
entravam nos corredores e se ajoelhavam á nossa
passagem, tudo me enchia a alma de lepidez nova.
Padua, ao contrario, ia mais humilhado. Apesar
de substituido por mim, não acabava de se consolar
da tocha, da miseravel tocha. E comtudo havia
outros que tambem traziam tocha, e apenas mostravam
a compostura do acto ; não iam garridos, mas
tambem não iam tristes. Via-se que caminhavam
com honra.<noinclude></noinclude>
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Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|90|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>uma doçura que me embriagou, e a voz era della.
As tochas accesas, tão lugubres na occasião,
tinham-me ares de um lustre nupcial... Que era
lustre nupcial? Não sei; era alguma cousa contraria
á morte, e não vejo outra mais que bodas. Esta
nova sensação me dominou tanto que José Dias
veiu a mim, e me disse ao ouvido, em voz baixa:
— Não ria assim!
Fiquei serio depressa. Era o momento da saida.
Peguei da minha vara; e, como já conhecia a distancia,
e agora voltavamos para a egreja, o que
fazia a distancia menor, — o peso da vara era mui
pequeno. Demais, o sol cá fóra, a animação da rua,
os rapazes da minha edade que me fitavam cheios
de inveja, as devotas que chegavam ás janellas ou
entravam nos corredores e se ajoelhavam á nossa
passagem, tudo me enchia a alma de lepidez nova.
Padua, ao contrario, ia mais humilhado. Apesar
de substituido por mim, não acabava de se consolar
da tocha, da miseravel tocha. E comtudo havia
outros que tambem traziam tocha, e apenas mostravam
a compostura do acto ; não iam garridos, mas
tambem não iam tristes. Via-se que caminhavam
com honra.<noinclude></noinclude>
9cyrravbwlzi6kw9isdmigwccoeevrh
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|308||}}</noinclude>{{dhr|2}}
{{c|IV.}}
{{dhr|2}}
{{c|{{x-larger|A TEMPESTADE.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|D|2em}}esapparece o sol, o céo negreja,
O rígido aquilão em furias brama,
E em cada vaga a morte armada se ergue.
:::Hei de eu morrer, oh Patria,
Sem que um suspiro teu sequer mereça?
Sem que minha existencia util te fosse?
E este mar cavará o meu sepulchro?
Meu corpo rolará entregue ás ondas,
Té que os marinhos tigres o devorem?
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|309}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Não terei uma campa, um epitaphio,
Onde no dia aos mortos consagrado
As lagrimas de amigo se deslizem?
:::Eu estava tranquillo…
Como um brando regato serpenteia
Entre florída, perfumada relva,
Ou como a lua placida fulgura
:::Na abóbada celeste,
Recamada de nítidas estrellas,
Assim os dias meus se devolviam
Em suaves vigilias, brandos somnos.
Tinha um pai, uma mãe, irmãos, amigos;
Debaixo de meus passos se movia,
:::Sem qu’eu sentisse, a terra;
Ora de humana voz ternas cadencias
As passageiras mágoas me adoçavam;
Ora coberto com doceis de folhas,
Que em chuveiros de flores me cobriam,
Terno cantava ao som da flauta agreste
:::Que o sabiá simula.
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|310|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Si no cume da serra a tempestade
Caliginosos braços estendia;
Si nas torres dos templos se esbarravam
:::Lampejantes coriscos;
Na paterna mansão, êrmo de susto,
Escutava o trovão, e o hymno excelso
Que entoavam meus pais venerabundos.
Oh! com que rapidez tudo se muda!
O homem nem prevê proximos males!
:::Aqui, neste Oceano,
Sem que sequer um só prazer desfructe,
Tudo é horror, e um vasto cemiterio.
De cada lado gigantescas vagas,
Irritadas elevam-se, curvando
Sobre o navio que sem tino vaga.
Negras nuvens do sol a face enluctam;
Soltos trovões se embatem, troam, bramam;
Rijo sibila o vento nas enxarcias;
Ante a prôa em montanhas espumosas
Se pulveriza o mar, roncando horrisono;
:::Gemendo as vêrgas beijam
A onda que se empola, ou já se afunda,
|}}<noinclude></noinclude>
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Quaes debeis cannas que o tufão acurva.
Que horror, oh céos! Que sorte nos aguarda!
Si é nossa estrella que morramos todos,
:::Quero ser o primeiro
Em quem, oh ondas, sacieis a furia.
Procuro embalde, scintillar não vejo
:::Sanctelmo de esperança;
Só vejo a morte abrir a foz medonha
Em cada vaga, que engulir promette
O lenho, surdo á voz do palinuro.
As vélas ferram desmaidos nautas,
Rouqueja o capitão, sôa a busina,
Mulheres tremem, criancinhas choram,
E sobre a bomba passageiros curvos
:::Arquejando se afanam.
Fitas de fogo ardentes, inflammadas,
Entre rotos listões de negras nuvens,
:::No horizonte se estendem;
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|312|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Vasto lago de sangue o mar parece;
Relampagos mil chovem, mil se apagam;
Raios dardeja o céo enfurecido,
E os vermelhos coriscos no ar se cruzam,
Como cipós que os bosques emmaranham,
Ou quaes n’um rio amontoadas serpes,
Curvilineas se enlaçam, sobem, descem.
Oh meu Deos! Oh meu Deos, teus olhos volve
:::Sobre os filhos dos homens.
E verdade, Senhor, elles ingratos
No tempo da bonança se esqueciam
:::Da tua omnipotencia;
Ousámos, impios, profanar teu nome;
Mas piedade, Senhor hoje invocamos.
:::Como filhos rebeldes,
Que os sãos conselhos paternaes desprezam,
Zombam mesmo dos pais, e de delirio
Em delirio á desgraça se encaminham;
E quando já no poço da miseria
:::Lhes brada á consciencia,
:::Então os pais invocam;
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|313}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
E si os pais os não salvam, alli morrem.
Tu és pai, oh meu Deos! Misericordia!
Um sopro de teus labios foi bastante
Para armar contra nós a tempestade;
:::Um sopro de teus labios
:::Basta para acalmal-a.
A tua voz, Senhor, tudo se humilha,
O mar, a terra, o céo, o vento, o raio;
:::Falla, seremos salvos.
Amaina o vento, o mar se tranquilliza!…
Maravilha de Deos!… As nuvens subam
:::A teus pés os meus hymnos,
Hymnos accesos nos transportes d’alma;
Vôem de mundo em mundo, de astro em astro,
De um Anjo a outro, até que se harmonisem,
E dignos sejam, oh Senhor, que os ouças.
Gloria! gloria ao Senhor! estamos salvos!
:::Desapparece a morte,
Raia o sol, ri-se o céo, o mar se aplana!
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|314|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
Gloria! gloria ao Senhor! estamos salvos!
:::Afaga-me a esperança,
Que renasce no fundo da minha alma,
:::Como a phenix das cinzas.
Oh Patria, serei teu; minha existencia
Ao louvor de meu Deos, a teus louvores
:::De ora avante a consagro.
|}}
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{{c|V.}}
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{{c|{{x-larger|A DIA 7 DE SEPTEMBRO, EM PARIZ.}}}}
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{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|L|2em}}onge do bello céo da Patria minha,
:::Que a mente me accendia,
Em tempo mais feliz, em qu’eu cantava
Das palmeiras á sombra os patrios feitos;
Sem mais ouvir o vago som dos bosques,
Nem o bramido funebre das ondas,
:::Que n’alma me excitavam
Altos, sublimes turbilhões de idéas;
:::Com que cantico novo
O Dia saudarei da Liberdade?
|}}<noinclude></noinclude>
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{{Gcapitular|L|2em}}onge do bello céo da Patria minha,
:::Que a mente me accendia,
Em tempo mais feliz, em qu’eu cantava
Das palmeiras á sombra os patrios feitos;
Sem mais ouvir o vago som dos bosques,
Nem o bramido funebre das ondas,
:::Que n’alma me excitavam
Altos, sublimes turbilhões de idéas;
:::Com que cantico novo
O Dia saudarei da Liberdade?
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|316|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=stanza|
Ausente do saudoso, patrio ninho,
:::Em regiões tão mortas,
Para mim sem encantos, e attractivos,
Gela-se o estro ao peregrino vate.
Tu tambem, que nos tropicos te ostentas
Fulgurante de luz, e rei dos astros,
Tu, oh sol, neste céo teu brilho perdes.
Oh phantasia, mostra-me si pódes,
O energico quadro, que meus olhos
:::Outr’ora extasiara;
Reaviva o fulgor do enthusiasmo,
:::Que o coração abrasa
Como o sol quando a pino os homens fere;
Memoria, hoje recorda aquellas vozes
Dos brasilienses peitos escapadas,
Como do Chimboraço ardentes lavas,
E no templo de Deos gratas soavam.
:::Recita aquelles hymnos,
Que angelicas donzellas, varões probos
Alternos entoavam neste Dia,
:::Da Liberdade em honra.
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|317}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow|
Mas em vão, que nos ares embruscados
O mimoso colibre não adeja,
Nem longe do seu ninho o canto exhala
:::O sabiá canoro.
Ah! si ao menos a dôr que me alma punge,
:::E a existencia me azeda,
Um pouco se aplacasse, e doce riso,
Filho do coração, subisse aos labios,
Quiçá na ausencia da querida Patria
:::Podesse, inda que rouco,
Mais um hymno ajunctar aos outros hymnos,
Com que de meu amor lhe fiz offrenda,
Quando no gremio seu prazer gozava.
Lá, no teu seio, a vida respirando
:::Tranquillo e socegado,
Ou no mar agitado, á morte exposto,
Ou aqui nesta plaga tão remota,
Fiel te sou, oh Patria; não te olvido
Pelas grandezas que me offrece a Europa.
Estes eternos monumentos d’arte,
Estas columnas, maravilhas mortas,
Estas estatuas colossaes de bronze,
|}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|318|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Estes jardins suberbos, estes templos
São bellos: mas não são de minha Patria.
Tuas virgens florestas, e teus templos
Mais me aprazem que tudo o que aqui vejo.
Ah! quem me dera agora, em grato sonho
Illudido, cuidar que me revolvo
Ignorado entre os meus, entre o tumulto
Do povo que no rosto traz impressa
:::A gloria deste Dia!
Quem me dera que os meus rusticos hymnos
:::Por elle ouvidos fossem,
:::E por elle applaudidos
No delirio do sacro amor da Patria!
Oh! como é doce memorar os tempos
:::Da passada alegria!
Como é doce escutar ternas cadencias
De branda voz de pudibunda virgem,
Quando fóra da terra a alma vagueia
:::No celeste infinito!
Mais doce é celebrar os claros feitos
Dos seus concidadãos, e unido a elles,
|}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|319}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Beber na mesma taça o enthusiasmo,
:::E no divino arroubo
Os céos congratular, render-lhes graças!
Aqui da Liberdade repetido
Não sôa o mago accento em meus ouvidos;
Nem o auri-verde pavilhão tremóla,
:::Imagem das riquezas
Da terra minha, fertil, abundante;
Nem o canhão ribomba, que assignale
Que este Dia ao Brasil é consagrado.
:::Só o estridor resôa
De turbulento povo, indifferente
:::Da Patria minha á gloria.
:::Dia da Liberdade!
Tu só dissipas hoje esta tristeza
:::Que a vida me angustía.
Tu só me acordas hoje do lethargo
:::Em que esta alma se abysma,
De resistir cançada á tantas dores.
Ah! talvez que de ti poucos se lembrem
Neste estranho paiz, onde tu passas
|}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/330
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|320|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
Sem culto, sem fulgor, como em deserto
Caminha o viajor silencioso.
Mas rapidos os dias se devolvem;
E tu, oh sol, que pallido me aclaras
:::Nestas longiquas plagas,
Brilhante ainda raiarás na Patria,
:::E ouvirás meus hymnos
Em honra deste Dia, não magoados
Co’ os funebres accents da saudade.
|}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|326||}}</noinclude>{{dhr|2}}
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{{c|{{x-larger|NO ALBUM DE UM JOVEN AMIGO.}}}}
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{{Gcapitular|A|2em}}migo, eu parto, e deixo-te saudoso.
Pois que sempre tua alma bem formada
Minhas vozes ouvio, vozes sinceras;
Pois que sempre os conselhos da experiencia
:::Com prazer escutaste,
:::Inda que as vezes duros;
No momento do adeos recebe, attende
Esta, de amor, não lisonjeira prova.
É qual sereno rïo a mocidade,
Que as imagens retrata, e não conhece
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|327}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
O bem, e o mal, e as illusões do mundo;
É como verde, fláccida vergontea,
Que a fórma toma que o cultor lhe imprime,
E bôa, ou má, não mais depois se muda.
Quem, como tu, da Patria longe vive,
Longe dos paternaes, uteis dictames,
Assás tem que luctar, si á gloria aspira.
Philosophos não faltam que te instruam;
Mas da vida, nas paginas de um livro,
:::Não se aprende a sciencia.
Estuda, sim estuda, mas pratica
Dignas acções de ti; e eu te asseguro,
Pois que a Natura te protege, e inspira,
Qu’inda um dia serás brilhante estrella
Entre os astros que a Patria nossa adornam,
A Deos praza que a Patria não illudas,
E os votos de teus pais, e dos amigos.
A todo o instante que este livro abrires,
Lendo estes versos, dize: hei um amigo.
}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|328||}}</noinclude>{{dhr|2}}
{{c|VIII.}}
{{dhr|2}}
{{c|{{x-larger|AO DEIXAR PARIZ.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|S|2em}}im, a custo te deixo, augusto alcáçar
Do progresso; da luz, da liberdade.
Vivífico remanso, onde perenne
Bebe o estrangeiro quanto apraz á mente,
Do nectar das sciencias sequiosa.
Sim, com justa razão te ornas de orgulho,
Patria de heroes, refugio de infelizes,
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/339
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|329}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Victimas do erro, que ainda a Europa preme
Com cem braços de ferro; fugitivos,
Em teu gremio cabal abrigo encontram.
Mãe desvelada não mais prompta acode
Com bondadoso peito ao tenro infante.
Qual da torrente que de alpestre fraga
Jorrando em catadupas marulhosas
Se ala equóreo vapor que o campo orvalha,
E em ríos dividindo-se, e em regatos
A longes terras nutrimiento envia;
Assim os sabios, que em teu seio abundam,
Manam nome, e saber ao outros povos.
Para theatro de espantosas scenas
Teu solo assignalou a Providencia.
Aqui rompêo esse vulcão terrivel,
Que o mundo inteiro alumiou co’ as lavas,
E á fileira dos reis alçou os homens;
Aqui o rei dos reis, terror da Europa,
No throno colossal, firme no povo,
Honras, louros, e sceptros repartia.
O jugo antigo, que a razão curvava,
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/340
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|330|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Quebrou, em ti nascido, esse {{A|René Descartes|Descartes}}<ref>Sei que Descartes não nascêo em Pariz, mas eu fallo de toda a França.</ref>,
Que por novo theor, methodo novo,
Sublime estrada abrio á Intelligencia.
Malebranche o seguio, tambem teu filho.
As boas Artes, do progresso amigas,
Filhas da Liberdade, irmães da gloria,
Foragidas da Italia, atravessaram
Alpes, e Rhêno, e em ti seu templo ergueram;
Pariz, citar teu nome é pôr remate
Aos elogios teus; eu te venero.
Lições em ti fruî; como eu mil outros
Brasileiros, que a Patria hoje adereçam,
Em ti juvenis passos amestraram.
Da sapiencia o brilho offusca o do ouro;
Só de alma estreme a gratidão é paga;
Grato te sou no tributar encomios
Não lisonjeiros, que a verdade os sella.
Arando o crespo Oceano, á Patria minha
As sciencias passaram triumphantes
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Do sancutario teu, nas mãos levando
O archote da razão; alli brilhante
Luz diffundindo, as trevas sacudiram,
Que em nossos horizontes negrejavam.
No facundo clarim sôa a Verdade;
Então do avaro Lusitano as pêias,
E as erguidas barreiras rotas cáiem,
Quando Montesquieu, Rousseau troando,
As cidades, e os campos repercutem.
Assim de Jerichó outr’ora os muros,
Das hebreias trombetas sons ouvindo,
Cáiem aos pés de Josué submissos.
Então pautando os seus pelos teus passos,
Mais e mais o Brasil terreno avança
Na escala das Nações, que no orbe avultam.
Como da lyra consoante vibra
Uma corda, quando outra foi ferida,
O Brasil teus triumphos applaudindo,
Co’ as tuas explosões harmonisando,
Assim empeços vence, e igual triumpha.
}}<noinclude></noinclude>
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Oh Brasil, perventura lisonjeiro
Serei no meu dizer? D’onde te veio
A Sciencia das Leis, a Medicina,
A Moral, os costumes que hoje ostentas?
Quem te ensinou a perscrutar teus campos,
A pesquizar segredos, que a Natura
Em cada vérme, em cada flor occulta?
Quem teu genio subio ao firmamento,
E os mysterios dos astros revelou-te?
Quem a téla, de cores matizando,
Mostrou-te retratada a Natureza
Teus heroes, tua historia, teus costumes?
Responda a gratidão. — Avulta, oh França!
Marcha, prospéra; e tu, Brasil, prospéra;
Estes meus votos são, outros não tenho.
Um povo sempre é filho de outro povo;
Um homem sem cultura não avança;
Sem ensino os espiritos não brilham.
Quem, Pariz, sem amar-te póde ver-te?
E quem póde deixar-te sem saudade?
Ah! não beberei mais as eloquentes
Lições, que me apraziam, de teus mestres!
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|333}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Não verei mais teu Luvre apinhoado
De maravilhas tantas! Teus collegios,
Onde vozes troavam sapientes!
Ainda a mente me pinta os de Sorbonna
Vastos amphitheatros coroados
De attenta juventude! — Tudo deixo…
Ah! deixo ainda mais, deixo um amigo,
Que raros são, e que tão poucos tenho!
Sabes com que pezar te deixo, oh Sales<ref>O meu illustre amigo {{A|Francisco de Sales Torres Homem|Francisco de Sales Torres-Homem}}.</ref>!
Companheiro da infancia; ás portas, junctos,
Da Sciencia batemos; ella ouvio-te,
Abrio-te, e franqueou-te os seus thesouros.
Ainda joven, da Patria és já um astro,
Que no seu horizonte alto rutila;
Eu misero, phosphorico metéoro
Sem nome vago. — E morrerei sem nome?
E tu, pintor dos brasilenses bosques,
Tu, que em quadros multiplices ao mundo
Nossos costumes eloquente mostras<ref>Publicava então M. Debret sua Viagem Pittoresca ao Brasil, obra de um grande merito.</ref>;
}}<noinclude>{{reflist}}</noinclude>
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Junglk
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|334|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
Venerando Ancião, amigo, e mestre,
Por quem já uma vez chorei saudoso,
E tu tambem choraste; hoje de novo
Se reproduz tal scena; mas ao menos
Tu ficas no teu lar, co’ os teus, e eu parto,
Parto, não para o meu. Debret, teu nome
Commigo eterno irá, como elle eterno
Passará de uma idade á outra idade.
Adeos, Pariz; adeos do mundo emporio;
Adeos, Sales, Debret, adeos.... Amigo,
Que ao teu o meu destino unir quizeste,
Hoje a minha saudade igual te punje;
Não aggravemos mais nossos pezares;
Vamos, meu Araujo; é tempo vamos.
}}
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<noinclude><pagequality level="4" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>O rapaz zangou-se e deu-lhe um encontrão.
— Vá à fava! — gritou êle. — Que maçadora!
E continuou o seu caminho sem olhar sequer para trás.
A princesa desatou a chorar e as damas levaram-na quási desmaiada para o palácio. Mas uma delas que era tôda espertalhona foi<noinclude>{{Cabeçalho|{{sc|xxxiii-2}}||17}}</noinclude>
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Tudo o que você sempre quis saber sobre a urna eletrônica brasileira/Prefácio
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Erick Soares3
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/* Revista */ Revisão integral da página LXXX da bibliografia
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{center| BIBLIOGRAFIA}}
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CANDY (Thomas). ''A Dictionary English and Maráthi''. Bombay, 1873.
CARDEAL SARAIVA (D. Francisco de S. Luís). Obras completas, 10 vol. Especialmente: ''Glossario de vocabulos portuguezes derivados das linguas orientaes e africanas, excepto o arabe''. Lisboa, 1818.
CARDIM (P. António Francisco). ''Batalhas da Companhia de Jesus''. Lisboa, 1894.
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CASTANHEDA (Fernão Lopes de). ''Historia do Descobrimento e Conquista da India''. Lisboa, 1833.
CASTRO (Alberto Osório de). ''Flores de Coral''. Dilli, 1908.
CASTRO (D. João de). ''Roteiro de Lisboa a Goa''. Lisboa, 1882.
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''Chronica dos Reys de Bisnaga'', editada por David Lopes. Lisboa, 1897.
CLOUGH (Rev. R.). ''A Dictionary of the Singhalese and English Languages''. Colombo, 1830.
''Collecção de Noticias para a historia e geographia das Nações Ultramarinas''. Lisboa, 1812-1841.
''Commentarios de Afonso Dalboquerque''. Lisboa, 1897.
CONDE DE FICALHO. ''Garcia da Orta e o seu tempo''. Lisboa, 1886. Vid. ORTA.
''Conquista do Reyno de Pegú''. Em apêndice à ''Peregrinação'' de F. M. Pinto.
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COUTO (Diogo do). ''Décadas da Asia''. Lisboa, 1602 e seguintes.
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— ''Flora de Goa e Savantvadi''. Lisboa, 1898.
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DIAS (J.). ''Lijst van Atjehsche Woorden''. Em uma revista holandesa, de que sómente possuo algumas páginas sem título.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/86
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Revisão integral da página LXXXI da bibliografia
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{center| BIBLIOGRAFIA}}
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 3 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ACAFELAR ACHAR|{{sc|3}}}}</noinclude>no Concão e no Japão, juntamente com a planta, cuja pátria diz o Dr. D. G. Dalgado ser incerta (''Flora de Goa e Savantvadi''), é notável que tenha produzido em marata tantos compostos, com várias acepções, como as seguintes, registadas por Molesworth, que não indica a origem da palavra: ''bhompļá-devatá'' (depreciativo), rapariga traquinas, mulher esgarabulhona. ''Bhompļá-suti'' (adj.), grosso, grosseiro, tôsco, bruto, desordenado, desalinhado. ''Bhompļi-kharbúz'', espécie de melão almiscarado. ''Bhompļyá-rôg'', corpulência, obesidade».
Há termos vernáculos para outras variedades: ''dudhí, konknó dudhí, mahāró dudhí, kāļó dudhí, kuxmāļó'', em concani; ''kovhālá, kushmand, kāxi-phal, dudhyá, kāļá dudhyá, devdangar'', em marata; ''tónasu, kabocha'' (= Camboja), em japonês<ref>«''Kabocha'' (pumkins) must have been introduced from Cambodia». Murakámi.</ref>.
Nos crioulos ásio-portugueses, ''abóbora'' corrompe-se em ''bóbra, bobr''.
'''[[:d:Lexeme:L8751|Abril]]'''. Conc. ''ābríl''. — Tet., Gal. ''abril''. — Mal. ''april'' (Marre). Vid. ''agosto''.
'''Acafelar''' (indo-port. ''caflá''). Conc. ''kāphlai-kurunk''. Term. vern. ''chunó-kās kādhunk''. — Guj. ''kaphlád'' (subst., «cal, estuque»). — Sing. ''kapaláruvá''<ref>Em singalês, ''-vá'' é desinência do infinitivo.</ref>. — Malayál. ''kabalarikka'' («argamassar»; us. no Malabar setentrional)<ref>''Ikka'' é desinência do infinitivo. Cf. ''capar''.</ref>. — Mal. ''kápor'' (subst.)<ref>«'''Acafelada''' com a cal e as agoas cheirosas». Gaspar Correia, III, p. 714.</ref>.
O concani acrescenta ''karunk'' («fazer») aos verbos portugueses transitivos, e ''zāvunk'' («fazer-se») aos intransitivos. Exceptua-se ''pintar'', que faz ''pintārunk''. A mudança de ''f'' em ''p'' é normal em singalês, que não tem tal fonema, sendo ''ph'' o ''p'' aspirado, como em sânscrito; cf. ''adufa''. Em malayálam, bem como em tamul, a consoante surda (''k, t, p'') intervocálica torna-se sonora (''g, d, b'').
'''Açafrão''' (indo-port. ''safrão, safran''). Siam. ''fárān''. — Jap. ''safuran''<ref>«'''Açafrão''' de Portugal, sabão, porcelanas». António Bocarro, Déc. XII, p. 588.</ref>.
'''Acêrca'''. Mal. ''acerca'' (Haex).
Haex não indica, de ordinário, a exacta pronunciação das palavras portuguesas, adoptadas em malaio, nem emprega grafia especial. «Vocabula, diz elle, non prout scribuntur et connectuntur, sed prout pronuntiantur, hic scribuntur».
'''[[:d:Lexeme:L471981|Achar]]''' (subst. masc.; indo-port.: «conserva de frutos em vinagre ou em salmoira», inglês ''pickles''). Mar. ''āchár''. Term. vern. ''loṇchém'' (como em concani). — Hindi, Hindust. ''achár''. — Or., Ass., Panj. ''āchár''. — Sindh. ''ācháru''. Term.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||ACAFELAR ACHAR|{{sc|3}}}}</noinclude>no Concão e no Japão, juntamente com a planta, cuja pátria diz o Dr. D. G. Dalgado ser incerta (''Flora de Goa e Savantvadi''), é notável que tenha produzido em marata tantos compostos, com várias acepções, como as seguintes, registadas por Molesworth, que não indica a origem da palavra: ''bhompļá-devatá'' (depreciativo), rapariga traquinas, mulher esgarabulhona. ''Bhompļá-suti'' (adj.), grosso, grosseiro, tôsco, bruto, desordenado, desalinhado. ''Bhompļi-kharbúz'', espécie de melão almiscarado. ''Bhompļyá-rôg'', corpulência, obesidade».
Há termos vernáculos para outras variedades: ''dudhí, konknó dudhí, mahāró dudhí, kāļó dudhí, kuxmāļó'', em concani; ''kovhālá, kushmand, kāxi-phal, dudhyá, kāļá dudhyá, devdangar'', em marata; ''tónasu, kabocha'' (= Camboja), em japonês<ref>«''Kabocha'' (pumkins) must have been introduced from Cambodia». Murakámi.</ref>.
Nos crioulos ásio-portugueses, ''abóbora'' corrompe-se em ''bóbra, bobr''.
'''[[:d:Lexeme:L8751|Abril]]'''. Conc. ''ābríl''. — Tet., Gal. ''abril''. — Mal. ''april'' (Marre). Vid. ''agosto''.
'''Acafelar''' (indo-port. ''caflá''). Conc. ''kāphlai-kurunk''. Term. vern. ''chunó-kās kādhunk''. — Guj. ''kaphlád'' (subst., «cal, estuque»). — Sing. ''kapaláruvá''<ref>Em singalês, ''-vá'' é desinência do infinitivo.</ref>. — Malayál. ''kabalarikka'' («argamassar»; us. no Malabar setentrional)<ref>''Ikka'' é desinência do infinitivo. Cf. ''capar''.</ref>. — Mal. ''kápor'' (subst.)<ref>«'''Acafelada''' com a cal e as agoas cheirosas». Gaspar Correia, III, p. 714.</ref>.
O concani acrescenta ''karunk'' («fazer») aos verbos portugueses transitivos, e ''zāvunk'' («fazer-se») aos intransitivos. Exceptua-se ''pintar'', que faz ''pintārunk''. A mudança de ''f'' em ''p'' é normal em singalês, que não tem tal fonema, sendo ''ph'' o ''p'' aspirado, como em sânscrito; cf. ''adufa''. Em malayálam, bem como em tamul, a consoante surda (''k, t, p'') intervocálica torna-se sonora (''g, d, b'').
'''Açafrão''' (indo-port. ''safrão, safran''). Siam. ''fárān''. — Jap. ''safuran''<ref>«'''Açafrão''' de Portugal, sabão, porcelanas». António Bocarro, Déc. XII, p. 588.</ref>.
'''Acêrca'''. Mal. ''acerca'' (Haex).
Haex não indica, de ordinário, a exacta pronunciação das palavras portuguesas, adoptadas em malaio, nem emprega grafia especial. «Vocabula, diz elle, non prout scribuntur et connectuntur, sed prout pronuntiantur, hic scribuntur».
'''[[:d:Lexeme:L471981|Achar]]''' (subst. masc.; indo-port.: «conserva de frutos em vinagre ou em salmoira», inglês ''pickles''). Mar. ''āchár''. Term. vern. ''loṇchém'' (como em concani). — Hindi, Hindust. ''achár''. — Or., Ass., Panj. ''āchár''. — Sindh. ''ācháru''. Term.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Revisão integral da página LXXXII da bibliografia
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxxxii}}|BIBLIOGRAFIA}}</noinclude>{{center| BIBLIOGRAFIA}}
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— ''Boegineesch-Hollandsch Woordenboek''. Amsterdam, 1874.
— ''Supplement of het Boegineesch-Hollandsch Woordenboek''. Amsterdam, 1889.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/108
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 11 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ANDOR ANIL|{{sc|11}}}}</noinclude>Bluteau dá em inscrições separadas, sem indicar a proveniência da palavra, o significado indiano e o continental: «''Andor'' entre nós he hum instrumento com quatro braços», etc. Solano porém congloba, com razão, ambos os sentidos: «Especie de ''andas'' portáteis, sobre que vão homens ou imagens de divindades na Asia, ou de Christo, ou Santos entre os Catholicos, nas procissões».
Os escritores quinhentistas, como o autor do ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'', Duarte Barbosa, Castanheda, João de Barros<ref>«E outros de o trazer aos hombros em hum '''andor''': porque em toda aquella terra Malabar não se seruem de bestas». Déc. I, IV, 7.</ref>, Gaspar Correia, Damião de Goes, teem o termo por novo e estranho, e definem-no por meio de «andas»<ref>Cristóvão Vieira (1534) emprega o vocábulo ''andor'' sem o explicar, como não explica muitos outros orientais: «Os mandarīs pequenos que não podem trazer ''andor'' teem cavallo». ''Letters from Portuguese Captives in Canton'', by Donald Ferguson, p. 79.</ref>.
''Andor'' ocorre, como palavra peregrina, em um livro árabe do século XI (''Kitāb ’Ajāib-al-Hind'', citado em tradução francesa em ''Hobson-Jobson''): «Le même m’a conté qu’à Serandib [Ceilão] les rois et ceux qui se portent à la façon des rois, se font porter dans les '''handoul''' (''handūl'') qui est semblable à une litière, soutenue sur les épaules de quelques piétons».
Shakespear deriva o hindust. ''handolá'', não do árabe ou do persa, mas do sânsc. ''hindola''<ref>Conc. ''hinduló, hindló''; Mar. ''hindolá, hindulá''; Hindi ''hindolá''.</ref>, «redoiça, berço baloiçante ou maca; redoiça ou liteira ornamentada em que se levam imagens de Krixna durante a festividade de Redoiça, (''Swing-festival''), Monier Williams).
Daqui se vê que o ''andor'' veio directamente da India para Portugal, onde se restringiu na sua significação<ref>«Os '''andôres''' são hoje raros e o seu uso he privativo aos Prelados dos Gentios, e aos Pagodes, sob a denominação de ''palquí''. O seu uso, como de ''Sombreiro'' (para-sol) e Tocha, era objecto da concessão do Governo, em remuneração de serviços prestados ao Estado». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas'' (Pangim), III, p. 155.</ref>. Vid. ''palanquim''.
'''Anel''' (da âncora). L.-Hindust. ''ānila''.
'''Anil'''. Indo-ingl. ''anile, neel'' (obsoleto, substituído actualmente por ''indigo''). — Indo-franc. ''anil, anir''.
O étimo do port. ''anil'' é o ár. ''al-nil'', do sânsc. ''nīlī'', neo-árico ''nīl, nil''<ref>«O ''anil'' he chamado assi dos arabios e Turcos e de todas as linguas, e somente o Guzarate, que he onde se faz, o chama ''gali'', e porém já agora o chama ''nil''». Garcia da Orta, Col. VIII.
«Irem dar os trabalhadores com uns fardos de '''anil'''». Couto, Déc. VII, VIII, 1.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ANDOR ANIL|{{sc|11}}}}</noinclude>Bluteau dá em inscrições separadas, sem indicar a proveniência da palavra, o significado indiano e o continental: «''Andor'' entre nós he hum instrumento com quatro braços», etc. Solano porém congloba, com razão, ambos os sentidos: «Especie de ''andas'' portáteis, sobre que vão homens ou imagens de divindades na Asia, ou de Christo, ou Santos entre os Catholicos, nas procissões».
Os escritores quinhentistas, como o autor do ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'', Duarte Barbosa, Castanheda, João de Barros<ref>«E outros de o trazer aos hombros em hum '''andor''': porque em toda aquella terra Malabar não se seruem de bestas». Déc. I, IV, 7.</ref>, Gaspar Correia, Damião de Goes, teem o termo por novo e estranho, e definem-no por meio de «andas»<ref>Cristóvão Vieira (1534) emprega o vocábulo ''andor'' sem o explicar, como não explica muitos outros orientais: «Os mandarīs pequenos que não podem trazer ''andor'' teem cavallo». ''Letters from Portuguese Captives in Canton'', by Donald Ferguson, p. 79.</ref>.
''Andor'' ocorre, como palavra peregrina, em um livro árabe do século XI (''Kitāb ’Ajāib-al-Hind'', citado em tradução francesa em ''Hobson-Jobson''): «Le même m’a conté qu’à Serandib [Ceilão] les rois et ceux qui se portent à la façon des rois, se font porter dans les '''handoul''' (''handūl'') qui est semblable à une litière, soutenue sur les épaules de quelques piétons».
Shakespear deriva o hindust. ''handolá'', não do árabe ou do persa, mas do sânsc. ''hindola''<ref>Conc. ''hinduló, hindló''; Mar. ''hindolá, hindulá''; Hindi ''hindolá''.</ref>, «redoiça, berço baloiçante ou maca; redoiça ou liteira ornamentada em que se levam imagens de Krixna durante a festividade de Redoiça, (''Swing-festival''), Monier Williams).
Daqui se vê que o ''andor'' veio directamente da India para Portugal, onde se restringiu na sua significação<ref>«Os '''andôres''' são hoje raros e o seu uso he privativo aos Prelados dos Gentios, e aos Pagodes, sob a denominação de ''palquí''. O seu uso, como de ''Sombreiro'' (para-sol) e Tocha, era objecto da concessão do Governo, em remuneração de serviços prestados ao Estado». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas'' (Pangim), III, p. 155.</ref>. Vid. ''palanquim''.
'''[[:d:Lexeme:L670825|Anel]]''' (da âncora). L.-Hindust. ''ānila''.
'''Anil'''. Indo-ingl. ''anile, neel'' (obsoleto, substituído actualmente por ''indigo''). — Indo-franc. ''anil, anir''.
O étimo do port. ''anil'' é o ár. ''al-nil'', do sânsc. ''nīlī'', neo-árico ''nīl, nil''<ref>«O ''anil'' he chamado assi dos arabios e Turcos e de todas as linguas, e somente o Guzarate, que he onde se faz, o chama ''gali'', e porém já agora o chama ''nil''». Garcia da Orta, Col. VIII.
«Irem dar os trabalhadores com uns fardos de '''anil'''». Couto, Déc. VII, VIII, 1.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 12 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|12}}|ANONA APA|}}</noinclude>'''Animal'''. Conc. ''animál'' (p. us. e só fig.). — Tet. ''animal''. Term. vern. ''ulár''. — Gal. ''animar''. Term. vern. ''binátan''.
'''? Anis'''. Hindus. ''anīsún''. Term. vern. ''saunf, bādyán''. — Mak., Bug. ''ánīsi''. Term. vern. ''áda, ádassa''. — Siam. ''áni''.
Provávelmente, o hindustani recebeu o vocábulo do gr. ''anison'', lat. ''anisum'', por intermédio do persa ou do árabe, como parece indicar a forma. Quanto ao makassarês, o holandês também tem ''anijs''. Michell deriva o siamês ''áni'' do ingl. ''aniseed''.
'''Aniversário'''. Conc. ''āniversár'' (p. us.). Term. vern. ''varsātsó dís''. — Tet. ''aniversáryu''. Term. vern. ''halu-tinan''.
'''Anjo'''. Conc. ''ánj'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''devdút'' (p. us. entre os cristãos), ''bhadró''. ''Ánj-burgém'', criança. — Malayál., Tet., Gal. ''ánju''. — Jap. ''anjo''.
'''Ano'''. Tel. ''áno'' (no sentido de «ano de Nosso Senhor»). Ter-se hia introduzido pelos contratos dos portugueses com os indígenas de Bisnagar ou pelos tratados. — Gal. ''ánu''.
'''Anona''' (''reticulata'', bot.). Conc. ''ānón'' (n.; ''ānôn'', f., árvore). — Beng. ''lona''. — Sing. ''anōná''. Term. vern. ''anôda-gediya''. — Malayál. ''anona'' (Rheede)<ref>Também se diz ''parengichakka'', «jaca portuguesa».</ref>. — Indo-franc. ''anone''. — Mal. ''anónā'' (Bikkers), ''nóna''. — Sund. ''nóna'' (''Anona squamosa'')<ref>«Vê-se outra quasi similhante á precedente (ateira) no fructo com o nome de '''anoneira'''; é elle maior, mais agreste, menos saboroso, mais aspero seu amago, e tirando para o encarnado sua casca exterior». Fr. Clemente da Ressurreição, in ''Agricultor indiano'', de B. F. da Costa, tom. II, p. 339.</ref>.
Na Madeira também se diz ''nona''. Em marata dão-lhe o nome de ''Rām-phal'', «fruta de Rama»<ref>John Crawfurd, no seu dicionário malaio, confunde ''nona'' ou ''buah-nona'' («fruta nona») com outro vocábulo ''nona'' (vid. ''dona''), e explica por «fruta virginal».</ref>. Vid. ''ata''.
A troca de ''n'' por ''l'', em bengali, tem muitos paralelos: ''lebú'', sânsc. ''nimbuka'', «limão»; ''nangara'', sânsc. ''lāngala'', «âncora»<ref>Também na palavra port. ''laranja'' o ''l'' está por ''n'': árabe-persa ''naranj'', sânsc. ''nāranja''.
O castelhano tem ''naranja'' e ''naranjo''.</ref>.
'''Apa''' («bôlo circular e chato de várias espécies»)<ref>«Bolos compostos de farinha de arroz e azeite de coco que comem todos os Orientaes». Bluteau.
«Huns bolos de farinha de trigo, a que os Malabares chamão '''apas'''». Castanheda, I, 15.
«..., ortaliça, '''apas''', fogueos, tudo isto rendia trinta e tres mil e tantos pardaos». João de Barros, Déc. II, V, 2.
«E a renda das '''apas''' e dos queijos». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53.</ref>. Indo-ingl. ''ap'' (na presidência de Bombaim, bem como no seu crioulo português),
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|12}}|ANONA APA|}}</noinclude>'''Animal'''. Conc. ''animál'' (p. us. e só fig.). — Tet. ''animal''. Term. vern. ''ulár''. — Gal. ''animar''. Term. vern. ''binátan''.
'''? Anis'''. Hindus. ''anīsún''. Term. vern. ''saunf, bādyán''. — Mak., Bug. ''ánīsi''. Term. vern. ''áda, ádassa''. — Siam. ''áni''.
Provávelmente, o hindustani recebeu o vocábulo do gr. ''anison'', lat. ''anisum'', por intermédio do persa ou do árabe, como parece indicar a forma. Quanto ao makassarês, o holandês também tem ''anijs''. Michell deriva o siamês ''áni'' do ingl. ''aniseed''.
'''[[:d:Lexeme:L584026|Aniversário]]'''. Conc. ''āniversár'' (p. us.). Term. vern. ''varsātsó dís''. — Tet. ''aniversáryu''. Term. vern. ''halu-tinan''.
'''[[:d:Lexeme:L307309|Anjo]]'''. Conc. ''ánj'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''devdút'' (p. us. entre os cristãos), ''bhadró''. ''Ánj-burgém'', criança. — Malayál., Tet., Gal. ''ánju''. — Jap. ''anjo''.
'''[[:d:Lexeme:L46804|Ano]]'''. Tel. ''áno'' (no sentido de «ano de Nosso Senhor»). Ter-se hia introduzido pelos contratos dos portugueses com os indígenas de Bisnagar ou pelos tratados. — Gal. ''ánu''.
'''Anona''' (''reticulata'', bot.). Conc. ''ānón'' (n.; ''ānôn'', f., árvore). — Beng. ''lona''. — Sing. ''anōná''. Term. vern. ''anôda-gediya''. — Malayál. ''anona'' (Rheede)<ref>Também se diz ''parengichakka'', «jaca portuguesa».</ref>. — Indo-franc. ''anone''. — Mal. ''anónā'' (Bikkers), ''nóna''. — Sund. ''nóna'' (''Anona squamosa'')<ref>«Vê-se outra quasi similhante á precedente (ateira) no fructo com o nome de '''anoneira'''; é elle maior, mais agreste, menos saboroso, mais aspero seu amago, e tirando para o encarnado sua casca exterior». Fr. Clemente da Ressurreição, in ''Agricultor indiano'', de B. F. da Costa, tom. II, p. 339.</ref>.
Na Madeira também se diz ''nona''. Em marata dão-lhe o nome de ''Rām-phal'', «fruta de Rama»<ref>John Crawfurd, no seu dicionário malaio, confunde ''nona'' ou ''buah-nona'' («fruta nona») com outro vocábulo ''nona'' (vid. ''dona''), e explica por «fruta virginal».</ref>. Vid. ''ata''.
A troca de ''n'' por ''l'', em bengali, tem muitos paralelos: ''lebú'', sânsc. ''nimbuka'', «limão»; ''nangara'', sânsc. ''lāngala'', «âncora»<ref>Também na palavra port. ''laranja'' o ''l'' está por ''n'': árabe-persa ''naranj'', sânsc. ''nāranja''.
O castelhano tem ''naranja'' e ''naranjo''.</ref>.
'''Apa''' («bôlo circular e chato de várias espécies»)<ref>«Bolos compostos de farinha de arroz e azeite de coco que comem todos os Orientaes». Bluteau.
«Huns bolos de farinha de trigo, a que os Malabares chamão '''apas'''». Castanheda, I, 15.
«..., ortaliça, '''apas''', fogueos, tudo isto rendia trinta e tres mil e tantos pardaos». João de Barros, Déc. II, V, 2.
«E a renda das '''apas''' e dos queijos». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53.</ref>. Indo-ingl. ''ap'' (na presidência de Bombaim, bem como no seu crioulo português),
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 13 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ARACA ARGOLINHA|{{sc|13}}}}</noinclude>''hopper'' (na India meridional). — Tet., Gal. ''apa, apas''. — ? Siam. ''ahbam''. — ? Mal., Ach. ''apam''. — ? Day. ''apam, abam''. — ? Mak., Bug. ''ápang''.
O vocábulo é dravídico (tam. ''appam''), introduzido, com muita probabilidade, directamente no siamês e no malaio. Usa-se geralmente em indo-português, donde passou, como alguns outros, para Timor.
'''Apontar''' (a espingarda). Conc. ''āpontár-karunk''. Term. vern. ''zokunk''. — Mal. ''pontar''. Vid. ''fitar''.
'''Apóstolo'''. Conc. ''āpóstl''. — Beng. ''āpostôl''. — Tam. ''appostolamam''. — Malayál. ''apōstalaṉ''. ''Apōstalatvam'', apostolado. — Can. ''apōstalánu''. ''Apōstalatanu'', apostolado. ''Apōstalara'', apostólico. — Tul. ''apōstalu''. ''Apōstalatana'', apostolado. — ? Malg. ''apostoly''. Talvez do ingl. ''apostle''.
'''Araca, arraca, orraca, urraca''' («aguardente de palmeira, de melaço, de arroz»)<ref>«Renda das '''orraquas''' que se ffaz das palmeiras, da qual ha y tres sortes — a saber — ''çura'' que he asy como se tira, '''orraqua''', que he çura cozida hũa vez, xarao que he cozida duas e tres vezes e he mais forte que '''orraqua'''». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 50.
«Fazem duas maneiras de palmeiras, humas para fruta, e outras para darem ''çura'', que he vinho mosto; e quando he cozido, chamamlhe '''orraqua'''». Garcia da Orta, Col. XVI.
«Coão e temperão com '''Araqua''' pera o aquentar e durar». Gabriel Rebêlo, ''Informação das cousas de Maluco'', p. 170.
«Esta casa das '''Orracas''' que são vinhos que se fazem de jagra de palmeiras» Diogo do Couto, Déc. V, IX, 5.</ref>. Conc. ''urrák''. Term. vern. ''patsak, patskó, saró''. — Indo-ingl. ''arrack, rack''. — Indo-franc. ''arack, rak''. — Malg. ''laraka''. Term. vern. ''tuaka'' (do malaio).
O étimo é o ár. ''’araq'', «suor, exsudação, espírito destilado».
'''Arame'''. Conc. ''ārám''. Term. vern. ''sarí, tantí, tár''. — Tet. ''arámi''. Term. vern. ''kábati''.
'''Arcediago'''. Conc. ''ārsedyág''. — Ár. ''arshidiak'' (Simonet).
'''Areca'''. Indo-ingl. ''areca'' (mais us. ''betel-nut''). — Indo-franc. ''arec, arèque, arequier''.
O étimo é o malayál. ''adekkā''<ref>«Nase hũa fruyta tamanha como nozes, que chamaom '''Areca''', e comemna com o betele». Duarte Barbosa, p. 347.
«No Malavar lhe chamam ''pac''; e os Naires (que sam os caualleiros) ''areca'', he donde os Portugueses tomárão o nome». Garcia da Orta, Col. XXII.</ref>.
'''Argamassa'''. Conc. ''ārgāmás''. Term. vern. ''gilāvó''. — Indo-franc. ''argamasse''<ref>«Era huma casa muito grande, e muito fermosa, a maior parte della de madeira muito bem lavrada, e por cima de '''argamassa'''» ''Comment. de A. de Albuquerque'', part. I, cap. 24.</ref>.
'''Argola'''. Conc. ''ārgól''. Term. vern. ''vāló, ānkdó, kaḍí''. — Tet., Gal. ''argola''.
'''Argolinha''' («arrecada»). Conc.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ARACA ARGOLINHA|{{sc|13}}}}</noinclude>''hopper'' (na India meridional). — Tet., Gal. ''apa, apas''. — ? Siam. ''ahbam''. — ? Mal., Ach. ''apam''. — ? Day. ''apam, abam''. — ? Mak., Bug. ''ápang''.
O vocábulo é dravídico (tam. ''appam''), introduzido, com muita probabilidade, directamente no siamês e no malaio. Usa-se geralmente em indo-português, donde passou, como alguns outros, para Timor.
'''Apontar''' (a espingarda). Conc. ''āpontár-karunk''. Term. vern. ''zokunk''. — Mal. ''pontar''. Vid. ''fitar''.
'''Apóstolo'''. Conc. ''āpóstl''. — Beng. ''āpostôl''. — Tam. ''appostolamam''. — Malayál. ''apōstalaṉ''. ''Apōstalatvam'', apostolado. — Can. ''apōstalánu''. ''Apōstalatanu'', apostolado. ''Apōstalara'', apostólico. — Tul. ''apōstalu''. ''Apōstalatana'', apostolado. — ? Malg. ''apostoly''. Talvez do ingl. ''apostle''.
'''Araca, arraca, orraca, urraca''' («aguardente de palmeira, de melaço, de arroz»)<ref>«Renda das '''orraquas''' que se ffaz das palmeiras, da qual ha y tres sortes — a saber — ''çura'' que he asy como se tira, '''orraqua''', que he çura cozida hũa vez, xarao que he cozida duas e tres vezes e he mais forte que '''orraqua'''». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 50.
«Fazem duas maneiras de palmeiras, humas para fruta, e outras para darem ''çura'', que he vinho mosto; e quando he cozido, chamamlhe '''orraqua'''». Garcia da Orta, Col. XVI.
«Coão e temperão com '''Araqua''' pera o aquentar e durar». Gabriel Rebêlo, ''Informação das cousas de Maluco'', p. 170.
«Esta casa das '''Orracas''' que são vinhos que se fazem de jagra de palmeiras» Diogo do Couto, Déc. V, IX, 5.</ref>. Conc. ''urrák''. Term. vern. ''patsak, patskó, saró''. — Indo-ingl. ''arrack, rack''. — Indo-franc. ''arack, rak''. — Malg. ''laraka''. Term. vern. ''tuaka'' (do malaio).
O étimo é o ár. ''’araq'', «suor, exsudação, espírito destilado».
'''Arame'''. Conc. ''ārám''. Term. vern. ''sarí, tantí, tár''. — Tet. ''arámi''. Term. vern. ''kábati''.
'''Arcediago'''. Conc. ''ārsedyág''. — Ár. ''arshidiak'' (Simonet).
'''Areca'''. Indo-ingl. ''areca'' (mais us. ''betel-nut''). — Indo-franc. ''arec, arèque, arequier''.
O étimo é o malayál. ''adekkā''<ref>«Nase hũa fruyta tamanha como nozes, que chamaom '''Areca''', e comemna com o betele». Duarte Barbosa, p. 347.
«No Malavar lhe chamam ''pac''; e os Naires (que sam os caualleiros) ''areca'', he donde os Portugueses tomárão o nome». Garcia da Orta, Col. XXII.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448688|Argamassa]]'''. Conc. ''ārgāmás''. Term. vern. ''gilāvó''. — Indo-franc. ''argamasse''<ref>«Era huma casa muito grande, e muito fermosa, a maior parte della de madeira muito bem lavrada, e por cima de '''argamassa'''» ''Comment. de A. de Albuquerque'', part. I, cap. 24.</ref>.
'''Argola'''. Conc. ''ārgól''. Term. vern. ''vāló, ānkdó, kaḍí''. — Tet., Gal. ''argola''.
'''Argolinha''' («arrecada»). Conc.
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/111
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 14 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|14}}|ARMÁRIO ARREAR|}}</noinclude>''ārgolính''. Term. vern. ''ānkdó, ānkdí''. — Tet., Gal. ''argolinha''<ref>«E nas orelhas humas '''argolinhas''' d’ouro». Gaspar Correia, I, p. 32.</ref>.
'''Armada'''. Mar. ''ārmár, armár, ārmar, armar''. Significa também «vaso de guerra». ''Armāri, ārmari, armari'' (adj.), relativo à armada ou ao vaso de guerra. ''Armāri xipāi'', soldado da armada. — Guj. ''armár, ārmá''. — Mal., Tet., Gal. ''armada''.
Sendo mudo em marata o ''a'' final átono, ''d'' assimilou-se a ''r''. Houve oscilação entre ''ā'' longo e ''a'' breve<ref>É natural que o termo tivesse sido outr’ora usado em Goa, mas não há indícios.</ref>.
'''Armário''' (''almário'', antigo e popular no continente, por dissimilação). Conc. ''ālmár''. Term. vern. ''tsauk''. — Mar., Guj. ''armārí''. — Hindi, Beng. ''ālmārí, almārí''. — Hindust. ''almārí''. — Ass. ''ālmārí; ālmāirá'' (do indo-ingl.). — Panj. ''almāri'' (estante, cómoda). — Sing. ''almāriya''. — Tam. ''alumári''. — Tel. ''almár, almáru''. — Can. ''almāri, almáru''. — Tul. ''almāri, alméru''. — Indo-ingl. ''almirah, almyra'' (pronuncia-se ''al-maira''). — Gar. ''almár''. — Khas. ''almari'' (cómoda). — Mal. ''almaria'' (Castro), ''almári, lamári, lemári''. — Ach., Mak., Bug. ''lamári''. — Sund. ''almári''. — Jav., Mad. ''lamári, lemári''. — Tet., Gal. ''armári''. No alto javanês (krômôdusun) ''lanantun'', «par analogie avec d’autres mots vraiment javanais». Dr. Heyligers.
«Armário» ou «armário de escrever» também significa, em algumas línguas, «secretária, papeleira», como: ''likhibar ālmārí'' (Beng.), ''likhne ki ālmāri'' ou ''mej'' (Hindi). ''Pot almāriya'' (Sing.), estante de livros.
'''Aroma''' (adj.: «aromático»). Mal. ''arúm''. — Mad. ''arom''. — Jav. ''arum, rum''<ref>«Dans cette dernière langue les mots ''pôrô arum'', les suaves, les odoriférantes, sont une expression élégante pour désigner le sexe féminin». Dr. Heyligers.</ref>.
O Sr. Gonçalves Viana põe em dúvida a proveniência portuguesa.
'''Arraigada''' (naut.). L.-Hindust. ''rikāda''.
'''Arrátel'''. Conc. ''rát''. — Mar., Guj., Hindust. ''ratal''. — Sing. ''ráttala''. — Tam. ''aráttal''. — Malayál. ''rattal''. — Can. ''rátalu''. — Tul. ''rátalu, rátelu''. — Indo-ingl. ''rattle, rottle''. — Indo-franc. ''arratel''.
O étimo é o ár. ''raṭl'' ou ''riṭl'', que, por seu turno, se supõe provir do gr. ''litra''. Vid. ''Hobson-Jobson''. Parece que se deve admitir a procedência imediata portuguesa, pelo menos em algumas das línguas. O termo vernáculo correspondente é ''xêr''<ref>«Corenta '''ceres''' hũa mão, e vymte mãos huum bahar». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 39.</ref>.
'''Arrear''' (naut.). L.-Hindust. ''ariyá''. — Tul. ''áriya''. Mais usado como
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|14}}|ARMÁRIO ARREAR|}}</noinclude>''ārgolính''. Term. vern. ''ānkdó, ānkdí''. — Tet., Gal. ''argolinha''<ref>«E nas orelhas humas '''argolinhas''' d’ouro». Gaspar Correia, I, p. 32.</ref>.
'''Armada'''. Mar. ''ārmár, armár, ārmar, armar''. Significa também «vaso de guerra». ''Armāri, ārmari, armari'' (adj.), relativo à armada ou ao vaso de guerra. ''Armāri xipāi'', soldado da armada. — Guj. ''armár, ārmá''. — Mal., Tet., Gal. ''armada''.
Sendo mudo em marata o ''a'' final átono, ''d'' assimilou-se a ''r''. Houve oscilação entre ''ā'' longo e ''a'' breve<ref>É natural que o termo tivesse sido outr’ora usado em Goa, mas não há indícios.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447172|Armário]]''' (''almário'', antigo e popular no continente, por dissimilação). Conc. ''ālmár''. Term. vern. ''tsauk''. — Mar., Guj. ''armārí''. — Hindi, Beng. ''ālmārí, almārí''. — Hindust. ''almārí''. — Ass. ''ālmārí; ālmāirá'' (do indo-ingl.). — Panj. ''almāri'' (estante, cómoda). — Sing. ''almāriya''. — Tam. ''alumári''. — Tel. ''almár, almáru''. — Can. ''almāri, almáru''. — Tul. ''almāri, alméru''. — Indo-ingl. ''almirah, almyra'' (pronuncia-se ''al-maira''). — Gar. ''almár''. — Khas. ''almari'' (cómoda). — Mal. ''almaria'' (Castro), ''almári, lamári, lemári''. — Ach., Mak., Bug. ''lamári''. — Sund. ''almári''. — Jav., Mad. ''lamári, lemári''. — Tet., Gal. ''armári''. No alto javanês (krômôdusun) ''lanantun'', «par analogie avec d’autres mots vraiment javanais». Dr. Heyligers.
«Armário» ou «armário de escrever» também significa, em algumas línguas, «secretária, papeleira», como: ''likhibar ālmārí'' (Beng.), ''likhne ki ālmāri'' ou ''mej'' (Hindi). ''Pot almāriya'' (Sing.), estante de livros.
'''Aroma''' (adj.: «aromático»). Mal. ''arúm''. — Mad. ''arom''. — Jav. ''arum, rum''<ref>«Dans cette dernière langue les mots ''pôrô arum'', les suaves, les odoriférantes, sont une expression élégante pour désigner le sexe féminin». Dr. Heyligers.</ref>.
O Sr. Gonçalves Viana põe em dúvida a proveniência portuguesa.
'''Arraigada''' (naut.). L.-Hindust. ''rikāda''.
'''Arrátel'''. Conc. ''rát''. — Mar., Guj., Hindust. ''ratal''. — Sing. ''ráttala''. — Tam. ''aráttal''. — Malayál. ''rattal''. — Can. ''rátalu''. — Tul. ''rátalu, rátelu''. — Indo-ingl. ''rattle, rottle''. — Indo-franc. ''arratel''.
O étimo é o ár. ''raṭl'' ou ''riṭl'', que, por seu turno, se supõe provir do gr. ''litra''. Vid. ''Hobson-Jobson''. Parece que se deve admitir a procedência imediata portuguesa, pelo menos em algumas das línguas. O termo vernáculo correspondente é ''xêr''<ref>«Corenta '''ceres''' hũa mão, e vymte mãos huum bahar». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 39.</ref>.
'''Arrear''' (naut.). L.-Hindust. ''ariyá''. — Tul. ''áriya''. Mais usado como
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/112
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 15 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ATA ATA|{{sc|15}}}}</noinclude>imperativo. ''Ariyá karná'' (L.-Hindust.), arrear<ref>«Não esquecerei a palavra ''árriá!'' que se ouve ainda hoje por todo o mar das Indias». Dr. A. O. de Castro.</ref>.
'''Arroio'''. Mal., Indo-franc. «É bem portuguesa a palavra Arroyo, adoptado do malaio de Cochinchina pelos Franceses». (Castro).
'''? Arroz'''. Mal. ''árus'' (talvez do ár. ''aruzz''). — Term. vern. ''pádi'' (arroz em casca), ''bras''.
'''Arruda'''. Mal. ''arrúda, arúda''. Bug. ''arúda''.
'''Arsenal'''. Conc., Tet., Gal. ''ārsenál''.
'''Arte'''. Conc. ''árt''. Term. vern. ''vidyá, kalá; ghādāmôd''. — Tet. ''árti''. Term. vern. ''badáin''.
'''A saber'''. Mal. ''a saber'' (Haex).
'''Asna'''. Jap. ''azna'' (obsol.).
'''Asado''' (subst.). Conc. ''āsád''. — Tam. ''asádu''.
'''Assar'''. Mal. ''assar'' (Haex).
'''Assistir'''. Conc. ''āsistir-zāvunk''. Term. vern. ''āsunk, pāvunk''. — Tet., Gal. ''assísti''.
'''Astrólogo'''. Mak., Bug. ''isitā-raluga'' (Matthes).
'''Ata''' (bot., ''Anona squamosa''). Conc. ''át'' (n.; planta, f.). — Hindi, Hindust. ''át, ātá''. — Or. ''át''. — Beng. ''ātá''. — Ass. ''átlas''. — Sing., Tam. ''āttá''. — Malayál. ''átta; ata-maram'' (Rheede; ''maram'' = árvore), ''ātta-chchakka'' (lit. «ata-jaca»); ''muḷḷātta-chchakka'', anona (''muḷḷa'' = espinho)<ref>Em marata e gujarate ''Sīta-phal'', «fruto de Sita», em sindhi ''Sīta-phalu'', em canarês ''Sīte-phala''. Em tamul simplesmente ''sīttá''; também ''anununa'', talvez por «anona». Em hindustani diz-se também ''sharífa''.
«Vê-se egualmente no paiz outra arvore com o nome de '''ateira''', cujo fructo similhante a pequena pinha, contem um amago branco saborosissimo e bastantemente quente.» — Fr. Clemente da Ressurreição, in ''Agricultor indiano'', de B. F. da Costa, tom. II, pag. 337.</ref>.
É muito intricada a questão da pátria e da etimologia de ''ata'' e de ''anona'', cujos nomes se trocam e se confundem às vezes, e que se dão espontâneamente em várias partes da India, como acontece com ''caju'' e ''goiaba''.
Nas esculturas de Bharhut, nas talhas de Muttra e nas pinturas murais de Ajanta representa-se uma fruta muito parecida com ata, mas de grandeza descomunal. O general Cunningham identifica-a com ''Anona squamosa'', filia o seu nome indiano ''át'' ou ''ātá'' no sânsc. ''ātrapya'', e mantêm que os portugueses, introduzindo-a na India, não fizeram mais que levar carvão para ''Newcastle''.
Max Müller, porém, põe em dúvida a existência do vocábulo ''ātrapya'' no sânscrito verdadeiro; e Yule & Burnell sugerem que se teem inventado nomes sânscritos
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ATA ATA|{{sc|15}}}}</noinclude>imperativo. ''Ariyá karná'' (L.-Hindust.), arrear<ref>«Não esquecerei a palavra ''árriá!'' que se ouve ainda hoje por todo o mar das Indias». Dr. A. O. de Castro.</ref>.
'''Arroio'''. Mal., Indo-franc. «É bem portuguesa a palavra Arroyo, adoptado do malaio de Cochinchina pelos Franceses». (Castro).
'''[[:d:Lexeme:L618751|? Arroz]]'''. Mal. ''árus'' (talvez do ár. ''aruzz''). — Term. vern. ''pádi'' (arroz em casca), ''bras''.
'''Arruda'''. Mal. ''arrúda, arúda''. Bug. ''arúda''.
'''Arsenal'''. Conc., Tet., Gal. ''ārsenál''.
'''[[:d:Lexeme:L500603|Arte]]'''. Conc. ''árt''. Term. vern. ''vidyá, kalá; ghādāmôd''. — Tet. ''árti''. Term. vern. ''badáin''.
'''A saber'''. Mal. ''a saber'' (Haex).
'''Asna'''. Jap. ''azna'' (obsol.).
'''Asado''' (subst.). Conc. ''āsád''. — Tam. ''asádu''.
'''Assar'''. Mal. ''assar'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L669556|Assistir]]'''. Conc. ''āsistir-zāvunk''. Term. vern. ''āsunk, pāvunk''. — Tet., Gal. ''assísti''.
'''Astrólogo'''. Mak., Bug. ''isitā-raluga'' (Matthes).
'''Ata''' (bot., ''Anona squamosa''). Conc. ''át'' (n.; planta, f.). — Hindi, Hindust. ''át, ātá''. — Or. ''át''. — Beng. ''ātá''. — Ass. ''átlas''. — Sing., Tam. ''āttá''. — Malayál. ''átta; ata-maram'' (Rheede; ''maram'' = árvore), ''ātta-chchakka'' (lit. «ata-jaca»); ''muḷḷātta-chchakka'', anona (''muḷḷa'' = espinho)<ref>Em marata e gujarate ''Sīta-phal'', «fruto de Sita», em sindhi ''Sīta-phalu'', em canarês ''Sīte-phala''. Em tamul simplesmente ''sīttá''; também ''anununa'', talvez por «anona». Em hindustani diz-se também ''sharífa''.
«Vê-se egualmente no paiz outra arvore com o nome de '''ateira''', cujo fructo similhante a pequena pinha, contem um amago branco saborosissimo e bastantemente quente.» — Fr. Clemente da Ressurreição, in ''Agricultor indiano'', de B. F. da Costa, tom. II, pag. 337.</ref>.
É muito intricada a questão da pátria e da etimologia de ''ata'' e de ''anona'', cujos nomes se trocam e se confundem às vezes, e que se dão espontâneamente em várias partes da India, como acontece com ''caju'' e ''goiaba''.
Nas esculturas de Bharhut, nas talhas de Muttra e nas pinturas murais de Ajanta representa-se uma fruta muito parecida com ata, mas de grandeza descomunal. O general Cunningham identifica-a com ''Anona squamosa'', filia o seu nome indiano ''át'' ou ''ātá'' no sânsc. ''ātrapya'', e mantêm que os portugueses, introduzindo-a na India, não fizeram mais que levar carvão para ''Newcastle''.
Max Müller, porém, põe em dúvida a existência do vocábulo ''ātrapya'' no sânscrito verdadeiro; e Yule & Burnell sugerem que se teem inventado nomes sânscritos
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/101
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 4 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|4}}|ADEUS AGOSTO|}}</noinclude>vern. ''āthāṇô, sāndhaṇô''. — Sing. ''achchár''. — Indo-ingl. ''achár''. — Indo-franc. ''achar, achars''. — Mal. ''áchar''. — Tet., Gal. ''achár, asár''. Term. vern. ''budú''.
Do pers. ''achár''. Provávelmente encontrado pelos portugueses no malaio e introduzido nas outras línguas, directa ou indirectamente. Os autores de ''Hobson-Jobson'' acham possível que tenha passado do lat. ''acetaria'' para o Oriente.
É curioso que o vocábulo não tenha entrado no concani, posto que usado no português de Goa<ref>«Fazem delle [do anacardo], quando he verde, conserva com sal para comer (a que chamão qua '''achar''') e vendem na praça, como azeitonas acerca de nós». Garcia da Orta, ''Coloquios dos Simples e Drogas da India'', Col. V. «Achar, acepipe do caril, conservas em agua salgada». Dr. A. O. de Castro, ''Flores de coral'', p. 137.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L471993|Açoitar]]'''. Mal. ''açotar'' (Haex).
Em concani usa-se ''sait'', «açoite», e ''saitár-kāḍhunk'', «açoitar».
'''Acudir'''. Mal. ''cudir'' (Haex). — Tet., Gal. ''kudir''.
'''[[:d:Lexeme:L1417720|Adeus]]'''. Conc. ''ādês''. Term. vern. ''Rām'-Rām''' (entre os hindus), ''salám'' (entre os maometanos). ''Adês karunk'', fazer mesura. — Tet., Gal. ''adeus''. Term. vern. ''bá-ôna''<ref>De ''Ram-Ram'' deriva o Sr. Gonçalves Viana o português ''ramerrão''. Vid. ''Apostilas aos Dicionários Portugueses''. O mesmo escritor admite, nas ''Palestras Filológicas'', que é possível que o singular vocábulo proceda do estribilho de qualquer cantiga, que se vulgarizasse.</ref>.
'''Adro'''. Conc. ''ádr''. — Tam. ''ádru''.
'''Adufa''' (no português de Goa também ''adufo''). Conc. ''ādúph''. — Sing. ''adǔppuva, adĭppuva''.
Emprega-se o vocábulo para designar o resguardo da janela, feito comummente de conchas do marisco ''bhing'', chamadas por isso ''bhingatyô'' ou ''bhingātyô'' em concani.
'''[[:d:Lexeme:L620484|Advogado]]'''. Conc. ''ādvogád'' (mais us. ''letrád'' nesta acepção). Term. vern. ''vakíl'' (p. us. em Goa). — Tet., Gal. ''advogádu''. Term. vern. ''sori''.
'''Afonsa''' (nome duma variedade de fruta manga). Conc. ''āphons, āphonsātsó āmbó''. — Mar. ''aphôs''. — Guj. ''āphús''. — Indo-ingl. ''afoos''.
A enxertia da mangueira foi introduzida pelos portugueses, e as variedades de árvores enxertadas e os seus frutos distinguem-se por nomes ou apelidos portugueses, às vezes feminizados. Vid. ''Carreira, Colaça, Peres''<ref>Outras variedades com denominações portuguesas, que vogam sómente em Goa, são: Bispo, Costa, Doirada, D. Bernardo, D. Filipe, Fernandina, Ferrão, Malagesta, Monserrate, Papel, Papel Branco, Rebêlo, Reinol, Salgada, Salgadinha, Santo António, Sacratina, Temula (Conc. ''chimbúd''), Xavier, Bem-curada, Mal-curada, etc.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L8755|Agosto]]'''. Conc. ''āgôst''. — ? Bihari ''agast'' (provávelmente do ingl.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|4}}|ADEUS AGOSTO|}}</noinclude>vern. ''āthāṇô, sāndhaṇô''. — Sing. ''achchár''. — Indo-ingl. ''achár''. — Indo-franc. ''achar, achars''. — Mal. ''áchar''. — Tet., Gal. ''achár, asár''. Term. vern. ''budú''.
Do pers. ''achár''. Provávelmente encontrado pelos portugueses no malaio e introduzido nas outras línguas, directa ou indirectamente. Os autores de ''Hobson-Jobson'' acham possível que tenha passado do lat. ''acetaria'' para o Oriente.
É curioso que o vocábulo não tenha entrado no concani, posto que usado no português de Goa<ref>«Fazem delle [do anacardo], quando he verde, conserva com sal para comer (a que chamão qua '''achar''') e vendem na praça, como azeitonas acerca de nós». Garcia da Orta, ''Coloquios dos Simples e Drogas da India'', Col. V. «Achar, acepipe do caril, conservas em agua salgada». Dr. A. O. de Castro, ''Flores de coral'', p. 137.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L471993|Açoitar]]'''. Mal. ''açotar'' (Haex).
Em concani usa-se ''sait'', «açoite», e ''saitár-kāḍhunk'', «açoitar».
'''Acudir'''. Mal. ''cudir'' (Haex). — Tet., Gal. ''kudir''.
'''[[:d:Lexeme:L1417720|Adeus]]'''. Conc. ''ādês''. Term. vern. ''Rām'-Rām''' (entre os hindus), ''salám'' (entre os maometanos). ''Adês karunk'', fazer mesura. — Tet., Gal. ''adeus''. Term. vern. ''bá-ôna''<ref>De ''Ram-Ram'' deriva o Sr. Gonçalves Viana o português ''ramerrão''. Vid. ''Apostilas aos Dicionários Portugueses''. O mesmo escritor admite, nas ''Palestras Filológicas'', que é possível que o singular vocábulo proceda do estribilho de qualquer cantiga, que se vulgarizasse.</ref>.
'''Adro'''. Conc. ''ádr''. — Tam. ''ádru''.
'''Adufa''' (no português de Goa também ''adufo''). Conc. ''ādúph''. — Sing. ''adǔppuva, adĭppuva''.
Emprega-se o vocábulo para designar o resguardo da janela, feito comummente de conchas do marisco ''bhing'', chamadas por isso ''bhingatyô'' ou ''bhingātyô'' em concani.
'''[[:d:Lexeme:L620484|Advogado]]'''. Conc. ''ādvogád'' (mais us. ''letrád'' nesta acepção). Term. vern. ''vakíl'' (p. us. em Goa). — Tet., Gal. ''advogádu''. Term. vern. ''sori''.
'''Afonsa''' (nome duma variedade de fruta manga). Conc. ''āphons, āphonsātsó āmbó''. — Mar. ''aphôs''. — Guj. ''āphús''. — Indo-ingl. ''afoos''.
A enxertia da mangueira foi introduzida pelos portugueses, e as variedades de árvores enxertadas e os seus frutos distinguem-se por nomes ou apelidos portugueses, às vezes feminizados. Vid. ''Carreira, Colaça, Peres''<ref>Outras variedades com denominações portuguesas, que vogam sómente em Goa, são: Bispo, Costa, Doirada, D. Bernardo, D. Filipe, Fernandina, Ferrão, Malagesta, Monserrate, Papel, Papel Branco, Rebêlo, Reinol, Salgada, Salgadinha, Santo António, Sacratina, Temula (Conc. ''chimbúd''), Xavier, Bem-curada, Mal-curada, etc.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L8755|Agosto]]'''. Conc. ''āgôst''. — ? Bihari ''agast'' (provávelmente do ingl.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/102
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 5 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||AIA AJOELHAR|{{sc|5}}}}</noinclude>''august'', como ''oktubar'' ou ''oktobar''). — Sing. ''agôstu''. — Mal. ''agôstu, agústu''. — Tet., Gal. ''agôstu''.
Em Goa (bem como em Timor) adopta-se a nomenclatura portuguesa; fora de Goa (Canará, Savantvadi, Malvane) e em outros idiomas, a inglesa. Os meses indianos são lunares; não incidem com os europeus. Alguns dos nomes malaios, como ''júlu, mársu'', denunciam claramente a proveniência portuguesa; outros são ambíguos ou de procedência diferente, como ''jun, octuber''.
Em singalês, ''mártu, júni, júli'', veem evidentemente do holandês, ''Maart, Junnij, Julij''. Os nomes dos outros meses podem ser holandeses ou ingleses.
'''Agradecer'''. Mal. ''agradecer'' (Haex). — Tet., Gal. ''agradéci''.
'''Água benta'''. Conc. ''āg-bént, āl-mét'' (mais us.). — Beng. ''ag-bent''. — Mal. ''aguabenta'' (Haex).
Nos crioulos indo-portugueses ''água'' contrai-se em ''águ'' ou ''ag'', e ''bento'' em ''bent''. Em ''almét'', ''l'' por ''g'', e ''m'' por ''b'', com absorção da nasal seguinte.
Os gentios designam a sua água sagrada por ''tirth, gangá, gangodak''. Os cristãos poderiam dizer ''pavitr udak'', como se diz ''bé saráni'' («água nazarena, cristã, sagrada») em teto.
'''[[:d:Lexeme:L447386|Aia]]''' («ama sêca»). Conc., Mar., Guj., Hindust., Sing. ''āyá''. — Or., Beng., Ass. ''āiyá''. — Tel. ''āyá''. — Tul. ''áya''. — Indo-ingl. ''ayah''. — Khas. ''aiah''. — Mal. ''áya''<ref>«Ao outro dia pela manhã cedo a '''aya''' que tinha cuydado della, a foi buscar ao lugar». Fernão Pinto, ''Peregrinações'', cap. CXCIX.</ref>.
Simonet acha notável semelhança entre ''aia'' (vasconço ''zaya'') e o árabe-persa ''dāya'', «ama, parteira». No português de Goa emprega-se ''daia'' no sentido de «parteira»; também se usa em teto.
A adopção de ''aia'' deve atribuir-se a não haver vocábulo correspondente, simples e corrente<ref>''Ayál'' em tamul é termo vernáculo; significa «mãe, ama, avó materna».</ref>.
'''Ajoelhar''' (forma arcaica ''ageolhar''). Mal. ''ingeolar'' (Haex), ''injiolar''.
O étimo de ''ingiolar'' é evidentemente ''engeolhar'', que, se não é outra formação portuguesa antiga, deve ter sido derivado pelos crioulos de ''em geolhos'', desde o século XVI<ref>«Poz-se '''em giolhos''' com as mãos levantadas». João de Barros, Déc. II, x, 3.</ref>. O crioulo malaio moderno tem ''injubel, injubel'', «em joelhos, ajoelhar»; o de Singapura: ''injilhá'', «ajoelhar»; o de Ceilão: ''injoelho, injirelho, injerejo, injirejo'' (adv.), «em joelhos, ajoelhado»; o de Damão: ''injoelh'', «em joelhos, ajoelhado»; o de Bombaim: ''injrell'', «em joelhos» (''pusá injerelh'', «ajoelhar»); o de Macau: ''dizelo'', «de joelhos»<ref>Cf. ''impé'' (estar em pé), ''impedo, im-''</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Anacastrosalgado
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||AIA AJOELHAR|{{sc|5}}}}</noinclude>''august'', como ''oktubar'' ou ''oktobar''). — Sing. ''agôstu''. — Mal. ''agôstu, agústu''. — Tet., Gal. ''agôstu''.
Em Goa (bem como em Timor) adopta-se a nomenclatura portuguesa; fora de Goa (Canará, Savantvadi, Malvane) e em outros idiomas, a inglesa. Os meses indianos são lunares; não incidem com os europeus. Alguns dos nomes malaios, como ''júlu, mársu'', denunciam claramente a proveniência portuguesa; outros são ambíguos ou de procedência diferente, como ''jun, octuber''.
Em singalês, ''mártu, júni, júli'', veem evidentemente do holandês, ''Maart, Junnij, Julij''. Os nomes dos outros meses podem ser holandeses ou ingleses.
'''Agradecer'''. Mal. ''agradecer'' (Haex). — Tet., Gal. ''agradéci''.
'''[[:d:Lexeme:L1563666|Água benta]]'''. Conc. ''āg-bént, āl-mét'' (mais us.). — Beng. ''ag-bent''. — Mal. ''aguabenta'' (Haex).
Nos crioulos indo-portugueses ''água'' contrai-se em ''águ'' ou ''ag'', e ''bento'' em ''bent''. Em ''almét'', ''l'' por ''g'', e ''m'' por ''b'', com absorção da nasal seguinte.
Os gentios designam a sua água sagrada por ''tirth, gangá, gangodak''. Os cristãos poderiam dizer ''pavitr udak'', como se diz ''bé saráni'' («água nazarena, cristã, sagrada») em teto.
'''[[:d:Lexeme:L447386|Aia]]''' («ama sêca»). Conc., Mar., Guj., Hindust., Sing. ''āyá''. — Or., Beng., Ass. ''āiyá''. — Tel. ''āyá''. — Tul. ''áya''. — Indo-ingl. ''ayah''. — Khas. ''aiah''. — Mal. ''áya''<ref>«Ao outro dia pela manhã cedo a '''aya''' que tinha cuydado della, a foi buscar ao lugar». Fernão Pinto, ''Peregrinações'', cap. CXCIX.</ref>.
Simonet acha notável semelhança entre ''aia'' (vasconço ''zaya'') e o árabe-persa ''dāya'', «ama, parteira». No português de Goa emprega-se ''daia'' no sentido de «parteira»; também se usa em teto.
A adopção de ''aia'' deve atribuir-se a não haver vocábulo correspondente, simples e corrente<ref>''Ayál'' em tamul é termo vernáculo; significa «mãe, ama, avó materna».</ref>.
'''Ajoelhar''' (forma arcaica ''ageolhar''). Mal. ''ingeolar'' (Haex), ''injiolar''.
O étimo de ''ingiolar'' é evidentemente ''engeolhar'', que, se não é outra formação portuguesa antiga, deve ter sido derivado pelos crioulos de ''em geolhos'', desde o século XVI<ref>«Poz-se '''em giolhos''' com as mãos levantadas». João de Barros, Déc. II, x, 3.</ref>. O crioulo malaio moderno tem ''injubel, injubel'', «em joelhos, ajoelhar»; o de Singapura: ''injilhá'', «ajoelhar»; o de Ceilão: ''injoelho, injirelho, injerejo, injirejo'' (adv.), «em joelhos, ajoelhado»; o de Damão: ''injoelh'', «em joelhos, ajoelhado»; o de Bombaim: ''injrell'', «em joelhos» (''pusá injerelh'', «ajoelhar»); o de Macau: ''dizelo'', «de joelhos»<ref>Cf. ''impé'' (estar em pé), ''impedo, im-''</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||AIA AJOELHAR|{{sc|5}}}}</noinclude>''august'', como ''oktubar'' ou ''oktobar''). — Sing. ''agôstu''. — Mal. ''agôstu, agústu''. — Tet., Gal. ''agôstu''.
Em Goa (bem como em Timor) adopta-se a nomenclatura portuguesa; fora de Goa (Canará, Savantvadi, Malvane) e em outros idiomas, a inglesa. Os meses indianos são lunares; não incidem com os europeus. Alguns dos nomes malaios, como ''júlu, mársu'', denunciam claramente a proveniência portuguesa; outros são ambíguos ou de procedência diferente, como ''jun, octuber''.
Em singalês, ''mártu, júni, júli'', veem evidentemente do holandês, ''Maart, Junnij, Julij''. Os nomes dos outros meses podem ser holandeses ou ingleses.
'''Agradecer'''. Mal. ''agradecer'' (Haex). — Tet., Gal. ''agradéci''.
'''[[:d:Lexeme:L1563666|Água benta]]'''. Conc. ''āg-bént, āl-mét'' (mais us.). — Beng. ''ag-bent''. — Mal. ''aguabenta'' (Haex).
Nos crioulos indo-portugueses ''água'' contrai-se em ''águ'' ou ''ag'', e ''bento'' em ''bent''. Em ''almét'', ''l'' por ''g'', e ''m'' por ''b'', com absorção da nasal seguinte.
Os gentios designam a sua água sagrada por ''tirth, gangá, gangodak''. Os cristãos poderiam dizer ''pavitr udak'', como se diz ''bé saráni'' («água nazarena, cristã, sagrada») em teto.
'''[[:d:Lexeme:L447386|Aia]]''' («ama sêca»). Conc., Mar., Guj., Hindust., Sing. ''āyá''. — Or., Beng., Ass. ''āiyá''. — Tel. ''āyá''. — Tul. ''áya''. — Indo-ingl. ''ayah''. — Khas. ''aiah''. — Mal. ''áya''<ref>«Ao outro dia pela manhã cedo a '''aya''' que tinha cuydado della, a foi buscar ao lugar». Fernão Pinto, ''Peregrinações'', cap. CXCIX.</ref>.
Simonet acha notável semelhança entre ''aia'' (vasconço ''zaya'') e o árabe-persa ''dāya'', «ama, parteira». No português de Goa emprega-se ''daia'' no sentido de «parteira»; também se usa em teto.
A adopção de ''aia'' deve atribuir-se a não haver vocábulo correspondente, simples e corrente<ref>''Ayál'' em tamul é termo vernáculo; significa «mãe, ama, avó materna».</ref>.
'''Ajoelhar''' (forma arcaica ''ageolhar''). Mal. ''ingeolar'' (Haex), ''injiolar''.
O étimo de ''ingiolar'' é evidentemente ''engeolhar'', que, se não é outra formação portuguesa antiga, deve ter sido derivado pelos crioulos de ''em geolhos'', desde o século XVI<ref>«Poz-se '''em giolhos''' com as mãos levantadas». João de Barros, Déc. II, x, 3.</ref>. O crioulo malaio moderno tem ''injubel, injubel'', «em joelhos, ajoelhar»; o de Singapura: ''injilhá'', «ajoelhar»; o de Ceilão: ''injoelho, injirelho, injerejo, injirejo'' (adv.), «em joelhos, ajoelhado»; o de Damão: ''injoelh'', «em joelhos, ajoelhado»; o de Bombaim: ''injrell'', «em joelhos» (''pusá injerelh'', «ajoelhar»); o de Macau: ''dizelo'', «de joelhos»<ref>Cf. ''impé'' (estar em pé), ''impedo, im-''</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/103
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 6 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|6}}|ALBACORA ALCATRAZ|}}</noinclude>O bengali tem ''injurel, enjil'', «joelho», usado pelos cristãos. ''Enjil deon'', «ajoelhar».
'''Ajudante'''. Conc. ''ājudánt'' (us. restrit.). — Mal. ''ajudán''.
'''[[:d:Lexeme:L561195|Ajudar]]'''. Conc. ''ājudár-karunk'' (especialmente ajudar à missa). Term. vern. ''ādhár dirunk, hát dirunk''. — Tet., Gal. ''aidúda''.
Em teto e galóli não há o fonema ''j''; por isso o ''j'' português é substituído por ''d'': ''kreda'' = igreja, ''duiz'' = juiz, ''kaidú'' = caju.
'''Alar'''. L.-Hindust. ''ālá''. Us. na forma imperativa.
'''Alâmpada''' (da igreja). Beng. ''ālamp'' (usado entre os cristãos). Vid. ''lâmpada''.
'''Alavanca'''. Conc. ''lavang''. ''Lavangám pārāyô ulaunk'', dizer palavras altissonantes, aparentar negócios importantes. — Sing. ''alavánguva''. — Tam. ''alavángu''. — Mal. ''alabanka, albanka''. — Gal. ''lavanka''<ref>«Enxadas, '''alavancas''', picões, gamelas, cestos, pauiolas». Gaspar Correia, III, p. 619.</ref>.
Em concani o vocábulo sómente se emprega para denotar grande alavanca. A pequena ou o pé de cabra denomina-se vernáculamente ''pārāy''.
'''Albacora''' («espécie de peixe»). Indo-ingl. ''albacore''. Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Cõ seu anzolo pera tomar os peixes, a que os mareantes chamão '''Albecóras''', q' são do tamanho e feição do Atũ». João de Barros, Déc. III, III, 1.</ref>.
'''Alcatifa'''. Conc. ''ālkātíph''. Term. vern. ''tirāsi, satrangí''. Mal. ''alcatifa'' (Haex). — Tet. ''alcatífu, lakatífa''. — Gal. ''alkatifa''.
O vocábulo português é de origem arábica, ''al-qatif''<ref>«Aqui (Dio) trazem da India muytas '''alcatifas''' grossas». Duarte Barbosa, p. 275. «O chão todo alcatifado com '''alcatifas''' grandes». Bocarro, Déc. XIII, p. 390.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1563665|Alcatrão]]'''. Conc. ''álkātráme'' (p. us.). Term. vern. ''kil, dāmar'' ou ''dāmbar''. — Beng. ''ālkātrá''. — Gar. ''alkatra''<ref>«Mandando por sobre as paredes, muitos barris '''d'alcatrão'''». Diogo do Couto, Déc. VI, III, 10.</ref>.
O étimo da palavra portuguesa é o árabe ''al-qatrān''; mas o bengali recebeu o vocábulo imediatamente do português e transmitiu-o ao garó, assim porque o não possuem outras línguas, mais influenciadas pelo árabe, como por ter o artigo, que as palavras de procedência imediata não conservam, como, por exemplo, ''jeb'', de ''al-jeb'' = algibeira. Cf. ''arrátel''.
'''Alcatraz''' (zool.). Indo-ingl. ''albatross''. — Indo-franc. ''albatros''. Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Este dia pella manhãa vimos '''alcatrazes''' e garjaos, que he o sinal maes aprouado pera sermos perto de terra». D. João de Castro, ''Roteiro de Lisboa a Goa'', p. 227.</ref>.
''pido'' (estando em pé), no português de Ceilão; ''impé'', no de Cochim; ''empido'', no de Macau.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|6}}|ALBACORA ALCATRAZ|}}</noinclude>O bengali tem ''injurel, enjil'', «joelho», usado pelos cristãos. ''Enjil deon'', «ajoelhar».
'''Ajudante'''. Conc. ''ājudánt'' (us. restrit.). — Mal. ''ajudán''.
'''[[:d:Lexeme:L561195|Ajudar]]'''. Conc. ''ājudár-karunk'' (especialmente ajudar à missa). Term. vern. ''ādhár dirunk, hát dirunk''. — Tet., Gal. ''aidúda''.
Em teto e galóli não há o fonema ''j''; por isso o ''j'' português é substituído por ''d'': ''kreda'' = igreja, ''duiz'' = juiz, ''kaidú'' = caju.
'''Alar'''. L.-Hindust. ''ālá''. Us. na forma imperativa.
'''[[:d:Lexeme:L1563668|Alâmpada]]''' (da igreja). Beng. ''ālamp'' (usado entre os cristãos). Vid. ''lâmpada''.
'''[[:d:Lexeme:L447829|Alavanca]]'''. Conc. ''lavang''. ''Lavangám pārāyô ulaunk'', dizer palavras altissonantes, aparentar negócios importantes. — Sing. ''alavánguva''. — Tam. ''alavángu''. — Mal. ''alabanka, albanka''. — Gal. ''lavanka''<ref>«Enxadas, '''alavancas''', picões, gamelas, cestos, pauiolas». Gaspar Correia, III, p. 619.</ref>.
Em concani o vocábulo sómente se emprega para denotar grande alavanca. A pequena ou o pé de cabra denomina-se vernáculamente ''pārāy''.
'''Albacora''' («espécie de peixe»). Indo-ingl. ''albacore''. Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Cõ seu anzolo pera tomar os peixes, a que os mareantes chamão '''Albecóras''', q' são do tamanho e feição do Atũ». João de Barros, Déc. III, III, 1.</ref>.
'''Alcatifa'''. Conc. ''ālkātíph''. Term. vern. ''tirāsi, satrangí''. Mal. ''alcatifa'' (Haex). — Tet. ''alcatífu, lakatífa''. — Gal. ''alkatifa''.
O vocábulo português é de origem arábica, ''al-qatif''<ref>«Aqui (Dio) trazem da India muytas '''alcatifas''' grossas». Duarte Barbosa, p. 275. «O chão todo alcatifado com '''alcatifas''' grandes». Bocarro, Déc. XIII, p. 390.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1563665|Alcatrão]]'''. Conc. ''álkātráme'' (p. us.). Term. vern. ''kil, dāmar'' ou ''dāmbar''. — Beng. ''ālkātrá''. — Gar. ''alkatra''<ref>«Mandando por sobre as paredes, muitos barris '''d'alcatrão'''». Diogo do Couto, Déc. VI, III, 10.</ref>.
O étimo da palavra portuguesa é o árabe ''al-qatrān''; mas o bengali recebeu o vocábulo imediatamente do português e transmitiu-o ao garó, assim porque o não possuem outras línguas, mais influenciadas pelo árabe, como por ter o artigo, que as palavras de procedência imediata não conservam, como, por exemplo, ''jeb'', de ''al-jeb'' = algibeira. Cf. ''arrátel''.
'''Alcatraz''' (zool.). Indo-ingl. ''albatross''. — Indo-franc. ''albatros''. Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Este dia pella manhãa vimos '''alcatrazes''' e garjaos, que he o sinal maes aprouado pera sermos perto de terra». D. João de Castro, ''Roteiro de Lisboa a Goa'', p. 227.</ref>.
''pido'' (estando em pé), no português de Ceilão; ''impé'', no de Cochim; ''empido'', no de Macau.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 16 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|16}}|ATENÇÃO AZUL|}}</noinclude>para muitos objectos sómente conhecidos nos últimos séculos. Fundados na autoridade do botânico holandês Rheede<ref>Diz êste autor que no Malabar se chama às vezes à ata ''manil-jaca'', «jaca de Manila», e à anona, ''parengi-jaca'', «jaca portuguesa».</ref> e em um vocabulário de Manila, presumem estes autores que a ata e o seu nome foram para a India do México por via das Filipinas, emquanto a anona e o seu nome foram de Hispaníola por via do Cabo da Boa Esperança. Vid. ''Hobson-Jobson, s. v. custard-apple''.
Cumpre contudo notar que se a ''Anona squamosa'' entrou pelas Filipinas, não levou consigo o nome de ''ata'', porque as línguas malaias lhe não dão tal nome, mas o de ''nona'', e bem pode ser que ''ate'' ou ''atte'' do vocabulário de Manila seja de introdução moderna. A planta é também indígena do Brasil, onde se chama igualmente ''ata'' ou ''ateira''.
'''Atalaia'''. Sing. ''aṭṭálaya''<ref>«Tendo sempre no campo grandes vigias e '''attalayas'''». Diogo do Couto, Déc. VI, VIII, 8.</ref>.
A geminação de consoantes é muito freqüente no singalês, como no malayálam e no tamul; mas a cacuminalização de ''ṭṭ'' é excepcional.
'''Atenção'''. Conc. ''atensám'' (p. us.). Term. vern. ''chitt, tsatráy''. — Tet. ''atensā''. Term. vern. ''rônu''.
'''Atrevido'''. Conc. ''ātrevíd''. Term. vern. ''tíd, mastó, taxṇás''. — Tet. ''atrevídu''. Term. vern. ''áti''.
'''Avè Maria'''. Conc. ''āvèmarí''. — Beng. ''āvèmarí''.
'''Avêsso'''. L.-Hindust. ''ābês''. — Mal. ''avés'' (Marre).
'''Avisar'''. Conc. ''āvizár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''kaḷaunk, gamaunk, khabar divunk''. — Tet. ''avíza''. Term. vern. ''hanôrin''.
'''Aviso'''. Conc. ''āvíz''. Term. vern. ''kaḷauní, gamauní, zāṇauní''. — Tet. ''avídu''. — Gal. ''avizu''.
Em teto, ''v'' vocaliza-se.
'''Avó'''. Beng. ''āvó'' (us. entre os cristãos de Hoshanabad).
'''Az'''. Conc. ''áz''. — Mak., Bug. ''ássa''.
Quási todos os termos dos jogos de cartas no concani dos cristãos são portugueses. O makassarês e o búgui também teem muitos. Vid. ''rei, sota, espadilha, manilha, codilho, basto''.
'''Azagaia'''. Indo-ingl. ''assegay''. — Mal. ''asegay''. Term. vern. ''tombak''.
O étimo é o berbere ''zagaya''<ref>«Trazem também nas mãos '''azagaias'''; e outros arquos e frechas meãos». Duarte Barbosa, p. 234.</ref>.
'''Azeitona'''. Conc. ''āzetón''. ''Azetín'', oliveira. — Tet. ''azeitona''.
'''Azul'''. Conc. ''āzúl''. Term. vern. ''nîló, āsmāní''. — Tet. ''ajul''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|16}}|ATENÇÃO AZUL|}}</noinclude>para muitos objectos sómente conhecidos nos últimos séculos. Fundados na autoridade do botânico holandês Rheede<ref>Diz êste autor que no Malabar se chama às vezes à ata ''manil-jaca'', «jaca de Manila», e à anona, ''parengi-jaca'', «jaca portuguesa».</ref> e em um vocabulário de Manila, presumem estes autores que a ata e o seu nome foram para a India do México por via das Filipinas, emquanto a anona e o seu nome foram de Hispaníola por via do Cabo da Boa Esperança. Vid. ''Hobson-Jobson, s. v. custard-apple''.
Cumpre contudo notar que se a ''Anona squamosa'' entrou pelas Filipinas, não levou consigo o nome de ''ata'', porque as línguas malaias lhe não dão tal nome, mas o de ''nona'', e bem pode ser que ''ate'' ou ''atte'' do vocabulário de Manila seja de introdução moderna. A planta é também indígena do Brasil, onde se chama igualmente ''ata'' ou ''ateira''.
'''Atalaia'''. Sing. ''aṭṭálaya''<ref>«Tendo sempre no campo grandes vigias e '''attalayas'''». Diogo do Couto, Déc. VI, VIII, 8.</ref>.
A geminação de consoantes é muito freqüente no singalês, como no malayálam e no tamul; mas a cacuminalização de ''ṭṭ'' é excepcional.
'''[[:d:Lexeme:L499910|Atenção]]'''. Conc. ''atensám'' (p. us.). Term. vern. ''chitt, tsatráy''. — Tet. ''atensā''. Term. vern. ''rônu''.
'''[[:d:Lexeme:L647966|Atrevido]]'''. Conc. ''ātrevíd''. Term. vern. ''tíd, mastó, taxṇás''. — Tet. ''atrevídu''. Term. vern. ''áti''.
'''Avè Maria'''. Conc. ''āvèmarí''. — Beng. ''āvèmarí''.
'''Avêsso'''. L.-Hindust. ''ābês''. — Mal. ''avés'' (Marre).
'''Avisar'''. Conc. ''āvizár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''kaḷaunk, gamaunk, khabar divunk''. — Tet. ''avíza''. Term. vern. ''hanôrin''.
'''Aviso'''. Conc. ''āvíz''. Term. vern. ''kaḷauní, gamauní, zāṇauní''. — Tet. ''avídu''. — Gal. ''avizu''.
Em teto, ''v'' vocaliza-se.
'''Avó'''. Beng. ''āvó'' (us. entre os cristãos de Hoshanabad).
'''Az'''. Conc. ''áz''. — Mak., Bug. ''ássa''.
Quási todos os termos dos jogos de cartas no concani dos cristãos são portugueses. O makassarês e o búgui também teem muitos. Vid. ''rei, sota, espadilha, manilha, codilho, basto''.
'''Azagaia'''. Indo-ingl. ''assegay''. — Mal. ''asegay''. Term. vern. ''tombak''.
O étimo é o berbere ''zagaya''<ref>«Trazem também nas mãos '''azagaias'''; e outros arquos e frechas meãos». Duarte Barbosa, p. 234.</ref>.
'''Azeitona'''. Conc. ''āzetón''. ''Azetín'', oliveira. — Tet. ''azeitona''.
'''[[:d:Lexeme:L500959|Azul]]'''. Conc. ''āzúl''. Term. vern. ''nîló, āsmāní''. — Tet. ''ajul''.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 17 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BACIA BAFO|{{sc|17}}}}</noinclude>{{center|{{larger|B}}}}
'''Bacalhau'''. Conc. ''bākālhámv'' (também significa «óleo de fígados de bacalhau»). Term. vern. ''tātó''. — Tet. ''bakalhau''.
'''Bacia''' ou '''bacio''' (por «prato»). Conc. ''basí, baxí''. — Mar. ''basí, bāsí, bāxí''. — Guj. ''basí''. — Tam., Tel., Can., Tul. ''bási''. — Malayál. ''vāssi''. — Mal. ''bási'' (''basil'', segundo Castro). — Ach. ''bási, besoi''. — Sund. ''bási'' («a large dish for joint; a large bowl», Rigg). — Jav. ''bási, bési''. — Tet., Gal. ''basia''. — Malg. ''basi''<ref>«Tangendo '''bacias''' e sestros segundo seus costumes». Gaspar Correia, ''Lendas da India'', II, p. 77.
«'''Bacios''' e outras cousas de serviço, que são de hum metal». António Nunes, ''Livro dos Pesos da Ymdia'', p. 38.
«Leuaua em hum grande '''bacio''' de prata hum homem nobre». João de Barros, Déc. I, VI, 7.
«Quinze athé vinte corjas de porcelanas, e outras tantas de '''bacios''' de comer, huma duzia de bacios de agoa ás mãos» (1585). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 1021.</ref>.
''S'' antes de ''e'' e ''i'' palatiza-se em concani e marata. Em malayálam ''b'' troca-se por ''v''. Cf. ''bateria''.
Há outra palavra com idêntica significação — ''básan'': em Conc., Mar., Guj., Hindi, Hindust., Or., Beng., Ass., Panj.; Sing., Mal. (''bájan''), Sund. (''bájan, vájan''), Jav. (''vájan''), Indo-inglês (''bassan'') — cuja origem ''Hobson-Jobson'' atribui igualmente à ''bacia''. Mas há ''bhājana'' em sânscrito com o mesmo sentido<ref>Vid. Hugo Schuchardt, ''Beiträge'', etc., p. 511.</ref>.
'''? Bafo'''. Conc., Guj., Hindust. ''báph''. — Mar. ''váph''. — Hindi, Panj. ''bháph''. — Nep. ''báf''. — Or. ''bháp, bhámp''. — Beng. ''bháp''. — Ass. ''báp''. — Sindh. ''bápha''<ref>«Come-se isto [bétele] em toda a India porque faz bom '''Bafo'''». Castanheda, I, cap. 16.
«Hum arroz que chamam ''pulot'', o qual cozendose somente com o '''baffo''' da aguoa, apegua-se tanto ás mãos e he tão humido, que parece ser cozido com manteiga». Garcia da Orta, Col. LVIII.</ref>.
É incerta a etimologia da voz portuguesa. Em castelhano, ''vaho'' corresponde a ''bafo''. «F. Diez pretende que seja voz imitativa e como ainda se lhe não descobriu étimo plausível, apesar de que as vozes onomatopoéticas são por via de regra suspeitas, quando não são meramente interjectivas, à falta de melhor, aceitaremos provisóriamente o parecer do fundador in-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BACIA BAFO|{{sc|17}}}}</noinclude>{{center|{{larger|B}}}}
'''[[:d:Lexeme:L448645|Bacalhau]]'''. Conc. ''bākālhámv'' (também significa «óleo de fígados de bacalhau»). Term. vern. ''tātó''. — Tet. ''bakalhau''.
'''[[:d:Lexeme:L447126|Bacia]]''' ou '''bacio''' (por «prato»). Conc. ''basí, baxí''. — Mar. ''basí, bāsí, bāxí''. — Guj. ''basí''. — Tam., Tel., Can., Tul. ''bási''. — Malayál. ''vāssi''. — Mal. ''bási'' (''basil'', segundo Castro). — Ach. ''bási, besoi''. — Sund. ''bási'' («a large dish for joint; a large bowl», Rigg). — Jav. ''bási, bési''. — Tet., Gal. ''basia''. — Malg. ''basi''<ref>«Tangendo '''bacias''' e sestros segundo seus costumes». Gaspar Correia, ''Lendas da India'', II, p. 77.
«'''Bacios''' e outras cousas de serviço, que são de hum metal». António Nunes, ''Livro dos Pesos da Ymdia'', p. 38.
«Leuaua em hum grande '''bacio''' de prata hum homem nobre». João de Barros, Déc. I, VI, 7.
«Quinze athé vinte corjas de porcelanas, e outras tantas de '''bacios''' de comer, huma duzia de bacios de agoa ás mãos» (1585). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 1021.</ref>.
''S'' antes de ''e'' e ''i'' palatiza-se em concani e marata. Em malayálam ''b'' troca-se por ''v''. Cf. ''bateria''.
Há outra palavra com idêntica significação — ''básan'': em Conc., Mar., Guj., Hindi, Hindust., Or., Beng., Ass., Panj.; Sing., Mal. (''bájan''), Sund. (''bájan, vájan''), Jav. (''vájan''), Indo-inglês (''bassan'') — cuja origem ''Hobson-Jobson'' atribui igualmente à ''bacia''. Mas há ''bhājana'' em sânscrito com o mesmo sentido<ref>Vid. Hugo Schuchardt, ''Beiträge'', etc., p. 511.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L449056|? Bafo]]'''. Conc., Guj., Hindust. ''báph''. — Mar. ''váph''. — Hindi, Panj. ''bháph''. — Nep. ''báf''. — Or. ''bháp, bhámp''. — Beng. ''bháp''. — Ass. ''báp''. — Sindh. ''bápha''<ref>«Come-se isto [bétele] em toda a India porque faz bom '''Bafo'''». Castanheda, I, cap. 16.
«Hum arroz que chamam ''pulot'', o qual cozendose somente com o '''baffo''' da aguoa, apegua-se tanto ás mãos e he tão humido, que parece ser cozido com manteiga». Garcia da Orta, Col. LVIII.</ref>.
É incerta a etimologia da voz portuguesa. Em castelhano, ''vaho'' corresponde a ''bafo''. «F. Diez pretende que seja voz imitativa e como ainda se lhe não descobriu étimo plausível, apesar de que as vozes onomatopoéticas são por via de regra suspeitas, quando não são meramente interjectivas, à falta de melhor, aceitaremos provisóriamente o parecer do fundador in-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/115
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 18 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|18}}|BAIONETA BALÃO|}}</noinclude>excedido da filologia românica». Gonçalves Viana, ''Apostilas aos Dicionários Portugueses''.
Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''bāshpa'' ou ''vāshpa'', «lágrima, vapor». O mesmo faz Shakespear com relação ao hindustani. Parece que a palavra portuguesa é paralela, como ''chapa, tanque, varanda''<ref>Note-se a identidade do sentido e a aproximação fonética do sânsc. ''vāshpa'', cuja raiz é desconhecida, e do lat. ''vapor''.</ref>.
'''Bailadeira'''. Indo-franc., Indo-ingl. ''bayadère''. Em inglês usam-se mais os compostos ''dancing-girl'' ou ''nautch-girl''. Vid. Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''<ref>«Tangendo bacias e sestros segundo seus costumes, e diante '''bailadeiras''', e chocarrieiros». Gaspar Correia, II, p. 77. «Vinhão ao terreiro muytas molheres '''bailadeiras''', com seus tangeres, que a ysso ganhão sua vida». ''Id.'', II, p. 363.
«A '''bailadeira''' dança na praça publica, canta no pagode e prostitue-se em casa». F. L. Gomes, ''Os Brahamanes'', p. 184.</ref>.
'''Bailar'''. Mal. ''bála''. — Sund. ''bálla'', baile. ''Main bálla'', bailar.
Cai às vezes o ''r'' final dos verbos portugueses. Cf. ''emprestar, tomar''. ''Balá'', também nos crioulos.
'''Bainhar''' (embainhar). Conc. ''bānhár-karunk''. Term. vern. ''meṭunk''. — Tet., Gal. ''bánha'' (também «bainha»).
'''Baioneta'''. Conc. ''bāynêt''. — Sing. ''bayinêttiya, bayinêttuva''. — Tet., Gal. ''baionêta''. — ? Mal. ''gaganet''.
O Sr. Gonçalves Viana recusa a procedência portuguesa ao vocábulo malaio.
'''Baixa'''. Conc. ''báyx''. — Tet. ''baixa''.
'''? Baixel''' («barco árabe»). Conc. ''bagló''. — Mar., Guj. ''baglá, bagalá''. — Tel. ''bagalé, Bagalé-báyi'', «boca de bagalé», glutão. — Indo-ingl. ''buggalow''. — Ár. ''baqalá''.
Yule & Burnell julgam probabilíssimo que o termo estivesse em uso na India antes de lá chegarem os portugueses, levado pelos árabes.
Outra variante provável ou possível da palavra portuguesa, designando outra espécie de barco: Conc. ''bazró''. — Mar., Beng. ''bajrá''. — Hindust. ''bajrá, bujrá''. — Indo-ingl. ''budgerow''.
'''Balão''' («espécie de embarcação de remos»). Malayál. ''balam''. — Indo-ingl. ''balám, baloon, balloon''<ref>«Com cinco lancharas, e doze '''balões''' me veyo buscar». Fernão Pinto, cap. XV.
«Mas ainda com '''balões''', que são barcos sutijs». João de Barros, Déc. II, IX, 3.
«Mandou Simão Sodré com outo '''balões''' (que são hũs barcos leves)». ''Id.'', Déc. IV, IX, 12.
«Dom Estevão mandou Pero Barriga e Jorge d’Alvarenga, em '''balões''', que fossem pelo rio ver o que achauão». Gaspar Correia, III, p. 627.</ref>.
O étimo é o guj. ''baliyan''; ''balyāmv'' em mar.-concani. O bengali tem ''baulía''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|18}}|BAIONETA BALÃO|}}</noinclude>excedido da filologia românica». Gonçalves Viana, ''Apostilas aos Dicionários Portugueses''.
Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''bāshpa'' ou ''vāshpa'', «lágrima, vapor». O mesmo faz Shakespear com relação ao hindustani. Parece que a palavra portuguesa é paralela, como ''chapa, tanque, varanda''<ref>Note-se a identidade do sentido e a aproximação fonética do sânsc. ''vāshpa'', cuja raiz é desconhecida, e do lat. ''vapor''.</ref>.
'''Bailadeira'''. Indo-franc., Indo-ingl. ''bayadère''. Em inglês usam-se mais os compostos ''dancing-girl'' ou ''nautch-girl''. Vid. Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''<ref>«Tangendo bacias e sestros segundo seus costumes, e diante '''bailadeiras''', e chocarrieiros». Gaspar Correia, II, p. 77. «Vinhão ao terreiro muytas molheres '''bailadeiras''', com seus tangeres, que a ysso ganhão sua vida». ''Id.'', II, p. 363.
«A '''bailadeira''' dança na praça publica, canta no pagode e prostitue-se em casa». F. L. Gomes, ''Os Brahamanes'', p. 184.</ref>.
'''Bailar'''. Mal. ''bála''. — Sund. ''bálla'', baile. ''Main bálla'', bailar.
Cai às vezes o ''r'' final dos verbos portugueses. Cf. ''emprestar, tomar''. ''Balá'', também nos crioulos.
'''Bainhar''' (embainhar). Conc. ''bānhár-karunk''. Term. vern. ''meṭunk''. — Tet., Gal. ''bánha'' (também «bainha»).
'''[[:d:Lexeme:L448107|Baioneta]]'''. Conc. ''bāynêt''. — Sing. ''bayinêttiya, bayinêttuva''. — Tet., Gal. ''baionêta''. — ? Mal. ''gaganet''.
O Sr. Gonçalves Viana recusa a procedência portuguesa ao vocábulo malaio.
'''[[:d:Lexeme:L1119556|Baixa]]'''. Conc. ''báyx''. — Tet. ''baixa''.
'''? Baixel''' («barco árabe»). Conc. ''bagló''. — Mar., Guj. ''baglá, bagalá''. — Tel. ''bagalé, Bagalé-báyi'', «boca de bagalé», glutão. — Indo-ingl. ''buggalow''. — Ár. ''baqalá''.
Yule & Burnell julgam probabilíssimo que o termo estivesse em uso na India antes de lá chegarem os portugueses, levado pelos árabes.
Outra variante provável ou possível da palavra portuguesa, designando outra espécie de barco: Conc. ''bazró''. — Mar., Beng. ''bajrá''. — Hindust. ''bajrá, bujrá''. — Indo-ingl. ''budgerow''.
'''Balão''' («espécie de embarcação de remos»). Malayál. ''balam''. — Indo-ingl. ''balám, baloon, balloon''<ref>«Com cinco lancharas, e doze '''balões''' me veyo buscar». Fernão Pinto, cap. XV.
«Mas ainda com '''balões''', que são barcos sutijs». João de Barros, Déc. II, IX, 3.
«Mandou Simão Sodré com outo '''balões''' (que são hũs barcos leves)». ''Id.'', Déc. IV, IX, 12.
«Dom Estevão mandou Pero Barriga e Jorge d’Alvarenga, em '''balões''', que fossem pelo rio ver o que achauão». Gaspar Correia, III, p. 627.</ref>.
O étimo é o guj. ''baliyan''; ''balyāmv'' em mar.-concani. O bengali tem ''baulía''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BALDE BAMBU|{{sc|19}}}}</noinclude>'''Balchão''' («espécie de caviar»). Conc. ''balchámv''. — Beng., Tam. ''balcham''. — Indo-ingl. ''balachong, blachong''.
Do malaio ''balāchán'', introduzido pelos portugueses, e usado em ásio-português<ref>«Além disto servem [os ''bilimbins''] para a preparação de acepipes ('''Balchão''') apetitosos». B. F. da Costa, ''Agricultor Indiano'', II, p. 216.</ref>.
'''Balde'''. Conc., Mar., Guj. ''bāldí''. — Beng., Hindust., L.-Hindust. ''bāldí, bāltí''. — Sing. ''báldiya, báliya''. — Tam. ''báldi''. — Tel. ''bāldí, bādlí''. — Tul. ''báldi''. — Indo-ingl. ''balty''. — Gar. ''balti, baltin''. — Mal., Tet., Gal. ''báldi''.
Não é clara a etimologia de ''balde''. O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva-o do baixo lat. ''batellus'', e o Sr. Cândido de Figueiredo entronca-o dubitativamente em ''baldo''. Gaspar Correia tem a palavra por nova e atribui-lhe origem indiana: «Tudo isto os nossos virão no porto de Cananor, em que estauão mui grandes naos, que os Capitães mandarão os homens que as fossem ver, para em Portugal darem resão de tudo: nas quaes naos nom tem bombas, sómente huns cubos de couros de vaca grossos, cortidos em tal modo, que durão muito, e á força de braços deitão toda agoa fora: chamão a estes cubos '''baldes'''.» (I, p. 123).
«Luis de Mello de Mendoça acodio com os companheiros aos '''baldes''', com que começarão a lançar a agoa fora» (1546). Diogo do Couto, Déc. VI, III, 3.
Os lexicógrafos indianos dão por étimo o vocábulo português. «This is the Portuguese ''balde''». ''Hobson-Jobson''.
'''Bálsamo'''. Conc. ''bálsm''. — Hindust. ''balsán''. — Mak., Bug. ''balasáng''. — Jap. ''bársan, bārusamo''. — Ár. ''bálsam, balsám, bolasán, bolsán''.
'''Baluarte'''. Mal. ''baluvárdi''. — Jap. ''baluvárti, balovárti, balúrti''.
'''Bambu''' (bot.). Indo-ingl. ''bambu''. — Indo-franc. ''bambou''<ref>«Nam tinham menos certa a morte a poder d’açoutes dos '''Bambús''', ou perpetuo catiueiro nos carceres de Cantom». Lucena, liv. X, cap. 26.
«Quiz alliviar-lhe o peso, com lhe tirar da canga (q. v.) um '''bambú'''». A. F. Cardim, p. 199.</ref>.
A origem do vocábulo é muito obscura. Marsden regista-o como puro malaio; mas o termo comum é ''buluh''. Crawfurd considera-o vernáculo da costa ocidental de Samatra. Wilson tem-no por canarês, e como tal o consigna Reeve; mas os termos usuais são ''biduru'' (túlu ''beduru'') e ''gala''. Parece-me que o étimo mais provável é o marata ''bāmbú'' (também no gujarate), nome genérico e vulgar da planta.
A forma ''mambu'', que ocorre nos
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BALDE BAMBU|{{sc|19}}}}</noinclude>'''Balchão''' («espécie de caviar»). Conc. ''balchámv''. — Beng., Tam. ''balcham''. — Indo-ingl. ''balachong, blachong''.
Do malaio ''balāchán'', introduzido pelos portugueses, e usado em ásio-português<ref>«Além disto servem [os ''bilimbins''] para a preparação de acepipes ('''Balchão''') apetitosos». B. F. da Costa, ''Agricultor Indiano'', II, p. 216.</ref>.
'''Balde'''. Conc., Mar., Guj. ''bāldí''. — Beng., Hindust., L.-Hindust. ''bāldí, bāltí''. — Sing. ''báldiya, báliya''. — Tam. ''báldi''. — Tel. ''bāldí, bādlí''. — Tul. ''báldi''. — Indo-ingl. ''balty''. — Gar. ''balti, baltin''. — Mal., Tet., Gal. ''báldi''.
Não é clara a etimologia de ''balde''. O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva-o do baixo lat. ''batellus'', e o Sr. Cândido de Figueiredo entronca-o dubitativamente em ''baldo''. Gaspar Correia tem a palavra por nova e atribui-lhe origem indiana: «Tudo isto os nossos virão no porto de Cananor, em que estauão mui grandes naos, que os Capitães mandarão os homens que as fossem ver, para em Portugal darem resão de tudo: nas quaes naos nom tem bombas, sómente huns cubos de couros de vaca grossos, cortidos em tal modo, que durão muito, e á força de braços deitão toda agoa fora: chamão a estes cubos '''baldes'''.» (I, p. 123).
«Luis de Mello de Mendoça acodio com os companheiros aos '''baldes''', com que começarão a lançar a agoa fora» (1546). Diogo do Couto, Déc. VI, III, 3.
Os lexicógrafos indianos dão por étimo o vocábulo português. «This is the Portuguese ''balde''». ''Hobson-Jobson''.
'''Bálsamo'''. Conc. ''bálsm''. — Hindust. ''balsán''. — Mak., Bug. ''balasáng''. — Jap. ''bársan, bārusamo''. — Ár. ''bálsam, balsám, bolasán, bolsán''.
'''Baluarte'''. Mal. ''baluvárdi''. — Jap. ''baluvárti, balovárti, balúrti''.
'''[[:d:Lexeme:L670838|Bambu]]''' (bot.). Indo-ingl. ''bambu''. — Indo-franc. ''bambou''<ref>«Nam tinham menos certa a morte a poder d’açoutes dos '''Bambús''', ou perpetuo catiueiro nos carceres de Cantom». Lucena, liv. X, cap. 26.
«Quiz alliviar-lhe o peso, com lhe tirar da canga (q. v.) um '''bambú'''». A. F. Cardim, p. 199.</ref>.
A origem do vocábulo é muito obscura. Marsden regista-o como puro malaio; mas o termo comum é ''buluh''. Crawfurd considera-o vernáculo da costa ocidental de Samatra. Wilson tem-no por canarês, e como tal o consigna Reeve; mas os termos usuais são ''biduru'' (túlu ''beduru'') e ''gala''. Parece-me que o étimo mais provável é o marata ''bāmbú'' (também no gujarate), nome genérico e vulgar da planta.
A forma ''mambu'', que ocorre nos
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|20}}|BANANÁ BANANA|}}</noinclude>nossos antigos escritores, teria realmente sido então usada no Concão, como supõem os autores de ''Hobson-Jobson'', e o actual vocábulo concani ''mán'' representaria a sua contracção; ou seria devida à dissimilação na bôca dos portugueses<ref>«A gente onde a ha, a chama ''sacarmambum'', que quer dizer, ''açucar de mambum''; porque áquellas canas daquella arvore chamam os Indios onde nasce ''mambú''». Garcia da Orta, Col. LI.</ref>. Inversamente, ''Bombaim'' é a assimilação de ''Mombaim'', como escreveram Barbosa, Botelho, Garcia; vernáculo ''Mumbaí'', corrução de ''Mumbadeví'', «deusa Mumba». Vid. Gerson da Cunha, ''The Origin of Bombay''.
'''Banana'''. Indo-ingl. ''banana'' (p. us.). — Indo-franc. ''banane, bananier''<ref>«Ha na China tanta abundancia, como das mangas, carambolas, iacas, patecas, '''bananas''', e todas as fruytas indianas». Lucena, liv. X, cap. 18.</ref>.
Os portugueses chamaram, por analogia, às bananas «figos da India»; e como ''figos'' são conhecidas em toda a extensão do ásio-português, que igualmente usa ''figueira'' e ''figueiral'', em Goa também ''bananeira''. Tomé Lopes, que partiu para a India em 1502, compara as bananas com os figos: «Huma especie de '''figos''' compridos e grandes como pepinos pequenos, que he um dos fructos mais saborosos, que pode haver no mundo»<ref>''Navegação das Indias Orientaes'', na colecção de Ramúzio, tradução da Academia das Sciências, cap. VI.
«Outra fruyta que sam como ''figos'' e sabe muyto bem». ''Roteiro de Vasco da Gama'', p. 60.</ref>. Cf. o alemão ''Paradiesfeige''<ref>«Muytos limoens, romaans, ''figos da India'', e toda hortaliça». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 239.
«Des '''bannanes''', que les Portugais appellent figues d’Inde». Pyrard de Laval, ''Voyage'', 1615.
«Mandou aly dar comer arroz cozido, que lhe poserão sobre folhas verdes de ''figueira'', que são largas como uma folha de papel». Gaspar Correia, I, 17.</ref>.
Não se sabe ao certo quando e por quem foi introduzida na India a palavra ''banana'', que, segundo Garcia da Orta veio da Guiné: «Tambem ha estes figuos em Guiné, chamam-lhe '''bananas'''»<ref>«É possível que tenha razão; a palavra não é seguramente asiatica, e também não parece ser americana». Conde de Ficalho, Col. XXII.
«Porém a commum e generalissima [fruta] de todo o anno, e em grande abundancia, não só por estas Indias [ocidentais], mas tambem pela nossa, por toda a Guiné e Brazil, por onde ha, e nós vimos mais castas e melhores que estas, é a que lá chamam ''platanos'', e na nossa India ''figos'', e no Brazil '''bananas'''». P. Gabriel Afonso, in ''Hist. tragico-maritima'', vol. VI, p. 50.</ref>. Parece que o termo entrou (por via dos portugueses?) no século XVII com o mais apropriado ou, antes, para se marcar distinção entre o fruto da ''Musa''
== Notas ==
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'''[[:d:Lexeme:L447390|Banana]]'''. Indo-ingl. ''banana'' (p. us.). — Indo-franc. ''banane, bananier''<ref>«Ha na China tanta abundancia, como das mangas, carambolas, iacas, patecas, '''bananas''', e todas as fruytas indianas». Lucena, liv. X, cap. 18.</ref>.
Os portugueses chamaram, por analogia, às bananas «figos da India»; e como ''figos'' são conhecidas em toda a extensão do ásio-português, que igualmente usa ''figueira'' e ''figueiral'', em Goa também ''bananeira''. Tomé Lopes, que partiu para a India em 1502, compara as bananas com os figos: «Huma especie de '''figos''' compridos e grandes como pepinos pequenos, que he um dos fructos mais saborosos, que pode haver no mundo»<ref>''Navegação das Indias Orientaes'', na colecção de Ramúzio, tradução da Academia das Sciências, cap. VI.
«Outra fruyta que sam como ''figos'' e sabe muyto bem». ''Roteiro de Vasco da Gama'', p. 60.</ref>. Cf. o alemão ''Paradiesfeige''<ref>«Muytos limoens, romaans, ''figos da India'', e toda hortaliça». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 239.
«Des '''bannanes''', que les Portugais appellent figues d’Inde». Pyrard de Laval, ''Voyage'', 1615.
«Mandou aly dar comer arroz cozido, que lhe poserão sobre folhas verdes de ''figueira'', que são largas como uma folha de papel». Gaspar Correia, I, 17.</ref>.
Não se sabe ao certo quando e por quem foi introduzida na India a palavra ''banana'', que, segundo Garcia da Orta veio da Guiné: «Tambem ha estes figuos em Guiné, chamam-lhe '''bananas'''»<ref>«É possível que tenha razão; a palavra não é seguramente asiatica, e também não parece ser americana». Conde de Ficalho, Col. XXII.
«Porém a commum e generalissima [fruta] de todo o anno, e em grande abundancia, não só por estas Indias [ocidentais], mas tambem pela nossa, por toda a Guiné e Brazil, por onde ha, e nós vimos mais castas e melhores que estas, é a que lá chamam ''platanos'', e na nossa India ''figos'', e no Brazil '''bananas'''». P. Gabriel Afonso, in ''Hist. tragico-maritima'', vol. VI, p. 50.</ref>. Parece que o termo entrou (por via dos portugueses?) no século XVII com o mais apropriado ou, antes, para se marcar distinção entre o fruto da ''Musa''
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/127
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|30}}|BOMBARDEIRO BONZO|}}</noinclude>'''Bôlsa''' («algibeira»). Conc. ''bóls, bolas''. — Mal. ''bolsa'' (Haex). — Tet., Gal. ''bolsa''.
Na acepção de «bôlsa do corporal», usa-se em várias outras línguas.
'''Bomba''' («máquina hidráulica»). Conc. ''bômb''. — Mar. ''bamb''. — Guj. ''bamb, bambô''. — L.-Hindust. ''bambá, bumbá''. — Beng. ''bomá'' (por assimilação). — Sing. ''bômbaya''. — Tel. ''bombásu, bombása'' (de ''bombas''). — Can. ''bámbu''. — Indo-ingl. ''bumba''. — Mal., Tet., Gal. ''bomba''<ref>«Antes vião que cada vez lhe crecia (a água) mais, porque nem '''bombas''', nem barris lha poderão esgotar». Diogo do Couto, Déc. VII, V, 2.</ref>.
Em ''pomba'', outra forma malaia, parece que houve influência do hol. ''pomp'' ou do ingl. ''pump''. O makassarês tem ''pompa'', que Matthes deriva do holandês.
'''Bomba''' («projéctil»). Conc. ''bômb''. Term. vern. ''kulpí-guló''. — Hindust. ''bam ká gulá'' (lit. «bala de bomba»). — Ass. ''boma-gola'' (lit. «bala-bomba»). — Mak. ''bong'', que Matthes deriva do hol. ''bom''. — Tet., Gal. ''bomba''. — ? Malg. ''bomba, bumba''<ref>«Os mais passando por aquellas nuvẽs de pilouros, e frechas, e pelas chamas das '''bombas'''». ''Id.'', Déc. VII, II, 9.</ref>.
'''Bom dia'''. Conc. ''bom dí'' (p. us.). — Beng. ''Devus boms diyá''. Também ''Devus boms nouti''. — Tet. ''bom dia''.
'''Bombardeiro'''. Mal. ''bombardero'' (Haex).
'''Boné'''. Conc. ''boném''. Emprega-se às vezes por «chapéu». — Gal. ''boné''.
'''Boneco'''. Sing. ''bónikka''. Term. vern. ''rèkaḍaya''. — Mal. ''bonéka, bonika''. — Sund. ''bonéka''. — Jav. ''bonékô''. — Tet., Gal. ''bonéka''. Term. vern. ''babata''.
'''Bonito''' («peixe»). Indo-ingl. ''bonito''<ref>«Carregauão peixe secco, que chamão moxama, que he os lombos de peixes '''bonitos''', que os seccão ao sol porque nas Ilhas (de Maldiua) não ha sal». Gaspar Correia, I, p. 341.
«Peixes serras, e '''bonitos''' que morrem muytos nesta costa; de que ElRey d’Ormuz tem grande renda». ''Id.'', I, p. 792.
«Chegam a ser tamanhos como '''bonitos''' e albacoras». Pyrard, ''Viagem'', I, p. 8.</ref>.
Fr. João de Sousa dá por étimo o ár. ''bainito''; mas parece que é o adjectivo português substantivado.
'''Bonzo''' («sacerdote budista no Japão e na China»). — Indo-ingl., Indo-franc. ''bonze''<ref>«Tres '''Bonzos''' que alli estauão (que são os seus sacerdotes)». Fernão Pinto, cap. XC.
«Elles (Imperadores do Japão) confirmão os seus '''Bonzos''', que são os mestres de sua religião». Diogo do Couto, Déc. V, VIII, 12.
«'''Bonzos''' he o nome comum dos ministros deputados ao culto dos Deoses Camis». Lucena, VII, cap. 8.</ref>.
O vocábulo é de origem japonesa, ''bózu'' ou ''bónzu'', mencionado primeiro por Jorge Álvares e pouco depois por S. Francisco Xavier nas suas
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|30}}|BOMBARDEIRO BONZO|}}</noinclude>'''Bôlsa''' («algibeira»). Conc. ''bóls, bolas''. — Mal. ''bolsa'' (Haex). — Tet., Gal. ''bolsa''.
Na acepção de «bôlsa do corporal», usa-se em várias outras línguas.
'''[[:d:Lexeme:L630937|Bomba]]''' («máquina hidráulica»). Conc. ''bômb''. — Mar. ''bamb''. — Guj. ''bamb, bambô''. — L.-Hindust. ''bambá, bumbá''. — Beng. ''bomá'' (por assimilação). — Sing. ''bômbaya''. — Tel. ''bombásu, bombása'' (de ''bombas''). — Can. ''bámbu''. — Indo-ingl. ''bumba''. — Mal., Tet., Gal. ''bomba''<ref>«Antes vião que cada vez lhe crecia (a água) mais, porque nem '''bombas''', nem barris lha poderão esgotar». Diogo do Couto, Déc. VII, V, 2.</ref>.
Em ''pomba'', outra forma malaia, parece que houve influência do hol. ''pomp'' ou do ingl. ''pump''. O makassarês tem ''pompa'', que Matthes deriva do holandês.
'''[[:d:Lexeme:L630937|Bomba]]''' («projéctil»). Conc. ''bômb''. Term. vern. ''kulpí-guló''. — Hindust. ''bam ká gulá'' (lit. «bala de bomba»). — Ass. ''boma-gola'' (lit. «bala-bomba»). — Mak. ''bong'', que Matthes deriva do hol. ''bom''. — Tet., Gal. ''bomba''. — ? Malg. ''bomba, bumba''<ref>«Os mais passando por aquellas nuvẽs de pilouros, e frechas, e pelas chamas das '''bombas'''». ''Id.'', Déc. VII, II, 9.</ref>.
'''Bom dia'''. Conc. ''bom dí'' (p. us.). — Beng. ''Devus boms diyá''. Também ''Devus boms nouti''. — Tet. ''bom dia''.
'''Bombardeiro'''. Mal. ''bombardero'' (Haex).
'''Boné'''. Conc. ''boném''. Emprega-se às vezes por «chapéu». — Gal. ''boné''.
'''Boneco'''. Sing. ''bónikka''. Term. vern. ''rèkaḍaya''. — Mal. ''bonéka, bonika''. — Sund. ''bonéka''. — Jav. ''bonékô''. — Tet., Gal. ''bonéka''. Term. vern. ''babata''.
'''Bonito''' («peixe»). Indo-ingl. ''bonito''<ref>«Carregauão peixe secco, que chamão moxama, que he os lombos de peixes '''bonitos''', que os seccão ao sol porque nas Ilhas (de Maldiua) não ha sal». Gaspar Correia, I, p. 341.
«Peixes serras, e '''bonitos''' que morrem muytos nesta costa; de que ElRey d’Ormuz tem grande renda». ''Id.'', I, p. 792.
«Chegam a ser tamanhos como '''bonitos''' e albacoras». Pyrard, ''Viagem'', I, p. 8.</ref>.
Fr. João de Sousa dá por étimo o ár. ''bainito''; mas parece que é o adjectivo português substantivado.
'''Bonzo''' («sacerdote budista no Japão e na China»). — Indo-ingl., Indo-franc. ''bonze''<ref>«Tres '''Bonzos''' que alli estauão (que são os seus sacerdotes)». Fernão Pinto, cap. XC.
«Elles (Imperadores do Japão) confirmão os seus '''Bonzos''', que são os mestres de sua religião». Diogo do Couto, Déc. V, VIII, 12.
«'''Bonzos''' he o nome comum dos ministros deputados ao culto dos Deoses Camis». Lucena, VII, cap. 8.</ref>.
O vocábulo é de origem japonesa, ''bózu'' ou ''bónzu'', mencionado primeiro por Jorge Álvares e pouco depois por S. Francisco Xavier nas suas
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/128
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 31 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BOTÃO BOTELHA|{{sc|31}}}}</noinclude>cartas. Parece que ''bónzu'' se prende ao sânsc. ''vandya'', «venerável», aplicado ao clero de Buda em nepali, ''bandhya'', e em tibetano, ''bandhe'' ou ''bande''. Vid. ''talapão''<ref>«De lá (Japão) troussemos os seguintes nomes: «biombo» (''bióbu'' ou ''biómbu''), «bonzo» (''bóuzu'' ou ''bônzu'')». Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''.</ref>.
'''? Bórax'''. Guj. ''borás''.
'''Bordo'''. Conc., Mar. ''boḍad''. Term. vern. ''báṇ''. — Guj. ''buḍḍu''. — L.-Hindust. ''būrdú''. — Tel. ''boḍa''. — Tul. ''bórdu''. — Mal. ''bórdo, bórdu''. — Mak. ''boroló, baraló''. — Bug. ''baraló''.
'''Borla'''. Conc. ''bórl''. Term. vern. ''goṇḍó''. — Tet. ''borla''.
'''Bôrra''' («pé de vinho»). Conc. ''bôrr''. Term. vern. ''múr, rôḍ''. — Sing. ''bora''. Term. vern. ''roḍi, kèlata''.
O singalês não admite ''rr'' dobrados. Cf. ''burro, fôrro''.
'''Bota'''. Conc. ''bót''. — Tet. ''bota''.
'''Bota-fora'''. Mal. ''botafóra, botapóra, batapóra'', dinheiro para o mealheiro.
'''Botão'''. Conc. ''butámv''. — Mar. ''butāvém''. Term. vern. ''guṇḍi''. — Hindust. ''bótām''. Term. vern. ''tukmá''. — Beng. ''botam''. — Sing. ''bottama''. — Tam. ''bótan''. — Tel. ''butaum, bottam''. — Gar. ''butam''. — Khas. ''budam''. — Mal. ''bútan, bótam''. Term. vern. ''kanching''. — Tet., Gal. ''butã''. — Jap. ''bútan, bótan''. ''Hazari-bútan'', botão ornamental.
Hepburn deriva o japonês ''bótan'' do ingl. ''button''. ''Botton'', outra forma singalesa, denuncia a procedência inglesa.
'''? Bote'''. Conc., Mar. ''bôṭ''. — Siam. ''bote''. — Mal. ''bot''.
Em concani, como em marata, ''ág-bôt'' (lit. «bote de fogo») significa «vapor». O ''ṭ'' cacuminal faz suspeitar que o étimo seja o ingl. ''boat'', pronunciado idênticamente. Como o malaio e o siamês não teem ''ṭ'' cacuminal, também ''bote'' e ''bot'' podem ser da mesma procedência.
''Bóto'' em japonês tem igualmente a mesma origem, como se depreende de ''boto-reisu'' = ''boat-race'', «regata».
'''? Botelha''' («garrafa»). Conc. ''botl''. Term. vern. ''maḍtel''. — Hindi, Or. ''botal''. — Hindust. ''botal, bottal''. — Beng. ''botal, botol''. — Panj. ''bodal''. — Sing. ''bótale, bótalaya''. — Gar. ''botal''. — Khas. ''butol''. — Mal. ''bótol, bótul''. — Batt., Sund., Bal. ''botol''. — Mak. ''bótelō''. — Tet. ''bótel''. — Gal. ''bótir''.
Não é bem claro se o étimo é a palavra portuguesa ''botelha'' ou a inglesa ''bottle'', se bem que em nenhuma das línguas mencionadas aparece o ''ṭ'' cacuminal, que nelas corresponde ao ''t'' inglês. Matthes deriva o termo makassarês de ''botelha''. O holandês tem ''bottel'', e o árabe africano ''botelya'' e ''butelya''<ref>A dificuldade está em saber se a palavra ''botelha'' era usada em Portugal nos séculos XVI e XVII.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BOTÃO BOTELHA|{{sc|31}}}}</noinclude>cartas. Parece que ''bónzu'' se prende ao sânsc. ''vandya'', «venerável», aplicado ao clero de Buda em nepali, ''bandhya'', e em tibetano, ''bandhe'' ou ''bande''. Vid. ''talapão''<ref>«De lá (Japão) troussemos os seguintes nomes: «biombo» (''bióbu'' ou ''biómbu''), «bonzo» (''bóuzu'' ou ''bônzu'')». Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''.</ref>.
'''? Bórax'''. Guj. ''borás''.
'''[[:d:Lexeme:L580451|Bordo]]'''. Conc., Mar. ''boḍad''. Term. vern. ''báṇ''. — Guj. ''buḍḍu''. — L.-Hindust. ''būrdú''. — Tel. ''boḍa''. — Tul. ''bórdu''. — Mal. ''bórdo, bórdu''. — Mak. ''boroló, baraló''. — Bug. ''baraló''.
'''Borla'''. Conc. ''bórl''. Term. vern. ''goṇḍó''. — Tet. ''borla''.
'''Bôrra''' («pé de vinho»). Conc. ''bôrr''. Term. vern. ''múr, rôḍ''. — Sing. ''bora''. Term. vern. ''roḍi, kèlata''.
O singalês não admite ''rr'' dobrados. Cf. ''burro, fôrro''.
'''[[:d:Lexeme:L1120507|Bota]]'''. Conc. ''bót''. — Tet. ''bota''.
'''Bota-fora'''. Mal. ''botafóra, botapóra, batapóra'', dinheiro para o mealheiro.
'''[[:d:Lexeme:L449090|Botão]]'''. Conc. ''butámv''. — Mar. ''butāvém''. Term. vern. ''guṇḍi''. — Hindust. ''bótām''. Term. vern. ''tukmá''. — Beng. ''botam''. — Sing. ''bottama''. — Tam. ''bótan''. — Tel. ''butaum, bottam''. — Gar. ''butam''. — Khas. ''budam''. — Mal. ''bútan, bótam''. Term. vern. ''kanching''. — Tet., Gal. ''butã''. — Jap. ''bútan, bótan''. ''Hazari-bútan'', botão ornamental.
Hepburn deriva o japonês ''bótan'' do ingl. ''button''. ''Botton'', outra forma singalesa, denuncia a procedência inglesa.
'''? Bote'''. Conc., Mar. ''bôṭ''. — Siam. ''bote''. — Mal. ''bot''.
Em concani, como em marata, ''ág-bôt'' (lit. «bote de fogo») significa «vapor». O ''ṭ'' cacuminal faz suspeitar que o étimo seja o ingl. ''boat'', pronunciado idênticamente. Como o malaio e o siamês não teem ''ṭ'' cacuminal, também ''bote'' e ''bot'' podem ser da mesma procedência.
''Bóto'' em japonês tem igualmente a mesma origem, como se depreende de ''boto-reisu'' = ''boat-race'', «regata».
'''[[:d:Lexeme:L1331906|? Botelha]]''' («garrafa»). Conc. ''botl''. Term. vern. ''maḍtel''. — Hindi, Or. ''botal''. — Hindust. ''botal, bottal''. — Beng. ''botal, botol''. — Panj. ''bodal''. — Sing. ''bótale, bótalaya''. — Gar. ''botal''. — Khas. ''butol''. — Mal. ''bótol, bótul''. — Batt., Sund., Bal. ''botol''. — Mak. ''bótelō''. — Tet. ''bótel''. — Gal. ''bótir''.
Não é bem claro se o étimo é a palavra portuguesa ''botelha'' ou a inglesa ''bottle'', se bem que em nenhuma das línguas mencionadas aparece o ''ṭ'' cacuminal, que nelas corresponde ao ''t'' inglês. Matthes deriva o termo makassarês de ''botelha''. O holandês tem ''bottel'', e o árabe africano ''botelya'' e ''butelya''<ref>A dificuldade está em saber se a palavra ''botelha'' era usada em Portugal nos séculos XVI e XVII.</ref>.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 32 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|32}}|BOUBA BULE|}}</noinclude>''Bātlí'', em marata e guzarate, é evidentemente do inglês. O sindhi tem ''buti''. O crioulo de Macau tem ''botle'', e o de Ceilão, ''botle, botel'' e ''bottal''. Em canarês, ''baṭṭalu'' significa «copo, vaso pequeno», e é considerado por W. Reeve como termo vernáculo. O persa ''butri'' é, sem dúvida, corrução de ''bottle''<ref>«Três '''botelhas''' de vydro de Veneza avalliadas em tres tostões» (1613). A. Tomás Pires, ''Materiaes'', etc., in ''Bol.'' S. G. L., 16.ª sér., p. 746.</ref>.
'''Botica'''. Conc. ''butík'', farmácia. — Indo-ingl. ''boutique'' (us. em Madrasta e Ceilão), loja, mercearia<ref>«E a Renda d’outras '''buticas''', onde se vendem sedas, chamalotes, panos de portugal, porcelana e outras miudezas». Simão Botelho, p. 51.
«A gente de terra fazião '''boticas''', em que vendião cousas de comer muy abastadamente». Gaspar Correia, I, p. 624.</ref>.
'''Botiqueiro'''. Indo-ingl. ''botickeer''. O conc. ''butkár'' é corrução de ''boticário''.
''Botiqueiro'' é desusado no continente, mas é corrente no indo-português por «merceeiro»<ref>«Os '''botiqueiros''' não tenhão as buticas apertas nos dias de festa, senão depois la missa da terça». Decreto do concílio de Goa em 1567.
«Tambem foi levado preso um '''botiqueiro''' por nome Lounddó». ''O Ultramar'', de 12 de Fevereiro de 1912.</ref>. Vid. Bluteau.
'''Bouba'''. Mal. ''boba'' (Haex). — Tet., Gal. ''bôba''.
'''Braça'''. Conc., L.-Hindust. ''brás, barás''<ref>«Tinha o pano de muro trinta '''braças''' de comprido». Diogo do Couto, Déc. VI, VIII, 7.</ref>.
'''Braçal''' («espécie de bracelete»). Conc. ''barsál''. — Sing. ''barasèl''.
Em concani, ''bar-'' por ''bra-'' é normal.
'''Brandal''' (naut.). L.-Hindust. ''brándal, brāndál, barándal, baranda''.
'''Brava''' (palmeira —, ''Borassus flabellifer''). Indo-ingl. ''bráb'' (subst.). Cf. ''amargosa'' e ''pintado''.
'''? Bruça''' («escôva de roupa»). Conc. ''burús''. — Guj. ''barás''. — Malayál. ''buruss''. — Gar. ''burus''. — Mal. ''brús, berus''. — Malg. ''burusi''.
Parece que se deve admitir por étimo o ingl. ''brush''. O dicionário de Cândido de Figueiredo regista ''bruça'' como vocábulo desusado e sinónimo de «brossa». Os outros não o mencionam. O holandês do Cabo tem ''bras''.
'''Bucha''' («rolha»). Mar. ''búz''. — Guj., L.-Hindust. ''búch''. — Sindh. ''bunji''. Term. vern. ''ḍaṭo''. — Panj. ''bujá, bujjá, bujjí''. Term. vern. ''gaṭṭá''. — Malayál. ''burchcha''. — Tul. ''búchi, búchu''. — ? Bir. ''bú-zo''.
'''Búfalo'''. Indo-ingl. ''buffalo''<ref>«Laudeis de laminas de ferro, e corno de '''Bufaro'''». Damião de Góis, ''Chron. de D. Manuel'', II, 39.</ref>.
'''Bula'''. Conc. ''búl''. — Tet., Gal. ''bula''.
'''Bule'''. Conc. ''búl''. — Sing. ''búliya''.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 33 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CABAIA CABAIA|{{sc|33}}}}</noinclude>— Tam. ''bulei''. — Tet. ''búli''. — Term. vern. ''dardón''.
Não está assente a origem da palavra portuguesa. O Sr. Gonçalves Viana deriva do mal. ''búli'', «frasco». Rigg diz que ''búli-búli'', em sundanês, é «taça com tampa (''a covered cup'') ordináriamente usada para guardar óleo». Em concani, ''búl'' também designa a tabaqueira de loiça em forma de frasquinho<ref>«Foi monomania em Siam o colleccionar '''bules''', como em tantas outras partes se colleccionam estampilhas, monogrammas, etc.». H. Prostes, in ''Bol.'' S. G. L., 4.ª sér., p. 399.</ref>.
'''Buraco'''. Conc. ''burák''. Term. vern. ''bíl, biḷúk, vivar, bhonk, bhontó, dompḷó''. — Mar., Guj. ''burákh''. — Can. ''biráku, biriku, birúku''.
Não se sabe o motivo da adopção do vocábulo português. O persa, o hindi e o hindustani teem ''surákh'', com a mesma significação, que não sei se tem relação etimológica com o port. ''buraco''. O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva-o do lat. ''foraculum'', e o Sr. Cândido de Figueiredo, do alto alemão ''bora''. O Sr. Gonçalves Viana julga mais provável o primeiro étimo e abona-o com o dialectal ''furaco''.
'''? Burrico'''. Malg. ''borika, boriki''.
'''Burro'''. Conc. ''búrr'' (us. fig.; ''gāḍhúm'', em sentido próprio). Term. vern. ''gaddhá''. — Sing. ''búruva, búreva''. Term. vern. ''koṭaluvá, koṭalivá, garddabhayá''. ''Búre'', asinino.
¿Por que motivo teria entrado no singalês o vocábulo português? Talvez por causa do seu freqüente uso em sentido figurado, como foi o da sua introdução no concani.
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'''? Cá'''. Mal. ''ca'' (Haex).
'''Cabaia'''. Conc., Tam. ''kabáy'' (espécie de túnica). — Mar. ''kabáy, kabāí''. — Sing. ''kabáya'' (casaco). — Mal., Sund., Jav., Tet., Gal. ''kabáya''. — Mak., Bug. ''kobáyā''. Usado também no indo-português de Ceilão (''cabaya, cabai, cuobai'') na acepção de «casaco»<ref>«Usaua vestida hũa '''cabaia''' de pano dalgodão branco, que he hũa roupa apertada no corpo». Castanheda, liv. I, cap. 6.
«Hũa vestidura, a que elles chamão '''cabaya''', que cõmũmẽte os Mouros vsão naquellas partes, comprida de mangas, cingida e aberta por diante com hũa aba sobre outra, ao modo do trajo dos Venezeanos». João de Barros, Déc. II, IV, 2.
«'''Cabaya''' he hum vestido, como a nós</ref>.
== Notas ==
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Não está assente a origem da palavra portuguesa. O Sr. Gonçalves Viana deriva do mal. ''búli'', «frasco». Rigg diz que ''búli-búli'', em sundanês, é «taça com tampa (''a covered cup'') ordináriamente usada para guardar óleo». Em concani, ''búl'' também designa a tabaqueira de loiça em forma de frasquinho<ref>«Foi monomania em Siam o colleccionar '''bules''', como em tantas outras partes se colleccionam estampilhas, monogrammas, etc.». H. Prostes, in ''Bol.'' S. G. L., 4.ª sér., p. 399.</ref>.
'''Buraco'''. Conc. ''burák''. Term. vern. ''bíl, biḷúk, vivar, bhonk, bhontó, dompḷó''. — Mar., Guj. ''burákh''. — Can. ''biráku, biriku, birúku''.
Não se sabe o motivo da adopção do vocábulo português. O persa, o hindi e o hindustani teem ''surákh'', com a mesma significação, que não sei se tem relação etimológica com o port. ''buraco''. O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva-o do lat. ''foraculum'', e o Sr. Cândido de Figueiredo, do alto alemão ''bora''. O Sr. Gonçalves Viana julga mais provável o primeiro étimo e abona-o com o dialectal ''furaco''.
'''? Burrico'''. Malg. ''borika, boriki''.
'''Burro'''. Conc. ''búrr'' (us. fig.; ''gāḍhúm'', em sentido próprio). Term. vern. ''gaddhá''. — Sing. ''búruva, búreva''. Term. vern. ''koṭaluvá, koṭalivá, garddabhayá''. ''Búre'', asinino.
¿Por que motivo teria entrado no singalês o vocábulo português? Talvez por causa do seu freqüente uso em sentido figurado, como foi o da sua introdução no concani.
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'''? Cá'''. Mal. ''ca'' (Haex).
'''Cabaia'''. Conc., Tam. ''kabáy'' (espécie de túnica). — Mar. ''kabáy, kabāí''. — Sing. ''kabáya'' (casaco). — Mal., Sund., Jav., Tet., Gal. ''kabáya''. — Mak., Bug. ''kobáyā''. Usado também no indo-português de Ceilão (''cabaya, cabai, cuobai'') na acepção de «casaco»<ref>«Usaua vestida hũa '''cabaia''' de pano dalgodão branco, que he hũa roupa apertada no corpo». Castanheda, liv. I, cap. 6.
«Hũa vestidura, a que elles chamão '''cabaya''', que cõmũmẽte os Mouros vsão naquellas partes, comprida de mangas, cingida e aberta por diante com hũa aba sobre outra, ao modo do trajo dos Venezeanos». João de Barros, Déc. II, IV, 2.
«'''Cabaya''' he o pelote». Gaspar Correia, I, p. 14.
«Trouxeram a ElRey huma rica '''cabaya''', que elle com sua mão deitou ao Governador, que foi a mór honra que lhe podia fazer segundo seus costumes». ''Id.'', III, p. 620.
«A '''Kabaia''' é uma especie de penteador branco de cambraia e rendas. Diz-se ''Sarang-Kabaia'' o vestuario completo da mulher malaia». Alberto Osório de Castro, p. 145.</ref>.
== Notas ==
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Não está assente a origem da palavra portuguesa. O Sr. Gonçalves Viana deriva do mal. ''búli'', «frasco». Rigg diz que ''búli-búli'', em sundanês, é «taça com tampa (''a covered cup'') ordináriamente usada para guardar óleo». Em concani, ''búl'' também designa a tabaqueira de loiça em forma de frasquinho<ref>«Foi monomania em Siam o colleccionar '''bules''', como em tantas outras partes se colleccionam estampilhas, monogrammas, etc.». H. Prostes, in ''Bol.'' S. G. L., 4.ª sér., p. 399.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L643911|Buraco]]'''. Conc. ''burák''. Term. vern. ''bíl, biḷúk, vivar, bhonk, bhontó, dompḷó''. — Mar., Guj. ''burákh''. — Can. ''biráku, biriku, birúku''.
Não se sabe o motivo da adopção do vocábulo português. O persa, o hindi e o hindustani teem ''surákh'', com a mesma significação, que não sei se tem relação etimológica com o port. ''buraco''. O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva-o do lat. ''foraculum'', e o Sr. Cândido de Figueiredo, do alto alemão ''bora''. O Sr. Gonçalves Viana julga mais provável o primeiro étimo e abona-o com o dialectal ''furaco''.
'''? Burrico'''. Malg. ''borika, boriki''.
'''Burro'''. Conc. ''búrr'' (us. fig.; ''gāḍhúm'', em sentido próprio). Term. vern. ''gaddhá''. — Sing. ''búruva, búreva''. Term. vern. ''koṭaluvá, koṭalivá, garddabhayá''. ''Búre'', asinino.
¿Por que motivo teria entrado no singalês o vocábulo português? Talvez por causa do seu freqüente uso em sentido figurado, como foi o da sua introdução no concani.
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'''? Cá'''. Mal. ''ca'' (Haex).
'''Cabaia'''. Conc., Tam. ''kabáy'' (espécie de túnica). — Mar. ''kabáy, kabāí''. — Sing. ''kabáya'' (casaco). — Mal., Sund., Jav., Tet., Gal. ''kabáya''. — Mak., Bug. ''kobáyā''. Usado também no indo-português de Ceilão (''cabaya, cabai, cuobai'') na acepção de «casaco»<ref>«Usaua vestida hũa '''cabaia''' de pano dalgodão branco, que he hũa roupa apertada no corpo». Castanheda, liv. I, cap. 6.
«Hũa vestidura, a que elles chamão '''cabaya''', que cõmũmẽte os Mouros vsão naquellas partes, comprida de mangas, cingida e aberta por diante com hũa aba sobre outra, ao modo do trajo dos Venezeanos». João de Barros, Déc. II, IV, 2.
«'''Cabaya''' he o pelote». Gaspar Correia, I, p. 14.
«Trouxeram a ElRey huma rica '''cabaya''', que elle com sua mão deitou ao Governador, que foi a mór honra que lhe podia fazer segundo seus costumes». ''Id.'', III, p. 620.
«A '''Kabaia''' é uma especie de penteador branco de cambraia e rendas. Diz-se ''Sarang-Kabaia'' o vestuario completo da mulher malaia». Alberto Osório de Castro, p. 145.</ref>.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 34 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|34}}|CABRA CAFÉ|}}</noinclude>Do persa-ár. ''qabá'' (us. em hindustani), levado pelos portugueses para a India, na opinião de Yule & Burnell. Matthes dá o étimo persa ''qabay''<ref>Com análogo significado era antigamente usada em concani a voz ''quimão'', do japonês ''kimono'', mas actualmente restringe-se ao «justilho de raparigas». «Vestido em hum ''quimão'' roxo a modo de opa, recamado de pérolas». Fernão Pinto, cap. CXXII.</ref>.
'''Cabeça''' (do pião). Mal. ''kembesa''. — Mol. ''cabessa'' (= ''kabesa''), cânfora superior. Vid. ''barriga''.
'''Cabide'''. Conc. ''kābíd''. Term. vern. ''ôṇ, dānḍí''. — Tet., Gal. ''kabídi''.
'''Cabo''' («manúbrio»). Malayál. ''kábu''. Term. vern. ''píḍi''.
''Cabo'' usa-se em concani, teto e galóli como termo militar.
'''Cabouco''' («laterite»). Sing. ''kabuka''. — Indo-ingl. ''cabook''.
Em concani usa-se ''konkêr'' = cabouqueiro.
'''Caboz'''. Mal. ''kabos'' (Schuchardt).
'''Cabra'''. Nic. ''kápre'', ovelha. ''Koán-kápre'', cordeiro. ''Ok-kapre'', pele de ovelha. ''Anha-kápre'', carne de carneiro.
Os nicobareses teriam conhecido a ovelha (e talvez a cabra) pelos portugueses, que também deram o nome de Cabra a uma das ilhotas, ''Komváña'' em vernáculo. No indo-português o vocábulo ''cabra'' abrange também a «ovelha». O nic. ''mé'', «cabra», é onomatópico e pode ser moderno.
'''Caçar'''. Mal. ''kajar''.
Em concani usa-se ''kás'', «caça». ''Kás mārunk'', «caçar».
'''Caçarola'''. Mal. ''kasrol'' (Marre).
'''Cacau'''. Conc. ''kākáv''. — Tet., Gal. ''kakau''.
'''Cadeira'''. Conc. ''kadêr'' (p. us.), ''kadêl''. Term. vern. ''kurxí, tsaváy'', como em marata, mas pouco usados. — Beng. ''kaderá, kadārá''. — Sindh. ''kadela, gadela''. — Tam. ''kadêra'' (p. us.). Term. vern. ''píḍam''. — Malayál. ''kasêla''. — Mal., Mak., Bug. ''kadéra''. — Nic. ''katére''. ''Katére-ol-lál'', sofá. — Tet., Gal. ''kadeira''.
'''Cadernal''' (naut.). L.-Hindust. ''katarnál''.
'''? Café'''. Conc. ''kāphó'' (planta e fruto inteiro; ''kāphé'', pl.); ''kāphí'' (café moído ou preparado). — Mar., Guj., Or. ''kāphí''. — Beng., Ass. ''káphi''. — Sing. ''kópi''. — Tam. ''káppi, kóppi''. — Malayál. ''kāppi, káppi-kkuru''. — Tel. ''kápi''. — Can., Tul. ''káphi''. — Gar. ''kapi''. — Bir. ''kap-phe''. — Khas. ''kaphi''. — Camb. ''cafê''. — Siam. ''kafē, khǎofe''. — Ann., Tonk. ''cà-phe''. — Mal., Sund., Mak., Bug. ''kópi''. — Day. ''kúpi''. — Tet., Gal., Malg. ''kafé''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|34}}|CABRA CAFÉ|}}</noinclude>Do persa-ár. ''qabá'' (us. em hindustani), levado pelos portugueses para a India, na opinião de Yule & Burnell. Matthes dá o étimo persa ''qabay''<ref>Com análogo significado era antigamente usada em concani a voz ''quimão'', do japonês ''kimono'', mas actualmente restringe-se ao «justilho de raparigas». «Vestido em hum ''quimão'' roxo a modo de opa, recamado de pérolas». Fernão Pinto, cap. CXXII.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448105|Cabeça]]''' (do pião). Mal. ''kembesa''. — Mol. ''cabessa'' (= ''kabesa''), cânfora superior. Vid. ''barriga''.
'''Cabide'''. Conc. ''kābíd''. Term. vern. ''ôṇ, dānḍí''. — Tet., Gal. ''kabídi''.
'''[[:d:Lexeme:L500956|Cabo]]''' («manúbrio»). Malayál. ''kábu''. Term. vern. ''píḍi''.
''Cabo'' usa-se em concani, teto e galóli como termo militar.
'''Cabouco''' («laterite»). Sing. ''kabuka''. — Indo-ingl. ''cabook''.
Em concani usa-se ''konkêr'' = cabouqueiro.
'''Caboz'''. Mal. ''kabos'' (Schuchardt).
'''[[:d:Lexeme:L1120479|Cabra]]'''. Nic. ''kápre'', ovelha. ''Koán-kápre'', cordeiro. ''Ok-kapre'', pele de ovelha. ''Anha-kápre'', carne de carneiro.
Os nicobareses teriam conhecido a ovelha (e talvez a cabra) pelos portugueses, que também deram o nome de Cabra a uma das ilhotas, ''Komváña'' em vernáculo. No indo-português o vocábulo ''cabra'' abrange também a «ovelha». O nic. ''mé'', «cabra», é onomatópico e pode ser moderno.
'''[[:d:Lexeme:L669561|Caçar]]'''. Mal. ''kajar''.
Em concani usa-se ''kás'', «caça». ''Kás mārunk'', «caçar».
'''Caçarola'''. Mal. ''kasrol'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:L450520|Cacau]]'''. Conc. ''kākáv''. — Tet., Gal. ''kakau''.
'''[[:d:Lexeme:L447036|Cadeira]]'''. Conc. ''kadêr'' (p. us.), ''kadêl''. Term. vern. ''kurxí, tsaváy'', como em marata, mas pouco usados. — Beng. ''kaderá, kadārá''. — Sindh. ''kadela, gadela''. — Tam. ''kadêra'' (p. us.). Term. vern. ''píḍam''. — Malayál. ''kasêla''. — Mal., Mak., Bug. ''kadéra''. — Nic. ''katére''. ''Katére-ol-lál'', sofá. — Tet., Gal. ''kadeira''.
'''Cadernal''' (naut.). L.-Hindust. ''katarnál''.
'''[[:d:Lexeme:L46828|? Café]]'''. Conc. ''kāphó'' (planta e fruto inteiro; ''kāphé'', pl.); ''kāphí'' (café moído ou preparado). — Mar., Guj., Or. ''kāphí''. — Beng., Ass. ''káphi''. — Sing. ''kópi''. — Tam. ''káppi, kóppi''. — Malayál. ''kāppi, káppi-kkuru''. — Tel. ''kápi''. — Can., Tul. ''káphi''. — Gar. ''kapi''. — Bir. ''kap-phe''. — Khas. ''kaphi''. — Camb. ''cafê''. — Siam. ''kafē, khǎofe''. — Ann., Tonk. ''cà-phe''. — Mal., Sund., Mak., Bug. ''kópi''. — Day. ''kúpi''. — Tet., Gal., Malg. ''kafé''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ALFINETE ALMÔÇO|{{sc|7}}}}</noinclude>'''Alcoviteira'''. Mal. ''alcobitera'' (Haex).
'''Alcunha'''. Conc. ''ālkúnh''. Term. vern. ''kul-náme, ād-náme''. — Mal. ''alcunia'' (Haex).
'''Aldeia'''. Indo-ingl. ''aldea'' (p. us.). — Indo-franc. ''aldée''<ref>«Et à présent entre Damaon et Bassein il y a si peu de naturels indous que la pluspart des aldées sont en friches» (1653). Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages''.</ref>.
'''Alerta'''. Conc. ''ālêtô''. — Gal. ''alerta''.
'''Alfaiate'''. Conc. ''ālphyád''. Term. vern. ''darji''. — Mal. ''alfiate'' (Haex). — Tet. ''alfayáti''. Term. vern. ''badain súku''. O crioulo malaio tem ''alfiáti''.
'''Alfândega'''. Conc. ''ālphánd''. Term. vern. ''māndri, doli, ghuddi''. — Tet., Gal. ''alfándega''.
'''Alferes'''. Conc. ''ālphér''. — Mal. ''alpéres''. — Jav. ''alpérès'' (p. us.). — Bug. ''lapéresè''. — Tet., Gal. ''alféris''. A mulher de alferes chama-se ''ālphern'' em concani<ref>«Les langues polynésiennes n'ayant ni ''f'' ni ''ph'' ni ''v'', en adoptant des mots étrangers où ces lettres figurent, on les remplace par ''p'' ou ''b''». Dr. Heyligers.</ref>.
'''Alfinete'''. Conc. ''ālphinêt''. Term. vern. ''tāntsṇí'' (p. us. em Goa). — Hindi ''ālpin''. Também se usa ''pin'', que parece provir do inglês. — Hindust. ''ālpín, alpín, alpin''. — Beng. ''ālpinêt, ālpin''. — Ass. ''álpin''. Term. vern. ''gonj''. — Sing. ''alpenêtiya, alpêntiya''. — Tam. ''alpinêti'' (p. us.). — Mal. ''alpineto'' (Haex), ''pinéti, pinīti, penéti''. — Sund., Jav., Mak. ''paniti''. — Bug. ''panniti''. — Tet., Gal. ''alfinêti''. Term. vern. ''kusan-kik''<ref>Em concani conserva-se o fonema ''f''. Se a forma registada por Haex é correcta, vê-se que a primeira sílaba caiu com o tempo. Em javanês houve metátese de ''a'', atenuado em ''e''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L450515|Algarismo]]'''. Conc. ''ālgārijm'' (us. nas escolas de Goa). — Mak., Bug. ''lagarísi''.
'''Algoz'''. Conc. ''ālgoz'' (também usado em sentido metafórico). Term. vern. ''kasáb, máng, phāsídár''. — Mal. ''algójo, algója, algújo, algúju''. — Jav. ''legójo''. — Mak., Bug. ''alahója''.
'''Aljôfar'''. Indo-ingl. ''aljofar''<ref>«Carregandosse todos de prezas que pellas casas tomauão, de ouro, prata, '''aljofar'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 2.</ref>.
'''Almadia'''. Malayál. ''olamári, ōlamári''<ref>«Ouue vista de hũas '''almadias''' em que andauão a pescar hũs negros». João de Barros, Déc. I, I, 9.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1119807|Almoço]]'''. Conc. ''ālmús''. Term. vern. ''nāstó'' (p. us. em Goa). ''Almús karunk'' (lit. «fazer almôço»), almoçar. — Sing. ''almúsu, almúsura''. Term. vern. ''udaya-kema'' ou ''ude-kema'' (lit. «refeição de manhã»). ''Almúsura-kānana'', almoçar. — Tet., Gal. ''almúsa''.
Os hindus tomam a primeira refeição ao meio-dia, e chamam-lhe ''jevan''; os cristãos tomam de manhã ''péz'', «canja». Neologismos tirados
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ALFINETE ALMÔÇO|{{sc|7}}}}</noinclude>'''Alcoviteira'''. Mal. ''alcobitera'' (Haex).
'''Alcunha'''. Conc. ''ālkúnh''. Term. vern. ''kul-náme, ād-náme''. — Mal. ''alcunia'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L501700|Aldeia]]'''. Indo-ingl. ''aldea'' (p. us.). — Indo-franc. ''aldée''<ref>«Et à présent entre Damaon et Bassein il y a si peu de naturels indous que la pluspart des aldées sont en friches» (1653). Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L670821|Alerta]]'''. Conc. ''ālêtô''. — Gal. ''alerta''.
'''Alfaiate'''. Conc. ''ālphyád''. Term. vern. ''darji''. — Mal. ''alfiate'' (Haex). — Tet. ''alfayáti''. Term. vern. ''badain súku''. O crioulo malaio tem ''alfiáti''.
'''Alfândega'''. Conc. ''ālphánd''. Term. vern. ''māndri, doli, ghuddi''. — Tet., Gal. ''alfándega''.
'''Alferes'''. Conc. ''ālphér''. — Mal. ''alpéres''. — Jav. ''alpérès'' (p. us.). — Bug. ''lapéresè''. — Tet., Gal. ''alféris''. A mulher de alferes chama-se ''ālphern'' em concani<ref>«Les langues polynésiennes n'ayant ni ''f'' ni ''ph'' ni ''v'', en adoptant des mots étrangers où ces lettres figurent, on les remplace par ''p'' ou ''b''». Dr. Heyligers.</ref>.
'''Alfinete'''. Conc. ''ālphinêt''. Term. vern. ''tāntsṇí'' (p. us. em Goa). — Hindi ''ālpin''. Também se usa ''pin'', que parece provir do inglês. — Hindust. ''ālpín, alpín, alpin''. — Beng. ''ālpinêt, ālpin''. — Ass. ''álpin''. Term. vern. ''gonj''. — Sing. ''alpenêtiya, alpêntiya''. — Tam. ''alpinêti'' (p. us.). — Mal. ''alpineto'' (Haex), ''pinéti, pinīti, penéti''. — Sund., Jav., Mak. ''paniti''. — Bug. ''panniti''. — Tet., Gal. ''alfinêti''. Term. vern. ''kusan-kik''<ref>Em concani conserva-se o fonema ''f''. Se a forma registada por Haex é correcta, vê-se que a primeira sílaba caiu com o tempo. Em javanês houve metátese de ''a'', atenuado em ''e''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L450515|Algarismo]]'''. Conc. ''ālgārijm'' (us. nas escolas de Goa). — Mak., Bug. ''lagarísi''.
'''Algoz'''. Conc. ''ālgoz'' (também usado em sentido metafórico). Term. vern. ''kasáb, máng, phāsídár''. — Mal. ''algójo, algója, algújo, algúju''. — Jav. ''legójo''. — Mak., Bug. ''alahója''.
'''Aljôfar'''. Indo-ingl. ''aljofar''<ref>«Carregandosse todos de prezas que pellas casas tomauão, de ouro, prata, '''aljofar'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 2.</ref>.
'''Almadia'''. Malayál. ''olamári, ōlamári''<ref>«Ouue vista de hũas '''almadias''' em que andauão a pescar hũs negros». João de Barros, Déc. I, I, 9.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1119807|Almoço]]'''. Conc. ''ālmús''. Term. vern. ''nāstó'' (p. us. em Goa). ''Almús karunk'' (lit. «fazer almôço»), almoçar. — Sing. ''almúsu, almúsura''. Term. vern. ''udaya-kema'' ou ''ude-kema'' (lit. «refeição de manhã»). ''Almúsura-kānana'', almoçar. — Tet., Gal. ''almúsa''.
Os hindus tomam a primeira refeição ao meio-dia, e chamam-lhe ''jevan''; os cristãos tomam de manhã ''péz'', «canja». Neologismos tirados
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|8}}|AMA ÂMBAR|}}</noinclude>do sânscrito: ''nyāhāri, prātarann, prātarbhojan''.
'''Almôndega'''. Tam. ''almond'' (de uso restrito). — Tet., Gal. ''almônik''.
Nomes portugueses de muitas iguarias e doces vogam ainda hoje em várias partes da India entre os cristãos, mas não aparecem nos dicionários.
'''Altar'''. Conc., Beng. ''āltár''. Term. vern. ''vedi''. — Tam. ''altár''. Term. vern. ''pīdam, balipīdam, vedikei''. — Tet., Gal. ''altar''. O termo é usado sómente pelos cristãos<ref>Alguns amigos, missionários em Madrasta, me ministraram listas de palavras portuguesas introduzidas no tamul, muitas das quais se não encontram nos dicionários, por não terem entrado no uso comum.</ref>.
'''Alva''' («vestimenta eclesiástica»). Conc. ''álv''. — Beng. ''álva''. — Tam. ''alrei''. — Tet., Gal. ''álra''<ref>Os nomes dos paramentos e utensílios eclesiásticos são geralmente portugueses entre os católicos.</ref>.
'''Alvorada'''. Conc. ''ālvorád'' («toque da alvorada»). — Tet. ''alvorada''. Term. vern. ''rai-nakei''.
'''Ama''' (de leite). Conc., Mar., Guj., Hindust., Sing., Can., Tul. ''āmá'' (em marata também ''amā''). — Indo-ingl. ''amah'' (Whitworth tira-o do marata ''āmā'', «mama»). — Pid.-Engl. ''amah''<ref>«As “amahs” acompanhando as crianças que para ahi vão brincar». Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 20. «E tem amas que lhe crião os filhos e as filhas». Diogo do Couto, Déc. VII, x, 11.</ref>.
Termos neo-áricos: ''dúdh ditali, dudhhārin, thānkārin, dhātrí''. São pouco usados, porque as mães amamentam geralmente seus filhos<ref>O dravídico ''amma'', «mãe», é vernáculo.</ref>.
'''Amancebado'''. Tam. ''masuvádu''. O crioulo de Ceilão tem ''masabado''.
O vocábulo teria sido admitido a título de eufemismo, como ''alcoviteira'' no malaio.
'''Amantilhos''' (naut.). L.-Hindust. ''mantelá, mantelá, mantel, matelá''.
'''Amargosa''' (árvore —, amargoseira, ''Melia Azadirachta''). Indo-ingl. ''margosa''. — Indo-franc. ''margosier''.
''Margosa'' diz-se também no crioulo português de Bombaim. No de Ceilão, ''margoso'' = amargoso<ref>«Foi admittida officialmente na ''Pharmacopêa da India'' sendo chamada nas pharmacias ''margosa'' (a casca ''cortex margosae''), o que claramente se deriva da palavra portugueza amargosa». Conde de Ficalho, nos ''Coloquios de Garcia da Orta'', XL.</ref>.
'''Amarra'''. L.-Hindust. ''hamár, már''. — Tam. ''amár, amarkhayiru'' (lit. «amarra-cairo»). Term. vern. ''kayiru, kambakam, tában, sambhan''. — Tel. ''amáru, amáru-tádu''. Vid. ''cairo''.
Em tamul, como em malayálam, dobra-se a consoante inicial do segundo elemento do composto, como acontece no italiano, por exemplo, em ''acciocchè''.
'''Âmbar''' (especialmente «âmbar
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|8}}|AMA ÂMBAR|}}</noinclude>do sânscrito: ''nyāhāri, prātarann, prātarbhojan''.
'''Almôndega'''. Tam. ''almond'' (de uso restrito). — Tet., Gal. ''almônik''.
Nomes portugueses de muitas iguarias e doces vogam ainda hoje em várias partes da India entre os cristãos, mas não aparecem nos dicionários.
'''[[:d:Lexeme:L450513|Altar]]'''. Conc., Beng. ''āltár''. Term. vern. ''vedi''. — Tam. ''altár''. Term. vern. ''pīdam, balipīdam, vedikei''. — Tet., Gal. ''altar''. O termo é usado sómente pelos cristãos<ref>Alguns amigos, missionários em Madrasta, me ministraram listas de palavras portuguesas introduzidas no tamul, muitas das quais se não encontram nos dicionários, por não terem entrado no uso comum.</ref>.
'''Alva''' («vestimenta eclesiástica»). Conc. ''álv''. — Beng. ''álva''. — Tam. ''alrei''. — Tet., Gal. ''álra''<ref>Os nomes dos paramentos e utensílios eclesiásticos são geralmente portugueses entre os católicos.</ref>.
'''Alvorada'''. Conc. ''ālvorád'' («toque da alvorada»). — Tet. ''alvorada''. Term. vern. ''rai-nakei''.
'''Ama''' (de leite). Conc., Mar., Guj., Hindust., Sing., Can., Tul. ''āmá'' (em marata também ''amā''). — Indo-ingl. ''amah'' (Whitworth tira-o do marata ''āmā'', «mama»). — Pid.-Engl. ''amah''<ref>«As “amahs” acompanhando as crianças que para ahi vão brincar». Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 20. «E tem amas que lhe crião os filhos e as filhas». Diogo do Couto, Déc. VII, x, 11.</ref>.
Termos neo-áricos: ''dúdh ditali, dudhhārin, thānkārin, dhātrí''. São pouco usados, porque as mães amamentam geralmente seus filhos<ref>O dravídico ''amma'', «mãe», é vernáculo.</ref>.
'''Amancebado'''. Tam. ''masuvádu''. O crioulo de Ceilão tem ''masabado''.
O vocábulo teria sido admitido a título de eufemismo, como ''alcoviteira'' no malaio.
'''Amantilhos''' (naut.). L.-Hindust. ''mantelá, mantelá, mantel, matelá''.
'''Amargosa''' (árvore —, amargoseira, ''Melia Azadirachta''). Indo-ingl. ''margosa''. — Indo-franc. ''margosier''.
''Margosa'' diz-se também no crioulo português de Bombaim. No de Ceilão, ''margoso'' = amargoso<ref>«Foi admittida officialmente na ''Pharmacopêa da India'' sendo chamada nas pharmacias ''margosa'' (a casca ''cortex margosae''), o que claramente se deriva da palavra portugueza amargosa». Conde de Ficalho, nos ''Coloquios de Garcia da Orta'', XL.</ref>.
'''Amarra'''. L.-Hindust. ''hamár, már''. — Tam. ''amár, amarkhayiru'' (lit. «amarra-cairo»). Term. vern. ''kayiru, kambakam, tában, sambhan''. — Tel. ''amáru, amáru-tádu''. Vid. ''cairo''.
Em tamul, como em malayálam, dobra-se a consoante inicial do segundo elemento do composto, como acontece no italiano, por exemplo, em ''acciocchè''.
'''Âmbar''' (especialmente «âmbar
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||AMOSTRA ANANÁS|{{sc|9}}}}</noinclude>gris»). Conc., Mar., Hindi, Hindust., Beng., Tam., Ach., Sund., Jav. ''ambar''. — Sindh. ''ambāru''. — Malayál., Mal. ''ambar, amber''. — Mak., Bug. ''ámbarā''.
Talvez importado imediatamente do árabe. Nomes indianos de âmbar em geral: ''tṛṇamaṇi, tṛṇagrāhi''<ref>«'''Âmbar''' dizem os Arábios, e ''ambarum'' os Latinos, por o costume da variação latina e uso, e as outras nações e lingoas; quantas eu sei, todas a chamam assi ou varião muito pouco». Orta, Col. III.</ref>.
'''Amen'''. Conc. ''āmén''. Term. vern. ''asém zámr, táthast'' (ant.), ''svasti'' (sânsc., p. us.). — Beng., Sing., Can. ''ámen''. — ? Hindi, Hindust. ''āmín'' (talvez do árabe). — ? Mal., Ach., Sund., Jav., Mak., Bug. ''amin''. — Tet., Gal. ''ámen''. — Jap. ''amen''. Term. vern. ''shikari''.
'''Amêndoa'''. Conc. ''āmênd, āmén'' (n.; ''āmênd'', f., amendoeira). Term. vern. ''bādám'' (arábico). — ? Jap. ''améndō, ammêntō''.
O Dr. Murakámi atribui a ''amendō'' o significado de «amêndoa». Mas Hepburn regista o vocábulo com o significado «''a kind of peach'', especie de pêssego», e a ''almond'' («amêndoa») dá por significados japoneses ''hanankyō, banankyō''. Sakuna omite o termo<ref>O singalês ''amandel'' é do holandês.</ref>.
'''Amostra'''. Conc. ''āmostr''. — Tet., Gal. ''amostra''. Term. vern. ''banáti''. Vid. ''mostra''.
'''Ananás'''. Conc. ''ānanés'' (n.; ''ānanês'', f., planta), ''ānás'' (us. no Canará). — Mar. ''ananás, ananas'' (m. ou n., fruto; f., planta). — Guj. ''anenás, annas''. — Hindi, Hindust. ''anannás''. — Or. ''anáras''. — Sindh. ''anānásu''. — Sing. ''annási, anaḥsi, annǎsiya''. — Tam. ''aṇṇāsi''. — Malayál. ''ananás''. — Tel. ''anānásu, anásu, anás-paṇṭu, anāsavanasa-paṇṭu'' (''paṇṭu'' = fruto). — Can. ''ananásu''. — Indo-ingl. ''ánanas'' (mais us. ''pine-apple''). — Indo-franc. ''ananas''. — Gar. ''anaros''. Term. vern. ''terik sagil''. — Camb. ''manŏs''. — Mal. ''ananas, anas, nānas, ninas''. — Ach. ''ánas, anus''. — Batt. ''kanas''. — Sund. ''danas, ganas, kanas''. — Jav. ''nanas''. — Mad. ''lanas''. — Bal. ''manas''. — Batáv. ''honas''. — Day. ''kanas''. — Tet. ''ananaz, nánas''. — Gal. ''ananaz''. — Malg. ''mananasy''<ref>«Aveis de escrever desta fruta, que chamão '''ananaz''', porque certo que he rey das plantas no sabor, e muyto mais no cheiro». Orta, Col. LVIII.</ref>.
''Anannási'' (Hindust.), ''ānārasí'' (Beng.), adj., da feição de ananás, «made like a ''pine-apple''», Shakespear.
Vocábulo americano (peruano ''nanas'', diz o Sr. Cândido de Figueiredo, brasileiro ''nana'' ou ''nanas'', dizem Yule & Burnell), introduzido pelos portugueses junto com a planta<ref>Webster, no seu dicionário inglês, deriva-o do malaio.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||AMOSTRA ANANÁS|{{sc|9}}}}</noinclude>gris»). Conc., Mar., Hindi, Hindust., Beng., Tam., Ach., Sund., Jav. ''ambar''. — Sindh. ''ambāru''. — Malayál., Mal. ''ambar, amber''. — Mak., Bug. ''ámbarā''.
Talvez importado imediatamente do árabe. Nomes indianos de âmbar em geral: ''tṛṇamaṇi, tṛṇagrāhi''<ref>«'''Âmbar''' dizem os Arábios, e ''ambarum'' os Latinos, por o costume da variação latina e uso, e as outras nações e lingoas; quantas eu sei, todas a chamam assi ou varião muito pouco». Orta, Col. III.</ref>.
'''Amen'''. Conc. ''āmén''. Term. vern. ''asém zámr, táthast'' (ant.), ''svasti'' (sânsc., p. us.). — Beng., Sing., Can. ''ámen''. — ? Hindi, Hindust. ''āmín'' (talvez do árabe). — ? Mal., Ach., Sund., Jav., Mak., Bug. ''amin''. — Tet., Gal. ''ámen''. — Jap. ''amen''. Term. vern. ''shikari''.
'''[[:d:Lexeme:L1375047|Amêndoa]]'''. Conc. ''āmênd, āmén'' (n.; ''āmênd'', f., amendoeira). Term. vern. ''bādám'' (arábico). — ? Jap. ''améndō, ammêntō''.
O Dr. Murakámi atribui a ''amendō'' o significado de «amêndoa». Mas Hepburn regista o vocábulo com o significado «''a kind of peach'', especie de pêssego», e a ''almond'' («amêndoa») dá por significados japoneses ''hanankyō, banankyō''. Sakuna omite o termo<ref>O singalês ''amandel'' é do holandês.</ref>.
'''Amostra'''. Conc. ''āmostr''. — Tet., Gal. ''amostra''. Term. vern. ''banáti''. Vid. ''mostra''.
'''[[:d:Lexeme:L1145034|Ananás]]'''. Conc. ''ānanés'' (n.; ''ānanês'', f., planta), ''ānás'' (us. no Canará). — Mar. ''ananás, ananas'' (m. ou n., fruto; f., planta). — Guj. ''anenás, annas''. — Hindi, Hindust. ''anannás''. — Or. ''anáras''. — Sindh. ''anānásu''. — Sing. ''annási, anaḥsi, annǎsiya''. — Tam. ''aṇṇāsi''. — Malayál. ''ananás''. — Tel. ''anānásu, anásu, anás-paṇṭu, anāsavanasa-paṇṭu'' (''paṇṭu'' = fruto). — Can. ''ananásu''. — Indo-ingl. ''ánanas'' (mais us. ''pine-apple''). — Indo-franc. ''ananas''. — Gar. ''anaros''. Term. vern. ''terik sagil''. — Camb. ''manŏs''. — Mal. ''ananas, anas, nānas, ninas''. — Ach. ''ánas, anus''. — Batt. ''kanas''. — Sund. ''danas, ganas, kanas''. — Jav. ''nanas''. — Mad. ''lanas''. — Bal. ''manas''. — Batáv. ''honas''. — Day. ''kanas''. — Tet. ''ananaz, nánas''. — Gal. ''ananaz''. — Malg. ''mananasy''<ref>«Aveis de escrever desta fruta, que chamão '''ananaz''', porque certo que he rey das plantas no sabor, e muyto mais no cheiro». Orta, Col. LVIII.</ref>.
''Anannási'' (Hindust.), ''ānārasí'' (Beng.), adj., da feição de ananás, «made like a ''pine-apple''», Shakespear.
Vocábulo americano (peruano ''nanas'', diz o Sr. Cândido de Figueiredo, brasileiro ''nana'' ou ''nanas'', dizem Yule & Burnell), introduzido pelos portugueses junto com a planta<ref>Webster, no seu dicionário inglês, deriva-o do malaio.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/107
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|10}}|ANCORA ANDOR|}}</noinclude>A alteração do primeiro ''n'' em algumas línguas da Malásia deve-se atribuir à dissimilação.
Segundo Männer, em túlu diz-se ''parengi-pela-káyi'', lit. «fruta jaca portuguesa».
A palavra ''farangi'' ou ''firingi'', córrução persiana de «franco», denota «europeu» em geral, e em especial «português», e mais restritamente «indo-português»; em concani, singalês e tamul, tão sómente «português»<ref>«Taees homens non podiam ser senam '''Francos''', que asy chamam a nosoutros em estas partes». ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'', 1838, p. 99.
«Dizendo que pois os Portugueses (aos quaes chamão '''Frangues''')». Duarte Barbosa, p. 248.</ref>. E como os portugueses eram cristãos e propagadores da sua religião, ''farangi'' é também sinónimo de «cristão»<ref>«E letras que dizião '''frangue''', que quer dizer christão». Gaspar Correia, II, p. 344.</ref>.
Nas línguas dravídicas, o vocábulo também significa «canhão, peça»: Tam., Malayál. ''perangi''; Tel. ''pirangi, phirangi, phiríngi''; Can., Tul. ''pirangi, phirangi''. Em cambojano, ''parēang'' é «europeu» e ''parēang-sês'' é «francês». Em persa, ''Firangistan'' é o nome da Europa.
'''Ancora'''. Sing. ''ăṅkara, aṅkáraya''. Term. vern. ''nēgurama''. — Mal. ''jangkar'' (Bikkers), ''dyankar''. Term. vern. ''saú, lábu''. — Persa, Ár. ''anjar, anjara''.
O Dr. Hugo Schuchardt relaciona ''dyankar'' com o ingl. ''the anchor''<ref>A palavra ''langar'' ou ''nangar'', que se encontra nas línguas indianas, quer áricas, quer dravídicas (e no persa, ''langar''), significando também «arado», provêm do sâns. ''langala''.</ref>.
* '''Andor''' («palanquim»)<ref>«'''Andores''' que sam como leytos dandas senão que sam descobertos, e quasi rasos, tão baixas tem as goardas». Castanheda, I, 16.</ref>. Conc. ''āndôr, āndôl''. — Hindust. ''handolá''. — Beng. ''āndôla''. — Sing. ''andôreva'' («palanquim candiano», Clough). — Malayál. ''aṇdólam''. — Can. ''andana''. — Kodágu (língua dravídica) ''andala''. — Tet. ''andor''<ref>«Mando a todos os panditos e phisicos gentios que não andem por esta cidade e arrabaldes della a cavallo nem em '''andores''' e palanquins». Alvará do governador da India, 15 de Dezembro de 1574.</ref>.
Qual é o étimo de ''andor'' e o seu sentido primordial? No continente o vocábulo não é muito antigo; designa a «padiola ornamentada, em que se levam imagens nas procissões». (Cândido de Figueiredo).
Os lexicógrafos portugueses ou omitem a etimologia, ou derivam o termo, uns, mais modernos, do verbo ''andar'', do mesmo modo que ''andas''; outros, como João de Sousa, da voz pérsica ''andol'' ou ''andul'', ou, antes, ''handūl''; e definem-no: «carroagem portátil da India». (Bluteau).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 21 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BANDEIRA BAPTISMO|{{sc|21}}}}</noinclude>''paradisiaca'' e o da ''Musa sapientum'', agora reduzidas a uma só espécie<ref>«Books distinguish between the ''Musa sapientum'' or plantain, and the ''Musa paradisiaca''; but it is hard to understand where the line is supposed to be drawn». ''Hobson-Jobson''.</ref>.
O indo-inglês emprega geralmente o vocábulo ''plantain'', que é corrução do espanhol ''plátano'', outro nome da banana. Vid. ''goiaba''.
'''Banco''' («móvel»). Conc., Mar., Guj., L.-Hindust., Beng. ''bánk''. — Sing. ''bánkuva''. — Tam. ''bánku''. — Tel. ''bankati''. — Tul., Mal., Sund., Jav. ''bánku''. — Ach. ''banké''. — Mad., Day. ''banko''. — Tet., Gal. ''bánku''. — Jap. ''banko''.
Em concani, teto e galóli, o termo também é usado por «banco comercial». As outras línguas indianas adoptam o ingl. ''bank'', pronunciado ''bénc''.
'''Banda'''. Conc. ''bánd''. Term. vern. ''kúx, bagal; kamarband''. — Tet. ''banda''. Term. vern. ''kalum''.
'''Bandeira'''. Conc. ''bandér''. Term. vern. ''bāvṭó, dhajá''. — Mal.<ref>«''Bandêr'' ou ''Bandêrra'', bandeira (''tiang-bander'', mastro de bandeira)». A. O. de Castro, ''Flores de Coral''.</ref>, Batt., Sund., Bal. ''bandéra''. — Jav. ''bandérô, gandérô''<ref>«En javanais la substitution d’une labiale par une gutturale est très fréquente». Heyligers.</ref>. — Day. ''bandéra''. ''Habandéra'', levar bandeira. ''Mandéra'', içar a bandeira. — Mak., Bug. ''bandéra''. ''Pabandéra'', pau de bandeira (''pa'' é prefixo). — Tet., Gal. ''bandeira''. Term. vern. ''sair''. — Ár. ''bandeira, bandera, bandira, bandaira''.
'''Bandeja'''. Conc. ''bandêj''. Term. vern. ''tát, vāṭi''. — Sing. ''bandêsiya''. — Indo-ingl. ''bandejah'' (p. us.). — Mal. ''bandeja, bandeya''. Term. vern. ''tálan, tarana''. — Mak., Tet., Gal. ''bandeja''<ref>«Pozemos a carta e livros em uma '''bandeja''' dourada da China, fizemos com a '''bandeja''' na mão quatro reverencias profundas». A. F. Cardim, p. 80.</ref>.
'''Bando''' («pregão»). Conc. ''bánd''. Term. vern. ''dāngoró, dāndoró''. — Tet., Gal. ''bándu''.
'''Bandola'''. Mal., Mak., Bug. ''bandóla, bandála''. — Ach. ''bandála''.
'''Bangue''' («fôlhas sêcas de ''Cannabis sativa''»). Indo-ingl. ''bangue, bang''. — Indo-franc. ''bangue''. — Pid.-Engl. ''bangee''<ref>«E a renda de anfião e '''bangue'''». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53.
«E agora vos satisfarey com dizervos que cousa hé o '''bangue''', scilicet, a arvore e a semente». Garcia da Orta, Col. VIII.
«Em toda esta cafraria se cria uma certa herva que os cafres semeiam, a que chamam '''bangue''', a qual é da propria feição do coentro espigado». João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', tom. I, p. 88.
«Oh Manamotapa '''bangueiro'''! (que é o mesmo que bebedo, porque comia de certa herva a que chamam '''bangue''', que faz embebedar)». Bocarro, Déc. XIII, p. 560.</ref>.
O étimo é o neo-áric. ''bháng'', do sânsc. ''bhangā''.
'''Baptismo''' (= ''bautismo'', ant. e pop.). Conc. ''bārtíjm''. — Beng. ''bār-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BANDEIRA BAPTISMO|{{sc|21}}}}</noinclude>''paradisiaca'' e o da ''Musa sapientum'', agora reduzidas a uma só espécie<ref>«Books distinguish between the ''Musa sapientum'' or plantain, and the ''Musa paradisiaca''; but it is hard to understand where the line is supposed to be drawn». ''Hobson-Jobson''.</ref>.
O indo-inglês emprega geralmente o vocábulo ''plantain'', que é corrução do espanhol ''plátano'', outro nome da banana. Vid. ''goiaba''.
'''[[:d:Lexeme:L447214|Banco]]''' («móvel»). Conc., Mar., Guj., L.-Hindust., Beng. ''bánk''. — Sing. ''bánkuva''. — Tam. ''bánku''. — Tel. ''bankati''. — Tul., Mal., Sund., Jav. ''bánku''. — Ach. ''banké''. — Mad., Day. ''banko''. — Tet., Gal. ''bánku''. — Jap. ''banko''.
Em concani, teto e galóli, o termo também é usado por «banco comercial». As outras línguas indianas adoptam o ingl. ''bank'', pronunciado ''bénc''.
'''[[:d:Lexeme:L477303|Banda]]'''. Conc. ''bánd''. Term. vern. ''kúx, bagal; kamarband''. — Tet. ''banda''. Term. vern. ''kalum''.
'''[[:d:Lexeme:L558172|Bandeira]]'''. Conc. ''bandér''. Term. vern. ''bāvṭó, dhajá''. — Mal.<ref>«''Bandêr'' ou ''Bandêrra'', bandeira (''tiang-bander'', mastro de bandeira)». A. O. de Castro, ''Flores de Coral''.</ref>, Batt., Sund., Bal. ''bandéra''. — Jav. ''bandérô, gandérô''<ref>«En javanais la substitution d’une labiale par une gutturale est très fréquente». Heyligers.</ref>. — Day. ''bandéra''. ''Habandéra'', levar bandeira. ''Mandéra'', içar a bandeira. — Mak., Bug. ''bandéra''. ''Pabandéra'', pau de bandeira (''pa'' é prefixo). — Tet., Gal. ''bandeira''. Term. vern. ''sair''. — Ár. ''bandeira, bandera, bandira, bandaira''.
'''[[:d:Lexeme:L1360583|Bandeja]]'''. Conc. ''bandêj''. Term. vern. ''tát, vāṭi''. — Sing. ''bandêsiya''. — Indo-ingl. ''bandejah'' (p. us.). — Mal. ''bandeja, bandeya''. Term. vern. ''tálan, tarana''. — Mak., Tet., Gal. ''bandeja''<ref>«Pozemos a carta e livros em uma '''bandeja''' dourada da China, fizemos com a '''bandeja''' na mão quatro reverencias profundas». A. F. Cardim, p. 80.</ref>.
'''Bando''' («pregão»). Conc. ''bánd''. Term. vern. ''dāngoró, dāndoró''. — Tet., Gal. ''bándu''.
'''Bandola'''. Mal., Mak., Bug. ''bandóla, bandála''. — Ach. ''bandála''.
'''Bangue''' («fôlhas sêcas de ''Cannabis sativa''»). Indo-ingl. ''bangue, bang''. — Indo-franc. ''bangue''. — Pid.-Engl. ''bangee''<ref>«E a renda de anfião e '''bangue'''». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53.
«E agora vos satisfarey com dizervos que cousa hé o '''bangue''', scilicet, a arvore e a semente». Garcia da Orta, Col. VIII.
«Em toda esta cafraria se cria uma certa herva que os cafres semeiam, a que chamam '''bangue''', a qual é da propria feição do coentro espigado». João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', tom. I, p. 88.
«Oh Manamotapa '''bangueiro'''! (que é o mesmo que bebedo, porque comia de certa herva a que chamam '''bangue''', que faz embebedar)». Bocarro, Déc. XIII, p. 560.</ref>.
O étimo é o neo-áric. ''bháng'', do sânsc. ''bhangā''.
'''Baptismo''' (= ''bautismo'', ant. e pop.). Conc. ''bārtíjm''. — Beng. ''bār-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 35 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CAFÉ CAIRO|{{sc|35}}}}</noinclude>Não se sabe por que via entrou o termo na India. A primeira sílaba da palavra indiana (''ka-'') é idêntica com a da portuguesa, e a segunda (''-phi'' ou ''-pi'') com a da inglesa ou holandesa (''coffee, koffij''). Mas o turco também tem ''kaphe''. Entre os autores antigos, citados em ''Hobson-Jobson'', não se encontra nenhum português. O uso de café já estava introduzido na Arábia no século XV.
Mas em 1782 Fr. Clemente da Ressurreição, no seu ''Tratado de agricultura'' (de Goa)<ref>Publicado por Bernardo Francisco da Costa no seu ''Manual pratico do agricultor indiano'', vol. II.</ref>, diz: «Ha outra planta, que podia dar bom, seguro e crescido rendimento ao senhor de uma fazenda (assim se augmentasse a sua cultura), que é o '''café''' pela grande estimação e gosto que fazem d’elle as nações europeas e mouros. Da sua semente se faz uma nobilissima bebida, quente, estomacal e nutritiva, ainda que nociva sendo continuada com excesso, ao genero nervoso, cujo damno se mitiga com leite, como se usa na Europa e por toda a Turquia».
Dá-se geralmente por étimo a palavra arábica ''qahua'', que origináriamente significava «vinho» e que depois foi apropriada à «infusão de café». ''Bunn'', em árabe, denota a planta e o fruto. Ambos os termos são adoptados por algumas línguas indianas. É todavia provável que o verdadeiro étimo seja o nome geográfico ''Kaffa'', na Abissínia, primitivo ''habitat'' da planta.
'''Cafre''' («preto»). Conc. ''khāprí''. — Beng. ''kāphirí''. — Ass. ''káphri''. — Tam., Malayál., Tel. ''káppiri''. — Can. ''káphri''. — Tul. ''kápri, kapiri''. — Indo-ingl. ''caffre, caffer, caffree''. — Bir. ''kap-pa-li''. — Mal. ''kápri, káfris''. — Ach. ''kafíri''. — Day. ''kápir''.
''Khāpurḍó'' (deminutivo), pretinho. ''Khāparlém'' (n.), mulher cafre (''cafrona'' em indo-português). ''Khāparpaṇ'', grossaria, selvajaria. Concani.
De origem arábica: ''káfir'', «infiel, incrédulo». Conserva-se êste sentido em algumas das línguas<ref>«Jas hũu muy grande regno de Benametapa que he de Gentios, ha que hos Mouros chamaom '''Cafres'''». Duarte Barbosa, p. 234.
«E per outro nome commum tambem chamão '''Cafres''', que quer dizer gente sem lei, nome que elles dão a todo gentio idolatra, o qual nome de '''Cafres''' he já acerca de nós mui recebido pelos muitos escrauos que temos desta gente». João de Barros, Déc. I, VIII, 3.
«Entre nós, os '''Cafres''', são os Gentios da Cafraria». Fr. João de Sousa.</ref>.
Acêrca de ''kh'' aspirado em concani, cf. ''camisa, cruz''.
'''Cairel'''. Malayál. ''karal''.
'''Cairo'''. Indo-ingl. ''coir''. — Indo-franc. ''caire''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 22 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|22}}|BARQUINHA BARRIL|}}</noinclude>tijmá''. — Sing. ''bavtismaya''. — ? Mar. ''baptismá''. — ? Guj. ''baptijhma''. — ? Hindi, Hindust. ''baptismá''. — ? Tel. ''baptismam''. — Malg. ''batisa''. — ? Jap. ''baputesuma''.
Parece que o ''p'' denuncia a procedência inglesa.
'''Baptizar'''. Sing. ''bavtisár karaṇavá'' (lit. «fazer baptizar»). Em concani diz-se comummente ''bāvtij divunk'', «dar baptismo».
'''Baralhar''' (as cartas). Conc. ''bārālhár-karunk''. — Tet. ''barálha''. Term. vern. ''kákul''.
'''Baralho'''. Conc. ''bārálh''. — ? Mar., Guj., Pers. (segundo Molesworth) ''barát''. — ? Tel. ''baredo''. Em marata e persa denota um dos naipes, rifada.
A origem da palavra portuguesa é incerta. O castelhano tem ''baraja''. O hindi e o hindustani, mais relacionados com o persa, não teem ''barát''. ''Ganjiphá'', usado nas línguas indianas por «baralho», é de procedência persiana.
'''Barba'''. Mal. ''barba'' (Haex). Term. vern. ''jángut''.
'''Barcaça'''. Conc., Guj. ''bārkas''. — Malayál. ''varkkas''. — Ár. ''barkús''<ref>«Fez embarcar em hũa grande '''barcaça'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 5.
«Mas os das '''barcaças''', e galés, que hora aqui, hora aly lhe dauam bateiras». ''Id.'', Déc. VIII, I, 35.</ref>.
'''Barqueta'''. Mar. ''barkatá''. «Barco pequeno ou bote, o mesmo que ''barkín'' ou ''barquinha''». Molesworth.
'''Barquinha'''. Mar. ''barkín''. «Barca pequena ou bote de feição particular. ''Barkíní'' (corrente em Málwán-pránt). Pequena espécie de ''hoḍí'' ou bote de pranchas». Molesworth<ref>«Levou elle mesmo... a dom André na '''barquinha''' a terra». Bocarro, Déc. XIII, p. 485.</ref>.
'''Barracas'''. Tel. ''bārkásu, barkásu''.
'''Barriga'''. Mol. ''bariga'', cânfora de mediana qualidade<ref>Garcia da Orta diz (Col. XII): Acerca dos Gentios e Baneanes e Mouros, que esta fazenda comprão, fazem della quatro sortes, scilicet: ''cabeça, peito, pernas, pés''. E o Conde de Ficalho comenta: Rumphius (''Herbarium Amboinense'') descreve tambem as qualidades em que a classificam: fragmentos maiores, approximadamente das dimensões da unha, a que chamavam ''Cabessa'', que elle explica significar ''caput''; grãos ou escamas mais pequenas, chamadas ''Bariga'', ou ''venter''; e a parte pulvurenta e as granulações miudas, com o nome de ''Pees'', que significa ''pes''».</ref>. Vid. ''cabeça'' e ''pé''.
É provável que os termos tivessem sido usados em outras partes da Insulíndia e agora sejam obsoletos<ref>Os nossos antigos escritores também mencionam «coral de perna». «Mandou em hum caixão hum quintal de coral de ''perna'' por laurar». «E huma caixa de coral de ''perna'', a melhor que hauia». Gaspar Correia, I, pp. 89 e 101.</ref>.
'''Barrete''' (eclesiástico). Conc. ''barrêt''. — Tet., Gal. ''barreti''.
'''? Barrica'''. Malg. ''barika''.
'''Barril'''. Conc. ''barl''. — Tet., Gal.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|22}}|BARQUINHA BARRIL|}}</noinclude>tijmá''. — Sing. ''bavtismaya''. — ? Mar. ''baptismá''. — ? Guj. ''baptijhma''. — ? Hindi, Hindust. ''baptismá''. — ? Tel. ''baptismam''. — Malg. ''batisa''. — ? Jap. ''baputesuma''.
Parece que o ''p'' denuncia a procedência inglesa.
'''Baptizar'''. Sing. ''bavtisár karaṇavá'' (lit. «fazer baptizar»). Em concani diz-se comummente ''bāvtij divunk'', «dar baptismo».
'''Baralhar''' (as cartas). Conc. ''bārālhár-karunk''. — Tet. ''barálha''. Term. vern. ''kákul''.
'''Baralho'''. Conc. ''bārálh''. — ? Mar., Guj., Pers. (segundo Molesworth) ''barát''. — ? Tel. ''baredo''. Em marata e persa denota um dos naipes, rifada.
A origem da palavra portuguesa é incerta. O castelhano tem ''baraja''. O hindi e o hindustani, mais relacionados com o persa, não teem ''barát''. ''Ganjiphá'', usado nas línguas indianas por «baralho», é de procedência persiana.
'''[[:d:Lexeme:L307256|Barba]]'''. Mal. ''barba'' (Haex). Term. vern. ''jángut''.
'''Barcaça'''. Conc., Guj. ''bārkas''. — Malayál. ''varkkas''. — Ár. ''barkús''<ref>«Fez embarcar em hũa grande '''barcaça'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 5.
«Mas os das '''barcaças''', e galés, que hora aqui, hora aly lhe dauam bateiras». ''Id.'', Déc. VIII, I, 35.</ref>.
'''Barqueta'''. Mar. ''barkatá''. «Barco pequeno ou bote, o mesmo que ''barkín'' ou ''barquinha''». Molesworth.
'''Barquinha'''. Mar. ''barkín''. «Barca pequena ou bote de feição particular. ''Barkíní'' (corrente em Málwán-pránt). Pequena espécie de ''hoḍí'' ou bote de pranchas». Molesworth<ref>«Levou elle mesmo... a dom André na '''barquinha''' a terra». Bocarro, Déc. XIII, p. 485.</ref>.
'''Barracas'''. Tel. ''bārkásu, barkásu''.
'''[[:d:Lexeme:L447827|Barriga]]'''. Mol. ''bariga'', cânfora de mediana qualidade<ref>Garcia da Orta diz (Col. XII): Acerca dos Gentios e Baneanes e Mouros, que esta fazenda comprão, fazem della quatro sortes, scilicet: ''cabeça, peito, pernas, pés''. E o Conde de Ficalho comenta: Rumphius (''Herbarium Amboinense'') descreve tambem as qualidades em que a classificam: fragmentos maiores, approximadamente das dimensões da unha, a que chamavam ''Cabessa'', que elle explica significar ''caput''; grãos ou escamas mais pequenas, chamadas ''Bariga'', ou ''venter''; e a parte pulvurenta e as granulações miudas, com o nome de ''Pees'', que significa ''pes''».</ref>. Vid. ''cabeça'' e ''pé''.
É provável que os termos tivessem sido usados em outras partes da Insulíndia e agora sejam obsoletos<ref>Os nossos antigos escritores também mencionam «coral de perna». «Mandou em hum caixão hum quintal de coral de ''perna'' por laurar». «E huma caixa de coral de ''perna'', a melhor que hauia». Gaspar Correia, I, pp. 89 e 101.</ref>.
'''Barrete''' (eclesiástico). Conc. ''barrêt''. — Tet., Gal. ''barreti''.
'''? Barrica'''. Malg. ''barika''.
'''Barril'''. Conc. ''barl''. — Tet., Gal.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/133
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2026-07-30T15:12:29Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Correção integral e revisão da página 36 do vocabulário
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|36}}|CAJU CALAFATE|}}</noinclude>O étimo é o malayál. ''kayaru'', «corda de cairo»<ref>«Da primeira casca que o (côco) cobre, se faz o '''cairo'''... depois que o curtem, mação e fião, á maneira do linho de canamo». João de Barros, Déc. III, III, 7.
«A primeira das cascas (do côco) he muito lanuginosa e desta se faz '''cairo''', que assi he chamado dos Malabares e de nós». Garcia da Orta, Col. XVI.
«Das cascas de fóra destes cocos, a que chamam '''cairo''', se fazem cordas». Fr. João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 299.</ref>.
'''Caixa''' («moeda»). — Indo-ingl. ''cash''<ref>Conforme António Nunes, uma ''caixa'' de Maluco vale 3/10 do rial e a de Sunda, 3/5.</ref>.
O étimo é o dravídico ''kásu'', derivado do sânsc. ''karsha'', «pêso de prata ou ouro». Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Hũa moeda de cobre do tamanho dos nossos ceitijs... á qual moeda elles chamão '''caixas'''». João de Barros, Déc. III, V, 5.
«Rapão a cabeça por huma só moeda de cobre a que chamão '''caixa'''». Gaspar Correia, IV, p. 301.</ref>.
'''Caju''' (bot., ''Anacardium Occidentale''). Conc. ''kāzu; káz'' (planta; em certas localidades, fruto). ''Kājel'', aguardente de cajus. — Mar. ''kāzú'' (planta, fruto, semente); ''kāzūgoḷá'' (us. no Concão), fruto. — Guj. ''káju, kájum'' (n.; caju açucarado, m.). — Beng. ''kājú''. — Sindh. ''kházu, kházo'', castanha de caju. — Sing. ''kaju, kajju; kaju-geha'', planta. — Tam. ''káju-paḷam; káju-maram'', planta. — Malayál. ''kaxu; kaxu-máru''. — Indo-ingl. ''cashew''. — Mal. ''káju, gájus''. — Sund. ''káju''. Term. vern. ''jambu méde''. — Tet., Gal. ''kajús, kaidú''.
O sufixo ''-s'' na língua malaia e nas timorenses provêm do plural português, como em ''meias, uvas, tiras, apas''.
Termo brasileiro: ''acaju''. O cajueiro é, das plantas introduzidas pelos portugueses na India, a de maior utilidade e que se acha agora perfeitamente naturalizada<ref>«Blindoeiros, '''cajueiros''', jambuleiros, undeiras» B. F. da Costa, I, p. 173.
«É a distillação de canna e de '''cajú''', que tem enorme consumo nas terras da coroa». Caldas Xavier, in ''Bol.'' S. G. L., 2.ª sér., p. 485.
Vid. Conde de Ficalho nos ''Coloquios'' de Garcia da Orta, vol. I, p. 67.</ref>.
'''Calabaça'''. Indo-ingl. ''calabash'', vasilha de cabaça.
'''Calafate''' (e calafatagem). Hindi ''kālāpatti''. — Hindust. ''kalpatti, kalāpatiyá''. — Or. ''kalāpātí''. — Beng. ''kālāpātí''. — Sing. ''galapatti'' (''-karaṇavā'', calafetar). — Tam. ''kalapparradī'', calafetar; ''kalapparradippal'', calafate. — Tel. ''kalapatti''. — Indo-ingl. ''calputtee''. — Mal. ''kalepet''. — Ár. ''qālāfat, qalfat, qāllaf''<ref>«A dom João Lobo deu o cuidado dos '''calafates'''». Diogo do Couto, Déc. VI, VIII, 52.</ref>.
O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva a palavra portuguesa do italiano ''calafattare''. Fr. João de
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 23 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BATA BATA|{{sc|23}}}}</noinclude>''barril''. — Ár. ''barmil, bermíl, birmíl, baramíl, varíl''<ref>«Mandando pôr sobre as paredes, muitos '''barris''' d’aleatrão». Diogo do Couto, Déc. VII, III, 10.</ref>.
Em outras línguas usa-se ''pipa'' por «barril».
'''Barrote'''. Guj. ''bārotium''.
'''Basta''' (verbo). Conc. ''bást'' (p. us.). Term. vern. ''puró''. — ? Mar., Hindust., Sindh., Khas., Persa ''bas''. — ? Indo-ingl. ''bus''. — Mal. ''basta'' (Haex).
Os lexicógrafos indianos dão o vocábulo como de origem persiana.
'''Bastão'''. Conc. ''bastámv'' (p. us.). Term. vern. ''bét, betó, betkāṭhí''. — Sing. ''bastāmu''.
'''Bastarda''' («espécie de peça antiga»). Bug. ''bisatirida''.
'''? Bastião'''. Mal. ''bartion'' (Haex).
'''Basto''' (termo de jôgo). Mak., Bug. ''basáttu''. Vid. ''az''.
'''Bata'''. Indo-ingl. ''batta'', ração, comedorias; gratificação, propina.
O vocábulo é indiano, e o termo português correspondente, empregado pelos antigos escritores, é ''mantimento''<ref>«E a seys obreiros fferreiros que seruem na ferraria a dous pardaos por mês, e seu '''mantimento''' d’arroz, pexe, lenha, pela maneira acima». Simão Botelho, p. 237.
«Toda a gente que ficou em Malaca, no mar e na terra, auia de ser paga seis mezes d’antemão de seu soldo, e dous cruzados de '''mantimento''' cada mês pagos na mão». Gaspar Correia, II, p. 267.</ref>. Simão Botelho diz (p. 237): «E para dous ffarazes dous pardaos a ambos por mês, quoatro tangas para ''bata''.» O editor (Rodrigo Felner) nota que «parece que deve ser «bate», isto é, «arroz com casca». Mas não há êrro no texto; porque ''bate'' é que é corrução de ''bata'', marata-concani ''bhát(a)'', canarês ''bhatta''<ref>Cf. o port. ''cate'' (ou ''cato'') = ''káta, bétele'' = ''vettila''.</ref>. O autor porém não emprega a palavra nesta acepção, mas no sentido de «ração», como se depreende do contexto e da verba que segue: «E ao condestabre trynta e oyto mill e novecentos e vinte reis por ano, em que entra ''mantimento''». E neste caso, ''bata'' é o mesmo que hindust. ''bhata, bhatta'', ou ''bhātá''; mar. ''bhatta, bhātá'' ou ''bhātém''; conc. ''bhātém''.
Reeve diz que ''bhatta'' é corrução canaresa de palavra sânscrita, que não pode ser senão ''bhakta'', «comida» em geral, e em particular «arroz cozido», alimento principal do povo indiano<ref>«Na terra (de Calecut) ha pouco arroz que he o principal mantimento, assi como antre nos ho trigo». Castanheda, I, cap. 73.</ref>. Neste último significado, ''bhát'' (masc.) é corrente em hindustani e marata, e menos usado em concani que ''xít''; em singalês ''bhakta, bhatta'' e ''bat''.
No decurso do tempo ''bhát'' (neut.) tornou-se em marata e concani o nome predominante de «arroz em casca» e da própria planta, suplan-
== Notas ==
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Correção integral e revisão da página 37 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CALÇÃO CALMARIA|{{sc|37}}}}</noinclude>Sousa e Devic atribuem-na ao árabe. Dozy e Jal põem em dúvida essa derivação e preferem a do lat. ''calefacere''. Yule & Burnell advogam a origem arábica, mas admitem a procedência portuguesa do vocábulo nas línguas indianas.
'''[[:d:Lexeme:|Calçado]]''' (subst.). Conc. ''kālsád''. — Mal., Ach., Batt., Sund., Jav. ''kásut''. — Mak. ''kásu''. — Ár. vulgar ''kalsat'', meias (Simonet)<ref>«''Kāsut'' s'entend surtout de la chaussure malaise, qui consiste en une espèce de sandales ou de semelles qui s'attachent avec des cordons». Favre.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1375100|Calção]]''' (na acepção de «calças»). Conc. ''kālsámv'', ''kalsámv''. ''Moṭvém kalsámv'', calção própriamente. — Sing. ''kalisama'', ''kalasama''. — Tam. ''kāl-chaṭṭei'' (lit. «veste calção»). — Malayál. ''kāl-chchaṭṭa''. — ? Malg. ''kalisanina'' (talvez do franc. ''caleçon''). — Jap. ''karusan''.
Em galóli ''kálsa'', calças<ref>«'''Calsoens''', chapeos, çapatos, pera lá se repartirem pellos soldados». Diogo do Couto, Déc. VI, VI, 6.</ref>.
''Calção'', no sentido de «calças», usa-se tambêm em indo-português.
Parece que ''kaus'', «sapato», das línguas do arquipélago malaio, não deriva do port. ''calça'', que antigamente designava, segundo Viterbo, «meia, calçado das pernas»<ref>«Huma noite com huma '''calça''' d'arêa, derão tantas '''calçadas''', de que, segundo fama morreo». Doc. de 1458, reproduzido por Viterbo.</ref>, nem do hol. ''kous'', «meia». Aparece já usado no primeiro quartel do século XVII. «''Caous'' (leia-se ''kaus''), calceus; ''caous sa-paris'', par calceorum» (Haex). Swettenham e Favre atribuem-lhe origem arábica; mas no árabe não há tal vocábulo. Rigg diz que em sundanês ''kaus'' significa actualmente «meia» e admite a procedência holandesa. Idênticamente procede Hardeland com respeito ao dayak, e Matthes em referência ao mak. ''káusu'' e bug. ''káusu'' e ''koso''. Langen dá dubitativamente «kaus» como correspondente ao ach. ''kaus''. É bem possível que ''kaus'' seja abreviação de ''kásut'', «calçado», que no makassarês perde o ''t'', ou tenha havido posteriormente influência do holandês.
'''[[:d:Lexeme:|Caldeirão.]]''' Sing. ''kaldérama'', ''kaldarama''.
'''[[:d:Lexeme:|Caldo.]]''' Conc. ''káld''. — Beng. ''kāldó'' (us. entre os cristãos). — Sing. ''kálduva''. — Mal., Sund., Jav., Mad. ''káldu'', ''káldo''.
'''[[:d:Lexeme:|Calibre.]]''' Bug. ''livarā''. Cai a primeira sílaba, como em ''dilu'' = codilho.
'''[[:d:Lexeme:|Cális]]''' (de missa). Conc. ''káls''. — Beng., Tam., Tet., Gal. ''kális''. — Ann. ''calicê''. Term. vern. ''chén thánh'' (lit. «copo sagrado»). — Jap. ''karisu''<ref>«Pedras d'ara, '''calices''', e outras cousas». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 2.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Calmaria.]]''' L.-Hindust. ''kalmariyá'',
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 24 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|24}}|BATATA BATATA|}}</noinclude>tando outros termos, como ''sál, dhán''; e infiltrou-se no canarês, ao lado do vernáculo ''něllu''<ref>''Néli'' é usado no português malaio, e o Sr. Cândido de Figueiredo regista-o como termo inédito e antigo.</ref>.
Naturalmente, ''bhát'' no seu duplo significado, de «arroz cozido» e de «arroz em casca», não tardou a designar, primeiro, «a ração de arroz cozido», depois, «o arroz cru» ou «o dinheiro para comprar a ração de arroz cru», e finalmente, «comedorias, gratificações, propinas». E nestas acepções secundárias assumiu, em marata e concani, a forma específica de ''bhātém''. Vid. ''Hobson-Jobson''.
'''Batalhão'''. Conc. ''bātālhámv''. Termo vern. ''palṭaṇ'' (p. us.). — Tet., Gal. ''batalhá, batayá''.
'''Batão''' («ágio»). Indo-ingl. ''batta''.
O étimo é o hindus. ''baṭṭáu'' (''baṭṭá, bāttá''), donde mar. ''vaṭáv'', conc. ''vāṭáv''<ref>«Alem disso tem seu '''batão''', que he çarrafagem ou caibo». Antonio Nunes, ''Livro dos Pesos da Ymdia'', p. 40.</ref>.
'''Batata''' (ordinária, não doce). Conc. ''baṭāṭó''. ''Baṭāṭín'', certo bolbo medicinal. — Mar. ''baṭāṭá''. Term. vern. ''ālú''. — Guj. ''baṭāṭá''. — Sing. ''batála'' («batata doce», a outra se chama ''artapal'', do holandês). — Malayál. ''batatas'' (doces, Rheede). Term. vern. ''kappaliḷangu''. — Can. ''baṭāṭé''. Term. vern. ''uralagaḍḍe''. — Tul. ''baṭāṭé, paṭāṭé''. — Nic. ''patáta'', batata doce. — Malg. ''batata''.
Não é provável que os termos indianos tenham por étimo o ingl. ''potato'', porque, além de não terem a sílaba inicial ''pa'', tão sómente aparecem na área linguística mais influenciada pelo português, e o conc. ''baṭāṭín'' é, sem dúvida, derivado directamente do port. ''batatinha''. Com respeito a ''ṭṭ'' cacuminais, cf. ''atalaia, abóbora, sorte''<ref>No português de Goa diz-se «batata de Surrate» isto é, batata entrada pela feitoria de Surrate; Fr. Clemente da Ressurreição (1782) chama-lhe «batata inglesa»: «Vê-se outra que produz fructos similhantes ás batatas pequenas inglesas». (In ''Agricultor Indiano'', de B. F. da Costa, II, p. 339). Na ilha de S. Nicolau, Cabo Verde, também se diz «batata inglesa». (Vid. ''Bol.'' S. G. L., 3.ª sér., p. 354). Na Madeira, dão o nome de ''batata'' à batata doce, e à outra chamam ''semilha''. O castelhano tem ''batata'', «batata doce», e ''patata'', «batata de cozinha».</ref>.
A batata doce (''Convolvulus batatas''), indígena da América, foi introduzida na India pelos portugueses, com o seu nome de origem, que algumas das línguas conservaram, substituindo-o as outras por termos vernáculos. Posteriormente, os ingleses importaram a batata ordinária (''Solanum tuberosum''), ''potato'' (pronuncia-se ''pôṭêṭô''), que, como observam Yule & Burnell, lhe roubou o nome. Os portugueses da India teriam distinguido
== Notas ==
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Naturalmente, ''bhát'' no seu duplo significado, de «arroz cozido» e de «arroz em casca», não tardou a designar, primeiro, «a ração de arroz cozido», depois, «o arroz cru» ou «o dinheiro para comprar a ração de arroz cru», e finalmente, «comedorias, gratificações, propinas». E nestas acepções secundárias assumiu, em marata e concani, a forma específica de ''bhātém''. Vid. ''Hobson-Jobson''.
'''Batalhão'''. Conc. ''bātālhámv''. Termo vern. ''palṭaṇ'' (p. us.). — Tet., Gal. ''batalhá, batayá''.
'''Batão''' («ágio»). Indo-ingl. ''batta''.
O étimo é o hindus. ''baṭṭáu'' (''baṭṭá, bāttá''), donde mar. ''vaṭáv'', conc. ''vāṭáv''<ref>«Alem disso tem seu '''batão''', que he çarrafagem ou caibo». Antonio Nunes, ''Livro dos Pesos da Ymdia'', p. 40.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447826|Batata]]''' (ordinária, não doce). Conc. ''baṭāṭó''. ''Baṭāṭín'', certo bolbo medicinal. — Mar. ''baṭāṭá''. Term. vern. ''ālú''. — Guj. ''baṭāṭá''. — Sing. ''batála'' («batata doce», a outra se chama ''artapal'', do holandês). — Malayál. ''batatas'' (doces, Rheede). Term. vern. ''kappaliḷangu''. — Can. ''baṭāṭé''. Term. vern. ''uralagaḍḍe''. — Tul. ''baṭāṭé, paṭāṭé''. — Nic. ''patáta'', batata doce. — Malg. ''batata''.
Não é provável que os termos indianos tenham por étimo o ingl. ''potato'', porque, além de não terem a sílaba inicial ''pa'', tão sómente aparecem na área linguística mais influenciada pelo português, e o conc. ''baṭāṭín'' é, sem dúvida, derivado directamente do port. ''batatinha''. Com respeito a ''ṭṭ'' cacuminais, cf. ''atalaia, abóbora, sorte''<ref>No português de Goa diz-se «batata de Surrate» isto é, batata entrada pela feitoria de Surrate; Fr. Clemente da Ressurreição (1782) chama-lhe «batata inglesa»: «Vê-se outra que produz fructos similhantes ás batatas pequenas inglesas». (In ''Agricultor Indiano'', de B. F. da Costa, II, p. 339). Na ilha de S. Nicolau, Cabo Verde, também se diz «batata inglesa». (Vid. ''Bol.'' S. G. L., 3.ª sér., p. 354). Na Madeira, dão o nome de ''batata'' à batata doce, e à outra chamam ''semilha''. O castelhano tem ''batata'', «batata doce», e ''patata'', «batata de cozinha».</ref>.
A batata doce (''Convolvulus batatas''), indígena da América, foi introduzida na India pelos portugueses, com o seu nome de origem, que algumas das línguas conservaram, substituindo-o as outras por termos vernáculos. Posteriormente, os ingleses importaram a batata ordinária (''Solanum tuberosum''), ''potato'' (pronuncia-se ''pôṭêṭô''), que, como observam Yule & Burnell, lhe roubou o nome. Os portugueses da India teriam distinguido
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/122
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 25 do vocabulário
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'''Bate''' («arroz em casca ou em erva»). Indo-ingl. ''battee'' ou ''batty''. Usado antes no sul da India, agora suplantado por ''paddy''.
O étimo é o marata-concani ''bhát''. Vid. ''bata''<ref>«O mura de '''batee''' tem tres candis, que he arroz com casca». António Nunes, ''Livro'', p. 40.
«Por razão do qual arroz, que elles chamão '''bate''', se chama o ''Reyno Batecalou'', que interpretam o Reyno de arroz». João de Barros, Déc. III, II, 1.
«Nos campos (de Ceilão) he tanto o arroz, a que elles chamam '''bate'''». Lucena, liv. II, cap. 18.</ref>.
O indo-ingl. ''paddy'' vem do mal. ''pádi'', jav. ''pári'', que Crawfurd identifica com ''bate'' e supõe levado pelos portugueses. Mas Yule & Burnell acham-no «improvável, porque a palavra ''pārī'', mais ou menos modificada, existe em todas as línguas do Arquipélago, e até em Madagáscar».
'''Bátega''' (por «bandeja»). Conc. ''bátk''. Term. vern. ''táṭ, vāṭi, vāṭém''. — Tet. ''bátik''. — ? Tonk. ''bāt'', escudela. — ? Mal. ''bātil''. — ? Mak., Bug. ''bātili''.
Na acepção de «bacia de metal», o termo é obsoleto no continente, mas voga nos crioulos sob a forma de ''bática'' e ''bátic''. Vid. ''Elucidario'' de Viterbo<ref>«Neste Reyno de Peguou não ha dinheiro amoedado, e o de que se usa e pratica he de '''bategas''', bacios e outras cousas de serviço, que são de huum metal». António Nunes, p. 38.
«Então lhe trazem dez '''batygas''', que são bacias de latão rasas... e bebem agoa que está em outras '''bategas'''». Gaspar Correia, III, p. 715.
«E as iguarias em '''bategas''' de prata». Damião de Góis, IV, cap. 10.</ref>.
'''Bateira'''. Jap. ''battera''.
'''Batel'''. Conc., Guj., Sindh. ''bateló''. — Mar. ''batelá''. — Indo-ingl. ''batel, batelo, botella, botilla''. Whitworth regista também a forma ''butecla''. — ? Mal. ''bahatra''. — ? Mak., Bug. ''batará''. Matthes aponta por étimo o sânsc. ''vahitra''<ref>«Da qual em se o '''batel''' afastando, logo da terra vierão por elle em huma almadia». ''Id.'', I, cap. 38.
«Por demandar o '''batel''' em que iam mais agua». Bocarro, Déc. XIII, p. 392.</ref>.
'''Bateria'''. Conc. ''bāterí''. — Malayál. ''vattéri''. — Tel. ''battéri, phattéri''. Brown dá como étimo ''batērí'' em alfabeto árabe, sem indicar a língua. — Mal. ''bateria, teria'' («clamare, screare», Haex). — Ár. ''battariya'', ponte de navio<ref>«Ao outro dia tractaram o modo de se dar '''bateria''' á fortaleza». Bocarro, Déc. XIII, p. 643.</ref>.
'''Baú'''. Conc. ''bāú''. Term. vern. ''péṭ''. — Guj. ''bāú, bávum''. — Hindust. ''bāolá''. — Gal. ''baban baú''<ref>«Hum '''baull''' pequeno avalliado em</ref>.
== Notas ==
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'''Bate''' («arroz em casca ou em erva»). Indo-ingl. ''battee'' ou ''batty''. Usado antes no sul da India, agora suplantado por ''paddy''.
O étimo é o marata-concani ''bhát''. Vid. ''bata''<ref>«O mura de '''batee''' tem tres candis, que he arroz com casca». António Nunes, ''Livro'', p. 40.
«Por razão do qual arroz, que elles chamão '''bate''', se chama o ''Reyno Batecalou'', que interpretam o Reyno de arroz». João de Barros, Déc. III, II, 1.
«Nos campos (de Ceilão) he tanto o arroz, a que elles chamam '''bate'''». Lucena, liv. II, cap. 18.</ref>.
O indo-ingl. ''paddy'' vem do mal. ''pádi'', jav. ''pári'', que Crawfurd identifica com ''bate'' e supõe levado pelos portugueses. Mas Yule & Burnell acham-no «improvável, porque a palavra ''pārī'', mais ou menos modificada, existe em todas as línguas do Arquipélago, e até em Madagáscar».
'''Bátega''' (por «bandeja»). Conc. ''bátk''. Term. vern. ''táṭ, vāṭi, vāṭém''. — Tet. ''bátik''. — ? Tonk. ''bāt'', escudela. — ? Mal. ''bātil''. — ? Mak., Bug. ''bātili''.
Na acepção de «bacia de metal», o termo é obsoleto no continente, mas voga nos crioulos sob a forma de ''bática'' e ''bátic''. Vid. ''Elucidario'' de Viterbo<ref>«Neste Reyno de Peguou não ha dinheiro amoedado, e o de que se usa e pratica he de '''bategas''', bacios e outras cousas de serviço, que são de huum metal». António Nunes, p. 38.
«Então lhe trazem dez '''batygas''', que são bacias de latão rasas... e bebem agoa que está em outras '''bategas'''». Gaspar Correia, III, p. 715.
«E as iguarias em '''bategas''' de prata». Damião de Góis, IV, cap. 10.</ref>.
'''Bateira'''. Jap. ''battera''.
'''Batel'''. Conc., Guj., Sindh. ''bateló''. — Mar. ''batelá''. — Indo-ingl. ''batel, batelo, botella, botilla''. Whitworth regista também a forma ''butecla''. — ? Mal. ''bahatra''. — ? Mak., Bug. ''batará''. Matthes aponta por étimo o sânsc. ''vahitra''<ref>«Da qual em se o '''batel''' afastando, logo da terra vierão por elle em huma almadia». ''Id.'', I, cap. 38.
«Por demandar o '''batel''' em que iam mais agua». Bocarro, Déc. XIII, p. 392.</ref>.
'''Bateria'''. Conc. ''bāterí''. — Malayál. ''vattéri''. — Tel. ''battéri, phattéri''. Brown dá como étimo ''batērí'' em alfabeto árabe, sem indicar a língua. — Mal. ''bateria, teria'' («clamare, screare», Haex). — Ár. ''battariya'', ponte de navio<ref>«Ao outro dia tractaram o modo de se dar '''bateria''' á fortaleza». Bocarro, Déc. XIII, p. 643.</ref>.
'''Baú'''. Conc. ''bāú''. Term. vern. ''péṭ''. — Guj. ''bāú, bávum''. — Hindust. ''bāolá''. — Gal. ''baban baú''<ref>«Hum '''baull''' pequeno avalliado em myll e quynhentos réys» (1601). A. Tomás Pires, in ''Bol. S. G. L.'', 16.ª sér., p. 724.</ref>.
== Notas ==
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'''Bate''' («arroz em casca ou em erva»). Indo-ingl. ''battee'' ou ''batty''. Usado antes no sul da India, agora suplantado por ''paddy''.
O étimo é o marata-concani ''bhát''. Vid. ''bata''<ref>«O mura de '''batee''' tem tres candis, que he arroz com casca». António Nunes, ''Livro'', p. 40.
«Por razão do qual arroz, que elles chamão '''bate''', se chama o ''Reyno Batecalou'', que interpretam o Reyno de arroz». João de Barros, Déc. III, II, 1.
«Nos campos (de Ceilão) he tanto o arroz, a que elles chamam '''bate'''». Lucena, liv. II, cap. 18.</ref>.
O indo-ingl. ''paddy'' vem do mal. ''pádi'', jav. ''pári'', que Crawfurd identifica com ''bate'' e supõe levado pelos portugueses. Mas Yule & Burnell acham-no «improvável, porque a palavra ''pārī'', mais ou menos modificada, existe em todas as línguas do Arquipélago, e até em Madagáscar».
'''Bátega''' (por «bandeja»). Conc. ''bátk''. Term. vern. ''táṭ, vāṭi, vāṭém''. — Tet. ''bátik''. — ? Tonk. ''bāt'', escudela. — ? Mal. ''bātil''. — ? Mak., Bug. ''bātili''.
Na acepção de «bacia de metal», o termo é obsoleto no continente, mas voga nos crioulos sob a forma de ''bática'' e ''bátic''. Vid. ''Elucidario'' de Viterbo<ref>«Neste Reyno de Peguou não ha dinheiro amoedado, e o de que se usa e pratica he de '''bategas''', bacios e outras cousas de serviço, que são de huum metal». António Nunes, p. 38.
«Então lhe trazem dez '''batygas''', que são bacias de latão rasas... e bebem agoa que está em outras '''bategas'''». Gaspar Correia, III, p. 715.
«E as iguarias em '''bategas''' de prata». Damião de Góis, IV, cap. 10.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1375323|Bateira]]'''. Jap. ''battera''.
'''Batel'''. Conc., Guj., Sindh. ''bateló''. — Mar. ''batelá''. — Indo-ingl. ''batel, batelo, botella, botilla''. Whitworth regista também a forma ''butecla''. — ? Mal. ''bahatra''. — ? Mak., Bug. ''batará''. Matthes aponta por étimo o sânsc. ''vahitra''<ref>«Da qual em se o '''batel''' afastando, logo da terra vierão por elle em huma almadia». ''Id.'', I, cap. 38.
«Por demandar o '''batel''' em que iam mais agua». Bocarro, Déc. XIII, p. 392.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447387|Bateria]]'''. Conc. ''bāterí''. — Malayál. ''vattéri''. — Tel. ''battéri, phattéri''. Brown dá como étimo ''batērí'' em alfabeto árabe, sem indicar a língua. — Mal. ''bateria, teria'' («clamare, screare», Haex). — Ár. ''battariya'', ponte de navio<ref>«Ao outro dia tractaram o modo de se dar '''bateria''' á fortaleza». Bocarro, Déc. XIII, p. 643.</ref>.
'''Baú'''. Conc. ''bāú''. Term. vern. ''péṭ''. — Guj. ''bāú, bávum''. — Hindust. ''bāolá''. — Gal. ''baban baú''<ref>«Hum '''baull''' pequeno avalliado em myll e quynhentos réys» (1601). A. Tomás Pires, in ''Bol. S. G. L.'', 16.ª sér., p. 724.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Correção integral e revisão da página 38 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|38}}|CAMARA CAMARADA|}}</noinclude>''karmariyá''. ''Karmariyá paḍná'', tornar-se calmoso<ref>«E no caminho achou muitas '''calmarias'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IX, 4.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447047|Cama.]]''' Conc. ''kám''. Term. vern. ''báz'', ''khāṭlém''; ''ānthrún-pānghrún'', ''sêj''. — Mal. ''camma'' (Haex). — Tet., Gal. ''kama''. Term. vern. ''phátik''.
'''[[:d:Lexeme:L500620|Câmara.]]''' Conc. ''kám'r'', ''kámbr''. Pouco usado na acepção de «quarto»; como «câmara municipal», é comum em Goa. Cf. o adágio: ''kámbrāchyá kustár kalvantám nātstát'' = dançam as bailadeiras à custa da câmara. — Hindi ''kam'rá''. — Hindust. ''kāmará'', ''kamará'', ''kamera'', ''kam'rá'' (mais us.). Tambêm significa «beliche», ''Khāne ka kam'rá'', casa de jantar. — Or. ''kam'rá''. — Sing. ''kámaraya'', ''kámarê''. — Tel. ''kāmará'', ''kāmerá'', ''kam'rá'', ''kāmiri''; ''kamelá'' (gávea). — Indo-ingl. ''cumra''. — Khas. ''kam'ra''. — Mal. (''káměrá'', Wilkinson), Bat., Sund., Jav., Mad. ''kámar''. — Bug. ''kamáli''<ref>Matthes deriva êste vocábulo do port. ''cama'', e regista o composto ''kamáli-levuranna'', «''iemand's slaap-kamer'', quarto de dormir».</ref>. — Tet., Gal. ''kámara''. — Rab. ''kamarón''<ref>«Recolhendosse com elle a hũa '''camara''' lhe disse estas palavras». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 9.</ref>.
O Dr. Hugo Schuchardt recusa ao mal. ''kámar'', bem como a ''musik'' e ''pistol'', a proveniência portuguesa, admitindo de preferência a holandesa: ''kamer'', ''musiek'', ''pistool''. «O critério para se diferençarem, diz êle, umas das outras é principalmente a terminação com que subsistem em malaio: se é vocálica essa terminação, a proveniência imediata é portuguesa; se consonântica, holandesa». E o Sr. Gonçalves Viana observa que «são da maior importância as duas leis fonológicas a que se refere o Dr. Schuchardt».
Parece todavia que o critério não é assaz seguro, porque há outras palavras de reconhecida origem portuguesa com terminação consonântica, isto é, com a perda da vogal final do étimo, como, por exemplo: ''karpus'' = carapuça, ''martil'' = martelo, ''gargalet'' = gorgoleta, ''bulin'' = bolina, ''prum'' = prumo.
Com respeito a ''kámer'' e ''músik'', pode-se alegar, como razão especial da apócope, a necessidade da redução dos esdrúxulos, visto que as línguas malaio-polinésias não teem vocábulos proparoxítonos. Se é certo que ''mármar'' = mármore, deriva do port. ''mármore'', temos outro exemplo. E, talvez, ''almári'' ou ''lamári'' = armário, obedece à mesma regra<ref>O crioulo malaio-português de Túgu tem ''cámber''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Camarada.]]''' Conc. ''kámbrád''. Termo vern. ''sāngātí'', ''samvgaḍí'', ''gaḍí''. — Tet. ''kamarada''. Term. vern. ''bêlu''. No português de Ceilão, ''cambrado''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Correção integral e revisão da página 39 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CAMISA CAMPO|{{sc|39}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L664584|Camisa.]]''' Conc. ''kamís'', ''khamís''. — Mar. ''kamíz'', ''khamís''. — Guj. ''khamis''. — Hindi ''qamíz''. — Hindust. ''qamís'', ''qamíj''. — Beng. ''kamíj''. — Sing. ''kamíse'', ''kamísaya'', ''kamíseya''. — Tam. ''kamísei''. — Malayál. ''kamís'', ''kamísu'', ''kammísu''. Tel. ''kamísu'', ''kamsu''. — Can. ''kamísu''. — Tul. ''kamísu''. — Indo-ingl. ''cameeze''. — Gar. ''kamij''. — Mal., Ach. ''kamíja'', ''kaméja''. — Sund., Day. ''kaméja''. — Jav., Mad. ''kaméjô''. — Tet., Gal. ''kamiza''. — ? Ár., Persa ''qamís''<ref>«Vasco da Gama lhe fez muyto gasalhado, e lhe mandou dar '''camisas'''». Castanheda, I, cap. 25.</ref>.
''Loma kamísaya'' (lit. «camisa de lã»), camisola. Singalês. ''Kham'sí'', camisola de crianças. Concani.
S. Jerónimo é o primeiro escritor europeu que menciona ''camisia''. ''Epist. ad Fabiolam''<ref>Simonet diz que tambêm é empregado por Festo, e deriva-o do latim-espanhol ''cama''.</ref>. O Sr. Cândido de Figueiredo deriva o vocábulo português do «baixo latim ''camisia'', origem incerta». Fr. João de Sousa atribui-lhe origem arábica<ref>«Faria quer que seja palavra Punica; porem ella he sem duvida Arabica; por isso no Alcorão no cap. de José vem mais de uma vez».
«Bien que le nom de ce vêtement nous soit venu par l'intermédiaire des arabes, il faut en chercher l'origine plus haut. Le mot arabe dérive du sanscrit ''kschumā'' (''kschaumâ'') lin, ''kshaumas'', fait de lin; le vêtement a reçu ce nom de la matière dont on le fabriquait». Engelmann, ''Glossaire''.
«Andaom estes Mouros Dormus muy bem vestidos de hũas '''camisas''' muy alvas dalgodam delguadas e compridas». Duarte Barbosa, p. 261.</ref>.
''Q'' inicial do hindi e hindustani e, talvez, ''kh'' do marata e guzarate, indicam a procedência imediata ou a influência do árabe. ''K'' inicial torna-se às vezes aspirado em concani. Cf. ''cruz''.
'''[[:d:Lexeme:|Camisola.]]''' Conc. ''kāmizól'', camisa de mulheres. — Tet. ''kamizola''.
'''[[:d:Lexeme:|Campainha.]]''' Conc. ''kāmpíṇ''. — Term. vern. ''ghānṭlí''. — Tet., Gal. ''kampainha''.
'''[[:d:Lexeme:L447841|Campo.]]''' Conc. ''kámp'' (na acepção do adro, por onde passam as procissões). — Mar., Hindust. ''kampú'', campo de batalha. — Indo-ingl. ''campoo'', no mesmo sentido. — ? Mal., Sund., Jav., Mad., Mak. ''kampong'', ''kampung'', bairro separado por fossos ou sebes de bambu. — Tet., Gal. ''kámpu''. Term. vern. ''klés''<ref>«E por terra se veyo lançar obra de meya legua de Malaca, naquella parte a q̃ elles chamam '''Campochina'''». João de Barros, Déc. III, X, 3.</ref>.
Alguns filólogos consideram a palavra ''kampong'' como vernácula das línguas malaias, e não de procedência portuguesa. Yule propugna a derivação do ingl. ''compound'', «quintal», do mal. ''kampong'', mas admite a possibilidade de ser o vocábulo malaio «origináriamente cor-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Correção integral e revisão da página 40 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|40}}|CANDIL CANGA|}}</noinclude>rupção do port. ''campo''». Vid. ''Hobson-Jobson'', s. v. ''compound''.
'''[[:d:Lexeme:|? Cana]]''' (da Índia). Bir. ''kyane''.
'''[[:d:Lexeme:|Canada.]]''' Sing. ''kanáde'' (pl. ''kanáda'')<ref>Segundo António Nunes (''Livro dos Pesos da Índia'', p. 34) ''canada'' esteve em uso em Cochim; mas os dicionários não a registam.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447985|Canal.]]''' Conc. ''kānál'' (us. sómente em Goa). — Tel. ''kanáli''.
Brown presume que ''kanáli'' é do francês.
'''[[:d:Lexeme:|Canapé.]]''' Conc. ''kānāpó'' (pl. ''kānāpé''). — Sing. ''kanǎppuva''. — Tet., Gal. ''kanapé''.
'''[[:d:Lexeme:|Canário.]]''' Conc. ''kānár''. — Jap. ''kanáriya''<ref>«Particularmente uns [passaros], a que chamam inhapures, que se parecem muito com '''canarios''' na côr, e na musica». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', I, p. 134.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Candelabro.]]''' Sing. ''kandalǎdruva''. No crioulo de Ceilão: ''candelar'', ''candelér''. Provávelmente do hol. ''kandelaar''.
'''[[:d:Lexeme:|? Candil]]''' (ant.: «lâmpada, candeia»). Guj. ''kandil'', candieiro de vidro. — Hindi, Hindust. ''qandil''. — Can. ''kandíla''. — Mal. ''kandíl''. — Ach. ''khandél''. — Jap. ''kantera'', candieiro de mão.
Com muita probabilidade importado directamente do ár. ''qandíl''.
A origem do termo japonês é dúbia; pode ser do ingl. ''candle'', não obstante a discrepância do significado. O Sr. Gonçalves Viana presume que vem do espanhol ''candela'', «vela».
'''[[:d:Lexeme:|Canela.]]''' Conc. ''kānél'', perna das reses. — Tet. ''kanela'', casca de caneleira.
'''[[:d:Lexeme:|Canequim]]''' («tecido de algodão, da Índia»). Jap. ''kanekim''<ref>«1 Cahaya branca, acolchoada, de '''canequim'''». ''Espolio de Balthazar Jorge'' (1549), in ''Bol. S. G. L.'', 4.ª sér., p. 290.
«'''Canequis''', bofetas, beyrames, sabagagis». Diogo do Couto, Déc. IV, I, 7.
«E por cima um '''canequim''' estendido». António Bocarro, Déc. XIII, p. 538.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Canga.]]''' Mal., Jav. ''kang'', freio. — Pid.-Engl. ''cango'', «espécie de cadeira ou liteira suspensa dum varal e transportada por dois homens». Leland.
Swettenham toma ''kang'' por vernáculo do javanês, e parece que tem razão, assim pela diferença do significado, como por falta da vogal final, que normalmente não cai na transição de palavras portuguesas para o malaio. Vid. ''câmara''.
Leland diz que ''cango'' é termo japonês; mas os dicionários que consultei não consignam tal acepção de ''kango'', que significa: «palavras chinesas; serviço de enfermeiro; custódia segura; encarceramento rigoroso». Hepburn.
Leland e Yule registam outro vocábulo homótropo, ''cangue'', que o Sr. Joaquim Crespo descreve do seguinte modo (''Cousas da China''): «A canga é um pesado quadrado
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|40}}|CANDIL CANGA|}}</noinclude>rupção do port. ''campo''». Vid. ''Hobson-Jobson'', s. v. ''compound''.
'''[[:d:Lexeme:|? Cana]]''' (da Índia). Bir. ''kyane''.
'''[[:d:Lexeme:|Canada.]]''' Sing. ''kanáde'' (pl. ''kanáda'')<ref>Segundo António Nunes (''Livro dos Pesos da Índia'', p. 34) ''canada'' esteve em uso em Cochim; mas os dicionários não a registam.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447985|Canal.]]''' Conc. ''kānál'' (us. sómente em Goa). — Tel. ''kanáli''.
Brown presume que ''kanáli'' é do francês.
'''[[:d:Lexeme:|Canapé.]]''' Conc. ''kānāpó'' (pl. ''kānāpé''). — Sing. ''kanǎppuva''. — Tet., Gal. ''kanapé''.
'''[[:d:Lexeme:|Canário.]]''' Conc. ''kānár''. — Jap. ''kanáriya''<ref>«Particularmente uns [passaros], a que chamam inhapures, que se parecem muito com '''canarios''' na côr, e na musica». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', I, p. 134.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Candelabro.]]''' Sing. ''kandalǎdruva''. No crioulo de Ceilão: ''candelar'', ''candelér''. Provávelmente do hol. ''kandelaar''.
'''[[:d:Lexeme:|? Candil]]''' (ant.: «lâmpada, candeia»). Guj. ''kandil'', candieiro de vidro. — Hindi, Hindust. ''qandil''. — Can. ''kandíla''. — Mal. ''kandíl''. — Ach. ''khandél''. — Jap. ''kantera'', candieiro de mão.
Com muita probabilidade importado directamente do ár. ''qandíl''.
A origem do termo japonês é dúbia; pode ser do ingl. ''candle'', não obstante a discrepância do significado. O Sr. Gonçalves Viana presume que vem do espanhol ''candela'', «vela».
'''[[:d:Lexeme:|Canela.]]''' Conc. ''kānél'', perna das reses. — Tet. ''kanela'', casca de caneleira.
'''[[:d:Lexeme:L1375308|Canequim]]''' («tecido de algodão, da Índia»). Jap. ''kanekim''<ref>«1 Cahaya branca, acolchoada, de '''canequim'''». ''Espolio de Balthazar Jorge'' (1549), in ''Bol. S. G. L.'', 4.ª sér., p. 290.
«'''Canequis''', bofetas, beyrames, sabagagis». Diogo do Couto, Déc. IV, I, 7.
«E por cima um '''canequim''' estendido». António Bocarro, Déc. XIII, p. 538.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Canga.]]''' Mal., Jav. ''kang'', freio. — Pid.-Engl. ''cango'', «espécie de cadeira ou liteira suspensa dum varal e transportada por dois homens». Leland.
Swettenham toma ''kang'' por vernáculo do javanês, e parece que tem razão, assim pela diferença do significado, como por falta da vogal final, que normalmente não cai na transição de palavras portuguesas para o malaio. Vid. ''câmara''.
Leland diz que ''cango'' é termo japonês; mas os dicionários que consultei não consignam tal acepção de ''kango'', que significa: «palavras chinesas; serviço de enfermeiro; custódia segura; encarceramento rigoroso». Hepburn.
Leland e Yule registam outro vocábulo homótropo, ''cangue'', que o Sr. Joaquim Crespo descreve do seguinte modo (''Cousas da China''): «A canga é um pesado quadrado
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 26 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|26}}|BAZAR BÊBADO|}}</noinclude>'''? Bazar'''. Mal. (''bazar'', segundo Bikkers), Jav. (baixo), Sund., Mad., Batt. ''pásar''. — Mak. ''pásara''. — Bug. ''pása''. — Tet., Gal. ''básar''.
«Do persiano ''bāzār'', mercado permanente ou rua de lojas. A palavra propagou-se para o Ocidente em árabe, turco, e, com sentidos especiais, em línguas europeias, e para o Oriente na India, onde foi geralmente adoptada nas línguas vernáculas». ''Hobson-Jobson''.
Mas o Dr. Heyligers diz que foi provávelmente introduzida nas línguas mencionadas pelos portugueses, que a teriam recebido dos povos do Levante ou dos mouros da península, «porque não é nada provável que antes daquele tempo a Pérsia tivesse relações de comércio com o Extremo Oriente». Tinham-nas porém os árabes e os índios, que já empregavam o vocábulo; e o Dr. Schuchardt conjectura que os malaios o receberam da India meridional. «O povo de Kling [Kalinga, na costa de Choramándel] tinha grande comércio com o Arquipélago antes da chegada dos europeus». Rigg<ref>Os nossos escritores, tratando de Malaca, mencionam freqüentemente Quelins, mercadores Quelins e bairro dos Quelins.</ref>.
João de Sousa observa que ''bazar'' é palavra antiga em português e menos conhecida, e Simão Botelho (1554) explica o que é o bazar de Chaul: «Renda do '''bazar''', que he das buticas onde se vendem as cousas por miudo»<ref>«A gente indiana mais corruptamente lhe chama ''pedra de bazar'': que quer dizer pedra da praça, ou da feira; porque '''bazar''' quer dizer lugar donde se vendem as cousas». Garcia da Orta, Col. XLV.</ref>.
'''Bazaruco''' (moeda antiga). Indo-ingl. ''budgrook''. No indo-português de Bombaim ''budruc'' significa «dinheiro em geral»<ref>«Vinte quoatro leacs o barguanim, que são vinte e quoatro '''bazarucos'''». Simão Botelho, p. 46.
«Mandou o Governador que em Cochym se fizessem '''bazaruqos''' como em Goa, e mandou correr a cinquenta '''bazarucos''' por tanga». Gaspar Correia, IV, p. 337.</ref>.
A etimologia é incerta. Vid. ''Hobson-Jobson''.
'''Beatilha''' («cassa»). Indo-ingl. ''betteela, beatelle''. — Mal. ''bitíla''<ref>«De Chaul e Dabul lhe trazem muyta soma de beirames e '''beatilhas'''». Duarte Barbosa, p. 275.
«Peças de '''beatilha''' de bengala muyto finas». António Tenreiro, ''Itinerario'', cap. XVII.
«Autres sortes de toiles qui se font aux environs de Masulipatan sur les terres du Roi de Golconda, et ces pieces s’apellent '''Betilles'''». Tavernier, ''Voyages'' (1676), V, p. 201.</ref>.
'''Bêbado'''. Conc. ''bebdó''. Term. vern. ''sarekár'' (que também significa
== Notas ==
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«Do persiano ''bāzār'', mercado permanente ou rua de lojas. A palavra propagou-se para o Ocidente em árabe, turco, e, com sentidos especiais, em línguas europeias, e para o Oriente na India, onde foi geralmente adoptada nas línguas vernáculas». ''Hobson-Jobson''.
Mas o Dr. Heyligers diz que foi provávelmente introduzida nas línguas mencionadas pelos portugueses, que a teriam recebido dos povos do Levante ou dos mouros da península, «porque não é nada provável que antes daquele tempo a Pérsia tivesse relações de comércio com o Extremo Oriente». Tinham-nas porém os árabes e os índios, que já empregavam o vocábulo; e o Dr. Schuchardt conjectura que os malaios o receberam da India meridional. «O povo de Kling [Kalinga, na costa de Choramándel] tinha grande comércio com o Arquipélago antes da chegada dos europeus». Rigg<ref>Os nossos escritores, tratando de Malaca, mencionam freqüentemente Quelins, mercadores Quelins e bairro dos Quelins.</ref>.
João de Sousa observa que ''bazar'' é palavra antiga em português e menos conhecida, e Simão Botelho (1554) explica o que é o bazar de Chaul: «Renda do '''bazar''', que he das buticas onde se vendem as cousas por miudo»<ref>«A gente indiana mais corruptamente lhe chama ''pedra de bazar'': que quer dizer pedra da praça, ou da feira; porque '''bazar''' quer dizer lugar donde se vendem as cousas». Garcia da Orta, Col. XLV.</ref>.
'''Bazaruco''' (moeda antiga). Indo-ingl. ''budgrook''. No indo-português de Bombaim ''budruc'' significa «dinheiro em geral»<ref>«Vinte quoatro leacs o barguanim, que são vinte e quoatro '''bazarucos'''». Simão Botelho, p. 46.
«Mandou o Governador que em Cochym se fizessem '''bazaruqos''' como em Goa, e mandou correr a cinquenta '''bazarucos''' por tanga». Gaspar Correia, IV, p. 337.</ref>.
A etimologia é incerta. Vid. ''Hobson-Jobson''.
'''Beatilha''' («cassa»). Indo-ingl. ''betteela, beatelle''. — Mal. ''bitíla''<ref>«De Chaul e Dabul lhe trazem muyta soma de beirames e '''beatilhas'''». Duarte Barbosa, p. 275.
«Peças de '''beatilha''' de bengala muyto finas». António Tenreiro, ''Itinerario'', cap. XVII.
«Autres sortes de toiles qui se font aux environs de Masulipatan sur les terres du Roi de Golconda, et ces pieces s’apellent '''Betilles'''». Tavernier, ''Voyages'' (1676), V, p. 201.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L449057|Bêbado]]'''. Conc. ''bebdó''. Term. vern. ''sarekár'' (que também significa
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 27 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BERINGELA BIFE|{{sc|27}}}}</noinclude>«vendedor de vinho»), ''saró piyetaló, saró lāglaló'', e outros semelhantes. ''Bebdúl'', ebrioso. ''Bebdikáy, bebdepaṇ'', bebedice. — Sing. ''bêbaduva, bêbaduvu, bêbadda, bêbayiyā''. Term. vern. ''bīmatkaráyā, bónayā, viri''. ''Bêbedu-káma'', bebedice.
'''Beijoim, benjoim'''. Indo-ingl. ''benzoin, benjamin''. — Indo-franc. ''benjoin''<ref>«Ha hy muyta lacra e '''beijoim''' de duas maneiras, branco e preto». ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'', ed. de 1838, p. 112.
«Nase muyto bõo '''beijoim''', que he rezina darvore, ha que os Mouros chamam Lobam». Duarte Barbosa, p. 369.
«O cheiroso '''beijoim''', a que os nossos por sua suavidade chamão '''beijoim de boninas'''». João de Barros, Déc. III, III, 3.</ref>.
'''Bem-ensinado''' («bem-criado»). Mal. ''bem-ensinado'' (Haex). Cf. ''mal-ensinado''.
'''Bem pode''' (ser). Mal. ''ben pode'' (Haex).
'''Bentinho'''. Conc. ''bentín''. — Tet., Gal. ''bentinh''.
'''Benzer'''. Conc. ''benhár-karunk''. ''Benhár'' é também adjectivo, na acepção de «bento». — Tam. ''venjan-pradu''.
'''Beringela''' (bot.). Hindust. ''berinjal''. Term. vern. ''bhaṇṭá, baigan, baingan''. — Indo-ingl. ''brinjaul''. — Mal. ''berinjal''. — Tet. ''beringela''. — Gal. ''beringela''. Term. vern. ''bumáran, pumáran''<ref>«Mandar trazer mais arros, e feyjões cozidos com '''beringellas'''». Fernão Pinto, cap. CXIX.
«Ha [em Angola] pepinos differentes dos de la mas muyto bons, aboboras e manguegoas que são como '''Berengelas'''». P. Baltasar Afonso (1585), in ''Bol.'' S. G. L., 4.ª sér., p. 376.</ref>.
O vocábulo é origináriamente sânscrito (''bhaṇṭākī''), trazido pelos árabes para a península hispânica e levado pelos portugueses, com a planta da India, para Malaca. Vid. ''Hobson-Jobson''.
'''Bétele, bétel, betle, bétere, betre''' (bot.). Indo-ingl. ''betel''. — Indo-franc. ''bétel''.
Do malayál. ''veṭṭila''. «Todos os nomes que virdes que não sam portugueses, sam malavares; assi como '''betre''', ''chuna'', que he cal, ''maynato'', que he lavador de roupa, ''patamar'', que he caminheiro, e outros muytos». Garcia da Orta<ref>«Ha ho qual '''betele''' nós chamamos folio Indio, que tem a folha tamanha como tanchagem». Duarte Barbosa, p. 286.</ref>.
'''Bezoar''' (subst.). Jap. ''basara''.
'''Bicho do mar''' («holothuria»). Indo-ingl. ''beech-de-Mer''. — Indo-franc. ''biche-de-mer''<ref>«'''Bicho de mar''', “Holuthuria”, nome que os portuguezes lhe deram e pelo qual é conhecido, se bem que alguns escriptores inglezes lhe chamem “sea-slugs”». Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 232.</ref>.
'''Bife'''. Conc. ''bíph''. — Tam., Tet., Gal. ''bíphi''.
Em concani e tamul pode o vo-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|28}}|BISCOITO BOCETA|}}</noinclude>cábulo ter sido directamente introduzido do inglês.
'''Bilimbim''' (fruto de ''Averrhoa bilimbi''). Conc. ''bilambí, bimblí'' (árvore; ''bilambém, bimblém'', fruto). — Mar. ''bilambí, bimblá'' (árvore; ''bimblem'', fruto). — Hindust. ''bilambú''. — Malayál. ''vilimbi''. — Tul. ''bilimbi, bimbali, bimbili, bimbuli''. — Indo-ingl. ''bilimbi, blimbee''<ref>«Chamase em canarim e em decanim camariz (?), e, em malaio, '''balimba'''». Garcia da Orta, Col. XII.</ref>.
Do mal. ''balimbing'', muito provávelmente introduzido na India pelos portugueses.
'''Binóculo'''. Conc. ''binokl''. — Tet. ''binókulu''.
'''Biscoito'''. Conc. ''biskút''. — Mar. ''biskúṭ''. — Hindi ''viskuṭ''. — Hindust., Beng. ''biskuṭ''. — Sing. ''biskóttu, viskóttu, viskottuva''. — Tam. ''viskan''. — Tel. ''biskotthu''. — Tul. ''biskoṭu''. — Nic. ''biskut''. — Tet. ''biskóitu''. — Jap. ''bisukóto, bisuko''.
É possível que a cacuminalização do ''ṭ'' seja devida à influência do ingl. ''biscuit'' (pronuncia-se ''biskit''), sem implicar necessáriamente a sua procedência (Vid. ''batata''). O biscoito foi introduzido pelos portugueses no começo das suas relações com a India. Nas ''Lembranças das cousas da India'' aparece entre os «preços que tem as mercadoryas em Dyo e as que se gastão» «a mão de '''biscuouto''' 7 fedeas». ''Mão'' e ''fédeas'' são termos indianos. E Castanheda diz que Afonso de Albuquerque concertou com Meliquiaz (Malik Eiaz) em Diu «que podesse ali mandar fazer '''bizcoyto''', por quanto auia trigo», e que deixou «para fazer o '''bizcoyto''' hum Christão nouo chamado andrade»<ref>«A nao Capitaina fez huma agoa por popa (em 1505), que nom sentirão porque entrou no payol do '''biscouto'''». Gaspar Correia, I, p. 535.</ref>.
O achinês tem ''meskut'', que deve ter provindo do inglês, pois Langen diz que o termo se aplica particularmente a ''Huntly and Palmer’s Biscuits''.
'''Bispo'''. Conc. ''bisp''. — Beng. ''bispa''. — Tam., Can., Tet., Gal. ''bispu''.
'''Bissexto'''. Conc. ''bisêst'' (p. us. e só em Goa). — Bug. ''bisésetu''.
'''Boa tarde'''. Beng. ''bovás tardiyá''. — Tet. ''bôa tárdi''. Também ''bôa nóiti''.
'''Bobo'''. Conc. ''bôb''. Também ''bobdekaméd'', bobo de comédia. Term. vern. ''bhāṇḍó, bhorpi''. — Tet., Gal. ''bôbu''. Term. vern. ''loré''.
'''Bocal'''. Conc. ''bukál''. Term. vern. ''káṇṭh, toṇḍ''. — ? Mal. ''bókar'', boceta. — Ár. ''buqál''.
'''Boceta'''. Conc. ''busét''. Term. vern. ''peṭúl, ḍabó''. — Mal. ''boetta'' (Haex), ''bosséta''<ref>«Dai cata em suas arqas e '''boetas'''». Gaspar Correia, II, p. 299. «E lhes acharão em huma '''bueta''' hum livro em que tinha escrito muitas cousas da India». ''Id.'', IV, p. 18.
«Traziam numa '''boceta''' d’ouro». Lucena, liv. II, cap. 23.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|28}}|BISCOITO BOCETA|}}</noinclude>cábulo ter sido directamente introduzido do inglês.
'''Bilimbim''' (fruto de ''Averrhoa bilimbi''). Conc. ''bilambí, bimblí'' (árvore; ''bilambém, bimblém'', fruto). — Mar. ''bilambí, bimblá'' (árvore; ''bimblem'', fruto). — Hindust. ''bilambú''. — Malayál. ''vilimbi''. — Tul. ''bilimbi, bimbali, bimbili, bimbuli''. — Indo-ingl. ''bilimbi, blimbee''<ref>«Chamase em canarim e em decanim camariz (?), e, em malaio, '''balimba'''». Garcia da Orta, Col. XII.</ref>.
Do mal. ''balimbing'', muito provávelmente introduzido na India pelos portugueses.
'''Binóculo'''. Conc. ''binokl''. — Tet. ''binókulu''.
'''Biscoito'''. Conc. ''biskút''. — Mar. ''biskúṭ''. — Hindi ''viskuṭ''. — Hindust., Beng. ''biskuṭ''. — Sing. ''biskóttu, viskóttu, viskottuva''. — Tam. ''viskan''. — Tel. ''biskotthu''. — Tul. ''biskoṭu''. — Nic. ''biskut''. — Tet. ''biskóitu''. — Jap. ''bisukóto, bisuko''.
É possível que a cacuminalização do ''ṭ'' seja devida à influência do ingl. ''biscuit'' (pronuncia-se ''biskit''), sem implicar necessáriamente a sua procedência (Vid. ''batata''). O biscoito foi introduzido pelos portugueses no começo das suas relações com a India. Nas ''Lembranças das cousas da India'' aparece entre os «preços que tem as mercadoryas em Dyo e as que se gastão» «a mão de '''biscuouto''' 7 fedeas». ''Mão'' e ''fédeas'' são termos indianos. E Castanheda diz que Afonso de Albuquerque concertou com Meliquiaz (Malik Eiaz) em Diu «que podesse ali mandar fazer '''bizcoyto''', por quanto auia trigo», e que deixou «para fazer o '''bizcoyto''' hum Christão nouo chamado andrade»<ref>«A nao Capitaina fez huma agoa por popa (em 1505), que nom sentirão porque entrou no payol do '''biscouto'''». Gaspar Correia, I, p. 535.</ref>.
O achinês tem ''meskut'', que deve ter provindo do inglês, pois Langen diz que o termo se aplica particularmente a ''Huntly and Palmer’s Biscuits''.
'''[[:d:Lexeme:L447924|Bispo]]'''. Conc. ''bisp''. — Beng. ''bispa''. — Tam., Can., Tet., Gal. ''bispu''.
'''[[:d:Lexeme:L1118998|Bissexto]]'''. Conc. ''bisêst'' (p. us. e só em Goa). — Bug. ''bisésetu''.
'''Boa tarde'''. Beng. ''bovás tardiyá''. — Tet. ''bôa tárdi''. Também ''bôa nóiti''.
'''Bobo'''. Conc. ''bôb''. Também ''bobdekaméd'', bobo de comédia. Term. vern. ''bhāṇḍó, bhorpi''. — Tet., Gal. ''bôbu''. Term. vern. ''loré''.
'''Bocal'''. Conc. ''bukál''. Term. vern. ''káṇṭh, toṇḍ''. — ? Mal. ''bókar'', boceta. — Ár. ''buqál''.
'''Boceta'''. Conc. ''busét''. Term. vern. ''peṭúl, ḍabó''. — Mal. ''boetta'' (Haex), ''bosséta''<ref>«Dai cata em suas arqas e '''boetas'''». Gaspar Correia, II, p. 299. «E lhes acharão em huma '''bueta''' hum livro em que tinha escrito muitas cousas da India». ''Id.'', IV, p. 18.
«Traziam numa '''boceta''' d’ouro». Lucena, liv. II, cap. 23.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BOIÃO BÔLO|{{sc|29}}}}</noinclude>'''Bói''' («portador de machila, de guarda-sol» etc.). Indo-ingl. ''boy''.
Neo-áric. ''bhôi'', dravíd. ''bôyi''<ref>O Sr. Gonçalves Viana (''Palestras Filológicas'') diz que o vocábulo se não encontra no meu ''Diccionario konkani-portuguez''. Está na p. 367, 1.ª col.</ref>.
No sentido de «criado, moço», ''boy'' é inglês.
''Bói'' é desusado no português de Goa; prevaleceu a fórma ''boiá'', que é vocativo singular e nominativo plural em concani, ''bhoyá''<ref>«Contrataram, por meio de bilhetes, quasi todos os '''boiás''' da praça». ''O Ultramar'', de 15 de Julho de 1912.
«Cubertos com sombreiros de pé que lhe tambem leuão homens que chamão '''boys'''». Castanheda, I, cap. 16.
«E tem mais o dito capitão tres '''bóys''' d’aguoa, e hum de sombreyro». Simão Botelho, p. 206.
«E ha homẽs que leuão este sombreiro de tomar o sol tão destros q̃ ainda que o senhor vá trotando no seu cauallo: não lhe ha de tocar o sol em todo o corpo, e estes taes homẽs chamão na India '''boy'''». João de Barros, Déc. III, X, 9.</ref>.
'''Bóia'''. Guj. ''bõyu, bôyum''. — L.-Hindust. ''boyá''. — Beng. ''bayá''. — Mal. ''bóya''<ref>«Largou a amarra sobre a '''boya'''». Diogo do Couto, Déc. VIII, I, 8.</ref>.
'''Boião'''. Conc. ''buyámv''. Term. vern. ''barṇi''. — Hindust. ''boyam''. — Beng., Ass. ''bhoyám''. — Sing. ''bujáma''. — Tul. ''biyam, biyamu''. — Khas. ''buiam''. — ? Mal., Day. ''búyong''.
O ''Diccionario Contemporaneo'' e o de Cândido de Figueiredo derivam ''boião'' de ''bojo''. O Sr. Gonçalves Viana, fundado em um passo de Diogo do Couto, citado por Morais<ref>«Em um '''boião''' de Pegu se cozinhava o arroz».</ref>, considera o termo como origináriamente asiático, pertencente ou ao malaio ou a alguma das línguas monossilábicas da Indo-China. Fernão Pinto emprega o termo sem o explicar: «Setins, damascos, e tres '''boyões''' grandes de almiscar» (Cap. 55). Como quer que seja, é indubitável que na India o vocábulo foi introduzido pelos portugueses.
'''Bola'''. Conc. ''ból''. Term. vern. ''guló, cheṇḍú''. — Sing. ''bólaya''. Term. vern. ''golaya, panduva, tandukaya''. — Mal., Sund., Jav., Mad. ''bóla''. ''Meja-bóla'' (lit. «mesa de bolas»), bilhar. — Malg. ''bolina''.
'''Bolacha'''. Conc. ''bulách'' (mais us. ''biskút'', «biscoito»). — Tet. ''bolacha''.
'''Bolina''' (naut.). L.-Hindust. ''bulín''. ''Bulin ká kunhiyán'' ou ''kunhyá'' (= cunha), garuncho. ''Bulin ká pám'' ou ''paô'', poa. — Mal. ''bulin''.
'''Bolinho'''. Conc. ''bolinh'' (usado entre os cristãos). — Beng. ''bolinos'', bolos bentos que se distribuem por ocasião da festa de S. Nicolau Tolentino nas igrejas portuguesas.
'''Bôlo'''. Conc. ''bôl''. — Tam., Mak., Tet., Gal. ''bôlu''. — ? Ach. ''bói''. — Jap. ''bóru''<ref>«Dous '''bolos''' de milho e nachinim a cada pessoa». Diogo do Couto, Déc. V, VII, 9.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||BOIÃO BÔLO|{{sc|29}}}}</noinclude>'''Bói''' («portador de machila, de guarda-sol» etc.). Indo-ingl. ''boy''.
Neo-áric. ''bhôi'', dravíd. ''bôyi''<ref>O Sr. Gonçalves Viana (''Palestras Filológicas'') diz que o vocábulo se não encontra no meu ''Diccionario konkani-portuguez''. Está na p. 367, 1.ª col.</ref>.
No sentido de «criado, moço», ''boy'' é inglês.
''Bói'' é desusado no português de Goa; prevaleceu a fórma ''boiá'', que é vocativo singular e nominativo plural em concani, ''bhoyá''<ref>«Contrataram, por meio de bilhetes, quasi todos os '''boiás''' da praça». ''O Ultramar'', de 15 de Julho de 1912.
«Cubertos com sombreiros de pé que lhe tambem leuão homens que chamão '''boys'''». Castanheda, I, cap. 16.
«E tem mais o dito capitão tres '''bóys''' d’aguoa, e hum de sombreyro». Simão Botelho, p. 206.
«E ha homẽs que leuão este sombreiro de tomar o sol tão destros q̃ ainda que o senhor vá trotando no seu cauallo: não lhe ha de tocar o sol em todo o corpo, e estes taes homẽs chamão na India '''boy'''». João de Barros, Déc. III, X, 9.</ref>.
'''Bóia'''. Guj. ''bõyu, bôyum''. — L.-Hindust. ''boyá''. — Beng. ''bayá''. — Mal. ''bóya''<ref>«Largou a amarra sobre a '''boya'''». Diogo do Couto, Déc. VIII, I, 8.</ref>.
'''Boião'''. Conc. ''buyámv''. Term. vern. ''barṇi''. — Hindust. ''boyam''. — Beng., Ass. ''bhoyám''. — Sing. ''bujáma''. — Tul. ''biyam, biyamu''. — Khas. ''buiam''. — ? Mal., Day. ''búyong''.
O ''Diccionario Contemporaneo'' e o de Cândido de Figueiredo derivam ''boião'' de ''bojo''. O Sr. Gonçalves Viana, fundado em um passo de Diogo do Couto, citado por Morais<ref>«Em um '''boião''' de Pegu se cozinhava o arroz».</ref>, considera o termo como origináriamente asiático, pertencente ou ao malaio ou a alguma das línguas monossilábicas da Indo-China. Fernão Pinto emprega o termo sem o explicar: «Setins, damascos, e tres '''boyões''' grandes de almiscar» (Cap. 55). Como quer que seja, é indubitável que na India o vocábulo foi introduzido pelos portugueses.
'''[[:d:Lexeme:L524628|Bola]]'''. Conc. ''ból''. Term. vern. ''guló, cheṇḍú''. — Sing. ''bólaya''. Term. vern. ''golaya, panduva, tandukaya''. — Mal., Sund., Jav., Mad. ''bóla''. ''Meja-bóla'' (lit. «mesa de bolas»), bilhar. — Malg. ''bolina''.
'''[[:d:Lexeme:L726450|Bolacha]]'''. Conc. ''bulách'' (mais us. ''biskút'', «biscoito»). — Tet. ''bolacha''.
'''Bolina''' (naut.). L.-Hindust. ''bulín''. ''Bulin ká kunhiyán'' ou ''kunhyá'' (= cunha), garuncho. ''Bulin ká pám'' ou ''paô'', poa. — Mal. ''bulin''.
'''Bolinho'''. Conc. ''bolinh'' (usado entre os cristãos). — Beng. ''bolinos'', bolos bentos que se distribuem por ocasião da festa de S. Nicolau Tolentino nas igrejas portuguesas.
'''Bôlo'''. Conc. ''bôl''. — Tam., Mak., Tet., Gal. ''bôlu''. — ? Ach. ''bói''. — Jap. ''bóru''<ref>«Dous '''bolos''' de milho e nachinim a cada pessoa». Diogo do Couto, Déc. V, VII, 9.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|50}}|CHÁ CHÁ|}}</noinclude>ár. ''siruál''. No grupo malaio significa «calças», como no persa.
'''[[:d:Lexeme:L580453|Cerveja.]]''' Conc. ''servêj''. — Tet. ''serveja''.
'''[[:d:Lexeme:|Cevadeira]]''' (naut.). L.-Hindust. ''sabdorá'', ''subdhará''.
'''[[:d:Lexeme:L448213|Chá.]]''' Conc. ''chá'', ''cháv''. — Mar. ''chahá''. — Guj. ''chá'', ''cháha'', ''cháhe''. — Hindi, Hindust. ''chá'', ''cháh'', ''cháy'', ''cháe''. — Nep. ''chiyá''. — Or., Beng. ''chá''. — Ass. ''chāh'', ''chāi''. — Sindh. ''chá'', ''cháhi''. — Panj. ''chāhá''. — Kash. ''chāi''. — Tam. ''chá'' (tambêm ''te''). — Malayál. ''chá'', ''cháya'' (tambêm ''teyila'', lit. «fôlha de chá»). — Can., Tul. ''chá''. — Indo-ingl. ''chaw'' (p. us.). — Gar. ''cha''. — Khas. ''sha''. — Tib. ''ch'a''; ''sö-ch'a'' (honorífico). ''Ch'a-pa'', pasta de chá. — Siam. ''xa''. — Ann., Tonk. ''chè'' (tambêm ''tra''). — Nic., Tet., Gal. ''chá''. — Pérs. ''chāi''. — Ár. ''shāi''.
''Chahādán'', ''chahādāní'' (Mar.), ''chādāni'' (Guj.), ''chādán'' (Hindust.), bule.
Ao idiograma chinês, representativo da planta de chá, correspondem duas formas fonéticas: ''chhá'' no dialecto mandarino, e ''té'' no dialecto de ''Fuh-kien''. A primeira forma foi adoptada pelo Japão e pela Indo-China, e por Portugal, pela Grécia e pela Rússia; e a segunda, pelas outras nações europeias, bem como pelas línguas malaio-polinésias, e por quatro da Índia; singalês e telúgu, tamul e malayálam. As duas últimas teem tambêm a outra forma.
Não se sabe ao certo se o chá era conhecido na Índia antes das conquistas dos portugueses, nem até que ponto se deve atribuir à sua influência a propagação do termo, nem por que via entrou a outra forma na costa de Choromândel e em Ceilão. Nos nossos antigos indianistas não se encontra freqüente menção do chá, como não há a do café. A primeira menção que aparece, na opinião do Sr. Gonçalves Viana (''Apostilas''), é feita por Frei Gaspar da Cruz, no seu ''Tratado da China'' (1569): «Qualquer pessoa ou pessoas que chegam a qualquer casa de homem limpo tem por costume ofereceremlhe em hũa bandeja galante hũa porcelana, ou tantas quantas são as pessoas, com hũa agoa morna a que chamam '''Cha''', que he tamalavez vermelha e muy medicinal, que elles costumam a beber, feita de hũ cozimento de ervas que amarga tamalavez». E João Lucena diz (1600): «Vam (os japoneses) pôr o preço em cousas de mais riso, e zombaria, como sam todas as peças, que seruem no cozimento da erva que chamam '''cha'''». Liv. VII, cap. 4.
Mandelslo, citado no ''Hobson-Jobson'', diz em 1638: «Dans les assemblées ordinaires (à Sourat) que nous faisions tous les iours, nous ne prenions que du Thé, dont l'usage est ''fort commun par toutes les Indes''». Mas isso se deve entender com respeito aos europeus, seus descendentes e alguns cristãos<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CHAMALOTE CHAPA|{{sc|51}}}}</noinclude>indígenas; pois ainda hoje os hindus puritanos se absteem do chá, e os muçulmanos preferem o café<ref>«Ils font grand cas de cette herbe apellée ''Thé'', qui vient de la Chine et du Japon, et cette dernière est la meilleure... A Goa, à Batavia, et dans tous les Comptoirs des Indes, il n'y a guere de nos Européens qui n'en prenent quatre ou cinq fois le jour, et ils ont soin de garder cette feüille pour en faire une salade le soir, avec l'huile, le vinaigre et le sucre» (1676). Tavernier, ''Voyages'', V, p. 257.</ref>.
João Crawfurd opina que o vocábulo ''te'' entrou na Europa por intermédio do malaio. Se pelo mesmo canal tambêm não entrou na Índia, o que é pouco provável, o singalês deve tê-lo recebido do hol. ''thee'', e o tamul e o telúgu do franc. ''thé''. E, neste caso, é verosímil que as outras línguas indianas tenham recebido imediata ou mediatamente do português a palavra ''chá''. Note-se porêm que o persa e o árabe teem essa mesma forma, não se sabe quando introduzida.
'''[[:d:Lexeme:|? Chalupa.]]''' L.-Hindust. ''salúp''.
Talvez do ingl. ''sloop''.
'''[[:d:Lexeme:|Chamador.]]''' Conc. ''chāmādôr''. Usado tambêm em tamul, e provávelmente em algumas outras línguas, para designar um empregado da igreja.
'''[[:d:Lexeme:|Chamalote.]]''' Mak., Bug. ''chamalóti''<ref>«Os Mandarĩs o receberão com presente de '''chamalotes''' e veludos». Vasco Calvo (1536), ''apud'' Donald Ferguson, ''Letters from Port. Captives'', p. 101.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Chão]]''' (adj.). Sing. ''chán'', ''chánnu''.
'''[[:d:Lexeme:|? Chapa.]]''' Conc. ''chháp'' ou ''xáp'' (m.), carimbo, sêlo; estampa, impressão; cunho; tipo (usado com os verbos ''mārunk'', ''lāvunk'', ''basunk''); (f.) céspide, leiva (verbos ''kāḍhunk'', ''mārunk''). ''Chhāp-kháṇ'', ''chhāp-khāṇó'' (''khāná'' hindust.), imprensa, estamparia; tipografia. ''Chhāp-yantr'' (''yantra'' sânsc.), prelo. ''Chhāpunk'', imprimir, estampar; editar, dar à estampa; carimbar, selar; ferrar. ''Chhāpṇí'', impressão, selagem; edição. ''Chhāpkár''; ''chhāpkārí'' (p. us.), impressor, estampador; selador, carimbador; tipógrafo. ''Chhāpí'', impresso, estampado; carimbado, selado. ''Chhāpó'', tipo; estampa; sêlo, carimbo. ''Chhāpó'' (pronunciado vulgarmente ''sopó''), sêlo de chumbo apenso pela alfândega à mercadoria; carimbo do imposto do consumo. ''Chhāpekár'' ou ''sopekár'', o que põe sêlos; o arrematador do imposto do consumo.
Mar. ''chháp'', tipo; estampa; impressão. ''Chhāpkhāná'' (m.), ''chhāpṇém'' (v. t.), ''chhāpṇi'' (f.), ''chhāpárí'' (m.), ''chhāpí'' (adj.), ''chhāpá'' ou ''chhāppá'' (m.): vid. supra os significados. ''Chhāpíl'', ''chhapímv'', «estampado, impresso, marcado — papel, panos, moedas». ''Chhāpi-sulākhí'' (adj.), o que tem ''chháp'' e ''sulákh'', i. e. uma estampa ou marca particular e um furo para aquilatar — rupia,
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CANGA CANJA|{{sc|41}}}}</noinclude>de madeira com 80 centimetros de lado por 5 de espessura, tendo um buraco central onde fica preso e fechado a cadeado o pescoço do condemnado».
Êste termo é, segundo Yule, genuinamente chinês, registado em um dicionário do século XI com a forma de ''kanggiai'' (mandarim moderno ''hyang-hiai''). De ''kanggiai'' provêm o cantonês ''k'ang-ka'', «trazer a canga», e provávelmente o annamita ''gang''<ref>Em siamês, ''kha'ng'' significa «encarcerar».</ref>. Julga êle provável que os portugueses tomaram a palavra de uma destas últimas formas, e a associaram com a sua própria ''canga'', «jugo de bois», ou «jugo de carregador para transportar cargas». Mas o Sr. Gonçalves Viana diz que o vocábulo português ''canga'' designou «por analogia de forma ou de aplicação a tábua que serve de suplicio na China». Não consta porêm que ''canga'', mesmo nestas acepções, estivesse então em uso em Portugal, nem está até hoje averiguada a sua origem, presumindo-se que seja ''con(ju)gar''.
Fernão Pinto chama ''collar'' à «canga» chinesa: «Nos mandou meter numa estreyta prisão com grilhões nos pés, algemas nas mãos e '''collares''' nos pescoços». Mas o P. Cardim (''Batalhas da Companhia de Jesus'') emprega o vocábulo no sentido chinês: «Foi preso André por ser cristão e levado ao tronco, onde lhe lançaram uma '''canga''' ao pescoço, que, como já disse, são dois paus grossos a modo de escada, mais ou menos pesados conforme a culpa do delinquente».
'''Cânfora.''' Conc. ''kámphr''. Term. vern. ''kāphúr'', ''kāpúr'', do sánsc. ''karpúra'', que é o étimo mediato da palavra portuguesa. — Tet., Gal. ''kánfora''.
'''Canhão.''' Conc. ''kānhámv'' (— do vestuário). — Tam. ''canhão'' (idem)<ref>Escreve-me um amigo que a palavra é assim pronunciada.</ref>. — ? Beng. ''kānán'', peça. — Bug. ''kanháo'', peça.
'''[[:d:Lexeme:L447859|Canivete.]]''' Conc. ''kān'vêt''. Term. vern. ''chākú'' (p. us.). — Tet., Gal. ''kanivéti''.
'''Canja''' («arroz cozido em água e sal até fazer caldo grosso», conc. ''péz''<ref>«Dam-lhe a beber agoa de espressam de arroz com pimenta e cominhos (a que chamão '''canje''')». G. da Orta, ''Col.'' XVII.
«Se calou o china, e mandou logo fazer grande copia de '''canja''' de arroz, que bastou para todos se refazerem da fome em que estavam». Bocarro, Déc. XIII, p. 168.</ref>). Indo-ingl. ''conjee'', canja; tisana<ref>«This word is improperly used by ladies and ayahs for gruel». Candy.</ref>. — Indo-franc. ''cange''.
Em sânscrito e nos prácritos modernos ''kānjī'' significa «arroz muito diluído e azedado», como é usado pelos lavadeiros<ref>«Seus panos brancos são lauados com agoa de cosedura de arroz, com que ficão muyto lisos». Gaspar Correia, I, p. 357.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/139
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 42 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|42}}|CAPADO CAPITÃO|}}</noinclude>Yule diz que os ingleses receberam o vocábulo dos portugueses, talvez pela identidade do significado, pôsto que ''congee'' se aproxime mais da palavra indiana.
'''[[:d:Lexeme:L447151|Cano.]]''' Conc. ''kán''. Term. vern. ''naḷ'', ''sārṇi''. — Sing. ''kánuva''. ''Tubakka kánuva'', cano de espingarda. — Tet., Gal. ''kánu''.
'''[[:d:Lexeme:L447086|Cantar.]]''' Conc. ''kāntár-karunk''. ''Kāntár'' ou ''kantár'' (subst. masc.), canto. — Mal. ''kantar''.
'''[[:d:Lexeme:L447212|Canto]]''' («recanto»). Mal. ''kántu''.
'''[[:d:Lexeme:L447811|Capa.]]''' Conc. ''káp'', capa de vestir, de cartas, de asperges, capote de jôgo. — Beng., Tam., Malayál. ''kāppa'', pluvial. — Tel. ''kappu'', sobrescrito. — Siam. ''kāb'', capote. Term. vern. ''song muen''. — Mal. ''capu'' (Haex). — Mak., Bug., Tet., Gal. ''kápa'', capote. — Jap. ''kappa''. ''Ama-gappa'', capote de chuva<ref>''K'' intervocálico torna-se ''g'' em japonês, como: ''ama-gasa'', de ''ama'' e ''kasa'', «capote de chuva»; ''ko-gatana'', de ''ko'' e ''katana'', «canivete».</ref>. — ? Ár. ''qabá''. Vid. '''cabaia'''.
'''Capado.''' Sing. ''kappádu'', ''kappádu-kala'' (lit. «feito capado»). ''Kappádu-karaṇavā'', capar, castrar. Term. vern. ''kara-ambanavā''. ''Kappádu-kerima'', castração. Term. vern. ''kara-ẹmbima''. — ''Kappáduvā'', animal castrado; eunuco. Term. vern. ''napumsakayā'' (sânsc.). ''Kappádu-kala kukulá'', capão. — Gal. ''kapádu''.
Em concani usa-se ''kapámv'', ''kapámv-karunk'', do port. ''capão''<ref>''Kapanavá'', «cortar, amputar», em singalês, é verbo vernáculo.</ref>.
'''Capar.''' Malayál. ''kapparikka'' (tambêm «capado»). — Tet., Gal. ''kápa'' (tambêm «capado»).
'''[[:d:Lexeme:L503952|Capaz.]]''' Conc. ''kapáz''. Term. vern. ''xakt'', ''samarth'', ''salav''. — Tet., Gal. ''kapás''. Term. vern. ''matének''.
'''[[:d:Lexeme:L501559|Capela]]''' («ermida»). Conc. ''kapél'' (tambêm «grinalda de flores artificiais»). — Tam. ''kapelei''. — Tet., Gal. ''kapéla''.
'''[[:d:Lexeme:L677372|Capitão.]]''' Conc. ''kāpitámv''; ''kopit'' (tambêm «capataz»). — Guj. ''kaptán'', ''kapattán''. — Hindi, Hindust. ''kaptán''. — Sing. ''kappita'', ''kappeta''. — Malayál. ''kappitán''. — Khas. ''kaptan'', ''koptan'' (provávelmente do inglês). — Mal. ''kapitán'', ''kapítan''. — Ach., Sund., Jav., Day., Tet., Gal. ''kapítan''. — Bug. ''kapitan-móro'' (capitão-mor). — Pid.-ingl. ''cab-tun''. — Jap. ''kapitan'', «capitão de navio, capataz»<ref>«O próprio título de ''capitão-mor'' que se dava aos governadores portugueses passou para estas línguas (malaia, javanêsa, sundanêsa), que o aplicaram, primeiro a êsses governadores e depois aos governadores gerais das colónias holandesas. Em Hitu, parte principal da ilha de Amboina, o título de ''kapitan hitu'', foi trazido por muitos séculos pelo principal chefe indígena, a quem êsse título, em recompensa dos serviços prestados aos portugueses, fôra conferido por António de Brito, governador das Molucas no começo do século XVII». Heyligers.
«Começa a cantira em malayo assi: Capitão dõ Paulo ba poram de Pungor, anga dia malu, sita pa tau dar. Que quer dizer: Capitão dom Paulo pelejou em Pungor, e antes quis morrer, que recuar um palmo». Diogo do Couto, Déc. IV, VIII, 11.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/149
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 52 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|52}}|CHAPA CHAPA|}}</noinclude>etc. Muito marcado e batido (e assim de menor pêso e valor) — rupia, etc.». Molesworth<ref>Molesworth deriva ''chháp'' do hindustani.</ref>.
''Cháp'', cão. ''Chāpí'', o que tem cão (espingarda).
Guj. ''chháp'', tipo; carimbo, sêlo; estampa, impressão. ''Chhāp-khánum'', imprensa, tipografia, prelo. ''Chhápvum'', ''chhāpávum'', imprimir, publicar. ''Chhāpmārví'', estampar; carimbar. ''Chhāpgár'', ''chhāpnár'', impressor. ''Chhāpui'', impressão; custo de impressão. ''Chhāpāmaṇ'', ''chhāpāmaṇi'', ''chhāpán'', custo de impressão. ''Chhápvum te'', publicação, edição. ''Chhāpvāní āvṛiti'', impressão. ''Chhāpêlum'', impresso, estampado. ''Chhāpu'', periódico, jornal. ''Chhāpô'', estampa; periódico; imposto; ataque repentino.
''Chámp'', cão de espingarda.
Hind. ''chhāpá'', impressão, edição; marca traçada no corpo dos sectários de Vixnu. ''Chhāpná'', imprimir. ''Chhāpnevālá'', impressor. ''Chhāpāgar'', tipografia. ''Chháp'', sêlo. ''Chháp dená'', selar.
Hindust. ''chháp'', sêlo; estampa, impressão. ''Chhāpá'', edição; impressão, estampa; sêlo. ''Chhāpkhāná'', imprensa, tipografia. ''Chhāpái'', edição, custo de impressão. ''Chhāpná'', imprimir, estampar. ''Chhāphāná'', ''chhaphāvhāná'', mandar imprimir. ''Chhapná'', ser impresso. ''Chhāpvhālá'', ''chhāpevhālá'', ''chhāpnevhālá'', ''chhāphāvālá'', ''chhepí'', impressor.
''Chámp'', cão de espingarda.
L.-Hindust. ''chápas'', chúmeas. Term. vern. ''chappal''.
Nep. ''chháp'', sêlo; estampa. ''Chhāpākhāná'', imprensa. ''Chhápnu'', imprimir.
''Chámp'', cão de espingarda.
Or. ''chháp'', estampa, impressão. ''Chhāpá'', estampado, impresso.
Beng. ''cháp'', ''chháp'', sêlo; prelo; leiva, torrão. ''Chhāpā-yantra'', prelo. ''Chāpá-'', ''chháp-'', ''chhāpá karun'', imprimir. ''Chhāpan'', impressor. ''Chhāpākár'', impressor; estampador. ''Chhāpá'' (verb.), mandar imprimir; (f.) impressão; (adj.) impresso. ''Chhāpán'', acção de mandar imprimir. ''Chhāpākhāná'', imprensa.
Ass. ''cháp'', estampa, impressão; imprensa. ''Chāpá'', prensa. ''Chápi'', ''chāpái'', estampar, imprimir. ''Chapá'', ''chapalá'', estampado. ''Chapkhāná'', imprensa, tipografia. ''Chapá'', ''chap'' ou ''cháb mar'', estampar, imprimir.
Sindh. ''Chhápa'', ''chhāpô'', impressão. ''Chápa'', leiva, céspede. ''Chhāpaṇu'', imprimir.
''Chámpa'', cão de espingarda.
Panj. ''chháp'', sêlo; estampa; impressão. ''Mohar chháp'', marca de aferição; sêlo da alfândega; marca distintiva dos vixnuítas; sêlo judicial. ''Chhapāi'', ''chhapvāi'', impressão; estampagem; custo de impressão ou estampagem. ''Chhāpṇá'', imprimir, estampar. ''Chhapṇá'', ser impresso. ''Chhapāuṇá'', ''chhapvāuṇá'', mandar
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 53 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CHAPA CHAPA|{{sc|53}}}}</noinclude>imprimir ou estampar. ''Chhāppá'', impressão; edição; estampagem.
Malayál. ''chháppa'', marca; cão. ''Chhappiḍuka'', selar. ''Chhāppayiḍuka'', armar o cão.
Tel. ''chhappá'' (por ''chāpá''), sêlo; estampa; impressão.
''Chhámp'' (por ''chámpu''), cão.
Can. ''chāpê'', estampa; impressão; carimbo da alfândega. ''Chāpisu'', imprimir; estampar; carimbar. ''Chāpisuvara'', impressor.
''Chhāppá'', ''tubákiya chápu'', cão de espingarda.
Tul. ''chappi'', ''chappe'', sêlo; estampa; marca. ''Chhápu'', ''chhappe'', imprensa. Na significação de «loja», é do ingl. ''shop''. ''Chhāpisuni'', selar; estampar; imprimir.
''Chápu'', cão.
Indo-ingl. ''chop''.
Gar. ''chapa'', impressão.
Khas. ''sháp'', sêlo; impressão; imprimir.
Siam. ''chabap'', cópia, modêlo.
Mal. ''chap'', sêlo, carimbo; estampa, impressão; licença, passaporte. ''Chapkan'', ''tukang chap'', selar; estampar, imprimir. ''Ber-chap'', ''ter-chap'', selado, impresso. ''Ber-chap-kan'', carimbador; estampador. ''Men-gechap'', imprimir. ''Men-chapkan'', fazer imprimir. ''Pengechap-an'', imprensa. ''Mem-buluh-chap'', pôr sêlo.
Ach., Batt. ''chap''. — Sund. ''chapa'', ''echap''. — Jav. ''echap''. — Bal. ''hechap'', ''chapchap''. — Day. ''chap''. — Mak., Bug. ''chá''. — Tet., Gal. ''sapa''.
Pid.-Engl. ''chop'', impressão, inscrição; rótulo, bilhete; moto; característico. ''First chop'', de superior qualidade.
Quanto à etimologia, ''chapa'' é uma das palavras mais intricadas dêste vocabulário. ¿É de origem portuguesa ou indiana? ¿Ou são, antes, dois vocábulos etimológicamente distintos? ¿Influiu um no outro em alguns dos significados?
Yule & Burnell dizem que «se tem julgado possível (pelo menos até que se investigue mais correctamente a história) que seja de origem portuguesa».
O Sr. Gonçalves Viana nota no ''Vocabulário malaio'' que «o vocábulo português tem sido explicado por ''klap'', radical germânico, e tambêm por ''plak'', igualmente germânico... Parece-me admissível ter vindo da Índia esta palavra». Mas nas ''Apostilas'' afirma que «o étimo mais provável é um ''klap'' ou ''plak'' germânico; e acrescenta que «com o significado especial de «ordenança, permissão, ordenação, prescrição» é termo asiático, devendo ser o indostano ''c'āp'', «sêlo, sinete»<ref>«Entram os Bonzos, acham tudo feito, saem com huma '''chapa''', ou prouisam». Lucena, VII, cap. 20.</ref>.
Tambêm Castanheda (1552) tem o termo por asiático, e explica o que significa: «Mãdou que nã deixassem entrar na ilha, nẽ sayr dela nenhũa pessoa sem leuar sua '''chapa''', como se costumava dãtes. E
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 54 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|54}}|CHAPA CHAPA|}}</noinclude>esta '''chapa''' era como selo se não que era aberta de parte a parte, e punhasse cõ almagre<ref>«Mas no seguinte passo emprega-o no sentido continental: Mandou fazer hum caniço de mastos de naos '''chapados''' com muytas '''chapas''' de ferro». Liv. I, cap. 72. Cf. L.-Hindust. ''chápas''.</ref>. E Bluteau relaciona ''chapado'' com ''chapa'' indiana: «Homem chapado. Que anda como guarnecido com a chapa da sua virtude, do seu esforço, etc. He tomada a metaphora das chapas, ou laminas de metal, em que os Reys da India fazem gravar seus alvarás».
Beames, Thomson, Fallon e muitos outros indianistas não duvidam que o vocábulo seja vernáculo do hindi.
No ''Tombo do Estado da India'', vem «o trellado do contrato que o governador Nuno da Cunha assentou com Nizamafe Zaman sobre Cambaya, o ano de 537», onde ocorrem, alêm do substantivo ''chapa'', o verbo ''chapar'' e o seu particípio ''chapado'', todos empregados em sentidos genuinamente indianos: «Logo perante mim asynou e jurou em seu moçafo de a todo teer e manter, e cumprir este, como nelle he conteudo e o '''chapou''' de sua '''chapa'''» (isto é, «selou com o seu sêlo»)... «E quanto á moeda ser '''chapada''' de sua sita» (''sic'', aliás sica), quer dizer, «cunhada com a sua marca». Diogo do Couto tambêm diz: «Elle lhe passou um formão com letras grandes, e fermosas, '''chapado''' com '''chapa''' de suas armas». Déc. VI, VII, 7<ref>Gaspar Correia, referindo-se a Pedro de Covilhã, diz: «Mostrando a '''chapa''' de cobre, em que hião talhadas letras do nome d'ElRey dom João e do Preste, em caldeu». Liv. III, p. 29.</ref>.
Convêm notar que na Índia o vocábulo ''chapa'' se encontra tam sómente nas línguas modernas, à excepção, que eu saiba, do tamul e do singalês, que o não teem. ''Chāpa'' em sânscrito é nome do arco. A introdução da imprensa tem-lhe proporcionado novos significados e maior expansão. Yule & Burnell não admitem, contra a opinião de alguns autores, que ''chap'', usado no Extremo Oriente, provenha do chinês, mas manteem que foi levado da Índia.
Quanto à sematologia, a principal diferença consiste em não ter ''chapa'', na Índia, o significado de «lâmina» (sem inscrição ou desenho), para o qual há termos especiais, como ''pātí'', ''tagaḍ'' ou ''lagaḍ'', ''patrém''. Tambêm se não usa no sentido de «chapada, planície».
Há uma coincidência notável, se não houve transmissão. Molesworth regista ''chhápo'' «''a play among children''» (= jôgo de crianças), como termo usado no marata do Concão; e o Sr. Cândido de Figueiredo dá, entre outros significados de ''chapa'',
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 55 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CHAPÉU CHARUTO|{{sc|55}}}}</noinclude>o de «espécie de jogo de rapazes». O ''Dicc. Contemp.'' explica, como o faz Bluteau, a natureza do «jogo da ''chapa'', o dos cunhos e cruzes»<ref>Não consegui saber em que consiste o jôgo do Concão.</ref>.
Parece-me que ''chámp'' ou ''cháp'' (com ''ch'' inaspirado), «cão de espingarda», que aparece em algumas línguas indianas, tem outro étimo, talvez ''chāmpná'' em hindustani, ''chāpṇém'' em marata, «premer, comprimir». Em concani diz-se ''kámv''.
Em conclusão. É quási certo que ''chapa'' não foi de Portugal para a Índia. O argumento de maior pêso é que ''chháp'' ou ''chhapá'' é «termo técnico usado pelos vaixnavas para denotar as marcas sectárias (lódão, tridente, etc.) que desenham nos seus corpos» (''Hobson-Jobson''); e tal termo não pode ser estrangeiro, modernamente importado. E sendo incerta a origem do vocábulo português, não é improvável que seja indiana, não havendo nenhum documento do seu emprêgo, anterior às conquistas orientais. Note-se porêm que Duarte Barbosa (1516) emprega ''chapeado'' no sentido europeu: «Ho preste Joom em outro caro (= carro) ''chapeado'' douro». P. 215.
'''[[:d:Lexeme:L447142|Chapéu.]]''' Conc., Mar. ''chepém''. — Mal. ''chapéu'', ''chapíyu''. — Sund. ''chapéo''. — Mak., Bug. ''chapíyo''. — Nic. ''xapéo''<ref>«Hum '''chapeo''' de guedelha de seda cramezim». Gaspar Correia, I, p. 534.
«Na cabeça hum '''chapeo''' de veludo preto». Diogo do Couto, Déc. VII, IV, 6.</ref>.
Molesworth diz: «''Chepem'' n. R. (Rájápur) W (Wari) (''chepṇem''). A low, flattish hat or cap. Used esp. of the military hat or cap of the Sepoys and their officers». ''Chepṇém'', de que o autor tira erradamente a origem, significa «achatar, comprimir».
''Chèpekàr'', o que usa chapéu; chapeleiro. Concani.
'''[[:d:Lexeme:L448429|Chapinha]]''' («pequena lâmina de metal»). Malayál. ''chappiñña''. — ? Siam. ''cha'ping'', ''ta'ping''.
'''[[:d:Lexeme:|Charamela.]]''' Conc. ''chermél''. — Mak., Bug. ''charaméle''. — Jap. ''charumera'', ''charumeru''. Term. vern. ''rappa''<ref>«Com muitas '''charamelas''', trombetas». ''Id.'', Déc. VI, IV, 6.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447879|Charuto.]]''' Tet., Gal. ''sarútu''.
O étimo primordial desta palavra, adoptada por muitas línguas indianas e malaio-polinésias, é o tam. ''churuṭṭu'', «rôlo, torcida, charuto; envolver, enrolar» (Percival). «É pois evidente, diz com muita razão o Sr. Gonçalves Viana, que da Índia, e não de Portugal, passou à língua malaia o termo, como passou à inglesa, e desta ao português»<ref>«Os '''cherutos''' constituindo huma especie distincta, devem ser despachados em caixas, pagando hum direito por milheiro». F. N. Xavier, ''Collecção de Bandos'', I, p. 200.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CHAPÉU CHARUTO|{{sc|55}}}}</noinclude>o de «espécie de jogo de rapazes». O ''Dicc. Contemp.'' explica, como o faz Bluteau, a natureza do «jogo da ''chapa'', o dos cunhos e cruzes»<ref>Não consegui saber em que consiste o jôgo do Concão.</ref>.
Parece-me que ''chámp'' ou ''cháp'' (com ''ch'' inaspirado), «cão de espingarda», que aparece em algumas línguas indianas, tem outro étimo, talvez ''chāmpná'' em hindustani, ''chāpṇém'' em marata, «premer, comprimir». Em concani diz-se ''kámv''.
Em conclusão. É quási certo que ''chapa'' não foi de Portugal para a Índia. O argumento de maior pêso é que ''chháp'' ou ''chhapá'' é «termo técnico usado pelos vaixnavas para denotar as marcas sectárias (lódão, tridente, etc.) que desenham nos seus corpos» (''Hobson-Jobson''); e tal termo não pode ser estrangeiro, modernamente importado. E sendo incerta a origem do vocábulo português, não é improvável que seja indiana, não havendo nenhum documento do seu emprêgo, anterior às conquistas orientais. Note-se porêm que Duarte Barbosa (1516) emprega ''chapeado'' no sentido europeu: «Ho preste Joom em outro caro (= carro) ''chapeado'' douro». P. 215.
'''[[:d:Lexeme:L447142|Chapéu.]]''' Conc., Mar. ''chepém''. — Mal. ''chapéu'', ''chapíyu''. — Sund. ''chapéo''. — Mak., Bug. ''chapíyo''. — Nic. ''xapéo''<ref>«Hum '''chapeo''' de guedelha de seda cramezim». Gaspar Correia, I, p. 534.
«Na cabeça hum '''chapeo''' de veludo preto». Diogo do Couto, Déc. VII, IV, 6.</ref>.
Molesworth diz: «''Chepem'' n. R. (Rájápur) W (Wari) (''chepṇem''). A low, flattish hat or cap. Used esp. of the military hat or cap of the Sepoys and their officers». ''Chepṇém'', de que o autor tira erradamente a origem, significa «achatar, comprimir».
''Chèpekàr'', o que usa chapéu; chapeleiro. Concani.
'''[[:d:Lexeme:L448429|Chapinha]]''' («pequena lâmina de metal»). Malayál. ''chappiñña''. — ? Siam. ''cha'ping'', ''ta'ping''.
'''[[:d:Lexeme:L1375286|Charamela.]]''' Conc. ''chermél''. — Mak., Bug. ''charaméle''. — Jap. ''charumera'', ''charumeru''. Term. vern. ''rappa''<ref>«Com muitas '''charamelas''', trombetas». ''Id.'', Déc. VI, IV, 6.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447879|Charuto.]]''' Tet., Gal. ''sarútu''.
O étimo primordial desta palavra, adoptada por muitas línguas indianas e malaio-polinésias, é o tam. ''churuṭṭu'', «rôlo, torcida, charuto; envolver, enrolar» (Percival). «É pois evidente, diz com muita razão o Sr. Gonçalves Viana, que da Índia, e não de Portugal, passou à língua malaia o termo, como passou à inglesa, e desta ao português»<ref>«Os '''cherutos''' constituindo huma especie distincta, devem ser despachados em caixas, pagando hum direito por milheiro». F. N. Xavier, ''Collecção de Bandos'', I, p. 200.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 56 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|56}}|CHIRIPOS CHITA|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L448432|Chave.]]''' Conc., Mar. ''tsāví''. — Guj. ''chāví''. — Hindi ''chābí''. — Hindust. ''chāví'', ''chābí'', ''chābhí''. — L.-Hindust. ''chāví'', ''chābí'', passador (naut., ingl. ''fid''). — Nep., Or. ''chābí''. — Beng. ''chābi'', ''chábi'', ''sābí''. — Ass. ''chábi'', ''sábi''. — Term. neo-áricos: ''kilí'', ''tālí'', ''kunji'', ''kunz''. — Tam. ''sávi''. Term. vern. ''tir̥appu'', ''tir̥avukól''. — Tel. ''sávi'', ''chevi''. — Can., Tul. ''chávi''. — Indo-ingl. ''chabee''. — Gar. ''chabi''. — Khas. ''shabi''. — Tet., Gal. ''chávi''.
''Tsāvyekár'', chaveiro. ''Tsāvêr'' (''chaveiro'' no português de Goa), molho de chaves. Concani.
'''[[:d:Lexeme:|Chicara.]]''' Conc. ''chíkr''. — Tet., Gal. ''chíkara''.
'''[[:d:Lexeme:|Chinela.]]''' Conc. ''chinel''. ''Chinelkárṇ'', mulher que usa chinelas. — Sing. ''chinélaya''. — Tam. ''chinelei''. — Mal., Sund. ''chinela''. — Jav. ''chinélô'', ''chanélô''. — Mad. ''chinélô''. — Tet., Gal. ''sinela''<ref>«Humas '''chinelas''' de veludo preto». Lucena, liv. IX, cap. 5.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Chiripos]]''' («tamancos»). Conc. ''chirpám'' (n. pl.). Term. vern. ''khaḍhāvô''. — Tam. ''cherippu''. — Malayál. ''cherippu''. ''Muṭṭu cherippu'', botas. ''Oruvaka cherippu'', chinelas. — Mal. ''cherpu''.
O ''Dicc. Contemp.'' e o de Cândido de Figueiredo não registam ''chiripos'', talvez por ser desusado o vocábulo. Bluteau, Morais, Vieira, João de Deus e o Dr. Adolfo Coelho dizem simplesmente: «V. ''tamancos''». Parece que é de origem dravídica, levado pelos portugueses para Gôa e Malaca. Usa-se tambêm no português da nossa Índia. Gabriel Rebêlo diz: «Alguns trazem (em Maluco) '''chiripos''' de pão»<ref>''Informação das Cousas de Maluco'', ed. da Academia, p. 158.
O Sr. Cândido de Figueiredo, por mim consultado, respondeu que não registou ''chiripos'', provávelmente porque nada achou que justificasse o termo.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Chita]]''' (do indo-português). Conc. ''chít''. — Sing. ''chitta''. — Indo-franc. ''chite''. — Mal., Mad. ''chita''. — Sund. ''chita'', ''inchit''. — Jav. ''chîtô''. — Day. ''chita'', ''sita''. — Mak., Bug. ''chí''. — Tet., Gal. ''sita''.
O bengali, o marata e o sindhi teem ''chhít''. O ingl. ''chintz'' é do hindust. ''chint'', donde tambêm procede o persa ''chít''. O étimo primordial é o sânsc. ''chitra''<ref>«Toutes les '''Chites''' qui se font dans l'Empire du Grand Mogol sont imprimées et de différente beauté, tant pour l'impression que pour la finesse de la toile» (1676). Tavernier, ''Voyages'', III, p. 359.
«E eu o presenteei com seis botijas de genebra, seis garrafas de vinho, uma peça de '''chita''' de ramagem, e um collar de coralinas». A. J. de Castro (1845), in ''Bol. S. G. L.'', 2.ª sér., p. 57.
Os antigos escriptores portugueses chamam à fazenda ''pano pintado'', e o vocábulo passou ao indo-inglês.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 57 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CIFRA COBRA|{{sc|57}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Chocolate.]]''' Conc. ''chokolát''. — ? Sing. ''sokalat''. — Tet., Gal. ''chokoláti''. — * Tonk. ''cù-lac''.
'''[[:d:Lexeme:|Chouriço.]]''' Conc. ''chaurís'' (mais us. ''lingis'' = linguiça). — Tet. ''surisa''.
'''[[:d:Lexeme:|Chumbo.]]''' Nic. ''chumbo''.
Os nicobareses receberam o vocábulo directamente dos portugueses, como o nome de ''cabra'' e o de ''sal'', visto que não são usados em nenhuma outra língua asiática.
'''[[:d:Lexeme:|Chumane]]''' (indo-português gáurico; ''chunambo'', indo-português dravídico. ''Chuna'', que he cal, Garcia da Orta). Indo-ingl. ''chunam'', ''chinam''.
O étimo é o malayál. ''chuṇṇámbu'', relacionado com o neo-áric. ''chuná'', sânsc. ''chūrṇa''<ref>«Com muitos pagens, dos quaes um lhe leva o abano, outro a boceta de prata cheia de ''betel'', outro outra boceta com '''chuname''', que é cal». Pyrard, ''Viagem'', II, p. 117.
«Pedimos a vossa senhoria nos mande dar madeira, telha, '''chunambo''' para o concerto». A. Bocarro, Déc. XIII, p. 736.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447391|Cidade.]]''' Conc. ''sidád''. Term. vern. ''xahár'', ''nagar'', ''pur''. — Tam. ''sīdári''. — Batav., Tet. ''sidádi''.
'''[[:d:Lexeme:|Cidrão.]]''' Sing. ''sideran'', ''sidaran''. Term. vern. ''maharaṭadehi''.
'''[[:d:Lexeme:|Cifra.]]''' Conc. ''síphr'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''púz'', ''xúnaya'', ''bindu''. — Tet., Gal. ''sifra''.
De origem arábica, e do árabe passou imediatamente ao persa, hindi e hindustani.
'''[[:d:Lexeme:|Cigarro.]]''' Conc. ''sígár''. Term. vern. ''viḍí''. — Tet. ''sigáru'' (mais us. ''canudo'', como em indo-português).
'''[[:d:Lexeme:L448609|Cinta]]''' (naut.). L.-Hindust. ''sinta'', ''sit''.
'''[[:d:Lexeme:|Cinto.]]''' Mal. ''cinto'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Cinturão.]]''' Conc. ''sinturámv''. Term. vern. ''kamarband''. — Tet. ''sinturã''.
'''[[:d:Lexeme:|Cinzel.]]''' Malayál. ''chiññer'' (= ''chinnher'').
'''[[:d:Lexeme:|Cipai]]''' («soldado indígena»). Indo-ingl. ''sepoy'', ''seapoy''. Indo-franc. ''cipaye''<ref>«Se ordenou que se formassem outras companhias, porém que estas fossem de '''sipaes'''». Cunha Rivara, ''O Chron. de Tissuary'', I, p. 30.</ref>.
Do pers. ''sipāhí''.
'''[[:d:Lexeme:|Citação.]]''' Conc. ''sitsámv''. — Sing. ''sitásiya'', ''sitāsikeríma''. ''Setásiya karaṇavā'', citar. — Mal. ''sita''. ''Surat sita'', mandado de citação.
'''[[:d:Lexeme:|Citar.]]''' Conc. ''sitár-karunk''. — Mal., Ach., Sund., Bug. ''sita''. — Mad. ''nyíta''.
'''[[:d:Lexeme:|? Coa.]]''' Mal. ''coa'' (Haex), ''kua'', coada. ''Coa-anghar'' (lit. «sumo de uvas»), vinho.
'''[[:d:Lexeme:|Cobra, cobra de capelo]]''' (''Naga tripudiens''). Indo-ingl. ''cobra'', ''cobra de capello'', ''cobra capella''. — Indo-franc. ''cobra-de-capello'', ''cobra-capello''. — Mal. ''kobra''<ref>«Algũas serpentes, ha que hos Indios chamaom Nurcas, e nós '''cobras de capelo''', porque fazem huũ sombreiro sobre ha cabeça». Duarte Barbosa, p. 344.
«Vimos tãbẽ aquy grande soma de '''cobras de capello''', de grossura da coxa de hum homem». Fernão Pinto, ''Peregrinação'', cap. 14.
«Ha muytas serpentes, a que chama o vulgo '''cobras de capelo'''; e nós em latim as podemos chamar ''regulus serpens''». Garcia da Orta, ''Col.'' XLII.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CARAMELO CARRETA|{{sc|43}}}}</noinclude>'''Capote.''' Conc. ''kāpôt''. — Bal. ''kāput''. — Tet. ''kapóti''. Term. vern. ''pháru bóti''. — ? Malg. ''kapoti''. — Ár. ''kabút'', ''kabábit''<ref>«Os fidalgos d'aquelle tempo não punhão sua vaidade em '''capotes''', e calças». ''Id.'', Déc. VI, X, 8.</ref>.
'''? Carabina.''' Mar., Hindust. Panj. ''karābin''. — Sindh. ''karabinu''. — Mal. ''karrebin'' (Marre). ''Karābini'', carabineiro, em panjabi. Term. vern. em marata ''dama''.
Alguns lexicógrafos indianos admitem a procedência imediata do francês. O termo é moderno em português.
'''[[:d:Lexeme:L448407|Carambola]]''' (bot., ''Averrhoa carambola''). Indo-ingl. ''carambola''. — Indo-franc. ''carambole'', ''carambolier''. O étimo é o marata-conc. ''karambal''<ref>«Antonia traz dessa arvore alguma '''carambola''', que assi se diz em malavar». Garcia da Orta, ''Col.'' XII.
«Ha na China tanta abundância, como das mangas, '''carambolas'''». Lucena, ''Historia'', liv. X, cap. 18.
«Diversas castas de fructos, como são mangas, iaquas [jacas], '''carambolas'''». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 270.</ref>.
'''? [[:d:Lexeme:L1235044|Caramelo.]]''' Jap. ''karameiru'', ''karumera'', ''karumeira'', rebuçado.
O Sr. Gonçalves Viana julga provável a origem espanhola.
'''Carapuça.''' Mal. ''karpús'', ''karpúz''. — Sund., Batav. ''karěpus''. — Jav. ''kárpus'', ''krápus''<ref>«E na cabeça sôbre hũa coifa de ouro, hũa '''carapuça''' de veludo». João de Barros, Déc. II, X, 8.
«E na cabeça huma '''carapuça''' redonda, que nom cobria as orelhas». Gaspar Correia, ''Lendas'', I, 2.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447822|Caravela.]]''' Indo-ingl. ''caravel'', ''carvel''.
'''Cardamomo.''' Sing. ''kardamúnga''. Term. vern. ''ensál''<ref>«E neste Malavar se chama ''etremilly'', e em Ceilam ''ençal''». Garcia da Orta, ''Col.'' XIII.</ref>. — Mal., Jav. ''kardamon''. — Mak. ''garididong''. — Bug. ''garidimong''. Term. vern. ''kapulága''.
'''Caridade.''' Conc. ''kāridad'' (p. us.). Term. vern. ''dharm'', ''dayá''. — Tet. ''karidádi''. Term. vern. ''diák''.
'''Caril.''' Indo-ingl. ''curry''. — Indo-franc. ''carry''. — Tet., Gal. ''karíl''.
''Kaṛi'' em tamul, ''kaḍhí'' em marata e concani<ref>«Tambem fazem comeres das aves e carnes (a que chamam '''caril''')». Garcia da Orta, ''Col.'' XVI.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477311|Carreira]]''' (nome duma variedade de mangueira e manga). Conc. ''karél''. — Mar. ''kurél''. Cf. ''Afonsa'' e ''Colaça''.
'''Carrêta''' (por «carruagem, carro»). Conc. ''karêt'' (tambêm «carre-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|44}}|CARTA CARTAZ|}}</noinclude>tilha»). Term. vern. ''gaḍi''. — Sing. ''karette'' (pl. ''karatta''), ''karéttiya'', ''karăttaya'', ''karéttuva''. Term. vern. ''rathaya'' (sânsc.), ''gẹla''. ''Karetta-kárayā'', cocheiro. ''Asvakarattaya'' (lit. «carreta de cavalos»), trem, sege. ''Karattayen geṇayáma'', carrêto. — Siam. ''kra-tā''. — Mal. ''karéta'', ''keréta'', ''kréta'', ''krita''. ''Kreta api'' (lit. «carrêta de fogo»), locomotiva. — Batt., Sund. ''karéta'', ''kréta''. — Jav. ''karéta'', ''karétô'', ''kréta''. — Mad. ''karétô''. — Day., Mak., Bug. ''karéta''. — Tet., Gal. ''karreta''.
''Carrêta'', na acepção de «carruagem», tambêm se emprega nos crioulos<ref>«Uaom metidas em hũas '''caretas''' de caualos todas cobertas, que ninguem pode uer quem vay dentro». Duarte Barbosa, p. 272.
«As '''carretas''' em que elle e os portugueses forão, erão de muytos lauores, e paramentadas de panos de seda». Gaspar Correia, II, p. 369.
«E day vem muytas '''carretas''' carregadas d'este ''uplot''». Garcia da Orta, ''Col.'' XVI.</ref>.
Em árabe usa-se ''karrus'', ''kārusát''.
'''[[:d:Lexeme:L448603|Carta]]''' (de jogar). Conc. ''kārt''. — Mal. ''kárta'', ''kártu''. — Sund. ''kártu'' (tambêm «carta geográfica»). — Jav. ''kártu''. — Mad. ''kértô''. — Mol. ''kértu'', ''kérto''. — Jap. ''karuta''.
Em japonês a consoante composta (excepto ''st'') de palavras peregrinas dissolve-se com a intercalação de ''u'': ''Furansu'' = França, ''burashi'' = ''brush'' (ingl., «escôva»), ''daruma'' = sânsc. ''dharma''. Mas ''Kiristo'' = Cristo, por assimilação; ''saberu'' = sabre, por influência do ingl. ''sabre'', pronunciado ''sábăr''. Cf. ''pistola''.
O malayálam tem ''chartta'', escrito, documento; ''chárttuka'', lavrar um documento; ''chárttu-paṭi'', catálogo; ''chárttu-muṛi'', escritura. Wilson, no seu ''Glossário'', julga provável que o vocábulo primário seja de origem portuguesa. Neste caso, teria havido mudança de ''c'' em ''ch'' na primeira sílaba.
'''? [[:d:Lexeme:L448603|Carta]]''' ou '''cartaz''' (por «papel»). Siam. ''kra-dart''. — Camb. ''credas''. ''Bier credas'', jôgo de cartas. — Mal., Sund., Jav. ''kártas'', ''kértas''. — Ach. ''kértas''. — Day. ''karátas'', ''krátas''. — Mak. ''karátasa''. — Bug. ''karáttasā''.
«É provávelmente uma destas palavras cuja transformação deu a palavra malaia, javanesa e sundanesa ''kartas'' ou ''kertas'', papel. Ainda que a língua arábica possua a palavra ''kratas'' [aliás ''qartas''] (do grego ''chartés''), ''kartas'' não é de origem arábica, porque nas Índias [holandesas] é precisamente o papel europeu (e o chinês) que se chama ''kartas''». Heyligers. Tambêm Michell atribui origem portuguesa ao vocábulo siamês.
Sem embargo disto, é muito improvável a proveniência portuguesa, especialmente pela diversidade dos
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|58}}|COCHONILHA COIFA|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Cobra manila]]''' (''Bungarus caeruleus'' ou ''Daboia Russellii''). Tel. ''maníla-páyu'', ''manyala-páyu'' (''páyu'' é cobra). — Indo-ingl. ''cobra manilla'' ou ''minelle'' (us. no sul da Índia).
O étimo é o marata-conc. ''maṇêr'', do sânsc. ''maṇi'', «joia». O vocábulo telúgu parece importado<ref>«Ha outra sorte de cobras muyto mais peçonhentas, ha que hos Indios chamaom '''Madalis'''». Duarte Barbosa, p. 344.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Coche.]]''' Conc. ''kôch'', palanquim. — ? Guj., Hindi, Beng. ''kôch'', sofá. — ? Sindh. ''kôchu'', sofá. — ? Sing. ''kôssiya''.
Provávelmente importado do ingl. ''couch'', como o hindust. ''kauch'', atenta a diversidade dos significados.
'''[[:d:Lexeme:|Cocheiro.]]''' Conc. ''kochêr''. Term. vern. ''gāḍīvāló''. — ? Hindust. ''kochbán'' (talvez do ingl. ''coachman''). — Tet. ''kochéiru''. — Term. vern. ''kuchata''.
'''[[:d:Lexeme:|? Cochonilha.]]''' Mal. ''kosnil'' (Heyligers)<ref>«Hum manteo de '''cochonylha''' avalliado em tres myll réys» (1601). A. Tomás Pires, ''Materiaes'', etc., in ''Bol. S. G. L.'', 16.ª sér., p. 715.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448202|Côco.]]''' Indo-ingl. ''cocoa'', ''cocoa-nut''. — Indo-franc. ''coco'', ''cocotier''<ref>«O mantimento era '''coquos'''». ''Roteiro de Vasco da Gama'', p. 95.
«Não achou mais que '''cocos''' e jagra». Castanheda, I, 25.
Quanto à origem do vocábulo ''côco'', vid. Conde de Ficalho, ''Col.'' XVI; Cândido de Figueiredo, no ''Instituto'' de Coimbra, vol. XLVIII, p. 655, e Gonçalves Viana, ''Apostilas''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Codilho.]]''' Mak., Bug. ''dílu''.
'''[[:d:Lexeme:|Côco do mar]]''' («côco das Maldivas», Garcia, ''Lodoicea Seychellarum'')<ref>«Nas ilhas de Maldiva nasce a planta
No fundo das aguas soberana,
Cujo pomo contra o veneno urgente
He tido por antídoto excellente».
''Lusiad.'', X, 136.</ref>. Indo-ingl. ''coco-de-Mer''. — Indo-franc. ''coco de Mer''<ref>«É provável que G. d'Orta foi o primeiro europeu que descreveu esta forma de coco, e os portugueses foram os primeiros que o introduziram na Europa». Dr. D. G. Dalgado, ''Classificação Botanica das Plantas e Drogas'', etc., p. 9.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L31587|Coelho.]]''' Mal. ''kovélu'', ''tarvélu''. — Jav. ''tarvéla'', ''trevela''. — Tet., Gal. ''koêlhu''. Vid. ''cavalo''<ref>«E duas duzias de '''coelhos''' machos e femeas, pera Elrey em suas tapadas, pellos não auer em Cambaya». Diogo do Couto, Déc. VII, III, 1.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L450514|Cofre.]]''' Conc. ''kophr''. — Tet., Gal. ''kófri''.
'''[[:d:Lexeme:|Coifa.]]''' Mal. ''kofíah'', ''kúpia'', barrete<ref>«E na cabeça sobre hũa '''coifa''' de ouro, hũa carapuça de veludo». João de Barros, Déc. II, X, 8.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 45 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CARTUCHO CASOAR|{{sc|45}}}}</noinclude>significados. Não consta que o vocábulo ''carta'' fôsse jámais empregado em português por «papel». E ''cartaz'' usava-se na Índia por «licença para navegar»; e neste sentido, parece que é de origem arábica: «Os (navegantes) de Coulão mandarião a Cochym tomar a certidão, a que elles chamão '''cartaz'''». Gaspar Correia (I, p. 298). «Yrião a Baçaim tomar salvo conduto (a que elles chamão '''cartazes''') dos capitães». Diogo do Couto (Déc. IV, IX, 2)<ref>«Me mandes um '''cartás''' de tua letra para minhas lancharas, e jurupangos navegarem seguros com todos os ventos». Fernão Pinto, cap. XIII.
«Elle dará '''cartazes''' ás naos de Idalxa, para navegarem para todolas partes... Para o dito feitor dar '''cartazes''' aos nauios que partissem do dito porto». Simão Botelho, pp. 43, 44.</ref>.
'''Cartucho.''' Conc. ''kārtúx''. — Guj., Hindi, Hindust., Panj. ''kārtús''. — Tel. ''kātarusu'', ''kātanusu'', ? ''kākitamu''. — Gar., Khas. ''kartus''. — Mak., Bug. ''karatúsa''. — Tet., Gal. ''kartús''<ref>«Pos o Condestabre de Luis de Mello fogo a vm camelete, que leuava com vm '''cartuxo''' de seixos na boca». Diogo do Couto, Déc. VII, VI, 2.
«Quando se viram desta banda cumpridos os desejos de boa esperança, começaram a aperceber as armas e artilharia, fazer '''cartuxos''', e outros atavios de guerra» (1604). In ''Historia tragico-maritima'', VII, p. 11.
«Brigamos até nos não ficarem mais que dous barris de polvora, e vinte e oito '''cartuxos'''». ''Ibid.'', IX, p. 9.</ref>.
O tonkinês tem ''cát-tút'', que deve ser corrução do franc. ''cartouche''.
'''[[:d:Lexeme:L407|Casa]]''' (de botão). Conc. ''káz''. — Mar. ''káj''. Term. vern. ''guṇḍíchém ghar'', ''birḍem''. — Guj. ''gája''. — Beng., Hindust. ''káj''. — Tam. ''káju''. ''Bottam-hilu'' (lit. «buraco do botão») em singalês.
'''[[:d:Lexeme:L662415|Casado.]]''' Sing. ''kasádaya'', ''kasáda-bẹndima'', casamento. Term. vern. ''viváha-bẹndima'', ''viváhaya'' (sânsc.). ''Kasáda-bẹndinavā'', casar. ''Kasáda-bẹndúpu'', casado.
'''Casar''' (por «casamento dos cristãos»). Conc. ''kāzár''. ''Kāzár-karunk'', dar de casar. ''Kāzár-zāvunk'', casar-se. ''Kāzró'', casamento mal-aventurado, casório. É tambêm o nome da árvore de noz vómica. ''Kāzāri'', casado, em distinção de solteiro e viúvo. ''Kāzārātsó'' (''kāzārāchi'', f., ''kāzārāchém'', n.), casadoiro, núbil.
Muitos verbos portugueses se empregam em concani tambêm como substantivos neutros, como: ''pintár'' = pintura, ''razár'' = reza, ''kum'sár'' (confessar) = confissão<ref>Registo aqui, por excepção, esta palavra portuguesa, ''casar'', exclusivamente adoptada em concani, por causa dos seus diversos derivados. O casamento dos hindus tem vários nomes: ''lagn'', ''varád'', ''vārdík'', ''hāti'', ''vavar'', ''viváha''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477170|Caso.]]''' Conc. ''káz''. Term. vern. ''ghaḍṇi'', ''goxṭ''; ''parvá''. — Tet. ''kásu''.
'''Casoar''' («ave pernalta»). Jap. ''kasováru'', ''kasvaruchō''.
Do malaio ''kasuvári''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 46 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|46}}|CASTELA CASTOR|}}</noinclude>'''Casta.''' Conc. ''kást''. Term. vern. ''zát'', ''varṇ''. — Indo-ingl., Indo-franc. ''caste''. — Mal. ''kásta''.
No concani de Goa há tambêm ''kāstíst'', «aferrado às distinções de castas», e ''kāstijm'', «doutrina ou sentimento de castas», ambos recebidos directamente do português local, ''castista'', ''castismo''.
Yule diz que Duarte Barbosa (1516) não emprega a palavra ''casta'' no sentido técnico, mas chama ''leis de gentios''. Lê-se porêm em um passo (p. 334): «Ha afora estas gentes acima, honze leys de outras mais baixas... guardando-se de misturar hũa '''casta''' com outra '''casta'''»<ref>«Quanto ás '''castas''', o mayor impedimento que ha na conversão dos gentios, he a superstição que guardão em suas '''castas''', sem se poderem tocar, communicar, nẽ misturar com outros, como superiores com inferiores: os de vm rito com os do outro». Diogo do Couto, Déc. V, VI, 4.</ref>.
'''Castanha.''' Mal. ''kestén'', pancada no jôgo do pião. — Ár. ''kastána'', ''kastánia''. — Turc. ''késtane''.
'''Castela.''' Mal., Jav. ''katéla''<ref>Em ''katéla'' «o ''s'' elide-se, a palavra adquire assim a forma usual dos nomes de plantas e de partes de plantas». Dr. Fokker.</ref>, espécie de batata. — Mak. ''kasatéla'', batata. — Jap. ''kastéra'', ''kasutera'', pão de ló.
Em um e outro caso se subentende outro termo. Cf. ''cambraia'', ''casimira'', ''bengala'' em português. Em italiano diz-se ''pane di Spagna'', e Yule conjectura que a locução inglesa ''sponge cake'' é corrução de ''Spanish cake''.
'''[[:d:Lexeme:L448635|Castiçal.]]''' Conc. ''kāstisál''. — Tam. ''kastisál'', ''kastrisál''. — Tet. ''kastisál''.
'''Castiço''' («filho de pais portugueses, nascido na Índia»). Indo-ingl. ''castees'' (obsol.).
Conforme o Dr. Schuchardt, ''castiços'' são, em alemão e holandês, filhos dos casamentos entre europeus e mestiços. Vid. ''mestiço'' e ''topaz''<ref>«Depois vem os que nasceram na India de pai e mãi portuguezes, e lhes chamam '''castiços'''» (1616). Pyrard, ''Viagem'', II, p. 32.
«Les '''Castissos''' sont ceux qui sont nés de père et mère ''reinols''; ce mot vient de ''caste'' (race); ils sont méprisés des reinols». Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages'' (1643).</ref>.
'''Castigar.''' Mal. ''castigar'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L448210|Castigo.]]''' Conc. ''kāstig'' (p. us.). Term. vern. ''khást''. — Tet., Gal. ''kastigu''. Term. vern. ''úkum'', ''búku''.
'''*[[:d:Lexeme:L447914|Castor.]]''' Mal., Sund., Jav. ''kastúri'', ''kastóri'', almíscar, gato de algália. — Mak., Bug. ''kasatúri''.
O Sr. Gonçalves Viana toma por certo o étimo português. O Dr. Heyligers julga evidente a procedência sânscrita. Com efeito, ''kastūri'', em sânscrito, significa «almíscar», e ''kastūri-mṛga'', «gato de algália». E nestas acepções os termos são empregados como vernáculos em
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|46}}|CASTELA CASTOR|}}</noinclude>'''Casta.''' Conc. ''kást''. Term. vern. ''zát'', ''varṇ''. — Indo-ingl., Indo-franc. ''caste''. — Mal. ''kásta''.
No concani de Goa há tambêm ''kāstíst'', «aferrado às distinções de castas», e ''kāstijm'', «doutrina ou sentimento de castas», ambos recebidos directamente do português local, ''castista'', ''castismo''.
Yule diz que Duarte Barbosa (1516) não emprega a palavra ''casta'' no sentido técnico, mas chama ''leis de gentios''. Lê-se porêm em um passo (p. 334): «Ha afora estas gentes acima, honze leys de outras mais baixas... guardando-se de misturar hũa '''casta''' com outra '''casta'''»<ref>«Quanto ás '''castas''', o mayor impedimento que ha na conversão dos gentios, he a superstição que guardão em suas '''castas''', sem se poderem tocar, communicar, nẽ misturar com outros, como superiores com inferiores: os de vm rito com os do outro». Diogo do Couto, Déc. V, VI, 4.</ref>.
'''Castanha.''' Mal. ''kestén'', pancada no jôgo do pião. — Ár. ''kastána'', ''kastánia''. — Turc. ''késtane''.
'''[[:d:Lexeme:L1548842|Castela.]]''' Mal., Jav. ''katéla''<ref>Em ''katéla'' «o ''s'' elide-se, a palavra adquire assim a forma usual dos nomes de plantas e de partes de plantas». Dr. Fokker.</ref>, espécie de batata. — Mak. ''kasatéla'', batata. — Jap. ''kastéra'', ''kasutera'', pão de ló.
Em um e outro caso se subentende outro termo. Cf. ''cambraia'', ''casimira'', ''bengala'' em português. Em italiano diz-se ''pane di Spagna'', e Yule conjectura que a locução inglesa ''sponge cake'' é corrução de ''Spanish cake''.
'''[[:d:Lexeme:L448635|Castiçal.]]''' Conc. ''kāstisál''. — Tam. ''kastisál'', ''kastrisál''. — Tet. ''kastisál''.
'''Castiço''' («filho de pais portugueses, nascido na Índia»). Indo-ingl. ''castees'' (obsol.).
Conforme o Dr. Schuchardt, ''castiços'' são, em alemão e holandês, filhos dos casamentos entre europeus e mestiços. Vid. ''mestiço'' e ''topaz''<ref>«Depois vem os que nasceram na India de pai e mãi portuguezes, e lhes chamam '''castiços'''» (1616). Pyrard, ''Viagem'', II, p. 32.
«Les '''Castissos''' sont ceux qui sont nés de père et mère ''reinols''; ce mot vient de ''caste'' (race); ils sont méprisés des reinols». Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages'' (1643).</ref>.
'''Castigar.''' Mal. ''castigar'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L448210|Castigo.]]''' Conc. ''kāstig'' (p. us.). Term. vern. ''khást''. — Tet., Gal. ''kastigu''. Term. vern. ''úkum'', ''búku''.
'''*[[:d:Lexeme:L447914|Castor.]]''' Mal., Sund., Jav. ''kastúri'', ''kastóri'', almíscar, gato de algália. — Mak., Bug. ''kasatúri''.
O Sr. Gonçalves Viana toma por certo o étimo português. O Dr. Heyligers julga evidente a procedência sânscrita. Com efeito, ''kastūri'', em sânscrito, significa «almíscar», e ''kastūri-mṛga'', «gato de algália». E nestas acepções os termos são empregados como vernáculos em
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||COMANDANTE COMPRA|{{sc|59}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Coitado.]]''' Conc. ''kuitád''. Term. vern. ''bābḍó''. — Mal. ''coitado'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Colaça.]]''' (nome de uma variedade de manga). Conc., Mar. ''kulás''. Cf. ''Afonsa'', ''Carreira''.
'''[[:d:Lexeme:|Colchão.]]''' Conc. ''kulchámv''. — L.-Hindust. ''kuñiyáñ''. — Sing. ''kulachchama''. — Tet., Gal. ''kulchã''.
'''[[:d:Lexeme:|Colchete.]]''' Conc. ''kulchêt''. Term. vern. ''kaḍí'', ''ānkḍí''. — Tet., Gal. ''kulchêti''.
'''[[:d:Lexeme:L500852|Colégio.]]''' Conc. ''koléj''. Term. vern. ''pāṭhsál'', ''maṭh''. — Tet. ''koléju''. — Jap. ''koreijo''.
'''[[:d:Lexeme:|Cólera]]''' (morbo). Guj. ''kolerô''. — * Jap. ''korera'' (modernamente introduzido). Vid. ''mordexim''.
'''[[:d:Lexeme:L448199|Colete.]]''' Conc. ''kulêt''. — Tet. ''kolêti''.
'''[[:d:Lexeme:L447393|Colher.]]''' Conc., Malayál., Tul. ''kulér''.
'''[[:d:Lexeme:L670607|Coluna.]]''' Conc. ''kolún'' (p. us.). Term. vern. ''khāmbó''. — Sing. ''kuluna'', ''kulunna'' (pl. ''kulunu''). — Term. vern. ''stambhaya'' (sânsc.), ''tĕmba''.
'''[[:d:Lexeme:|Comadre.]]''' Conc. ''kumár''. Tambêm significa «amásia, concubina»<ref>Parece que o vocábulo, nesta acepção, se relaciona com o sânsc. ''kumārī'', «donzela, moça».</ref>. ''Kumārkí'', comadrio. — Beng. ''komādrí''. — Tam. ''kumádri''.
'''[[:d:Lexeme:L447201|Comandante.]]''' Conc. ''komāndánt''. — Panj. ''kumedan''. — Tel. ''kumumdán''. — ? Day. ''kamandan''. — Tet. ''komandánti''. — Ár. ''qumandán''<ref>Em cambjoano, ''comandang'', ''general'', ''amiral'', ''compagni'', «associação», são de procedência francesa.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477268|Comando.]]''' Tel. ''kómánu''.
'''[[:d:Lexeme:|Comedoria.]]''' Conc. ''komedorí'' (p. us.). Term. vern. ''bhātém''. — Beng. ''komedorí'' (us. entre os cristãos).
'''[[:d:Lexeme:|Comenda.]]''' Conc. ''komend'', condecoração. — Mal. ''koménda''<ref>«Spécialement aux Moluques on entend par le mot ''kommenda'' un contrat de droit civil qui est absolument le même que le ''commodatum'' du droit romain». Heyligers.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447200|Comendador.]]''' Conc. ''komendādôr''. — Mal., Jav. ''komendadór'', ''komendúr'', título de certos empregados civis. Cf. ''mandador''. — Bug. ''kamánderē'' (do hol. ''kommandeeren'', segundo Matthes).
'''[[:d:Lexeme:|Compadre.]]''' Conc. ''kumpár''. Tambêm «amásio». Cf. ''comadre''. — ''Kumpārkí'', compadrio. — Beng. ''kompādrí'', padrinho. — Tam. ''kompádri'', padrinho. — Tel. ''kumbádri''. — Tul. ''kumpádri'', ''kumpari'', padrinho. — Tet. ''kompári'', ''kombári''.
'''[[:d:Lexeme:|Compasso.]]''' Conc. ''kumpás''. — ? Guj., Hindust., Beng., Ass. ''kampás''. — Tet. ''kompásu''. — ? Jap. ''kompasu''.
Yule & Burnell dizem que o hindust. ''kampás'' é corrução do ingl. ''compass'', e talvez se possa dizer o mesmo com relação às outras línguas, excepto o concani e o teto. O laskari-hindust. ''kumpás'' e o mal. ''kámpas'' são certamente, o primeiro, da procedência inglesa, e o segundo, da holandesa.
'''[[:d:Lexeme:L448439|Compra.]]''' Jap. ''kompra''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||COMANDANTE COMPRA|{{sc|59}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Coitado.]]''' Conc. ''kuitád''. Term. vern. ''bābḍó''. — Mal. ''coitado'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Colaça.]]''' (nome de uma variedade de manga). Conc., Mar. ''kulás''. Cf. ''Afonsa'', ''Carreira''.
'''[[:d:Lexeme:|Colchão.]]''' Conc. ''kulchámv''. — L.-Hindust. ''kuñiyáñ''. — Sing. ''kulachchama''. — Tet., Gal. ''kulchã''.
'''[[:d:Lexeme:|Colchete.]]''' Conc. ''kulchêt''. Term. vern. ''kaḍí'', ''ānkḍí''. — Tet., Gal. ''kulchêti''.
'''[[:d:Lexeme:L500852|Colégio.]]''' Conc. ''koléj''. Term. vern. ''pāṭhsál'', ''maṭh''. — Tet. ''koléju''. — Jap. ''koreijo''.
'''[[:d:Lexeme:|Cólera]]''' (morbo). Guj. ''kolerô''. — * Jap. ''korera'' (modernamente introduzido). Vid. ''mordexim''.
'''[[:d:Lexeme:L448199|Colete.]]''' Conc. ''kulêt''. — Tet. ''kolêti''.
'''[[:d:Lexeme:L447393|Colher.]]''' Conc., Malayál., Tul. ''kulér''.
'''[[:d:Lexeme:L670607|Coluna.]]''' Conc. ''kolún'' (p. us.). Term. vern. ''khāmbó''. — Sing. ''kuluna'', ''kulunna'' (pl. ''kulunu''). — Term. vern. ''stambhaya'' (sânsc.), ''tĕmba''.
'''[[:d:Lexeme:|Comadre.]]''' Conc. ''kumár''. Tambêm significa «amásia, concubina»<ref>Parece que o vocábulo, nesta acepção, se relaciona com o sânsc. ''kumārī'', «donzela, moça».</ref>. ''Kumārkí'', comadrio. — Beng. ''komādrí''. — Tam. ''kumádri''.
'''[[:d:Lexeme:L447201|Comandante.]]''' Conc. ''komāndánt''. — Panj. ''kumedan''. — Tel. ''kumumdán''. — ? Day. ''kamandan''. — Tet. ''komandánti''. — Ár. ''qumandán''<ref>Em cambjoano, ''comandang'', ''general'', ''amiral'', ''compagni'', «associação», são de procedência francesa.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477268|Comando.]]''' Tel. ''kómánu''.
'''[[:d:Lexeme:|Comedoria.]]''' Conc. ''komedorí'' (p. us.). Term. vern. ''bhātém''. — Beng. ''komedorí'' (us. entre os cristãos).
'''[[:d:Lexeme:|Comenda.]]''' Conc. ''komend'', condecoração. — Mal. ''koménda''<ref>«Spécialement aux Moluques on entend par le mot ''kommenda'' un contrat de droit civil qui est absolument le même que le ''commodatum'' du droit romain». Heyligers.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447200|Comendador.]]''' Conc. ''komendādôr''. — Mal., Jav. ''komendadór'', ''komendúr'', título de certos empregados civis. Cf. ''mandador''. — Bug. ''kamánderē'' (do hol. ''kommandeeren'', segundo Matthes).
'''[[:d:Lexeme:|Compadre.]]''' Conc. ''kumpár''. Tambêm «amásio». Cf. ''comadre''. — ''Kumpārkí'', compadrio. — Beng. ''kompādrí'', padrinho. — Tam. ''kompádri'', padrinho. — Tel. ''kumbádri''. — Tul. ''kumpádri'', ''kumpari'', padrinho. — Tet. ''kompári'', ''kombári''.
'''[[:d:Lexeme:|Compasso.]]''' Conc. ''kumpás''. — ? Guj., Hindust., Beng., Ass. ''kampás''. — Tet. ''kompásu''. — ? Jap. ''kompasu''.
Yule & Burnell dizem que o hindust. ''kampás'' é corrução do ingl. ''compass'', e talvez se possa dizer o mesmo com relação às outras línguas, excepto o concani e o teto. O laskari-hindust. ''kumpás'' e o mal. ''kámpas'' são certamente, o primeiro, da procedência inglesa, e o segundo, da holandesa.
'''[[:d:Lexeme:L448439|Compra.]]''' Jap. ''kompra''.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|60}}|COMUNGAR CONSOADA|}}</noinclude>O Dr. Murakámi junta ''compra'' com ''compradoru'', dando-lhes o mesmo significado.
'''[[:d:Lexeme:|Comprador]]''' («mordomo, despenseiro»). Indo-ingl. ''compradore'', ''compadore''. — Pid.-Engl. ''compradore'', ''compladore'', ''kam-pat-to''. — Jap. ''kompradoru''.
Na Índia, o termo vai caindo em desuso; na China, designava outra ora, e designa ainda agora às vezes, o agente comercial, o intermediário nas transacções entre europeus e indígenas. Nesta acepção, ''comprador'' tambêm se usa no francês de Tonquim<ref>«Depois da guerra entre a China, Inglaterra e França foi abolida a instituição dos «Hongs» ou agentes officiaes, negociantes intermediários entre os negociantes europeus e chinezes... Lançaram, por isso, mão de uns agentes especiaes indígenas, a que os portuguezes deram o nome de «compradores», denominação que os estrangeiros adoptaram, agentes que ainda hoje as casas commerciaes empregam». Calado Crespo, ''Cousas da China'', pp. 15-16.
«E assy o escreueu Martim Afonso a Antonio da Silva, o qual dissimulou com a guerra, porque n'esta detença do recado em tanto por seus '''compradores''' compraua e vendia o que podia». Gaspar Correia, III, p. 562.
«O '''comprador''' deve ser de boa consciencia, diligente e intelligente nas cousas do seu officio». ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5, p. 1040.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Comungar.]]''' Conc. ''kum'gár'' (tambêm subst.). — Tet. ''komúnga''.
'''[[:d:Lexeme:|Comunhão.]]''' Conc. ''komunhámv''. — Beng., Tam., Can. ''komuniyāñ''.
'''[[:d:Lexeme:L448156|Concêrto.]]''' Conc. ''konsért'' (p. us.). — Mal. ''concierto'', acôrdo (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L620492|Conde]]''' («valete de cartas»). Conc. ''kond''. — Mak., Bug. ''kóndi''.
'''[[:d:Lexeme:|Condenado.]]''' Conc. ''kondenád'' (us. entre os cristãos). — Tet. ''kondenádu''.
'''[[:d:Lexeme:|Confeito.]]''' Conc. ''komphêt'' (p. us.). — Tet. ''konfeitu''. — Jap. ''conféto'' (Wenceslau de Morais), ''kompeito'', ''kompéto''.
'''[[:d:Lexeme:|Confessar.]]''' Conc. ''kum'sár'', confissão. ''Kum'sár-karunk'', ouvir de confissão; (fig.) aconselhar secreta e insistentemente. ''Kum'sár-zāvunk'', confessar-se. — Malayál. ''kompasárikka'', confessar. — Tul. ''kumusáku'', consulta. — Tet., Gal. ''konfésa'', confessar, confissão.
O termo túlu é tanto na forma, como no significado, a adopção imediata do conc. ''kum'sár''.
'''[[:d:Lexeme:|Confiança.]]''' Conc. ''komphyáms''. Term. vern. ''visvás'', ''lagtí''. — Tet. ''konfiansa''. Term. vern. ''fiér''.
'''[[:d:Lexeme:|Confissão.]]''' Beng., Tam., Can. ''komphisáñ''. — Jap. ''kohisan''.
'''[[:d:Lexeme:|Confraria.]]''' Conc. ''komphrārí'', ''komphr''. — Tet. ''konfraría''.
'''[[:d:Lexeme:L448155|Conselho.]]''' Conc. ''konselh'' (p. us.). Term. vern. ''budh''. — Mal. ''conseillo'' (Haex). — Tet., Gal. ''consêlu''.
'''[[:d:Lexeme:|Consentir.]]''' Mal. ''consentir'' (Haex). — Tet. ''konsénti''. Term. vern. ''térus''.
'''[[:d:Lexeme:|Consoada.]]''' Conc. ''kunsvár''. — Beng. ''konsuvādá''.
== Notas ==
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'''[[:d:Lexeme:|Comprador]]''' («mordomo, despenseiro»). Indo-ingl. ''compradore'', ''compadore''. — Pid.-Engl. ''compradore'', ''compladore'', ''kam-pat-to''. — Jap. ''kompradoru''.
Na Índia, o termo vai caindo em desuso; na China, designava outra ora, e designa ainda agora às vezes, o agente comercial, o intermediário nas transacções entre europeus e indígenas. Nesta acepção, ''comprador'' tambêm se usa no francês de Tonquim<ref>«Depois da guerra entre a China, Inglaterra e França foi abolida a instituição dos «Hongs» ou agentes officiaes, negociantes intermediários entre os negociantes europeus e chinezes... Lançaram, por isso, mão de uns agentes especiaes indígenas, a que os portuguezes deram o nome de «compradores», denominação que os estrangeiros adoptaram, agentes que ainda hoje as casas commerciaes empregam». Calado Crespo, ''Cousas da China'', pp. 15-16.
«E assy o escreueu Martim Afonso a Antonio da Silva, o qual dissimulou com a guerra, porque n'esta detença do recado em tanto por seus '''compradores''' compraua e vendia o que podia». Gaspar Correia, III, p. 562.
«O '''comprador''' deve ser de boa consciencia, diligente e intelligente nas cousas do seu officio». ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5, p. 1040.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Comungar.]]''' Conc. ''kum'gár'' (tambêm subst.). — Tet. ''komúnga''.
'''[[:d:Lexeme:|Comunhão.]]''' Conc. ''komunhámv''. — Beng., Tam., Can. ''komuniyāñ''.
'''[[:d:Lexeme:L448156|Concêrto.]]''' Conc. ''konsért'' (p. us.). — Mal. ''concierto'', acôrdo (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L620492|Conde]]''' («valete de cartas»). Conc. ''kond''. — Mak., Bug. ''kóndi''.
'''[[:d:Lexeme:|Condenado.]]''' Conc. ''kondenád'' (us. entre os cristãos). — Tet. ''kondenádu''.
'''[[:d:Lexeme:L1375122|Confeito.]]''' Conc. ''komphêt'' (p. us.). — Tet. ''konfeitu''. — Jap. ''conféto'' (Wenceslau de Morais), ''kompeito'', ''kompéto''.
'''[[:d:Lexeme:|Confessar.]]''' Conc. ''kum'sár'', confissão. ''Kum'sár-karunk'', ouvir de confissão; (fig.) aconselhar secreta e insistentemente. ''Kum'sár-zāvunk'', confessar-se. — Malayál. ''kompasárikka'', confessar. — Tul. ''kumusáku'', consulta. — Tet., Gal. ''konfésa'', confessar, confissão.
O termo túlu é tanto na forma, como no significado, a adopção imediata do conc. ''kum'sár''.
'''[[:d:Lexeme:|Confiança.]]''' Conc. ''komphyáms''. Term. vern. ''visvás'', ''lagtí''. — Tet. ''konfiansa''. Term. vern. ''fiér''.
'''[[:d:Lexeme:|Confissão.]]''' Beng., Tam., Can. ''komphisáñ''. — Jap. ''kohisan''.
'''[[:d:Lexeme:|Confraria.]]''' Conc. ''komphrārí'', ''komphr''. — Tet. ''konfraría''.
'''[[:d:Lexeme:L448155|Conselho.]]''' Conc. ''konselh'' (p. us.). Term. vern. ''budh''. — Mal. ''conseillo'' (Haex). — Tet., Gal. ''consêlu''.
'''[[:d:Lexeme:|Consentir.]]''' Mal. ''consentir'' (Haex). — Tet. ''konsénti''. Term. vern. ''térus''.
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== Notas ==
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'''[[:d:Lexeme:|Comprador]]''' («mordomo, despenseiro»). Indo-ingl. ''compradore'', ''compadore''. — Pid.-Engl. ''compradore'', ''compladore'', ''kam-pat-to''. — Jap. ''kompradoru''.
Na Índia, o termo vai caindo em desuso; na China, designava outra ora, e designa ainda agora às vezes, o agente comercial, o intermediário nas transacções entre europeus e indígenas. Nesta acepção, ''comprador'' tambêm se usa no francês de Tonquim<ref>«Depois da guerra entre a China, Inglaterra e França foi abolida a instituição dos «Hongs» ou agentes officiaes, negociantes intermediários entre os negociantes europeus e chinezes... Lançaram, por isso, mão de uns agentes especiaes indígenas, a que os portuguezes deram o nome de «compradores», denominação que os estrangeiros adoptaram, agentes que ainda hoje as casas commerciaes empregam». Calado Crespo, ''Cousas da China'', pp. 15-16.
«E assy o escreueu Martim Afonso a Antonio da Silva, o qual dissimulou com a guerra, porque n'esta detença do recado em tanto por seus '''compradores''' compraua e vendia o que podia». Gaspar Correia, III, p. 562.
«O '''comprador''' deve ser de boa consciencia, diligente e intelligente nas cousas do seu officio». ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5, p. 1040.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Comungar.]]''' Conc. ''kum'gár'' (tambêm subst.). — Tet. ''komúnga''.
'''[[:d:Lexeme:|Comunhão.]]''' Conc. ''komunhámv''. — Beng., Tam., Can. ''komuniyāñ''.
'''[[:d:Lexeme:L448156|Concêrto.]]''' Conc. ''konsért'' (p. us.). — Mal. ''concierto'', acôrdo (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L620492|Conde]]''' («valete de cartas»). Conc. ''kond''. — Mak., Bug. ''kóndi''.
'''[[:d:Lexeme:|Condenado.]]''' Conc. ''kondenád'' (us. entre os cristãos). — Tet. ''kondenádu''.
'''[[:d:Lexeme:L1375122|Confeito.]]''' Conc. ''komphêt'' (p. us.). — Tet. ''konfeitu''. — Jap. ''conféto'' (Wenceslau de Morais), ''kompeito'', ''kompéto''.
'''[[:d:Lexeme:|Confessar.]]''' Conc. ''kum'sár'', confissão. ''Kum'sár-karunk'', ouvir de confissão; (fig.) aconselhar secreta e insistentemente. ''Kum'sár-zāvunk'', confessar-se. — Malayál. ''kompasárikka'', confessar. — Tul. ''kumusáku'', consulta. — Tet., Gal. ''konfésa'', confessar, confissão.
O termo túlu é tanto na forma, como no significado, a adopção imediata do conc. ''kum'sár''.
'''[[:d:Lexeme:|Confiança.]]''' Conc. ''komphyáms''. Term. vern. ''visvás'', ''lagtí''. — Tet. ''konfiansa''. Term. vern. ''fiér''.
'''[[:d:Lexeme:|Confissão.]]''' Beng., Tam., Can. ''komphisáñ''. — Jap. ''kohisan''.
'''[[:d:Lexeme:|Confraria.]]''' Conc. ''komphrārí'', ''komphr''. — Tet. ''konfraría''.
'''[[:d:Lexeme:L448155|Conselho.]]''' Conc. ''konselh'' (p. us.). Term. vern. ''budh''. — Mal. ''conseillo'' (Haex). — Tet., Gal. ''consêlu''.
'''[[:d:Lexeme:|Consentir.]]''' Mal. ''consentir'' (Haex). — Tet. ''konsénti''. Term. vern. ''térus''.
'''[[:d:Lexeme:|Consoada.]]''' Conc. ''kunsvár''. — Beng. ''konsuvādá''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/158
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 61 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|61}}|CONTRATO COPRA|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Cônsul.]]''' Conc., Tet., Gal. ''kónsul''. — * Camb., * Siam. ''cŏngsul'' (do francês). — * Pid.-Engl. ''consu'' (provávelmente do inglês)<ref>«Hum que servia entre elles de ''Xabandar'', officio como entre nós os '''consules''' da nação». Barros, Déc. II, VI, 3.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448608|Conta.]]''' Conc. ''kont''. Term. vern. ''hixôb'', ''lekh'', ''lekhó'', ''gaṇṭí'', ''bábat'', ''sankhyá''. — Mal. ''kunta''. Term. vern. ''kíra-kíra''. — Tet., Gal. ''konta''. Term. vern. ''rótus''.
'''[[:d:Lexeme:|Contas]]''' (de reza). Conc. ''kont''. Term. vern. ''mālá'', ''zapmālá'', ''samarṇí''. — Sing. ''kôntaya'', ''kontêya''. Term. vern. ''akxa'', ''māláva'', ''japamāláva''. Malayál. ''konta''. — Tet. ''kontas''. — Jap. ''kontasu''<ref>«Afonso d'Albuquerque... com humas '''contas''' na mão, e seu page, com hum livro de rezar, detrás, se foi á Igreja». Gaspar Correia, I, p. 982.
«Reparti muitas '''contas''', cruzes douradas, veronicas e outros prémios». A. F. Cardim, p. 162.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Contente.]]''' Mal. ''contento'' (Haex). — Tet. ''konténti''. Term. vern. ''sólok'', ''mók''.
'''[[:d:Lexeme:L676261|Contra.]]''' Conc. ''kontr'' (tambêm «contrário»). Term. vern. ''áḍ''. — Tet. ''kontra''. Term. vern. ''sákar''.
'''[[:d:Lexeme:L449077|Contrato.]]''' Conc., Mar., Sing. ''kontrát''. Tambêm «negócio, monopólio». Term. neo-áricos ''kablát'', ''karár''; ''khaṇḍ'', ''khotí'', ''guttó''. — ? Bug. ''kóntarā''. Do hol. ''contract'', segundo Matthes. — Tet., Gal. ''kontrátu''.
''Kontrát karunk'', contratar; ter monopólio; negociar, traficar. ''Kontrát ghevunk'', tomar monopólio. Concani.
'''[[:d:Lexeme:|Contra vontade.]]''' Conc. ''kontrāvontád'' (p. us.) Term. vern. ''khuxê bháyr''. — Tet. ''kontrāvontádi''. Term. vern. ''hírus''.
'''[[:d:Lexeme:L447896|Convite.]]''' Conc. ''komvít''. Term. vern. ''āpauṇém''. — Tet. ''konvíti''. Term. vern. ''téne''.
'''[[:d:Lexeme:|? Copaíba.]]''' Jap. ''kapaibe''.
Entrado talvez por via do ingl.
'''[[:d:Lexeme:L501594|Cópia]]''' («traslado»). Conc. ''kóp''. Term. vern. ''nakal'', ''prat''. ''Kop kāḍhunk'', ''kopyár-karunk'', copiar. Term. vern. ''utrunk''. — Tul. ''koppi''. — Tet., Gal. ''kópi'' (tambêm «copiar»). Term. vern. ''bonáti''.
'''[[:d:Lexeme:L222272|Copo.]]''' Conc. ''kóp''. — Sing. ''kóppaya'', ''kóppe''. ''Loku kóppaya'' (lit. «copo grande»), bacia. — Malayál. ''kóppa''. — Tel. ''kōpá''. — Tul. ''kópu''. — Ann. ''côc''. — Tonk. ''côc''. — Tet., Gal. ''kópu'', ''kóbu''. — Jap. ''kóppu''. Tambêm significa «chávena», no que talvez tenha havido influência do hol. ''kop'' ou do ingl. ''cup''. Term. vern. ''ippai''. — Ar. ''koba''.
Em concani designa tão sómente «copo de vinho» e (fig.) «vinho». O copo de água chama-se ''vidr'' = vidro. ''Kóp ghevunk'', beber um copo. ''Kopíst'', copista, beberrão.
'''[[:d:Lexeme:L500594|Copas]]''' («naipe de cartas»). Conc. ''kopám''. — Bug. ''kópasā''.
'''[[:d:Lexeme:|Copra]]''' («amêndoa sêca de côco»). Indo-ingl. ''coprah''. — Indo-franc. ''copre''.
O étimo imediato do vocábulo indo-português é o malayál. ''koppara'', do hindust. ''khopra'', sânsc. ''kharpara''<ref>«Desque elles (coquos) despedem a casca, ficão secos em pedaços e chamão-lhes '''copra'''». Garcia da Orta, Col. XVI.
«Este miolo de coco depois de secco e avellado, se chama '''copra'''». Fr. João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 294.
«O seu pão são cocos secos ao sol, a que na India communmente chamão '''copra'''». Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 8.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Anacastrosalgado
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Correção da fronteira de paginação e revisão da página 61
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|61}}|CONTRATO COPRA|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Cônsul.]]''' Conc., Tet., Gal. ''kónsul''. — * Camb., * Siam. ''cŏngsul'' (do francês). — * Pid.-Engl. ''consu'' (provávelmente do inglês)<ref>«Hum que servia entre elles de ''Xabandar'', officio como entre nós os '''consules''' da nação». Barros, Déc. II, VI, 3.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448608|Conta.]]''' Conc. ''kont''. Term. vern. ''hixôb'', ''lekh'', ''lekhó'', ''gaṇṭí'', ''bábat'', ''sankhyá''. — Mal. ''kunta''. Term. vern. ''kíra-kíra''. — Tet., Gal. ''konta''. Term. vern. ''rótus''.
'''[[:d:Lexeme:|Contas]]''' (de reza). Conc. ''kont''. Term. vern. ''mālá'', ''zapmālá'', ''samarṇí''. — Sing. ''kôntaya'', ''kontêya''. Term. vern. ''akxa'', ''māláva'', ''japamāláva''. Malayál. ''konta''. — Tet. ''kontas''. — Jap. ''kontasu''<ref>«Afonso d'Albuquerque... com humas '''contas''' na mão, e seu page, com hum livro de rezar, detrás, se foi á Igreja». Gaspar Correia, I, p. 982.
«Reparti muitas '''contas''', cruzes douradas, veronicas e outros prémios». A. F. Cardim, p. 162.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Contente.]]''' Mal. ''contento'' (Haex). — Tet. ''konténti''. Term. vern. ''sólok'', ''mók''.
'''[[:d:Lexeme:L676261|Contra.]]''' Conc. ''kontr'' (tambêm «contrário»). Term. vern. ''áḍ''. — Tet. ''kontra''. Term. vern. ''sákar''.
'''[[:d:Lexeme:L449077|Contrato.]]''' Conc., Mar., Sing. ''kontrát''. Tambêm «negócio, monopólio». Term. neo-áricos ''kablát'', ''karár''; ''khaṇḍ'', ''khotí'', ''guttó''. — ? Bug. ''kóntarā''. Do hol. ''contract'', segundo Matthes. — Tet., Gal. ''kontrátu''.
''Kontrát karunk'', contratar; ter monopólio; negociar, traficar. ''Kontrát ghevunk'', tomar monopólio. Concani.
'''[[:d:Lexeme:|Contra vontade.]]''' Conc. ''kontrāvontád'' (p. us.) Term. vern. ''khuxê bháyr''. — Tet. ''kontrāvontádi''. Term. vern. ''hírus''.
'''[[:d:Lexeme:L447896|Convite.]]''' Conc. ''komvít''. Term. vern. ''āpauṇém''. — Tet. ''konvíti''. Term. vern. ''téne''.
'''[[:d:Lexeme:|? Copaíba.]]''' Jap. ''kapaibe''.
Entrado talvez por via do ingl.
'''[[:d:Lexeme:L501594|Cópia]]''' («traslado»). Conc. ''kóp''. Term. vern. ''nakal'', ''prat''. ''Kop kāḍhunk'', ''kopyár-karunk'', copiar. Term. vern. ''utrunk''. — Tul. ''koppi''. — Tet., Gal. ''kópi'' (tambêm «copiar»). Term. vern. ''bonáti''.
'''[[:d:Lexeme:L222272|Copo.]]''' Conc. ''kóp''. — Sing. ''kóppaya'', ''kóppe''. ''Loku kóppaya'' (lit. «copo grande»), bacia. — Malayál. ''kóppa''. — Tel. ''kōpá''. — Tul. ''kópu''. — Ann. ''côc''. — Tonk. ''côc''. — Tet., Gal. ''kópu'', ''kóbu''. — Jap. ''kóppu''. Tambêm significa «chávena», no que talvez tenha havido influência do hol. ''kop'' ou do ingl. ''cup''. Term. vern. ''ippai''. — Ar. ''koba''.
Em concani designa tão sómente «copo de vinho» e (fig.) «vinho». O copo de água chama-se ''vidr'' = vidro. ''Kóp ghevunk'', beber um copo. ''Kopíst'', copista, beberrão.
'''[[:d:Lexeme:L500594|Copas]]''' («naipe de cartas»). Conc. ''kopám''. — Bug. ''kópasā''.
'''[[:d:Lexeme:|Copra]]''' («amêndoa sêca de côco»). Indo-ingl. ''coprah''. — Indo-franc. ''copre''.
O étimo imediato do vocábulo
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/159
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 62 do vocabulário
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CORJA CORONEL|{{sc|62}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L477647|Côr.]]''' Conc. ''kôr''. Term. vern. ''rang''. — Tet. ''kôr''<ref>«Não se emprega esta palavra ''côr'', mas só a qualidade d'ella, como: côr branca, ''mútin'', e não ''côr mútin'', etc.». P. Aparício da Silva.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448008|Coração.]]''' Conc. ''kurāsámv'', jóia do feitio de coração. — Mal. ''korsang'', ''krusang'', ''krungsang'', «sorte d'épingle ou brochette en or servant à fermer l'habillement des femmes par devant». P. Favre. — Jav. ''korsañ''.
'''[[:d:Lexeme:L447397|Corda.]]''' Conc. ''kórd'' (— de instrumentos músicos). — Malayál. ''karaḍa''.
'''[[:d:Lexeme:|Cordame.]]''' L.-Hindust. ''kúrdamí''.
'''[[:d:Lexeme:|Cordão.]]''' Conc. ''kordámv''. — Hindust. ''kardhaní''. — L.-Hindust. ''kurdam''. — Tam. ''kordan''. — Malayál. ''koḍudam''.
'''[[:d:Lexeme:|Corja]]''' («vintena»). Conc. ''kórj''. Malayál. ''kórja'', ''kórchchu''. — Tul. ''kórji''. — Indo-ingl. ''corge'', ''coorge''. — Indo-franc. ''corge'', ''courge''<ref>«Estas sortes de panos prendem eles por '''corjas''', que antre eles he hũu conto de uinte, como qua dizemos duzia». Duarte Barbosa, p. 283.
«A '''corja''' de quotonyas vall cento e corenta ''tangas''». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 49.
«Chamamos rubins de '''corja''', que he tanto dizer como comprados 20 a vinte». Garcia da Orta, Col. XLIV.</ref>.
Parece que o étimo é o neo-árico ''koḍí''. Wilson (''A Glossary of Judicial and Revenue Terms'') indica o tel. ''khorjam'', que Yule & Burnell presumem ser corrução do termo comercial.
'''[[:d:Lexeme:|Cornaca.]]''' Indo-ingl., Indo-franc. ''cornac''.
Provávelmente do sing. ''kúravannáyaka'', «maioral da manada de elefantes»<ref>«A molher de vm '''Cornaca''' (que são os que gouernam os alifantes)». Diogo do Couto, Déc. V, VII, 11.
«Os '''cornacas''' são os que domão, e servem de aios aos elefantes». João Ribeiro, ''Fatalidade Histórica da Ilha de Ceilão'', liv. I, cap. 10.
«Estes animaes andão no mato em bandos, e sempre nelles ha hum de maior corpo e respeito que os outros, ao qual chamão ''guarda-bando''». ''Id''., I, cap. 17.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Côro.]]''' Conc. ''kôr''. — Tet. ''kôru''.
'''[[:d:Lexeme:L558182|Coroa.]]''' Conc. ''kurôv''. Term. vern. ''mukuṭ'', ''táz''. — Tet., Gal. ''korôa''.
Em concani designa tambêm a «tonsura clerical», a que o vulgo chama igualmente ''pharád'' (fem.), do port. ''frade''.
'''[[:d:Lexeme:L620499|Coronel.]]''' Conc. ''kornél''. — Mar. ''karnel''. — Guj. ''karnel''. — Hindi ''karnel''. — Hindust. ''karnail''. — Beng. ''karnel''. — Sing. ''kôrnel''. — Tul. ''karnélu''. — Mal. ''karnel''. — Bug. ''kornéli''. — Tet., Gal. ''koronel''.
Pode ser que em algumas das línguas indianas o termo tenha entrado pelo inglês, e no malaio pelo holandês.
== Notas ==
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Anacastrosalgado
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Reposição da continuação de Copra e revisão da página 62
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CORJA CORONEL|{{sc|62}}}}</noinclude>indo-português é o malayál. ''koppara'', do hindust. ''khopra'', sânsc. ''kharpara''<ref>«Desque elles (coquos) despedem a casca, ficão secos em pedaços e chamão-lhes '''copra'''». Garcia da Orta, Col. XVI.
«Este miolo de coco depois de secco e avellado, se chama '''copra'''». Fr. João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 294.
«O seu pão são cocos secos ao sol, a que na India communmente chamão '''copra'''». Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 8.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477647|Côr.]]''' Conc. ''kôr''. Term. vern. ''rang''. — Tet. ''kôr''<ref>«Não se emprega esta palavra ''côr'', mas só a qualidade d'ella, como: côr branca, ''mútin'', e não ''côr mútin'', etc.». P. Aparício da Silva.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448008|Coração.]]''' Conc. ''kurāsámv'', jóia do feitio de coração. — Mal. ''korsang'', ''krusang'', ''krungsang'', «sorte d'épingle ou brochette en or servant à fermer l'habillement des femmes par devant». P. Favre. — Jav. ''korsañ''.
'''[[:d:Lexeme:L447397|Corda.]]''' Conc. ''kórd'' (— de instrumentos músicos). — Malayál. ''karaḍa''.
'''[[:d:Lexeme:|Cordame.]]''' L.-Hindust. ''kúrdamí''.
'''[[:d:Lexeme:|Cordão.]]''' Conc. ''kordámv''. — Hindust. ''kardhaní''. — L.-Hindust. ''kurdam''. — Tam. ''kordan''. — Malayál. ''koḍudam''.
'''[[:d:Lexeme:|Corja]]''' («vintena»). Conc. ''kórj''. Malayál. ''kórja'', ''kórchchu''. — Tul. ''kórji''. — Indo-ingl. ''corge'', ''coorge''. — Indo-franc. ''corge'', ''courge''<ref>«Estas sortes de panos prendem eles por '''corjas''', que antre eles he hũu conto de uinte, como qua dizemos duzia». Duarte Barbosa, p. 283.
«A '''corja''' de quotonyas vall cento e corenta ''tangas''». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 49.
«Chamamos rubins de '''corja''', que he tanto dizer como comprados 20 a vinte». Garcia da Orta, Col. XLIV.</ref>.
Parece que o étimo é o neo-árico ''koḍí''. Wilson (''A Glossary of Judicial and Revenue Terms'') indica o tel. ''khorjam'', que Yule & Burnell presumem ser corrução do termo comercial.
'''[[:d:Lexeme:|Cornaca.]]''' Indo-ingl., Indo-franc. ''cornac''.
Provávelmente do sing. ''kúravannáyaka'', «maioral da manada de elefantes»<ref>«A molher de vm '''Cornaca''' (que são os que gouernam os alifantes)». Diogo do Couto, Déc. V, VII, 11.
«Os '''cornacas''' são os que domão, e servem de aios aos elefantes». João Ribeiro, ''Fatalidade Histórica da Ilha de Ceilão'', liv. I, cap. 10.
«Estes animaes andão no mato em bandos, e sempre nelles ha hum de maior corpo e respeito que os outros, ao qual chamão ''guarda-bando''». ''Id''., I, cap. 17.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Côro.]]''' Conc. ''kôr''. — Tet. ''kôru''.
'''[[:d:Lexeme:L558182|Coroa.]]''' Conc. ''kurôv''. Term. vern. ''mukuṭ'', ''táz''. — Tet., Gal. ''korôa''.
Em concani designa tambêm a «tonsura clerical», a que o vulgo chama igualmente ''pharád'' (fem.), do port. ''frade''.
'''[[:d:Lexeme:L620499|Coronel.]]''' Conc. ''kornél''. — Mar. ''karnel''. — Guj. ''karnel''. — Hindi ''karnel''. — Hindust. ''karnail''. — Beng. ''karnel''. — Sing. ''kôrnel''. — Tul. ''karnélu''. — Mal. ''karnel''. — Bug. ''kornéli''. — Tet., Gal. ''koronel''.
Pode ser que em algumas das línguas indianas o termo tenha entrado pelo inglês, e no malaio pelo holandês.
== Notas ==
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Anacastrosalgado
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Ajuste da fronteira física 159–160, mantendo a página revista
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«Este miolo de coco depois de secco e avellado, se chama '''copra'''». Fr. João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 294.
«O seu pão são cocos secos ao sol, a que na India communmente chamão '''copra'''». Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 8.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477647|Côr.]]''' Conc. ''kôr''. Term. vern. ''rang''. — Tet. ''kôr''<ref>«Não se emprega esta palavra ''côr'', mas só a qualidade d'ella, como: côr branca, ''mútin'', e não ''côr mútin'', etc.». P. Aparício da Silva.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448008|Coração.]]''' Conc. ''kurāsámv'', jóia do feitio de coração. — Mal. ''korsang'', ''krusang'', ''krungsang'', «sorte d'épingle ou brochette en or servant à fermer l'habillement des femmes par devant». P. Favre. — Jav. ''korsañ''.
'''[[:d:Lexeme:L447397|Corda.]]''' Conc. ''kórd'' (— de instrumentos músicos). — Malayál. ''karaḍa''.
'''[[:d:Lexeme:|Cordame.]]''' L.-Hindust. ''kúrdamí''.
'''[[:d:Lexeme:|Cordão.]]''' Conc. ''kordámv''. — Hindust. ''kardhaní''. — L.-Hindust. ''kurdam''. — Tam. ''kordan''. — Malayál. ''koḍudam''.
'''[[:d:Lexeme:|Corja]]''' («vintena»). Conc. ''kórj''. Malayál. ''kórja'', ''kórchchu''. — Tul. ''kórji''. — Indo-ingl. ''corge'', ''coorge''. — Indo-franc. ''corge'', ''courge''<ref>«Estas sortes de panos prendem eles por '''corjas''', que antre eles he hũu conto de uinte, como qua dizemos duzia». Duarte Barbosa, p. 283.
«A '''corja''' de quotonyas vall cento e corenta ''tangas''». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 49.
«Chamamos rubins de '''corja''', que he tanto dizer como comprados 20 a vinte». Garcia da Orta, Col. XLIV.</ref>.
Parece que o étimo é o neo-árico ''koḍí''. Wilson (''A Glossary of Judicial and Revenue Terms'') indica o tel. ''khorjam'', que Yule & Burnell presumem ser corrução do termo comercial.
'''[[:d:Lexeme:|Cornaca.]]''' Indo-ingl., Indo-franc. ''cornac''.
Provávelmente do sing. ''kúravannáyaka'', «maioral da manada de elefantes»<ref>«A molher de vm '''Cornaca''' (que são os que gouernam os alifantes)». Diogo do Couto, Déc. V, VII, 11.
«Os '''cornacas''' são os que domão, e servem de aios aos elefantes». João Ribeiro, ''Fatalidade Histórica da Ilha de Ceilão'', liv. I, cap. 10.
«Estes animaes andão no mato em bandos, e sempre nelles ha hum de maior corpo e respeito que os outros, ao qual chamão ''guarda-bando''». ''Id''., I, cap. 17.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Côro.]]''' Conc. ''kôr''. — Tet. ''kôru''.
'''[[:d:Lexeme:L558182|Coroa.]]''' Conc. ''kurôv''. Term. vern. ''mukuṭ'', ''táz''. — Tet., Gal. ''korôa''.
Em concani designa tambêm a «tonsura clerical», a que o vulgo chama igualmente ''pharád'' (fem.), do port. ''frade''.
'''[[:d:Lexeme:L620499|Coronel.]]''' Conc. ''kornél''. — Mar. ''karnel''. — Guj. ''karnel''. — Hindi ''karnel''. — Hindust. ''karnail''. — Beng. ''karnel''. — Sing. ''kôrnel''. — Tul. ''karnélu''. — Mal. ''karnel''. — Bug. ''kornéli''. — Tet., Gal. ''koronel''.
Pode ser que em algumas das línguas indianas o termo tenha entrado pelo inglês, e no malaio pelo holandês.
== Notas ==
<references />'''[[:d:Lexeme:L620499|Coronel.]]''' Conc. ''kornél''. — Mar. ''karnel''. — Guj. ''karnel''. — Hindi ''karnel''. — Hindust. ''karnail''. — Beng.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/160
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 63 do vocabulário
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|63}}|COSTA COTÃO|}}</noinclude>''karnel''. — Sing. ''kôrnel''. — Tul. ''karnélu''. — Mal. ''karnel''. — Bug. ''koronéli''. — Tet., Gal. ''koronel''.
Pode ser que em algumas das línguas indianas o termo tenha entrado pelo inglês, e no malaio pelo holandês.
'''[[:d:Lexeme:|Corpinho]]''' («veste»). Mal. ''kurpinyu''.
'''[[:d:Lexeme:|Corredor.]]''' Conc. ''kurredór''. — ? Mal. ''koridor'', sacada, varanda.
Em malaio é provável que o vocábulo seja de origem holandesa ou inglesa.
'''[[:d:Lexeme:L662370|Corrente]]''' (subst.). Conc. ''kurrênt'', grilhão. Term. vern. ''sarpaḷí''. — Tet. ''korrénti'', grilheta. Term. vern. ''bési''.
'''[[:d:Lexeme:|Cortesia.]]''' Conc. ''kortési'', mesura. — Tet. ''kortezia''. Term. vern. ''úkur'', ''kuát''.
'''[[:d:Lexeme:L447779|Cortina.]]''' Conc. ''kurtín''. Term. vern. ''paḍḍó''. — Guj. ''kurtaní''. — Tet., Gal. ''kortina''.
'''[[:d:Lexeme:L447779|Corveta.]]''' Conc. ''kurvêt''. — Tet. ''kurveta''.
'''[[:d:Lexeme:L447779|Costa.]]''' Mal. ''kósta'', Costa de Choromândel. ''Sagu sa-Costa'', sagu da Costa (Haex). ''Saputangang kosta'', ou ''supo etangang kosta'', lenço da Costa («lénsu di costa», no crioulo). — Sund. ''kósta''. ''Kain kosta'' ou simplesmente ''kosta'', variedade de fazenda estampada ''Chav kosta'' (lit. «banana da Costa»), espécie de banana<ref>«Aquy (em Malaca) uivem jágora todo ho genero de grosos mercadores mouros e gentios, muytos de Choromandel». Duarte Barbosa, p. 371.</ref>.
Em indo-inglês a palavra ''Coast'' tambêm tinha a mesma significação restrita<ref>«Grande foy o alvoroço e alegria em toda a '''Costa''' com a chegada do seu grande, e santo padre Francisco». Lucena, liv. V, cap. 23.
«Da instrucçam, e regimento, que deu na '''Costa''' aos padres». ''Id''., cap. 25.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Costado]]''' (do navio). L.-Hindust. ''kustád''.
'''[[:d:Lexeme:|Costume.]]''' Conc. ''kustum'' (p. us.). Term. vern. ''sanvay'', ''váz'', ''tsál''. — Mal. ''costume'' (Haex). Term. vern. ''ádat'', ''resam''. — Tet. ''kostúmi''.
'''[[:d:Lexeme:|Costura]]''' (naut.). L.-Hindust. ''kasturá''.
'''[[:d:Lexeme:|Cotão.]]''' Conc. ''kutámv'', túnica, roupão; corpete de damas<ref>«Especie de baniana [camisola] ou '''cutão''' justa ao corpo». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas''.
«Francisco Barreto hia em hum cavallo dos que escaparam da peçonha em Sena, sempre armado em hum '''cottão''' grosso de malha». P. Monclaio (1569), in ''Bol.'' S. G. L., 2.ª sér., p. 550.
«'''Cutão''' ou Jaqueta azul ferrete com canhões escarlates» (parte do uniforme militar em Goa, 1828). ''Bosquejo das Possessões Portuguezas'', I, p. 81.</ref>. — Sing. ''kottama'', jaqueta. — Tam. ''kuttán'', camisola. — ? Mal., Mak., Bug. ''kútang'', justilho, camisola. — ? Sund. ''kutang'', ''kutung''. — ? Jav. ''kotang''.
Não é bem clara a origem desta palavra nas línguas asiáticas. Pode ser o port. ''cotão'', no sentido de
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||COTÃO COTÃO|{{sc|64}}}}</noinclude>«vestido de cote, o que se traz todos os dias» (Morais), ou como augmentativo de ''cota'', «cotão de grossa malha» (''Segundo Cerco de Diu'', citado por Morais). Mas tambêm é possível, se não provável, que o étimo seja o mal. ''kútong'', que igualmente se usa no crioulo malaio, levado para a Índia pelos portugueses, junto com ''baju'', outra peça do trajo malaio, trazida por cima do ''kútong''. E ajustaria melhor aos significados indianos, à excepção do primeiro em concani («roupão»), que parece prender-se ao augmentativo ''cotão''.
Note-se porêm que ''kútong'', por seu turno, se pode filiar no persa ''khaftán'', «camisola», já que o Padre Favre supõe que tambêm ''báju'' tem a mesma procedência, sem embargo da diferença dos significados: «''bazu'', nom d'un vêtement pour se bagner et qui s'attache à la ceinture». Há outro vocábulo em persa, ''kattán'' ou ''kuttán'', que significa «fazenda de linho». Segundo Shakespeare, ''qaftán'', em turco, é «veste de honra».
Quanto a ''baju'', o vocábulo pertence ao léxico português. O Sr. Cândido de Figueiredo regista-o como termo de Miranda, e o ''Dicc. Contemp.'' diz que «se chama assim, na provincia do Minho, ás roupinhas usadas pelas mulheres».
João de Sousa deriva ''baju'' do ár. ''badjú'' e define-o «certa especie de roupão que as mulheres muito usavão, e de que algumas ainda usão nas nossas Províncias, aonde lhe dão este nome»; e abona-o com Damião de Góis: «ElRey de Calicut estava vestido com um Baju branco de seda e ouro, sentado em um Catel»<ref>«El Rei... tinha vestido hum '''Baju''' (que he quomo roupeta curta) de pano dalgodão muito fino, com muitos botões douro e perlas, na cabeça huma carapuça de veludo guarnecida de pedraria, e chaparia douro, ho qual trajo he o ordinario de todollos Reis do Malabar, porque nenhuma pessoa traz ho '''baju''', e carapuça se não elles». I, cap. 41.</ref>. Morais, que lhe atribui a mesma origem, diz que é «um vestido, que cobre o corpo, de mangas curtas e fralda até o joelho: na Asia trazem-no homens e mulheres; no Brasil, só estas, e algumas aí lhe chamão bajó». Vieira regista ambas as formas, ''bajó'' e ''bajú'', define-as «vestido asiatico á maneira de jaqueta», abona-as com Castanheda<ref>«Tinha (elrei de Ceilão) vestido um ''bajo'' [não ''bajó''] de seda, que he uma vestidura de feição de jaqueta çarçada».
«Elles (os reis das ilhas de Maluco)... se vestem ao modo malaio e os '''bajús''' são de seda rica com botões d'ouro».</ref>, e observa que o termo é «usado nos Cantos populares do Archipelago Açoriano». Bluteau tem ''baju'' por «palavra da India», e dá-lhe o significado de «camisa de meio corpo».
O autor da ''Chronica dos Reis de Bisnaga'' dá a forma ''bajuris'' e nota «que são como camisas e a
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 65 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|65}}|COTÃO COUVE|}}</noinclude>fralda». No português de Goa emprega-se o termo especialmente na frase ''pano-baju'', designativa de certa espécie de trajo das mulheres, em distinção de ''pano paló'', outro trajo, puramente indígena<ref>«Nos trajos das mulheres christãs do Damão e Diu se encontra a palavra, e até em Goa, com a forma ''saráss'', designando, salvo erro, o ''pano-baju'' das bramanes salsêtanas christãs». Alberto de Castro, p. 172.</ref>.
De entre as línguas indianas só o concani conhece o vocábulo (''bāzú''), e emprega-o no sentido malaio. As mulheres singalesas trazem o ''baju'', a que chamam ''báchchiya''<ref>«Tambem trazem ''bajú'' e pano até a ponta do pé por modo muito grave e honesto.» João Ribeiro, liv. I, cap. XVI.</ref>.
Os dicionários de árabe e de persa que consultei não registam ''badju'' ou ''bazu'' com o significado de «roupão» ou cousa semelhante, nem os arabistas a que recorri puderam esclarecer-me acêrca do assunto. Mas H. N. van der Tuuk opina que o persa ''bāju'', «braço» (sânsc. ''bāhu'') é o étimo do vocábulo, por isso que origináriamente ''bājū'' não era outra cousa senão «''een kleedingstuk met armen'', uma peça de vestido com braços», mangas! Yule & Burnell teem por certo que o étimo do indo-ingl. ''badjoe'' ou ''bajoo'', «jaqueta malaia», é o mal. ''bājū''; e os autores que citam parece que o confirmam<ref>«Over this they wear the '''badjoo''', which resembles a morning gown, open at the neck, but fastened close at the wrist, and half-way up the arm». Marsden. «They wear above it a short-sleeved jacket, the ''baju'', beautifully made, and often very tastefully decorated in fine needle-work». Bird.</ref>. O termo encontra-se nos principais idiomas da Insulíndia, como javanês, batak, dayak, makassarês, búgui.
'''[[:d:Lexeme:|Cotonia.]]''' Conc., Mar. ''kutní'', pano listrado de seda e algodão. — Indo-ingl. ''cuttanee''<ref>«Das toldas das fustas, e algumas velas e '''cotonias''' que comprarão fizerão tendas e emparos». Gaspar Correia, III, p. 617. Vid. ''corja''.
«'''Cotonias''' dalgodam, toadas dalgodam, roupa baixa doutras sortes». A. de Albuquerque, ''Cartas'', t. I, p. 224.
«Com calções de '''cotonia''' a mea perna, saya de malha, e montante nas mãos». Diogo do Couto, Déc. VII, II, 11.
«'''Cotoni''' de soye... '''Cotoni''' de soye et or, et de soye et argent». Tavernier, ''Voyages'', V, p. 202.</ref>.
O étimo é o ár. ''quṭnía''; mas Yule & Burnell sugerem dubitativamente o pers. ''kuttán''.
'''[[:d:Lexeme:|Couve.]]''' Conc. ''kôb''. — Mar. ''kôb'', ''kobí'', ''koí''. Term. vern. ''karam''. — Guj. ''kobí''; ''kobíj'' (= couves). — Hindi ''kobí'', ''gobí'', ''gobhí''. Term. vern. ''karamukallá''. — Hindust. ''kobí''. — Or. ''kobi''. — Beng. ''kobi'', ''kobixák'', ''kopixák'' (''xâk'' = hortaliça). — Sing. ''kóvi''. Term. vern. ''sudumul'', ''góva'', ''gova-geḍiya'' (lit. «fruto de Goa»). — Tam. ''kóvi''. — Malayál. ''góvi'', ''goviṇṇu''. Can. ''kōbísu''. — Tul. ''góbi''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 47 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CATANAR CATÓLICO|{{sc|47}}}}</noinclude>toda a Índia. Em Goa porêm ''castor'' quer dizer, ainda hoje, «chapéu alto de seda preta».
'''Catana.''' Tet., Gal. ''katána''. — * Jap. ''katana''.
O Sr. Wenceslau Morais (''Dai-Nippon'') dá ''catana'' como palavra portuguesa, introduzida no japonês. O Sr. Cândido de Figueiredo hesita entre a origem japonesa e italiana. Bluteau, Morais, e o Dr. Adolfo Coelho registam a origem japonesa, e o Sr. Gonçalves Viana (''Apostilas'') diz que não há nisto dúvida<ref>«Armeiros nam os ha melhores no descoberto, que assi cortam pelo nosso ferro as suas '''catanas''', como per lenho brando». Lucena, liv. VII, cap. 6.
«Manuel Rodrigues... levou uma '''catana''' que trazia e deu de repente no capitão com elle uma grande '''catanada'''». A. Bocarro, Déc. XIII, p. 361.
«'''Catanas''', rodelas e outras armas pequenas sem conta» (em Tonquim). A. F. Cardim, ''Batalhas da Companhia de Jesus'', p. 217.</ref>.
No português de Goa, ''catana'' emprega-se como correspondente ao concani ''koytó'', «grande faca de cozinha, faca do mato».
'''Catanar, caçanar''' («sacerdote dos cristãos de S. Tomé»). Indo-ingl. ''cattanar'', ''cassanar''.
É do malayál. ''kattanár'', derivado do sânsc. ''kartṛ''. O termo não é registado pelos lexicógrafos portugueses<ref>«Chamão os Christãos de Sam Thome '''Caçanares''' os seus sacerdotes». António de Gouveia, ''Jornada do Arcebispo de Goa'', 1606, p. 28.
«Com todos seus sacerdotes (a que elles chamão '''Cassanares''')». Diogo do Couto, Déc. VII, VIII, 2.
«E por providencia do nosso senhor, porque foi o mesmo caminho, que levou a '''Cacenar''', que mandou o senhor bispo o anno passado... Onde achei o mesmo Chatim, que fora com o '''Cacenar'''» (1603). In ''O Chronista de Tissuary'', III, p. 186.</ref>.
'''Catarro.''' Tet., Gal., Jap. ''katúru''.
Pode ser que o vocábulo japonês não tenha provindo imediatamente do português, mas seja de introdução moderna, como tantos outros.
'''? Catavento.''' L.-Hindust. ''kátvāí''.
'''Cate, cato, cáchu''' («extracto de várias acácias»). Indo-ingl. ''catechu'', ''cutch'', ''caut''. — Indo-franc. ''caoutchouk''.
''Cate'' é do marata-concani ''kát'', sânsc. ''kvatha'' ou ''kvātha''. ''Cáchu'' é forma dravídica<ref>«'''Cate''', que aquy (Ormuz) chamão '''cacho'''». António Nunes, ''Livro dos Pesos'', p. 22. Vid. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.</ref>.
'''Catecismo''' (ant. ''catequismo''). Conc. ''kātesízm'', ''katekízm''. — Beng. ''kātekisma''. — Sing. ''katekísmaya''<ref>«Á conta do irmam ficar ajudar na doutrina, no '''catecismo''' e conuersam dos infieis». Lucena, liv. VI, cap. 3.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L642326|Católico.]]''' Conc. ''kātólk''. — Mar., Guj. ''katholik''. — Hindi, Beng. ''kathólika''. — Sing., Mal. ''katólika''. — Tam., Malayál. ''katólik''. — Tel. ''kathóliku''. — Can., Tul. ''kathólika''. — Jap. ''katorikku''. — Ár. ''katholiki''.
É possível que em algumas das
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 66 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CRASSO CRAVO|{{sc|66}}}}</noinclude>— Gar. ''kóbi''. Term. vern. ''mesumasa''. — Tib. ''ko-pi''. Term. vern. ''pe-tshe''. ''Ko-pi metok'', couve-flor. — Khas. ''kubi''. — Mal. ''kóbis'', ''kúbis''. — Jav. ''koubis'', ''kúbis''. — Mad. ''kóbis''. — Tet., Gal. ''kóbi''.
O composto híbrido ''phúl-kobí'' ou ''phúl-gobí'' é o nome de couve-flor em quási todas as línguas indianas. Na Malásia usa-se mais ''kól'', do hol. ''kool''.
'''[[:d:Lexeme:|Cova.]]''' Mal. ''koba'' (termo de jôgo). — Mak. ''kova''.
'''[[:d:Lexeme:|Côvado.]]''' Conc. ''kôbd''. — Indo-ingl. ''covid'' (obsol.). — Tet., Gal. ''kóvadu''.
O termo estava outrora muito vulgarizado no comércio da Índia. Tavernier (1676) refere-se-lhe freqüentemente, e toma-o por vernáculo. «''Bofetas''... sont de 21 '''Cobits''', étant crûs, et étant lavé, de 20 '''Cobits'''. (V, p. 200).
'''[[:d:Lexeme:|Cozido]]''' (subst.). Conc. ''kuzíd''. — Tam. ''kujíd''.
'''[[:d:Lexeme:L1416815|Cozinha.]]''' Conc. ''kuzín''. — Sing. ''kŭssiya''. — Tam. ''kusini''. ''Kusinikáran'', cozinheiro. — Tel. ''kusinikára'', ''kusini-vádu'', cozinheiro. — Can. ''kuxini''. — Tul. ''kusinu'', ''kusini'', ''kusni''. ''Kusnida'', culinário. — Malg. ''kozina''.
* '''[[:d:Lexeme:|Crasso.]]''' Mal., Sund., Jav. ''kras'', ''keras'' (adj. e adv.), forte, vigoroso; fortemente, enérgicamente. Haex e Swettenham tambêm registam a fórma ''dras''.
O Dr. Heyligers admite a procedência portuguesa; mas parece-me que não tem fundamento. ''Crasso'' é termo erudito. Vid. ''grosso''.
'''[[:d:Lexeme:|? Cravado.]]''' Tam., Malayál. ''karuváḍu'', peixe salgado.
A derivação, sugerida por Gundert, é improvável por motivo do significado. ''Karavala'' é «peixe sêco» em singalês, e Percival diz que o tam. «''karuvāttivāli'' é nome duma ave cuja cauda é como a de peixe, — ''Corvus Balicassius''».
<sup>1</sup>'''[[:d:Lexeme:L448671|Cravo]]''' (''Caryophyllus aromaticus''). Beng. ''karábu''. — Sing. ''krábu'', ''karábu''. Term. vern. ''lamange'' (sânsc. ''lavaṅga''), ''dēxakusuma'' (sânsc., lit. «flor de Deus»). ''Krábu-gaha'', craveiro. — Tam. ''karámbu'', ''kirámbu''. Term. vern. ''lavangam'', ''ilavangam''. — Malayál. ''karámbu'', ''karayábu'', ''karappa''. — Siam. ''kravhn'' cardamomo.
Gundert diz que ''karappa'' vem do ár. ''qarfah''. Mas ''qarfah'' significa «casca, canela», e ''qaranful'', dado por Belot como vernáculo, é o nome de cravo, como o é em persa, alêm de ''mēkheh'' ou ''mekheh'', «prego pequeno». Shakespear, no seu dicionário hindustani, deriva ''qaranful'' ou ''qaranphúl'' do grego ''karyóphyllon'', que lit. quer dizer «folha de nogueira». «Os vossos Gregos, diz Garcia da Orta a Ruano (Col. XXV), nam falaram neste ''gariofilo''».
É curioso que só o concani tem, que eu saiba, afora de ''lavang'', ''kālāphúl'' ou ''kālāphúr'', que talvez seja corrução de ''qaranful'', se não é, antes, composto do sânsc. ''kāla'',<noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 67 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|67}}|CRISTÃO CRUZ|}}</noinclude>«preto», e ''phulla'', «flor». ''Kālāphúr'' é tambêm o nome de uma freguesia de Goa, que em português se chama ''Santa Cruz''<ref>«Mas Orta diz: «O Arabio, o Persio, o Turco, e a mór parte dos Indianos lhe chamam ''calafur''».
«Os medicos Bramanes o conhecem por ''Lauanga'', posto que tambem o nomeão, pelo nome dos mouros». Diogo do Couto, Déc. IV, VII, 9.</ref>.
<sup>2</sup>'''[[:d:Lexeme:L448671|Cravo]]''' («brinco de orelhas»). Conc. ''karáb''. — Sing. ''krábuva'', ''karábuva''. — Malayál. ''krábuva''. — Mal. ''krábu'', ''kerábu''. — Ach. ''kerábu''. — Sund. ''karābu'', ''kurābu''. ''Karábu-ros'' (lit. «cravo-rosa»), «arrecada de muitos ornatos» (Rigg). — Mak., Bug., Tet. ''karábu''<ref>«As orelhas são ornadas com tres pares de '''cravos'''». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Crescer.]]''' Mal. ''crescer'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L494116|Criado.]]''' Conc. ''kryád'' (criado, criada). Term. vern. ''tsākar'', ''rāraylalo''; ''rāvaylalém''. — Tet., Gal. ''kriádu''. Term. vern. ''áta máne'', ''klósan''.
'''[[:d:Lexeme:L558248|Criar]]''' («educar»). Mal. ''crear'' (Haex). — Gal. ''kriar''.
'''[[:d:Lexeme:|Crisma.]]''' Conc. ''krízm''. — Beng. ''krisma''. — Tam. ''krismei''. — Tel. ''krismu''. — Tet., Gal. ''krisma''. — Jap. ''kirismo''.
'''[[:d:Lexeme:L448177|Cristão.]]''' Conc. ''kristámv''. — Beng. ''kristáñ''. — Tam. ''kiristavan''. — Malayál. ''kiristānmár''. — Tel. ''kristan-nú'', ''kirastuvánu''. — Can. ''kiristánu''. — Camb. ''kristăng''. — Siam. ''khrĭstăng''. — Jap. ''kirishtan'', ''kirishitan''.
Outras línguas indianas teem ''kristi'', derivado de «Cristo», ou ''kristiyan'', do inglês. As malaio-polinésias teem ''nasaráni'' ou ''saráni'', de «nazareno». É digno de nota que o cambojano conserva a forma portuguesa. O próprio singalês tem ''kristiyáni'', a despeito de ter sido Ceilão duas vezes cristianizada pelos portugueses.
'''[[:d:Lexeme:L448587|Crítica.]]''' Conc. ''kirít'', difamação. ''Kirít marunk'', difamar. — Malayál. ''krittikka'', criticar.
'''[[:d:Lexeme:L500660|Cruz.]]''' Conc. ''khurís''. ''Khurís kāḍhunk'' (lit. «tirar a cruz»), persignar-se). ''Khursár kāḍhunk'' (lit. «tirar sôbre a cruz»), atormentar, martirizar. ''Khursár zaḍunk'', pregar na cruz. ''Khursár mārunk'' (lit. «matar sôbre a cruz»), crucificar. ''Khurís karunk'' (lit. «fazer cruz»), assinar de cruz. Não há termo vernáculo equivalente. ''Tsavó'' significa «cruz de Santo André».
Mar. ''krús''. ''Krusāchí nixāṇi'', sinal da cruz, assinatura de cruz. ''Krusár chaḍhavném'', ''-deṇém'' (lit. «levantar, dar sôbre a cruz»), crucificar. ''Krusāverêl Khristāchi múrtti'' (lit. «a imagem de Cristo sôbre a cruz»), crucifixo.
Guj. ''krus'', ''krús''. ''Krúspar jaḍhavavum'', crucificar.
Hindi: ''krús''. ''Krús-'', ''krussa-'', ''krusiya pratimá'', crucifixo.
Hindust. ''krús''. Term. vern. ''salíb'' (do ár.).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 68 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CURAR CURRAL|{{sc|68}}}}</noinclude>Beng. ''krux''. ''Kruxākṛiti'', ''kruxākár'', cruciforme. ''Kruxe hata-kṛi'' (lit. «fazer morto sôbre a cruz»), crucificar.
Sing. ''kurŭsiya'', ''kurẹsiya''. ''Kurẹsi surẹvama'', crucifixo. ''Kurẹsi ākára'', cruciforme. ''Kurẹsiyé ẹngasa-navá'', crucificar.
Tam. ''kurus''. Term. vern. ''siluvei''. ''Kurusadi'', cruz grande no extremo ou no meio do adro, cruzeiro.
Malayál. ''krúxu'', ''kurixa''. ''Krúxil tarekka'', ''kruxikka'', crucificar. ''Kruxāróhaṇaní'', crucifixão.
Can. ''krúji''. — Tul. ''krussu'', ''kursu'', ''krúji''. — Camb. ''crus'', ''chhú crus''. ''Chhu'' é «madeira». — Tet., Gal. ''kruz''. — Jap. ''kurusu'', ''kurosu''.
'''[[:d:Lexeme:|Cuidado.]]''' Conc. ''kuidád'' (us. em Goa entre os cristãos). — Mal. ''cuidado'', ''cudado'' (Haex). — Tet. ''kuidádu''. Term. vern. ''aládi-diak''.
'''[[:d:Lexeme:L1119437|Cuidar.]]''' Mal. ''cudir'' («''cordi habere'', ''curae esse''». Haex). De ''acudir''? — Tet. ''kúida''. Term. vern. ''hanôin''.
'''[[:d:Lexeme:|Cunha.]]''' Conc. ''kunh'', ''kunj''. Term. vern. ''pátsavém'', ''koyadám''. — Hindust. ''kuñya'', ''kuñiyáñ'', ''koniyá''. Vid. ''bolina''. — Sing. ''kuññaya'', ''kuññeva'', ''kuññe''. — Gal. ''kunha''. — Pers. ''kuhnah'', bucha.
'''[[:d:Lexeme:|Cunhada.]]''' Beng. ''koindó''. — Mal. ''cuniada'' (Haex). Term. vern. ''ipar parampuan''.
'''[[:d:Lexeme:L307425|Cunhado.]]''' Conc. ''kunhád'' (marido da irmã; tratamento honorífico ao preto). — Beng. ''koindú''. — Mal. ''cuniado'' (Haex). Term. vern. ''ipar laki''.
'''[[:d:Lexeme:|Curar.]]''' Conc. ''kurár-karunk''. — Malayál. ''kura'', cortir coiro. — Mal. ''curar'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Curral.]]''' Indo-ingl. ''corral'' (us. em Ceilão), recinto para apanhar elefantes bravos. — ? Camb. ''crol''. Pode ser termo vernáculo.
A palavra ''curral'' não aparece nos dicionários de singalês ou de tamul, nem está actualmente em uso, segundo me informam, nem sei se voga no indo-português com êste significado. Devia porêm estar vulgarizada na ilha no tempo do domínio dos holandeses, que a levaram para a África, em forma de ''kral'', «bairro ou aldeia indígena». Vid. Webster, s. v. ''kraal''.
Diz o Conde de Ficalho (Col. XXI): «Parece que a introducção ou a generalisação ali (em Ceilão) d'este methodo de caçar é devida aos portugueses; e o recinto chamado na India ''keddah'', recebe ali o nome de ''korahl'' ou ''corral'', que é evidentemente a palavra portuguesa curral». Mas o método era conhecido e praticado antes do século XVI, conforme o testemunho de Tomé Lopes, que embarcou para a Índia em 1502: «Tem (Cilão) bastantes elefantes selvagens, muito grandes, os quaes domestição fazendo hum grande tapume de estacada forte, com huma ponte levadiça entre duas arvores, dentro da qual põem hum elefante femea domesticado». ''Navegação ás Indias Orientaes'', na col. de Ramúsio, tradução da Academia, cap. XIX.<noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 69 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|69}}|DADO DEDAL|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Curva]]''' (nautico). L.-Hindust. ''karvá''.
'''[[:d:Lexeme:|Cuspidor]]''' (ant. por «cuspideira»). Conc. ''kuspidôr''. Term. vern. ''thukpáṭ'', ''pikdāṇí''. — Indo-ingl. ''cuspadoré'' (obsol.)<ref>«Estaua ali hum '''cospidor''' d'ouro». Castanheda, I, cap. 17.</ref>.
Usado na mesma acepção pelos crioulos indianos.
'''[[:d:Lexeme:|Custar.]]''' Conc. ''kustár-zāvunk'', valer; ser difícil. Term. vern. ''lágunk'', ''paḍunk''; ''puró zāvunk''. — Mar. ''kust hoṇém'', ficar maguado. — Tet. ''kústa'' (tambêm «custoso»). Term. vern. ''tós''.
Molesworth não indica a origem da frase marata. Em concani ''kustár'', simplesmente, significa «à custa de».
{{center|{{larger|D}}}}
'''[[:d:Lexeme:L447213|Dado]]''' («peça de jôgo»). Conc. ''dád''. Term. vern. ''phāsó''. — Sing. ''dáduva''. ''Dádu hinkaradíma'', rifa. — ? Siam. ''tau''. Term. vern. ''pō'', ''săká''. — Mal. ''dádu'', ''dadu''. ''Dadu-dádu'', balas de canhão. — Ach., Batt. ''dádu''. — Sund. ''dádu''. ''Mata dádu'', padrão axadrezado. — Jav. ''dadu'', ''ḍaḍu''. ''Adadu'', jogar com dados. ''Andadu'', semelhante ao dado. — Mak., Bug. ''dádu''. Vid. ''jôgo''.
Fonéticamente, ''dado'' pode dar ''tau'' em siamês. ''D'' inicial troca-se por ''t''. Cf. ''tipya'' = sânsc. ''divya'', ''tavipa'' = sânsc. ''dvípa'', ''tasa'' = pali ''dasa''. Pode cair fácilmente o ''d'' para se formar monossílabo. Cf. ''mít'' = ingl. ''mister'', ''Rut'' = Rússia, ''Phrĭk'' = África, ''khrūt'' = sânsc. ''garuḍa''.
'''[[:d:Lexeme:L499943|Dama]]''' («jôgo de damas»). Conc. ''dám''. — Mal. ''dam''.
'''[[:d:Lexeme:|Damasco.]]''' Conc. ''damásk''. — Mar. ''dhumás''. — Guj. ''dhumás'', ''ḍumás''. — Beng. ''damás''. — Tam., Can. ''damásu''. — Tul. ''damása''<ref>«Muy boa seda, de que fazem muyta cantidade de panos de '''damasquo''' de cores». Duarte Barbosa, p. 382.
«Com seis telizes de '''Damascos''' de cores». Diogo do Couto, Déc. VII, III, 1.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L501704|Dança.]]''' Conc. ''dáms'' (mais us. ''náts''). — Mal. ''dánsa'', ''dánsu''. ''Dánsah'', dançar.
'''[[:d:Lexeme:L500978|Decreto.]]''' Conc. ''dekrét''. Term. vern. ''xásan'', ''hukum'', ''pharmaṇ''. — Tet. ''dekretu''.
'''[[:d:Lexeme:|Dedal.]]''' Conc. ''didál''. — Sing. ''didálaya'', ''didále''. — Malayál. ''titaḷ''. Tambêm ''thimbaḷa'', ''tumbala'', do ingl. ''thimble''. — Mal. ''didal'', ''lidal'', ''bídal'', ''deidál''. — Sund. ''bidal''. — Tet., Gal. ''dedál''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 48 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|48}}|CATUR CAVALO|}}</noinclude>línguas tenha havido influência ou procedência inglesa.
'''Catur''' («pequena e ligeira embarcação indiana»). Indo-ingl. e ingl. ''cutter''<ref>«Daly a dias tornando-se pera cochim em hum ''paguer'' de mouros, tomaram a ele e a outro os '''catures''' de calecut». A. de Albuquerque, ''Cartas'', I, p. 29.
«E doze mil reis do '''catur''', ou fusta». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 246.
«Porque se meteu em um '''catur''' com um só pagem, querendo nisto tirar a cobiça, que elrei teria dos alabardeiros». Lopo de Sousa Coutinho, ''Hist. do Cerco de Diu'', p. 70.
«Despediu um '''catur''' muito ligeiro com cartas a Christovão de Sousa». Diogo do Couto, Déc. IV, I, 2.</ref>.
É incerta a origem do vocábulo. Yule diz que o não pôde filiar em nenhum idioma indiano. Burton, citado pelo mesmo, prende-o ao ár. ''katíreh'', «pequeno barco». Fr. João de Santo Antonio Moura deriva-o do persa ''kātūr'', «embarcação pequena armada em guerra». Mas não consta se realmente existem tais dicções em árabe e persa. Parece que o verdadeiro étimo deve ser o malayál. ''kattiri'' ou neo-árico ''kātar'', do sânsc. ''kartarī'', «tesoura»; literalmente «cortadeira», do verbo ''kṛt'', «cortar». O barco, que se distinguia pela sua forma estreita, especialmente na proa, e pela sua facilidade, notada pelos nossos escritores, em ''cortar'' as ondas, bem podia merecer a denominação de ''kātar'', que se emprega em vários sentidos metafóricos, como, em concani, nos de «asna, pirâmide, obelisco». A palavra era corrente no Malabar e no Concão quando os portugueses lá chegaram; e se hoje se não usa, é porque tais barcos não existem.
'''Cavala''' («peixe»). Indo-ingl. ''cavally'' (us. em Ceilão).
Gaspar Correia diz (I, p. 71): «Derão (em Calecut) muito peixe como sardinhas, a que chamauão '''cavalinhas'''». Chamavam os portugueses, não os malabares, como lhe chamam ''cavala'' em indo-português, pôsto que se pareça mais com a sarda<ref>«Estes Macúas pescadores [do Malabar] apanham entre outras grande quantidade de uma sorte de peixe pequeno, que não tem mais comprimento, e é da largura de um pequeno ''sargo'', a que os Portuguezes chamam peixe '''cavalla'''». Pyrard, ''Viagem'', II, p. 328. Vid. ''Hobson-Jobson''.</ref>.
'''* [[:d:Lexeme:L648256|Cavalo.]]''' Camb. ''capăl'', navio. ''Capăl chŏmbăng'', vaso de guerra. ''Capăl phlúng'', vapor. ''Capăl kdong'', embarcação de vela. — Siam. ''kăm-pãn''<ref>O ''l'' final pronuncia-se ''n'' em siamês. Vid. ''rial''.</ref>. — Mal., Ach., Batt. (tambêm ''hopal''), Sund., Jav., Mad., Bal., Day. ''kápal'', embarcação grande. ''Kápal-ápi'' (lit. «cavalo de fôgo»), vapor. Cf. Mar., Conc. ''ág-bôt''. — Mak. ''káppalā''. — Bug. ''kaválu'', cavalo (term. vern. ''titingang'', ''anha-rang''); ''káppalā'', embarcação.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||DEUS DIABO|{{sc|70}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L447936|Degrau.]]''' Conc. ''degráv'' (p. us.). Term. vern. ''pāunḍó'', ''sopaṇ''. — Tet. ''degrau''. Term. vern. ''héin''.
'''[[:d:Lexeme:|Desconfiar.]]''' Conc. ''diskomphyár-závunk'' (p. us.). Term. vern. ''dubhāvonk''. — Tet. ''deskonfía''. Term. vern. ''téan''.
'''[[:d:Lexeme:|Descontar.]]''' Conc. ''diskontár-karunk''. Term. vern. ''bád divunk''. — Tet. ''deskónta''. Term. vern. ''ha sái''.
'''[[:d:Lexeme:L477666|Desgraça.]]''' Conc. ''dizgrás''. Term. vern. ''nirbhág'', ''hál''. — Tet. ''desgrasa''. Term. vern. ''óti''.
'''[[:d:Lexeme:|Desmorecer]]''' (por «esmorecer»). Mal. ''desmorecer'' («animo deficere», Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Despacho.]]''' Conc. ''despách''. — Tet., Gal. ''despáchu''.
'''[[:d:Lexeme:|Despensa.]]''' Conc. ''dispens''. — Mal. ''dispén'', ''spens'', ''spen'', ''sepén''. — ''Túkan-sepén'', despenseiro. — Tet., Gal. ''despénsa''.
'''[[:d:Lexeme:L499930|Despesa.]]''' Conc. ''despêz''. Term. vern. ''kharts''. — Tet. ''despeza''.
'''[[:d:Lexeme:|Desprezar.]]''' Conc. ''desprezár-karunk''. Term. vern. ''beparvá karunk'', ''haḷuvāṭunk''. Tet. ''despréza''. Term. vern. ''heunai''.
'''[[:d:Lexeme:|Desterrar.]]''' Mal., Tet., Gal. ''destérra''.
'''[[:d:Lexeme:L447211|Deus.]]''' Beng. ''Devus''. Us. na locução ''Devus bons diyá'', ''Devus bons noiti''. — Mal. ''Deos''. ''Deos tuong'', querendo Deus, se Deus quiser (Haex). — Gal. ''ámu Deus''. ''Ámu'', port. «amo», está por «senhor». — Nic. ''Deuse''. ''Menlúana Deuse'', sacerdote, padre. — Pid.-Engl. ''Joss'', ''Josh'', Deus, ídolo. ''Joss-house'' (lit. «casa de Deus»), igreja. ''Joss-house-man'', padre. ''Joss-pidgin'' (lit. «negócio de Deus»), bonzo; ministro de Deus. — ''Joss-stick'' (lit. «pau de Deus»), pivete.
«E ante delles (mouros) não auia (em Maluco) conta do ano, peso ou medida, e viuião sem conhecimento de hum só Deos, ou noticia de algũa certa religião». João de Barros, Déc. III, V, 5.
«Antigamente os malaios, não tendo tido conhecimento de Deus, não lhe applicaram nenhum vocábulo. Mas no decurso do tempo, tendo recebido dos árabes a mourisma, tomaram juntamente a dicção ''Alla e alla te alla'', a saber, nas ilhas de Amboina, Molucas, etc. Quando os habitantes foram instruídos pelos portugueses na fé católica, adoptaram, por seu turno, o nome de Deus». Haex<ref>«A palavra ''dev'' ou ''deva'', usada em concani e outras línguas indianas, provêm directamente do sânsc. ''deva''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Devoção.]]''' Conc. ''devosámv'', ''devaspaṇ''. Term. vern. ''bhakti'', ''bhaktibháv''. — Tet., Gal. ''devosã''.
Em concani: ''devôt'' (adj.) devoto; ''devót'' (subst. n.), serenata religiosa, feita durante a quaresma; «devota», no português de Goa.
'''[[:d:Lexeme:L642148|Diabo.]]''' Conc. ''dyáb'' (p. us. e sómente fig. entre os cristãos). — Malayál. ''diyáb''. — ? Gar. ''diabol''. Talvez do italiano ''diavolo'', introduzido pelos missionários. — Tet. ''diábu''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 71 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|71}}|DOBRADO DOMINGO|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Diamante.]]''' Conc. ''dyamánt''. Term. vern. ''vajr'' (sânsc.). — Sing. ''diyamántiya''. Term. vern. ''vajraya'', ''vadura'' (forma ''elu''). — Tet., Gal. ''diamánti''. Term. vern. ''phátuk laka''.
'''[[:d:Lexeme:|Dicionário.]]''' Conc. ''disyonár''. Term. vern. ''kox'', ''xabdakox''. — Tet. ''disionári''.
'''[[:d:Lexeme:L630940|Dinheiro.]]''' Mal., Tet., Gal. ''diné''<ref>«''Dinár'' (Ach.), ''dínārā'' ou ''jíngara'' (Mak.), ''dinara'', ''jínara'', ''jingara'' (Bug.), «moeda de oiro», são do árabe-pers. ''dīnár'', que se prende ao lat. ''denarius''. ''Amarakoça'', dicionário sânscrito do 3.º século, regista ''dīnāra'' como sinónimo de ''nishka'', «moeda de oiro». Mas há ''dinares'' de pouco valor. «Dous fules valem hum ''dynare'', e doze ''dynares'' hũa tanga» (moedas de Lara no Golfo Pérsico). ''Lembranças das Cousas da Ymdia''. «The ''dīnār'' in modern Persia is a very small imaginary coin, of which 10,000 make a ''tomaum''». ''Hobson-Jobson''.</ref>.
«Laurou (Afonso de Albuquerque) duas sortes: a hũa chamou '''dinheiro''', e a outra que continha dez '''dinheiros''', chamou soldo, e a outra de dez soldos bastardos». João de Barros, Déc. II, VI, 6.
'''[[:d:Lexeme:|Dispensa.]]''' Conc. ''dispens''. Term. vern. ''māphí''. — Tet. ''dispensa''.
'''[[:d:Lexeme:L474583|Dobrado.]]''' Conc. ''dobrád''. Term. vern. ''dupêṭ''. — L.-Hindust. ''dubrál'', nó dobrado. — Tul. ''dubrálu'', ''dibrálu'' (subst.), espírito duas vezes destilado.
Em concani tambêm se diz ''tibrád saró'', aguardente três vezes destilada. Vid. ''tresdobrado''.
'''[[:d:Lexeme:|Dôbro.]]''' Conc. ''dôbr'' (p. us.). — Mak., Bug. ''dóbalō'', usado no jôgo de cartas.
'''[[:d:Lexeme:L449761|Doce]]''' (subst.). Conc. ''dôs''. — Sing. ''dôsi'' (tambêm «geleia, conserva»). — Tam. ''dósei'', bôlo de farinha de arroz. ''Dōseikkal'', frigideira. — Malayál. ''dôx''. — Can. ''dôse'', bôlo, filhó. — Tul. ''dôse'', bôlo de farinha de arroz. — Tet. ''dôsi''. Term. vern. ''mídel''.
'''[[:d:Lexeme:|Doirado]]''' (adj.). — Conc. ''daurád'' (p. us.). Term. vern. ''bhāngār kāḍhlaló''. — Bug. ''dorádu''.
'''[[:d:Lexeme:|Dom]]''' (título). Conc. ''dom''. — Sing. ''don''. — Tet., Gal. ''dom''<ref>«Os chefes do sul e oeste perpetuam com orgulho o honorífico título de '''dom''', que lhes foi concedido pelos primeiros conquistadores». Tennent, ''Ceylon''.
«Presentemente muitos indígenas têem '''Dom'''; quando é certo que no principio de instituição do governo só se dava esse titulo aos regulos por serviços prestados e como mercê honorifica, de que pagavam até direitos». José dos Santos Vaquinhas, ''Timor'', in ''Bol.'' S. G. L., 5.ª sér., p. 63.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L450523|Domingo.]]''' Mal. ''domingo'', ''dumingo'' (Haex), ''domingo'' (Castro), ''míngo'', ''míngu''. ''Hári mingo'' (lit. «dia domingo»), domingo. Term. vern. ''ahad'' (ár.), ''hári-ahad''. ''Sátu mingo'' (lit. «um domingo»), semana. Term. vern. ''sátu jema'at'' (ár.), ''tújoh hári'' (lit. «sete dias»). Sund., Mad. ''mingo'', semana. — Jav. ''míngu'' (mais us. ''ahad''). ''Mingon'' (adj.), relativo ao domingo, domingueiro. — Day.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 72 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||DONA DONA|{{sc|72}}}}</noinclude>''mingo'', ''mengo''<ref>Cae a primeira sílaba, para se tornar a palavra dissilábica, conforme a índole da família malaia.</ref>. — Jap. ''domingo'', ''domiigo''.
'''[[:d:Lexeme:|Dona.]]''' Sing. ''nónā'', dama, mulher europeia. — Mal. ''nóma'', ''nónya'', ''nyonya'', ''noña'' (= ''nonha''), ''ñóña'' (= ''nhonha''), dama de origem europeia ou chinesa, ou mulher casada com europeu ou chinês. — Ach. ''nona'', filha de europeu e chinesa; donzela. ''Ñoña'', mulher de europeu ou chinês; dama. — Sund. ''nóna'', donzela; ''núnya'', dama europeia ou chinesa. — Jav. ''ñóña''. — Day. ''ñoña'', dama, especialmente europeia. — Mak., Bug. ''nóna'', donzela; ''nhónha'', dama. — Batav. ''ñóña'' ou ''nyónya''. — Tet., Gal. ''dona''.
O P. Favre distingue entre ''ñóña'' e ''nóna'', quanto à sematologia e à etimologia, dando por significado de ''nóna'', sem indicar a sua proveniência, «femme non mariée, demoiselle, fille de qualité», e indicando como étimo provável de ''ñoña'' o port. ''dona'' ou o espanhol ''dueña''.
O Dr. Heiligers tambêm sugere ''dueña''.
O Dr. Fokker diz: Quanto à origem da palavra ''ñoña'', que alguns pronunciam ''ñôña'' (mulher casada com europeu ou chinês), os etimologistas não estão de acôrdo. É mais provável que a palavra venha do chinês, do que do português ''senhora'', com elisão da primeira sílaba, como em ''gareja'', «igreja».
O Sr. Gonçalves Viana entronca, insinuando ao mesmo tempo o processo evolutivo, ''nyóra'', ''nyónya'', ''nónya'' e ''nóna'', com ''senhora''; e o Dr. Schuchardt tem por certíssima essa procedência, por uma forma intermédia, como ''nhonha'', usada em Cabo Verde.
Mas parece que não é tão certo. O vocábulo ''nóna'', como prenome honorífico e ''pronomen reverentiae'', voga nos crioulos portugueses de Ceilão, Cochim, Mahé, Bombaim, Diu, Malaca, Singapura; e em alguns dêles toma o significado adicional de «avó», como ''nono'', no de Ceilão, designa exclusivamente «avô». Ora no crioulo malaio e alguns caboverdianos ''dono'' significa «avô», e ''dona'' «avó», e tais significados são registados por Morais como antiquados em português<ref>«Sabe a razão? É porque '''Dona''' n'aquelle logar é um nome que em creolo se chama «nome de casa», e usa-se nas meninas (creanças). É por esse nome que ellas são chamadas até a maioridade ou até a morte... Agora se quizer saber o que quer dizer '''Dona''', eu lhe digo, em portuguez é avó e '''Dono''' avô». ''Creolo da ilha de Santo Antão'', in ''Bol.'' S. G. L., 2.ª sér., p. 131.</ref>.
A transição de ''dona'' para ''nona'' é muito mais fácil e natural (por assimilação regressiva) do que de ''senhora'' (''sinhara'', ''nhara'', ''siara'' em crioulos), que teria de se sujeitar
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 49 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||CAVALO CEROILAS|{{sc|49}}}}</noinclude>Yule & Burnell, seguindo Marsden, dizem que a palavra ''kápal'' foi importada do malayál. ''kappal'', «navio», que sem dúvida é vernáculo, pois no ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'' aparece ''capell'' como termo correspondente ao port. ''naoo'' = nau. Haex regista a palavra com idêntica forma e o mesmo significado («''cappal'', ''navis''»), mas não como de origem portuguesa, e distingue-a de «''capalla'', ''caput''», de procedência sânscrita.
Se a proveniência é com efeito portuguesa, admira que um vocábulo peregrino seja empregado em sentido tão extravagante, sem o ser no próprio e sem nenhuma relação com êle. Mas o Dr. Heyligers atesta que sómente no alto javanês «a verdadeira acepção tem sido conservada ao lado» da outra. É contudo possível, e mesmo provável, que a palavra que significa «nau grande» tenha passado em linguagem elevada, como o alto javanês, a designar metafóricamente um «grande cavalo», e não vice-versa. W. W. Hunter regista ''kapal'' como nome vernáculo do «cavalo» no ''krama'' (alto javanês), e dá ''járan'' como equivalente no ''ngoho'' ou baixo javanês<ref>«''A comparative Dictionary of the Languages'' (anáricas) ''of India and High Asia''.</ref>. O búgui distingue ''kaválu'' e ''kappala''.
Tambêm se não explicaria satisfatóriamente porque é que os malaios adoptaram a palavra portuguesa «cavalo» quando tinham a sua ''kúda''. A adopção de ''kovelu'' ou ''torvélu'' = em malaio e javanês, e em teto e galóli (''koélhu''), deve atribuir-se ao desconhecimento do animal e, por conseqüência, à falta de termo vernáculo. Igualmente na Índia não há nome especial para o coelho, dá-se-lhe o de lebre. «Os maratas não fazem distinção entre a lebre e o coelho». Candy.
'''Cavilha.''' L.-Hindust. ''kavíla'', ''kabíla''.
'''Cear.''' Mal. ''cear'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L447174|Cemitério.]]''' Conc. ''simitér''. Term. vern. ''masaṇ pretbhuṁy'' (cemitério dos hindus). — Beng. ''semiteri''. — Tam., Can., Tet., Gal. ''semitéri''.
'''Cepilho.''' Malayál. ''chippuli''. — Tet. ''sepilho'', ''sebilo''.
'''[[:d:Lexeme:L688636|Cêrco.]]''' Mal. ''cerco'' (Haex).
'''Cerimónia.''' Conc. ''sermón''. Term. vern. ''rít'', ''kriyá'', ''parvaḍ''. — Tet. ''seremóni''. Term. vern. ''knál''.
'''Ceroilas.''' Conc. ''serúl''. — Guj. ''survál'', ''suravála''. — Sing. ''saruválaya'', ''sarevālaya''. — Mal. ''serával'', ''servál'', ''selúvar'', ''selúar''. — Batt. ''saravar''. — Sund. ''serável''. — Jav. ''seruval''. — Mak., Bug. ''saluvára''<ref>«Calção, '''ceroulas''' meias calças de giolhos para bayxo, com çapatos furados nas solas». António Tenreiro, ''Itinerario'', cap. VI.</ref>.
A palavra portuguesa vem do persa ''shalvár'', por intermédio do
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 73 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|73}}|DONA DOURADO|}}</noinclude>ao longo processo de aférese duma sílaba, de assimilação da líquida à nasal palatal e de despalatização singela e dupla. E êste processo não se deu no malaio com ''senhor'', que se modificou em ''sínho'' e ''síyu''. Alêm disto, é possível a influência doutro vocábulo homótropo, ''nona'' = anona (''q. v.''), não só na fonética, mas igualmente na significação deminutiva.
Convêm tambêm notar que as variantes malaias não são de facto sucessivas, mas sincrónicas, com diferença de significados, e que ''dona'' significava antigamente «dama, senhora nobre», e se empregava isoladamente<ref>«A honrada '''Dona''', batendo então nos peytos por sinal de grande espanto». Fernão Pinto, cap. XXXV.
«Nestas vias das cartas que Sua Magestade escreveo a V. S. vay huma lista de despachos que este anno mandou dar a algumas '''donas''', molheres de fidalgos, e outras pessoas que tem servido esse estado» (1597). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 1493.
«Era esta '''Dona''' na idade ainda moça, e mui gentil molher». Diogo do Couto, Déc. V, X, 7.</ref>. Com esta acepção, o vocábulo ainda hoje está em vigor na África Oriental, onde se aplica a certas damas oriundas de portugueses<ref>«'''Dona'''. Titulo que na Africa Oriental se dá ás mulatas mestiças». A. C. de Paiva Raposo, ''Dic. da língua landina'', in ''Bol.'' S. G. L., 18.ª sér., p. 59.
O Sr. Ismael Gracias deu a uma sua interessante publicação o título de «Uma '''Dona''' Portuguesa na Côrte do Grão-Mogol» (Dona Juliana Dias da Costa, dos séculos XVII-XVIII).</ref>.
As formas palatizadas ''nonha'' e ''nhonha'' não implicam necessáriamente a derivação ou a influência de ''senhora''; podem ter resultado da evolução de ''nona'', como em português ''vizinha'' < ''vicina'', ''ponha'' < ''poniat'', ''nenhum'' < ''nem hum'', ''ninho'' < ''nidum'', com prévia assimilação de ''d''. Cf. ''pipínhu'' = pepino, no crioulo malaio. Demais, ''nonha'' (p. us.) no dialecto ceilonense, e ''nhonha'' no macaense teem sentido deminutivo, e são provávelmente formas deminutivas.
Não acho, portanto, improvável a derivação de ''dona'' e o contacto de ''dona'' e ''senhora'' e mútua influência; e parece-me mesmo possível a influência de ''nona'' = anona, e de ''nina'' = menina, que no português macaense faz o deminutivo em ''nhinina'', segundo J. F. Marques Pereira (''Ta-ssí-yang-kuo'', sér. I, vol. I, n.º 1). Vid. ''senhor'' e ''senhora''<ref>«O Sr. Gonçalves Viana diz que língua ''nhonha'' denota «o dialecto crioulo português falado em Macau». ''Apostilas''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Dossel.]]''' Conc. ''dosél''. Term. vern. ''sezó'', ''māndví''. — Tet. ''dosel''.
'''[[:d:Lexeme:|Dourado]]''' (subst., «peixe»). Indo-ingl. ''dorado''. Indo-franc. ''dorade''.
Diz-se ''dourada'' no português de Goa.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 74 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||EMPRESTAR ENXÊRTO|{{sc|74}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L447234|Doutor.]]''' Conc. ''dotôr''. Term. vern. ''xāstrí''; ''raiz''. — ? Mal. ''dogtor'', que Fabre deriva do português. — Bug. ''dórtorō'', que Matthes deriva do hol. ''dokter''. — Tet., Gal. ''dótôr'', médico. Term. vern. ''badain''.
'''[[:d:Lexeme:L448455|Doutrina]]''' (cristã). Conc. ''dotín'', ''dotôn''. — Tet., Gal. ''dotrina''.
'''[[:d:Lexeme:|Durar.]]''' Conc. ''durár-zāvunk''. Termo vern. ''tagunk'', ''zagunk'', ''urunk''. — Mal. ''durar''. «''Durare'', ''peculiare nullum habet verbum''». Haex. — Tet., Gal. ''dúra'' (tambêm «duração»). Term. vern. ''kléur''.
'''[[:d:Lexeme:|Dúzia.]]''' Conc. ''dúz''. — Tet., Gal. ''dúzi'', ''dúsi''.
{{center|{{larger|E}}}}
'''[[:d:Lexeme:L1119015|Elefante.]]''' Conc. ''elephánt'', pano cru ou patente. — ? Nic. ''lifanta''. — ? Malg. ''elifanta''.
Tambêm no português de Goa se chama «elefante» ao pano patente. Parece que o nome provêm da estampa do elefante, que é a marca mais generalizada, havendo outras com camelo e veado.
É possível que o étimo do vocábulo nicobarês seja o ingl. ''elephant'', como sugere Man.
'''[[:d:Lexeme:|Empatar.]]''' Conc. ''empātár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''bád karunk'' ou ''divunk''. — Tet. ''empáta''. Term. vern. ''hatáu''.
'''[[:d:Lexeme:L1248947|Emplastro.]]''' Conc. ''emprás''. Term. vern. ''lêp''. — ? Tel. ''palástaru''. — ? Can. ''palástar''. Provávelmente do ingl. ''plaster''. — Malg. ''empelastra''.
'''[[:d:Lexeme:|Emprêgo.]]''' Conc. ''emprêg''. Term. vern. ''tsākrí''. — Tet. ''emprêgu''. Term. vern. ''lákon''.
'''[[:d:Lexeme:L669978|Emprestar.]]''' Conc. ''emprestár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''uxṇó divunk''. — Mal. ''impústa''. — Tet. ''emprésta''.
'''[[:d:Lexeme:|Enganar.]]''' Mal. ''enganar'' (Haex). Term. vern. ''típu''.
'''[[:d:Lexeme:|Engenho.]]''' Mal. ''inginio'' («tochlea in altum quid levare», moitão, roldana. Haex). — Mol. ''ingeniyo''<ref>«Tinha pomares, ortas, palmeiras com poços para regar, que se tira agoa delles com engenho de bois». ''Comment. de Afonso de Albuquerque'', I, cap. 24.</ref>.
O achinês tem ''énjin'', do ingl. ''engine''.
'''[[:d:Lexeme:L674370|Então.]]''' Mal. ''entaon'' (Haex). — Tet. ''antã''. Term. vern. ''aló'', ''bá-sá''.
'''[[:d:Lexeme:|Entendimento.]]''' Mal. ''entendimento'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L669980|Entregar.]]''' Conc. ''entregár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''divunk'', ''samarpunk''. — Mal. ''entregar'' (Haex). — Tet. ''entréga''. Term. vern. ''sára'', ''lólo''.
'''[[:d:Lexeme:|Entrudo.]]''' Conc. ''intrúd''. — Beng. ''entrudú''. — Tet. ''entrúdu''.
'''[[:d:Lexeme:|? Enxêrto]]''' («árvore de mangueira
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||FORMA FORRAR|{{sc|80}}}}</noinclude>Usado na mesma acepção nos crioulos, que o distinguem do «foguete do ar».
Parece que os termos indianos são onomatópicos (de ''phat'', «estalo, estoiro»), à excepção do concani, no qual a cacuminalização não deve causar dificuldade à derivação portuguesa; cf. ''tumor''.
'''[[:d:Lexeme:L579666|Fôlha]]''' (de papel). Conc., Mar. (em Savantvadi) ''phôl''. — Tul. ''pulli''.
'''[[:d:Lexeme:L500680|Fonte]]''' («fontículo»). Conc. ''phônt''. ''Phontyó'' (adj.) o que tem fontículo. ''Phontló'', pus; (fig. imundície). — ? Mar. ''pot'', ''pont'', ''ponth''.
Molesworth não dá a etimologia dos vocábulos maratas.
'''[[:d:Lexeme:|Forca.]]''' Sing. ''pôrke'' (pl. ''pôrka'').
'''[[:d:Lexeme:L500602|Fôrça.]]''' Conc. ''phôrs''. Term. vern. ''baḷ'', ''tej'', ''tráṇ''. — Mal. ''forsa'' (Haex), ''parúsa''. Term. vern. ''kakuátan''. — Tet., Gal. ''forsa''. Term. vern. ''biéti''.
'''[[:d:Lexeme:L447777|Forma]]''' («fôrma, forma»). Conc. ''pharm''. Term. vern. ''sântsó'', ''sāṭhó''; ''ākár'', ''rúp'', ''ākṛiti''. — Guj. ''pharmô'', ''phárm'', fôrma, molde; plano, mapa; amostra. — Hindust. ''farmá'', molde; configuração. — Beng. ''pharmá'', ''pharmmá''. — Panj. ''farmá''. — Tet. ''fórma''.
''Phormí'' (adj.), de fôrma; impresso. ''Phormí kāgad'', papel impresso. ''Phormí letr'', letra do tipo. ''Ekphormātsó'' (genitivo-adjectivo), da mesma fórma; da mesma espécie. Concani.
''Ekpharmá'' (adj.), «duma figura, grandeza e aparência geral — tropas em linha, letras dum escrito, etc.; duma forma mais genéricamente. ''Ekpharmá'' (subst.), unidade de forma e de aparência geral» (Molesworth)<ref>''Ek'' é do sânsc. ''eka'', «um».</ref>. Marata.
'''[[:d:Lexeme:|Fôrno.]]''' Conc. ''pharn'' (em Salcete), ''kharn'' em Bardês<ref>Em Bardês troca-se freqüentemente ''f'' por ''kh'': ''khurí'' = furia; ''khursém'' («víbora») por ''phursém'', ''khursat'' («vagar, lazer») por ''phursat''.</ref>. Tambêm significa «compartimento para cinza e farelo». — Sing. ''pôrṇuva'', ''pôraṇuva''<ref>''N'' depois de ''r'' cacuminaliza-se, bem como as outras dentais.</ref>. Term. vern. ''uduna''. — Malayál. ''bôrmma''. — Mal. ''fúrnu'', ''fúrun''. — Tet., Gal. ''fôrnu''. — ? Pers. ''foran'', fornalha, caldeira. — Ár. ''forn'', ''furn''. — Rab. ''forni''.
'''[[:d:Lexeme:|Fôro]]''' («cánon»). Conc. ''phôr''. Term. vern. ''xidáv'', ''pat''. — Indo-ingl. ''foras'' (= foros; us. em Bombaim). ''Foras lands'', terras sujeitas ao fôro. ''Forasdárs'', possuidores de terrenos de fôro<ref>«Particularmente a dos palmares de Chaul, e os '''foros''' que lhe haviam de pagar». Bocarro, Déc. XIII, p. 352.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Forrar.]]''' Conc. ''phorrar-karunk''. —
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||FORMA FORRAR|{{sc|80}}}}</noinclude>Usado na mesma acepção nos crioulos, que o distinguem do «foguete do ar».
Parece que os termos indianos são onomatópicos (de ''phat'', «estalo, estoiro»), à excepção do concani, no qual a cacuminalização não deve causar dificuldade à derivação portuguesa; cf. ''tumor''.
'''[[:d:Lexeme:L579666|Fôlha]]''' (de papel). Conc., Mar. (em Savantvadi) ''phôl''. — Tul. ''pulli''.
'''[[:d:Lexeme:L500680|Fonte]]''' («fontículo»). Conc. ''phônt''. ''Phontyó'' (adj.) o que tem fontículo. ''Phontló'', pus; (fig. imundície). — ? Mar. ''pot'', ''pont'', ''ponth''.
Molesworth não dá a etimologia dos vocábulos maratas.
'''[[:d:Lexeme:|Forca.]]''' Sing. ''pôrke'' (pl. ''pôrka'').
'''[[:d:Lexeme:L500602|Fôrça.]]''' Conc. ''phôrs''. Term. vern. ''baḷ'', ''tej'', ''tráṇ''. — Mal. ''forsa'' (Haex), ''parúsa''. Term. vern. ''kakuátan''. — Tet., Gal. ''forsa''. Term. vern. ''biéti''.
'''[[:d:Lexeme:L447777|Forma]]''' («fôrma, forma»). Conc. ''pharm''. Term. vern. ''sântsó'', ''sāṭhó''; ''ākár'', ''rúp'', ''ākṛiti''. — Guj. ''pharmô'', ''phárm'', fôrma, molde; plano, mapa; amostra. — Hindust. ''farmá'', molde; configuração. — Beng. ''pharmá'', ''pharmmá''. — Panj. ''farmá''. — Tet. ''fórma''.
''Phormí'' (adj.), de fôrma; impresso. ''Phormí kāgad'', papel impresso. ''Phormí letr'', letra do tipo. ''Ekphormātsó'' (genitivo-adjectivo), da mesma fórma; da mesma espécie. Concani.
''Ekpharmá'' (adj.), «duma figura, grandeza e aparência geral — tropas em linha, letras dum escrito, etc.; duma forma mais genéricamente. ''Ekpharmá'' (subst.), unidade de forma e de aparência geral» (Molesworth)<ref>''Ek'' é do sânsc. ''eka'', «um».</ref>. Marata.
'''[[:d:Lexeme:|Fôrno.]]''' Conc. ''pharn'' (em Salcete), ''kharn'' em Bardês<ref>Em Bardês troca-se freqüentemente ''f'' por ''kh'': ''khurí'' = furia; ''khursém'' («víbora») por ''phursém'', ''khursat'' («vagar, lazer») por ''phursat''.</ref>. Tambêm significa «compartimento para cinza e farelo». — Sing. ''pôrṇuva'', ''pôraṇuva''<ref>''N'' depois de ''r'' cacuminaliza-se, bem como as outras dentais.</ref>. Term. vern. ''uduna''. — Malayál. ''bôrmma''. — Mal. ''fúrnu'', ''fúrun''. — Tet., Gal. ''fôrnu''. — ? Pers. ''foran'', fornalha, caldeira. — Ár. ''forn'', ''furn''. — Rab. ''forni''.
'''[[:d:Lexeme:|Fôro]]''' («cánon»). Conc. ''phôr''. Term. vern. ''xidáv'', ''pat''. — Indo-ingl. ''foras'' (= foros; us. em Bombaim). ''Foras lands'', terras sujeitas ao fôro. ''Forasdárs'', possuidores de terrenos de fôro<ref>«Particularmente a dos palmares de Chaul, e os '''foros''' que lhe haviam de pagar». Bocarro, Déc. XIII, p. 352.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L669708|Forrar.]]''' Conc. ''phorrar-karunk''. —
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|81}}|FRECHA FUZIL|}}</noinclude>L.-Hindust. ''pharal'' (''karná''), forrar a amarra. — Tet. ''fóra''.
'''[[:d:Lexeme:|Fôrro]]''' (subst.). Conc. ''phorr''. — Guj. ''phôr''. — Sing. ''pôru''. ''Pôru redda'', fazenda de fôrro.
'''[[:d:Lexeme:L500824|Forte]]''' (adj.). Conc. ''phórt''. Term. vern. ''baḷí'', ''ghaṭṭ'', ''nibar''. — Tet., Gal. ''fórti''. Term. vern. ''rósak''.
'''[[:d:Lexeme:L448456|Fortuna.]]''' Conc. ''phurtún''. Term. vern. ''naxíb'', ''lakṭó''. — Tet., Gal. ''furtuna''.
'''[[:d:Lexeme:L474587|Fraco.]]''' Conc. ''phrák'', ''pharák''. Term. vern. ''axakt'' ou ''askat''. — Tet. ''fráku''. Term. vern. ''mámal''. — Gal. ''fráku''.
De ''phrák'' se deriva, em concani, ''pharkatáy'' ou ''pharkatsáy'', «fraqueza» (tambêm usado).
'''[[:d:Lexeme:|Frade.]]''' Conc. ''phrád'', ''pharád''. — Tet. ''frádi''.
Em concani, ''pharád'', como substantivo feminino, designa vulgarmente a «tonsura clerical». Vid. ''coroa''.
'''[[:d:Lexeme:L448093|Fragata.]]''' Conc. ''phargát''. — Mar. ''phargád''. — Mal. ''pragata''. — Bug. ''parágata''. — Tet., Gal. ''forgata''.
'''[[:d:Lexeme:|Franga.]]''' Mal. ''franga'' (Haex). Term. vern. ''áyam'', ''ának áyam'', ''áyam betina''.
'''[[:d:Lexeme:L447210|Frasco.]]''' Conc. ''phrásk'' (p. us.). Term. vern. ''ximsó'', ''kupó''. — Tet., Gal. ''frásku''. — Jap. ''furasuko'' (talvez do ingl. ''flask''). Term. vern. ''tokuri''. — Ár. do Egito, ''falaskiya'', ''balaskiya''.
'''[[:d:Lexeme:|Frasqueira.]]''' Conc. ''phrāsker''. — Tet., Gal. ''fraskeira''.
'''[[:d:Lexeme:|Frecha.]]''' Mal. ''parecha''.
'''[[:d:Lexeme:L501571|Freguesia.]]''' Conc. ''phirgaz''. — Tet., Gal. ''freguezia''.
'''[[:d:Lexeme:|Freio.]]''' Conc. ''phrey''. Term. vern. ''lagam''. — Tet. ''fréyu''.
'''[[:d:Lexeme:|Fresco.]]''' Conc. ''phresk'' (p. us.). Term. vern. ''thanḍ'', ''xitaḷ''. — Mal. ''parésku''.
'''[[:d:Lexeme:|? Fulano]]''' Conc. ''phalāṇó'', ''phulāṇó''. — Mar. ''phalaṇá''. — Guj. ''phaláṇum''. — Hindust. ''fulán'', ''fulaná''. — Beng. ''phalāná''. — Sindh. ''phalānô''. — Panj. ''phalāṇá'', ''phalāṇi'', ''phalāuṇá''. — Tel. ''phulána'', ''phaláni''. — Can. ''phaláni''. — Tul. ''phaláne''. — Indo-ingl. ''fulaun''. — Mal. ''fulán'', ''púlan''.
Parece que o vocábulo foi importado directamente do árabe ou por via do persa. O Sr. Gonçalves Viana nota «que a verdadeira forma portuguesa é ''fuão'', sendo ''fulano'' a castelhana».
'''[[:d:Lexeme:|Fundal]]''' («extremidade inferior do mastro»). L.-Hindust. ''fūndál'', ''pūndál''.
'''[[:d:Lexeme:|Funil.]]''' Conc. ''phunel''. Term. vern. ''turbāṇí'' (p. us.). — L.-Hindust. ''phanel'', ''fannel''. — Beng. ''phunnel''. — Sing. ''punilaya''. Term. vern. ''kemiya''. — Can. ''phannále''. Term. vern. ''lálike''. — Tet., Gal. ''funil''. Term. vern. ''kakún mátan''.
'''[[:d:Lexeme:|Fusta.]]''' Mal. ''fusta''<ref>«Fazem outros pequenos de remos como berguantim ou '''fustas'''». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 353.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Fuzil.]]''' Mal., Ach., Batt., Sund., Baixo-jav., Mad., Bal. ''bedil''. — Day. ''badil''. — Mak. ''bádili''. — Bug. ''bálili''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|75}}|ESCÔVA ESPERANÇA|}}</noinclude>de enxêrto»). Conc. ''isáḍ'', ''ixeḍ''. — Mar. ''isáḍ'', ''isāḍá''.
Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''īshā'', «temão do carro ou do arado». Em concani tambêm se emprega ''gárph'' (port. ''garfo'') por «renovo e mangueira de enxêrto».
'''[[:d:Lexeme:|Era]]''' (cristã). Mak. ''héra''.
'''[[:d:Lexeme:|Ermida.]]''' Conc. ''irmít''. — Tet. ''ermida''.
'''[[:d:Lexeme:|Ervilha.]]''' Conc. ''virvíl''. — Tet. ''ervilha''.
'''[[:d:Lexeme:|Escada.]]''' Conc. ''iskád''. Term. vern. ''xiḍí'' (p. us.), ''nisaṇ'' (escada móvel). — L.-Hindust. ''ískát''.
'''[[:d:Lexeme:|Escaler.]]''' Conc., Tet. ''iskalér''.
'''[[:d:Lexeme:|Escândalo.]]''' Conc. ''eskánd''. — Tet. ''iskandálu''.
'''[[:d:Lexeme:|Escola.]]''' Conc. ''iskól''. Term. vern. ''sáḷ'', ''pāṭhsáḷ'', ''vidyāsáḷ''. — Sing. ''skólaya'', ''iskóle''. Term. vern. ''pāthaxāláva'', ''aksharaxāḷáva'', ''akaru-maḍuva''. ''Skólayê sahakáriya'', condiscípulo. — Tam. ''iskolei''. — Mal. ''skola'', ''sakola'', ''sekola''. ''Sekula'' (Favre) mostra a influência do hol. ou do ingl. ''school''. — Sund. ''iskola''. — Jav. ''skólah'' (''h'', para se conservar o som do ''a'', que aliás se tornaria ''ô''), ir à escola. ''Nyekolahakê'', ''nyekolahaken'' (verbo causativo), mandar à escola. — Mad. ''sekólô''. — Tet., Gal. ''escola''. Term. vern. ''anôri''.
'''[[:d:Lexeme:|Escolta.]]''' Conc. ''eskolt''. Term. vern. ''valāvó'', ''balāvó''. — Tet., Gal. ''eskolta''.
'''[[:d:Lexeme:L448497|Escôva.]]''' Conc. ''eskôv''. — Tet., Gal. ''eskôva''.
'''[[:d:Lexeme:L669433|Escritório]]''' («móvel»). Guj. ''iskotarô''.
'''[[:d:Lexeme:|Escrivão.]]''' Conc. ''iskrivámv'' (especialmente o das comunidades agrícolas), ''sikirámv'' (forma popular). Term. vern. ''xeṇay'', ''kārkúṇ'', ''xrīkarṇí''. — Tam. ''iskiriván'', escrivão da irmandade. — Indo-ingl. ''scrivan'' (obsol.). — Tet., Gal. ''eskriván''. — Jap. ''ishikiriban'' (obsol.).
'''[[:d:Lexeme:|Esmola.]]''' Conc. ''izmól'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''bhík'', ''dharm''. — Beng. ''ejmolá''. — Mal. ''ismola'' (Haex), ''samola''. — Tet., Gal. ''esmola''.
'''[[:d:Lexeme:L580338|Espada.]]''' Conc. ''ispád''. Term. vern. ''tarvár'', ''khaḍg''. — Hindi, Hindust., Beng., Panj. (tambêm ''aspát'') ''ispát'', aço. — Mal. ''spada'' (Haex). Term. vern. ''pedang'', ''sudang''. — Mak. ''sapada''. — Ár. ''spáda''. — Rab. ''espáthe''.
'''[[:d:Lexeme:|Espadilha.]]''' Conc. ''espādílh''. — Mak., Bug. ''sapadila''. Vid. ''az''.
'''[[:d:Lexeme:|Espera.]]''' Mal. ''spera'' («machinae ignivomae», Haex). — Mol. ''espera'', «peça de artilharia, da antiga espera (palavra do malaio das Molucas)», Castro)<ref>«Lhe atirarão algumas '''esperas''', cujos pilouros derão por derredor da Fusta». Diogo do Couto, Déc. V, III, 6. «Erão três basiliscos, seis '''esperas''', que encarregou a Berau Baxá». ''Id''., 7.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L662547|Esperança.]]''' Conc. ''esperams'' (p. us.). Term. vern. ''bharvāmsó''. — Jap. ''superansa'' (obsol.).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|75}}|ESCÔVA ESPERANÇA|}}</noinclude>de enxêrto»). Conc. ''isáḍ'', ''ixeḍ''. — Mar. ''isáḍ'', ''isāḍá''.
Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''īshā'', «temão do carro ou do arado». Em concani tambêm se emprega ''gárph'' (port. ''garfo'') por «renovo e mangueira de enxêrto».
'''[[:d:Lexeme:|Era]]''' (cristã). Mak. ''héra''.
'''[[:d:Lexeme:|Ermida.]]''' Conc. ''irmít''. — Tet. ''ermida''.
'''[[:d:Lexeme:|Ervilha.]]''' Conc. ''virvíl''. — Tet. ''ervilha''.
'''[[:d:Lexeme:|Escada.]]''' Conc. ''iskád''. Term. vern. ''xiḍí'' (p. us.), ''nisaṇ'' (escada móvel). — L.-Hindust. ''ískát''.
'''[[:d:Lexeme:|Escaler.]]''' Conc., Tet. ''iskalér''.
'''[[:d:Lexeme:|Escândalo.]]''' Conc. ''eskánd''. — Tet. ''iskandálu''.
'''[[:d:Lexeme:L477309|Escola.]]''' Conc. ''iskól''. Term. vern. ''sáḷ'', ''pāṭhsáḷ'', ''vidyāsáḷ''. — Sing. ''skólaya'', ''iskóle''. Term. vern. ''pāthaxāláva'', ''aksharaxāḷáva'', ''akaru-maḍuva''. ''Skólayê sahakáriya'', condiscípulo. — Tam. ''iskolei''. — Mal. ''skola'', ''sakola'', ''sekola''. ''Sekula'' (Favre) mostra a influência do hol. ou do ingl. ''school''. — Sund. ''iskola''. — Jav. ''skólah'' (''h'', para se conservar o som do ''a'', que aliás se tornaria ''ô''), ir à escola. ''Nyekolahakê'', ''nyekolahaken'' (verbo causativo), mandar à escola. — Mad. ''sekólô''. — Tet., Gal. ''escola''. Term. vern. ''anôri''.
'''[[:d:Lexeme:|Escolta.]]''' Conc. ''eskolt''. Term. vern. ''valāvó'', ''balāvó''. — Tet., Gal. ''eskolta''.
'''[[:d:Lexeme:L448497|Escôva.]]''' Conc. ''eskôv''. — Tet., Gal. ''eskôva''.
'''[[:d:Lexeme:L669433|Escritório]]''' («móvel»). Guj. ''iskotarô''.
'''[[:d:Lexeme:|Escrivão.]]''' Conc. ''iskrivámv'' (especialmente o das comunidades agrícolas), ''sikirámv'' (forma popular). Term. vern. ''xeṇay'', ''kārkúṇ'', ''xrīkarṇí''. — Tam. ''iskiriván'', escrivão da irmandade. — Indo-ingl. ''scrivan'' (obsol.). — Tet., Gal. ''eskriván''. — Jap. ''ishikiriban'' (obsol.).
'''[[:d:Lexeme:|Esmola.]]''' Conc. ''izmól'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''bhík'', ''dharm''. — Beng. ''ejmolá''. — Mal. ''ismola'' (Haex), ''samola''. — Tet., Gal. ''esmola''.
'''[[:d:Lexeme:L580338|Espada.]]''' Conc. ''ispád''. Term. vern. ''tarvár'', ''khaḍg''. — Hindi, Hindust., Beng., Panj. (tambêm ''aspát'') ''ispát'', aço. — Mal. ''spada'' (Haex). Term. vern. ''pedang'', ''sudang''. — Mak. ''sapada''. — Ár. ''spáda''. — Rab. ''espáthe''.
'''[[:d:Lexeme:|Espadilha.]]''' Conc. ''espādílh''. — Mak., Bug. ''sapadila''. Vid. ''az''.
'''[[:d:Lexeme:|Espera.]]''' Mal. ''spera'' («machinae ignivomae», Haex). — Mol. ''espera'', «peça de artilharia, da antiga espera (palavra do malaio das Molucas)», Castro)<ref>«Lhe atirarão algumas '''esperas''', cujos pilouros derão por derredor da Fusta». Diogo do Couto, Déc. V, III, 6. «Erão três basiliscos, seis '''esperas''', que encarregou a Berau Baxá». ''Id''., 7.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L662547|Esperança.]]''' Conc. ''esperams'' (p. us.). Term. vern. ''bharvāmsó''. — Jap. ''superansa'' (obsol.).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||ESTALA ESTIRAR|{{sc|76}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Esperto.]]''' Conc. ''expért''. Term. vern. ''huxár'', ''xiḍúk'', ''tsatur''. — Tet. ''espértu''. — Term. vern. ''matének'', ''badain''.
'''[[:d:Lexeme:|Espingarda.]]''' Mal. ''espingarda'' (Haex), ''istingarda''. Term. vern. ''térkul''. ''Bedil-espingarda'' (Haex), bombarda.
'''[[:d:Lexeme:L500853|Espírito.]]''' Sing. ''sprítuva''. Term. vern. ''átmaya'', ''práṇaya''. — Tet. ''ispirítu''. Term. vern. ''klámar''. — Gal. ''ispirítu''. Term. vern. ''mánar''.
'''[[:d:Lexeme:|Espírito Santo.]]''' Conc. ''Sprít Sánt''. — Beng. ''Spiritú Sāntú''. — Tam., Tel., Can. ''Spíritu Sántu''. — Ann. ''Chúa xi-phiritô''.
'''[[:d:Lexeme:|Espoleta.]]''' Conc. ''ispilêt''. — Tet., Gal. ''espoleta''.
'''[[:d:Lexeme:|Esponja.]]''' Conc. ''esponj''. — Hindi ''ispanj''. — Hindust. ''ispanj'', ''isfanj''. — Beng. ''spanj''. — Malayál. ''spoñu''. — Tel. ''spanji''. — Can. ''spanju''. — Ár. ''espinkh'', ''esfinkh'', ''isfonkh'', ''isfankh'', ''safankh'', ''sifankh'', ''sufankh''.
De origem grega.
'''[[:d:Lexeme:|Essa.]]''' Conc. ''es''. Term. vern. ''gar'' (não usado pelos cristãos). — Tet., Gal. ''esa''.
'''[[:d:Lexeme:L500009|Estado.]]''' Conc. ''estád''. — Term. vern. ''gat'', ''bhex''; ''dabāzó''. — Mar. ''istád'', alfaia. — ? Tel. ''istuva'', ''istuvu'', bens. — Tet. ''estádu'', govêrno.
Molesworth e Wilson derivam ''istád'' do ár. ''isti'dád'', «capacidade, aptidão»; mas não explicam porque só o marata o adoptou.
'''[[:d:Lexeme:|? Estala.]]''' Sing. ''stálaya'', ''istálaya'', ''istále''. — Sund. ''istal''.
Tambêm no crioulo de Ceilão, ''stella'', ''stal''. Provávelmente do hol. ''stal''.
'''[[:d:Lexeme:|Estante.]]''' Conc. ''estánt''. — Beng. ''stāntí''. — Tam. ''stántei''.
'''[[:d:Lexeme:|Esticar.]]''' Sing. ''istrĭkaya'', ''istirĭkaya'', ''strĭkaya'' (subst.), ferro de engomar. ''Istirikayen madinavā'', correr a ferro. — Mal. ''istríka'', ferro; passar a ferro. — Tet., Gal. ''estríka'', correr a ferro, engomar.
Tambêm o crioulo malaio tem ''estika''. Vid. ''estirar''.
'''[[:d:Lexeme:|Estingue]]''' (naut.). L.-Hindust. ''istingí''. ''Istingí chāmpná'', recolher as velas.
'''[[:d:Lexeme:L700213|Estirar.]]''' Mar. ''istrí'' (subst.), ferro de engomar; acção de passar a ferro. ''Istrí karṇem'', passar a ferro. — Guj. ''istrí'', ''astrí'', ''astarí'' (subst. e verb.), ferro; passar a ferro. — Hindi, Hindust., Or., Beng., Ass., Panj., Malayál., Khas. ''istrí'', ferro. — Sindh. ''isitirí'', ferro. — Tel. ''istiri'', acção de passar a ferro. — Can., Tul. ''istri'', passar a ferro.
Swettenham diz que o mal. ''istríka'' vem do hindustani e significa literalmente «trabalho de mulher». Mas nem o hindustani tem ''istríka'', nem ''strīka'', em sânscrito, significa «trabalho de mulher»; mas no fim do composto possessivo (''bahuvrīhi'') quer dizer «acompanhado de mulher, o que tem mulher, casado». ''Strīkāryam'' é que designa «trabalho, ofício de mulher»; não pode, porêm, ser o étimo de ''istríka'', porque é muito genérico, e porque o serviço de lavar roupa pro-<noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 77 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|77}}|ESTIRAR EXPLICAR|}}</noinclude>fissionalmente é feito na Índia, desde tempos antiquíssimos (e, talvez modernamente, o de correr a ferro e engomar), mais por homens (em indo-português «mainatos») que por mulheres.
Shakespear distingue, no seu dicionário hindustani, entre ''istrí'', ''istirí'' ou ''strí'', sânscrito, «mulher, fêmea», e ''istrí'', «ferro de engomar», que diz ser do hindi. Molesworth porêm filia o marata ''istrí'' no sânsc. ''strī'', por intermédio do hindustani, sem declarar o motivo. E Wilson deriva o hindust. ''istrí'' do verbo sânsc. ''stṛ'', «extender», e regista o composto ''strī-vālā'', «an ironing man, one who irons linen».
É muito provável que não fôsse outrora conhecido na Índia o ferro (em concani ''phér'') de engomar, que tem o mesmo feitio que o europeu e que é sómente usado pelos alfaiates e pelos lavadeiros. Julgo que os verdadeiros étimos de ''istríka'' e ''istrí'' são os verbos portugueses ''esticar'' e ''estirar'', que teriam sido empregados por «correr, passar a ferro»<ref>C. Alwis (''The Sinhalese Hand-book'') admite a proveniência portuguesa, sem indicar o vocábulo de origem.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Estivador.]]''' Indo-ingl. ''stevedore''.
'''[[:d:Lexeme:|Estopa.]]''' L.-Hindust. ''istap'', ''istúb''. — Ár. ''usthuhba''.
'''[[:d:Lexeme:L1490595|Estribo.]]''' Conc. ''estríb''. Term. vern. ''rikābí''. — Tet., Gal. ''estríbu''.
'''[[:d:Lexeme:L448629|Estudar.]]''' Conc. ''estudár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''xikunk'', ''paṭhunk''. — Tet. ''estúda''. Term. vern. ''hanôin'', ''lóta''.
'''[[:d:Lexeme:L477189|Estudo.]]''' Conc. ''istúd''. Term. vern. ''xikap''. — Tet. ''estúdu''. Term. vern. ''hanónun''.
'''[[:d:Lexeme:|Evangelho.]]''' Conc. ''vānjel''. — Can. ''evanjélu''. — Tet., Gal. ''evanjélhu''.
O hindustani, o oriya, o bengali, o malaio e outras línguas do Arquipélago teem ''injíl'', do árabe-persa.
'''[[:d:Lexeme:L448298|Exame.]]''' Conc. ''ezám''. Term. vern. ''parīkxá'' ou ''parikhyá'', ''zhaḍtí''. — Tet., Gal. ''ezámi''.
'''[[:d:Lexeme:|Excomunhão.]]''' Conc. ''eskomunhámv'', ''eskomunyámv''. — Tet., Gal. ''eskomunhã''.
'''[[:d:Lexeme:L477173|Exemplo.]]''' Conc. ''ezempl''. Term. vern. ''dekh''. — Tet., Gal. ''ezémplu''.
'''[[:d:Lexeme:L750648|Explicar.]]''' Conc. ''esplikár-karunk''. Term. vern. ''samzāvunk'', ''duvāḷunk'', ''arthunk''. — Tet. ''esplíka''. Term. vern. ''hakláken'', ''kátak''. — Gal. ''splíka''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 78 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||FAMA FEITOR|{{sc|78}}}}</noinclude>{{center|{{larger|F}}}}
'''[[:d:Lexeme:|Fadiga]]''' («gonorreia»). Mal. ''fadiga'' (Schuchardt).
'''[[:d:Lexeme:|Falca.]]''' L.-Hindust. ''fālká''. — Mal. ''fálka'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:|Falcão]]''' («espécie de peça»). Bug. ''palakko''.
'''[[:d:Lexeme:L1419820|Falso.]]''' Conc., Mar. ''pháls''. Term. vern. ''laṭík'', ''khoṭó'' ou ''khoṭá''. — Mal., Sund. ''pálsu''. — Mad. ''pálsô''. — Tet. ''fálsu''. Term. vern. ''lá lós'', ''bosôku''.
Emprega-se o vocábulo especialmente com respeito a moedas e pedras preciosas.
'''[[:d:Lexeme:L558251|Faltar.]]''' Conc. ''phāltár-zāvunk''. — Beng. ''phāltár'' (us. entre os cristãos). — Tet. ''fálta''. Term. vern. ''múkiti''.
'''[[:d:Lexeme:|Falto.]]''' Conc. ''phált''. Term. vern. ''uṇó'', ''vikhaṇ'', ''apúrṇ''. — Mar. ''pháltu'', sobressalente. — Guj., Hindi, Hindust., Panj. ''pháltú'', sobressalente. — L.-Hindust. ''phāltú'', ''fāltú'', deficiente, curto; o que é para preencher a falta, sobressalente. — Nep. ''fālṭo'', sobressalente. — Sindh. ''phaliṭu'', excedente. — Mal. ''fáltu'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:|? Falua.]]''' Mal. ''báluq''.
O ''q'' final faz suspeitar a origem espanhola (''faluca'') ou arábica (''fulq'').
'''[[:d:Lexeme:L639957|Fama.]]''' Conc. ''phám''. Term. vern. ''ḍág'', ''khabar'', ''nāmvrúp''. — Guj. ''phám'', lembrança, memória. — Tet. ''fáman''. Term. vern. ''náran''. — Gal. ''fáma''.
'''[[:d:Lexeme:|Fantasma.]]''' Mal. ''fantasma'', ''pantasma''.
O Dr. Fokker diz que é pouco usado; mas é registado por Haex.
'''[[:d:Lexeme:|Farol.]]''' Conc. ''pholér''. — Tet., Gal. ''farol''.
'''[[:d:Lexeme:|Fastio.]]''' Mal. ''fastio'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Fatia.]]''' Conc. ''phātí''. Term. vern. ''kap'', ''xír'', ''pês''. — ? Sing. ''petta'' (pl. ''peti'').
'''[[:d:Lexeme:|Favor.]]''' Conc. ''phāvôr'' (p. us.). Term. vern. ''upkár''. — Tet., Gal. ''favor''.
'''[[:d:Lexeme:|Fazendeiro]]''' (subst.: «proprietário»). Conc. ''phajendár'' (p. us.). — Mar. ''phajindár''. Term. vern. ''mālkár'', ''vittkár''. — Indo-ingl. ''fazendar''.
'''[[:d:Lexeme:L518882|Fé.]]''' Conc. ''phé-bhāvárth'' (us. entre os cristãos). ''Bhāvárth'' é sinónimo vernáculo. — Gal. ''fé''.
'''[[:d:Lexeme:|Fechar]]''' («soldar»). Mal. ''píjar''. — Batt. ''píjer''. — Mak. ''píjarā'', ''píjā''. — Bug. ''píja''.
'''[[:d:Lexeme:|Fecho]]''' (de espingarda). Mal. ''píchu''. — Batt. ''péchu''.
'''[[:d:Lexeme:|Feira.]]''' Conc. ''phêr''. Term. vern. ''sánt'', ''penṭh''. — Tet., Gal. ''feira''. Term. vern. ''bázar''.
'''[[:d:Lexeme:L448169|Feitor.]]''' Conc. ''pheytôr''. — ? Indo-ingl. ''factor''. — Mal. ''feitór'', ''fetór'', ''pētór''. — Sund., Jav. ''pétor''. — Mak. ''pétorō''.<noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 79 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|79}}|FILHÓ FOGUETE|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Feitoria.]]''' Conc. ''pheytorí''. — ? Indo-ingl. ''factory''.
Yule & Burnell julgam possível que «as expressões ''factor'' e ''factory'' tenham sido adoptadas das port. ''feitor'' e ''feitoria''».
'''[[:d:Lexeme:L662617|Feriado.]]''' Conc. ''pheryád''. Term. vern. ''suṭí''. — Tet. ''feriádu''. Term. vern. ''kasala''.
'''[[:d:Lexeme:L618552|Ferreiro.]]''' Conc. ''pherrêr''. Term. vern. ''lohár'', ''kāmár'', ''sāḷikár''. — Mal. ''ferrero'' (Haex). Term. vern. ''pándei bési'', ''túkan bési'', ''kímpu besi''.
'''[[:d:Lexeme:L464466|Festa.]]''' Conc. ''phest''. Term. vern. ''parab'', ''utsav''. ''Phestākár'', festeiro. — Beng. ''phestá''. — Mal. ''festa'', ''pesta'', ''péstu''. — Sund. ''pésta''. — Jav. ''péstô'', ''pístô''. ''Pestan'', ''pistan'', festejar. — Bug. ''peseta''. — Tet., Gal. ''festa''. Term. vern. ''ksólok''.
'''[[:d:Lexeme:|Fiador.]]''' Conc. Tet. Gal., ''phyādor''.
'''[[:d:Lexeme:|Fidalgo.]]''' Conc. ''phidálg''. — Mar. ''phidālkhôr''. — Mal. ''fidalgo'', ''hidalgo'' (Haex).
Molesworth deriva ''phidālkhôr'' da palavra onomatópica reduplicada ''phiṭ! phiṭ!''; e dá por significados: «That swells and vapors, puffs and vaunts; a swegger or braggart. That giggles sillily».
'''[[:d:Lexeme:L464459|Figura.]]''' Conc. ''phigúr'' (lit. e fig.). Term. vern. ''bāhulém'', ''putḷí''; ''song'', ''yantr''. — Mal. ''figura'', imagem, quadro. — Tet., Gal. ''figura'', imagem, efígie. Term. vern. ''hílas'', ''ein''.
'''[[:d:Lexeme:|Filhó.]]''' Conc. ''philhó''. — Beng. ''philó'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''hiryúzu''.
'''[[:d:Lexeme:|Finta.]]''' Conc. ''phínt'' (p. us. actualmente). Term. vern. ''danḍ'', ''paṭṭí''. — Tet., Gal. ''finta''.
'''[[:d:Lexeme:|Fiscal]]''' (subst.). Conc. ''phiskál''. — Mal. ''piskal''. — Bug. ''pasikála''.
'''[[:d:Lexeme:|Fita.]]''' Conc., Mar., Guj. ''phít'', ''phínt''. — Hindi ''phitá''. — Hindust. ''fitá'', ''fītá'', ''phītá''. — Or., Beng., As. ''phitá''. — Sindh. ''phíta''. — Panj. ''fītá'', ''fítah''. — Sing. ''pítta-paṭaya'', ''pítta-paṭíya''. — Malayál. ''phiṭṭa'', ''phiṭṭu'', renda. — Tel. ''phíta'', ''pita''. — Khas. ''phita'', ''fita''. — Mal. ''fita'', ''pita''. — Ach. ''fítah'', ''pita''. — Sund. ''pita''. — Jav. ''pitô''. — Mad. ''péta''. — Bug. ''píta''. — Tet., Gal. ''fita''. Term. vern. ''táli''. Termos neo-áric. ''nāḍí'', ''nāḍó'', ''dál'', ''navár''.
As línguas que não teem o fonema ''f'' substituem-no por ''p''. O ''i'' tónico nasaliza-se às vezes nos idiomas neo-áricos, como ''pint'', «fel», do sânsc. ''pitta''. Cf. ''pipa''.
'''[[:d:Lexeme:|Fitar.]]''' Mal. ''pitár'', apontar.
'''[[:d:Lexeme:|Fivela.]]''' Conc. ''phivel''. — Tet. ''fivela'', ''fiela''.
'''[[:d:Lexeme:|Flanela.]]''' Conc. ''phlānel''. — Tet., Gal. ''flanela''.
'''[[:d:Lexeme:|Fogaça.]]''' Indo-ingl. ''fogass'' (us. na Índia meridional).
'''[[:d:Lexeme:L448508|? Foguete]]''' («estalo da China»). Conc. ''phugaṭí''. — Mar. ''phaṭkaḍí''. — Hindust. ''phaṭakhá''. — Ass. ''phaṭaká''. — Sindh. ''phaṭakô''. — Tam., Malayál. ''paṭṭake''. — Tel., Can., Tul. ''phaṭóki''<ref>«O que á hũs e outros mais desordenou forão '''foguettes''' e bõbas de fogo que os Turcos usão no primeiro rompimento». João de Barros, Déc. IV, VII, 12.
«Tirando alguns tiros e muitos '''foguetes'''». Gaspar Correia, I, p. 165.
«Mandou o governador fazer sinal à armada com tres '''foguetes'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 1.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|79}}|FILHÓ FOGUETE|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Feitoria.]]''' Conc. ''pheytorí''. — ? Indo-ingl. ''factory''.
Yule & Burnell julgam possível que «as expressões ''factor'' e ''factory'' tenham sido adoptadas das port. ''feitor'' e ''feitoria''».
'''[[:d:Lexeme:L662617|Feriado.]]''' Conc. ''pheryád''. Term. vern. ''suṭí''. — Tet. ''feriádu''. Term. vern. ''kasala''.
'''[[:d:Lexeme:L618552|Ferreiro.]]''' Conc. ''pherrêr''. Term. vern. ''lohár'', ''kāmár'', ''sāḷikár''. — Mal. ''ferrero'' (Haex). Term. vern. ''pándei bési'', ''túkan bési'', ''kímpu besi''.
'''[[:d:Lexeme:L464466|Festa.]]''' Conc. ''phest''. Term. vern. ''parab'', ''utsav''. ''Phestākár'', festeiro. — Beng. ''phestá''. — Mal. ''festa'', ''pesta'', ''péstu''. — Sund. ''pésta''. — Jav. ''péstô'', ''pístô''. ''Pestan'', ''pistan'', festejar. — Bug. ''peseta''. — Tet., Gal. ''festa''. Term. vern. ''ksólok''.
'''[[:d:Lexeme:|Fiador.]]''' Conc. Tet. Gal., ''phyādor''.
'''[[:d:Lexeme:|Fidalgo.]]''' Conc. ''phidálg''. — Mar. ''phidālkhôr''. — Mal. ''fidalgo'', ''hidalgo'' (Haex).
Molesworth deriva ''phidālkhôr'' da palavra onomatópica reduplicada ''phiṭ! phiṭ!''; e dá por significados: «That swells and vapors, puffs and vaunts; a swegger or braggart. That giggles sillily».
'''[[:d:Lexeme:L464459|Figura.]]''' Conc. ''phigúr'' (lit. e fig.). Term. vern. ''bāhulém'', ''putḷí''; ''song'', ''yantr''. — Mal. ''figura'', imagem, quadro. — Tet., Gal. ''figura'', imagem, efígie. Term. vern. ''hílas'', ''ein''.
'''[[:d:Lexeme:|Filhó.]]''' Conc. ''philhó''. — Beng. ''philó'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''hiryúzu''.
'''[[:d:Lexeme:|Finta.]]''' Conc. ''phínt'' (p. us. actualmente). Term. vern. ''danḍ'', ''paṭṭí''. — Tet., Gal. ''finta''.
'''[[:d:Lexeme:|Fiscal]]''' (subst.). Conc. ''phiskál''. — Mal. ''piskal''. — Bug. ''pasikála''.
'''[[:d:Lexeme:L447135|Fita.]]''' Conc., Mar., Guj. ''phít'', ''phínt''. — Hindi ''phitá''. — Hindust. ''fitá'', ''fītá'', ''phītá''. — Or., Beng., As. ''phitá''. — Sindh. ''phíta''. — Panj. ''fītá'', ''fítah''. — Sing. ''pítta-paṭaya'', ''pítta-paṭíya''. — Malayál. ''phiṭṭa'', ''phiṭṭu'', renda. — Tel. ''phíta'', ''pita''. — Khas. ''phita'', ''fita''. — Mal. ''fita'', ''pita''. — Ach. ''fítah'', ''pita''. — Sund. ''pita''. — Jav. ''pitô''. — Mad. ''péta''. — Bug. ''píta''. — Tet., Gal. ''fita''. Term. vern. ''táli''. Termos neo-áric. ''nāḍí'', ''nāḍó'', ''dál'', ''navár''.
As línguas que não teem o fonema ''f'' substituem-no por ''p''. O ''i'' tónico nasaliza-se às vezes nos idiomas neo-áricos, como ''pint'', «fel», do sânsc. ''pitta''. Cf. ''pipa''.
'''[[:d:Lexeme:|Fitar.]]''' Mal. ''pitár'', apontar.
'''[[:d:Lexeme:|Fivela.]]''' Conc. ''phivel''. — Tet. ''fivela'', ''fiela''.
'''[[:d:Lexeme:|Flanela.]]''' Conc. ''phlānel''. — Tet., Gal. ''flanela''.
'''[[:d:Lexeme:|Fogaça.]]''' Indo-ingl. ''fogass'' (us. na Índia meridional).
'''[[:d:Lexeme:L448508|? Foguete]]''' («estalo da China»). Conc. ''phugaṭí''. — Mar. ''phaṭkaḍí''. — Hindust. ''phaṭakhá''. — Ass. ''phaṭaká''. — Sindh. ''phaṭakô''. — Tam., Malayál. ''paṭṭake''. — Tel., Can., Tul. ''phaṭóki''<ref>«O que á hũs e outros mais desordenou forão '''foguettes''' e bõbas de fogo que os Turcos usão no primeiro rompimento». João de Barros, Déc. IV, VII, 12.
«Tirando alguns tiros e muitos '''foguetes'''». Gaspar Correia, I, p. 165.
«Mandou o governador fazer sinal à armada com tres '''foguetes'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 1.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 82 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||GAGO GAGO|{{sc|82}}}}</noinclude>O Dr. Heyligers diz que a troca de ''e'' e ''u'' é freqüente, e que passando o ''f'' para ''p'', essa letra fácilmente se transformaria em ''b'', resultando daqui a forma ''bezil'' ou ''besil'', cuja corrução seria ''bedíl''.
{{center|{{larger|G}}}}
'''[[:d:Lexeme:|Gage]]''' (ant.). Mal. ''gade'', penhor; ''gáji'', estipêndio. ''Gádei'', ''gádeikan'', empenhar. — Ach., Sund., Jav., Mak., Bug. ''gáji'', estipêndio<ref>«Dois mil cruzados à conta de seus ordenados e '''gagens'''». Bocarro, p. 490.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1483942|? Gago.]]''' Conc. ''gág'' (subst.), gagueira. Term. vern. ''luḍbepaṇ'', ''totrepaṇ'', ''tsontsrepaṇ'' (derivados dos adjectivos ''luḍbó'', ''totró'', ''tsontsró''). ''Gág yevunk'' (dat. da pessoa), ter gagueira. ''Gāgyó'', gago. ''Gāgyém ulaunk'', falar gaguejando. ''Gāgevunk'', gaguejar. — Sund. ''gágu'', gagueira. — Mol., Batav. ''gágu''. — Mak., Bug. ''gága'', gaguejar. — Ach. ''gagab'', gaguejar, balbuciar. No batta, ''gagap'' significa, segundo Joustra, «seguir caminho perverso». — Mal. ''gágap'', ? ''kókok''.
Haex regista ''gugu'', «titubare», titubear, e ''gagab'', ''bergagab'', «balbutire», balbuciar. O Dr. Schuchardt nota as seguintes formas malaias: ''gegeb'', «titubear», e ''gagap'', ''gagáp'', ''gegáp'', «confuso», ''gugup'', «sussurro». E observa que «em Batávia ''gagu'' equivale a mudo»; mas no vocabulário crioulo-português-malaio dá ''oen-gagoe'' (= un gágu) «ein Stotterer (orang gagoe)». ''Kriolische Studien'', IX.
O Sr. Gonçalves Viana diz: «É desconhecida a etimologia dêste vocábulo português: a que o ''Dic. Etimologico'' do Dr. Ad. Coelho nos dá, o castelhano ''gago'', nada adeanta, e alêm disto e de ser pouco usada tal palavra nessa língua, tem significação muito diversa, correspondendo à usual ''gangoso'', que quere dizer «fanhoso» e não «gago»». Na opinião do Sr. Cândido de Figueiredo, é termo onomatopaico. ''Gago'', como apelido, ocorre muitas vezes nos antigos escritores: Gabriel Gago em João de Barros, Fernão Gomes Gago em Gaspar Correia, Diogo Gago nas ''Lembranças''.
O Dr. Schuchardt sustenta que ''gágap'', por sua terminação, é malaio, e não de origem portuguesa; e o Sr. Gonçalves Viana elimina-o da sua nova lista emendada e aumentada. Mas a razão alegada não vale para a forma ''gágu'' dos outros dialectos. Matthes deriva o makassarês ''gága'' do malaio ''gágap''.
Não se explica como é que, de
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
it0oykutilgjl3o9o93sy7g821lc702
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/180
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Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Correção integral e revisão da página 83 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|83}}|GALÉ GANHO|}}</noinclude>entre os idiomas indianos, só o concani tenha ''gág'', com alguns derivados, todos de uso comum, e mesmo mais usados do que os outros termos vernáculos. A onomatopeia é improvável no caso, porque as palavras dessa natureza são de ordinário comuns ao concani e ao marata. ¿Teria sido importado do português ou, antes, do malaio por intermédio do português?
Convêm notar que no português de Goa se emprega a palavra ''cacoethe'' com o sentido de «gagueira». O termo não aparece no ''Dic. Contemporaneo'' nem no de Cândido de Figueiredo; mas é registado por lexicógrafos antigos, como Morais, que diz: «'''Cacoethe''' (do lat. ''cacoethes''; do Gr. ''kakos'' «máo» e ''êthos'' «costume»). V. ''Cachexia''. Máo habito corporal, como o de quem torce o corpo, ou faz outros taes geitos e ademaes feios. Habito máo»<ref>«'''Cacoete''' — Ainda que êste vocábulo pareça mais scientifico do que vulgar, comtudo muitas vezes o temos ouvido, na provincia do Minho, a pessoas que nunca lêrão os livros». Card. Saraiva, IX, p. 24.
Segundo Marsden, ''gágu'', em malaio, é o nome de petinga.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Galão.]]''' Conc. ''gālámv''. Term. vern. ''zarpāṭí''. — Tel. ''galan''. — Tet., Gal. ''galã''.
'''[[:d:Lexeme:|? Galé.]]''' Mal. ''galey'', ''galay''. — Bug. ''gále''<ref>«Hũa armada de trezentas velas, em que entrauão '''galés''', lancharas, bantins». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 1.</ref>.
Do hol. ''galei''?
'''[[:d:Lexeme:|Galeão.]]''' Mal. ''galyún''. — Ár. ''galion''<ref>«Deu hum '''Galeão''' com muitas monições». Diogo do Couto, Déc. VI, VIII, 5.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Galeota.]]''' Indo-ingl. ''gallewat''. — Ár. ''galitha''<ref>«Fretou hũa fermosa '''Galeota'''». Diogo do Couto, Déc. VI, III, 9.</ref>.
Fr. José de Moura diz que ''galiun'' e ''galiuta'' são vozes turcas.
'''[[:d:Lexeme:L448060|Galeria.]]''' Conc. ''gāleri''. — ? Mal. ''galari'', ''galri''. — ? Jav. ''galadri'', ''gladri''. — ? Mad. ''galdri''.
O Sr. Gonçalves Viana acha improvável a proveniência portuguesa.
'''[[:d:Lexeme:|Galo.]]''' Mal. ''gallo'' (Haex). Term. vern. ''áyam jantam'', ''áyam kambiri''.
Não se sabe o motivo da introdução dêste vocábulo, que não aparece nos dicionários modernos.
'''[[:d:Lexeme:|Gamela.]]''' Conc. ''gamél''. Term. vern. ''parḍém'', ''karlém''. — Mar. ''gamêl'', coche de pedreiro. — ? Malg. ''gamela''<ref>«Enxadas, alavancas, picões, '''gamelas'''». Gaspar Correia, III, p. 619.</ref>.
Molesworth regista tambêm ''gabelem'', como usado no Concão no mesmo sentido.
'''[[:d:Lexeme:|Gancho.]]''' Conc. ''gánch''. Term. vern. ''ānkḍó'', ''phāsó'', ''kél''. — Tam. ''gánchu'', ferrolho. — Mal. ''gánchu'' (subst.), gancho; (adj.) aganchado, munido de gancho. ''Muggánchu'', aganchar. — Turc. ''cancha'', segundo Simonet.
'''[[:d:Lexeme:|Ganho.]]''' Conc. (subst.) ''gánh'', lu-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/181
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 84 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||GASTO GENTIO|{{sc|84}}}}</noinclude>cro; juro. — Mak. (adj.) ''gánhu'' (termo de jôgo), ganho, ganhado. — Bug. ''gánho'' (idem).
'''[[:d:Lexeme:|? Ganso.]]''' Mal. ''gánsa'', ''gása''. — Batt. ''kánsa''. — Sund. ''gánsa''. — Day. ''gása''. — Jap. ''gan'', ganso bravo; ''gacho'', ganso domesticado. — Malg. ''gisa''. Term. vern. ''vorombe''<ref>«Pauoens, '''ganços''', adens, e todas as aves domesticas». Lucena, liv. X, cap. 18.</ref>.
«''Angsa'' e ''gangsa'' são as palavras usuais, em todo o Arquipélago, para ganso, as quais são evidentemente do sânscrito ''hansa''». Rigg.
'''[[:d:Lexeme:|? Garça.]]''' Camb. ''cărsa'', ''crâsa''. — Siam. ''kra-sá'', ''ka-sá''.
O cambojano e o siamês não teem ''g''. Cf. camb. ''casêt'' = franc. ''gazette''; siam. ''khru'' = sânsc. ''guru'', ''khiri'' = sânsc. ''giri''.
Parece que ''cărsa'', ''krasá'' são corrupção de ''gansa'', que se encontra nas línguas malaio-polinésias. Moura dá a ''cărsa'' o significado de «grou».
'''[[:d:Lexeme:|Garfo.]]''' Conc. ''gárph'' (mais us. ''kānṭó'', lit. «espinho»). — Sing. ''gárpuva'', ''gúrppuva'', ''gẹrpuva'', ''gáruppuva''. — Malayál. ''kárpu'' (us. em Cochim). — Mal. ''gárfu'', ''gárpu''. — Sund. ''gárpu''.
'''[[:d:Lexeme:|Gasto.]]''' Conc. ''gást'' (p. us.). Term. vern. ''kharts'', ''vets''. Mais usado o verbo ''gāstár-karunk'', concorrentemente com ''khartsunk'', ''sārunk''. — Sing. ''gástuva'', honorário, propina.
'''[[:d:Lexeme:|Gávea.]]''' Guj., L.-Hindust. ''gāvi''. — Mal. ''gávei''. — Ár. ''gabia''<ref>«Leuauão muytas lanças de fogo, e panelas de polvora, que lhe deitauão das '''gaveas'''». Gaspar Correia, I, p. 512.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Gaveta.]]''' Conc. ''gavét''. Term. vern. ''khaṇ''. — Tam. ''gavêtei''. — Tet., Gal. ''gavêta''.
'''[[:d:Lexeme:|Gaxeta]]''' (naut.). L.-Hindust. ''ghāset'', ''ghaseth'', ''ghānset'', ''ghansít''.
'''[[:d:Lexeme:|Gelosia.]]''' Sing. ''jalúsi''<ref>«Auia muitas janelas de sacadas pera fóra, com '''gelozias'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 7.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Genebra.]]''' Conc. ''jenebr''. — Tet., Gal. ''jenebra''.
'''[[:d:Lexeme:L477290|General.]]''' Conc. ''jenerál''; ''jernel'' (do ingl.). Term. vern. ''senāpati'', ''dalpati''. — Malayál. ''janarál''. — Mal. ''jendral''. ''Jendrál laut'' (''laut'' = mar), general do mar, almirante. — Ach. ''jendral''. — Bug. ''jinerála''. — Tet. ''jeneral''<ref>«Mandou o '''general''' vm Bernardo de la Torre por capitão de vm Galeãosinho». Diogo do Couto, Déc. V, VIII, 10.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Gentio.]]''' Conc. ''jintú'' (us. como sinónimo junto com ''konkṇó'', ou como depreciativo). Term. vern. ''anbhāvārthi'' (lit. «infiel»), ''konkṇó'' (lit. «concani»). — Indo-ingl. ''gentoo'', pagão; hindu; telúgu. — Tet. ''jentiu''. — Gal. ''jentiu'', ''sentiu''.
A palavra ''gentoo'' só se usa actualmente em Madrasta, no sentido de «telúgu» ou «telinga». Mas outrora tinha significação mais ampla; o primeiro digesto da legis-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 85 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|85}}|GOIABA GOVÊRNO|}}</noinclude>lação indígena, mandado compilar por Warren Hastings e publicado em 1776, tem o título de ''A Code of Gentoo Law''.
'''[[:d:Lexeme:L450529|Geração.]]''' Conc. ''jerasámv''. Term. vern. ''piṇḍká'', ''pilgi''. — Tet., Gal. ''jerasã''.
'''[[:d:Lexeme:|Gergelim.]]''' Mar., Hindust. ''jinjali'' (termo comercial, segundo ''Hobson-Jobson''). Term. vern. ''til'', ''tiḷ''. — Indo-ingl. ''gingeli'', ''gingelly''<ref>«Servem-se muyto dazeite de '''gergelim'''». Duarte Barbosa, p. 336.
«Cheias de arroz, azeite, e jerzilim». Bocarro, Déc. XIII, p. 478.</ref>.
O vocábulo é de origem arábica (''juljulán'').
'''[[:d:Lexeme:L46843|Gêsso.]]''' Conc. ''jês''. Term. vern. ''xêḍ'', ''kheḍ''. — Ár. ''chess'', ''chiss''.
'''[[:d:Lexeme:L448215|Globo]]''' (de vidro, para alumiar). Conc. ''glôb'', ''galôb''. — Sing. ''golôva''. — Tam. ''galobei''.
O singalês tem ''gôla'' (sânsc.), «globo em geral, esfera», que podia dar ''gôlava'', mas não ''golôva'', onde o ''v'' está por ''b''.
'''[[:d:Lexeme:|Goiaba]]''' (''Psidium guyava''). ? Tam. ''goyá palam'' (lit. «fruta goiaba ou fruta de Goa»?). Diz-se tambêm ''pêrá''. — ? Tel. ''gōvā-panḍu'' (''panḍu'' = fruta). — ? Indo-ingl. ''guava''. — ? Indo-franc. ''gouave'', ''goyave'', ''goyavier''. — ? Nic. ''koyanva''. — Tet., Gal. ''koyabas''. — Malg. ''guavy''.
Assim como os portugueses chamaram «figos» às bananas, assim deram o nome de «pera» à goiaba, quando a introduziram na Índia; e assim como entrou posteriormente o vocábulo ''banana'', quási do mesmo modo deve ter entrado o vocábulo ''goiaba'' ou ''goiava''. ¿Mas teriam ''banana'' e ''goiaba'' de facto passado do português ao indo-inglês e ao indo-francês? Parece que o tam. ''goyá'' e o tel. ''gōvā'' estão por «Goa». Vid. ''pera'' e ''banana''<ref>Algumas das línguas indianas dão à goiaba o nome de ''jambo''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Gola.]]''' Conc. ''gól''. Term. vern. ''gaḷó''. — Tam. ''golla''.
'''[[:d:Lexeme:|Goma.]]''' Conc. ''góm''. Term. vern. ''bôḷ'', ''chík''. — Tet. ''goma''. — Jap. ''gomu'' (talvez do ingl. ''gum''). ''Arabíya gomu'', goma arábica.
'''[[:d:Lexeme:|Gorgoleta.]]''' Conc. ''gurgulét''. Term. vern. ''kuzó''. — Sing. ''guruléttuva''. — Indo-ingl. ''goglet'', ''guglet''. — Mal. ''gargalét'', ''bargalét''. — Mak., Bug. ''guléta''. — Tet. ''gorgoleta'', ? ''gargó''. Term. vern. ''dardón''. — Gal. ''gorgoleta''<ref>«Por lançarmos entre elles muitas panellas, e '''gorgoletas''' de poluora». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. II, cap. 25.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Gôsto.]]''' Conc. ''gôst''. Term. vern. ''rúts'', ''svád''. — Gal. ''gôstu''.
'''[[:d:Lexeme:L477273|Governador.]]''' Conc. ''governādor'' (vulgarmente «''rāzá''»). — Malayál. ''gōverṇṇador'' (ant.; agora ''gavarnar'', do inglês). — Mal. ''gubernadúr'', ''gubernúr'', ''gurnadúr'', ''gurundúr''. — Bug. ''goronádora''.
'''[[:d:Lexeme:L477158|Govêrno.]]''' Conc. ''govêrn''. Term. vern. ''sarkár''. — Tet., Gal. ''govêrnu''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 86 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||GRANDE GUARDANAPO|{{sc|86}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L558162|Graça.]]''' Conc. ''grás'', gracejo. Termos vern. ''khebaḍ'', ''chexṭay''. — Tet. ''grasa''. Term. vern. ''diak'', ''túlun'' (auxílio). — Gal. ''grasa''. Term. vern. ''lálan'' (gracejo). — Jap. ''garasa''<ref>Em concani, a graça divina exprime-se por ''kurpá'', do sânsc. ''krpá''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Grade.]]''' Conc., Guj. ''garád''. — Mar. ''garád'', ''garáz'', ''garadá''. — Hindust., Beng. ''garādiyá''. — Sing. ''garádiya''. ''Garádi mẹssa'', gradaria. ''Garádi dammalada'', gradeado. ''Garādivuta'', palissada. — Tam. ''garáde'', ''girádi''. — Malayál. ''girádi'', ''grádi'', ''grási''. — Siam. ''kratū''<ref>Cf. siam. ''khru'' = sânsc. ''guru'', «mestre»; ''thŭt'' = sânsc. ''dūta'', «mensageiro». Vid. ''garça''.</ref>. — Mal. ''grado'' (Haex), ''gerádi''. Term. neo-árico ''kaṭhḍó''.
'''[[:d:Lexeme:L448487|Gralha.]]''' Mol. ''graia'' (Castro).
'''[[:d:Lexeme:|Granada]]''' («estalo, bomba»). Conc. ''garnál'', ''garnêl''. — Mar., Hindust. ''garnál''. — Tul. ''garnalu''<ref>«Pois só nesta [companhia de granadeiros] consiste a nossa defensa, e o seu temor, sendo extraordinario o que estes barbaros tem concebido do novo fogo de '''granadas'''» (1728). ''O Chronista de Tissuary'', I, p. 52.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|? Granadeiro.]]''' Hindust. ''garanḍil''. — Tel. ''garandilu''<ref>«Mais que em nenhuma outra parte se carece nesta provincia [de Baçaim e Damão] de huma companhia de '''granadeiros''', a qual não deve embarcar senão no caso de necessidade». ''Ibid.''</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477152|? Grande.]]''' Pid.-Engl. ''galanti'', ''kalan-ti''.
O étimo português parece mais provável que o ingl. ''grand''. A mudança do ''r'' em ''l'' e do ''d'' em ''t'' é normal.
'''[[:d:Lexeme:L448283|Grão.]]''' Conc. ''grámv'' (pêso). — Indo-ingl. ''gram'', grão de bico.
'''[[:d:Lexeme:L450565|Graxa.]]''' Conc. ''gráx''. — Tet. ''gracha''.
'''[[:d:Lexeme:L619086|Grosso.]]''' Mal. ''grosso'', denso, espêsso (Haex).
'''[[:d:Lexeme:|Grude.]]''' Conc. ''gurûd''. Term. vern. ''pánk'', ''chikaṭvaṇ'', ''khaḷ''. — Tet. ''grúdi''. Term. vern. ''reten'', ''dámer''.
'''[[:d:Lexeme:L558171|Guarda.]]''' Conc. ''guvárd''. — Mar. ''gārdi'', ''gāḍdi''. ''Gārdāi'', «insurreição, tumulto entre os soldados, e, daqui, tumulto, confusão, gritaria, mais genéricamente». (Molesworth). — Guj. ''gārdi'', ''gaḍdi''. — Hindust. ''gārad''. — Khas. ''garod'', ''karod''. — Mal. ''gárdu'', ''gărdu''. — Sund. ''gárdu''. — Jav. ''gárdu'', ''gérdu'', ''grédu''. — Tet., Gal. ''guarda''. — Ár. ''virdiyán'' (do italiano ''guardia'', diz Belot). Em javanês tambêm se emprega como verbo, «pôr guarda».
Molesworth observa que o vocábulo se encontra nos mais antigos documentos maratas e se não reputa estrangeiro; mas não diz se os tais documentos são anteriores ao século XVI. Acrescenta que designa especialmente o soldado de infantaria empregado para a guarda da pessoa de Peshuva ou de outro ''rajá''. Mas Wilson deriva-o do ingl. ''guard'' e nota que é obsoleto.
'''[[:d:Lexeme:|Guardanapo.]]''' Conc. ''guvārdānáp''. — Sing. ''gardenappa''. — Mal. ''gardenappa'' (Haex).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|87}}|HERDAR HISTÓRIA|}}</noinclude>'''Gudão''' («armazém», do indo-português)<ref>«'''Gudões''', que são hũas logias quasi metidas debaixo do chão por guarda do fogo». João de Barros, Déc. II, VI, 3.
«Dous '''gudões''' d'elRey, os quaes dizia estarem cheyos de fazenda». ''Id.'', 4.
«Será recolhida nos '''gudões''' da Alfandega». Filipe Néri Xavier, ''Collecção de Bandos''.</ref>. Conc., Mar. ''gudámv''. Term. vern. ''kaṭhí'', ''kaṭhár'', ''sānthó'', ''thevó''. — Hindust., Nep. ''godám''. — Or. ''gudáma''. — Beng. ''gudam''. — Ass. ''gudám''. — Sing. ''gudáma''. — ? Tam. ''giṭangu''. — Malayál. ''guḍḍam''. — ? Tel. ''gaḍangu'', ''giḍḍingi''. — Can., Tul. ''gaḍangu''. — Indo-ingl. ''godown''. — Khas. ''kudam''. — Day. ''gudang'' (aproxima-se mais da forma portuguesa que da do étimo). — Bug. ''gudang'', despensa na habitação dos europeus, além do vernáculo ''gaḍong'', armazém.
Do mal. ''gadong'' ou ''godong'', propagado pelos portugueses. «Todavia, dizem Yule & Burnell, parece que a palavra proveio primáriamente do sul da Índia, onde ''giḍangi'' em telúgu, ''kiḍangu'' em tamul significam «lugar onde jazem fazendas», de ''kiḍu'', «jazer».
'''Guisado''' (subst.). Conc. ''gizád''. Term. vern. ''pakvan''. — Tet. ''gizádu''.
'''[[:d:Lexeme:L448412|Guitarra]].''' Conc. ''gitár''. Term. vern. ''viṇó''. — Sing. ''kittārama''. — Mal. ''getera''. Tambêm no crioulo malaio nesta forma. — Ár. ''qitár''.
O étimo do vocábulo árabe atribui-se ao grego.
'''Guloso.''' Mal. ''galojo''.
{{center|H}}
'''Hábita.''' Vid. ''ábita''.
'''Hábito''' («sotaina»). Beng. ''ábdi'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''abito'' (obsol.).
'''[[:d:Lexeme:L448413|Harpa]].''' Conc. ''árp''. — Bug. ''arápa'', que Matthes tira do hol. ''harp''.
'''Harmónio.''' Conc., Tet. ''armónyu''.
'''Herdar.''' Conc. ''erdár-karunk''. — Tet. ''érda''. Term. vern. ''hétan''.
'''Hissope.''' Conc. ''isóp''. — Beng. ''isopa''. — ? Sing. ''hisop'' (talvez do inglês). — Tam. ''isopei''.
'''[[:d:Lexeme:L477300|História]].''' Conc. ''istór''. Term. vern. ''kathá'' ou ''kanthá'', ''charitr'', ''itihás''. — Mal., Jav., Mad. ''setóri'' (tambêm «cabala, maquinação»). — Alto jav. ''setanton''. — Sund. ''stóri''. — Tet., Gal. ''istóri'', «anarquia, contenda, controvérsia, debate, desinteligencia, desordem, discórdia, disputa, dissensão, distúrbio, levantamento, litígio, motim, pendência, pleito, porfia, questão» (Rafael das Dores)<ref>«Forbes prétend que dans l'île de Timor le mot ''istori'' s'emploie comme adjectif dans le sens de mauvais». Heyligers. As minhas fontes não dizem tal.</ref>. — ? Malg. ''historia''. — Ár. ''usthúra''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 101 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|101}}|MAL-ENSINADO MANDADOR|}}</noinclude>O vocábulo deriva-se do malayál. ''maṇṇāttan'', fem. ''maṇṇātti''<ref>Gundert regista a forma ''māṇātti'' com o significado de «lavadeiro estrangeiro».</ref>. É usado em ásio-português. Há um lugar em Macau chamado ''Tanque dos mainatos''.
'''Mainel.''' Conc. ''māynel''. — ? Sund. ''panel''.
Rigg presume que ''panel'' é do hol. ''paneel'', «painel», mas o significado difere muito.
'''Major.''' Conc. ''mājor'', ''mānjor''. — Tel. ''mayōjru''. Brown tira-o do francês.
'''Mala''' («saco»). Conc. ''mál'' (p. us.). Term. vern. ''potém'', ''boksém''. — ? Sing. ''malla''. Term. vern. ''pasumbiya'', ''kurapasiya'', ''madissalaya''. — Tet. ''mala''.
'''Malcriado.''' Conc. ''mālkryád''. Term. vern. ''amaryādlí'', ''rāytoló''. — Tet., Gal. ''malkriádu''. Term. vern. ''óin kabóbil''.
'''Maldição.''' Conc. ''māldisámv''. Termos vern. ''xáp'', ''xiráp''. — Beng. ''māldisān''. — Mal. ''maldiçaon'' (Haex). — Tet., Gal. ''maldisã'', ''malisã''.
'''Mal-ensinado''' («malcriado»). Mal. ''mal ensinado'' (Haex)<ref>«Este se fez tão soberbo, '''mal-ensinado''', e livre, que havia poucas pessoas com quem não houvesse tido historias». Francisco Vaz de Almada, in ''Hist. tragico-marit.'', IX, p. 14.</ref>.
'''Malícia.''' Conc. ''mális''. Term. vern. ''kusḍāy'', ''kapaṭ''. — Tet. ''malísi''. Term. vern. ''láran áti''.
'''Mama.''' Conc. ''mám'', em linguagem infantil. — Mar. ''máma''.
Molesworth diz que é termo onomatópico.
'''Mamã.''' Conc. ''māmām'' (us. por alguns cristãos de Goa). — Mol. ''maman''.
'''Mana.''' Conc. ''maná'', irmã mais velha (us. entre os cristãos de Goa). Term. vern. ''bāi'', ''bái'' (p. us. em Goa neste sentido). Beng. ''maná'' (us. em Hoshnabad entre os cristãos).
A ''maná'' corresponde em concani ''irmámv'', «irmão mais velho». Julgou-se que os termos portugueses, além de simples, eram mais honoríficos.
'''Maná.''' Conc. ''maná''. — Hindust. ''man''. — Beng. ''maná''. — Tel. ''manná''. — Can. ''mana''. — Tul. ''manna''. — Mak., Malg., Jap. ''mana''<ref>«O primeiro gosto d'aquelle celestial '''maná''' lho fazia assi avantejar a tudo o mais». Lucena, liv. VI, 12.</ref>.
A procedência portuguesa não é certa, excepto no concani.
'''Mandador.''' Mal., Jav., Mad. ''mandôr'', ''mandúr'', capataz, olheiro, fiscalizador. — Batt., Day. ''mandúr''. — Sund. ''mandôr''. — Indo-ingl. ''mandadore''<ref>«Each of which Tribes have a '''Mandadore''' or Superintendent». Fryer, in ''Hobson-Jobson''.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|101}}|MAL-ENSINADO MANDADOR|}}</noinclude>O vocábulo deriva-se do malayál. ''maṇṇāttan'', fem. ''maṇṇātti''<ref>Gundert regista a forma ''māṇātti'' com o significado de «lavadeiro estrangeiro».</ref>. É usado em ásio-português. Há um lugar em Macau chamado ''Tanque dos mainatos''.
'''Mainel.''' Conc. ''māynel''. — ? Sund. ''panel''.
Rigg presume que ''panel'' é do hol. ''paneel'', «painel», mas o significado difere muito.
'''Major.''' Conc. ''mājor'', ''mānjor''. — Tel. ''mayōjru''. Brown tira-o do francês.
'''[[:d:Lexeme:L618648|Mala]]''' («saco»). Conc. ''mál'' (p. us.). Term. vern. ''potém'', ''boksém''. — ? Sing. ''malla''. Term. vern. ''pasumbiya'', ''kurapasiya'', ''madissalaya''. — Tet. ''mala''.
'''Malcriado.''' Conc. ''mālkryád''. Term. vern. ''amaryādlí'', ''rāytoló''. — Tet., Gal. ''malkriádu''. Term. vern. ''óin kabóbil''.
'''Maldição.''' Conc. ''māldisámv''. Termos vern. ''xáp'', ''xiráp''. — Beng. ''māldisān''. — Mal. ''maldiçaon'' (Haex). — Tet., Gal. ''maldisã'', ''malisã''.
'''Mal-ensinado''' («malcriado»). Mal. ''mal ensinado'' (Haex)<ref>«Este se fez tão soberbo, '''mal-ensinado''', e livre, que havia poucas pessoas com quem não houvesse tido historias». Francisco Vaz de Almada, in ''Hist. tragico-marit.'', IX, p. 14.</ref>.
'''Malícia.''' Conc. ''mális''. Term. vern. ''kusḍāy'', ''kapaṭ''. — Tet. ''malísi''. Term. vern. ''láran áti''.
'''Mama.''' Conc. ''mám'', em linguagem infantil. — Mar. ''máma''.
Molesworth diz que é termo onomatópico.
'''Mamã.''' Conc. ''māmām'' (us. por alguns cristãos de Goa). — Mol. ''maman''.
'''Mana.''' Conc. ''maná'', irmã mais velha (us. entre os cristãos de Goa). Term. vern. ''bāi'', ''bái'' (p. us. em Goa neste sentido). Beng. ''maná'' (us. em Hoshnabad entre os cristãos).
A ''maná'' corresponde em concani ''irmámv'', «irmão mais velho». Julgou-se que os termos portugueses, além de simples, eram mais honoríficos.
'''Maná.''' Conc. ''maná''. — Hindust. ''man''. — Beng. ''maná''. — Tel. ''manná''. — Can. ''mana''. — Tul. ''manna''. — Mak., Malg., Jap. ''mana''<ref>«O primeiro gosto d'aquelle celestial '''maná''' lho fazia assi avantejar a tudo o mais». Lucena, liv. VI, 12.</ref>.
A procedência portuguesa não é certa, excepto no concani.
'''Mandador.''' Mal., Jav., Mad. ''mandôr'', ''mandúr'', capataz, olheiro, fiscalizador. — Batt., Day. ''mandúr''. — Sund. ''mandôr''. — Indo-ingl. ''mandadore''<ref>«Each of which Tribes have a '''Mandadore''' or Superintendent». Fryer, in ''Hobson-Jobson''.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MANDARIM MANGELIM|{{sc|102}}}}</noinclude>'''Mandar.''' Conc. ''māndár-karunk'' (p. us.). — L.-Hindust. ''madár'', mandado, ordem.
'''Mandarim.''' Indo-ingl., Indo-franc. ''mandarin''<ref>«Trezentos '''Mandarijs''', que são como entre nós os fidalgos». João de Barros, Déc. III, III, 2.
«Encontrara [em Sião] com vm '''Mandarim''' (que assi chamão a seus Regedores, o que tomarão dos Chins)». Diogo do Couto, Déc. V, VI, 1. «Estando na China por Embaixador, açoutou vm '''Mandarim''' (que são os que gouernão a justiça, que antre aquelles Gentios he muito venerada)». ''Id.'', Déc. V, VIII, 12.</ref>.
Etimológicamente, ''mandarim'' não se prende ao verbo ''mandar''; é corrupção do sânsc. e neo-áric. ''mantri'', «conselheiro, ministro de estado». A mudança de ''t'' em ''d'' e a dissolução da consoante composta ''tr'' podem ser devidas ou à influência de ''mandar'' ou, antes, a alguma língua da Insulíndia. Cf. bug. ''manātāri'' = ''mantri''. Gaspar Correia diz: «Quem apresentava sete cabeças dos imigos o fazião cavalleiro, e lhe chamauão '''manderym''', que he nome de caualleiro». ''Lendas'', II, p. 808. E em outro passo: «Logo a Rainha (de Ternate) e seus '''mandarijs''' se mandarão queixar ao novo capitão». III, p. 371<ref>A nasalização do ''i'' final é regular na transição das palavras orientais para o português. Cf. ''lascarim, mordexim, palanquim''. Mas João de Barros e alguns outros escrevem ''mandarij'', bem como ''Çamorij, Cochij, Comorij, Chatijs'', por ''mandari, Çamori, Cochi, Comori, chatis''.</ref>.
'''? Mandil.''' Mal. ''mandil'' (p. us.)<ref>«Hũ '''mandil''' finíssimo, hũ laudel de seda com suas calças». Castaneda, II, cap. 13.</ref>.
Talvez recebido directamente do árabe.
'''Manga''' (''Mangifera Indica''). Indo-ingl. ''mango''. — Indo-franc. ''mangue'', ''manguier''. — Malg. ''manga''<ref>«Chamão a hũas jacas, a outras '''mangas''', e a outras figos». Castanheda, I, cap. 16.
«Betel, arequa, jaquas, gengivre verde, laranjas, limões, figuos, cairo, '''manguas''', cidrões». Simão Botelho, p. 48.
(Os craveiros) «sempre tomão hum anno de folga, como as oliveiras da nossa Europa, e as '''mangueiras''' da India». Diogo do Couto, Déc. IV, VII, 9.</ref>.
O étimo é o tam. ''mānkāy'', que é própriamente o nome do fruto verde, sendo ''mampalam'' o do maduro. Ambos os vocábulos estão introduzidos no malaio: ''manga'' em Malaca, Singapura e Sunda, e ''memplam'' em Penang, Achem e Batta.
Em concani, ''māngāḍ'' é doce de mangas.
'''Mangação.''' Conc. ''māngāsámv''. Term. vern. ''khebaḍám'', ''maskaryó''. — Tet. ''mangasã''.
'''Mangelim''' («pêso»). Indo-ingl., Indo-franc. ''mangelin''<ref>«Cada '''mangelim''' 8 grãos d'arroz». António Nunes, ''Livro dos Pesos'', p. 35.
«Dos quaes '''mangelins''' faz hum, dous quilates dos nossos». Damião de Góis, ''Chronica de D. Manuel'', II, 6.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MANDARIM MANGELIM|{{sc|102}}}}</noinclude>'''Mandar.''' Conc. ''māndár-karunk'' (p. us.). — L.-Hindust. ''madár'', mandado, ordem.
'''[[:d:Lexeme:L1259117|Mandarim.]]''' Indo-ingl., Indo-franc. ''mandarin''<ref>«Trezentos '''Mandarijs''', que são como entre nós os fidalgos». João de Barros, Déc. III, III, 2.
«Encontrara [em Sião] com vm '''Mandarim''' (que assi chamão a seus Regedores, o que tomarão dos Chins)». Diogo do Couto, Déc. V, VI, 1. «Estando na China por Embaixador, açoutou vm '''Mandarim''' (que são os que gouernão a justiça, que antre aquelles Gentios he muito venerada)». ''Id.'', Déc. V, VIII, 12.</ref>.
Etimológicamente, ''mandarim'' não se prende ao verbo ''mandar''; é corrupção do sânsc. e neo-áric. ''mantri'', «conselheiro, ministro de estado». A mudança de ''t'' em ''d'' e a dissolução da consoante composta ''tr'' podem ser devidas ou à influência de ''mandar'' ou, antes, a alguma língua da Insulíndia. Cf. bug. ''manātāri'' = ''mantri''. Gaspar Correia diz: «Quem apresentava sete cabeças dos imigos o fazião cavalleiro, e lhe chamauão '''manderym''', que he nome de caualleiro». ''Lendas'', II, p. 808. E em outro passo: «Logo a Rainha (de Ternate) e seus '''mandarijs''' se mandarão queixar ao novo capitão». III, p. 371<ref>A nasalização do ''i'' final é regular na transição das palavras orientais para o português. Cf. ''lascarim, mordexim, palanquim''. Mas João de Barros e alguns outros escrevem ''mandarij'', bem como ''Çamorij, Cochij, Comorij, Chatijs'', por ''mandari, Çamori, Cochi, Comori, chatis''.</ref>.
'''? Mandil.''' Mal. ''mandil'' (p. us.)<ref>«Hũ '''mandil''' finíssimo, hũ laudel de seda com suas calças». Castaneda, II, cap. 13.</ref>.
Talvez recebido directamente do árabe.
'''[[:d:Lexeme:L7569|Manga]]''' (''Mangifera Indica''). Indo-ingl. ''mango''. — Indo-franc. ''mangue'', ''manguier''. — Malg. ''manga''<ref>«Chamão a hũas jacas, a outras '''mangas''', e a outras figos». Castanheda, I, cap. 16.
«Betel, arequa, jaquas, gengivre verde, laranjas, limões, figuos, cairo, '''manguas''', cidrões». Simão Botelho, p. 48.
(Os craveiros) «sempre tomão hum anno de folga, como as oliveiras da nossa Europa, e as '''mangueiras''' da India». Diogo do Couto, Déc. IV, VII, 9.</ref>.
O étimo é o tam. ''mānkāy'', que é própriamente o nome do fruto verde, sendo ''mampalam'' o do maduro. Ambos os vocábulos estão introduzidos no malaio: ''manga'' em Malaca, Singapura e Sunda, e ''memplam'' em Penang, Achem e Batta.
Em concani, ''māngāḍ'' é doce de mangas.
'''Mangação.''' Conc. ''māngāsámv''. Term. vern. ''khebaḍám'', ''maskaryó''. — Tet. ''mangasã''.
'''Mangelim''' («pêso»). Indo-ingl., Indo-franc. ''mangelin''<ref>«Cada '''mangelim''' 8 grãos d'arroz». António Nunes, ''Livro dos Pesos'', p. 35.
«Dos quaes '''mangelins''' faz hum, dous quilates dos nossos». Damião de Góis, ''Chronica de D. Manuel'', II, 6.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh|{{sc|103}}|MANILHA MÃO|}}</noinclude>A palavra vem do tam. ''manjāḍi'', tel. ''manjāli''. Vid. ''Hobson-Jobson''.
'''Mangostão''' (''Garcinia mangostana''). Conc. ''mangustámv''. — Indo-ingl. ''mangosteen''. — Indo-franc. ''mangostan'', ''mangoustan''<ref>«O que tenho sabido das '''mangostães''' he que he huma das mais saborosas frutas que ha nesta terra». Garcia da Orta, Col. XXXVIII.
«Tout le pays de Siam est très fertile en ris et en fruits, dont les principaux sont appellez Mangues, Durions et '''Mangoustan'''». Tavernier, ''Voyages'', IV, p. 197.</ref>.
O étimo é o malaio-jav. ''manggistan'', ''manggis''.
'''Mangual.''' Conc. ''mangl''. — Tul. ''mungāru'', ''mungaru''.
'''Manguço, mangusto''' («ichneumon»). Indo-ingl. ''mungoose''. — Indo-franc. ''mangouste''<ref>«Ha uns bichos a que chamão '''mongús''', em cousa alguma se differenção dos furões». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. XX.
«O seu nome telúgu é ''mangūsu'', donde vem ''mongús'' (como escreve João Ribeiro), o ''mungoose'' dos inglezes, a ''mangouste'' dos francezes, e outras formas». Conde de Ficalho, Col. XLII.</ref>.
Do marata-conc. ''mungús'' ou ''mungas'', sânsc. ''angusha''.
'''Manha.''' Conc. ''mánz''. Term. vern. ''khōḍ'', ''avgun''. — Tet. ''manha''. Term. vern. ''kaba-kaba''.
'''Manilha''' (no jôgo de cartas). Conc. ''mānílh''. — Mak., Bug. ''manila''.
'''Manilha.''' Indo-ingl. ''manilla-man'', joalheiro ambulante.
Yule e Burnell dizem que ''manilla-man'', neste sentido é hibridismo do tel. ''manela-vāḍu'' e do ingl. ''man'', com mistura do port. ''manilha''<ref>«E mandou a grão pressa ao feitor que trouxesse dobrados lambeis, '''manilhas''', bacias e outras cousas». João de Barros, Déc. I, III, 2.</ref>. Brown porém deriva ''manéla-vāndlu'' do nome geográfico Manila. O homem que vende manilhas de vidro, ou manilheiro, como lhe chamam em Goa, anda de porta em porta, apregoando a sua mercadoria. É contudo possível que ''manilla'' tire a sua origem de ''maneri'', que em marata e concani é o nome de joalheiro, sânsc. ''maṇikāra''.
'''Mano.''' Conc. ''mán''. Preposto ao nome próprio em certas famílias. — Beng. ''mānú''. Us. pelos cristãos de Dacá.
'''Manteiga.''' Mal., Sund., Mak., Bug. ''mantéga''. — Ach. ''mentiga''. — Jav. ''mantégò''. — Mad. ''mentégò''. — Tet., Gal. ''mantéga''. Term. vern. ''bókur''. — Jap. ''manteka'', que, segundo o Sr. Gonçalves Viana, é do espanhol<ref>«The natives of the Malay Islands neither drink milk nor make butter. The same is said of Chinese». Marsden, ''Memoirs of a Malay family'', p. 10.</ref>.
'''Manto.''' Conc. ''mánt'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''manto''.
'''Mão''' («medida de capacidade e de pêso»). Indo-ingl. ''maune'' (ant.), ''mound'' (moderno)<ref>«'''Mãos''' que saom uinte no candil, ho qual como diguo pesa hum bahar, que he quatro quintaes». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 282.
«A '''mão''' do azeite tem 12 canadas» (em Goa). António Nunes, p. 31.
«Corenta ceres hua '''mão''', e vynte mãos hum bahar». ''Lembranças das Cousas da Yndia''.</ref>.
== Notas ==
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'''Mangostão''' (''Garcinia mangostana''). Conc. ''mangustámv''. — Indo-ingl. ''mangosteen''. — Indo-franc. ''mangostan'', ''mangoustan''<ref>«O que tenho sabido das '''mangostães''' he que he huma das mais saborosas frutas que ha nesta terra». Garcia da Orta, Col. XXXVIII.
«Tout le pays de Siam est très fertile en ris et en fruits, dont les principaux sont appellez Mangues, Durions et '''Mangoustan'''». Tavernier, ''Voyages'', IV, p. 197.</ref>.
O étimo é o malaio-jav. ''manggistan'', ''manggis''.
'''Mangual.''' Conc. ''mangl''. — Tul. ''mungāru'', ''mungaru''.
'''Manguço, mangusto''' («ichneumon»). Indo-ingl. ''mungoose''. — Indo-franc. ''mangouste''<ref>«Ha uns bichos a que chamão '''mongús''', em cousa alguma se differenção dos furões». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. XX.
«O seu nome telúgu é ''mangūsu'', donde vem ''mongús'' (como escreve João Ribeiro), o ''mungoose'' dos inglezes, a ''mangouste'' dos francezes, e outras formas». Conde de Ficalho, Col. XLII.</ref>.
Do marata-conc. ''mungús'' ou ''mungas'', sânsc. ''angusha''.
'''Manha.''' Conc. ''mánz''. Term. vern. ''khōḍ'', ''avgun''. — Tet. ''manha''. Term. vern. ''kaba-kaba''.
'''Manilha''' (no jôgo de cartas). Conc. ''mānílh''. — Mak., Bug. ''manila''.
'''Manilha.''' Indo-ingl. ''manilla-man'', joalheiro ambulante.
Yule e Burnell dizem que ''manilla-man'', neste sentido é hibridismo do tel. ''manela-vāḍu'' e do ingl. ''man'', com mistura do port. ''manilha''<ref>«E mandou a grão pressa ao feitor que trouxesse dobrados lambeis, '''manilhas''', bacias e outras cousas». João de Barros, Déc. I, III, 2.</ref>. Brown porém deriva ''manéla-vāndlu'' do nome geográfico Manila. O homem que vende manilhas de vidro, ou manilheiro, como lhe chamam em Goa, anda de porta em porta, apregoando a sua mercadoria. É contudo possível que ''manilla'' tire a sua origem de ''maneri'', que em marata e concani é o nome de joalheiro, sânsc. ''maṇikāra''.
'''Mano.''' Conc. ''mán''. Preposto ao nome próprio em certas famílias. — Beng. ''mānú''. Us. pelos cristãos de Dacá.
'''Manteiga.''' Mal., Sund., Mak., Bug. ''mantéga''. — Ach. ''mentiga''. — Jav. ''mantégò''. — Mad. ''mentégò''. — Tet., Gal. ''mantéga''. Term. vern. ''bókur''. — Jap. ''manteka'', que, segundo o Sr. Gonçalves Viana, é do espanhol<ref>«The natives of the Malay Islands neither drink milk nor make butter. The same is said of Chinese». Marsden, ''Memoirs of a Malay family'', p. 10.</ref>.
'''Manto.''' Conc. ''mánt'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''manto''.
'''Mão''' («medida de capacidade e de pêso»). Indo-ingl. ''maune'' (ant.), ''mound'' (moderno)<ref>«'''Mãos''' que saom uinte no candil, ho qual como diguo pesa hum bahar, que he quatro quintaes». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 282.
«A '''mão''' do azeite tem 12 canadas» (em Goa). António Nunes, p. 31.
«Corenta ceres hua '''mão''', e vynte mãos hum bahar». ''Lembranças das Cousas da Yndia''.</ref>.
== Notas ==
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'''Mangostão''' (''Garcinia mangostana''). Conc. ''mangustámv''. — Indo-ingl. ''mangosteen''. — Indo-franc. ''mangostan'', ''mangoustan''<ref>«O que tenho sabido das '''mangostães''' he que he huma das mais saborosas frutas que ha nesta terra». Garcia da Orta, Col. XXXVIII.
«Tout le pays de Siam est très fertile en ris et en fruits, dont les principaux sont appellez Mangues, Durions et '''Mangoustan'''». Tavernier, ''Voyages'', IV, p. 197.</ref>.
O étimo é o malaio-jav. ''manggistan'', ''manggis''.
'''Mangual.''' Conc. ''mangl''. — Tul. ''mungāru'', ''mungaru''.
'''Manguço, mangusto''' («ichneumon»). Indo-ingl. ''mungoose''. — Indo-franc. ''mangouste''<ref>«Ha uns bichos a que chamão '''mongús''', em cousa alguma se differenção dos furões». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. XX.
«O seu nome telúgu é ''mangūsu'', donde vem ''mongús'' (como escreve João Ribeiro), o ''mungoose'' dos inglezes, a ''mangouste'' dos francezes, e outras formas». Conde de Ficalho, Col. XLII.</ref>.
Do marata-conc. ''mungús'' ou ''mungas'', sânsc. ''angusha''.
'''Manha.''' Conc. ''mánz''. Term. vern. ''khōḍ'', ''avgun''. — Tet. ''manha''. Term. vern. ''kaba-kaba''.
'''Manilha''' (no jôgo de cartas). Conc. ''mānílh''. — Mak., Bug. ''manila''.
'''Manilha.''' Indo-ingl. ''manilla-man'', joalheiro ambulante.
Yule e Burnell dizem que ''manilla-man'', neste sentido é hibridismo do tel. ''manela-vāḍu'' e do ingl. ''man'', com mistura do port. ''manilha''<ref>«E mandou a grão pressa ao feitor que trouxesse dobrados lambeis, '''manilhas''', bacias e outras cousas». João de Barros, Déc. I, III, 2.</ref>. Brown porém deriva ''manéla-vāndlu'' do nome geográfico Manila. O homem que vende manilhas de vidro, ou manilheiro, como lhe chamam em Goa, anda de porta em porta, apregoando a sua mercadoria. É contudo possível que ''manilla'' tire a sua origem de ''maneri'', que em marata e concani é o nome de joalheiro, sânsc. ''maṇikāra''.
'''Mano.''' Conc. ''mán''. Preposto ao nome próprio em certas famílias. — Beng. ''mānú''. Us. pelos cristãos de Dacá.
'''[[:d:Lexeme:L1418072|Manteiga.]]''' Mal., Sund., Mak., Bug. ''mantéga''. — Ach. ''mentiga''. — Jav. ''mantégò''. — Mad. ''mentégò''. — Tet., Gal. ''mantéga''. Term. vern. ''bókur''. — Jap. ''manteka'', que, segundo o Sr. Gonçalves Viana, é do espanhol<ref>«The natives of the Malay Islands neither drink milk nor make butter. The same is said of Chinese». Marsden, ''Memoirs of a Malay family'', p. 10.</ref>.
'''Manto.''' Conc. ''mánt'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''manto''.
'''[[:d:Lexeme:L501567|Mão]]''' («medida de capacidade e de pêso»). Indo-ingl. ''maune'' (ant.), ''mound'' (moderno)<ref>«'''Mãos''' que saom uinte no candil, ho qual como diguo pesa hum bahar, que he quatro quintaes». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 282.
«A '''mão''' do azeite tem 12 canadas» (em Goa). António Nunes, p. 31.
«Corenta ceres hua '''mão''', e vynte mãos hum bahar». ''Lembranças das Cousas da Yndia''.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/185
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||HORA HÓSTIA|{{sc|88}}}}</noinclude>Os significados malaio-polinésios são abonados por antigos escritores. Francisco Vaz de Almada, referindo-se ao guardião de uma nau, diz: «Este se fez tão soberbo, mal ensinado, e livre, que havia poucas pessoas com quem não houvesse tido historias». (''Hist. tragico-marit.'', XX, p. 14).
'''Honra.''' Conc. ''onr''. Term. vern. ''mán'', ''ixim'', ''ábrú''. — Tet., Gal. ''onra''. Term. vern. ''diak''.
'''Hora.''' Conc. ''ór''. — ? Sing. ''hôra'', ''hôrāva''. Term. vern. ''peya'', ''kanisa-ma''. — Mal. ''hora'' (Haex). Term. vern. ''jam'' (pers.). — Tet., Gal. ''ora''. — Malg. ''ora''.
Há ''hora'' em sânscrito, tomado do grego, pouco usado nos prácritos modernos, a não ser em obras astronómicas e em sentidos translátos. Mas o ''h'' aspirado do vocábulo singalês parece indicar essa procedência, talvez por páli, língua sagrada dos budistas. Em malaio, porém, creio que representa simplesmente a grafia portuguesa.
''Awar'' em marata e guzerate é evidentemente do ingl. ''hour'', pronunciado idênticamente.
Term. neo-áricos ''tás'', ''ghāṇṭá'', ''ghaḍí'', ''ghaṭiká'' (de 24 minutos).
'''Horta.''' Conc. ''órt''. Term. vern. ''parsum'', ''hág''. — Malayál. ''ódam''. — Indo-ingl. ''oart'' (us. na Índia ocidental), palmar<ref>«A cortar as '''hortas''' e palmares que os portugueses n'elle tinham». Bocarro, Déc. XIII, p. 22.</ref>.
'''Hortulana''' (zool.). Indo-ingl., Indo-franc. ''ortolan'', ''Calandrella brachydactyla'', e tambêm ''Pyrrhalanda grisea''.
Littré deriva ''ortolan'' de «anc. français ''hortelan'', jardinier». Mas a aplicação do termo aos pássaros indianos deve-se atribuir aos portugueses.
'''Hospital.''' Conc. ''ospitál''; ''ispatal'' (influenciado pelo inglês). — Sing. ''ispiritále''. — Malayál., Tel., Can., Tul. ''áspatri''. — Tet., Gal. ''ispital''.
''Espertal'', ''espertei'', no crioulo de Ceilão. No Alentejo: ''espital'', ''espitel'', ''espritel''<ref>«Para a despesa do '''espirital'''». Simão Botelho, p. 23.</ref>.
'''Hóstia.''' Conc. ''óst''. — Beng. ''osti''. — Tam., Can. ''óstu''. — Tet., Gal. ''óstia''. — Jap. ''óstiya''.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||HORA HÓSTIA|{{sc|88}}}}</noinclude>Os significados malaio-polinésios são abonados por antigos escritores. Francisco Vaz de Almada, referindo-se ao guardião de uma nau, diz: «Este se fez tão soberbo, mal ensinado, e livre, que havia poucas pessoas com quem não houvesse tido historias». (''Hist. tragico-marit.'', XX, p. 14).
'''[[:d:Lexeme:L558197|Honra.]]''' Conc. ''onr''. Term. vern. ''mán'', ''ixim'', ''ábrú''. — Tet., Gal. ''onra''. Term. vern. ''diak''.
'''[[:d:Lexeme:L500634|Hora.]]''' Conc. ''ór''. — ? Sing. ''hôra'', ''hôrāva''. Term. vern. ''peya'', ''kanisa-ma''. — Mal. ''hora'' (Haex). Term. vern. ''jam'' (pers.). — Tet., Gal. ''ora''. — Malg. ''ora''.
Há ''hora'' em sânscrito, tomado do grego, pouco usado nos prácritos modernos, a não ser em obras astronómicas e em sentidos translátos. Mas o ''h'' aspirado do vocábulo singalês parece indicar essa procedência, talvez por páli, língua sagrada dos budistas. Em malaio, porém, creio que representa simplesmente a grafia portuguesa.
''Awar'' em marata e guzerate é evidentemente do ingl. ''hour'', pronunciado idênticamente.
Term. neo-áricos ''tás'', ''ghāṇṭá'', ''ghaḍí'', ''ghaṭiká'' (de 24 minutos).
'''Horta.''' Conc. ''órt''. Term. vern. ''parsum'', ''hág''. — Malayál. ''ódam''. — Indo-ingl. ''oart'' (us. na Índia ocidental), palmar<ref>«A cortar as '''hortas''' e palmares que os portugueses n'elle tinham». Bocarro, Déc. XIII, p. 22.</ref>.
'''Hortulana''' (zool.). Indo-ingl., Indo-franc. ''ortolan'', ''Calandrella brachydactyla'', e tambêm ''Pyrrhalanda grisea''.
Littré deriva ''ortolan'' de «anc. français ''hortelan'', jardinier». Mas a aplicação do termo aos pássaros indianos deve-se atribuir aos portugueses.
'''[[:d:Lexeme:L448290|Hospital.]]''' Conc. ''ospitál''; ''ispatal'' (influenciado pelo inglês). — Sing. ''ispiritále''. — Malayál., Tel., Can., Tul. ''áspatri''. — Tet., Gal. ''ispital''.
''Espertal'', ''espertei'', no crioulo de Ceilão. No Alentejo: ''espital'', ''espitel'', ''espritel''<ref>«Para a despesa do '''espirital'''». Simão Botelho, p. 23.</ref>.
'''Hóstia.''' Conc. ''óst''. — Beng. ''osti''. — Tam., Can. ''óstu''. — Tet., Gal. ''óstia''. — Jap. ''óstiya''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|89}}|INCENSO INJUSTIÇA|}}</noinclude>{{center|I}}
'''Igreja.''' Conc. ''igraz'', ''igarz''. — Hindi ''girjá''. ''Baḍá girjá'' (lit. «grande igreja»), catedral. — Hindust. ''girjá'' (us. sómente no norte da Índia). — Or. ''girjá''. — Beng. ''girjá'', ''girjjá''. ''Vaḍgirjá'', catedral. ''Girjjāvishayak'', eclesiástico. — Ass. ''girjá'', culto católico. ''Girjághar'' (lit. «casa da igreja»), igreja. — Panj. ''girjá''. Term. neo-áricos ''devúl'', ''devasthan'', ''devmandir''. — Tul. ''igreje''. — Indo-ingl. ''girja''. — Gar. ''gilja''. — Khas. ''kirja''. — Mal. ''igresia'' (Haex), ''gréja'', ''gríja''. ''Búrung gréja'', pardal. — Sund. ''gréja'', ''gríja''. ''Manúk gréja'', pardal. — Jav. ''gréjò'', ''grjò'', ''garéjò''. — Mad. ''gréjò'', ''grijò''. — Mak., Bug. ''garéja''. — Mol. ''gréja''. — Tet., Gal. ''kréda''<ref>Nas línguas de Timor o ''g'' inicial muda-se às vezes em ''k'': ''kojabas'' ou ''koabas'' = goiabas. O mesmo fenómeno se dá no khássi: ''kudam'' = gudão. Quanto a ''d'' por ''j'', cf. ''ajudar''.</ref>. — Jap. ''ekirinjiya'', ''ekirinji'' (do lat. ''ecclesia'', segundo o Dr. Murakámi).
'''Imagem.''' Conc. ''imáz''. Term. vern. ''rúpkár'', ''sārkém'', ''sarúpāy'', ''múrti'', ''bāhulí'', ''putlí''. — Mal. ''imagem'' (Haex).
'''Incenso.''' Beng. ''insensú'' (us. pelos cristãos). — Can. ''insénsu'' (us. pelos cristãos). — Mal. ''incenso'' (Haex). — Tet., Gal. ''insénsu''.
'''Indiano''' (adj.). Sing. ''indiyánu''. ''Indiyánu tinta'', tinta indiana. — ? Malg. ''indiana''.
'''Indulgência''' (eclesiástica). Conc. ''dulgems''. — Tet. ''indulgénsia''.
'''Inferno.''' Conc. ''imphern''. Term. vern. ''yam'kand'', ''pātāl'', ''narak''. — Tet. ''inférnu''. Term. vern. ''rái kidun'', ''rái ókos''. — Gal. ''inférnu''. — Jap. ''infêrno'', ''imbêrno''.
'''Inglês''' (''ingrês'', ant. e pop.). Conc. ''inglêz'', ''ingrêz'' (subst.), ''ingrezí'' (adj.). — Mar. ''inglejí'' (tambêm ''inglix'', de ''English''). — Guj. ''angrêz'', ''angreji''. — Hindi, Hindust. ''angrezi''. — Bihari ''angrej'', ''angreji''. — Beng. ''ingláj''. — Ass. ''ingráji''. — Sing. ''ingrisi''. — Malayál. ''ingirisu''. — Camb. ''ánegris''. — Mal., Sund. ''ingris''. — Mak., Bug. ''angarisi''. — Jap. ''ingirisu''<ref>«Padeceram n'ella muitos infortunios, assim dos tempos contrarios, como por via de ladrões '''ingreses'''». — Fr. João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 170.
«Os '''ingrezes''', que estavam no poço com uma nau e um patacho, se sahiram logo para fóra». António Bocarro, Déc. XIII, p. 25.</ref>.
Alguns dêsses vocábulos podem ter provindo directamente de ''English''.
'''Injustiça.''' Conc. ''injustis''. Term. vern. ''anít'', ''anyáy''. — Tet. ''injustisa''. Term. vern. ''aáti''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|89}}|INCENSO INJUSTIÇA|}}</noinclude>{{center|I}}
'''[[:d:Lexeme:L477307|Igreja.]]''' Conc. ''igraz'', ''igarz''. — Hindi ''girjá''. ''Baḍá girjá'' (lit. «grande igreja»), catedral. — Hindust. ''girjá'' (us. sómente no norte da Índia). — Or. ''girjá''. — Beng. ''girjá'', ''girjjá''. ''Vaḍgirjá'', catedral. ''Girjjāvishayak'', eclesiástico. — Ass. ''girjá'', culto católico. ''Girjághar'' (lit. «casa da igreja»), igreja. — Panj. ''girjá''. Term. neo-áricos ''devúl'', ''devasthan'', ''devmandir''. — Tul. ''igreje''. — Indo-ingl. ''girja''. — Gar. ''gilja''. — Khas. ''kirja''. — Mal. ''igresia'' (Haex), ''gréja'', ''gríja''. ''Búrung gréja'', pardal. — Sund. ''gréja'', ''gríja''. ''Manúk gréja'', pardal. — Jav. ''gréjò'', ''grjò'', ''garéjò''. — Mad. ''gréjò'', ''grijò''. — Mak., Bug. ''garéja''. — Mol. ''gréja''. — Tet., Gal. ''kréda''<ref>Nas línguas de Timor o ''g'' inicial muda-se às vezes em ''k'': ''kojabas'' ou ''koabas'' = goiabas. O mesmo fenómeno se dá no khássi: ''kudam'' = gudão. Quanto a ''d'' por ''j'', cf. ''ajudar''.</ref>. — Jap. ''ekirinjiya'', ''ekirinji'' (do lat. ''ecclesia'', segundo o Dr. Murakámi).
'''[[:d:Lexeme:L500654|Imagem.]]''' Conc. ''imáz''. Term. vern. ''rúpkár'', ''sārkém'', ''sarúpāy'', ''múrti'', ''bāhulí'', ''putlí''. — Mal. ''imagem'' (Haex).
'''Incenso.''' Beng. ''insensú'' (us. pelos cristãos). — Can. ''insénsu'' (us. pelos cristãos). — Mal. ''incenso'' (Haex). — Tet., Gal. ''insénsu''.
'''Indiano''' (adj.). Sing. ''indiyánu''. ''Indiyánu tinta'', tinta indiana. — ? Malg. ''indiana''.
'''Indulgência''' (eclesiástica). Conc. ''dulgems''. — Tet. ''indulgénsia''.
'''[[:d:Lexeme:L449085|Inferno.]]''' Conc. ''imphern''. Term. vern. ''yam'kand'', ''pātāl'', ''narak''. — Tet. ''inférnu''. Term. vern. ''rái kidun'', ''rái ókos''. — Gal. ''inférnu''. — Jap. ''infêrno'', ''imbêrno''.
'''[[:d:Lexeme:L593747|Inglês]]''' (''ingrês'', ant. e pop.). Conc. ''inglêz'', ''ingrêz'' (subst.), ''ingrezí'' (adj.). — Mar. ''inglejí'' (tambêm ''inglix'', de ''English''). — Guj. ''angrêz'', ''angreji''. — Hindi, Hindust. ''angrezi''. — Bihari ''angrej'', ''angreji''. — Beng. ''ingláj''. — Ass. ''ingráji''. — Sing. ''ingrisi''. — Malayál. ''ingirisu''. — Camb. ''ánegris''. — Mal., Sund. ''ingris''. — Mak., Bug. ''angarisi''. — Jap. ''ingirisu''<ref>«Padeceram n'ella muitos infortunios, assim dos tempos contrarios, como por via de ladrões '''ingreses'''». — Fr. João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 170.
«Os '''ingrezes''', que estavam no poço com uma nau e um patacho, se sahiram logo para fóra». António Bocarro, Déc. XIII, p. 25.</ref>.
Alguns dêsses vocábulos podem ter provindo directamente de ''English''.
'''Injustiça.''' Conc. ''injustis''. Term. vern. ''anít'', ''anyáy''. — Tet. ''injustisa''. Term. vern. ''aáti''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||JAGRA JALAPA|{{sc|90}}}}</noinclude>'''Inocência.''' Conc. ''inosems'' (p. us.). Term. vern. ''anaparādh'', ''nirmalpan'', ''nentepan''. — Tet. ''inosénsi''. Term. vern. ''la sala''.
'''Instrumento.''' Conc. ''instrument''. Term. vern. ''āspāv'', ''yantr'', ''vāzantr''. — Tet. ''instruméntu''.
'''Inteiro.''' Mal. ''intero'' (Haex), ''intéru'', ''enteiro'', ''entéro'', ''antéro''. Term. vern. ''sagolla'', ''samuványa''. — Sund. ''antéro''. — Jav. ''antéro''. ''Saantéro'', ''soantéroné'', todo inteiro.
'''Intenção.''' Conc. ''intemsámv''. Term. vern. ''man'', ''yojan'', ''bháv''. — Gal. ''intensã''.
'''Irmão.''' Conc. ''irmámv'', irmão mais velho. Term. vern. ''dādá'', ''bāb'' (não são usados pelos cristãos de Goa). Tambêm posnome honorífico para pessoas mais idosas, ex.: ''Anton-irmámv'', ''Pedrú-irmámv''. — Beng. ''irmáñ'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''iruman'', frade. Vid. ''mana''.
{{center|J}}
'''Jaca''' (''Artocarpus integrifolia''). Indo-ingl. ''jack''. — Indo-franc. ''jaque'', ''jaquier''<ref>«Fruytas da terra (Calecut), que sam differentes das nossas, porem muyto saborosas, e chamão a hũas '''jacas''', a outras mangas, e a outras figos». Castanheda, I, cap. 16.
«Auia muitas fruitas da terra, como duriões e '''jacas''', vianda assaz golosa a quem começa de gostar». João de Barros, Déc. III, v, 7.</ref>.
O étimo é o malayál. ''chakka''<ref>«Chamam-se em malavar '''jacas'''». Garcia da Orta, Col. XXVIII.</ref>.
'''Jagra''' («açúcar mascavado de palmeira ou de cana»). Indo-ingl. ''jaggery'', ''jagri''. — Indo-franc. ''jagra'', ''jagara'', ''jagre''.
O autor do ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'' descreve o objecto sem lhe dar o nome: «Quatro talhas de hũus queijos daçucar de palma»<ref>«Açuquar de palma que chamaom '''Jagra'''». Duarte Barbosa, p. 274.
«Cocos e '''jágara''', que se faz delles, ao modo de açucare». João de Barros, Déc. III, III, 7.
«E a este (açúcar de palmeira) se chama na India '''iagra'''». João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 297.</ref>.
O étimo imediato é o malayál. ''chakkara'' (cf. jaca = ''chakka''), que se prende ao sânsc. ''çarkarā'' por intermédio das formas neo-áricas ''xúkar'', ''sākar'', ''sākhar''. O açúcar refinado tem o nome de ''panchasāra'' em malayálam.
'''Jalapa.''' Conc. ''zuláb''. — Can., Tul. ''julábu''. — Jap. ''yarapa''. Talvez im-
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||JAGRA JALAPA|{{sc|90}}}}</noinclude>'''Inocência.''' Conc. ''inosems'' (p. us.). Term. vern. ''anaparādh'', ''nirmalpan'', ''nentepan''. — Tet. ''inosénsi''. Term. vern. ''la sala''.
'''[[:d:Lexeme:L558238|Instrumento.]]''' Conc. ''instrument''. Term. vern. ''āspāv'', ''yantr'', ''vāzantr''. — Tet. ''instruméntu''.
'''[[:d:Lexeme:L503870|Inteiro.]]''' Mal. ''intero'' (Haex), ''intéru'', ''enteiro'', ''entéro'', ''antéro''. Term. vern. ''sagolla'', ''samuványa''. — Sund. ''antéro''. — Jav. ''antéro''. ''Saantéro'', ''soantéroné'', todo inteiro.
'''[[:d:Lexeme:L558202|Intenção.]]''' Conc. ''intemsámv''. Term. vern. ''man'', ''yojan'', ''bháv''. — Gal. ''intensã''.
'''[[:d:Lexeme:L447160|Irmão.]]''' Conc. ''irmámv'', irmão mais velho. Term. vern. ''dādá'', ''bāb'' (não são usados pelos cristãos de Goa). Tambêm posnome honorífico para pessoas mais idosas, ex.: ''Anton-irmámv'', ''Pedrú-irmámv''. — Beng. ''irmáñ'' (us. entre os cristãos). — Jap. ''iruman'', frade. Vid. ''mana''.
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'''[[:d:Lexeme:L448064|Jaca]]''' (''Artocarpus integrifolia''). Indo-ingl. ''jack''. — Indo-franc. ''jaque'', ''jaquier''<ref>«Fruytas da terra (Calecut), que sam differentes das nossas, porem muyto saborosas, e chamão a hũas '''jacas''', a outras mangas, e a outras figos». Castanheda, I, cap. 16.
«Auia muitas fruitas da terra, como duriões e '''jacas''', vianda assaz golosa a quem começa de gostar». João de Barros, Déc. III, v, 7.</ref>.
O étimo é o malayál. ''chakka''<ref>«Chamam-se em malavar '''jacas'''». Garcia da Orta, Col. XXVIII.</ref>.
'''Jagra''' («açúcar mascavado de palmeira ou de cana»). Indo-ingl. ''jaggery'', ''jagri''. — Indo-franc. ''jagra'', ''jagara'', ''jagre''.
O autor do ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'' descreve o objecto sem lhe dar o nome: «Quatro talhas de hũus queijos daçucar de palma»<ref>«Açuquar de palma que chamaom '''Jagra'''». Duarte Barbosa, p. 274.
«Cocos e '''jágara''', que se faz delles, ao modo de açucare». João de Barros, Déc. III, III, 7.
«E a este (açúcar de palmeira) se chama na India '''iagra'''». João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 297.</ref>.
O étimo imediato é o malayál. ''chakkara'' (cf. jaca = ''chakka''), que se prende ao sânsc. ''çarkarā'' por intermédio das formas neo-áricas ''xúkar'', ''sākar'', ''sākhar''. O açúcar refinado tem o nome de ''panchasāra'' em malayálam.
'''Jalapa.''' Conc. ''zuláb''. — Can., Tul. ''julábu''. — Jap. ''yarapa''. Talvez im-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|91}}|JANGADA JAQUETA|}}</noinclude>portado imediatamente do inglês na última língua.
A palavra ''jalapa'' vem de Xalapa, cidade americana.
Com o significado de purga em geral e de purgante: Mar., Guj., Beng. ''juláb''. — Hindust., Ár. ''juláb'' ou ''julláb'' (port. ''julepo''). — Khas. ''julap''. Do persa ''gul'', «rosa», e ''áb'', «água».
Em concani, canarês e túlu houve provávelmente deslocação do significado, por causa da aproximação fonética.
'''Janela.''' Conc. ''zanél''. Term. vern. ''khiḍki'' (p. us. em Goa). — ? Hindust. ''jhilmíl''. — Beng. ''jānālā'', ''janulā''. — Ass. ''jalangani''. — ? Sindh. ''jhirmiri''. — Sing. ''janélaya'', ''janéle''. Term. vern. ''kavuluva'', ''sīmedura''. ''Janélatiraya'', cortina de janela, gelosia. — Tam. ''jānalá'', ''jannal''. ''Jannal-pinnal'', gelosia; (fig.) embrulhada. — Malayál. ''janel'', ''chenel'', ''chenárel'', ''janavātil''. Term. vern. ''chālakarn''. — Tel. ''janalu''. — ? Indo-ingl. ''jillmill'', persiana. — Mal. ''janéla'', ''janalá'', ''jinelá'', ''jandéla'', ''jendéla'', ''jindéla''. Term. vern. ''tingkap''. — Sund. ''jandéla''. — Jav. ''jendélò'', ''jindélò''. — Mad. ''jindélò''. — Bal. ''jendéla'', ''gendéla''. — Mak., Bug. ''jandéla''. — Tet. ''janela'', ''jinela''. — Gal. ''janela''.
'''Jangada.''' Tul. ''jangálu'', ''jangalu'', ''jangáru''. — Indo-ingl. ''jangar''.
O Sr. Cândido de Figueiredo deriva ''jangada'' de ''jangá'' (''janga'', segundo outros dicionaristas), «antiga e pequena embarcação de remos». Mas Yule & Burnell dão por seu étimo o tamul-malayál. ''shangadam'', transcrito ''zángara'' no ''Peryplus Maris Erythrei'', do primeiro século. Tambêm o concani e o marata tem ''sāngad'', com o mesmo significado, derivado do sânsc. ''saṅghaṭṭa'', «junção, união, coesão», no qual sem dúvida se filia ''changádam''. Muitos dos nossos antigos escritores consideram o termo como peregrino<ref>«Vasco da Gama se embarcou com os nossos em duas almadias, juntas hũa com a outra, que naquella terra se chama '''jangada'''». Castanheda, I, cap. 16.
«Tinham feyto huma '''jangada''' dos pedaços, e das taboas que puderão haver ás mãos, e com as cordas das velas as atarão». Fernão Pinto, cap. CLXXIX.
«E se meteu em huma '''jangada''', que erão muytas almadias juntas e por cima tauoado, em que passarão oitocentos homens». Gaspar Correia, II, p. 90. «Passarão em '''jangadas''' de madeira e rama, que o judeu foy diante fazer prestes». ''Id.'', IV, p. 373.</ref>.
Há outro vocábulo ''jangada'', de origem malabárica, que designa o naire que guia e guarda o viajante<ref>«Chega-se a hum Naire e lhe pede seja sua '''jangada'''... Tomando sua '''jangada''', vai com ella tão seguro, como por Alemtejo». Diogo do Couto, Déc. IV, VII, 14.</ref>.
'''Jantar''' (ant. ''gentar''). Mal. ''sentar'' (Haex). — Tet. ''jantar''.
'''Jaqueta.''' Conc. ''jākêt''. — L.-Hindust. ''jāket''. — Jap. ''jaketsu''. Hepburn
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|91}}|JANGADA JAQUETA|}}</noinclude>portado imediatamente do inglês na última língua.
A palavra ''jalapa'' vem de Xalapa, cidade americana.
Com o significado de purga em geral e de purgante: Mar., Guj., Beng. ''juláb''. — Hindust., Ár. ''juláb'' ou ''julláb'' (port. ''julepo''). — Khas. ''julap''. Do persa ''gul'', «rosa», e ''áb'', «água».
Em concani, canarês e túlu houve provávelmente deslocação do significado, por causa da aproximação fonética.
'''[[:d:Lexeme:L222276|Janela.]]''' Conc. ''zanél''. Term. vern. ''khiḍki'' (p. us. em Goa). — ? Hindust. ''jhilmíl''. — Beng. ''jānālā'', ''janulā''. — Ass. ''jalangani''. — ? Sindh. ''jhirmiri''. — Sing. ''janélaya'', ''janéle''. Term. vern. ''kavuluva'', ''sīmedura''. ''Janélatiraya'', cortina de janela, gelosia. — Tam. ''jānalá'', ''jannal''. ''Jannal-pinnal'', gelosia; (fig.) embrulhada. — Malayál. ''janel'', ''chenel'', ''chenárel'', ''janavātil''. Term. vern. ''chālakarn''. — Tel. ''janalu''. — ? Indo-ingl. ''jillmill'', persiana. — Mal. ''janéla'', ''janalá'', ''jinelá'', ''jandéla'', ''jendéla'', ''jindéla''. Term. vern. ''tingkap''. — Sund. ''jandéla''. — Jav. ''jendélò'', ''jindélò''. — Mad. ''jindélò''. — Bal. ''jendéla'', ''gendéla''. — Mak., Bug. ''jandéla''. — Tet. ''janela'', ''jinela''. — Gal. ''janela''.
'''[[:d:Lexeme:L1191727|Jangada.]]''' Tul. ''jangálu'', ''jangalu'', ''jangáru''. — Indo-ingl. ''jangar''.
O Sr. Cândido de Figueiredo deriva ''jangada'' de ''jangá'' (''janga'', segundo outros dicionaristas), «antiga e pequena embarcação de remos». Mas Yule & Burnell dão por seu étimo o tamul-malayál. ''shangadam'', transcrito ''zángara'' no ''Peryplus Maris Erythrei'', do primeiro século. Tambêm o concani e o marata tem ''sāngad'', com o mesmo significado, derivado do sânsc. ''saṅghaṭṭa'', «junção, união, coesão», no qual sem dúvida se filia ''changádam''. Muitos dos nossos antigos escritores consideram o termo como peregrino<ref>«Vasco da Gama se embarcou com os nossos em duas almadias, juntas hũa com a outra, que naquella terra se chama '''jangada'''». Castanheda, I, cap. 16.
«Tinham feyto huma '''jangada''' dos pedaços, e das taboas que puderão haver ás mãos, e com as cordas das velas as atarão». Fernão Pinto, cap. CLXXIX.
«E se meteu em huma '''jangada''', que erão muytas almadias juntas e por cima tauoado, em que passarão oitocentos homens». Gaspar Correia, II, p. 90. «Passarão em '''jangadas''' de madeira e rama, que o judeu foy diante fazer prestes». ''Id.'', IV, p. 373.</ref>.
Há outro vocábulo ''jangada'', de origem malabárica, que designa o naire que guia e guarda o viajante<ref>«Chega-se a hum Naire e lhe pede seja sua '''jangada'''... Tomando sua '''jangada''', vai com ella tão seguro, como por Alemtejo». Diogo do Couto, Déc. IV, VII, 14.</ref>.
'''Jantar''' (ant. ''gentar''). Mal. ''sentar'' (Haex). — Tet. ''jantar''.
'''Jaqueta.''' Conc. ''jākêt''. — L.-Hindust. ''jāket''. — Jap. ''jaketsu''. Hepburn
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 92 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||JOGAR JOGAR|{{sc|92}}}}</noinclude>regista ''chokki'' como derivado do ingl. ''jacket''<ref>«Homens d'alabardas douradas com '''jaquetas''' de veludo preto». Gaspar Correia, I, p. 533.</ref>.
'''Jarra.''' Conc. ''jer''. Term. vern. ''barrí'', ''kuṇḍí''. — Tet. ''jerra''. Term. vern. ''tóos''. — Gal. ''jarra''.
'''Jaspe.''' Mal. ''jaspe'', ''jasbe''.
O holandês tem ''jaspis''.
'''Jejuar.''' Conc. ''jin'vár'' (subst. m.), jejum. Cf. ''jogar, casar, pintar, pagar''. Term. vern. ''upás'' (jejum natural), ''ekbhakt'' (jejum eclesiástico). ''Jin'vár dharunk'', jejuar.
A nasal de ''jin'vár'' provêm do português de Goa ''jenjuar''. O ''e'' depois de ''j'' atenua-se às vezes em ''i''. Cf. ''gentio''. O segundo ''j'' foi absorvido pela nasal e ocasionou a consonantização de ''u'' em ''v''.
'''Jejum.''' Tel. ''jinjum'', ''dindum''. — Gal. ''jinjum'', ''jijum'', jejuar. — Jap. ''jejun'' (ant.).
'''Jibão.''' Conc. ''zubámv''. Term. vern. ''jubhó'', ''daḍló''. — ? Bug. ''júmba''. — Jap. ''jūban''<ref>«Leuam hum '''gibão''' de setim de cores». Castanheda, I, 91.
«'''Jubão''' de cetym encarnado, muyto cortado, forrado de tafetá azul». Gaspar Correia, II, p. 371.</ref>.
O étimo do vocábulo português é o ár. ''jubba'', que passou imediatamente ao hindustani e a outras línguas indianas.
'''Jogar''' (por «jôgo de azar ou a dinheiro; rifa»). Conc. ''jugár'' (us. fora de Goa). ''Jugár-khel'', jôgo a dinheiro. ''Jugár khelunk'', jogar a dinheiro. — ''Jugárí'', jogador. Em Goa usam-se as palavras ''jôgo'' e ''jogador'' neste sentido. Term. vern. ''dudvantsó khêl''; ''khelgudyó''.
Mar. ''jugár'', ''juvá'', ''juvebāji'', ''juvá khelnem''. ''Jugár'' ou ''juvá khelnem'', jogar. ''Jugárí'', ''jugáryá'', ''juvebáj'', jogador. ''Jugārātsá'' ou ''jugāryātsá'', ''juvyātsá addá'', casa de jôgo.
Guj. ''jugár'', ''jugáru'', ''juvem'', ''juô'', jôgo. ''Jugáru áḍa'', ''jugár'' ou ''jugat ram'vum'', jogar. ''Jugārí'', ''juvā́khor'', ''jugāru āḍuravā'', jogador. ''Juvākhānum'', casa de jôgo, tavolagem.
Hindi ''juá'', jôgo. Term. vern. ''dyut''. ''Juá khelná'', jogar. ''Juāri'', ''juvāri'', ''juandí'', jogador.
Hindust. ''juá'', jôgo; rifa. ''Juá khelná'', jogar. ''Juākhāná'', casa de jôgo. ''Juāri'', ''juvābāj'', jogador.
Nep. ''juvá'', jôgo. ''Juvái khelnu'', jogar.
Or. ''juá'', jôgo. ''Juārá'', jogador.
Beng. ''juá'', ''juvá-khelá'', ''juá-khelá'', ''juyá-khelá'', ''jurá-khelá'', jôgo. ''Juvá-khelá'', ''juyá-khelá'', ''jurá-khelá kri'' (= «fazer»), jogar. ''Juá-chor'', batoteiro, burlador. ''Juyāri'', ''jurāri'', jogador.
Ass. ''juá'', jôgo. ''Juá khelá'', jogar.
Sindh. ''juá'', jôgo. ''Juá khelnu'', jogar. ''Juākhānõ'', casa de jôgo. ''Juāri'', jogador.
Panj. ''juá'', jôgo de azar; dado. ''Juá khelná'', ''juá mārná'', jogar. ''Jue-khāná'', casa de jôgo. ''Juāri'',
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||JOGAR JOGAR|{{sc|92}}}}</noinclude>regista ''chokki'' como derivado do ingl. ''jacket''<ref>«Homens d'alabardas douradas com '''jaquetas''' de veludo preto». Gaspar Correia, I, p. 533.</ref>.
'''Jarra.''' Conc. ''jer''. Term. vern. ''barrí'', ''kuṇḍí''. — Tet. ''jerra''. Term. vern. ''tóos''. — Gal. ''jarra''.
'''Jaspe.''' Mal. ''jaspe'', ''jasbe''.
O holandês tem ''jaspis''.
'''Jejuar.''' Conc. ''jin'vár'' (subst. m.), jejum. Cf. ''jogar, casar, pintar, pagar''. Term. vern. ''upás'' (jejum natural), ''ekbhakt'' (jejum eclesiástico). ''Jin'vár dharunk'', jejuar.
A nasal de ''jin'vár'' provêm do português de Goa ''jenjuar''. O ''e'' depois de ''j'' atenua-se às vezes em ''i''. Cf. ''gentio''. O segundo ''j'' foi absorvido pela nasal e ocasionou a consonantização de ''u'' em ''v''.
'''Jejum.''' Tel. ''jinjum'', ''dindum''. — Gal. ''jinjum'', ''jijum'', jejuar. — Jap. ''jejun'' (ant.).
'''Jibão.''' Conc. ''zubámv''. Term. vern. ''jubhó'', ''daḍló''. — ? Bug. ''júmba''. — Jap. ''jūban''<ref>«Leuam hum '''gibão''' de setim de cores». Castanheda, I, 91.
«'''Jubão''' de cetym encarnado, muyto cortado, forrado de tafetá azul». Gaspar Correia, II, p. 371.</ref>.
O étimo do vocábulo português é o ár. ''jubba'', que passou imediatamente ao hindustani e a outras línguas indianas.
'''[[:d:Lexeme:L669943|Jogar]]''' (por «jôgo de azar ou a dinheiro; rifa»). Conc. ''jugár'' (us. fora de Goa). ''Jugár-khel'', jôgo a dinheiro. ''Jugár khelunk'', jogar a dinheiro. — ''Jugárí'', jogador. Em Goa usam-se as palavras ''jôgo'' e ''jogador'' neste sentido. Term. vern. ''dudvantsó khêl''; ''khelgudyó''.
Mar. ''jugár'', ''juvá'', ''juvebāji'', ''juvá khelnem''. ''Jugár'' ou ''juvá khelnem'', jogar. ''Jugárí'', ''jugáryá'', ''juvebáj'', jogador. ''Jugārātsá'' ou ''jugāryātsá'', ''juvyātsá addá'', casa de jôgo.
Guj. ''jugár'', ''jugáru'', ''juvem'', ''juô'', jôgo. ''Jugáru áḍa'', ''jugár'' ou ''jugat ram'vum'', jogar. ''Jugārí'', ''juvā́khor'', ''jugāru āḍuravā'', jogador. ''Juvākhānum'', casa de jôgo, tavolagem.
Hindi ''juá'', jôgo. Term. vern. ''dyut''. ''Juá khelná'', jogar. ''Juāri'', ''juvāri'', ''juandí'', jogador.
Hindust. ''juá'', jôgo; rifa. ''Juá khelná'', jogar. ''Juākhāná'', casa de jôgo. ''Juāri'', ''juvābāj'', jogador.
Nep. ''juvá'', jôgo. ''Juvái khelnu'', jogar.
Or. ''juá'', jôgo. ''Juārá'', jogador.
Beng. ''juá'', ''juvá-khelá'', ''juá-khelá'', ''juyá-khelá'', ''jurá-khelá'', jôgo. ''Juvá-khelá'', ''juyá-khelá'', ''jurá-khelá kri'' (= «fazer»), jogar. ''Juá-chor'', batoteiro, burlador. ''Juyāri'', ''jurāri'', jogador.
Ass. ''juá'', jôgo. ''Juá khelá'', jogar.
Sindh. ''juá'', jôgo. ''Juá khelnu'', jogar. ''Juākhānõ'', casa de jôgo. ''Juāri'', jogador.
Panj. ''juá'', jôgo de azar; dado. ''Juá khelná'', ''juá mārná'', jogar. ''Jue-khāná'', casa de jôgo. ''Juāri'',
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/201
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 104 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MÃO MAO|{{sc|104}}}}</noinclude>A origem da dicção portuguesa é neo-árica: hindustani-beng. ''man'', que Shakespear tira do ár. ''mann''; marata-conc. ''maṇ'', que Molesworth deriva do sânsc. ''māna'', radical ''mā'', «medir», ou do árabe.
O Professor Sayce (''Principles of Comparative Philology'') e o Dr. Haupt (''Die Sumerisch-akkadische Sprache'') atribuem ao vocábulo ''mana'' origem acádica. Yule & Burnell observam que em todo o caso é o nome babilónico para a octogésima parte de talento, e que passou com outros pesos e medidas babilónicas para quási todo o mundo antigo: egípcio ''men'' ou ''mna'', copto ''emna'' ou ''amna'', hebraico ''māneh'', grego ''mna'', romano ''mina''; e por intermédio dos árabes, espanhol-português ''almena'', francês antigo ''almène''<ref>O Sr. Cândido de Figueiredo define ''almena'' «pêso indiano, equivalente a 1 kilogramma aproximadamente», e dá-lhe por étimo o ár. ''al-mena''.</ref>.
Segundo a opinião dos autores de ''Hobson-Jobson'', a introdução do termo na Índia deve ter ocorrido durante o trato comercial dos árabes no 8.º e 9.º séculos, ou mesmo antes.
No ''Rigveda'' (VIII, 67, 2) aparece a palavra ''manā'', que tem dado margem a acalorado debate entre os orientalistas. ¿É genuinamente árico o vocábulo ou de procedência semítica? ¿E qual é o seu verdadeiro significado?<ref>Não se confunda ''manā'' com ''mana'', acima citado, nem com o seu homófono rigvédico, que significa «zêlo, ardor, ira, inveja».</ref>
François Lenormant e mais alguns escritores, identificando ambas as vozes, aduzem êste passo, entre outros argumentos, para demonstrar as antiquíssimas relações entre a Índia e a Babilónia, e mesmo para notar vestígios de influências babilónicas nos poemas védicos<ref>Vid. Cristóvão Pinto, ''India Prehistorica''.</ref>.
Max Müller (''India, What can it teach us?'') e outros sanscritólogos negam a proveniência babilónica e a influência da civilização semítica na da Índia antiga; mas hesitam e divergem na interpretação do vocábulo.
A estrofe dirige-se ao deus Indra, e está concebida nos seguintes termos:
{{poem|
 nah bhara vyáñjanam
gām áçvam abhyáñjanam
Sáchā manā hiranyáyā.
}}
A primeira parte traduz-se: «Traze-nos uma jóia, uma vaca, um cavalo, um adôrno». A dificuldade versa sôbre a segunda parte, que tem sido diversamente vertida.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/202
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 105 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|105}}|MÃO MARQUESOTA|}}</noinclude>Grassmann: «Zugleich mit goldenen Geräth» (= juntamente com traste de ouro). Ludwig: «Zusammt mit goldenen Zierrath» (= junto com adereço de ouro). Zimmer: «Und eine Manā gold» (= e um maná de ouro)<ref>Langlois traduz a estância: «Donnez-nous des vaches, des chevaux, des parfums, des ornements d'or».</ref>.
Max Müller impugna a tradução com o caso instrumental, porque a preposição ''sachā'' nunca rege tal caso, e relacionando ''manā'' com o sânsc. ''maṇi'', lat. ''monile'', traslada o verso: «Give us also two golden armlets» — dá-nos tambêm dois braceletes áureos. «Supor que os poetas védicos, diz elle, teriam adoptado dos babilónios esta única palavra e esta única medida seria contrário a todas as regras do critério histórico. O vocábulo ''manā'' nunca mais ocorre em toda a literatura sânscrita, nenhum outro pêso babilónico mais ocorre em toda a literatura sânscrita e não é provável que um poeta que pede uma vaca e um cavalo, peça ao mesmo tempo um pêso estrangeiro de ouro, isto é, cêrca de sessenta guinéus».
Griffith segue êste modo de interpretar, mas substitui os «braceletes» por «anéis»<ref>O Dicionário de S. Petersburgo define ''manā'': «Ein bestimmtes Geräth oder Gewicht». E Capeller: «A certain vessel or weight of gold».</ref>.
'''Marca.''' Conc. ''márk'' (p. us.). Termos vern. ''khūn'', ''kurú'', ''chihném'', ''nixāṇém'', ''sopó''. — L.-Hindust. ''mārkā''. — Mal., Tet. ''márka''. — ? Malg. ''marika''.
'''Marchar.''' Conc. ''mārchár-zāvunk''. — Tet., Gal. ''márcha''.
'''Março.''' Conc. ''márs''. — Mal., Tet., Gal. ''mársu''. Vid. ''agosto''.
'''? Marear.''' Sing. ''māriyā'' (subst.), mareante, marujo. Term. vern. ''nāvikayā'', ''nǣkkārayā'', ''nǣviyā''.
Em concani, ''mareação'' significa «sagacidade, astúcia».
'''Marfim.''' Conc. ''mārphim''. Term. vern. ''hattyātsó dānt'' (lit. «dente de elefante»). — Tet., Gal. ''marfim''.
'''Maria.''' Tel. ''Mariyansu-āṭ'' (lit. «jôgo de Maria»). Brown presume que a palavra é de origem portuguesa.
'''Marmelo.''' Jap. ''maruméru''.
'''? Mármore.''' Conc. ''mārmar''. — Guj., Hindi, Hindust., Beng., Panj., Mal. ''marmar''. ''Marmari'' (nas línguas áricas), marmóreo. — Persa ''marmar''. — Ár. ''marmar'', ''marmer''.
A procedência portuguesa pode ser contestada. O étimo primordial é o grego ''marmoros''. Do persa ''sang-marmar'' (''sang'' = pedra) proveem directamente: Conc., Mar. ''sangmarvar''; Hindi, Panj. ''sangmarmar''; Sindh. ''sangimarmaru''; Can. ''sangamaravari'', ''sangamāra''.
'''Marquesota.''' Mal. ''marcadjota'' (= ''markajôta''), «stolla, matronarum vestis» (Haex).
O Sr. Cândido de Figueiredo
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|105}}|MÃO MARQUESOTA|}}</noinclude>Grassmann: «Zugleich mit goldenen Geräth» (= juntamente com traste de ouro). Ludwig: «Zusammt mit goldenen Zierrath» (= junto com adereço de ouro). Zimmer: «Und eine Manā gold» (= e um maná de ouro)<ref>Langlois traduz a estância: «Donnez-nous des vaches, des chevaux, des parfums, des ornements d'or».</ref>.
Max Müller impugna a tradução com o caso instrumental, porque a preposição ''sachā'' nunca rege tal caso, e relacionando ''manā'' com o sânsc. ''maṇi'', lat. ''monile'', traslada o verso: «Give us also two golden armlets» — dá-nos tambêm dois braceletes áureos. «Supor que os poetas védicos, diz elle, teriam adoptado dos babilónios esta única palavra e esta única medida seria contrário a todas as regras do critério histórico. O vocábulo ''manā'' nunca mais ocorre em toda a literatura sânscrita, nenhum outro pêso babilónico mais ocorre em toda a literatura sânscrita e não é provável que um poeta que pede uma vaca e um cavalo, peça ao mesmo tempo um pêso estrangeiro de ouro, isto é, cêrca de sessenta guinéus».
Griffith segue êste modo de interpretar, mas substitui os «braceletes» por «anéis»<ref>O Dicionário de S. Petersburgo define ''manā'': «Ein bestimmtes Geräth oder Gewicht». E Capeller: «A certain vessel or weight of gold».</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477699|Marca.]]''' Conc. ''márk'' (p. us.). Termos vern. ''khūn'', ''kurú'', ''chihném'', ''nixāṇém'', ''sopó''. — L.-Hindust. ''mārkā''. — Mal., Tet. ''márka''. — ? Malg. ''marika''.
'''Marchar.''' Conc. ''mārchár-zāvunk''. — Tet., Gal. ''márcha''.
'''[[:d:Lexeme:L8750|Março.]]''' Conc. ''márs''. — Mal., Tet., Gal. ''mársu''. Vid. ''agosto''.
'''? Marear.''' Sing. ''māriyā'' (subst.), mareante, marujo. Term. vern. ''nāvikayā'', ''nǣkkārayā'', ''nǣviyā''.
Em concani, ''mareação'' significa «sagacidade, astúcia».
'''Marfim.''' Conc. ''mārphim''. Term. vern. ''hattyātsó dānt'' (lit. «dente de elefante»). — Tet., Gal. ''marfim''.
'''[[:d:Lexeme:L901364|Maria.]]''' Tel. ''Mariyansu-āṭ'' (lit. «jôgo de Maria»). Brown presume que a palavra é de origem portuguesa.
'''[[:d:Lexeme:L458056|Marmelo.]]''' Jap. ''maruméru''.
'''? Mármore.''' Conc. ''mārmar''. — Guj., Hindi, Hindust., Beng., Panj., Mal. ''marmar''. ''Marmari'' (nas línguas áricas), marmóreo. — Persa ''marmar''. — Ár. ''marmar'', ''marmer''.
A procedência portuguesa pode ser contestada. O étimo primordial é o grego ''marmoros''. Do persa ''sang-marmar'' (''sang'' = pedra) proveem directamente: Conc., Mar. ''sangmarvar''; Hindi, Panj. ''sangmarmar''; Sindh. ''sangimarmaru''; Can. ''sangamaravari'', ''sangamāra''.
'''Marquesota.''' Mal. ''marcadjota'' (= ''markajôta''), «stolla, matronarum vestis» (Haex).
O Sr. Cândido de Figueiredo
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/190
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 93 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|93}}|JOGAR JOGAR|}}</noinclude>''juāriá'', ''juebáj'', jogador. ''Juebāji'', jôgo.
? Sing. ''súdu'', ''súduva'', ''súdu-keliya'', ''súdu-kelīma'', jôgo. ''Súdu-kelinavā'', jogar. ''Súdu-maduva'', ''súdu-gedara'', casa de jôgo. ''Súdu-mêsaya'', mesa de jôgo. ''Súduvā'', ''súdu-keliya'', ''súdu-kelinā'', jogador.
Tam. ''juá'', ''jūdāṭṭam'' (''āṭṭam'', «jôgo em geral», como ''khel'' nos idiomas neo-áricos), jôgo de azar. ''Jūdāḍi'', ''jūdāḍikôn'', ''jūddan'', jogador. ''Jūdāḍu'', ''juá-vilaiyāḍu'', jogar.
Malayál. ''chūdu-kali'' (''kali'', «jôgo em geral»), ''chūḍāḍum'', jôgo de azar. ''Chūḍāḍuka'', ''chūdu-kalike'', jogar. ''Chūḍāli'', ''chūḍukāran'', jogador<ref>O malayálam não conserva, de ordinário, fonemas brandos iniciais de vocábulos peregrinos, mudando ''g, j, d, b'' em ''k, ch, t, p''.</ref>.
Tel. ''jūḍamu'', jôgo. ''Jūḍamāḍu'', jogar. ''Jūḍāri'', jogador.
Can. ''jugáru'', ''jūju'', jôgo. ''Jugáru āḍu'', ''jūjāḍu'' (''āḍu'', «jogar em geral»), jogar. ''Jūjugāra'', ''jugáru āḍuvava'', ''jūjāḍuvava'', ''jūjunega'', jogador. ''Jūjuna paḍe'', partida de jogadores. ''Jūjuna kōli'', galo de combate.
Tul. ''jugáru'', ''jugāri'', ''jugārigobbunāya'', jogador. ''Jugārigobbuni'', jogar.
Gar. ''joa'', jôgo. ''Joa kala'', jogar.
Khas. ''juvari'', jôgo; jogador.
Mal. ''jôgar'', jôgo de tábulas. ''Ber-jôgar'', jogar com tábulas, o que joga com tábulas. ''Juxára'', hábil no jôgo, especialmente no combate de galos. ''Júdi'', jôgo de dados, de azar. ''Ber-júdi'', jogar; jogador. — Ach., Jav. ''júdi''. — Batt. ''júdi'', jôgo de azar. ''Erjúdi'', jogar a dinheiro, jogar com dados, apostar. ''Njúdiken'', perder no jôgo. ''Perjúdin'', casa de jôgo. Day. ''judo'', sorte, destino. — Mak., Bug. ''jūgaru'', jogar<ref>O jôgo de tábulas foi introduzido no Oriente pelos portugueses. Em concani: ''tābl'', tábula. ''Tāblāntsó khêl'', jôgo de tábulas. ''Tablér'', tabuleiro. «Achou a Ruy Dias assentado na tolda, jogando as '''tauolas''' com o capitão Jorge Fogaça». Gaspar Correia, II, p. 116. «Estaua jogando ás '''tauolas''' grosso dinheiro que todos lhe ganhavão». ''Id.'', p. 284. «Mandou Manoel Falcão que se fossem para elle, o armassem jôgo de '''tauolas''' (como muitas vezes fazião)» [em Maluco]. Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 3.</ref>.
Tet. ''júga'', ''dúka'', ''doka'', ''yoka'', jogar, jôgo. Term. vern. ''halímar''. — Gal. ''júga'', jogar, jôgo.
Molesworth tira o mar. ''juvá'' do hindust. ''juá'', que Shakespear deriva do sânsc. ''yuga'' (lat. ''iugum''), que significa «jugo», e tambêm «uma das idades do mundo», mas não «jôgo». Mas Wilson filia, com mais plausibilidade, ''juá'' no sânsc. ''dyuta'', «jôgo». Reeve atribui, igualmente, ao sânscrito os vocábulos canareses, sem indicar o étimo. Favre, seguindo Newbranner van
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/191
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 94 do vocabulário
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||JOGAR JOGAR|{{sc|94}}}}</noinclude>der Tuuck, filia o mal. ''júdi'' no sânsc. ''yodhi''; mas não explica como é que o vocábulo, na sua passagem para o malaio, perdeu o significado de «guerreiro» e adquiriu o de «jôgo de dados e de azar», pôsto que, fonèticamente, ''yodhi'' podia dar ''júdi'' como ''yoga'', «união» (se não ''yuga''), deu ''júga''.
O verbo ''jogar'' reduz-se no ásio-português, segundo a regra geral, a ''jugá'', que, com a perda do ''g'' intervocálico, resulta em ''juá'' ou ''juvá''. Cf. hindust. ''júá'', «jugo», do sânsc. ''yuga''; mar. ''julá'', «gémeo», do sânsc. ''yugala''; conc. ''mũi'' (ou ''mũy''), «formiga», do mar. ''mungi''.
O ''d'' que aparece em algumas vozes pode ter sido intercalado para se remover o hiato, ou por influência de ''jugador'', ou do sânsc. ''dyuta'', «jôgo de azar», mudando-se o ''t'' intervocálico em ''d''. Cf. conc. ''kāpad'', «pano», do sânsc. ''karpaṭa'', ''māḍ'', «palmeira», de ''mahātālu'', ''cheḍó'', «rapaz», de ''cheta''.
Admira porém que a palavra portuguesa tenha penetrado tão fundamente em tantas línguas (naturalmente por transmissão mediata em muitas delas), e produzido tantas formas.
O jôgo de azar, especialmente o de dados, tem-se praticado na Índia desde os tempos védicos, como consta da ''Lamentação do jogador'' (Rigveda, X, 34)<ref>J. Muir traduz a primeira estrofe do seguinte modo (''Original Sanskrit Texts''):
{{poem|
These dice that roll upon the board
To me intense delight afford.
Sweet Soma-juice has not more power
To lure me in an evil hour.
}}</ref>, da desastrada partida de Yudhishthira, e do célebre episódio de Nala, um dos mais antigos e primorosos do ''Mahābhārata''. O Yajurveda apoda os jogadores apaixonados de «colunas da casa de jôgo», ''sabhāsthānu''. O Sr. Arthur Macdonell observa que o principal recreio social dos homens védicos, quando se reuniam, era o jôgo de dados, feitos de nozes de ''Terminalia bellerica''. Os moralistas de então tinham os dados, o vinho e a ira por principais fontes de pecados. E Manu proíbe o jôgo, mesmo que seja por passatempo, e quere que o rei puna corporalmente o jogador.
É provável que os portugueses tivessem introduzido novos jogos, e vulgarizado por si e por seus descendentes o de dados, caído então em desuso, graças às leis civis e religiosas. A palavra ''dado'' está adoptada em concani, singalês, malaio, javanês e sundanês<ref>Vid. Lucena, liv. III, cap. 12.</ref>.
Tambêm o vocábulo sânsc. ''dyuta'' podia corromper-se em ''jūda'' ou ''jūdi''. Cf. conc. ''uzó'', «fogo», prácrito ''vijju'', sânsc. ''vidyut'', que igualmente deu ''viz'', «raio», em marata e concani. E ''Bisnágar'' ou ''Bisnaga'', dos
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
gj5buxbjnlsoby50fiaf3ddtm6bkvuc
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/192
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Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Correção integral e revisão da página 95 do vocabulário
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|95}}|LAÇO LAGARTO|}}</noinclude>nossos cronistas, é corrupção ou de ''Vijayanagara'' («cidade da vitória») ou de ''Vidyānagara'' («cidade da sabedoria»), sendo ambos os nomes aplicados à capital de Narsinga<ref>«Hũa fermosissima Cidade, a que pôs nome Visaja (em outra parte Vizaia) Nager (leia-se Naguer), que quer dizer, Cidade de victoria: a que nos corruptamente chamamos Bisnaga, e ainda damos della o nome a todo o Reyno». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 5.</ref>.
Parece que o singalês ''súdu'' está por ''júdu'' de outras línguas e tem derivação portuguesa. O malayál. ''chūdu'' não oferece grande dificuldade. Cf. ''chenel, chenarel'' = janela, a par de ''janel''. Cf. tambêm o port. ''jaca'' do malayál. ''chakka''; ''jagra'', malayál. ''chakkara'', sânsc. ''çarkarā''.
'''Jornal''' («gazeta»). Conc. ''jornál''. Tambêm se diz ''phòl'', do port. ''folha''. Term. vern. ''vartamánpatr''. — Tet. ''jornál''.
'''Juiz.''' Conc. ''juyiz''. Term. vern. ''munsubidár'', ''nítidár''. — Tet. ''juiz'', ''duiz''. — Gal. ''juiz'', ''juis'', ''duis''.
'''Julho.''' Conc. ''júlh''. — Mal. ''julu''. — Tet., Gal. ''julho''.
'''Junho.''' Conc. ''júnh''. — ? Mal. ''jun''. — Tet., Gal. ''junho''.
Favre deriva ''jun'' do ingl. ''June''; mas Marre prefere a proveniência portuguesa.
'''Juramento.''' Conc. ''jurāment''. Termos vern. ''pramāṇ'', ''xapūth''. — Tet., Gal. ''juraméntu'', ''duraméntu''.
'''Jurar.''' Conc. ''jurár-zāvunk''. Term. vern. ''pramāṇ'' ou ''xapūth divunk''. — Tet., Gal. ''júra'', jurar, juramento.
'''Juro.''' Conc. ''júr''; ''júri'' (us. no Canará). — Term. vern. ''kalāntar'', ''rādh'', ''vyáz''. — Tet., Gal. ''júru''. Term. vern. ''dānik''.
'''Justiça.''' Conc. ''justís'' (us. sómente em Goa). Term. vern. ''nít'', ''nyáy''. — Tet., Gal. ''justisa''.
'''Justo.''' Conc. ''júst'' (adj. e adv.). Term. vern. ''sārkó'', ''sam'kó'', ''barābar'', ''ṭhík''. — Mal. ''lūsto''. Term. vern. ''ādil'' (do ár.), ''pātul'', ''hārus''.
Parece que ''lusto'' passou pela forma intermédia *''dusto''. Cf. ''lidal, didal'', «dedal».
{{center|L}}
'''Laço.''' Conc. ''lás'' (p. us.). Term. vern. ''phās'', ''kat''. — Tet. ''lásu''. Term. vern. ''fafóati''.
'''Lacre.''' Mak. ''lakári''.
'''Ladainha.''' Conc. ''ladín''. — Tet., Gal. ''ladainha''.
'''Lagarto''' («jacaré»). Indo-ingl. ''alligator''. — Mal. ''lagárti''<ref>«Ha tambem neste regno (de Cananor) em alguns rios grandes, muy grandes '''lagartos''' que comem hos homens». Duarte Barbosa, p. 344.
«Auia muita quantidade de '''lagartos''', aos quais com mais proprio nome pudera chamar serpentes». Fernão Pinto, ''Peregrinação'', cap. XLV.
«Mui grandes '''lagartos''' que em figura e natureza são os crocodilos do Nilo». João de Barros, Déc. I, XII, 8.
«Em que andão tantos '''lagartos''' que ás vezes soçobrão as almadias e tomão a gente». Gaspar Correia, II.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|95}}|LAÇO LAGARTO|}}</noinclude>nossos cronistas, é corrupção ou de ''Vijayanagara'' («cidade da vitória») ou de ''Vidyānagara'' («cidade da sabedoria»), sendo ambos os nomes aplicados à capital de Narsinga<ref>«Hũa fermosissima Cidade, a que pôs nome Visaja (em outra parte Vizaia) Nager (leia-se Naguer), que quer dizer, Cidade de victoria: a que nos corruptamente chamamos Bisnaga, e ainda damos della o nome a todo o Reyno». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 5.</ref>.
Parece que o singalês ''súdu'' está por ''júdu'' de outras línguas e tem derivação portuguesa. O malayál. ''chūdu'' não oferece grande dificuldade. Cf. ''chenel, chenarel'' = janela, a par de ''janel''. Cf. tambêm o port. ''jaca'' do malayál. ''chakka''; ''jagra'', malayál. ''chakkara'', sânsc. ''çarkarā''.
'''[[:d:Lexeme:L477206|Jornal]]''' («gazeta»). Conc. ''jornál''. Tambêm se diz ''phòl'', do port. ''folha''. Term. vern. ''vartamánpatr''. — Tet. ''jornál''.
'''[[:d:Lexeme:L620494|Juiz.]]''' Conc. ''juyiz''. Term. vern. ''munsubidár'', ''nítidár''. — Tet. ''juiz'', ''duiz''. — Gal. ''juiz'', ''juis'', ''duis''.
'''[[:d:Lexeme:L8754|Julho.]]''' Conc. ''júlh''. — Mal. ''julu''. — Tet., Gal. ''julho''.
'''[[:d:Lexeme:L8753|Junho.]]''' Conc. ''júnh''. — ? Mal. ''jun''. — Tet., Gal. ''junho''.
Favre deriva ''jun'' do ingl. ''June''; mas Marre prefere a proveniência portuguesa.
'''[[:d:Lexeme:L662629|Juramento.]]''' Conc. ''jurāment''. Termos vern. ''pramāṇ'', ''xapūth''. — Tet., Gal. ''juraméntu'', ''duraméntu''.
'''Jurar.''' Conc. ''jurár-zāvunk''. Term. vern. ''pramāṇ'' ou ''xapūth divunk''. — Tet., Gal. ''júra'', jurar, juramento.
'''Juro.''' Conc. ''júr''; ''júri'' (us. no Canará). — Term. vern. ''kalāntar'', ''rādh'', ''vyáz''. — Tet., Gal. ''júru''. Term. vern. ''dānik''.
'''[[:d:Lexeme:L500663|Justiça.]]''' Conc. ''justís'' (us. sómente em Goa). Term. vern. ''nít'', ''nyáy''. — Tet., Gal. ''justisa''.
'''Justo.''' Conc. ''júst'' (adj. e adv.). Term. vern. ''sārkó'', ''sam'kó'', ''barābar'', ''ṭhík''. — Mal. ''lūsto''. Term. vern. ''ādil'' (do ár.), ''pātul'', ''hārus''.
Parece que ''lusto'' passou pela forma intermédia *''dusto''. Cf. ''lidal, didal'', «dedal».
{{center|L}}
'''Laço.''' Conc. ''lás'' (p. us.). Term. vern. ''phās'', ''kat''. — Tet. ''lásu''. Term. vern. ''fafóati''.
'''Lacre.''' Mak. ''lakári''.
'''Ladainha.''' Conc. ''ladín''. — Tet., Gal. ''ladainha''.
'''[[:d:Lexeme:L448657|Lagarto]]''' («jacaré»). Indo-ingl. ''alligator''. — Mal. ''lagárti''<ref>«Ha tambem neste regno (de Cananor) em alguns rios grandes, muy grandes '''lagartos''' que comem hos homens». Duarte Barbosa, p. 344.
«Auia muita quantidade de '''lagartos''', aos quais com mais proprio nome pudera chamar serpentes». Fernão Pinto, ''Peregrinação'', cap. XLV.
«Mui grandes '''lagartos''' que em figura e natureza são os crocodilos do Nilo». João de Barros, Déc. I, XII, 8.
«Em que andão tantos '''lagartos''' que ás vezes soçobrão as almadias e tomão a gente». Gaspar Correia, II.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh||MÁSCARA MATAR|{{sc|106}}}}</noinclude>regista o vocábulo do seguinte modo: «'''Marquesota''', ''f.'', espécie de túbera indiana; (ant.) mantéu, com que se abafava o pescoço. (De ''marquês''?)»<ref>«Pois os imperiaes de seda, '''mercasotas''', e capas de escarlata, não se acharão mais em festas, e em jornadas dos Principes». Diogo do Couto, ''Dial. do Sold. Prat. Port.'', p. 38.</ref>.
'''Marrafa.''' Conc. ''mārráph''. Term. vern. ''pākkāḍi''. — Gal. ''marrafa''. Term. vern. ''garerom''.
'''Martelo.''' Conc. ''martél'' (us. em Salcete e no Canará). Term. vern. ''kuḍtí'', ''kuḍtó'' (martelo de pau); ''tuṭyó'', ''hātāḷó'' (martelo de ferro). — Hindi ''martaul''. Term. vern. ''hathandá'', ''ghan'', ''mongrí''. — Hindust. ''mārtil'', ''mārtol'', ''martol'', ''martaul''. — Nep. ''martaul''. — Beng. ''mārtel''. — Indo-ingl. ''martil'', ''martol''. — Mal. ''martello'' (Haex), ''mártel'', ''mārtil''. — Mol. ''martélo'', ''martélu''. — Tet., Gal. ''martélu''.
'''Mártir.''' Conc. ''mártir''. — Camb., Tet., Gal. ''mártir''. — Jap. ''maruchiru'' (ant.)<ref>''T'' intervocálico soa ''ch'' em japonês (''marutiru'' = ''maruchiru'').</ref>.
'''Martírio.''' Jap. ''maruchiriyo'' (ant.).
'''Mas''' (conj.). Sund. ''mása''. — Tet., Gal. ''mas''.
'''Máscara.''' Mal. ''maskára''<ref>«Os estilos mais elevados não estão inteiramente isentos desta espécie de palavras, como ''tempo, senhor, mascara''». W. Marsden, ''A Grammar of Malay Language''.</ref>.
'''Mas que.''' Mal. ''máski'', ''mêski''. — Jav. ''máski'', ''méski''. — Tet. ''maskê''. — Pid.-Engl. ''maskee'', ''mashkee'', ''ma-sze-ki'', embora, todavia, não importa, não faça caso; está bem, perfeitamente; justo, correcto. «Usa-se esta palavra de uma maneira muito irregular. Não é chinesa, sendo o seu equivalente em mandarim ''pro-yow-cheew''». Leland.
''Masqui'' (crioulo de Macau), ''masque'' (crioulo de Ceilão), «mais que, por mais que, ainda que». Neste sentido aparece em clássicos portugueses. «Contae, ''mas que'' me deixem congelado». «Por Deos, ''mas que'' me fundam, ''mas que'' me confundam, eu hei de tanger sempre a verdade». D. Francisco de Melo, ''Diálogos Apologaes''<ref>«It is supposed that it may be the corruption or ellipsis of a Portuguese expression, but nothing satisfactory has been suggested». ''Hobson-Jobson''.</ref>.
'''Mastro.''' Hindi, Hindust., Panj., Ass. ''mastúl''. — Or., Beng. ''mástul''. — Khas. ''mastul''<ref>Pareceria que o ''l'' está por ''r'' transposto, ''mastur''; mas a forma portuguesa antiga é ''masto''.</ref>.
'''Matador''' (no jôgo de cartas). Bug. ''matadóro''.
'''? Matar.''' Mal., Jav. ''máti'', morrer. — ''Maténi'', matar. — Batt., Mak., Bug. ''máte'', morte. — Day. ''matei''. — Malg. ''mati''.
O Dr. Heyligers acha provável a derivação portuguesa. Pelo con-
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MÁSCARA MATAR|{{sc|106}}}}</noinclude>regista o vocábulo do seguinte modo: «'''Marquesota''', ''f.'', espécie de túbera indiana; (ant.) mantéu, com que se abafava o pescoço. (De ''marquês''?)»<ref>«Pois os imperiaes de seda, '''mercasotas''', e capas de escarlata, não se acharão mais em festas, e em jornadas dos Principes». Diogo do Couto, ''Dial. do Sold. Prat. Port.'', p. 38.</ref>.
'''Marrafa.''' Conc. ''mārráph''. Term. vern. ''pākkāḍi''. — Gal. ''marrafa''. Term. vern. ''garerom''.
'''Martelo.''' Conc. ''martél'' (us. em Salcete e no Canará). Term. vern. ''kuḍtí'', ''kuḍtó'' (martelo de pau); ''tuṭyó'', ''hātāḷó'' (martelo de ferro). — Hindi ''martaul''. Term. vern. ''hathandá'', ''ghan'', ''mongrí''. — Hindust. ''mārtil'', ''mārtol'', ''martol'', ''martaul''. — Nep. ''martaul''. — Beng. ''mārtel''. — Indo-ingl. ''martil'', ''martol''. — Mal. ''martello'' (Haex), ''mártel'', ''mārtil''. — Mol. ''martélo'', ''martélu''. — Tet., Gal. ''martélu''.
'''Mártir.''' Conc. ''mártir''. — Camb., Tet., Gal. ''mártir''. — Jap. ''maruchiru'' (ant.)<ref>''T'' intervocálico soa ''ch'' em japonês (''marutiru'' = ''maruchiru'').</ref>.
'''Martírio.''' Jap. ''maruchiriyo'' (ant.).
'''Mas''' (conj.). Sund. ''mása''. — Tet., Gal. ''mas''.
'''Máscara.''' Mal. ''maskára''<ref>«Os estilos mais elevados não estão inteiramente isentos desta espécie de palavras, como ''tempo, senhor, mascara''». W. Marsden, ''A Grammar of Malay Language''.</ref>.
'''Mas que.''' Mal. ''máski'', ''mêski''. — Jav. ''máski'', ''méski''. — Tet. ''maskê''. — Pid.-Engl. ''maskee'', ''mashkee'', ''ma-sze-ki'', embora, todavia, não importa, não faça caso; está bem, perfeitamente; justo, correcto. «Usa-se esta palavra de uma maneira muito irregular. Não é chinesa, sendo o seu equivalente em mandarim ''pro-yow-cheew''». Leland.
''Masqui'' (crioulo de Macau), ''masque'' (crioulo de Ceilão), «mais que, por mais que, ainda que». Neste sentido aparece em clássicos portugueses. «Contae, ''mas que'' me deixem congelado». «Por Deos, ''mas que'' me fundam, ''mas que'' me confundam, eu hei de tanger sempre a verdade». D. Francisco de Melo, ''Diálogos Apologaes''<ref>«It is supposed that it may be the corruption or ellipsis of a Portuguese expression, but nothing satisfactory has been suggested». ''Hobson-Jobson''.</ref>.
'''Mastro.''' Hindi, Hindust., Panj., Ass. ''mastúl''. — Or., Beng. ''mástul''. — Khas. ''mastul''<ref>Pareceria que o ''l'' está por ''r'' transposto, ''mastur''; mas a forma portuguesa antiga é ''masto''.</ref>.
'''Matador''' (no jôgo de cartas). Bug. ''matadóro''.
'''? Matar.''' Mal., Jav. ''máti'', morrer. — ''Maténi'', matar. — Batt., Mak., Bug. ''máte'', morte. — Day. ''matei''. — Malg. ''mati''.
O Dr. Heyligers acha provável a derivação portuguesa. Pelo con-
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MÁSCARA MATAR|{{sc|106}}}}</noinclude>regista o vocábulo do seguinte modo: «'''Marquesota''', ''f.'', espécie de túbera indiana; (ant.) mantéu, com que se abafava o pescoço. (De ''marquês''?)»<ref>«Pois os imperiaes de seda, '''mercasotas''', e capas de escarlata, não se acharão mais em festas, e em jornadas dos Principes». Diogo do Couto, ''Dial. do Sold. Prat. Port.'', p. 38.</ref>.
'''Marrafa.''' Conc. ''mārráph''. Term. vern. ''pākkāḍi''. — Gal. ''marrafa''. Term. vern. ''garerom''.
'''[[:d:Lexeme:L669439|Martelo.]]''' Conc. ''martél'' (us. em Salcete e no Canará). Term. vern. ''kuḍtí'', ''kuḍtó'' (martelo de pau); ''tuṭyó'', ''hātāḷó'' (martelo de ferro). — Hindi ''martaul''. Term. vern. ''hathandá'', ''ghan'', ''mongrí''. — Hindust. ''mārtil'', ''mārtol'', ''martol'', ''martaul''. — Nep. ''martaul''. — Beng. ''mārtel''. — Indo-ingl. ''martil'', ''martol''. — Mal. ''martello'' (Haex), ''mártel'', ''mārtil''. — Mol. ''martélo'', ''martélu''. — Tet., Gal. ''martélu''.
'''Mártir.''' Conc. ''mártir''. — Camb., Tet., Gal. ''mártir''. — Jap. ''maruchiru'' (ant.)<ref>''T'' intervocálico soa ''ch'' em japonês (''marutiru'' = ''maruchiru'').</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448002|Martírio.]]''' Jap. ''maruchiriyo'' (ant.).
'''[[:d:Lexeme:L524070|Mas]]''' (conj.). Sund. ''mása''. — Tet., Gal. ''mas''.
'''Máscara.''' Mal. ''maskára''<ref>«Os estilos mais elevados não estão inteiramente isentos desta espécie de palavras, como ''tempo, senhor, mascara''». W. Marsden, ''A Grammar of Malay Language''.</ref>.
'''Mas que.''' Mal. ''máski'', ''mêski''. — Jav. ''máski'', ''méski''. — Tet. ''maskê''. — Pid.-Engl. ''maskee'', ''mashkee'', ''ma-sze-ki'', embora, todavia, não importa, não faça caso; está bem, perfeitamente; justo, correcto. «Usa-se esta palavra de uma maneira muito irregular. Não é chinesa, sendo o seu equivalente em mandarim ''pro-yow-cheew''». Leland.
''Masqui'' (crioulo de Macau), ''masque'' (crioulo de Ceilão), «mais que, por mais que, ainda que». Neste sentido aparece em clássicos portugueses. «Contae, ''mas que'' me deixem congelado». «Por Deos, ''mas que'' me fundam, ''mas que'' me confundam, eu hei de tanger sempre a verdade». D. Francisco de Melo, ''Diálogos Apologaes''<ref>«It is supposed that it may be the corruption or ellipsis of a Portuguese expression, but nothing satisfactory has been suggested». ''Hobson-Jobson''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447843|Mastro.]]''' Hindi, Hindust., Panj., Ass. ''mastúl''. — Or., Beng. ''mástul''. — Khas. ''mastul''<ref>Pareceria que o ''l'' está por ''r'' transposto, ''mastur''; mas a forma portuguesa antiga é ''masto''.</ref>.
'''Matador''' (no jôgo de cartas). Bug. ''matadóro''.
'''[[:d:Lexeme:L666275|? Matar.]]''' Mal., Jav. ''máti'', morrer. — ''Maténi'', matar. — Batt., Mak., Bug. ''máte'', morte. — Day. ''matei''. — Malg. ''mati''.
O Dr. Heyligers acha provável a derivação portuguesa. Pelo con-
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/204
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Correção integral e revisão da página 107 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh|{{sc|107}}|MEIRINHO MEIRINHO|}}</noinclude>trário, é muito provável, se não certo, que a palavra é vernácula, talvez derivada, como julga Crawfurd, do sânsc. ''mṛti'', «morte». Favre sugere que pode ser de origem semítica, ''mant'', «morte», em árabe. O malgache deve ter recebido o vocábulo directamente das línguas malaias, muito antes da influência portuguesa, e talvez arábica, na Malásia. O termo já era corrente no tempo de Fernão Pinto que escreve (cap. 177): «Cahio morto, sem dizer mais que sómente: Quita '''mate''', ay que me matou».
'''Matalote.''' Mal. ''matelote'' (Haex).
'''Matraca.''' Conc. ''mātrák''. Term. vern. ''phaṭphaṭém'', ''khaṭkaṭém''. — Tet. ''matraka''. Term. vern. ''dikrarika''.
'''Medalha.''' Conc. ''medálh''. Term. vern. ''ārḷúk''. — Tet. ''medalha''.
'''Medula.''' Sing. ''midulu''. Term. vern. ''etamola''.
'''Meia, meias.''' Conc. ''mey''. — Sing. ''mês''. ''Koṭa-mês'', peúgas, ''At-mês'' (lit. «meias de mão»), luvas. — Tam. ''mey-jódu'' (lit. «par de meias»), ''kāl-mês'' (lit. «meias de pés»). ''Kai-mês'' (lit. «meias de mãos»), luvas. — Tel. ''mejódu'', ''mejóllu''. — Can., Tul. ''mejódu''. — Tet. ''meias''. — Gal. ''meia''.
'''Meirinho''' («sacristão, ajudante do sacristão»). Conc. ''mirni''; ''miran'' (us. no Canará). — Tam. ''miriní''. — Tul. ''mirne''. — Mal. ''meriniyu''. — Sund., Mak., Bug. ''marínio''. — Mol. ''marinjo'', capitão do pôrto. O Dr. Heyligers deriva-o de ''marinho''. — Tet., Gal. ''mirinhu''.
''Meirinho'' era antigamente em Portugal um empregado judicial, correspondente ao moderno oficial de diligências. Nas colónias, cada fortaleza e cidade tinha um meirinho. Vid. o ''Tombo do Estado da Índia'', ''passim''<ref>«O seu '''meirinho''' d'armada com hum Ouvidor que trazia, que olhassem muyto pola gente que nom fizessem mal». Gaspar Correia, I, p. 165.</ref>. Na Índia os párocos tinham, além do sacristão propriamente, um empregado para as diligências espirituais da freguesia, ao qual deram naturalmente o nome de ''meirinho''<ref>«Os '''meirinhos''', e os proprios pays facilmente se descuidam, e descuidarão de vos auisar dos que nacem». ''Instrução de S. Francisco Xavier'', ''apud'' Lucena, liv. V, cap. 25.
«Em cada aldeia destas (de Goa) ha um '''meirinho''' da doutrina». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 97.</ref>. Hoje em dia os meirinhos de Goa correspondem no ofício aos andadores do Continente, e são tambêm ajudantes do sacristão, por terem pouco serviço. Fora de Goa, ''meirinho'' é sinónimo de «sacristão». No Arquipélago porém o termo tem o sentido primitivo, mais ou menos modificado. Em Macáçar, por exemplo, aplicava-se, segundo Matthes, ao corregedor ou administrador europeu — «''Europeesche schout''»<ref>«'''Meirinho.''' A superintendent of police under the Portuguese government of Bassein in the sixteenth and seventeenth centuries». Whitworth.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|107}}|MEIRINHO MEIRINHO|}}</noinclude>trário, é muito provável, se não certo, que a palavra é vernácula, talvez derivada, como julga Crawfurd, do sânsc. ''mṛti'', «morte». Favre sugere que pode ser de origem semítica, ''mant'', «morte», em árabe. O malgache deve ter recebido o vocábulo directamente das línguas malaias, muito antes da influência portuguesa, e talvez arábica, na Malásia. O termo já era corrente no tempo de Fernão Pinto que escreve (cap. 177): «Cahio morto, sem dizer mais que sómente: Quita '''mate''', ay que me matou».
'''Matalote.''' Mal. ''matelote'' (Haex).
'''Matraca.''' Conc. ''mātrák''. Term. vern. ''phaṭphaṭém'', ''khaṭkaṭém''. — Tet. ''matraka''. Term. vern. ''dikrarika''.
'''Medalha.''' Conc. ''medálh''. Term. vern. ''ārḷúk''. — Tet. ''medalha''.
'''Medula.''' Sing. ''midulu''. Term. vern. ''etamola''.
'''Meia, meias.''' Conc. ''mey''. — Sing. ''mês''. ''Koṭa-mês'', peúgas, ''At-mês'' (lit. «meias de mão»), luvas. — Tam. ''mey-jódu'' (lit. «par de meias»), ''kāl-mês'' (lit. «meias de pés»). ''Kai-mês'' (lit. «meias de mãos»), luvas. — Tel. ''mejódu'', ''mejóllu''. — Can., Tul. ''mejódu''. — Tet. ''meias''. — Gal. ''meia''.
'''Meirinho''' («sacristão, ajudante do sacristão»). Conc. ''mirni''; ''miran'' (us. no Canará). — Tam. ''miriní''. — Tul. ''mirne''. — Mal. ''meriniyu''. — Sund., Mak., Bug. ''marínio''. — Mol. ''marinjo'', capitão do pôrto. O Dr. Heyligers deriva-o de ''marinho''. — Tet., Gal. ''mirinhu''.
''Meirinho'' era antigamente em Portugal um empregado judicial, correspondente ao moderno oficial de diligências. Nas colónias, cada fortaleza e cidade tinha um meirinho. Vid. o ''Tombo do Estado da Índia'', ''passim''<ref>«O seu '''meirinho''' d'armada com hum Ouvidor que trazia, que olhassem muyto pola gente que nom fizessem mal». Gaspar Correia, I, p. 165.</ref>. Na Índia os párocos tinham, além do sacristão propriamente, um empregado para as diligências espirituais da freguesia, ao qual deram naturalmente o nome de ''meirinho''<ref>«Os '''meirinhos''', e os proprios pays facilmente se descuidam, e descuidarão de vos auisar dos que nacem». ''Instrução de S. Francisco Xavier'', ''apud'' Lucena, liv. V, cap. 25.
«Em cada aldeia destas (de Goa) ha um '''meirinho''' da doutrina». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 97.</ref>. Hoje em dia os meirinhos de Goa correspondem no ofício aos andadores do Continente, e são tambêm ajudantes do sacristão, por terem pouco serviço. Fora de Goa, ''meirinho'' é sinónimo de «sacristão». No Arquipélago porém o termo tem o sentido primitivo, mais ou menos modificado. Em Macáçar, por exemplo, aplicava-se, segundo Matthes, ao corregedor ou administrador europeu — «''Europeesche schout''»<ref>«'''Meirinho.''' A superintendent of police under the Portuguese government of Bassein in the sixteenth and seventeenth centuries». Whitworth.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|107}}|MEIRINHO MEIRINHO|}}</noinclude>trário, é muito provável, se não certo, que a palavra é vernácula, talvez derivada, como julga Crawfurd, do sânsc. ''mṛti'', «morte». Favre sugere que pode ser de origem semítica, ''mant'', «morte», em árabe. O malgache deve ter recebido o vocábulo directamente das línguas malaias, muito antes da influência portuguesa, e talvez arábica, na Malásia. O termo já era corrente no tempo de Fernão Pinto que escreve (cap. 177): «Cahio morto, sem dizer mais que sómente: Quita '''mate''', ay que me matou».
'''Matalote.''' Mal. ''matelote'' (Haex).
'''Matraca.''' Conc. ''mātrák''. Term. vern. ''phaṭphaṭém'', ''khaṭkaṭém''. — Tet. ''matraka''. Term. vern. ''dikrarika''.
'''[[:d:Lexeme:L500666|Medalha.]]''' Conc. ''medálh''. Term. vern. ''ārḷúk''. — Tet. ''medalha''.
'''Medula.''' Sing. ''midulu''. Term. vern. ''etamola''.
'''Meia, meias.''' Conc. ''mey''. — Sing. ''mês''. ''Koṭa-mês'', peúgas, ''At-mês'' (lit. «meias de mão»), luvas. — Tam. ''mey-jódu'' (lit. «par de meias»), ''kāl-mês'' (lit. «meias de pés»). ''Kai-mês'' (lit. «meias de mãos»), luvas. — Tel. ''mejódu'', ''mejóllu''. — Can., Tul. ''mejódu''. — Tet. ''meias''. — Gal. ''meia''.
'''Meirinho''' («sacristão, ajudante do sacristão»). Conc. ''mirni''; ''miran'' (us. no Canará). — Tam. ''miriní''. — Tul. ''mirne''. — Mal. ''meriniyu''. — Sund., Mak., Bug. ''marínio''. — Mol. ''marinjo'', capitão do pôrto. O Dr. Heyligers deriva-o de ''marinho''. — Tet., Gal. ''mirinhu''.
''Meirinho'' era antigamente em Portugal um empregado judicial, correspondente ao moderno oficial de diligências. Nas colónias, cada fortaleza e cidade tinha um meirinho. Vid. o ''Tombo do Estado da Índia'', ''passim''<ref>«O seu '''meirinho''' d'armada com hum Ouvidor que trazia, que olhassem muyto pola gente que nom fizessem mal». Gaspar Correia, I, p. 165.</ref>. Na Índia os párocos tinham, além do sacristão propriamente, um empregado para as diligências espirituais da freguesia, ao qual deram naturalmente o nome de ''meirinho''<ref>«Os '''meirinhos''', e os proprios pays facilmente se descuidam, e descuidarão de vos auisar dos que nacem». ''Instrução de S. Francisco Xavier'', ''apud'' Lucena, liv. V, cap. 25.
«Em cada aldeia destas (de Goa) ha um '''meirinho''' da doutrina». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 97.</ref>. Hoje em dia os meirinhos de Goa correspondem no ofício aos andadores do Continente, e são tambêm ajudantes do sacristão, por terem pouco serviço. Fora de Goa, ''meirinho'' é sinónimo de «sacristão». No Arquipélago porém o termo tem o sentido primitivo, mais ou menos modificado. Em Macáçar, por exemplo, aplicava-se, segundo Matthes, ao corregedor ou administrador europeu — «''Europeesche schout''»<ref>«'''Meirinho.''' A superintendent of police under the Portuguese government of Bassein in the sixteenth and seventeenth centuries». Whitworth.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/205
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 108 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MESA MESQUINHO|{{sc|108}}}}</noinclude>'''Melão.''' Tel. ''melāma''.
'''Mercê.''' Conc. ''mersêl'', terra usufruída pela mercê. — Tet. ''mersê''. Term. vern. ''diak''.
'''Merecer.''' Mal. ''merecer'' (Haex). — Tet. ''meréci'' (tambêm «merecimento»).
'''Mês.''' Hindust. ''māxkabár'', «(corr. do port. ''mês'' e ''acabar'') o último dia do mês». Shakespear. Wilson regista ''kābār'', em bengali, como nome do último dia do mês, e ''kābāri'' (adj.), «relativo ao último dia do mês, devido ou pagável nesse dia (salário, aluguel, etc.)».
Em concani é muito usado ''kabár'' = acabar.
'''Mesa.''' Conc. ''méz''. — Mar., Guj., Nep., Or., Beng., Ass. ''mej''. — Hindi ''mez'', ''menz'', ''mench''. ''Dhalvān-mez'', secretária. — Hindust. ''mej'', ''mez''. — Sindh. ''meza'', ''mezu''. — Panj. ''mez'' (tambêm «banco»). — Kash. ''mez''. — Sing. ''mêsaya'', ''mêse''. ''Lihina-mêsaya'', mesa de escrever, escrivaninha. ''Sayidod-mêsaya'', aparador. ''Sāyilod'' é corrupção do ingl. ''side-board''. — Tam. ''mesei''. — Malayál. ''mexa'', ''més''. — Tel. ''meja''. ''Méjar'', mesa grande. — Can. ''méju'' (tambêm «rancho», por confusão com o ingl. ''mess''). — Tul. ''mêji''. — Mal. ''meja'', ''méza'', ''mêsa''. — Ach., Batt., Sund. ''méja''. — Jav., Mad. ''mejò''. ''Méjah tūlis'' (Mal.), ''meja sūrat'' (Ach.), secretária. — Day. ''méja''. — Mak., Bug. ''méjan''. — Tet., Gal. ''meza''. — Nic. ''menxa''. — Persa ''mez'', ''miz''. — Ár. ''mez''.
Molesworth deriva a palavra marata do persa, e dá os seguintes compostos como persianos: ''mej-bān'', ''mej-vān'', ''mej-mān'', hóspede; hospedeiro. ''Mej-bānki'' ou ''mej-vānki'', ''mej-mānki'' ou ''mej-māni'', hospitalidade.
Guj. ''mej-bān'', ''mej-mān'', hóspede; hospedeiro. ''Mej-bāni'', festim, banquete; hospitalidade.
Hindust. ''mej-bān'', hóspede; hospedeiro. ''Mej-bāni'', festim; hospitalidade<ref>Shakespear tambêm atribui ao persa as palavras hindustanis.</ref>.
Sindh. ''mizimānu'', ''mizmānu'', ''mihmānu'', hóspede. ''Mizimāni'', hospitalidade.
Panj. ''majmān'', ''mahmān'', ''mamān'', hóspede; genro. ''Mamāni'', festa. ''Mijmān'', hóspede. ''Mijmānani'', hóspeda. ''Mijmāni'', festa.
'''? Mesquinho''' («pobre, miserável»). Mar. ''miskín'', ''miskil''. — Hindust. ''miskin''. — Panj. ''maskin''. ''Maskini'', humildade. — Malayál. ''miskin'', ''maskin''. — Mal. ''meskin'', ''miskin''. — Sund., Jav., Bal. ''miskin''. — Mak., Bug. ''misékin''<ref>«Que aquella gente erão pescadores, e que era gente '''mezquinha''', que assi chamão na India a gente baixa e pobre». Castanheda, I, cap. 13.
«Mouros ladrões que andauão a roubar pelo mar os '''mesquinhos'''». Gaspar Correia, IV, p. 83.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MESA MESQUINHO|{{sc|108}}}}</noinclude>'''Melão.''' Tel. ''melāma''.
'''Mercê.''' Conc. ''mersêl'', terra usufruída pela mercê. — Tet. ''mersê''. Term. vern. ''diak''.
'''Merecer.''' Mal. ''merecer'' (Haex). — Tet. ''meréci'' (tambêm «merecimento»).
'''[[:d:Lexeme:L477183|Mês.]]''' Hindust. ''māxkabár'', «(corr. do port. ''mês'' e ''acabar'') o último dia do mês». Shakespear. Wilson regista ''kābār'', em bengali, como nome do último dia do mês, e ''kābāri'' (adj.), «relativo ao último dia do mês, devido ou pagável nesse dia (salário, aluguel, etc.)».
Em concani é muito usado ''kabár'' = acabar.
'''[[:d:Lexeme:L46799|Mesa.]]''' Conc. ''méz''. — Mar., Guj., Nep., Or., Beng., Ass. ''mej''. — Hindi ''mez'', ''menz'', ''mench''. ''Dhalvān-mez'', secretária. — Hindust. ''mej'', ''mez''. — Sindh. ''meza'', ''mezu''. — Panj. ''mez'' (tambêm «banco»). — Kash. ''mez''. — Sing. ''mêsaya'', ''mêse''. ''Lihina-mêsaya'', mesa de escrever, escrivaninha. ''Sayidod-mêsaya'', aparador. ''Sāyilod'' é corrupção do ingl. ''side-board''. — Tam. ''mesei''. — Malayál. ''mexa'', ''més''. — Tel. ''meja''. ''Méjar'', mesa grande. — Can. ''méju'' (tambêm «rancho», por confusão com o ingl. ''mess''). — Tul. ''mêji''. — Mal. ''meja'', ''méza'', ''mêsa''. — Ach., Batt., Sund. ''méja''. — Jav., Mad. ''mejò''. ''Méjah tūlis'' (Mal.), ''meja sūrat'' (Ach.), secretária. — Day. ''méja''. — Mak., Bug. ''méjan''. — Tet., Gal. ''meza''. — Nic. ''menxa''. — Persa ''mez'', ''miz''. — Ár. ''mez''.
Molesworth deriva a palavra marata do persa, e dá os seguintes compostos como persianos: ''mej-bān'', ''mej-vān'', ''mej-mān'', hóspede; hospedeiro. ''Mej-bānki'' ou ''mej-vānki'', ''mej-mānki'' ou ''mej-māni'', hospitalidade.
Guj. ''mej-bān'', ''mej-mān'', hóspede; hospedeiro. ''Mej-bāni'', festim, banquete; hospitalidade.
Hindust. ''mej-bān'', hóspede; hospedeiro. ''Mej-bāni'', festim; hospitalidade<ref>Shakespear tambêm atribui ao persa as palavras hindustanis.</ref>.
Sindh. ''mizimānu'', ''mizmānu'', ''mihmānu'', hóspede. ''Mizimāni'', hospitalidade.
Panj. ''majmān'', ''mahmān'', ''mamān'', hóspede; genro. ''Mamāni'', festa. ''Mijmān'', hóspede. ''Mijmānani'', hóspeda. ''Mijmāni'', festa.
'''? Mesquinho''' («pobre, miserável»). Mar. ''miskín'', ''miskil''. — Hindust. ''miskin''. — Panj. ''maskin''. ''Maskini'', humildade. — Malayál. ''miskin'', ''maskin''. — Mal. ''meskin'', ''miskin''. — Sund., Jav., Bal. ''miskin''. — Mak., Bug. ''misékin''<ref>«Que aquella gente erão pescadores, e que era gente '''mezquinha''', que assi chamão na India a gente baixa e pobre». Castanheda, I, cap. 13.
«Mouros ladrões que andauão a roubar pelo mar os '''mesquinhos'''». Gaspar Correia, IV, p. 83.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||LANÇA LÁZARO|{{sc|96}}}}</noinclude>'''Lais.''' L.-Hindust. ''lás''.
'''Lâmpada.''' Conc. ''lâmp't'' (especialmente a da igreja). — Hindust. ''lamp'' (provávelmente do inglês). — ? Sing. ''lâmpuva''. Term. vern. ''pāna''. — Mal., Sund. ''lâmpu'', ''lâmpo''. — ? Ach. ''lampo''. — ? Batt. ''lâmpu''. — Tet., Gal. ''lâmpu''<ref>«Com seus altares, frontais, sobreceos, '''lampadas''' sempre acesas». Lucena, liv. VI, cap. 6.</ref>.
O Dr. Fokker atribui — parece que com fundamento — os termos da Malásia ao hol. ''lamp''<ref>A perda da sílaba final de ''lâmpada'' explicaria em última extremidade a derivação, atenta a impossibilidade de em malaio se «admitir» o grupo ''mpd'' de três consoantes; todavia é mais natural que o étimo seja o holandês ''lamp''. Gonçalves Viana.</ref>. O jap. ''rampu'' creio que é de proveniência inglesa.
'''Lampião.''' Conc. ''lâmpyámv''. — Tet., Gal. ''lampiã''.
'''Lança.''' Sing. ''lānsaya'', ''lanse''. Term. vern. ''sellaya'', ''hellaya''. — Gal. ''lansa''.
'''Lanceta.''' Conc. ''lâmset''. — Jap. ''ranseto''.
'''Lancha.''' Conc. ''lánch'' (us. em Goa). — Guj. ''lancha'' (us. em Damão). — Mal. ''láncha''.
'''Lanchão.''' Mal. ''lanchong''.
'''Lençol.''' Sing. ''lansoluva''. — Tet., Gal. ''lensol''.
'''Lanterna.''' Conc. ''lântern''. — Beng. ''lantarā''. — Sing. ''lanṭəruma'', ''lanṭerəma''. — Tam., Malayál. ''lāntar''. — Tel. ''lāntaru'', ''lántaru''. — Can. ''lāntaru''. — Tul. ''lāndaru''. — Khas. ''linten'' (talvez do inglês). — Mal. ''lantérna'', ''lantéra''. — Sund., Mak., Bug. ''lantéra''. — Jav., Mad. ''lantérò''.
'''Lápis.''' Conc. ''láps''. Term. vern. ''chín''. — Tet., Gal. ''lápis''.
'''Largo.''' L.-Hindust. ''largá''. ''Largá bulin rakhná'', fazer-se ao largo.
'''Lascarim''' («soldado»). — ? Conc. ''laskarí''. — Indo-ingl. ''lascar''<ref>«Myll '''lasquarys''' de pee... '''Lasquarys''' a quaualo». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 37.
«Que no dito Reyno não aja omens de guerra, a que chamão '''lascarins''', senão para o seruiço d'elRey». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 83.
«O mais, ou fosse vestido, ou calçado, ou a sustentação de cada dia, lhe dauão os '''lascaris''' nos nauios por amor de Deos». Lucena, liv. II, cap. 7.</ref>.
O étimo é o persa ''lashkari'', de ''lashkar'', «exército».
'''Lázaro''' («leproso»). Sing. ''lásuru''. ''Lásuru'', lepra<ref>«Aos '''lazaros''' daua por si mesmo o da santissima Communham». ''Id.'', cap. 2.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||LANÇA LÁZARO|{{sc|96}}}}</noinclude>'''Lais.''' L.-Hindust. ''lás''.
'''[[:d:Lexeme:L447032|Lâmpada.]]''' Conc. ''lâmp't'' (especialmente a da igreja). — Hindust. ''lamp'' (provávelmente do inglês). — ? Sing. ''lâmpuva''. Term. vern. ''pāna''. — Mal., Sund. ''lâmpu'', ''lâmpo''. — ? Ach. ''lampo''. — ? Batt. ''lâmpu''. — Tet., Gal. ''lâmpu''<ref>«Com seus altares, frontais, sobreceos, '''lampadas''' sempre acesas». Lucena, liv. VI, cap. 6.</ref>.
O Dr. Fokker atribui — parece que com fundamento — os termos da Malásia ao hol. ''lamp''<ref>A perda da sílaba final de ''lâmpada'' explicaria em última extremidade a derivação, atenta a impossibilidade de em malaio se «admitir» o grupo ''mpd'' de três consoantes; todavia é mais natural que o étimo seja o holandês ''lamp''. Gonçalves Viana.</ref>. O jap. ''rampu'' creio que é de proveniência inglesa.
'''Lampião.''' Conc. ''lâmpyámv''. — Tet., Gal. ''lampiã''.
'''[[:d:Lexeme:L639959|Lança.]]''' Sing. ''lānsaya'', ''lanse''. Term. vern. ''sellaya'', ''hellaya''. — Gal. ''lansa''.
'''Lanceta.''' Conc. ''lâmset''. — Jap. ''ranseto''.
'''Lancha.''' Conc. ''lánch'' (us. em Goa). — Guj. ''lancha'' (us. em Damão). — Mal. ''láncha''.
'''Lanchão.''' Mal. ''lanchong''.
'''Lençol.''' Sing. ''lansoluva''. — Tet., Gal. ''lensol''.
'''[[:d:Lexeme:L447810|Lanterna.]]''' Conc. ''lântern''. — Beng. ''lantarā''. — Sing. ''lanṭəruma'', ''lanṭerəma''. — Tam., Malayál. ''lāntar''. — Tel. ''lāntaru'', ''lántaru''. — Can. ''lāntaru''. — Tul. ''lāndaru''. — Khas. ''linten'' (talvez do inglês). — Mal. ''lantérna'', ''lantéra''. — Sund., Mak., Bug. ''lantéra''. — Jav., Mad. ''lantérò''.
'''[[:d:Lexeme:L447164|Lápis.]]''' Conc. ''láps''. Term. vern. ''chín''. — Tet., Gal. ''lápis''.
'''[[:d:Lexeme:L1483375|Largo.]]''' L.-Hindust. ''largá''. ''Largá bulin rakhná'', fazer-se ao largo.
'''Lascarim''' («soldado»). — ? Conc. ''laskarí''. — Indo-ingl. ''lascar''<ref>«Myll '''lasquarys''' de pee... '''Lasquarys''' a quaualo». ''Lembranças das Cousas da India'', p. 37.
«Que no dito Reyno não aja omens de guerra, a que chamão '''lascarins''', senão para o seruiço d'elRey». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 83.
«O mais, ou fosse vestido, ou calçado, ou a sustentação de cada dia, lhe dauão os '''lascaris''' nos nauios por amor de Deos». Lucena, liv. II, cap. 7.</ref>.
O étimo é o persa ''lashkari'', de ''lashkar'', «exército».
'''Lázaro''' («leproso»). Sing. ''lásuru''. ''Lásuru'', lepra<ref>«Aos '''lazaros''' daua por si mesmo o da santissima Communham». ''Id.'', cap. 2.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 97 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|97}}|LEILÃO LENÇO|}}</noinclude>''Lāḍrū'' por «Lázaro» (nome próprio) tambêm em concani.
'''Lebre.''' Nic. ''lévere''. Vid. ''cabra''.
'''Lei.''' Conc. ''ley''. Term. vern. ''nyáy'', ''kāydó'', ''nem''. — Tet. ''lei''. Term. vern. ''liu fúan''. — Gal. ''lei''. Term. vern. ''limúsan''.
'''Leilão.''' Conc. ''leylámv''. Term. vern. ''pāvni''. — Mar. ''lilámv'', ''lilám'', ''nilám''. — Guj. ''lílám'', ''nilám''. — Hindi ''nilám'', ''nilām''. — Hindust., Or. ''nilám''. — Nep. ''lílám''. — Beng. ''nilám'', ''nílám'', ''nilāmā''. — Ass. ''lilám''. — Sindh. ''nilāmu'', ''nilāmu''. — Panj. ''lalám'', ''nilám''. — Tam. ''élam''<ref>Vid. ''lenço'', nota.</ref>. — Malayál. ''lelam'', ''élam''. — Tel. ''lélām'', ''yálam'', ''yalam'', ''yélamu''. — Can. ''leylam'', ''lilámu'', ''yálam'', ''yélamu''. — Tul. ''leilámu'', ''yélamu'', ''yélamu''. — Indo-ingl. ''leelam'', ''neelam''. — Gar. ''ilam''. — Bir. ''lay-lan''. — Khas. ''lilam'', ''nilam''. ''Dic lilam'', vender em leilão. — Siam. ''lélàng''. — Mal. ''lélan'', ''lélon'', ''lélong''. — Ach., Batt., Sund., Jav., Mak., Bug. ''lélang''. — Day. ''lelang''. — Tet., Gal. ''leilã'', ''lelã''. — Chinês do Cantão ''yélong''. — Amoy ''lélang''. — Swaton ''loylang''.
''Leylámvkár'' (Conc.), ''lilámv-karnārá'', ''lilám-vālā'' (Mar.), ''lilám-karnár'' (Guj.), ''nilám-karná'', ''nílam-vālā'' (Hindi, Hindust.), ''nílangar'' (Hindi), ''nilāvm-karivālā'' (Beng.), ''yālamgāra'', ''yālam-hākucara'' (Can.), pregoeiro do leilão. ''Vālā'' (hindi-hindustani) quere dizer «agente, homem de», equivalente aos sufixos portugueses ''-dor'' e ''-eiro''.
''Lalāmi'', comprado em leilão (Panj.). ''Yālam-chíṭu'', bilhete de lotaria. ''Yālam-vīguta'', vender em leilão (Tel.). ''Nglélong'', ''nglenglang'', pôr a leilão. ''Ngligan gaké'', ''neglélangaken'', mandar vender, dar em venda (Jav.).
Acêrca da troca de ''l'' e ''n'', cf. ''nimbú'' e ''limbū'' (limão), ''nungar'' e ''làngar'' (âncora), ''nāchār'' e ''lāchār'' (indigente, miserável); e o port. ''laranja'' do ár. ''nāranj'', espanh. ''naranja''<ref>Deu-se tambêm êste fenómeno com ''lembrar'' < ''nembrar'', < lat. ''memorare''.</ref>.
O Sr. Cândido de Figueiredo diz que é incerta a origem de ''leilão''. Brown dá como étimo provável o ár. ''al-i'lām'', «proclamação, anúncio, aviso, cartaz», o qual, segundo Belot, significa «marcar, distinguir por um sinal».
O leilão era muito praticado pelos portugueses, pela morte ou pela mudança do sítio. O viajante holandês Linschoten (1598) atesta que assim se dispunha do espólio dos próprios vice-reis. Havia na cidade letreiros com o seguinte dizer: «O Leilão que se faz cada dia pola menhã na rua direita de Goa»<ref>«Gil Fernandes de Carvalho lhos aceitou, e logo se foi pôr na praça (de Cochim) a onde se fazem '''leilões'''». Diogo do Couto, Déc. VI, X, 9.</ref>.
'''Lenço.''' Conc. ''lems''. Term. vern. ''rumál'', ''urmál'' (p. us. nesta acepção
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|97}}|LEILÃO LENÇO|}}</noinclude>''Lāḍrū'' por «Lázaro» (nome próprio) tambêm em concani.
'''[[:d:Lexeme:L450550|Lebre.]]''' Nic. ''lévere''. Vid. ''cabra''.
'''[[:d:Lexeme:L500595|Lei.]]''' Conc. ''ley''. Term. vern. ''nyáy'', ''kāydó'', ''nem''. — Tet. ''lei''. Term. vern. ''liu fúan''. — Gal. ''lei''. Term. vern. ''limúsan''.
'''Leilão.''' Conc. ''leylámv''. Term. vern. ''pāvni''. — Mar. ''lilámv'', ''lilám'', ''nilám''. — Guj. ''lílám'', ''nilám''. — Hindi ''nilám'', ''nilām''. — Hindust., Or. ''nilám''. — Nep. ''lílám''. — Beng. ''nilám'', ''nílám'', ''nilāmā''. — Ass. ''lilám''. — Sindh. ''nilāmu'', ''nilāmu''. — Panj. ''lalám'', ''nilám''. — Tam. ''élam''<ref>Vid. ''lenço'', nota.</ref>. — Malayál. ''lelam'', ''élam''. — Tel. ''lélām'', ''yálam'', ''yalam'', ''yélamu''. — Can. ''leylam'', ''lilámu'', ''yálam'', ''yélamu''. — Tul. ''leilámu'', ''yélamu'', ''yélamu''. — Indo-ingl. ''leelam'', ''neelam''. — Gar. ''ilam''. — Bir. ''lay-lan''. — Khas. ''lilam'', ''nilam''. ''Dic lilam'', vender em leilão. — Siam. ''lélàng''. — Mal. ''lélan'', ''lélon'', ''lélong''. — Ach., Batt., Sund., Jav., Mak., Bug. ''lélang''. — Day. ''lelang''. — Tet., Gal. ''leilã'', ''lelã''. — Chinês do Cantão ''yélong''. — Amoy ''lélang''. — Swaton ''loylang''.
''Leylámvkár'' (Conc.), ''lilámv-karnārá'', ''lilám-vālā'' (Mar.), ''lilám-karnár'' (Guj.), ''nilám-karná'', ''nílam-vālā'' (Hindi, Hindust.), ''nílangar'' (Hindi), ''nilāvm-karivālā'' (Beng.), ''yālamgāra'', ''yālam-hākucara'' (Can.), pregoeiro do leilão. ''Vālā'' (hindi-hindustani) quere dizer «agente, homem de», equivalente aos sufixos portugueses ''-dor'' e ''-eiro''.
''Lalāmi'', comprado em leilão (Panj.). ''Yālam-chíṭu'', bilhete de lotaria. ''Yālam-vīguta'', vender em leilão (Tel.). ''Nglélong'', ''nglenglang'', pôr a leilão. ''Ngligan gaké'', ''neglélangaken'', mandar vender, dar em venda (Jav.).
Acêrca da troca de ''l'' e ''n'', cf. ''nimbú'' e ''limbū'' (limão), ''nungar'' e ''làngar'' (âncora), ''nāchār'' e ''lāchār'' (indigente, miserável); e o port. ''laranja'' do ár. ''nāranj'', espanh. ''naranja''<ref>Deu-se tambêm êste fenómeno com ''lembrar'' < ''nembrar'', < lat. ''memorare''.</ref>.
O Sr. Cândido de Figueiredo diz que é incerta a origem de ''leilão''. Brown dá como étimo provável o ár. ''al-i'lām'', «proclamação, anúncio, aviso, cartaz», o qual, segundo Belot, significa «marcar, distinguir por um sinal».
O leilão era muito praticado pelos portugueses, pela morte ou pela mudança do sítio. O viajante holandês Linschoten (1598) atesta que assim se dispunha do espólio dos próprios vice-reis. Havia na cidade letreiros com o seguinte dizer: «O Leilão que se faz cada dia pola menhã na rua direita de Goa»<ref>«Gil Fernandes de Carvalho lhos aceitou, e logo se foi pôr na praça (de Cochim) a onde se fazem '''leilões'''». Diogo do Couto, Déc. VI, X, 9.</ref>.
'''Lenço.''' Conc. ''lems''. Term. vern. ''rumál'', ''urmál'' (p. us. nesta acepção
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{rh||LIMÃO LÍNGUA|{{sc|98}}}}</noinclude>em Goa). — Sing. ''lémsuva''. — Term. vern. ''redikadá'', ''indulkadá''. — Tam. ''ilamsi''<ref>«No old Dravidian word can commence with ''l'' or ''r''. Hence ''rājā'', a king, becomes commonly ''erāsā'', ''lōka'', ''ulagam''». Caldwell.</ref>. — Malayál. ''lanchi'', ''lenji''. — Tul. ''lésu'', ''lesu''. — Mol. ''lénsu''. — Nic. ''lenxe''. — Tet., Gal. ''lénsu''.
'''Ler.''' Mol. ''lês'' (Schuchardt). — Tet. ''lê''.
No crioulo de Ceilão ''les'' = ler.
'''Lestes.''' Sing. ''lésti'', ''léstiya''. ''Lésti-karanavā'', aprontar, aparelhar.
'''Lesto.''' Mal. ''listro'' (Schuchardt).
'''Letra.''' Conc. ''létr''. Term. vern. ''akshar'' ou ''akher''; ''hunḍi'' (letra comercial). — Tet., Gal. ''letra''. ''Letra konta'', algarismo.
'''Levantar.''' Mal. ''levantar'', «rebellare, seipsum extollere» (Haex)<ref>«Com ha qual gente anda socegando alguns Reys, que se '''levantaom''' ou querem '''aleuantar''' contra seu senhor». Duarte Barbosa, p. 235.</ref>.
'''Lião.''' Malayál. ''léyam'', signo do zodíaco (Gundert). — Mal. ''liao''; dado em um vocabulário manuscrito. Term. vern. ''singa'' (do hindustani). — Tet. ''lião''.
'''Lição.''' Conc. ''lisámv''. Term. vern. ''pāth'', ''dhaḍá''. — Tet., Gal. ''lisã''. Term. vern. ''hanánun''.
'''Licença.''' Conc. ''lisems''. Term. vern. ''rajā''. — Mal. ''licensa'' (Haex). — Tet., Gal. ''lisensa''.
'''Lima''' (bot.). Indo-ingl. ''lime''.
'''Limão.''' Conc. ''limbó'', ''nimbó'', ''nimbó''. — Mar. ''limbú'', ''nimbú''. — Guj. ''limbu'', ''limbu''. — Hindi ''nībú''. — Hindust. ''limú'', ''lemú'', ''nimbú''. — Or. ''lemu'', ''nemu'', ''nimu''. — Beng. ''lebu''. — Ass. ''nemú''. — Sindh. ''līmõ''. ''Līmāi'', ''limāõ'' (adj.), o que tem côr de limão. — Panj. ''nimbú''. — Tel. ''nimma''. — Can. ''limbe'', ''nimbe''. — Tul. ''limbe''. — ? Siam. ''manao''. — Mal. ''limon'' (Haex), ''liman'', ''limān'', ''limūn''. — Sund. ''limó''. — Day. ''liman''. — Mak., Bug. ''lémo''<ref>«Figos, laranjas, '''limões''', pepinos». Gaspar Correia, I, p. 505.</ref>.
''Limbi'', ''nimbi'' (Conc.); ''limbún'', ''nimbún'', ''limbuni'', ''nimbuni'', ''limboni'', ''nimboni'' (Mar.); ''limbudi'' (Guj.), limoeiro.
A palavra portuguesa vem do ár. ''leimún'' ou ''limún'' (pers. ''limú''), que, por seu turno, provêm da Índia, sânsc. ''nimbūka''. Parece que dêste último vocábulo procedem quási todas as formas indianas, mudando-se o ''n'' em ''l''.
'''Língua''' («intérprete»). Indo-ingl. ''linguist'' (obsol.)<ref>«Prompto a ouuir quanto lhas a '''lingua''' resumia». João de Barros, Déc. I, III, 2.
«A hum '''lingua''' da feitoria dous pardaos cada mês». Simão Botelho, ''Tombo da Índia'', p. 63.
«E por '''lingoa''' hum Antonio de Noronha». Antonio Tenreiro, ''Itinerario'', cap. II.</ref>.
Ainda hoje há em Goa um funcionário chamado «língua do estado».
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||LIMÃO LÍNGUA|{{sc|98}}}}</noinclude>em Goa). — Sing. ''lémsuva''. — Term. vern. ''redikadá'', ''indulkadá''. — Tam. ''ilamsi''<ref>«No old Dravidian word can commence with ''l'' or ''r''. Hence ''rājā'', a king, becomes commonly ''erāsā'', ''lōka'', ''ulagam''». Caldwell.</ref>. — Malayál. ''lanchi'', ''lenji''. — Tul. ''lésu'', ''lesu''. — Mol. ''lénsu''. — Nic. ''lenxe''. — Tet., Gal. ''lénsu''.
'''Ler.''' Mol. ''lês'' (Schuchardt). — Tet. ''lê''.
No crioulo de Ceilão ''les'' = ler.
'''Lestes.''' Sing. ''lésti'', ''léstiya''. ''Lésti-karanavā'', aprontar, aparelhar.
'''Lesto.''' Mal. ''listro'' (Schuchardt).
'''Letra.''' Conc. ''létr''. Term. vern. ''akshar'' ou ''akher''; ''hunḍi'' (letra comercial). — Tet., Gal. ''letra''. ''Letra konta'', algarismo.
'''Levantar.''' Mal. ''levantar'', «rebellare, seipsum extollere» (Haex)<ref>«Com ha qual gente anda socegando alguns Reys, que se '''levantaom''' ou querem '''aleuantar''' contra seu senhor». Duarte Barbosa, p. 235.</ref>.
'''Lião.''' Malayál. ''léyam'', signo do zodíaco (Gundert). — Mal. ''liao''; dado em um vocabulário manuscrito. Term. vern. ''singa'' (do hindustani). — Tet. ''lião''.
'''Lição.''' Conc. ''lisámv''. Term. vern. ''pāth'', ''dhaḍá''. — Tet., Gal. ''lisã''. Term. vern. ''hanánun''.
'''Licença.''' Conc. ''lisems''. Term. vern. ''rajā''. — Mal. ''licensa'' (Haex). — Tet., Gal. ''lisensa''.
'''Lima''' (bot.). Indo-ingl. ''lime''.
'''Limão.''' Conc. ''limbó'', ''nimbó'', ''nimbó''. — Mar. ''limbú'', ''nimbú''. — Guj. ''limbu'', ''limbu''. — Hindi ''nībú''. — Hindust. ''limú'', ''lemú'', ''nimbú''. — Or. ''lemu'', ''nemu'', ''nimu''. — Beng. ''lebu''. — Ass. ''nemú''. — Sindh. ''līmõ''. ''Līmāi'', ''limāõ'' (adj.), o que tem côr de limão. — Panj. ''nimbú''. — Tel. ''nimma''. — Can. ''limbe'', ''nimbe''. — Tul. ''limbe''. — ? Siam. ''manao''. — Mal. ''limon'' (Haex), ''liman'', ''limān'', ''limūn''. — Sund. ''limó''. — Day. ''liman''. — Mak., Bug. ''lémo''<ref>«Figos, laranjas, '''limões''', pepinos». Gaspar Correia, I, p. 505.</ref>.
''Limbi'', ''nimbi'' (Conc.); ''limbún'', ''nimbún'', ''limbuni'', ''nimbuni'', ''limboni'', ''nimboni'' (Mar.); ''limbudi'' (Guj.), limoeiro.
A palavra portuguesa vem do ár. ''leimún'' ou ''limún'' (pers. ''limú''), que, por seu turno, provêm da Índia, sânsc. ''nimbūka''. Parece que dêste último vocábulo procedem quási todas as formas indianas, mudando-se o ''n'' em ''l''.
'''Língua''' («intérprete»). Indo-ingl. ''linguist'' (obsol.)<ref>«Prompto a ouuir quanto lhas a '''lingua''' resumia». João de Barros, Déc. I, III, 2.
«A hum '''lingua''' da feitoria dous pardaos cada mês». Simão Botelho, ''Tombo da Índia'', p. 63.
«E por '''lingoa''' hum Antonio de Noronha». Antonio Tenreiro, ''Itinerario'', cap. II.</ref>.
Ainda hoje há em Goa um funcionário chamado «língua do estado».
== Notas ==
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'''Ler.''' Mol. ''lês'' (Schuchardt). — Tet. ''lê''.
No crioulo de Ceilão ''les'' = ler.
'''Lestes.''' Sing. ''lésti'', ''léstiya''. ''Lésti-karanavā'', aprontar, aparelhar.
'''Lesto.''' Mal. ''listro'' (Schuchardt).
'''[[:d:Lexeme:L447821|Letra.]]''' Conc. ''létr''. Term. vern. ''akshar'' ou ''akher''; ''hunḍi'' (letra comercial). — Tet., Gal. ''letra''. ''Letra konta'', algarismo.
'''Levantar.''' Mal. ''levantar'', «rebellare, seipsum extollere» (Haex)<ref>«Com ha qual gente anda socegando alguns Reys, que se '''levantaom''' ou querem '''aleuantar''' contra seu senhor». Duarte Barbosa, p. 235.</ref>.
'''Lião.''' Malayál. ''léyam'', signo do zodíaco (Gundert). — Mal. ''liao''; dado em um vocabulário manuscrito. Term. vern. ''singa'' (do hindustani). — Tet. ''lião''.
'''Lição.''' Conc. ''lisámv''. Term. vern. ''pāth'', ''dhaḍá''. — Tet., Gal. ''lisã''. Term. vern. ''hanánun''.
'''Licença.''' Conc. ''lisems''. Term. vern. ''rajā''. — Mal. ''licensa'' (Haex). — Tet., Gal. ''lisensa''.
'''[[:d:Lexeme:L448420|Lima]]''' (bot.). Indo-ingl. ''lime''.
'''Limão.''' Conc. ''limbó'', ''nimbó'', ''nimbó''. — Mar. ''limbú'', ''nimbú''. — Guj. ''limbu'', ''limbu''. — Hindi ''nībú''. — Hindust. ''limú'', ''lemú'', ''nimbú''. — Or. ''lemu'', ''nemu'', ''nimu''. — Beng. ''lebu''. — Ass. ''nemú''. — Sindh. ''līmõ''. ''Līmāi'', ''limāõ'' (adj.), o que tem côr de limão. — Panj. ''nimbú''. — Tel. ''nimma''. — Can. ''limbe'', ''nimbe''. — Tul. ''limbe''. — ? Siam. ''manao''. — Mal. ''limon'' (Haex), ''liman'', ''limān'', ''limūn''. — Sund. ''limó''. — Day. ''liman''. — Mak., Bug. ''lémo''<ref>«Figos, laranjas, '''limões''', pepinos». Gaspar Correia, I, p. 505.</ref>.
''Limbi'', ''nimbi'' (Conc.); ''limbún'', ''nimbún'', ''limbuni'', ''nimbuni'', ''limboni'', ''nimboni'' (Mar.); ''limbudi'' (Guj.), limoeiro.
A palavra portuguesa vem do ár. ''leimún'' ou ''limún'' (pers. ''limú''), que, por seu turno, provêm da Índia, sânsc. ''nimbūka''. Parece que dêste último vocábulo procedem quási todas as formas indianas, mudando-se o ''n'' em ''l''.
'''[[:d:Lexeme:L500615|Língua]]''' («intérprete»). Indo-ingl. ''linguist'' (obsol.)<ref>«Prompto a ouuir quanto lhas a '''lingua''' resumia». João de Barros, Déc. I, III, 2.
«A hum '''lingua''' da feitoria dous pardaos cada mês». Simão Botelho, ''Tombo da Índia'', p. 63.
«E por '''lingoa''' hum Antonio de Noronha». Antonio Tenreiro, ''Itinerario'', cap. II.</ref>.
Ainda hoje há em Goa um funcionário chamado «língua do estado».
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/206
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'''? Mesquita.''' Indo-ingl. ''mosque''. — Mal., Ach., Jav., Mad. ''misigit'', ''mesigit'', ''masigit''. — Mak., Bug. ''masigi''<ref>«Está huma grande '''misquita''' de muytos esteos e varandas, em todo muy fermosa». Gaspar Correia, IV, p. 173.</ref>.
O Dr. Schuchardt deriva ''misigit'' do português, pôsto que o vocábulo seja de origem arábica, ''masjid''.
'''Mestiço.''' Conc. ''mistis''. Tambêm adjectivo: ''mistis bontsurḍi'', «burbulo», ''Ixos jocosus'' (pássaro). — Hindust. ''mastisa''. — Indo-ingl. ''mustees'', ''mestiz'', ''mastisa''. — Indo-franc. ''métis''<ref>«Auida esta vitoria mandey que todolos '''mestiços''' que se nella acharão fossem assentados em soldo e mantimento». Gaspar Correia, IV, p. 574.
«Os inferiores são os que procedem de pai Portuguez e mãe India, ou pelo contrario, e lhes chamam '''Mestiços'''». Pyrard, ''Viagem'', t. II, p. 32.
«Los '''Métissos''' sont de plusieurs sortes, mais fort méprisés des reinois et des castissos, parce qu'il y a eu un peu de sang noir dans la géneration de leurs ancêtres». Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages''.</ref>. Vid. ''topaz''.
'''Mestre.''' Conc. ''mestir'', professor; ''mestirn'', professora. Term. vern. ''xeṇay'', ''pantoji'', ''paṇḍit''. ''Mestírpan'', mestrado, magistério. ''Mest'', mestre de ofícios; artista; tratamento honorífico para os oficiais mecânicos.
A diferença fonética entre ''mestir'' e ''mest'' provêm de ser o primeiro vocábulo empregado isoladamente, e o segundo geralmente anteposto ao nome próprio.
Mar. ''mestari'', ''mest'', «designação honorífica de ourives, ou carpinteiro, ou pedreiro, ou armeiro principal; tambêm do homem, especialmente se é português, que fabrica o pão na padaria. Aplicado frequentemente a um superintendente em geral. Aplicado mais, por excesso de cortesia, aos criados portugueses, especialmente cozinheiros». Molesworth<ref>Por «portugueses» entende o autor os habitantes da Índia portuguesa.</ref>.
Guj. ''mistrí'', ''mistarí'', pedreiro. ''Vaḍó mistarí'' (lit. «grande mestre»), arquitecto. Hindust. ''mistrí'', artífice, chefe. — L.-Hindust. ''mistrí'', carpinteiro. — Beng. ''ráj-mistri'' (''ráj'', persa, significa «pedreiro»), pedreiro. ''Lohár-mistri'' (lit. «mestre ferreiro»), ferreiro. — Ass. ''mistri'', carpinteiro. — Panj. ''mastari'', oficial chefe. ''Mistari-khāná'', oficina. — Malayál. ''mestari'', artífice. — Tel. ''mestri'', ''mestari'', capataz. — Can., Tul. ''mestre'', carpinteiro, canteiro, pedreiro. — Indo-ingl. ''maistry'', ''mistry'', ''mistery'', ''mestre'', capataz, e na Índia meridional tambêm «alfaiate, cozinheiro». — Gar. ''mistri'', pedreiro. — Khas. ''raj-misteri'', pedreiro. — ? Mal. ''mester'' (do hol. ''meester''?). — Tet., Gal. ''méstri''.
Alguns lexicógrafos dão por éti-
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|109}}|MESTRE MESTRE|}}</noinclude>Parece ter sido directamente importado do árabe.
'''? Mesquita.''' Indo-ingl. ''mosque''. — Mal., Ach., Jav., Mad. ''misigit'', ''mesigit'', ''masigit''. — Mak., Bug. ''masigi''<ref>«Está huma grande '''misquita''' de muytos esteos e varandas, em todo muy fermosa». Gaspar Correia, IV, p. 173.</ref>.
O Dr. Schuchardt deriva ''misigit'' do português, pôsto que o vocábulo seja de origem arábica, ''masjid''.
'''Mestiço.''' Conc. ''mistis''. Tambêm adjectivo: ''mistis bontsurḍi'', «burbulo», ''Ixos jocosus'' (pássaro). — Hindust. ''mastisa''. — Indo-ingl. ''mustees'', ''mestiz'', ''mastisa''. — Indo-franc. ''métis''<ref>«Auida esta vitoria mandey que todolos '''mestiços''' que se nella acharão fossem assentados em soldo e mantimento». Gaspar Correia, IV, p. 574.
«Os inferiores são os que procedem de pai Portuguez e mãe India, ou pelo contrario, e lhes chamam '''Mestiços'''». Pyrard, ''Viagem'', t. II, p. 32.
«Los '''Métissos''' sont de plusieurs sortes, mais fort méprisés des reinois et des castissos, parce qu'il y a eu un peu de sang noir dans la géneration de leurs ancêtres». Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages''.</ref>. Vid. ''topaz''.
'''Mestre.''' Conc. ''mestir'', professor; ''mestirn'', professora. Term. vern. ''xeṇay'', ''pantoji'', ''paṇḍit''. ''Mestírpan'', mestrado, magistério. ''Mest'', mestre de ofícios; artista; tratamento honorífico para os oficiais mecânicos.
A diferença fonética entre ''mestir'' e ''mest'' provêm de ser o primeiro vocábulo empregado isoladamente, e o segundo geralmente anteposto ao nome próprio.
Mar. ''mestari'', ''mest'', «designação honorífica de ourives, ou carpinteiro, ou pedreiro, ou armeiro principal; tambêm do homem, especialmente se é português, que fabrica o pão na padaria. Aplicado frequentemente a um superintendente em geral. Aplicado mais, por excesso de cortesia, aos criados portugueses, especialmente cozinheiros». Molesworth<ref>Por «portugueses» entende o autor os habitantes da Índia portuguesa.</ref>.
Guj. ''mistrí'', ''mistarí'', pedreiro. ''Vaḍó mistarí'' (lit. «grande mestre»), arquitecto. Hindust. ''mistrí'', artífice, chefe. — L.-Hindust. ''mistrí'', carpinteiro. — Beng. ''ráj-mistri'' (''ráj'', persa, significa «pedreiro»), pedreiro. ''Lohár-mistri'' (lit. «mestre ferreiro»), ferreiro. — Ass. ''mistri'', carpinteiro. — Panj. ''mastari'', oficial chefe. ''Mistari-khāná'', oficina. — Malayál. ''mestari'', artífice. — Tel. ''mestri'', ''mestari'', capataz. — Can., Tul. ''mestre'', carpinteiro, canteiro, pedreiro. — Indo-ingl. ''maistry'', ''mistry'', ''mistery'', ''mestre'', capataz, e na Índia meridional tambêm «alfaiate, cozinheiro». — Gar. ''mistri'', pedreiro. — Khas. ''raj-misteri'', pedreiro. — ? Mal. ''mester'' (do hol. ''meester''?). — Tet., Gal. ''méstri''.
Alguns lexicógrafos dão por éti-
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|109}}|MESTRE MESTRE|}}</noinclude>Parece ter sido directamente importado do árabe.
'''? Mesquita.''' Indo-ingl. ''mosque''. — Mal., Ach., Jav., Mad. ''misigit'', ''mesigit'', ''masigit''. — Mak., Bug. ''masigi''<ref>«Está huma grande '''misquita''' de muytos esteos e varandas, em todo muy fermosa». Gaspar Correia, IV, p. 173.</ref>.
O Dr. Schuchardt deriva ''misigit'' do português, pôsto que o vocábulo seja de origem arábica, ''masjid''.
'''Mestiço.''' Conc. ''mistis''. Tambêm adjectivo: ''mistis bontsurḍi'', «burbulo», ''Ixos jocosus'' (pássaro). — Hindust. ''mastisa''. — Indo-ingl. ''mustees'', ''mestiz'', ''mastisa''. — Indo-franc. ''métis''<ref>«Auida esta vitoria mandey que todolos '''mestiços''' que se nella acharão fossem assentados em soldo e mantimento». Gaspar Correia, IV, p. 574.
«Os inferiores são os que procedem de pai Portuguez e mãe India, ou pelo contrario, e lhes chamam '''Mestiços'''». Pyrard, ''Viagem'', t. II, p. 32.
«Los '''Métissos''' sont de plusieurs sortes, mais fort méprisés des reinois et des castissos, parce qu'il y a eu un peu de sang noir dans la géneration de leurs ancêtres». Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages''.</ref>. Vid. ''topaz''.
'''[[:d:Lexeme:L447847|Mestre.]]''' Conc. ''mestir'', professor; ''mestirn'', professora. Term. vern. ''xeṇay'', ''pantoji'', ''paṇḍit''. ''Mestírpan'', mestrado, magistério. ''Mest'', mestre de ofícios; artista; tratamento honorífico para os oficiais mecânicos.
A diferença fonética entre ''mestir'' e ''mest'' provêm de ser o primeiro vocábulo empregado isoladamente, e o segundo geralmente anteposto ao nome próprio.
Mar. ''mestari'', ''mest'', «designação honorífica de ourives, ou carpinteiro, ou pedreiro, ou armeiro principal; tambêm do homem, especialmente se é português, que fabrica o pão na padaria. Aplicado frequentemente a um superintendente em geral. Aplicado mais, por excesso de cortesia, aos criados portugueses, especialmente cozinheiros». Molesworth<ref>Por «portugueses» entende o autor os habitantes da Índia portuguesa.</ref>.
Guj. ''mistrí'', ''mistarí'', pedreiro. ''Vaḍó mistarí'' (lit. «grande mestre»), arquitecto. Hindust. ''mistrí'', artífice, chefe. — L.-Hindust. ''mistrí'', carpinteiro. — Beng. ''ráj-mistri'' (''ráj'', persa, significa «pedreiro»), pedreiro. ''Lohár-mistri'' (lit. «mestre ferreiro»), ferreiro. — Ass. ''mistri'', carpinteiro. — Panj. ''mastari'', oficial chefe. ''Mistari-khāná'', oficina. — Malayál. ''mestari'', artífice. — Tel. ''mestri'', ''mestari'', capataz. — Can., Tul. ''mestre'', carpinteiro, canteiro, pedreiro. — Indo-ingl. ''maistry'', ''mistry'', ''mistery'', ''mestre'', capataz, e na Índia meridional tambêm «alfaiate, cozinheiro». — Gar. ''mistri'', pedreiro. — Khas. ''raj-misteri'', pedreiro. — ? Mal. ''mester'' (do hol. ''meester''?). — Tet., Gal. ''méstri''.
Alguns lexicógrafos dão por éti-
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/196
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|99}}|LÔBA LOUVADO|}}</noinclude>'''Linguiça''' («chouriço»). Conc. ''linguis''. — Hindi, Hindust. ''languchá''. Term. vern. ''kulmá''. — Sing. ''linguís'', ''lingus''.
'''Lista''' («rol»). Conc. ''list''. Term. vern. ''paṭṭí'', ''xirḍí'', ''patrak'', ''kharḍó''. — Malayál. ''list''. — Tul. ''listu'', ''lixṭu''. — Tet., Gal. ''lista''.
Gundert refere o termo do malayálam ao ingl. ''list''.
'''Livrar.''' Conc. ''livrár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''vāṭavunk''. — Tet. ''livra''. Term. vern. ''sóri''.
'''Livre.''' Conc. ''livr'' (p. us.). Term. vern. ''svādhín'', ''sút'', ''súl''. — Tet. ''lívri''. Term. vern. ''ísin-léeti''.
'''Livro.''' Conc. ''livr''. Term. vern. ''pustak'', ''granth''. — Mal. ''libro'' (Haex). Term. vern. ''kitáb'' (ár.). Tambêm se usa ''būku'' do hol. ''boek'' ou do ingl. ''book''. — Nic. ''lébare'', livro, carta, papel. ''Anét-lébare'', pena, lápis. ''Penxíru-anét-lébare'', tinta. ''Karra-lébare'', ler. ''Ét-et-lébare'', escrever<ref>Na nicobarês, desfaz-se a consoante composta por anaptixe ou svarabhacti (cf. ''lévare'' = lebre) e substitui-se o ''o'' final por ''e'' (cf. ''lenxe'' = lenço).</ref>. — Tet., Gal. ''livru''.
'''Loba''' («sotaina»). Conc. ''lób''. — Tam. ''lobei''<ref>«O Padre leuaua hũa '''loba''' de chamelote preto». Fernão Pinto, cap. CCIX.
«Deitar sobre a cama de Nuno da Cunha hum cobertor de cetim avelludado carmesim, e elle tomar hũa '''loba''' aberta de chamelote». João de Barros, Déc. IV, VIII, 5.</ref>.
'''Loiça.''' Conc. ''loys''. — Tet., Gal. ''loisa''.
'''Loja.''' Conc. ''loz''. Term. vern. ''kothí'', ''kothár'', ''mānd'', ''pasró'', ''āngāḍ''. — Indo-franc. ''loje''. — Mal., Jav., Mak., Bug. ''lóji'', armazéns, grandes estabelecimentos, fortalezas<ref>«E sem ninguem fallar com elle, e depois o mandou meter na '''logea''' da torre de Banasferim em huma casinha muy pequena». Gaspar Correia, ''Lendas'', II, p. 319. «Toda a gente se recolhia ás '''logias''' das torres, em que estauão muy apertados». ''Id.'', p. 899.</ref>.
Matthes dá por étimo de ''lóji'' o hol. ''loge'', «cabana, quarto, camarote»; mas os significados de ''lóji'' são mais portugueses que holandeses.
'''Lotaria.''' Conc. ''loterí''. — Sing. ''lotereyu'', ''loteriyuva''. Vid. ''sorte''.
'''Louvado''' («perito, árbitro»). Conc. ''lovád''. — Mar., Guj. ''lavád''. Term. neo-árico ''panchatkár'', ''panchādar'', ''madyasth'', ''madesth'', ''ākāri'', ''amin''. — Indo-ingl. ''laucad''<ref>«Pois andauão em concerto de se determinar o seu caso por juizes '''louvados'''». João de Barros, Déc. III, I, 9.</ref>.
''Lavādi'' (subst.), ofício de louvado; (adj.) relativo ao louvado ou ao louvamento. ''Lavādītsá nivāḍā'', laudo, louvamento. ''Lavādi-hukumnāmá'', escritura de louvamento (Mar.).
''Lavádi'', laudo, arbitramento. ''Lavádichu kharó'', louvamento (Guj.).
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|99}}|LÔBA LOUVADO|}}</noinclude>'''Linguiça''' («chouriço»). Conc. ''linguis''. — Hindi, Hindust. ''languchá''. Term. vern. ''kulmá''. — Sing. ''linguís'', ''lingus''.
'''[[:d:Lexeme:L448075|Lista]]''' («rol»). Conc. ''list''. Term. vern. ''paṭṭí'', ''xirḍí'', ''patrak'', ''kharḍó''. — Malayál. ''list''. — Tul. ''listu'', ''lixṭu''. — Tet., Gal. ''lista''.
Gundert refere o termo do malayálam ao ingl. ''list''.
'''Livrar.''' Conc. ''livrár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''vāṭavunk''. — Tet. ''livra''. Term. vern. ''sóri''.
'''[[:d:Lexeme:L1119734|Livre.]]''' Conc. ''livr'' (p. us.). Term. vern. ''svādhín'', ''sút'', ''súl''. — Tet. ''lívri''. Term. vern. ''ísin-léeti''.
'''[[:d:Lexeme:L58566|Livro.]]''' Conc. ''livr''. Term. vern. ''pustak'', ''granth''. — Mal. ''libro'' (Haex). Term. vern. ''kitáb'' (ár.). Tambêm se usa ''būku'' do hol. ''boek'' ou do ingl. ''book''. — Nic. ''lébare'', livro, carta, papel. ''Anét-lébare'', pena, lápis. ''Penxíru-anét-lébare'', tinta. ''Karra-lébare'', ler. ''Ét-et-lébare'', escrever<ref>Na nicobarês, desfaz-se a consoante composta por anaptixe ou svarabhacti (cf. ''lévare'' = lebre) e substitui-se o ''o'' final por ''e'' (cf. ''lenxe'' = lenço).</ref>. — Tet., Gal. ''livru''.
'''Loba''' («sotaina»). Conc. ''lób''. — Tam. ''lobei''<ref>«O Padre leuaua hũa '''loba''' de chamelote preto». Fernão Pinto, cap. CCIX.
«Deitar sobre a cama de Nuno da Cunha hum cobertor de cetim avelludado carmesim, e elle tomar hũa '''loba''' aberta de chamelote». João de Barros, Déc. IV, VIII, 5.</ref>.
'''Loiça.''' Conc. ''loys''. — Tet., Gal. ''loisa''.
'''[[:d:Lexeme:L580445|Loja.]]''' Conc. ''loz''. Term. vern. ''kothí'', ''kothár'', ''mānd'', ''pasró'', ''āngāḍ''. — Indo-franc. ''loje''. — Mal., Jav., Mak., Bug. ''lóji'', armazéns, grandes estabelecimentos, fortalezas<ref>«E sem ninguem fallar com elle, e depois o mandou meter na '''logea''' da torre de Banasferim em huma casinha muy pequena». Gaspar Correia, ''Lendas'', II, p. 319. «Toda a gente se recolhia ás '''logias''' das torres, em que estauão muy apertados». ''Id.'', p. 899.</ref>.
Matthes dá por étimo de ''lóji'' o hol. ''loge'', «cabana, quarto, camarote»; mas os significados de ''lóji'' são mais portugueses que holandeses.
'''Lotaria.''' Conc. ''loterí''. — Sing. ''lotereyu'', ''loteriyuva''. Vid. ''sorte''.
'''Louvado''' («perito, árbitro»). Conc. ''lovád''. — Mar., Guj. ''lavád''. Term. neo-árico ''panchatkár'', ''panchādar'', ''madyasth'', ''madesth'', ''ākāri'', ''amin''. — Indo-ingl. ''laucad''<ref>«Pois andauão em concerto de se determinar o seu caso por juizes '''louvados'''». João de Barros, Déc. III, I, 9.</ref>.
''Lavādi'' (subst.), ofício de louvado; (adj.) relativo ao louvado ou ao louvamento. ''Lavādītsá nivāḍā'', laudo, louvamento. ''Lavādi-hukumnāmá'', escritura de louvamento (Mar.).
''Lavádi'', laudo, arbitramento. ''Lavádichu kharó'', louvamento (Guj.).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MADRINHA MAINATO|{{sc|100}}}}</noinclude>'''Luminárias.''' Conc. ''luminád''. Termos vern. ''dīpāvali'', ''dīpotsav''. — Tet., Gal. ''luminári''.
'''Luto.''' Conc. ''lút'' (p. us.). Termos vern. ''dukh'', ''kālem''. — Tet. ''lútu''.
'''Luva.''' Conc. ''lúv''. — Tet., Gal. ''lúva''.
{{center|M}}
'''Maçã.''' Sing. ''masan''.
'''Machila''' («liteira»). Conc. ''māchil'', ''mānchil''. — Tul. ''manchilu''. — Indo-ingl. ''mancheel'', ''manjeel'' (us. na costa do Malabar). — Tet. ''machila''<ref>«Por lhe fingirem os cafres (de Manotapa) que o levaram ás costas em um andor (q. v.), a que chamam '''manchira'''». Bocarro, Déc. XIII, p. 552.
«A unica especie de transportes aos ricos, são os ''palanquins'', ou antes '''machilas''' cobertas». Cottineau de Kloguen, ''Bosquejo hist. de Goa'', p. 163.</ref>.
O étimo é o malayál. ''manjil'', do sânsc. ''mañcha''. O vocábulo está introduzido na África portuguesa.
'''Madeira.''' Conc. ''madér''. Term. vern. ''lānkuḍ'', ''rukhḍ'', ''mop'' (us. no Canará). — Tel. ''madūri'', madeira de teca. Term. vern. ''mānsu''.
'''Madre.''' Conc. ''mádr'', freira. — Tel. ''māḍi''. Aplica-se à Virgem Maria: ''māḍi-kavilu'', igreja da «Madre». — Tul. ''mātri'', freira. ''Mātri-matha'', convento de freiras. ''Maṭha'' é sânscrito.
'''Madrinha.''' Conc. ''madam'', ''madin''. — Beng. ''madi''. — Mal. ''mutiri''.
'''Mãe.''' Conc. ''mãy'' (us. entre os cristãos). — Mal. ''mai''. Term. vern. ''ibu'', ''ma'' ou ''maq''.
Em concani: ''māvcê-mãy'' (lit. «tia-mãe»), ''mãy-tí'' (lit. «mãe-tia»), tia materna. ''Vhaḍlí-mãy'' (lit. «mãe grande»), mulher do tio mais velho que o pai. ''Dhākti-mãy'' (lit. «mãe pequena»), mulher do tio mais novo. Alguns crioulos indianos teem ''mãe-tia''. Vid. ''pai''.
O conc. ''mãy'' é do sânsc. ''mātā'', que se emprega em linguagem eclesiástica. ''Mãy'' (ou ''māmy'') por «sogra» não é do português, é o feminino de ''māmv'', «sogro».
'''Mainato''' («que lhe lavador de roupa»). Orta. Ach. ''menátu''. — Sund. ''minátu''. — Jav. ''manátu'', ''nenátu''. — Mol. ''mainato''<ref>«Ha asy (no Malabar) outra ley de Gentios ha que chamaom '''Mainatos''', que tem por oficio lauaem roupa». Duarte Barbosa, p. 334.
«Homẽs que lavão roupa, a que elles chamão '''Mainatos'''». João de Barros, Déc. III, IV, 4.
«E a Renda dos '''mainatos''', a qual Renda he que ninguem pode lavar roupa, que he ser mainato, se não a pessoa que se concertar com o Rendeiro». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53.
«Vivem tambem nesta cerca todos os '''maynatos''' que lavão roupa a toda a Cidade (de Pequim)». Fernão Pinto, cap. CV.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||MADRINHA MAINATO|{{sc|100}}}}</noinclude>'''Luminárias.''' Conc. ''luminád''. Termos vern. ''dīpāvali'', ''dīpotsav''. — Tet., Gal. ''luminári''.
'''Luto.''' Conc. ''lút'' (p. us.). Termos vern. ''dukh'', ''kālem''. — Tet. ''lútu''.
'''Luva.''' Conc. ''lúv''. — Tet., Gal. ''lúva''.
{{center|M}}
'''[[:d:Lexeme:L448408|Maçã.]]''' Sing. ''masan''.
'''Machila''' («liteira»). Conc. ''māchil'', ''mānchil''. — Tul. ''manchilu''. — Indo-ingl. ''mancheel'', ''manjeel'' (us. na costa do Malabar). — Tet. ''machila''<ref>«Por lhe fingirem os cafres (de Manotapa) que o levaram ás costas em um andor (q. v.), a que chamam '''manchira'''». Bocarro, Déc. XIII, p. 552.
«A unica especie de transportes aos ricos, são os ''palanquins'', ou antes '''machilas''' cobertas». Cottineau de Kloguen, ''Bosquejo hist. de Goa'', p. 163.</ref>.
O étimo é o malayál. ''manjil'', do sânsc. ''mañcha''. O vocábulo está introduzido na África portuguesa.
'''[[:d:Lexeme:L46833|Madeira.]]''' Conc. ''madér''. Term. vern. ''lānkuḍ'', ''rukhḍ'', ''mop'' (us. no Canará). — Tel. ''madūri'', madeira de teca. Term. vern. ''mānsu''.
'''Madre.''' Conc. ''mádr'', freira. — Tel. ''māḍi''. Aplica-se à Virgem Maria: ''māḍi-kavilu'', igreja da «Madre». — Tul. ''mātri'', freira. ''Mātri-matha'', convento de freiras. ''Maṭha'' é sânscrito.
'''Madrinha.''' Conc. ''madam'', ''madin''. — Beng. ''madi''. — Mal. ''mutiri''.
'''[[:d:Lexeme:L226781|Mãe.]]''' Conc. ''mãy'' (us. entre os cristãos). — Mal. ''mai''. Term. vern. ''ibu'', ''ma'' ou ''maq''.
Em concani: ''māvcê-mãy'' (lit. «tia-mãe»), ''mãy-tí'' (lit. «mãe-tia»), tia materna. ''Vhaḍlí-mãy'' (lit. «mãe grande»), mulher do tio mais velho que o pai. ''Dhākti-mãy'' (lit. «mãe pequena»), mulher do tio mais novo. Alguns crioulos indianos teem ''mãe-tia''. Vid. ''pai''.
O conc. ''mãy'' é do sânsc. ''mātā'', que se emprega em linguagem eclesiástica. ''Mãy'' (ou ''māmy'') por «sogra» não é do português, é o feminino de ''māmv'', «sogro».
'''Mainato''' («que lhe lavador de roupa»). Orta. Ach. ''menátu''. — Sund. ''minátu''. — Jav. ''manátu'', ''nenátu''. — Mol. ''mainato''<ref>«Ha asy (no Malabar) outra ley de Gentios ha que chamaom '''Mainatos''', que tem por oficio lauaem roupa». Duarte Barbosa, p. 334.
«Homẽs que lavão roupa, a que elles chamão '''Mainatos'''». João de Barros, Déc. III, IV, 4.
«E a Renda dos '''mainatos''', a qual Renda he que ninguem pode lavar roupa, que he ser mainato, se não a pessoa que se concertar com o Rendeiro». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53.
«Vivem tambem nesta cerca todos os '''maynatos''' que lavão roupa a toda a Cidade (de Pequim)». Fernão Pinto, cap. CV.</ref>.
== Notas ==
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'''Milagre.''' Conc. ''milágr''. Term. vern. ''atsaryém'', ''naval'', ''vismit'', ''adbhut''. — Mal. ''milagro'' (Haex). — Tet., Gal. ''milágri''.
No marata do Concão e no hindustani do sul, ''milāgri'' designa, por extensão, ora a imagem da Virgem Maria, ora qualquer igreja católica; porque há na Índia muitos templos dedicados a Nossa Senhora dos Milagres.
'''Milho.''' Mol. ''milo'', ''milu''.
'''Militar''' (subst.). Conc. ''militár''. Term. vern. ''xipáy'', ''laxkari''. — Tet. ''militár''.
'''Ministro.''' Conc. ''ministr''. Term. vern. ''munyāri'', ''mantri'', ''pradhán''. — Tet. ''minístru''.
'''Minuto.''' Conc. ''minút''. Term. vern. ''ghaḍi'' (não exactamente equivalente). — ? Guj. ''minit'' (como em inglês). — Camb. ''minút''. — Tet., Gal. ''minútu''.
'''Missa.''' Conc. ''mis''. ''Misātsó pādri'' (lit. «padre de missa») sacerdote<ref>Cf. «Clérigo de missa». João de Barros, Déc. I, III, 5.</ref>. — Can. ''mīsāyāgavu'' (lit. «sacrifício da missa»). — Tul. ''mīsuyāga''. — Camb. ''missa''. — Siam. ''mixa''. — Ann. ''lê missa''. Term. vern. ''lê''. — Mal. ''misa''. — Tet., Gal. ''misa''.
'''Missal.''' Conc., Tam., Tet., Gal. ''misál''.
'''Missão.''' Conc. ''misámv''. — Beng., Tam. ''misán''. — Tet., Gal. ''misa''.
'''Missionário.''' Conc., Beng., Tam., Can. ''misiyonár''.
'''Mister''' (''mester'', ant.). Mal. ''mester'', ''misti'', necessidade. — Ach. ''miskina'', indispensável. ''Miski teka'', ser compelido. — Sund. ''misti''. — Jav. ''pèsti'' ou ''pasti''.
Nos crioulos, ''mistê'' significa: «é mister, convêm, deve».
'''Mistério.''' Conc. ''mistér''. Term. vern. ''gūḍh''. — Tet. ''mistéri''.
'''Môlho.''' Conc. ''môl'', peixe de escabeche. — ? Tam. ''molei'', espécie de caril.
Yule diz que o vocábulo tamul é corrupção de ''malay'', «malaio».
'''Monção.''' Conc. ''monsámv''. — Indo-ingl. ''monsoon''. — Siam. ''monsúm''<ref>«Partiam desta cidade cada '''monçam''' des e quinze náos destas para o mar roxo». Duarte Barbosa, p. 341.
«Tambem falamos per '''monções''', que são os tempos em que lá nauegão». João de Barros, Déc. III, IV, 7.
«Ali se deixarão estar muito tempo por falta de '''moução'''» (''sic'' sempre). Diogo do Couto, Déc. V, X, 6.</ref>.
O étimo é o ár. ''mausim'', «estação do ano».
'''Mordexim''' («cólera-mórbo»). Indo-franc., Indo-ingl. ''mort-de-chien'' (obsol.)<ref>«Neste inverno (de 1543) ouve em Goa huma dôr mortal, que os da terra chamão '''moryxy'''». Gaspar Correia, IV, p. 288.
«Acerqua de nós he ''colera passio''; e os Indianos lhe chamão ''morxí''; e nós corruptamente lhe chamamos '''mordexim'''». Garcia da Orta, Col. XVII. — «No nosso século os antigos nomes ''mordexim'' e ''mort-de-chien'' cairam em desuso, sendo geralmente substituidos pelo de ''cholera''». Conde de Ficalho.</ref>.
== Notas ==
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'''Milagre.''' Conc. ''milágr''. Term. vern. ''atsaryém'', ''naval'', ''vismit'', ''adbhut''. — Mal. ''milagro'' (Haex). — Tet., Gal. ''milágri''.
No marata do Concão e no hindustani do sul, ''milāgri'' designa, por extensão, ora a imagem da Virgem Maria, ora qualquer igreja católica; porque há na Índia muitos templos dedicados a Nossa Senhora dos Milagres.
'''Milho.''' Mol. ''milo'', ''milu''.
'''Militar''' (subst.). Conc. ''militár''. Term. vern. ''xipáy'', ''laxkari''. — Tet. ''militár''.
'''Ministro.''' Conc. ''ministr''. Term. vern. ''munyāri'', ''mantri'', ''pradhán''. — Tet. ''minístru''.
'''Minuto.''' Conc. ''minút''. Term. vern. ''ghaḍi'' (não exactamente equivalente). — ? Guj. ''minit'' (como em inglês). — Camb. ''minút''. — Tet., Gal. ''minútu''.
'''Missa.''' Conc. ''mis''. ''Misātsó pādri'' (lit. «padre de missa») sacerdote<ref>Cf. «Clérigo de missa». João de Barros, Déc. I, III, 5.</ref>. — Can. ''mīsāyāgavu'' (lit. «sacrifício da missa»). — Tul. ''mīsuyāga''. — Camb. ''missa''. — Siam. ''mixa''. — Ann. ''lê missa''. Term. vern. ''lê''. — Mal. ''misa''. — Tet., Gal. ''misa''.
'''Missal.''' Conc., Tam., Tet., Gal. ''misál''.
'''Missão.''' Conc. ''misámv''. — Beng., Tam. ''misán''. — Tet., Gal. ''misa''.
'''Missionário.''' Conc., Beng., Tam., Can. ''misiyonár''.
'''Mister''' (''mester'', ant.). Mal. ''mester'', ''misti'', necessidade. — Ach. ''miskina'', indispensável. ''Miski teka'', ser compelido. — Sund. ''misti''. — Jav. ''pèsti'' ou ''pasti''.
Nos crioulos, ''mistê'' significa: «é mister, convêm, deve».
'''Mistério.''' Conc. ''mistér''. Term. vern. ''gūḍh''. — Tet. ''mistéri''.
'''Môlho.''' Conc. ''môl'', peixe de escabeche. — ? Tam. ''molei'', espécie de caril.
Yule diz que o vocábulo tamul é corrupção de ''malay'', «malaio».
'''Monção.''' Conc. ''monsámv''. — Indo-ingl. ''monsoon''. — Siam. ''monsúm''<ref>«Partiam desta cidade cada '''monçam''' des e quinze náos destas para o mar roxo». Duarte Barbosa, p. 341.
«Tambem falamos per '''monções''', que são os tempos em que lá nauegão». João de Barros, Déc. III, IV, 7.
«Ali se deixarão estar muito tempo por falta de '''moução'''» (''sic'' sempre). Diogo do Couto, Déc. V, X, 6.</ref>.
O étimo é o ár. ''mausim'', «estação do ano».
'''Mordexim''' («cólera-mórbo»). Indo-franc., Indo-ingl. ''mort-de-chien'' (obsol.)<ref>«Neste inverno (de 1543) ouve em Goa huma dôr mortal, que os da terra chamão '''moryxy'''». Gaspar Correia, IV, p. 288.
«Acerqua de nós he ''colera passio''; e os Indianos lhe chamão ''morxí''; e nós corruptamente lhe chamamos '''mordexim'''». Garcia da Orta, Col. XVII. — «No nosso século os antigos nomes ''mordexim'' e ''mort-de-chien'' cairam em desuso, sendo geralmente substituidos pelo de ''cholera''». Conde de Ficalho.</ref>.
== Notas ==
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'''[[:d:Lexeme:L447888|Milagre.]]''' Conc. ''milágr''. Term. vern. ''atsaryém'', ''naval'', ''vismit'', ''adbhut''. — Mal. ''milagro'' (Haex). — Tet., Gal. ''milágri''.
No marata do Concão e no hindustani do sul, ''milāgri'' designa, por extensão, ora a imagem da Virgem Maria, ora qualquer igreja católica; porque há na Índia muitos templos dedicados a Nossa Senhora dos Milagres.
'''Milho.''' Mol. ''milo'', ''milu''.
'''[[:d:Lexeme:L448159|Militar]]''' (subst.). Conc. ''militár''. Term. vern. ''xipáy'', ''laxkari''. — Tet. ''militár''.
'''[[:d:Lexeme:L448041|Ministro.]]''' Conc. ''ministr''. Term. vern. ''munyāri'', ''mantri'', ''pradhán''. — Tet. ''minístru''.
'''[[:d:Lexeme:L477295|Minuto.]]''' Conc. ''minút''. Term. vern. ''ghaḍi'' (não exactamente equivalente). — ? Guj. ''minit'' (como em inglês). — Camb. ''minút''. — Tet., Gal. ''minútu''.
'''Missa.''' Conc. ''mis''. ''Misātsó pādri'' (lit. «padre de missa») sacerdote<ref>Cf. «Clérigo de missa». João de Barros, Déc. I, III, 5.</ref>. — Can. ''mīsāyāgavu'' (lit. «sacrifício da missa»). — Tul. ''mīsuyāga''. — Camb. ''missa''. — Siam. ''mixa''. — Ann. ''lê missa''. Term. vern. ''lê''. — Mal. ''misa''. — Tet., Gal. ''misa''.
'''Missal.''' Conc., Tam., Tet., Gal. ''misál''.
'''[[:d:Lexeme:L500661|Missão.]]''' Conc. ''misámv''. — Beng., Tam. ''misán''. — Tet., Gal. ''misa''.
'''[[:d:Lexeme:L661423|Missionário.]]''' Conc., Beng., Tam., Can. ''misiyonár''.
'''Mister''' (''mester'', ant.). Mal. ''mester'', ''misti'', necessidade. — Ach. ''miskina'', indispensável. ''Miski teka'', ser compelido. — Sund. ''misti''. — Jav. ''pèsti'' ou ''pasti''.
Nos crioulos, ''mistê'' significa: «é mister, convêm, deve».
'''[[:d:Lexeme:L448040|Mistério.]]''' Conc. ''mistér''. Term. vern. ''gūḍh''. — Tet. ''mistéri''.
'''Môlho.''' Conc. ''môl'', peixe de escabeche. — ? Tam. ''molei'', espécie de caril.
Yule diz que o vocábulo tamul é corrupção de ''malay'', «malaio».
'''[[:d:Lexeme:L1152975|Monção.]]''' Conc. ''monsámv''. — Indo-ingl. ''monsoon''. — Siam. ''monsúm''<ref>«Partiam desta cidade cada '''monçam''' des e quinze náos destas para o mar roxo». Duarte Barbosa, p. 341.
«Tambem falamos per '''monções''', que são os tempos em que lá nauegão». João de Barros, Déc. III, IV, 7.
«Ali se deixarão estar muito tempo por falta de '''moução'''» (''sic'' sempre). Diogo do Couto, Déc. V, X, 6.</ref>.
O étimo é o ár. ''mausim'', «estação do ano».
'''Mordexim''' («cólera-mórbo»). Indo-franc., Indo-ingl. ''mort-de-chien'' (obsol.)<ref>«Neste inverno (de 1543) ouve em Goa huma dôr mortal, que os da terra chamão '''moryxy'''». Gaspar Correia, IV, p. 288.
«Acerqua de nós he ''colera passio''; e os Indianos lhe chamão ''morxí''; e nós corruptamente lhe chamamos '''mordexim'''». Garcia da Orta, Col. XVII. — «No nosso século os antigos nomes ''mordexim'' e ''mort-de-chien'' cairam em desuso, sendo geralmente substituidos pelo de ''cholera''». Conde de Ficalho.</ref>.
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/208
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|111}}|MOURO MUNIÇÃO|}}</noinclude>É do marata-conc. ''moḍxí'', que actualmente é o nome de indigestão, em especial das crianças.
'''Morrão.''' Conc. ''murām''. — Mal. ''muran''<ref>«Todo o mantimento, lenha, madeira, '''murrões'''». Diogo do Couto, Déc. VI, I, 6.</ref>.
'''Mosquito.''' Indo-ingl. ''mosquito'', ''moskito''. — Pid.-Engl. ''muskito'', ''skeeta''.
'''Mostarda.''' Conc. ''mustárd''. — Mal. ''mostárdi'', ''mustárdi'' (talvez do hol. ''mostard''). Term. vern. ''sasāvi''. — Tet., Gal. ''mustarda''. Term. vern. ''sasábi''.
Em concani o termo limita-se à mostarda preparada para a mesa; aliás diz-se ''sānsṿām''.
'''Mostra''' («amostra»). Conc. ''mostr''. Term. vern. ''namunó''. — Sing. ''móstraya'', ''móstaraya'', ''mostra'', ''mastare''. Term. vern. ''ādrxaya'', ''nidarxanaya''. — Tel. ''mustaru'', ''mústaru''. — Indo-ingl. ''muster''. Vid. ''amostra''.
'''Mouro''' (por «maometano»)<ref>«Tinha em sua companhia seiscentos '''Mouros''' Guzarates, e Malavares». Fernão Pinto, cap. XXVII.
«Por vitupério chamão aos Christãos destas partes Frangues, como nós a elles impropriamente chamamos '''Mouros'''». João de Barros, Déc. IV, IV, 16.
«Tomo esta palavra ''mouro'' na accepção que lhe davam os portugueses de então, como synonymo de mahometano, como significando crença e não raça». Conde de Ficalho, ''Garcia da Orta e o seu tempo'', p. 112.</ref>. Conc. ''moir''. — Indo-ingl. ''Moor'', ''Moorman''. — Sund. ''móri''. ''Kápas móri'' (lit. «algodão mourisco»), espécie de algodão. — Pid.-Engl. ''Molo-man''<ref>A mudança do ''r'' em ''l'' em Pidgin é normal.</ref>.
'''Moutão.''' L.-Hindust. ''mutám'', ''motám'', ''matám''.
'''Muita mercê.''' Beng. Locução estereotípica, empregada pelos cristãos do distrito de Dacá nos brindes, com deslocação do sentido, pois corresponde à frase «à vossa saúde».
'''Mulato.''' Conc. ''mulát''. — Tul. ''mulatta''<ref>«Falecendo em Bengala hum '''mulato''' que se chamava João Leite». Diogo do Couto, Déc. VI, VII, 3.
«Os que descendem de Portuguez e Cafre ou Negra de Africa, chamam-lhe '''Mulatos''', e são havidos por iguaes aos Mestiços». Pyrard, ''Viagem'', II, p. 32.</ref>.
Em concani tambêm se emprega como adjectivo, e se aplica às galinhas e aos frangos de penas encaracoladas: ''mulát kombi'', ''mulát pil''.
'''Mulher''' (''molher'', ant.). Mal. ''molér''. Term. vern. ''prempúan'', ''betina''.
'''Multa.''' Conc. ''múlt''. Term. vern. ''daṇḍ''. — Tet., Gal. ''multa''.
'''Munição''' («chumbo miúdo»). Conc. ''munisámv''. Term. vern. ''chharró'' (p. us.). — Sing. ''múnissama'' (pl. ''múnisan''). Term. vern. ''muṇḍa'', ''uṇḍa''. ''Múnisan paṭiya'', chumbeiro. — Mal.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|111}}|MOURO MUNIÇÃO|}}</noinclude>É do marata-conc. ''moḍxí'', que actualmente é o nome de indigestão, em especial das crianças.
'''Morrão.''' Conc. ''murām''. — Mal. ''muran''<ref>«Todo o mantimento, lenha, madeira, '''murrões'''». Diogo do Couto, Déc. VI, I, 6.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447167|Mosquito.]]''' Indo-ingl. ''mosquito'', ''moskito''. — Pid.-Engl. ''muskito'', ''skeeta''.
'''Mostarda.''' Conc. ''mustárd''. — Mal. ''mostárdi'', ''mustárdi'' (talvez do hol. ''mostard''). Term. vern. ''sasāvi''. — Tet., Gal. ''mustarda''. Term. vern. ''sasábi''.
Em concani o termo limita-se à mostarda preparada para a mesa; aliás diz-se ''sānsṿām''.
'''Mostra''' («amostra»). Conc. ''mostr''. Term. vern. ''namunó''. — Sing. ''móstraya'', ''móstaraya'', ''mostra'', ''mastare''. Term. vern. ''ādrxaya'', ''nidarxanaya''. — Tel. ''mustaru'', ''mústaru''. — Indo-ingl. ''muster''. Vid. ''amostra''.
'''Mouro''' (por «maometano»)<ref>«Tinha em sua companhia seiscentos '''Mouros''' Guzarates, e Malavares». Fernão Pinto, cap. XXVII.
«Por vitupério chamão aos Christãos destas partes Frangues, como nós a elles impropriamente chamamos '''Mouros'''». João de Barros, Déc. IV, IV, 16.
«Tomo esta palavra ''mouro'' na accepção que lhe davam os portugueses de então, como synonymo de mahometano, como significando crença e não raça». Conde de Ficalho, ''Garcia da Orta e o seu tempo'', p. 112.</ref>. Conc. ''moir''. — Indo-ingl. ''Moor'', ''Moorman''. — Sund. ''móri''. ''Kápas móri'' (lit. «algodão mourisco»), espécie de algodão. — Pid.-Engl. ''Molo-man''<ref>A mudança do ''r'' em ''l'' em Pidgin é normal.</ref>.
'''Moutão.''' L.-Hindust. ''mutám'', ''motám'', ''matám''.
'''Muita mercê.''' Beng. Locução estereotípica, empregada pelos cristãos do distrito de Dacá nos brindes, com deslocação do sentido, pois corresponde à frase «à vossa saúde».
'''Mulato.''' Conc. ''mulát''. — Tul. ''mulatta''<ref>«Falecendo em Bengala hum '''mulato''' que se chamava João Leite». Diogo do Couto, Déc. VI, VII, 3.
«Os que descendem de Portuguez e Cafre ou Negra de Africa, chamam-lhe '''Mulatos''', e são havidos por iguaes aos Mestiços». Pyrard, ''Viagem'', II, p. 32.</ref>.
Em concani tambêm se emprega como adjectivo, e se aplica às galinhas e aos frangos de penas encaracoladas: ''mulát kombi'', ''mulát pil''.
'''[[:d:Lexeme:L447035|Mulher]]''' (''molher'', ant.). Mal. ''molér''. Term. vern. ''prempúan'', ''betina''.
'''Multa.''' Conc. ''múlt''. Term. vern. ''daṇḍ''. — Tet., Gal. ''multa''.
'''[[:d:Lexeme:L669922|Munição]]''' («chumbo miúdo»). Conc. ''munisámv''. Term. vern. ''chharró'' (p. us.). — Sing. ''múnissama'' (pl. ''múnisan''). Term. vern. ''muṇḍa'', ''uṇḍa''. ''Múnisan paṭiya'', chumbeiro. — Mal.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 112 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||NAIQUE NAIQUE|{{sc|112}}}}</noinclude>''manisan''. — Ach. ''menisan'' ou ''melisan''. — Tet., Gal. ''munisã''. Term. vern. ''kmuna''.
Em malaio e achinês, o termo aplica-se, por analogia, a «confeitos».
'''Mura''' («antiga medida da Índia portuguesa, correspondente a 735 litros», C. de Figueiredo). Indo-ingl. ''moorah''.
Parece que o étimo é o mar. ''muḍá'' (conc. ''muḍó''); «fardo esférico, feito de palha», que todavia não contêm actualmente a quantidade indicada por António Nunes: «O '''mura''' de bate (q. v.) tem tres candis»<ref>«E em bate 200 corenta e tres '''muras'''». S. Botelho, ''Tombo'', p. 163.</ref>.
'''Música.''' Conc. ''múzg''. Term. vern. ''gāyan'', ''vāzap''. — Hindust. ''músiki'', ''músigí''. ''Músigidán'' (subst.), músico. — Mal. ''músik''. — Tet., Gal. ''músika''. — Persa ''musigí''. — Ár. ''musika'', ''muzika'', ''musikay''. ''Musiki'', músico. ''Musikāri'', musical. — Malg. ''mozika''.
O Dr. Schuchardt prefere o étimo hol. ''muziek'' para o malaio. Vid. ''câmara''.
{{center|N}}
'''Nababo.''' Indo-ingl. ''nabob''.
Do hindust. ''navāb'', plural do ár. ''nāyab''<ref>«Estava por '''nababo''' em Surrate um mouro parsio». Bocarro, Déc. XIII, p. 354.
«Por virtude da doação feita pelo principe Mogol Idail Moinudikan, confirmada pelo '''Nababo''' de Anata». ''O Chron. de Tissuary'', I, 324.</ref>.
'''Naique.''' Indo-ingl. ''naique'', ''naik''. — Indo-franc. ''naïque''.
O étimo é o neo-árico ''nāyak'' ou ''nāyk'', do sânsc. ''nāyaka'', «condutor, director, chefe». É tambêm o título dalguns réis<ref>«Este Ventapanaique se tinha n'estes tempos feito mui poderoso, conquistado e senhoreado todos os régulos seus visinhos». Bocarro, Déc. XIII, p. 471.
«Mandou tambem hum Nayque com vinte Abexins que nos veyo guardando dos ladrões, e provendo-nos de mantimento». Fernão Pinto, cap. IV.
«O qual com certos Naíques, que são capitães da gente de pé segundo uso da terra». João de Barros, Déc. II, V, 8.
«Asy dos ordenados dos capitães, como dos naiquês e peões». Simão Botelho, p. 72.
«Apartados os piães da terra com seus naiques, que são seus capitães». Gaspar Correia, II, p. 512.
«Naique quer dizer capitão; quando estes reys tomam algum gentio pera que os sirva, se o não querem muito honrar, accrestão-lhe ao nome proprio naique». Garcia da Orta, Col. X.
«Mas tomou o (título) de Naique, por mais humildade, que he tanto como dizer capitão, ou duque». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 5.
«Its common Anglo-Indian application is to the non-commissioned officer of Sepoys who corresponds to corporal». ''Hobson-Jobson''.</ref> e tratamento honorífico de certas classes. Em concani é o nome do oficial de diligências.
''Naique'' no português da Índia tinha vários sentidos: capitão ou chefe dos soldados indígenas, de ordinário chamados ''piães''; capataz; fiscal ou superintendente nativo.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||NAIQUE NAIQUE|{{sc|112}}}}</noinclude>''manisan''. — Ach. ''menisan'' ou ''melisan''. — Tet., Gal. ''munisã''. Term. vern. ''kmuna''.
Em malaio e achinês, o termo aplica-se, por analogia, a «confeitos».
'''Mura''' («antiga medida da Índia portuguesa, correspondente a 735 litros», C. de Figueiredo). Indo-ingl. ''moorah''.
Parece que o étimo é o mar. ''muḍá'' (conc. ''muḍó''); «fardo esférico, feito de palha», que todavia não contêm actualmente a quantidade indicada por António Nunes: «O '''mura''' de bate (q. v.) tem tres candis»<ref>«E em bate 200 corenta e tres '''muras'''». S. Botelho, ''Tombo'', p. 163.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448074|Música.]]''' Conc. ''múzg''. Term. vern. ''gāyan'', ''vāzap''. — Hindust. ''músiki'', ''músigí''. ''Músigidán'' (subst.), músico. — Mal. ''músik''. — Tet., Gal. ''músika''. — Persa ''musigí''. — Ár. ''musika'', ''muzika'', ''musikay''. ''Musiki'', músico. ''Musikāri'', musical. — Malg. ''mozika''.
O Dr. Schuchardt prefere o étimo hol. ''muziek'' para o malaio. Vid. ''câmara''.
{{center|N}}
'''Nababo.''' Indo-ingl. ''nabob''.
Do hindust. ''navāb'', plural do ár. ''nāyab''<ref>«Estava por '''nababo''' em Surrate um mouro parsio». Bocarro, Déc. XIII, p. 354.
«Por virtude da doação feita pelo principe Mogol Idail Moinudikan, confirmada pelo '''Nababo''' de Anata». ''O Chron. de Tissuary'', I, 324.</ref>.
'''Naique.''' Indo-ingl. ''naique'', ''naik''. — Indo-franc. ''naïque''.
O étimo é o neo-árico ''nāyak'' ou ''nāyk'', do sânsc. ''nāyaka'', «condutor, director, chefe». É tambêm o título dalguns réis<ref>«Este Ventapanaique se tinha n'estes tempos feito mui poderoso, conquistado e senhoreado todos os régulos seus visinhos». Bocarro, Déc. XIII, p. 471.
«Mandou tambem hum Nayque com vinte Abexins que nos veyo guardando dos ladrões, e provendo-nos de mantimento». Fernão Pinto, cap. IV.
«O qual com certos Naíques, que são capitães da gente de pé segundo uso da terra». João de Barros, Déc. II, V, 8.
«Asy dos ordenados dos capitães, como dos naiquês e peões». Simão Botelho, p. 72.
«Apartados os piães da terra com seus naiques, que são seus capitães». Gaspar Correia, II, p. 512.
«Naique quer dizer capitão; quando estes reys tomam algum gentio pera que os sirva, se o não querem muito honrar, accrestão-lhe ao nome proprio naique». Garcia da Orta, Col. X.
«Mas tomou o (título) de Naique, por mais humildade, que he tanto como dizer capitão, ou duque». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 5.
«Its common Anglo-Indian application is to the non-commissioned officer of Sepoys who corresponds to corporal». ''Hobson-Jobson''.</ref> e tratamento honorífico de certas classes. Em concani é o nome do oficial de diligências.
''Naique'' no português da Índia tinha vários sentidos: capitão ou chefe dos soldados indígenas, de ordinário chamados ''piães''; capataz; fiscal ou superintendente nativo.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh||OFENDER OLA|{{sc|114}}}}</noinclude>'''Novena.''' Conc. ''novén''. — Beng. ''novená''. — Tam. ''novenei''. — Tel. ''novéna''. — Can. ''novénu''.
'''Número.''' Conc. ''num'r'', ''numbr''. Term. vern. ''ānk'', ''sankhyá'', ''gaṇ'', ''gaṇṭí''. — ? Sing. ''nómare'', ''nommaraya'' (talvez do ingl. ''number''). — ? Bug. ''nômoro''; provávelmente do hol. ''nommer''. — Tet., Gal. ''númeru''. Term. vern. ''súra''.
{{center|O}}
'''Obrigação.''' Conc. ''obrigāsámv'' (p. us.). Term. vern. ''kāydó'', ''karm'', ''kartúb''. — Mal. ''obrigacion'' (Haex), que tem forma castelhana. — Tet. ''obrigasã''.
'''Obrigado.''' Conc. ''obrigád''. — Tet. ''obrigádu''.
'''Obrigar.''' Conc. ''obrigár-karunk''. Term. vern. ''baḷ karunk'', ''oḍhunk''. — Tet. ''obriga''. Term. vern. ''hódi'', ''biiti''.
'''Ocasião.''' Conc. ''kājámv''. Term. vern. ''sar̃-yoga''. — Tet. ''okaziã''. Term. vern. ''phátin'', ''léeti''.
'''Oco.''' Sing. ''boku''. Provávelmente por intermédio de *''woku''. — Gal. ''ôku''.
'''Óculos.''' Conc. ''okl''. Term. vern. ''tsālis-patr'' (p. us. em Goa). — Tet. ''ókulu'', ''ôku''.
'''? Ocupação.''' Pid.-Engl. ''pidgin''. Extensamente empregado por «negócio, ofício, mister».
«Provávelmente a pronúncia chinesa da palavra ''business'' (''Pi-tsin''), conforme outros, do português ''ocupação''». Leland.
'''Ofender.''' Conc. ''ophendêr-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''akmānkarunk'', ''aprādhunk''. — Tet. ''ofender''. Term. vern. ''tólok''.
'''Oferecer.''' Conc. ''ophereser-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''divunk'', ''bhet karunk''. — Tet. ''ofereser''. Term. vern. ''fó''.
'''Oficial''' (subst.). Conc., Tet., Gal. ''ophisyál''.
'''Ola''' («ramo de palmeira, a que chamamos ''olla''», Orta). Indo-ingl. ''ollah''.
A palavra é dravídica, malayál. ''óla'', tam. ''ólei'', e significa não sómente «folha de palmeira», mas tambêm a «tira da folha preparada para escrever», bem como a «tira escrita»<ref>«Toda a maes pouoação (de Calecut) era de madeira cuberta de hum genero de folha de palma a que elles chamão '''ola'''». João de Barros, Déc. I, IV, 7.
«Costumão fazer suas '''olas''', que são folhas de palmeira, que he seu papel em que escreuem, riscado com hum ponção de ferro». Gaspar Correia, I, p. 212.
«Mandou sua '''ola''' de agradecimentos aos moradores de São Thomé». ''Id.'', IV, p. 132.
«Escreveo huma '''ola''' ao Modeliar, em que lhe avisava, estava em campo, como lhe tinha dito o faria». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. II, cap. X.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||OFENDER OLA|{{sc|114}}}}</noinclude>'''Novena.''' Conc. ''novén''. — Beng. ''novená''. — Tam. ''novenei''. — Tel. ''novéna''. — Can. ''novénu''.
'''Número.''' Conc. ''num'r'', ''numbr''. Term. vern. ''ānk'', ''sankhyá'', ''gaṇ'', ''gaṇṭí''. — ? Sing. ''nómare'', ''nommaraya'' (talvez do ingl. ''number''). — ? Bug. ''nômoro''; provávelmente do hol. ''nommer''. — Tet., Gal. ''númeru''. Term. vern. ''súra''.
{{center|O}}
'''Obrigação.''' Conc. ''obrigāsámv'' (p. us.). Term. vern. ''kāydó'', ''karm'', ''kartúb''. — Mal. ''obrigacion'' (Haex), que tem forma castelhana. — Tet. ''obrigasã''.
'''Obrigado.''' Conc. ''obrigád''. — Tet. ''obrigádu''.
'''Obrigar.''' Conc. ''obrigár-karunk''. Term. vern. ''baḷ karunk'', ''oḍhunk''. — Tet. ''obriga''. Term. vern. ''hódi'', ''biiti''.
'''Ocasião.''' Conc. ''kājámv''. Term. vern. ''sar̃-yoga''. — Tet. ''okaziã''. Term. vern. ''phátin'', ''léeti''.
'''Oco.''' Sing. ''boku''. Provávelmente por intermédio de *''woku''. — Gal. ''ôku''.
'''Óculos.''' Conc. ''okl''. Term. vern. ''tsālis-patr'' (p. us. em Goa). — Tet. ''ókulu'', ''ôku''.
'''? Ocupação.''' Pid.-Engl. ''pidgin''. Extensamente empregado por «negócio, ofício, mister».
«Provávelmente a pronúncia chinesa da palavra ''business'' (''Pi-tsin''), conforme outros, do português ''ocupação''». Leland.
'''Ofender.''' Conc. ''ophendêr-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''akmānkarunk'', ''aprādhunk''. — Tet. ''ofender''. Term. vern. ''tólok''.
'''Oferecer.''' Conc. ''ophereser-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''divunk'', ''bhet karunk''. — Tet. ''ofereser''. Term. vern. ''fó''.
'''Oficial''' (subst.). Conc., Tet., Gal. ''ophisyál''.
'''Ola''' («ramo de palmeira, a que chamamos ''olla''», Orta). Indo-ingl. ''ollah''.
A palavra é dravídica, malayál. ''óla'', tam. ''ólei'', e significa não sómente «folha de palmeira», mas tambêm a «tira da folha preparada para escrever», bem como a «tira escrita»<ref>«Toda a maes pouoação (de Calecut) era de madeira cuberta de hum genero de folha de palma a que elles chamão '''ola'''». João de Barros, Déc. I, IV, 7.
«Costumão fazer suas '''olas''', que são folhas de palmeira, que he seu papel em que escreuem, riscado com hum ponção de ferro». Gaspar Correia, I, p. 212.
«Mandou sua '''ola''' de agradecimentos aos moradores de São Thomé». ''Id.'', IV, p. 132.
«Escreveo huma '''ola''' ao Modeliar, em que lhe avisava, estava em campo, como lhe tinha dito o faria». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. II, cap. X.</ref>.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||OFENDER OLA|{{sc|114}}}}</noinclude>'''Novena.''' Conc. ''novén''. — Beng. ''novená''. — Tam. ''novenei''. — Tel. ''novéna''. — Can. ''novénu''.
'''[[:d:Lexeme:L477163|Número.]]''' Conc. ''num'r'', ''numbr''. Term. vern. ''ānk'', ''sankhyá'', ''gaṇ'', ''gaṇṭí''. — ? Sing. ''nómare'', ''nommaraya'' (talvez do ingl. ''number''). — ? Bug. ''nômoro''; provávelmente do hol. ''nommer''. — Tet., Gal. ''númeru''. Term. vern. ''súra''.
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'''[[:d:Lexeme:L499911|Obrigação.]]''' Conc. ''obrigāsámv'' (p. us.). Term. vern. ''kāydó'', ''karm'', ''kartúb''. — Mal. ''obrigacion'' (Haex), que tem forma castelhana. — Tet. ''obrigasã''.
'''Obrigado.''' Conc. ''obrigád''. — Tet. ''obrigádu''.
'''Obrigar.''' Conc. ''obrigár-karunk''. Term. vern. ''baḷ karunk'', ''oḍhunk''. — Tet. ''obriga''. Term. vern. ''hódi'', ''biiti''.
'''[[:d:Lexeme:L502271|Ocasião.]]''' Conc. ''kājámv''. Term. vern. ''sar̃-yoga''. — Tet. ''okaziã''. Term. vern. ''phátin'', ''léeti''.
'''Oco.''' Sing. ''boku''. Provávelmente por intermédio de *''woku''. — Gal. ''ôku''.
'''Óculos.''' Conc. ''okl''. Term. vern. ''tsālis-patr'' (p. us. em Goa). — Tet. ''ókulu'', ''ôku''.
'''[[:d:Lexeme:L501580|? Ocupação.]]''' Pid.-Engl. ''pidgin''. Extensamente empregado por «negócio, ofício, mister».
«Provávelmente a pronúncia chinesa da palavra ''business'' (''Pi-tsin''), conforme outros, do português ''ocupação''». Leland.
'''[[:d:Lexeme:L670228|Ofender.]]''' Conc. ''ophendêr-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''akmānkarunk'', ''aprādhunk''. — Tet. ''ofender''. Term. vern. ''tólok''.
'''Oferecer.''' Conc. ''ophereser-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''divunk'', ''bhet karunk''. — Tet. ''ofereser''. Term. vern. ''fó''.
'''Oficial''' (subst.). Conc., Tet., Gal. ''ophisyál''.
'''Ola''' («ramo de palmeira, a que chamamos ''olla''», Orta). Indo-ingl. ''ollah''.
A palavra é dravídica, malayál. ''óla'', tam. ''ólei'', e significa não sómente «folha de palmeira», mas tambêm a «tira da folha preparada para escrever», bem como a «tira escrita»<ref>«Toda a maes pouoação (de Calecut) era de madeira cuberta de hum genero de folha de palma a que elles chamão '''ola'''». João de Barros, Déc. I, IV, 7.
«Costumão fazer suas '''olas''', que são folhas de palmeira, que he seu papel em que escreuem, riscado com hum ponção de ferro». Gaspar Correia, I, p. 212.
«Mandou sua '''ola''' de agradecimentos aos moradores de São Thomé». ''Id.'', IV, p. 132.
«Escreveo huma '''ola''' ao Modeliar, em que lhe avisava, estava em campo, como lhe tinha dito o faria». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. II, cap. X.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/210
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 113 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|113}}|NAIRE NOTÍCIA|}}</noinclude>'''Naire''' («nome da classe nobre do Malabar»). Indo-ingl. ''nair''. — Indo-franc. ''naïre''<ref>«Nesta tera do Malabar ha outra ley de gente que chamaom '''Nayres''', e antre eles sam fidalgos, nem tem outro oficio senam seruirem na guerra... Estes não se chamaom Nayres senam des ho tempo que saom pera pelejar». Duarte Barbosa, pp. 235 e 327.
«Este nome '''Naire''', ainda que seja do sangue delles, não o pode alguem ter senão depois que he armado caualleiro, e porem goza dos privilegios da sua nobreza». João de Barros, Déc. I, IX, 3.
«Nesta região de Malauar a casta dos fidalgos chamão '''Naires''', que he a gente de guerra». Gaspar Correia, I, p. 75.
«Os '''Naires''' (que são cavalleiros)». Garcia da Orta, Col. XXII.</ref>.
O vocábulo é do malayál. ''nāyar'', derivado do sânsc. ''nāyaka''.
'''Não.''' Pid.-Engl. ''na'' (p. us.).
Nos crioulos portugueses usa-se ''nã''.
'''Natal''' («natividade de Jesus Cristo»). Conc. ''natál''. — Mar. ''nātál'', ''natālém''. — Guj., Beng. ''nātál''. — Sing., Tam. ''nattal''. — Can. ''natālu''. — Camb. ''bôn natal'' (''bôn'' = festa). — Mal. ''natal''. — Tet., Gal. ''natál''<ref>Quanto à ''l'' cacuminal em marata, cf. ''bhompḷā'' = abóbora.</ref>.
Na Índia inglesa diz-se tambêm ''kissmiss'', do ingl. ''Christmas'', e ''barā din'', «grande dia».
'''? Naulo.''' Conc., Mar. ''nôr''. ''Norí'' (mar., adj.), fretado. — Hindust. ''naul'', ''naval''. ''Naul ká mál'', carregamento.
Shakespear diz que os vocábulos hindustanis são de origem arábica, e Belot diz que o ár. ''naulún'' vem do grego.
'''Navalha.''' Malayál. ''navāli''.
'''Negar.''' Conc. ''negár-zāvunk'', ''negár-vatsunk''. Term. vern. ''nām mhariunk'', ''nākārunk''. — Gal. ''néga''.
'''Negociar.''' Mal. ''negociar'' (Haex).
'''Negro.''' Indo-ingl. ''nigger''.
'''Nem.''' Mal. ''nen'' (Haex). — Tet. ''nem''.
'''Nota.''' Conc. ''nót''. Term. vern. ''khūn'', ''chihnén'', ''lakhen''. — Tet., Gal. ''nota''. — Term. vern. ''hanóin''.
'''Notícia.''' Conc. ''notís'' (p. us.). Term. vern. ''khabar'', ''gazál'', ''vārttá''. — Tet., Gal. ''notísi''. Term. vern. ''lia''.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|113}}|NAIRE NOTÍCIA|}}</noinclude>'''Naire''' («nome da classe nobre do Malabar»). Indo-ingl. ''nair''. — Indo-franc. ''naïre''<ref>«Nesta tera do Malabar ha outra ley de gente que chamaom '''Nayres''', e antre eles sam fidalgos, nem tem outro oficio senam seruirem na guerra... Estes não se chamaom Nayres senam des ho tempo que saom pera pelejar». Duarte Barbosa, pp. 235 e 327.
«Este nome '''Naire''', ainda que seja do sangue delles, não o pode alguem ter senão depois que he armado caualleiro, e porem goza dos privilegios da sua nobreza». João de Barros, Déc. I, IX, 3.
«Nesta região de Malauar a casta dos fidalgos chamão '''Naires''', que he a gente de guerra». Gaspar Correia, I, p. 75.
«Os '''Naires''' (que são cavalleiros)». Garcia da Orta, Col. XXII.</ref>.
O vocábulo é do malayál. ''nāyar'', derivado do sânsc. ''nāyaka''.
'''[[:d:Lexeme:L618549|Não.]]''' Pid.-Engl. ''na'' (p. us.).
Nos crioulos portugueses usa-se ''nã''.
'''[[:d:Lexeme:L558223|Natal]]''' («natividade de Jesus Cristo»). Conc. ''natál''. — Mar. ''nātál'', ''natālém''. — Guj., Beng. ''nātál''. — Sing., Tam. ''nattal''. — Can. ''natālu''. — Camb. ''bôn natal'' (''bôn'' = festa). — Mal. ''natal''. — Tet., Gal. ''natál''<ref>Quanto à ''l'' cacuminal em marata, cf. ''bhompḷā'' = abóbora.</ref>.
Na Índia inglesa diz-se tambêm ''kissmiss'', do ingl. ''Christmas'', e ''barā din'', «grande dia».
'''? Naulo.''' Conc., Mar. ''nôr''. ''Norí'' (mar., adj.), fretado. — Hindust. ''naul'', ''naval''. ''Naul ká mál'', carregamento.
Shakespear diz que os vocábulos hindustanis são de origem arábica, e Belot diz que o ár. ''naulún'' vem do grego.
'''Navalha.''' Malayál. ''navāli''.
'''Negar.''' Conc. ''negár-zāvunk'', ''negár-vatsunk''. Term. vern. ''nām mhariunk'', ''nākārunk''. — Gal. ''néga''.
'''Negociar.''' Mal. ''negociar'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L581049|Negro.]]''' Indo-ingl. ''nigger''.
'''Nem.''' Mal. ''nen'' (Haex). — Tet. ''nem''.
'''[[:d:Lexeme:L561206|Nota.]]''' Conc. ''nót''. Term. vern. ''khūn'', ''chihnén'', ''lakhen''. — Tet., Gal. ''nota''. — Term. vern. ''hanóin''.
'''[[:d:Lexeme:L558206|Notícia.]]''' Conc. ''notís'' (p. us.). Term. vern. ''khabar'', ''gazál'', ''vārttá''. — Tet., Gal. ''notísi''. Term. vern. ''lia''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
dyww7pl8cqssbp1ur9kesqd2he9n0k7
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/212
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 115 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|115}}|PADEIRO PADRE|}}</noinclude>'''Óleo.''' Conc. ''ól'' (especialmente óleo santo ou medicinal). Term. vern. ''tel''; ''pavitr tel''; ''okti tel''. — Beng. ''ôl'', óleo santo.
'''Onça.''' Conc. ''oms''. — Jap. ''onsu''. Talvez do ingl. ''ounce''.
'''Opa.''' Conc. ''óp''. — Beng. ''opá''. — Tam., Tet., Gal. ''ópa''<ref>«Mandou fazer grandes '''opas''' de brocados ricos». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 11.</ref>.
'''Oração.''' Conc. ''orāsámv''. Term. vern. ''māgnem'', ''prārthan''. — Tet., Gal. ''orasã''. — Jap. ''orashyo'', do lat. ''oratio'', segundo o Dr. Murakámi.
'''Ordem.''' Conc. ''ord''. Term. vern. ''nirôp'', ''hukum'', ''pharmān''; ''kram'', ''māndāval''. — Mal. ''órdi'', ''úrdi'', ''rúdi''. — Jav. ''úrdi''. — Bug. ''ródi''. — Tet. ''órdi''.
'''Órgão''' («instrumento músico»). Conc. ''orgám''; ''org'' (mais us.). — Mar. ''org'', ''ork''. — Hindust. ''argan'', ''arghanūn''. — Beng., Tam. ''orgán''. — Sing. ''orgālaya'', ''orgāle''. — Mal. ''organ'', ''orgam'', ''organon''. — Tet., Gal. ''órgão''. — Jap. ''orogan''. — Ár. ''arganūn'', ''argan'', ''organ'', ''orgon''<ref>«Leuaua huns '''orgãos''' que lhe yão tangendo em hum esquife». Castanheda, I, p. 91.
«De todo o necessario vinhão muyto prouidos do Reyno, com '''orgãos''' e fermoso retauolo da Piedade». Gaspar Correia, I, p. 687.</ref>.
Shakespear deriva do grego os vocábulos hindustanis, por via do árabe.
'''Ourives.''' Mal. ''orivis'' (Haex). Term. vern. ''pande-mas'', lit. «artífice de ouro».
{{center|P}}
'''Paciência.''' Conc. ''pasyems'' (p. us.). Term. vern. ''sosṇāy'', ''sosnikāy'', ''usarpat''. — Tet. ''pasiénsi''.
'''Padeiro.''' Conc. ''padér''. Term. vern. ''uṇḍekár'' (p. us.). ''Pader khān'', padaria. — Guj. ''pader'', em ''pader-khānum''. ''Khān'' e ''khānum'' são do hindust. ''khānā'' «estabelecimento, oficina». Vid. ''pão''.
Em concani diz-se por vezes simplesmente ''phurn'' ou ''kharn'', do port. ''forno'', por «padaria».
'''Padre''' (e «clérigo, missionário, pároco, pastor»). Conc., Mar., Guj., Hindi, Hindust., Beng., Khas. ''pādri''. — ''Pādripan'' (Conc.), estado,
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|115}}|PADEIRO PADRE|}}</noinclude>'''Óleo.''' Conc. ''ól'' (especialmente óleo santo ou medicinal). Term. vern. ''tel''; ''pavitr tel''; ''okti tel''. — Beng. ''ôl'', óleo santo.
'''[[:d:Lexeme:L1490632|Onça.]]''' Conc. ''oms''. — Jap. ''onsu''. Talvez do ingl. ''ounce''.
'''Opa.''' Conc. ''óp''. — Beng. ''opá''. — Tam., Tet., Gal. ''ópa''<ref>«Mandou fazer grandes '''opas''' de brocados ricos». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 11.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447813|Oração.]]''' Conc. ''orāsámv''. Term. vern. ''māgnem'', ''prārthan''. — Tet., Gal. ''orasã''. — Jap. ''orashyo'', do lat. ''oratio'', segundo o Dr. Murakámi.
'''[[:d:Lexeme:L448462|Ordem.]]''' Conc. ''ord''. Term. vern. ''nirôp'', ''hukum'', ''pharmān''; ''kram'', ''māndāval''. — Mal. ''órdi'', ''úrdi'', ''rúdi''. — Jav. ''úrdi''. — Bug. ''ródi''. — Tet. ''órdi''.
'''[[:d:Lexeme:L448217|Órgão]]''' («instrumento músico»). Conc. ''orgám''; ''org'' (mais us.). — Mar. ''org'', ''ork''. — Hindust. ''argan'', ''arghanūn''. — Beng., Tam. ''orgán''. — Sing. ''orgālaya'', ''orgāle''. — Mal. ''organ'', ''orgam'', ''organon''. — Tet., Gal. ''órgão''. — Jap. ''orogan''. — Ár. ''arganūn'', ''argan'', ''organ'', ''orgon''<ref>«Leuaua huns '''orgãos''' que lhe yão tangendo em hum esquife». Castanheda, I, p. 91.
«De todo o necessario vinhão muyto prouidos do Reyno, com '''orgãos''' e fermoso retauolo da Piedade». Gaspar Correia, I, p. 687.</ref>.
Shakespear deriva do grego os vocábulos hindustanis, por via do árabe.
'''[[:d:Lexeme:L307001|Ourives.]]''' Mal. ''orivis'' (Haex). Term. vern. ''pande-mas'', lit. «artífice de ouro».
{{center|P}}
'''[[:d:Lexeme:L642141|Paciência.]]''' Conc. ''pasyems'' (p. us.). Term. vern. ''sosṇāy'', ''sosnikāy'', ''usarpat''. — Tet. ''pasiénsi''.
'''Padeiro.''' Conc. ''padér''. Term. vern. ''uṇḍekár'' (p. us.). ''Pader khān'', padaria. — Guj. ''pader'', em ''pader-khānum''. ''Khān'' e ''khānum'' são do hindust. ''khānā'' «estabelecimento, oficina». Vid. ''pão''.
Em concani diz-se por vezes simplesmente ''phurn'' ou ''kharn'', do port. ''forno'', por «padaria».
'''[[:d:Lexeme:L222287|Padre]]''' (e «clérigo, missionário, pároco, pastor»). Conc., Mar., Guj., Hindi, Hindust., Beng., Khas. ''pādri''. — ''Pādripan'' (Conc.), estado,
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Correção integral e revisão da página 116 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PADRE PAGA|{{sc|116}}}}</noinclude>condição de padre<ref>Para ''b'' por ''p'', cf. ''bāb'' = sânsc. ''pāpa'', «pecado»; para ''t'' por ''dr'', cf. ''intha'' = sânsc. ''indra'', «deus Indra».</ref>. — Sing. ''pádiri'', ''pádeli'' (seguido do tratamento ''unnānse'', «reverendo»). — Tam., Malayál. ''pādiri''; ''pādriyár'' (honorífico). — Tel. ''pādiri''. — Can. ''pādri'', ''pādari''. — Tul. ''pādri'', ''pádre''. — Indo-ingl. ''padre'', ''padri'' (especialmente «padre católico»). — Siam. ''bát''. — Mal., Sund., Tet., Gal. ''pádri''. — Pid.-Engl., Chinês ''pa-ti-li'', ''pa-te-le''. — Jap. ''báteren''<ref>''P'' inicial é pouco usado em japonês. A dissolução da consoante composta é normal. Cf. ''vidro''.</ref>.
Clero: ''pādri-lok'', Conc., Mar., Guj.; ''pādri-log'', Hindi; ''pādri-lok'', ''pādri-log'', Hindust.; ''pādilivare'', Sing.; ''pādri-gaḷu'', Can.; ''pādrelu'', Tul. ''Lok'' ou ''log'' é do sânsc. ''loka'', «gente, povo».
''Pradhānpādri'', prelado. ''Rum'ká pradhān pādri'', pontífice romano, papa. Hindi.
''Bará-pādri'' (lit. «grande padre»), padre superior. ''Sardár-pādri'', prelado. ''Lāṭ-pādri'' (tambêm us. em hindi e khassi), bispo, arcebispo. ''Lāṭ'' é corrupção do ingl. ''lord''. ''Rum'ká sardár pādri'', papa. ''Pādri ká muhalla'', paróquia. ''Sardár pādri ká taalluga'', diocese. ''Sardár pādri ká magam'', sé catedral. Hindustani.
Há ''Padrigudi'' em Madrasta e ''Padrishibpur'' em Bengala, missões pertencentes ao padroado português<ref>«''Padrī'' is used by all classes for a Christian minister». Candy.
«And it is sometimes applied also to Brahmans or other religious persons». Whitworth.
«Dass dies Wort (''padre'') auch auf protestantische Geistliche und sogar auch heidenische Priester angewandet wird, habe ich schon ''Zeitschren f. rom. Phil.'' 6 XIII, 510 erwähnt». Schuchardt, ''Kreol. Stud.'', IX.
«En malais le mot ''padri'' signifie prêtre catholique. Cependant en 1820 dans l'île de Sumatra, pendant une insurrection, qui a porté à une guerre acharnée de plus de vingt ans avec la Hollande, les chefs, prêtres et pèlerins mahométans et partisans d'une secte religieuse très fanatique, ont pris le nom de ''padri'' et dès ce moment ce nom a été appliqué à tous les insurgés». Heyligers.
Dizia-me uma vez um dessai hindu de Perném (Novas Conquistas), conversando em concani e apresentando-me um seu filho, que um ''padre mestre'' lhe dava lições de marata. Quando manifestei a minha surpresa, fiquei sabendo que era um mestre leigo, honrado com o tratamento que se dava ao professor padre da escola primária local.</ref>.
'''Padrinho.''' Conc. ''padan'', ''padin''. — Beng. ''pādú''.
'''Padroado.''' Conc. ''pādrovād''. — Beng. ''pādrovādu''. — Tam. ''padrovādu''.
'''Paga''' («salário, pagamento»), '''pagar''' (us. como subst.). Conc. ''pág''. — Mar. ''pág'', ''pagár''. ''Pagāri'', estipendiário. ''Baithāpagár'', aposentação, pensão. — Guj. ''pagár''. ''Pagár''
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 117 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|117}}|PAGODE PAGODE|}}</noinclude>''āpṿó'', ''pagár karvó'', pagar. ''Pagár āpṿó jogó'', pagável. ''Pagár lenár'', estipendiário. — Hindust. ''pagár'' (us. sómente na presidência de Bombaim; noutras partes, ''talab''). — Sindh. ''paghāru''. — ? Can. ''pagaḍi'', imposto, direitos da alfândega. — Tul. ''pagara'' (tambêm «aluguel, renda»). — Indo-ingl. (em Bombaim) ''pagar''<ref>«This word is commonly adopted in the vernaculars for monthly salary». Whitworth.</ref>. Term. neo-áric. ''muxāró'', ''mazuri'', ''vetan'', ''phārīkpan'', ''talab''.
Em marata tambêm há outro vocábulo ''pāg'' (fem.), que significa «direito pago pela embarcação, quando larga o pôrto». Creio que se prende à dicção portuguesa, pôsto que Molesworth o não dê como tal.
'''Página.''' Conc. ''pāzn'', ''pasém'' (por intermédio de *''pāz''). — Guj. ''pāsum''. — Sindh. ''pāsõ''. — Term. neo-áric. ''pān'', ''puttó'', ''varakh'', ''patr'', ''patró''.
'''Pagode''' («templo, ídolo, moeda»). Indo-ingl. ''pagoda''. — Indo-franc. ''pagode'', ''pagodin''. — Tet. ''pagódi''<ref>A) «Nas suas casas de orações a que chamaom '''Pagodes''', fazem muytas feitiçarias». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 333.
«Em hum '''pagode''' que he casa de oração dos seus idolos que tem deputado para isso». Castanheda, ''Historia'', liv. I, cap. 14.
«As casas de seos '''pagodes''', que são suas igrejas». Gaspar Correia, ''Lendas'', I, p. 181.
«Todo aquelle '''pagode''', em que notamos cousas admiráveis». Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 7.
«Para o outro lado (do Pico de Adão) está o '''Pagode''', que he a sua Igreja». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. 23.
B) «Metese o diabo neles muytas vezes, e dizem que he hum dos seus deuses, ou '''paogdes''', que assi lhe chamão». Castanheda, liv. I, cap. 14.
«Dizendo todos ter ofendido aos seus '''pagodes''' em não lhe fazer os sacrificios e ofertas que lhe tinha prometido». João de Barros, Déc. I, IV, 18.
«Jurando mais por seos '''pagodes''', que são uns idolos que adorão por Deoses». Gaspar Correia, I, p. 119.
«Particularmente com os Bonzos, os quaes tinhão cheia a casa de imagens de '''pagodes'''». P. Sabatino de Ursis (1611), ''Matheus Ricci''.
C) «A qual moeda de '''Pagodes''' se chamava antigamente pardão d'ouro, e tinhão de valia trezentos e sessenta reis». Francisco Pais, ''Tombo Geral'', fol. 84.
«Com hũa soma de '''pagodes''' douro, moeda do Balagate, que cada hũa valera quinhentos réis». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 11.
«Havia muitos chatins, que são mercadores que fallavão por candiz de '''pagodes''' de ouro, que he huma moeda como tremoços, que tem a figura do pagode desta gentilidade, e vale cada hum mais de quatrocentos reis». ''Id.'', ''Dial. do Sold. Pratico'', p. 156.</ref>.
Aponta-se meia dúzia de étimos, entre os quais o persa ''but-kadah'', «templo do ídolo», e o sânsc. ''bhagavatī'', «deusa», especialmente Durgā ou Kālī. O último tem mais
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|117}}|PAGODE PAGODE|}}</noinclude>''āpṿó'', ''pagár karvó'', pagar. ''Pagár āpṿó jogó'', pagável. ''Pagár lenár'', estipendiário. — Hindust. ''pagár'' (us. sómente na presidência de Bombaim; noutras partes, ''talab''). — Sindh. ''paghāru''. — ? Can. ''pagaḍi'', imposto, direitos da alfândega. — Tul. ''pagara'' (tambêm «aluguel, renda»). — Indo-ingl. (em Bombaim) ''pagar''<ref>«This word is commonly adopted in the vernaculars for monthly salary». Whitworth.</ref>. Term. neo-áric. ''muxāró'', ''mazuri'', ''vetan'', ''phārīkpan'', ''talab''.
Em marata tambêm há outro vocábulo ''pāg'' (fem.), que significa «direito pago pela embarcação, quando larga o pôrto». Creio que se prende à dicção portuguesa, pôsto que Molesworth o não dê como tal.
'''[[:d:Lexeme:L448427|Página.]]''' Conc. ''pāzn'', ''pasém'' (por intermédio de *''pāz''). — Guj. ''pāsum''. — Sindh. ''pāsõ''. — Term. neo-áric. ''pān'', ''puttó'', ''varakh'', ''patr'', ''patró''.
'''[[:d:Lexeme:L1547559|Pagode]]''' («templo, ídolo, moeda»). Indo-ingl. ''pagoda''. — Indo-franc. ''pagode'', ''pagodin''. — Tet. ''pagódi''<ref>A) «Nas suas casas de orações a que chamaom '''Pagodes''', fazem muytas feitiçarias». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 333.
«Em hum '''pagode''' que he casa de oração dos seus idolos que tem deputado para isso». Castanheda, ''Historia'', liv. I, cap. 14.
«As casas de seos '''pagodes''', que são suas igrejas». Gaspar Correia, ''Lendas'', I, p. 181.
«Todo aquelle '''pagode''', em que notamos cousas admiráveis». Diogo do Couto, Déc. IV, IV, 7.
«Para o outro lado (do Pico de Adão) está o '''Pagode''', que he a sua Igreja». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. 23.
B) «Metese o diabo neles muytas vezes, e dizem que he hum dos seus deuses, ou '''paogdes''', que assi lhe chamão». Castanheda, liv. I, cap. 14.
«Dizendo todos ter ofendido aos seus '''pagodes''' em não lhe fazer os sacrificios e ofertas que lhe tinha prometido». João de Barros, Déc. I, IV, 18.
«Jurando mais por seos '''pagodes''', que são uns idolos que adorão por Deoses». Gaspar Correia, I, p. 119.
«Particularmente com os Bonzos, os quaes tinhão cheia a casa de imagens de '''pagodes'''». P. Sabatino de Ursis (1611), ''Matheus Ricci''.
C) «A qual moeda de '''Pagodes''' se chamava antigamente pardão d'ouro, e tinhão de valia trezentos e sessenta reis». Francisco Pais, ''Tombo Geral'', fol. 84.
«Com hũa soma de '''pagodes''' douro, moeda do Balagate, que cada hũa valera quinhentos réis». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 11.
«Havia muitos chatins, que são mercadores que fallavão por candiz de '''pagodes''' de ouro, que he huma moeda como tremoços, que tem a figura do pagode desta gentilidade, e vale cada hum mais de quatrocentos reis». ''Id.'', ''Dial. do Sold. Pratico'', p. 156.</ref>.
Aponta-se meia dúzia de étimos, entre os quais o persa ''but-kadah'', «templo do ídolo», e o sânsc. ''bhagavatī'', «deusa», especialmente Durgā ou Kālī. O último tem mais
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/215
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Correção integral e revisão da página 118 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PAGODE PALANGANA|{{sc|118}}}}</noinclude>razões em seu favor. O vocábulo ''bhagavatī'', na sua transição para as línguas dravídicas, devia vulgarmente transformar-se em ''pagódi'', em obediência às leis fonéticas, como com efeito se diz em Coorg ''pogódi'' ou ''pavódi'', com referência a Kālī, deusa popular na Índia austral. Gundert regista o malayál. ''pagódi'' como nome do templo de Durgā, donde deriva o port. ''pagode''; mas Burnell sustenta o contrário, considerando o vocábulo português como étimo do malayálam. O nome da divindade ampliar-se hia fácilmente ao templo, se não na bôca dos indígenas, na dos estrangeiros, árabes ou portugueses. Temos para exemplo a palavra portuguesa ''milagre'', que os maratas do Concão e os muçulmanos do sul tomam ora por uma imagem da Virgem Maria, ora por uma igreja católica, porque na região há muitos templos dedicados a Nossa Senhora dos Milagres. A terceira acepção deve a sua origem, com muita probabilidade na bôca dos portugueses, à imagem de ''bhagavatī'' ou outra divindade, esculpida na moeda. Vid. ''Hobson-Jobson'', e Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
No continente, ''pagode'' é mais usado no sentido figurado de «pândega, bambochata»; mas tal significado é desconhecido na Índia. Explica-se porém naturalmente, pois as festas dos pagodes são muito espalhafatosas, e às vezes extravagantes, particularmente aos olhos dum espectador estranho<ref>«Os rapazes riam ao contar o '''pagode''', feito na vespera á noite em casa de uma mestiça solteira». Conde de Ficalho, ''Garcia da Orta e o seu tempo'', p. 177.</ref>.
'''Pai.''' Conc. ''páy''. Tratamento entre os cristãos de Goa (''bābá'' no Canará; ''dādá'' entre os hindus). Term. vern. ''bāp'', ''bāpúy''. — Camb. ''pay''. Na acepção de «papá», entre os cristãos. — Mal. ''pay'' (Haex). Term. vern. ''bápa''.
Em concani: ''páy-tiv'' (= ''pai-tio'' dos crioulos), tio por pai, tio paterno; ''vhaḍló-páy'' (lit. «grande pai»), tio paterno mais velho que o pai; ''dhāktò-páy'' (lit. «pequeno pai»), tio mais novo. Vid. ''mãe''.
'''Palanca.''' L.-Hindust. ''palang''.
'''Palangana.''' Conc. ''palgan''. — Sing. ''palangana'', ''palangānama'', prato. — Tam. ''pīngān'', porcelana, prato. — Malayál. ''piṇṇānam''. ''Chinappiṇṇānam'', porcelana. — Tel. ''pingāni'', ''pīngāni''. — Can. ''pingāni''. — Tul. ''pingana'', ''pingani'', ''pingāni'', porcelana. — Mal. ''pinggan'', ''pinggan'', prato. — Ach., Batt., Sund., Jav., Day., Batav., Tagalo, Bisaio (as duas últimas línguas são das Filipinas, da família polinésia), ''pingan''. — Bal. ''palúngan''; ''pingan'', prato côvo, terrina. — Bug. ''pinjan''. — Mak. ''pinjen''<ref>«Outra '''pallangnana''' llaurada de dyferente modo». A. Tomás Pires, ''Materiaes'', etc., in ''Bol. S. G. L.'', 10.ª sér., p. 716.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PAGODE PALANGANA|{{sc|118}}}}</noinclude>razões em seu favor. O vocábulo ''bhagavatī'', na sua transição para as línguas dravídicas, devia vulgarmente transformar-se em ''pagódi'', em obediência às leis fonéticas, como com efeito se diz em Coorg ''pogódi'' ou ''pavódi'', com referência a Kālī, deusa popular na Índia austral. Gundert regista o malayál. ''pagódi'' como nome do templo de Durgā, donde deriva o port. ''pagode''; mas Burnell sustenta o contrário, considerando o vocábulo português como étimo do malayálam. O nome da divindade ampliar-se hia fácilmente ao templo, se não na bôca dos indígenas, na dos estrangeiros, árabes ou portugueses. Temos para exemplo a palavra portuguesa ''milagre'', que os maratas do Concão e os muçulmanos do sul tomam ora por uma imagem da Virgem Maria, ora por uma igreja católica, porque na região há muitos templos dedicados a Nossa Senhora dos Milagres. A terceira acepção deve a sua origem, com muita probabilidade na bôca dos portugueses, à imagem de ''bhagavatī'' ou outra divindade, esculpida na moeda. Vid. ''Hobson-Jobson'', e Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
No continente, ''pagode'' é mais usado no sentido figurado de «pândega, bambochata»; mas tal significado é desconhecido na Índia. Explica-se porém naturalmente, pois as festas dos pagodes são muito espalhafatosas, e às vezes extravagantes, particularmente aos olhos dum espectador estranho<ref>«Os rapazes riam ao contar o '''pagode''', feito na vespera á noite em casa de uma mestiça solteira». Conde de Ficalho, ''Garcia da Orta e o seu tempo'', p. 177.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L477167|Pai.]]''' Conc. ''páy''. Tratamento entre os cristãos de Goa (''bābá'' no Canará; ''dādá'' entre os hindus). Term. vern. ''bāp'', ''bāpúy''. — Camb. ''pay''. Na acepção de «papá», entre os cristãos. — Mal. ''pay'' (Haex). Term. vern. ''bápa''.
Em concani: ''páy-tiv'' (= ''pai-tio'' dos crioulos), tio por pai, tio paterno; ''vhaḍló-páy'' (lit. «grande pai»), tio paterno mais velho que o pai; ''dhāktò-páy'' (lit. «pequeno pai»), tio mais novo. Vid. ''mãe''.
'''Palanca.''' L.-Hindust. ''palang''.
'''Palangana.''' Conc. ''palgan''. — Sing. ''palangana'', ''palangānama'', prato. — Tam. ''pīngān'', porcelana, prato. — Malayál. ''piṇṇānam''. ''Chinappiṇṇānam'', porcelana. — Tel. ''pingāni'', ''pīngāni''. — Can. ''pingāni''. — Tul. ''pingana'', ''pingani'', ''pingāni'', porcelana. — Mal. ''pinggan'', ''pinggan'', prato. — Ach., Batt., Sund., Jav., Day., Batav., Tagalo, Bisaio (as duas últimas línguas são das Filipinas, da família polinésia), ''pingan''. — Bal. ''palúngan''; ''pingan'', prato côvo, terrina. — Bug. ''pinjan''. — Mak. ''pinjen''<ref>«Outra '''pallangnana''' llaurada de dyferente modo». A. Tomás Pires, ''Materiaes'', etc., in ''Bol. S. G. L.'', 10.ª sér., p. 716.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 119 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|119}}|PALANQUIM PÂMPANO|}}</noinclude>''Pingan'' ou ''pinjan'' não se deriva talvez de ''palangana''. Shakespear tira do persa o hindust. ''finjān'', «prato de porcelana».
'''Palanquim''' («liteira»). Indo-ingl. ''palanquin'', ''palankeen''. — Indo-franc. ''palanquin''. — ? Mal., Jav. ''pelánki'', ''plánki''. — Term. vern. ''kremun'', ''tandu'', ''joli'', ''usongon''. — Malg. ''palankina''<ref>«Leva vinte cinco ou trinta molheres das suas mais pryvadas, as quoaes vão em cada hũu seu '''pallamque''', que são como andas». ''Chronica de Bisnaga'' (1535), p. 61.
«Cento, e duzentas molheres de sua pessoa, as quaes vem em '''palanquyns''' e andores». Gaspar Correia, II, p. 400.
«Nenhũa pessoa de qualquer calidade e condição que seja ande em '''palanquim''' sem minha expressa licença salvo aquelles que passarem de sesenta annos». Alvará do vicerey Matias de Albuquerque, de 22 de Junho de 1591.
«O Governador ya em hum '''palanquim'''». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 10. «Defendeo, que nenhũa molher publica andasse em '''Palanquim''', senão descuberta». ''Id.'', Déc. VII, I, 12.</ref>.
O étimo neo-árico é ''pālki'', do sânsc. ''paryaṅka''. Yule & Burnell dizem que a nasal da segunda sílaba de ''palanquim'' se pode explicar pela influência de ''palanca''. Mas o malayálam tem ''pallanki'', que Gundert regista como corrução (''tadbhāva'') do sânscrito. ¿Teriam os portugueses levado a palavra para Malaca ou tê-la hiam recebido imediatamente dali?
'''Palhota.''' Indo-franc. ''paillote''.
'''Pálio.''' Conc. ''pál''. — Tam. ''pálli''. — Gal. ''páliu''.
'''Palmatória.''' Conc. ''pālmatôr''. — Guj. ''pālmantri''. — Tet., Gal. ''palmatória''.
'''Palmeira''' (''Borassus flabellifer''). Indo-ingl. ''palmyra''.
Em indo-português, ''palmeira'', sem especificação, é o nome do «coqueiro». «Com azeite de coguo, que he o fruto de '''palmeira'''». Garcia da Orta, Col. LIII.
'''Pâmpano''' (peixe: ''Stromateus sinensis'', ''S. cenereus'', ''S. niger''). Conc. ''pāmpi'', ? ''pāmpliṭ''. Term. vern. ''sarangó'', ''sarangúḷ''. — ? Mar. ''pāplixt''. Term. vern. ''sargá''. — Indo-ingl. ''pamplee'' (ant.), ''pamplet'' (ant.), ''pomfret''. — Indo-franc. ''pample''. Crioulo português malaio e hol. ''pampel''<ref>«E os peixes daquelle Mediterraneo são sáveis muy gostosos, dourados, rubios e boas taynhas e serras e '''pampanos'''». Godinho de Erédia, ''Declaraçam de Malaca'' (1613), fol. 33.
«Os mares adjacentes (abundam) de Tubarões, Serras, Pampanos, Esmargaes, Dourados, etc.». F. N. Xavier, ''O Gab. Litt.'', I, p. 32.</ref>.
O Sr. Cândido de Figueiredo regista ''pâmpano'' (peixe) como termo inédito e dá-o como sinónimo de ''pampo''. Vieira diz que é «peixe pequeno da feição de choupa». Não sei se o vocábulo está em voga no Continente. O peixe da Índia assemelha-se à fôlha de videira, donde provêm o seu nome.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|119}}|PALANQUIM PÂMPANO|}}</noinclude>''Pingan'' ou ''pinjan'' não se deriva talvez de ''palangana''. Shakespear tira do persa o hindust. ''finjān'', «prato de porcelana».
'''Palanquim''' («liteira»). Indo-ingl. ''palanquin'', ''palankeen''. — Indo-franc. ''palanquin''. — ? Mal., Jav. ''pelánki'', ''plánki''. — Term. vern. ''kremun'', ''tandu'', ''joli'', ''usongon''. — Malg. ''palankina''<ref>«Leva vinte cinco ou trinta molheres das suas mais pryvadas, as quoaes vão em cada hũu seu '''pallamque''', que são como andas». ''Chronica de Bisnaga'' (1535), p. 61.
«Cento, e duzentas molheres de sua pessoa, as quaes vem em '''palanquyns''' e andores». Gaspar Correia, II, p. 400.
«Nenhũa pessoa de qualquer calidade e condição que seja ande em '''palanquim''' sem minha expressa licença salvo aquelles que passarem de sesenta annos». Alvará do vicerey Matias de Albuquerque, de 22 de Junho de 1591.
«O Governador ya em hum '''palanquim'''». Diogo do Couto, Déc. VI, V, 10. «Defendeo, que nenhũa molher publica andasse em '''Palanquim''', senão descuberta». ''Id.'', Déc. VII, I, 12.</ref>.
O étimo neo-árico é ''pālki'', do sânsc. ''paryaṅka''. Yule & Burnell dizem que a nasal da segunda sílaba de ''palanquim'' se pode explicar pela influência de ''palanca''. Mas o malayálam tem ''pallanki'', que Gundert regista como corrução (''tadbhāva'') do sânscrito. ¿Teriam os portugueses levado a palavra para Malaca ou tê-la hiam recebido imediatamente dali?
'''Palhota.''' Indo-franc. ''paillote''.
'''Pálio.''' Conc. ''pál''. — Tam. ''pálli''. — Gal. ''páliu''.
'''Palmatória.''' Conc. ''pālmatôr''. — Guj. ''pālmantri''. — Tet., Gal. ''palmatória''.
'''[[:d:Lexeme:L448119|Palmeira]]''' (''Borassus flabellifer''). Indo-ingl. ''palmyra''.
Em indo-português, ''palmeira'', sem especificação, é o nome do «coqueiro». «Com azeite de coguo, que he o fruto de '''palmeira'''». Garcia da Orta, Col. LIII.
'''Pâmpano''' (peixe: ''Stromateus sinensis'', ''S. cenereus'', ''S. niger''). Conc. ''pāmpi'', ? ''pāmpliṭ''. Term. vern. ''sarangó'', ''sarangúḷ''. — ? Mar. ''pāplixt''. Term. vern. ''sargá''. — Indo-ingl. ''pamplee'' (ant.), ''pamplet'' (ant.), ''pomfret''. — Indo-franc. ''pample''. Crioulo português malaio e hol. ''pampel''<ref>«E os peixes daquelle Mediterraneo são sáveis muy gostosos, dourados, rubios e boas taynhas e serras e '''pampanos'''». Godinho de Erédia, ''Declaraçam de Malaca'' (1613), fol. 33.
«Os mares adjacentes (abundam) de Tubarões, Serras, Pampanos, Esmargaes, Dourados, etc.». F. N. Xavier, ''O Gab. Litt.'', I, p. 32.</ref>.
O Sr. Cândido de Figueiredo regista ''pâmpano'' (peixe) como termo inédito e dá-o como sinónimo de ''pampo''. Vieira diz que é «peixe pequeno da feição de choupa». Não sei se o vocábulo está em voga no Continente. O peixe da Índia assemelha-se à fôlha de videira, donde provêm o seu nome.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh||PANTALONA PÃO|{{sc|120}}}}</noinclude>Os vocábulos ''pāmpliṭ'' e ''pāplixt'' parece terem por étimo imediato o ingl. ''pamplet''.
'''Pangaio''' («embarcação»). Conc. ''pangāy''. — Malayál. ''pangāyur''. — Can., Tul. ''pangayu''.
O vocábulo é de origem africana. Quási todos os antigos escritores sugerem a mesma procedência<ref>«Francisco Barreto se partio para a costa com a mais da força de gente em sua fusta e '''pangaios''' e veo ter á cidade de Quiloa». P. Monclaio (1569), in ''Bol. S. G. L.'', 4.ª sér., p. 497.
«Esperassem em Calimane os '''pangayos''' de Moçambique, por Sena estar muito doentia». M. Godinho Cardoso (1585), in ''Hist. tragico-marit.'', IV, p. 73.
«Veiu um grande mar, e levantou a embarcação (a que nesta costa chamam '''pangaio''')». Fr. João dos Santos (1609), ''Ethiop. Or.'', II, p. 191.</ref>. O P. Vítor Cortois regista ''pangaya'' no seu ''Dic. Port.-cafre-tetense''.
'''? Pantalona.''' Mal., Sund. ''telana'', ''tjalana'', ''tjilona''. — Jav., Mad. ''tjelônò''. — Bal. ''chelanā''. — Bug. ''chalāna''.
O Dr. Heyligers explica que a primeira sílaba caiu por ter sido considerada prefixo indiferente, como acontece com as dicções vernáculas. O Sr. Gonçalves Viana duvida que a palavra ''pantalona'' existisse no português do século XVII. O Dr. Schuchardt diz que ''telana'' nada tem que ver com ''pantalona''. Se ''tjalana'' está por ''chalana'', como parece, o vocábulo deve ser de origem indiana, o hindust. ''cholnā'', «calções, bragas», adoptado em marata, concani, canarês, túlu.
'''Pão.''' Conc. ''pámv''. A palavra vernácula ''uṇḍó'' é mais usada em certas partes. — Guj. ''pāum'', ''pāmu'' (= ''pāu''). ''Pām-vāló'', padeiro. — Hindi ''pav-roti''. — Hindust. ''pāmv-roti'', ''pao-roti''. ''Roti'' significa «bôlo, apa». — Sing. ''pān'' (= ''pā''), ''pān'', ''pān-geḍiya''. «''Geḍiya'', qualquer cousa globular, fruto, abcesso». Alwis. Term. vern. ''roti'', ''pūpa''. ''Pān-petta'', fatia de pão. ''Pān-pitosa'', crosta. ''Pān-kuḍu'', miolo de pão. ''Karakaraṇu-pān'', ''karakala-pānpetta'', torrada. ''Pān-kārayā'', ''pān-pulussannā'', padeiro. Term. vern. ''apupika''. ''Pān-pulussana ge'' (lit. «casa de cozer pão»), padaria. — ? Tib. ''pā-le''; ''shi-e-pa'' (honorífico). — Camb. ''nôm păng'' (lit. «bôlo pão»). — Siam. ''khānom pāng''. ''Khānŏm pāng hēng'', biscoito. Michell deriva ''pāng'' do franc. ''pain''. — Ann. ''bánh'', ''bánh mì''. — Tonk. ''bánh''. ''Bánh sữa'' (lit. «pão de leite»), queijo. ''Bánh lễ'' (lit. «pão de missa»), hóstia. ''Bánh ngọt'', bôlo. O annamita e o tonkinês não teem ''p'' inicial. — Mal. ''paon''. — Tet., Gal. ''pã''. — Jap. ''pan''. ''Pan-ya'', padaria; padeiro<ref>«Por um fardo de arroz, que era o commum alimento de que todos naquelle tempo se mantinhão (em Goa), porque ao presente já a mayor parte dos nossos vsão de '''pam''' amassado, como neste Reyno, do trigo que lhe vai de fóra». João de Barros, Déc. II, VI, 9.
«Nom auia (em Cochim) '''pão''' porque nom auia trigo senão nas terras dos Mouros». Gaspar Correia, I, p. 624.
«Cria (o Japão) arroz... e trigo,... do qual porem não fazem '''pão'''». Lucena, ''Hist. da Vida'', liv. VII, cap. 1.</ref>.
== Notas ==
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'''Pangaio''' («embarcação»). Conc. ''pangāy''. — Malayál. ''pangāyur''. — Can., Tul. ''pangayu''.
O vocábulo é de origem africana. Quási todos os antigos escritores sugerem a mesma procedência<ref>«Francisco Barreto se partio para a costa com a mais da força de gente em sua fusta e '''pangaios''' e veo ter á cidade de Quiloa». P. Monclaio (1569), in ''Bol. S. G. L.'', 4.ª sér., p. 497.
«Esperassem em Calimane os '''pangayos''' de Moçambique, por Sena estar muito doentia». M. Godinho Cardoso (1585), in ''Hist. tragico-marit.'', IV, p. 73.
«Veiu um grande mar, e levantou a embarcação (a que nesta costa chamam '''pangaio''')». Fr. João dos Santos (1609), ''Ethiop. Or.'', II, p. 191.</ref>. O P. Vítor Cortois regista ''pangaya'' no seu ''Dic. Port.-cafre-tetense''.
'''? Pantalona.''' Mal., Sund. ''telana'', ''tjalana'', ''tjilona''. — Jav., Mad. ''tjelônò''. — Bal. ''chelanā''. — Bug. ''chalāna''.
O Dr. Heyligers explica que a primeira sílaba caiu por ter sido considerada prefixo indiferente, como acontece com as dicções vernáculas. O Sr. Gonçalves Viana duvida que a palavra ''pantalona'' existisse no português do século XVII. O Dr. Schuchardt diz que ''telana'' nada tem que ver com ''pantalona''. Se ''tjalana'' está por ''chalana'', como parece, o vocábulo deve ser de origem indiana, o hindust. ''cholnā'', «calções, bragas», adoptado em marata, concani, canarês, túlu.
'''Pão.''' Conc. ''pámv''. A palavra vernácula ''uṇḍó'' é mais usada em certas partes. — Guj. ''pāum'', ''pāmu'' (= ''pāu''). ''Pām-vāló'', padeiro. — Hindi ''pav-roti''. — Hindust. ''pāmv-roti'', ''pao-roti''. ''Roti'' significa «bôlo, apa». — Sing. ''pān'' (= ''pā''), ''pān'', ''pān-geḍiya''. «''Geḍiya'', qualquer cousa globular, fruto, abcesso». Alwis. Term. vern. ''roti'', ''pūpa''. ''Pān-petta'', fatia de pão. ''Pān-pitosa'', crosta. ''Pān-kuḍu'', miolo de pão. ''Karakaraṇu-pān'', ''karakala-pānpetta'', torrada. ''Pān-kārayā'', ''pān-pulussannā'', padeiro. Term. vern. ''apupika''. ''Pān-pulussana ge'' (lit. «casa de cozer pão»), padaria. — ? Tib. ''pā-le''; ''shi-e-pa'' (honorífico). — Camb. ''nôm păng'' (lit. «bôlo pão»). — Siam. ''khānom pāng''. ''Khānŏm pāng hēng'', biscoito. Michell deriva ''pāng'' do franc. ''pain''. — Ann. ''bánh'', ''bánh mì''. — Tonk. ''bánh''. ''Bánh sữa'' (lit. «pão de leite»), queijo. ''Bánh lễ'' (lit. «pão de missa»), hóstia. ''Bánh ngọt'', bôlo. O annamita e o tonkinês não teem ''p'' inicial. — Mal. ''paon''. — Tet., Gal. ''pã''. — Jap. ''pan''. ''Pan-ya'', padaria; padeiro<ref>«Por um fardo de arroz, que era o commum alimento de que todos naquelle tempo se mantinhão (em Goa), porque ao presente já a mayor parte dos nossos vsão de '''pam''' amassado, como neste Reyno, do trigo que lhe vai de fóra». João de Barros, Déc. II, VI, 9.
«Nom auia (em Cochim) '''pão''' porque nom auia trigo senão nas terras dos Mouros». Gaspar Correia, I, p. 624.
«Cria (o Japão) arroz... e trigo,... do qual porem não fazem '''pão'''». Lucena, ''Hist. da Vida'', liv. VII, cap. 1.</ref>.
== Notas ==
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'''Pangaio''' («embarcação»). Conc. ''pangāy''. — Malayál. ''pangāyur''. — Can., Tul. ''pangayu''.
O vocábulo é de origem africana. Quási todos os antigos escritores sugerem a mesma procedência<ref>«Francisco Barreto se partio para a costa com a mais da força de gente em sua fusta e '''pangaios''' e veo ter á cidade de Quiloa». P. Monclaio (1569), in ''Bol. S. G. L.'', 4.ª sér., p. 497.
«Esperassem em Calimane os '''pangayos''' de Moçambique, por Sena estar muito doentia». M. Godinho Cardoso (1585), in ''Hist. tragico-marit.'', IV, p. 73.
«Veiu um grande mar, e levantou a embarcação (a que nesta costa chamam '''pangaio''')». Fr. João dos Santos (1609), ''Ethiop. Or.'', II, p. 191.</ref>. O P. Vítor Cortois regista ''pangaya'' no seu ''Dic. Port.-cafre-tetense''.
'''? Pantalona.''' Mal., Sund. ''telana'', ''tjalana'', ''tjilona''. — Jav., Mad. ''tjelônò''. — Bal. ''chelanā''. — Bug. ''chalāna''.
O Dr. Heyligers explica que a primeira sílaba caiu por ter sido considerada prefixo indiferente, como acontece com as dicções vernáculas. O Sr. Gonçalves Viana duvida que a palavra ''pantalona'' existisse no português do século XVII. O Dr. Schuchardt diz que ''telana'' nada tem que ver com ''pantalona''. Se ''tjalana'' está por ''chalana'', como parece, o vocábulo deve ser de origem indiana, o hindust. ''cholnā'', «calções, bragas», adoptado em marata, concani, canarês, túlu.
'''[[:d:Lexeme:L447188|Pão.]]''' Conc. ''pámv''. A palavra vernácula ''uṇḍó'' é mais usada em certas partes. — Guj. ''pāum'', ''pāmu'' (= ''pāu''). ''Pām-vāló'', padeiro. — Hindi ''pav-roti''. — Hindust. ''pāmv-roti'', ''pao-roti''. ''Roti'' significa «bôlo, apa». — Sing. ''pān'' (= ''pā''), ''pān'', ''pān-geḍiya''. «''Geḍiya'', qualquer cousa globular, fruto, abcesso». Alwis. Term. vern. ''roti'', ''pūpa''. ''Pān-petta'', fatia de pão. ''Pān-pitosa'', crosta. ''Pān-kuḍu'', miolo de pão. ''Karakaraṇu-pān'', ''karakala-pānpetta'', torrada. ''Pān-kārayā'', ''pān-pulussannā'', padeiro. Term. vern. ''apupika''. ''Pān-pulussana ge'' (lit. «casa de cozer pão»), padaria. — ? Tib. ''pā-le''; ''shi-e-pa'' (honorífico). — Camb. ''nôm păng'' (lit. «bôlo pão»). — Siam. ''khānom pāng''. ''Khānŏm pāng hēng'', biscoito. Michell deriva ''pāng'' do franc. ''pain''. — Ann. ''bánh'', ''bánh mì''. — Tonk. ''bánh''. ''Bánh sữa'' (lit. «pão de leite»), queijo. ''Bánh lễ'' (lit. «pão de missa»), hóstia. ''Bánh ngọt'', bôlo. O annamita e o tonkinês não teem ''p'' inicial. — Mal. ''paon''. — Tet., Gal. ''pã''. — Jap. ''pan''. ''Pan-ya'', padaria; padeiro<ref>«Por um fardo de arroz, que era o commum alimento de que todos naquelle tempo se mantinhão (em Goa), porque ao presente já a mayor parte dos nossos vsão de '''pam''' amassado, como neste Reyno, do trigo que lhe vai de fóra». João de Barros, Déc. II, VI, 9.
«Nom auia (em Cochim) '''pão''' porque nom auia trigo senão nas terras dos Mouros». Gaspar Correia, I, p. 624.
«Cria (o Japão) arroz... e trigo,... do qual porem não fazem '''pão'''». Lucena, ''Hist. da Vida'', liv. VII, cap. 1.</ref>.
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/218
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh|{{sc|121}}|PAPAIA PAR|}}</noinclude>{{sup|1}}'''Papa''' («pontífice»). Conc. ''páp-sāheb''. ''Sāheb'' é «senhor». — Mar. ''pāp''. ''Pāpāiḷā adhikār'', papado. — Beng. ''papá''. — Sing. ''pap-unnānse''. ''Unnānse'' é tratamento de respeito: «reverendo, venerável». — Tam. ''pāppa'', ''pāppu''; ''pāppanavar'' (mais respeitoso). — Malayál. ''pāpā''. — Tel. ''pāpa''. — Can. ''pāpu''. — Camb. ''santa pap''. — Mal. ''sánto pápa''. — Tet., Gal. ''pápa''. — Malg. ''papa''. — Ár. ''bābā''. ''Bābāvi'', papal. Outras línguas da Índia empregam o ingl. ''pope''.
{{sup|2}}'''Papa''' (de farinha ou medicamento). Conc. ''páp''. — Sing. ''pāppa''. — Jap. ''pappu''.
'''Papá.''' Conc. ''pāpá'' (p. us. e só em Goa entre cristãos). — Mar. ''pāpá''. — Mal. ''papa'' (Schuchardt). — Bug. ''pápang''. — Mol. ''papá'' (Castro). — ? Malg. ''papa''.
Molesworth entende que o mar. ''pāpá'' é variante infantil do vernáculo ''bāp''.
'''Papaia''' (bot.). Conc. ''papáy'' (planta e fruto). — Mar. ''popáy'', ''popayá'', ''phopai''. — Hindi, Hindust., Beng. ''papayá''. — Tam. ''pappai''. — Malayál. ''pappāyam''. — Tul. ''pappāya'', ''pappayá''. — Indo-ingl. ''papaya'', ''papaw''. — Indo-franc. ''papaye''. — Mal. ''pāpaya'', ''peppāya'', ''pápua''. — Nic. ''popai''. — Malg. ''papai''.
Termo americano, usado em Cuba, provávelmente introduzido pelos portugueses junto com a planta, como parece indicar o nome canarês ''parangi-hannu'', «fruta portuguesa». Linschoten (1597) julga que foi das Filipinas por Malaca. Em siamês diz-se ''lūk ma-la-ko'', «fruta de Malaca». Vid. ''Hobson-Jobson'', e ''Apostilas'' de Gonçalves Viana<ref>«Outra [fruta] '''papayas''' [em S. Domingos], a que no Brasil chamamos mamões, e se pudéram muito bem chamar melões na feição» (1596). Gaspar Afonso, in ''Hist. tragico-marit.'', VI, p. 49.
«Vê-se outra com o nome de '''papaeira''', a qual produz fructos a que na America chamam mamões, e aqui '''papaias'''». Fr. Clemente da Ressurreição, II, p. 391.</ref>.
No Brasil a planta tem outro nome — «mamoeiro», tirado de ''mama'', pela semelhança do fruto.
'''Papuses''' («chinelas»). Sing. ''pápus''. Usado tambêm no crioulo, ''papús'', calçado, sapato. — Tel. ''pāpāsum''. — Can. ''papōsu''. — Tul. ''pāpasu'', ''pāpāsu''.
É do persa ''pā-push'', «cobertura do pé». Vid. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
'''Par.''' Conc. ''pār''. Term. vern. ''zôḍ'', ''zoḍó'', ''zoḍi'', ''zimvḷi''. — Mal. ''paris'' (do pl. ''pares''). ''Caus-sa paris'', par de sapatos (Haex). Term. vern. ''jodo'', ''klamin''.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|121}}|PAPAIA PAR|}}</noinclude>{{sup|1}}'''Papa''' («pontífice»). Conc. ''páp-sāheb''. ''Sāheb'' é «senhor». — Mar. ''pāp''. ''Pāpāiḷā adhikār'', papado. — Beng. ''papá''. — Sing. ''pap-unnānse''. ''Unnānse'' é tratamento de respeito: «reverendo, venerável». — Tam. ''pāppa'', ''pāppu''; ''pāppanavar'' (mais respeitoso). — Malayál. ''pāpā''. — Tel. ''pāpa''. — Can. ''pāpu''. — Camb. ''santa pap''. — Mal. ''sánto pápa''. — Tet., Gal. ''pápa''. — Malg. ''papa''. — Ár. ''bābā''. ''Bābāvi'', papal. Outras línguas da Índia empregam o ingl. ''pope''.
{{sup|2}}'''Papa''' (de farinha ou medicamento). Conc. ''páp''. — Sing. ''pāppa''. — Jap. ''pappu''.
'''Papá.''' Conc. ''pāpá'' (p. us. e só em Goa entre cristãos). — Mar. ''pāpá''. — Mal. ''papa'' (Schuchardt). — Bug. ''pápang''. — Mol. ''papá'' (Castro). — ? Malg. ''papa''.
Molesworth entende que o mar. ''pāpá'' é variante infantil do vernáculo ''bāp''.
'''Papaia''' (bot.). Conc. ''papáy'' (planta e fruto). — Mar. ''popáy'', ''popayá'', ''phopai''. — Hindi, Hindust., Beng. ''papayá''. — Tam. ''pappai''. — Malayál. ''pappāyam''. — Tul. ''pappāya'', ''pappayá''. — Indo-ingl. ''papaya'', ''papaw''. — Indo-franc. ''papaye''. — Mal. ''pāpaya'', ''peppāya'', ''pápua''. — Nic. ''popai''. — Malg. ''papai''.
Termo americano, usado em Cuba, provávelmente introduzido pelos portugueses junto com a planta, como parece indicar o nome canarês ''parangi-hannu'', «fruta portuguesa». Linschoten (1597) julga que foi das Filipinas por Malaca. Em siamês diz-se ''lūk ma-la-ko'', «fruta de Malaca». Vid. ''Hobson-Jobson'', e ''Apostilas'' de Gonçalves Viana<ref>«Outra [fruta] '''papayas''' [em S. Domingos], a que no Brasil chamamos mamões, e se pudéram muito bem chamar melões na feição» (1596). Gaspar Afonso, in ''Hist. tragico-marit.'', VI, p. 49.
«Vê-se outra com o nome de '''papaeira''', a qual produz fructos a que na America chamam mamões, e aqui '''papaias'''». Fr. Clemente da Ressurreição, II, p. 391.</ref>.
No Brasil a planta tem outro nome — «mamoeiro», tirado de ''mama'', pela semelhança do fruto.
'''Papuses''' («chinelas»). Sing. ''pápus''. Usado tambêm no crioulo, ''papús'', calçado, sapato. — Tel. ''pāpāsum''. — Can. ''papōsu''. — Tul. ''pāpasu'', ''pāpāsu''.
É do persa ''pā-push'', «cobertura do pé». Vid. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
'''Par.''' Conc. ''pār''. Term. vern. ''zôḍ'', ''zoḍó'', ''zoḍi'', ''zimvḷi''. — Mal. ''paris'' (do pl. ''pares''). ''Caus-sa paris'', par de sapatos (Haex). Term. vern. ''jodo'', ''klamin''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|121}}|PAPAIA PAR|}}</noinclude>{{sup|1}}'''Papa''' («pontífice»). Conc. ''páp-sāheb''. ''Sāheb'' é «senhor». — Mar. ''pāp''. ''Pāpāiḷā adhikār'', papado. — Beng. ''papá''. — Sing. ''pap-unnānse''. ''Unnānse'' é tratamento de respeito: «reverendo, venerável». — Tam. ''pāppa'', ''pāppu''; ''pāppanavar'' (mais respeitoso). — Malayál. ''pāpā''. — Tel. ''pāpa''. — Can. ''pāpu''. — Camb. ''santa pap''. — Mal. ''sánto pápa''. — Tet., Gal. ''pápa''. — Malg. ''papa''. — Ár. ''bābā''. ''Bābāvi'', papal. Outras línguas da Índia empregam o ingl. ''pope''.
{{sup|2}}'''Papa''' (de farinha ou medicamento). Conc. ''páp''. — Sing. ''pāppa''. — Jap. ''pappu''.
'''Papá.''' Conc. ''pāpá'' (p. us. e só em Goa entre cristãos). — Mar. ''pāpá''. — Mal. ''papa'' (Schuchardt). — Bug. ''pápang''. — Mol. ''papá'' (Castro). — ? Malg. ''papa''.
Molesworth entende que o mar. ''pāpá'' é variante infantil do vernáculo ''bāp''.
'''Papaia''' (bot.). Conc. ''papáy'' (planta e fruto). — Mar. ''popáy'', ''popayá'', ''phopai''. — Hindi, Hindust., Beng. ''papayá''. — Tam. ''pappai''. — Malayál. ''pappāyam''. — Tul. ''pappāya'', ''pappayá''. — Indo-ingl. ''papaya'', ''papaw''. — Indo-franc. ''papaye''. — Mal. ''pāpaya'', ''peppāya'', ''pápua''. — Nic. ''popai''. — Malg. ''papai''.
Termo americano, usado em Cuba, provávelmente introduzido pelos portugueses junto com a planta, como parece indicar o nome canarês ''parangi-hannu'', «fruta portuguesa». Linschoten (1597) julga que foi das Filipinas por Malaca. Em siamês diz-se ''lūk ma-la-ko'', «fruta de Malaca». Vid. ''Hobson-Jobson'', e ''Apostilas'' de Gonçalves Viana<ref>«Outra [fruta] '''papayas''' [em S. Domingos], a que no Brasil chamamos mamões, e se pudéram muito bem chamar melões na feição» (1596). Gaspar Afonso, in ''Hist. tragico-marit.'', VI, p. 49.
«Vê-se outra com o nome de '''papaeira''', a qual produz fructos a que na America chamam mamões, e aqui '''papaias'''». Fr. Clemente da Ressurreição, II, p. 391.</ref>.
No Brasil a planta tem outro nome — «mamoeiro», tirado de ''mama'', pela semelhança do fruto.
'''Papuses''' («chinelas»). Sing. ''pápus''. Usado tambêm no crioulo, ''papús'', calçado, sapato. — Tel. ''pāpāsum''. — Can. ''papōsu''. — Tul. ''pāpasu'', ''pāpāsu''.
É do persa ''pā-push'', «cobertura do pé». Vid. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
'''[[:d:Lexeme:L584022|Par.]]''' Conc. ''pār''. Term. vern. ''zôḍ'', ''zoḍó'', ''zoḍi'', ''zimvḷi''. — Mal. ''paris'' (do pl. ''pares''). ''Caus-sa paris'', par de sapatos (Haex). Term. vern. ''jodo'', ''klamin''.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 122 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PASSADOR PASSO|{{sc|122}}}}</noinclude>'''Para''' (prep.). Mal. ''para'' (Haex). — Tet. ''para''. Term. vern. ''ató''.
'''Parabém.''' Conc. ''parbém''. — Tet., Gal. ''parabém''.
'''Paraíso.''' Jap. ''paraízo'' (ant.).
'''Parceiro.''' Conc. ''pārsêr'', ''padsêr''. Term. vern. ''goḍó'', ''samvgoḍó''. — Mal. ''parséru'', ''parséro''. — Jav. ''bersérò'', ''besérò''. Nessas duas línguas emprega-se igualmente como verbo, por «associar-se». — Mak., Bug. ''paraséro''<ref>«Ey por bem que o dito rendeiro e seus '''parceiros''' arrendem e arrecadem toda a renda das ditas terras que forão dadas para o serviço dos Pagodes» (1545). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 182.</ref>.
'''Parente.''' Conc. ''pārent'' (p. us.). — Mal. ''parente'' (Haex). — Tet. ''parénti''.
'''Parte.''' Conc. ''párt''. Term. vern. ''kuṭkó'', ''vāntó''; ''kúḷ''; ''vāḍí'', ''vāḍyó''. — Tet. ''párti''. Term. vern. ''báluku'', ''bálem''.
'''Páscoa.''' Conc. ''pāsk''. — Beng. ''pāskuvā''. — Sing. ''pāskuva''. ''Pāsku'', pascal. ''Pāsku kālaya'', tempo pascal. — Tam. ''paskā''. — Tel., Can. ''pāska''. — Camb. ''bôn pâs'' (lit. «festa páscoa»). — Tet. ''páskua''.
'''Pasquim.''' Mal. ''paskil'', ''paskvil'' (Heyligers). Como verbo, significa «ralhar»<ref>«Fazião de Pero Fernandez o '''pasquim''' de Roma, escrevendo alguns a Elrey em nome de Pero Fernandez tudo o que querião». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 5.</ref>.
'''Passador''' (naut.). L.-Hindust. ''pāsādor''.
'''Passaporte.''' Conc. ''pāsāport''. — ? Sing. ''pāspórtuva'' (talvez do ingl. ''passport''). — Ár. ''bāsāburth''.
'''Passar.''' Conc. ''pāsár-zāvunk'' (verb. int.), ''pāsár-karunk'' (verb. trans.). — Mar. ''pasár'' (adj.), passado, decorrido; ex.: ''āṭh pasár'', oito (horas) passantes. — Guj. ''pasár thavum'' (verb. int.), ''pasár karvum'' (verb. trans.), passar pelo exame; adiantar; empuxar para diante; afugentar. ''Pasárvum'', passar; entrar, ser admitido; escapar, fugir. — Mak. ''pásu'' (da 1.ª pessoa do presente, «passo»), passar no jôgo de cartas.
Em gujarate há outro verbo ''pasárvum'', do sânsc. ''prasar''. Em ''pás thavum'', «passar», ''pás'' é do ingl. ''pass''.
'''Passe.''' Conc. ''pás''. — ? Sund. ''pás'' (provávelmente do holandês). Tet., Gal. ''pássi''.
'''Passear.''' Mar. ''pasár'' (subst.), «o dar umas poucas voltas para exercício; o andar para diante e para trás, como a sentinela no seu pôsto». Molesworth. — Mal. ''pasiyar'', passear; passeio. ''Pasiyar-an'', lugar de passeio. — Batt. ''pasar'', rua larga. — Jav. ''pesiyar'', ''besiyar''. ''Radiman pasiyaran'', álea de passeio.
Em concani diz-se ''pāsey karunk'' ou ''mārunk'', ''pāseyek vatsunk''.
'''Passo.''' Conc. ''páz'' (por intermédio de ''pás''), calçada, cais. — Mar. ''páz'', passagem estreita em um monte ou entre montes. — Guj. ''pāj'', cais, ponte.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PASSADOR PASSO|{{sc|122}}}}</noinclude>'''Para''' (prep.). Mal. ''para'' (Haex). — Tet. ''para''. Term. vern. ''ató''.
'''Parabém.''' Conc. ''parbém''. — Tet., Gal. ''parabém''.
'''Paraíso.''' Jap. ''paraízo'' (ant.).
'''Parceiro.''' Conc. ''pārsêr'', ''padsêr''. Term. vern. ''goḍó'', ''samvgoḍó''. — Mal. ''parséru'', ''parséro''. — Jav. ''bersérò'', ''besérò''. Nessas duas línguas emprega-se igualmente como verbo, por «associar-se». — Mak., Bug. ''paraséro''<ref>«Ey por bem que o dito rendeiro e seus '''parceiros''' arrendem e arrecadem toda a renda das ditas terras que forão dadas para o serviço dos Pagodes» (1545). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 182.</ref>.
'''Parente.''' Conc. ''pārent'' (p. us.). — Mal. ''parente'' (Haex). — Tet. ''parénti''.
'''[[:d:Lexeme:L501550|Parte.]]''' Conc. ''párt''. Term. vern. ''kuṭkó'', ''vāntó''; ''kúḷ''; ''vāḍí'', ''vāḍyó''. — Tet. ''párti''. Term. vern. ''báluku'', ''bálem''.
'''Páscoa.''' Conc. ''pāsk''. — Beng. ''pāskuvā''. — Sing. ''pāskuva''. ''Pāsku'', pascal. ''Pāsku kālaya'', tempo pascal. — Tam. ''paskā''. — Tel., Can. ''pāska''. — Camb. ''bôn pâs'' (lit. «festa páscoa»). — Tet. ''páskua''.
'''Pasquim.''' Mal. ''paskil'', ''paskvil'' (Heyligers). Como verbo, significa «ralhar»<ref>«Fazião de Pero Fernandez o '''pasquim''' de Roma, escrevendo alguns a Elrey em nome de Pero Fernandez tudo o que querião». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 5.</ref>.
'''Passador''' (naut.). L.-Hindust. ''pāsādor''.
'''Passaporte.''' Conc. ''pāsāport''. — ? Sing. ''pāspórtuva'' (talvez do ingl. ''passport''). — Ár. ''bāsāburth''.
'''[[:d:Lexeme:L524346|Passar.]]''' Conc. ''pāsár-zāvunk'' (verb. int.), ''pāsár-karunk'' (verb. trans.). — Mar. ''pasár'' (adj.), passado, decorrido; ex.: ''āṭh pasár'', oito (horas) passantes. — Guj. ''pasár thavum'' (verb. int.), ''pasár karvum'' (verb. trans.), passar pelo exame; adiantar; empuxar para diante; afugentar. ''Pasárvum'', passar; entrar, ser admitido; escapar, fugir. — Mak. ''pásu'' (da 1.ª pessoa do presente, «passo»), passar no jôgo de cartas.
Em gujarate há outro verbo ''pasárvum'', do sânsc. ''prasar''. Em ''pás thavum'', «passar», ''pás'' é do ingl. ''pass''.
'''Passe.''' Conc. ''pás''. — ? Sund. ''pás'' (provávelmente do holandês). Tet., Gal. ''pássi''.
'''Passear.''' Mar. ''pasár'' (subst.), «o dar umas poucas voltas para exercício; o andar para diante e para trás, como a sentinela no seu pôsto». Molesworth. — Mal. ''pasiyar'', passear; passeio. ''Pasiyar-an'', lugar de passeio. — Batt. ''pasar'', rua larga. — Jav. ''pesiyar'', ''besiyar''. ''Radiman pasiyaran'', álea de passeio.
Em concani diz-se ''pāsey karunk'' ou ''mārunk'', ''pāseyek vatsunk''.
'''[[:d:Lexeme:L447956|Passo.]]''' Conc. ''páz'' (por intermédio de ''pás''), calçada, cais. — Mar. ''páz'', passagem estreita em um monte ou entre montes. — Guj. ''pāj'', cais, ponte.
== Notas ==
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 123 do vocabulário
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|123}}|PATAMAR PATECA|}}</noinclude>Em concani, ''pás'', masc., é «passo da paixão de Jesus Christo».
'''Pastel.''' Conc. ''pastel''. — Mal. ''pastel'', ''pastil''. — Sund. ''pastel''.
'''Pataca''' («moeda»). Conc. ''pāták''. — Malayál. ''pattākā''. — Indo-ingl. ''pataca''. — Tet., Gal. ''pataka''<ref>«Por toda a India correm '''patacas''', e meias patacas, que vão de Portugal». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 276.
«O Capitão geral ou o Capitão-mór (de Ceilão) nestas occasiões lhes promettia huma '''pataca''' por cada huma para os animarem». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. XVI.</ref>.
A palavra é de origem arábica, ''bāṭāqa'', ou, segundo Gonçalves Viana, espanhola.
'''Patacão''' («moeda»). Indo-ingl. ''patacoon''<ref>«Algumas cousas fez na India muito boas, bateo '''patacões''' de prata, que foi a milhor moeda que na India ouve, porque por sua pureza, corria em todos os Reinos estrangeiros». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 6.
«Com cem mil Madrafaris, que cada hum tem dois larins de prata que vinhão a montar cincoenta mil '''patacões'''. ''Id.'', Déc. VII, II, 3.</ref>.
'''Patacho.''' Malayál. ''pattāchu'' (Gundert).
'''Patamar''' («que he caminheiro», Orta; correio; embarcação ligeira). Indo-ingl. ''pattamar'', ''patimar''<ref>«Do qual estrago logo por '''patamares''', que são grandes caminheiros de terra, tinha já sabido». João de Barros, Déc. I, VIII, 9.
«Logo despedio '''Patamares''' (que são correos) por terra a são Thomé». Diogo do Couto, Déc. V, V, 6.
«Escrevia que num barco pequeno, dos que chamam '''patamares''', se meteria, e atrevessaria a enseada». Lucena, liv. III, cap. 7.</ref>. — Indo-franc. ''patemar'', ''patimar''.
Segundo Yule & Burnell, o vocábulo é, em ambos os sentidos, do conc. ''path-mār'', presentemente desusado na primeira acepção, e na segunda, que é mais moderna, empregado de ordinário na forma de ''pātmāri''.
Garcia da Orta atribui-lhe origem malabárica, que C. Brown admite para a significação de «barco». Molesworth deriva o mar. ''pātemāri'', «embarcação», do hindust. ''pātimāri'', «correio»; mas os dicionários dessa língua não registam tal vocábulo.
'''Patarata''' («jactância»). Conc. ''pātrāt''. Term. vern. ''baḍāy'', ''tāvḍārki''. — Mal. ''patrás'', ''patráz''. ''Patrāsi'', ''patrāji'', patarata, patarateiro. — Tet. ''patarata''. Term. vern. ''lôkô'', ''bósok''<ref>«Deixamos nós no malaio ou d'elle trouxemos, a palavra '''Patarata'''?». Dr. Alberto de Castro.</ref>.
Em concani, tambêm ''pātrātêr'' = patarateiro.
'''Pateca''' (port. ant., «melancia»)<ref>Fr. João de Sousa regista ''bateca''.</ref>. Sing. ''patāyaya'', ''pattakka geḍiya''. — Tam. ''pattaká'', ''vattakei''. — Malayál. ''vattakka''. — Tel. ''batéka''. — ? Siam. ''teng''. — Mol. ''pateka'', ''batéka''.
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|123}}|PATAMAR PATECA|}}</noinclude>Em concani, ''pás'', masc., é «passo da paixão de Jesus Christo».
'''[[:d:Lexeme:L448203|Pastel.]]''' Conc. ''pastel''. — Mal. ''pastel'', ''pastil''. — Sund. ''pastel''.
'''Pataca''' («moeda»). Conc. ''pāták''. — Malayál. ''pattākā''. — Indo-ingl. ''pataca''. — Tet., Gal. ''pataka''<ref>«Por toda a India correm '''patacas''', e meias patacas, que vão de Portugal». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', II, p. 276.
«O Capitão geral ou o Capitão-mór (de Ceilão) nestas occasiões lhes promettia huma '''pataca''' por cada huma para os animarem». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. I, cap. XVI.</ref>.
A palavra é de origem arábica, ''bāṭāqa'', ou, segundo Gonçalves Viana, espanhola.
'''Patacão''' («moeda»). Indo-ingl. ''patacoon''<ref>«Algumas cousas fez na India muito boas, bateo '''patacões''' de prata, que foi a milhor moeda que na India ouve, porque por sua pureza, corria em todos os Reinos estrangeiros». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 6.
«Com cem mil Madrafaris, que cada hum tem dois larins de prata que vinhão a montar cincoenta mil '''patacões'''. ''Id.'', Déc. VII, II, 3.</ref>.
'''Patacho.''' Malayál. ''pattāchu'' (Gundert).
'''Patamar''' («que he caminheiro», Orta; correio; embarcação ligeira). Indo-ingl. ''pattamar'', ''patimar''<ref>«Do qual estrago logo por '''patamares''', que são grandes caminheiros de terra, tinha já sabido». João de Barros, Déc. I, VIII, 9.
«Logo despedio '''Patamares''' (que são correos) por terra a são Thomé». Diogo do Couto, Déc. V, V, 6.
«Escrevia que num barco pequeno, dos que chamam '''patamares''', se meteria, e atrevessaria a enseada». Lucena, liv. III, cap. 7.</ref>. — Indo-franc. ''patemar'', ''patimar''.
Segundo Yule & Burnell, o vocábulo é, em ambos os sentidos, do conc. ''path-mār'', presentemente desusado na primeira acepção, e na segunda, que é mais moderna, empregado de ordinário na forma de ''pātmāri''.
Garcia da Orta atribui-lhe origem malabárica, que C. Brown admite para a significação de «barco». Molesworth deriva o mar. ''pātemāri'', «embarcação», do hindust. ''pātimāri'', «correio»; mas os dicionários dessa língua não registam tal vocábulo.
'''Patarata''' («jactância»). Conc. ''pātrāt''. Term. vern. ''baḍāy'', ''tāvḍārki''. — Mal. ''patrás'', ''patráz''. ''Patrāsi'', ''patrāji'', patarata, patarateiro. — Tet. ''patarata''. Term. vern. ''lôkô'', ''bósok''<ref>«Deixamos nós no malaio ou d'elle trouxemos, a palavra '''Patarata'''?». Dr. Alberto de Castro.</ref>.
Em concani, tambêm ''pātrātêr'' = patarateiro.
'''Pateca''' (port. ant., «melancia»)<ref>Fr. João de Sousa regista ''bateca''.</ref>. Sing. ''patāyaya'', ''pattakka geḍiya''. — Tam. ''pattaká'', ''vattakei''. — Malayál. ''vattakka''. — Tel. ''batéka''. — ? Siam. ''teng''. — Mol. ''pateka'', ''batéka''.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PATO PAULISTA|{{sc|124}}}}</noinclude>— Tet., Gal. ''pateka''. Term. vern. ''babuar''<ref>«E de frutas não é tão abastada (a cidade do Cairo), sómente de '''patecas''', que são como melões, e não de tanto gosto como elles». António Tenreiro, ''Itinerario'', cap. xlii.
«Melam da India, a que qua chamamos '''pateca'''». Garcia da Orta. «''Melões da India'' ou ''patecas'', os quaes devem ser o que hoje chamâmos melancias». Conde de Ficalho, ''Col.'' xxxvi.
«Melões, aboboras de Portugal e de Guiné, '''patecas''', combalengas, biringelas». Gabriel Rebêlo, ''Informação'', p. 172.
«Não comiam mais que farellos de milho e cascas de '''patecas''', que são como as nossas melancias». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', ii, p. 182.</ref>.
De origem arábica, ''battīkh''.
'''[[:d:Lexeme:L1120486|Pato.]]''' Conc. ''pát'', ganso. Term. vern. ''hāms'', ''rājhāms''. — Or., Beng. ''pāti-hams''. — Ass. ''pāti-hānh''. — Sing. ''pattayā''. ''Pātti'', pata. — Tam. ''vāttu''. — Malayál. ''pāttu'', ganso. — Tel. ''bātu''. ''Pedda bātu'' (lit. «pato grande»), ganso. — Can. ''bātu''. — Tul. ''battu''. — Siam. ''pet''. ''Pet pā'', pato bravo. — Tet., Gal. ''pátu''.
O étimo da palavra portuguesa parece que é o ár. ''bat'', «pato, ganso» (''battêk'', diminutivo), usado tambêm em persa e hindustani<ref>O Sr. Gonçalves Viana contesta a derivação arábica.</ref>. Pode ser que ''bātu'' tenha provindo imediatamente de ''bat''. Os antigos escritores dizem ''adem'' por «pato»<ref>«No trato das '''adens''' huns tratão de botar os ovos de choco, e criarem adinhos para venderem». F. Pinto, cap. xcvii.
«Pauoens, ganços, '''adens''', e todas as aves domesticas». Lucena, liv. x, cap. 18.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L474630|Patrono]]''' («santo protector»). Conc. ''pātron''. — Tet., Gal. ''patrónu''.
'''? Patrulha.''' Mal., Jav., Mad. ''patrol'' (Heyligers). — Batt. ''pataróli''.
''Patrol'' parece ser holandês. O termo português introduzido nestas línguas é ''ronda'', ''q. v.''
'''? Patuleia.''' Mal. ''patuley'', raça, tribu.
¿Teria o vocábulo ido de Portugal ou vindo de Malaca? Os dicionários portugueses não indicam a origem de ''patuleia''. O Sr. Gonçalves Viana porêm presume que seja o caló ''patulé'', «rústico». Em tal hipótese, seria trazido da Ásia pelos ciganos espanhóis e transmitido ao castelhano, que o emprega no sentido de «tropa irregular».
'''[[:d:Lexeme:L618554|Pau.]]''' Mal. ''páu'', varal.
'''[[:d:Lexeme:L662265|Paulista]]''' («jesuita»). Conc. ''pāvlist'' (p. us. actualmente). — Indo-ingl. ''paulist'' (obsol.)<ref>«As novas que tenho he D. Antonio vai para Xagardy com sua casa, e os RR. PP. '''Paulistas''' o buscarão com todo o empenho entendendo que era certo hirmos nós com elle» (1682). ''O Chron. de Tissuary'', i, p. 318.</ref>.
Correm em Goa muitas lendas de carácter mítico com respeito aos antigos paulistas<ref>«Era possuída pelos jesuitas (vulgarmente chamados '''Paulistas''', em allusão ao Collegio de S. Paulo)». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas''.</ref>.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/222
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|125}}|PELOURO PENACHO|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L447181|Pavão.]]''' Mal. ''pavam''.
'''Peão.''' Conc. ''pyámv'' (us. em Salcete). — Sing. ''piyon''. — Indo-ingl. ''peon''<ref>«O Çamorim mandou ao '''pião''' que a (carta) leuasse, e muyto lhe defendeo que nam dissesse nada que elle a vira». Gaspar Correia, i, p. 421.
«Pos guarda de '''piains''' da terra, porque os imigos lhos não entrassem outra vez pollas aldeas». Diogo do Couto, Déc. V, vii, 3.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447389|Peça.]]''' Conc. ''pés''. Term. vern. ''nag'', ''ḍāgiṇó'', ''tākó''. — Tet. ''pesa''.
Em concani, ''peça'' é tambêm o nome de uma jóia de ouro.
'''[[:d:Lexeme:L448185|Pedreiro.]]''' Conc. ''pidrêr'', ''pidrêl''. Term. vern. ''gamvḍó'', ''chirekánti''. — Mar. ''pidrêl''. Term. vern. ''gaunḍi'', ''gavanḍyá'', ''ráj''. — Sing. ''pedaréruvā'', ''pedarére̤vā''. Term. vern. ''galvaḍuvá'' (lit. «trabalhador em pedras»). — Malayál. ''peridéri''<ref>Acêrca da mudança de ''r'' em ''l'', cf. ''kadêl'' = cadeira, ''kontrêl'' = cantareira, em concani.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1119601|? Pegar.]]''' Mal. ''pĕgaṅ'' (tambêm «pegado»). — Jav. ''pegen''.
Segundo o Dr. Schuchardt, é termo vernáculo.
'''[[:d:Lexeme:L493205|Peito.]]''' Conc. ''pêt''. Term. vern. ''harḍém''. — Mal. ''peito'' (Haex). Term. vern. ''dada''.
'''Pelouro.''' ? Beng. ''pilurí''. — ? Siam. ''pliuĕk''. — Mal. ''pelúru'', ''pélor'', ''pilóru'', ''pílor''. — Ach. ''pilor''. — Batt. ''pélur'', ''pinúru''. — Sund., Mad. ''pélor''. — Mak., Bug. ''pilúru''<ref>«De teus almazens me soccorras com '''pelouros''' e polvora, de que ao presente me acho muito falto». Carta do rei de Bata, ''apud'' Fernão Pinto, cap. xiii.</ref>.
Bulloram Paul dá o beng. ''piluri'' como equivalente ao ingl. ''pillory'', que significa «pelourinho».
'''[[:d:Lexeme:L447042|Pena]]''' («pesar, castigo»). Conc. ''pén''. Term. vern. ''duḥkh'', ''khant''; ''danḍ''. — Mal. ''pena'', multa (Haex). Term. vern. ''denda''.
'''[[:d:Lexeme:L447042|Pena]]''' («pluma»). Conc. ''pên''. — Mar. ''pên''. — Guj. ''pên''. ''Sīsāpên'' (lit. «pena de chumbo»), lápis. — Beng. ''pená''. Term. neo-áric. ''kalam'', ''lekhṇi''. — Sing. ''pe̤na'', ''pe̤ne'', ''taṭupe̤na'' (lit. «pena de asa»). ''Pe̤napihiya'', canivete. Cf. o ingl. ''penknife''. — Tam. ''péna'', ''pennei''. ''Pene-katti'', canivete. — Malayál. ''péna''. ''Penakkatti'', canivete. — Tel. ''pēná''. — Can. ''pénu''. ''Sīsapénu'', lápis. — Tul. ''penu̥'', ''pénu̥''. — Mal., Tet., Gal. ''péna''.
''Kalam'', do grego ''kálamos'' (já introduzido no sânscrito, ''kalama'', e tambêm adoptado em árabe, ''qalam''), é geralmente usado nas línguas indianas e malaias<ref>O Sr. Gonçalves Viana observa-me que o termo é primordialmente semítico.</ref>. Ainda hoje se emprega para escrever o estilo ou ponteiro em várias partes. ''Pen'', em japonês, parece ser do ingl. ''pen'', como o é ''pin'', «alfinete», por terminar em consoante.
'''Penacho.''' Mak., Bug. ''pináchu''.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/223
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>126 PERA PERES
'''[[:d:Lexeme:L448120|Peneira.]]''' Sing. ''penéraya'', ''penē-''
''réya'' (pl. ''penéra''). Term. vern. ''chá-''
''lanaya'', ''xataponaya''.
'''Penhor.''' Conc. ''pinhor''. ''Pinhor''
''davrunk'', empenhar. Term. vern.
''gāháṇ'', ''tāraṇ'', ''aḍav''. — Mal. ''panjar'',
arras. — Sund., Jav. ''panjer''.
'''Penitência.''' Conc. ''penitems'', ''pin-''
''ṭems''. Term. vern. ''prājít'', ''pirājít''.
— Tet. ''peniténsi''.
'''Pepino.''' Sing. ''pipiñña'' (= ''pipi-''
''nha''). Term. vern. ''ke̤kiri'', ''tiyambar''.
'''[[:d:Lexeme:L448591|Pera]]''' (por «goiaba»). Conc. ''pér''
(n.); ''pêr'' (goiabeira, f.). — Mar. ''pe-''
''rú''. Term. vern. ''jámb'' (própriamente
«jambo»). — Guj. ''per'', ''perum''. Ter-
mos vern. ''jam''', ''jam'phal''. — Beng.
''perú'', ''piyará''. — Sing. ''péra''. — Tam.
''pērá'' (tambêm (''gōyá-palam''' (lit. «fru-
ta goiaba ou fruta de Goa»?). —
Malayál. ''pêrá'' (árvore), ''pērakká'',
''pérakka''. — Can. ''pérla-mara'' (ár-
vore), ''pérla-haṇṇu'' (fruto). Tul.
''péranggáyi''<ref> «Laranjas, romãs, mirabolanos, '''pe-
ras da India''', que se não assemelham ás
nossas». Pyrard, ''Viagem'', i, p. 338.
«Das frutas da India tem muita '''pera''',
figos, jangomas, ananazes, tudo em abun-
dância, especialmente em Luabo». Fr.
António da Conceição, in ''O Chron. de''
''Tissuary'', ii, p. 42.
«Vê-se outra na Ilha com o nome de
'''pereira''', a qual produz um fructo como a
goiaba da America». Fr. Clemente da
Ressurreição, ii, p. 338.</ref>.
''Amrút'' ou ''amrúd'' é o nome de
«goiaba» em hindustani, e ''amrúd''
é o de «pera» em persa. Diz-se
tambêm em hindustani e bengali
''saphari ám''' (lit. «manga de jorna-
da» ou, antes, «manga estrangei-
ra», vid. ''Hobson-Jobson'', ''s. v. ana-''
''nas'') e, por corrução, ''supārí ám''',
«manga-areca».
Em birmanês, a goiaba designa-se
por ''ma-la-kah-thí'', «fruta de Mala-
ca» , e a goiabeira por ''ma-la-kah-bin''.
O siamês tem ''luk fárăng'', «fruta
europeia», e ''tŏn fárăng'', «árvore
estrangeira».
A planta é indígena da América,
introduzida na Índia pelos portu-
gueses, que, por analogia, chama-
ram ao fruto ''pera'', assim como
deram o nome de ''figo'' à banana.
Tambêm se emprega em África
a palavra ''pera'' para denotar a goia-
ba.
Em concani, ''perád'' (no português
de Goa ''perada'') é doce de goiabas.
Vid. ''goiaba''.
'''Percha''' (naut.). L.-Hindust. ''per-''
''chá''.
'''Perdão.''' Conc. ''perdámv'' (p. us.).
Term. vern. ''bogsaṇém'', ''māphí''. —
Tet. ''perdã''.
'''Perdição.''' Conc. ''pirdisámv''. Ter-
mos vern. ''náx'', ''satyanáx''. — Tet.
''perdisã''. Term. vern. ''lákon''.
'''[[:d:Lexeme:L1119018|Perdido.]]''' Conc. ''perdíd'', transvia-
do. Term. vern. ''hogaḍlaló'', ''avdisá''
''lāglaló''. — Tet. ''perdídu''. Term. vern.
''lákon''.
'''Peres''' («variedade de manga»).
Indo-ingl. ''peirie''. — Conc. ''pāyrí''
(por influência do antecedente). Vid.
''Afonsa''.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|127}}|PERU PICOTA|}}</noinclude>'''Permissão.''' Mal. ''permísi''.
'''Pertenças.''' Indo-ingl. ''pertenças'', em Bombaím. «It occurs in old grants of the local government especially in the phrase ''foras'' and '''pertenças''', the latter also Port., dependences, appurtenances». Wilson.
'''[[:d:Lexeme:L448170|Peru]]''' (''perum'', forma popular). Conc. ''perúm''. — Hindi, Hindust., Or., Beng., Ass., Panj. ''perú''. — Khas. ''perú'', ''pirú''.
O Sr. Gonçalves Viana contesta que o nome da ave seja derivado do geográfico ''Peru'', assim porque ella não é originária do Peru, mas provávelmente do México, como porque os espanhóis, que nos deveriam transmitir o vocábulo, chamam à ave ''pavo'', «pavão», ou ''pavo común'', e não ''peru'', e acrescenta que «por emquanto é um enigma a origem da ave e do seu nome português». Diogo do Couto porêm chama às aves ''galinhas do Peru'': «E por todo aquelle caminho (da Abissínia) foram comendo muitas galinhas '''do Perú''', perdizes, vacas brauas, merus, pombas, rolas». Déc. VII, iv, 6.
«Ha muitos pelicanos, os quaes são tamanhos como um grande '''gallo do Perú'''». Fr. João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', i, p. 135.
O franc. ''coq d’Inde'', o alemão ''calecutische Hahn'', o hol. ''Kalkoen'' (de ''Calecut'') e o ár. ''dajāj hindī'' indicariam origem indiana; mas a ave não é indígena da India, e o seu nome ''peru'' é exótico. O marata e o gujarate não tem o vocábulo; e o hindustani tem, a par de ''perú'', ''xutra-murgh'' (lit. «galo-camelo, avestruz») e ''fil-murgh'' (lit. «galo elefante») do persa. As línguas dravídicas descrevem a ave por diversos compostos, alguns dos quaes lhe atribuem proveniência estrangeira.
'''[[:d:Lexeme:L447156|Pés.]]''' Mol. ''pees'' (= ''pés''), cânfora de inferior qualidade. Vid. ''barriga e cabeça''.
'''Peste.''' Conc. ''pest''. Term. vern. ''mārī'', ''marī'', ''marīk'', ''piḍā''. — Tet., Gal. ''pésti''.
'''? Petardo.''' Mal. ''pétas'', ''petāsan''. — Siam. ''pa-thăt''.
'''Pia.''' Conc. ''pī''. — Beng., Tam. ''piyá''. — Tet., Gal. ''pia''.
'''Picadeira.''' Conc., Mar. ''pikāndar''.
'''Picão.''' Conc. ''pikāmv''. — Mar. ''pikāmv'', ? ''pikās''. — ? Guj. ''tīkam''. — Sing. ''pikama''; ''pikāsiya'' (do ingl. ''pickaxe''?). — Malayál. ''pikkam''. — Tul. ''pikkasu'', ''pikkāsu'' (talvez do inglês)<ref>«E assi leuauão bancos pinchados, marões, '''picões''', poluora, e outros artificios». João de Barros, Déc. II, vii, 9.
«O capitão lhe mandou cem homens com enxadas e outros cento com '''picões''', e outros cento com cestos e gamelas». Gaspar Correia, iii, p. 617.</ref>.
'''Picota.''' Indo-ingl. ''picotta'', ''picottah'' (us. na India meridional), engenho para tirar água<ref>«Tomaom hũa careta grande com bois, e arimaom nela hũa '''picota''' alta, ha maneira de hũas com que em Castela tiraom agoa dos poços». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 304.
«O lugar em que ElRey manda fazer justiça dos malfeytores he a '''picota'''». Gaspar Correia, iv, p. 151.</ref>.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PERA PERES|{{sc|126}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L448120|Peneira.]]''' Sing. ''penéraya'', ''penēréya'' (pl. ''penéra''). Term. vern. ''chālanaya'', ''xataponaya''.
'''Penhor.''' Conc. ''pinhor''. ''Pinhor davrunk'', empenhar. Term. vern. ''gāháṇ'', ''tāraṇ'', ''aḍav''. — Mal. ''panjar'', arras. — Sund., Jav. ''panjer''.
'''Penitência.''' Conc. ''penitems'', ''pinṭems''. Term. vern. ''prājít'', ''pirājít''. — Tet. ''peniténsi''.
'''Pepino.''' Sing. ''pipiñña'' (= ''pipinha''). Term. vern. ''ke̤kiri'', ''tiyambar''.
'''[[:d:Lexeme:L448591|Pera]]''' (por «goiaba»). Conc. ''pér'' (n.); ''pêr'' (goiabeira, f.). — Mar. ''perú''. Term. vern. ''jámb'' (própriamente «jambo»). — Guj. ''per'', ''perum''. Termos vern. ''jam’'', ''jam’phal''. — Beng. ''perú'', ''piyará''. — Sing. ''péra''. — Tam. ''pērá'' (tambêm ''gōyá-palam’'' (lit. «fruta goiaba ou fruta de Goa»?). — Malayál. ''pêrá'' (árvore), ''pērakká'', ''pérakka''. — Can. ''pérla-mara'' (árvore), ''pérla-haṇṇu'' (fruto). — Tul. ''péranggáyi''<ref>«Laranjas, romãs, mirabolanos, '''peras da India''', que se não assemelham ás nossas». Pyrard, ''Viagem'', i, p. 338.
«Das frutas da India tem muita '''pera''', figos, jangomas, ananazes, tudo em abundância, especialmente em Luabo». Fr. António da Conceição, in ''O Chron. de Tissuary'', ii, p. 42.
«Vê-se outra na Ilha com o nome de '''pereira''', a qual produz um fructo como a goiaba da America». Fr. Clemente da Ressurreição, ii, p. 338.</ref>.
''Amrút'' ou ''amrúd'' é o nome de «goiaba» em hindustani, e ''amrúd'' é o de «pera» em persa. Diz-se tambêm em hindustani e bengali ''saphari ám’'' (lit. «manga de jornada» ou, antes, «manga estrangeira», vid. ''Hobson-Jobson'', ''s. v. ananas'') e, por corrução, ''supārí ám’'', «manga-areca».
Em birmanês, a goiaba designa-se por ''ma-la-kah-thi'', «fruta de Malaca», e a goiabeira por ''ma-la-kah-bin''. O siamês tem ''luk fárăng'', «fruta europeia», e ''tŏn fárăng'', «árvore estrangeira».
A planta é indígena da América, introduzida na India pelos portugueses, que, por analogia, chamaram ao fruto ''pera'', assim como deram o nome de ''figo'' à banana.
Tambêm se emprega em África a palavra ''pera'' para denotar a goiaba.
Em concani, ''perád'' (no português de Goa ''perada'') é doce de goiabas. Vid. ''goiaba''.
'''Percha''' (naut.). L.-Hindust. ''perchá''.
'''Perdão.''' Conc. ''perdámv'' (p. us.). Term. vern. ''bogsaṇém'', ''māphí''. — Tet. ''perdã''.
'''Perdição.''' Conc. ''pirdisámv''. Termos vern. ''náx'', ''satyanáx''. — Tet. ''perdisã''. Term. vern. ''lákon''.
'''[[:d:Lexeme:L1119018|Perdido.]]''' Conc. ''perdíd'', transviado. Term. vern. ''hogaḍlaló'', ''avdisá lāglaló''. — Tet. ''perdídu''. Term. vern. ''lákon''.
'''Peres''' («variedade de manga»). Indo-ingl. ''peirie''. — Conc. ''pāyrí'' (por influência do antecedente). Vid. ''Afonsa''.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PINTADA PIPA|{{sc|128}}}}</noinclude>O termo deve ser muito conhecido, pois Percival, no seu dicionário tamul-inglês, verte o tam. ''tulá'' por «picotta» e ''tulám'' por «braço de ''picotta''».
'''Pilar''' (subst.). Mad. ''pélar''. — Jav. ''pilar''. ''Milar'', «fender em todo o comprimento» (Heyligers).
A troca de ''p'' por ''m'' é normal na formação dos verbos javaneses.
'''[[:d:Lexeme:L1483412|Piloto.]]''' Conc. ''pilôt''. Term. vern. ''sukāṇemkár''. — Tet. ''pilôtu''.
'''? Pimentas.''' Camb. ''metis''.
Quanto à queda da primeira sílaba, cf. ''sês'' = francês.
'''Pinchar.''' Mal. ''pícha'', deitar, lançar.
Usado tambêm nos crioulos no mesmo sentido.
'''Pinho.''' Conc. ''pính''. — Malayál. ''piñña'' (= ''pinha''). ''Piññapeṭṭi'', caixa de pinho.
'''Pintada''' (''Melagris numida'', Linn.; «galinha da India ou de Angola»). Conc. ''pintālgém''. — Indo-ingl. ''pintado''. — Indo-franc. ''pintade''<ref>«Em toda esta ilha (de S. Helena) ha muitas cabras silvestres, muitas galinhas bravas '''pintadas''', mui fermosas e grandes». João dos Santos, ''Ethiop. Or.'', ii, p. 379.
«O interior da ilha [do Fogo, em Cabo Verde] abunda em caça: '''pintadas''' (a que chamam gallinha-Guiné), codornizes e cabras montezes». ''Bol.'' S. G. L., 5.ª sér., p. 385.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L474629|Pintado]]''' (pano—). Indo-ingl. ''pintado'' (obsol.), chita<ref>«E asy ha (em Guzarate) outros panos '''pintados''' muytos e de muytas sortes». Duarte Barbosa, p. 282.
«Aquy (em Paleacate) se fazem muytos panos '''pintados''' d’algodam». ''Id.'', p. 300.
«Pagauão com panos '''pintados''' de Cambaya». Gaspar Correia, ii, p. 41.
«Quatro fardos de tafeciras e panos '''pintados'''». ''Id.'', iii, p. 51.</ref>.
'''Pintar.''' Conc. ''pintár-karunk'', ''pintārunk'' (formação excepcional, derivada do subst. ''pintár''). — Sing. ''pintáre̤-karaṇavā''. — Malayál. ''pintariká''. — Gal. ''pintar''.
'''[[:d:Lexeme:L477650|Pintura.]]''' Conc. ''pintúr''; ''pintár'' (do verb. port.). Term. vern. ''chitr'', ''nakxó'', ''pratirúp''. — Sing. ''pintáruva'', ''pintáre̤ma'', ''pintŭraya''. Term. vern. ''sitiyama''. — Malayál. ''pintárani''.
'''Pipa''' (tambêm «barril»). Conc. ''píp'' (tambêm ''pimp'', no Canará). — Mar. ''píp'', ''pimp''. — Guj. ''píp''. — Hindi, Hindust., Nep., Panj. ''pīpá''. — Beng. ''pipá'', ''pipe'', ''pimpa''. — Sindh. ''pípa''. — Sing. ''pippaya'', ''píppe''. ''Píppa-vaḍuvá'', tanoeiro. — Tam. ''píppā''. — Malayál. ''píppa''. — Tel. ''pípaya''. — Can. ''pípe'', ''pipái'', ''pīpáyi''. — Tul. ''pípa'', ''pīpáya'', ''pipáyi''. — Gar., Khas., Mal., Ach., Mak., Nic., Malg. ''pípa''. — Siam. ''pib''. Term. vern. ''thăng''<ref>«Por hum português lhe não querer pagar o carreto de huma '''pipa''' de vinho». Damião de Góis, ''Chron. de D. Manuel'', iv, cap. 18.
«A Francisco de Mello Pereira entregou a tanoaria, pera mandar fazer barris, celhas, '''pipas'''». Diogo do Couto, Déc. VI, viii, 5.</ref>.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh|{{sc|129}}|PIRES PISTOLA|}}</noinclude>Há outra palavra ''pipa'' em malaio, madurês e galóli (''pipô'' em javanês), que provêm do ingl. ''pipe'' e significa «cachimbo».
'''Pires.''' Conc. ''pír''. — Hindust. ''pirich''. Term. vern. ''tashtarí'', ''thālī'' (como em hindi). — Beng. ''pirij''. — Ass. ''piris''. — Sing. ''pírissya''. — Tam. ''píris''. — Khas. ''phiris''. — ? Mal., Ach., Sund., Jav., Bal., Day., Mak., Bug. ''piring''. — Tet., Gal. ''píris''.
O crioulo malaio tem ''pirin'', e o holandês do Cabo ''pierentje''<ref>«Huma dúzia de '''pyres''' da Imdea dos ordinarios avalliados a oytenta reys cada hum» (1613). A. Tomas Pires, ''Materiaes'', in ''Bol.'' S. G. L., 16.ª sér., p. 745.
«Hum '''pires''' de prata sobredoirado». ''Ibid.'', p. 754.
«Mandou tres bandejas grandes charoadas e douradas, redondas, dois palmos de alto, cheias de muitos pratos, cada uma acabava com muitos '''pires''', fazendo um monte, onde estavam todas as cousas do comer». A. F. Cardim (1649), ''Batalhas'', p. 80.</ref>.
''Kacha-piring'', ''picha-piring'' (lit. «prato partido», em sundanês, é o nome de ''Gardenia florida''.
Rigg diz: «''Piring'', prato, prato grande como é usado pelos europeus. Os pratos pequenos chineses que são usados pelos nativos chamam-se ''pinggan''». Mas Swetenham diz o contrário no seu dicionário inglês-malaio: ''saucer'', «piring»; ''plate'', «pinggan». Favre dá a ambos os vocábulos os significados de «soucoupe, assiette». Bikkers regista ''piring'', «plat», «plate»; e ''piring teh'' (lit. «prato de chá») «saucière», «saucer».
A palavra ''pires'' parece ser origináriamente malaia, adoptada pelos portugueses e levada para a India junta com o ''chá''. Mas a terminação ''-es'' ou ''-is'' oferece certa dificuldade, pois ''piring'' devia dar normalmente ''pirim''. Talvez ''pires'' seja o plural de *''pirim'' e esteja por *''pirins''. É improvável a procedência do hindust. ''pirich'', que tem visos de exótico e não é registado por Shakespear em 1817.
'''Pistola.''' Conc., Guj. ''pistol''. — Mar. ''pistol'', ''pistúl''. — Hindust. ''pistol'', ''pistaul''. — Beng. ''pistol''. — Sindh. ''pistola''. — Panj. ''pistaul''. — Sing. ''pistólaya'', ''pistóle''. — Tel. ''pistólu''. — Can., Tul. ''pistúlu''. — Gar., Mal. ''pistol''. — Ach. ''mestol''. Cf. ''meskut'' = biscoito. — Batt. ''pestúl''. — Sund. ''péstol''. — Nic., Tet., Gal. ''pistola''. — Jap. ''pistoru'', ''pisutoru''<ref>«As armas que neste posto se podião manejar, forão bacamartes e '''pistolas'''». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. ii, cap. xxiv.</ref>.
Alguns lexicógrafos dão por étimo o ingl. ''pistol'' ou o hol. ''pistool''. O Dr. Schuchardt prende o vocábulo malaio ao holandês.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|129}}|PIRES PISTOLA|}}</noinclude>Há outra palavra ''pipa'' em malaio, madurês e galóli (''pipô'' em javanês), que provêm do ingl. ''pipe'' e significa «cachimbo».
'''Pires.''' Conc. ''pír''. — Hindust. ''pirich''. Term. vern. ''tashtarí'', ''thālī'' (como em hindi). — Beng. ''pirij''. — Ass. ''piris''. — Sing. ''pírissya''. — Tam. ''píris''. — Khas. ''phiris''. — ? Mal., Ach., Sund., Jav., Bal., Day., Mak., Bug. ''piring''. — Tet., Gal. ''píris''.
O crioulo malaio tem ''pirin'', e o holandês do Cabo ''pierentje''<ref>«Huma dúzia de '''pyres''' da Imdea dos ordinarios avalliados a oytenta reys cada hum» (1613). A. Tomas Pires, ''Materiaes'', in ''Bol.'' S. G. L., 16.ª sér., p. 745.
«Hum '''pires''' de prata sobredoirado». ''Ibid.'', p. 754.
«Mandou tres bandejas grandes charoadas e douradas, redondas, dois palmos de alto, cheias de muitos pratos, cada uma acabava com muitos '''pires''', fazendo um monte, onde estavam todas as cousas do comer». A. F. Cardim (1649), ''Batalhas'', p. 80.</ref>.
''Kacha-piring'', ''picha-piring'' (lit. «prato partido», em sundanês, é o nome de ''Gardenia florida''.
Rigg diz: «''Piring'', prato, prato grande como é usado pelos europeus. Os pratos pequenos chineses que são usados pelos nativos chamam-se ''pinggan''». Mas Swetenham diz o contrário no seu dicionário inglês-malaio: ''saucer'', «piring»; ''plate'', «pinggan». Favre dá a ambos os vocábulos os significados de «soucoupe, assiette». Bikkers regista ''piring'', «plat», «plate»; e ''piring teh'' (lit. «prato de chá») «saucière», «saucer».
A palavra ''pires'' parece ser origináriamente malaia, adoptada pelos portugueses e levada para a India junta com o ''chá''. Mas a terminação ''-es'' ou ''-is'' oferece certa dificuldade, pois ''piring'' devia dar normalmente ''pirim''. Talvez ''pires'' seja o plural de *''pirim'' e esteja por *''pirins''. É improvável a procedência do hindust. ''pirich'', que tem visos de exótico e não é registado por Shakespear em 1817.
'''Pistola.''' Conc., Guj. ''pistol''. — Mar. ''pistol'', ''pistúl''. — Hindust. ''pistol'', ''pistaul''. — Beng. ''pistol''. — Sindh. ''pistola''. — Panj. ''pistaul''. — Sing. ''pistólaya'', ''pistóle''. — Tel. ''pistólu''. — Can., Tul. ''pistúlu''. — Gar., Mal. ''pistol''. — Ach. ''mestol''. Cf. ''meskut'' = biscoito. — Batt. ''pestúl''. — Sund. ''péstol''. — Nic., Tet., Gal. ''pistola''. — Jap. ''pistoru'', ''pisutoru''<ref>«As armas que neste posto se podião manejar, forão bacamartes e '''pistolas'''». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. ii, cap. xxiv.</ref>.
Alguns lexicógrafos dão por étimo o ingl. ''pistol'' ou o hol. ''pistool''. O Dr. Schuchardt prende o vocábulo malaio ao holandês.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||POMPA PORCELANA|{{sc|130}}}}</noinclude>'''Poa''' (naut.). L.-Hindust. ''páo''.
'''[[:d:Lexeme:L1483362|Pobre.]]''' Conc. ''pobr'' (p. us.). ''Pobrānchém ghar'', asilo dos pobres. — Beng. ''pobrí'' (subst.). Designa própriamente «o servente da igreja» (como sineiro, coveiro, etc.), que outrora teria sido escolhido de entre os pobres.
'''[[:d:Lexeme:L523128|Pobreza.]]''' Mal. ''pavresa'' (Haex).
'''Poial.''' Conc. ''puyál''. — Tel. ''payal'', ''payálu''. — Indo-ingl. ''pial'' (pronuncia-se ''paial''). — Indo-franc. ''poyal''<ref>«Estauão grandes assentos como '''poyaes''' de terra muito bem feitos». Gaspar Correia, i, p. 87.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L500647|? Polícia.]]''' Conc., Guj., Hindust. ''polīs''. — Tel. ''polīsu''. — Can. ''pólīs''. Do inglês?
'''Poltrona.''' Conc. ''pultran''. — ? Mal. ''pātarāna''.
O Sr. Gonçalves Viana põe em dúvida a procedência portuguesa do vocábulo malaio.
'''Polvorinho.''' Conc. ''polvorính''. — Term. vern. ''toxdán''. — Tet. ''polvorínhu''.
'''Pomba.''' Mal. ''pomba'', ''pombaq'', ''pamba'', ''pambaq''. Term. vern. ''parapāti''. — Tet., Gal. ''pomba''.
'''? Pompa.''' Mal., Sund. ''pompa''. — Jav. ''pómpô''.
O Dr. Heyligers, que regista a palavra como portuguesa, dá-lhe o significado francês ''pompe'', que pode ser tanto «pompa» como «bomba». No primeiro sentido pode ter provindo do português; mas no segundo, é indubitávelmente do hol. ''pomp'' ou do ingl. ''pump''. O malaio tem ''bomba'' e ''pomba'' nesta acepção. Vid. ''bomba''.
'''[[:d:Lexeme:L639940|Ponta.]]''' Conc. ''pont''. — ? Mar. ''pot''. Term. vern. ''taḍ'', ''tembi'', ''agr'', ''damas'', ''xing'', ''sunk'', ''ponkh'', ''pālamv'', ''padar'' (conforme os sentidos). — L.-Hindust. ''pont'', ''pontá'', ''puntá'', promontório; ''pontá'', ponta de corda. ''Ponte ká phutin'' ou ''putín'', nó grosso das cordas do velame. ''Puntá chhoṛ dená'', dobrar o cabo. — Ach. ''ponton''.
Molesworth deriva ''pot'' do pers. ''póta'' ou ''móṭa''.
'''[[:d:Lexeme:L449063|Ponto.]]''' Conc. ''pónt''. — Bug. ''póntu'' (no jôgo de cartas). — Tet., Gal. ''póntu''.
'''[[:d:Lexeme:L501796|Por]]''' («para»). Mal. ''por'', ''for''.
'''[[:d:Lexeme:L46836|Porcelana.]]''' Conc. ''phuslān'', tigela. Term. vern. ''kāmsó''. — Sing. ''pusalana'', ''kuslāna'', copo, taça.
''Persulana'' tem a mesma significação de «tigela» no português de Goa. Diz-se ''tigela'' de «tacho grande». O Sr. Gonçalves Viana diz (''Palestras Filológicas'') que «o termo ''porcelana'' para os nossos antigos escritores era sinónimo de ''chávena''»<ref>Fernão Pinto emprega invariávelmente ''perçolana'' por ''porcelana''.
«A mim me davam no Balegate huma '''percelana''' por 200 pardaos». Garcia da Orta, Col. xliv. «'''Porcelana''' é tomada aqui em sentido de taça, como se tomava habitualmente por aquelle tempo». Conde de Ficalho.
«Quinze athé vinte corjas de '''porcelanas''' e outras tantas de bacias de comer» (1585). ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 1021.</ref>.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|131}}|PRANCHA PREGO|}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L1121720|Porco.]]''' Malayál. ''pórkku'' (p. us.). Term. vern. ''panni'', ''sūkaram''.
Não se sabe o motivo da introdução dêste vocábulo no malayálam; talvez seja o mesmo que actuou na adopção de ''burro'' pelo singalês.
'''Por força.''' Mal. ''par forsa'', ''per forsa'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L448029|Português.]]''' Conc. ''portugêz''. Termo vern. ''phirangi'' (do persa). — Tet. ''portugêz''.
'''[[:d:Lexeme:L447947|Porteiro.]]''' Conc. ''portêr''. — Mal. ''portero'', especialmente porteiro dos tribunais.
'''Posta''' («correio»). Conc. ''póst''. Term. vern. ''ḍānk'' (p. us.). ''Postākár'', distribuidor de cartas. — ? Ár. ''būsaṭa'' (do italiano, segundo Belot).
'''Posta''' («talhada»). Conc. ''póst''. Term. vern. ''kapó'', ''ravó''. — Gal. ''posta''.
'''Pôsto.''' Conc. ''pôst''. Term. vern. ''darzó'', ''adhikár''. — Tet. ''pôstu''.
'''Praga.''' Malayál. ''prakuka'', ''pirākuka'', praguejar. — Tet. ''praga''.
'''Prancha''' («andaime»). Conc., Guj. ''paránch''. — Mar. ''parānchi''. Term. vern. ''māḷá'', ''pahāḍ''. — L.-Hindust. ''parānchá'', jangada; plataforma. — Sing. ''palanchiya''. Term. vern. ''me̤ssa''. — Tel. ''paranja'', ''paranju''. — Tul. ''parenji'', ''pareji''.
'''[[:d:Lexeme:L500701|Prata.]]''' Mal. ''práda'', ''paráda'', lâmina de metal; prateação, douração; prateado, dourado. ''Ber-práda'', prateado, dourado. ''Mam-rada'', dourar, pratear. — Sund., Day. ''práda'', ''paráda'', fôlha de metal, ouropel. — Bal. ''práda'', douração; ouropel; obra de pintura. — Mak., Bug. ''paráda'', dourar, douração; pintar, pintor. — Nic. ''paráta'', estanho, zinco.
''Paráda-Makáo'' (Bug.), prata de Macau; ouropel. ''Bátu-paráda'', mármore. ''Búnga-paráda'', ''Bixa orellana'', Linn.
'''Prato.''' Conc. ''parát'', iguaria, manjar. — Mar. ''parát''. — Hindi, Hindust. ''parát'', ''parātí'', grande prato, bandeja. — Can., Tul. ''paráta''.
'''[[:d:Lexeme:L307405|Prazer]]''' (verbo). Mal. ''paresser'', «placere» (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L664581|Preço.]]''' Conc. ''prês''. Term. vern. ''mol'', ''kimat'', ''dar'', ''dhāran''. — Tet. ''présu''. Term. vern. ''fólin''. — Gal. ''prêsu''. Term. vern. ''hélin''.
'''Pregão.''' Conc. ''pergámv''. Term. vern. ''ḍāngoró'', ''ḍānḍoró''. — Guj. ''pegám’'', mensagem. — Sing. ''peragama'', banhos de casamento<ref>«Mandou o Ouuidor correr todas (as naus) com '''pregões'''». Gaspar Correia, i, p. 556.
«O Gouernador mandou lançar '''pregões''' por Gogolá». Diogo do Couto, Déc. IV, iv, 5.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L669438|Prego.]]''' Conc. ''preg'', jóia de ouro
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||PRIMO PROVAR|{{sc|132}}}}</noinclude>em forma de prego. — Hindust. ''preg'', ''pareg''. — L.-Hindust. ''prek''. — Beng. ''perek''. — Khas. ''prek'', prego, garfo. — Mal. ''prego'' (Haex). — Tet., Gal. ''pregos''. Term. vern. ''kúsan''.
'''Pregoação''' («prègação»). Mal. ''pregoaçaon'' (Haex).
'''Pregoar.''' Mal. ''pregoar'', apregoar; prègar (Haex)<ref>«E logo se '''pregoarão''' por toda a cidade de Goa com grandes festas». Diogo do Couto, Déc. VI, v, 4.</ref>.
Tambêm no crioulo de Ceilão ''pregoá'' quere dizer «prègar».
'''[[:d:Lexeme:L1119444|Preparar.]]''' Conc. ''prepārár-karunk''. Term. vern. ''tayár karunk'', ''sanzaunk''. — Tet. ''prepára''. Term. vern. ''hálu'', ''haloti''.
'''[[:d:Lexeme:L477270|Presente]]''' (subst.). Conc. ''prezent''. Term. vern. ''sāguvát''. — Mal. ''persén''. — Tet. ''prezénti''.
Em concani usa-se igualmente como adjectivo.
'''[[:d:Lexeme:L448042|Presidente.]]''' Conc. ''pirzent'', juiz da festa. Usado nesta acepção tambêm em tamul e malayálam. — Tet. ''prezidénti''.
'''[[:d:Lexeme:L647770|Preso.]]''' Conc. ''prêz''. — Guj. ''parej''. ''Prêz karunk'' (Conc.), ''parej karvum'' (Guj.), prender.
'''Prima.''' Conc. ''prim’''. Term. vern. ''bāpal-bahíṇ'', ''tsultí-bahíṇ''; ''āyte-bahíṇ''; ''māvxí-bahíṇ''. — Mal. ''prima'' (Haex). — Gal. ''prima''. Term. vern. ''liar''.
'''[[:d:Lexeme:L447161|Primo.]]''' Conc. ''prim’''. Term. vern. ''bandhu'' ou ''bandh''; ''bāpal-bháv'', ''tsultó-bháv''; ''āyte-bháv''; ''māme-bháv''; ''māvxí-bháv''. — Mal. ''primo'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L450521|Processo]]''' (judicial). Conc. ''prosés''. Term. vern. ''khaṭló'', ''vyavahár''. — Tet., Gal. ''proséssu''.
'''Procissão.''' Conc. ''pursámv''. Termos vern. ''dinḍí'', ''jātrá'' (us. pelos hindus). — Tet., Gal. ''prosisã''.
'''Procuração.''' Conc. ''prokurāsámv''. Term. vern. ''adhikár'', ''sattyá''. — Tet., Gal. ''prokurasã''.
'''Procurador.''' Conc., Tet., Gal. ''prokurādor''.
'''Profeta.''' Conc. ''prophet''. — Sing. ''prophétaya''.
'''Promessa.''' Conc. ''promés'' (p. us.). Term. vern. ''bhāsāvṇí'', ''boli''; ''ānyvaṇ''. — Tet. ''promesa''.
'''Pronto.''' Conc. ''prom’t''. Term. vern. ''tayár'', ''ruzú''. — Tet. ''próntu''. Term. vern. ''tók''.
'''[[:d:Lexeme:L448302|Proposta.]]''' Conc. ''propost'' (p. us.). Term. vern. ''bolṇém'', ''vachán''. — Tet. ''proposta''. Term. vern. ''lia''.
'''[[:d:Lexeme:L562414|Próprio.]]''' Conc. ''propr''. Term. vern. ''āpṇātsó'', ''khāsgí''; ''āpaṇats''. — Tet. ''própi''. Term. vern. ''lólun'', ''rásik''.
'''Protesto.''' Conc. ''portést''. Term. vern. ''nākár''. — Tet. ''protéstu''.
'''[[:d:Lexeme:L562414|Prova.]]''' Conc. ''prov'' (us. entre os ilustrados), ''puráv''. — Mar. ''puráv'', ''purāvá''. — Guj. ''purāvó''. Term. neo-áric. ''dākhló'', ''pramāṇ''. — Tel. ''puroya''.
Molesworth dá por étimo o sânsc. ''pur'', confundindo os significados de várias proveniências.
'''Provar.''' Conc. ''provár-karunk''. — Guj. ''purvár'' (adj.), provado.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|133}}|QUERUBIM QUINTAL|}}</noinclude>''Purvár karvum'', provar. ''Purvārí'' (subst.), prova.
'''Proveito.''' Mal. ''proveito'' (Haex).
'''Provisor.''' Conc. ''provizor''. — Beng. ''provijor''.
'''Prumo.''' Conc. ''purím’''. Term. vern. ''aḷambó'', ''lamb''; ''buḍíd'', ''ṭháv''. — L.-Hindust. ''prum’''. — Mal. ''prum’'', ''parum’''.
Gundert deriva o malayál. ''olumbu'' do port. ''plumbo''; mas parece que o vocábulo se prende ao sânsc. ''avalamba''.
'''Púcaro.''' Conc. ''púkr''. Term. vern. ''mogh'', ''guḷam’''. — Sing. ''púkuruva'', ''púkiraya''. — Gal. ''púkaru''<ref>«Ha casas que ás portas vendem agoa em muytos '''pucaros''' o talhinhas, como na ribeira de Lisboa». Gaspar Correia, i, p. 815.
«Hum '''pucaro''' de barro». Lucena, ''Hist. da Vida'', liv. vii, cap. 4.</ref>.
'''Púlpito.''' Conc. ''pulpút''. Term. vern. ''mants'' (p. us.), ''sadar'' (us. em Salcete). — Tam., Can. ''pulpitu''. — Mal. ''pulpito'' (Haex). — Tet., Gal. ''púlpitu''<ref>«Não sómente nos '''pulpitos''', mas pelas casas dos particulares». Lucena, liv. iii, cap. 12.</ref>.
'''Purga.''' Conc. ''púrg''. Term. vern. ''bhāgrí''. — Tet., Gal. ''purga''.
'''Purgatório.''' Conc. ''purgator''. — Beng. ''purgātorí''. — Sing. ''purgatóriya''. — Tet., Gal. ''purgatóri''.
{{center|{{larger|Q}}}}
'''Quanto.''' Mal. ''quanto'' (Haex).
'''Quanto mais.''' Mal. ''quanto mas'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L448471|Quaresma.]]''' (''coresma'', pop.). Conc. ''korejm''. — Beng. ''korjmu''. — Tam. ''karesmai''. — Tet., Gal. ''koresma''.
'''Quartel''' (militar). Conc. ''kartel''. Tambêm significa «contribuição, imposto pago trimestralmente». — Tet. ''kartel''. Tambêm significa «preso, prender».
'''[[:d:Lexeme:L477287|Quarto.]]''' (subst.). Conc. ''kvárt'', quarto de casa, de fôlha de papel e da hora. — Tet. ''kuártu'', câmara.
'''[[:d:Lexeme:L447187|Queijo.]]''' Conc. ''kêj''. — Sing. ''kéju''. — Mal. ''kéju'', ''kíju''. — Sund. ''kíju''. — Jav., Mad., Mak., Bug. ''kéju''. — Tet., Gal. ''keiju''.
'''[[:d:Lexeme:L493220|Querubim.]]''' Conc. ''kerubím''. — Hindust., Beng. ''kārūbím''. — Malayál. ''kheruba''. — Tul. ''kerubi''. — Bug. ''karūbiyúna''. — Jap. ''kerubin'', ''kerubu''. — Pers. ''karūbi''. — Ár. ''kirub''.
É de origem hebraica. Em algumas das línguas deve ter entrado sem intermédio do português.
'''Quintal.''' Beng. ''kintál''. — Batav. ''kintal'', «o interior de uma
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||RAÇÃO RASO|{{sc|134}}}}</noinclude>casa» (Favre). — Tet. ''kintal'', jardim<ref>«Deram logo consigo no '''quintal''' das suas casas». Diogo do Couto, Déc. VII, vii, 3.</ref>.
'''Quita-sol''' (desusado, = «guarda-sol»). Indo-ingl. ''kittysol'', ''kitsol'' (obsol.). ''Kittysol-boy'', porta-guarda-sol. Vid. ''bói''.
Os espanhóis ainda hoje chamam ''quita-sol'' à sombrinha.
{{center|{{larger|R}}}}
'''Rábão''' («rábano»). Sing. ''rábu''. Term. vern. ''mulaka''.
'''[[:d:Lexeme:L1375332|Rabeca.]]''' Conc. ''rebek''. — Mar. ''rabak'' (tambêm ''rabáb''). — Malayál. ''rabekka''. — Can. ''rabaku''. — Tet., Gal. ''rabeka''.
O Sr. Gonçalves Viana duvida que o ár. ''rabáb'' seja o étimo imediato do port. ''rabeca''. ''Rabáb'' está adoptado em persa, hindustani, gujarati e tambêm em marata.
Os nomes dos instrumentos europeus e seus pertences são, em concani, quási todos portugueses.
'''Ração.''' Conc. ''rāsámv''. Diz-se especialmente da ração de vinho que se dá aos operários. — L.-Hindust. ''resan''. — Mal. ''ranson''. — Jav. ''rasan'', ''ransan''. ''Ngransommi'', dar ração. Na forma verbal, ''r'' inicial é antecedido de ''ng''. — Tet., Gal. ''resā''. Term. vern. ''sáhi''<ref>«E tornando em si achou o pastor apar de si com a '''reção''' de leite». Diogo do Couto, Déc. VI, v, 5.</ref>.
Convêm notar que o holandês tem ''rantsoen''.
'''[[:d:Lexeme:L639958|Ramo.]]''' ''rámuva'', moldura, quadro. — Mal. ''ramo'' (Haex).
No crioulo de Ceilão, ''ramo'' tambêm significa «quadro emmoldurado».
Pode ser que neste sentido ''ramo'' seja corrução de ''lâmina'', usado em concani, ''lám’n''. Nessa língua ''rám’'' designa o «ramo bento». O Sr. Cândido de Figueiredo diz que ''lâmina'', com o significado de «caixilho, quadro», é usado em Miranda, Trás-os-Montes<ref>«Uma '''lamina''' do nascimento de Nosso Senhor». Cardim, p. 44.</ref>. O holandês tem ''raam'', «caixilho».
'''Rancho.''' Conc. ''ránts''. — Sing. ''rănchuva'', classe de gente (ingl. ''rank''). Term. vern. ''peḷa'', ''peḷiya''.
'''[[:d:Lexeme:L474617|? Raso.]]''' Mal. ''rata''. — Jav. ''rôtô''.
O Dr. Heyligers atribúi a mudança de ''s'' em ''t'' à lei de repulsão, isto é, ao vocábulo preexistente ''rasa'' ou ''rôsô'' < sânsc. ''rasa'', «gôsto, sentimento».
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|135}}|REGALO RELOJIO|}}</noinclude>De ''rôtô'' se forma em alto javanês ''radin'', donde ''radiman'', «raso; estrada». Vid. ''passear''.
'''[[:d:Lexeme:L1375329|Raxa]]''' («espécie de pano grosso», ant.). Jap. ''rasha''<ref>«Hua capa de '''raixa''' he hum pellote avalliado em dous mil réys» (1548). A. Thomás Pires, ''Materiaes'', etc., in ''Bol.'' S. G. L., 16.ª sér., p. 706.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448491|Razão.]]''' Conc. ''razámv''. Mas ''serezámv'' = semrazão. Term. vern. ''kāráṇ'', ''prastáv'', ''pramáṇ''. — Tet., Gal. ''rezã''.
'''Recado.''' Conc. ''rekád''. — Mal. ''recado'' (Haex). — Tet., Gal. ''rekádu''.
'''Recheio.''' Conc. ''rechey''. — Mal. ''richá'', ''ritsya'', malagueta. Term. vern. ''chábi'', ''chábey'', ''lada chína''.
'''Recibo.''' Conc. ''resíb''. Term. vern. ''pāvtí''. — Guj., Hindi, Hindust., Or., Sindh., Panj. ''rasíd''. — Ass. ''rachita''. — Malayál. ''raxidu'', ''rasdi''. — Tel. ''raxidu''. — Can. ''rasídi'', ''raxídi'', ''raxídu''. — Tul. ''rasídi''. — Indo-ingl. ''reseed''. — Mal. ''resít''. — Tet., Gal. ''resíbu''. — Persa ''rasíd''.
Yule & Burnell consideram ''rasíd'' como corrução do ingl. ''receipt'', por influência do persa ''rasída'', «chegado».
'''[[:d:Lexeme:L448473|Rêde.]]''' Conc. ''rêd'' (mais us. o vern. ''jāḷí''). — Mal. ''rede'' (Haex). Term. vern. ''jála'' (sânsc.). — Tet. ''rédi''. Term. vern. ''kháhoti'', ''láhoti''.
'''Reformado''' (subst.). Conc. ''rephormád''. — Tet. ''reformádu''.
'''Regalo.''' Mal. ''regalas'', «lautum epulum» (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L639938|Registo.]]''' Conc. ''rejíst'' (tambêm «estampa de santos»). Term. vern. ''paṭṭí'', ''xivḍí''. — Tet. ''rejístu''.
'''[[:d:Lexeme:L558192|Regra.]]''' Conc. ''regr''. Term. vern. ''oḷ'', ''regh''; ''nem’''. — Tet., Gal. ''regra''.
'''[[:d:Lexeme:L477164|Rei.]]''' Conc. ''rey'', rei de cartas. Mak., Bug. ''réi'', idem. — Nic. ''deṁ''. ''Deṁ-enkána'' (lit. «mulher do rei»), rainha.
Man deriva ''deṁ'' (= dê) do port. ''rei'', e creio que tem razão, não obstante a divergência fonética. ''R'' inicial e medial pode mudar-se em ''d''; cf. ''dai'' = ''rai'', «folha», ''kaḍú'' = ''karú'', «largo», ''lará'' < mal. ''láda'', «pimenta». O nicobarês não tem o ditongo ''ei'', e a nasalização explica-se pela tendência da língua.
'''[[:d:Lexeme:L448547|Reitor.]]''' Conc., Beng. ''reytor''.
'''[[:d:Lexeme:L500659|Relação.]]''' Conc. ''relāsámv''. Mais us. como nome do tribunal de segunda instância. — Tet. ''relasã''.
'''[[:d:Lexeme:L558174|Religião.]]''' Conc. ''relijyámv'' (p. us.). Term. vern. ''samurt'', ''xāstrsamurt'', ''dharm’''. — Tet., Gal. ''relijiã''.
'''[[:d:Lexeme:L447205|Relójio.]]''' Conc. ''relóz''. Term. vern. ''ghaḍyál''. — Sing. ''orlosiya'', ''oralósuvā''. — ''At-oralósuva'', relójio de algibeira. — Tam. ''orelóju''. — Malayál. ''orlojjika''. — Mal. ''arlóji'' (Castro), ''urúlis''. Term. vern. ''jam’'' (persa). — Tet. ''relóju'', ''relóji'', ''relósi''. — Gal. ''relóji''<ref>«Considerando como os '''Relogios''' por onde se regem são feitos em differentes Regiões». D. João de Castro, ''Roteiro de Lisboa a Goa'', p. 183.
«Os mouimentos dos ceos, que os '''relogios''' escassamente, ou mostram ou arremedam». Lucena, liv. vii, cap. 7.</ref>.
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/233
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/* Revista */ Revisão integral da transcrição e correção do OCR
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||RENDA RIAL|{{sc|136}}}}</noinclude>O crioulo de Ceilão tem ''orlozo''.
''Horlúji'' (Mal.), ''horlóji'' (Sund.), ''hōrolósi'' (Mak.) parece serem do hol. ''horologie''.
'''[[:d:Lexeme:L447223|Remédio.]]''' Mal. ''remedio'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L632767|Renda]]''' («aluguel»). Conc. ''rend''. ''Rendák divunk'' ou ''lāvunk'', dar em arrendamento. ''Rendák ghevunk'' ou ''karunk'', tomar em arrendamento. ''Rendātsó'', arrendado. ''Rendkár'', o que toma em arrendamento, rendeiro. ''Rendêr'' = rendeiro, perdeu já a significação originária; designa agora em Goa, uma subcasta, os ''xudras'' que vivem em prédio alheio e arrendam palmeiras para extrair sura. Term. vern. de ''renda'': ''sāró'', ''dhāró''; ''ghêṇ'' (us. no Canará). — Mar. ''rend'', monopólio. ''Rendkarí'', monopolista. ''Rendsará'', distilatória. Usado em Rajapur e Savantvadi. — Guj. ''rent''. — Sing. ''réndaya'', aluguel; peagem, portagem. ''Rénda-karaṇavā'', arrematar rendas do estado. ''Rēndapala'', lugar onde se pagam direitos. ''Rēndakárayā'', arrendador, rendeiro; peageiro. ''Atu-rēndakárayā'', sub-arrendador; parceiro na arrematação das rendas do estado.
'''[[:d:Lexeme:L632742|Renda]]''' («tecido»). Conc. ''rend''. Term. vern. ''zāḷí''; ''dál'' (p. us.). — Sing. ''rénda'', ''rénda-paṭiya''. — Tam. ''renda''. — Ann. ''ren''. — Mal., Sund., Day., Mak., Bug. ''rénda''. — Jav. ''rêndô'' (tambêm «galão»). ''Ngrendô'', agaloar. ''Rinendô'', agaloado.
'''Repique.''' Conc. ''repik''. — Tet. ''repiki''.
'''Reposta.''' Conc. ''repost''. Term. vern. ''uttar'', ''záb'', ''pratizáb''. — Tet. ''reposta''. Term. vern. ''símu''. — Gal. ''resposta''. Term. vern. ''limteha''.
'''[[:d:Lexeme:L670174|Reprovar.]]''' Conc. ''reprovár-karunk''. Diz-se com relação aos exames escolares. — Tet. ''repróva''.
'''Requerer.''' Conc. ''rekerer-karunk''. — Mal. ''requerer'', «repetere, reposcere» (Haex).
'''Requerimento.''' Conc. ''rekriment''. Term. vern. ''arjí''. — Tet. ''rekeriméntu''.
'''Resma.''' Conc. ''rejm''. — Mar. ''rejim’''. — Can. ''rejmu''.
'''[[:d:Lexeme:L500949|Respeito.]]''' Conc. ''respêt''. Term. vern. ''mán''. — Tet. ''respéitu''.
'''[[:d:Lexeme:L662262|Responsável.]]''' Conc., Tet. ''respomsável''.
'''[[:d:Lexeme:L579632|Retrato.]]''' Conc. ''retrát''. Term. vern. ''rupṇém'', ''rūpkár''. — Tet. ''retrátu''. Term. vern. ''módun'', ''hilas''.
'''[[:d:Lexeme:L558196|Reunião.]]''' Conc. ''revunyámv'' (p. us.). Term. vern. ''mêḷ'', ''samáz''. — Tet. ''reuniã''.
'''Rial, réis.''' Conc. ''rês'' (pl. ''rés''). — Mar. ''rems''. — Guj. ''res''. — Sindh. ''riyálu''. — Malayál. ''iṟayál'', ''ress''. — Tul. ''reisu''. — Indo-ingl. ''reas'', ''rees'', ''res''. — Camb. ''riél'', piastra. — Siam. ''rién'', piastra<ref>The final ''r'' and ''l'' are both pronounced, almost universally, as ''n''. Michell.</ref>. — Mal., Sund., Jav.,
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
6a7h4gdax28s9n94p9w86mxmll3czs2
Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/368
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|358|{{smaller|NOTAS.}}|}}</noinclude>as suas desgraças; compromettido com Claudio Manoel da Costa, e Alvarenga, foi condemnado ao desterro para Moçambique, onde expirou. Como Petrarca, immortalisou-se com suas poesias eroticas, e o nome de sua Marilia será tão celebre como o de Laura, quando os Brasileiros prezarem mais os seus litteratos.
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{{âncora|nota1|{{c|Nota 1. {{smaller|Pag. 322, v. 6.}}}}}}
{{Poema|Vais ver sem mim.|fs=80%}}
Mal sabía eu, escrevendo estes versos, e preparando-me para dar o abraço de despedida ao meu amigo, que as circumstancias tão repentinamente se mudassem, e que deixaria Pariz, para acompanhal-o na viagem á Italia. Como ignora o homem o que tem de fazer no dia seguinte! É esta uma das phases de minha vida que eterna ficará na minha lembrança; e estes versos me despertarão sempre essa triste recordação; triste pelas circumstancias que motivaram a viagem.
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Mal sabía eu, escrevendo estes versos, e preparando-me para dar o abraço de despedida ao meu amigo, que as circumstancias tão repentinamente se mudassem, e que deixaria Pariz, para acompanhal-o na viagem á Italia. Como ignora o homem o que tem de fazer no dia seguinte! É esta uma das phases de minha vida que eterna ficará na minha lembrança; e estes versos me despertarão sempre essa triste recordação; triste pelas circumstancias que motivaram a viagem.
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/* Revista */ Correção integral e revisão da página 249 das listas particulares
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||DOS VOCÁBULOS PORTUGUESES|249}}</noinclude>{{c|{{larger|TÚLU}}}}
<poem>
Aia
Ama
Ananás
Apóstolo
Arco
Armário
Arrátel
Arrear
Bacia
Baixel
Balde
Batata
Bilimbim
Bomba
Bordo
Botão
Café
Cafre
Camisa
Católico
Chá
Chapéu
Chave
Colher
Compadre
Confessar
Copo
Corja
Coronel
Couve
Cozinha
Cruz
Damasco
Dobrado
Doce
Estirar
? Foguete
Folha
? Fulano
Granada
Gudão
Hospital
Igreja
Jalapa
Jangada
Jogar
Lanterna
Leilão
Lista
Machila
Madre
Maná
Mangual
Meirinho
Mestre
Mulato
Padre
? Palangana
Pangaio
Papuzes
Pato
Pena
Pera
Picão
Pistola
Prancha
Prato
Querubim
Recibo
Renda
Rial
Ripa
Ronda
Sabão
? Sagu
Setim
Sorte
Tabaco
Tambaca
? Tanque
Tresdobrado
Toalha
Tronco
? Tufão
Vara
Varanda
Verruma
Visagra
</poem>
{{c|{{larger|TURCO}}}}
<poem>
Castanha
Fustão
Gancho
Salada
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/88
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Anacastrosalgado
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/* Revista */ Revisão integral da página LXXXIII da bibliografia
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{center| BIBLIOGRAFIA}}
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RHEEDE (H.). ''Hortus Indicus Malabaricus''. Amstelod, 1686.
RIGG (Jonathan). ''A Dictionary of the Sunda Language''. Batavia, 1862.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/89
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/* Revista */ Revisão integral da página LXXXIV da bibliografia
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{center| BIBLIOGRAFIA}}
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SHAKESPEAR (John). ''A Dictionary Hindustani and English''. London, 1817.
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SINGH (Nissor). ''Khassi-English Dictionary''. Shillong, 1906.
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STOLZ (C.). ''School-Dictionary English and Malayalam''. Mangalore, 1870.
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SWETTENHAM (Frank. A.). ''Vocabulary of the English and Malay Languages''. Vol. I. ''English-Malay''. Singapore, 1885. — Vol. II. ''Malay-English''. Leyden, 1910.
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TUCKER (William Thornhill). ''A Pocket Dictionary of English and Persian''. London, 1801.
TURNBULL (Rev. A.). ''Nepali Grammar and Vocabulary''. Darjeeling, 1904.<noinclude></noinclude>
bxixs7u7162ze465mem2vsj45smy58f
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/297
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/* Revista */ Revisão integral da transcrição e correção do OCR
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||LISTAS PARTICULARES|{{sc|200}}}}</noinclude><div style="column-count:3; column-gap:2em;">
<div>''Advogar''</div>
<div>''Afecto'' («''moypás''»)</div>
<div>''Afectuoso''</div>
<div>''Afelição'' (''philsámv'')</div>
<div>''Afilhada''</div>
<div>''Afilhado'' (''philyád'')</div>
<div>''Afinar''</div>
<div>''Aflição'' («''duḥkh''»)</div>
<div>''Aflito''</div>
<div>''Afogador'' (''phugador'', joia)</div>
<div>''Afogar''</div>
<div>Afonsa</div>
<div>''Aforamento''</div>
<div>''Agente'' («''kārbhāri''»)</div>
<div>Agosto</div>
<div>Água-benta</div>
<div>''Aguador'' (jarro)</div>
<div>''Agua e sal'' (''āgsāl'', espécie de môlho)</div>
<div>''Aguas-furtadas'' (''āg-phurtád'')</div>
<div>Aia</div>
<div>''Ajuda'' (clister)</div>
<div>Ajudante</div>
<div>Ajudar</div>
<div>''Ajustar''</div>
<div>''Ajuste'' (''akhand'')</div>
<div>Alavanca</div>
<div>Alça</div>
<div>Alçapão</div>
<div>Alcatifa</div>
<div>Alcatrão</div>
<div>Alcunha</div>
<div>''Aldrava''</div>
<div>Alecrim</div>
<div>Alegação</div>
<div>Alegre</div>
<div>''Alegrete'' (vaso de flores)<ref>«Aquelas flores que estão naquelle '''alegrete'''». Garcia da Orta.</ref></div>
<div>Aleluia</div>
<div>Alerta</div>
<div>''Aletria'' (''letri'')</div>
<div>Alface</div>
<div>Alfaiate</div>
<div>Alfândega</div>
<div>Alfazema</div>
<div>Alferes</div>
<div>Alfinete</div>
<div>Algarismo</div>
<div>Algoz</div>
<div>Alimento («''ann''»)</div>
<div>''Alinhavar'' (''linhár'')</div>
<div>''Alma'' («''atmó''»)<ref>Diz-se especialmente das figuras esqueléticas do corpo humano, que se expõem em certas igrejas no dia dos finados, e metafóricamente, de uma pessoa muito magra. No Minho a palavra ''alminhas'' designa o «painel das almas». Vid. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.</ref></div>
<div>Almanaque («''pancháng''»)</div>
<div>Almeirão</div>
<div>Almirante</div>
<div>Almôço</div>
<div>Almofariz</div>
<div>Almorreimas (''almorem’'')</div>
<div>Alpaca</div>
<div>Altar</div>
<div>Alteia</div>
<div>''Alto'' (p. us., «''unts''»)</div>
<div>Alva</div>
<div>''Alviçaras'' (''ālvis'')</div>
<div>Alvorada</div>
<div>Ama</div>
<div>Âmbar</div>
<div>Amen</div>
<div>Amêndoa</div>
<div>''Amito''</div>
<div>''Amigo'' («''ixt''»)</div>
<div>''Amizade'' («''ixtagat''»)</div>
<div>Amora</div>
<div>Amostra</div>
<div>Ananás</div>
<div>? Andor</div>
<div>Animal</div>
<div>''Anisete''</div>
<div>Aniversário</div>
<div>Anjo</div>
<div>Anona</div>
<div>''Anticristo''</div>
<div>''Anúncio''</div>
<div>''Anzolo'' (''ānzli'')</div>
<div>''Aparo'' («pena de aço»)</div>
<div>Apelação</div>
<div>Apelar</div>
<div>Apontar</div>
<div>Apoplexia</div>
<div>Aposta</div>
<div>''Apostema'' (''kustem’'', «''dukhāném''»)</div>
<div>''Apostila'' (''postil'')</div>
<div>Apóstolo</div>
</div>
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/234
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|137}}|RONDA ROXO|}}</noinclude>Mad. ''rêal''. — Ach. ''ryáh''. — Mak., Bug. ''réyala''. — Bal. ''reyal'', ''leyar''. ''Pareayllan'' (Jav.), cambista. — Persa ''riyál''. — Ár. ''rial'', ''riyál''<ref>«Por duas tangas, que são dois '''reales''', iam os nossos n’uma embarcação». Bocarro, Déc. xiii, p. 171.</ref>.
'''? Rinoceronte.''' Siam. ''rēt''. ''No rēt'', ponta de rinoceronte.
Parece que o vocábulo é peregrino e que ''rēt'' está por (''rinoce'')-''ront(e)''.
'''Ripa.''' Mar. ''rip''. — Guj. ''rip'', ''rip''. — Sing. ''rippaya''. ''Rippa-taṭṭuva'', ripado. — Can., Tul. ''ripu''.
'''Rizes''' (naut.). L.-Hindust. ''ris'' (Marre).
'''Roda.''' Conc. ''ród'' (especialmente de carro). Term. vern. ''tsák''. — L.-Hindust. ''rodá''. — Sing. ''ródaya'', ''róda'', ''róde''. Term. vern. ''chakraya'', ''saka''. ''Jala-ródaya'', roda de água. Term. vern. ''jalachakraya''. ''Róda eti'', rodado. ''Róda karattaya'', carro de rodas. — Mal., Sund., Mak. ''róda''. ''Anak róda'' (lit. «filho da roda»), raio da roda. — Ach. ''rŭda''. — Jav., Mad. ''ródô''. — Tet., Gal. ''roda''.
'''Rôdo.''' Mal. ''ródoq''.
'''Rolão.''' Conc. ''rulámv''. — Sing. ''rulan''. — Tam. ''rolam''. — Indo-ingl. ''rolong''.
'''Rôlo.''' Conc. ''rôl''. — L.-Hindust. ''rol''. — ? Tet. ''lúlum''.
'''Ronda''' («patrulha»). Conc. ''rond''. — Guj. ''ron’''. — Beng. ''rond pheran''. — Malayál. ''rónda''. — Tul. ''rondu''. — Mal., Sund., Mak., Bug. ''ronda''. — Jav. ''róndô''. ''Parondan'', ''prondan'', esquadra de polícia. — Bal. ''ronda''.
'''Rosa.''' Conc. ''róz'' (n., flor), ''rôz'' (f., planta). — Sing. ''rósa'', ''rósa-mala'' (lit. «flor rosa»). Term. vern. ''sevvandi-mala''; ''sevvandi-gala'' (roseira). Parece que corresponde ao conc. ''xivanti'' (''Rosa semper florens''). ''Rosa-vatura'', água de rosas. ''Rosa-mala samana'', rosado, róseo. — Tam. ''rósa''. ''Rōsā-puppŏnra'', rosado. — Mal. ''rója'', ? ''rôs''. Swettenham julga que ''rôs'' é do ingl. ''rose''. — ? Sund. ''ros''. Rigg deriva-o do hol. ''roos''. — ? Mak., Bug. ''rósi''. Matthes prende-o a ''roos''.
''Róz'' denota em concani o «cravo de defuntos». Rosa própriamente chama-se ''guláb''. Há tambêm ''rozdepers'', «rosa da Pérsia», e ''roz-unváló''<ref>Segundo Garcia da Orta, ''rez-anvoló'' cor rôxa dos paramentos eclesiásticos.</ref>, fruto de ''Cicca disticha''.
'''Rosário.''' Conc. ''ruzáy''. — Beng. ''rosári''. — Can. ''rosári''. — Tet., Gal. ''rozáriu''.
'''Roupa.''' Conc. ''rôp''. Term. vern. ''kāpḍām'', ''vastrām''; ''āngvastrām'', ''āngāvlīm''. — Tet. ''roupa''. Term. vern. ''náhan''.
Em concani tambêm se diz ''ropêr'', do português de Goa ''roupeiro'', «vendedor de fazendas, fanqueiro».
'''Roxo.''' Conc. ''rôx''. Term. vern. ''zāmbló''. — Beng. ''roxú''. Diz-se da
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|137}}|RONDA ROXO|}}</noinclude>Mad. ''rêal''. — Ach. ''ryáh''. — Mak., Bug. ''réyala''. — Bal. ''reyal'', ''leyar''. ''Pareayllan'' (Jav.), cambista. — Persa ''riyál''. — Ár. ''rial'', ''riyál''<ref>«Por duas tangas, que são dois '''reales''', iam os nossos n’uma embarcação». Bocarro, Déc. xiii, p. 171.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L448665|? Rinoceronte.]]''' Siam. ''rēt''. ''No rēt'', ponta de rinoceronte.
Parece que o vocábulo é peregrino e que ''rēt'' está por (''rinoce'')-''ront(e)''.
'''Ripa.''' Mar. ''rip''. — Guj. ''rip'', ''rip''. — Sing. ''rippaya''. ''Rippa-taṭṭuva'', ripado. — Can., Tul. ''ripu''.
'''Rizes''' (naut.). L.-Hindust. ''ris'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:L464457|Roda.]]''' Conc. ''ród'' (especialmente de carro). Term. vern. ''tsák''. — L.-Hindust. ''rodá''. — Sing. ''ródaya'', ''róda'', ''róde''. Term. vern. ''chakraya'', ''saka''. ''Jala-ródaya'', roda de água. Term. vern. ''jalachakraya''. ''Róda eti'', rodado. ''Róda karattaya'', carro de rodas. — Mal., Sund., Mak. ''róda''. ''Anak róda'' (lit. «filho da roda»), raio da roda. — Ach. ''rŭda''. — Jav., Mad. ''ródô''. — Tet., Gal. ''roda''.
'''Rôdo.''' Mal. ''ródoq''.
'''Rolão.''' Conc. ''rulámv''. — Sing. ''rulan''. — Tam. ''rolam''. — Indo-ingl. ''rolong''.
'''Rôlo.''' Conc. ''rôl''. — L.-Hindust. ''rol''. — ? Tet. ''lúlum''.
'''Ronda''' («patrulha»). Conc. ''rond''. — Guj. ''ron’''. — Beng. ''rond pheran''. — Malayál. ''rónda''. — Tul. ''rondu''. — Mal., Sund., Mak., Bug. ''ronda''. — Jav. ''róndô''. ''Parondan'', ''prondan'', esquadra de polícia. — Bal. ''ronda''.
'''[[:d:Lexeme:L448405|Rosa.]]''' Conc. ''róz'' (n., flor), ''rôz'' (f., planta). — Sing. ''rósa'', ''rósa-mala'' (lit. «flor rosa»). Term. vern. ''sevvandi-mala''; ''sevvandi-gala'' (roseira). Parece que corresponde ao conc. ''xivanti'' (''Rosa semper florens''). ''Rosa-vatura'', água de rosas. ''Rosa-mala samana'', rosado, róseo. — Tam. ''rósa''. ''Rōsā-puppŏnra'', rosado. — Mal. ''rója'', ? ''rôs''. Swettenham julga que ''rôs'' é do ingl. ''rose''. — ? Sund. ''ros''. Rigg deriva-o do hol. ''roos''. — ? Mak., Bug. ''rósi''. Matthes prende-o a ''roos''.
''Róz'' denota em concani o «cravo de defuntos». Rosa própriamente chama-se ''guláb''. Há tambêm ''rozdepers'', «rosa da Pérsia», e ''roz-unváló''<ref>Segundo Garcia da Orta, ''rez-anvoló'' cor rôxa dos paramentos eclesiásticos.</ref>, fruto de ''Cicca disticha''.
'''Rosário.''' Conc. ''ruzáy''. — Beng. ''rosári''. — Can. ''rosári''. — Tet., Gal. ''rozáriu''.
'''[[:d:Lexeme:L447043|Roupa.]]''' Conc. ''rôp''. Term. vern. ''kāpḍām'', ''vastrām''; ''āngvastrām'', ''āngāvlīm''. — Tet. ''roupa''. Term. vern. ''náhan''.
Em concani tambêm se diz ''ropêr'', do português de Goa ''roupeiro'', «vendedor de fazendas, fanqueiro».
'''[[:d:Lexeme:L1119799|Roxo.]]''' Conc. ''rôx''. Term. vern. ''zāmbló''. — Beng. ''roxú''. Diz-se da
==Notas==
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|138|SABÃO|SABÃO}}</noinclude>côr rôxa dos paramentos eclesiásticos.
'''Rua.''' Mal. ''rúa''.
'''? Rupia.''' Siam. ''rupia''. — Mal., Ach., Batt., Sund., Jav., Mak., Bug. ''rupiya'', também «florim holandês»; fig. dinheiro em geral. — Mad. ''ropiya''. — Day. ''rupia'', ''ropia''. — Tet. ''rupia''. — Malg. ''rupia''.
Vocábulo indiano < sânsc. ''rüpya''. O Dr. Heyligers crê que os portugueses o levaram para a Insulíndia. Mas os antigos escritores não o mencionam, porque a rupia não corria então na Índia meridional<ref>«O empenho devia de ser grande, porque estes Religiosos chegarão a juntar-se, a dar humas seiscentas '''rupias''' a D. Antonio» (em Bengala, 1682). ''O Chron. de Tissuary'', I, p. 317.
«Les Indiens ont pour monnoye d'argent la '''Roupie'''». Tavernier, III, p. 21.</ref>.
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'''Sábado.''' Mal., Ach., Jav. ''sábtu'', ''sáptu''. — Sund. ''sáptu''. — Mad. ''sáptô''. — Day. ''sábtu''. — Mak., Bug. ''sáttu''. — Tet., Gal. ''sábadu''.
O Dr. Schuchardt e o Dr. Matthes atribuem a ''sábtu'' ou ''sáptu'' origem arábica; mas o Dr. Heyligers inclina-se para o étimo português e corrobora com a palavra ''mingo'' do port. ''domingo''.
'''Sabão.''' Conc. ''sãbámu''; ''sãbú'' (mais us.). — Mar. ''sábú'', ''sãbún''. — Guj. ''sabu'', ''sãbú''. — Hindi, Nep. ''sãbún''. — Hindust. ''sãbún'', ''sábun'', ''saban''. — Or. ''sábun'', ''xãbuni''. — Beng. ''sãbún''. ''Sãbãnbat'', saponáceo. — Ass. ''sában'', ''chaban''. — Sindh. ''sãbuni''. — Panj. ''sãbún'', ''sabún''. ''Sãbuni'', ''sabuni'' (adj.), de sabão. ''Sãbuni'', ''sabuni'', ''sãbúnlá'', ''sabuná'', caldeira de sabão; saboeiro. — Khas. ''sában'', ''sábun''. — Sing. ''saban'', ''saban''. — Tel. ''sabhu''. — Malayál. ''saban'', ''sabún''. — Can. ''sabbu'', ''sãbúnu''. — Tul. ''sábu'', ''sabbunu'', ''sabúnu''. — Gar., Khas. ''saban''. — Bir. ''ksap-pyah''. — Camb. ''sabu'', ''sabeãng''<ref>''A'' exótico representa-se às vezes no cambojano por ''ea'', como: ''réacsa'' (guardar) do sânsc. ''raksha''; ''roteá'' (carro) do sânsc. ''ratha''.</ref>. ''Dò sabu'', ensaboar. — Siam. ''sa-bú'', ''sãbú''. — Ann. ''xa-bong''. — Mal. ''sabon'' (Haex), ''sábun'', ''sabún''. — Ach., Batt., Sund., Jav., Bal. ''sábun''. — Mad., Day. ''sabon''. — Mak., Bug. ''sábung''. — Nic. ''xaváng''. — Tet., Gal. ''sabá''. — Jap. ''sabon'', ''shabon''. — Persa, ''sãbún''. — Ár. ''sabón'', ''sabún''<ref>«Açafrão de Portugal, '''sabão''', porcelanas, e alguns pannos de seda». Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 588.</ref>.
O Dr. Heyligers observa que os
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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'''[[:d:Lexeme:L500625|Rua.]]''' Mal. ''rúa''.
'''[[:d:Lexeme:L1554738|? Rupia.]]''' Siam. ''rupia''. — Mal., Ach., Batt., Sund., Jav., Mak., Bug. ''rupiya'', também «florim holandês»; fig. dinheiro em geral. — Mad. ''ropiya''. — Day. ''rupia'', ''ropia''. — Tet. ''rupia''. — Malg. ''rupia''.
Vocábulo indiano < sânsc. ''rüpya''. O Dr. Heyligers crê que os portugueses o levaram para a Insulíndia. Mas os antigos escritores não o mencionam, porque a rupia não corria então na Índia meridional<ref>«O empenho devia de ser grande, porque estes Religiosos chegarão a juntar-se, a dar humas seiscentas '''rupias''' a D. Antonio» (em Bengala, 1682). ''O Chron. de Tissuary'', I, p. 317.
«Les Indiens ont pour monnoye d'argent la '''Roupie'''». Tavernier, III, p. 21.</ref>.
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'''[[:d:Lexeme:L450524|Sábado.]]''' Mal., Ach., Jav. ''sábtu'', ''sáptu''. — Sund. ''sáptu''. — Mad. ''sáptô''. — Day. ''sábtu''. — Mak., Bug. ''sáttu''. — Tet., Gal. ''sábadu''.
O Dr. Schuchardt e o Dr. Matthes atribuem a ''sábtu'' ou ''sáptu'' origem arábica; mas o Dr. Heyligers inclina-se para o étimo português e corrobora com a palavra ''mingo'' do port. ''domingo''.
'''Sabão.''' Conc. ''sãbámu''; ''sãbú'' (mais us.). — Mar. ''sábú'', ''sãbún''. — Guj. ''sabu'', ''sãbú''. — Hindi, Nep. ''sãbún''. — Hindust. ''sãbún'', ''sábun'', ''saban''. — Or. ''sábun'', ''xãbuni''. — Beng. ''sãbún''. ''Sãbãnbat'', saponáceo. — Ass. ''sában'', ''chaban''. — Sindh. ''sãbuni''. — Panj. ''sãbún'', ''sabún''. ''Sãbuni'', ''sabuni'' (adj.), de sabão. ''Sãbuni'', ''sabuni'', ''sãbúnlá'', ''sabuná'', caldeira de sabão; saboeiro. — Khas. ''sában'', ''sábun''. — Sing. ''saban'', ''saban''. — Tel. ''sabhu''. — Malayál. ''saban'', ''sabún''. — Can. ''sabbu'', ''sãbúnu''. — Tul. ''sábu'', ''sabbunu'', ''sabúnu''. — Gar., Khas. ''saban''. — Bir. ''ksap-pyah''. — Camb. ''sabu'', ''sabeãng''<ref>''A'' exótico representa-se às vezes no cambojano por ''ea'', como: ''réacsa'' (guardar) do sânsc. ''raksha''; ''roteá'' (carro) do sânsc. ''ratha''.</ref>. ''Dò sabu'', ensaboar. — Siam. ''sa-bú'', ''sãbú''. — Ann. ''xa-bong''. — Mal. ''sabon'' (Haex), ''sábun'', ''sabún''. — Ach., Batt., Sund., Jav., Bal. ''sábun''. — Mad., Day. ''sabon''. — Mak., Bug. ''sábung''. — Nic. ''xaváng''. — Tet., Gal. ''sabá''. — Jap. ''sabon'', ''shabon''. — Persa, ''sãbún''. — Ár. ''sabón'', ''sabún''<ref>«Açafrão de Portugal, '''sabão''', porcelanas, e alguns pannos de seda». Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 588.</ref>.
O Dr. Heyligers observa que os
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|SACRAMENTO|SAGU|139}}</noinclude>árabes raras vezes fazem uso de sabão, e por isso não é provável que introduzissem o termo na Malásia<ref>«Le nom arabe dérive du latin ''sapo'', qui lui-même dériverait, d'après Pline, d'un mot gaulois». Dr. Pierre Guiges, ''Journal Asiatique'', Juillet-Août, 1905.</ref>.
'''Saber.''' Pid.-Engl. ''sabby'', ''savvy'' (mais us.), ''sha-pi'' (p. us.), saber, entender, conhecer; conhecimento, sciência. «Used in the widest sense». Leland.
'''Sabre.''' Conc. ''sábr''. — ? Jap. ''saberu''.
Deve ter sido modernamente introduzido o termo no japonês, de qualquer outra língua. «A palavra é moderna em português», diz o Sr. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
'''Saca-rolhas.''' Conc. ''sãkãrôl''. — Tet., Gal. ''sakarolha''.
'''Saco.''' Conc. ''sák''. Term. vern. ''gon'', ''potém'', ''boksém''. — Sing. ''sakka-malla''; ''sakuva'', algibeira. Term. vern. ''odokkuva'', ''pasumbiya''. — Tam. ''sakku''. Term. vern. ''pai''. — Malayál. ''chakku'' (também «algibeira», como no crioulo). — Mal. ''sáku'', ''sáko'', bôlso. — Sund. ''sáku''. Rigg deriva-o do hol. ''zak'', bôlsa. — ? Nic. ''xayo''.
No crioulo de Ceilão ''saco'' quere dizer «bôlso, algibeira».
'''Sacramento.''' Conc. ''sãkrãment''. Term. vern. ''sãoskár'' (p. us.). — Beng. ''sãkrãmentú''. — Sing. ''sakramêntura''. — Tam., Can., Tet., Gal. ''sakraméntu''. — ? Malg. ''sakramenta''. Talvez do ingl. ''sacrament''.
'''Sacrário.''' Conc. ''sãkrár''. — Tam. ''sakkrári''. — Tet., Gal. ''sakráriu''.
'''Sacrifício.''' Conc. ''sãkriphis''. — Tet., Gal. ''sakrifísiu''.
'''Sacrilégio.''' Conc. ''sãkrilej''. — Tet., Gal. ''sakriléjiu''.
'''Sacristão.''' Conc. ''sãkristám'', ''sãkistám''. — Beng., Tam., Can. ''sankristán''. — Tel. ''sakrístu''. — Tet., Gal. ''sakristã''.
'''Sacristia.''' Conc. ''sãkristí'', ''sãnkristi''. — Beng., Tam., Can. ''sakristi''. — Tel. ''sakrístu''. — Tet. ''sakristia''.
'''? Sagu''' («substância amilácea»). Conc. ''sãgú'', ''sãbú''. — Mar., Guj., Hindi, Hindust., Or., Beng., Panj. ''sãgú''. — Sing.* ''sãgú'', ''savgal''. — Tam. ''savvu''. — Malayál. ''sagu'', ''sãgô''. — Tel. ''saggu''. — Can. ''sãgo'', ''seigo''. — Tul. ''seigo'' (por influência do inglês). — Indo-ingl. ''sago''. — Indo-franc. ''sagou''. — Gar. ''sagu''. — Khas. ''sako''. — Camb. ''saku'' (o cambojano não tem ''g''). — Siam. ''sákhu''. — Mal., Batt., Sund., Jav., Mak., Bug. ''ságu''. — Ach. ''ságu'', ''ságe''. — Bal. ''ságu'', ''ságo''. — Day. ''sago''. — Tet., Gal. ''sáku''. — Jap. ''sagobei''. — Persa ''sãbú''<ref>«Toda a gente destas ilhas de Maluco comem de hũ mantimento, a que chamão ''Sagun'': que he o miolo de hũa arvore à semelhança de palmeira». João de Barros, ''Déc.'' III, v, 5.
«Chegou hy hum junco carregado de</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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'''[[:d:Lexeme:L1461771|Saber.]]''' Pid.-Engl. ''sabby'', ''savvy'' (mais us.), ''sha-pi'' (p. us.), saber, entender, conhecer; conhecimento, sciência. «Used in the widest sense». Leland.
'''[[:d:Lexeme:L481678|Sabre.]]''' Conc. ''sábr''. — ? Jap. ''saberu''.
Deve ter sido modernamente introduzido o termo no japonês, de qualquer outra língua. «A palavra é moderna em português», diz o Sr. Gonçalves Viana, ''Apostilas''.
'''Saca-rolhas.''' Conc. ''sãkãrôl''. — Tet., Gal. ''sakarolha''.
'''[[:d:Lexeme:L1119047|Saco.]]''' Conc. ''sák''. Term. vern. ''gon'', ''potém'', ''boksém''. — Sing. ''sakka-malla''; ''sakuva'', algibeira. Term. vern. ''odokkuva'', ''pasumbiya''. — Tam. ''sakku''. Term. vern. ''pai''. — Malayál. ''chakku'' (também «algibeira», como no crioulo). — Mal. ''sáku'', ''sáko'', bôlso. — Sund. ''sáku''. Rigg deriva-o do hol. ''zak'', bôlsa. — ? Nic. ''xayo''.
No crioulo de Ceilão ''saco'' quere dizer «bôlso, algibeira».
'''Sacramento.''' Conc. ''sãkrãment''. Term. vern. ''sãoskár'' (p. us.). — Beng. ''sãkrãmentú''. — Sing. ''sakramêntura''. — Tam., Can., Tet., Gal. ''sakraméntu''. — ? Malg. ''sakramenta''. Talvez do ingl. ''sacrament''.
'''Sacrário.''' Conc. ''sãkrár''. — Tam. ''sakkrári''. — Tet., Gal. ''sakráriu''.
'''[[:d:Lexeme:L524639|Sacrifício.]]''' Conc. ''sãkriphis''. — Tet., Gal. ''sakrifísiu''.
'''Sacrilégio.''' Conc. ''sãkrilej''. — Tet., Gal. ''sakriléjiu''.
'''Sacristão.''' Conc. ''sãkristám'', ''sãkistám''. — Beng., Tam., Can. ''sankristán''. — Tel. ''sakrístu''. — Tet., Gal. ''sakristã''.
'''Sacristia.''' Conc. ''sãkristí'', ''sãnkristi''. — Beng., Tam., Can. ''sakristi''. — Tel. ''sakrístu''. — Tet. ''sakristia''.
'''? Sagu''' («substância amilácea»). Conc. ''sãgú'', ''sãbú''. — Mar., Guj., Hindi, Hindust., Or., Beng., Panj. ''sãgú''. — Sing.* ''sãgú'', ''savgal''. — Tam. ''savvu''. — Malayál. ''sagu'', ''sãgô''. — Tel. ''saggu''. — Can. ''sãgo'', ''seigo''. — Tul. ''seigo'' (por influência do inglês). — Indo-ingl. ''sago''. — Indo-franc. ''sagou''. — Gar. ''sagu''. — Khas. ''sako''. — Camb. ''saku'' (o cambojano não tem ''g''). — Siam. ''sákhu''. — Mal., Batt., Sund., Jav., Mak., Bug. ''ságu''. — Ach. ''ságu'', ''ságe''. — Bal. ''ságu'', ''ságo''. — Day. ''sago''. — Tet., Gal. ''sáku''. — Jap. ''sagobei''. — Persa ''sãbú''<ref>«Toda a gente destas ilhas de Maluco comem de hũ mantimento, a que chamão ''Sagun'': que he o miolo de hũa arvore à semelhança de palmeira». João de Barros, ''Déc.'' III, v, 5.
«Chegou hy hum junco carregado de</ref>.
== Notas ==
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/237
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||SAGUATE SALA|{{sc|140}}}}</noinclude>O Sr. Cândido de Figueiredo tira o vocábulo português da língua da Nova Guiné. Clough filia o sing. ''sāgú'' no português; mas tal vocábulo não se encontra nos dicionários singaleses modernos. Rigg deriva o sund. ''ságu'' do sing. ''saguna'' (sânsc. ''saguṇa''), no sentido de «substância valiosa», mas parece uma derivação arbitrária. Segundo Yule & Burnell, o étimo é o mal. ''ságu'', a planta é indígena do arquipélago indiano, e a sua provável vivenda originária, a região de Maluco e da Nova Guiné.
Não se sabe se o sagu era conhecido na India antes do século xvi; é de presumir porém que os portugueses tivessem concorrido para a sua propagação.
'''Saguate''' («presente, donativo»). Conc. ''sāguvát''. — Tet. ''saukáti'', ''sauáti''. — Gal. ''saguáti'', ''sauáti''.
O vocábulo é corrente nos crioulos indo-portugueses e na costa oriental de África, e foi muito empregado pelos nossos antigos escritores. O étimo é o hindustani-persa ''saughát'', «raridade, curiosidade, presente», e não o sânsc. ''svāgata'', como antes me pareceu<ref>«Em retorno do qual (presente) o foi o padre Provincial visitar com outro '''saguate''' bem differente». P. Manuel Barradas, in ''Hist. tragico-marit.'', ii, p. 113.
«A Rainha mandou visitar o Capitão mór com hũ grande '''çauguate''' de muytas galinhas, frangos, e ovos». Fernão Pinto, cap. xi.
«Com seus '''saguates''' de arroz e carne cozida para os romeiros». A. F. Cardim, p. 164.</ref>.
'''Sagueiro''' (bot.). Indo-ingl. ''sagwire''<ref>«Podiam seguramente ir buscar mantimentos hũa legoa da fortaleza, em que não achauão nenhũs, por serem cortados os '''çagueiros''', e assi palmeiras». Castanheda, viii, cap. 131.
«O '''Çagueiro''' tem o pao e as folhas verdes mui escuras, desta tomou nome çagu». Gabriel Rebêlo, ''Informação das Cousas de Maluco'', p. 169.</ref>.
'''Saia.''' Conc. ''sáy''. Term. vern. ''ghāgrô''. — Hindi, Hindust. ''sāyá''. — Beng. ''chhāyá''. No sentido de «sombra», é sânscrito. — Ass. ''sāyá''. Term. vern. ''mekhlela''. — Sing. ''sáya''. Term. vern. ''votiya''. — Gar. ''saia''. — Ár. ''saya''.
'''Sal.''' Nic. ''xal''. Quanto a ''x'' por ''s'', vid. ''sabão'' e ''sapato''.
É curioso que os nicobareses não conhecessem o sal ou não tivessem vocábulo para o designar. Mas teem o adjectivo ''haiyé'', «salgado». Há porém outras ilhas que tambêm não teem sal. «Os lombos de peixes bonitos, que os seccão ao sol, porque nas Ilhas (Maldivas) não ha sal». Gaspar Correia, i, p. 341.
'''Sala.''' Conc. ''sál''. Term. vern. ''vasrô''. — ? Sing. ''sála'', ''sále'', ''sálaya''
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||SAGUATE SALA|{{sc|140}}}}</noinclude>O Sr. Cândido de Figueiredo tira o vocábulo português da língua da Nova Guiné. Clough filia o sing. ''sāgú'' no português; mas tal vocábulo não se encontra nos dicionários singaleses modernos. Rigg deriva o sund. ''ságu'' do sing. ''saguna'' (sânsc. ''saguṇa''), no sentido de «substância valiosa», mas parece uma derivação arbitrária. Segundo Yule & Burnell, o étimo é o mal. ''ságu'', a planta é indígena do arquipélago indiano, e a sua provável vivenda originária, a região de Maluco e da Nova Guiné.
Não se sabe se o sagu era conhecido na India antes do século xvi; é de presumir porém que os portugueses tivessem concorrido para a sua propagação.
'''Saguate''' («presente, donativo»). Conc. ''sāguvát''. — Tet. ''saukáti'', ''sauáti''. — Gal. ''saguáti'', ''sauáti''.
O vocábulo é corrente nos crioulos indo-portugueses e na costa oriental de África, e foi muito empregado pelos nossos antigos escritores. O étimo é o hindustani-persa ''saughát'', «raridade, curiosidade, presente», e não o sânsc. ''svāgata'', como antes me pareceu<ref>«Em retorno do qual (presente) o foi o padre Provincial visitar com outro '''saguate''' bem differente». P. Manuel Barradas, in ''Hist. tragico-marit.'', ii, p. 113.
«A Rainha mandou visitar o Capitão mór com hũ grande '''çauguate''' de muytas galinhas, frangos, e ovos». Fernão Pinto, cap. xi.
«Com seus '''saguates''' de arroz e carne cozida para os romeiros». A. F. Cardim, p. 164.</ref>.
'''Sagueiro''' (bot.). Indo-ingl. ''sagwire''<ref>«Podiam seguramente ir buscar mantimentos hũa legoa da fortaleza, em que não achauão nenhũs, por serem cortados os '''çagueiros''', e assi palmeiras». Castanheda, viii, cap. 131.
«O '''Çagueiro''' tem o pao e as folhas verdes mui escuras, desta tomou nome çagu». Gabriel Rebêlo, ''Informação das Cousas de Maluco'', p. 169.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1491518|Saia.]]''' Conc. ''sáy''. Term. vern. ''ghāgrô''. — Hindi, Hindust. ''sāyá''. — Beng. ''chhāyá''. No sentido de «sombra», é sânscrito. — Ass. ''sāyá''. Term. vern. ''mekhlela''. — Sing. ''sáya''. Term. vern. ''votiya''. — Gar. ''saia''. — Ár. ''saya''.
'''Sal.''' Nic. ''xal''. Quanto a ''x'' por ''s'', vid. ''sabão'' e ''sapato''.
É curioso que os nicobareses não conhecessem o sal ou não tivessem vocábulo para o designar. Mas teem o adjectivo ''haiyé'', «salgado». Há porém outras ilhas que tambêm não teem sal. «Os lombos de peixes bonitos, que os seccão ao sol, porque nas Ilhas (Maldivas) não ha sal». Gaspar Correia, i, p. 341.
'''[[:d:Lexeme:L501566|Sala.]]''' Conc. ''sál''. Term. vern. ''vasrô''. — ? Sing. ''sála'', ''sále'', ''sálaya''
==Notas==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|SAMATRA|SAN-TOMÉ|141}}</noinclude>(também «varanda»), ''sãláva''. ''Kadu-sála'', tribunal de justiça. — Tet., Gal. ''sala''<ref>«E o rrecebeo na '''salla''' com muytas honras». Gaspar Correia, IV, p. 443.
«Recebeu em '''sala''' com grande aparato». Diogo do Couto, ''Déc.'' VI, v, 4.</ref>.
Parece que no vocábulo sing. há influência, se não procedência, do sânsc. ''çãlã'', com que se relaciona o alemão ''saal'', étimo do port. ''sala''.
'''Salada.''' Conc. ''sãlád''. Term. vern. ''karam'' (p. us. nesta acepção). — Hindust. ''saláta'', ''salútih'', ''salítih''. — Beng. ''saláta''. — Sing. ''saláda'' (também «alface, endívia»). — Tam. ''salládu''. — Tel. ''salladam''. — Can. ''saládu'', alface. — Mal. ''saláda'', ''seláda''. — Ach. ''selada''. — Sund. ''saláda''. ''Saláda-chui'', agrião. — Jav. ''selôdô''. — Mak., Bug., Tet., Gal. ''saláda''. — Ár. ''salátha''. — Turc. ''salata''.
'''Salva.''' Conc. ''sálv''. — Tet., Gal. ''salva''.
'''Salvação.''' Conc. ''sãlvãsám''. Termos vern. ''mukti'', ''turan''. — Tet., Gal. ''salvasã''.
'''Samatra.''' Indo-ingl. ''Sumatra'', rajada no mar entre a península malaia e a ilha de Samatra.
Os portugueses generalizaram depois o vocábulo a qualquer borrasca, e neste sentido é ainda hoje empregado em Goa<ref>«Nos deu uma trovoada de Noroeste que são os temporaes que comummente cursão nesta Ilha '''Çamatra'''». Fernão Pinto, cap. XXIII.
«Não pôde deixar de se perder a galeota de Miguel de Macedo na grande ilha de Malaca, onde se chegou a surgir e lhe deu uma '''samatra''', que a fez ir dar na ilha». Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 626.</ref>.
'''Santa Maria.''' Nic. ''sánta-mariá'', nome de moeda de cobre: meio ''anná'' ou quarto de ''anná'' ou tanga da moeda actual de Goa. Term. vern. ''paisa'' (do hindust.), ''riuid'', cobre em geral.
Não tendo havido, que eu saiba, moeda de cobre com o nome de Santa Maria, suponho que a locução designa alguma terra donde os nicobareses teriam primeiro recebido a referida moeda ou outra equivalente. Talvez seja mesmo o nome duma das ilhas do grupo, dado pelos portugueses, que presentemente não subsista. Na costa do Canará há uns ilhéus que se chamavam ''Santa Maria''; mas daqui não se teria originado o nome da moeda<ref>«Os ilheos se chamão ora '''sancta Maria''': os quaes estão entre Baçanor e Baticala». João de Barros, ''Déc.'' I, IV, 11.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447236|Santo.]]''' Conc. ''sánt''. ''Sant'' (subst.), «dia santo», é talvez do sânsc. ''santa'' (adj.). — Sing. ''santuvariya'' (subst.). — Can. ''santa'' (us. entre os cristãos). ''Santeru'', santos. — Camb. ''santa'' (anteposto a ''Papa''). — Mal. ''santo'' (Papa). — Tet. ''sántu''. — ? Jap. ''seito''. Provávelmente do ingl. ''saint''.
'''San-Tomé.''' Conc. ''satmém'', moeda de ouro. Distingue-se em ''navém satmém'' e ''parném satmém'', San-Tomé
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|142|SAN-TOMÉ|SARAÇA}}</noinclude>novo e San-Tomé vellio<ref>«Moeda d'ouro que se laura em '''sant-tomés''' ás partes que ho mandão laurar». Simão Botelho, p. 55.
«A qual moeda erão os próprios pardaos batidos como cruzados de valia de mil réis, com as quinas do hum cabo; e da outra banda a figura de São Thomé com letras derrador, que dizião — ''India tibi cessit''». Gaspar Correia, IV, p. 434.
«Ficarão-se chamando '''são Thomés''', moeda que ainda dura na India e corre por toda ella». Diogo do Couto, ''Déc.'' VI, VII, 1.</ref>. — Jap. ''santome'', ''santomejina'', espécie de riscado, procedente de San-Tomé de Meliapor em Madrasta. Hepburn dá-lhe por significado ''taffecillas'', que não sei a que língua pertence, mas que ocorre frequentemente nos escritores antigos<ref>«Taficiras de seda, e beatilhas, e outras sortes de roupas». Gaspar Correia, II, p. 344. «Derão huma espada, e seis teadas, e duas taficiras». ''Id.'', 714. «Dous fardos pequenos de tafeciras de Cambaya e outros pannos finos». ''Id.'', III, 23. «Dous fardos pequenos de tafeciras e pannos pintados de Cambaya». ''Id.'', 51.
«Do nosso patrão e os mais (de Meliapor) soubemos, que em algum tempo forão todos muito ricos a respeito de grandes avanços, que lhe davão as roupas que se fabricão naquella cidade, por serem as melhores de todo o Oriente». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', III, cap. 4.</ref>.
Há outros termos japoneses semelhantes, como ''Bangarajima'', ''Chaujima'', que indicam a procedência (Bengala, Chaúl) dos tecidos introduzidos no país pelos portugueses.
'''Sapateiro.''' Conc. ''saptêr''. Term. vern. ''chãmkár''; ''mochi'' (p. us.). — Sing. ''sapatéruva'', ''sapatére''. Term. vern. ''sammariya''. — Tet. ''sapatéru''.
'''[[:d:Lexeme:L307792|Sapato.]]''' Conc. ''sapát'' (p. us.). Term. vern. ''motsô''. — Guj. ''sapát''. — Hindust. (de Bombaim) ''sepát''. — Sing. ''sapattu'', ''sapattuva''. ''Sapattu-mahanna'', sapateiro. ''Slipper-sapattu'', sapatos de trazer por casa, chinelas. ''Bút-sapattu'', botas. Term. vern. ''us vahan'' (lit. «alparca alta»). ''Slipper'' e ''bút'' (= ''boot'') são do inglês. — Tam. ''sappattu''. — Tel. ''sapáth''. — Mal. ''sapátu''. ''Sapátu-panjan'', botas. ''Sapátu-káyu'', tamancos. ''Buga-sapátu'', flor de sapato (rosa da China). ''Sapátu-kuda'' (lit. «sapato de cavalo»), ferradura. — Ach. ''sepátu''. — Sund. ''sapátu'', ''sepátu''. ''Sepátu-panjan'', bota. Diz-se também ''estivel'', do hol. ''stivel''. — Jav. ''sapátu'', ''sepátu''. — Mak., Bug. ''sapátu'', ''chapátu''. — Nic. ''xapáta''. — Tet., Gal. ''sapátu''. — Persa ''sabát''. — Ár. ''sabbat'', ''sebbath'', ''sabat''<ref>«Çapatos brancos, barretes na mão de cetym roxo». Gaspar Correia, I, p. 533.
«Algumas vezes se despedem alguns doentes já sãos que por falta de camisas, siroulas, e '''sapatos''' se não vão do dito hospital (1597)». ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 1056.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1375155|Saraça]]''' («tecido estampado»). Conc. ''sarás''. — Jap. ''sarasa''<ref>«Com hũa corja (q. v.) de '''çaraças''', e pannos Malayos para sua mulher e filhas</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|SAÚDE|SÊLO|143}}</noinclude>De origem malaia, ''sarásah''. Vid. Gonçalves Viana, ''Apostilas'', I, p. 347<ref>que he o comum trajo daquella terra». Fernão Pinto, cap. XXI.
«E lhe deu duas '''sarasas''', panos, que as mulheres na India vestem, e são de estima». Francisco Vaz de Almada, in ''Hist. tragico-marit.'', IX, p. 71.
«Sarassas e camisas, e o mais fato que traziam, tudo entregaram». Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 170.
«Nos Açores é até hoje usado um manteo de mulher chamado çaraça, diz o Sr. Brito da Fonseca ... Quer-me parecer só oriental esta palavra '''saraça'''». Dr. Alberto de Castro, ''Flores de coral'', p. 172.</ref>.
'''Sargento.''' Conc. ''sãrjent''. — Tet. ''sarjéntu''. — Gal. ''sarjéntu'', ''saréntu''.
'''[[:d:Lexeme:L1375158|Sarja.]]''' Conc. ''sárj''. — Mal. ''serja''.
O ''Dic. Contemp.'' deriva ''sarja'' do lat. ''sericus'', e o de Cândido de Figueiredo dá por étimo o ár. ''sardje''.
'''Satán, satanás.''' Conc. ''satãnáz''. — Sindh., Day. ''setan''. — Sing. ''sátan''. — Gar. ''satan''. — Gal. ''satanaz''. Jap. ''satan''.
''Saitán'', usado em algumas línguas indianas, é do persa-ár. ''saitan'', e o próprio ''satan'' pode ter provindo imediatamente do inglês. O ''setan'' do dayak deve ser de origem holandesa, como diz Hardeland.
'''[[:d:Lexeme:L298558|Saúde.]]''' Conc. ''sãvúd'', saúde e brinde. Term. vern. na primeira acepção: ''bhaláy'', ''bhalãyki'', ''ãrám'', ''pranám''. ''Sãvúd karunk'', saudar, beber à saúde. — Beng. ''sãvudi''. — Sing. ''sãvódiya'', brinde. — Tet., Gal. ''saúdi''.
'''Sé.''' Conc., Tet., Gal. ''sé''.
'''[[:d:Lexeme:L1418699|? Secar.]]''' Mal. ''seka''. — Jav. ''sékô'', ''njékô'' (também «enxugar, varrer, escovar»). ''Sékat'' (Mal.), ''sikat'' (Sund.), escova, vassoura.
'''[[:d:Lexeme:L677452|Secretaria.]]''' Conc. ''sekretãri''. — Tet., Gal. ''sekretaria''.
'''[[:d:Lexeme:L661410|Secretário.]]''' Conc. ''sekretár''. — Tet., Gal. ''sekretáriu''.
'''Sêda.''' Conc. ''séd''. Term. vern. ''rexim'', ''reximlugat''. ''Sedi'' (adj.), de sêda, sedoso. — Sing. ''séda''. Term. vern. ''pãta-redi'', ''patapitiya''. ''Séda-patiya'', fita de sêda. — ? Mal., Sund. ''sutra''. — Jav. ''sutrô''. — Mad. ''sotra''. — Tet., Gal. ''seda''<ref>«Aquy (na China) se cria muy boa '''seda'''». Duarte Barbosa, p. 382.</ref>.
O Dr. Heyligers justifica a identificação de ''sutra'' com ''sêda'', pela troca de ''e'' por ''u'', de ''d'' por ''t'', e pela intercalação de ''r'', por negligência ou eufonia. Em sânscrito, ''sútra'' quere dizer «linha».
'''[[:d:Lexeme:L497160|Seguro.]]''' Conc. ''sugúr''. ''Sugúr-karunk'', assegurar. ''Sugúr-zãvunk'', estar seguro. — Mal. ''seguro'' (subst.), segurança (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L501568|Sela.]]''' Conc. ''sél'' (mais usado ''selim''). Term. vern. ''jin'', ''khogir''. — Mal., Tet., Gal. ''séla''. — Sund. ''sella''. — Jav. ''sélô''.
'''Sêlo''' (de imposto). Conc. ''sêl''. — Tet., Gal. ''sêlu''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|144|SENHOR|SERÃO}}</noinclude>'''Sem.''' Mal. ''sin'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L500630|Semana.]]''' Conc. ''sumán''. Term. vern. ''sãtvađó'', ''sátolém'', ''áthvađó''; ''hãptó'' (us. no Canará). ''Sumãnkár'', o servente da igreja que serve revezadamente por semanas; servente da semana<ref>São muito comuns os derivados desta espécie. Cf. ''chepekár'', de chapéu; ''mortikár'', de morte, ''phontyó'', de fonte, «fontículo».</ref>. — Sing. ''sumánaya''. ''Sumána-pata'', semanalmente. ''Sumánayak adangu'', semanal. Term. vern. ''satiya''. — Mal. ''semana'' (Haex). Também: ''sátu mingo'', lit. «um domingo»; ''sátujacmat'', lit. «uma sexta feira». — Tet., Gal. ''semana''.
A troca de ''e'' por ''u'' na primeira sílaba de ''sumán'' é devida ao ''s'' inicial e ao ''m'' seguinte. Cf. ''seguro''. Também aparece ''somana'' em escritores antigos<ref>«Por guardarem todolos oito dias daquella '''somana''', por razão da festa». João de Barros, ''Déc.'' III, III, 10.</ref>.
'''Semana santa.''' Conc. ''sumán sant''. — Tet. ''semana santa''.
'''[[:d:Lexeme:L1483370|Seminário.]]''' Conc. ''siminár''. Term. vern. ''math'' (não é usado entre os cristãos). — Tam. ''seminári''. — Tet., Gal. ''semináriu''.
'''[[:d:Lexeme:L447994|Senhor.]]''' Conc. ''sijñôr'' (= ''sinhor'', p. us.). — Beng. ''siyor''. — Mal. ''sinhôr'', ''sinyo'', ''siju''; ''sínhô'' (Castro). — Sund., Mad. ''sinyo''. — Jap. ''sinnyoro'', dono de navio mercante.
Bikker regista ''senyor'' com o significado de «holandês»; ''nyung'', com o de «português», e ''mistar'', com o de «inglês».
'''Senhora.''' Conc. ''sijñôr'' (p. us.). — Mal. ''nyóra'', ? ''nyonya'', ''nónya'', ''nóna''. — Mol. ''nyora''. — ? Sund., Jav., Mad. ''nyoña'' (= ''nionha''), ''nôna''.
O Dr. Schuchardt tem por certíssimo que ''sinyo'', ''sinyor'', e ''nona'', ''nonya'', ''nyora'', proveem de ''senhor'' e ''senhora''. Vid. ''dona''.
'''Sentença''' (judicial). Conc. ''sentems''. Term. vern. ''pharman'', ''nivãdó''. — Tet., Gal. ''sentensa''.
'''Sentido.''' Conc. ''sintid''. Term. vern. ''chitt'', ''arth''. — Tet., Gal. ''sentidu''.
'''Sentinela.''' Conc. ''sintinel''. Term. vern. ''pahãrekár'' ou ''pahãrkár''. — Tet., Gal. ''sentinela''.
'''Sentir.''' Conc. ''sintir-zãvunk'', ter pesar. Term. vern. ''duhkh lãgunk'', ''vãyt disunk''. — Tet., Gal. ''sinti''. Term. vern. ''hadômi''.
'''Separado.''' Conc. ''sepãrád'' (p. us.). Term. vern. ''kuxin''. — Mal., Jav., Mad., Day. ''separo'' (adv.), separadamente, à parte; às meias. — Sund. ''saparo'', ''paro''. Baixo jav. ''loro'', ''ro'' (por intermédio de ''paro'', com perda de ''se''), dois. ''Maro'', ''malih'', separar, dividir em duas partes. ''Paron'', ''palikan'', em duas partes, meias. Vid. Heyligers.
'''? Serão.''' Mal., Sund., Baixo jav. ''sore''. Denota própriamente a tarde das quatro horas ao sol posto.
O Sr. Gonçalves Viana julga casual a semelhança dos dois termos.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|SÍNAL|SOLDADO|145}}</noinclude>'''Seringa.''' Conc. ''siring''. Termos vern. ''nal'', ''pichkuri''. — Mal. ''siring'', filtrado. ''Siring-an'', filtro. — Sund. ''saring''.
'''Sério.''' Conc. ''ser''. Term. vern. ''bhãri'', ''nirãló''. — Tet. ''séri''. Term. vern. ''matének''. — Gal. ''séri''.
'''Sermão.''' Conc. ''sermám''. — Tet., Gal. ''sermã''.
'''[[:d:Lexeme:L477196|Serviço.]]''' Conc. ''sirvis''. Termos vern. ''tsãkri'', ''será''. — Mal. ''servicio'' (Haex). — Tet. ''servisu''.
'''Servir.''' Conc. ''sirvir-zãvunk''. Termos vern. ''tsãkrik arunk''; ''upkãrunk'', ''kãmák yevunk''. — Mal. ''servir'' (Haex). — Tet., Gal. ''sirvi''.
'''Serzideira''' (naut.). L.-Hindust. ''sisidor'', ''sizãdor''.
'''Setim.''' Conc. ''setim''. Term. vern. ''ãtlá''. — Sing. ''sitim''. Term. vern. ''kôseyyaya''. — Tul. ''séti''. — Mal. ''siten'' (Swettenham tira-o do português). — Jav. ''kestin''. — ? Mak., Bug. ''sátting''; talvez do hol. ''satijn''<ref>«Aquy (na China) se cria muy boa seda, de que fazem muyta cantidade de panos de damasquo de cores, '''setins''', e outros panos rasos». Duarte Barbosa, p. 382.
«Com jaquetas de veludo preto e mangas de '''cetym''' roxo». Gaspar Correia, ''Lendas'', I, p. 533.</ref>.
'''? Sigilo''' («sêlo»). Hindust. ''sijjill''. — Persa ''sijil''. — Ár. ''sijjil'', registo, decreto.
Talvez importado directamente do latim ou do italiano.
'''[[:d:Lexeme:L502268|Sinal.]]''' Conc. ''sinál'' (especialmente dos contratos). — Tet., Gal. ''sinal''.
'''[[:d:Lexeme:L449042|Sino.]]''' Sing. ''sinuva'', ''síniya''. Term. vern. ''ghantáva'', ''ghantúraya''. ''Sinuva-gahanná'' (lit. «batedor do sino»), sineiro. — Mal. ''sino''. — Tet., Gal. ''sínu''.
'''Soberbo.''' Conc. ''suberb'', ''suberãó''. Term. vern. ''garvi'', ''ahankãri''. — Mal. ''suberbo'' (Haex). — Tet. ''subérbu''.
Em teto e galóli também se usa ''suberba''.
'''Sobremesa.''' Conc. ''sobremez''. Termo vern. ''phalár''. — Tet. ''sobremeza''.
'''Sobrinha.''' Conc. ''subrinh''. Term. vern. ''putani'', ''dhuvdi'', ''bãchi''. — Mal. ''sobrinja'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L642588|Sobrinho.]]''' Conc. ''subrinh''. Term. vern. ''putanayó''; ''bhãfsó''. — Mal. ''subrinjo'' (Haex). — Tet. ''subrínhu''. Term. vern. ''mane-fónun''.
'''[[:d:Lexeme:L500604|Sociedade.]]''' Conc. ''sosyedád''. Termos vern. ''pangat'', ''sangat''. — Tet. ''sosiedádi'', ''súsi''. — Gal. ''sosiedádi''.
'''? Soco.''' («pedestal»). Jav. ''suku'' (Heyligers).
'''Sofá.''' Conc. ''suphá''. — Guj. ''soppá''. — Hindust. ''sufa''. — Sing. ''sôpáva''.
'''[[:d:Lexeme:L561256|Sofrer.]]''' Mal. ''suffrir'' (Haex). — Tet. ''sofri''. Term. vern. ''ténis''. — Gal. ''sufrê''.
'''Solda''' (bot.). Mak., Bug. ''saloda''.
'''[[:d:Lexeme:L500842|Soldado.]]''' Conc. ''soldád''. Term. vern. ''xipáy'', ''laxkari'', ''páyk'', ''sainik''. — Sing. ''soldádura''. Term. vern. ''sévayã'', ''hévayã''. — Mal. ''soldãdu'',
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|146|SOPA|SUÍSSA}}</noinclude>''seredádu'', ''seridádu''. — Ach. ''serdádu''; ''seledád'', marinheiro, marujo. — Sund. ''soldádo'', ''soldádu''. — Jav. ''sôrôdádu''. — Mad. ''sordádu''. — Bal. ''suredádu'', ''sredádu''. — Mak., Bug. ''sorodádu''. — Tet., Gal. ''soldádu''. Termos vern. ''ema fónun''. — Malg. ''soridany''<ref>«Favorecia este Governador os '''soldados''' que tinhão boas armas». Diogo do Couto, ''Déc.'' VI, v, 3. «Com cem '''soldados''' e com alguns ''Lascaris''». ''Id.'', ''Déc.'' VIII, I, 3.</ref>.
Os nossos cronistas chamam ''piães'' e ''lascarins'' aos soldados indígenas.
'''Sombreiro''' («guarda-sol»). Indo-ingl. ''sombrero'', ''summer-head''. — Tet. ''sombréiru''. Term. vern. ''siáti''. — Gal. ''sombrélu''.
Em indo-português é corrente ''sombreiro'' por «guarda-sol» ou «guarda-chuva»<ref>«Junto dele lhe leuaom hũu '''sombreiro''' de pee em hũa cana muyto alta que lhe tolhe o Sol». Duarte Barbosa, p. 320.
«Não poderá ninguém trazer tocha, andor, '''sombreiro''', sem nossa licença ou do nosso Governador». ''Foral'' de D. João III, in ''Archivo Port. Or.'', fasc. 5.º, p. 132.
«Com '''sombreiros''' de setim verde e carmesim». Fernão Pinto, cap. LXVIII.
«O Arcebispo (de Goa) quando sáe fóra faz levar comsigo um grande '''sombreiro'''; e é para notar que assim o delle, como o do Vice-Rei, e dos outros grandes senhores são mui magníficos e cobertos de velludo, ou outro panno de seda». Pyrard, ''Viagem'', II, p. 80.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1000677|Sopa.]]''' Conc. ''sôp''. — Sing. ''sôp'', ''sôppaya''. ''Sôp-pingana'', prato de sopa. — ? Tam. ''súppu'' (talvez do inglês ''soup''). — Tel., Mal. ''sópa''. — Tet. ''sôpa''.
''Súpa'', sânsc., significa «caldo».
'''Sorte''' («bilhete de lotaria»). Conc. ''sort'', ''sodt''. Term. vern. ''chitt''. — Mar. ''sodti''. — Guj. ''sorti'', ''surti''. — Hindust. ''sharti''. — Or. ''surti''. — Beng. ''surtti''. — Sing. ''sórtiya''. — Malayál., Can., Tul. ''sódti''. — Tet., Gal. ''sóriti'', fortuna. ''Tó-sóriti'', afortunar.
''R'' português antes de ''t'' ou ''d'' torna-se fácilmente na Índia ''r'' ou ''d'' cacuminal. Cf. conc. ''mort'' = morte, ''kãdtil'' = cartilha.
'''Sossegado.''' Conc. ''susegád''. Term. vern. ''thand'', ''svasth'', ''xánt''. — Tet. ''susegádu''. Term. vern. ''hakmátek''.
'''Sota''' (no jogo de cartas). Conc. ''sot''. — Mak., Bug. ''sóta''.
'''Sotaina.''' Tam. ''sutan''. — Gal. ''sotana''.
'''Suíssa''' («guarda de espingardeiros, criada por Afonso de Albuquerque», C. de Figueiredo). Conc. ''suyis''. ''Suyisãchem kapel'', capela da suíssa. — Mal. ''suissa'', «armatorum militum delectus» (Haex).
Na vila de Mapuçá, em Goa, há uma capela, dedicada à Santa Cruz, que vulgarmente se denomina «capela da suíssa ou dos suíssos». Terminada a festividade, faz-se um simulacro de batalha em um descampado entre os portugueses e os bounsulós maratas. A guarda suíssa passava por invencível<ref>«Os capitãees da soyça chegaram por</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
gwk5ilnnui0rywfttl4qr27q36zn9w2
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|TABACO|TABACO|147}}</noinclude>'''Sul.''' Conc. ''súl''. Term. vern. ''dakhín''. ''Sulkár'', habitante do sul de Goa, isto é, do Canará e do Malabar. — L.-Hindust. ''suli''<ref>«O mayor rendimento que minhas alfandegas dessas partes tem he das fazendas que vem da China e do '''Sul'''». Carta régia (1591), in ''Archivo Port. Or.'', fasc. 3.º, p. 312.
«E como a Ilha e Cidade de Goa, cabeça e Metropoli de todo o Estado, que os Portuguezes possuem, nella jaz na mesma Costa; a respeito da mesma Cidade, e Ilha contamos o sitio de todas as mais terras, e fortalezas do Estado... E as que correm para a esquerda, chamamos do '''sul'''; porque tem assento della». Fr. Luis de Sousa, ''Hist. de S. Domingos'', III, p. 360.</ref>.
'''Sumaca''' («espécie de barco»). Mal. ''sumáka'' (Marre).
'''[[:d:Lexeme:L500825|Superior.]]''' Conc. ''superyor'' (p. us.). Term. vern. ''vartó'', ''vhadíl''. — Tet. ''superior''. Term. vern. ''bóti''.
'''[[:d:Lexeme:L669940|Suspender.]]''' Conc. ''suspender-karunk''. Term. vern. ''maná karunk''. — Tet. ''suspendi''. Term. vern. ''tára'', ''tétu''.
{{c|{{x-larger|T}}}}
'''[[:d:Lexeme:L1217927|Tabaco.]]''' Mar. ''tamhákhú'', ''tamákhú''. — Guj. ''tambáku'', ''tambákum'', ''tamáku''. — Hindi, Hindust. ''tambãkú'', ''tamãkú'', ''tamakú''. ''Tambãkú-vãlá'', vendedor de tabaco. — Nep. ''tamúkú''. — Or. ''tamákhu''. ''Tamrakuta'', planta de tabaco. — Beng. ''tamák'', ''tãmák'', ''tamáku'', ''tãmakú'', ''tamrakú''. — Sindh. ''tamáku''. ''Tamãkí'', vendedor de tabaco. — Panj. ''tamãkú'', ''tamákhú''. — Kash. ''tabáku'', ''tamák'', ''tamok''. — Malayál. ''tambákku''. — Can. ''tambaku''. Term. vern. ''hogesoppu'' (lit. «erva de fumo»)<ref>Outras línguas dravídicas teem termos diferentes, que significam «fôlha de fumo».</ref>. — Gar. ''tamaku''. — ? Camb. ''thuãm''. — ? Ann. ''thúôc''. — ? Tonk. ''thuôc''. — Mal. ''tambáko'', ''tembáko'', ''tembáku''. — Ach. ''bakum'', ''bakon''. — Batt. ''timbako'', ''bako''. — Sund. ''tambako'', ''bako''. — Jav. ''tambako'', ''embako'', ''bako''. — Mad. ''pôkô''. — Bal. ''temako''. — Day. ''tambáko'', ''tamba''. — Mak., Bug. ''tambáko''. — Tet., Gal. ''tabáku''. — Malg. ''tambáko''. — Jap. ''tabako''. ''Maki-taba-''
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|TAMBACA|TANQUE|149}}</noinclude>dista»). Indo-ingl., Indo-franc. ''talapoin''<ref>«Mandou huma carta por hum seu Grepo '''Talapoy''' religioso de idade já de oytenta annos». Fernão Pinto, cap. CXLIX.
«Ha por todos estes reinos muitos religiosos de differentes regras: vns a que em Pegú chamão '''Talapois''', e em Sião, Bicos: e em Camboja, Chicús... Seus vestidos são capas e tunicas de hũa côr amarela escura, tinta que fazem com casca de jaqueira; trazem na cabeça sombreiros de papel azeitados». Diogo do Couto, ''Déc.'' V, VI, 1. «Praticando hum dia com os Embaixadores do Bramá, e os '''Talapoens''' que vierão em sua companhia que erão seus Bispos, e Religiozos». ''Id.'', ''Déc.'' VIII, I, 12.
«Elle não queria para si mais que uma esmola, como '''talapôi''', que responde aos nossos religiosos». António Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 125.</ref>.
O étimo é o pálico ''talapannam'' (singalês ''talapata''), ventarola com que andam os religiosos budistas, em conformidade com a sua liturgia<ref>«Trazem mais por religião andarem rapados e descalços, e na mão hũ abano de papel grande, da figura de hũa adarga, com que cobrem a cabeça do sol, e emparão o rosto da gente, quando prepassão por elles». João de Barros, ''Déc.'' III, II, 5.</ref>.
'''Talento.''' Conc. ''tãlent''. Term. vern. ''bãrkamáy'', ''mardi''. — Tet. ''taléntu''.
'''Talhamar.''' L.-Hindust. ''tãliyãmár'', ''tãliyãvár''.
'''Tambaca, tambaque''' («liga de cobre e zinco», preparada na Indo-China). Conc. ''tãmbak''. — Tam., Malayál. ''tambákku''. — Tul. ''tambaku''. — Indo-ingl. ''tomback''.
Do mal. ''tambaya'' (que se prende ao sânsc. ''tamrka''), introduzido na Índia pelos portugueses.
'''Tambor.''' Conc. ''tambor''. — ? Mar., Hindust., Panj. ''tambúr''. — ? Ass. ''tambaru'', ''tamburu''. — Sing. ''tambóruva'', ''tambóreva''. — Tam., Malayál. ''tambor''. — ? Can. ''tambúre''. — ? Mal., Sund., Jav. ''tambur''. — ? Ach. ''tãmbu''. — Bug. ''támboro'', ''tambúru''<ref>«Mandava tocar um '''atambor''' de tam excessiva grandeza, que quatro homẽs o não podião abalar». João de Barros, ''Déc.'' IV, VII, 20.
«Com muitas charamelas, trombetas, atabales, '''tambores''', pifanos». Diogo do Couto, ''Déc.'' VI, IV, 6.</ref>.
Dá-se por étimo de ''tambor'' o árabe-persa ''tanbúr'', que pode ter imediatamente transitado para as línguas em que termina o vocábulo em -''úr''.
'''Tanchão.''' L.-Hindust. ''tenchan''.
'''Tangedor.''' Mal. ''tanjedor'', ''tanjidur''. — Jav. ''tanjidur'', ''panjidur''. — Bug. ''tanjidóro''. Músico que toca instrumento europeu.
'''Tanger.''' Mal. ''tanji'' (subst.), música. ''Bikin tanji'', musicar.
'''[[:d:Lexeme:L1572433|? Tanque]]''' («cisterna»). Mar. ''tãnki'', ''tãnkém''. — Guj. ''tãnki'', ''tãnkum''. — Tul. ''tánki''. — Indo-ingl. ''tank''.
Parece que há aqui coincidência de dois vocábulos etimológicamente distintos, com significação quási análoga: port. ''tanque'', do lat. ''sta-''
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|150|TARTARUGA|TENTAR}}</noinclude>''gnum'', e guj. ''tánkum'' (étimo dos outros), provávelmente do sânsc. ''tatãka'' ou ''tadãga''.
Os escritores portugueses chamam «tanque» às cisternas indianas ou lagoas, que em concani teem o nome de ''talém''<ref>«Jaz sobre campos e terras de sementeiras, tem muitos '''tanques''' d'agoa dentro em sy e muitos arvoredos». A. de Albuquerque, ''Cartas'', I, p. 136.
«Estaua hũ grande '''tanque''' daltura de quatro braças». ''Roteiro da viagem de Vasco da Gama'', p. 95.
«Muytos '''tanques''' dagoa, em que se lauãom cada dia duas vezes, asy homeins como mulheres». Duarte Barbosa, p. 268.
«Para recolhimento das agoas do Inverno fazem estes '''tanques''' (a que propriamente podião chamar lagoas) todas empedradas». João de Barros, ''Déc.'' IV, VI, 5.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L502644|Tanto]]''' (adv.). ? Mal., Mak., Bug. ''tántu'', certo, determinado, firme. — Jap. ''tanto'' (termo coloquial), muito, em grande quantidade.
Hepburn observa: «Esta palavra deriva provávelmente do espanhol».
'''Tapete.''' Conc. ''tãpêt''. Term. vern. ''tivãsi'', ''satrangi''. — Tet. ''tapêti''.
'''Tara.''' Tel. ''táramu''.
'''[[:d:Lexeme:L477308|Tarde.]]''' Conc. ''tárd'' (p. us.). Term. vern. ''sánz'', ''uxir''. — Mal. ''tarda'' (Haex). — Tet., Gal. ''tárdi''.
'''? Tarifa.''' Malayál. ''tariff''.
É possível que tenha sido importado directamente do árabe ou por via do inglês.
'''[[:d:Lexeme:L447055|Tartaruga.]]''' Mal. ''tateruga'', ''tetrugo'' (Haex). — Mol. ''tarturugo'', tartaruga de mar.
'''Têmpera''' (por «tempêro»). Conc. ''tempr''. Term. vern. ''sambhár'', ''masãló'', ''jiremmirém''. — Tet. ''tempra''. Term. vern. ''bûdu''. — Gal. ''têmpera''.
Com a forma de ''tempra'' ou ''tempr'', usa-se o vocábulo nos crioulos indo-portugueses.
'''[[:d:Lexeme:L662636|Temperado]]''' (subst.). Conc., Tam. ''temprád'', guisado de hortaliça. — Sing. ''tempráduva'', temperamento. ''Temprádu karanavã'', temperar.
'''[[:d:Lexeme:L448173|Tempo.]]''' Conc. ''têmp''. Term. vern. ''kál'', ''vêl'', ''vagat'', ''samay''. — Mal. ''tempo'', duração e estado atmosférico. ''Minta tempo'', pedir prazo. — Jav. ''tempo''. ''Tempon'', termo do prazo nos contratos. — Sund. ''tempo''. ''Karempo'', «forma modificada de ''tempo'': estão todos logrados; é feito deles, soou-lhes a hora. Diz-se também de única pessoa, como se todos os seus pequenos negócios estivessem arruinados. ''Gêns rarempo jasah'', é o mais miserável, o mais destituído». Rigg. — Day. ''tempo'', termo, prazo. — Tet., Gal. ''témpu''.
'''Tenaz''' (subst.). Malayál. ''tanáss''.
'''Tenda.''' Conc. ''tend'', tôldo. — Sing. ''tende'', catre, leito. — Mal. ''tenda'', tôldo. — Jav. ''têndô'', ''tindô''. — Tet. ''tenda''.
'''Tentação.''' Conc. ''tentãsám''. Termos vern. ''tãlni'', ''nád'', ''bhúl''. — Tet. ''tentasã''.
'''[[:d:Lexeme:L561197|Tentar.]]''' Conc. ''tentár-karunk'', provocar ao mal; apoquentar. —
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|TINTA|TOALHA|151}}</noinclude>Mal. ''tentar'' (Haex). — Tet., Gal. ''tênta''.
'''Têrço''' (do rosário). Conc. ''têrs''. — Beng. ''tersú''. — Tam., Tet., Gal. ''térsu''<ref>«Rezam todos em voz alta o '''terço''' do rosário». Cardim, p. 93.</ref>.
'''Terebintina.''' Jap. ''terementina''.
O Sr. Gonçalves Viana deriva ''terementina'' do espanhol ''trementina''. Mas Diogo do Couto diz: «Era semelhante á ''trementina''» (''Déc.'' IV, VII, 9); e no ''Archivo Port. Or.'' aparece a seguinte verba (1585): «''Trementina'' a dez reis a onça» (fasc. 5.º, p. 1048).
'''Terrina.''' Conc. ''terrín''. — Tet., Gal. ''terrina''.
'''Tesouraria.''' Guj. ''tijori''; também «cofre». — Malayál. ''tishóri''. Talvez do ingl. ''treasury''.
'''Tesoureiro.''' Conc. ''tijrêr''. — Guj. ''tijorar''. — Tam. ''tijoreri''.
'''[[:d:Lexeme:L448221|Testamento.]]''' Conc. ''testãment''. Term. vern. ''maranpatr''. — Mal. ''téstamen'' (Castro). — Tet., Gal. ''testaméntu''.
'''Tia.''' Conc. ''ti'', ''titi'' (p. usados). — Beng. ''titi''. — Tet. ''tia''.
'''[[:d:Lexeme:L730512|Tinta.]]''' Conc. ''tint''. Term. vern. ''xái'', ''maxi'', ''patrãnjan''. — Sing. ''tinta'' (também «côr, tintas»). Term. vern. ''masi'', ''deli''. ''Tinta gánavã'', tingir, colorir. ''Tinta-kuppiya'', ''tinta-keduva'', tinteiro. — Tam. ''tintei''. — Mal., Jav. ''tinta'', tinta europeia; côr. ''Mansi'' é tinta chinesa. — Tet., Gal. ''tinta''.
'''Tinto''' (vinho). Conc. ''tint'', ''tintãtsó saró''. — Jap. ''chinta''.
'''[[:d:Lexeme:L448196|Tio.]]''' Conc. ''tiv'', tio paterno (us. entre os cristãos). Term. vern. ''bãpló''. — Beng. ''tiv'' (us. entre os cristãos de Hashnabad, distrito de Dacá). — Mal. ''tio'' (Schuchardt). — Tet. ''tio''.
'''Tira.''' Conc. ''tir''. Term. vern. ''phãli'', ''chindhi'', ''xir'', ''patti'', ''hãn''. — Sing. ''tiraya'', ''tireva''. — Mal. ''tiras'', fios. — Tet., Gal. ''tiras'', também «fita, faixa». Preferida a forma plural, como em ''apas'', ''uvas''<ref>Na significação de «cortina», como é em tamul e malayálam, ''tira'' é do sânscrito.</ref>.
'''Tiro.''' Conc. ''tir'', pontaria, alvo. Term. vern. ''phár''; ''tip'', ''moki''. — Sindh. ''tiru'', bala. — Tet., Gal. ''tiru''.
'''[[:d:Lexeme:L46844|Toalha.]]''' Conc. ''tuvãló''. Termos vern. ''hãtpusnem'', ''mezãchem tsadar''. — Guj. ''tuvál''. — Hindi, Hindust. ''tauliyá'' (também «guardanapo»). Term. vern. ''rumal'', ''angoehchá''. — Beng. ''toyále''. — Sing. ''tuvãya'', ''tuvãjaya'', ''tuvãje''. Term. vern. ''pisnakađa''. — Tam. ''tualei''. — Malayál. ''tuvála''. — Tet. ''tuvãlã'', ''tuvãlãgutta''. — Tul. ''tuválu''. — Indo-ingl. ''towleea''. — Khas. ''taulia''. — ? Siam. ''tôk''. — Mal. ''tuála'', ''tuvála''. — Tet., Gal. ''tualha''.
Destruiu-se o hiato ''oa'' pela intercalação de ''v'' (= ''w''), e despalatizou-se ''lh'', por não haver tal fonema nas línguas orientais.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|152|TOPAZ|TOPAZ}}</noinclude>'''Tocha.''' Conc. ''toch''. — Tam. ''tócha''.
'''[[:d:Lexeme:L486661|Tomar.]]''' Mal. ''tóma''. Em ''tóma ánin'', ''tóma harus'', tomar o vento, tomar a corrente.
'''Tomate.''' Conc. ''tomát''; ''tamát'' (do ingl. ''tomato''). Term. vern. ''belvãngevi''. — Tet. ''tómáti''. Term. vern. ''fái-mátak''.
'''Tômbo''' («arquivo»). Sing. ''tômbuva''.
'''Topa.''' Mal. ''tópa''. Usado no jôgo de peão.
'''Topaz.''' Indo-ingl. ''topaz'', ''topass'' (obsol.). — Indo-franc. ''topas''.
Empregou-se a palavra nos séculos XVII e XVIII como sinónimo de ''mestiço'', para designar os que pretendiam ser descendentes de portugueses, falavam português, trajavam à portuguesa, professavam a religião católica e serviam de ordinário como soldados.
A origem do vocábulo é muito discutida. Atribuem-se-lhe pelo menos três étimos, mais ou menos plausíveis: 1.º, turco-persa-hindust. ''top-chi'', «granadeiro», por motivo da profissão<ref>«Septecentos portugueses, afora alguns '''topazes''' também espingardeiros». António Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 244.
«Achava-se Gaspar Figueira com oito companhias, e nelas duzentos e quarenta soldados Portugueses, e huma de '''topazes''', que tinha trinta e sete». João Ribeiro, ''Fatalidade hist.'', liv. II, cap. XX.
«In the early history of the Company these people were extensively enlisted as soldiers». H. H. Wilson.</ref>; 2.º, hindust. ''topí'' (tam. ''toppi''), «chapéu» (''topivãlá'', «homem de chapéu»), pelo distintivo, ora honorífico, ora depreciativo<ref>«Métis ou '''Topas''' dits gens à chapeaux». A. Marre.</ref>; 3.º, tam. ''tuppási'' (não registado pelos dicionários modernos), por ''dubáshi'' = neo-árico ''dubhãshi'' ou ''dobãshi'' = sânsc. ''dvibhãshya'', «bilíngue, intérprete»; porque falavam duas línguas<ref>«Propunha mais que era necessário á igreja de Calicut um '''Topaz''', ou língua dos christãos da terra, que alem de entendido fosse homem de respeito, que pudesse tratar com o Samorim, e com os seus ministros os negocios da igreja, e dos christãos (1698)». ''O Chron. de Tissuary'', II, p. 83.
«Tuppâsi, d. i. Dolmetscher, welcher Name gemeiniglich auch den Indianischen Portugiesen gegeben wird». ''Ber.'' IV, 19 Anm. 6, apud Schuchardt.</ref>.
A despeito da censura de Yule («com a sua usual fertilidade em êrro»), acho com o Dr. Schuchardt que Fra Paolino da S. Bartolomeo tinha razão em considerar ''topaz'' como corrução de ''do-bhãshya''.
No tamul vulgar, ''dubhãshi'' ou ''dobãshi'' deve normalmente converter-se em ''tuppási''; porque, como tem sómente fonemas brandos intervocálicos, muda as iniciais dos vocábulos peregrinos nos seus respectivos duros, e gemina muitas vezes em duros os brandos mediais, por assimilação ou por ênfase. Cf.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|TOPAZ|TOPE|153}}</noinclude>''tãthu'' = sânsc. ''dhãtu'', ''tivu'' = sânsc. ''dvípa''; ''tukkam'' = sânsc. ''duhkham'', ''tuttu'' = neo-árico ''dudú''. O malayálam, que passa por dialecto do tamul, tem de facto ''tuppási'' ou ''tupáyi'' na acepção de «intérprete»<ref>Gundert menciona documentos do século XVIII, em que ''tupáyi'' é empregado com o significado de «''East-Indian'', ou mestiço».</ref>. E o singalês, que oscila entre as línguas áricas e dravídicas, tem ''tuppahiyá'' no mesmo sentido, o qual certamente é corrução (''tadbhãva'') do árico ''dubhãsya'' ou adopção do dravídico ''tuppási'', com ''h'' por -''s''- intervocálico, fenómeno comum, e com o sufixo separável -''yá''.
O nome de ''topaz'' ao «mestiço» esteve mais em voga na Índia meridional<ref>«A native Christian sprung from a Portuguese father and Indian mother in the south of India». H. H. Wilson.</ref>, e é de presumir que se tenha originado dalguma língua dravídica. Ora se ao ''dubhãshi'' corresponde ''tuppási'' e significa primáriamente «intérprete», é claro que se devia aplicar assim aos cristãos indígenas que soubessem português<ref>«Não tinha naquelle tempo mais que só cinco Portuguezes, sete filhos da India, que são os filhos de Portuguezes, que nella nascem, e seis '''Topazes''', nome porque se conhecem os Christãos daquellas partes, que não tem sangue portuguez». ''Conquista do Reyno de Pegu'', cap. VII.</ref>, como aos descendentes dos portugueses que, além da língua paterna, falavam uma ou mais vernáculas, e como tais teriam sido frequentemente empregados como intérpretes entre europeus e indígenas<ref>«Hum alvará de Sua Alteza de 25 de Janeiro de 1571, em que se manda que os officios de ''Linguas''... se dêm aos novamente convertidos». ''Archivo Port. Or.'', Supl. 2.º, p. 79.</ref>. E neste sentido o termo é usado por escritores nacionais e estrangeiros. «Os que as (necessidades) padecem as mostram, e representam bem sem '''topaz''', nem interprete». Lucena. «Estimando muyto a ocasiam de se achar sem '''topaz''». ''Id.'', liv. II, cap. 16.
Depois, quando o vocábulo se apropriou a uma raça, e houve intérpretes doutras classes, algumas línguas dravídicas, para evitar confusão, importaram ''dubáshi'', como ''tatsama'', para denotar o intérprete em geral, bem como o feitor ou agente<ref>No lascari-hindustani, ''topás'' é o nome do criado de limpeza. «It is doubtful to what language this word properly belongs. It does not mean a sweeper in Hindustani, but the Laskar “topas” generally acts as such as his special duty in the ship». Small.</ref>. (Vid. ''Hobson-Jobson'' e Schuchardt, ''Beiträge'', etc.).
'''[[:d:Lexeme:L497185|Tope]]''' (do mastro). L.-Hindust. ''tôpi''.
O vocábulo ''topi'', ''topí'' ou ''toppi'', que se encontra nas línguas gáuricas e dravídicas, com o significado
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
emgfem7yw5rpbdsfee3oirda7tuiqb2
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/251
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|154|TRAIDOR|TRESDOBRADO}}</noinclude>de «barrete, chapéu», é filiado por alguns etimologistas no port. ''tope'' ou ''tôpo''. Mas o ''Roteiro'' dá ''tupy'' como correspondente ao port. «barrete» na lista das palavras do Malabar. Os lexicógrafos indianos relacionam ''topi'' com ''topa'' ou ''top'', «grande chapéu, capacete, e (em concani) mitra».
'''Toro''' («tronco do corpo»). Mal., Jav. ''toro'', espécie de jaqueta. Segundo o Dr. Heyligers, é abreviação de ''báju-toro'' (Mal.) e ''rasukan-toro''.
'''Toronja''' (''Citrus decumana''). Conc. ''torónz'' (n., fruto), ''torônz'' (f., planta). — Mar. ''turanj'', ''toranjan''. — Guj., Hindust. ''turanj''. — Sindh. ''turunju''. — Tel. ''turanj'', ''turánju''.
A planta é originária da Java, provávelmente introduzida na Índia pelos portugueses. O nome é ár. ''turunj'', persa ''turanj'', que parece ser o étimo imediato do vocábulo em algumas das línguas.
'''Tôrre.''' Conc. ''tôrr''. Term. vern. ''gopur'', ''burínz''. — Tet., Gal. ''tôrri''.
'''Torto''' (vesgo»). Mal. ''torto'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L499980|Touca.]]''' Mal. ''tocca'', cinto («cingulum», Haex).
Parece que o significado dado por Haex não é correcto, porque ''tokka'' no crioulo português malaio significa «véu, mantilha, chale».
'''Traição.''' Conc. ''trãyisám''. Term. vern. ''ghát ãbghát''. — Tet. ''traisã''.
'''[[:d:Lexeme:L448237|Traidor.]]''' Conc. ''trãyidor'' (p. us.). Term. vern. ''ghãtki'', ''galekãpó''. — Mal. ''taledor''.
'''Tranca.''' Sing. ''trankaya''. Term. vern. ''agula''.
'''Tranqueira.''' Mal. ''trankeyra'', ''trankéra'', ''terankéra'', ''telankéra''<ref>«E destas povoações a principal he chamada Upi, que por outro nome se chama a '''Tranqueira'''». Godinho de Erédia, ''Declaraçam de Malaca'', fol. 5.</ref>.
'''Trapa.''' L.-Hindust. ''trãpá'', jangada.
'''Traquete.''' L.-Hindust. ''trikat'', ''tirkat'', ''trinkat''. — Mal. ''trinket'', ''triaket''.
'''[[:d:Lexeme:L448219|Tratamento.]]''' Conc. ''trãtãment''. Term. vern. ''tsãlauni''; ''kelauni'', ''upatsár''. — Tet., Gal. ''trataméntu''.
'''[[:d:Lexeme:L669732|Tratar.]]''' Conc. ''trãtár-karunk''. Term. vern. ''tsãlaunk'', ''kelaunk''. — Tet., Gal. ''tráta''.
'''Tratos''' («torturas»). Mal. ''tarato'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L500691|Trave.]]''' Tam. ''trávi''.
'''[[:d:Lexeme:L46868|Três.]]''' Malayál. ''tress'', fracção de réis (Gundert).
'''? Tresdobrado.''' Conc. ''tibrád''. Diz-se especialmente da aguardente muito forte. — Tul. ''tibralu'', espírito de palmeira três vezes destilado.
Creio que ''tibrád'' não provêm directamente da palavra portuguesa correspondente, mas é formado analógicamente por influência de ''dobrád'' (q. v.). Como a primeira sílaba dêsse vocábulo soa quási ''du'', forma compositiva de ''don'', «dois» (cf. ''dupat'', «dôbro», ''dutondi'', «bicípite»), substituiu-se-lhe ''ti'' < ''tin'', «três» (cf.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|155|TRONCO|TROPA}}</noinclude>''tipêt'', «triplo», ''tipãyi'', «trípode»), para indicar a triplicidade. O túlu recebeu o vocábulo imediatamente do concani, como tantos outros.
'''Trigo.''' Sing. ''tiringu''. Term. vern. ''góduma''. — Mal. ''trígu'', ''terígu''. Termo vern. ''gundum''. — Sund. ''tarigo''. Term. vern. ''gundrum''. Jav. ''trígu''. — Tet., Gal. ''trígu''.
Na Índia meridional e na Malásia não se produz trigo. Os portuguezes propagaram o seu conhecimento e uso. Vid. ''pão''. ''Góduma'' e ''gundum'' prendem-se ao sânsc. ''godhuma''.
'''Triste.''' Conc. ''trist''. Term. vern. ''chintesht'', ''khantibharit'', ''udás''. — Gal. ''trísti''.
'''Trocar.''' Conc. ''trokár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''badlunk''; ''vãtãvunk''. — Mal., Sund., Jav. ''túkar''. — Ach. ''túkar'', ''túka''. — Tet. ''túkar'', ''truka'' (também subst.). Term. vern. ''siluku''.
'''Trombeta.''' Conc. ''turmêt''. Term. vern. ''kál'', ''turturi''. — Mak., Bug. ''turumbéta'', ''túrumpéta''. — Tet. ''trombeta''<ref>«Muita soma de '''trombetas''', charamelas, e atabales». Diogo do Couto, ''Déc.'' VII, i, 11.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1491522|Tronco]]''' («cárcere»). Mar. ''turung'', ''turang''. — Guj. ''turang''. ''Turang-adhikãri'', carcereiro. — Sindh. ''turungu''. — ? Tam. ''turukkam'', fortaleza em um monte (talvez do sânsc. ''durgam''). — Malayál. ''turungu''. Termo vern. ''tadavu''. — Tul. ''turungu'', ''torangu'', ''turanga''. Term. vern. ''bandikhãne''. — Indo-ingl. ''trunk'' (obsol.). — Siam. ''tárahng''. — Ann. ''tu rac''. — Mal. ''tronko'', ''tarunku''.
«Chamou-se tronco á prisão municipal onde se expiavam os pequenos delictos, havendo para outros cadeia. Em Lisboa o tronco durou até D. Sebastião, em cujo reinado as duas prisões se fundiram». ''Almanach do Occidente para 1903''.
Mas no Oriente o termo era empregado na acepção genérica. «Caza do alcayde mór, onde os cativos de Bintão estauão presos, que por peitas que derão lhes foy aquelle dia deixado ho '''tronco''' aberto». Castanheda<ref>«Tanto que chegamos a Cantão nos leuarão diante do pochacy e nos mandou leuar a hũas casas de '''troncos'''». Cristóvão Vieira, ''apud'' Donald Ferguson, ''Letters from Portuguese Captives in Canton'', p. 59.
«Simão Caeiro, e Lançarote de Seixas que com elle viuhão, foram leuados ao '''tronco''' de Goa, e carregados de ferros». Diogo do Couto, ''Déc.'' IV, ii, 6.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L500644|Tropa.]]''' Conc. ''trop''. Vai caindo em desuso; mas conserva-se na locução ''tropãtsó ghodó'', «cavalo da tropa», para designar o homem nutrido e mandrião<ref>Há também uma capela em Goa, que se chama ''tropãchém kapel'', «capela da tropa».</ref>. — ? Malayál. ''truppu'', do ingl. ''trooper'', segundo Gundert. — Tet., Gal. ''tropa''.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|156|TUFÃO|TUFÃO}}</noinclude>'''Trunfo''' (de jôgo). Conc. ''trúmph''. — Mak. ''tarúmpu''.
'''Tubo.''' Conc. ''túb''. Term. vern. ''nalí''. — ? Can. ''túbu'', comporta, furo, buraco.
Reeve tem por vernáculo o vocábulo canarês.
'''? Tudo.''' Jav. ''tutung'', chegado ao fim, levado a cabo. ''Nutung'', levar a cabo, atingir o fim.
O Dr. Heyligers prende ''tutung'' ao port. ''todo'', e observa que o ''g'' final se pronuncia muito fracamente.
'''[[:d:Lexeme:L1208900|? Tufão.]]''' Conc. ''tuphán'', vendaval, borrasca; destroço, estrago; distúrbio, desordem; fúria; aleive. ''Tupháni'', ''tuphánkár'', rixoso; caluniador. — Mar. ''tuphán'' (tem os mesmos significados). ''Tuphánkhor'', caluniador. — Guj. ''tophán'', tempestade; tumulto; maldade. ''Topháni'', tempestuoso; maldoso. — Hindust. ''túfán'', inundação; dilúvio; furacão; pessoa desordeira. ''Túfáni'', tempestuoso; rixoso. — L.-Hindust. ''túfán'', borrasca. — Or., Beng. ''tuphán'', tempestade; rixa. ''Tupháni'', tempestuoso; bulhento. — Sindh. ''tuphanu'', furacão; extravagância; calúnia. ''Tupháni'', tempestuoso; rixoso; caluniador. — Panj. ''tufán'', borrasca; rixa, calúnia. ''Tufáni'', desordeiro. — Kash. ''tuphán'', tempestade. — Tel. ''tuphánu''. — Can., Tul. ''tuphanu'', furacão; aleive; calamidade. — Indo-ingl. ''typhoon''. — Khas. ''tupan''. — Mal. ''tufán''. — Jap. ''taifu''. — Pers. ''túfán'', ''túfún'', vendaval; inundação. — Ar. ''tufán'', inundação; dilúvio; cataclismo.
Os lexicógrafos portuguezes, á excepção de Fr. João de Sousa, apontam por étimo de ''tufão'' o grego ''typhon'', que normalmente deveria dar ''typhão'' ou ''tifão''. ¿Mas teria vogado a palavra em Portugal? Fernão Pinto diz: «Nos deu hum tempo do sul a que os chins chamão '''tufão'''». E em outra parte: «O qual tormento os chins chamão '''tufão'''».
A mesma procedência é indicada por Diogo do Couto<ref>«Deu-lhe vm tempo muito grosso, a que os naturaes (do porto de Chiucheu) chamão '''Tufão''', que he tão soberbo e feroz, e faz tantas brauezas e tormentos...» V, viii, 12. «Correrão os ventos da agulha, como fazem os '''tufões''' da ''China''. ''Id.'', VIII, i, 11.</ref>, e corroborada por John Barrow e Giles, que derivam o vocábulo das sílabas chinesas ''ta-fung'', «grande vento», e pelo Dr. Hirth, que o tira do termo dialectal da Formosa ''t’ai'' e de ''fung''.
Webster (''s., v. typhoon'') acha provável que o «furacão que levanta nuvens de pó» foi chamado ''typhoon'', «porque era tido como a obra de ''Typhon'' ou ''Typhos'', gigante ferido com um raio por Júpiter e enterrado debaixo do monte Etna». Mas o significado inglês que lhe atribui é: «a violent tornado or hurricane occurring in Chinese seas».<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|157|TUFÃO|TUTANAGA}}</noinclude>Yule & Burnell admitem que a palavra foi primeiro empregada no mar da China e não no Oceano Índico, e notam «que o port. ''tufão'' representa distintamente ''tufán'' e não ''táifung'', e presumem que Vasco da Gama e os seus companheiros receberam a palavra ''tufão'', bem como a ''monção'', dos pilotos árabes.
Os lexicógrafos indianos tomam o árabe por fonte do vocábulo. Shakespear deriva ''tufán'' do verbo ''tuf'', «girar», «ou, antes, caldaico e siríaco ''táfu'' do cald. ''táf'' e ''tof'', cair, correr, transbordar»; e diz ser análogo ao grego ''typhon''. Os autores do ''Hobson-Jobson'' identificam ''tufán'', que ocorre muitas vezes no Alcorão, com ''typhon'' ou ''typhón'', e supõem que êsse poderia ter passado para os árabes ou nas relações marítimas ou pelas traduções de Aristóteles.
Robertson Smith distingue dois vocábulos: ''typhôn'', «turbilhão, tromba de água», relacionado com ''typhos'', o qual diz ser puro grego; e ''tufán'', «dilúvio», que afirma ter-se importado do aramaico. «''Tufán'', pela inundação de Noé, é judaico, aramaico e siríaco, e esta forma não é importada do grego, mas provêm duma raiz verdadeiramente semítica, ''túf'', transbordar». Observa que o sentido de «turbilhão» não é reconhecido no árabe clássico, o qual conjectura derivado posteriormente da raiz arábica ''tuf'' «girar» ou, antes, importado dalguma forma de ''typhôn'', ''typhoon'' ou ''tifone''. Vid. ''Hobson-Jobson''.
À vista desta controvérsia, é incerto se os portuguezes tiraram o vocábulo do árabe ou do chinês, e se o introduziram na Índia. No português indiano emprega-se, de preferência, a palavra ''Sumatra'' (q. v.) para denotar «borrasca, procela».
'''[[:d:Lexeme:L1491483|Tumba.]]''' Conc. ''túmb''. — Beng. ''tumbá''. — Tet., Gal. ''túmba''. — ? Jap. ''fumbo'', sepultura. Term. vern. ''haka''.
Não se explica a mudança de ''t'' em ''f'' no vocábulo japonês. Cf. ''tinta'', ''mártir''.
'''[[:d:Lexeme:L448294|Tumor]]''' («tolontro»). Conc., Mar. ''tumbar''.
'''Tutanaga''' («cobre da China, zinco»). Indo-ingl. ''tootnague''.
Parece que o étimo imediato do vocábulo português é o tam. ''tutta-nagam'', «zinco», do persa ''tútia'', «óxido de zinco».<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|158|VARA|VARANDA}}</noinclude>{{c|{{larger|U}}}}
'''? Umbreira.''' Conc. ''umbôr'', ''umbró'', ''umbri'' (dim.), soleira, limiar; batente. Term. vern. ''dãrvantó'', ''devdí''. — Mar. ''umbrá'', ''um’rá'', ''umbartá'', ''umartá'', soleira, limiar; fogo, família. Term. vern. ''dãrvatá'', ''devdí'', ''dehalí''. ''Umbarpatti'', ''umbarsãrá'', contribuição de casa. — Guj. ''umbró'', ''ubharó'', soleira.
Não se sabe o étimo indígena dos vocábulos indianos. O seu significado difere um tanto do da palavra portuguesa. A aproximação talvez seja fortuita, como em ''chapa'', ''tanque'', ''varanda''.
'''Uniforme.''' Conc. ''uniphorm''. — Tet. ''unifórmi''.
'''Urinol.''' Conc. ''urnôl'', ''urnél''. Term. vern. ''don''. — Tet. ''urinol''. Term. vern. ''kúzi''.
{{c|{{larger|V}}}}
'''Vacina.''' Conc. ''vãsin''. — Tet., Gal. ''vasína'', também «vacinar».
'''? Vagem.''' Sing. ''bónchi''.
'''Valado.''' Indo-ingl. ''walade'' (p. us.), ''vellard'' (us. em Bombaim)<ref>«Iam também os mesmos mouros fazendo um '''vallado''' no rio». António Bocarro, ''Déc.'' XIII, p. 81.</ref>.
'''Valer.''' Mal. ''valer'' (Haex).
'''Vapor''' («embarcação»). Conc. ''vapor''. Term. vern. ''āg-bôt'', lit. «barco de fogo» (''bôt'' é do ingl. ''boat''). — Tet. ''vapor''. — ? Persa ''vāpúr''. — ? Ar. ''vubúr''.
Belot tira ''vubúr'' do italiano.
'''[[:d:Lexeme:L1119050|Vara]]''' («medida»). Conc., Guj. ''vár''. ''Adhavár'' (Guj.), meia vara. — Malayál. ''vára''. — Can. ''váru''. — Tul. ''váru'', ''vara''. — Mal. ''vara'', bengala (Haex)<ref>«Saem todas estas sortes de panos em peças, que cada hũa teráa vinte e tres, vinte e quatro '''varas''' portuguezas». Duarte Barbosa, p. 362.</ref>.
Também usado em concani e em tamul na significação de «vara do pálio, e da insígnia das irmandades».
'''Varanda.''' Conc. ''varánd'', parte principal da casa onde primeiro se entra. — ? Mar. ''varand'', ''varada'', ''varãndá'', ''varandí'', parapeito, muro ao longo da varanda, da estrada, etc. — Guj. ''varandó'', galeria. —<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|161|VASO|VENDAS}}</noinclude>o singalês de Cárter (''s. v. portico''). 4.º O marata e o assamês não atribuem ao seu vocábulo a acepção de «galeria ou pórtico». 5.º Em concani, ''varánd'' não tem fonemas cacuminais, e é usado sómente pelos cristãos, conjuntamente com outros termos (''vasró'', ''vasri'') e com significado peculiar. 6.º A forma inglesa ''veranda'' ou ''verandah'' denuncia claramente a procedência portuguesa, e não a indígena, que deveria dar ''warand''<ref>O Dr. Schuchardt acha que se não explica dentro das línguas românicas o sentido actual de ''varanda'', porque o port. ''varanda'', o esp. ''baranda'', o catalão ''barana'', «balaustrada», são derivados do verbo «barrar». ''Beiträge'', etc.</ref>.
A terceira hipótese, pouco provável, proposta por Webster e C. Defréméry, aponta como étimo primordial de ''varanda'' o persa ''barãmada'' (introduzido no hindustani), composto de ''bar'', «para cima», e ''āmada'', «vindo» = saido para fora, saliente. Yule julga possível que os persas tenham assim procurado explicar por palavra vernácula a significação do vocábulo estrangeiro que adoptaram.
'''Varrão.''' Conc. ''bãrãmv''. — Sing. ''barama''.
'''Vaso.''' Conc. ''váz'', vaso de flores. — Mal. ''pásu'', ''básu''. — Ach., Jav., Batav. ''pásu''. — Sund., Bal., Gay. ''páso''. — Tet., Gal. ''vázu''.
O Dr. Schuchardt diz que ''básu'' procede provávelmente do hol. ''vaas'', «vasilha», a despeito de terminar em vogal. Vid. ''câmara''.
'''[[:d:Lexeme:L562420|Velho.]]''' Conc. ''el'' (us. restritamente). — Mal. ''veillo'', também «velha» (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L1375289|Veludo.]]''' Conc. ''vilúd''. — Sing. ''villúdu''. — Malayál. ''villúdu'', ''velúddi''. — Mal. ''veludo'' (Haex), ''belúdu'', ''belúdro'', ''beldú'', ''beldáva''. — Ach. ''belúdu''. — Batt. ''bilúlu''. — Sund. ''belúdru'', ''bulúdru''. — Jav. ''belúdru'', ''bludrú'', ''beládur''. — Mad. ''blútru''. — Bal. ''blúdru''. — Batav. ''bilúdru''. — Mak. ''bilúlu''. — Bug. ''belúdu'', ''bilúlu'', ''valúdu'', ''biladúra''. — Jap. ''biródo''<ref>«E na cabeça sobre hũa coifa de ouro hũa carapuça de '''veludo'''». João de Barros, ''Déc.'' II, x, 8.
«Com jaquetas de '''veludo''' preto e mangas de cetym roxo». Gaspar Correia, i, p. 533.</ref>.
''Belúdru'' em javanês e ''belústru'' em malaio designam também a «balsamina, ''Momordica charantia''». Em concani, ''vilúd'' é também o nome de «veludinho», como no português de Goa.
'''Vendas''' (em hasta pública). Sing. ''vendésiya''. ''Vendési sálava'', local da hasta. ''Vendési-karanavã'' (lit. «fazer vendas»), ''vendésiyen vikunanavã'' (lit. «vender em vendas»), ''vendési damanavã'' (lit. «pôr a vendas»), vender em hasta. ''Vendési-kárayã'', ''véndu'', vendedor em hasta.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|163|VINHO|VOTO}}</noinclude>(do cálix da missa). — Tet., Gal. ''veu''.
'''[[:d:Lexeme:L46832|Vidro]]''' (também «copo de água»). Conc. ''vidr''. Term. vern. ''kãnts'' ou ''káz''; ''peló'', ''kãnsó'', ''pivanpatr'', ''surã-bhánd'' (p. us. nesta acepção). — Sing. ''viduruva'', ''vidureva'', ''vidur''. Term. vern. ''káchakaya''. ''Vidurevu'', vidrado. ''Viduru silpiyá'', vidraceiro. — Mal. ''vidro''. Também ''gilás'', do ingl. ''glass''. — Nic. ''vitore'', copo (cf. ''libare'' < livro). — Tet., Gal. ''vidru''. — Jap. ''biidoro''.
Também no indo-português ''vidro'' significa «copo».
'''[[:d:Lexeme:L449055|Vigário.]]''' Conc. ''vigár''. — Tam. ''vigári''. — Tet., Gal. ''vigáriu''.
'''Vinagre.''' Conc. ''vinágr''. Term. vern. ''xirkó''. — Sing. ''vinákiri''. Termos vern. ''káchi'', ''kánjika''.
'''Vinha de alhos''' («espécie de vianda»). Conc. ''vinjál''. — Hindust. (do Sul) ''bindãlú''. — Tam. ''vendále''<ref>«Ha também outro peixe [em Angola] que chamão ''angulo'' s. porco e posto de '''vinha dalhos''' nenhũa diferença tem delle» (1585). Garcia Simões, in ''Bol. S. G. L.'', 4.ª sér., p. 344.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1370779|Vinho.]]''' Conc. ''vinh'' (p. us.). Term. vern. ''saró'' ou ''soró''. — Malayál. ''viññu'' (= ''vinhũ''). — Tel. ''vínu''. — Nic. ''viniya'', vinho, licor, aguardente.
O sing. ''veyin'' parece ser do ingl. ''wine'' (lê-se ''uain''). No crioulo de Ceilão, ''vein'' é vinho da Europa, e ''vinho'', o da terra.
'''Viola.''' Conc. ''vyol''. — Sing. ''viyóle''. — Mal., Sund., Day. ''biyola'', ''biola''. — Ach. ''biula''. — Mak., Bug. ''biyóla''. — Tet., Gal. ''viola''.
'''Virador''' (naut.). L.-Hindust. ''virador''.
'''[[:d:Lexeme:L642142|Virtude.]]''' Conc. ''virtúd'' (p. us.). Term. vern. ''gun'', ''sugun'' ou ''segun''. — Tet. ''virtude''. Term. vern. ''diak''.
'''Visagra.''' Conc. ''bizágr''. — Mar. ''bijágrem'', ''bijogri''. — Guj. ''majãgarem'', ''majãgarám'', ''misjãgarum''. — Malayál. ''vixágari''. — Can. ''bijágri''. — Tul. ''bijákri'', ''bijigre''.
'''[[:d:Lexeme:L662335|Visita.]]''' Conc. ''vizit''. Term. vern. ''bhetni'', ''bhêt''. — Tet., Gal. ''vizita''.
'''Viso-rei.''' Malayál. ''visareyi''. — Mal. ''bisúrey''.
'''Viva!''' Conc. ''vivã''. Term. vern. ''xábás'' ou ''xebás''. — Tet. ''viva'', ''biba''.
'''[[:d:Lexeme:L643833|Volta.]]''' Conc. ''volt'', volta do cabeção. — L.-Hindust. ''bolta'', ''boltá'', volta de corda.
'''[[:d:Lexeme:L479882|Voltar]]''' (no jôgo). Conc. ''voltár-karúnk''. Term. vern. ''partunk''. — Mal. ''bortá''.
'''[[:d:Lexeme:L500828|Voto.]]''' Conc. ''vot''. Term. vern. ''ãngvan'', ''vrat''; ''vãngad'', ''samnati''. — Tet. ''vótu''. Term. vern. ''lia lós''.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|164|ZAMBOA|ZAMBOA}}</noinclude>{{c|{{larger|Z}}}}
'''[[:d:Lexeme:L1375140|? Zamboa]]''' («gamboa»). Jap. ''zambo'', ''zabon''.
O Sr. Gonçalves Viana julga provável a origem espanhola. Mas é bem possível que ''zambo'' se prenda ao sânsc. ''jambu'', adoptado nos prácritos e no malaio e aplicado a várias árvores<ref>«Em Malaca he chamada '''jambos'''; e asi lhe chamão nesta terra». Garcia da Orta, ''Col.'' xxviii. «O '''jambo''' é o fructo de uma espécie do mesmo genero ''Eugenia''... a ''Eugenia malaccensis''». Conde de Ficalho.</ref>.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>{{c|{{xx-larger|SUPLEMENTO}}}}
{{c|{{larger|A}}}}
'''[[:d:Lexeme:L451530|Acabar.]]''' Conc. ''kabár-karunk'', ''kabár-zãvunk''. — Beng. ''kãbár'' (subst.), último dia do mês. Em hindustani ''mãjkabár''. Vid. ''mês''.
Em indo-português elimina-se o ''a'' inicial de ''acabar'' = ''cabá''.
'''Açafrão.''' Guj. ''jãphran''. — ...
'''Ádem.''' Malayál. ''ádi''. — Tet. ''ráde''.
'''[[:d:Lexeme:L1375051|Alféloa.]]''' Jap. ''aruheiru'', ''aruheitō''.
'''Almoçar.''' Beng. ''ãlmusár''. — Mal. ''almursar'' (Haex). — Tet., Gal. ''almúsa'', ''almósa''.
'''Amora.''' Conc. ''ãmór''. Term. vern. ''tút''. — Malayál. ''amár''. — Tet., Gal. ''amora''.
'''Amura''' (naut.). L.-Hindust. ''murá''.
'''[[:d:Lexeme:L447992|Arco]]''' (de edifício). Conc. ''árk'' (também «arco de rabeca»). Term. vern. ''kamán'', ''gaj''. — Mar. ''ark''. — Sing. ''arékkuva''. — Tul. ''árka árku'' (em ambas as acepções). — Mal. ''árku'' (no papagaio de papel). — Tet. ''árku''.
'''[[:d:Lexeme:L447172|Armário...]]''' Malayál. ''ãlmári''...
'''Arruda.''' Malayál. ''arúda''. — ...
{{c|{{larger|B}}}}
'''Balão...''' Sing. ''balama''...
'''Bênção.''' Conc. ''bemsãmv'' (usado entre os cristãos). Term. vern. ''ãxirvád'', ''ãxirvatsan''. — Beng. ''bemsámv''. — Tet. ''bénsa'' (também «abençoar, benzer»). Term. vern. ''diak'', ''saráni''. — Gal. ''bensã''. Term. vern. ''lálan''.
{{c|{{larger|C}}}}
'''[[:d:Lexeme:L1548842|Castela...]]''' Jav. ''katelo''.
'''[[:d:Lexeme:L448005|Corno.]]''' Mal. ''kurn''. Term. vern. ''tandoq''.
'''[[:d:Lexeme:L447804|Corneta.]]''' Conc. ''karnêt''. Term. vern. ''karnó'', ''kál''. — Tet., Gal. ''korneta''.<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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'''Ganso.''' Bir. ''ngan''. — ...
{{c|{{larger|L}}}}
'''Lata.''' Conc. ''lát''. Mais usado ''pholinh'', derivado do port. ''folha''. — Tet., Gal. ''lata''.
{{c|{{larger|M}}}}
'''[[:d:Lexeme:L1152975|Monção...]]''' Indo-franc. ''mousson''.
{{c|{{larger|O}}}}
'''Ofício.''' Conc., Tam. ''ophis''. — Tet., Gal. ''ofisiu''.
Em tamul só se emprega o vocábulo para designar o «ofício dos defuntos».
{{c|{{larger|Q}}}}
'''[[:d:Lexeme:L501573|Questão.]]''' Conc. ''kestámv''. Term. vern. ''jhagdém'', ''tantó'', ''vád'', ''vivád''. — Tet., Gal. ''kestã''. Term. vern. ''lia''.<noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/272
106
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557094
556791
2026-07-30T23:41:56Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Revisão integral da transcrição
557094
proofread-page
text/x-wiki
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Colchão
Colchete
Colégio
Cólera
Colete
Colher
Coluna
Comadre
Comandante
Comando
''Começar (C.)''
''Comédia (C.)''
Comedoria
Comenda
Comendador
''Cominho (T.)''
Compadre
''Companheiro (C.)''
''Comparação (T.)''
''Comparar (T.)''
Compasso
''Compositor (C.)''
Compra
Comprador
''Comua (C.)''
Comungar
Comunhão
''Concelho (T.)''
''Concertar (C.)''
''Concertina (C.)''
Concêrto
Conde<sup>1</sup>
Conde (valete)<sup>2</sup>
Condenado
''Condição (C.)''
''Cónego (E.)''
''Conezia (C.)''
Confeito
Confessar
''Confessadouro (C.)''
''Confessor (C.)''
Confiança
Confissão
''Conforto (C.)''
Confraria
''Confusão (C.)''
''Confuso (C.)''
''Côngrua (C.)''
''Consagração (E.)''
''Consagrar (E.)''
''Consciência (C.)''
''Consciencioso (C.)''
Conselho
Consentir
''Conserva (C.)''
''Conservador (C.)''
''Conservatório (C.)''
Consoada
''Consolação (C.)''
''Constipação (C.)''
Cônsul
''Consulta (C.)''
''Consumir (C.)''
Conta
''Contador (C.)''
''Contadoria (C.)''
Contas
Contente
Contra
''Contrabando (C.)''
''Contradança (C.)''
''Contraforte (C.)''
''Contra-ordem (C.)''
''Contrapêso (C.)''
''Contrário (C.)''
Contrato
Contra vontade
''Convento (C.)''
''Conversão (C.)''
Convite
''Copa (T.)''
Copaíba
Copas
Cópia
Copista
Copo
Copra
Côr
Coração
''Coral (T.)''
Corda
Cordame
Cordão
Corja
Cornaca
Corneta
Corno
Côro
Coroa
''Coroar (C.)''
Coronel
Corpinho
''Corporal (subst.; E.)''
Corredor
''Correio (C.)''
Corrente (subst.)
''Corrimão (C.)''
Cortesia
Cortina
''Cortido (C.)''
''Cortir (C.)''
Corveta
''Coscorão (C.)''
Costa
Costado
''Costumado (T., G.)''
Costume
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/316
106
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556837
2026-07-30T13:20:17Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 219 das listas particulares
556837
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Mártir
Mas
Meias
Meirinho
Mesa
Mestre
Milagre
Minuto
Missa
Missal
Missão
Mostarda
Multa
''Mundo («rea»)''
Munição
Música
''Nação''
Natal
Negar
''Nódoa (noda)''
Nota
Notícia
Número
Oco
Óculos
Ofício
Opa
Oração
''Orago''
Padre
Pálio
Palmatória
Pão
Papa
Parabém
Passe
Passear
Passeio
Pataca
Pateca
Pato
Patrono
Pena
Perdão
Penhor
Peste
Pia
''Pião''
Pintar
Pires
Pistola
Polícia
Pomba
Posta
Preço
Prego
Prima
Processo
Procissão
Procuração
Procurador
Púcaro
Púlpito
''Pulga''
Purgatório
Quaresma
Queijo
Questão
Rabeca
Ração
Razão
Recado
Recibo
''Refogar''
''Regedor''
Regra
Religião
Relógio
Renda
Reposta
Rico
Roda
''Romã''
Rosa
Rosário
Sábado
Sabão
Saca-rolhas
Sacramento
Sacrário
Sacrifício
Sacrilégio
Sacristão
? Sagu
Saguate
Sala
Salada
Salva
Salvação
''Sangrar''
Sapato
Sargento
Satanaz
''Saudar''
Sé
Secretaria
Secretário
Sêda
Sela
Sêlo
Semana
Semanário
Sentença
Sentido
Sentinela
Sentir
Sério
Sermão
Servir
''Serzir''
''Silêncio''
Sinal
Sino
''Soberba''
Sociedade
''Socorro (sikóuru)''
Sofrer
Soldado
Sorte
Suceder
Tabaco
Tacho
Têmporo
Tempo
Tenda
''Tenente''
Tentar
Têrço
Terrina
Testamento
Tinta
Tiras
Tiro
Toalha
Tôrre
Tratamento
Tratar
Trigo
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/317
106
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2026-07-30T13:21:42Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 220 das listas particulares
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Triste
Tropa
Tumba
''Uso''
Uvas
Vacina
Varanda
Vaso
Verniz
Verónica
Verruma
Verso
Vésperas
Vestido
Véu
Vidro
Vigário
Viola
Visita
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Alcatrão
Armário
Balde
? Botelha
Botão
Bruça
Café
Camisa
Cartucho
Chá
? Chapa
Chave
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Fita
Igreja
Jogar
Leilão
Mesa
Mestre
Pena
Pipa
Pistola
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? Sagu
Saia
Salada
? Satan
Tabaco
Varanda
Verruma
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Acafelar
Açafrão
Afonsa
Aia
Ama
Ananás
Armada
Armário
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Balde
Banco
Baptismo
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Barcaça
Barrote
Batata
Batel
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Biscoito
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Bomba
Bórax
Bordo
Bucha
Buraco
Café
Cafre
Caju
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Capitão
Cartucho
Casa
Católico
Ceroilas
Chá
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Escritório
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Falta
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Guarda
Hora
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/318
106
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2026-07-30T13:22:53Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 221 das listas particulares
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Inglês
Jogar
Leilão
Limão
Louvado
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Mesa
Mestre
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Paga
Página
Palmatória
Pão
Passear
Passo
Pena
Picão
Pipa
Pistola
? Polícia
Prancha
Pregão
Preso
Provar
Recibo
Renda
Rial
Rifa
Ronda
Sabão
? Sagu
Sapato
Sofá
Sorte
Tabaco
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Toalha
Toronja
Tronco
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? Umbreira
Vara
Varanda
Viola
Visagra
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Achar
Âmbar
Amen
Ananás
Armário
Ata
Bacia
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Baptismo
Biscoito
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Câmara
Camisa
? Candil
Capitão
Católico
Chá
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Chave
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? Cifra
Coronel
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Cruz
Estirar
Espada
Falto
Fita
Gudão
Igreja
Inglês
Jogar
Leilão
Mármore
Martelo
Mostra
Mesa
Padre
Pão
Papaia
Pires
Pipa
Pistola
Prato
Recibo
Sabão
? Sagu
Saia
Tabaco
Toalha
Varanda
Verruma
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/319
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2026-07-30T13:25:18Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 222 das listas particulares
556840
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<poem>
Achar
Aia
Alfinete
Ama
Âmbar
Amen
Ananás
? Anis
Armário
Arrátel
Ata
Bacia
Bafo
Baixel
Balde
Bálsamo
? Baptismo
Basta
Baú
Beringela
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Bilimbim
Biscoito
Boião
Bomba
Botão
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Câmara
Camisa
Campo
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Capitão
Carabina
Cartucho
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Chá
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Chave
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Couve
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Falto
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? Fulano
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Grade
Granada
Granadeiro
Guarda
Gudão
Igreja
Inglês
Jalapa
Janela
Jaqueta
Jogar
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Limão
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Mármore
Martelo
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Mês
Mesa
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Mestre
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Pires
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Vinha de alhos
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/320
106
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556841
2026-07-30T13:27:24Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 223 das listas particulares
556841
proofread-page
text/x-wiki
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<poem>
Achar
Alcatraz
Aldeia
Amargosa
Ananás
Anil
Anona
Areca
Argamaça
Arraca
Arrátel
Arroio
Bailadeira
Bambu
Banana
Bangue
Beijoim
Bétele
Bicho do mar
Bonito
Bonzo
Cairo
Canja
Carambola
Caril
Casta
Cato
Cipai
Cobra de capelo
Côco
Côco do mar
Comprador
Copra
Corja
Cornaca
Doirado
Goiaba
Hortulana
Jaca
Jagra
Loja
Mandarim
Manga
Mangelin
Mangostão
Manguço
Mestiço
Monção
Mordexim
Naique
Naire
Pagode
Palanquim
Palhota
Pâmpano
Papaia
Patamar
Pintada
Poial
Sagu
Topaz
Varanda
</poem>
{{c|{{larger|INDO-INGLÊS}}}}
<poem>
Abada
Achar
Aia
Albacora
Alcatraz
Alcatifa
Aldeia
Aljôfar
Ama
Amargosa
Ananás
Anil
Apa
Areca
Armário
Arraca
Arrátel
Azagaia
Bailadeira
Balão
Balchão
Balde
Bambu
Bandeja
Bangue
Basta
Bata
Batão
Bate
Batel
Bazaruco
Beijoim
Beringela
Bótele
Bicho do mar
Bilimbim
Bói
Bonito
Bonzo
Botica
Botiqueiro
Brava
Búfalo
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/321
106
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556842
2026-07-30T13:28:48Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 224 das listas particulares
556842
proofread-page
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Cabouco
Cafre
Cairo
Caixa
Caju
Calabaça
Calafate
Câmara
''Canada''<ref>Usado em Ceilão.</ref>
Camisa
Campo
Canja
Carambola
Caravela
Caril
Casta
Castiço
Catanar
Cate
Catur
Cavala
Chá
Chapa
Chave
Chuname
Cipai
Cobra
Cobra de capelo
Cobra manila
Côco
Côco do mar
Comprador
Copra
Corja
Cornaca
Cotonia
Côvado
Curral
Cuspidor
Doirado
''Empréstimo''<ref>''Imprest.'' Usado em Ceilão.</ref>
Escrivão
Estivador
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Feitor
Feitoria
Fogaça
Foros
Fulano
Galeão
Gentio
Gergelim
Gorgoleta
Grão
Guarda
Gudão
''Holandês''
Horta
Hortulana
Igreja
Jaca
Jagra
Janela
Jangada
Lagarto
Lascarim
''Lázaro''<ref>''Láderu'', como em singalês. Usado em Ceilão.</ref>
Leilão
Lima
Língua
Louvado
Machila
''Maioral''<ref>«Chefe do pessoal da irrigação», em Ceilão.</ref>
Mandador
Mandarim
Manga
Mangelim
Mangostão
Manguço
Manilha
Mão
Martelo
? Mesquita
Mestiço
Mestre
Monção
Mordexim
Mosquito
Mostra
Mouro
Mura
Nababo
Naique
Naire
Negro
Ola
Padre
Pagode
Palanquim
Palmeira
Pâmpano
Papaia
Pataca
Patacho
Paulista
Peão
Peres
Pertenças
Picota
Pintada
Pintado
Poial
Quintal
Quita-sol
Recibo
Rial
Rolão
Sagu
Sagüeiro
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/322
106
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2026-07-30T13:30:19Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 225 das listas particulares
556843
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Samátra
Sombreiro
Talapói
Tambaca
Topaz
Tronco
Tufão
Tutanaga
Valado
Varanda
Verdura
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<poem>
Abóbora
Açafrão
Amen
? Amêndoa
Alfôloa
Anjo
Asna
Bálsamo
Banco
Baptismo
Bateria
Bezoar
Biscoito
Bóio
Botão
Calção
Cális
Câmara
? Candil
Canequim
Capa
Capitão
? Caramelo
Carta
Casoar
Castela
? Catarro
Católico
Charamela
* Cólera
Colégio
? Compasso
Compra
Comprador
Confeito
Confissão
Contas
? Copaíba
Copo
Crisma
Cristão
Cruz
Domingo
Escrivão
Esperança
? Frasco
Filhó
Ganço
Goma
Graça
Hábito
Hóstia
? Igreja
Inferno
Irmão
Jalapa
Jaqueta
Jibão
Jejum
Lâmpada
Lanceta
Maná
? Manteiga
Manto
Marmelo
Mártir
Martírio
Onça
? Oração
Órgão
Padre
Pão
Papa
Paraíso
Pena
Pistola
Querubim
Raxa
Sabão
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Sagu
? Santo
San-Tomé
Saraça
Senhor
Tabaco
Tanto
Terebintina
Tinto
Tufão
Tumba
Veludo
Vidro
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/323
106
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2026-07-30T13:31:18Z
Anacastrosalgado
41047
Transcrição e revisão da página 226 das listas particulares
556844
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text/x-wiki
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<poem>
Alferes
Algoz
Âmbar
Amen
Ananás
Armário
? Aroma
Bacia
Baluarte
Bandeira
Banco
Bola
Boneca
Cabaia
Calçado
Caldo
Câmara
Camisa
? Campo
? Canga
Capitão
Carapuça
Cardamomo
Carreta
? Carta
Castela
* Cavalo
Ceroilas
? Chapa
Chinela
Chita
Coelho
Comendador
Coração
? Cotão
Couve
* Crasso
Domingo
Escola
Feitor
Festa
Fita
? Fuzil
Gage
Galeria
Guarda
História
Igreja
Inteiro
Lanterna
Leilão
Loja
Mainato
Mas que
Mandador
Manteiga
? Matar
Mesa
? Mesquita
Mister
Ordem
? Palangana
? Palanquim
? Pantalona
Parceiro
Passear
? Patrulha
? Pegar
Penhor
Pilar
? Pires
Pompa
Queijo
Ração
Raso
Renda
Rial
Roda
Ronda
? Rupia
Sábado
Sabão
* Sagu
Salada
Sapato
? Secar
Seda
Sela
Separado
? Serão
Seringa
Setim
Soco
Soldado
Tabaco
Tambor
Tangedor
Tempo
Tenda
Toro
Trocar
? Tudo
Vaso
Veludo
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556844
2026-07-30T23:43:27Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Revisão integral da transcrição
557098
proofread-page
text/x-wiki
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<poem>
Alferes
Algoz
Âmbar
Amen
Ananás
Armário
? Aroma
Bacia
Baluarte
Bandeira
Banco
Bola
Boneca
Cabaia
Calçado
Caldo
Câmara
Camisa
? Campo
? Canga
Capitão
Carapuça
Cardamomo
Carreta
? Carta
Castela
* Cavalo
Ceroilas
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Chinela
Chita
Coelho
Comendador
Coração
? Cotão
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Fita
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História
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Lanterna
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Manteiga
? Matar
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? Mesquita
Mister
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? Palanquim
? Pantalona
Parceiro
Passear
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Penhor
Pilar
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Raso
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Rial
Roda
Ronda
? Rupia
Sábado
Sabão
* Sagu
Salada
Sapato
? Secar
Seda
Sela
Separado
? Serão
Seringa
Setim
Soco
Soldado
Tabaco
Tambor
Tangedor
Tempo
Tenda
Toro
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Vaso
Veludo
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/324
106
255105
556845
2026-07-30T13:32:16Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 227 das listas particulares
556845
proofread-page
text/x-wiki
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? Basta
Chá
Mesa
Sabão
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<poem>
? Aia
Armário
Boião
Botão
? Botelha
Café
Câmara
Camisa
? Capitão
Cartucho
Chá
? Chapa
Chave
Couve
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Fita
Guarda
Gudão
Igreja
Jogar
? Lanterna
Leilão
Mastro
Mesa
Mestre
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Peru
Pipa
Pires
Prego
Sabão
? Sagu
Tabaco
Toalha
? Tufão
Varanda
Verruma
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<poem>
Abita
Alar
Amantilhos
Amarra
Anel
Arraigada
Arrear
Avêsso
Balde
Banco
Bóia
Bolina
Bomba
Bordo
Braça
Brandal
Bucha
Cadernal
Calafate
Calmaria
Câmara
Catavento
Cavilha
Cevadeira
Chalupa
Chapas
Chave
Cinta
Colchão
Cordame
Cordão
Costado
Costura
Cunha
Curva
Dobrado
Embornal
Escada
Esponja
Estingue
Estopa
Falca
Falto
Forrar
Fragata
Fundal
Funil
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/325
106
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556846
2026-07-30T13:33:39Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 228 das listas particulares
556846
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Gávea
Gaxeta
Jaqueta
Largo
Lais
Mandar
Marca
Martelo
Mesa
Mestre
Mostra
Moutão
? Naulo
Passador
Percha
Pipa
Pistola
Poa
Ponta
Prancha
Prego
Prumo
Ração
Roda
Rôlo
Servideira
Singelo
Sul
Talhamar
Tanchão
Tope
Trança
Tropa
Traquete
? Tufão
Virador
Volta
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{{c|{{larger|MADURÊS}}}}
<poem>
Ananás
Armário
? Aroma
Bandeira
Banco
Bola
Boneca
Caldo
Câmara
Camisa
? Campo
Capitão
Carreta
? Carta
* Cavalo
Chinela
Chita
Couve
Escôva
Falso
Fita
? Fuzil
Galeria
Guarda
História
Igreja
Lanterna
Mandador
Manteiga
Mesa
? Pantalona
? Patrulha
Pelouro
Pilar
Pipa
? Pompa
Queijo
Rial
Roda
? Rupia
Sábado
Sabão
Sêda
Senhor
Separado
Soldado
Tabaco
Veludo
</poem>
{{c|{{larger|MAKASSARÊS}}}}
<poem>
Alfinete
Algarismo
Algoz
? Âmbar
? Amen
? Anis
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Armário
Astrólogo
Az
Bálsamo
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/326
106
255107
556847
2026-07-30T13:34:16Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 229 das listas particulares
556847
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Bandeira
Bandeja
Bandola
Basto
? Bátega
? Batel
? Bazar
Bôlo
? Bomba
? Bordo
Botelha
Cabaia
Cadeira
Café
Calçado
Campo
Capa
Cardamomo
Carreta
Cartucho
Castela
* Cavalo
Ceroilas
Chamalote
? Chapa
Chapéu
Charamela
Codilho
Conde
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Cova
Cravo
Dado
Dôbro
Dona
Era
Espada
Espadilha
Fechar
Feitor
? Fuzil
Gage
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Ganho
Igreja
Inglês
Janela
Jogar
Lacre
Lanterna
Leilão
Limão
Loja
Manilha
Manteiga
? Matar
Meirinho
Mesa
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? Mesquita
? Palangana
Parceiro
Passar
? Pelouro
Pipa
? Pires
Prata
Queijo
Rei
Renda
Rial
Roda
Ronda
? Rosa
Rupia
Sábado
Sabão
* Sagu
Salada
Sapato
Solda
Soldado
Sota
Tabaco
? Tanto
Trocar
Trombeta
Tronco
Trunfo
Viola
</poem>
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<poem>
Ábita
? Abril
Acafelar
Acêrca
Achar
Açoitar
Acudir
Agosto
Agradecer
Água-benta
Aia
Ajoelhar
Ajudante
Alavanca
Alcatifa
Alcoviteira
Alcunha
Alfaiate
Alferes
Alfinete
Algoz
Almoço
Âmbar
Amen
Ananás
Âncora
? Apa
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Armada
Armário
? Aroma
Arrátel
Arroio
Arruda
A saber
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/327
106
255108
556848
2026-07-30T13:35:08Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 230 das listas particulares
556848
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text/x-wiki
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Assar
Avêsso
Azagaia
Bacia
Bailar
Baioneta
Balde
Baluarte
Banco
Bandeira
Bandola
Basta
? Bátega
? Batel
Bateria
Beatilha
Bem-ensinado
Bem pode
Beringela
Bocal
Boceta
Bóia
Boião
Bola
Bolina
Bôlsa
Bomba
Bombardeiro
Boneca
Bordo
Bota-fora
Botão
Bote
? Botelha
Bouba
Braça
Cá
Cabaia
Cabeça
Caboz
Caçarola
Caçar
Cadeira
Café
Cafre
Caju
Calçado
Caldo
Cama
Câmara
Camisa
? Campo
? Candil
? Canga
Cantar
Canto
Capa
Capitão
Carapuça
Carabina
Cardamomo
Carreta
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Casta
Castanha
Castela
Castigar
Católico
* Cavalo
Cear
? Ceroilas
Cêrco
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Chapéu
Chinela
? Chiripos
Chita
Cinta
Citação
Citar
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Cobra
? Cochonilha
Coelho
Coifa
Coitado
Comédia
Comenda
Comendador
Concêrto
Conselho
Consentir
Conta
Contente
Coração
Corno
Coronel
Corpinho
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Costa
Costume
Couve
Cova
* Crasso
Cravo
Crescer
Criar
Cuidado
Cunhada
Cunhado
Curar
Dado
Dama
Dança
Dedal
Desmerecer
Despensa
Desterrar
Deus
Dinheiro
Domingo
Dona
Embornal
Emplastro
Emprestar
Enganar
Engenho
Então
Entendimento
Entregar
Escola
Esmola
Espada
Espera
Espingarda
Esticar
Fadiga
Falca
Falso
Falto
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Fecho
Feitor
Ferreiro
Festa
Fidalgo
Figura
Fiscal
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/328
106
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556849
2026-07-30T13:35:40Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 231 das listas particulares
556849
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text/x-wiki
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Fita
Fitar
Fôrça
Forno
Franga
Fragata
Frecha
Fresco
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Fusta
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Gage
? Gago
Galé
Galeão
Galeria
Galo
Gancho
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Ganho
Garfo
Gávea
General
Gorgoleta
Governador
Grade
Grosso
Guarda
Guitarra
Guloso
História
Hora
Igreja
Imagem
Incenso
Inglês
Inteiro
Janela
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Jaspe
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Julho
Junho
Justo
Lagarto
Lâmpada
Lancha
Lanchão
Lanterna
Leilão
Lenço
Lesto
Levantar
Lião
Licença
Limão
Livro
Loja
Mãe
Mainato
Maldição
Mal-ensinado
Maná
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? Mandil
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Marca
Março
Mármore
Marquesota
Martelo
Máscara
Mas que
? Matar
Meirinho
Merecer
Mesa
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Mestre
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Milho
Minuto
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Mister
Morrão
? Mostarda
Mulher
Munição
Música
Natal
Negociar
Nem
Obrigação
Ordem
Órgão
Ourives
Padre
Pai
? Palanquim
? Palangana
? Pantalona
Pão
Papa<sup>1</sup>
Papa<sup>2</sup>
Papá
Papaia
Para
Parceiro
Parecer
Parente
Pasquim
Passear
Pastel
Patarata
Pateca
? Patrulha
Pau
Pavão
Pegar
Peito
Pelouro
Pena<sup>1</sup>
Pena<sup>2</sup>
Penhor
Permissão
Petardo
Pilar
Pinchar
Pipa
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Pistola
Pobreza
Poltrona
Pomba
? Pompa
Por
Por fôrça
Porteiro
Prata
Prazer (verb.)
Prego
Prègação
Pregoar
Presente
Prima
Primo
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/329
106
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556850
2026-07-30T13:36:01Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 232 das listas particulares
556850
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text/x-wiki
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Proveito
Prumo
Púlpito
Quanto
Quanto mais
Queijo
Quintal
Ração
Ramo
Raso
Recado
Recheio
Recibo
Rêde
Regalo
Relójio
Remédio
Renda
Requerer
Rial
Rizes
Roda
Rôdo
Rombo
Ronda
Rua
? Rupia
Sábado
Sabão
Saco
* Sagu
Saia
Salada
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Santo
Sapato
Sarja
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Sêda
Seguro
Sela
Sem
Semana
Senhor
Senhora
Separado
? Serão
Seringa
Serviço
Servir
Sim
Soberbo
Sobrinha
Sobrinho
Sofrer
Soldado
Sopa
Suíssa
Sumaca
Tabaco
Também
Tambor
Tangedor
Tanger
? Tanto
Tardar
Tarde
Tartaruga
Tempo
Tenda
Testamento
Tinta
Tio
Tira
Toalha
Topa
Torto
Touca
Traidor
Tranqueira
Traquete
Trato
Trigo
Trocar
Tronco
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Vara
Vaso
Velho
Veludo
Verde
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Vidro
Viola
Viso-rei
Voltar
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Acafelar
Ádem
Almadia
Âmbar
Amora
Âncora
Anjo
Anona
Apóstolo
Armário
Arrátel
Arruda
Ata
Bacia
Balão
Barcaça
? Basta
Batata
Bateria
Bilimbim
Bruça
Bucha
Cabo
Cadeira
Café
Cafre
Cairel
Católico
Cópia
Calção
Camisa
Capa
Capar
Capitão
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/330
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2026-07-30T13:36:31Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 233 das listas particulares
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text/x-wiki
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Cepilho
Chá
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Chapinha
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Cinzel
Colher
Confessar
Contas
Copo
Cordão
Corja
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Cristão
Crítico
Cruz
Couve
Dedal
Diabo
Doce
Esponja
Estirar
Fita
Foguete
Forno
Garfo
General
Governador
Grade
Guarda
Gudão
Horta
Hospital
Inglês
Janela
Lanterna
Leilão
Lenço
Lião
Lista
Mesa
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Mestre
Navalha
Padre
Pangaio
Papa
Papaia
Pataca
Patacho
Pateca
Pato
Padeiro
Pena
Pera
Picão
Pinho
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Pintura
Pipa
Porcelana
Porco
Praga
Presidente
Querubim
Rabeca
Recibo
Réis
Relójio
Rial
Ronda
Sabão
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Sorte
Tabaco
Tambaca
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Tropa
Vara
Varanda
Veludo
Verruma
Vinho
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Viso-rei
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Ananás
? Apóstolo
Araca
Bacia
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Ganso
Goiaba
Elefante
Emplastro
Histórico
Hora
Indiano
? Maná
Manga
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2026-07-30T13:36:48Z
Anacastrosalgado
41047
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556852
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Música
Palanquim
? Papa
Papaia
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? Rupia
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Soldado
Tabaco
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Abóbora
Achar
Afonsa
Aia
Ama
Âmbar
Ananás
Arco
Armada
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Arrátel
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Bafo
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Balde
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Baralho
Barqueta
Barquinha
Batelão
Bilimbim
Bomba
Bordo
Botão
Bote
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Buraco
Cabaia
Café
Caju
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Casa
Católico
Chá
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Contrato
Coronel
Cotonia
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Cruz
Custar
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? Enxêrto
Estado
Estirar
Falso
Falto
Fazendeiro
Fidalgo
Fita
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Folha
Fonte
Forma
Fragata
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Gamela
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Grade
Granada
Guarda
Gudão
Inglês
Jogar
Leilão
Louvado
Mama
Mesa
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Mestre
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Mostra
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Padre
Paga
Pâmpano
Papa
Papá
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Passeio
Passo
Pedreiro
Pena
Pera
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Picão
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Tabaco
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2026-07-30T13:37:05Z
Anacastrosalgado
41047
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556853
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Barriga
Cabeça
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Ler
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? Bafo
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Arroz
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Cadeira
Chá
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Chumbo
Deus
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Mesa
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Pipa
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Vidro
Vinho
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/333
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2026-07-30T13:37:28Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 236 das listas particulares
556854
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Achar
Aia
Ananás
Ata
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Calafate
Câmara
Chá
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Chave
Couve
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Fita
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Mesa
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Pato
Peru
Recibo
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Achar
Armário
Bacia
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Chá
Comandante
Espada
Estirar
Fita
Forma
? Fulano
Igreja
Jogar
Leilão
? Mármore
Mastro
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Mestre
Peru
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Recibo
Sabão
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Verruma
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? Aia
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Órgão
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Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 237 das listas particulares
556855
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text/x-wiki
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Ponta
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Rial
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Sapato
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Tabaco
Vapor
Verruma
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Ama
Bangue
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Grande
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Não
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Câmara
Escola
Espada
Forno
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Açafrão
? Anis
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Carreta
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? Chá
? Chapa
Chapinha
Cônsul
Cravo
Cristão
Dado
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Leilão
Limão
Missa
Monção
Padre
Pateca
Pato
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Rial
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? Sagu
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Tronco
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/335
106
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2026-07-30T13:38:09Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 238 das listas particulares
556856
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Achar
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Ananás
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Batel
? Botelha
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Cadeira
Caju
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Falto
Fita
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Janela
Jogar
Leilão
Limão
Mesa
Padre
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? Página
Pipa
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Recibo
Rial
Sabão
Tabaco
? Tiro
Tronco
? Tufão
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Verruma
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<poem>
Abano
Acafelar
Açúcar
Adula
Agosto
Aia
Alavanca
Alfinete
Algoz
Almoço
Ama
Amen
Ananás
Anona
Arco
Armário
Arrátel
Ata
Atalaia
Bacia
Baioneta
Balão
Balde
Banco
Bandeja
Baptismo
Bastão
Batata
Bêbado
Biscoito
Boião
Bola
Bomba
Boneca
Bôrra
Botão
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Braçal
Bucha
Bule
Burro
Cabaia
Cabouco
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Caldeirão
Caldo
Câmara
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Canapé
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Cano
Capado
Capitão
Cardamomo
Carreta
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Coluna
Contas
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/336
106
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Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 239 das listas particulares
556857
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Coronel
Cotão
Couve
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Cravo
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Dedal
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Doce
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Escola
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Fita
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Gorgoleta
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Indiano
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Janela
Lâmpada
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Lanterna
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Lenço
Lestes
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Listra
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Meia
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Natal
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Oco
Órgão
Padre
Palangana
Pão
Papa<sup>1</sup>
Papa<sup>2</sup>
Papaia
Papuses
Páscoa
Passaporte
Pateca
Pato
Peão
Pedreiro
Peneira
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Pepino
Picão
Pintura
Pipa
Pires
Pistola
Porcelana
Prancha
Pregão
Profeta
Púcaro
Purgatório
Queijo
Rábão
Rancho
Relójio
Renda<sup>1</sup>
Renda<sup>2</sup>
Roda
Rolão
Rosa
Sabão
Saco
? Sagu
Sala
Salada
Santo
Sapateiro
Sapato
Sarampo
Satan
Saúde
Sêda
Semana
Setim
Sino
Sofá
Soldado
Sopa
Sorte
? Taberna
Tacho
Tambaca
Tambor
Temperado
Tinta
Tira
Toalha
Tombo
Tranca
Trigo
Uvas
? Vagem
Varanda
Varrão
Veludo
Vendas
Verruma
Vidro
Vinagre
Vinho
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/337
106
255118
556858
2026-07-30T13:38:49Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 240 das listas particulares
556858
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text/x-wiki
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<poem>
Achar
Alfinete
Âmbar
Amen
Ananás
Anona
Armário
Bacia
Bailar
Banco
Bandeira
Bola
Boneca
Cabaia
Café
Caju
Calçado
Caldo
Câmara
Camisa
Campo
Capitão
Carapuça
Carreta
Carta
? Cavalo
Ceroilas
? Chapa
Chapéu
Chinela
Chita
Costa
? Cotão
Cravo
Dado
Dedal
Dona
Escôva
Falso
Feitor
Festa
Fita
? Fuzil
Gage
Ganso
Garfo
História
Igreja
Inglês
Lâmpada
Lanterna
Leilão
Limão
Mainato
Mainel
Mandador
Manteiga
Mas
Meirinho
Mesa
Mister
Mouro
Padre
Palangana
? Pantalona
? Passe
Pastel
Pelouro
Penhor
Pires
Pistola
Prata
Queijo
Renda
Rial
Roda
Ronda
? Rupia
Sábado
Sabão
Saco
* Sagu
Salada
Sapato
? Sátan
? Secar
Sêda
Sela
Senhor
Separado
? Serão
Tabaco
Tambor
Tempo
Trigo
Trocar
Varanda
Vaso
Veludo
Viola
</poem>
{{c|{{larger|TAMUL}}}}
<poem>
Adro
''Advento''
Aia
Alavanca
Alfinete
Almôndega
Altar
Alva
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/338
106
255119
556859
2026-07-30T13:39:33Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 241 das listas particulares
556859
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text/x-wiki
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Amancebado
Amarra
Âmbar
Amen
''Amito''
Ananás
Apóstolo
Armário
Arrátel
Assado
Ata
Bacia
Balchão
Balde
Banco
Barrete
Benzer
Bife
Biscoito
Bispo
Bôlo
Bôlsa
Botão
Bule
Cabaia
Cadeira
Café
Caju
Calafate
Calção
''Caldeirinha (kaderin')''
Camisa
Canhão
Capa
Capela
''Casula (kasulei)''
Castiçal
Católico
Cemitério
Chá
Chamador
Chave
Chinela
? Chiripos
Cidade
Comadre
Comunhão
Compadre
Confissão
Cópia
Copo
Cordão
''Corporal''
''Cota (t. ecl.)''
Cotão
Couve
Cozido
Cozinha
? Cravado
Cravo
Crisma
Cristão
Cruz
Dalmática
Damasco
Doce
Escrivão
Espírito Santo
Estante
Escola
''Estola (stolei)''
Festa
? Foguete
Frontal
Galheta
Gancho
Gaveta
Globo
Goiaba
Gola
Grade
Gudão
Harmónio
Hissope
Hospital
Hóstia
Janela
Jogar
Lanterna
Leilão
Lenço
Loba
''Manipulo (manipel)''
Meia
Meirinho
Mesa
Missal
Missão
Missionário
Môlho
Natal
''Naveta''
Novena
Opa
Órgão
Padre
Padroado
''Pala'' (do cálix)
Palangana
Pálio
Papa
Papaia
''Partícula''
Páscoa
Pateca
''Patena''
Pato
Pena
Pera
Pia
Pipa
Pires
Presidente
Púlpito
Quaresma
Querubim
Relójio
Renda
''Ritual''
Rolão
Rosa
Sabão
Sacramento
Sacrário
Sacristão
Sacristia
? Sagu
Salada
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/339
106
255120
556860
2026-07-30T13:40:15Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 242 das listas particulares
556860
proofread-page
text/x-wiki
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''Sanguinho''
Sapato
''Seminário''
''Sobrepeliz''
''Sopa''
Sotaina
Tambor
Tabernáculo
Tambaca
Temperado
Terço
Tesoureiro
Tinta
Toalha
Tocha
Trave
Tronco
Tumba
''Turíbulo (turivel)''
Vara
Varanda
Vésperas
Véu
Vigário
Vinha de alhos
</poem>
{{c|{{larger|TELÚGU}}}}
<poem>
Aia
Amarra
Ananás
Ano
Armário
Bacia
Balde
Banco
? Baptismo
Baralho
Barrote
Bateria
Biscoito
Boião
Bordo
Botão
? Café
Cafre
Calafate
Câmara
Camisa
Canal
Capa
Capado
Cartucho
Católico
Chave
Comandante
Comando
Compadre
Copo
Cozinha
Crisma
Estado
Estirar
Espírito Santo
Esponja
Fita
? Foguete
? Fulano
Galão
Granadeiro
Guitarra
Gudão
Hospital
Hóstia
Janela
Leilão
Limão
Madeira
Major
Maná
Maria
Meia
Melão
Mesa
Novena
Padre
Palangana
Papa
Papaia
Papuses
Páscoa
Pato
Pena
Pipa
Poial
? Polícia
Prancha
Prova
Recibo
Sabão
? Sagu
Sacristão
Sacristia
Sapato
Tara
Toalha
Toronja
? Tufão
Varanda
Verruma
Vinho
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/340
106
255121
556861
2026-07-30T13:41:17Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 243 das listas particulares
556861
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||DOS VOCÁBULOS PORTUGUESES|243}}</noinclude>{{c|{{larger|TETO}}}}
<poem>
Abril
''Abusar («bô-sok»)''
Achar
''Aço (aparo)''
Acudir
Ádem
Adeus
''Admirar («sa-rébak»)''
''Adoração («a-kruúku»)''
Adorar
''Adultério («sé-luku»)''
Advogado
''Africano («ma-lai metan»)''
''Agora («oras-néi»)''
Agosto
''Agradar («ako-nôku»)''
Agradecer
Ajudar
Alcatifa
Alfaite
Alfândega
Alferes
Alfinete
''Algema («uen-liman»)''
Almôndegas
Altar
Alva
Alvorada
''Amar («adómi, dóben»)''
''Ambição («kí-rak»)''
Amen
Amora
Amostra
Ananás
Andor
Animal
Anjo
Aniversário
''Antigo («kleur»)''
Apa
''Apito («fúi»)''
''Aprender («aié-ni»)''
''Apresentar («ha-túdu»)''
Arado
Arame
''Arcabuz («ki-láti bôti»)''
Argola
Argolinha
Armada
Arsenal
Arte
Assistir
Atenção
''Auxiliar («tú-lun»)''
''Avestruz''
Avisar
Aviso
Azeitona
Azul
Bacalhau
Bacia
Banda
Bandeja
Bando
Baralhar
Barrete
Barril
Batalhão
Bátega
Batina
Bazar
''Benedito («kniâ-nek»)''
Bênção
Bentinhos
Beringela
Bife
''Bilhete («súrati kikí»)''
Binóculo
Biscoito
''Bispado''
''Bispo''
''Boa noite''
''Boa tarde''
Bobo
Bolacha
Bôlo
Bôlsa
''Bôlso''
Bom dia
Bomba
Boneca
Borla
Borrão
Bota
Botão
? Botelha
Botija
Bouba
''Breve'' (subst.)
Bula
Bule
Burro
Cabaia
Cabide
Cabo
''Cabresto («kabã-rési»)''
Cacau
''Cada''
''Cadeado («hé-nu»)''
''Cadeia''
Cadeira
Café
Caju
Cális
''Camelo''
Camisa
Camisola
Campainha
Campo
Canapé
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/341
106
255122
556862
2026-07-30T13:42:05Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 244 das listas particulares
556862
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|244|LISTAS PARTICULARES|}}</noinclude><poem>
''Candieiro''
Canela
''Caneta''
Cânfora
Canivete
''Canudo'' (V. cigarro)
Capa
Capado
Capar
Capaz
Capela
Capitão
Capote
''Capricho («de-hur»)''
Caril
''Caro («dóben»)''
Carreta
Cartucho
Caso
Castelo («kota»)
Castiçal
''Castidade''
Castigo
Catana
Catarro
''Catana''
''Cedo («san»)''
Cemitério
''Centeio''
''Centopeia («sentopè, «lá-lyan»)''
Cepilho
Cerimónia
Cerveja
Chá
Chapa
Charuto
Chave
''Chávena''
Chícara
Chinela
Chita
Chocolate
Chouriço
''Cidadão''
Cidade
Cifra
''Cifrão''
Cigarro
''Cilha''
Cinturão
Clima
Cocheiro
Coelho
Cofre
Colchão
Colchete
Colégio
Comadre
Comandante
''Cominho''
''Comparação''
''Comparar («ód-dan»)''
Compasso
Comungar
Concelho
Condenado
Confessar-se
''Cónego''
Confeito
Confiança
Conforme («si-mú»)
''Consagração''
''Consagrar («sa-ráni»)''
Conselho
Consentir
''Consolar («hak sótok»)''
Cônsul
Conta
Contas
Contente
Contra
Contrato
Contra vontade
''Convite''
''Copa''
Cópia
Copo
Côr
''Coral («môr-ten»)''
Corneta
''Coro''
Coroa
Coronel
Corrente
Cortesia
Cortina
Corveta
''Costumado''
Costume
Côvado
Couve
Cravo
''Crédito''
Criado
''Criatura («ha-kálak»)''
Crisma
Cruz
Cuidado
Cuidar
''Culpa («sala»)''
''Cumprir («há-lu»)''
''Cura («bálin»)''
Custar
''Custódia''
''Daia''
Decreto
Dedal
Degrau
''Descobrir («ló-ke»)''
Desconfiar
Descontar
''Desculpa («ha-rôhan»)''
''Desejo («haká-rak»)''
''Desgostar''
Despacho
Despensa
Despesa
Desprezar
''Desprezo («tôs»)''
''Desterrado''
Desterrar («phô lákon»)
Destêrro
''Determinar («ha-mênu, haru-ka»)''
''Dever (verbo, «hatúsan»)''
Devoção
Diabo
Diamante
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/342
106
255123
556863
2026-07-30T13:42:41Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 245 das listas particulares
556863
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||DOS VOCÁBULOS PORTUGUESES|245}}</noinclude><poem>
Dicionário
Dispensa
Divisa
Doce
Dom
Domingo
Dona
''Dormitório''
Dossel
Doutor
Doutrina
''Dragão''
Durar
Dúzia
Edição
''Educação''
''Embaraçar («ha-kahik, hatáu»)''
Empatar
Emprôgo
Emprestar
Então
''Entender («ha-téni»)''
Entendimento
Entregar
Entrudo
''Enxada''
''Enxó''
''Enxofre''
''Epístola («sú-rati»)''
Ervilha
Escaler
Escândalo
''Escapulário''
Escola
''Escolante''
Escôva
Escrivão
Esmola
Esperto
Espírito
Espírito Santo
Espoleta
Essa
Estado
Esticar
''Estilo''
Estribo
''Estrondo («ba-láun»)''
Estudar
Estudo
''Eternidade''
''Eucaristia''
Evangelho
Exame
Excomunhão
Exemplo
Explicar
Falso
Faltar
Fama
Farol
Favor
Fé
''Fechadura''
Feira
Feriado
Festa
''Fiado'' (adj.)
Fiador
Figura
''Filtro''
Finta
Fita
Fivela
Flanela
Fôrça
Forma
Forno
Forrar
Forte
Fortuna
Fraco
Frade
Fragata
Frasco
Frasqueira
Freio
Freguesia
''Frontal''
Funil
''Gaiola''
''Gala''
Galão
Galheta
Gaveta
Genebra
General
Gentio
Geração
''Glória''
Goma
''Golilha''
Gorgoleta
Govêrno
Graça
Graxa
Grude
Guarda
''Guarnecer («hu-diak»)''
''Guia''
Guisado
Herdar
História
Honra
Hora
Hospital
Hóstia
Igreja
''Importar-se («klétak»)''
Incenso
''Indigestão (in-distã, «túan móras»)''
''Indigno''
Indulgência
Inferno
Injustiça
Inocência
''Inspiração''
''Instante («láis ôan»)''
Instrumento
''Intentar («ha-kárak»)''
''Intérprete (intrépiti, «dú-ru bása»)''
Inveja
''Janeiro''
Janela
Jantar
''Jardim''
Jarra
''Jarro''
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/343
106
255124
556864
2026-07-30T13:43:37Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 246 das listas particulares
556864
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|246|LISTAS PARTICULARES|}}</noinclude><poem>
Jejum
Jogador
Jogar
Jornal
Juiz
''Juízo (siso, «méon»)''
''Julgar (júlga, dúlga, dúlka)''
Julho
Junho
Juramento
Jurar
Juro
Justiça
Laço
Lacre
Ladainha
''Lagosta («kná-se»)''
Lâmpada
Lampião
''Lancha («rô-ôan»)''
Lápis
Lata
Lei
Leilão
Lenço
Lençol
Letra
Lião
Lição
Licença
''Limar''
''Linho («fúka»)''
Lírio
Lista
Livrar
Livre
Livro
''Lobo''
''Logo («ôri-láh»)''
Lona
Luminária
Luto
Luva
''Machado («ba-líun»)''
Machila
Major
''Mal («aáti»)''
Mala
Malcriado
Maldição
Malícia
Mangação
Manha
Manteiga
Marca
Marchar
Março
Marfim
Martelo
Mártir
Mas
Mas que
Matraca
''Meda («boún»)''
Medalha
''Médico''
Meias
''Meio (adj., «na-knótak»)''
''Meio dia''
Meirinho
Mercê
Merecer
Mesa
Mestre
Milagre
Militar
Ministro
Minuto
Missa
Missal
Missão
''Mitra''
''Moleiro''
''Momento («láis-ôan»)''
Mostarda
Multa
''Mundo''
Munição
Música
''Nabo''
''Nação''
Natal
''Nora''
''Nossa Senhora''
Nota
Notícia
''Novembro''
Número
''Obedecer («há-lu-ktúir»)''
''Obediência''
Obrigação
Obrigado
Obrigar
Ocasião
Óculos
Ofender
Oferecer
Oficial
Ofício
Opa
Oração
Ordem
Órgão
''Ostra («tiran»)''
Paciência
Padre
''Padre Nosso''
Pagode
''Paiol''
Palmatória
Pão
Papa
''Papo («hakalú-kun»)''
Para
Parabém
Parente
Pasto
Páscoa
Passe
Passear
Pataca
Patarata
Pateca
Patena
Pato
''Pátria''
''Patriarca''
Patrono
''Pavio (baviu)''
''Paz («dámi»)''
Peça
''Pecado''
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/344
106
255125
556865
2026-07-30T13:44:19Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 247 das listas particulares
556865
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh||DOS VOCÁBULOS PORTUGUESES|247}}</noinclude><poem>
''Pelo sinal''
Penitência
Pena
Perdão
Perdição
Perdido
''Perdoar''
Peste
Pia
''Pico''
Piloto
''Pimenta («ai manas»)''
''Pinta («tádan»)''
''Pião («lúru»)''
Pires
Pistola
''Plantação («ai kúda»)''
Polícia
Polvorinho
Pomba
''Ponte («iambá-ta»)''
Ponto
Português
Pôsto
''Povo (pôvos, «éma, dátu»)''
''Praça''
Praga
''Prática''
Preço
''Precisar''
''Preciso''
''Pregar («hédi»)''
Prògar
''Pregação («ha-téten»)''
Prego
Prémio
''Prender''
Preparar
Presente
Presidente
Processo
Procissão
Procuração
Procurador
Promessa
Pronto
Próprio
Proposta
Protestante
Protesto
''Província''
''Pudim''
Púlpito
''Pulso (púrsu, coragem)''
Purga
Purgatório
''Quando («bai-húra»)''
Quaresma
Quartel
Queijo
Questão
Quintal
Rabeca
Ração
Razão
Recado
Recibo
Rêde
''Refogado (fogádu)''
''Refogar (fúkar, «réko, rêgo»)''
Reformado
''Regente («nai úlun»)''
Registo
Regra
''Régua''
''Reino''
Relação
Religião
Relógio
Repique
Requerimento
''Rematar («hô-tu»)''
Renda
''Renovar''
Reposta
Reprovar
Respeito
''Retiro''
Retrato
Responsável
Reunião
''Reza''
''Resina''
''Rico''
''Risca''
Romã
Ronda
Rosa
Rosário
''Rosca''
Roupa
''Rude («aáti»)''
''Rufo''
Rupia
Sábado
Sabão
Saca-rolhas
Sacramento
Sacrário
Sacrifício
Sacrilégio
Sacristão
Sacristia
Sagu
Saguate
Sala
Salada
''Salsa''
Salva
Salvação
''Sangrar''
''Santa Cruz''
''Santíssimo''
''Santíssimo Sacramento''
Santo
Sapateiro
Sapato
''Sardinha («ikan»)''
Sargento
''Saudar''
Saúde
Sé
''Secreta («la-kló»)''
Secretaria
Secretário
Sêda
''Segundo''
Sela
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/345
106
255126
556866
2026-07-30T13:45:00Z
Anacastrosalgado
41047
/* Revista */ Transcrição e revisão da página 248 das listas particulares
556866
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Anacastrosalgado" />{{rh|248|LISTAS PARTICULARES|}}</noinclude><poem>
Sêlo
Semana
Semana Santa
Seminário
Sentença
Sentido
Sentinela
Sentir
Sério
Sermão
''Servente («ata»)''
''Significar (ká-tak)''
''Silêncio («no-nókun»)''
Sinal
Sino
Soberba
Sobremesa
''Sobrescrito''
Sobrinho
Sociedade
''Socorro (si-kóuru, «tú-lun»)''
Sofrer
''Soldada («sê-lu-kóli»)''
Soldado
Sombreiro
Sopa
Sorte
Sossegado
Suberbo
''Suceder''
''Sumo Pontífice''
Superior
Suspender
Tabaco
Tacho
''Taco''
Talento
Talher
Tapete
Tarde
Tempêro
Tempo
Tenda
''Tenente''
Tentação
Tentar.
Terço
Terrina
Testamento
''Tia''
''Tigre''
Tinta
Tio
Tiras
Tiro
Toalha
Tomate
''Torcida''
Torre
Traição
Tratamento
Tratar
''Tribunal''
Trigo
Trocar
Trombeta
Tronco
Tropa
Tumba
''Uniforme''
Urinol
''Uso''
Uvas
Vacina
''Vapor («rô áhi»)''
Varanda
''Vassalo''
Vaso
''Venera''
Verniz
Verónica
Verruma
Verso
Vésperas
Véu
Vidro
Vigário («nai-lúlik»)
''Vila''
''Vintém''
Viola
Virtude
Visita
''Vitória («má-nan»)''
Viva
''Vizinho («málu-ku, bésik»)''
''Vontade («ha-kárak»)''
Voto
''Zelador''
''Zinco («kálen»)''
</poem>
{{c|{{larger|TIBETANO}}}}
<poem>
? Chá
Couve
? Pão
</poem>
{{c|{{larger|TONKINÊS}}}}
<poem>
? Bátega
Café
? Chá
? Chave
* Chocolate
Copo
Pão
? Tabaco
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/85
106
255127
556872
2026-07-30T13:58:56Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
556872
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|79|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Estamos muito adiantados! Uma bala sem espingarda.
— A espingarda, respondeu Barbicane, podemos nós fabrical-a.
Polvora tambem nós podemos fazer! Nas entranhas da Lua nāo
hāo de faltar metaes, nem salitre, nem carvāo. E demais, para
poder regressar, bastará vencer a attracçāo lunar; é sufficiente
caminhar oito mil leguas para fóra da Lua para tornar a cair no
globo terrestre só pela acçāo das leis da gravidade.
— Basta, disse Miguel acalorado. Nāo tratemos mais do regresso, que já fallámos em tal até de mais. A respeito de estabelecer communicaçōes com os antigos collegas da Terra, a difficuldade nāo ha de ser grande.
— Mas como?
— Por meio dos bolidos que os vulcōes lunares arrojam.
— Boa lembrança, Miguel, respondeu Barbicane com ar de
convicçāo. Calculou Laplace que uma força cinco vezes maior
que a dos nossos canhōes seria bastante para arremessar um
bolido da Lua á Terra. E de certo nāo ha vulcāo cuja força da
projecçāo nāo seja maior.
— Hurrah! gritou Miguel. Isso é que sāo correios commodos, os bolidos, e que de mais a mais ficam de graça! Como
nós havemos de rir da administraçāo postal! Mas, agora me
lembra...
— Que te occorre ?
— Uma idéa soberba. Porque é que nós nāo prendemos um
fio ao projectil? Podiam-se assim trocar telegrammas com a
Terra!
— Com trezentos milheiros de diabos! replicou Nicholl. E
entāo o peso do tal fio de oitenta e seis mil leguas de comprido, onde o mettias tu?
— Onde o mettia! Triplicava-se a carga da columbiada! Podia-se até quadruplicar ou quintuplicar! exclamou Miguel, eu-jo verbo ia tomando intonaçōes cada vez mais violentas.
— Q teu projecto tem só um pequeno contra, respondeu Barbicane! é que durante o movimento de rotaçāo do globo o nosso fio havia de enrolar em volta dʼelle como a cadeia no cabrestante, e, portanto, puxava-nos irremediavelmente para a Terra.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|80|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Pelas trinta e nove estrellas da Uniāo! disse Miguel. Nāo
hei de ter hoje senāo idéas irrealisaveis! idéas á J.-T. Maston!
Mas, agora me occorre, se nāo voltarmos á Terra, J.-T. Maston
é capaz de vir ter comnosco!
— Sim! ha de vir, replicou Barbicane, que é um digno e valente camarada. E demais, qual ha de ser a difficuldade? Pois
a columbiada nāo está lá como antes, excavada no solo da Florida. Porventura ha de faltar algodāo e acido azotico para fabricar pyroxylo. Acaso a Lua nāo póde tornar a passar pelo zenith
da Florida, e nāo ha de estar passados dezoito annos exactamente no mesmo logar em que está hoje?
— Sim, repetiu Miguel, sim, Maston ha de vír, e tambem com
elle os nossos amigos Elphiston, Blomsberry e os socios do Gun-Club todos, e hāo de ser bem recebidos! E lá mais para diante
hāo de se estabelecer comboios de projectis entreʼ a Terra e a
Lua! Hurrah! por J.-T. Maston!
J.-T. Maston provavelmente nāo ouviu os hurrahs que em
honra dʼelle se levantavam, mas pelo menos ficaram-lhe as orelhas a arder. Que faria Maston nʼaquelle momento? Seguramente procurava, pregado no posto das montanhas Penhascosas, na estaçāo de Longʼs-Peak, deseobrir a bala invisivel a gravitar no espaço.
Força é concordar que, se Maston pensava nos caros companheiros, estes tambem nāo lhe ficavam a dever nada, porque
debaixo da influencia de uma singular exaltaçāo lhe consagravam o melhor dos seus pensamentos.
Mas dʼonde proviria aquella exaltaçāo que augmentava a olhos
vistos nos habitantes do projectil ?
Da sobriedade dʼelles ninguem poderia duvidar. Deveria entāo attribuir-se aquelle estranho erethismo do cerebro ás circumstancias excepcionaes em que se achavam, á proximidade
do astro das noites de que apenas distavam algumas horas, a
alguma influencia secreta da Lua que lhes actuava no systema
nervoso?
Subira-lhes a côr ao rosto como se estivessem expostos á reverboraçāo de um forno ; amindava-se-lhes a respiraçāo, e func-<noinclude></noinclude>
0jv3ohyah2lb1u1nt2ihiwt6zawhpel
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|81|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>cionavam-lhes os pulmōes, quaes folles de ferreiro; brilhavam-lhes os olhos com extraordinaria chamma; as vozes dʼelles eram
como detonaçōes formidaveis, as palavras saiam-lhes dos labios
qual rolha de Champagne, expellida pelo acido carbonico; a
gesticulaçāo ia-se-lhes tornando difficil, tanto espaço era necessario para completo desenvolvimento. E finalmente, circumstancia digna de mençāo, nem sequer percebiam aquella excessiva tensāo de espirito.
— Agora, disse Nicholl em tom sacudido, agora que já sei
que havemos de regressar da Lua, desejo ser informado do que
vamos lá fazer.
— Que vamos lá fazer? respondeu Barbicane, batendo com o
pé como se estivesse nʼuma sala de esgrima, nāo sei!
— Nāo sabes! exclamou Miguel com um uivo que produziu
no projectil sonoro echo.
— Nāo, nem sei, nem imagino! retorquiu Barbicane, gritando
Unisono com o interlocutor.
— Pois sei-o eu! respondeu Miguel.
— Pois entāo dize-o, clamou Nicholl, que já nāo podia conter
a sonoridade da voz.
— Hei de dizel-o se quizer, exclamou Miguel, agarrando com
violencia o braço do companheiro.
— Quer queiras, quer nāo, disse Barbicane, com os olhos
chammejantes e o gesto ameaçador. Foste tu que nos arrastaste a esta temerosa viagem, e entāo temos direito saber para
que!
— Sim! acudiu o capitāo, agora que já nāo sei aonde vou,
quero saber para que lá vou!
— Para que! exclamou Miguel, dando pulos de metro, para
que ? Para tomar posse da Lua em nome dos Estados Unidos!
Para ajuntar mais um aos trinta e nove Estados da Uniāo! Para
colonisar as regiōes lunares, para as cultivar, para as povoar,
para transportar para lá todos os prodigios da arte, da sciencia e da industria! Para civilisar os selenitas, a nāo ser que já
estejam mais elvilisados que nós, e para fundar lá uma republica, se é que já nāo está fundadada!
{{nop}}<noinclude>
{{right|6}}</noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|82|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— E se nāo houver selenitas ? retorquia Nicholl, que, dominado por aquella inexplicavel embriaguez, estava com genio
de contradicçāo.
— Quem é que diz que nāo ha selenitas? exclamou Miguel
em tom de ameaça.
— Eu mesmo! uivou Nicholl.
— Capitāo, disse Miguel, nāo repitas similhante insolencia,
ou entāo obrigo-te a engulil-a com guelas e dentes!
Iam os dois adversarios lançar-se um ao outro, e ameaçava
desandar em combate a discussāo incoherente, quando Barbicane, dando um formidavel pulo, se metteu de permeio entre
os contendores.
— Detenham-se, desgraçados, disse voltando os companheiros de costas um para o outro, se nāo houver selenitas, havemos de passar sem elles!
— Pois sim, exclamou Miguel, que no fundo nāo tinha grande
empenho no caso, passaremos sem elles. Os taes selenitas de
nada servem! Abaixo os selenitas.
— Ha de ser nosso o imperio da Lua! disse Nicholl.
— Nós tres fundaremos e constituiremos a republica!
— Eu hei de ser o congresso! clamou Miguel.
— E eu o senado, retorquiu Nicholl.
— E Barbicane, presidente, uivou Miguel.
— Nada de presidente eleito pela naçāo! responden Barbicane.
— Pois seja o presidente eleito pelo congresso! exclamou
Miguel, e como eu é que sou congresso, escolho-te a ti por
unanimidade!
— Hurrah! hurrah! hurrah! pelo presidente Barbicane! clamou Nicholl.
— Hip! hip! hip! vociferou Miguel Ardan.
Em seguida presidente e senado entoaram com voz temivel
a popular ''Yankee Doodle'', emquanto o congresso fazia retumbar o projectil com a entonaçāo viril da Marselheza.
Começon entāo uma dança descabellada, acompanhada de
gesticulaçōes insensatas, pateadas de doidos e cambalhotas de<noinclude></noinclude>
q7tl47bf3v3caf90ce4pbt502tosb67
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|83|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>clowns deslocados. Diana metteu-se na dança, uivando tambem
e saltando até á cupula do projectil.
Ouviu-se, no meio de tudo isto, um bater de azas inexplicavel, cantos de gallo de singular sonoridade, e cinco ou seis gallinhas voaram de encontro ás paredes, quaes morcegos desorientadas...
Depois, os tres companheiros de viagem, cujos pulmōes se
iam desorganisando por incomprehensivel motivo, mais que
ebrios, queimados pelo ar que lhes incendiava o apparelho respiratorio, cairam sem movimento no pavimento do projectil.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Á Roda da Lua (5ª edição)/VII
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Erick Soares3
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=79 to=89 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/VII]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_VII._Минута_опьянѣнія.]]
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{{Modernização}}
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[[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_VII._Минута_опьянѣнія.]]
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MLReis
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{lema|ACLARAMENTO}}. s. m. pouc. uf. Acção e effeito de acla- rar. BENT. PER. Thes. {{lema|ACLARAR}}. v. a. Fazer claro, defvanecer o que impede ou tira a claridade, communicando luz. MoR. Palm. 2, 159 E como nefte tempo já o Sol aclaraffe os campos &c. FERR. Poem. Son. 1, 4 E quando a branca Délia a noi- te aclara, FERNAND. GALV. Serm. 3, 295, 3 E fica cla- ro, que não puderão os olhos recrearfe com fua vifta fe o não aclarára [o te...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>{{lema|ACLARAMENTO}}. s. m. pouc. uf. Acção e effeito de acla-
rar. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACLARAR}}. v. a. Fazer claro, defvanecer o que impede ou
tira a claridade, communicando luz. MoR. Palm. 2, 159
E como nefte tempo já o Sol aclaraffe os campos &c.
FERR. Poem. Son. 1, 4 E quando a branca Délia a noi-
te aclara, FERNAND. GALV. Serm. 3, 295, 3 E fica cla-
ro, que não puderão os olhos recrearfe com fua vifta
fe o não aclarára [o templo de Salamão] e allumiára
aquella tocha, que abaixou do céo.
Met. Illuftrar, illuminar. O efpirito. Parv. Serm.
1,188 Huma das propriedades, que a Efcritura dá à
guarda da Lei de Deos fobre todas as outras, he acla-
rar o entendimento. HEIT. PINT. Dial. 1, 2, 1 Que. if-
to tem a quietação, aplacar o efpirito, e aclarar o en-
tendimento. GUERREIR. Rel. 5, 3, 25 Ao qual, ouvindo
o Cathecifmo, noffo Senhor aclarou tanto o entendimen-
to na verdade de fua Lei, que &c.
Met. Realçar, nobilitar, acreditar. FERR. Poem.
Son. 1, 4 Aquelle efprito. puro e raro, Que a ef-
cura terra aclara os céos namora. PAIV. Serm. I,
67 Querendo adjectivar a Lei de Deos com noffos
intentos, defenhos e pertenções, efcurecemos aquil-
lo, que com noffa vida fe houvera de aclarar. FEO,
Tr. I
188, 3 A tribulação, apurando a fé,
clarando voffa paciencia, faz obra perfeita, e fem de-
feito.
Met. Defcobrir, manifeftar o que ou mal fe podia
perceber, ou fe occultava e diffimulaya com algum disfar-
ce. CORT. R. Naufr. 4, 41 Venha já o refplendor do
louro Apollo,
Aclare deftes dous o mal occulto. PINT.
PER. Hift. 1, 24, 98 Por nos parecerem [confas] neceffa-
rias para perfeito entendimento dos negocios de Maluco,
que determinamos aclarar, CALV. Homil. 2, 240 Efte ri-
gorofo exame para aclarar as obras de Chrifto abfolu-
tamente não era neceffario:
Met. Interpretar, declarar, explicar alguma coufa
efcura, duvidofa ou confufa, para que fe alcance e enten-
sda. FERR. Poem. Cart. I, 12 Ao efcuro dá luz, e ao
que pudera Fazer dúvida, aclara. FR. BERNARD. DA
a Siv. Defenf. 1, 26 Aclarou mais ifto Macrobio. VIEIR.
Serm. 12, 10, 7. n. 277. O Texto original aclara, ou ef-
curece mais a difficuldade..
Clarificar, desfazer ou diffipar o turvo e efpeffo dos
liquidos D. F. MAN. Cart. de Guia, 110 Pera aclarar e
deixar limpa huma redoma de tinta não bafta huma pi-
pa de agoa clara.
Fazer branco, dar alvura. GRISL. Defeng. 2, 38
Tem o çumo della [faveira] particular virtude de acla-
rar, e fazer a carne alva, e mui luftrofa.
Aclarar a vifta ou os olhos. Fazer que fe veja me-
lhor, desfazendolbes as nevoas ou qualquer outro antece-
dente embaraço. HEIT. PINT. Dial. i, 1, 4 O lodo lan-
çado nos olhos, çujaos, e não os alimpa: cegaos, c
não os aclara. ARR. Dial. 4, I Cujo çumo branco co-
Imo leite aproveita pera aclarar a vifta. FERNAND. GALV.
Serm. 2, 6, 4 Pois ponde terra fobre os olhos, que
ferve muito pera aclarar a vifta.
Aclarar a voz ou a falla. Tirar a rouqnidão ou al-
gum outro impedimento, que haja na pronunciação. CURV.
Atal. 409 E em dous ou tres dias fe tirará a rouquidão,
e aclarará a falla.
Aclarar praça. Milic. MEN. Portug. 8, 514 Com
efte remedio tornarão todos os officiaes reformados] a
C: aclarar praça. Vej. Aclarado. bi
Neutr. Fazerfe ou tornarfe claro com luz o que ef-
tava efcuro. Propriamente do tempo, quando ao ama-
nhecer ou depois de alguma cerração efclarece o ar.
Ufafe com pron. peff. ou fem elle. FERR. Poem. Son.
12, 28 Abrindo a pedra as letras, aclaravão
As nu-
vens. AVEIR. Itin. 11 O mar fe começou de aquietar,
callou o vento, ceffou o chuveiro, e aclarou o tempo,
MEND. PINT. Peregr. 62 E que fe afaftaffem dalli até
-que o dia mais aclaraffe. zoo zob ootab
Abf. HIST. TRAG. MARIT. I, 400 Choveonos até
sh depois do meio dia fem nunca ceffar, e depois aclarou
c fez bom fol. FEST. NA CANON. 10 Por algum efpaço
o de tempo efteve o ar coberto de fumo fem fe poder
ever,, nem diftinguir coufa alguma, té que aclarando
mais, appareceo to Caftello.
Met. A DE VASc. Anj. 1, 1, 9. part. 2. p. 122 Co-
mo fe tem por ditofo o cafo ou doença, que foi occa-
ofião de fe aclarar o engenho, como a alguns aconte-
ecco. L. BRAND. Medit, 1, 2, 66. P. 408 Deixafe ficar aos
doze annos, tempo, em que começa a aclarar mais o
ufo da razão.
Nas demais accepções da voz activa. Dos liqui-
dos, das côres, &c. Tambem fe rege com pron. peff.
FERNAND, GALV. Serm. 1, 67, 4 E pofto que as agoas
vão turvas, logo depois fe aclarão e fazem cryftallinas.
FILLIPP. NUN. Art. da Pintur. 62 E notai que he necef-
fario deixar a pintura fobre o cfcuro porque logo em
fe feccando aclarará muito. GAEREIR. Comp. 59 Tomem
hum arratel de farro queimado... e deitalohão por hu-
ma noite em agoa rofada, e pela manhãa mexão tudo
muito bem, e deixema aclarar.
{{lema|ACMASTICO, A}}. adj. Medic. ou
{{lema|ACMISTICO, A}}. adj. Medic. Applica-fe á febre continua.
Do Grego A'xa paras, que não fente o trabalho, infa
tigavel. MORAT. Febr. 1, 2 A febre continua igual
chamafe Acmaftica. 2, 1 A febre igual do principio
até o fim... chamafe Acmiftica.
Todas as vozes, que não fe acharem em Aco
bufquemfe em Acco.
{{lema|ACOALHAR}}. v. a antiq. O mefmo que Coalhat. GOES, Chr.
de D. Man. 2, o Se puferão em altura.
, que acharão
tanto frio e neves, que fe acoalbava a agoa, e vi-
nho. CABREIR. Comp. 64 E de cera bella, a que bafte
para fe acoalbar ifto.
{{lema|ACOAR}}. v. a. antiq. O mefmo que Coar. VIT. CHRIST. 3,
38, 93 Cegos, que revolvião o entendimento das
Efcrituras, que acoavão e alimpavão o moxão, s. que
efcoldrinhavão as coufas pequenas com grande diligen-
cia, e o camello engulião.
{{lema|ACOBARDADAMENTE}}. adv. mod. O mefmo que Cobarde-
mente. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOBARDADO, A}}. p. p. de Acebardar. BARREIR. Cho
rogr. 164. CORT. R. Cerc, 11, 161. BRIT. Mon. I, 3. c.6.
{{lema|ACOBARDAMENTO}}. s. m. Cobardia, pufillanimidade.
(Acovardamento.) BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOBARDAR}}. v. a. Intimidar, amedrentar, caufar ou
infundir medo. (Acovardar) ARR. Dial. 3, 21 Sem Ihes
metter medo, nem os acovardar, nem os fazer tornat
pé atrás, CASTR. Ulyff. 10, 62 O perigo do pai a aco
bardava. Sous. Hift. I, I, 11 Offerecendolhe o inimi-
go commum] montes de difficuldades pera o acovardar.
Com pron. peff. Conceber tenor a refpeito do que fe
ha de emprehender on obrar. Reg. abf. a ou para alg. c.
CAM. Canç. 4, 5 Andar meu bem bufcando, E de o
poder achar acovardarme. FEO, Tr. 1. 259, 4 Se fenão
rendem a palavra branda, arovardãofe d afpera. Sous. DE
MACED. Ev. I, 44, 226. n. 8 As riquezas. . . acovar-
dãofe para o bem.
{{lema|ACOBERTADO, A}}. p. p. de Acobertar. Dizfe propria-
mente das cavalgaduras, quando por cima fe lhes lan-
ça hum panno, ou levem cavalleiro ou não. CAS-
TANK. Hift. 2, 14 Com feus alifantes acobertados de sê-
das e de brocados. F. ALv. Inform. 30 E os outros
vallosacobertados, não com cobertas de guerra, fenáo
como eftão os cavallos nas eftribarias. F. DE MENDOÇ.
Serm. 2, 269, 3 O cavallo vai acobertado de amarelló.
Ant.. Tambem fe applica ás peffoas, que trazem
alguma roupa ou cobertura, para agafalho ou ornato.
MEMOR. DAS PROEZ. 1, 44 Trazia a fua barba branca,
que lhe pallava a petrina, e daqui pera baixo acoberta
do de brocadilho verde, que arrojava pelo chão.
Milic. Antigamente diziafe dos cavallos de guerra,
cobertos pelas ancas e pefcoço até abaixo dos peitos de
huma groffa coura de anta, ou de huma rede tecida, de
malha de aço, para os prefervar dos golpes. Nos taes
cavallos entravão nas pelejas Cavalleiros armados de pon-
to em branco, chamados Homens de armas. BARR. Dec.
3, 4, 4 E os cavallos acobertados tambem hiáo armados da
mefma forte.. COкT. R. Naufr.-14, 164 E junto del-
le alli eftendido, Hum grão cavallo ruço, acobertado.
Feo, Tr. I, 135, 2 Cavallos fermofos , fortes, bem
ajaezados, e acobertados, quaes são aquelles, que fe or-
não pera a peleja.
Applicafe ao Cavalleiro ou homem de armas, que
traz cavallo acobertado. GOES, Chr. de D. Man. 1, 47
Deftes [homens] erão os feis mil de cavallo, e oito
centos acobertados. PER. Elegiad. 15, 217 Indo os mais á
ligeira, e acobertados. Leão, Chr. de D. Duart. 12 A
gente toda eftava a pé, falvo o Infante D. Henri-
que, que fó andava a cavallo, todo acobertado de malha.
Subft. Cavalleiro, os homem de armas com cavalls
acobertado. GOES, Chr. do Princ. 78 Mas em fim a for-
ça dos acobertados, que crão muitos, pode tanto, que<noinclude></noinclude>
cy6huykyllympv5mhul2ymtl0c1gahl
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>os noffos fe começárão a defordenar. CORT. R. Naufr.
14, 159 Olhai acobertados já rompendo A efpeffa mul-
tidão do fero bando. D. G. COUTINH. Jorn. 135 V Apôs
elle fahi eu com alguns dos acobertados, meus creados,
e os de minha guarda.
{{lema|ACOBERTADO}}. s. m. ant. Milic. Groffa coura de anta
ou rede tecida de malhas de aço, com que antigamente fe
cobrião os cavallos de guerra pelas ancas e pefcoço até a-
baixo dos peitos, para os prefervar dos golpes. MARIZ,
Dial. 4, 19 Edificou.[elRei D. Manoel à cafa dos al-
mazens, e a proveo de grande numero de armas de pé
e de cavallo, e acobertados, e artilharia, e outras ar-
mas. SEVER. Notic. 2, 11, 59 Aqui havia grande nume-
ro de acobertados, colfoletes, arcábuzes, &c.
{{lema|ACOBERTAR}}. v. a. Cobrir com manta, panno, &c. De
ordinario os cavallos. BLUT. Vocab.
ACOÇADO, A. p. p. de Acoçar. Reg. abf. ou de. BARR.
Dec. 4, 8, 14. HEIT. PINT. Dial. 1, 2, 5 CORT. R.
Naufr. 1, 12 y.
{{lema|ACOÇADOR}}. s. m. O que acoça. JER. CARDOS. Dict. BAR-
BOS. Dict. BENT. PER. Thes.
TOLOSA
{{lema|ACOÇAMENTO}}. s. m. antiq. Acção de acoçar. CANCION.
47, 3 Ou me fareis que crefmonte,
Como de acof-
famento Faz hum cervo de levada.
{{lema|ACOÇAR}}. v. a. Seguir com inftancia, perfeguir com empe-
nho de render. Propriamente fe diz a refpeito dos ani-
féras, &c. BARRET. Eneid. 5, 60 No Ida
frondofo as féras acoçando. Co dardo. M. FERNAND,
Alm. 3, 3, 5. n. 235. p. 670 E elle como moço tra-
yeffo, começou a lhe atirar [á vacca] ás pedradas, e
correla, e a acoçala de forte, que a fez defprenhar,
maes
e morreo.
OS
Met. Perfeguir, moleftar, maltratar, vexar por
qualquer modo. HisT. TRAC. MARIT. 1, 132 Vierão
Cafres toda aquella tarde acoçandonos. CEIT. Quadrag.
2,-266, 2 Mas ou rogando, ou cortando [vicios] os perfi-
gua eucoce. BARRET. Eneid. 5, 109 Já co a dextra, já
co a esquerda o acoga, Os golpes huns fobre outros
amiudando.
Neutr. antiq. Andar tanto como o companheiro. BAR-
Bos. Diet. Não poffo acoffar comtigo, ou andar tanto co-
mo eu andas,
{{lema|ACOÇAR}}. v. a. antiq. O mefino que Coçar. FR. MARC.
Vid. 5, 4. Chr. 2, 1, 47.
{{lema|ACOCHAR}}. v. n. com pron. peff. Agacharfe, acaçapar-
Cfe. BLUT. Vocab.
{{lema|ACOCORAR}}. v. a. que fempre fe ufa com pron. peff.
Porfe de cocaras. BLUT. Vocab. Suppl.
Todos os vocabulos, que fe não acharem em Acoi,
bufquemfe em Acou.
{{lema|ACOIMADO, A}}. p. p. de Acoimar. FERN. LOP. Chr. de D.
J. I. 1, 4. ORDEN. DE D. MAN. 1, 49. FERR. DE VASC.
-Ulyflip. 4, 6.
{{lema|ACOIMADOR}}. s. m. antiq. O que acoima. VIT. CHRIST-
2, 17, 52 Dando outrofi exemplo de nom bufcarmos
nas boas obras louvor dos homens e ainda per noffas
obras de nos partirmos dante os olhos dos reprehendo-
res, e acoimadores por tal, que nom cféça por aquello
a enveia em clles.
{{lema|ACOIMAR}}. v. a. Fazer apprebensão nas beftas ou gado,
por entrar em fazendas alheias para indemnizar os donos
dellas do prejuizo feito. Lon. Ecl. 4 Não ha vallado,
nem febe, Nem quem o acoime [o gado] do damno.
Impor pena on multa pecuniaria por algum delicto.
REGIM. D'EVOR. 28, 6 Quando o Meirinho accimar algu-
mas peffoas, que trabalhão aos Domingos, ou dias San-
tos de guarda, dará fua fé como os acoimára. LEIS Ex-
TRAV. 4, 14, 2 Acoimando, e demandando as ditas penas
perante hum dos Corregedores do Crime da dita Cidade.
Met. Reprehender, eftranbar, levar a mal de pala-
vra ou caftigando. Goes, Chr. de D. Man. 1, 91 Senhor
não me acoimeis hoje meus peccados, deixai por voffa
mifericordia o caftigo delles pera outro dia. MEMOR. DAS
PROEZ. I, 32 Callava feu tormento, porque o irmão lho
não acointafe, cá mui cerco he atitre irmãos foffrer mal
a reprensão. PAIV. Serm. 3, 268 Excellente Rei, e pai
noflo Dom João o terceiro; não me, acoimeis efte nome
de pai, nem o hajais por indecente da mageftade e gran-,
deza Real.
{{lema|ACOITAR}}. v. a. antiq. com pron. peff. Affigirfe. De Coi-
ta, antiq afficção, cuidado. VT. CHRIST. 1, 15, 49
E nom fendo entom achado, a madre fe acoitava e affi-
cava, nom havendo já efperança de o achar.
{{lema|ACOLA'}} adv. lug. Naquella parte, naquelle fitio, naquelle lugar. Sem movimento. LEão, Orig. 69 y na refor-
mação das palavras, de que o vulgo ufa, quer que fe
efcreva Aquolá. MEND. PINT. Peregr. 80 Mas o melhor
...era paffardes adiante aquelle lugar, que acolá cítá
apparecendo. Maus. Aff. Afr. 6, 94 Acold Paris tem a
armada furta. ORIENT. Lufit. 63 Acolá (eis) pareceme
que vejo &c.
Com movimento. Para aquelle lugar. M. BERN.
Paraif. 81 Vamos acolá acima daquelle pequeno penhafco.
Antepoefelhe as prep. De para, por. BERNARD.
RIB. Menin. 1, 8 Afli prazerá a Deos, fallou a Dona
honrada d'acolá donde eftava. F. DE MENDOÇ. Serm. 2?
367, 29 Olha pera acold. EurRos. 1, 2 Tudo he de cá
foi, por acold entrou.
Contrapóefe ao adv: Cd. Gi Vic. Obr. 4, 241
Mas olhas pera cá, Pera aqui, e pera alli, E de cá
pera acold. CART. DE JAP. 1, 344, 1 Huns me chama-
vão pera cá, e hiame com elles, outros pera acold, e
hiame com elles. D. G. COUTINH. Jorn. 108. Como os nof-
fos por cá achárão caça, não forão por acold. nenhuns.
Do mesmo modo ao adv. Aqui, ou efte lhe pre-
ceda, ou fe lhe pofponha. LoB. Ecl. 4 Morre aqui, mor-
re acola. ACAD. DOS SING. I, 4. Oraç. Aqui bramia o
valente touro, acold rugia o feroz leão. VIEIR. Serm. 2,
1, 7. n. 29 Acolai Ifabel, aqui Ifabel: acold huma co-
roa, aqui outra coroa: acolá hum corpo morto, e todo
corrupção, aqui outro corpo morto, mas incorruptivel,
e como immortal.
{{lema|ACOLCHOADO, A}}. p. p. de Acolchoar. GoES, Chr. de
D. Man. 4, 10. TENREIR. Itin. 1. CART. DE JAF. I,
172, 4.
Subft. Panno acolchoado. BARR. Dec. 4, 6, 2 Eo
povo [veftefe] de algodão, e no inverno de acolchoa-
dos, e de feltros contra a chuva.
{{lema|ACOLCHOAR}}. v. a. Rechear de algodão, laa ou outra fe-
melbante coufa dous pannos, e depois paffalos com fio de
retros ou feda, fazendolbes lavores à agulba. De Colcha.
BENT. PER. Thef.
{{lema|ACOLEIJOS}}. s. m. pl. Certa planta berbacea. He denominada
por Linneo Aquilejia vulgaris, e diftribuida na Polyan-
dria Pentagynia do feu Syftema dos Vegeraes. Tem as
folhas tres vezes ternadas com os foliolos algum tanto re-
dondos e orlados de dentes obtufos as fuas flores não.
tem fabor, nem cheiro algum, c. são deftituídas de ca-
liz; a corolla he de cinco petalas azules, e entre ellas
alternativamente ha cinco nectarios tambem azues de fór-
ma corniculofa com pontas curvadas para a banda do
pedunculo; o feu fructo confta de cinco capfulas. He
indigena dos bofques da Europa temperada, e cultivafe
cm muitos dos noflos jardins. GRISL. Defeng. 3, 16 A-
coleijos. Aquilegia Ifopyro Diofc. lib. 4. cap. 106 chegão
até o fegundo grao de quentes e feccos.
{{lema|ACOLETADO, A}}. adj. pouc. uf. Que tem fórma ou feitio
de colete. FERR. DE VASC. Ulyllip. 1, 1 E onde ficão os
"faios acoletados.
o ca
{{lema|ACOLHEITA}}. s. f. Afilo, refugio, lugar a que fe acolhe
gente ou animaes. BARR. Dec. 1, 1, 10-Onde o pefca-
do tinha alguma acolheita. ALBUQ. Comm. 4, 28 E por
acharcm acolheita em fua terra, os não podião haver pe-
ra os caftigar. Ros. Vid. 2, 15, 4 Deovos tambem mui-
tas acolheitas, onde poffais efcapar os impetos das tem-
peftades. (Falla Santo Antonio com os peixes.)
Met. FR. "Six, COELH. Chr. 2, 12, 154 Era efta
Religião de noffa Senhora do Carmo hum refugio, nco-
lheita, e remedio dos neceflitadosi FERR. Poem. Ecl. 10
Fugiome Alma, já o fei, pera a fermofa Lilia, alli
a acolheita tem fegura.
angoli w no
Acolhimento, acção on effeito de acolher. ESTAÇ. An-
tig. 23, 7 Alli foi lido [o feito de D. Egas Moniz] e
recebido com acolheita de amor, e de memoria, contra
a opinião de quem efcrevendo cuidou de lha tirar.
{{lema|ACOLHEITO, A}}. adj. ant. Acolhido ou recolhido a lagar
feguro e de afilo. BARR. Dec. 1, 8, 8 O qual achou ja
defaffrontado dos Mouros, por ferem acolheitos áo pal-
már.co
{{lema|ACOLHENÇA}}. 6. f. ant. Acolhimento, acção e effeito de
acolber. BERNARD. RIB. Menin. 2, 8 Veio pôrfe acerca
delle, recebendoo com humas ncelbenças, como que o
não víra tempos havia. MENOR. DAS PROEZ. I, 33 Re-
colhidos do ermitão com as brandas acolhenças certas
nos viftuofos. TERR. DE VASc. Aulegr. 1, 8 Humas aco-
lhenças meigas e efcaffas. ooo oom
infilo, lugar feguro, a que alguem fe acolbe. Mox-
Tets. Aft, 25, 25 Sorvindo fuas folhas, e fruito de anc-
dici-<noinclude></noinclude>
nqy8ki46dqf4t25h24sarafz71kat17
556937
556936
2026-07-30T15:43:18Z
MLReis
41056
556937
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>os noffos fe começárão a defordenar. CORT. R. Naufr.
14, 159 Olhai acobertados já rompendo A efpeffa mul-
tidão do fero bando. D. G. COUTINH. Jorn. 135 V Apôs
elle fahi eu com alguns dos acobertados, meus creados,
e os de minha guarda.
{{lema|ACOBERTADO}}. s. m. ant. Milic. Groffa coura de anta
ou rede tecida de malhas de aço, com que antigamente fe
cobrião os cavallos de guerra pelas ancas e pefcoço até a-
baixo dos peitos, para os prefervar dos golpes. MARIZ,
Dial. 4, 19 Edificou.[elRei D. Manoel à cafa dos al-
mazens, e a proveo de grande numero de armas de pé
e de cavallo, e acobertados, e artilharia, e outras ar-
mas. SEVER. Notic. 2, 11, 59 Aqui havia grande nume-
ro de acobertados, colfoletes, arcábuzes, &c.
{{lema|ACOBERTAR}}. v. a. Cobrir com manta, panno, &c. De
ordinario os cavallos. BLUT. Vocab.
{{lema|ACOÇADO, A}}. p. p. de Acoçar. Reg. abf. ou de. BARR.
Dec. 4, 8, 14. HEIT. PINT. Dial. 1, 2, 5 CORT. R.
Naufr. 1, 12 y.
{{lema|ACOÇADOR}}. s. m. O que acoça. JER. CARDOS. Dict. BAR-
BOS. Dict. BENT. PER. Thes.
TOLOSA
{{lema|ACOÇAMENTO}}. s. m. antiq. Acção de acoçar. CANCION.
47, 3 Ou me fareis que crefmonte,
Como de acof-
famento Faz hum cervo de levada.
{{lema|ACOÇAR}}. v. a. Seguir com inftancia, perfeguir com empe-
nho de render. Propriamente fe diz a refpeito dos ani-
féras, &c. BARRET. Eneid. 5, 60 No Ida
frondofo as féras acoçando. Co dardo. M. FERNAND,
Alm. 3, 3, 5. n. 235. p. 670 E elle como moço tra-
yeffo, começou a lhe atirar [á vacca] ás pedradas, e
correla, e a acoçala de forte, que a fez defprenhar,
maes
e morreo.
OS
Met. Perfeguir, moleftar, maltratar, vexar por
qualquer modo. HisT. TRAC. MARIT. 1, 132 Vierão
Cafres toda aquella tarde acoçandonos. CEIT. Quadrag.
2,-266, 2 Mas ou rogando, ou cortando [vicios] os perfi-
gua eucoce. BARRET. Eneid. 5, 109 Já co a dextra, já
co a esquerda o acoga, Os golpes huns fobre outros
amiudando.
Neutr. antiq. Andar tanto como o companheiro. BAR-
Bos. Diet. Não poffo acoffar comtigo, ou andar tanto co-
mo eu andas,
{{lema|ACOÇAR}}. v. a. antiq. O mefino que Coçar. FR. MARC.
Vid. 5, 4. Chr. 2, 1, 47.
{{lema|ACOCHAR}}. v. n. com pron. peff. Agacharfe, acaçapar-
Cfe. BLUT. Vocab.
{{lema|ACOCORAR}}. v. a. que fempre fe ufa com pron. peff.
Porfe de cocaras. BLUT. Vocab. Suppl.
Todos os vocabulos, que fe não acharem em Acoi,
bufquemfe em Acou.
{{lema|ACOIMADO, A}}. p. p. de Acoimar. FERN. LOP. Chr. de D.
J. I. 1, 4. ORDEN. DE D. MAN. 1, 49. FERR. DE VASC.
-Ulyflip. 4, 6.
{{lema|ACOIMADOR}}. s. m. antiq. O que acoima. VIT. CHRIST-
2, 17, 52 Dando outrofi exemplo de nom bufcarmos
nas boas obras louvor dos homens e ainda per noffas
obras de nos partirmos dante os olhos dos reprehendo-
res, e acoimadores por tal, que nom cféça por aquello
a enveia em clles.
{{lema|ACOIMAR}}. v. a. Fazer apprebensão nas beftas ou gado,
por entrar em fazendas alheias para indemnizar os donos
dellas do prejuizo feito. Lon. Ecl. 4 Não ha vallado,
nem febe, Nem quem o acoime [o gado] do damno.
Impor pena on multa pecuniaria por algum delicto.
REGIM. D'EVOR. 28, 6 Quando o Meirinho accimar algu-
mas peffoas, que trabalhão aos Domingos, ou dias San-
tos de guarda, dará fua fé como os acoimára. LEIS Ex-
TRAV. 4, 14, 2 Acoimando, e demandando as ditas penas
perante hum dos Corregedores do Crime da dita Cidade.
Met. Reprehender, eftranbar, levar a mal de pala-
vra ou caftigando. Goes, Chr. de D. Man. 1, 91 Senhor
não me acoimeis hoje meus peccados, deixai por voffa
mifericordia o caftigo delles pera outro dia. MEMOR. DAS
PROEZ. I, 32 Callava feu tormento, porque o irmão lho
não acointafe, cá mui cerco he atitre irmãos foffrer mal
a reprensão. PAIV. Serm. 3, 268 Excellente Rei, e pai
noflo Dom João o terceiro; não me, acoimeis efte nome
de pai, nem o hajais por indecente da mageftade e gran-,
deza Real.
{{lema|ACOITAR}}. v. a. antiq. com pron. peff. Affigirfe. De Coi-
ta, antiq afficção, cuidado. VT. CHRIST. 1, 15, 49
E nom fendo entom achado, a madre fe acoitava e affi-
cava, nom havendo já efperança de o achar.
{{lema|ACOLA'}} adv. lug. Naquella parte, naquelle fitio, naquelle lugar. Sem movimento. LEão, Orig. 69 y na refor-
mação das palavras, de que o vulgo ufa, quer que fe
efcreva Aquolá. MEND. PINT. Peregr. 80 Mas o melhor
...era paffardes adiante aquelle lugar, que acolá cítá
apparecendo. Maus. Aff. Afr. 6, 94 Acold Paris tem a
armada furta. ORIENT. Lufit. 63 Acolá (eis) pareceme
que vejo &c.
Com movimento. Para aquelle lugar. M. BERN.
Paraif. 81 Vamos acolá acima daquelle pequeno penhafco.
Antepoefelhe as prep. De para, por. BERNARD.
RIB. Menin. 1, 8 Afli prazerá a Deos, fallou a Dona
honrada d'acolá donde eftava. F. DE MENDOÇ. Serm. 2?
367, 29 Olha pera acold. EurRos. 1, 2 Tudo he de cá
foi, por acold entrou.
Contrapóefe ao adv: Cd. Gi Vic. Obr. 4, 241
Mas olhas pera cá, Pera aqui, e pera alli, E de cá
pera acold. CART. DE JAP. 1, 344, 1 Huns me chama-
vão pera cá, e hiame com elles, outros pera acold, e
hiame com elles. D. G. COUTINH. Jorn. 108. Como os nof-
fos por cá achárão caça, não forão por acold. nenhuns.
Do mesmo modo ao adv. Aqui, ou efte lhe pre-
ceda, ou fe lhe pofponha. LoB. Ecl. 4 Morre aqui, mor-
re acola. ACAD. DOS SING. I, 4. Oraç. Aqui bramia o
valente touro, acold rugia o feroz leão. VIEIR. Serm. 2,
1, 7. n. 29 Acolai Ifabel, aqui Ifabel: acold huma co-
roa, aqui outra coroa: acolá hum corpo morto, e todo
corrupção, aqui outro corpo morto, mas incorruptivel,
e como immortal.
{{lema|ACOLCHOADO, A}}. p. p. de Acolchoar. GoES, Chr. de
D. Man. 4, 10. TENREIR. Itin. 1. CART. DE JAF. I,
172, 4.
Subft. Panno acolchoado. BARR. Dec. 4, 6, 2 Eo
povo [veftefe] de algodão, e no inverno de acolchoa-
dos, e de feltros contra a chuva.
{{lema|ACOLCHOAR}}. v. a. Rechear de algodão, laa ou outra fe-
melbante coufa dous pannos, e depois paffalos com fio de
retros ou feda, fazendolbes lavores à agulba. De Colcha.
BENT. PER. Thef.
{{lema|ACOLEIJOS}}. s. m. pl. Certa planta berbacea. He denominada
por Linneo Aquilejia vulgaris, e diftribuida na Polyan-
dria Pentagynia do feu Syftema dos Vegeraes. Tem as
folhas tres vezes ternadas com os foliolos algum tanto re-
dondos e orlados de dentes obtufos as fuas flores não.
tem fabor, nem cheiro algum, c. são deftituídas de ca-
liz; a corolla he de cinco petalas azules, e entre ellas
alternativamente ha cinco nectarios tambem azues de fór-
ma corniculofa com pontas curvadas para a banda do
pedunculo; o feu fructo confta de cinco capfulas. He
indigena dos bofques da Europa temperada, e cultivafe
cm muitos dos noflos jardins. GRISL. Defeng. 3, 16 A-
coleijos. Aquilegia Ifopyro Diofc. lib. 4. cap. 106 chegão
até o fegundo grao de quentes e feccos.
{{lema|ACOLETADO, A}}. adj. pouc. uf. Que tem fórma ou feitio
de colete. FERR. DE VASC. Ulyllip. 1, 1 E onde ficão os
"faios acoletados.
o ca
{{lema|ACOLHEITA}}. s. f. Afilo, refugio, lugar a que fe acolhe
gente ou animaes. BARR. Dec. 1, 1, 10-Onde o pefca-
do tinha alguma acolheita. ALBUQ. Comm. 4, 28 E por
acharcm acolheita em fua terra, os não podião haver pe-
ra os caftigar. Ros. Vid. 2, 15, 4 Deovos tambem mui-
tas acolheitas, onde poffais efcapar os impetos das tem-
peftades. (Falla Santo Antonio com os peixes.)
Met. FR. "Six, COELH. Chr. 2, 12, 154 Era efta
Religião de noffa Senhora do Carmo hum refugio, nco-
lheita, e remedio dos neceflitadosi FERR. Poem. Ecl. 10
Fugiome Alma, já o fei, pera a fermofa Lilia, alli
a acolheita tem fegura.
angoli w no
Acolhimento, acção on effeito de acolher. ESTAÇ. An-
tig. 23, 7 Alli foi lido [o feito de D. Egas Moniz] e
recebido com acolheita de amor, e de memoria, contra
a opinião de quem efcrevendo cuidou de lha tirar.
{{lema|ACOLHEITO, A}}. adj. ant. Acolhido ou recolhido a lagar
feguro e de afilo. BARR. Dec. 1, 8, 8 O qual achou ja
defaffrontado dos Mouros, por ferem acolheitos áo pal-
már.co
{{lema|ACOLHENÇA}}. 6. f. ant. Acolhimento, acção e effeito de
acolber. BERNARD. RIB. Menin. 2, 8 Veio pôrfe acerca
delle, recebendoo com humas ncelbenças, como que o
não víra tempos havia. MENOR. DAS PROEZ. I, 33 Re-
colhidos do ermitão com as brandas acolhenças certas
nos viftuofos. TERR. DE VASc. Aulegr. 1, 8 Humas aco-
lhenças meigas e efcaffas. ooo oom
infilo, lugar feguro, a que alguem fe acolbe. Mox-
Tets. Aft, 25, 25 Sorvindo fuas folhas, e fruito de anc-
dici-<noinclude></noinclude>
2935mhlh5q1xy0w77vnmhk0mnglzgsh
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/283
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2026-07-30T15:45:39Z
MLReis
41056
/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: dicina pera doenças, a que d'antes era domicilio, c acolbença do demonio. {{lema|ACOLHER}} v. a. Agafalhar bofpedar, admittir em fua cafa on companhia. GOES, Cht. de D. Man. 1, 100 El- Rei de Calecut veio fobre minha terra ... por eu aco- Iber e favorecer os Portuguezes. CART. DE JAP. I. 372, 1 Efta he a terra de promifsáo, onde Deos.noffo Se- nhor anda polas pottas convidandofe a quem o quer aco- lber. LEño, Cht. de D. Din. 124. E de...
556940
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>dicina pera doenças, a que d'antes era domicilio, c
acolbença do demonio.
{{lema|ACOLHER}} v. a. Agafalhar bofpedar, admittir em fua
cafa on companhia. GOES, Cht. de D. Man. 1, 100 El-
Rei de Calecut veio fobre minha terra ... por eu aco-
Iber e favorecer os Portuguezes. CART. DE JAP. I. 372,
1 Efta he a terra de promifsáo, onde Deos.noffo Se-
nhor anda polas pottas convidandofe a quem o quer aco-
lber. LEño, Cht. de D. Din. 124. E defendeo que em
nenhuma Villa, nem Caftello acolheffem o Infante..
Dar couto ou afilo principalmente aos criminofos
para os falvar da juftica. Leño, Report. 1 Acolher
não póde ninguem peffoa, que refifte à juftiça. GUER-
REIR. Rel. I, 1, 5 Acolhemolos, e emparamolos na Igre-
ja, quando fe a ella acolhem por alguns delictos.
Ant. Apanhar, tomar defcuidada ou inopinadamen-
te. As peffoas. SA DE MIR. Vilhalp. 4, 8 Judeu, cabrio,
que falla ás portas fechadas, eu o acolberei. BAKR. Dec.
1, 3, 3 Diogo Cam... determinou de acolber alguns
daquelles negros, que entravão em o navio. GUERREIR.
Rel. 3, 4, 7 Chegando a noite, de cançados os acolhi
todos juntos.
Reg. alg. em alg. lugar. GIL Vic. Obr. 1, 25 Náo
creio eu em fam Valco, Se me tu acolhes lá. BARR.
Dec. 1, 8, 5 Que lhe dava fufpeira não quererem fa-
hir os Mouros ao largo, por os acolher nas ruas. TEN-
REIR. Itin. 47 E defejavão de o acolher no mar, pera fe
delle vingarem.
Apanhar alguem em falfidade, mentira ou incobe-
rencia. Reg. alg. ou alg. em alg. c. FERR. Brift. 3, 6
Annib. Com ifto efpantei huma vez huns poucos de
Mouros, que não oufarão de nos correr por huns dias.
Mont. Bem me lembra. Annib. Ifto era em Arzilla, an-
tes que eu foffe a Rhodes. Mont. Acolbeome. E cm Rho-.
des não queimafte tu duas gallés ao longo da cófta. HEIT.
PINT. Dial. 2, 3, 7 A queftão daquella gente não era
pera quererem faber, fenão pera verem fe na refpofta
podião acolher o Senhor n'alguma palavra, com que o
calumniaffem.
...Acolher alg. ou alg. c. à mão, ou ás mãos. Apri-
fionar alg, ou alg. c. por entrepreza. GoEs, Chr. de D.
Man. 1, 63 Que fe não fiafle del Rei de Calecut, que tu-
do erão falfidades pera o acolher à mão, e matar. Cour.
Dec. 4, 8, 1 Com ver fe por ardil podia acolher alguns
navios ás mãos.
Antiq. O mefmo que Colher. Os fructos. BARR. Dec.
2, 10, 7 Onde fe faz huma feira, que dura em quan-
to le acolhe a támata de Mogoftáo. CART. DE JAP. I,
40, 2 Muitas coufas femeou baldias no tempo paffado
pera agora acolher.
Não po ler acolhet ceitil &c. Fraf. fam. para mof-
trar a difficuldade, que ha para ganhar, com que fe pof-
fa viver, ou confeguir qualquer pequeno lucro. EUFROS.
1,6 E mais na Corte nunca the homem falta hum vin-
tem, e aqui não ha fenão comer té o deixar por dian-
te, e não poffo acolher ceitil.
Sino de acolher. ant. O que faz final ao povo a
recerta hora da noite, para cada hum fe recolher á fua morada.
ORDEN. DE D. MAN. 1, 55 E mais as coimas de todas
.as tavernas), que forem achadas abertas depois do fino
d'acolber.
Neutr. Refugiarfe, bufcar afilo ou acolheita em alg.
lugar. GOES, Chr. de D. Man. 1, 58 Ao que os noffos
-lhe refponderão com bombardadas tão amiude, que o fi-
-zerão acolber já fobela noite á barra de Cananor.,
.abs Com pron. peff. Recolherfe a casa ou a outro qual-
A quer lugar. SA' DE MIR. Eftrang. 3, 53 Mas, aqui re-
mos Devotante, acolhete Sargenta, que efte fempre
- eftà en efpreita pera levar navas de huns pera outros.
FERR. Ciof. 4,3 Acolbete e entregate. VIEIR. Serm. 3,
6, 1. n. 242. Oh fe o mundo conhecera quanto fe tira
ob de hum retiro, e quanto colhe quem fe acolhe..
Principalmente por ácerca delles ter huma religião, co-
mo acerca de nós tem os lugares fagrados, que quem fe
a elles acolhe, efta feguro de receber algum damno de
feu imigo. MoR. Dial. 1, 2 Efte he hum couto, a que
vos logo acolheis. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 3 Por onde
naquelle rempo afli dizem, que fe acolbião os homizia-
dos aos velhos, como agora ás Igrejas.
Acolherfe a alg. ou a alg. c. Valerfe do patrocinio
de alguma peffoa, ou recorrer a algum meio para evadir
hum perigo. CAM. Canç. I z Fujo de mi, e acolbome
correndo A voffa vifta. HEIT. PINT. Dial, 2, 4, 17
Effes bons juizes são arvores fombrias, e fructuo-
fas, a que os injuriados e innocentes fe acolhem. ARR. Dial.
3, 18 E afli defconfiados de fi e das forças humanas
fe acolbeffem a Deos.
Acolherfe à Igreja. Fraf. fam. Entrar em alguma
Religião fazerfe Ecclefiaftico on acquirir hum tal forc.
Sous. Hift. 1, 3, 41 Coftumavão naquelle tempo da pri-
mitiva Ordem alguns Ecclefiafticos nobres, e tambem Se-
culares...
acolberfe, como dizem, à Igreja. D. F.
MAN. Apol. 401 Partio efta contenda o difcurfo, acolben-
dome d' Igreja.
Acolherfe a fagrado. Fraf. prov. Salvarfe, eximir-
Je de algum perigo on difficuldade. CAM. Filod. 150 E
vós entretanto acolheivos a fagrado, porque eila lá vem.
TELL, Chr. 2, 4, 48. n. 1 Os Comediantes ufárão de
traça, e fe acolberão a fagrado , fazendo concerto, e
avença com o Provedor do Hofpital. VIEIR. Palavr. 13,
3 7. P. 179 E pofto que eu me pudera acolber a fagra-
do, e refponder com o exemplo de David &c.
Acolherfe ao fagrado de alg. c. Met. Bufcar nella
abrigo on evasão de algum perigo. FR. THOM. DA VEIG.
Confid. 1, 9, 1. n. 6 Å efte fagrado fe acolheo o Santo
Job na força das tentações, com que o demonio o quiz
fazer defefperar. VIEIR. Hift. do Fut. 7, 112 A' fombra
defta immunidade muitos filhos por induftria dos pais fe
acolbião na menoridade ao fagrado do matrimonio.
Acolherfe. Livrarfe ou efcapar, fugindo de quen o
perfegue on the vem no alcance. Reg, abf. a alg. de alg. ou
de alg. c. SA DE MIR. Vilhalp. 3,4 Com que preffa te m'a-
colbelte, ainda tu tens boas petnas. CAM. Luf. 2, 26 Ou-
tros em cima o mar alevantando Saltando n'agoa a
nado fe acolhião. ALBUQ. Comm. I, 51 E mandou a Jor-
ge Barreto com cincoenta homens, que deffem da ban-
da do fertão pera atalhar aos Mouros, que fe não aco-
lheffem por aquella parte.
Mer. EurROS. 1, 5 Mas eu acolhime logo com gen-
til ordenança. CRyz, Poef. Volt. Que perco perdendo
Cuidados humanos, De cujos enganos Me vou aco-
Thenda.
{{lema|ACOLHIDA}}. s. f. Accão e effeito de acolber. PALAC. Summ.
384 E fe a acolhida fe dá antes da má obra, he cau-
fa della. FREIR. Vid. 4, 15 Chegarão em fim ao Rei
de Ceitavaca, onde achárão benigna e fiel acolhida. M.
BERN. Floreft. 5, 5, 161, C Determinoufe a falfificar
os efcritos dos devedores, abatendo nelles, para depois
achar acolbida, e favor nos mefmos devedores.
Met. Dizfe particulatmente das agoas. GRAN. Serm.
3 7. Se os rios quando chegão ao mar (por mui pe-
quenos que fejão) entrão mui poderofos polas muitas
acolhidas d'agoa, que tomão &c. HEIT. PINT. Dial. 1,
5,8 Vem tão arrebatado o rio da indignação, e com
tanta furia, tendo tantas acolhidas derira, e rancor, que
deftrue os campos das vidas, e das almas...
{{lema|ACOLHIDO, A}}. p. p. de Acolhet, BARR. Dec. 1, 8, 8.
GOES, Chr. de D, Man. 2, 36. HELT, PINT. Dial. 1, 2, 5.
Ant. O mesmo que Colhido. TERR. DE VASC. Au-
legr. 2, 10.
{{lema|ACOLHIMENTO}}. s. m. Acção e effeito de acolher ou ad-
mittir em fua cafa ou companhia. CASTR. Ulyff. 1, 25 A
pezar de Neptuno, e bravo vento. Dê à cançada, ar-
mada acolhimento. BARRET. Eneid. 3, 19 Para aqui fou
levado adonde achamos Seguro acolbimento, e porto fi-
do. SERR. Difc 1123 Que acolhimento, e couto podia
logo achar ella [verdade] nelles,
Refugiarfe, porfe em falvo, bufcar afilo em algum lu-
no gar. Reg. alem, para. BARR. Decay, 5 Primeiro que
elle fe determinaffe, fe acolherão a humas fuma que
eftava; debaixo de huns penedos. Gags, Chr. de D. Man.
0319 ElReife acalbeo pera hum lugar, oito legoas da
Cidade. CASTK. Ulyff. 8, 20 Propondo o cafo a todos,
- referia Como o fagaz Ulyffes o enganára, Por, le-
Cantar com manha e oufadia oO muro, onde fe acolhe
Ve fe repara.log say ab
Dizfe dos malfeitores e homiziados, que fe refugiáognos-no acolhimento dos pequenos. ANDRAD. Chr. 1, 6
sem algum couto ou lugar ifagrado, para não cahirem nas
mãos da justiça ou deliqus inimigos. BARB, Dec. 157,1
Modo, com, que se acolbe on recebe alguem. Deter-
minafe para o bem, ou para o mal, tanto pelo fenti-
do, como pelos adjectivos, que fe lhe ajuntão. BARR.
Dec. 1, 4, 8 E que de tal acolhimento do primeiro re-
cado, que lhe mandava, podia efperar fer bem defpa-
ochado. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 17 São brandos e beni-
Era o Principe..de boa fombra, e bom acolhimen
tomas dentro dos limites da feveridade,
Epicha<noinclude></noinclude>
5ztal7cfgo35u7s6ygbf9ht7gycugq4
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/284
106
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MLReis
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Epith. Alegre. M. BERN. Paraif. 77. Bom. GOES; Chr. de D. Man. 3, 27. Boniffimo. D. F. MAN. Aul. 99. Carinhofo. M. BERN. Paraif. 77. Cortez. RIB. DE MAC. Juiz. 2, 5. Defpejado. ORDEN. DE D. MAN. I, 1. Devi- do. RIB. DE MAC. Jniz. 2, 5. Facil. ORDEN. DE D. MAN. 1, 1. Falfo. CASTR. Ulyff. 1, 45. Graciofo. ORDEN. DE D. MAN. 1, 1. Grato. BARRET. Eneid. 4, 121. Máo. PAIV. Serm. 1, 144 y. Real. SEPULCHR. Refeiç. Ded. z. Seguro. ARR. Dial. 2,...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Epith. Alegre. M. BERN. Paraif. 77. Bom. GOES;
Chr. de D. Man. 3, 27. Boniffimo. D. F. MAN. Aul. 99.
Carinhofo. M. BERN. Paraif. 77. Cortez. RIB. DE MAC.
Juiz. 2, 5. Defpejado. ORDEN. DE D. MAN. I, 1. Devi-
do. RIB. DE MAC. Jniz. 2, 5. Facil. ORDEN. DE D. MAN.
1, 1. Falfo. CASTR. Ulyff. 1, 45. Graciofo. ORDEN. DE
D. MAN. 1, 1. Grato. BARRET. Eneid. 4, 121. Máo.
PAIV. Serm. 1, 144 y. Real. SEPULCHR. Refeiç. Ded. z.
Seguro. ARR. Dial. 2, 12. BARRET. Eneid. 3, 19. Suave.
CASTR. Ulyff. 1. Argum.
Verb. Achar. . . em alg. ANDRAD. Chr. 1, 61.
CASTR. Ulyff. 5, 93. Bufcar... em alg. ALv. DA CUNH.
Efcól. 21, 3. Dar... a alg. PINT. PER. Hift. 1, 27,
124. CASTR. Ulyff. 1, 25. Fazer... a alg. ou a alg. c.
S. ANN. Chr. 2, '10, 7. n. 20. D. F. MAN. Cart. I, 1. Ser
de bom ou máo... a alg. (receber ou tratar os outros
benigna ou afperamente) ORDEN. DE D. MAN. 1, 1. Ter
. . em alg. ARR. Dial. 9, 5.
Valhacouto, afilo, lugar feguro, a que alguem fe
acolhe. BARR. Dec. 1, 3, 11 Leixou alli trinta e outo
homens em hum acolhimento de madeira em modo de
fortaleza. ARR. Dial. 5, 10 Lei he natural em as abe-
Ihas não fe apartarem de feus acolhimentos, fe o feu
Rei não vai diante dellas. M. THом. Fen. 6, 39 Junro
do remplo hum grão reduto havia, Onde fizerão novo
acolhimento.
{{lema|ACOLITATO}}. s. m. pouc. uf. Dignidade de Acolito. COMP.
E SUMMAR. 23, 48 As quatro Ordens] menores, que
são oftiarato, exorcifta, lectorato, acolitato.
{{lema|ACOLITO}}. s. m. Miniftro da Igreja, o qual ferve ao al-
tar e he immediato ao Subdiacono, e primeiro em grdo
aos outros tres de ordens menores. Do Greg. Axiso;, acc.
na antepenult. VERCIAL, Sacram. 3, 134, 147 E tomou
efte nome de acolito em Grego, que quer dizer cerofe-
rario em Latim, e em noffa lingoa quer dizer o que traz
os cirios. CATHEC. ROM. 224 O quarto gráo he dos acó-
litos, ultimo de todos os que fe chamão menores
não fagrados. MONTEIR. Meth. 43 Acolito tem dous
officios, primeiro preparar galhetas de vinho e agoa,
que dá na Miffa ao Subdiacono, fegundo levar tocha
acceza diante do Sacerdote ao altar, e quando fe diz o
Evangelho.
O que ajuda ao Sacerdote, quando celebra Miffa,
ainda que não tenha ordem ou grão algum ecclefiaftico,
nem feja tonfurado. FR. MARC. Chr. 2, 4, 30 Quando
veio ao levantar o corpo do Senhor, adormeceo o acolito,
que lhe adminiftrava a Miffa. CEIT. Serm. 2, 70, Con-
fideraio huma vez fendo aólito em huma Miffa de nof-
fa Senhora, cujo devotiffimo era. ESPER. Hift. 2, 10,
49. n. 2 Depois diffo, tornava a pernoitar em o mefmo
exercicio até a primeira Miffa, na qual era feu acó-.
cicio até a prim
lito.
O que ajuda on affiste à entre
mettendo os Lufitanos no caminho &c. VIEIR. Serm. 8,
265 Acommettendoo defcobertamente, lhe cortou a ca-
beça.
Das peffoas a refpeito das coufas ou lugares.
Sous. Hift. 1, 1, 5 O Conde de Monfort juntando o
feu campo determinou acommetter o lugar de Albi. VEIG.
Laur. Od. 2, 10 Tambem já fe atreverão Os Gigan-
tes, que o Olympo_acommetterão.
Dos animaes. BRIT. Chr. 1, 29 Dous lobos crue-
liffimos, que . . fazião damnos mui grandes. . . na
gente, que affaltavão e acommettião pelas eftradas.
Adv. Animofamente. VIEIк. Serm. 7, 14, 5. n. 511.
Bravamente. BRIT. Mon. 2, 6. c. 5. Defcobertamente. Vi-
EIR. Serm. 8, 265. Esforçadamente. MEND. PINT. Peregr.
28. Fortemente. Leão, Chr. de D. J. I. 92. Furiofamente.
Sous. Vid. 6, 9. Impetuofamente. FREIR. Vid. 4, 15. Ri-
jamente. LEÃO, Chr. de J. I. 92. Valerofamente. LEÃO,
Chr. de D. J. I. 92.
Met. GRAN. Comp. 2, 14 A vangloria mui facil-
mente acommette as obras, que fe fazem em defcober-
to. Veio. Laur. Od. 3, 3 As gargantas Tenarias, O Esti-
gio lago horrendo, Tudo foi com feu canto acommet-
tendo. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 23, 8, 304 Lá diz a
Efcritura Sagrada, que a pobreza quando acommette, he
como hum falteador armado.
Met. Dizfe da enfermidade, do fomno, da tenta-
ção, ou de qualquer paixão quando alguma deftas
coulas começa a fazer fentir os feus effeitos. Sous. Hift.
1, 3, 23 Dalli como de embofcada acommettia [o ar
da pefte] de novo, a quem fe atrevia a tocalo. MORAT.
Pratic. 37, 4 Ha humas dores, que andão com o tem-
po... que ordinariamente acommettem de noite.
Emprehender, intentar, começar a fazer com refo-
lução o que fe premediton executar. GOES, Chr. do Princ.
78 Logo os tromberas derão o acoftumado final, que fe
ufa dar ao acommetter das taes baralhas. ARR. Dial. 4,
2 E dar lame aos Hiftoriadores e Geographos que
com tanta foberba de feus cngenhos acommetterão eſta
empreza. CORT. R. Naufr. 2, 29 Vio cafos arrifcados,
que acommettem Os de amorofa pena combatidos.
Acommetter alg. Chegarfe a elle para lhe fallar,
ou tratar algum negocio. Leño, Chr. de D. J. I. 76 Par-
tido Gonçalo Anes, e imaginando como acommetteria o
Porteiro, que era hum homem muito pobre, fingio hum
engano &c.
Acommetter alg. lugar. Demandalo. VEIG. Laur.
Od. 2, 1 Ligeira não fermofa, Que acommetteis o In-
dico oriente.
Acommetter alg. c. a alg. como pazes, &c. antiq.
Proporlba, offerecerlha, tentato com ella. Govv. Rel.
2,1 Foi forçado acommetter pazes ao Turco.
Adag. Acommetter para vencer. DELIC. Adag. 87.
Acommet a quem quizer, que o forte efpera. DELIC.
Adag. 87.
A homem pobre ninguem acommetta. DELIC. Adag. 91.
De ruim a ruim quem acommette vence. BLUT. Vocab.
Suppl.
Quem fempre olha o derradeiro, nunca acommette bom
feito. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ACOMMETTIDA}}. s. f. O mefmo que Acommettimento.
MEND. DE VASc. Art. 235 E os cavalleiros fe oppóe
... contra os inimigos, que no caminho The quizerem fa-
zer damno com alguma improvifa acommettida. ARAUJ.
Succeff. 1, 18 Sendo primeiro na acommettida o Tenen-
te do inimigo. M. BERN. Floreft. 2, 1, 4, B Reprefen-
tavão huma briga fecca, com acommettidas, e retiradas.
{{lema|ACOMMETTIDO, A}}. p. p. de Acommerter. CORT. R.
Cerc. 9, 107. LEO, Chr. de J. I. 64. Sous. Hift. 1, 3, 31.
{{lema|ACOMMETTIMENTO}}. s. m. Acção de acommetter ou in-
veftir. MoR. Palm. 1; 11 Foi o primeiro nefte acommet-
timento. MEND. PINT. Peregr. 11 Aquelle mefmo dia...
fe fez alardo da gente, pera faber o que tinha cuftado
Met. fam. ou burl. O que ajuda ou affifte a cutro
para alguma coufa. HIST. TRAG. MARIT. 2, 333 Só fe
fabe fer a peffoa do Prégador mais reverendo, e fer a-
companhado ao pulpito, por maior honra e autoridade,
de dous acólitos, que fervem durante o Sermão, de lhe
eftarem alimpando a baba. (Falla dos bogios)
{{lema|ACOMMETTEDOR, ORA}}. adj. Que acommette. FERR.
DE VASC.Aulegr. 4, Porque de Capitão defcuidado era
defprezar azos offerecidos; e de eftremada covardia, não
ter animo acommettedor, quando fe offerece efperança de
não haver defaftre nem perigo. ARR. Dial. 4, 11 E
acommettedora gente] de arduas emprezas, e mantedo-
ra de fua verdade. MEND. DE VAsc. Sit. 1, 67 Porque-fe
[a demafiada riqueza ] eftá no Principe, falo infolen-
te, e defprezador dos fubditos, e acommettedor d'empre-
zas, que arruinão o feu eftado.
{{lema|ACOMMETTEDOR}}. s. m. O que acommette. Sous. Cou-
TINH. Cerc. 2, 8 E como os muitos fe hajão de repartir
per differentes lugares, e todos não podem achar dian-
te de fi os valentes, vem, a damnar mais pela confusão
dos acommettimentos, que pelo esforço dos acommettedo-o acommettimento da tranqueira. Sous. Hift. 1, 1, 3 Foi
res. EUROS. I, I E já ouvireís do Soldado de Antigo-
no, que fendo enfermo, era grande acoumettedor, por-
que não eftimava a vida. Sous. Hift. 1, 3, 33 Vendo-
fe de acommettedores acommertidosed
{{lema|ACOMMETTER}}. v. a. Inveftir o contrario, lançarfe com
impeto contra algueni para offendelo. Do Lat. Committere.
Alguns fem, attenderem á etymologia, efcrevem com o
c duplicado, ou com falta de duplicação do m ou do t,
e affim em todos os feus derivados. CORT. R. Cerc. 4, 52
Vinte foldados fós acommetterão Táo grande multidão
de taes imigos. ARR. Dial. 4, 11 Omefmo Pretor açom-
Po primeiro acommettimento contra a Villa de Beffes on
de Briffiers.
Acção de emprehender ou intentar. BARR, Dec. 1,
1,5 E bem moftrárão no acommettimento defte feito
quem depois havião de fer. FERNAND. Palm. 3. 38 O
esforço não confifte no remerario acommettimento das cou-
fas difficultofas, fehão na moderada e jufta fortaleza,
de que pera ellas fe ufa. GUERREIR. Rel. 3, 4, 4 Va-
rias rezões havia, que reprefentandofe diante dos olhos,
podião affombrar eftes bons Padres no acommettimento de
tão arrifcada empreza e viagem. o seu co
Epith,<noinclude></noinclude>
o2r8hajdwrenbiigbsz9bhhhe69gf3i
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Epith. Alegre. M. BERN. Paraif. 77. Bom. GOES;
Chr. de D. Man. 3, 27. Boniffimo. D. F. MAN. Aul. 99.
Carinhofo. M. BERN. Paraif. 77. Cortez. RIB. DE MAC.
Juiz. 2, 5. Defpejado. ORDEN. DE D. MAN. I, 1. Devi-
do. RIB. DE MAC. Jniz. 2, 5. Facil. ORDEN. DE D. MAN.
1, 1. Falfo. CASTR. Ulyff. 1, 45. Graciofo. ORDEN. DE
D. MAN. 1, 1. Grato. BARRET. Eneid. 4, 121. Máo.
PAIV. Serm. 1, 144 y. Real. SEPULCHR. Refeiç. Ded. z.
Seguro. ARR. Dial. 2, 12. BARRET. Eneid. 3, 19. Suave.
CASTR. Ulyff. 1. Argum.
Verb. Achar. . . em alg. ANDRAD. Chr. 1, 61.
CASTR. Ulyff. 5, 93. Bufcar... em alg. ALv. DA CUNH.
Efcól. 21, 3. Dar... a alg. PINT. PER. Hift. 1, 27,
124. CASTR. Ulyff. 1, 25. Fazer... a alg. ou a alg. c.
S. ANN. Chr. 2, '10, 7. n. 20. D. F. MAN. Cart. I, 1. Ser
de bom ou máo... a alg. (receber ou tratar os outros
benigna ou afperamente) ORDEN. DE D. MAN. 1, 1. Ter
. . em alg. ARR. Dial. 9, 5.
Valhacouto, afilo, lugar feguro, a que alguem fe
acolhe. BARR. Dec. 1, 3, 11 Leixou alli trinta e outo
homens em hum acolhimento de madeira em modo de
fortaleza. ARR. Dial. 5, 10 Lei he natural em as abe-
Ihas não fe apartarem de feus acolhimentos, fe o feu
Rei não vai diante dellas. M. THом. Fen. 6, 39 Junro
do remplo hum grão reduto havia, Onde fizerão novo
acolhimento.
{{lema|ACOLITATO}}. s. m. pouc. uf. Dignidade de Acolito. COMP.
E SUMMAR. 23, 48 As quatro Ordens] menores, que
são oftiarato, exorcifta, lectorato, acolitato.
{{lema|ACOLITO}}. s. m. Miniftro da Igreja, o qual ferve ao al-
tar e he immediato ao Subdiacono, e primeiro em grdo
aos outros tres de ordens menores. Do Greg. Axiso;, acc.
na antepenult. VERCIAL, Sacram. 3, 134, 147 E tomou
efte nome de acolito em Grego, que quer dizer cerofe-
rario em Latim, e em noffa lingoa quer dizer o que traz
os cirios. CATHEC. ROM. 224 O quarto gráo he dos acó-
litos, ultimo de todos os que fe chamão menores
não fagrados. MONTEIR. Meth. 43 Acolito tem dous
officios, primeiro preparar galhetas de vinho e agoa,
que dá na Miffa ao Subdiacono, fegundo levar tocha
acceza diante do Sacerdote ao altar, e quando fe diz o
Evangelho.
e
O que ajuda ao Sacerdote, quando celebra Miffa,
ainda que não tenha ordem ou grão algum ecclefiaftico,
nem feja tonfurado. FR. MARC. Chr. 2, 4, 30 Quando
veio ao levantar o corpo do Senhor, adormeceo o acolito,
que lhe adminiftrava a Miffa. CEIT. Serm. 2, 70, Con-
fideraio huma vez fendo aólito em huma Miffa de nof-
fa Senhora, cujo devotiffimo era. ESPER. Hift. 2, 10,
49. n. 2 Depois diffo, tornava a pernoitar em o mefmo
exercicio até a primeira Miffa, na qual era feu acólito.
Met. fam. ou burl. O que ajuda ou affifte a cutro
para alguma coufa. HIST. TRAG. MARIT. 2, 333 Só fe
fabe fer a peffoa do Prégador mais reverendo, e fer a-
companhado ao pulpito, por maior honra e autoridade,
de dous acólitos, que fervem durante o Sermão, de lhe
eftarem alimpando a baba. (Falla dos bogios)
{{lema|ACOMMETTEDOR, ORA}}. adj. Que acommette. FERR.
DE VASC.Aulegr. 4, Porque de Capitão defcuidado era
defprezar azos offerecidos; e de eftremada covardia, não
ter animo acommettedor, quando fe offerece efperança de
não haver defaftre nem perigo. ARR. Dial. 4, 11 E
acommettedora gente] de arduas emprezas, e mantedo-
ra de fua verdade. MEND. DE VAsc. Sit. 1, 67 Porque-fe
[a demafiada riqueza ] eftá no Principe, falo infolen-
te, e defprezador dos fubditos, e acommettedor d'empre-
zas, que arruinão o feu eftado.
{{lema|ACOMMETTEDOR}}. s. m. O que acommette. Sous. Cou-
TINH. Cerc. 2, 8 E como os muitos fe hajão de repartir
per differentes lugares, e todos não podem achar dian-
te de fi os valentes, vem, a damnar mais pela confusão
dos acommettimentos, que pelo esforço dos acommettedo-o acommettimento da tranqueira. Sous. Hift. 1, 1, 3 Foi
res. EUROS. I, I E já ouvireís do Soldado de Antigo-
no, que fendo enfermo, era grande acoumettedor, por-
que não eftimava a vida. Sous. Hift. 1, 3, 33 Vendo-
fe de acommettedores acommertidosed
i
{{lema|ACOMMETTER}}. v. a. Inveftir o contrario, lançarfe com
impeto contra algueni para offendelo. Do Lat. Committere.
Alguns fem, attenderem á etymologia, efcrevem com o
c duplicado, ou com falta de duplicação do m ou do t,
e affim em todos os feus derivados. CORT. R. Cerc. 4, 52
Vinte foldados fós acommetterão Táo grande multidão
de taes imigos. ARR. Dial. 4, 11 Omefmo Pretor açommettendo os Lufitanos no caminho &c. VIEIR. Serm. 8,
265 Acommettendoo defcobertamente, lhe cortou a ca-
beça.
Das peffoas a refpeito das coufas ou lugares.
Sous. Hift. 1, 1, 5 O Conde de Monfort juntando o
feu campo determinou acommetter o lugar de Albi. VEIG.
Laur. Od. 2, 10 Tambem já fe atreverão Os Gigan-
tes, que o Olympo_acommetterão.
Dos animaes. BRIT. Chr. 1, 29 Dous lobos crue-
liffimos, que . . fazião damnos mui grandes. . . na
gente, que affaltavão e acommettião pelas eftradas.
Adv. Animofamente. VIEIк. Serm. 7, 14, 5. n. 511.
Bravamente. BRIT. Mon. 2, 6. c. 5. Defcobertamente. Vi-
EIR. Serm. 8, 265. Esforçadamente. MEND. PINT. Peregr.
28. Fortemente. Leão, Chr. de D. J. I. 92. Furiofamente.
Sous. Vid. 6, 9. Impetuofamente. FREIR. Vid. 4, 15. Ri-
jamente. LEÃO, Chr. de J. I. 92. Valerofamente. LEÃO,
Chr. de D. J. I. 92.
Met. GRAN. Comp. 2, 14 A vangloria mui facil-
mente acommette as obras, que fe fazem em defcober-
to. Veio. Laur. Od. 3, 3 As gargantas Tenarias, O Esti-
gio lago horrendo, Tudo foi com feu canto acommet-
tendo. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 23, 8, 304 Lá diz a
Efcritura Sagrada, que a pobreza quando acommette, he
como hum falteador armado.
Met. Dizfe da enfermidade, do fomno, da tenta-
ção, ou de qualquer paixão quando alguma deftas
coulas começa a fazer fentir os feus effeitos. Sous. Hift.
1, 3, 23 Dalli como de embofcada acommettia [o ar
da pefte] de novo, a quem fe atrevia a tocalo. MORAT.
Pratic. 37, 4 Ha humas dores, que andão com o tem-
po... que ordinariamente acommettem de noite.
Emprehender, intentar, começar a fazer com refo-
lução o que fe premediton executar. GOES, Chr. do Princ.
78 Logo os tromberas derão o acoftumado final, que fe
ufa dar ao acommetter das taes baralhas. ARR. Dial. 4,
2 E dar lame aos Hiftoriadores e Geographos que
com tanta foberba de feus cngenhos acommetterão eſta
empreza. CORT. R. Naufr. 2, 29 Vio cafos arrifcados,
que acommettem Os de amorofa pena combatidos.
Acommetter alg. Chegarfe a elle para lhe fallar,
ou tratar algum negocio. Leño, Chr. de D. J. I. 76 Par-
tido Gonçalo Anes, e imaginando como acommetteria o
Porteiro, que era hum homem muito pobre, fingio hum
engano &c.
Acommetter alg. lugar. Demandalo. VEIG. Laur.
Od. 2, 1 Ligeira não fermofa, Que acommetteis o In-
dico oriente.
Acommetter alg. c. a alg. como pazes, &c. antiq.
Proporlba, offerecerlha, tentato com ella. Govv. Rel.
2,1 Foi forçado acommetter pazes ao Turco.
Adag. Acommetter para vencer. DELIC. Adag. 87.
Acommet a quem quizer, que o forte efpera. DELIC.
Adag. 87.
A homem pobre ninguem acommetta. DELIC. Adag. 91.
De ruim a ruim quem acommette vence. BLUT. Vocab.
Suppl.
Quem fempre olha o derradeiro, nunca acommette bom
feito. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ACOMMETTIDA}}. s. f. O mefmo que Acommettimento.
MEND. DE VASc. Art. 235 E os cavalleiros fe oppóe
... contra os inimigos, que no caminho The quizerem fa-
zer damno com alguma improvifa acommettida. ARAUJ.
Succeff. 1, 18 Sendo primeiro na acommettida o Tenen-
te do inimigo. M. BERN. Floreft. 2, 1, 4, B Reprefen-
tavão huma briga fecca, com acommettidas, e retiradas.
ACOMMETTIDO, A. p. p. de Acommerter. CORT. R.
Cerc. 9, 107. LEO, Chr. de J. I. 64. Sous. Hift. 1, 3, 31.
{{lema|ACOMMETTIMENTO}}. s. m. Acção de acommetter ou in-
veftir. MoR. Palm. 1; 11 Foi o primeiro nefte acommet-
timento. MEND. PINT. Peregr. 11 Aquelle mefmo dia...
fe fez alardo da gente, pera faber o que tinha cuftado
o acommettimento da tranqueira. Sous. Histo.1, 1, 3.Foi o primeiro acommettimento contra a Villa de Beffes on
de Briffiers.
Acção de emprehender ou intentar. BARR, Dec. 1,
1,5 E bem moftrárão no acommettimento defte feito
quem depois havião de fer. FERNAND. Palm. 3. 38 O
esforço não confifte no remerario acommettimento das cou-
fas difficultofas, fehão na moderada e jufta fortaleza,
de que pera ellas fe ufa. GUERREIR. Rel. 3, 4, 4 Va-
rias rezões havia, que reprefentandofe diante dos olhos,
podião affombrar eftes bons Padres no acommettimento de
tão arrifcada empreza e viagem.
Epith.<noinclude></noinclude>
rbqkhjq10hdo0rsdzhnlar0v0gthq4o
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Epith. Atrevido. ARAUI. Succeff. 1; 33. Bravo.
Sous. COUTINH. Cerc. 2, 15. Duro. Sous. Hift. 2, 2,
20. Efperado (não) Sous. COUTINH. Cerc. 2, 15. Facil.
MEND. PINT. Peregr. 73. Improvifo. MEND. DE VASc. Art.
174. Inimigo, M. FERNAND. Alm. I, 7, 3. n. 24. Intem-
peftivo. MARINH. Comm. 2, 27. Maligno. GRAN. Comp.
3,17. Perigofo. FREIR. Vid. 4, 51. Subito. LEão, Chr.
de D. Aff. V. 19. Temerario. Sous. COUTINH. Cerc.2, 7..
Terrivel. ARAUJ. Succeff. 3, 13.
Acommettimento da enfermidade, do fomno, &c.
Entrada ou attaque fubito de alguma das referidas con-
fas. CABREIR. Peft. z Havendo acommettimento de humor
á cabeça, acommettendo com muito fomno, ou falta del-
le &c. MORAT. Febr. 32 1 Com tudo fe houver acom-
mettimento da moleftia] á cabeça
fangrar no pé.
ferá neceffario
{{lema|ACOMMUNAR}}. v. a. com pron. peff. pouc. uf. Ter tra-
to ou communicação. Tomafe cm má parte. BARRET. Flos
Sanct. 2, 186, z E ainda (como diz o mefmo S. Cy-
priano) em a perfeguição de Decio, fe acominunárão com
os Gentios para perfeguir os Chrittios.
{{lema|ACOMPADRADO, A}}. p. p. dc Acompadtar. BRIT. Mon.
I, 1. tit. 25. CEIT. Serm. 1, 8, 1.
{{lema|ACOMPADRAR}}. v. a. Familiarizar muito, fazer que al-
guns vivão e fe communiquem amigavelmente, e como com-
padres. GUERREIR. Rel. 2, 4, 6 Tratão... de os do.
mefticar e acompadrar com os outros Indios manfos e
antigos.
Com pron, peff. Azev. Correcç. 2, 3, 200 Outros
com Barbeiros, com, que fe acompadrão para lhe fervi-
rem de adellos.
{{lema|ACOMPANHADEIRA}}. s. f. A mulber, que acompanha.
BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOMPANHADO, A}}. p. p. de Acompanhar. Goes, Chr.
de D. Man. 1, 92. CAM. Luf. 6, 14. MEND. PINT. Pere-
gr. 98.
Frequentado, povoado. Dos lugares. GOES, Chr.
de D. Man. 1, 6 A qual [cafa] até que foi Rei fempre
reve mui honrada, e acompanhada da mór parte da no-
breza deftes regnos. CART. DE JAP. 1, 39, 3 Na fema-
na fanta cada dia eftava a cafa acompanhada aos offi-
cios. ORIENT. Lufit. 132 y Mas eu polo caminho fui
colhendo de varias plantas, de que todo elle eftava de
huma e de outra parte com gentil ordem acompanhado,
as boninas e as flores mais apraziveis à vifta.
Acompanhado de alguma boa ou má qualidade.
Dizfe da peifoa ou coufa, em que ha efta tal qualidade..
MOR. Palm. 2, 131 Os que são acompanhados de con-
fiança, e fortaleza, não vivem de cautélas. ARR. Dial.
2, 12 Não vêm a caça as redes no povoado, nem Deos
a nollos corações, fe os acha acompanhados de vicios e
máos defejos. PINT. RIB. Luftr. 2, 135 Não he digno de
occupar hum cargo de Républica, quem não he acompa-
nhado de faber, experiencia, e valor.
Bem ou mal acompanhado. Dizfe das peffoas não
fó quando eftas fe achão na companhia de outras, mas
quando as taes são de honeftos ou ruins coftumes. GIL
Vic. obr. 3, 189 Doro. Pois com quem iremos nós?
Dome. He melhor que vamos fós, Que não mal acom-
panbados. BERN. Lim. Cart. 28 Ahi com má tenção nin-
guem vos nota, Sc bem, fe mal andais acompanhado.
Armar. Dizfe de humas peças, que nos repartimentos
do efcudo tem outras femelhantes. VILL. Boas, Nobi-
liarch. 37, 291 Sobre ella [torre] huma donzella vefti-
da de azul, efcabellada, acompanhada de trés flores de
liz de ouro.
Subft: Companheiro on adjunto em algum emprego.
GUERREIR. Rel. 3, 3, 4 E por cabeça della [armada] feu
proprio filho morgado, dandolhe por acompanhado o feu
Capitão geral. D. F. Man. Epan. 2, 177 Governava
aquelle anno de 1626 ao Reino, por fi fómente, fem
outro acompanhado, o Conde D. Diogo da Silva.
Adag. Antes fó, on Mais vai fó, que mal acom-
panhado. CANCION. 162 y, 1. FERR. DE VASC. Uly flip.
1, 9.
{{lema|ACOMPANHADOR}}. s. m. O que acompanha. JER. CAR-
DOS. Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOMPANHAMENTO}}. s. m. Acção de acompanhar, on
de eftar ou ir com outro. BRIT. Chr. 3, 32 As peffoas fe-
culares, que por fua devação fc offerecerão a fazer efte
acompanhamento. CEIT. Serm. 2, 15, 3 Namora tanto aos
Anjos a pobreza, e a humildade, que não fó ao feu Deos
e Senhor, quando o virão no prefepio, pobre e humil-
de, lhe vierão dar muficas, mas ainda ao feu antigo la-
caio fizerão grandes honras e acompanhamentos. (Falla
de Lazaro) A. DE VASC. Anj. I, 1, 1. part. I. p. 3 E fe vs
Gentios fó com o rafto detta verdade Chriftaa do accir-
panhamento e guarda que os Santos Anjos fazem aos
homens &c.
Sequito, comitiva, numero de peloas que vai acompa
nhando alguem. Dizfe tanto do neceffario, como do vo-
luntario, e particularmente nos cortejos públicos, como
baptifmos, noivados, enterros, &c. Luc. Vid. 2, 14
Trouxeráono [hum manccbo rico] com grande pranto e
acompanhamento ao P. Francifco. Cour. Dec. 5, 6, 1
Encontrára com hum Mandarim... que hia a cavallo com
grande acompanhamento. Sous. Hift. 1, 1, 2 Apercebiafe
de acompanhamento, conforme ao feu eftado.
Epith. Apparatofo. FEST. NA CANON. 67. Bom.
CUNH. Catal. 2, 32. Celebre. FEST. NA CANON, 21 y. De-
cente. Sous. Vid. 1, zz. Devido. Gouv. Rel. 3, 10.
Famofo. FEST. NA CANON. 195. Fiel, M. FERNAND. Alm.
3, 3, 2. n. 243. p. 841. Formofo. L. BRAND. Medit. 2,
5. 188. p. 509. Grande. Cour. Dec. 5, 6, 1. Grave. Es-
PER. Hift. I, 1, 49. n. 2. Honrado. AMARAL, Scrm. 521,
7. Honrofo. FR. L. Dos ANI. Jard. 127. Illuftre. VIEIR.
Serm. 2, 14, 3. n. 453. Infinito. VIEIR. Serm. 1, 152
1. col. 467. Longo. VIEIR. Serm. 2, 14, 3. n. 453. Luf-
trofo. Luc. Vid. 9: 5. Luzido. VIEIR. Serm. 10, do
Rof. 25, 7, 391. Numerofo. M. BERN. Floreft., 3, 3,
70, A. Pompofo. VIEIR. Serm. 5, 14, 1. n. 463. Solem-
nc. FR. ISID. DE BARREIR. Hift. 24.
Mufic. Toque do inftrumento ou dos inftrumentos,
que acompanbão a voz do cantor. Tambem fe toma em
geral pelo papel, que contém as notas ou figuras da
mufica, as quaes os inftrumentos hão de tocar para acom-
panhar a voz do cantor. M. NUN. Art. Comp. de Con-
trap. 34 O acompanhamento das mais vozes, ferá &c.
{{lema|ACOMPANHANTE}}. {{catgram|p. a.}} antiq. Que acompanha. Vis.
CHRIST. I, 49, 146 E efpiritualmente vêm Deos per fuz
graça, que precede e poufa a mão per a graça acompanhan-
te, e então vive a alma per a graça!, que ajuda a obrar.
-4, 37, 175 E ha hi outras coufas, que fom acom-
panhantes e concomitantes o dito dia do juizo.
{{lema|ACOMPANHAR}}. {{catgram|p. a.}} Eftar ou ir com algum ou com al-
guns, fazer companbia a outro on a outros. Dizfe tanto
quando he acto neceffario e de obrigação, como le he
voluntario e de obfequio. GOES, Chr. de D. Man. 3,27.
Sentio muito não o poder acompanhar em a jornada
CAM. Luf. 4, 8i Acompanharme logo fe offerece.. O
charo ineu irmão Paulo da Gama AR Dial. 2, 1 Mas
daqui em diante não deixarei de vos encompanhar e fre-
quentar efta cafa mais vezes.
Met. Das coufas inanimadas. Mox. Palm. 2, 141
Como o Cavalleiro não dormiffe a noite com repoufo,'
porque os penfamentos que o acompanhavão, lhe tira-
vão o fomno &c. CAM. Ecl. 2, 48 Me fica acompanhando.
o meu cuidado. Luc. Vid. 2, 9 A corrupção da carne,
que fem pejo, nem freio acompanha e acompanhou fem-
pre a idolatria &c. ..:
Ajuntar, unir a alg. c. Reg. alg. c. com ou de. Luc
Vid. 1, Ficando licença aos que as efcrevem [as hif
torias dos Santos] peraras acompanhar de alguns paflos
das Efcrituras. BRIT. Chr. 4, 4 Acompanhou com lagri-
mas proprias as que via derramar,
Ser annexo on inherente a alguma coufa, andar ou
eftar junto com ella. Das coufas a refpeito de outras.
MENOR. DAS PROEZ. 1, 39 O bom nome fempre acom-
panha os bons feitos. CAM. Canç 1, 6 A graça, que
effes olhos acompanha. HEIT. PENT: Dial. 2, 5, 9Qua-
tro coufas acompanhão commummenre a profperidade do
mundo; fantafia, confiança temeraria, foberba, e yai-
dade.
Nos edificios dizfe das obras, que fe lhes ajuntão
para maior adorno, fortaleza ou perfeição. TELL. Chr.
2, 5, 14. n. 5 A efta conta mandou lavrat outro quar-
to da parte do naccute, que acompanbaffe a clauftra com
cellas de humà e outra parte.
Acompanhar alg. em alg. c. Fazela juntamente on
de volta com elle. BRIT. Chr. 2, 25 Acompanbandoonel-
la [oração] os Religiofos, que alli eftavão. VEIO. Laur.
Ecl.. Vós empinadas faias As cabeças nos ares me-
ncaltes, E as Ninfa's emí feu pranto acompanhaftes A
o Fazer o que outro faz, ainda que não feja de egni-
panhia com elle. Bare. Chr. 2, 29 O invencivel Gofredo
de Bolanha, como naceo homem.. não deixou de
acompanhar a muitos, nos delictos que commertco con-
tra Deos, e fua Igrejamas &chann<noinclude></noinclude>
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{{Uso|Eſult}}. e {{Uso|Pintur}}. Ajuntar á figura ou parte principal
da obra alguns adornos, que a fação realçar e jobréfa-
hir. TELL. Chr. 2, 4, 26. n. 4. Os baixos acompanhados
de tarjas curiofas, de folhagens, e frutaes de excellen-
te relevo.
{{Uso|Muſic}}. Seguir com o inftrumento a voz do cantor,
prevenindolbe ou imitandolbe a confonancia, on repetindoa.
GALHEG. Templ. 4, 164 Agora, agora, ó célebre Pa-
checo Acompanhai com patios c com gloffas A clau-
fula menor, o menor echo De tantas vozes brandas e
amorofas. VIEIR. Serm. 9. do Rol. 5, 7, 205 Os tres
inftrumentos, que acompanhavão c compunhão a harmo-
nia, erão as tres differenças dos myfterios do Rofario.
Cantar ao fom de algum inftrumento on com outros
cantores, quer as notas feião as mesmas, quer differentes.
MAUS. Aff. Afr. 5, 8. Com varios inftrumentos, que a-
companha Diffona voz, o. Capitão feftejão. ORIENT.
Lufit. 91 Rompendo o filencio, em que até então ef-
tivera, reprendido do cantar das aves, as acompanhava
com o brando fom dos precedentes verfos. CASTR. Ulyff.
7, 68 Mandou então o Rio venerando A Lagéa que
roque a doce lira, E o fuave inftrumento acompa-
nhando Co' a branda voz, que o céo e a terra admira.
Neutr. O mesmo que Acompanhar, act, na primeira
fignificação. Reg.com. BARR. Cartinh. Guardame e acom-
panha comigo. L. BRAND. Medit. 2, 4, 118. p. 107 Che-
gou outra creada, e diffe aos circunftantes, tambem efte
acompanhava com Jefu de Nazareth.
Com pron. peff. O mefino que Acompanhar. Reg.
Tabf. ou com. FR. TH. DE JES. Trab. 1, 24, 523 Liãofc pe-
la maior parte, e acompanhãofe os vicios juntos de ma-
neira, que muitas vezes parecem pais e filhos, caufas
e effeitos huns, de outros. Luc. Vid. 7, 6 Por fe trata-
rem e acompanharem todos [os fidalgos] nobremente com
muitos creados de libreas. FR. MARC. Vid. 3, 7 Não fal-
les muito com o doudo, nem te acompanhes com elle.
Acompanharfe de alguma coufa. Tela on poffuila.
Tomafe ordinariamente em boa parte e fe diz a ref-
peito das boas qualidades. Luc. Vid. 8, 21 E quanto ao
temor, morrem fem elle mais feguros, que leoes, os
juftos porque, fempre fe acompanharão delle. PINT. RIB
Luftr. 1, 17 Aquelles fós são verdadeiros confelheiros,
que fe acompanhão de verdadeiro amor para com feus
Principes.
{{lema|A COMPASSO}}. form. adv., Vej. Compaffo. vas
{{lema|A' COMPETENCIA}}. form. adv. Vej. Competencia.
{{lema|ACOMPLEICIONADO, A}}. adj. De boa on má complci-
ção ou temperamento, que fe acha em bom. ou máio eftado
de faude. Determinafelhe o fignificado pelos adv. Bem
ou Malo outros femelhantes, que fempre fe lhe ajun-
tão. Ant. Acompreicionado. BRIT. Elog. 11 De corpo
meão, enxutoy emui bem acomplcicionado. CEIT. Quadrag.
1,294, 4 Do mefmio orvalho fe apafcenta a abelha e
aranha, e nas bem acompleicionadas entranhas de huma
fe converte em mel fuaviflimo, e nas malignas da ou-
tra em refinada peçonha. PINT. PACHEC. Tr. da. Giner.
35, 118 Porque eftándo hun cavallo são e bem acom-
pleicionado &c. So you
Met. Applicafe ao animo, negocios, &c. PINT.
RIB. Rel. 1, 75 Mas quando a juftiça corre voluntaria,
defagradão mais os animos livres e inteiros, que os mal
acompreicionados. D. F. MAN. Cart. 3, 60 Poucos são os
negocios tão bem racomplcicionados., que fe entendão da
prinieira tenção, como cura de arranhaduras. A
{{lema|ACOMPLEIÇOADO, A}}. adj. O mesmo que Acompleicio-
nado no próprio e metaphorico. Ant. Acompreiçoado. PAIV.
cb Serm. 2, 291 E efta me parece a caufa, porque noffo
Senhor quiz perguntar a feus difcipulos o que tão bem
fabia e o juizo que tinhão delle os homens defapaixo-
nados e bem acompreiçoados. MADEIR. Meth. 2, 12, 1
Eftar em corpo bem acompleiçoado.
{{lema|ACOMPLEXIONADO, A}}. adj. O mefmo que Acomplei-
cionado. DIAS, Paix. 44 Todo aquelle corpo tão bem
acomplexionado, e tanto pera folgar de vêr &c. VIEIR
10 Serm. 2, 12, 2. n. 387 Nenhum homem ha tão bem a-
complexionado de todos os humores, que quafi habi-
Tualmente não esteja fujeito aos triftes accidentes da me-
anconia f
{{lema|ACOMPREICIONADO, A}}. adj. ani. e
{{lema|ACOMPREIÇOADO, A}}, adj. ant. Vej. Acompleicionado
obe Acompleiçoado..
{{lema|ACONDICIONADO, A}}. adj. Questem boa ou má condi-
ção genios indole, natureza, c. Determinafelhe o fi-
gnificado, ajuntandolhe os adv. Bem ou Mal, ou outros
femelhantes. EUFROS. 2, 7 O homem honrado nem trif
te, nem graciofo aprazivel e bem acondicionado, fin.
AVEIR. Itin. 48 Todos são Mouros mal acondicionados
e pouco familiares noffos. SEVER. Prompt. 2, 7, 86 Naf-
ce tambem da ira fazerfe hum homem mal acondiciona-
do com os outros, afpero e intratavel comfigo.
De boa ou má qualidade. Tambem fe lhe determi-
na o fignificado pelos adv. Bem ou Mal, c. fe applica
ordinariamente aos comeftiveis,, mercadorias, ou quaef
quer outras coufas, fe fe tranfportão por mar ou por
terra. MEND. PINT, Peregr. 60 Afora mais de duas cafas,
em que eftava a [fazenda] enxuta, e a melhor acon-
dicionada. ART. DE ARTILH. 21 E fe o metal he bem
acondicionado, fe cortará mui facilmente com o escropo.
{{lema|ACONDIÇOADO, A}}. adj. O mefmo que Acondicionado.
GOES, Chr. de D. Man. 3, 7 Porque era bom Cavallei-
ro e bem acondiçoado. AvELL. Report. 2, 25. Quando at-
gum fe quer notar de homem jufto e bem acondiçoado
&c. FR. THOM. DA VEIG. Confid. 1, 7, 8. n. 8 São [os
homens tão mal acondiçoados, que com os bens, que The
communica Deos] o defconhecem, e fó com os males,
com que os perfeguem, o bufcão.
{{lema|ACONFEITADO, A}}. adj. Redondo, que tem forma ou fei-
tio de confeito. Sous. COUTINH. Cerc. 2, 9 E tambem
por não fer a polvora] tão aconfeitada, como a que
entre nós fe ufa na efpingarda, foi havida por de bom-
barda. PER. Elegiad. 12, 158 Huns alimpando peiros
de aço duro, Outros carvão fulfureo falitrado Inven-
ção, que fahio do Reino efcuro, Fazendo á preffa em .
negro aconfcitado.
he guar-
{{lema|ACONITO}}. s. m. Certa herva. Efte nome he dado pe-
los noffos Autores a três differentes hervas, 1.º ao A-
cónito natalobos, ou Napello, 2.° ao Acónito mata-
leopardos, 3. ao Acóuito falutifero. O Acónito mara-
lobos he o Aconitum napellus de Linnco, diftribuido na
Polyandria Trigynia do feu Syftema dos Vegetaes: o
feu caule tem de dous até tres pés de alto
necido de folhas glabras, verdenegras, e laciniadas com
lacinias lineares algum tanto mais largas na extremida-
- de, e affignaladas com hum rifco as fuas flores não
tem caliz; a coroila he irregular, e confta de cinco pe-
talas; a mais elevada dellas he concava. em fórma de
capacete, e cobre dous nectarios pedunculados de figu-
ra de colher com a bafe revolta: o feu fructo he com-
pofto de tres capfulas. He indigena das montanhas da
Europa temperada, e fe conjectura fer o Acónito vene-
nofn dos Antigos Gregos e Romanos, e o Napello dos
Arabes; mas huns e outros ufáráo muito vagamente dos
ditos termos, e nos parece, que elles os applicarão
tambem a algumas efpecies venenofas de Rainunculo.
O fucco extrahido das folhas defte Acónito, e tomado
interiorment em pequena dofe, liquido ou condcnfado,
não he venenofo, antes he medicamento util em algu-
mas enfermidades, conforme as obfervações de alguns
Medicos Alemães do nollo feculo. O Acónito mataleo-
pardos he o Doronicum pardalianches de Linneo, diftri-
buido na Syngencfia Polygamia fuperflua do feu Syite-
matem o caule ramofo, as folhas radicaes pec ola-
das, as caulinas rentes, abarcantes, cordiformes, obtu-
fas, e denticuladas; as fuas flores são radiadas, o caliz
he compofto de duas ordens de efcamas iguaes, e mais
compridas do que os filofculos do difco ; as fementes
do difco são ornadas de hum pennacho peludo, e as
do raio não tem pennacho algum ; o feu receptaculo
he plano, e fem palhas, nem pelos alguns. Efta efpe-
cie he indigena di Europa meridional, mas não penfa-
mos que feja o verdadeiro Acónito mataleopardos dos
Antigos, como cuidarão Mabanda, Mattiolo, e os nof-
fos Autores; conforme as experiencias do célebre Gef-
nero, feitas em muitos animaes, e em fi mefmo, efta
planta he inteiramente innociva. O verdadeiro Acónito
mataleopardos conforme Bauhino, he o Ranunculus
thora de Linneo, claffado na Polyandria Polygynia do
feu Syftema fexual: he, huma planta herbacea, indige-
na dos Alpes e Pyreneos, e na realidade venenofa: tem
as folhas radica es reniformes, quafi trilobadas, com al-
gumas crenulas na margem, e venofas ; o caule de
ordinario tem huma fó folha rente, e dá duas flores
guarnecidas de algumas folhas floraes lanceoladas e in-
tegerrimas; o caliz das flores confta de cinco foliolos
Pos córados revirados para baixo; a corolla tcm cinco pera-
e em cada huma dellas ha huma pequenina efca-
ma junto da unha o feu fructo não tem pericarpio,
e confta de muitas fementes conglomeradas. O Acónito
Salu-
las<noinclude></noinclude>
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Suspiros poéticos e saudades (1865)/Notas
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{{Gcapitular|N|2em}}ão posso duvidar, nem tu duvides;
Ha uma estrella que ao porvir nos guia,
Máo-grado as ondas do inconstante mundo.
Os destinos dos homens são patentes
:::Da Providencia aos olhos,
Pois que aos olhos de Deos não ha futuro;
:::Duvide embora o impio.
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Ha uma estrella que ao porvir nos guia,
Máo-grado as ondas do inconstante mundo.
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:::Da Providencia aos olhos,
Pois que aos olhos de Deos não ha futuro;
:::Duvide embora o impio.
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Com insoluvel nó a ti me liga
:::Sagrada, occulta força.
Fitos na Patria os olhos, sempre avante,
:::Araujo, marchemas.
Amamo-nos; que importa Grecia, e Roma
Vas ver sem mim[[Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades/Adeos ao meu Amigo M. de Araújo Porto-Alegre#nota1|<sup>1</sup>]]? Assim stá destinado.
Na Patria de Platão, e de Lionides,
:::De Raphael na patria
Não, não te esquecerás do teu amigo.
Vai; sapiencia colhe em solo estranho;
Depois comnosco prodigo reparte.
Assim de flor em flor errante abelha
O nectar frúe, que em mel offrece aos homens;
Assim de gottas pluviaes se embebe
:::O ancho seio de monte,
Que em limpidas correntes depois mana.
Vai; ao Parnaso sóbe; ahi meu nome
Entoa para o céo, e attento escuta;
:::Si os echos responderem,
Juncto do nome teu meu nome grava
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:::No marmore que achares.
Ah! lembra-te de mim quando de Tasso
:::Visitares o carcer.
Quando do longo meditar cançado
Estiveres de Roma nas ruínas;
Quando só passeando n’ Appia estrada,
Ou da morte os segredos contemplando
Dos Martyres Christãos nas catacumbas;
Quando ouvires soar de amigo o nome,
De mim te lembrarás, dirás comtigo;
Quem sabe si por força da amizade,
Em mim pensa elle agora, como eu n’elle?
:::Vai; teu genio alimenta.
Breves os dias são, os annos breves,
E dos filhos dos homens breve corre
:::A vida afadigada,
Como nos ares rapido metéoro.
:::Ah! quanto a missão custa
Cumprir na terra, onde atalaias somos!
:::Na começada empresa
Sómente ao fraco arrepiar é dado;
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Não se releva ao campeão donoso,
:::Que desde o albor da idade
N’alma fervêo-lhe em turbilhões o engenho,
:::Que lhe inspirára a Patria.
Enganados n’um dia os mortaes podem
As mãos de um nescio confiar o mando,
:::Com que depois os curva;
Podem corôas repartir, e sceptros,
E purpuras reaes, e tit’los nobres;
Podem rolar seus idolos dos thronos,
Tomar os louros que illudidos deram;
Mas tu, raro no mundo, dom sublime,
:::Genio, quem te reparte?
Deos só, Deos só te envia a seus dilectos.
Genio, filho de Deos, fogo celeste
Baixado á terra em prol da Humanidade!
Aquele em cuja fronte resplendeces,
:::Cujos labios inflammas,
Um Homero será, Platão, ou Phidias,
Radiantes padrões, astros de gloria,
:::De estrellas escoltados,
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Que como o sol, do Oriente ao Ocidente,
:::Gyro farão eterno.
Signal em tua fronte tens do Genio;
Não pertences a ti, tu és da Patria.
:::Com teus pinceis divinos
Deves seus feitos esmaltar, preclaros;
Eu a teu lado cantar-lhe-hei a gloria.
Unidos, sempre amigos, sempre á mesma
:::Vontade obedecendo,
Que doce nos será então a vida!
Tempo, tempo, não vôes; Patria, aguarda;
:::Araujo, marchemos.
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Mez das cigarras e das flôres de flamboyant, ''como diria Fradique Mendes se tivesse de datar em Dezembro uma carta no Rio de Janeiro. Prescindo, como elle, da enumeração do dia. Datas são algarismos sem forças para fazer sentir o violento azul do nosso céo, nem os ramalhões purpurinos das nossas arvores, nem este chiar incessante das cigarras entontecidas de luz, annunciando o calor.''
''Este lindo mez, em que o anno morre engalanado de côres e de sons, obriga-nos a volver o olhar para o passado, numa inquirição pensativa e saudosa... e logo a querer sondar o futuro impenetravel com a frouxa luz de uma esperança. Nada se descortina bem, visto de longe; e é melhor assim...''
''O que torna a vida encantadora é o imprevisto; e a prova é que ninguem desejaria recomeçal-a da mesma forma por que a já viveu ; nem creio mesmo que, se tal milagre se pudesse cumprir, houvesse alguem, por mais venturosa que lhe houvesse corrido a curta cida, que tivesse coragem de a recomeçar!''
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#REDIRECIONAMENTO [[Diccionario do Theatro Portuguez/Só duas palavras]]
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|''A ti, grande actor, grande mestre do theatro portuguez á tua inolvidavel memoria, dedico este trabalho, para o apadrinhar com o teu nome glorioso.''
''Ao lado de Emilia das Neves, o maior genio que tem deslumbrado o nosso theatro, ao lado de Joaquim José Tasso, esse gigante da nossa scena, ha de ser immorredouro José Carlos dos Santos.''
''O artista incomparavel, que tu foste, mais tarde ou mais cedo tem de ser perpetuado no marmore, ao lado de [[Autor:Gil Vicente|Gil Vicente]] e Garrett, para que assim conheçam os vindouros essa trindade sublime do theatro portuguez: o seu fundador, o seu reformador e o notabilissimo mestre e exemplo de quantos ainda hoje labutam na espinhosa, difficil e ao mesmo tempo brilhante carreira do theatro.''
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|SÓ DUAS PALAVRAS}}
{{traço}}
Isto não é uma obra litteraria nem pretenciosa. Não o poderia
mesmo ser, dada a insufficiencia do auctor.
N’um paiz em que tanto se ama o theatro e tão pouco d’elle
se sabe e se cuida, julgo útil esta publicação.
São rarissimos em Portugal os livros sobre theatro, faltando
mesmo os mais elementares. É por isso que se impunha a necessidade
d’um ''Diccionario do Theatro Portuguez'', que pudésse
ser consultado pelos estudiosos e pelos que ignoram muito do
que lhes seria indispensável saber.
Não sou certamente dos mais competentes para emprehender
tão arduo e difficil trabalho; todavia, visto que os mestres se
não dispõem á espinhosa tarefa, lanço mão d’ella, e depois os
competentes que a aperfeiçoem.
Isto representa em todo o caso grande somma de trabalho,
que oxalá seja proveitoso.
Pouco tinha a que recorrer na nossa terra, na nossa litteratura,
para auxiliar o emprehendimento; consultei, porem, livros
francezes e italianos, aproveitando d’elles o que julguei conveniente
para a obra.
Se com este trabalho não consegui os meus fins, agradeçam-me
ao menos as boas intenções.
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Página:Diccionario do Theatro Portuguez.djvu/13
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: DICCIONARIO DO THEATRO PORTUGUEZ {{ch|'''A'''}} ##Aba## '''Aba''' — Peça saliente dos bastidores ou de qualquer reprego, que ordinariamente se préga com machas-femeas, para se dobrar e melhor se prestar á arrumação. ##Abafadores## Abafadores Assim são denominados os espectadores que, principalmente nas primeiras representações, tratam sempre de impedir os applausos. Quando as palmas querem romper para festejar qualquer scena ou o de...
557219
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{Extrair imagem}}</noinclude>DICCIONARIO DO THEATRO PORTUGUEZ
{{ch|'''A'''}}
##Aba##
'''Aba''' — Peça saliente dos bastidores ou de qualquer reprego, que ordinariamente se préga com machas-femeas, para se dobrar e melhor se prestar á arrumação.
##Abafadores##
Abafadores Assim são denominados os
espectadores que, principalmente nas primeiras
representações, tratam sempre de impedir
os applausos. Quando as palmas querem
romper para festejar qualquer scena ou
o desempenho de qualquer artista, ouvem-se
immediatamente os prolongados «schius!
dos apagadores ou abafadores.
Abafar É o que fazem os abafadores nos
theatros, impedindo por diversas formas os
applausos do publico sincero. V. abafadores.
Abaixamento de voz Os cantores são
bastantes vezes e quasi repentinamente accommettidos
de abaixamento de voz, causado
por cançaço ou desarranjo nas cordas vocaes,
o que lhes não permitte dar as notas
limpidas e os obriga a desafinar. Muitas vezes
são os espectaculos de opera interrompidos,
porque qualquer cantor soffreu um
abaixamento de voz e não pode continuar
cantando.—
Abarrotar Quando a sala do espectaculo
está completamente cheia, sem que n’ella
caiba mais uma unica pessoa, diz-se que
está a abarrotar.
Abatimento É máu indicio sempre que
um theatro soffre abatimento nos preços dos
seus logares, pois que manifesta falta de concorrencia.
O abatimento costuma fazer-se
aos assignantes de certo numero de recitas.
Abertura Musica executada pela orchestra
antes de subir o panno. V. Symphonia.
Abono O adiantamento que a empreza
faz a qualquer artista ou empregado. Muitos
empregam a palavra abono como synonimo—
de assignatura. A palavra n’esse sentido é
mal empregada, porque não é portugueza.
Abreviaturas na marcação Quando a
marcação de qualquer peça se faz no proprio
manuscripto ou na brochura, como não ha
espaço para mais, fazem-se as indicações em
abreviaturas da seguinte forma: p. 1, passa a
um; -s. a 3, senta se a 3; Alb. Car. Jul. Henr.
— Alberto a 1, Carlos a 2 na 2. linha, Julia
a 3 tambem na 2. linha, Henrique a 4;
sob. a 6-sóbe a 6; = lev.-levanta-se;
e desc. a 5-rodeia e desce a 5; <= e assim
successivamente.
rod.
Abrilhantar — Diz-se de um bom artista
que vae tomar parte n’um espectaculo, que
vae abrilhantar o espectaculo. O mesmo se
póde dizer de qualquer peça ou de qualquer
scena importante n’uma recita. Diz-se por
exemplo: «Abrilhantou o espectaculo o grande
actor Taborda» ou «O espectaculo foi
abrilhantado pela deliciosa peça A Ceia dos
Cardeaes.»
Abrir o theatro — Quando, no começo da
epocha, um theatro dá o seu primeiro espectaculo,
diz se que o theatro vae abrir. Se,
per qualquer circumstancia, o theatro fechar
no meio de uma epocha e d’ahi a pouco
recomeçar os seus espectaculos, diz-se que o
theatro reabriu. Quando se trata d’uma casa
d’espectaculos nova, que tem de ser inaugurada,
diz-se tambem que o novo theatro
vae abrir as suas portas.
Abrir para fóra-Todas as portas de sahida
do theatro devem abrir para o exterior
do edificio e, durante os espectaculos, de.
vem estar promptas a poderem ser pelos
porteiros rapidamente franqueadas ao publico,
em caso de incendio ou panico.
Abusar É sempre inconveniente abu-—<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{Extrair imagem}}</noinclude>DICCIONARIO DO THEATRO PORTUGUEZ
{{ch|'''A'''}}
<section begin="Aba"/>'''Aba''' — Peça saliente dos bastidores ou de qualquer reprego, que ordinariamente se préga com machas-femeas, para se dobrar e melhor se prestar á arrumação.
<section end="Aba"/>
<section begin="Abafadores"/>Abafadores Assim são denominados os
espectadores que, principalmente nas primeiras
representações, tratam sempre de impedir
os applausos. Quando as palmas querem
romper para festejar qualquer scena ou
o desempenho de qualquer artista, ouvem-se
immediatamente os prolongados «schius!
dos apagadores ou abafadores.
Abafar É o que fazem os abafadores nos
theatros, impedindo por diversas formas os
applausos do publico sincero. V. abafadores.
Abaixamento de voz Os cantores são
bastantes vezes e quasi repentinamente accommettidos
de abaixamento de voz, causado
por cançaço ou desarranjo nas cordas vocaes,
o que lhes não permitte dar as notas
limpidas e os obriga a desafinar. Muitas vezes
são os espectaculos de opera interrompidos,
porque qualquer cantor soffreu um
abaixamento de voz e não pode continuar
cantando.—
Abarrotar Quando a sala do espectaculo
está completamente cheia, sem que n’ella
caiba mais uma unica pessoa, diz-se que
está a abarrotar.
Abatimento É máu indicio sempre que
um theatro soffre abatimento nos preços dos
seus logares, pois que manifesta falta de concorrencia.
O abatimento costuma fazer-se
aos assignantes de certo numero de recitas.
Abertura Musica executada pela orchestra
antes de subir o panno. V. Symphonia.
Abono O adiantamento que a empreza
faz a qualquer artista ou empregado. Muitos
empregam a palavra abono como synonimo—
de assignatura. A palavra n’esse sentido é
mal empregada, porque não é portugueza.
Abreviaturas na marcação Quando a
marcação de qualquer peça se faz no proprio
manuscripto ou na brochura, como não ha
espaço para mais, fazem-se as indicações em
abreviaturas da seguinte forma: p. 1, passa a
um; -s. a 3, senta se a 3; Alb. Car. Jul. Henr.
— Alberto a 1, Carlos a 2 na 2. linha, Julia
a 3 tambem na 2. linha, Henrique a 4;
sob. a 6-sóbe a 6; = lev.-levanta-se;
e desc. a 5-rodeia e desce a 5; <= e assim
successivamente.
rod.
Abrilhantar — Diz-se de um bom artista
que vae tomar parte n’um espectaculo, que
vae abrilhantar o espectaculo. O mesmo se
póde dizer de qualquer peça ou de qualquer
scena importante n’uma recita. Diz-se por
exemplo: «Abrilhantou o espectaculo o grande
actor Taborda» ou «O espectaculo foi
abrilhantado pela deliciosa peça A Ceia dos
Cardeaes.»
Abrir o theatro — Quando, no começo da
epocha, um theatro dá o seu primeiro espectaculo,
diz se que o theatro vae abrir. Se,
per qualquer circumstancia, o theatro fechar
no meio de uma epocha e d’ahi a pouco
recomeçar os seus espectaculos, diz-se que o
theatro reabriu. Quando se trata d’uma casa
d’espectaculos nova, que tem de ser inaugurada,
diz-se tambem que o novo theatro
vae abrir as suas portas.
Abrir para fóra-Todas as portas de sahida
do theatro devem abrir para o exterior
do edificio e, durante os espectaculos, de.
vem estar promptas a poderem ser pelos
porteiros rapidamente franqueadas ao publico,
em caso de incendio ou panico.
Abusar É sempre inconveniente abu-—
<section end="Abafadores"/><noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Salutifero he o Aconitum anthora de Linneo, e conge- nere de Napello, com o qual tem grande analogia na fructificação, e nas lacinias lineares das fuas folhas; mas differençafe pelo numero dos piftillos das fuas flö- res, e pelas cinco capfulas, de que confta o feu fru- cto. Efte Acónito foi denominado Salutifeto, pela razão de fe julgar fer antidoto dos cffeitos venenofos do Rai- nunculo thora; mas duvidamos muito, quc huma planta tão...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Salutifero he o Aconitum anthora de Linneo, e conge-
nere de Napello, com o qual tem grande analogia na
fructificação, e nas lacinias lineares das fuas folhas;
mas differençafe pelo numero dos piftillos das fuas flö-
res, e pelas cinco capfulas, de que confta o feu fru-
cto. Efte Acónito foi denominado Salutifeto, pela razão
de fe julgar fer antidoto dos cffeitos venenofos do Rai-
nunculo thora; mas duvidamos muito, quc huma planta
tão analoga ao Napello. mereça cm qualquer forre de
dofe o nome de Salutifero. Do Lat. Aconitum. acc. na
antepenult. fem embargo de fer longa a penultima no
Latim. BARBOS. Dist. col. 469 lhe chama herva de beftei-
ro, e col. 954 rofalgar, e JER. CARDOS. Dict. p. 4 na
voz Latina Aconitum lhe dá tambem o nome de rofal-
gar. MADEIR. Meth. 2, 30, 3 Como acontece ao acóni-
to, o qual tem qualidade alexipharmaca contra o efcor
pião, e por iffo dado aos que elle mordeo, da faude,
è aos outros mata, CURV. Atal. 465 O vinho, em que
mifturem o pó das efcorias do ferro, bebido da perfoa,
a quem fe deo acónito, o falva do prefentaneo perigo
defte refinado veneno.
{{lema|ACONSELHADAMENTE}}. adv. mod. De propofito, por
confelho e de cajo penfado. JER. CARDOS. Dict. BENT.
PER: Thes.
{{lema|ACONSELHADO, A}}. p. p. de Aconfclhar. Reg. abf. de ou
por. BARR. Dec. 1, 5, 8. CAM. Od. 9, 11. Sous. Vid. 2, 16.
Bem aconfelhado. Prudente, judiciofo, difcreto.
VIEIR. Serm. 4, 14, 5. n. 51; Vede le são loncos to-
dos os que quetem mandar homens, ou fervir a homens,
quão fefudo e bem aconselhado foi S. Roque em os
não querer mandar, nem fervir.
Mal aconfelhado. Imprudente, indifereto, que obra
fem confelho e defpropofitadamente, por feu proprio dicta-
me e capricho. PAIV. Serm. 3, 10 y Affas mal aconselha-
do ferá quem a troco de hum perdão de huma offenfa,
não quizer perdão de muitas. SA' DE MEN. Mal.. 5, 44
Chorofos defde hum monte o incendio vendo Seus mal
aconfelbados moradores. D. BASIL. DE FAR. Vid. 4 Noravao
de mal aconselhado, temerario, e homicida de fi mefmo.
{{lema|ACONSELHADOR}}. s. m. pouc. uf. O que aconselha. Cour.
Dec. 4, 6, 7 Meus imigos capitaes, e aconselhadores
contrà minha honra,
{{lema|ACONSELHADORA}}. s. f. A que aconfelha, BLUT. Vocab.
{{lema|ACONSELHAR}}. v. a. Dar confelho d'alguem fobre confa,
que fe propõe ou confulta. Reg. alg. c. a alg. ou que. FERR.
Brift. 1,
I Lion. Que farei Que me aconfelbas: Alex.
Que te hei eu de aconfelhar, pois ru não cftás pera
confelho. BERN. Lim, Ecl. 15 Dizendo que de tudo o
que paffava Me deffe (como deo) inteira conta,
É viffe o que lhe niffo aconfelbava. ARR. Dial. 9, 10 Sene-
ca nos aconfelba, que demos todo o tempo ao eftudo.
Abf. Dar confelho ou confelhos. BARR Dec. 4, 8, 7
Não merece menos quem bem e fielmente aconfelba,
que quem animofamente pelèja. EvFROS, I, I Pera a-
confelbar e fer aconfelhado he muito neceffario rer o
juizo nú da propria vontade livre de fuas affeições.
CORT. R. Naufr. 16, 189 E o que animo dobrado mof
tra em tudo, No aconfelbar ferà pouco fingello.
Met. Das coufas inanimadas. Soes. Hift. I, I, II
E dalli proceder, fegundo aconfelbaffe o tempo.
Fórm. e Adv. Bem. ARR. Dial. 3, 2. De bom ani-
mo. FEO, Tr. 1. Prol. Dignamente. GOES, Chr. de D.
Man. 1, 93. Direitamente. PIN. Chr. de D. Aff. IV. 5.
Enganofamente. COMP, E SUMMAR. 26, 12. Extremadamen-
te. LIME. Fug. 5, 5, 150. col. i. Ficlmente. BARR. Dec.
4, 8, 7. Proveitofamente. Azur. Chr., 9. Saamente.
PIN. Chr. de D. A. IV. 5. Verdadeiramente. COND. D.
PEDR. Nobil. 4, 12.
Com pron. peff. Pedir ou tomar confelbo. CAM. Luf.
4, 12 E não porque confelho lhe faleçã
C'os princi-
paes Senhores fe aconfelba. Ana. Dial. 5, 15 Que pera
acertarmos não ha outro caminho, que certo feja, fe-
não aconfelharnos com elle. LEño, Chr. de D. Aff. III.
97 Aconfelhoufe com feus cavalleiros, nos quacs achou
differentes pareceres.
Met. Dizfe a refpeito das coufas, que fe conful-
tão por algum motivo. HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 24 Ve-
de voffas Hiftorias, aconfelhaivos com voflos annaes.
Abf. ORDEN. DE D. MAN. 3, 15 E quantas vezes
o actor fizer nova addição a feu libello... tantas....
ferá dado ao R. tetmo pera fe aconfelbar. Luc. Vid. 9,
8 Ajuntãofe á parte, e depois de fe azonfelbarem fobre
o cafo., decemfe da apofta com a mefma preffa, com
que a fizerão. LEão, Chr. D. Henr. 20 y Os Frades de
Lorvão, e o Abbade fe aconfelhárão entre fi.
Darfe a confelho, determinarfe, refolverfe. Conr. R.
Naufr. 1, 13 Não fabe aconselharfe no que deve
zer em tal alfronta.
Fa-
Aconfelharle bem ou mal. Tomar refolução pruden-
te, efcolher o melhor partido ou o contrario. FERR. Ciof.
4,3 Aconfelbate bem, à falla eftá. CORT. R. Naufr.
16, 188 Succeffos defeftrados fempre vimos Ter a-
quelles, que mal fe aconfelbárão. M. THOM, Inful. 4, 49
Porque fempre os que bem fe aconfelbárão,
prudencia e gloria ic regèrão.
Com mais
Adag. Quem comigo fe acoufelha, comfigo fe de-
penna. EvFRQs. 3, 2.
Quem fó fe aconfelba, fó fe depenna. DELIC. Adag. 10z,
So me aconselhei, fo, me chorei. DELIC. Adag. 105.
{{lema|A' CONTA}}. fótm. adv. Vej. Conta.
{{lema|ACONTECEDEIRO, A}}. adj. antiq. Facil de acontecer.
GIL Vic. Obr. 2, 89 Ifto he coufa natural, E muito
acontecedeira, Se nunca fora outra tal, Differamos,
que era mal, Por ferdes vós a primeira.
{{lema|ACONTECER}}. v. n. impell. Succeder a alguem o que fe ef
perava ou confa fortuita. Reg. a. BERE. Lim. Ecl. 13 -
conteccome hum cafo defufado. ARR. Dial. 2, 13 Acon-
tece tambem a alguns dos Monges e Monjas deixar as
fezes do mundo, que são as occafióes de fóra. Sous.
Hift. 1, 1, 1 Porque fendo ainda de peito, lhe acontecia
deixarfe cahir da cama de fua ama, e ficar dormindo
em terra.
Abf. BARR. Dec. 3, 10, 9Tanta oufadia dá hum
pequeno favor, quando hum delaftre acontece. Goss, Chr.
de D. Man. I, io Efte negocio todo aconteceo pouco an-
tes, que elRci falleceffe. Can. Luf. 3, 70 Afli como
acontece muiras vezes.
Reg. feguindofelhe que ou infinito. FERR. Poem.
Ecl. 3.
Aconteceo que... Hum cordeiro dos meus fe
foi lançando Pera onde arabos eftavão. BRIT. Chr. I,
9 E acontecia andar dous e tres dias fem comer coufa
alguma.
Fazer e acontecer. Fraf. vulg. que fe accommoda aos
que ptomettem muito e de commum fem effeito. FERR.
DE VASC. Aulegr. 2, 10 Os galantes fazião e acontecião.
GUERREIR. Rel. 2, 3, 6 Se aquella imagem fe pudéffe
dar, daria por ella quanto quizeffem e fe não pudeffe
fer, lhe houveffem outra femelhante, que faria e acon-
teceria...
Fazer c acontecer. Fraf. vulg. de que fe ufa como
ameaça para comminar damno. FERR. DE VASC. Ulyffip.
I, 4 E todos vollos feros de farei, acontecerei, fará pol-
me Florença, com a mais pequena lagrima, que lançar
fem cor, e a força de esfregar os olhos. CEIT. Qua-
drag. 1, 227, 4 Mandarvoshei fazer e acontecer. FER-
NAND. GALV. Serm. 1, 29, 2 Vem hum homem com a
capa no braço, efpada núa na mão, o chapeo mettido
bem na cabeça, enfiado, e vem blafonando, que ha
de matar, fazer e acontecer vós não viftes a briga,
mas pelos finaes julgais efte homem brigou."
Ant. Ajuntafelhe a particula fe. ORDEN. DE D. MAN.
1, 70 Quando alguma parre traz dous ou trcs feitos ou
mais, como fe muitas vezes acontece &c. F. ALv. In-
form. 84 E quanto aos paffos da Paixão púfeffem onde
e como aquello fe acontecia. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 24
Muitas vezes fe acontece, que &c.
{{lema|ACONTECIDO, A}}. p. p. de Acontecer CA. Ecl. 3, 21.
HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 12. BRIT. Mon. 2, 7. c. 23.
Subit. Succeffo, acontecimento. MENDOÇ. Jorn. 1, 7
Até efte paffo houve algumas peffoas dignas de fé, que
oufárão revelar o acontecido. GUERREIR. Rel. 5, 3, 13
Fazendo pouco cafo do acontecido. Feo, Tr. 1, 69, 4
E pondofe a cuidat niffo,
acontecido.
She confiderat e pafmat
{{lema|ACONTECIMENTO}}. s. m. Succeffo, cafo, o que acontece
acafo e inesperadamente ou procurandofe e intentandofe.
BARR. Dec. 1, 1, 5 E quiz Deos, que a efte feu cf-
forço não desfallecco bom acontecimento. FERR. DE VASC.
Ulyffip. 2, 1 A principal parte do bom acontecimiento he
a fegurança do esforço. CAM. Ecl. 3, 13 O acontecimen
to que a ventura Me dá pera mór dano!
No pl. Feitos, fucceffos premeditados ou inopina-
dos. Goes, Chr. de D. Man. 1, 3. Cuja vida, e aconte-
cimentos (fe a Deos apraz) tratarei nefta fua Chronica.
MOR. Palm. 2, 77 Queria que ante vós me acontecef
fem alguns acontecimentos grandes. FERR. Brift. Prol. A
comedia he mixta, a mór parte della motoria, fundada
nos acontecimentos do mundo, que commummente cortem.
Por<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Por acontecimento. fróm. adv. Acafo, cafualmen- tc. VIT. CHRIST. 3, 28 Nom penfe alguem, que por efta palavra venha per ventura ou acontecimento aos ho- mens de fer virgens. D. FR. BR, DE BARR. Efpelb. 3, 26 Aconteceo depois per acontecimento, e em alguma ma- neira nom fe penfando, que &c. Epith. Acontecido (raramente) CUNH. Catal. 1, 9. Admiravel. VIEIK. Serm. I, 15, 1. col. 1042. Adverfo. COMM. DE RUY FREIK. 8. Affrontofo. Luz, Serm....
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>Por acontecimento. fróm. adv. Acafo, cafualmen-
tc. VIT. CHRIST. 3, 28 Nom penfe alguem, que por
efta palavra venha per ventura ou acontecimento aos ho-
mens de fer virgens. D. FR. BR, DE BARR. Efpelb. 3, 26
Aconteceo depois per acontecimento, e em alguma ma-
neira nom fe penfando, que &c.
Epith. Acontecido (raramente) CUNH. Catal. 1, 9.
Admiravel. VIEIK. Serm. I, 15, 1. col. 1042. Adverfo.
COMM. DE RUY FREIK. 8. Affrontofo. Luz, Serm. 1, 148,
3. Bom. BARR. Dec. 1, 1, 5. Defaftrado. Sovek. Hift.
2, 32. Diverfos. FERNAND. Palm. 3, 52. Eftranho. GUER-
REIR. Rel. 5, 3, 17. Extraordinario. CUNH. Catal. 1, 9.
Fabulofo. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 29, 5, 522. Fortuito.
ALV. DA CUNH. Efcól. Introd. 2, 3. Funcfto. ALV. DA
CUNH. Efcól. 7, 10. Grande. Mor. Palm. 2, 77. Imagi-
nado (não) GUERREIR. Rel. 5, 3, 17. Laftimofo. ALV.
DA CUNH. Éfcól. 1, 2. Mdo. GRAN. Comp. 1, 4. Mila-
grafo. Cunn. Catal. 1, 9. Notavel. VIEIR. Voz. 14, 273.
Paffados. ORIENT. Lufit. 1 y Penfado (não) D. CATH.
INF. Regr. 2, 6. Peregrino. S. MAR. Chr. z, 11, 27. n. 7.
Perniciofo. D. G. COUTINH. Jorn. 98. Prodigiofo. VIEIR.
Serm. 10. do Rof. 25, 7, 396. Rare. VIEIR. Serm. 5, 1,
7. n. 32. Saborofo. SA DE MIR. Vilhalp. 4, 8. Temicrofo.
MOR. Palm. 1, 35. Tremendo. VIEIR. VOZ. 14, 243. Trif-
te. Azur. Chr. 3, 36. Varios. FERNAND. GALV. Serin. 3,
303, 3.
{{lema|ACONTIADO, A}}. adj. ant. De Contia, ant. o mefmo que
Quantia. CABED. Decif. Part. 2. diz que Acontiado na fua
vulgar e ampla fignificação velia o mefmo que fubdito,
e vaffallo del Rei. SEVER. Noti. 3, 21, 129 O fegundo
genero de vaffallos fe chamavão Acontiados, porque ef-
tavão preftes para fervir a el Rei com certas lanças na
guerra, por certa contia de dinheiro, que dos Reis ha-
vião, c por iffo fe chamavão contiados. 2, 7, 46
A todo o filho de fidalgo vaffallo, que nafcia, fe manda-
va logo huma carta de contia de feu pai, com que cre-
ceo cite numero de vallallos acontiados em grande ma-
neira até o tempo del Rei D. Fernando. FR. F. BRAND.
Mon. 5, 16, 16 A que elles replicavão negando: Por-
que os lanceiros fenão devião chamar acontiados. Mof-
trando claramente fer o mesmo lanceiros, que vaffallos.
Acontiado em cavallo e armas. A que el Rei dava
certa quantia de dinheiro para estar preftes com cavallo e
armas. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 32. p. 181. ann.
1488 Item que não fejão acontiados em cavallos e armas
por nenhumas peffoas."
Subft. Acontiado, abf. ou Acontiado em cavallo
ou a cavallo. ORDEN. DE D. MAN. 2, 16 Os cavalleiros
de contia, que são os acontiados em cavallos. Leão,
Chr. de D. Fern. 219 Mandou trazer todolos cavallos
dos acontiados do Reino. Report. 1 Acontiados a
cavallo não podem fer penhorados nas armas, nem nos
cavallos.
{{lema|ACONTIAMENTO}}. s. m. antiq. Affento da quantia de
dinbeiro que el Rei dava aos Acontiados. Prov. DA HIST.
GEN. 3, 4, 161. p. 380. ann. 1456 O Efcrivão do di-
to officio ferá prefente, e cfcreverá os ditos acontiamen-
tos.
{{lema|A CONTENTAMENTO}}. fórm. adv. Vej. Contentamento.
{{lema|A CONTENT}}. form. adv. Vej. Contento.
{{lema|A CONTO}}. fórm. adv. Vej. Conto.
{{lema|ACORCOBAR}}. v. a. antiq. O mefmo que Corcovar. ORT.
Colloq. 51, 194 E rem [o efpodio] os ramos direiros
pola maior parte, fenão alguns delles, que vem de boa
feicão, que entortão e acorcobão pera fazer as canas dos
pelanquins, e andores, que na India usão.
ACORDADAMENTE. adv. mod. Com acordo e tino, com
inteiro conhecimento e plena deliberação. BERNARD. RIE.
Menin. 1, 20 E lançandofe rijo e acordadamente pera el-
le [touro] o levou por hum dos cornos. MENOR. DAS
PROFZ. 1, 37 Aftribonio nefta confiança combatiafe mui
acordadamente. D. G. COUTINH. Jorn. 17 y Não houvera
remedio, fe, hum efcravo meu converfo, natural de Ar-
de Armas.
não quebrara acordadamente huma porta da praça
Harmoniofamente, com boa confonancia. FR. G. DA
Sv. Vid. 2, 2 Cantavão rodos mui acordadamente os
louvores de Deos. CASTANH. Hift. 3, 62 E deolhe
vinte finos pequenos de fua ufança... e tangedores
co'elles, que os tangião acordadamente. Sovs. Vid. 6,
12 Tocava cada hum feu inftrumento máfico, c cantavao
acordadamente.
{{lema|ACORDADO, A}}. p. p. de Acordar. Efperto, que não dorme.
BARR. Dec.4, 3, 14. Can. Canç. 2, 4. Luc. Vid. 1, 7.
Determinado uniformemente ou por pluraridade de vo-
tos, refolvido de commum acordo. BARR. Dec. 3, 10, 3. GOES,
Chr. de D. Man. 2, 5. LEÃO, Chr. de D. Sanch. I. 64.
Lembrado, que fe recorda, CAMINH. Fórm.. de Libell.
18 Por certos annos, de, que hora não he acordado.
BARTH, GUERREIR. Jorn. 31 Quiz que os Portuguezes
entendeffem, que tinhão em Sua Mageftade mui acorda-
do Rei de feus ferviços.
Regular, hem ordenado, pofto no ponto e regra,
que Ibe conven. Dos inftrumentos, vozes, danças, &c.
BARR. Dec. 4, 3, 14 Cantando per livros com vozes
acordadas. GOES, Chr. de D. Man. 1, 35 Com tudo ran-
gem frautas paftoris acordadas. Luc. Vid. 8, 3 Danças
mui acordadas.
Ufafe como adj. Prudente, fefudo, cordato, que obra
com acordo e tino, ou com inteiro conhecimento c plena delibera-
ção. Das peffoas. SA DE MIR. Eftrang. 50 Quanto val hum
homem acordado. MoR. Palm. 1, 15 Pandaro, que o achou
tão perto, e não era pouco acordado, o levou nos bra-
ços. Cour. Dec. 4, 2, 11 Onde fe the atraveffou An-
tonio Rico, Secretario de Eftado, como homem mui
acordado e mui cavalleiro.
Mal acordado. Defacordado que perdeo o acordo
on tino. PIN. Chr. de D. Sanch. I. 6 E mal acordados de
meios. vencidos fe recolhèráo á cerca da Cidade. CASTR.
Ulyff. 3, 63 Mal acordado cahe co' a dôr immenfa.
Acordado. Feito com acordo e madureza. Pix. Chr.
de D. Sanch. I. 4 E achando nos Chriftãos tão grandes
forças com tanta e tão acordada refiftencia &c. TELL. Chr.
1, 2, 4. n. 1 Náo he efta a primeira vez, que o mun-
do fe enganou em ter por doudices. . . os procedimen-
tos mais acordados. D. F. MAN. Epan. 5, 518 Não pude-
rão refponder às acordadas perguntas, que hum fó offi-
cial dos inimigos fe adiantára a fazerlhes.
Concorde, do mefmo acordo os parecer. ORDEN. DE
D. MAN, 1, 4 E tanto que a maior parte for acordada
em huma tenção, logo fe ponha fentença.
Avindo, que fe ajufton ou fez acordo com outro fo-
bre coufa antes controverfa. LEño, Chr. de D. Din. 126 y
Havendo já hum anno e fete mezes, que o Infante D,
Affonfo eftava acordado com el Rei feu pai. M. THOM.
Fen. 5, 106 Porque depois de em pazes acordados
Forão prezos os Lufos enganados.
Mal acordado. Difcorde, defavindo. CASTILH. Comm.
2, 41 D'outra parte não havia mil Portuguezes, e ef-
fes creados em trato e commercio, governados por dous
Capirães entre fi mal acordados.
{{lema|ACORDAMENTO}}. s. m. antiq. Acção de acordar on def-
pertar do fomno. VIT. CHRIST. 4, 9, 37 A qual dor-
miçom e acordamento fignifica os tres mortos, que o Se-
nhor refufcitou.
{{lema|ACORDANÇA}}. s. f. antiq. Confonancia, harmonia. D. CA-
TH. INF. Regr. 1, 23 Então cfguardará ao céo como ef-
plandece com a claridade do Sol, Lua e eftrellas. A
acordança dos céos, os doces cantos dos cidadãos fuper-
naes muito aprazerão ao ouvidor. CANCION. 37, I
Com mui grande fentimento D'acordanças mui fentidas
Em vencidos fency do penfamento,
Nos fentimos com
grão tento, Que fallava em noffas vidas.
{{lema|ACORDANTE}}. antiq. p. a. de Acordar. Acorde, harmonico.
VIT. CHRIST. 4, 19, 117 Por as quaes coufas todos irmãos
canremos juntamente em huma voz acordante aqueste
he o dia, que fez o Senhor.
Conforme, concorde. FR. G. DA SILV. Vid. 1, 20 O
que fe moltra em elle ter a fenfualidade não curiofa-
mente mimofa, nem foberbamente revel; mas juntamen-
te com a alma alegre e acordante em feus bos defejos.
{{lema|ACORDÃO}}. s. m. Forenf., Refolução, decreto de Canara
ou Relação. Leão, Chr. de D. Aff. V. s Pelo que a Ca-
mara fez logo hum acordão, perque mandou que os cu-
bellos foffem defembaraçados. FR. NIC. DE OLIV. Gran-
dez. 6, 2 Cujas fentenças fe defpachão na Relação por
acordão. ORDEN. DE D. PEDK. 1, 10, 3 Afli em defpa-
cho pofto por acordão em Relação &c.
{{lema|ACORDAR}}. v. a. Defpertar do fomno ao que dorme. Ben-
NARD, RIB. Menin. 1, 8 A Senhora Aonia... acordou
as mulheres da cafa. FERR. Ciof. 5, 1 Eftrondos fez, di-
abruras e terramotos, que acordou a vizinhança. CORT.
R. Naufr. 9, 98: Já defeja acordala brandamente.
Met. CAM. Ecl. 6, 14 Até que a tua angelica har-
monia Me acordon. CART. DE JAP. 1, 1, 3; Depois de
ter experiencia do que lá ha, vos efcreverei muito meu-
damente affi á India, como ao Collegio de Coimbra,
e de Roma... pera os acordar, que não vivão em tanto<noinclude></noinclude>
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