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== <span lang="pt-br" dir="ltr">Em breve: um novo recurso de sub-referência – experimente!</span> ==
<div lang="pt-br" dir="ltr">
<section begin="Sub-referencing"/>
[[File:Sub-referencing reuse visual.png|{{#ifeq:{{#dir}}|ltr|right|left}}|400px]]
Olá. Por muitos anos, os membros da comunidade solicitaram uma maneira fácil de reutilizar referências com detalhes diferentes. Agora, uma solução está chegando: o novo recurso de sub-referência, para wikitexto e Editor Visual, aprimorará o sistema de referência existente. Você pode continuar a usar os recursos existentes, mas provavelmente encontrará sub-referências em artigos escritos por outros usuários. Mais informações na [[m:Special:MyLanguage/WMDE Technical Wishes/Sub-referencing|página do projeto]].
'''Queremos sua opinião''' para garantir que esse recurso funcione bem para você:
* [[m:Special:MyLanguage/WMDE Technical Wishes/Sub-referencing#Test|Por favor, experimente]] a ferramenta, atualmente em fase beta, e [[m:Talk:WMDE Technical Wishes/Sub-referencing|diga-nos o que você acha]].
* [[m:WMDE Technical Wishes/Sub-referencing/Sign-up|Inscreva-se aqui]] para receber atualizações e/ou convites para participar de pesquisas.
A equipe de [[m:Special:MyLanguage/WMDE Technical Wishes|Desejos Técnicos]] da [[m:Special:MyLanguage/Wikimedia Deutschland|Wikimedia Deutschland]] está planejando trazer este recurso para as wikis da Wikimedia ainda este ano. Entraremos em contato com os criadores/mantenedores de ferramentas e predefinições relacionadas a referências com antecedência.
Por favor, ajude-nos a espalhar essa mensagem. --[[m:User:Johannes Richter (WMDE)|Johannes Richter (WMDE)]] ([[m:User talk:Johannes Richter (WMDE)|talk]]) 10:36, 19 August 2024 (UTC)
<section end="Sub-referencing"/>
</div>
<!-- Mensagem enviada por User:Johannes Richter (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Johannes_Richter_(WMDE)/Sub-referencing/massmessage_list&oldid=27309345 -->
== Ortografias antigas e atuais ==
Muitas obras dos séculos XVIII e XIX estão já "atualizadas" com ortografias recentes (de 1943, de 1990, etc.), e eu julgava que tais atualizações seriam a norma no Wikisource. Entretanto, muito recentemente fiquei sabendo que o "correto" é transcrever o mails fielmente possível a grafia original da imagem digitalizada (inclusive mantendo eventuais erors do original). Que fazer com tais obras já modificadas? Deverão elas ser "corrigidas" e retornar à grafia original?
Vejo que certas obras possuem duas versões: uma figurando somente com o título, e uma vizinha cujo título contém a frase "(grafia original)". Creio ser esta a maneira desejada de manter ambas as versões.
[[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 00h39min de 20 de agosto de 2024 (UTC)
:Sim, o correto é deixar o texto o mais fiel possível do original, incluindo os erros assim como você comentou. Isto está escrito no aviso que aparece assim que você irá criar/editar uma página.
:<nowiki>Sobre a prática de colocar duas obras, uma com a grafia original e outra com a grafia atualizada não acho que seja a melhor coisa a se fazer, pois já temos uma predefinição para lidar justamento com esse problema {{</nowiki>[[Predefinição:Modernização automática|Modernização automática]]<nowiki>}}. E acho que não é legal a duplicação das obras, e ainda por cima, gera páginas sem fontes, que são páginas que não podem ser facilmente verificadas por outros usuários no futuro.</nowiki>
:Caso você encontre obras que estão com a grafia atualizada, coloque-as nesta [[:Categoria:Originais a serem arcaizados|categoria]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 03h14min de 20 de agosto de 2024 (UTC)
::Junglk, obrigado pela dica! Sim, exemplos de obras a que me refiro são ''O Cortiço'' e ''O Matuto''. Ambas já estão na mencionada lista. Mais uma vez agradeço. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 03h33min de 20 de agosto de 2024 (UTC)
::[[Utilizador:Junglk|Junglk]], Graças aos seus conselhos, consegui completar a arcaização de 'O Matuto', obra que consta na lista que você mencionou acima.
::Questão adicional: Vejo que 'Modernização automática' funciona bem no âmbito de uma página individual, mas há alguma maneira simples de fazer esta declaração, uma vez só, no início de uma obra, para que a predefinição se propague automaticamente para o resto dela? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 13h31min de 6 de setembro de 2024 (UTC)
:::Para que a modernização seja feita de forma automática é preciso que na página da Galeria você clique em editar a página e selecione a modernização automática, é a penúltima caixa. Assim que você fizer isso, pode ser que não funcione, pois as páginas dos capítulo podem estar utilizando a predefinição {{tl|navegar}}, o que não funciona com a modernização automática (isso é explicado em uma nota no final da página da galeria assim que você ativa modernização automática na obra). Então para que a modernização automática funcione você deve usar <code><nowiki><page index="Nome do arquivo" from="(Número da página inicial do capítulo/seção)" to="(Número da página final do capítulo/seção)" header=1></nowiki></code> na página de cada capítulo ou seção. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h00min de 6 de setembro de 2024 (UTC)
:::Aqui está um exemplo caso minha explicação tenha ficado confusa: [[Galeria:Iracema - lenda do Ceará.djvu|Iracema]].
:::Vejo que há uma nota abaixo da pagelist, dizendo o seguinte: ''A predefinição {{Modernização automática}} será aplicada automaticamente às páginas transcluídas com cabeçalho (header=1)''. Espero ter ajudado! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h05min de 6 de setembro de 2024 (UTC)
::::[[Utilizador:Junglk|Junglk]], Obrigado de novo pelo auxílio. Vi depois que mesmo sem selecionar nada na Galeria, é possível adicionar as opções de Modernização Automática ao menu ''Ferramentas'' de cada capítulo. Estou procedendo de tal maneira com [[O cabelleira]]. Obrigado! [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 10h45min de 9 de setembro de 2024 (UTC)
:::::Fico feliz que tenha ajudado! 😊 [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h32min de 9 de setembro de 2024 (UTC)
== Travessão ==
Qual é a maneira recomendada de se grafar o travessão no Wikisource? Por exemplo: (1) '—' parece o suficiente. (2) '& m d a s h ;' parece ser igual. (3) '{ { - - } }' também parece ser idêntico. Nota: inseri espaços nos exemplos anteriores para evitar conversão automática nesta mensagem. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 08h04min de 19 de setembro de 2024 (UTC)
:Os três produzem o mesmo resultado. O terceiro é a forma mais fácil de escrever, sem precisar de botões ou atalhos de teclado, e mais fácil de memorizar. É melhor de se usar, inclusive para evitar que seja substituído por acidente por hífens, dependendo do parágrafo da digitalização. [[Usuário:555|Lugusto]] • [[Usuário Discussão:555|※]] 12h38min de 19 de setembro de 2024 (UTC)
::👍 [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 12h41min de 19 de setembro de 2024 (UTC)
{{Discussão2|Invasão nas Mudanças recentes}}
== 'Wikidata item' link is moving. Find out where... ==
<div lang="en" dir="ltr" class="mw-content-ltr"><i>Apologies for cross-posting in English. Please consider translating this message.</i>{{tracked|T66315}}
Hello everyone, a small change will soon be coming to the user-interface of your Wikimedia project.
The [[d:Q16222597|Wikidata item]] [[w:|sitelink]] currently found under the <span style="color: #54595d;"><u>''General''</u></span> section of the '''Tools''' sidebar menu will move into the <span style="color: #54595d;"><u>''In Other Projects''</u></span> section.
We would like the Wiki communities feedback so please let us know or ask questions on the [[m:Talk:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Projects/Move_Wikidata_item_link|Discussion page]] before we enable the change which can take place October 4 2024, circa 15:00 UTC+2.
More information can be found on [[m:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Projects/Move_Wikidata_item_link|the project page]].<br><br>We welcome your feedback and questions.<br> [[Utilizador:MediaWiki message delivery|MediaWiki message delivery]] ([[Utilizador Discussão:MediaWiki message delivery|discussão]]) 18h56min de 27 de setembro de 2024 (UTC)
</div>
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Test_List&oldid=27524260 -->
== 'Wikidata item' link is moving, finally. ==
Hello everyone, I previously wrote on the 27th September to advise that the ''Wikidata item'' sitelink will change places in the sidebar menu, moving from the '''General''' section into the '''In Other Projects''' section. The scheduled rollout date of 04.10.2024 was delayed due to a necessary request for Mobile/MinervaNeue skin. I am happy to inform that the global rollout can now proceed and will occur later today, 22.10.2024 at 15:00 UTC-2. [[m:Talk:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Projects/Move_Wikidata_item_link|Please let us know]] if you notice any problems or bugs after this change. There should be no need for null-edits or purging cache for the changes to occur. Kind regards, -[[m:User:Danny Benjafield (WMDE)|Danny Benjafield (WMDE)]] 11h28min de 22 de outubro de 2024 (UTC)
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Test_List&oldid=27535421 -->
== Como iniciar no Wikisource? ==
Saudações, tenho interesse em colaborar com o Wikisource através de traduções de livros, artigos e outras obras literárias que não estão traduzidas para a língua portuguesa. Entretanto, não sei como começar. Quais as predefinições mais importantes? Como estilizar o documento (justificar, centralizar, mudar fonte, etc.)? No aguardo pela resposta.
:{{ping|Caesar853}} Olá! Primeiro, é importante assinar seus comentários com <nowiki>~~~~</nowiki> no final; Como um começo, diria para dar uma lida em [[Ajuda:Introdução]]; acho que no geral, as predefinições mais usadas são [[Predefinição:Centralizado|Centralizado]], [[Predefinição:Cabeçalho|Cabeçalho]], [[Predefinição:Larger|Larger]] e mais algumas para [[:Categoria:!Predefinições para títulos|títulos]]. A única outra "fonte" seria [[Predefinição:Cursivo|Cursivo]], mas ficaria ruim deixar a obra toda nesse formato (já "itálico" e "negrito" funcionam da mesma forma que na Wikipédia - no geral, se você já tem experiência na Wikipédia, não terá problema aqui, já que é a mesma tecnologia). Agora, para tradução, tem uma plataforma que ainda não cheguei a usar ({{ping|Saturnow}} usou bastante) chamada [[Wikisource:Tradução espelho]]. Abraços! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 12h07min de 4 de dezembro de 2024 (UTC)
:Obrigado pela resposta, vou seguir o passo-a-passo. Eu tenho uma experiência com o Wikipédia, já criei e aprimorei diversos artigos por lá. Eu olhei de relance a formatação da obras mais recente em publicação que é ''Reparação Historica da Villa de Santo André da Borda do Campo'' e eu entendi mais ou menos como funciona as predefinições de formatação. [[Utilizador:Caesar853|Caesar853]] ([[Utilizador Discussão:Caesar853|discussão]]) 13h03min de 4 de dezembro de 2024 (UTC)
::Bem, não há de quê! E boas edições! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 14h01min de 4 de dezembro de 2024 (UTC)
:::Bom dia, existe alguma forma de criar rascunhos no Wikisource, isto é, conteúdos não publicados para o caso do colaborador estar escrevendo ou traduzindo obras muito longas como livros, legislações, etc.?
:::[[Especial:Contribuições/2804:214:93C1:3D57:180F:C5D6:FBE7:C005|2804:214:93C1:3D57:180F:C5D6:FBE7:C005]] 11h59min de 10 de dezembro de 2024 (UTC)
::::{{ping|2804:214:93C1:3D57:180F:C5D6:FBE7:C005}} Bom dia! Acho que em si não terá problema criar uma subpágina de usuário como rascunho, mas para tradução, sugiro que leia [[Wikisource:Tradução espelho]]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h45min de 11 de dezembro de 2024 (UTC)
== Predefinição:Autor ==
Hoje eu fiz umas alterações na {{tl|Autor}} para buscar mais dados do Wikidata. Tentei ao máximo fazer as alterações necessárias sem causar impacto no leiaute ou na funcionalidade da predefinição. Mas a predefinição chamava funções desatualizadas e foi necessário trazer algumas funções novas que não estavam incluídas nos módulos deste projeto. Fiz todas as atualizações. Agora não é mais necessário informar a data de nascimento ou morte de um autor. Esses dados são buscados do Wikidata e a página é categorizada corretamente. Mas ainda está havendo um erro na geração de categorias por ano de nascimento e falecimento, apenas quando esses parâmetros são informados na {{tl|Autor}}, por meio de {{tl|dni}} ou {{tl|morte}}. Desculpem-me por isso. Vou parar um pouco por hoje, mas vou corrigir esse erro em algumas horas e aviso aqui quando estiver ok. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 04h25min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:Muito bom! Nessa linha, acha que seria possível automatizar a categorização em [[:Categoria:Autores brasileiros por data de entrada em domínio público|Autores brasileiros por data de entrada em domínio público]] (além de criar uma versão para Portugal) ou criar um equivalente ao [[:s:en:Category:Authors by license|Category:Authors by license]], dentro do <nowiki>{{</nowiki>[[Predefinição:Morte|morte]]<nowiki>}}</nowiki>? Talvez o Ws possa usar o próprio Wikidata (através da nacionalidade) para identificar quando cada autor entrou em domínio público. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h24min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
::Boa ideia. A princípio, eu estava apenas tentando importar o máximo de informações já existentes na {{tl|Autor}}, mas a ideia era vir aqui e discutir melhorias que essa integração com o Wikidata pode trazer. Como o Wikisource não é uma enciclopédia, a página dos autores não precisa ser uma biografia, então até mesmo o texto de introdução (MiscBio) pode ser gerado automaticamente. Na Wikiquote, já está funcionando assim, mas aguardando quorum para aprovar o uso. A sua sugestão parece ser ainda mais útil. Vou tentar implantar em teste e trago aqui para discussão. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 13h09min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:::{{feito}} Resolvido o problema da categorização com {{tl|dni}} e {{tl|morte}}. Vocês podem checar em [[Autor:Monteiro Lobato]] (ou em qualquer página com {{tl|Autor}} que tenha as predefs de nascimento e morte nos respectivos campos). A {{tl|Autor}} '''ignora''' os dados de nascimento/morte fornecido e categoriza a página pelos dados do Wikidata. Então, nesse momento, informar a data de nascimento/morte é <u>desnecessário</u>. Vou atualizar a documentação. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 15h24min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
::::{{feito}} Atualizei a documentação. Nesse momento, nenhum parâmetro é obrigatório, basta escrever {{tl|Autor}} em uma página conectada no Wikidata para importar todos os dados necessários de lá. Isso inclui a informação da nacionalidade, abrindo caminho para implementar a sugestão do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Mas vou estudar a árvore de categorias e depois abrimos um novo tópico para esse tema. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 20h20min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::Concordo com a ideia de automatizar a biografia (algo que é feito nas Ws em francês e espanhol). Quanto a minha sugestão, ela também entra no contexto [[Wikisource:Esplanada/Autores portugueses em DP|dessa discussão]], que pode gerar algo mais prático para os usuários do que as listas presentes [[Wikisource:Autores em língua portuguesa com obras em domínio público|nesta página]]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 22h22min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
::::::E lembrando agora, seria interessante se a categorização de [[:Categoria:Autores por nacionalidade|Autores por nacionalidade]] (ou por unidade federativa) também seja automatizada. E, além disso, usando o [[:s:fr:Auteur:Monteiro_Lobato|Lobato]] como exemplo, no Wikisource em francês, tirando "''Auteurs de science-fiction''", todas as categorias relevantes são automáticas. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 22h28min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::::Fiz um teste no Ws em francês onde atualizei o Wikidata e coloquei o "Escritor de ficção científica": a categorização foi imediata. Talvez o único "problema" de uma categorização totalmente dependente do Wikidata seria a quantidade de categorias por criar, mas isso seria feito com o tempo (ou algum bot poderia resolver). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 22h36min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
{{Discussão2|Sonetos sem original digitalisado}}
== Transferir "Galeria" ==
Olá. Eu queria revisar o texto de [[:Galeria:Contos_e_phantasias_(Maria_Amália_Vaz_de_Carvalho,_1905).pdf|Contos e phantasias]], mas o scan que está anexado é realmente muito desagradável. Eu fiz o upload para a Commons de um scan mil vezes melhor ([[:File:Contos e phantasias-2nd.pdf]]). Como que poderíamos passar a usar a "Galeria" ''deste'' no lugar? [[Utilizador:Polomo47|Polomo47]] ([[Utilizador Discussão:Polomo47|discussão]]) 03h54min de 28 de dezembro de 2024 (UTC)
{{Discussão2|Alterações para incluir notas laterais}}
{{Discussão2|Ajuda com formatação}}
== Como fazer a página índice ==
Olá, Sou iniciante aqui no Wikisource, e gostaria de saber como introduzir conteúdo à página índice de ''S. Bernardo'' de Graciliano Ramos: [[https://pt.wikisource.org/wiki/S._Bernardo]], que no momento encontra-se ainda vazia. Por "conteúdo" quero dizer a página formatada e publicada, com links para os vários capítulos. (Um exemplo seria: [[O Matuto|https://pt.wikisource.org/wiki/O_Matuto]].) Presentemente, estou ainda processando as imagens originais de ''S. Bernardo'', [[https://pt.wikisource.org/wiki/Galeria:Graciliano_Ramos_-_S._Bernardo_(1934).pdf]], mas eu gostaria de poder ver as páginas publicadas. Será que daria para algum de vocês "power users" fazê-lo para mim, ou dar-me instruções? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 05h48min de 22 de fevereiro de 2025 (UTC)
:{{ping|Wuopisht}} como exemplo, fiz a [[S. Bernardo (1934)|página inicial]] e o [[S. Bernardo (1934)/Capítulo I|Cap. 1]]: é bem intuitivo, pois você apenas precisa adicionar a primeira e última página do capítulo no código ("from= to="). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h14min de 22 de fevereiro de 2025 (UTC)
::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], Obrigado! Agora a inserção dos textos se tornou trivial! Uma última pergunta: é preciso ter alguma permissão especial para fazer a página inicial? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 00h16min de 23 de fevereiro de 2025 (UTC)
:::Não há de que! Não é preciso de nenhuma permissão especial para fazer uma página inicial (ou qualquer página de obra), só para apagá-la. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 00h51min de 23 de fevereiro de 2025 (UTC)
{{Discussão2|ajuda}}
Ola,presiso de ajuda,aqui "não tem cafe dos novatos",por isso vim aquina explanada e preciso de ajuda para criar aguns "artigos". agradeço a todos que me responderem
== Como aprimorar a modernização automática ==
Olá, Notei que introduzindo uma palavra à página dicionário [[Wikisource:Modernização/Dicionário/pt-BR]] tem imediatamente o efeito de "corrigir" qualquer página marcada para modernização (por exemplo, adicionando "*optimismo: otimismo"). No entanto, fico na dúvida se essa é a maneira correta ou recomendada para modernização. É uma tarefa extremamente árdua introduzir palavras uma a uma, especialmente em casos difíceis como em conjugação de verbos. Imagino se não há já algum método mais automático de ampliar o dicionário, ou se não há algum método melhor de modernização. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 12h43min de 24 de fevereiro de 2025 (UTC)
:Quanto a um método mais automático não sei lhe dizer, acho que esse infelizmente é o único disponível no momento (da qual tenho conhecimento). É árduo sim, mas a Wikisource é um projeto colaborativo, se cada um ajudar um pouquinho não é tanto trabalho assim.
:{{gap}}Agora com relação ao método de realizar a adição de novas palavras, acho que você se confundiu um pouco, por exemplo a palavra ''*ortographia: ortografia'' deveria ter sido adicionado no dicionário pt-PT e não no pt-BR, pois é uma modernização na qual é válida para ambas as variantes (''ortographia'' é ''ortografia'' tanto em pt-PT quanto em pt-BR). O que ocorre é que a verificação é realizada primeiramente no dicionário pt-PT, e o dicionário pt-BR é verificado somente após essa primeira verificação no outro dicionário. Então somente adicione no dicionário pt-BR palavras na qual há um diferença entre a variante pt-PT e pt-BR, como seu próprio exemplo, a palavra ''optimismo'' deve ser mantida dessa forma em pt-PT, mas em pt-BR deve ser alterada para ''otimismo''. Espero que tenha exclarecido a confusão. Abraços! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h02min de 24 de fevereiro de 2025 (UTC)
::Obrigado pela dica, [[Utilizador:Junglk|Junglk]]!Sim, tinha me esquecido que o BR é adicional ao PT. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 11h20min de 26 de fevereiro de 2025 (UTC)
::Uma outra dúvida: A conversão "chamarão"->"chamaram" está correta se o verbo estiver no tempo pretérito, mas nenhuma conversão deverá ser feita caso esteja no tempo futuro. Parece-me que não há outro modo de resolução a não ser pelo contexto. A presença da conversão faz com que o tempo futuro esteja incorreto, a sua ausência causa problema no tempo pretérito. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 12h44min de 26 de fevereiro de 2025 (UTC)
:::Me parece que nesses casos o que deve ser feito é, caso haja, um entrada com esses tipos de problema, na qual a conversão pode ou não estar certa e o que definirá isto é o contexto, é necessário então remover essa conversão adicionando <code>: (palavra): conversão da remoção// explicação</code> no dicionário em questão. E então para lidar com a conversão desses é necessário utilizar o dicionário local, mais sobre ele e como utilizá-lo pode ser visto aqui [[Predefinição:Modernização automática]], ou então caso você queira manter a palavra da forma que está é só adicionar a predefinição {{tl|Manter ortografia}}. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 13h45min de 26 de fevereiro de 2025 (UTC)
::::Ah, sim, "dicionário local", no sentido de dicionário válido somente para a página onde ele está definido. Já tive oportunidade de ver um desses. Obrigado! [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 01h38min de 1 de março de 2025 (UTC)
:::::Olá de novo, [[Utilizador:Junglk|Junglk]]. Estou tendo um problema com atualização de páginas. Esperei alguns dias para ver se era apenas uma questão de sincronização, mas parece-me que não. Introduzi um dicionário local para a palavra "perpétuo" (diferenciando com o verbo "eu perpetuo"). A modificação parece estar correta, pois posso vê-la na página individual: <[[Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/26]]>. No entanto, quando vou para o texto final e seleciono "Ferramentas / Ortografia brasileira", o texto mostra-se no original "perpetuo": <[[S. Bernardo (1934)/Capítulo IV]]>. Alguma ideia do que possa estar ocorrendo? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 10h33min de 4 de março de 2025 (UTC)
::::::Nunca utilizei muito essas ferramentes para ser sincero, mas acredito que seja porque o dicionário local só está sendo utilizado no namespace Página e não no Main namespace. Para resolver isso, creio eu, que utilizando o dicionário local em [[S. Bernardo (1934)/Capítulo IV]] resolva, ao invés de usar em [[Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/26]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h43min de 4 de março de 2025 (UTC)
== Licenciamento de materiais da OCDE ==
Estou fazendo uma disciplina sobre Ciência Aberta esse semestre na UNICAMP, e percebi que vários dos "documentos fundadores" sobre ciência aberta não estão no Wikisource. Com certa ironia, vários deles foram publicados sob licenças fechadas - incluindo a [[doi:10.1787/9789264034020-en-fr|declaração de 2007]] da OCDE sobre o tema.
No entanto, olhando os [https://www.oecd.org/en/about/terms-conditions.html termos e condições] dos conteúdos da OCDE, consta que agora sob uma nova política, todos os conteúdos publicados após julho de 2024 estarão em CC BY 4.0. Além disso, ficou disposta a seguinte resolução, alterando retroativamente o licenseamento para textos anteriores à julho de 2024:
* Uso, cópia e distribuição: Livre para fins comerciais e não comerciais, desde que citada a fonte original: "OECD (ano), Título, URL".
* Adaptações: Permitidas (comerciais ou não), mas sem uso de logo/identidade visual da OCDE. Adicionar: "Adaptação de obra da OCDE. As opiniões expressas não representam a visão oficial da OCDE ou seus países-membros".
* Traduções não comerciais: Permitidas sem autorização, desde que semuso de elementos visuais da OCDE. Incluir aviso: "Em caso de divergências, o texto original prevalece".
Tendo isso em vista, fiquei na dúvida se documentos como esse de 2007 estariam compatíveis com a licença que usamos no Wikisource, e resolvi pedir ajuda aqui. Agradeço desde já pra quem puder dar uma luz. [[Utilizador:Parzeus|Parzeus]] ([[Utilizador Discussão:Parzeus|discussão]]) 03h51min de 25 de março de 2025 (UTC)
:Olha... eu abriria uma discussão no [[:c:Commons:Village pump]], já que é uma questão mais "internacional". Eu até achei [[:c:Commons:Village pump/Archive/2024/11#Charts built with OECD Data|essa discussão]], mas o assunto não é o mesmo. Se o licenciamento passar no Commons, aí é só transcrever no Wikisource do idioma correspondente. ━ [[User:Albertoleoncio|<span style="font:15px serif; color: #445; text-transform: uppercase;">Albertoleoncio</span>]] [[User talk:Albertoleoncio|<span style="font:italic x-small cursive;color: #777;">Who, me?</span>]] 15h43min de 25 de março de 2025 (UTC)
::{{ping|Parzeus}} também concordo em levar essa discussão para o Commons. Lendo os termos, o fato de precisar de autorização para traduzir (com objetivo comercial) conteúdos anteriores à 1 de julho de 2024 pode ser visto como uma limitação para o Commons (já que em tese, não seria "100% livre"). Mas o de julho de 2024 em diante, pode usar sem problemas. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h30min de 26 de março de 2025 (UTC)
:Obrigado pela dica, @[[Utilizador:Albertoleoncio|Albertoleoncio]] e @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], publiquei [https://commons.wikimedia.org/wiki/Commons:Village_pump#c-Parzeus-20250403181100-Clarification_on_OECD's_new_licensing_policy_and_compatibility_with_Commons a discussão] lá. Abraços, [[Utilizador:Parzeus|Parzeus]] ([[Utilizador Discussão:Parzeus|discussão]]) 18h12min de 3 de abril de 2025 (UTC)
{{Discussão2|Lançamento da Lista de desejos tecnológicos da lusofonia 2025!}}
== Wikidata and Sister Projects: An online community event ==
''(Apologies for posting in English)''
Hello everyone, I am excited to share news of an upcoming online event called '''[[d:Event:Wikidata_and_Sister_Projects|Wikidata and Sister Projects]]''' celebrating the different ways Wikidata can be used to support or enhance with another Wikimedia project. The event takes place over 4 days between '''May 29 - June 1st, 2025'''.
We would like to invite speakers to present at this community event, to hear success stories, challenges, showcase tools or projects you may be working on, where Wikidata has been involved in Wikipedia, Commons, WikiSource and all other WM projects.
If you are interested in attending, please [[d:Special:RegisterForEvent/1291|register here]].
If you would like to speak at the event, please fill out this Session Proposal template on the [[d:Event_talk:Wikidata_and_Sister_Projects|event talk page]], where you can also ask any questions you may have.
I hope to see you at the event, in the audience or as a speaker, - [[Utilizador:MediaWiki message delivery|MediaWiki message delivery]] ([[Utilizador Discussão:MediaWiki message delivery|discussão]]) 09h19min de 11 de abril de 2025 (UTC)
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Send_List&oldid=28525705 -->
{{Discussão2|Candidatura a adminstradora}}
{{Discussão2|Vote nas propostas da Lista de Desejos Tecnológicos da Lusofonia 2025!}}
== Modernização manual de ortografia ==
Há como configurar, manualmente, uma versão com ortografia modernizada? Imagino que não na mesma página, mas talvez em páginas separadas? Algum conselho?
É praticamente inviável montar um dicionário completo de "grafias arcaicas" para se modernizar automaticamente — no máximo, pode se tentar alguma integração com o Wiktionary em inglês. Eu venho adicionando zilhões de palavras lá. [[Utilizador:Polomo47|Polomo47]] ([[Utilizador Discussão:Polomo47|discussão]]) 20h01min de 12 de maio de 2025 (UTC)
{{Discussão2|Plano Estratégico da Wikimedia Portugal para 2026-2028}}
{{Discussão2|Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português}}
{{Discussão2|Tratado descritivo do Brasil em 1587}}
== Wikidata Item and Property labels soon displayed in Wiki Watchlist/Recent Changes ==
''(Apologies for posting in English, you can help by translating into your language)''
Hello everyone, the [[m:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Clearer_Wikidata_Edit_Summaries/Resolve_Labels|Wikidata For Wikimedia Projects]] team is excited to announce an upcoming change in how Wikidata edit changelogs are displayed in your [[Special:Watchlist|Watchlists]] and [[Special:RecentChanges|Recent Changes]] lists. If an edit is made on Wikidata that affects a page in another Wikimedia Project, the changelog will contain some information about the nature of the edit. This can include a QID (or Q-number), a PID (or P-number) and a value (which can be text, numbers, dates, or also QID or PID’s). Confused by these terms? See the [[d:Special:MyLanguage/Wikidata:Glossary|Wikidata:Glossary]] for further explanations.
The upcoming change is scheduled for '''17.07.2025''', between '''1300 - 1500 UTC'''.
The change will display the label (item name) alongside any QID or PIDs, as seen in the image below:
[[File:Apr10 edit summary on Wikidata.png|An edit sum entry on Wikidata, labels display alongside their P- and Q-no.'s]]
These changes will only be visible if you have Wikidata edits enabled in your User Preferences for Watchlists and Recent Changes, or have the active filter ‘Wikidata edits’ checkbox toggled on, directly on the Watchlist and Recent Changes pages.
Your bot and gadget may be affected! There are thousands of bots, gadgets and user-scripts and whilst we have researched potential effects to many of them, we cannot guarantee there won’t be some that are broken or affected by this change.
Further information and context about this change, including how your bot may be affected can be found on this [[m:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Clearer_Wikidata_Edit_Summaries/Resolve_Labels|project task page]]. We welcome your questions and feedback, please write to us on this dedicated [[m:Talk:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Clearer_Wikidata_Edit_Summaries/Resolve_Labels|Talk page]].
Thank you, - [[m:User:Danny_Benjafield_(WMDE)|Danny Benjafield (WMDE)]] on behalf of the Wikidata For Wikimedia Projects Team. [[Utilizador:MediaWiki message delivery|MediaWiki message delivery]] ([[Utilizador Discussão:MediaWiki message delivery|discussão]]) 12h46min de 14 de julho de 2025 (UTC)
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Test_List&oldid=28981877 -->
{{Discussão2|Itens por validar na página principal?}}
{{Discussão2|Crônica da Companhia de Jesus}}
{{Discussão2|Proofreader mobile}}
Lá na lista de desejos da comunidade foi iniciada a votação de uma [[meta:Community_Wishlist/W153|proposta]] para a criação de uma versão mobile da ferramenta de proofreading do Wikisource. Acredito que se aceita, poderá atrair mais editores além do desktop (convenhamos que hoje em dia muitos usam mais o celular que o computador)... [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 23h38min de 23 de outubro de 2025 (UTC)
== Manutenção ==
Pra quem puder fazer a manutenção, aqui tem alguns livros que precisam de uma galeria:
*[[Alma Cabocla]] ([[:commons:File:Alma Cabocla (1922).pdf|arquivo]])
*[[Constituição do Brasil de 1937]] ([https://imprensa2.in.gov.br/o/biblioteca-digital-internet-lf7_1-ce-theme/pdf/index.html?file=https://imprensa2.in.gov.br/documents/20127/0/Constitui%C3%A7%C3%A3o+dos+Estados+Unidos+do+Brasil+e+Leis+Constitucionais+ns.+1%2C2%2C3+e+4+--1940.pdf/d5900259-f500-fdc1-cf96-585eff50cc93 ed. 2], [https://imprensa2.in.gov.br/iw/pesquisa?p_p_id=com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_mvcPath=%2Fview_content.jsp&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_redirect=%2Fpesquisa%3Fq%3Dtitle%3A%2522constitui%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520%2522&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_assetEntryId=1318210&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_type=content ed. 1])
*[[A Retirada da Laguna]] ([https://www.jstor.org/stable/community.38771372 1])
[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h45min de 16 de janeiro de 2026 (UTC)
:{{Ping|Junglk}} se quiser adicionar isso na sua lista de manutenção, fique à vontade! Sei que no Ws em inglês tem um bot pra esse tipo de coisa... :/ Aqui tá limitado: no celular não tenho como ajudar no proofreading por muito tempo, mas ainda volto pra trazer algo que encontrei hahaha [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 02h13min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::Eventualmente seria interessante adicionar o [[:en:User:SnowyCinema/QuickTranscribe|Quick transcribe]] aqui (quem sabe, se acelerando tudo de forma segura, daria pra atrair mais usuários e leitores...). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 02h18min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:::Olá Erick! Primeiramente obrigado pelos pedidos ;D, adicionei a galeria do Alma Cabocla, a obra A Retirada da Laguna já tem uma galeria ([[Galeria:A Retirada da Laguna.djvu]]) mas mesmo assim adicionei a edição da biblioteca do Oliveira Lima no Commons. Com relação das duas edições da constituição de 37 as adicionei como ficheiro pois não acredito estar em domínio público nos USA, iria adicionar a galeria mas reparei fazendo o pagelist que ambas estão incompletas (a primeira edição falta as páginas 10 e 11 e a segunda omite a Lei Constitucional N. 2.
:::{{br}}
:::Com relação a esse Quick Transcribe não tinha ouvido falar dele antes, ele é útil assim? Acha que é complicado importar pra cá? Vou dar uma pesquisada nele depois com calma. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 15h18min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::::{{Ping|Junglk}} A Constituição, enquanto texto legal, jamais teve proteção de copyright (nem na lei de 1916, na dos anos 70 ou na LDA). A edição da Imprensa Nacional ou do Departamento de Imprensa e Propaganda: como obras da União, entraram em domínio público [https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm#art662 15 anos após a publicação] (Código Civil de 1916), bem antes da data do URAA (mesma situação de [[Dois discursos]]). Portanto, ela está sim em domínio público tanto no Brasil quanto nos EUA e não existe impedimento de colocar no Commons. Da pra colocar todas as obras do DIP ou do Imprensa Nacional (até os anos 80) no Commons, pois o status como obra governamental vem antes do falecimento do autor.
::::Quanto ao QuickTranscribe, ele ainda é experimental, mas acho que ele pode ser útil, ainda mais se adaptar para as grafias da língua portuguesa.
::::[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h35min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Poxa preciso melhorar meus conhecimentos de domínio público haha, não sabia desses detalhes! Obrigado por informar, vou colocar no Commons, obrigado pelo aviso. Sobre o QuickTranscribe vi que o último commit do repo deles foi há 2 anos, você sabe se eles ainda estão ativos nessa ferramenta? Pelo GitHub não parece muito não, o que é uma pena. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 15h42min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::{{Ping|Junglk}} não há de quê! Eu meio que me exaltei um pouco, pois me interesso muito por esse assunto (até hoje não entendi pq removeram essa regra de 15 anos da lei de direitos autorais) e existem algumas brechas que aumentam o número de obras liberadas (como a falta de herdeiros). No momento eu tô "enchendo o saco" para o Google Books liberar o material do DIP, como a tradução inglesa da constituição de 1937. Mas até meus conhecimentos tem limites: não se se as traduções inglesa, espanhola e nheengatu que o STF fez da constituição (ou o relatório da explosão do VLS-1 em 2003) cairia na isenção do Art. 8 da LDA (leis e "outros atos oficiais" não teriam proteção).
::::::Acho que faz mais de um ano que falei com o criador do projeto. De toda forma, sei que aqui costumava ter um app (GiroBot?) que tinha o mesmo objetivo, mas caiu em desuso e ficou muito desatualizado. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h55min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::{{Ping|Junglk}} perguntei pro SnowyCinema no Ws em inglês e o projeto ainda é experimental -- e ele está dividindo o tempo com outros projetos, de forma que não teve muito avanço no último ano. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 17h55min de 18 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::Poxa, uma pena mesmo. Assim que o projeto voltar a ter mais frequentes atualizações ou se estabilizar podemos pensar em migrar para cá. Estava dando uma olhada ontem e parece ser bem útil mesmo, automatiza bastante partes do processo de transcrição. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 18h28min de 18 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::{{Ping|Junglk}} poisé! No mínimo ele poderia ajudar a agilizar obras mais "puxadas", que no geral envolveram listas e materiais bibliográficos, enquanto obras de prosa continuariam tendo uma transcrição mais humana.
:::::::::E acordei hoje com uma ótima notícia: o IAI finalmente começou a publicar as [https://resolver.iai.spk-berlin.de/IAI00007A9D00000000 traduções] das obras do Verne (século 19). Até o momento eles liberaram o Da Terra à Lua, A Roda da Lua (continuação) e Volta ao Mundo em 80 Dias. No final eles deverão liberar por volta de 80 exemplares, pelo o que indica o acervo local (não digital). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 12h11min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::Caramba que notícia incrível! Tu é demais cara, conseguir convencer eles de digitalizar tantas obras, vai ser muito legal mesmo para o nosso projeto. Você já quer que eu transfira lá para o Commons? Ou devemos esperar todos os livros? Pelo que vi, acho que adicionaram outro (Os inglezes no Polo Norte) então acho que eles já fizeram um boa parte da digitalização. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h20min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::{{Ping|Junglk}} obrigado! Eu fiz o pedido há várias semanas e, quando confirmaram que os livros eram antigos o suficiente, falaram que iam digitalizar -- mas demoraria pra liberar. Acho que o ideal é ir já mandando pro Commons, assim evita ficar muito cheio lá na frente (assim já dá pra arrumar o wikidata e relação de idiomas) -- eu só não coloco pq o mobile do Commons é mais pra imagem, e parece que só dá pra achar o PDF no iai pelo desktop. Talvez dê pra usar esses livros para atrair novos usuários, considerando a popularidade do Verne. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h53min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Adicionei lá no Commons as edições disponíveis (vê se não fiz alguma besteira, estão [[commons:Category:Books by Jules Verne translated into Portuguese|nessa]] categoria). Só ainda não mexi com o Wikidata, tem como tu dar uma olhada nessa parte? Se não der, me avisa o que preciso fazer pra ajudar! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 19h05min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::::{{Ping|Junglk}} Opa! Acabei de ver aqui e parece que está tudo certo (só achei meio redundante categorizar tanto na categoria principal quanto na subcategoria, mas tudo bem).
:::::::::::::Quando ao Wikidata: as coisas são facilitadas pela predefinição books. Você consegue ver que ao lado do título da caixa informativa tem alguns links. O último link é do Quickstatments, que importa a informação da caixa para o Wikidata (funciona melhor quando a obra é em inglês). No desktop (eles não adaptaram a interface pro mobile) é algo de poucos segundos e no fim só precisa de algumas correções (data, conexão com a obra original e vice-versa [assim já interliga a tradução e o original] e esse tipo de coisa). Também seria possível adicionar o "código" da fonte original, mas não achei o caminho do IAI. No fim, é só adicionar o código WD (Q***) na predefinição do Commons. Fiz isso no Volta ao Mundo, mas é algo só ágil mesmo no desktop. Caso também for adicionando a galeria, [https://ws-page-game.toolforge.org/ este app] agiliza bastante a listagem de páginas (acho mais intuitivo do que é usado localmente). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 21h22min de 25 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::::::Adicionei os PDFs nas subcategorias de [[:Commons:Category:Books by Jules Verne|Category:Books by Jules Verne]]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 21h35min de 25 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::::::{{Ping|Junglk}} só passando pra avisar: eles adicionaram mais algumas coisas desde então. Se tiver um app RSS, da pra acompanhar [https://digital.iai.spk-berlin.de/viewer/api/v1/records/rss/?query=%2B%28%28%2B%28MD_AUTHOR%3A%28jules+AND+verne%29%29%29%29 neste link]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h36min de 26 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::::::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Sim, dei uma olhada hoje de manhã e vi que eles postaram mais! Já upei no Commons, só vou adicionar os templates e mexer no Wikidata desses novas e dos antigos seguindo seus conselhos. Obrigado pelo link RSS, será bem útil. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 16h43min de 26 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::::::::Entendido e não há de quê! Acho que logo dará pra montar algum tipo de anúncio pra comunidade lusófona: considerando a popularidade do Julio Verne, deve ser a melhor forma de atrair leitores e editores (Da Terra à Lua, 20 mil leguas, Volta ao Mundo e Viagem ao centro da Terra seriam os que tem mais chance de atrair interesse, com os demais ficando pro longo prazo - até deixei algumas sugestões lá no fórum do LibriVox). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 20h12min de 26 de janeiro de 2026 (UTC)
;Continuando
Opa, {{ping|Junglk}}, tudo bem?
Tô passando aqui pq a BBM da USP me respondeu com alguns livros que sugeri a digitalização ano passado:
*Os Miseráveis: [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8858 vol 1], [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8857 2] e [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8856 3].
*Mais Verne (edições alternativas): [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8860 Volta ao mundo] (8 ed); [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8861 a estrela do sul] (edição brasileira).
Aquela fonte de antes já chegou ao fim do que eles tinham na coleção. Infelizmente faltam algumas coisas, mas já é a maior fonte de traduções do Verne que temos.
Em breve teremos mais links (acho que faltam outros dois volumes dos Miseráveis). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 20h14min de 6 de março de 2026 (UTC)
:Que massa, uma obra gigantesca do grande Hugo!
:Peço perdão pela ausência no projeto nesses últimos meses, ando bem enrolado com outras coisas/projetos (mas sempre entro aqui pra conferir como estão as coisas). Irei upar no Commons essas obras, muito obrigado pelo aviso! Qualquer coisa estou aqui! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 21h51min de 6 de março de 2026 (UTC)
::{{Ping|Junglk}} opa! No fim acabou levando mais do que esperei (eram só aqueles volumes dos Miseráveis mesmo -- fiquei com a impressão que eles iriam digitalizar a primeira edição portuguesa, que é a mais antiga, enquanto focaram na versão brasileira).
::Hoje a brasiliana liberou um punhado de [https://digital.bbm.usp.br/browse?type=author&value=Andrade%2C+Oswald+de%2C+1890-1954 livros] do Oswald de Andrade e nos últimos tempos até mais do [https://digital.bbm.usp.br/browse?type=author&value=Ramos%2C+Graciliano%2C+1892-1953 Graciliano Ramos]. Mais cedo consegui enviar o [[Galeria:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho arrebitado]] (1921) pelo url2commons no celular -- esse é um dos livros que daria para agilizar rapidamente, e há tempos que estou atrás dessas "edições fundadoras" do Sítio (que possuem um valor imenso para pesquisadores - no caso, esse expande o [[A Menina do Narizinho Arrebitado]]). Em breve a Biblioteca do Senado deve digitalizar os livros do Henry Ford que o Lobato traduziu (infelizmente uma edição posterior a 1930, mas imagino que de para argumentar o uso no Commons pelo fato da primeira edição datar da década de 1920).
::Por curiosidade, encontrei esse [https://www.migalhas.com.br/quentes/314015/ha-90-anos--brasileiro-previu-o-surgimento-da-internet artigo especulativo] (imaginando a internet há mais de 90 anos) de autor falecido em 1928. Se tiver a fim, é daquele tipo que dá para transcrever em pouco tempo. Até! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 19h30min de 14 de abril de 2026 (UTC)
:::{{ping|Junglk}} estou passando pra avisar que agora estou com um notebook novo, e aos poucos voltarei a apoiar o projeto de forma mais profunda. Até! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 19h01min de 7 de maio de 2026 (UTC)
::::Fala @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]! Peço perdão pela minha ausência no projeto, vou tentar fazer algo pelo menos no final de semana. Adicionei a edição da revista "O Cruzeiro" na qual aquele artigo que você mencionou aparece ([[Galeria:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|fásciculo]]), vou começar a mexer nele assim que possível!
::::Fico feliz que tenha conseguido um note novo, é uma ótima notícia. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 23h18min de 8 de maio de 2026 (UTC)
:::::Opa! Tudo bem! Estou encaminhando o inicio de alguns projetos (como o gigantesco Julio Verne e [[Os Miseráveis]]), enquanto fico na espera de outros livros (a Brasiliana da USP deve liberar ainda mais com o tempo). Notado! Muito obrigado! Estou me acostumando com o novo teclado, e me alegro em voltar a ficar ativo por aqui! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 23h40min de 8 de maio de 2026 (UTC)
== Boletim Bibliografico da Biblioteca Nacional ==
O Boletim Bibliografico da Biblioteca Nacional pode ser tanto um projeto interessante de transcrição (principalmente se for possível automatizar a maior parte do processo) quanto fonte de obras e autores para o Wikisource:
*[http://memoria.bn.gov.br/DocReader/001260/1 1918-1921]
*[http://memoria.bn.gov.br/docreader/430870/1 1938-1982]
Imagino que os exemplares entrem como "PD-Brazil-Gov" (ou equivalente) no Commons.
[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h47min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:As edições 1918-1921 é possível colocar no commons com o template PD-Brazil-Gov mesmo, entretanto as outras acredito que somente como Ficheiro aqui no pt.wikisource, pois apesar de estar em domínio público no Brasil precisa estar em domínio público lá também. Admito que esse é bem mais trabalhoso pois infelizmente a BN não disponibilizou os PDF então é necessário baixar imagem por imagem... Vou tentar aos poucos fazer os de 1918-1921. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 15h27min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::Tudo dá pra adicionar como PD-Brasil-Gov, já que 1983 é a última data aceita (caindo em domínio público em 1/1/1998, antes da vigência da LDA atual). Mas para PD-1996, a última data é 1981. De 1916 até 1983 tudo produzido pela união, com excessão de leis e obras do tipo (que não tinha proteção) caia em domínio público após 15 anos da publicação. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h44min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
{{Discussão2|Escreva aqui o nome do tópico}}
== Electro information ==
Bom Aprendizado [[Especial:Contribuições/~2026-21619-32|~2026-21619-32]] ([[Utilizador Discussão:~2026-21619-32|discussão]]) 11h01min de 8 de abril de 2026 (UTC)
{{Discussão2|Tratado de Tordesilhas}}
{{Discussão2|Páginas de autor}}
{{Discussão2|Nova candidatura a administradora}}
{{Discussão2|Validação de Como se deve escrever a história do Brasil, de Carl von Martius}}
jzdjnnfsyuvcdvc2iv6t2ejgoq40zoi
Primeira migração
0
5005
557653
191004
2026-08-02T16:07:49Z
Trooper57
24584
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wikitext
text/x-wiki
<pages index="Poesias (1902).pdf" include=237 header=1/>
[[Categoria:Olavo Bilac]]
[[Categoria:As Viagens]]
[[Categoria:Poesias (Olavo Bilac)]]
049lgpys8xrtxu1gzncvlnrlom03lxo
A missão de Purna
0
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557675
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Trooper57
24584
Trooper57 moveu [[A Missão de Puma]] para [[A missão de Purna]]: Título com erros ortográficos
392974
wikitext
text/x-wiki
{{navegar
|obra={{PAGENAME}}
|autor=Olavo Bilac
}}
''(Do Evangelho de Buda)''
.............................................................
Ora Buda, que, em prol da nova fé, levanta
Na Índia antiga o clamor de uma cruzada santa
Contra a religião dos brâmanes, - medita.
Imensa, em torno ao sábio, a multidão se agita:
E há nessa multidão, que enche a planície vasta,
Homens de toda a espécie, árias de toda a casta.
Todos os que (a princípio, enchia Brahma o espaço)
Da cabeça, do pé, da coxa ou do antebraço
Do deus vieram à luz para povoar a terra:
- Xátrias, de braço forte armado para a guerra;
Saquias, filhos de reis; leprosos perseguidos
Como cães, como cães de lar em lar corridos;
Os que vivem no mal e os que amam a virtude;
Os ricos de beleza e os pobres de saúde;
Mulheres fortes, mães ou prostitutas, cheio
De tentações o olhar ou de alvo leite o seio;
Guardadores de bois; robustos lavradores,
A cujo arado a terra abre em frutos e flores;
Crianças; anciãos; sacerdotes de Brahma;
Párias, sudras servis rastejando na lama;
- Todos acham amor dentro da alma de Buda,
E tudo nesse amor se eterniza e transmuda.
Porque o sábio, envolvendo a tudo, em seu caminho
Na mesma caridade e no mesmo carinho,
Sem distinção promete a toda a raça humana
A bem-aventurança eterna do Nirvana.
Ora, Buda medita.
À maneira do orvalho,
Que, na calma da noite, anda de galho em galho
Dando vida e umidade às árvores crestadas,
- Aos corações sem fé e às almas desgraçadas
Concede o novo credo a esperança do sono:
Mas... as almas que estão, no horrível abandono
Dos desertos, de par com os animais ferozes,
Longe de humano olhar, longe de humanas vozes,
A rolar, a rolar de pecado em pecado?.
Ergue-se Buda:
"Puma!"
O discípulo amado
Chega:
"Puma! é mister que a palavra divina
Da água do mar de Omã à água do mar da China,
Longe do Indus natal e das margens do Ganges,
Semeies, através de dardos, e de alfanjes,
E de torturas!"
Puma ouve sorrindo, e cala.
No silêncio em que está, um sonho doce o embala.
No profundo clarão do seu olhar profundo
Brilham a ânsia da morte e o desprezo do mundo.
O corpo, que O rigor das privações consome,
Esquelético, nu, comido pela fome,
Treme, quase a cair como um bambu com o vento;
E erra-lhe à flor da boca a luz do firmamento
Presa a um sorriso de anjo.
E ajoelha junto ao Santo:
Beija-lhe o pó dos pés, beija-lhe o pó do manto.
"Filho amado! - diz Buda - essas bárbaras gentes
São grosseiras e vis, são rudes e inclementes;
Se os homens (que, em geral, são maus os homens todos)
Te insultarem a crença, e a cobrirem de apodos,
Que dirás, que farás contra essa gente inculta?"
"Mestre! direi que é boa a gente que me insulta,
Pois, podendo ferir-me, apenas me injuria..."
"Filho amado! e se a injúria abandonando, um dia
Um homem te espancar, vendo-te fraco e inerme,
E sem piedade aos pés te pisar, como a um verme?"
"Mestre! direi que é bom o homem que me magoa,
Pois, podendo ferir-me, apenas me esbordoa..."
"Filho amado! e se alguém, vendo-te agonizante,
Te furar com um punhal a carne palpitante?"
"Mestre! direi que é bom quem minha carne fura,
Pois, podendo matar-me, apenas me tortura..."
"Filho amado! e se, enfim, sedentos de mais sangue,
Te arrancarem ao corpo enfraquecido e exangue
O último alento, o sopro último da existência,
Que dirás, ao morrer, contra tanta inclemência?"
"Mestre! direi que é bom quem me livra da vida.
Mestre! direi que adoro a mão boa e querida,
Que, com tão pouca dor, minha carne cansada
Entrega ao sumo bem e à suma paz do Nada!"
"Filho amado! - diz Buda - a palavra divina,
Da água do mar de Omã à água do mar da China,
Longe do Indus natal e dos vales do Ganges,
Vai levar, através de dardos e de alfanjes!
Puma! ao fim da Renúncia e ao fim da Caridade
Chegaste, estrangulando a tua humanidade!
Tu, sim! podes partir, apóstolo perfeito,
Que o Nirvana já tens dentro do próprio peito,
E és digno de ir pregar a toda raça humana
A bem-aventurança eterna do Nirvana!"
( ''[[As Viagens]]'' )
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''(Do Evangelho de Buda)''
.............................................................
Ora Buda, que, em prol da nova fé, levanta
Na Índia antiga o clamor de uma cruzada santa
Contra a religião dos brâmanes, - medita.
Imensa, em torno ao sábio, a multidão se agita:
E há nessa multidão, que enche a planície vasta,
Homens de toda a espécie, árias de toda a casta.
Todos os que (a princípio, enchia Brahma o espaço)
Da cabeça, do pé, da coxa ou do antebraço
Do deus vieram à luz para povoar a terra:
- Xátrias, de braço forte armado para a guerra;
Saquias, filhos de reis; leprosos perseguidos
Como cães, como cães de lar em lar corridos;
Os que vivem no mal e os que amam a virtude;
Os ricos de beleza e os pobres de saúde;
Mulheres fortes, mães ou prostitutas, cheio
De tentações o olhar ou de alvo leite o seio;
Guardadores de bois; robustos lavradores,
A cujo arado a terra abre em frutos e flores;
Crianças; anciãos; sacerdotes de Brahma;
Párias, sudras servis rastejando na lama;
- Todos acham amor dentro da alma de Buda,
E tudo nesse amor se eterniza e transmuda.
Porque o sábio, envolvendo a tudo, em seu caminho
Na mesma caridade e no mesmo carinho,
Sem distinção promete a toda a raça humana
A bem-aventurança eterna do Nirvana.
Ora, Buda medita.
À maneira do orvalho,
Que, na calma da noite, anda de galho em galho
Dando vida e umidade às árvores crestadas,
- Aos corações sem fé e às almas desgraçadas
Concede o novo credo a esperança do sono:
Mas... as almas que estão, no horrível abandono
Dos desertos, de par com os animais ferozes,
Longe de humano olhar, longe de humanas vozes,
A rolar, a rolar de pecado em pecado?.
Ergue-se Buda:
"Purna!"
O discípulo amado
Chega:
"Purna! é mister que a palavra divina
Da água do mar de Omã à água do mar da China,
Longe do Indus natal e das margens do Ganges,
Semeies, através de dardos, e de alfanjes,
E de torturas!"
Purna ouve sorrindo, e cala.
No silêncio em que está, um sonho doce o embala.
No profundo clarão do seu olhar profundo
Brilham a ânsia da morte e o desprezo do mundo.
O corpo, que O rigor das privações consome,
Esquelético, nu, comido pela fome,
Treme, quase a cair como um bambu com o vento;
E erra-lhe à flor da boca a luz do firmamento
Presa a um sorriso de anjo.
E ajoelha junto ao Santo:
Beija-lhe o pó dos pés, beija-lhe o pó do manto.
"Filho amado! - diz Buda - essas bárbaras gentes
São grosseiras e vis, são rudes e inclementes;
Se os homens (que, em geral, são maus os homens todos)
Te insultarem a crença, e a cobrirem de apodos,
Que dirás, que farás contra essa gente inculta?"
"Mestre! direi que é boa a gente que me insulta,
Pois, podendo ferir-me, apenas me injuria..."
"Filho amado! e se a injúria abandonando, um dia
Um homem te espancar, vendo-te fraco e inerme,
E sem piedade aos pés te pisar, como a um verme?"
"Mestre! direi que é bom o homem que me magoa,
Pois, podendo ferir-me, apenas me esbordoa..."
"Filho amado! e se alguém, vendo-te agonizante,
Te furar com um punhal a carne palpitante?"
"Mestre! direi que é bom quem minha carne fura,
Pois, podendo matar-me, apenas me tortura..."
"Filho amado! e se, enfim, sedentos de mais sangue,
Te arrancarem ao corpo enfraquecido e exangue
O último alento, o sopro último da existência,
Que dirás, ao morrer, contra tanta inclemência?"
"Mestre! direi que é bom quem me livra da vida.
Mestre! direi que adoro a mão boa e querida,
Que, com tão pouca dor, minha carne cansada
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"Filho amado! - diz Buda - a palavra divina,
Da água do mar de Omã à água do mar da China,
Longe do Indus natal e dos vales do Ganges,
Vai levar, através de dardos e de alfanjes!
Purna! ao fim da Renúncia e ao fim da Caridade
Chegaste, estrangulando a tua humanidade!
Tu, sim! podes partir, apóstolo perfeito,
Que o Nirvana já tens dentro do próprio peito,
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A bem-aventurança eterna do Nirvana!"
( ''[[As Viagens]]'' )
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* [[Poesia (Cruz e Sousa)|Poesia de Cruz e Sousa]] que possui primeiro verso iniciado em ''Da música escutando preclaras harmonias''
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| MiscBio = '''Maria Adelaide Fernandes Prata''' (Porto, 8 de julho de 1822 - Lisboa, 21 de março de 1881) foi uma poeta e escritora portuguesa.
}}{{autora}}
== Obra ==
* {{livro digitalizado|Poesias offerecidas ás senhoras Portuenses|Poesias de Maria Adelaide Fernandes Prata offerecidas as senhoras portuenses (1859).pdf|''Poesias offerecidas ás senhoras Portuenses''}} (Porto, 1859)
* {{livro digitalizado|O filho de Deus|Maria_Adelaide_Fernandes_Prata_-_O_Filho_de_Deus_(1863).pdf|''O filho de Deus''}} (Porto, 1863)
=== Tradução ===
* ''Fingal, poema em seis cantos'' de Ossian (Porto, 1867)
=== Publicações em periódicos ===
{{livro digitalizado|A_Esperança_Vol._I|A_Esperanca_vol._1_(1865).pdf|''A Esperança''}}
* [[A Esperança Vol. I/O Bardo na Solidão|''O bardo na solidão'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Soneto|''Soneto'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Resentimento|''Ressentimento...'']] dedicado a [[Autor:Maria Peregrina de Souza|Maria Peregrina de Souza]] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Resposta ás observações do sr. A. P.|''Resposta às observações do Snr. Alberto Pimentel'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Reconhecimento|''Reconhecimento'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Sexta-feira Santa|''Sexta-feira Santa'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Carta a Alberto Pimentel|''Carta a Alberto Pimentel'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Saudade|''Saudade'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Mulher perdida|''Mulher perdida'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/A harpa triste que eu vibro|''A harpa triste que eu vibro'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Uma captiva|''Uma captiva'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Adão antes de Deus formar Eva|''Adão antes de Deus formar Eva'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Quem é o poeta?|''Quem é o poeta?'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/A mãe que abandona o filho recem nascido|''A mãe que abandona o filho recém-nascido'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/A Religião|''À religião'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Amo|''Amo'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/O regresso d'um soldado á patria|''O regresso d'um soldado à pátria'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/No dia da chegada da família Real ao Porto|''No dia da chegada da família Real ao Porto'']] (1865)
* [[A Espreança Vol.I/Supplica d'uma virgem|''Supplica d'uma virgem'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/A Uma amiga|''A uma amiga'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Vozes do coração|''Vozes do coração'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Uma saudade|''Uma saudade'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Duas palavras ao poeta Pinto Ribeiro|''Duas palavras ao poeta Pinto Ribeiro'']] (1865)
* [[A Esperança Vol. I/Desafogo|''Desafogo'']] (1865)
* ''Amor dum negro'' (1866)
* ''O caçador'' (1866)
* ''Ormia'' (1866)
* ''A uma estrela'' (1866)
A Voz Feminina
*''Correspondência'' - cartas a Francisca de Assis Martins Wood acerca do processo educacional das mulheres, e a valorização da leitura de obras de autoria feminina.(1868)
Almanaque das Senhoras
* ''À amiga Maria Joana d'Almeida'' (1872)
* ''Imaginar-te'' (1873)
* ''Devaneios duma aldeã'' (1875)
* ''Ao homem'' (1876)
* ''Quem és tu?'' (1877)
* ''Amor dum negro'' (1878)
* ''Lamentos'' (1880)
* ''Em Sexta-Feira Santa'' (1881)
* ''Aos cedros seculares'' (1882), publicado postumamente.
Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro
* ''Antes do combate'' (1878)
* ''Amor vingado'' (1882)
A Voz do Operário
* ''O escravo'' (1883)
* ''Ao avarento'' (1887)
A Mulher
* ''Lamentos'' (1881)
[[Categoria:Autores portugueses]]
[[Categoria:Maria Adelaide Fernandes Prata| ]]
[[Categoria:Autoras]]
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==Fim==
* [[Arte da Lingua Brasilica]]
==Em progreſſo==
* [[Galeria:Chronica da Companhia de Jesu do estado do Brasil- e do que obrarão seus filhos nesta parte do Nouo Mundo. - Tomo primeiro da entrada da (IA chronicadacompan02vasc).pdf]]
* [[Galeria:História dos animais e árvores do Maranhão]]
* [[Galeria:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf]]
* [[O Selvagem]]
* [[Tratado descritivo do Brasil em 1587]]
* [[História da Província Santa Cruz]]
* [[Tratados da terra e gente do Brasil]]
* [[Diálogos das grandezas do Brasil]]
==Um dia eu faſſo==
* [[Compendio de Botanica]]
* [[Diccionario portuguez, e brasiliano]]
* [[Epigrammas portuguezes]]
* [[Faróis (Cruz e Sousa)]]
* [[Raios de Extincta Luz]]
* [[Últimos Cantos]]
* [[As Victimas-Algozes]]
* [[As Minas de Salomão]]
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</gallery>
==Fim==
* [[Arte da Lingua Brasilica]]
==Em progreſſo==
* [[Galeria:Chronica da Companhia de Jesu do estado do Brasil- e do que obrarão seus filhos nesta parte do Nouo Mundo. - Tomo primeiro da entrada da (IA chronicadacompan02vasc).pdf]]
* [[Galeria:História dos animais e árvores do Maranhão]]
* [[Galeria:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf]]
* [[O Selvagem]]
* [[Tratado descritivo do Brasil em 1587]]
* [[História da Província Santa Cruz]]
* [[Tratados da terra e gente do Brasil]]
* [[Diálogos das grandezas do Brasil]]
==Um dia eu faſſo==
* [[Compendio de Botanica]]
* [[Diccionario portuguez, e brasiliano]]
* [[Epigrammas portuguezes]]
* [[Faróis (Cruz e Sousa)]]
* [[Raios de Extincta Luz]]
* [[Últimos Cantos]]
* [[As Victimas-Algozes]]
* [[As Minas de Salomão]]
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||ANDOR ANIL|{{sc|11}}}}</noinclude>Bluteau dá em inscrições separadas, sem indicar a proveniência da palavra, o significado indiano e o continental: «''Andor'' entre nós he hum instrumento com quatro braços», etc. Solano porém congloba, com razão, ambos os sentidos: «Especie de ''andas'' portáteis, sobre que vão homens ou imagens de divindades na Asia, ou de Christo, ou Santos entre os Catholicos, nas procissões».
Os escritores quinhentistas, como o autor do ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'', Duarte Barbosa, Castanheda, João de Barros<ref>«E outros de o trazer aos hombros em hum '''andor''': porque em toda aquella terra Malabar não se seruem de bestas». Déc. I, IV, 7.</ref>, Gaspar Correia, Damião de Goes, teem o termo por novo e estranho, e definem-no por meio de «andas»<ref>Cristóvão Vieira (1534) emprega o vocábulo ''andor'' sem o explicar, como não explica muitos outros orientais: «Os mandarīs pequenos que não podem trazer ''andor'' teem cavallo». ''Letters from Portuguese Captives in Canton'', by Donald Ferguson, p. 79.</ref>.
''Andor'' ocorre, como palavra peregrina, em um livro árabe do século XI (''Kitāb ’Ajāib-al-Hind'', citado em tradução francesa em ''Hobson-Jobson''): «Le même m’a conté qu’à Serandib [Ceilão] les rois et ceux qui se portent à la façon des rois, se font porter dans les '''handoul''' (''handūl'') qui est semblable à une litière, soutenue sur les épaules de quelques piétons».
Shakespear deriva o hindust. ''handolá'', não do árabe ou do persa, mas do sânsc. ''hindola''<ref>Conc. ''hinduló, hindló''; Mar. ''hindolá, hindulá''; Hindi ''hindolá''.</ref>, «redoiça, berço baloiçante ou maca; redoiça ou liteira ornamentada em que se levam imagens de Krixna durante a festividade de Redoiça, (''Swing-festival''), Monier Williams).
Daqui se vê que o ''andor'' veio directamente da Índia para Portugal, onde se restringiu na sua significação<ref>«Os '''andôres''' são hoje raros e o seu uso he privativo aos Prelados dos Gentios, e aos Pagodes, sob a denominação de ''palquí''. O seu uso, como de ''Sombreiro'' (para-sol) e Tocha, era objecto da concessão do Governo, em remuneração de serviços prestados ao Estado». ''O Gabinete Litterario das Fontainhas'' (Pangim), III, p. 155.</ref>. Vid. ''palanquim''.
'''[[:d:Lexeme:L670825|Anel]]''' (da âncora). L.-Hindust. ''ānila''.
'''Anil'''. Indo-ingl. ''anile, neel'' (obsoleto, substituído actualmente por ''indigo''). — Indo-franc. ''anil, anir''.
O étimo do port. ''anil'' é o ár. ''al-nil'', do sânsc. ''nīlī'', neo-árico ''nīl, nil''<ref>«O ''anil'' he chamado assi dos arabios e Turcos e de todas as linguas, e somente o Guzarate, que he onde se faz, o chama ''gali'', e porém já agora o chama ''nil''». Garcia da Orta, Col. VIII.
«Irem dar os trabalhadores com uns fardos de '''anil'''». Couto, Déc. VII, VIII, 1.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|6}}|ALBACORA ALCATRAZ|}}</noinclude>O bengali tem ''injurel, enjil'', «joelho», usado pelos cristãos. ''Enjil deon'', «ajoelhar».
'''Ajudante'''. Conc. ''ājudánt'' (us. restrit.). — Mal. ''ajudán''.
'''[[:d:Lexeme:L561195|Ajudar]]'''. Conc. ''ājudár-karunk'' (especialmente ajudar à missa). Term. vern. ''ādhár dirunk, hát dirunk''. — Tet., Gal. ''aidúda''.
Em teto e galóli não há o fonema ''j''; por isso o ''j'' português é substituído por ''d'': ''kreda'' = igreja, ''duiz'' = juiz, ''kaidú'' = caju.
'''Alar'''. L.-Hindust. ''ālá''. Us. na forma imperativa.
'''[[:d:Lexeme:L1563668|Alâmpada]]''' (da igreja). Beng. ''ālamp'' (usado entre os cristãos). Vid. ''lâmpada''.
'''[[:d:Lexeme:L447829|Alavanca]]'''. Conc. ''lavang''. ''Lavangám pārāyô ulaunk'', dizer palavras altissonantes, aparentar negócios importantes. — Sing. ''alavánguva''. — Tam. ''alavángu''. — Mal. ''alabanka, albanka''. — Gal. ''lavanka''<ref>«Enxadas, '''alavancas''', picões, gamelas, cestos, pauiolas». Gaspar Correia, III, p. 619.</ref>.
Em concani o vocábulo sómente se emprega para denotar grande alavanca. A pequena ou o pé de cabra denomina-se vernáculamente ''pārāy''.
'''Albacora''' («espécie de peixe»). Indo-ingl. ''albacore''. Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Cõ seu anzolo pera tomar os peixes, a que os mareantes chamão '''Albecóras''', q' são do tamanho e feição do Atũ». João de Barros, Déc. III, III, 1.</ref>.
'''Alcatifa'''. Conc. ''ālkātíph''. Term. vern. ''tirāsi, satrangí''. Mal. ''alcatifa'' (Haex). — Tet. ''alcatífu, lakatífa''. — Gal. ''alkatifa''.
O vocábulo português é de origem arábica, ''al-qatif''<ref>«Aqui (Dio) trazem da India muytas '''alcatifas''' grossas». Duarte Barbosa, p. 275. «O chão todo alcatifado com '''alcatifas''' grandes». Bocarro, Déc. XIII, p. 390.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1563665|Alcatrão]]'''. Conc. ''álkātráme'' (p. us.). Term. vern. ''kil, dāmar'' ou ''dāmbar''. — Beng. ''ālkātrá''. — Gar. ''alkatra''<ref>«Mandando por sobre as paredes, muitos barris '''d'alcatrão'''». Diogo do Couto, Déc. VI, III, 10.</ref>.
O étimo da palavra portuguesa é o árabe ''al-qatrān''; mas o bengali recebeu o vocábulo imediatamente do português e transmitiu-o ao garó, assim porque o não possuem outras línguas, mais influenciadas pelo árabe, como por ter o artigo, que as palavras de procedência imediata não conservam, como, por exemplo, ''jeb'', de ''al-jeb'' = algibeira. Cf. ''arrátel''.
'''Alcatraz''' (zool.). Indo-ingl. ''albatross''. — Indo-franc. ''albatros''. Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Este dia pella manhãa vimos '''alcatrazes''' e garjaos, que he o sinal maes aprouado pera sermos perto de terra». D. João de Castro, ''Roteiro de Lisboa a Goa'', p. 227.</ref>.
''pido'' (estando em pé), no português de Ceilão; ''impé'', no de Cochim; ''empido'', no de Macau.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||ALFINETE ALMÔÇO|{{sc|7}}}}</noinclude>'''Alcoviteira'''. Mal. ''alcobitera'' (Haex).
'''Alcunha'''. Conc. ''ālkúnh''. Term. vern. ''kul-náme, ād-náme''. — Mal. ''alcunia'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L501700|Aldeia]]'''. Indo-ingl. ''aldea'' (p. us.). — Indo-franc. ''aldée''<ref>«Et à présent entre Damaon et Bassein il y a si peu de naturels indous que la pluspart des aldées sont en friches» (1653). Le Gouz de la Boullaye, ''Voyages''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L670821|Alerta]]'''. Conc. ''ālêtô''. — Gal. ''alerta''.
'''Alfaiate'''. Conc. ''ālphyád''. Term. vern. ''darji''. — Mal. ''alfiate'' (Haex). — Tet. ''alfayáti''. Term. vern. ''badain súku''. O crioulo malaio tem ''alfiáti''.
'''Alfândega'''. Conc. ''ālphánd''. Term. vern. ''māndri, doli, ghuddi''. — Tet., Gal. ''alfándega''.
'''Alferes'''. Conc. ''ālphér''. — Mal. ''alpéres''. — Jav. ''alpérès'' (p. us.). — Bug. ''lapéresè''. — Tet., Gal. ''alféris''. A mulher de alferes chama-se ''ālphern'' em concani<ref>«Les langues polynésiennes n'ayant ni ''f'' ni ''ph'' ni ''v'', en adoptant des mots étrangers où ces lettres figurent, on les remplace par ''p'' ou ''b''». Dr. Heyligers.</ref>.
'''Alfinete'''. Conc. ''ālphinêt''. Term. vern. ''tāntsṇí'' (p. us. em Goa). — Hindi ''ālpin''. Também se usa ''pin'', que parece provir do inglês. — Hindust. ''ālpín, alpín, alpin''. — Beng. ''ālpinêt, ālpin''. — Ass. ''álpin''. Term. vern. ''gonj''. — Sing. ''alpenêtiya, alpêntiya''. — Tam. ''alpinêti'' (p. us.). — Mal. ''alpineto'' (Haex), ''pinéti, pinīti, penéti''. — Sund., Jav., Mak. ''paniti''. — Bug. ''panniti''. — Tet., Gal. ''alfinêti''. Term. vern. ''kusan-kik''<ref>Em concani conserva-se o fonema ''f''. Se a forma registada por Haex é correcta, vê-se que a primeira sílaba caiu com o tempo. Em javanês houve metátese de ''a'', atenuado em ''e''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L450515|Algarismo]]'''. Conc. ''ālgārijm'' (us. nas escolas de Goa). — Mak., Bug. ''lagarísi''.
'''Algoz'''. Conc. ''ālgoz'' (também usado em sentido metafórico). Term. vern. ''kasáb, máng, phāsídár''. — Mal. ''algójo, algója, algújo, algúju''. — Jav. ''legójo''. — Mak., Bug. ''alahója''.
'''Aljôfar'''. Indo-ingl. ''aljofar''<ref>«Carregandosse todos de prezas que pellas casas tomauão, de ouro, prata, '''aljofar'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 2.</ref>.
'''Almadia'''. Malayál. ''olamári, ōlamári''<ref>«Ouue vista de hũas '''almadias''' em que andauão a pescar hũs negros». João de Barros, Déc. I, I, 9.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1119807|Almoço]]'''. Conc. ''ālmús''. Term. vern. ''nāstó'' (p. us. em Goa). ''Almús karunk'' (lit. «fazer almôço»), almoçar. — Sing. ''almúsu, almúsura''. Term. vern. ''udaya-kema'' ou ''ude-kema'' (lit. «refeição de manhã»). ''Almúsura-kānana'', almoçar. — Tet., Gal. ''almúsa''.
Os hindus tomam a primeira refeição ao meio-dia, e chamam-lhe ''jevan''; os cristãos tomam de manhã ''péz'', «canja». Neologismos tirados
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|8}}|AMA ÂMBAR|}}</noinclude>do sânscrito: ''nyāhāri, prātarann, prātarbhojan''.
'''Almôndega'''. Tam. ''almond'' (de uso restrito). — Tet., Gal. ''almônik''.
Nomes portugueses de muitas iguarias e doces vogam ainda hoje em várias partes da Índia entre os cristãos, mas não aparecem nos dicionários.
'''[[:d:Lexeme:L450513|Altar]]'''. Conc., Beng. ''āltár''. Term. vern. ''vedi''. — Tam. ''altár''. Term. vern. ''pīdam, balipīdam, vedikei''. — Tet., Gal. ''altar''. O termo é usado sómente pelos cristãos<ref>Alguns amigos, missionários em Madrasta, me ministraram listas de palavras portuguesas introduzidas no tamul, muitas das quais se não encontram nos dicionários, por não terem entrado no uso comum.</ref>.
'''Alva''' («vestimenta eclesiástica»). Conc. ''álv''. — Beng. ''álva''. — Tam. ''alrei''. — Tet., Gal. ''álra''<ref>Os nomes dos paramentos e utensílios eclesiásticos são geralmente portugueses entre os católicos.</ref>.
'''Alvorada'''. Conc. ''ālvorád'' («toque da alvorada»). — Tet. ''alvorada''. Term. vern. ''rai-nakei''.
'''Ama''' (de leite). Conc., Mar., Guj., Hindust., Sing., Can., Tul. ''āmá'' (em marata também ''amā''). — Indo-ingl. ''amah'' (Whitworth tira-o do marata ''āmā'', «mama»). — Pid.-Engl. ''amah''<ref>«As “amahs” acompanhando as crianças que para ahi vão brincar». Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 20. «E tem amas que lhe crião os filhos e as filhas». Diogo do Couto, Déc. VII, x, 11.</ref>.
Termos neo-áricos: ''dúdh ditali, dudhhārin, thānkārin, dhātrí''. São pouco usados, porque as mães amamentam geralmente seus filhos<ref>O dravídico ''amma'', «mãe», é vernáculo.</ref>.
'''Amancebado'''. Tam. ''masuvádu''. O crioulo de Ceilão tem ''masabado''.
O vocábulo teria sido admitido a título de eufemismo, como ''alcoviteira'' no malaio.
'''Amantilhos''' (naut.). L.-Hindust. ''mantelá, mantelá, mantel, matelá''.
'''Amargosa''' (árvore —, amargoseira, ''Melia Azadirachta''). Indo-ingl. ''margosa''. — Indo-franc. ''margosier''.
''Margosa'' diz-se tambêm no crioulo português de Bombaim. No de Ceilão, ''margoso'' = amargoso<ref>«Foi admittida officialmente na ''Pharmacopêa da India'' sendo chamada nas pharmacias ''margosa'' (a casca ''cortex margosae''), o que claramente se deriva da palavra portugueza amargosa». Conde de Ficalho, nos ''Coloquios de Garcia da Orta'', XL.</ref>.
'''Amarra'''. L.-Hindust. ''hamár, már''. — Tam. ''amár, amarkhayiru'' (lit. «amarra-cairo»). Term. vern. ''kayiru, kambakam, tában, sambhan''. — Tel. ''amáru, amáru-tádu''. Vid. ''cairo''.
Em tamul, como em malayálam, dobra-se a consoante inicial do segundo elemento do composto, como acontece no italiano, por exemplo, em ''acciocchè''.
'''Âmbar''' (especialmente «âmbar
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||AMOSTRA ANANÁS|{{sc|9}}}}</noinclude>gris»). Conc., Mar., Hindi, Hindust., Beng., Tam., Ach., Sund., Jav. ''ambar''. — Sindh. ''ambāru''. — Malayál., Mal. ''ambar, amber''. — Mak., Bug. ''ámbarā''.
Talvez importado imediatamente do árabe. Nomes indianos de âmbar em geral: ''tṛṇamaṇi, tṛṇagrāhi''<ref>«'''Âmbar''' dizem os Arábios, e ''ambarum'' os Latinos, por o costume da variação latina e uso, e as outras nações e lingoas; quantas eu sei, todas a chamam assi ou varião muito pouco». Orta, Col. III.</ref>.
'''Amen'''. Conc. ''āmén''. Term. vern. ''asém zámr, táthast'' (ant.), ''svasti'' (sânsc., p. us.). — Beng., Sing., Can. ''ámen''. — ? Hindi, Hindust. ''āmín'' (talvez do árabe). — ? Mal., Ach., Sund., Jav., Mak., Bug. ''amin''. — Tet., Gal. ''ámen''. — Jap. ''amen''. Term. vern. ''shikari''.
'''[[:d:Lexeme:L1375047|Amêndoa]]'''. Conc. ''āmênd, āmén'' (n.; ''āmênd'', f., amendoeira). Term. vern. ''bādám'' (arábico). — ? Jap. ''améndō, ammêntō''.
O Dr. Murakámi atribui a ''amendō'' o significado de «amêndoa». Mas Hepburn regista o vocábulo com o significado «''a kind of peach'', especie de pêssego», e a ''almond'' («amêndoa») dá por significados japoneses ''hanankyō, banankyō''. Sakuna omite o termo<ref>O singalês ''amandel'' é do holandês.</ref>.
'''Amostra'''. Conc. ''āmostr''. — Tet., Gal. ''amostra''. Term. vern. ''banáti''. Vid. ''mostra''.
'''[[:d:Lexeme:L1145034|Ananás]]'''. Conc. ''ānanés'' (n.; ''ānanês'', f., planta), ''ānás'' (us. no Canará). — Mar. ''ananás, ananas'' (m. ou n., fruto; f., planta). — Guj. ''anenás, annas''. — Hindi, Hindust. ''anannás''. — Or. ''anáras''. — Sindh. ''anānásu''. — Sing. ''annási, anaḥsi, annǎsiya''. — Tam. ''aṇṇāsi''. — Malayál. ''ananás''. — Tel. ''anānásu, anásu, anás-paṇṭu, anāsavanasa-paṇṭu'' (''paṇṭu'' = fruto). — Can. ''ananásu''. — Indo-ingl. ''ánanas'' (mais us. ''pine-apple''). — Indo-franc. ''ananas''. — Gar. ''anaros''. Term. vern. ''terik sagil''. — Camb. ''manŏs''. — Mal. ''ananas, anas, nānas, ninas''. — Ach. ''ánas, anus''. — Batt. ''kanas''. — Sund. ''danas, ganas, kanas''. — Jav. ''nanas''. — Mad. ''lanas''. — Bal. ''manas''. — Batáv. ''honas''. — Day. ''kanas''. — Tet. ''ananaz, nánas''. — Gal. ''ananaz''. — Malg. ''mananasy''<ref>«Aveis de escrever desta fruta, que chamão '''ananaz''', porque certo que he rey das plantas no sabor, e muyto mais no cheiro». Orta, Col. LVIII.</ref>.
''Anannási'' (Hindust.), ''ānārasí'' (Beng.), adj., da feição de ananás, «made like a ''pine-apple''», Shakespear.
Vocábulo americano (peruano ''nanas'', diz o Sr. Cândido de Figueiredo, brasileiro ''nana'' ou ''nanas'', dizem Yule & Burnell), introduzido pelos portugueses junto com a planta<ref>Webster, no seu dicionário inglês, deriva-o do malaio.</ref>.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/107
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MLReis
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|10}}|ANCORA ANDOR|}}</noinclude>A alteração do primeiro ''n'' em algumas línguas da Malásia deve-se atribuir à dissimilação.
Segundo Männer, em túlu diz-se ''parengi-pela-káyi'', lit. «fruta jaca portuguesa».
A palavra ''farangi'' ou ''firingi'', córrução persiana de «franco», denota «europeu» em geral, e em especial «português», e mais restritamente «indo-português»; em concani, singalês e tamul, tão sómente «português»<ref>«Taees homens non podiam ser senam '''Francos''', que asy chamam a nosoutros em estas partes». ''Roteiro da Viagem de Vasco da Gama'', 1838, p. 99.
«Dizendo que pois os Portugueses (aos quaes chamão '''Frangues''')». Duarte Barbosa, p. 248.</ref>. E como os portugueses eram cristãos e propagadores da sua religião, ''farangi'' é também sinónimo de «cristão»<ref>«E letras que dizião '''frangue''', que quer dizer christão». Gaspar Correia, II, p. 344.</ref>.
Nas línguas dravídicas, o vocábulo tambêm significa «canhão, peça»: Tam., Malayál. ''perangi''; Tel. ''pirangi, phirangi, phiríngi''; Can., Tul. ''pirangi, phirangi''. Em cambojano, ''parēang'' é «europeu» e ''parēang-sês'' é «francês». Em persa, ''Firangistan'' é o nome da Europa.
'''Ancora'''. Sing. ''ăṅkara, aṅkáraya''. Term. vern. ''nēgurama''. — Mal. ''jangkar'' (Bikkers), ''dyankar''. Term. vern. ''saú, lábu''. — Persa, Ár. ''anjar, anjara''.
O Dr. Hugo Schuchardt relaciona ''dyankar'' com o ingl. ''the anchor''<ref>A palavra ''langar'' ou ''nangar'', que se encontra nas línguas indianas, quer áricas, quer dravídicas (e no persa, ''langar''), significando também «arado», provêm do sâns. ''langala''.</ref>.
* '''Andor''' («palanquim»)<ref>«'''Andores''' que sam como leytos dandas senão que sam descobertos, e quasi rasos, tão baixas tem as goardas». Castanheda, I, 16.</ref>. Conc. ''āndôr, āndôl''. — Hindust. ''handolá''. — Beng. ''āndôla''. — Sing. ''andôreva'' («palanquim candiano», Clough). — Malayál. ''aṇdólam''. — Can. ''andana''. — Kodágu (língua dravídica) ''andala''. — Tet. ''andor''<ref>«Mando a todos os panditos e phisicos gentios que não andem por esta cidade e arrabaldes della a cavallo nem em '''andores''' e palanquins». Alvará do governador da India, 15 de Dezembro de 1574.</ref>.
Qual é o étimo de ''andor'' e o seu sentido primordial? No continente o vocábulo não é muito antigo; designa a «padiola ornamentada, em que se levam imagens nas procissões». (Cândido de Figueiredo).
Os lexicógrafos portugueses ou omitem a etimologia, ou derivam o termo, uns, mais modernos, do verbo ''andar'', do mesmo modo que ''andas''; outros, como João de Sousa, da voz pérsica ''andol'' ou ''andul'', ou, antes, ''handūl''; e definem-no: «carroagem portátil da India». (Bluteau).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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Em Tradução:Повести покойного Ивана Петровича Белкина (Пушкин)/Барышня-крестьянка
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Thaissom
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Adição da tradução do oitavo parágrafo além de uma nota de tradução.
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wikitext
text/x-wiki
{{em tradução}}
<div style="border: 1px solid #dfdfdf; background-color: #f8f9fa; padding: 12px; margin-bottom: 20px; border-radius: 4px; box-shadow: 0 1px 3px rgba(0,0,0,0.05); font-size: 95%;">
<div style="font-size: 130%; font-weight: bold; margin-bottom: 6px; text-align: center;">
[[s:ru:Повести покойного Ивана Петровича Белкина (Пушкин)/Барышня-крестьянка|Novelas do falecido Ivan Pietrôvitch Biêlkin<ref>Transcrição e Grafia: Nesta tradução de '''Alhexandr Púchkin''', os nomes de personagens e lugares não foram traduzidos, mas adaptados graficamente para o português. O objetivo é aproximar o leitor da verdadeira pronúncia russa, contornando as ambiguidades das habituais normas baseadas no inglês ou no francês. Já os cargos e títulos históricos da época foram traduzidos integralmente por seus equivalentes em nossa língua.
Os critérios práticos adotados para garantir essa sonoridade nativa são:
* '''Ortografia Nativa:''' Uso do '''C''' antes de A, O, U (em vez de ''K''), substituição sistemática do '''Y''' pelo '''I''' por ser a vogal natural da nossa língua, e rejeição do dígrafo '''QU''' devido à sua ambiguidade sonora (ex: ''Aculina'', ''Cúrotchkina'').
* '''Consoantes sem Estrangeirismos:''' Emprego de '''X''' para o som de /ks/ (como em ''táxi'') e do dígrafo '''CH''' para o som de /ch/ (como em ''chave''), evitando as construções não nativas ''ks'', ''cs'' ou ''sh'' (ex: ''Alhexandr'', ''Púchkin'').
* '''L Suave Espelhado:''' Representação do "л" palatalizado russo (<tt>[lʲ]</tt>) por meio de '''LH''' ou '''LHI''' diante de vogais suaves, mimetizando a fonética orgânica da nossa língua (ex: ''Saviêlhiev'', ''Alhexiêievski'').
* '''Acentuação Restritiva:''' O uso de acentos gráficos (agudo ou circunflexo) ocorre '''apenas''' quando estritamente necessário pelas leis da língua portuguesa para garantir que o estresse caia na sílaba correta (ex: ''Púchkin'', ''Pietrôvitch''; mas sem acento em ''Alhexandr'').</ref> (Púchkin) / A Senhorita-Camponesa]]
</div>
<div style="text-align: center; margin-bottom: 10px; color: #54595d;">
Por '''[[Autor:Alexandre Pushkin|Alhexandr Sierguiêievitch Púchkin]]''' (1831) — Traduzido por '''[[Usuário:Thaissom|Thaissom Schultz Conter]]'''
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<hr style="border: 0; border-top: 1px solid #dfdfdf; margin: 8px 0;" />
<div style="font-size: 90%; color: #333; line-height: 1.5em;">
'''Notas de tradução:''' Tradução em andamento baseada no texto original russo da FEB ENI "Púchkin" (citado de: Púchkin, A. S. Coleção completa das composições: em 10 volumes — Leningrado: Naúca, 1978. — Volume 6. Prosa ficcional. — P. 99-115.). Texto original com acentos disponível em: [[s:ru:Повести покойного Ивана Петровича Белкина (Пушкин, текст с ударениями)/Барышня-крестьянка|Барышня-крестьянка]].
</div>
</div>
== Epígrafe ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">Во все́х ты, Ду́шенька, наря́дах хороша́. — Богдано́вич.</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
Em todas vestimentas, tu, minh’alma<ref>No original, utiliza-se o termo ''Dúchenhca'' (Душенька), diminutivo afetivo de ''duchá'' (душа, "alma"). Trata-se de um vocativo carinhoso e romântico usado para se referir a alguém querido. A escolha por "minh'alma" em português é a tradução ideal por preservar a raiz semântica do metalínguo original e manter o mesmo teor lírico.</ref>, vês-te bonita. — Bogdanôvitch.
</div>
== Parágrafo 1 ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">В одной из отдаленных наших губерний находилось имение Ивана Петровича Берестова. В молодости своей служил он в гвардии, вышел в отставку в начале 1797 года, уехал в свою деревню и с тех пор он оттуда не выезжал. Он был женат на бедной дворянке, которая умерла в родах, в то время, как он находился в отъезжем поле. Хозяйственные упражнения скоро его утешили. Он выстроил дом по собственному плану, завел у себя суконную фабрику, утроил доходы и стал почитать себя умнейшим человеком во всем околодке, в чем и не прекословили ему соседи, приезжавшие к нему гостить с своими семействами и собаками. В будни ходил он в плисовой куртке, по праздникам надевал сертук из сукна домашней работы; сам записывал расход, и ничего не читал, кроме Сенатских Ведомостей. Вообще его любили, хотя и почитали гордым. Не ладил с ним один Григорий Иванович Муромский, ближайший его сосед. Этот был настоящий русский барин. Промотав в Москве большую часть имения своего, и на ту пору овдовев, уехал он в последнюю свою деревню, где продолжал проказничать, но уже в новом роде. Развел он английский сад, на который тратил почти все остальные доходы. Конюхи его были одеты английскими жокеями. У дочери его была мадам англичанка. Поля свои обрабатывал он по английской методе:</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
Em uma das nossas afastadas províncias encontrava-se a casa-grande<ref>O termo original ''imiênie'' (имение) designa a propriedade rural de um nobre na Rússia imperial, englobando as terras e a residência senhorial. A opção por "casa-grande" constitui uma adaptação cultural que traduz, no contexto lusófono, o mesmo centro de autoridade econômica, social e patriarcal representado pela propriedade russa da época.</ref> de Ivan Pietrôvitch Biêriestov. Em sua juventude, ele serviu na Guarda, abdicou do cargo no começo do ano de 1797, partiu para sua aldeia e, desde então, de lá não saiu. Ele foi casado com uma pobre fidalga, a qual morreu em meio ao parto enquanto ele caçava em um campo remoto<ref>A expressão original ''otiêzjieie polhe'' (отъезжее поле) era um termo técnico da nobreza russa do século XIX para designar terras e bosques distantes da propriedade senhorial, destinados exclusivamente a longas expedições de caça com matilhas e cavalos. A tradução contextual "caçava em um campo remoto" preserva tanto o isolamento geográfico do local quanto a natureza da atividade realizada pelo personagem.</ref>. As atividades de gestão doméstica logo consolaram-no. Ele ergueu uma casa por seu próprio plano, estabeleceu nas suas terras uma fábrica de lã batida, triplicou suas rendas e passou a considerar-se a pessoa mais esperta de toda a redondeza, no que, de fato, não o contradiziam os vizinhos, que chegaram de visita com suas famílias e cachorros. Nos dias úteis, andava em um casaco de veludilho; nos feriados, vestia uma sobrecasaca de lã batida caseira; ele mesmo registrava os gastos, e não havia lido nada, a não ser o Boletim do Senado. Em geral, amavam-no, ainda que o consideravam orgulhoso. Não se entrosava com ele somente Grigóri Ivánovitch Múromski, seu vizinho mais próximo. Este era um autêntico grão-senhor<ref>O termo original ''bárin'' (барин) designa o nobre fidalgo e proprietário de terras na Rússia imperial. A tradução por "grão-senhor" foi adotada por evocar com precisão o caráter aristocrático, a opulência e a soberania social dessa figura histórica, evitando termos genéricos como "senhor" ou "patrão".</ref> russo. Tendo esbanjado, em Moscou, a maior parte de seus bens e, nessa altura, tornado-se viúvo, partiu ele para a última aldeia sua, onde seguiu travesseando, mas já de nova forma. Plantou ele um jardim inglês, no qual gastou quase todas suas rendas restantes. Seus cocheiros ficavam vestidos de jóqueis ingleses. Sua filha tinha uma governanta inglesa. Seus campos, cultivava ao método inglês:</div>
== Parágrafo 2 ==
<div style="text-align: center;">
<span style="color: red;">[[s:ru:Сатира_первая_(Шаховской)|Но на чужой манер хлеб русский не родится,]]</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">и не смотря на значительное уменьшение расходов, доходы Григорья Ивановича не прибавлялись; он и в деревне находил способ входить в новые долги; со всем тем почитался человеком не глупым, ибо первый из помещиков своей губернии догадался заложить имение в Опекунской Совет: оборот, казавшийся в то время чрезвычайно сложным и смелым. Из людей, осуждавших его, Берестов отзывался строже всех. Ненависть к нововведениям была отличительная черта его характера. Он не мог равнодушно говорить об англомании своего соседа, и поминутно находил случай его критиковать. Показывал ли гостю свои владения, в ответ на похвалы его хозяйственным распоряжениям: «Да-с!» говорил он с лукавой усмешкою; «у меня не то, что у соседа Григорья Ивановича. Куда нам по-английски разоряться! Были бы мы по-русски хоть сыты». Сии и подобные шутки, по усердию соседей, доводимы были до сведения Григорья Ивановича с дополнением и объяснениями. Англоман выносил критику столь же нетерпеливо, как и наши журналисты. Он бесился и прозвал своего зоила медведем и провинциалом.</span>
</div>
<div style="text-align: center;">[[s:ru:Сатира_первая_(Шаховской)|Mas, à moda alheia, trigo russo não nasce,]]
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
e, apesar da significativa queda das despesas, as rendas de Grigóri Ivánovitch não subiam; ele, ainda na aldeia, encontrava meios de contrair novas dívidas; com tudo isso, era considerado um homem nada tolo, porquanto foi o primeiro dos proprietários de terra da sua província a ter a astúcia de hipotecar sua propriedade no Conselho de Tutela: reviravolta que parecia, naquele tempo, extraordinariamente complexa e ousada. Das pessoas que o condenavam, Biêriestov se exprimia da forma mais severa de todas. O ódio às inovações era um traço distintivo de seu caráter. Ele não conseguia falar indiferentemente sobre a anglomania do seu vizinho e a cada minuto encontrava uma oportunidade para criticá-lo. Caso mostrasse à visita suas posses, em resposta aos louvores por sua gestão administrativa: "Sim, senhor!", dizia ele com um sorriso astuto; "eu não tenho o que o vizinho Grigóri Ivánovitch tem. Quem somos nós para falirmos à moda inglesa! Ao menos se estivéssemos saciados à russa". Estas e outras piadas similares, graças ao empenho dos vizinhos, eram entregues ao conhecimento de Grigóri Ivánovitch com complemento e explicações. O anglômano tolerava a crítica tão impacientemente quanto os nossos jornalistas. Ele endemoniava-se<ref>O verbo original ''biecítsa'' (беситься) deriva etimologicamente do substantivo ''biês'' (бес, "demônio" ou "espírito maligno"). Embora usado habitualmente como sinônimo de "enfurecer-se", a opção por "endemoniava-se" resgata a raiz filológica do termo russo, enriquecendo o texto literário ao evocar uma fúria cega e de proporções desmedidas.</ref> e chamava seu detrator de urso e provinciano.
</div>
== Parágrafo 3==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">Таковы были сношения между сими двумя владельцами, как сын Берестова приехал к нему в деревню. Он был воспитан в *** университете и намеревался вступить в военную службу, но отец на то не соглашался. К статской службе молодой человек чувствовал себя совершенно неспособным. Они друг другу не уступали, и молодой Алексей стал жить покамест барином, отпустив усы на всякий случай<ref>Вариант автографа содержит пояснение: «в надежде будущего гусарства».</ref>.</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
Assim eram as relações entre estes dois proprietários, no momento em que o filho de Biêriestov chegou à sua aldeia. Ele fora educado na universidade *** e pretendia ingressar no serviço militar, mas seu pai com isso não concordava. Para o serviço civil, o moço se sentia completamente incapaz. Eles não cediam um ao outro, e o jovem Alhexiei passou a viver, por ora, como fidalgo, tendo deixado seu bigode crescer por via das dúvidas<ref>A variante do autógrafo contém o esclarecimento: "na esperança de um futuro posto nos hussardos.</ref>.</div>
== Parágrafo 4 ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">Алексей был, в самом деле, молодец. Право было бы жаль, если бы его стройного стана никогда не стягивал военный мундир, и если бы он, вместо того, чтобы рисоваться на коне, провел свою молодость согнувшись над канцелярскими бумагами. Смотря, как он на охоте скакал всегда первый, не разбирая дороги, соседи говорили согласно, что из него никогда не выйдет путного столоначальника. Барышни поглядывали на него, а иные и заглядывались; но Алексей мало ими занимался, а они причиной его нечувствительности полагали любовную связь. В самом деле, ходил по рукам список с адреса одного из его писем: ''Акулине Петровне Курочкиной, в Москве, напротив Алексеевского монастыря, в доме медника Савельева, а вас покорнейше прошу доставить письмо сие А. Н. Р.''</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
Alhexiei era, de fato, um mancebo heroico. Realmente seria uma pena se seu esbelto porte nunca fosse cingido por uma farda militar de gala, e se ele, ao invés de se exibir a cavalo, passasse sua juventude debruçado sobre papéis de escritório. Vendo como na caça ele sempre galopava primeiro, sem decifrar os caminhos, os vizinhos falavam com unanimidade que dele nunca se faria um chefe de seção competente. As nobres moças lhe lançavam olhares de relance, e algumas ainda se perdiam nele; mas Alhexiei pouco lhes dava atenção, e elas atribuíam o motivo de sua insensibilidade a um caso amoroso. De fato, corria de mão em mão uma cópia do endereço de uma de suas cartas: ''Aculina Pietrovna Cúrotchkina, em Moscou, em frente ao mosteiro Alhexiêievski, na casa do caldeireiro Saviêlhiev, e a Vossa Mercê, peço humildemente que entregue esta carta a A. N. R.''</div>
== Parágrafo 5 ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">Те из моих читателей, которые не живали в деревнях, не могут себе вообразить, что за прелесть эти уездные барышни! Воспитанные на чистом воздухе, в тени своих садовых яблонь, они знание света и жизни почерпают из книжек. Уединение, свобода и чтение рано в них развивают чувства и страсти, неизвестные рассеянным нашим красавицам. Для барышни звон колокольчика есть уже приключение, поездка в ближний город полагается эпохою в жизни, и посещение гостя оставляет долгое, иногда и вечное воспоминание. Конечно всякому вольно смеяться над некоторыми их странностями; но шутки поверхностного наблюдателя не могут уничтожить их существенных достоинств, из коих главное, ''особенность характера, самобытность'' ({{lang|fr|individualité}}), без чего, по мнению Жан-Поля, не существует и человеческого величия<ref>Имеется в виду суждение [[s:ru:Жан Поль|Жан Поля Рихтера]] из книги «[[s:ru:Мысли Жан-Поля, извлеченные из всех его сочинений (Жан Поль)|Мысли Жан-Поля, извлеченные из всех его сочинений]]» (Париж, 1829): «Уважайте индивидуальность в человеке, она является корнем всего положительного». Книга была подарена Пушкину Юрием Никитичем Бартеневым 31 августа 1830 года, накануне отъезда в Болдино.</ref>. В столицах женщины получают может быть, лучшее образование; но навык света скоро сглаживает характер и делает души столь же однообразными, как и головные уборы. Сие да будет сказано не в суд, и не во осуждение, однако ж {{lang|la|Nota nostra manet}}<ref>{{lang|la|Nota nostra manet}} — наше замечание остается в силе.</ref>, как пишет один старинный комментатор.</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
Aqueles meus leitores que não moritaram<ref>No original, Púchkin utiliza o verbo ''jivat’'' (живать), a forma iterativa de ''jit’'' (жить, morar). Esse aspecto verbal indica uma ação habitual, repetida ou prolongada no passado ("costumar morar"). Para transpor essa nuance morfológica exata à língua portuguesa, que expressa o aspecto frequentativo por perífrases (jamais moraram), optou-se pela criação do neologismo ''moritar''. O termo une o radical ''mor-'' (de morar) ao sufixo aspectual frequentativo ''-itar'' (como em saltitar ou dormitar), preservando tanto a concisão poética quanto a raridade gramatical do verbo original no russo moderno.</ref> as aldeias não são capazes de visualizar o charme que são essas senhoritas distritais! Educadas ao ar livre, à sombra de suas macieiras, extraem seu conhecimento de mundo e vida dos livros. O isolamento, a liberdade e a leitura cedo nelas acendem sentimentos e paixões, desconhecidos a nossas dispersas beldades. Para as senhoritas, o tintilar de uma sineta já é uma aventura, uma viagem à cidade próxima marca uma época na vida e a visita de um convidado deixa uma memória longa, às vezes até eterna. É claro, qualquer um pode rir de algumas de suas esquisitices; mas as piadas de um observador superficial não conseguem anular suas virtudes essenciais, dentre as quais a principal: ''a singularidade do caráter, a individualidade'' ({{lang|fr|individualité}}), sem a qual, de acordo com Jean Paul, não existe sequer a grandeza humana<ref>Tem-se em mente o julgamento de [https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Paul Jean Paul Richter] do livro "Pensamentos de Jean Paul, extraídos de todas as suas obras" (Paris, 1829): "Respeitai a individualidade na pessoa, ela é a raiz de tudo que é positivo". O livro foi presenteado a Púchkin por Iúri Nikítitch Bartiêniev em 31 de agosto do ano de 1830, na véspera da sua partida para Bôldino.</ref>. Nas capitais, as mulheres recebem, talvez, uma educação melhor; mas a prática da alta sociedade logo uniformiza o caráter e deixa as almas tão invariáveis quanto os adornos de cabeça. Diga-se isto não para julgamento nem para condenação, todavia {{lang|la|Nota nostra manet}}<ref>{{lang|la|Nota nostra manet}} — nossa observação se mantém.</ref>, como escreve um antigo comentador.</div>
== Parágrafo 6 ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">Легко вообразить, какое впечатление Алексей должен был произвести в кругу наших барышен. Он первый перед ними явился мрачным и разочарованным, первый говорил им об утраченных радостях и об увядшей своей юности; сверх того носил он черное кольцо с изображением мертвой головы. Всё это было чрезвычайно ново в той губернии. Барышни сходили по нем с ума.</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
É fácil imaginar que impressão Alhexiei deve ter causado entre nossas senhoritas. Ele foi o primeiro que, diante delas, se apresentou sombrio e desencantado, o primeiro que lhes falava sobre as alegrias perdidas e sobre sua murcha juventude; além disso, usava um anel preto com a imagem de uma caveira<ref>A expressão original ''miôrtvaia golová'' (мёртвая голова) constitui um calque do termo alemão ''Totenkopf'' ("cabeça de morte"). Como a importação direta da expressão para o português moderno gera um anacronismo indesejado devido à sua forte associação histórica com o nazismo, optou-se aqui pela tradução contextual por "caveira", preservando a simbologia original de Púchkin sem evocar conotações contemporâneas.</ref>. Tudo isso foi extraordinariamente novo naquela província. As senhoritas perdiam a cabeça<ref>A expressão original ''srrodít' s umá'' (сходить с ума) significa literalmente "sair da própria mente". A opção pela locução idiomática "perder a cabeça" em português justifica-se por traduzir fielmente a ideia de ir à loucura, ao mesmo tempo em que preserva a imagem metafórica de um afastamento temporário da própria consciência e do controle racional.</ref> por ele.</div>
== Parágrafo 7 ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">Но всех более занята была им дочь англомана моего, Лиза (или Бетси, как звал ее обыкновенно Григорий Иванович). Отцы друг ко другу не ездили, она Алексея еще не видала, между тем, как все молодые соседки только об нем и говорили. Ей было семнадцать лет. Черные глаза оживляли ее смуглое и очень приятное лицо. Она была единственное и следственно балованное дитя. Ее резвость и поминутные проказы восхищали отца и приводили в отчаянье ее мадам мисс Жаксон, сорокалетнюю чопорную девицу, которая белилась и сурмила себе брови, два раза в год перечитывала Памелу<ref>Роман [[w:ru:Ричардсон, Сэмюэл|Самюэла Ричардсона]] «[[w:ru:Памела (роман)|Памела]]» (1740).</ref>
, получала за то две тысячи рублей, и умирала со скуки ''в этой варварской России''.</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
Mas, de todas, a mais ocupada com ele era a filha do meu anglômano, Liza (ou Betsy, como a chamava habitualmente Grigóri Ivánovitch). Os pais não se visitavam, ela ainda não vira Alhexiei nem uma vez, enquanto todas as jovens vizinhas só dele falavam. Ela tinha dezessete anos. Os olhos negros revitalizavam seu rosto moreno e muito agradável. Ela era filha única e, por conseguinte, mimada. Sua vivacidade e travessuras de minuto a minuto arrebatavam seu pai e levavam ao desespero sua governanta miss Jackson, uma donzela cerimoniosa de quarenta anos de idade, que passava pó branco e pintava suas sobrancelhas com antimônio, duas vezes ao ano relia Pamela<ref>Romance de [[w:pt:Samuel Richardson|Samuel Richardson]] “[[w:en.Pamela; or, Virtue Rewarded|Pamela]]” (1740).</ref>, recebia por isso dois mil rublos, e morria de tédio ''nesta bárbara Rússia''.</div>
== Parágrafo 8 ==
<div style="text-indent: 1.5em;">
<span style="color: red;">За Лизою ходила Настя; она была постарше, но столь же ветрена, как и ее барышня. Лиза очень любила ее, открывала ей все свои тайны, вместе с нею обдумывала свои затеи; словом, Настя была в селе Прилучине лицом гораздо более значительным, нежели любая наперсница во французской трагедии.</span>
</div>
<div style="text-indent: 1.5em;">
De Liza cuidava Nástia; ela era um pouco mais velha, mas tão leviana quanto sua senhorita. Liza a amava muito, revelava-lhe todos os seus segredos, junto dela arquitetava seus planos; em suma, Nástia era, na aldeia<ref>O termo original ''sielô'' (село) designa um assentamento rural que, na tradição da Rússia imperial, diferenciava-se das aldeias comuns (dieriêvnia) por possuir obrigatoriamente uma igreja ortodoxa, funcionando como centro administrativo e espiritual da região.</ref> de Prilútchino, uma personagem muito mais significativa do que qualquer confidente em uma tragédia francesa.</div>
== Notas ==
<references />
93bq4emx3qn2jmbqkih7cewh5jb2fnc
Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/9
106
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Numas ilhas remotas, em paiz onde lavrava a desordem e a desunião, via o povo, com tristeza de raros, que se tinha perdido a pouco e pouco o patriotismo e todas as nobres qualidades que são apanagio dos fortes. Imperava ali um egoismo desenfreado, o que equivale a dizer, que cada um tratava de si sem se importar com os outros, parecendo-lhes assim, que, não pensando e não atendendo senão ás próprias necessidades, levariam vida mais regalada e duradoira. Os negocios do Estado iam de mal em peior, ¿mas, quem se importava com isso?
O Estado era de todos e não era de nenhum, portanto o melhor que havia a fazer era tirar dele o proveito que se podesse é não pensar senão em o utilizar,<noinclude></noinclude>
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― Se já antes de partir te prendes com as ovelhas
que fará ao surgirem obstaculos reaes? Quem não
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Num relance a figura do cura, sentado á porta de casa a ler o breviario, passou saudosa ante o olhar {{hífen|la|lacrimoso}}<noinclude></noinclude>
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{{Bloco centro/s}}
<poem>
Jás o povo, sem vontade,
Olvida ser português.
Quer o gozo, a ociosidade,.
Que tão mal sempre lhe fez.
O rei de Castela pede
O reino de Portugal,
Porque a filha ao pai sucede
E não ha direito igual.
Assim afirma, esquecendo
Que os homens rêzes não são,
E, que em corpo apodrecendo
Se acha pedaço ainda são:
Era João que, esforçado,
Tinha um ânimo de herói.
Era Nuno, féro e ousado,
Que a tal ideia se dói.
E olhando com desprezo
Até seus próprios irmãos,
Sente o peito á terra preso,
Mostra a espada, e mostra as mãos.
<br>
</poem>
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― ¡¿Como?! pergunta pasmado,
¿Se encontra na nossa terra
Quem prefira, subjugado,
O reino, a partir para a guerra?
«¿Acaso não tendes já
«Mãos com que brandir as lanças
Ou nos homens já não ha
«Mais valor que nas crianças?
«Erguei de novo a cabeça,
«Quem só quer cama e conforto,
Pois pode ser que aconteça
Ficar sem ambos, e morto...
«Quem abdica a independência
«Da sua própria nação
«Nem mesmo em Deus tem clemência:
«Tão vil é de condição.
«Mas ficai, se assim vos praz,
«Por indolência ou receio.
«Que eu só me oporei á paz
«Firmada com jugo alheio.
«Ainda que a minha vida
«Seja prêço a tanto mal
«E' ganha e nunca perdida
«Se eu a der por Portugal.»
<br>
</poem>
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{{bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Então o povo vencido
Por tão sensatas razões,
Provou que tinha entendido
De Nuno as justas lições.
E erguendo estridente grita
Brotada do coração,
Que em ondas e orgulho agita,
Quiz, e fez livre a nação.
</poem>
{{Bloco centro/f}}
― Meu jovem cavaleiro, disse o principio Dórdio, estou-vos grato pela confiança e desasombro com que me exposestes as vossas opiniões e sentimentos, e podeis contar com o meu auxilio. Não só o meu braço estará prompto a coadjuvar-vos, mas até a minha bolsa.
Levantou-se na sala um grande alarido parecendo a Guilherme que todos aprovavam com grande satisfação as palavras do principe. A ceia prolongou-se até tarde, e quando terminou, o principe deu ordens ao intendente do castelo para que conduzisse os hospedes aos melhores aposentos.
Logo que o nosso herói ficou só com o pagem, que durante toda a refeição estivera em pé, atraz da sua cadeira e atento ao menor gesto, disse-lhe êste:
― Senhor, não vos fieis nas aparências nem vos entregueis ao sono. Os fidalgos de Dórdio estão furiosos convosco.
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/30
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― ¡¿Acreditais isso?! Bem se vê que não tendes o hábito de lidar com cortezãos: são mais perfidos que as ondas do mar e, crêde-me, nada ha que {{hífen|admi|admirar}}<noinclude></noinclude>
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|cap={{smaller|... soberbos manjares... (Pag. 34)}}
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|1=Uma mesa com duas cadeiras e um enorme banquete.
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― ¿Mas estaveis ao serviço do principe Dórdio?
― Não, vivia na sua côrte porque me agradava. Êle é bom, apesar da vida que leva, e na sua companhia vive-se alegremente.
― ¿E vós nunca pensastes que a vida que levaveis era imprópria dum bom patrióta?
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/44
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{{Bloco centro/s}}<poem>
Entre negras penedias,
Onde vem bater o mar,
Vê passar infaustos dias
A linda dona Guiomar,
De farta estar de arrelias
Nem força tem de chorar.
Até esquece as cotovias
Que a costumam vir saudar.
A côrte co'a dona insiste
P'ra vestir luto de la,
A tudo Guiomar resiste,
Imovel na barbaca
Lança ao longe um olhar triste
Sentindo que a esp'rança é vá...
Eis aqui no que consiste
O pezar da castelá:
Foi-lhe p'ra guerra o marido,
Ha quinze anos bem contados,
Com séquito mui luzido
De fidalgos e criados.
Tempo depois foi sabido,
Por homens de lá voltados,
</poem>
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Que o conde tinha morrido
Sendo os seus aprisionados.
Não quer tal crer a condessa,
De olhos pregados no mar
Vai sempre, dês que amanheça,
Da barbacă vigiar.
E fica, até que anoiteça,
As ondas a contemplar,
Sem que nela a fé esmoreça
¡Não desespera a esperar!
Inutil é que lhe falem,
Nunca responde a ninguém.
As censuras de que valem
A quem sente que anda bem?
Embora já lhe não calem:
«Que os vivos direitos tem,»
Embora todos a ralem,
Ela trata-os com desdem.
E continúa lançando
Os tristes olhos ao mar,
Na certeza de que esp'rando
Ha de por força alcançar.
No castelo, conspirando,
Andavam para a matar,
Consados de a vêr chorando,
Teimando em não se casar.
<br>
</poem>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/46
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Sem ter danças nem folguêdos,
Sem se jogar nos jardins,
Todos mudos, quais penedos,
Deram em torpes malsins.
Á sombra dos arvorêdos,
Ou sobre fofos coxins,
Iam tecendo os enrêdos
Para chegar aos seus fins.
Porém, uma tarde linda,
Quando o sol beijava o mar,
Foi com alegria infinda
Que bradou dona Guiomar:
― ¿Quem ousa dizer-me ainda
Que o não hei de vêr voltar?
¡Laura! ¡Joana! ¡Gracinda!
Ide a notícia espalhar.
Pelas águas, lentamente,
Descia pezada nave.
A condessa, impaciente,
Lamentava não ser ave.
Falsa certeza que mente
Talvez a cova lhe cave,
Porque o destino inclemente
Em nada será soave.
Da nave, atracando a terra,
Desceu enorme caixão,
</poem>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/47
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O conde volta da guerra
Sem lança nem lorigão.
Tal dôr á mulher se aferra
Que lhe pàra o coração.
Uma lousa ambos encerra,
Repousam no mesmo chão.
Porêm agora, alta noite,
A passar na barbacã,
Não ha ninguêm que se afoite
Por causa da castelã,
Que do peito torturado
Arranca tão fundos ais,
Que alguêm que a tenha escutado
Não pode esquecê-la mais.
</poem>
{{Bloco centro/f}}
― E' muito triste a lenda do castelo.
― E'; mas o que tem graça, é que hoje, que tantos anos passaram sobre o caso que vos contei, nem mesmo o principe Dórdio, que é um valente, se atreve a passar na barbacã.
― ¿Vós crêdes em lendas?
― Não creio nem deixo de crer. Contudo, vejocousas tão extraordinárias na terra, que admito a possibilidade de tudo.
― ¿E vós, perguntou o pagem, que se conservava calado e pensativo desde que Veber terminara; passastes alguma vez na barbacã a altas horas?
― Passei... e não gostaria de vos contar o que vi.
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/48
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― ¿Porquê?
― Diminue a impressão poética que a lenda vos pode ter deixado.
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|1=A dama Guiomar, de vestido e cabelo preso, com um ornamento na cabeça.
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― ¿Porquê?
― Diminue a impressão poética que a lenda vos pode ter deixado.
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|1=um homem de cabelo branco, barbas e óculos, com um sobretudo, segura um monóculo e um livro.
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<poem>
¡Ha tão longos anos vivo
Sem nunca ter feito bem!...
Tendo orgulho e sendo altivo,
Trato todos com desdêm,
Se me não podem servir;
Mas se, ao contrário, presumo
Tirar proveito dalguêm,
Isso então, sempre a sorrir,
Visto que o limão tem sumo,
Tanto me rojo no chão,
Que acabo por me sentir
Mais miserável que um cão.
Sou velho. A vida passou
Sem nunca pensar no termo.
Agora, que êle chegou,
Olho p'ra traz, vejo um ermo.
Não conto um só acto digno,
E tenho mêdo, confesso,
</poem>
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<poem>
¡Ha tão longos anos vivo
Sem nunca ter feito bem!...
Tendo orgulho e sendo altivo,
Trato todos com desdêm,
Se me não podem servir;
Mas se, ao contrário, presumo
Tirar proveito dalguêm,
Isso então, sempre a sorrir,
Visto que o limão tem sumo,
Tanto me rojo no chão,
Que acabo por me sentir
Mais miserável que um cão.
Sou velho. A vida passou
Sem nunca pensar no termo.
Agora, que êle chegou,
Olho p'ra traz, vejo um ermo.
Não conto um só acto digno,
E tenho mêdo, confesso,
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Porque, quando o próprio enfermo
Acha o seu estado maligno,
É raro que pelo avesso
O julgue qualquer doutor,
Embora seja benigno
E lhe dôa alheia dôr.
Em criança fiz maldades,
Sabendo bem que as fazia,
E aos outros mil crueldades
De que não me arrependia.
Em mentiras, garotices,
Teimas, calúnias, fui sábio.
Aproveitava o que lia
Em qualquer velho alfarrábio.
Mas eram sempre tolices
Que eu procurava imitar,
¡Se eram o mel do meu lábio!
¡O sal do meu paladar!
Crescendo, não me emendei,
Tornei-me sempre pior.
Aprendendo quanto sei,
Tornei-me um patife mór.
Todo o mal que fiz, me pesa
Em mêdo, no coração,
Porque conservo de cór
A lista do que me lesa
Em pontos de perfeição.
</poem>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/66
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Nada agora me conforta
Em tão triste situação
Vendo a morte quási á porta.
</poem>
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{{C|{{larger|{{bl|Epílogo}}}}}}
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<poem>
Leitor, o mal, a meu vêr,
É que não se arrependia
Por pena de mal fazer,
Mas da pena que temia.
Quem imitar o astrólogo
Procure a tempo pensar,
Que a vida, sempre mais rápida,
Acaba sem anunciar.
</poem>
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Mas deixemos o repelente velho entregue ao horrivel exame da sua passada conduta e vamos encontrar-nos com Guilherme, o Bom, e os seus companheiros, fugindo a galope pela formosa estrada de Nimbria.
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/77
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{{dhr}}</noinclude>― ¡Por Deus! exclamou Pelaio, transportado, voltando-se para Ruy Vaz, parece-me ouvir os próprios anjos do ceu.
― Tendes razão, amigo, ainda não ouvi vozes semelhantes.
― Demorai-vos um pouco e escutemos.
― Escutemos.
As vozes diziam assim em côro:
<poem>
O' linda terra da Pátria,
¿Quem te verá sem te amar?
¿E quem é que pode, amando-te,
Não te erguer n'alma um altar?
O' terra das amendoeiras,
E dos laranjais em flôr,
Onde os ribeiros murmuram
Eternas canções de amor,
Eu hei de morrer por ti
Para mais vida te dar.
O' terra santa da Pátria,
¿Quem te não ha de adorar?
{{C|'''Clara'''}}
Palavra-as leva-as o vento,
São belos sons, nada mais.
</poem>
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{{dhr}}</noinclude>― ¡Por Deus! exclamou Pelaio, transportado, voltando-se para Ruy Vaz, parece-me ouvir os próprios anjos do ceu.
― Tendes razão, amigo, ainda não ouvi vozes semelhantes.
― Demorai-vos um pouco e escutemos.
― Escutemos.
As vozes diziam assim em côro:
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O' linda terra da Pátria,
¿Quem te verá sem te amar?
¿E quem é que pode, amando-te,
Não te erguer n'alma um altar?
O' terra das amendoeiras,
E dos laranjais em flôr,
Onde os ribeiros murmuram
Eternas canções de amor,
Eu hei de morrer por ti
Para mais vida te dar.
O' terra santa da Pátria,
¿Quem te não ha de adorar?
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São belos sons, nada mais.
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Eu penetro o pensamento,
Sei mais do que me contais.
¿Que importa que deis, a sós,
A palavra tantos brilhos,
Se quando ergo a minha voz
Não me respondem os filhos?
{{C|'''Perpétua e Glória'''}}
O' linda terra da Pátria,
¿Quem te verá sem te amar?
¿E quem ha de ficar, vendo-te,
Se a tua voz o chamar?
O' terra dos castanheiros
E dos longos pinheirais,
Onde os ciprestes nos lembram
Os que já não voltam mais,
Darei a vida por ti
Para mais vida te dar.
Nenhum de nós será surdo
Se a tua voz se elevar.
{{C|'''Clara'''}}
A voz da Pátria é baixinha,
Mas entra no coração
</poem>
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Eu penetro o pensamento,
Sei mais do que me contais.
¿Que importa que deis, a sós,
A palavra tantos brilhos,
Se quando ergo a minha voz
Não me respondem os filhos?
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O' linda terra da Pátria,
¿Quem te verá sem te amar?
¿E quem ha de ficar, vendo-te,
Se a tua voz o chamar?
O' terra dos castanheiros
E dos longos pinheirais,
Onde os ciprestes nos lembram
Os que já não voltam mais,
Darei a vida por ti
Para mais vida te dar.
Nenhum de nós será surdo
Se a tua voz se elevar.
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A voz da Pátria é baixinha,
Mas entra no coração
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Como a voz duma netinha,
Em rijo peito de ancião.
Se desejardes ouvi-la,
O vosso ouvido apurai.
E se quizerdes senti-la,
O coração segurai.
{{C|'''Perpétua e Glória'''}}
O' linda terra da Pátria,
¿Quem te ha de vêr sem te amar?
Por ti não ha sacrificio
Que se não possa aceitar.
O' terra das vinhas vêrdes
E dos maduros trigais,
Hei de dormir no teu seio
Como dormiram meus pais.
Eu hei de morrer, amando-te,
Embora morra por ti,
O' terra amada da Pátria,
Onde primeiro a luz vi.
O' terra das amendoeiras
E dos laranjais em flôr,
No coração de teus filhos
Serás o mais forte amor.
<br>
</poem>
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text/x-wiki
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Como a voz duma netinha,
Em rijo peito de ancião.
Se desejardes ouvi-la,
O vosso ouvido apurai.
E se quizerdes senti-la,
O coração segurai.
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O' linda terra da Pátria,
¿Quem te ha de vêr sem te amar?
Por ti não ha sacrificio
Que se não possa aceitar.
O' terra das vinhas vêrdes
E dos maduros trigais,
Hei de dormir no teu seio
Como dormiram meus pais.
Eu hei de morrer, amando-te,
Embora morra por ti,
O' terra amada da Pátria,
Onde primeiro a luz vi.
O' terra das amendoeiras
E dos laranjais em flôr,
No coração de teus filhos
Serás o mais forte amor.
<br>
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{{dhr}}</noinclude><poem>
O peito pulsa apressado
Ao dizer-se o nome teu.
És o sol que o brilho ofusca
Dos outros astros no ceu.
{{C|'''Clara'''}}
Feliz o homem que á Pátria
Deu talento e coração,
Ou que sucumbe, servindo-a,
Co'a mais santa devoção.
Seu nome, atravez dos séculos,
Sempre honrado ha de ficar,
Porque as páginas da história
O hão de ao mundo apontar.
{{C|'''Perpétua e Glória'''}}
O' terra amada da Pátria,
¿Quem te não ha de exaltar?
No sacrário da minh'alma,
Depois de Deus tens lugar.
{{tracejado|width=15em|27}}
</poem>
Pelaio Ansures, apesar de enlevado na beleza das vozes, acabou por perder a paciência vendo que o canto era interminavel, e decidiu-se a interrompê-lo<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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O peito pulsa apressado
Ao dizer-se o nome teu.
És o sol que o brilho ofusca
Dos outros astros no ceu.
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Feliz o homem que á Pátria
Deu talento e coração,
Ou que sucumbe, servindo-a,
Co'a mais santa devoção.
Seu nome, atravez dos séculos,
Sempre honrado ha de ficar,
Porque as páginas da história
O hão de ao mundo apontar.
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No sacrário da minh'alma,
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text/x-wiki
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És o sol que o brilho ofusca
Dos outros astros no ceu.
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Ou que sucumbe, servindo-a,
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O hão de ao mundo apontar.
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Pelaio Ansures, apesar de enlevado na beleza das vozes, acabou por perder a paciência vendo que o canto era interminavel, e decidiu-se a interrompê-lo<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>aparecendo, com seus companheiros, junto das cantoras.
Clara era quem tocava harpa e cantava só; as outras duas respondiam.
Vendo aparecer os tres cavaleiros, as jovens suspenderam a música e fôram ao seu encontro.
― ¿Eu não sei, senhora minha, disse Pelaio galantemente, depois de trocar os cumprimentos do estilo, se me deva julgar na terra, se no ceu.
― Confundis-me, cavaleiro. E' uma modesta canção a que terminávamos quando chegastes. Numa das nossas viagens conhecemos um rapaz, quási criança ainda, que dava pelo nome de Guilherme, o Bom, e foi êle que nos ensinou êste canto sentido, mas um pouco triste, não é verdade?
Ao nome de Guilherme, o Bom, o cavaleiro não pôde conter-se que não perguntasse:
― ¿Era um rapaz loiro, de olhos claros?
― Era.
― ¿E não tivestes ocasião de o vêr ainda em Nimbria ?
― Não, senhor cavaleiro, e confesso-vos que muito apreciaria a sua vista. ¿Sabeis porquê?
― Ainda mo não dissestes.
― Porque êle é, como eu, um apaixonado da Pátria e não deixa de trabalhar em seu favôr um único dia.
Pelaio Ansures ficou um momento desconcertado. mas, recobrando-se, perguntou:
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{{dhr}}</noinclude>aparecendo, com seus companheiros, junto das cantoras.
Clara era quem tocava harpa e cantava só; as outras duas respondiam.
Vendo aparecer os tres cavaleiros, as jovens suspenderam a música e fôram ao seu encontro.
― ¿Eu não sei, senhora minha, disse Pelaio galantemente, depois de trocar os cumprimentos do estilo, se me deva julgar na terra, se no ceu.
― Confundis-me, cavaleiro. E' uma modesta canção a que terminávamos quando chegastes. Numa das nossas viagens conhecemos um rapaz, quási criança ainda, que dava pelo nome de Guilherme, o Bom, e foi êle que nos ensinou êste canto sentido, mas um pouco triste, não é verdade?
Ao nome de Guilherme, o Bom, o cavaleiro não pôde conter-se que não perguntasse:
― ¿Era um rapaz loiro, de olhos claros?
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― ¿E não tivestes ocasião de o vêr ainda em Nimbria?
― Não, senhor cavaleiro, e confesso-vos que muito apreciaria a sua vista. ¿Sabeis porquê?
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{{dhr}}</noinclude>― ¿Que dirieis vós se eu vos perguntasse, como
na antiga canção:
<poem>
¿Que darieis vós, senhora,
A quem o trouxesse aqui ?
</poem>
― Daria os mais vivos e profundos agradecimentos.
― E' pouco, senhora, eu queria mais.
― ¿Como na canção da bela Infanta?
― Exactamente, senhora.
Clara sorriu e volveu:
― E' caro demais, cavaleiro. Contudo não vos responderei com a dureza com que a bela Infanta se houve para com o gentil capitão. Eu não tenho o mesmo empenho de vêr Guilherme, o Bom, porque êle não é meu marido, nem mesmo meu irmão. Mas estimar-vos-hei tanto como o estimo a êle, se vier no conhecimento de que os nossos gostos e crenças são idênticos. Agora, vejamos a rara planta em que vos falei, e depois vamos ao almoço que já deve estar arrefecendo. Perpétua deu o braço a Rui Vaz, Glória a Gastão Carvalhido, e Clara, apoiando-se ao de Pelaio Ansures, tomaram todos pelas estreitas ruas do parque, conversando e rindo alegremente. Chegando junto da estufa, Clara mostrou uma alta e bonita planta ao seu hospede, dizendo-lhe:
― Esta é a planta de que vos falei. Dá um fruto
pequeno, mas muito saboroso. Quem comer dêle vê,<noinclude></noinclude>
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¿Que darieis vós, senhora,
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― Daria os mais vivos e profundos agradecimentos.
― E' pouco, senhora, eu queria mais.
― ¿Como na canção da bela Infanta?
― Exactamente, senhora.
Clara sorriu e volveu:
― E' caro demais, cavaleiro. Contudo não vos responderei com a dureza com que a bela Infanta se houve para com o gentil capitão. Eu não tenho o mesmo empenho de vêr Guilherme, o Bom, porque êle não é meu marido, nem mesmo meu irmão. Mas estimar-vos-hei tanto como o estimo a êle, se vier no conhecimento de que os nossos gostos e crenças são idênticos. Agora, vejamos a rara planta em que vos falei, e depois vamos ao almoço que já deve estar arrefecendo. Perpétua deu o braço a Rui Vaz, Glória a Gastão Carvalhido, e Clara, apoiando-se ao de Pelaio Ansures, tomaram todos pelas estreitas ruas do parque, conversando e rindo alegremente. Chegando junto da estufa, Clara mostrou uma alta e bonita planta ao seu hospede, dizendo-lhe:
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momentaneamente adormecido, o passado, o presente e o futuro.
― ¿Gracejais comigo, senhora?
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{{dhr}}</noinclude>― De modo algum.
― Então, se o permitis, deixai-me, por experiência, conhecer os seus maravilhosos efeitos.
― Com todo o gosto, mas depois de me terdes
feito honra ao almoço.
E Clara, enquanto respondia, colheu nove frutos e ofereceu tres a cada um dos convivas, dizendo:
― Depois do café, podeis comer sem receio e, quando despertardes, a vossa vida não terá mistérios que não saibais.
Incrédulos e intrigados, os cavaleiros meteram os frutos aos bolsos e seguiram as suas companheiras ao palácio, onde lhes foi servido um esplêndido almoço. Todos se mostraram alegres e despreocupados, mas Clara notára que, desde que pronunciára o nome de Guilherme, o Bom, o seu principal hóspede ficára levemente scismador, embora o procurasse disfarçar. Estavam no meio da refeição quando os cinco mosquitos, mandados por Clara a recados vários, começaram chegando e, aproximando-se da sua dona, zumbiam segundo o tom da nota que lhes dava o nome. Ela escutava-os, sem que ninguêm desse por isso, ia-os pousando no ramo de flores que trazia preso na
cintura. Quando o mosquito, que ela tinha enviado ao principe Dórdio, lhe segredou o resultado da sua missão, o rosto de Clara não pôde reprimir uma expressão de intenso júbilo, e Pelaio Ansures, que não tirava os olhos dela, perguntou-lhe:
― ¿Que idea foi essa que vos occorreu, minha<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>gentil senhora? O vosso rosto tornou-se repentinamente tão risonho e resplandecente que, se não sou indiscreto...
― De modo algum. Pensava que me seria muito agradável vêr-vos defender a nossa causa.
― ¿E qual é a vossa causa?
― A da Pátria, como já vos disse.
Pelaio Ansures franziu a testa e ia talvez responder pouco amávelmente, mas coíbindo-se, indagou:
― ¿E em que posso eu, humilde gentil-homem, servir a vossa causa?
― Associando-vos a ela.
― Mas, senhora, para se entrar numa associação é necessário conhecer bem as condições que temos de aceitar, os deveres que temos de cumprir, e saber se os consocios nos convêem. Claro, que, se todos tiverem a vossa gentileza e bondade, não haverá quem se recuse a servir a empresa com toda a devoção.
― Sois muito amável, senhor cavaleiro, mas muito acautelado e precavido tambêm. Não estou, por enquanto, habilitada a responder-vos satisfatoriamente; contudo posso garantir-vos que o principe Dórdio virá com a sua gente e com a sua palavra autorisada, ajudar a erguer o espírito abatido da nação.
― Era essa a sua intenção a última vez que lhe falei, mas o seu astrólogo, consultando os astros, creio que lhe deu conselhos absolutamente contrários.
― Que êle não escutou nem seguirá, como tereis de observar.
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{{dhr}}</noinclude>Perpétua, falando com Rui Vaz, tinha conseguido rem esforço que êle lhe prometesse defender a causa da Pátria e que, no desejo de se mostrar galante, levasse o seu desinteresse a ponto de lhe dizer:
― «Mandai, que eu obedecerei.»
Por seu lado, Glória não tentou convencer Gastão Carvalhido, nem mesmo aludira a tal assunto, a não sêr quando se ergueram da mesa e se dirigiram ao terraço, onde os esperava o café colocado sobre uma pequena mesa e rodeado por altas e cómodas cadeiras.
As criadas, pretas, apressaram-se a servir o delicioso licôr. Então, Glória disse a Carvalhido:
― Agora é que os seus frutos se devem comer.
― ¡E' verdade! Nem já me lembrava disso.
E Gastão, e com êle os seus amigos, tiraram os frutos dos bolsos e comeram-nos, assegurando que os achavam deliciosos e comeriam mais com muito prazer.
Clara afiançou-lhes que, se comessem mais, lhes faria mal, motivo pelo qual se não apressava a satisfazer-lhes o desejo. Conversaram ainda, porêm um sono invencível começou a apoderar-se dêles. Pelaio Ansures tentou reagir.
― E' inútil, disse-lhe Clara. Dentro em pouco terão tomado conhecimento com o futuro e ser-nos-hão inteiramente dedicados.
As últimas palavras já não foram ouvidas por nenhum dêles.
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{{dhr}}</noinclude>Então Clara, vendo-os adormecidos, fez sinal ás suas duas companheiras, e, recolhendo ao seu luxuoso escritório, onde os móveis eram de ébano e marfim, sentou-se á secretária e elaborou com elas os estatutos da associação poderosa que devia restituir á Pátria o antigo fausto, pela dedicação e desinteresse dos seus filhos. Clara tinha muito bom senso e uma nítida noção do dever. Assim, os preceitos a seguir, eram simples e justos. A sua divisa: ''Tudo pela Pátria''. Terminada a tarefa e tendo as tres concordado que ela estava bem, voltaram ao terraço onde os cavaleiros ainda estavam imersos no mais profundo sono.
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Viu primeiro a sua descuidada infância, passada nas margens do rio Corre-Corre, junto de sua bôa mãe; depois a entrada na casa do principe Dórdio, a sua educação de caçador, de pagem, as lições na sala de armas onde, em pouco tempo, foi um dos primeiros. Emfim, quando ninguêm o excedia em bem trinchar uma peça de caça, nem lhe levava a palma num torneio, quando conhecia mal o latim e ajudava bem á missa, aprendeu bem a escrever o seu nome e rasoávelmente o resto. Como lia sofrívelmente, era tido por um dos mais distintos e sabedores cavaleiros de então. O principe Dórdio pensou em o casar com sua irmã Pompónia, e, bem que nem o cavaleiro nem a<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>donzela mostrassem o menor desejo de vêr realizada esta união, forçoso lhes foi aceitá-la fazendo boa cara á sua fortuna. Apesar de tudo, o seu casamento foi feliz e êle sê-lo-ia ainda se a sua mulher e a sua filha não tivessem morrido dum desastre no rio, quando tomavam banho. Tudo isso êle revivia rápidamente até à ceia no castelo do principe Dórdio e a tudo que se lhe seguiu.
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Não estava contente de se ter deixado sugestionar tão rápidamente pelas razões do astrólogo. Ele não falára com o principe, não o consultára, tambêm não reflectira e, turvando, ao ouvir a longa fala do velho, talvez pelo descostume em que estava de que êle dirigisse a palavra a alguêm, procedera impulsivamente sob a impressão do egoismo naturalmente revoltado.
Agora pensava friamente e não sabia se fizera bem.¿Como julgaria o principe, seu cunhado, a conduta que tivera quando êle próprio se alcunhava de precipitado e irreflectido? Depois o seu coração, embora já não fosse muito môço, sentia-se preso dos encantos de Clara, sorrindo-lhe a idea de a fazer sua segunda esposa.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xx-larger|{{uc|O passado}}}}}}
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Esse desejo era irrealisável, do que se vinha naturalmente a consolar desposando outra mulher não menos formosa. O principe, que não ficára contente, acabaria por se congraçar com êle. Guilherme, o Bom, conseguiria levantar o espírito da nação, e Pelaio Ansures tornar-se-ia um personagem importante, viven-
do até ao fim da sua longa vida, alegre e feliz, com
prosperidade e grandeza.
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Emfim, tendo cada um dos cavaleiros sonhado o passado e o presente, como de facto haviam sido, acreditaram piamente que o futuro sonhado era o que lhes estava reservado e, como os sonhos eram {{hífen|agra|agradaveis}}<noinclude></noinclude>
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Esse desejo era irrealisável, do que se vinha naturalmente a consolar desposando outra mulher não menos formosa. O principe, que não ficára contente, acabaria por se congraçar com êle. Guilherme, o Bom, conseguiria levantar o espírito da nação, e Pelaio Ansures tornar-se-ia um personagem importante, viven-
do até ao fim da sua longa vida, alegre e feliz, com
prosperidade e grandeza.
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Emfim, tendo cada um dos cavaleiros sonhado o passado e o presente, como de facto haviam sido, acreditaram piamente que o futuro sonhado era o que lhes estava reservado e, como os sonhos eram {{hífen|agra|agradaveis}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|90|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|daveis|agradaveis}}, acordaram bem dispostos e de rostos prasenteiros, mas envergonhados de terem adormecido diante de senhoras.
Muitos mezes se prolongou em Nimbria a estada das tres gentis raparigas. Um dia, porêm, Clara, convencendo-se de que a sua propaganda ali estava feita, percorreu todas as cidades e principais vilas do reino, com as suas duas amigas e os seus cinco mosquitos. Em toda a parte foi bem recebida, devido à sua beleza e opulência, e as ideias que semeou desenvolveram-se rápidamente. Certa de que podia considerar a sua causa quasi ganha, pediu á Fada Loira, quando, á meia-noite, ela lhe veiu lembrar os seus deveres, que a deixasse tomar a sua verdadeira forma.
Ela pareceu hesitar e perguntou-lhe:
― ¿Não será cêdo ainda?
― Creio que não, senhora.
― Então seja feito segundo a tua vontade.
No mesmo instante, Guilherme achou-se com os seus dois companheiros na margem do rio onde, pela primeira vez, lhe aparecêra a ''Alma da Pátria'', chorando. O seu rebanho pastava mansamente, espalhado pelo prado florido, e um rapazito, pouco mais ou menos como êle era dantes, tocava numa flauta de cana confeccionada por êle nas horas vagas. Tres cavalos, seguros á rédea por tres pagens de distinto aspecto, esperavam-nos para os conduzirem onde lhes aprouvesse dirigirem-se.
Guilherme sentiu um louco desejo de ir abraçar<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/95
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|91}}
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{{dhr}}</noinclude>o velho cura, mas quando dava uns passos na direcção da residência paroquial, pensou:
― ¿Que vou eu lá fazer? ¿Como poderei justificar aos seus olhos o meu procedimento que êle, decerto, alcunha de inqualificável?
Parou, enxugou o rosto alagado em suor, e voltou resolutamente sobre os seus passos.
Henrique e Roberto, parados junto das suas montadas observavam-no em silêncio. Êle aproximou-se do cavalo, saltou sobre êle e, aproximando-se do pastor que de costas para éles estava,.perfeitamente
entregue à sua paixão musical, disse-lhe em voz comovida:
― Quando voltares a casa, dirás a teu amo que Guilherme o não esqueceu. Muito cêdo tenciona ir abraçá-lo e implorar o perdão das suas culpas.
O rapaz olhava-o com espanto e como quem procura avivar recordações. Mas Guilherme, sem lhe dar tempo a perguntas, meteu esporas ao cavalo e desapareceu a seus olhos, seguido pelos seus dois amigos e pelos tres pagens. Chegando perto do castelo do principe Dórdio, numa disposição de espírito muito diversa da que tinha tres anos antes, o nosso herói pediu a Roberto que abrisse a gaiola de prata que continha os cinco mosquitos, que êle pedira á Fada Loira para conservar, e lhe desse o ''Dó''. Roberto obedeceu.
Então pegando delicadamente no insecto pelas asas, Guilherme disse-lhe:
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/96
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|92|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>― Precede-nos junto do principe e cumpre fielmente a tua obrigação.
E, entreabrindo os dedos, deixou-o voar. Depois, dirigindo-se a Roberto, ordenou:
― Vai, como ha tres anos, mas seguido do teu pagem, pedir ao principe, pousada nos seus paços para Guilherme, o Bom, e para os seus companheiros.
Entretanto, o mosquito, voando com a maior velocidade, entrára nos quartos do principe e, volteando ao redor da sua cabeça, segredava-lhe:
{{dhr}}
<poem>
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Quem nada faz merece bem
Ser sempre olhado com desdem.
Zum, zum, zum.
Faze por ser mais que nenhum.
Quem muito ao alto quer subir,
Firme-se bem, não vá cair.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Pancada, amigo, é argumento
Que serve só para um jumento.
<br>
</poem>
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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{{dhr}}</noinclude>― Precede-nos junto do principe e cumpre fielmente a tua obrigação.
E, entreabrindo os dedos, deixou-o voar. Depois, dirigindo-se a Roberto, ordenou:
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Entretanto, o mosquito, voando com a maior velocidade, entrára nos quartos do principe e, volteando ao redor da sua cabeça, segredava-lhe:
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Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Quem nada faz merece bem
Ser sempre olhado com desdem.
Zum, zum, zum.
Faze por ser mais que nenhum.
Quem muito ao alto quer subir,
Firme-se bem, não vá cair.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Pancada, amigo, é argumento
Que serve só para um jumento.
<br>
</poem>
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Quem quer gozar sem padecer,
Não pode a vida conhecer.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
P'ra dominar ouve a razão,
Não dês ouvidos ao coração.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Se aos bons queres agradar,
Nunca te faças mal julgar.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Põe teu desejo e devoção
Onde possas erguer a mão.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Não faças mal o teu caminho,
Não vás chegar ao meio sòsinho.
<br>
</poem>
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Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Quem quer gozar sem padecer,
Não pode a vida conhecer.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
P'ra dominar ouve a razão,
Não dês ouvidos ao coração.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Se aos bons queres agradar,
Nunca te faças mal julgar.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Põe teu desejo e devoção
Onde possas erguer a mão.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Não faças mal o teu caminho,
Não vás chegar ao meio sòsinho.
<br>
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Vê que a injustiça as paixões solta
E mesmo aos bons causa revolta.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Não puxes sempre, sem parar.
Tensão de mais pode quebrar.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Não pode nunca ser amado
Quem para os mais não tem agrado.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Guilherme, o Bom, tem de vencer,
Pois tem o dom de convencer.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Chega o momento de se ilustrar
Quem pela Pátria quizer lutar.
<br>
</poem>
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Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Vê que a injustiça as paixões solta
E mesmo aos bons causa revolta.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Não puxes sempre, sem parar.
Tensão de mais pode quebrar.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Não pode nunca ser amado
Quem para os mais não tem agrado.
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Guilherme, o Bom, tem de vencer,
Pois tem o dom de convencer.
Zum, zum, zum,
És mais valente que nenhum.
Chega o momento de se ilustrar
Quem pela Pátria quizer lutar.
<br>
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Zum, zum, zum,
Faze por ser mais que nenhum.
Pum, pum, pum,
Se vais á guerra
Não escapa um,
¡Pum, pum, pum!
</poem>
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O principe, ouvindo zumbir o mosquito, julgava suas as ideas que êle activamente lhe sugeria e sacudia-o com a mão, como nós costumamos fazer quando os mosquitos vulgares nos importunam. Nisto, vieram trazer-lhe o recado de Guilherme e, como êle estava ao facto de quanto se havia passado no castelo, anos antes, não pôde deixar de exclamar com admiração:
― E' realmente um homem, visto que tem a coragem precisa para voltar aqui.
«Que entre, que entre, disse êle pressuroso. E trazei-o directamente aos meus aposentos.»
O criado curvou-se e saiu. O principe, interdito, sem saber se devia ignorar, se mostrar conhecimento dos factos, ficou de pé no meio da sala, fitando com embaraço os grandes ramos de flores tecidos no magnífico tapete. Entretanto, Guilherme e os seus companheiros, tendo entrado no castelo, fôram introduzidos junto do principe com todas as deferências. Sua alteza deu uns passos ao seu encontro, exclamando em tom de satisfação:
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{{dhr}}</noinclude>― Ora até que emfim os torno a vêr, meus amigos; ¿porque razão partiram sem me dizer adeus?
E o principe, bem que mentisse, tinha na voz um acento de sinceridade que convenceria pessoas mais crédulas e menos bem informadas do que os nossos
heróis.
Guilherme volveu-lhe com um sorriso levemente irónico:
― Meu senhor, nós não partimos, fujimos. Esta é que é a verdade, e aqui tem Vossa Alteza Henrique Veber que, melhor do que eu, lhe pode contar como conseguiu salvar-nos a vida.
― ¿Salvar-lhes a vida?
― Sim, meu senhor.
E se nós não tivessemos de Vossa Alteza a melhor e mais subida opinião, não teriamos vindo hoje, sós, sem armas e sem homens, entregarmo-nos nas suas mãos.
― Agradeço-vos a confiança. Mas, contai-me. ¿Como foi isso?
Então Henrique Veber referiu tudo quanto já sabemos e o principe conhecia.
Êste escutava-o, fingindo reprimir a custo a indignação. Finalmente, ergueu-se exclamando:
― E' preciso que justiça seja feita. ¡Violar os sagrados direitos da hospitalidade! E' crime para que não conheço perdão.
Voltando-se para o seu camarista, o principe Dórdio ajuntou:
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{{dhr}}</noinclude>― Manda vir aqui o astrólogo.
D. Praxedes entrou pouco depois.
― ¿E' possível, vil e abjecta criatura, que te atrevesses a sublevar os meus homens contra amigos que eu acolhi com favor?
Fiado em estar representando uma comédia, o astrólogo prestou-se da melhor vontade a desempenhar o papel que o principe lhe distribuía, e confessou alto as suas culpas implorando a benevolência dos ofendidos.
Os tres rapazes fôram prontos em perdoar, mas o principe mostrou-se inexoravel.
― Morrerás na fôrca ao romper dalva. Retira-te da minha vista.
Sem acreditar uma única palavra desta ameaça, D. Praxedes retirou-se dando mostras de grande aflição.
Guilherme instou pelo indulto do astrólogo, mas nada pôde obter. E, nessa madrugada, da janela principal do castelo, sua alteza assistia com os seus hospedes e amigos, á execução do astrólogo que tinha descaído do agrado rial, não só falsamente, mas de facto, porque lhe fizera predições inexatas. E no entanto foi o principe Dórdio a única afeição sincera dêste velho, que êle fez matar para dar aos outros uma impressão de possuir os sentimentos que não tinha.
Se D. Praxedes pudesse ter adivinhado, não era êle que teria tomado a iniciativa de afastar {{hífen|Guilher|Guilherme}}<noinclude>{{smaller|{{rh|{{uc|A fada loira}}||7}}}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|98|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>{{Hífen-fim|me|Guilherme}}, por temer a sua influência na vida do principe. Quando, algumas horas depois, se reuniram á mesa do almoço, o principe perguntou a Guilherme se conseguira fazer a desejada propaganda, na qual lhe falára em tempo e que resultados tirára.
― Os melhores, senhor, os melhores. Agora só falta deitar abaixo o governo, arranjar uma constituição nova, e promulgar sábias leis.
― Pelo que dizeis parece faltar tudo.
― Não, porque o mais importante está feito.
― ¿E era?
― Preparar o espírito público para os acontecimentos.
― ¿Quereis proclamar a República?
― E' inutil. Todos prezam a rainha, que é uma
excelente senhora.
― ¿Então?
― Quero mudar os homens e os seus processos.
― ¿E o regimen?
― Quando os homens sejam bons, todos os sistemas o são.
― ¿Mas vós sois republicano?
― Muito convicto, senhor.
― Cada vez entendo menos.
― Pois é fácil. Ponho acima das minhas paixões pessoais a liberdade de acção e pensamento de todos, sem forçar o que ha de nobre e grande nas tradições dum povo.
― ¿E quando dás começo a essa empresa?
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/103
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|99}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>― Eu vinha-vos pedir, senhor, que vos juntasseis ao Marquez de Riba-Fontes e a Pelaio Ansures, para podermos dar o golpe de Estado, no dia da abertura do Parlamento.
― Não ha duvida, serei convosco. ¿Temos então
de partir depois de amanhã?
― O mais tardar, se vossa alteza não mandar o
contrário.
O bôbo do principe, conhecido pelo nome de ''amôr perfeito'', por ser o mais hediondo e desastrado que se pode imaginar, assim que ouviu sua alteza dar ordens para os seus homens se armarem e prepararem para a partida, começou a carpir-se dum modo que era o riso duns e a raiva de outros. Clamava êle, num tomplangente e soluçando:
{{dhr}}
<poem>
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
¡Desgraçado Amor Perfeito!
Eu nasci são e escorreito,
Veiu a guerra e põe-me assim,
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Dizem uns que sou parvinho,
Outros afirmam que não.
Eu tenho uso de razão
E, apesar de beber vinho,
Não tropeço no caminho.
<br>
</poem>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|100|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Pois hei de deixar a terra,
Ser soldado só para guerra?
¿Para que é que ao mundo vim?
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Dão-me por emblema um guizo,
Um barrete de truão.
Dizem que sou sem razão,
Presumem de ter juizo,
¿Mas a quem falta mais siso?
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Embora me chamem louco,
Eu contento-me de pouco,
Prefiro o pé ao chapim.
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Morram todos que têm tino
E estão fartos de viver,
Mas não me façam morrer
Por ser ainda menino
E ter fé no meu destino.
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Que êsse malvado
Parece estar empenhado
Em me fazer num jardim.
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
<br>
</poem>
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/105
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|101}}
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Se ao castelo 'inda voltar,
Sem de balas ser tocado,
Hei de subir, ajoelhado,
Á barbacă de Guiomar.
¡Assim me possa salvar!
(Chorando, e com muita volubilidade :)
¡Ai de mim! ¡ai de mim!
Parece que estou perdido.
Tenho a morte no sentido,
¡Oiço ao longe pim! ¡pim! ¡pim!
Mais valia ter morrido,
Pelas ondas ser engulido,
Do que estar doido e metido
Com gente esperta e ruim.
¡Pim! ¡pim! ¡pim!
¡Ai de mim! ; ai de mim!
</poem>
{{dhr}}
Muitos dos homens que ouviam ''Amôr Perfeito'' pensavam exactamente como êle e não podiam, por mais que contrafizessem as fizionomias, dar ao rosto uma expressão alegre e despreocupada; outros, a quem o entusiasmo e confiança dos recem-vindos se comunicára, anciavam por partir e por experimentar a sério as suas forças, o que só muito raramente tinham feito em contendas pessoais.
O principe Dórdio juntou as suas forças ás do Marquez de Riba-Fontes e de Pelaio Ansures e todos,<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/106
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BlitzkriegBoop
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|102|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>confiando-se á sagacidade e valentia de Guilherme, colocaram-se de comum acôrdo sob a sua direcção.
{{page break|label=}}
{{Imagem float-p
|file= {{Extrair imagem}}
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|cap={{smaller|Dão-me por emblema um guizo... (Pag. 100)}}
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}}
{{page break|label=}}
Êste dirigiu-se com êles a Nimbria, numa marcha rápida e tão precipitada quanto silenciosa.
Nêste tempo ainda não havia nenhuma das {{hífen|inven|invenções}}<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/107
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|103}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|ções|invenções}} extraordinárias e maravilhosas, que tornam tão terriveis as guerras e pelejas actuais. Batiam-se a tiro ou á arma branca, muita vez corpo a corpo, e quasi sempre á luz do sol. Seriam combates menos mortíferos, menos scientificos, se quizerem, mas eram muito mais nobres e denodados.
Conseguiram chegar junto dos muros da cidade sem que nenhum dos seus habitantes os tivesse pressentido. Então, para que não houvesse alarme, puzeram escadas aos muros, prenderam e mataram as sentinelas que se defendiam valentemente e, senhores da porta norte da cidade, entraram nela pacíficamente, numa marcha lenta e ordenada. O povo chegava ás portas para os vêr passar, pasmava do seu garbo militar, como quem ha muito tempo não via tropas, e perguntava a que vinham, sem que ninguêm lhes soubesse responder. O govêrno estava todo reunido no Parlamento, onde a rainha não ia ha muito, devido ao precário estado da sua saúde. Guilherme, que tudo sabia pelos seus devotados mosquitos, mandou um grande destacamento cercar o Paço e, com a tropa restante, dirigiu-se ao Parlamento onde aprisionou todos que lá se achavam. Antes, porêm, de os deixar saír, disse-lhes:
― Eu não vos mando matar pelas graves responsabilidades que tendes nos desastres da nação, porque à vida dum homem é um capital que um povo pobre não pode nem deve perder. A ilha d'Arana, {{hífen|in|inteiramente}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|90|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>sivel ? Nāo. E todavia assim é! Ah! que magnifica Assumpçāo teria esboçado Raphael, se nos visse assim!
— Estas scenas de Assumpçāo, responden Barbicane, nāo
podem durar muito. Logo que o projectil passe o ponto neutro, havemos de ser attraidos pela attracçāo lunar para a Lua.
— E assentaremos os pés na cupula do projectil.
— Nāo, porque o projectil, como tem o centro de gravidade
muito baixo, ha de se ir voltando gradualmente.
— Bom, vae ficar entāo tudo aqui em bonito arranjo. É o
caso de dizer que fica tudo de pernas para o ar ?
— Está descançado, Miguel, respondeu Nicholl. Nāo ha que
recear o menor desarranjo. Nem um só objecto ha de sequer
mexer-se do seu logar, que a evoluçāo do projectil ha de realisar-se por gradaçāo insensivel.
— É verdade, continuou Barbicane, e logo que o projectil
transponha o ponto neutro, a culatra, que é relativamente mais
pesada, ha de arrastal-o segundo uma direcçāo perpendicular á
Lua. Mas, para que este phenomeno se realise, é preciso passar
primeiro a linha neutra.
— Passar a linha neutra! exclamou Miguel. Vamos nós fazer
como os marinheiros quando passam o Equador?! Festeje-se a
passagem com algumas libaçōes!
E Miguel, fazendo um leve esforço lateral, aproximou-se da
parede acolchoada, dʼonde sacou uma garrafa e copos que foi
collocar no «espaço», diante dos companheiros, que libando
com elle alegremente, saudaram a ''linha'' com um triplice
hurrah.
A influencia da igualdade de attracçāo durou apenas uma
hora. Insensivelmente os viajantes foram-se sentindo impellidos para o fundo do projectil. Barbicane julgou mesmo ver que
a extremidade conica do projectil se ia afastando um tanto da
normal tirada para a Lua, emquanto que a culatra se ia aproximando dʼella por um movimento inverso. A attracçāo lunar superava portanto a attracçāo terrestre.
Começava a quéda para a Lua, ainda quasi inapreciavel, porquanto devia ser apenas, no primeiro segundo, de um millime-<noinclude></noinclude>
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Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/108
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|104|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|teiramente|inteiramente}} abandonada ao gentio, nada rende ao Estado. Vós ides todos povoá-la com as vossas famíliase os vossos apaniguados. Tereis propriedades, fareis plantações, e o governo proporcionar-vos-ha os meios de resgatardes as vossas passadas faltas, procurando valorisar Arana e exportar-nos os seus melhores produtos em troca dos que daqui vos enviarmos.
De toda a parte se ouviam protestos violentos; mas, como contra a força não ha resistência momentanea que desprevenidamente seja possível, as ordens de Guilherme foram cumpridas. Êle falou depois ao povo, acendeu-lhe no coração o fogo sagrado do patriotismo que na propaganda tão bem semeára, e dirigiu-se ao Paço rodeiado de gente e constantemente aclamado por ela.
A rainha era uma formosa mulher de vinte anos, que herdára de seu pai o trono e a beleza. Muito inteligente e instruida, via com verdadeira mágua a decadência enorme do reino e achava-se impotente,
apesar da sua boa vontade, para lutar contra a vil ambição dos políticos e dos palacianos, agravada pela indiferença de todos. Lisonjiada e adulada por quantos a rodeavam, sentia que não era sinceramente estimada por ninguêm. Um dia, percebeu que todos os seus esforços eram inuteis, porque esbarravam na perversidade dos homens que punham acima de tudo o seu interesse pessoal. Então a rainha entristeceu e, visto que tinham ousado dar-lhe a entender que as<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|teiramente|inteiramente}} abandonada ao gentio, nada rende ao Estado. Vós ides todos povoá-la com as vossas famíliase os vossos apaniguados. Tereis propriedades, fareis plantações, e o governo proporcionar-vos-ha os meios de resgatardes as vossas passadas faltas, procurando valorisar Arana e exportar-nos os seus melhores produtos em troca dos que daqui vos enviarmos.
De toda a parte se ouviam protestos violentos; mas, como contra a fôrça não ha resistência momentanea que desprevenidamente seja possível, as ordens de Guilherme foram cumpridas. Êle falou depois ao povo, acendeu-lhe no coração o fogo sagrado do patriotismo que na propaganda tão bem semeára, e dirigiu-se ao Paço rodeiado de gente e constantemente aclamado por ela.
A rainha era uma formosa mulher de vinte anos, que herdára de seu pai o trono e a beleza. Muito inteligente e instruida, via com verdadeira mágua a decadência enorme do reino e achava-se impotente,
apesar da sua boa vontade, para lutar contra a vil ambição dos políticos e dos palacianos, agravada pela indiferença de todos. Lisonjiada e adulada por quantos a rodeavam, sentia que não era sinceramente estimada por ninguêm. Um dia, percebeu que todos os seus esforços eram inuteis, porque esbarravam na perversidade dos homens que punham acima de tudo o seu interesse pessoal. Então a rainha entristeceu e, visto que tinham ousado dar-lhe a entender que as<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>mulheres sabem e entendem de bordados e modas, mas de mais nada, resolveu não colaborar de boa vontade no descalabro público e, sob o pretexto da doença, encerrou-se nos seus paços. Em vão os grandes do reino lhe demonstravam a necessidade de casar para ter um herdeiro. Com o pretexto de se achar muito doente, ela ia demorando o projectado casamento de ano para ano, receosa de que o rei viesse complicar ainda mais a situação. Quando Guilherme entrou no paço pediu que o acompanhassem junto da rainha. Esta estava magníficamente vestida de setim côr de pérola enfeitado de lindas penas vêrde bronze. Meio inclinada sobre a mesa, lia com muita atenção a história do seu país. Sentindo rumor de muitas vozes na rua, correu á janela, apesar dos pedidos das suas damas, e notou com espanto a imensa mó de povo que estacionava á entrada do paço.
Voltando-se ás damas, ordenou:
― Vão saber o que é isto.
Mas nenhuma delas se mexeu, traíndo na fisionomia o grande receio que sentiam.
Então a rainha, que era uma mulher enérgica, exclamou:
― ¿Não me ouviram? Então irei eu.
E dirigiu-se para a porta.
Quando ia transpo-la, achou-se em frente de Guilherme que, cheio de poeira, mas com a cabeça descoberta, lhe dizia respeitosamente:
― Senhora, eu venho falar-vos em nome do povo.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|106|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>A rainha lançou-lhe um olhar profundo e, tendo feito rápidamente o seu juizo, disse-lhe:
― Entrai, cavaleiro, e ainda que o modo porque me abordais tem muito de estranho, estou pronta a escutar-vos.
Guilherme hesitou um segundo e perguntou:
― ¿Tereis duvida, senhora, de me escutardes sem
testemunhas?
― Absolutamente nenhuma.
― ¡Senhora! murmurou timidamente uma das damas.
― Afastai-vos.
E, voltando-se para Guilherme, disse-lhe com serenidade enquanto se sentava com dignidade, mas sem afectação:
― Fechai vós mesmo a porta, cavaleiro, e correi o reposteiro, visto que o que tendes a comunicar-me
requer prudência.
E sem lhe oferecer uma cadeira, fitou nêle o seu olhar seguro e altivo.
Guilherme nunca tinha visto a rainha. Admirou em silêncio a sua coragem e a sua beleza, e expôz-lhe os motivos que levaram o povo á rebelião. Contou-lhe tudo que de longa data havia feito em serviço da nação e o acto que no parlamento acabava de efectuar.
A rainha perdeu pouco a pouco a expressão desconfiada que lhe animava a fisionomia, o olhar brilhou-lhe com intensidade, o seio tornou-se-lhe {{hífen|ofe|ofegante}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|107}}
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{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|gante|ofegante}}, e quando Guilherme acabou de lhe expôr o seu plano de salvação, estendeu lhe a mão com reconhecimento e dos seus olhos correram lágrimas de júbilo.
Quando a conferência terminou, Guilherme dirigiu-se á porta e introduziu na sala o principe Dórdio, o marquez de Riba-Fontes, Pelaio Ansures e os seus dois amigos, Henrique Veber, Roberto, e mais seis fidalgos, que durante o tempo da propaganda reconhecêra dignos de administrarem o país.
A rainha festejou-os a todos e teve para cada um uma frase escolhida. Guilherme fez-lhe despedir todo o pessoal do palácio, menos a dama que se atrevera a mostrar receio de a deixar só com êle.
Enquanto a rainha conversava com o principe Dórdio, o nosso herói atravessou a sala seguinte, penetrou num quarto desabitado e exclamou:
― «¡Alma da terra em que nasci! ¡acode aqui!»
A Fada Loira apareceu imediatamente, beijou-o e abraçou-o com transporte, exclamando:
― És o melhor e o maior dos meus filhos. Deves reinar sobre êles.
― Não, mãe. Diriam que fui ambicioso e interesseiro. Volvei-me à minha aldeia, ao velho cura, fazei-me achar uma esposa que se assemelhe a vós na beleza e na bondade.
― Assim será. Mas quem desposará a rainha e fará dela um esteio seguro da nação?
― Henrique Veber, que é o melhor e mais altruista dos homens.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|109}}
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{{dhr}}</noinclude>A Fada Loira beijou ternamente Guilherme e êste perguntou-lhe a mêdo:
― ¿Vêr-vos-hei ainda?
― Uma vez. No sitio onde primeiro os meus olhos se pousaram nos teus.
Então Guilherme, tirando do bolso a gaiola dos mosquitos, abriu-lhes a porta e cinco formosas mulheres apareceram junto dêle, sentadas nas cadeiras onde pousára os insectos. Então, oferecendo o braço á mais formosa, Guilherme voltou junto da rainha, dizendo-lhe:
― Apresento-vos, senhora minha, as vossas novas damas. Não têem família, mas são muito distintas, como tereis ocasião de observar. Esta senhora chama-se Justiça, esta Bondade, esta Prudência, esta Valentia e aquela Severidade. Fazei-vos sempre acompanhar por elas e o vosso reino tornar-se-ha cada vez maior. Se o permitis, aconselhar-vos-hei tambêm ácerca do marido que deveis escolher.
A rainha fez um gesto de acquiescência e todos pensaram que êle se ia designar a si próprio. O principe Dórdio, franziu o sobr'olho. Contrariado na sua imensa vaidade, achava que só êle podia e devia ser o esposo escolhido.
Guilherme, pegando na mão de Henrique, levou-o junto da rainha dizendo:
― Aqui tendes, senhora minha, o marido que vos convêm: é nobre de coração, altivo, fiel, honrado e bom: ha de fazer-vos feliz. Quanto aos outros, lereis<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|110|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>neste papel os cargos que, para bem do reino, devem desempenhar.
A rainha passou rápidamente os olhos pela lista que lhe era apresentada, e respondeu:
― Guilherme, o Bom, déstes-me em Henrique Veber um bom esposo, nestes fidalgos um excelente govêrno, em Riba-Fontes um notável e entendido guerreiro, no meu primo Dórdio um inexcedivel mordomo mór; só me não dissestes que cargo reservaveis aos vossos merecimentos.
― Nenhum, senhora. Confessar-me-hei eternamente grato a Vossa Majestade se não esquecer as minhas desinteressadas diligências para bem a servir, servindo o reino.
A rainha pareceu desapontada.
― ¿E como hei de eu recompensar-vos?
― Não deixando perder o meu trabalho e velando com o maior cuidado para que o povo se instrua, e não seja surdo á voz da Pátria quando ela chama os seus filhos.
A rainha jurou cumprir, e Guilherme, o Bom, saíu de Nimbria nessa mesma tarde com Roberto, tão isento como êle de bens naturais. A rainha e toda a côrte acompanharam-no até ás portas da cidade. Aí despediram-se com efusão e retomaram a trote largo o caminho da aldeia.
Quando Guilherme avistou o cura sentado á porta de casa pensou em se apear e dirigir-se imediatamente para êle.
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|111}}
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{{dhr}}</noinclude>Roberto porêm impediu-o de o fazer, dizendo-lhe:
― Esqueceis, senhor, que deveis ainda entregar o vosso cavalo e armadura, e vêr minha ama pela última vez.
― Tendes razão, amigo. Vamos lá. Devo porém confiar-te que a idea de não tornar a vêr a Fada Loira me punge e dilacera o coração.
Era ao caír da tarde quando chegaram junto das margens do rio onde pasciam as ovelhas do cura. O sol parecia roda de oiro reluzente, meia mergulhada nas águas levemente encrespadas do rio. As aves chilreavam procurando nas árvores o abrigo nocturno, e a Fada Loira, sentada na margem, penteava os cabelos longuissimos e anelados, mirando-se vaidosa e sorridente nas águas que corriam a seus pés.
Aos ouvidos de Guilherme soaram estas palavras pronunciadas com enternecimento:
― ¡Adeus, caro companheiro de longos trabalhos: sêde feliz!
Voltou-se rápidamente sobre a sela e ficou atónito: Roberto e o seu cavalo tinham desaparecido.
Guilherme fitou a Fada Loira e disse-lhe com lágrimas na voz:
― ¿E' então certo que vos vejo pela derradeira vez?
― Meu filho, eu tomei a forma graciosa duma bela camponeza que te fará o mais feliz dos homens. Não posso esquecer que te devo tudo. Sem ti, sem o<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|91|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>tro e um terço ou quinhentas e noventa millesimas de linka.
Porém, a pouco e pouco havia de ir augmentando a força attractiva, a quéda tornar-se-ia mais perceptivel, e o projectil, arrastado pelo peso da culatra, havia de voltar o cone superior
para a Terra, e cair com velocidade crescente na superficie do
continente selenita. Podia, pois, pensar-se com fundamento que
os viajantes haviam de alcançar o alvo, e que desde aquelle
instante, nenhum abstaculo poderia oppor-se ao bom exito da
empreza, com o que Nicholl e Miguel Ardan se mostravam tāo
satisfeitos como o proprio Barbicane.
Os tres tomaram para assumpto da conversa todos aquelles
phenomenos maravilhosos que, uns atrás dos outros, sem interrupçāo lhes assombravam o espirito. Principalmente ácerca
da notavel neutralisaçāo das leis de gravidade é que se lhes
nāo esgotava a loquela.
Miguel, como sempre, enthusiasta, queria até tirar do facto
consequencias que nāo passavam de pura phantasia.
— Ah! meus estimaveis amigos, exclamava, que grande progresso seria, poder arrojar de si na superficie do nosso globo
essa gravidade, essa pesadissima cadeia que á Terra nos agrilhoa! Imaginem um prisioneiro a quem dāo a liberdade! Cançaços, fadigas de pernas, de braços, tudo tinha acabado! E se é
certo que para voar á superficie da Terra, para aguentar-se ali
no ar só pela acçāo dos proprios musculos, precisava o homem
ter força cento e cincoenta vezes maior do que a que realmente possue, véde, amigos, que se nāo existisse attracçāo, bastaria um simples acto de vontade, um capricho, para transportar
o homem através dos espaços!
— Effectivamente, disse Nicholl rindo, se conseguissemos
supprimir a gravidade, como se supprime pela anesthesia a dor,
o caso era para fazer mudar de aspecto a sociedade moderna!
— Sim! exclamou Miguel, inteiramente dominado pelo assumpto, destruamos a gravidade, e acabaram-se os pesados
fardos! Conseguintemente, adeus guindastes, polés, cabrestantes, manivellas e outros machinismos, que deixariam de ter
rasāo de ser!
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|A fada loira}}|113}}
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{{dhr}}</noinclude>teu ânimo e dedicação, eu estaria para sempre abatida. Não o esquecerei, meu bom Guilherme.
E lançando-lhe um longo olhar, afundou-se lentamente nas águas.
Guilherme caiu desmaiado.
Quando voltou a si, estava vestido de pastor e encostado a uma árvore. Espreguiçou-se, esfregou os olhos, e ficou muito pasmado vendo junto de si o bornal e o cajado, em vez do cavalo e da espada.
Lena, a sua ovelha favorita, veio lamber-lhe as mãos. Ele soltou um assobio estrídulo, ao som do qual se reuniu o rebanho, e, chamando o cão, que dormia com o focinho pousado sobre as patas dianteiras, tomou o caminho do presbitério, pensando:
― ¿Mas eu sonhei isto, ou foi verdade?
Passando junto da casa duns visinhos ouviu uma voz rude que o chamava.
― ¿Que é, ti Pedro? perguntou êle continuando a
andar.
― Chegou-me a rapariga que estava a servir na cidade. Entra, e bebes uma golada á sua saúde.
― E' tarde e o senhor cura pode zangar-se.
― E' um ai. Nem te assentas.
― Seja.
Guilherme entrou e ficou como pregado ao solo, reconhecendo na filha do seu visinho Pedro as feições da Fada Loira.
{{nop}}<noinclude>{{smaller|{{rh|{{uc|A fada loira}}||8}}}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|92|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Bem dito, replicou Barbicane. Porém, se todos os objectos
perdessem o peso, tambem nenhum se segurava. Nem o chapéu
se te segurava na cabeça, estimavel Miguel, nem se seguravam
as pedras da tua casa, que só pelo proprio peso adherem!
Adeus tambem barcas, cuja a estabilidade nas aguas é consequencia da gravidade. E até, adeus Oceano, cujas ondas teriam
deixado de ser equilibrados pela attracçāo terrestre. Finalmente, adeus atmosphera, cujas molleculas, deixando de ser retidas pela attracçāo, se dispersariam pelo espaço!
— La isso é que na verdade era pouco agradavel, replicou
Miguel. Tambem nāo ha ninguem como estes senhores positivistas para trazer a gente brutalmente á realidade.
— Consola-te, meu Miguel, proseguiu Barbicane, porque se
nāo existe astro algum dʼonde estejam banidas as leis da gravidade, ao menos sempre vaes para um, onde essa gravidade é
bem menor do que na Terra.
— A Lua?
— Sim, a Lua, á superficie da qual pesam os objectos seis
vezes menos do que à superficie da Terra, phenomeno aliás facil de verificar.
— E havemos de oar por elle?
— Evidentemente, pois que duzentos kilogrammas, na superficie da Lua, pesam apenas trinta.
— E a nossa força muscular nāo diminuirá?
— Nada absolutamente. Por exemplo, quando deres um salto, em logar de chegares a um metro de altura, chegarás a dezoito pés.
— Vamos entāo ser uns Hurcules, lá na Lua! exclamou Miguel.
— Com tanto mais fundamento, respondeu Nicholl, que se a
corporatura dos selenitas é proporcional á massa do globo que
habitam, devem apenas ter um pé de altura.
— Sāo Lilliputianos! tornou Miguel. Vou entāo fazer papel
de Gulliver! Vamos realisar a fabula dos gigantes! Ora vejam
quanto a gente ganha em deixar o seu planeta e ir córrer o
mundo solar!
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|114|{{uc|A fada loira}}|}}
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{{dhr}}</noinclude>{{asterismo}}
Passaram meses.
Todos os dias Guilherme via a sua linda visinha, de manhã e á tarde. Um dia, em que êle pensava tristemente, sentado á sombra do castanheiro anoso, se tinha sido um sonho ou realidade o seu trabalho a favor da Pátria, ouviu uma voz meiga e harmoniosa
que lhe dizia:
― Santas tardes, bom Guilherme; ¿em que pensas?
― ¿Eu, visinha? Penso que a realidade e o sonho se confundem ás vezes tanto, que a gente chega a não saber o que é verdade nem o que é mentira. Mas agora pergunto eu: ¿a que viéste aqui?
― Vim lavar a roupa ao rio. A minha mãe não gosta da roupa lavada senão na água corrente. ¿Mas,
falavas de sonhos?
― E' verdade.
E Guilherme contou com inocente franqueza a história que acabamos de lêr e a extraordinária parecença que ela, Florinda, tinha com a Fada Loira.
A rapariga ouviu-o com muita atenção e exclamou convencida:
― ¿Quem sabe se tudo isso foi verdade?
― Tenho a certeza que não. O senhor cura, por mais que tenho feito, não faz alusão nenhuma á {{hífen|mi|minha}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|93|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Espera um bocadinho, meu Miguel, respondeu Barbicane.
Se quizeres fazer de Gulliver não visites senão os planetas inferiores, Mercurio, Venus ou Marte, cuja massa é menor do
que a da Terra. Mas não te arrisques a ir aos grandes planetas, Jupiter, Saturno, Urano e Neptuno, porque nʼesses trocavam-se os papeis, e tu é que ficavas fazendo de Lilliputiano.
— E no Sol?
— No Sol; a densidade dʼeste astro é quatro vezes menor
do que a da Terra, e o volume um milhão trezentas vinte e
quatro mil vezes maior.
A attracção é ainda vinte e sete vezes maior do que na superficie do nosso globo. Guardadas todas proporções, os habitantes do Sol devem ter em média duzentos pés de altura.
— Com mil diabos! exclamou Miguel. Lá era eu um pygmeu, um João-ninguem.
— Qual Gulliver entre gigantes, disse Nicholl.
— Exactamente! tornou Barbicane.
— E não seria mau levar alguma artilheria para defeza propria.
— Ora! replicou Barbicane, lá no Sol não faziam as tuas balas effeito algum; a poucos metros da peça caíam no chão.
— Isso agora!
— É a pura verdade, respondeu Barbicane. É tão grande a
attracção nʼeste enorme astro, que um objecto que na Terra
pesasse setenta kilogrammas, na superficie do Sol pesaria mil
novecentos e trinta. O teu chapéu pesaria lá uns dez kilogrammas! O teu charuto pesaria lá meia libra. Finalmente, se tu lá
caisses, no continente solar, tal seria o teu peso, — dois mil e
quinhentos kilogrammas, pouco mais ou menos, — que nem
te poderias levantar!
— Diabo! disse Miguel. Ahi é que era bem necessario um guindaste portatil, pelo que vejo! Pois bem! amigos, contentemo-nos
com á Lua, por hoje. Ao menos ahi havemos de fazer grande
figura! Depois veremos se convem ir lá a esse Sol, onde para
beber é preciso um cabrestante para guindar o copo á bôca!
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|116|{{uc|A fada loira}}|}}
{{lh}}
{{dhr}}</noinclude>{{hífen-fim|nha|minha}} ausência: teu pai fala-me como se eu nunca tivesse deixado de passar todos os dias á sua porta e, contudo, eu tenho a firme certeza de que andei por longes terras e fiz quanto te contei.
Desde aí encontravam-se a miudo. Êle falava-lhe das suas viagens e ela ouvia-o com seriedade e atenção, fazendo-lhe perguntas.
Um ano depois, ao cair da folha, Florinda perguntou a Guilherme:
― ¿Quando falas ao meu pai e ao senhor cura para tratarem do nosso casamento?
― ¿Tu queres?!
― ¿Então não hei de querer?
― Mas eu sou tão pobre... talvez teu pai se oponha.
― ¡Qual opõe! Ninguêm foje ao destino. Demais, a Fada Loira prometeu-me a ti.
― ¿Crês nisso?
― Está bem de vêr que sim. Tu não podias adivinhar-me as feições do rosto.
No primeiro dia do ano, á missa da festa, Guilherme, o bom Guilherme, como todos lhe chamavam, casava com a Florinda dos Lagares. Depois da missa houve um grande jantar em casa do cura, ao qual assistiram todas as notabilidades da terra. Dansaram á noite, cantaram á desgarrada, divertiram-se muito, e, quando, quasi ao romper do dia, os noivos entraram no seu quarto para descansar, encontraram sobre<noinclude></noinclude>
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Á Roda da Lua (5ª edição)/VIII
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=90 to=99 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/VIII]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_VIII._На_разстояніи_семидесяти_восьми_тысячъ_ста_четырнадцати_льё.]]
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{{dhr}}</noinclude>a mesa uma caixa de veludo vermelho, contendo um relojio de oiro para homem e outro igual, mas em ponto pequeno, para senhora. Junto da caixa estava
um bilhete que dizia:
«A Fada Loira, sabendo que o tempo dos felizes vôa, oferece aos seus queridos amigos este meio de o contarem, para não aprenderem a faltar ás suas obrigações.»
Os dois olharam-se embasbacados. O cura, espreitando por uma frincha da porta, ria a bom rir.
― ¿E agora que dizes a isto? perguntava Guilherme, mais convencido do que nunca, de que fora o campeão da Pátria.
― Digo que, se tivesse alguma dúvida no espírito, ela cairia por terra em frente desta demonstração dum poder sobrenatural.
― ¿E não seria obra de teu pai ou do senhor cura?
― ¡Vai-te daí com o disparate! ¿Então êles não nos tinham já dado as suas prendas? ¿Iam gastar dinheiro noutras?
Êstes argumentos pareceram irrespondiveis a Guilherme, que viveu sempre convencido de ter desempenhado na história da Pátria um grande papel.
Tanto êle como Florinda viveram ainda muito tempo. Quando já eram vélhinhos e tinham muitos netos, sentavam-nos em volta de si á lareira nos grandes serões de inverno. As mulheres fiavam, os homens fumavam cachimbo, e as crianças, com os cotovelos<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>apoiados nos joelhos e o rostinho descansado nas mãos, ouviam maravilhados os grandes feitos que o velho avô julgava ter praticado, e toda a família acreditava como se fôsse um Evangelho.
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Pergunta-me um dos leitores qual é a minha opinião.
― Meu caro menino, eu não acredito em fadas. O pobre pequeno, que o cura tornára um sábio para o tempo, entretinha-se lendo história na bem provida biblioteca do presbitério e, impressionado talvez pelas nobres figuras de Joana d'Arc, do nosso condestável e de outros, teve um longo sonho que de tal forma o impressionou...
― ¿Mas a parecença da rapariga com a Fada Loira?
― Acaso, ou fôrça de imaginação.
― ¿E o presente da fada no dia do noivado?
― Brincadeira do velho cura que era folgazão e gostava de rir. Já vos afirmei e repito: não acredito em fadas, mas acredito em sonhos e, quando, como êste, não são maus, acho agradável sonhar. E tanto que coligi os «Sonhos dum garoto,» em que não ha fadas, mas maldades.
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D. Leonor Maldonado era uma senhora virtuosa e bôa, mas cheia da mais estulta e desmedida vaidade que se tem visto em mulher.
A sua grande ambição era ser considerada uma artista notável: para isso daria de bom gosto a sua imensa fortuna, e até saúde e vida, se fosse possivel. Mas, não sei se feliz se infelizmente, êsse desejo estava fóra do número das cousas em que a Providência lhe prometia éxito. Contudo ela não desanimava. Sentava-se junto da harpa, que tocava pèssimamente e erguendo com presunção a desafinadíssima voz, parecia-lhe que era uma cantora, senão magnífica, pelo menos muito apreciável.
Em vão a professora lhe dizia:
― Senhora D. Leonor, eu tenho escrúpulo de receber o dinheiro das lições que lhe dou. V. Ex.{{sup|a}} não tem vocação para a musica; seria melhor tentar outra cousa... talvez a pintura...
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{{dhr}}</noinclude>― Engana-se redondamente D. Eduarda. Eu estou fazendo progressos rápidos que causam até a minha própria admiração. Não duvide de que eu sou uma discípula, que hei de honrar, ilustrando-o, o nome da minha professora.
Um dia, estava D. Leonor tocando e cantando ao desafio de qual das cousas faria pior, quando abrindo-se a porta, apareceu no limiar a figura elegante dum dos seus jovens criados envergando a libré com as côres da sua casa. Curvando-se numa mesura graciosa, anunciou:
― ¿O senhor barão da Rocha pergunta se V. Ex.{{sup|a}} o pode receber?
Enfadada, D. Leonor volveu ao criado:
― ¿Então você não sabe que não é hoje dia de recepção?
― Sei, sim, minha senhora, mas o senhor barão
instou por tal modo...
― Bem, bem, mande-o entrar. Não vá depois dizer que eu sou uma criatura descortez. Mas não torne a vir trazer recados d'essa ordem quando eu estiver estudando.
E tornando a voltar-se para a professora, ajuntou:
― Quando me fazem interromper a lição, fico furiosa.
O barão era uma criatura, no génio muito semelhante a D. Leonor, de quem era ainda primo; sómente êle voltava-se para a poesia e fazia péssimos<noinclude></noinclude>
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― ¿Por aqui, primo Eugenio? Fazia-o a esta hora no escritorio da C.{{sup|a}} de Moagens.
― E devia estar. Mas, que quer? Quando se nasceu com queda para a poesia, quando acima de tudo se põe a inspiração, não se pode, como uma {{hífen|cria|criatura}}<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>grande, e bem nosso. Cheio da mais viva admiração pela nobreza do seu vulto em todas as idades da vida, senti a imaginação arrebatar-se-me e, alheado de tudo num verdadeiro êxtase dalma, compuz esta tocante evocação. Oiça.
Não reproduzo a brilhante composição do barão da Rocha para que ela não cause aos olhos dos meus leitores a mesma desagradavel impressão que aos ouvidos da pobre D. Eduarda causavam a harpa e voz de D. Leonor. Esta, cuja inteligência não ia mais longe que a do primo, escutou-o enlevada, disse-lhe que se orgulhava de contar entre os membros da sua família um poeta tão notável, e, sorrindo para D. Eduarda, perguntou num tom que convidava ao elogio:
― ¿Que lhe parece, D. Eduarda?
Com modo simples, mas muito eloquente a professora afirmou:
― As poesias deste senhor valem a sua musica, minha senhora.
Muito lisongeados ambos, agradeceram.
D. Leonor fez pagar ao primo a condescendência de o ter ouvido recitar, e cantou, com muitas boquinhas e requebros, a modinha que aprendera no Minho quando estivera a banhos em Áncora:
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<poem>
¿Como hei de viver sem ti,
O' alma da minha vida?!
Se vais tão longe d'aqui
''Como hei de viver sem ti?''
<br>
</poem>
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{{dhr}}</noinclude><poem>
Qual flôr na haste pendida
Que o vento norte queimou,
Eu ficarei ressequida
''Qual flôr na haste pendida.''
Parado o meu coração.
Sob a terra humida e fria,
Tornou-se extincto vulcão,
''Parado o meu coração.''
</poem>
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Estes versos da cantiga que a D. Leonor aprendera em Ancora eram muito tristes e a melopeia tambem; mas a voz dela, os esgares e gestos exageradamente dramaticos que fazia davam á sua pessoa um
ar tão ridiculo, que D. Eduarda não pôde mais conservar-se séria. Desatou a rir com tal vontade, que a cantora e o seu primo barão olharam-na com espanto sem perceber a causa daquele ataque de hilaridade. E quanto mais êles pasmavam, mais ela ria.
Emfim tudo tem um termo. Ao espanto de D. Leonor sucedeu uma grande indignação. Foi com as faces tintas do mais vivo rubor que, logo que o ataque de riso terminou, ela perguntou á professora:
― ¿E' de mim, que se riu com tanto gosto?
― Não, minha senhora.
― ¿Então de quem?
― De mim.
Desconfiada, D. Leonor intimou:
― Peço-lhe que se explique.
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{{dhr}}</noinclude>― ¿E não se escandalisa com a minha franqueza?
Reciosa, mas não querendo mostrar que o estava, D. Leonor afirmou:
― De modo algum.
Então a professora confessou:
― Vendo V. Ex.{{sup|as}} tão iguais, na inteligência e faculdades artisticas, pensei que deviam casar: é um par muito igual.
― Não vejo nessa idea motivo para riso, afirmou o barão vendo que D. Leonor ficára confusa e sem saber que responder.
― E' que eu, desgostosa ha muito da minha profissão, procurava sempre, sem o conseguir, um modo de vida, embora pouco rendoso, que me permitisse viver na minha casa sem ter de andar a subir e descer escadas. Achei-o agora por acaso.
― ¿E é?
― Sêr romancista.
― Não vejo nessa idea, motivo para riso, insistiu o barão.
― ¿Então V. Ex.{{sup|as}} não acham uma prova de toleima enorme achar num segundo, sem pensar, aquilo que tantos anos se levou a procurar?
― E' extranho, é, mas não me causa riso.
D. Eduarda insistiu:
― Eu pensava: talvez d'aqui a uns anos nós sejamos tres personagens célebres... talvez. A ideia de ser uma mulher notavel pareceu-me tão cómica!
Os dois primos e a professora desataram a rir,<noinclude></noinclude>
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{{dhr}}</noinclude>mas o que tinha realmente graça é que êles riam dela e ela ria deles.
E' assim o mundo; ninguem vê o ridiculo em si próprio, mas nota-o e celebra-o nos outros com prazer.
Com a ideia que tivera, D. Eduarda desculpou-se para não continuar a dar lições á sua pouco inteligente discípula. Mas tres mezes depois recebia em casa um convite para ir assistir ao casamento de D. Leonor Maldonado com seu primo barão da Rocha.
A professora não faltou. Encontrou-se nas salas de D. Leonor com todas as elegantes de Lisboa e foi apresentada ás amigas da sua antiga discipula como uma escriptora muito distincta que faria brevemente
a sua estreia.
Quando o casamento terminou e os noivos apertaram pela ultima vez naquele dia a mão dos seus amigos, D. Leonor abraçou a sua professora com transporte, exclamando:
― E' a V. Ex.{{sup|a}}, minha querida amiga, que devo a felicidade; se não fosse a sua franqueza passariamos ambos, meu marido e eu, junto da felicidade sem a vermos.
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1 ― [[Horas de Folga|Horas de folga]].
2 ― [[Recreações Infantis|Recreações infantis]].
3 ― [[Para ler nas férias]].
4 ― [[Por bom caminho]].
5 ― [[Para Divertir|Para divertir]].
6 ― [[Alegrias]].
7 ― [[Histórias famosas]].
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<noinclude><pagequality level="1" user="Babbage" /></noinclude>== COMO SE DEVE ESCREVER A HISTORIA DO BRASIL ==
=== KARL FRIEDRICH PHILIPP VON MARTIUS (1794 - 1868) ===
==== Advertencia ====
Carlos Frederico Felipe de Martius nasceu em Erlagen, na Baviera,
a 17 de abril de 1794. Pertencendo a família tradicionalmente vinculada às ciências naturais, Martius revelou desde estudante 1,1a Universidade
de Erlagen sua decidida predileção pela botânica. Transferido para a Universidade de Munich, já em 1814 era adjunto do botânico Schranck, inspetor do Jardim Botânico, e realizava excursões científicas pelos arredores,
sendo nomeado adjunto da Academia em outubro de 1816.
Neste ano, o casamento da arquiduquesa D. Leopoldina d'Austria com
D. Pedro I tornou-se decisivo para o futuro do jovem estudioso, que desde
então dedicou sua operosidade ao mundo brasileiro. Para acompanhar .i
princesa, depois primeira Imperatriz do Brasil, resolveu a Côrte de Viena
nomear uma comissão de naturalistas, que devia proceder a um estudo das
produções naturais brasileiras. Para fazerem parte dessa comissão foram
escolhidos sábios de reputação formada, como Johann Christian Mikan, Johann Emmanuel Pohl ß Johan von Natterer, e os pintores Thomas Ender
e Buchberger. A comissão incorporam-se, por solicitação do Govêrno da
Baviera, Johan Baptist von Spix e K. F. Ph. von Martius; e a pedido do
govêrno da Toscana, Giuseppe Raddi. Martius, que viajou em companhia
de Mikan, Ender e Spix, chegou ao Rio de Janeiro a 15 de julho de 1817.
Todos empreenderam viagens de pesquisas e publicaram trabalhos científicos, alguns já traduzidos para o português, como os de Pohl, Spix e
Martius.
Durante quase dois anos e meio, Spix e Martius percorreram o centro,
o leste, o nordeste, a Amazônia, chegando à fronteira do Peru. Nesta viagem de 1400 milhas geográficas, Martius colheu material de 6,500 espécies de plantas, enquanto Spix colecionou 8 5 espécies de mamíferos, 3 5 O
de aves, 130 de anfíbios, 116 de peixes e 2,700 insetos. De todas as ex433
Derechos Reservados
Citar fuente - Instituto Panamericano de Geografía e Historia<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Babbage" /></noinclude>== COMO SE DEVE ESCREVER A HISTORIA DO BRASIL ==
=== KARL FRIEDRICH PHILIPP VON MARTIUS (1794 - 1868) ===
==== Advertencia ====
Carlos Frederico Felipe de Martius nasceu em Erlagen, na Baviera, a 17 de abril de 1794. Pertencendo a família tradicionalmente vinculada às ciências naturais, Martius revelou desde estudante na Universidade de Erlagen sua decidida predileção pela botânica. Transferido para a Universidade de Munich, já em 1814 era adjunto do botânico Schranck, inspetor do Jardim Botânico, e realizava excursões científicas pelos arredores, sendo nomeado adjunto da Academia em outubro de 1816.
Neste ano, o casamento da arquiduquesa D. Leopoldina d'Austria com D. Pedro I tornou-se decisivo para o futuro do jovem estudioso, que desde então dedicou sua operosidade ao mundo brasileiro. Para acompanhar à princesa, depois primeira Imperatriz do Brasil, resolveu a Côrte de Viena nomear uma comissão de naturalistas, que devia proceder a um estudo das produções naturais brasileiras. Para fazerem parte dessa comissão foram escolhidos sábios de reputação formada, como Johann Christian Mikan, Johann Emmanuel Pohl e Johan von Natterer, e os pintores Thomas Ender e Buchberger. A comissão incorporam-se, por solicitação do Govêrno da Baviera, Johan Baptist von Spix e K. F. Ph. von Martius; e a pedido do govêrno da Toscana, Giuseppe Raddi. Martius, que viajou em companhia de Mikan, Ender e Spix, chegou ao Rio de Janeiro a 15 de julho de 1817. Todos empreenderam viagens de pesquisas e publicaram trabalhos científicos, alguns já traduzidos para o português, como os de Pohl, Spix e Martius.
Durante quase dois anos e meio, Spix e Martius percorreram o centro, o leste, o nordeste, a Amazônia, chegando à fronteira do Peru. Nesta viagem de 1400 milhas geográficas, Martius colheu material de 6,500 espécies de plantas, enquanto Spix colecionou 85 espécies de mamíferos, 350 de aves, 130 de anfíbios, 116 de peixes e 2,700 insetos. De todas as<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>== COMO SE DEVE ESCREVER A HISTORIA DO BRASIL ==
=== KARL FRIEDRICH PHILIPP VON MARTIUS (1794 - 1868) ===
==== Advertencia ====
Carlos Frederico Felipe de Martius nasceu em Erlagen, na Baviera, a 17 de abril de 1794. Pertencendo a família tradicionalmente vinculada às ciências naturais, Martius revelou desde estudante na Universidade de Erlagen sua decidida predileção pela botânica. Transferido para a Universidade de Munich, já em 1814 era adjunto do botânico Schranck, inspetor do Jardim Botânico, e realizava excursões científicas pelos arredores, sendo nomeado adjunto da Academia em outubro de 1816.
Neste ano, o casamento da arquiduquesa D. Leopoldina d'Austria com D. Pedro I tornou-se decisivo para o futuro do jovem estudioso, que desde então dedicou sua operosidade ao mundo brasileiro. Para acompanhar à princesa, depois primeira Imperatriz do Brasil, resolveu a Côrte de Viena nomear uma comissão de naturalistas, que devia proceder a um estudo das produções naturais brasileiras. Para fazerem parte dessa comissão foram escolhidos sábios de reputação formada, como Johann Christian Mikan, Johann Emmanuel Pohl e Johan von Natterer, e os pintores Thomas Ender e Buchberger. A comissão incorporam-se, por solicitação do Govêrno da Baviera, Johan Baptist von Spix e K. F. Ph. von Martius; e a pedido do govêrno da Toscana, Giuseppe Raddi. Martius, que viajou em companhia de Mikan, Ender e Spix, chegou ao Rio de Janeiro a 15 de julho de 1817. Todos empreenderam viagens de pesquisas e publicaram trabalhos científicos, alguns já traduzidos para o português, como os de Pohl, Spix e Martius.
Durante quase dois anos e meio, Spix e Martius percorreram o centro, o leste, o nordeste, a Amazônia, chegando à fronteira do Peru. Nesta viagem de 1400 milhas geográficas, Martius colheu material de 6,500 espécies de plantas, enquanto Spix colecionou 85 espécies de mamíferos, 350 de aves, 130 de anfíbios, 116 de peixes e 2,700 insetos. De todas as<noinclude></noinclude>
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== Bom dia! ==
Trabalho principalmente na Wikipédia em inglês, sob o mesmo nome: [[:en:User:Babbage]].
O meu principal projeto atualmente é o estudo do alemão Julius Platzmann e de muitos temas relacionados com a sua vida e trabalho.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>Durante quase dois anos e meio, Spix e Martius percorreram o centro, o leste, o nordeste, a Amazônia, chegando à fronteira do Peru. Nesta viagem de 1400 milhas geográficas, Martius colheu material de 6,500 espécies de plantas, enquanto Spix colecionou 85 espécies de mamíferos, 350 de aves, 130 de anfíbios, 116 de peixes e 2,700 insetos. De todas as expedições científicas, esta é considerada como a de mais amplos e profícuos resultados. Spix faleceu em 1827, no curso da publicação da Reise in Brasilien (Munich, 1823-1831), e Martius sobreviveu-lhe mais de quarenta anos de fecunda atividade científica consagrada ao Brasil. Distinguiu-se desde cêdo com seus trabalhos Genera et species palmarum (Munich, 1823, 5 vols.), Nova genera et species palmarum (Munich, 1823-1832), até a monumental Flora Brasiliensis, a maior obra que jamais se escreveu sôbre as coisas brasileiras. Foi iniciada em 1840, continuada por Eichler e Urban, e concluida em 1906, com 20,733 páginas, 3,811 táboas, descrevendo 22,767 espécies de plantas e representando 6,246 espécies.
Passados cinquenta anos, a Flora Brasiliensis continua a constituir a maior empresa de seu gênero. E', no campo da botânica sistemática, a expressão clássica do espírito pesquisador do século passado. A publicação foi dirigida por Martius, de 1840 a 1868, sendo impressos 46 fascículos, onde estão classificadas 850 famílias, com mais de 8,000 espécies, e perto de 1,400 figuradas, em 1071 estampas. A obra tôda está contida em 15 vols. in-folio, em que se reunem 130 fascículos, dos quais 46 dirigidos por Martius.1
Acerca do valor atual da Flora, escreve F. C. Hoehne: “tendo levado 66 anos para ser completada, a Flora Brasiliensis já podia ser considerada obra antiquada ao aparecer seu último fascículo, em 1906, e, se somarmos a isto os anos de lá para cá, temos que mais 34 são decorridos, o que também dá aos últimos volumes uma idade que bem reclama uma revisão. Poderão as monografias expostas na Flora Brasiliensis satisfazer as necessidades da botânica? E' claro que não, porque não podem mais inspirar confiança. Muitas espécies descritas na obra em apreço também não estão bem distinguidas, porque foram, muitas vêzes, baseadas em material escasso e aqueles que elaboraram as diagnoses o fizeram de acôrdo com as necessidades da época em que viveram e hoje bem diferente é a nossa exigência nesse sentido. Terá, porém, a Flora Brasiliensis perdido o seu valor pelo fato de estar antiquada? De modo algum. Ela será sempre necessária, sempre será útil e seu valor bibliográfico e histórico hoje é maior do que foi na época em que apareceu”.[2]
Vários outros trabalhos botânicos de menor vulto publicou Martius. Na etnografia e linguística indígenas destacam-se especialmente<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>Das Naturell, die Kranhbeit, das Artzthum und die Heilmittel der Uberuwohner Brasiliens (Munich, 1844)[3], considerada por Herbert Baldus a melhor, ou, pelo menos, a mais completa no gênero;[4] as Beiträge zur Ethnographie und Sprecbenkunde Amerika's zumal Brasiliens (Leipzig, 1867);[5] e a Glossária Linguarum Brasiliensis (Erlagen, 1863). Nas Beiträge sustentava Martius idéias consideradas hoje insustentáveis, mas, ao mesmo tempo, iluminava a tosca divisão dos índios do Brasil em Tupi e Tapuia, apresentada desde o século XVII por Simão de Vasconcelos. 1 2 Estabelecendo uma nova classificação em 8 grupos, Martius podia ser chamado, segundo sustenta Herbert Baldus, “o fundador da etnografia brasileira, por ter sido o primeiro a dar uma sinopse etnográfica, não somente de urna faixa mais ou menos larga do litoral, como [o] fizeram seus predecessores, mas do Brasil inteiro, considerando condignamente também as tribos até então tratadas como Tapuias, investigando ‘extensivamente’ além das línguas, numerosos outros aspectos sociais e culturais, e abrindo, com tudo isso, os alicerces para o estudo científico das populações índias dêste vasto país".[6]
Martius foi, assim, para o chefe da Secção de Etnografia do Museu Paulista, o primeiro grande sistematisador da etnografia brasileira, apesar das deficiências que hoje se podem notar em sua obra. Para Baldus, ainda, Martius, com Karl von den Steinen e Paul Ehrenreich são os três principais iniciadores da etnologia brasileira do século passado.[7] Martius sustentava, nas Beiträge, que os americanos não são selvagens, mas asselvajados e decaidos, Para Baldus, durante os três anos em que Martius percorreu o interior do páis, de São Paulo ao Maranhão, subindo o Amazonas, ficou conhecendo índios de numerosas tribos, mas geralmente indivíduos isolados de sua cultura originária e muito influenciados pelo contacto com os brancos, ou tribos que sofreram consideravelmente essas mesmas influências. Foram tais índios que serviram de base à formação de determinadas hipóteses do grande botânico. “Apesar de considerar o Brasil etnograficamente um enorme formigueiro, com migrações internas sem cessar, Martius fez uma classificação dos índios que marcou época e serviu aos trabalhos de K. von den Steinen e Ehrenreich".
A expedição austríaca e bávara de 1817 foi a mais frutífera de tôdas<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Babbage" /></noinclude>as expedições científicas do século XIX, e Martius nela figurou como a estrela mais evidente e mais iluminadora.
A relação da Viagem foi feita em três grossos volumes, tendo sido o primeiro publicado em 1823 e o último em 1831.8
Para a historiografia, a Viagem e seu ensaio "Como se deve escrever a História do Brasil" são as duas mais importantes contribuições.
A Viagem contem numerosíssimas observações botânicas, zoológicas, geográficas, etnográficas, psicológicas e históricas, cuja importância, acertos e equívocos foram assinalados pelos competentes. 3 4 5 6 7Do ponto de vista psicológico; apesar das censuras levantadas por Herbert Baldus em relação aos índios, de que Martius era péssimo psicologo,9 não se deve esquecer que muitas de suas anotações sôbre a gente brasileira, suas formas psicológicas, seu comportamento, a posição da mulher, representam as primeiras páginas de um retrato impressionista do povo brasileiro, antes inteiramente alheiado das preocupações dos cronistas.
Nos modernos estudos sôbre as características nacionais, não se pode deixar de lado o brasileiro do principio do século XIX visto por Martius, e, de certo modo, aproveitado por Capistrano de Abreu nos seus Capítulos de História Colonial.10
Martius notou que a considerável imigração portuguêsa, além da vinda de bom número de ingleses, franceses, holandeses, alemães e italianos, que depois da abertura dos portos (1808) aqui se estabeleceram, imprimiu mudança nas características dos habitantes. Para êle, o estabelecimento da Côrte fez acender em todos os brasileiros o sentimento de patriotismo e a “constituição colonial de duzentos anos [na verdade trezentos] deixou impressão forte demais no carater do brasileiro, para que êle pudesse já agora devotar-se com a mesma energia que induz o europeu aos sérios labores da indústria, da arte e das ciências, que asseguram a fôrça íntima de um Estado”. Esse desamor pelo trabalho, tão observado mais tarde por historiadores e sociólogos, ligava-se ao “gôsto pela comodidade, pelo luxo, e pelas formas agradáveis da vida exterior, que se espalhou aqui mais ràpidamente que o amor pelas artes e pelas ciências". Notava, ainda, a pequena inclinação portuguêsa para as ciências e que entre os naturais eram os mulatos os que manifestavam maior capacidade e diligência para as artes mecânicas e extraordinário talento para a pintura. Nas peculiaridades regionais, assinalava que o paulista se distinguia pela sua fidelidade e<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>as expedições científicas do século XIX, e Martius nela figurou como a estrela mais evidente e mais iluminadora.
A relação da Viagem foi feita em três grossos volumes, tendo sido o primeiro publicado em 1823 e o último em 1831.8
Para a historiografia, a Viagem e seu ensaio "Como se deve escrever a História do Brasil" são as duas mais importantes contribuições.
A Viagem contem numerosíssimas observações botânicas, zoológicas, geográficas, etnográficas, psicológicas e históricas, cuja importância, acertos e equívocos foram assinalados pelos competentes. 3 4 5 6 7Do ponto de vista psicológico; apesar das censuras levantadas por Herbert Baldus em relação aos índios, de que Martius era péssimo psicologo,9 não se deve esquecer que muitas de suas anotações sôbre a gente brasileira, suas formas psicológicas, seu comportamento, a posição da mulher, representam as primeiras páginas de um retrato impressionista do povo brasileiro, antes inteiramente alheiado das preocupações dos cronistas.
Nos modernos estudos sôbre as características nacionais, não se pode deixar de lado o brasileiro do principio do século XIX visto por Martius, e, de certo modo, aproveitado por Capistrano de Abreu nos seus Capítulos de História Colonial.10
Martius notou que a considerável imigração portuguêsa, além da vinda de bom número de ingleses, franceses, holandeses, alemães e italianos, que depois da abertura dos portos (1808) aqui se estabeleceram, imprimiu mudança nas características dos habitantes. Para êle, o estabelecimento da Côrte fez acender em todos os brasileiros o sentimento de patriotismo e a “constituição colonial de duzentos anos [na verdade trezentos] deixou impressão forte demais no carater do brasileiro, para que êle pudesse já agora devotar-se com a mesma energia que induz o europeu aos sérios labores da indústria, da arte e das ciências, que asseguram a fôrça íntima de um Estado”. Esse desamor pelo trabalho, tão observado mais tarde por historiadores e sociólogos, ligava-se ao “gôsto pela comodidade, pelo luxo, e pelas formas agradáveis da vida exterior, que se espalhou aqui mais ràpidamente que o amor pelas artes e pelas ciências". Notava, ainda, a pequena inclinação portuguêsa para as ciências e que entre os naturais eram os mulatos os que manifestavam maior capacidade e diligência para as artes mecânicas e extraordinário talento para a pintura. Nas peculiaridades regionais, assinalava que o paulista se distinguia pela sua fidelidade e<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>obediência, e gozava, em todo o Brasil, da fama de grande franqueza, coragem invencível e romântico pendor para afrontar venturas e perigos; com êsses dotes generosos, o carater paulista adquiria também um traço de impetuosidade nas cóleras e vinganças, de orgulho e inflexibilidade e, por essa razão, era temido pelos vizinhos e o estrangeiro não via no seu modo altivo siñão seriedade fria e carater. O orgulho dos paulistas pode ser desculpado apenas pelo fato de poderem êles gabar-se de que as façanhas de seus antepassados lhes dão direitos sôbre a parte nova do mundo, direitos que não tem o colono europeu. Com razão considerava o paulista como a mais forte, saudável e enérgico habitante do Brasil. Aí estava, nestes traços psicológicos, o pionerismo progressista dos bandeirantes. Reparava que o gôsto pelo luxo europeu não se desenvolvera tanto entre os paulistas quanto entre baianos e pernambucanos, e que o jogo era menos frequente em São Paulo. A educação e os costumes eram os da Mãe Pátria, modificados pela influência da literatura francesa, ou inglesa, pelas experiências da vida e pelo conhecimento ou desconhecimento da Europa. As divergências políticas eram maiores na Bahia e em Pernambuco, havendo numa das duas camadas em que se dividia a opinião naquela primeira Província um maior apêgo a Portugal e à conservação das leis e praxes portuguêsas. Estabelece valiosas relações entre a alimentação e a ocupação, com o gênio alegre ou entristecido. Nota, em certos trechos, as preponderâncias portuguêsas sôbre as brasileiras, as indígenas, especialmente o desamor ao trabalho sistemático e os malefícios do contacto dos europeos sôbre os índios. Diferenças regionais, de gênio e temperamento, ou de carater, como melhor se diria hoje; não escapam ao olho clínico de Martius, que escreveu não se encontrar "na população de Belem nem a ação espirituosa do trato desembaraçado do pernambucano, nem a expedita atividade comercial do baiano, prático, sólido, nem a delicadez insinuante do maranhense, o donaire cavalheiresco do mineiro, nem o gênio afável e franco do paulista. O paraense é homem do hemisfério sul, a quem o ardor do sol equatorial embota a característica vivacidade do temperamento meridional".
A Viagem de Martius representa, assim, sob o aspecto humano, uma grande contribuição ao estudo psico-social da gente brasileira. Foi, sobretudo, a Viagem, que lhe perpetuou o nome entre os brasileiros, pois a Flora, apesar de seu monumental subsídio, era um livro para naturalistas eruditos.
A Viagem adquire, com o passar do tempo, maior expressão como fonte histórica de primordial significação. E' uma descrição viva do Brasil entre 1817 e 1820. Na bibliografia exotico-brasileira, essa obra ocupa um lugar destacado, de difícil comparação.
Na historiografia, é seu programa filosófico-metodológico “Como<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>cumpre escrever a História do Brasil", publicado em 1845 11 que mereceu maior atenção dos membros do Instituto Histórico e, mais tarde, de estudiosos de nossa história. Deve-se a Januário da Cunha Barbosa (1780-1846), secretário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a proposta, a 14 de novembro de 1840, de oferecer cem mil réis como prêmio a quem apresentasse ao Instituto um plano para se escrever a história antiga e moderna do Brasil, organizado de tal modo que nêle se compreendessem as partes política, civil, eclesiástica e literária. O Instituto, considerando excelente a idéia, resolveu acrescentar mais cem mil réis ao prêmio, que nestas condições foi anunciado. Condidataram-se Henrique Julio de Wallenstein, “Sôbre o melhor plano de se escrever a história antiga e moderna do Brasil”,12 considerava o mais acertado seguir Tito Livio, João de Barros e Diogo do Couto, isto é, expor a história em décadas, narrando-se os acontecimentos dentro de períodos certos. Só assim, dizia, seriam os sucessos bem encadeados. O texto deveria conter especialmente a história política, considerada principal. A historia civil, eclesiástica e literária deveria ser exposta no final das décadas, em separado, servindo de observação ao texto.
Já o plano de Martius merece outras considerações. Não se pode dizer precisamente que se tratasse de um programa de metodologia histórica, pois os primeiros seminários de Leopold Ranke e de Georg Waitz foram iniciados pouco depois. Martius não tinha nenhuma formação de historiador, como, por exemplo, seu patrício Heinrich Handelmann (1827-1891) , autor da Geschichte von Brasilien (Berlin, 1860) , discípulo de Waitz, por sua ves discípulo de Leopold Ranke. Não havia, assim, nenhum rigor metódico o científico na lição que Martius apresentava aos brasileiros. Era mais o fruto de sua própria experiência no grande centro científico da Alemanha e das valiosas observações que sua Viagem permitira colher. Era uma concepção histórico-filosófica sôbre a História do Brasil, concepção do mundo brasileiro, que a qualquer um é lícito ter com ou sem curso regular ou auto-didático de método histórico. Se examinarmos as idéias expostas na sua lição, veremos que ela contem tantas idéias gerais sôbre o problema da história brasileira, que servirá de ponto de partida para vários trabalhos que, mais tarde, serão escritos sob a inspiração do método ali delineado. A fôrça de penetração de Martius, a acuidade de suas observações e de suas idéias gerais sôbre a história brasileira vão facilitar aos que o seguiram a delimitação mais exata, a segregação de certos tipos ou de certas secções de nossa história.
Martius é o primeiro a chamar atenção sôbre. a importância da<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>contribuição das três raças na história brasileira. E' o primeiro a dizer que seria um êrro, em face de todos os princípios da historiografia, desprezar as fôrças dos indígenas e dos negros importados, fôrças essas que igualmente concorreram com o elemento europeu para o desenvolvimento físico, moral e civil da totalidade da população. Lembra, então, a necessidade de se estudar os indígenas, seus costumes, seus usos, sua língua; de se ter sempre em ·conta, ao estudar o papel dos portuguêses, que o período do descobrimento e colonização primitiva do Brasil não poderia ser compreendido sinão em conexão com as suas façanhas marítimas, comerciais e guerreiras, e jamais deveria ser considerado como fato isolado na história; que o historiador do Brasil jamais deveria perder de vista, na história da colonização e do desenvolvimento civil e legislativo do país, os movimentos do comércio universal de então, incorporando-os mais ou menos extensamente à nossa história.
Apontou, ainda, a necessidade de se estudar a história da legislação e do estado social da nação portuguêsa, para poder mostrar como nela se desenolveram pouco a pouco instituições municipais tão liberais como as que foram transplantadas para o Brasil, e averiguar quais as causas que concorreram para o seu aperfeiçoamento neste país. Acentuou o papel dos jesuitas e mostrou ser necessário estudar-se o desenvolvimento das relações eclesiásticas e monacais. Indicou como uma das tarefas de maior interêsse mostrar como se estabeleceram e desenvolveram as ciências e artes, como reflexa da vida européia. Sem esquecer-se dos menores detalhes, Martius acrescentava que se devia mostrar como viviam os colonos, transportando o leitor para suas casas, tanto na cidade como nos estabelecimentos rurais, fossem êles cidadãos ou escravos. Para evitar o conflito das histórias especiais de cada provincia, que então se andava propondo, lembrava que melhor seria tratar conjuntamente daquelas porções do país que, por analogia de sua natureza física, pertencessem umas ãs outras, ou seja, que se fizessem histórias dos grandes grupos regionais. Assim, por exemplo, propunha a convergência da história das possessões de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso; a do Maranhão e Pará; a de Pernambuco com o Ceará, Rio Grande do- Norte e Paraíba; a história de Sergipe, Alagoas e Pôrto Seguro não poderia ser escrita sem a da Bahia. Era, assim, a primeira sugestão de história regional que se fazia no nosso país.
E' evidente que se Martius não propôs classificação alguma de épocas ou períodos, suas idéias serviram muito para daí em diante relacionaremse os fatos, agrupá-los e, portanto, dividí-los sob melhor critério. O parecer do Instituto Histórico que decidiu dos dois planos que concorreram ao prêmio, e de que foi relator Freire Alemão.13grande naturalista brasileiro,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>diz que o de Martius é profundamente pensado. Joaquim da Silveira leiro, diz que o de Martius é profundamente pensado. Dizia mesmo que era bom demais e que não poderia ser posto em prática naquele momento, mas serviria de modêlo para quando fosse realizável. E acrescentava que sua utilidade se manifestava desde logo na direção que deveriam tomar as investigações históricas no Brasil. 14
Diz-se muito que o plano de Martius foi seguido por João Ribeiro, ao preparar o seu Compendio de Historia do Brasil ( 1a. edição, Rio de Janeiro, 1900; 15a. edição, Rio de Janeiro, 1955). Assim disse, por exemplo, o crítico literário brasileiro, de grande nomeada na epoca, Araripe Junior. 15 Não nos parece que se possa sustentar tal hipótese, exceto na valiosa sugestão da formação étnica regional. Nesta sentido já observamos que João Ribeiro, influenciado por Martius, notara em cada um dos núcleos primitivos da nação um sentimento característico: o da Bahia é o da religião e da tradição; o de Pernambuco é o radicalismo republicano e extremo de todas as revoluções; o de São Paulo (Minas Gerais e Rio de Janeiro) é o liberalismo moderado; o de Amazonas, demasiado indígena, é talvez o da separação, como o é no extremo sul, demasiado platinoExcluidas as duas últimas não há que negar a capacidade de observar certas · feições características, capazes de ajudar a futura e complicada pesquisa das relações de comportamento entre a estrutura e a superestrutura, indispensável a uma periodização.16 No reconhecimento e pesquisa das diversificações regionais que compõem o nacional, João Ribeiro seguia Martius, que primeiro o viu e demonstrou a necessidade de sua investigação. Na verdade, um exame comparativo das fontes da Histôria de João Ribeiro poderá revelar sua aproximação com a Hístôria do Brasil de Heinrich Handelmann, na feitura de suas divisões e na inspiração de certas idéias classificadoras da exposição. Capistrano de Abreu, em carta de 1923 esera muito apreciado por João Ribeiro e Oliveira Lima. E' mais um testemunho da possível influência de Handelmann sôbre João Ribeiro.
De Martius viria mais a grande idéia, inteiramente aproveitada e oricrevia ao historiador português João Lúcio de Azevedo17 que Handelmann ginalmente exposta, de que a história deve encarar o Brasil como uma federação de províncias.
Martius continua vivo no Brasil e o elogio acadêmico do orador do<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>Instituto Histórico, Joaquim Manuel de Macedo, recitado a 15 de dezembro de 1869, “Martius é nosso pela ciência e pelo amor”, é, ainda, expressão do sentimento culto brasileiro. A melhor demonstração consiste na ininterrupta série bibliográfica consagrada à sua figura e ao seu trabalho.
José Honório Rodrigues
== Como se deve escrever a História do Brasil ==
=== Dissertação oferecida ao Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, acompanhada de uma Biblioteca Brasileira, ou lista das obras pertencentes à História do Brasil ===
Tive sumo prazer quando li na muito apreciável Revista Trimensal (suplemento ao tomo 2o., pág. 72) que o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro lançava suas vistas sôbre a composição de uma História do Brasil, e pedia se lhe comunicassem idéias, que o pudessem coadjuvar com maior acêrto neste tão útil quão glorioso intento.
Muito longe estou eu de me julgar do número dos ilustres literatos brasileiros, habilitados para preencherem as vistas do Instituto; mas ainda não quero deixar passar esta ocasião sem testemunhar a tão respeitável associação, o meu interêsse para com seu meritório assunto, comunicando-lhe algumas idéias sôbre aquêle objeto, idéias que recomendo ao benigno acolhimento do Instituto.
=== Idéias gerais sobre a História do Brasil ===
Qualquer que se encarregar de escrever a História do Brasil, país que tanto promete, jamais deverá perder de vista quais os elementos que aí concorreram para o desenvolvimento do homem.
São porém êstes elementos de natureza muito diversa, tendo para a<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>formação do homem convergido de um modo particular três raças, a saber: a de côr de cobro ou americana, a branca ou Caucasiana, e enfim a preta ou etiópica. Do encontro, da mescla, das relações mútuas e mudanças dessas três raças, formou-se a actual população, cuja história por isso mesmo tem um cunho muito particular.
Pode-se dizer que a cada uma das raças humanas compete, segundo a sua índole inata, segundo as circunstâncias debaixo das quais ela vive e se desenvolve, um movimento histórico característico e particular. Portanto, vendo nós um povo novo nascer e desenvolver-se da reunião e contacto de tão diferentes raças humanas, podemos avançar que a sua história se deverá desenvolver segundo uma lei particular das fôrças diagonais. 18
Cada uma das particularidades físicas e morais, que distinguem as diversas raças, oferece a êste respeito um motor especial; e tanto maior será a sua influência para o desenvolvimento comum, quanto maior fôr a energia, número e dignidade da sociedade de cada uma dessas raças. Disso necessàriamente se segue que o Português, que, como descobridor, conquistador e senhor, poderosamente influiu naquele desenvolvimento; o Português, que deu as condições e garantias morais e físicas para um reino independente; que o Português se apresenta como o mais poderoso e essencial motor. Mas também de certo seria um grande êrro para com todos os princípios da Historiografia pragmática, se se desprezassem as forças dos indígenas e dos negros importados, fôrças estas que igualmente concorreram para o desenvolvimento físico, moral e civil da totalidade da população.
Tanto os indígenas, como os negros, reagiram sôbre a raça predominante.
Sei muito bem que Brancos haverá, que a uma tal ou qual concorrência dessas raças inferiores taxem de menoscabo à sua prosápia; mas também estou certo que êles não serão encontrados onde se elevam vozes para huma historiografia filosófica do Brasil. Os espíritos mais esclarecidos e mais profundos, pelo contrário, acharão na investigação da parte que tiveram, e ainda tem as raças India Etiópica no desenvolvimento histórico do Povo Brasileiro, um novo estímulo para o historiador humano e profundo.
Tanto a história dos povos quanto a dos indivíduos nos mostram que o gênio da história (do Mundo), que conduz o gênero humano por caminhos, cuja sabedoria sempre devemos reconhecer, não poucas vêzes lança mão de cruzar as raças para alcançar os mais sublimes fins na ordem do mundo. Quem poderá negar que a nação Inglêsa deve sua energia, sua firmeza e perseverança a essa mescla dos povos céltico, dinamarquês, romano, anglo-saxão e normando!
Cousa semelhante, e talvez ainda mais importante se propõe o gênio da história, confundindo não somente povos da mesma raça, mas até raças inteiramente diversas por suas individualidades, e índole moral e física<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>particular, para delas formar uma nação nova e maravilhosamente organizada.
Jamais nos será permitido duvidar que a vontade da Providência predestinou ao Brasil esta mescla. O sangue português, em um poderoso rio deverá absorver pequenos confluentes das raças índia e etiópica. Em a classe baixa tem lugar esta mescla, e como em todos os países se formam as classes superiores dos elementos das inferiores, e por meio delas se vivificam e fortalecem, assim se prepara atualmente na última classe da população brasileira essa mescla de raças, que daí a séculos influirá poderosamente sôbre as classes elevadas, e lhes comunicará aquela atividade histórica para a qual o Império do Brasil é chamado.
Eu creio que um autor filosófico, penetrado das doutrinas da verdadeira humanidade, e de um cristianismo esclarecido, nada achará nessa opinião que possa ofender a suscetibilidade dos brasileiros. Apreciar o homem segundo o seu verdadeiro valor, como a mais sublime obra do Criador, e abstraindo da sua côr ou seu desenvolvimento anterior, é hoje em dia uma conditio sine qua non para o verdadeiro historiador. Essa filantropia transcendente, que aprecia o homem em qualquer situação em que o acha destinado para obrar e servir de instrumento, a infinitamente sabia ordem do mundo, é o espíritu vivificador do verdadeiro historiador. E até me inclino a supor que as relações particulares pelas quais o brasileiro permite ao negro influir no desenvolvimento da nacionalidade brasileira, designa por si o destino do país, em preferência de outros estados do novo mundo, onde aquelas duas raças inferiores são excluidas do movimento geral, ou como indígnas por causa de seu nascimento, ou porque o seu número, em comparação com o dos brancos, é pouco considerável e sem importância.
Portanto devia ser um ponto capital para o historiador reflexivo mostrar como no desenvolvimento sucessivo do Brasil se acham estabelecidas as condições para o aperfeiçoamento de três raças humanas, que nesse país "são colocadas uma ao lado da outra, de uma maneira desconhecida na história antiga, e que devem servir-se mùtuamente de meio e de fim.
Esta reciprocidade ofrece na história da formação da população brasileira em geral o quadro de uma vida orgânica. Apreciá-la devidamente será também a tarefa de uma legislação verdadeiramente humana. Do que até agora se fêz para a educação moral e civil dos Indios e Negros, e do resultado das instituições respectivas, o historiador poderá julgar do futuro, e tornando-se para êle a história uma Sibila profetizando o futuro, poderá oferecer projetos úteis, &c., &c. Com quanto mais calor e viveza êle defender em seus escritos os interêsses dessas por tantos modos desamparadas raças, tanto maior será o mérito que imprimirá à sua obra, a qual terá igualmente o cunho daquela fillacropia nobre, que em nosso século com justiça se exige do historiador. Um historiador que mostra desconfiar da<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>perfectibilidade de uma parte do gênera humano autoriza o leitor a desconfiar que êle não sabe colocar-se acima de vistas parciais ou odiosas.
== Os Índios (a raça cor de cobre) e sua história como parte da História do Brasil ==
Se os pontos de vistas gerais aqui indicados merecem a aprovação do historiador brasileiro, êle igualmente deverá encarregar-se da tarefa de investigar minuciosamente a vida e a história do desenvolvimento dos aborígenes americanos; e estendendo as suas investigações além do tempo da conquista, perscrutinará a história dos habitantes primitivos do Brasil, história que por ora não dividida em épocas distintas, nem oferecendo monumentos visíveis, ainda está envolta em obscuridade, mas que por esta mesma razão excita sumamente a nossa curiosidade.
Que povos eram aquêles que os portuguêses acharam na terra de Santa Cruz, quando êstes aproveitaram e estenderam a descoberta de Cabral? Donde vieram êles? Quais as causas que os reduziram a esta dissolução moral e civil, que neles não reconhecemos senão ruinas de povos? A resposta a esta e outras muitas perguntas semelhantes deve indubitàvelmente preceder ao desenvolvimento de relações posteriores. Só depois de haver estabelecido um juizo certo sôbre a natureza primitiva dos autóctones brasileiros, poder-se-á continuar a mostrar, como se formou o seu estado moral e físico por suas relações com os emigrantes; em que êstes influiram por leis e comércio, e comunicação, sôbre os índios; e qual a parte que toca aos boçais filhos da terra no desenvolvimento das relações sociais dos portuguêses emigrados.
Ainda não há muito tempo que era opinião geralmente adotada que os indígenas da América foram homens diretamente emanados de mão do Criador. Consideravam-se os. aborígenes do Brasil como uma amostra do desenvolvimento possível do homem privado de qualquer revelação divina, e dirigido na vereda das suas necessidades e inclinações físicas ùnicamente por sua razão instintiva. Enfeitado com as côres de uma filantropia e filosofia enganadora, consideravam êste estado como primitivo do homem; procuravam explicá-lo, e dêle derivavam os mais singulares princípios para o direito público, a religião e a história. Investigações mais aprofundadas porém provaram ao homem desprevenido que aqui não se trata do estado primitivo do homem, e que pelo contrário o triste e penível quadro, que nos oferece o atual indígena brasileiro, não é senão o ''resíduo de uma muito antiga, pôsto que pèrdida história''.
Logo que nós tivermos penetrado desta convicção, estende-se o passado da raça americana para uma época encoberta de oscuridão; e esclarecela será tarefa tão espinhosa quão cheia de interêsse. A vereda que o historiador deve trilhar neste campo não pode ser outra senão esta: Em primeiro<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{Extrair imagem}}</noinclude>{{t3|''Primeira migração.''|I}}
<poem>
Sinto ás vezes ferir-me a retina offuseada
Um sonho: — A natureza abre as perpetuas fontes.
E, ao elarão ereador que invade os horizontes,
Vejo a Terra sorrir á primeira alvorada.
Nos mares e nos céos, nas rechans e nos montes,
A Vida canta, chora, arde, delira, brada...
E arfa a Terra, num parto horrendo, carregada
De monstros, de mammouths e de rhinocerontes.
Rude, uma geração de gigantes accorda
Para a conquista. A uivar, do refugio das furnas
A migração primeira, em torvelins, transborda.
E ouço, longe, rodar, nas primitivas éras,
Como uma tempestade entre as sombras nocturnas,
O estrupido brutal d’essa invasão de féras.</poem><noinclude></noinclude>
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<poem>Sinto ás vezes ferir-me a retina offuseada
Um sonho: — A natureza abre as perpetuas fontes.
E, ao elarão ereador que invade os horizontes,
Vejo a Terra sorrir á primeira alvorada.
Nos mares e nos céos, nas rechans e nos montes,
A Vida canta, chora, arde, delira, brada...
E arfa a Terra, num parto horrendo, carregada
De monstros, de mammouths e de rhinocerontes.
Rude, uma geração de gigantes accorda
Para a conquista. A uivar, do refugio das furnas
A migração primeira, em torvelins, transborda.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>lugar devemos considerar o indígena brasileiro, em suas manifestações exteriores, corno ente físico, e compará-lo corn os povos vizinhos da mesma raça. O passo imediato nos levará à esfera da alma e da inteligência dêstes homens; a isto se ligam investigações sôbre a extensão de sua atividade espiritual, e corno ela se manifesta por ''documentos históricos''.
Como documento mais geral e mais significativo deve ser considerada a ''língua dos índios''. Pesquisas nesta atualmente tão pouco cultivada esfera não podem jamais ser suficientemente recomendadas, e tanto mais que as línguas americanas não cessam de acharse continuamente em uma certa ''fusão'', de sorte que algumas delas em breve estarão inteiramente extintas. Muito há que dizer sôbre êste objeto; mas como devo supor que poucos historiógrafos brasileiros se ocuparão corn estudos linguísticos, deixo à parte êste assunto; aproveito porém esta ocasião de exprimir o meu desejo que o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro designasse alguns linguistas para a redação de dicionários e observações gramaticais sôbre estas línguas, determinando que êstes Srs. fôssern ter corn os mesmos índios. Neste respeito seria muito para desejar que se investigassem especialmente as radicais da língua Tupi e dos seus dialéticos, desde o Guarani, nas margens do Rio da Prata, até o Arino e Guez sôbre o Amazonas: que para tal dicionário brasileiro servisse de rnodêlo o vocabulário que a Imperatriz Catarina mandou esboçar para as línguas Asiáticas, e que afinal e principalmente se coligissem em primeiro lugar todos os vocábulos que se referem a objetos naturais, determinações legais (de direito) ou vestígios de relações sociais.
A língua principal falada outrora pelos índios do Brasil em vastíssima extensão, e entendida ainda em muitas partes, é a ''língua Geral ou Tupi''. E sem dúvida muito significativo que um grande complexo de raças brasileiras entendam êste idioma. Assim como no Peru com as línguas Quichua e Aimará que se estendiam sôbre vastíssimos territórios, aconteceu no Brasil com a língua Tupi; e não podemos duvidar que tôdas as tribos, que nela sabem fazerse inteligíveis, pertençam a um único e grande povo, que sem dúvida possuiu a sua história própria, e que de um estado florescente de civilização, decaiu para o atual estado de degradação e dissolucão, do mesmo modo como o observamos entre os povos ocidentais, que falavam a língua dos Incas, ou o Airnará. Não deve passar inapercebidamente que os Caraíbas nas Guianas e nas Antilhas falavam urna língua, por uma sintaxe e vocabulário parente da língua Tupi; fato êste tanto mais singular, quanto há muitos vestígios de serem os Caraíbas um povo de piratas, que se estendia da Flórida e das Bermudas para o Sul. Assim tornaram-se as investigações sôbre a língua dos aborígenes brasileiros um objeto de interêsse geral, conduzindo a investigações etnográficas, e compreendendo uma grande parte do Novo Mundo.
A língua devem em primeiro lugar ligar-se os estudos sôbre a Mitologia,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>as Teogonias e Geogonias das raças brasileiras. Um observador filosófico não deixará de descobrir nos restos de mitos, e no balbuciamento poético, que ainda hoje se encontram vestígios muito significativos de uma perdida filosofia natural, e de um culto ainda enigmático. Uma indagação superficial do culto atual dos índios do Brasil contenta-se em considerá-lo como uma espécie de Chamanismo ou Fetichismo; mas com isto não se dará por satisfeito o historiador filosófico, que dos restos atuais de idéias e cerimônias religiosas conclui para noções anteriores mais puras, e para formas de um culto antigo, do qual os sacrifícios humanos dos prisioneiros, o canibalismo, e numerosos costumes e usos domésticos devem ser considerados como a mais bruta degeneração, e que somente dêste modo tornam-se explicáveis. Pesquisas tais necessàriamente nos levarão para êstes fenômenos pertencentes à esfera de superstições, de virtudes curativas de taumaturgos índios, feiticeiros e curandeiros; e destas passamos a investigações sôbre o saber dos índios relativo a fenômenos da natureza, e de outro lado sôbre o sacerdócio entre êles e todas as relações do Pagé (sacerdote), curandeiro e chefe para com a comunidade social.
Mais de um passo nos conduzirá para os vestígios de símbolos e tradições de direito: lançaremos uma vista d'olhos geral sôbre as relacoes sociais e jurídicas destes homens, como membros de uma só tribo, e as que existem entre as tribos diversas; e com isso encerra-se o círculo das investigações etnográficas que o historiador deverá fazer.
E inegável que o quadro de rôdas estas relações será tanto mais perfeito, será tanto mais rico em resultados históricos e filosóficos, quanto mais afoito e desprevenido o historiador lançar suas vistas sôbre os aborígenes da América em seu mais extenso esparsimento, quanto com maior diligência comparar os seus materiais brasileiros com os dos outros povos do Novo Mundo.
A coordennação e paralelismo de tôdas as Geogonias, Teogonias, e tradições de dilúvios gerais, e outras grandes catástrofes da natureza de todos os mitos, usanças legais, usos e costumes dos aborígenes americanos em geral, seria uma das mais belas e gratas tarefas do historiador filosófico e etnógrafo, e se uma história do Brasil não oferecesse senão esta introdução, ela devia ser saudada com entusiasmo por todos os literatos. Desde a obra de ''Lafitau'' o material aumentou de· um modo tã espantoso que o autor havía de ser recompensado tanto pelos encantos como pela abundância da matéria. Mas essa mesma abundância de materiais exige a mais severa crítica, e uma multidão de alegações extravagantes, de fatos inteiramente falsos, (como por exemplo foram espalhados pela obra escandalosa de Mr. de Paw), devia ser excluídos de uma vez, e estabelecida a verdadeira base e valor histórico e etnográfico dos povos americanos.
Como um assunto de suma importância para o etnógrafo notamse as<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude> indagações sôbre as construções americanas, que ùltimamente excitaram tão vivo interêsse. Não poderá o historiador brasileiro deixar de perscrutinar igualmente as ruínas de Papantla, México, Uxmal, Copan, Quito, Tiaguanaco, &c., se quiser formar um juizio geral sóbre o passado dos povos americanos. Até agora não se descobriram no Brasil (ao menos que eu saiba) vestígios de semelhantes construções, pois que as notícias manuscritas, das quais dá uma cópia a "Revista Trimestral" do ano de 1839, pág. 181, e que induziram ao Sr. Benigno José Carvalho e Cunha libíd. 1841, pág. 197) a suspeitar que há uma grande cidade ao lado do Sul da Serra de Sincorá, sôbre o braço esquerdo do Sincorá, são até agora os únicos que se conhecem sôbre monumentos brasileiros, que se assemelham em grandeza e solidez com os do México, Cundinamarca e Bolívia. A circunstância porém de não se terem achado ainda semelhantes construções no Brasil certamente não basta para duvidar que também neste país reinava em tempos muito remotos uma civilização superior, semelhante à dos países que acabo de mencionar. Na verdade, mostra a experiência que mormente em países elevados se encontram vestígios de uma tal civilização dos autóctones americanos, mas apesar disso não somos autorizados por argumento algum a duvidar da sua possibilidade no Brasil. Daí resulta um desejo, que certamente muitos dos membros do Instituto partilharão comigo, que se lhes facultassem meios para fazer sacrifícios em favor de investigações arqueológicas: especialmente prestando auxílio a viajantes que procurassem êstes monumentos. Se considerarmos que em alguns lugares, v. g. em Papantla, se elevam matas altíssimas e milenárias sôbre as construções de antigos monumentos, não se há de achar inverosímil que o mesmo se encontrará nas florestas do Brasil, tanto mais que até agora êlas não são conhecidas nem accessí veis senão em muito pequena proporção.
== Os Portugueses e a sua parte na História do Brasil ==
Quando os portuguêses descobriram o Brasil, e nele se estabeleceram, acharam os indígenas proporcionalmente em tão diminuto número e profundo aviltamento, que nas suas recém-fundadas colônias podiam desenvolver e estender-se quase sem importar-se dos autóctones. Êstes exerceram sôbre os colonos uma influência negativa tão somente, por quanto só os forçaram a acautelar-se contra as suas invasões hostis, e por isso criaram uma instituição singular de defensa, o ''Sistema das Milícias''.
A influência dessas milícias é grande e importante por dois motivos: por uma parte elas fortaleciam e conservaram o espírito de emprêsas aventureiras, viagens de descobrimento, e extensão do domínio português; por outra favoreciam o desenvolvimento de instituições municipais livres, o de uma certa turbulência a até desenfreamento dos cidadãos, capazes de pegar<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>em armas em oposição às autoridades governativas, e poderosas ordens religiosas. De outro lado achamos também nisso a causa dos sucessos das armas portuguêsas contra diversos invasores, os franceses no Maranhao e Rio de Janeiro, os holandeses em uma grande parte da Costa Oriental.
O Português, estabelecendo-se no Brasil, abandonou de certo modo os direitos que em Portugal possuía para com o Monarca, por quanto, em lugar de um Rei, recebia um Senhor (Dominus Brasiliae) Nisso mesmo existia o motivo para os colonos de jamais deporem as armas, estarem em cada momento prontos a combater, e dirigirem-se sempre armados dos diferentes pontos do litoral, onde a princípio se estableceu a civilização européia mais e mais para o interior, aonde ninguém reconheciam acima de si, venciam os índios à fôrça d'armas, ou induziam-nos com astúcia para servi-los.
Assim vemos que a posição guerreira, em que se colocou o colono português para com o índio, contribuiu muito a rápida descoberta do interior do país, como igualmente para a extensão do domínio português. A natureza particular do país, principalmente a abundância de ouro, não era de pequeno momento; por quanto as primeiras viagens de descoberta eram antes incursões de rapina contra os indígenas, a quem escravizaram, ou só tinham por feito a descoberta de riquezas minerais.
Enfim não devemos julgar a emigração de colonos portuguêses para o Brasil, como ela se operava no século XVI, e que lançou os primeiros fundamentos do atual Império, segundo os princípios que entre nós regulam as emprêsas de colonização. Hoje em dia as colonizações são, com poucas exceções, emprêsas de particulares, e nascem quase exclusivamente da necessidade de trocar uma posição pobre e apertada, por outra mais livre e agradável. Estas emigrações quase só têm lugar nas classes dos agricultores e artistas, e quase nunca nas dos nobres ou abastados. Mas assim não aconteceu nos primeiros tempos da colonização do Brasil. Elas eram então uma continuação dessas emprêsas afoitas e grandiosas, dirigidas para a Índia, e executadas ao mesmo· tempo por príncipes, nobres, e povo; dessas emprêsas que tornaram a nação portuguêsa tão famosa como rica.-Também não nasceu, êsse desejo de emigrar, de crises religiosas, como por exemplo aconteceu em Inglaterra; êle era antes uma conseqüência das grandes descobertas e emprêsas comerciais dos portuguêses sôbre a Costa Ocidental da África, do Cabo, Moçambique e Índia. As mesmas razões gerais e poderosas, que imprimiram a uma das nações mais pequenas de Europa um movimento tão poderoso, que a impeliram para uma atividade que faz época na história universal, induziram-na igualmente à emigração para o Brasil.
Com esta observação quero indicar que o período da descoberta e colonização primitiva do Brasil não pode ser compreendido, senão em seu<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>nexo com as façanhas marítimas, comerciais e guerreiras dos portuguêses, que de modo algum pode ser considerado como fato isolado na história dêsse povo ativo, e que sua importância e relações com o resto da Europa está na mesma linha com as emprêsas dos portuguêses.
Assim como estas tiveram a maior influência sôbre a política e comércio da Europa, aconteceu o mesmo da parte do Brasil.
O historiógrafo do Brasil ver-se-á arrastrado por tai observações a jamai perder de vista na história da colonização do Brasil, e do seu desenvolvimento civil e legislativo ( que acompanhava aquela ao mesmo passo), os movimentos do Comércio Universal de então, e incorporá-lo mais ou menos extensamente à sua história. Êle deverá tratar das diferentes vias comerciais, conduzindo ou pelo Mar Roxo, ou ao redor do Cabo de Boa Esperança, e da influência que tais vias exerceram sôbre o valor de cada um dos produtos e seus preços, conforme a sua condução por mar ou por terra. Embora não tenham as Índias Orientais produtos iguais aos do Brasil, que eram objetos do comércio, contudo será difícil não traçar aqui uma história do comércio comparativo entre a Índia e América, se quisermos conhecer bem as molas que promoviam a emigração das populações européias para a Índia e o Novo Mundo. Assim, por exemplo, está a história do descobrimento do Brasil íntimamente ligada com a história comercial da madeira índia chamada Japan, que vulgarmente conhecida debaixo do nome de pau-brasil, legno brasilo, bresil, &c. foi a causa principal de dar-se à Terra de Santa Cruz o nome de Terra do Brasil. Também a história e movimento mercantil dos metais e pedras preciosas tem as mais estreitas relações com a história do Brasil, e finalmente a das plantas tropicais úteis, conhecidas na Europa depois da descoberta do Novo Mundo, jamais poderá ser separada da história da colonização do Brasil.
Mais abaixo falaremos da grande influência que deviam exercer sôbre o desenvolvimento do Brasil as viagens dós portuguêses na África, as suas relações comerciais nesta parte do mundo, e a sua conivência em o tráfico da escravatura.
O Português, que no princípio do século XVI emigrava para o Brasil, levava consigo aquela direção de espírito e coração, que tanto caracteriza aquêlos tempos. Isento do efeito imediato do Cisma de Lutero, em numerosos conflitos porém com a Espanha e mais partes da Europa, talvez então mais accessível do que depois ao movimento intelectual geral daquele século, o colono português dêsse tempo, distintamente representa a índole particular dêsse período, e o historiador brasileiro não poderá eximir-se de traçar um quadro dos costumes do século xv, se intentar descrever os homens tais e quais vieram para além do oceano fundar um novo Portugal.
Daqui o historiador deverá passar para a história da legislação e do estado social da nação portuguêsa, para poder mostrar como nela se desenvolveram<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{uc|Parceria Antonio Maria Pereira}}
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――― '''Rua Augusta-44 a 54''' ―――
{{uc|'''Lisboa'''}}}}
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{{larger|Outros livros para creanças, editados por esta casa, com bonitas encadernações em percaline}}
{{tabela|largura=40|título='''[[Ás mães e ás filhas]]''', por {{A|Alice Pestana|Caïel}}|página=700}}
{{tabela|largura=40|título='''[[A Chave da Sciencia]]''', por Brewer e Moigno, nova tradução muito desenvolvida e ampliada, 3 vols. illustrados com muitas gravuras|página=6$000}}
{{tabela|largura=40|título='''[[Contos da avózinha]]''', por J Q. Travassos Lopes,
3 vols. illustrados|página=1$080}}
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{{tabela|largura=40|título='''[[A filha do João do Outeiro]]''', romance por {{A|Alice Pestana|Caïel}}, illustrado|página=900}}
{{tabela|largura=40|título='''Historias''', por Gyp, ilustrado|página=700}}
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{{tabela|largura=40|título='''Maravilhas da creação''', ou historia e descripção illustrada dos animaes, 3 vols. com mais de 500 gravuras|página=8$000}}
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{{tabela|largura=40|título='''[[Histórias famosas]]''', contos por Maria O'Neill, illustrados, cart|página=300}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>pouco a pouco tão liberais instituições municipais, como foram transplantadas para o Brasil, e quais as causas que concorreram para o seu aperfeiçoamento nesse país. Mostrar em quanto aqui a legislação antiga portuguêsa ( de D. Dinis) ficou mais isenta da influência do direito romano, que os reis espanhóis propagaram em Portugal, seria uma tarefa de sumo interêsse, para o historiador, que na legislação reconhece o espêlho de uma época.
Aqui merecerão distinto desenvolvimento as relações eclesiásticas e monacais. E isso tanto mais, porquanto algumas dessas ordens acharamse muitas vêzes ( assim como na América Espanhola) em oposição com as municipalidades ou povoações, não poucas vêzes em favor dos índios. Mas, segundo os meus, conhecimentos relativos à constituição eclesiástica do Brasil, tais movimentos não procederam de concílios brasileiros, mas sim de determinações legislativas, vindas ou da Metrópole ou de Roma.
Das ordens religiosas tôdas, a dos Jesuítas representou o mais notável papel, e suas construções são os únicos monuínentos grandiosos, ainda existentes daqueles remotos tempos; como também instintuições suas há que até o presente não desapareceram inteiramente, nem perderam certa ir-fluência, A atividade com que os Jesuítas se ocupavam em missões, facultou-lhes meior para que possuíssem as mais variadas, e em grande parte muito importantes notícias sôbre a vida doméstica e civil, assim como sôbre as línguas e outros conhecimentos dos índios. Muitas destas notícias ficaram até hoje sem serem aproveitadas, e jazem dispersas nos Arquivos da Ordem, ou nas Bibliotecas a que estas tocaram depois da supressão desta ordem religiosa. A Alemanha e Itália são os países que mais aproveitaram dêsses materiais colhidos por Jesuítas. Basta-me citar a obra volumosa e in folio de P. ''Stoechler O. Weltbote'' (O Mensageiro Universal), ou outras publicadas na Itália por Hervas e Muratori. Os Jesuítas alemães, que se empregaram em missões no Brasil, possuiam menos erudição que os franceses, entre os quais em geral aquela ordem formou os mais distintos sábios. Àqueles porém nem por isso faltava habilidade, e talvez mais aptos do que os Jesuítas franceses para viver entre tão bárbaros neófitos, e as suas relações sôbre os costumes morais e civis dos índios tornam-se recomendáveis por sua singeleza e exatidão.
O ramo desta literatura é representado em França pelas ''lettres edificantes''. Sem dúvida alguma não estão ainda suficientemente exploradas tais fontes jesuíticas, e deve ser muito fácil ao historiador do Brasil obter, por intervenção diplomática dos Arquivos de Roma, Munich, Viena e da Bélgica, os respectivos extratos das comunicações dêstes religiosos. Outras ordens monacais, como Franciscanos, Capuchinos, Agostinhos, Carmelitas, Paulinos, também se ocupavam em missões no Brasil. Por isso seria possível que também nas suas relações se achassem materiais importantes, tanto para<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>etnografia dos indígenas, quanto para a história dos costumes do habitante europeu. Em geral, devemos reconhecer que a atividade de tôdas estas ordens não era desfavorável ao Brasil. Nós vemos muitas vêzes que elas eram os únicos motores de civilização e instrução para um povo inquieto e turbulento. Outras vêzes nós vemos elas proteger os oprimidos contra os mais fortes. Por isso não podem ser compreendidas as numerosas querelas e rixas nas municipalidades das cidades ( como v. g. se acham em grande número referidas na Crônica do Maranhão por Berredo) , sem referência para com o clero, e especialmente com as ordens, com a fundação de seus conventos ( casas conventuais), hospícios, missões no interior do país, e especulações mercantis por elas empreendidas. A oposição dos colonos para com estas em geral filantrópicas ordens muitas vêzes nascia do conflito de interêsses sociais, nos quais aquêles se consideravam ligados por estas.
O govêrno português mostrou-se em geral muito vigilante da influéncia das ordens religiosas sôbre a população, e cuidava dos direitos da coroa com alguma desconfiança. Daí emanou a proibição de fundarem-se conventos na Província de Minas, e a história da supressão da ordem dos Jesuítas explica-se no que diz respeito a Portugal, pela posição adquirida pelos Jesuítas no Pará; e o que diz respeito à Espanha, por certas ocurrências em Paraguai; de sorte que êste acontecimento, que faz época na história universal, se acha profundamente enraizado na história do Brasil.
Uma tarefa de sumo interêsse para o historiador pragmático do Brasil será mostrar como aí se estabeleceram e desenvolveram as ciências e artes como reflexo de vida européia. O historiador deve transportar-nos à casa do· colono e cidadão brasileiro; êle deve mostrar-nos como viviam nos diversos séculos, tanto nas cidades como nos estabelecimentos rurais, como se formavam as relações do cidadão para com seus vizinhos, seus criados e escravos; e finalmente com os fregueses nas transações comerciais. Êle deve juntar-nos o estado da igreja, e escola, levar-nos. para o campo, às fazendas, roças, plantações e engenhos. Aqui deve apresentar quais os meios, segundo que sistema, com que conhecimentos manejavam a economia rústica, lavoura e comércio colonial.
Não é destituído de interêsse saber-se como e aonde se introduziram pelos colonos, pouco a pouco, árvores e plantas européias; como, pouco a pouco, se desenvolveu o sistema presente; qual a parte que em todos êstes movimentos tiveram a construção naval, a navegação e o conhecimento dos mares, principalmente daqueles que foram sulcados pelos portuguêses.
As observações sôbre as escolas no Brasil, sôbre o método do ensino então aí reinante, o grau de instrução obtido por êle, há de conduzir outra vez a indagações sôbre o estado das letras na Mãe Pátria. Por isso, pertence à tarefa do historiador brasileiro ocupar-se especialmente com o progresso<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>da poesia, retorica, e tôdas as mais ciencias em Portugal, mostrar a sua posição relativa as mesmas no resto da Europa, e apontar qual a influêcia que exerceram sôbre a vida científica, moral e social dos habitantes do Brasil.
Enfim, pertence também a vida militar em Portugal aos assuntos de um perfeito quadro histórico. Qual a maneira e modo empregados no recrutamento, instrução, comando e serviço do exército, os princípios estratégicos, segundo os quais se devia proceder no Brasil, um país tão diferente da Europa: tudo isso deve ser tomado em consideração em uma história pragmática do país. Relativamente às guerras com os holandeses, não nos faltam semelhantes notícias. Mas pelo contrário o que diz respeito a essas viagens belicosas de descoberta no interior do Brasil, principalmente dos mamalucos de S. Paulo e suas guerras com espanhóis; e os missionários em Paraguai, carece ainda ser esclarecido, por acharem-se os poucos documentos escritos relativos ainda sepultados pela maior parte nos arquivos das diferentes cidades e vilas.
Em quanto as crônicas da maior parte dos lugares mais consideráveis ocupam-se muitas vêzes com grande monotonia de acontecimentos de nenhuma importância relativos à comunidade, achará o historiador um atrativo variadíssimo na narração das numerosas viagens de descobertas e incursões dos diferentes pontos do litoral para os desertos longínquos do interior (os sertões), empreendidas em procura de ouro e pedras preciosas, ou com o fim de cativar e levar como escravos os indígenas. Essas ''entradas'' foram pela mejor parte executadas espontâneamente por pessoas, as quais animadas por um certo espírito romanesco e aventureiro, nelas desenvolveram tôda a energia, talento inventivo, perseverança e coragem de um Cortez, Balboa ou Pizarro, e executaram façanhas dignas de admiração da posteridade. É muito para desejar que pesquisas rigorosas nos arquivos das cidades nos subministrassem maior cópia de documentos semelhantes àquelles que referem as Aventuras Românticas de Bartolomeu Bueno da Silva, descobridor de Goiás, 19 de setembro de 1740, aventuras dignas de inspirar tanto a fantasia do poeta épico, como a musa mais tranqüila do historiador. Para a descrição destas viagens de descoberta, apresenta-se uma grande dificuldade na falta de datas exactas geográficas, que designassem com precisão os caminhos tomados por tais expedições. Custa-nos acreditar que estas incursões percorressem muitos lugares, que atualmente não são mais visitados e inteiramente perdidos para nós, como p. ex. êsse fabuloso vale pedregoso e riquíssimo em ouro dos Martírios; contudo, uma designação em tudo exata da direção dos caminhos entao percorridos, não havia de ser sem interêsse para a geografia, etnografia, e em alguns casos também para a exploração das riquezas da natureza, de muitas regiões ainda hoje quase desconhecidas.<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>Uma exposição aprofundada destas viagens para o interior conduzirá necessàriamente o historiador a certa particularidade, que excitou muito a minha atenção. Eu falo das numerosas histórias e legendas sôbre as riquezas subterrâneas do país, que nele são o único elemento do romantismo, e substituem para com os brasileiros os inúmeros contos fabulosos de cavaleiros e espectros, os quais fornecem nos povos europeus uma fonte inesgotável e sempre nova para a poesia popular. Pareceu-me que a superstição do povo se tinha, por assim dizer, concentrado nesses contos, e para assinarlhes seu verdadeiro valor, o historiador não deixará de ponderar em quanto os negros contribuíram para essas, às vêzes sumamente poéticas narrações. O negro gosta de falar; o seu modo africano de pensar, seu feticismo lhe subministram também diversos pensamentos poéticos sôbre acontecimentos sobrenaturais ou milagrosos. Assim desenvolveu-se nas Províncias de Minas, S. Paulo e Goiás um completo círculo de fábulas de Plutão, que deve ser representado com uma tintura particular nessa população. Nos países limítrofes do Amazonas, onde há maior porção de índios não há vestígios disso; mas de outro lado deleita-se aí o povo em monstros fantásticos de fantasia índia, que, entristecida pela solidão lúgubre dos bosques, e os terrores de uma naturaleza medonha em suas produções, encontra por todos os lados monstros horrorosos, sátiros e animais fabulosos (míticos), que a nós europeus pela primeira vez fêz conhecer Walter Raleigh e seus companheiros em suas relações extravagantes.
Um historiador filósofo, familiarizado com tôdas as direções dêsses mitos populares, de certo não os desprezará; mas há de dar-lhes e importância particular que merecem; - dêle concluirá para várias conjeturas na vida do povo, e há-de pô-los em relação com a essência do grau de civilização intelectual em geral. A diversidade das fontes, donde emanaram êsses contos, oferecerá ao historiador a ocasião para variadas observações gerais, tanto históricas como etnográficas.
== A raça africana em suas relações para com a história do Brasil ==
Não há dúvida que o Brasil teria tido um desenvolvimento muito diferente sem-a introdução dos escravos negros. Se para o melhor ou para o pior, êste problema se resolverá para o historiador, depois de ter tido ocasião de ponderar tôdas as influências, que tiveram os escravos africanos no desenvolvimento civil, moral e político da presente população.
Mas, no atual estado das coisas, mister é indagar a condição dos negros importados, seus costumes, suas opiniões civis, seus conhecimentos naturais, preconceitos e superstições, os defeitos e virtudes próprias à sua raça em geral, &c., &c., se demonstrar quisermos como tudo reagiu sôbre o Brasil. Sendo a África visitada pelos portuguêses antes da descoberta do Brasil, e tirando êles dêste país grandes vantagens comerciais, é fora de<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>dúvida que já naquele período influía nos costumes o desenvolvimento político de Portugal. Por êste motivo devemos analizar as circunstâncias das colônias portuguêsas na África, de tôdas as quais se trafica em escrava tura para o Brasil, dever-se-á mostrar que movimento imprimiam na indústria, agricultura e o comércio das colônias africanas para com as do Brasil, e vice-versa. De sumo interêsse são as questões sôbre o estado primitivo das feitorias portuguêsas, tanto no litoral como no interior da África, e da organização do tráfico de negros. Estas circunstâncias são quase inteiramente desconhecidas na Europa. Só últimamente foram publicadas notícias sôbre êste assunto pelos inglêses; contudo parecem representadas em grande parte de um só lado, nem fornecem esclarecimentos suficientes, sôbre o manejo e procedimento do tráfico dos escravos no interior do país. E se observamos pela outra parte que a literatura portuguêsa oferece muito pouco, o que se refere à história universal do tráfico da escravatura." o autor prestaria um serviço muito relevante se na história do Brasil tratasse cabal e extensamente êste assunto. De si mesmo oferecemse então muitas comparações sôbre a índole, os costumes e usos entre os negros e os índios, que sem dúvida contribuirão para o aumento do interêsse que nos oferecerá a obra. Enfim será conveniente indicar qual a influência exercida pelo tráfico de negros e suas diferentes fases sôbre o caráter português no próprio Portugal.
Nunca portanto o historiador da Terra da Santa Cruz há-de perder de vista que a sua tarefa abrange os mais grandiosos elementos; que não lhe compete tão somente descrever o desenvolvimento de um sópovo, circunscrito em estreitos limites,· mas sim de uma nação cuja crise e mescla atuais pertencem à história universal, que ainda se acha no meio do seu desenvolvimento superior. Possa êle não reconhecer em tão singular conjunção de diferentes elementos algum acontecimento desfavorável, mas sim a conjuntura mais feliz e mais importânte no sentido da mais pura filantropia. Nos pontos principais a história do Brasil será sempre a história de um ramo de portuguêses; mas se ela aspirar a ser completa e merecer o nome de uma história pragmática, jamais poderão ser excluídas as suas relações para com as raças etiópica e índia.
''Sôbre a forma que deve ter uma História do Brasil'', comunicar algumas observações. As obras até o presente publicadas sôbre as províncias, em separado, são de preço inestimável. Elas abundam em fatos importantes, esclarecem até com minuciosidade muitos acontecimentos; contudo não satisfazem ainda às exigências da verdadeira historiografia, porque se ressentem de mais de certo espírito de cronicas. Um<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>grande número de fatos e circunstâncias insignificantes, que com monotonia se repetem, e a relação minuciosa até o excesso de acontecimentos que se desvaneceram sem deixarem vestígios históricos, tudo isso, recebido em uma obra histórica, há-de prejudicar o interêsse da narração e confundir o juizo claro do leitor robre o essencial da relação. O que avultará repetir-se o que cada governador fêz ou deixou de fazer na sua província, ou relacionar. tatos de nenhuma importância histórica, que se referem à administração de cidades, municípios ou bispados, &c.; ou uma escrupulosa acumulação de citações e autos que nada provam, e cuja autenticidade histórica é por vêzes duvidosa?-tudo isso deverá, segundo a minha opinião, ficar excluído.
Aqui se apresenta uma grande dificultade em conseqüência da grande extensão do território brasileiro, da imensa variedade no que diz respeito à natureza que nos rodeia, aos costumes e usos e à composição da população de tão disparatados elementos. Assim como a província do. Pará tem clima inteiramente diferente, outro solo, outros produtos naturais, outra agricultura, indústria, outros costumes, usos o precisões, do que a província do Rio Grande do Sul; assim acontece igualmente com as províncias da Bahia, Pernambuco e Minas. Em uma predomina quase exclusivamente a raça branca, descendente dos portuguêses; na outra tem maior mistura com os índios; em uma terceira ~anifesta-se a importância da raça africana; enquando influía de um modo especial sôbre os costumes e o estado da civilização em geral. O autor, que dirigisse com preferência as suas vistas sôbre uma destas circunstâncias, corria perigo de não escrever uma história do Brasil, mas sim uma série de histórias especiais de cada uma das províncias. Um outro porém, que não desse a necessária atenção a estas particularidades, corria risco de não acertar com êste tom local que é indispensável onde se· trata de despertar no leitor um vivo interêsse, e dar às suas descrições aquela energia plástica, imprimir-lhe aquêle fogo, que tanto .admiramos nos grandes historiadores.
Para evitar êste conflito, parece necessário que em primeiro lugar seja em épocas, judiciosamente determinadas, representando o estado do país em geral, conforme o que tenha de particular em suas relações com a Mãe Pátria, e as mais partes do Mundo; e que, passando logo para aquelas partes do país que essencialmente diferem, seja realçado em cada uma delas o que houver de verdadeiramente importante e significativo para a história. Procedendo assim, não se devia certamente principiar de novo em cada Província; mas omitir, pelo contrário, tudo aquilo que em todas, mais ou menos, se repetiu. Portanto, deviam ser tratadas conjuntamente aquelas porções do país que, por analogia da sua natureza física, pertenecem umas às outras. Assim, por exemplo, converge a história das Províncias de S. Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso; a do Maranhão se liga à do Pará,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>e a roda dos acontecimentos de Pernambuco formam um grupo natural os de Ceará Rio Grande do Notte e Paraíba. Enfim, a história de Sergipe, Alagoas e Pôrto Seguro, não será senão a da Bahia.
Para um tal trabalho, segundo certas divisões gerais do Brasil, pareceme indispensável que o historiador tivesse visto êsses países, que tivesse penetrado com os seus próprios olhos as particularidades da sua natureza e população. Só assim poderá ser apto para avaliar devidamente todos os acontecimentos históricos que· tiveram lugar em qualquer das partes do Império, explicá-los pela particularidade do solo que o homem habita; e colocá-los em verdadeiro nexo pragmático para com os acontecimentos na vizinhança. Quão diferente é o Pará de Minas! Uma outra natureza, outros homens, outras precisões e paixões, e por conseguinte outras conjunturas históricas.
Esta diversidade não é suficientemente reconhecida no Brasil, porque há poucos brasileiros quetenham visitado todo o país; por isso formam idéias muito errôneas sôbre circunstâncias locais, fato êste que sem dúvida alguma muito concorre para que as perturbações políticas em algumas províncias só se podiam apagar depois de longo tempo. Nem se reconhecerão sempre as verdadeiras causas de um estado achacoso, e por isso às vêzes não foram ministrados os remédios apropriados. Se o historiador se familiarizar bem com estas particularidades, e exatamente as apresentar, não poucas ocasiões achará para dar úteis conselhos à administração. No que diz respeito aos leitores em geral, deverá lembrarse em primeiro lugar que não excitará nenhum interêsse vivo, nem lhes poderá desenvolver as relações mais íntimas do país, sem serem precedidos os fatos históricos por descrições das particularidades locais da natureza. Tratando o seu assunto, segundo êste sistema, o que já admiramos no Pai da história, Heródoto, encontrará muitas ocasiões para pinturas encantadoras da natureza, Elas imprimirão à sua obra um atrativo particular para os habitantes das diferentes partes do país, porque nestas diversas descrições locais reconhecerão a sua própria habitação, e se encontrarão, por assim dizer, a si mesmos. Desta sorte ganhará o livro em variedade, e riqueza de fatos, e muito especialmente em interêsse para o leitor europeu.
Por fim devo ainda ajuntar uma observação sôbre a posição do historiador do Brasil para com a sua pátria. A história é uma mestra, não somente do futuro, como também do presente. Ela pode difundir entre os contemporâneos sentimentos e pensamentos do mais nobre patriotismo. Uma obra histórica sôbre o Brasil deve, segundo a minha opinião, ter igualmente a tendência de despertar e reanimar em seus leitores brasileiros amor da pátria, coragem, constância, indústria, fidelidade, prudência, em uma palavra, tôdas as virtudes cívicas. O Brasil está afeto em muitos membros de sua população de idéias políticas imaturas. Ali vemos republicanos<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>republicanos de todas as côres, ideólogos de rôdas as qualidades. É justamente entre êstes que se acharão muitas pessoas que estudarão com interêsse uma história de seu país natal; para êles, pois, deverá ser calculado o livro, para convencê -los por uma maneira destra da inexiquibilidade de seus projetos utópicos, da inconveniência de discussões licenciosas dos negócios públicos, por uma imprensa desenfreada, e da necessidade de uma monarquia em um país onde há um tão grande número de escravos. Só agora principia o Brasil a sentir-se como um Todo Unido. Ainda reinam muitos preconceitos entre as diversas Províncias: êstes devem ser aniquilados por meio dé uma instrução judiciosa; cada uma das partes do Império deve tornar-se cara às outras; deve procurar-se provar que o Brasil, país tão vasto e rico em fontes variadíssimas de ventura e prosperidade civil, alcançará o seu mais favorável desenvolvimento, se chegar, firmes os seus habitantes na sustentação da Monarquia, a estabelecer, por uma sábia organização entre tôdas as Províncias, relações recíprocas. Enquanto não poucas vêzes acontecerá que os estrangeiros tentem semear a cizania entre os interêsses das diversas partes do país, para assim, conforme ao divide et impera, obter maior influência nos negócios do estado; deve o historiador patriótico aproveitar tôda e qualquar ocasião a fon de mostrar que tôdas as Províncias do Império por lei orgânica se pertencem mùtuamente, que seu propício adiantamento só pode ser garantido pela mais íntima união entre elas. Justamente na vasta extensão do país, na variedade de seus produtos, ao mesmo tempo que os seus habitantes tem a mesma origem, o mesmo fundo histórico, e as mesmas esperanças para um futuro lisongeiro, acha-se fundado o poder e grandeza do país. Nunca esqueça, pois, o historiador do Brasil, que para prestar um verdadeiro serviço à sua· pá tria deverá escrever como autor monárquico-constitucional, como unitário no mais puro sentido da palavra. Daqui resulta que a obra, a qual não devia exceder a um só forte volume, deverá ser escrita, em um estilo popular, posto que nobre. Deverá satisfazer não menos ao coração do que à inteligência; por isso, não devia ser escrita em uma linguagem do ... e empolada, nem sobrecarregada de erudição ou de uma multidão de citações estéreis. Evitará não menos ter o caráter de uma crônica, do que de investigações históricas, sêcas e puramente eruditas. Como qualquer história que êste nome merece, deve parecer-se com um Epos! Só de um lado é verdadeiro que a Epos popular só é composto onde o povo ainda se acha em desenvolvimento progresivo, então do outro lado não podemos duvidar que atualmente o Brasil é um objeto digno de uma história verdadeiramente popular, tendo o país entrado em uma fase que exige um progresso poderoso; por isso; uma história popular do país vem muito a propósito, e possa seu autor, nas muitas conjunturas favoráveis que o Brasil oferece, achar um feliz estímulo, para que imprima à sua obra todo o seu amor, todo o zêlo patriótico,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Babbage" /></noinclude>e aquêle fogo poético próprio da juventude, ao mesmo passo que desenvolva a aplicação e profundidade de juizo e de firmeza de caráter, pertencentes à idade madura e varonil.
Munich, 10 de janeiro de 1843.
(Extraído de ''Revista Trimensal de História e Geografia ou Jornal Jo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro'', nº 24, janeiro de 1845, tomo 6, págs. 381-403).<noinclude></noinclude>
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Wikisource:Esplanada/Validação de Como se deve escrever a história do Brasil, de Carl von Martius
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: Bom dia! Este é a minha primeira contribuição ao Wikisource em português. Eu transcrivi o ensaio do naturalista Carl von Martius na seguinte página: https://pt.wikisource.org/wiki/Galeria:Como_se_deve_escrever_a_hist%C3%B3ria_do_Brasil.pdf Ainda não fiz as notas de rodapé, já que não sei formatá-las. Muito obrigado de antemão pela ajuda. ~~~~
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Bom dia! Este é a minha primeira contribuição ao Wikisource em português. Eu transcrivi o ensaio do naturalista Carl von Martius na seguinte página:
https://pt.wikisource.org/wiki/Galeria:Como_se_deve_escrever_a_hist%C3%B3ria_do_Brasil.pdf
Ainda não fiz as notas de rodapé, já que não sei formatá-las.
Muito obrigado de antemão pela ajuda. [[Utilizador:Babbage|Babbage]] ([[Utilizador Discussão:Babbage|discussão]]) 16h42min de 2 de agosto de 2026 (UTC)
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#REDIRECIONAMENTO [[A missão de Purna]]
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<poem>
:{{Gcapitular|V}}ós, Anjos do Senhor, vinde inspirar-me,
Accendei na minh'alma um fogo santo,
Que venha illuminar-me o entendimento,
Trazei-me do Empyreo harpa celeste,
Para que d'um heróe alto, divino,
Em verso heroico, pio a vida cante,
Tornando á juventude ameno, grato,
Um carme cujo assumpto é dino e grande !
:Do sol tibios os raios sobre a terra,
Pousavam ao cahir de meiga tarde,
Era n'essa estação que os prados veste
De relva e de mil flores variegadas, up floup
Puro o Céo, socegada a natureza;
Hora d'inspirações, hora solemne,
Que une ao Creador almas piedosas,
Que arrebata o poeta além do espaço !..
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Accendei na minh'alma um fogo santo,
Que venha illuminar-me o entendimento,
Trazei-me do Empyreo harpa celeste,
Para que d'um heróe alto, divino,
Em verso heroico, pio a vida cante,
Tornando á juventude ameno, grato,
Um carme cujo assumpto é dino e grande !
:Do sol tibios os raios sobre a terra,
Pousavam ao cahir de meiga tarde,
Era n'essa estação que os prados veste
De relva e de mil flores variegadas, up floup
Puro o Céo, socegada a natureza;
Hora d'inspirações, hora solemne,
Que une ao Creador almas piedosas,
Que arrebata o poeta além do espaço !..
<br>
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:Entre vagas d'espuma crystallina,
O mais bello dos astros s'escondia,
Em Nazareth deixando casta joven,
Curvada, em oração, a Deus erguendo
Um cantico d'amor, balbuciando-
O' Deus incomprehensivel! Deus supremo!
«Os filhos de Sião quando cumpridas,
«Jubilosos verão promessas vossas?..
:E os olhos para o Céo então volvendo,
De sóes cercado vê, resplandecente,
Angelica figura magestosa,
Transpondo o firmamento em aurea nuvem,
As azas prateadas agitando,
De diamantes e ouro recamadas,
Sustentava na dextra alva açucena,
Para mimo da Virgem cultivada,
Por Anjos nos vergeis do paraiso,
E na terra baixando junto d'ella ohuemol
Lhe inspira confusão, temor, respeito;
Porém, meigo, sorrindo elle a socega,
E d'est'arte fallou com voz solemne ―
:«Da terra o Creador, dos Céos e mares,
«Aquelle que formou d'argilla os homens,
«Que o espaço illuminou d'astros fulgentes,
«A quem os Anjos louvam incessante,
«Aquelle a cuja voz tudo obedece
«Na terra, Céos e horridos infernos,
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:Entre vagas d'espuma crystallina,
O mais bello dos astros s'escondia,
Em Nazareth deixando casta joven,
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Um cantico d'amor, balbuciando-
O' Deus incomprehensivel! Deus supremo!
«Os filhos de Sião quando cumpridas,
«Jubilosos verão promessas vossas?..
:E os olhos para o Céo então volvendo,
De sóes cercado vê, resplandecente,
Angelica figura magestosa,
Transpondo o firmamento em aurea nuvem,
As azas prateadas agitando,
De diamantes e ouro recamadas,
Sustentava na dextra alva açucena,
Para mimo da Virgem cultivada,
Por Anjos nos vergeis do paraiso,
E na terra baixando junto d'ella ohuemol
Lhe inspira confusão, temor, respeito;
Porém, meigo, sorrindo elle a socega,
E d'est'arte fallou com voz solemne ―
:«Da terra o Creador, dos Céos e mares,
«Aquelle que formou d'argilla os homens,
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« ti me envia ó Virgem fortunada! i'l
«Escolhida por Deus n'alto mysterio!..
«O' Filha de Sião, eu te saudo! single
«Exaltada serás, santo é o fructo,
«Que o Eterno derramou d'entro em teu seio!
«Um Filho terás tu, casta Maria,
«A quem Anjos do Céo, grandes da terra,
«Humildes cantarão hosanna, hosanna!
«E de David seu Pae no regio throno,
«Sentar-se-ha um dia grandioso,
«Não tendo fim jámais o seu reinado!
«O mesmo Anjo revel, soberbo, infido,
«Ante elle seu poder depondo a custo,
«Humilhado o joelho já curvando,,
«Convulso o adorará rangendo os dentes,
«E mal que proferir oiça seu nome,
«Recuará fremente, enraivecido;
«Descendo já irado á negra estancia,
«Tormentos dobrará aos condemnados,
«Furioso abalando o solo ardente!
:Não pôde no turbado entendimento,
A Virgem comprehender altos arcanos,
E timida, modesta, dizer ousa,
Que puro é seu consorcio, santos votos
Fizera de viver em castidade...
:O Anjo proseguiu com voz seraphica ―
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«Humildes cantarão hosanna, hosanna!
«E de David seu Pae no regio throno,
«Sentar-se-ha um dia grandioso,
«Não tendo fim jámais o seu reinado!
«O mesmo Anjo revel, soberbo, infido,
«Ante elle seu poder depondo a custo,
«Humilhado o joelho já curvando,,
«Convulso o adorará rangendo os dentes,
«E mal que proferir oiça seu nome,
«Recuará fremente, enraivecido;
«Descendo já irado á negra estancia,
«Tormentos dobrará aos condemnados,
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:«Foi est'obra no cháos inda traçada,
«N'um Deus tem só origem e dos homens,
«Parte alguma tomou; toda é divina!
«Desceu a ti o Espirito do Eterno,
«No seio teu formando o dino infante,
«De quem a Mãe serás afortunada!
«Ha mezes seis obrou outro prodigio,
«A Isabel me enviando a quem o mundo,
«Como esteril olhava com desprezo;
Apraz agora ao Céo, que d'ella nasça,
«Na descripta idade um varão santo,
«Para missão cumprir alta, divina!..
:― «Eis do Senhor a escrava mais humilde,
«Que se cumpram em mim vontades suas!..
«Seus mysterios adoro reverente,
«Submissa aguardarei altos designios!
:E o mensageiro santo ao Céo volvendo,
Sósinha a Virgem deixa, a Deus orando;
Humilde, tão modesta como outr'ora,
Occultava do Céo, subidas honras;
De jubilo exultando pela graça,
Que fora á Prima sua concedida.
:Emprehende ardua viagem, quer saudal-a,
Qual o gozo exprimir-lhe, que sentira,
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Sabendo fôra livre d'esse opprobrio,
Dos annos no verdor soffrido a custo.
:De tantas maravilhas o segredo,
No peito virginal ella escondia;
Mas ao vêl-a Isabel sentiu no seio,
Estranha adoração, curvar-se o infante!
E pelo Céo movida então exclama: ―
:«O' tu, cheia de graça, Ave Maria!
«O Deus da eternidade em ti habita!
«Que jubilo, que gloria, que ufania,
«Não deves tu sentir mulher ditosa!
«Das gerações serás sempre exaltada,
«Pois que és o vaso puro onde o Altissimo,
«A sopro derramou da essencia dina!..
:A Nazareth a Virgem regressava,
Passados mezes tres e do consorte,
Com mil caricias foi logo acolhida,
Que do mais terno amor o sentimento,
N'a su'alma por ella só nutria:
Amava-a como os Anjos amam Deus,
E como os Anjos pura elle a julgava.
Qual foi o assombro seu, pesar, tristeza,
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Logo que signaes viu já manifestos,
Da perda tão sentida da innocencia...
:Sósinho aqui, alli, sempre scismando,
Ao acaso divaga pesaroso,
E da Virgem virtudes recordando,
Suppôl-a criminosa não podia
Volveram mezes mais do seu desdouro,
Duvidar já não póde o varão santo.
:Comprehendia su'alma a afflicta esposa,
Mas segredos do Céo ella occultava,
Accusada d'um crime fosse embora!
Com mágoa, saudade o esposo via,
Resolvido a partir, abandonal-a,
Abandonal-a quando o seu amparo,
Mais que outr'ora lhe era proveitoso !
:A Deus ella recorre fervorosa,
Acolhendo o Senhor as preces suas,
Que em sonhos ao consorte, um anjo envia,
Quando já a partir proximo estava,
E do somno nos braços despertando-o,
Mysterios sacrosantos lhe revela;
Que a esposa innocentinha, não deixasse,
Que fosse o amparo seu, sempre seu guia.
<br>
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{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
:Dos Prophetas as mysticas palavras
Hiam breve cumprirem-se na terra,
Refulgindo uma luz nova, divina,
Que em Belem despontar só deveria,
Por decretos que o Céo occulta aos homens!..
:Foi quando o Imperador Augusto Cesar,
Ao povo em seus dominios ordenára,
Para se apresentar seus nomes dando.
:Regias ordens cumpriu a Virgem logo,
E esquece o estado seu tão delicado,
Julgando obedecer assim d'est'arte, s
Ao monarcha dos Céos de quem os homens
Na terra a imagem são, de quem recebem
Occulta inspiração, os seus designios.
:Do consorte a Belem acompanhada,
Fatigada chegou buscando abrigo;
A noite as negras azas estendia,
Brilhando já no Céo milhões d'estrellas;
Não havia de vago um só albergue,
E em balde consternado o esposo busca
Gasalhado preciso á sua amada,
Que triste, só por ella receando,
Onde encontrar não sabe humilde choça.
<br>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <section begin="via lactea"/>{{tabela|nodots |título=Deixa que o olhar do mundo emfim devasse. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Todos esses louvores bem o viste -. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Sonhei que me esperavas. E, sonhando. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Ora direis) ouvir estrellas! Certo.. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Viver não pude sem que fel provasse |página={{pl|...
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|título=Todos esses louvores bem o viste -.
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|título=Ora direis) ouvir estrellas! Certo..
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|título=Viver não pude sem que fel provasse
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|título=Inda hoje, o livro do passado abrindo
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|título=La fóra, a voz de vento ulule rouca
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|título=Por estas noites frias brumosas.
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|título=Dormes... Mas que sussurro a humedecida.
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|título=Sac a passeio, mal o dia nasce.
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|título=Olha-me! o teu olhar sereno brando.
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|título=Sei que um dia não ha, e isso é bastante.
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|título=Quando te leio, as seenas animadas..
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|título=Laura Dizes que Fabi anda offendido.
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|título=Vejo-a, contemplo-a eommovido. Aquella.
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|título=Tu que no pego impuro das orgias
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|título=Quando cantas, minh' alnia, desprezando.
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|título=Hontem neseio que fui! maliciosa.
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|título=Pinta-me a curva d'estes eéos... Agora.
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|título=Por tanto tempo, desvairado e afflicto.
|página={{pl|1|10}}}}
{{tabela|nodots
|título=Ao eoração que soffre, separado.
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{{tabela|nodots
|título=Longe de ti. se escuto, porventura.
|página={{pl|1|10}}}}
{{tabela|nodots
|título=Leio-te o pranto dos nieus olhos rola
|página={{pl|1|10}}}}
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|título=Como quizesse livre ser, deixando..
|página={{pl|1|10}}}}
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|título=Quando adivinha que vou vel-a, e à escada.
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|título=Pouco me pésa que nofeis sorrindo.
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<section begin="sarças de fogo"/>{{tabela|nodots|alinhamento-texto=center
|título=[[Sarças de Fogo|SARÇAS DE FOGO]]}}
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|título=O julgamento de Phrynéa.
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|título=Marinho.
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|título=Sobre as bodas de um sexagenario.
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|título=Abyssus.
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|título=Pantum.
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|título=Na Thebaida.
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|título=E' n'estas noites socegadas.
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|título=N'una concha.
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|título=Suppliea.
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|título=Canção..
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|título=Rio abaixo.
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|título=Satania.
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|título=Quarenta annos.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <section begin="sarças de fogo"/>{{tabela|nodots |título=Vestigios. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Um trecho de Gautier |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=No liminar da morte. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Paraphrase de Baudelair |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=Rios Pantanos. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |título=De volta do baile. |página={{pl|1|10}}}} {{tabela|nodots |tí...
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|título=Vestigios.
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|título=Um trecho de Gautier
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|título=No liminar da morte.
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|título=Rios Pantanos.
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|título=De volta do baile.
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|título=Sahara vite.
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|título=Beijo eterno.
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|título=Pomba e Chacal.
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|título=Medalha antiga.
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|título=No carcere.
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|título=Olhando a corrente.
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|título=Tenho frio e ardo em febre!..
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|título=Nel mezzo del camin.
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|título=Soludo..
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|título=A canção de Romeu..
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|título=Altentação de Xenókrates.
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<section end="sarças de fogo"/>
<section begin="alma inquieta"/>{{tabela|nodots|alinhamento-texto=center
|título=[[Alma Inquieta|ALMA INQUIETA]]}}
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|título=[[A Avenida das Lágrimas|A Avenida das Lagrimas]].
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|título=Inania verba
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|título=Midsummer's nigth's dream
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|título=Sonho.
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|título=Incontentado.
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|título=Primavera.
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|título=Dormindo.
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|título=Nocturno...
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|título=Virgens mortas
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|título=Ida...
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|título=Noite de inverno.
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|título=O Cavalleiro pobre.
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|título=Vanitas..
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|título=Tercettos.
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|título=In extremis.
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|título=A alvorada do Amor.
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|título=Vita nuova..
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|título=Manhã de verão.
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|título=Dentro da noite.
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|título=Campo Santo..
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|título=Desterro.
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{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
:Ah! a Virgem suspira, ella já sente,
Que breve vae ser Mãe, e do seu Anjo,
Bem de pressa a missão será cumprida!..
Mas ai! que só por leito a terra via,
E por tecto o luzido firmamento!
:Volvendo aqui, alli, alfim encontram,
Em presepio mesquinho uma guarida,
Para um Deus sobre palhas recostarem!
:Não quiz o Creador para seu Filho,
Dos grandes escolher aureos palacios,
O fausto despresando, ouro, vaidades,
No mundo o apresentou humilde e pobre!
:Ah! se riquezas só, Deus estremasse,
Se nascer entre grandes preferisse,
Que seria do triste, obscuro, pobre,
Que conforto na terra encontraria,
Se ostentar visse um Deus entre os humanos,
As grandezas, poder, luxo, vaidade?..
Porém, não foi aos ricos que primeiro,
Manifestal-o quiz; mas aos pequenos,
Revelar-lhes aprouve altos segredos
:Não longe de Belem, ledos velavam,
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Maria Adelaide Fernandes Prata - O Filho de Deus (1863).pdf/15
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{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
Seus rebanhos guardando alguns pastores;
A noite alta já ía e as trevas suas,
Um Anjo do Senhor esclarecia;
Qual sol viram então raiar formoso,
E uns aos outros confusos preguntavam
Que prodigio seria nunca visto!
Mas logo d'improviso juntos d'elles,
Mais bello ainda que o sol, que a estrella d'alva,
De luz todo cercado radiante,
Sobre a terra desceu Cherubim santo,
Annunciando o Deus da eternidade,
Que essa nauta ditosa ao mundo déra.
:As palavras do angelico mancebo,
Attentos escutaram, perturbados;
Porém elle os socega e assim lhes falla: ―
:«Esse legislador alto potente,
«Ao primeiro dos homens promettido,
«Esse Deus que se espera ha longo tempo,
«O Messias emfim tão desejado,
«Acaba de nascer em um presepio!...
«Hide á santa Belem; n'uma choupana,
«Onde é tudo humildade e só pobreza,
«Achareis rodiando um Deus infante!
:Depois voltando ao Céo, milhões d'Archanjos
Entoam a seu lado hymnos celestes.
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
Seus rebanhos guardando alguns pastores;
A noite alta já ía e as trevas suas,
Um Anjo do Senhor esclarecia;
Qual sol viram então raiar formoso,
E uns aos outros confusos preguntavam
Que prodigio seria nunca visto!
Mas logo d'improviso juntos d'elles,
Mais bello ainda que o sol, que a estrella d'alva,
De luz todo cercado radiante,
Sobre a terra desceu Cherubim santo,
Annunciando o Deus da eternidade,
Que essa nauta ditosa ao mundo déra.
:As palavras do angelico mancebo,
Attentos escutaram, perturbados;
Porém elle os socega e assim lhes falla: ―
:«Esse legislador alto potente,
«Ao primeiro dos homens promettido,
«Esse Deus que se espera ha longo tempo,
«O Messias emfim tão desejado,
«Acaba de nascer em um presepio!...
«Hide á santa Belem; n'uma choupana,
«Onde é tudo humildade e só pobreza,
«Achareis rodiando um Deus infante!
:Depois voltando ao Céo, milhões d'Archanjos
Entoam a seu lado hymnos celestes.
<br>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|14}}
{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
:Cada pastor tomando a offrenda sua,
Chegaram a Belem, mal que nos Céos
A aurora derramou o alvor primeiro,
E n'um pobre curral todos entrando,
Ao filho de Maria ajoelharam,
Hindo depois narrar por toda a parte
Os prodigios que viram assombrosos!
:Passados dias oito ao templo foram,
Os esposos levar de Deus o Filho,
Que da circumcisão á lei penivel,
Humildes, não quizeram isental-o,
E do Anjo do Senhor cumprindo as ordens,
O nome de Jesus ledos lhe deram,
:Da parte Oriental, gentios Reis,
Um novo astro raiar alegres viram,
E por Deus inspirados presentiram,
Que dos judeos o Rei nascido havia;
Mas um divino Rei alto, supremo!
E logo a partir se resolveram,
Para lhe tributarem homenagem.
:Reinava então Herodes na Judea,
Ao qual d'um novo Rei tinha a noticia,
Ciumes inspirado, odio, inveja,
E chamando do reino os homens sabios,
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Maria Adelaide Fernandes Prata - O Filho de Deus (1863).pdf/17
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|15}}
{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
Lhes pergunta o lugar onde devia,
Jesus Christo nascer em a Judea.
:Citando dos Prophetas as palavras,
Revelam-lhes os doutos traiçoeiros,
Que era em Belem que ha muito escripto estava,
Que dos Judeos o rei nascer havia;
Mas occultam-lhe sua divindade,
O fim para que vinha lhe esconderam,
Augmentando d'Herodes os receios,
Que dos Magos a vinda já sabendo,
Vae d'elles indagar qual o motivo,
Que ao reino seu os trouxe, e como a estrella,
Lhes tinha apparecido e revelado
D'um poderoso Rei o nascimento.
:Incautos os tres Magos lhe respondem,
Com lealdade a tudo e singileza,
Sem que do rei perverso suspeitassem
A vil traição e perfidos intentos,
Resolvendo immolar um tenro infante.
:Elle soube fingir-lhes, que seu culto,
Respeitoso tambem ia prestar-lhe,
Pedindo aos santos reis, no seu regresso,
Lhe narrem do menino quanto virem
Para depois humilde ir adoral-o.
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Maria Adelaide Fernandes Prata - O Filho de Deus (1863).pdf/18
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|16}}
{{Bloco centro/c}}</noinclude><poem>
:Jerusalem deixaram os tres Magos,
Tornando logo a ver a estrella sua,
Que por ella guiados a seguiram,
Ao domicilio pobre onde pousára,
E todos tres entrando encontraram,
Da casta Mãe nos braços o menino
E curvando-se logo respeitosos,
Adoram o Senhor dos Céos, do mundo,
Offertando-lhes ouro, incenso, mirra.
:Sem mais verem Herodes, elles partem,
Avisados por Deus das traições suas;
Tomando outro caminho prazenteiros
Aos reinos seus chegaram sem perigo.
:Era costume antigo entre as Judias,
Depois de serem mães irem ao Templo,
Orarem ao Senhor, purificarem-se,
Comsigo os filhos seus tambem levando,
E a Virgem tão modesta, a mais humilde,
Nenhuma distincção de si fazendo,
Mal que o tempo passou na lei marcado,
O Filhinho levando se confunde
Entre o povo, qual uma peccadora!
E offerecendo a Deus, de Deus o Filho,
Foi essa a vez primeira, que em seu Templo,
Uma offrenda se fez d'uma hostia pura,
Do seu poder só digna e magestade!
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/78
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" /></noinclude>{{dhr}}
{{T2||CAPITULO IX}}
{{dhr}}
<small>Terceiro contrato dos diamantes. — Os Caldeiras. — Felisberto Caldeira Brant — Clausulas do terceiro contrato. — Tolerancia do contrabando, — Bem-estar do Tijuco; luxo; costumes do tempo; politica ou civilidade; bailes; educação moral. — Francisco Moreira de Mattos, intendente interino. — Carta do governador. — Deleixo da administração; providencias. — O governador vem a Tijuco. — Ordem de 25 de Setembro de 1751. — Sancho de Andrada Castro e Lanções, terceiro intendente. — Buscas.</small>
No ultimo de Dezembro de 1747 terminou-se o quatriennio do
segundo contrato dos diamantes; o terceiro, é conhecido geralmente
pelo nome de ''contrato'' dos Caldeiras, e arrematou-o [[w:pt:Felisberto Caldeira Brant|Felisberto Caldeira Brant]] por quatro annos, do 1 de Janeiro de 1748 a 31
de Dezembro de 1751. Felisberto Caldeira Brant era o arrematante
ostensivo, o unico responsavel á fazenda real; particularmente se
associava com seus tres irmãos, Sebastião Caldeira Brant, Joaquim
Caldeira Brant e Conrado Caldeira Brant. Forão quatro irmãos,
que sempre tiverão a mesma sorte, a mesmá prosperidade, a mesma gloria, a mesma queda. Ainda hoje dizemos: a felicidade dos
Caldeiras, — o tempo dos Caldeiras, — a perseguição dos Caldeiras,
- a desgraça dos Caldeiras.
Vamos nos approximando da época contemporanea. Os factos
tornau-se mais abundantes, a tradição mais clara. Das pessoas
de que temos de fallar n'este escripto algumas ainda vivem, de
outras ha descendentes, parentes, amigos, ou conhecidos. Mas nada
pretendemos occultar nem desculpar: é o dever do narrador.
Felisberto Caldeira Brant foi uma d'essas numerosas victimas,<noinclude></noinclude>
7zzd8m87ysne768pxx22giztdkzzv8e
Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/79
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 75 —}}</noinclude>que a fortuna caprichosa costuma cegar com a prodigalidade de
seus favores, para depois arruinar em um momento. Foi rico,
muitas vezes millionario; mas, liberal até ao excesso de prodigalidade<ref>gastar dinheiro ou bens de forma exagerada e sem controle</ref>, julgando eterna a aura da felicidade, não soube tirar proveito de riquezas, que a final forão causa de sua desgraça. Mineiro sempre feliz e ousado, embora as vicissitudes<ref>sequência de mudanças</ref> e revezes de
mineração, que a outrem intimidarião, arriscava-se nas emprezas
as mais diíficeis, só confiado na sua estrella bem fadada.
No anno de 1735, logo depois do ''descoberto'' das minas ricas
de Goyaz, foi elle residir em Villa Boa ([[w:pt:Goiás (município)|cidade de Goyaz]]), Ahi
teve começo a sua fortuna. Dotado, porém, de caracter fogoso e
facilmente irritável, no anno de 1744 comprometteu-se em desavenças, que ali houve entre os cobradores dos quintos e o povo,
cuja causa abraçara com seus irmãos; por esta razão retirárão-se
para [[w:pt:Paracatu|Paracatú]], cujas minas acabavão de ser descobertas. N'aquelles tempos, quando os sediciosos<ref>alguém que provoca, incita ou participa de uma revolta ou rebelião contra a autoridade</ref> retiravão-se do lugar da discórdia, tudo ficava esquecido: não se tratava mais de perseguil-os.
Em Paracatú Felisberto Caldeira Brant tirou na mineração
uma riqueza fabulosa: cada um de seus trabalhadores dava-lhe diariamente dezesete oitavas de ouro. Mas seu gênio aventureiro ainda
não estava satisfeito. Ambicionou maiores riquezas, e veio para o
Tijuco arrematar o terceiro contrato dos diamantes.
O contratador arrematou a extracção dos diamantes, por tempo
de quatro annos, com seiscentos escravos, mediante a capitação
annual de 220$000 por cada um, com as mesmas condições dos
contratos anteriores; devendo porém quatrocentos trabalhar no
districto demarcado da comarca do Serro Frio e duzentos no novo
descoberto diamantino de Goyaz. Para o lavor da estação da secca
forão-lhe designados o leito e gupiaras<ref>camadas de cascalho encontradas nas encostas de morros</ref> do Jequitinhonha da lavra
do Mato para baixo, o rio das Pedras e ribeirão do Inferno; e
na estação das aguas poderia trabalhar nos corregos, gupiaras e
terras visinhas, que lhe fossem demarcados pelo intendente. A
demarcação feita por este foi a seguinte: « Da casa de Pedro
Joaquim de Azevedo, cortando direito á passagem do rio das Pedras, na estrada que vai d’este arraial ao Caetémerim, entrando os<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
cc8rjzzok5j76ianuyemgcgr7jgqybl
Página:Memórias do districto diamantino da comarca do Sêrro Frio, Província de Minas Geraes.pdf/80
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<noinclude><pagequality level="1" user="Túllio F" />{{c|— 76 —}}</noinclude>corregos da Sentinella e do Mondego; e da dita passagem até o
corrego dos Caldeirões com todas as suas vertentes e cabeceiras do
lado de cima, por se julgar esta passagem a de mais conveniente
concessão, não só por ser a mais contigua aos corregos lavrados, mas por ser mais perigosa de negros fugidos e esbalhadores,
e por não se concederem alguns corregos para a parte da Govea,
os quaes, como o ribeirão, podem ser uteis aos futuros contratos ».
Durante o terceiro contrato o arraial do Tijuco teve grande
augmento em população, commercio e riqueza. Felisberto Caldeira
Brant não perseguia os garimpeiros como seus antecessores, e parecia tolerar o contrabando, com quanto da punição d'estes crimes
lhe podesse resultar grande proveito com o confisco dos bens dos
condemnados. Assim nos primeiros annos d'este contrato o contrabando foi frequente, e algumas vezes se fez com o maior escandalo, quasi publicamente: diz-se mesmo, que o contratador
o animava sendo o primeiro a dar o exemplo. Accrescia que uma
enfermidade grave e prolongada que soffreu o intendente Placido
de Almeida Moutoso nos ultimos annos de sua vida, e de que
falleceu em 1747, e impossibilitava de dar toda a attenção ao
desempenho dos deveres do seu cargo. Seu successor, nomeado
interinamente, o dr. Francisco Moreira de Mattos, que juntamente
servia o cargo de ouvidor-geral da villa do Principe, era um magistrado inepto, já idoso e valetudinario (*). Este estado de cousas ainda acoroçoava<ref>animava, encorajava</ref> os contrabandistas, certos da pouca vigilancia ou quasi complicidade do contratador. E certo, porém, que depois, mesmo durante este contrato, como veremos, forão esses abusos cohibidos por ordens mais severas e oppressivas.
<sub>(*) Em uma carta escripta por Gomes Freire de Andrade em 1751 ao
intendente Sancho de Andrade Castro e Lanções, queixando-se dos abusos
havidos nos annos anteriores, diz: Sou informado das inobservancias de
muitas de minhas determinações, servindo de desculpa a grave doença e
morte do desembargador Placido de Almeida Moutoso, e a pouca pratica,
enfermidade e falta de exames de seu substituto Francisco Moreira de
Mattos do que e de não andarem as patrulhas e guardas tem resultado
conhecida fraude à real fazenda »,</sub><noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ACO
to defcuido. FERNAND. GALV. Serm. 1, 135, 2 Pera lhe
Deos abrir os olhos e o acordar do fomno profundo, em
que dorme.
Acordar o cão, que eftá dormindo. Ftaf, prov. In-
quietar quem está focegado, provocar quem não contende
comnofco, para nos vir dabi mal. MENOR. DAS PROEZ.
1, 22 Não vi tamanha graça, tornou o roubador, como
virdes vós com effa confiança acordar o cão, que eftd
dormindo. EUFROS. 2, 4 Que he o mefmo que acordar
o cão, que está dormindo. FERR. DE VASc. Ulyffip. 1, I
Maiormente humas graciofas, que foltão defpejos desho-
neltos por acordar o cão, que está dormindo.
de
Adag. Quem acorda o cão, que jaz dormido,
vende paz, compra arroido. HEкN. NUN. Refran. y7 y."
Acordar. Determinar, refolver uniformemente
commum confentimento ou por pluralidade de votos algu
ma coufa. Dizfe particularmente das refoluções affenta-
das nos Tribunaes, Cameras, Juntas, Communidades
&c. GOES, Chr. de D. Man. 3, 53 Tudo bem vifto acordá-
mos, que era muito noffo ferviço fazermos noffo Alcaide ao
dito Audaramam. Leão, Chr. de D. Din. 116 . E lo-
gp fizerão feus compromillos, e os acordárão em o mez
de Maio. ORDEN. DE D. PEDR. I, 71, 3 Os quaes acor-
dos ferão ailinados por aquelles, que os acordarem.
Reg. além dos fobreditos modos: Acordar alg. c.
ou que fe faça alg. c. Acordar fazer ou de fazer alg. c.
LEO, Chr. de D. Din. 114 Acordárão, de fazer da ne-
celidade virtude. Sous. Vid. 1, 19 Acorddrão fundar
Collegio com renda competente.
. Lembrar, trazer d memoria. FR. MARC. Chr. 2, 10.
Cant. 25 O amor porque acordar O bem, que perdi-
do havia. Los. Primiv. 2, 2 Os palfaros . . com fua
melodia acordavio penfamenros de faudade.
Con pron. pelf. Lembrarfe, recordarfe. BERNARD.
RIB. Menin. 2, 6 Cá de dó della não fe pudera acordar
de outra coufa. TENREIR. Itin. 59 E que fe não acorda-
va, que ninguem paffafle aquelle caminho fenio em cá-
filas de muita gente. ORIENT. Lufit. 64 Alli, fe via
bem, fe bem mie acordo &c.
Acordar. Congraçar, reconciliar, ajuftar defavindos.
Leão, Chr. de D. Cin. 118 Sendo, pois, el Rei D Af-
fonfo defcontente por a difcordia, que havia entre fua fi-
lha e nero, querendo acordalos, fe vêo à cidade de Bada-
joz. D. F. MAN. Curt. de Guia, 191 y Quando a dúvida
paffaffe muito adianre entre a mulher e feus parentes e
parentas, e pudeffe fer pública e efcandalofa .obri-
gado feria o marido a interpôrfe em meio e acordar
tudo.
Com pron pe. Porfe de acordo, ajustarfe, concor-
rar ou convir fobre coufa antes controverfa. FERN. LOP.
Chr. de D. I 1, 30 Em qualquer coufa, em que vos To-
dos acordardes, me acordarei eu com vofco. CASTILH. Comm.
1, 2 Vierão depois em pazes forçadas, em quanto fe
não acordavão entre fi. ORDEN. DE D. PEDR. 1, 6, 3
Tanto que dous [Defembargadores ] fe acordarem nas
cuftas, porão &c.
Acordar. Outorgar, conceder. Goes, Chr. de D.
Man. 3, 65 Os [Embaixadores] defpachou fem tomar
conclusão em nenhuma das coufas a que vinhão, por
não trazer com nifsão del Rei pera the acordar outras,
que lhe iá per vezes mandára pedir.
Afinar, temperar, fazer acorde e harmoniofo. Os
inftrumentos muficos. PINT. RIB. Rel. 1, 41 E eftá a
coala chegada a termos, que fe hão os pertendentes
de acordar e temperar como inftrumentos, não ao ou-
vido da virtude, mis aos ouvidos dos com que perten-
dem.
Met. com a particula fe. Conformarse concertar,
convir com outra coufa. Sous. DE MAC. Ev. 1, 17, 83. n. 7
O que não fe acorda bem com a computação dos tempos.
Neutr. Defpertar do fomno, acabar de dormir. CAM.
Luf. 4, 7 Acorda Manoel com grande efpanto. HEIT.
PINT. Dial. 2, 5, 8 Como os que fonhão, que tem as
mãos chèas de ouro, e acordando, achãofe fem nada.
Luc. Vid. 1,7 Acontecêra por vezes acordar de noite.
Reg. de, ou do, e dizfe: Acordar do fomno, de
calgum fonho ou de dormir. CAM. Canç. 15, 6 Ah quem
de fouho tal nunca acordara. FR. MARC. Chr. 1, 7, 8 E
acordou o frade daquelle fomno e visão livre de toda ten-
tação. BRIT. Chr. i 17 Quando acordava de dormir, ou
acabava de comer, fe examinava miudamente. u
Met. FERNAND. GALV. Serm. 2, 66, 4 O cilicio e o
jejum adormentão as concupifcencias, mas com facilida-
de acordão de novo pera nos perfeguir como de primeiro.
A CO
Los. Primav. 2, 4 Acordai cuidados, Que me defper-
raftes.
Acordar ou Acordarfe tarde. Fraf. prov. que fe ac-
commoda ao que he froxo e defcuidado, deixando mal-
lograr a conjuntura e opportunidade de confeguir algu-
ma coufa ou ao que a follicita depois de paffada a boa
occafião. Leão, Defcripç. 60 Baftava ir aquelle homem
ao outro dia ao lugar, que eftava adiante, pois fe acor-
dára tarde.
Acordar. Tornar a feu acordo ou juizo, recobrar o
ufo dos fentidos, que fe bavia perdido ou eftava fufpenfo
por algum accidente. PIN. Chr. de D. Din. 2 E fabendo a
Rainha, que as muitas meizinhas e remedios dos Phifi-
cos lhe nom aproveitavão [a huma fua mulher] ella no
dia de fua paixão a benzeo com o final da cruz, e
aprouve a Deos, que logo acordou, e depois foi fem-
pre em fua vida livre de taes accidentes. MEMOR. DAS
PROEZ. 1, 33 Deshi acudirão a trafpaffada Florifa, lan-
çando-the muita agoa no rofto, com que acordou. MAR-
TYR. Cathec. 1, 55 y Acorda deffa modorra, acabefe effe
frenefis &c.
Deserminar, refolver com outros a execução de algu-
ma coufa. Ces. Summ. 2, 4 Os que experimentão traba-
lhos, acordão com madureza nos negocios. Sous. DE
MAC. Ev. I, 44, 229. n. 15 Todos o Principes acordd-
rão entre fi que fó fe fizelle a fepultura, que lo dez
homens pudeifem lavraŕ em tres dias. CARDOS. Agiol.
1, 144, De rudo je deo conta a Dom Jorge de Al-
meida, Arcebifpo de Lisboa, que com maduro con-
felho acordou fe depofitaflem (as reliquias] no proprio
altar.
{{lema|ACORDE}}. {{catgram|adj. de huma term}}. Harmonico, concorde, pof-
to no ponto ou regra, que lhe convem. Dizfe propriamen-
te na Mufica dos inftrumentos bem temperados, e das
vozes afinadas e que fe ajuftão bem ao tom, que can-
táo. M. THOM. Fen. 8, 18 Cujos acordes fons, cuja har-
monia Coufa do céo na terra parecia. BARRET. Eneld.
8, 173 E mufica de acordes inftrumentos. M. BERN, Me-
dit. 13 Cantaremos com vozes acordes.
{{lema|ACORDEMENTE}}. adv. mod. Harmonicamente, fuavemen-
dre, com-melodia. CAM. Canç. 15, z Mil fuaves Paffa-
rinhos Nos raminhos Acordemente estão fempre can-
tando.
{{lema|ACORDO}}. s. m. Déterminação ou refolução uniforme e de
commum confenfo, ou por pluralidade de votos a refpeito
de coufa controverfa. Dizfe particularmenre das Juntas dos
Miniltros Reaes, das Relações, Cameras, Communi-
dades &c. FERN, LOP. Chr. de D. J. I. 2, 172 Sahirom
delle Confelho dous bem maftigados acordos. AKR.
Dial. 3, 11 Acordos do Senado. Luc. Vid. 4, 12 Vistos
os autos do cafo em Relação, por acordo della foi Jor-
dão de Freitas mandado trazer em ferros á India.
Reflexão, attenta confideração, maduro confelho na
determinação de alguma coufa. FERR. DE VASC. Ulyflip.
Prol. Donde podeis eftimar o bom acordo do Autor. Sous.
Vid. 1, 6 Náo he pera defprezar a voz do povo, que
muitas vezes faz melhores eleições, ainda que pareção
feitas a montão, do que são as dos Principes com mui-
to acordo, e confelheiros. SOAR. DE BRIT. Apolog. 4, 7
Subir Camões el Rei Dom Manoel fem guia foi feito
com muito acordo e particular confideração.
Verb. Entrar em... comfigo. (tomar feu confelho)
M. Tном. Un. 1, 13. Eftar de... a fazer ou para
fazer alg. c. (acharfe determinado ou refoluto a executa-
la) Paiv. Serm. 1, 117 . Eftar de ... ou do mefmo
...com alg. (conformarfe com o feu parccer a refpeito
de alg. c.) FERNAND. GALV. Serm. 3, 299, 2. S. MAR.
Chr. 1, 2, 15. n. 1. Ficar de (ficar certo ou na re-
folução de alg. c.) Sous. Vid. 1 24 em alg. c. BRIT.
Ch. 4, 10. Haverem alguns feu (tomarem fua re-
folução, precedendo confulta ou conferencia) SA' DE MIR.
Eftrang. 5, 68. entre fi. (o mefino) Pix. Chr. de D.
Aff. II. 4. Ser de . . . com alg. (ferlhe conforme em al-
gum dictame ou parecer) PIN. Chr. de D. Aff. II. 5. Serem
alguns de hun... (eftarem concordes fobre a mesma cou-
fa) FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 1, 13. Ter acordos com
alg. BRIT Chr. 5, 3. Tomar. . . abf. MEN. Portug. 1,
: 26. fubre alg. c. PAIV. Serm. 1, 272. Tornarfe a con-
certar no primeiro... BR Chr. 4, 10.
De commum acordo, de hum acordo, por com-
mum acordo. Fórm. adv. Com approvação unanime, por
confentimento de todos. ARR. Dial. 4, 15 Ouvida pelos
Cianenfes a embaixada, de commum acordo lhe mandá-
rão dizer &c, Luc. Vid. 2, 8 Como fe fizerão Chriftãos
por<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ACO
por acordo commum &c. CAMINH. Form. dos Contrat. 4 To-
dos de hum acordo e vontade dizemos &c.
Acordo. Juizo, inteiro conhecimento, boa difpofição
dos orgãos do corpo e potencias da alma, quando éjtão co-
mo acordadas, ifto he, prontas e expertas para as fuas fun-
ções. CAM. Eleg. 3, 3 Que pouco acordo logra hum def-
contente. HEIT. PINT. Dial. 1, 4, 1 Perdião a efperan-
ça com feus pezares tão fem acordo, que o não tinhão
nem pera cuidar no remedio delies. Luc. Vid. 1, 8 Che-
ga o Padre, acha o amigo fem acordo, nem falla.
Epith. Animofo. FERR. DE VASc. Aulegr. 2, 1. A-
vifado. TELL. Hift. 6, 31, 624. Esforçado. PINT. PER.
Hift. 2, 27, 73. Firmie. MERCUR. DE JAN. de 665. Gene-
rofo. CAM. Luf. 3, 79. Grande. FERR. DE VASC. Uly flip.
5, 2. Inteiro. PIN. Chr. de D. Aff. III. 16. Máo. FERR.
DE VASC. Ulyflip. 5, 8. Singular. FREIR. Vid. 1, 55. So-
berano. ACAD. DOS SING. 1, 7. Decim.
Verb. Dar... de alg. c. ou para fazer alg. c.
(advertila ou fazer reparo nella) GOES, Chr. de D. Man.
37. FERNAND. Palm., 3, 5. Não dar... de fi, ou
nenhum de fi (perder o ufo dos fentidos, ficando em
eftado de não poder formar juizo das cousas) Sous. Hift 1,
2, 20. ORIENT. Lufit. 103. Não fe dar com alg. c.
Das peffoas, que fe defatinão com ella. Goes, Chr. de
D. Man. 3, 35 Nenhum dos que ahi eftava, fe pôde dar
acordo com ellas [abelhas] a fazer alg. c. ARAUJ.
Succeff. 1, 13 E o fazia de forte, que não fabiáo os
Gallegos darfe acordo a que parte acudirião. Entrar em
feu... (recobrar o ufo dos fentidos e conhecimento das
coufas, perdido antes por algum accidente) SA' DE MIR.
Eftrang. 3, 56 . Eftar em feu... (acharfe em feu perfei-
to juizo ,
e com inteiro conbecimento das cousas) CONST
DO PORT. 24. Metter alg. em... (fazelo cabir na razão)
CASTANH. Hift. 2, 124. Perder ... FERR. DE VASC.
Aulegr. 1, 8. CAM. Luf. 3, 79. Reftituir alg. em feu...
BRIT. Chr. 3, 15. Ter... em alg. c. (ter advertencia
ou reflexão a feu refpeito) FERR. DE VASC. Ulyffip. 5, 2.
de ou para fazer alg. c. Goes, Chr. de D. Man.
3, 7. HEIT. PINT. Dial. I, 2, 5. Tirar alg. de feu...
GUERREIR. Rel. I, 2, 12. Tornar alg. em...(reco-
brar o ufo dos fentidos) VID. DE SUS. 34. (fazerlhe
recobrar o animo e alento) VID. DE SUS. 28. Tornar a
feu... ou em fes... (o mefimo que entrar em feu...).
CART. DE JAP. 2, 116, 4. FERNAND. Palm. 3986. Tor
nar alg. em feu... (fazelo cabir no conhecimento do er-
To commettido, e cobrar a perdida razão) PAIv. Serm.,
147 . Trazer alg. em...(fazelo cumprir o que deve
fazer) PAIV. Serm. 1, 129 V.
Acordo. dos ou nos fentidos Estado, em que eftes
fe achão, quando perfeiramente excrcem as fuas funções.
Luc. Vid. 33 Aqui derão os infieis na hora, que o
Santo eftava de joelhos ao pé de huma Cruz... fem
nenhum acordo nos fentidos. S. MAR. Chr. 2, 7, 8. n. 6
Depois difto recebeo a Extrema Unção com
do dos fentidos.
n grande acor
Acordo. Concordia reconciliação de pessoas antes
defavindas. Goes, Chr. de D. Man. 2, 27 Moley Zeyão
. por já estar de acordo com os da cidade &c. CAS-
TILH. Elog. 293 Offerecendo o Infante D. Luiz feu irmão
para trarar efte acordo. Leão, Chr. de D. Aff. V. 2 Ef-
tando a Rainha mui contente do acordo, que com o In-
fanre fizera.
Cantar de açordo. Mufic. Cantar com acompanha-
mento de inftrumentos ou de outras vozes. FERNAND. GALV.
Serm. 2, 39, 4 Já cu vi cantar, de acordo e de concer-
tado, e fazeremfe pera iffo muitos enfaios primeiro que
as vozes venhão, a ponto.
{{lema|ACORO}}. s. m. Certa raiz aromatica de huma planta gra
minca do mefmo nome. He denominada Linneo A-
por
corus calamus, e diftribuida na Hexandria Monogynia
do feu Syftema dos Vegetaes. As folhas defta planta
são fittaccas, e agradavelmente cheirofas ; as fuas flo-
res, ou flofculos eftão difpoftos apertadamente em huma
pequena maçatoca de carolim roliço, tem as corollas
nuas e com feis petalas o feu piftillo não tem efty-
lete, e o feu fructo be huma capfula triangular de tres
cellulas. He natural da Europa temperada, e denomi-
nada Calamus aromaticus pelos Boticarios, nome tambem
dado às fuas raizes, que to compridas, da groffura do
dedo minimo, compreffas com rifcos longitudinaes, e
tranfverfaes, tuberculofas, avermelhadas por fóra, quan-
do feccas, por dentro brancas e fungofas, quebradiças
e doradas de cheiro aromatico agradavel, e de fabor
amargo e picante. No Brazil, India, c China Septen-
A CO
trional ha hum Acoro, cujas raizes tem o cheiro mais
agradavel, do que o Acoro da Europa, e o fabor me-
nos amargofo e menos acre; efte Acoro, como-tam-
bem as fuas raizes, tem entre os Boticarios o nome de
Acoro verdadeiro (Acorus verus) por fe prefumir fer o ver-
dadeiro Acoro dos Antigos;. mas o nome de verdadeiro
Acoro, fegundo os Boticarios modernos, compete.com
propriedade a hum e outro, porque ambos são da mef-
ma efpecie, não fendo o fegundo mais do que huma
variedade do primeiro, ifto he, do de Europa, o qual
por. confeguinte não merece o nome de Acoro falfo ou
baftardo que he huma planta efpecificamente diverfa.
O Acoro falfo he huma planta, a que alguns dos nof-
fos herbolarios chamão Lirio amarello dos charcos, e
Linneo Iris pfeudo-acorus, o qual pertence á Triandria
Monogynia do Syftema defte Botanico tem as folhas
elpadaneas, a corolla fobrepofta ao germe, de feis pe-
talas amarellas, e defiguaes, as tres menores alterna-
das com as maiores, todas imberbes; o feu eftylete he
muito curto e terminado em tres eftigmas petaliformes,
e maiores do que as tres petalas inferiores altemas. Dá-
fe nos lugares encharcadiços e lagoas ; florece na pri-
mavera. MORAT. Pratic. I, 5, 1 A conferva feita de fe-
mente de abrotea', da bretonica, do acoro, &c. GRISL.
Defeng, 3, 2 Acoro, Acorum, Calamus aromaticus nas
boticas, quente e fecco no terceiro gráo. CURV. Atal.
222 Acoro, moftarda, pimenta longa, e gengibre, de
cada coufa deftas duas oitavas.
{{lema|ACOROÇOADO, A}}. p. p. de Acotoçoar BLUT. Vocab.
{{lema|ACOROÇOAR}}. v. a. Animar, alentar, esforçar. De Co-
rocom, antiq. coração. BLUT. Vocab.
{{lema|ACORRER}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Acorrer.
{{lema|ACOSO, A}}. adj. antiq..
{{lema|ACOSIDADE}}. s. f. antiq.
Vej. Aquof.
{{lema|ACOSSAR}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Acoçar.
{{lema|ACOSTADO, A}}. p. p. de Acoftar. ESTAÇ. Antig. 50,
5. BRIT. Mon. 1, 1. c. 25. Sous. Hift. 1, 5, 17.
Ufafe como adj. Que recebe acoftamento, foldo ou
eftipendio. Sous, Vid. 6, 12 Logo leguia outro nume-
ro infinito de cantotes acoffados á capella da Sé de Braga.
Acoftado a alguem. fubft. antiq. O que he adhe-
rente ou apaniguado de outro, por affecto ou parentefco.
ORDEN, DE D. MAN. 1, 5 Peto fe elle houver informa-
ção, que os ditos malfeitores são taes peffoas, ou acof-
tados a taes, que razoadamente os Juizes dos ditos iu-
gares nom pofsáo delles fazer comprimento de direito,
em. tal cafo commetteloshão aos Corregedores das Co-
marcas. Leño, Chr. de D. Sanch. II. 71 y. E quan-
do morreo, o acompanhavão oito ricos homens com DCC.
fidalgos de grá marca, que erão todos feus acoftados e
parentes.
{{lema|ACOSTAMENTO}}. s. m. antiq. Cadeira ou leito de fe en-
coftar. FERN. Lor. Chr. de D. J.I. 2, 5 EIRei cançado
de feu grande trabalho, lançoule por defcançar fobre
hum refece acoftamento, aguardando por alguma befta,
em que cavalgaffe.
Milic. ant. Moradia, foldo ou eftipendio, que fe
dava aos que fervião el Rei ou algum Senhor, ou feguido
o feu partido, principalmente na guerra. Leir. D'ANDRAD.
Mifc. 18, 540 Quando começavão eftas moradías, que
antes chamavão acoftamento. BRIT. Mon. 1, 3. tit. I
Mandou defpedir toda a gente de guerra, fenão foi al-
guma pouca, que o acompanhara de Creta, a quem pa-
gou alguns acoftamentos: CoUT. Dec. 6, 1, 1 Mandou
el Rei pelo Governador alvatá de fidalgo de fua cafa a
Coge Čemaçadim com grande acoftamento. dy
Dizfe tambem das pensões civís. ORDEN. DE D.
MAN. 1, 61 E defendemos a todos os Tabelliães de nof-
fos Reinos e Senhorios, que não recebão tença, nem
acoftamento de nenhum fidalgo. dre
{{lema|ACOSTAR}}. v. a. ant. Encoftar, arrimar. Do Lat. barb.
Accoftare ou Acoftare, que fe formou de ad cofta. Reg.
a ou em alg. c. F. Arv. Inform, of Mandou então, que
acoftaffem os fombreiros no chão contra o Sol. BARR.
Dec. 3, 7, 4 Até humas efcadas, que quizerão acoftar á
noffa fortaleza &c LEão, Chr. de D. J. I. 73 Da bafti-
da fahírão homens com groffos pãos, que acoftavão ao
muro.
Ajuntar, annexar, unir. Dizfe particularmente dos
efcritos e inftrumentos judiciaes, que por appenfo ſe
ajuntão aos autos. ANDRAD. Chr. 2 69 E o Governa-
dor no confelho tomou os efcriros de todos, de que o
Secretario fez hum auto pubrico, a que os acofton: RE-
GIM. DEVOR. 4, 149 E fera entregue [a certidão] ao<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: efcrivão dos autos, que a acostará a elles. S. MAR. Chr. 2, 11., 32. n. 8 Os quaes [papeis antigos] o Bifpo man- dou tresladar por dous Notarios, e os acoftou ao fobre- dito teftemunho. Neutr, Marinh. Arrimarfe a alguma coufa. AчBvQ. Comm. 2, 36 E porque a agoa do monte corria muito, e o vento acalmou, acoftou o navio a hum baixo, on- de fe perdeo. Mer. Conformarfe, feguir ou abraçar algum partido ou parecer. PAIV. D'ANDRAD. Exam. 8,...
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efcrivão dos autos, que a acostará a elles. S. MAR. Chr.
2, 11., 32. n. 8 Os quaes [papeis antigos] o Bifpo man-
dou tresladar por dous Notarios, e os acoftou ao fobre-
dito teftemunho.
Neutr, Marinh. Arrimarfe a alguma coufa. AчBvQ.
Comm. 2, 36 E porque a agoa do monte corria muito,
e o vento acalmou, acoftou o navio a hum baixo, on-
de fe perdeo.
Mer. Conformarfe, feguir ou abraçar algum partido
ou parecer. PAIV. D'ANDRAD. Exam. 8, 74 Caió Sempro-
nio na divisão de Italia, com quem diz que acofta Sem-.
pronio na vida de Romulo. L. Arv. Amor, 1 Que Achi-
tophel acofte a Abfalão, e a Adonias Joab... he que
advertirão, que &c.
Com pron. peff. Deitarfe ou metterfe na cama, re-
coftarfe para dormir ou por enfermidade. GaLv. Chr. 15
Então acoftoufe e adormeceo. A. DE VASC. Anj. 2, 53.
part. 9. p. 458 O Abbade Dacriano ... aconselha, que
todas as vezes, que nos acoftamos, façamos oração a
Deos. S. ANN. Chr. I, 11, 72 Chegou a Alva vefpera
de S. Mattheus, vinte de Setembro, tão falta de fau-
de, e fraca, por não ter comido, que a obrigarão as
Religiofas a acoftarfe logo.
Met. Acoftarfe a alguem ou a alguma coufa. Con-
formarfelbe feguindo ou abraçando o feu parecer ou parti-
do. BARR. Dec. 4, 2, 2 Ficava muito d'avantajem a par-
te, a que elle fe acostava. ARR. Dial. 5, 13. Os outros
ou por refpeito ou por vergonha, ou por pufillaniuri-
dade fe lhes acoftão e conchegáo. VIEIR. Serm. 1, 7, 1.
col. 462 A eftes ultimos me hei de acoftar hoje.
Tambem fe rege com alg. ou alg..c. BRIT. Mon.
1, 1. tit. 5 Acoftandofe com o parecer dos Padres Santos
e Concilios. Chr. 3, 1 Acoftandofe com os que logo
querião morrer ou vencer. PAI v. p'ANDRAD. Exam. 8, 76
É na verdade, que ainda eu não vi modo mais novo de
fe acoftarem os Autores, do que he efte de Plutarcho
com Sempronio, dos quaes affirma a Monarchia, que fe
acoftão ou conformão nos pareceres..
Met. Acoftarfe, em alguma coufa. Fundarfe on ef-
tribarfe nella. BRIT. Mon. I, 1. c. 27. He neceffario a
quem efcreve ir rompendo por mil difficuldades, acof-
tandofe na fé de algumas autoridades.
Milic. ant. Acoftarfe a alguem. Receber delle acof-
tamento, moradia, foldo ou eftipendio para o fervir
principalmente na guerra. Leio, Defcripç. 86 E por lei
del Rei D. Fernando era defefo o creado, que fervio ao
Senhor na paz, acoftarfe a outro no tempo da guerra.
CARDOS. Agiol. 3, 39 Se acoftou [Guilherme Arnáo] do
Infante D. Pedro.
....Tambem fe diz por qualquer outro ferviço, e até
mefmo do particular ou domeftico. ORDEN. DE D. MAN.
1, 60 E defendemos a todos os Tabelliães de nollos
Reinos e Senhorios, que nom recebão tença, nem acof-
tamento de nenhuns fidalgos, nem fe acostem a elles,
nem recebão delles quitas das pensões. Ros. Vid. 1, 52,
4 Determinou . . . deixar a Corte, e fe acoftar, e dar
por familiar a Theobaldo, Arcebispo de Cantuaria.
Marinh. Acoftarfe à terra. Navegar ou ir a embar-
cação terra, terra, ou junto à cofta. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOSTUMADAMENTE}}. adv.mod. ant. e pouc. uf. Segundo
oo coftume. GOES, Chr. de D. Man. 1, 78 Por acoftumada-
mente entrarem por aquella banda, quando fazião guerra.
{{lema|ACOSTUMADO, A}}. p. p. de Acoftumar. MoR. Palm.
19. CAM. Luf. 3, 10. ARR. Dial. 3, 15.
Subft. FR. G. DA SILV. Vid. 1, 23 Acontec eo que
huma vez fe alevantárão ás matinas mais fóra do acof-
tumado. BRIT. Chr. 3, 27 Lhe diffe, que fe não aggra-
vaffe de o ver tibio em fuas ccufas, e menos prompto
na refolução dellas do acoftumado, porque &c.
Bem ou mal acoftumado. Bem ou mal morigera-
do, que tem bons ou máos coftumes. CRUZ, Poes. Ecl. 5 A
terra já não fei como fuftenta Táo depravada gente, tão
maligna, Táo mal acostumada, tão praguenta. Cour.
Dec. 5, 4, 11, Como diffe el Rei Antigono áquelle man-
cebo mal acoftumado. So us. Hift. 1, 3, 8 Hum Antonio
João, official de pedreiro conhecido por homem bem
acoftumado.
{{lema|ACOSTUMAR}}. v. a. Fazer que alguem fe habitue a algu-
ma coufa, e nella ganbe coftume. JER. CARDOS. Dict. BAR-
BOS. Dict. BENT: PER. Thes.
cinq
Ufafe commummente com pron. peff. Fazer ou ac-
quirir coftume, porfe no coftume. Reg. dbf. ou a alg. c.
CRUZ, Poes. Ecl. 7 Acoftumeime de huma e outra banda
A repoufar de noite na cortiça. PRIM, E HONR. 43 7
A CO
Deve todo o foldado na paz acoftumarfe a ella [elpin-
garda Sous. Hift. 1, 5, 38 São os officios das novas
profeffas na Religião, os mais trabalhofos, que nella hå
pera fe acoftumarem bem.
Neutr. Ter coftume ou por coftume. GOES, Chr. de
D. Man. I, I Logo elRei efcrevco a todalas cidades e
villas, que ufaffem feus bons fóros e coftumes, como
o atélli acoftumavão fazer. FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 8,4
E em quanto por ella. [porta pafsão, os feus miniftros
não hão de ir bradando como acoftumão, mas pafsão
fem pompa e callados. A. GALV. Tr. 39 Onde vimos
efcravos ferrados, como nós acoftumamos.
{{lema|ACOTADO, A}}. p. p. de Acotar. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOTAR}}. v. a. ant. Vej. Cotar. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOTE}}. adv. {{Uso|vulg}}. Todos os dias, a ufo. BLUT. Vocab.
· Suppl.
{{lema|ACOTICADO, A}}. adj. Armar. Que tem coticas, ifto be;
bandas eftreitas. VILL. BOAS, Nobiliarch. 28 Tem por
armas em campo verde huma banda vermelha acoticada
de ouro. FR. LEO, Bened. 2, 2. Append. Huma banda
vermelha acoticada d'ouro. CARV. Corogr. 2, 2, 2. c. 4
Tres peças em faxa, e cinco em palla, e as peças ver-
melhas acoticadas com duas faxas de prata.
{{lema|ACOTOVELADO, A}}. p. p. de Acotovelar. BENT. PER.
Thes.
Dizfe a refpeito de hum certo geniero de fuppli-
cio. ALBUQ. Comm. 3, 18 Em Malaca havia diverfas
maneiras de justiça , fegundo a qualidade do crime :
huns efpetados, outros acotovelados nos peitos delles
enforcados, &c.
{{lema|ACOTOVELAR}}. v. a. Tocar com o cotovelo, principal men-
te para fazer final. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict.
BENT. PER. Thes.
Ufafe commummente com pron. peff. FERR. DE
VASC. Ulyffip. 4, 7 Alli fe acotovelão a cada efpirro do
prégador. MEND. PINT. Peregr. 207 Pelo que todos ou
quali todos, quando ouvião ifto, fe acotovelavão huns
com os outros com rifinhos e palavras retorcidas. Luc.
Vid. 5, 16 Refpondião, acotovelandofe, aquillo, que di-
zem: Deffes e dos ungidos. U
dar.
{{lema|ACOVARDAR}}. v. a. e os feus derivados. Vej. Acobar-
{{lema|ACOUCEADO, A}}. p. p. de Acoucear. BENT. PER.
Thes.
{{lema|ACOUCEADOR, ORA}}. adj. ant. Que acoucea. JER. CAR-
Dos. Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOUCEADOR}}. s. m. ant. O que acoucca. JER, CARDOS.
Dict.
{{lema|ACOUCEAMENTO}}. s. m. ant. Acção de acoucear. JER.
CARDOS. Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOUCEAR}}. v. a. ant. Dar ou atirar couces. JER. CAR-
Dos. Dict. BENT. PER. Thes..
Met. FR. SIM. COELH. Chr. 2, 10, 143 Hum po-
derfe o homem vingar das cobiças, que o acouceárão.
GRAN. Comp. 2, 19 Então ferás muito mais vencido,
fendo acouceado da ira.
Calcar ou pizar aos pés. JER. CARDOS. Dict. BENT.
PER. Thes.
{{lema|ACOUDELAR}}. v. a. antiq. O mesmo que Acaudilhar. Prov.
DA HIST. GEN. 3, 4, 161. p. 395 A poder de acoudelar
os almocadens e almogaraves, e quaefquer outros afli
&c.
{{lema|ACOUTADO, A}}. p. p. de Acoutar. ORDEN. DE D. MAN.
I, 20. CONST. DO PORT. 89 y. F. DE MENDOÇ. Serm. 2,
78, 4.
Antiq. O mesmo que Cotado. JER. CARDOS. Dict.
BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOUTADOR}}. s. m. O que aconta. BLUT. Vocab. S
Antiq. O mefimo que Cenfor. JER. CAREOS, Dict.
BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOUTAMENTO}}. s. m. antiq. O mesmo que Cota ou Cen-
fura. JER. CARDOS, Dict. BENT. PER. Thes.
{{lema|ACOUTAR}}. v. a. pouc. uſ. Dar couto e afilo, principal-
mente contra as pefquizas e forças de juftica. Leão, Re-
port. 2 Acoutar não deve nenhum Senhor malfeitores em
cafa ou em bairro. Los. Defeng. to Tambem fervem
[os noffos montes] de acoutar aos perfeguidos.
Ufafe commummente com pron. peff. Refugiarfe em
couto ou lugar de afilo. Reg abf. ou a alg. lugar. OR-
DEN. DE D. MAN. 2, 4 Se o fervo, ainda que feja Chrif-
tão, fugir a feu fenhor pera a Igreja, acontandofe a
ella, por fe livrar da fervidão, em que he pofto, nom
ferá por ella defefo. SA' DE MIR. Vilhalp. 4, 3 Que fa-
rei, onde me acontarci F. DE MENDOÇ. Serm. 2; 369,4
Quem<noinclude></noinclude>
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