Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.14 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Hino do município de Belford Roxo 0 8460 558024 554448 2026-08-06T02:50:36Z KaiqueE 43504 Correção da palavra "querida" pra "vivida" . 558024 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Velho Brejo (novo hino da Prefeitura de [[w:Belford Roxo|Belford Roxo]]) |letra e melodia: Dinoel Sampaio e Sérgio Fonseca |notas= Aprovado em sessão histórica da Câmara Municipal de Belford Roxo, no dia 10 de janeiro de 2026, a mudança do brasão e do hino da cidade, procurando representar um marco importante na história do município e buscando fortalecer a identidade de sentimento de pertencimento dos moradores. O hino foi reescrito mantendo a essência da antiga canção "Velho Brejo", mas com adaptações que o tornam mais moderna e representativa da realidade atual de Belford Roxo. }} (Repetir 2 vezes) <poem> Belford Roxo, Belford Roxo! Onde o sol sempre nasceu sorrindo Como invejo a tua gente Essa gente tão vivida, Tão guerreira e tão valente. Essa gente que progride, Que trabalha, que estuda Essa gente que decide O que é bom para o lugar. Que trabalha e não muda Na luta, não se divide Belford Roxo em sua arte Sou parte da tua parte, Sou vida da sua vida. A canoa dos baixios, De teus rios de outros cais, Terra boa de outras eras, Primavera, laranjais. Teu destino, tua história, Na memória dos avós, Faz o hino que te oferto Céu aberto sobre nós. Faz o hino que te oferto Céu aberto sobre nós. </poem> [[Categoria:Hinos do Rio de Janeiro|Belford Roxo]] 02cfrcwzc1l1e4e1w8azci5ak0sgkvb 558025 558024 2026-08-06T02:52:43Z KaiqueE 43504 /* */ 558025 wikitext text/x-wiki {{hino |obra= Hino de [[w:Belford Roxo|Belford Roxo]] (inspirado no antigo "Velho Brejo) |letra= |melodia= |notas= Aprovado em sessão histórica da Câmara Municipal de Belford Roxo, no dia 10 de janeiro de 2026, a mudança do brasão e do hino da cidade, procurando representar um marco importante na história do município e buscando fortalecer a identidade de sentimento de pertencimento dos moradores. O hino foi reescrito mantendo a essência da antiga canção "Velho Brejo", mas com adaptações que o tornam mais moderna e representativa da realidade atual de Belford Roxo. }} (Repetir 2 vezes) <poem> Belford Roxo, Belford Roxo! Onde o sol sempre nasceu sorrindo Como invejo a tua gente Essa gente tão vivida, Tão guerreira e tão valente. Essa gente que progride, Que trabalha, que estuda Essa gente que decide O que é bom para o lugar. Que trabalha e não muda Na luta, não se divide Belford Roxo em sua arte Sou parte da tua parte, Sou vida da sua vida. A canoa dos baixios, De teus rios de outros cais, Terra boa de outras eras, Primavera, laranjais. Teu destino, tua história, Na memória dos avós, Faz o hino que te oferto Céu aberto sobre nós. Faz o hino que te oferto Céu aberto sobre nós. </poem> [[Categoria:Hinos do Rio de Janeiro|Belford Roxo]] dx1zoegglfab6rgotac6kgdlhw455z1 Predefinição:Novidades no acervo 10 140260 557998 557914 2026-08-05T23:48:26Z BlitzkriegBoop 37692 Adicionado livro de Diana de Liz 557998 wikitext text/x-wiki <!-- Favor, não adicionar hinos. Adicione apenas obras que tiverem sido 100% transcritas (mas não precisam estar 100% validadas). Máximo de 8 obras. Adicione as novas no topo, abaixo do mês em que foram adicionadas, e realoque as de baixo para o arquivo abaixo. --> <!--Agosto 2026--> {{Novidade|Memórias duma Mulher da Época|mostrar=Memorias duma mulher da epoca|Diana de Liz|1932|imagem=Diana de Liz - Memorias duma mulher da epoca.pdf{{!}}page=1}} {{clear}} {{Novidade|A Fada Loira|mostrar=A Fada Loira|Maria O'Neill|1917|imagem=Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf{{!}}page=1}} {{clear}} {{Novidade|Suspiros poéticos e saudades (1865)|mostrar=Suspiros poéticos e saudades|Gonçalves de Magalhães|1865|imagem=Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu{{!}}page=9}} {{clear}} <!--Julho 2026--> {{Novidade|Da Terra á Lua|Júlio Verne|tradutor=Henrique de Macedo|1874|imagem=Da Terra á Lua.pdf{{!}}page=3}} {{clear}} <!--Junho 2026--> {{Novidade|Narizinho Arrebitado (1ª edição)|Monteiro Lobato|1921|imagem=Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf{{!}}page=1|mostrar=Narizinho Arrebitado}} {{clear}} {{Novidade|Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação/Volume 21/O Legado de Aaron Swartz|Fabiano Couto Corrêa da Silva|2023|imagem=O Legado de Aaron Swartz.pdf{{!}}page=1|mostrar=O Legado de Aaron Swartz|nowiki=yes}} {{clear}} {{Novidade|Revista Archai/Volume 34/Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|[[Autor:Platão|Platão]]|2024|imagem=Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão.pdf{{!}}page=1|mostrar=Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|tradutor=Fernanda Israel Pio, Gabriele Cornelli e Agatha Pitombo Bacelari|nowiki=yes}} {{clear}} {{Novidade|Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|Charles Darwin|1903|imagem=Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf{{!}}page=214|mostrar=O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|tradutor=Alfredo de Carvalho}} {{clear}} <noinclude> ==Arquivo de 2026== {{Novidade|O Cruzeiro (Revista)/Ano I/Nº I/10 de novembro de 1928/A Éra das Forças Hydraulicas|Ferdinando Labouriau|1928|imagem=O Cruzeiro (1928 - 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Quando se fala em atenção ás explicações do professor, nenhum lhe leva a palma no modo por que sabe escutar, tirar apontamentos úteis com método e serenidade, demonstrando pelos seus actos e modos que o tempo que se gasta com êle não é perdido, antes pelo contrário. A sua carteira é um modelo de arranjo, e não ha memória de que êle vá para o recreio {{hífen|dei|deixando}}<noinclude></noinclude> me6k8jljrtjmk4otxnporsk9rcz6lbv Para Divertir 0 236052 558064 557362 2026-08-06T11:22:19Z BlitzkriegBoop 37692 558064 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para Divertir.pdf" header=1 /> [[Categoria:Maria O'Neill]] [[Categoria:Para Divertir| ]] osaill505jfh8zwu1v5ewzzndxj59ay Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/8 106 236055 558068 503756 2026-08-06T11:27:21Z BlitzkriegBoop 37692 558068 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|6|{{uc|Para Divertir}}|}} {{rule}}</noinclude>{{hífen-fim|xando|deixando}} qualquer livro ou objecto de estudo fóra do seu lugar. Junto dêle, quiz a sorte que ficasse um pobre rapaz, tão bom como êle, mas cuja inteligência em nada se parecia com a sua. Muito desejoso de aprender, Pedro abria grandes olhos procurando entender quanto o professor explicava; mas era em vão! A sua pobre cabeça não era feita para o estudo. Ás vezes, quando as aulas terminavam, Pedro retirava-se sósinho e de cabeça baixa, sentindo uma grande mágua por não ter percebido cousa alguma e receiar ter de dar lição no dia seguinte. Uma tarde, o professor chamou-o á pedra. Éle ergueu-se, tremendo, e a tremer pegou no giz. Não fez nem disse senão asneiras, e o professor mandou-o sentar, depois de lhe ter passado uma forte repreensão. O pequeno, muito envergonhado, corado até ás orelhas, retomou o seu lugar com as lágrimas nos olhos, enquanto os condiscípulos o seguiam com olhar zombeteiro e um sorriso de troca. António, porém, não se riu. Em vez de fazer côro com os companheiros, pediu ao professor para lhe izer uma cousa. Autorizado a isso, afirmou-lhe: ― O Pedro estudou, que eu vi; mas está doente, e é por isso que não deu bôa conta de si. Se V. Ex.{{sup|a}} o chamar ámanhã, ou em outro qualquer dia, verá que êle sabe a lição. O professor fitou com simpatia o seu melhor aluno e volveu-lhe com brandura: {{nop}}<noinclude></noinclude> i3tia7fkpmtjz7mob87jsgkoyr6u5pt Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/9 106 236056 558067 503758 2026-08-06T11:26:14Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558067 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para Divertir}}|7}} {{rule}}</noinclude>Dou-lhe os parabens pelo seu procedimento, menino. Era o António, de todos os meus discípulos, o que tinha mais direito de rir por ser o que melhor pode avaliar as tolices que êle disse, e, em vez de o fazer, desculpa-o... embora êle o não mereça. Êsse {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|Não fez nem disse senão asneiras. (Pag. 6)}} {{page break|label=}} acto de bôa camaradagem eleva-o muito na minha opinião acima dêstes senhores, que só acham risos de escárnio para celebrar a triste figura do seu condiscipulo, figura que não estão livres de fazer por sua vez e os vexará por seu turno. Quando as aulas acabaram, António enfiou o seu braço no de Pedro e, saíndo com êle, perguntou-lhe:<noinclude></noinclude> cbqh6r7lyytwc01suxufyq5a6a37hml 558069 558067 2026-08-06T11:27:37Z BlitzkriegBoop 37692 558069 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para Divertir}}|7}} {{rule}}</noinclude>Dou-lhe os parabens pelo seu procedimento, menino. Era o António, de todos os meus discípulos, o que tinha mais direito de rir por ser o que melhor pode avaliar as tolices que êle disse, e, em vez de o fazer, desculpa-o... embora êle o não mereça. Êsse {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|Não fez nem disse senão asneiras. 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Êle bem insta comigo para que diga o que não entendo, mas eu... ― És acanhado, fazes mal. Mas vou propor-te uma cousa.¿Onde móras tu? ― No Campo de Santana. Pois bem, eu móro na rua do Telhal, não é muito longe. ― Pertissimo. ― Pede a teus pais que te deixem ir á noite a minha casa e verás como eu te ensino bem a lição. ― ¿E a tua família não se zanga? ― ¡Isso, sim! A minha mãe é a primeira pessôa a dizer me que, neste mundo, um dos preceitos, que um homem de bem deve seguir, é ajudar os outros em tudo que não envolva prejuizo próprio, ¿percebes? ― Percebo. É o mesmo que dizer: em tudo que não seja mau para êle. ― Exactamente. Assim conversando, tinham chegado ao Campo de Santana. Despediram-se com um amigável apêrto de mão e António insistiu: ― Até logo. {{nop}}<noinclude></noinclude> m582f9412pur5n7a8ajyxkrqxbgp3c2 Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/11 106 236058 558071 503761 2026-08-06T11:29:15Z BlitzkriegBoop 37692 558071 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para Divertir}}|9}} {{rule}}</noinclude>― Até logo, repetiu Pedro com muito reconhecimento. Não narraremos aqui, porque é desnecessário para a nossa história e seria muito aborrecido de ouvir, o grande trabalho que António teve para conseguir meter a lição na bronca cabeça do seu novo amigo. Mas, no dia seguinte, entrando na aula, o explicador improvisado ia radiante. O professor, que era um homem experimentado, percebeu logo que qualquer cousa se havia passado, e, voltando-se para Pedro, disse-lhe: ― Como o 57 me afirmou hontem que o menino sabia a lição, e eu sei que êle é ''incapaz de mentir'', pergunto-lhe se já está restabelecido do seu incómodo, porque desejo chamá-lo á pedra. O pequeno Pedro respondeu que estava muito bem e ergueu-se com um ''á vontade'' e uma certeza que fez pasmar os condiscípulos. O professor, divertido, porque pressentia de onde lhe vinha a sciência, disse-lhe: ― Resolva-me êste problema: Compraram-se 3 centos de laranjas á razão de 20 centavos a dúzia. ¿Que lucro se obtem, revendendo cada laranja a 2 centavos? Sem hesitar, o pequeno respondeu: ― O número de dúzias de laranjas conhece-se vendo quantas vezes 12 cabe em 300. Isto corresponde a dividir 300 por 12. {{nop}}<noinclude></noinclude> 1hjiui2e4gmbdwuy7hgzk7wbtbywaxu Galeria:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf 104 236173 558011 504485 2026-08-06T00:09:30Z BlitzkriegBoop 37692 558011 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Para ler nas férias]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Maria O'Neill|Maria O'Neill]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=Parceria Antonio Maria Pereira Livraria Editora |Gráfica=Typographia da Parceria Antonio Maria Pereira |Local=Lisboa |Ano=1913 |ISBN= |Fonte={{commons|Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf}} |Imagem= |Capa=1 |Progresso=OCR |Páginas=<pagelist 1="capa" 2to4="-" 5="falsa folha de rosto" 6="-" 7="folha de rosto" 8="-" 9="5" 131="índice" 132to135="-" 136="contracapa" 36="-" 48="-" 58="-" 76="-" 84="-" 112="-" /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/131}} |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} [[Categoria:Originais de edições impressas em 1913]] 6b1bdvbe8j5l6pmpezvy2pt350pfyhj 558020 558011 2026-08-06T00:49:42Z BlitzkriegBoop 37692 558020 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Para ler nas férias]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Maria O'Neill|Maria O'Neill]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=Parceria Antonio Maria Pereira Livraria Editora |Gráfica=Typographia da Parceria Antonio Maria Pereira |Local=Lisboa |Ano=1913 |ISBN= |Fonte={{commons|Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf}} |Imagem= |Capa=1 |Progresso=OCR |Páginas=<pagelist 1="capa" 2to4="-" 5="falsa folha de rosto" 6="-" 7="folha de rosto" 8="-" 9="5" 131="índice" 132to135="-" 136="contracapa" 36="-" 48="-" 58="-" 76="-" 84="-" 112="-" /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/131}} |Epígrafe={{Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/1}} {{page break|label=}} {{Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/5}} {{page break|label=}} {{Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/7}} {{page break|label=}} |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} [[Categoria:Originais de edições impressas em 1913]] pu06bxal17w51om4yzh0zic0wx55297 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/10 106 236179 557987 504505 2026-08-05T15:17:01Z BlitzkriegBoop 37692 alterada formatação da imagem 557987 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|6|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― Não sei como podes rir, Ildefonso. O feitio desta criança ha de dar-nos sérios desgostos. ― E's uma péssimista, respondia rindo o pai de Mariana. {{page break|label=}} {{Imagem float-p |file=Img p.9 de "Para lêr nas férias" (1913).png |align=center |width=400px |cap={{smaller| Mariana}} |padb=2em |padt=2em |1=Desenho a preto e branco de uma menina sentada a uma secretária a desenhar. }} {{page break|label=}} E, pedindo o chapeu e a bengala, despedia-se da mulher, beijava a filha e ia flanar pelas ruas da Baixa em companhia dos amigos, emquanto a mãe, mal umorada, curvava a cabeça sôbre a costura e se quedava longas horas silenciosa. {{nop}}<noinclude></noinclude> n6wzedtb531v79f8tgj65odf2u4zyu4 Para ler nas férias 0 236181 557978 557957 2026-08-05T13:24:47Z BlitzkriegBoop 37692 adicionada predefinição {{edição}} e índice da transcrição 557978 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=1 to=8 header=1 notas={{edição}}/> <hr> <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=131 to=131 /> [[Categoria:Maria O'Neill]] [[Categoria:Para ler nas férias| ]] io0ixp9p4jgugkbr6qfk6tzj2jteng7 557982 557978 2026-08-05T15:05:59Z BlitzkriegBoop 37692 557982 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - 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Ha nos matos da Bahia outros bogios, a que os indios chamam saîanhangá, que quer dizer bogio diabo, que são muito grandes, e não andam senão de noite; são da feição dos outros, e criam em concavos de arvores; mantem-se de frutas silvestres; e o gentio tem agouro n’elles, e como os ouvem gritar, dizem que ha de morrer algum. <section end="104"/> <section begin="105"/>{{c|{{sc2|CAPITULO CV.}}{{Tratado descriptivo do Brasil em 1587 (1879) ref|390|179}}}} {{c|''Que trata da diversidade dos ratos que se comem, e coelhos e outros ratos de casa.''}} Pelo sertão ha uns bichos a que os indios chamam saviá e são tamanhos como laparos; tem o rabo comprido, o cabello como lebre; criam em covas no chão; mantem-se das frutas silvestres tomam-n’os em armadilhas, cuja carne é muito estimada de toda a pessoa, por ser muito saborosa, e parece-se com a dos coelhos. Aperiás são outros bichos tamanhos como laparos, que não tem rabo; e tem o rosto da feição de leitão, as orelhas. como coelho, e o cabello como lebre; criam em covas, comem frutas e cannas de assucar, a que fazem muito damno, cuja carne é muito saborosa. Mais pela terra dentro ha outros bichos da feição de ratos, mas tamanhos como coelhos, com o cabello branco, a que os indios chamam saviátinga, os quaes criam em covas, e comem frutas; cuja carne é muito boa, sadia e saborosa. No mesmo sertão ha outros bichos da feição de ratos, tamanhos como coelhos, a que os indios chamam saviácoca, que tem o cabello vermelho, criam em covas, e mantem-se da fruta do mato; cuja carne é como de coelhos. Em toda a parte dos matos da Bahia se criam coelhos como os de Hespanha, mas não são tamanhos, a que os indios chamam tapotim; e todas as feições tem de coelhos, senão o rabo, porque o não tem; os quaes criam em covas, e as femeas parem muitos; cuja carne é como a, dos coelhos e muito saborosa. Em algumas partes dos matos da Bahia se criam uns bichos, sobre o grande, com todas as feições e parecer de ratos, a que os gentios chamam jupati, que se não comem, os quaes criam em os troncos das arvores velhas; e as <section end="105"/><noinclude></noinclude> 00t0dnb23ufyb94juvl64mjx9k80i9j Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/115 106 250269 557992 557114 2026-08-05T15:42:36Z Leonordeoliveiramartins 41055 /* Validada */ 557992 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh|{{sc|18}}|BAIONETA BALÃO|}}</noinclude>excedido da filologia románica». Gonçalves Viana, ''Apostilas aos Dicionários Portugueses''. Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''bāshpa'' ou ''vāshpa'', «lágrima, vapor». O mesmo faz Shakespear com relação ao hindustani. Parece que a palavra portuguesa é paralela, como ''chapa, tanque, varanda''<ref>Note-se a identidade do sentido e a aproximação fonética do sânsc. ''vāshpa'', cuja raiz é desconhecida, e do lat. ''vapor''.</ref>. '''Bailadeira'''. Indo-franc., Indo-ingl. ''bayadère''. Em inglês usam-se mais os compostos ''dancing-girl'' ou ''nautch-girl''. Vid. Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''<ref>«Tangendo bacias e sestros segundo seus costumes, e diante '''bailadeiras''', e chocarrieiros». Gaspar Correia, II, p. 77. «Vinhão ao terreiro muytas molheres '''bailadeiras''', com seus tangeres, que a ysso ganhão sua vida». ''Id.'', II, p. 363. «A '''bailadeira''' dança na praça publica, canta no pagode e prostitue-se em casa». F. L. Gomes, ''Os Brahamanes'', p. 184.</ref>. '''Bailar'''. Mal. ''bála''. — Sund. ''bálla'', baile. ''Main bálla'', bailar. Cai às vezes o ''r'' final dos verbos portugueses. Cf. ''emprestar, tomar''. ''Balá'', tambêm nos crioulos. '''Bainhar''' (embainhar). Conc. ''bānhár-karunk''. Term. vern. ''meṭunk''. — Tet., Gal. ''bánha'' (tambêm «bainha»). '''[[:d:Lexeme:L448107|Baioneta]]'''. Conc. ''bāynêt''. — Sing. ''bayinêttiya, bayinêttuva''. — Tet., Gal. ''baionêta''. — ? Mal. ''gaganet''. O Sr. Gonçalves Viana recusa a procedência portuguesa ao vocábulo malaio. '''[[:d:Lexeme:L1119556|Baixa]]'''. Conc. ''báyx''. — Tet. ''baixa''. '''? Baixel''' («barco árabe»). Conc. ''bagló''. — Mar., Guj. ''baglá, bagalá''. — Tel. ''bagalé, Bagalé-báyi'', «boca de bagalé», glutão. — Indo-ingl. ''buggalow''. — Ár. ''baqalá''. Yule & Burnell julgam probabilíssimo que o termo estivesse em uso na Índia antes de lá chegarem os portugueses, levado pelos árabes. Outra variante provável ou possível da palavra portuguesa, designando outra espécie de barco: Conc. ''bazró''. — Mar., Beng. ''bajrá''. — Hindust. ''bajrá, bujrá''. — Indo-ingl. ''budgerow''. '''Balão''' («espécie de embarcação de remos»). Malayál. ''balam''. — Indo-ingl. ''balám, baloon, balloon''<ref>«Com cinco lancharas, e doze '''balões''' me veyo buscar». Fernão Pinto, cap. XV. «Mas ainda com '''balões''', que são barcos sutijs». João de Barros, Déc. II, IX, 3. «Mandou Simão Sodré com outo '''balões''' (que são hũs barcos leves)». ''Id.'', Déc. IV, IX, 12. «Dom Estevão mandou Pero Barriga e Jorge d’Alvarenga, em '''balões''', que fossem pelo rio ver o que achauão». Gaspar Correia, III, p. 627.</ref>. O étimo é o guj. ''baliyan''; ''balyāmv'' em mar.-concani. O bengali tem ''baulía''. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> hofeh9hun0o1v74wsw29dpva66xca9i Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/116 106 250270 557993 557115 2026-08-05T15:44:47Z Leonordeoliveiramartins 41055 /* Validada */ 557993 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leonordeoliveiramartins" />{{rh||BALDE BAMBU|{{sc|19}}}}</noinclude>'''Balchão''' («espécie de caviar»). Conc. ''balchámv''. — Beng., Tam. ''balcham''. — Indo-ingl. ''balachong, blachong''. Do malaio ''balāchán'', introduzido pelos portugueses, e usado em ásio-português<ref>«Além disto servem [os ''bilimbins''] para a preparação de acepipes ('''Balchão''') apetitosos». B. F. da Costa, ''Agricultor Indiano'', II, p. 216.</ref>. '''Balde'''. Conc., Mar., Guj. ''bāldí''. — Beng., Hindust., L.-Hindust. ''bāldí, bāltí''. — Sing. ''báldiya, báliya''. — Tam. ''báldi''. — Tel. ''bāldí, bādlí''. — Tul. ''báldi''. — Indo-ingl. ''balty''. — Gar. ''balti, baltin''. — Mal., Tet., Gal. ''báldi''. Não é clara a etimologia de ''balde''. O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva-o do baixo lat. ''batellus'', e o Sr. Cândido de Figueiredo entronca-o dubitativamente em ''baldo''. Gaspar Correia tem a palavra por nova e atribui-lhe origem indiana: «Tudo isto os nossos virão no porto de Cananor, em que estauão mui grandes naos, que os Capitães mandarão os homens que as fossem ver, para em Portugal darem resão de tudo: nas quaes naos nom tem bombas, sómente huns cubos de couros de vaca grossos, cortidos em tal modo, que durão muito, e á força de braços deitão toda agoa fora: chamão a estes cubos '''baldes'''.» (I, p. 123). «Luis de Mello de Mendoça acodio com os companheiros aos '''baldes''', com que começarão a lançar a agoa fora» (1546). Diogo do Couto, Déc. VI, III, 3. Os lexicógrafos indianos dão por étimo o vocábulo português. «This is the Portuguese ''balde''». ''Hobson-Jobson''. '''Bálsamo'''. Conc. ''bálsm''. — Hindust. ''balsán''. — Mak., Bug. ''balasáng''. — Jap. ''bársan, bārusamo''. — Ár. ''bálsam, balsám, bolasán, bolsán''. '''Baluarte'''. Mal. ''baluvárdi''. — Jap. ''baluvárti, balovárti, balúrti''. '''[[:d:Lexeme:L670838|Bambu]]''' (bot.). Indo-ingl. ''bambu''. — Indo-franc. ''bambou''<ref>«Nam tinham menos certa a morte a poder d’açoutes dos '''Bambús''', ou perpetuo catiueiro nos carceres de Cantom». Lucena, liv. X, cap. 26. «Quiz alliviar-lhe o peso, com lhe tirar da canga (q. v.) um '''bambú'''». A. F. Cardim, p. 199.</ref>. A origem do vocábulo é muito obscura. Marsden regista-o como puro malaio; mas o termo comum é ''buluh''. Crawfurd considera-o vernáculo da costa ocidental de Samatra. Wilson tem-no por canarês, e como tal o consigna Reeve; mas os termos usuais são ''biduru'' (túlu ''beduru'') e ''gala''. Parece-me que o étimo mais provável é o marata ''bāmbú'' (também no gujarate), nome genérico e vulgar da planta. A forma ''mambu'', que ocorre nos == Notas == <references /><noinclude></noinclude> nfc3jy0lsm33mes5y5h8d3uukkyv8j5 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/117 106 250271 558026 557116 2026-08-06T08:44:24Z MLReis 41056 /* Validada */ 558026 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|20}}|BANANÁ BANANA|}}</noinclude>nossos antigos escritores, teria realmente sido então usada no Concão, como supõem os autores de ''Hobson-Jobson'', e o actual vocábulo concani ''mán'' representaria a sua contracção; ou seria devida à dissimilação na bôca dos portugueses<ref>«A gente onde a ha, a chama ''sacarmambum'', que quer dizer, ''açucar de mambum''; porque áquellas canas daquella arvore chamam os Indios onde nasce ''mambú''». Garcia da Orta, Col. LI.</ref>. Inversamente, ''Bombaim'' é a assimilação de ''Mombaim'', como escreveram Barbosa, Botelho, Garcia; vernáculo ''Mumbaí'', corrução de ''Mumbadeví'', «deusa Mumba». Vid. Gerson da Cunha, ''The Origin of Bombay''. '''[[:d:Lexeme:L447390|Banana]]'''. Indo-ingl. ''banana'' (p. us.). — Indo-franc. ''banane, bananier''<ref>«Ha na China tanta abundancia, como das mangas, carambolas, iacas, patecas, '''bananas''', e todas as fruytas indianas». Lucena, liv. X, cap. 18.</ref>. Os portugueses chamaram, por analogia, às bananas «figos da Índia»; e como ''figos'' são conhecidas em toda a extensão do ásio-português, que igualmente usa ''figueira'' e ''figueiral'', em Goa também ''bananeira''. Tomé Lopes, que partiu para a Índia em 1502, compara as bananas com os figos: «Huma especie de '''figos''' compridos e grandes como pepinos pequenos, que he um dos fructos mais saborosos, que pode haver no mundo»<ref>''Navegação das Indias Orientaes'', na colecção de Ramúzio, tradução da Academia das Sciências, cap. VI. «Outra fruyta que sam como ''figos'' e sabe muyto bem». ''Roteiro de Vasco da Gama'', p. 60.</ref>. Cf. o alemão ''Paradiesfeige''<ref>«Muytos limoens, romaans, ''figos da India'', e toda hortaliça». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 239. «Des '''bannanes''', que les Portugais appellent figues d’Inde». Pyrard de Laval, ''Voyage'', 1615. «Mandou aly dar comer arroz cozido, que lhe poserão sobre folhas verdes de ''figueira'', que são largas como uma folha de papel». Gaspar Correia, I, 17.</ref>. Não se sabe ao certo quando e por quem foi introduzida na India a palavra ''banana'', que, segundo Garcia da Orta veio da Guiné: «Tambem ha estes figuos em Guiné, chamam-lhe '''bananas'''»<ref>«É possível que tenha razão; a palavra não é seguramente asiatica, e também não parece ser americana». Conde de Ficalho, Col. XXII. «Porém a commum e generalissima [fruta] de todo o anno, e em grande abundancia, não só por estas Indias [ocidentais], mas tambem pela nossa, por toda a Guiné e Brazil, por onde ha, e nós vimos mais castas e melhores que estas, é a que lá chamam ''platanos'', e na nossa India ''figos'', e no Brazil '''bananas'''». P. Gabriel Afonso, in ''Hist. tragico-maritima'', vol. VI, p. 50.</ref>. Parece que o termo entrou (por via dos portugueses?) no século XVII com o mais apropriado ou, antes, para se marcar distinção entre o fruto da ''Musa'' == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 5ogdqbon8pr2he1crs1wk0mmwplcbxt Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/118 106 250358 558027 557117 2026-08-06T08:45:09Z MLReis 41056 /* Validada */ 558027 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||BANDEIRA BAPTISMO|{{sc|21}}}}</noinclude>''paradisiaca'' e o da ''Musa sapientum'', agora reduzidas a uma só espécie<ref>«Books distinguish between the ''Musa sapientum'' or plantain, and the ''Musa paradisiaca''; but it is hard to understand where the line is supposed to be drawn». ''Hobson-Jobson''.</ref>. O indo-inglês emprega geralmente o vocábulo ''plantain'', que é corrução do espanhol ''plátano'', outro nome da banana. Vid. ''goiaba''. '''[[:d:Lexeme:L447214|Banco]]''' («móvel»). Conc., Mar., Guj., L.-Hindust., Beng. ''bánk''. — Sing. ''bánkuva''. — Tam. ''bánku''. — Tel. ''bankati''. — Tul., Mal., Sund., Jav. ''bánku''. — Ach. ''banké''. — Mad., Day. ''banko''. — Tet., Gal. ''bánku''. — Jap. ''banko''. Em concani, teto e galóli, o termo também é usado por «banco comercial». As outras línguas indianas adoptam o ingl. ''bank'', pronunciado ''bénc''. '''[[:d:Lexeme:L477303|Banda]]'''. Conc. ''bánd''. Term. vern. ''kúx, bagal; kamarband''. — Tet. ''banda''. Term. vern. ''kalum''. '''[[:d:Lexeme:L558172|Bandeira]]'''. Conc. ''bandér''. Term. vern. ''bāvṭó, dhajá''. — Mal.<ref>«''Bandêr'' ou ''Bandêrra'', bandeira (''tiang-bander'', mastro de bandeira)». A. O. de Castro, ''Flores de Coral''.</ref>, Batt., Sund., Bal. ''bandéra''. — Jav. ''bandérô, gandérô''<ref>«En javanais la substitution d’une labiale par une gutturale est très fréquente». Heyligers.</ref>. — Day. ''bandéra''. ''Habandéra'', levar bandeira. ''Mandéra'', içar a bandeira. — Mak., Bug. ''bandéra''. ''Pabandéra'', pau de bandeira (''pa'' é prefixo). — Tet., Gal. ''bandeira''. Term. vern. ''sair''. — Ár. ''bandeira, bandera, bandira, bandaira''. '''[[:d:Lexeme:L1360583|Bandeja]]'''. Conc. ''bandêj''. Term. vern. ''tát, vāṭi''. — Sing. ''bandêsiya''. — Indo-ingl. ''bandejah'' (p. us.). — Mal. ''bandeja, bandeya''. Term. vern. ''tálan, tarana''. — Mak., Tet., Gal. ''bandeja''<ref>«Pozemos a carta e livros em uma '''bandeja''' dourada da China, fizemos com a '''bandeja''' na mão quatro reverencias profundas». A. F. Cardim, p. 80.</ref>. '''Bando''' («pregão»). Conc. ''bánd''. Term. vern. ''dāngoró, dāndoró''. — Tet., Gal. ''bándu''. '''Bandola'''. Mal., Mak., Bug. ''bandóla, bandála''. — Ach. ''bandála''. '''Bangue''' («fôlhas sêcas de ''Cannabis sativa''»). Indo-ingl. ''bangue, bang''. — Indo-franc. ''bangue''. — Pid.-Engl. ''bangee''<ref>«E a renda de anfião e '''bangue'''». Simão Botelho, ''Tombo'', p. 53. «E agora vos satisfarey com dizervos que cousa hé o '''bangue''', scilicet, a arvore e a semente». Garcia da Orta, Col. VIII. «Em toda esta cafraria se cria uma certa herva que os cafres semeiam, a que chamam '''bangue''', a qual é da propria feição do coentro espigado». João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', tom. I, p. 88. «Oh Manamotapa '''bangueiro'''! (que é o mesmo que bebedo, porque comia de certa herva a que chamam '''bangue''', que faz embebedar)». Bocarro, Déc. XIII, p. 560.</ref>. O étimo é o neo-áric. ''bháng'', do sânsc. ''bhangā''. '''Baptismo''' (= ''bautismo'', ant. e pop.). Conc. ''bārtíjm''. — Beng. ''bār- == Notas == <references /><noinclude></noinclude> a03oc5t5knvq3zom86uzpg9b6cu96e9 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/119 106 250369 558028 557118 2026-08-06T08:46:00Z MLReis 41056 /* Validada */ 558028 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|22}}|BARQUINHA BARRIL|}}</noinclude>tijmá''. — Sing. ''bavtismaya''. — ? Mar. ''baptismá''. — ? Guj. ''baptijhma''. — ? Hindi, Hindust. ''baptismá''. — ? Tel. ''baptismam''. — Malg. ''batisa''. — ? Jap. ''baputesuma''. Parece que o ''p'' denuncia a procedência inglesa. '''Baptizar'''. Sing. ''bavtisár karaṇavá'' (lit. «fazer baptizar»). Em concani diz-se comummente ''bāvtij divunk'', «dar baptismo». '''Baralhar''' (as cartas). Conc. ''bārālhár-karunk''. — Tet. ''barálha''. Term. vern. ''kákul''. '''Baralho'''. Conc. ''bārálh''. — ? Mar., Guj., Pers. (segundo Molesworth) ''barát''. — ? Tel. ''baredo''. Em marata e persa denota um dos naipes, rifada. A origem da palavra portuguesa é incerta. O castelhano tem ''baraja''. O hindi e o hindustani, mais relacionados com o persa, não teem ''barát''. ''Ganjiphá'', usado nas línguas indianas por «baralho», é de procedência persiana. '''[[:d:Lexeme:L307256|Barba]]'''. Mal. ''barba'' (Haex). Term. vern. ''jángut''. '''Barcaça'''. Conc., Guj. ''bārkas''. — Malayál. ''varkkas''. — Ár. ''barkús''<ref>«Fez embarcar em hũa grande '''barcaça'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IV, 5. «Mas os das '''barcaças''', e galés, que hora aqui, hora aly lhe dauam bateiras». ''Id.'', Déc. VIII, I, 35.</ref>. '''Barqueta'''. Mar. ''barkatá''. «Barco pequeno ou bote, o mesmo que ''barkín'' ou ''barquinha''». Molesworth. '''Barquinha'''. Mar. ''barkín''. «Barca pequena ou bote de feição particular. ''Barkíní'' (corrente em Málwán-pránt). Pequena espécie de ''hoḍí'' ou bote de pranchas». Molesworth<ref>«Levou elle mesmo... a dom André na '''barquinha''' a terra». Bocarro, Déc. XIII, p. 485.</ref>. '''Barracas'''. Tel. ''bārkásu, barkásu''. '''[[:d:Lexeme:L447827|Barriga]]'''. Mol. ''bariga'', cânfora de mediana qualidade<ref>Garcia da Orta diz (Col. XII): Acerca dos Gentios e Baneanes e Mouros, que esta fazenda comprão, fazem della quatro sortes, scilicet: ''cabeça, peito, pernas, pés''. E o Conde de Ficalho comenta: Rumphius (''Herbarium Amboinense'') descreve tambem as qualidades em que a classificam: fragmentos maiores, approximadamente das dimensões da unha, a que chamavam ''Cabessa'', que elle explica significar ''caput''; grãos ou escamas mais pequenas, chamadas ''Bariga'', ou ''venter''; e a parte pulvurenta e as granulações miudas, com o nome de ''Pees'', que significa ''pes''».</ref>. Vid. ''cabeça'' e ''pé''. É provável que os termos tivessem sido usados em outras partes da Insulíndia e agora sejam obsoletos<ref>Os nossos antigos escritores também mencionam «coral de perna». «Mandou em hum caixão hum quintal de coral de ''perna'' por laurar». «E huma caixa de coral de ''perna'', a melhor que hauia». Gaspar Correia, I, pp. 89 e 101.</ref>. '''Barrete''' (eclesiástico). Conc. ''barrêt''. — Tet., Gal. ''barreti''. '''? Barrica'''. Malg. ''barika''. '''Barril'''. Conc. ''barl''. — Tet., Gal. == Notas == <references /><noinclude></noinclude> tot6k30f6c3mg6ivvg9jj0h5vhpqr5z Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/120 106 250371 558029 556903 2026-08-06T08:46:47Z MLReis 41056 /* Validada */ 558029 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||BATA BATA|{{sc|23}}}}</noinclude>''barril''. — Ár. ''barmil, bermíl, birmíl, baramíl, varíl''<ref>«Mandando pôr sobre as paredes, muitos '''barris''' d’aleatrão». Diogo do Couto, Déc. VII, III, 10.</ref>. Em outras línguas usa-se ''pipa'' por «barril». '''Barrote'''. Guj. ''bārotium''. '''Basta''' (verbo). Conc. ''bást'' (p. us.). Term. vern. ''puró''. — ? Mar., Hindust., Sindh., Khas., Persa ''bas''. — ? Indo-ingl. ''bus''. — Mal. ''basta'' (Haex). Os lexicógrafos indianos dão o vocábulo como de origem persiana. '''Bastão'''. Conc. ''bastámv'' (p. us.). Term. vern. ''bét, betó, betkāṭhí''. — Sing. ''bastāmu''. '''Bastarda''' («espécie de peça antiga»). Bug. ''bisatirida''. '''? Bastião'''. Mal. ''bartion'' (Haex). '''Basto''' (termo de jôgo). Mak., Bug. ''basáttu''. Vid. ''az''. '''Bata'''. Indo-ingl. ''batta'', ração, comedorias; gratificação, propina. O vocábulo é indiano, e o termo português correspondente, empregado pelos antigos escritores, é ''mantimento''<ref>«E a seys obreiros fferreiros que seruem na ferraria a dous pardaos por mês, e seu '''mantimento''' d’arroz, pexe, lenha, pela maneira acima». Simão Botelho, p. 237. «Toda a gente que ficou em Malaca, no mar e na terra, auia de ser paga seis mezes d’antemão de seu soldo, e dous cruzados de '''mantimento''' cada mês pagos na mão». Gaspar Correia, II, p. 267.</ref>. Simão Botelho diz (p. 237): «E para dous ffarazes dous pardaos a ambos por mês, quoatro tangas para ''bata''.» O editor (Rodrigo Felner) nota que «parece que deve ser «bate», isto é, «arroz com casca». Mas não há êrro no texto; porque ''bate'' é que é corrução de ''bata'', marata-concani ''bhát(a)'', canarês ''bhatta''<ref>Cf. o port. ''cate'' (ou ''cato'') = ''káta, bétele'' = ''vettila''.</ref>. O autor porém não emprega a palavra nesta acepção, mas no sentido de «ração», como se depreende do contexto e da verba que segue: «E ao condestabre trynta e oyto mill e novecentos e vinte reis por ano, em que entra ''mantimento''». E neste caso, ''bata'' é o mesmo que hindust. ''bhata, bhatta'', ou ''bhātá''; mar. ''bhatta, bhātá'' ou ''bhātém''; conc. ''bhātém''. Reeve diz que ''bhatta'' é corrução canaresa de palavra sânscrita, que não pode ser senão ''bhakta'', «comida» em geral, e em particular «arroz cozido», alimento principal do povo indiano<ref>«Na terra (de Calecut) ha pouco arroz que he o principal mantimento, assi como antre nos ho trigo». Castanheda, I, cap. 73.</ref>. Neste último significado, ''bhát'' (masc.) é corrente em hindustani e marata, e menos usado em concani que ''xít''; em singalês ''bhakta, bhatta'' e ''bat''. No decurso do tempo ''bhát'' (neut.) tornou-se em marata e concani o nome predominante de «arroz em casca» e da própria planta, suplan- == Notas == <references /><noinclude></noinclude> 0f53oatxdh96ab4261cmwk5uhtegx7w Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/121 106 250373 558030 557119 2026-08-06T08:47:18Z MLReis 41056 /* Validada */ 558030 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|24}}|BATATA BATATA|}}</noinclude>tando outros termos, como ''sál, dhán''; e infiltrou-se no canarês, ao lado do vernáculo ''něllu''<ref>''Néli'' é usado no português malaio, e o Sr. Cândido de Figueiredo regista-o como termo inédito e antigo.</ref>. Naturalmente, ''bhát'' no seu duplo significado, de «arroz cozido» e de «arroz em casca», não tardou a designar, primeiro, «a ração de arroz cozido», depois, «o arroz cru» ou «o dinheiro para comprar a ração de arroz cru», e finalmente, «comedorias, gratificações, propinas». E nestas acepções secundárias assumiu, em marata e concani, a forma específica de ''bhātém''. Vid. ''Hobson-Jobson''. '''Batalhão'''. Conc. ''bātālhámv''. Termo vern. ''palṭaṇ'' (p. us.). — Tet., Gal. ''batalhá, batayá''. '''Batão''' («ágio»). Indo-ingl. ''batta''. O étimo é o hindus. ''baṭṭáu'' (''baṭṭá, bāttá''), donde mar. ''vaṭáv'', conc. ''vāṭáv''<ref>«Alem disso tem seu '''batão''', que he çarrafagem ou caibo». Antonio Nunes, ''Livro dos Pesos da Ymdia'', p. 40.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L447826|Batata]]''' (ordinária, não doce). Conc. ''baṭāṭó''. ''Baṭāṭín'', certo bolbo medicinal. — Mar. ''baṭāṭá''. Term. vern. ''ālú''. — Guj. ''baṭāṭá''. — Sing. ''batála'' («batata doce», a outra se chama ''artapal'', do holandês). — Malayál. ''batatas'' (doces, Rheede). Term. vern. ''kappaliḷangu''. — Can. ''baṭāṭé''. Term. vern. ''uralagaḍḍe''. — Tul. ''baṭāṭé, paṭāṭé''. — Nic. ''patáta'', batata doce. — Malg. ''batata''. Não é provável que os termos indianos tenham por étimo o ingl. ''potato'', porque, além de não terem a sílaba inicial ''pa'', tão sómente aparecem na área linguística mais influenciada pelo português, e o conc. ''baṭāṭín'' é, sem dúvida, derivado directamente do port. ''batatinha''. Com respeito a ''ṭṭ'' cacuminais, cf. ''atalaia, abóbora, sorte''<ref>No português de Goa diz-se «batata de Surrate» isto é, batata entrada pela feitoria de Surrate; Fr. Clemente da Ressurreição (1782) chama-lhe «batata inglesa»: «Vê-se outra que produz fructos similhantes ás batatas pequenas inglesas». (In ''Agricultor Indiano'', de B. F. da Costa, II, p. 339). Na ilha de S. Nicolau, Cabo Verde, também se diz «batata inglesa». (Vid. ''Bol.'' S. G. L., 3.ª sér., p. 354). Na Madeira, dão o nome de ''batata'' à batata doce, e à outra chamam ''semilha''. O castelhano tem ''batata'', «batata doce», e ''patata'', «batata de cozinha».</ref>. A batata doce (''Convolvulus batatas''), indígena da América, foi introduzida na India pelos portugueses, com o seu nome de origem, que algumas das línguas conservaram, substituindo-o as outras por termos vernáculos. Posteriormente, os ingleses importaram a batata ordinária (''Solanum tuberosum''), ''potato'' (pronuncia-se ''pôṭêṭô''), que, como observam Yule & Burnell, lhe roubou o nome. Os portugueses da India teriam distinguido == Notas == <references /><noinclude></noinclude> ib80jkn5rxfv858r647wetq43asob8l Página:Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf/7 106 255357 557984 557915 2026-08-05T15:09:37Z BlitzkriegBoop 37692 557984 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{c|BIBLIOTECA PARA A INFÂNCIA}} {{c|POR|fs=65%}} {{c|'''MARIA O’NEILL'''|fs=95%}} {{dhr|1em}} {{lh|33em}} {{dhr|1.5px}} {{lh|33em}} {{dhr|2}}</div> {{C|{{uc|A fada loira}}|fs=350%}} {{dhr|3em}} {{lh|4em}} {{dhr|2em}} <div style="font-family:serif"> {{c|――――― CONTOS ―――――}} {{dhr|2em}} {{lh|4em}} {{dhr|2em}} {{C|'''Ilustrações de Santos Silva'''}} {{Imagem float-p|file=Ornamento, folha de rosto (Horas de Folga).png|align=center|width=100px|padb=6em|padt=6em}} {{c|1917}} {{lh|1.75em}} {{c|{{sc|Parceria Antonio Maria Pereira}}}} {{c|{{sc|LIVRARIA EDITORA}}|fs=85%}} {{c|''Rua Augusta, 44 a 54''}} {{c|LISBOA|fs=95%}} </div><noinclude></noinclude> gtynbymll9or9qui1k01bjeeut9t5qv Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/110 106 255479 557974 2026-08-05T13:06:34Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 557974 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|os observadores da lua}}|CAPITULO X}} {{dhr|4}} Evidentemente Barbicane déra com a unica rasāo plausivel a que podia attribuir-se o desvio, que, por pequeno que tivesse sido, fôra bastante para modificar a trajectoria do projectil. Era uma fatalidade. Gorara-se aquella ousada tentativa por circumstancia inteiramente fortuita, e a nāo ser que occorressem acontecimentos excepcionaes, era já impossivel que os viajantes chegassem ao disco lunar. Passariam porventura a sufficiente proximidade dʼelle para poderem resolver certos problemas de physica ou de geologia até entāo insoluveis? Essa é que era a questāo, a unica que preoccupava agora os atrevidos viajantes. Emquanto á sorte que o futuro lhes guardava, nʼisso nem queriam pensar. Comtudo, que havia de ser dʼelles no meio dʼaquellas infinitas solidōes, d'elles a quem em breve ia a faltar o ar? Passados mais alguns dias seccumbiriam por certo asphyxiados dentro dʼaquella bala que vogava ao acaso. Mas, para aquelles homens intrepidos, esses poucos dias representavam outros tantos seculos, e assim consagraram desde entāo todos os instantes a observar aquella mesma Lua que já nāo tinham esperança de alcançar. {{nop}}<noinclude></noinclude> 57wch1aa78yhqy19q4jqfhpdbz3miov Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/111 106 255480 557975 2026-08-05T13:09:48Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 557975 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|103|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>A distancia que entāo separava o projectil do satellite foi avaliada por estimativa em pouco mais ou menos duzentas leguas. Em taes condiçōes, considerado o facto pelo lado da visibilidade dos pormenores do disco, estavam os viajantes ainda mais afastados da Lua do que o estāo os habitantes da Terra, attendendo aos possantes telescopios que empregam. Effectivamente é notorio que o instrumento montado por John Ross em Parson-Town, cuja amplificaçāo é de seis mil e quinhentos para um, traz a Lua a dezeseis leguas de distancia; alem dʼisto, com o possante machinismo estabelecido em Longʼs-Peak, aproximava-se o astro das noites, amplificado na proporçāo de quarenta e oito mil para um, até menos de duas leguas de distancia, mostrando-se assim sufficientemente distinctos para o observador os objectos situados na Lua que tivessem, pelo menos, dez metros de diametro. Nʼestes termos, á distancia a que os viajantes estavam do astro, nāo ficavam para elles sensivelmente determinados os pormenores topographicos da Lua observados sem luneta. Os olhos percebiam o contorno dʼessas immensas depressōes que impropriamente se chamam «mares», mas nāo podiam reconhecer-lhe a natureza. Desapparecia o relevo das montanhas na esplendida irradiaçāo produzida pela reflexāo dos raios solares. Os viajantes deslumbrados, como se se curvassem para um banho de prata em fusāo, involuntariamente afastavam os olhos do astro. Entretanto ía-se destacando já a fórma oblonga da Lua, que se apresentava qual gigantesco ovo euja extemidade menor estivesse voltada para a Terra. Effectivamente a Lua, que foi liquida ou maleavel nos primeiros tempos da sua formaçāo, tinha entāo a forma de uma esphera perfeita, mas em breve foi arrastada para o centro de attracçāo da Terra, e deformou-a a acçāo da gravidade. Pelo facto de se tornar satellite perdeu a primitiva pureza das fórmas; o centro de gravidade passou-lhe para diante do centro de figura, e dʼestas disposiçōes tiraram alguns homens<noinclude></noinclude> nn37ceow3f8lhot38ujqkpcqo5smlft Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/112 106 255481 557976 2026-08-05T13:13:36Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 557976 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|104|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>de seiencia a illaçāo de que é pelo menos possivel que o ar e a agua se refugiassem nʼaquella face opposta da Lua, que da Terra se nāo vê. A alteraçāo das fórmas primitivas do satellite apenas por alguns instantes se tornou perceptivel aos tres companheiros. A distancia do projectil á Lua ia diminuindo com extrema rapidez pela acçāo da velocidade que entāo o animava, consideravelmente inferior á velocidade inicial, mas ainda assim oito a nove vezes maior do que a dos comboios expressos de caminhos de ferro. A direcçāo obliqua da bala, por causa mesmo da sua obliquidade, deixava a Miguel Ardan alguma esperança de ir de encontro a algum ponto do disco lunar. Miguel nāo podia acreditar que nāo havia de lá chegar. Nāo! nāo podia acreditar tal, e por mais de uma vez o disse. Porém Barbicane, em similhante causa melhor juiz, nunca deixou de lhe responder com logica de ferro: — Nāo, Miguel, nāo. Só poderiamos chegar á Lua se fossemos caindo, e o facto é que nāo caimos. Mantem-nos a força centripeta sob a influencia da attracçāo da Lua, mas tambem a força centrifuga tende a afastar-nos irresistivelmente dʼella. E com tal intonaçāo foi isto dito, que tirou a Miguel a ultima esperança. A parte da Lua de que o projectil se ia aproximando, era o hemispherio norte, aquelle que os mappas selenographicos collocam para o lado de baixo, porque estes mappas sāo geralmente tirados pela imagem observada nas lunetas, que, como é sabido, invertem os objectos. Tal era o ''Mappa selenographico'' de Beer e Moedler, que Barbicane entāo consultava. Esse hemispherio septentrional apresentava vastas planicies, cortadas aquí e ali de montanhas isolalas. Á meia noite entrava a Lua no pleni-lunio. Era exactamente aquelle o momento em que os viajantes deveriam estar lá a desembarcar, se o malfadado bolido nāo lhe alterára a direcçāo. O astro apparecia, como se vê, nas condiçōes rigorosamente determinadas pelo observatorio de Cambridge. Estava<noinclude></noinclude> nhq14fh7kh3kxq7e4m8nzraopdmjhew Anexo:Ficha/Para ler nas férias 110 255482 557979 2026-08-05T13:28:02Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 557979 wikitext text/x-wiki {{Ficha |título = Para ler nas férias |autor = Maria O'Neill |tradutor = |gênero = literatura infantil |edição = |referência= [https://bndigital.bnportugal.gov.pt/records/item/256854-para-ler-nas-ferias| Biblioteca Nacional Digital] |ref-tipo = {{tipo da fonte|confirmação}} |progresso = {{progresso|50%}} |licença = {{DP-3}} |notas = }} s7lrnrzldijk3z2xld98gjbsrb9lrmd Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/7 106 255483 557985 2026-08-05T15:09:51Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557985 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{c|BIBLIOTECA PARA A INFÂNCIA}} {{c|POR|fs=65%}} {{c|'''MARIA O’NEILL'''|fs=95%}} {{dhr|1em}} {{lh|33em}} {{dhr|1.5px}} {{lh|33em}} {{dhr|2}} {{c|{{sc|I}}}} {{c|{{uc|Para Lêr nas Férias}}|fs=350%}} {{lh|5em}} {{c|{{uc|――――― Contos ―――――}}}} {{Imagem float-p|file=Ornamento, folha de rosto (Horas de Folga).png|align=center|width=100px|padb=6em|padt=6em}} {{c|1913}} {{lh|1.75em}} {{c|{{sc|Parceria Antonio Maria Pereira}}}} {{c|{{sc|LIVRARIA EDITORA}}|fs=85%}} {{c|''Rua Augusta, 44 a 54''}} {{c|LISBOA|fs=95%}} </div><noinclude></noinclude> mj2yw5zff0s09gqq7n30ix7sekjbo0b Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/49 106 255484 557986 2026-08-05T15:12:09Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557986 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xx-larger|O dicionário}}}} {{dhr}} {{lh|3em}} {{dhr}} ― ¡Não me perguntes nada! gritava furioso Manuel Chacim á sobrinha. Eu não quiz estudar para não me aborrecer, e tu estás constantemente a perguntar-me tudo. ¡Não sei! não sei! não sei! Deixa-me em paz. Etelvina afastava-se lacrimosa e dizia consigo: ―¿Como hei de eu aprender, se ninguém me quer ensinar? Manuel Chacim não era mau. Era muito ignorante e extremamente presumido e vaidoso. Enfurecia-se por isso sempre que tinha de confessar a sua ignorância. Desta vez, porêm, vendo a sobrinha conter a custo as lágrimas, ficou zangado consigo, porque a estimava muito, e, pegando no chapeu e na bengala, saíu pela porta fora, resmungando: ― Isto não pode continuar assim. E' preciso pôr-lhe um termo. E, conversando consigo, tomou o caminho da livraria Pereira, na rua Augusta. E dizia: {{nop}}<noinclude></noinclude> rljcll9563q4xcy33lsovl1xp35bl2c Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/50 106 255485 557988 2026-08-05T15:18:08Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557988 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|46|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― Eu sei que ha um livro que diz tudo; mas o nome dêle é que eu não sei. E, tirando o lenço do bôlso, limpava o rosto encharcado em suor, continuando o seu monólogo: {{page break|label=}} {{Imagem float-p |file={{extrair imagem}} |align= |width= |cap={{smaller|Tio e sobrinha}} |padb=2em |padt=2em |1=Desenho a preto e branco de uma menina sentada a uma mesa, com o seu tio sentado ao seu lado, a ajudá-la. }} {{page break|label=}} ―¡Um homem, quando não sabe as cousas, sempre passa por cada vergonha! ¿Como diabo (se chama o tal livro? Êle é a modos acabado em ário... ¿Será eventário?... breviário?... elucidário?... Sim... parece-me que é isto: elucidário. Entrando na loja, perguntou: ― ¿Os senhores terão por aqui um elucidário? {{nop}}<noinclude></noinclude> hgmrzl7odh0y770amt16p8norb291mm Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/51 106 255486 557989 2026-08-05T15:29:54Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557989 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|47}} {{lh}}</noinclude>Os empregados trocaram um olhar entre si e um dêles indagou: ― O ''Elucidário'' de Viterbo? ― Eu não sei de quem êle é, nem me importa... Quero um dêstes livros que explicam o sentido das palavras... um breviário. ― Isso é outro género de livro, respondeu-lhe o empregado, contendo a custo o riso. O que o senhor quer é um dicionário. ― Isso mesmo... E' isso mesmo. Contente de terem entendido o que êle queria, comprou o dicionário ''Etimológico, prosódico e ortográfico'', de Silva Bastos, pela módica quantia de 1.500 réis e, muito cheio do saber que levava consigo, dirigiu-se para casa e, entrando no seu quarto, fechou a porta por dentro. Depois desembrulhou o livro, e, pondo os óculos no nariż, procurou a palavra ''demergente'' Decididamente o tio de Etelvina não era tôlo. Entendeu. Procurou em seguida a palavra ''epicédio'' e tambem percebeu. Abriu a gaveta da sua mesa, meteu nela o dicionário, o papel e o fitilho que o embrulhavam, e, chamando a sobrinha, disse-lhe num tom protector: ― Olha lá, Etelvina, o que é que me perguntaste ha pouco? ― Era o que queria dizer demergente. Então, empertigando-se na cadeira e com um tom muito doutoral, o sr. Manuel Chacim explicou: {{nop}}<noinclude></noinclude> 4o25fgosc2krb4iqbfjq70spw1vrpo0 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/52 106 255487 557990 2026-08-05T15:32:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557990 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|48|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― E' um adjectivo antiquado, que quer dizer inclinado. ¿Percebes? ― Não, senhor, volveu a mêdo a rapariguinha. {{page break|label=}} {{Imagem float-p |file= |align= |width= |cap={{smaller| Etelvina}} |padb=2em |padt=2em |1= }} {{page break|label=}} Pegando na faca de cortar papel, colocou-lhe o cabo sobre a mesa e a ponta sobre um livro. ― Isto, disse êle, é que é inclinado. ¿Percebes? ― Percebo, sim, meu tio. ¿E epicédio? ― E' termo derivado do grego. Chamava-se assim a um dos tres discursos, pronunciados nas exéquias de<noinclude></noinclude> hrtfm0zr5p7pqu8bkem39fxhyyykcip Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/53 106 255488 557991 2026-08-05T15:34:45Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557991 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>alguma pessôa notavel. O primeiro, que se recitava junto da fogueira, chamava-se ''nénia''; o segundo, que se gravava no túmulo, ''epitáfio''; e o terceiro, que se recitava na cerimónia do enterro, ''epicédio''. Sobre isto, continuou êle cofiando a barba, podia dizer-te muitas mais cousas, mas não quero fatigar a tua imaginação infantil. No dia imediato, á hora a que Etelvina ia a casa do professor, o tio Chacim não se esqueceu de lhe recomendar. ― Olha que, se o doutor te perguntar quem te explicou as palavras que não sabias, has de dizer-lhe que fui eu. ― Sim, senhor. E a pequena pensava. ― ¿Quem lhas diria? Naturalmente foi pedir a alguêm que lhas ensinasse. Deu a lição e o professor não lhe perguntou nada. Mal chegou a casa, o tio Chacim indagou: ― ¿Disseste que fui eu que te ensinei? ― Não tive ocasião. ― Pois é preciso arranja-la, porque é bom que se saiba o trabalho que eu tenho para te dar educação. Etelvina nessa tarde estudou a lição e, tendo uma dúvida, foi ter com o tio. Êle ouviu-a e respondeu-lhe com bom modo: ― Vai-te embora. Um homem não sabe tudo de repente. Deixa-me pensar, que, em eu discorrendo o que seja, eu te chamarei. {{nop}}<noinclude>{{D|4}}</noinclude> bilsced3pt4xbckwd16ajebvjeuze54 Página:Diana de Liz - Memorias duma mulher da epoca.pdf/1 106 255489 557997 2026-08-05T23:35:26Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557997 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>[[Ficheiro:Diana de Liz - Memorias duma mulher da epoca-capa.png|400px|centro|alt=Capa do livro com uma composição que inclui uma nadadora, uma mão num volante, um navio, um automóvel e o rosto de uma mulher om um cigarro, em tons de negro e roxo.]]<noinclude></noinclude> 4bndkx7721u94vemczxv43rn4s7ofca Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/54 106 255490 557999 2026-08-05T23:51:03Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 557999 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|50|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Dez minutos depois Etelvina tinha a informação que desejava. Isto deu-se tanta vez que a pequena começou a desconfiar de que o tio tinha no quarto qualquer meio de saber as cousas, mas muito bem escondido. {{page break|label=}} {{Imagem float-p |file= |align= |width= |cap={{smaller|E quando á tarde se senta á mesa...}} |padb=2em |padt=2em |1= }} {{page break|label=}} Espreitando pelo buraco da fechadura, viu que êle consultava um livro. Quando foi á lição falou ao mestre no livro do tio e êle disse-lhe que era um dicionário e que, se ela andasse na outra classe, mais adiantada, já o teria visto nas mãos das suas condiscípulas. {{nop}}<noinclude></noinclude> 8azpmsvwgnp85k7yvb7xj8qrxu9y2ih 558000 557999 2026-08-05T23:51:21Z BlitzkriegBoop 37692 558000 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|50|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Dez minutos depois Etelvina tinha a informação que desejava. Isto deu-se tanta vez que a pequena começou a desconfiar de que o tio tinha no quarto qualquer meio de saber as cousas, mas muito bem escondido. {{page break|label=}} {{Imagem float-p |file={{extrair imagem}} |align= |width= |cap={{smaller|E quando á tarde se senta á mesa...}} |padb=2em |padt=2em |1= }} {{page break|label=}} Espreitando pelo buraco da fechadura, viu que êle consultava um livro. Quando foi á lição falou ao mestre no livro do tio e êle disse-lhe que era um dicionário e que, se ela andasse na outra classe, mais adiantada, já o teria visto nas mãos das suas condiscípulas. {{nop}}<noinclude></noinclude> hk32xkt8vjww0b9rj7vdz09k7vjbewf Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/55 106 255491 558001 2026-08-05T23:53:36Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558001 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|51}} {{lh}}</noinclude>Etelvina era muito poupada. Juntava todos os vintêns, que lhe davam, num pequeno mealheiro de barro. No dia seguinte, ao ir para a lição, comprou um dicionário e trouxe-o para casa escondido, animada do desejo de dar lições ao tio. Presumiu muito de si. Julgou que, sendo tão pequena, lhe bastava ter um livro como o do tio, para entender tudo tambêm. De outra vez, tendo visto primeiro no dicionário a significação da palavra ''base'', foi depois pergunta-la ao tio e, antes que êle tivesse tempo de lhe responder, disse: ― Ah! já sei: é o fundamento. Repetiu tanta vez a scena que chegou tambêm o momento de Manuel Chacim desconfiar de onde é que vinha á sobrinha tanta clareza e prontidão de raciocinio. Passou-lhe uma revista a tudo, quando ela menos esperava, e encontrou o dicionário. Então ralhou e enfureceu-se por ela ter comprado o livro ás escondidas dêle. No fundo, o que mais o arreliava era perder o prazer de ser consultado pela sobrinha, e dfingir que sabia. Ferido duma idea súbita, abriu o dicionário ao acaso e perguntou-lhe: ― ¿Que está aqui escrito? ― Confutavel. ― ¿E o que é confutavel? ― E' uma cousa que se pode confutar. ― ¿E o que é confutar? {{nop}}<noinclude></noinclude> s7i1wppjovuoye6x6xjmuclz3olv9k1 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/56 106 255492 558002 2026-08-05T23:56:09Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558002 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|52|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― E'... é refutar. ― ¿E refutar? ― Refutar... não... não sei. O mesmo aconteceria ao tio Manuel Chacim dois meses atrás, quando confundia dicionário com elucidário e breviário; mas agora, que passava a vida a decorar as palavras e a estudar-lhes as significações, respondeu prontamente: ― Refutar é demonstrar, por modo de que não pode haver dúvida, que é falsa a razão ou argumento que outra pessôa sustenta. Etelvina curvou a cabeça umilhada. Ela, que no seu intimo chamava ignorante ao tio, teve de reconhecer que as pessoas, que já têem vivido, sabem muito de vêr e ouvir, e não é facil a uma criança, que começa a viver, competir com elas embora seja estudiosa. O tio, contente de vêr que, mesmo sendo velho, o estudo lhe aproveitava, foi indulgente para a pequena ingrata a quem servia de pai e continuou a ter o prazer de lhe explicar o dicionário, porque, dizia êle: ― Quatro olhos vêem melhor do que dois. Agora, que já não tinha por que fazer mistérios, passava os dias a lêr e, quando a sobrinha ou a irmã o censuravam por nunca lêr outra cousa, êle fechava o volume, punha sôbre êle os óculos, e afirmava com profunda convicção: ― ¡Grande livro! Não quero nem preciso outro: {{nop}}<noinclude></noinclude> 9j7g4tcvkxt8tklu7zpxkdpseeux5kw Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/57 106 255493 558003 2026-08-05T23:57:11Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558003 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|53}} {{lh}}</noinclude>E' êle que me tem feito conhecer o que vale o estudo. ¡O que eu sabia e o que eu sei! E, quando á tarde se senta á mesa para jantar, a familia tem de ouvir e aprender os significados das palavras que durante o dia o deliciaram. Se protestam, ouvem-no exclamar tranquilamente: ― ¡Paciência! Hão-de ser sabichonas, quer queiram, quer não. {{nop}} {{dhr|6em}} {{extrair imagem}}<noinclude></noinclude> 43f7oxl2ulidu3fs009wv9tegc4nzpg Para ler nas férias/O dicionário 0 255494 558004 2026-08-05T23:58:01Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 558004 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=49 to=57 header=1/> [[Categoria:Para ler nas férias| 5]] ijwvxuiaqbzs5dhd9agnuyccu88dc1s Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/58 106 255495 558005 2026-08-05T23:58:40Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 558005 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/136 106 255496 558007 2026-08-06T00:04:20Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558007 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{uc|Parceria Antonio Maria Pereira}} {{smaller|{{uc|Livraria editora}}}} ――― '''Rua Augusta-44 a 54''' ――― {{uc|'''Lisboa'''}}}} {{lh|lh=0.1em}} {{lh|height=0.1em|lh=0.2em}} {{larger|Outros livros para creanças, editados por esta casa, com bonitas encadernações em percaline}} {{tabela|largura=40|título='''[[Ás mães e ás filhas]]''', por {{A|Alice Pestana|Caïel}}|página=700}} {{tabela|largura=40|título='''[[A Chave da Sciencia]]''', por Brewer e Moigno, nova tradução muito desenvolvida e ampliada, 3 vols. illustrados com muitas gravuras|página=6$000}} {{tabela|largura=40|título='''[[Contos da avózinha]]''', por J Q. Travassos Lopes, 3 vols. illustrados|página=1$080}} {{tabela|largura=40|título='''Contos''', de Pedro Ivo|página=300}} {{tabela|largura=40|título='''Contos''', de Trueba|página=500}} {{tabela|largura=40|título='''[[Contos do tio Joaquim]]'''|página=300}} {{tabela|largura=40|título='''[[Contos e phantasias (Maria Amália Vaz de Carvalho, 1905)|Contos e phantasias]]''', por {{A|Maria Amália Vaz de Carvalho| Maria Amalia Vaz de Carvalho}}|página=800}} {{tabela|largura=40|título='''[[Contos para a infancia]]''', por {{A|Guerra Junqueiro}}, 5. edição illustrada com chromos|página=600}} {{tabela|largura=40|título='''[[Descoberta da India]]''', por {{A|Pinheiro Chagas}}, illustrado|página=1$000}} {{tabela|largura=40|título='''[[A filha do João do Outeiro]]''', romance por {{A|Alice Pestana|Caïel}}, illustrado|página=900}} {{tabela|largura=40|título='''Historias''', por Gyp, ilustrado|página=700}} {{tabela|largura=40|título='''Historias de animaes''', sua vida, costumes e anedotas, por Travassos Lopes, 3 vols. illustrados|página=1$200}} {{tabela|largura=40|título='''Ditosa patria minha amada''', por J. T. da Silva Bastos, edição illustrada|página=600}} {{tabela|largura=40|título='''[[Primeiras leituras]]''', por {{A|Alice Pestana|Caïel}}, illustrado|página=600}} {{tabela|largura=40|título='''Leituras correntes e intuitivas''' (conhecimentos uteis), por Travassos Lopes, 2 vols. illustrados|página=720}} {{tabela|largura=40|título='''Leituras populares instrutivas e moraes''', por Brito Aranha, illustrado|página=200}} {{tabela|largura=40|título='''Maravilhas da creação''', ou historia e descripção illustrada dos animaes, 3 vols. com mais de 500 gravuras|página=8$000}} {{tabela|largura=40|título='''Revista branca''', dedicada ás creanças|página=700}} {{tabela|largura=40|título='''[[Horas de Folga|Horas de folga]]''', contos por {{A|Maria O'Neill}}, illustrados, cart|página=300}} {{tabela|largura=40|título='''[[Recreações Infantis]]''', contos por Maria O'Neill, illustrados, cart|página=300}}<noinclude></noinclude> jxtztmbgk2vtsoayk76lnbrfsph1dvl Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/76 106 255497 558008 2026-08-06T00:05:44Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 558008 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/84 106 255498 558009 2026-08-06T00:06:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 558009 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/112 106 255499 558010 2026-08-06T00:07:19Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 558010 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/5 106 255500 558022 2026-08-06T00:51:28Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558022 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{cr|sp|40|w|40|cll|10|fy3|40|clr|10|w|40|sp|40}} {{C|{{uc|Biblioteca para a infancia}} {{dhr}} {{lh|8em}} {{dhr}} {{Xxxx-larger|{{serifa|{{uc|Para lêr nas férias}}}}}}}} {{cr|sp|40|w|40|cll|10|fy3|40|clr|10|w|40|sp|40}} {{Bloco direito|{{Underline|{{Sc|Typographya da Parceria<br> Antonio Maria Pereira ―<br> Rua Augusta, 44, 46, e 48<br> {{x-larger|<nowiki>* * *</nowiki> }}LISBOA {{x-larger|* * *}}}}}}}}<noinclude></noinclude> j58at00cbv7ukl62j37nd9mx3xi5gr1 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/59 106 255501 558032 2026-08-06T09:51:51Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558032 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{serifa|{{xxx-larger|{{uc|Adalberto}}}}}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{Dhr}} Era ainda no tempo em que as lições se aprendiam de cór. Adalberto era muito bom rapazinho, muito esperto, inteligente mesmo, mas não tinha memória. Esforçava-se em vão por reter as lições e gastava muito tempo estudando; quando chegava porêm a ocasião de mostrar o que sabia, todos julgavam que êle não pegara no livro. O mestre escreveu para casa fazendo queixa ao pai, e o Dr. Lima, pai de Adalberto, chamou-o ao seu gabinete e repreendeu-o. O pequeno, com os olhos fitos no chão e os beiços trémulos, prestes a desatar a chorar, ouvia em silêncio sem se atrever a responder cousa alguma. Finalmente o pai disse-lhe: ― Retire-se e não me apareça, emquanto não souber a lição de geografia na ponta da lingua. {{nop}}<noinclude></noinclude> p06sscr80l3zwdv3vrbi4zoh0o1l5e4 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/60 106 255502 558033 2026-08-06T09:54:31Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558033 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|56|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>O pequerrucho saíu dali e, mal a porta se fechou sôbre êle, rompeu em impetuoso chôro. Sua mãe correu a saber o que assim o afligia. Com a voz entrecortada pelos soluços, Adalberto respondeu: ― O pai ralhou-me por eu não saber a lição. Eu {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|...emquanto se lavava..}} {{page break|label=}} estudo e sei; mas no dia seguinte já me não lembro de nada. D. Petronila enxugou as lágrimas do filho e perguntou: ― ¿A lição é muito grande? ― Não é. O professor já ma passou pequena de propósito. ― Vai buscar o livro e deixa vêr se eu consigo ensinar-ta. {{nop}}<noinclude></noinclude> 3vyg4g1o9fb4sk1wumv63c8fca4xl36 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/61 106 255503 558034 2026-08-06T09:59:56Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558034 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|57}} {{lh}}</noinclude>Adalberto correu a buscar o aborrecido livro e, abrindo-o onde estava um lindo postal, leu muito bem: «O mundo divide-se em cinco partes: a Europa, a Ásia e a África, que formam o Antigo Continente: a América, que é o Novo Continente, e a Oceania, {{page break}} {{extrair imagem}} O pai mandou-o lêr... {{page break}} que se compõe dum número consideravel de ilhas espalhadas no Grande Oceano de que tira o nome. ― O quê? ¿E' só isto? ― Só isto. ― ¿Então tu não consegues fixar tão pouca cousa? E' possivel ?! ― É, mãezinha. — Ora vamos a vêr se eu posso meter-te a liçãona cabeça. ¿Quantos dedos tens tu em cada mão? {{nop}}<noinclude></noinclude> hs3y4dp868aigb68pztmdvuxdcand8z 558036 558034 2026-08-06T10:00:16Z BlitzkriegBoop 37692 558036 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|57}} {{lh}}</noinclude>Adalberto correu a buscar o aborrecido livro e, abrindo-o onde estava um lindo postal, leu muito bem: «O mundo divide-se em cinco partes: a Europa, a Ásia e a África, que formam o Antigo Continente: a América, que é o Novo Continente, e a Oceania, {{page break|label=}} {{extrair imagem}} O pai mandou-o lêr... {{page break|label=}} que se compõe dum número consideravel de ilhas espalhadas no Grande Oceano de que tira o nome. ― O quê? ¿E' só isto? ― Só isto. ― ¿Então tu não consegues fixar tão pouca cousa? E' possivel ?! ― É, mãezinha. — Ora vamos a vêr se eu posso meter-te a liçãona cabeça. ¿Quantos dedos tens tu em cada mão? {{nop}}<noinclude></noinclude> 3qls3euf5p083iqlzfm1de5zqwe8lsv Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/62 106 255504 558037 2026-08-06T10:04:47Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558037 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|58|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― Cinco. ― ¿E quantas partes tem o mundo? ― Cinco. ― ¿De quantas partes se compõe o Antigo Continente? Adalberto ficou calado. ― ¿Quantos somos nós cá em casa? ― Quatro, com a criada. ― Eu não falava da criada; falava da familia. — Somos três. — ¿E quantas partes tem o Antigo Continente? ― Três. ― Dize lá quais são. ― Europa, Ásia e... e... ― ¿De onde veem os pretos? ― Da África. ― Bem. ¿O Novo Continente é composto de...? ― Esqueceu-me. ― Vê se te lembras. ― Não acho. ― O tango argentino, que está tanto em moda, de que origem vem? ― Da Argentina. D. Petronila desatou a rir e perguntou: ― ¿E onde fica a Argentina? ― Na Á.... ― Começa por A, mas não aberto. Tu perguntaste ao tio Maurício... O pequeno Adalberto esfregava a testa. {{nop}}<noinclude></noinclude> o928u7kfwje2xlpx148drthgw6kjimt Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/63 106 255505 558038 2026-08-06T10:07:01Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558038 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|59}} {{lh}}</noinclude>A mãe, como visse que êle não achava, perguntou-lhe: ― ¿Quem inventou o fonógrafo? ― Foi Edison. ― ¿E' um inglês? ― Não. E' americano. ― ¿Como se chamará o Novo Continente? {{page break|label=}} {{smaller|...viu o prestigiditador fazer cousas..}} {{page break|label=}} Muito risonho, Adalberto respondeu: — Já sei, já sei. E' a América. — Já abaixaste quatro dedos: falta o quinto. Adalberto olhava em volta, muito comprometido. A mãe tornou-lhe: — ¿Que livro é esse que está sobre a mesa? — Os ''Mistérios do Oceano''. — ¿Como se chama a quinta parte do mundo? {{nop}}<noinclude></noinclude> 1t52ljk8r70yyvm6vd1op40ws65qdu2 558039 558038 2026-08-06T10:07:22Z BlitzkriegBoop 37692 558039 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|59}} {{lh}}</noinclude>A mãe, como visse que êle não achava, perguntou-lhe: ― ¿Quem inventou o fonógrafo? ― Foi Edison. ― ¿E' um inglês? ― Não. E' americano. ― ¿Como se chamará o Novo Continente? {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|...viu o prestigiditador fazer cousas..}} {{page break|label=}} Muito risonho, Adalberto respondeu: — Já sei, já sei. E' a América. — Já abaixaste quatro dedos: falta o quinto. Adalberto olhava em volta, muito comprometido. A mãe tornou-lhe: — ¿Que livro é esse que está sobre a mesa? — Os ''Mistérios do Oceano''. — ¿Como se chama a quinta parte do mundo? {{nop}}<noinclude></noinclude> tf3kemkyb27htlckrlcj99t2wqedo4y Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/64 106 255506 558040 2026-08-06T10:09:26Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558040 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|60|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― A Oceania. ― ¿Porquê? Pela primeira vez Adalberto respondeu sem hesitar: ― Porque se compõe de um número consideravel de ilhas espalhadas no Grande Oceano; daí o seu nome. ― Muito bem, aplaudiu a snr.{{sup|a}} D. Petronila. Vamos outra vez repetir a lição. Seis vezes se reproduziu a mesma scena: por fim Adalberto sabia a lição na ponta da lingua. No dia seguinte de manhã, enquanto se lavava, Adalberto repetia a lição e via, com grande prazer, que lhe não tinha esquecido. Almoçou e, antes de saír para o colégio, foi bater timidamente á porta do escritório de seu pai e teve um sorriso de satisfação vendo que sua mãe estava ali sentada, na evidente intenção de assistir á entrevista que êle tanto receava, apesar de ter a certeza de que, desta vez, sabia bem a lição. O pai mandou-o abrir o livro e lêr um trecho qualquer, para o pôr á vontade, porque percebeu que êle estava ainda comovido pelos ralhos da véspera; por fim D. Petronila, depois de o vêr mais tranquilo, perguntou-lhe a lição que êle disse muito bem. O pai, satisfeito, disse-lhe: — Se durante oito dias souberes bem a lição, irás ao Coliseu vêr o prestidigitador que chegou ontem. O pequeno Adalberto durante quatro dias causou o espanto do professor, que tinha chegado a imagina-lo tolo, e que, vendo como êle dava óptima conta<noinclude></noinclude> 6s2eh6rrbvndmea40ys7na4sg3ro8ze Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/65 106 255507 558041 2026-08-06T10:11:14Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558041 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|61}} {{lh}}</noinclude>das lições, resolveu chama-lo e perguntar-lhe como é que, dum momento para o outro, dum cábula se fizera um bom estudante. Adalberto contou-lhe que sua mãe, vendo que êle não tinha memória, lhe ensinára a fazer mnemómicas e que por esse processo conseguira fixar as lições. ― Parece um disparate, mas não é, sr. Sá, dizia êle ao mestre admirado. Quando outro dia explicou o que era ''peninsula'', eu, para me não esquecer, disse comigo: península é quasi uma ilha e, se não é ilha, é porque lhe falta o ''quasi''; e, como nessa tarde tinha estado na praia, lembrei-me de que as pranchas, que se metem á água para os banhistas saltarem, estão rodeadas de água por todos os lados, menos por um: é o ''quasi''. Desde então, nunca mais esqueci que a peninsula está rodeada de água por todos os lados menos por um, que é por onde se liga ao continente. ― Está bem, disse sorrindo o professor. Desejo que esse modo de estudar te continue a dar resultado. Vai-te sentar. No fim dos oito dias o pai de Adalberto cumpria a promessa de o levar ao Coliseu, onde êle, radiante de júbilo, viu o prestidigitador fazer mil cousas maravilhosas. Desde então, Adalberto supria pela habilidade a falta de memória e nunca mais ninguêm notou que êle não sabia. Orgulhoso do seu esforço, ocultava-o e tinha mais merecimento do que qualquer outro em saber a lição, pelos grandes esforços que fazia para a<noinclude></noinclude> qa802d7xg6ejxov8b7evcca9bptg83b Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/66 106 255508 558042 2026-08-06T10:12:11Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558042 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|62|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>fixar. Á fôrça de usar a memória acabou por a desenvolver e quanto mais estuda menos lhe custa. D. Petronila, muito contente com a sua invenção, quando alguêm se lhe queixa de ter pouca aptidão para qualquer cousa, receita-lhe: ― Bôa vontade. E comenta: ― Supre tudo, até a falta de memória. Tem razão. {{nop}} {{Extrair imagem}}<noinclude></noinclude> i8zzr1a9rbn945sidness7tp7fzjooz Para ler nas férias/Adalberto 0 255509 558043 2026-08-06T10:13:03Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 558043 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=59 to=66 header=1/> [[Categoria:Para ler nas férias| 6]] 115pox0hgdg1f6tnaqyn9rza34ed7q6 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/67 106 255510 558044 2026-08-06T10:14:24Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558044 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{larger|Noite de sobresalto}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr}} <poem> Enquanto a família toda Vai receber o bébé, Manuel segue atrás da mãe E, pondo pé ante pé, Consegue roubar-lhe a chave E fugir com prontidão, Pensando convencer todos De que houve em casa um ladrão. Tendo lido o Sherlok Holmes, Quis o polícia imitar, Mas preparando o scenário Onde havia de brilhar. Entrou no quarto da cama, Pôs tudo num reboliço E, arrombando a dispensa, Levou o vinho e chouriço. <br> </poem><noinclude></noinclude> 12owbxp3xcgsy935gg8il234e9s7w45 558045 558044 2026-08-06T10:14:41Z BlitzkriegBoop 37692 558045 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{larger|Noite de sobresalto}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr}} <poem> Enquanto a família toda Vai receber o bébé, Manuel segue atrás da mãe E, pondo pé ante pé, Consegue roubar-lhe a chave E fugir com prontidão, Pensando convencer todos De que houve em casa um ladrão. Tendo lido o Sherlok Holmes, Quis o polícia imitar, Mas preparando o scenário Onde havia de brilhar. Entrou no quarto da cama, Pôs tudo num reboliço E, arrombando a dispensa, Levou o vinho e chouriço. <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> j2sj274ix7k2nztyxizfum2omvt7y8b Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/68 106 255511 558046 2026-08-06T10:19:06Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558046 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|64|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude><poem> ― Se tiro bolos, manteiga, Julgam logo que fui eu. Tirando do que não gosto Dirão: ¿quem foi o judeu? E, por muito que procurem, Ninguém me ha de suspeitar. ¡Como eu me vou divertir Fazendo um roubo a brincar! {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|E pondo pé ante pé}} {{page break|label=}} Depois serviu-se das chaves E, pegando no dinheiro, Foi 'scondê-lo no jardim Junto dum alto pinheiro. Terminada esta tarefa, Gritou: ―¡Acudam, ladrões! Com toda a força que pode Imprimir aos seus pulmões. <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> 3i6ynggy34wah5js2vwubvn67crlumj Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/69 106 255512 558047 2026-08-06T10:20:32Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558047 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|65}} {{lh}}</noinclude><poem> Correu o guarda nocturno, Acudiram os visinhos, Enquanto todos em casa Tremiam pelos cantinhos {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|Correu o guarda nocturno...}} {{page break|label=}} Sem se atreverem a vir Saber o que se passava. Entretanto, o garotaço Assim as cousas contava: <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> 2cadmzwaliow56e60wtg9uuhfm5p5c8 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/70 106 255513 558048 2026-08-06T10:21:42Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558048 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|66|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude><poem> «Quando entrei no quarto, vi «Um homem que ia a fugir: «Inda tentei agarra-lo: «Não o pude conseguir. «Grito, grito, ninguém me ouve. «Começava a enrouquecer «Quando chegaram, mas tarde, «P'ra me virem socorrer. {{asterismo}} ¡Que noite de sobresalto! Ninguêm conseguiu dormir. Dona Pulquéria, assustada, Vê mil fantasmas surgir Constantemente ao pé dela. A criada, que é medrosa, Entra no quarto do amo Numa figura espantosa: Leva a saia na cabeça, A palmatória na mão, E murmura apavorada: ― Eu sinto gente, patrão! <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> jci5xxkkejv0k9h0fcghzyo6iyq4jlb Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/71 106 255514 558049 2026-08-06T10:23:37Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558049 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|67}} {{lh}}</noinclude><poem> Dona Aldonça resolveu Dar tudo, em vida, á sobrinha, Pois ninguem a roubará Quando ela fôr pobrezinha. {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|Que noite de sobresalto!}} {{page break|label=}} Manuel ocultara as chaves No colete do criado, Que veio servir o almoço No trajo mais apurado. Dona Pulquéria viu logo A chave, e, de indignação, Pos-se de pé e bradou: ― Vejam: foi êle o ladrão! <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> 5urowfn9q4ib6ff4p29s4l8f8vnrbb9 558050 558049 2026-08-06T10:23:50Z BlitzkriegBoop 37692 558050 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|67}} {{lh}}</noinclude><poem> Dona Aldonça resolveu Dar tudo, em vida, á sobrinha, Pois ninguem a roubará Quando ela fôr pobrezinha. {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|Que noite de sobresalto!}} {{page break|label=}} Manuel ocultara as chaves No colete do criado, Que veio servir o almoço No trajo mais apurado. Dona Pulquéria viu logo A chave, e, de indignação, Pôs-se de pé e bradou: ― Vejam: foi êle o ladrão! <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> czb27vxnrsx515synjtya2lgbwhhz9y Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/72 106 255515 558051 2026-08-06T10:25:07Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558051 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|68|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude><poem> O pobre homem, assustado, Tira a chave d'algibeira Dizendo: ―'stá aqui... 'stá aqui... Mas não sei por que maneira. {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|― Vejam: foi êle o ladrão!}} {{page break|label=}} Vai sabê-lo num momento Quando chegar á prisão. Eu nunca darei desculpa A tão feia e negra acção. Manuel então afirmou: ― Não foi êle, minha mãe. Eu vi fugir o ladrão E conheço-o muito bem. <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> bshfpjy93ihbbp1040blpgxzowxin41 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/73 106 255516 558052 2026-08-06T10:26:24Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558052 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|69}} {{lh}}</noinclude><poem> ― ¿Mas que quer dizer a chave No bôlso do Elesbão? ― Foi para que, vendo-a lá, Julguem que é êle o ladrão. Dona Aldonça confessou Que tivera um susto tal Que receara morrer Sem dispôr do cabedal. Fez doação á sobrinha, Que muito grata ficou, Pois não sabia o motivo Que a tal acção a levou. Com a cabeça entre as mãos Pensa o pai no seu dinheiro: ¿Como ha de pagar a casa? ¿A conta ao talho? ¿ ao tendeiro? Então Manuel, levantando-se, Resolveu tudo alegrar. Foi ao jardim e voltou Trazendo o que ia buscar. Ao vêr o dinheiro, o pai Teve tal satisfação, Que começou a conta-lo Sem indagar do ladrão. <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> hjvqrpmt6scrviwy1e9b1jthq4u01ef Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/74 106 255517 558053 2026-08-06T10:27:56Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558053 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|70|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude><poem> Pulquéria, vendo o chouriço E o vinho voltar ao lar, Abraçou-se á tia Aldonça Que desatou a chorar. {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|Fez doação á sobrinha}} {{page break|label=}} Serenada a comoção, Todos quizeram ouvir Como é que as cousas voltaram. ― Êle as veiu restituir, Arrependido do roubo, Na intenção de se emendar. Perdoei. ― Fizeste bem. ― ¿Não o querem castigar? <br> </poem> {{nop}}<noinclude></noinclude> px5khayq3lvvvpvtnmh8qc2k8sz35m1 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/75 106 255518 558054 2026-08-06T10:29:13Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558054 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|71}} {{lh}}</noinclude><poem> ― Não, por estar arrependido. Então Manuel, ajoelhando Afirmou em tom sincero: ― Fazem-me bem perdoando. «Fui ladrão por brincadeira, «Mas, vendo tanta aflição, «Resolvi que nunca mais «Brincaria a ser ladrão. O pai perdoou, dizendo: ― Nós devemos confessar: Suplanta a dôr de perder O grande prazer de achar. </poem> {{nop}} {{dhr}} {{extrair imagem}}<noinclude></noinclude> 1mcd41oj2f15esjucge4eu9sbxzfogs Para ler nas férias/Noite de sobresalto 0 255519 558055 2026-08-06T10:30:02Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 558055 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=67 to=75 header=1/> [[Categoria:Para ler nas férias| 7]] mlesllvttupuzq8nzu79lcfh2qxugbb Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/77 106 255520 558056 2026-08-06T10:31:55Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558056 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xx-larger|{{bl|O rato de D. Matias}}}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr}} D. Matias era um espanhol residente em Lisbôa, havia longos anos, que vivia de ensinar piano ás meninas e senhoras lisboetas. Magro e elegante, cantava umas romanças acompanhando-se ao piano, o que lhe aumentava consideravelmente a clientela, porque, segundo diziam todos, D. Matias cantava com ''mucho salero''. Mas, como não ha bem que sempre dure nem mal que não acabe, veio uma época em que, por fatalidade, as discípulas de D. Matias o deixaram descansar tanto, que o pobre homem começava a andar apreensivo com receio de lhe vir a faltar o ganho necessário para o seu sustento. Então meditou muito e, julgando ter encontrado uma solução, fez inserir em todos os jornais êste anúncio em letras muito grandes: «O professor Matias Gonzalez tem um meio infalivel de conseguir que as meninas preguiçosas dêem magníficas lições de canto e piano. É o rato.» {{nop}}<noinclude></noinclude> rafupu97u8m35qpxjsmgbt0h6oba63a Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/78 106 255521 558057 2026-08-06T10:33:50Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558057 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|74|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Este anúncio trouxe-lhe muitas respostas porque despertou a curiosidade pública. D. Matias, quando estava sem dinheiro e sem discipulos, sentava-se ao piano e tocava horas e horas, não só para se exercitar, como também para se distrair. Com grande espanto seu, viu um dia que um {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|D. Matias levava horas e horas}} {{page break|label=}} ratinho, quando êle começava a tocar, deitava a cabeça fóra do buraco e se punha a escuta-lo com atenção. Como êle o não enxotasse, o rato ganhou confiança e a pouco e pouco veio saindo para fóra até se colocar junto da cadeira do professor, escutando-o com muito propósito. Se êle parava de tocar, fugia para o buraco; se recomeçava, vinha de novo ouvir. D. Matias tinha muita vaidade no seu gentil admirador e {{hífen|come|começou}}<noinclude></noinclude> 4bcw8zc0x8glgitbtssoru4q2m3tf1k Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/79 106 255522 558058 2026-08-06T10:35:48Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558058 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|75}} {{lh}}</noinclude>{{hífen-fim|çou|começou}} a dar-lhe migalhinhas de queijo e bocadinhos de toucinho frito. O rato, que era muito guloso, afeiçoou-se a quem lhe dava tão boas cousas e acabou por não recolher ao buraco, andando pela casa atrás de D. Matias como se fosse um cãozinho. O espanhol ensinou-o {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|A primeira pessoa que respondeu ao anúncio}} {{page break|label=}} a dançar, a pôr-se em pé nas patas trazeiras, e a fazer mil habilidades. Como não tinha filhos nem familia, afeiçoou-se ao rato, que era muito meigo e êle tornara muito bem educado, e trazia-o sempre no bolso para qualquer parte que fôsse. Caindo em necessidade, lembrou-se D. Matias de tirar proveito do seu amiguinho e, indo a casa da {{hífen|pri|primeira}}<noinclude></noinclude> ashctwfjfslajqbgm7hokr6bshpmvss Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/80 106 255523 558059 2026-08-06T10:38:25Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558059 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|76|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>{{hífen-fim|meira|primeira}} pessoa que respondeu ao anúncio, expos-lhe o seguinte: «Quando uma discipula não sabe a lição, não lhe mostro o rato; se ela, pelo contrario, dá bôa conta de si, mando o rato dansar e fazer habilidades. Este meio é infalível porque as crianças acham uma tal {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|A discipula de D. Matias lendo o seu proprio elogio}} {{page break|label=}} graça ao rato que, só para o verem fazer as suas gracinhas, estudam com muito bôa vontade.» Dias depois, foi chamado a uma casa onde não havia crianças. A discípula era uma senhora alta e magra, mas com uma grande negação para a música. Tocava muita cousa, mas tudo mal e sem gosto algum; era preciso incutir-lhe gôsto, desenvolver-lhe o sentimento artístico, etc. Era, pelo menos, isso que o marido, um maníaco por música e que não se queria<noinclude></noinclude> sozgaw5e7jyxtgakcwpmvg4yadgg2l7 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/81 106 255524 558061 2026-08-06T11:03:28Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558061 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|77}} {{lh}}</noinclude>conformar com o desastramento musical da mulher pedia ao professor. É claro que com esta discipula não podia êle empregar o rato. O método que usava era outro. Tocava para ela ouvir, procurando despertar-lhe o interesse que absolutamente lhe faltava. Tocou-lhe a ''Ave Maria'' do ''Otelo'', elogiou-lhe primeiro essa obra do grande maestro italiano José Verdi e depois cantou-lhe algumas ''malagueñas'' da sua terra, com o ardor e graça que tanto lhe admiravam nas salas. Era tudo inutil. D. Josefina bocejava, detestava o piano e, segundo afirmava, só estudava e dava lições para não deixar de ir no inverno a París. Porque o marido, que declarava a todos que a mulher era uma excelente pianista, dissera-lhe que, se o deixasse ficar por mentiroso, não iria viajar com êle. D. Matias perdia a paciência. Sabendo por acaso, em conversa, que D. Josefina tinha mêdo de ratos, lembrou-se de empregar o seu amigo para tirar resultado desta discípula renitente. ― Se v. ex.{{sup|a}} não toca como deve, disse-lhe êle muito zangado, ponho-lhe um rato na cabeça. D. Josefina julgou que era gracejo; mas, tendo tocado em ''alegro'' uma cousa que devia ser tocada em ''andante'', D. Matias, num impeto de impaciência, meteu rápidamente a mão ao bolso e pôs-lhe o rato na cabeça. — ¿Que fez? perguntou assustada D. Josefina. — O que prometi, se não tocasse bem. A pobre senhora não se atrevia a tocar no rato<noinclude></noinclude> 4y3v1erz8a7nc4ag4j9oadprlwy1ga8 Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/130 106 255525 558062 2026-08-06T11:18:12Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558062 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xx-larger|{{uc|Índice}}}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr|2}} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |nodots |página={{sc|Pag.}} }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/O livro do dr. Décio|O livro do dr. Décio]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/7|5]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/No Jardim Zoologico|No Jardim Zoologico]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/15|13]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/A padeira de Santarem|A padeira de Santarem]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/19|17]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/No Entrudo|No Entrudo]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/27|25]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/Um bom rapaz|Um bom rapaz]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/33|31]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/Quem diz o que não deve, ouve o que não quer|Quem diz o que não deve, ouve o que não quer]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/45|43]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/A marmelada|A marmelada]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/49|47]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/O botão de rosa|O botão de rosa]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/57|55]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/A árvore do Natal|A árvore do Natal]] |página=[[Página:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf/61|59]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Para Divertir/Os ovos de D. 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