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==Jomaro Cabrela==
'''Jomaro Cabrela''' , [[artista]] plástico, [[autodidacta]], natural de [[Cinfães]] - [[Portugal]], nasceu a 19 de Janeiro de 1960.
Expõe desde 1982.
Actualmente reside em [[Rio Tinto]] - Portugal onde tem residência e atelier.
[[File:Jomaro Cabrela 2025.jpg|thumb|Jomaro Cabrela 2025]]
===Auto [[biografia|Biografia]] ===
Um autor é a sua obra - por isso não falo de mim. É o que faço que me revela, que fala por mim, que me diz.
O academismo não é em si mesmo virtude ou defeito - é tão só e apenas uma característica. Não ser académico, ser académico, perde toda a importância em função da única realidade: o discurso visual, a minha gramática.
Não sou um académico, poderia ser um académico: o que é que se alterava do essencial? Nada. Porque a pintura decide-se e afirma-se noutro território.
Desde a primeira exposição - 1982 / Museu Carlos Machado / [[Açores]] - inevitavelmente algumas coisas aconteceram, algumas linguagens se instalaram, alguma ou muita coisa poderá ter permanecido. Mas, tal como de mim, também do meu percurso, só a minha pintura pode falar. Por isso a exponho, por isso me exponho - não há outra voz que melhor me diga, ninguém me conhece melhor do que os gestos com que me digo.
[[Imagem:cvidaa.jpg|150px|thumb|Coração da Vida]]
===Linguagens e Memoria ===
Não existe pura criação. Toda a criação é um regresso à memória estética, é um diálogo com outras linguagens e outros criadores, para que de entre todos os lugares e rumores possa emergir a singularidade de uma voz.
De influências falamos ao falar de memória. O barroco, o maneirismo, o cubismo, o surrealismo, o abstracionismo, o expressionismo e todas as outras escolas e correntes de expressão estética influenciaram-me de diferente modo nas diferentes idades da minha pintura. Onde começa uma influência, de que forma é intensa a sua presença ou estranhamente total a sua ausência, não me parece importante saber. Porque não tenho esse vício cultural de nomear para possuir, de utilizar a linguagem como ilusão pueril da posse - que importa o nome se tudo começa no caos primordial e inominável?
[[Imagem:pbb.jpg|150px|thumb|Sem Título]]
===Da [[arte|Arte]] ===
O inominável existe na intensidade plena de todos os nomes possíveis para o ilimitado do mundo - o meu olhar sobre a arte, a minha forma de a ver para além de todos os olhares, existe tão incontornável como a necessidade de dar forma ao plural que sou; que na minha linguagem alguém se reconheça em cumplicidade estética, ou que na minha linguagem vejam só a estranheza de uma fala, não é nem poderia ser nunca para mim uma interrogação ou um dilema metafísico - porque eu não escolhi a minha voz, porque o que fala em mim é o irrecusável do ser: como poderia eu ter outra voz, como poderia eu mover-me num espelho que não reflectisse a minha imagem? Entre as linguagens, entre as vozes, há uma voz longínqua que sobe em mim para ser eu - e não há outra linguagem. Porque a arte é uma gramática da solidão.
Jomaro Cabrela
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História da Mitologia/XX
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{{Em tradução}}
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|obra=[[História da Mitologia]]<BR>
|autor=Thomas Bulfinch
|anterior=[[História da Mitologia/XIX|XIX - Hércules - Hebe e Ganimedes]]
|posterior=[[História da Mitologia/XXI|XXI - Baco e Ariadne]]
|seção= XX -Teseu e Dédalo - Cástor e Pólux - Festivais e Jogos
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}}
{{multicol}}<div class="prose"><div style="text-align:justify">
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== Capítulo XX ==
</center>
[[File:Laurent de la La Hyre 002.jpg|thumb|center|300px|<center>Teseu e Etra<br>ilustração de [https://en.wikipedia.org/wiki/Laurent_de_La_Hyre Laurent de La Hyre (1606–1656)]</center>]]
<center>
== [[:w:Teses|Teseu]] ==
</center>
[[:w:Teseu|Teseu]] era filho de [[:w: Egeu (mitologia)|Egeu]], rei de [[:w: Atenas |Atenas]], e de [[:w: Etra |Etra]], filha do rei de [[:w: Trezena (Grécia)|Trezena]]. Ele cresceu em Trezena, e quando chegou à idade adulta, foi enviado a Atenas para se apresentar diante de seu pai. Egeu ao se separar de Etra, antes do nascimento de seu filho, colocou sua espada e suas sandálias debaixo de uma grande pedra e ordenou a Etra que lhe enviasse o filho quando ele estivesse forte o bastante para remover a pedra e retirar o que ele havia deixado debaixo dela. Quando ela achou que era chegada a hora, sua mãe conduziu Teseu até a pedra, e ele a removeu com facilidade pegando a espada e as sandálias.
Como as estradas eram infestadas de assaltantes, seu avô pediu-lhe encarecidamente para que ele pegasse o caminho mais curto e mais seguro para as terras de seu pai – o mar; mas o jovem, sentindo em si mesmo o espírito e a alma de um heroi, e ansioso para se tornar famoso como [[:w:Hércules|Hércules]], cuja fama percorria toda a Grécia, destruindo os malfeitores e os monstros que oprimiam o país, decidiu por fazer a viagem mais perigosa e mais cheia de aventuras indo por terra.
Em seu primeiro dia de viagem ele chegou a [[:w:Epidauro|Epidauro]], onde vivia um homem chamado [https://en.wikipedia.org/wiki/Periphetes Perifetes], filho de [[:w:Vulcano|Vulcano]]. Este truculento selvagem andava sempre armado com uma clava de ferro, e todos os viajantes afastavam-se apavorados diante de sua violência. Quando ele viu que Teseu se aproximava, ele investiu contra o herói, porém, rapidamente caiu sob os golpes do valente jovem, que lhe tomou a clava e a portava sempre consigo como recordação de sua primeira vitória.
Várias lutas similares com pequenos tiranos e saqueadores de terra foram travadas, e em todas elas Teseu saiu vitorioso. Um destes malfeitores se chamava [[:w: Procrusto|Procrusto]], também conhecido como o Esticador. Ele tinha uma cama de ferro, onde ele costumava amarrar todos os viajantes que caíam em suas mãos. Se eles fossem menores que a cama, ele esticava os membros de suas vítimas até que coubessem na cama; e se os membros fossem maiores que a cama, ele cortava um pedaço. Teseu fez com ele o que ele fazia com os outros.
Tendo vencido todos os perigos da estrada, Teseu finalmente chegou a Atenas, onde novos perigos esperavam por ele. [[:w:Medeia|Medeia]], a feiticeira, que havia fugido de Corinto depois de ter-se separado de [[:w:Jasão|Jasão]], havia se tornado esposa de Egeu, pai de Teseu. Sabedora de quem ele era devido aos seus feitiços, e receando perder a influência sobre seu marido caso Teseu fosse reconhecido como seu filho, perturbou o espírito de Egeu com desconfianças a respeito do jovem estrangeiro, induzindo o marido a oferecer ao rapaz uma taça de veneno; porém, no instante quando Teseu avançava para tomar a taça, a visão da espada que ele portava consigo revelou ao pai quem ele era, e isso impediu o plano fatal. Medeia, revelada em suas magias, fugiu mais uma vez do merecido castigo, e viajou até a Ásia, onde essa região posteriormente passou a se chamar Média<ref>[https://en.wikipedia.org/wiki/Media_(region) Média]: Região ao norte do Irã, mais conhecida por ter sido a base política e cultural dos Medas.</ref> em sua homenagem, Teseu foi reconhecido por seu pai, e declarado seu successor. Os atenienses naquela época andavam muito atribulados, por causa do tributo que eram forçados a pagar ao rei de Creta, [[:w:Minos|Minos]]. O tributo consistia em oferecer sete jovens e sete donzelas, que eram enviados todos os anos para serem devorados pelo [[:w:Minotauro|Minotauro]], um monstro com corpo de touro e cabeça humana. O animal era extremamente forte e feroz, e ficava recluso em um labirinto que tinha sido construído por [[:w: Dédalo|Dédalo]], e tinha sido construído de forma tão engenhosa que aquele que se visse encerrado dentro dele, não conseguia encontrar a saída de modo algum, exceto se fosse ajudado. Nesse lugar o Minotauro ficava perambulando, e era alimentado com vítimas humanas.
Teseu resolveu libertar seus compatriotas dessa tragédia, ou morrer tentando. Sendo assim, quando chegou a época de enviar o tributo, e os jovens e as donzelas eram sorteados, de acordo com o costume da época, para serem enviados, ele se ofereceu como uma das vítimas, ignorando as súplicas de seu pai. O barco, como sempre, partia com velas de cor negra, e que Teseu prometeu a seu pai trocá-las por brancas, caso voltasse vitorioso. Quando eles chegaram a [[:w:Creta|Creta]], os jovens e as donzelas foram exibidos diante de Minos; e [[:w:Ariadne|Ariadne]], a filha do rei, estando presente, apaixonou-se perdidamente por Teseu, que também retribuía o seu amor. Ela forneceu a ele uma espada, para quando encontrasse o Minotauro, e um novelo de linha para que ele achasse a saída do labirinto. Ele se saiu vitorioso, matou o Minotauro, escapou do labirinto, e tomou Ariadne como sua companheira, e junto com os companheiros que também foram salvos, rumou para Atenas.
Durante o caminho, fizeram uma parada na Ilha de [[:w:Naxos|Naxos]], onde Teseu abandonou Ariadne, deixando-a enquanto dormia.<ref>Uma das mais finas peças de escultura na Itália, uma Ariadne reclinada do Vaticano, representa este episódio. A cópia está exposta no [https://en.wikipedia.org/wiki/Boston_Athen%C3%A6um Ateneu de Boston], e está depositada, no Museu de Finas Artes.</ref> Sua desculpa para tratamento tão ingrato de sua benfeitora era que [[:w:Minerva|Minerva]] havia aparecido para ele num sonho e o obrigado a agir daquela maneira. Ao se aproximar da costa da [[:w:Ática|Ática]], Teseu negligenciou o sinal determinado pelo seu pai, e se esqueceu de içar as bandeiras brancas, e o velho rei, achando que seu filho havia morrido, pôs fim à própria vida. Teseu então, se tornou rei de Atenas.
Uma das mais celebradas aventuras de Teseu foi a sua expedição contra as Amazonas. Ele investiu contra elas antes que houvessem se recuperado do ataque de Hércules, raptando-lhes a rainha [[:w:Antíopa|Antíope]]. As amazonas, por sua vez, invadiram o território ateniense e tomaram a cidade; e a batalha final em que Teseu derrotou todas elas foi travada dentro da cidade propriamente dita. Esta batalha era um dos temas favoritos dos escultores antigos, e é comemorada em diversos trabalhos de arte ainda existentes.
A amizade entre Teseu e [[:w:Pirítoo|Pirítoo]] era da mais íntima natureza, embora tivesse sua origem no ambiente das armas. Pirítoo havia invadido a planície de Maratona, e roubado os rebanhos do rei de Atenas. Teseu logicamente repeliu os saqueadores. No momento que Pirítoo o viu, uma grande admiração se apossou dele; e Pirítoo estendeu suas mãos em sinal de paz, e exclamou, "Avalias por ti mesmo e me dizes que ressarcimento pedes em troca?" "Tua amizade," respondeu o ateniense, e assim eles juraram fidelidade incondicional.
Seus atos correspondiam às suas ocupações, e eles continuaram a ser sempre verdadeiros irmãos de armas. Os dois desejavam esposar uma filha de Júpiter. Teseu desejava [[:w:Helena|Helena]], que na época era apenas uma criança, e posteriormente seria tão celebrada por causa da [[:w:Guerra de Troia|Guerra de Troia]], e com a ajuda de seu amigo ele a raptou. Pirítoo desejava a esposa do monarca de [[:w:Érebo|Érebo]]; e Teseu, embora ciente do perigo, acompanhou o ambicioso amante em sua descida ao submundo. Mas [[:w:Plutão|Plutão]] os aprisionou e os colocou sobre uma rocha encantada junto do portão de seu palácio, onde eles permaneceram até que Hércules chegou e libertou Teseu, deixando Pirítoo entregue à própria sorte.
Depois da morte de Antíope, Teseu casou com [[:w:Fedra|Fedra]] , filha de Minos, rei de Creta. Fedra viu em Hipólito, filho de Teseu, um jovem dotado de todas as graças e virtudes de seu pai, e tinha a idade que correspondia à dela própria. Ela o amava, mas ele a repelia em seus impulsos, e o amor dela se transformou em ódio. Ela então usou a sua influência sobre o apaixonado marido para fazer com que ele sentisse ciúmes de seu filho, e Teseu rogou contra o filho a vingança de [[:w:Neptuno (mitologia)|Netuno]]. Quando Hipólito estava um dia conduzindo sua carruagem pelo litoral, um monstro marinho se levantou acima das águas, e assustou os cavalos que fugiram e despedaçaram a carruagem. Hipólito morreu, mas com a ajuda de Esculápio, o assistente de [[:w:Diana|Diana]], ele voltou à vida. Diana afastou Hipólito das mãos do iludido pai e da falsa madrasta, e o mandou para a Itália sob a proteção da ninfa Egéria<ref>[https://en.wikipedia.org/wiki/Egeria_(mythology) Egéria]: ninfa a quem foi atribuído um papel legendário do início da história de Roma no papel de consorte divina e conselheira de [[:w:Numa Pompílio|Numa Pompilio]], segundo rei sabino de Roma, a quem ela atribuía leis e rituais pertencentes à antiga religião romana.</ref>. Teseu finalmente perdeu a proteção do seu povo, e se retirou para a corte de [[:w:Licomedes|Licomedes]] , rei de [[:w:Esquiro|Esquiro]] , que a princípio o recebeu com gentilezas, mas posteriormente o mataria traiçoeiramente. Mais tarde, [[:w:Címon|Címon]], o general ateniense, descobriu o lugar onde ficavam seus restos mortais, e mandou que fossem removidos para Atenas, onde foram depositados num templo chamado de Theseum, erigido em homenagem ao heroi.
A rainha das Amazonas a quem Teseu esposou é chamada de [[:w:Hipólita|Hipólita]] por algumas pessoas. Esse é o nome que ela recebe na pela de Shakespeare “Sonhos de uma noite de verão” – cujo enredo são as festividades que foram realizadas nas núpcias de Teseu e de Hipólita. A [[:w:Felicia Hemans|Sra. Hemans]] (1793-1835) fez um poema sobre uma tradição da Grécia onde a "Sombra de Teseu" aparece incentivando seus compatriotas para a [[:w:Batalha de Maratona|Batalha de Maratona]].
Teseu é um personagem parcialmente histórico. Fala-se, que ele reuniu as diversas tribos que acabaram se transformando no único território da Ática, da qual Atenas era a capital. Em comemoração a este evento importante, ele instituiu o Festival de Panatenéias<ref>[https://en.wikipedia.org/wiki/Panathenaea Festival de Panatenéias:] os jogos panateneicos eram realizados a cada quatro anos em Atenas, na Antiga Grécia, desde o ano 566 a.C. e tiveram continuidade até o século III de nossa era. Os jogos incorporavam festivais religiosos, cerimoniais (incluindo a entrega de prêmios), competições atléticas, e eventos culturais realizados dentro de um estádio.</ref>, em homenagem à Minerva, deusa e protetora de Atenas. Este festival diferia dos outros jogos da Grécia, particularmente por duas razões. Isso era um fato muito comum para os atenienses, e sua característica principal era uma procissão solene na qual o Peplo, ou túnica sagrada de Minerva, era levada até o [[:w:Partenon|Partenon]], e era depositada diante da estátua da deusa. O Peplo era coberto com bordados, delicadamente trabalhado por virgens selecionadas das famílias mais nobres de Atenas.
A procissão era constituída por pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. Os velhos levavam ramos de oliveira em suas mãos, e os jovens portavam armas. As jovens levavam cestos em suas cabeças, contendo os utensílios sagrados, bolos, e todas as coisas necessárias para o sacrifício. Essa procissão se constituiu em tema dos baixos-relevos que embelezavam a parte externa do templo do Partenon. Uma parte considerável dessas esculturas localiza-se hoje no Museu Britânico junto com outros objetos conhecidos como "os mármores de [[:w: Thomas Bruce|Elgin]]."
<center>
== Festivais e outros jogos ==
</center>
Não me parece inapropriado mencionar aqui outros célebres jogos nacionais dos gregos. Os primeiros e mais famosos foram os [[:w:Jogos Olímpicos|Jogos Olímpicos]], cuja fundação, diz a lenda, foi o próprio Júpiter. Eles eram celebrados em [[:w:Olímpia|Olímpia]], na [[:w:Élida|Élida]]. Grande número de espectadores participavam desses festivais oriundos de toda parte da Grécia, da Ásia, África, e Sicília. Eles se repetiam a cada quatro anos em pleno verão, e duravam cinco dias. Foram ele que deram origem ao costume de registrar o tempo e datar os eventos. A primeira Olimpíada foi realizada, segundo dados gerais, ao que corresponde o ano 776 a.C. Os [[:w:Jogos Píticos|Jogos Píticos]] foram celebrados nos arredores de [[:w:Delfos|Delfos]], no [[:w:Istmo de Corinto|Istmo de Corinto]], e os [[:w:Jogos Nemeus|Jogos Nemeus]] na [https://en.wikipedia.org/wiki/Nemea Nemeia], cidade de [[:w:Argólida|Argólida]].
Os exercícios nestes jogos obedeciam a cinco modalidades: corrida, salto, combate, lançamento de discos, e lançamento de dardos, ou pugilismo. Além destes exercícios mostrando forçando física e agilidade, havia também concursos de música, poesia, e eloquência. De modo que, estes jogos eram grandes vertentes para poetas, músicos, e autores que tinham as melhores oportunidades para apresentar suas produções para o público, e a fama dos vitoriosos chegava aos lugares mais distantes.
<center>
== [[:w:Dédalo|Dédalo]] ==
</center>
[[File:Daedalus und Ikarus MK1888.png|thumb|center|300px|<center>Ícaro e Dédalo<br>alto relevo da Vila Albano, em Roma.]</center>]]
O labirinto do qual Teseu escapou por meio dos artifícios de Ariadne foi construído por Dédalo, que era um artífice muito habilidoso. E esse labirinto era uma construção com inúmeras passagens tortuosas e com múltiplas saídas, e que pareciam não ter começo nem fim, assim como o [[:w:Rio Büyük Menderes|rio Meandro]], que volta para si mesmo, e que corre ora para a frente, ora para trás, em seu curso para o mar. Dédalo construiu o labirinto para o rei [[:w:Minos|Minos]], mas depois caiu em desgraça com o rei, e foi encerrado numa torre. Ele conseguiu fugir da prisão, mas não podia sair da ilha pelo mar, pois o rei mantinha severa vigilância sobre todos os barcos, e não permitia que nenhum deles zarpasse sem que fossem cuidadosamente revistados.
"Minos pode controlar a terra e o mar," disse Dédalo, "mas não o céu. Tentarei esse caminho." Então ele pôs-se a fabricar asas para si mesmo e para seu filho Ícaro. Ele juntou algumas penas, começando com as menores e pouco a pouco foi adicionando as maiores, até que tudo foi crescendo. As penas maiores, ele prendeu com fios e as menores com cera, e deu ao conjunto uma suave curvatura como as asas de um pássaro. Ícaro, seu filho, assistia e observava tudo, corria algumas vezes para pegar as penas que o vento soprava para longe, moldando a cera e trabalhando-a com seus dedos, e com suas brincadeiras atrapalhava o trabalho de seu pai.
Quando, finalmente, o trabalho ficou pronto, o artista, batendo suas asas, viu-se impulsionado para o alto, suspenso no ar, e equilibrando-se com o adejar de suas asas. Em seguida, vestiu o garoto tal como ele, e o ensinou a voar, assim como os pássaros ensinam seus filhotes a saltarem de ninhos elevados. Quando tudo estava preparado para o voo ele disse, "Ícaro, meu filho, suplico para que mantenhas uma altura moderada, porque se voares muito baixo a umidade vai obstruir as tuas asas, e se fores muito alto, o calor irá derretê-las. Fique perto de mim e você estará seguro." Enquanto Dédalo dava ao filho estas instruções a ajustava as asas em seus ombros, o rosto do pai ficou cheio de lágrimas, e suas mãos tremeram.
Ele beijou o garoto, sem saber que que o fazia pela última vez. Então, subindo com suas asas, ele começou a voar, encorajando o filho a seguí-lo, e voando, olhava para trás para ver como o garoto dominava as próprias asas. E a medida que voavam o lavrador parou o seu trabalho para observar, e o pastor se apoiou em seu cajado para vê-los, espantado com semelhante visão, e achava que eles eram deuses e que poderiam assim fender o ar. Eles haviam passado [[:w:Samos|Samos]] e [[:w:Delos|Delos]] à esquerda e [[:w:Levitha|Lebynthos]] à direita, quando o garoto, exultante com seu sucesso, começou a se afastar da companhia do pai e a voar cada vez mais alto como se quisesse alcançar o céu.
A proximidade com o sol escaldante amoleceu a cera que mantinha as penas unidas, e elas se soltaram. Ele agitava os braços, mas não restou nenhum pena para mantê-lo no ar. Embora sua boca proferisse apelos para o seu pai, foi engolido pelas águas azuis do mar, que desde então, passou a receber o seu nome. Seu pai gritava, "Ícaro, Ícaro, onde você está?" Finalmente, pode ver as penas que flutuavam sobre a água, e lamentando amargamente o artefato que criara, sepultou o corpo do garoto e chamou essa região de [[:w:Icária|Icária]] em memória de seu filho.
Dédalo chegou são e salvo na [[:w:Sicília|Sicília]], onde ele construiu um templo em homenagem a [[:w:Apolo|Apolo]], e também depositou as asas, como dádiva para o deus. Dédalo tinha tanto orgulho de suas realizações que não suportava a ideia de um rival. Sua irmã havia colocado [[:w:Perdix (mitologia)|Perdix]], seu filho, sob seus cuidados para que ele aprendesse as artes mecânicas. Ele era um aluno habilidoso e dava demonstrações impressionantes de sua criatividade. Andando pela praia, ele pegou a espinha de um peixe. Fez uma réplica do achado, pegando um pedaço de ferro e criou chanfros em suas extremidades, e assim a serra foi inventada. Ele uniu dois pedaços de ferro, conectando-os em uma extremidade com um rebite, e afinando as outras extremidades, e assim nasceu o compasso.
Dédalo tinha tanta inveja das realizações do sobrinho que em uma ocasião, num dia em que eles estavam juntos no alto de uma torre elevada, sentiu vontade de empurrá-lo. Mas Minerva, deusa protetora da criatividade, viu quando ele caiu, e anulou o seu destino transformando-o numa ave que conhecemos como perdiz. Esta ave não constrói seus ninhos em cima das árvores, nem alça voos muitos altos, mas constrói seus ninhos com matos entrelaçados no solo, e como tem medo de cair, evita lugares altos. A morte de Ícaro é contada por [[:w:Erasmus Darwin|Erasmus Darwin]] (1731-1802): nos versos seguintes
<poem>
"... com a cera derretendo e os fios se soltando
Mergulha o infeliz Ícaro com suas asas infiéis;
De cabeça para baixo, lançado atemorizado pelo ar,
Com os membros retorcidos e o cabelo em desalinho;
A plumagem se dispersa dançando sobre as ondas,
E as Nereidas entristecidas enfeitam sua sepultura de água;
Sobre seu corpo pálido derramam flores marinhas peroladas,
Espalhando musgos carmesins sobre seu leito de mármore;
Cingindo suas torres de corais com o sino que retine,
E no oceano imenso ecoando seus dobres ressonantes."
</poem>
<center>
== [[:w:Castor e Pólux|Cástor e Pólux]] ==
</center>
[[Ficheiro:Raub der Töchter des Leukippos 07leucip.jpg|center|thumb|300px|<center>Rapto das filhas de Leucipo<br>ilustração de [[:w:Peter Paul Rubens|Peter Paul Rubens (1577–1640)]]</center>]]
[[:w:Castor e Pólux|Castor e Pólux]] eram filhos de [[:w:Leda|Leda]] e o Cisne, sob cujo disfarce [[:w:Júpiter|Júpiter]] se escondeu.
Leda deu vida a um ovo de onde nasceram os gêmeos. [[:w:Helena|Helena]], tão famosa mais tarde por ser a protagonista da [[:w:Guera de Troia|Guera de Troia]], era irmã deles. Quando Teseu e seu amigo [[:w:Pirítoo|Pirítoo]] haviam raptado Helena de [[:w:Esparta|Esparta]], os jovens heróis Castor e Pólux, junto com seus cavaleiros, correram imediatamente para resgatá-la. Teseu estava ausente da Ática e os irmãos foram bem sucedidos no resgate da irmã. Castor era famoso por domar e lidar com cavalos, e Pólux tinha muita habilidade como lutador.
Eles eram unidos pela mais pura afeição e eram inseparáveis em todos os cometimentos. Eles haviam acompanhado a Expedição dos [[:w:Argonautas|Argonautas]]. Durante a viagem uma tempestade se formou, e Orfeu orou ao deus dos [[:w:Samotrácia|Samotrácios]], e tocou a sua harpa, e com isto a tempestade cessou e as estrelas apareceram sobre as cabeças dos irmãos. Deste incidente, Castor e Pólux vieram posteriormente a serem considerados as divindades protetoras dos navegantes e dos viajantes, e as chamas cintilantes, que em determinados estados da atmosfera surgem ao redor das velas e dos mastros dos barcos, receberam o nome dos gêmeos.
Depois da expedição dos Argonautas, vamos encontrar Castor e Pólux engajados numa guerra com [[:w:Idas|Idas]] e [[:w:Linceu (argonauta)|Linceu]]. Castor foi morto, e Pólux, inconsolável com a perda do irmão, suplicou a Júpiter lhe fosse permitido dar a própria vida em troca da vida do irmão. Júpiter atendeu o pedido dele para permitir que os dois irmãos desfrutassem a benção da vida de maneira alternada, passando um dia na terra e o outro nas moradas celestiais. Segundo uma outra versão da história, Júpiter recompensou a afeição que os irmãos tinham um pelo outro, colocando-os entre as estrelas [[:w:Gemini|Gemini]], as Gêmeas.
Eles receberam honras divinas sob o nome de Dióscuros (filhos de Jove). Acredita-se terem eles aparecido ocasionalmente em tempos posteriores, participando, um ao lado do outro, em campos de duros combates, e dizia-se que em tais ocasiões eles estavam montados em magníficos corcéis brancos. De modo que, no começo da história de Roma, dizem que eles ajudaram os romanos durante a [[:w:Batalha do Lago Regilo|Batalha do Lago Regilo]], e depois da vitória um templo foi erigido em homenagem a eles no lugar onde dizem terem eles aparecido.
[[:w:Thomas Macaulay|Thomas Macaulay]] (1800-1859), em sua "Baladas da Roma Antiga," assim se refere à lenda:
<poem>
"Parecidos como eram, nenhum mortal
Poderia distinguir um do outro;
Suas armaduras eram brancas como a neve,
Assim, brancos como a neve eram também seus corcéis.
Nunca em bigorna alguma da Terra,
Armadura rara jamais brilhou,
E nunca corcéis tão majestosos
Beberam de um rio na Terra.
O líder retorna em triunfo
O qual, nas horas da luta
Vislumbra os valentes irmãos gêmeos
Com os arreios à direita.
E com segurança, o barco alcança o porto,
Vencendo ondas e vendavais.
Onde os bravos irmãos gêmeos
Reluziam cintilantes sobre as velas."
</poem>
== Veja também ==
* [http://students.ou.edu/A/Kateri.M.Arnaud-1/dioscuri.html Castor and Pollux]
* [https://en.wikipedia.org/wiki/Castor_and_Pollux Castor and Pollux]
=== Notas e Referências do Tradutor ===
<references />
[[en:The Age of Fable/Chapter XX]]
[[Categoria:História da Mitologia]]
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|10|CARAMURU}}</noinclude><poem>{{t3|III.}}
E vós, Principe excelſo, do Ceo dado
:Para baſe immortal do Luſo Throno;
:Vós, que do aureo Brazil no Principado
:Da Real ſuceſsão ſois alto abono:
Em quanto o Imperio tendes deſcançado
:Sobre o ſeio da paz com doce ſonno,
:Não queirais dedignar-vos no meu metro
:De pôr os olhos, e admitillo ao ſcetro.
{{t3|IV.}}
Nelle vereis Nações deſconhecidas,
:Que em meio dos Sertões a Fé não doma;
:E que pudérão ſervos convertidas
:Maior Imperio, q̃ houve em Grecia, ou Roma:
Gentes vereis, e Terras eſcondidas,
:Onde, ſe hum raio da verdade aſſoma,
:Amanſando-as, tereis na turba immenſa,
:Outro Reino maior que a Europa extenſa.
{{t3|V.}}
Devora-ſe a infeliz, miſera Gente;
:E ſempre reduzida a menos terra,
:Virá toda a extinguir-ſe infelizmente;
:Sendo em campo menor maior a guerra.
Olhai, Senhor, com reflexão clemente
:Para tantos Mortaes, que a brenha encerra;
:E que, livrando deſſe abyſmo fundo,
:Vireis a ſer Monarca de outro Mundo.</poem><noinclude>{{d|VI.}}</noinclude>
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{{t3|LI.}}
Agora {{s}}im, que entendo a grã verdade,
:Que hum {{s}}ó Deos {{s}}e fez homem {{s}}em defeito;
:E {{s}}endo tres Pe{{s}}{{s}}oas na Unidade,
:Do Filho ao Pai podia haver re{{s}}peito.
A Pe{{s}}{{s}}oa {{s}}egunda da Trindade,
:Novo homem, como nós, de terra feito,
:A paz do homem com Deos fundar procura,
:Redemptor pio da mortal creatura.
{{t3|LII.}}
E{{s}}te creio, e{{s}}te adoro, e{{s}}te confe{{s}}{{s}}o;
:E e{{s}}ta {{s}}anta men{{s}}agem venerando
:Por meu Deos, e Senhor firme o conheço,
:A quem da Terra e Ceo pertence o mando:
De{{s}}te o Bapti{{s}}mo {{s}}anto hoje te peço,
:Onde na porta Cele{{s}}tial entrando,
:Suba o e{{s}}pirito á gloria que de{{s}}eja,
:E com e{{s}}te{{s}} meu{{s}} olho{{s}} ainda o veja.
{{t3|LIII.}}
Di{{s}}{{s}}e o dito{{s}}o Velho; e acompanhando
:Com devoto {{s}}u{{s}}piro a voz que exprime,
:Bem mo{{s}}tra que no peito o e{{s}}tá tocando
:A occulta unção do E{{s}}pirito {{s}}ublime:
As mãos ao Ceo levanta lagrimando;
:E tanto ardor na face {{s}}e lhe imprime,
:Que acompanhar parece o humilde rogo
:Hum diluvio de agoa, e outro de fogo.
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|36}}|CAJU CALAFATE|}}</noinclude>O étimo é o malayál. ''kayaru'', «corda de cairo»<ref>«Da primeira casca que o (côco) cobre, se faz o '''cairo'''... depois que o curtem, mação e fião, á maneira do linho de canamo». João de Barros, Déc. III, III, 7.
«A primeira das cascas (do côco) he muito lanuginosa e desta se faz '''cairo''', que assi he chamado dos Malabares e de nós». Garcia da Orta, Col. XVI.
«Das cascas de fóra destes cocos, a que chamam '''cairo''', se fazem cordas». Fr. João dos Santos, ''Ethiopia Oriental'', I, p. 299.</ref>.
'''Caixa''' («moeda»). — Indo-ingl. ''cash''<ref>Conforme António Nunes, uma ''caixa'' de Maluco vale 3/10 do rial e a de Sunda, 3/5.</ref>.
O étimo é o dravídico ''kásu'', derivado do sânsc. ''karsha'', «pêso de prata ou ouro». Vid. ''Hobson-Jobson''<ref>«Hũa moeda de cobre do tamanho dos nossos ceitijs... á qual moeda elles chamão '''caixas'''». João de Barros, Déc. III, V, 5.
«Rapão a cabeça por huma só moeda de cobre a que chamão '''caixa'''». Gaspar Correia, IV, p. 301.</ref>.
'''Caju''' (bot., ''Anacardium Occidentale''). Conc. ''kāzu; káz'' (planta; em certas localidades, fruto). ''Kājel'', aguardente de cajus. — Mar. ''kāzú'' (planta, fruto, semente); ''kāzūgoḷá'' (us. no Concão), fruto. — Guj. ''káju, kájum'' (n.; caju açucarado, m.). — Beng. ''kājú''. — Sindh. ''kházu, kházo'', castanha de caju. — Sing. ''kaju, kajju; kaju-geha'', planta. — Tam. ''káju-paḷam; káju-maram'', planta. — Malayál. ''kaxu; kaxu-máru''. — Indo-ingl. ''cashew''. — Mal. ''káju, gájus''. — Sund. ''káju''. Term. vern. ''jambu méde''. — Tet., Gal. ''kajús, kaidú''.
O sufixo ''-s'' na língua malaia e nas timorenses provêm do plural português, como em ''meias, uvas, tiras, apas''.
Termo brasileiro: ''acaju''. O cajueiro é, das plantas introduzidas pelos portugueses na Índia, a de maior utilidade e que se acha agora perfeitamente naturalizada<ref>«Blindoeiros, '''cajueiros''', jambuleiros, undeiras» B. F. da Costa, I, p. 173.
«É a distillação de canna e de '''cajú''', que tem enorme consumo nas terras da coroa». Caldas Xavier, in ''Bol.'' S. G. L., 2.ª sér., p. 485.
Vid. Conde de Ficalho nos ''Coloquios'' de Garcia da Orta, vol. I, p. 67.</ref>.
'''Calabaça'''. Indo-ingl. ''calabash'', vasilha de cabaça.
'''Calafate''' (e calafatagem). Hindi ''kālāpatti''. — Hindust. ''kalpatti, kalāpatiyá''. — Or. ''kalāpātí''. — Beng. ''kālāpātí''. — Sing. ''galapatti'' (''-karaṇavā'', calafetar). — Tam. ''kalapparradī'', calafetar; ''kalapparradippal'', calafate. — Tel. ''kalapatti''. — Indo-ingl. ''calputtee''. — Mal. ''kalepet''. — Ár. ''qālāfat, qalfat, qāllaf''<ref>«A dom João Lobo deu o cuidado dos '''calafates'''». Diogo do Couto, Déc. VI, VIII, 52.</ref>.
O ''Diccionario Contemporaneo'' deriva a palavra portuguesa do italiano ''calafattare''. Fr. João de
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||CALÇÃO CALMARIA|{{sc|37}}}}</noinclude>Sousa e Devic atribuem-na ao árabe. Dozy e Jal põem em dúvida essa derivação e preferem a do lat. ''calefacere''. Yule & Burnell advogam a origem arábica, mas admitem a procedência portuguesa do vocábulo nas línguas indianas.
'''[[:d:Lexeme:|Calçado]]''' (subst.). Conc. ''kālsád''. — Mal., Ach., Batt., Sund., Jav. ''kásut''. — Mak. ''kásu''. — Ár. vulgar ''kalsat'', meias (Simonet)<ref>«''Kāsut'' s'entend surtout de la chaussure malaise, qui consiste en une espèce de sandales ou de semelles qui s'attachent avec des cordons». Favre.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L1375100|Calção]]''' (na acepção de «calças»). Conc. ''kālsámv'', ''kalsámv''. ''Moṭvém kalsámv'', calção própriamente. — Sing. ''kalisama'', ''kalasama''. — Tam. ''kāl-chaṭṭei'' (lit. «veste calção»). — Malayál. ''kāl-chchaṭṭa''. — ? Malg. ''kalisanina'' (talvez do franc. ''caleçon''). — Jap. ''karusan''.
Em galóli ''kálsa'', calças<ref>«'''Calsoens''', chapeos, çapatos, pera lá se repartirem pellos soldados». Diogo do Couto, Déc. VI, VI, 6.</ref>.
''Calção'', no sentido de «calças», usa-se tambêm em indo-português.
Parece que ''kaus'', «sapato», das línguas do arquipélago malaio, não deriva do port. ''calça'', que antigamente designava, segundo Viterbo, «meia, calçado das pernas»<ref>«Huma noite com huma '''calça''' d'arêa, derão tantas '''calçadas''', de que, segundo fama morreo». Doc. de 1458, reproduzido por Viterbo.</ref>, nem do hol. ''kous'', «meia». Aparece já usado no primeiro quartel do século XVII. «''Caous'' (leia-se ''kaus''), calceus; ''caous sa-paris'', par calceorum» (Haex). Swettenham e Favre atribuem-lhe origem arábica; mas no árabe não há tal vocábulo. Rigg diz que em sundanês ''kaus'' significa actualmente «meia» e admite a procedência holandesa. Idênticamente procede Hardeland com respeito ao dayak, e Matthes em referência ao mak. ''káusu'' e bug. ''káusu'' e ''koso''. Langen dá dubitativamente «kaus» como correspondente ao ach. ''kaus''. É bem possível que ''kaus'' seja abreviação de ''kásut'', «calçado», que no makassarês perde o ''t'', ou tenha havido posteriormente influência do holandês.
'''[[:d:Lexeme:|Caldeirão.]]''' Sing. ''kaldérama'', ''kaldarama''.
'''[[:d:Lexeme:|Caldo.]]''' Conc. ''káld''. — Beng. ''kāldó'' (us. entre os cristãos). — Sing. ''kálduva''. — Mal., Sund., Jav., Mad. ''káldu'', ''káldo''.
'''[[:d:Lexeme:|Calibre.]]''' Bug. ''livarā''. Cai a primeira sílaba, como em ''dilu'' = codilho.
'''[[:d:Lexeme:|Cális]]''' (de missa). Conc. ''káls''. — Beng., Tam., Tet., Gal. ''kális''. — Ann. ''calicê''. Term. vern. ''chén thánh'' (lit. «copo sagrado»). — Jap. ''karisu''<ref>«Pedras d'ara, '''calices''', e outras cousas». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 2.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Calmaria.]]''' L.-Hindust. ''kalmariyá'',
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|38}}|CAMARA CAMARADA|}}</noinclude>''karmariyá''. ''Karmariyá paḍná'', tornar-se calmoso<ref>«E no caminho achou muitas '''calmarias'''». Diogo do Couto, Déc. VI, IX, 4.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L447047|Cama.]]''' Conc. ''kám''. Term. vern. ''báz'', ''khāṭlém''; ''ānthrún-pānghrún'', ''sêj''. — Mal. ''camma'' (Haex). — Tet., Gal. ''kama''. Term. vern. ''phátik''.
'''[[:d:Lexeme:L500620|Câmara.]]''' Conc. ''kám'r'', ''kámbr''. Pouco usado na acepção de «quarto»; como «câmara municipal», é comum em Goa. Cf. o adágio: ''kámbrāchyá kustár kalvantám nātstát'' = dançam as bailadeiras à custa da câmara. — Hindi ''kam'rá''. — Hindust. ''kāmará'', ''kamará'', ''kamera'', ''kam'rá'' (mais us.). Tambêm significa «beliche», ''Khāne ka kam'rá'', casa de jantar. — Or. ''kam'rá''. — Sing. ''kámaraya'', ''kámarê''. — Tel. ''kāmará'', ''kāmerá'', ''kam'rá'', ''kāmiri''; ''kamelá'' (gávea). — Indo-ingl. ''cumra''. — Khas. ''kam'ra''. — Mal. (''káměrá'', Wilkinson), Bat., Sund., Jav., Mad. ''kámar''. — Bug. ''kamáli''<ref>Matthes deriva êste vocábulo do port. ''cama'', e regista o composto ''kamáli-levuranna'', «''iemand's slaap-kamer'', quarto de dormir».</ref>. — Tet., Gal. ''kámara''. — Rab. ''kamarón''<ref>«Recolhendosse com elle a hũa '''camara''' lhe disse estas palavras». Diogo do Couto, Déc. VII, I, 9.</ref>.
O Dr. Hugo Schuchardt recusa ao mal. ''kámar'', bem como a ''musik'' e ''pistol'', a proveniência portuguesa, admitindo de preferência a holandesa: ''kamer'', ''musiek'', ''pistool''. «O critério para se diferençarem, diz êle, umas das outras é principalmente a terminação com que subsistem em malaio: se é vocálica essa terminação, a proveniência imediata é portuguesa; se consonântica, holandesa». E o Sr. Gonçalves Viana observa que «são da maior importância as duas leis fonológicas a que se refere o Dr. Schuchardt».
Parece todavia que o critério não é assaz seguro, porque há outras palavras de reconhecida origem portuguesa com terminação consonântica, isto é, com a perda da vogal final do étimo, como, por exemplo: ''karpus'' = carapuça, ''martil'' = martelo, ''gargalet'' = gorgoleta, ''bulin'' = bolina, ''prum'' = prumo.
Com respeito a ''kámer'' e ''músik'', pode-se alegar, como razão especial da apócope, a necessidade da redução dos esdrúxulos, visto que as línguas malaio-polinésias não teem vocábulos proparoxítonos. Se é certo que ''mármar'' = mármore, deriva do port. ''mármore'', temos outro exemplo. E, talvez, ''almári'' ou ''lamári'' = armário, obedece à mesma regra<ref>O crioulo malaio-português de Túgu tem ''cámber''.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:|Camarada.]]''' Conc. ''kámbrád''. Termo vern. ''sāngātí'', ''samvgaḍí'', ''gaḍí''. — Tet. ''kamarada''. Term. vern. ''bêlu''. No português de Ceilão, ''cambrado''.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||CAMISA CAMPO|{{sc|39}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L664584|Camisa.]]''' Conc. ''kamís'', ''khamís''. — Mar. ''kamíz'', ''khamís''. — Guj. ''khamis''. — Hindi ''qamíz''. — Hindust. ''qamís'', ''qamíj''. — Beng. ''kamíj''. — Sing. ''kamíse'', ''kamísaya'', ''kamíseya''. — Tam. ''kamísei''. — Malayál. ''kamís'', ''kamísu'', ''kammísu''. Tel. ''kamísu'', ''kamsu''. — Can. ''kamísu''. — Tul. ''kamísu''. — Indo-ingl. ''cameeze''. — Gar. ''kamij''. — Mal., Ach. ''kamíja'', ''kaméja''. — Sund., Day. ''kaméja''. — Jav., Mad. ''kaméjô''. — Tet., Gal. ''kamiza''. — ? Ár., Persa ''qamís''<ref>«Vasco da Gama lhe fez muyto gasalhado, e lhe mandou dar '''camisas'''». Castanheda, I, cap. 25.</ref>.
''Loma kamísaya'' (lit. «camisa de lã»), camisola. Singalês. ''Kham'sí'', camisola de crianças. Concani.
S. Jerónimo é o primeiro escritor europeu que menciona ''camisia''. ''Epist. ad Fabiolam''<ref>Simonet diz que tambêm é empregado por Festo, e deriva-o do latim-espanhol ''cama''.</ref>. O Sr. Cândido de Figueiredo deriva o vocábulo português do «baixo latim ''camisia'', origem incerta». Fr. João de Sousa atribui-lhe origem arábica<ref>«Faria quer que seja palavra Punica; porem ella he sem duvida Arabica; por isso no Alcorão no cap. de José vem mais de uma vez».
«Bien que le nom de ce vêtement nous soit venu par l'intermédiaire des arabes, il faut en chercher l'origine plus haut. Le mot arabe dérive du sanscrit ''kschumā'' (''kschaumâ'') lin, ''kshaumas'', fait de lin; le vêtement a reçu ce nom de la matière dont on le fabriquait». Engelmann, ''Glossaire''.
«Andaom estes Mouros Dormus muy bem vestidos de hũas '''camisas''' muy alvas dalgodam delguadas e compridas». Duarte Barbosa, p. 261.</ref>.
''Q'' inicial do hindi e hindustani e, talvez, ''kh'' do marata e guzarate, indicam a procedência imediata ou a influência do árabe. ''K'' inicial torna-se às vezes aspirado em concani. Cf. ''cruz''.
'''[[:d:Lexeme:|Camisola.]]''' Conc. ''kāmizól'', camisa de mulheres. — Tet. ''kamizola''.
'''[[:d:Lexeme:|Campainha.]]''' Conc. ''kāmpíṇ''. — Term. vern. ''ghānṭlí''. — Tet., Gal. ''kampainha''.
'''[[:d:Lexeme:L447841|Campo.]]''' Conc. ''kámp'' (na acepção do adro, por onde passam as procissões). — Mar., Hindust. ''kampú'', campo de batalha. — Indo-ingl. ''campoo'', no mesmo sentido. — ? Mal., Sund., Jav., Mad., Mak. ''kampong'', ''kampung'', bairro separado por fossos ou sebes de bambu. — Tet., Gal. ''kámpu''. Term. vern. ''klés''<ref>«E por terra se veyo lançar obra de meya legua de Malaca, naquella parte a q̃ elles chamam '''Campochina'''». João de Barros, Déc. III, X, 3.</ref>.
Alguns filólogos consideram a palavra ''kampong'' como vernácula das línguas malaias, e não de procedência portuguesa. Yule propugna a derivação do ingl. ''compound'', «quintal», do mal. ''kampong'', mas admite a possibilidade de ser o vocábulo malaio «origináriamente cor-
== Notas ==
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|VOCABULARIO DOS BARBARISMOS DISPENSAVEIS<ref>Parece superfluo este ''Vocabulario'', porque os diccionarios trazen a significação ''de quasi todos estes termos francezes;'' mas como, não obstante, insiste-se no abuso de barbarismos, insisto tamben en recordar os vocabulos correspondentes en portuguez.</ref>}}{{traço}}
{{ad|{{sc|Acclimatar}} (acclimater): En portuguez deve dizer-se ''acclimar''; por que o substantivo portuguez é ''clima'', e não ''climat'', que é francez.}}
{{ad|{{sc|Adresse}}: Cartão, ou bilhete com a indicação do domicilio; ''endereço''.}}
{{ad|{{sc|Arrière pensée}}: Segunda tenção.}}
{{ad|{{sc|Atelier}}: Officina, tanto para as artes liberaes, como mechanicas. (Vid. Dicc. de Bescherelle,) (pagina {{pl|119|42}} deste livro).}}
{{ad|{{sc|Batiste}}: Cambraia, (téla finissima) que se çhama en francez — ''Batiste'' — do nome do fabricante. (Vid. Dicc. de Bescherelle).}}
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{{ad|Recusou fazel-o un dos grandes de Hespanha, e perguntando-lhe o principe a razão de tal injuria: «Depois de ter provado o molho, respondeu elle, receio que se me abra o appetite para o peixe».}}{{ad|Eis o que li no ''Courrier des Etats-Unis'' de Maio de 1888, exemplar que me forneceu o {{abv|Ill|mo|Illustrissimo}} {{abv|Sñr||Senhor}} Luiz H. Vieira Souto.}}
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{{ad|Cahiu o uso das torradas; mas os ''britannelhos'' ainda empregão o ''toast'', de que não precisamos, não só por termos os vocabulos — ''brinde — saude'' —; mas porque é triste recordar tão repugnantes usanças.}}
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Recusou fazel-o un dos grandes de Hespanha, e perguntando-lhe o principe a razão de tal injuria: «Depois de ter provado o molho, respondeu elle, receio que se me abra o appetite para o peixe».
Eis o que li no ''Courrier des Etats-Unis'' de Maio de 1888, exemplar que me forneceu o {{abv|Ill|mo|Illustrissimo}} {{abv|Sñr||Senhor}} Luiz H. Vieira Souto.
Larousse diz que outr’ora quen en Inglaterra fazia, ũa saude no fin do jantar, mettia ũa fatia de pão torrado ({{lang|en|''toast''}}) no cópo ou taça. Depois de têl-a feito circular por toda a mesa, a taça que cada conviva tinha levado aos labios, voltava ao primeiro, que bebja o liquido, e comia a torrada ({{lang|en|''toast''}}).
Cahiu o uso das torradas; mas os ''britannelhos'' ainda empregão o ''toast'', de que não precisamos, não só por termos os vocabulos — ''brinde — saude'' —; mas porque é triste recordar tão repugnantes usanças.
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Recusou fazel-o un dos grandes de Hespanha, e perguntando-lhe o principe a razão de tal injuria: «Depois de ter provado o molho, respondeu elle, receio que se me abra o appetite para o peixe».
Eis o que li no ''Courrier des Etats-Unis'' de Maio de 1888, exemplar que me forneceu o {{abv|Ill|mo|Illustrissimo}} {{abv|Sñr||Senhor}} Luiz H. Vieira Souto.
Larousse diz que outr’ora quen en Inglaterra fazia, ũa saude no fin do jantar, mettia ũa fatia de pão torrado ({{lang|en|''toast''}}) no cópo ou taça. Depois de têl-a feito circular por toda a mesa, a taça que cada conviva tinha levado aos labios, voltava ao primeiro, que bebja o liquido, e comia a torrada ({{lang|en|''toast''}}).
Cahiu o uso das torradas; mas os ''britannelhos'' ainda empregão o ''toast'', de que não precisamos, não só por termos os vocabulos — ''brinde — saude'' —; mas porque é triste recordar tão repugnantes usanças.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|VOCABULARIO NEOLOGICO PORTUGUEZ}}
{{traço}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/V|{{sc|Abat-jour}}]]: Lucivélo, ou lucivéo, s. m. (Vede pag. {{pl|11|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/VII|{{sc|Aplomb}}]]: Prumo, (instrumento) s. m.; desempeno. (Vede pag. {{pl|19|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/VIII|{{sc|Avalanche}}]]: Runimol, s. m. (Vede pag. {{pl|23|44}}).}}
{{ad|{{sc|Bijouterie}}: Joalharia, s. m. Neologismo formado de substantivo ''joalheiro'', que já existe en portuguez.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XIX|{{sc|Carotagen}}]]: Costeagen, s. f. (Vede pag. {{pl|61|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/III|{{sc|Cache-nez}}]]: Focále, s. m. (Vede pag. {{pl|5|44}}).}}
{{ad|{{sc|Calembourg ou Calambour}}: Anciverbio; palavra que se presta a mais de un sentido. Este neologismo é formado de ''anceps'', ''ancipitis'', (duvidoso) e ''verbum'', ''i'' (palavra).}}
{{ad|Pode tamben traduzir-se ''Calembourg'' pelo termo — ''equivoco;'' mas não por ''trocadilho''.|3=2em}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XXIII|{{sc|Charivari}}]]: Peniludio, s. m.; algazarra, assuada, bulha, gritaria, matinada. (Vede pag. {{pl|75|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XII|{{sc|Carnet}}]]: Choribel, (coribél) canhenho s. m. (Vede pag. {{pl|37|44}}).}}
{{ad}}
{{sc|Claque}}: Venapplauso, applauso vendido pelos que nos theatros baten as palmas aos actores, por dinheiro, ou por algun outro motivo; applauso<noinclude></div></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />162{{ad|3=2em}}</noinclude><onlyinclude>gismo</onlyinclude> para exprimir propriamente — ''O corretor de apostas nas corridas de cavallos''. E foi adoptado en Portugal, e no Brazil! Entretanto é o sentido mais forçado, que se póde imaginar. Mas é ''ingles''...</div>
{{ad|{{sc|Boudoir}}: Camarim, gabinete elegantemente ornado.}}
{{ad|{{sc|Boulevard}}: Calçada.}}
{{ad|{{sc|Bouquet}}: Ramalhete, ou ramilhete.}}
{{ad|{{sc|Ça depend}}: Phrase, que não deve fazer esquecer a nossa locução portugueza: Tem seos conformes; ou o adverbio — conforme.}}
{{ad|{{sc|Calembourg}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocab. dos Neologismos]]).}}
{{ad|{{sc|Chaise longue}}: Espreguiçador; (o povo diz — Espreguiçadeira).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XIII|{{sc|Chalet}}]]: Castellête, ou castellejo. (Vede pag. {{pl|127|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/IV|{{sc|Champignons}}]]: Cogumelos, ou tortulhos. (Vede pag. {{pl|95|44}}).}}
{{ad|{{sc|Çhança}} (Chance): Probabilidade, occasião, alternativa, dita, fortuna, encontro. Intoleravel gallicismo, porque até se confunde com ''chança'' — mófa, zombaria, dicto gracioso.}}
{{ad}}{{sc|Chatelaine}}: Corrente da castellã. A palavra {{lang|fr|''chatelaine''}} é adjectivo, que significa — de castellã, relativo a castellã: o substantivo com que concorda é {{lang|fr|''chaine''}} (cadea, corrente). Por abbreviatura é que os francezes çhamão {{lang|fr|''chatelaine''}} a cadêa, en que as senhoras trazen os instrumentos de costura, e modernamente o relogio.<noinclude></div></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />162{{ad|3=2em}}</noinclude><onlyinclude>gismo</onlyinclude> para exprimir propriamente — ''O corretor de apostas nas corridas de cavallos''. E foi adoptado en Portugal, e no Brazil! Entretanto é o sentido mais forçado, que se póde imaginar. Mas é ''ingles''...</div>
{{ad|{{sc|Boudoir}}: Camarim, gabinete elegantemente ornado.}}
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{{ad|{{sc|Bouquet}}: Ramalhete, ou ramilhete.}}
{{ad|{{sc|Ça depend}}: Phrase, que não deve fazer esquecer a nossa locução portugueza: Tem seos conformes; ou o adverbio — conforme.}}
{{ad|{{sc|Calembourg}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocab. dos Neologismos]]).}}
{{ad|{{sc|Chaise longue}}: Espreguiçador; (o povo diz — Espreguiçadeira).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XIII|{{sc|Chalet}}]]: Castellête, ou castellejo. (Vede pag. {{pl|127|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/IV|{{sc|Champignons}}]]: Cogumelos, ou tortulhos. (Vede pag. {{pl|95|44}}).}}
{{ad|{{sc|Çhança}} (Chance): Probabilidade, occasião, alternativa, dita, fortuna, encontro. Intoleravel gallicismo, porque até se confunde com ''chança'' — mófa, zombaria, dicto gracioso.}}
{{ad}}
{{sc|Chatelaine}}: Corrente da castellã. A palavra {{lang|fr|''chatelaine''}} é adjectivo, que significa — de castellã, relativo a castellã: o substantivo com que concorda é {{lang|fr|''chaine''}} (cadea, corrente). Por abbreviatura é que os francezes çhamão {{lang|fr|''chatelaine''}} a cadêa, en que as senhoras trazen os instrumentos de costura, e modernamente o relogio.<noinclude></div></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />162{{ad|3=2em}}</noinclude><noinclude>gismo</noinclude> para exprimir propriamente — ''O corretor de apostas nas corridas de cavallos''. E foi adoptado en Portugal, e no Brazil! Entretanto é o sentido mais forçado, que se póde imaginar. Mas é ''ingles''...</div>
{{ad|{{sc|Boudoir}}: Camarim, gabinete elegantemente ornado.}}
{{ad|{{sc|Boulevard}}: Calçada.}}
{{ad|{{sc|Bouquet}}: Ramalhete, ou ramilhete.}}
{{ad|{{sc|Ça depend}}: Phrase, que não deve fazer esquecer a nossa locução portugueza: Tem seos conformes; ou o adverbio — conforme.}}
{{ad|{{sc|Calembourg}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocab. dos Neologismos]]).}}
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{{sc|Chatelaine}}: Corrente da castellã. A palavra {{lang|fr|''chatelaine''}} é adjectivo, que significa — de castellã, relativo a castellã: o substantivo com que concorda é {{lang|fr|''chaine''}} (cadea, corrente). Por abbreviatura é que os francezes çhamão {{lang|fr|''chatelaine''}} a cadêa, en que as senhoras trazen os instrumentos de costura, e modernamente o relogio.<noinclude></div></noinclude>
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{{ad|{{sc|Boudoir}}: Camarim, gabinete elegantemente ornado.}}
{{ad|{{sc|Boulevard}}: Calçada.}}
{{ad|{{sc|Bouquet}}: Ramalhete, ou ramilhete.}}
{{ad|{{sc|Ça depend}}: Phrase, que não deve fazer esquecer a nossa locução portugueza: Tem seos conformes; ou o adverbio — conforme.}}
{{ad|{{sc|Calembourg}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocab. dos Neologismos]]).}}
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{{ad|{{sc|Chatelaine}}: Corrente da castellã. A palavra {{lang|fr|''chatelaine''}} é adjectivo, que significa — de castellã, relativo a castellã: o substantivo com que concorda é {{lang|fr|''chaine''}} (cadea, corrente). Por abbreviatura é que os francezes çhamão {{lang|fr|''chatelaine''}} a cadêa, en que as senhoras trazen os instrumentos de costura, e modernamente o relogio.}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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{{ad|{{sc|Boulevard}}: Calçada.}}
{{ad|{{sc|Bouquet}}: Ramalhete, ou ramilhete.}}
{{ad|{{sc|Ça depend}}: Phrase, que não deve fazer esquecer a nossa locução portugueza: Tem seos conformes; ou o adverbio — conforme.}}
{{ad|{{sc|Calembourg}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocab. dos Neologismos]]).}}
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Erick Soares3
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A TH {{lema|ATHEISTICO, A}}. adj. De Atheifta, pertencente ao Atheifta. M. FERNAND. Alm. 2. Prol. Ou a feira feja Judai- ca, ou Ethnica, ou Mahometica, Heretica, ou Athe iftica, ou finalmente de qualquer outra, fe outra fe pò- de ainda excogitar. {{lema|ATHENAS}}. s. f. fing. e pl. Certa cidade da Grecia, famofa em outro tempo pelos effudos, que alli florecerão. Dáfe efte nome a qualquer. Univerfidade ou terra, em que fe cultivão e...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A TH
{{lema|ATHEISTICO, A}}. adj. De Atheifta, pertencente ao Atheifta. M. FERNAND. Alm. 2. Prol. Ou a feira feja Judai-
ca, ou Ethnica, ou Mahometica, Heretica, ou Athe
iftica, ou finalmente de qualquer outra, fe outra fe pò-
de ainda excogitar.
{{lema|ATHENAS}}. s. f. fing. e pl. Certa cidade da Grecia, famofa
em outro tempo pelos effudos, que alli florecerão. Dáfe efte nome a qualquer. Univerfidade ou terra, em que fe
cultivão e florecem as letras. Do Lat. Athenac, Maus.
Rim. Son. 38 Tal foi o eltado] deltas inclitas Athenas,
Antes que por fenhot yos alcançaffem. TELL. Chr. 1,
2, 12. n. 6 Todos os eftudantes fidalgos... mudárão
o domicilio efcolaftico, e acudiráo á nova efcóla das A-
then as Conimbricenfes. VIEIR. Setm. 11,5 10, 5. n. 419
De maneita que os Alenfes, os Boaventuras, os Efco-
tos, e os outros famofiflimos Doutores defta grande, -
theuas da Igreja Catholica, todos forão raios daquella
primeira luz.
{{lema|ATHENEO}}. s. m. O mefimo que Athenas em fent. met.
TELL. Chr. 2, 5, 22. n. 9 A qual [fonte] fem duvi-
da no meio defte Athenéo, dedicada as fciencias divinas,
e tambem as Mufas humanas, vence as fontes Hyppo-
crenes, Aonias, e Caballinas &c. [Falla da Univerfida-
de de Evora.
{{lema|ATHEO}}. s. m. O mefmo que Acheifta. Do Lat, Athens. acc. na penult. GUERREIR. Kel. 5, 2, 6 O primeiro [attigo] que aquelle homem era Athéo, nem reconhecia Deos
algum. ALV. DA CUNH. Efcól. 2, 4 Os mefmos Atheos
deltruindo fua perverfa opinião, nos infortunios, nas mo-
leftias, nos perigos, recorrem ao remedio da ajuda de
Deos, chamando por elle. VIEIR. Serm. 8, 437 E aos
que lhe não offereceffem incenfo, caftigaffem como A-
théos.
{{lema|ATHEROMA}}. s. m. Med. Efpecie de tumor fem dor, que
najce no pescoço, e algumas vezes nas ilbargas. Lat. Athe-
roma. A. DA CRUZ, Recop. 3, 1oz E da feima groffa fe
fazem os abfceffos fleimaticos, como são: fteatomas, a-
theromas e melicendes &c. MADEIR, Meth. 2, 35, 1 A-
theroma, que he hum tumor da mefma côr do conro, c
largo com alguma dureza, e contém dentro de fi.hum
humor femelhante a papas. A. FERR. Luz, 3, 130 Do
atberoma [a materia] he como papas de farinha.
{{lema|ATHESOURADO, A}}. p. p. de Athelourar. Araus. Suc-
ceff. 4, 1.
{{lema|ATHESOURAR}}. v. a. O mefmo que Enthefourar, e affim
fe diz commummente. Ufife ao propr. e met. MAUS.
Vid. 5, 49 Por feu trabalho o dobro lhe ofereces,
Muito pouco te deo, muito athefoura. CAG. Ramilh.
11, 41 Porque não caftigar Deos, podendo, e profe-
guindo o homem, peccando, he ic athefourando Deos,
e reprezando a fua ira para a fua ultima vingança.
{{lema|ATHLETA}}. s. m. Lutador, combatente, bomem animofo e robufto, dado aos exercicios do corpo para o fim de lutar, correr, &c. Lat. Athleta. Fr. Six. COEIH. Chr. 1, 16, 67 Contra os quaes [Herejes] fe levantou [S. Cyrillo]
como Athleta de Chrifto. Soven. Hift. 2, 29 Vendo
[Anacharfis] nos feus rempos como os luradores, antes
que fahiffem a terreiro fe untavão primeiro com azeite
... imaginou que era por elle ter natureza de accrefcen-
car a cólera e fervor dos Athletas (cal nome tinhão os
que entravão em femelhantes jogos.) PINT. RIE. Rel.
3, 111 Enfaiandofe hum Athleta ou lutador.
Met. Valerofo defenfor da patria, da Religião, be.
TELL. Hift. 4, 29, 378 Pretendendo o cruel Mouro,
que não houveffe outras teftemunhas, que pudeffem dar
conta da fua maldade, e da conítancia dos dous illuftres
Athletas [Martyres Jefuitas.] M. THon. Joful. 5, 127
Alcança da palestra bellicofa Jufta palma o Athleta por-
fiado. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 28. n. 34 Entretanto
nos bafte aprefentar aquelle fantiflimo Athleta e Martyt
de Chrifto, Ignacio.
{{lema|ATHLETICO, A}}. adj. De Athle:a. Do Lat. Athleticus. SA-
BELL. Encid. 2, 3, 41 Fotão os Crotoniates tambem
no principio muito eftudiofos das coufas da guerra: mas
muito mais que tudo da luta Athletica, S. ANN. Chr.
3, 41, 865 Ella (pobreza] he a mai, e o muto das
virtudes monafticas, e a unção athletica, com que os
lutadores efpirituaes fe ungem para não ferem vencidos
dos demonios. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 23. n. 18 Efte
voffo fuor ha de fer o óleo athletico, com que &c.
{{lema|ATIBIADO, A}}. p. p. de Atibiar. Fr. Marc. Chr. 2, 2,
38.
{{lema|ATIBIAR}}. v. a. ant. O mefimo que Entibiar, e he como
hoje fe diz. Luz, Tr. do Defcj. 3, 7 Por effa mefma
rezão vos peço nos vamos pera o deferto, péraque não
haja em mim defcuidos, que vos offendão, nem tibe-
zas, que vos atibiem, en me favorecerdes. T
Com pron, pell em fignif. paffiva FR. MARC. Chr.
2, 3, 2 Atibiafe a devação. Luz, Vid. Contempl. 3,
4 Tema [a alma] por difcurfo do tempo poder perder
de todo o amor de Deos, porque fe ira atibiando de
maneira, que quando fe não precatar com leve occafião
o perderá de todo.
{{lema|ATIÇADO, A}}. p. p. de Atiçar. SABELL. Eneid. 2,12,
28, BRAND, Mon. 4, 14, 8. GUERREIR. Rel. 2., 12.
{{lema|ATIÇADOR, ORA}}. adj. Que atiça. Luz, Serm. 2, 60,
3. Vedes que palavras tão lifonjeiras, e tão aticadoras
da ira do Rei.
{{lema|ATIÇADOR}}. s. m. O que atiça. BARR. Dec. 49, 3 To-
márão por aticador defte fogo hum Capado, chamado
Aga Abedela. HIST, TRAG. MARIT. 1, 273 Por medo
dos quacs [animacs] nos cercamos de muitas fogueiras...
não faltando a cada hora da noite aticadores. Sous. Hift.
o, 4, 14 Porque não faltavão atiçadores do fogo da dif-
cordia.
{{lema|ATIÇAR}}. v. a. Excitar, defpertar, avivar o fogo, arrumar os tições, ou difpor a materia, que fe accendeo, de forma que melbor arda. Dizfe a refpeito do fogo e de qualquer coufa accefa.. GRAN. Comp. 1, 16 E porque eftém feguros defte fogo nunca fe apagar, por iffo terão os de-,
monios fempre cuidado de o affoprar e atiçar. GUERREIR.
Rel. 2, 1, 12 E elle mefmo lhe atiçava o fogo com
muita diligencia. D. F. MAN. Apol. 4 Pagão os campos,
as fementeiras, e talvez os homens as paixões, que paf-
são as estrellas no feu firmamento, e os Planetas em
fuas, esféras, como fe nós os aticaffemos.
Mct. MEMOR. DAS PROEZ, 1, 12 Aticando com
eftas magoas alheias as brazas da fua faudade. CAMP. Re-
ccb. Son. 167 Com o fogo não feccais fua verdura,
Que no fogo de amor tem fundamento, Tanto mais
aticais, tanto mais dura. Sous. Vid. 4, 4 Vomitou nef-
le toda a peçonha do inferno, atiçando o fogo da pai-
xão, e a sede da vingança, que abrazava e cegava o
miferavel.
Excitar, avivar, fomentar. A refpeito das paixões
e acções, que dellas procedem, como combate, tumul-
to, &c. CASTANH. Hift. 1, 7 ElRei de Calicut, que
o atiçava [o combate] com muita preffa &c. BARR. Dec.
1, 3, 2 Accendidos em furia, que lhe o demonio ati-
ça. Luc. Vid. 4, 9 E ainda entre os Chriftios as dif-
cordias e odios... elle [demonio] principalmente as or
dena, atiça, e accende.
A refpeito de outras affeições, aflim da alma, co-
mp do corpo, e coufas externas. FERR. DE VASC. Carr.
186 Quem caufa do dumno atica, Patte da culpa te-
ria. FR. TH. DE Jes. Trab. i, 16, 385 E a fome, que
de mim tem, eu lha aticei. TELL. Chr. 1, 1, 10. n.
7 Tambem lhe atiçavão esta opinião algumas informa-
ções finiftras, que de noffas coufas tinha ouvido.
Incitar, inftigar, eftimular, intitar. As peffoas. Cas-
TANH. Hift. 8, 40 E depois contava el Rei que Vicente
d'Afonfeca, que hi eltava, atiçava muito os Mouros,
que mataffem Gonçalo Pereira. Maus. Aff. Afr. 2, 30
Mas hum delejo fervido e ardente De credito im-
mortal o accende e atiça. Luz, Serm. 2, 60, 3 Quem fa-
be fe efte mefmo Hatbona dantes atiçaria o proprio Aman
contra Mardochéo :
Atiçar o fogo a alguma coufa. Chegarlhe o fogo
atiçado, attivo, e forte, queimala. TELL. Chr. 1, 2, 25.
n. 3 He neceffario applicarlhe o ferro [ás feridas] e ati-
çarlbes o fogo.
Não atiçar o fogo com a efpada. Fraf. proverb.
Não dizer palavras picantes, nem exafperar de outro qual-
quer modo a peffoa irada. He hum dos fymbolos de Py-
thagoras. Fx. BERNARD. DA SILV. Defenf. 2, 25 Não
aticeis o fogo com a efpada.
{{lema|ATIÇOADO, A}}. p. p. de Atiçoar. BENT. PER. Thef.
{{lema|ATIÇOAR}}. v. a. Queimar com tições. BENT. PER. Thef.
{{lema|ATIDO, A}}. p. p. de Ater. CURV. Obferv. 40, 4.
{{lema|ATILADAMENTE}}. adv. mod. Perfeitamente, elegantemente, polidamente, com agudeza, afeio, &c. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|ATILADO, A}}. p. p. de Atilar. Leño, Orig. 16 põe efta voz entre os vocabulos, que os Portuguezes tem feus
nativos.
Ufafe como adj. Muito affeado, e curiofo no vefti-
do e trajo. EurROS. 5, 5 Atilado, gentil, galante, c
nobre efpofo. PAIV. Serm. 1, 131 De tres coufas louva<noinclude></noinclude>
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/* Revistas e corrigidas */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|paizagens lunares}}|CAPITULO XIII}}
{{dhr|3}}
As duas e meia da madrugada entrou a bala na altura do
trigesimo parallelo lunar, á distancia effectiva de mil kilometros, que os instrumentos opticos reduziam a dez. Continuava
a parecer impossivel que o projectil viesse a alcançar qualquer
ponto do disco. A velocidade de translaçāo da bala, relativamente mediocre, era facto inexplicavel para Barbicane. Áquella
distancia da Lua deveria a velocidade ser consideravel para
manter o projectil apesar da força de attracçāo. Passava-se
por consequencia ali algum phenomeno cuja causa o presidente nāo lográra ainda perceber. E de mais a mais faltava-lhe
tempo para buscar tal causa, que o relevo lunar desfilava entāo por sob os olhos dos observadores, e nāo queriam elles
perder nem o mais insignificante dos pormenores dʼelle. Apparecia, pois, o disco lunar no campo das lunetas a duas leguas e
meia de distancia. Que distinguiria na superficie da Terra um
aeronauta transportado a tal distancia dʼella? Nāo podemos sabel-o, visto como as mais altas ascensōes nunca excederam
oito mil metros.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A LO De todo confamida fe cuidara Que tanto s'alongage d'hora em hora. VIEIR. Serm. 4, 2, 6. n. 61 Safpirando, e anhelando fempre por aquella hora, que tanto mais tar- dava e fe alongava, quanto era mais defejada. Alongar a vifta ou os olhos por algum lugar. Procu- rar ver alguma coufa por toda a extensão do mesmo lu- gar. ORIENT, Lufit. 151 Em quanto a vifta pelo cam- po alongo. CASTR. Ulyff. 2, 65 Pelas ondas os olbos a- Longando, N...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A LO
De todo confamida fe cuidara Que tanto s'alongage
d'hora em hora. VIEIR. Serm. 4, 2, 6. n. 61 Safpirando, e
anhelando fempre por aquella hora, que tanto mais tar-
dava e fe alongava, quanto era mais defejada.
Alongar a vifta ou os olhos por algum lugar. Procu-
rar ver alguma coufa por toda a extensão do mesmo lu-
gar. ORIENT, Lufit. 151 Em quanto a vifta pelo cam-
po alongo. CASTR. Ulyff. 2, 65 Pelas ondas os olbos a-
Longando, Nellas os companheiros mortos via. BARRET.
Eneid. 2, 175 E affim alongando
bra &c.
Os olhos pela fom-
Alongar o paffo ou a paffada. Andar mais depreffa.
GIL VIC. Obr. 3, 178 Qu'hei D'alongar a paffada. FERR.
DE VASC. Aulegr. 1, 4 Meu amo efpera por mim, alon-
guemos o paffo, que pera a fua dor já lhe tardo.
Alongat. Gramm. Fazer ou ter longa a fua quan-
tidade. Da fillaba. SANCH. Art. 60 Mas refert por relevar
O re fempre alongard.
{{lema|ALONGE}}. fórm. adv. Vej. Longe.
{{lema|A'LONGO}}. fórm. adv. Vej. Longo.
{{lema|ALOPECIA}}. s. f. Med. Certa doença, que faz cahir o cabello pela raiz. Lat. Alopecia. MADEIR. Meth 2,25,
3 Como aconteceo no cafo da alopecia. MORAT. Pra-
tic. 1, 1, 5 Das manchas, e mélas, que fe fazem
na cabeça, e barba, quando caia o cabello, a que cha-
mão alopecia.
{{lema|ALOSNA}}. s. f. antiq. O mesmo que Lofna: F. ALv. Inform.
11 Alofna, murtas, e outras hervas de cheiros medici-
naes. FR. G. DA SILv. Vid. 1, zz Porque alli havia avon-
dança de huma herva amargofa, a que chamão alofna.
BRIT, Chr. 1, 18 Por haver alli grande cópia de huma
herva amargofa, que em Latim fe chama abfinthium,
que he a que chamamos alofna, chamavão aquella pa-
ragem o valle de amargura.
{{lema|ALOUCADO, A}}. adj. Que propende para louco, ou que o
parece. FR. MARC. Cht. 2, 10. cant. 25 Mas fe fallo alou-
cado, Grande caufa tenho, amor. LEIT. D'ANDRAD.
Mifc. 3, 77 Em moço era muito mais contumaz, e co-
mo aloutado.
{{lema|ALPARAVAZ}}. s. f. ant. Aba ou ganefa, que cobre ott acompanha a extremidade de alguma coufa. Ufafe com-
mummente no pl. Laio, Orig. 16 põe efte vocabulo no
numero dos que os Portuguezes tem feus nativos. BARR.
Dec. 3, 10, 9 O qual fombreiro] he de humas can-
ninhas mui miudas, cobertas de tafetá ou lenço, fegún-
do a peffoa tem poder ou dignidade, com muitos lavo-
res de ouro e louçainhas pelos alparavazes. PROV. DA
Hist. GEN. 2, 4, 76. p. 474. ann. 1522 Hum paramento
de cama. com feus alparayazes. EXEQ. DE FILIPP. I.
5 Eftava hum.docel de veludo preto de vinte palmos
cm quadro com feus alparavazes do mefmo veludo.
{{lema|ALPARCA}}. s. f. Certo calçado, cuja fola fe ajufta ao pé con tiras de couro, ou de algum tecido de linho ou efparto, e aberto por cima, como chinella. Tambem ha alparcas de fèda, ou de qualquer materia. Ordinariamente fe ufa no plural. Gors, Chr. de D. Man. 1, 37 E nos pés
humas alparcas de veludo. CAM. Luf. 2, 95 Nas alpar-
cas dos pés, em fim de tudo Cobrem ouro e aljofar
ao veludo. TELL. Chr. 1. Prol. Porque no outro pé, por
caufa da ferida, trazia huma alparta de efparto.
{{lema|ALPARGATA}}. s. f. O mefimo que Alparca. Diogo de Urréa, citado por Covarrubias, diz fer voz corrompida
do Arabigo alpargurgad. O Diccion. Caftelh. diz com
o P: Alcalá, que vem da voz Arabiga pargat, que quer
dizer o mefmo, accrefcentado o articulo al. A. GALV. TT.
69 Fazem dellas [arvores] mantas, alpargatas, eftei-
ras, cintas, 8cc. S. ANN. Chr. I, 36, 206 Efquecendofe
de levar à officina commua humas alpargatas velhas,
&c. VIEIR. Serm. 4, 6, 5. n. 210 As alpargatas femea-
das de todo o genero de pedraria.
{{lema|ALPARGATE}}. s. m. ant. O mesmo que Alpargata. CAMP.
Receb. 43 Todos [os cinco Martyres] com palmas de
victoria na mão, alpargates ricos. LAVANH. Viag. 48
Veftião roupas de damafco de varias cores, guarnecidas
com perolas e joias, alpargates não menos ricos.
{{lema|ALPARLUZ}}. s. m. O mefmo que Alparavaz. Prov. DA HIST.
GEN. 3, 4, 149. p. 129. ann. 1545 E com hum letreiro
nos alparluzes do dito drocel, que &c.
{{lema|ALPARQUEIRO}}. s. m. O que faz alparcas. BENT. PER.
Thef. iopia
{{lema|ALPAVARDO, A}}. adj. antiq GIL Vre. Ob. I, 27
Vai, vai Joanne bogiar, Não andes como alpavardo.
{{lema|ALPENDER}}. s. m. antiq. Vej. Alpendre. VIT. CHRIST. 2,50 .
{{lema|ALPENDERE}}. s. m. ant. Vej. Alpendre. Ros. Hift.
59, 2. Paiv. Serm. 1, 127. ANDRAD. Chr. 1, 49.
{{lema|ALPENDORADA}}. s. f. ant. O mefino que Alpendrada;
he como hoje fe diz. Gors, Chr. de D. Man. 3, 42
Mandou encalhar o jungo em terra, e cobrir de huma
alpendorada. Gouv. Kel. 2, 10 Porque aquellas cafas 3
ou alpendoradas, além de ferem afconfas, fuftentavaofe
fobre traves mui groflas. So us. Hift. 1, 2, 2 E daqui fi-
cárão as alpendoradas que ainda hoje duráo em Con-
ventos mui antigos defte Reino.
{{lema|ALPENDRADA}}. s. f. Alprendre maior que o ordinario
ou de muitas columnas. MONTEIR. Art. 17, 8, 266 Nas
alpendradas do Templo entre os mais pobres me agafa-
lharei. CARV. Chorogr. 1, 1, 8 E ao redor do clauftro
huma alpendrada fobre columnas de pedra. M. BERN.
Floreft. 5, 1, 92, A Porticos, ou alpendradas.
{{lema|ALPENDRE}}. s. m. Efpecie de teto, fuftentado em columnas ou pilares diante das portas das cafas, Igrejas, be. ant. Alpender, Alpendere. BARR. Dec. 1, 4, 8 Entrá-
rão em hum pateo de alpenderes, &c. GOES, Chŕ. de
D. Man. 1, 34 Fizerão todos juramento ao Principe nas
mãos del Rei feu pai no alpendre do Mofteiro de S. Do-
mingos. MEND. PINT. Peregr. 82 Nos agafalhárão. n'hum
alpendre do feu pagode.
Alpendre das eiras, onde fe recolhem as novida-
des, quando chove. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ALPENSE}}. adj. de huma term. pouc, ul. O mesmo que Al-
pino. BRIT. Chr. 2, 25 Chegou a hum Mofleiro da Or
dem novamente fundado no Ducado de Saboia, ao qual
chamão Alpenfe.
{{lema|ALPERCATE}} s. m. Buraco entre a orciba è a pala do
fapato. BLUT. Vocab.
{{lema|ALPERCHE}}. s. m. Nome, que fe dd aos damafcos grandes
M. DE FIGUEIR. Chronogr. 4, 29 Albiquorques, pecegos',
alparches, fe plantão de femente em terra quente por
Outubro, &c. DOM. RODRIG. Art. 195 Defte modo fe fa-
zem alperches.
{{lema|ALPERCHE}}. s. m. Alpendre pequeno. FR. LEÃO, Benedict.
2, 1, 3. c. 5 Hum Padrão ou Cruzeiro, em que estava
a Imagem... coberto com feu alpefcbe, eftribado emi
quatro columnas.
{{lema|ALPERGATE}}. s. m. O mesmo que Alpargate. BENT. PER
Thef.
{{lema|ALPESTRE}}. adj. de huma term. Poet. Afpero, efcabrosos
femelhante aos montes Alpes. Applicafe particularmente aos
montes. BERN. Rim, Eleg. 2 Mas defte alpestre monte,
duro, imigo, &c. PER. Elegiad, 6, 79 Perdidos por
afperrimos, alpeftres Bofques, rochedos, bréjos, que
pallavão. ROLL. Noviff. 2, 57 As efpumantes agoas pare-
cháo, Quando os oppoftos ventos encontravão, Als
peftres montes, que romper querião Os transparentes
orbes, que tocavão.
{{lema|ALPESTRICO, A}}. adj. pouc. uf. Poet. O mefino que Al-
peftre. PER. Elegiad. 15, 226 Já arrojado o arraial efta-
va Nos alpestricos montes Africanos.
{{lema|ALPHA}}. s. m. A primeira letra do alphabeto ou abecedario
Grego, que he o A. FR. Six. COELH. Chr. 2, 22; 1.99
A primeira letra, a que os Hebreos chamão aleph, cha-
mão os Gregos alpba. Puxir. Chr. 1, 2, 4. 5. 6 No
meio das duas letras do alphabeto Grego alpha e ómega.
Met. Alpha, abf. ou mais frequentemente Alpha e
Omega: Dafe efta denominação a Deos, como principio
c fim de todas as coulas, por allusão a cftas duas le-
tras no alphabeto Grego, onde huma dellas he a primei-
ra, e a outra a ultima. Ros. Hift. 2, 25, 4 Pois que
he [a Virgem] mái daquelle, que he o alpha, e o prin
cipio e fim. CEIT. Quadrag. 1, 108, 3 Vos [meu Deos]
foftes o alpha e o omega de todas as coufas, principio
e fim dellas. VIEIR. Serm. 4, 2, 4. 11. 54 Eu fou o
alpha e o omega, porque fou o principio c fim de tudo.
Mufic. f. Compofto, ou corpo atravesado com duas
vozes, huma no principio, e outra no fim. Ha tres alphas
Alpha mocha, breve, e femibreve. A. FERNAND. Art. I,
56 E toda a alpha fubindo ou decendo, tendo a pri-
meira ponta plica á máo cfquerda pata baixo são bre-
ves em ambas as pontas. 1,55 E quando venha hu-
ma alpha fem plica, a que chamão alpha mocha 1,
57 E fe for alpha, tendo plica pera cima á mão afquer-
da, tambem he de femibreve. M. NUN. Tr. das Explan.
81 Ligadura obliqua he a que chamamos alpbas, que são
figuras de corpo atravelfado.
Met. PINT. RIB. Ufurp. 43 A violencia e a tyran-
nia eftendeo os limites e alphas dos Reinos, e fubmetreo
mais de humà Républica á obediencia de hum homem<noinclude></noinclude>
cabazpmay4hlc5b9zx72bwbxowxhypo
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|127|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Todavia, eis a descripçāo exacta do que viam áquella distancia, em relaçāo à Lua, Barbicane e os companheiros.
Appareciam no disco extensas chapadas de varia coloraçāo.
Ácerea dʼesta variedade de coloridos, muito differentes e precisamente distinctos, nāo ha accordo entre os selenographos. Affirma Julius Schmidt que, se seccassem os oceanos terrestres, o
observador lunar nāo distinguiria no globo terrestre matizes tāo
diversamente accentuados entre os oceanos e as planicies continentaes como as que apparecem na Lua a qualquer observador terrestre. A côr commum a todas as vastas planicies conhecidas pelo nome de mares é, segundo Schmidt, o pardo escuro misturado de verde e castanho. Tambem algumas cratéras maiores
apresentam o mesmo colorido, Barbicane conhecia esta opiniāo do
selenographo allemāo, aliás seguida pelos senhores Beer e Moedler, e verificou que a observaçāo lhes dava rasāo contra alguns
astronomos que apenas admittem a côr parda na superficie da
Lua. Em certos pontos via Barbicane a côr verde sobresaindo
distinctamente, tal como, na opiniāo de Schmidt, ella sobresae
nos Mares da Serenidade e dos Humores. Tambem Barbicane
notou grandes cratéras sem cone interno, dʼonde dimanava uma
irradiaçāo azulada analoga aos reflexos de uma lamina de aço
recentemente polida. Pertenciam estes coloridos variados, na
realidade, ao disco lunar, e nāo provinham, como querem alguns astronomos, ou da imperfeiçāo do objectivo das lunetas
ou da interposiçāo da atmosphera terrestre? Barbicane nāo podia ter duvida alguma a tal respeito, porque observava através
do vazio e sem possibilidade de commetter erros de optica.
Considerou, portanto, esta variedade de colorido como mais um
facto averiguado para o peculio da seiencia. Agora, o que elle
ainda nāo podia decidir, era se aquelles variados matizes de verde eram ou nāo devidos a uma vegetaçāo tropical, alimentada
por uma atmosphera densa e baixa. Um pouco mais longe, notou Barbicane uma cor avermelhada, bem claramente definida.
Já fôra observada outra tinta analoga no fundo de um recinto
isolado, conhecido pelo nome de circo de Lichtemberg, mas nāo
podéra determinar-se-lhe a natureza.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ddczyx9fs9kl2sx2i8hsmegl9s3j6st
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|128|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>O presidente nāo foi mais feliz em relaçāo a outra particularidade do disco, cuja causa tambem nāo poude perceber com
exactidāo. Essa particularidade é a seguinte:
Estava Miguel Ardan observando junto do presidente, quando
notou certas linhas compridas e brancas, vivamente illuminadas pelos raios do Sol, que formavam como que uma serie de
sulcos luminosos inteiramente differentes da irradiaçāo que ha
pouco lhes apresentara Copernico, porque se alongavam em direcçōes parallelas. Miguel, com o desembaraço do costume, gritou logo:
— Olha! campos cultivados!
— Quaes campos cultivados?! respondeu Nicholl.
— Pelo menos lavrados, replicou Miguel Ardan. E que taes
lavradores devem ser os selenitas, e que gigantescos bois elles
devem metter ás charruas para abrir similliante regos!
— Nāo sāo suleos nem rogos, disse Barbicane, sāo ranburas.
— Pois sejam ranhuras, respondeu docilmente Miguel. Porém, em linguagem scientifica, o que é que significa essa palavra ranhuras?
Barbicane explicou immediatamente ao companheiro tudo
quanto sabia ácerca das ranhuras lunares. Sabia elle que eram
sulcos observados em todas as partes nāo montanhosas do
disco, e que estes sulcos, a maior parte das vezes isolados, têem
de quatro a cincoenta leguas de comprido, que a largura dʼelles varia desde mil até mil e quinhentos metros, e que têem as
margens rigorosamente parellelas; era tudo quanto sabia; a
respeito da origem e natureza de taes suleos nada mais.
Barbicane observou com extrema attençāo, armado da luneta,
estas ranburas, notando que as margens dʼellas apresentavam
declives extremamente ingremes. Pareciam compridas muralhas parallelas, Com o auxilio de alguma imaginaçāo podia admittir-se a existencia de compridas linhas de fortificaçāo levantadas pelos engenheiros selenitas.
Dʼestas differentes ranhuras umas eram absolutamente rectilineas, como que traçadas a cordel; outras apresentavam uma
leve curvatura, mantendo todavia o parallelismo de suas mar-<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALR tic. 1, 30, I Gomma alcatira, amendoas doces, de ca- da hum meia onça. {{lema|ALQUITRAVA}}. s. f. ant. ou {{lema|ALQUITRAVE}}. {{catgram|s. m. e f}}. Archit. O membro inferior da cornija. Arr. GUERREIR. Feft. 4 Cujo alquitrave [da co- lumna hia fazendo cimalha aos pedeftaes. FEST. NA CANON. 200 Da alquitrave até o ponto tinha [o portal] dezaffeis [palmos.] LisB.. Jard. 2013 Táo fortes e grandes colum- nas, parece que havião de fu...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALR
tic. 1, 30, I Gomma alcatira, amendoas doces, de ca-
da hum meia onça.
{{lema|ALQUITRAVA}}. s. f. ant. ou
{{lema|ALQUITRAVE}}. {{catgram|s. m. e f}}. Archit. O membro inferior da
cornija. Arr. GUERREIR. Feft. 4 Cujo alquitrave [da co-
lumna hia fazendo cimalha aos pedeftaes. FEST. NA CANON.
200 Da alquitrave até o ponto tinha [o portal] dezaffeis
[palmos.] LisB.. Jard. 2013 Táo fortes e grandes colum-
nas, parece que havião de fuftentar algum famofo arco,
ou huma proporcionada alquitrave. S. MAR. Chr. 2, 7,
23. n. 1 (D. Veriflimo Defcripção de Santa Cruz, 1541.)
Sobre os quaes [capiteis] vai huma alquitrava com fua
friza e cornija de pedraria lavrada.
{{lema|ALQUORQUE}}. s. m. ant. Vej. Alcorque.
{{lema|ALROTADO, A}}. p. p. de Alrotar. BENT. PER. Thef.
{{lema|ALROTADOR}}. s. m. O que alrota. JER. CARDOS. Dict.
BENT. PER. Thef.
{{lema|ALROTAR}}. v. n. Efcarnecer, zombar, fazer mofa ou ir-
risão. PAIV. Setm. 3, 72 Os ignorantes alrotavão dos que
fabiáo. ARR. Dial. 1, 12 E hum Lucio Cominio alrotan-
do dos feus Deofes, diffe &c. D. F. MAN. Muf. 16 Tub.
de Caliop. Se cuidais que he gracinha fer ingrata E cre-
des que o alrotar he cottefia &c.
{{lema|ALROTARIA}}. s. f. Efcarneo, mofa, zombaria. Aan. Dial.
8, 18 Lembrãome as alrotarias, que os Gentios fizerão,"
quando os Barbaros feptentrionaes faqueárão Roma.
{{lema|ALRUTE}}. s. m. O mefmo que Abelheiro. LɛON. DA COST.
Georg. 4, 113. not. i. Os paffaros, aos quaes o Poeta
aqui chama meropes, em algumas partes fe chamão alru-
tes, e em outras, com mais proprio nome, abelheiros.
{{lema|ALTA}}. s. f. Milic. A nota, por que confta a existencia de
huma peffoa no ferviço militar, bavendofelbe dado baixa
ou dimifsão do mefmno ferviço, por enfermidade on deferção.
CARV. Chorogr. 3, 2, 8. tit. 11. p. 584. Ao qual [Con-
felho de Guerra] pertence mandar dar al is e baixas.
{{lema|ALTABAIXO}}. s. m. {{Uso|Efgrim}}. Golpe, que fe dá direito de
alto abaixo. SA DE MEN. Mal. 9, 102 Hum altabaixo hor-
rendo o Pagão tira, Que o Chriftão Cavalleiro lhe
rebare. SERR. Difc. 1, 269 E defembainhando o cutello,
trazia na cinta, lhe tirou hum altabaixo, com que
que &cc.
De altabaixo. fórm. adv. De cima até baixo, dan-
do golpe. CEIT. Quadrag. 1, 163, 4 O amor o cortava
d'altabaixo.
{{lema|ALTAFORMA}}. s. f. Certa ave de rapina, efpecie de Tar-
taranba. FERNAND. FERR. Art. 1, 2 Outras aves ha de
zapina, como Bilhafres, Altaformas, Cabifalvas, e Af-
forenhas,
as quaes tomão algumas vezes aves vivas,
que comem, mas ordinariamentem fe mantem de bichos
da terra. 5, 11 Todas em geral fe chamão Tarta-
ranhas, mas debaixo defte nome ha quatro efpecies bem
differentes. As Altaformas são de cor azul claro, as Af.
forenhas pardas, &c.
{{lema|ALTAMALA}}, form. adv. Sem efcolha, fem feparação de
bom e máo. Particularmente fe diz das compras e ven-
das. PAIV. Serm. 1, 310 Como hum mercador, que
compra por junto altamala, que leva muitas coufas, que
lhe não fervem e em que eftá a perda certa, polo
ganho das que the fervem.
{{lema|ALTAMENTE}}, adv. lug. Em ou para lugar alto. FERR-
Poem. Son. 2, 42 Aguia divina, que tão altamente,
De Deos guiada além dos ceos voafte. Fa. MARC. Chr.
1, 2, 41 E depois voão [as cotovias] mui altamente.
Adv. mod. Em tom alto, e que fe deixa ouvir bem.
FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 1, 25 Altamente differão, que
&c. HEIT. PINT. Dial. 1, 4, 1 Soáráo [as palavras] tão
altamente, que fahio o feu tom por todo o Univerfo.
Met. FERR. Poem. Eleg. 4 Nova luz défte à glo-
riofa chamma, Em que os claros avôs teus fempre ar-
dêrão, Que já a teus filhos altamente chama. TELL.
Chr. 1, 2, zz. n. 6 Murmurando altamente contra a mef-
ma peffoa Real.
Muito, grandemente, exceffivamente. BERNARD. RIB.
Menin. 1, 24 Elle diffimulou altamente. MEMOR. DAS
PROEZ. 1, 33 Per o que o festejavão altamente. Mos.
Palm. 2, 33 De forte que com eftas victorias crefcia
fua foberba e oufania altamente.
Perfeitamente excellentemente, em grdo fublime.
FERR. DE VASC, Uliflip. 2, 2 Pareceme tão altamente
hem minha Senhora, que &c. FERNAND. Palm. 4, 1.To-
mando a dianteira a todos, tão altamente começou a fi-
nalarfe, que não houve quem diante the paraffe. VIEIR.
Serm. 7, 2, 10. n. 81 Nenhuma [eleição houve nunca,
nem podia hayer, cm que concorrellem tão altamente
ALT
todas as calidades e fuppofições neceffarias.
Magnificamente, efplendidamente. Pin. Chr. de D.
Duart. 2 O terreiro dos Paços d'Alcaçova, onde o If
fante poufava, foi mui altamente corregido, pera nelle
fer alevantado e obedecido por Rei. Mox. Palm. 2, 259
Dous pagens altamente ataviados. LOBAT. Palm 571
Lhe diffe, que foffe altamente acompanhada.
Profundamente. Sous. Vid. 1, 26 Corre ao longo
do rio hum grande e eftendido caes de groffa cantaria
altamente fundado e terraplanado. Azev. Correcç. 2, 1,
3. p. 18 Detendofe [ó fangue] na madre, fe corrompe
mais alta e profundamente.
Met. Sous. Vid. 1, 15 Que fe bufcaffe meio pera
tirar do mundo hum perniciofo coftume, que por muitas
partes altamente cftava arrcigado. Sous. DE MAC. Ulyffip.
14, 15 Aqui a Providencia foberana Segredos vario's
altamente encerra. VIRIR. Serm. 2, 1, 7. n. 29 E para
que fique nella [alma] mais altamente impreffa [a ima-
gem &c.]
Accommodafe as producções do entendimento pa-
ra exprimir a fua perfeição, fublimidade, &c. BARR.
Dial. em louv. 55 Fallou [Virgilio] no quarto da fua Ae-
neida tão alta e mimofamente do amor, que &c. MOR..
Palm. 1, 14 Alcançando as coufas fecretas e por vir tão
altamente, que nenhuma lhe parecia trabalhofa. HEIT.
PINT. Dial. I, 1, 1 Anaxagoras, aquelle excellente Phi-
lofopho, que quiz tão altamente contemplar o curfo das
eftrellas... que por fahir de huma dúvida, fahio de .
Accommodafe tambem ás paixões e feus effeitos,
para moftrar a fua força e vehemencia. BERNARD. RIE.
Menin. 1, 3 As paffadas palavras voffas me dizem', que
deveis ter o coração altamente aggravado. Mox. Palm.
2, 150 Que fe via venerado tão altamente dos maiores
Principes do mundo &c. CAM. Luf. 1, 31 Altamente the
doe perder a gloria.
{{lema|ALTAMIA}}. s. f antiq. O mesmo que Almofia. F. ALv. In-
form. 100 E vierão outro fi grandes altamias com carne
cozida, FILIPP. Nux. Art. da Pintur. 62 y E tomarão as
tintas huma por huma, e em huma altamia, ou qual-
quer tigela vidrada, e com o dedo pollegár moèrie 2
côr muito bem com efta gomma.
{{lema|ALTANEIRO, A}}. adj. Volat. Que von muito alto, ou ca-
ça as aves, que fe remontão. Applicafe ao falcão, c ás
outras aves de rapina. FERNAND. FERR. Art. Advert. Alta-
neiro Falcão] o que caça toda a voaria. BARRET. Eneid.
5, 61 Ao qual do mefmo Ida a ave altaneira Armi-
gera de Jupiter, baixando Arrebatou nas unhas. Nux..
DA SILV. Poef. 263 Altaneiras garças.
Met. MATT. Jeruf. 3, 7 Do coração já o habito
altaneiro Se defpe, e pio ardor lagrimas chove.
{{lema|ALTANERIA}}. s. f. Volat. A natural difpofição é capacidade para voos altos, e mui remontados, ou a qualidade, porque as aves fe dizem altaneiras. ant. Altanaria Altenaria. BARR. Paneg. 43, 329 Aguia de mais fubida arenaria. ARR. Dial. 2, 12 Eftava efcondida aquella ave d'altenaria, que tinha converfação nos céos. Gouv Rel.
1, 18 E nos diffe que hia ver huma aldea, onde tinha
muita grande multidão de aves de altenaria.
Met. FERR DE VASc. Ulyflip. 5, 7 E beni ociofo
eftará quem fe defveláfle por fatisfazer juizos de alte-
naria. ARR. Dial. 10, 32 Ponderai o que refta na letra
defte Evangelho, porque vi muitas vezes paffar por el-
la os Prégadores, e fazeremfe em altenarias de pouco
proveito, M. BERN. Floreft. 4, 14, 177 São [a cortezia,
e liberalidade] as duas azas, com que remonta os feus
vôos, e fórma os feus gyros a alteñaria do coração hu-
mano Caça de alta volateria; como be a dos milhands,
garças, e outras aves de rapina, cum falcões, e outras
aves da mefma efpecie adeftradas nefte exercicio. RESEND.
Mifc. 168 Perdefe a altaneria, Não ha peixes, que
fohia.
Met. Lise. Jard. 444, 16 O homem cobiçofo he
aborrecido de Deos, he peccado d'altenaria, que nem o
quer em fua cafa, nem na de feus vaffallos. .L. ALv.
Céo de gr. 9, 5 Demoslhe o nome de açores; com que
eftes ladrões de altaneria cação, e nas unhas lhe trazem
a caça. VIEIR. Serm. 3, 6, 5. n. 279 A monteria deftes
monftros os vicios] e tambem a altaneria delles he a
que fe faz nos defertos fó por fó com Deos.
Caça de altaneria. A que fe faz de aves altanei-
ras, como aguias, milbanos; garças, &c. FERR. DE VASc.
Ulyffip. 2, E pera efta caça de altenaria ha mifter
outros roteiros, e muita experiencia. Mantz, Dial. 4.<noinclude></noinclude>
jsbde0nirykn6xnd898momeoszpfsog
Página:Campos-Traduccaoebreve.pdf/6
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{left|M. Pasteur collocou-se nʼalta esphera da certeza philosophica, ao passo que M. Renan divertiu-se, como rhetorico, á custa da verdade e do bom senso. Materialismo, e positivismo, são palavras que não roçam nunca os labios do refinado sceptico. «Não sabe bem, diz elle, se é espiritualista, ou materialista. » Nem outra cousa podia dizer o homem, que se gaba altamente de ''não ter nunca opiniões assentadas, e que sempre que discute de politica e de philosophia com alguem, que se mostra convencido, fica de accordo com a opinião do seu interlocutor''.}}
Isto desenha em traços indeleveis as feições caracteristicas
de M. Renan! Já em outra occasião havia dito que a ''maxima''
''sabedoria consiste em se abster de tirar consequencias''. A posição não pode ser mais commoda, nem mais apropriada á
missão de quem falla, e escreve para embair, e não para esclarecer! ''Dicere et non probare est non concludere''. Esse espirito fluctuante e vario repasta-se na contradicção: batido no
absurdo, refugia-se na duvida. Não querendo affirmar nada,
não podendo negar tudo, duvida, e desejaria que o mundo inteiro duvidasse com elle!
Sua grande arte é dissimular essa duvida tormentosa sob
exterioridades brilhantes, sob os ouropeis da fórma. O que
elle porém não pôde evitar, porque isso lhe seria impossivel, é
que o absintho que se occulla debaixo dʼessas flores, apparente-<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>mente bellas e louçãs, escape aos olhos do observador attento.
Por mais que se esforce, por torneios fallaciosos, para subtrair-se a uma resposta seria e precisa, é sempre apanhado nas
redes dos sophismas e das contradicções. Mas, peior serpente
que a de Moysés, morde, e empeçonha, ainda quando tomado
ao revés! Não importa; contra o seu morder e o seu empeçonhar ha o grande antidoto de todos os venenos moraes e scientificos: a verdade.
Que differença entre o scepticismo esturdio e villão de
M. Renan, e a tranquilla e firme profissão de fé de M. Pasteur!
«A verdade, diz M. Renan, é uma ''coquette''. Não quer ser requestada com muitos carinhos e extremos. Tratal-a com indifferença é, não raro, o meio mais seguro de alcançal-a.»
«Pelo contrario, diz M. Pasteur: a verdade é o objecto de
asperas e constantes investigações do espirito, bem certo de
que, por meio do esforço, ha de conquistal-a. A sciencia, e o
ardor de comprehender serão acaso cousa diversa do estimulo do saber, que põe a nossa alma na posse do mysterio do
universo?»
—Em M. Pasteur, a sciencia é o olho que vé, que perscruta, que compara, que reflecte, que espera, que se apodera da
luz, que junta aos seculos passados o peso dos seculos novos,
e que, sentinella paciente do tempo, arranca por fim ao universo, gotta por gotta, seus eternos segredos.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>— Em M. Pasteur, a sciencia, filha querida da rasão allumiada pelos fulgores da revelação, não é o principio da ordem
humana, é o seu glorioso instrumento; mas, se supprime a fé,
em vez de sustental-a, não será senão o instrumento de uma
ruina, em que o homem conhecerá, cedo ou tarde, que é necessario crer para viver um só dia, quando mesmo não fosse
necessario crer para viver eternamente.
— Em M. Renan, pelo contrario, a sciencia é o orgulho, é
a infatuação do espirito embriagado de si mesmo, que se mira
e revê no seu presumpto saber, como Narciso no seu lago, e
que, considerando todo e qualquer limite uma injuria á sua
capacidade, suppõe na sua baixa altivez poder arcar com Deus
como de igual para igual; porque M. Renan, não se deslumbrando com outras cousas, senão com os quadros furta-côres
da sua phantasia, não vê Deus, que é o infinito, através de
todas as nossas invenções, e progressos! Se affirma o eterno
é para ter o direito de negar sua existencia, como se deduz
dʼestas suas palavras escriptas na ''Revista dos dois mundos'':
«No meio da absoluta fluidez das cousas, affirmâmos o eterno.
Sem isto não seriamos livres, nem estariamos á nossa vontade
para discuti-lo. As primeiras victimas, no dia seguinte ao em
que se não cresse em Deus, seriam os atheus. Não se philosopha nunca mais livremente do que quando se sabe que a
philosophia não tira consequencias.»
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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{{C|{{larger|'''O anginho'''}}}}
{{dhr}}
{{c|{{smaller|{{uc|Ao meu priminho Manoel da Motta Cardoso}}}}}}
{{dhr}}
{{bloco centro/s}}
<poem>
Vestiram-n'a de branco como a neve,
e cobriram-lhe o corpo feiticeiro
com um veu de gaze transparente e leve.
Sobre as rendas do fôfo travesseiro
espalharam-se os seus cabellos d'ouro!
Parecia dorinir, e que fagueiro,
um sonho a visitava. Ouvia o côro
dos anjos seus irmãos no Paraizo,
a chamal-a; quem sabe? Que thesouro
de amor prometteria aquelle riso,
que em seus labios ficára? Que alvorada
contemplaria? Alberto, com juizo,
<br>
</poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|33}}
{{lh}}
{{bloco centro/s}}</noinclude><poem>
andava em volta a olhal-a ― Estás calada
ha tanto tempo, Lena! Vaes-te embora
para o ceu, minha irmã? Estás cançada
de brincar só commigo? quem agora
me fará companhia? Se eu pudesse
ir comtigo, irmãsinha! ― Oh Deus! implora
a pobre mãe, oli Deus! se elle morresse,
o que me restaria n'este mundo?
Não o escutes, Senhor! Filho, anoitece,
vem dormir nos meus braços: tão profundo
é teu amor por mim que me deixavas?
― Oh não, mamã, perdôa; bem do fundo.
do coração te adoro. Tu amavas
tanto Lena tambem, e a morte veio,
deixando-a fria e pallida; choravas,
apertando-a com força contra o seio,
co Pae do Ceu não quiz ouvir teu pranto.
Agora, dize, mãe, quem ha de, em meio
da noite, ir socegar a Lena, emquanto
eu le espero a tremer, cheio de medo?
Quem a leva ao pomar, ouvir o canto
do triste sabiá? quem, logo cedo,
vae beijal-a? quem ha de, coitadinha,
ser mãe de minha irmã?! Dize, em segredo,
<br>
</poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/50
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{{bloco centro/s}}</noinclude><poem>
o que a espera no ceu? Vae tão sosinha,
e eu tenho tanto dó, tanta saudade!
― Helena, a minha angelica filhinha,
(forças, meu Deus!) entrou na Eternidade,
levada pelos anjos, que, voando,
espargiam jasmins. A Caridade
ia a seu lado, uns cantos entoando
de suavissima e placida harmonia,
e uma estrella sem par ia guiando
o cortejo de um anjo, que subia
entre lumes, cantares e fulgores...
― Mas lá não terá mãe! ― Oh! sim, Maria,
a mãe de Deus, dos bons e peccadores,
a que, em meio à procella, ouve o vagido
da infancia desvallida e calma as dores.
Lena tem melhor mãe.
{{D|― Melhor?! Duvido.}}
</poem>
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/O Anginho
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{{c|{{larger|'''Os morangos'''}}}}
{{dhr}}
Maria era uma brutinha, filha de um jardineiro. Teria os seus oito annos e passava o dia a ouvir reprehensões, porque o pae não lhe consentia tocar nos canteiros, vedando-lhe as plantas todas; e ella, como creança, coitadinha, sentia tentações gulosas ao ver os pecegueiros vergados ao peso da fructa, já amarella, carnuda, appetitosa... ao ver os cachos de uvas, negras, vidradas, pendentes d'entre a folhagem de um verde claro e macio da pequena parreira, e os grupos doirados das ameixas, e as maçãs vermelhas e lustrosas... E tinha de olhar de longe para tudo aquillo, que lhe fazia crescer agua na bocca, porque o pomar não era grande, e o patrão, conforme afiançava o jardineiro, contava até... as amoras!
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/52
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|36|{{uc|Contos infantis}}|}}
{{lh}}</noinclude>Assim ia vivendo Maria, resignando-se a comer unicamente a fructa abandonada por incapaz de apparecer na meza do dono, ou por ter dado abrigo a algum bichinho importuno, ou por ter cabido no chão, batida pelo vento ou pela chuva durante a noite, o que fazia com que Maria não temesse e até desejasse as tempestades.
Mas houve um tempo de prolongada calma. As noites eram tépidas, claras; nem a mais leve aragem agitava a ramaria espessa; os dias quentes, sazonadores de quanta fructa houvesse; as manhãs esplendidas...
Ai! foi n'uma manhã que a pobre Maria se ia perdendo, levada pelo peccado da gula!...
Andava ella pelo pomar, vendo o pae colher morangos a mandado do patrão, que ali estava em pé, como um policia, o maldicto do homem! Ella tinha-lhe medo, um medo de fazer tremer; por isso quando elle lhe disse: ― Anda pequena, ajuda teu pae ― ella curvou-se immediatamente e com as suas mãosinhas trigueiras ia afastando a folhagem orvalhada e fresca para colher os morangos, vermelhos como os seus labios, humidos como os seus olhos. D'esta vez, pensava ella comsigo, eu como um morango, novo, bem madurinho e gostoso... e dava estalinhos com a lingua e lambia os beiços.
Cuidava ella que o patrão recompensaria o seu trabalho. Pois sim! olha quem! Elle sentára-se perto, mandára vir um prato e {{hífen|entretinha-|entretinha-se}}<noinclude></noinclude>
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Mas houve um tempo de prolongada calma. As noites eram tépidas, claras; nem a mais leve aragem agitava a ramaria espessa; os dias quentes, sazonadores de quanta fructa houvesse; as manhãs esplendidas...
Ai! foi n'uma manhã que a pobre Maria se ia perdendo, levada pelo peccado da gula!...
Andava ella pelo pomar, vendo o pae colher morangos a mandado do patrão, que ali estava em pé, como um policia, o maldicto do homem! Ella tinha-lhe medo, um medo de fazer tremer; por isso quando elle lhe disse: ― Anda pequena, ajuda teu pae ― ella curvou-se immediatamente e com as suas mãosinhas trigueiras ia afastando a folhagem orvalhada e fresca para colher os morangos, vermelhos como os seus labios, humidos como os seus olhos. D'esta vez, pensava ella comsigo, eu como um morango, novo, bem madurinho e gostoso... e dava estalinhos com a lingua e lambia os beiços.
Cuidava ella que o patrão recompensaria o seu trabalho. Pois sim! olha quem! Elle sentára-se perto, mandára vir um prato e {{hífen|entretinha|entretinha-se}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|37}}
{{lh}}</noinclude>{{hífen-fim|se|entretinha-se}} em armar em pyramide os morangos, que tanto ella como o pae colhiam. Pouco a pouco foi perdendo a esperança; tacteava a folhagem e ao pousar os deditos n'uma das fructinhas cubiçadas, engolia em secco e piscava os olhos. Quando viu que de todo era loucura esperar a
caridade d'esse senhor tão mesquinho, passou, como gato por brazas, as mãos por um morango maduro, cobriu-o mais com as folhas para que não fosse visto e levantando se poz-se a pensar de
que modo poderia, durante o dia, vir buscal-o.
O patrão armára a pyramide, mas de repente disse ao jardineiro: ― Homem, veja lá se me arranja mais um para arrematar isto aqui em cima. O jardineiro esquadrinhou, mas qual! d'aquelle lado já não havia nada. Passou para o da filha. Maria estremeceu. D'ahi a pouco o vellio levantava-se triumphante ― tinha apanhado o ultimo morango, e que bello que este era! Maria viu-o passar para as mãos do patrão, pensando comsigo:
― Que desaforo! rouba-me a minha fructa.
Momentos depois estava sosinha n'aquelle logar.
O amo mandára o prato para dentro e sabira para a rua; o pae fora regar umas roseiras do lado opposto áquelle.
Maria caminhou: subiu audaz os dois degraus do terraço, sombriado por um toldo riscado, e<noinclude></noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/54
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|38|{{uc|Contos infantis}}|}}
{{lh}}</noinclude>penetrou n'uma bella sala de jantar cheia de aparadores, porcelanas finas e umas estatuas alegres de terra cóta; mas o que lhe importavam a ella as estatuas coroadas e risonhas, e as begonias dos grandes vasos com figuras em relevo, e as porcelanas finas? Ella entrára atraz dos morangos, que alli estavam sobre a meza, ao alcance da mão, que lhe sorriam e que a tentavam! Maria olhou á roda a casa estava silenciosa... estendeu o braço com precaução e, delicadamente, poz a mão sobre o prato; tirou o seu morango, comeu-o todo de uma vez... Que delicia! De novo estendeu a mão, mas, sentindo um leve rumor, retirou-a com precipitação; os morangos então desabaram, espalharam-se pela mesa e pelo chão, como um colar de coraes, a que uma
creança caprichosa tivesse arrebentado o fio.
Maria, tremula, olhou para traz e viu a filha mais velha do amo, Lucia, menina franzina, delicada como um botão de rosa, pallida como um raio da lua
A infeliz Maria vio-se perdida, sentio-se córada de vergonha. Lucia ia a fallar, quando entrou sua mãe, uma senhora severa, com um lindo roupão de cauda todo enfeitado de rendas...
― Que é isso?! inquiriu ella, franzindo as sobrancelhas, e fixando Maria.
― Quem ousou tocar nos meus morangos? tu?!
― Fui eu, minha mãe; respondeu a vozinha doce de Lucia; perdoe-me, sim? E, fazendo<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|39}}{{lh}}</noinclude>uma momice graciosa, deu-lhe dois beijos nas mãos.
― Perdôo-te; mas olha que o que tu fizeste não é bonito.
{{tracejado}}
Por muito tempo Lucia repartiu com Maria o seu quinhão de fructas; mas agora, que ella já não tem pomar, nem jardim , pois que seu pae fallio e ludo entregou aos credores, é Maria quem lhe leva na estação das fructas, hoje que o velho jardineiro é possuidor de uma pequena propriedade, lindas pyramides de morangos, vermelhos como os seus lábios, doces como os seus amores.
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/Os Morangos
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text/x-wiki
<pages index="Contos infantis em verso e prosa.pdf" from=51 to=55 header=1 autor="[[Autor:Júlia Lopes de Almeida|Júlia Lopes de Almeida]]" />
[[Categoria:Contos infantis em verso e prosa| 17]]
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/56
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{{lh}}</noinclude>{{ch|XVI}}
{{dhr}}
{{C|{{larger|'''As flores amam'''}}}}
{{dhr}}
{{C|{{smaller|{{uc|á minha priminha Beatriz Motta}}}}}}
{{dhr}}
{{bloco centro/s}}
<poem>
Sabes o que me disse o primo Augusto um dia?
Que tinha vida a planta e amava como nós.
Que absurdo, Rachel, não? Que graça não teria
uma rosa a scismar, ouvindo a meiga voz
{{C|do branco bogarim,
Assim:}}
― Rosa tu que és rainha, attende por piedade
ao teu cantor fiel, amante sem igual...
E o roxo amor perfeito, á espera que a saudade
lhe acene docemente e o chame?! Então, que tal?
{{C|ai, que carapetão!
Pois não?}}
<br>
</poem><noinclude>{{bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/57
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|41}}
{{lh}}
{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
― Não conversam assim, as flores, Angelina,
mas respiram e vivem, amam-se talvez;
se lhes falta alimento, ou agua crystalina,
definham, vão murchando, e morrem d'uma vez.
{{C|― E o que lhes muda a côr?
― 0 amôr. ―}}
Vou contar-te uma historia. Um dia uma violeta
amou o sol ardente a mais não poder ser.
Quando se erguia o amado, ella modesta, inquieta
entre as folhas ficava, e elle sem a ver...
{{C|Orgulhoso, veloz! ―
― Que atroz! ―}}
Uma tarde calmosa, o velho jardineiro
notou que a pobresinha ia perdendo o olôr,
quiz logo transplantal-a e sob um jasmineiro
a violeta abrigou, dizendo: ― Era calor!
{{C|A flôr não vendo o ceu,
morreu !...}}
Já ves que sente a planta, e soffre sem queixume;
respira, mata a sede e pede afecto e luz;
penetrante ou suave, o celico perfume
immensa desventura ou grato amor traduz.
{{C|― Oh! quanto eu sou cruel!
Rachel!}}
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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2026-08-12T21:40:27Z
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|41}}
{{lh}}
{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
― Não conversam assim, as flores, Angelina,
mas respiram e vivem, amam-se talvez;
se lhes falta alimento, ou agua crystalina,
definham, vão murchando, e morrem d'uma vez.
{{C|― E o que lhes muda a côr?
― O amôr. ―}}
Vou contar-te uma historia. Um dia uma violeta
amou o sol ardente a mais não poder ser.
Quando se erguia o amado, ella modesta, inquieta
entre as folhas ficava, e elle sem a ver...
{{C|Orgulhoso, veloz! ―
― Que atroz! ―}}
Uma tarde calmosa, o velho jardineiro
notou que a pobresinha ia perdendo o olôr,
quiz logo transplantal-a e sob um jasmineiro
a violeta abrigou, dizendo: ― Era calor!
{{C|A flôr não vendo o ceu,
morreu !...}}
Já ves que sente a planta, e soffre sem queixume;
respira, mata a sede e pede afecto e luz;
penetrante ou suave, o celico perfume
immensa desventura ou grato amor traduz.
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Rachel!}}
<br>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/58
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|42|{{uc|Contos infantis}}|}}
{{lh}}
{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Esqueço muita vez sem agua e sem cuidado
a minha predilecta, a flôr do resedá;
talvez a pobre flôr tenha por mim chorado
julgando-me sem alma, indifferente, e má.
{{C|Coitadinha da flôr,
que dor!}}
Vou o seu vaso encher de terra fresca e nova,
expôl-a ao ar da noite e ao rócio da manhã;
ella ha de agradecer-me e perfumar-me a alcova.
― Aprendes a ser mãe, minha pequena irmã,
{{C|e abençôa-te Deus
dos ceus!}}
</poem>
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/As flores amam
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{{C|{{larger|'''O retrato da avó'''}}}}
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{{C|{{smaller|{{uc|a Valentim de Magalhães Junior}}}}}}
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O pequeno Heitor, lindo como os amores, alegre como um gorgeio, lembrou-se um dia deuma aventura galante. Tinha elle então tres annos. Estava só, completamente só. A mãe no interior da casa dava ordens a uma criada nova.
Em fraldinha de camisa, com os mimosos pés assetinados nus, e os cabellos soltos, vio pela fresta da porta do quarto o violoncello encostado n'uma parede da sala.
Que tentação! Poderia livremente tocar, tanger aquellas cordas, tirando uns sons melodiosos, que fariam chorar de commeção a mãe e receber por isso beijos, applausos e doces !
Feita esta hypothese não hesitou mais o meu querido Heitor. Vio-se no grande espelho do guarda vestidos e pensou:
Que era indecente o ir tocar descalço... lá isso era! Oh! mas alli estavam as botas do pae!
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/63
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|47}}{{lh}}</noinclude>Excellente e Heitor calçou-as. Depois reflectio, e bem, que não estava completo; poz então no narizinho uns oculos escuros e na cabeça um grande chapeu alto.
La se foi o nosso heroe aos trambulhões até ao instrumento, que, impassivel, mudo, parecia esperal-o.
Esphynge curiosa!
Heitor estendeu a mãosinha gorda e branca para o arco, olhou triumphante para o retrato da avó, unica espectadora, e deu começo á symphonia. Principiou mansamente, depois foi num ''crescendo'' orchestral, wagneriano, atordoador, impossivel!
Com os olhos fechados apertadamente, movia o corpo enthusiasmado, gritando na sua meia lingua: ― Muito bem!
Alvoroçada com a bulha, a mãe correu á sala, e, ao ver aquelle figurão gracioso só se lembrou de uma cousa da zanga do marido ao encontrar desafinado o violoncello.
Cega pelo desespero, correu para o filho tencionando punil-o.
Vendo a, a criança assustada apontou para o retrato da avó, desculpando-se assim:
― Vovó pedio!
A boa senhora então commovida, contemplou o retrato da mãe e achou-o tão meigo, tão cheio de candida expressão, que parecia mesmo dizer-lhe: ― Perdóa-lhe! Eu estava a gostar de ouvil-o.
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/61
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{{C|{{larger|'''Amor supremo'''}}}}
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{{C|{{smaller|De Luiz de Ratisbonne}}}}
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{{C|{{smaller|{{uc|á minha amiguinha Noemia C. Ferreira.}}}}}}
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{{bloco centro|
<poem>
Todas tres me adoraes, mas porque me adoraes?
{{C|― Eu, porque ninguem mais
do que tu me acarinha,
realisa os meus desejos,
com bonecas e beijos.}}
Muito bem. É um amôr, querida Luizinha,
como ha muitos, bem sei, feito de gratidão
e de interesse. Assim, provas não ser ingrata
{{C|e ter bom coração.}}
E tu, minha formosa e travêssa Renata,
{{C|porque dizes amar-me?}}
― Porque ninguem é bom como tu n'este mundo.
― Firma-se na virtude esse affecto profundo.
Admiravel! Agora é tua vez, Leonor.
― Eu amo-te, porque... eu amo-te... talvez...
Sinto que te amo, sim, mas... não posso explicar-me;
é mais forte do que eu, não sei porque, bem vês.
Dá-me um beijo, anjo lindo. Eis o supremo amor!
</poem>}}
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<poem>
Todas tres me adoraes, mas porque me adoraes?
{{C|― Eu, porque ninguem mais
do que tu me acarinha,
realisa os meus desejos,
com bonecas e beijos.}}Muito bem. É um amôr, querida Luizinha,
como ha muitos, bem sei, feito de gratidão
e de interesse. Assim, provas não ser ingrata
{{C|e ter bom coração.}}E tu, minha formosa e travêssa Renata,
{{C|porque dizes amar-me?}}― Porque ninguem é bom como tu n'este mundo.
― Firma-se na virtude esse affecto profundo.
Admiravel! Agora é tua vez, Leonor.
― Eu amo-te, porque... eu amo-te... talvez...
Sinto que te amo, sim, mas... não posso explicar-me;
é mais forte do que eu, não sei porque, bem vês.
Dá-me um beijo, anjo lindo. Eis o supremo amor!
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/Amor Supremo
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/O Retrato da avó
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{{C|{{larger|'''O ninho da toutinegra}}}}
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{{C|{{smaller|{{uc|A minha priminha Angelina Vieira}}}}}}
{{dhr}}
{{Bloco centro/s}}
<poem>
Laurinha andava cançada
de correr pelo pomar,
atraz de azul e doirada
{{C|borboleta;}}ficou afinal sentada
{{C|tão quieta}}a travêssa feiticeira!
em baixo de uma romeira
{{C|a scismar...}}Nem podia respirar.
Talvez Laurinha quizesse
apanhar uma romā
e meditando escolhesse
{{C|caladinha}}a que mais lhe appetecesse.
{{C|Ó Laurinha!}}
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Não hesites, colhe aquella,
a mais vermelha e mais bella,
{{C|que ámanhã}}colhe-a talvez a mamã.
Laurinha nem se movia,
olhava com fixidez
para o mais alto raminho
{{C|e pensava:}}Como é lindo aquelle ninho!
{{C|Gorgeiava}}bem perlo uma toutinegra,
ave que os bósques alegra
{{C|tanta vez!}}Mãe da ninhada, talvez.
N'isto a mamã da janella:
― Laura, vem cá, minha flôr,
chegou a prima Arabella,
{{C|quer beijar-te.}}Laura diz, com voz singella:
{{C|― Vou deixar-te,}}mas não penses que te esqueço,
passarinho; se adormeço,
{{C|sonho, amor,}}com teu ninho encantador.
No mesmo ramo pousado
espera, que eu hei de vir
trazer-te o melhor boccado
{{C|do almoço.}}
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}
{{D|{{smaller|4}}}}</noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/66
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Em teu ninho perfumado,
{{C|que alvorôço!}}Que immenso contentamento!
N'unca mais um só lamento
{{C|se ha de ouvir}}não vás agora... fugir.
Laura subio. Noite adiante
um medonho furacão
com seu açoile cortante
{{C|pôz em terra,}}o ninho. A mãe cruciante
{{C|dór aterra;}}vôa tresloucada, a esmo,
té que teve o vento mesmo
{{C|compaixão}}arremessando-a ao chão.
E foi ao pé dos filhinhos
que a toutinegra morreu.
Entre-abriram os biquinhos
{{C|n'um desejo}}de expirarem unidinhos
{{C|n'um só beijo,}}talvez! As azas de uma ave
nos mostram quanto é suave
{{C|lá no ceu}}o amor dos anjos. Correu,
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/67
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
Laurinha, toda contente
depois do almoço ao pomar;
levava um bolo excellente
{{C|entre flôres!}}Imaginae, vendo em frente
{{C|seus amores}}inertes, inanimados,
a dôr, a magua, os cuidados,
{{C|o chorar}}d'essa formosa, sem par!
{{linha customizada|w|40}}
Guardou o ninho, lembrança
da alegria fugitiva
da sua affeição primeira,
aquella loira creança!
e á sombra da alta romeira
ás aves deu sepultura.
Sobre essa campa cultiva
a flôr da tristeza, a escura
saudade rôxa. Saudosa,
esquece as maguas, que és rosa,
encantada jardineira!
</poem>
{{Bloco centro/f}}
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{{C|{{Extrair imagem}}}}<noinclude></noinclude>
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/O Ninho da Toutinegra
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|52|{{uc|Contos infantis}}|}}{{lh}}</noinclude>{{ch|XXI}}
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{{C|{{larger|'''A ingratidão'''}}}}
{{dhr}}
{{C|{{smaller|{{uc|a Martim}}}}}}
{{dhr}}
― Olha, meu queridinho, meu gentil pequeno, tiveram a barbaridade de dar o teu nome... aos ursos!
Sei que isso te desgosta, mas vou contar-te um facto, que se deu com um d'esses animaes, facto que faz honra ao teu homonymo.
Elle é feio e bruto como a cousa mais feia e mais bruta, que imaginar-se possa; mas não faz mal, porque é bom, e bem sabes que a verdadeira belleza não é a da forma, é a dos sentimentos.
Não ha nada no mundo que valha a bondade. Vês? Nada!
Quando fores homem, tu, que terás um bello caracter, pois vaes guiado pela bondosa mão do nosso santo amigo, quando fores homem, repito,<noinclude></noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/69
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|53}}{{lh}}</noinclude>comprehenderás quanta razão tem a tua amiguinha em te dizer isto:
Ser bom é ser feliz!
A's vezes a bondade parece esmagar-nos o coração n'uma agonia longa e incomprehendida; mas depois que de consolos! que de suavidade para a nossa consciencia!
Ouve-me agora o conto, em que a bondade não tem recompensa immediata, mas que te não cansará, porque é ainda mais pequeno do que tu.
Entendeu um cigano indolente ganhar a vida á custa dos trabalhos de um pobre urso, grande e immundo.
Arrastava-o nas ruas, fazia-o dansar, mover-se servilmente à sua voz, deleitar a turba dos garotos, que se ria muito, mas que acabava quasi sempre por apredejal-o.
Uma noite deixou-se o bohemio cahir na estrada. Com a cabeça deitada nos braços entrançados, a barriga para o ar, a bocca aberta e as pernas estiradas, dormia a somno solto.
O urso contemplava-o silencioso. Na propria sombra destacava-se o seu grande vulto escuro. Elle estava alli como uma sentinella conscienciosa e firme.
Ouvindo o rumor surdo da vegetação, respirando o acre aroma das plantas, sentia saudades infinitas do seu tempo de outr'ora, e lembrava-se talvez o bruto, do dia em que esse, que<noinclude></noinclude>
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Página:Contos infantis em verso e prosa.pdf/70
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|54|{{uc|Contos infantis}}|}}{{lh}}</noinclude>ahi dormia a seus pés, o arrancára do seu paiz, rasgando-lhe as carnes nos mais rudes tratos! E continuava a velar o somno do seu algoz, de quem podia livrar-se, readquirindo de um instante para o outro a felicidade perdida... Sim, elle voltaria ás grutas sombrias, sem penas nem cuidados, dormiria as séstas sob as arvores nodósas, cheias de ninhos e de flores, rolaria pelos gramados das suas bellas planicies, constituiria uma familia sua, zelando ao redor do rochedo os filhos, que lá dentro sorvessem sequiosos o leite materno...
Pensava em tudo isso, e quedou-se immovel, absorto ao pé do dono, que, ao acordar, já ao romper da aurora, bateu-lhe, porque elle, o maldito, arrebentára a corda, que o prendia!
A's dores da pancada, o pobre urso, fixando no bohemio um olhar vazio de expressão, disse comsigo:
O mais ingrato dos animaes é com certeza o homem.
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/A Ingratidão
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[[Categoria:Contos infantis em verso e prosa| 23]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|55|{{uc|Contos infantis}}|55}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|XXII}}
{{dhr}}
{{C|{{larger|'''O ramo verde'''}}}}
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{{c|{{smaller|{{uc|a meu priminho Heraclito Ludovice}}}}}}
{{dhr}}
{{bloco centro/s}}
<poem>
Frederico era estouvado,
:não acceitava conselhos;
ria e zombava, coitado!
:das sabias lições dos velhos.
Sophia, meiga criança,
:era o contraste perfeito
do irmão, uma pomba mansa
:sem o mais leve defeito.
Dera o papá aos pequenos
:dois canteiros bem plantados,
em tudo iguaes; mas em menos
:de um mez estavam mudados.
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|56|{{uc|Contos infantis}}|}}{{lh}}
{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
O de Sophia, que encantos!
:tinha fartura de rosas,
cravos, baunilha, agapanthos,
:e violetas perfumosas.
No outro havia mamona,
:urzes, trifolios, ortigas
e uns restos de mangerona
:já roida das formigas.
Foram á tarde a passeio
:ao jardim os dous; Sophia
colhia rosas; em meio
:disse ao irmão: ― «Que alegria
é dar á mamã um ramo
:das minhas amadas flôres !
a sua alcova embalsamo
:e alcanço beijos, e amores!
― Das-me esta rosa encarnada,
:Sophia, p'ra o seu cabello?»
― Dou, mas não levas mais nada.
:Corrige o teu desmasello.
Trabalha, meu preguiçoso!
:Diz o papá que só perde
pão e honra o ocioso.
:Se pões pé em ramo verde,<noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
O de Sophia, que encantos!
:tinha fartura de rosas,
cravos, baunilha, agapanthos,
:e violetas perfumosas.
No outro havia mamona,
:urzes, trifolios, ortigas
e uns restos de mangerona
:já roida das formigas.
Foram á tarde a passeio
:ao jardim os dous; Sophia
colhia rosas; em meio
:disse ao irmão: ― «Que alegria
é dar á mamã um ramo
:das minhas amadas flôres !
a sua alcova embalsamo
:e alcanço beijos, e amores!
― Das-me esta rosa encarnada,
:Sophia, p'ra o seu cabello?»
― Dou, mas não levas mais nada.
:Corrige o teu desmasello.
Trabalha, meu preguiçoso!
:Diz o papá que só perde
pão e honra o ocioso.
:Se pões pé em ramo verde,
<br>
</poem><noinclude>{{Bloco centro/f}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||{{uc|Contos infantis}}|57}}{{lh}}
{{Bloco centro/s}}</noinclude><poem>
ficarás sem ter emenda!
:― Tens graça, linda agoireira;
vaes vêr, minha doce prenda,
:se a sentença é verdadeira.»
Disse, e subiu apressado
:a verde acacia frondosa,
e lá, de um ramo delgado,
:gritou á irmã receosa:
― Não vês o ramo... sensata?
:o pisal-o não me atterra...
Mal acabava a bravata,
:partiu-se o ramo, eil-o em terra.
Na queda quebrou um braço,
:Sophia teve um fanico...
Mas... deixou de ser madraço
:o pequeno Frederico.
</poem>
{{Bloco centro/f}}
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{{C|{{extrair imagem}}}}<noinclude></noinclude>
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Contos infantis em verso e prosa (1886)/O Ramo Verde
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[[Categoria:Contos infantis em verso e prosa| 24]]
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/207
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{ad|{{sc|Claque}}}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocabulario dos Neologismos]]).}} {{ad|{{sc|Climaterico}}: gallicismo; climerico deve ser o adjectivo; por que o substantivo portuguez, é clima, e não climat, que é francez.}} {{ad|{{sc|Climatologia}}: Deve dizer-se Climalogia; porque o substantivo portuguez è clima, e não climat, que é francez.}} {{ad|{{sc|Chefe d’obra...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{d|163}}</noinclude>{{ad|{{sc|Claque}}}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocabulario dos Neologismos]]).}}
{{ad|{{sc|Climaterico}}: gallicismo; climerico deve ser o adjectivo; por que o substantivo portuguez, é clima, e não climat, que é francez.}}
{{ad|{{sc|Climatologia}}: Deve dizer-se Climalogia; porque o substantivo portuguez è clima, e não climat, que é francez.}}
{{ad|{{sc|Chefe d’obra}}: Gallicismo (chef d’oeuvre) deve dizer-se obra prima, primor d’arte.}}
{{ad|{{sc|Club}}: britannismo desnecessario; en portuguez é sociedade, gremio, reunião, associação, assembléa.}}
{{ad|{{sc|Comité}}: Parece incrivel; mas Aulete, e a 7.* edição do Diccionario de Moraes trazen este termo francez, como necessario para a lingua portugueza! Entretanto dá-lhe a significação-Juncta, reunião. Então para que o termo francez? Parece que todos perderão o juizo!... Accrescenta mais esta belleza a 7. edição do Diccionario de Moraes, que Comité ven do inglez (! !); e não conheceria quen tal escreveu os vocabulos latinos Comitatus, us, Comitium, ii?}}
{{ad|{{sc|Confeccionar}}: É gallicismo; deve dizer-se— fazer, fabricar, compôr, preparar, formar, organizar.}}
{{ad|{{sc|Constatar}}: Repugnantissimo gallicismo, desnecessario; porque temos-verificar, certificar, documentar, authenticar (segundo o sentido do discurso).}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|163}}</noinclude>{{ad|{{sc|Claque}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocabulario dos Neologismos]]).}}
{{ad|{{sc|Climaterico}}: gallicismo; climerico deve ser o adjectivo; por que o substantivo portuguez, é ''clima'', e não {{lang|fr|''climat''}}, que é francez.}}
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{{ad|{{sc|Comité}}: Parece incrivel; mas''Aulete'', e a 7.ª edição do Diccionario de Moraes trazen este termo francez, como necessario para a lingua portugueza! Entretanto dá-lhe a significação — Juncta, reunião. Então para que o termo francez? Parece que todos perderão o juizo!... Accrescenta mais esta belleza a 7.ª edição do Diccionario de Moraes, que ''Comité'' ven do inglez (!!); e não conheceria quen tal escreveu os vocabulos latinos {{lang|la|''Comitatus, us, Comitium, ii''}}?}}
{{ad|{{sc|Confeccionar}}: E' gallicismo; deve dizer-se — fazer, fabricar, compôr, preparar, formar, organizar.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|163}}</noinclude>{{ad|{{sc|Claque}}: (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|Vocabulario dos Neologismos]]).}}
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{{ad|{{sc|Comité}}: Parece incrivel; mas ''Aulete'', e a 7.ª edição do Diccionario de Moraes trazen este termo francez, como necessario para a lingua portugueza! Entretanto dá-lhe a significação — Juncta, reunião. Então para que o termo francez? Parece que todos perderão o juizo!... Accrescenta mais esta belleza a 7.ª edição do Diccionario de Moraes, que ''Comité'' ven do inglez (!!); e não conheceria quen tal escreveu os vocabulos latinos {{lang|la|''Comitatus, us, Comitium, ii''}}?}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: CRECHE: Estrebaria, cavallariça, presepio, ou presepe, estabulo, manjadoura (Vede pag. 109). CROCHET: Croquezinho, diminutivo do termo por. tuguez-croque-. A palavra franceza crochet é o diminutivo de croc; diga-se portanto tamben en portuguez o diminutivo do vocabulo portuguez croque. CROQUIS Esboço; é desnecessario o barbarismo. DEBUT: Escusado gallicismo; en portuguez diz-se estrea. DEBUTAR: Gallicismo desnecessario; o verbo portug...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />164</noinclude>CRECHE: Estrebaria, cavallariça, presepio, ou presepe,
estabulo, manjadoura (Vede pag. 109).
CROCHET: Croquezinho, diminutivo do termo por.
tuguez-croque-. A palavra franceza crochet
é o diminutivo de croc; diga-se portanto
tamben en portuguez o diminutivo do vocabulo
portuguez croque.
CROQUIS Esboço; é desnecessario o barbarismo.
DEBUT: Escusado gallicismo; en portuguez diz-se
estrea.
DEBUTAR: Gallicismo desnecessario; o verbo portuguez
é estrear (v. a.), estrear-se (v. r.).
DEMI-MONDE: Neologismo francez, que se ten traduzido
por Mundo equivoco —(que é gallicismo
por causa do termo-mundo). Eu traduzo--Sociedade
especiosa, porque especioso quer
dizer de apparencia enganadora.—
DETALHE: Gallicismo muito usado na linguagem
militar; mas que póde ben ser dispensado,
por termos relação por menor; (no plural)
pormenores; particularidade, individuação, exposição
circumstanciada, minudencia.
ELITE: Flor, fina flor, nata, gemma. (Vede pag. 105)
EMOÇÃO É gallicismo; tal termo nunca os classicos
empregarão; commoção é que se deve
dizer.
ENSEMBLE Conjuncto, sendo portanto dispensavel
o barbarismo.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />164</noinclude>{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/VIII|{{sc|Crêche}}]]: Estrebaria, cavallariça, presepio, ou presepe, estabulo, manjadoura (Vede pag. {{pl|109|44}}).}}
{{ad|{{sc|Crochet}}: Croquezinho, diminutivo do termo portuguez — ''croque'' —. A palavra franceza {{lang|fr|''crochet''}} é o diminutivo de {{lang|fr|''croc''}}; diga-se portanto tamben en portuguez o diminutivo do vocabulo portuguez ''croque''.}}
{{ad|{{sc|Croquis}}: Esboço; é desnecessario o barbarismo.}}
{{ad|{{sc|Debut}}: Escusado gallicismo; en portuguez diz-se — ''estréa''.}}
{{ad|{{sc|Debutar}}: Gallicismo desnecessario; o verbo portuguez é ''estréar'' (v. a.), ''estréar-se'' (v. r.).}}
{{ad|{{sc|Demi-monde}}: Neologismo francez, que se ten traduzido por — ''Mundo equivoco'' — (que é gallicismo por causa do termo — mundo). Eu traduzo — ''Sociedade especiosa'', porque ''especioso'' quer dizer de apparencia enganadora.}}
{{ad|{{sc|Detalhe}}: Gallicismo muĩto usado na linguagem militar; mas que póde ben ser dispensado, por termos — relação por menor; (no plural) pormenores; particularidade, individuação, exposição circumstanciada, minudencia.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/VII|{{sc|Elite}}]]: Flor, fina flor, nata, gemma. (Vede pag. {{pl|105|44}})}}
{{ad|{{sc|Emoção}}: É gallicismo; tal termo nunca os classicos empregarão; commoção é que se deve dizer.}}
{{ad|{{sc|Ensemble}}: Conjuncto, sendo portanto dispensavel o barbarismo.}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 165 ENVELOPPE O mais desnecessario dos barbarismos; en portuguez temos o vocabulo o mais proprio possível sobrecarta. ETAGERES: São prateleiras; en francez só se usa este vocabulo no plural. En portuguez empregão este gallicismo, dando-lhe o numero singular, en vez de chamar-aparador. ETIQUETTE: Rotulo, lettreiro. Os francelhos chamão os rotulos e lettreiros etiqueta; termo que en portuguez significa sómente —ceremonias de pa lacio, d...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>165
ENVELOPPE O mais desnecessario dos barbarismos;
en portuguez temos o vocabulo o mais proprio
possível sobrecarta.
ETAGERES: São prateleiras; en francez só se usa
este vocabulo no plural. En portuguez empregão
este gallicismo, dando-lhe o numero
singular, en vez de chamar-aparador.
ETIQUETTE: Rotulo, lettreiro. Os francelhos chamão
os rotulos e lettreiros etiqueta; termo que en
portuguez significa sómente —ceremonias de pa
lacio, de igreja, formalidades de côrtes, e casas
nobres. (Vede pag. 117).
FAISANDE: Tocado, putrefacto, passado. Os francezes
empregão a palavra applicando-a ao estado
das aves, já quasi podres, como elles gostão
de comer. É portanto inutil o barbarismo.
FAUTEUIL Poltrona; não é necessario usar da
palavra franceza.
FEZ Nojoso gallicismo, quando na linguagem dialogada
se emprega, substituindo os verbosdisse,
replicou, observou, atalhou, accudiu, retorquiu,
redarguiu, e semelhantes.
FESTIVAL: Este é un gallicismo moderno dos
mais detestaveis, que os jornaes repeten. Festival
é adjectivo en portuguez, e nunca foi,
nen será substantivo. Os substantivos, que exprimen
essa idéa, são festa, funcção, festiviGoogle<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|165}}</noinclude>{{ad|{{sc|Enveloppe}}: O mais desnecessario dos barbarismos; en portuguez temos o vocabulo o mais proprio possível — ''sobrecarta'' —.}}
{{ad|{{sc|Etagères}}: São prateleiras; en francez só se usa este vocabulo no plural. En portuguez empregão este gallicismo, dando-lhe o numero singular, en vez de {{sic|chamar|çhamar}} — ''aparador''.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/X|{{sc|Etiquette}}]]: Rotulo, lettreiro. Os francelhos çhamão os rotulos e lettreiros ''etiqueta''; termo que en portuguez significa sómente — ceremonias de palacio, de igreja, formalidades de côrtes, e casas nobres. (Vede pag. {{pl|117|44}}).}}
{{ad|{{sc|Faisandé}}: Tocado, putrefacto, passado. Os francezes empregão a palavra applicando-a ao estado das aves, já quasi podres, como elles gostão de comer. É portanto inutil o barbarismo.}}
{{ad|{{sc|Fauteuil}}: Poltrona; não é necessario usar da palavra franceza.}}
{{ad|{{sc|Fez}}: Nojoso gallicismo, quando na linguagem dialogada se emprega, substituindo os verbos — ''disse, replicou, observou, atalhou, accudiu, retorquiu, redarguiu'', e semelhantes.}}
{{ad}}{{sc|Festival}}: Este é un gallicismo moderno dos mais detestaveis, que os jornaes repeten. ''Festival'' é adjectivo en portuguez, e nunca foi, nen será substantivo. Os substantivos, que exprimen essa idéa, são — ''festa, funcção, {{pt|''festivi-''|''festividade'', }}<noinclude></div></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/210
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />166{{ad|3=2em}}</noinclude><onlyinclude>''vidade,''</onlyinclude> ''festança, festim, solemnidade, espectaculo, diversão.''</div>
{{ad|{{sc|Fichu}}: Lenço de tres ponctas.}}
{{ad|{{sc|Fissure}}: Os diccionarios dão a significação do termo, que é ''fenda, racha''. Entretanto medicos ha, que dizen por gosto especial — ''fissura''.}}
{{ad|{{sc|Flaneur}}: Passeiador, vadio, badajo, tunante, vagabundo, birbante, peralvilho, paralta, ocioso.}}
{{ad|{{sc|Foulard}}: Lenço de seda da India. Hoje já os mercadores de pannos e lençarias dão tamben o nome de {{lang|fr|''foulard''}} a uma seda propria de vestidos. Neologismos mercantis... Até esse gallicismo {{lang|fr|''foulard''}} ven confundir-se com ''folar'', presente que se dá pela Paschoa.}}
{{ad|{{sc|Frappé}}: Resfriado, quando se fala dos vinhos, e outros licôres resfriados nos gêlo. Assin como se diz — ''vinho resfriado'' ({{lang|fr|''frappé''}}), não se deve dizer d’agua, e de qualquer outra bebida — ''gelada''; salvo, quando o liquido toma a consistencia de gêlo.}}
{{ad|{{sc|Gare}}: Estação, embarcadouro. É desnecessario o barbarismo gare.}}
{{ad|{{sc|Golpe de vista}} (''Coup d’œil''): E' gallicismo; en portuguez diz-se ''vista d’olhos, olhada, olhar, volver d’olhos''.}}
{{ad}}{{sc|Guardar o leito}}: Este gallicismo causa riso pela idéa inteiramente opposta á que taes palavras exprimen en portuguez. {{lang|fr|''Garder le lit''}} é estar<noinclude></div></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/211
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|167}}{{ad|3=2em}}</noinclude>de cama; guardar o leito é pôl-o en logar seguro.</div>
{{ad|{{sc|Grêve}}: Os operarios fizerão {{lang|fr|''grêve''}}; dizen os jornaes, (que julgamos estaren escriptos en portuguez): não saberáõ os que tal escreven o que é ''fazer parede''?{{quebra}}Na praça de {{lang|fr|''Grêve''}} é que costumava o povo reunir-se para alguma sedição.}}
{{ad|{{sc|Groom}}: É o creado moço, que traz o ''palafren'' pelo freio, e que por isso se çhama ''palafreneiro''. Os romancistas vão a torto e a direito denominando ''groom'' a qualquer creadinho!...}}
{{ad|{{sc|Hotel}}: Não ha necessidade d’este vocabulo estrangeiro: ''hospedaria'' é o termo genuinamente portuguez; mas a ''preguiça'', e o ''philadvenismo'' preferen ''hotel'' para ter duas syllabas... Não sei como ainda não creárão o verbo — ''hotelar-se'' para substituir — ''hospedar-se''!{{quebra}}Os francelhos ainda dizen por muĩto favor: ''Hospedei-me'' no hotel.}}
{{ad|{{sc|Installar}}: Gallicismo; (em que peze aos redactores do nosso ''Acto Addicional''). Diz-se en portuguez: constituir en cargo, en dignidade, investir, metter de posse, estabelecer.}}
{{ad}}[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XV|{{sc|Leader}}]] (pronuncia-se ''lider''): É britannismo superfluo: en portuguez diz-se — o chefe, o cabeça, o guia, o caudilho, o director.<noinclude></div></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|167}}{{ad|3=2em}}</noinclude>de cama; guardar o leito é pôl-o en logar seguro.</div>
{{ad|{{sc|Grêve}}: Os operarios fizerão {{lang|fr|''grêve''}}; dizen os jornaes, (que julgamos estaren escriptos en portuguez): não saberáõ os que tal escreven o que é ''fazer parede''?}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|167}}{{ad|3=2em}}</noinclude>de cama; guardar o leito é pôl-o en logar seguro.</div>
{{ad|{{sc|Grêve}}: Os operarios fizerão {{lang|fr|''grêve''}}; dizen os jornaes, (que julgamos estaren escriptos en portuguez): não saberáõ os que tal escreven o que é ''fazer parede''?}}
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{{ad|{{sc|Groom}}: É o creado moço, que traz o ''palafren'' pelo freio, e que por isso se çhama ''palafreneiro''. Os romancistas vão a torto e a direito denominando ''groom'' a qualquer creadinho!...}}
{{ad|{{sc|Hotel}}: Não ha necessidade d’este vocabulo estrangeiro: ''hospedaria'' é o termo genuinamente portuguez; mas a ''preguiça'', e o ''philadvenismo'' preferen ''hotel'' para ter duas syllabas... Não sei como ainda não creárão o verbo — ''hotelar-se'' para substituir — ''hospedar-se''!}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />168{{ad|3=2em}}</noinclude>Não é exacto que os inglezes na linguagen parlamentar dêen significação especial ao termo {{lang|en|''Leader''}} (lider); empregão-n-o, como nós podemos dizer, e dizemos nas mesmas circumstancias, — na significação de chefe. Ha em inglez a expressão particular — {{lang|en|''Leader-ring''}} — que quer dizer — ''chefe de partido''. — Por consequencia pode-se muĩto ben dizer, dispensando o britannismo {{lang|en|''Leader''}}, — o chefe dos debates. (Vede pag. {{pl|135|44}}).</div>
{{ad|{{sc|Loja}}: Quen fala portuguez, sabe que ''loja'' é casa, en que se venden mercadorias; ou casa terrea por baixo de sobrado, ou finalmente sociedade maçonica. Fóra d’estas accepções é gallicismo o termo loja, que para vergonha nossa se lê en un dos nossos theatros, indicando camarote (!!!); por que camarote en francez é {{lang|fr|''loge''}}.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/X|{{sc|Lunch}}, ou {{sc|Luncheon}}]]: Britannismo escusado; merenda é o termo portuguez (Vede pag. {{pl|29|44}}).}}
{{ad|{{sc|Marche aux flambeaux}}: Marcha com luminarias; passeio com illuminação; passeio com luzes. E' portanto desnecessario usar das expressões francezas.}}
{{ad|{{sc|Marron}}: Castanha; côr de castanha (Vede pag. {{pl|59|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XVIII|{{sc|Mise en-scène}}]]: (Vede a pag. {{pl|914|44}}).}}
{{ad}}[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XVI|{{sc|Peignoir}}]]: Roupão; e tamben penteador, quando é a camisa de mangas largas, que se veste na<noinclude></div></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />168{{ad|3=2em}}</noinclude>Não é exacto que os inglezes na linguagen parlamentar dêen significação especial ao termo {{lang|en|''Leader''}} (lider); empregão-n-o, como nós podemos dizer, e dizemos nas mesmas circumstancias, — na significação de {{sic|chefe|çhefe}}. Ha em inglez a expressão particular — {{lang|en|''Leader-ring''}} — que quer dizer — ''{{sic|chefe|çhefe}} de partido''. — Por consequencia pode-se muĩto ben dizer, dispensando o britannismo {{lang|en|''Leader''}}, — o {{sic|chefe|çhefe}} dos debates. (Vede pag. {{pl|135|44}}).</div>
{{ad|{{sc|Loja}}: Quen fala portuguez, sabe que ''loja'' é casa, en que se venden mercadorias; ou casa terrea por baixo de sobrado, ou finalmente sociedade maçonica. Fóra d’estas accepções é gallicismo o termo loja, que para vergonha nossa se lê en un dos nossos theatros, indicando camarote (!!!); por que camarote en francez é {{lang|fr|''loge''}}.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/X|{{sc|Lunch}}, ou {{sc|Luncheon}}]]: Britannismo escusado; merenda é o termo portuguez (Vede pag. {{pl|29|44}}).}}
{{ad|{{sc|Marche aux flambeaux}}: Marcha com luminarias; passeio com illuminação; passeio com luzes. E' portanto desnecessario usar das expressões francezas.}}
{{ad|{{sc|Marron}}: Castanha; côr de castanha (Vede pag. {{pl|59|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XVIII|{{sc|Mise en-scène}}]]: (Vede a pag. {{pl|914|44}}).}}
{{ad}}[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XVI|{{sc|Peignoir}}]]: Roupão; e tamben penteador, quando é a camisa de mangas largas, que se veste na<noinclude></div></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />168{{ad|3=2em}}</noinclude>Não é exacto que os inglezes na linguagen parlamentar dêen significação especial ao termo {{lang|en|''Leader''}} (lider); empregão-n-o, como nós podemos dizer, e dizemos nas mesmas circumstancias, — na significação de {{sic|chefe|çhefe}}. Ha em inglez a expressão particular — {{lang|en|''Leader-ring''}} — que quer dizer — ''{{sic|chefe|çhefe}} de partido''. — Por consequencia pode-se muĩto ben dizer, dispensando o britannismo {{lang|en|''Leader''}}, — o {{sic|chefe|çhefe}} dos debates. (Vede pag. {{pl|135|44}}).</div>
{{ad|{{sc|Loja}}: Quen fala portuguez, sabe que ''loja'' é casa, en que se venden mercadorias; ou casa terrea por baixo de sobrado, ou finalmente sociedade maçonica. Fóra d’estas accepções é gallicismo o termo loja, que para vergonha nossa se lê en un dos nossos theatros, indicando camarote (!!!); por que camarote en francez é {{lang|fr|''loge''}}.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/X|{{sc|Lunch}}, ou {{sc|Luncheon}}]]: Britannismo escusado; merenda é o termo portuguez (Vede pag. {{pl|29|44}}).}}
{{ad|{{sc|Marche aux flambeaux}}: {{sic|Marcha|Marçha}} com luminarias; passeio com illuminação; passeio com luzes. E' portanto desnecessario usar das expressões francezas.}}
{{ad|{{sc|Marron}}: Castanha; côr de castanha (Vede pag. {{pl|59|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XVIII|{{sc|Mise en-scène}}]]: (Vede a pag. {{pl|914|44}}).}}
{{ad}}[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XVI|{{sc|Peignoir}}]]: Roupão; e tamben penteador, quando é a camisa de mangas largas, que se veste na<noinclude></div></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|169}}{{ad|3=2em}}</noinclude>occasião de cortar e penteiar o cabello (Vede pag. {{pl|139|44}}).</div>
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XII|{{sc|Pendant}}]]: Symetria; respondencia (Vede pag. 123).}}
{{ad|{{sc|Plateau}}: Çhapada, planura, çhapadão.}}
{{ad|{{sc|Porte-monnaie}}: Mealheiro, (bolsinha assin chamada de ũa moeda antiquissima que tinha o nome de ''mealha'').}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XXI|{{sc|Pose}}]]: Postura, attitude, posição academica (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|''Vocabulario'' Neologico]] pag. {{pl|67|44}}).}}
{{ad|{{sc|Posta-restante}}: Esta locução não é gallicismo. En portuguez a palavra — ''posta'' — significa — correio; e ''restante'' é o adjectivo do verbo ''restar''.{{quebra}}''Posta-restante'' significa — o correio, ou as cartas que ficão de resto no correio.{{quebra}}Por que muĩtas palavras se assemelhão ás francezas, nen por isso serão barbarismos, visto haver grande numero de vocabulos, que do francez passárão para o nosso idioma desde os mais remotos tempos da formação da lingua.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/IX|{{sc|Pool}} (pule)]]: Parada, termo de jogo; parada, que se faz nas corridas de cavallos, que são tamben un jogo (Vede pag. {{pl|113|44}}).}}
{{ad|{{sc|Rendez-vous}}: Estancia, prazo dado, entrevista, parada, poncto, (poncto de reunião).}}
{{ad|{{sc|Reporter}}: alviçareiro.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/VI|{{sc|Robe de chambre}}]]: Rocló, que antiquissimamente se dizia ''rocloró'' (Vede pag. {{pl|101|44}}).}}<noinclude>{{d|12}}</noinclude>
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{{ad|Por que muĩtas palavras se assemelhão ás francezas, nen por isso serão barbarismos, visto haver grande numero de vocabulos, que do francez passárão para o nosso idioma desde os mais remotos tempos da formação da lingua.}}
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{{ad|{{sc|Posta-restante}}: Esta locução não é gallicismo. En portuguez a palavra — ''posta'' — significa — correio; e ''restante'' é o adjectivo do verbo ''restar''.{{quebra}}''Posta-restante'' significa — o correio, ou as cartas que ficão de resto no correio.{{quebra}}Por que muĩtas palavras se assemelhão ás francezas, nen por isso serão barbarismos, visto haver grande numero de vocabulos, que do francez passárão para o nosso idioma desde os mais remotos tempos da formação da lingua.}}
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{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XXI|{{sc|Pose}}]]: Postura, attitude, posição academica (Vede o [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario neologico portuguez|''Vocabulario'' Neologico]] pag. {{pl|67|44}}).}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 171 • Na côrte de Henrique VIII, rei d'Inglaterra, era uso encher um cópo d'agua do banho, enquanto a raínha o estava tomando ; e lançar no mesmo cópo ũa fatia de pão torrado (toast) . Bebia en primeiro logar o rei, passando depois o cópo aos gentishomens ; o ultimo comia a torrada . Chamava-se isto fazer un toast. Ŭa vez tendo o embaixador de França recusado beber no tal cópo, desculpou-se dizendo ao monarcha inglez : Senhor, eu de...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>171
• Na côrte de Henrique VIII, rei d'Inglaterra,
era uso encher um cópo d'agua do banho, enquanto a raínha o estava tomando ; e lançar no
mesmo cópo ũa fatia de pão torrado (toast) .
Bebia en primeiro logar o rei, passando depois
o cópo aos gentishomens ; o ultimo comia a torrada .
Chamava-se isto fazer un toast.
Ŭa vez tendo o embaixador de França recusado
beber no tal cópo, desculpou-se dizendo ao monarcha inglez :
Senhor, eu deixo o liquido para os vossos
gentishomens ; e si V. Magestade me auctorisar,
guardo -me para a torrada.
Ora, o toast que nesse dia estava no banheiro,
era Anna Bolena. Tanta graça e çhiste achou
Henrique VIII no dicto do embaixador, que no
postridio lhe enviou a insignia da Orden da Liga
(Jarretière).
Onde porên o Intermediario dos excavadores,
e curiosos achou esta anedocta ? Ao certo não se
sabe.
Este uso de beber a agua do banho da rainha
é anterior ao seculo XVI .
Reinava
como soberana en Alcazar a bella
D. Maria de Padilha, amante de Pedro o Cruel :
a celebre favorita tinha adoptado para seo uso o
« Banho das Sultanas » ; para o qual entrava en<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|171}}</noinclude>{{ad|Na côrte de Henrique VIII, rei d’Inglaterra, era uso encher um cópo d’agua do banho, enquanto a raínha o estava tomando; e lançar no mesmo cópo ũa fatia de pão torrado ({{lang|en|''toast''}}).}}
{{ad|Bebia en primeiro logar o rei, passando depois o cópo aos gentishomens; o ultimo comia a torrada.}}
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{{ad|— Senhor, eu deixo o liquido para os vossos gentishomens; e si V{{abv|ossa}} Magestade me auctorisar, guardo-me para a torrada.}}
{{ad|Ora, o {{lang|en|''toast''}} que nesse dia estava no banheiro, era Anna Bolena. Tanta graça e çhiste achou Henrique VIII no dicto do embaixador, que no postridio lhe enviou a insignia da Orden da Liga (''Jarretière'').}}
{{ad|Onde porên o ''Intermediario dos excavadores, e curiosos'' achou esta anedocta? Ao certo não se sabe.}}
{{ad|Este uso de beber a agua do banho da rainha é anterior ao seculo XVI.}}
{{ad}}Reinava como soberana en Alcazar a bella D{{abv|ona}} Maria de Padilha, amante de Pedro o Cruel: a celebre favorita tinha adoptado para seo uso o «''Banho das Sultana''s» ; para o qual entrava en<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|171}}</noinclude>Na côrte de Henrique VIII, rei d’Inglaterra, era uso encher um cópo d’agua do banho, enquanto a raínha o estava tomando; e lançar no mesmo cópo ũa fatia de pão torrado ({{lang|en|''toast''}}).
Bebia en primeiro logar o rei, passando depois o cópo aos gentishomens; o ultimo comia a torrada.
Çhamava-se isto fazer un {{lang|en|''toast''}}.
Ũa vez tendo o embaixador de França recusado beber no tal cópo, desculpou-se dizendo ao monarcha inglez:
— Senhor, eu deixo o liquido para os vossos gentishomens; e si V{{abv|ossa}} Magestade me auctorisar, guardo-me para a torrada.
Ora, o {{lang|en|''toast''}} que nesse dia estava no banheiro, era Anna Bolena. Tanta graça e çhiste achou Henrique VIII no dicto do embaixador, que no postridio lhe enviou a insignia da Orden da Liga (''Jarretière'').
Onde porên o ''Intermediario dos excavadores, e curiosos'' achou esta anedocta? Ao certo não se sabe.
Este uso de beber a agua do banho da rainha é anterior ao seculo XVI.
Reinava como soberana en Alcazar a bella D{{abv|ona}} Maria de Padilha, amante de Pedro o Cruel: a celebre favorita tinha adoptado para seo uso o «''Banho das Sultana''s» ; para o qual entrava en<noinclude></noinclude>
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Bebia en primeiro logar o rei, passando depois o cópo aos gentishomens; o ultimo comia a torrada.
Çhamava-se isto fazer un {{lang|en|''toast''}}.
Ũa vez tendo o embaixador de França recusado beber no tal cópo, desculpou-se dizendo ao monarcha inglez:
— Senhor, eu deixo o liquido para os vossos gentishomens; e si V{{abv|ossa}} Magestade me auctorisar, guardo-me para a torrada.
Ora, o {{lang|en|''toast''}} que nesse dia estava no banheiro, era Anna Bolena. Tanta graça e çhiste {{sc|achou|açhou}} Henrique VIII no dicto do embaixador, que no postridio lhe enviou a insignia da Orden da Liga (''Jarretière'').
Onde porên o ''Intermediario dos excavadores, e curiosos'' açhou esta anedocta? Ao certo não se sabe.
Este uso de beber a agua do banho da rainha é anterior ao seculo XVI.
Reinava como soberana en Alcazar a bella D{{abv|ona}} Maria de Padilha, amante de Pedro o Cruel: a celebre favorita tinha adoptado para seo uso o «''Banho das Sultana''s» ; para o qual entrava en<noinclude></noinclude>
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Bebia en primeiro logar o rei, passando depois o cópo aos gentishomens; o ultimo comia a torrada.
Çhamava-se isto fazer un {{lang|en|''toast''}}.
Ũa vez tendo o embaixador de França recusado beber no tal cópo, desculpou-se dizendo ao monarcha inglez:
— Senhor, eu deixo o liquido para os vossos gentishomens; e si V{{abv|ossa}} Magestade me auctorisar, guardo-me para a torrada.
Ora, o {{lang|en|''toast''}} que nesse dia estava no banheiro, era Anna Bolena. Tanta graça e çhiste {{sic|achou|açhou}} Henrique VIII no dicto do embaixador, que no postridio lhe enviou a insignia da Orden da Liga (''Jarretière'').
Onde porên o ''Intermediario dos excavadores, e curiosos'' açhou esta anedocta? Ao certo não se sabe.
Este uso de beber a agua do banho da rainha é anterior ao seculo XVI.
Reinava como soberana en Alcazar a bella D{{abv|ona}} Maria de Padilha, amante de Pedro o Cruel: a celebre favorita tinha adoptado para seo uso o «''Banho das Sultana''s» ; para o qual entrava en<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />170</noinclude>{{ad|{{sc|Ruche}}: Colmêa, (cortiço de abelhas). Os francezes chamão a un enfeite de mulher ''formado de fôfos á semelhança de colmêa — ruche —;'' chame-se portanto tamben en portuguez — ''fôfos de colmêa;'' não ha necessidade da palavra franceza.}}
{{ad|{{sc|Soutache}}: É un certo ''trancelim'' usado pelos militares. Os mercadores de fazendas de armarinho derão a denominação de {{lang|fr|''soutache''}} a ũa especie de ''trancelim'', que por isso designão com esse nome especial, mas que afinal é sempre ''trancelim''.}}
{{ad|{{sc|Spleen}} (pronuncia-se ''splin''): Hypocondria (Vede pag. {{pl|131|44}}).}}
{{ad|{{sc|Tête-à-tête}}: Colloquio, conversa entre dous.}}
{{ad|{{sc|Tableau}}: Esta palavra é muĩtas vezes empregada en fórma de interjeicção — {{lang|fr|''Tableau! Tableau''}} significa painel, quadro; que difficuldade ha de traduzir essa interjeicção por esta outra portugueza — Que quadro! Que painel! Ou simplesmente — ''Quadro!''{{quebra}}Diz-se muĩtas vezes en portuguez, falando de scenas alegres, ou tristes — ''Que quadro!''}}
{{ad|{{sc|Toilette}}: Traje, vestimenta; e tamben quarto de vestir.}}
{{ad}}{{sc|Toast}} (pronuncia-se ''tôst''): Brinde, saudação que se faz á mesa. Que necessidade ha do britannismo?
{{nop}}<noinclude></div></noinclude>
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{{ad|{{sc|Soutache}}: É un certo ''trancelim'' usado pelos militares. Os mercadores de fazendas de armarinho derão a denominação de {{lang|fr|''soutache''}} a ũa especie de ''trancelim'', que por isso designão com esse nome especial, mas que afinal é sempre ''trancelim''.}}
{{ad|{{sc|Spleen}} (pronuncia-se ''splin''): Hypocondria (Vede pag. {{pl|131|44}}).}}
{{ad|{{sc|Tête-à-tête}}: Colloquio, conversa entre dous.}}
{{ad|{{sc|Tableau}}: Esta palavra é muĩtas vezes empregada en fórma de interjeicção — {{lang|fr|''Tableau! Tableau''}} significa painel, quadro; que difficuldade ha de traduzir essa interjeicção por esta outra portugueza — Que quadro! Que painel! Ou simplesmente — ''Quadro!''{{quebra}}Diz-se muĩtas vezes en portuguez, falando de scenas alegres, ou tristes — ''Que quadro!''}}
{{ad|{{sc|Toilette}}: Traje, vestimenta; e tamben quarto de vestir.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />170</noinclude>{{ad|{{sc|Ruche}}: Colmêa, (cortiço de abelhas). Os francezes chamão a un enfeite de mulher ''formado de fôfos á semelhança de colmêa — ruche —;'' chame-se portanto tamben en portuguez — ''fôfos de colmêa;'' não ha necessidade da palavra franceza.}}
{{ad|{{sc|Soutache}}: É un certo ''trancelim'' usado pelos militares. Os mercadores de fazendas de armarinho derão a denominação de {{lang|fr|''soutache''}} a ũa especie de ''trancelim'', que por isso designão com esse nome especial, mas que afinal é sempre ''trancelim''.}}
{{ad|{{sc|Spleen}} (pronuncia-se ''splin''): Hypocondria (Vede pag. {{pl|131|44}}).}}
{{ad|{{sc|Tête-à-tête}}: Colloquio, conversa entre dous.}}
{{ad|{{sc|Tableau}}: Esta palavra é muĩtas vezes empregada en fórma de interjeicção — {{lang|fr|''Tableau! Tableau''}} significa painel, quadro; que difficuldade ha de traduzir essa interjeicção por esta outra portugueza — Que quadro! Que painel! Ou simplesmente — ''Quadro!''{{quebra}}Diz-se muĩtas vezes en portuguez, falando de scenas alegres, ou tristes — ''Que quadro!''}}
{{ad|{{sc|Toilette}}: Traje, vestimenta; e tamben quarto de vestir.}}
{{ad|{{sc|Toast}} (pronuncia-se ''tôst''): Brinde, saudação que se faz á mesa. Que necessidade ha do britannismo?}}
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{{ad|{{sc|Soutache}}: É un certo ''trancelim'' usado pelos militares. Os mercadores de fazendas de armarinho derão a denominação de {{lang|fr|''soutache''}} a ũa especie de ''trancelim'', que por isso designão com esse nome especial, mas que afinal é sempre ''trancelim''.}}
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{{ad|{{sc|Soutache}}: É un certo ''trancelim'' usado pelos militares. Os mercadores de fazendas de armarinho derão a denominação de {{lang|fr|''soutache''}} a ũa especie de ''trancelim'', que por isso designão com esse nome especial, mas que afinal é sempre ''trancelim''.}}
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/Vocabulario dos barbarismos dispensaveis
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALT Era muito affeiçoado a montaria e caça. principal- mente de altenaria. CEIT. Serm. 2, 153, 1 Explicarà if- to bem hum exemplo, a quem vio caça de altenaria. Aves altaneiras. CASTANH. Hift. 4, 37 E afli ha muita caça de montaria, e d'alienaria. BARREIR. Choto- gr. 202 Caças de altenaria tem, muitas. L. BRAND. Medit. 47, 378. p. 532 As minhas vitélas e caça de altenaria eftão mortas. ALTAR. s. m. Lugar alto e levantado, para offerec...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALT
Era muito affeiçoado a montaria e caça. principal-
mente de altenaria. CEIT. Serm. 2, 153, 1 Explicarà if-
to bem hum exemplo, a quem vio caça de altenaria.
Aves altaneiras. CASTANH. Hift. 4, 37 E afli ha
muita caça de montaria, e d'alienaria. BARREIR. Choto-
gr. 202 Caças de altenaria tem, muitas. L. BRAND. Medit.
47, 378. p. 532 As minhas vitélas e caça de altenaria
eftão mortas.
ALTAR. s. m. Lugar alto e levantado, para offerecer fa-
crificios em todos os tempos. Do Lat. Altare. Pat. Serm.
3, E tanto, que dizem muitos Doutores, que aquelle
fogo perpetuo, que ardia no altar... era efte fogo,
que defcia às vezes do céo. BRIT. Mon. I, 1. tit. 25
Desfez todos os altares dos idolos. Luc. Vid. 1, 8 Que
altares é templos de facrilega idolatria affolou!
Mefa mais comprida do que larga nas Igrejas da
Religião Catholica, para os Sacerdotes celebrarem o facro-
fanto facrificio da Mifa. A parte fuperior, que fe cha-
ma ara, deve fer de pedra, ao menos no meio, onde
fe põe a Hoftia e o Caliz e ha de, eftar confagrada
pelo Bifpo e efta fe cobre com duas toalhas bentas,
das quaes à de cima deve chegar pelos dous lados ao
chão. No meio fe póé huma Cruz fobre a meza, e de
cada parte da mefma Cruz hum ou mais caftiçaes, e ao
pé a taboa das orações, que chamão fecretas. Tudo
mais, que a ifto fe accrefcenta, são adornos. BARR. Dec.
25, E com gloria e louvor delle mefmo Chriflo,
livre daquelle barbaro cativeiro, foi pofto em altar de
catholica adoração. ANDRAD. Chr. 1, Com toda efta
companhia em procifsão com cruz alevantada fe foi ao
altar de JESU. BRIT. Chr. 1, 24 E levandoo caminho
da Igreja, vio os altares todos occupados de Sacerdotes,
que com feus miniftros eftavão dizendo Miffas.
Met. CASTILH. Comm. 2, 32 y Das quaes [Fortale.
zas] muitos foldados de nome fogião cada dia a fcus
Capitães, por acudir a 'Chaul abrazado,. e haverem as
tranqueiras defta Cidade por altares da honra, onde ca-
da hum defejava offerecer o facrificio da vida. CALV.
Homil. 2, 441 Mal fe crê, que o altar do coração eſta-
rá puro, em quanto o mato e filvas dos peccados cre-
cem de fóra. ACAD. DOS SING. I, 12, Oraç. Agradecido
facrifiquei os votos ao templo da fama, e pendurei nos
feus altares as taboas da minha infufficiencia.
Minifterio fagrado, ou eftado Ecclefiaftico. CATHEC.
ROM. 219 Porque, ainda que por fentença do Apoftolot a
lei divina e natural mande, que quem ferve ao altar, vi-
va do altar porém chegar ao altar, por caufa do inte-
reffe e proveito temporal, he grande facrilegio. FERNAND.
GALV. Serm. 1, 121, 4 Deos não quer que rirem da
bocca do pobre pera o altar, fenȧo do altar pera a boc-
ca do pobre. Sous. Vid. 1, 23 Não efta fujeito à menor
pena pelo que mal gafta ou enthe foura; que pelo que
furta do altar.
Subft. que fe lhe antepoe. Miniftro do altar. (o que
eftá dedicado do ferviço da Igreja, ou tem algum dos grãos
das Ordens Ecclefiafticas) ARR. Dial. 4, 25. M. FERNAND.
Alm. 3, 3, 2. n. 42. p. 534. Myfterio do altar. (o facra-
tiffimo corpo e fangue de noffo Senhor Jefus Chrifto no Sacramento da Euchariftia) VIEIR. Serm. 9. do Rof. 1, 9:
35. Pé de ou do altar. (o rendimento do ferviço peffcal
dos Miniftros da Igreja) CuкH. Catal. 2, 43. CARV.
Chorogr. 1, 1, 23. Sacramento do altar. (o mefmo que
Myfterio do altar) BARR. Paneg. 44. 328. PAIV. Serm.
3, 119. Sacrificio do altar. (o fagrado facrificio da Mif-
fa) BRIT. Chr. 1, 2. Luc. Vid. 1, 5.
Epith. Alto. CORT. R. Cerc. 16, 305. Aparamenta-
do. Cour. Dec. 8, 1, 12. Apparatofo. GASP. DOS REIS,
Rel. 2, 6 . Artificiofo. FEST. NA CANON. 218 y. Con-
certado. FEST. NA CANON. 201 . Confagrado. VERCIAL,
Sacram. 2, 82, 58 y.(não) PALAC. Summ. 274. Cruel
de Amor tyranno. ORIENT. Lufit. 15 y. Curiofo. S. MAR.
Chr. 1, 6, 16, n. 12. Dedicado a alg. ou a alg.c. CAS-
TR. Ulyff. 4, 19. Famiofo. Lise. Jard. 448, 1. Formofo.
CM. BERN. Serm. 1, 3, 4. Idolatrado. VIEIR. Serm. 3, 3,
3. n. 125. Ornadiffimo. SOVER. Hift. 1, 13. Ornado (bem ou
ricamente.) S. MAR. Chr. 1, 6, 16. n. 11. VIEIR. Cart.
2, 2. Paramientado (ricamente.) VIEIR. Serm. 7, I, II.
n. 32. Pequeno. GUERREIR. Rel. 5, 3, 25. Piedofiffimo.
SABELL. Eneid. 2, 1, 4. Portatil (o que fe muda ou le-
va para qualquer lugar.) CART. DE JAR. 1, 419, 3. Pre-
ciofo. Esrex. Hift. 2, 6, 18. n. 2. Privilegiado (a que
são concedidas Indulgencias.) M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2.
n. 99. p. 753. Profanado. CALV. Homil. 2, 434. Profano.
PAEZ, Serm. 2, 337, I. Rico. GASP. DOS REIS, Rel. 2, 6. Sacrilego. ARR. Dial. 4, 22. Satro. SABELL. E-
neid. 1, 8, 108. GALHEG. Tempi. 2, 11. Sagrado. CEIT.
Serm. 2, 237, 2. Santo. Ros. Hift. 2, 151,4. Sumptuo-
fo. Cam. Luf. 2, 10. Venturofo. ESPER. Hift. 2, 7, 13
n. 3.
Verb. Acolherfe aos.. LEão, Chr. de D. Din.
114. Adminiftrar o... ant. (miniftrar do...) VERCIAL
Sacram. I, 52, 113 . Adornar o... M. BERN. Sem.
1, 15, 6. Alevantar... a alg. BARREIR. Chorogr. 193
. Luc. Vid. 2, 9. Alimpar os... PAEZ, Serm. 2, 312,
1. Aperceber o... (preparale.) CoRT. R. Cerc. 16, 3056
Apparelbar o... FR. A. DE S. Doм. Vid. 15, 2. Armar
... BARK. Dec. 1, 3, 2. AVEIR. Itin. 48. Affolar...
Luc. Vid. 1, 8. Chegarfe dignamente ao... Luc. Vid.
I, 5. Concertar... FR. SIM. COELH. Chr. 1, 13, 53. FR.
GASP. DE S. BERNARD. Itin. 3. Confagrar... GRAN. Comp.
3, 14. S. MAR. Chr. 2, 11, 13. n. 4. Dedicar... S-
SELL. Eneid. 2, 1, 2. RIB. DE MAC. Ariftip. 2. Derribar
o... CEIT. Serm. 2, 331, 2. Luz, Serm. 2, 73, 4.
Desfazer...BRIT. Mon. 1, 1. tit. 25. Defpir o... FERR.
DE VASC, Ulyflip. 1, 4. VIEIR. Serm. 6, 5, 8. n. 159.
Deftruir... Luz, Serm. 1, 2, 64. col. 1. FR. LEÃO,
Bened. 1, 1, 3. c. 1. Edificar... a alg. PAIV. Serm. I,
255 . CASTR. Ulyff. 5, 36. Erguer... a alg. BERN.
Lim. Ecl. 12. CASTR. Ulyff. 8, 27. Erigir... a alg. Es-
PER. Ilift. I, 5, 40. n. 1. Fabricat... VIEIR. Serm. I,
7, 2. col. 471. Fazer... DIAS, Paix. Confid. 4,7. For
mara alg. CASTR. Ulyff. 7, 44. Levantar... abf.
BARR. Dec. 1, 3, 1. BRIT. Chr. 1, 4. a alg. BRIT.
Mon. 1, 1. tit. 15. D. F. MAN. Cart. 1, 11. Miniftrar ao
F. ALv. Inform. 90. Occuparfe no ferviço dos ... Sous
Hift. 1, 1, 1. Ornamentar o... PINHEIR. Summar..
CONST. DE EVOR. 4, 3. Ornar o... ESPER. Hift. 1, 1,
55. n. 2. VIEIR. Serm. 5, 7, 5. n. 237. Profanar o...
MONTEIR. Meth. 22. VIEIR. Serm. 11, 12, 4. n. 514. Ser-
vir o... CUNH. Catal. 2, 4. no... BRfr. Mon. 2,
6. c. 15. M. FERNAND. Alm. 3,25 2. n. 42. p. 535. Veftir
o... FEST. NA CANON. 75 y. M. BERN. Medít. 5, 3.
de alg. c. v. g. de frontal. Cunn. Catal. 1, 10. Vifitar.
ARR. Dial. 8, 2г.
Altar. uf. Oratorio, que fe levanta na rua ou dentro
das cafas por occafião de feftividade particular, ainda que
nelle fenão celebre Mia; ou tambem o que fazem os me
ninos.
Altar collateral. O que fica a bum e outro lado do
altar mor, dentro do cruzeiro da igreja. SYN. DioCES. 8,
29, 50. S. MAR. Chr. 2, 12, 14. n. 9. S. ANN. Chr. 2,
45, 536.
Altar da Cruz. A Cruz de N. Senhor Jefus Chrifto.
FR. TH. DE JES. Trab. 2, 43, 250. CATHEC. ROM. 101.
HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 10**
Altar Maior ou Mór. O que fica na frente da Igre.
ja, e onde ordmariamente fe colloca o Santo titular. BARR.
Dec. 3, 10, 10. BRIT. Chr. 1, 23. CARDOS. Agiol. 1,
1-44, 1.
{{lema|ALTARAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Alterar.
{{lema|ALTAREIRO}}. s. m. O que tem a feu cargo a limpeza e ornato dos altares. REGIV. DE EVOR. 2, 34 De confirma-
ção de dous Beneficios de Altareiros de altar mór
cada hum meio marco de prata. RODRIG. DE OLIV. Sum-
mar. 3 Tem mais o Cabido hum Sochantre, hum So-
thefoureiro, hum Altareiro. CAMPELL. Thef. 213 Eftes
[Acolitos] fe nomeão Credenceario, Altareiro, e Thu-
riferario.
O que he apto para o minifterio do altar. M. BERN,
Luz e Cal. 1, 5, 104 Ainda que não he tão bom alta-
reiro, ou Theologo, tem mais de Santo.
{{lema|ALTAREZA}}. s. f. antiq. CANCION. 164, I Ficoume tal
altareza, E do Paço tal amor, Que já morro com
alteza Do Principe noffo Senhor.
{{lema|ALTARINHO}}. s. m. dim. de Altar. Sows. Hift. 1, 1, 12:
A. DE VASC. Anj. 2, 5, 10. part. 3. p. 576. S. ANN. Chr.
1, 41, 242.
{{lema|ALTARISTA}}. s. m. BLUT. Vocab. Suppl. Em Roma na
Bafilica Vaticana, he o titulo, que fe dá ao Conego,
por cuja conta corre ° concerto do Altar mór da dita
Bafilica, e confervação dos frontaes, que nas Vefperas
dos Apoftolos S. Pedro e S. Paulo o Subdiacono Apof-
tolico the entrega.
{{lema|ALTARZINHO}}. s. m. dim. de Altar. CART. DE Jar. 2,
117, 2. GUERREIR. Rel. 3. 4, 7. ALÃO, Antig, 20.
{{lema|ALTEADO, A}}. p p. de Altear. MATT. Jeruf. 12, 35.
{{lema|ALTEAR}}. v. a. Elevar, fazer mais alto. PINT. PER. Hift;
2, 9, 24 Além da natural fuperioridade do fitio, elles
o al-<noinclude></noinclude>
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Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/448
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 240 ALT o alteárão com entulhos. ESPER. Hift. 2, 10, 37. n. 7 Arraftando o mar] as areas, que alteavão a Ilha, raf- gou a terra de modo, que &c. S. MAR. Ch. 2, 10, 5. n. Diante deftes Collegios fe fez e alteon hum terrei- to muito capaz. Met. Feo, Tr. Quadr. 1, 105, 4 O que refta he apprendermos hoje nelles a mudar a pertenção, e alteala da terra ao céo. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 2, 2; 46 E efta alteza altiffima pódefe ainda altear, e...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>240
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o alteárão com entulhos. ESPER. Hift. 2, 10, 37. n. 7
Arraftando o mar] as areas, que alteavão a Ilha, raf-
gou a terra de modo, que &c. S. MAR. Ch. 2, 10, 5.
n. Diante deftes Collegios fe fez e alteon hum terrei-
to muito capaz.
Met. Feo, Tr. Quadr. 1, 105, 4 O que refta he
apprendermos hoje nelles a mudar a pertenção, e alteala
da terra ao céo. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 2, 2; 46 E
efta alteza altiffima pódefe ainda altear, e tem mais
pira onde fuba. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 2. n. 273 O
Baprifta, que vinha aplainar os corações, clamava..
que não houveffe altibaixos no coração, que fe humilhe o
monte da foberba, e fe altée o valle da pufillanimidade.
Com pron. peff. Elevarfe, fublimarfe. Do efpirito.
FEO, Tr. 1, 205, 4 Efta tal [alma] náo pára fe não no
cume do monte, no alto da contemplação, melhorafe
nos cuidados, altcafe aos penfamentos.
Altear. neutr. Subir, porfe mais alto. CARN. Rot.
do Braz. 36 E fendo cafo, que por efte caminho vos
altear o fundo, governai a banda do léfte. VIE. R. Serm.
7, 12, 2. n. 388 E todo efte valle ninguem póde me-
lhorar ou altear de lugar, ainda que o ponha onde quizer.
T. de Capateiro. Altear o talão do çapato. Fazelo
mais alto. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|ALTENARIA}}. s. f. "ant. Vej. Altanaria.
{{lema|ALTERAÇÃO}}. s. f. Acção c effeito de alterar ou de alte-
rarfe.. LEño, Defcripç. 4 Natural he ás coufas da terra fub-
jectas a mudança e alterações. BRIT. Chr. 1, 13 Promet-
tendo de os guardar [os eftatutos] fem nenhuma alte-
ração, nem interpretação differente do que foavão na
primeira face. Sous. Hilt. 1, 3, 37 Sem fazerem mu-
dança, nem alteração nos ditos.
Difputa, conteftação, debate de palavras. ARR. Dial.
3, 35 E não em os liquidar por via de alteração e dif-
puta. Cour. Dec. 4, 1, 1 Sobre ifto fe moverão gran-
des alterações. BRIT. Mon. 1, 3. c. 29 Muitos pareceres
houve, e alterações fabre a conclusão do negocio.
Movimento intcrior de alguma paixão. BERNARD.
RIB. Men. 1, 3 E quando vos eu da primeira vi, emo
apartamento de toda a gente... me moveo a alteração,
e não pus em vós os olhos tanto, como depois que vos
fallei. CORT. R. Naufr. 9, 94 Quando o ruftico Pão no
livre peito
Sente huma alteração, com que fe afflige.
BRIT. Chr. 1, 27 Sem nenhuma alteração de tal def-
comedimento, The refpondeo o Santo, que &c.
Motim, alvoroto, tumulto ou defordem pública. PINT.
PER. Hift. 1, 20, 81 Determinára o Vice-Rei... vifi-
tar a fortaleza de Mangalor... por rezão de algumas al-
terações, que havia nos Reis vizinhos. SANT. Ethiop. 1,
1, 6 Ordenando muitas vezes alterações e levantamentos
do povo. D. G. COUTINH. Jorn. 24 Nunca póde fer juf-
tificada a alteração dos fubditos, por mais rezões, que
haja da fua parte, com as armas em fuas mefmas mãos.
Alteração da moeda, do preço, &c. Novidade, que
Je lhe faz, por augmento ou diminuição. FREIR. Vid. 1,
42 Publicoufe folemnemente a alteração da moeda, co-
meçando a correr com nova eftimação.
Alteração. Med. Defordem ou perturbação das par-
tes folidas e liquidas do corpo humano e feu natural équi-
librio. MADEIR. Meth. 2, 15, 2 São bom exemplo as
feridas de animaes venenofos, que fendo mui pequenas,
fazem notavel mudança e alteração em todo o corpo.
MORAT. Luz, 5, 1 A. purga e outros medicamentos,
que fazem alteração. PINT. PACH. Tr. 6 Inficionando os
ates e os outros elementos, caufando alterações intempe-
radas, com que os corpos fe difpõe para fe corromperem.
Alteração do puffo. Irregularidade ou defordem, por.
que nelle fe indica alguma novidade no corpo humano. BRIT.
Mon. 2, 6. c. 24 Divulgoufe pela terra a fama defta en-
fermidade, e as circunftancias de fe lhe atabar a vida
fem alteração do pulfo.
Alteração. Phyfic. Corrupção on viciofa difpofição, por-
que alguma coufa principia a corromperfe. BLUT. Vocab.
Ponto de alteração. O que fe poe entre duas figuras
para finalar o valor, que fe ha de accrefcentar a huma
e tirar a outra. A FERNAND. Art. 1, 29, 15 O ponto de
alteração he em número ternario, fignifica alteração, que
he ter valia dobrada do que parece, pera cumprir com
a. figura antes della o numero ternario. M. NUN. Tr. da
Explan. 92 O ponto de alteração fe affigna, quando tres
menores eftão no meio de duas maiores,... e pondofe
na primeira menor a letra ultima. Refum. da Art.
8 Ponto de alteração fe põe quando no meio de duas per-
feitas eftão tres menores, e poefe diante da primeira me-
nor,se altera a terceira, que he valer dobrado.
{{lema|ALTERADAMENTE}}, adv. mod. Com alteração. JER. CAR-
Dos. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|ALTERADISSIMO, A}}. fuperl. de Alterado. BRIT. Chr.
2, 15.
{{lema|ALTERADO, A}}. p. p. de Alterar. D. FR. BR. DE BARR.
Efpelh. 3, 7. BARREIR. Chorogr. Ded. LoB. Primav. 1, 5.
Ufafe como adj. Movido ou perturbado de alguma
paixão, e particularmente da colera. Applicafe as peffoas
e ao efpirito. PAIV. Serin. 2, 189 São ifto palavras de
hum animo torvado alterado, a quem a. afflicção repre-
fenta muiras e mui varias coufas. Cour. Dec. 425,7
Que como era homem alterado e foberbo &c. ESPER.
Hift. 2, 10, 45. n. 5 Nunca foi vifto alterado, nem
colerico, mas muito fenhor de todas fuas paixões.
Amotinado, alvorotado. Applicafe ao povo, &c.
CAM. Luf. 4, 4 Alteradas então do Reino as gentes
Co'odio, que occupado os peitos tinha &c., ESTAÇ. An-
tig. 12, 2 Ou [viria] aquietar os Portuguezes e Galle-
gos, que com o feu Rei Dom Garcia andavão inquietos e alterados. SOUS. DE. MAC. EV. 1, 14, 68. nº17
O Imperio, que recebi alterado, deixo a meus filhos
quieto.
Mufic. A que fe accrefcenta ou diminu: o valor. M.
Nur. Explan. 95 O ponto de alteração tambem he ef-
cufado; porque quando quizermos huma minima alterada,
fazendoa femibreve, he o mefmo.
{{lema|ALTERADOR, ORA}}. adj. Que altera. Luz, Serm. 2,
78 30' palavra alteradora de todo o Univerfo. SEVER.
Difc. 114 E naquelles lugares, que em a Poetica de
Ariftoteles fe chamão patheticos ou alteradores do animo,
move os affectos.
{{lema|ALTERANTE}}. p. a. de Alterar. Med. Que altera. Ap
plicafe aos remedios, que, causão alguma mudança van-
tajofa no fangue e nos humores, fem evacuação appa-
rente., MADEIR. Meth. 2, 32, 1 Logo primeiro fe deve
evacuar. do que fe dem os alexipharmacos, pois são al-
terantes. MORAT. Luz, 5, 5 Miffurando alguma coufa ad-
ftringente com remedio alterante. Azev. Correcç. 2, 1,
8. p. 67 Convém logo ufar de medicamentos alterantes.
Subft. MORAT. Luz, 3, 6 Sáo caufa [os banhos]
de as partes fe refazerem com o mantimento, e de re-
frefcarem com os alterantes refumptivos.
{{lema|ALTERAR}}. v. a. Mudar, innovar, variar, accrefcendo, di-
minuindo ou trocando: como a ordem, o tom, a ferie, a
figura, a cor b. Do Lat. Alterare. ORDEN. DE D. MAN.
1,3 Faça nella [petição] declarar os furtos... o lugar,
onde forão, affi como fe he eftrada ou Igreja, ou outro
tal, que faça alterar a culpa do que tal furto fez. BARR.
Dec. 1. Ded. A natureza pera gerar alguma coufa, cor-
rompe e altera os elementos, de que he compofta. BRIT.
Chr. 1, 5 Em todo efte tempo andavão os Monges de
Cifter com o proprio habito, que trazião... fem alterar
na cor ou na feição coufa alguma.
Inquietar, perturbar, defaffocegar. Can. Redond. E
aquella humana figura, Que cá me póde alterar &c. HEIT.
PINT. Dial. 1, 2, 1 Os negocios entravão continuamen-
te a tirar agoa do meu repoufo, e alterarme, perturbar-
me, e diftrahirme. Sous. Hift. 2, 6, 9 Chegarão a el-
Rei novas de hum levantamento, que muito o alterárão.
Com pron. peff. Fazer mudança, por. effeito de
alguma paixão, e no femblante, na cor do rofto, na voz
c. BRIT. Chr. 1, 20 Ouvindolhe o Santo fuas repre-
hensões com muito bom rofto, fem fe alterar, nem ref-
ponder palavra. MAUS. Aff. Afr. 1, 2 E como fe def-
perto alli eftivera, Affi fe fobrefalta, affi fe altera
Sous. Vid. 1, 7 Alteroufe Fr. Bertholomeu com efta no-
va inftancia.
Irarfe, enfurecerfc. BRIT. Chr. 2, 16 Das quaes no-
vas fe alterou o Duque, tanto que fem fazer mais difcur-
fo, excluio os Bispos de fuas igrejas. ORIENT. Lufit, 71
Contra elle [goto] então me indigno, então me altero.
VIEIR. Serp. 6, 2, 9. n. 76 Se quando eftás debaixo
da terra todos pafsão por cima de ti, e te pizão, e te
não alteras por te ver debaixo dos pés de todos, &c.
Tumultuar, amotinarfe, alborotarfe. CORT. R. Naufr.
8, 82 y. Alterafe o arraial debil e fraco. Los. Condeft.
13, 64 O' quanto a popular gente fe altera Com os
alegres principios defte agouro. Sous. Vid. 4, 13 Alte-
roufe todo o Reino queixolo do Rei defunto.
Alterar a moeda. Levantala ou abaixala no valor;
pezo ou lei. Sous. Hift. 3, 3, 13 Altera a moeda fem-
pre fegundo a eftreiteza ou largueza do tempo.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALT Alterar o mar, &c Excitar nelle tormentas. Tam- bem fe ufa com pron. peff. Maus. Aff. Afr. 3, 50 y Abalo a terra, altero o mar profundo. M. THом. Inful. 348 E de tal forte as agoas alterava, Que fó ma- rulhos nellas defcobrião. BARRET. Eneid. 3, 46 E a onda fe alteros na efcuridade. Alterar. Med. Ufar de remedios alterantes. MADEIR. Meth. 2, 17, 2 E allina [Galeno] duas indicações, a primeira he vacuar a mareria venenofa; a fegund...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALT
Alterar o mar, &c Excitar nelle tormentas. Tam-
bem fe ufa com pron. peff. Maus. Aff. Afr. 3, 50 y
Abalo a terra, altero o mar profundo. M. THом. Inful.
348 E de tal forte as agoas alterava, Que fó ma-
rulhos nellas defcobrião. BARRET. Eneid. 3, 46 E a
onda fe alteros na efcuridade.
Alterar. Med. Ufar de remedios alterantes. MADEIR.
Meth. 2, 17, 2 E allina [Galeno] duas indicações, a
primeira he vacuar a mareria venenofa; a fegunda al-
terar com feus contrarios.
Mufic. Por ponto de alteração. M. Nun. Explan.
92 E pondofe [o ponto de alteração] na primeira menor,
altera a ultima, que he valer dobrado.
{{lema|ALTERATIVO, A}}. adj. Med. pouc. uf. O mesmo que
Alterante. LISE. Jard. 45, 3 O medicamento menos acti-
vo e alterativo; he mais nutritivo.
{{lema|ALTERCAÇÃO}}. s. f. Acção e effeito de altercar. GoES,
Chr. de D. Man. 1, 30 Sobelo que houve muitas alterca-
ções. MENO. PINT. Peregr. 7 Embaraçados nós todos com
efta novidade táo defacoftumada, houve fobre ella mui-
tas altercações. Luc. Vid. 4, 6 Grande difputa e altercação
fobre a feita de Mafamede.
{{lema|ALTERCADISSIMO, A}}. fuperl. de Altercado. CAMPELL.
Thef. 375.
{{lema|ALTERCADO, A}}. p. p. de Altercar. PAIV. Serm. 3, 60.
ANDRAD. Cerc. 14, 72, 4. FR. BERNARD. DA SILV. De.
fenf. 1, 30.
{{lema|ALTERCADOR}}. s. m. ORA. f. O que ou a que alterça.
JER. CARDOS, Dict. BARROS. Dict. BENT. PER. Thef.
No fem. BARBOS. Dict.
{{lema|ALTERCAR}}. v. a. Controverter, difcutir, averiguar, dif-
putaudo. Do Lat. Altercare. FR. MARC. Vid. 4,3 Não
fe ha de examinar e altercar o mandamento dos Prelados,
mas cumprir. Sous. Hift. 1, 4, 12 No qual [tempo] fe
tornou a altercar a queftáo. Sovs. DE MAC. Ulyflip. 13,
35 Amorofas difputas altercando.
Neutr. Difputar, argumentar. Reg. abf. cm e fobre
alg. c. e com alg. BARE. Dec. 1, 1, 6 E depois que
nifto altercarão e debatêrão hum bom pedaço, &c. LEÃO,
Chr. de D. Fern. 196 y Porque comitão grande Senhor
não podia elle altercar fobre info. VIEIR. Serm. 2, 8, 5.
on. 242 Os confelhos de entendimento difcorrem, alter-
cão, difputão.
{{lema|ALTERNAÇÃO}}. s. f. Acção e effeito de alternar. ARR. Dial.
2, 21. Ha nelle [homem] alternação, revolução, e nu-
dança de penfamentos, vontades, razões e confethos,
como nos Anjos. ORIENT. Lufir. 15 De mancira que
nem o frio inverno, nem o calmofo eftio lhe fazem com
fuas alternações injuria alguma. Feo., Tr. Quadr. 2, 97,
3 E fe quiz fujeitar a cfta variedade e alternação de ma-
les e bens, honras e affrontas, foi para que em tudo
fe parecefle comnofco.
{{lema|ALTERNADAMENTE}}. adv. mod. Com alternação. LEÃO,
Defcript. 37 Por fua ordem [de S. Damazo] fe começá-
.rão a cantar os Pfalmos de David alternadamente no Co-
ro a todas as horas. ESTAÇ. Antig. 16, 2 Vio huma vi-
são de Anjos, que cantando alternadamente, louvavão a
Santiflima Trindade. VIRIR. Cart. 2, 35 Parte do Colle-
gio alternadamente eftá fempre em Villa Franca.
{{lema|ALTERNADO, A}}. p. p. de Alternar. FERR. DE VASC.
Aulegr. 1, 8. Sous. Hift. 1, 6, 6. VIEIR. Serm. 2, 1, 3.
n. 19.1
{{lema|ALTERNAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. O mefmo que Al-
ternadamenre. MATT. Jeruf. 10, 15 As redeas afroxa, e
logo a mão poffante Alternamente os brutos açoutava.
{{lema|ALTERNANTE}}. p. a. de Alternar. He pouco ufado, e fe
diz a refpeito das alternarivas Ecclefiafticas. FR. LEÃO,
Benedict. 2, 1, 4. c. 1 Teve o Mofteiro da Pendorada
nove Igrejas da fua aptefentação . . . com alternativa
del Rei, mas com alternante tão poderofo &c.
{{lema|ALTERNAR}}. v. a. Variar as acções, dizendo on fazendo
já humas, já outras coufas, repetindons fucceffivamente,
Do Lat. Alternare. CAM. Luf. 4, 51 Que afli vai alter-
nando o tempo.irofo O bem co mal, o gofto co' a
trifleza. Fro, Tr. 2, 294,1 Alterne muito embora Moy-
fés na hora da fua morte louvores de Deos com repre-
heusões de homens. Sous. Hift. 1, 1, 2 Affi alternando
orações, difciplinas, gemidos, defpendia muitas horas.
{{lema|ALTERNATIVA}}. s. f. Madança alternada. BRIT. Mon.
2,7. c. 30 Todos cftes governos de Coimbra, e outras
tetras de Portugal erão dados por tempo limitado, e re-
movivcis, fegundo o parecer del Rei D. Affonfo, pois
o ventos as mudanças e alternativas delles. CEIT. Serm. I,
0213 A facramental [prefença] não aflim; pôla o Senhor cm bem differente valot e eftimação; pôlä em ef-
tado, onde eftas alternativas lhe não chegafem, nem os
olhos, nem mãos humanas. VIEIR. Catt. 2, 57 Os In-
dios, que fobejarem das Missões... fejão repartidos fe-
gundo a dita forma para ferviço dos moradores com al-
ternativa de dous em dous mezes.
Forenf. e Ecclef. Acção ou dircito, que tem alguma
peffoa on Communidade para fazer alguma coufa, au go-
zar della, alternandoa com outra, como na apresentação
de huma Igreja, nos provimentos dos Beneficios Ecclefiafticos, na poße das Cadeiras das Universidades, &c. ESTAÇ
Antig. 5570 Cardeal Infante D. Henrique pedio ao
Papa a fua alternativa nos Beneficios defta Igreja. Es-
PER. Hift. 1, 4, 23. h 1 EiRei D. Affonlo III, fez hn-
ma compofição ordenando, que as Ermidas e Igrejas...
fe partillem igualmente, e nas duas ametades houvelle
alternativa. CARV. Chorogr. I, 1, 13 Tem o Cabido
alternativa com a Cotoa Real na fua aprefentação.
{{lema|ALTERNATIVAMENTE}}. adv. mod. Com alteruação, fuc-
ceffivamente, bum depois de outro, cada hum por fua vez.
Cir. Serni. 2, 295, 4 Peloque Job quando os filhos
andavão por turno e alternativamente fazendo fens ban
queres, &. SEVER. Notic. 8, 1, 260 Ordenou [S. Da
mazo fe cantaffem nas Igrejas alternativamente os ver-
fos dos Pfaimos. VIEIR. Cart. 1, 39 E me vou paffando
as ferias em Villa Franca, onde alternativamente vai ten-
do feus oito dias toda a nofla Univerfidade.
{{lema|ALTERNATIVO, A}}. adj. Que fe diz cu faz com alter-
naçio. TELL. Chr. 2. Ded. Com alternativos difpendios de
feus benignos raios influiffem [ó Sol e Lua] beneficos
refplendores nas cfttellas de hum e de outro hemisphe-
rio. Sous. DE MAC. Ulyfp. 12, 74 Ou vencendo, ou
morrendo procurafte Alternativa fama de ti digna.
De alternativo. fórm. adv. ant. O mefmo que Alter-
nativamente. CANCION. 9, 3 Cuidar em quanto cuidar,
Podem bem e mal eftar
Que feu nome ter efquivo forma tão d'alternativo.
Antre prazer e pezar,
{{lema|ALLTERNO, A}}. adj. Poet. O mefmo que Alternativo. GALHEG. Templ. 4, 186 Acabe o poema com. Thalia alter-
no, Que fe o elle acabar vivirá eterno. Sovs. DE MAC.
Ulyflip. 1, 54 Tantas [cores] confunde, e alternas te-
verbera Na veftidura o Nuncio da alta esféra. BAR-
RET. Eneid II, 150 Qual o mar, que impetuofo difcor-
rendo Com a moção alterna vai e volta.
Angulo alterno. Geom. Vei. Angulo.
{{lema|ALTEROSAMENTE}}. adv. mod. Elevadamente. Sots. Vid;
1, 26 Viena fituada alterofamente fobre o Rio Rhodaño.
{{lema|ALTEROSO, A}}. adj. Elevado, de grande altura. CART.
DE JAP. I, 320, 1 São eftes mofteiros de muita frefcu-
ra em fi, e não tem fobrados, nem dormitorios alt.rofos.
MARIZ, Dial. 1, 1 O alterofo e guerreito fitio, em que
eftá edificada [Coimbra.] Mavs. Aff. Afr. 4, 69 E no
meio alterofa appatecia, A quatro cantos huma tenda
armada.
Applicafe particularmente ás náos e outras embar-
cações de alto bordo. BARR. Dec. 1, 7, 11 E eta de-
baixo de huma náo groffa dentro do porto, que por fer
mui alterofa, padecerão mui grande trabalho. Cort. R.
Naufr. 13, 153 Suas náos alterofas vão rompendo O
turbulento mar com vela inchada. MEND. PINT. Peregr.
40 Eta [o junco] muito grande e alterofo.
Met Altivo, orgulhofo: Luz, Serm. 2, 2, 109.
col. 2. Soberbo e alterofo em cima de hum carro de qua-
tro rodas.
Volat. ant. O mefmo que Altaneiro. GIL Vic. Obr.
2, 95 E pois voaes alterofa e tão ligeira, A vicio
ria toda he volla, Segura eftais na ribeira, Erias
alruras ditofa.
{{lema|ALTEVIDADE}}. s. f. antiq. O mefmo que Altivez. CANCIÓN.
26, Todos fem altevidade Honeftamente folgavão,
Cada hum Segund a fa calidade.
{{lema|ALTEZA}}. s. f. ant. Altura, elevação. FR. MARG. Chr.
1, 1, 16. Cuja alteza [da Cruz] chegava aos céos. O-
RIENT. Lufit. 48 Celia na alteza lá do erceno monte
- Tem fempre eternas flores ante os olhos. Sous. DE MAC..
Ev. 1, 6, 20. n. 5 Cabio da maior alteza no mais pro-
fundo abifmo.tm obe mus pros
Met. Grandeza, fublimidade, excellencia, foberania.
CAM. Luf. 8, 53 Manoel, que exercita a fumma clteza.
ARR. Dial. 2, 9 E vos enfine a foffter com alteza de
animo las moleftias defta vida. Luc. Vid. 2, 12 Pafinou
o barbaro da fantidade e alteza do que ouvia.
Epith. Celefte. (Deos.) Ros. Hift. 1, 61, 3.
(o.céo.) ORIENT. Lufit, 2 Excelfa. SA' DE MSK, Mal.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 242 ALT 4,39 Incomprehenfivel. VIEIR. Setm. 2, 10, 3. n. 326. Interminavel. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 18. n. 11. Pro funda. D. CATH. INF. Regr. 1, 11. Summa. (Deos.) GASP. DOS REIS, Rel. 165 y. (governo foberano.) Ca. Lpf. 8, 53. Suprema, (Deos.) Maus. Aff. Afr. 9, 139 . Alteza do fangue. Nobreza qualificada e diftinca. Azur. Chr. 3, 7 Emperó os Infintes lembrados de quem erão, e alteza do fangue, que tinhão &c. CARDOS. A- giol. 3, 445...
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4,39 Incomprehenfivel. VIEIR. Setm. 2, 10, 3. n. 326.
Interminavel. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 18. n. 11. Pro
funda. D. CATH. INF. Regr. 1, 11. Summa. (Deos.) GASP.
DOS REIS, Rel. 165 y. (governo foberano.) Ca. Lpf.
8, 53. Suprema, (Deos.) Maus. Aff. Afr. 9, 139 .
Alteza do fangue. Nobreza qualificada e diftinca.
Azur. Chr. 3, 7 Emperó os Infintes lembrados de quem
erão, e alteza do fangue, que tinhão &c. CARDOS. A-
giol. 3, 445 Virtudes, que tanto campcavão nefta Senho-
ra, quanto menos devião, fuppofta a foberania e alte-
za de feu fangue.
Altezas. pl. ant. O Céo. D. CATH. INF. Regr. 1,
11 E porém fubjugue a pouquidade do fen entendimen-
to fub ti, que es fonte de fabedoria em altezas. GIL VIC.
Obr. 1, 24 Louvai Anjos do Senhor Ao Senhor das
altezas, E todalas profundezas.
Alteza. Tratamento, que fe dá a alguns Soberanos
não coroados, e aos Principes da familia Real. Entre nós
he o tratamento, que tem os filhos dos Reis, e anti-
gamente o tinhão os mefmos Reis, até D. Sebastião,
que foi o primeiro, que tomou o de Mageftade. ANDRAD.
Cerc. 6, 27, 4 Ao menfageiro oufado então refponde,
Que fará que lhe manda fua Aiteza. PINT. PER Hift.
2, 4, 13 Quando nas terras e gente de fua Alteza,
Rei de Portugal, &c. CART. DE JAP. 1, 167, 3 To-
dos são gente nobre, e ao principal fallafe por Alteza.
{{lema|ALTHEA}}. s. f. O nefino que Malvaifco. Do Lat. Althea.
MORAT. Pratic. 1, 7, 5 He neceffario fangrar, e depois
untar a parte com unguento de althea. CuBv. Atal. 62
De raiz de malvas, calthea, de cada coufa huma onça.
{{lema|ALTIBAIXOS}}. s. m. pl. Defigualdade de bun terreno, por
caufa das fuas fubidas e defcidas. HIST. TRAG. MARIT.
I, 93 Porém como nefte comenos chegaffemos á praia,
por onde o caminho era chão, e fem os altibaixos e
eftorvos, que no outro havin &c. Luz, Serm. 3, 25,
3 Pera que defta maneira fique desfazendo os altibaixos,
que eftiverem no caminho.
Dizfe de qualquer coufa em cuja fuperficie ha
defigualdade. Luz, Tr. do Defej. 7, 3 Lavraftes a co-
lumna, parecevos direita, pondolhes o livel, e vedef-
lhe altibaixos.
Met. EsPER. Hift. Prelud. 1, 6 Desfazendo [S.
Francifco] as afperezas e altibaixos dos peccados. VIEIR.
Setm. 7, 3, 5. n. 104 A' cabeça, e ao peito, ao ouro,
e á prata não lhe faltavão feus altibaixos, em que po-
der tropeçar fua defunião. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 2.
n. 273 Por iffo o Baptifta, que vinha aplainar os cora-
ções, clamava... que não houveffe altibaixos no cota-
ção.
Variedade de fucceffos jd profperos, já adverfos.
PINT. RIB. Elog. 127 Bom exemplo de confolação para
os altibaixos defte tempo. VIEIR. Serm. 5, 3, 3. n. 86
E a fortuna, que fez eftes altibaixos &c. M. BERN.
Floreft. 3, 8, 486, C Reprefentavão a Fortuna... fo-
bre huma roda ou globo, por fimbolizar a fua inftabi-
lidade, e perpetuos altibaixos.
Imperfeições, defeitos. FERR. DE VASC. Ulyflip, 5, 6
E na verdade muitos altibaixos tem. Curr. Serm. 1, 108,
3 Em Chrifto não houve eftas mudanças, nem altibai-
xos mundanos.
{{lema|ALTIBORDO}}. s. m. Marinh. ant. O mefmo que Altobordo.
Vej. Alto. EUEROS. 5, 1 Derãolhe hum navio de alti-
bordo, e viagem pera a China.
{{lema|ALTILOCO, A}}. adj. Poet. e pouc. uf. Que ufa de estilo
alto e fublime, facundo com elevação e grandeza. Do Lat.
Altiloquus. BARRET. Eneid. 4, 28 E da bocca cutra, vez
pende embebida Do Capitão altiloco.c eloquente.
Sublime, elevado, grande. Applicafe ao eftilo. VI-
EIR. Palavr. 13, 3, 6. p. 170 Cujas refoluções na cer-
teza dos proprios termos de cada huma, e estilo alti-
loco e verdadeiramente. Real, tanto perfuadem o que di-
zem, quanto emmudecem a quem as ouve.
{{lema|ALTILOQUENCIA}}. s. f. pouc. uf. Sublimidade do estilo.
VIEIR. Cart. 2, 112 Admiro o methodo, a ordem., 2
difpofição, a facilidade, a altiloquencia do eftilo, e pu-
reza da lingoagem.
{{lema|ALTILOQUENTE}}. adj. de huma term. pouc. uf. Que fal-
la em effilo fublime. M. BERN. Floteft. 4, 9, 19 Como
diz o noffo Homero Portuguez, o qual defcrevendo efte
combate... canta affim com efpirito altiloquente.
{{lema|ALTIPOTENCIAS}}. s. f. pl. uf. Tratamiento que fe dá aos
Eftados das Provincias unidas dos Paizes Baixos.
{{lema|ALTIRNA}} s. f. T. da India. Certa veftidura. MEND. PINT.
Petegt. 110 Os quaes por infignia do facerdocio andão
vestidos de roxo com fuas altirnas verdes fobraçadas.
{{lema|ALTISONANTE}}. adj. de hum. term. Poet. e pouc. uf.
O mefmo que Altifono. ACAD. D'os SING. I, I, Son.
Louvevos pois altifonante o Mundo.
{{lema|ALTISONO, A}}. adj. Poet. Que foa muito alto. Do Lat. Altifonus, CAM. Luf. 2, co Outros com vozes, com que
océo ferião Inftrumentos altifonos tangião. ANDRAD.
Cerc. 19, 103, 1 Juntamente com ifto a tal diftancia O
altifono clamor foando atroa, Que &c.
{{lema|ALTÍSSIMAMENTE}}. adv. mod. fuperl. de Altamente. Fr.
MARC. Chr. 1, 1, 47. FR. TH. DE JES. Trab. 1, 6,
140. VIEIR. Serm. 4, 4, 6. n. 132.
{{lema|ALTISSIMO, A}}. fuperl. de Alto. BARR. Dec. 3, 2, 5.
Cax. Luf. 6, 56. BRIT. Mon. I, I, c. 5.
Ufate como fubft. e por antonomafia fe entende e
denomina affim Deos. CATHEC. Rox. 395 O Altiffimo
criou da terra a Medicina. ARR. Dial. 2, 18 O Rei bar-
bato e o de Tyro cuidárão fer femelhantes ao Altiffimo.
COUT. Dec. 4, 1, 4 Em que era razão deffem muitas
graças ao Altiffimo.
{{lema|ALTIVAMENTE}}. adv. mod. pouc. uf. Soberbamente, arrogantemente. MATT. Jeruf. 18, 100 A vencedora infig-
nia altivamente: A roda em giros mil apparecia.
{{lema|ALTIVEZ}}. s. f. Arrogancia, foberba, orgulho. SEVER. No-
tic., 4, 4, 154 Com foberba tambem e cltivez fe veftio
de toupas preciofas. FREIR. Vid. 3, 4 Porque fe veja..
a fingelleza do trato tão alheio da foberania e altivez
de outros tempos. BARRET. Eneid. 11, 8; E deponha a
altivez da infana mente.
Met. CASTR. Ulyff. 7, 25 Eftá Chelos a vifta al-
tivo monte, Fettil de muita caça, que com tanta
Altivez fobre as nuvens ergue a fronte, Que do Olym-
po e do Pindo fe adianta."
{{lema|ALTIVEZA}}. s. f. ant. O mefimo que Altivez. Paiv. Serm.
1, 104 . He tão peçonhenta coufa a prefunção e al-
tiveza, e hum pouco de contentamento de fí mesmo,
que &c. ARR. Dial. 1, 19 E pera o enfinat a fer hu-
milde derribouo da altiveza dos feus penfamentos. Los.
Cort. 6, 54 Efcolhendo para caftigo da minha altiveza
a humildade da religião mais apertada.
Elevação, grandeza, fublimidade. Dizfe do efpiri-
to. BRIT. Mon. 4, 6. c. 6 Huma enfermidade melanco-
lica, que além de lhe desbaratar as forças do corpo, the
I diminuio tambem o. ardor e altiveza do anima. Luc. Vid.
7,2 Nem lhes acharem menos o brio, e altiveza do
coração. TELL. Chr, 1, 1, 25. n. 3 Inftimulado da al-
tiveza de feus penfementos tratou de bufcat privanças em
Italia.
Dizfe tambem da voz, do eftilo, &c. Res. Hift.
2, 197, Nem fe ouvio na fun voz altiveza de tom.
LOB. Cort. 1,3 Porém receio que fe me enfoberbeça
com a altiveza de feu eftilo.
{{lema|ALTIVO, A}}. adj. Alto, levantado. FEST. NA CANON. 187
Maquinas tão altivas e grandiofas. CASTR. Uly 3, 76
Voando [a garçal excede o mais altivo monte, M. Tкоx.
Inful. 2, 128 Tres vezes em o catro de Phaetonte.
Cynthio cercou dos céos o altivo. muro. sbr
Mer. Illuftre, egregio, de grandes e fublimes penfa-
mentos. Applicafe ás peffoas. CAN. Luf. 3, 93 Mas o Rei-
no de altivo, e coftumado A fenhores em tudo fobera
nos, &c. BERN, Lim. Ecl. 16 Bofé que tens mui gtáo
maginativa Huns nomes tem, tem hum por fobrenome
-Mouta, tem outto Sá de cafta altiva. Maus. Aff. Afr.
8, 131. Se altivos, fois, não vos moftreis irofos.
Applicafe ao animo e ás fuas affeições. CAM. Luf.
3, 94 Depois de ter o Reino fegurado, Em dilatala
cuida, que em terreno Não cabe o altivo peito tão
pequeno. BRIT. Mon. 1, 3. c. 25 Quando fe achava aba-
tido: [Sertorio] c.com menos reputação do coftumado,
tinha hum animo tão altivo, que em nenhum modo ac-
ceitaria paz, ainda que foffe mui aventajada. PINT. RIB.
Ufutp. 12 Os animos altivos, quando máis calão...en-
tão difcursão mais
Applicafe tambem ás coufas. Maus. Affi Afr. 10,
156 Ỷ Como em concha efcabrofa, perla altiva. M. THOм.
Inful. 1, 10. E me dá por altiya fegurança, Que &c.
Arrogante, orgulhofo, foberbo. Appllcafe ás peffons.
MOR. Palm. 2, 138 Albayzar. era altivo, foberbo, e defprezador de tudo. BRIT. Mon. 2, 5. c. 5 Huma mulher
aaltiva e defprezada, tudo governa por defarinos. VIRIR.
Serm. 4, 9, 2. n. 317. Por iffo fomos altivos, e com ar-
ci rogancia graves.
ang o obang
Applicafe ás coufas, e ás affeições do animo:
CORT, R, Naufret 9 Vendo Amor aquella alma tão<noinclude></noinclude>
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