Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.14 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:Historias da meia noite.djvu/139 106 160025 558176 406889 2026-08-07T21:06:26Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558176 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernestn de tal}}|139}}</noinclude>{{c|IV}} {{dhr}} Apenas sahiu á rua, embicou Ernesto para a casa em que trabalhava o rapaz de nariz comprido, resolvido a explicar-se de uma vez com elle. Hesitou alguma cousa,{{corr|| }}é verdade, e esteve a pique de arripiar carreira; mas a crise era tão violenta que triumphou da frouxidão de ânimo, e vinte minutos depois chegava elle ao seu destino. Não entrou no escriptorio do rival: poz-se a passear de um lado para outro, á espera que elle sahisse, o que se verificou d’ahi a tres quartos de hora, tres enfadonhos e mortaes quartos de hora. Ernesto aproximou-se ''casualmente'' do rival; comprimentaram-se com um sorriso acanhado e amarello, e ficaram alguns segundos a olhar um para o outro. Ja o guarda-livros ia tirando o chapeu e despedindo-se, quando Ernesto lhe perguntou: — Vae hoje á rua do Conde&nbsp;? — Talvez. — A que horas&nbsp;? — Não sei ainda. Porque&nbsp;? — Iriamos juntos. Eu vou ás oito. O rapaz de nariz comprido não respondeu. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> lcdxxmcr0a9q04s7f8rwacwmafy09t9 558177 558176 2026-08-07T21:06:37Z JppBr98 28173 558177 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernestn de tal}}|139}}</noinclude>{{c|V}} {{dhr}} Apenas sahiu á rua, embicou Ernesto para a casa em que trabalhava o rapaz de nariz comprido, resolvido a explicar-se de uma vez com elle. Hesitou alguma cousa,{{corr|| }}é verdade, e esteve a pique de arripiar carreira; mas a crise era tão violenta que triumphou da frouxidão de ânimo, e vinte minutos depois chegava elle ao seu destino. Não entrou no escriptorio do rival: poz-se a passear de um lado para outro, á espera que elle sahisse, o que se verificou d’ahi a tres quartos de hora, tres enfadonhos e mortaes quartos de hora. Ernesto aproximou-se ''casualmente'' do rival; comprimentaram-se com um sorriso acanhado e amarello, e ficaram alguns segundos a olhar um para o outro. Ja o guarda-livros ia tirando o chapeu e despedindo-se, quando Ernesto lhe perguntou: — Vae hoje á rua do Conde&nbsp;? — Talvez. — A que horas&nbsp;? — Não sei ainda. Porque&nbsp;? — Iriamos juntos. Eu vou ás oito. O rapaz de nariz comprido não respondeu. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> plkf8dnds5mc1jl4tr5kul7fg11dijk Página:Historias da meia noite.djvu/140 106 160027 558178 406890 2026-08-07T21:19:01Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558178 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|140|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>— Para que lado vae agora&nbsp;? perguntou Ernesto depois de algum silêncio. — Vou ao Passeio Publico, se o senhor la não for, respondeu resolutamente o rival. Ernesto empallideceu. — Quer assim fugir de mim&nbsp;? — Sim, senhor. — Pois eu não; desejo até que haja uma explicação entre nós. Espere… não me volte as costas. Saiba que eu tambem sou atrevido, menos de lingua ainda que de mão. Vamos, dê-me o braço e caminhemos ao Passeio Publico. O rapaz de nariz comprido teve impetos de atracar-se com o rival e experimentar-lhe as forças; mas estavam n’uma rua commercial; todo o seu futuro voaria pelos ares. Preferiu dar-lhe as costas e seguir caminho. Executava ja este plano, quando Ernesto lhe gritou: — Venha ca, namorado sem ventura&nbsp;! O pobre rapaz voltou-se rapidamente. — Que diz o senhor&nbsp;? perguntou elle. — Namorado sem ventura, repetiu Ernesto cravando os olhos no rosto do rival a ver se lhe descobria uma confissão qualquer. — É singular, replicou o rapaz de nariz comprido, é singular que o senhor me chame namorado sem ventura, quando ninguem ignora a triste figura que tem feito para obter as boas graças de uma moça que é minha… {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> lipudf0ec3rcaklo2x8aoddyodw09jf Página:Historias da meia noite.djvu/141 106 160028 558179 406891 2026-08-07T21:24:59Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558179 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|141}}</noinclude>— Sua&nbsp;! — Minha&nbsp;! — Nossa direi eu… — Senhor&nbsp;! O rapaz de nariz comprido engatilhou um socco; a segurança e tranquillidade com que Ernesto olhava para elle mudaram-lhe o curso das ideias. Fallaria elle verdade? Essa moça, que tanto amor lhe jurava, com quem meditava casar dentro de pouco tempo, mas de quem alguma vez desconfiára,{{corr|| }}teria dado effectivamente áquelle homem o direito de a chamar sua? Esta simples interrogação perturbou o espirito do rapaz, que esteve cerca de dous minutos a olhar mudamente para Ernesto, e este a olhar mudamente para elle. — O que o senhor disse agora é muito grave; preciso de uma explicação. — Peço-lhe explicação egual, respondeu Ernesto. — Vamos ao Passeio Publico. Seguiram caminho, a princípio silenciosos, não so porque a situação os acanhava naturalmente, mas tambem porque cada um delles receiava ouvir uma cruel revelação. A conversa começou por monosyllabos e phrases truncadas, mas foi a pouco e pouco fazendo-se natural e correcta. Tudo quento os leitores sabem de um e outro foi alli exposto por ambos, e por ambos ouvido entre abatimento e colera. — Se tudo quanto o senhor diz é a expressão da verdade, observou o rapaz de nariz comprido descendo<noinclude> <references/></noinclude> 83kstwfdzcq14qlv60im3tzjwtmcod0 Página:Historias da meia noite.djvu/142 106 160029 558180 406892 2026-08-07T21:56:01Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558180 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|142|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>a rua das Marrecas, a conclusão é que fomos enganados… — Vilmente enganados, emendou Ernesto. — Pela minha parte, tornou o primeiro, recebo com isto um grande golpe porque eu amava-a muito, e pretendia faze-la minha espôsa, o que succederia breve. A minha boa fortuna fez com que o senhor me avisasse a tempo… — Talvez me censurem o passo que dei; mas o resultado que vamos colher justifica tudo. Nem por isso creia que padeço menos… eu amava loucamente aquella moça&nbsp;! Ernesto proferiu éstas palavras tão de dentro, que ellas repercutiram no coração do rival, e ambos ficaram algum tempo calados, a devorar comsigo a dor e a humilhação. Ernesto rompeu o silêncio soltando um magoadissimo suspiro, na occasião em que entravam no Passeio. So o guarda pôde ouvi-lo; o rapaz de nariz comprido ia revolvendo no espirito uma dúvida. — Devo eu condemnar tão ligeiramente aquella moça? perguntou elle a si mesmo; e não sera este sugeito um pretendente vencido que, por semelhante meio, quer obter a minha neutralidade&nbsp;? O rosto de Ernesto não parecia dar razão á conjectura do rival; todavia, como o lance era grave e cumpria não ir por apparencias, o rapaz de nariz comprido abriu de novo o capítulo das revellações, no que foi acompanhado pelo rival. Todas ellas iam concordando entre si, os incidentes e os gestos que um relembrava, tinha<noinclude> <references/></noinclude> pw0ho2xre6y2t1cg5jhmreeh1qcmxln Página:Historias da meia noite.djvu/143 106 160030 558183 406893 2026-08-07T22:34:25Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558183 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|143}}</noinclude>echo na memoria do outro. O que porêm decidiu tudo foi a apresentação de uma carta que cada um delles tinha casualmente no bolso. O texto de ambas mostrava que eram recentes; a expressão de ternura não era a mesma nas duas epistolas, porque Rosina, como sabemos, ia afrouxando o tom em relação a Ernesto; mas era quanto bastava para dar ao rapaz de nariz comprido o golpe de misericordia. — Despresemo-la, disse este, quando acabou de ler a carta do rival. — So isso&nbsp;? perguntou Ernesto; o simples desprêzo sera bastante&nbsp;? — Que vingança tirariamos della&nbsp;? objectou o rapaz de nariz comprido. Ainda que alguma fosse possivel, não sería digna de nós… Calou-se; mas tocado de uma subita ideia exclamou: — Ah&nbsp;! lembra me um meio&nbsp;! — Qual&nbsp;? — Mandemos-lhe uma carta de rompimento, mas uma carta de egual theor. A ideia sorriu logo ao espirito de Ernesto, que parecia ainda mais humilhado que o outro, e ambos foram dalli redigir a carta fatal. No dia seguinte, logo depois do almôço, estava Rosina em casa muito socegada, longe de esperar o golpe, e até forjando planos de futuro, que assentavam todos no rapaz de nariz comprido, quando o moleque lhe appareceu com duas cartas. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> 9aqn92mqd5luauqqittvqaz9bi854z9 Página:Historias da meia noite.djvu/144 106 160031 558182 406894 2026-08-07T22:08:09Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558182 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh|144|{{sc|historias da meia noite}}}}</noinclude>— Nhanhã Rosina, disse elle, ésta carta é de sinhô Ernesto, e ésta… — Que é isso&nbsp;? disse a moça; os dous… — Não, explicou o moleque; um estava na esquina de cima, outro na esquina de baixo. E fazendo tinir no bolso alguns cobres que os dous rivaes lhe haviam dado, o moleque deixou a senhora moça ler á vontade as duas missivas. A primeira que abriu foi a de Ernesto. Dizia assim: «&nbsp;Senhora! Hoje que tenho certeza da sua perfidia, certeza que ja nada me pode arrancar do espirito, tomo a liberdade de lhe dizer que está livre e eu rehabilitado. Basta de humilhações&nbsp;! Pude dar-lhe credito em quanto lhe era possivel enganar-me. Agora… Adeus para sempre&nbsp;!&nbsp;» Rosina levantou os hombros ao ler ésta carta. Abriu rapidamente a do rapaz de nariz comprido. E leu: «&nbsp;Senhora&nbsp;! Hoje que tenho a certeza da sua perfidia, certeza que ja nada me póde…&nbsp;» D’aqui para diante foi crescendo a surpreza. Ambos se despediam; ambos por egual theor. Logo, tinham descoberto tudo um ao outro. Não havia meio de reparar nada; tudo estava perdido&nbsp;! Rosina não costumava chorar. Esfregava ás vezes os olhos, para os fazer vermelhos, quando havia necessidade de mostrar a um namorado que se resentia de alguma cousa. D’esta vez porêm chorou devéras; não de magoa, mas de raiva. Triumphavam ambos os rivaes; ambos lhe fugiam, e lhe davam de commum accordo o<noinclude> <references/></noinclude> kv1x086t6drlyfonnt2xs40b1jpkp7b Página:Historias da meia noite.djvu/145 106 160032 558184 370617 2026-08-07T22:35:56Z JppBr98 28173 /* Revista */ 558184 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||{{sc|ernesto de tal}}|145}}</noinclude>último golpe. Não havia resistir; entrou-lhe na alma o desespêro. Por desgraça não havia no horisonte a mais ligeira vela. O primo a quem alludimos n’um dos capitulos anteriores, andava com ideias a respeito de outra moça, e ideias ja conjugaes. Ella mesma descuidára o seu systema durante os ultimos trinta dias deixando sem resposta alguns olhares interrogadores. Estava pois abandonada de Deus e dos homens. Não; ainda lhe restava um recurso. {{nop}}<noinclude> <references/></noinclude> g8rewuucnyo7a3472oc35q5wi6w3grt Predefinição:Progressos recentes 10 220893 558171 558164 2026-08-07T13:00:13Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 558171 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|80|9|11|0}} | [[Index:Bem cavalgar.djvu|Livro da ensinança de bem cavalgar toda sella]] |- | {{Barra de progresso|70|0|15|14|1|-1.7763568394003E-15}} | [[Index:Diccionario Bibliographico Brazileiro v1.pdf|Diccionario Bibliographico Brazileiro]] |- | {{Barra de progresso|19|0|1|2|1|77}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|0|0|49|0|4|47}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|0|0|1|0|0|99}} | [[Index:Maria O'Neill - Alegrias.pdf|Alegrias]] |- | {{Barra de progresso|0|0|10|0|3|87}} | [[Index:Maria O'Neill - Para Divertir.pdf|Para Divertir]] |- | {{Barra de progresso|0|7|51|0|12|30}} | [[Index:Maria O'Neill - 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A resposta zombeteira dʼeste alumno, em certo sentido pelo menos, poderia com fundamento ser repetida pela immensa maioria dos entes sublunares. Que de pessoas ha que téem ouvido fallar da Lua e que nunca a viram uma vez sequer... pelo menos através do ocular de uma luneta ou de um telescopio! Quantas, que nem sequer ainda tiveram occasiāo de observar o mappa do proprio satellite! Quando olhamos para um mappa-mundi selenographico, o que mais viva e immediatamente nos impressiona, por sua estranheza, é que os continentes, em contrario do que succede na Terra e em Marte, no globo lunar, encontram-se de preferencia no hemispherio sul. E estes continentes nāo sāo contornados por linhas termi-<noinclude></noinclude> gw2622i6egbx4mh2nfzyneh4nj0wkgn Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/118 106 255570 558168 2026-08-07T12:38:36Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558168 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|110|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>naes tão nitidas e regulares como as que desenham a America meridional, a Africa e a peninsula indiana, senão que vem acabar em costas angulosas, caprichosas, profundamente laceradas, abundantes em golfos e em peninsulas, que fazem lembrar aquelle ''imbroglio'' das ilhas de Sonda, onde as terras estão excessivamente divididas. Se em alguma época houve navegação na superficie da Lua, por certo que deve ter sido singularmente difficil e arriscada, e que eram dignos de dó os maritimos o hydrographos selenitas, estes porque tinham de levantar plantas dʼaquellas plagas accidentadas, aquelles porque tinham de fundear em tão perigosos ancoradouros. É tambem digno de notar-se que no espheroide lunar, é muito mais continental o pólo do sul do que o pólo norte. No ultimo existe apenas uma pequena calote de terras separadas dos outros continentes por vastos mares (<ref>Bem entendido está que aqui a palavra «mares» serve para designar os immensos espaços, que provavelmente estiveram outrʼora cobertos de agua, mas que actualmente são apenas vastas planicies.</ref>). Para a parte do sul revestem os continentes o hemispherio quasi por inteiro. É por consequencia possivel que os selenitas já tenham hasteado bandeira nʼum dos pólos lá dʼelles, emquanto os Franklin, os Ross, os Kane, os Dumont-DʼUrville e os Lambert ainda não lograram alcançar esse ponto ignoto do globo terrestre. Quanto a ilhas, são ellas bem numerosas na superficie da Lua, quasi todas oblongas ou circulares e como que traçadas a compasso, parecendo formar um vasto archipelago, comparavel ao lindo grupo que se estende entre a Grecia e a Asia Menor, e que a mythologia animou outrʼora com as mais graciosas lendas. Acodem involuntariamente ao espírito os nomes de Naxos, de Ténedos, de Milo e de Carpathos, e os olhos buscam involuntariamente a nave de Ulysses ou o «clipper» dos argonautas. Pelo menos assim o affirmava Miguel Ardan, que dizia ser um archipelago grego o que elle via no mappa. Aos olhos dos companheiros, menos dadós a phantasias, o aspecto dʼaquellas<noinclude> {{smallrefs}}</noinclude> sxaga534kqs4ocl1xvgyab9fwajh65w 558169 558168 2026-08-07T12:40:10Z Erick Soares3 19404 558169 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|110|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>naes tāo nitidas e regulares como as que desenham a America meridional, a Africa e a peninsula indiana, senāo que vem acabar em costas angulosas, caprichosas, profundamente laceradas, abundantes em golfos e em peninsulas, que fazem lembrar aquelle ''imbroglio'' das ilhas de Sonda, onde as terras estāo excessivamente divididas. Se em alguma época houve navegaçāo na superficie da Lua, por certo que deve ter sido singularmente difficil e arriscada, e que eram dignos de dó os maritimos o hydrographos selenitas, estes porque tinham de levantar plantas dʼaquellas plagas accidentadas, aquelles porque tinham de fundear em tāo perigosos ancoradouros. É tambem digno de notar-se que no espheroide lunar, é muito mais continental o pólo do sul do que o pólo norte. No ultimo existe apenas uma pequena calote de terras separadas dos outros continentes por vastos mares (<ref>Bem entendido está que aqui a palavra «mares» serve para designar os immensos espaços, que provavelmente estiveram outrʼora cobertos de agua, mas que actualmente sāo apenas vastas planicies.</ref>). Para a parte do sul revestem os continentes o hemispherio quasi por inteiro. É por consequencia possivel que os selenitas já tenham hasteado bandeira nʼum dos pólos lá dʼelles, emquanto os Franklin, os Ross, os Kane, os Dumont-DʼUrville e os Lambert ainda nāo lograram alcançar esse ponto ignoto do globo terrestre. Quanto a ilhas, sāo ellas bem numerosas na superficie da Lua, quasi todas oblongas ou circulares e como que traçadas a compasso, parecendo formar um vasto archipelago, comparavel ao lindo grupo que se estende entre a Grecia e a Asia Menor, e que a mythologia animou outrʼora com as mais graciosas lendas. Acodem involuntariamente ao espírito os nomes de Naxos, de Ténedos, de Milo e de Carpathos, e os olhos buscam involuntariamente a nave de Ulysses ou o «clipper» dos argonautas. Pelo menos assim o affirmava Miguel Ardan, que dizia ser um archipelago grego o que elle via no mappa. Aos olhos dos companheiros, menos dadós a phantasias, o aspecto dʼaquellas<noinclude> {{smallrefs}}</noinclude> td0dxppcs5oh7jlpj7ifuwownoxijk1 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/119 106 255571 558170 2026-08-07T12:43:47Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 558170 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|111|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>costas fazia antes lembrar as terras fragmentadas da Nova Brunswick e da Nova Escocia; onde o francez ia encontrar vestigios dos heroes da fabula, marcavam os americanos pontos favoraveis para estabelecer feitorias, no interesse do commercio e da industria lunares. Algumas palavras mais acerca da orographia dos continentes lunares, para concluir-lhes a descripçāo. Observam-se em todos aquelles continentes muito distinctamente cordas de montanhas, montanhas isoladas, circos e ranhuras; todos os relevos lunares, aliás extremamente accidentados, estāo comprehendidos nʼesta quadrupla divisāo. É uma imunensa Suissa, uma Noruega continua onde tudo foi feito pela acçāo plutonica. Aquella superficie tāo cortada de profundas escabrosidades, é resultado das contracçōes successivas da crusta, na época em que o astro estava em via de formaçāo. O disco lunar é consequentemente adequado ao estudo dos grandes phenomenos geologicos. Segundo notaram certos astronomos, a superficie da Lua, apesar de mais antiga do que a da Terra, está entretanto mais ''nova''. Nāo havia ali aguas que deteriorassem o relevo primitivo, e cuja acçāo crescente produzisse uma especie de nivelamento geral, nem ar cuja influencia decomponente modificasse os perfis orographicos. Ali a obra plutonica, nāo alterada pelas forças neptunianas, existe em toda a sua pureza nativa. É a terra, tal como foi antes dos pantanos e das correntes aquosas a terem coberto de tantas camadas sedimentares. A vista, depois de se ter espraiado errante por sobre aquelles vastos continentes, é attraida por mares ainda mais vastos, que nāo só pela configuraçāo, situaçāo e aspecto, fazem lembrar os oceanos terrestres, senāo que, como os mares da Terra, occupam tambem a maior parte do globo lunar. Nāo sāo todavia espaços liquidos como estes, mas planicies, euja natureza os viajantes esperavam em breve determinar. Força é confessar que os astronomos têem baptisado estes suppostos mares com denominaçōes pelo menos extravagantes, e no entretanto respeitadas até hoje pela sciencia, e Miguel ti-<noinclude></noinclude> bwjk0ca6x2eanerleoql28iazcvtjz7 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/82 106 255572 558172 2026-08-07T19:44:12Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558172 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|78|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>porque a repugnância que por êle sentia era invencivel mas, pedia pelo amor de Deus a D. Matias que a livrasse daquele martirio. Á lamúria dela acudiu o marido que, sabendo do que se tratava, declarou: ― Optimo! Optimo! Rato com ela, cada vez que não estiver com atenção. {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|O marido desola-se em vão}} {{page break|label=}} Foi tal o terror da pobre senhora que passou a estudar extraordinàriamente e, se nunca foi umagrande pianista, houve pelo menos uma vez em que recebeu uma grande ovação. Foi assim: O marido quis que ela tocasse com éxito num concerto de caridade. Mandou escrever a um compositor célebre uma canção que exprimisse bem o mêdo<noinclude></noinclude> dndj01g4laydhzvuvqzk108k2q9qm3l Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/83 106 255573 558173 2026-08-07T19:45:30Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558173 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|79}} {{lh}}</noinclude>e colocou D. Matias junto dela com o rato na mão. Ensaios e concerto foram um castigo para a pobre senhora, mas ela tocou como devia e nunca ninguém exprimiu melhor o mêdo musicalmente. Ouviu-se chamar insigne pianista. O marido impava de vaidade, mas o que ninguêm soube, nem mesmo ela o disse, foi que o seu triunfo era devido ao rato. É tão grande a vaidade feminina que, contente com os aplausos recebidos, agradeceu ao marido e a D. Matias... o rato. Nunça conseguiu tocar mais nada em termos, e o marido desola-se, em vão, por não saber o que ha de substituir o rato de D. Matias. {{nop}} {{dhr}} {{Extrair imagem}}<noinclude></noinclude> iyysrs0aenz2ia4qoxsf2sggab8xc4p Para ler nas férias/O rato de D. Matias 0 255574 558174 2026-08-07T19:46:28Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 558174 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=77 to=83 header=1/> [[Categoria:Para ler nas férias| 8]] er83rjiz9s7kmi0kcdxqseu69lgz77m Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/85 106 255575 558186 2026-08-08T11:15:07Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558186 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xx-larger|A viuva do felá{{xx-smaller|<ref>Camponês do Egipto.</ref>}}}}}} {{dhr}} {{lh|3em}} {{dhr}} Carlitos, sentado na sua alta cadeira junto da mesa de jantar, dizia a seu irmão Anibal, três vezes mais velho do que êle, que contava apenas sete anos: — Vê como eu estou crescido! Daqui a pouco ha ser preciso comprar-me outra cadeira. — Não vale a pena. Podes começar a servir-te das nossas. — Não gosto. Prefiro ser dono da minha cadeira. — Ora, sendo tu tão zeloso das tuas cousas, ¿porque motivo mexes nos meus livros? Julgas que me é indiferente isso? Assim como queres a cadeira só para ti, tambêm eu quero que os livros sejam só meus. — Quando eu fôr grande e tiver livros, não mexo nos teus. {{nop}}<noinclude>{{lh|6em}} <references> {{d|{{smaller|6}}}}</noinclude> 9t4bah3z5z6r1q62q2ksqkra155g5li Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/86 106 255576 558187 2026-08-08T11:18:18Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558187 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|82|{{uc|Para ler nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― ¿Então, daqui até lá, entendes que heide suportar que me estragues tudo? ― Eu não estrago. E' só para vêr os bonecos e olha que volto as fôlhas com todo o cuidado. Efectivamente Carlitos voltava as folhas lentamente e tomando todas as precisas precauções para não estragar o volume que tinha aberto sobre a mesa diante de êle. ― Olha, volveu conciliador, chamando a atenção do irmão para o livro, ¿quem é êste homem? ― E' um tuaregue. ― ¿Que são tuaregues? ― São homens que habitam os oásis do deserto do Saará, na A'frica. ― ¿E que bicho é êste que êle monta? ― Um camelo. ¿Não o viste no Jardim Zoológico? ― Não. ―― Pois lá ha um bem grande. ― ¿Levas-me a vê-lo? ― Isso... qualquer dia. ― ¡Este teu livro é muito bonito! Gostava de o ter. ― Quando souberes bem lêr, faço-te presente dêle. ― Tem bonecos muito lindos, mas tem alguns que eu não percebo o que são. ― É natural. ― Este por exemplo. ¿Que vem a sêr isto? {{nop}}<noinclude></noinclude> blflg3rep8jxndcfpznlmyoilo1lfzc 558188 558187 2026-08-08T11:18:44Z BlitzkriegBoop 37692 558188 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|82|{{uc|Para ler nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― ¿Então, daqui até lá, entendes que heide suportar que me estragues tudo? ― Eu não estrago. E' só para vêr os bonecos e olha que volto as fôlhas com todo o cuidado. Efectivamente Carlitos voltava as folhas lentamente e tomando todas as precisas precauções para não estragar o volume que tinha aberto sobre a mesa diante de êle. ― Olha, volveu conciliador, chamando a atenção do irmão para o livro, ¿quem é êste homem? ― E' um tuaregue. ― ¿Que são tuaregues? ― São homens que habitam os oásis do deserto do Saará, na A'frica. ― ¿E que bicho é êste que êle monta? ― Um camelo. ¿Não o viste no Jardim Zoológico? ― Não. ―― Pois lá ha um bem grande. ― ¿Levas-me a vê-lo? ― Isso... qualquer dia. ― ¡Este teu livro é muito bonito! Gostava de o ter. ― Quando souberes bem lêr, faço-te presente dêle. ― Tem bonecos muito lindos, mas tem alguns que eu não percebo o que são. ― É natural. ― Êste por exemplo. ¿Que vem a sêr isto? {{nop}}<noinclude></noinclude> mbkewviilo1w894mmodb06186usffni Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/87 106 255577 558189 2026-08-08T11:19:54Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558189 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|85}} {{lh}}</noinclude>{{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|E' um tuaregue}} {{page break|label=}}<noinclude></noinclude> qiztzgkd4h8dted6s41rjh5qgi7ndsr Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/88 106 255578 558190 2026-08-08T11:23:15Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558190 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|84|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>― Isto são as grandes Pirâmides do Egipto e a Esfinge. ― Fico na mesma. Não sei o que vem a ser isso. ― Os antigos reis do Egipto faziam construir assim os seus túmulos. Estas tres pirâmides são admiráveis pelo seu tamanho. A maior tinha 144 metros de altura e, ainda hoje, é um dos mais altos monumentos do mundo. Tem 137 metros! ― ¿E a Esfinge? ― Era um rochedo de 20 metros de altura representando um leão com colo e cabeça de mulher. Está em parte enterrado na areia. Entre as suas patas abria-se outrora a porta dum templo. ― Devia ser magnífico. O' Anibal, quem lê estes livros de viagens pode fingir que viu tudo, ¿pois não pode? Anibal sorriu e respondeu: ― Poder pode, mas é logo apanhado, porque a verdade anda constantemente á caça da mentira e desmascara-a a todo o momento. ― ¿Como é isso? ― Eu te conto. E Anibal, sentando-se em frente do irmão, começou assim: ― Um antigo ''felá''<ref>Camponês do Egipto.</ref> do Egipto era muito mentiroso: nunca falava verdade e enganava todos. Um dia Ramsés II recebeu queixas violentas contra êle e, tendo verificado que eram fundadas, mandou-o matar. A mulher dêle, que teve um grande desgôsto<noinclude><references></noinclude> ftv7mcjz3td7n57ex6vl7robi0swhfh Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/89 106 255579 558191 2026-08-08T11:26:44Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558191 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias|85}} {{lh}}</noinclude>de o perder, ficou com um grande horror á mentira por ela ter merecido tão tremendo castigo e, com receio de ter a mesma sorte que o marido, deu, não só em falar sempre verdade, como em perseguir os mentirosos. Mas, com tanta fúria caiu no excesso de o fazer, que causou grandes desastres em toda a região, porque todos gostam que lhes falem verdade, mas raros são os que a empregam sempre quando ela pode lesar as suas conveniências pessoais. De novo se alarmou o povo e o rei teve de escutar novas murmurações. Castigar uma criatura por falar verdade pareceu ao rei uma cousa iníqua: consultou os seus conselheiros que recearam manifestar a sua opinião. Todos, no fundo, aborreciam a defensora da verdade porque a temiam, ¿mas condena-la que efeito faria ao rei? «Foram pois unânimes na opinião de que se devia consultar o oráculo. E o oraculo respondeu: ― «Se o marido foi condenado á morte por mentir, seja ela condenada a viver eternamente por falar verdade e perseguir constantemente a mentira. «E aqui está como, desde então, a Verdade persegue a Mentira e nunca se cansa disso.» Carlitos olhou espantado para o irmão e respondeu: ― Isso não é, não pode ser verdade. Um rei não pode condenar ninguêm a viver, porque a vida não está sujeita á vontade dêle: pode tira-la, mas não da-la. Isso só Deus.{{nop}}<noinclude></noinclude> hhdz78j9iggjd8jxqenif78h7mcwdk6 558192 558191 2026-08-08T11:27:46Z BlitzkriegBoop 37692 558192 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|85}} {{lh}}</noinclude>de o perder, ficou com um grande horror á mentira por ela ter merecido tão tremendo castigo e, com receio de ter a mesma sorte que o marido, deu, não só em falar sempre verdade, como em perseguir os mentirosos. Mas, com tanta fúria caiu no excesso de o fazer, que causou grandes desastres em toda a região, porque todos gostam que lhes falem verdade, mas raros são os que a empregam sempre quando ela pode lesar as suas conveniências pessoais. De novo se alarmou o povo e o rei teve de escutar novas murmurações. Castigar uma criatura por falar verdade pareceu ao rei uma cousa iníqua: consultou os seus conselheiros que recearam manifestar a sua opinião. Todos, no fundo, aborreciam a defensora da verdade porque a temiam, ¿mas condena-la que efeito faria ao rei? «Foram pois unânimes na opinião de que se devia consultar o oráculo. E o oraculo respondeu: ― «Se o marido foi condenado á morte por mentir, seja ela condenada a viver eternamente por falar verdade e perseguir constantemente a mentira. «E aqui está como, desde então, a Verdade persegue a Mentira e nunca se cansa disso.» Carlitos olhou espantado para o irmão e respondeu: ― Isso não é, não pode ser verdade. Um rei não pode condenar ninguêm a viver, porque a vida não está sujeita á vontade dêle: pode tira-la, mas não da-la. 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Aníbal sorriu e volveu-lhe: ― Isto é uma lenda. O corpo da mulher do ''felá'' dorme, ha muito, fechado no seu túmulo. Dizem até que era uma das mais formosas múmias do seu tempo. Mas o seu espirito continua a perseguir a mentira, e a prova tu mesmo acabas de a dar não acreditando na história. E, rindo, beijou o irmão e dirigiu-se para a porta. ― Anibal! Aníbal! gritou Carlitos. ¿O que é uma múmia? Aníbal parou e respondeu-lhe: ― É um corpo tornado incorruptível por injecções de várias essências. Depois de sêco é apertado em ligaduras que lhe dão uma aparência curiosa, como podes vêr num dêsses bonecos que ai tens. Na tampa dos caixões que as encerravam era costume pintar um rosto semelhante ao da pessôa morta. Aníbal saíu e Carlitos ficou pasmado diante da estampa colorida que representava as múmias. Ferido subitamente duma idea, foi ao quarto dos bonecos e, sentando-se no chão, rasgou o seu lenço em tiras; depois, pegou numa boneca, que a mãe lhe dera vestida de rapaz, e procurou transforma-la em múmia. Com as tintas de aguarela tentou imitar as várias pinturas da estampa e, sem querer, sujou de tinta o livro do irmão, quando estudava um dos hieroglifos que lhe era mais dificil imitar. Muito triste pelo<noinclude></noinclude> ibhx1lsh8nqvil69l3yn53mqomlbr9v Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/92 106 255582 558196 2026-08-08T11:32:51Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558196 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|88|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>desastre, não sabia se o devia esconder se confessar. Quando o jantar reuniu a familia toda á mesa, a mãe de Carlitos estranhou-lhe o silêncio. ― ¿Estás doente, meu filho? ― Não, minha mãe, estou a pensar numa cousa. ― Em quê? ― Se o espírito da mulher do ''felá'' terá contado alguma cousa ao Anibal. ― ¿Então parece-te que êle tem alguma cousa a contar-me? Os pais olhavam-se sem perceber. Carlitos disse: ― Fiz uma múmia. Anibal riu e contou a seus pais a conversa que tinham tido de manhã. Quando se ergueram da mesa, Carlitos correu a buscar a múmia, que estava realmente bem imitada. Pegando nela, Aníbal examinou as mãos do Carlitos e viu que, junto das unhas, estavam sujas de tinta. Então, ferido dum pressentimento desagrádavel exclamou: ― ¿Tu sujaste-me o livro de tinta? Involuntàriamente Carlitos respondeu: ― Não, não sujei. ― ¿Para que mentes? perguntou-lhe Anibal, sem se zangar. Vai busca-lo. Quero vêr o estado em que mo puseste. Carlitos foi buscar o livro e entregou-o ao irmão sem se atrever a olhar para êle. {{nop}}<noinclude></noinclude> k2v31mh1q8nkrmhqfg99gxn32m76s3i Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/93 106 255583 558197 2026-08-08T11:33:57Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558197 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|89}} {{lh}}</noinclude>Anibal ficou consternado vendo o livro sujo, mas não ralhou com o irmãozinho porque era muito amigo dêle. {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|... uma das mais formosas múmias do seu tempo.}} {{page break|label=}} Carlitos saltou-lhe ao pescoço. Percebendo que êle estava cheio de desgosto, beijou-o muito e perguntou-lhe baixinho: ― ¿Foi o espírito da viuva do felá que to disse? A pergunta foi feita com tanta sinceridade, que<noinclude></noinclude> 0z8pznelc0xrajg1kwlgenl21t7nv6e Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/94 106 255584 558198 2026-08-08T11:34:52Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558198 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|90|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude><noinclude></noinclude> hsmdoi28wu0vg2r51n5da8vo8pb19vg 558199 558198 2026-08-08T11:35:14Z BlitzkriegBoop 37692 558199 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|90|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Aníbal, sorrindo apesar da contrariedade que sentia, respondeu-lhe: ― ¿Então quem havia de ser? Carlitos acreditou-o piamente. Só depois dos doze anos é que começou a duvidar de que a viuva do ''felá'' influísse no descobrimento da verdade. É assim que, muitas vezes, se criam superstições que acompanham as pessoas numa grande parte da vida! Crer em lendas é uma das mais humanas e mais bem rematadas tolices. {{nop}} {{dhr|4em}} {{extrair imagem}}<noinclude></noinclude> fuo6wkc0f05h6os91orkzfltb1bh5x1 Para ler nas férias/A viuva do felá 0 255585 558200 2026-08-08T11:36:19Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 558200 wikitext text/x-wiki <pages index="Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf" from=85 to=94 header=1/> [[Categoria:Para ler nas férias| 9]] 24y7sw3n5xo52p36feyx0lzgl62udmp Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/95 106 255586 558201 2026-08-08T11:38:22Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558201 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{Ch|{{UC|DIGNIDADE DUM POBRE}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr}} O tio Adelino Verde andava profundamente pensativo. Não comia, quasi não falava, e a custo mesmo se decidia a trabalhar. Em vão a mulher e a cunhada lhe faziam perguntas; não obtinham senão esta resposta: ― Não é da vossa conta. Deixem-me em paz. Fôra o caso que um seu antigo companheiro de escola, mandado para o Brasil pelo pai quando tinha quinze anos, voltara riquíssimo, comprara propriedades, e, considerado por todos na terra como um grande senhor, já se dizia que ia ser feito visconde; quando êle fôra ao seu encontro de braços abertos para o estreitar nêles com verdadeira alegria de coração, tinha sido recebido friamente. O brasileiro não lhe oferecêra uma cadeira para se sentar e, sem o tratar por tu, como de antes, fingira não se recordar do seu nome senão a custo, e mostrara-lhe claramente que não tinha desejos de reatar relações.{{nop}}<noinclude></noinclude> 8qgechf62yi2poyj128j0vshzugyrly Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/96 106 255587 558202 2026-08-08T11:40:19Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558202 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|92|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Ferido e umilhado vivamente no seu real afecto e sinceridade do coração, o tio Adelino Vêrde retirou-se com as lágrimas nos olhos e resmungando por entre dentes: ― ¡Que mundo êste! Fui talvez eu o único amigo que o não esqueci, o que mais sentiu a sua partida, e o único de que êle se não lembra... de que finge que se não lembra, porque se envergonha da minha ignorância e pobreza! Em casa a mulher perguntou- lhe com curiosidade: ― ¿Então como te recebeu o Ermenigildo? ― Bem, muito bem... ― ¡Mas não te demoraste lá! ― ¿Que queres, mulher? não me sentia á vontade. Está lá a cumprimenta-lo toda a fidalgaria cá da terra... ― Pudera não!... Ele vem podre de rico, comentou a cunhada. Pretestando ter que fazer, o tio Adelino Verde afastou-se para pôr termo ás perguntas da mulher e da cunhada. Não lhe pesara nunca viver pobre, vergado de sol a sol sob o pêso da enxada. A sua vida fôra até então alegremente risonha. Mas, neste momento, o desdêm do melhor amigo da sua infância tornava-o inconsolavel. ― ¡Que me importa a mim com o seu dinheiro! Eu nem pensava que êle o tinha! Guarde-o e não seja soberbo... Fale á gente. Por sua parte, Ermenigildo, quando as {{hífen|notabili|notabilidades}}<noinclude></noinclude> gqnnubwzda2myd90ubrpjapetw19qi6 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/97 106 255588 558203 2026-08-08T11:41:46Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558203 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|92|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>{{hífen-fim|dades|notabilidades}} da terra se retiraram, pensou em Adelino Verde, na boa amizade que em tempo os ligara, e envergonhou-se {{page break|label=} {{Extrair imagem}} {{smaller|O brasileiro não lhe oferecera uma cadeira...}} {{page break|label=}} de não ter sabido ser superior a preconceitos mesquinhos, recebendo-o festivamente como ao mais querido dos seus antigos companheiros. Agora ¿que<noinclude></noinclude> 82xewb64vp1xkkz7v2gsortgukecfn2 558204 558203 2026-08-08T11:41:59Z BlitzkriegBoop 37692 558204 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|92|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>{{hífen-fim|dades|notabilidades}} da terra se retiraram, pensou em Adelino Verde, na boa amizade que em tempo os ligara, e envergonhou-se {{page break|label=}} {{Extrair imagem}} {{smaller|O brasileiro não lhe oferecera uma cadeira...}} {{page break|label=}} de não ter sabido ser superior a preconceitos mesquinhos, recebendo-o festivamente como ao mais querido dos seus antigos companheiros. Agora ¿que<noinclude></noinclude> 1jrsnnrt1fn5t5o45xl1knlzpzqgwi3 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/98 106 255589 558205 2026-08-08T11:46:21Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558205 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|94|{{uc|Para ler nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>fazer? O melhor era ser coerente com o procedimento que espontaneamente tivera. Demais, o Adelino não poderia estender a mão ás pessoas das suas actuais relações. Ninguêm lha apertaria. ― Contudo, pensava êle, talvez se não encontrasse em toda a aldeia um caracter mais digno. Pouco contente consigo, resolveu fazer o possivel para esquecer tão desagradável incidente. Mas acontece, geralmente, quando alguêm se porta mal, que a sua consciência o censura e, quanto mais deseja esquecer, mais se lembra e sente pena e remorsos do acto que praticou. Depois, tudo parece estar combinado para avivar na memória o que o incomoda! A' noite, ao deitar-se, viu diante dos olhos o último serão que passara na terra antes de ir para o Brasil. O Adelino fizera-lhe companhia, e no dia seguinte, ao ir com êle até á diligência que o havia de conduzir á estação, o pobre rapaz chorava ao estreita-lo nos braços, como se fosse dum irmão que se separasse. A pena da maneira por que o tratara aumentou. Ele não era mau, mas parecia-o. Estava vivamente arrependido, mas, por um resto de amor próprio, não se atrevia a demonstra-lo. No dia seguinte tinha um mau aspecto. O pai perguntou-lhe: ― ¿Estranhaste a cama? ― Creio que sim. Passei quasi toda a noite sem dormir. ― Pois olha que te dei o melhor leito que ha em casa. {{nop}}<noinclude></noinclude> pis6m9e6fhgscz63nor810ojwnwa7av Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/99 106 255590 558206 2026-08-08T11:48:13Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558206 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|95}} {{lh}}</noinclude>― Isso vi eu. Mas atribuo isto ao extremo cansaço- da jornada. {{page break|label=}} {{Extrair imagem}} {{smaller|A' noite, ao deitar-se...}} {{page break|label=}} ― ¡Estás um fidalgo em tudo! ¡Quem me havia de dizer que um filho meu se tornaria tão delicado!...O que faz o dinheiro! {{nop}}<noinclude></noinclude> 3u5h29w507q39ldz6e2z2t4fdg1zypy Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/100 106 255591 558207 2026-08-08T11:49:59Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558207 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|96|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Ermenigildo sorriu contrafeito. Foram almoçar e êle procurou mostrar-se jovial e animado. Mas o pai, apesar de ser um rude camponês, era esperto e não se deixou enganar pelas aparências. Terminada a refeição, voltou-se para o filho e disse-lhe: ― ¿Queres que eu te diga o que tens? Ermenigildo olhou para o pai interrogativamente. O velho continuou: ― Estás mal contigo pelo modo por que trataste ontem o Adelino. Se queres que seja franco, tambêm te direi que a tua conduta me pareceu mal. Ermenigildo baixou a cabeça corando e o pai continuou: ― Ora se eu estivesse no teu caso, ia-me a casa dêle, dava-lhe um bom abraço, e pedia-lhe desculpa. ― Isso custa-me, volveu indeciso o Ermenigildo:é reconhecer que andei mal. ― E então? Não te acusa disso a consciência? ― Pois sim, mas... Pensarei no meio de remediar o caso. ― Faze o que quizeres; mas o Adelino é um homem digno ás direitas. Deve estar profundamente maguado com a maneira por que o recebeste... Entrando no quarto que o pai lhe destinara, Ermenigildo meteu, por um movimento naturalmente inconsciente, a mão ao bôlso, e, tirando uma pequena chave, foi abrir a mala. Tirou dela um cofre que continha dinheiro em oiro e começou a contar libras. {{nop}}<noinclude></noinclude> a05cjb4zendaflcp6xy9731vplluw5y Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/101 106 255592 558208 2026-08-08T11:51:18Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558208 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|97}} {{lh}}</noinclude>Fez vários montinhos de dez e, pegando em dez dêles, fez um embrulho muito bem feitinho e escreveu-lhe {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|... meteu a mão ao bolso....}} {{page break|label=}} por fóra: «Ao seu amigo de infância, como prova de amizade, oferece Ermenigildo Marques.» Depois, meteu-o numa caixa e, chamando um rapazito que {{hífen|cos|costumava}}<noinclude>{{D|{{smaller|7}}}}</noinclude> cmqrggt7bsm0opdmb54grv5tsci67st Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/102 106 255593 558209 2026-08-08T11:53:37Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558209 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|98|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>{{Hífen-fim|tumava|costumava}} guardar os porcos, mandou-o levar aquilo a casa do Vêrde, pedindo-lhe um sinal em como ficara entregue. Volvidos dez minutos, o rapazito voltou trazendo a caixa e um bilhete que dizia assim: «Ermenigildo; as tuas cem libras não podem ter entrada em minha casa. Nem mas devias mandar porque não deve ter bolsa lembrada quem tem um coração esquecido. Não ha de faltar quem te peça dinheiro: reparte-as pois por os mais pobres e mais necessitados da terra. A mim chega-me o meu trabalho para viver e consolam-me dos desgostos as amizades sinceras que ainda possuo. Desejo que sejas feliz. {{D|''Adelino Vêrde.''}} Espantado, o Ermenigildo voltava o papel entre as mãos sem saber que decisão tomar. Por fim foi ter com o pai que, sentado no escano ― era de inverno ― se aquecia á lareira. Contou-lhe o que fizera e a resposta do Adelino, terminando por dizer: ― E' um orgulhoso. Não quero saber mais dêle. O velho tornou-lhe: Em todo o caso, bem menos do que tu. Julgas que o dinheiro serve para tudo e de tudo, e êle prova-te que ha alguma cousa superior ao dinheiro: a dignidade dum homem de bem, que se não paga com uma mão cheia de oiro nem com toda a tua fortuna. {{nop}}<noinclude></noinclude> o5o50wm8rt538kw6xjkl8hvwjsy9eo5 Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/103 106 255594 558210 2026-08-08T11:55:06Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558210 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|99}} {{lh}}</noinclude>― Concordo. ¿Que me aconselha para ficar a bem com a minha consciência e merecer a sua aprovação, meu pai ? {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|... corria volta e meia á janela...}} {{page break|label=}} ― Que vás pessoalmente procurar o Adelino, lhe peças perdão, e lhe digas que o esperamos a êle e á familia para jantar. Se o administrador e o presidente da Câmara se não quizerem sentar com êle à mesa,que se vão embora. Esses não te conheciam se voltasses pobre. {{nop}}<noinclude></noinclude> r1gugd2jbfv6q9leflcd6xj5b4weiaz Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/104 106 255595 558211 2026-08-08T11:57:05Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558211 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|100|{{uc|Para lêr nas férias}}|}} {{lh}}</noinclude>Em casa do Vêrde todos estavam inquietos. Era a hora do jantar e Adelino não aparecia. A mulher, seguida da irmã, corria volta e meia á janela e voltava para dentro pesarosa de o não vêr chegar, dizendo a Gertrudes: ― Eu não sei o que me diz o coração! O meu homem anda triste, acabrunhado: traz no pensamento qualquer cousa que o anda a moer e não desabafa. ¿Onde terá êle ido que são estas horas e não aparece? A outra tentava socega-la, mas no fundo estava tambêm muito inquieta. Estimava o cunhado e sabia como êle era pontual. Nunca, durante os dôze anos últimos, acontecera semelhante cousa. O Adelino Vêrde regressava do campo para jantar, quando encontrou o Ermenigildo que ia a sua casa. Vendo que êle se lhe dirigia a pedir desculpa, todo o seu ressentimento cafu por terra. Apertou-o nos braços e esqueceu a ofensa recebida. A' tarde, quando o jantar os reuniu em casa do Ermenigildo, a alegria era franca. Fizeram-se saúdes e o presidente da Câmara e o administrador do concelho apertaram a mão ao Adelino, quando Ermenigildo, sem confessar a sua fraqueza, contou que êle recusara as cem libras, que lhe tinha oferecido, em favôr dos mais pobres da aldeia. Antes de se retirar, Adelino teve uma longa conversa com o seu rico amigo e entraram em combinações que, sendo de grande vantagem mútua, não {{hífen|umi|umilhavam}}<noinclude></noinclude> aevvsdxlvzfkhjwmfj8jzivcbyxfian Página:Maria O'Neill - Para ler nas férias.pdf/105 106 255596 558212 2026-08-08T11:58:28Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 558212 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{uc|Para lêr nas férias}}|101}} {{lh}}</noinclude>{{hífen-fim|lhavam|umilhavam}} ninguêm. Adelino passou a ser feitor do Ermenigildo e êste viu as suas propriedades prosperarem sob a direcção inteligente e cheia de interesse do {{page break|label=}} {{extrair imagem}} {{smaller|... a primeira saúde que fazia...}} {{page break|label=}} seu amigo, que se ufanava da confiança nêle depositada. No jantar que todos os anos os reúnia á mesa festejando a volta á pátria de Ermenigildo Marques, êle ía pessoalmente á adega buscar uma garrafa do seu<noinclude></noinclude> oid6zzg3ydx6lhhjexlyj7w6lk7aan2