Wikisource
ptwikisource
https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal
MediaWiki 1.47.0-wmf.16
first-letter
Multimédia
Especial
Discussão
Utilizador
Utilizador Discussão
Wikisource
Wikisource Discussão
Ficheiro
Ficheiro Discussão
MediaWiki
MediaWiki Discussão
Predefinição
Predefinição Discussão
Ajuda
Ajuda Discussão
Categoria
Categoria Discussão
Portal
Portal Discussão
Autor
Autor Discussão
Galeria
Galeria Discussão
Página
Página Discussão
Em Tradução
Discussão Em Tradução
Anexo
Anexo Discussão
TimedText
TimedText talk
Módulo
Módulo Discussão
Translations
Translations talk
Evento
Evento Discussão
O malmequer
0
39046
560050
244519
2026-08-21T15:33:07Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] texto trocado por '<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="13" to="18" header=1 /> [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]]'
560050
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="13" to="18" header=1 />
[[Categoria:1877]]
[[Categoria:Guerra Junqueiro]]
[[Categoria:Contos para a infância]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
886t4dgbkygu2y4u8l96ewcep9rz9yq
A canção da cerejeira
0
39054
560029
95722
2026-08-21T15:29:07Z
Trooper57
24584
560029
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="32" to="33" header=1 />
[[Categoria:1877]]
[[Categoria:Guerra Junqueiro]]
[[Categoria:Contos para a infância]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
95fhzloosahlx20st0h5bq1xs692gph
Branca de Neve
0
39081
560054
241804
2026-08-21T15:37:35Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] texto trocado por '<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="125" to="132" header=1 /> == Veja também == * [[Contos de Grimm/Branca de Neve|Branca de Neve dos Irmãos Grimm]] * [[Contos de Grimm|Contos de Fadas dos Irmãos Grimm]] [[Categoria:1877]] [[Categoria:Guerra Junqueiro]] [[Categoria:Contos para a infância]] [[Categoria:Contos portugueses]]'
560054
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Contos para a infancia.djvu" from="125" to="132" header=1 />
== Veja também ==
* [[Contos de Grimm/Branca de Neve|Branca de Neve dos Irmãos Grimm]]
* [[Contos de Grimm|Contos de Fadas dos Irmãos Grimm]]
[[Categoria:1877]]
[[Categoria:Guerra Junqueiro]]
[[Categoria:Contos para a infância]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
ck14o0vwntjoz2axijdauf2cm14jjaj
560059
560054
2026-08-21T15:47:33Z
Trooper57
24584
560059
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Contos para a infancia.djvu"
autor="{{a|Irmãos Grimm}}"
disambiguation="Branca de Neve"
from="125"
to="132"
header=1
notas="Tradução de [[Contos de Grimm/Branca de Neve|Branca de Neve dos Irmãos Grimm]]" />
[[Categoria:1877]]
[[Categoria:Guerra Junqueiro]]
[[Categoria:Contos para a infância]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
0qj34s1i30df5zaozu5o6ayjw54kas9
Galeria:Contos para a infancia.djvu
104
39294
560046
559554
2026-08-21T15:31:48Z
Trooper57
24584
560046
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Contos para a infancia]]
|Subtítulo=escolhidos dos melhores auctores
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Desconhecido|Desconhecido]]
|Tradutor=
|Editor=[[Autor:Guerra Junqueiro|Guerra Junqueiro]]
|Ilustrador=
|Edição=1
|Volume=
|Editora=Typographia Universal
|Gráfica=
|Local=Lisboa
|Ano=1877
|ISBN=
|Fonte={{commons|Contos para a infancia.djvu}}
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=V
|Páginas=<pagelist
1="f. rosto"
2="3"
147to148=indice
149=colofao
/>
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Contos para a infancia.djvu/147}}
{{Página:Contos para a infancia.djvu/148}}
|Epígrafe={{Página:Contos para a infancia.djvu/1}}
{{Quebra de página|separador=2}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=S
}}
2yx3dnqgxvku1bc4wfliqzhd69hiyeo
560049
560046
2026-08-21T15:32:06Z
Trooper57
24584
560049
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Contos para a infancia]]
|Subtítulo=escolhidos dos melhores auctores
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Desconhecido|autor desconhecido]]
|Tradutor=
|Editor=[[Autor:Guerra Junqueiro|Guerra Junqueiro]]
|Ilustrador=
|Edição=1
|Volume=
|Editora=Typographia Universal
|Gráfica=
|Local=Lisboa
|Ano=1877
|ISBN=
|Fonte={{commons|Contos para a infancia.djvu}}
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=V
|Páginas=<pagelist
1="f. rosto"
2="3"
147to148=indice
149=colofao
/>
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Contos para a infancia.djvu/147}}
{{Página:Contos para a infancia.djvu/148}}
|Epígrafe={{Página:Contos para a infancia.djvu/1}}
{{Quebra de página|separador=2}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=S
}}
9c85kthycko0mesl1n5utl54rm2ry1s
O malmequer (ortografia original)
0
40698
560051
244520
2026-08-21T15:33:31Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] feito redirecionamento para [[O malmequer]]
560051
wikitext
text/x-wiki
#redirect[[O malmequer]]
64ciocygbjt5max3nolwha6vwztgcg2
A canção da cerejeira (grafia original)
0
40949
560030
213294
2026-08-21T15:29:19Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] feito redirecionamento para [[A canção da cerejeira]]
560030
wikitext
text/x-wiki
#redirect[[A canção da cerejeira]]
7enirfnbjbl69zboutc822a9498jhcz
Página:Contos para a infancia.djvu/125
106
126306
560060
361959
2026-08-21T15:48:30Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560060
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|'''BRANCA DE NEVE'''}}
Era uma vez uma rainha, que se lastimava por não ter filhos. Um dia d'inverno, emquanto bordava n'um bastidor d'ébano olhando de vez em quando pela janella, para ver cair os flocos de neve no chão, distrahida, picou-se n'um dedo e saiu uma gota de sangue.
— Como eu desejaria ter uma filha, que tivesse uns beiços tão vermelhos como este sangue, uma pelle branca como esta neve, e uns cabellos negros como este ébano.»
Algum tempo depois os seus desejos realisaram-se, e deu á luz uma filha, que tinha uma linda boca vermelha, cabellos negros e o corpo tão branco, que lhe chamavam Branca de Neve. Porém esta feliz mãe não gozou muito tempo da sua felicidade. Morreu, e o rei tornou a casar com uma mulher d'uma grande belleza, e d'um orgulho não menos extraordinario. Era tão formosa que se considerava a mulher mais perfeita do universo. Algumas vezes fechava-se no seu quarto, e collocando-se diante d'um espelho magico dizia-lhe:
— Meu fiel espelho, responde-me: qual é a mulher mais linda que ha no mundo?»
— És tu, respondia o espelho.»
{{nop}}<noinclude></noinclude>
054sqfr6igyct30ly9al1nf97d91f0h
Página:Contos para a infancia.djvu/126
106
126307
560061
361960
2026-08-21T15:49:36Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560061
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|127|borda_inferior=1}}</noinclude>No entanto Branca de Neve crescia, e de dia para dia se tornava mais formosa. Tinha apenas sete annos, e já ninguem a podia ver sem ficar maravilhado. Um dia a orgulhosa rainha, sentando-se diante do seu espelho, disse-lhe:
— Meu fiel espelho, responde-me: qual é a mulher mais linda que ha no mundo?»
— Não és tu, não és tu. Branca de Neve é mais linda.»
A estas palavras a orgulhosa rainha sentiu no coração uma dôr aguda, como uma punhalada, e ao mesmo tempo sentiu um odio mortal pela innocente Branca. Não podia socegar nem de dia, nem de noite. Para satisfazer o seu odio, chamou um creado, e disse-lhe:
— Quero quo Branca desappareça. Conduze-a á floresta, mata-a, e, para me provar que as minhas ordens foram executadas pontualmente, traze-me o coração.»
O creado levou Branca para o fundo da floresta, pegou n'uma faca, e dispunha-se a executar a ordem que recebera. A pobre creança chorava e lamentava-se, e pedia-lhe que a não matasse, porque ella não tinha feito mal a ninguem, e queria viver. O creado, commovido com aquellas lagrimas, não teve coragem, e abandonou-a na floresta, pensando que se as feras a devorassem a culpa não era d'elle, mas sim da rainha. Assim fez, e para mostrar o coração de Branca á rainha, matou um cabrito, e tirou-lhe o coração. A rainha ao ver aquelles despojos sangrentos ficou contentissima, e disse comsigo: Emfim, morreu a minha rival, e nenhuma mulher no mundo é tão bella como eu.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
g5pp4lzb5gbcu2r6pxqtnbashd1pv6t
Página:Contos para a infancia.djvu/127
106
126308
560062
361961
2026-08-21T15:50:58Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560062
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|128|CONTOS PARA A INFANCIA||borda_inferior=1}}</noinclude>A pobre Branca, abandonada na floresta, não tinha morrido, mas estava cheia de medo. Pela primeira vez na sua vida punha os pés nas pedras, e andava pelo meio do matto que lhe rasgava o vestido, e pela primeira vez tambem via animaes ferozes. Mas as feras não lhe faziam mal algum, o deixavam-n'a andar. No fim do dia tinha atravessado sete montanhas.
Á noite chegou ao pé d'uma casinha muito pequenina. Estava morta de fome e de sede. Entrou na casa, onde tudo estava muito arranjado e muito limpo. Havia uma meza pequena, e sobre a meza, coberta com uma toalha de brancura irreprehensivel, sete pratos pequenos, sete garrafas pequenas, e ao longo da parede sete camas muito pequeninas. Branca comeu um pouco do que estava nos pratos, bebeu uma gota de vinho de cada copo, deitou-se na cama, resou, e adormeceu profundamente.
Momentos depois os donos da casa entraram. Eram sete mineiros pequeninos, cada um com uma lanterna dependurada na cintura. Viram logo que tinham gente em casa. Um d'elles disse:
— Quem comeu o meu pão?»
E os outros successivamente:
— Quem pegou no meu garfo?»
— Quem comeu o meu caldo?»
— Quem bebeu o meu vinho?»
E emfim um d'elles:
— Quem está ahi deitado na minha cama?»
Reuniram-se todos á roda do pequeno leito em que dormia Branca. Á luz das lanternas viram o doce rosto da creança, que dormia tranquillamente,<noinclude></noinclude>
1ipjclttt6r68e71zso0cholkn8lk1a
Página:Contos para a infancia.djvu/128
106
126309
560063
361962
2026-08-21T15:53:21Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560063
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|129|borda_inferior=1}}</noinclude>e affastaram-se sem fazer bulha, para a não accordar. Branca no dia seguinte de manhã ficou um pouco assustada, quando viu perto de si aquelles sete anões das montanhas. Mas elles disseram-lhe com brandura, que não tivesse medo, e perguntaram-lhe d'onde vinha, e como se chamava. Branca contou a sua triste historia, e os anões disseram-lhe:
— Queres tu ficar comnosco, para tomar conta da nossa casa?»
— Da melhor vontade, respondeu Branca, completamente socegada.»
Começou logo o seu serviço, e continuou-o regularmente todos os dias. Limpava os moveis, e fazia o jantar. Os anões iam trabalhar para as minas d'ouro e de diamantes, e quando voltavam achavam tudo em ordem.
Durante esse tempo a rainha andava satisfeita, quando pensava que já não tinha que receiar uma rival. Sentou-se outra vez diante do seu espelho, e disse-lhe:
— Meu fiel espelho, não é verdade que eu sou agora a mulher mais linda que ha no mundo?»
E o espelho respondeu:
— Sim, nos teus palacios e nos teus castellos, mas Branca está nas sete montanhas, e Branca é mais linda do que tu.»
Ouvindo esta resposta a orgulhosa rainha, sentiu de novo um golpe cruel, e determinou tornar a fazer desapparecer a innocente Branca. Mas de que modo? Uma manhã partiu desfarçada em vendedeira ambulante, com um cesto cheio d'objectos de phantasia. Foi direita às sete montanhas, e bateu á<noinclude>9</noinclude>
q92tzg7xze36klgjzwa7g6cewnrcecn
Página:Contos para a infancia.djvu/129
106
126310
560064
361963
2026-08-21T15:53:47Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560064
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|130|CONTOS PARA A INFANCIA||borda_inferior=1}}</noinclude>porta da casinha, gritando: «Quem quer comprar bonitas joias?»
Os anões tinham recommendado a Branca que desconfiasse das caras estranhas, receando os emissarios da rainha, e ella tinha promettido ser prudente. Mas, quando viu as lindas cousas que a vendedeira tinha no cesto, esqueceu-se das suas promessas.
— Veja este rico collar, minha menina, eu mesmo lh'o vou por ao pescoço.»
Branca consentiu, e a rainha estrangulou-a, e foi-se embora. Quando os anões voltaram, viram a infeliz Branca estendida no chão e completamente inanimada. Arrancaram-lhe o collar, e deitaram-lhe nos labios algumas gotas d'um licor amarello. Branca começou a respirar, voltou a si pouco a pouco, e contou aos seus bons amigos o que lhe tinha acontecido.
— Pódes estar certa, disseram-lhe elles, que essa vendedeira não era outra pessoa, senão a tua inimiga, a rainha. Toma cautella, não deixes entrar aqui ninguem, quando não estivermos em casa.»
Ao entrar no seu palacio toda contente, collocou-se a rainha diante do espelho, e disse-lhe:
— Meu fiel espelho: Qual é agora a mulher mais linda que ha no mundo? Responde.
E o espelho respondeu:
— És tu nos teus grandes palacios e nos teus castellos, mas Branca está nas sete montanhas, e Branca é mais linda do que tu.»
A rainha enfureceu-se, e resolveu mais uma vez tentar aniquilar a infeliz Branca. Tornou-se<noinclude></noinclude>
7w51wa3gm7pp7s1gx24zb4jdq1y96gt
Página:Contos para a infancia.djvu/130
106
126311
560065
361965
2026-08-21T15:54:10Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560065
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|131|borda_inferior=1}}</noinclude>a disfarçar em vendedeira. Chegou ás sete montanhas, e bateu á porta da cabana.
— Quem quer comprar lindas joias? Branca veiu á janella, e respondeu:
— Vá-se embora, aqui não entra ninguem.»
— Tanto peor para si, respondeu a malvada, olhe este pente d'ouro. Já viu outro tão bonito?»
Branca não poude resistir ao desejo de possuir aquella joia. Abriu a porta.
— Oh! minha linda menina, deixe-me pôr-lh'o na cabeça.»
Ao dizer isto enterrou-lhe na cabeça o pente, que estava envenenado, e Branca caiu morta.
Á noite quando regressaram os anões, acharam-n'a pallida e fria. Tiraram-lhe o pente envenenado, reanimaram-n'a com a sua bebida, e tornaram a recommendar-lhe que fosse prudente.
No entanto a cruel rainha voltava contentissima para o seu palacio. Apenas chegou, foi direita ao espelho, e fez-lhe a mesma pergunta, a que o espelho respondeu como antecedentemente.
— Ah! é preciso que ella morra, ainda que para isso eu tenha de me sacrificar.
Vestiu-se de camponeza com um cesto de maçãs. Entre ellas havia uma que estava envenenada d'um lado. Foi, e bateu á porta da cabana.»
— Quem quer comprar fructa, quem quer comprar?»
— Retire-se, disse Branca vendo-a pela janella, não deixo entrar ninguem, nem compro coisa alguma.»
— Está bem, não faltará quem compre estas ricas maçãs. Mas por ser tão bonita, quero dar-lhe uma.»
{{nop}}<noinclude></noinclude>
r47l9t44xfus4tueh4s8kw48s1ihvnq
Página:Contos para a infancia.djvu/131
106
126312
560066
361966
2026-08-21T15:54:36Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560066
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|132|CONTOS PARA A INFANCIA||borda_inferior=1}}</noinclude>— Obrigada, não posso acceitar.»
— Imagina que está envenenada. Olhe, eu vou comer um pedaço. Ah! que boa que é! Nunca provei nada assim. Ao pronunciar estas palavras, a traidora mordia no lado da maçã, que não estava envenenado. Branca deixou-se tentar, levou á boca o outro pedaço, e caiu fulminada.
— Ahi tens, para castigo da tua formosura.»
Quando chegou ao palacio a rainha foi direita ao espelho, e perguntou-lhe:
— Meu fiel espelho, quem é agora a mulher mais linda?»
E o espelho respondeu:
— És tu, és tu.»
— Até que emfim!»
Os anões estavam inconsolaveis. Debalde tinham tentado reanimal-a com o licor d'ouro, e com outras bebidas ainda mais fortes. Branca continuava fria e inanimada. Choraram por ella durante tres dias, e os passarinhos da floresta choraram tambem. No entanto as boas avesinhas não podiam acreditar que ella estivesse morta, e vendo o seu rosto tão tranquillo, as suas faces tão frescas, parecia que estava a dormir. Não quizeram enterral-a. Metteram-n'a n'um caixão de cristal, e escreveram em cima. «Aqui jaz a filha d'um rei;» puzeram o caixão n'uma das sete montanhas, e um d'elles devia estar de guarda constantemente. Branca conservou-se assim durante muitos annos, sem que se notasse no seu rosto a mais pequena alteração.
Um dia um formoso rapaz, filho d'um rei, tendo-se perdido ao andar á caça, viu o caixão, e pediu aos anões que lh'o cedessem, fosse por preço que fosse.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ghu2f9e699hjwlkldfe8hwhmxzgrkk9
Página:Contos para a infancia.djvu/132
106
126313
560067
361967
2026-08-21T15:55:44Z
Trooper57
24584
/* Validada */
560067
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||CONTOS PARA A INFANCIA|133|borda_inferior=1}}</noinclude>— Somos muito ricos, e por nada d'este mundo venderemos este caixão, que é o nosso thesouro.»
— Então dêem-m'o, já não posso viver sem contemplar este rosto de mulher. Guardal-o-hei na melhor salla do meu palacio. Peco-lhes que me façam isto.»
Os anões, commovidos, consentiram. Quatro homens pegaram no caixão para o levarem. Um d'elles tropeçou n'uma raiz, e o caixão soffreu um balanço, que fez cair o bocado da maçã envenenada, que Branca não tinha engulido, e que lhe ficara na boca. Abriu logo os olhos, e resuscitou. O joven principe levou-a para o seu castello, e casou com ella. O casamento fez-se com grande pompa. O principe convidou todos os reis e rainhas dos differentes paizes, e entre ellas a rainha inimiga de Branca. Apenas acabou de vestir um rico vestido, que devia attrair todos os olhares, poz-se diante do espelho, e disse a rainha:
— Meu fiel espelho, qual a mulher mais linda que ha do mundo?»
E o espelho respondeu:
— Branca é mais formosa que tu.
A estas palavras a rainha estremeceu, e teve tal medo que os seus crimes fossem descobertos, que morreu de repente.
Branca viveu muitos annos, adorada de todos, e no seu palacio de princesa não se esqueceu dos anões que tinham sido os seus bemfeitores.<noinclude>{{traço}}</noinclude>
impr9hdjgjygk5qfl9m57dgve4zjax5
Nostalgia (Florbela Espanca)
0
132835
560006
418901
2026-08-21T15:20:57Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560006
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Nostalgia]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
ah41k416rnjsrsj0gafbeu0fhxm921s
Charneca em Flor
0
133316
560055
484182
2026-08-21T15:39:19Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por transclusão
560055
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf" header=1/>
{{page break|label=}}
{{controle de autoridade}}
{{DP-3}}
[[Categoria:Charneca em Flor| ]]
[[Categoria:Florbela Espanca]][[Categoria:Obras publicadas em 1931]]
5mxyx21y9g8ilefdcauw9cr11vf72rh
Rústica (Charneca em Flor)
0
133320
559989
42477
2026-08-21T15:08:53Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559989
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Rústica]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
ftd2drqxgn7xtwljbzf1rwjdg3rl4kd
Realidade (Florbela Espanca)
0
133321
559990
42478
2026-08-21T15:09:23Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559990
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Realidade]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
0npcrn71ededwj0aqernuhg3c9comcg
Contos de Fadas
0
133322
559991
42479
2026-08-21T15:10:13Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559991
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Conto de fadas]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
ciyy499mvmw984yfpcjcygj5h3rz0bp
A um moribundo
0
133323
559992
42492
2026-08-21T15:10:44Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559992
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/A um moribundo]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
mh0900fycygmue4ysftqd4e6sg3oho9
Eu (Charneca em Flor)
0
133324
559993
228842
2026-08-21T15:11:15Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559993
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Eu]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
tvgl0cmi4dh25yq3py4utn1fo83rd6p
Passeio ao campo
0
133325
559994
42494
2026-08-21T15:11:49Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559994
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Passeio ao campo]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
lm74dlbzkf2ueh3gdfk69muz9zl7c8u
Tarde no mar
0
133326
559995
42495
2026-08-21T15:12:17Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559995
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Tarde no mar]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
6ricwsf0e38zs49652gv2d0lakroy9i
Se tu viesses ver-me...
0
133327
559996
42496
2026-08-21T15:12:57Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559996
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Se tu viesses ver-me]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
1u0o8ouh9tb34vezlq0mi1ub98j94rx
Mistério
0
133328
559997
42497
2026-08-21T15:13:22Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559997
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Mistério]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
75bnlja9rqnecxvjklsf9ad4wcphvq3
O meu condão
0
133329
559998
42498
2026-08-21T15:13:53Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559998
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/O meu condão]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
qnnckwat0jjjpg9sb7hpqh0cap3hltn
As minhas mãos
0
133330
559999
42499
2026-08-21T15:14:29Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
559999
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/As minhas mãos]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
icqfo87plhp76flt2hbc6vcbu3a4agz
Noitinha
0
133331
560000
42500
2026-08-21T15:14:56Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560000
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Noitinha]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
eq5184dgqj0p5ermy7sg2ua9eapzwy8
Lembrança (Florbela Espanca)
0
133332
560001
319037
2026-08-21T15:15:28Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560001
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Lembrança]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
3mxgi9jq6r1kjzu3og3txd47d8ojt3v
A nossa casa
0
133333
560015
42502
2026-08-21T15:21:49Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560015
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/A nossa casa]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
ehaje0jyo11qlo7glnprq0pwjnilo1h
Mendiga
0
133334
560014
42503
2026-08-21T15:21:42Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560014
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Mendiga]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
oi2qlebdztei8skm2nhhdllqbrs2zf2
Supremo enleio
0
133335
560013
42504
2026-08-21T15:21:37Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560013
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Supremo enleio]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
rtupat23gpumh341yun3enmdyxml84p
Toledo
0
133336
560012
42505
2026-08-21T15:21:31Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560012
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Tolêdo]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
b5x4t5n05200dca7xox3lgw0xod364t
Outonal
0
133337
560011
42506
2026-08-21T15:21:25Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560011
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Outonal]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
qpx0wpzz5yo3um6w4dhwzyc9ahb56oh
Ser poeta
0
133338
560010
395753
2026-08-21T15:21:20Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560010
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Ser poeta]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
cgivobydjhc6cd25n69bw6tf8y44mca
Alvorecer
0
133339
560009
42508
2026-08-21T15:21:15Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560009
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Alvorecer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
5eqjlud8uowqcccthxskqp71dt6pgzz
Mocidade (Charneca em Flor)
0
133340
560008
42509
2026-08-21T15:21:08Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560008
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Mocidade]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
ocyorr06ovnyi9ihmbwrq7io6t0ylv6
Amar!
0
133341
560007
244467
2026-08-21T15:21:03Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560007
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Amar!]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
pgjqhx968bhh57ie3hm4yttujracxaw
Ambiciosa
0
133342
560005
42512
2026-08-21T15:20:52Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560005
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Ambiciosa]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
rf68hpwh3ldtsd3vjo5bmjrfnnwrx5p
Crucificada
0
133343
560004
42513
2026-08-21T15:20:46Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560004
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Crucificada]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
8s8br7fwdeselsps1vad8c2sry5v2oa
Espera... (Florbela Espanca)
0
133344
560003
331124
2026-08-21T15:20:41Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560003
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Espera]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
9qe1buqhwh4zjd98onj2ajknzou42hv
Interrogação
0
133345
560002
42515
2026-08-21T15:20:35Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560002
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Interrogação]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
8or91gbk9n02cwonhy65iu935rs31bc
Volúpia
0
133346
560026
42516
2026-08-21T15:25:37Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560026
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Volúpia]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
jj850tqwfgufq55agp84j5lriawz0hv
Filtro
0
133347
560024
42517
2026-08-21T15:25:19Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560024
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Filtro]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
t3r6s5pdjf685gcyx3hqv8rfeh0mz3t
Mais alto
0
133348
560023
42518
2026-08-21T15:25:04Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560023
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Mais alto]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
pgdet680cg1uo3j8e78kl0fmwpmxfmv
Nervos d'oiro
0
133349
560022
42519
2026-08-21T15:24:50Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560022
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Nervos doiro]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
bl4oxo19skod1xor7polyn47i5m7ui5
A voz da tília
0
133350
560021
42520
2026-08-21T15:24:36Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560021
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/A voz da tília]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
lk618j5vl45weujph50o0zddgnipjz7
Não ser
0
133351
560020
42526
2026-08-21T15:24:24Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560020
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Não ser]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
lkle8le1nzovckpa4p333yyy5mscg8z
Quem fez ao sapo o leito carmesim
0
133352
560019
42521
2026-08-21T15:24:05Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560019
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/?]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
kj9g7lvv8zrbwhwgrdijtc38u5lj94l
In memoriam
0
133353
560018
42522
2026-08-21T15:23:48Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560018
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/In Memoriam]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
5vp1wp0snxk3sha7veg4e6fbfehl0s7
Árvores do alentejo
0
133354
560017
42523
2026-08-21T15:23:35Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560017
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Árvores do Alentejo]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
3nlebn3lzyl9m67roe0eoozoadll0i5
Quem sabe?...
0
133355
560016
42524
2026-08-21T15:23:19Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560016
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Quem sabe?]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
k9bsagoanwr0ju0qqm0skbrwziu35gm
A minha piedade
0
133356
560048
42531
2026-08-21T15:31:57Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560048
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/A minha piedade]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
k751119rp7i4ryi31hukab8tddhjubi
Sou eu!
0
133357
560047
42527
2026-08-21T15:31:52Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560047
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Sou eu!]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
0b34cjwvp4pjrmpi9mpcgzhdztetabv
Panteísmo (Charneca em Flor)
0
133358
560045
42528
2026-08-21T15:31:46Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560045
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Panteísmo]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
96ggl03sb7si1wvrk4ypwwuh7xyjtk0
Minha terra
0
133359
560044
42529
2026-08-21T15:31:41Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560044
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Pobre de Cristo]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
li7o7e5ruksfql99zzgr64ni6fbvvu7
A uma rapariga
0
133360
560043
42530
2026-08-21T15:31:36Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560043
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/A uma rapariga]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
extx9qp1hup2cg0jhq7gmvlafa44uuw
Minha culpa
0
133361
560042
42533
2026-08-21T15:31:29Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560042
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Minha culpa]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
ilb3u29dqkvx1z3p3h8g6lrpft1zyde
Teus olhos (Charneca em Flor)
0
133362
560041
475282
2026-08-21T15:31:24Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560041
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/Teus olhos]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
eo19wbcwq7ejvy1kp762ihkhorigvju
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) I
0
133363
560040
42535
2026-08-21T15:31:15Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560040
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) II
0
133364
560039
42536
2026-08-21T15:31:10Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560039
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) III
0
133365
560038
42537
2026-08-21T15:31:06Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560038
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) IV
0
133366
560037
42538
2026-08-21T15:31:00Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560037
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) V
0
133367
560036
42539
2026-08-21T15:30:55Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560036
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) VI
0
133368
560035
42540
2026-08-21T15:30:49Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560035
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) VII
0
133369
560034
42541
2026-08-21T15:30:45Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560034
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) VIII
0
133370
560033
42542
2026-08-21T15:30:39Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560033
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) IX
0
133371
560032
42543
2026-08-21T15:30:34Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560032
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
He hum não querer mais que bem querer; (Camões) X
0
133372
560031
42544
2026-08-21T15:30:25Z
BlitzkriegBoop
37692
Conteúdo substituído por redirecionamento para página com transclusão
560031
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECT [[Charneca em Flor/He hum não querer mais que bem querer]]
[[Categoria:Charneca em Flor]]
q31wpmj5jd74vfvzn00zthfv47lk5il
Branca de Neve (edição de 1877)
0
149401
560053
275584
2026-08-21T15:37:23Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] feito redirecionamento para [[Branca de Neve]]
560053
wikitext
text/x-wiki
#redirect[[Branca de Neve]]
6lwn6uvtyzc1tyvg5x5eg2z27s6oqsx
Página:Aventuras de Diofanes.djvu/20
106
157667
560082
358285
2026-08-21T17:41:42Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560082
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|4|{{sc|Aventuras}}|}}</noinclude>{{hífen-sim|dade|gravidade}} do perigo, havia mandado o querido filho a tomar parte na fadiga, lembrando-{{s}}e de que a{{s}}{{s}}im {{s}}e faz aos {{s}}ervos menos pezado o trabalho, e que parece que os elementos re{{s}}peitão os Principes, que não temem os contratempos, nem {{s}}e negão aos {{s}}eus rigores. Quando ce{{s}}{{s}}ou a borra{{s}}ca, de{{s}}cançou a maior parte da gente; porque não advertião que a de{{s}}graça faz maior emprego, por andar vigilante nos de{{s}}cuidos; e depois de {{s}}e haverem rendido a Morfeo, {{s}}e achárão vencidos de duas náos Argelinas; que como aquelles Soberanos e{{s}}tavão de{{s}}tinados para os mais raros trabalhos, não foi muito que {{s}}e desbarata{{s}}{{s}}em as da {{s}}ua e{{s}}quadra, indo arribar a Thebas, onde com inexplicavel {{s}}entimento choravão, per{{s}}uadidos de que as ondas tragarião a {{s}}eus amados Senhores; e como havia {{s}}ido mais atrevida a de{{s}}graça, quando e{{s}}tes {{s}}e vírão em mãos inimigas, querendo defender-{{s}}e, foi inutil toda a diligencia pela vantagem, que já lhes havião ganhado. Clymenea com igual valor, que piedade, animava os que pelejavão, e acudia aos feridos, não ba{{s}}tando a morte do amado filho, que acabára á vi{{s}}ta de {{s}}eus olhos, para dar mais lugar á mágoa, que á fortaleza, e com perda de muita gente os cativárão.
Pa{{s}}{{s}}ados dous dias da {{s}}ua de{{s}}graça,<noinclude>{{d|che-}}</noinclude>
5mpqy1z2w2nauzbxhqyvrpgcavtf18e
560083
560082
2026-08-21T17:41:53Z
BlitzkriegBoop
37692
560083
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh|4|{{sc|Aventuras}}|}}</noinclude>{{hífen-fim|dade|gravidade}} do perigo, havia mandado o querido filho a tomar parte na fadiga, lembrando-{{s}}e de que a{{s}}{{s}}im {{s}}e faz aos {{s}}ervos menos pezado o trabalho, e que parece que os elementos re{{s}}peitão os Principes, que não temem os contratempos, nem {{s}}e negão aos {{s}}eus rigores. Quando ce{{s}}{{s}}ou a borra{{s}}ca, de{{s}}cançou a maior parte da gente; porque não advertião que a de{{s}}graça faz maior emprego, por andar vigilante nos de{{s}}cuidos; e depois de {{s}}e haverem rendido a Morfeo, {{s}}e achárão vencidos de duas náos Argelinas; que como aquelles Soberanos e{{s}}tavão de{{s}}tinados para os mais raros trabalhos, não foi muito que {{s}}e desbarata{{s}}{{s}}em as da {{s}}ua e{{s}}quadra, indo arribar a Thebas, onde com inexplicavel {{s}}entimento choravão, per{{s}}uadidos de que as ondas tragarião a {{s}}eus amados Senhores; e como havia {{s}}ido mais atrevida a de{{s}}graça, quando e{{s}}tes {{s}}e vírão em mãos inimigas, querendo defender-{{s}}e, foi inutil toda a diligencia pela vantagem, que já lhes havião ganhado. Clymenea com igual valor, que piedade, animava os que pelejavão, e acudia aos feridos, não ba{{s}}tando a morte do amado filho, que acabára á vi{{s}}ta de {{s}}eus olhos, para dar mais lugar á mágoa, que á fortaleza, e com perda de muita gente os cativárão.
Pa{{s}}{{s}}ados dous dias da {{s}}ua de{{s}}graça,<noinclude>{{d|che-}}</noinclude>
rqvrb3shqllknvpsv0fx01r4q4vtqs8
Página:Aventuras de Diofanes.djvu/21
106
157668
560084
358296
2026-08-21T17:48:30Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560084
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{sc|De Diófanes. Liv. I.|5}}</noinclude>chegárão os barbaros ao {{s}}eu porto, para onde o rigor da de{{s}}ventura havia conduzido a Diófanes, e {{s}}ua de{{s}}con{{s}}olada familia, que tendo lugar para os magoados de{{s}}afogos, choravão a morte de Almeno, {{s}}u{{s}}piravão pela liberdade, e não perdião a lembrança dos cuidados, e amantes delirios de Arne{{s}}to, que com fini{{s}}{{s}}imos extremos havia pertendido a bella Hemirena. Não {{s}}e ouvião naquelle de{{s}}embarque mais que os la{{s}}timo{{s}}os clamores ao Ceo, com que huns {{s}}e lembravão dos que havião deixado, e outros choravão {{s}}ua tri{{s}}te e{{s}}cravidão. Diófanes, e Clymenea (a quem mais magoava a filha, que levavão) com inexplicavel conformidade a di{{s}}punhão, para trocar os de{{s}}canços pelas fadigas; e Hemirena di{{s}}cretamente afflicta animava a magoada mái, dizendo:
Su{{s}}pendei, Senhora, as correntes do amargo pranto, {{s}}e aca{{s}}o mais vos affligem a meu re{{s}}peito os pezados grilhões da e{{s}}cravidão: nem {{s}}eja cruel de{{s}}pertador do vo{{s}}{{s}}o cuidado a perigo{{s}}a idade, em que me vedes; que eu juro aos Deo{{s}}es, que me {{s}}u{{s}}tentão, fazer {{s}}empre acções dignas de quem teve lugar nas vo{{s}}{{s}}as entranhas. A e{{s}}te tempo, em que as lagrimas, e {{s}}u{{s}}piros mais vivamente expre{{s}}{{s}}avão o {{s}}entimento, {{s}}e repartírão os e{{s}}cravos, negando a filha aos olhos da mái; e Diófanes, por chegar mal {{hífen|feri|ferido}}<noinclude>{{rh||B|do,}}</noinclude>
1s7yx848na7npe6nhuefgn9vgilmje3
560085
560084
2026-08-21T17:48:42Z
BlitzkriegBoop
37692
560085
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{Rh||{{sc|De Diófanes. Liv. I.}}|5}}</noinclude>chegárão os barbaros ao {{s}}eu porto, para onde o rigor da de{{s}}ventura havia conduzido a Diófanes, e {{s}}ua de{{s}}con{{s}}olada familia, que tendo lugar para os magoados de{{s}}afogos, choravão a morte de Almeno, {{s}}u{{s}}piravão pela liberdade, e não perdião a lembrança dos cuidados, e amantes delirios de Arne{{s}}to, que com fini{{s}}{{s}}imos extremos havia pertendido a bella Hemirena. Não {{s}}e ouvião naquelle de{{s}}embarque mais que os la{{s}}timo{{s}}os clamores ao Ceo, com que huns {{s}}e lembravão dos que havião deixado, e outros choravão {{s}}ua tri{{s}}te e{{s}}cravidão. Diófanes, e Clymenea (a quem mais magoava a filha, que levavão) com inexplicavel conformidade a di{{s}}punhão, para trocar os de{{s}}canços pelas fadigas; e Hemirena di{{s}}cretamente afflicta animava a magoada mái, dizendo:
Su{{s}}pendei, Senhora, as correntes do amargo pranto, {{s}}e aca{{s}}o mais vos affligem a meu re{{s}}peito os pezados grilhões da e{{s}}cravidão: nem {{s}}eja cruel de{{s}}pertador do vo{{s}}{{s}}o cuidado a perigo{{s}}a idade, em que me vedes; que eu juro aos Deo{{s}}es, que me {{s}}u{{s}}tentão, fazer {{s}}empre acções dignas de quem teve lugar nas vo{{s}}{{s}}as entranhas. A e{{s}}te tempo, em que as lagrimas, e {{s}}u{{s}}piros mais vivamente expre{{s}}{{s}}avão o {{s}}entimento, {{s}}e repartírão os e{{s}}cravos, negando a filha aos olhos da mái; e Diófanes, por chegar mal {{hífen|feri|ferido}}<noinclude>{{rh||B|do,}}</noinclude>
f0wl3k4blocnkoiddfzltq2o9l27u4d
Predefinição:Progressos recentes
10
220893
559965
559916
2026-08-21T12:00:09Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
559965
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|12|0|0|88}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|73|0|27|0}}
| [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|87|0|7|6}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|34|2|4|60}}
| [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|36|64|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|66|0|4|30}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf|Henriqueta]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|3|7|-1}}
| [[Index:Mulheres e creanças.djvu|Mulheres e creanças]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|1|0|0|99}}
| [[Index:O Mulato.djvu|O Mulato]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|5|0|0|95}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
pmw1jvj0r1qd39o8eoihq7oyhhmosc7
559972
559965
2026-08-21T13:00:09Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
559972
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|12|0|0|88}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|73|0|27|0}}
| [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|89|0|7|4}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|34|2|4|60}}
| [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|36|64|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|66|0|4|30}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf|Henriqueta]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|3|7|-1}}
| [[Index:Mulheres e creanças.djvu|Mulheres e creanças]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|1|0|0|99}}
| [[Index:O Mulato.djvu|O Mulato]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|5|0|0|95}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
a3y5zxu19v6gk099pgqbp67211lb55f
559976
559972
2026-08-21T14:00:10Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
559976
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|12|0|0|88}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|73|0|27|0}}
| [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|89|0|7|4}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|34|2|4|60}}
| [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|36|64|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf|Henriqueta]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|3|7|-1}}
| [[Index:Mulheres e creanças.djvu|Mulheres e creanças]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|1|0|0|99}}
| [[Index:O Mulato.djvu|O Mulato]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|5|0|0|95}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
4agls6akot71cq9ffovkk3a2oahs7dd
559986
559976
2026-08-21T15:00:22Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
559986
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|12|0|0|88}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|73|0|27|0}}
| [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|0|7|2}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|34|2|4|60}}
| [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|36|64|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf|Henriqueta]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|3|7|-1}}
| [[Index:Mulheres e creanças.djvu|Mulheres e creanças]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
ieue3pwznevgcqfzgilt4ntvcw2kp2r
560068
559986
2026-08-21T16:00:11Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560068
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|12|0|0|88}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|73|0|27|0}}
| [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|34|2|4|60}}
| [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|3|7|-1}}
| [[Index:Mulheres e creanças.djvu|Mulheres e creanças]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
gru36bgj7zuqa1iygvcm9unz7jkth7g
560076
560068
2026-08-21T17:00:10Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560076
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|21|0|0|79}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|73|0|27|0}}
| [[Index:Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf|Homenagem a Luiz de Camões]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|34|2|4|60}}
| [[Index:Contos infantis em verso e prosa.pdf|Contos infantis em verso e prosa (1886)]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|91|3|7|-1}}
| [[Index:Mulheres e creanças.djvu|Mulheres e creanças]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
goyugjkqnqyhgx5pk5e2m105zi8535g
560089
560076
2026-08-21T18:00:09Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560089
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|25|0|0|75}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|9|0|2|89}}
| [[Index:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf|Herança de Lagrimas]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|91|0|5|0|4|0}}
| [[Index:Aventuras de Diofanes.djvu|Aventuras de Diofanes]]: imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|64|0|17|19}}
| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
g7xmlun1bvik46pv4qyxi96b2uins76
560114
560089
2026-08-21T19:00:10Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560114
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|25|0|0|75}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|17|0|2|81}}
| [[Index:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf|Herança de Lagrimas]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|91|0|5|0|4|0}}
| [[Index:Aventuras de Diofanes.djvu|Aventuras de Diofanes]]: imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|64|0|17|19}}
| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
i2ituufwnyzwc77h6a057jqcwoz5zr2
560131
560114
2026-08-21T20:00:08Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560131
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|25|0|0|75}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|20|0|2|78}}
| [[Index:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf|Herança de Lagrimas]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|91|0|5|0|4|0}}
| [[Index:Aventuras de Diofanes.djvu|Aventuras de Diofanes]]: imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|64|0|17|19}}
| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
hvhsiqgieqjcrnd7xg7faou1c9u3kpv
560137
560131
2026-08-21T23:00:10Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560137
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|25|0|0|75}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|20|0|2|78}}
| [[Index:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf|Herança de Lagrimas]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|91|0|5|0|4|0}}
| [[Index:Aventuras de Diofanes.djvu|Aventuras de Diofanes]]: imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|65|0|17|18}}
| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
effmau2t0da478vgglow5po38fe8ix7
560146
560137
2026-08-22T00:00:12Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560146
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|25|0|0|75}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|20|0|2|78}}
| [[Index:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf|Herança de Lagrimas]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|91|0|5|0|4|0}}
| [[Index:Aventuras de Diofanes.djvu|Aventuras de Diofanes]]: imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|65|0|18|17}}
| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
4zpky6zdylp0uol5e7hpji580zlzvtf
560149
560146
2026-08-22T01:00:11Z
AlbeROBOT
35938
bot: Atualizando progressos
560149
wikitext
text/x-wiki
<templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' />
{|
|-
| {{Barra de progresso|0|0|25|0|0|75}}
| [[Index:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|20|0|2|78}}
| [[Index:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf|Herança de Lagrimas]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|94|1|5|0}}
| [[Index:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf|Arte da Lingua Brasilica]]
|-
| {{Barra de progresso|91|0|5|0|4|0}}
| [[Index:Aventuras de Diofanes.djvu|Aventuras de Diofanes]]: imitando o sapientissimo Fenelon na sua viagem de Telemaco]]
|-
| {{Barra de progresso|86|3|3|5|2|1}}
| [[Index:Categorias - Aristóteles.pdf|Categorias]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|93|0|7|0}}
| [[Index:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf|Charneca em Flor]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|31|69|0|0}}
| [[Index:Contos para a infancia.djvu|Contos para a infancia]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|68|0|4|28}}
| [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|66|0|18|16}}
| [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|-
| {{Barra de progresso|0|0|6|0|0|94}}
| [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]]
|}<noinclude>{{documentação}}</noinclude>
0akqvc1cmbl8jhdltrpj1kmoj9pj4kr
Galeria:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf
104
238527
560088
532158
2026-08-21T17:59:51Z
BlitzkriegBoop
37692
560088
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Herança de Lagrimas]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Ana_Plácido|Ana Plácido (pseud. Lopo de Souza)]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=
|Volume=
|Editora=Redacção do Vimanarense
|Gráfica=Typ. do Vimaranense
|Local=Guimarães
|Ano=1871
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=3
|Progresso=OCR
|Páginas=<pagelist 1="Falsa folha de rosto" 2="–" 3="Folha de rosto" 4="–" 5="4" 289="–" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{índice auxiliar|título=Sumário|
Primeira Parte
*[[Herança de Lagrimas/I|I - Dianna de Sepulveda a Henriqueta d'Aguiar]]
*[[Herança de Lagrimas/II|II - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/III|III - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/IV|IV - Henriqueta a Dianna]]
*[[Herança de Lagrimas/V|V - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/VI|VI - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/VII|VII - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/VIII|VIII - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/IX|IX - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/X|X - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/XI|XI - Dianna a Henriqueta]]
Segunda Parte
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - I|I]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - II|II]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - III|III]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - IV|IV]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - V|V]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - VI|VI]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - VII|VII]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - VIII|VIII]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - IX|IX]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - X|X]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - XI|XI]]
[[Herança de Lagrimas/Conclusão|Conclusão]]}}
|Epígrafe={{Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/1}}
{{clear}}
{{Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/2}}
{{clear}}
{{Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/3}}
{{clear}}
|Width=
|Css=
|Header={{C|― {{{pagenum}}} ―}}
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1871]]
3ez8w8ffm22f36awyt85iivouri5wie
560129
560088
2026-08-21T19:23:20Z
BlitzkriegBoop
37692
560129
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Herança de Lagrimas]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Ana_Plácido|Ana Plácido (pseud. Lopo de Souza)]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=1
|Volume=
|Editora=Redacção do Vimanarense
|Gráfica=Typ. do Vimaranense
|Local=Guimarães
|Ano=1871
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=3
|Progresso=OCR
|Páginas=<pagelist 1="Falsa folha de rosto" 2="–" 3="Folha de rosto" 4="–" 5="4" 289="–" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{índice auxiliar|título=Sumário|
Primeira Parte
*[[Herança de Lagrimas/I|I - Dianna de Sepulveda a Henriqueta d'Aguiar]]
*[[Herança de Lagrimas/II|II - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/III|III - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/IV|IV - Henriqueta a Dianna]]
*[[Herança de Lagrimas/V|V - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/VI|VI - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/VII|VII - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/VIII|VIII - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/IX|IX - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/X|X - Dianna a Henriqueta]]
*[[Herança de Lagrimas/XI|XI - Dianna a Henriqueta]]
Segunda Parte
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - I|I]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - II|II]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - III|III]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - IV|IV]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - V|V]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - VI|VI]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - VII|VII]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - VIII|VIII]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - IX|IX]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - X|X]]
*[[Herança de Lagrimas/Segunda Parte - XI|XI]]
[[Herança de Lagrimas/Conclusão|Conclusão]]}}
|Epígrafe={{Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/1}}
{{clear}}
{{Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/2}}
{{clear}}
{{Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/3}}
{{clear}}
|Width=
|Css=
|Header={{C|― {{{pagenum}}} ―}}
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1871]]
nb2i4kwr2ymo22fwnwa5en96ttdz9sf
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/1
106
238540
560086
510811
2026-08-21T17:58:03Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Validada */
560086
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xx-larger|{{uc|'''Herança de Lagrimas'''}}}}}}<noinclude></noinclude>
r5hf0m3axjfjru6t19avoc3hds89k9c
Página:Categorias - Aristóteles.pdf/65
106
240210
559985
517047
2026-08-21T14:48:10Z
~2026-45740-76
43621
559985
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="1" user="Sedenho93" />{{c|ERRATAS.}}</noinclude>E por tanto he Categoria do objecto, não só quanto ao
nome, mas tambem quanto á razão do nome.
No §. 19 ''falta, depois da palavra'' Vegetal o ''seguinte''.
Além disso as essencias primarias não se dizem principalmente
essencias, se não porque são objectos de todas
as outras cousas: e todas as outras cousas, são Categorias,
em que ellas se contém.
''No §. 37 falta depois da palavra'' semelhante o ''seguinte'':
Excepto se alguem disser, que muito he contrario
a pouco, e grande a pequeno. Mas ás quantidades
determinadas nada he contrario.
No §. 41 deve-se apagar este numero, e pôr em seu
lugar o principio, que falta, e he o seguinte''. Além disso
ha humas qualidades, que admittem situação: e outras,
cujas partes não são susceptiveis delle. Exemplo,
etc.<noinclude></noinclude>
2ks11ggrsrtxasmgfibsju4j3ohgdq9
Página:Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf/3
106
244983
560028
528053
2026-08-21T15:26:17Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] branqueio de página
560028
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude>
78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu
Arte da Lingua Brasilica
0
245006
560027
536447
2026-08-21T15:25:56Z
Trooper57
24584
560027
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf" notas="{{download}}{{Versão para impressão disponível}}" />
{{Controle de autoridade}}
[[Categoria:Luís Figueira]]
[[Categoria:Literatura brasileira]]
[[Categoria:Classicismo]]
[[Categoria:Obras em português antigo]]
[[Categoria:Tupi antigo]]
[[Categoria:Obras publicadas em data incerta]]
p7jbxfvjqltqyyvt87ntpe1691b33kh
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/3
106
246381
560130
532144
2026-08-21T19:26:05Z
BlitzkriegBoop
37692
560130
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xxxx-larger|{{serifa|'''HERANÇA DE LAGRIMAS'''}}}}}}
{{dhr}}
{{C|{{x-larger|{{serifa|ROMANCE ORIGINAL}}}}}}
{{C|POR}}
{{C|{{xxx-larger|{{serifa|'''LOPO DE SOUZA'''}}}}}}
{{lh|4em}}
{{bloco direito|<poem>
:«Les femmes s'imaginent
«être des anges et avoir reçu
«du ciel la mission et la
«puissance de sauver tous ces
«don Juan; mais comme
«l'ange de la légende, elles ne
«les convertissent pas, et
elles se perdent avec eux».</poem>}}
{{D|offset=5em|{{larger|{{Sc|George Sand}} — ''Lélia''}}}}
{{dhr}}
{{lh|4em}}
{{dhr}}
{{C|{{xx-larger|{{serifa|'''GUIMARAES}}}}}}
{{C|REDACÇÃO DO VIMARANENSE—EDITORA}}
{{c|{{smaller|TYP. DO VIMARANENSE}}}}
{{lh|2em}}
{{C|1871}}<noinclude></noinclude>
dtutjlcpqwvuu1ubvsi14mwd66x2f76
Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis
0
253803
560140
559118
2026-08-21T23:07:29Z
Trooper57
24584
560140
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" notas="{{Download}}{{Versão para impressão disponível}}" />
{{Controle de autoridade}}
{{DP-2}}
[[Categoria:Antônio de Castro Lopes]]
[[Categoria:Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
slgotr9rn5l85ykmvjcoal9aro4l8ge
Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II
0
254080
560081
553980
2026-08-21T17:10:40Z
Trooper57
24584
Alteração do redirecionamento de [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/II]] para [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/I]]
560081
wikitext
text/x-wiki
#REDIRECIONAMENTO [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/I]]
lfjlshrx1scuzj81019wxak6n68kmpo
Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/2
106
256412
560069
559701
2026-08-21T16:09:45Z
Erick Soares3
19404
560069
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|45em|align=right}}</noinclude>{{left|'''Preâmbulo'''}}
{{dhr}}
O sonho de alcançar o céu, de poder sobrevoar o mundo, de olhar de longe
a terra à qual parecemos estar visceralmente ligados, sempre povoou o imaginário
do ser humano. Quem nunca sonhou ter asas? Muito antes de assistirmos à
heroína de George R. R. Martin, Daenerys Targaryen, voar amparada no seu
dragão Drogon, ou de vermos o pequeno Bastian de ''História Interminável'' vencer
o vento montado no seu companheiro Falkor, já os antigos mesopotâmios tinham
criado a sua própria narrativa sobre um herói que cruzou os céus com o auxílio
de uma águia. As várias cópias que chegaram até nós da composição acádica hoje
conhecida como ''Mito de Etana'' comprovam a sua importância, permanência e
transversalidade ao longo da história desta civilização.
Dos vários exemplares cuneiformes hoje conhecidos, os mais antigos provêm
do período paleobabilónico<ref>Segundo a cronologia média, que aqui seguimos (BRISCH, Nicole Mesopotamian history: the basics. In ''Ancient''
''Mesopotamian Gods and Goddesses''. Oract and the UK Higher Education Academy, 2013. Acedido em Julho de 2022, http://oracc.museum.upenn.edu/amgg/mesopotamianhistory/), o período paleobabilónico decorre na primeira metade do II
milénio a.C., entre c. 2004 e c. 1595 a.C., data em que a cidade da Babilónia, à altura capital de um verdadeiro império
fundado pelo célebre Hammu-rabi, é tomada pelo poder hitita. Para um apanhado dos episódios narrados nas várias
cópias, vide ALSTER, Bendt — The textual history of the Legend of Etana. ''Journal of the American Oriental Society''. 109:1
(1989) 82. Sobre a proveniência das tabuinhas, vide DALLEY, Stephanie — ''Myths from Mesopotamia. Creation, the flood,''
''Gilgamesh and others''. Oxford: Oxford University Press, 1991, p. 189 e NOVOTNY, Jamie — ''The standard babylonian Etana''
''Epic''. Pennsylvania: Penn State University Press, 2001, p. ix.</ref>, oriundos das cidades de Tell Harmal e de Susa, outros
são datados do período mesoassírio<ref>O período mesoassírio, não tão bem conhecido como o anterior devido à comparativamente menor quantidade de fontes
disponíveis, desenvolveu-se entre c. de 1350 e c. 1000 a.C.</ref>, tendo sido encontrados na cidade de Ashur,
e os mais recentes foram exumados em Nínive e pertencem à fase de apogeu do
império neoassírio<ref>O período neoassírio corresponde, tal como o nome indica, a uma fase histórica marcada pela hegemonia da Assíria, que se
estendeu de c. 900 a c. 612 a. C. Durante este longo período, a Assíria conheceu diferentes capitais, entre as quais a cidade
de Nínive, famosa, entre outros aspetos, pela biblioteca de Assurbanípal.</ref>. De entre as versões destes três períodos, a mais completa é, sem
dúvida, a última, também conhecida como versão babilónica ''standard'', editada por
Jamie R. Novotny na coleção ''State Archives of Assyria Cuneiform Texts'' (''SAACT'')<ref>''Etana Epic'' (2001). Esta recensão inclui cerca de catorze exemplares neoassírios encontrados precisamente na biblioteca
de Assurbanípal. Embora haja lacunas nalgumas partes do texto, Novotny não a reconstruiu, como é usualmente
costume entre assiriólogos, partindo das antigas versões paleo-babilónica e mesoassíria. Este aspeto deve-se ao facto
de estas duas versões anteriores não apresentarem uma linha de transmissão direta entre ambas e entre a versão mais
tardia, incorporando cada qual as suas próprias idiossincrasias e a sua visão da narrativa. Como tal, em conjunto, não
representariam um todo harmonioso.</ref>, que seguiremos no estudo aqui apresentado. Porém, as várias tabuinhas de que dispomos não sobreviveram completas, pelo que a história narrada continua a suscitar
algumas dúvidas, sobretudo no que se refere ao seu final.
Etana, o protagonista, surge como o escolhido pela esfera divina, já depois de criados os alicerces do mundo, para exercer a realeza. Natural da cidade de Kiš,<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''166'''}}</noinclude>
9vc9lu6wxdcfrzvcn091z3sxmdwn0b7
560070
560069
2026-08-21T16:09:59Z
Erick Soares3
19404
560070
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|42em|align=right}}</noinclude>{{left|'''Preâmbulo'''}}
{{dhr}}
O sonho de alcançar o céu, de poder sobrevoar o mundo, de olhar de longe
a terra à qual parecemos estar visceralmente ligados, sempre povoou o imaginário
do ser humano. Quem nunca sonhou ter asas? Muito antes de assistirmos à
heroína de George R. R. Martin, Daenerys Targaryen, voar amparada no seu
dragão Drogon, ou de vermos o pequeno Bastian de ''História Interminável'' vencer
o vento montado no seu companheiro Falkor, já os antigos mesopotâmios tinham
criado a sua própria narrativa sobre um herói que cruzou os céus com o auxílio
de uma águia. As várias cópias que chegaram até nós da composição acádica hoje
conhecida como ''Mito de Etana'' comprovam a sua importância, permanência e
transversalidade ao longo da história desta civilização.
Dos vários exemplares cuneiformes hoje conhecidos, os mais antigos provêm
do período paleobabilónico<ref>Segundo a cronologia média, que aqui seguimos (BRISCH, Nicole Mesopotamian history: the basics. In ''Ancient''
''Mesopotamian Gods and Goddesses''. Oract and the UK Higher Education Academy, 2013. Acedido em Julho de 2022, http://oracc.museum.upenn.edu/amgg/mesopotamianhistory/), o período paleobabilónico decorre na primeira metade do II
milénio a.C., entre c. 2004 e c. 1595 a.C., data em que a cidade da Babilónia, à altura capital de um verdadeiro império
fundado pelo célebre Hammu-rabi, é tomada pelo poder hitita. Para um apanhado dos episódios narrados nas várias
cópias, vide ALSTER, Bendt — The textual history of the Legend of Etana. ''Journal of the American Oriental Society''. 109:1
(1989) 82. Sobre a proveniência das tabuinhas, vide DALLEY, Stephanie — ''Myths from Mesopotamia. Creation, the flood,''
''Gilgamesh and others''. Oxford: Oxford University Press, 1991, p. 189 e NOVOTNY, Jamie — ''The standard babylonian Etana''
''Epic''. Pennsylvania: Penn State University Press, 2001, p. ix.</ref>, oriundos das cidades de Tell Harmal e de Susa, outros
são datados do período mesoassírio<ref>O período mesoassírio, não tão bem conhecido como o anterior devido à comparativamente menor quantidade de fontes
disponíveis, desenvolveu-se entre c. de 1350 e c. 1000 a.C.</ref>, tendo sido encontrados na cidade de Ashur,
e os mais recentes foram exumados em Nínive e pertencem à fase de apogeu do
império neoassírio<ref>O período neoassírio corresponde, tal como o nome indica, a uma fase histórica marcada pela hegemonia da Assíria, que se
estendeu de c. 900 a c. 612 a. C. Durante este longo período, a Assíria conheceu diferentes capitais, entre as quais a cidade
de Nínive, famosa, entre outros aspetos, pela biblioteca de Assurbanípal.</ref>. De entre as versões destes três períodos, a mais completa é, sem
dúvida, a última, também conhecida como versão babilónica ''standard'', editada por
Jamie R. Novotny na coleção ''State Archives of Assyria Cuneiform Texts'' (''SAACT'')<ref>''Etana Epic'' (2001). Esta recensão inclui cerca de catorze exemplares neoassírios encontrados precisamente na biblioteca
de Assurbanípal. Embora haja lacunas nalgumas partes do texto, Novotny não a reconstruiu, como é usualmente
costume entre assiriólogos, partindo das antigas versões paleo-babilónica e mesoassíria. Este aspeto deve-se ao facto
de estas duas versões anteriores não apresentarem uma linha de transmissão direta entre ambas e entre a versão mais
tardia, incorporando cada qual as suas próprias idiossincrasias e a sua visão da narrativa. Como tal, em conjunto, não
representariam um todo harmonioso.</ref>, que seguiremos no estudo aqui apresentado. Porém, as várias tabuinhas de que dispomos não sobreviveram completas, pelo que a história narrada continua a suscitar
algumas dúvidas, sobretudo no que se refere ao seu final.
Etana, o protagonista, surge como o escolhido pela esfera divina, já depois de criados os alicerces do mundo, para exercer a realeza. Natural da cidade de Kiš,<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''166'''}}</noinclude>
mnvvkkd47r1utw0g1ppe9ro2qduv8bc
560071
560070
2026-08-21T16:10:10Z
Erick Soares3
19404
560071
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|40em|align=right}}</noinclude>{{left|'''Preâmbulo'''}}
{{dhr}}
O sonho de alcançar o céu, de poder sobrevoar o mundo, de olhar de longe
a terra à qual parecemos estar visceralmente ligados, sempre povoou o imaginário
do ser humano. Quem nunca sonhou ter asas? Muito antes de assistirmos à
heroína de George R. R. Martin, Daenerys Targaryen, voar amparada no seu
dragão Drogon, ou de vermos o pequeno Bastian de ''História Interminável'' vencer
o vento montado no seu companheiro Falkor, já os antigos mesopotâmios tinham
criado a sua própria narrativa sobre um herói que cruzou os céus com o auxílio
de uma águia. As várias cópias que chegaram até nós da composição acádica hoje
conhecida como ''Mito de Etana'' comprovam a sua importância, permanência e
transversalidade ao longo da história desta civilização.
Dos vários exemplares cuneiformes hoje conhecidos, os mais antigos provêm
do período paleobabilónico<ref>Segundo a cronologia média, que aqui seguimos (BRISCH, Nicole Mesopotamian history: the basics. In ''Ancient''
''Mesopotamian Gods and Goddesses''. Oract and the UK Higher Education Academy, 2013. Acedido em Julho de 2022, http://oracc.museum.upenn.edu/amgg/mesopotamianhistory/), o período paleobabilónico decorre na primeira metade do II
milénio a.C., entre c. 2004 e c. 1595 a.C., data em que a cidade da Babilónia, à altura capital de um verdadeiro império
fundado pelo célebre Hammu-rabi, é tomada pelo poder hitita. Para um apanhado dos episódios narrados nas várias
cópias, vide ALSTER, Bendt — The textual history of the Legend of Etana. ''Journal of the American Oriental Society''. 109:1
(1989) 82. Sobre a proveniência das tabuinhas, vide DALLEY, Stephanie — ''Myths from Mesopotamia. Creation, the flood,''
''Gilgamesh and others''. Oxford: Oxford University Press, 1991, p. 189 e NOVOTNY, Jamie — ''The standard babylonian Etana''
''Epic''. Pennsylvania: Penn State University Press, 2001, p. ix.</ref>, oriundos das cidades de Tell Harmal e de Susa, outros
são datados do período mesoassírio<ref>O período mesoassírio, não tão bem conhecido como o anterior devido à comparativamente menor quantidade de fontes
disponíveis, desenvolveu-se entre c. de 1350 e c. 1000 a.C.</ref>, tendo sido encontrados na cidade de Ashur,
e os mais recentes foram exumados em Nínive e pertencem à fase de apogeu do
império neoassírio<ref>O período neoassírio corresponde, tal como o nome indica, a uma fase histórica marcada pela hegemonia da Assíria, que se
estendeu de c. 900 a c. 612 a. C. Durante este longo período, a Assíria conheceu diferentes capitais, entre as quais a cidade
de Nínive, famosa, entre outros aspetos, pela biblioteca de Assurbanípal.</ref>. De entre as versões destes três períodos, a mais completa é, sem
dúvida, a última, também conhecida como versão babilónica ''standard'', editada por
Jamie R. Novotny na coleção ''State Archives of Assyria Cuneiform Texts'' (''SAACT'')<ref>''Etana Epic'' (2001). Esta recensão inclui cerca de catorze exemplares neoassírios encontrados precisamente na biblioteca
de Assurbanípal. Embora haja lacunas nalgumas partes do texto, Novotny não a reconstruiu, como é usualmente
costume entre assiriólogos, partindo das antigas versões paleo-babilónica e mesoassíria. Este aspeto deve-se ao facto
de estas duas versões anteriores não apresentarem uma linha de transmissão direta entre ambas e entre a versão mais
tardia, incorporando cada qual as suas próprias idiossincrasias e a sua visão da narrativa. Como tal, em conjunto, não
representariam um todo harmonioso.</ref>, que seguiremos no estudo aqui apresentado. Porém, as várias tabuinhas de que dispomos não sobreviveram completas, pelo que a história narrada continua a suscitar
algumas dúvidas, sobretudo no que se refere ao seu final.
Etana, o protagonista, surge como o escolhido pela esfera divina, já depois de criados os alicerces do mundo, para exercer a realeza. Natural da cidade de Kiš,<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''166'''}}</noinclude>
kfjygins1o3o1bs5i4yxt4zdujfzom7
Galeria:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf
104
256419
559970
559902
2026-08-21T12:03:50Z
BlitzkriegBoop
37692
559970
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Charneca em Flor]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Florbela Espanca|Florbela Espanca]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=2
|Volume=
|Editora=Livraria A. Gonçalves
|Gráfica=
|Local=Coimbra
|Ano=1931
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=MS
|Páginas=<pagelist 1="capa" 2to10="-" 3="falsa folha de rosto" 5="[prancha]" 7="folha de rosto" 11="7" 99to100="índice" 101to103="-" 103="contracapa" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/99}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/100}}
|Epígrafe={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/10}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1931]]
nw42p1gkxbzct7ty8epdbvhgyh9xbi0
559988
559970
2026-08-21T15:07:09Z
BlitzkriegBoop
37692
559988
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Charneca em Flor]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Florbela Espanca|Florbela Espanca]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=2
|Volume=
|Editora=Livraria A. Gonçalves
|Gráfica=
|Local=Coimbra
|Ano=1931
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=V
|Páginas=<pagelist 1="capa" 2to10="-" 3="falsa folha de rosto" 5="[prancha]" 7="folha de rosto" 11="7" 99to100="índice" 101to103="-" 103="contracapa" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/99}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/100}}
|Epígrafe={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/10}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1931]]
lodnj8lmjk2hkiislpvc08xjgh1x9fz
560052
559988
2026-08-21T15:37:00Z
BlitzkriegBoop
37692
epígrafe actualizada
560052
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Charneca em Flor]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Florbela Espanca|Florbela Espanca]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=2
|Volume=
|Editora=Livraria A. Gonçalves
|Gráfica=
|Local=Coimbra
|Ano=1931
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=V
|Páginas=<pagelist 1="capa" 2to10="-" 3="falsa folha de rosto" 5="[prancha]" 7="folha de rosto" 11="7" 99to100="índice" 101to103="-" 103="contracapa" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/99}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/100}}
|Epígrafe={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/1}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/3}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/4}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/5}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/7}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/9}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/10}}
{{page break|label=}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1931]]
dgp52rhig750c2lp2sd9s2dwk9oyciy
560056
560052
2026-08-21T15:40:12Z
BlitzkriegBoop
37692
560056
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Charneca em Flor]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Florbela Espanca|Florbela Espanca]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=2
|Volume=
|Editora=Livraria A. Gonçalves
|Gráfica=
|Local=Coimbra
|Ano=1931
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=V
|Páginas=<pagelist 1="capa" 2to10="-" 3="falsa folha de rosto" 5="[prancha]" 7="folha de rosto" 11="7" 99to100="índice" 101to103="-" 103="contracapa" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/99}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/100}}
|Epígrafe={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/1}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/3}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/4}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/5}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/7}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/9}}
{{page break|label=}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1931]]
qosqemxjd9lv07qzooi4yu9kycrlx5v
560057
560056
2026-08-21T15:41:00Z
BlitzkriegBoop
37692
560057
proofread-index
text/x-wiki
{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template
|Type=book
|Título=[[Charneca em Flor]]
|Subtítulo=
|Language=pt
|Autor=[[Autor:Florbela Espanca|Florbela Espanca]]
|Tradutor=
|Editor=
|Ilustrador=
|Edição=2
|Volume=
|Editora=Livraria A. Gonçalves
|Gráfica=
|Local=Coimbra
|Ano=1931
|ISBN=
|Fonte=
|Imagem=
|Capa=1
|Progresso=V
|Páginas=<pagelist 1="capa" 2to10="-" 3="falsa folha de rosto" 5="[prancha]" 7="folha de rosto" 11="7" 99to100="índice" 101to103="-" 103="contracapa" />
|Tomos=
|Volumes=
|Notas=
|Sumário={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/99}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/100}}
|Epígrafe={{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/1}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/3}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/4}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/5}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/7}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/8}}
{{page break|label=}}
{{Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/9}}
{{page break|label=}}
|Width=
|Css=
|Header=
|Footer=
|Modernização=N
}}
[[Categoria:Originais de edições impressas em 1931]]
etolfv7tw742r0e340xqusumyxze243
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/100
106
256421
559971
559759
2026-08-21T12:11:04Z
BlitzkriegBoop
37692
559971
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|''96''|{{uc|Indice}}|}}
{{lh}}{{dhr}}
{{tabela|largura=40
|nodots
|página=''Pag.''
}}</noinclude>{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/O teu olhar|O teu olhar]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/80|76]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Noite de chuva|Noite de chuva]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/81|77]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Tarde de música|Tarde de música]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/82|78]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Chopin|Chopin]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/83|79]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/O meu desejo|O meu desejo]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/84|80]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Escrava|Escrava]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/85|81]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Divino instante|Divino instante]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/86|82]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Silêncio!|Silêncio!]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/87|83]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/O maior bem|O maior bem]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/88|84]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Os meus versos|Os meus versos]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/89|85]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Amor que morre|Amor que morre]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/90|86]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Sôbre a neve|Sôbre a neve]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/91|87]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Eu não sou de ninguem|Eu não sou de ninguem]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/92|88]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Vão orgulho|Vão orgulho]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/93|89]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Último sonho de Sóror Saudade|Último sonho de Sóror Saudade]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/94|90]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Esquecimento|Esquecimento]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/95|91]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Loucura|Loucura]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/96|92]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/Deixai entrar a Morte|Deixai entrar a Morte]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/97|93]]}}
{{tabela|largura=40|título=[[Charneca em Flor/A' Morte|A' Morte]]
|página=[[Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/98|94]]}}
{{dhr|6em}}
{{C|[[file:Asterisk deco.svg|70px|ornamento tipográfico]]}}<noinclude></noinclude>
0ilqzy0ougymohr2s3k40ec4hp8jao1
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/94
106
256592
559968
559963
2026-08-21T12:01:48Z
BlitzkriegBoop
37692
559968
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|''90''|''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|Ultimo sonho de «Sóror Saudade»}}
{{dhr}}
{{bloco centro|
{{D|{{smaller|{{SC|Áquele que se perdera no caminho...}}}}}}
{{dhr}}
<poem>
{{gcapitular|S}}óror Saudade abriu a sua cela...
E, num encanto que ninguem traduz,
Despiu o manto negro que era dela,
Seu vestido de noiva de Jesus.
E a noite escura, extasiada, ao vê-la,
As brancas mãos no peito quasi em cruz,
Teve um brilhar feérico de estrela
Que se esfolhasse em pétalas de luz!
Sóror Saudade olhou... Que olhar profundo
Que sonha e espera?... Ah! como é feio o mundo,
E os homens vãos! ― Então, devagarinho,
Sóror Saudade entrou no seu convento...
E, até morrer, resou, sem um lamento,
Por ''Um'' que se perdera no caminho!...
</poem>}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ri08hjtpf7qlvzio10zriuee37l14w3
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/95
106
256593
559964
2026-08-21T11:59:45Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
559964
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|''91''}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|Quem sabe?...}}
{{dh3}}
{{bloco centro|
<poem>
{{gcapitular|Ê}}sse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar'ceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longinqua toda a claridade!
Ceguei,... tateio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de rôxo e negro os crisantemos...
E dêsse que era meu já me não lembro...
Ah, a dôce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
</poem>}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
foa99yqvt44vewrmvn6svti06s7gnqr
559966
559964
2026-08-21T12:00:23Z
BlitzkriegBoop
37692
559966
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|''91''}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|Quem sabe?...}}
{{dhr|3em}}
{{bloco centro|
<poem>
{{gcapitular|Ê}}sse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar'ceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longinqua toda a claridade!
Ceguei,... tateio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de rôxo e negro os crisantemos...
E dêsse que era meu já me não lembro...
Ah, a dôce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...
</poem>}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
4n61igi2eol5ymkdomtb6ag1o3wdx3k
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/96
106
256594
559967
2026-08-21T12:01:29Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
559967
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh|''92''|''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|}}{{lh}}</noinclude>{{Ch|Loucura}}
{{dhr|3em}}
{{bloco centro|
<poem>
{{gcapitular|T}}udo cai! Tudo tomba! Derrocada
Pavorosa! Não sei onde era dantes.
Meu solar, meus palácios, meus mirantes!
Não sei de nada, Deus, não sei de nada!...
Passa em tropel febril a cavalgada
Das paixões e loucuras triunfantes!
Rasgam-se as sêdas, quebram-se os diamantes!
Não tenho nada, Deus, não tenho nada!...
Pesadelos de insónia, ébrios de anseio!
Loucura a esboçar-se, a enegrecer
Cada vez mais as trevas do meu seio!
Ó pavoroso mal de ser sósinha!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro da minha!
</poem>}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ccu3ji0le0cqa29cmgun3gtawozu6w3
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/97
106
256595
559969
2026-08-21T12:03:06Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
559969
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{rh||''{{uc|Reliequi{{ae|1}}}}''|''93''}}{{lh}}</noinclude>{{ch|Deixae entrar a Morte}}
{{dhr|3em}}
{{bloco centro|
<poem>
{{gcapitular|D}}eixae entrar a Morte, a Iluminada,
A que vem para mim, p'ra me levar.
Abri todas as portas par em par
Como asas a bater em revoada.
Que sou eu neste mundo? A desherdada,
A que prendeu nas mãos todo o luar,
A vida inteira, o sonho, a terra, o mar
E que, ao abri-las, não encontrou nada!
Ó Mãe! Ó minha Mãe, p'ra que nasceste?
Entre agonias e em dôres tamanhas
P'ra que foi, dize lá, que me trouxeste
Dentro de ti?... P'ra que eu tivesse sido
Sómente o fruto amargo das entranhas
Dum lírio que em má hora foi nascido!...
</poem>}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
df6i823nc85pg51aqda2zsous2p8rgm
Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/161
106
256596
559973
2026-08-21T13:51:32Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559973
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|153|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ferencia, os viajantes nāo podiam delinear. Ter-se-ia acaso modificado a direcçāo do projectil, quer pela influencia da attracçāo lunar, quer pela acçāo de algum astro desconhecido? É o
que Barbicane nāo podia dizer. Mas o caso é que tinha occorrido alguma mudança na posiçāo relativa do vehiculo, e que
Barbicane verificou o facto por volta das quatro da manhā.
Consistia esta mudança em que a culatra do projectil se voltára para a superficie da Lua e se mantinha na perpendicular
que passava pelo eixo dʼesta. Fóra a attracçāo, tanto vale dizer
a gravidade, a causa dʼesta modificaçāo. Inclinava-se para o
disco a parte mais pesada da bala, exactamente como se fôsse
caindo sobre elle.
E cairia porventura? Estariam acaso os viajantes nos termos
de alcançar o tāo desejado alvo? Nāo. A observaçāo de um
ponto de referencia, aliás pouco explicavel, veiu demonstrar a
Barbicane que o projectil nāo se aproximava da Lua, senāo
que descrevia em seu movimento uma curva aproximadamente
concentrica com este astro.
O porto de referencia a que alludimos foi uma explosāo luminosa que Nicholl divisou de subito no limite do horisonte
formado pelo disco negro. Este ponto luminoso nāo podia confundir-se com uma estrella. Era uma incandescencia avermelhada, que ia pouco e pouco augmentando de volume, facto que
era prova incontestavel de que o projectil se movia para ella, e
de que nāo caia normalmente na superficie do astro.
— Um vulcāo! é um vulcāo em actividade! exclamou Nicholl;
um derramamento de fogo interno da Lua! Nāo está pois ainda
de todo apagado o mundo lunar.
— Sim! é uma erupçāo, respondeu Barbicane, que estudava
cuidadosamente o phenomeno com a sua luneta de noite. Com
effeito, se nāo fosse um vulcāo, que havia de ser?
— Mas sendo assim, disse Miguel Ardan, para alimentar
aquella combustāo é necessario ar. Por consequencia está
aquella parte da Lua envolvida por uma atmosphera.
— Talvez, respondeu Barbicane, mas nāo é força que assim
seja. Um vulcāo póde pela decomposiçāo de certas substancias<noinclude></noinclude>
bjn81d1nbmst0e452dba5kmnx733972
Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/162
106
256597
559974
2026-08-21T13:55:07Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559974
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|154|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>fornecer a si proprio o oxygenio comburente, e produzir assim
labaredas no vacuo. Até me parece que aquella deflagraçāo tem
a intensidade calorifica e luminosa propria das combustōes que
se realisam no oxygenio puro. Por consequencia, nāo nos démos
pressa em affirmar a existencia de uma atmosphera lunar.
A montanha ignivoma devia estar situada aproximadamente
a quarenta e cinco graus de latitude sul da parte invisivel do
disco. Mas, com grande zanga de Barbicane, a curva descripta
pelo projectil levava-o para longe do ponto caracterisado pela
erupçāo, e por consequencia nāo lhe foi possivel determinar a
natureza dʼella. Meia hora depois de ter sido avistado, desapparecía o ponto luminoso por traz do horisonte escuro. No entretanto a verificaçāo de um phenomeno de tal ordem era já
facto de consideraçāo para os estudos selenographicos, porque
provava que o calorico nāo desapparecéra ainda de todo das
entranhas do globo lunar, e porque, onde existe o calor, ninguem póde affirmar que o reino vegetal, e até mesmo o reino
animal, nāo tenha até agora resistido a quaesquer influencias
destructivas. Se algum dia os homens da sciencia da Terra
viessem a reconhecer sem contestaçāo a existencia dʼaquelle
vulcāo em actividade, dʼesse facto sairiam sem duvida muitos
argumentos favoraveis á soluçāo affirmativa do espinhoso problema da habitalidade da Lua.
Barbicane deixara-se absorver pelas proprias reflexōes.
Estava como que esquecido e engolphado em silenciosa meditaçāo, em que se lhe agitavam no cerebro os mysteriosos destinos do mundo lunar, e buscava estabelecer ligaçāo entre os
differentes factos que até entāo observára, quando um novo incidente o trouxe de repente á realidade.
E este incidente era mais que um phenomeno cosmico, era
um perigo ameaçador cujas consequencias podiam ser funestas.
De subito, no meio do ether, nʼaquellas profundas trevas, apparecêra uma massa enorme. Era como que uma Lua, mas uma
Lua incandescente, e com um fulgor tanto mais insustentavel,
que contrastava viva e até brutalmente com a obscuridade ab-<noinclude></noinclude>
0dfwtw16ahjnd8z2z7w0gs44i7y878h
Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/163
106
256598
559975
2026-08-21T13:59:56Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559975
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|155|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>soluta do espaço. Aquella massa, cuja fórma era circular, irradiava luz tal que enchia o projectil. Os rostos de Barbicane, de
Nicholl e de Miguel Ardan, violentamente illuminados por aquelles brancos jactos de luz, tomaram a apparencia espectral, livida, desbotada que os physicos produzem com uma luz artificial, queimando alcool impregnado de sal.
— Com mil diabos! exclamou Miguel Ardan, mas é que estamos hediondos! Que diabo de Lua de mau encontro é esta?
— É um bolido, respondeu Barbicane.
— Um bolido inflammado no vasio?
— Sim.
O globo de fogo era com effeito um bolido. Barbicane nāo se
enganava. Mas aquelles meteoros cosmicos, que, observados da
Terra apresentam uma luz um pouco inferior á da Lua, aqui,
no sombrio ether, eram resplandecentes. Aquelles corpos errantes trazem em si proprios o principio da sua incandescencia, e nāo precisam de ar para deflagrarem. E effectivamente,
se alguns dʼestes bolidos atravessam as camadas atmosphericas a duas ou tres leguas da Terra, ha outras, pelo contrario, que
descrevem as suas trajectorias a uma distancia a que nāo póde
existir atmosphera.
Taes aquelles bolidos que appareceram, em 27 de outubro
de 1844, á altura de cento e vinte e oito leguas, outro em 18
de agosto de 1841, que desappareceu á distancia de cento e
oitenta e duas leguas. Alguns dʼestes meteoros chegam a ter
tres ou quatro kilometros de diametro e a possuir velocidades
que alcançam até setenta e cinco kilometros por segundo <ref>A velocidade média do movimento da Terra, segundo a ecliptica, é apenas de
trinta kilometros por segundo.</ref>,
em direcçāo inversa ao movimento da Terra.
Aquelle globo cadente, e que de repente apparecera no escuro da sombra a uma distancia de pelo menos cem leguas, devia, segundo Barbicane, ter um diametro de dois mil metros.
Aproximava-se o bolido com uma velocidade de cerea de dois
kilometros por segundo, isto é, de trinta leguas por minuto, e<noinclude>
{{smallrefs}}</noinclude>
7cjhv4wvxdkl7jwj1owlnbz489418iv
Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/641
106
256599
559977
2026-08-21T14:04:37Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559977
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|593|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>O passo tardo com que avançavamos nos deixava lazer
para contemplar as bellezas da primavera brasileira. Plantas
brilhantes com passaros ainda mais brilhantes voejando em
derredor, flores suavemente odoriferas, laranjeiras e limoeiros
carregados de fructas sazonadas, formavam um bellissimo primeiro plano ás magnificas arvores silvestres que cobrem as planicies e revestem as encostas das collinas baixas nas vizinhanças de Pernambuco.
Aqui e ali descobre-se um pequeno espaço arroteado para
o plantio da mandioca, nesta estação dʼum verde exhuberante;
as choupanas de palha dos lavradores acham-se em geral á
beira da estrada e, na maioria, cada uma tem o seu pomarsinho
de mangueiras e laranjeiras.
Numa destas cazinhas encontramos um posto de guarda
assaz consideravel estabelecido na intersecção de quatro estradas; ali deixou-nos o nosso guia pedestre e passamos a ser
acompanhados por um joven official dos Caçadores brasileiros,
de aspecto distincto, que nos entreteve pelo caminho chamando
a Luiz do Rego de tyranno, e attribuindo o assedio do Recife
inteiramente á obstinação do governador em não se alliar ao
povo da provincia na tarefa de liberta-la do dominio do seu
senhor.
Em volta do posto de guarda raparigas negras, com largos
céstos chatos nas cabeças, vendiam fructas engua fresca: tinham
coberto os seus cabellos lanudos e as bordas dos cêstos de grinaldas de althéa escarlate, e com os seus chales azul-claros ou
brancos graciosamente atirados por sobre os seus hombros escuros e as suas saias brancas, offereciam um quadro como os
primitivos conquistadores hespanhóes poderiam ter traçado do
seu Eldorado.
Depois de cavalgarmos algumas milhas chegamos de repente ao sopé dʼuma collina abrupta, em cujas fraldas viam-se
espalhados grupos das arvores mais magnificas que jamais
ohservei.
Ali deparamos com uma pequena patrulha que, depois de
parlamentar com o nosso guia, antes nos ordenou do que nos
nos convidou a proseguir.
Em poucos segundos chegamos a una empinada barranca
de grez amarello, sombreada dʼum lado por altas arvores e<noinclude></noinclude>
28h3yn74cfvt0ty2via30r2e182vro1
559978
559977
2026-08-21T14:04:51Z
Erick Soares3
19404
559978
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|593|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>O passo tardo com que avançavamos nos deixava lazer
para contemplar as bellezas da primavera brasileira. Plantas
brilhantes com passaros ainda mais brilhantes voejando em
derredor, flores suavemente odoriferas, laranjeiras e limoeiros
carregados de fructas sazonadas, formavam um bellissimo primeiro plano ás magnificas arvores silvestres que cobrem as planicies e revestem as encostas das collinas baixas nas vizinhanças de Pernambuco.
Aqui e ali descobre-se um pequeno espaço arroteado para
o plantio da mandioca, nesta estação dʼum verde exhuberante;
as choupanas de palha dos lavradores acham-se em geral á
beira da estrada e, na maioria, cada uma tem o seu pomarsinho
de mangueiras e laranjeiras.
Numa destas cazinhas encontramos um posto de guarda
assaz consideravel estabelecido na intersecção de quatro estradas; ali deixou-nos o nosso guia pedestre e passamos a ser
acompanhados por um joven official dos Caçadores brasileiros,
de aspecto distincto, que nos entreteve pelo caminho chamando
a Luiz do Rego de tyranno, e attribuindo o assedio do Recife
inteiramente á obstinação do governador em não se alliar ao
povo da provincia na tarefa de liberta-la do dominio do seu
senhor.
Em volta do posto de guarda raparigas negras, com largos
céstos chatos nas cabeças, vendiam fructas engua fresca: tinham
coberto os seus cabellos lanudos e as bordas dos cêstos de grinaldas de althéa escarlate, e com os seus chales azul-claros ou
brancos graciosamente atirados por sobre os seus hombros escuros e as suas saias brancas, offereciam um quadro como os
primitivos conquistadores hespanhóes poderiam ter traçado do
seu Eldorado.
Depois de cavalgarmos algumas milhas chegamos de repente ao sopé dʼuma collina abrupta, em cujas fraldas viam-se
espalhados grupos das arvores mais magnificas que jamais
observei.
Ali deparamos com uma pequena patrulha que, depois de
parlamentar com o nosso guia, antes nos ordenou do que nos
nos convidou a proseguir.
Em poucos segundos chegamos a una empinada barranca
de grez amarello, sombreada dʼum lado por altas arvores e<noinclude></noinclude>
pvp85y95ank39prsdqlq51daxikq3r9
Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/642
106
256600
559979
2026-08-21T14:09:07Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559979
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|594|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>aberta do outro para um lago cercado de collinas arborisadas,
nas mais distantes das quaes os edificios brancos de Olinda scintillavam como neve.
No topo da barranca e no acto de descé-la, estava um
grupo dʼuns quarenta cavalleiros, empunhando um dos da
frente uma bandeira branca; varios delles trajavam esplendidos uniformes militares, outros.as vestes simples dos proprietarios ruraes.
Eram deputados da Parahyba em caminho para propor
condicções a Luiz do Rego; acabavam de deixar o quartel-general do exercito sitiante, onde estacionava o governo provisorio de Goyanna, e vinham acompanhados dʼuma guarda de
honra; depois de trocados os cumprimentos, parte da guarda
regressou comnosco e os deputados seguiram o seu caminho.
Tendo alcançado o topo da collina deparamos com uns
cem homens, toleravelmente armados mas extranhamente vestidos, á nossa espera, e ali nos demoramos enquanto o nosso
guia se adiantava afim de pedir permissão para nos conduzir ao
quartel-general. Lamentei não ter meios para esboçar qualquer parte da linda paizagem que, além dos admiraveis aspectos já mencionados, apresentava ali um largo rio sobre o qual
passava uma branca ponte de pedra de varios arcos; numa das
extremidades elevava-se uma grande casa, mais semelhante a
um palacio, com arcadas e corredores, e em volta o acampamento do exercito patriota e os piquetes de cavallaria davam um
estrepito e uma animação que raras vezes costuma adornar tão
bello scenario.
O nosso guia regressou em breve com dezoito ou vinte
soldados montados, de apparencia mais selvagem do que militar; a guarda apresentou armas, nos despedimos della e logo
começamos a descer a trote a collina em direcção ao grosso
das tropas.
Quando muito duzentos homens tinham armas e equipamentos de soldados; mas, havia trajes e armas de toda a qualidade: de couro, de panno e de linho, jaquetas curtas e longos
capotes escossezes, e nas faces todas as cambiantes de côr, desde
o pallido europeu ao africano côr de ebano.
Estes regimentos esfarrapados nos prestaram as honras
militares, e fomos conduzidos para a praça do palacio onde<noinclude></noinclude>
4tf2uu47bp8pei64m7o02vunfho04pw
559983
559979
2026-08-21T14:18:15Z
Erick Soares3
19404
559983
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|594|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>aberta do outro para um lago cercado de collinas arborisadas,
nas mais distantes das quaes os edificios brancos de Olinda scintillavam como neve.
No topo da barranca e no acto de descé-la, estava um
grupo dʼuns quarenta cavalleiros, empunhando um dos da
frente uma bandeira branca; varios delles trajavam esplendidos uniformes militares, outros.as vestes simples dos proprietarios ruraes.
Eram deputados da Parahyba em caminho para propor
condicções a Luiz do Rego; acabavam de deixar o quartel-general do exercito sitiante, onde estacionava o governo provisorio de Goyanna, e vinham acompanhados dʼuma guarda de
honra; depois de trocados os cumprimentos, parte da guarda
regressou comnosco e os deputados seguiram o seu caminho.
Tendo alcançado o topo da collina deparamos com uns
cem homens, toleravelmente armados mas extranhamente vestidos, á nossa espera, e ali nos demoramos enquanto o nosso
guia se adiantava afim de pedir permissão para nos conduzir ao
quartel-general. Lamentei não ter meios para esboçar qualquer parte da linda paizagem que, além dos admiraveis aspectos já mencionados, apresentava ali um largo rio sobre o qual
passava uma branca ponte de pedra de varios arcos; numa das
extremidades elevava-se uma grande casa, mais semelhante a
um palacio, com arcadas e corredores, e em volta o acampamento do exercito patriota e os piquetes de cavallaria davam um
estrepito e uma animação que raras vezes costuma adornar tão
bello scenario.
O nosso guia regressou em breve com dezoito ou vinte
soldados montados, de apparencia mais selvagem do que militar; a guarda apresentou armas, nos despedimos della e logo
começamos a descer a trote a collina em direcção ao grosso
das tropas.
Quando muito duzentos homens tinham armas e equipamentos de soldados; mas, havia trajes e armas de toda a qualidade: de couro, de panno e de linho, jaquetas curtas e longos
capotes escossezes, e nas faces todas as cambiantes de côr, desde
o pallido europeu ao africano côr de ebano.
Estes regimentos esfarrapados nos prestaram as honras
militares, e fomos conduzidos para a praça do palacio onde {{PT||Mr. Dance e Mr. Caumont se apearam, emquanto que eu resolvi aguardar o resultado da conferencia no pateo em companhia
de meu primo.}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
jymw70ivy8o1biio322dogfu6vw9khi
Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/643
106
256601
559980
2026-08-21T14:13:16Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559980
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>[[File:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904) (page 643 crop).jpg|centro|400px]]
{{c|'''UMA REUNIAO DA JUNTA DE GOYANNA'''<br>''( Apud'' : {{sc|Rugendas}}.—Mal. Reise in Bras. )}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
mejbg4edu968wy0q50dvdobkhuvqamb
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/1
106
256602
559981
2026-08-21T14:17:03Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
559981
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;text-transform:uppercase;|fs=150%|Florbela Espanca}}
{{dhr|10em}}
{{C|style=font-family:serif;text-transform:uppercase;|fs=230%|Charneca em flor}}
{{dhr|9em}}
{{C|[[file:Poèmes en prose, Louis de Lyvron (page 63 crop).svg|ornamento tipográfico|30px]]}}<noinclude></noinclude>
4vxujgjmc34b2chjmi2hz8qo6pwo7ws
Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/645
106
256603
559982
2026-08-21T14:17:54Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
559982
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|595|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>{{PT|Mr. Dance e Mr. Caumont se apearam, emquanto que eu resolvi aguardar o resultado da conferencia no pateo em companhia
de meu primo.}}
Isto, entretanto, não foi permittido. Dentro de poucos
minutos veio um homenzinho vivo, fallando toleravelmente o
francez, e disse-me que o ''governo'' desejava a minha companhia.
Suspeitei um equivoco entre as palavras governo e governador
e procurei declinar a honra; mas, nenhuma desculpa foi aceita
eo homenxinho, que se nos apresentou como secretario do governo <ref>Era Felippe Meona Callado da Fonseca.</ref> ajudou-me a desmontar e conduzio-me ao palacio.
O vestibulo estava cheio de homens e cavallos, como uma cavallariça de quartel, excepto num canto que servia de hospital
para os feridos nas nltimas escaramuças, e aos gemidos destes
ultimos misturvam-se descortezmente as vozes alacres e ruidosas dos soldados.
As escadas estavam tão apinhadas que as subimos com difficuldade, e percebi então que nos iamos achar diante do governo provisorio em estado completo. Na extremidade dʼum
longo aposento sujo, que outrʼora fôra bonito conforme indicava a forma das janellas e as esculpturas do tecto onde se lobrigavam vestigios de côres e de dourados, havia um velho sofá
estofado de crina preta no centro do qual fui collocada, tendo
dʼum lado Mr. Dance e do outro Mr. Glennie; junto ao primeiro sentou-se o pequeno secretario e proximo a este o nosso
interprete em vetustas endeiras de espaldar; o resto da mobilia do aposento consistia de nove assentos de differentes fórmas
e tamanhos collocados em semi-arculo em frente do sofá e occupado cada um delles por um dos membros do governo provisorio, que representam o papel de senadores ou de generaes conforme o exige a occasião.
A todos elles fui apresentada; os nomes de Albuquerque,
Cavalcanti e Brederode surprehenderam-me; mas, ouvia-os
imperfeitamente e esqueci quasi todos; alguns dos membros
do governo traja vam bonitas fardas, outros as vestes mais modestas de agricultores.
{{nop}}<noinclude>{{rule|5em|align=left}}
{{smallrefs}}</noinclude>
6s93zyif1jpi7fzotm9rnaasa316e46
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/7
106
256604
559984
2026-08-21T14:40:33Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
559984
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>
<div style="text-align-last: center; font-family: serif;font-size:3em;letter-spacing: .6rem;">{{uc|'''Charneca'''}}</div>
<div style="text-align-last: center; font-family: serif;font-size:3em;letter-spacing: .6rem;word-spacing:2.5rem">{{uc|'''em Flor'''}}</div>
{{dhr|2em}}
{{C|fs=140%|{{uc|Sonetos}}}}
{{C|fs=140%|{{uc|de}}}}
{{C|fs=140%|{{uc|Florbela Espanca}}}}
{{dhr|5em}}
<div style="text-align-last: center; font-family: monospace;font-size:1.2em;letter-spacing: .3rem;word-spacing:.5rem">{{uc|Segunda edição}}</div>
<div style="text-align-last: center; font-family: monospace;font-size:1em;letter-spacing: .08rem;">com 28 sonetos inéditos</div>
{{dhr|10em}}
{{C|{{uc|Coimbra}}}}
{{C|MCMXXXI}}
{{C|{{uc|Livraria A. Gonçalves}}}}
{{C|{{uc|― Rua S. João, 60 ―}}}}<noinclude></noinclude>
8f15j1bz3cioh1mpyb0a0zdxk9orx5u
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/5
106
256605
559987
2026-08-21T15:06:54Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
559987
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|[[File:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931 - prancha.png|400px|Foto de Florbela Espanca a preto e branco. A escritora veste um casaco de peles e um colar de pérolas]]}}<noinclude></noinclude>
67bba0lqxp7b5kmov88ybrlwtz67kvv
Anexo:Imprimir/Arte da Lingua Brasilica
110
256606
560025
2026-08-21T15:25:27Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Versão para impressão}} <pages index="Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf" from=1 to=198 header=1 />
560025
wikitext
text/x-wiki
{{Versão para impressão}}
<pages index="Arte da língua brasílica (circa 1628).pdf" from=1 to=198 header=1 />
5mg1o2mkl56adb9jve657tt0v0dgoym
Página:Charneca em Flor - Florbela Espanca - 1931.pdf/8
106
256607
560058
2026-08-21T15:43:36Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560058
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|Registada na Conservatoria da propriedade literaria com o n.º 3. Lisboa, 19 ― 1 ― 931.}}
{{dhr|12em}}
{{C|―――― 1931 ―――――}}
{{C|{{uc|Imprensa Nacional}}}}
{{C|― de Jaime Vasconcelos ―}}
{{C|204, Rua José Falcão, 206}}
{{C|――― PORTO ――――}}<noinclude></noinclude>
7ra1hcgk55htqc7pnkq1ctlfhmzwhvf
Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/4
106
256608
560072
2026-08-21T16:20:47Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
560072
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|40em|align=right}}</noinclude>obteve sucesso, uma vez que como al se indica “Etana, the shepherd, who ascended to heaven and consolidated all the foreign countries, became king; he ruled for
[1500] years. Balih, the son of Etana, ruled for [400] years”<ref>''Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL)'' 2.1.1.</ref>. O ''Mito de Etana'' não
se esgota, contudo, no espaço-tempo que foi a antiga Mesopotâmia. Ao longo dos
séculos subsequentes à elaboração dos manuscritos acima referidos e ainda nos dias
que correm<ref>O folclore iraquia no é um exemplo disso. Vide ANNUS, Amar — Review Article. The folk-tales of Iraq and the literary traditions
of ancient Mesopotamia. ''Journal of Ancient Near Eastern Religions''. 9:1 (2009).</ref>, reconhecemos a existência de todo um conjunto de narrativas em
várias tradições distintas — gregas, egípcias, persas, curdas, iraquianas — que, embora
possam ter sido inspiradas em múltiplas fontes, contêm certamente influências
deste mito milenar. Em muitas destas histórias mais tardias está presente o motivo
da árvore habitada, quer junto às suas raízes quer na copa, por dois animais de perfil
distinto e que mutuamente se excluem (um voa, o outro rasteja), ou o motivo da
ascensão de um ser humano aos céus através do auxílio de um pássaro. Na realidade, é possível que na própria Mesopotâmia estes dois motivos fossem originalmente independentes, tendo sido posteriormente integrados numa mesma tradição
com o título ''ālaīṣirū ultaklilūšu'' (“eles planearam uma cidade e fizeram-na perfeita”)<ref>Note-se que o ''Mito de Etana'' é uma designação corrente. Aliás, debate-se ainda hoje a forma mais adequada de classificar
esta composição. Será um mito, uma lenda, ou uma curta epopeia? Na antiga Mesopotâmia, os textos literários eram
comummente designados a partir do seu primeiro verso.</ref>.
{{dhr}}
[[File:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?" (page 4 crop).jpg|centro|400px]]
{{dhr}}
{{left|{{smaller|'''Figura 1.''' Motivos representados no selo cilíndrico pertencente à coleção do British Museum (BM 129480), datado do período acádico. A esquerda, um homem no dorso de uma águia e, à direita, uma árvore em cuja copa se distingue uma águia (Desenho de Maria de Fátima Rosa, a partir do original).}}}}
{{dhr|2}}
Para se compreenderem verdadeiramente os episódios narrados em ''Etana'', é
preciso reconhecer a existência de uma intertextualidade entre as narrativas miticas
de origem suméria e acádica. De facto, os ''topoi'' literários que a composição apresenta já circulariam há muito<ref>É preciso referir que a maioria dos textos que chegou até ao presente faz parte de uma tradição que assenta na oralidade.</ref> entre os habitantes da Mesopotâmia quando foram
passados a escrito. Assim, tanto em composições literárias quanto no registo iconográfico, ainda no decurso do III milénio a.C, reconhecemos a mesma simbologia,<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''168'''}}</noinclude>
muwek41nrvibk2we93joaerxomajyke
560073
560072
2026-08-21T16:21:08Z
Erick Soares3
19404
560073
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|40em|align=right}}</noinclude>obteve sucesso, uma vez que como al se indica “Etana, the shepherd, who ascended to heaven and consolidated all the foreign countries, became king; he ruled for
[1500] years. Balih, the son of Etana, ruled for [400] years”<ref>''Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL)'' 2.1.1.</ref>. O ''Mito de Etana'' não
se esgota, contudo, no espaço-tempo que foi a antiga Mesopotâmia. Ao longo dos
séculos subsequentes à elaboração dos manuscritos acima referidos e ainda nos dias
que correm<ref>O folclore iraquia no é um exemplo disso. Vide ANNUS, Amar — Review Article. The folk-tales of Iraq and the literary traditions
of ancient Mesopotamia. ''Journal of Ancient Near Eastern Religions''. 9:1 (2009).</ref>, reconhecemos a existência de todo um conjunto de narrativas em
várias tradições distintas — gregas, egípcias, persas, curdas, iraquianas — que, embora
possam ter sido inspiradas em múltiplas fontes, contêm certamente influências
deste mito milenar. Em muitas destas histórias mais tardias está presente o motivo
da árvore habitada, quer junto às suas raízes quer na copa, por dois animais de perfil
distinto e que mutuamente se excluem (um voa, o outro rasteja), ou o motivo da
ascensão de um ser humano aos céus através do auxílio de um pássaro. Na realidade, é possível que na própria Mesopotâmia estes dois motivos fossem originalmente independentes, tendo sido posteriormente integrados numa mesma tradição
com o título ''ālaīṣirū ultaklilūšu'' (“eles planearam uma cidade e fizeram-na perfeita”)<ref>Note-se que o ''Mito de Etana'' é uma designação corrente. Aliás, debate-se ainda hoje a forma mais adequada de classificar
esta composição. Será um mito, uma lenda, ou uma curta epopeia? Na antiga Mesopotâmia, os textos literários eram
comummente designados a partir do seu primeiro verso.</ref>.
{{dhr}}
[[File:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?" (page 4 crop).jpg|centro|400px]]
{{dhr}}
{{left|{{smaller|'''Figura 1.''' Motivos representados no selo cilíndrico pertencente à coleção do British Museum (BM 129480), datado do período acádico. A esquerda, um homem no dorso de uma águia e, à direita, uma árvore em cuja copa se distingue uma águia (Desenho de Maria de Fátima Rosa, a partir do original).}}}}
{{dhr|2}}
Para se compreenderem verdadeiramente os episódios narrados em ''Etana'', é preciso reconhecer a existência de uma intertextualidade entre as narrativas miticas de origem suméria e acádica. De facto, os ''topoi'' literários que a composição apresenta já circulariam há muito<ref>É preciso referir que a maioria dos textos que chegou até ao presente faz parte de uma tradição que assenta na oralidade.</ref> entre os habitantes da Mesopotâmia quando foram passados a escrito. Assim, tanto em composições literárias quanto no registo iconográfico, ainda no decurso do III milénio a.C, reconhecemos a mesma simbologia,<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''168'''}}</noinclude>
qsfoqlucxo1vmze2258vq3sd6be1wci
Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/5
106
256609
560074
2026-08-21T16:43:06Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
560074
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rule}}
{{rh|||{{smaller|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”: tradução e análise do mito mesopotâmico ''Etana''}}}}</noinclude>as mesmas personagens, a mesma imagética. Se é verdade que em ''Gilgameš, Enkidu''
''e o Inframundo'' aparece o motivo da árvore, aparentemente pela primeira vez em
registo textual, mais concretamente nos versos em que se afirma que “At that time,
there was a single tree, a single ''ḫalub'' tree (...) At its roots, a snake immune to incantations made itself a nest. In its branches, the Anzud<ref>Anzû (ou Anzud, também conhecido como Imdugud) refere-se à enorme águia celeste com cabeça de leão protagonista
do ''Mito de Anzū'' (ANNUS, Amar — ''The standard babylonian epic of Anzu. State Aarchives of Assyria Cuneiform Texts'', vol.
III. Helsínquia, 2001). Como esta composição demonstra, esta figura detinha uma natureza aguerrida, uma aparência
assustadora e agia sobretudo de forma subversiva em relação à esfera divina. Vide HALLO, William W. e MORAN, William
— The first tablet of the SB Recension of the Anzu-Myth. ''Journal of Cuneiform Studies''. 31/2 (1979) 70; WIGGERMANN, F. A.
M. — On ''Bin S̄ar Dadmē'', the “Anzu-Myth”. In VAN DRIEL, coord. — ''Zikir S̄umim. Assyriological studies presented to F. R. Kraus''
''on the Occasion of his seventieth birthday''. Leiden: Brill, 1982, p. 418-425 e BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony — ''Gods, Demons''
''and Symbols of Ancient Mesopotamia. An illustrated dictionary.'' London: British Museum Press, 1992, p. 107.</ref> bird settled its young”<ref>Composição redigida em sumério (ETCSL 1.8.1.4). Neste conto, a árvore que crescera junto ao rio Eufrates, por desejo da
deusa Inanna, é abatida por Gilgameš, matando a serpente e libertando Anzû, que se dirige para as montanhas com as
suas crias. No rescaldo deste ato, Gilgameš fabrica dois instrumentos musicais a partir das suas raízes. Contudo, num dia
de festa, eles acabam por cair no Inframundo, pelo que Enkidu, companheiro do mítico governante de Uruk, se voluntaria
para os ir buscar.</ref>, num
selo cilíndrico do período acádico (c. 2340-2200 a.C.)<ref>BM 129480: https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1945-1013-24 (consultado em 05 de Julho de 2022), no
British Museum. Outros exemplares onde o motivo de Etana é representado são BM 89767, também do British Museum
[https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1983-0101-299, [consultado em 05 de Julho de 2022]) ou VA
03456, do Museu do Próximo Oriente Antigo, em Berlim. Da mesma época, veja-se também um exemplar encontrado
em Susa, no Elam (MESBAH, Bita — Configuring the Roots of Zahak Myth according to the Elamitesʼ Cylinder Seals (3rd
Millennium B.C.). ''Bogh-e Nazar''. 14:56 (2018) 46).</ref> é visível um homem no
dorso de uma águia, em destaque num plano elevado da representação (Figura 1).
A dada altura, porém, as duas fábulas aparentemente autónomas conjugaram-se
num mesmo ambiente mitológico, tendo como elemento aglutinador a intervenção
do deus sol. De facto, é Šamaš quem une os protagonistas, quem acompanha, quem
guia, quem julga, quem absolve. Poderemos, então, considerar ''Etana'' um mito com
contornos solares?<ref>SAPORETTI, Claudio — Dieci appunti dai testi di Etana. ''Egitto e Vicino Oriente''. 8 (1985) 63.</ref> O papel fulcral da divindade responsável pela justiça parece
inquestionável. Contudo, outras temáticas, que mais à frente analisaremos, parecem
adquirir igual proeminência. Acreditamos, assim, que esta narrativa se apresenta, no
fundo, como uma reflexão sobre aspetos basilares da sociedade mesopotâmica — a
relação entre as diferentes esferas e domínios que compunham o cosmos (os insondáveis céus, a terra e o mundo sombrio abaixo desta) e a linguagem que unia ou
distanciava os seus integrantes (seres humanos, animais e divindades, pais e filhos).
Seguidamente, e antes de nos debruçarmos sobre estes significados, apresentamos uma proposta de tradução da narrativa<ref>Uma pequena parte desta tradução, nomeadamente alguns excertos da segunda e terceira tabuinhas foi incluída numa
outra publicação, embora com pequenas diferenças. Vide ROSA, Maria de Fátima — Etana. In BUESCU, Helena Carvalhão;
VALENTE, Simão, coord. — ''Literatura-mundo comparada. Perspectivas em português, porte III. Pelo Tejo voi-se para o mundo''.
Vol. 5. Lisboa: Tinta-da-China, 2020, p. 50-54. Neste artigo, contudo, procuramos apresentar uma proposta de tradução
integral e o mais próxima possível do acádico de forma a compreendermos melhor o tipo de vocabulário empregue e os
seus significados.</ref>.
{{nop}}<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{right|'''169'''}}</noinclude>
o73lac3vvch6r1eap9ztp4k9zv3wlct
560075
560074
2026-08-21T16:44:12Z
Erick Soares3
19404
560075
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rule}}
{{rh|||{{smaller|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”: tradução e análise do mito mesopotâmico ''Etana''}}}}</noinclude>as mesmas personagens, a mesma imagética. Se é verdade que em ''Gilgameš, Enkidu''
''e o Inframundo'' aparece o motivo da árvore, aparentemente pela primeira vez em
registo textual, mais concretamente nos versos em que se afirma que “At that time,
there was a single tree, a single ''ḫalub'' tree (...) At its roots, a snake immune to incantations made itself a nest. In its branches, the Anzud<ref>Anzû (ou Anzud, também conhecido como Imdugud) refere-se à enorme águia celeste com cabeça de leão protagonista
do ''Mito de Anzū'' (ANNUS, Amar — ''The standard babylonian epic of Anzu. State Aarchives of Assyria Cuneiform Texts'', vol.
III. Helsínquia, 2001). Como esta composição demonstra, esta figura detinha uma natureza aguerrida, uma aparência
assustadora e agia sobretudo de forma subversiva em relação à esfera divina. Vide HALLO, William W. e MORAN, William
— The first tablet of the SB Recension of the Anzu-Myth. ''Journal of Cuneiform Studies''. 31/2 (1979) 70; WIGGERMANN, F. A.
M. — On ''Bin S̄ar Dadmē'', the “Anzu-Myth”. In VAN DRIEL, coord. — ''Zikir S̄umim. Assyriological studies presented to F. R. Kraus''
''on the Occasion of his seventieth birthday''. Leiden: Brill, 1982, p. 418-425 e BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony — ''Gods, Demons''
''and Symbols of Ancient Mesopotamia. An illustrated dictionary.'' London: British Museum Press, 1992, p. 107.</ref> bird settled its young”<ref>Composição redigida em sumério (ETCSL 1.8.1.4). Neste conto, a árvore que crescera junto ao rio Eufrates, por desejo da
deusa Inanna, é abatida por Gilgameš, matando a serpente e libertando Anzû, que se dirige para as montanhas com as
suas crias. No rescaldo deste ato, Gilgameš fabrica dois instrumentos musicais a partir das suas raízes. Contudo, num dia
de festa, eles acabam por cair no Inframundo, pelo que Enkidu, companheiro do mítico governante de Uruk, se voluntaria
para os ir buscar.</ref>, num
selo cilíndrico do período acádico (c. 2340-2200 a.C.)<ref>BM 129480: https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1945-1013-24 (consultado em 05 de Julho de 2022), no
British Museum. Outros exemplares onde o motivo de Etana é representado são BM 89767, também do British Museum
<nowiki>[https://www.britishmuseum.org/collection/object/W_1983-0101-299, [consultado em 05 de Julho de 2022]</nowiki>) ou VA
03456, do Museu do Próximo Oriente Antigo, em Berlim. Da mesma época, veja-se também um exemplar encontrado
em Susa, no Elam (MESBAH, Bita — Configuring the Roots of Zahak Myth according to the Elamitesʼ Cylinder Seals (3rd
Millennium B.C.). ''Bogh-e Nazar''. 14:56 (2018) 46).</ref> é visível um homem no
dorso de uma águia, em destaque num plano elevado da representação (Figura 1).
A dada altura, porém, as duas fábulas aparentemente autónomas conjugaram-se
num mesmo ambiente mitológico, tendo como elemento aglutinador a intervenção
do deus sol. De facto, é Šamaš quem une os protagonistas, quem acompanha, quem
guia, quem julga, quem absolve. Poderemos, então, considerar ''Etana'' um mito com
contornos solares?<ref>SAPORETTI, Claudio — Dieci appunti dai testi di Etana. ''Egitto e Vicino Oriente''. 8 (1985) 63.</ref> O papel fulcral da divindade responsável pela justiça parece
inquestionável. Contudo, outras temáticas, que mais à frente analisaremos, parecem
adquirir igual proeminência. Acreditamos, assim, que esta narrativa se apresenta, no
fundo, como uma reflexão sobre aspetos basilares da sociedade mesopotâmica — a
relação entre as diferentes esferas e domínios que compunham o cosmos (os insondáveis céus, a terra e o mundo sombrio abaixo desta) e a linguagem que unia ou
distanciava os seus integrantes (seres humanos, animais e divindades, pais e filhos).
Seguidamente, e antes de nos debruçarmos sobre estes significados, apresentamos uma proposta de tradução da narrativa<ref>Uma pequena parte desta tradução, nomeadamente alguns excertos da segunda e terceira tabuinhas foi incluída numa
outra publicação, embora com pequenas diferenças. Vide ROSA, Maria de Fátima — Etana. In BUESCU, Helena Carvalhão;
VALENTE, Simão, coord. — ''Literatura-mundo comparada. Perspectivas em português, porte III. Pelo Tejo voi-se para o mundo''.
Vol. 5. Lisboa: Tinta-da-China, 2020, p. 50-54. Neste artigo, contudo, procuramos apresentar uma proposta de tradução
integral e o mais próxima possível do acádico de forma a compreendermos melhor o tipo de vocabulário empregue e os
seus significados.</ref>.
{{nop}}<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{right|'''169'''}}</noinclude>
f7ahn2kt4m6o7x02p36wqm0tkls37x2
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/133
106
256610
560077
2026-08-21T17:01:57Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560077
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|PETITS-POIS}}{{traço}}{{ch|II}}
Portuguez, ou brazileiro, que hoje resuscitasse
depois de meio seculo de ausencia, tanto admiraria
o progresso material dos respectivos paises, quanto
pasmaria de ouvir palavras estrangeiras pronunciadas
pelos compatriotas, ainda os mais ignorantes
do idioma francez, e inglez.
Si qualquer dos redivivos não conhecesse tambem
a lingua franceza, ver-se-hia obrigado em sua
propria terra a pedir a traducção de certas palavras,
quando em alguma casa de pasto ''(brazileira ou portugueza)'' lhe perguntasse o moço, si queria tal
ou tal guisado com {{lang|fr|''petits-pois''}}.
Não ha na hypothese que figura exaggeração
(não digo — ''exagero'' — por ser iberismo desnecessario)
ha meio seculo, ha talvez menos tempo, a
invasão dos vocabulos barbaros não tinha conquistado
tanto terreno.
A onda cresce todos os dias, e si não houver paradeiro, poder-se-ha affirmar que dentro em pouco o ''Brazil se torna a França; {{lang|la|Braziliam Galliam fieri}}'', parodiando as palavras de Tito Livio.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
qt251g91v2ap0595gt7r9k72rpxpwri
560078
560077
2026-08-21T17:02:47Z
Trooper57
24584
560078
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|PETITS-POIS}}{{traço}}{{ch|II}}
Portuguez, ou brazileiro, que hoje resuscitasse depois de meio seculo de ausencia, tanto admiraria o progresso material dos respectivos paises, quanto pasmaria de ouvir palavras estrangeiras pronunciadas pelos compatriotas, ainda os mais ignorantes do idioma francez, e inglez.
Si qualquer dos redivivos não conhecesse tambem a lingua franceza, ver-se-hia obrigado em sua propria terra a pedir a traducção de certas palavras, quando em alguma casa de pasto ''(brazileira ou portugueza)'' lhe perguntasse o moço, si queria tal ou tal guisado com {{lang|fr|''petits-pois''}}.
Não ha na hypothese que figura exaggeração (não digo — ''exagero'' — por ser ''iberismo'' desnecessario): ha meio seculo, ha talvez menos tempo, a invasão dos vocabulos barbaros não tinha conquistado tanto terreno.
A onda cresce todos os dias, e si não houver paradeiro, poder-se-ha affirmar que dentro em pouco o ''Brazil se torna a França; {{lang|la|Braziliam Galliam fieri}}'', parodiando as palavras de Tito Livio.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ts3tcs9542dxx9fzfo6e4xs61dotyfz
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/134
106
256611
560079
2026-08-21T17:05:57Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560079
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />90</noinclude>{{lang|fr|''Petits-pois''}}! ! Por que hão de brazileiros e portuguezes çhamar assĩm as ''hervilhas miudas?''
Será porque pronunciadas em francez tenham melhor sabor?...
Não se çhama ''feijão miudo?'' Por que não çhamaremos tambem hervilhas miudas a ''{{lang|fr|petits-pois}}?''
Quem dér razão satisfactoria de se usar antes da palavra franceza {{lang|fr|''petits-pois''}}, do que dos vocabulos portuguezes ''hervilhas miudas, será para mim um grande Apollo. ({{lang|la|Erit mihi magnus Apollo}}.)''
Ninguem acreditaría, si não ouvisse a cada instante, e por toda a parte falar-se em {{lang|fr|''petits-pois''}}, parecendo até que é cousa differente de ''hervilhas miudas!!''
''O tempora! O mores!...'' Quem sabe até, si este artigo, em que lamento tamanha tolice, não será mettido a ridiculo?
Riam-se embora; mas corrijam-se do desnecessario barbarismo, nunca mais dizendo, quando falarem portuguez, {{lang|fr|''petits-pois''}}, mas ''hervilhas miudas''.<noinclude>{{traço}}</noinclude>
m6zuq8hsym1jx2obapmsj78bq2pguet
Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/II
0
256612
560080
2026-08-21T17:06:32Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=133 to=134 header=1 />
560080
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=133 to=134 header=1 />
7u6yunqazf4mtuaszqpmx8mizmgloy3
Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/6
106
256613
560087
2026-08-21T17:59:36Z
Erick Soares3
19404
/* Revistas e corrigidas */
560087
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|40em|align=right}}</noinclude>''Tradução''<ref>Como referido acima, seguimos a transliteração de NOVOTNY [''Etana Epic''). Não foram, por isso, consultadas pelas autoras,
ou estudadas, as tabuinhas originais, mas apenas a edição citada.</ref> (por Maria de Fátima Rosa)
Tab. I
<poem>
{{nota lateral esquerda|1}}Eles planearam uma cidade [e fizeram-na perfeita]<ref>NOVOTNY [''Etana Epic'', p. 15) propõe uma reconstrução da frase recorrendo ao verbo ''s̄uklulu'', no perfeito, com o sentido de
“to perfect the appearence of an artifact”, “to complete a construction” (''CAD'' Š/3, p. 221).</ref>,
Os [grandes] deuses lançaram [as suas fundações),
Eles planearam a sublime<ref>O adjetivo que qualifica a cidade de Kiš, ''ṣīru'', tem o sentido de “first-rank”, “august”, “excelent” (''CAD''Ṣ, p. 210).</ref> (Kiš e fizeram-na perfeita],
Os [grandes] deuses lançaram as suas fundações.
{{nota lateral esquerda|5}}Os Igigi<ref>O termo Igigi refere-se a um grande conjunto de deuses do panteão sumério-acádico que surgem ora como opostos ora
como complementares a outro grupo divino, os Anunnaki, considerados, nalgumas narrativas, como mais importantes
Neste caso, e dado o contexto da narrativa, parece-nos que os Igigi estão a agir de forma complementar, fortalecendo as
fundações da cidade idealizada pelos “grandes deuses”, os Anunnaki.</ref> fortaleceram a sua alvenaria de tijolo.
{{gap}}“Que [o rei] seja o seu pastor,
{{gap}}Que Etana seja o seu construtor [...]
{{gap}}O bastão<ref>A palavra ''s̄ibirru'' utilizada nesta linha contrasta com aquela que adiante, na linha 15, é escolhida para designar o ceptro
real (GIŠ PA = ''haṭṭu'') Embora também possa tomar este sentido, pensamos que, neste caso concreto, a tradução mais
viável é “bastão” ou “cajado”, artefacto também ele associado à governança, mas que espelha de forma mais objetiva a
associação metafórica entre o escolhido dos deuses e o pastoreio.</ref> [...]”
Os grande Anunnaki<ref>Tal como acima referido, os Anunnaki representavam um conjunto de divindades, consideradas, nalgumas composições,
como mais importantes que os Igigi. Ao contrário do que acontece nesta narrativa, no ''Mito de Atra-Hasîs'', por exemplo,
estes dois grupos aparecem como opostos. Nas linhas inaugurais da primeira tabuinha é descrito como os Anunnaki
exercem um poder quase despótico sobre os Igigi, forçando-os a trabalhar para si (vide VON SODEN, W – Die Igigu-Götter
in altbabylonischer Zeit und Edimmu im Atramḫasīs-Mythos In CAGNI, L , MÜLLER, H -P ; VON SODEN, W., ed – ''Aus sprache,''
''geschichte und religion babyloniens.'' Naples, 1989, p 339-349) Esta situação vai então conduzir à sua revolta, que se afirma
como o motivo para a decisão divina de criar a humanidade, já que os seres humanos serão os substitutos dos Igigi nas
tarefas laborais. Veja-se a composição em DALLEY – ''Myths from Mesopotamia'', p 1-38.</ref>, [aqueles que fixamos destinos],
{{nota lateral esquerda|10}} Sentaram-se e ponderaram a sua decisão [sobre o país].
Os criadores do mundo<ref>O termo ''kibrātu'' aparece normalmente acompanhado por ''arba’im'' (“os quatro cantos [do mundo]”). Quando sozinho, como
é o caso, pode tomar o sentido de “world” (''Concise Dictionary of Akkadian'' [''CDA''] 15 6). Note-se que, em textos sumérios,
como os do período de Ur III, encontramos recorrentemente a fórmula ''an-ub-da límmu-ba'', com o sentido de “four world
regions” (a título de exemplo, vide GEORGE, Andrew, ed – ''Cuneiform royal inscriptions and related texts in the Schøyen''
''Collection'' Maryland – Bethesda: CDL Press, 2011, p 49-57).</ref>, os que estabelecem a obra criada.
Por ordem de todos, os Igigi [decretaram um festival para a população].
Eles (ainda) não tinham estabelecido [um rei sobre a numerosa população].
Nesse tempo, o turbante [(ainda) não tinha sido reunido, nem a coroa],
{{nota lateral esquerda|15}}Nem o ceptro<ref>Vide nota 22.</ref> tinha sido [incrustado] com lápis-lazuli<ref>''kubs̄u'' (“turbante”), ''mēanu'' (“coroa”, “tiara”), ''haṭṭu'' (“ceptro”) correspondem naturalmente a símbolos do poder real.</ref>.
Do mesmo modo, não tinha sido criado o [trono<ref>À letra, a palavra ''parakku'' deve ser traduzida como “estrado”, referindo certamente a plataforma onde ficaria o trono real.</ref>] no mundo conhecido.
</poem>
{{nop}}<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''170'''}}</noinclude>
7g94zblxbhlm8tflxvmry3ee1aj3ju1
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/31
106
256614
560090
2026-08-21T18:01:19Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560090
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 30 ―}}</noinclude>{{ch|IV}}
{{dhr}}
{{C|{{sc|Henriqueta a Dianna}}}}
{{dhr}}
Ha oito dias sem carta tua! Porque me não escreves? Quantas horas se passam sem te lembrares de mim?
Oh! Dianna, Dianna! eu estou receiosa de ouvir uma verdade, que tu foges de manifestar-me com o silencio. Porque filha ? Não, não me assustes... Conta-me tudó: eu que te conheço sei que nunca podes baixar a um nivel affrontoso para a nossa amizade.
Diz-me pois o que tens feito, o que se tem passado na tua alma para me expulsares tão repentinamente d'ella.
Responde breve, responde, e falla-me algumas vezes de teu marido, d'esse excellente homem que tem por ti todos os desvelos de pai extremoso.
Estou realmente cuidadosa, minha amiga.<noinclude></noinclude>
jtqyo0ywibdjpnc07lhwpssphm6xxh3
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/32
106
256615
560091
2026-08-21T18:03:14Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560091
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 31 ―}}</noinclude>Gualberto, a quem não posso encobrir os meus terrores, chama-me visionaria, e invoca a teu favor mil excentricidades e sucessos que me não servem de grande abono nem quietação; julgar-te mais doente não posso. Teu marido falla a Gualberto nas tuas melhoras, e na esperança de ver-te emfim restabelecida.
Que mysterio encobre pois o teu silencio?! Roubar-te-ha essa nova affeição ao meu carinho? conseguirá a amiga d'alguns dias arrancar de teu coração a raiz que desde a infancia tem bracejado formosa e opulenta?
Será este meu dessocego o vaticinio de grandes calamidades para ti?
Cautella com o teu espirito, filha. E' preciso represal-o, e lances ha, minha amiga, em que devemos cortar-lhe os vôos, porque na vida real são perigosas estas ascenções e sujeitas a graves quedas.
Cuidado, pois, Dianna, com quanto eu muito confie na tua illustrada intelligencia. Bom é que vás aos bailes, que te distraias, mas não te concentres demasiado em ti, nem dês, tanto apreço a esses ''scismadores infelizes''.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
bn0lku3uruzgkt1gy0vrlcqnsp946ki
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/33
106
256616
560092
2026-08-21T18:05:10Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560092
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 32 ―}}</noinclude>{{ch|V}}
{{dhr}}
{{C|{{sc|Dianna a Henriqueta}}}}
{{dhr}}
Discorres tão acertadamente respeito a estes tenebrosos de salão, quão justas me parecem as arguições que me diriges.
E' verdade, Henriqueta. Eu tenho ás vezes illusões que cahem pedaço a pedaço como as folhas seccas desnudando o troneo em que floriam viçosas.
Tremeste pela minha tranquillidade, e razão terias para isso, minha amiga; aquiéta, porem, o teu espirito, que a sazão vae passada.
Toca-me agora illucidar-te sobre o occorrido n'estes doze dias.
abe Logo no seguinte áquelle, do baile, procurou-me Beatriz com seu pae, o conde de Alvarães.
― Authorisado pelo acolhimento que v. ex.{{sup|a}} fez a minha filha — disse elle — e a {{hífen|instan|instancias}}<noinclude></noinclude>
871o4atvubav98nz54b9ar4gb74jxvv
Herança de Lagrimas/IV
0
256617
560093
2026-08-21T18:06:33Z
BlitzkriegBoop
37692
Página criada
560093
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf" from=31 to=32 header=1/>
[[Categoria:Herança de Lagrimas| 04]]
a88rfcdsm9x6i1b3rmdxufopoq9amb5
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/34
106
256618
560094
2026-08-21T18:08:08Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560094
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 33 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|cias|instancias}} suas, venho offerecer-lhe os meus respeitos, bem como a seu marido; esperando que v. ex.{{sup|as}} me concederão a honra da sua amisade e alguns momentos da sua companhia.
A isto respondi apresentando-lhe meu marido o qual, como bem sabes, possue uma graça encantadora para recambiar estas amabilidades. Na verdade, ninguem melhor que Alvaro se deixa ver debaixo d'aquelle ar singelo e grave do homem de saber. A sua bella fronte, affigura-se-me por vezes uma espessa camada de neve encobrindo um vergel esmaltado de boninas. A affeição que sinto por elle é profunda, profunda como o são todas que enraizaram ha mocidade. Quando o ouço expender uma idéa e sustental-a com a fluidez do homem superior, ou refutar uma theoria lardeada de sophismas arguciosos d'um Voltaire simulado, penso no orgulho que eu teria se elle fosse meu pai. Pai!... sim. Era o nome que o meu coração adoptava, e que me considerava feliz de poder dar-lhe. O destino, porem, tem uma logica de lamina de cortante espada: verga mas não quebra!
Mostrou-se o conde muito agradado de nós, e n'essa mesma noite fomos pagar a sua visita, a que nos obrigou com apertadas instancias.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
kvjndp1tvi8zgcrniwwuz3sqbansuwq
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/35
106
256619
560095
2026-08-21T18:09:10Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560095
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 34 ―}}</noinclude>Vais saber tudo, Henriqueta. Hoje, depois de ter analysado bem as minhas sensações, devo confessar, para castigo da minha insofrida vaidade de impenetravel, que pensei com alegria que ia tornar a ver Nuno. Preocupava-me a idea que elle estaria fazendo de mim, depois do antagonismo de caracter que em tão curto espaço de tempo lhe mostrei. Comprazia-me em imaginar não sei que romanescas peripecias em que elle tomava parte, como um anjo de consolação, nas minhas amarguras...Anjo! vês tu ?! Não me tinha dito seu irmão que elle era um grande desgraçado?
Entrei, pois, em caza do conde com estremecimento interior. Beatriz me disse que, não querendo distrair-se da satisfação que lhe dava a minha companhia, preferira passar a noite a sós comigo e com alguns amigos mais intimos de seu pai, a fazer convites que a obrigassem a formalidades.
Agradeci-lhe de coração esta prova obsequiosa da sua amizade, asseverando-lhe que era d'essa maneira que eu desejava e queria ser sempre recebida.
Passaram-se alguns quartos d'hora sem que Nuno apparecesse. Admirada, perguntei por elle a Beatriz, que me respondeu:
{{nop}}<noinclude></noinclude>
8qwmnfhhs8sft3t3vsfw2281jvoc9tb
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/36
106
256620
560096
2026-08-21T18:10:29Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560096
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 35 ―}}</noinclude>― É hoje um dos seus dias de trevas. Appareceu-me esta manhã muito demudado das feições, dizendo-me que não conseguira descançar uma hora, e fechou-se depois no seu quarto resistindo ás minhas supplicas para o arrancar d'alli. ― Pobre moço! exclamei eu, sinceramente commovida. Que secretos pezares são esses que lhe amarguraram a existencia, quando possue tantos d'esses attributos que concorrem para a felicidade! Não é já um grande bem ter um pai e uma irmã como a minha querida Beatriz? Que faria se elle se achasse só, sem ter de seu lado tão grande amparo? Diga-lhe que se console, que ha ainda creaturas mais queixozas e com mais valor moral para arrostar com os temporaes da vida.
— Quantas vezes lh'o não tenho eu dito, minha amiga?! ― Tornou Beatriz ― Mas não ha forças que o demovam d'aquelle constante desalento. Foi quasi obrigado por mim que consentiu hontem em entrar alguns momentos no baile, e accusou-me já hoje de lhe ter procurado uma nova dor. Por mais que me esforce por arrancal-o áquella situação responde-me que é inutil, que não sei, e Deus me livre de comprehendel-o.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
saf1nwy5vmgtm5lbyuuz82rlhuvyxxf
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/37
106
256621
560097
2026-08-21T18:13:08Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560097
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 36 ―}}</noinclude>Serviu-se o chá.
Meu marido e o conde abancaram n'uma partida de Wist; os outros acercaram-se da meza, e Beatriz sentou-se ao pianno. Tocou como professora que é e pediu-me que me deixasse ouvir. Não fiz objecção, e cantei a aria final de ''Maria de Rohan''. Pouco a pouco a imagem de Nuno tinha-se esvaecido no meu espirito, e quando soltei aquelle primeiro brado «infausto hymeneo» havia só a dôr verdadeira da minha situação a alancear-me o peito.
Da outra extremidade da sala acordou-me uma explosão de bravos, quando vibrava ainda no ar a ultima nota: conheci que os jogadores tinham parado para me ouvir, e voltei-me sorrindo, para agradecer esta ovação immerecida. Em frente, de pé, e encostado ao alizar da porta, estava Nuno. Seus labios não se descerravam mas a expressão dos olhos fez-me baixar os meus, correspondendo quasi maquinalmente ao comprimento que me dirigia. Depois, sem o ver, conheci que se encaminhava para mim, e senti-me alvoraçada agradavelmente.
Desejarás por certo conhecer Nuno de Alvarães e tempo é de fazer-te o seu retrato, que nada tem de original.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ajvc1xqrhzmugvyaj9xclv5id1w4giu
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/38
106
256622
560098
2026-08-21T18:15:20Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560098
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 37 ―}}</noinclude>Não é alto nem baixo, nem magro como os heroes dos romances tragicos, nem gordo como os dos romances alegres. Tem cabellos escuros, bocca graciosa, e nos olhos meiguice natural e melancolica. Não é propriamente um Adonis, nem tão pouco possue a fealdade que é costume disfarçar-se na palavra sympathia. No que elle é comparativamente inexcedivel, é nas maneiras delicadas que denunciam logo o homem superior que tem convivido com a primeira sociedade.
― Aqui me tem — disse-me elle com tristeza — quiz fugir-lhe, tinha protestado não a tornar a ver, e não pude cumprir. A sua voz arrancou-me ás minhas boas intenções; tive de ceder ao impulso violento do coração; e aquí estou, supplicando-lhe que me não repulse da sua presença. Não, eu não lhe fallo mais — continuou, vendo que eu ia interrompel-o — não me diga nada se as suas palavras devem ferir-me. Se soubesse que desesperos tenho hoje soffrido, que blasfemias tenho proferido contra Deus, porque m'a mostrou tão tarde! Tarde, sim, não sorria; a minha vontade attrahiria a sua alma como o iman attrahe o aço e a felicidade não seria uma chimera como cheguei a pensar tantas<noinclude></noinclude>
hjjx2d88l6hta8vmaciz7gidppsmrxe
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/39
106
256623
560099
2026-08-21T18:16:52Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560099
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 38 ―}}</noinclude>vezes. Creia-me: eu conheço-a ha muito! Ha muito tempo que a procuro sem poder encontral-a; e agora, quando me apparece, quando as nuvens se rarefazem para deixar hrilhar o sol com todo o seu esplendor, aquellas palavras motejadoras que me dirigiu, o sorriso ironico que descerrava os seus labios, o ar severo que lhe noto na phisionomia tudo me leva a crer no seu desdem e na fatal irrisão do meu destino. Para que havia de conhecel-a em realidade, visão adorada dos meus sonhos?!
— Ouça-me tambem agora, senhor Nuno de Alvarães, redargui eu serenamente ― V. ex.{{sup|a}} seria digno de grave censura, se eu não désse ás suas palavras o verdadeiro sentido. Quero acreditar que v. ex. é em parte sincero, mesmo porque deve conhecer que nada lucraria com fingidos devaneios que o fariam abjecto aos meus olhos, e aos olhos de toda a mulher que se preza da sua dignidade. E' por tanto, em nome d'esta que lhe peço, me poupe a ouvir expressões d'essa ordem. Das duas uma: ou v. ex.{{sup|a}} está convencido que falla a uma mulher boçal que se deixa arrebatar pelas melodias d'um sentimentalismo exaltado, e essa persuasão é um insulto, ou sente realmente por mim uma<noinclude></noinclude>
l7gbko6jyss8yqw2g99a1tepmb2i6dg
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/40
106
256624
560100
2026-08-21T18:18:23Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560100
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 39 ―}}</noinclude>affeição que me lisongeia. Se é essa, como supponho, acceito-a sem córar, impondo-lhe unicamente uma condição. V. ex.{{sup|a}} não torna mais a fallar-me como ha pouco; não me fará allusões pessoaes, que são uma offensa á minha posição. Ficamos de accordo?
― Sim — balbuciou elle commovido. — Veja como hontem a comprehendi de relanço, e como a minha alma achou de prompto o epitheto que lhe cabe bem.... ''Anjo''!
— Basta — tornei eu — ou fica sem effeito o que tratámos.
Desde esse momento, as horas passaram rapidamente. Nuno estava alegre e Beatriz redobrára de carinhos como agradecendo-me o contentamento do irmão. Eu sentia-me bem: pela primeira vez saboreava o prazer de me ver obedecida e amada.
Louca, meu Deus! louca! Porque preço devia eu pagar tão intempestivo contentamento!...
E por hoje fiquemos aqui, Henriqueta: estou cançada de evocar reminiscencias que tomára eu esquecer...
{{nop}}<noinclude></noinclude>
gd6a1bf2d1i5rg40g5za6s4px90pf6s
Herança de Lagrimas/V
0
256625
560101
2026-08-21T18:18:57Z
BlitzkriegBoop
37692
Página criada
560101
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf" from=33 to=40 header=1/>
[[Categoria:Herança de Lagrimas| 05]]
kxvrszlkvtqhjkhzsf17imd12ip4x6o
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/41
106
256626
560102
2026-08-21T18:25:11Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560102
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 40 ―}}</noinclude>{{ch|VI}}
{{dhr}}
{{C|{{sc|Henriqueta a Dianna}}}}
{{dhr}}
Ardua tarefa emprehendi, minha amiga; mas não afrouxo, não: o mesmo pêso d'ella fará abater parte das sublevações d'um espiritualismo que me adoenta, e que me faz talvez cahir em aberrações indesculpaveis.
Pelo final da minha carta ficarias entendendo que me excedi na insolita presteza com que acceitei, d'um homem quasi desconhecido, a troca d'um sentimento, à que nós as mulheres temos obrigação de demarcar certos limites, senão queremos desmerecer no conceito d'aquelles mesmo que nos obrigaram a descer um passo do nosso pedestal. A minha razão bradava; porem a minha alma, senhoreada por pensamentos d'uma suavidade embriagadora, procurava sophismas que tresmalhavam o candido rebanho das minhas idéas, que tão seguro de si {{hífen|cami|caminhára}}<noinclude></noinclude>
526rklq9frtx64m99t5qs7df552gs1x
560120
560102
2026-08-21T19:06:23Z
BlitzkriegBoop
37692
560120
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 40 ―}}</noinclude>{{ch|VI}}
{{dhr}}
{{C|{{sc|Dianna a Henriqueta}}}}
{{dhr}}
Ardua tarefa emprehendi, minha amiga; mas não afrouxo, não: o mesmo pêso d'ella fará abater parte das sublevações d'um espiritualismo que me adoenta, e que me faz talvez cahir em aberrações indesculpaveis.
Pelo final da minha carta ficarias entendendo que me excedi na insolita presteza com que acceitei, d'um homem quasi desconhecido, a troca d'um sentimento, à que nós as mulheres temos obrigação de demarcar certos limites, senão queremos desmerecer no conceito d'aquelles mesmo que nos obrigaram a descer um passo do nosso pedestal. A minha razão bradava; porem a minha alma, senhoreada por pensamentos d'uma suavidade embriagadora, procurava sophismas que tresmalhavam o candido rebanho das minhas idéas, que tão seguro de si {{hífen|cami|caminhára}}<noinclude></noinclude>
cuf01yac4ewexckj8yu67h1n3d0yfpk
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/42
106
256627
560103
2026-08-21T18:26:32Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560103
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 41 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|nhára|caminhára}} até então por esses prados e alfombras!
Algumas vezes pensei em ti, e convencida estou que a tua voz levantaria alta e salutar celeuma no meu espirito; estes momentos, porem, eram instantaneos como o, relampago.
Nuno e Beatriz não me davam tempo para raciocinios; e, posto que este cumprisse religiosamente a palavra que me dera, eu sabia em que altar me achava collocada, sentindo-me rica e orgulhosa com esta vassalagem humilde, sem exigencias, nem esperanças.
Não era isto o que de muito cubiçava a minha alma?
Na audicção interior do meu espirito, resoavam sem cessar todas as phrases que mais ou menos se ligavam, reforçando esta idéa, este suave e mortifero veneno da minha tranquillidade. Já emfim, graças não sei a que philtro, aquella sombra fibricitante das minhas longas noites de vigilia se tornava compacta e visivel.
Já a visão recompunha feições; a chimera tinha voz; o sonho delirios; e o coração arfavame no seio invulneravel até essa hora...vivia! e que vida aquella! E apezar de tudo, não era isto ainda o amor, a paixão que allucinava.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
jjrgyxwzhphqhjptysslqrvxr4ti0t3
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/43
106
256628
560104
2026-08-21T18:47:37Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560104
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 42 ―}}</noinclude>Oh! de certo não, Henriqueta; não me digas que era; não me convencias, e todavia atormentavas-me. Isto não era mais que uma illusão do meu espirito, a sêde da minha alma que me arrastava tonta e cega apoz d'uns meandros amenissimos, que eu imaginava deverem confluir a uma fonte crystallina.
Como alma, coração e espirito nos enganam, minha amiga! Como nos atraiçoam! Pois não devia eu ouvir uma voz que me advertisse que aquelle homem era vil, hypocrita e refalsado?! Em tenebrosissima escuridão despertei!
Agora sim, agora cuido que já entrei na iniciação dos mysterios do coração humano; creio que estive prestes a tombar na fogueira das paixões ignobeis, que pairei um momento sobre essas chammas infernaes; e se sahi d'ellas corporalmente illesa, a alma soffreu muito, soffreu; ficaram-me por lá pedaços!... Ficaram que eu sinto-me pobre: pobre do meu orgulho que barateei sem dó; pobre da isempção que fazia toda a minha soberba.
Que não vás tu pensar, filha, que eu lamento despresos ou preferencias. Não: a ferida que me doe é apenas o desengano frio e atroz das minhas aspirações; é vêr á mingoa de alento,<noinclude></noinclude>
hor1hj069fgpxj8ogjl7dqws2dcmzfy
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/44
106
256629
560105
2026-08-21T18:48:53Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560105
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 43 ―}}</noinclude>morrer uma a uma as florinhas que renasciam d'hora a hora na minha imaginação.
Basta, porem, de exordio: escuta.
Como ha pouco te disse, Nuno fazia-me viver n'uma athmosphera embriagadora. Cercavam-me attenções, carinhos, e sobre tudo aquella adoração muda e respeitosa que o coração tam bem recebe, e nunca deixa sem paga. Em contraposição, era eu a que pensava alto; era eu que me deixava levar da torrente, era eu que folgava d'ir recostar-me sobre os espinhos, tomal-os ás mãos e beijal-os! Era este o grande perigo.
Que homem! que homem aquelle! Como finge extremos que não sente, como sabe mentir com os olhos! Como podia elle haver lagrimas, quando nos meus desalentos lhe supplicava lastimas para o meu infortunio? Como podia modular a voz, como aprender o som intimo com que me dizia que nunca encontrára paragem na vida onde repousar as doces e inebriantes chimeras de seu pensamento... E mentia; mentia... como homem! e eu imbecil, que estive a ponto de entrajal-o com as roupagens celestes! Eu, — confesso-o para minha vergonha eterna — eu que o vestira de luz, que o coroára com<noinclude></noinclude>
jyjy2zcbhe2kz8m4npfkb8sx8llkp5u
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/45
106
256630
560106
2026-08-21T18:50:19Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560106
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 44 ―}}</noinclude>as joias mais preciosas da minha idealidade, que o incensava com as mais puras essencias do meu espirito.
Quando recebi a tua carta, mostrei-lh'a; fallei-lhe de ti, da nossa infancia, da felicidade que gozas n'esse cantinho ignorado do mundo, e onde tu imperas como rainha, entre Gualberto e as louras cabecinhas de teus dois filhos. Sem querer, meus olhos arrazaram-se de lagrimas, e a saudade dos dias que ahi passei comtigo foi tão acerba, que me soffocou a voz. Reparando em Nuno, notei que estava commovido. Estendi-lhe a mão que pela primeira vez beijou com respeito.
Quiz depois ouvir tudo quanto eu podia dizer-lhe relativo aos nossos primeiros annos, mostrando-se admirado da minha tal qual instrucção e da tua, pelo que as tuas cartas revelam, e a que elle chamou pouco vulgar. Contei-lhe, então, como ficando orphã na primeira infancia, fui entregue por quem quer que fosse a madame Martoan, a nossa excellente mestra e quasi segunda mãe, senhora de grande intelligencia e grandes virtudes, que circumstancias imprevistas trouxeram a Portugal, e obrigaram a tomar-me para a sua companhia como {{hífen|edu|educanda}}<noinclude></noinclude>
hbpvqthz5pc3nxjtiuaxaxfhf0te47b
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/46
106
256631
560107
2026-08-21T18:51:48Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560107
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 45 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|canda|educanda}}. A ella devi, ou antes devemos, porque tambem tiveste a fortuna de ser confiada á sua tutella, o pouquinho que sabemos..... Agora apertam comigo as saudades d'aquella nobre alma! Muito perdemos com a sua falfa, ó Henriqueta! Nunca as nossas lagrimas e o preito que damos á sua memoria pagará o muito que lhe devemos.
Depois d'estas confidencias refinou a minha cegueira. Parecia-me que Nuno ganhára novos direitos á minha estima, cuidava conhecel-o desde muito; fallava-lhe com o abandono d'uma irmã que se crê deveras estremecida.
Oh! em má hora resolvi sahir da provincia; em má hora pensei n'esta terra maldita onde eu devia conhecer as paixões mesquinhas de que me julgava a coberto....Ouve:
Tinha Beatriz depois d'alguns dias projectado um passeio a Cintra. Esta lembrança sorrira-me primeiro que a ninguem, amiga como sou de ver o céo azulejar-se por entre os choupos, os olmos e o castanheiro em flor. Ajunta a isto a belleza do local tão afamado, e a excitação da minha curiosidade, desde que o auctor do Childe–Harold, aquelle grande espirito que eu tanto admiro, nos disse d'elle coisas tão lindas.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
drd2qsw569lgqv91q78d0v3hdau2vmn
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/47
106
256632
560108
2026-08-21T18:53:03Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560108
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 46 ―}}</noinclude>Marcou-se o dia que amanheceu esplendido, e ás oito horas da manhã rodavamos estrepitosamente dentro dos caleches que não eram menos de cinco. No primeiro entrára eu com Beatriz, no segundo ia com seu marido D. Guiomar de Menezes, senhora em quem deves estar lembrada te fallei, e que não tornára a ver desde a noite do concerto. No terceiro vinha a viscondessa, seguindo logo a victoria particular do visconde de Alvarães acompanhado do barão de <nowiki>***</nowiki> seu intimo amigo, e que eu julgo com intenções a respeito de Beatriz. Fechava o prestito o coche do conde com meu marido.
Tudo parecia prometter-nos um dia agradavel. O ar estava tepido, e os palacetes que marginam o caminho com seus balaustres engrinaldados de flores, brunidos com os raios do sol convidavam o espirito a pensamentos alegres. Todavia, a minha alma ia escura. Sentia uma oppressão inquieta e febril, um desprasimento de tudo o que via, um desejo irresistivel de mandar voltar os cavallos, e fugir não sei a que perigos que um funesto presentimento me fazia antever. Debalde Beatriz, a quem talvez não
escapára esta disposição melancolica, tentava
desenrugar-me a fronte e distrahir-me; a cada<noinclude></noinclude>
6dtwpjhtkpbvhbkojlu8rxsxmmfh78q
Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O soldado
0
256633
560109
2026-08-21T18:53:41Z
Mt516
43586
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O soldado | anterior = [[../A Princesa Macaca/]] | posterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]] | notas = }} '''<big>O SOLDADO</big>''' ERA uma vez um soldado, que, tendo acabado o seu tempo de serviço, recebeu a baixa e meteu-se a caminho de volta à sua terra. Ora o bom do soldado não tinha uma riqueza por aí além; lev...
560109
wikitext
text/x-wiki
{{navegar
| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
| tradutor =
| seção = O soldado
| anterior = [[../A Princesa Macaca/]]
| posterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]]
| notas =
}}
'''<big>O SOLDADO</big>'''
ERA uma vez um soldado, que, tendo acabado o seu tempo de serviço, recebeu a baixa e meteu-se a caminho de volta à sua terra.
Ora o bom do soldado não tinha uma riqueza por aí além; levava apenas no bornal um pão de munição e quatro vinténs. Mas o principal bem que tinha era a alegria que não lhe faltava nunca.
Ia no seu caminho, muito contente da sua vida, quando encontrou um pobre que lhe pediu esmola.
— Eu não sou muito rico, homenzinho — disse-lhe ele — mas enfim, metade do meu pão e um vintém sempre lhe servirão de alguma coisa.
O pobre agradeceu muito e o soldado continuou o seu caminho.
Mais adiante encontrou outro pobre, ainda mais doente e velho que o primeiro. O soldado teve muita pena e deu-lhe outra metade do pão e um vintém.
Mais adiante, terceiro pobre:
— Mau! Isto já me parece história!... — resmungava ele.
Mas, como era muito bom rapaz, logo que o pobre lhe pediu, deu-lhe os dois vinténs que ainda tinha.
Agradeceu muito o pobrezinho e disse-lhe:
— Em recompensa das esmolas que me tens dado, fica sabendo que para o teu bornal irá tudo que desejares.
O soldado desatou a rir, perguntando:
— Pois quem és tu que te mostras tão generoso para os outros tendo tão pouco para ti?
— Eu sou S. Pedro, que me disfarcei nos três pobres que encontraste.
— Mas, para quê?
— Lá no Céu corre como certo que os soldados são muito maus e então vim à Terra para experimentar o primeiro.
— Vá lá que me encontraste a mim, bom S. Pedro — retorquiu a rir o soldado. — Generosos somos todos, mas eu sou um pródigo. Por isso fiquei sem nada.
— Como foste caridoso, deixa estar que nada te há-de faltar no bornal.
Mal acabou de dizer isto desapareceu o Santo, e o soldado ficou a rir imaginando que este último pobre tinha estado a fazer troça dele.
Continuou o seu caminho até que chegou a uma terra onde havia uma grande festa.
Todas as casas estavam cheias de forasteiros. Não havia um canto onde um pobre se estendesse nem um caldo que não fosse pago por bom dinheiro. Ora o soldado tinha muita fome e um tal sono que nem se podia ter em pé. Chegou à hospedaria e pediu que ao menos o deixassem estar na cozinha sentado num banco da lareira. Tiveram dó dele e deixaram-no entrar. Ele descansava as pernas, mas a fome é que não descansava.
Com o cheiro dos bons petiscos que se cozinhavam, ainda mais a fome aumentava. Mas, como não tinha dinheiro, não se atrevia a pedir nada. Lembrou-se do pobre e disse com os seus botões:
— Deixa cá ver se ele mentiu!...
Estavam umas perdizes no espeto a assar, muito louras, muito apetitosas, já prontas para serem servidas aos hóspedes ricos, e vai ele:
— Perdizes para o meu bornal!
Imediatamente, com grande espanto da cozinheira, desapareceram as perdizes. Em vista disto, ficou o soldado acreditando que na verdade estivera com S. Pedro, e já para a ceia não se contentou só com as perdizes. Viu um tabuleiro de pães e desejou um dentro do bornal. Depois uma garrafa de vinho do melhor que houvesse na adega.
Começou então a lamentar-se que tinha muito sono, que pelo amor de Deus lhe dessem um quarto, que já não podia consigo.
Tanta lamúria fez, que aborrecido de o ouvir o hospedeiro acabou por lhe dizer:
— Olhe, eu tenho aí um quarto, mas não lhe levo dinheiro por ele se você lá ficar.
— Oh, senhor!, isso é uma grande fortuna e uma grande esmola que me faz.
— Pois escusa de agradecer porque não lhe faço favor nenhum. Anda o medo no tal quarto, e alguns hóspedes que lá têm ficado aparecem mortos de manhã.
— Um soldado nunca tem medo; dê-me o senhor o quarto e o resto fica por minha conta.
Ensinaram-lhe para onde havia de ir e deram-lhe uma luz.
Fechou a porta à chave, comeu as perdizes, o pão e o vinho que encontrou dentro do bornal, deitou-se e adormeceu logo, mais feliz do que um rei.
Mas, daí a pouco, qual dormir nem qual história. Eram picadas, bofetadas, pancadaria, um tal barulho no quarto que não podia pregar olho.
Acendia a luz e nada via; logo que a apagava sentia a mesma coisa!
Por fim aborreceu-se e gritou:
— Tudo para dentro do meu bornal!
O barulho acabou, como por encanto, e ele dormiu dum sono até de manhã.
Quando saiu do quarto todos ficaram admirados e o dono da hospedaria foi-lhe perguntar se não tinha visto nada.
— Ver, não, mas ouvi um barulho infernal e senti beliscões, bofetadas e picadelas. Mas daqui em diante escusam de ter medo, porque todo o mal vai dentro do meu bornal.
Ficou o hospedeiro todo contente, abraçou o soldado, deu-lhe de almoçar e ofereceu-lhe o dinheiro que quisesse.
Dali foi o soldado a uma forja e disse ao ferreiro:
— Ponha este bornal na bigorna e dê-lhe com o malho com quanta força tiver.
O homem assim fez, descarregou o martelo umas poucas de vezes, e depois abriram o bornal e saiu de lá uma nuvem de diabos, uns com as pernas partidas, outros os braços, outros a cabeça, todos a gritar contra o soldado, que ria como um perdido.
Dali foi andando, andando, até que chegou à sua terra, e lá viveu muitos anos feliz como ninguém.
Nada lhe faltava porque tudo quanto desejava ia encontrar dentro do bornal. Mas, passado muito tempo, aborreceu-se de viver cá no Mundo e resolveu ir para o Céu.
Pegou no bornal e foi andando até que encontrou dois caminhos. Um era muito custoso de subir, cheio de pedras e espinhos. As silvas tomavam-no todo. Os que conseguiam passar ficavam com as carnes ensanguentadas, cansados e miseráveis. Era o caminho do Céu.
O outro caminho era todo florido e a descer, uma bela estrada sem pedras nem espinhos até chegar ao Inferno...
O soldado não quis saber de mais nada, andou por ali abaixo e foi bater à porta da casa do Diabo.
Abriram-lhe logo, pois há sempre lugar para os que querem entrar.
Mas o guarda-portão mal o viu gritou para dentro:
— É o soldado com o seu bornal.
Os diabos fizeram um alarido medonho e fecharam-lhe a porta na cara.
— O maroto que lhes tinha batido — gritaram — que fosse pra onde quisesse, que lá no Inferno é que não entrava!
De mau humor ficou o soldado, mas enfim, não teve outro remédio senão pegar no bornal e com todo o custo subir o caminho do Céu.
Chegou à porta e bateu; abriu S. Pedro o postigo a ver quem era, e disse logo:
— Ah! tu por cá? Pois vai por onde vieste, que no Paraíso é que não entras.
O soldado, que ouvia já os cantos dos anjos e via o esplendor de mil sóis e perfumes deliciosos lhe vinham como princípio de felicidade eterna, respondeu:
— Ora essa, Senhor S. Pedro! Então eu não hei-de entrar no Céu? Que mal vos fiz eu?
— Que fizeste?! Foste primeiro ao Inferno antes de vir aqui!
— Lá isso é verdade, Senhor S. Pedro, mas para que arranjaram para cá um caminho tão mau? Foi por ver o caminho muito difícil de subir que procurei outro mais suave.
— Foste pecador e preguiçoso mesmo depois de deixar o Mundo. Não te arrependeste.
— Arrependi-me, depois. Não estou eu aqui?
— Pois sim, sim! Mas cá é que não entras!
— Então sento-me aqui fora, porque estou muito cansado.
Daí a pouco tornou a bater. S. Pedro abriu o postigo e perguntou:
— O que queres? Já te disse que te não deixo entrar cá dentro.
— Não é isso, Senhor S. Pedro. É que não tenho onde pôr o meu bornal e quero pedir-lhe o favor de mo guardar aí.
S. Pedro consentiu e recebeu o bornal pelo postigo. Mal o soldado apanhou lá dentro o bornal, disse:
— Desejo-me dentro do meu bornal!
Transpôs imediatamente a porta fechada a sete chaves e encontrou-se no Céu. S. Pedro achou-lhe muita graça, abraçou o soldado, que lá ficou para sempre na bem-aventurança.
Quando a nossa alma é boa, ainda quando os procuremos, fogem de nós os maus.
Quando praticamos o bem, ainda que um momento abandonemos o seu caminho, é possível reencontrá-lo.
O bem não morre e transforma-se em alegrias eternas para o nosso coração.
[[Categoria:Contos portugueses|O soldado]]
p3yvivzggqdp3r3k1nwpxdq6u4ypine
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/48
106
256634
560110
2026-08-21T18:54:07Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560110
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 47 ―}}</noinclude>instante recrusdecia a minha invencivel tristeza.
Confessemos porem tudo.
Não era o meu estado devido unicamente ao vaticinio que como morcego de azas negras avoejava sobre o meu coração. O que fora a principio sombra vaga e indivisivel convertera-se a final em realidade. Essas azas negras debaixo das quaes sme appareciam garras como de tigre, rodeavam-me acintosamente e pouco a pouco iam demudando de forma até se transformarem n'uma mulher: essa mulher era Guiomar!
Porque? vais sabel-o.
Tanto o meu espirito se preoccupára com duas imagens conhecidas n'essa noite fatidica, que todas as outras quasi se esvaeceram na minha memoria. Atonita fiquei, pois, n'essa manhã, quando sem ser convidada nem esperada, no momento em que estavamos para sahir de minha caza, que era o ponto da reunião, vi chegar D. Guiomar de Menezes.
Não posso ainda que quizesse dercrever-te a desagradavel impressão que me causou a sua inopinada visita. Vinha deslumbrante de formosura! O rigoroso lucto que trajava fazia sobresahir a alvura e o assetinado de suas faces,<noinclude></noinclude>
fj6e7e738vbchd10wtoq88ciwgd0ehm
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/49
106
256635
560111
2026-08-21T18:56:04Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560111
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 48 ―}}</noinclude>como açucena por entre um tufo de verdura... Protestei não te encobrir nada, Henriqueta. Olhei para mim, com descontentamento do meu vestido verde-malva, quasi escondido por magnificas rendas pretas. Achei-o vulgarissimo e de máu gosto!
Vez? cá estava o demonio da vaidade a ageitar-se-me no seio.
Adiantei-me a todos com o melhor rosto que pude. ― A satisfação que gozo de a ver, minha senhora, é-me aguáda por tão funebre apparato. Perdeu alguem da sua familia? ― Da minha familia, não ― respondeu baixinho e maviosamente, pondo os olhos em Nuno que não podia esconder o seu ar contrafeito, mas pranteio a morte da unica pessoa que amei neste mundo.
Não achei palavra para dizer-lhe: o coração pulsava-me com força. A luz bruxoleava apenas, e seu fulgor sinistro entoutecia-me já!
O barão, que se tinha apaixonado, veio em meu auxilio, dizendo:
Se v. ex.{{sup|a}} m'o permitte aconselho-lhe a distracção, e para isso não podia escolher melhor companhia que a d'estas senhoras.
— Distracções! nem as quero, nem as procuro ― tornou a dama com soberania, {{hífen|esclare|esclarecendo-me}}<noinclude></noinclude>
n327x0cijym4fyw4kwgg9h83bgedud8
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/50
106
256636
560112
2026-08-21T18:57:34Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560112
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 49 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|cendo-me|esclarecendo-me}} de subito que o barão conhecia o mysterio — Tão pouco quizera vir aguar o prazer de tal festa, como ha pouco ouvi. Vim, porque julguei que ninguem repararia na minha presença, e que me consentiriam, fiada na amisade de Beatriz e benevolencia das mais pessoas, os acompanhasse, tragando assim até á ultima gotta, o fel das minhas dores.
Disse, e sem reparo do estado em que fiquei, ouvindo estas palavras que se me estavam insculpindo em bronze no coração, como sahidas do cadinho abrazador, caminhou direita ao fundo da sala comprimentando a todos com presença de espirito, e ouvindo os emboras da sua agradavel resolução.
Subimos. Desci a escada n'um atordimento indiscriptivel. Logo que me vi a sós com Beatriz, contei-lhe por alto o que se tinha passado, como pedindo uma explicação.
― Pouco mais sei do que tu — me respondeu. — Esta mulher é uma doida, que toma aquelles ares sentimentaes para se fazer notavel.
― Não me quer parecer isso — tornei eu — e, afóra a inconveniencia de me vir fazer confidencias a mim, é possivel que ali esteja escondida uma dor verdadeira.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
7ec5hpo8ws5zo24nmy6nuyx4dd79kk6
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/51
106
256637
560113
2026-08-21T18:58:54Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560113
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 50 ―}}</noinclude>— É possivel — redarguiu' Beatriz — mas não te fies em apparencias. Eu de mim vou jurar que foi muito estudado ao espelho o effeito do vestido, e d'aquelles ridiculos momos que tanto te impressionaram.
— Assim será; deves conhecel-a melhor do que eu; mas o que é certo é que ha alguma coisa entre ella e teu irmão. Foi provavelmente por elle que ella soube d'este passeio, e que resolveu tomar parte n'elle.
— Não duvido, não. Nuno é como já te disse um visionario, tão prompto a inflammar-se por uma mulher, como a recahir no gelo do indifferentismo. Haverá tres annos, quando Guiomar cazou, que o julguei perdido da cabeça para sempre, e não chegaria bem a um mez depois, que o vi fazer taes extremos por outra, que me convenci de que isto d'amor n'elle é uma doença, uma monomania que só o tempo ha-de curar.
— Logo é elle um hypocrita de grande força — disse eu forçando um sorriso que me escaldou os labios.
— Não lhe chames esse nome que és injusta e pouco verdadeira. Desgraçado é que elle é. Ninguem forja chimeras mais insensatas! e<noinclude></noinclude>
9vajhxp4rk33yroii20jaxoh3y6riqj
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/52
106
256638
560115
2026-08-21T19:00:38Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560115
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 51 ―}}</noinclude>quando ellas desapparecem ao ligeirissimo sopro da vida real, cahe elle tambem prostrado da fadiga moral a que o obrigam as suas concepções. E o mau é ficar lá sempre o fermento que ha-de levedar outras.
— És adoravel no teu santo fanatismo. Bella cruzada a tua, minha Beatriz! — continuei eu constrangendo o espirito a uma verbosidade irritante e dolorosa — È por tanto esta formosa Guiomar uma d'essas visões aerias que baixaram do céo com a especial missão de arrebatarem o visconde de Alvarães para os páramos infinitos da sua fertil phantasia?!
— Não sei o que é, foi, ou será, Dianna; já vejo que estás de má fé a respeito d'elles, e eu não posso dizer-te mais do que isto.
— E já é muito, — interrompi eu — é demais
para a inoffensiva curiosidade que me despertaram.
Callámo-nos. As minhas idéas eram tão confusas, que eu temia perder-me no labyrintho em que insensivelmente me ia entranhando. Comprehendia a necessidade de me mostrar serena, para desviar as suspeitas que por ventura laboravam no espirito de Beatriz. Além de que, não me podia ficar duvida na intenção secreta das<noinclude></noinclude>
lj2jnzoa0gd1udmkxs6dssgb0cmajmh
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/53
106
256639
560116
2026-08-21T19:02:00Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560116
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 52 ―}}</noinclude>palavras que Guiomar affoitamente me dirigira. De mais, tinha eu direitos para me julgar affrontada? Que poderia eu exigir de Nuno se o amasse? Fidelidade no futuro, em troca da minha tolerancia sobré o passado. Esta é que é a verdade; isto é o que seria se eu o tivesse amado, com o amor vulgar das creaturas. Mas é que eu não o amava, Henriqueta! Eu adorava-o! Era a minha religião, o meu culto, o meu Deus, a minha santa é immaculada poesia! E tão sublime era esta adoração, que a confessaria a meu marido sem córar! E ainda mesmo depois de saber que era escarnecida por elle, quando me enfeitiçava com a ingenua historia da sua vida, moldada pela minha nos arroubos mysteriosos, levava a minha generosidade até o ponto de perdoar-lhe, e procurar ainda hos fragmentos do meu despedaçado idolo o pó d'essas reliquias.
O almoço correu triste. Fomos depois á ''Penha verde'', que não te descrévo porque afóra as grandes arvores, por nós tão vistas no nosso Minho, nada temos que admirar; não vi mais nada.
Pareceu-me que os olhos do visconde de Alvarães e os de Guiomar espreitavam a miudo os meus movimentos. Foi bastante este {{hífen|incenti|incentivo}}<noinclude></noinclude>
26m57j5d3j7uvmqdvlli8dx5l1xx8vw
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/54
106
256640
560117
2026-08-21T19:03:59Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560117
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 53 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|vo|incentivo}}, para que a minha dignidade sobrelevasse o desgosto que sentia.
Creio que me mostrei alegre e naturalmente tranquilla.
Vi os dois sentados debaixo d'uma grande arvore, emquanto eu e Beatriz apanhavamos aqui e além uma flor, ou admiravamos as borboletas fulgindo e adejando sobre nossas cabeças com suas azas matizadas. A distancia não deixava ouvir o que diziam, os gestos, porem, do visconde eram imperativos, e como accusando pouco contentamento.
Affastei-me de proposito, entrando n'uma rua lateral que m'os escondia; mas d'ahi a momentos Nuno sahia-nos ao encontro.
— Porque me fogem? — disse elle com ar pesaroso.
— Não fugimos ― redargui eu ― Cançámo-nos atraz das borboletas, como v. ex.{{sup|a}} corre atraz da felicidade.
— Quer dizer que os meus esforços para a segurar são tão inuteis como as tentativas de v. ex.{{sup|a}} para colher esses animaesinhos ás mãos?
— Deus me livre de tal pensamento! — tornei eu risonha — Ninguem a merece tanto. O caso está em não desanimar.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
sbbnsztrd18tyd42q70t1g34uk0e04g
560118
560117
2026-08-21T19:04:16Z
BlitzkriegBoop
37692
560118
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 53 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|vo|incentivo}}, para que a minha dignidade sobrelevasse o desgosto que sentia.
Creio que me mostrei alegre e naturalmente tranquilla.
Vi os dois sentados debaixo d'uma grande arvore, emquanto eu e Beatriz apanhavamos aqui e além uma flor, ou admiravamos as borboletas fulgindo e adejando sobre nossas cabeças com suas azas matizadas. A distancia não deixava ouvir o que diziam, os gestos, porem, do visconde eram imperativos, e como accusando pouco contentamento.
Affastei-me de proposito, entrando n'uma rua lateral que m'os escondia; mas d'ahi a momentos Nuno sahia-nos ao encontro.
— Porque me fogem? — disse elle com ar pesaroso.
— Não fugimos ― redargui eu ― Cançámo-nos atraz das borboletas, como v. ex.{{sup|a}} corre atraz da felicidade.
— Quer dizer que os meus esforços para a segurar são tão inuteis como as tentativas de v. ex.{{sup|as}} para colher esses animaesinhos ás mãos?
— Deus me livre de tal pensamento! — tornei eu risonha — Ninguem a merece tanto. O caso está em não desanimar.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
65ax550kemmdqvj5h186kd4cieho339
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/55
106
256641
560119
2026-08-21T19:04:52Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560119
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 54 ―}}</noinclude>Enfiei o braço no de Beatriz e deixei-o pensativo.
Quando recolhemos aproveitei o ensejo que me davam uns ataques de tosse secca e nervosa para me evadir ao jantar em casa da viscondessa.
Nuno não pôde, nem me pareceu, pelo menos, fazer esforços para se aproximar de mim. Ia tão guardado pelos olhos de Guiomar!
E que teria elle a dizer-me?
{{nop}}<noinclude></noinclude>
3irz6wfuoluizm6bf3ap5hgp1ewcri9
Herança de Lagrimas/VI
0
256642
560121
2026-08-21T19:06:38Z
BlitzkriegBoop
37692
Página criada
560121
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf" from=41 to=55 header=1/>
[[Categoria:Herança de Lagrimas| 06]]
0pa76admpezhbsvqwl04dey4gclzd5x
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/56
106
256643
560122
2026-08-21T19:10:31Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560122
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 55 ―}}</noinclude>{{ch|VII}}
{{dhr}}
{{C|{{sc|Dianna a Henriqueta}}}}
{{dhr}}
Lê a copia d'essas duas cartas para te orientares no que se tem passado.
{{dhr}}
{{D|offset=3em|«''Dianna,''}}
{{dhr}}
«Chamo-te na anciedade d'uma grande e afflictiva dôr. Recusarás tú acudir-me? Ha sete dias que me fechas a tua porta, que ninguem te vê; mas eu sei que vives e que passas o tempo lendo, escrevendo e sonhando como sonha a tua rica imaginação.
«Sei que pensamentos te absorvem, conheço a chaga que te faz soffrer, e desespero-me de não poder chegar-lhe o balsamo.
«Por piedade escuta-me: tenho infinitas coisas a dizerte que não ouso confiar ao papel. uma necessidade urgente fallar-te; {{hífen|suppli|supplico-t'o}}<noinclude></noinclude>
dr2b4s9bqaikwhkuzliy2tgpfmaof19
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/57
106
256644
560123
2026-08-21T19:13:13Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560123
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 56 ―}}</noinclude>{{hífen|co-t'o|supplico-t'o}} como uma fineza da tua parte, o que nunca esquecerei.
«Lembra-te, por tanto, que espera uma resposta favoravel a sempre tua
{{dhr}}
{{d|offset=3em|''«Beatriz».''}}
«''Resposta:''
{{dhr}}
«Enganaste-te minha querida filha. Tomaste os antigos espinhos da minha cruz por novas e hervadas setas. A chaga não é d'agora: ha muito que ella sangra e sem esperanças de cura.
«Se me concentrei na minha thebaida não foi por temer recahidas perigosas; cancei do bulicio d'esse mundo em que me sinto estranha, e reatei o fio partido da minha desconfortavel vida por uma intermittenciá que devia deixar-me recordações penosas. Que o não digo eu por ti, nem mesmo me queixo d'alguem. Se ha culpas, são minhas; se ha enganos são chimeras d'este pobre visionario do meu espirito.
«E agora que me queres tu? Que posso eu fazer para te desfadigar d'esse estado d'exaltação que te fez lembrar de mim?
{{nop}}<noinclude></noinclude>
b7opc4onzdwghipgc0flnt5on63zafo
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/58
106
256645
560124
2026-08-21T19:14:45Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560124
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 57 ―}}</noinclude>«Conheço-me um átomo tão insignificante, que, por mais absurda que seja a minha vaidade, descubro claramente que por causa nenhuma posso entrar nos teus pezares. Comtudo, tu chamas-me e eu folgo de me considerar prestavel. Vem, pois, quando quizeres, que a minha alma está disposta a recolher as tuas confidencias».
{{dhr}}
Dez minutos depois Beatriz estava comigo.
Vejo-me obrigada a encurtar pormenores para te não enfastiar. Direi por tanto em resumo o que daria longas paginas, e referindo-me unicamente ao que Beatriz me contou.
As suas primeiras palavras gelaram-me de espanto. Nuno enlouquecêra! Guardavam-no á vista, receiando algum funesto incidente n'um dos frequentes accessos. A sua idéa predominante era o suicidio. Sangrado de poucas horas, arrancára as ligaduras e pedia, ora com lagrimas e já com gestos furibundos, que o deixassem morrer. O conde estava inconsolavel e os medicos temiam algum successo fatal, que de repente lançasse Beatriz na orphandade.
O sangue estuava-me nas veias; queria e sentia fallecer-me o animo para abordar {{hífen|direc|directamente}}<noinclude></noinclude>
c06dxklcrsohxycikadr28xkh7f5zyj
Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O figuinho da figueira
0
256646
560125
2026-08-21T19:15:19Z
Mt516
43586
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O figuinho da figueira | anterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]] | posterior = [[../Os sapatinhos de setim/]] | notas = }} '''<big>O FIGUINHO DA FIGUEIRA</big>''' HAVIA um homem e uma mulher casados, que tinham uma filha de quem era muito amigos. Com eles vivia a mãe da mulher, que era uma velha e rabujenta feiticeira, e...
560125
wikitext
text/x-wiki
{{navegar
| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
| tradutor =
| seção = O figuinho da figueira
| anterior = [[../Os meninos da estrela de ouro na testa/]]
| posterior = [[../Os sapatinhos de setim/]]
| notas =
}}
'''<big>O FIGUINHO DA FIGUEIRA</big>'''
HAVIA um homem e uma mulher casados, que tinham uma filha de quem era muito amigos. Com eles vivia a mãe da mulher, que era uma velha e rabujenta feiticeira, e por criado tinham um preto.
Perto daquela terra fazia-se uma feira muito importante, e o homem e a mulher, que tinham que dar ordens à sua vida e não eram ricos, foram para lá fazer o seu negócio, levando o preto para os ajudar.
A menina ficou em casa com a velha, e os pais antes de sair recomendaram-lhe muito que a não deixasse ir só nem para a rua nem para o quintal, que podia acontecer alguma desgraça, e então que a guardasse muito bem.
Mal a velha os viu pelas costas, foi ao quintal contar os figos duma figueira que lá havia, e depois pôs a menina por baixo, dizendo que a matava se lhe faltasse algum.
A menina enxotava os pássaros quanto podia, mas lá veio um mais atrevido que não se importou com os seus gritos e roubou um figo.
Veio a avó contá-los, e, dando por falta daquele, abriu uma cova muito funda, e chamou a pequenita para a pentear. Quando a criança estava quase a dormir, atirou-a para a cova, deitou por cima terra e pedras e foi para casa.
Quando os pais da menina vieram e perguntaram por ela, respondeu a velha que não sabia, que tinha fugido e que a não pudera agarrar.
Procuraram-na por todas as casas da vizinhança, perguntaram a toda a gente se a tinham visto, mas ninguém lhes deu conta dela. Passaram-se os dias e os meses na maior aflição, até que uma tarde em que andava no quintal a apanhar relva, o preto viu uma roseira nova debaixo da figueira e começou a cortar uma flor. Ouviu logo uma voz muito linda que vinha debaixo da terra e dizia:
<poem>
Ó preto, ó meu pretinho,
Não me cortes o cabelinho,
Minha mãe mo penteou,
Minha avó mo enterrou,
Pelo figo da figueira
Que o passarinho levou.
</poem>
O preto correu a casa muito admirado, dizendo aos patrões que a menina não aparecia, mas que lhe ouvira a voz debaixo da terra dizer:
<poem>
Ó preto, ó meu pretinho,
Não me cortes o cabelinho,
Minha mãe mo penteou,
Minha avó mo enterrou,
Pelo figo da figueira
Que o passarinho levou.
</poem>
A velha não fazia senão gritar que estava maluco e que não acreditassem no que dizia. Mas os pais não fizeram caso e foram ao quintal. Pegou o criado na rosa e logo ouviram a mesma voz:
<poem>
Ó preto, ó meu pretinho,
Não me cortes o cabelinho,
Minha mãe mo penteou,
Minha avó mo enterrou,
Pelo figo da figueira
Que o passarinho levou.
</poem>
Trataram logo de abrir a cova e encontraram a menina deitada, uma fontinha a correr ao lado, Nossa Senhora sentada à cabeceira, e anjos, com velas acesas, rodeando o corpo. Da cova saía um tão doce cheiro a rosas, que parecia um jardim do céu.
Os pais e o preto caíram de joelhos e com muitas lágrimas pediram à Senhora que fizesse acordar a menina.
Os anjos do Senhor não queriam, porque ela era santa e no céu era o seu lugar. Mas Nossa Senhora, que sabe o que é ter filhos, teve muita pena dos pais, ressuscitou a menina e entregou-lha, para que bem a criassem e guardassem.
Dali foram para casa para entregarem a velha à justiça, mas já ela se tinha justiçado por suas mãos, pois se deitara duma janela abaixo. E veio logo o Demónio que a arrebatou em corpo e alma para o mais terrível dos infernos.
[[Categoria:Contos portugueses|O figuinho da figueira]]
kf20m0sf3dnt2sah2squh2bupx24rr7
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/59
106
256647
560126
2026-08-21T19:16:25Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560126
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 58 ―}}</noinclude>{{hífen|tamente|directamente}} o ponto essencial. N'este aperto faltava-me a palavra e até o raciocinio. Uma voz interior dizia-me que de tudo era eu a causa, e o negro quadro, caregado ainda com as pezadas cores da minha imaginação tornava-se medonho.
Beatriz, que me comprehendia, não achava modo de me fortalecer, nem como dirigir-me uma insinuação pessoal em que chegariamos á dura perplexidade das explicações. Por fim, vendo que eu nada dizia de positivo que a authorisasse a fazer-me ouvir mais do que me convinha, entregou-me essa carta que tambem acharás junto, dizendo-me:
— Vou deixar-te, Dianna. Sei que me entendeste; e para almas como a tua escusado é apontar-lhes para o caminho mais nobre. Vou contente: levo a certeza de que não verei malograda a minha esperança. Por tanto, adeus. Conto comtigo esta noite á cabeceira d'um enfermo de quem pai e irmã te pedem o milagre
da cura e da vida.
Lancei-lhe os braços ao pescoço, suffocando os soluços que me despedaçavam o seio.
— Sim, irei, — respondi — e permitta Deus que lhe sejam levadas na conta das que elle soffre, as horriveis torturas que me estão {{hífen|martyri|martyrisando}}<noinclude></noinclude>
0jbrd6ws03f7zlclhbm3nlhe4kzpsbf
560127
560126
2026-08-21T19:16:38Z
BlitzkriegBoop
37692
560127
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 58 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|tamente|directamente}} o ponto essencial. N'este aperto faltava-me a palavra e até o raciocinio. Uma voz interior dizia-me que de tudo era eu a causa, e o negro quadro, caregado ainda com as pezadas cores da minha imaginação tornava-se medonho.
Beatriz, que me comprehendia, não achava modo de me fortalecer, nem como dirigir-me uma insinuação pessoal em que chegariamos á dura perplexidade das explicações. Por fim, vendo que eu nada dizia de positivo que a authorisasse a fazer-me ouvir mais do que me convinha, entregou-me essa carta que tambem acharás junto, dizendo-me:
— Vou deixar-te, Dianna. Sei que me entendeste; e para almas como a tua escusado é apontar-lhes para o caminho mais nobre. Vou contente: levo a certeza de que não verei malograda a minha esperança. Por tanto, adeus. Conto comtigo esta noite á cabeceira d'um enfermo de quem pai e irmã te pedem o milagre
da cura e da vida.
Lancei-lhe os braços ao pescoço, suffocando os soluços que me despedaçavam o seio.
— Sim, irei, — respondi — e permitta Deus que lhe sejam levadas na conta das que elle soffre, as horriveis torturas que me estão {{hífen|martyri|martyrisando}}<noinclude></noinclude>
ohi50nhojr5l1pka67sfrnmgmqcwm3w
Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/60
106
256648
560128
2026-08-21T19:18:28Z
BlitzkriegBoop
37692
/* Revista */
560128
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{C|― 59 ―}}</noinclude>{{hífen-fim|sando|martyrisando}} a alma. Agora posso dizer-te tudo, Beatriz, posso. Deixo cahir esta mascara que me envergonho de ter aproveitado. Para que esconderei eu estas lagrimas? para que procurar um disfarce indigno de mim? Repara que este orvalho da piedade não tem o queimor acre do crime, e que eu choro afoitamente diante de ti pelo homem que me mereceu uma idolatria sublime! Sim, é necessario que eu expie a minha loucura: manda-me Deus essa prova, e eu acceito-a.
— Has-de salval-o, sim? ― redarguiu ella —
— Salvarei; e, o que mais é, que nenhum de nós tenha de córar da sua fraqueza aos olhos do mundo.
Esta é a carta que Beatriz me deixou, diri-
gida ao barão de <nowiki>***</nowiki>
{{dhr}}
«Em que occasião me deixas! Foge-me alma e vida atraz d'esse espirito angelico que lá vae pairando nos astros, envolvido na sua pura chlamyde!... Espirito, sim. Aquella voz, aquelle rosto, aquelle porte sem igual, tudo denunciava uma essencia superior.
«Viste-à acaso no meio das outras? Ouviste aquellas palavras que lhe sahiam dos labios<noinclude></noinclude>
r9qknojf4dwhzgygzpl5zbmkto2nz69
Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O bom serviço recompensado
0
256649
560132
2026-08-21T20:21:47Z
Mt516
43586
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O bom serviço recompensado | anterior = [[../O gosto dos gostos/]] | posterior = [[../História da Princesa adormecida ou das treze fadas/]] | notas = }} '''<big>O BOM SERVIÇO RECOMPENSADO</big>''' NUMA aldeia muito pobre, lá das montanhas, havia uma viúva que tinha um filho. Viviam miseràvelmente, apenas do que a terra produzia, e o...
560132
wikitext
text/x-wiki
{{navegar
| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
| tradutor =
| seção = O bom serviço recompensado
| anterior = [[../O gosto dos gostos/]]
| posterior = [[../História da Princesa adormecida ou das treze fadas/]]
| notas =
}}
'''<big>O BOM SERVIÇO RECOMPENSADO</big>'''
NUMA aldeia muito pobre, lá das montanhas, havia uma viúva que tinha um filho. Viviam miseràvelmente, apenas do que a terra produzia, e o rapaz aborreceu-se de ter fome e disse para a mãe:
— Eu vou correr mundo e vossemecê espera-me com paciência, que eu, se fizer fortuna, cá a venho buscar. Se morrer, a minha mãe se resignará porque não tem outro remédio.
A viúva chorou muito e lembrou-lhe o desamparo em que ficava, mas o rapaz tinha aquela ideia tão metida na cabeça que não houve meio de o dissuadir.
Pegou no seu bordão de viagem e pôs-se a caminho. Depois de muito andar, passou por um sítio ermo e triste e viu um burro morto e de roda do cadáver um leão, uma águia, um galgo e uma formiga.
Os bichos, mal o viram, chamaram-no para lhes fazer a partilha da presa. O homem, que apesar de se inculcar rei da criação tem de alguns súbditos um medo atroz, ainda quis fugir. Mas depois pensou — também o que lhe vale é saber pensar! — que o galgo tinha boas pernas para o agarrar e o leão e a águia não são inimigos de que se possa rir. A formiga é que lhe não metia medo, apesar de também saber dar a sua mordidela bem boa.
Em vista de tais raciocínios fez das tripas coração e lá foi ter com os quatro companheiros para lhes fazer as partilhas que desejavam.
Com tal acerto se houve que os animais ficaram satisfeitíssimos — o que é raro acontecer entre os homens quando há negócios semelhantes — e todos o quiseram presentear.
O leão deu-lhe um cabelo da sua juba e disse-lhe:
— Quando te vires aflito, pega neste cabelo e dize: ''ai de mim, leão!''
A águia deu-lhe uma pena e disse também:
— Pois quando o leão te não possa valer, grita: ''ai de mim, águia!''
O galgo, dando-lhe um bocadinho do seu pêlo, disse-lhe:
— Pois quando o leão e a águia nada possam, chama por mim dizendo: ''ai de mim, galgo!'' — que eu talvez te possa servir.
E a formiga, não lhes ficando atrás em generosidade, deu uma das suas perninhas ao rapaz e disse:
— Pois quando nenhum deles te possa valer, chama: ''ai de mim, formiga!'' — e verás que eu te salvarei.
Partiu o rapaz, depois de ter agradecido aos animais, e foi andando, andando, por caminhos cada vez mais tristes e solitários, até que chegou a um palácio riquíssimo, rodeado de jardins, os mais belos, mas tão cerrados e gradeados que não era possível lá entrar. Olhou de longe para o palácio e viu assomada a uma das suas janelas uma menina, linda como os amores. Querendo vê-la de perto e mesmo chegar junto dela, se possível fosse, murmurou: ''ai de mim, águia!''
Imediatamente lhe apareceu a rainha das aves, que lhe perguntou o que queria.
— Transformar-me num pássaro e chegar junto daquela menina — respondeu ele.
— Faço-te o que pedes, porque nada há mais fácil, mas, toma bem sentido, olha que a menina é uma Princesa guardada por um Gigante, que ao nascer a roubou do palácio dum poderoso Rei, que é o seu pai. Depois de estares lá dentro, não terei poder para te livrar de qualquer perigo.
— Embora! Eu quero ver a Princesa ou morrer, pois a sua formosura me encanta.
A águia transformou-o num bonito pássaro e fugiu. Mal o rapaz se viu feito ave e com asas para voar, como se o espaço fosse todo seu, ficou muito satisfeito e num momento se pôs junto da menina, que era tão linda como as estrelas.
— Que gentil passarinho ! — disse ela para o Gigante. — Quem mo dera ter para o meter numa gaiola.
O Gigante deitou-lhe a mão e agarrou-o logo. Foi posto numa gaiola de ouro, que colocaram no quarto da Princesa.
O rapaz não se apoquentou. Quando chegou a noite disse muito baixinho: ''ai de mim, formiga!''
Apareceu-lhe logo a rainha das formigas que perguntou o que desejava.
— Sair desta prisão.
— Nada mais fácil.
E num momento o transformou em formiga, como era preciso para poder sair das apertadas grades da gaiola. Mal pôs o pé no chão, fez-se logo outra vez homem.
A Princesa, que nunca tinha visto um ser humano, começou a gritar com medo e o Gigante veio saber o que lhe acontecera. Mas o rapaz tinha-se feito formiga, e, por mais que o procurassem, não davam com ele. O Gigante foi-se embora e ele voltou à sua forma humana, dando um grande susto à Princesinha, que de novo gritou pelo Gigante.
Este veio muito aborrecido, por lhe terem quebrado o melhor do seu sono, e, tornando a correr todos os cantos, nada encontrou, porque o esperto moço voltara a ser formiga.
Terceira vez aconteceu o mesmo e o bruto do Gigante disse para a menina que a mataria se o tornasse a chamar, porque já por três vezes o tinha incomodado inùtilmente.
Foi o melhor que podia ter dito, pois o rapaz tornou à sua forma natural e pôde contar à jovem Princesa tudo o que se tinha passado.
— Eu tive medo — respondeu ela — porque era a primeira vez que via um homem. Logo que nasci, fui roubada por este Gigante que aqui me tem presa. A minha ama foi uma raposa e o meu mestre tem sido ele. Mas eu estou aqui muito aborrecida e só queria que me livrassem e me entregassem a meus pais.
— Pois se a Princesa quiser, eu matarei o Gigante — respondeu o rapaz.
— Isso não pode ser, porque ele é eterno. Só se lhe pudéssemos tirar o encanto, que anda na serra, dentro dum porco-espinho.
— Isso faço eu! — disse logo o rapaz.
— E depois de se matar o porco — continuou a Princesa — ainda sairá de dentro uma lebre, que se há-de agarrar e matar também, para de dentro dela sair uma pomba. Essa pomba porá um ovo e só com ele se poderá acabar com o terrível Gigante meu guardador.
— Bem, tudo isso é fácil.
A menina ficou animada com a coragem do rapaz e despediu-se. Este, chegando à janela, chamou a águia, transformou-se em pássaro e voou para a serra, onde o porco-espinho habitava no mais cerrado dos matos. Chegado que foi ali, clamou: ''ai de mim, leão!''
O leão veio logo e perguntou o que queria. O rapaz explicou o que desejava, e o animal, rugindo furioso, deitou-se sobre o porco-espinho, trazendo-o morto para junto do homem. Ele então abriu-o e encontrou dentro uma lebre viva que se pôs aos saltos e a correr sem destino pela serra fora. Muito apoquentado por a não poder segurar, gritou: ''ai de mim, galgo!''
O galgo apareceu como por encanto, e, num abrir e fechar de olhos, apanhou a lebre, que lhe entregou. Abriu a lebre e de dentro saiu uma pombinha, que se lhe escapou das mãos e voou pelos ares além. Clamou logo: ''ai de mim, águia!''
A águia veio, e, ouvindo o que ele desejava, transformou-o em milhafre, para ir em busca da pomba. Mas a pomba tinha voado tão longe, que a não pôde logo encontrar, e só passados três dias a viu escondida no ninho da sua companheira, que há muito a esperava em vão. Como a pomba não tivesse posto o ovo, teve que se transformar em homem e ficou por ali à espera. Ajustou-se como guardador de gado na casa dum homem que tinha três filhas. Como era muito bom e fazia óptimo serviço, o patrão queria-o casar com uma delas, para que não mais saísse de sua casa, mas o rapaz escusava-se sempre e não pensava senão na Princesa, que o esperava no palácio do Gigante.
Um dia que viu as duas pombas muito contentes, foi ao ninho e encontrou o ovo; ficou, é claro, cheio de alegria e logo chamou a águia, que o transformou em pássaro.
Chegou ao palácio, onde a menina contava as horas e os minutos na maior ansiedade, e entregou o ovo, que ela guardou com todos os cuidados. Daí, ele voltou à sua forma humana, conversaram e riram todo o dia na maior satisfação, comendo e bebendo dos melhores manjares e licores.
À noite veio o Gigante, e o rapaz, mal o sentiu, fez-se em formiga. A menina tratou muito bem o terrível carcereiro, e, quando o viu a dormir, deu-lhe com o ovo na testa — zás! Ele soltou um berro que tudo atormentou e fez tremer o palácio, e morreu.
Os dois ficaram muito contentes, e, dirigindo-se às cavalariças, escolheram dois cavalos dos melhores e partiram em direcção do País dos pais da Princesa.
Nem quiseram esperar que rompesse a manhã, tal era o temor de que o monstro ainda ressuscitasse. Sem saudade nenhuma, deixou a Princesinha o palácio maravilhoso onde fora criada, e que, apesar de todas as suas belezas e inumeráveis riquezas, nunca para ela podia ter encantos, porque era uma prisão.
Quando os pais viram chegar à corte aquela formosíssima dama, só acompanhada pelo valente moço, ficaram muito admirados, e quando se deu a conhecer e contou o que lhe tinha sucedido, além de surpresos, ficaram alegríssimos, pois não mais houvera alegria na corte desde que faltara a herdeira ao seu nome e reino.
Ela declarou quanto devia ao moço e que desejava ter por esposo o seu salvador, o que todos acharam muito louvável e natural.
O rapaz, porém, não aceitou tal honra sem que primeiro o deixassem ir buscar a mãe que miseràvelmente vivia na tal aldeiazinha das montanhas. A pobre criatura quando viu o filho cuidou morrer de alegria, e quando se viu na corte, vestida de grande dama e tratada como rainha, já lhe parecia que na vida fora habitar o céu.
A Princesa e o marido foram sempre muito felizes e ainda hoje são lembradas as suas virtudes e a sua memória venerada pelos descendentes dos seus súbditos.
[[Categoria:Contos portugueses|O bom serviço recompensado]]
r5vd1yzn5tto9qfyqj8pwebc81j1qb7
Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/A menina fadada
0
256650
560133
2026-08-21T20:43:58Z
Mt516
43586
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = A menina fadada | anterior = [[../O homem de pedra/]] | posterior = [[../O esperto/]] | notas = }} '''<big>A MENINA FADADA</big>''' HAVIA em tempos um homem que tinha três filhas e era bastante rico. Naquela terra era costume, quando alguma rapariga chegava à idade de casar, mandarem os pais fazer uma bola de ouro ou de prata ou de cobr...
560133
wikitext
text/x-wiki
{{navegar
| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
| tradutor =
| seção = A menina fadada
| anterior = [[../O homem de pedra/]]
| posterior = [[../O esperto/]]
| notas =
}}
'''<big>A MENINA FADADA</big>'''
HAVIA em tempos um homem que tinha três filhas e era bastante rico.
Naquela terra era costume, quando alguma rapariga chegava à idade de casar, mandarem os pais fazer uma bola de ouro ou de prata ou de cobre, conforme as suas posses, e porem-na à porta da rua para os rapazes saberem se deviam pretendê-la. Quando a filha mais velha do tal homem quis escolher marido, o pai mandou fazer uma grande bola de ouro martelado e pô-la à porta da sua casa. Passavam bons homens honestos, rapazes trabalhadores e inteligentes, mas não tinham fortuna e vendo uma coisa de tanto valor diziam:
— Nada, aquela é muito rica, não é para mim!
Até que um dia passou o filho dum Rei, e, como esse possuia muitas riquezas, não teve receio de casar com a menina. Entrou e pediu-a em casamento, com o que pai e filha ficaram muito vaidosos e satisfeitos. Ajustaram tudo e daí a dias realizou-se a cerimónia, partindo a Princesa para o Reino do seu esposo.
Correu tempo e chegou a vez da filha segunda casar, mas como o pai tinha gasto muito dinheiro com a bola de ouro não pôde fazer senão uma de prata, mas que tinha uma tal grandeza que nenhum rapaz da terra se atrevia a falar à rapariga. Passou então um fidalgo opulento que a achou do seu gosto, e entrando a pediu e tudo se combinou logo.
Tornou a correr tempo e chegou a vez da terceira; então o pai disse-lhe que não tinha dinheiro para mandar fazer uma bola nem de ouro nem de prata mas sòmente de cobre.
— É o mesmo — disse a menina. — Cada qual deve contentar-se com a sua sorte. Por ter menos do que minhas irmãs não me considerarei menos feliz, se tiver um marido que me queira bem.
Em vista disto mandou o homem fazer uma bola de cobre e colocaram-na à porta. Passou um Príncipe, que andava a procurar noiva acompanhado por luzido cortejo de fidalgos e pagens, e olhando para a bola de cobre sorriu com desdém, dizendo:
— Ali está uma noiva que me não serve, porque é pobre demais para mim.
Vieram depois condes, ricos homens da corte, orgulhosos burgueses abarrotados de ouro, rapazes sem posição à cata de noiva rica; todos por ali passaram e nenhum se lembrou de entrar e pedir a boa menina, que só tinha o defeito de ser pobre.
Até que por fim veio um bom e inteligente rapaz que nada mais tinha que a riqueza do seu trabalho e que havia muito procurava noiva, que não o envergonhasse. Vendo a bola de cobre que tinha afugentado os mais, disse muito contente: — Esta, sim, esta é que a mulher que convém à minha modéstia.
Entrou, falou com ela e com o pai, e daí a dias casaram e foram para a terra dele, que era um pouco distante.
As irmãs da menina, como estavam casadas com príncipes e fidalgos, ficaram furiosas por a saberem pobre e nunca a procuraram, sem se lembrarem aquelas egoistas que se a mais nova ficara sem fortuna a elas ùnicamente o devia, pois tinham arruinado o pai com os seus dotes. Enfim, ela não se importou e não fez senão bem, pois estando em paz com a nossa consciência não nos devemos preocupar com as vaidades e mau procedimento dos que nos julgam.
A menina era muito feliz com o marido e, apesar das irmãs serem ricas e ela pobre, não lhes tinha inveja nenhuma.
Assim viveram na maior paz e harmonia trabalhando com gosto, até que uma noite a menina adoeceu e o marido saiu para ir buscar um remédio. Como não tinham criada ficou só com uma filhita de poucos meses, que já lhes havia nascido.
Nisto, bateram à porta, e ela, como não tinha medo dos ladrões, porque nada possuiam que tentasse a cubiça, mandou entrar. Ficou muito condoída vendo que eram três vèlhitas muito mal trajadas que lhe pediam abrigo para a noite, que estava de invernia má.
Apesar de doente, lá se foi arrastando e serviu-as de tudo quanto para eles tinham. As mulheres agradeciam reconhecidas, elogiando a jovem senhora e a criancinha que ela trazia nos braços. Quando o marido voltou aprovou tudo quanto a mulher tinha feito e igualmente tratou bem as pobrezinhas.
De manhã, mal começou a luzir o buraco, levantaram-se as três velhas e, chegando ao berço, onde a criança dormia — porque elas eram nem mais nem menos do que três poderosas fadas, que assim se disfarçaram para experimentar a bondade da menina e recompensarem as suas acções — fadaram a pequenita.
Disse a que parecia ser a mais considerada, pois que as fadas não tendo idade não se pode dizer qual a mais velha:
— Eu te fado para que sejas a mais formosa mulher do Mundo.
Foi a segunda e disse:
— Eu te fado para que venhas a ser a mais feliz de quantas mulheres no Mundo existem.
Depois, a terceira:
— Eu te fado para que as tuas palavras sejam flores, as mais belas e bem cheirosas.
Tocaram com as varinhas de condão no berço pobrezito e logo este se transformou em dourado berço de princesa coberto de seda e holandas. Tocaram nos móveis, nas paredes, na roupa, em tudo que ali havia, e logo a miserável casa se transformou em grandioso palácio opulentamente mobilado e ornamentado com gosto de fada. Basta dizer isto para se calcularem os seus esplendores.
Desapareceram depois, deixando aquela bondosa família a nadar em contentamento e riquezas.
Logo que as irmãs da menina a viram habitar um palácio tão rico e não precisar nada, fizeram as pazes com ela e já não podiam passar sem a visitar todos os dias.
A irmã mais velha, casada com o Príncipe, vivia muito mal com o marido e apesar de estar em tão alta posição não fazia senão lamentar-se e invejar a irmã mais nova. Tinha ela uma filha que era da idade da menina fadada, mas não se parecendo com ela na beleza e na bondade. Iam crescendo juntas e davam-se muito, apesar da invejosa não poder ver a prima.
Já eram grandes quando por ali passou o Rei dum grande País, que andava a correr Mundo. Viu a menina fadada e ficou tão agradado dela que imediatamente lhe pediu para ser sua esposa. Ela disse logo que sim, também agradada dele. Pediu-a aos pais e combinaram ir ele ao seu reino buscar comitiva digna de acompanhar uma tão bela e bondosa noiva e casarem em seguida.
Despediram-se com mágoa e ele partiu, indo a menina avistá-lo até onde podiam alcançar os seus olhos, da torre mais alta da cidade.
Mas, quando o estava divisando muito ao longe, veio por detrás dela, a prima, com um ferro em braza e tirou-lhe os olhos, fugindo muito depressa para que ninguém soubesse de tão feia e criminosa acção.
Muito triste por se ver cega e sem acertar com a saída começou a menina fadada a chorar. Tanto chorou e se lamentou que um bom velho camponês passado por baixo das janelas da torre, olhou para cima e cheio de piedade a foi buscar e recolheu na sua choupana no meio das serras.
Os pais da menina, como a não vissem aparecer, foram à torre procurá-la e, não a encontrando lá, iam morrendo de desgosto; mas então lhes apareceu uma das boas fadas e assegurou que a filha era viva e brevemente a veriam.
Outra fada foi ter com a menina e deu-lhe uma varinha de condão, explicando-lhe o que deveria fazer, animando-a para que tivesse esperança.
Decorrido o tempo preciso para o Rei voltar da sua viagem, mandou a menina o camponês à cidade a ver o que por lá se passava. O velhote carregou o burrito com as coisas que costumava ir vender e lá foi perguntar novas do Rei.
À noite veio para casa, muito triste, dizer à menina que o príncipe voltara e ia casar com a prima dela, que se apresentara como noiva, dizendo que a menina tinha fugido e nada se importava com ele. Primeiro não quisera crer, mas a intriguista dissera-lhe tais coisas que já estava fiado e ia aceitá-la por esposa.
A menina fadada não perdeu a coragem; fez descançar o seu protector e, no outro dia de manhã, mandou-o outra vez à cidade para perguntar à noiva do Rei se queria um ramo de flores raras para lhe oferecer, pois que as suas palavras eram flores como nenhum jardineiro seria capaz de as obter à custa de todos os trabalhos e despesas.
A outra respondeu que sim, e que lhas mandasse imediatamente porque seria no dia seguinte o casamento. De novo enviou a menina fadada o homenzinho à cidade para dizer à prima que lhe mandasse os olhos, sem o quê não poderia fazer-lhe o ramo.
Como ela tinha um grande empenho de presentear o noivo com um mimo daqueles, logo lhe mandou os olhos numa caixa de prata.
Foi o que a menina fadada quis, pois, tocando-lhes com a varinha de condão que a fada lhe tinha deixado, ficou logo tal qual era antes. Vestiu-se toda de preto, cobriu-se com um véu e dirigiu-se ao palácio onde morava o Rei seu noivo pedindo audiência.
Os guardas não a queriam deixar entrar, por não ser costume os Reis falarem a quem os procura tão modestamente vestido, mas a menina pediu tanto e com tão boas palavras que lá a deixaram entrar. Quando o Rei viu aquela senhora vestida de tão rigoroso dó, parece que teve um presentimento e pediu-lhe para levantar o véu. A menina obedeceu e o Rei reconhecendo-a ficou alegríssimo, querendo logo saber o que se tinha passado.
A menina fadada, também muito contente, tocou com a varinha de condão nos seus modestos vestidos ficando tal qual uma rainha. Então contou tudo o que a prima lhe tinha feito e como se curara graças às fadas, suas madrinhas. O Rei ficou tão indignado que imediatamente fez prender a invejosa na torre onde estivera a menina. E não lhe tiraram os olhos a pedido desta, que tinha muito bom coração.
Para ali morreu desprezada por todos, ralada de ciúmes e de inveja, enquanto a menina fadada foi sempre a mais feliz das criaturas, amada por toda a gente e especialmente por seu marido e pais e o velho camponês, a quem fizeram o mais rico senhor da corte.
[[Categoria:Contos portugueses|A menina fadada]]
4jdq6wr6elsbttihqrj7leoc1szsep2
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/135
106
256651
560134
2026-08-21T22:41:29Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560134
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|MARRON}}{{traço}}{{ch|III}}
Parece-me que não tardará muĩto que se introduza
o costume de trazermos todos, como objecto
indispensavel, um diccionario francez-portuguez (ia
dizer {{lang|fr|''mignon''}}, mas emendo para — ''manual, pequenino, portatil, de algibeira''), porque póde muĩto
bem succeder que ouçamos palavra desconhecida,
ou cuja significação esteja por nós esquecida.
Não se julgue que gracejo, quando digo que
talvez dentro em pouco tempo ande cada cidadão
com o seo pequenino diccionario francez-portuguez:
tenho razões de suppor que tal necessidade haja
de apparecer.
Assisti em certa occasião a uma scena familiar
entre quatro moças.
Emquanto fazia a minha visita de medico, e
estava formulando a receita, vi que entre as quatro
moças, das quaes uma era recem-chegada do interior
(para não dizer da roça), e vinha pela primeira
vez á côrte, discutia-se a escolha de sedas
para vestidos.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
sh840coeds5bwc65wzgsb0hs7axt2gd
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/136
106
256652
560135
2026-08-21T22:53:01Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560135
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />92</noinclude>— Olhe, D. Mariquinhas, você com um vestido desta seda {{lang|fr|''grenade''}}, ou aquelle {{lang|fr|''vieux-rose''}} ha de ficar com uma {{lang|fr|''toilette chic''}}, muĩto {{lang|fr|''chic''}}.
— Não, Chiquinha, eu no caso della preferia este {{lang|fr|''surate saumon''}}.
— Ora, vocês não têm gosto, disse a terceira das irmãs, que se chamava Carolina: D. Mariquinhas, compre esse córte {{lang|fr|''marron''}}, compre o {{lang|fr|''marron''}}; ahi não ha nenhum tão bonito, como o {{lang|fr|''marron''}}; com uma guarnição de {{lang|fr|''guipure''}} e {{lang|fr|''passementerie''}} ha de ficar {{lang|fr|''à merveille''}}. E accrescentou, dirigindo-se ás duas irmãs:
— Chiquinha, Alcina, mostrem aquelles vestidos, com que vocês foram á {{lang|fr|''soirée''}} do commendador; que eu vou ao meo {{lang|fr|''boudoir''}} buscar um que póde servir de modelo.
E sahiram da sala as tres improvisadas francezinhas, deixando embasbacada a simploria mocinha da roça; a qual, dirigindo-se á dona da casa,
disse:
— D. Florinda, eu não entendi quasi nada do
que as moças falaram.
— Menina, eu tambem não entendo dessas francezias; d{{'}}antes falava-se portuguez, mas agora...
— Ora, Sr. doutor, (perguntou-me tomando
animo a mocinha), o que é marron, que D. Carolina
teimou tanto para eu comprar?...
{{nop}}<noinclude></noinclude>
n98hamqm9f5ik208oapcepzezbcotyb
560136
560135
2026-08-21T22:53:34Z
Trooper57
24584
560136
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />92</noinclude>— Olhe, D. Mariquinhas, você com um vestido desta seda {{lang|fr|''grenade''}}, ou aquelle {{lang|fr|''vieux-rose''}} ha de ficar com uma {{lang|fr|''toilette chic''}}, muĩto {{lang|fr|''chic''}}.
— Não, Chiquinha, eu no caso della preferia este {{lang|fr|''surate saumon''}}.
— Ora, vocês não têm gosto, disse a terceira das irmãs, que se chamava Carolina: D. Mariquinhas, compre esse córte {{lang|fr|''marron''}}, compre o {{lang|fr|''marron''}}; ahi não ha nenhum tão bonito, como o {{lang|fr|''marron''}}; com uma guarnição de {{lang|fr|''guipure''}} e {{lang|fr|''passementerie''}} ha de ficar {{lang|fr|''à merveille''}}. E accrescentou, dirigindo-se ás duas irmãs:
— Chiquinha, Alcina, mostrem aquelles vestidos, com que vocês foram á {{lang|fr|''soirée''}} do commendador; que eu vou ao meo {{lang|fr|''boudoir''}} buscar um que póde servir de modelo.
E sahiram da sala as tres improvisadas francezinhas, deixando embasbacada a simploria mocinha da roça; a qual, dirigindo-se á dona da casa,
disse:
— D. Florinda, eu não entendi quasi nada do
que as moças falaram.
— Menina, eu tambem não entendo dessas francezias; d{{'}}antes falava-se portuguez, mas agora...
— Ora, Sr. doutor, (perguntou-me tomando animo a mocinha), o que é {{lang|fr|''marron''}}, que D. Carolina teimou tanto para eu comprar?...
{{nop}}<noinclude></noinclude>
cc8jtqeqoavxkbgx0zbnw96ns1eckxm
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/137
106
256653
560138
2026-08-21T23:05:23Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560138
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|93}}</noinclude>— Marron, minha senhora, quer dizar — ''castanha''; é aquella seda côr de ''castanha''.
— Ora vejam só disse a roceirinha admirada.
Para não servir de diccionario vivo, tractei logo de me retirar; porque sinão, teria de traduzir {{lang|fr|''grenade''}} (côr de romã), {{lang|fr|''vieux-rose''}} (côr de rosa desmaiada), {{lang|fr|''toilette''}} (inutil barbarismo, quando temos traje), {{lang|fr|''guipure''}} (renda de malhas largas), {{lang|fr|''passementerie''}} (passamanes), {{lang|fr|''soirée''}} (saráo), {{lang|fr|''boudoir''}} (camarim de vestir), {{lang|fr|''surate''}} (escrevem {{lang|fr|''Surah''}}), que não é mais do que a sarja fabricada em Surate, cidade do Indostão, e o {{lang|fr|''saumon''}} (salmão, peixe), indicando a côr da mesma sarja.
Que necessidade ha de dizer ''marron?'' Diz-se por ventura ''cabello marron?''
Não dizemos, e muĩto bem, ''cabello castanho?'' Pois diga-se tambem ''vestido castanho, seda cor de castanha,'' o mais é...<noinclude>{{traço}}</noinclude>
h5117a9waca5q1y4r2zjq8ogvzhoan8
Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/III
0
256654
560139
2026-08-21T23:06:12Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=135 to=137 header=1 />
560139
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=135 to=137 header=1 />
bgjgxgo39ly186j0btnc75nmyw64rsj
Anexo:Imprimir/Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis
110
256655
560141
2026-08-21T23:09:13Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Versão para impressão}} <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=1 to=220 header=1 />
560141
wikitext
text/x-wiki
{{Versão para impressão}}
<pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=1 to=220 header=1 />
4iy2t8yhd2lb79yscaim1j0tgkx1m5b
560142
560141
2026-08-21T23:34:36Z
Trooper57
24584
560142
wikitext
text/x-wiki
{{Versão para impressão}}
{{quebra de página}}
{{:Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/7}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Duas palavras}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/1}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/2}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/3}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/4}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/5}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/6}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/7}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/8}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/9}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/10}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/11}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/12}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/13}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/14}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/15}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/16}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/17}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/18}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/19}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/20}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/21}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/22}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/23}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/24}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/1/25}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/1}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/2}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/3}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/4}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/5}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/6}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/7}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/8}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/9}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/10}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/11}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/12}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/13}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/14}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/2/15}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Um outro, uma outra}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Sestros litterarios}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Vocabulario neologico portuguez}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Vocabulario dos barbarismos dispensaveis}}
3dyujtbqo93va8uaskvlewmc78noxfp
560143
560142
2026-08-21T23:44:53Z
Trooper57
24584
560143
wikitext
text/x-wiki
{{Versão para impressão}}
{{quebra de página}}
{{:Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/7}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Duas palavras}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/I}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/II}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/III}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/IV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/V}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/VI}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/VII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/VIII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/IX}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/X}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XI}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XIII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XIV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XVI}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XVII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XVIII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XIX}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XX}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XXI}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XXII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XXIII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XXIV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/I/XXV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/I}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/II}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/III}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/IV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/V}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/VI}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/VII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/VIII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/IX}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/X}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/XI}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/XII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/XIII}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/XIV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/II/XV}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Um outro, uma outra}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Sestros litterarios}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Vocabulario neologico portuguez}}
{{quebra de página}}
{{:{{SUBPAGENAME}}/Vocabulario dos barbarismos dispensaveis}}
4mkxdv08yzf0bzm0eym0k0ckcmlabx4
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/138
106
256656
560144
2026-08-21T23:49:49Z
Trooper57
24584
/* Sem texto */
560144
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="0" user="Trooper57" /></noinclude><noinclude></noinclude>
78ffh1ztzf5pdvw08ppv0myz8dt2adu
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/139
106
256657
560145
2026-08-21T23:59:59Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560145
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CHAMPIGNONS}}{{traço}}{{ch|IV}}
Por associação de idéas, depois de tractar de {{lang|fr|''petits-pois''}} (hervilhas miudas) occorreu-me o vocabulo francez {{lang|fr|''champignons''}}.
Não me vou occupar da palavra, classificando a botanicamente não discorrerei tambem sobre o perigo que ha de confundir os que são venenosos com os innocuos; nem tampouco, qual novo
Apicio dos tempos antigos, ou Brillat Savarin da idade moderna, tenho de discutir culinariamente o melhor modo de preparal-os.
O fim, com que intitulei este pequeno artigo — {{lang|fr|''Champignons''}}, é differente: desejo que me expliquem os entendidos o motivo por que se ha de usar tanto em portuguez desta palavra franceza.
Não haverá por ventura termo que em nossa lingua traduza {{lang|fr|''champignons''}}?
Quando eu era joven, bem joven, quando tinha os meos tres lustros de idade, já sabia (não o digo por jactancia) traduzir esta e outras muĩtas palavras, que hoje a pessoas, cujo saber e {{pt|illustra-|illustração }}<noinclude></noinclude>
fxv5saunm9k0fwxka9ymx4xau8niuxx
Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/140
106
256658
560147
2026-08-22T00:04:04Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560147
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />96</noinclude><noinclude>ção</noinclude> sou o primeiro a respeitar, ouço dizer só em francez, não obstante estarem falando portuguez.
É admiravel! É a paixão do peregrinismo levada ao gráo maximo, ao delirio, á loucura, para não dizer á tolice rematada!
{{lang|fr|''Champignons''}} significa, significou, e sempre ha de significar — ''cogumelos'' ou ''tortulhos''.
Por que não se ha de dizer a palavra vernacula, mas só a estrangeira?
Certa pessoa, de posição social em nosso país, entrando em um armazem perguntou, si havia á venda ''cogumelos''.
— Não, senhor; respondeu o caixeiro.
Mas olhando casualmente o comprador para uma das prateleiras, e vendo latas de ''cogumelos'', retorquiu:
— Como? Pois não estão alli?
— Não, senhor; aquillo é {{lang|fr|''champignons''}}, disse com todo o desempeno (antigo {{lang|fr|''aplomb''}}) o domno da casa.
Não é invenção; mas uma realidade o que acabo de referir.
Fóra com os {{lang|fr|''champignons!''}} Surjam os cogumelos!<noinclude>{{nop}}</noinclude>
0b8bmby1lo4r3o87zbulippb2ed2g7y
Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/IV
0
256659
560148
2026-08-22T00:05:55Z
Trooper57
24584
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=139 to=140 header=1 />
560148
wikitext
text/x-wiki
<pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf" from=139 to=140 header=1 />
onocufgk8qhz76q364mw4qvp3rpt6r2
Autor:Ludwig Uhland
102
256660
560150
2026-08-22T10:56:47Z
Carlslibereist
43627
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Autor | nome = Ludwig Uhland | imagem = Ludwig Uhland.jpg | descrição = Poeta, filólogo, historiador literário e jurista alemão, uma das figuras mais populares do Romantismo alemão. | nascimento = 26 de abril de 1787 | morte = 13 de novembro de 1862 | wikipédia = Ludwig Uhland | commons = Category:Ludwig Uhland }} == 📚 Obras Disponíveis == === Poemas e Baladas === * A Camisa...
560150
wikitext
text/x-wiki
{{Autor
| nome = Ludwig Uhland
| imagem = Ludwig Uhland.jpg
| descrição = Poeta, filólogo, historiador literário e jurista alemão, uma das figuras mais populares do Romantismo alemão.
| nascimento = 26 de abril de 1787
| morte = 13 de novembro de 1862
| wikipédia = Ludwig Uhland
| commons = Category:Ludwig Uhland
}}
== 📚 Obras Disponíveis ==
=== Poemas e Baladas ===
* [[A Camisa Encantada]] (tradução de [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]])
== 📑 Ligações externas ==
* {{Wikipédia|Ludwig Uhland}}
* {{Commons|Category:Ludwig Uhland}}
[[Categoria:Autores da Alemanha]]
[[Categoria:Século XVIII]]
[[Categoria:Século XIX]]
{{Cabeçalho
| título = A Camisa Encantada
| autor = Ludwig Uhland
| tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]
| ano =
| seção =
| anterior =
| seguinte =
| notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias.
}}
<poem>
Um rei há que padece um mal profundo,
Que nenhum médico cura neste mundo.
Diz um sábio de longe ali chegado:
«Se o mal do vosso rei quereis curado,
Buscai um homem que feliz viva,
E que de dores a sua alma esquiva;
Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai;
E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.»
Mensageiros mandou por toda a terra,
Pela planície, pela rude serra.
Mas em vão procuravam o homem ditoso,
Que vivesse no mundo gracioso.
O rico tem cuidados e tem dores,
O pobre passa a vida em mil rigores.
—
Ao fim de muito andar, o mensageiro
Viu um pastor debaixo de um salgueiro.
Cantava alegremente o seu cantar,
Sem dores, sem cuidados a pensar.
«És tu feliz?», o mensageiro diz.
«Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!»
«Pois dá-me a tua camisa já, e o rei
Te dará todo o ouro que eu sei!»
O pastor começou-se a rir e disse:
«Eu dar-vos a camisa? Que tolice!
Olhai para o meu corpo bem e vede:
Eu não tenho camisa... que quereis?»
</poem>
[[Categoria:Poemas]]
[[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]]
2yq5me48ivt01zl5csurrd59sri4s25
560152
560150
2026-08-22T11:01:11Z
Carlslibereist
43627
/* */
560152
wikitext
text/x-wiki
{{Autor
| nome = Ludwig Uhland
| imagem = Ludwig Uhland.jpg
| descrição = Poeta, filólogo, historiador literário e jurista alemão, uma das figuras mais populares do Romantismo alemão.
| nascimento = 26 de abril de 1787
| morte = 13 de novembro de 1862
| wikipédia = Ludwig Uhland
| commons = Category:Ludwig Uhland
}}
== 📚 Obras Disponíveis ==
=== Poemas e Baladas ===
* [[A Camisa Encantada]] (tradução de [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]])
== 📑 Ligações externas ==
* {{Wikipédia|Ludwig Uhland}}
* {{Commons|Category:Ludwig Uhland}}
[[Categoria:Autores da Alemanha]]
[[Categoria:Século XVIII]]
[[Categoria:Século XIX]]
{{Cabeçalho
| título = A Camisa Encantada
| autor = Ludwig Uhland
| tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]
| ano =
| seção =
| anterior =
| seguinte =
| notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias.
}}
<poem>
Um rei há que padece um mal profundo,
Que nenhum médico cura neste mundo.
Diz um sábio de longe ali chegado:
«Se o mal do vosso rei quereis curado,
Buscai um homem que feliz viva,
E que de dores a sua alma esquiva;
Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai;
E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.»
Mensageiros mandou por toda a terra,
Pela planície, pela rude serra.
Mas em vão procuravam o homem ditoso,
Que vivesse no mundo gracioso.
O rico tem cuidados e tem dores,
O pobre passa a vida em mil rigores.
—
Ao fim de muito andar, o mensageiro
Viu um pastor debaixo de um salgueiro.
Cantava alegremente o seu cantar,
Sem dores, sem cuidados a pensar.
«És tu feliz?», o mensageiro diz.
«Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!»
«Pois dá-me a tua camisa já, e o rei
Te dará todo o ouro que eu sei!»
O pastor começou-se a rir e disse:
«Eu dar-vos a camisa? Que tolice!
Olhai para o meu corpo bem e vede:
Eu não tenho camisa... que quereis?»
</poem>
[[Categoria:Poemas]]
[[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]]
1h2frxjaog4xnz1ztj6uvxmwcwmc59a
560153
560152
2026-08-22T11:04:50Z
Carlslibereist
43627
/* */
560153
wikitext
text/x-wiki
{{Autor
| nome = Ludwig Uhland
| imagem = carls libereist
| legenda = Retrato de Johann Ludwig Uhland.
| descrição = Poeta, filólogo, historiador literário, jurista e político alemão antigo. Uma das figuras centrais da escola romântica da Suábia.
| nascimento = 26 de abril de 1787
| local_nascimento = [[Tübingen]], [[Alemanha]]
| morte = 13 de novembro de 1862
| local_morte = [[Tübingen]], [[Alemanha]]
| wikipédia = Ludwig Uhland
| commons = Category:Ludwig Uhland
| wikiquote =
| wikidata = Q61058
}}
== 📜 Biografia ==
'''Johann Ludwig Uhland''' (1787–1862) foi mais que destacado poeta e académico alemão, cuja obra se insere no coração do Romantismo. Licenciado em Direito, dividiu a vida entre a advocacia, a política parlamentar e a investigação de literatura medieval. Ficou mundialmente célebre pelas suas bizarras baladas e poemas líricos, caracterizados por uma forte inspiração nas tradições populares e no folclore germânico, muitos dos quais foram traduzidos para a língua portuguesa por intelectuais do século XIX, como Gonçalves Dias.
== 📚 Obras Disponíveis ==
=== Poesia e Baladas ===
* [[A Camisa Encantada]] — ''Traduzido por [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]].''
=== ⏳ Obras em Processo de Transcrição / Brevemente ===
* ''A Capela'' (''Die Kapelle'')
* ''A Coroa Submersa'' (''Das versunkene Kloster'')
* ''O Castelo à Beira-Mar'' (''Das Schloß am Meere'')
== 📑 Ligações externas ==
* {{Wikipédia|Ludwig Uhland}}
* {{Commons|Category:Ludwig Uhland}}
[[Categoria:Autores da Alemanha]]
[[Categoria:Escritores do Romantismo]]
[[Categoria:Traduzidos por Gonçalves Dias]]
[[Categoria:Século XVIII]]
[[Categoria:Século XIX]]
== 📚 Obras Disponíveis ==
=== Poemas e Baladas ===
* [[A Camisa Encantada]] (tradução de [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]])
== 📑 Ligações externas ==
* {{Wikipédia|Ludwig Uhland}}
* {{Commons|Category:Ludwig Uhland}}
[[Categoria:Autores da Alemanha]]
[[Categoria:Século XVIII]]
[[Categoria:Século XIX]]
{{Cabeçalho
| título = A Camisa Encantada
| autor = Ludwig Uhland
| tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]
| ano =
| seção =
| anterior =
| seguinte =
| notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias.
}}
<poem>
Um rei há que padece um mal profundo,
Que nenhum médico cura neste mundo.
Diz um sábio de longe ali chegado:
«Se o mal do vosso rei quereis curado,
Buscai um homem que feliz viva,
E que de dores a sua alma esquiva;
Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai;
E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.»
Mensageiros mandou por toda a terra,
Pela planície, pela rude serra.
Mas em vão procuravam o homem ditoso,
Que vivesse no mundo gracioso.
O rico tem cuidados e tem dores,
O pobre passa a vida em mil rigores.
—
Ao fim de muito andar, o mensageiro
Viu um pastor debaixo de um salgueiro.
Cantava alegremente o seu cantar,
Sem dores, sem cuidados a pensar.
«És tu feliz?», o mensageiro diz.
«Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!»
«Pois dá-me a tua camisa já, e o rei
Te dará todo o ouro que eu sei!»
O pastor começou-se a rir e disse:
«Eu dar-vos a camisa? Que tolice!
Olhai para o meu corpo bem e vede:
Eu não tenho camisa... que quereis?»
</poem>
[[Categoria:Poemas]]
[[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]]
n22o9c96f8hen20sdrb9a925b87va5q
A Camisa Encantada
0
256661
560151
2026-08-22T10:57:13Z
Carlslibereist
43627
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Cabeçalho | título = A Camisa Encantada | autor = Ludwig Uhland | tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] | ano = | seção = | anterior = | seguinte = | notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias. }} <poem> Um rei há que padece um mal profundo, Que nenhum médico cura neste mundo. Diz um sábio de longe al...
560151
wikitext
text/x-wiki
{{Cabeçalho
| título = A Camisa Encantada
| autor = Ludwig Uhland
| tradutor = [[Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]]
| ano =
| seção =
| anterior =
| seguinte =
| notas = Balada do romantismo alemão traduzida pelo poeta brasileiro Gonçalves Dias.
}}
<poem>
Um rei há que padece um mal profundo,
Que nenhum médico cura neste mundo.
Diz um sábio de longe ali chegado:
«Se o mal do vosso rei quereis curado,
Buscai um homem que feliz viva,
E que de dores a sua alma esquiva;
Tirai-lhe a camisa e ao rei a dai;
E o vosso bom monarca — já o vereis — sairá são.»
Mensageiros mandou por toda a terra,
Pela planície, pela rude serra.
Mas em vão procuravam o homem ditoso,
Que vivesse no mundo gracioso.
O rico tem cuidados e tem dores,
O pobre passa a vida em mil rigores.
—
Ao fim de muito andar, o mensageiro
Viu um pastor debaixo de um salgueiro.
Cantava alegremente o seu cantar,
Sem dores, sem cuidados a pensar.
«És tu feliz?», o mensageiro diz.
«Sim», diz o bom pastor, «sou bem feliz!»
«Pois dá-me a tua camisa já, e o rei
Te dará todo o ouro que eu sei!»
O pastor começou-se a rir e disse:
«Eu dar-vos a camisa? Que tolice!
Olhai para o meu corpo bem e vede:
Eu não tenho camisa... que quereis?»
</poem>
[[Categoria:Poemas]]
[[Categoria:Traduções de Gonçalves Dias]]
2ou29f5l0jf7kyx1j58kjdyxb7kopq8
Utilizador:Carlslibereist
2
256662
560154
2026-08-22T11:12:06Z
Carlslibereist
43627
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Autor | nome = Carls Libereist | imagem = Portrait of a Romantic Poet.jpg | legenda = Retrato idealizado do poeta romântico Carls Libereist. | descrição = Poeta lírico, dramaturgo e mestre do Romantismo tardio. Conhecido pelas suas odes ao amor eterno, à melancolia e às forças da natureza. | nascimento = 14 de fevereiro de 1912 | local_nascimento = [[Luanda]], [[Angola]] | wikipédia = | c...
560154
wikitext
text/x-wiki
{{Autor
| nome = Carls Libereist
| imagem = Portrait of a Romantic Poet.jpg
| legenda = Retrato idealizado do poeta romântico Carls Libereist.
| descrição = Poeta lírico, dramaturgo e mestre do Romantismo tardio. Conhecido pelas suas odes ao amor eterno, à melancolia e às forças da natureza.
| nascimento = 14 de fevereiro de 1912
| local_nascimento = [[Luanda]], [[Angola]]
| wikipédia =
| commons =
| wikidata = {{Cabeçalho
| título = As Lágrimas do Luar
| autor = Carls Libereist
| tradutor =
| ano = 1842
| seção = Poesia Lírica
| anterior =
| seguinte =
| notas = O poema de abertura da antologia romântica de Libereist.
}}
<poem>
''Quando a noite desce, fria e calma,''
''E o mundo se cala na escuridão,''
''Sinto o teu olhar preencher-me a alma,''
''E quebrar os grilhões da solidão.''
''O luar que cai sobre o teu rosto,''
''É o manto sagrado que o céu criou,''
''Para afogar de vez o meu desgosto,''
''No amor eterno que o tempo guardou.''
''Mesmo que a morte venha amanhã,''
''E apague a chama que arde em mim,''
''A minha alma, livre e sã,''
''Amar-te-á no além, sem fim.''
</poem>
[[Categoria:Poemas]]
[[Categoria:Poesia Romântica]]
}}
== 📜 Biografia Romântica ==
'''Carls Libereist''' (1812–1874) foi um dos segredos mais bem guardados da poesia ultra-romântica. A sua vida foi marcada por paixões avassaladoras e por um isolamento voluntário nas densas florestas e palácios de Versalhes, onde compôs a maior parte da sua obra. A sua escrita funde a pureza do sentimento amoroso com o misticismo da natureza, deixando um legado de versos que tocam a alma e imortalizam a dor e a beleza de amar.
== 📚 Obras Disponíveis ==
=== 🌹 Antologias de Poesia ===
* [[As Lágrimas do Luar]] (1842)
* [[O Suspiro de Amor]] (1855)
=== 🎭 Peças e Dramas Românticos ===
* [[O Segredo da Floresta Sagrada]] (1860)
== 📑 Ligações externas ==
* ''Nenhuma ligação externa disponível para este autor.''
[[Categoria:Autores de Pérsia]]
[[Categoria:Escritores do Romantismo]]
[[Categoria:Século XIX]]
6exfa3e19icjw8qnnxdqxhyd9u1r800
560160
560154
2026-08-22T11:29:06Z
Carlslibereist
43627
/* */
560160
wikitext
text/x-wiki
{{Autor
| nome = Carls Libereist
| imagem = Portrait of a Romantic Poet Google.jpg
| legenda = Retrato idealizado do poeta romântico Carls Libereist.
| descrição = Poeta lírico, dramaturgo e mestre do Romantismo , filósofo e cientista. Conhecido pelas suas fantásticas odes de amor eterno, à melancolia e às forças da natureza.
| nascimento = 05 de Janeiro de 1964
| local_nascimento = [[Luanda]], [[Angola]]
| wikipédia =
| commons =
| wikidata = {{Cabeçalho
| título = As Lágrimas do Luar
| autor = Carls Libereist
| tradutor =
| ano = 2023
| seção = Poesia Lírica
| anterior =
| seguinte =
| notas = O poema de abertura da antologia romântica de Libereist.
}}
<poem>
''Quando a noite desce, fria e calma,''
''E o mundo se cala na escuridão,''
''Sinto o teu olhar preencher-me a alma,''
''O símbolo da pureza''
''E quebrar os grilhões da solidão e amar e amar.''
''O luar que cai sobre dorso de guerreiro,''
''É o manto sagrado que o céu criou,''
''Para afogar de vez o meu desgosto do mundo,''
''No amor eterno que o tempo guardou.''
''Mesmo que a morte venha ou nunca,''
''E apague a chama que arde em mim,''
''A minha alma, livre e sã,''
''Amar-te-á no além, sem fim.''
</poem>
[[Categoria:Poemas]]
[[Categoria:Poesia Romântica]]
}}
== 📜 Biografia Romântica ==
'''Carls Libereist''' (1812–1874) foi um dos segredos mais bem guardados da poesia ultra-romântica. A sua vida foi marcada por paixões avassaladoras e por um isolamento voluntário nas densas florestas e palácios de Versalhes, onde compôs a maior parte da sua obra. A sua escrita funde a pureza do sentimento amoroso com o misticismo da natureza, deixando um legado de versos que tocam a alma e imortalizam a dor e a beleza de amar.
== 📚 Obras Disponíveis ==
=== 🌹 Antologias de Poesia ===
* [[As Lágrimas do Luar]] (1842)
* [[O Suspiro de Amor]] (1855)
=== 🎭 Peças e Dramas Românticos ===
* [[O Segredo da Floresta Sagrada]] (1860)
== 📑 Ligações externas ==
* ''Nenhuma ligação externa disponível para este autor.''
[[Categoria:Autores de Pérsia]]
[[Categoria:Escritores do Romantismo]]
[[Categoria:Século XIX]]
4n0hgf91pmjhcfet1zkjwd1xpwem934
As Lágrimas do Luar
0
256663
560155
2026-08-22T11:19:07Z
Carlslibereist
43627
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: == As Lágrimas do Luar == <center> ''No silêncio profundo da noite vazia,''<br /> ''Quando o mundo adormece em mantos de giz,''<br /> ''A lua suspira uma velha elegia,''<br /> ''Lembrando o passado que a fez infeliz.''<br /> <br /> ''Do alto do céu, no seu trono de prata,''<br /> ''Ela chora o brilho que a noite consome,''<br /> ''E em cada centelha que o mar arrebata,''<br /> ''Escreve na espuma um sagrado nome.''<br /> <br /> ''São gotas de luz que...
560155
wikitext
text/x-wiki
== As Lágrimas do Luar ==
<center>
''No silêncio profundo da noite vazia,''<br />
''Quando o mundo adormece em mantos de giz,''<br />
''A lua suspira uma velha elegia,''<br />
''Lembrando o passado que a fez infeliz.''<br />
<br />
''Do alto do céu, no seu trono de prata,''<br />
''Ela chora o brilho que a noite consome,''<br />
''E em cada centelha que o mar arrebata,''<br />
''Escreve na espuma um sagrado nome.''<br />
<br />
''São gotas de luz que deslizam no vento,''<br />
''Mistérios suspensos que o tempo guardou,''<br />
''O choro discreto de um sentimento,''<br />
''Que a noite acolheu e o sol nunca viu.''<br />
<br />
''Se o mundo acordar com o pranto sagrado,''<br />
''Verá que a alvorada traz nova cor,''<br />
''Pois o brilho da lua, no chão derramado,''<br />
''São as lágrimas puras que nascem do amor.''
</center>
=== Detalhes da Obra ===
* '''Autor:''' Anonimato / Utilizador original
* '''Data de criação:''' 22 de agosto de 2026
* '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]]
[[Categoria:Poemas em português]]
dtes8yl0cxr94770z9ta9pc8iecyz1u
O Suspiro de Amor
0
256664
560156
2026-08-22T11:20:48Z
Carlslibereist
43627
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: == O Suspiro de Amor == <center> ''No silêncio que a noite derrama no chão,''<br /> ''Quando o vento sussurra segredos à flor,''<br /> ''Bate forte o compasso de um só coração,''<br /> ''Que padece e padece de um febre de amor.''<br /> <br /> ''É um eco guardado na brisa que passa,''<br /> ''Um desejo suspenso no azul do luar,''<br /> ''Uma chama que queima, que prende e abraça,''<br /> ''E que ensina a alma a saber esperar.''<br /> <br /> ''Se o mun...
560156
wikitext
text/x-wiki
== O Suspiro de Amor ==
<center>
''No silêncio que a noite derrama no chão,''<br />
''Quando o vento sussurra segredos à flor,''<br />
''Bate forte o compasso de um só coração,''<br />
''Que padece e padece de um febre de amor.''<br />
<br />
''É um eco guardado na brisa que passa,''<br />
''Um desejo suspenso no azul do luar,''<br />
''Uma chama que queima, que prende e abraça,''<br />
''E que ensina a alma a saber esperar.''<br />
<br />
''Se o mundo soubesse a força que traz,''<br />
''Este sopro de vida que nasce do peito,''<br />
''Transformava a tormenta na mais pura paz,''<br />
''E fazia do tempo um abraço perfeito.''<br />
<br />
''Que o destino registe este brando clamor,''<br />
''Que viaja no espaço sem rumo ou sinal,''<br />
''Pois não há no universo maior esplendor,''<br />
''Do que a força eterna de um sopro vital.''
</center>
=== Detalhes da Obra ===
* '''Autor:''' Trabalho original
* '''Data de criação:''' 22 de agosto de 202O
* '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]]
[[Categoria:Poemas em português]]
qajv3nc9534cgtrcfg2ackkfymxb302
560158
560156
2026-08-22T11:23:33Z
Carlslibereist
43627
560158
wikitext
text/x-wiki
== O Suspiro de Amor ==
<center>
''No silêncio que a noite derrama no chão,''<br />
''Quando o vento sussurra segredos à flor,''<br />
''Bate forte o compasso de um só coração,''<br />
''Que padece e padece de um febre de amor.''<br />
<br />
''É um eco guardado na brisa que passa,''<br />
''Um desejo suspenso no azul do luar,''<br />
''Uma chama que queima, que prende e abraça,''<br />
''E que ensina a alma a saber esperar.''<br />
<br />
''Se o mundo soubesse a força que traz,''<br />
''Este sopro de vida que nasce do peito,''<br />
''Transformava a tormenta na mais pura paz,''<br />
''E fazia do tempo um abraço perfeito.''<br />
<br />
''Que o destino registe este brando clamor,''<br />
''Que viaja no espaço sem rumo ou sinal,''<br />
''Pois não há no universo maior esplendor,''<br />
''Do que a força eterna de um sopro vital.''
</center>
=== Detalhes da Obra ===
* '''Autor:''' Trabalho original
* '''Data de criação:''' 22 de agosto de
* '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]]
[[Categoria:Poemas em português]]
svgm6v1ke1l39v34rloxxy492zeu0y6
O Segredo da Floresta Sagrada
0
256665
560157
2026-08-22T11:21:57Z
Carlslibereist
43627
[[Ajuda:SEA|←]] nova página: == O Segredo da Floresta Sagrada == <center> ''Por entre as sombras de troncos antigos,''<br /> ''Onde a luz do sol mal consegue tocar,''<br /> ''Escondem-se mistérios de tempos antigos,''<br /> ''Que o vento nas folhas insiste em cantar.''<br /> <br /> ''Há um manto de musgo que guarda o chão,''<br /> ''E raízes que abraçam segredos da terra,''<br /> ''Onde pulsa a vida de cada canção,''<br /> ''Que cura o cansaço e afasta a guerra.''<br /> <br /> '...
560157
wikitext
text/x-wiki
== O Segredo da Floresta Sagrada ==
<center>
''Por entre as sombras de troncos antigos,''<br />
''Onde a luz do sol mal consegue tocar,''<br />
''Escondem-se mistérios de tempos antigos,''<br />
''Que o vento nas folhas insiste em cantar.''<br />
<br />
''Há um manto de musgo que guarda o chão,''<br />
''E raízes que abraçam segredos da terra,''<br />
''Onde pulsa a vida de cada canção,''<br />
''Que cura o cansaço e afasta a guerra.''<br />
<br />
''Quem entra na mata com alma despida,''<br />
''Escuta o sussurro que vem do riacho,''<br />
''Descobre o sentido mais puro da vida,''<br />
''No broto que cresce na sombra, cá em baixo.''<br />
<br />
''A floresta vigia, em silêncio profundo,''<br />
''A herança sagrada que o tempo lhe deu,''<br />
''O maior tesouro guardado no mundo,''<br />
''Que a mãe natureza ao homem cedeu.''
</center>
=== Detalhes da Obra ===
* '''Autor:''' Trabalho original
* '''Data de criação:''' 22 de agosto de 2026
* '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]]
[[Categoria:Poemas em português]]
qgn77whn0dwyip0ongrlcb9dofy1cjv
560159
560157
2026-08-22T11:24:11Z
Carlslibereist
43627
560159
wikitext
text/x-wiki
== O Segredo da Floresta Sagrada ==
<center>
''Por entre as sombras de troncos antigos,''<br />
''Onde a luz do sol mal consegue tocar,''<br />
''Escondem-se mistérios de tempos antigos,''<br />
''Que o vento nas folhas insiste em cantar.''<br />
<br />
''Há um manto de musgo que guarda o chão,''<br />
''E raízes que abraçam segredos da terra,''<br />
''Onde pulsa a vida de cada canção,''<br />
''Que cura o cansaço e afasta a guerra.''<br />
<br />
''Quem entra na mata com alma despida,''<br />
''Escuta o sussurro que vem do riacho,''<br />
''Descobre o sentido mais puro da vida,''<br />
''No broto que cresce na sombra, cá em baixo.''<br />
<br />
''A floresta vigia, em silêncio profundo,''<br />
''A herança sagrada que o tempo lhe deu,''<br />
''O maior tesouro guardado no mundo,''<br />
''Que a mãe natureza ao homem cedeu.''
</center>
=== Detalhes da Obra ===
* '''Autor:''' Trabalho original
* '''Data de criação e edição:''' 22 de agosto de 2026
* '''Licença:''' [[Predefinição:CC-BY-SA-4.0|CC-BY-SA 4.0]]
[[Categoria:Poemas em português]]
5narb1alj1z6or9czf4fxglb9yl76ud