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Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades/No Album da Exma Senhora D. Joanna Marques Lisbôa
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Suspiros poéticos e saudades (1865)/As Saudades/Adeos á Europa
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Autor:Gonçalves de Magalhães
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{{Autor/v2
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| nome = Gonçalves de Magalhães
| nome completo = Domingos José Gonçalves de Magalhães
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| imagem = Visconde de Araguaya.jpg
| imagem_tamanho =
| legenda = Gonçalves de Magalhães em gravura de M. J. Garnier, década de 1890
| nacionalidade = {{BRA-PRTn|o}}
| data_nascimento = {{dni|13|8|1811|si}}
| data_morte = {{morte|10|7|1882|13|8|1811}}
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| Wikipedia = Gonçalves de Magalhães
| Wikiquote =
| MiscBio = '''Domingos José Gonçalves de Magalhães''', primeiro e único barão e '''visconde do Araguaia''', foi um médico, professor, diplomata, político, poeta e ensaísta brasileiro, tendo participado de missões diplomáticas na França, Itália, Vaticano, Argentina, Uruguai e Paraguai. Embora fosse voltado para a poesia religiosa, também cultivou a poesia indianista de caráter nacionalista.
}}
== Obras ==
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1832|título=[[Poesias (Gonçalves de Magalhães)|Poesias]]|galeria=|progresso=|gênero=Poemas|notas=}}
{{Documento|data=1836|título=Episódio da Infernal Comédia ou Da Minha Viagem ao Inferno|galeria=|progresso=|gênero=Poemas|notas=}}
{{Documento|data=1836|título=[[Suspiros poéticos e saudades (1865)|Suspiros Poéticos e Saudades]]|galeria=Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu|exportar=Suspiros poéticos e saudades (1865)|progresso=4|gênero=Poemas|notas=}}
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{{Documento|data=1841|título=Olgiato|galeria=Tragedias (Gonçalves de Magalhães, 1865).djvu|progresso=|gênero=Teatro|notas=}}
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{{Documento|data=1856|título=A Confederação dos Tamoyos|galeria=A Confederação dos Tamoyos.pdf|exportar=A Confederação dos Tamoyos|progresso=4|gênero=Poemas|notas=}}
{{Documento|data=1858|título=Fatos do Espírito Humano|galeria=Factos do espirito humano (1865).djvu|progresso=|gênero=Ensaios|notas=}}
{{Documento|data=1858|título=Os Mistérios|galeria=|progresso=|gênero=Poemas|notas=}}
{{Documento|data=1859|título=Biografia do Padre-mestre Frei Francisco de Monte Alverne|galeria=|progresso=|gênero=Biografia|notas=}}
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{{Documento|data=1864|título=Cantos Fúnebres|galeria=Canticos funebres (1864).djvu|progresso=|gênero=Poemas|notas=}}
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{{Documento|data=1880|título=Comentários e Pensamentos|galeria=|progresso=|gênero=Miscelânia|scan={{esl|https://catalog.hathitrust.org/Record/100511250}}|notas=}}
{{Lista de documentos final}}
=== Em Periódicos ===
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{{Documento|data=1836|título=Discurso sobre a História da Literatura do Brasil|galeria=|progresso=|gênero=Ensaios|scan= |notas=In: ''[[Nitheroy]]''}}
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{{Documento|data=1837|título=Novo Episódio de Uma Viagem ao Outro Mundo|galeria=|progresso=|gênero=Poema|scan= |notas=In: ''[[Jornal dos Debates]]''}}
{{Documento|data=1848|título=A Revolução da Província do Maranhão desde 1839 até 1840|galeria=|progresso=|scan= |gênero=Ensaio|notas=In: ''[[Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro]]''}}
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{{Lista de documentos final}}
=== Periódicos ===
{{Lista de documentos início}}
{{Documento|data=1836|título=Nitheroy|galeria=Nitheroy, Revista Brasiliense N01.pdf|progresso=|gênero=|notas=Com [[Autor:Araújo Porto Alegre|Araújo Porto Alegre]] e [[Autor:Francisco de Sales Torres Homem|Francisco de Sales Torres Homem]]}}
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{{Lista de documentos final}}
=== Coleções ===
{{Volumes de Obras de D. J. G. de Magalhaens (Garnier)}}
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{{controle de autoridade}}
{{DEFAULTSORT:Magalhães, Gonçalves de}}
[[Categoria:Autores cariocas]]
[[Categoria:Gonçalves de Magalhães| ]]
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__NOINDEX__<div class="mw-content-ltr" lang="en" dir="ltr">{{#babel:ko|en-3|pt-0}} [[File:Revi wikimedia image.jpg|thumb|center|middle|If you are here to talk about CommonsDelinker removing a deleted image, please [[:c:User talk:Revi C.|go here]].]]
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__NOINDEX__<div class="mw-content-ltr" lang="en" dir="ltr">[[File:Revi logo (pink).png|thumb|center|<span style="color:red">PLEASE DO NOT LEAVE MESSAGE HERE!</span>]]
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<br />
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Máximo de 8 obras. Adicione as novas no topo, abaixo do mês em que foram adicionadas, e realoque as de baixo para o arquivo abaixo.
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<!--Agosto 2026-->
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{{Novidade|Da Terra á Lua|Júlio Verne|tradutor=Henrique de Macedo|1874|imagem=Da Terra á Lua.pdf{{!}}page=3}}
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<!--Junho 2026-->
{{Novidade|Narizinho Arrebitado (1ª edição)|Monteiro Lobato|1921|imagem=Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf{{!}}page=1|mostrar=Narizinho Arrebitado}}
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{{Novidade|Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação/Volume 21/O Legado de Aaron Swartz|Fabiano Couto Corrêa da Silva|2023|imagem=O Legado de Aaron Swartz.pdf{{!}}page=1|mostrar=O Legado de Aaron Swartz|nowiki=yes}}
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{{Novidade|Revista Archai/Volume 34/Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|[[Autor:Platão|Platão]]|2024|imagem=Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão.pdf{{!}}page=1|mostrar=Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|tradutor=Fernanda Israel Pio, Gabriele Cornelli e Agatha Pitombo Bacelari|nowiki=yes}}
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{{Novidade|Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|Charles Darwin|1903|imagem=Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf{{!}}page=214|mostrar=O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|tradutor=Alfredo de Carvalho}}
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{{Novidade|O Cruzeiro (Revista)/Ano I/Nº I/10 de novembro de 1928/A Éra das Forças Hydraulicas|Ferdinando Labouriau|1928|imagem=O Cruzeiro (1928 - N001).pdf{{!}}page=29|mostrar=A Éra das Forças Hydraulicas: Uma Visão do Anno 2000}}
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<!--Fevereiro 2026-->
{{Novidade|A Wikimedia no Brasil|Vários|2025|imagem=A wikimedia no Brasil - o poder e os desafios do conhecimento livre.pdf{{!}}page=3}}
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<noinclude>
==Arquivo de 2025==
<!-- Adicione as entradas no topo da lista-->
<!--Novembro 2025-->
{{Novidade|Historia das invenções (4ª edição)|Monteiro Lobato|1944|mostrar=Historia das invenções|imagem=Historia das invenções.pdf{{!}}page=7}}
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{{Novidade|O Imperio Brazileiro|Oliveira Lima|1927|imagem=O imperio brazileiro.pdf{{!}}page=7}}
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{{Novidade|A Sciencia do Bom Homem Ricardo|Benjamin Franklin|1864|imagem=Franklin - A Sciencia do bom homem (1864).pdf{{!}}page=3}}
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{{Arquivo das novidades no acervo}}<!--Adicione o mês anterior quando tudo estiver abaixo do ==Arquivo de 2025==-->
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|Autor=[[Autor:Gonçalves de Magalhães|Gonçalves de Magalhães]]
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[[Categoria:Originais de edições impressas em 1865]]
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Autor:Henrique Alexandre Monat
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=== Testes ===
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=== Links úteis ===
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* [https://bndigital.bn.gov.br/acervodigital/ Biblioteca Nacional do Brasil]
* [https://bndigital.bnportugal.gov.pt/colecoes Biblioteca Nacional de Portugal]
* [https://bdlb.bn.gov.br/?lang=en Biblioteca Digital Luso-Brasileira]
* [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/1/browse?type=dateissued&sort_by=3&order=DESC&rpp=100&etal=0&submit_browse=Atualizar Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin]
* [https://archive.org/details/books?sort=-publicdate&and%5B%5D=language%3A%22Portuguese%22&and%5B%5D=year%3A%5B1+TO+1930%5D Internet Archive] {{sc|''Configurado para aparecer só obras em português, publicadas antes (ou durante) de 1930''}}
* [https://catalog.hathitrust.org/Search/Home?filter%5B%5D=publishDateTrie%3A%5B%2A%20TO%201930%5D&fqor-language%5B%5D=Portuguese&fqor-format%5B%5D=Book&fqor-format%5B%5D=Dictionaries&fqor-format%5B%5D=Encyclopedias&page=1&pagesize=100&ft=ft HathiTrust] {{sc|''Configurado para aparecer só obras em português, publicadas antes (ou durante) de 1930''}}
* [https://www.jstor.org/site/catholic-university/oliveira-lima-library/?so=item_title_str_asc&searchkey=1741715876613&efqs=eyJjdHkiOlsiWTI5dWRISnBZblYwWldSZlltOXZhM009Il19 Biblioteca Oliveira Lima]
* [https://literaturabrasileira.ufsc.br/?locale=pt_BR Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos]
* [https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/4/discover?filtertype_1=type&filter_relational_operator_1=equals&filter_1=Obra+rara&rpp=20&sort_by=dc.date.issued_dt&order=asc Biblioteca do Senado Federal - Obras Raras]
* [https://bibdig.biblioteca.unesp.br/home Biblioteca Digital UNESP]
* [https://www.obrasraras.fiocruz.br/ Obras Raras (Fiocruz)]
* [https://app.docvirt.com/bibliotecaruibarbosa/pageid/11378 Biblioteca Digital Rui Barbosa]
* [https://rubi.casaruibarbosa.gov.br/ Repositório Rui Barbosa]
* [https://app.docvirt.com/cordelfcrb/pageid/54242 Literatura de Cordel]
* [https://redememoria.bn.gov.br/redeMemoria/handle/20.500.12156.2/1 Rede Memória]
* [https://app.docvirt.com/bma_lista Biblioteca Mário de Andrade]
* [https://bibdigital.bot.uc.pt/index.php?menu=11&language=pt&tabela=indices_index Biblioteca Digital de Botânica]
* [https://rnod.bnportugal.gov.pt/rnod/ Registro Nacional de Objetos Digitais]
* [https://bdor.sibi.ufrj.br/handle/doc/4 Biblioteca Digital de Obras Raras (UFRJ)]
* [https://doweb.rio.rj.gov.br/ Diário Oficial do Rio de Janeiro]
* [https://app.docvirt.com/livrossp/pageid/26759 Obras Raras sobre São Paulo]
* [https://am.uc.pt/items Universidade de Coimbra]
* [https://midiateca.es.gov.br/site/acervo/?perpage=12&view_mode=records&paged=1&order=ASC&orderby=date&fetch_only=thumbnail&fetch_only_meta=14%2C91%2C103%2C52 Midiateca Capixaba]
* [https://hemeroteca2.cultura.sc.gov.br/docreader/docmulti.aspx?bib=acervo Hemeroteca Digital Catarinense]
* [https://onlinebooks.library.upenn.edu/search.html The Online Book Page]
* [https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/ Hemeroteca Digital de Lisboa]
* [https://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/ Hemeroteca Digital Brasileira]
* [https://www.digitale-sammlungen.de/en/search?query=&sortField=NONE&filter=language_bib%3A%22pt%22 MDZ]
* [https://gallica.bnf.fr/services/engine/search/sru?operation=searchRetrieve&exactSearch=false&collapsing=true&version=1.2&query=(dc.language%20all%20%22por%22)%20and%20(dc.type%20all%20%22monographie%22)%20and%20(gallicapublication_date%3E=%221000%22%20and%20gallicapublication_date%3C=%221929%22)&suggest=10&keywords= Gallica]
=== Páginas para incluir digitalização ===
[[O primo Basílio]] → [[Galeria:O primo Basílio (1900).djvu]]
[[História do Futuro]] → [[Galeria:Historia do futuro v.1 (1855).pdf]]
[[Comentários sobre a Guerra Gálica]] → [[Galeria:Commentarios de Caio Julio Cesar (1863).pdf]]
[[Contra Ápio]] → [[Galeria:Works Translated by William Whiston.djvu]]
[[Diário Íntimo (Lima Barreto)]] → [https://archive.org/details/barreto-l.-diario-intimo_202302/page/n1/mode/2up Internet Archive]
[[Gética]] → [[s:en:Index:The origin and deeds of the Goths in English version.djvu]]
[[Estatuto da Ordem dos Advogados]] → [https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Di%C3%A1rio_da_Rep%C3%BAblica_n._18-2005_(S%C3%A9rie_I-A).pdf Commons]
[[Cartilha Maternal]] → [https://purl.pt/145 Biblioteca Nacional de Portugal]
[[Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção]] → [https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/corrupcao/convencao.html Site das Nações Unidas]
[[Memória sobre a ilha Terceira]] → [https://www.culturacores.azores.gov.pt/biblioteca_digital/MEMORIA-ILHATERCEIRA/MEMORIA-ILHATERCEIRA_item1/index.html?page=278 Site Cultura Açores]
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{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|T|2em}}al como o caçador afadigado,
Depois de em vão correr ingratos montes,
Si alfim vê bello passaro que pousa
:::Sobre um tronco do bosque,
Alegre e duvidoso a arma prepara;
E quando cuida já que é presa sua,
Manso o vê que se escapa, e que desliza
Nos leves ares co’ as talhantes plumas,
Triste desesperado á casa volta;
Ou como terno amante, que de longe
O bem amado avista, passeando
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No jardim de seus pais; contente investe,
Já em doces idéas engolfado;
:::E quando perto chega,
E cuida ir desfructar gratos momentos;
Ella modesta e temerosa, os olhos
Brandamente volvendo, se retira,
:::E o malfadado deixa
Entregue á dôr, carpindo-se saudoso;
Assim eu, oh bellissima Suissa,
Vi teus montes, teus bosques de pinheiros,
Teus campos ferteis co’ o suor dos homens;
Vi teu lago tranquillo, onde se espelha,
De cima desse throno de alabastro<ref>O Monte Branco.</ref>,
O sol, mal que amanhece faiscante.
Assim joven guerreiro de ouro armado,
No polido pavez attento se olha,
E contempla seu garbo, antes que sáia
A discorrer os campos, coruscante.
Vi a tua cidade de Genebra,
Tão linda como o lirio juncto d’agua,
Tão graciosa como pura virgem,
Que a roca empunha, e que meneia o fuso.
}}<noinclude>{{reflist}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|337}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
Vi-te, e meu coração portas abria
:::Ao prazer fugitivo,
Que mais ligeiro corre que o teu Rhódano.
Alma alegria a mente me orvalhava,
:::Tão secca de pezares;
E a saudade da Patria que me punge,
Como que adormecida, menos dura,
:::A farpa descançava.
Esquecido de mim, do meu destino,
Começava a gozar-te; — e já me foges!
Mas si tu de meus olhos despareces,
Desenhada na mente a imagem tua,
Jamais consentirei que se esvaêça.
Oh Suissa, oh Genebra, oh paiz livre!
Culta Scythia da Europa, sólo honrado
Pelos Euler, Rousseau, Haller, e Géssner,
Recebe inda este adeos de um estrangeiro;
E praza ao céo que o ultimo não seja,
Que a ti volte, e te veja uma, e mais vezes.
}}
::{{x-smaller|Genebra, 11 de Oitubro de 1834.}}
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wikitext
text/x-wiki
__NOTOC__
== [[File:Flag of Brazil.svg|18px]] Brasileiros ==
{{Div col|3}}
=== Século XVI ===
* {{A|Ambrósio Fernandes Brandão}} (c. 1555 - c. 1618) {{100%}}
* {{A|Bento Teixeira}} (c. 1561 - c. 1618) {{100%}}
* {{A|Frei Vicente do Salvador}} (1564 - c. 1636) {{100%}}
=== Século XVII ===
* {{A|Antônio Vieira}} (1608 - 1697) {{075%}}
* {{A|Nuno Marques Pereira}} (1625 - 1728) {{100%}}
* {{A|Gregório de Matos}} (1636 - 1696) {{075%}}
* {{A|Manuel Botelho de Oliveira}} (1636 - 1711) {{100%}}
* {{A|André João Antonil}} (1649 - 1716) {{100%}}
* {{A|Sebastião da Rocha Pita}} (1660 - 1738) {{100%}}
* {{A|Manuel de Santa Maria}} (c. 1668 - c. 1730) {{100%}}
=== Século XVIII ===
* {{A|Matias Aires}} (1705 - 1763) {{100%}}
* {{A|Teresa Margarida da Silva e Orta}} (1711 - 1793) {{100%}}
* {{A|Gaspar da Madre de Deus}} (1715 - 1800) {{100%}}
* {{A|Santa Rita Durão}} (1722 - 1784) {{100%}}
* {{A|Cláudio Manuel da Costa}} (1729 - 1789) {{100%}}
* {{A|Domingos Caldas Barbosa}} (1740 - 1800) {{100%}}
* {{A|Basílio da Gama}} (1741 - 1795) {{100%}}
* {{A|Alvarenga Peixoto}} (1744 - 1792) {{100%}}
* {{A|Tomás Antônio Gonzaga}} (1744 - 1810) {{100%}}
* {{A|Manuel Inácio da Silva Alvarenga}} (1749 - 1814) {{100%}}
* {{A|José da Silva Lisboa}} (1756-1835) {{075%}}
* {{A|Sousa Caldas}} (1762 - 1814) {{075%}}
* {{A|Francisco Carlos Teixeira da Silva}} (1763 - 1829) {{100%}}
* {{A|José Bonifácio}} (1763 - 1838) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Jacinto Nogueira da Gama|Manuel Jacinto Nogueira da Gama]] (1765 - 1847)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco Vilela Barbosa|Francisco Vilela Barbosa]] (1769 - 1846)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Saturnino da Costa Pereira|José Saturnino]] (1771 - 1852)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Andrada Machado|Andrada Machado]] (1773 - 1845)
* {{A|Mariano José Pereira da Fonseca}} (1773 - 1848) {{100%}}
* {{A|Hipólito da Costa}} (1774 - 1823) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Martim Francisco Ribeiro de Andrada|Martim Francisco]] (1775 - 1844)
* {{A|Frei Caneca}} (1779 - 1825) {{075%}}
* {{A|Beatriz Brandão}} (1779 - 1868) {{100%}}
* {{A|Januário da Cunha Barbosa}} (1780 - 1846) {{100%}}
* {{A|Diogo Antônio Feijó}} (1784 - 1843) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco do Monte Alverne|Francisco de Mont'Alverne]] (1784 - 1858)
* {{A|José Inácio de Abreu e Lima}} (1794 - 1869)
* {{A|Evaristo da Veiga}} (1799 - 1837) {{100%}}
* {{A|Odorico Mendes}} (1799 - 1864)
=== Século XIX ===
* {{A|Araújo Porto Alegre}} (1806 - 1879) {{100%}}
* {{A|Ana Eurídice Eufrosina de Barandas}} (1806 - 1863) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teófilo Ottoni|Teófilo Ottoni]] (1807 - 1869)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Paula Brito|Paula Brito]] (1809 - 1861)
* {{A|Nísia Floresta}} (1810 - 1885) {{100%}}
* {{A|Gonçalves de Magalhães}} (1811 - 1882) {{075%}}
* {{A|Teixeira e Sousa}} (1812 - 1861) {{100%}}
* {{A|Francisco de Sales Torres Homem}} (1812 - 1876) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Justiniano José da Rocha|Justiniano José da Rocha]] (1812 - 1862)
* {{A|João Lisboa}} (1812 - 1863)
* {{A|Martins Pena}} (1815 - 1848) {{100%}}
* {{A|Francisco Adolfo de Varnhagen}} (1816 - 1878) {{100%}}
* {{A|João Manuel Pereira da Silva}} (1817 - 1898) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Violante Bivar e Velasco|Violante Bivar e Velasco]] (1817 - 1875)
* {{A|Joaquim Manuel de Macedo}} (1820 - 1882)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Tristão de Alencar Araripe|Tristão de Alencar Araripe]] (1821 - 1908)
* {{A|Maria Firmina dos Reis}} (1822 - 1917)
* {{A|Gonçalves Dias}} (1823 - 1864)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ana Luísa de Azevedo Castro|Ana Luísa de Azevedo Castro]] (1823 - 1869)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Agostinho Marques Perdigão Malheiro (filho)|Agostinho Marques Perdigão Malheiro (filho)]] (1824 - 1881)
* {{A|Bernardo Guimarães}} (1825 - 1884)
* {{A|Francisco Otaviano}} (1825 - 1889)
* {{A|Dom Pedro II}} (1825 - 1891)
* {{A|Laurindo Rabelo}} (1826 - 1864)
* {{A|Augusto Emílio Zaluar}} (1826 - 1882)
* {{A|Adélia Fonseca}} (1827 - 1920)
* {{A|Aureliano José Lessa}} (1828 - 1861) {{100%}}
* {{A|Joaquim Felício dos Santos}} (1828 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Henriques Leal|Antônio Henriques Leal]] (1828 - 1885)
* {{A|José de Alencar}} (1829 - 1877)
* {{A|Qorpo Santo}} (1829 - 1883)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Angélica Ribeiro|Maria Angélica Ribeiro]] (1829 - 1880)
* {{A|Luís da Gama}} (1830 - 1882)
* {{A|Álvares de Azevedo}} (1831 - 1852)
* {{A|Manuel Antônio de Almeida}} (1831 - 1861)
* {{A|Junqueira Freire}} (1832 - 1855)
* {{A|Sousândrade}} (1833 - 1902) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teixeira de Melo|Teixeira de Melo]] (1833 - 1907)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Soriano de Souza|José Soriano de Souza]] (1833 - 1895)
* {{A|Luís Delfino}} (1834 - 1910)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisca Senhorinha da Motta Diniz|Francisca Senhorinha da Motta Diniz]] (1834 - 1910)
* {{A|Quintino Bocaiúva}} (1836 - 1912)
* {{A|César Zama}} (1837 - 1906)
* {{A|Couto de Magalhães}} (1837 - 1898)
* {{A|França Júnior}} (1838 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:André Rebouças|André Rebouças]] (1838 - 1898)
* {{A|Casimiro de Abreu}} (1839 - 1860)
* {{A|Tobias Barreto}} (1839 - 1889)
* {{A|Machado de Assis}} (1839 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Luís Pereira de Sousa|Pedro Luís Pereira de Sousa]] (1839 - 1884)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernesto Carneiro Ribeiro|Ernesto Carneiro Ribeiro]] (1839 - 1920)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Pereira Barreto|Luís Pereira Barreto]] (1840 - 1923)
* {{A|Fagundes Varela}} (1841 - 1875)
* {{A|Salvador de Mendonça}} (1841 - 1913)
* {{A|Franklin Távora}} (1842 - 1888)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Américo|Pedro Américo]] (1843 - 1905)
* {{A|Visconde de Taunay}} (1843 - 1899)
* {{A|José Carlos Rodrigues}} (1844 - 1923)
* {{A|Alexandre José de Melo Morais Filho}} (1844 - 1919)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Augusto Ferreira|Carlos Augusto Ferreira]] (1844 - 1913)
* {{A|Júlio Ribeiro}} (1845 - 1890)
* {{A|Guimarães Júnior}} (1845 - 1898)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ramiz Galvão|Ramiz Galvão]] (1846 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carneiro Vilela|Carneiro Vilela]] (1846 - 1913)
* {{A|Castro Alves}} (1847 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Vieira Fazenda|José Vieira Fazenda]] (1847 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos de Laet|Carlos de Laet]] (1847 - 1927)
* {{A|Araripe Júnior}} (1848 - 1911)
* {{A|Joaquim Nabuco}} (1849 - 1910)
* {{A|Ruy Barbosa}} (1849 - 1923)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho|Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho]] (1850 - 1898)
* {{A|Adelina Lopes Vieira}} (1850 - 1922)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ferreira Leal|Ferreira Leal]] (1850 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Artur de Oliveira|Artur de Oliveira]] (1851 - 1882)
* {{A|Domingos Olímpio}} (1851 - 1906) {{100%}}
* {{A|Manuel Querino}} (1851 - 1923)
* {{A|Sílvio Romero}} (1851 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Josefina Álvares de Azevedo|Josefina Álvares de Azevedo]] (1851 - 1913)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Emília Bandeira de Melo|Emília Bandeira de Melo]] (1852 - 1910)
* {{A|Narcisa Amália}} (1852 - 1924)
* {{A|Emília Moncorvo Bandeira de Melo}} (1852 - 1910)
* {{A|Capistrano de Abreu}} (1853 - 1927)
* {{A|Inglês de Sousa}} (1853 - 1918)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Benedita Bormann|Maria Benedita Bormann]] (1853 - 1895)
* {{A|Rodolfo Teófilo}} (1853 - 1932)
* {{A|Inês Sabino}} (1853 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Revocata Heloísa de Melo|Revocata Heloísa de Melo]] (1853 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Anália Franco|Anália Franco]] (1853 - 1919)
* {{A|José do Patrocínio}} (1854 - 1905)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teófilo Dias|Teófilo Dias]] (1854 - 1889)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lúcio de Mendonça|Lúcio de Mendonça]] (1854 - 1909)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Miguel Lemos|Miguel Lemos]] (1854 - 1917)
* {{A|Artur de Azevedo}} (1855 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Emília Freitas|Emília Freitas]] (1855 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Urbano Duarte de Oliveira|Urbano Duarte de Oliveira]] (1855 - 1902)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Julieta de Melo Monteiro|Julieta de Melo Monteiro]] (1855 - 1928)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teixeira Mendes (filósofo)|Teixeira Mendes]] (1855 - 1927)
* {{A|Teodoro Sampaio}} (1855 - 1937)
* {{A|Fontoura Xavier}} (1856 - 1922)
* {{A|Aluísio Azevedo}} (1857 - 1913)
* {{A|José Veríssimo}} (1857 - 1916)
* {{A|Alberto de Oliveira}} (1857 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Filinto de Almeida|Filinto de Almeida]] (1857 - 1945)
* {{A|Rocha Pombo}} (1857 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Horácio de Carvalho|Horácio de Carvalho]] (1857 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Paula Ney|Paula Ney]] (1858 - 1897)
* {{A|Adelino Fontoura}} (1859 - 1884)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bernardino Lopes|Bernardino Lopes]] (1859 - 1916)
* {{A|Raimundo Correia}} (1859 - 1911)
* {{A|Valentim Magalhães}} (1859 - 1903)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Clóvis Beviláqua|Clóvis Beviláqua]] (1859 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Leolinda Daltro|Leolinda Daltro]] (1859 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luiza Leonardo|Luiza Leonardo]] (1859 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto de Lima (político)|Augusto de Lima]] (1859 - 1934)
* {{A|João Ribeiro}} (1860 - 1934)
* {{A|Eduardo Prado}} (1860 - 1901)
* {{A|Afonso Celso}} (1860 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio da Silva Jardim|Antônio da Silva Jardim]] (1860 - 1891)
* {{A|Cruz e Sousa}} (1861 - 1898)
* {{A|Manuel de Oliveira Paiva}} (1861 - 1892)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Xavier Marques|Xavier Marques]] (1861 - 1942)
* {{A|Luís Murat}} (1861 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Amélia Rodrigues|Amélia Rodrigues]] (1861 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Xavier Marques|Xavier Marques]] (1861 - 1942)
* {{A|Raimundo de Farias Brito}} (1862 - 1917)
* {{A|Júlia Lopes de Almeida}} (1862 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Domício da Gama|Domício da Gama]] (1862 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fausto Cardoso|Fausto Cardoso]] (1862 - 1906)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lindolfo Rocha|Lindolfo Rocha]] (1862 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Nina Rodrigues|Nina Rodrigues]] (1862 - 1906)
* {{A|Catulo da Paixão Cearense}} (1863 - 1946)
* {{A|Raul Pompeia}} (1863 - 1895) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gonzaga Duque|Gonzaga Duque]] (1863 - 1911)
* {{A|Virgílio Várzea}} (1863 - 1941)
* {{A|Coelho Neto}} (1864 - 1934)
* {{A|Pardal Mallet}} (1864 - 1894)
* {{A|Tito Lívio de Castro}} (1864 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fábio Luz|Fábio Luz]] (1864 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Andradina de Oliveira|Andradina de Oliveira]] (1864 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alberto Torres|Alberto Torres]] (1865 - 1917)
* {{A|Olavo Bilac}} (1865 - 1918)
* {{A|João Simões Lopes Neto}} (1865 - 1916)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alcindo Guanabara|Alcindo Guanabara]] (1865 - 1918)
* {{A|Euclides da Cunha}} (1866 - 1909)
* {{A|Emiliano Perneta}} (1866 - 1921)
* {{A|Vicente de Carvalho}} (1866 - 1924)
* {{A|Emílio de Meneses}} (1866 - 1918)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rodrigo Otávio|Rodrigo Otávio]] (1866 - 1944)
* {{A|Rego Monteiro}} (1866 - 1952) {{100%}}
* {{A|João Marques de Carvalho}} (1866 - 1910)
* {{A|Adolfo Caminha}} (1867 - 1897) {{100%}}
* {{A|Medeiros e Albuquerque}} (1867 - 1934) {{100%}}
* {{A|Oliveira Lima}} (1867 - 1928) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Mário Pederneiras|Mário Pederneiras]] (1867 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Passos|Guimarães Passos]] (1867 - 1909)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Presciliana Duarte de Almeida|Presciliana Duarte de Almeida]] (1867 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Passos|Guimarães Passos]] (1868 - 1909)
* {{A|Graça Aranha}} (1868 - 1931) {{100%}}
* {{A|Afonso Arinos}} (1868 - 1916)
* {{A|Manuel Bonfim}} (1868 - 1932)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Sales|Antônio Sales]] (1868 - 1940)
* {{A|Nestor Vítor}} (1868 - 1932)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Rabelo|Pedro Rabelo]] (1868 - 1905)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Júlia Cortines|Júlia Cortines]] (1868 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Max Fleiuss|Max Fleiuss]] (1868 - 1943)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Figueiredo Pimentel|Figueiredo Pimentel]] (1869 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Chrysanthème|Chrysanthème]] (1869 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Gastão d'Escragnolle Dória|Luís Gastão d'Escragnolle Dória]] (1869 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Dario Persiano de Castro Vellozo|Dario Persiano de Castro Vellozo]] (1869 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Liberato Bittencourt|Liberato Bittencourt]] (1869 - 1948)
* {{A|Adherbal de Carvalho}} (1869 - 1915)
* {{A|Paulo Prado}} (1869 - 1943)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Zeferino Brasil|Zeferino Brasil]] (1870 - 1942)
* {{A|Alphonsus de Guimaraens}} (1870 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Osório Duque-Estrada|Osório Duque-Estrada]] (1870 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Péthion de Villar|Péthion de Villar]] (1870 - 1924)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lívio Barreto|Lívio Barreto]] (1870 - 1895)
* {{A|Francisca Júlia}} (1871 - 1920)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Paes de Barros|Maria Paes de Barros]] (1871 - 1952)
* {{A|Alberto Rangel}} (1871 - 1945)
* {{A|Mário de Alencar}} (1872 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Batista Cepelos|Batista Cepelos]] (1872 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Faria Neves Sobrinho|Faria Neves Sobrinho]] (1872 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Silveira Neto|Silveira Neto]] (1872 - 1942)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Valdomiro Silveira|Valdomiro Silveira]] (1873 - 1941)
* {{A|Laudelino Freire}} (1873 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rodolfo Garcia|Rodolfo Garcia]] (1873 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Valdomiro Silveira|Valdomiro Silveira]] (1873 - 1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul Pederneiras|Raul Pederneiras]] (1874 - 1953)
* {{A|Henrique Castriciano de Sousa}} (1874 - 1947)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Dias Fernandes|Carlos Dias Fernandes]] (1874 - 1942)
* {{A|Amadeu Amaral}} (1875 - 1929)
* {{A|Afrânio Peixoto}} (1876 - 1947) {{100%}}
* {{A|Auta de Souza}} (1876 - 1901)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manoel Arão|Manoel Arão]] (1876 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alcides Maia|Alcides Maia]] (1878 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Celso Vieira de Matos Melo Pereira|Celso Vieira]] (1878 - 1954)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Marcelo Gama|Marcelo Gama]] (1878 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maranhão Sobrinho|Maranhão Sobrinho]] (1879 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Félix Pacheco|Félix Pacheco]] (1879 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Artur de Sales|Artur de Sales]] (1879 - 1952)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Everardo Backheuser|Everardo Backheuser]] (1879 - 1951)
* {{A|Albertina Bertha}} (1880 - 1953) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jonas da Silva|Jonas da Silva]] (1880 - 1947)
* {{A|Elysio de Carvalho}} (1880- 1925)
* {{A|Lima Barreto}} (1881 - 1922)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Maria Goulart de Andrade|José Maria Goulart de Andrade]] (1881 - 1936)
* {{A|João do Rio}} (1881 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Azevedo Amaral|Azevedo Amaral]] (1881 - 1942)
* {{A|Monteiro Lobato}} (1882 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Oliveira Viana|Oliveira Viana]] (1883 - 1951)
* {{A|Augusto dos Anjos}} (1884 - 1914)
* {{A|Godofredo Rangel}} (1884 - 1954)
* {{A|Martins Fontes}} (1884 - 1937) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roquette-Pinto|Roquette-Pinto]] (1884 - 1954)
* {{A|Antônio Francisco da Costa e Silva}} (1885 - 1950)
* {{A|Antônio Torres}} (1885 - 1934)
* {{A|Pedro Kilkerry}} (1885 - 1917)
* {{A|Humberto de Campos}} (1886 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernani Rosas|Ernani Rosas]] (1886 - 1955)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Lacerda de Moura|Maria Lacerda de Moura]] (1887 - 1945)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hermes Fontes|Hermes Fontes]] (1888 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roberto Simonsen|Roberto Simonsen]] (1889 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cásper Líbero|Cásper Líbero]] (1889 - 1943)
* {{A|Oswald de Andrade}} (1890 - 1954) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Felipe Daudt de Oliveira|Felipe Daudt de Oliveira]] (1890 - 1933)
* {{A|Jackson de Figueiredo}} (1891 - 1928) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ercília Nogueira Cobra|Ercília Nogueira Cobra]]
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eduardo Guimarães|Eduardo Guimarães]] (1892 - 1928)
* {{A|Graciliano Ramos}} (1892 - 1953) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Juó Bananére|Juó Bananére]] (1892 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jorge de Lima|Jorge de Lima]] (1893 - 1953)
* {{A|Mário de Andrade}} (1893 - 1945)
* {{A|Ronald de Carvalho}} (1893 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Leonel Franca|Leonel Franca]] (1893 - 1948)
* {{A|Paulo Setúbal}} (1893 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hugo de Carvalho Ramos|Hugo de Carvalho Ramos]] (1895 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul de Leoni|Raul de Leoni]] (1895 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alceu de Freitas Wamosy|Alceu de Freitas Wamosy]] (1895 - 1923)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ranulpho Prata|Ranulpho Prata]] (1896 - 1942)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Galeão Coutinho|Galeão Coutinho]] (1897 - 1951)
* {{A|Rodrigues de Abreu}} (1897 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Virgílio de Melo Franco|Virgílio de Melo Franco]] (1897 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eugênia Álvaro Moreyra|Eugênia Álvaro Moreyra]] (1898 - 1948)
=== Século XX ===
* {{A|Antonieta de Barros}} (1901 - 1952)
* {{A|Alcântara Machado}} (1901 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Alphonsus|João Alphonsus]] (1901 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carmen Cinira|Carmen Cinira]] (1902 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Arthur Ramos|Arthur Ramos]] (1903 - 1949)
== Futuramente ==
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Basílio de Magalhães|Basílio de Magalhães]] (1874 - 1957) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2028)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bastos Tigre|Bastos Tigre]] (1882 - 1957) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2028)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Lins do Rego|José Lins do Rego]] (1901 - 1957) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2028)}}
* {{A|Afonso d'Escragnolle Taunay}} (1876 - 1958) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2029)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cornélio Penna|Cornélio Penna]] (1896 - 1958) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2029)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Olegário Mariano|Olegário Mariano]] (1889 - 1958) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2029)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Abílio Barreto|Abílio Barreto]] (1883 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gastão Cruls|Gastão Cruls]] (1888 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gustavo Barroso|Gustavo Barroso]] (1888 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lúcia Miguel Pereira|Lúcia Miguel Pereira]] (1901 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Otávio Tarquínio de Sousa|Otávio Tarquínio de Sousa]] (1889 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pagu|Pagu]] (1910 - 1962) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2034)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ribeiro Couto|Ribeiro Couto]] (1898 - 1963) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2034)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Álvaro Moreyra|Álvaro Moreyra]] (1888 - 1964) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2035)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cecília Meireles|Cecília Meireles]] (1901 - 1964) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2035)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Frederico Schmidt|Augusto F. Schmidt]] (1906 - 1965) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2036)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Carneiro Leão|Antônio Carneiro Leão]] (1906 - 1966) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2037)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Rosa|Guimarães Rosa]] (1908 - 1967) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2038)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lúcio Cardoso|Lúcio Cardoso]] (1912 - 1968) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2039)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Bandeira|Manuel Bandeira]] (1886 - 1968) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2039)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guilherme de Almeida|Guilherme de Almeida]] (1890 - 1969) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2040)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Álvaro Lins|Álvaro Lins]] (1912 - 1970) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2041)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Meyer|Augusto Meyer]] (1902 - 1970) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2041)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cassiano Ricardo|Cassiano Ricardo]] (1895 - 1974) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2045)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Murilo Mendes|Murilo Mendes]] (1901 - 1975) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2046)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carolina Maria de Jesus|Carolina Maria de Jesus]] (1914 - 1977) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2048)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Clarice Lispector|Clarice Lispector]] (1920 - 1977) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2048)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Geraldo Vieira|José Geraldo Vieira]] (1897 - 1977) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2048)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Otto Maria Carpeaux|Otto Maria Carpeaux]] (1900 - 1978) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2049)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Otávio de Faria|Otávio de Faria]] (1900 - 1980) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2051)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Dinah Silveira de Queiroz|Dinah Silveira de Queiroz]] (1911 - 1982) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2053)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sérgio Buarque de Holanda|Sérgio Buarque de Holanda]] (1902 - 1982) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2053)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alceu Amoroso Lima|Alceu Amoroso Lima]] (1893 - 1983) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2054)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Drummond de Andrade|Carlos Drummond de Andrade]] (1902 - 1987) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2058)}}
{{Div col fim}}
== [[File:Flag of Portugal.svg|18px]] Portugueses ==
{{Div col|3}}
=== Século XIV ===
* {{A|Fernão Lopes}} (c. 1385 - c. 1460)
* {{A|Duarte de Portugal}} (1391 - 1438)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra|D. Pedro de Portugal, Duque de Coimbra]] (1392 - 1449)
=== Século XV ===
* {{A|Gomes Eanes de Zurara}} (c. 1410 - c. 1474)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro de Coimbra, Condestável de Portugal|Pedro de Coimbra]] (1429 - 1466)
* {{A|Rui de Pina}} (c. 1440 - c. 1522)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Duarte Galvão|Duarte Galvão]] (1446 - 1517)
* {{A|Gil Vicente}} (c. 1465 – c. 1536)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Duarte Pacheco Pereira|Duarte Pacheco Pereira]] (1465 - 1533)
* {{A|Garcia de Resende}} (c. 1470 - 1536)
* {{A|Sá de Miranda}} (1481 - 1558)
* {{A|Bernardim Ribeiro}} (c. 1482 - c. 1552)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gaspar Correia|Gaspar Correia]] (c. 1492 - c. 1563)
* {{A|João de Barros}} (1496 - 1570)
=== Século XVI ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pantaleão de Aveiro|Frei Pantaleão de Aveiro]] (séc. XVI)
* {{A|André de Resende}} (c. 1500 - 1573)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brás de Albuquerque|Brás de Albuquerque]] (c. 1500 - 1581)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fernão Lopes de Castanheda|Fernão Lopes de Castanheda]] (c. 1500 - 1559)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Moraes Cabral|Francisco de Moraes Cabral]] (c. 1500 - 1572)
* {{A|Garcia de Orta}} (c. 1500 - 1568)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Martim Afonso de Sousa|Martim Afonso de Sousa]] (c. 1500 - 1564)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Samuel Usque|Samuel Usque]] (c. 1500 - c. 1560)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Damião de Góis|Damião de Góis]] (1502 - 1574)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gonçalo Annes Bandarra|Gonçalo Annes Bandarra]] (c. 1502 - c. 1556)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Galvão|António Galvão]] (c. 1503 - 1557)
* {{A|Jerónimo Osório}} (1506 - 1580)
* {{A|Fernão de Oliveira}} (1507 - c. 1581)
* {{A|Fernão Mendes Pinto}} (c. 1510 - 1583)
* {{A|Jorge Ferreira de Vasconcelos}} (c. 1515 - c. 1585)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Holanda|Francisco de Holanda]] (1517 - 1584)
* {{A|Manuel da Nóbrega}} (1517 - 1570)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Ribeiro Chiado|António Ribeiro Chiado]] (c. 1520 - 1591)
* {{A|Pedro de Andrade Caminha}} (c. 1520 - 1589)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gaspar Frutuoso|Gaspar Frutuoso]] (1522 - 1591)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Baltazar Dias|Baltazar Dias]] (c. 1524 - c. 1600)
* {{A|Luís Vaz de Camões}} (c. 1524 - 1580)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Ferreira|António Ferreira]] (1528 - 1569)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei Heitor Pinto|Frei Heitor Pinto]] (c. 1528 - c. 1584)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jerónimo Corte-Real|Jerónimo Corte-Real]] (c. 1530 - c. 1588)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Amador Arrais|Amador Arrais]] (c. 1530 - 1600)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Duarte Nunes de Leão|Duarte Nunes de Leão]] (c. 1530 - 1608)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Fróis|Luís Fróis]] (1532 - 1597)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José de Anchieta|José de Anchieta]] (1534 - 1597)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Agostinho Pimenta|Agostinho Pimenta]] (1540 - 1619)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Andrade|Francisco de Andrade]] (c. 1540 - 1614)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pero de Magalhães Gândavo|Pero de Magalhães Gândavo]] (c. 1540 - c. 1580)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Pereira Brandão|Luís Pereira Brandão]] (c. 1540 - c. 1590)
* {{A|Diogo do Couto}} (c. 1542 - 1616)
* {{A|Miguel Leitão de Andrada}} (c. 1553 - 1630)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei Luís de Sousa|Frei Luís de Sousa]] (c. 1555 - 1632)
* {{A|Ambrósio Fernandes Brandão}} (c. 1555 - c. 1618)
* {{A|Bernardo de Brito}} (1569 - 1617)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gabriel Pereira de Castro|Gabriel Pereira de Castro]] (1571 - 1632)
* {{A|Francisco Rodrigues Lobo}} (1580 - 1622)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Brandão|António Brandão]] (1584 - 1637)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel de Faria e Sousa|Manuel de Faria e Sousa]] (1590 - 1649)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jacinto Freire de Andrade|Jacinto Freire de Andrade]] (1597 - 1657)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brás Garcia de Mascarenhas|Brás Garcia de Mascarenhas]] (1596 - 1656)
=== Século XVII ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Sá de Meneses|Francisco de Sá de Meneses]] (c. 1600 - 1664)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Violante do Céu|Violante do Céu]] (1601 - 1693)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António de Sousa de Macedo|António de Sousa de Macedo]] (1606 - 1682)
* {{A|Francisco Manuel de Melo}} (1608 - 1666)
* {{A|Jerónimo Baía}} (c. 1620 - 1688)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei António das Chagas|Frei António das Chagas]] (1631 - 1682)
* {{A|Mariana Alcoforado}} (1640 - 1723)
* {{A|Manuel Bernardes}} (1644 - 1710)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco Xavier de Meneses|Francisco Xavier de Meneses]] (1673 - 1743)
* {{A|António Caetano de Sousa}} (1674 - 1759)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Diogo Barbosa Machado|Diogo Barbosa Machado]] (1682 - 1772)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bernardo Gomes de Brito|Bernardo Gomes de Brito]] (1688 - c. 1760)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Nunes Ribeiro Sanches|António Nunes Ribeiro Sanches]] (1699 - 1782)
=== Século XVIII ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António José da Silva|António José da Silva]] (1705 - 1739)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Dinis da Cruz e Silva|António Dinis da Cruz e Silva]] (1731 - 1799)
* {{A|Filinto Elísio}} (1734 - 1819)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Anastácio da Cunha|José Anastácio da Cunha]] (1744 - 1787)
* {{A|Tomás Antônio Gonzaga}} (1744 - 1810)
* {{A|Bocage}} (1765 - 1805)
* {{A|Curvo Semedo}} (1766 - 1838)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de São Luís Saraiva|Francisco de São Luís Saraiva]] (1766 - 1845)
* {{A|José Agostinho de Macedo}} (1761 - 1831)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Maria da Costa e Silva|José Maria da Costa e Silva]] (1788 - 1854)
* {{A|Almeida Garrett}} (1799 - 1854)
* {{A|António Feliciano de Castilho}} (1800 - 1875)
=== Século XIX ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luz Soriano|Luz Soriano]] (1802 - 1891)
* {{A|Alexandre Herculano}} (1810 - 1877)
* {{A|João de Lemos}} (1819 - 1890)
* {{A|José da Silva Mendes Leal}} (1820 - 1886)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Augusto Rebelo da Silva|Luís Augusto Rebelo da Silva]] (1822 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João de Andrade Corvo|João de Andrade Corvo]] (1824 - 1890)
* {{A|Camilo Castelo Branco}} (1825 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Pedro Lopes de Mendonça|António Pedro Lopes de Mendonça]] (1826 - 1865)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Soares de Passos|Soares de Passos]] (1826 - 1860)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Arnaldo Gama|Arnaldo Gama]] (1828 - 1869)
* {{A|Raimundo António de Bulhão Pato}} (1828 - 1912)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernesto Biester|Ernesto Biester]] (1829 - 1880)
* {{A|João de Deus}} (1830 - 1896)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Júlio César Machado|Júlio César Machado]] (1835 - 1890)
* {{A|Ramalho Ortigão}} (1836 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Cardoso Vieira de Castro|José Cardoso Vieira de Castro]] (1837 - 1872)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Penha|João Penha]] (1838 - 1919)
* {{A|Júlio Dinis}} (1839 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fernando Caldeira|Fernando Caldeira]] (1841 - 1894)
* {{A|Pinheiro Chagas}} (1842 - 1895)
* {{A|Antero de Quental}} (1842 - 1891)
* {{A|Teófilo Braga}} (1843 - 1924)
* {{A|Luciano Cordeiro}} (1844 - 1900)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guiomar Torresão|Guiomar Torresão]] (1844 - 1898)
* {{A|Joaquim Pedro de Oliveira Martins}} (1845 - 1894)
* {{A|Eça de Queirós}} (1845 - 1900)
* {{A|Joaquim Pedro de Oliveira Martins}} (1845 - 1894)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sousa Viterbo|Sousa Viterbo]] (1845 - 1910)
* {{A|António Cândido Gonçalves Crespo}} (1846 - 1883)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rafael Bordalo Pinheiro|Rafael Bordalo Pinheiro]] (1846 - 1905)
* {{A|Adolfo Coelho}} (1847 - 1927)
* {{A|Maria Amália Vaz de Carvalho}} (1847 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Gomes Leal|António Gomes Leal]] (1848 - 1921)
* {{A|Francisco Teixeira de Queirós}} (1848 - 1919)
* {{A|Alberto Pimentel}} (1849 - 1925)
* {{A|Guerra Junqueiro}} (1850 - 1923)
* {{A|Gervásio Lobato}} (1850 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís de Magalhães|Luís de Magalhães]] (1850 - 1924)
* {{A|Venceslau de Morais}} (1854 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Gonçalves Zarco da Câmara|João Gonçalves Zarco da Câmara]] (1855 - 1908)
* {{A|Cesário Verde}} (1855 - 1886)
* {{A|Abel Botelho}} (1854 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Marcelino Mesquita|Marcelino Mesquita]] (1856 - 1919)
* {{A|Fialho de Almeida}} (1857 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sampaio Bruno|Sampaio Bruno]] (1857 - 1915)
* {{A|Leite de Vasconcelos}} (1858 - 1941)
* {{A|António Feijó}} (1859 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alfredo Gallis|Alfredo Gallis]] (1859 - 1910)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Teixeira Gomes|Manuel Teixeira Gomes]] (1860 - 1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Francisco Trindade Coelho|José Francisco Trindade Coelho]] (1861 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brito Camacho|Brito Camacho]] (1862 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Nobre|António Nobre]] (1867 - 1900)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul Brandão|Raul Brandão]] (1867 - 1930)
* {{A|Camilo Pessanha}} (1867 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alice Moderno|Alice Moderno]] (1867 - 1946)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eugénio de Castro|Eugénio de Castro]] (1869 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Gil|Augusto Gil]] (1870 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roberto de Mesquita|Roberto de Mesquita]] (1871 - 1923)
* {{A|Ana de Castro Osório}} (1872 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Malheiro Dias|Carlos Malheiro Dias]] (1875 -1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Duro|José Duro]] (1875 - 1899)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Laranjeira|Manuel Laranjeira]] (1877 - 1912)
* {{A|Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos}} (1877 - 1952)
* [[w:Visconde de Vila-Moura|Visconde de Vila-Moura]] (1877 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Afonso Lopes Vieira|Afonso Lopes Vieira]] (1878 - 1946)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Patrício|António Patrício]] (1878 - 1930)
* {{A|Alfredo Pimenta}} (1882 - 1950)
* {{A|Leonardo Coimbra}} (1883 - 1936)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Albino Forjaz de Sampaio|Albino Forjaz de Sampaio]] (1884 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hipólito Raposo|Hipólito Raposo]] (1885 - 1953)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Sardinha|António Sardinha]] (1887 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fidelino de Figueiredo|Fidelino de Figueiredo]] (1888 - 1967)
* {{A|Fernando Pessoa}} (1888 - 1935)
* {{A|Mário de Sá-Carneiro}} (1890 - 1916)
* {{A|Florbela Espanca}} (1894 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Soeiro Pereira Gomes|Soeiro Pereira Gomes]] (1909 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Maria Lisboa|António Maria Lisboa]] (1928 - 1953)
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|Notas=A obra está organizada em várias secções que cobrem a presença lexical portuguesa em cerca de cinquenta idiomas asiáticos. O volume inicia com uma Dedicatória, um Parecer de Gonçalves Viana, um Mapa Linguístico, seguidos de um Prefácio e uma Introdução. Segue-se a Bibliografia, Relação Alfabética, Ordem das Línguas, Abreviaturas e, por fim, o Vocabulário, listado de A a Z. Inclui ainda um Suplemento, uma Lista Geral dos Vocábulos Portugueses Introduzidos em Línguas Asiáticas e Contidos no Vocabulário, Listas Particulares dos Vocábulos Portugueses de Cada uma das Línguas, Erratas e Aditamentos, Índice.
|Sumário={{Page:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/350}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|6|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>tanto quanto fôsse possível, sem lhe ser util de graça, o que seria rematada estupidez. Postas as cousas neste pé, é facil vêr que se caminhava indubitavelmente para a ruina, e não era preciso ser bruxo para se adivinhar que a perda da nacionalidadé não se faria esperar. Esta ideia, longe de contristar aquela gente pervertida, enchia de regosijo. ¿Que lhes importava a eles a independência? Nada. O bem estar individual é que era necessario garantir. Mas, como toda a regra tem excepção, havia naquele pais um rapazinho de 15 annos, que fôra educado no campo por um velho cura da aldeia, e, longe das más companhias da sociedade, crescia na admiração dos mártires do cristianismo e até daqueles que, pagãos, ti-
nham cultivado o bem e o belo. O santo velho que o educava, dizia-lhe sorrindo:
― Filho, o homem está nos actos e não nas palavras ¿Que serve falar bem e proceder mal? Não prometas a Deus ser bom porque podes não ter ânimo de cumprir a promessa e faltarás á tua palavra; mas empenha-te em exceder em bondade o teu semelhante para lhe sêres mais prestavel a êle do que êle a ti e, sem nada prometer procura cumprir mais do que se tivesses prometido. A liberdade valoriza a acção: sê livre e serás grande e bom. Não te deixes arrastar pelas ideias alheias. Lembra-te de que Deus nos tornará responsável dos próprios actos e nos deu razão e consciência para examinar os próprios erros. ¿De que serve o perdão alheio se a nossa própria<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|87|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>de arrumar o projectil. Gallo e gallinhas tudo foi de novo engaiolado. Porém, quando tratavam dʼestes arranjos, tiveram Barbicane e os dois companheiros clara percepçāo de um novo phenomeno. Desde o momento em que tinham largado da Terra,
tanto o peso dʼelles, como o da bala e de todos os objectos que
continha, tinham, ido diminuindo progressivamente. E se em relaçāo ao projectil nāo podiam os viajantes verificar a perda do
peso, forçosamente havia de chegar a occasiāo em que tal effeito se lhes havia de tornar sensivel no que dizia respeito a
elles proprios e aos utensilios e instrumentos de que faziam uso.
Escusado é dizer que uma balança ordinaria nāo podia indicar tal diminuiçāo, porque o peso que servisse para pesar os
objectos havia de perder exactamente o mesmo que o proprio
objecto; porém, por meio de uma balança de mola, por exemplo,
cuja tensāo é independente da attracçāo, obter-se-ia a avaliaçāo
exacta dʼaquella perda.
Sabido é que a attracçāo, ou por outra a gravidade, é proporcional as massas e está na rasāo inversa do quadrado das distancias. Dʼahi vem a seguinte consequencia: Se a Terra existisse só no espaço, se se anniquilassem de subito todos os outros
corpos celestes, o projectil haveria de pesar, segundo a lei de
Newton, tanto menos quanto mais afastado estivesse da Terra,
mas sem nunca perder inteiramente o peso, porque a attracçāo
terrestre sempre havia de tornar-se sensivel, qualquer que fosse a distancia.
Mas, no caso presente forçosamente havia de vir um momento em que o projectil nāo havia de estar sujeito ás leis da gravidade, abstraindo dos corpos celestes, cuja acçāo se podia
considerar nulla.
E, na verdade, a trajectoria do projectil estava traçada entre a Terra e a Lua. Ao passo que o projectil se ia afastando
da Terra, diminuia a attracçāo terrestre na rasāo inversa do
quadrado das distancias, mas crescia em compensaçāo a attracçāo lunar segundo a mesma lei. Havia portanto de chegar um
ponto em que, neutralisando-se as duas attracçōes, a bala nāo
pesasse.
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|88|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Se fôssem iguaes as massas da Lua e da Terra, este ponto
estaria a igual distancia dos dois astros. Porém, attendendo
á differença dʼestas massas, facil era calcular que o tal ponto
havia de estar situado aos 17/52 avos da viagem, ou, o que
é o mesmo, a setenta e oito mil cento e quatorze leguas da
Terra.
Nʼeste ponto, um corpo qualquer que nāo contivesse em si
proprio causa de velocidade ou deslocamento, havia de ficar lá
eternamente immovel, por ser igualmente attraido pelos dois
astros, e nada haver que o impellisse mais nʼum do que nʼoutro sentido.
Mas o projectil, suppondo que a força da impulsāo fôra calculada com rigor, deveria chegar áquelle ponto com velocidade
nulla, sem conservar indicio de gravidade, assim como todos os
objectos que iam dentro dʼelle.
Nʼestes termos que havia de acontecer? Verificar-se-ia uma
das tres seguintes hypotheses:
Ou o projectil, caso conservasse ainda uma certa velocidade
e transpozesse por conseguinte o ponto de igual attracçāo, havia de cair para a Lua em virtude do excesso da attracçāo lunar sobre a attracçāo terrestre;
Ou, caso lhes faltasse velocidade bastante para attingir o ponto de igual attracçāo, havia de voltar para a Terra em virtude
do excesso da attracçāo terrestre sobre a attracçāo lunar.
Ou, finalmente, caso fôsse animado de velocidade bastante
para attingir o ponto neutro, mas insufficiente para passar alem
dʼelle, havia de ficar eternamente suspenso nʼesse logar, á maneira do supposto tumulo de Mahomet, entre o zenith e o nadir.
Tal era a situaçāo, cujas consequencias Barbicane explicou
claramente aos companheiros de viagem.
O negocio era para elles de summo interesse. Mas como reconhecer se o projectil tinha ou nāo chegado ao tal ponto neutro situado a setenta e oito mil cento e quatorze leguas da
Terra?
Exactamente pela circumstancia de já nāo estarem submet-<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|89|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>tidos, nem os viajantes nem os objectos com elles encerrados
no projectil, á menor acçāo da gravidade.
Até áquelle momento os viajantes, apesar de terem percebido que a intensidade da gravidade ia diminuindo cada vez
mais, ainda nāo tinham reconhecido a falta absoluta da acçāo
dʼaquella força.
Mas nʼaquelle dia, pelas onze horas da manhā, Nicholl, que
deixára cair um copo da māo, observou que o copo em vez de
cair ficou como que suspenso no ar.
— Ah! exclamou Miguel Ardan, tambem temos o nosso bocadinho de physica recreativa!
E tratou logo de tirar todo o apoio a diversos objectos, taes
como armas, garrafas, etc., que apesar de abandonados a si
proprios, ficaram firmes e seguros, como que por milagre. Até
Diana, collocada no espaço por Miguel Ardan, reproduziu, aliás
sem trapaça, a maravilhosa suspensāo aerea inventada pelos
Caston e pelos Robert-Houdin. E é de ver que a cadella nem
parecia dar pelo caso; fluctuava no ar sem que tal percebesse.
Até os proprios tres audazes companheiros, arrastados para
as regiōes do maravilhoso, sentiam, surprehendidos, estupefactos, apesar de todos os raciocinios scientificos, que nos corpos lhes faltava a gravidade. Se estendiam um braço, nada lhʼo
impellia para baixo. A cabeça vacillava-lhes entre os hombros.
Os pés já se lhes nāo seguravam no fundo do projectil. Estavam como ebrios a quem falta a estabilidade. Creou a phantasia homens que nāo tinham imagem reflexa; outros que nāo
tinham sombra! Mas aqui a realidade, pela neutralisaçāo das
forças attractivas, fizera homens, a quem nada pesava, e que
elles proprios nāo tinham peso!
De subito Miguel, dando um salto, largou do fundo, e ficou
em suspensāo no ar como o monge da ''Cosinha dos Anjos'' de
Murillo. Passado um instante já os dois amigos estavam como
elle, e figuravam todos tres, no centro do projectil, uma ascensāo miraculosa.
— Pois isto será crivel! será verosimil? será ao menos pos-<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>Por isto verão os leitores que bom coração tinha este digno rapaz.
Uma tarde, estava êle deitado na terra lendo os feitos heroicos do grande general que tornara independente o seu paiz, depois de longa e aturada escravidão e, emquanto lia lançava de espaço a espaço um olhar vigilante ás ovelhas que estava encarregado de apascentar. Pareceu-lhe que uma délas, a mais branca e bonita, ao aproximar-se da beira da agua, recuára assustada como se tivesse visto qualquer cousa que a impedisse de beber.
Cuidadoso e cumpridor do seu dever, Guilherme poisou o livro na relva e, cravando no chão o pau ferrado, ergueu-se e foi vêr o que tinha impedido o animal de beber. Mas ao chegar ao sítio onde estava a ovelha, recuou, não menos atemorisado do que éla.
Comtudo, passando as mãos pelos olhos e fazendo um grande esforço de vontade, Guilherme aproximou-se de novo e debruçou-se sobre a corrente.
A agua tornara-se transparente a ponto de se vêrem as areias doiradas no fundo do rio e aí, sentada sob uma pedra musgosa, estava uma linda figura de mulher, vestida de branco, com bastos e sedosos cabelos, soltos ao longo das espáduas.
A cabeça pendia-lhe entre as mãos e os seus soluços eram fortes a ponto de a fazerem estremecer convulsivamente.
Tres vezes o pequeno pastor lhe perguntou inquieto:
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BlitzkriegBoop
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BlitzkriegBoop
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|cap=Não a deixarei ir embora... (Pag. 10)
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― Menina! menina! ¿o que tem?
Ela não respondeu, mas á terceira vez ergueu a<noinclude></noinclude>
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O homem forte
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O modesto varão constante e justo
Pensa e medita nas lições dos sábios
E nos caminhos da justiça eterna
Gradua firme os passos.
O brilho da sua lama não mareia
A luz do sol, nem do carvão se tisna;
Morre pelo dever, austero e crente,
Confessando a virtude.
Pode a calúnia denegrir seus feitos,
Negar-lhe a inveja o mérito subido;
Pode em seu dano conspirar-se o mundo
E renegá-lo a pátria!
Tão modesto no paço de Lóculo
Como encerrado no tonel do Grego,
Nem o transtorna a aragem da ventura,
Nem a desgraça o abate.
A tiranos preceitos não se humilha,
Ante o ferro do algoz não curva a fronte,
Não faz calar da consciência o grito,
Não nega os seus princípios.
Antes, seguro e firme e confiado
No tempo, vingador das injustiças,
Co’s pés no cadafalso e a vista erguida
Se mostra imperturbável.
Sofre mártir e expira! A pátria em torno
Do seu sepulcro o chora, onde a virtude,
Afeita ao luto e à dor, de novo carpe
Do justo a flébil morte!
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Kauã S. de Araújo
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O modesto varão constante e justo
Pensa e medita nas lições dos sábios
E nos caminhos da justiça eterna
Gradua firme os passos.
O brilho da sua lama não mareia
A luz do sol, nem do carvão se tisna;
Morre pelo dever, austero e crente,
Confessando a virtude.
Pode a calúnia denegrir seus feitos,
Negar-lhe a inveja o mérito subido;
Pode em seu dano conspirar-se o mundo
E renegá-lo a pátria!
Tão modesto no paço de Lóculo
Como encerrado no tonel do Grego,
Nem o transtorna a aragem da ventura,
Nem a desgraça o abate.
A tiranos preceitos não se humilha,
Ante o ferro do algoz não curva a fronte,
Não faz calar da consciência o grito,
Não nega os seus princípios.
Antes, seguro e firme e confiado
No tempo, vingador das injustiças,
Co’s pés no cadafalso e a vista erguida
Se mostra imperturbável.
Sofre mártir e expira! A pátria em torno
Do seu sepulcro o chora, onde a virtude,
Afeita ao luto e à dor, de novo carpe
Do justo a flébil morte!
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{{dhr}}</noinclude>cabeça, fitou nêle um demorado olhar, e, agitando as aguas com a mão, turvou-as a ponto de desaparecer aos olhos espantados do mancebo. Quando as aguas volveram á serenidade, a linda mulher loira já não estava no fundo do rio.
Guilherme recolheu o gado mais cêdo do que costumava e, logo que chegou a casa, contou ao seu bemfeitor o que presenceára. O cura escutou-o com um sorriso benevolo e, quando êle terminou disse-lhe:
― Isso, meu filho, não tem importância. Tens os nervos doentes, é o que é.
Mas no dia imediato, tendo-se repetido a mesma scena, Guilherme calou-se e resolveu adquirir a certeza de que não era uma alucinação dos sentidos, mas uma realidade.
Voltou ainda no outro dia e, em vez de perguntar «''Menina, menina ¿ o que tem?''» Lançou-se á agua e, agarrando a jovem pela cintura, trouxe-a para terra e pousou-a no chão junto duma arvore afirmando-lhe com doçura:
― Não a deixarei ir embora sem que me diga porque chora e quem é.
Ela limpou os olhos e, fitando o mancebo com interesse, volveu-lhe:
― Guardarás segrêdo de quanto te confiar? Juras?
― Senhora, as minhas palavras valem juramentos. Eu não sei mentir.
― Caso raro numa terra onde ninguém fala {{hífen|ver|verdade}}<noinclude></noinclude>
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Guilherme recolheu o gado mais cêdo do que costumava e, logo que chegou a casa, contou ao seu bemfeitor o que presenceára. O cura escutou-o com um sorriso benevolo e, quando êle terminou disse-lhe:
― Isso, meu filho, não tem importância. Tens os nervos doentes, é o que é.
Mas no dia imediato, tendo-se repetido a mesma scena, Guilherme calou-se e resolveu adquirir a certeza de que não era uma alucinação dos sentidos, mas uma realidade.
Voltou ainda no outro dia e, em vez de perguntar «''Menina, menina ¿o que tem?''» Lançou-se á agua e, agarrando a jovem pela cintura, trouxe-a para terra e pousou-a no chão junto duma arvore afirmando-lhe com doçura:
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Guilherme recolheu o gado mais cêdo do que costumava e, logo que chegou a casa, contou ao seu bemfeitor o que presenceára. O cura escutou-o com um sorriso benevolo e, quando êle terminou disse-lhe:
― Isso, meu filho, não tem importância. Tens os nervos doentes, é o que é.
Mas no dia imediato, tendo-se repetido a mesma scena, Guilherme calou-se e resolveu adquirir a certeza de que não era uma alucinação dos sentidos, mas uma realidade.
Voltou ainda no outro dia e, em vez de perguntar «''Menina, menina ¿o que tem?''» Lançou-se á agua e, agarrando a jovem pela cintura, trouxe-a para terra e pousou-a no chão junto duma arvore afirmando-lhe com doçura:
― Não a deixarei ir embora sem que me diga porque chora e quem é.
Ela limpou os olhos e, fitando o mancebo com interesse, volveu-lhe:
― ¿Guardarás segrêdo de quanto te confiar? Juras?
― Senhora, as minhas palavras valem juramentos. Eu não sei mentir.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|11}}
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{{dhr}}</noinclude>{{Hífen-fim|dade|verdade}}, onde se deturpam os factos ao sabor das conveniências individuaes, e onde a lei é letra morta.
― Dizeis muito mal da nossa terra, senhora, e bem que verdade seja o que dizeis, peza-me ouvi-lo, como pesa a um filho ouvir censurar a própria mãe.
― Tens razão. Pois bem, serei franca comtigo. Sinto que não me trairás. A terra que nos é mãe foi sempre a melhor do mundo; é productiva, é rica, saudavel, boa, numa palavra é perfeita; mas os seus filhos, a que chamam vulgarmente a ''nação'', fazem-na passar por tudo que não é, e ela, triste, abatida, vilipendiada, está em vésperas de cair nas mãos cubiçosas dos estrangeiros, que a pizarão sem amor, que a tratarão como um senhor trata a escrava.
― Nunca! bradou Guilherme impelido por uma força sobrenatural. Nunca, emquanto eu viver, o inimigo chamará sua á terrá de meus pais!
― Mas quem és tu? disse ela com ironia.
― Um pobre pequeno, um simples pastor... ¿Mas quem era Joana d'Arc?
― ¿Que podes tu só contra uma nação inteira?
― Senhora, a minha pequenez é grande e bem se mostra; mas a alma é vasta como o oceano e capaz de, como êle, cumprir grandes cousas. Em Portugal, paiz pequeno, mas altivo e nobre, alguêm houve também, ― não era humilde como eu, mas era um homem só, ― que, indignado, perguntou se haveria quem<noinclude></noinclude>
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― Dizeis muito mal da nossa terra, senhora, e bem que verdade seja o que dizeis, peza-me ouvi-lo, como pesa a um filho ouvir censurar a própria mãe.
― Tens razão. Pois bem, serei franca comtigo. Sinto que não me trairás. A terra que nos é mãe foi sempre a melhor do mundo; é productiva, é rica, saudavel, boa, numa palavra é perfeita; mas os seus filhos, a que chamam vulgarmente a ''nação'', fazem-na passar por tudo que não é, e ela, triste, abatida, vilipendiada, está em vésperas de cair nas mãos cubiçosas dos estrangeiros, que a pizarão sem amor, que a tratarão como um senhor trata a escrava.
― Nunca! bradou Guilherme impelido por uma força sobrenatural. Nunca, emquanto eu viver, o inimigo chamará sua á terrá de meus pais!
― Mas quem és tu? disse ela com ironia.
― Um pobre pequeno, um simples pastor... ¿Mas quem era Joana d'Arc?
― ¿Que podes tu só contra uma nação inteira?
― Senhora, a minha pequenez é grande e bem se mostra; mas a alma é vasta como o oceano e capaz de, como êle, cumprir grandes cousas. Em Portugal, paiz pequeno, mas altivo e nobre, alguêm houve também, ― não era humilde como eu, mas era um homem só, ― que, indignado, perguntou se haveria quem
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{{dhr}}</noinclude>{{smaller|<poem>....... por nenhum respeito
O proprio reino queira vêr sujeito?</poem>}}
«Canta-o lindamente, em sublimes oitavas, o grande Camões, que diz ainda:
{{smaller|<poem>E se com isto emfim vos não moverdes
Do penetrante mêdo que tomastes
Atai as mãos ao vosso vão receio,
Que eu só resistirei ao jugo alheio.</poem>}}
― ¿E resistiu?
― Sim, mas não só. A sua palavra inflamou o povo cuja coragem estava arrefécida por uma longa paz. Este homem era Nuno Alvares Pereira que foi ''um verdadeiro açoute'' para os castelhanos. Pois bem, será êle o meu modelo, irei busca-lo á historia desse paiz cuja grandeza assombra o mundo, e tenho fé, senhora, que, apesar de ser um pequeno pastor, terei forças para arrancar ás mãos do estrangeiro a independência da Patria. Agora, menina ou senhora ― não sei qual nome melhor vos caiba, tanta é a juventude e a majestade do vosso aspecto,― dizei-me: ¿quem sois?
Eu sou a alma desta terra que, sob a fórma infeliz dum corpo de mulher, procuro acordar no espírito dos bons o antigo amor que me tinham e que um mal entendido egoismo deixou findar. ¡Pois eu hei de me vêr calcada por estranhos, conquistada, escravisada! Eu que tinha orgulho em que a espada na mão<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>dos meus filhos era, depois do raio nas mãos de Deus, a arma mais terrivel do mundo! Mas vê a que cheguei! Ha tantos homens na terra e é junto de ti, criança, que eu venho dar espansão à minha dôr. Tomas gostosamente a missão de que eu não tinha ânimo de te encarregar. Vai e sê feliz! Dois dons apenas te posso conceder por agora. Não te deixar nunca prender sem te pôr imediatamente em liberdade e onde te convier, e fazer com que a morte te não procure emquanto andares ao meu serviço. Sempre que te vires ameaçado, exclama: ''Alma da terra em que nasci! acode aqui''. E serás promptamente socorrido por mim.
― ¿ Mas vêr-te-hei sempre sob esse aspecto?
― Sempre, quando eu precisar comunicar contigo. Adeus. Não te dou conselhos. Agora, espera. O meu filho Rio tem algumas cousas que te deseja oferecer, porque está convencido, ha muito, de que, sem elas, se não pode encaminhar bem no mundo qualquer causa.
Deu a mão a beijar ao camponez e desceu ao fundo do rio. As aguas turvaram-se, agitando-se muito e a fada loira desapareceu aos olhos encantados do mancebo, momentos depois, na margem do rio surgiram dois cavalos, uma armadura completa, fato, dois sacos com dinheiro e um pagem.
Como acordando dum sonho, Guilherme perguntou aflicto:
― E as ovelhas ? Que farei eu delas?
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― ¿Mas vêr-te-hei sempre sob esse aspecto?
― Sempre, quando eu precisar comunicar contigo. Adeus. Não te dou conselhos. Agora, espera. O meu filho Rio tem algumas cousas que te deseja oferecer, porque está convencido, ha muito, de que, sem elas, se não pode encaminhar bem no mundo qualquer causa.
Deu a mão a beijar ao camponez e desceu ao fundo do rio. As aguas turvaram-se, agitando-se muito e a fada loira desapareceu aos olhos encantados do mancebo, momentos depois, na margem do rio surgiram dois cavalos, uma armadura completa, fato, dois sacos com dinheiro e um pagem.
Como acordando dum sonho, Guilherme perguntou aflicto:
― E as ovêlhas ? Que farei eu delas?
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{{dhr}}</noinclude>Então uma voz suave e profunda, saíndo das entranhas da terra, exclamou:
― Se já antes de partir te prendes com as ovelhas
que fará ao surgirem obstaculos reaes? Quem não
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|cap=... surgiram dois cavalos... (Pag. 13)
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deixa tudo por mim, não é digno de ser chamado meu filho. As ovelhas continuarão a pastar e farão, sem ti, quanto dantes faziam. Não ha ninguem insubstituivel, crê. Quem tem de servir bem uma causa começa por lhe imolar o proprio coração.
Num relance a figura do cura, sentado á porta de casa a ler o breviario, passou saudosa ante o olhar {{hífen|la|lacrimoso}}<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>{{Hífen-fim|crimoso|lacrimoso}} do mancebo; mas sem hesitar vestiu os fatos que o pagem lhe estendia, cingiu a couraça, pôz o elmo e, ageitando as redeas, saltou sobre o soberbo cavalo como se fosse um provado cavaleiro e partindo a galope, bradou :
― Vamos pagem, mais vale ser um entre muitos do que não ser ninguem: ''tudo pela Patria! ''
E lançou á casa do cura um humido e saudoso olhar.
{{Asterismo}}
O nosso herói não ia arrependido, mas com a alma em pena, preocupado com a empreza que aceitára, no ardor do entusiasmo, sem bem lhe medir o alcance. Pensava, mau grado seu, no velho cura que aquela hora decerto interrogava anciosamente com a vista cansada a velha estrada romana pela qual, ao entardecer, êle costumava reconduzir as ovelhas ao redil. O coração compungia-se-lhe, e um remorso vivo, fazia-o lamentar não ter pedido ao velho que abençoasse a sua empreza e a aprovasse. Comtudo, a ''fada loira'', como êle chamava á ''alma da Patria'', parecia não aprovar esse acto; e êle embora lhe pasasse, não queria começar a faltar áquilo que julgáva o mais sagrado dever. ¿Procedia bem? Procedia mal?
É fóra de duvida que andava mal. Qualquer<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>causa, que nos chama a servi-la, é egoista sempre. Conta com a fraqueza humana e quer absorver inteiramente a individualidade de cada qual, com receio de perder um factor importante, por breve e insignificante que seja o seu papel.
Guilherme, desde o momento em que aceitara a dificil misssão, devia desempenha-la, mas não estava por isso desobrigado dos seus outros deveres. Devia ter reconduzido as ovelhas ao redil e pedido ao velho cura desculpa de ter, sem o ouvir, cedido á pressuasiva voz da bela mulher cuja figura o deslumbrava e a voz lhe apaixonava o espirito por tudo que de nobre e grande o exaltava a um mundo melhor. O desconhecimento de si proprio deu-lhe o receio de que o cura o esprobasse, e de ceder aos seus rogos e conselhos, se êle julgasse louca a empreza de ir só, sem outro apoio além do da propria consciência, tentar erguer da proxima ruina a Pátria querida, onde os seus olhos se abriram pela primeira vez á luz.
Emquanto estes raciocinios se debatiam no espirito do nosso jovem amigo, êle galopava sempre, e a noite caia lentamente, pesada e sombria, e o pagem notando-a observou-lhe:
― E já quasi noute cerrada, senhor. Bom seria procurar abrigo no castelo do principe Dórdio, cujas ameias se avistam do alto do proximo cerro.
― ¿Quem é o principe Dórdio, pagem?
― E' um alto senhor, dono de dezoito castelos e que póde por 2:000 homens em pé de guerra.
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{{dhr}}</noinclude>― ¿Como vive?
― Além da nobreza. Mas.. é um dos muitos que esqueceram o que devem á Pátria e querem um rei estrangeiro.
As faces do moço afoguearam-se.
― Aconselhas-me a que peça abrigo a um ser tão vil?
― Eu não ouso aconselhar-vos nada, senhor, visto que a alma da Pátria vos anima, mas parecia-me de boa política chamar ao vosso partido um varão de tanto poder e fama.
Bem. Tentarei consegui-lo. Eu afrouxo o andamento do meu cavalo, vai tu adiante e pede pousada para esta noite no castelo para Guilherme Bom e o seu pagem.
O gentil interlocutor do nosso heroi soltou redeas ao cavalo e partiu de mão baixa.
Guilherme, pensativo, seguiu a passo na mesma direcção, olhando enternecido as meias tintas do crepusculo que a noite começava a velar com negro veo. Roberto, como ao depois se chamara o jovem e lindo pagem de Guilherme, voltou dentro em pouco anunciando que o principe Dórdio recebia com muito prazer o jovem cavaleiro e o esperava para a ceia.
― Que tal é éle? perguntou Guilherme com certa timidez.
― Muito arrogante, mas de magnifica presença.
O coração do jovem pulsou mais apressado e pensou :
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― Eu não ouso aconselhar-vos nada, senhor, visto que a alma da Pátria vos anima, mas parecia-me de boa política chamar ao vosso partido um varão de tanto poder e fama.
Bem. Tentarei consegui-lo. Eu afrouxo o andamento do meu cavalo, vai tu adiante e pede pousada para esta noite no castelo para Guilherme Bom e o seu pagem.
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{{dhr}}</noinclude>― ¡Que louco fui em me encarregar de tão temerária empreza! ¿Como suportará um homem desta importância e linhagem as observações dum rústico como eu?
Fiel, porêm, ao plano traçado, atravessou a ponte levadiça, apeiou-se no pateo interior do castelo, e subiu a vasta escadaria de pedra fazendo tinir as esporas de ouro que lhe soavam aos ouvidos como um ruido estranho. Entrou na ampla quadra onde o principe Dórdio, em pé entre os fidalgos da sua casa, esperava com curiosidade a chegada do anunciado visitante.
Guilherme, de cabeça descoberta, adiantou-se e saudou o seu hospedeiro com elegancia e sem servilismo.
― Estou contente, cavaleiro, de sentar á minha mesa e abrigar sob o meu tecto um mancebo tão gentil.
― Agradeço-vos, senhor. Vossa alteza honra-me sobremaneira recebendo-me, e presta-me um grande favor, visto não haver pousadas nestas paragens.
― Bem, bem, para a mesa. Sentemo-nos, senhores.
A sôpa foi comida quasi em silêncio e pouco depois estabeleceu-se a conversa.
― Se não é indiscrição, perguntou o principe Dórdio, ¿para onde vos dirigis?
― Indiscrição nenhuma, eu não faço mistério {{hífen|al|algum}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|20|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|gum|algum}} das minhas intenções, apesar de ir cumprir um voto.
― ¡Ah! ¿ides á Terra Santa? perguntou o principe cada vez mais interessado.
― Não, meu senhor, vou levantar o espírito do povo da nossa terra, mostrar-lhe o que eramos antigamente, e o que somos agora. Provar-lhe que esta terra que nossos pais amaram, pela qual perderam o seu sangue, não pode estar á mercê do estrangeiro que, mais ousado, se atrever a lançar-lhe a mão.
Fez-se um silêncio breve e constrangido, porque todos os presentes conheciam quais as ideias do principe e bastas vezes lhe tinham ouvido apregoar que tanto he fazia que a terra em que nascêra fôsse independente, como que caisse nas mãos de estranhos, desde que lhe não mexessem na fortuna e lhe conservassem as regalias.
O principe, depois de segundos de reflexão, perguntou-lhe não sem tenue ironia:
― ¿E estais persuadido, mancebo, de que conseguireis tanto, apenas com a vossa bôa vontade?
― Estou, senhor, respondeu Guilherme com convicção. O amor da Pátria não acabou no coração dos seus filhos. ¿São muito egoistas todos? Não ha dúvida, são. Mas alguém que chegue ás portas de qualquer das nossas cidades e brade: «¡ Terra mãe de covardes!» E eu aposto que nenhuma espada ficará na bainha, e o amor da Pátria surgirá inérgico, impetuoso no coração de seus filhos.
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/25
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|21}}
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{{dhr}}</noinclude>― A um insulto ninguêm resiste. ¿Mas... quem
ousaria ?
― Por ora ninguêm, mas dentro em pouco... todos. Os principes ambiciosos e fortes pensarão que esta terra é fácil presa, e como ela não tem exército nem meios de defesa, como os seus filhos, longe de lhes serem amparo, são parasitas sugadores, pensarão que, mesmo sem lucta, apenas pelo suborno dos sêres que tanto desceram em dignidade própria, é-lhes fácil tornarem-se senhores duma formosa terra e escravisar justamente os homens que, possuindo tal joia, a não souberam guardar e defender.
Levado pelo calor da fé, peia sinceridade da convicção, a voz de Guilherme não formulava hypotheses, afirmava certezas.
Dominado, o principe Dórdio indagou.
― ¿Mas como pretende, meu gentil cavaleiro, obviar a tantas e crueis enfermidades que minam o organismo social?
― ¡E' tão fácil! Meu principe, desde que os homens se resolvam a ser honestos e desinteressados, a zelar como próprio o interesse alheio, e o bem dá comunidade, a pôr o sagrado amôr da Pátria logo abaixo do culto de Deus, o país tornar-se-á grande. Haverá exército: nenhum cidadão abdicará do direito de defender o lar da comunidade, porque, defendendo o direito colectivo, defende do melhor modo o individual, e a consciência da própria força é garantia sólida dum futuro próspero.
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{{dhr}}</noinclude>― ¿Por onde ides começar a vossa obra, cavaleiro?
― Pela proxima cidade, onde farei a propaganda patriótica que a decadência do espírito actual requere.
― Agouro-vos crueis dissabores e fortes dissenções.
― Não importa, principe. Eu tomei para modelo um dos muitos heróis portugueses cuja fama é imperecivel. Se o desejais direi em seu louvor.
― Escutarei com gosto o vosso canto.
― Eu não canto, senhor, tenho má voz. Mas direi com o coração o que tenho nalma gravado com respeito e veneração.
E erguendo-se, Guilherme apoiou-se à espalda da própria cadeira e com voz quente, comovida, e persuasiva, arrancou d'alma com fundo entusiasmo a poesia que segue.
Ao terminá-la todos estavam de pé e um «¡Bravo!» unisono, formado pelas vozes de todos os presentes, ribombou na abobada da sala fortemente, repercutindo-se ao longo dos inumeros corredores.
Guilherme entrára com o pé direito no castelo. Não fôra em vão que falára nas virtudes antigas ao desenfreado principe; e a visão nítida do futuro miserável e miserando que a seus olhos fez brilhar, predispozeram sua alteza a colher os frutos dos versos que o paladino da Pátria recitou.
Ei-los:
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/27
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{{dhr}}</noinclude>{{C|{{bl|{{x-larger|O Condestavel}}}}}}
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<poem>
Jás o povo, sem vontade,
Olvida ser português.
Quer o gozo, a ociosidade,.
Que tão mal sempre lhe fez.
O rei de Castela pede
O reino de Portugal,
Porque a filha ao pai sucede
E não ha direito igual.
Assim afirma, esquecendo
Que os homens rêzes não são,
E, que em corpo apodrecendo
Se acha pedaço ainda são:
Era João que, esforçado,
Tinha um ânimo de herói.
Era Nuno, féro e ousado,
Que a tal ideia se dói.
E olhando com desprezo
Até seus próprios irmãos,
Sente o peito á terra preso,
Mostra a espada, e mostra as mãos. </poem><noinclude></noinclude>
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Era João que, esforçado,
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Que os homens rêzes não são,
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O rei de Castela pede
O reino de Portugal,
Porque a filha ao pai sucede
E não ha direito igual.
Assim afirma, esquecendo
Que os homens rêzes não são,
E, que em corpo apodrecendo
Se acha pedaço ainda são:
Era João que, esforçado,
Tinha um ânimo de herói.
Era Nuno, féro e ousado,
Que a tal ideia se dói.
E olhando com desprezo
Até seus próprios irmãos,
Sente o peito á terra preso,
Mostra a espada, e mostra as mãos.
<br>
</poem>
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{{dhr}}</noinclude><poem>
― ¡¿Como?! pergunta pasmado,
¿Se encontra na nossa terra
Quem prefira, subjugado,
O reino, a partir para a guerra?
«¿Acaso não tendes já
«Mãos com que brandir as lanças
Ou nos homens já não ha
«Mais valor que nas crianças?
«Erguei de novo a cabeça,
«Quem só quer cama e conforto,
Pois pode ser que aconteça
Ficar sem ambos, e morto...
«Quem abdica a independência
«Da sua própria nação
«Nem mesmo em Deus tem clemência:
«Tão vil é de condição.
«Mas ficai, se assim vos praz,
«Por indolência ou receio.
«Que eu só me oporei á paz
«Firmada com jugo alheio.
«Ainda que a minha vida
«Seja prêço a tanto mal
«E' ganha e nunca perdida
«Se eu a der por Portugal.»</poem>
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― ¡¿Como?! pergunta pasmado,
¿Se encontra na nossa terra
Quem prefira, subjugado,
O reino, a partir para a guerra?
«¿Acaso não tendes já
«Mãos com que brandir as lanças
Ou nos homens já não ha
«Mais valor que nas crianças?
«Erguei de novo a cabeça,
«Quem só quer cama e conforto,
Pois pode ser que aconteça
Ficar sem ambos, e morto...
«Quem abdica a independência
«Da sua própria nação
«Nem mesmo em Deus tem clemência:
«Tão vil é de condição.
«Mas ficai, se assim vos praz,
«Por indolência ou receio.
«Que eu só me oporei á paz
«Firmada com jugo alheio.
«Ainda que a minha vida
«Seja prêço a tanto mal
«E' ganha e nunca perdida
«Se eu a der por Portugal.»
<br>
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Então o povo vencido
Por tão sensatas razões,
Provou que tinha entendido
De Nuno as justas lições.
E erguendo estridente grita
Brotada do coração,
Que em ondas e orgulho agita,
Quiz, e fez livre a nação.
</poem>
― Meu jovem cavaleiro, disse o principio Dórdio, estou-vos grato pela confiança e desasombro com que me exposestes as vossas opiniões e sentimentos, e podeis contar com o meu auxilio. Não só o meu braço estará prompto a coadjuvar-vos, mas até a minha bolsa.
Levantou-se na sala um grande alarido parecendo a Guilherme que todos aprovavam com grande satisfação as palavras do principe. A ceia prolongou-se até tarde, e quando terminou, o principe deu ordens ao intendente do castelo para que conduzisse os hospedes aos melhores aposentos.
Logo que o nosso herói ficou só com o pagem, que durante toda a refeição estivera em pé, atraz da sua cadeira e atento ao menor gesto, disse-lhe êste:
― Senhor, não vos fieis nas aparências nem vos entregueis ao sono. Os fidalgos de Dórdio estão furiosos convosco.
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{{dhr}}</noinclude>― ¡Mas mostraram tanto agrado ás resoluções do principe!...
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― ¡¿Acreditais isso?! Bem se vê que não tendes o hábito de lidar com cortezãos: são mais perfidos que as ondas do mar e, crêde-me, nada ha que {{hífen|admi|admirar}}<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|rar|admirar}} se, esta mesma noite, eles tentarem contra a vossa vida.
― ¿Em que lhes fiz eu mal, para se desejarem vingar?
― Tendes muito boa fé, senhor, e se vos não precaverdes sereis victima dela.
― A tua ama disse-me que enquanto a servisse com fé seria invulneravel.
― Perdão, senhor, o que a minha ama vos disse é que a vossa vida seria respeitada e não que o vosso corpo estaria á prova de tudo. Pode-se sofrer muito
sem morrer; uma cousa não obriga á outra. Ora os fidalgos desta casa vivem no gozo e no dispêndio sem medida de quanto lhes apetece; vós aconselhaste-lhes a ordem, o trabalho, o interesse do proximo, tudo quanto é adverso ás suas comodidades. Eles não só vos não perdoarão, mas tornar-vos-hão responsavel de quantos prejuizos lhes causardes.
― Bem, visto formares tão mau conceito dessa boa gente, não te obrigarei a repousar nem também tomarei para mim o descanso que a natureza me aconselha e, para evitar que o sono se apodere de nós, fala-me da tua ama. ¿Onde vive ela?
― Em toda a ilha, senhor. E' uma entidade enorme, impalpavel. Está em toda a parte, ouve quanto se diz, observa quanto se passa, e, de todas as criações de Deus, é uma das que mais sofre porque para ela não existem parte dos mistérios que existem para os homens. Assim, os nossos pensamentos egoistas, as<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>nossas dúvidas, as nossas revoltas, as nossas tenções, tudo lhe é conhecido. E ela, sabendo a baixeza da natureza humana, escuta-lhe os aplausos, os louvores, as hyperboles, impassivel. Não lhe é permitida a ilusão a ela, que vive com tristeza do conhecimento de todas as verdades, só pretende uma cousa: entregar a Deus, no fim das vidas, os seus filhos, sempre melhores, mais perfeitos, mais dignos de se dizerem seus filhos.
― E, dize-me, ¿a alma da Patria toma muita vez a forma humana? perguntou com curiosidade o cavaleiro.
― Apenas quando lhe é forçoso comunicar com os homens no próprio interesse dêles.
― ¿Mas não seria melhor que nos falasse de qual- quer ponto sem se mostrar?
― Parece que seria o mais simples, mas não é: A natureza humana é fraca e teme o sobrenatural. Em vez de se lhe aproximarem e de a escutarem fugiriam espavoridos se não podessem concretisar em qualquer figura o espírito que lhes falasse.
― ¿E que fazia ela ali no fundo do rio?
― Ela não estava no fundo do rio, aparentava estar para vos interessar e chamar a servi-la, ou antes, a servir-vos a vós, porque bem se serve quem serve a Pátria bem.
― ¿E quando eu a chamar ela aparece-me?
― Aparece. Mas não o deveis fazer senão em grave necessidade.
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{{dhr}}</noinclude>― ¿E tu quem és?
― ¿Eu?...
― ¡Sim, tu! ¿És um homem como eu?
― Não senhor, contudo sou tambêm seu filho.
― ¿E podes dizer-me com verdade a tua condição?
― Posso, se o não repetirdes. Sou a alma do rio ''Corre-corre'', o melhor e mais belo de todos que regam as terras da mãe Pátria.
― ¿Tens casa?
― Casa não. Tenho um palácio todo construido
de corais. As suas portas são de perolas enormes emuito raras, negras como o aço oxydado e polidas como êle. As paredes são da mais pura madre-perola, e os moveis de formoso granito estofado de algas vêrdes e viçosas e que as minhas águas vivificam constantemente. E os peixes raros e formosos são adornos mais encantadores do que as mais raras louças da terra. Plantas marinhas, de aspecto e formosura estranha, ornam os meus vastos jardins onde lindas sereias descansam brandamente balouçadas por águas limpidas mais transparentes que o vidro.
Guilherme ouvia-o encantado.
― ¿Que nome é o teu?
― Eu não tenho nome. Recebo aquele que me quizerdes dar.
― ¿Mas quem convive contigo como te chama?
― A nossa linguagem tem sons que não corres-
pondem a palavras.
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― ¡Sim, tu! ¿És um homem como eu?
― Não senhor, contudo sou tambêm seu filho.
― ¿E podes dizer-me com verdade a tua condição?
― Posso, se o não repetirdes. Sou a alma do rio ''Corre-corre'', o melhor e mais belo de todos que regam as terras da mãe Pátria.
― ¿Tens casa?
― Casa não. Tenho um palácio todo construido
de corais. As suas portas são de perolas enormes emuito raras, negras como o aço oxydado e polidas como êle. As paredes são da mais pura madre-perola, e os moveis de formoso granito estofado de algas vêrdes e viçosas e que as minhas águas vivificam constantemente. E os peixes raros e formosos são adornos mais encantadores do que as mais raras louças da terra. Plantas marinhas, de aspecto e formosura estranha, ornam os meus vastos jardins onde lindas sereias descansam brandamente balouçadas por águas limpidas mais transparentes que o vidro.
Guilherme ouvia-o encantado.
― ¿Que nome é o teu?
― Eu não tenho nome. Recebo aquele que me quizerdes dar.
― ¿Mas quem convive contigo como te chama?
― A nossa linguagem tem sons que não correspondem a palavras.
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BlitzkriegBoop
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|30|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>― Contudo eu gostava de ouvir o teu nome.
― Então estai atento:
E Guilherme ouviu dois sons muito semelhantes ao vai-vem das águas embatendo nas rochas.
― ¿E que significação se poderia dar a isso se o tivesses que dizer na nossa lingua?
― Nenhuma porque a não tem.
― ¿Então como é que falas comigo, me entendes e eu não posso perceber-te?
― Porque as criações do Senhor Supremo, á medida que são mais imperfeitas, menos entendem, e vós que pertenceis aos sêres animados, sois inferior a mim que sou, por assim dizer, um pedaço de mundo. ¡Oh! ¡se nós podessemos dizer o dó e o riso que nos causa ouvir as conversas humanas!
― ¿Então zombam de nós?
― ¡Oh! Não! A zombaria é um predicado que só nas almas humanas impera. Nós já somos superiores á zombaria. O nosso riso é indulgente e bom, assemelha-se ao do pai a quem o filho pequeno pergunta, na ignorância infantil, se a vida dura sempre, ou se toda a gente é boa, etc.
― Cala-te, pagem: Não ouviste ruído?
― Sim... creio que ouvi passos.
― Finjamos dormir.
― Finjamos... mas lembrai-vos, senhor, das recomendações da minha ama.
― Da linda fada loira... ¡Que pena tenho de que ela não seja realmente mulher!
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TiagoLubiana
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/* Problemática */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="2" user="TiagoLubiana" /></noinclude>Leonardo Motta
CANTADORES
(POESIA E LINGUAGEM DO SERTÃO CEARENSE)
1921
LIVRARIA CASTILHO
A. J. DE CASTILHO-EDITOR
Rua de S. José, 114 — Rio de Janeiro<noinclude></noinclude>
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TiagoLubiana
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text/x-wiki
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TiagoLubiana
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>Ninguém imagina como eu quero bem
a isto, como acho isto bonito! Este sol que
não se cansa de nos dar belleza e fartura
e dengue ás nossas mulheres, palavra que,
ás vezes, tenho vontade de o adorar porque é verdadeiramente um deus! Qual literatura! Si vocês querem poesia, mas poe-
sia de verdade, entrem no povo, mettam-se
por ahi, por esses rincões, passem uma
noite num rancho, á beira do fogo, entre violeiros, ouvindo trovas de desafio.
Chamem um cantador sertanejo, um desses caboclos destorcidos, de alpercatas e
chapêo de couro, e peçam-lhe uma cantiga. Então, sim.
Poesia é no povo. Poesia para mim
é agua em que se refresca a alma e esses
versinhos que por ahi andam, muito medidos, podem ser agua, mas de chafariz, para banhos mornos em bacia, com
sabonete inglez e esponja. Eu, para mim,
quero aguas fartas — rio que corra ou
mar que estronde. Bacia é para gente
mimosa e eu sou caboclo, filho da natureza, criado ao sol.
''Palavras de Sylvio Romero'' apud ''Coelho Netto no discurso de recepção de Osorio Duque Estrada na Academia Brasileira de Letras.''<noinclude></noinclude>
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TiagoLubiana
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text/x-wiki
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2026-08-01T18:14:15Z
TiagoLubiana
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>CANTADORES são os poetas populares que perambulam pelos sertões, cantando versos proprios e alheios; mórmente os que não desdenham ou temem o ''desafio'', peleja intellectual
em que, perante auditorio ordinariamente numeroso, são postos em evidencia os dotes de
improvização de dois ou mais vates matutos.
Os generos poeticos de que commummente se
soccorrem os cantadores são as «''obras'' de seis,
sete ou oito ''pés''», o ''moirão'', o ''martello'', a «''obra'' de nove por seis», a ''ligeira'', o ''quadrão'', o ''gabinete'', o ''galope'', a ''embolada'', e o «dez ''pés''
em ''quadrão''».
A «''obra'' de seis ''pés''» é a sextilha de versos de sete syllabas. ''Obra'' é qualquer estrophe; ''pé'' é o verso, a «linha».
O moirão pode ser de cinco ou sete pés.
É calcado em versos de sete syllabas e implica o desafio, pois é em forma dialogada. No
''moirão de cinco'' o cantador ''A'' profere um ver-
so; o cantador ''B'' diz outro; o cantador ''A'' canta, afinal, mais tres, perfazendo a ''obra''. Assim:
''A'' — Vamo cantá o moirão<noinclude></noinclude>
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2026-08-01T18:21:05Z
TiagoLubiana
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/* Revista */
557431
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>''B'' — Prestando toda attenção
''A'' — Que o moirão bem estudado
É obra que faz agrado
E causa sastifação.
No ''moirão de sete'' cada cantador diz inicialmente dois versos, em vez de um:
<poem>
''A'' — Vamo cantá o moirão
Para o povo apreciá.
''B'' — Me diga logo o assumpto
Em que nós vamo cantá.
''A'' — Meu collega, dê começo
Que eu apenas me offereço
Só mêrmo pra acompanhá.
</poem>
Uma «''obra'' de seis ''pés''»:
<poem>
Agora vêi-me á lembrança
Os ''passo'' do meu sertão:
Pomba de bando, aza branca,
Marreca, socó, carão,
Também o ''passo'' pombinha,
Arara e corrupião.
</poem>
Uma «obra de oito pés»:
<poem>
Gancho de pau é furquía,
Catombo de pau é nó,
A franga poz — é gallinha,
O fumo relado é pó,
Peitica cantou é chuva!
Pé de boi é mocotó,
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Cantadores (1921).djvu/15
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2026-08-01T18:25:03Z
TiagoLubiana
37847
/* Revista */
557432
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
Summo de canna é cachaça,
Pé de guela é gógó.
</poem>
O martello é o descante de toada rapida,
preferido para as pelejas violentas. É feito, geralmente, em décimas. Si a décima é de versos de cinco syllabas, chama-se ''embolada''; si de sete, «dez ''pés'' em ''quadrão''»; si de dez, ''gabinete''.
Uma ''embolada'':
<poem>
Sou cobra de veado,
Esturro de leão,
Fiz pauta c'o cão.
Mato envenenado,
Sou desembraçado,
Eu estrúo gente,
Sou que nem serpente.
Rife carregado...
Cantado lesado
Mato de repente.
</poem>
Um «dez ''pés'' em ''quadrão''»:
<poem>
A minha cadença é pouca
Mas se comprehende a fala...
Havendo briga na sala.
Furo até no céo da bocca!
Muita gente fica louca
Vendo eu mettido em questão...
Eu, desfoiando o facão,
Paz a ninguém eu não peço,
Eu viro gente ás avésso
Neste dez pés em quadrão.
</poem><noinclude></noinclude>
sx4cthstnuepy5kt6hz241yyqq98gdf
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>Um ''gabinete'':
<poem>
Sinhô dono da casa, dê licença
Para eu dá neste cabra em seu salão,
Fazê elle beijá a minha mão.
De joêio pedi a minha bença!
Deixe eu me espaiá, pois elle pensa
Que me atura uma hora no martello...
Hoje eu metto este bicho no cutello,
Do couro deste cabra eu faço manta
E deixo os ósso delle num farello.
</poem>
Afora estes tres generos de ''martello'', há
ainda o ''galope'', isto é, a sextilha de decasylla-
bos:
<poem>
Josué, o que isso? amansa, mano,
Que eu creio numa coisa é quando vejo...
Uma onça pra mim é uma pulga,
Um tubarão pra mim é um percevejo,
E um tiro de rife é caçoada,
É merenda de vim, de doce e queijo...
</poem>
A ''ligeira'' é a quadra bipartida, de versos
de sete syllabas, com a rima obrigatoria em
''á'' e precedida do refrão «''Ai, d-a dá''»). Quando
em vez de dois, se canta alternativamente só
um verso, é o ''quadrão'':
''Ligeira'':
<poem>
''A''—Ai, d-a dá!
Collega, pinique a pôlda
Si quizé me acompanhá.
</poem><noinclude></noinclude>
fcxejd52u5uw22k7g58e9adwl44koz2
Página:Cantadores (1921).djvu/17
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2026-08-01T18:32:02Z
TiagoLubiana
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>
<poem>
''B'' —Ai!
Essa minha bola véia
Quanto eu mais puxo mais dá...
</poem>
''Quadrão'':
<poem>
''A'' — Meu povo, preste attenção!
''B'' — Agora é que eu vou cantá...
''A'' — Eu vou te dá um ensino...
''B'' — Eu é que vou te aquetá...
</poem>
A «obra de nove por seis» é a estrophe
de nove versos, dos quaes seis têm sete syllabas; os tres restantes — o segundo, o quinto
e o oitavo — têm tres. Exemplo:
<poem>
Querendo mudá agora,
Sem demora
Noutra obra eu pego e vou!
O que eu quero é que tu diga
Que em cantiga
Eu sou formado Doutô!
Vamo mudá de toada.
Camarada,
Quero vê si és cantadô...
</poem>
Todos esses differentes generos de estrophes são cantados em toadas especiaes, que
evitam se tornem monotonas as justas poéticas dos rhapsodos sertanejos.
No ''desafio'' é que se solidam as reputações dos bardos populares. Todo cantador deve<noinclude></noinclude>
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TiagoLubiana
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>ser repentista: nem merece esse nome quem
não é adestrado nas improvizações.
Não é a quadra amorosa ou gracil o que
mais freqüentemente cai dos lábios de inculto
menestrel: é a sextilha petulante ou chistosa
dos longos e sensacionaes desafios.
Foi Araripe Júnior quem observou com
acerto a característica de nossa poesia popular,
apontando-a na «jogralidade, própria á vivacidade do caracter cearense e que, segundo Baptista Caetano, é oriunda dos tupys». Qualificando de ''simples desenfados humorísticos'' os
nossos romances sertanejos, Araripe graphou
uma verdade ainda hoje, ou talvez hoje mais,
observável, pois quem na actualidade estudar,
sem preconceitos de bairrismo, a poesia popular cearense chegará á conclusão de Carlos de
Koseritz, respeito aos gaúchos: — nós não te-
mos romances nem xacaras; a nossa poesia rústica é toda de versos fáceis, quadras amorosas e sextilhas brejeiras. Como, no Rio Grande do Sul, dos velhos romances portuguezes
só o da ''Nau Catharineta'' se conserva, e assim
mesmo mutilado, na memória do povo, no Ceará subsistem o ''Rabicho da Geralda'', o ''Boi Espado'', a ''Vacca do Burel'' e raros outros.
Morosamente embora, a Civilização tem penetrado as terras interiores, matando paulatinamente as velhas tradições que tanto encantaram os commentadores de nossa vida pritiva.<noinclude></noinclude>
5rbkld1hvhlh0m7ufvcoe77co4ds6fv
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>O CEGO SYMPHRONIO
Um dos cantadores mais espontâneos com
quem tive a fortuna de travar conhecimento foi
o cego cearense Symphronio Pedro Martins, nascido no ''Jaboty'', perto de Mecejana. Conheci-o
na Fortaleza e o tive, varias vezes, commigo,
fartando-me de notas interessantissimas sobre
o folk-lore do Nordeste, pois elle conhece palmo a palmo os sertões de todos os Estados
acossados pela sêcca.
Symphronio cegou quando tinha apenas um
anno de idade e, o que parecerá quasi incrivel,
raros cantadores encontrei com tão vasto cabedal
de romances, cantigas e desafios, tudo maravi-
lhosamente retido na memória fidelissima. É a
mulher do cégo repèntista que lhe lê, pacien-
temente, manuscriptos e folhetos até que elle
os consiga recitar.
O cégo Symphronio é, acima de tudo, pe-rito improvisador. Ao chegar, á primeira vez,
á minha çasa, elle cantou, com a naturalidade
de quem falava, estas sextilhas que eu annotei
tachygraphicamente:<noinclude></noinclude>
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TiagoLubiana
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>O CEGO SYMPHRONIO
Um dos cantadores mais espontâneos com
quem tive a fortuna de travar conhecimento foi
o cego cearense Symphronio Pedro Martins, nascido no ''Jaboty'', perto de Mecejana. Conheci-o
na Fortaleza e o tive, varias vezes, commigo,
fartando-me de notas interessantissimas sobre
o folk-lore do Nordeste, pois elle conhece palmo a palmo os sertões de todos os Estados
acossados pela sêcca.
Symphronio cegou quando tinha apenas um
anno de idade e, o que parecerá quasi incrivel,
raros cantadores encontrei com tão vasto cabedal
de romances, cantigas e desafios, tudo maravi-
lhosamente retido na memória fidelissima. É a
mulher do cégo repèntista que lhe lê, pacien-
temente, manuscriptos e folhetos até que elle
os consiga recitar.
O cégo Symphronio é, acima de tudo, perito improvisador. Ao chegar, á primeira vez,
á minha çasa, elle cantou, com a naturalidade
de quem falava, estas sextilhas que eu annotei
tachygraphicamente:<noinclude></noinclude>
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TiagoLubiana
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
Anda já em quarenta anno
Que eu vivo somente disso...
Achando quem me proteja,
Eu sou bom neste serviço:
Eu faço vez de machado
Em tronco de pau mucisso...
Esta minha rabequinha
É meus pés e minhas mão,
Minha foice e meu machado,
É meu mio e meu fejão,
É minha planta de fumo,
Minha safra de algodão...
Eu, atraz de cantadô,
Sou como boi por maiada,
Como rio por enchente,
Como onça por chapada,
Como ferrôi por janella.
Menino por gargaiada!
Eu, atraz de cantadô,
Sou como abêia por pau,
Como linha por agúia,
Como dedo por dedal,
Como chapéo por cabeça,
E nêgo por berimbau.
Eu, atraz de cantado,
Sou como vento por praia,
Como junco por lagôa,
Como fogo por fornaia,
Como piôi por cabeça
Ou pulga por cós de saia!
</poem>
Feita esta original apresentação e quando já
eu possuia a certeza de ter diante de mim admi-<noinclude></noinclude>
muv0k56h2ealmby4adqqonggmrob4yc
Página:Cantadores (1921).djvu/21
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ravel profissional do canto, arrastado a esse gê- nero de vida beduina, não somente por motivo da cegueira que o inhibia de mistéres outros, mas ainda por natural tendencia de aproveitamento do excelso dom com que a Natureza o compensára da perda da visão; quando percebeu que eu já estava capacitado do valimento de seu estro, Symphronio começou a falar-me dos cantadores que tivera de enfrentar em suas ininterruptas peregrinações....
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="TiagoLubiana" /></noinclude>ravel profissional do canto, arrastado a esse gê-
nero de vida beduina, não somente por motivo
da cegueira que o inhibia de mistéres outros,
mas ainda por natural tendencia de aproveitamento do excelso dom com que a Natureza
o compensára da perda da visão; quando percebeu que eu já estava capacitado do valimento de seu estro, Symphronio começou a falar-me dos cantadores que tivera de enfrentar
em suas ininterruptas peregrinações. Do seu en-
contro com o cégo pernambucano Elias Ferreira, elle me repetiu esta introducção:
<poem>
— Symphrone, vae me contando
Que é que tu anda fazendo:
Si anda dando ou apanhando,
Si anda comprando ou vendendo,
Si anda bebendo ou iogando,
Si anda ganhando ou perdendo.
— Elias, eu lhe declaro
E a todos que tão olhando:
Me acho na terra alêia
Nem bebendo nem jogando,
Nem ganhando, nem perdendo...
Ando mas é vadiando!
</poem>
Falei-lhe, incidentemente, do famoso can-
tador Joaquim Wenceslau Jaqueira, que, de há
muito, emigrára para a Amazônia. Eu conhe-
cia de Jaqueira esta quadra:
<poem>
A mió das invenções,
Que eu achei mió producto,
Foi a invenção do relojo
Marcando hora e minuto.
</poem><noinclude></noinclude>
9falsoufwnp5ggp4ggcoqdbeavimqes
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TiagoLubiana
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude>Symphronio informou-me que» «Jaqueira, to-
da vida, foi um cabra da rêde rasgada», jogador
e beberrão. E referiu-me que o mesmo, assim
fizera a sua extranha ''profissão de fé'':
<poem>
Eu andei de déo em déo
E desci de gaio em gaio...
Jota a-''Já'', ''queira'' ou não queira,
Eu não gosto é de trabaio...
Por tres coisa eu sou perdido:
Muié, cavallo e baraio!
</poem>
Depois de novamente haver afinado o instrumento, Symphronio avisou-me que me ia falar de si mesmo. E cantou a peleja que tivera em Sobral com o cantador Manoel Passarinho:
<poem>
Meu povo, preste attenção,
Vou contá o que se deu,
Ninguém fique duvidando.
Juro como aconteceu,
Vou contá de um agora
Cantô que cantou mais eu.
Fazem dezenove anno
Que eu cantei mais esse tal,
Elle dizendo que era
Nascido lá no Arraial,
Porem a nossa peleja
Se deu com nós em Sobral.
Foi isso um dia de sabbo
Quando na cidade entrei;
Pela dez hora do dia
No Jaybara passei;
Convite p'ra cantoria
Na mesma tarde encontrei.
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Cantadores (1921).djvu/23
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude></poem>
P'r'a casa do Zé Taveira
Fui eu logo convidado,
Por um dito mano delle
Fui eu na rua encontrado;
P'r'a casa do mesmo home
Foi outro cantô chamado.
— Venha cá, seu Zé Taveira
Mais o seu mano Joãozim,
Quero que preste attenção,
Do grande ao pequeninim:
Eu diverti mais um cego
Para ensiná-lhe o camím...
— Venha cá, seu Zé Taveira,
Como chefe da famía,
Do grande ao pequeninim
Oiçam minha cantoria...
O home que não tem vista
Só pode andá tendo guia!
— Ceguinho, afine a rabeca,
Pode acostá-se á parede:
Vem dicomê, mata a fome...
Vem aluá, mata a sêde...
— Cantadô, você me diga,
Cumo tá no meio dos home
E não é meu conhecido.
Me diga cumo é seu nome.
— Eu sou Manoel Passarinho
Féli da Costa Soare;
Engulo braza de fogo,
Pego curisco nos áre.
Jogo pau, quebro cacete
Com cinco ou seis que chegáre.<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
P'r'a casa do Zé Taveira
Fui eu logo convidado,
Por um dito mano delle
Fui eu na rua encontrado;
P'r'a casa do mesmo home
Foi outro cantô chamado.
— Venha cá, seu Zé Taveira
Mais o seu mano Joãozim,
Quero que preste attenção,
Do grande ao pequeninim:
Eu diverti mais um cego
Para ensiná-lhe o camím...
— Venha cá, seu Zé Taveira,
Como chefe da famía,
Do grande ao pequeninim
Oiçam minha cantoria...
O home que não tem vista
Só pode andá tendo guia!
— Ceguinho, afine a rabeca,
Pode acostá-se á parede:
Vem dicomê, mata a fome...
Vem aluá, mata a sêde...
— Cantadô, você me diga,
Cumo tá no meio dos home
E não é meu conhecido.
Me diga cumo é seu nome.
— Eu sou Manoel Passarinho
Féli da Costa Soare;
Engulo braza de fogo,
Pego curisco nos áre.
Jogo pau, quebro cacete
Com cinco ou seis que chegáre.
</poem><noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
— Meu nome é Symphronio Pedro,
Martim é meu sobrenome;
Bóqué de noiva assucena,
Cravo branco, amô dos home,
Feijãozim farta-guloso
Ê com que se mata a fome...
— Symphrone, me conta logo
A tua disposição!
Õia que eu carrego o saibro
Das tuas informação,
Andas com fama de duro
Aqui pelo meu sertão...
— Eu não sei si será falso
E si é exacto não sei:
Mas cantô que me açoitasse
Ainda não encontrei!
Pode sê que eu inda encontre,
Até honte eu não achei...
— Symphrone, si eu me zangá,
Passo-te a peia no lombo,
Dou tres tapa — são tres queda!
Tres empurrão — são tres tombo!
Si eu puxá por minha faca,
Não tem quem te conte os rombo...
— Não é com essas asneira
Que eu deixo de diverti...
Quem conhecê não te compra,
Eu nem quero descobri...
Mas o cão é quem faz conta
De dez da fêlpa de ti!
— Cego, tu qué te mettê
Em camisa de onze vara?
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Cantadores (1921).djvu/25
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TiagoLubiana
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
Quem com Passarinho arenga
Apanha, de mão na cara...
Em balança eu sempre peso,
Dez cégo não dão a tara!
— Nunca vi barco sem vela
E nem doente sem ança...
A onça, tando acuada,
Ninguém pega com lambança!
Vigie que falá é fôrgo,
Obrá precisa sustança...
Eu de dez não faço conta.
Quanto mais de uma creança...
— Por causa de confiança
Foi que eu vi um pequenino
Açoitá um home idoso,
Cumo você — sem ensino — ...
Cumo não tomou emenda.
Morreu nas mão dum menino.
— Você tá fazendo arte
De eu mettê-lhe em sujeição.
Chamo aqui por dois soldado
E te boto na prisão...
Você preso não é nada,
O diabo é levá facão...
— Você ficando mais véio
E ainda arrenovando.
Tornando a nascê dez vez,
Todas dez se baptisando,
Todas dez vindo cantá
Todas dez sai apanhando!...
— Orêia de abaná fogo,
Cabeça de batê sola,
</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Cantadores (1921).djvu/26
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TiagoLubiana
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude></poem>
Pestana de porco ruivo,
Queixada de graviola,
Cannela do massarico,
Pé de macaco da Angola!
—Venta de pão de cruzado,
Bucho de camaleão,
Cara de cachimbo crú.
Pescoço de garrafão,
Testa de carneiro môcho,
Fucim de gato ladrão.
—Passarim, si eu dé-lhe um baque,
Tenho pena de você:
Cai o corpo p'r'uma banda
E a cabeça — pode crê!
Passa das nuve pra cima.
Só volta quando chovê.
— Cantado nas minhas unha
Passa mal que se agonêia:
Dou-lhe almoço de chicote,'
Janta pau, merenda pêia.
De noite ceia tapona
E murro no pé da orêia.
— Passarim, agora mêmo
Começou a carretía:
Eu vou entrá no teu couro
Que nem faca em melancia,
Cuié em mamão maduro.
Ou crimatã na agua fria.
— Este cégo só cantando
Por arte do capirôto!
Agora é que eu reparei
Que este sujeito é canhoto...
</poem><noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
Pestana de porco ruivo,
Queixada de graviola,
Cannela do massarico,
Pé de macaco da Angola!
—Venta de pão de cruzado,
Bucho de camaleão,
Cara de cachimbo crú.
Pescoço de garrafão,
Testa de carneiro môcho,
Fucim de gato ladrão.
—Passarim, si eu dé-lhe um baque,
Tenho pena de você:
Cai o corpo p'r'uma banda
E a cabeça — pode crê!
Passa das nuve pra cima.
Só volta quando chovê.
— Cantado nas minhas unha
Passa mal que se agonêia:
Dou-lhe almoço de chicote,'
Janta pau, merenda pêia.
De noite ceia tapona
E murro no pé da orêia.
— Passarim, agora mêmo
Começou a carretía:
Eu vou entrá no teu couro
Que nem faca em melancia,
Cuié em mamão maduro.
Ou crimatã na agua fria.
— Este cégo só cantando
Por arte do capirôto!
Agora é que eu reparei
Que este sujeito é canhoto...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="TiagoLubiana" /></noinclude><poem>
Eu vou sahindo de banda
Sinão eu saio é de chôto.
</poem>
Nunca consegui de Symphronio quadras
amorosas ou brejeiras. Elle se fingia de des-
entendido e eu insistia: — «Symphronio, eu
quero umas quadrinhas assim:
<poem>
Morena, você me mata
Com esta graça que tem...
Você fica criminosa
E eu sem você, meu bem!»
</poem>
Debalde. Symphronio sempre se desculpou
dizendo que «mulher era bicho que não vivia
no seu sentido» e, pobre cégo! explicava que
«o que olho não vê — coração não deseja»...
Uma vez, fil-o bater-se com Jacob Passa-
rinho. Enlevado pelo brilho da interessante jus-
ta, não annotei os repentes dos dignos rivaes.
Mas ainda me canta aos ouvidos este lance pa-
thetico:
<poem>
— Symphrone, o pobre de um cego
Não me agüenta na vida...
Deixa está que eu vou na frente.
Tu vem atraz, na batida.
— Passarinho é de ôio acceso,
Symphrone é de ôio apagado:
Mas Symphrone sai se rindo,
Passarim sai sabugado!
</poem>
Aqui reproduzo uma das muitas cantigas
que ouvi do cégo Symphronio. É a reproduc-
ção do desafio que Jeronymo do Junqueiro di-<noinclude></noinclude>
2wtenyrw6ivqgh5pisdbcqe3yosm55l
Página:Cantadores (1921).djvu/28
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TiagoLubiana
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: zia ter tido com a celebre cantadora Zefinha do Chabocão: <poem> Quando estralou a notiça Que o fama tá na ribêra, Era tanto do cantô Que enchia o quadro da fêra: Accudiu Antonio de Salle Mais o Gerome Morêra; Accudiu Antonio Pendença, Santiago de Olivêra; Accudiu o Virgolino E o Romano do Teixêra; Herculano de Messia Cego Vicente Barrêra, E o Fausto Correia Lima Das Lavra da Mangabêra. V Nenhum destes me passou O pé...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="TiagoLubiana" /></noinclude>zia ter tido com a celebre cantadora Zefinha do Chabocão:
<poem>
Quando estralou a notiça
Que o fama tá na ribêra,
Era tanto do cantô
Que enchia o quadro da fêra:
Accudiu Antonio de Salle
Mais o Gerome Morêra;
Accudiu Antonio Pendença,
Santiago de Olivêra;
Accudiu o Virgolino
E o Romano do Teixêra;
Herculano de Messia
Cego Vicente Barrêra,
E o Fausto Correia Lima
Das Lavra da Mangabêra.
V
Nenhum destes me passou
O pé adiente da mão;
Só acher duas mulhére;
Tinha a pintura do cão;
Naninha Gorda dos Brej»,
Zefinha do Chabocão.
Eu tava numa funcção
Na fazenda «Cacimbinha»,
Quando vejo um positivo
Pedindo notiça minha,
Dando um recado atrevido,
Que me mandava a Zefinha.
Nesse tempo eu era limpo,
Mettido um tanto a pimpão.
Vesti-me todo de preto,
Calctti um par de calção.
9.<noinclude></noinclude>
q04igooyflazrmkf93i7qwko3st0hd4
Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/348
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{{dhr|2}}
{{c|{{x-larger|O GENIO E A MUSICA.}}}}
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{{c|{{smaller|À SENHORA GATALANI.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|S|2em}}im, é certo; a Natura não se esgota;
Mas providente de seu seio tira
Um a um esses Genios, que benigna
:::Co’ os seculos reparte;
Assim, sem fatigar, encomios cobra,
E co’ a força do magico artificio
Os homens doma, os encadeia, e guia.
Dos Genios a importancia se conhece
Quando, enchendo a missão, desapparecem.
}}<noinclude></noinclude>
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Si os ríos as campinas fertilizam,
:::Os lavradores folgam;
Mas extinctas as fontes d’alma veia,
:::Attenuam-se os campos,
E a Natureza em torno empallidece;
Aos pedregosos, descobertos leitos,
O homem chega, e d’agua uma só gotta,
Para a sêde aplacar, não acha, e chóra;
Mas lagrimas a sêde não saciam!
Então do bem se lembra que gozára,
:::Do bem que já não goza.
Quem não respeita o Genio? Quem não sente
Bater-lhe o coração inopinado,
Quando escuta os angelicos accentos
:::Do ser mysterioso,
:::Que a Natureza inspira?
Na culta Grecia, na guerreira Roma
Endeosada a Harmonia cultos teve:
Entre barbaros povos, Gallos, Francos,
Celtas, Bretões a musica divina
Os cruentos costumes adoçava.
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|340|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Nos Brasilios sertões, duros Tamoyos,
Intrepidos Caités ao som se curvam
:::Da harmonia selvagem:
Como divinos, de Tupan<ref>Tupan, o deos dos selvagens do Brasil.</ref> mimosos,
:::Seus musicos respeitam.
:::A illuminada Europa
Não desdenha entoar sagrados psalmos
No Templo do Senhor; atado ao remo
O pescador ao som das vagas canta;
Canta o proscripto sobre estranhas plagas,
E o peregrino em solitarias selvas.
O canto maternal o infante acalma,
E a colera dos homens se desarma,
Quando escuta suave melodia.
:::Eis em campo o guerreiro;
Como brioso marcha, quando trôa
:::A bellica trombeta!
Patrioticos hymnos entoando,
Sente crescer-lhe o coração no peito.
Entre selvas de lanças, e de espadas,
Coberto co’ uma abóbada de fumo.
}}<noinclude></noinclude>
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A través de pelouros sibilantes,
:::Assoberbando a morte,
:::Vai nos braços da gloria
Arvorar os pendões victoriosos!
:::Na guerra hymnos guerreiros,
:::Na paz canções de amores!
Tanto, oh musica, pódes sobre os homens,
:::Que em toda parte imperas!
Sim, que os Anjos, os céos, o sol, os mares,
Os valles, as montanhas, as florestas,
:::Aves, brutos, e homens,
E essas centenas de milhões de mundos,
Que cadentes vagueiam no infinito,
É um systema harmonico, perpétuo,
Em gloria do Supremo Ser dos seres!
Rara mulher, tu viste humildes servos
Deporem a teus pés dons preciosos,
Que os Reis, e os potentados te enviavam.
Tu viste os proprios Reis, e seus valídos,
E d’elles homenagem recebeste.
Viste os povos da Europa arrebatados
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|342|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Aqui e alli ao som de teus acordos,
Que embebian nos seios d’alma o encanto.
Viste, sim viste innúmeras corôas
Lançadas a teus pés; e proseguias
Ufana a deslizar as sibyllinas
:::Dulcísonas cadencias.
:::Eis do Genio o triumpho!
Gloria ao Genio se dê, perenne, eterna!
Sobre um leito de rosas, e de louros,
Hoje repousas, não no esquecimento,
:::Mas no arroubo da gloria:
Como o guerreiro que na paz desfructa,
Vendo os despojos dos vencidos povos,
Grata consolação que a alma embriaga.
Tudo o que te rodeia manifesta
:::Teu immortal renome.
Altares te ergueria a prisca Grecia,
Si a prisca Grecia te emballasse o berço.
Da propria filha tua a voz canora,
Voz que tão alto sóbe, e já promette
Outro novo milagre de harmonia,
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/353
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|343}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
:::Tambem te louva, e exalta;
Que si o nome dos pais herdam os filhos,
A gloria filial os pais sublima.
Ah! não desdenhes receber louvores
Do peregrino incognito, que passa
:::Por estrangeiras plagas
Sem arruîdo, como o mudo sôpro
Das matutinas, solitarias auras.
Mil vezes proferir ouvî teu nome
No novo, e velho mundo, e jamais pude
:::Augurar-me a ventura
De te ver, de te ouvir, e mais ainda,
De receber de ti signaes de estima.
Longe da Patria o viajor saudoso
Bem raras vezes o prazer encontra.
De cidade em cidade andado tenho;
Reinos atravessei, cantões, e villas;
Vinguei gelados Alpes, e Apeninos;
Valles descî sombrios, subî torres,
Sempre co’a Patria minha na lembrança;
Como a andorinha que de tecto em tecto
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/354
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Salta, sem que se esqueça de seu ninho.
Tudo da Patria a idéa me revive,
:::Mas nada me consola;
Em parte alguma não achei ainda
Um coração de pai, de mãe, de amigo,
Que vendo-me partir, pezar sentisse,
E ao menos me dicesse: — Deos te guie.
Sublime ''Catalani'', tu me honraste!
Talvez unica sejas, que te lembres
:::Do peregrino errante,
Quando elle, já na Patria rodeado
Dos velhos pais, de irmãos, e dos amigos,
Refrescando a memoria das viagens,
:::Entre, os que vîo, prodigios,
Cheio de commoção, citar teu nome,
E dicer: eu a vi; fallei com ella!
Pago ao Genio um tributo merecido,
:::Que a gratidão me inspira;
Fraco tributo, mas nascido d’alma.
}}
::{{x-smaller|Florença, 30 de Novembro 1834.}}
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{{c|XI.}}
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{{c|{{x-larger|NO ALBUM}}}}
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{{c|{{smaller|DA ILLUSTRISSIMA E EXCELLENTISSIMA SENHORA}}}}
{{dhr|1}}
{{c|{{smaller|'''D. JOANNA MARQUES LISBOA.'''}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=follow|
{{Gcapitular|U|2em}}m mundo occulto, mais real, mais bello
Que o mundo exterior, nossa alma encerra.
Ahi a phantasia, habil pintora,
Ora mil quadros reproduz da terra,
Ora de outros mil quadros criadora,
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/356
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|346|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
:::Quadros de alma doçura,
Instantes nos outorga de ventura.
Oh phantasia, oh unico refugio
:::Do misero proscripto!
Tu, para consolar o peito afflicto,
Os passados prazeres nos retratas;
As pandas azas das prisões desatas,
E pelos patrios ares deslizando,
Que sublimes visões nos vais pintando!
Oh! si é bello, assentado á sombra amiga
:::Do patrio cajueiro
:::De fructos esmaltado,
Onde o saudoso sabiá se abriga,
Onde pousa o colibre, e o gaturamo;
Si é doce ouvir ternissimo reclamo
:::Do lindo coro alado,
:::Da aurora pregoeiro,
Que á celeste mansão nossa alma eleva;
:::Quanto é mais doce, ausente,
Á parca sombra do álamo estrangeiro,
Ouvindo o rouxinol cantar amores,
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/357
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|347}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=stanza|
:::Da Patria então lembrar-se,
:::Lembrar-se de um parente,
De um amigo da infancia, de um remanso,
Onde, fruindo o aroma de mil flores,
Ao som estrepitoso da corrente,
Tantas vezes achámos o descanço
:::Ás infantis fadigas!
Oh! como é grato então a alma engolfar-se
:::Nas scenas do passado!
Tudo vem ante nós apresentar-se
:::Nesse querido instante!
Nossa alma, entre mil scenas delirante,
Ouve a voz da saudade que murmura;
:::A saudade, a saudade,
Esse triste prazer que não se explica,
Agro prazer de um coração magoado,
:::Prazer que se mistura
Com dôr, com afflicção, saudosa augustia
Que nos punge, nos róe, nos vivifica.
Assim nestas estranhas, longes plagas
:::Se nos antolha a Patria!
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/358
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|348|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=follow|
::E por ella em cada hinverno
::De contínuo suspiramos,
::E mesmo na primavera
::Inda d’ella nos lembramos.
::Cada quadro nos desperta
::A cadeia interrompida
::De gratas reminiscencias
::Da nossa passada vida.
:::Assim, assim um dia,
:::Já sob o céo Brasilio,
Como um sonho, da Europa a bella imagem
Resurgindo na nossa phantasia,
Despertará saudades deste exilio.
Então entre mil scenas divagando,
Do passado as idéas refrescando,
Ante nós se erguerá tambem Bruxellas,
Seus parques, seus jardins, e as torres bellas
Dos seus templos, e gothicos palacios.
Então, talvez então, vendo este livro,
Que quadros vos recorda tão diversos,
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/359
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||{{smaller|SAUDADES.}}|349}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=follow|
Vos lembrareis do errante, joven vate,
Que estes versos traçou, saudosos versos.
::Os gratos dias,
::Que aqui gozei,
::Ante minha alma
::Sempre os terei.
::Os innocentes,
::Gratos penhores,
::Anjos da terra
::Encantadores,
::Que tantas vezes
::Eu afagava,
::E em grato enlevo,
::Os abraçava;
::Esta harmonia
::Do par ditoso;
::Em vós belleza,
::Amor no esposo;
::Candura em todos,
::Terna bondade,
::Dotes sublimes
}}<noinclude></noinclude>
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/360
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|350|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=follow|end=close|
::Da Divindade,
::Jamais minha alma
::Olvidará,
::E de vós sempre
::Se lembrará
}}
::{{x-smaller|Bruxellas, 21 de Junho 1836.}}
{{dhr|1.5}}
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Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/361
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|351||}}</noinclude>{{dhr|2}}
{{c|XII.}}
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{{c|{{x-larger|ADEOS Á EUROPA.}}}}
{{dhr|3}}
{{Ppoem|end=stanza|
{{Gcapitular|A|2em}}deos, oh terras da Europa!
Adeos, França, adeos, Pariz!
Volto a ver terras da Patria,
Vou morrer no meu paiz.
Qual ave errante, sem ninho,
Occulto peregrinando,
Visitei vossas cidades,
Sempre na Patria pensando.
}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|||351}}</noinclude>{{dhr|2}}
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{{Gcapitular|A|2em}}deos, oh terras da Europa!
Adeos, França, adeos, Pariz!
Volto a ver terras da Patria,
Vou morrer no meu paiz.
Qual ave errante, sem ninho,
Occulto peregrinando,
Visitei vossas cidades,
Sempre na Patria pensando.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|352|{{smaller|SAUDADES.}}|}}</noinclude>{{Ppoem|start=stanza|end=close|
De saudades consumido,
Dos velhos pais tão distante,
Gottas de fel azedavam
O meu mais suave instante.
As cordas de minha lyra
Longo tempo suspiraram;
Mas alfim frouxas, cançadas
De suspirar, se quebraram.
Oh lyra do meu exilio,
Da Europa as plagas deixemos;
Eu te darei novas cordas,
Novos hymnos cantaremos.
Adeos, oh terras da Europa!
Adeos, França, adeos, Pariz!
Volto a ver terras da Patria,
Vou morrer no meu paiz.
}}
::{{x-smaller|Pariz, Agosto de 1836.}}
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{{c|{{larger|F I M.}}}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|31}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>E, soltando um fundo suspiro, cerrou as palpebras e simulou estar bem adormecido.
Os passos soaram cada vez mais perto e por fim detiveram-se á porta dos aposentos de Guilherme. Decorreram segundos e tres breves pancadas, dadas a espaços na porta, sobresaltaram Guilherme e o seu pagem.
Como o nosso herói continuasse a fingir que não ouvira, o fecho da porta ergueu-se e esta, girando lentamente nos gonzos, deixou aparecer no limiar a figura esbelta dum jovem cavaleiro que durante a ceia escutára enlevado quanto Guilherme dissera. Trazia na mão uma lanterna de furta-fogo. Ergueu-a á altura do rosto para se orientar e, tendo-o feito, dirigiu-se resolutamente a Guilherme e poz-lhe a mão no ombro.
― ¿Que é? perguntou êste, como se tivesse acor-
dado sobresaltado naquele próprio instante.
― Depressa, cavaleiro, se tendes a vossa vida em alguma conta, erguei-vos e segui-me. E' necessário fugir e já.
― ¿Porquê? perguntou o nosso herói.
― Os fidalgos do principe combinaram fazer-vos desaparecer. Dizem que sois um revolucionário e que foi decerto o inferno que vos encarregou de prègar a guerra. O capelão mesmo não está longe de crer que sois hereje. Se não aproveitais bem o tempo em vos pôr a salvo, perdeis a vossa causa e as nossas vidas, porque eles não me perdoarão que eu vos queira livrar de lhes caír nas mãos.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/36
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BlitzkriegBoop
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|32|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>Enquanto o jovem falava, Guilherme e o seu pagem, tendo trocado um olhar, viram que era igual a opinião que dêle haviam formado. Então o paladino
da Pátria disse-lhe:
― Agradeço-vos a dedicação que me mostrais, mancebo, e espero que um dia poderei recompensá-la. Ide na frente, nós vos seguiremos.
― Cautela, recomendou o moço, não façais ruído
com as esporas.
― Tiro-as.
― E' melhor.
E, muito de vagar, escoando-se ao longo dos corredores, os tres rapazes atingiram uma porta falsa que dava comunicação imediata, por meio dum alçapão, para as cavalariças do castelo.
Os cavalos, sem que ninguêm se tivesse ocupado disso, estavam selados e prontos a partir.
Montaram, e quando os tres homens iam exigir da sentinela que baixasse a ponte levadiça para sairem, um imenso borborinho se ergueu atraz dêles.
Era uma multidão de homens armados que se precipitava para lhes vedar a passagem, gritando:
― Não os deixem saír vivos, não os deixem saír. São maus revolucionários que querem a morte e a ruina dos cidadãos pacificos e tentam enredar o principe nas malhas das suas rêdes.
― ¿Quem o sabe?
― ¿Quem o disse?
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|33}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>― O astrólogo que desconfiou dêles e foi consultar os ástros.
A onda vociferante crescia. No ar já se agitavam
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{{Imagem float-p
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|cap=foram arrebatados pelo ar... (Pag. 34)
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}}
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paus e brandiam pezadas maças. Guilherme olhou o
pagem e a um acêno dêste bradou com convicção:
― «¡Alma da terra em que nasci! ¡acode aqui!»
{{nop}}<noinclude>{{smaller|{{rh|{{uc|A fada loira}}||3}}}}</noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/38
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BlitzkriegBoop
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|34|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>No mesmo instante os cavalos dos tres rapazes fôram arrebatados pelo ar e lançados a galope a mais de quatrocentos metros do castelo do principe Dórdio.
― ¿Para onde vamos, senhor? perguntou o pagem ofegante por tão violenta carreira.
― Para onde os cavalos nos levarem, Roberto.
Êles, agora, sabem melhor do que nós o que convem.
E calou-se porque a violência da carreira era tal que lhe tornava dificil a conversa. Atravessaram uma longa planicie, passaram como um relâmpago por cima da vasta ponte de pedra sobre o rio Grande e embrenharam-se na espessa mata que se estendia por léguas para alêm da vasta cordilheira das ''Sete Gemeas''. Aí, os cavalos, alagados em suor, marchavam com grande dificuldade: o mato excedia-lhes a altura das pernas. Depois de muito caminhar descobriram uma pequena gruta cavada em altas fráguas e bem oculta pelos arbustos e plantas. Então apearam-se, trataram das montadas, e apesar de estarem cheios de fome, o cansaço era tanto e o sono que preferiram deitar-se e dormir.
No dia seguinte, já o sol ia alto no horisonte, quando Guilherme e os seus companheiros acordaram. Viram com grande espanto e satisfação no meio da gruta uma mesa coberta dos mais soberbos manjares e rodeiada de optimas cadeiras. Grandes macacos preparavam-se para fazer o papel de criados. Enquanto um desrolhava velhas garrafas de magnifico vinho, com o cuidado que tal tarefa requere, os outros {{hífen|apro|aproximavam}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|35}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|ximavam|aproximavam}} as cadeiras da mesa e dispunham os pratos e as iguarias de modo a torná-las mais apeticiveis.
― ¡Que agradável surpreza, exclamou Guilherme, isto não esperava eu!
― ¿Mas donde nos vem tão grande fortuna? perguntou desconfiado o novo amigo do mancebo; ¿terárazão o astrólogo no que predisse a vosso respeito?
― Não, amigo, não tem, contudo, bem que me peze, não posso dar-vos explicação alguma porque estou obrigado pela minha palavra a não desvendar nada do que me foi confiado. Eu mesmo estou espantado, confesso, desta liberalidade inesperada, e não conheço a sua proveniência embora dela desconfie. Mas, por Deus e Santa Maria, cujos nomes evoco com devoção e respeito, obra do démo afianço-vos que não é. Bensei-vos todos e agradeçamos a Deus o bem que nos concede.
Tranquilisado, o jovem cavaleiro, logo que ouviu pronunciar o nome de Deus e viu a devoção com que os seus dois companheiros lhe davam graças, sentou-se e disse:
― Nada tenho com os vossos segrêdos, visto que a Deus rendeis louvor não podeis estar sob a influência do demonio. Isso basta para que nada pergunte e partilhe a vossa sorte qualquer que ella. Eu não sou curioso.
― Tereis mais duma ocasião de o provar. E agora
dizei-me: ¿Como vos chamais?
― Sou Henrique Veber. Tenho fortuna pessoal,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|36|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>apesar de filho segundo, porque herdei a dum milionário americano que não tinha família e se me afeiçoou como pai. E' por isso que sou Veber e não Gamo, como todos os meus irmãos.
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|cap=... soberbos manjares... (Pag. 34)
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}}
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― ¿Mas estaveis ao serviço do principe Dórdio?
― Não, vivia na sua côrte porque me agradava. Êle é bom, apesar da vida que leva, e na sua companhia vive-se alegremente.
― ¿E vós nunca pensastes que a vida que levaveis era imprópria dum bom patrióta?
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|37}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>― Não, nunca tinha pensado nisso. As vossas palavras rasgaram-me novos horisontes e senti-me envergonhado da vida inutil que até hoje tenho tido.
― Estais a tempo de o remediar.
― E bem de vontade, crêde-me.
E, enquanto comiam e conversavam, os macacos serviam-nos com muitas atenções, mas quando os supunham distraídos comiam algum bom bocado ou bebiam um trago de vinho, fazendo troça e gaifonas aos que os não podiam imitar. Eram tres também, e cada um atraz da cadeira do senhor que servia parecia escutar a conversa e perceber tudo que se dizia.
Comeram com muito gosto e quando se levantaram da mesa perguntou Guilherme ao pagem:
― ¿Para que lado te parece que devemos dirigirnos?
― Para Nimbria, senhor: é, segundo creio, a cidade que mais perto nos fica, e alêm disso a capital do reino.
― Seja. Deus nos leve em bem. Partamos.
Voltaram á gruta para buscar as armas e, com grande pasmo de Guilherme e de Henrique, a mesa, os macacos e todos os restos de iguarias tinham desaparecido.
― ¿Então os nossos excelentes criados foram-se embora sem nos dizer adeus? exclamou Guilherme com pena.
― Tinham outras obrigações, senhor. Eles pediram-me para os desculpar junto de vós.
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{{dhr}}</noinclude>Montaram de novo a cavalo, e conseguiram, não sem custo, sair do mato e retomar a estrada rial. Muito contentes por se julgarem já livres de perseguições, conversavam, riam, contavam anedotas, e iam vencendo caminho quási esquecidos da causa que os unira e os levara á ventura, Deus sabe para onde.
Henrique Veber era um rapaz alto, forte, espadaúdo, verdadeira encarnação da beleza masculina. Tinha grandes olhos negros, cabelo da mesma côr, e era tão trigueiro quanto Guilherme era branco. Os olhos azues dêste, claros e límpidos, como um ceu sem nuvens, tinham a formosura do dia, o encanto e a serenidade do que se vê sempre puro. O olhar de Henrique, feito de trevas profundas, inquietava e perturbava os seus interlocutores como um enigma indecifravel. A elegancia e gentileza de ambos rivalisava, e a sua diferença de tipos fazia-os mutuamente valorisar. O pagem, êsse, parecia superior a ambos, mas tinha qualquer cousa que não era humana, uma aparência fria e que não atraía.
Henrique, muito falador, gostava mais de falar do que de ouvir os outros. Guilherme, bom, paciente e reflectido, sabia escutar e pensava que o silêncio é mais valioso do que a palavra, sendo raro que, quem muito fala se não arrependa de o fazer, e que, quem cala se lastime de assim ter procedido.
Henrique perguntou ao seu novo amigo se conhecia a lenda do castelo de que acabavam de saír tão milagrosamente.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|39}}
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{{dhr}}</noinclude>― Não, respondeu Guilherme, nem mesmo sabia que a seu respeito corria uma lenda.
― Pois corre e é interessante.
― Dizei-a, senhor cavaleiro, pediu o pagem. As lendas são, para mim, muito mais encantadoras do que as histórias riais.
― Escutai então.
E disse:
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{{dhr}}</noinclude>{{C|{{bl|{{x-larger|A lenda do Castelo}}}}}}
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{{lh|4em}}
{{dhr}}
<poem>
Entre negras penedias,
Onde vem bater o mar,
Vê passar infaustos dias
A linda dona Guiomar,
De farta estar de arrelias
Nem força tem de chorar.
Até esquece as cotovias
Que a costumam vir saudar.
A côrte co'a dona insiste
P'ra vestir luto de la,
A tudo Guiomar resiste,
Imovel na barbaca
Lança ao longe um olhar triste
Sentindo que a esp'rança é vá...
Eis aqui no que consiste
O pezar da castelá:
Foi-lhe p'ra guerra o marido,
Ha quinze anos bem contados,
Com séquito mui luzido
De fidalgos e criados.
Tempo depois foi sabido,
Por homens de lá voltados,
<br>
</poem>
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<poem>
Entre negras penedias,
Onde vem bater o mar,
Vê passar infaustos dias
A linda dona Guiomar,
De farta estar de arrelias
Nem força tem de chorar.
Até esquece as cotovias
Que a costumam vir saudar.
A côrte co'a dona insiste
P'ra vestir luto de la,
A tudo Guiomar resiste,
Imovel na barbaca
Lança ao longe um olhar triste
Sentindo que a esp'rança é vá...
Eis aqui no que consiste
O pezar da castelá:
Foi-lhe p'ra guerra o marido,
Ha quinze anos bem contados,
Com séquito mui luzido
De fidalgos e criados.
Tempo depois foi sabido,
Por homens de lá voltados,
</poem>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/45
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|41}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Que o conde tinha morrido
Sendo os seus aprisionados.
Não quer tal crer a condessa,
De olhos pregados no mar
Vai sempre, dês que amanheça,
Da barbacă vigiar.
E fica, até que anoiteça,
As ondas a contemplar,
Sem que nela a fé esmoreça
¡Não desespera a esperar!
Inutil é que lhe falem,
Nunca responde a ninguém.
As censuras de que valem
A quem sente que anda bem?
Embora já lhe não calem:
«Que os vivos direitos tem,»
Embora todos a ralem,
Ela trata-os com desdem.
E continúa lançando
Os tristes olhos ao mar,
Na certeza de que esp'rando
Ha de por força alcançar.
No castelo, conspirando,
Andavam para a matar,
Consados de a vêr chorando,
Teimando em não se casar.
<br>
</poem>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/46
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|42|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Sem ter danças nem folguêdos,
Sem se jogar nos jardins,
Todos mudos, quais penedos,
Deram em torpes malsins.
Á sombra dos arvorêdos,
Ou sobre fofos coxins,
Iam tecendo os enrêdos
Para chegar aos seus fins.
Porém, uma tarde linda,
Quando o sol beijava o mar,
Foi com alegria infinda
Que bradou dona Guiomar:
― ¿Quem ousa dizer-me ainda
Que o não hei de vêr voltar?
¡Laura! ¡Joana! ¡Gracinda!
Ide a notícia espalhar.
Pelas águas, lentamente,
Descia pezada nave.
A condessa, impaciente,
Lamentava não ser ave.
Falsa certeza que mente
Talvez a cova lhe cave,
Porque o destino inclemente
Em nada será soave.
Da nave, atracando a terra,
Desceu enorme caixão,
</poem>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/47
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|43}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
O conde volta da guerra
Sem lança nem lorigão.
Tal dôr á mulher se aferra
Que lhe pàra o coração.
Uma lousa ambos encerra,
Repousam no mesmo chão.
Porêm agora, alta noite,
A passar na barbacã,
Não ha ninguêm que se afoite
Por causa da castelã,
Que do peito torturado
Arranca tão fundos ais,
Que alguêm que a tenha escutado
Não pode esquecê-la mais.
</poem>
― E' muito triste a lenda do castelo.
― E'; mas o que tem graça, é que hoje, que tantos anos passaram sobre o caso que vos contei, nem mesmo o principe Dórdio, que é um valente, se atreve a passar na barbacã.
― ¿Vós crêdes em lendas?
― Não creio nem deixo de crer. Contudo, vejocousas tão extraordinárias na terra, que admito a possibilidade de tudo.
― ¿E vós, perguntou o pagem, que se conservava calado e pensativo desde que Veber terminara; passastes alguma vez na barbacã a altas horas?
― Passei... e não gostaria de vos contar o que vi.
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― ¿Porquê?
― Diminue a impressão poética que a lenda vos pode ter deixado.
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{{dhr}}</noinclude>― Pois bem, seja. Curioso de vêr a formosa Guiomar, cujo retrato estava farto de admirar na sala nobre do castelo, resolvi um dia, que iria só, á meia noite, ao sítio da barbacã, onde a infeliz condessa gastára longos anos á espera da dôr violenta que lhe arrancou a vida. ¿Que mal mé podia acontecer? Se rialmente dona Guiomar visitava de noite os sítios onde tanto sofrêra de dia, decerto não era para se ocupar dos outros, mas das suas tristes recordações. Convencido préviamente de que a bôa senhora, tão martirisada em vida, não podia ser má depois de morta, dirigi-me para a barbacă levando o espírito entre o desejo e a incredulidade. Não estava ninguêm quando cheguei. Confessarei que, mau grado meu, o coração batia-me apressado e uma viva inquietação, de que não podia precisar a causa, me agitava íntimamente.
Soaram as badaladas da meia noite e, um vulto branco, parecendo vir da capela do castelo, atravessou lentamente o parque e saindo das muralhas atravez duma pequena poterna, dirigiu-se lenta e solenemente para o sítio da barbacă a que a tradição chama ''o poiso de D. Guiomar''.
Eu tive uma vontade enorme de gritar e de fugir, mas não me atrevi: o mêdo paralisava-me. O vulto aproximou-se cada vez mais e, chegando ao ponto das ameias em que a linda castelã se assentava, inclinou-se para fora e perguntou muito baixo:
― ¿Estás aí?
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|46|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>― Estou.
― Então tem cautela. Tira tudo do cesto com cuidado. Não se vá partir a loiça.
Era uma voz máscula, de timbre avinhado, nada semelhante a uma voz de mulher.
Debaixo do muro responderam:
― Pronto. Já tirei tudo: podes puxar.
Era uma mulher que falava.
― ¿Como está o pequeno? perguntou o vulto branco.
― Mal. O físico diz que não escapa.
― ¡Pobre mulher! ¡O que tu deves ter sofrido! Vai-te embora, vai. Que eu também me recolho.
― Pede ao mordomo para ires a casa amanhã. Dize-lhe que tens o pequeno doente.
― ¿Como? ¿Como o havia de saber?
― Um sonho com D. Guiomar...
― Não, não. Deus me livre de falar no seu nome. Se o principe imaginasse que era de mim que tinha mêdo, fazia-me dar uma dúzia de varadas.
― E fazia muito bem, disse-lhe eu saíndo do canto obscuro em que me ocultava. O cozinheiro do principe lançou-se-me aos pés pedindo-me que tivesse compaixão dêle. Era pobre, a familia tinha fome, e êle socorria-a com os restos da mesa sob a forma de D. Guiomar, abusando da crendice na lenda. Tive dó dêle e prometi, calar-me, mas, como não quis ser culpado do seu roubo, estabeleci á sua familia uma pensão que o habilitou a deixar em paz na cova a sombra<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|47}}
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{{dhr}}</noinclude>da bela castelã. ¿ Não se riem do mêdo enorme que eu tive? perguntou Henrique terminando.
― Não. O mêdo ataca toda a gente. Dominá-lo e vencê-lo é o que se torna necessário para ser homem. Depois acabar-se-ia por não saber se êle existia, se a memória, nem sempre amavel, não guardasse, fiel e tenazmente, as emoções fortes que nos impressionam o cérebro.
― Mas, ¿que é aquilo?
Seguindo com os olhos a direcção em que Veber apontava, Guilherme e Roberto viram ao longe uma numerosa cavalgada que vinha no mesmo sentido.
O pagem bradou:
― São êles, senhor. Vêem prender-nos. E' o que é pôr-se a gente a contar e ouvir histórias em momentos tão críticos.
― Metam esporas aos cavalos: vá, de mão baixa.
E, soltando as rédeas ao fino murzelo que montava, Guilherme e os seus companheiros desapareceram ás vistas dos seus perseguidores, envoltos numa espessa nuvem de poeira.
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text/x-wiki
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― Mas, ¿que é aquilo?
Seguindo com os olhos a direcção em que Veber apontava, Guilherme e Roberto viram ao longe uma numerosa cavalgada que vinha no mesmo sentido.
O pagem bradou:
― São êles, senhor. Vêem prender-nos. E' o que é pôr-se a gente a contar e ouvir histórias em momentos tão críticos.
― Metam esporas aos cavalos: vá, de mão baixa.
E, soltando as rédeas ao fino murzelo que montava, Guilherme e os seus companheiros desapareceram ás vistas dos seus perseguidores, envoltos numa espessa nuvem de poeira.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|8|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>{{Ch|II}}
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O principe Dórdio, satisfeito de ter achado um fim útil á sua vida, auxiliando as nobres tenções de Guilherme, recolhera-se ao seu quarto após a ceia, e não podendo conciliar o sono, entretinha-se pensando na glória que lhe poderia advir de tão grandiosa empreza. Chama-se isto, de querer imaginar o que nos ha de acontecer no futuro, construir ''castelos na areia''. Estava pois sua alteza arquitectando o que desejava que a sorte lhe reservasse, quando duas leves pancadas soaram de manso na pequena porta que separava os aposentos do principe da escada de caracol, que levava ao observatório do astrólogo, que ha mais de 6 anos tinha vindo de França estabelecer-se ali, a rogos do principe Dórdio, apaixonado loucamente pela astrologia, em que acreditava como em Deus. Sua alteza, sem fazer um movimento, disse em tom amigável:
― Entrai, D. Praxedes, e sêde bem vindo à minha
presença.
― Senhor, eu não sei se faço bem, mas a muita
amizade que vos devo obriga-me a velar por vós, mesmo quando isso vos não seja talvez agradável.
― ¡Me não seja agradável, caro amigo! ¿Pois
pode deixar de o ser a certeza de que, enquanto {{hífen|esta|estamos}}<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/53
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{page break|label=}} {{Imagem float-p |file= {{Extrair imagem}} |align= |width= |cap= {{smaller|D. Praxedes (Pag. 48)}} |padb=2em |padt=2em }} {{page break|label=}}
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|mos|estamos}} descuidados, alguêm tem cuidado da nossa felicidade e descanso?
― Mas, senhor, quando êsse alguém pretende contrariar não só os vossos desígnios, como também as vossas promessas, tem razão para temer o mau umor
de sua alteza.
― Não, meu Praxedes, não: para vós o meu coração está sempre cheio de dôce benevolência.
― ¿Posso então falar com inteira franqueza?
― Sem dúvida.
― Meu amo, fazei prender os vossos hóspedes e lançai-os numa masmorra, a menos que não prefirais arrancar-lhes a vida.
O principe Dórdio pôz-se em pé tão rápidamente
como se fôsse impelido por uma mola, e còrando vivamente, exclamou:
― ¡Quebrar os deveres da hospitalidade! ¡Trair
aqueles que recolhi sob os tectos do meu solar!; Nunca! Praxedes, meu amigo, vós esqueceis momentaneamente a quem falais.
― Não, meu amo. Quem respeita ou poupa o ini-
migo ás mãos lhe morre.
― E' o mesmo. Eu prefiro morrer a cometer uma
indignidade... Alêm disso, nada prova que Guilherme, o Bom, seja meu inimigo.
― ¡Ora essa! Então vossa alteza vive em paz, no pleno gozo da vida e dos bens que por alta mercê Deus lhe confiou, e um figurão que surge, não se sabe como nem de onde, canta-lhe duas canções, exalta-lhe<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|51}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>a imaginação, e arrasta-o após as suas fantasias, talvez a ter que travar combate a favôr de belas ideias, não ha dúvida, mas... arriscando a vida. ¿E sabeis vós, meu principe, compreendeis ''bem'' qual é o valor da vida para quem a leva com tanto fausto e grandeza?
O principe, á medida que o astrólogo falava, parecia deixar-se vencer pelos seus argumentos. Por fim perguntou:
― Talvez tenhais razão; certamente a tendes. Concordo que fui leviano, acedendo aos desejos do meu hospede, sem medir o alcance do engajamento que tomava; ¿mas agora, como recusar? ¿Como dar o dito
por não dito?
― Não façais nada, senhor. Autorisai-me a que, sem desaire para vós, tente livrar-vos do mau trilho pelo qual ieis enveredar.
Sua alteza ficou alguns momentos silencioso. Depois, erguendo resolutamente a cabeça, exclamou, no tom de quem acorda dum grande pezadelo:
― Pois sim, D. Praxedes. Sois a minha Providência; tudo que decidirdes será por mim aprovado.
― Nem outra cousa era de esperar do vosso atilado espírito, meu senhor.
E beijando a mão que Dórdio lhe estendia, o vélhito retirou-se recuando e desapareceu pela pequenina porta por onde entrara, deixando cair após si o espesso reposteiro de veludo vermelho.
Êste astrólogo merece duas palavras de descrição:<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>Era um velho muito curvo, de longas barbas brancas, completamente calvo. Tinha as faces inteiramente engelhadas, e na bôca brincava-lhe a miudo um enigmático sorriso. Os olhos eram pretos, scintilantes e vivos e, quando falava, descansava-os com tal persistência no rosto daquele a quem se dirigia, que o coagia a desviar o olhar ou a sentir-se pouco á vontade sob aquela visivel investigação do seu intimo ser. ¿D. Praxedes era bom ou mau? Ninguêm o sabia. Não conversava com ninguêm, não mostrava nunca apoiar ou reprovar as expansões dos cortezãos do principe. Partilhava as refeições de sua alteza, que o tratava com singularissima deferência, mas não falava á mesa. Nos primeiros dias que isto sucedeu, os fidalgos da casa do principe estavam pasmados, e um, a quem Dórdio consentia mais familiaridades, atreveu-se a dizer-lhe baixinho:
― Meu senhor, ¿êste homem é mudo?
― Garanto-vos que não. Obedece a preceitos que a sua rara sciência lhe aconselha. Diz êle que o abuso da palavra prejudica o que fala e os que o escutam.
― ¿Porquê?
― Ele que to explique.
E voltando-se para o astrólogo, o principe disse-lhe com o seu modo mais graciosamente sedutor.
― D. Praxedes, o meu camarista Álvaro de Montezelos, admira-se de que possais guardar tanto tempo silêncio.
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{{dhr}}</noinclude>― Meu principe, é regra que ha muito sigo não
falar sem necessidade.
― ¿Qual o motivo, senhor?
― Primeiro, para não perder inutilmente palavras nem tempo; segundo, para me não arrepender do que tiver dito. Não é sem razão que o povo diz ha muito que ''se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro''.
Como é fácil de supôr o procedimento e atitude de D. Praxedes não eram de molde a atrair-lhe simpatias; mas o astuto velho em pouco tempo conseguiu, senão ser querido, saber pelo menos que era temido e respeitado. Todos o consultavam, escutando com superstição a sua palavra autorisada, e se nunca, tendo-o ouvido, se retiravam inteiramente satisfeitos com as suas respostas, iam admirados de se verem tão bem adivinhados, embora no juizo feito lhes pezasse quási sempre aquilo em que havia verdade. Uma palavra de D. Praxedes a qualquer cortezão era para êste motivo de ufania. O velho astrólogo sabia-o demais e poupava quanto possível a honra de lhas dirigir.
Saíndo dos aposentos do principe Dórdio, o velho astrólogo, em vez de subir aos seus, desceu á casa da mesa, onde ainda em volta dela alguns insaciaveis tinham vindo sentar-se após a retirada do principe Dórdio. O velho aproximou-se subtilmente e conseguiu chegar até ao estrado do principe sem que tivessem dado por êle; uma vez ali, apoiou-se ao alto espaldar da cadeira e disse, num fio de voz que parecium murmúrio de água corrente:
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{{dhr}}</noinclude>― ¡Amigos!
Todos se voltaram surpresos.
― ¿Sois ou não dedicados a sua alteza?
― Mais de que o corpo á alma que encerra.
― Então livrai-o dum grande perigo.
― ¿Qual?
― Da influência que êste hospede possa ter nêle. E' moço, ardente, apaixonado pelas ideias nobres e levantadas, não hesitará em dar a vida por elas e arrastará atraz da sua persuasiva palavra, não só o principe Dórdio, mas vós todos que estais habituados a passar a vida comodamente, conhecendo dela apenas o lado bom.
Eram poucos os que estavam á mesa, mas pertenciam ao número dos que ousavam prolongar a noute depois do principe se ter recolhido, o que equivale a dizer que eram e se sentiam fortes e não temiam repreensões nem mesmo do seu amo.
As palavras do astrólogo produziram nêles um efeito maravilhoso. Puzeram-se de pé por um impulso único, e o mais velho, erguendo a voz, falou por todos, sem que tivesse consultado ninguêm.
― D. Praxedes, disse êle, ouvindo-vos, julgo ouvir o eco do meu próprio pensamento que, formulado
pela vossa bôca autorisada, faz explodir a indignação que a custo continha nalma. Antes que o novo dia se levante, eu e os meus companheiros teremos posto êsses ilustres hospedes em estado de não serem nocivos.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|56|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>Foi nesta altura do discurso de Pelaio Ansures
que Henrique Veber, aproveitando a atenção e estado agitado da pequena assemblêa, e sabendo as más qualidades que ornavam aqueles ociosos, saíu mansamente da sala e correu a prestar aos simpáticos hospedes o seu valiosíssimo e eficaz auxílio.
Tendo pegado fogo ao rastilho da cólera palaciana, o astrólogo apressou-se a declarar que o principe não acudiria em defesa dos hospedes, porque o tinha adormecido com um poderoso narcótico. E, inclinando gravemente a cabeça numa saudação amavel, retirou-se com passo solene como quem não deseja presenciar aquilo que aconselha.
E' muito vulgar, meus pequenos leitores, encontrarem-se pelo mundo destas criaturas pouco dignas que não têem o valor dos seus actos nem das suas palavras, metem outros a proceder segundo os seus desejos, e retiram-se covardemente nas ocasiões, deixando áqueles, que convenceram e arrastaram, o trabalho, reservando-se reclamar a glória, se o resultado for bom. D. Praxedes tinha a atenuar-lhe a falta a sua extrema velhice, mas tenho para mim que, se êle fosse novo, teria procedido do mesmo modo. Subiu outra vez vagarosamente a escada e, tornando a entrar nos aposentos do principe, disse-lhe apenas:
― Senhor, vós estais, ''para todos os efeitos'', muitoprofundamente adormecido, devido a um narcótico
que vos ministrei. ¿Tendes entendido?
― Perfeitamente, meu amigo.
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|cap={{smaller|... o riso ao publico... (Pag. 58).}}
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― Deus dê a vossa alteza uma noite descansada.
― Igual vo-la desejo.
― Obrigado, meu senhor.
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{{dhr}}</noinclude>E, deixando cair o pesado reposteiro, o astrólogo subiu com passo lento ao seu observatório.
Momentos depois, descerrou uma das altas janelas da torre e, em vez de erguer os olhos para o ceu, baixou-os para a terra, procurando sondar com a vista cansada, mas curiosa, as trevas espessas que as copas das árvores abrigavam. Foi em vão. Apurou o ouvido e sorriu satisfeito. Eram vozes várias, primeiro num rumor surdo, depois erguendo-se e soando atrevidas em perseguição dos hospedes que fugiam, piedosamente auxiliados e seguidos por Henrique Veber.
Mas a satisfação do velho cessou como por encanto, quando entre o sussurro da multidão ouviu as palavras a que já atraz aludimos, em resposta á pergunta de «¿Quem o disse?» O astrólogo, que desconfiou dêles, foi consultar os astros.
Fez uma carêta muita feia, parecida com aquelas que os palhaços fazem para arrancar o riso ao público, e retirando-se para dentro, contrariado, pensava:
― ¿Para que será que êstes estúpidos falam no meu nome?
E um triste e amargurado pressentimento afligia-lhe o coração.
Enquanto Pelaio Ansures, seguido pelos principais homens da casa do principe Dórdio, ia em perseguição dos fugitivos, o astrólogo, que era poeta e sentimental, sentindo a alma carregada á lembrança dos perigos que poderia correr, se a expedição fôsse<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|59}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>mal sucedida e o apontassem como instigador dela, pôz-se a dizer de mansinho, como quem receia enganar-se:
―Sempre é bom examinar a consciência.
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{{dhr}}
<poem>
¡Ha tão longos anos vivo
Sem nunca ter feito bem!...
Tendo orgulho e sendo altivo,
Trato todos com desdêm,
Se me não podem servir;
Mas se, ao contrário, presumo
Tirar proveito dalguêm,
Isso então, sempre a sorrir,
Visto que o limão tem sumo,
Tanto me rojo no chão,
Que acabo por me sentir
Mais miserável que um cão.
Sou velho. A vida passou
Sem nunca pensar no termo.
Agora, que êle chegou,
Olho p'ra traz, vejo um ermo.
Não conto um só acto digno,
E tenho mêdo, confesso,
</poem>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|61}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Porque, quando o próprio enfermo
Acha o seu estado maligno,
É raro que pelo avesso
O julgue qualquer doutor,
Embora seja benigno
E lhe dôa alheia dôr.
Em criança fiz maldades,
Sabendo bem que as fazia,
E aos outros mil crueldades
De que não me arrependia.
Em mentiras, garotices,
Teimas, calúnias, fui sábio.
Aproveitava o que lia
Em qualquer velho alfarrábio.
Mas eram sempre tolices
Que eu procurava imitar,
¡Se eram o mel do meu lábio!
¡O sal do meu paladar!
Crescendo, não me emendei,
Tornei-me sempre pior.
Aprendendo quanto sei,
Tornei-me um patife mór.
Todo o mal que fiz, me pesa
Em mêdo, no coração,
Porque conservo de cór
A lista do que me lesa
Em pontos de perfeição.
</poem>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|62|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Nada agora me conforta
Em tão triste situação
Vendo a morte quási á porta.
</poem>
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{{C|{{larger|{{bl|Epílogo}}}}}}
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{{dhr}}
<poem>
Leitor, o mal, a meu vêr,
É que não se arrependia
Por pena de mal fazer,
Mas da pena que temia.
Quem imitar o astrólogo
Procure a tempo pensar,
Que a vida, sempre mais rápida,
Acaba sem anunciar.
</poem>
Mas deixemos o repelente velho entregue ao horrivel exame da sua passada conduta e vamos encontrar-nos com Guilherme, o Bom, e os seus companheiros, fugindo a galope pela formosa estrada de Nimbria.
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Hino do município de São José Do Goiabal
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Adição De Conteúdo
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wikitext
text/x-wiki
Hino A São José Do Goiabal
Letra: Constança Morais (D.Dudu)
Música: Etelvino Drumond
São José Do Goiabal
Terra Jovem E Protegida
Tens Nas Veias Vida E Seiva
Que Te Tornam Conhecida
Já N'Alma Sinto Alegria
Do Calor Do Sol Ardente
Que Desfaz Toda Tristeza
Dando Vida Tua Gente
Tuas Matas Viridentes
Tuas Lagoas Sem Fim
Teu Rio Doce Soberbo
São Preces De Serafim
No Barulho Das Folhagens
Que Adoram Teu Rico Chão
Se Estendem Riquezas Mil
Como Não Há No Sertão
Pois Em Ti Já Se Respira
Qualquer Coisa Bem Estranha
Cobiçosos De Outras Plagas
Vem Rasgar Tuas Entranhas
Tens Um Povo Nobre E Forte
E Tesouros Que Seduzem
Tens Micas E Tens Cristais
Que Noutras Terras Não Luzem
Sim Glória A Deus Nas Alturas
Que Te Fez Tão Rica Assim
Canta Canta Sem Cessar
Como Canta O Jacamim
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|63}}
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{{dhr}}</noinclude>{{ch|III}}
{{dhr}}
Seguido dos seus dois companheiros, Guilherme, o Bom, atingiu sem novidade as portas da cidade porque, sempre que se via quási alcançado pelos seus
inimigos, bradava com fé:
― ¡Alma da terra em que nasci! «¡acode aqui!»
E a distância a que êles estavam duplicava-se como por encanto. Entrando no povoado, tres cousas pediu com empenho o paladino da pátria, á Fada Loira: que os transformasse momentaneamente em tres lindas mulheres, lhes desse um belo palácio e cinco mosquitos bem fieis e obedientes.
Então viram-se de repente transformados em bonitas senhoras e dentro dum palácio que nada tinha que invejar aos mais belos e melhores do mundo. Muitos criados, quási todos de côr negra, estavam formados á entrada da grande escada de mármore, para os receber, e no alto dela a Fada Loira esperava-os, tendo na mão uma gaiola de prata, muito pequenina, dentro da qual se viam os cinco mosquitos pedidos
Conservando as suas belas feições, apenas amaciadas por um dôce ar feminil e ausencia de bigodes<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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{{dhr}}</noinclude>{{page break|label=}}
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e barbas, os tres rapazes, mudados agora em gentis damas, elegantemente vestidas á moda do tempo, subiram as escadas, apoiados aos vistosos guarda-sóis que lhes tinham substituido as espadas. A Fada Loira<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|65}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>descera uns degraus ao seu encontro e, pegando na mão de Guilherme, disse-lhe:
― Vem, minha Clara: chamo-te assim porque serás tu que ''farás luz nas trevas''. A tia Perpétua, disse dirigindo-se ao pagem, chamo-te assim porque hasde perpetuar o amor por mim em toda a face da terra, e a tia Glória, assim te chamo porque te cobrirás de ''glória'' pelos teus actos de valor em prol da nossa causa. Aqui tens os mosquitos que pediste, minha amiga; são todos muito bem adestrados e obedientes, sendo dignos de toda a tua confiança. Chamam-se ''Dó, Ré, Mi, Fá, Sol''. Agora outro assunto: Deveis receber visitas de todas as notabilidades da terra, porque eu fiz anunciar a vossa chegada em todos os jornais de Nimbria. Direis que sois da nossa origem, mas nascidas e criadas nas formosas terras de Portugal. Agora, que já vos instruí de tudo que é conveniente, só tenho a acrescentar que é bom não abusar do meu nome extraordináriamente.
E, depois de lhes apertar as mãos, desapareceu de
repente á vista delas.
As tres jovens entraram na primeira sala. Ali, antes de mais nada, Clara abriu a gaiola dos mosquitos e disse:
― ''Dó'', vai á cabeceira da cama do primeiro ministro e fá-lo sonhar na imensa glória que êle teria se deixasse para sempre na história o seu nome gravado como o do restaurador da Pátria. Tu, ''Ré'', visita a rainha e faz-lhe sonhar com a grandeza da nação. De ti,<noinclude>{{smaller|{{rh|{{uc|A fada loira}}||5}}}}</noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>''Mi'', espero que vás ao castelo do principe Dórdio e lhe segredes que, escutando o seu astrólogo, deu ouvidos a um traidor. ''Fá'', vai introduzir-te no quarto do ministro dos estrangeiros e escuta a conversa déle com a esposa. E tu, amigo ''Sol'', procura Pelaio Ansures, pela cidade, e vê se o tentas a vir visitar as estrangeiras recem-chegadas.
Os mosquitos saíram pela janela tomando várias direcções, e as tres raparigas entraram na formosa sala de jantar, onde as paredes eram forradas por magníficos espelhos de Veneza, e sentaram-se á mesa em frente dum opíparo jantar. Clara não comia, devorava. Vêr-se livre dos seus perseguidores e perfeitamente a salvo do perigo de poder torná-los a encontrar, deu-lhe, alêm da fome, um excelente bom humor. Glória imitava-lhe a bôa vontade, e Perpétua, mais comedida, ouvia-as a ambas conversar e pouco se misturava na discussão. Tambêm comia pouco e aprovava uma ou outra das interlocutoras, ou por um sorriso ou por um gesto.
Quando a refeição terminou fôram vêr o palácio e as suas magníficas dependências. O quarto de Clara era lindo, todo forrado de sêda côr de rosa e oiro, os móveis forrados de setim da mesma côr, e a cama, toda doirada, oculta por espessos cortinados cor de rosa, presos no tecto por uma argola tambêm doirada, da qual pendiam fartos festões de rosas e troncos de hera. Entrando naquele quarto soltaram todas uma exclamação de prazer e de assombro. Nunca tinham visto<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>tanta opulência aliada a um gosto tão escolhido. O quarto de Glória era o mesmo, mas forrado de azul e prata, e todos os móveis nessas côres. O de Perpétua era vêrde-mar e todos os móveis eram de cristal, até o leito, e, embora o leitor julgue que os outros dois eram mais bonitos do que êste, engana-se. Havia nêle uma frescura, uns tons suaves e diáfanos que agradavam mais, se é possivel, do que as côres formosas e opulentas dos outros dois aposentos. Quando terminaram a visita dos jardins e do longo parque que lhes ficava anexo, estavam estafadas e resolveram recolher-se aos seus quartos para descansarem das fadigas diurnas. Mas as surprezas ainda não tinham terminado para elas. Cada uma tinha uma áia preta, vestida com as cores do quarto, como se ela própria fôsse tambêm um objecto. Sigamos Clara, primeiro, como a personagem mais importante desta história. Depois de despida e metida no leito, despediu a criada e, cerrando as palpebras, adormeceu; mas, ao soarem as dôze badaladas da meia noite, acordou repentinamente. Tinha diante de si a Fada Loira. Olhando em volta, viu o seu quarto transformado numa quadra longa e austéra, com paredes forradas por coberturas vêrdes, ao longo das quais pendiam vários e magníficos petrechos de guerra. Á cabeceira da sua cama estava uma soberba espada e uma rica armadura, e, reparando em si própria, viu-se homem forte e robusto. Não cabia em si de espanto e olhava, fascinado, para<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>a Fada Loira, que a poucos passos do leito lhe sorria dizendo:
― Eu virei todas as noites, ao soarem as dôze badaladas, lembrar-te que és homem e deves cumprir a tua promessa. Rodeei-te de todos os atrativos do luxo e da sedução, para te tornar a propaganda mais fácil, porque, como sabes, é quási sempre de cima que as ideias vêem, e que mais fácil é espalha-las; mas é necessário que não te deixes amolecer pela comodidade e pelo conforto. Não te esqueças de mim.
E dizendo estas últimas palavras, desapareceu aos olhos deslumbrados de Guilherme, que retomou imediatamente, com o seu quarto côr de rosa, as formas gentis de Clara.
Foi-lhe difícil conciliar o sono, mas tendo-o conseguido, só acordou no dia seguinte quando o sol, já alto no horisonte, convidava os pobres ao frugal jantar.
Glória dormia também, quando acordou sobresaltada, e viu diante de si a Fada Loira, que lhe disse
com bondade:
― Eu sou a alma da Pátria e estou-te grata pelos serviços que prestaste ao meu campeão. Henrique Veber, lembra-te que és homem e que te deves e me deves fortuna.
Olhando em roda, viu uma transformação idêntica á que se tinha dado com Guilherme. Fitou-se a si próprio, como êle fizera, e viu-se homem forte e valente.
Então, respondeu com calor:
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{{dhr}}</noinclude>― Senhora, as vossas ordens são leis para mim' os vossos designios os meus.
― Agradeço-te, meu filho, e confio do teu esfôrço grandes e nobres empreendimentos.
E partiu, deixando outra vez no seu quarto azul, não um homem, mas uma gentil mulher.
No quarto de Perpétua as cousas passaram-se de outra forma. Transformou-se de repente num sítio ameno e aprazivel, e ela, deixando a forma humana, tornou-se água, correndo mansamente entre salgueiros. Figura não lhe apareceu nenhuma, nem de homem nem de mulher, mas viu, como os outros, a alma da Pátria e ouviu atentamente quanto ela lhe quiz dizer. Êste estado, em Perpétua, prolongou-se até ao romper do dia. Foi ela de todas as tres meninas a que mais cêdo se ergueu e a única que nada comunicou dos sucessos nocturnos, embora escutasse com extrema complacência tudo que as suas companheiras lhe contaram.
Nós, que já sabemos como as cousas se passaram, escusamos de lhes ouvir a narrativa. Eram quási cinco horas quando as visitas começaram a chegar ao palácio da rua Larga. Entre os visitantes, Clara teve o gosto de reconhecer Pelaio Ansures, trajando as suas melhores galas e acompanhado por dois outros fidalgos que vira sentados á mesa do principe Dórdio. Clara, muito amavel com todos, foi, particularmente, cativante com êste homem que ela sabia temivel e queria chamar á sua causa, Pelaio Ansures estava {{Hífen|en|cantado}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|71}}
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|cantado|encantado}} da gentileza com que era recebido e verdadeiramente fascinado pelos belos olhos da linda Clara. Quási á saída, ela, sob o pretexto de lhe fazer admirar umas plantas raras, convidou-o a vir almoçar no dia seguinte, em família.
E, vendo-o afastar, pensava:
― Ou eu me engano muito, ou êste ha de vir a ser dos meus, apesar do muito que tem feito para me inutilisar.
Perpétua e Glória tambêm procuraram agradar aos visitantes e inspirar-lhes a precisa simpatia que é necessário semear para poder fazer calar no íntimo das pessôas as ideias que se lhes desejam incutir.
Eram dez horas da manhã quando Pelaio Ansures, pressuroso em aceitar o convite da linda Clara, se dirigia com os seus dois amigos para o palácio da rua Larga. Chegando junto da porta, o porteiro tirou o gorro que tinha na cabeça, e perfilando-se disse:
― V. Ex.{{sup|as}} escusam de subir a escada. As senhoras esperam-nos no parque, onde o almoço deve ser servido. Por esta porta, e seguir a alamêda em frente.
E indicava-lhes um esplendido batente de cristal talhado em bisel.
Os tres homens responderam por uma ligeira inclinação de cabeça e tomaram o caminho que lhes era indicado. Mal tinham chegado ao fim da formosa alaméda, que anosos castanheiros da India sombreavam, pararam, enlevados num melodioso canto, ao qual se ligavam os maviosos sons duma harpa.
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