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2026-08-26T14:36:03Z
Erick Soares3
19404
+O Assedio do Recife em 1821
560624
wikitext
text/x-wiki
<!-- Favor, não adicionar hinos. Adicione apenas obras que tiverem sido 100% transcritas (mas não precisam estar 100% validadas).
Máximo de 8 obras. Adicione as novas no topo, abaixo do mês em que foram adicionadas, e realoque as de baixo para o arquivo abaixo.
-->
<!--Agosto 2026-->
{{Novidade|Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Assedio do Recife em 1821|Maria Graham|1904|tradutor=Alfredo de Carvalho|mostrar=O Assedio do Recife em 1821|imagem=Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf{{!}}page=103}}
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{{Novidade|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis|Antônio de Castro Lopes|1889|imagem=Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf{{!}}page=7}}
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{{Novidade|Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Cometa de 1652|mostrar=O Cometa de 1652|Henrique Morize|1904|imagem=Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf{{!}}page=663}}
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{{Novidade|Lusitania sacra/Número 49/Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?|mostrar="Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?"|Maria de Fátima Rosa e Isabel Gomes de Almeida|2024|nowiki=yes|imagem="Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf{{!}}page=1}}
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{{Novidade|Homenagem a Luiz de Camões|mostrar=Homenagem a a Luiz de Camões|Antónia Pusich|1880|imagem=Antónia Pusich - Homenagem a Luiz de Camões - 1880.pdf{{!}}page=1}}
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{{Novidade|Henriqueta|mostrar=Henriqueta|Maria Peregrina de Souza|1876|imagem=Maria Peregrina de Souza - Henriqueta.pdf{{!}}page=9}}
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{{Novidade|Traducção e breve analyse sobre M. Pasteur e M. Renan|[[Autor:Louis Pasteur|Louis Pasteur]], [[Autor:Ernest Renan|Ernest Renan]]|1882|tradutor=[[Autor:Joaquim Pinto de Campos|Monsenhor Pinto de Campos]]|imagem=Campos-Traduccaoebreve.pdf{{!}}page=2|nowiki=yes}}
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{{Novidade|Memórias duma Mulher da Época|mostrar=Memorias duma mulher da epoca|Diana de Liz|1932|imagem=Diana de Liz - Memorias duma mulher da epoca.pdf{{!}}page=1}}
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==Arquivo de 2026==
<!-- Adicione as entradas no topo da lista-->
<!--Agosto 2026-->
{{Novidade|A Fada Loira|mostrar=A Fada Loira|Maria O'Neill|1917|imagem=Maria O'Neill - A Fada Loira.pdf{{!}}page=1}}
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{{Novidade|Suspiros poéticos e saudades (1865)|mostrar=Suspiros poéticos e saudades|Gonçalves de Magalhães|1865|imagem=Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu{{!}}page=9}}
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<!--Julho 2026-->
{{Novidade|Da Terra á Lua|Júlio Verne|tradutor=Henrique de Macedo|1874|imagem=Da Terra á Lua.pdf{{!}}page=3}}
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<!--Junho 2026-->
{{Novidade|Narizinho Arrebitado (1ª edição)|Monteiro Lobato|1921|imagem=Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf{{!}}page=1|mostrar=Narizinho Arrebitado}}
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{{Novidade|Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação/Volume 21/O Legado de Aaron Swartz|Fabiano Couto Corrêa da Silva|2023|imagem=O Legado de Aaron Swartz.pdf{{!}}page=1|mostrar=O Legado de Aaron Swartz|nowiki=yes}}
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{{Novidade|Revista Archai/Volume 34/Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|[[Autor:Platão|Platão]]|2024|imagem=Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão.pdf{{!}}page=1|mostrar=Tradução do discurso de Fedro no Banquete de Platão|tradutor=Fernanda Israel Pio, Gabriele Cornelli e Agatha Pitombo Bacelari|nowiki=yes}}
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{{Novidade|Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|Charles Darwin|1903|imagem=Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf{{!}}page=214|mostrar=O Recife de Grês do Porto de Pernambuco|tradutor=Alfredo de Carvalho}}
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{{Novidade|O Cruzeiro (Revista)/Ano I/Nº I/10 de novembro de 1928/A Éra das Forças Hydraulicas|Ferdinando Labouriau|1928|imagem=O Cruzeiro (1928 - N001).pdf{{!}}page=29|mostrar=A Éra das Forças Hydraulicas: Uma Visão do Anno 2000}}
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<!--Fevereiro 2026-->
{{Novidade|A Wikimedia no Brasil|Vários|2025|imagem=A wikimedia no Brasil - o poder e os desafios do conhecimento livre.pdf{{!}}page=3}}
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{{Arquivo das novidades no acervo}}<!--Adicione o mês anterior quando tudo estiver abaixo do ==Arquivo de 2025==-->
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Utilizador:Erick Soares3
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Erick Soares3
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[[W:Usuário:Erick Soares3|Página na Wikipédia]].
[https://xtools.wmflabs.org/pages/pt.wikisource.org/Erick%20Soares3/all#106 Meu trabalho feito aqui]
;Trabalhos que desejo adicionar
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|[https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/66332 Luiz Gama]
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|[[:en:Index:The Spitting Image of a Man.pdf|The Spitting Image of a Man]]
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santos_Dumont_nas_cataratas.pdf 1]
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santos_Dumont_at_the_falls.pdf 2]
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Santos_Dumont_en_las_cataratas.pdf 3]
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|pt
|[[:File:VLS-1 V01 (Diário da Câmara dos Deputados).pdf|V01]], [[:File:VLS-1 V02 (Diário da Câmara dos Deputados).pdf|V02]] e [[:File:Acidente de Alcântara (Diário do Congresso Nacional).pdf|V03]] [[:File:Acidente de Alcântara (Anais do Senado Federal).pdf|V03]]
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|-
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|[https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Direitos_das_mulheres_e_injusti%C3%A7a_dos_homens.pdf direitos] ([https://piaui.folha.uol.com.br/travessura-revolucionaria/ ler também])
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|[https://www.scielo.br/j/bjr/a/9H85ZdP37xWMh6QPcCgDzSy/?lang=en scandal] ([https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/1673 1])
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|-
|pt
|[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Theophilo e Sodré]]
|161
|-
|pt
|[[Galeria:O Saneamento do Brasil (Vol. 1).pdf|Problema]]
|106
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 1]]
|79
|-
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|[https://www.jstor.org/stable/community.38768877 Evolução]
|52
|-
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|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4926 local no ws]
|244
|-
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|[[Galeria:Lara, tr. T. A. Craveiro (1837).pdf|Lara]]
|59
|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 2]]
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|-
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|[https://www.google.com/books/edition/_/hnUlAQAAMAAJ América]
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|-
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|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/4926 Revo]
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|[https://www.google.com.br/books/edition/O_minotauro/4N3uAAAAMAAJ?hl=pt-BR&gbpv=0&bsq=%22Monteiro%20Lobato%22 Minotauro]
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 3]]
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|-
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|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf|VIII-XI]]
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|-
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|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf|XVI-XIX]]
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|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf|XX-XXIII]]
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|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 1).pdf|XXIVV-XXVIII]]
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|-
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|[[:File:Muito além de Leonel Brizola.pdf|Brizola]]
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|[https://www.google.com/books/edition/_/2Qu6Ve1nPdwC Memorias]
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|-
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|[https://www.google.com.br/books/edition/_/AjzuAAAAMAAJ?hl=pt-BR Robin Hood]
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|-
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|[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos II-III]]
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|-
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|-
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|[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos XIII-XV]]
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|-
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|[[Galeria:Os noivos (v.1).pdf|Os Noivos XVI-XIX]]
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|-
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|-
|pt
|[[A Maravilhosa Vida de Santos=Dumont|XI-fim]]
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|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis III.1]]
|80
|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis III.2-3]]
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|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis III.4-IV.5]]
|62
|-
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|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf|Miseraveis IV.6]]
|42
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf|Miseraveis IV.7-8]]
|278
|-
|pt
|[[Galeria:Jean de Léry - História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil (trad. Monteiro Lobato, 1926).pdf|Terra do Brasil]]
|285
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (II).pdf|Napoleão 2]]
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|-
|pt
|[https://www.google.com/books/edition/_/QiA_AAAAIAAJ Pommery]
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|-
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|[https://www.jstor.org/stable/community.38768246 Constituição paulista]
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|-
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|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8872 estrella]
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|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 5]]
|53
|-
|pt
|[https://books.google.ch/books?id=p8BLAQAAIAAJ&hl=pt-BR&source=gbs_navlinks_s Exilio]
|200
|-
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|[[:s:en:Index:Youth and children’s adaptations to COVID-19 in Brazil.pdf|youth]]
|108
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. IV]]
|103
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. V]]
|33
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. VI-IX]]
|55
|-
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||[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. X]]
|53
|-
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|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. XII]]
|121
|-
|pt
|[[Galeria:História de Napoleão Bonaparte (I).pdf|Napoleão 1 Cap. XIII]]
|32
|-
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|[https://www.editorafi.org/ebook/534bolsonarismo bolf]
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|-
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|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|On the Moon]]
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|-
|en
|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Beyond the Earth]]
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|-
|en
|[[:en:Index:The Path to the Stars, by K. E. Tsiolkovsky, English transl., AD0644808.pdf|Goals of Stellar Navigation]]
|36
|-
|pt
| [[:File:Diretas já (Pedro Simon, 1984).pdf|Diretas já]]
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|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal|Fundamentos]]
|141
|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal|Audacias]]
|73
|-
|pt
|[[Lincoln: narração de sua vida pessoal|Vitória]]
|53
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 8-10]]
|91
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 11-13]]
|71
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 14]]
|40
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros 15]]
|51
|-
|pt
|[[Galeria:Futuros Imaginarios.pdf|Futuros Trd/Ref]]
|56
|-
|pt
|[[Galeria:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Miseraveis 7]]
|81
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/768199 Mon to Rep]
|303
|-
|pt
|[[Galeria:Efêmero Revisitado.pdf]]
|193
|-
|pt
|[[Galeria:Revista da Exposição Anthropologica Brazileira (1882).pdf|Revista da exposição]]
|145
|-
|pt
|[https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8913 Barão]
|142
|-
|pt
|[[Galeria:Os Noivos (v.2).pdf]]
|472
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 2).pdf|Federalista 2]]
|282
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38769569 O cerco do corintho]
|50
|-
|pt
|[[Galeria:Cronicas-de-um-Tetranacional-do-Software-Livre.pdf]]
|119
|-
|pt
|[[Galeria:Openldap Ultimate.pdf|Openldap]]
|199
|-
|pt
|[[Galeria:Idéas de Géca Tatú.pdf|Géca]]
|211
|-
|pt
|[[Galeria:Contos Escolhidos.pdf|Contos]]
|239
|-
|pt
|[[Galeria:A Cultura é Livre.pdf]]
|254
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|2-5]]
|35
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|6-10]]
|49
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|11-15]]
|45
|-
|pt
|[[Galeria:A Onda Verde (1922).pdf|Restante]]
|64
|-
|pt
|[[:File:Preito a Camões.pdf|Camões]]
|51
|-
|en
|[https://www.jstor.org/stable/community.38767573 Minor Camões]
|33
|-
|pt
|[[Galeria:O Federalista, 1840 (Vol. 3).pdf]]
|243
|-
|pt
|[[Galeria:O Senhor D. Pedro II, imperador do Brasil, biographia, por Joaquim Pinto de Campos ; e com uma advertencia por Camillo Castello Branco.pdf|Biografia do Senhor D. Pedro II]]
|96
|-
|pt
|[[:File:Statira e Zoroastes.pdf|Statira]]
|56
|-
|pt
|[https://www.jstor.org/stable/community.38769995 Portugal, Brasil e Grã-Bretanha]
|53
|-
|en
|[https://www.jstor.org/stable/community.38768623 Portugal, Brazil and United Kingdon]
|32
|-
|pt
|[[:File:Da vida e feitos de Alexandre de Gusmão e de Bartholomeu Lourenço de Gusmão.pdf|Da vida]]
|117
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Os Sabios Illustres|Os Sabios Illustres.pdf}}
|162
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Galeria Illustre (Mulheres Célebres)|Galeria Illustre (Mulheres Célebres).pdf|Galeria Illustre}}
|173
|-
|pt
|{{livro digitalizado|A Genealogia da Moral|A genealogia da moral.pdf}}
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|-
|pt
|[https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/memorias-da-emilia/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&search=Mem%C3%B3rias&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F Memorias da Emilia]
|122
|-
|pt
|{{livro digitalizado|Diario de um Soldado (Vol. 1)|Diario de um Soldado Vol. 1.pdf|Diário de um soldado}}
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|-
|pt
|{{livro digitalizado|Vida e viagens de Fernão de Magalhães|Vida e viagens de Fernão de Magalhães, por Diego de Barros Arana; traducção do hespanhol de Fernando de Magalhães Villas-Boas. Com um appendice original.pdf}}
|206
|-
|pt
|[https://taubate.sp.gov.br/museumonteirolobato/acervo/obras-completas/o-picapau-amarelo/?order=ASC&orderby=meta_value&metakey=19&perpage=12&paged=1&search=picapau%20amarelo&pos=0&source_list=collection&ref=%2Fmuseumonteirolobato%2Facervo%2Fobras-completas%2F Amarelo]
|178
|-
|pt
|[[Galeria:Quem trabalha tem alfaia.pdf|Quem trabalha tem alfaia]]
|242
|-
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|[https://permalinkbnd.bnportugal.gov.pt/records/item/92629-resumo-do-systema-de-medicina-e-traduccao-da-materia-medica-do-doutor-erasmo-darwin Erasmo]
|408
|-
|pt
|[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/603 justiniano]
|138
|-
|pt
|[https://bibliotecadigital.stf.jus.br/xmlui/handle/123456789/497 Ferdinand]
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|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Paraguai 1]
|570
|-
|pt
|[https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242552 Paraguai 2]
|730
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/435|Miseráveis V.1-2]]
|50
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/435|Miseráveis V.3]]
|43
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/436|Miseráveis V.4-5]]
|56
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/436|Miseráveis VI.6-7]]
|42
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 2 (1862).pdf/436|Miseráveis VI.8]]
|114
|-
|en
|[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature part 1]]
|128
|-
|en
|[[:File:Brazilian Literature (IA brazilianliterat00gold).pdf|Brazilian literature part 2]]
|170
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miserávei VII.1-2]]
|64
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miseráveis VII.3-4]]
|52
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miseráveis VII-5-6]]
|67
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/199|Miseravis VII/VIII-7-8]]
|69
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/200|Miseravis VIII-9-13]]
|104
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/200|Miseravis VIII-14-15]]
|69
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/619|Miseraveis IX-1]]
|119
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/619|Miseraveis IX-2-4]]
|82
|-
|pt
|[[Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 3 (1862).pdf/620|Miseraveis X-5-biografia]]
|157
|}
<div style="clear:both;"></div>
<div style="box-shadow: 0 0 .3em #999; border-radius: .2em; margin: 1em 0 2em 0; padding: 1px;">
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<div title="Projets en chantier" style="padding: 1em;font-size:80%">
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|
'''Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa'''<br />
''Autora:'' [[Autor:Ana de Castro Osório|Ana de Castro Osório]]<br />
''Ilustrador:'' Álvaro Duarte de Almeida<br />
''Edição:'' Sociedade de Expansão Cultural (Lisboa, 1952)<br />
''Digitalização:'' Biblioteca Nacional de Portugal (PURL) [https://purl.pt/39286] <br />
''Nota:'' Edição diplomática. Texto fixado segundo a ortografia original de 1952.
|}
== Índice ==
=== Volume I ===
''Nota: Volume em fase de transcrição.''
* [[/Prefácio|Prefácio]]
* [[/O Homem da moca|O Homem da moca]]
* [[/História do careca|História do careca]]
* [[/A Bela Felicidade|A Bela Felicidade]]
* [[/O porqueiro|O porqueiro]]
* [[/O coelho branco|O coelho branco]]
* [[/Branca-Flor|Branca-Flor]]
* [[/História do Príncipe encantado no palácio de ferro no reino da escuridão|História do Príncipe encantado no palácio de ferro no Reino da Escuridão]]
* [[/O corvo|O corvo]]
* [[/O Príncipe Bezerro|O Príncipe Bezerro]]
* [[/A Princesa da Áustria|A Princesa da Áustria]]
* [[/História do Príncipe Luís|História do Príncipe Luís]]
* [[/O Bicho-de-sete-cabeças|O Bicho-de-sete-cabeças]]
* [[/História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja|História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja]]
* [[/O homem de pedra|O homem de pedra]]
* [[/A menina fadada|A menina fadada]]
* [[/O esperto|O Esperto]]
* [[/Os dois almocreves|Os dois almocreves]]
* [[/A mão de finado|A mão de finado]]
* [[/O leão de ouro|O leão de ouro]]
* [[/A Princesa Macaca|A Princesa Macaca]]
* [[/O soldado|O soldado]]
* [[/Os meninos da estrela de ouro na testa|Os meninos da estrela de ouro na testa]]
* [[/O figuinho da figueira|O figuinho da figueira]]
* [[/Os sapatinhos de cetim|Os sapatinhos de cetim]]
* [[/O gosto dos gostos|O gosto dos gostos]]
* [[/O bom serviço recompensado|O bom serviço recompensado]]
* [[/História da Princesa adormecida ou das treze fadas|História da Princesa adormecida ou das treze fadas]]
* [[/A menina curiosa ou a luta do bem e do mal|A menina curiosa ou a luta do bem e do mal]]
=== Volume II ===
''Nota: Os contos do Volume II serão adicionados após a conclusão do Volume I.''
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[[Categoria:Ana de Castro Osório]]
[[Categoria:1952]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
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{| class="toc" style="width:100%; margin-bottom: 1em; background-color: #f9f9f9; border: 1px solid #aaa; padding: 5px;"
|
'''Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa'''<br />
''Autora:'' [[Autor:Ana de Castro Osório|Ana de Castro Osório]]<br />
''Ilustrador:'' Álvaro Duarte de Almeida<br />
''Edição:'' Sociedade de Expansão Cultural (Lisboa, 1952)<br />
''Digitalização:'' Biblioteca Nacional de Portugal (PURL) [https://purl.pt/39286] <br />
''Nota:'' Edição diplomática. Texto fixado segundo a ortografia original de 1952.
|}
== Índice ==
=== Volume I ===
''Nota: Volume em fase de transcrição.''
* [[/Prefácio|Prefácio]]
* [[/O Homem da moca|O Homem da moca]]
* [[/História do careca|História do careca]]
* [[/A Bela Felicidade|A Bela Felicidade]]
* [[/O porqueiro|O porqueiro]]
* [[/O coelho branco|O coelho branco]]
* [[/Branca-Flor|Branca-Flor]]
* [[/História do Príncipe encantado no palácio de ferro no reino da escuridão|História do Príncipe encantado no palácio de ferro no Reino da Escuridão]]
* [[/O corvo|O corvo]]
* [[/O Príncipe Bezerro|O Príncipe Bezerro]]
* [[/A Princesa da Áustria|A Princesa da Áustria]]
* [[/História do Príncipe Luís|História do Príncipe Luís]]
* [[/O Bicho-de-sete-cabeças|O Bicho-de-sete-cabeças]]
* [[/História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja|História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja]]
* [[/O homem de pedra|O homem de pedra]]
* [[/A menina fadada|A menina fadada]]
* [[/O esperto|O Esperto]]
* [[/Os dois almocreves|Os dois almocreves]]
* [[/A mão de finado|A mão de finado]]
* [[/O leão de ouro|O leão de ouro]]
* [[/A Princesa Macaca|A Princesa Macaca]]
* [[/O soldado|O soldado]]
* [[/Os meninos da estrela de ouro na testa|Os meninos da estrela de ouro na testa]]
* [[/O figuinho da figueira|O figuinho da figueira]]
* [[/Os sapatinhos de cetim|Os sapatinhos de cetim]]
* [[/O gosto dos gostos|O gosto dos gostos]]
* [[/O bom serviço recompensado|O bom serviço recompensado]]
* [[/História da Princesa adormecida ou das treze fadas|História da Princesa adormecida ou das treze fadas]]
* [[/A menina curiosa ou a luta do bem e do mal|A menina curiosa ou a luta do bem e do mal]]
=== Volume II ===
''Nota: Os contos do Volume II serão adicionados após a conclusão do Volume I.''
* [[/A feia que se faz bonita|A feia que se faz bonita]]
* [[/A rainha invejosa|A rainha invejosa]]
* [[/História da Princesa que se perdeu na floresta|História da Princesa que se perdeu na floresta]]
* [[/O que é a felicidade|O que é a felicidade]]
* [[/História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas|História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas]]
* [[/O Tio Novelo|O Tio Novelo]]
* [[/O canudo mágico|O canudo mágico]]
* [[/As três cidras do amor|As três cidras do amor]]
* [[/História das três meninas da torre|História das três meninas da torre]]
* [[/História da Linda-a-linda|História da Linda-a-linda]]
* [[/Os figos maravilhosos|Os figos maravilhosos]]
* [[/História do papagaio|História do papagaio]]
* [[/História do mercador e seus três filhos|História do mercador e seus três filhos]]
* [[/História do Príncipe Monstro|História do Príncipe Monstro]]
* [[/Príncipe com orelhas de burro|Príncipe com orelhas de burro]]
* [[/O soldado jogador|O soldado jogador]]
* [[/História do jardineiro e seus três filhos|História do jardineiro e seus três filhos]]
* [[/A Princesa das pedras lindas|A Princesa das pedras lindas]]
* [[/História do armador|História do armador]]
* [[/O juramento|O juramento]]
* [[/O médico da morte|O médico da morte]]
* [[/Conto do bago de romã ou o orgulho castigado|Conto do bago de romã ou o orgulho castigado]]
* [[/História do Rei-Turco|História do Rei-Turco]]
* [[/O Príncipe das maçãs de ouro|O Príncipe das maçãs de ouro]]
* [[/O Olharapo|O Olharapo]]
* [[/O Príncipe do Lodo|O Príncipe do Lodo]]
* [[/História da menina Graça da Fortuna|História da menina Graça da Fortuna]]
* [[/A Princesa e o pobre aldeão|A Princesa e o pobre aldeão]]
* [[/A afilhada de São Pedro|A afilhada de São Pedro]]
* [[/As filhoses da bruxa|As filhoses da bruxa]]
* [[/A padeirinha|A padeirinha]]
* [[/A Riqueza e a Fortuna|A Riqueza e a Fortuna]]
* [[/A pastorinha e a moura|A pastorinha e a moura]]
* [[/Sumido sejas tu como o vento|Sumido sejas tu como o vento]]
* [[/O criado do doutor Mágico|O criado do doutor Mágico]]
* [[/História do Príncipe Imaginário|História do Príncipe Imaginário]]
* [[/A Princesa dos Cuidados|A Princesa dos Cuidados]]
* [[/A flor do Liro-Lar|A flor do Liro-Lar]]
* [[/Longo, Largo e Lince|Longo, Largo e Lince]]
* [[/A Princesa Carvoeiro|A Princesa Carvoeiro]]
* [[/O criado infiel|O criado infiel]]
* [[/A Princesa infeliz|A Princesa infeliz]]
----
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[[Categoria:Ana de Castro Osório]]
[[Categoria:1952]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
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Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/227
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<noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" /></noinclude>Urupês
{{capitular|ficheiro=Urupês 1918 Página 227 Imagem 0002.png}}
balsamico indianismo de Alencar esboroa-se pelo iconoclasta advento
dos Rondons que, ao invez de imaginarem indios n’um gabinete,
com reminiscencias de Chateaubriand na cabeça e a Iracema aberta sobre os joelhos,
mettem-se a palmilhar sertões de Winchester em
punho.
Morreu Pery, incomparavel idealisação dum homem natural como o sonhava J. J. Rousseau,
prototypo de tantas perfeições humanas que, no
(romance, em concurso com nobilissimos typos de
civilisados, a todos sobreleva em belleza d’alma
e corpo. Contrapoz-lhe a cruel ethnologia do sertanista hodierno um selvagem real, feio e brutesco, anguloso e desinteressante, tão incapaz,
muscularmente, de arrancar uma palmeira, como
incapaz, moralmente, de amar Cecy.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958).pdf/3
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Parzeus" /></noinclude><center><big><big><big>ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA</big></big></big>
<center>DE
<center><big><big>ALARICO SILVEIRA</big></big>
<center>Edição patrocinada
<center>pela
<center><b>Fundação Edmundo Bittencourt</b>
<center><big>TOMO I</big>
<center>A — Anzol-de-tenda
<center>MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA
<center>INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO
<center>RIO DE JANEIRO
<center>1958<noinclude></noinclude>
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Página:Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958).pdf/7
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Parzeus" /></noinclude><big>PREFÁCIO</big>
''Quis a'' Fundação Edmundo Bittencourt ''patrocinar a publicação''
''de uma obra significativa da nossa cultura. A'' Enciclopédia Brasileira
de Alarico Silveira ''pareceu a mais indicada. Não foi somente''
''a categoria do trabalho que determinou a preferência, mas o próprio''
''objeto da obra, fruto de um incansável esfôrço por um melhor conhecimento''
''do Brasil, esforço que estaria provavelmente perdido como''
''um dos mais tristes episódios da nossa história cultural, não fôra a''
''corajosa e patriótica iniciativa da'' Fundação.
''A simplicidade e a modéstia com que'' ALARICO SILVEIRA ''reuniu
''o material para essa obra criaram em torno dela uma atmosfera de respeito,''
''mas poucos saberão o significado real de seu trabalho. Como tudo''
''que saía da pena do autor, a'' Enciclopédia ''era antes de mais nada''
''uma obra de honestidade. O que ela significava acima de tudo era''
''uma vida inteira de dedicação'' — ''sem retórica, sem ênfase, mas sincera''
''e tenaz'' — ''pela terra. A vida e a obra de'' ALARICO SILVEIRA
''confundem-se assim. Sem uma não se compreenderá a outra.''
''Poucos homens encararam a existência com a simplicidade e a''
''retidão de'' ALARICO SILVEIRA. ''Percorreu as etapas da carreira que''
''as suas qualidades lhe abriram sem ceder jamais à vaidade ou à ambição.''
''No desempenho de altas funções administrativas e judiciárias,''
''não inspirava aos que dele se aproximavam o mais longínquo''
''constrangimento. Cercava-o um halo de simpatia comunicativa, de''
''cordialidade espontânea, ainda que contidas na formação austera e''
''um tanto tímida dos velhos paulistas. Sábio conhecedor de tantos''
''setores das coisas do Brasil, dava sempre a impressão de que era êle''
''que estava aprendendo, tal a simplicidade e sinceridade com que trocava''
''idéias com qualquer humilde, cuja convivência alida sempre preferiu''
''à dos semiletrados.''
''Nascido na capital de São Paulo em 11 de janeiro de 1878,''
''descendia de velho tronco bandeirante. Um dos seus antepassados foi''
''o famoso Carlos Pedroso da Silveira, grande figura da era dos seis''-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Parzeus" /></noinclude><center><big>PREFÁCIO</big></center>
''Quis a'' Fundação Edmundo Bittencourt ''patrocinar a publicação''
''de uma obra significativa da nossa cultura. A'' Enciclopédia Brasileira
de Alarico Silveira ''pareceu a mais indicada. Não foi somente''
''a categoria do trabalho que determinou a preferência, mas o próprio''
''objeto da obra, fruto de um incansável esfôrço por um melhor conhecimento''
''do Brasil, esforço que estaria provavelmente perdido como''
''um dos mais tristes episódios da nossa história cultural, não fôra a''
''corajosa e patriótica iniciativa da'' Fundação.
''A simplicidade e a modéstia com que'' ALARICO SILVEIRA ''reuniu
''o material para essa obra criaram em torno dela uma atmosfera de respeito,''
''mas poucos saberão o significado real de seu trabalho. Como tudo''
''que saía da pena do autor, a'' Enciclopédia ''era antes de mais nada''
''uma obra de honestidade. O que ela significava acima de tudo era''
''uma vida inteira de dedicação'' — ''sem retórica, sem ênfase, mas sincera''
''e tenaz'' — ''pela terra. A vida e a obra de'' ALARICO SILVEIRA
''confundem-se assim. Sem uma não se compreenderá a outra.''
''Poucos homens encararam a existência com a simplicidade e a''
''retidão de'' ALARICO SILVEIRA. ''Percorreu as etapas da carreira que''
''as suas qualidades lhe abriram sem ceder jamais à vaidade ou à ambição.''
''No desempenho de altas funções administrativas e judiciárias,''
''não inspirava aos que dele se aproximavam o mais longínquo''
''constrangimento. Cercava-o um halo de simpatia comunicativa, de''
''cordialidade espontânea, ainda que contidas na formação austera e''
''um tanto tímida dos velhos paulistas. Sábio conhecedor de tantos''
''setores das coisas do Brasil, dava sempre a impressão de que era êle''
''que estava aprendendo, tal a simplicidade e sinceridade com que trocava''
''idéias com qualquer humilde, cuja convivência alida sempre preferiu''
''à dos semiletrados.''
''Nascido na capital de São Paulo em 11 de janeiro de 1878,''
''descendia de velho tronco bandeirante. Um dos seus antepassados foi''
''o famoso Carlos Pedroso da Silveira, grande figura da era dos seis''-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Parzeus" />XII</noinclude>''centos na história dos descobrimentos auríferos. Era ainda menino''
''quando a família se mudou para Casa Branca, onde o pai, o advogado''
''João Silveira, se havia fixado. Voltou, mais tarde, à capital,''
''onde, com os irmãos, Valdomiro, Agenor, João e Breno, trabalhou''
''para custear os estudos. Ensinavam em colégios particulares e colaborav
''em jornais. Formado em Direito, começou a peregrinação''
''pelos lugares distantes do Estado, como delegado ou promotor. Esteve''
''em Casa Branca, onde, em 1895, redigiu o'' Guanumbi''; em São Carlos,''
''Sorocaba, Taubaté, Ituverava e Caconde. Ingressou na policia de''
''carreira e foi delegado em Iguape, Descalvado, Pindamonhagaba e''
''São Carlos. Sendo prefeito da capital Washington Luís, foi chamado''
''inesperadamente a ocupar um posto de grande responsabilidade, no''
''momento em que grassava a terrível epidemia de gripe espanhola, em''
''1918: a'' Diretoria de Salubridade Pública''. Passando ao governo do''
''Estado foi ainda Washington Luís buscá-lo para secretário do Interior,''
''pasta que naquele tempo abrangia também os assuntos de Educação''
''e Saúde. Realizou então a grande reforma do ensino que tomou''
''o nome de Reforma Washington Luís, ao mesmo tempo que sabia''
''cercar-se de um quadro de técnicos que até hoje constituem grandes''
''nomes de pedagogia brasileira. Era ministro do Tribunal de Contas''
''de São Paulo, quando Washington Luis o chamou a ocupar a Secretaria''
''da Presidência. Representou o Brasil na Conferência Pan-Americana''
''de Havana em 1928.''
''Por ocasião da crise política de 1929, exonerou-se, aceitando relutante
''o cargo de ministro do Supremo Tribunal Militar, onde se''
''revelou um julgador lúcido e adiantado. Foi após entrar em disponibilidade''
''naquele alto cargo, até que a morte o colheu em 5 de março''
''de 1948, que'' ALARICO SILVEIRA ''se dedicou mais intensamente ao seu''
''trabalho fundamental.''
''Desde moço, ao ocupar as primeiras posições na magistratura,''
''começou êle a ser atraído para esse mundo de riqueza — a fala e a''
''sabedoria popular. Com o correr dos tempos essa curiosidade, transformada''
''em pesquisa, foi assumindo uma feição mais sistemática.''
''Surgiram os apontamentos, os cadernos, os índices, finalmente as''
''fichas. A assombrosa deficiência dos glossários e enciclopédias em''
''relação às nossas coisas mais vulgares fazia com que o trabalho se''
''avolumasse impressionantemente. Quando viemos a travar conhecimento''
''com o autor, a obra já constituia uma construção majestosa.''
''Temos ainda nítida na lembrança a impressão que nos causou sua narra''-<noinclude></noinclude>
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Página:Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958).pdf/9
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Parzeus" />XIII</noinclude>''tiva do encontro de alguns achados verbais de certa região mineira que''
''não tinham semelhança com qualquer outro ponto do Brasil. Seu''
''trabalho era ainda feito de entusiasmo, no sentido etimológico do têrmo,''
''de fé e confiança no ideal, a que sacrificava as escassas horas que lhe''
''deixavam as funções públicas. Foi essa fé que o conduziu à construção''
''obscura e áspera de um dicionário e não a composições literárias''
''para as quais tinha inclinações tão grandes quanto o irmão, o grande''
''Valdomiro.''
''Fêz parte do grupo literário Verde e Amarelo, com Menotti del''
''Picchia, Mola Filho, Ellis Júnior e outros, e foi líder do movimento''
''denominado da Anta, com Cassiano Ricardo, Ribeiro Coulo, Raul''
''Bopp, Plinio Salgado, o pintor Paim, e outros. Alguns ensaios vibrantes''
''e seguros acham-se dispersos em jornais e revistas (como por''
''exemplo o "Sonho da Raça", de 1927), que revela a solidez dos conhecimentos''
''da pré-história brasileira. Nunca foram reunidos em volume.''
''Foi, em certos momentos decisivos, redator-chefe do'' Correio Paulistano''.''
''Mas o dicionário absorveu-lhe todas as forças e nêle se concentraram''
''todas as suas energias. Passou a convergir a atenção sobretudo para''
''a leitura. Era um leitor atento e invencível, dêsses que rebuscam alfarrabistas''
''dias a fio, em busca de um opúsculo que falta. Leu tudo que''
''lhe pudesse enriquecer os conhecimentos sobre o Brasil: romances,''
''poemas, viagens, memórias, roteiros, receitas de doces, rezas, bruxarias,''
''relatórios, partes militares, hagiológios e, acima de tudo, ouviu''
''amorosamente a alma do povo, através da linguagem brasileira autêntica''
''e numerosa.''
''De todo êsse esfôrço resultou um acêrvo de cerca de cem mil fichas,''
''todas de seu punho. Não seria possível pensar em publicação por um''
''particular. Foi quando o Ministro da Educação Gustavo Capanema''
''se propôs a publicar a obra pelo Instituto Nacional do Livro, como uma''
''contribuição para a futura'' Enciclopédia Brasileira''. Mas o trabalho, tal''
''como se apresentava, não poderia ainda entrar no prelo. Era um material''
''precioso, mas precisava ser escoimado, coordenado, uniformizado''
''e finalmente redigido em forma de verbetes para poder ser impresso. Era''
''esse o trabalho em que se empenhava o autor quando a morte o colheu.''
''Somente os primeiros verbetes se achavam redigidos. Todos os demais''
''constituíam o material a ser elaborado. Não dispondo de recursos''
''para prosseguir na tarefa, o Instituto Nacional do Livro não pôde''
''dar à estampa a trabalho, que, devolvido à família, só agora pode''<noinclude></noinclude>
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Página:Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958).pdf/10
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<noinclude><pagequality level="3" user="Parzeus" /></noinclude>XIV
''ser dado ao público por benemerência da'' Fundação Edmundo Bittencourt,
''como acima ficou dito, que se incumbiu da revisão, organização''
''e complementação dos originais para sua publicação.''
''Êste o trabalho árduo que coube à comissão presidida pelo abaixo''
''assinado. As cem mil fichas foram divididas em cerca de dez tomos''
''compreendendo 10 mil em cada um. Todas as fichas foram recopiadas,''
''uniformizadas gràficamente, conferidas com os trabalhos citados.''
''Isto normalmente. Para as de história natural foi preciso ainda''
''acrescentar não somente novas espécies que figuram em publicações''
''mais recentes como aditar os dados resultantes da abundantíssima''
''produção científica aparecida neste último decênio. Para as biografias''
''foi preciso completar, por coerência, as notas relativas a vultos brasileiros,''
''daí resultando quadruplicação das fichas.''
''Quanto aos locativos o acréscimo foi, na fichação, de centenas.''
''Foi preciso recorrer às importantes publicações do Conselho Nacional''
''de Geografia que compilaram a toponímia brasileira, e recorrer muitas''
''vēzes à colaboração sempre solicita dos técnicos daquele importante serviço.''
''Pensamos poder oferecer assim a relação menos incompleta dos topónimos''
''brasileiros de acordo com as últimas reformas administrativas.''
''Quantos aos brasileirismos o respeitável acervo primitivo foi consideravelmente''
''completado com inúmeras publicações aparecidas ùltimamente''
''em vários pontos do país.''
''Por fim, o Instituto Nacional do Livro, dirigido pelo nobre e culto
''espírito de Augusto Meyer, assumiu o encargo da impressão da'' Enciclopédia
''com o nome de seu planejador e criador, já agora erigido em''
''insígnia deste empreendimento verdadeiramente nacional.''
''Algumas explicações se tornam ainda necessárias. Bem desejaríamos''
''refundir o sector biográfico a fim de enquadrar as notas dentro''
''de um critério não só proporcional à impôrtancia do nome como ao da''
''entrada, preferivelmente pelo último nome. Não seria possível, porém,''
''fixar tais critérios sem uma revisão geral de todas as fichas, caso em''
''que correríamos o risco de encontrar, em fichas ainda não revistas,''
''verbetes que deveríamos transferir para tomos já publicados. Fique,''
''pois, consignado que o critério de apresentação dos antropônimos não''
''é o que seguiremos em eventual reedição.''
''Não se poderia terminar este esquema histórico da realização agora''
''em fase de execução sem mencionar a Imprensa Nacional, de cujo apa''-<noinclude></noinclude>
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''ser dado ao público por benemerência da'' Fundação Edmundo Bittencourt,
''como acima ficou dito, que se incumbiu da revisão, organização''
''e complementação dos originais para sua publicação.''
''Êste o trabalho árduo que coube à comissão presidida pelo abaixo''
''assinado. As cem mil fichas foram divididas em cerca de dez tomos''
''compreendendo 10 mil em cada um. Todas as fichas foram recopiadas,''
''uniformizadas gràficamente, conferidas com os trabalhos citados.''
''Isto normalmente. Para as de história natural foi preciso ainda''
''acrescentar não somente novas espécies que figuram em publicações''
''mais recentes como aditar os dados resultantes da abundantíssima''
''produção científica aparecida neste último decênio. Para as biografias''
''foi preciso completar, por coerência, as notas relativas a vultos brasileiros,''
''daí resultando quadruplicação das fichas.''
''Quanto aos locativos o acréscimo foi, na fichação, de centenas.''
''Foi preciso recorrer às importantes publicações do Conselho Nacional''
''de Geografia que compilaram a toponímia brasileira, e recorrer muitas''
''vēzes à colaboração sempre solicita dos técnicos daquele importante serviço.''
''Pensamos poder oferecer assim a relação menos incompleta dos topónimos''
''brasileiros de acordo com as últimas reformas administrativas.''
''Quantos aos brasileirismos o respeitável acervo primitivo foi consideravelmente''
''completado com inúmeras publicações aparecidas ùltimamente''
''em vários pontos do país.''
''Por fim, o Instituto Nacional do Livro, dirigido pelo nobre e culto
''espírito de Augusto Meyer, assumiu o encargo da impressão da'' Enciclopédia
''com o nome de seu planejador e criador, já agora erigido em''
''insígnia deste empreendimento verdadeiramente nacional.''
''Algumas explicações se tornam ainda necessárias. Bem desejaríamos''
''refundir o sector biográfico a fim de enquadrar as notas dentro''
''de um critério não só proporcional à impôrtancia do nome como ao da''
''entrada, preferivelmente pelo último nome. Não seria possível, porém,''
''fixar tais critérios sem uma revisão geral de todas as fichas, caso em''
''que correríamos o risco de encontrar, em fichas ainda não revistas,''
''verbetes que deveríamos transferir para tomos já publicados. Fique,''
''pois, consignado que o critério de apresentação dos antropônimos não''
''é o que seguiremos em eventual reedição.''
''Não se poderia terminar este esquema histórico da realização agora''
''em fase de execução sem mencionar a Imprensa Nacional, de cujo apa''-<noinclude></noinclude>
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Página:Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958).pdf/11
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/* Revista */ Itálico, quebras de linha, revisão textual inicial da ortografia e nota de rodapé
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Parzeus" /></noinclude>XV
''relhamento técnico e de cujo espírito de cooperação dependeu a boa apresentação''
''da obra.''
''Aqui fica, pois, entregue ao poro brasileiro, pelo alto espírito de''
''cooperação e de cultura que preside à'' Fundação Edmundo Bittencourt,
''com o apoio das grandes instituições que são o'' Instituto Nacional do
Livro ''e a'' Imprensa Nacional'', o sonho e o esforço de um grande espírito.''
''Que as classes cultas transformem este esboço na sua grande''
''Enciclopédia Nacional por meio de suas sugestões e contribuições e estará''
''comemorando dignamente o meio século do aparecimento de um''
''Jornal, de um grande Jornal — eco, tantas vêzes, daquele grande sentimento''
''que consumiu a vida de'' ALARICO SILVEIRA ''e no qual buscamos''
''ânimo e estímulo para esforço — a fé no Brasil.''
Casa de Rui Barbosa, outubro de 1951. <sup>[[#nota_da_pagina|(*)]]</sup>
{{Direita|AMÉRICO JACOBINA LACOMBE}}
<span id="nota_da_pagina">(*)</span> <small> Valemo-nos para as referências a ALARICO SILVEIRA dos dados que ocorrem no artigo de Diná Silveira de Queirós — na revista IPASE, junho de 1950. </small><noinclude></noinclude>
pvm60rln3dp42cypxtfl6v3vzki1n2t
Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/125
106
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|109|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>Christianissima ''Sapho'', e varias senhoras e cavalheiros da cidade. Tivemos excellente musica. Mm. do Rego tem uma voz
admiravel, e havia varios bons cantores e pianistas. Foi uma
noute mais agradavel e cheia de urbanidade do que eu esperava poder passar em Pernambuco, especialmente agora em
estado de sitio.
''( Continúa. )''
{{right|{{cursivo|'''''Alfredo de Carvalho'''''}}}}
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh||{{smaller|MARIA DE FÁTIMA ROSA, ISABEL GOMES DE ALMEIDA}}|}}
{{rule|40em|align=right}}</noinclude><poem>
{{nota lateral esquerda|50}}Ela [baixou-o] no chão, à altura de um metro e meio<ref>''nikkas'' é uma medida que no período neobabilónico equivalia a “3.5 cubits” (''CDA'', p. 253).</ref>.
A águia desceu e [amparou-o das suas asas].
[...] a águia palpitava.
{{dhr}}
''Segue-se um conjunto de linhas demasiado fragmentadas, impossibilitando a leitura, e quebras no texto de várias linhas. Quando se recupera a narrativa, percebe-se que Etana está de regresso à sua cidade, Kiš, e através de vários sonhos é encorajado a retomar a viagem.''
{{dhr}}
{{nota lateral esquerda|100}}[Etana] abriu a sua boca [e disse à águia]:
{{gap}}“[Minha amiga,] esse deus [revelou-me um sonho]
{{gap}}Nós<ref>Segue-se o relato desse sonho.</ref> passávamos pela entrada da porta de Sîn<ref>Nanna/Sîn é, na mitologia mesopotâmica, o deus lunar.</ref>, de Šamaš, de Enlil<ref>Enlil é, na mitologia mesopotâmica, o deus responsável pelo ar, pela aragem fresca e pelos ventos. No fundo, Enlil
correspondia à atmosfera, ao espaço que se desenvolvia entre o céu e a terra. Diacronicamente, foi considerado um dos
deuses mais importantes.</ref> e de Ea<ref>Enki/Ea é o deus responsável pelas águas doces, também associado à sabedoria e à magia.</ref>,
{{gap}}E ajoelhávamo-nos, eu e tu.
{{gap}}Nós passávamos pela entrada da porta de Sîn, de Šamaš, de Enlil e de Ea,
{{nota lateral esquerda|105}}{{gap}}E ajoelhávamo-nos, eu e tu
{{gap}}Eu vi uma casa cuja janela [não estava] selada,
{{gap}}Empurrei a sua porta e entrei.
{{gap}}Lá dentro, estava sentada [uma jovem mulher],
{{gap}}(Tinha) uma coroa; toda a sua aparência era majestosa.
{{gap}}{{nota lateral esquerda|110}}Um trono (aí) instalado revelava a sua natureza divina<ref>''ilūtu'' (substantivo abstracto de ''ilu'', “deus”).</ref>.
{{gap}}Debaixo do trono, estavam deitados leōes.
{{gap}}Eu ergui-me e os lebes [atacaram-me].
{{gap}}(Então) acordei apavorado”<ref>A letra, “acordei e senti medo”.</ref>.
A águia [disse-lhe], a ele, a Etana:
{{gap}}{{nota lateral esquerda|115}}“Meu amigo, [o teu sonho] é claro!
{{gap}}Vem, deixa-me levar-te até ao céu [de Anum<ref>Referência ao deus céu An/Anum, um dos deuses cimeiros do universo divino mesopotâmico.</ref>]<ref>HOROWITZ, Wayne — Two notes on Etanaʼs flight to heaven. ''Orientalio''. 59:4 (1990) 516-517, indica que, a julgar por duas
tabuinhas do I milénio a.C. de teor religioso e astrológico, onde é possível identificar os vários céus que compunham o
universo segundo os antigos mesopotâmios, Etana e a águia teriam alcançado, provavelmente, aquele que se afigura como
o patamar/camada celeste mais elevada muitas vezes referida como “céu de Anum”.</ref>,
{{gap}}Põe [o teu peito] sobre o meu peito,
{{gap}}Põe [as tuas mãos] sobre as minhas penas,
{{gap}}Põe [os teus braços] sobre as minhas asas.”
{{nota lateral esquerda|120}}Ele pôs [o seu peito] sobre o seu peito,
Pôs [as suas mãos] sobre as suas penas,
Pôs os [seus braços] sobre as suas asas.
</poem>
{{nop}}<noinclude>{{rule}}
{{smallrefs}}
{{left|'''178'''}}</noinclude>
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O esperto
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = O Esperto | anterior = [[../A menina fadada/]] | posterior = [[../Os dois almocreves/]] | notas = }} '''<big>O ESPERTO</big>''' ERA uma vez um carvoeiro muito pobre, que vivia com sua mulher e sete filhos numa cabana ao meio de um bosque. O trabalho era muito e os lucros tão poucos, que eles não sabiam o que haviam de fazer à sua vida....
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}}
'''<big>O ESPERTO</big>'''
ERA uma vez um carvoeiro muito pobre, que vivia com sua mulher e sete filhos numa cabana ao meio de um bosque.
O trabalho era muito e os lucros tão poucos, que eles não sabiam o que haviam de fazer à sua vida. Cortava-lhes o coração a vista de sete crianças quase sem fato para se precaverem contra os rigores do inverno, mal tendo um bocado de pão para comerem em toda a roda do ano.
Uma noite, que eles estavam descoroçoados de todo, sentaram-se à lareira, pois lenha em abundância tinham eles no bosque, o caso era cortá-la e trazê-la para casa. Tinham mandado deitar os filhos, porque à falta de alimento mais substancial o sono também é sustento, e puseram-se a conversar na sua triste vida.
— Mulher — dizia o carvoeiro — isto assim não pode continuar; nós que temos tanto amor aos nossos filhinhos, não podemos vê-los aqui morrer de fome e frio; melhor é levá-los para a maior espessura do bosque e deixá-los lá, para que se percam. Se os animais selvagens ou algum olharapo os comerem não vê a gente essa desgraça. Sempre isso é melhor do que morrerem de fome diante de nós, e se puderem fugir talvez ainda possam ser felizes.
A carvoeira chorava muito e não podia convencer-se de que o marido tivesse razão, mas enfim não houve remédio senão resignar-se pois por mais que buscasse não encontrava nem migalha de pão que lhes desse no dia seguinte.
Combinaram levar os filhos para muito longe e por caminhos desviados, de maneira que eles não pudessem voltar a casa.
Ora o filhito mais novo era tão inteligente que até, por alcunha, o chamavam o Esperto. Coisas que ele pensava e fazia não lembrava a mais nenhuma criança da sua idade. Mais parecia um homem de muito tino do que um pequeno e ignorante filho de carvoeiros.
Como os pais os tinham mandado deitar mais cedo para à vontade conversarem, os pequenos pegaram logo no sono e não deram conta de coisa alguma. O Esperto, que dormia pouco como toda a gente que o é, esse ouviu tudo, e o resto da noite levou-a a pensar o que faria no dia seguinte.
De manhã, ainda o sol não aparecera no oriente a dourar o céu e já os pais estavam a chamar as crianças — o carvoeiro, com o machado às costas para cortar a lenha, a mulher com as cordas para atar os molhos. Os pequenos levantaram-se logo e seguiram atrás, levados por caminhos que só pareciam trilhados por gamos e outros animais que habitam os cerrados bosques.
Admiravam-se muito, mas, não desconfiando de nada, iam indo, contentes de aprenderem novos atalhos. O Esperto é que, atrás de todos, reparava para o caminho, e, tendo-se prevenido ao passar um ribeiro com grande quantidade de seixos brancos, ia-os semeando por onde passava.
Estiveram trabalhando todo o dia, e, quando chegou a tardinha, o carvoeiro e a mulher deixaram os filhos entretidos a comer pinhões e fugiram.
Quando eles repararam que estavam sós era já noite escura. Desataram a correr, mas quanto mais andavam mais se enredavam no bosque que enchiam com os seus gritos e prantos de aflição. Tranzidos de susto, por só responderem às suas vozes as vozes medonhas dos animais selvagens, nem forças tinham para se conservarem em pé.
O Esperto é que não perdeu o seu tempo em lamentos; tratou de subir a uma árvore para se orientar, e, como nesse momento a lua cheia viesse a aparecer iluminando tudo, logo ele descobriu o caminho assinalado com os seixos brancos que de manhã espalhara.
Chamou os irmãos, contou-lhes o que se tinha passado, e, pondo-se na frente do rancho, lá os levou até à porta de casa.
Chegados aí, não se atreveram a entrar com medo que os pais se zangassem com eles, e sentaram-se na soleira da porta à escuta. Daí a pouco ouviram os pais, que choravam muito, lamentando a sua falta, porque logo nessa noite, ao chegarem a casa, tinham podido fazer uma venda de carvão que lhes assegurava o sustento por alguns dias, ainda que estivessem todos juntos.
Dizia a carvoeira, lavada em lágrimas:
— Quem me dirá onde estão os meus filhinhos?! Se algum gigante ou lobisomem os terá apanhado... Quem sabe se algum lobo ou outra qualquer fera os terá devorado?! Vê lá tu que desgraça a nossa, logo hoje que tínhamos ceia para lhes dar é que fomos abandonar os nossos ricos filhos! Quem mos dera ver!
— Também eu, quem mos dera aqui ver! — respondeu o marido.
Os rapazes, que estavam à espreita, mal isto ouviram entraram pela porta dentro, e foi um nunca acabar de beijos e abraços.
Passado tempo, o dinheiro começou outra vez a escassear, e os tristes pais, para não verem os filhos morrer de fome, de novo resolveram levá-los para o bosque e deixá-los lá.
Como da primeira vez, o Esperto tinha ouvido tudo e resolvido lá de si para si fazer o mesmo que antes os salvara.
Mas os pais levaram-nos por outras veredas ainda mais desconhecidas e emaranhadas, de maneira que, não passando pelo ribeiro, não pôde apanhar os seixos para se guiar e teve que se contentar de ir espalhando bocadinhos do pão que lhe tinham dado para todo o dia se alimentar.
Ao cair da tarde, os pais deixaram-nos entretidos e fugiram. Quando os rapazes deram por isso, romperam todos em tal alarido que já nem se entendiam, enquanto o Esperto se afastava e tratava de procurar o seu caminho.
Mas quê? As avezinhas do céu, não sabendo o mal que iam fazer àqueles pobres abandonados, tinham comido as migalhas de pão que o rapazito semeara por todo o caminho.
Não havia meio de se orientar, e ainda mais porque as nuvens cobriam a lua deixando o bosque escuro como breu. Os uivos dos lobos, e as mais vozes dos animais bravios, era só o que os sete pequenos ouviam e era para os fazer morrer de susto!
O Esperto nem assim perdeu a coragem; subiu a uma grande árvore, e, vendo ao longe uma luzinha, gritou para os irmãos que se animassem, que havia sinal de vida.
Mal ouviram isto as lágrimas converteram-se-lhes em esperançosos risos, e os rapazes quiseram todos trepar à árvore para se convencerem de que o irmão mais novo se não enganava. Ele é que tomou todo o sentido na direcção da luz, desceu e fez descer os irmãos da árvore e, depois de muitas voltas e reviravoltas, conseguiu guiar a caravana até uma clareira do bosque onde uma grande casa estava toda iluminada.
Doidos de alegria bateram à porta para pedirem agasalho e ceia, pois estavam mortinhos de fome. Apareceu uma velha, que perguntou o que queriam. Respondeu o Esperto:
— Nós perdemo-nos no bosque, quando andávamos com nossos pais à lenha, e desejavamos que nos desse alguma coisinha de comer e nos deixasse dormir em qualquer canto.
— Ai meus meninos, eu de boa vontade os deixaria ficar se não temesse o meu marido, que é um gigante, um Olharapo, que só gosta de carne humana, principalmente a de meninos. Se aqui os encontrar podem ter a certeza que os comerá logo.
— Pois sim — respondeu o Esperto — mas vocemecê podia esconder-nos a um cantinho; olhe que nós se vamos para o bosque também os bichos nos comem.
— Eu não os posso esconder, ainda que queira, porque o meu homem tem um só olho na testa e dois na cabeça que tudo vêem ao mesmo tempo.
— Enfim, tiazinha, se nós temos de ser comidos, antes vamos para o outro mundo com o estômago cheio.
Em vista disto a velha deixou-os entrar para a cozinha, onde um enorme boi posto no espeto era assado todo inteiro. Deu de comer aos sete rapazes e depois foi-os deitar na cama, onde estavam as filhas que também eram sete pequenas feiticeiras já com os dentes afiados para comer carne humana.
Os rapazes, como tinham comido bem, fora do seu costume, e estavam moídos da caminhada, cairam na cama como pedras em poço. Só o Esperto, de ouvido à escuta, nem sequer pensava em dormir.
Lá pela noite velha sente ele fora um grande barulho, como se um forte furacão sacudisse as árvores da floresta, depois baterem à porta com severa autoridade, e logo toda a casa estremeceu com o vozeirão de um gigante tremendo, destes chamados olharapos, que tudo vêem, e são temidos por todos.
— Cheira-me aqui a carne humana! Tens cá algum petisco para a ceia? — gritou o monstro para a mulher, farejando todos os cantos.
— Estão ali sete pequenos que vieram pedir pousada e eu deitei-os com as nossas filhas. Coitadinhos, são tão bonitos que é uma dor de alma matá-los.
— Tu és doida, mulher! deixa-mos cá ver que eu te direi para onde eles vão dormir amanhã.
O terrível Olharapo pegou numa luz e foi à cama das filhas onde os pequenos hóspedes também estavam deitados.
O Esperto apertava o coração com as mãos para não estalar e fingia dormir tão sossegadamente como os outros.
O gigante apalpou-os um por um, e depois disse a rir, num riso que arrepiava:
— É pena estarem tão magros, mas mesmo assim servem para desenfastiar.
Pegou em sete carapuças e pô-las na cabeça dos rapazes, para de noite, mesmo às escuras, saber distingui-los das filhas e assim os matar e comer mesmo crus, como era muito do seu gosto.
Depois foi cear e o boi que estava no espeto passou-lhe todo para o estômago assim como uma pipa de vinho do melhor. Daí a pouco deitou-se e começou a ressonar.
O Esperto levantou-se pé ante pé, tirou as carapuças da cabeça dos irmãos e da sua, e com todo o geito as enterrou nas cabeças das sete pequenas Olharapas, filhas do monstro.
Daí a pouco acordou ele já com fome, e mesmo às escuras apalpou as cabeças; aquelas que sentia de carapuça era um instante enquanto lhes torcia o pescoço e tragava. Depois toca, novo sono reparador.
O Esperto, que isto viu, aflito mas corajoso, julgou chegada a hora de fugirem.
Tratou de chamar os irmãos e com todas as cautelas se puseram na rua, mal começava a apontar o dia. Ainda assim havia já bastante claridade para se orientarem.
Com o medo com que estavam os sete rapazes, depressa acharam caminho direito para fugir na primeira estrada que lhes apareceu.
Ora a mulher do gigante, quando de manhã ia a vestir as filhas e as não encontrou, começou em altos gritos a clamar que o marido as tinha morto para comer. Ele que apesar de mau, era pai, enfureceu-se muitíssimo e protestou vingar-se dos atrevidos rapazes.
Calçou umas botas mágicas que tinha e que andavam sete léguas de cada passo que dava, saíu pela porta fora e ei-lo aí vai por montes e vales em busca dos pequenos.
O Esperto, que ao longe o viu, chamou os irmãos e aninharam-se todos na toca dum castanheiro. O gigante, que dava passos de sete léguas e era alto como uma torre, passou por cima deles sem os ver. Perigos são estes muito frequentes em quem anda muito alto e não repara para o que lhe fica debaixo dos pés.
Os sete rapazes, satisfeitíssimos por se verem livres daquela, foram andando, andando, até chegarem a uma grande e formosa cidade, capital do maior Reino que então existia — que isto de reinos são como as pessoas, envelhecem e morrem quando lhes chega a sua vez.
Os irmãos, com o Esperto sempre na frente, foram ao palácio do Rei e ofereceram-se para o servir. Da melhor vontade foram aceites. Mas logo o Esperto principiou a distinguir-se entre todos. O Rei agradou-se dele, perguntou-lhe a sua história, fê-lo seu pagem e deu-lhe, enfim, todas as provas da maior simpatia.
Começaram os irmãos a embirrar com esta distinção, e, sem se lembrarem de que lhe deviam a vida, não faziam senão dizer mal dele e maquinar o modo de o perder.
Um dia juntaram-se todos e combinaram ir contar ao Rei que o irmão dissera ser capaz de ir roubar ao gigante Olharapo as botas de sete léguas.
O Rei chamou o rapaz e disse-lhe que havia de fazer o que prometera. Bem se fartou ele de dizer que tal coisa nem mesmo pensara; não o acreditaram e o remédio foi pôr os pés ao caminho e entregar-se a Deus e à sua boa fortuna.
Era noite fechada quando chegou a casa do terrivel gigante que era o espanto e o pavor de toda aquela região. Bateu à porta, e logo a mulher o conheceu, dizendo com muito mau modo:
— O que vens cá fazer, meu grande atrevido? Pois tu não sabes que foste o causador das minhas meninas serem mortas pelo próprio pai?!
— Ai minha rica senhora — respondeu ele — sou tão desgraçado que tive de passar por aqui, e encontrei logo seu marido que me agarrou e me mandou cá, buscar as botas de sete léguas, porque tem um passeio a fazer. E depois que voltasse a esperá-lo porque me há-de matar para a ceia.
— Olha que é bem feito! Eu não gosto que meu marido coma gente, mas a ti é muito bem feito, pelo mal que às nossas filhas fizeste.
— Que remédio há senão resignar-me! Enfim, dê-me cá as botas que eu já volto.
A mulher caíu na tolice de lhe dar as botas, e o Esperto logo que se apanhou com elas nos pés — pois como eram mágicas serviam a todos e cresciam ou diminuiam conforme os pés que as calçavam — foi um momento enquanto desapareceu.
Quando o Olharapo chegou a casa e soube do acontecido, ainda quis correr atrás do petiz. Mas o que podia ele fazer contra quem fugia com as botas de sete léguas?
Teve que se resignar, urrando de fúria.
Quando os irmãos do Esperto o viram chegar triunfante com as botas de sete léguas, o Rei abraçá-lo chamando-lhe filho e fazendo-lhes todas as honras, mais desesperados ficaram.
Passado algum tempo tornaram a intrigá-lo, dizendo que se gabara de ser capaz de ir roubar um papagaio maravilhoso, inteligente no falar, que tinha o gigante Olharapo.
O Rei chamou-o e disse-lhe que tinha de ir fazer o que prometera. Ele, mais forte por ter saído bem da primeira, calçou as suas botas e marchou.
Quando chegou ao pé da casa do gigante tremeu de susto, apesar de bem corajoso. O sol abrasador do verão tinha feito recolher a casa o Olharapo, que dormia a sesta abalando a terra com o ressonar. Na floresta os passarinhos fugiam apavorados e os animais selvagens respondiam com uivos e rugidos àquele barulho infernal.
O Esperto foi-se pôr debaixo da varanda onde estava o pássaro e disse a meia voz:
— Ó papagaio, queres vir para uma casa onde te darão muito arroz e muita coisa boa?
— Não quero, que meu amo também me trata bem.
E começou a gritar para dentro:
— Ó sr. Gigante, venha cá ver o Esperto que me quer roubar, venha depressa!
O rapaz deu um passo atrás e ficou imediatamente a sete léguas de distância, escondido na maior espessura da floresta.
O gigante saltou fora e, como não visse o inimigo, imaginou que o papagaio estivera a mangar e deu-lhe pancada.
Mal o Esperto lhe ouviu o roncar de dorminhoco, tornou a ir para debaixo da varanda, dizendo:
— Ó papagaio, queres vir para uma casa onde te darão muitas coisinhas boas?
O pássaro, que estava escandalizado por o dono lhe ter batido, respondeu logo:
— Sim senhor, quero ir contigo, e de hoje para o futuro só tu serás o meu amo. Este não o quero pois me bateu por dizer a verdade.
O pequeno, muito contente, levou-o ao Rei, que achou muita graça ao animalzinho, entretendo-se a ouvi-lo falar do que se passava na sua própria corte que são sempre os reis os últimos a saber.
Passado pouco tempo, tornam os irmãos a inventar que o Esperto dissera ser capaz de ir buscar a coberta de campainhas que tapava a cama do Olharapo.
O Rei mandou. E lá foi o Esperto não muito contente com a aventura, que era deveras difícil. Mas quem tem coragem verdadeira nunca cede ao temor e nas ocasiões difíceis é mais alegre e resoluto.
Chegou o Esperto a casa do gigante e entrando muito de mansinho foi-se meter debaixo da cama.
Esperou que ele ceasse com o apetite do costume, e, quando o viu bem pegado no sono, foi, zás, deu um puxão à coberta. Acordou o Olharapo todo zangado com a mulher, dizendo.
— Para que estás tu a puxar pela coberta, que me não deixas dormir?!
— Ó homem, eu não puxei pela coberta. Dorme, que isso é sono.
Daí a bocado ele outra vez adormecido, e o Esperto, zás, outro puxão. O gigante desesperou-se e estava já para bater na mulher cuidando que era ela que não o queria deixar dormir, quando ela se lembrou:
— Queres tu vez que é o Esperto que nos quer roubar a nossa segurança?!
— Se for ele, há-de pagar tudo que nos tem feito.
Acendeu a luz e viu a um cantinho o pobre pequeno, mais aflito do que um passarinho apanhado na rede.
O gigante agarrou-o e rindo cruelmente disse:
— Deixe você estar, seu Esperto, que a mesa do Rei já lhe deu boa gordura. Vai amanhã servir para fazermos bom jantar ao meu compadre gigante, que vive do outro lado da floresta.
Atou-o de pés e mãos, fechou a porta à chave e meteu-a no bolso. Depois foi-se deitar socegadamente e não tardou a adormecer. O Esperto é que não pregou olho, toda a noite a pensar na maneira de se livrar.
O gigante levantou-se cedo e disse para a mulher que pusesse ao lume uma panela com água a ferver, que era para lá se cozer o rapaz, que ele de caminho ia buscar o que faltava para o banquete e convidar o compadre. Mas, como era brutinho, porque é raro o tamanho da pessoa corresponder à inteligência, não tirou as botas de sete léguas ao rapazito e demorou-se muito tempo fora.
A mulher, tratando de cumprir as ordens do marido, foi buscar lenha e estava a parti-la com dificuldade quando o Esperto lhe diz:
— Se quiser que a ajude, eu lhe racho esses cavacos. Apesar de ir morrer, sempre gosto de fazer favores.
— Como hás-de tu fazer isso?
— Desate-me os braços, que eu posso trabalhar.
A mulher, que morria por não fazer nada, desatou-lhe os braços e entregou-lhe o machado e a lenha.
O Esperto, mal se viu senhor dos braços, deu tal pancada na cabeça da mulherzinha que a deixou morta. Cortou as cordas dos pés e depois pegando no cadáver meteu-o na panela que lhe era destinada. Daí ateou o fogo, pegou na coberta de campainhas e fugiu para fora, escondendo-se atrás de uma árvore.
Horas depois vieram os gigantes muito alegres, de braço dado. Bateram à porta, e, como ninguém lhes respondesse, entraram, resmungando.
O dono da casa chamou a mulher, a qual, é claro, não deu sinal de si.
— Naturalmente foi à fonte; vamos nós comendo o nosso Esperto, que deve estar gostoso — disse para o outro olharapo.
Foi descobrir a panela, e, vendo a mulher no lugar do petiz, ficou de boca aberta.
— Ai o maldito, que ainda desta vez me enganou! — disse ele raivoso.
— Agora o que se há-de fazer? — perguntou o outro.
— Então, come-se esta, já que não há mais — respondeu o malvado.
Então o Esperto juntou muito mato seco em roda da casa, deitou-lhe fogo e fugiu.
Assim morreram miseràvelmente aqueles dois monstros que eram o terror do País.
O Rei quando recebeu a coberta de campainhas e soube da morte dos olharapos quis fazer o Esperto governador da cidade. Mas o Esperto preferiu ir correr mundo e só pediu as botas de sete léguas.
Do dinheiro que o Rei lhe deu mandou aos pais o preciso para terem uma velhice socegada. Perdoou aos irmãos, que estavam verdadeiramente arrependidos, todo o mal que lhe tinham querido fazer e fora a sua fortuna.
Despediu-se de todos e partiu.
Com as suas botas de sete léguas, as distâncias não eram nada para ele. Passou a vida a percorrer as sete partidas do mundo e a conhecer terras e gentes, feliz com a liberdade mais do que seria com todas as honras e cargos do mundo.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|O Esperto]]
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/A mão de finado
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'''<big>A MÃO DE FINADO</big>'''
HAVIA uma vez um rico mercador que tinha três filhas. Eram todas muito boas meninas mas a mais nova, além de boa, muito inteligente e animosa.
Viviam numa bela casa algum tanto afastada do povoado, e por isso o pai, quando saía, tinha o máximo cuidado em recomendar às filhas a maior discreção no seu modo de proceder e toda a cautela em não abrirem a porta a gente desconhecida.
Era um negociante abastado, com fama de ter muito dinheiro e fazendas em casa, e, por isso, mais cuidado ainda era preciso.
Um dia, que ele teve de fazer uma viagem de grande urgência para os seus negócios, disse para as filhas:
— Meninas, enquanto eu estiver ausente não abram a porta senão a pessoa que traga um bilhete meu ou seja das nossas relações.
As três irmãs prometeram cumprir as suas ordens e o pai partiu descansado.
Logo no outro dia apareceu a pedir esmola e agasalho para a noite um velho mendigo com uma cara muito esquisita.
As meninas mais velhas, que eram paroleiras e estavam aborrecidas de não terem com quem falar, fingiram grande pena do homem, deram-lhe boa esmola e disseram que podia vir à noite, que o deixariam dormir em algum canto.
A mais nova não disse nada diante do pedinte mas, quando ele se foi embora, advertiu as irmãs que andavam muito mal em dar pousada a um estranho, contra as expressas ordens do pai. As outras zangaram-se com ela, chamaram-na menina sem coração, e, como mais velhas, fizeram-na calar.
A menina não quis dizer mais nada e esperou pela noite para ver o que poderia fazer.
Já era um pouco tarde quando sentiram bater à porta e o homem dizer de fora que abrissem, que estava ali o pobrezinho. Ela ainda se quis opor, mas as irmãs teimaram; não houve remédio senão obedecer.
Abriram a porta, houve conversa animada, foram-lhe fazer a cama e depois cearam todos juntos.
Se as irmãs mais velhas tratavam bem o hóspede, a mais nova então nem se fala. Com muitas delicadezas, não se cansava de deitar vinho no copo do homem a ver se o embriagava, mas ele sabia muito bem o que fazia e não se deixava cair por tolo. No fim da ceia, puxou de três maçãs dormideiras e ofereceu-as às meninas, para a sobremesa. As mais velhas comeram e gostaram; a mais nova fingiu que fazia o mesmo, mas escondeu a sua no bolso sem que ninguém percebesse.
Daí a pouco foram-se deitar. As duas meninas caíram num sono pesadíssimo, enquanto que a outra, com susto, fechava os olhos, fingindo fazer o mesmo. Mas bem longe estava o sono dos seus olhos.
Quando o homem as julgou adormecidas, entrou-lhes no quarto e puxando dum alfinete real enterrou-o no braço da primeira. Ela nem estremeceu. Foi à segunda, o mesmo. Chegou junto da mais, novinha, e ela, que estava acordada, deixou-se picar sem soltar um ai, tanta era a força da sua vontade.
O homem, capitão dos ladrões que infestavam aquelas redondezas, foi buscar uma espada, uma pistola e uma mão de finado e pôs tudo em cima da mesa. Depois deitou fogo à mão de finado, para as meninas ficarem ainda mais pegadas no sono, e tratou de enfardar tudo quanto encontrou em casa e lhe pareceu de valor.
Quando a menina mais nova o sentiu sair à rua para ir chamar o resto da quadrilha levantou-se como um raio, trancou e aferrolhou a porta.
O ladrão voltou-se logo e atrevidamente começou a bater, secundado pela sua quadrilha de malfeitores, aos empurrões à porta e gritando furioso:
— Foi a mais novinha que me enganou, que não comeu a maçã dormideira; mas deixa estar que mas hás-de pagar todas!
A menina não respondia nada, contentando-se em arrastar para junto da porta tudo quanto podia, para maior segurança.
Desenganado, por fim, da violência, disse o ladrão que se ia embora se ela lhe desse a mão de finado que tinha acendido no quarto. Respondeu-lhe a menina que a mão estava em labareda, e não lhe podia pegar. E o maroto, que não tinha vergonha mesmo nenhuma, teve o atrevimento de lhe dizer que a metesse em vinagre, e lha trouxesse, porque se apagaria logo. Mas o que ele queria era forçar a entrada.
A menina foi ao quarto, e, em lugar de pegar na mão de finado, trouxe a espada do ladrão e veio dizer-lhe:
— Aqui está o que quer.
Ora a porta tinha um buraco redondo, a que chamam ''gateira'', e é feito para os gatos entrarem e saírem livremente sem incomodarem os donos. Disse o ladrão:
— Dê-me então a mão de finado pela ''gateira''.
Respondeu-lhe a ajuizada moça:
— Meta o senhor a sua mão, que eu lhe entrego o que é seu.
O homem caiu na esparrela; meteu a mão pela ''gateira'', para receber o que pedira. E vai a menina, com a espada, zás! dum só golpe lha cortou.
Os ladrões ficaram desesperados, mas, como ia a amanhecer e o sol não se presta como a noite a ser capa de ladrões, trataram de se ir embora levando o capitão ferido e cheio de raiva, a fazer mil protestos de vingança.
Logo que a menina os sentiu fugir, foi ao quarto das irmãs e apagou a mão de finado com vinagre. Imediatamente se começaram a mexer e acordaram. Contou então o perigo em que se vira, mostrou-lhes os fardos que o ladrão já tinha feito e como tudo estava já preparado para as desgraçar. As duas imprudentes choraram muito e, ainda que fora de tempo, não foi pequeno o seu susto, pedindo muito à irmã que nada dissesse ao pai. Ela prometeu e cumpriu, apesar de lhe parecer mais prudente confessar tudo para o precaver.
Passado tempo, já este caso tinha caído no esquecimento, vêem elas chegar à casa fronteira muitos criados, carruagens, cavalos e mobília digna da moradia dum Príncipe.
Quando tudo estava preparado, veio o dono, que era o malvado capitão de ladrões que mandara fazer de ferro a mão que a menina lhe cortara e trazia sempre a luva calçada. Deu-se a grandes amizades com o mercador e, um dia que este o convidou para jantar, aceitou com todo o gosto, e no fim pediu a mão da menina mais nova.
O mercador ficou satisfeitíssimo por ver a filha pretendida por um cavalheiro tão nobre e rico e disse logo que sim. Mas a menina é que não esteve pelo dito, e, cheia de desconfiança, respondeu:
— Pois eu não quero casar com este senhor. Só se me levarem de rastos.
O vizinho ficou despeitadíssimo, e disse que então casaria com a mais velha. Esta aceitou com as mãos ambas, pois o noivo não se cansava de lhe dar presentes, o que não admira — visto o que lhe custava a ganhar o dinheiro.
Chegado o dia do casamento, que foi feito com toda a pompa, ele disse que levava a mulher para um palácio que tinha afastado da cidade. Despediram-se das irmãs e do pai, subiram para a carruagem e partiram.
No meio do caminho apeou-se o noivo, mandou apear a senhora e disse ao cocheiro que voltasse para trás, que eles seguiam a pé. Quando as sentinelas da quadrilha os avistaram, todos os quadrilheiros correram a fazer os seus cumprimentos e ofertas à mulher do seu chefe, mas dando-se ares de gente de bem.
Entraram em casa, que era um verdadeiro palácio, no luxo e riqueza com que era mobilado, e o marido disse para a mulher que tudo lhe pertencia e se julgava muito feliz em que uma donzela tão formosa o tivesse aceitado para esposo.
Passaram-se os dias na maior harmonia e felicidade, até que ele veio dizer que tinha de sair para uma longa jornada e então que era melhor ela escrever cartas às duas irmãs para que a viessem acompanhar. Ela ficou muito contente, porque já estava um pouco aborrecida de se ver apenas rodeada de homens, e já tinha saudades das irmãs. Escreveu-lhes, a cada uma por sua vez, e entregou as cartas ao marido que, em paga, lhe deu um molho de chaves, dizendo:
— Podes andar por toda a casa, ver todos os quartos, mas proibo-te expressamente que vás a este, de que te entrego a chave de ouro.
Ora, mal se apanhou só em casa, foi ela ao quarto da chave de ouro, e qual não foi o seu espanto e terror vendo-o todo cheio de sangue e de cadáveres! Fugiu dali como doida e quando quis fechar a porta viu que a chave se tinha tingido de sangue.
Foi lavá-la em mil águas, mas a nódoa mais vermelha ainda se tornava com o esfregar. Sem saber o que fazer à sua triste vida, quis esconder aquela prova da sua desobediência, mas o marido veio nesse instante e logo lhe perguntou pela chave. Desconfiou do que fizera, e, cheio de furor, a levou para o tal quarto, e sem piedade a matou.
Foi então com a carta da mulher a casa do sogro e pediu para a cunhada mais nova ir acompanhar a irmã. Ela disse que não ia, que tinha muito que fazer em casa, e ele não teve remédio senão entregar a carta à outra e levá-la.
Quando chegou ao palácio tratou-a muito bem, mas logo lhe disse que a irmã morrera. Toda a quadrilha a veio cumprimentar como cunhada do chefe, e ela estava satisfeita afinal, porque nada faltava ali. Depois deu-lhe um anel de ouro, dizendo: que podia ir a toda a casa menos ao quarto fechado, porque era o das riquezas.
Como a primeira, logo que se apanhou só, foi ela abrir a porta, e, como a primeira, também ia morrendo de susto ao ver a quantidade de cadáveres que ali se amontoavam. Depois olhou para o anel e viu-o tinto de sangue. Chorou, fartou-se de chorar, mas quê?! O mal estava feito e nenhum remédio havia a dar-lhe.
Ainda contou com a piedade do cunhado, mas andou mal porque ele era inclemente. Mal chegou e deu com o anel tinto de sangue, levou-a para o quarto dos mortos e bàrbaramente lhe tirou a vida.
Depois, foi outra vez a casa do mercador, entregou a carta que tinha guardada e pediu muito à menina mais nova que fosse porque a irmã estava alguma coisa doente. Ela não estava muito resolvida, mas, em vista disto, disse que ia, e, encomendando-se a todos os santos do Paraíso, lá foi com o cunhado de quem o seu coração lhe agourava muito mal.
No meio do caminho apearam-se e ele mandou o carro para trás, como fizera das outras vezes, que era para o cocheiro não saber para onde se dirigiam. E, depois de andarem bastante tempo a pé, parou, descalçou a luva, e disse-lhe:
— A menina sabe quem me fez isto?
— Não — respondeu ela — não sei!
E consigo murmurou a pobre: — Bem me dizia o coração! Desta vez estou perdida.
— Ah! A menina não se lembra do que fez? Pois lembro-me eu. As suas irmãs já pagaram e agora será a sua vez.
Chegaram a casa e toda a quadrilha os veio esperar, apresentando-lhe o capitão a menina como sua irmã. Ao outro dia deitou-lhe ao pescoço uma pera de ouro e disse-lhe:
— Pode ir a todos os quartos deste palácio e usar tudo como seu, mas proibo-a de entrar neste de que lhe entrego a chave.
Assim que ele voltou costas, a menina tirou a pera de ouro do pescoço e foi ao quarto dos mortos. Não se atarantou como as irmãs, porque já sabia com quem estava metida e contava com tudo. Mas quando viu tantos cadáveres ferozmente mutilados, e entre eles os das irmãs, não teve mão em si que não começasse a chorar. Nisto ouviu uns gemidos, e, procurando bem, encontrou um rapaz muito novo todo esfaqueado e que por milagre conservava um resto de vida. A menina tirou-o de entre os mortos, tratou-lhe das feridas e reanimou-o. Ele, quando voltou a si, disse-lhe, muito triste:
— O que faz a senhora aqui? Esta casa é um covil de ladrões; olhe se eles aqui a vêem, logo a matam.
A menina descansou-o, saiu para fora, fechou a porta e depois deitou a pera ao pescoço.
Quando o capitão veio, perguntou com arrogância:
— Fez o que lhe disse?
— Pois não havia de fazer, senhor?!
Olhou para a pera, e, como a viu sem mancha, ficou satisfeito e destinou muitos serviços que ela teria que fazer enquanto ele e toda a sua tropa iam fazer uma viagem de oito dias.
Quando a menina se viu senhora da casa tirou logo a pera do pescoço, foi ao quarto dos mortos buscar o doente e tão bem o tratou que daí a dois dias estava capaz de andar. Combinaram fugir e meteram-se a caminho. Na estrada encontraram três carros cheios de palha que iam para a cidade. O mancebo dirigiu-se ao carreiro e perguntou:
— Que novidades há na cidade?
— Ofícios dobrados pelo nosso bom Príncipe, que, indo o outro dia à caça, desapareceu e nunca mais dele se souberam novas nem mandados.
— O Príncipe sou eu. E esta menina, que me salvou a vida, é a minha noiva. Agora precisamos que vocês nos salvem das mãos dos ladrões, que em palácio meu pai vos saberá agradecer.
Os carreiros prontificaram-se logo a fazer o que pudessem para os salvar. Este caso prova, mais uma vez, que não devem os grandes e poderosos desprezar os humildes, porque lá vem uma ocasião em que são mais úteis os seus serviços do que todo o dinheiro e poderio.
Trataram, pois, os carreiros de tirar palha do carro que ia atrás e esconderam lá os fugitivos, tornando a pôr-se tudo em marcha.
Ora os ladrões tinham encontrado um adivinho que se ofereceu ao capitão para ir para a sua companhia; entendeu este que era uma grande coisa ter consigo quem lhe desse conta de tudo e levou-o na sua companhia.
Quando chegaram a casa e deram pela falta da menina e do Príncipe, ferido e prisioneiro, ficou o capitão de ladrões desesperado, sem saber onde ir procurá-los. Então o adivinho disse que eles iam escondidos no carro, que fossem lá buscá-los.
Partiu um dos ladrões para os ir procurar e chegando a meio de caminho encontrou os carros de palha, mandou-os parar e despejar até ao meio o que ia atrás. Mas como iam no fundo não deu com os fugitivos e voltou para casa, dizendo:
— O adivinho é um grande intrujão; despejei o carro até ao meio e nada encontrei.
— Volta lá — tornou o adivinhão — e despeja o carro todo que eles vão no fundo.
Neste meio tempo tinham os fugitivos saído do carro de trás e passado para o do meio, de maneira que, quando o ladrão foi a toda a pressa e mandou despejar o carro todo, só achou palha.
Partiu furioso contra o adivinho e disse ao capitão que bem podia mandá-lo matar, que nada adivinhava.
— Volta lá — disse o adivinhão — porque eles vão agora no carro do meio.
Tornou o ladrão aos carroceiros e mandou despejar o carro do meio, mas os fugitivos à cautela tinham passado para o carro da frente. Não os encontrou e tornou para trás ainda mais furioso.
Disse o adivinhão:
— Volta lá, que passaram para o carro da frente!
O homem foi, mas não os pôde agarrar, porque tinham chegado à cidade e estavam, portanto, livres das garras dos malfeitores.
O Rei ficou muito contente quando viu o filho, deu grandes riquezas aos carroceiros e com a maior alegria aceitou para nora uma tão corajosa e inteligente mulher.
No dia do casamento veio um dos ladrões disfarçado em campónio, e, fingindo-se tolo, não fazia senão mostrar uma saca cheia de peças de ouro e dizer:
— Tão bonito! Tão bonito!
Um dos criados do paço, que isto observou, chegou-se a ele e disse:
— Quando vocemecê acha isto bonito, o que seria se visse o quarto do Príncipe!
— Eu dava todas estas peças de ouro a quem me levasse lá!
O criado não quis ouvir mais, pegou no saco e levou o homem a ver o palácio por dentro, e ele, como havia uma grande confusão, tratou de se desembaraçar do guia e meteu-se debaixo da cama do Príncipe.
Quando a menina chegou ao quarto, disse para o marido:
— Não sei o que me adivinha o coração, que estou mais triste do que a morte!
— Pois agora podes descansar, que os ladrões não nos vêm cá matar.
— E a minha alma diz-me que sim!...
O Príncipe, para a sossegar, mandou pôr uma sentinela à porta e deu entrada a um cão que tinha e era o mais fiel dos seus guardas. Mal o animal entrou no quarto, começou a farejar debaixo da cama e a rosnar de maneira que logo o Príncipe e a menina perceberam que alguma coisa havia, chamando a sentinela. E procurando encontraram o bandido que foi imediatamente metido na prisão. Primeiro ainda se quis fazer tolo, mas depois achou melhor confessar tudo, e o criado ambicioso levou o seu castigo.
Sabido o velho coito dos ladrões, logo o Rei mandou um destacamento cercar-lhes a casa.
Vencidos e presos os ladrões, deram os soldados volta à casa, onde encontraram riquezas sem conto e a prova de todos os crimes daqueles monstros, que foram condenados à morte.
A nova Princesa mandou chamar o pai, contou-lhe tudo que tinha sucedido, e ele, depois de lamentar a sorte mofina das duas filhas, ficou muito satisfeito de ver aquela viva e feliz, e daí para diante viveram todos no maior sossego e alegria.
Assim ficou desinfestada da terrível quadrilha aquela região, que havia muito tempo era o domínio dos malfeitores. Tudo devido à coragem duma mulher, que dali em diante foi venerada por todos.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|A mão de finado]]
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HINO PARA MINHA CIDADE JARAGUARI
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OZANA ANJOS SANTANA
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: TERRA DAS ÁGUAS NASCENTES Ozana Anjos Santana [Estrofe 1] Do capim e do córrego Jaraguá teu nome veio a brotar, Entre as cabeceiras, Jaraguá e Faia nasceu teu primeiro lar. Mineiros e goianos chegaram com fé e bravura, Trouxeram no peito a força, a coragem e a ternura. Jaraguari Velho e Bonfim, acenderam tua história, E o povo escreveu nas terras tua memória. [Estrofe 2] O café abriu caminhos e trouxe o progresso, Agricultura e pecuária con...
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TERRA DAS ÁGUAS NASCENTES
Ozana Anjos Santana
[Estrofe 1]
Do capim e do córrego Jaraguá teu nome veio a brotar,
Entre as cabeceiras, Jaraguá e Faia nasceu teu primeiro lar.
Mineiros e goianos chegaram com fé e bravura,
Trouxeram no peito a força, a coragem e a ternura.
Jaraguari Velho e Bonfim, acenderam tua história,
E o povo escreveu nas terras tua memória.
[Estrofe 2]
O café abriu caminhos e trouxe o progresso,
Agricultura e pecuária consolidaram o sucesso.
A soja desponta, símbolo de crescimento e labor,
Rodovias te ligam ao estado com vigor.
Mutável e forte, em teus campos e estradas,
Jaraguari avança, com trabalho e jornadas.
Refrão
Terra das águas nascentes, orgulho sem igual,
Beleza e história fazem de ti um ideal.
Jaraguari querida, Mato Grosso do Sul e Brasil,
Nosso lar, nossa vida, cidade gentil.
[Estrofe 3]
Acolhida de fauna e flora, chão de esplendor,
Cachoeiras e ipês coloridos encantam o amor.
A vida se renova na terra abençoada,
Teu solo é fértil, tua natureza é sagrada.
Serra e vale te moldam em eterno esplendor,
Jaraguari, cidade de fé e de louvor.
[Estrofe 4]
Furnas de Dionísio, quilombo de memória sagrada,
Herança afro-brasileira, história preservada.
A festa do vaqueiro, patrimônio cultural,
Celebra o povo, sua força e ideal.
O esporte une jovens com garra e emoção,
Diversidade e cultura em viva expressão,
Fortalecem a cidade e o espírito da nação.
Refrão
Terra das águas nascentes, orgulho sem igual,
Beleza e história fazem de ti um ideal.
Jaraguari querida, Mato Grosso do Sul e Brasil,
Nosso lar, nossa vida, cidade gentil.
[Estrofe 5]
Da mistura de povos, do Sudeste ao Norte a surgir,
Vieram mãos e sonhos para juntos construir.
Sulistas, nordestinos e nortistas com ardor,
Ergueram Jaraguari com trabalho e amor.
Fraternidade e esperança são nossa bandeira,
E a terra floresce na união verdadeira.
[Ponte]
Do campo e da cidade és nosso amor,
Progresso e tradição, juntos a caminhar.
Nos corações se acende tua luz e calor,
Cidade querida, símbolo de vida e de amor.
Do passado ao futuro, tua história reluz,
Jaraguari, esperança que sempre nos conduz.
Refrão
Terra das águas nascentes, orgulho sem igual,
Beleza e história fazem de ti um ideal.
Jaraguari querida, Mato Grosso do Sul e Brasil,
Nosso lar, nossa vida, cidade gentil.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|168|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>assim dizer perpendicular á attracçāo terrestre. Parece, portanto,
que os relevos do solo produzidos nʼestas duas condiçōes deveriam ter tomado differente fórma. E acontecia exactamente
o contrario. Era que a Lua tinha encontrado em si propria,
que nāo na acçāo da Terra, a causa da sua formaçāo e constituiçāo.
Nada devia por consequencia a forças estranhas, facto este
que vinha justificar a seguinte notavel asserçāo de Arago: «Para a producçāo do relevo lunar nāo contribuiu acçāo alguma
exterior á Lua.»
Fôsse como fôsse, aquelle mundo, no seu estado actual, era
a imagem da morte, sem que se podesse ao menos affirmar
que a vida o animára em outras épocas.
Miguel Ardan, todavia, julgou reconhecer uma certa agglomeraçāo de ruinas, para a qual solicitou a attençāo de Barbicane,
isto pouco mais ou menos no octogesimo parallelo e por trinta
graus de longitude. Aquella accumulaçāo de pedras, dispostas
com regularidade bastante, figurava uma fortaleza de vastas
dimensōes, dominando uma das compridas ranhuras que outrʼora faram leitos de rios dos tempos historicos. A pequena distancia erguia-se, a cinco mil seiscentos e quarenta e seis metros de altura, a montanha annular de Short, igual ao Caucaso
asiatico.
Miguel Ardan sustentava com o seu habitual calor a «evidencia» da sua imaginada fortaleza.
Mais abaixo, enxergava elle as muralhas desmanteladas de
uma cidade; aqui a abobada ainda intacta de um portico; alem
duas ou tres columnas jazendo ao pé dos proprios pedestaes;
mais alem, uma serie de areadas que deviam ter servido para
aguentar a canalisaçāo de algum aqueducto; nʼoutra parte, os
pilares arruinados de uma ponte gigantesea, que parecia ter
apoiado os encontros nas margens da ranhura. Tudo isto elle
distinguia, porém com tanta imaginaçāo no olhar, e através de
uma luneta tāo dada a phantasia, que nāo é mau pôr-se de cautela a respeito das observaçōes dʼelle. E no entretanto quem
poderia affirmar, quem ousaria dizer que o amavel moço nāo<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|169|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>tinha visto na realidade o que os dois companheiros não queriam ver?
Os momentos eram em demasia preciosos para se sacrificarem a tão ociosa discussão. E tambem a cidade selenita, real
ou imaginaria, desapparecera já no afastamento. A distancia do
projectil ao disco lunar tendia a augmentar, e os pormenores
do terreno começavam a sumir-se nʼum mixto confuso. Só os
relevos, circos, cratéras e planicies é que continuavam a resistir, recortando com precisão as suas linhas terminaes.
Nʼaquelle momento destacava-se para o lado esquerdo dos
observadores um dos mais bellos circos da orographia lunar,
uma das curiosidades dʼaquelle continente. Era Newton, como
Barbicane reconheceu sem difficuldade, consultando o ''Mappa''
''Selenographico''.
Newton está exactamente situado a 77° de latitude sul por
16º de longitude leste, e fórma uma cratéra annular cujas muralhas, de sete mil duzentos e sessenta e quatros metros de altura, pareciam impossiveis de transpor.
Fez Barbicane notar aos companheiros, que a altura dʼaquella montanha acima do nivel da planicie circumdante fazia grande differença para menos da profundidade da sua cratéra. Aquella cavidade enorme escapava a toda a medida e formava um
escuro abysmo a cujo fundo nunca podem chegar os raios do
Sol. É ali, como disse Humboldt, que reina a obscuridade ab-
soluta que a luz do Sol e da Terra não podem romper. Se os
mythologistas conhecessem aquella cratéra, com rasão podiam
fazer dʼella a boca do inferno.
— Newton, disse Barbicane, é o mais perfeito typo dʼessas
montanhas annulares de que não ha exemplo na Terra. Prova
a existencia dʼellas na Lua, que a formação dʼeste astro, por
via de resfriamento, é devida a causas violentas, porque só assim se comprehende que pela acção dos fogos interiores se projectassem os relevos a alturas consideraveis, emquanto o fundo
se abaixava e fugia muito para baixo do nivel lunar.
— Não digo que não, responden Miguel Ardan.
Alguns minutos depois de ter passado por cima de Newton,<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|170|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>dominava o projectil directamente a montanha annular de
Moret. Passou a bastante distancia das cumiadas de Blancanus, e por volta das sete e meia da noite alcançou o circo de
Clavius.
Este circo, que é um dos mais notaveis do disco, está situado a 58° de latitude sul por 15º de longitude leste. Avalia-se a
altura dʼelle em cento e noventa e um metros. Os viajantes, que
estavam a quatrocentos kilometros de distancia, reduzida pelas
lunetas a quatro, poderam admirar o conjuncto dʼaquella enorme cratéra.
— Os vulcōes terrestres, disse Barbicane, em comparaçāo com
os da Lua, sāo tocas de toupeiras. Medidas as antigas cratéras
formadas pelas primeiras erupçōes do Vesuvio e do Etna, acham-se-lhes apenas seis mil metros de diametro. O circo do Cantal,
em França, tem de largura dez kilometros; o circo da ilha em
Ceylāo sessenta kilometros, e é considerado como o maior do
mundo. E estes diametros valem alguma cousa ao pé do de
Clavius que agora estamos dominando?
— Que comprimento é entāo o dʼesse diametro? perguntou
Nicholl.
— É de duzentos e vinte kilometros, respondeu Barbicane.
Verdade é que este circo é o mais importante da Lua; muitos
outros ha, porém, que medem duzentos, cento e cincoenta e
cem kilometros.
— Ai, amigos, exclamou Miguel, imaginam porventura o que
devia ser esse pacifico astro das noites, quando essas cratéras, enchendo-se de trovōes, vomitavam todas a um tempo
torrentes de lavas, chuvas de pedras, nuvens de fumo e lençoes de chammas! Entāo, que espectaculo prodigioso; hoje,
que decadencia! Essa Lua que védes já nāo é mais que descarnada ossada de um fogo de artificio, cujas bombas, foguetes, spiraes e ramilhetes, depois de rebentarem com magnifico fulgor, nāo deixaram senāo tristes retalhos de cartāo.
Quem poderia dizer a causa, a rasāo, a justificaçāo de taes cataclysmos?
Barbicane nem o ouvia. Estava em contemplaçāo perante as<noinclude></noinclude>
06a4phlw56y1dcnjo26ctzz7xplmt5q
Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/659
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Erick Soares3
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|607|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>miseria de outros, para gozar, pela primeira vez depois que
as guardas foram franqueadas, do ar do campo.
{{dhr}}
Quando fomos a Beberibe a cada volta do caminho
soldados nos faziam parar para nos interrogarem; pilhas de
armas e cavallos sellados á porta de qualquer edificio de
mais vulto, demonstravam que postos militares haviam tomado o logar das diversões nas casas de campo, e explicavam a solidão dos caminhos. Agora a scena está mudada as estradas estão cheias de negros, moços e velhos,
nos seus trajes pittorescos ainda que simples, com cestas de
fructas, peixe e outras provisões na cabeça; pequenos carros
dos quaes dantes não viramos um só, começam a apparecer
e os bois magnificos que os puxam contrastam agradavelmente
com o gado da cidade meio morto de fome. A tarde era
fresca e o sol estava baixo bastante para dourar as frondes das
palmeiras e outras arvores altas que irrompiam, com as suas
sombras intensamento negras, ao azul purissimo, produzindo
um effeito que nem mesmo o pincel de paizagista de Ticiano attingio. O nosso passeio tinha por destino a casa de
de campo de Mr. Stewart, que supponho construida segundo
a mesma planta de todas as demais daqui, e que só posso
compararar a um bungalow oriental ; um só pavimento
commodamente dividido, cercado de alpendres e situado no
meio de pequeno parque, parte do qual consiste no jardim e
parte em pastagens, cercadas geralmente de limoeiros e roseiras, sombreadas de arvores fructiferas, eis a descripção geral das cazas de campo ou sitios proximos a Pernambuco,
nascendo as differenças, quando as ha, do gosto do proprietario e da natureza do terreno. A modicidade do aluguel
destes pittorescos pequenos jardins é surprehendente, e provêm em grande parte da indolencia e consequente pobreza
dos primitivos possuidores de lotes de terra ; enquanto
os seus negros e engenhos os mantinham, não ligavão o menor apreço ás parcellas da sua propriedade que situadas
perto da cidade, podiam ter sido sempre productivas.
{{dhr}}
Agora que o algodão e o assucar não têm mais tamanha procura, quasi metade das fazendas e engenhos estão arruinados, e tão indolente tornou-se o temperamente do povo que, em vez<noinclude>{{right|34}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|608|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>de procurar resgatar as suas propriedades, prefere alugar uma
parte dellas por uma pequena quantia.
Em caminho para o sitio paramos numa especie de taverna ou venda ; é semelhante á loja dum regatão inglez e contem
de tudo um pouco : fazendas e velas fructas, e toucinho, vinho
e pimenta, que são retalhados aos pobres sem luero exhorbitante ; a marca do vinho é realmente bôa, sendo do o Porto de excellente qualidade e sem a quantidade de aguardente que requer
o mercado inglez. Na occasião em que passamos de novo par
elle, de regresso á caza, mais de um negro estava ali dispendendo o seu ganho do dia e tornando-se tão feliz quanto o vinho
póde fazel-o, e mais de um viajante regalava-se comendo pão
com alho e sal, e preparava-se para estender a sua esteira afim
de deitar-se e passar a noite ao ar livre. Nos tropicos a noite é
sempre mais alegre e mais povoada do que entre nós ; o calor do
dia prende muita gente em caza, e a tarde e a noite são as horas
predilectas para passeios. Quando regressavamos pela Bôa
Vista possamos por muitos grupos gozando como nós da frescura do ambiente e contemplando indolentemente o reflexo das
cazas brancas e das arvores balouçantes nas aguas do rio, emquanto os pyrilampos, voando dum a outro arbusto, pareciam
fragmentos de estrellas caidas para adornar o luar.
''Sexta-feira, 12 de Outubro''. — Hoje é o anniversario do
Principo Real de Portugal ; ha audiencia em palacio. Os assistentes inclinam-se primeiro diante do governador e depois
perante o retrato do Principe collocado no meio da sala de
audiencia afim de receber as devidas honras ; em seguida teve
logar o beija-mão. Os fortes e navios salvaram, e nós naturalmente fizemos o mesmo ; o povo todo envergou as suas vestes
domingueiras e foi á missa como num dia santo. Um facto,
entretanto, contribuiu não pouco para o regosijo publico. As
tropas ultimamente chegadas da Bahia reembarcaram afim de
voltar ; o seu comportamento fora desregrado e durante os dez
dias que aqui permaneceram incorreram na aversão dos habitautes devido as suas embriaguez e arruaças, ao passo que a sua
disposição para se juntarem aos patriotas os tornou ao governador auxiliares suspeitos.
''Sabbado, 13 de Outubro''. — Despedi-me dos meus synpathicos amigos no palacio.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|609|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>Mme. do Rego deu-me varias amostras de amethysta, e a
pedra chamada ''minha nore'' (semelhante ao beryl) e tambem um
pedaço de minerio de ouro da provincia. Disse-me ella que
Luiz do Rego havia mandado para Portugal muitos bellos mineraes da capitania e tambem alguns fosseis ; descreven-me alguns ossos enormes, que podem ter pertencido ao mammuth ou
ao elephante, encontrados não longe do Recife ao cavarem um
pôço e, conforme pude comprehender, em solo semelhante ao
que observei, sob a areia, na ilha dos Coqueiro. <ref>A collina do Pão de Assucar, na serra de Prica, cerca de oito
leguas so N. E. da villa de Penedo, tem um lago na sua fralda occidental, em que foram achados alguns ossos enormes, e no lado norte ha uma
horrenda caverna.<br>{{gap}}''Chor. Brag.''</ref>.
{{dhr}}
Os negociante offereceram hoje um grande banquete ao
capitão e aos officiaes. O governador e outras pessoas de importancia da cidade compareceram a elle ; segundo me constou
foi um magnifico jantar, havendo em abundancia vinhos de
todas as qualidades e que nada podia exceder á urbanidade do
governador e de seus companheiros. Fique em caza de Mr.
Stewart ondea maioria dos convivas visitou-me depois do chá, e
então nos despedimos de Pernambuco, onde recebemos tantas
gentilezas e pelo menos gozamos a sensação de novidades. A
scena do nosso embarque foi bellissima. Os nossos amigos nos
acompanharam até o molhe ; os nossos botes amarrados junto
elle, com os marinheiros andando acima e abaixo preparando-se
para receber-nos, o porto e os navios duplicados pelo claro reflexo
nas aguas quietas, augmentavam e salientavam as scintillações
das vagas que arremettiam de encontro ao forte exterior e ao
pharol.
Por estes passamos dentro em pouco e alcançamos a fragata, onde mais uma vez tomei posse do meu camarote e pu-lo em
orden para a viagem.
Deixamos Pernambuco na firme persuação de que pelo menos esta parte do Brasil jamais se submetterá pacificamente a<noinclude>{{rule|align=left|5em}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|610|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>Portugal. Quando a energia e a conducta de Luiz do Rego não
conseguiu manter a capitania em obediencia, será em vão tentarem-no outros governadores, particularmente emquanto o estado
da metropole for tal que não lhe permitta lutar com ou em prol
das suas colonias, e emquanto considera-las apenas como partes
tributaveis dos seus estados, obrigados a sustenta-la na sua impotencia. <ref>Deixamos Pernambuco a 14 de Outubro de 1821. Antes de 18
de Novembro do mesmo anno, as Cortes de Lisboa chamaram Luiz do
Rego e as tropas europèas ; arrependeram-se de tel-as chamado, mandaram-lhe contra ordem e enviaram reforços.<br>{{gap}}Mas, por occasião da chegada destes, o capitão-general havia partido para a Europa a bordo dum navio francez, e a Junta, depois de
abastecer de viveres os navios com as tropas, prohibiu-lhes o desembarque e enviou-os para o Rio de Janeiro.</ref>
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Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano/11/O Assedio do Recife em 1821
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O Estigma {{capitular|ficheiro=Urupês (3ª Edição) Página 211 Imagem 0002.png}}UI um dia a Itaóca, levado pelas simples indicações do sujeito que me alugou a cavalgadura: — Não tem errada. E’ ir andando. Em caso de duvida, pegue a trilha dos carros, que vae certo. Assim fiz, e lá cheguei sem novidade. No dia da volta, porém, choveu á noite, como só chove por aquelles sertões, e na primeira encruzilhada parei desnorteado. O enxurro ap...
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<noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" /></noinclude>O Estigma
{{capitular|ficheiro=Urupês (3ª Edição) Página 211 Imagem 0002.png}}UI um dia a Itaóca, levado pelas simples indicações do sujeito que me alugou a cavalgadura: — Não tem errada. E’ ir andando. Em caso de duvida, pegue a trilha dos carros, que vae certo.
Assim fiz, e lá cheguei sem
novidade.
No dia da volta, porém, choveu á noite, como
só chove por aquelles sertões, e na primeira encruzilhada parei desnorteado. O enxurro apagara-me todos os sulcos da carraria. Ali fiquei um
pedaço, feito o asno de Buridan, á espera d’algum passante que me abrisse os olhos. Não appareceu viv’alma, e a minha impaciencia empurrou-me ao acaso por uma das pernas do X embaraçador. Caminhei cerca de hora na duvida, e
por fim a vista d’uma fazenda desconhecida deu-me a certeza do transvio. Resolvi portar. {{hífen|Abeiro-|Abeiro-me}}<noinclude></noinclude>
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Enciclopédia Brasileira de Alarico Silveira (1958)
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 206 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|me|Abeiro-me}} do portão e grito «ó de casa». Abre-m’o um
negro velho occupado em abanar feijão no terreiro.
— O patrãozinho é lá em cima, na casa grande.
Dirijo-me para lá, depois de entregue o cavallo, e subo pela escadaria de pedra fronteiriça
ao casarão senhorial. Um grupo de crianças brincava por ali, em torno d’uma fogueirinha de gravetos muito fumarenta.
— Fumaça para lá, santinha para cá.
Ao avistarem-me calaram-se, e fugiram, com excepção da mais taluda que permaneceu no mesmo lugar, esfregando os olhos vermelhos e lacrimosos do fumo.
— Papae está?
Estava e ia chamal-o, respondeu, esgueirando-se pela casa a dentro. As outras, com o dedinho
na bocca, vi-as a me espiarem da porta, onde logo assomou esbelta menina ahi entre 14 e 16 annos, d’avental azul, corada como quem esteve a lidar em forno.
— Faça o favor de entrar, — disse-me com linda voz, sorridente, de passo que seus olhos vivos
todo me examinavam d’alto a baixo, num relance, — sente-se, e espere um bocadinho.
Sentei-me, gozando o delicioso frescor da sala, e puxei conversa.
— A menina é filha do…
— Não, senhor, prima. Mas moro aqui des’que
me morreram os paes.
— Tão nova e já orphan!…
— De pae e mãe. Tinha seis annos quando os<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 207 {{--}}}}</noinclude>perdi na febre amarella de Campinas. O primo
trouxe-me de lá, e…
Aqui rangeu a porta e enquadrou-se nella o
dono da casa. Reconhecemo-nos incontinente, com
igual espanto.
— Bruno! berrou elle. Que milagre!
— E tu, Fausto, onde te vim desentocar, eu
que esperava ver surgir um matutão desconfiado!…
Abraços, explicações, perguntas atropeladas.
Fausto não cessava de admirar a coincidencia.
— Ha quantos annos não nos vemos? Dez pelo
menos…
— Desd’a opa da collação. Como passa o tempo…
— Pois, meu caro, prendo-te por ca. Já não
vaes sem conheceres o meu seio de Abrahão e
matar bem matadas as saudades.
Durante estas expansões a menina do avental
não arredou pé da sala, e eu, volta e meia, regalava meus olhos na linda creatura que ella era.
Fausto, percebendo-o, apresentou-m’a.
— Laurita, nossa prima.
— Já nos conhecemos, disse eu.
— D’onde? exclamou surpreso.
— D’aqui mesmo, e de ha cinco minutos.
— Sempre o mesmo farcista. Olha, Laura, vê
lá que nos tragam um café.
A menina ao retirar-se poz no andar esse requebro que o instincto aconselha ás moças na presença de um homem casadoiro.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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P
,
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"
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 208 {{--}}}}</noinclude>— Galantinha, hein? disse Fausto logo que se
fechou a porta.
— Linda! exclamei carregando com furia no i.
Que frescura! Que corado!
— O corado corre á conta do forno. Estão lá
todos a assar bolinhos de milho. Não conheces
minha mulher? Familia Leme, da Pedra Fria.
Casei -me logo depois de formado, e aqui vivo alternando seis mezes de roça com outros tantos de
capital.
— Excellente vida. E’ o sonho de toda a gente.
— Não me queixo, nem quero outra.
— Colheste, então, o pomo da felicidade?
Fausto não respondeu, e como o café entrasse
no momento a conversa mudou de rumo. Trouxe-o Laura, com bolinhos quentes.
— D. Laurita, estou adivinhando que este foi
enrolado pelas suas mãos, lamechei eu tomando
um delles.
— Qual? acudiu a menina, — esse que não tem marca de carretilha?
— Sim.
Ella desferiu a mais argentina das risadinhas.
— Justamente os que não tem marca são da
Lucrecia…
— Ora você, cascalhou Fausto, a confundir as artes da prima com as da preta!
— Os meus são estes, disse Laura, apontando os carretilhados.
Provei um, e:
— Realmente! exclamei, a differença é grande.
Novo ''pizzicato'' da menina.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 209 {{--}}}}</noinclude>— Pois a massa é a mesma, e tudo tempero da preta.
Fausto poz fim aos meus desasos convidando-me a sair.
– Estás muito chucro no galanteio. Vem d’ahi
ver a criação, que é o melhor.
Sahimos e corremos toda a fazenda, o chiqueirão dos canastrões, o cercado das aves de raça,
o tanque dos Pekins, as cabras Toggenburg, o
gado Jersey, a machina de café, todas essas coisas comuns a todas as fazendas e que, no entanto, examinamos sempre com tamanho prazer.
Fausto era um fazendeiro amador. Tudo ali
denunciava largo dispendio de dinheiro, sem a
preoccupação da renda proporcional; trazia-a no
pé de quem não necessita da propriedade para
viver.
Ao jantar apresentou-me sua mulher. Não condisse com o molde que tenho cá da boa mulher a
esposa do meu amigo. De feições duras, olhar
d’ave de rapina, nariz agudo, era positivamente
feia, e provavelmente má. Comprehendi o caso
do meu Fausto: casara rico: a fazenda viera-lhe ás
mãos por intermedio da esposa. O marido na presença della mudava de tom. De natural brincalhão, embezerrava-se n’uma sisudez que me desconcertou, e isto me disse que casaram os bens,
os corpos, mas não as almas. Tambem Laurita se
cohibia, e as creanças mostravam um odioso «bom
comportamento» de metter dó; pareciam pessoas
grandes. A mulher gelava-os a todos com o olhar
duro e máu de senhora absoluta.
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mezes perdidos!|25}}
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