Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.16 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão O malmequer 0 39046 560050 244519 2026-08-21T15:33:07Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] texto trocado por '<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="13" to="18" header=1 /> [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]]' 560050 wikitext text/x-wiki <pages index="Contos para a infancia.djvu" from="13" to="18" header=1 /> [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]] 886t4dgbkygu2y4u8l96ewcep9rz9yq A canção da cerejeira 0 39054 560029 95722 2026-08-21T15:29:07Z Trooper57 24584 560029 wikitext text/x-wiki <pages index="Contos para a infancia.djvu" from="32" to="33" header=1 /> [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]] 95fhzloosahlx20st0h5bq1xs692gph Branca de Neve 0 39081 560054 241804 2026-08-21T15:37:35Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] texto trocado por '<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="125" to="132" header=1 /> == Veja também == * [[Contos de Grimm/Branca de Neve|Branca de Neve dos Irmãos Grimm]] * [[Contos de Grimm|Contos de Fadas dos Irmãos Grimm]] [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]]' 560054 wikitext text/x-wiki <pages index="Contos para a infancia.djvu" from="125" to="132" header=1 /> == Veja também == * [[Contos de Grimm/Branca de Neve|Branca de Neve dos Irmãos Grimm]] * [[Contos de Grimm|Contos de Fadas dos Irmãos Grimm]] [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]] ck14o0vwntjoz2axijdauf2cm14jjaj 560059 560054 2026-08-21T15:47:33Z Trooper57 24584 560059 wikitext text/x-wiki <pages index="Contos para a infancia.djvu" autor="{{a|Irmãos Grimm}}" disambiguation="Branca de Neve" from="125" to="132" header=1 notas="Tradução de [[Contos de Grimm/Branca de Neve|Branca de Neve dos Irmãos Grimm]]" /> [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]] 0qj34s1i30df5zaozu5o6ayjw54kas9 Galeria:Contos para a infancia.djvu 104 39294 560046 559554 2026-08-21T15:31:48Z Trooper57 24584 560046 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Contos para a infancia]] |Subtítulo=escolhidos dos melhores auctores |Language=pt |Autor=[[Autor:Desconhecido|Desconhecido]] |Tradutor= |Editor=[[Autor:Guerra Junqueiro|Guerra Junqueiro]] |Ilustrador= |Edição=1 |Volume= |Editora=Typographia Universal |Gráfica= |Local=Lisboa |Ano=1877 |ISBN= |Fonte={{commons|Contos para a infancia.djvu}} |Imagem= |Capa=1 |Progresso=V |Páginas=<pagelist 1="f. rosto" 2="3" 147to148=indice 149=colofao /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{Página:Contos para a infancia.djvu/147}} {{Página:Contos para a infancia.djvu/148}} |Epígrafe={{Página:Contos para a infancia.djvu/1}} {{Quebra de página|separador=2}} |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=S }} 2yx3dnqgxvku1bc4wfliqzhd69hiyeo 560049 560046 2026-08-21T15:32:06Z Trooper57 24584 560049 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Contos para a infancia]] |Subtítulo=escolhidos dos melhores auctores |Language=pt |Autor=[[Autor:Desconhecido|autor 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canção da cerejeira]] 560030 wikitext text/x-wiki #redirect[[A canção da cerejeira]] 7enirfnbjbl69zboutc822a9498jhcz Página:Contos para a infancia.djvu/125 106 126306 560060 361959 2026-08-21T15:48:30Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560060 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|'''BRANCA DE NEVE'''}} Era uma vez uma rainha, que se lastimava por não ter filhos. Um dia d'inverno, emquanto bordava n'um bastidor d'ébano olhando de vez em quando pela janella, para ver cair os flocos de neve no chão, distrahida, picou-se n'um dedo e saiu uma gota de sangue. — Como eu desejaria ter uma filha, que tivesse uns beiços tão vermelhos como este sangue, uma pelle branca como esta neve, e uns cabellos negros como este ébano.» Algum tempo depois os seus desejos realisaram-se, e deu á luz uma filha, que tinha uma linda boca vermelha, cabellos negros e o corpo tão branco, que lhe chamavam Branca de Neve. Porém esta feliz mãe não gozou muito tempo da sua felicidade. Morreu, e o rei tornou a casar com uma mulher d'uma grande belleza, e d'um orgulho não menos extraordinario. Era tão formosa que se considerava a mulher mais perfeita do universo. Algumas vezes fechava-se no seu quarto, e collocando-se diante d'um espelho magico dizia-lhe: — Meu fiel espelho, responde-me: qual é a mulher mais linda que ha no mundo?» — És tu, respondia o espelho.» {{nop}}<noinclude></noinclude> 054sqfr6igyct30ly9al1nf97d91f0h Página:Contos para a infancia.djvu/126 106 126307 560061 361960 2026-08-21T15:49:36Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560061 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|127|borda_inferior=1}}</noinclude>No entanto Branca de Neve crescia, e de dia para dia se tornava mais formosa. Tinha apenas sete annos, e já ninguem a podia ver sem ficar maravilhado. Um dia a orgulhosa rainha, sentando-se diante do seu espelho, disse-lhe: — Meu fiel espelho, responde-me: qual é a mulher mais linda que ha no mundo?» — Não és tu, não és tu. Branca de Neve é mais linda.» A estas palavras a orgulhosa rainha sentiu no coração uma dôr aguda, como uma punhalada, e ao mesmo tempo sentiu um odio mortal pela innocente Branca. Não podia socegar nem de dia, nem de noite. Para satisfazer o seu odio, chamou um creado, e disse-lhe: — Quero quo Branca desappareça. Conduze-a á floresta, mata-a, e, para me provar que as minhas ordens foram executadas pontualmente, traze-me o coração.» O creado levou Branca para o fundo da floresta, pegou n'uma faca, e dispunha-se a executar a ordem que recebera. A pobre creança chorava e lamentava-se, e pedia-lhe que a não matasse, porque ella não tinha feito mal a ninguem, e queria viver. O creado, commovido com aquellas lagrimas, não teve coragem, e abandonou-a na floresta, pensando que se as feras a devorassem a culpa não era d'elle, mas sim da rainha. Assim fez, e para mostrar o coração de Branca á rainha, matou um cabrito, e tirou-lhe o coração. A rainha ao ver aquelles despojos sangrentos ficou contentissima, e disse comsigo: Emfim, morreu a minha rival, e nenhuma mulher no mundo é tão bella como eu. {{nop}}<noinclude></noinclude> g5pp4lzb5gbcu2r6pxqtnbashd1pv6t Página:Contos para a infancia.djvu/127 106 126308 560062 361961 2026-08-21T15:50:58Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560062 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|128|CONTOS PARA A INFANCIA||borda_inferior=1}}</noinclude>A pobre Branca, abandonada na floresta, não tinha morrido, mas estava cheia de medo. Pela primeira vez na sua vida punha os pés nas pedras, e andava pelo meio do matto que lhe rasgava o vestido, e pela primeira vez tambem via animaes ferozes. Mas as feras não lhe faziam mal algum, o deixavam-n'a andar. No fim do dia tinha atravessado sete montanhas. Á noite chegou ao pé d'uma casinha muito pequenina. Estava morta de fome e de sede. Entrou na casa, onde tudo estava muito arranjado e muito limpo. Havia uma meza pequena, e sobre a meza, coberta com uma toalha de brancura irreprehensivel, sete pratos pequenos, sete garrafas pequenas, e ao longo da parede sete camas muito pequeninas. Branca comeu um pouco do que estava nos pratos, bebeu uma gota de vinho de cada copo, deitou-se na cama, resou, e adormeceu profundamente. Momentos depois os donos da casa entraram. Eram sete mineiros pequeninos, cada um com uma lanterna dependurada na cintura. Viram logo que tinham gente em casa. Um d'elles disse: — Quem comeu o meu pão?» E os outros successivamente: — Quem pegou no meu garfo?» — Quem comeu o meu caldo?» — Quem bebeu o meu vinho?» E emfim um d'elles: — Quem está ahi deitado na minha cama?» Reuniram-se todos á roda do pequeno leito em que dormia Branca. Á luz das lanternas viram o doce rosto da creança, que dormia tranquillamente,<noinclude></noinclude> 1ipjclttt6r68e71zso0cholkn8lk1a Página:Contos para a infancia.djvu/128 106 126309 560063 361962 2026-08-21T15:53:21Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560063 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|129|borda_inferior=1}}</noinclude>e affastaram-se sem fazer bulha, para a não accordar. Branca no dia seguinte de manhã ficou um pouco assustada, quando viu perto de si aquelles sete anões das montanhas. Mas elles disseram-lhe com brandura, que não tivesse medo, e perguntaram-lhe d'onde vinha, e como se chamava. Branca contou a sua triste historia, e os anões disseram-lhe: — Queres tu ficar comnosco, para tomar conta da nossa casa?» — Da melhor vontade, respondeu Branca, completamente socegada.» Começou logo o seu serviço, e continuou-o regularmente todos os dias. Limpava os moveis, e fazia o jantar. Os anões iam trabalhar para as minas d'ouro e de diamantes, e quando voltavam achavam tudo em ordem. Durante esse tempo a rainha andava satisfeita, quando pensava que já não tinha que receiar uma rival. Sentou-se outra vez diante do seu espelho, e disse-lhe: — Meu fiel espelho, não é verdade que eu sou agora a mulher mais linda que ha no mundo?» E o espelho respondeu: — Sim, nos teus palacios e nos teus castellos, mas Branca está nas sete montanhas, e Branca é mais linda do que tu.» Ouvindo esta resposta a orgulhosa rainha, sentiu de novo um golpe cruel, e determinou tornar a fazer desapparecer a innocente Branca. Mas de que modo? Uma manhã partiu desfarçada em vendedeira ambulante, com um cesto cheio d'objectos de phantasia. Foi direita às sete montanhas, e bateu á<noinclude>9</noinclude> q92tzg7xze36klgjzwa7g6cewnrcecn Página:Contos para a infancia.djvu/129 106 126310 560064 361963 2026-08-21T15:53:47Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560064 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|130|CONTOS PARA A INFANCIA||borda_inferior=1}}</noinclude>porta da casinha, gritando: «Quem quer comprar bonitas joias?» Os anões tinham recommendado a Branca que desconfiasse das caras estranhas, receando os emissarios da rainha, e ella tinha promettido ser prudente. Mas, quando viu as lindas cousas que a vendedeira tinha no cesto, esqueceu-se das suas promessas. — Veja este rico collar, minha menina, eu mesmo lh'o vou por ao pescoço.» Branca consentiu, e a rainha estrangulou-a, e foi-se embora. Quando os anões voltaram, viram a infeliz Branca estendida no chão e completamente inanimada. Arrancaram-lhe o collar, e deitaram-lhe nos labios algumas gotas d'um licor amarello. Branca começou a respirar, voltou a si pouco a pouco, e contou aos seus bons amigos o que lhe tinha acontecido. — Pódes estar certa, disseram-lhe elles, que essa vendedeira não era outra pessoa, senão a tua inimiga, a rainha. Toma cautella, não deixes entrar aqui ninguem, quando não estivermos em casa.» Ao entrar no seu palacio toda contente, collocou-se a rainha diante do espelho, e disse-lhe: — Meu fiel espelho: Qual é agora a mulher mais linda que ha no mundo? Responde. E o espelho respondeu: — És tu nos teus grandes palacios e nos teus castellos, mas Branca está nas sete montanhas, e Branca é mais linda do que tu.» A rainha enfureceu-se, e resolveu mais uma vez tentar aniquilar a infeliz Branca. Tornou-se<noinclude></noinclude> 7w51wa3gm7pp7s1gx24zb4jdq1y96gt Página:Contos para a infancia.djvu/130 106 126311 560065 361965 2026-08-21T15:54:10Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560065 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|131|borda_inferior=1}}</noinclude>a disfarçar em vendedeira. Chegou ás sete montanhas, e bateu á porta da cabana. — Quem quer comprar lindas joias? Branca veiu á janella, e respondeu: — Vá-se embora, aqui não entra ninguem.» — Tanto peor para si, respondeu a malvada, olhe este pente d'ouro. Já viu outro tão bonito?» Branca não poude resistir ao desejo de possuir aquella joia. Abriu a porta. — Oh! minha linda menina, deixe-me pôr-lh'o na cabeça.» Ao dizer isto enterrou-lhe na cabeça o pente, que estava envenenado, e Branca caiu morta. Á noite quando regressaram os anões, acharam-n'a pallida e fria. Tiraram-lhe o pente envenenado, reanimaram-n'a com a sua bebida, e tornaram a recommendar-lhe que fosse prudente. No entanto a cruel rainha voltava contentissima para o seu palacio. Apenas chegou, foi direita ao espelho, e fez-lhe a mesma pergunta, a que o espelho respondeu como antecedentemente. — Ah! é preciso que ella morra, ainda que para isso eu tenha de me sacrificar. Vestiu-se de camponeza com um cesto de maçãs. Entre ellas havia uma que estava envenenada d'um lado. Foi, e bateu á porta da cabana.» — Quem quer comprar fructa, quem quer comprar?» — Retire-se, disse Branca vendo-a pela janella, não deixo entrar ninguem, nem compro coisa alguma.» — Está bem, não faltará quem compre estas ricas maçãs. Mas por ser tão bonita, quero dar-lhe uma.» {{nop}}<noinclude></noinclude> r47l9t44xfus4tueh4s8kw48s1ihvnq Página:Contos para a infancia.djvu/131 106 126312 560066 361966 2026-08-21T15:54:36Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560066 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|132|CONTOS PARA A INFANCIA||borda_inferior=1}}</noinclude>— Obrigada, não posso acceitar.» — Imagina que está envenenada. Olhe, eu vou comer um pedaço. Ah! que boa que é! Nunca provei nada assim. Ao pronunciar estas palavras, a traidora mordia no lado da maçã, que não estava envenenado. Branca deixou-se tentar, levou á boca o outro pedaço, e caiu fulminada. — Ahi tens, para castigo da tua formosura.» Quando chegou ao palacio a rainha foi direita ao espelho, e perguntou-lhe: — Meu fiel espelho, quem é agora a mulher mais linda?» E o espelho respondeu: — És tu, és tu.» — Até que emfim!» Os anões estavam inconsolaveis. Debalde tinham tentado reanimal-a com o licor d'ouro, e com outras bebidas ainda mais fortes. Branca continuava fria e inanimada. Choraram por ella durante tres dias, e os passarinhos da floresta choraram tambem. No entanto as boas avesinhas não podiam acreditar que ella estivesse morta, e vendo o seu rosto tão tranquillo, as suas faces tão frescas, parecia que estava a dormir. Não quizeram enterral-a. Metteram-n'a n'um caixão de cristal, e escreveram em cima. «Aqui jaz a filha d'um rei;» puzeram o caixão n'uma das sete montanhas, e um d'elles devia estar de guarda constantemente. Branca conservou-se assim durante muitos annos, sem que se notasse no seu rosto a mais pequena alteração. Um dia um formoso rapaz, filho d'um rei, tendo-se perdido ao andar á caça, viu o caixão, e pediu aos anões que lh'o cedessem, fosse por preço que fosse. {{nop}}<noinclude></noinclude> ghu2f9e699hjwlkldfe8hwhmxzgrkk9 Página:Contos para a infancia.djvu/132 106 126313 560067 361967 2026-08-21T15:55:44Z Trooper57 24584 /* Validada */ 560067 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|133|borda_inferior=1}}</noinclude>— Somos muito ricos, e por nada d'este mundo venderemos este caixão, que é o nosso thesouro.» — Então dêem-m'o, já não posso viver sem contemplar este rosto de mulher. Guardal-o-hei na melhor salla do meu palacio. Peco-lhes que me façam isto.» Os anões, commovidos, consentiram. Quatro homens pegaram no caixão para o levarem. Um d'elles tropeçou n'uma raiz, e o caixão soffreu um balanço, que fez cair o bocado da maçã envenenada, que Branca não tinha engulido, e que lhe ficara na boca. Abriu logo os olhos, e resuscitou. O joven principe levou-a para o seu castello, e casou com ella. O casamento fez-se com grande pompa. O principe convidou todos os reis e rainhas dos differentes paizes, e entre ellas a rainha inimiga de Branca. Apenas acabou de vestir um rico vestido, que devia attrair todos os olhares, poz-se diante do espelho, e disse a rainha: — Meu fiel espelho, qual a mulher mais linda que ha do mundo?» E o espelho respondeu: — Branca é mais formosa que tu. A estas palavras a rainha estremeceu, e teve tal medo que os seus crimes fossem descobertos, que morreu de repente. Branca viveu muitos annos, adorada de todos, e no seu palacio de princesa não se esqueceu dos anões que tinham sido os seus bemfeitores.<noinclude>{{traço}}</noinclude> impr9hdjgjygk5qfl9m57dgve4zjax5 Nostalgia (Florbela Espanca) 0 132835 560006 418901 2026-08-21T15:20:57Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560006 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Nostalgia]] [[Categoria:Charneca em Flor]] ah41k416rnjsrsj0gafbeu0fhxm921s Charneca em Flor 0 133316 560055 484182 2026-08-21T15:39:19Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por transclusão 560055 wikitext text/x-wiki <pages index="Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf" header=1/> {{page break|label=}} {{controle de autoridade}} {{DP-3}} [[Categoria:Charneca em Flor| ]] [[Categoria:Florbela Espanca]][[Categoria:Obras publicadas em 1931]] 5mxyx21y9g8ilefdcauw9cr11vf72rh Rústica (Charneca em Flor) 0 133320 559989 42477 2026-08-21T15:08:53Z BlitzkriegBoop 37692 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BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 559996 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Se tu viesses ver-me]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 1u0o8ouh9tb34vezlq0mi1ub98j94rx Mistério 0 133328 559997 42497 2026-08-21T15:13:22Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 559997 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Mistério]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 75bnlja9rqnecxvjklsf9ad4wcphvq3 O meu condão 0 133329 559998 42498 2026-08-21T15:13:53Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 559998 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/O meu condão]] [[Categoria:Charneca em Flor]] qnnckwat0jjjpg9sb7hpqh0cap3hltn As minhas mãos 0 133330 559999 42499 2026-08-21T15:14:29Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 559999 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/As minhas mãos]] [[Categoria:Charneca em Flor]] icqfo87plhp76flt2hbc6vcbu3a4agz Noitinha 0 133331 560000 42500 2026-08-21T15:14:56Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560000 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Noitinha]] [[Categoria:Charneca em Flor]] eq5184dgqj0p5ermy7sg2ua9eapzwy8 Lembrança (Florbela Espanca) 0 133332 560001 319037 2026-08-21T15:15:28Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560001 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Lembrança]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 3mxgi9jq6r1kjzu3og3txd47d8ojt3v A nossa casa 0 133333 560015 42502 2026-08-21T15:21:49Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560015 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/A nossa casa]] [[Categoria:Charneca em Flor]] ehaje0jyo11qlo7glnprq0pwjnilo1h Mendiga 0 133334 560014 42503 2026-08-21T15:21:42Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560014 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Mendiga]] [[Categoria:Charneca em Flor]] oi2qlebdztei8skm2nhhdllqbrs2zf2 Supremo enleio 0 133335 560013 42504 2026-08-21T15:21:37Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560013 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Supremo enleio]] [[Categoria:Charneca em Flor]] rtupat23gpumh341yun3enmdyxml84p Toledo 0 133336 560012 42505 2026-08-21T15:21:31Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560012 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Tolêdo]] [[Categoria:Charneca em Flor]] b5x4t5n05200dca7xox3lgw0xod364t Outonal 0 133337 560011 42506 2026-08-21T15:21:25Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560011 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Outonal]] [[Categoria:Charneca em Flor]] qpx0wpzz5yo3um6w4dhwzyc9ahb56oh Ser poeta 0 133338 560010 395753 2026-08-21T15:21:20Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560010 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Ser poeta]] [[Categoria:Charneca em Flor]] cgivobydjhc6cd25n69bw6tf8y44mca Alvorecer 0 133339 560009 42508 2026-08-21T15:21:15Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560009 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Alvorecer]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 5eqjlud8uowqcccthxskqp71dt6pgzz Mocidade (Charneca em Flor) 0 133340 560008 42509 2026-08-21T15:21:08Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560008 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Mocidade]] [[Categoria:Charneca em Flor]] ocyorr06ovnyi9ihmbwrq7io6t0ylv6 Amar! 0 133341 560007 244467 2026-08-21T15:21:03Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para 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(Florbela Espanca) 0 133344 560003 331124 2026-08-21T15:20:41Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560003 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Espera]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 9qe1buqhwh4zjd98onj2ajknzou42hv Interrogação 0 133345 560002 42515 2026-08-21T15:20:35Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560002 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Interrogação]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 8or91gbk9n02cwonhy65iu935rs31bc Volúpia 0 133346 560026 42516 2026-08-21T15:25:37Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560026 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Volúpia]] [[Categoria:Charneca em Flor]] jj850tqwfgufq55agp84j5lriawz0hv Filtro 0 133347 560024 42517 2026-08-21T15:25:19Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560024 wikitext 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2026-08-21T15:24:24Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560020 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/Não ser]] [[Categoria:Charneca em Flor]] lkle8le1nzovckpa4p333yyy5mscg8z Quem fez ao sapo o leito carmesim 0 133352 560019 42521 2026-08-21T15:24:05Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560019 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/?]] [[Categoria:Charneca em Flor]] kj9g7lvv8zrbwhwgrdijtc38u5lj94l In memoriam 0 133353 560018 42522 2026-08-21T15:23:48Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560018 wikitext text/x-wiki #REDIRECT [[Charneca em Flor/In Memoriam]] [[Categoria:Charneca em Flor]] 5vp1wp0snxk3sha7veg4e6fbfehl0s7 Árvores do alentejo 0 133354 560017 42523 2026-08-21T15:23:35Z BlitzkriegBoop 37692 Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão 560017 wikitext text/x-wiki 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Quando ce{{s}}{{s}}ou a borra{{s}}ca, de{{s}}cançou a maior parte da gente; porque não advertião que a de{{s}}graça faz maior emprego, por andar vigilante nos de{{s}}cuidos; e depois de {{s}}e haverem rendido a Morfeo, {{s}}e achárão vencidos de duas náos Argelinas; que como aquelles Soberanos e{{s}}tavão de{{s}}tinados para os mais raros trabalhos, não foi muito que {{s}}e desbarata{{s}}{{s}}em as da {{s}}ua e{{s}}quadra, indo arribar a Thebas, onde com inexplicavel {{s}}entimento choravão, per{{s}}uadidos de que as ondas tragarião a {{s}}eus amados Senhores; e como havia {{s}}ido mais atrevida a de{{s}}graça, quando e{{s}}tes {{s}}e vírão em mãos inimigas, querendo defender-{{s}}e, foi inutil toda a diligencia pela vantagem, que já lhes havião ganhado. Clymenea com igual valor, que piedade, animava os que pelejavão, e acudia aos feridos, não ba{{s}}tando a morte do amado filho, que acabára á vi{{s}}ta de {{s}}eus olhos, para dar mais lugar á mágoa, que á fortaleza, e com perda de muita gente os cativárão. Pa{{s}}{{s}}ados dous dias da {{s}}ua de{{s}}graça,<noinclude>{{d|che-}}</noinclude> 5mpqy1z2w2nauzbxhqyvrpgcavtf18e 560083 560082 2026-08-21T17:41:53Z BlitzkriegBoop 37692 560083 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|4|{{sc|Aventuras}}|}}</noinclude>{{hífen-fim|dade|gravidade}} do perigo, havia mandado o querido filho a tomar parte na fadiga, lembrando-{{s}}e de que a{{s}}{{s}}im {{s}}e faz aos {{s}}ervos menos pezado o trabalho, e que parece que os elementos re{{s}}peitão os Principes, que não temem os contratempos, nem {{s}}e negão aos {{s}}eus rigores. Quando ce{{s}}{{s}}ou a borra{{s}}ca, de{{s}}cançou a maior parte da gente; porque não advertião que a de{{s}}graça faz maior emprego, por andar vigilante nos de{{s}}cuidos; e depois de {{s}}e haverem rendido a Morfeo, {{s}}e achárão vencidos de duas náos Argelinas; que como aquelles Soberanos e{{s}}tavão de{{s}}tinados para os mais raros trabalhos, não foi muito que {{s}}e desbarata{{s}}{{s}}em as da {{s}}ua e{{s}}quadra, indo arribar a Thebas, onde com inexplicavel {{s}}entimento choravão, per{{s}}uadidos de que as ondas tragarião a {{s}}eus amados Senhores; e como havia {{s}}ido mais atrevida a de{{s}}graça, quando e{{s}}tes {{s}}e vírão em mãos inimigas, querendo defender-{{s}}e, foi inutil toda a diligencia pela vantagem, que já lhes havião ganhado. Clymenea com igual valor, que piedade, animava os que pelejavão, e acudia aos feridos, não ba{{s}}tando a morte do amado filho, que acabára á vi{{s}}ta de {{s}}eus olhos, para dar mais lugar á mágoa, que á fortaleza, e com perda de muita gente os cativárão. Pa{{s}}{{s}}ados dous dias da {{s}}ua de{{s}}graça,<noinclude>{{d|che-}}</noinclude> rqvrb3shqllknvpsv0fx01r4q4vtqs8 Página:Aventuras de Diofanes.djvu/21 106 157668 560084 358296 2026-08-21T17:48:30Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560084 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{sc|De Diófanes. Liv. I.|5}}</noinclude>chegárão os barbaros ao {{s}}eu porto, para onde o rigor da de{{s}}ventura havia conduzido a Diófanes, e {{s}}ua de{{s}}con{{s}}olada familia, que tendo lugar para os magoados de{{s}}afogos, choravão a morte de Almeno, {{s}}u{{s}}piravão pela liberdade, e não perdião a lembrança dos cuidados, e amantes delirios de Arne{{s}}to, que com fini{{s}}{{s}}imos extremos havia pertendido a bella Hemirena. Não {{s}}e ouvião naquelle de{{s}}embarque mais que os la{{s}}timo{{s}}os clamores ao Ceo, com que huns {{s}}e lembravão dos que havião deixado, e outros choravão {{s}}ua tri{{s}}te e{{s}}cravidão. Diófanes, e Clymenea (a quem mais magoava a filha, que levavão) com inexplicavel conformidade a di{{s}}punhão, para trocar os de{{s}}canços pelas fadigas; e Hemirena di{{s}}cretamente afflicta animava a magoada mái, dizendo: Su{{s}}pendei, Senhora, as correntes do amargo pranto, {{s}}e aca{{s}}o mais vos affligem a meu re{{s}}peito os pezados grilhões da e{{s}}cravidão: nem {{s}}eja cruel de{{s}}pertador do vo{{s}}{{s}}o cuidado a perigo{{s}}a idade, em que me vedes; que eu juro aos Deo{{s}}es, que me {{s}}u{{s}}tentão, fazer {{s}}empre acções dignas de quem teve lugar nas vo{{s}}{{s}}as entranhas. A e{{s}}te tempo, em que as lagrimas, e {{s}}u{{s}}piros mais vivamente expre{{s}}{{s}}avão o {{s}}entimento, {{s}}e repartírão os e{{s}}cravos, negando a filha aos olhos da mái; e Diófanes, por chegar mal {{hífen|feri|ferido}}<noinclude>{{rh||B|do,}}</noinclude> 1s7yx848na7npe6nhuefgn9vgilmje3 560085 560084 2026-08-21T17:48:42Z BlitzkriegBoop 37692 560085 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{sc|De Diófanes. Liv. I.}}|5}}</noinclude>chegárão os barbaros ao {{s}}eu porto, para onde o rigor da de{{s}}ventura havia conduzido a Diófanes, e {{s}}ua de{{s}}con{{s}}olada familia, que tendo lugar para os magoados de{{s}}afogos, choravão a morte de Almeno, {{s}}u{{s}}piravão pela liberdade, e não perdião a lembrança dos cuidados, e amantes delirios de Arne{{s}}to, que com fini{{s}}{{s}}imos extremos havia pertendido a bella Hemirena. 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Herança de lagrimas (1871).pdf 104 238527 560088 532158 2026-08-21T17:59:51Z BlitzkriegBoop 37692 560088 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Herança de Lagrimas]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Ana_Plácido|Ana Plácido (pseud. 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No §. 19 ''falta, depois da palavra'' Vegetal o ''seguinte''. Além disso as essencias primarias não se dizem principalmente essencias, se não porque são objectos de todas as outras cousas: e todas as outras cousas, são Categorias, em que ellas se contém. ''No §. 37 falta depois da palavra'' semelhante o ''seguinte'': Excepto se alguem disser, que muito he contrario a pouco, e grande a pequeno. Mas ás quantidades determinadas nada he contrario. No §. 41 deve-se apagar este numero, e pôr em seu lugar o principio, que falta, e he o seguinte''. Além disso ha humas qualidades, que admittem situação: e outras, cujas partes não são susceptiveis delle. Exemplo, etc.<noinclude></noinclude> 2ks11ggrsrtxasmgfibsju4j3ohgdq9 Página:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf/3 106 244983 560028 528053 2026-08-21T15:26:17Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] branqueio de página 560028 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Arte da Lingua Brasilica 0 245006 560027 536447 2026-08-21T15:25:56Z Trooper57 24584 560027 wikitext text/x-wiki <pages index="Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf" notas="{{download}}{{Versão para impressão disponível}}" /> {{Controle de autoridade}} [[Categoria:Luís Figueira]] [[Categoria:Literatura brasileira]] [[Categoria:Classicismo]] [[Categoria:Obras em português antigo]] [[Categoria:Tupi antigo]] [[Categoria:Obras publicadas em data incerta]] p7jbxfvjqltqyyvt87ntpe1691b33kh Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/3 106 246381 560130 532144 2026-08-21T19:26:05Z BlitzkriegBoop 37692 560130 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xxxx-larger|{{serifa|'''HERANÇA DE LAGRIMAS'''}}}}}} {{dhr}} {{C|{{x-larger|{{serifa|ROMANCE ORIGINAL}}}}}} {{C|POR}} {{C|{{xxx-larger|{{serifa|'''LOPO DE SOUZA'''}}}}}} {{lh|4em}} {{bloco direito|<poem> :«Les femmes s'imaginent «être des anges et avoir reçu «du ciel la mission et la «puissance de sauver tous ces «don Juan; mais comme «l'ange de la légende, elles ne «les convertissent pas, et elles se perdent avec eux».</poem>}} {{D|offset=5em|{{larger|{{Sc|George Sand}} — ''Lélia''}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr}} {{C|{{xx-larger|{{serifa|'''GUIMARAES}}}}}} {{C|REDACÇÃO DO VIMARANENSE—EDITORA}} {{c|{{smaller|TYP. DO VIMARANENSE}}}} {{lh|2em}} {{C|1871}}<noinclude></noinclude> dtutjlcpqwvuu1ubvsi14mwd66x2f76 Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis 0 253803 560140 559118 2026-08-21T23:07:29Z Trooper57 24584 560140 wikitext text/x-wiki <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" notas="{{Download}}{{Versão para impressão disponível}}" /> {{Controle de autoridade}} {{DP-2}} [[Categoria:Antônio de Castro Lopes]] [[Categoria:Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]] slgotr9rn5l85ykmvjcoal9aro4l8ge Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II 0 254080 560081 553980 2026-08-21T17:10:40Z Trooper57 24584 Alteração do redirecionamento de [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/II]] para [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/I]] 560081 wikitext text/x-wiki #REDIRECIONAMENTO [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/I]] lfjlshrx1scuzj81019wxak6n68kmpo Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/2 106 256412 560069 559701 2026-08-21T16:09:45Z Erick Soares3 19404 560069 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}} {{rule|45em|align=right}}</noinclude>{{left|'''Preâmbulo'''}} {{dhr}} O sonho de alcançar o céu, de poder sobrevoar o mundo, de olhar de longe a terra à qual parecemos estar visceralmente ligados, sempre povoou o imaginário do ser humano. Quem nunca sonhou ter asas? Muito antes de assistirmos à heroína de George R. R. Martin, Daenerys Targaryen, voar amparada no seu dragão Drogon, ou de vermos o pequeno Bastian de ''História Interminável'' vencer o vento montado no seu companheiro Falkor, já os antigos mesopotâmios tinham criado a sua própria narrativa sobre um herói que cruzou os céus com o auxílio de uma águia. As várias cópias que chegaram até nós da composição acádica hoje conhecida como ''Mito de Etana'' comprovam a sua importância, permanência e transversalidade ao longo da história desta civilização. Dos vários exemplares cuneiformes hoje conhecidos, os mais antigos provêm do período paleobabilónico<ref>Segundo a cronologia média, que aqui seguimos (BRISCH, Nicole Mesopotamian history: the basics. In ''Ancient'' ''Mesopotamian Gods and Goddesses''. Oract and the UK Higher Education Academy, 2013. Acedido em Julho de 2022, http://oracc.museum.upenn.edu/amgg/mesopotamianhistory/), o período paleobabilónico decorre na primeira metade do II milénio a.C., entre c. 2004 e c. 1595 a.C., data em que a cidade da Babilónia, à altura capital de um verdadeiro império fundado pelo célebre Hammu-rabi, é tomada pelo poder hitita. Para um apanhado dos episódios narrados nas várias cópias, vide ALSTER, Bendt — The textual history of the Legend of Etana. ''Journal of the American Oriental Society''. 109:1 (1989) 82. Sobre a proveniência das tabuinhas, vide DALLEY, Stephanie — ''Myths from Mesopotamia. Creation, the flood,'' ''Gilgamesh and others''. Oxford: Oxford University Press, 1991, p. 189 e NOVOTNY, Jamie — ''The standard babylonian Etana'' ''Epic''. Pennsylvania: Penn State University Press, 2001, p. ix.</ref>, oriundos das cidades de Tell Harmal e de Susa, outros são datados do período mesoassírio<ref>O período mesoassírio, não tão bem conhecido como o anterior devido à comparativamente menor quantidade de fontes disponíveis, desenvolveu-se entre c. de 1350 e c. 1000 a.C.</ref>, tendo sido encontrados na cidade de Ashur, e os mais recentes foram exumados em Nínive e pertencem à fase de apogeu do império neoassírio<ref>O período neoassírio corresponde, tal como o nome indica, a uma fase histórica marcada pela hegemonia da Assíria, que se estendeu de c. 900 a c. 612 a. C. Durante este longo período, a Assíria conheceu diferentes capitais, entre as quais a cidade de Nínive, famosa, entre outros aspetos, pela biblioteca de Assurbanípal.</ref>. De entre as versões destes três períodos, a mais completa é, sem dúvida, a última, também conhecida como versão babilónica ''standard'', editada por Jamie R. Novotny na coleção ''State Archives of Assyria Cuneiform Texts'' (''SAACT'')<ref>''Etana Epic'' (2001). Esta recensão inclui cerca de catorze exemplares neoassírios encontrados precisamente na biblioteca de Assurbanípal. Embora haja lacunas nalgumas partes do texto, Novotny não a reconstruiu, como é usualmente costume entre assiriólogos, partindo das antigas versões paleo-babilónica e mesoassíria. Este aspeto deve-se ao facto de estas duas versões anteriores não apresentarem uma linha de transmissão direta entre ambas e entre a versão mais tardia, incorporando cada qual as suas próprias idiossincrasias e a sua visão da narrativa. Como tal, em conjunto, não representariam um todo harmonioso.</ref>, que seguiremos no estudo aqui apresentado. Porém, as várias tabuinhas de que dispomos não sobreviveram completas, pelo que a história narrada continua a suscitar algumas dúvidas, sobretudo no que se refere ao seu final. 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Novotny na coleção ''State Archives of Assyria Cuneiform Texts'' (''SAACT'')<ref>''Etana Epic'' (2001). Esta recensão inclui cerca de catorze exemplares neoassírios encontrados precisamente na biblioteca de Assurbanípal. Embora haja lacunas nalgumas partes do texto, Novotny não a reconstruiu, como é usualmente costume entre assiriólogos, partindo das antigas versões paleo-babilónica e mesoassíria. Este aspeto deve-se ao facto de estas duas versões anteriores não apresentarem uma linha de transmissão direta entre ambas e entre a versão mais tardia, incorporando cada qual as suas próprias idiossincrasias e a sua visão da narrativa. Como tal, em conjunto, não representariam um todo harmonioso.</ref>, que seguiremos no estudo aqui apresentado. Porém, as várias tabuinhas de que dispomos não sobreviveram completas, pelo que a história narrada continua a suscitar algumas dúvidas, sobretudo no que se refere ao seu final. Etana, o protagonista, surge como o escolhido pela esfera divina, já depois de criados os alicerces do mundo, para exercer a realeza. Natural da cidade de Kiš,<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{left|'''166'''}}</noinclude> mnvvkkd47r1utw0g1ppe9ro2qduv8bc 560071 560070 2026-08-21T16:10:10Z Erick Soares3 19404 560071 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}} {{rule|40em|align=right}}</noinclude>{{left|'''Preâmbulo'''}} {{dhr}} O sonho de alcançar o céu, de poder sobrevoar o mundo, de olhar de longe a terra à qual parecemos estar visceralmente ligados, sempre povoou o imaginário do ser humano. Quem nunca sonhou ter asas? Muito antes de assistirmos à heroína de George R. R. Martin, Daenerys Targaryen, voar amparada no seu dragão Drogon, ou de vermos o pequeno Bastian de ''História Interminável'' vencer o vento montado no seu companheiro Falkor, já os antigos mesopotâmios tinham criado a sua própria narrativa sobre um herói que cruzou os céus com o auxílio de uma águia. As várias cópias que chegaram até nós da composição acádica hoje conhecida como ''Mito de Etana'' comprovam a sua importância, permanência e transversalidade ao longo da história desta civilização. Dos vários exemplares cuneiformes hoje conhecidos, os mais antigos provêm do período paleobabilónico<ref>Segundo a cronologia média, que aqui seguimos (BRISCH, Nicole Mesopotamian history: the basics. In ''Ancient'' ''Mesopotamian Gods and Goddesses''. Oract and the UK Higher Education Academy, 2013. Acedido em Julho de 2022, http://oracc.museum.upenn.edu/amgg/mesopotamianhistory/), o período paleobabilónico decorre na primeira metade do II milénio a.C., entre c. 2004 e c. 1595 a.C., data em que a cidade da Babilónia, à altura capital de um verdadeiro império fundado pelo célebre Hammu-rabi, é tomada pelo poder hitita. Para um apanhado dos episódios narrados nas várias cópias, vide ALSTER, Bendt — The textual history of the Legend of Etana. ''Journal of the American Oriental Society''. 109:1 (1989) 82. Sobre a proveniência das tabuinhas, vide DALLEY, Stephanie — ''Myths from Mesopotamia. Creation, the flood,'' ''Gilgamesh and others''. Oxford: Oxford University Press, 1991, p. 189 e NOVOTNY, Jamie — ''The standard babylonian Etana'' ''Epic''. Pennsylvania: Penn State University Press, 2001, p. ix.</ref>, oriundos das cidades de Tell Harmal e de Susa, outros são datados do período mesoassírio<ref>O período mesoassírio, não tão bem conhecido como o anterior devido à comparativamente menor quantidade de fontes disponíveis, desenvolveu-se entre c. de 1350 e c. 1000 a.C.</ref>, tendo sido encontrados na cidade de Ashur, e os mais recentes foram exumados em Nínive e pertencem à fase de apogeu do império neoassírio<ref>O período neoassírio corresponde, tal como o nome indica, a uma fase histórica marcada pela hegemonia da Assíria, que se estendeu de c. 900 a c. 612 a. C. Durante este longo período, a Assíria conheceu diferentes capitais, entre as quais a cidade de Nínive, famosa, entre outros aspetos, pela biblioteca de Assurbanípal.</ref>. De entre as versões destes três períodos, a mais completa é, sem dúvida, a última, também conhecida como versão babilónica ''standard'', editada por Jamie R. Novotny na coleção ''State Archives of Assyria Cuneiform Texts'' (''SAACT'')<ref>''Etana Epic'' (2001). Esta recensão inclui cerca de catorze exemplares neoassírios encontrados precisamente na biblioteca de Assurbanípal. Embora haja lacunas nalgumas partes do texto, Novotny não a reconstruiu, como é usualmente costume entre assiriólogos, partindo das antigas versões paleo-babilónica e mesoassíria. Este aspeto deve-se ao facto de estas duas versões anteriores não apresentarem uma linha de transmissão direta entre ambas e entre a versão mais tardia, incorporando cada qual as suas próprias idiossincrasias e a sua visão da narrativa. Como tal, em conjunto, não representariam um todo harmonioso.</ref>, que seguiremos no estudo aqui apresentado. Porém, as várias tabuinhas de que dispomos não sobreviveram completas, pelo que a história narrada continua a suscitar algumas dúvidas, sobretudo no que se refere ao seu final. Etana, o protagonista, surge como o escolhido pela esfera divina, já depois de criados os alicerces do mundo, para exercer a realeza. Natural da cidade de Kiš,<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{left|'''166'''}}</noinclude> kfjygins1o3o1bs5i4yxt4zdujfzom7 Galeria:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf 104 256419 559970 559902 2026-08-21T12:03:50Z BlitzkriegBoop 37692 559970 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Charneca em Flor]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Florbela Espanca|Florbela Espanca]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=2 |Volume= |Editora=Livraria A. 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E, num encanto que ninguem traduz, Despiu o manto negro que era dela, Seu vestido de noiva de Jesus. E a noite escura, extasiada, ao vê-la, As brancas mãos no peito quasi em cruz, Teve um brilhar feérico de estrela Que se esfolhasse em pétalas de luz! Sóror Saudade olhou... Que olhar profundo Que sonha e espera?... Ah! como é feio o mundo, E os homens vãos! ― Então, devagarinho, Sóror Saudade entrou no seu convento... E, até morrer, resou, sem um lamento, Por ''Um'' que se perdera no caminho!... </poem>}} {{nop}}<noinclude></noinclude> ri08hjtpf7qlvzio10zriuee37l14w3 Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/95 106 256593 559964 2026-08-21T11:59:45Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 559964 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|''91''}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|Quem sabe?...}} {{dh3}} {{bloco centro| <poem> {{gcapitular|Ê}}sse de quem eu era e que era meu, Que foi um sonho e foi realidade, Que me vestiu a alma de saudade, Para sempre de mim desapar'ceu. Tudo em redor então escureceu, E foi longinqua toda a claridade! Ceguei,... tateio sombras... Que ansiedade! Apalpo cinzas porque tudo ardeu! Descem em mim poentes de Novembro... A sombra dos meus olhos, a escurecer... Veste de rôxo e negro os crisantemos... E dêsse que era meu já me não lembro... Ah, a dôce agonia de esquecer A lembrar doidamente o que esquecemos!... </poem>}} {{nop}}<noinclude></noinclude> foa99yqvt44vewrmvn6svti06s7gnqr 559966 559964 2026-08-21T12:00:23Z BlitzkriegBoop 37692 559966 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|''91''}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|Quem sabe?...}} {{dhr|3em}} {{bloco centro| <poem> {{gcapitular|Ê}}sse de quem eu era e que era meu, Que foi um sonho e foi realidade, Que me vestiu a alma de saudade, Para sempre de mim desapar'ceu. Tudo em redor então escureceu, E foi longinqua toda a claridade! Ceguei,... tateio sombras... Que ansiedade! Apalpo cinzas porque tudo ardeu! Descem em mim poentes de Novembro... A sombra dos meus olhos, a escurecer... Veste de rôxo e negro os crisantemos... E dêsse que era meu já me não lembro... 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Ó pavoroso e atroz mal de trazer Tantas almas a rir dentro da minha! </poem>}} {{nop}}<noinclude></noinclude> ccu3ji0le0cqa29cmgun3gtawozu6w3 Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/97 106 256595 559969 2026-08-21T12:03:06Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 559969 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|''93''}}{{lh}}</noinclude>{{ch|Deixae entrar a Morte}} {{dhr|3em}} {{bloco centro| <poem> {{gcapitular|D}}eixae entrar a Morte, a Iluminada, A que vem para mim, p'ra me levar. Abri todas as portas par em par Como asas a bater em revoada. Que sou eu neste mundo? A desherdada, A que prendeu nas mãos todo o luar, A vida inteira, o sonho, a terra, o mar E que, ao abri-las, não encontrou nada! Ó Mãe! Ó minha Mãe, p'ra que nasceste? Entre agonias e em dôres tamanhas P'ra que foi, dize lá, que me trouxeste Dentro de ti?... P'ra que eu tivesse sido Sómente o fruto amargo das entranhas Dum lírio que em má hora foi nascido!... </poem>}} {{nop}}<noinclude></noinclude> df6i823nc85pg51aqda2zsous2p8rgm Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/161 106 256596 559973 2026-08-21T13:51:32Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 559973 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|153|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ferencia, os viajantes nāo podiam delinear. Ter-se-ia acaso modificado a direcçāo do projectil, quer pela influencia da attracçāo lunar, quer pela acçāo de algum astro desconhecido? É o que Barbicane nāo podia dizer. Mas o caso é que tinha occorrido alguma mudança na posiçāo relativa do vehiculo, e que Barbicane verificou o facto por volta das quatro da manhā. Consistia esta mudança em que a culatra do projectil se voltára para a superficie da Lua e se mantinha na perpendicular que passava pelo eixo dʼesta. Fóra a attracçāo, tanto vale dizer a gravidade, a causa dʼesta modificaçāo. Inclinava-se para o disco a parte mais pesada da bala, exactamente como se fôsse caindo sobre elle. E cairia porventura? Estariam acaso os viajantes nos termos de alcançar o tāo desejado alvo? Nāo. A observaçāo de um ponto de referencia, aliás pouco explicavel, veiu demonstrar a Barbicane que o projectil nāo se aproximava da Lua, senāo que descrevia em seu movimento uma curva aproximadamente concentrica com este astro. O porto de referencia a que alludimos foi uma explosāo luminosa que Nicholl divisou de subito no limite do horisonte formado pelo disco negro. Este ponto luminoso nāo podia confundir-se com uma estrella. Era uma incandescencia avermelhada, que ia pouco e pouco augmentando de volume, facto que era prova incontestavel de que o projectil se movia para ella, e de que nāo caia normalmente na superficie do astro. — Um vulcāo! é um vulcāo em actividade! exclamou Nicholl; um derramamento de fogo interno da Lua! Nāo está pois ainda de todo apagado o mundo lunar. — Sim! é uma erupçāo, respondeu Barbicane, que estudava cuidadosamente o phenomeno com a sua luneta de noite. Com effeito, se nāo fosse um vulcāo, que havia de ser? — Mas sendo assim, disse Miguel Ardan, para alimentar aquella combustāo é necessario ar. Por consequencia está aquella parte da Lua envolvida por uma atmosphera. — Talvez, respondeu Barbicane, mas nāo é força que assim seja. Um vulcāo póde pela decomposiçāo de certas substancias<noinclude></noinclude> bjn81d1nbmst0e452dba5kmnx733972 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/162 106 256597 559974 2026-08-21T13:55:07Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 559974 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|154|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>fornecer a si proprio o oxygenio comburente, e produzir assim labaredas no vacuo. Até me parece que aquella deflagraçāo tem a intensidade calorifica e luminosa propria das combustōes que se realisam no oxygenio puro. Por consequencia, nāo nos démos pressa em affirmar a existencia de uma atmosphera lunar. A montanha ignivoma devia estar situada aproximadamente a quarenta e cinco graus de latitude sul da parte invisivel do disco. Mas, com grande zanga de Barbicane, a curva descripta pelo projectil levava-o para longe do ponto caracterisado pela erupçāo, e por consequencia nāo lhe foi possivel determinar a natureza dʼella. Meia hora depois de ter sido avistado, desapparecía o ponto luminoso por traz do horisonte escuro. No entretanto a verificaçāo de um phenomeno de tal ordem era já facto de consideraçāo para os estudos selenographicos, porque provava que o calorico nāo desapparecéra ainda de todo das entranhas do globo lunar, e porque, onde existe o calor, ninguem póde affirmar que o reino vegetal, e até mesmo o reino animal, nāo tenha até agora resistido a quaesquer influencias destructivas. Se algum dia os homens da sciencia da Terra viessem a reconhecer sem contestaçāo a existencia dʼaquelle vulcāo em actividade, dʼesse facto sairiam sem duvida muitos argumentos favoraveis á soluçāo affirmativa do espinhoso problema da habitalidade da Lua. Barbicane deixara-se absorver pelas proprias reflexōes. Estava como que esquecido e engolphado em silenciosa meditaçāo, em que se lhe agitavam no cerebro os mysteriosos destinos do mundo lunar, e buscava estabelecer ligaçāo entre os differentes factos que até entāo observára, quando um novo incidente o trouxe de repente á realidade. E este incidente era mais que um phenomeno cosmico, era um perigo ameaçador cujas consequencias podiam ser funestas. De subito, no meio do ether, nʼaquellas profundas trevas, apparecêra uma massa enorme. Era como que uma Lua, mas uma Lua incandescente, e com um fulgor tanto mais insustentavel, que contrastava viva e até brutalmente com a obscuridade ab-<noinclude></noinclude> 0dfwtw16ahjnd8z2z7w0gs44i7y878h Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/163 106 256598 559975 2026-08-21T13:59:56Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 559975 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|155|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>soluta do espaço. Aquella massa, cuja fórma era circular, irradiava luz tal que enchia o projectil. Os rostos de Barbicane, de Nicholl e de Miguel Ardan, violentamente illuminados por aquelles brancos jactos de luz, tomaram a apparencia espectral, livida, desbotada que os physicos produzem com uma luz artificial, queimando alcool impregnado de sal. — Com mil diabos! exclamou Miguel Ardan, mas é que estamos hediondos! Que diabo de Lua de mau encontro é esta? — É um bolido, respondeu Barbicane. — Um bolido inflammado no vasio? — Sim. O globo de fogo era com effeito um bolido. Barbicane nāo se enganava. Mas aquelles meteoros cosmicos, que, observados da Terra apresentam uma luz um pouco inferior á da Lua, aqui, no sombrio ether, eram resplandecentes. Aquelles corpos errantes trazem em si proprios o principio da sua incandescencia, e nāo precisam de ar para deflagrarem. E effectivamente, se alguns dʼestes bolidos atravessam as camadas atmosphericas a duas ou tres leguas da Terra, ha outras, pelo contrario, que descrevem as suas trajectorias a uma distancia a que nāo póde existir atmosphera. Taes aquelles bolidos que appareceram, em 27 de outubro de 1844, á altura de cento e vinte e oito leguas, outro em 18 de agosto de 1841, que desappareceu á distancia de cento e oitenta e duas leguas. Alguns dʼestes meteoros chegam a ter tres ou quatro kilometros de diametro e a possuir velocidades que alcançam até setenta e cinco kilometros por segundo <ref>A velocidade média do movimento da Terra, segundo a ecliptica, é apenas de trinta kilometros por segundo.</ref>, em direcçāo inversa ao movimento da Terra. Aquelle globo cadente, e que de repente apparecera no escuro da sombra a uma distancia de pelo menos cem leguas, devia, segundo Barbicane, ter um diametro de dois mil metros. Aproximava-se o bolido com uma velocidade de cerea de dois kilometros por segundo, isto é, de trinta leguas por minuto, e<noinclude> {{smallrefs}}</noinclude> 7cjhv4wvxdkl7jwj1owlnbz489418iv Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/641 106 256599 559977 2026-08-21T14:04:37Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 559977 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|593|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>O passo tardo com que avançavamos nos deixava lazer para contemplar as bellezas da primavera brasileira. Plantas brilhantes com passaros ainda mais brilhantes voejando em derredor, flores suavemente odoriferas, laranjeiras e limoeiros carregados de fructas sazonadas, formavam um bellissimo primeiro plano ás magnificas arvores silvestres que cobrem as planicies e revestem as encostas das collinas baixas nas vizinhanças de Pernambuco. Aqui e ali descobre-se um pequeno espaço arroteado para o plantio da mandioca, nesta estação dʼum verde exhuberante; as choupanas de palha dos lavradores acham-se em geral á beira da estrada e, na maioria, cada uma tem o seu pomarsinho de mangueiras e laranjeiras. Numa destas cazinhas encontramos um posto de guarda assaz consideravel estabelecido na intersecção de quatro estradas; ali deixou-nos o nosso guia pedestre e passamos a ser acompanhados por um joven official dos Caçadores brasileiros, de aspecto distincto, que nos entreteve pelo caminho chamando a Luiz do Rego de tyranno, e attribuindo o assedio do Recife inteiramente á obstinação do governador em não se alliar ao povo da provincia na tarefa de liberta-la do dominio do seu senhor. Em volta do posto de guarda raparigas negras, com largos céstos chatos nas cabeças, vendiam fructas engua fresca: tinham coberto os seus cabellos lanudos e as bordas dos cêstos de grinaldas de althéa escarlate, e com os seus chales azul-claros ou brancos graciosamente atirados por sobre os seus hombros escuros e as suas saias brancas, offereciam um quadro como os primitivos conquistadores hespanhóes poderiam ter traçado do seu Eldorado. Depois de cavalgarmos algumas milhas chegamos de repente ao sopé dʼuma collina abrupta, em cujas fraldas viam-se espalhados grupos das arvores mais magnificas que jamais ohservei. Ali deparamos com uma pequena patrulha que, depois de parlamentar com o nosso guia, antes nos ordenou do que nos nos convidou a proseguir. Em poucos segundos chegamos a una empinada barranca de grez amarello, sombreada dʼum lado por altas arvores e<noinclude></noinclude> 28h3yn74cfvt0ty2via30r2e182vro1 559978 559977 2026-08-21T14:04:51Z Erick Soares3 19404 559978 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|593|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>O passo tardo com que avançavamos nos deixava lazer para contemplar as bellezas da primavera brasileira. 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Numa destas cazinhas encontramos um posto de guarda assaz consideravel estabelecido na intersecção de quatro estradas; ali deixou-nos o nosso guia pedestre e passamos a ser acompanhados por um joven official dos Caçadores brasileiros, de aspecto distincto, que nos entreteve pelo caminho chamando a Luiz do Rego de tyranno, e attribuindo o assedio do Recife inteiramente á obstinação do governador em não se alliar ao povo da provincia na tarefa de liberta-la do dominio do seu senhor. Em volta do posto de guarda raparigas negras, com largos céstos chatos nas cabeças, vendiam fructas engua fresca: tinham coberto os seus cabellos lanudos e as bordas dos cêstos de grinaldas de althéa escarlate, e com os seus chales azul-claros ou brancos graciosamente atirados por sobre os seus hombros escuros e as suas saias brancas, offereciam um quadro como os primitivos conquistadores hespanhóes poderiam ter traçado do seu Eldorado. Depois de cavalgarmos algumas milhas chegamos de repente ao sopé dʼuma collina abrupta, em cujas fraldas viam-se espalhados grupos das arvores mais magnificas que jamais observei. Ali deparamos com uma pequena patrulha que, depois de parlamentar com o nosso guia, antes nos ordenou do que nos nos convidou a proseguir. Em poucos segundos chegamos a una empinada barranca de grez amarello, sombreada dʼum lado por altas arvores e<noinclude></noinclude> pvp85y95ank39prsdqlq51daxikq3r9 Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/642 106 256600 559979 2026-08-21T14:09:07Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 559979 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|594|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>aberta do outro para um lago cercado de collinas arborisadas, nas mais distantes das quaes os edificios brancos de Olinda scintillavam como neve. No topo da barranca e no acto de descé-la, estava um grupo dʼuns quarenta cavalleiros, empunhando um dos da frente uma bandeira branca; varios delles trajavam esplendidos uniformes militares, outros.as vestes simples dos proprietarios ruraes. Eram deputados da Parahyba em caminho para propor condicções a Luiz do Rego; acabavam de deixar o quartel-general do exercito sitiante, onde estacionava o governo provisorio de Goyanna, e vinham acompanhados dʼuma guarda de honra; depois de trocados os cumprimentos, parte da guarda regressou comnosco e os deputados seguiram o seu caminho. Tendo alcançado o topo da collina deparamos com uns cem homens, toleravelmente armados mas extranhamente vestidos, á nossa espera, e ali nos demoramos enquanto o nosso guia se adiantava afim de pedir permissão para nos conduzir ao quartel-general. Lamentei não ter meios para esboçar qualquer parte da linda paizagem que, além dos admiraveis aspectos já mencionados, apresentava ali um largo rio sobre o qual passava uma branca ponte de pedra de varios arcos; numa das extremidades elevava-se uma grande casa, mais semelhante a um palacio, com arcadas e corredores, e em volta o acampamento do exercito patriota e os piquetes de cavallaria davam um estrepito e uma animação que raras vezes costuma adornar tão bello scenario. O nosso guia regressou em breve com dezoito ou vinte soldados montados, de apparencia mais selvagem do que militar; a guarda apresentou armas, nos despedimos della e logo começamos a descer a trote a collina em direcção ao grosso das tropas. Quando muito duzentos homens tinham armas e equipamentos de soldados; mas, havia trajes e armas de toda a qualidade: de couro, de panno e de linho, jaquetas curtas e longos capotes escossezes, e nas faces todas as cambiantes de côr, desde o pallido europeu ao africano côr de ebano. Estes regimentos esfarrapados nos prestaram as honras militares, e fomos conduzidos para a praça do palacio onde<noinclude></noinclude> 4tf2uu47bp8pei64m7o02vunfho04pw 559983 559979 2026-08-21T14:18:15Z Erick Soares3 19404 559983 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|594|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>aberta do outro para um lago cercado de collinas arborisadas, nas mais distantes das quaes os edificios brancos de Olinda scintillavam como neve. 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Lamentei não ter meios para esboçar qualquer parte da linda paizagem que, além dos admiraveis aspectos já mencionados, apresentava ali um largo rio sobre o qual passava uma branca ponte de pedra de varios arcos; numa das extremidades elevava-se uma grande casa, mais semelhante a um palacio, com arcadas e corredores, e em volta o acampamento do exercito patriota e os piquetes de cavallaria davam um estrepito e uma animação que raras vezes costuma adornar tão bello scenario. O nosso guia regressou em breve com dezoito ou vinte soldados montados, de apparencia mais selvagem do que militar; a guarda apresentou armas, nos despedimos della e logo começamos a descer a trote a collina em direcção ao grosso das tropas. Quando muito duzentos homens tinham armas e equipamentos de soldados; mas, havia trajes e armas de toda a qualidade: de couro, de panno e de linho, jaquetas curtas e longos capotes escossezes, e nas faces todas as cambiantes de côr, desde o pallido europeu ao africano côr de ebano. 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Reise in Bras. )}} {{nop}}<noinclude></noinclude> mejbg4edu968wy0q50dvdobkhuvqamb Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/1 106 256602 559981 2026-08-21T14:17:03Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 559981 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;text-transform:uppercase;|fs=150%|Florbela Espanca}} {{dhr|10em}} {{C|style=font-family:serif;text-transform:uppercase;|fs=230%|Charneca em flor}} {{dhr|9em}} {{C|[[file:Poèmes en prose, Louis de Lyvron (page 63 crop).svg|ornamento tipográfico|30px]]}}<noinclude></noinclude> 4vxujgjmc34b2chjmi2hz8qo6pwo7ws Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/645 106 256603 559982 2026-08-21T14:17:54Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 559982 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|595|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>{{PT|Mr. Dance e Mr. Caumont se apearam, emquanto que eu resolvi aguardar o resultado da conferencia no pateo em companhia de meu primo.}} Isto, entretanto, não foi permittido. Dentro de poucos minutos veio um homenzinho vivo, fallando toleravelmente o francez, e disse-me que o ''governo'' desejava a minha companhia. Suspeitei um equivoco entre as palavras governo e governador e procurei declinar a honra; mas, nenhuma desculpa foi aceita eo homenxinho, que se nos apresentou como secretario do governo <ref>Era Felippe Meona Callado da Fonseca.</ref> ajudou-me a desmontar e conduzio-me ao palacio. O vestibulo estava cheio de homens e cavallos, como uma cavallariça de quartel, excepto num canto que servia de hospital para os feridos nas nltimas escaramuças, e aos gemidos destes ultimos misturvam-se descortezmente as vozes alacres e ruidosas dos soldados. As escadas estavam tão apinhadas que as subimos com difficuldade, e percebi então que nos iamos achar diante do governo provisorio em estado completo. Na extremidade dʼum longo aposento sujo, que outrʼora fôra bonito conforme indicava a forma das janellas e as esculpturas do tecto onde se lobrigavam vestigios de côres e de dourados, havia um velho sofá estofado de crina preta no centro do qual fui collocada, tendo dʼum lado Mr. Dance e do outro Mr. Glennie; junto ao primeiro sentou-se o pequeno secretario e proximo a este o nosso interprete em vetustas endeiras de espaldar; o resto da mobilia do aposento consistia de nove assentos de differentes fórmas e tamanhos collocados em semi-arculo em frente do sofá e occupado cada um delles por um dos membros do governo provisorio, que representam o papel de senadores ou de generaes conforme o exige a occasião. A todos elles fui apresentada; os nomes de Albuquerque, Cavalcanti e Brederode surprehenderam-me; mas, ouvia-os imperfeitamente e esqueci quasi todos; alguns dos membros do governo traja vam bonitas fardas, outros as vestes mais modestas de agricultores. {{nop}}<noinclude>{{rule|5em|align=left}} {{smallrefs}}</noinclude> 6s93zyif1jpi7fzotm9rnaasa316e46 Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/7 106 256604 559984 2026-08-21T14:40:33Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 559984 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude> <div style="text-align-last: center; font-family: serif;font-size:3em;letter-spacing: .6rem;">{{uc|'''Charneca'''}}</div> <div style="text-align-last: center; font-family: serif;font-size:3em;letter-spacing: .6rem;word-spacing:2.5rem">{{uc|'''em Flor'''}}</div> {{dhr|2em}} {{C|fs=140%|{{uc|Sonetos}}}} {{C|fs=140%|{{uc|de}}}} {{C|fs=140%|{{uc|Florbela Espanca}}}} {{dhr|5em}} <div style="text-align-last: center; font-family: monospace;font-size:1.2em;letter-spacing: .3rem;word-spacing:.5rem">{{uc|Segunda edição}}</div> <div style="text-align-last: center; font-family: monospace;font-size:1em;letter-spacing: .08rem;">com 28 sonetos inéditos</div> {{dhr|10em}} {{C|{{uc|Coimbra}}}} {{C|MCMXXXI}} {{C|{{uc|Livraria A. 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Lisboa, 19 ― 1 ― 931.}} {{dhr|12em}} {{C|―――― 1931 ―――――}} {{C|{{uc|Imprensa Nacional}}}} {{C|― de Jaime Vasconcelos ―}} {{C|204, Rua José Falcão, 206}} {{C|――― PORTO ――――}}<noinclude></noinclude> 7ra1hcgk55htqc7pnkq1ctlfhmzwhvf Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/4 106 256608 560072 2026-08-21T16:20:47Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560072 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}} {{rule|40em|align=right}}</noinclude>obteve sucesso, uma vez que como al se indica “Etana, the shepherd, who ascended to heaven and consolidated all the foreign countries, became king; he ruled for [1500] years. Balih, the son of Etana, ruled for [400] years”<ref>''Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL)'' 2.1.1.</ref>. O ''Mito de Etana'' não se esgota, contudo, no espaço-tempo que foi a antiga Mesopotâmia. Ao longo dos séculos subsequentes à elaboração dos manuscritos acima referidos e ainda nos dias que correm<ref>O folclore iraquia no é um exemplo disso. Vide ANNUS, Amar — Review Article. The folk-tales of Iraq and the literary traditions of ancient Mesopotamia. ''Journal of Ancient Near Eastern Religions''. 9:1 (2009).</ref>, reconhecemos a existência de todo um conjunto de narrativas em várias tradições distintas — gregas, egípcias, persas, curdas, iraquianas — que, embora possam ter sido inspiradas em múltiplas fontes, contêm certamente influências deste mito milenar. Em muitas destas histórias mais tardias está presente o motivo da árvore habitada, quer junto às suas raízes quer na copa, por dois animais de perfil distinto e que mutuamente se excluem (um voa, o outro rasteja), ou o motivo da ascensão de um ser humano aos céus através do auxílio de um pássaro. Na realidade, é possível que na própria Mesopotâmia estes dois motivos fossem originalmente independentes, tendo sido posteriormente integrados numa mesma tradição com o título ''ālaīṣirū ultaklilūšu'' (“eles planearam uma cidade e fizeram-na perfeita”)<ref>Note-se que o ''Mito de Etana'' é uma designação corrente. Aliás, debate-se ainda hoje a forma mais adequada de classificar esta composição. Será um mito, uma lenda, ou uma curta epopeia? Na antiga Mesopotâmia, os textos literários eram comummente designados a partir do seu primeiro verso.</ref>. {{dhr}} [[File:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?" (page 4 crop).jpg|centro|400px]] {{dhr}} {{left|{{smaller|'''Figura 1.''' Motivos representados no selo cilíndrico pertencente à coleção do British Museum (BM 129480), datado do período acádico. A esquerda, um homem no dorso de uma águia e, à direita, uma árvore em cuja copa se distingue uma águia (Desenho de Maria de Fátima Rosa, a partir do original).}}}} {{dhr|2}} Para se compreenderem verdadeiramente os episódios narrados em ''Etana'', é preciso reconhecer a existência de uma intertextualidade entre as narrativas miticas de origem suméria e acádica. De facto, os ''topoi'' literários que a composição apresenta já circulariam há muito<ref>É preciso referir que a maioria dos textos que chegou até ao presente faz parte de uma tradição que assenta na oralidade.</ref> entre os habitantes da Mesopotâmia quando foram passados a escrito. Assim, tanto em composições literárias quanto no registo iconográfico, ainda no decurso do III milénio a.C, reconhecemos a mesma simbologia,<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{left|'''168'''}}</noinclude> muwek41nrvibk2we93joaerxomajyke 560073 560072 2026-08-21T16:21:08Z Erick Soares3 19404 560073 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}} {{rule|40em|align=right}}</noinclude>obteve sucesso, uma vez que como al se indica “Etana, the shepherd, who ascended to heaven and consolidated all the foreign countries, became king; he ruled for [1500] years. Balih, the son of Etana, ruled for [400] years”<ref>''Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL)'' 2.1.1.</ref>. O ''Mito de Etana'' não se esgota, contudo, no espaço-tempo que foi a antiga Mesopotâmia. Ao longo dos séculos subsequentes à elaboração dos manuscritos acima referidos e ainda nos dias que correm<ref>O folclore iraquia no é um exemplo disso. Vide ANNUS, Amar — Review Article. The folk-tales of Iraq and the literary traditions of ancient Mesopotamia. ''Journal of Ancient Near Eastern Religions''. 9:1 (2009).</ref>, reconhecemos a existência de todo um conjunto de narrativas em várias tradições distintas — gregas, egípcias, persas, curdas, iraquianas — que, embora possam ter sido inspiradas em múltiplas fontes, contêm certamente influências deste mito milenar. Em muitas destas histórias mais tardias está presente o motivo da árvore habitada, quer junto às suas raízes quer na copa, por dois animais de perfil distinto e que mutuamente se excluem (um voa, o outro rasteja), ou o motivo da ascensão de um ser humano aos céus através do auxílio de um pássaro. Na realidade, é possível que na própria Mesopotâmia estes dois motivos fossem originalmente independentes, tendo sido posteriormente integrados numa mesma tradição com o título ''ālaīṣirū ultaklilūšu'' (“eles planearam uma cidade e fizeram-na perfeita”)<ref>Note-se que o ''Mito de Etana'' é uma designação corrente. Aliás, debate-se ainda hoje a forma mais adequada de classificar esta composição. Será um mito, uma lenda, ou uma curta epopeia? Na antiga Mesopotâmia, os textos literários eram comummente designados a partir do seu primeiro verso.</ref>. {{dhr}} [[File:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?" (page 4 crop).jpg|centro|400px]] {{dhr}} {{left|{{smaller|'''Figura 1.''' Motivos representados no selo cilíndrico pertencente à coleção do British Museum (BM 129480), datado do período acádico. A esquerda, um homem no dorso de uma águia e, à direita, uma árvore em cuja copa se distingue uma águia (Desenho de Maria de Fátima Rosa, a partir do original).}}}} {{dhr|2}} Para se compreenderem verdadeiramente os episódios narrados em ''Etana'', é preciso reconhecer a existência de uma intertextualidade entre as narrativas miticas de origem suméria e acádica. De facto, os ''topoi'' literários que a composição apresenta já circulariam há muito<ref>É preciso referir que a maioria dos textos que chegou até ao presente faz parte de uma tradição que assenta na oralidade.</ref> entre os habitantes da Mesopotâmia quando foram passados a escrito. Assim, tanto em composições literárias quanto no registo iconográfico, ainda no decurso do III milénio a.C, reconhecemos a mesma simbologia,<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{left|'''168'''}}</noinclude> qsfoqlucxo1vmze2258vq3sd6be1wci Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/5 106 256609 560074 2026-08-21T16:43:06Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560074 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rule}} {{rh|||{{smaller|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”: tradução e análise do mito mesopotâmico ''Etana''}}}}</noinclude>as mesmas personagens, a mesma imagética. Se é verdade que em ''Gilgameš, Enkidu'' ''e o Inframundo'' aparece o motivo da árvore, aparentemente pela primeira vez em registo textual, mais concretamente nos versos em que se afirma que “At that time, there was a single tree, a single ''ḫalub'' tree (...) At its roots, a snake immune to incantations made itself a nest. In its branches, the Anzud<ref>Anzû (ou Anzud, também conhecido como Imdugud) refere-se à enorme águia celeste com cabeça de leão protagonista do ''Mito de Anzū'' (ANNUS, Amar — ''The standard babylonian epic of Anzu. State Aarchives of Assyria Cuneiform Texts'', vol. III. Helsínquia, 2001). Como esta composição demonstra, esta figura detinha uma natureza aguerrida, uma aparência assustadora e agia sobretudo de forma subversiva em relação à esfera divina. Vide HALLO, William W. e MORAN, William — The first tablet of the SB Recension of the Anzu-Myth. ''Journal of Cuneiform Studies''. 31/2 (1979) 70; WIGGERMANN, F. A. M. — On ''Bin S̄ar Dadmē'', the “Anzu-Myth”. In VAN DRIEL, coord. — ''Zikir S̄umim. Assyriological studies presented to F. R. Kraus'' ''on the Occasion of his seventieth birthday''. Leiden: Brill, 1982, p. 418-425 e BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony — ''Gods, Demons'' ''and Symbols of Ancient Mesopotamia. An illustrated dictionary.'' London: British Museum Press, 1992, p. 107.</ref> bird settled its young”<ref>Composição redigida em sumério (ETCSL 1.8.1.4). Neste conto, a árvore que crescera junto ao rio Eufrates, por desejo da deusa Inanna, é abatida por Gilgameš, matando a serpente e libertando Anzû, que se dirige para as montanhas com as suas crias. No rescaldo deste ato, Gilgameš fabrica dois instrumentos musicais a partir das suas raízes. Contudo, num dia de festa, eles acabam por cair no Inframundo, pelo que Enkidu, companheiro do mítico governante de Uruk, se voluntaria para os ir buscar.</ref>, num selo cilíndrico do período acádico (c. 2340-2200 a.C.)<ref>BM 129480: https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1945-1013-24 (consultado em 05 de Julho de 2022), no British Museum. Outros exemplares onde o motivo de Etana é representado são BM 89767, também do British Museum [https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1983-0101-299, [consultado em 05 de Julho de 2022]) ou VA 03456, do Museu do Próximo Oriente Antigo, em Berlim. Da mesma época, veja-se também um exemplar encontrado em Susa, no Elam (MESBAH, Bita — Configuring the Roots of Zahak Myth according to the Elamitesʼ Cylinder Seals (3rd Millennium B.C.). ''Bogh-e Nazar''. 14:56 (2018) 46).</ref> é visível um homem no dorso de uma águia, em destaque num plano elevado da representação (Figura 1). A dada altura, porém, as duas fábulas aparentemente autónomas conjugaram-se num mesmo ambiente mitológico, tendo como elemento aglutinador a intervenção do deus sol. De facto, é Šamaš quem une os protagonistas, quem acompanha, quem guia, quem julga, quem absolve. Poderemos, então, considerar ''Etana'' um mito com contornos solares?<ref>SAPORETTI, Claudio — Dieci appunti dai testi di Etana. ''Egitto e Vicino Oriente''. 8 (1985) 63.</ref> O papel fulcral da divindade responsável pela justiça parece inquestionável. Contudo, outras temáticas, que mais à frente analisaremos, parecem adquirir igual proeminência. Acreditamos, assim, que esta narrativa se apresenta, no fundo, como uma reflexão sobre aspetos basilares da sociedade mesopotâmica — a relação entre as diferentes esferas e domínios que compunham o cosmos (os insondáveis céus, a terra e o mundo sombrio abaixo desta) e a linguagem que unia ou distanciava os seus integrantes (seres humanos, animais e divindades, pais e filhos). Seguidamente, e antes de nos debruçarmos sobre estes significados, apresentamos uma proposta de tradução da narrativa<ref>Uma pequena parte desta tradução, nomeadamente alguns excertos da segunda e terceira tabuinhas foi incluída numa outra publicação, embora com pequenas diferenças. Vide ROSA, Maria de Fátima — Etana. In BUESCU, Helena Carvalhão; VALENTE, Simão, coord. — ''Literatura-mundo comparada. Perspectivas em português, porte III. Pelo Tejo voi-se para o mundo''. Vol. 5. Lisboa: Tinta-da-China, 2020, p. 50-54. Neste artigo, contudo, procuramos apresentar uma proposta de tradução integral e o mais próxima possível do acádico de forma a compreendermos melhor o tipo de vocabulário empregue e os seus significados.</ref>. {{nop}}<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{right|'''169'''}}</noinclude> o73lac3vvch6r1eap9ztp4k9zv3wlct 560075 560074 2026-08-21T16:44:12Z Erick Soares3 19404 560075 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rule}} {{rh|||{{smaller|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”: tradução e análise do mito mesopotâmico ''Etana''}}}}</noinclude>as mesmas personagens, a mesma imagética. 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In VAN DRIEL, coord. — ''Zikir S̄umim. Assyriological studies presented to F. R. Kraus'' ''on the Occasion of his seventieth birthday''. Leiden: Brill, 1982, p. 418-425 e BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony — ''Gods, Demons'' ''and Symbols of Ancient Mesopotamia. An illustrated dictionary.'' London: British Museum Press, 1992, p. 107.</ref> bird settled its young”<ref>Composição redigida em sumério (ETCSL 1.8.1.4). Neste conto, a árvore que crescera junto ao rio Eufrates, por desejo da deusa Inanna, é abatida por Gilgameš, matando a serpente e libertando Anzû, que se dirige para as montanhas com as suas crias. No rescaldo deste ato, Gilgameš fabrica dois instrumentos musicais a partir das suas raízes. 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A dada altura, porém, as duas fábulas aparentemente autónomas conjugaram-se num mesmo ambiente mitológico, tendo como elemento aglutinador a intervenção do deus sol. De facto, é Šamaš quem une os protagonistas, quem acompanha, quem guia, quem julga, quem absolve. Poderemos, então, considerar ''Etana'' um mito com contornos solares?<ref>SAPORETTI, Claudio — Dieci appunti dai testi di Etana. ''Egitto e Vicino Oriente''. 8 (1985) 63.</ref> O papel fulcral da divindade responsável pela justiça parece inquestionável. Contudo, outras temáticas, que mais à frente analisaremos, parecem adquirir igual proeminência. Acreditamos, assim, que esta narrativa se apresenta, no fundo, como uma reflexão sobre aspetos basilares da sociedade mesopotâmica — a relação entre as diferentes esferas e domínios que compunham o cosmos (os insondáveis céus, a terra e o mundo sombrio abaixo desta) e a linguagem que unia ou distanciava os seus integrantes (seres humanos, animais e divindades, pais e filhos). Seguidamente, e antes de nos debruçarmos sobre estes significados, apresentamos uma proposta de tradução da narrativa<ref>Uma pequena parte desta tradução, nomeadamente alguns excertos da segunda e terceira tabuinhas foi incluída numa outra publicação, embora com pequenas diferenças. Vide ROSA, Maria de Fátima — Etana. In BUESCU, Helena Carvalhão; VALENTE, Simão, coord. — ''Literatura-mundo comparada. Perspectivas em português, porte III. Pelo Tejo voi-se para o mundo''. Vol. 5. Lisboa: Tinta-da-China, 2020, p. 50-54. 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Si qualquer dos redivivos não conhecesse tambem a lingua franceza, ver-se-hia obrigado em sua propria terra a pedir a traducção de certas palavras, quando em alguma casa de pasto ''(brazileira ou portugueza)'' lhe perguntasse o moço, si queria tal ou tal guisado com {{lang|fr|''petits-pois''}}. Não ha na hypothese que figura exaggeração (não digo — ''exagero'' — por ser iberismo desnecessario) ha meio seculo, ha talvez menos tempo, a invasão dos vocabulos barbaros não tinha conquistado tanto terreno. A onda cresce todos os dias, e si não houver paradeiro, poder-se-ha affirmar que dentro em pouco o ''Brazil se torna a França; {{lang|la|Braziliam Galliam fieri}}'', parodiando as palavras de Tito Livio. {{nop}}<noinclude></noinclude> qt251g91v2ap0595gt7r9k72rpxpwri 560078 560077 2026-08-21T17:02:47Z Trooper57 24584 560078 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|PETITS-POIS}}{{traço}}{{ch|II}} Portuguez, ou brazileiro, que hoje resuscitasse depois de meio seculo de ausencia, tanto admiraria o progresso material dos respectivos paises, quanto pasmaria de ouvir palavras estrangeiras pronunciadas pelos compatriotas, ainda os mais ignorantes do idioma francez, e inglez. Si qualquer dos redivivos não conhecesse tambem a lingua franceza, ver-se-hia obrigado em sua propria terra a pedir a traducção de certas palavras, quando em alguma casa de pasto ''(brazileira ou portugueza)'' lhe perguntasse o moço, si queria tal ou tal guisado com {{lang|fr|''petits-pois''}}. Não ha na hypothese que figura exaggeração (não digo — ''exagero'' — por ser ''iberismo'' desnecessario): ha meio seculo, ha talvez menos tempo, a invasão dos vocabulos barbaros não tinha conquistado tanto terreno. A onda cresce todos os dias, e si não houver paradeiro, poder-se-ha affirmar que dentro em pouco o ''Brazil se torna a França; {{lang|la|Braziliam Galliam fieri}}'', parodiando as palavras de Tito Livio. {{nop}}<noinclude></noinclude> ts3tcs9542dxx9fzfo6e4xs61dotyfz Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/134 106 256611 560079 2026-08-21T17:05:57Z Trooper57 24584 /* Revista */ 560079 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />90</noinclude>{{lang|fr|''Petits-pois''}}! ! Por que hão de brazileiros e portuguezes çhamar assĩm as ''hervilhas miudas?'' Será porque pronunciadas em francez tenham melhor sabor?... Não se çhama ''feijão miudo?'' Por que não çhamaremos tambem hervilhas miudas a ''{{lang|fr|petits-pois}}?'' Quem dér razão satisfactoria de se usar antes da palavra franceza {{lang|fr|''petits-pois''}}, do que dos vocabulos portuguezes ''hervilhas miudas, será para mim um grande Apollo. ({{lang|la|Erit mihi magnus Apollo}}.)'' Ninguem acreditaría, si não ouvisse a cada instante, e por toda a parte falar-se em {{lang|fr|''petits-pois''}}, parecendo até que é cousa differente de ''hervilhas miudas!!'' ''O tempora! O mores!...'' Quem sabe até, si este artigo, em que lamento tamanha tolice, não será mettido a ridiculo? Riam-se embora; mas corrijam-se do desnecessario barbarismo, nunca mais dizendo, quando falarem portuguez, {{lang|fr|''petits-pois''}}, mas ''hervilhas miudas''.<noinclude>{{traço}}</noinclude> m6zuq8hsym1jx2obapmsj78bq2pguet Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/II 0 256612 560080 2026-08-21T17:06:32Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=133 to=134 header=1 /> 560080 wikitext text/x-wiki <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=133 to=134 header=1 /> 7u6yunqazf4mtuaszqpmx8mizmgloy3 Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/6 106 256613 560087 2026-08-21T17:59:36Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560087 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}} {{rule|40em|align=right}}</noinclude>''Tradução''<ref>Como referido acima, seguimos a transliteração de NOVOTNY [''Etana Epic''). Não foram, por isso, consultadas pelas autoras, ou estudadas, as tabuinhas originais, mas apenas a edição citada.</ref> (por Maria de Fátima Rosa) Tab. I <poem> {{nota lateral esquerda|1}}Eles planearam uma cidade [e fizeram-na perfeita]<ref>NOVOTNY [''Etana Epic'', p. 15) propõe uma reconstrução da frase recorrendo ao verbo ''s̄uklulu'', no perfeito, com o sentido de “to perfect the appearence of an artifact”, “to complete a construction” (''CAD'' Š/3, p. 221).</ref>, Os [grandes] deuses lançaram [as suas fundações), Eles planearam a sublime<ref>O adjetivo que qualifica a cidade de Kiš, ''ṣīru'', tem o sentido de “first-rank”, “august”, “excelent” (''CAD''Ṣ, p. 210).</ref> (Kiš e fizeram-na perfeita], Os [grandes] deuses lançaram as suas fundações. {{nota lateral esquerda|5}}Os Igigi<ref>O termo Igigi refere-se a um grande conjunto de deuses do panteão sumério-acádico que surgem ora como opostos ora como complementares a outro grupo divino, os Anunnaki, considerados, nalgumas narrativas, como mais importantes Neste caso, e dado o contexto da narrativa, parece-nos que os Igigi estão a agir de forma complementar, fortalecendo as fundações da cidade idealizada pelos “grandes deuses”, os Anunnaki.</ref> fortaleceram a sua alvenaria de tijolo. {{gap}}“Que [o rei] seja o seu pastor, {{gap}}Que Etana seja o seu construtor [...] {{gap}}O bastão<ref>A palavra ''s̄ibirru'' utilizada nesta linha contrasta com aquela que adiante, na linha 15, é escolhida para designar o ceptro real (GIŠ PA = ''haṭṭu'') Embora também possa tomar este sentido, pensamos que, neste caso concreto, a tradução mais viável é “bastão” ou “cajado”, artefacto também ele associado à governança, mas que espelha de forma mais objetiva a associação metafórica entre o escolhido dos deuses e o pastoreio.</ref> [...]” Os grande Anunnaki<ref>Tal como acima referido, os Anunnaki representavam um conjunto de divindades, consideradas, nalgumas composições, como mais importantes que os Igigi. Ao contrário do que acontece nesta narrativa, no ''Mito de Atra-Hasîs'', por exemplo, estes dois grupos aparecem como opostos. Nas linhas inaugurais da primeira tabuinha é descrito como os Anunnaki exercem um poder quase despótico sobre os Igigi, forçando-os a trabalhar para si (vide VON SODEN, W – Die Igigu-Götter in altbabylonischer Zeit und Edimmu im Atramḫasīs-Mythos In CAGNI, L , MÜLLER, H -P ; VON SODEN, W., ed – ''Aus sprache,'' ''geschichte und religion babyloniens.'' Naples, 1989, p 339-349) Esta situação vai então conduzir à sua revolta, que se afirma como o motivo para a decisão divina de criar a humanidade, já que os seres humanos serão os substitutos dos Igigi nas tarefas laborais. Veja-se a composição em DALLEY – ''Myths from Mesopotamia'', p 1-38.</ref>, [aqueles que fixamos destinos], {{nota lateral esquerda|10}} Sentaram-se e ponderaram a sua decisão [sobre o país]. Os criadores do mundo<ref>O termo ''kibrātu'' aparece normalmente acompanhado por ''arba’im'' (“os quatro cantos [do mundo]”). Quando sozinho, como é o caso, pode tomar o sentido de “world” (''Concise Dictionary of Akkadian'' [''CDA''] 15 6). Note-se que, em textos sumérios, como os do período de Ur III, encontramos recorrentemente a fórmula ''an-ub-da límmu-ba'', com o sentido de “four world regions” (a título de exemplo, vide GEORGE, Andrew, ed – ''Cuneiform royal inscriptions and related texts in the Schøyen'' ''Collection'' Maryland – Bethesda: CDL Press, 2011, p 49-57).</ref>, os que estabelecem a obra criada. Por ordem de todos, os Igigi [decretaram um festival para a população]. Eles (ainda) não tinham estabelecido [um rei sobre a numerosa população]. Nesse tempo, o turbante [(ainda) não tinha sido reunido, nem a coroa], {{nota lateral esquerda|15}}Nem o ceptro<ref>Vide nota 22.</ref> tinha sido [incrustado] com lápis-lazuli<ref>''kubs̄u'' (“turbante”), ''mēanu'' (“coroa”, “tiara”), ''haṭṭu'' (“ceptro”) correspondem naturalmente a símbolos do poder real.</ref>. Do mesmo modo, não tinha sido criado o [trono<ref>À letra, a palavra ''parakku'' deve ser traduzida como “estrado”, referindo certamente a plataforma onde ficaria o trono real.</ref>] no mundo conhecido. </poem> {{nop}}<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{left|'''170'''}}</noinclude> 7g94zblxbhlm8tflxvmry3ee1aj3ju1 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/31 106 256614 560090 2026-08-21T18:01:19Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560090 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 30 ―}}</noinclude>{{ch|IV}} {{dhr}} {{C|{{sc|Henriqueta a Dianna}}}} {{dhr}} Ha oito dias sem carta tua! Porque me não escreves? Quantas horas se passam sem te lembrares de mim? Oh! Dianna, Dianna! eu estou receiosa de ouvir uma verdade, que tu foges de manifestar-me com o silencio. Porque filha ? Não, não me assustes... Conta-me tudó: eu que te conheço sei que nunca podes baixar a um nivel affrontoso para a nossa amizade. Diz-me pois o que tens feito, o que se tem passado na tua alma para me expulsares tão repentinamente d'ella. Responde breve, responde, e falla-me algumas vezes de teu marido, d'esse excellente homem que tem por ti todos os desvelos de pai extremoso. Estou realmente cuidadosa, minha amiga.<noinclude></noinclude> jtqyo0ywibdjpnc07lhwpssphm6xxh3 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/32 106 256615 560091 2026-08-21T18:03:14Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560091 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 31 ―}}</noinclude>Gualberto, a quem não posso encobrir os meus terrores, chama-me visionaria, e invoca a teu favor mil excentricidades e sucessos que me não servem de grande abono nem quietação; julgar-te mais doente não posso. Teu marido falla a Gualberto nas tuas melhoras, e na esperança de ver-te emfim restabelecida. Que mysterio encobre pois o teu silencio?! Roubar-te-ha essa nova affeição ao meu carinho? conseguirá a amiga d'alguns dias arrancar de teu coração a raiz que desde a infancia tem bracejado formosa e opulenta? Será este meu dessocego o vaticinio de grandes calamidades para ti? Cautella com o teu espirito, filha. E' preciso represal-o, e lances ha, minha amiga, em que devemos cortar-lhe os vôos, porque na vida real são perigosas estas ascenções e sujeitas a graves quedas. Cuidado, pois, Dianna, com quanto eu muito confie na tua illustrada intelligencia. Bom é que vás aos bailes, que te distraias, mas não te concentres demasiado em ti, nem dês, tanto apreço a esses ''scismadores infelizes''. {{nop}}<noinclude></noinclude> bn0lku3uruzgkt1gy0vrlcqnsp946ki Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/33 106 256616 560092 2026-08-21T18:05:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560092 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 32 ―}}</noinclude>{{ch|V}} {{dhr}} {{C|{{sc|Dianna a Henriqueta}}}} {{dhr}} Discorres tão acertadamente respeito a estes tenebrosos de salão, quão justas me parecem as arguições que me diriges. E' verdade, Henriqueta. Eu tenho ás vezes illusões que cahem pedaço a pedaço como as folhas seccas desnudando o troneo em que floriam viçosas. Tremeste pela minha tranquillidade, e razão terias para isso, minha amiga; aquiéta, porem, o teu espirito, que a sazão vae passada. Toca-me agora illucidar-te sobre o occorrido n'estes doze dias. abe Logo no seguinte áquelle, do baile, procurou-me Beatriz com seu pae, o conde de Alvarães. ― Authorisado pelo acolhimento que v. ex.{{sup|a}} fez a minha filha — disse elle — e a {{hífen|instan|instancias}}<noinclude></noinclude> 871o4atvubav98nz54b9ar4gb74jxvv Herança de Lagrimas/IV 0 256617 560093 2026-08-21T18:06:33Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 560093 wikitext text/x-wiki <pages index="Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf" from=31 to=32 header=1/> [[Categoria:Herança de Lagrimas| 04]] a88rfcdsm9x6i1b3rmdxufopoq9amb5 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/34 106 256618 560094 2026-08-21T18:08:08Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560094 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 33 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|cias|instancias}} suas, venho offerecer-lhe os meus respeitos, bem como a seu marido; esperando que v. ex.{{sup|as}} me concederão a honra da sua amisade e alguns momentos da sua companhia. A isto respondi apresentando-lhe meu marido o qual, como bem sabes, possue uma graça encantadora para recambiar estas amabilidades. Na verdade, ninguem melhor que Alvaro se deixa ver debaixo d'aquelle ar singelo e grave do homem de saber. A sua bella fronte, affigura-se-me por vezes uma espessa camada de neve encobrindo um vergel esmaltado de boninas. A affeição que sinto por elle é profunda, profunda como o são todas que enraizaram ha mocidade. Quando o ouço expender uma idéa e sustental-a com a fluidez do homem superior, ou refutar uma theoria lardeada de sophismas arguciosos d'um Voltaire simulado, penso no orgulho que eu teria se elle fosse meu pai. Pai!... sim. Era o nome que o meu coração adoptava, e que me considerava feliz de poder dar-lhe. O destino, porem, tem uma logica de lamina de cortante espada: verga mas não quebra! Mostrou-se o conde muito agradado de nós, e n'essa mesma noite fomos pagar a sua visita, a que nos obrigou com apertadas instancias. {{nop}}<noinclude></noinclude> kvjndp1tvi8zgcrniwwuz3sqbansuwq Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/35 106 256619 560095 2026-08-21T18:09:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560095 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 34 ―}}</noinclude>Vais saber tudo, Henriqueta. Hoje, depois de ter analysado bem as minhas sensações, devo confessar, para castigo da minha insofrida vaidade de impenetravel, que pensei com alegria que ia tornar a ver Nuno. Preocupava-me a idea que elle estaria fazendo de mim, depois do antagonismo de caracter que em tão curto espaço de tempo lhe mostrei. Comprazia-me em imaginar não sei que romanescas peripecias em que elle tomava parte, como um anjo de consolação, nas minhas amarguras...Anjo! vês tu ?! Não me tinha dito seu irmão que elle era um grande desgraçado? Entrei, pois, em caza do conde com estremecimento interior. Beatriz me disse que, não querendo distrair-se da satisfação que lhe dava a minha companhia, preferira passar a noite a sós comigo e com alguns amigos mais intimos de seu pai, a fazer convites que a obrigassem a formalidades. Agradeci-lhe de coração esta prova obsequiosa da sua amizade, asseverando-lhe que era d'essa maneira que eu desejava e queria ser sempre recebida. Passaram-se alguns quartos d'hora sem que Nuno apparecesse. Admirada, perguntei por elle a Beatriz, que me respondeu: {{nop}}<noinclude></noinclude> 8qwmnfhhs8sft3t3vsfw2281jvoc9tb Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/36 106 256620 560096 2026-08-21T18:10:29Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560096 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 35 ―}}</noinclude>― É hoje um dos seus dias de trevas. Appareceu-me esta manhã muito demudado das feições, dizendo-me que não conseguira descançar uma hora, e fechou-se depois no seu quarto resistindo ás minhas supplicas para o arrancar d'alli. ― Pobre moço! exclamei eu, sinceramente commovida. Que secretos pezares são esses que lhe amarguraram a existencia, quando possue tantos d'esses attributos que concorrem para a felicidade! Não é já um grande bem ter um pai e uma irmã como a minha querida Beatriz? Que faria se elle se achasse só, sem ter de seu lado tão grande amparo? Diga-lhe que se console, que ha ainda creaturas mais queixozas e com mais valor moral para arrostar com os temporaes da vida. — Quantas vezes lh'o não tenho eu dito, minha amiga?! ― Tornou Beatriz ― Mas não ha forças que o demovam d'aquelle constante desalento. Foi quasi obrigado por mim que consentiu hontem em entrar alguns momentos no baile, e accusou-me já hoje de lhe ter procurado uma nova dor. Por mais que me esforce por arrancal-o áquella situação responde-me que é inutil, que não sei, e Deus me livre de comprehendel-o. {{nop}}<noinclude></noinclude> saf1nwy5vmgtm5lbyuuz82rlhuvyxxf Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/37 106 256621 560097 2026-08-21T18:13:08Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560097 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 36 ―}}</noinclude>Serviu-se o chá. Meu marido e o conde abancaram n'uma partida de Wist; os outros acercaram-se da meza, e Beatriz sentou-se ao pianno. Tocou como professora que é e pediu-me que me deixasse ouvir. Não fiz objecção, e cantei a aria final de ''Maria de Rohan''. Pouco a pouco a imagem de Nuno tinha-se esvaecido no meu espirito, e quando soltei aquelle primeiro brado «infausto hymeneo» havia só a dôr verdadeira da minha situação a alancear-me o peito. Da outra extremidade da sala acordou-me uma explosão de bravos, quando vibrava ainda no ar a ultima nota: conheci que os jogadores tinham parado para me ouvir, e voltei-me sorrindo, para agradecer esta ovação immerecida. Em frente, de pé, e encostado ao alizar da porta, estava Nuno. Seus labios não se descerravam mas a expressão dos olhos fez-me baixar os meus, correspondendo quasi maquinalmente ao comprimento que me dirigia. Depois, sem o ver, conheci que se encaminhava para mim, e senti-me alvoraçada agradavelmente. Desejarás por certo conhecer Nuno de Alvarães e tempo é de fazer-te o seu retrato, que nada tem de original. {{nop}}<noinclude></noinclude> ajvc1xqrhzmugvyaj9xclv5id1w4giu Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/38 106 256622 560098 2026-08-21T18:15:20Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560098 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 37 ―}}</noinclude>Não é alto nem baixo, nem magro como os heroes dos romances tragicos, nem gordo como os dos romances alegres. Tem cabellos escuros, bocca graciosa, e nos olhos meiguice natural e melancolica. Não é propriamente um Adonis, nem tão pouco possue a fealdade que é costume disfarçar-se na palavra sympathia. No que elle é comparativamente inexcedivel, é nas maneiras delicadas que denunciam logo o homem superior que tem convivido com a primeira sociedade. ― Aqui me tem — disse-me elle com tristeza — quiz fugir-lhe, tinha protestado não a tornar a ver, e não pude cumprir. A sua voz arrancou-me ás minhas boas intenções; tive de ceder ao impulso violento do coração; e aquí estou, supplicando-lhe que me não repulse da sua presença. Não, eu não lhe fallo mais — continuou, vendo que eu ia interrompel-o — não me diga nada se as suas palavras devem ferir-me. Se soubesse que desesperos tenho hoje soffrido, que blasfemias tenho proferido contra Deus, porque m'a mostrou tão tarde! Tarde, sim, não sorria; a minha vontade attrahiria a sua alma como o iman attrahe o aço e a felicidade não seria uma chimera como cheguei a pensar tantas<noinclude></noinclude> hjjx2d88l6hta8vmaciz7gidppsmrxe Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/39 106 256623 560099 2026-08-21T18:16:52Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560099 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 38 ―}}</noinclude>vezes. Creia-me: eu conheço-a ha muito! Ha muito tempo que a procuro sem poder encontral-a; e agora, quando me apparece, quando as nuvens se rarefazem para deixar hrilhar o sol com todo o seu esplendor, aquellas palavras motejadoras que me dirigiu, o sorriso ironico que descerrava os seus labios, o ar severo que lhe noto na phisionomia tudo me leva a crer no seu desdem e na fatal irrisão do meu destino. Para que havia de conhecel-a em realidade, visão adorada dos meus sonhos?! — Ouça-me tambem agora, senhor Nuno de Alvarães, redargui eu serenamente ― V. ex.{{sup|a}} seria digno de grave censura, se eu não désse ás suas palavras o verdadeiro sentido. Quero acreditar que v. ex. é em parte sincero, mesmo porque deve conhecer que nada lucraria com fingidos devaneios que o fariam abjecto aos meus olhos, e aos olhos de toda a mulher que se preza da sua dignidade. E' por tanto, em nome d'esta que lhe peço, me poupe a ouvir expressões d'essa ordem. Das duas uma: ou v. ex.{{sup|a}} está convencido que falla a uma mulher boçal que se deixa arrebatar pelas melodias d'um sentimentalismo exaltado, e essa persuasão é um insulto, ou sente realmente por mim uma<noinclude></noinclude> l7gbko6jyss8yqw2g99a1tepmb2i6dg Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/40 106 256624 560100 2026-08-21T18:18:23Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560100 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 39 ―}}</noinclude>affeição que me lisongeia. Se é essa, como supponho, acceito-a sem córar, impondo-lhe unicamente uma condição. V. ex.{{sup|a}} não torna mais a fallar-me como ha pouco; não me fará allusões pessoaes, que são uma offensa á minha posição. Ficamos de accordo? ― Sim — balbuciou elle commovido. — Veja como hontem a comprehendi de relanço, e como a minha alma achou de prompto o epitheto que lhe cabe bem.... ''Anjo''! — Basta — tornei eu — ou fica sem effeito o que tratámos. Desde esse momento, as horas passaram rapidamente. Nuno estava alegre e Beatriz redobrára de carinhos como agradecendo-me o contentamento do irmão. Eu sentia-me bem: pela primeira vez saboreava o prazer de me ver obedecida e amada. Louca, meu Deus! louca! Porque preço devia eu pagar tão intempestivo contentamento!... E por hoje fiquemos aqui, Henriqueta: estou cançada de evocar reminiscencias que tomára eu esquecer... {{nop}}<noinclude></noinclude> gd6a1bf2d1i5rg40g5za6s4px90pf6s Herança de Lagrimas/V 0 256625 560101 2026-08-21T18:18:57Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 560101 wikitext text/x-wiki <pages index="Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf" from=33 to=40 header=1/> [[Categoria:Herança de Lagrimas| 05]] kxvrszlkvtqhjkhzsf17imd12ip4x6o Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/41 106 256626 560102 2026-08-21T18:25:11Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560102 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 40 ―}}</noinclude>{{ch|VI}} {{dhr}} {{C|{{sc|Henriqueta a Dianna}}}} {{dhr}} Ardua tarefa emprehendi, minha amiga; mas não afrouxo, não: o mesmo pêso d'ella fará abater parte das sublevações d'um espiritualismo que me adoenta, e que me faz talvez cahir em aberrações indesculpaveis. Pelo final da minha carta ficarias entendendo que me excedi na insolita presteza com que acceitei, d'um homem quasi desconhecido, a troca d'um sentimento, à que nós as mulheres temos obrigação de demarcar certos limites, senão queremos desmerecer no conceito d'aquelles mesmo que nos obrigaram a descer um passo do nosso pedestal. A minha razão bradava; porem a minha alma, senhoreada por pensamentos d'uma suavidade embriagadora, procurava sophismas que tresmalhavam o candido rebanho das minhas idéas, que tão seguro de si {{hífen|cami|caminhára}}<noinclude></noinclude> 526rklq9frtx64m99t5qs7df552gs1x 560120 560102 2026-08-21T19:06:23Z BlitzkriegBoop 37692 560120 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 40 ―}}</noinclude>{{ch|VI}} {{dhr}} {{C|{{sc|Dianna a Henriqueta}}}} {{dhr}} Ardua tarefa emprehendi, minha amiga; mas não afrouxo, não: o mesmo pêso d'ella fará abater parte das sublevações d'um espiritualismo que me adoenta, e que me faz talvez cahir em aberrações indesculpaveis. Pelo final da minha carta ficarias entendendo que me excedi na insolita presteza com que acceitei, d'um homem quasi desconhecido, a troca d'um sentimento, à que nós as mulheres temos obrigação de demarcar certos limites, senão queremos desmerecer no conceito d'aquelles mesmo que nos obrigaram a descer um passo do nosso pedestal. A minha razão bradava; porem a minha alma, senhoreada por pensamentos d'uma suavidade embriagadora, procurava sophismas que tresmalhavam o candido rebanho das minhas idéas, que tão seguro de si {{hífen|cami|caminhára}}<noinclude></noinclude> cuf01yac4ewexckj8yu67h1n3d0yfpk Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/42 106 256627 560103 2026-08-21T18:26:32Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560103 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 41 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|nhára|caminhára}} até então por esses prados e alfombras! Algumas vezes pensei em ti, e convencida estou que a tua voz levantaria alta e salutar celeuma no meu espirito; estes momentos, porem, eram instantaneos como o, relampago. Nuno e Beatriz não me davam tempo para raciocinios; e, posto que este cumprisse religiosamente a palavra que me dera, eu sabia em que altar me achava collocada, sentindo-me rica e orgulhosa com esta vassalagem humilde, sem exigencias, nem esperanças. Não era isto o que de muito cubiçava a minha alma? Na audicção interior do meu espirito, resoavam sem cessar todas as phrases que mais ou menos se ligavam, reforçando esta idéa, este suave e mortifero veneno da minha tranquillidade. Já emfim, graças não sei a que philtro, aquella sombra fibricitante das minhas longas noites de vigilia se tornava compacta e visivel. Já a visão recompunha feições; a chimera tinha voz; o sonho delirios; e o coração arfavame no seio invulneravel até essa hora...vivia! e que vida aquella! E apezar de tudo, não era isto ainda o amor, a paixão que allucinava. {{nop}}<noinclude></noinclude> jjrgyxwzhphqhjptysslqrvxr4ti0t3 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/43 106 256628 560104 2026-08-21T18:47:37Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560104 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 42 ―}}</noinclude>Oh! de certo não, Henriqueta; não me digas que era; não me convencias, e todavia atormentavas-me. Isto não era mais que uma illusão do meu espirito, a sêde da minha alma que me arrastava tonta e cega apoz d'uns meandros amenissimos, que eu imaginava deverem confluir a uma fonte crystallina. Como alma, coração e espirito nos enganam, minha amiga! Como nos atraiçoam! Pois não devia eu ouvir uma voz que me advertisse que aquelle homem era vil, hypocrita e refalsado?! Em tenebrosissima escuridão despertei! Agora sim, agora cuido que já entrei na iniciação dos mysterios do coração humano; creio que estive prestes a tombar na fogueira das paixões ignobeis, que pairei um momento sobre essas chammas infernaes; e se sahi d'ellas corporalmente illesa, a alma soffreu muito, soffreu; ficaram-me por lá pedaços!... Ficaram que eu sinto-me pobre: pobre do meu orgulho que barateei sem dó; pobre da isempção que fazia toda a minha soberba. Que não vás tu pensar, filha, que eu lamento despresos ou preferencias. Não: a ferida que me doe é apenas o desengano frio e atroz das minhas aspirações; é vêr á mingoa de alento,<noinclude></noinclude> hor1hj069fgpxj8ogjl7dqws2dcmzfy Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/44 106 256629 560105 2026-08-21T18:48:53Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560105 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 43 ―}}</noinclude>morrer uma a uma as florinhas que renasciam d'hora a hora na minha imaginação. Basta, porem, de exordio: escuta. Como ha pouco te disse, Nuno fazia-me viver n'uma athmosphera embriagadora. Cercavam-me attenções, carinhos, e sobre tudo aquella adoração muda e respeitosa que o coração tam bem recebe, e nunca deixa sem paga. Em contraposição, era eu a que pensava alto; era eu que me deixava levar da torrente, era eu que folgava d'ir recostar-me sobre os espinhos, tomal-os ás mãos e beijal-os! Era este o grande perigo. Que homem! que homem aquelle! Como finge extremos que não sente, como sabe mentir com os olhos! Como podia elle haver lagrimas, quando nos meus desalentos lhe supplicava lastimas para o meu infortunio? Como podia modular a voz, como aprender o som intimo com que me dizia que nunca encontrára paragem na vida onde repousar as doces e inebriantes chimeras de seu pensamento... E mentia; mentia... como homem! e eu imbecil, que estive a ponto de entrajal-o com as roupagens celestes! Eu, — confesso-o para minha vergonha eterna — eu que o vestira de luz, que o coroára com<noinclude></noinclude> jyjy2zcbhe2kz8m4npfkb8sx8llkp5u Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/45 106 256630 560106 2026-08-21T18:50:19Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560106 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 44 ―}}</noinclude>as joias mais preciosas da minha idealidade, que o incensava com as mais puras essencias do meu espirito. Quando recebi a tua carta, mostrei-lh'a; fallei-lhe de ti, da nossa infancia, da felicidade que gozas n'esse cantinho ignorado do mundo, e onde tu imperas como rainha, entre Gualberto e as louras cabecinhas de teus dois filhos. Sem querer, meus olhos arrazaram-se de lagrimas, e a saudade dos dias que ahi passei comtigo foi tão acerba, que me soffocou a voz. Reparando em Nuno, notei que estava commovido. Estendi-lhe a mão que pela primeira vez beijou com respeito. Quiz depois ouvir tudo quanto eu podia dizer-lhe relativo aos nossos primeiros annos, mostrando-se admirado da minha tal qual instrucção e da tua, pelo que as tuas cartas revelam, e a que elle chamou pouco vulgar. Contei-lhe, então, como ficando orphã na primeira infancia, fui entregue por quem quer que fosse a madame Martoan, a nossa excellente mestra e quasi segunda mãe, senhora de grande intelligencia e grandes virtudes, que circumstancias imprevistas trouxeram a Portugal, e obrigaram a tomar-me para a sua companhia como {{hífen|edu|educanda}}<noinclude></noinclude> hbpvqthz5pc3nxjtiuaxaxfhf0te47b Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/46 106 256631 560107 2026-08-21T18:51:48Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560107 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 45 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|canda|educanda}}. A ella devi, ou antes devemos, porque tambem tiveste a fortuna de ser confiada á sua tutella, o pouquinho que sabemos..... Agora apertam comigo as saudades d'aquella nobre alma! Muito perdemos com a sua falfa, ó Henriqueta! Nunca as nossas lagrimas e o preito que damos á sua memoria pagará o muito que lhe devemos. Depois d'estas confidencias refinou a minha cegueira. Parecia-me que Nuno ganhára novos direitos á minha estima, cuidava conhecel-o desde muito; fallava-lhe com o abandono d'uma irmã que se crê deveras estremecida. Oh! em má hora resolvi sahir da provincia; em má hora pensei n'esta terra maldita onde eu devia conhecer as paixões mesquinhas de que me julgava a coberto....Ouve: Tinha Beatriz depois d'alguns dias projectado um passeio a Cintra. Esta lembrança sorrira-me primeiro que a ninguem, amiga como sou de ver o céo azulejar-se por entre os choupos, os olmos e o castanheiro em flor. Ajunta a isto a belleza do local tão afamado, e a excitação da minha curiosidade, desde que o auctor do Childe–Harold, aquelle grande espirito que eu tanto admiro, nos disse d'elle coisas tão lindas. {{nop}}<noinclude></noinclude> drd2qsw569lgqv91q78d0v3hdau2vmn Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/47 106 256632 560108 2026-08-21T18:53:03Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560108 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 46 ―}}</noinclude>Marcou-se o dia que amanheceu esplendido, e ás oito horas da manhã rodavamos estrepitosamente dentro dos caleches que não eram menos de cinco. No primeiro entrára eu com Beatriz, no segundo ia com seu marido D. Guiomar de Menezes, senhora em quem deves estar lembrada te fallei, e que não tornára a ver desde a noite do concerto. No terceiro vinha a viscondessa, seguindo logo a victoria particular do visconde de Alvarães acompanhado do barão de <nowiki>***</nowiki> seu intimo amigo, e que eu julgo com intenções a respeito de Beatriz. Fechava o prestito o coche do conde com meu marido. Tudo parecia prometter-nos um dia agradavel. O ar estava tepido, e os palacetes que marginam o caminho com seus balaustres engrinaldados de flores, brunidos com os raios do sol convidavam o espirito a pensamentos alegres. Todavia, a minha alma ia escura. Sentia uma oppressão inquieta e febril, um desprasimento de tudo o que via, um desejo irresistivel de mandar voltar os cavallos, e fugir não sei a que perigos que um funesto presentimento me fazia antever. Debalde Beatriz, a quem talvez não escapára esta disposição melancolica, tentava desenrugar-me a fronte e distrahir-me; a cada<noinclude></noinclude> 6dtwpjhtkpbvhbkojlu8rxsxmmfh78q Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O soldado 0 256633 560109 2026-08-21T18:53:41Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O soldado | anterior = [[../A Princesa Macaca/]] | posterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]] | notas = }} '''<big>O SOLDADO</big>''' ERA uma vez um soldado, que, tendo acabado o seu tempo de serviço, recebeu a baixa e meteu-se a caminho de volta à sua terra. Ora o bom do soldado não tinha uma riqueza por aí além; lev... 560109 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O soldado | anterior = [[../A Princesa Macaca/]] | posterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]] | notas = }} '''<big>O SOLDADO</big>''' ERA uma vez um soldado, que, tendo acabado o seu tempo de serviço, recebeu a baixa e meteu-se a caminho de volta à sua terra. Ora o bom do soldado não tinha uma riqueza por aí além; levava apenas no bornal um pão de munição e quatro vinténs. Mas o principal bem que tinha era a alegria que não lhe faltava nunca. Ia no seu caminho, muito contente da sua vida, quando encontrou um pobre que lhe pediu esmola. — Eu não sou muito rico, homenzinho — disse-lhe ele — mas enfim, metade do meu pão e um vintém sempre lhe servirão de alguma coisa. O pobre agradeceu muito e o soldado continuou o seu caminho. Mais adiante encontrou outro pobre, ainda mais doente e velho que o primeiro. O soldado teve muita pena e deu-lhe outra metade do pão e um vintém. Mais adiante, terceiro pobre: — Mau! Isto já me parece história!... — resmungava ele. Mas, como era muito bom rapaz, logo que o pobre lhe pediu, deu-lhe os dois vinténs que ainda tinha. Agradeceu muito o pobrezinho e disse-lhe: — Em recompensa das esmolas que me tens dado, fica sabendo que para o teu bornal irá tudo que desejares. O soldado desatou a rir, perguntando: — Pois quem és tu que te mostras tão generoso para os outros tendo tão pouco para ti? — Eu sou S. Pedro, que me disfarcei nos três pobres que encontraste. — Mas, para quê? — Lá no Céu corre como certo que os soldados são muito maus e então vim à Terra para experimentar o primeiro. — Vá lá que me encontraste a mim, bom S. Pedro — retorquiu a rir o soldado. — Generosos somos todos, mas eu sou um pródigo. Por isso fiquei sem nada. — Como foste caridoso, deixa estar que nada te há-de faltar no bornal. Mal acabou de dizer isto desapareceu o Santo, e o soldado ficou a rir imaginando que este último pobre tinha estado a fazer troça dele. Continuou o seu caminho até que chegou a uma terra onde havia uma grande festa. Todas as casas estavam cheias de forasteiros. Não havia um canto onde um pobre se estendesse nem um caldo que não fosse pago por bom dinheiro. Ora o soldado tinha muita fome e um tal sono que nem se podia ter em pé. Chegou à hospedaria e pediu que ao menos o deixassem estar na cozinha sentado num banco da lareira. Tiveram dó dele e deixaram-no entrar. Ele descansava as pernas, mas a fome é que não descansava. Com o cheiro dos bons petiscos que se cozinhavam, ainda mais a fome aumentava. Mas, como não tinha dinheiro, não se atrevia a pedir nada. Lembrou-se do pobre e disse com os seus botões: — Deixa cá ver se ele mentiu!... Estavam umas perdizes no espeto a assar, muito louras, muito apetitosas, já prontas para serem servidas aos hóspedes ricos, e vai ele: — Perdizes para o meu bornal! Imediatamente, com grande espanto da cozinheira, desapareceram as perdizes. Em vista disto, ficou o soldado acreditando que na verdade estivera com S. Pedro, e já para a ceia não se contentou só com as perdizes. Viu um tabuleiro de pães e desejou um dentro do bornal. Depois uma garrafa de vinho do melhor que houvesse na adega. Começou então a lamentar-se que tinha muito sono, que pelo amor de Deus lhe dessem um quarto, que já não podia consigo. Tanta lamúria fez, que aborrecido de o ouvir o hospedeiro acabou por lhe dizer: — Olhe, eu tenho aí um quarto, mas não lhe levo dinheiro por ele se você lá ficar. — Oh, senhor!, isso é uma grande fortuna e uma grande esmola que me faz. — Pois escusa de agradecer porque não lhe faço favor nenhum. Anda o medo no tal quarto, e alguns hóspedes que lá têm ficado aparecem mortos de manhã. — Um soldado nunca tem medo; dê-me o senhor o quarto e o resto fica por minha conta. Ensinaram-lhe para onde havia de ir e deram-lhe uma luz. Fechou a porta à chave, comeu as perdizes, o pão e o vinho que encontrou dentro do bornal, deitou-se e adormeceu logo, mais feliz do que um rei. Mas, daí a pouco, qual dormir nem qual história. Eram picadas, bofetadas, pancadaria, um tal barulho no quarto que não podia pregar olho. Acendia a luz e nada via; logo que a apagava sentia a mesma coisa! Por fim aborreceu-se e gritou: — Tudo para dentro do meu bornal! O barulho acabou, como por encanto, e ele dormiu dum sono até de manhã. Quando saiu do quarto todos ficaram admirados e o dono da hospedaria foi-lhe perguntar se não tinha visto nada. — Ver, não, mas ouvi um barulho infernal e senti beliscões, bofetadas e picadelas. Mas daqui em diante escusam de ter medo, porque todo o mal vai dentro do meu bornal. Ficou o hospedeiro todo contente, abraçou o soldado, deu-lhe de almoçar e ofereceu-lhe o dinheiro que quisesse. Dali foi o soldado a uma forja e disse ao ferreiro: — Ponha este bornal na bigorna e dê-lhe com o malho com quanta força tiver. O homem assim fez, descarregou o martelo umas poucas de vezes, e depois abriram o bornal e saiu de lá uma nuvem de diabos, uns com as pernas partidas, outros os braços, outros a cabeça, todos a gritar contra o soldado, que ria como um perdido. Dali foi andando, andando, até que chegou à sua terra, e lá viveu muitos anos feliz como ninguém. Nada lhe faltava porque tudo quanto desejava ia encontrar dentro do bornal. Mas, passado muito tempo, aborreceu-se de viver cá no Mundo e resolveu ir para o Céu. Pegou no bornal e foi andando até que encontrou dois caminhos. Um era muito custoso de subir, cheio de pedras e espinhos. As silvas tomavam-no todo. Os que conseguiam passar ficavam com as carnes ensanguentadas, cansados e miseráveis. Era o caminho do Céu. O outro caminho era todo florido e a descer, uma bela estrada sem pedras nem espinhos até chegar ao Inferno... O soldado não quis saber de mais nada, andou por ali abaixo e foi bater à porta da casa do Diabo. Abriram-lhe logo, pois há sempre lugar para os que querem entrar. Mas o guarda-portão mal o viu gritou para dentro: — É o soldado com o seu bornal. Os diabos fizeram um alarido medonho e fecharam-lhe a porta na cara. — O maroto que lhes tinha batido — gritaram — que fosse pra onde quisesse, que lá no Inferno é que não entrava! De mau humor ficou o soldado, mas enfim, não teve outro remédio senão pegar no bornal e com todo o custo subir o caminho do Céu. Chegou à porta e bateu; abriu S. Pedro o postigo a ver quem era, e disse logo: — Ah! tu por cá? Pois vai por onde vieste, que no Paraíso é que não entras. O soldado, que ouvia já os cantos dos anjos e via o esplendor de mil sóis e perfumes deliciosos lhe vinham como princípio de felicidade eterna, respondeu: — Ora essa, Senhor S. Pedro! Então eu não hei-de entrar no Céu? Que mal vos fiz eu? — Que fizeste?! Foste primeiro ao Inferno antes de vir aqui! — Lá isso é verdade, Senhor S. Pedro, mas para que arranjaram para cá um caminho tão mau? Foi por ver o caminho muito difícil de subir que procurei outro mais suave. — Foste pecador e preguiçoso mesmo depois de deixar o Mundo. Não te arrependeste. — Arrependi-me, depois. Não estou eu aqui? — Pois sim, sim! Mas cá é que não entras! — Então sento-me aqui fora, porque estou muito cansado. Daí a pouco tornou a bater. S. Pedro abriu o postigo e perguntou: — O que queres? Já te disse que te não deixo entrar cá dentro. — Não é isso, Senhor S. Pedro. É que não tenho onde pôr o meu bornal e quero pedir-lhe o favor de mo guardar aí. S. Pedro consentiu e recebeu o bornal pelo postigo. Mal o soldado apanhou lá dentro o bornal, disse: — Desejo-me dentro do meu bornal! Transpôs imediatamente a porta fechada a sete chaves e encontrou-se no Céu. S. Pedro achou-lhe muita graça, abraçou o soldado, que lá ficou para sempre na bem-aventurança. Quando a nossa alma é boa, ainda quando os procuremos, fogem de nós os maus. Quando praticamos o bem, ainda que um momento abandonemos o seu caminho, é possível reencontrá-lo. O bem não morre e transforma-se em alegrias eternas para o nosso coração. [[Categoria:Contos portugueses|O soldado]] p3yvivzggqdp3r3k1nwpxdq6u4ypine Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/48 106 256634 560110 2026-08-21T18:54:07Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560110 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 47 ―}}</noinclude>instante recrusdecia a minha invencivel tristeza. Confessemos porem tudo. Não era o meu estado devido unicamente ao vaticinio que como morcego de azas negras avoejava sobre o meu coração. O que fora a principio sombra vaga e indivisivel convertera-se a final em realidade. Essas azas negras debaixo das quaes sme appareciam garras como de tigre, rodeavam-me acintosamente e pouco a pouco iam demudando de forma até se transformarem n'uma mulher: essa mulher era Guiomar! Porque? vais sabel-o. Tanto o meu espirito se preoccupára com duas imagens conhecidas n'essa noite fatidica, que todas as outras quasi se esvaeceram na minha memoria. Atonita fiquei, pois, n'essa manhã, quando sem ser convidada nem esperada, no momento em que estavamos para sahir de minha caza, que era o ponto da reunião, vi chegar D. Guiomar de Menezes. Não posso ainda que quizesse dercrever-te a desagradavel impressão que me causou a sua inopinada visita. Vinha deslumbrante de formosura! O rigoroso lucto que trajava fazia sobresahir a alvura e o assetinado de suas faces,<noinclude></noinclude> fj6e7e738vbchd10wtoq88ciwgd0ehm Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/49 106 256635 560111 2026-08-21T18:56:04Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560111 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 48 ―}}</noinclude>como açucena por entre um tufo de verdura... Protestei não te encobrir nada, Henriqueta. Olhei para mim, com descontentamento do meu vestido verde-malva, quasi escondido por magnificas rendas pretas. Achei-o vulgarissimo e de máu gosto! Vez? cá estava o demonio da vaidade a ageitar-se-me no seio. Adiantei-me a todos com o melhor rosto que pude. ― A satisfação que gozo de a ver, minha senhora, é-me aguáda por tão funebre apparato. Perdeu alguem da sua familia? ― Da minha familia, não ― respondeu baixinho e maviosamente, pondo os olhos em Nuno que não podia esconder o seu ar contrafeito, mas pranteio a morte da unica pessoa que amei neste mundo. Não achei palavra para dizer-lhe: o coração pulsava-me com força. A luz bruxoleava apenas, e seu fulgor sinistro entoutecia-me já! O barão, que se tinha apaixonado, veio em meu auxilio, dizendo: Se v. ex.{{sup|a}} m'o permitte aconselho-lhe a distracção, e para isso não podia escolher melhor companhia que a d'estas senhoras. — Distracções! nem as quero, nem as procuro ― tornou a dama com soberania, {{hífen|esclare|esclarecendo-me}}<noinclude></noinclude> n327x0cijym4fyw4kwgg9h83bgedud8 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/50 106 256636 560112 2026-08-21T18:57:34Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560112 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 49 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|cendo-me|esclarecendo-me}} de subito que o barão conhecia o mysterio — Tão pouco quizera vir aguar o prazer de tal festa, como ha pouco ouvi. Vim, porque julguei que ninguem repararia na minha presença, e que me consentiriam, fiada na amisade de Beatriz e benevolencia das mais pessoas, os acompanhasse, tragando assim até á ultima gotta, o fel das minhas dores. Disse, e sem reparo do estado em que fiquei, ouvindo estas palavras que se me estavam insculpindo em bronze no coração, como sahidas do cadinho abrazador, caminhou direita ao fundo da sala comprimentando a todos com presença de espirito, e ouvindo os emboras da sua agradavel resolução. Subimos. Desci a escada n'um atordimento indiscriptivel. Logo que me vi a sós com Beatriz, contei-lhe por alto o que se tinha passado, como pedindo uma explicação. ― Pouco mais sei do que tu — me respondeu. — Esta mulher é uma doida, que toma aquelles ares sentimentaes para se fazer notavel. ― Não me quer parecer isso — tornei eu — e, afóra a inconveniencia de me vir fazer confidencias a mim, é possivel que ali esteja escondida uma dor verdadeira. {{nop}}<noinclude></noinclude> 7ec5hpo8ws5zo24nmy6nuyx4dd79kk6 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/51 106 256637 560113 2026-08-21T18:58:54Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560113 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 50 ―}}</noinclude>— É possivel — redarguiu' Beatriz — mas não te fies em apparencias. Eu de mim vou jurar que foi muito estudado ao espelho o effeito do vestido, e d'aquelles ridiculos momos que tanto te impressionaram. — Assim será; deves conhecel-a melhor do que eu; mas o que é certo é que ha alguma coisa entre ella e teu irmão. Foi provavelmente por elle que ella soube d'este passeio, e que resolveu tomar parte n'elle. — Não duvido, não. Nuno é como já te disse um visionario, tão prompto a inflammar-se por uma mulher, como a recahir no gelo do indifferentismo. Haverá tres annos, quando Guiomar cazou, que o julguei perdido da cabeça para sempre, e não chegaria bem a um mez depois, que o vi fazer taes extremos por outra, que me convenci de que isto d'amor n'elle é uma doença, uma monomania que só o tempo ha-de curar. — Logo é elle um hypocrita de grande força — disse eu forçando um sorriso que me escaldou os labios. — Não lhe chames esse nome que és injusta e pouco verdadeira. Desgraçado é que elle é. Ninguem forja chimeras mais insensatas! e<noinclude></noinclude> 9vajhxp4rk33yroii20jaxoh3y6riqj Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/52 106 256638 560115 2026-08-21T19:00:38Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560115 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 51 ―}}</noinclude>quando ellas desapparecem ao ligeirissimo sopro da vida real, cahe elle tambem prostrado da fadiga moral a que o obrigam as suas concepções. E o mau é ficar lá sempre o fermento que ha-de levedar outras. — És adoravel no teu santo fanatismo. Bella cruzada a tua, minha Beatriz! — continuei eu constrangendo o espirito a uma verbosidade irritante e dolorosa — È por tanto esta formosa Guiomar uma d'essas visões aerias que baixaram do céo com a especial missão de arrebatarem o visconde de Alvarães para os páramos infinitos da sua fertil phantasia?! — Não sei o que é, foi, ou será, Dianna; já vejo que estás de má fé a respeito d'elles, e eu não posso dizer-te mais do que isto. — E já é muito, — interrompi eu — é demais para a inoffensiva curiosidade que me despertaram. Callámo-nos. As minhas idéas eram tão confusas, que eu temia perder-me no labyrintho em que insensivelmente me ia entranhando. Comprehendia a necessidade de me mostrar serena, para desviar as suspeitas que por ventura laboravam no espirito de Beatriz. Além de que, não me podia ficar duvida na intenção secreta das<noinclude></noinclude> lj2jnzoa0gd1udmkxs6dssgb0cmajmh Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/53 106 256639 560116 2026-08-21T19:02:00Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560116 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 52 ―}}</noinclude>palavras que Guiomar affoitamente me dirigira. De mais, tinha eu direitos para me julgar affrontada? Que poderia eu exigir de Nuno se o amasse? Fidelidade no futuro, em troca da minha tolerancia sobré o passado. Esta é que é a verdade; isto é o que seria se eu o tivesse amado, com o amor vulgar das creaturas. Mas é que eu não o amava, Henriqueta! Eu adorava-o! Era a minha religião, o meu culto, o meu Deus, a minha santa é immaculada poesia! E tão sublime era esta adoração, que a confessaria a meu marido sem córar! E ainda mesmo depois de saber que era escarnecida por elle, quando me enfeitiçava com a ingenua historia da sua vida, moldada pela minha nos arroubos mysteriosos, levava a minha generosidade até o ponto de perdoar-lhe, e procurar ainda hos fragmentos do meu despedaçado idolo o pó d'essas reliquias. O almoço correu triste. Fomos depois á ''Penha verde'', que não te descrévo porque afóra as grandes arvores, por nós tão vistas no nosso Minho, nada temos que admirar; não vi mais nada. Pareceu-me que os olhos do visconde de Alvarães e os de Guiomar espreitavam a miudo os meus movimentos. Foi bastante este {{hífen|incenti|incentivo}}<noinclude></noinclude> 26m57j5d3j7uvmqdvlli8dx5l1xx8vw Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/54 106 256640 560117 2026-08-21T19:03:59Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560117 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 53 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|vo|incentivo}}, para que a minha dignidade sobrelevasse o desgosto que sentia. Creio que me mostrei alegre e naturalmente tranquilla. Vi os dois sentados debaixo d'uma grande arvore, emquanto eu e Beatriz apanhavamos aqui e além uma flor, ou admiravamos as borboletas fulgindo e adejando sobre nossas cabeças com suas azas matizadas. A distancia não deixava ouvir o que diziam, os gestos, porem, do visconde eram imperativos, e como accusando pouco contentamento. Affastei-me de proposito, entrando n'uma rua lateral que m'os escondia; mas d'ahi a momentos Nuno sahia-nos ao encontro. — Porque me fogem? — disse elle com ar pesaroso. — Não fugimos ― redargui eu ― Cançámo-nos atraz das borboletas, como v. ex.{{sup|a}} corre atraz da felicidade. — Quer dizer que os meus esforços para a segurar são tão inuteis como as tentativas de v. ex.{{sup|a}} para colher esses animaesinhos ás mãos? — Deus me livre de tal pensamento! — tornei eu risonha — Ninguem a merece tanto. O caso está em não desanimar. {{nop}}<noinclude></noinclude> sbbnsztrd18tyd42q70t1g34uk0e04g 560118 560117 2026-08-21T19:04:16Z BlitzkriegBoop 37692 560118 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 53 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|vo|incentivo}}, para que a minha dignidade sobrelevasse o desgosto que sentia. Creio que me mostrei alegre e naturalmente tranquilla. Vi os dois sentados debaixo d'uma grande arvore, emquanto eu e Beatriz apanhavamos aqui e além uma flor, ou admiravamos as borboletas fulgindo e adejando sobre nossas cabeças com suas azas matizadas. A distancia não deixava ouvir o que diziam, os gestos, porem, do visconde eram imperativos, e como accusando pouco contentamento. Affastei-me de proposito, entrando n'uma rua lateral que m'os escondia; mas d'ahi a momentos Nuno sahia-nos ao encontro. — Porque me fogem? — disse elle com ar pesaroso. — Não fugimos ― redargui eu ― Cançámo-nos atraz das borboletas, como v. ex.{{sup|a}} corre atraz da felicidade. — Quer dizer que os meus esforços para a segurar são tão inuteis como as tentativas de v. ex.{{sup|as}} para colher esses animaesinhos ás mãos? — Deus me livre de tal pensamento! — tornei eu risonha — Ninguem a merece tanto. O caso está em não desanimar. {{nop}}<noinclude></noinclude> 65ax550kemmdqvj5h186kd4cieho339 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/55 106 256641 560119 2026-08-21T19:04:52Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560119 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 54 ―}}</noinclude>Enfiei o braço no de Beatriz e deixei-o pensativo. Quando recolhemos aproveitei o ensejo que me davam uns ataques de tosse secca e nervosa para me evadir ao jantar em casa da viscondessa. Nuno não pôde, nem me pareceu, pelo menos, fazer esforços para se aproximar de mim. Ia tão guardado pelos olhos de Guiomar! E que teria elle a dizer-me? {{nop}}<noinclude></noinclude> 3irz6wfuoluizm6bf3ap5hgp1ewcri9 Herança de Lagrimas/VI 0 256642 560121 2026-08-21T19:06:38Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 560121 wikitext text/x-wiki <pages index="Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf" from=41 to=55 header=1/> [[Categoria:Herança de Lagrimas| 06]] 0pa76admpezhbsvqwl04dey4gclzd5x Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/56 106 256643 560122 2026-08-21T19:10:31Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560122 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 55 ―}}</noinclude>{{ch|VII}} {{dhr}} {{C|{{sc|Dianna a Henriqueta}}}} {{dhr}} Lê a copia d'essas duas cartas para te orientares no que se tem passado. {{dhr}} {{D|offset=3em|«''Dianna,''}} {{dhr}} «Chamo-te na anciedade d'uma grande e afflictiva dôr. Recusarás tú acudir-me? Ha sete dias que me fechas a tua porta, que ninguem te vê; mas eu sei que vives e que passas o tempo lendo, escrevendo e sonhando como sonha a tua rica imaginação. «Sei que pensamentos te absorvem, conheço a chaga que te faz soffrer, e desespero-me de não poder chegar-lhe o balsamo. «Por piedade escuta-me: tenho infinitas coisas a dizerte que não ouso confiar ao papel. uma necessidade urgente fallar-te; {{hífen|suppli|supplico-t'o}}<noinclude></noinclude> dr2b4s9bqaikwhkuzliy2tgpfmaof19 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/57 106 256644 560123 2026-08-21T19:13:13Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560123 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 56 ―}}</noinclude>{{hífen|co-t'o|supplico-t'o}} como uma fineza da tua parte, o que nunca esquecerei. «Lembra-te, por tanto, que espera uma resposta favoravel a sempre tua {{dhr}} {{d|offset=3em|''«Beatriz».''}} «''Resposta:'' {{dhr}} «Enganaste-te minha querida filha. Tomaste os antigos espinhos da minha cruz por novas e hervadas setas. A chaga não é d'agora: ha muito que ella sangra e sem esperanças de cura. «Se me concentrei na minha thebaida não foi por temer recahidas perigosas; cancei do bulicio d'esse mundo em que me sinto estranha, e reatei o fio partido da minha desconfortavel vida por uma intermittenciá que devia deixar-me recordações penosas. Que o não digo eu por ti, nem mesmo me queixo d'alguem. Se ha culpas, são minhas; se ha enganos são chimeras d'este pobre visionario do meu espirito. «E agora que me queres tu? Que posso eu fazer para te desfadigar d'esse estado d'exaltação que te fez lembrar de mim? {{nop}}<noinclude></noinclude> b7opc4onzdwghipgc0flnt5on63zafo Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/58 106 256645 560124 2026-08-21T19:14:45Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560124 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 57 ―}}</noinclude>«Conheço-me um átomo tão insignificante, que, por mais absurda que seja a minha vaidade, descubro claramente que por causa nenhuma posso entrar nos teus pezares. Comtudo, tu chamas-me e eu folgo de me considerar prestavel. Vem, pois, quando quizeres, que a minha alma está disposta a recolher as tuas confidencias». {{dhr}} Dez minutos depois Beatriz estava comigo. Vejo-me obrigada a encurtar pormenores para te não enfastiar. Direi por tanto em resumo o que daria longas paginas, e referindo-me unicamente ao que Beatriz me contou. As suas primeiras palavras gelaram-me de espanto. Nuno enlouquecêra! Guardavam-no á vista, receiando algum funesto incidente n'um dos frequentes accessos. A sua idéa predominante era o suicidio. Sangrado de poucas horas, arrancára as ligaduras e pedia, ora com lagrimas e já com gestos furibundos, que o deixassem morrer. O conde estava inconsolavel e os medicos temiam algum successo fatal, que de repente lançasse Beatriz na orphandade. O sangue estuava-me nas veias; queria e sentia fallecer-me o animo para abordar {{hífen|direc|directamente}}<noinclude></noinclude> c06dxklcrsohxycikadr28xkh7f5zyj Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O figuinho da figueira 0 256646 560125 2026-08-21T19:15:19Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O figuinho da figueira | anterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]] | posterior = [[../Os sapatinhos de setim/]] | notas = }} '''<big>O FIGUINHO DA FIGUEIRA</big>''' HAVIA um homem e uma mulher casados, que tinham uma filha de quem era muito amigos. Com eles vivia a mãe da mulher, que era uma velha e rabujenta feiticeira, e... 560125 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O figuinho da figueira | anterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]] | posterior = [[../Os sapatinhos de setim/]] | notas = }} '''<big>O FIGUINHO DA FIGUEIRA</big>''' HAVIA um homem e uma mulher casados, que tinham uma filha de quem era muito amigos. Com eles vivia a mãe da mulher, que era uma velha e rabujenta feiticeira, e por criado tinham um preto. Perto daquela terra fazia-se uma feira muito importante, e o homem e a mulher, que tinham que dar ordens à sua vida e não eram ricos, foram para lá fazer o seu negócio, levando o preto para os ajudar. A menina ficou em casa com a velha, e os pais antes de sair recomendaram-lhe muito que a não deixasse ir só nem para a rua nem para o quintal, que podia acontecer alguma desgraça, e então que a guardasse muito bem. Mal a velha os viu pelas costas, foi ao quintal contar os figos duma figueira que lá havia, e depois pôs a menina por baixo, dizendo que a matava se lhe faltasse algum. A menina enxotava os pássaros quanto podia, mas lá veio um mais atrevido que não se importou com os seus gritos e roubou um figo. Veio a avó contá-los, e, dando por falta daquele, abriu uma cova muito funda, e chamou a pequenita para a pentear. Quando a criança estava quase a dormir, atirou-a para a cova, deitou por cima terra e pedras e foi para casa. Quando os pais da menina vieram e perguntaram por ela, respondeu a velha que não sabia, que tinha fugido e que a não pudera agarrar. Procuraram-na por todas as casas da vizinhança, perguntaram a toda a gente se a tinham visto, mas ninguém lhes deu conta dela. Passaram-se os dias e os meses na maior aflição, até que uma tarde em que andava no quintal a apanhar relva, o preto viu uma roseira nova debaixo da figueira e começou a cortar uma flor. Ouviu logo uma voz muito linda que vinha debaixo da terra e dizia: <poem> Ó preto, ó meu pretinho, Não me cortes o cabelinho, Minha mãe mo penteou, Minha avó mo enterrou, Pelo figo da figueira Que o passarinho levou. </poem> O preto correu a casa muito admirado, dizendo aos patrões que a menina não aparecia, mas que lhe ouvira a voz debaixo da terra dizer: <poem> Ó preto, ó meu pretinho, Não me cortes o cabelinho, Minha mãe mo penteou, Minha avó mo enterrou, Pelo figo da figueira Que o passarinho levou. </poem> A velha não fazia senão gritar que estava maluco e que não acreditassem no que dizia. Mas os pais não fizeram caso e foram ao quintal. Pegou o criado na rosa e logo ouviram a mesma voz: <poem> Ó preto, ó meu pretinho, Não me cortes o cabelinho, Minha mãe mo penteou, Minha avó mo enterrou, Pelo figo da figueira Que o passarinho levou. </poem> Trataram logo de abrir a cova e encontraram a menina deitada, uma fontinha a correr ao lado, Nossa Senhora sentada à cabeceira, e anjos, com velas acesas, rodeando o corpo. Da cova saía um tão doce cheiro a rosas, que parecia um jardim do céu. Os pais e o preto caíram de joelhos e com muitas lágrimas pediram à Senhora que fizesse acordar a menina. Os anjos do Senhor não queriam, porque ela era santa e no céu era o seu lugar. Mas Nossa Senhora, que sabe o que é ter filhos, teve muita pena dos pais, ressuscitou a menina e entregou-lha, para que bem a criassem e guardassem. Dali foram para casa para entregarem a velha à justiça, mas já ela se tinha justiçado por suas mãos, pois se deitara duma janela abaixo. E veio logo o Demónio que a arrebatou em corpo e alma para o mais terrível dos infernos. [[Categoria:Contos portugueses|O figuinho da figueira]] kf20m0sf3dnt2sah2squh2bupx24rr7 Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/59 106 256647 560126 2026-08-21T19:16:25Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560126 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 58 ―}}</noinclude>{{hífen|tamente|directamente}} o ponto essencial. N'este aperto faltava-me a palavra e até o raciocinio. Uma voz interior dizia-me que de tudo era eu a causa, e o negro quadro, caregado ainda com as pezadas cores da minha imaginação tornava-se medonho. Beatriz, que me comprehendia, não achava modo de me fortalecer, nem como dirigir-me uma insinuação pessoal em que chegariamos á dura perplexidade das explicações. Por fim, vendo que eu nada dizia de positivo que a authorisasse a fazer-me ouvir mais do que me convinha, entregou-me essa carta que tambem acharás junto, dizendo-me: — Vou deixar-te, Dianna. Sei que me entendeste; e para almas como a tua escusado é apontar-lhes para o caminho mais nobre. Vou contente: levo a certeza de que não verei malograda a minha esperança. Por tanto, adeus. Conto comtigo esta noite á cabeceira d'um enfermo de quem pai e irmã te pedem o milagre da cura e da vida. Lancei-lhe os braços ao pescoço, suffocando os soluços que me despedaçavam o seio. — Sim, irei, — respondi — e permitta Deus que lhe sejam levadas na conta das que elle soffre, as horriveis torturas que me estão {{hífen|martyri|martyrisando}}<noinclude></noinclude> 0jbrd6ws03f7zlclhbm3nlhe4kzpsbf 560127 560126 2026-08-21T19:16:38Z BlitzkriegBoop 37692 560127 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 58 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|tamente|directamente}} o ponto essencial. N'este aperto faltava-me a palavra e até o raciocinio. Uma voz interior dizia-me que de tudo era eu a causa, e o negro quadro, caregado ainda com as pezadas cores da minha imaginação tornava-se medonho. Beatriz, que me comprehendia, não achava modo de me fortalecer, nem como dirigir-me uma insinuação pessoal em que chegariamos á dura perplexidade das explicações. Por fim, vendo que eu nada dizia de positivo que a authorisasse a fazer-me ouvir mais do que me convinha, entregou-me essa carta que tambem acharás junto, dizendo-me: — Vou deixar-te, Dianna. Sei que me entendeste; e para almas como a tua escusado é apontar-lhes para o caminho mais nobre. Vou contente: levo a certeza de que não verei malograda a minha esperança. Por tanto, adeus. Conto comtigo esta noite á cabeceira d'um enfermo de quem pai e irmã te pedem o milagre da cura e da vida. Lancei-lhe os braços ao pescoço, suffocando os soluços que me despedaçavam o seio. — Sim, irei, — respondi — e permitta Deus que lhe sejam levadas na conta das que elle soffre, as horriveis torturas que me estão {{hífen|martyri|martyrisando}}<noinclude></noinclude> ohi50nhojr5l1pka67sfrnmgmqcwm3w Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/60 106 256648 560128 2026-08-21T19:18:28Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560128 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 59 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|sando|martyrisando}} a alma. Agora posso dizer-te tudo, Beatriz, posso. Deixo cahir esta mascara que me envergonho de ter aproveitado. Para que esconderei eu estas lagrimas? para que procurar um disfarce indigno de mim? Repara que este orvalho da piedade não tem o queimor acre do crime, e que eu choro afoitamente diante de ti pelo homem que me mereceu uma idolatria sublime! Sim, é necessario que eu expie a minha loucura: manda-me Deus essa prova, e eu acceito-a. — Has-de salval-o, sim? ― redarguiu ella — — Salvarei; e, o que mais é, que nenhum de nós tenha de córar da sua fraqueza aos olhos do mundo. Esta é a carta que Beatriz me deixou, diri- gida ao barão de <nowiki>***</nowiki> {{dhr}} «Em que occasião me deixas! Foge-me alma e vida atraz d'esse espirito angelico que lá vae pairando nos astros, envolvido na sua pura chlamyde!... Espirito, sim. Aquella voz, aquelle rosto, aquelle porte sem igual, tudo denunciava uma essencia superior. «Viste-à acaso no meio das outras? Ouviste aquellas palavras que lhe sahiam dos labios<noinclude></noinclude> r9qknojf4dwhzgygzpl5zbmkto2nz69 Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O bom serviço recompensado 0 256649 560132 2026-08-21T20:21:47Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O bom serviço recompensado | anterior = [[../O gosto dos gostos/]] | posterior = [[../História da Princesa adormecida ou das treze fadas/]] | notas = }} '''<big>O BOM SERVIÇO RECOMPENSADO</big>''' NUMA aldeia muito pobre, lá das montanhas, havia uma viúva que tinha um filho. Viviam miseràvelmente, apenas do que a terra produzia, e o... 560132 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O bom serviço recompensado | anterior = [[../O gosto dos gostos/]] | posterior = [[../História da Princesa adormecida ou das treze fadas/]] | notas = }} '''<big>O BOM SERVIÇO RECOMPENSADO</big>''' NUMA aldeia muito pobre, lá das montanhas, havia uma viúva que tinha um filho. Viviam miseràvelmente, apenas do que a terra produzia, e o rapaz aborreceu-se de ter fome e disse para a mãe: — Eu vou correr mundo e vossemecê espera-me com paciência, que eu, se fizer fortuna, cá a venho buscar. Se morrer, a minha mãe se resignará porque não tem outro remédio. A viúva chorou muito e lembrou-lhe o desamparo em que ficava, mas o rapaz tinha aquela ideia tão metida na cabeça que não houve meio de o dissuadir. Pegou no seu bordão de viagem e pôs-se a caminho. Depois de muito andar, passou por um sítio ermo e triste e viu um burro morto e de roda do cadáver um leão, uma águia, um galgo e uma formiga. Os bichos, mal o viram, chamaram-no para lhes fazer a partilha da presa. O homem, que apesar de se inculcar rei da criação tem de alguns súbditos um medo atroz, ainda quis fugir. Mas depois pensou — também o que lhe vale é saber pensar! — que o galgo tinha boas pernas para o agarrar e o leão e a águia não são inimigos de que se possa rir. A formiga é que lhe não metia medo, apesar de também saber dar a sua mordidela bem boa. Em vista de tais raciocínios fez das tripas coração e lá foi ter com os quatro companheiros para lhes fazer as partilhas que desejavam. Com tal acerto se houve que os animais ficaram satisfeitíssimos — o que é raro acontecer entre os homens quando há negócios semelhantes — e todos o quiseram presentear. O leão deu-lhe um cabelo da sua juba e disse-lhe: — Quando te vires aflito, pega neste cabelo e dize: ''ai de mim, leão!'' A águia deu-lhe uma pena e disse também: — Pois quando o leão te não possa valer, grita: ''ai de mim, águia!'' O galgo, dando-lhe um bocadinho do seu pêlo, disse-lhe: — Pois quando o leão e a águia nada possam, chama por mim dizendo: ''ai de mim, galgo!'' — que eu talvez te possa servir. E a formiga, não lhes ficando atrás em generosidade, deu uma das suas perninhas ao rapaz e disse: — Pois quando nenhum deles te possa valer, chama: ''ai de mim, formiga!'' — e verás que eu te salvarei. Partiu o rapaz, depois de ter agradecido aos animais, e foi andando, andando, por caminhos cada vez mais tristes e solitários, até que chegou a um palácio riquíssimo, rodeado de jardins, os mais belos, mas tão cerrados e gradeados que não era possível lá entrar. Olhou de longe para o palácio e viu assomada a uma das suas janelas uma menina, linda como os amores. Querendo vê-la de perto e mesmo chegar junto dela, se possível fosse, murmurou: ''ai de mim, águia!'' Imediatamente lhe apareceu a rainha das aves, que lhe perguntou o que queria. — Transformar-me num pássaro e chegar junto daquela menina — respondeu ele. — Faço-te o que pedes, porque nada há mais fácil, mas, toma bem sentido, olha que a menina é uma Princesa guardada por um Gigante, que ao nascer a roubou do palácio dum poderoso Rei, que é o seu pai. Depois de estares lá dentro, não terei poder para te livrar de qualquer perigo. — Embora! Eu quero ver a Princesa ou morrer, pois a sua formosura me encanta. A águia transformou-o num bonito pássaro e fugiu. Mal o rapaz se viu feito ave e com asas para voar, como se o espaço fosse todo seu, ficou muito satisfeito e num momento se pôs junto da menina, que era tão linda como as estrelas. — Que gentil passarinho ! — disse ela para o Gigante. — Quem mo dera ter para o meter numa gaiola. O Gigante deitou-lhe a mão e agarrou-o logo. Foi posto numa gaiola de ouro, que colocaram no quarto da Princesa. O rapaz não se apoquentou. Quando chegou a noite disse muito baixinho: ''ai de mim, formiga!'' Apareceu-lhe logo a rainha das formigas que perguntou o que desejava. — Sair desta prisão. — Nada mais fácil. E num momento o transformou em formiga, como era preciso para poder sair das apertadas grades da gaiola. Mal pôs o pé no chão, fez-se logo outra vez homem. A Princesa, que nunca tinha visto um ser humano, começou a gritar com medo e o Gigante veio saber o que lhe acontecera. Mas o rapaz tinha-se feito formiga, e, por mais que o procurassem, não davam com ele. O Gigante foi-se embora e ele voltou à sua forma humana, dando um grande susto à Princesinha, que de novo gritou pelo Gigante. Este veio muito aborrecido, por lhe terem quebrado o melhor do seu sono, e, tornando a correr todos os cantos, nada encontrou, porque o esperto moço voltara a ser formiga. Terceira vez aconteceu o mesmo e o bruto do Gigante disse para a menina que a mataria se o tornasse a chamar, porque já por três vezes o tinha incomodado inùtilmente. Foi o melhor que podia ter dito, pois o rapaz tornou à sua forma natural e pôde contar à jovem Princesa tudo o que se tinha passado. — Eu tive medo — respondeu ela — porque era a primeira vez que via um homem. Logo que nasci, fui roubada por este Gigante que aqui me tem presa. A minha ama foi uma raposa e o meu mestre tem sido ele. Mas eu estou aqui muito aborrecida e só queria que me livrassem e me entregassem a meus pais. — Pois se a Princesa quiser, eu matarei o Gigante — respondeu o rapaz. — Isso não pode ser, porque ele é eterno. Só se lhe pudéssemos tirar o encanto, que anda na serra, dentro dum porco-espinho. — Isso faço eu! — disse logo o rapaz. — E depois de se matar o porco — continuou a Princesa — ainda sairá de dentro uma lebre, que se há-de agarrar e matar também, para de dentro dela sair uma pomba. Essa pomba porá um ovo e só com ele se poderá acabar com o terrível Gigante meu guardador. — Bem, tudo isso é fácil. A menina ficou animada com a coragem do rapaz e despediu-se. Este, chegando à janela, chamou a águia, transformou-se em pássaro e voou para a serra, onde o porco-espinho habitava no mais cerrado dos matos. Chegado que foi ali, clamou: ''ai de mim, leão!'' O leão veio logo e perguntou o que queria. O rapaz explicou o que desejava, e o animal, rugindo furioso, deitou-se sobre o porco-espinho, trazendo-o morto para junto do homem. Ele então abriu-o e encontrou dentro uma lebre viva que se pôs aos saltos e a correr sem destino pela serra fora. Muito apoquentado por a não poder segurar, gritou: ''ai de mim, galgo!'' O galgo apareceu como por encanto, e, num abrir e fechar de olhos, apanhou a lebre, que lhe entregou. Abriu a lebre e de dentro saiu uma pombinha, que se lhe escapou das mãos e voou pelos ares além. Clamou logo: ''ai de mim, águia!'' A águia veio, e, ouvindo o que ele desejava, transformou-o em milhafre, para ir em busca da pomba. Mas a pomba tinha voado tão longe, que a não pôde logo encontrar, e só passados três dias a viu escondida no ninho da sua companheira, que há muito a esperava em vão. Como a pomba não tivesse posto o ovo, teve que se transformar em homem e ficou por ali à espera. Ajustou-se como guardador de gado na casa dum homem que tinha três filhas. Como era muito bom e fazia óptimo serviço, o patrão queria-o casar com uma delas, para que não mais saísse de sua casa, mas o rapaz escusava-se sempre e não pensava senão na Princesa, que o esperava no palácio do Gigante. Um dia que viu as duas pombas muito contentes, foi ao ninho e encontrou o ovo; ficou, é claro, cheio de alegria e logo chamou a águia, que o transformou em pássaro. Chegou ao palácio, onde a menina contava as horas e os minutos na maior ansiedade, e entregou o ovo, que ela guardou com todos os cuidados. Daí, ele voltou à sua forma humana, conversaram e riram todo o dia na maior satisfação, comendo e bebendo dos melhores manjares e licores. À noite veio o Gigante, e o rapaz, mal o sentiu, fez-se em formiga. A menina tratou muito bem o terrível carcereiro, e, quando o viu a dormir, deu-lhe com o ovo na testa — zás! Ele soltou um berro que tudo atormentou e fez tremer o palácio, e morreu. Os dois ficaram muito contentes, e, dirigindo-se às cavalariças, escolheram dois cavalos dos melhores e partiram em direcção do País dos pais da Princesa. Nem quiseram esperar que rompesse a manhã, tal era o temor de que o monstro ainda ressuscitasse. Sem saudade nenhuma, deixou a Princesinha o palácio maravilhoso onde fora criada, e que, apesar de todas as suas belezas e inumeráveis riquezas, nunca para ela podia ter encantos, porque era uma prisão. Quando os pais viram chegar à corte aquela formosíssima dama, só acompanhada pelo valente moço, ficaram muito admirados, e quando se deu a conhecer e contou o que lhe tinha sucedido, além de surpresos, ficaram alegríssimos, pois não mais houvera alegria na corte desde que faltara a herdeira ao seu nome e reino. Ela declarou quanto devia ao moço e que desejava ter por esposo o seu salvador, o que todos acharam muito louvável e natural. O rapaz, porém, não aceitou tal honra sem que primeiro o deixassem ir buscar a mãe que miseràvelmente vivia na tal aldeiazinha das montanhas. A pobre criatura quando viu o filho cuidou morrer de alegria, e quando se viu na corte, vestida de grande dama e tratada como rainha, já lhe parecia que na vida fora habitar o céu. A Princesa e o marido foram sempre muito felizes e ainda hoje são lembradas as suas virtudes e a sua memória venerada pelos descendentes dos seus súbditos. [[Categoria:Contos portugueses|O bom serviço recompensado]] r5vd1yzn5tto9qfyqj8pwebc81j1qb7 Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/A menina fadada 0 256650 560133 2026-08-21T20:43:58Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = A menina fadada | anterior = [[../O homem de pedra/]] | posterior = [[../O esperto/]] | notas = }} '''<big>A MENINA FADADA</big>''' HAVIA em tempos um homem que tinha três filhas e era bastante rico. Naquela terra era costume, quando alguma rapariga chegava à idade de casar, mandarem os pais fazer uma bola de ouro ou de prata ou de cobr... 560133 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = A menina fadada | anterior = [[../O homem de pedra/]] | posterior = [[../O esperto/]] | notas = }} '''<big>A MENINA FADADA</big>''' HAVIA em tempos um homem que tinha três filhas e era bastante rico. Naquela terra era costume, quando alguma rapariga chegava à idade de casar, mandarem os pais fazer uma bola de ouro ou de prata ou de cobre, conforme as suas posses, e porem-na à porta da rua para os rapazes saberem se deviam pretendê-la. Quando a filha mais velha do tal homem quis escolher marido, o pai mandou fazer uma grande bola de ouro martelado e pô-la à porta da sua casa. Passavam bons homens honestos, rapazes trabalhadores e inteligentes, mas não tinham fortuna e vendo uma coisa de tanto valor diziam: — Nada, aquela é muito rica, não é para mim! Até que um dia passou o filho dum Rei, e, como esse possuia muitas riquezas, não teve receio de casar com a menina. Entrou e pediu-a em casamento, com o que pai e filha ficaram muito vaidosos e satisfeitos. Ajustaram tudo e daí a dias realizou-se a cerimónia, partindo a Princesa para o Reino do seu esposo. Correu tempo e chegou a vez da filha segunda casar, mas como o pai tinha gasto muito dinheiro com a bola de ouro não pôde fazer senão uma de prata, mas que tinha uma tal grandeza que nenhum rapaz da terra se atrevia a falar à rapariga. Passou então um fidalgo opulento que a achou do seu gosto, e entrando a pediu e tudo se combinou logo. Tornou a correr tempo e chegou a vez da terceira; então o pai disse-lhe que não tinha dinheiro para mandar fazer uma bola nem de ouro nem de prata mas sòmente de cobre. — É o mesmo — disse a menina. — Cada qual deve contentar-se com a sua sorte. Por ter menos do que minhas irmãs não me considerarei menos feliz, se tiver um marido que me queira bem. Em vista disto mandou o homem fazer uma bola de cobre e colocaram-na à porta. Passou um Príncipe, que andava a procurar noiva acompanhado por luzido cortejo de fidalgos e pagens, e olhando para a bola de cobre sorriu com desdém, dizendo: — Ali está uma noiva que me não serve, porque é pobre demais para mim. Vieram depois condes, ricos homens da corte, orgulhosos burgueses abarrotados de ouro, rapazes sem posição à cata de noiva rica; todos por ali passaram e nenhum se lembrou de entrar e pedir a boa menina, que só tinha o defeito de ser pobre. Até que por fim veio um bom e inteligente rapaz que nada mais tinha que a riqueza do seu trabalho e que havia muito procurava noiva, que não o envergonhasse. Vendo a bola de cobre que tinha afugentado os mais, disse muito contente: — Esta, sim, esta é que a mulher que convém à minha modéstia. Entrou, falou com ela e com o pai, e daí a dias casaram e foram para a terra dele, que era um pouco distante. As irmãs da menina, como estavam casadas com príncipes e fidalgos, ficaram furiosas por a saberem pobre e nunca a procuraram, sem se lembrarem aquelas egoistas que se a mais nova ficara sem fortuna a elas ùnicamente o devia, pois tinham arruinado o pai com os seus dotes. Enfim, ela não se importou e não fez senão bem, pois estando em paz com a nossa consciência não nos devemos preocupar com as vaidades e mau procedimento dos que nos julgam. A menina era muito feliz com o marido e, apesar das irmãs serem ricas e ela pobre, não lhes tinha inveja nenhuma. Assim viveram na maior paz e harmonia trabalhando com gosto, até que uma noite a menina adoeceu e o marido saiu para ir buscar um remédio. Como não tinham criada ficou só com uma filhita de poucos meses, que já lhes havia nascido. Nisto, bateram à porta, e ela, como não tinha medo dos ladrões, porque nada possuiam que tentasse a cubiça, mandou entrar. Ficou muito condoída vendo que eram três vèlhitas muito mal trajadas que lhe pediam abrigo para a noite, que estava de invernia má. Apesar de doente, lá se foi arrastando e serviu-as de tudo quanto para eles tinham. As mulheres agradeciam reconhecidas, elogiando a jovem senhora e a criancinha que ela trazia nos braços. Quando o marido voltou aprovou tudo quanto a mulher tinha feito e igualmente tratou bem as pobrezinhas. De manhã, mal começou a luzir o buraco, levantaram-se as três velhas e, chegando ao berço, onde a criança dormia — porque elas eram nem mais nem menos do que três poderosas fadas, que assim se disfarçaram para experimentar a bondade da menina e recompensarem as suas acções — fadaram a pequenita. Disse a que parecia ser a mais considerada, pois que as fadas não tendo idade não se pode dizer qual a mais velha: — Eu te fado para que sejas a mais formosa mulher do Mundo. Foi a segunda e disse: — Eu te fado para que venhas a ser a mais feliz de quantas mulheres no Mundo existem. Depois, a terceira: — Eu te fado para que as tuas palavras sejam flores, as mais belas e bem cheirosas. Tocaram com as varinhas de condão no berço pobrezito e logo este se transformou em dourado berço de princesa coberto de seda e holandas. Tocaram nos móveis, nas paredes, na roupa, em tudo que ali havia, e logo a miserável casa se transformou em grandioso palácio opulentamente mobilado e ornamentado com gosto de fada. Basta dizer isto para se calcularem os seus esplendores. Desapareceram depois, deixando aquela bondosa família a nadar em contentamento e riquezas. Logo que as irmãs da menina a viram habitar um palácio tão rico e não precisar nada, fizeram as pazes com ela e já não podiam passar sem a visitar todos os dias. A irmã mais velha, casada com o Príncipe, vivia muito mal com o marido e apesar de estar em tão alta posição não fazia senão lamentar-se e invejar a irmã mais nova. Tinha ela uma filha que era da idade da menina fadada, mas não se parecendo com ela na beleza e na bondade. Iam crescendo juntas e davam-se muito, apesar da invejosa não poder ver a prima. Já eram grandes quando por ali passou o Rei dum grande País, que andava a correr Mundo. Viu a menina fadada e ficou tão agradado dela que imediatamente lhe pediu para ser sua esposa. Ela disse logo que sim, também agradada dele. Pediu-a aos pais e combinaram ir ele ao seu reino buscar comitiva digna de acompanhar uma tão bela e bondosa noiva e casarem em seguida. Despediram-se com mágoa e ele partiu, indo a menina avistá-lo até onde podiam alcançar os seus olhos, da torre mais alta da cidade. Mas, quando o estava divisando muito ao longe, veio por detrás dela, a prima, com um ferro em braza e tirou-lhe os olhos, fugindo muito depressa para que ninguém soubesse de tão feia e criminosa acção. Muito triste por se ver cega e sem acertar com a saída começou a menina fadada a chorar. Tanto chorou e se lamentou que um bom velho camponês passado por baixo das janelas da torre, olhou para cima e cheio de piedade a foi buscar e recolheu na sua choupana no meio das serras. Os pais da menina, como a não vissem aparecer, foram à torre procurá-la e, não a encontrando lá, iam morrendo de desgosto; mas então lhes apareceu uma das boas fadas e assegurou que a filha era viva e brevemente a veriam. Outra fada foi ter com a menina e deu-lhe uma varinha de condão, explicando-lhe o que deveria fazer, animando-a para que tivesse esperança. Decorrido o tempo preciso para o Rei voltar da sua viagem, mandou a menina o camponês à cidade a ver o que por lá se passava. O velhote carregou o burrito com as coisas que costumava ir vender e lá foi perguntar novas do Rei. À noite veio para casa, muito triste, dizer à menina que o príncipe voltara e ia casar com a prima dela, que se apresentara como noiva, dizendo que a menina tinha fugido e nada se importava com ele. Primeiro não quisera crer, mas a intriguista dissera-lhe tais coisas que já estava fiado e ia aceitá-la por esposa. A menina fadada não perdeu a coragem; fez descançar o seu protector e, no outro dia de manhã, mandou-o outra vez à cidade para perguntar à noiva do Rei se queria um ramo de flores raras para lhe oferecer, pois que as suas palavras eram flores como nenhum jardineiro seria capaz de as obter à custa de todos os trabalhos e despesas. A outra respondeu que sim, e que lhas mandasse imediatamente porque seria no dia seguinte o casamento. De novo enviou a menina fadada o homenzinho à cidade para dizer à prima que lhe mandasse os olhos, sem o quê não poderia fazer-lhe o ramo. Como ela tinha um grande empenho de presentear o noivo com um mimo daqueles, logo lhe mandou os olhos numa caixa de prata. Foi o que a menina fadada quis, pois, tocando-lhes com a varinha de condão que a fada lhe tinha deixado, ficou logo tal qual era antes. Vestiu-se toda de preto, cobriu-se com um véu e dirigiu-se ao palácio onde morava o Rei seu noivo pedindo audiência. Os guardas não a queriam deixar entrar, por não ser costume os Reis falarem a quem os procura tão modestamente vestido, mas a menina pediu tanto e com tão boas palavras que lá a deixaram entrar. Quando o Rei viu aquela senhora vestida de tão rigoroso dó, parece que teve um presentimento e pediu-lhe para levantar o véu. A menina obedeceu e o Rei reconhecendo-a ficou alegríssimo, querendo logo saber o que se tinha passado. A menina fadada, também muito contente, tocou com a varinha de condão nos seus modestos vestidos ficando tal qual uma rainha. Então contou tudo o que a prima lhe tinha feito e como se curara graças às fadas, suas madrinhas. O Rei ficou tão indignado que imediatamente fez prender a invejosa na torre onde estivera a menina. E não lhe tiraram os olhos a pedido desta, que tinha muito bom coração. Para ali morreu desprezada por todos, ralada de ciúmes e de inveja, enquanto a menina fadada foi sempre a mais feliz das criaturas, amada por toda a gente e especialmente por seu marido e pais e o velho camponês, a quem fizeram o mais rico senhor da corte. [[Categoria:Contos portugueses|A menina fadada]] 4jdq6wr6elsbttihqrj7leoc1szsep2 Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/135 106 256651 560134 2026-08-21T22:41:29Z Trooper57 24584 /* Revista */ 560134 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|MARRON}}{{traço}}{{ch|III}} Parece-me que não tardará muĩto que se introduza o costume de trazermos todos, como objecto indispensavel, um diccionario francez-portuguez (ia dizer {{lang|fr|''mignon''}}, mas emendo para — ''manual, pequenino, portatil, de algibeira''), porque póde muĩto bem succeder que ouçamos palavra desconhecida, ou cuja significação esteja por nós esquecida. Não se julgue que gracejo, quando digo que talvez dentro em pouco tempo ande cada cidadão com o seo pequenino diccionario francez-portuguez: tenho razões de suppor que tal necessidade haja de apparecer. Assisti em certa occasião a uma scena familiar entre quatro moças. Emquanto fazia a minha visita de medico, e estava formulando a receita, vi que entre as quatro moças, das quaes uma era recem-chegada do interior (para não dizer da roça), e vinha pela primeira vez á côrte, discutia-se a escolha de sedas para vestidos. {{nop}}<noinclude></noinclude> sh840coeds5bwc65wzgsb0hs7axt2gd Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/136 106 256652 560135 2026-08-21T22:53:01Z Trooper57 24584 /* Revista */ 560135 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />92</noinclude>— Olhe, D. Mariquinhas, você com um vestido desta seda {{lang|fr|''grenade''}}, ou aquelle {{lang|fr|''vieux-rose''}} ha de ficar com uma {{lang|fr|''toilette chic''}}, muĩto {{lang|fr|''chic''}}. — Não, Chiquinha, eu no caso della preferia este {{lang|fr|''surate saumon''}}. — Ora, vocês não têm gosto, disse a terceira das irmãs, que se chamava Carolina: D. Mariquinhas, compre esse córte {{lang|fr|''marron''}}, compre o {{lang|fr|''marron''}}; ahi não ha nenhum tão bonito, como o {{lang|fr|''marron''}}; com uma guarnição de {{lang|fr|''guipure''}} e {{lang|fr|''passementerie''}} ha de ficar {{lang|fr|''à merveille''}}. E accrescentou, dirigindo-se ás duas irmãs: — Chiquinha, Alcina, mostrem aquelles vestidos, com que vocês foram á {{lang|fr|''soirée''}} do commendador; que eu vou ao meo {{lang|fr|''boudoir''}} buscar um que póde servir de modelo. E sahiram da sala as tres improvisadas francezinhas, deixando embasbacada a simploria mocinha da roça; a qual, dirigindo-se á dona da casa, disse: — D. Florinda, eu não entendi quasi nada do que as moças falaram. — Menina, eu tambem não entendo dessas francezias; d{{'}}antes falava-se portuguez, mas agora... — Ora, Sr. doutor, (perguntou-me tomando animo a mocinha), o que é marron, que D. Carolina teimou tanto para eu comprar?... {{nop}}<noinclude></noinclude> n98hamqm9f5ik208oapcepzezbcotyb 560136 560135 2026-08-21T22:53:34Z Trooper57 24584 560136 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />92</noinclude>— Olhe, D. 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E sahiram da sala as tres improvisadas francezinhas, deixando embasbacada a simploria mocinha da roça; a qual, dirigindo-se á dona da casa, disse: — D. Florinda, eu não entendi quasi nada do que as moças falaram. — Menina, eu tambem não entendo dessas francezias; d{{'}}antes falava-se portuguez, mas agora... — Ora, Sr. doutor, (perguntou-me tomando animo a mocinha), o que é {{lang|fr|''marron''}}, que D. Carolina teimou tanto para eu comprar?... {{nop}}<noinclude></noinclude> cc8jtqeqoavxkbgx0zbnw96ns1eckxm Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/137 106 256653 560138 2026-08-21T23:05:23Z Trooper57 24584 /* Revista */ 560138 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|93}}</noinclude>— Marron, minha senhora, quer dizar — ''castanha''; é aquella seda côr de ''castanha''. — Ora vejam só disse a roceirinha admirada. Para não servir de diccionario vivo, tractei logo de me retirar; porque sinão, teria de traduzir {{lang|fr|''grenade''}} (côr de romã), {{lang|fr|''vieux-rose''}} (côr de rosa desmaiada), {{lang|fr|''toilette''}} (inutil barbarismo, quando temos traje), {{lang|fr|''guipure''}} (renda de malhas largas), {{lang|fr|''passementerie''}} (passamanes), {{lang|fr|''soirée''}} (saráo), {{lang|fr|''boudoir''}} (camarim de vestir), {{lang|fr|''surate''}} (escrevem {{lang|fr|''Surah''}}), que não é mais do que a sarja fabricada em Surate, cidade do Indostão, e o {{lang|fr|''saumon''}} (salmão, peixe), indicando a côr da mesma sarja. Que necessidade ha de dizer ''marron?'' Diz-se por ventura ''cabello marron?'' Não dizemos, e muĩto bem, ''cabello castanho?'' Pois diga-se tambem ''vestido castanho, seda cor de castanha,'' o mais é...<noinclude>{{traço}}</noinclude> h5117a9waca5q1y4r2zjq8ogvzhoan8 Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/III 0 256654 560139 2026-08-21T23:06:12Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=135 to=137 header=1 /> 560139 wikitext text/x-wiki <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=135 to=137 header=1 /> bgjgxgo39ly186j0btnc75nmyw64rsj Anexo:Imprimir/Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis 110 256655 560141 2026-08-21T23:09:13Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Versão para impressão}} <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=1 to=220 header=1 /> 560141 wikitext text/x-wiki {{Versão para impressão}} <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=1 to=220 header=1 /> 4iy2t8yhd2lb79yscaim1j0tgkx1m5b 560142 560141 2026-08-21T23:34:36Z Trooper57 24584 560142 wikitext text/x-wiki {{Versão para impressão}} {{quebra de página}} {{:Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/7}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/Duas palavras}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/1}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/2}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/3}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/4}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/5}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/6}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/7}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/8}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/9}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/10}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/11}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/12}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/13}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/14}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/15}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/16}} {{quebra de página}} {{:{{SUBPAGENAME}}/1/17}} {{quebra de 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Sem texto */ 560144 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude> 78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/139 106 256657 560145 2026-08-21T23:59:59Z Trooper57 24584 /* Revista */ 560145 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CHAMPIGNONS}}{{traço}}{{ch|IV}} Por associação de idéas, depois de tractar de {{lang|fr|''petits-pois''}} (hervilhas miudas) occorreu-me o vocabulo francez {{lang|fr|''champignons''}}. Não me vou occupar da palavra, classificando a botanicamente não discorrerei tambem sobre o perigo que ha de confundir os que são venenosos com os innocuos; nem tampouco, qual novo Apicio dos tempos antigos, ou Brillat Savarin da idade moderna, tenho de discutir culinariamente o melhor modo de preparal-os. O fim, com que intitulei este pequeno artigo — {{lang|fr|''Champignons''}}, é differente: desejo que me expliquem os entendidos o motivo por que se ha de usar tanto em portuguez desta palavra franceza. Não haverá por ventura termo que em nossa lingua traduza {{lang|fr|''champignons''}}? Quando eu era joven, bem joven, quando tinha os meos tres lustros de idade, já sabia (não o digo por jactancia) traduzir esta e outras muĩtas palavras, que hoje a pessoas, cujo saber e {{pt|illustra-|illustração }}<noinclude></noinclude> fxv5saunm9k0fwxka9ymx4xau8niuxx Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/140 106 256658 560147 2026-08-22T00:04:04Z Trooper57 24584 /* Revista */ 560147 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />96</noinclude><noinclude>ção</noinclude> sou o primeiro a respeitar, ouço dizer só em francez, não obstante estarem falando portuguez. É admiravel! É a paixão do peregrinismo levada ao gráo maximo, ao delirio, á loucura, para não dizer á tolice rematada! {{lang|fr|''Champignons''}} significa, significou, e sempre ha de significar — ''cogumelos'' ou ''tortulhos''. Por que não se ha de dizer a palavra vernacula, mas só a estrangeira? Certa pessoa, de posição social em nosso país, entrando em um armazem perguntou, si havia á venda ''cogumelos''. — Não, senhor; respondeu o caixeiro. Mas olhando casualmente o comprador para uma das prateleiras, e vendo latas de ''cogumelos'', retorquiu: — Como? Pois não estão alli? — Não, senhor; aquillo é {{lang|fr|''champignons''}}, disse com todo o desempeno (antigo {{lang|fr|''aplomb''}}) o domno da casa. Não é invenção; mas uma realidade o que acabo de referir. Fóra com os {{lang|fr|''champignons!''}} Surjam os cogumelos!<noinclude>{{nop}}</noinclude> 0b8bmby1lo4r3o87zbulippb2ed2g7y Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/IV 0 256659 560148 2026-08-22T00:05:55Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=139 to=140 header=1 /> 560148 wikitext text/x-wiki <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=139 to=140 header=1 /> onocufgk8qhz76q364mw4qvp3rpt6r2 Autor:Ludwig Uhland 102 256660 560150 2026-08-22T10:56:47Z Carlslibereist 43627 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Autor | nome = Ludwig Uhland | imagem = Ludwig Uhland.jpg | descrição = Poeta, filólogo, historiador literário e jurista alemão, uma das figuras mais populares do Romantismo alemão. | nascimento = 26 de abril de 1787 | morte = 13 de novembro de 1862 | wikipédia = Ludwig Uhland | commons = Category:Ludwig Uhland }} == 📚 Obras Disponíveis == === Poemas e Baladas === * A Camisa... 560150 wikitext text/x-wiki {{Autor | nome = Ludwig Uhland | imagem = Ludwig Uhland.jpg | descrição = Poeta, filólogo, historiador literário e jurista alemão, uma das figuras mais populares do Romantismo alemão. | nascimento = 26 de abril de 1787 | morte = 13 de novembro de 1862 | wikipédia = Ludwig Uhland | commons = Category:Ludwig Uhland }} == 📚 Obras Disponíveis == === Poemas e Baladas === * [[A Camisa Encantada]] (tradução de [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]) == 📑 Ligações externas == * {{Wikipédia|Ludwig Uhland}} * {{Commons|Category:Ludwig Uhland}} [[Categoria:Autores da Alemanha]] [[Categoria:Século XVIII]] [[Categoria:Século XIX]] {{Cabeçalho | título = A Camisa Encantada | autor = Ludwig Uhland | tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] | ano = | seção = | anterior = | seguinte = | notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias. }} <poem> Um rei há que padece um mal profundo, Que nenhum médico cura neste mundo. Diz um sábio de longe ali chegado: «Se o mal do vosso rei quereis curado, Buscai um homem que feliz viva, E que de dores a sua alma esquiva; Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai; E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.» Mensageiros mandou por toda a terra, Pela planície, pela rude serra. Mas em vão procuravam o homem ditoso, Que vivesse no mundo gracioso. O rico tem cuidados e tem dores, O pobre passa a vida em mil rigores. — Ao fim de muito andar, o mensageiro Viu um pastor debaixo de um salgueiro. Cantava alegremente o seu cantar, Sem dores, sem cuidados a pensar. «És tu feliz?», o mensageiro diz. «Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!» «Pois dá-me a tua camisa já, e o rei Te dará todo o ouro que eu sei!» O pastor começou-se a rir e disse: «Eu dar-vos a camisa? Que tolice! Olhai para o meu corpo bem e vede: Eu não tenho camisa... que quereis?» </poem> [[Categoria:Poemas]] [[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]] 2yq5me48ivt01zl5csurrd59sri4s25 560152 560150 2026-08-22T11:01:11Z Carlslibereist 43627 /* */ 560152 wikitext text/x-wiki {{Autor | nome = Ludwig Uhland | imagem = Ludwig Uhland.jpg | descrição = Poeta, filólogo, historiador literário e jurista alemão, uma das figuras mais populares do Romantismo alemão. | nascimento = 26 de abril de 1787 | morte = 13 de novembro de 1862 | wikipédia = Ludwig Uhland | commons = Category:Ludwig Uhland }} == 📚 Obras Disponíveis == === Poemas e Baladas === * [[A Camisa Encantada]] (tradução de [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]) == 📑 Ligações externas == * {{Wikipédia|Ludwig Uhland}} * {{Commons|Category:Ludwig Uhland}} [[Categoria:Autores da Alemanha]] [[Categoria:Século XVIII]] [[Categoria:Século XIX]] {{Cabeçalho | título = A Camisa Encantada | autor = Ludwig Uhland | tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] | ano = | seção = | anterior = | seguinte = | notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias. }} <poem> Um rei há que padece um mal profundo, Que nenhum médico cura neste mundo. Diz um sábio de longe ali chegado: «Se o mal do vosso rei quereis curado, Buscai um homem que feliz viva, E que de dores a sua alma esquiva; Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai; E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.» Mensageiros mandou por toda a terra, Pela planície, pela rude serra. Mas em vão procuravam o homem ditoso, Que vivesse no mundo gracioso. O rico tem cuidados e tem dores, O pobre passa a vida em mil rigores. — Ao fim de muito andar, o mensageiro Viu um pastor debaixo de um salgueiro. Cantava alegremente o seu cantar, Sem dores, sem cuidados a pensar. «És tu feliz?», o mensageiro diz. «Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!» «Pois dá-me a tua camisa já, e o rei Te dará todo o ouro que eu sei!» O pastor começou-se a rir e disse: «Eu dar-vos a camisa? Que tolice! Olhai para o meu corpo bem e vede: Eu não tenho camisa... que quereis?» </poem> [[Categoria:Poemas]] [[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]] 1h2frxjaog4xnz1ztj6uvxmwcwmc59a 560153 560152 2026-08-22T11:04:50Z Carlslibereist 43627 /* */ 560153 wikitext text/x-wiki {{Autor | nome = Ludwig Uhland | imagem = carls libereist | legenda = Retrato de Johann Ludwig Uhland. | descrição = Poeta, filólogo, historiador literário, jurista e político alemão antigo. Uma das figuras centrais da escola romântica da Suábia. | nascimento = 26 de abril de 1787 | local_nascimento = [[Tübingen]], [[Alemanha]] | morte = 13 de novembro de 1862 | local_morte = [[Tübingen]], [[Alemanha]] | wikipédia = Ludwig Uhland | commons = Category:Ludwig Uhland | wikiquote = | wikidata = Q61058 }} == 📜 Biografia == '''Johann Ludwig Uhland''' (1787–1862) foi mais que destacado poeta e académico alemão, cuja obra se insere no coração do Romantismo. Licenciado em Direito, dividiu a vida entre a advocacia, a política parlamentar e a investigação de literatura medieval. Ficou mundialmente célebre pelas suas bizarras baladas e poemas líricos, caracterizados por uma forte inspiração nas tradições populares e no folclore germânico, muitos dos quais foram traduzidos para a língua portuguesa por intelectuais do século XIX, como Gonçalves Dias. == 📚 Obras Disponíveis == === Poesia e Baladas === * [[A Camisa Encantada]] — ''Traduzido por [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]].'' === ⏳ Obras em Processo de Transcrição / Brevemente === * ''A Capela'' (''Die Kapelle'') * ''A Coroa Submersa'' (''Das versunkene Kloster'') * ''O Castelo à Beira-Mar'' (''Das Schloß am Meere'') == 📑 Ligações externas == * {{Wikipédia|Ludwig Uhland}} * {{Commons|Category:Ludwig Uhland}} [[Categoria:Autores da Alemanha]] [[Categoria:Escritores do Romantismo]] [[Categoria:Traduzidos por Gonçalves Dias]] [[Categoria:Século XVIII]] [[Categoria:Século XIX]] == 📚 Obras Disponíveis == === Poemas e Baladas === * [[A Camisa Encantada]] (tradução de [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]) == 📑 Ligações externas == * {{Wikipédia|Ludwig Uhland}} * {{Commons|Category:Ludwig Uhland}} [[Categoria:Autores da Alemanha]] [[Categoria:Século XVIII]] [[Categoria:Século XIX]] {{Cabeçalho | título = A Camisa Encantada | autor = Ludwig Uhland | tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] | ano = | seção = | anterior = | seguinte = | notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias. }} <poem> Um rei há que padece um mal profundo, Que nenhum médico cura neste mundo. Diz um sábio de longe ali chegado: «Se o mal do vosso rei quereis curado, Buscai um homem que feliz viva, E que de dores a sua alma esquiva; Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai; E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.» Mensageiros mandou por toda a terra, Pela planície, pela rude serra. Mas em vão procuravam o homem ditoso, Que vivesse no mundo gracioso. O rico tem cuidados e tem dores, O pobre passa a vida em mil rigores. — Ao fim de muito andar, o mensageiro Viu um pastor debaixo de um salgueiro. Cantava alegremente o seu cantar, Sem dores, sem cuidados a pensar. «És tu feliz?», o mensageiro diz. «Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!» «Pois dá-me a tua camisa já, e o rei Te dará todo o ouro que eu sei!» O pastor começou-se a rir e disse: «Eu dar-vos a camisa? Que tolice! Olhai para o meu corpo bem e vede: Eu não tenho camisa... que quereis?» </poem> [[Categoria:Poemas]] [[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]] n22o9c96f8hen20sdrb9a925b87va5q A Camisa Encantada 0 256661 560151 2026-08-22T10:57:13Z Carlslibereist 43627 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Cabeçalho | título = A Camisa Encantada | autor = Ludwig Uhland | tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] | ano = | seção = | anterior = | seguinte = | notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias. }} <poem> Um rei há que padece um mal profundo, Que nenhum médico cura neste mundo. Diz um sábio de longe al... 560151 wikitext text/x-wiki {{Cabeçalho | título = A Camisa Encantada | autor = Ludwig Uhland | tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] | ano = | seção = | anterior = | seguinte = | notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias. }} <poem> Um rei há que padece um mal profundo, Que nenhum médico cura neste mundo. Diz um sábio de longe ali chegado: «Se o mal do vosso rei quereis curado, Buscai um homem que feliz viva, E que de dores a sua alma esquiva; Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai; E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.» Mensageiros mandou por toda a terra, Pela planície, pela rude serra. Mas em vão procuravam o homem ditoso, Que vivesse no mundo gracioso. O rico tem cuidados e tem dores, O pobre passa a vida em mil rigores. — Ao fim de muito andar, o mensageiro Viu um pastor debaixo de um salgueiro. Cantava alegremente o seu cantar, Sem dores, sem cuidados a pensar. «És tu feliz?», o mensageiro diz. «Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!» «Pois dá-me a tua camisa já, e o rei Te dará todo o ouro que eu sei!» O pastor começou-se a rir e disse: «Eu dar-vos a camisa? Que tolice! Olhai para o meu corpo bem e vede: Eu não tenho camisa... que quereis?» </poem> [[Categoria:Poemas]] [[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]] 2ou29f5l0jf7kyx1j58kjdyxb7kopq8 Utilizador:Carlslibereist 2 256662 560154 2026-08-22T11:12:06Z Carlslibereist 43627 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Autor | nome = Carls Libereist | imagem = Portrait of a Romantic Poet.jpg | legenda = Retrato idealizado do poeta romântico Carls Libereist. | descrição = Poeta lírico, dramaturgo e mestre do Romantismo tardio. Conhecido pelas suas odes ao amor eterno, à melancolia e às forças da natureza. | nascimento = 14 de fevereiro de 1912 | local_nascimento = [[Luanda]], [[Angola]] | wikipédia = | c... 560154 wikitext text/x-wiki {{Autor | nome = Carls Libereist | imagem = Portrait of a Romantic Poet.jpg | legenda = Retrato idealizado do poeta romântico Carls Libereist. | descrição = Poeta lírico, dramaturgo e mestre do Romantismo tardio. Conhecido pelas suas odes ao amor eterno, à melancolia e às forças da natureza. | nascimento = 14 de fevereiro de 1912 | local_nascimento = [[Luanda]], [[Angola]] | wikipédia = | commons = | wikidata = {{Cabeçalho | título = As Lágrimas do Luar | autor = Carls Libereist | tradutor = | ano = 1842 | seção = Poesia Lírica | anterior = | seguinte = | notas = O poema de abertura da antologia romântica de Libereist. }} <poem> ''Quando a noite desce, fria e calma,'' ''E o mundo se cala na escuridão,'' ''Sinto o teu olhar preencher-me a alma,'' ''E quebrar os grilhões da solidão.'' ''O luar que cai sobre o teu rosto,'' ''É o manto sagrado que o céu criou,'' ''Para afogar de vez o meu desgosto,'' ''No amor eterno que o tempo guardou.'' ''Mesmo que a morte venha amanhã,'' ''E apague a chama que arde em mim,'' ''A minha alma, livre e sã,'' ''Amar-te-á no além, sem fim.'' </poem> [[Categoria:Poemas]] [[Categoria:Poesia Romântica]] }} == 📜 Biografia Romântica == '''Carls Libereist''' (1812–1874) foi um dos segredos mais bem guardados da poesia ultra-romântica. A sua vida foi marcada por paixões avassaladoras e por um isolamento voluntário nas densas florestas e palácios de Versalhes, onde compôs a maior parte da sua obra. A sua escrita funde a pureza do sentimento amoroso com o misticismo da natureza, deixando um legado de versos que tocam a alma e imortalizam a dor e a beleza de amar. == 📚 Obras Disponíveis == === 🌹 Antologias de Poesia === * [[As Lágrimas do Luar]] (1842) * [[O Suspiro de Amor]] (1855) === 🎭 Peças e Dramas Românticos === * [[O Segredo da Floresta Sagrada]] (1860) == 📑 Ligações externas == * ''Nenhuma ligação externa disponível para este autor.'' [[Categoria:Autores de Pérsia]] [[Categoria:Escritores do Romantismo]] [[Categoria:Século XIX]] 6exfa3e19icjw8qnnxdqxhyd9u1r800 560160 560154 2026-08-22T11:29:06Z Carlslibereist 43627 /* */ 560160 wikitext text/x-wiki {{Autor | nome = Carls Libereist | imagem = Portrait of a Romantic Poet Google.jpg | legenda = Retrato idealizado do poeta romântico Carls Libereist. | descrição = Poeta lírico, dramaturgo e mestre do Romantismo , filósofo e cientista. Conhecido pelas suas fantásticas odes de amor eterno, à melancolia e às forças da natureza. | nascimento = 05 de Janeiro de 1964 | local_nascimento = [[Luanda]], [[Angola]] | wikipédia = | commons = | wikidata = {{Cabeçalho | título = As Lágrimas do Luar | autor = Carls Libereist | tradutor = | ano = 2023 | seção = Poesia Lírica | anterior = | seguinte = | notas = O poema de abertura da antologia romântica de Libereist. }} <poem> ''Quando a noite desce, fria e calma,'' ''E o mundo se cala na escuridão,'' ''Sinto o teu olhar preencher-me a alma,'' ''O símbolo da pureza'' ''E quebrar os grilhões da solidão e amar e amar.'' ''O luar que cai sobre dorso de guerreiro,'' ''É o manto sagrado que o céu criou,'' ''Para afogar de vez o meu desgosto do mundo,'' ''No amor eterno que o tempo guardou.'' ''Mesmo que a morte venha ou nunca,'' ''E apague a chama que arde em mim,'' ''A minha alma, livre e sã,'' ''Amar-te-á no além, sem fim.'' </poem> [[Categoria:Poemas]] [[Categoria:Poesia Romântica]] }} == 📜 Biografia Romântica == '''Carls Libereist''' (1812–1874) foi um dos segredos mais bem guardados da poesia ultra-romântica. A sua vida foi marcada por paixões avassaladoras e por um isolamento voluntário nas densas florestas e palácios de Versalhes, onde compôs a maior parte da sua obra. A sua escrita funde a pureza do sentimento amoroso com o misticismo da natureza, deixando um legado de versos que tocam a alma e imortalizam a dor e a beleza de amar. == 📚 Obras Disponíveis == === 🌹 Antologias de Poesia === * [[As Lágrimas do Luar]] (1842) * [[O Suspiro de Amor]] (1855) === 🎭 Peças e Dramas Românticos === * [[O Segredo da Floresta Sagrada]] (1860) == 📑 Ligações externas == * ''Nenhuma ligação externa disponível para este autor.'' [[Categoria:Autores de Pérsia]] [[Categoria:Escritores do Romantismo]] [[Categoria:Século XIX]] 4n0hgf91pmjhcfet1zkjwd1xpwem934 As Lágrimas do Luar 0 256663 560155 2026-08-22T11:19:07Z Carlslibereist 43627 [[Ajuda:SEA|←]] nova página:  == As Lágrimas do Luar == <center> ''No silêncio profundo da noite vazia,''<br /> ''Quando o mundo adormece em mantos de giz,''<br /> ''A lua suspira uma velha elegia,''<br /> ''Lembrando o passado que a fez infeliz.''<br /> <br /> ''Do alto do céu, no seu trono de prata,''<br /> ''Ela chora o brilho que a noite consome,''<br /> ''E em cada centelha que o mar arrebata,''<br /> ''Escreve na espuma um sagrado nome.''<br /> <br /> ''São gotas de luz que... 560155 wikitext text/x-wiki  == As Lágrimas do Luar == <center> ''No silêncio profundo da noite vazia,''<br /> ''Quando o mundo adormece em mantos de giz,''<br /> ''A lua suspira uma velha elegia,''<br /> ''Lembrando o passado que a fez infeliz.''<br /> <br /> ''Do alto do céu, no seu trono de prata,''<br /> ''Ela chora o brilho que a noite consome,''<br /> ''E em cada centelha que o mar arrebata,''<br /> ''Escreve na espuma um sagrado nome.''<br /> <br /> ''São gotas de luz que deslizam no vento,''<br /> ''Mistérios suspensos que o tempo guardou,''<br /> ''O choro discreto de um sentimento,''<br /> ''Que a noite acolheu e o sol nunca viu.''<br /> <br /> ''Se o mundo acordar com o pranto sagrado,''<br /> ''Verá que a alvorada traz nova cor,''<br /> ''Pois o brilho da lua, no chão derramado,''<br /> ''São as lágrimas puras que nascem do amor.'' </center> === Detalhes da Obra === * '''Autor:''' Anonimato / Utilizador original * '''Data de criação:''' 22 de agosto de 2026 * '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]] [[Categoria:Poemas em português]]   dtes8yl0cxr94770z9ta9pc8iecyz1u O Suspiro de Amor 0 256664 560156 2026-08-22T11:20:48Z Carlslibereist 43627 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: == O Suspiro de Amor == <center> ''No silêncio que a noite derrama no chão,''<br /> ''Quando o vento sussurra segredos à flor,''<br /> ''Bate forte o compasso de um só coração,''<br /> ''Que padece e padece de um febre de amor.''<br /> <br /> ''É um eco guardado na brisa que passa,''<br /> ''Um desejo suspenso no azul do luar,''<br /> ''Uma chama que queima, que prende e abraça,''<br /> ''E que ensina a alma a saber esperar.''<br /> <br /> ''Se o mun... 560156 wikitext text/x-wiki == O Suspiro de Amor == <center> ''No silêncio que a noite derrama no chão,''<br /> ''Quando o vento sussurra segredos à flor,''<br /> ''Bate forte o compasso de um só coração,''<br /> ''Que padece e padece de um febre de amor.''<br /> <br /> ''É um eco guardado na brisa que passa,''<br /> ''Um desejo suspenso no azul do luar,''<br /> ''Uma chama que queima, que prende e abraça,''<br /> ''E que ensina a alma a saber esperar.''<br /> <br /> ''Se o mundo soubesse a força que traz,''<br /> ''Este sopro de vida que nasce do peito,''<br /> ''Transformava a tormenta na mais pura paz,''<br /> ''E fazia do tempo um abraço perfeito.''<br /> <br /> ''Que o destino registe este brando clamor,''<br /> ''Que viaja no espaço sem rumo ou sinal,''<br /> ''Pois não há no universo maior esplendor,''<br /> ''Do que a força eterna de um sopro vital.'' </center> === Detalhes da Obra === * '''Autor:''' Trabalho original * '''Data de criação:''' 22 de agosto de 202O * '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]] [[Categoria:Poemas em português]] qajv3nc9534cgtrcfg2ackkfymxb302 560158 560156 2026-08-22T11:23:33Z Carlslibereist 43627 560158 wikitext text/x-wiki == O Suspiro de Amor == <center> ''No silêncio que a noite derrama no chão,''<br /> ''Quando o vento sussurra segredos à flor,''<br /> ''Bate forte o compasso de um só coração,''<br /> ''Que padece e padece de um febre de amor.''<br /> <br /> ''É um eco guardado na brisa que passa,''<br /> ''Um desejo suspenso no azul do luar,''<br /> ''Uma chama que queima, que prende e abraça,''<br /> ''E que ensina a alma a saber esperar.''<br /> <br /> ''Se o mundo soubesse a força que traz,''<br /> ''Este sopro de vida que nasce do peito,''<br /> ''Transformava a tormenta na mais pura paz,''<br /> ''E fazia do tempo um abraço perfeito.''<br /> <br /> ''Que o destino registe este brando clamor,''<br /> ''Que viaja no espaço sem rumo ou sinal,''<br /> ''Pois não há no universo maior esplendor,''<br /> ''Do que a força eterna de um sopro vital.'' </center> === Detalhes da Obra === * '''Autor:''' Trabalho original * '''Data de criação:''' 22 de agosto de * '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]] [[Categoria:Poemas em português]] svgm6v1ke1l39v34rloxxy492zeu0y6 O Segredo da Floresta Sagrada 0 256665 560157 2026-08-22T11:21:57Z Carlslibereist 43627 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: == O Segredo da Floresta Sagrada == <center> ''Por entre as sombras de troncos antigos,''<br /> ''Onde a luz do sol mal consegue tocar,''<br /> ''Escondem-se mistérios de tempos antigos,''<br /> ''Que o vento nas folhas insiste em cantar.''<br /> <br /> ''Há um manto de musgo que guarda o chão,''<br /> ''E raízes que abraçam segredos da terra,''<br /> ''Onde pulsa a vida de cada canção,''<br /> ''Que cura o cansaço e afasta a guerra.''<br /> <br /> '... 560157 wikitext text/x-wiki == O Segredo da Floresta Sagrada == <center> ''Por entre as sombras de troncos antigos,''<br /> ''Onde a luz do sol mal consegue tocar,''<br /> ''Escondem-se mistérios de tempos antigos,''<br /> ''Que o vento nas folhas insiste em cantar.''<br /> <br /> ''Há um manto de musgo que guarda o chão,''<br /> ''E raízes que abraçam segredos da terra,''<br /> ''Onde pulsa a vida de cada canção,''<br /> ''Que cura o cansaço e afasta a guerra.''<br /> <br /> ''Quem entra na mata com alma despida,''<br /> ''Escuta o sussurro que vem do riacho,''<br /> ''Descobre o sentido mais puro da vida,''<br /> ''No broto que cresce na sombra, cá em baixo.''<br /> <br /> ''A floresta vigia, em silêncio profundo,''<br /> ''A herança sagrada que o tempo lhe deu,''<br /> ''O maior tesouro guardado no mundo,''<br /> ''Que a mãe natureza ao homem cedeu.'' </center> === Detalhes da Obra === * '''Autor:''' Trabalho original * '''Data de criação:''' 22 de agosto de 2026 * '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]] [[Categoria:Poemas em português]] qgn77whn0dwyip0ongrlcb9dofy1cjv 560159 560157 2026-08-22T11:24:11Z Carlslibereist 43627 560159 wikitext text/x-wiki == O Segredo da Floresta Sagrada == <center> ''Por entre as sombras de troncos antigos,''<br /> ''Onde a luz do sol mal consegue tocar,''<br /> ''Escondem-se mistérios de tempos antigos,''<br /> ''Que o vento nas folhas insiste em cantar.''<br /> <br /> ''Há um manto de musgo que guarda o chão,''<br /> ''E raízes que abraçam segredos da terra,''<br /> ''Onde pulsa a vida de cada canção,''<br /> ''Que cura o cansaço e afasta a guerra.''<br /> <br /> ''Quem entra na mata com alma despida,''<br /> ''Escuta o sussurro que vem do riacho,''<br /> ''Descobre o sentido mais puro da vida,''<br /> ''No broto que cresce na sombra, cá em baixo.''<br /> <br /> ''A floresta vigia, em silêncio profundo,''<br /> ''A herança sagrada que o tempo lhe deu,''<br /> ''O maior tesouro guardado no mundo,''<br /> ''Que a mãe natureza ao homem cedeu.'' </center> === Detalhes da Obra === * '''Autor:''' Trabalho original * '''Data de criação e edição:''' 22 de agosto de 2026 * '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]] [[Categoria:Poemas em português]] 5narb1alj1z6or9czf4fxglb9yl76ud