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{{Discussão}}{{Página de Discussão}}
{{/topo}}<!--- Please add interwiki links ONLY at [[Wikisource:Esplanada/topo]] --->
{{TOC|font-size: 90%}}
== Manutenção ==
Pra quem puder fazer a manutenção, aqui tem alguns livros que precisam de uma galeria:
*[[Alma Cabocla]] ([[:commons:File:Alma Cabocla (1922).pdf|arquivo]])
*[[Constituição do Brasil de 1937]] ([https://imprensa2.in.gov.br/o/biblioteca-digital-internet-lf7_1-ce-theme/pdf/index.html?file=https://imprensa2.in.gov.br/documents/20127/0/Constitui%C3%A7%C3%A3o+dos+Estados+Unidos+do+Brasil+e+Leis+Constitucionais+ns.+1%2C2%2C3+e+4+--1940.pdf/d5900259-f500-fdc1-cf96-585eff50cc93 ed. 2], [https://imprensa2.in.gov.br/iw/pesquisa?p_p_id=com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_mvcPath=%2Fview_content.jsp&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_redirect=%2Fpesquisa%3Fq%3Dtitle%3A%2522constitui%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520%2522&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_assetEntryId=1318210&_com_liferay_portal_search_web_search_results_portlet_SearchResultsPortlet_INSTANCE_xHpQvTWgIGX0_type=content ed. 1])
*[[A Retirada da Laguna]] ([https://www.jstor.org/stable/community.38771372 1])
[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h45min de 16 de janeiro de 2026 (UTC)
:{{Ping|Junglk}} se quiser adicionar isso na sua lista de manutenção, fique à vontade! Sei que no Ws em inglês tem um bot pra esse tipo de coisa... :/ Aqui tá limitado: no celular não tenho como ajudar no proofreading por muito tempo, mas ainda volto pra trazer algo que encontrei hahaha [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 02h13min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::Eventualmente seria interessante adicionar o [[:en:User:SnowyCinema/QuickTranscribe|Quick transcribe]] aqui (quem sabe, se acelerando tudo de forma segura, daria pra atrair mais usuários e leitores...). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 02h18min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:::Olá Erick! Primeiramente obrigado pelos pedidos ;D, adicionei a galeria do Alma Cabocla, a obra A Retirada da Laguna já tem uma galeria ([[Galeria:A Retirada da Laguna.djvu]]) mas mesmo assim adicionei a edição da biblioteca do Oliveira Lima no Commons. Com relação das duas edições da constituição de 37 as adicionei como ficheiro pois não acredito estar em domínio público nos USA, iria adicionar a galeria mas reparei fazendo o pagelist que ambas estão incompletas (a primeira edição falta as páginas 10 e 11 e a segunda omite a Lei Constitucional N. 2.
:::{{br}}
:::Com relação a esse Quick Transcribe não tinha ouvido falar dele antes, ele é útil assim? Acha que é complicado importar pra cá? Vou dar uma pesquisada nele depois com calma. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 15h18min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::::{{Ping|Junglk}} A Constituição, enquanto texto legal, jamais teve proteção de copyright (nem na lei de 1916, na dos anos 70 ou na LDA). A edição da Imprensa Nacional ou do Departamento de Imprensa e Propaganda: como obras da União, entraram em domínio público [https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm#art662 15 anos após a publicação] (Código Civil de 1916), bem antes da data do URAA (mesma situação de [[Dois discursos]]). Portanto, ela está sim em domínio público tanto no Brasil quanto nos EUA e não existe impedimento de colocar no Commons. Da pra colocar todas as obras do DIP ou do Imprensa Nacional (até os anos 80) no Commons, pois o status como obra governamental vem antes do falecimento do autor.
::::Quanto ao QuickTranscribe, ele ainda é experimental, mas acho que ele pode ser útil, ainda mais se adaptar para as grafias da língua portuguesa.
::::[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h35min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Poxa preciso melhorar meus conhecimentos de domínio público haha, não sabia desses detalhes! Obrigado por informar, vou colocar no Commons, obrigado pelo aviso. Sobre o QuickTranscribe vi que o último commit do repo deles foi há 2 anos, você sabe se eles ainda estão ativos nessa ferramenta? Pelo GitHub não parece muito não, o que é uma pena. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 15h42min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::{{Ping|Junglk}} não há de quê! Eu meio que me exaltei um pouco, pois me interesso muito por esse assunto (até hoje não entendi pq removeram essa regra de 15 anos da lei de direitos autorais) e existem algumas brechas que aumentam o número de obras liberadas (como a falta de herdeiros). No momento eu tô "enchendo o saco" para o Google Books liberar o material do DIP, como a tradução inglesa da constituição de 1937. Mas até meus conhecimentos tem limites: não se se as traduções inglesa, espanhola e nheengatu que o STF fez da constituição (ou o relatório da explosão do VLS-1 em 2003) cairia na isenção do Art. 8 da LDA (leis e "outros atos oficiais" não teriam proteção).
::::::Acho que faz mais de um ano que falei com o criador do projeto. De toda forma, sei que aqui costumava ter um app (GiroBot?) que tinha o mesmo objetivo, mas caiu em desuso e ficou muito desatualizado. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h55min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::{{Ping|Junglk}} perguntei pro SnowyCinema no Ws em inglês e o projeto ainda é experimental -- e ele está dividindo o tempo com outros projetos, de forma que não teve muito avanço no último ano. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 17h55min de 18 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::Poxa, uma pena mesmo. Assim que o projeto voltar a ter mais frequentes atualizações ou se estabilizar podemos pensar em migrar para cá. Estava dando uma olhada ontem e parece ser bem útil mesmo, automatiza bastante partes do processo de transcrição. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 18h28min de 18 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::{{Ping|Junglk}} poisé! No mínimo ele poderia ajudar a agilizar obras mais "puxadas", que no geral envolveram listas e materiais bibliográficos, enquanto obras de prosa continuariam tendo uma transcrição mais humana.
:::::::::E acordei hoje com uma ótima notícia: o IAI finalmente começou a publicar as [https://resolver.iai.spk-berlin.de/IAI00007A9D00000000 traduções] das obras do Verne (século 19). Até o momento eles liberaram o Da Terra à Lua, A Roda da Lua (continuação) e Volta ao Mundo em 80 Dias. No final eles deverão liberar por volta de 80 exemplares, pelo o que indica o acervo local (não digital). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 12h11min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::Caramba que notícia incrível! Tu é demais cara, conseguir convencer eles de digitalizar tantas obras, vai ser muito legal mesmo para o nosso projeto. Você já quer que eu transfira lá para o Commons? Ou devemos esperar todos os livros? Pelo que vi, acho que adicionaram outro (Os inglezes no Polo Norte) então acho que eles já fizeram um boa parte da digitalização. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h20min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::{{Ping|Junglk}} obrigado! Eu fiz o pedido há várias semanas e, quando confirmaram que os livros eram antigos o suficiente, falaram que iam digitalizar -- mas demoraria pra liberar. Acho que o ideal é ir já mandando pro Commons, assim evita ficar muito cheio lá na frente (assim já dá pra arrumar o wikidata e relação de idiomas) -- eu só não coloco pq o mobile do Commons é mais pra imagem, e parece que só dá pra achar o PDF no iai pelo desktop. Talvez dê pra usar esses livros para atrair novos usuários, considerando a popularidade do Verne. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h53min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Adicionei lá no Commons as edições disponíveis (vê se não fiz alguma besteira, estão [[commons:Category:Books by Jules Verne translated into Portuguese|nessa]] categoria). Só ainda não mexi com o Wikidata, tem como tu dar uma olhada nessa parte? Se não der, me avisa o que preciso fazer pra ajudar! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 19h05min de 22 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::::{{Ping|Junglk}} Opa! Acabei de ver aqui e parece que está tudo certo (só achei meio redundante categorizar tanto na categoria principal quanto na subcategoria, mas tudo bem).
:::::::::::::Quando ao Wikidata: as coisas são facilitadas pela predefinição books. Você consegue ver que ao lado do título da caixa informativa tem alguns links. O último link é do Quickstatments, que importa a informação da caixa para o Wikidata (funciona melhor quando a obra é em inglês). No desktop (eles não adaptaram a interface pro mobile) é algo de poucos segundos e no fim só precisa de algumas correções (data, conexão com a obra original e vice-versa [assim já interliga a tradução e o original] e esse tipo de coisa). Também seria possível adicionar o "código" da fonte original, mas não achei o caminho do IAI. No fim, é só adicionar o código WD (Q***) na predefinição do Commons. Fiz isso no Volta ao Mundo, mas é algo só ágil mesmo no desktop. Caso também for adicionando a galeria, [https://ws-page-game.toolforge.org/ este app] agiliza bastante a listagem de páginas (acho mais intuitivo do que é usado localmente). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 21h22min de 25 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::::::Adicionei os PDFs nas subcategorias de [[:Commons:Category:Books by Jules Verne|Category:Books by Jules Verne]]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 21h35min de 25 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::::::{{Ping|Junglk}} só passando pra avisar: eles adicionaram mais algumas coisas desde então. Se tiver um app RSS, da pra acompanhar [https://digital.iai.spk-berlin.de/viewer/api/v1/records/rss/?query=%2B%28%28%2B%28MD_AUTHOR%3A%28jules+AND+verne%29%29%29%29 neste link]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h36min de 26 de janeiro de 2026 (UTC)
::::::::::::::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Sim, dei uma olhada hoje de manhã e vi que eles postaram mais! Já upei no Commons, só vou adicionar os templates e mexer no Wikidata desses novas e dos antigos seguindo seus conselhos. Obrigado pelo link RSS, será bem útil. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 16h43min de 26 de janeiro de 2026 (UTC)
:::::::::::::::::Entendido e não há de quê! Acho que logo dará pra montar algum tipo de anúncio pra comunidade lusófona: considerando a popularidade do Julio Verne, deve ser a melhor forma de atrair leitores e editores (Da Terra à Lua, 20 mil leguas, Volta ao Mundo e Viagem ao centro da Terra seriam os que tem mais chance de atrair interesse, com os demais ficando pro longo prazo - até deixei algumas sugestões lá no fórum do LibriVox). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 20h12min de 26 de janeiro de 2026 (UTC)
;Continuando
Opa, {{ping|Junglk}}, tudo bem?
Tô passando aqui pq a BBM da USP me respondeu com alguns livros que sugeri a digitalização ano passado:
*Os Miseráveis: [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8858 vol 1], [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8857 2] e [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8856 3].
*Mais Verne (edições alternativas): [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8860 Volta ao mundo] (8 ed); [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/8861 a estrela do sul] (edição brasileira).
Aquela fonte de antes já chegou ao fim do que eles tinham na coleção. Infelizmente faltam algumas coisas, mas já é a maior fonte de traduções do Verne que temos.
Em breve teremos mais links (acho que faltam outros dois volumes dos Miseráveis). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 20h14min de 6 de março de 2026 (UTC)
:Que massa, uma obra gigantesca do grande Hugo!
:Peço perdão pela ausência no projeto nesses últimos meses, ando bem enrolado com outras coisas/projetos (mas sempre entro aqui pra conferir como estão as coisas). Irei upar no Commons essas obras, muito obrigado pelo aviso! Qualquer coisa estou aqui! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 21h51min de 6 de março de 2026 (UTC)
::{{Ping|Junglk}} opa! No fim acabou levando mais do que esperei (eram só aqueles volumes dos Miseráveis mesmo -- fiquei com a impressão que eles iriam digitalizar a primeira edição portuguesa, que é a mais antiga, enquanto focaram na versão brasileira).
::Hoje a brasiliana liberou um punhado de [https://digital.bbm.usp.br/browse?type=author&value=Andrade%2C+Oswald+de%2C+1890-1954 livros] do Oswald de Andrade e nos últimos tempos até mais do [https://digital.bbm.usp.br/browse?type=author&value=Ramos%2C+Graciliano%2C+1892-1953 Graciliano Ramos]. Mais cedo consegui enviar o [[Galeria:Narizinho Arrebitado (1° ed.).pdf|Narizinho arrebitado]] (1921) pelo url2commons no celular -- esse é um dos livros que daria para agilizar rapidamente, e há tempos que estou atrás dessas "edições fundadoras" do Sítio (que possuem um valor imenso para pesquisadores - no caso, esse expande o [[A Menina do Narizinho Arrebitado]]). Em breve a Biblioteca do Senado deve digitalizar os livros do Henry Ford que o Lobato traduziu (infelizmente uma edição posterior a 1930, mas imagino que de para argumentar o uso no Commons pelo fato da primeira edição datar da década de 1920).
::Por curiosidade, encontrei esse [https://www.migalhas.com.br/quentes/314015/ha-90-anos--brasileiro-previu-o-surgimento-da-internet artigo especulativo] (imaginando a internet há mais de 90 anos) de autor falecido em 1928. Se tiver a fim, é daquele tipo que dá para transcrever em pouco tempo. Até! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 19h30min de 14 de abril de 2026 (UTC)
:::{{ping|Junglk}} estou passando pra avisar que agora estou com um notebook novo, e aos poucos voltarei a apoiar o projeto de forma mais profunda. Até! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 19h01min de 7 de maio de 2026 (UTC)
::::Fala @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]! Peço perdão pela minha ausência no projeto, vou tentar fazer algo pelo menos no final de semana. Adicionei a edição da revista "O Cruzeiro" na qual aquele artigo que você mencionou aparece ([[Galeria:O Cruzeiro (1928 - N001).pdf|fásciculo]]), vou começar a mexer nele assim que possível!
::::Fico feliz que tenha conseguido um note novo, é uma ótima notícia. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 23h18min de 8 de maio de 2026 (UTC)
:::::Opa! Tudo bem! Estou encaminhando o inicio de alguns projetos (como o gigantesco Julio Verne e [[Os Miseráveis]]), enquanto fico na espera de outros livros (a Brasiliana da USP deve liberar ainda mais com o tempo). Notado! Muito obrigado! Estou me acostumando com o novo teclado, e me alegro em voltar a ficar ativo por aqui! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 23h40min de 8 de maio de 2026 (UTC)
== Boletim Bibliografico da Biblioteca Nacional ==
O Boletim Bibliografico da Biblioteca Nacional pode ser tanto um projeto interessante de transcrição (principalmente se for possível automatizar a maior parte do processo) quanto fonte de obras e autores para o Wikisource:
*[http://memoria.bn.gov.br/DocReader/001260/1 1918-1921]
*[http://memoria.bn.gov.br/docreader/430870/1 1938-1982]
Imagino que os exemplares entrem como "PD-Brazil-Gov" (ou equivalente) no Commons.
[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h47min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
:As edições 1918-1921 é possível colocar no commons com o template PD-Brazil-Gov mesmo, entretanto as outras acredito que somente como Ficheiro aqui no pt.wikisource, pois apesar de estar em domínio público no Brasil precisa estar em domínio público lá também. Admito que esse é bem mais trabalhoso pois infelizmente a BN não disponibilizou os PDF então é necessário baixar imagem por imagem... Vou tentar aos poucos fazer os de 1918-1921. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 15h27min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
::Tudo dá pra adicionar como PD-Brasil-Gov, já que 1983 é a última data aceita (caindo em domínio público em 1/1/1998, antes da vigência da LDA atual). Mas para PD-1996, a última data é 1981. De 1916 até 1983 tudo produzido pela união, com excessão de leis e obras do tipo (que não tinha proteção) caia em domínio público após 15 anos da publicação. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h44min de 17 de janeiro de 2026 (UTC)
{{Discussão2|Escreva aqui o nome do tópico}}
== Electro information ==
Bom Aprendizado [[Especial:Contribuições/~2026-21619-32|~2026-21619-32]] ([[Utilizador Discussão:~2026-21619-32|discussão]]) 11h01min de 8 de abril de 2026 (UTC)
{{Discussão2|Tratado de Tordesilhas}}
{{Discussão2|Páginas de autor}}
{{Discussão2|Nova candidatura a administradora}}
{{Discussão2|Validação de Como se deve escrever a história do Brasil, de Carl von Martius}}
== <span lang="en" dir="ltr">Migration to Parsoid</span> ==
<div lang="en" dir="ltr">
<section begin="announcement-content" />
<em>[[m:Special:MyLanguage/Wikimedia Foundation/Product and Technology/Parsoid Read Views/Read View Announcement|Read this in another language]]</em>
Hello everyone! I am glad to inform you that as the next step in the [[mw:Special:MyLanguage/Parsoid/Parser Unification|Parser Unification]] project, Parsoid will soon be turned on as the default article renderer on your wiki. We are gradually increasing the number of wikis using Parsoid, with the intention of making it the default wikitext parser for MediaWiki's next long-term support release. This will make our wikis more reliable and consistent for editors, readers, and tools to use, as well as making the development of future wikitext features easier.
If this disrupts your workflow, don’t worry! You can still opt out through a user preference or turn Parsoid off on the current page using the Tools submenu, as described in the [[mw:Special:MyLanguage/Help:Extension:ParserMigration|Extension:ParserMigration]] documentation.
There is [[mw:Special:MyLanguage/Parsoid/Parser Unification/Confidence Framework|more information about our roll-out strategy]] available, including the testing done before we turn on Parsoid for a new wiki.
To report bugs and issues, please look at our [[mw:Special:MyLanguage/Parsoid/Parser Unification/Known Issues|known issues]] documentation and if you found a new bug please create a phab ticket and tag the [[phab:project/view/5846|Content Transform Team in Phabricator]].
<section end="announcement-content" />
</div>
[[mw:User:MSantos (WMF)|Content Transform Team]] 16h31min de 3 de agosto de 2026 (UTC)
<!-- Mensagem enviada por User:MSantos (WMF)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=Distribution_list/Global_message_delivery/Wikisource&oldid=28221043 -->
{{Discussão2|Conflito de módulos}}
== Pedido de verificação de site - Palácio do Planalto ==
Olá.
Gostaria de solicitar que a página do [https://www.gov.br/planalto/pt-br Palácio do Planalto] seja inclusa na lista de [[Wikisource:Sítios com conteúdos livres|sites avaliados]], já que o mesmo é usado para disponibilizar leis de maneira muito mais simples do que pelo Diário Oficial da União. [[Utilizador:Notsonotoriousbig|Notsonotoriousbig]] ([[Utilizador Discussão:Notsonotoriousbig|discussão]]) 21h25min de 19 de agosto de 2026 (UTC)
{{Discussão2|Conferência de Utilizadores com Direitos Estendidos 2026 - candidaturas abertas}}
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Albertoleoncio
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* [[Quincas Borba/Prólogo da 3ª edição|Prólogo da 3ª edição]]
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— Mas que peccado é este que me persegue? pensava
elle andando. Ella é casada, dá-se bem com o
marido, o marido é meu amigo, tem-me confiança,
como ninguem... Que tentações são estas?
Parava, e as tentações paravam tambem. Elle, um
Santo Antão leigo, differençava-se do anachoreta
em amar as suggestões do diabo, uma vez que teimassem
muito. D'ahi a alternação dos monologos:
— E' tão bonita e parece querer-me tanto!
Se aquillo não é gostar, não sei o que seja gostar.
Aperta-me a mão com tanto agrado, com tanto
calor... Não posso affastar-me; ainda que elles me
deixem, eu é que não resisto.
Quincas Borba sentiu-lhe os passos, e começou a
latir. Rubião deu-se pressa em soltal-o; era soltarse
a si mesmo por alguus instantes daquella perseguição.
— Quincas Borba! exclamon, abrindo-lhe a porta.
O cão atirou-se fóra. Que alegria! que enthusiasmo! que saltos em volta do amo! chega a lamber-lhe
a mão de contente, mas Rubião dá-lhe um
tabefe, que lhe doe; elle recua um pouco, triste,<noinclude>{{d|4}}</noinclude>
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— Mas que peccado é este que me persegue? pensava
elle andando. Ella é casada, dá-se bem com o
marido, o marido é meu amigo, tem-me confiança,
como ninguem... Que tentações são estas?
Parava, e as tentações paravam tambem. Elle, um
Santo Antão leigo, differençava-se do anachoreta
em amar as suggestões do diabo, uma vez que teimassem
muito. D'ahi a alternação dos monologos:
— E' tão bonita e parece querer-me tanto!
Se aquillo não é gostar, não sei o que seja gostar.
Aperta-me a mão com tanto agrado, com tanto
calor... Não posso affastar-me; ainda que elles me
deixem, eu é que não resisto.
Quincas Borba sentiu-lhe os passos, e começou a
latir. Rubião deu-se pressa em soltal-o; era soltarse
a si mesmo por alguus instantes daquella perseguição.
— Quincas Borba! exclamou, abrindo-lhe a porta. O cão atirou-se fóra. Que alegria! que enthusiasmo! que saltos em volta do amo! chega a lamber-lhe a mão de contente, mas Rubião dá-lhe um tabefe, que lhe doe; elle recua um pouco, triste,<noinclude>{{d|4}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{cabeçalho|50|QUINCAS BORBA|borda_inferior=1}}</noinclude>com a cauda entre as pernas; depois o senhor dá um
estalinho com os dedos, e eil-o que volta novamente
com a mesma alegria.
— Socega! socega!
Quincas Borba vae atraz delle pelo jardim fóra,
contorna a casa, ora andando, ora aos saltos. Saboreia
a liberdade, mas não perde o amo de vista.
Aqui fareja, alli pára a coçar uma orelha, acolá
cata uma pulga na barriga, mas de um salto galga
o espaço e o tempo perdido, e cose-se outra vez
com os calcanhares do senhor. Parece-lhe que Rubião
não pensa em outra cousa, que anda agora
de um lado para outro unicamente para fazel-o
andar tambem, e recuperar o tempo em que
esteve retido. Quando Rubião estaca, elle olha para
cima, á espera; naturalmente, cuida delle; é alguna
ideia, algum projecto, sairem juntos, ou
cousa assim agradavel. Não lhe lembra nunca a
possibilidade de um pontapé ou de um tabefe.
Tem o sentimento da confiança, e muito curta a memoria
das pancadas. Ao contrario, os affagos ficam-lhe
impressos e fixos, por mais distrahidos que sejam.
Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é.
A vida alli não é completamente boa nem completamente
má. Ha um moleque que o lava todos<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{cabeçalho||QUINCAS BORBA|51|borda_inferior=1}}</noinclude>os dias em agua fria, usança do diabo, a que elle se
não acostuma. Jean, o cosinheiro, gosta do cão,
o criado hespanhol não gosta nada. Rubião passa
muitas horas fóra de casa, mas não o trata mal, e
consente que vá acima, que assista ao almoço e ao
jantar, que o acompanhe á sala ou ao gabinete.
Brinca ás vezes com elle; fal-o pular. Se chegam
visitas de alguma ceremonia, manda-o levar para
dentro ou para baixo, e, resistindo elle sempre, o
hespanhol toma-o a principio com muita delicadeza,
nas vinga-se d'ahi a pouco, arrastando-o por uma
orelha ou por uma perna, atira-o ao longe, e fechalhes
todas as communicações com a casa:
— ''Perro del infierno!''
Machucado, separado do amigo, Quincas Borba
vae então deitar-se a um canto, e fica alli muito
tempo, calado; agita-se um pouco, até que acha
posição definitiva, e cerra os olhos.. Não dorme,
recolhe as idéas, combina, relembra; a figura vaga
do finado amigo passa-lhe ao longe, muito ao longe,
aos pedaços, depois mistura-se á do amigo actual, e
parecem ambas uma só pessoa; depois outras
ideias...
Mas já são muitas ideias, — são ideias demais;
em todo caso são ideias de cachorro, poeira de ideias,<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{cabeçalho|52|QUINCAS BORBA|borda_inferior=1}}</noinclude>— menos ainda que poeira, explicará o leitor. Mas
a verdade é que este olho que se abre de quando em
quando para fixar o espaço, tão expressivamente,
parece traduzir alguma cousa, que brilha lá dentro,
lá muito ao fundo de outra cousa que não sei
como diga, para exprimir uma parte canina, que
não é a cauda nem as orelhas. Pobre lingua humana!
Afinal adormece. Então as imagens da vida brincam
nelle, em sonho, vagas, recentes, farrapo d'aqui
remendo d'alli. Quando accorda, esqueceu o mal;
tem em si uma expressão, que não digo seja melancolia,
para não aggravar o leitor. Diz-se de uma paizagem
que é melancolica, mas não se diz egual cousa
de um cão. A razão não pode ser outra senão que a
melancolia da paizagem está em nós mesmos, emquanto que attribuil-a ao cão é deixal-a fóra de nós.
Seja o que fôr, é alguma cousa que não a alegria de
ha pouco; mas venha um assobio do cosinheiro, ou
um gesto do senhor, e lá vae tudo embora, os olhos
brilham, o prazer arregaça-lhe o focinho, e as pernas
voam que parecem azas.<noinclude><references/></noinclude>
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Página:Machado de Assis - Critica.djvu/68
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|''O «PRIMO BAZILIO»''}}
Um dos bons e vivazes talentos da atual geração portugueza, o Sr. {{a|Eça de Queiroz}}, acaba de publicar o seu segundo romance, o [[O Primo Basílio|''Primo Bazilio'']]. O primeiro, ''[[O Crime do Padre Amaro]]'', não foi de certo a sua estréa literaria. De ambos os lados do Atlantico, apreciavamos ha muito o estilo vigoroso e brilhante do colaborador do Sr. {{a|Ramalho Ortigão}}, n'aquellas agudas [[As Farpas|''Farpas'']], em que aliáz os dois notaveis escritores formaram um só. Foi a estréa no romance, e tão ruidosa estréa, que a critica e o publico, de mãos dadas, puzeram desde logo o nome do autor na primeira galeria dos contemporaneos. Estava obrigado a proseguir na carreira encetada; digamos melhor a colher a palma do triunfo. Que é, e completo, e incontestavel.
Mas esse triunfo é sómente devido ao trabalho real do autor? ''O Crime do Padre Amaro''<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|'''O «PRIMO BAZILIO»'''}}
Um dos bons e vivazes talentos da atual geração portugueza, o Sr. {{a|Eça de Queirós|Eça de Queiroz}}, acaba de publicar o seu segundo romance, o [[O Primo Basílio|''Primo Bazilio'']]. O primeiro, ''[[O Crime do Padre Amaro]]'', não foi de certo a sua estréa literaria. De ambos os lados do Atlantico, apreciavamos ha muito o estilo vigoroso e brilhante do colaborador do Sr. {{a|Ramalho Ortigão}}, n'aquellas agudas [[As Farpas|''Farpas'']], em que aliáz os dois notaveis escritores formaram um só. Foi a estréa no romance, e tão ruidosa estréa, que a critica e o publico, de mãos dadas, puzeram desde logo o nome do autor na primeira galeria dos contemporaneos. Estava obrigado a proseguir na carreira encetada; digamos melhor a colher a palma do triunfo. Que é, e completo, e incontestavel.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|102|'''AN'''|}}</noinclude><section begin="Antonio de Almeida Oliveira"/>'''Antonio de Almeida Oliveira —''' Natural da provincia do Maranhão e nascido em 1843, fez o curso de sciencias sociaes e juridicas, formando-se em 1866; exerceu, bem que por muito pouco tempo, o cargo de promotor publico da comarca de Guimarães em sua provincia, e tornando á capital, deu-se á advogacia.
Todo devotado á magna questão dos povos cultos, a instrucção publica, creou com os doutores João Antonio Coqueiro e M. Mendes Pereira uma escola nocturna para adultos com o titulo de ''Onze de agosto'', onde fez muitas conferencias sobre instrucção publica e outros assumptos que se prendem ao progresso material e moral de sua provincia; e fundou em S. Luiz do Maranhão com o doutor A. Ennes de Souza uma bibliotheca popular, inaugurada com mais de dous mil volumes, e hoje com perto de cinco mil, que foi até pouco tempo por elle sustentada.
Mudando-se para a côrte em fins de 1868 por ser affectado de beri-beri mais de uma vez, e aqui abrindo consultorio de advogado, foi no anno seguinte nomeado presidente da provincia de Santa Catharina.
O doutor Almeida Oliveira foi eleito presidente honorario da sociedade União juvenil, composta de estudantes, em attenção a seus serviços prestados á instrucção publica, e como tal presidiu a sessão solemne de 6 de julho de 1877, proferindo um discurso apropriado ao acto. E o governo imperial por este mesmo motivo lhe conferiu o officialato da Roza.
Escreveu:
— ''Diversas conferencias'' que proferiu na escola nocturna para adultos « Onze de agosto » — das quaes foram impressas tres que são as seguintes:
— ''A necessidade da instrucção'', dedicada á Associação dos artistas. Maranhão, 1871.
— ''A instrucção e a ignorancia''. Maranhão, 1871.
— ''A sociabilidade e o principio de associação''. Maranhão, 1871.
— ''O ensino publico:'' obra destinada a mostrar o estado em que se acha e as reformas que exige a instrucção publica no Brazil. Maranhão, 1874, 476 pags. in- 4º com 6 mappas — E’ talvez a melhor obra que sobre o assumpto se tem escripto no Brazil, e da qual muito se occupou a imprensa do dia, especialmente a ''Idèa'' do Rio de Janeiro, e o ''Diario da Bahia''. Aquella deu de todo livro um resume precedido de palavras muito lisongeiras para o auctor. Este conferiu-lhe os fóros de publicista n’um extenso artigo.
— ''Discurso sobre a educação do sexo feminino'', pronunciado no acto da installação da bibliotheca popular — Foi impresso n’um folheto com outro do doutor Antonio Ennes de Souza.
— ''O Democrata'' (jornal que fundou e redigiu) Maranhão, 1877 — Antes deste, em 1876, collaborou ou fez parte da redacção do periodico ''Liberal''.
— ''O arado:'' carta aos lavradores maranhenses. Maranhão, 1878 — Neste opusculo, que tem 68 paginas, e que o autor fez distribuir gratuitamente entre os lavradores de sua provincia, chama elle sua attenção para as<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||'''AN'''|103}}</noinclude>vantagens da cultura intensiva, ahi pouco usada então, e hoje em via de realisar-se.
— ''Acção decennial no fôro commercial e civil''. Santa Catharina, 1879 — E’ uma monographia de 160 paginas, que o autor escrevera no Rio de Janeiro, e que foi muito apreciada na revista de jurisprudencia o ''Direito''. Diz esta revista que o doutor Almeida Oliveira desenvolveu a materia sob todos os pontos de vista em que ella podia ser estudada. Esta obra é dividida em duas partes. Na 1ª define o autor a acção, e considera sua indole, fins e requisitos; na 2ª estuda o processo e fôro da acção. Della fez o autor segunda edição, correcta e augmentada em 1883.
— ''Falla com que abriu a sessão extraordinaria da assembléa legislativa provincial'' de Santa Catharina em 2 de janeiro de 1880. Cidade do Desterro, 1880.
— ''Relatorio com que ao excellentissimo senhor coronel Manuel Pinto de Lemos'', primeiro vice—presidente, ''passou a administração da provincia de Santa Catharina'' em 20 de maio de 1880. Desterro, 1880.<section end="Antonio de Almeida Oliveira"/>
<section begin="Antonio Alvares Guedes Vaz"/>'''Antonio Alvares Guedes Vaz —''' Natural de Portugal, por motivos politicos emigrou para o Brazil, que adoptou por patria.
Presbytero do habito de S. Pedro, foi coadjuctor da freguezia da Candelaria, dirigia em 1868 um collegio de educação para o sexo masculino no Rio de Janeiro; e instituiu nesta cidade uma publicação, associando-se, quanto á redacção, com Salvador de Mendonça e Victor Dias, da qual publicação sahiu apenas o primeiro volume, com o titulo de
— ''Apontamentos biographicos para a historia das campanhas de Uruguay e do Paraguay desde 1864''. Rio de Janeiro, 1876. No ''Jornal do Commercio'' de 7 de setembro de 1876, se lê esta declaração: « Sendo-me attribuida exclusivamente a paternidade desta obra, julgo de meu imprescindivel dever declarar o seguinte: A idéa é minha, e unicamente meus foram os dispendios para a publicação. Pondo, porém, isto de parte, somos tres os autores: os senhores Salvador de Mendonça, Victor Dias e eu. »
Referem-se estes apontamentos a dom Pedro II, imperador do Brazil, suas altezas os dous principes e a diversos vultos notaveis nas duas campanhas.<section end="Antonio Alvares Guedes Vaz"/>
<section begin="Antonio Alvares Pereira Coruja"/>'''Antonio Alvares Pereira Coruja —''' Natural da provincia do Rio Grande do Sul, nasceu em Porto-Alegre a 31 de agosto de 1806, sendo seu pae Antonio Alvares Pereira Coruja, que ahi se casara com uma senhora rio-grandense, descendente dos antigos casaes açorianos que vieram povoar a primitiva capitania.
Destinava-se a ir matricular-se na universidade de Coimbra, depois de estudar as diversas aulas de humanidades; mas não o podendo fazer por circumstancias particulares, dedicou-se em sua provincia ao magisterio, leccionando a principio grammatica portugueza, e depois philosophia<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|104|'''AN'''|}}</noinclude>racional e moral, tudo por nomeação do governo. Sendo porém deputado á assembléa provincial, e compromettendo-se nos movimentos politicos de 1836, pelos quaes teve de soffrer trabalhos e perseguições que o desgostaram, resolveu mudar sua residencia para o Rio de Janeiro em 1837, e aqui estabeleceu um collegio de educação secundaria para o sexo masculino com o titulo de lyceu de Minerva, exercendo sempre o magisterio.
Ao cabo de uns quinze annos de direcção deste collegio, e de quasi outros tantos annos mais de magisterio publico, já cansado, passou a outro os encargos que sobre si pesavam, para dedicar-se a seus estudos de gabinete, e ao commercio.
E’ official da ordem da Roza, cavalleiro da de Christo, membro effectivo do supremo conselho do grande oriente do Brazil, presidente e director honorario das aulas do asylo das orphãs da sociedade amante da instrucção, socio do instituto historico e geographico brazileiro, no qual serviu muitos annos o cargo de thesoureiro, e socio da sociedade beneficente e humanitaria rio-grandense, de que foi presidente effectivo quatro annos, passando depois a ser presidente honorario.
Escreveu diversos artigos e correspondencias no ''Porto-alegrense'' em 1847, no ''Argos'' de 1840 a 1850, e no ''Mercantil'', todos estes jornaes de sua provincia, de 1850 a 1858; assim como:
— ''Compendio da grammatica da lingua nacional'', dedicado á mocidade rio-grandense. Porto-Alegre, 1835, in-8º — Foi muito seguido nas escolas da provincia, e nas da côrte, e tem tido diversas edições correctas e ampliadas, havendo uma de 1849, outra de 1862, e outra de 1872, feitas no Rio de Janeiro.
— ''Manual dos estudantes de latim'', dedicado á mocidade brazileira. Rio de Janeiro, 1838, in-8º — Foi depois adoptado no collegio de Pedro II. Idem, sendo augmentado com um appendice de preteritos e supinos.
— ''Compendio de ortographia da lingua nacional'', dedicado a sua magestade o senhor dom Pedro II. Rio de Janeiro, 1848, 268 pags. in-8.º — Traz o retrato do autor e um vocabulario exemplificativo, segundo o systema do padre Madureira Feijó. Idem, sendo uma das edições de 1874.
— ''Manual de ortographia da lingua nacional''. Rio de Janeiro, 1852 in-8° — E’ a mesma obra acima, porém resumida ás suas principaes regras. Idem, sendo a segunda edição de 1861, 47 pags. in-8°, e a terceira de 1866.
— ''Arithmetica para meninos'', contendo unicamente o que é necessario e se póde ensinar nas aulas de primeiras lettras. Rio de Janeiro, 1850, in-8° — Idem, sendo a segunda edição de 1861, 52 pags. in-8º.
— ''Compendio da grammatica latina'' do padre Antonio Pereira de Figueiredo com additamentos e notas. Rio de Janeiro, 1852, in-8º — Segunda edição, 1861, 111 pags. in-8º.
— ''Lições de historia do Brazil'', adaptadas á leitura das escolas. Rio de Janeiro, 1855, 310 pags. in-8° — Traz no fim a constituição politica<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{rh||''O Cortiço''|53|borda_inferior=1}}</noinclude>por esse divertimento; ajuntava dinheiro durante o anno para gastar todo com a mascarada. E ninguem o encontrava, domingo ou dia de semana, lavando ou descansando, que não estivesse com a sua calça branca engommada, a sua camisa limpa, um lenço ao pescoço, e, amarrado á cinta, um avental que lhe cahia sobre as pernas como uma saia. Não fumava, não bebia espiritos e trazia sempre as mãos geladas e humidas.
Naquella manhã levantára-se ainda um pouco mais languido que de costume, porque passára mal a noite. A velha, Isabel, que lhe ficava ao lado esquerdo, ouvindo-o suspirar com insistencia, perguntou-lhe o que tinha.
Ah! muita molleza de corpo e uma pontada no vazio que o não deixava!
A velha receitou diversos remedios, e ficaram os dois, no meio de toda aquella vida, a fallar tristemente sobre molestias.
E, emquanto, ro resto da fileira, a Machona, a Augusta, a Leocadia, a Bruxa, a Marciana e sua filha, conversavam de tina a tina, berrando e quasi sem se ouvirem, a voz um tanto cansada já pelo serviço, defronte dellas, separado pelos giráos, formava-se um novo renque de lavadeiras, que acudiam de fóra, carregadas de trouxas, e iam ruidosamente tomando logar ao lado umas das outras, entre uma agitação sem tregoas, onde se não distinguia o que era galhofa e o que era briga. Uma a uma occupavam-se todas as tinas. E de todos os casulos do cortiço sahiam homens para as suas obrigações. Por uma porta que havia ao fundo da estalagem desappareciam os trabalhadores da pedreira,<noinclude>
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{{c|'''As curiosidades de Capitú'''}}
{{dhr}}</noinclude>Capitú preferia tudo ao seminario. Em vez de
ficar abatida com a ameaça da larga separação, se
vingasse a ideia da Europa, mostrou-se satisfeita.
E quando eu lhe contei o meu sonho imperial:
— Não, Benlinho, deixemos o imperador socegado,
replicou ; fiquemos por ora com a promessa
de José Dias. Quando é que elle disse que falaria a
sua mãe?
— Não marcou dia; prometteu que ia ver, que
falaria logo que pudesse, e que me pegasse com
Deus.
Capitú quiz que lhe repetisse as respostas todas
do aggregado, as alterações do gesto e até a pirueta,
que apenas lhe contára. Pedia o som das palavras.
Era minuciosa e attenta; a narração e o dialogo,
tudo parecia remoer comsigo. Tambem se póde
dizer que conferia, rotulava e pregava na memoria<noinclude></noinclude>
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ficar abatida com a ameaça da larga separação, se
vingasse a ideia da Europa, mostrou-se satisfeita.
E quando eu lhe contei o meu sonho imperial:
— Não, Benlinho, deixemos o imperador socegado,
replicou; fiquemos por ora com a promessa
de José Dias. Quando é que elle disse que falaria a
sua mãe?
— Não marcou dia; prometteu que ia ver, que
falaria logo que pudesse, e que me pegasse com
Deus.
Capitú quiz que lhe repetisse as respostas todas
do aggregado, as alterações do gesto e até a pirueta,
que apenas lhe contára. Pedia o som das palavras.
Era minuciosa e attenta; a narração e o dialogo,
tudo parecia remoer comsigo. Tambem se póde
dizer que conferia, rotulava e pregava na memoria<noinclude></noinclude>
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Capitú preferia tudo ao seminario. Em vez de
ficar abatida com a ameaça da larga separação, se
vingasse a ideia da Europa, mostrou-se satisfeita.
E quando eu lhe contei o meu sonho imperial:
— Não, Benlinho, deixemos o imperador socegado,
replicou; fiquemos por ora com a promessa
de José Dias. Quando é que elle disse que falaria a
sua mãe?
— Não marcou dia; prometteu que ia ver, que
falaria logo que pudesse, e que me pegasse com
Deus.
Capitú quiz que lhe repetisse as respostas todas
do aggregado, as alterações do gesto e até a pirueta,
que apenas lhe contára. Pedia o som das palavras.
Era minuciosa e attenta; a narração e o dialogo,
tudo parecia remoer comsigo. Tambem se póde
dizer que conferia, rotulava e pregava na memoria<noinclude></noinclude>
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Capitú preferia tudo ao seminario. Em vez de
ficar abatida com a ameaça da larga separação, se
vingasse a ideia da Europa, mostrou-se satisfeita.
E quando eu lhe contei o meu sonho imperial:
— Não, Benlinho, deixemos o imperador socegado,
replicou; fiquemos por ora com a promessa
de José Dias. Quando é que elle disse que falaria a
sua mãe?
— Não marcou dia; prometteu que ia ver, que
falaria logo que pudesse, e que me pegasse com
Deus.
Capitú quiz que lhe repetisse as respostas todas
do aggregado, as alterações do gesto e até a pirueta,
que apenas lhe contára. Pedia o som das palavras.
Era minuciosa e attenta; a narração e o dialogo,
tudo parecia remoer comsigo. Tambem se póde
dizer que conferia, rotulava e pregava na memoria<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|92|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>a minha exposição. Esta imagem é por ventura
melhor que a outra, mas a optima dellas é nenhuma.
Capitú era Capitú, isto é, uma creatura mui particular,
mais mulher do que eu era homem. Se ainda
o não disse, ahi fica. Se disse, fica tambem. Ha conceitos
que se devem incutir na alma do leitor, á
força de repetição.
Era tambem mais curiosa. As curiosidades de
Capitú dão para um capitulo. Eram de varia especie,
explicaveis e inexplicaveis, assim uteis como inuteis,
umas graves, outras frivolas; gostava de saber
tudo. No collegio onde, desde os sete annos, apprendera
a ler, escrever e contar, francez, doutrina e
obras de agulha, não apprendeu, por exemplo, a
fazer renda ; por isso mesmo, quiz que prima Justiina
lh'o ensinasse. Se não estudou latim com o
padre Cabral foi porque o padre, depois de lh'o propôr
gracejando, acabou dizendo que latim não era
lingua de meninas. Capitú confessou-me um dia que
esta razão accendeu nella o desejo de o saber. Em
compensação, quiz apprender inglez com um velho
professor amigo do pae e parceiro deste ao sólo,
mas não foi adeante. Tio Cosme ensinou-lhe gamão.
— Anda apanhar um capotinho, Capitú, dizia-lhe
elle.
Capitú obedecia e jogava com facilidade, com
attenção, não sei se diga com amor. Um dia fui
achal-a desenhando a lapís um retrato; dava os
ultimos rasgos, e pediu-me que esperasse para ver
se estava parecido. Era o de meu pae, copiado da
tela que minha mãe tinha na sala e que ainda agora<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh||{{sc|dom casmurro}}|93}}</noinclude>está commigo. Perfeição não era; ao contrario, os
olhos sairam esbogalhados, e os cabellos eram
pequenos circulos uns sobre outros. Mas, não tendo
ella rudimento algum de arte, e havendo feito
aquillo de memoria em poucos minutos, achei que
era obra de muito merecimento; descontai-me a
edade e a sympathia. Ainda assim, estou que apprenderia
facilmente pintura, como apprendeu musica
mais tarde. Já então namorava o piano da
nossa casa, velho traste inutil, apenas de estimação.
Lia os nossos romances, folheava os nossos
livros de gravuras, querendo saber das ruinas, das
pessoas, das campanhas, o nome, a historia, o
logar. José Dias dava-lhe essas noticias com certo
orgulho de erudito. A erudição deste não avultava
muito mais que a sua homoepathia de Cantagallo.
Um dia, Capitú quiz saber o que eram as figuras
da sala de visitas. O aggregado disse-lh'o summariamente,
demorando-se um pouco mais em Cesar,
com exclamações e latins:
— Cesar! Julio Cesar! Grande homem! ''Tu quoque, Brute?''
Capitú não achava bonito o perfil de Cesar, mas
as acções citadas por José Dias davam-lhe gestos de
admiração. Ficou muito tempo com a cara virada
para elle. Um homem que podia tudo! que fazia
tudo! Um homem que dava a uma senhora uma
pérola do valor de seis milhões de sestercios!
— E quanto valia cada sestercio?
José Dias, não tendo presente o valor do sestercio,
respondeu enthusiasmado:
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="A1icewik" />{{rh|94|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>— É o maior homem da historia!
A pérola de Cesar accendia os olhos de Capitú.
Foi nessa occasião que ella perguntou a minha mãe
porque é que já não usava as joias do retrato;
referia-se ao que estava na sala, com o de meu pae;
tinha um grande collar, um diadema e brincos.
— São joias viuvas, como eu, Capitú.
— Quando é que botou estas?
— Foi pelas festas da Coroação.
— Oh! conte-me as festas da Coroação!
Sabia já o que os paes lhe haviam dito, mas naturalmente
tinha para si que elles pouco mais conheceriam
do que o que se passou nas ruas. Queria a
noticia das tribunas da Capella Imperial e dos salões
dos bailes. Nascera muito depois daquellas festas
celebres. Ouvindo falar varias vezes da Maioridade,
teimou um dia em saber o que fôra este acontecimento ;
disseram-lh'o, e achou que o imperador
fizera muito bem em querer subir ao throno aos
quinze annos. Tudo era materia ás curiosidades de
Capitú, mobílias antigas, alfaias velhas, costumes,
noticias de Itaguahy, a infancia e a mocidade de
minha mãe, um dito daqui, uma lembrança dalli,
um adagio d'acolá...<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{t2|XXXII}}
{{dhr}}
{{c|'''Olhos de ressaca.'''}}
{{dhr}}</noinclude>Tudo era materia ás curiosidades de Capitú. Caso
houve, porém, no qual não sei se apprendeu ou
ensinou, ou se fez ambas as cousas, como eu. É o
que contarei no outro capitulo. N'este direi sómente
que, passados alguns dias do ajuste com o
aggregado, fui ver a minha amiga; eram dez horas
da manhã. D. Fortunata, que estava no quintal, nem
esperou que eu lhe perguntasse pela filha.
— Está na sala penteando o cabello, disse-me; vá
devagarzinho para lhe pregar um susto.
Fui devagar, mas ou o pé ou o espelho traiu-me.
Este póde ser que não fosse; era um espelhinho de
pataca (perdoai a barateza), comprado a um mascate
italiano, moldura tosca, argolinha de latão, pendente
da parede, entre as duas janellas. Se não foi
elle, foi o pé. Um ou outro, a verdade é que, apenas<noinclude></noinclude>
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{{c|'''Olhos de ressaca.'''}}
{{dhr}}
Tudo era materia ás curiosidades de Capitú. Caso
houve, porém, no qual não sei se apprendeu ou
ensinou, ou se fez ambas as cousas, como eu. É o
que contarei no outro capitulo. N'este direi sómente
que, passados alguns dias do ajuste com o
aggregado, fui ver a minha amiga; eram dez horas
da manhã. D. Fortunata, que estava no quintal, nem
esperou que eu lhe perguntasse pela filha.
— Está na sala penteando o cabello, disse-me; vá
devagarzinho para lhe pregar um susto.
Fui devagar, mas ou o pé ou o espelho traiu-me.
Este póde ser que não fosse; era um espelhinho de
pataca (perdoai a barateza), comprado a um mascate
italiano, moldura tosca, argolinha de latão, pendente
da parede, entre as duas janellas. Se não foi
elle, foi o pé. Um ou outro, a verdade é que, apenas<noinclude></noinclude>
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2026-08-27T13:08:27Z
Albertoleoncio
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|96|{{sc|dom casmurro}}}}</noinclude>entrei na sala, pente, cabellos, toda ella voou
ares, e só lhe ouvi esta pergunta:
— Ha alguma cousa?
— Não ha nada, respondi; vim ver você antes
que o padre Cabral chegue para a licção. Como
passou a noite?
— Eu bem. José Dias ainda não falou?
— Parece que não.
— Mas então quando fala?
— Disse-me que hoje ou amanhã pretende tocar
no assumpto; não vae logo de pancada, falará assim
por alto e por longe, um toque. Depois, entrará em
materia. Quer primeiro ver se mamãe tem a resolução
feita...
— Que tem, tem, interrompeu Capitú. E se não
fosse preciso alguem para vencer já, e de todo, não
se lhe falaria. Eu já nem sei se José Dias poderá
influir tanto; acho que fará tudo, se sentir que
você realmente não quer ser padre, mas poderá
alcançar...? Elle é attendido; se, porém... E um
inferno isto! Você teime com elle, Bentinho.
— Teimo; hoje mesmo elle ha de falar.
— Você jura?
— Juro! Deixe ver os olhos, Capitú.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias
dera delles, « olhos de cigana obliqua e dissimulada.
» Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada
sabia, e queria ver se se podiam chamar
assim. Capitú deixou-se fitar e examinar. Só me
perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada
achei extraordinario; a côr e a doçura eram minhas<noinclude></noinclude>
4voqshc2mju53f1lc30ebk0epf234l1
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/104
106
221033
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542021
2026-08-27T13:11:24Z
Albertoleoncio
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|{{sc|dom casmurro}}|97}}</noinclude>conhecidas. A demora da contemplação creio que
lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que
era um pretexto para miral-os mais de perto, com
os meus olhos longos, constantes, enfiados nelles, e
a isto attribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos
e sombrios, com tal expressão que...
Rhetorica dos namorados, dá-me uma comparação
exacta e poetica para dizer o que foram
aquelles olhos de Capitú. Não me açode imagem
capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estylo,
o que elles foram e me fizeram. Olhos de ressaca?
Vá, de ressaca. E o que me dá ideia daquella
feição nova. Traziam não sei que fluido mysterioso
e enérgico, uma força que arrastava para dentro,
como a vaga que se refira da praia, nos dias de
ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me ás
outras partes visinhas, ás orelhas, aos braços, aos
cabellos espalhados pelos hombros; mas tão depressa
buscava as pupillas, a onda que saia dellas
vinha crescendo, cava o escura, ameaçando envolver-me,
puxar-me e tragar-me. Quantos minutos
gastámos naquelle jogo? Só os relógios do ceu
terão mareado esse tempo infinito e breve. A
eternidade tem as suas pendulas; nem por não
acabar nunca deixa de querer saber a duração das
felicidades e dos supplicios. Ha de dobrar o gozo
aos bemaventurados do ceu conhecer a somma dos
tormentos que já lerão padecido no inferno os seus
inimigos; assim tambem a quantidade das delicias
que terão gozado no ceu os seus desafectos augmentará
as dôres aos condemnados do inferno. Este<noinclude></noinclude>
m4abeo4gg9qgy9iecthmqdy3gxmqitf
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2026-08-27T13:11:36Z
Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh||{{sc|dom casmurro}}|97}}</noinclude>conhecidas. A demora da contemplação creio que
lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que
era um pretexto para miral-os mais de perto, com
os meus olhos longos, constantes, enfiados nelles, e
a isto attribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos
e sombrios, com tal expressão que...
Rhetorica dos namorados, dá-me uma comparação
exacta e poetica para dizer o que foram
aquelles olhos de Capitú. Não me açode imagem
capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estylo,
o que elles foram e me fizeram. Olhos de ressaca?
Vá, de ressaca. E o que me dá ideia daquella
feição nova. Traziam não sei que fluido mysterioso
e enérgico, uma força que arrastava para dentro,
como a vaga que se refira da praia, nos dias de
ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me ás
outras partes visinhas, ás orelhas, aos braços, aos
cabellos espalhados pelos hombros; mas tão depressa
buscava as pupillas, a onda que saia dellas
vinha crescendo, cava o escura, ameaçando envolver-me,
puxar-me e tragar-me. Quantos minutos
gastámos naquelle jogo? Só os relógios do ceu
terão mareado esse tempo infinito e breve. A
eternidade tem as suas pendulas; nem por não
acabar nunca deixa de querer saber a duração das
felicidades e dos supplicios. Ha de dobrar o gozo
aos bemaventurados do ceu conhecer a somma dos
tormentos que já lerão padecido no inferno os seus
inimigos; assim tambem a quantidade das delicias
que terão gozado no ceu os seus desafectos augmentará
as dôres aos condemnados do inferno. Este<noinclude></noinclude>
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/105
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2026-08-27T13:12:39Z
Albertoleoncio
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|98|{{sc|dom casmurro}}}}</noinclude>outro supplicio escapou ao divino Dante; mas eu
não estou aqui para emendar poetas. Estou para
contar que, ao cabo de um tempo não mareado,
agarrei-me definitivamente aos cabellos de Capitú,
mas então com as mãos, e disse-lhe, — para dizer
alguma cousa, — que era capaz de os pentear, se
quizesse.
— Você?
— Eu mesmo.
— Vae embaraçar-me o cabello todo, isso, sim.
— Se embaraçar, você desembaraça depois.
— Vamos ver.<noinclude></noinclude>
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/106
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Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{t2|XXXIII}}
{{dhr}}
{{C|'''O penteado.'''}}
{{dhr}}</noinclude>Capitú deu-me as costas, voltando-se para o espelhinho.
Peguei-lhe dos cabellos, colhi-os todos e
entrei a alisal-os com o pente, desde a testa até as
ultimas pontas, que lhe desciam á cintura. Em pé
não dava geito: não esquecestes que ella era um
nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da
mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
— Senta aqui, e melhor.
Sentou-se. « Vamos ver o grande cabelleireiro. »,
disse-me rindo. Continuei a alisar os cabellos,
com muito cuidado, e dividi-os em duas porções
eguaes, para compôr as duas tranças. Não as fiz
logo, nem assim depressa, como pódem suppôr os
cabelleireiros de officio, mas devagar, devagarinho,
saboreando pelo tacto aquelles fios grossos, que
eram parte della. O trabalho era atrapalhado, ás
vezes por desaso, outras de proposito, para des-<noinclude></noinclude>
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Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" /></noinclude>{{t2|XXXIII}}
{{dhr}}
{{C|'''O penteado.'''}}
{{dhr}}
Capitú deu-me as costas, voltando-se para o espelhinho.
Peguei-lhe dos cabellos, colhi-os todos e
entrei a alisal-os com o pente, desde a testa até as
ultimas pontas, que lhe desciam á cintura. Em pé
não dava geito: não esquecestes que ella era um
nadinha mais alta que eu, mas ainda que fosse da
mesma altura. Pedi-lhe que se sentasse.
— Senta aqui, e melhor.
Sentou-se. « Vamos ver o grande cabelleireiro. »,
disse-me rindo. Continuei a alisar os cabellos,
com muito cuidado, e dividi-os em duas porções
eguaes, para compôr as duas tranças. Não as fiz
logo, nem assim depressa, como pódem suppôr os
cabelleireiros de officio, mas devagar, devagarinho,
saboreando pelo tacto aquelles fios grossos, que
eram parte della. O trabalho era atrapalhado, ás
vezes por desaso, outras de proposito, para des-<noinclude></noinclude>
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/107
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2026-08-27T13:25:54Z
Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh|100|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>fazer o feito e refazel-o. Os dedos roçavam na nuca
da pequena ou nas espaduas vestidas de chita, e a
sensação era um deleite. Mas, emfim, os cabellos
iam acabando, por mais que eu os quizesse interminaveis.
Não pedi ao ceu que elles fossem tão longos
como os da Aurora, porque não conhecia ainda
esta divindade que os velhos poetas me apresentaram
depois; mas, desejei penteal-os por todos os
seculos dos seculos, tecer duas tranças que pudessem
envolver o infinito por um numero innominavel
de vezes. Se isto vos parecer emphatico, desgraçado
leitor, é que nunca penteastes uma pequena,
nunca puzestes aos mãos adolescentes na
joven cabeça de uma nympha... Uma nympha!
Todo eu estou mythologico. Ainda ha pouco, falando
dos seus olhos de ressaca, cheguei a escrever Thetis;
risquei Thetis, risquemos nympha; digamos somente
uma creatura amada, palavra que envolve todas as
potencias christãs e pagãs. Emfim, acabei as duas
tranças. Onde estava a fita para atar-lhes as pontas?
Em cima da mesa, um triste pedaço de fita enxovalhada.
Juntei as pontas das tranças, uni-as por
um laço, retoquei a obra, alargando aqui, achatando
alli, até que exclamei:
— Prompto!
— Estará bom?
— Veja no espelho.
Em vez de ir ao espelho, que pensaes que fez
Capitú? Não vos esqueçaes que estava sentada, de
costas para mim. Capitú derreou a cabeça, a tal
ponto que me foi preciso acudir com as mãos e am-<noinclude></noinclude>
1zcd1eb9fw8ta7j31rw2nbsfli0ju2t
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/108
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Albertoleoncio
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{rh||{{sc|dom casmurro}}|101}}</noinclude>paral-a; o espaldar da cadeira era baixo. Inclinei-me
depois sobre ella, rosto a rosto, mas trocados, os
olhos de um na tinha da bocca do outro. Pedi-lhe
que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar
o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava
feia; mas nem esta razão a moveu.
— Levanta, Capitú!
Não quiz, não levantou a cabeça, e ficámos assim
a olhar um para o outro, até que ella abrochou os
lábios, eu desci os meus, e...
Grande foi a sensação do beijo; Capitú ergueu-se,
rapida, eu recuei até á parede com uma especie de
vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando elles
me clarearam, vi que Capitú tinha os seus no chão.
Não me atrevi a dizer nada; ainda que quizesse,
faltava-me lingua. Preso, atordoado, não achava
gesto nem impeto que me descolasse da parede e
me atirasse a ella com mil palavras cabidas e mimosas...
Não mofes dos meus quinze annos, leitor
precoce. Com dezesete, Des Grieux (e mais era
DesGrieux) não pensava ainda na differença dos
sexos.<noinclude></noinclude>
pcyvxe1p78azghdo1ndo5ghrnicqydk
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/117
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2026-08-27T16:57:20Z
Trooper57
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{T2|XXXVI}}
{{dhr}}
{{c|'''Ideia sem pernas e ideia sem braços.'''}}
{{dhr}}
Deixei-os, a pretexto de brincar, e fui-me outra
vez a pensar na aventura da manhã. Era o que melhor
podia fazer, sem latim, e até com latim. Ao
cabo de cinco minutos, lembrou-me ir correndo á
casa visinha, agarrar Capitú, desfazer-lhe as tranças,
refazel-as e concluil-as daquella maneira particular,
bocca sobre bocca. É isto, vamos, é isto...
Ideia só! ideia sem pernas! As outras pernas não
queriam correr nem andar. Muito depois é que
sairam vagarosamente e levaram-me á casa de Capitú.
Quando alli cheguei, dei com ella na sala, na
mesma sala, sentada na marqueza, almofada no
vegaço, cosendo em paz. Não me olhou de rosto,
mas a furto e a medo, ou, se preferes a phraseologia
do aggregado, obliqua e dissimulada. As mãos pararam,
depois de encravada a agulha no panno. Eu,
do lado opposto da mesa, não sabia que fizesse; e<noinclude></noinclude>
k53n92uu169g4w5upw8ifdtb9t23bvt
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/242
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2026-08-27T17:37:09Z
Trooper57
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/* Validada */
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proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|LXXXI}}
{{dhr}}
{{c|'''Uma palavra.'''}}
{{dhr}}
Assim contado o que descobri mais tarde, posso
trasladar para aqui uma palavra de minha mãe.
Agora se entenderá que ella me dissesse, no primeiro
sabbado, quando eu cheguei a casa, e soube
que Capitú estava na rua dos Invalidos, com Sinhásinha
Gurgel.
— Porque não vaes vel-a? Não me disseste que
o pae de Sancha te offereceu a casa?
— Offereceu.
— Pois então? Mas é se queres. Capitú devia
ter voltado hoje para acabar um trabalho commigo;
certamente a amiga pediu-lhe que dormisse lá.
— Talvez ficassem namorando, insinuou prima
Justina.
Não a matei por não ter á mão ferro nem corda,
pistola nem punhal; mas os olhos que lhe deitei, se
pudessem matar, teriam supprido tudo. Um dos erros<noinclude></noinclude>
l60t0lk4yr4w7hq8q6tpzwye0kviqkp
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/243
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2026-08-27T17:36:17Z
Trooper57
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/* Revista */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{rh|236|{{sc|dom casmurro}}|}}</noinclude>da Providencia foi deixar ao homem unicamente os braços e os dentes, como armas de ataque, e as pernas como armas de fuga ou de defesa. Os olhos bastavam ao primeiro effeito. Um mover delles faria parar ou cair um inimigo ou um rival, exerceriam vingança prompta, com este accressimo que, para desnortear a justiça, os mesmos olhos matadores seriam olhos piedosos, e correriam a chorar a victima. Prima Justina escapou aos meus; eu é que não escapei ao effeito da insinuação, e no domingo, ás onze horas, corri á rua dos Invalidos.
O pae de Sancha recebeu-me em desalinho e triste. A filha estava enferma; caira na vespera com uma febre, que se ia aggravando. Como elle queria muito á filha, pensava já vel-a morta, e annunciou-me que se mataria tambem. Eis aqui um capitulo funebre como um cemiterio, mortes, suicidios e assassinatos. Eu anciava por um raio de luz clara e ceu azul. Foi Capitú que os trouxe á porta da sala, vindo dizer ao pae de Sancha que a filha o mandára chamar.
— Está peor? perguntou Gurgel assustado.
— Não, senhor, mas quer falar-lhe.
— Fique aqui um bocadinho, disse-lhe elle; e voltando-se para mim: É a enfermeira de Sancha, que não quer outra; eu já volto.
Capitú trazia signaes de fadiga e commoção, mas tão depressa me viu, ficou toda outra, a mocinha de sempre, fresca e lepida, não menos que espantada. Custou-lhe a crer que fosse eu. Falou-me, quiz que lhe falasse, e effectivamente {{pt|conver-|conversámos }}<noinclude></noinclude>
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/244
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2026-08-27T17:37:54Z
Trooper57
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||{{sc2|DOM CASMURRO|}}|237}}</noinclude><noinclude>sámos</noinclude> por alguns minutos, mas tão baixo e abafado que nem as paredes ouviram, ellas que têm ouvidos. De resto, se ellas ouviram algo, nada entenderam, nem ellas nem os moveis, que estavam tão tristes como o dono.<noinclude></noinclude>
7to9u4ya7jdu2lnmghe39t2cxzom2c0
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/252
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2026-08-27T19:47:31Z
Trooper57
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|LXXXV}}
{{dhr}}
{{c|'''O defuncto.'''}}
{{dhr}}
Tal foi o sentimento confuso com que entrei na
loja de louça. A loja era escura, e o interior da casa
menos luz tinha, agora que as janellas da área estavam
cerradas. A um canto da sala de jantar vi a
mãe chorando; á porta da alcova duas creanças
olhavam espantadas para dentro, com o dedo na
bocca. O cadáver jazia na cama; a cama...
Suspendamos a penna e vamos á janella espairecer
a memoria. Realmente, o quadro era feio, já
pela morte, já pelo defuncto, que era horrivel...
Isto aqui, sim, é outra cousa. Tudo o que vejo lá
fóra respira vida, a cabra que rumina ao pé de uma
carroça, a gallinha que marisca no chão da rua, o
trem da Estrada Central que bufa, assobia, fumega
e passa, a palmeira que investe para o ceu, e finalmente
aquella torre de egreja, apesar de não ter
musculos nem folhagem. Um rapaz, que alli no<noinclude>{{d|14.}}</noinclude>
hyiupnvp4updui3rwst6c6bgtn3t4fg
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/259
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2026-08-27T21:10:57Z
Trooper57
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|LXXXIX}}{{dhr}}{{c|'''A recusa.'''}}{{dhr}}
Minha mãe ficou perplexa quando lhe pedi para
ir ao enterro.
— Perder um dia de seminario...
Fiz-lhe notar a amizade que o Manduca me tinha,
e depois era gente pobre... Tudo o que me lembrou
dizer, disse. Prima Justina opinou pela negativa.
— Você acha que não deve ir? perguntou-lhe
minha mãe.
— Acho que não. Que amizade é essa que eu
nunca vi?
Prima Justina venceu. Quando referi o caso ao
aggregado, este sorriu, e disse-me que o motivo
escondido da prima era provavelmente não dar ao
enterro «o lustre da minha pessoa.» Fosse o que
fosse, fiquei amuado; no dia seguinte, pensando no
motivo, não me desagradou; mais tarde achei-lhe
um sabor particular.<noinclude></noinclude>
pwelhojfzgs2xzjxzsvzulj4lg7zyzd
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/305
106
221234
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542247
2026-08-27T19:51:42Z
Trooper57
24584
/* Revista */
560725
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CVI}}
{{dhr}}
{{c|''Dez libras esterlinas.''}}
{{dhr}}
Já disse que era poupada, ou fica dito agora,
e não só de dinheiro mas tambem de cousas
usadas, dessas que se guardam por tradição, por
lembrança ou por saudade. Uns sapatos, por exemplo,
uns sapatinhos rasos de fitas pretas que se cruzavam
no peito do pé e principio da perna, os ultimos
que usou antes de calçar botinas, trouxe-os para
casa, e tirava-os de longe em longe da gaveta da
commoda, com outras velharias, dizendo-me que
eram pedaços de creança. Minha mãe, que tinha o
mesmo genio, gostava de ouvir falar e fazer assim.
Quanto ás puras economias de dinheiro, direi um
caso, e basta. Foi justamente por occasião de uma
licção de astronomia, á praia da Gloria. Sabes
que alguma vez a fiz cochilar um pouco. Uma noite
perdeu-se em fitar o mar, com tal força e concentração,
que me deu ciumes.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
ivscvs8lge86qljxkflnnrt03i6bh8f
560726
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2026-08-27T19:51:51Z
Trooper57
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CVI}}
{{dhr}}
{{c|'''Dez libras esterlinas.'''}}
{{dhr}}
Já disse que era poupada, ou fica dito agora,
e não só de dinheiro mas tambem de cousas
usadas, dessas que se guardam por tradição, por
lembrança ou por saudade. Uns sapatos, por exemplo,
uns sapatinhos rasos de fitas pretas que se cruzavam
no peito do pé e principio da perna, os ultimos
que usou antes de calçar botinas, trouxe-os para
casa, e tirava-os de longe em longe da gaveta da
commoda, com outras velharias, dizendo-me que
eram pedaços de creança. Minha mãe, que tinha o
mesmo genio, gostava de ouvir falar e fazer assim.
Quanto ás puras economias de dinheiro, direi um
caso, e basta. Foi justamente por occasião de uma
licção de astronomia, á praia da Gloria. Sabes
que alguma vez a fiz cochilar um pouco. Uma noite
perdeu-se em fitar o mar, com tal força e concentração,
que me deu ciumes.
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/306
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2026-08-27T19:52:10Z
Trooper57
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/* Validada */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||{{sc|dom casmurro}}|299}}</noinclude>— Você não me ouve, Capitú.
— Eu? Ouço perfeitamente.
— O que é que eu dizia?
— Você... você falava de Sirius.
— Qual, Sirius, Capitú. Ha vinte minutos que
eu falei de Sirius.
— Falava de... falava de Marte, emendou ella
apressada.
Realmente, era de Marte, mas é claro que sé
apanhára o som da palavra, não o sentido. Fiquei
serio, e o impeto que me deu foi deixar a sala;
Capitú, ao pereebel-o, fez-se a mais mimosa das
creaturas, pegou-me na mão, confessou-me que estivera
contando, isto é, sommando uns dinheiros
para descobrir certa parcella que não achava. Tratava-se
de uma conversão de papel em ouro. A principio suppuz
que era um recurso para desenfadar-me,
mas d'ahi a pouco estava eu mesmo calculando
tambem, já então com papel e lapis,
sobre o joelho, e dava a differença que ella buscava.
— Mas que libras são essas? perguntei-lhe no
fim.
Capitú fitou-me rindo, e replicou que a culpa de
romper o segredo era minha. Ergueu-se, foi ao
quarto e voltou com dez libras esterlinas, na mão;
eram as sobras do dinheiro que eu lhe dava mensalmente
para as despezas.
— Tudo isto?
— Não é muito, dez libras só; é o que a avarenta
de sua mulher poude arranjar, em alguns mezes,
concluiu fazendo tinir o ouro na mão.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
cqtpek11h5asq0ku7rsseyurclniuu2
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/307
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh|300|{{sc2|DOM CASMURRO}}|}}</noinclude>— Quem foi o corretor?
— O seu amigo Escobar.
— Como é que elle não me disse nada?
— Foi hoje mesmo.
— Elle esteve cá?
— Pouco antes de você chegar; eu não disse
para que você não desconfiasse.
Tive vontade de gastar o dobro do ouro em algum
presente commemorativo, mas Capitú deteve-me.
Ao contrario, consultou-me sobre o que haviamos
de fazer daquellas libras.
— São suas, respondi.
— São nossas, emendou.
— Pois você guarde-as.
No dia seguinte, fui ter com Escobar ao armazem,
e ri-me do segredo de ambos. Escobar sorriu
e disse-me que estava para ir ao meu escriptorio
contar-me tudo. A cunhadinha (continuava a dar
este nome a Capitú) tinha-lhe falado naquillo por
occasião da nossa ultima visita a Andarahy, e
disse-lhe a razão do segredo.
— Quando contei isto a Sanchinha, concluiu elle,
ficou espantada : « Como é que Capitú póde economisar,
agora que tudo está tão caro? »— « Não
sei, filha; sei que arranjou dez libras. »
— Vê se ella apprende tambem.
— Não creio; Sanchinha não é gastadeira, mas
tambem não é poupada; o que lhe dou chega, mas
só chega.
Eu, depois de alguns instantes de reflexão :
— Capitú é um anjo!
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/403
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Trooper57
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CXVLII}}
{{dhr}}
{{c|'''A exposição retrospectiva.'''}}
{{dhr}}
Já sabes que a minha alma, por mais lacerada que tenha sido, não ficou ahi para um canto como uma flôr livida e solitaria. Não lhe dei essa côr ou descôr. Vivi o melhor que pude, sem me faltarem amigas que me consolassem da primeira. Caprichos de pouca dura, é verdade. Ellas é que me deixavam como pessoas que assistem a uma exposição retrospectiva, e, ou se fartam de vel-a, ou a luz da sala esmorece. Uma só dessas visitas tinha carro á porta e cocheiro de libre. As outras iam modestamente, ''calcante pede'', e, se chovia, eu é que ia buscar um carro de praça, e as mettia dentro, com grandes despedidas, e maiores recommendações :
— Levas o catalogo?
— Levo; até amanhã.
— Até amanhã.
Não voltavam mais. Eu ficava á porta, esperando,<noinclude></noinclude>
kix0r9qip3keeziftn1v16wuu37dur5
Página:Dom Casmurro-1899.pdf/404
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Trooper57
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" />{{rh||{{sc2|DOM CASMURRO}}|397}}</noinclude>ia até á esquina, espiava, consultava o relógio, e não via nada nem ninguem. Então, se apparecia outra visita, dava-lhe o braço, entravamos, mostrava-lhe as paizagens, os quadros historicos ou de genero, uma aquarella, um pastel, uma ''gouache'', e tambem esta cançava, e ia embora com o catalogo na mão....<noinclude></noinclude>
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Wikisource:Esplanada/Autores portugueses em DP
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Albertoleoncio
17561
-archive.ph
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wikitext
text/x-wiki
Olá,
acabei de criar a página de discussão em [[Wikisource Discussão:Autores portugueses com obras em domínio público]], seria útil saber opiniões ou questões da comunidade relativas a automatizar o processo como descrito nessa página. Talvez haja também a possibilidade de automatizar listas para autores lusófonos, (para já isto será só um teste/ piloto). Obrigada!
[[Utilizador:BlitzkriegBoop|BlitzkriegBoop]] ([[Utilizador Discussão:BlitzkriegBoop|discussão]]) 17h20min de 12 de abril de 2024 (UTC)
:@{{ping|BlitzkriegBoop}} Eu pessoalmente concordo. Eu gostaria de ter feito algo assim na Wikipédia, mas não foi possível. Eu atualizo a lista brasileira com [https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/busca/autor/ esta fonte], mas manualmente é cansativo. Concordo em expandir a lista para todos os países lusofonos, desde que o bot possa considerar as [[:w:en:List of countries' copyright lengths|diferenças nas legislações]] (em Timor-Leste, por exemplo, têm uma proteção póstuma de 50 anos).
:{{Ping|Albertoleoncio|Saturnow}} se quiserem opinar! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h26min de 13 de abril de 2024 (UTC)
::Também concordo com a automatização desde que siga a legislação local. (Perdoem minha inatividade, passei numa federal mas pretendo voltar a editar) [[Usuário:Saturnow|<span style="color:#FFB56B;font-family:Poor Richard;">Saturnow</span>]] <sup>([[Usuário Discussão:Saturnow|<span style="color:#BFBFFF">Mensagem?</span>]]) </sup> 11h47min de 13 de abril de 2024 (UTC)
:E voltando aqui de novo: a [https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/busca/autor/ NUPILL] contêm diversos autores que não estão no Wikidata. {{ping|BlitzkriegBoop}} seria possível para o bot criar páginas no WD com base nessa base de dados, para então listar tudo aqui no Wikisource? Acho que esse formato seria melhor que a [[Wikisource:Autores em língua portuguesa com obras em domínio público|lista gigantesca]] que já usamos. No caso do Brasil, eu cheguei a [[:Categoria:Autores brasileiros por data de entrada em domínio público|categorizar]] manualmente a data de domínio público de cada autor com base nas duas legislações principais do século 20. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h29min de 16 de abril de 2024 (UTC)
::Desculpem o atraso na resposta - e obrigada pelas sugestões. A criação de páginas automáticas no Wikidata é certamente algo que vale a pena investigar (ou pelo menos a atribuição de "obra em DP" a autores em que tal se verifique); podemos investigar a aplicação filtros relativos a legislação baseada no país de publicação. De momento este teste é algo que está a progredir lentamente, mas espero conseguir pegar nisto com mais brio nos próximos meses. [[Utilizador:BlitzkriegBoop|BlitzkriegBoop]] ([[Utilizador Discussão:BlitzkriegBoop|discussão]]) 22h25min de 30 de setembro de 2024 (UTC)
{{ping|BlitzkriegBoop}}, fiz esta tabela de legislações. Foquei apenas nas duas leis mais recentes de cada país (ou na única lei disponível), pois autores falecidos há mais de 100 anos já estarão em DP de toda forma.
{| class="wikitable"
|-
! País
! Proteção
! Lei
!Nota
|-
| rowspan="2" | Brasil
| Vida + 70 anos
| [[Lei Federal do Brasil 9610 de 1998|9610/1998]] [[Lei Federal do Brasil 9610 de 1998/III|Título III]], [[Lei Federal do Brasil 9610 de 1998/III#Art. 41|Art. 41]]
|Autores sem herdeiros: [[Lei Federal do Brasil 9610 de 1998/III#Art. 45|Art. 45]]
|-
|Vida + 60 anos
|[[Lei Federal do Brasil 5988 de 1973|5988/73]], vigente até [[Página:O Dominio Publico no Direito Autoral Brasileiro.pdf/19|junho de 1998]], [[Lei Federal do Brasil 5988 de 1973/III|Título III]], [[Lei Federal do Brasil 5988 de 1973/III#Art. 42|Art. 42]]
|Autores sem herdeiros: [[Lei Federal do Brasil 5988 de 1973/III#Art. 48|Art. 48]]
|-
| rowspan="2" |Angola
|Vida + 70 anos
|[https://lex.ao/docs/assembleia-nacional/2014/lei-n-o-15-14-de-31-de-julho/ Lei 15/14], Art. 72
|
|-
| Vida + 50 anos || [https://web.archive.org/web/20090319233328/http://portal.unesco.org/culture/en/files/37842/12215545751Angola_loi_da.pdf/Angola_loi_da.pdf Lei nº 4/90 de 10 de março], Art. 20
|
|-
| rowspan="2" | Moçambique || rowspan="2" | Vida + 70 anos || Art. 47, [https://www.wipo.int/wipolex/en/legislation/details/21426 Lei nº9/2022]
|
|-
|Art. 22, [http://www.wipo.int/clea/docs_new/en/mz/mz002en.html Lei Nº4/2001].
|
|-
| rowspan="2" |Portugal
|Vida + 70 anos
|Art. 31. [https://www.wipo.int/wipolex/en/legislation/details/21185 Decreto-lei Nº63/85]
|
|-
|Vida + 50 anos
|Art. 25. [https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/46980-1966-487338 Decreto-Lei n.º 46980, de 27 de abril]
|
|-
|Guiné-Bissau
|Vida + 50 anos
|Art. 25. [https://www.wipo.int/wipolex/en/legislation/details/8448 Decreto-Lei 46.980]
|
|-
|Timor-Leste
|Vida + 50 anos
|Art. 119. [https://www.mj.gov.tl/jornal/public/docs/2022/serie_1/SERIE_I_NO_51_A.pdf#page=39 Lei Nº 14/2022]
|Lei portuguesa ou da Indonésia [[commons:Commons:Copyright rules by territory/East Timor|durante a colonização]].
|-
|Guiné-Equatorial
|Vida + 50 anos
|Art. 25. [https://ictpolicyafrica.org/es/document/8b55f09lwua?page=7 Decreto Nº 679/71]
|O [[commons:Commons:Copyright rules by territory/Equatorial Guinea|Commons]] indica que a situação jurídica seria confusa.
|-
|Macau
|Vida + 50 anos
|Art. 21. [https://www.dsedt.gov.mo/public/docs/LR/legislation/en/DL43-99-e.pdf Lei 43/99]
|
|-
|Cabo Verde
|Vida + 50 anos
|Art. 25. [https://www.wipo.int/edocs/lexdocs/laws/en/cv/cv022en.pdf Decreto-lei 1/2009]
|
|-
| rowspan="2" |São Tomé e Príncipe
|Vida + 50 anos
|Art. 25. [https://www.wipo.int/wipolex/en/legislation/details/7746 Decreto-Lei n.º 46980]
|
|-
|Vida + 70 anos
|Art. 31. [https://www.wipo.int/wipolex/en/legislation/details/17161 Decreto-lei Nº02/2017]
|
|}
[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 16h23min de 3 de novembro de 2024 (UTC)
:@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], que trabalho excelente, e super detalhado, obrigada! Tenho estado a adicionar informação sobre a situação de direitos de autor para autores específicos na WD, para já de forma manual. Acho que talvez seja algo a automatizar, sobretudo no início de cada ano, quando a obra de novos autores passa a DP. O ideal seria a informação estar toda no WD, e arranjar um mecanismo de o WS criar páginas de autor automaticamente. [[Utilizador:BlitzkriegBoop|BlitzkriegBoop]] ([[Utilizador Discussão:BlitzkriegBoop|discussão]]) 22h42min de 16 de dezembro de 2024 (UTC)
::Obrigado! Sem dúvida seria bom conseguir automatizar a adição dessas informações no WD, desde que seja possível adicionar a lei em específico (no lugar de um simples "70 anos após a morte"). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 23h37min de 16 de dezembro de 2024 (UTC)
:::Realmente, um excelente trabalho! Eu estava estudando isso aqui e a nossa árvore de categorias. As obras têm situações distintas dependendo de seu local e data de publicação e o Wikidata tem páginas distintas para o autor e para a obra. Por isso, o mais simples, do ponto de vista técnico, seria categorizar as páginas do domínio Autor pelas informações dele e as páginas das obras pelas informações das obras. O Wikidata já tem as propriedades [[:d:P7763|situação dos direitos autorais do autor]] que podemos usar para categorizar as páginas dos autores. A [[:d:P6216|situação dos direitos autorais]] é análoga, só que para as obras. E a [[:d:P3893|data de entrada no domínio público]] pode ser usada em obras que ainda não estão em domínio público mas que entrarão em breve, o que pode ser particularmente útil para o Wikisource. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 15h06min de 17 de dezembro de 2024 (UTC)
::::{{ping|Castelobranco}} obrigado! Quanto a "data de entrada no domínio público", vi algo parecido no Ws em inglês, onde listam as obras prestes a entrarem no domínio público que possam atrair um maior interesse. Não sei quanto em Portugal, mas no Brasil o número de autores que possam chamar interesse para o projeto vai diminuindo... {{ping|BlitzkriegBoop}} acha que o Aleth Bot poderia fazer uma lista de autores brasileiros, (inicialmente) só focando nos que faleceram há 70 anos? Quem sabe assim será possível fazer uma manutenção melhor [[Wikisource:Autores em língua portuguesa com obras em domínio público|nesta lista]], ou poderemos deixá-la preservada e só usar o seu bot em listas separadas... Aliás, o bot atualiza a lista quando identifica novos autores adicionados no Wikidata? [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 12h01min de 20 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::@[[Utilizador:Castelobranco|Castelobranco]] - Óptimas sugestões; o ideal era a infocaixa que aparece nas páginas de autor ir buscar a situação de direitos autorais à wikidata, onde esta está presente. (Ainda não sei fazer isto mas estou disposta a aprender).
:::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] em Portugal, a cada Janeiro celebramos o dia do Domínio Público, que é festejado durante todo o mês e seria uma boa oportunidade de expandir o alcançe WS. A lista manual podia ser gradualmente substituída por uma automática que usasse a informação patente na WD relativa a situação de direitos de autor. Como é que poderíamos fazer o que sugeres com o Aleth Bot? (Não sei como funciona). [[Utilizador:BlitzkriegBoop|BlitzkriegBoop]] ([[Utilizador Discussão:BlitzkriegBoop|discussão]]) 13h03min de 20 de dezembro de 2024 (UTC)
::::::Pesquisando lá na Wiki em português, vejo que o responsável pelo bot é o {{ping|Alchimista}}, que não edita no Wikisource, mas seria a melhor pessoa para ver o que dá pra fazer com o bot. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h18min de 20 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] Sim, já falei com ele, e deu uma actualização [[Wikisource Discussão:Autores portugueses com obras em domínio público|na página de discussão de autores portugueses em DP]]. Creio que já está a dar uma vista de olhos e portanto em breve talvez tenhamos as listagens aqui :) [[Utilizador:BlitzkriegBoop|BlitzkriegBoop]] ([[Utilizador Discussão:BlitzkriegBoop|discussão]]) 17h06min de 20 de dezembro de 2024 (UTC)
::::::::@{ping|BlitzkriegBoop}}, @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]: Em Portugal o processo está dividido em duas partes. Nos últimos meses do ano trabalhamos com várias bases de dados para alimentar o wikidata com o máximo de autores. Damos primazia a adicionar as informações essenciais e os identificadores permanentes de outras entidades, porque sabendo quem são e em que bases de dados estão, é mais fácil de posteriormente adicionar mais informação. Já estamos a trocar informação com a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) há alguns meses, para analisar os resultados do cruzamento de dados de várias bd's.
::::::::A BNP está inclusive a rever e a verificar a as informações sobre os autores na listagem preliminar, e a corrigir erros no catálogo, ou a complementar a informação que têm com o que surge no wikidata. Há um grupo de voluntários que também vai confirmando os dados e as informações da listagem que o robô publica, e por isso é que ele por vezes atualiza essa página.
::::::::A segunda parte é a publicação da listagem a partir do wikidata. Eu posso adaptar o meu script para atualizar esses países todos. A informação que preciso já está devidamente estruturada no quadro, por isso havendo utilidade posso fazer a adaptação. Preciso é que me digam para quando seria preciso, e se seria já urgente as listagens para os países todos, ou alguns em específico. [[Utilizador:Alchimista|Alchimista]] ([[Utilizador Discussão:Alchimista|discussão]]) 17h32min de 20 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::::::{{Ping|Alchimista}} obrigado pela resposta! Já que no Brasil não está tendo nenhum evento do tipo que necessite da lista com urgência, não é necessário ter pressa. Quanto a ordem, já que já temos a lista de Portugal, acho que o próximo seria a do Brasil (o Nupill, com uma lista de todos os autores da lusofonia, é bem interessante, mas ultimamente tem estado fora do ar), com os demais dependendo se existe alguma base de dados para cada um. Quanto ao quadro, quando for usando, será interessante que verifique tosas as informações, no caso de que eu tenha deixado algo passar. No mínimo o seu bot pode ajudar a promover o projeto entre todos os países listados, assim deixando de ser algo apenas Brasil<-->Portugal. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 19h00min de 20 de dezembro de 2024 (UTC)
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Página:Dom Casmurro-1899.pdf/409
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Albertoleoncio
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Albertoleoncio" />{{Cabeçalho|402|{{sc|indice}}|}}</noinclude>{{tabela|largura-s=100|alinhamento-s=center
|seção={{PT|{{sc|Capitulo}}|—}} XXVIII
|título=[[Dom Casmurro/XXVIII|Na rua]]
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{{tabela|largura-s=100|alinhamento-s=center
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|título=[[Dom Casmurro/LXII|Uma ponta de lago]]
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|título=[[Dom Casmurro/LXVI|Intimidade]]
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|título=[[Dom Casmurro/LXVII|Um peccado]]
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Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis
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[[Categoria:Antônio de Castro Lopes]]
[[Categoria:Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
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{{ad|{{sc|Acclimatar}} (acclimater): En portuguez deve dizer-se ''acclimar''; por que o substantivo portuguez é ''clima'', e não ''climat'', que é francez.}}
{{ad|{{sc|Adresse}}: Cartão, ou bilhete com a indicação do domicilio; ''endereço''.}}
{{ad|{{sc|Arrière pensée}}: Segunda tenção.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XI|{{sc|Atelier}}]]: Officina, tanto para as artes liberaes, como mechanicas. (Vid. Dicc. de Bescherelle,) (pagina {{pl|119|42}} deste livro).}}
{{ad|{{sc|Batiste}}: Cambraia, (téla finissima) que se çhama en francez — ''Batiste'' — do nome do fabricante. (Vid. Dicc. de Bescherelle).}}
{{ad|{{sc|Bijouterie}}: (Vede Vocabulario dos Neologismos).}}
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{{sc|Book-maker}} (''buk-mêker''): Estas duas palavras significam litteralmente ''fazedor de livros''. En Londres fizerão com ellas um cerebrino {{pt|neolo-|neologismo }}<noinclude></div>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />28</noinclude>O vocabulo latino ''charta'' (papel), reunido ao
substantivo ''daps, dapis'' (comida, iguaria, manjar),
póde produzir e produz, com as modificações que
a euphonia requer, um termo muĩto mais expressivo do que o ''Menu'' francez.
Diga-se portanto ''Chardapio'' (cardapio), isto é,
''papel, lista das comidas, das viandas''. N’esta palavra, formada pela intima soldadura das duas latinas (''Charta, e daps, dapis''), estão perfeitissimamente contidas todas as idéas, que de um modo
elliptico buscaram os francezes exprimir com o seo
vocabulo ''Menu''.
No intuito de mais depressa attrahir a sympathia para este neologismo, lembrarei que os francezes chamam tambem a essa lista ''Carte'', cuja
origem latina é ''charta''.
«''Garçon, donnez-moi la carte''», ouve-se a cada
passo dizer tanto o francez, como o brazileiro, o
portuguez, ou qualquer outro estrangeiro.
Em conclusão; não se peça mais ao moço o ''Menu'', nem a ''Carte''; mas o ''Chardapio'' (cardapio), que é por todos os motivos preferivel ao ''Menu''.<noinclude>{{traço}}</noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/64
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />20</noinclude><poem>Não sei por que fugir todos procuram
D’imitar o francez!... Não sei que mal
Provenha de empregar gallicos termos,
Si é de Racine a lingua universal...
{{lang|fr|''Aplomb''}}!... que lindo termo!... Apósto e juro
Que por melhor que seja o neologismo,
Não ha de a força ter que {{lang|fr|''aplomb''}} encerra,
{{lang|fr|''Aplomb''}} que o doutor diz ser gallicismo.
— Meo illustre francelho, eu não discuto
Com quem só das palavras se namora,
Porque uma ou outra a seos ouvidos duros
Pareceu deleitar por ser sonora.
{{lang|fr|''Aplomb''}} é um cordel, que tem na poncta
De ''{{sic|chumbo|çhumbo, de acordo com a ortografia do autor}}'' uma pyramide pequena;
Que nos mostra si a tábua, si a parede
Estão na vertical, si têm empena:
D’ahi foi que o francez por translação
Ao termo deu sentido figurado,
Dizendo ter {{lang|fr|''aplomb''}} o que se mostra
Direito e firme, emfim, ''desempenado''.
— Sabe muĩto o doutor; eu reconheço;
A sua explicação me satisfaz;
Porém de dar a {{lang|fr|''aplomb''}} equivalente,
’Stou bem certo, doutor, não é capaz.{{nop}}</poem><noinclude></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/81
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|CARNET}}{{traço}}{{t3|XII}}
É o bello sexo, o sexo encantador, com quem
tenho agora de me entender; tarefa melindrosa e
gratissima, da qual não sei como me hei de gentilmente
desempenhar. Gentilmente, escrevi eu;
palavra que me desperta a lembrança de que hoje
muĩto a empregam os que falam e escrevem portuguez,
parecendo mais ser italianos; porque são
estes os que de tal vocabulo maior gasto fazem.
Isto é apenas reparo, não censura; que só o será,
quando a ''gentil'' palavra, por demais dicta e redicta,
se transforme em vicio de locução.
{{lang|la|''Est modus in rebus''}}; as cousas têm seos limites.
Ah! esqueci-me de que me dirigia ao bello sexo;
que não gosta do latim por ser velho, e çheirar a
môfo. Vão agora tambem quatro palavrinhas francezas,
para ser absolvido do peccado: {{lang|fr|''Pardon, mesdames, et demoiselles''}}.
Disse eu que ia dirigir-me ao sexo encantador; vou cumprir o que disse, começando por lhe contar uma aventura, não romantica, que em um baile semi-aristocratico me succedeu.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/209
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|165}}</noinclude>{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/I|{{sc|Enveloppe}}]]: O mais desnecessario dos barbarismos; en portuguez temos o vocabulo o mais proprio possível — ''sobrecarta'' —.}}
{{ad|{{sc|Etagères}}: São prateleiras; en francez só se usa este vocabulo no plural. En portuguez empregão este gallicismo, dando-lhe o numero singular, en vez de {{sic|chamar|çhamar}} — ''aparador''.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/X|{{sc|Etiquette}}]]: Rotulo, lettreiro. Os francelhos çhamão os rotulos e lettreiros ''etiqueta''; termo que en portuguez significa sómente — ceremonias de palacio, de igreja, formalidades de côrtes, e casas nobres. (Vede pag. {{pl|117|44}}).}}
{{ad|{{sc|Faisandé}}: Tocado, putrefacto, passado. Os francezes empregão a palavra applicando-a ao estado das aves, já quasi podres, como elles gostão de comer. É portanto inutil o barbarismo.}}
{{ad|{{sc|Fauteuil}}: Poltrona; não é necessario usar da palavra franceza.}}
{{ad|{{sc|Fez}}: Nojoso gallicismo, quando na linguagem dialogada se emprega, substituindo os verbos — ''disse, replicou, observou, atalhou, accudiu, retorquiu, redarguiu'', e semelhantes.}}
{{ad}}{{sc|Festival}}: Este é un gallicismo moderno dos mais detestaveis, que os jornaes repeten. ''Festival'' é adjectivo en portuguez, e nunca foi, nen será substantivo. Os substantivos, que exprimen essa idéa, são — ''festa, funcção, {{pt|''festivi-''|''festividade'', }}<noinclude></div></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />166{{ad|3=2em}}</noinclude><noinclude>''vidade,''</noinclude> ''festança, festim, solemnidade, espectaculo, diversão.''</div>
{{ad|{{sc|Fichu}}: Lenço de tres ponctas.}}
{{ad|{{sc|Fissure}}: Os diccionarios dão a significação do termo, que é ''fenda, racha''. Entretanto medicos ha, que dizen por gosto especial — ''fissura''.}}
{{ad|{{sc|Flaneur}}: Passeiador, vadio, badajo, tunante, vagabundo, birbante, peralvilho, paralta, ocioso.}}
{{ad|{{sc|Foulard}}: Lenço de seda da India. Hoje já os mercadores de pannos e lençarias dão tamben o nome de {{lang|fr|''foulard''}} a uma seda propria de vestidos. Neologismos mercantis... Até esse gallicismo {{lang|fr|''foulard''}} ven confundir-se com ''folar'', presente que se dá pela Paschoa.}}
{{ad|{{sc|Frappé}}: Resfriado, quando se fala dos vinhos, e outros licôres resfriados nos gêlo. Assin como se diz — ''vinho resfriado'' ({{lang|fr|''frappé''}}), não se deve dizer d’agua, e de qualquer outra bebida — ''gelada''; salvo, quando o liquido toma a consistencia de gêlo.}}
{{ad|{{sc|Gare}}: Estação, embarcadouro. É desnecessario o barbarismo gare.}}
{{ad|{{sc|Golpe de vista}} (''Coup d’œil''): E' gallicismo; en portuguez diz-se ''vista d’olhos, olhada, olhar, volver d’olhos''.}}
{{ad}}{{sc|Guardar o leito}}: Este gallicismo causa riso pela idéa inteiramente opposta á que taes palavras exprimen en portuguez. {{lang|fr|''Garder le lit''}} é estar<noinclude></div></noinclude>
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{{ad|{{sc|Fichu}}: Lenço de tres ponctas.}}
{{ad|{{sc|Fissure}}: Os diccionarios dão a significação do termo, que é ''fenda, racha''. Entretanto medicos ha, que dizen por gosto especial — ''fissura''.}}
{{ad|{{sc|Flaneur}}: Passeiador, vadio, badajo, tunante, vagabundo, birbante, peralvilho, paralta, ocioso.}}
{{ad|{{sc|Foulard}}: Lenço de seda da India. Hoje já os mercadores de pannos e lençarias dão tamben o nome de {{lang|fr|''foulard''}} a uma seda propria de vestidos. Neologismos mercantis... Até esse gallicismo {{lang|fr|''foulard''}} ven confundir-se com ''folar'', presente que se dá pela Paschoa.}}
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/212
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />168{{ad|3=2em}}</noinclude>Não é exacto que os inglezes na linguagen parlamentar dêen significação especial ao termo {{lang|en|''Leader''}} (lider); empregão-n-o, como nós podemos dizer, e dizemos nas mesmas circumstancias, — na significação de {{sic|chefe|çhefe}}. Ha em inglez a expressão particular — {{lang|en|''Leader-ring''}} — que quer dizer — ''{{sic|chefe|çhefe}} de partido''. — Por consequencia pode-se muĩto ben dizer, dispensando o britannismo {{lang|en|''Leader''}}, — o {{sic|chefe|çhefe}} dos debates. (Vede pag. {{pl|135|44}}).</div>
{{ad|{{sc|Loja}}: Quen fala portuguez, sabe que ''loja'' é casa, en que se venden mercadorias; ou casa terrea por baixo de sobrado, ou finalmente sociedade maçonica. Fóra d’estas accepções é gallicismo o termo loja, que para vergonha nossa se lê en un dos nossos theatros, indicando camarote (!!!); por que camarote en francez é {{lang|fr|''loge''}}.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/X|{{sc|Lunch}}, ou {{sc|Luncheon}}]]: Britannismo escusado; merenda é o termo portuguez (Vede pag. {{pl|29|44}}).}}
{{ad|{{sc|Marche aux flambeaux}}: {{sic|Marcha|Marçha}} com luminarias; passeio com illuminação; passeio com luzes. E' portanto desnecessario usar das expressões francezas.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/III|{{sc|Marron}}]]: Castanha; côr de castanha (Vede pag. {{pl|59|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XVIII|{{sc|Mise en-scène}}]]: (Vede a pag. {{pl|914|44}}).}}
{{ad}}[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XVI|{{sc|Peignoir}}]]: Roupão; e tamben penteador, quando é a camisa de mangas largas, que se veste na<noinclude></div></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />170</noinclude>{{ad|{{sc|Ruche}}: Colmêa, (cortiço de abelhas). Os francezes çhamão a un enfeite de mulher ''formado de fôfos á semelhança de colmêa — ruche —;'' çhame-se portanto tamben en portuguez — ''fôfos de colmêa;'' não ha necessidade da palavra franceza.}}
{{ad|{{sc|Soutache}}: É un certo ''trancelim'' usado pelos militares. Os mercadores de fazendas de armarinho derão a denominação de {{lang|fr|''soutache''}} a ũa especie de ''trancelim'', que por isso designão com esse nome especial, mas que afinal é sempre ''trancelim''.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/II/XIV|{{sc|Spleen}}]] (pronuncia-se ''splin''): Hypocondria (Vede pag. {{pl|131|44}}).}}
{{ad|{{sc|Tête-à-tête}}: Colloquio, conversa entre dous.}}
{{ad|{{sc|Tableau}}: Esta palavra é muĩtas vezes empregada en fórma de interjeicção — {{lang|fr|''Tableau! Tableau''}} significa painel, quadro; que difficuldade ha de traduzir essa interjeicção por esta outra portugueza — Que quadro! Que painel! Ou simplesmente — ''Quadro!''}}
{{ad|Diz-se muĩtas vezes en portuguez, falando de scenas alegres, ou tristes — ''Que quadro!''|3=2em}}
{{ad|{{sc|Toilette}}: Traje, vestimenta; e tamben quarto de vestir.}}
{{ad|{{sc|Toast}} (pronuncia-se ''tôst''): Brinde, saudação que se faz á mesa. Que necessidade ha do britannismo?}}
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|ENGRENAGE}}{{traço}}{{t3|XVI}}
Os numerosos parabens por estes neologismos,
que julguei, e que realmente são indispensaveis,
podem (eu o tenho receiado) me envaidar; porque
de toda a parte me pedem a creação de termos
para traduzir muĩtos que até agora se conservaram
na nossa lingua com a casca franceza, ou ingleza.
Estou mettido em uma ''entrosga'', como viciadamente
diz o povo; mas em vez de ser esmagado, sou eu
quem esmaga e descasca os taes vocabulos intrusos.
Ardua é a tarefa, e minguada será a gloria, si
não houver utilidade; como sentenciosamente.o
disse o fabulista romano. {{lang|la|''Nisi utile est quod facimus, stulta est gloria''}}. (Si não é util o que fazemos,
estulta é a gloria).
Vae ser agora esmagada e descascada a {{lang|fr|''engrenage''}},
á qual, sabendo todos o que significa, não
sabem comtudo dar o equivalente portuguez.
Os homens de sciencia, principalmente os
cultores da physica e da mechanica, a cada passo
encontram nos livros francezes, por onde estudam,<noinclude></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/101
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|57}}</noinclude>O lyrismo o mais alfeninado, o sentimentalismo o mais delicado erão a feição geral d’aquella enfiada de redondilhas, que por titulo tinha sómente o pronome — ''Ella!'' com um poncto de admiração!
Durante a leitura, não o interrompi; mas ao terminal-a, não pude deixar de fazer uma observação.
Lembro-me perfeitamente da ultima quadra, que é pessima:
<poem>
Emfim para descrever
Esses teos encantos ''feericos'',
Eu quizera possuir
Todos os dotes homericos.
</poem>
— Meo caro poeta, disse-lhe eu, essa palavra ''feericos''...
— É verdade, doutor; já sei que me vae dizer que é gallicismo.
— E imperdoavel; desculpe a franqueza.
— Mas como hei de substituir o termo, querendo eu dizer — os teos encantos de Fada?
— Diga com palavra portugueza.
— Porém a lingua portugueza não tem adjectivo, que traduza o adjectivo francez {{lang|fr|''féerique''}}.
— Pois crêe um neologismo.
— Trabalhei muĩto; ha mais de 15 dias que procuro formal-o, e não pude.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/107
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|DRAINAGE}}{{traço}}{{t3|XX}}
Algumas luctas tenho sustentado contra os que
vêem com máos olhos os novos nomes, por mim
creados para separar do nosso idioma a grança, que
o tem invadido.
Os que não entendem de materías litterarias
(por que hoje todos, lettrados e illettrados, se julgam
aptos para discutir tudo) suppoem que nada adianto,
condemnando os vocabulos francezes e inglezes, e
substituindo-os por novos, formados do grego ou
do latim, ou de hybridismos greco-latinos, ou finalmente
dos elementos da propria lingua vernacula.
A esses não dou resposta.
Outros, não obstante o esmero, que ponho na formação
dos neologismos, confessam que o novo
termo exprime a idéa contida na palavra franceza
ou ingleza; (e ás vezes muĩto melhor, por exemplo,
''runimol, plutenil'', e outros) mas tal é a
força do máo habito, que parece deixarem com
mágua o vocabulo exotico, para usarem do nacional.
Entretanto, devo declarar que certos espiritos rectos e despidos de más paixões têem acceitado<noinclude></noinclude>
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa
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wikitext
text/x-wiki
{| class="toc" style="width:100%; margin-bottom: 1em; background-color: #f9f9f9; border: 1px solid #aaa; padding: 5px;"
|
'''Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa'''<br />
''Autora:'' [[Autor:Ana de Castro Osório|Ana de Castro Osório]]<br />
''Ilustrador:'' Álvaro Duarte de Almeida<br />
''Edição:'' Sociedade de Expansão Cultural (Lisboa, 1952)<br />
''Digitalização:'' Biblioteca Nacional de Portugal (PURL) [https://purl.pt/39286] <br />
''Nota:'' Edição diplomática. Texto fixado segundo a ortografia original de 1952.
|}
== Índice ==
=== Volume I ===
''Nota: Volume em fase de transcrição.''
* [[/Prefácio|Prefácio]]
* [[/O Homem da moca|O Homem da moca]]
* [[/História do careca|História do careca]]
* [[/A Bela Felicidade|A Bela Felicidade]]
* [[/O porqueiro|O porqueiro]]
* [[/O coelho branco|O coelho branco]]
* [[/Branca-Flor|Branca-Flor]]
* [[/História do Príncipe encantado no palácio de ferro no reino da escuridão|História do Príncipe encantado no palácio de ferro no Reino da Escuridão]]
* [[/O corvo|O corvo]]
* [[/O Príncipe Bezerro|O Príncipe Bezerro]]
* [[/A Princesa da Áustria|A Princesa da Áustria]]
* [[/História do Príncipe Luís|História do Príncipe Luís]]
* [[/O Bicho-de-sete-cabeças|O Bicho-de-sete-cabeças]]
* [[/História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja|História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja]]
* [[/O homem de pedra|O homem de pedra]]
* [[/A menina fadada|A menina fadada]]
* [[/O esperto|O Esperto]]
* [[/Os dois almocreves|Os dois almocreves]]
* [[/A mão de finado|A mão de finado]]
* [[/O leão de ouro|O leão de ouro]]
* [[/A Princesa Macaca|A Princesa Macaca]]
* [[/O soldado|O soldado]]
* [[/Os meninos da estrela de ouro na testa|Os meninos da estrela de ouro na testa]]
* [[/O figuinho da figueira|O figuinho da figueira]]
* [[/Os sapatinhos de setim|Os sapatinhos de setim]]
* [[/O gosto dos gostos|O gosto dos gostos]]
* [[/O bom serviço recompensado|O bom serviço recompensado]]
* [[/História da Princesa adormecida ou das treze fadas|História da Princesa adormecida ou das treze fadas]]
* [[/A menina curiosa ou a luta do bem e do mal|A menina curiosa ou a luta do bem e do mal]]
=== Volume II ===
''Nota: Os contos do Volume II serão adicionados após a conclusão do Volume I.''
* [[/A feia que se faz bonita|A feia que se faz bonita]]
* [[/A rainha invejosa|A rainha invejosa]]
* [[/História da Princesa que se perdeu na floresta|História da Princesa que se perdeu na floresta]]
* [[/O que é a felicidade|O que é a felicidade]]
* [[/História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas|História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas]]
* [[/O Tio Novelo|O Tio Novelo]]
* [[/O canudo mágico|O canudo mágico]]
* [[/As três cidras do amor|As três cidras do amor]]
* [[/História das três meninas da torre|História das três meninas da torre]]
* [[/História da Linda-a-linda|História da Linda-a-linda]]
* [[/Os figos maravilhosos|Os figos maravilhosos]]
* [[/História do papagaio|História do papagaio]]
* [[/História do mercador e seus três filhos|História do mercador e seus três filhos]]
* [[/História do Príncipe Monstro|História do Príncipe Monstro]]
* [[/Príncipe com orelhas de burro|Príncipe com orelhas de burro]]
* [[/O soldado jogador|O soldado jogador]]
* [[/História do jardineiro e seus três filhos|História do jardineiro e seus três filhos]]
* [[/A Princesa das pedras lindas|A Princesa das pedras lindas]]
* [[/História do armador|História do armador]]
* [[/O juramento|O juramento]]
* [[/O médico da morte|O médico da morte]]
* [[/Conto do bago de romã ou o orgulho castigado|Conto do bago de romã ou o orgulho castigado]]
* [[/História do Rei-Turco|História do Rei-Turco]]
* [[/O Príncipe das maçãs de ouro|O Príncipe das maçãs de ouro]]
* [[/O Olharapo|O Olharapo]]
* [[/O Príncipe do Lodo|O Príncipe do Lodo]]
* [[/História da menina Graça da Fortuna|História da menina Graça da Fortuna]]
* [[/A Princesa e o pobre aldeão|A Princesa e o pobre aldeão]]
* [[/A afilhada de São Pedro|A afilhada de São Pedro]]
* [[/As filhoses da bruxa|As filhoses da bruxa]]
* [[/A padeirinha|A padeirinha]]
* [[/A Riqueza e a Fortuna|A Riqueza e a Fortuna]]
* [[/A pastorinha e a moura|A pastorinha e a moura]]
* [[/Sumido sejas tu como o vento|Sumido sejas tu como o vento]]
* [[/O criado do doutor Mágico|O criado do doutor Mágico]]
* [[/História do Príncipe Imaginário|História do Príncipe Imaginário]]
* [[/A Princesa dos Cuidados|A Princesa dos Cuidados]]
* [[/A flor do Liro-Lar|A flor do Liro-Lar]]
* [[/Longo, Largo e Lince|Longo, Largo e Lince]]
* [[/A Princesa Carvoeiro|A Princesa Carvoeiro]]
* [[/O criado infiel|O criado infiel]]
* [[/A Princesa infeliz|A Princesa infeliz]]
----
{{PD-old-70}}
[[Categoria:Ana de Castro Osório]]
[[Categoria:1952]]
[[Categoria:Contos portugueses]]
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|147}}</noinclude>''Um e outro'' são adjectivos indefinitos; reunil-os
é, alem de crear um gallicismo, formar uma expressão
contradictoria. ''Outro'' é jà a opposição de
''um'': quando se diz, por exemplo, — ''um'' é bom,
''outro'' é máo, o adjectivo indefinito ''outro'' exprime
opposição relativa ao adjectivo articular indefinito — ''um'' —: junctar os dous adjectivos é ligar
palavras entre si repugnantes pela heterogeneidade
das idéas, que encerram.
Diz o comprador ao livreiro: Dê-me um
exemplar de tal obra: examinado o exemplar, que
{{sic|achou|açhou}} estragado, accrescenta: Este não serve;
dê-me ''outro''; e não, nunca, ''um outro''.
{{sic|Chegou|Çhegou}} ''um'' mensageiro; pouco depois ''outro''. Onde a necessidade, para nos fazermos comprehender, de reunir o adjectivo articular — ''um'' — ao adjectivo indefinito — ''outro?'' Poderá alguem suppor, quando o comprador pede ao livreiro ''outro'' exemplar, quando digo haver {{sic|chegado|çhegado}} ''outro'' mensageiro, que se confunda com o primeiro exemplar, ou com o primeiro mensageiro o adjectivo — ''outro'' — por não estar precedido de — ''um — ?...'' Um doente, já restabelecido, diz: Agora sou ''outro''; agora estou ''outro''; agora sinto-me ''outro''; e não, nunca: sou ''um outro'', estou ''um outro'', sinto-me ''um outro''. Só por que não seja n{{'}}estes exemplos precedido de — ''um'' — o adjectivo — ''outro'' —, poder-se-ha entender que o doente é o ''mesmo'', está o ''mesmo'', sente-se o ''mesmo?...''
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />152</noinclude><noinclude>turpado</noinclude> nosso magestoso idioma: não, não ha
diques, nem paradeiros, que obstem á caudal torrente;
o remedio portanto é nos consolarmos com
a sentença: {{lang|la|''Levius fit patientia quidquid corrigere nefas''}}.
De poucos annos para cá surgiu em Portugal,
e principalmente na culta Lisboa, um certo modo
de falar, que, em falta de melhor classificação,
çhamarei — ''Solecismo alfeninado''.
Nas altas regiões aristocraticas, nos circulos
da mais estreme sociedade, nas gazetas, nos folhetins,
nos romances, nas composições dramaticas,
finalmente, em toda essa farragem litteraria, que
atulha e tafulha as pacientes estantes das bibliothecas,
lá está em toda a plenitude de seo desenvolvimento
o ''microbio'' devorador da formosa pupilla
de Camões e do Vieira: os estragos são já consideraveis!
Medicos sectarios da escola parasitaria, pedi a
algum illustre Pasteur da philologia, um antidoto
para extinguir esse {{lang|la|''cryptococus sui generis''}}.
A endemia litteraria não se limitou ao paiz
onde nasceu; atravessou o Atlantico, e sem encontrar
cordão sanitario, que se lhe oppuzesse, veio
acclimar-se no Brazil!
Estamos todos, digo mal, está tambem entre nós grande numero de pessoas affectado de ''solecismite alfeninada''.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />154</noinclude>Em tal caso a melhor resolução, que tomareis
é fugir, fugir immediatamente; e para vos abstergerdes
da impureza de tal contagio, observae com
toda a confiança a receita do grande especialista
das molestias litteratias da glotte, o já citado Filinto,
cuja fórmula é a seguinte:
<poem>«Abra-se a antiga, veneranda fonte
«Dos genuinos classicos, e soltem-se
«As correntes da antiga e sã linguagem.»</poem>
Esta doença tem sido causa de mais de um
galante {{lang|la|''qui-pro-quo''}}.
Certo litterato, victima da ''solecismite'', indo á
casa de um amigo, dava á mulher d{{'}}aquelle a seguinte
noticia: «''Felicito'' á V{{abv|ossa}} Ex{{abv|a|cellencia}} pela boa compra, que fez hoje seo marido. — Qual foi? — Um çhapéo, que comprou ''para si'', e que ''em si'' ha de ficar ás mil maravilhas. — Foi um desperdicio; por que ainda hontem comprou elle o çhapéo, com que hoje sahio. — Mas, perdôe-me V{{abv|ossa}} Ex{{abv|a|cellencia}}, o çhapéo não foi para elle, mas ''para si''. A' vista da instancia a senhora começou a suspeitar que o illustre litterato estava com o juizo a arder, e por causa das duvidas não entrou em mais explicações.
Apresentava um poderoso patrono a um ministro um candidato; e depois do conveniente exordio dizia:
«A' vista das innumeras habilitações do meo cliente, o que desejo e peço a V{{abv|ossa}} Ex{{abv|a|cellencia}} é que arranje<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|155}}</noinclude>um logar ''para si''. O ministro, que era bom grammatico,
e que já tinha idéa da nova doença, respondeu
gracejando:
«Por esse lado não se inquiete, que já está arranjado.»
Adoecêra do seo achaque rheumatico um velho
de genio impaciente: manda {{sic|chamar|çhamar}} o medico,
mas este, por infelicidade, estando tambem adoentado,
responde por escripto dando-lhe essa noticia,
e declarando que iria dentro em pouco tractar ''de si''.
Ao ler uma tal resposta, o velho {{sic|enche-se|ençhe-se}} de
colera, e manda-o despedir, quando poucas horas
depois o medico se annunciou.
E' longa a lista das equivocações, que a tal
''solecismite alfeninada'' póde occasionar.
Recebe do seo protector o seguinte bilhete
um individuo, que pretendia um emprego: «Amigo
e senhor. — Não falei ao ministro sobre a sua pretenção,
porque o Dr. F. me disse que já tinha
pedido ao ministro esse logar ''para si'', e que o
obtivera.»
O Dr. F. era intimo amigo do pretendente,
não precisava do emprego, nem este de modo
algum lhe podia convir por ser logar subalterno.
A' vista porém do bilhete o pretendente levado por um assomo de indignação, escreve ao Dr. F., exprobra-lhe o seo procedimento, e protesta romper a antiga amizade.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />156</noinclude>O Dr. F., que outra cousa não tinha feito,
sinão interessar-se muito pelo pretendente, para
quem obteve o emprego, fica perplexo e sem saber
o que concluir de tal ''embroglio'', até que se resolve
a entender-se pessoalmente com o amigo injustamente
queixoso.
{{sic|Chegam|Çhegam}} ambos então a conhecer que toda
aquella desordem procedeo do maldicto — ''si'' ― erroneamente
empregado!...
Mais um para rematar a serie dos factos burlescos
da ''solescimite alfeninada''.
— Sr. A., sabe que o Visconde de ***, já
riquissimo, tirou hontem a sorte grande? — O meo
compadre e amigo? — Sim; e saiba mais que me
disse ser sua intenção gastal-a toda ''comsigo''
— E' porque é um egoista sem igual. — Ao
contrario; só vejo n{{'}}isso uma prova da maior e
mais estupenda generosidade.
Os dous se entreolharam, e cada um disse
''de si para si, e falando comsigo'': — Parece que estamos
em uma casa de orates; este homem não
está ''em si''.
Agora verá o leitor que, não obstante haver eu
empregado, nas ultimas linhas precedentes, as variações
do pronome — ''se'' — (de ''si'' para ''si'', ''comsigo'', ''em si'') não estou infeccionado da molestia, porque usei
d{{'}}ellas, como todos os que sabem grammatica usam,
isto é, ''fazendo-as referirse ao agente grammatical''<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|157}}</noinclude>''da oração''; e não á pessoa, a quem, e com quem
falamos; ''o que é attentado contra a logica, construcção abominavel, monstruosa locução, ridicula affectação do dizer e do escrever, cinca imperdoavel, torpe solecismo, erro palmar, emfim, vicio grammatical digno da ferula dos Orbilios!!''
''Reflecti'' que taes variações do pronome ''reflexivo''
são tambem ''reflexivas''.
Uma supplica á mocidade seja o {{sic|fecho|feçho}} d’este
desabafo:
Jovens, que em philosophia estaes fascinados
pelos falsos clarões de perigosas doutrinas; vós que
com os vossos predilectos mestres apenas concedeis
o favor de ''não negar nem affirmar a existencia de Deos''; que eivados de louca presumpção não
admittis a perpetuidade da sobrevivencia individual;
que no delirio de concepções impossiveis
''negando a Divindade divinisaes a materia''; vós,
que por effeito de taes theorias tendes já pervertido
o sentimento do bello em todas as ordens da
natureza; vós, que em litteratura tocastes à ultima
depravação do gosto; vós, para quem os archetypos
classicos são velharias despreziveis, porque lhes
ignoraes as riquezas, que o douto pó de seculares
camadas occulta aos vossos versateis olhares; vós,
que pareceis querer arrancar o trigo para plantar
o joio; respeitae ao menos a fórma da expressão:
não seja o vosso grito «''Delenda grammatica!''»
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />158</noinclude>A linguagem é sem duvida o traje do pensamento; mas não sujeiteis ao capriçho da moda as vestes das vossas idéas, como o fazeis com as roupas do vosso corpo.<noinclude>{{traço}}</noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf/181
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{d|137}}</noinclude>me causou grande admiração, porque nenhum dos
dous debatentes sabia a lingua ingleza.
Mas por que usaremos sem necessidade de
uma palavra ingleza, quando temos a equivalente
em portuguez? {{lang|en|''Leader''}} em inglez significa — ''o guia, o que vae adiante, o que mostra o caminho, o commandante, o cabeça, o {{sic|chefe|çhefe}}, o que dirige''. Quando
parlamentarmente falando, os inglezes dizem {{lang|en|''leader''}},
não dizem mais do que o ''{{sic|chefe|çhefe}}'', o ''guia'', etc. Si queremos
portanto imital-os, digamos tambem na nossa
lingua, como outr{{'}}ora se dizia nas casas do parlamento,
o {{sic|chefe|çhefe}} da maioria, o ''{{sic|chefe|çhefe}}'' da minoria, etc.
Tanto isto é verdade, que os proprios inglezes teem
a locução {{lang|en|''leader-ring''}}, {{sic|chefe|çhefe}} de partido.
Já não basta o {{lang|en|''bill''}}, que tem a sua traducção
nos vocabulos ''projecto, proposta''?
{{lang|en|''Leader''}} é affectação; é gosto de matizar com termos inglezes o nosso idioma.<noinclude>{{traço}}</noinclude>
0sroh7wrpwiofbyg4gnur68k10hfdj5
Wikisource:Esplanada/Arquivo/2024/Geral
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Albertoleoncio
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Discussão2|Pedido de CentralNotice para a WikiCon Portugal}} {{Discussão2|Relatório e pedido de recondução para administrador (2024)}} {{Discussão2|Obra duplicada (Pobres liberais!)}} {{Discussão2|Candidato a administrador}} {{Discussão2|Como faço para conectar uma página de Galeria com uma página sem digitalização?}} {{Discussão2|Tradução Espelhada}} {{Discussão2|Há como controlar a página seguinte ou anterior?}} {{Discussão2|Inserir no...
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text/x-wiki
{{Discussão2|Pedido de CentralNotice para a WikiCon Portugal}}
{{Discussão2|Relatório e pedido de recondução para administrador (2024)}}
{{Discussão2|Obra duplicada (Pobres liberais!)}}
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{{Discussão2|Há como controlar a página seguinte ou anterior?}}
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{{Discussão2|Autores portugueses em DP}}
{{Discussão2|Recondução à administração}}
== <span lang="pt-br" dir="ltr">Em breve: um novo recurso de sub-referência – experimente!</span> ==
<div lang="pt-br" dir="ltr">
<section begin="Sub-referencing"/>
[[File:Sub-referencing reuse visual.png|{{#ifeq:{{#dir}}|ltr|right|left}}|400px]]
Olá. Por muitos anos, os membros da comunidade solicitaram uma maneira fácil de reutilizar referências com detalhes diferentes. Agora, uma solução está chegando: o novo recurso de sub-referência, para wikitexto e Editor Visual, aprimorará o sistema de referência existente. Você pode continuar a usar os recursos existentes, mas provavelmente encontrará sub-referências em artigos escritos por outros usuários. Mais informações na [[m:Special:MyLanguage/WMDE Technical Wishes/Sub-referencing|página do projeto]].
'''Queremos sua opinião''' para garantir que esse recurso funcione bem para você:
* [[m:Special:MyLanguage/WMDE Technical Wishes/Sub-referencing#Test|Por favor, experimente]] a ferramenta, atualmente em fase beta, e [[m:Talk:WMDE Technical Wishes/Sub-referencing|diga-nos o que você acha]].
* [[m:WMDE Technical Wishes/Sub-referencing/Sign-up|Inscreva-se aqui]] para receber atualizações e/ou convites para participar de pesquisas.
A equipe de [[m:Special:MyLanguage/WMDE Technical Wishes|Desejos Técnicos]] da [[m:Special:MyLanguage/Wikimedia Deutschland|Wikimedia Deutschland]] está planejando trazer este recurso para as wikis da Wikimedia ainda este ano. Entraremos em contato com os criadores/mantenedores de ferramentas e predefinições relacionadas a referências com antecedência.
Por favor, ajude-nos a espalhar essa mensagem. --[[m:User:Johannes Richter (WMDE)|Johannes Richter (WMDE)]] ([[m:User talk:Johannes Richter (WMDE)|talk]]) 10:36, 19 August 2024 (UTC)
<section end="Sub-referencing"/>
</div>
<!-- Mensagem enviada por User:Johannes Richter (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Johannes_Richter_(WMDE)/Sub-referencing/massmessage_list&oldid=27309345 -->
== Ortografias antigas e atuais ==
Muitas obras dos séculos XVIII e XIX estão já "atualizadas" com ortografias recentes (de 1943, de 1990, etc.), e eu julgava que tais atualizações seriam a norma no Wikisource. Entretanto, muito recentemente fiquei sabendo que o "correto" é transcrever o mails fielmente possível a grafia original da imagem digitalizada (inclusive mantendo eventuais erors do original). Que fazer com tais obras já modificadas? Deverão elas ser "corrigidas" e retornar à grafia original?
Vejo que certas obras possuem duas versões: uma figurando somente com o título, e uma vizinha cujo título contém a frase "(grafia original)". Creio ser esta a maneira desejada de manter ambas as versões.
[[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 00h39min de 20 de agosto de 2024 (UTC)
:Sim, o correto é deixar o texto o mais fiel possível do original, incluindo os erros assim como você comentou. Isto está escrito no aviso que aparece assim que você irá criar/editar uma página.
:<nowiki>Sobre a prática de colocar duas obras, uma com a grafia original e outra com a grafia atualizada não acho que seja a melhor coisa a se fazer, pois já temos uma predefinição para lidar justamento com esse problema {{</nowiki>[[Predefinição:Modernização automática|Modernização automática]]<nowiki>}}. E acho que não é legal a duplicação das obras, e ainda por cima, gera páginas sem fontes, que são páginas que não podem ser facilmente verificadas por outros usuários no futuro.</nowiki>
:Caso você encontre obras que estão com a grafia atualizada, coloque-as nesta [[:Categoria:Originais a serem arcaizados|categoria]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 03h14min de 20 de agosto de 2024 (UTC)
::Junglk, obrigado pela dica! Sim, exemplos de obras a que me refiro são ''O Cortiço'' e ''O Matuto''. Ambas já estão na mencionada lista. Mais uma vez agradeço. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 03h33min de 20 de agosto de 2024 (UTC)
::[[Utilizador:Junglk|Junglk]], Graças aos seus conselhos, consegui completar a arcaização de 'O Matuto', obra que consta na lista que você mencionou acima.
::Questão adicional: Vejo que 'Modernização automática' funciona bem no âmbito de uma página individual, mas há alguma maneira simples de fazer esta declaração, uma vez só, no início de uma obra, para que a predefinição se propague automaticamente para o resto dela? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 13h31min de 6 de setembro de 2024 (UTC)
:::Para que a modernização seja feita de forma automática é preciso que na página da Galeria você clique em editar a página e selecione a modernização automática, é a penúltima caixa. Assim que você fizer isso, pode ser que não funcione, pois as páginas dos capítulo podem estar utilizando a predefinição {{tl|navegar}}, o que não funciona com a modernização automática (isso é explicado em uma nota no final da página da galeria assim que você ativa modernização automática na obra). Então para que a modernização automática funcione você deve usar <code><nowiki><page index="Nome do arquivo" from="(Número da página inicial do capítulo/seção)" to="(Número da página final do capítulo/seção)" header=1></nowiki></code> na página de cada capítulo ou seção. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h00min de 6 de setembro de 2024 (UTC)
:::Aqui está um exemplo caso minha explicação tenha ficado confusa: [[Galeria:Iracema - lenda do Ceará.djvu|Iracema]].
:::Vejo que há uma nota abaixo da pagelist, dizendo o seguinte: ''A predefinição {{Modernização automática}} será aplicada automaticamente às páginas transcluídas com cabeçalho (header=1)''. Espero ter ajudado! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h05min de 6 de setembro de 2024 (UTC)
::::[[Utilizador:Junglk|Junglk]], Obrigado de novo pelo auxílio. Vi depois que mesmo sem selecionar nada na Galeria, é possível adicionar as opções de Modernização Automática ao menu ''Ferramentas'' de cada capítulo. Estou procedendo de tal maneira com [[O cabelleira]]. Obrigado! [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 10h45min de 9 de setembro de 2024 (UTC)
:::::Fico feliz que tenha ajudado! 😊 [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h32min de 9 de setembro de 2024 (UTC)
== Travessão ==
Qual é a maneira recomendada de se grafar o travessão no Wikisource? Por exemplo: (1) '—' parece o suficiente. (2) '& m d a s h ;' parece ser igual. (3) '{ { - - } }' também parece ser idêntico. Nota: inseri espaços nos exemplos anteriores para evitar conversão automática nesta mensagem. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 08h04min de 19 de setembro de 2024 (UTC)
:Os três produzem o mesmo resultado. O terceiro é a forma mais fácil de escrever, sem precisar de botões ou atalhos de teclado, e mais fácil de memorizar. É melhor de se usar, inclusive para evitar que seja substituído por acidente por hífens, dependendo do parágrafo da digitalização. [[Usuário:555|Lugusto]] • [[Usuário Discussão:555|※]] 12h38min de 19 de setembro de 2024 (UTC)
::👍 [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 12h41min de 19 de setembro de 2024 (UTC)
{{Discussão2|Invasão nas Mudanças recentes}}
== 'Wikidata item' link is moving. Find out where... ==
<div lang="en" dir="ltr" class="mw-content-ltr"><i>Apologies for cross-posting in English. Please consider translating this message.</i>{{tracked|T66315}}
Hello everyone, a small change will soon be coming to the user-interface of your Wikimedia project.
The [[d:Q16222597|Wikidata item]] [[w:|sitelink]] currently found under the <span style="color: #54595d;"><u>''General''</u></span> section of the '''Tools''' sidebar menu will move into the <span style="color: #54595d;"><u>''In Other Projects''</u></span> section.
We would like the Wiki communities feedback so please let us know or ask questions on the [[m:Talk:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Projects/Move_Wikidata_item_link|Discussion page]] before we enable the change which can take place October 4 2024, circa 15:00 UTC+2.
More information can be found on [[m:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Projects/Move_Wikidata_item_link|the project page]].<br><br>We welcome your feedback and questions.<br> [[Utilizador:MediaWiki message delivery|MediaWiki message delivery]] ([[Utilizador Discussão:MediaWiki message delivery|discussão]]) 18h56min de 27 de setembro de 2024 (UTC)
</div>
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Test_List&oldid=27524260 -->
== 'Wikidata item' link is moving, finally. ==
Hello everyone, I previously wrote on the 27th September to advise that the ''Wikidata item'' sitelink will change places in the sidebar menu, moving from the '''General''' section into the '''In Other Projects''' section. The scheduled rollout date of 04.10.2024 was delayed due to a necessary request for Mobile/MinervaNeue skin. I am happy to inform that the global rollout can now proceed and will occur later today, 22.10.2024 at 15:00 UTC-2. [[m:Talk:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Projects/Move_Wikidata_item_link|Please let us know]] if you notice any problems or bugs after this change. There should be no need for null-edits or purging cache for the changes to occur. Kind regards, -[[m:User:Danny Benjafield (WMDE)|Danny Benjafield (WMDE)]] 11h28min de 22 de outubro de 2024 (UTC)
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Test_List&oldid=27535421 -->
== Como iniciar no Wikisource? ==
Saudações, tenho interesse em colaborar com o Wikisource através de traduções de livros, artigos e outras obras literárias que não estão traduzidas para a língua portuguesa. Entretanto, não sei como começar. Quais as predefinições mais importantes? Como estilizar o documento (justificar, centralizar, mudar fonte, etc.)? No aguardo pela resposta.
:{{ping|Caesar853}} Olá! Primeiro, é importante assinar seus comentários com <nowiki>~~~~</nowiki> no final; Como um começo, diria para dar uma lida em [[Ajuda:Introdução]]; acho que no geral, as predefinições mais usadas são [[Predefinição:Centralizado|Centralizado]], [[Predefinição:Cabeçalho|Cabeçalho]], [[Predefinição:Larger|Larger]] e mais algumas para [[:Categoria:!Predefinições para títulos|títulos]]. A única outra "fonte" seria [[Predefinição:Cursivo|Cursivo]], mas ficaria ruim deixar a obra toda nesse formato (já "itálico" e "negrito" funcionam da mesma forma que na Wikipédia - no geral, se você já tem experiência na Wikipédia, não terá problema aqui, já que é a mesma tecnologia). Agora, para tradução, tem uma plataforma que ainda não cheguei a usar ({{ping|Saturnow}} usou bastante) chamada [[Wikisource:Tradução espelho]]. Abraços! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 12h07min de 4 de dezembro de 2024 (UTC)
:Obrigado pela resposta, vou seguir o passo-a-passo. Eu tenho uma experiência com o Wikipédia, já criei e aprimorei diversos artigos por lá. Eu olhei de relance a formatação da obras mais recente em publicação que é ''Reparação Historica da Villa de Santo André da Borda do Campo'' e eu entendi mais ou menos como funciona as predefinições de formatação. [[Utilizador:Caesar853|Caesar853]] ([[Utilizador Discussão:Caesar853|discussão]]) 13h03min de 4 de dezembro de 2024 (UTC)
::Bem, não há de quê! E boas edições! [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 14h01min de 4 de dezembro de 2024 (UTC)
:::Bom dia, existe alguma forma de criar rascunhos no Wikisource, isto é, conteúdos não publicados para o caso do colaborador estar escrevendo ou traduzindo obras muito longas como livros, legislações, etc.?
:::[[Especial:Contribuições/2804:214:93C1:3D57:180F:C5D6:FBE7:C005|2804:214:93C1:3D57:180F:C5D6:FBE7:C005]] 11h59min de 10 de dezembro de 2024 (UTC)
::::{{ping|2804:214:93C1:3D57:180F:C5D6:FBE7:C005}} Bom dia! Acho que em si não terá problema criar uma subpágina de usuário como rascunho, mas para tradução, sugiro que leia [[Wikisource:Tradução espelho]]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h45min de 11 de dezembro de 2024 (UTC)
== Predefinição:Autor ==
Hoje eu fiz umas alterações na {{tl|Autor}} para buscar mais dados do Wikidata. Tentei ao máximo fazer as alterações necessárias sem causar impacto no leiaute ou na funcionalidade da predefinição. Mas a predefinição chamava funções desatualizadas e foi necessário trazer algumas funções novas que não estavam incluídas nos módulos deste projeto. Fiz todas as atualizações. Agora não é mais necessário informar a data de nascimento ou morte de um autor. Esses dados são buscados do Wikidata e a página é categorizada corretamente. Mas ainda está havendo um erro na geração de categorias por ano de nascimento e falecimento, apenas quando esses parâmetros são informados na {{tl|Autor}}, por meio de {{tl|dni}} ou {{tl|morte}}. Desculpem-me por isso. Vou parar um pouco por hoje, mas vou corrigir esse erro em algumas horas e aviso aqui quando estiver ok. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 04h25min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:Muito bom! Nessa linha, acha que seria possível automatizar a categorização em [[:Categoria:Autores brasileiros por data de entrada em domínio público|Autores brasileiros por data de entrada em domínio público]] (além de criar uma versão para Portugal) ou criar um equivalente ao [[:s:en:Category:Authors by license|Category:Authors by license]], dentro do <nowiki>{{</nowiki>[[Predefinição:Morte|morte]]<nowiki>}}</nowiki>? Talvez o Ws possa usar o próprio Wikidata (através da nacionalidade) para identificar quando cada autor entrou em domínio público. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h24min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
::Boa ideia. A princípio, eu estava apenas tentando importar o máximo de informações já existentes na {{tl|Autor}}, mas a ideia era vir aqui e discutir melhorias que essa integração com o Wikidata pode trazer. Como o Wikisource não é uma enciclopédia, a página dos autores não precisa ser uma biografia, então até mesmo o texto de introdução (MiscBio) pode ser gerado automaticamente. Na Wikiquote, já está funcionando assim, mas aguardando quorum para aprovar o uso. A sua sugestão parece ser ainda mais útil. Vou tentar implantar em teste e trago aqui para discussão. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 13h09min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:::{{feito}} Resolvido o problema da categorização com {{tl|dni}} e {{tl|morte}}. Vocês podem checar em [[Autor:Monteiro Lobato]] (ou em qualquer página com {{tl|Autor}} que tenha as predefs de nascimento e morte nos respectivos campos). A {{tl|Autor}} '''ignora''' os dados de nascimento/morte fornecido e categoriza a página pelos dados do Wikidata. Então, nesse momento, informar a data de nascimento/morte é <u>desnecessário</u>. Vou atualizar a documentação. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 15h24min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
::::{{feito}} Atualizei a documentação. Nesse momento, nenhum parâmetro é obrigatório, basta escrever {{tl|Autor}} em uma página conectada no Wikidata para importar todos os dados necessários de lá. Isso inclui a informação da nacionalidade, abrindo caminho para implementar a sugestão do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Mas vou estudar a árvore de categorias e depois abrimos um novo tópico para esse tema. [[Usuário:Castelobranco|<font color="#778899" face="Verdana" size="2">CasteloBranco</font>]]<sup>[[Usuário Discussão:Castelobranco|<font color="#00008b">msg</font>]]</sup> 20h20min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::Concordo com a ideia de automatizar a biografia (algo que é feito nas Ws em francês e espanhol). Quanto a minha sugestão, ela também entra no contexto [[Wikisource:Esplanada/Autores portugueses em DP|dessa discussão]], que pode gerar algo mais prático para os usuários do que as listas presentes [[Wikisource:Autores em língua portuguesa com obras em domínio público|nesta página]]. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 22h22min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
::::::E lembrando agora, seria interessante se a categorização de [[:Categoria:Autores por nacionalidade|Autores por nacionalidade]] (ou por unidade federativa) também seja automatizada. E, além disso, usando o [[:s:fr:Auteur:Monteiro_Lobato|Lobato]] como exemplo, no Wikisource em francês, tirando "''Auteurs de science-fiction''", todas as categorias relevantes são automáticas. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 22h28min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
:::::::Fiz um teste no Ws em francês onde atualizei o Wikidata e coloquei o "Escritor de ficção científica": a categorização foi imediata. Talvez o único "problema" de uma categorização totalmente dependente do Wikidata seria a quantidade de categorias por criar, mas isso seria feito com o tempo (ou algum bot poderia resolver). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 22h36min de 15 de dezembro de 2024 (UTC)
{{Discussão2|Sonetos sem original digitalisado}}
== Transferir "Galeria" ==
Olá. Eu queria revisar o texto de [[:Galeria:Contos_e_phantasias_(Maria_Amália_Vaz_de_Carvalho,_1905).pdf|Contos e phantasias]], mas o scan que está anexado é realmente muito desagradável. Eu fiz o upload para a Commons de um scan mil vezes melhor ([[:File:Contos e phantasias-2nd.pdf]]). Como que poderíamos passar a usar a "Galeria" ''deste'' no lugar? [[Utilizador:Polomo47|Polomo47]] ([[Utilizador Discussão:Polomo47|discussão]]) 03h54min de 28 de dezembro de 2024 (UTC)
gdpx2yqmdshqmiwpsh0vpg4f433sqp4
Wikisource:Esplanada/Arquivo/2025/Geral
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Albertoleoncio
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{Discussão2|Alterações para incluir notas laterais}} {{Discussão2|Ajuda com formatação}} == Como fazer a página índice == Olá, Sou iniciante aqui no Wikisource, e gostaria de saber como introduzir conteúdo à página índice de ''S. Bernardo'' de Graciliano Ramos: [[https://pt.wikisource.org/wiki/S._Bernardo]], que no momento encontra-se ainda vazia. Por "conteúdo" quero dizer a página formatada e publicada, com links para os vários cap...
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text/x-wiki
{{Discussão2|Alterações para incluir notas laterais}}
{{Discussão2|Ajuda com formatação}}
== Como fazer a página índice ==
Olá, Sou iniciante aqui no Wikisource, e gostaria de saber como introduzir conteúdo à página índice de ''S. Bernardo'' de Graciliano Ramos: [[https://pt.wikisource.org/wiki/S._Bernardo]], que no momento encontra-se ainda vazia. Por "conteúdo" quero dizer a página formatada e publicada, com links para os vários capítulos. (Um exemplo seria: [[O Matuto|https://pt.wikisource.org/wiki/O_Matuto]].) Presentemente, estou ainda processando as imagens originais de ''S. Bernardo'', [[https://pt.wikisource.org/wiki/Galeria:Graciliano_Ramos_-_S._Bernardo_(1934).pdf]], mas eu gostaria de poder ver as páginas publicadas. Será que daria para algum de vocês "power users" fazê-lo para mim, ou dar-me instruções? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 05h48min de 22 de fevereiro de 2025 (UTC)
:{{ping|Wuopisht}} como exemplo, fiz a [[S. Bernardo (1934)|página inicial]] e o [[S. Bernardo (1934)/Capítulo I|Cap. 1]]: é bem intuitivo, pois você apenas precisa adicionar a primeira e última página do capítulo no código ("from= to="). [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h14min de 22 de fevereiro de 2025 (UTC)
::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], Obrigado! Agora a inserção dos textos se tornou trivial! Uma última pergunta: é preciso ter alguma permissão especial para fazer a página inicial? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 00h16min de 23 de fevereiro de 2025 (UTC)
:::Não há de que! Não é preciso de nenhuma permissão especial para fazer uma página inicial (ou qualquer página de obra), só para apagá-la. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 00h51min de 23 de fevereiro de 2025 (UTC)
{{Discussão2|ajuda}}
Ola,presiso de ajuda,aqui "não tem cafe dos novatos",por isso vim aquina explanada e preciso de ajuda para criar aguns "artigos". agradeço a todos que me responderem
== Como aprimorar a modernização automática ==
Olá, Notei que introduzindo uma palavra à página dicionário [[Wikisource:Modernização/Dicionário/pt-BR]] tem imediatamente o efeito de "corrigir" qualquer página marcada para modernização (por exemplo, adicionando "*optimismo: otimismo"). No entanto, fico na dúvida se essa é a maneira correta ou recomendada para modernização. É uma tarefa extremamente árdua introduzir palavras uma a uma, especialmente em casos difíceis como em conjugação de verbos. Imagino se não há já algum método mais automático de ampliar o dicionário, ou se não há algum método melhor de modernização. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 12h43min de 24 de fevereiro de 2025 (UTC)
:Quanto a um método mais automático não sei lhe dizer, acho que esse infelizmente é o único disponível no momento (da qual tenho conhecimento). É árduo sim, mas a Wikisource é um projeto colaborativo, se cada um ajudar um pouquinho não é tanto trabalho assim.
:{{gap}}Agora com relação ao método de realizar a adição de novas palavras, acho que você se confundiu um pouco, por exemplo a palavra ''*ortographia: ortografia'' deveria ter sido adicionado no dicionário pt-PT e não no pt-BR, pois é uma modernização na qual é válida para ambas as variantes (''ortographia'' é ''ortografia'' tanto em pt-PT quanto em pt-BR). O que ocorre é que a verificação é realizada primeiramente no dicionário pt-PT, e o dicionário pt-BR é verificado somente após essa primeira verificação no outro dicionário. Então somente adicione no dicionário pt-BR palavras na qual há um diferença entre a variante pt-PT e pt-BR, como seu próprio exemplo, a palavra ''optimismo'' deve ser mantida dessa forma em pt-PT, mas em pt-BR deve ser alterada para ''otimismo''. Espero que tenha exclarecido a confusão. Abraços! [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h02min de 24 de fevereiro de 2025 (UTC)
::Obrigado pela dica, [[Utilizador:Junglk|Junglk]]!Sim, tinha me esquecido que o BR é adicional ao PT. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 11h20min de 26 de fevereiro de 2025 (UTC)
::Uma outra dúvida: A conversão "chamarão"->"chamaram" está correta se o verbo estiver no tempo pretérito, mas nenhuma conversão deverá ser feita caso esteja no tempo futuro. Parece-me que não há outro modo de resolução a não ser pelo contexto. A presença da conversão faz com que o tempo futuro esteja incorreto, a sua ausência causa problema no tempo pretérito. [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 12h44min de 26 de fevereiro de 2025 (UTC)
:::Me parece que nesses casos o que deve ser feito é, caso haja, um entrada com esses tipos de problema, na qual a conversão pode ou não estar certa e o que definirá isto é o contexto, é necessário então remover essa conversão adicionando <code>: (palavra): conversão da remoção// explicação</code> no dicionário em questão. E então para lidar com a conversão desses é necessário utilizar o dicionário local, mais sobre ele e como utilizá-lo pode ser visto aqui [[Predefinição:Modernização automática]], ou então caso você queira manter a palavra da forma que está é só adicionar a predefinição {{tl|Manter ortografia}}. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 13h45min de 26 de fevereiro de 2025 (UTC)
::::Ah, sim, "dicionário local", no sentido de dicionário válido somente para a página onde ele está definido. Já tive oportunidade de ver um desses. Obrigado! [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 01h38min de 1 de março de 2025 (UTC)
:::::Olá de novo, [[Utilizador:Junglk|Junglk]]. Estou tendo um problema com atualização de páginas. Esperei alguns dias para ver se era apenas uma questão de sincronização, mas parece-me que não. Introduzi um dicionário local para a palavra "perpétuo" (diferenciando com o verbo "eu perpetuo"). A modificação parece estar correta, pois posso vê-la na página individual: <[[Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/26]]>. No entanto, quando vou para o texto final e seleciono "Ferramentas / Ortografia brasileira", o texto mostra-se no original "perpetuo": <[[S. Bernardo (1934)/Capítulo IV]]>. Alguma ideia do que possa estar ocorrendo? [[Utilizador:Wuopisht|Wuopisht]] ([[Utilizador Discussão:Wuopisht|discussão]]) 10h33min de 4 de março de 2025 (UTC)
::::::Nunca utilizei muito essas ferramentes para ser sincero, mas acredito que seja porque o dicionário local só está sendo utilizado no namespace Página e não no Main namespace. Para resolver isso, creio eu, que utilizando o dicionário local em [[S. Bernardo (1934)/Capítulo IV]] resolva, ao invés de usar em [[Página:Graciliano Ramos - S. Bernardo (1934).pdf/26]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 14h43min de 4 de março de 2025 (UTC)
== Licenciamento de materiais da OCDE ==
Estou fazendo uma disciplina sobre Ciência Aberta esse semestre na UNICAMP, e percebi que vários dos "documentos fundadores" sobre ciência aberta não estão no Wikisource. Com certa ironia, vários deles foram publicados sob licenças fechadas - incluindo a [[doi:10.1787/9789264034020-en-fr|declaração de 2007]] da OCDE sobre o tema.
No entanto, olhando os [https://www.oecd.org/en/about/terms-conditions.html termos e condições] dos conteúdos da OCDE, consta que agora sob uma nova política, todos os conteúdos publicados após julho de 2024 estarão em CC BY 4.0. Além disso, ficou disposta a seguinte resolução, alterando retroativamente o licenseamento para textos anteriores à julho de 2024:
* Uso, cópia e distribuição: Livre para fins comerciais e não comerciais, desde que citada a fonte original: "OECD (ano), Título, URL".
* Adaptações: Permitidas (comerciais ou não), mas sem uso de logo/identidade visual da OCDE. Adicionar: "Adaptação de obra da OCDE. As opiniões expressas não representam a visão oficial da OCDE ou seus países-membros".
* Traduções não comerciais: Permitidas sem autorização, desde que semuso de elementos visuais da OCDE. Incluir aviso: "Em caso de divergências, o texto original prevalece".
Tendo isso em vista, fiquei na dúvida se documentos como esse de 2007 estariam compatíveis com a licença que usamos no Wikisource, e resolvi pedir ajuda aqui. Agradeço desde já pra quem puder dar uma luz. [[Utilizador:Parzeus|Parzeus]] ([[Utilizador Discussão:Parzeus|discussão]]) 03h51min de 25 de março de 2025 (UTC)
:Olha... eu abriria uma discussão no [[:c:Commons:Village pump]], já que é uma questão mais "internacional". Eu até achei [[:c:Commons:Village pump/Archive/2024/11#Charts built with OECD Data|essa discussão]], mas o assunto não é o mesmo. Se o licenciamento passar no Commons, aí é só transcrever no Wikisource do idioma correspondente. ━ [[User:Albertoleoncio|<span style="font:15px serif; color: #445; text-transform: uppercase;">Albertoleoncio</span>]] [[User talk:Albertoleoncio|<span style="font:italic x-small cursive;color: #777;">Who, me?</span>]] 15h43min de 25 de março de 2025 (UTC)
::{{ping|Parzeus}} também concordo em levar essa discussão para o Commons. Lendo os termos, o fato de precisar de autorização para traduzir (com objetivo comercial) conteúdos anteriores à 1 de julho de 2024 pode ser visto como uma limitação para o Commons (já que em tese, não seria "100% livre"). Mas o de julho de 2024 em diante, pode usar sem problemas. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 11h30min de 26 de março de 2025 (UTC)
:Obrigado pela dica, @[[Utilizador:Albertoleoncio|Albertoleoncio]] e @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], publiquei [https://commons.wikimedia.org/wiki/Commons:Village_pump#c-Parzeus-20250403181100-Clarification_on_OECD's_new_licensing_policy_and_compatibility_with_Commons a discussão] lá. Abraços, [[Utilizador:Parzeus|Parzeus]] ([[Utilizador Discussão:Parzeus|discussão]]) 18h12min de 3 de abril de 2025 (UTC)
{{Discussão2|Lançamento da Lista de desejos tecnológicos da lusofonia 2025!}}
== Wikidata and Sister Projects: An online community event ==
''(Apologies for posting in English)''
Hello everyone, I am excited to share news of an upcoming online event called '''[[d:Event:Wikidata_and_Sister_Projects|Wikidata and Sister Projects]]''' celebrating the different ways Wikidata can be used to support or enhance with another Wikimedia project. The event takes place over 4 days between '''May 29 - June 1st, 2025'''.
We would like to invite speakers to present at this community event, to hear success stories, challenges, showcase tools or projects you may be working on, where Wikidata has been involved in Wikipedia, Commons, WikiSource and all other WM projects.
If you are interested in attending, please [[d:Special:RegisterForEvent/1291|register here]].
If you would like to speak at the event, please fill out this Session Proposal template on the [[d:Event_talk:Wikidata_and_Sister_Projects|event talk page]], where you can also ask any questions you may have.
I hope to see you at the event, in the audience or as a speaker, - [[Utilizador:MediaWiki message delivery|MediaWiki message delivery]] ([[Utilizador Discussão:MediaWiki message delivery|discussão]]) 09h19min de 11 de abril de 2025 (UTC)
<!-- Mensagem enviada por User:Danny Benjafield (WMDE)@metawiki utilizando a lista em https://meta.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Danny_Benjafield_(WMDE)/MassMessage_Send_List&oldid=28525705 -->
{{Discussão2|Candidatura a adminstradora}}
{{Discussão2|Vote nas propostas da Lista de Desejos Tecnológicos da Lusofonia 2025!}}
== Modernização manual de ortografia ==
Há como configurar, manualmente, uma versão com ortografia modernizada? Imagino que não na mesma página, mas talvez em páginas separadas? Algum conselho?
É praticamente inviável montar um dicionário completo de "grafias arcaicas" para se modernizar automaticamente — no máximo, pode se tentar alguma integração com o Wiktionary em inglês. Eu venho adicionando zilhões de palavras lá. [[Utilizador:Polomo47|Polomo47]] ([[Utilizador Discussão:Polomo47|discussão]]) 20h01min de 12 de maio de 2025 (UTC)
{{Discussão2|Plano Estratégico da Wikimedia Portugal para 2026-2028}}
{{Discussão2|Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português}}
{{Discussão2|Tratado descritivo do Brasil em 1587}}
== Wikidata Item and Property labels soon displayed in Wiki Watchlist/Recent Changes ==
''(Apologies for posting in English, you can help by translating into your language)''
Hello everyone, the [[m:Wikidata_For_Wikimedia_Projects/Clearer_Wikidata_Edit_Summaries/Resolve_Labels|Wikidata For Wikimedia Projects]] team is excited to announce an upcoming change in how Wikidata edit changelogs are displayed in your [[Special:Watchlist|Watchlists]] and [[Special:RecentChanges|Recent Changes]] lists. If an edit is made on Wikidata that affects a page in another Wikimedia Project, the changelog will contain some information about the nature of the edit. This can include a QID (or Q-number), a PID (or P-number) and a value (which can be text, numbers, dates, or also QID or PID’s). Confused by these terms? See the [[d:Special:MyLanguage/Wikidata:Glossary|Wikidata:Glossary]] for further explanations.
The upcoming change is scheduled for '''17.07.2025''', between '''1300 - 1500 UTC'''.
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{{Discussão2|Itens por validar na página principal?}}
{{Discussão2|Crônica da Companhia de Jesus}}
{{Discussão2|Proofreader mobile}}
Lá na lista de desejos da comunidade foi iniciada a votação de uma [[meta:Community_Wishlist/W153|proposta]] para a criação de uma versão mobile da ferramenta de proofreading do Wikisource. Acredito que se aceita, poderá atrair mais editores além do desktop (convenhamos que hoje em dia muitos usam mais o celular que o computador)... [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 23h38min de 23 de outubro de 2025 (UTC)
axassa056u7tm57qimw2u5wal3d0ed0
Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/A Princesa Macaca
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = A Princesa Macaca | anterior = [[../O leão de ouro/]] | posterior = [[../O soldado/]] | notas = }} '''<big>A PRINCESA MACACA</big>''' HAVIA num opulento país, lá para as bandas do Oriente, um Rei e uma Rainha, já velhos, que tinham três filhos. O mais velho chamava-se Rubi, porque seus olhos se incendiavam de cólera à menor contrar...
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{{navegar
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| autor = Ana de Castro Osório
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| seção = A Princesa Macaca
| anterior = [[../O leão de ouro/]]
| posterior = [[../O soldado/]]
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}}
'''<big>A PRINCESA MACACA</big>'''
HAVIA num opulento país, lá para as bandas do Oriente, um Rei e uma Rainha, já velhos, que tinham três filhos.
O mais velho chamava-se Rubi, porque seus olhos se incendiavam de cólera à menor contrariedade. O segundo era Esmeraldino, porque verdes como a inveja eram os seus olhos falsos. O terceiro chamava-se Diamante, porque a sua alma era pura como o brilhar dessa pedra preciosa.
Eram os três moços príncipes guapos cavaleiros, instruídos e corajosos, mas o mais novo sobrelevava aos irmãos em tudo e por isso merecia o afecto da corte e do povo, que já por vezes tinham reclamado ao Rei o declarasse herdeiro do trono.
Também os velhos monarcas estimavam muito esse filho, que, ao contrário dos outros príncipes e cavaleiros da sua idade, passava o tempo a estudar os velhos livros da biblioteca e a conversar com sábios e artistas que de todo o mundo corriam a honrá-lo pela fama de sabedoria que universalmente gozava. E não o impediam os estudos sérios de ser um galante cavaleiro e trovador e de nos serões do paço encantar as damas com a graça do seu espírito, nem também de ser a sua espada das mais gloriosas entre as dos mais valentes do seu tempo.
Os pais, que o amavam sobre todas as coisas, a ninguém queriam mostrar tal preferência para que os príncipes Rubi e Esmeraldino, que já se enraiveciam com a maior simpatia que o irmão gozava entre os súbditos dos pais, não se despeitassem a ponto de causarem alguma desgraça.
Temendo levantamentos e revoltas, que depois da sua morte devastassem aquele país tão rico e florescente, o velho Rei mandou um dia reunir na sua corte os mais nobres e ricos homens do reino, os sapientes prelados e os mais conscienciosos representantes do povo, para que todos dissessem qual devia ser o herdeiro do trono. A uma só voz todos gritaram que o Príncipe Diamante é que devia ser o futuro Rei.
— Não façamos barulho — disse o soberano — nem aos príncipes meus filhos se dará parte do resultado deste Conselho, que eu vou mandá-los viajar por um ano, e aquele que me trouxer o cão mais bonito esse é que herderá a coroa.
Todos aprovaram a ideia do Rei e ele chamou os três príncipes e deu-lhes parte do que se tinha resolvido. Os dois mais velhos ficaram satisfeitos por irem correr mundo e assim poderem satisfazer os seus génios aventureiros. O mais novo ficou triste porque levaria muitas saudades dos pais e dos seus amigos e pouca consolação teria com a vista de novas regiões e costumes, que tudo ele já conhecia dos livros.
Chegou o dia marcado para a partida, e os três irmãos, despedindo-se dos pais e da corte que das janelas do paço assistiam à despedida, montaram os seus vigorosos e bonitos cavalos de viagem e partiram a galope. Assim foram seguindo juntos, até que ao cair da tarde depararam com três caminhos que se cruzavam. Disse então o Príncipe Rubi:
— Irmãos, cada um de nós seguirá por caminho diferente, e de hoje a um ano aqui estaremos para entrarmos juntos na capital.
Despediram-se e cada qual seguiu o seu destino. Rubi, que foi pela direita, encontrou-se, já alta noite, à porta da casa dum pobre pescador. Bateu e pediu agasalho, e, como visse que a filha do dono da casa era muito bonita, tratou logo de encetar conversa e contar ao que vinha, já com pouca vontade de sair dali. A filha do pescador, que não tinha nada de estúpida, disse-lhe:
— Meu Príncipe, triste coisa é andar a correr mundo sem ter ao menos a companhia de um pagem para o tratar! O melhor é Vossa Alteza ficar connosco.
— De vontade ficaria eu, se não fosse ter de procurar um bom cão de raça para levar ao Rei meu pai.
— Nós temos uma cadela de água muito bonita; em tendo um filho cria-se com todo o cuidado e Vossa Alteza o levará ao Rei.
O Príncipe achou boa a ideia e por ali ficou.
Esmeraldino, que fora pela estrada do centro, foi andando, andando, até que chegou a casa dum moleiro. Bateu à porta, disse quem era e pediu agasalho por essa noite. Também o moleiro tinha uma única filha, que era bonita deveras. A farinha que a empoava ainda mais formosa a fazia e não a deixava queimar do sol nem crestar com as ventanias do norte. Ficou o Príncipe ali todo encantado, e, para passar o tempo, contou ao que vinha. Disse-lhe a moleirita:
— Então Vossa Alteza há-de ir assim por esse mundo de Cristo, exposto a mil perigos? Melhor seria aqui ficar connosco.
— Bem ficaria, se não fosse ter de procurar a prenda que meu pai deseja.
— Ora! Isso não o deve apoquentar, porque a nossa cadela de caça vai ter um cachorrinho que vamos criar com todo o cuidado e Vossa Alteza o levará a seu pai.
O Príncipe deu razão à rapariga e por ali ficou também.
Diamante, o mais novo dos irmãos, que tinha ido pela esquerda, andou por um caminho muito pedregoso e triste onde não via sombra de coisa viva. Assim passou a noite e o dia seguinte e ainda outra noite, até que ao fim do terceiro dia em que já estava desanimado e dizia para consigo: — Senhor, que caminho será este e para onde me levará, tão cheio de pedras, tão esquecido de Deus e dos homens? — avistou ao longe uma luzinha a brilhar.
Mais animado, para ali dirigiu os passos do pobre cavalo, que mal podia andar. Ao cabo de algum tempo deparou com as portas duma grande quinta, abertas de par em par. Como não tinha onde se metesse, não esteve com cerimónias, entrou e viu uma lindíssima rua de árvores seculares iguais a outras que formavam uma bela mata. Depois deu com jardins esplêndidos, e no fim, todo iluminado como para sumptuosa festa, um enorme palácio, melhor que todos os que ele até aí tinha habitado e até visto nos livros.
Muito intrigado perguntava a si mesmo que região, que país seria aquele que tinha atravessado e onde se encontrava, e de que os seus mapas não davam conta?!
Resolveu-se a entrar e a pedir pousada, visto que ninguém aparecia por ali que o atendesse. Apeou-se, amarrou o seu cavalo a uma coluna de mármore do pátio e subiu as largas escadarias que eram uma verdadeira maravilha.
Não fazia senão admirar os quadros, as estátuas, as tapeçarias riquíssimas que ornavam aquela habitação, e, percorrendo muitas salas, cada qual mais bela, chegou à casa de jantar. Muito surpreendido ficou quando abriu o reposteiro e viu a mesa posta com todo o luxo mas só com um talher. Porque estava cheio de fome e o apetitoso cheiro dos manjares ainda mais lha aumentava, sentou-se e começou a servir-se, dizendo:
— Se vier alguém contarei o que me sucedeu e não terão coragem para se zangar comigo.
Ele que pensava isto, quando uma porta do fundo se abriu, e viu com a maior surpresa uma dama ricamente vestida, com uma coroa de pérolas e brilhantes na cabeça, mas com um horrendo focinho de macaca. Atrás seguiam dois pagens a segurar-lhe na cauda do manto, e muitas damas e cavaleiros, mas todos com a mesma cara de macacos.
Diamante estava profundamente surpreendido, mas não o deu a perceber, como é de boa educação. Levantou-se logo, fez à Princesa Macaca a mais respeitosa reverência, e pediu desculpa do seu atrevimento.
— Não tem que pedir desculpa, meu Príncipe — respondeu-lhe com a mais suave das falas. — Já era esperado neste palácio e por isso todos nós estamos em festa. Queira desculpar de o não ter mandado receber pelos meus homens de armas, pagens, músicos, cavaleiros e nobres senhores que me servem, mas tive receio de o assustar, visto que todos são semelhantes a mim.
O Príncipe Diamante ainda uma vez se conservou agradecido a tanta gentileza e deu a mão à Princesa Macaca para a conduzir à mesa.
Logo uma nuvem de criados fardados veio servir o hóspede. Quando acabou a refeição, a que a dona da casa assistia sem comer nada, levantou-se e disse para o Príncipe, que a imitara:
— Agora vou mostrar-lhe os seus aposentos e amanhã conversaremos, porque hoje o que precisa é descansar.
O moço cavaleiro estava cada vez mais admirado pela ordem, riqueza e beleza de tudo quanto via. Ao lado da câmara, que lhe era destinada, e estava preparada como se ali o esperassem, mostrou-lhe a Princesa Macaca a livraria mais rica que jamais tinha visto.
— Como Vossa Alteza estima muito estes fiéis companheiros, escolhi o seu quarto próximo deles. Também aqui tenho alguns sábios que muito honrados ficarão se os chamar para continuarem os seus estudos.
Diamante agradecia tudo e quando se viu só não fazia senão dizer consigo:
— Mas aonde estarei eu, que país de macacos será este que não conhecia?
Como não podia resolver tal problema, adormeceu, e já a manhã ia alta quando acordou. Mal tocou na campainha apareceram-lhe três criados macacos carregados com água, perfumes e riquíssimos trajes de corte para o vestirem.
Foi almoçar e a Princesa Macaca apareceu, com o cortejo do costume, pagens a segurarem-lhe a cauda, damas e cavaleiros vestidos com a maior novidade e luxo. Ela sentou-se à mesa a fazer companhia ao hóspede, conversando com inteligência e espírito e mostrando possuir a mais fina educação e ser instruída como raramente se encontra entre mulheres. O Príncipe caminhava de surpresa em surpresa e dizia consigo: — Senhor, a Macaca é muito feia, mas eu estou aqui tão bem que nada me lembra.
Os divertimentos que a Princesa Macaca imaginava para distrair o seu hóspede eram tantos que ele nem tinha tempo de pensar que decorria o tempo. Teatros, corridas, caçadas, saraus, concertos, nada ali faltava.
Uma noite, quando o Príncipe Diamante ceava, entrou a Princesa Macaca muito triste, levando o lenço aos olhos a cada momento.
— O que tem, minha senhora — perguntou ele aflito — que assim a apoquenta? Tem razão de estar aborrecida porque eu vim para passar uma noite e já cá estou há uns poucos de dias!
— Oh, Príncipe, não diga tal! Eu estou pesarosa porque amanhã faz um ano que chegou aqui e eu terei que o ver partir!
— O que há-de ser de mim, senhora? Pois se é certo que estou aqui há um ano, onde poderei agora ir procurar a prenda para meu pai?! E o meu pobre cavalo, que será feito dele, que nunca mais me lembrou?!
— Descanse, que ele foi bem tratado e amanhã o verá. Enquanto à prenda, não pense nisso, que eu já pensei. O que lhe peço é que não se esqueça de mim.
— Como havia de esquecer-me de quem me tratou tão bem, que até me pareceram alguns dias o ano que passei neste palácio!
— Pois aqui voltará, meu Príncipe, e não será tarde. Amanhã meta a mão debaixo do travesseiro que lá encontrará a prenda para seu pai, mas não a veja senão depois de a entregar.
Ao outro dia, ao acordar, meteu o Príncipe a mão debaixo do travesseiro e encontrou uma condessinha muito pequenina. Sem saber o que continha, a guardou na bolsa.
A Princesa Macaca já o esperava na sala. Depois do almoço, o Príncipe, acompanhado de toda a macacada, seguiu até ao fim da quinta, e, despedindo-se de todos com grande mágoa, partiu.
Quando chegou à encruzilhada viu que seus irmãos traziam dois enormes cães presos por correntes e pensou: — Meus irmãos trazem dois belos cães e eu que levarei aqui?! Seja o que Deus quiser, que eu nenhum empenho faço em herdar o cetro.
Os outros dois olharam um para o outro e disseram com muita satisfação: — Olha o nosso irmão não traz nada! É tão esperto e não soube procurar nada para nosso pai!
Mal chegaram defronte do palácio, onde tudo já estava a postos para os receber, começaram todos a dar vivas ao Príncipe mais novo, mas o Rei mandou calar tudo, porque só no dia seguinte as prendas seriam apresentadas.
Os três irmãos apearam-se no pátio e correram a abraçar os pais, passando aquela noite na maior alegria para todos.
Ao outro dia já o Conselho estava reunido quando os príncipes foram chamados e com eles entrou toda a corte e abriram as janelas para o povo saber do que se tratava.
— Meus filhos, entregai as vossas prendas — disse o Rei, com solenidade — e por elas se julgará qual virá a ser o Rei.
Adiantou-se o Príncipe Rubi e entregou um bonito cão de água, dizendo com soberba:
— Esta, senhor, é a prenda que vos trago.
— É bom para guardar o jardim — respondeu o Rei.
Veio Esmeraldino e entregou com orgulho o formoso cão de caça que a filha do moleiro tinha criado com todos os cuidados.
— É muito bom para quando formos montear — respondeu o Rei.
Por fim adiantou-se o terceiro, e, com um ar de modéstia que lhe ficava muito bem, disse:
— Entrego-vos esta condessinha para Vossa Majestade mandar abrir.
O Rei levantou a tampa e disse:
— Filho, dentro só está uma noz.
— Meu pai, faça Vossa Majestade o favor de a mandar partir.
Partiram a noz e saltou de dentro una cãozinho de ouro, a coisa mais graciosa e linda que se tinha visto.
Tinha um cadeado ao pescoço que dizia: — Para a Rainha — ladrava como se fosse de carne e a correr se foi meter na manga do vestido da sua dona.
Quando a corte viu esta preciosidade começaram todos a gritar:
— Viva o Príncipe Diamante, que há-de ser o nosso Rei! Viva, que ele é quem ganhou!
O Rei, vendo que Rubi já espumava de cólera e Esmeraldino parecia meditar alguma traição, disse em alta voz:
— Calai-vos, senhores, que meus filhos ainda têm que ir fazer outra jornada de um ano. Não se ganha o trono assim com essa facilidade.
Quando tinham passado alguns dias e os julgou descansados, chamou-os e deu-lhes parte que os mandava viajar por outro ano e daria o trono depois àquele que lhe trouxesse uma peça de linho mais fino.
Os dois príncipes mais velhos ficaram satisfeitos por verem adiada a eleição e também por poderem ir ter com as raparigas de quem gostavam, mas Diamante, apesar de muito estimar a Princesa Macaca, ia triste por deixar os pais.
Mal chegaram à encruzilhada despediram-se e o mais velho partiu como um raio em direcção à casa do pescador. Abriram-lhe logo a porta com toda a alegria, e, quando ele contou ao que vinha, respondeu a rapariga:
— Ora! Não vá correr mundo por tão pouco. Eu tenho ali uma porção de linho. Vou já principiar a fiá-lo e depois de tecido se fará a peça que Sua Majestade deseja.
Aquele por ali ficou.
O segundo chegou a casa do moleiro, foi recebido com a mesma alegria, e, quando disse o que pretendia, logo a rapariga lhe respondeu:
— Não vale a pena Vossa Alteza correr riscos e perigos por uma coisa que eu poderia fazer. Tenho ali estopa para fiar. Vou amanhã pô-la na roca e depois de tecida ninguém dirá senão que é fina bretanha.
Esmeraldino, que nada entendia dessas coisas e o que desejava era ali ficar, aceitou logo a proposta.
Diamante seguiu o caminho já conhecido até chegar junto da sua querida Princesa Macaca.
Se no primeiro ano as festas e os divertimentos eram muitos, no segundo então não se fala! E assim passou o tempo sem o jovem Príncipe se lembrar sequer de deixar aquele palácio. Quando ao fim do ano lhe apareceu a Princesa Macaca toda chorosa e repetiu o que no ano precedente tinha dito, ele todo aflito, por ver que tinha terminado o prazo, disse:
— O que há-de dizer meu pai quando lá lhe aparecer sem prenda alguma?!
— Enquanto a isso não se apoquente, que onde achou a primeira achará a segunda.
De manhã, quando acordou, meteu a mão debaixo do travesseiro e apenas encontrou uma avelã. Pegou naquilo e guardou muito guardado, apesar de lhe parecer uma coisa muito insignificante. Depois foi a despedida, que ainda foi mais cordeal e saudosa que no ano precedente. Quando deu o último adeus à Princesa Macaca, ela disse-lhe com tristeza:
— Espero que não se esqueça de mim e tenho fé que voltará breve.
Quando os três irmãos se avistaram, disse o mais novo consigo: — Que grandes peças de panos que meus irmãos levam. E eu, quem sabe o que levarei aqui?!...
E os mais velhos, todos satisfeitos, disseram um para o outro: — Então o nosso irmão não trará nada? Pois nós levamos boas peças de pano.
Mal chegaram em frente do palácio, onde toda a gente os esperava, levantou-se grande brado a vitoriar o Príncipe Diamante, mas o Rei mandou calar tudo e só no dia seguinte foram apresentadas as prendas.
Rubi entregou a sua peça de pano de linho, e o pai disse-lhe:
— É boa para panos da dispensa.
Esmeraldino entregou a peça de estopa, e o Rei disse:
— Sim, é boa para panos de cozinha.
E voltando-se para Diamante:
— Meu filho, a prenda que te pedi?
— Aqui vos entrego, real senhor, esta avelã. Peço o favor de a mandar partir.
— Filho, dentro da avelã está um agulheiro!
Abriu o agulheiro e saiu de dentro uma agulha com uma peça de linho enrolada enfiada pelo fundo. Começou a desenrolar-se e um metro a medir pano sem conto, a coisa mais fina e delicada que até aí se tinha visto no Mundo. Só mãos de fadas em seus países sobrenaturais poderiam ter fiado e tecido esse pano mais fino que teia de aranha e consistente bastante para se poder fazer toda a obra.
Ora!, toda a gente se entusiasmou com tal beleza e levantou-se logo um grande alarido a vitoriar o moço Príncipe.
Então falou a Rainha assim, vendo a raiva dos dois irmãos Rubi e Esmeraldino:
— As prendas mais bonitas têm sido as do nosso filho Diamante, mas isso não basta para que se lhe deixe o trono. É preciso que voltem todos três a viajar e que no fim de um ano tragam cada um a sua noiva. Aquele que escolher mulher mais formosa e instruída, esse será o nosso herdeiro.
Daí a dias tornaram os príncipes a aprontar-se para a viagem. Os dois mais velhos iam muito contentes por terem ainda mais alguma esperança e também por tornarem o poder passar um ano com as filhas do moleiro e do pescador, e elas mais contentes ainda ficaram quando souberam que ao fim desse ano seriam feitas princesas.
Diamante ia muito triste a pensar: — Que vou eu fazer à minha vida? Os meus irmãos têm noivas pobres, mas são boas raparigas e bonitas, eu nada tenho que possa apresentar a minha mãe! Só conheço a Princesa Macaca e é dela que gosto, porque só na sua companhia o tempo me corre agora ditoso, mas como hei-de eu levar para a corte uma macaca? Toda a gente se riria dela e isso é que eu não quero. O que tenho a fazer é ir cumprimentar a minha querida Macaca e partir em busca de esposa.
Neste propósito se dirigiu ao palácio, onde tudo o esperava em festa, e breve se esqueceu da sua preocupação, porque as festas, as leituras e as conversas com a dona da casa, tudo parecia melhor e mais interessante do que nos outros anos. O Príncipe dava-se perfeitamente com aquele povo de macacos, que só na sua cara o eram, pois em tudo mais eram homens e senhoras com a mais perfeita educação e inteligência.
Assim se passou um ano sem ele dar por isso. Quando chegou a véspera da partida veio a Princesa Macaca carregada de luto, chorando, e igualmente toda a sua corte. Perguntou o hóspede qual a causa de tanta aflição.
— É que faz amanhã um ano após a vossa volta aqui e tendes que vos ir embora.
— Ai, o que há-de ser de mim que não procurei noiva para levar a minha mãe! O que há-de ela dizer?
— Se não levardes noiva é porque não quereis. Levai-me a mim.
— Então eu hei-de aparecer lá com a senhora?!
— Os seus irmãos levam as suas namoradas e Vossa Alteza por que não me levará a mim?!
— Não, não, isso não farei! Sou muito seu amigo, e então fico na sua companhia, mas levá-la não levo.
— Muito obrigada, mas não posso aqui tê-lo mais. Ou me há-de levar ou então tem que partir e nunca mais nos veremos.
E nisto se pôs a Princesa Macaca a chorar tão aflitivamente que mais não pôde resistir o Príncipe e disse-lhe:
— Pois então levá-la-ei! Tudo, menos perder uma tão boa e querida companhia.
Ficaram cheios de contentamento a Princesa Macaca e toda a sua corte! Foi a noite de maior alegria de todas quantas o Príncipe Diamante ali tinha passado. De ver a Princesa Macaca tão feliz estava ele também tão satisfeito que dava por bem empregado tudo quanto depois sofresse.
Ao outro dia de manhã quando acordou já viu toda a macacaria a postos, e notou com mágoa que a dona da casa, que costumava sempre andar riquìssimamente vestida, tinha escolhido um trajo o mais ridículo e feio que se pode imaginar. A carruagem que os esperava não parecia senão que na sua vida nunca tinha visto água e dum feitio tão antigo e feio que o rapaz ficou desanimado. A comitiva era enorme, mas tudo tão grotesco que ele não sabia que pensar. Mas, como era cavaleiro e tinha dado a sua palavra, não fez nenhuma observação à noiva que tão alegre parecia.
Quando chegaram à encruzilhada e foram avistados pelos irmãos, começaram eles a gritar em ar de mofa:
— Olha o Príncipe Diamante que traz uma macaca para casar! Descobriu o reino dos macacos e quer ser o Rei deles.
As raparigas riam também e apontavam para o carro com trejeitos de trocistas.
O Príncipe curtia consigo a mágoa e fingia nada ouvir, conversando com a noiva. Ela, por mais que ouvisse, não deixava de rir, e dizia para o noivo:
— Então não me acha muito bonita e bem vestida? O nosso carro é o mais rico que há no Mundo, os nossos cavalos são da mais pura raça, os criados têm uma farda brilhante, e as minhas damas vão dar brado na sua corte pela formosura, assim como os cavaleiros pela sua opulência, graça e alta educação.
E o Príncipe Diamante cada vez se entristecia mais julgando que a noiva estava maluca, pois nunca a vira tão mal vestida e feia. O carro parecia desconjuntar-se de velhice e estava todo cheio de lama e rasgões no estofo. Os cavalos só pareciam servir para pôr aos varais de alguma carroça. Os cocheiros sujos e rotos, as damas e os cavaleiros não passavam de ridículas caricaturas.
Assim foram andando até chegar em frente do palácio onde os irmãos mais velhos tinham chegado já e contavam com grande troça como vinha o irmão. Mal o avistaram ao longe chamaram os pais e todos da corte correram à janela.
Nisto, os cavalos dão uma galopada, e num abrir e fechar de olhos tudo se transformou! A Princesa Macaca apareceu a mais linda mulher do Mundo e tão ricamente vestida que o resplendor das jóias quase cegava. Uma varinha que trazia na mão transformou-se num cetro feito dum rubi e na cabeça uma coroa imperial brilhava como um sol. Os criados, pagens, cavaleiros e damas, a carruagem e os próprios cavalos, tudo se tinha mudado. O que havia pouco parecia velho, feio e ridículo, só mostrava beleza, riqueza e bom gosto. Os damascos mais ricos, os veludos, o ouro e as pedrarias sem preço, eis no que se tinham tornado os rasgões, a lama e as velhas coisas que faziam rir. As damas eram realmente tão formosas e os cavaleiros tão guapos e desempenados mancebos que uns e outros fizeram empalidecer de inveja tudo quanto andava na corte com fama de belo.
Foram então apresentadas as noivas pelos seus respectivos noivos e tanto no povo como na corte houve uma só voz para aclamar o mais novo como Rei, visto que não havia comparação entre a beleza da mulher que ele tinha escolhido e as dos outros.
Os mais velhos estavam desesperados, mas, tanto eles como as próprias raparigas, confessavam que era justiça, pois não havia formosura que igualasse a da noiva do irmão mais novo. Foi então que ela se adiantou e, fazendo um gracioso cumprimento, pediu vénia aos Reis para falar. Em silêncio escutaram todos a história que contou assim:
— Senhor Rei e Rainha minha Senhora, Príncipe meu futuro esposo, meus cunhados, e todos vós, senhoras e senhores, ouvi a história, bem triste, da minha vida:
O Imperador mais poderoso do Mundo, aquele que todos vós acatais e respeitais como principal entre os soberanos da Terra, era casado havia muitos anos e vivia desgostoso até mais não, por lhe faltar um herdeiro do seu sangue que à sua morte herdasse tão grande poderio.
Tratava tão mal a Imperatriz sua esposa, e tinha-a em tão grande desprezo, que nunca os tinham visto juntos em passeio ou recepção. Nunca o seu palácio se abriu a festas para as quais fossem convidadas senhoras, o que obrigaria a aparecer a Imperatriz. Enfim, era uma vida tão triste a desta soberana, que ela invejava mil vezes as camponesas pobres; mas alegres e livres, que via passar da varanda dos seus reais aposentos, mais solitários do que uma prisão.
Chegou a ponto que as criadas que a serviam foram um dia ter com o imperial esposo e pediram-lhe que ao menos mudasse a sua senhora para um palácio do campo, porque assim teriam mais sossego e liberdade, sem ninguém incomodarem com a sua presença. O imperador consentiu e fez-se logo a mudança para um palácio escondido entre árvores e flores que lhe pertenciam.
A pobre senhora, mais aliviada na sua desgraça, sentou-se à janela do seu quarto e viu um jardim lindíssimo onde uma macieira vergava ao peso dos frutos mais lindos que se possam imaginar. Desceu, saltou um muro que era baixo, e comeu a melhor maçã que encontrou, tão dourada e macia como nunca tinha visto. Depois apanhou algumas para o regaço e ia voltar para casa quando lhe apareceu o mais feio e monstruoso dos gigantes que lhe gritou:
— Quem te mandou vir aqui roubar os melhores frutos da minha árvore?!
— O quê? Pois estas maçãs não pertencem ao Imperador, meu esposo?
— Não; este jardim é meu e só eu aqui governo.
— Pois então desculpai, que eu vos pago a maçã que comi e estas que levo.
— Não quero que mas pagues, mas exijo que me tragas o seu fruto daqui a sete anos, senão tudo quanto pertence a teu marido será arrazado.
Desapareceu o monstro e ela foi para casa muito pensativa, nada dizendo do que lhe tinha acontecido.
Passou-se tempo e um dia mandou a Imperatriz chamar o marido, disse-lhe o que tinha acontecido, e mostrou-lhe uma menina que tinha nascido por milagre das maçãs mágicas.
Ele ficou doido de contente por já ter uma filha e daí para diante levava a esposa a toda aparte, apresentava-a como tal, e fazia-lhe todas as vontades e gostos. Toda agente admirava, e não sabia a causa, pois que a Princesa ficara na quinta e era educada com o maior segredo, visto que a tinham de entregar daí a sete anos.
Iam vê-la muitas vezes; a menina de dia para dia se tornava mais bonita e engraçada, de maneira que era uma adoração o que por ela sentiam os pais.
Chegado que foi o dia de fazer sete anos foram ambos à quinta e depois de muitos choros e lamentos entraram no jardim do gigante que logo lhes apareceu, dizendo:
— Se hoje aqui não aparecessem com a menina, tudo vos seria arrazado. Agora podeis ir e os vossos exércitos serão sempre vitoriosos e tanto na paz como na guerra não haverá povo mais feliz.
Os Imperadores foram-se embora e o gigante foi para sua casa levando a menina nos braços. Entrou numa torre muito alta onde viviam três velhas bruxas e entregou-lhes a menina para a educarem. Elas criaram-na e ensinaram-lhe tudo quanto uma senhora precisa saber para se apresentar em toda a parte sem vergonha.
Morreram duas das velhas e a menina ficou só com uma, que era de todas a pior. Passava uma vida muito solitária e desconsolada, até que um dia, que a velha tinha saído, chegou à janela e viu passar um moço cavaleiro que andava à caça. Ele também a viu e gostou tanto da menina que lhe pediu licença para lhe falar, mas a janela era tão alta que não podia dizer nada que se ouvisse.
Estava a menina muito triste, quando lhe diz dali um carneirinho que havia na torre e era o companheiro mais fiel que tinha:
— Se a menina não fala ao cavaleiro é porque não quer.
— Então que hei-de fazer, meu carneirinho?
— Olhe, vá buscar a meada de linho que a velha ali tem, faça uma escada nos meus chavelhinhos, e deite-a da janela, que já o cavaleiro sobe.
A menina assim fez e o rapaz subiu, sentando-se ambos a conversar. Nisto apareceu a bruxa desesperada como uma fúria. Dirigiu-se ao cavaleiro e disse-lhe:
— Viva, meu senhor! Por onde subiu há-de descer. Tu, meu carneiro, já que foste o alcoviteiro, hei-de te matar e comer. E a menina, já que seguiu os conselhos do carneiro, há-de ficar com cara de macaca até que um Príncipe queira casar consigo.
Eis a razão porque eu estava encantada e comigo todos estes cavaleiros e damas que eram senhores na corte de meus pais e o gigante mandou reunir para me servirem no lindo palácio que me deu. O Príncipe Diamante, além de preferir a minha alma à formosura, desencantou-me. Por isso comigo reinará sobre a Terra. Vossa Majestade dê o seu reino aos Príncipes Rubi e Esmeraldino, porque Diamante será o Imperador dos Imperadores.
Quando a bela senhora acabou de dizer isto, todos a vitoriaram muito e ao Príncipe seu noivo, mas o povo sempre ficou triste por ele não poder ser o seu Rei. No entanto os outros dois aprenderam com ele a ser bons, assim como as mulheres aprenderam a ser grandes senhoras como a antiga Princesa Macaca, e todos ficaram muito satisfeitos.
Quando chegaram os Imperadores acompanhados da maior comitiva que se tem podido reunir no Mundo, ficaram doidos de alegria por verem a filha, assistiram aos três casamentos, nos quais se fizeram as maiores e mais brilhantes festa que até aí se tinham visto, e depois foram então para o seu império, levando a filha e o genro que logo foram jurados herdeiros.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|A Princesa Macaca]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|171|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>muralhas de Clavius formadas de enormes montanhas e com
muitas leguas de espessura. No fundo dʼaquella cavidade immensa abria-se um cento de pequenas cratéras que esburacavam o solo como uma escumadeira, dominadas todas por um
pico de cinco mil metros de altura.
A planicie circumdante tinha um aspecto desolado. Nada ha
tāo árido como aquelles relevos, tāo triste como aquellas ruinas
de montanhas, ou, se é licito exprimir-se de tal modo, como
aquelles pedaços de picos e de montes que juneavam o terreno. Parecia que o satellite fizera explosāo nʼaquelle sitio.
O projectil ia sempre avançando, mas aquelle cahos nāo se
modificava. Succediam-se incessantemente circos, cratéras e
montanhas esburacadas. Nada já de planicies nem de mares.
Era uma Suissa, uma Norwega interminaveis. Finalmente, no
centro dʼaquella regiāo gretada, mesmo no ponto culminante
dʼella, erguia-se a mais esplendida montanha do disco lunar, o
deslumbrante Tycho, a quem a posteridade ha de sempre conservar o nome do illustre astronomo dinamarquez.
Nāo ha ninguem que, observando a Lua-cheia, nāo tenha especialmente notado esse ponto brilhante do hemispherio sul.
Miguel Ardan empregou para o qualificar todas as metaphoras
que poude fornecer-lhe a sua imaginaçāo. Tycho, para elle, era
um ardente fóco de luz, um centro de irradiaçāo, uma cratéra
que vomitava raios de luz! Era o cubo de uma roda scintillante, uma arteria que apertava o disco com os seus tentaculos
de prata, um olho immenso e chammejante, um nimbo recortado para a cabeça de Plutāo! Era como uma estrella arremessada pela māo do Creador, e que se tivesse esmagado de encontro á face lunar!
É tal a concentraçāo luminosa que se fórma em Tycho, que os
habitantes da Terra podem enxergal-o sem auxilio de luneta,
apesar de estarem dʼelle a uma distancia de cem mil leguas.
Imagine-se entāo qual deveria ser a intensidade dʼaquella luz
para os olhos de observadores collocados a cento e cincoenta
leguas apenas! Era por tal fórma insustentavel o fulgor dʼella
através dʼaquelle puro ether, que Barbicane e os amigos tive-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|172|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ram que escurecer os oculares das lunetas ao fumo do gaz,
a fim de lhe poderem aguentar o brilho. Depois, mudos, emittindo apenas alguma interjeiçāo admirativa, pozeram-se a olhar,
a contemplar. Todos os sentimentos, todas as impressōes se
lhes concentraram no olhar, como quando a vida, pela influencia de violenta emoçāo, se encontra toda inteira no coraçāo.
Tycho pertence, como Aristarco e Copernico, ao systema de
montanhas irradiantes. E, porém, entre todas estas, a mais completa, a mais caracterisada, e é prova incontestavel dʼaquella
temerosa acçāo vulcanica a que é devida a formaçāo da Lua.
Tycho está situado a 43° de latitude meridional por 12° de longitude leste. No centro da montanha ha uma cratéra de oitenta
e sete kilometros de largura. Apparenta uma fórma um pouco
elliptica e concentra-se nʼum recinto de muralhas annulares que,
tanto a oeste como a leste, dominam a planicie exterior a uma
altura de cinco mil metros. É como um aggregado de Montes
Brancos, dispostos em volta de um centro commum, e coroados de irradiante coma. O que é aquella montanha incomparavel, o conjuncto de relevos que para ella convergem as extumescencias interiores da sua cratéra, nem mesmo a photographia
poude ainda representar com exactidāo. Effectivamente, no pleni-lunio é que o Tycho se mostra em todo o seu esplendor. E
como entāo nāo ha na Lua sombras, desappareceu o escorço da
perspectiva, e as provas saem brancas, circumstancia para lamentar, porque aquella regiāo estranha deveria ser curiosa reproduzida com exactidāo photographica. Aquella regiāo é apenas uma agglomeraçāo de buracos, de cratéras, de circos, um
cruzamento vertiginoso de pincaros, e depois, e a perder de
vista, uma perfeita rede vulcanica como que arremessada por
sobre aquelle solo pustulento. Comprehende-se assim que aquelles borbotōes da erupçāo central conservem a sua fórma primitiva. Stereotyparam, cristallisados pelo resfriamento, aquelle aspecto que a Lua tomou outrʼora sobre o influxo das forças
plutonicas.
A distancia que separava os viajantes das cumiadas annulares de Tycho nāo era tāo consideravel que nāo podessem deli-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|173|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>near-lhes os pormenores principaes. Mesmo sobre o aterro que
fórma a circumvalação de Tycho, corriam successivos renques
de montanhas suspensas dos flancos dos taludes interior e exterior, formando gigantescos socalcos, a oeste mais elevados
uns trezentos a quatrocentos pés do que a leste. Nenhum systema de castrametação terrestre era comparavel áquella fortificação natural. Uma cidade, construida no fundo dʼaquella cavidade circular, seria absolutamente inaccessivel.
Inaccessivel e tambem maravilhosamente recostada por sobre aquelle terreno fertil em accidentes pittorescos! Effectivamente, a natureza não deixara plano e vasio o funda dʼaquella
cratéra, que possuia a sua orographia especial, um systema de
montanhas que dʼelle faziam um mundo á parte. Os viajantes
distinguiram com precisão cones, collinas centraes, movimentos
de terreno, naturalmente dispostos para receber as obras primas da architectura selenita. Aqui desenhava-se logar adequado
para um templo, alem o sitio proprio para um forum, nʼoutro
logar os alicerces de um palacio, nʼoutro ainda o plano para
uma cidadella. E tudo isto dominado por uma montanha central de mil e quinhentos pés de altura. Era um vasto circuito,
em que caberia a Roma antiga, ainda que decuplicada!
— Ah! exclamon Miguel Ardan, enthusiasmado com aquelle
espectaculo, que grandiosa cidade poderia construir-se nʼaquelle annel de montanhas! Cidade tranquilla, pacifica, collocada
fóra de todas as miserias humanas! Como os misantropos, os
que odeiam a humanidade, todos emfim a quem aborrece a vida social, viveriam ali na paz e no isolamento!
— Todos não, que o espaço ainda era pequeno para elles!
respondeu simplesmente Barbicane.
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Á Roda da Lua (5ª edição)/XVII
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{{t2|{{sc|'''O anno de 1817.'''}}|'''I'''}}
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1817 é o anno que Luiz XVIII, com uma certa imperturbabilidade que não era estreme de altivez, chamava o vigesimo-segundo do seu reinado. É o anno
em que Bruguiére Sorsum era celebre. Todas as lojas de cabelleireiro, esperando os ''pós'' e a volta do
passaro real, estavam pintadas de azul e esmaltadas
de flôres de liz. Era o tempo candido em que o conde Lynch apparecia sentado todos os domingos como
moço do côro em um banco da capella-mór da egreja
de Saint-Germain-des-Prés, vestidos de par de França, com a sua grã-cruz vermelha e o seu immenso
nariz, ostentando essa magestade de perfil propria de
um homem que praticou uma acção famosa. A acção
famosa praticada por Lynch consistia no seguinte: a
12 de março de 1814, sendo elle ''maire'' de Bordeos,
inha-se dado alguma pressa em entregar a cidade ao
senr. duque de Angoulème. Dahi a sua elevação ao
pariato. Em 1817 a moda abafava os meninos de
quatro para seis annos debaixo de amplos bonés de
marroquim com orelhas bem semelhantes ás mitras<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|152}}</noinclude>que trazem os esquináus. O exercito francez trajava
uniforme branco, á austriaca; os regimentos chamavam se legiões; em vez de numeros tinham os nomes
des departamentos. Napoleão estava em Santa-Helena, e, como a Inglaterra não queria dar-lhe panno
verde, fazia concertar as suas fardas velhas virando-as do avesso. Em 1817, Pellegrini cantava, Bigotini
dansava; Potier reinava; Odry não existia ainda. A
mulher de Saqui succedia a Forioso. Ainda havia
prussos em França. A legitimidade acabava de consolidar-se cortando primeiro o punho, depois a cabeça, a Pleignier, a Carbonneau e a Tolleron. O principe de Talleyrand, camarista-mór, e o abbade Luiz,
ministro designado das finanças, encaravam-se rindo
com o riso de dous augures; ambos tinham celebrado no dia 14 de julho de 1790 a missa da federação no Campo de Marte ; Talleyrand dissera-a como bispo, Luiz ajudára a como diacono ,
Nas alamedas desse mesmo Campo de Marte avistavam-se, expostos á chuva, apodrecendo no meio da
relva, grossos cylindros de madeira pintados de azul,
com vestigios de aguias e de abelhas desdouradas.
Eram as columnas que dous annos antes tinham sustentado o palanque do imperador no ''Campo de Maio''.
Mostravam ellas em alguns lugares manchas negras
que lhes haviam resultado das fogueiras acesas pelos
austriacos acampados perto do Gros-Caillou. Duas ou
tres dessas columnas tinham sido consumidas nas fogueiras desses acampamentos, e haviam aquecido as
enormes mãos dos ''kaiserlicks''. Á singularidade do
''Campo de Maio'' estivera em ter tido lugar no mez de
junto, e no Campo de Marte <ref>''Mars'', que significa o deos Marte, tambem significa o mez
de março; é nesta accepção que o autor o emprega, fazendo
um trocadilho.</ref>. Nesse anno de 1817
havia duas cousas populares: o ''Voltaire-Touquet'' e as
''bocetas á carta''. O alvoroço mais recente dos parizienses era o crime de Dautun ; que lançára a cabeça
de seu irmão dentro do tanque do Mercado das Flores. No ministerio da marinha começava a reinar inquietação por não terem ainda chegado noticias da
fatal fragata ''Meduza'', que devia cobrir de vergonha<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|152}}</noinclude>que trazem os esquináus. O exercito francez trajava
uniforme branco, á austriaca; os regimentos chamavam se legiōes; em vez de numeros tinham os nomes
des departamentos. Napoleāo estava em Santa-Helena, e, como a Inglaterra nāo queria dar-lhe panno
verde, fazia concertar as suas fardas velhas virando-as do avesso. Em 1817, Pellegrini cantava, Bigotini
dansava; Potier reinava; Odry nāo existia ainda. A
mulher de Saqui succedia a Forioso. Ainda havia
prussos em França. A legitimidade acabava de consolidar-se cortando primeiro o punho, depois a cabeça, a Pleignier, a Carbonneau e a Tolleron. O principe de Talleyrand, camarista-mór, e o abbade Luiz,
ministro designado das finanças, encaravam-se rindo
com o riso de dous augures; ambos tinham celebrado no dia 14 de julho de 1790 a missa da federaçāo no Campo de Marte ; Talleyrand dissera-a como bispo, Luiz ajudára a como diacono ,
Nas alamedas desse mesmo Campo de Marte avistavam-se, expostos á chuva, apodrecendo no meio da
relva, grossos cylindros de madeira pintados de azul,
com vestigios de aguias e de abelhas desdouradas.
Eram as columnas que dous annos antes tinham sustentado o palanque do imperador no ''Campo de Maio''.
Mostravam ellas em alguns lugares manchas negras
que lhes haviam resultado das fogueiras acesas pelos
austriacos acampados perto do Gros-Caillou. Duas ou
tres dessas columnas tinham sido consumidas nas fogueiras desses acampamentos, e haviam aquecido as
enormes māos dos ''kaiserlicks''. Á singularidade do
''Campo de Maio'' estivera em ter tido lugar no mez de
junto, e no Campo de Marte <ref>''Mars'', que significa o deos Marte, tambem significa o mez
de março; é nesta accepçāo que o autor o emprega, fazendo
um trocadilho.</ref>. Nesse anno de 1817
havia duas cousas populares: o ''Voltaire-Touquet'' e as
''bocetas á carta''. O alvoroço mais recente dos parizienses era o crime de Dautun ; que lançára a cabeça
de seu irmāo dentro do tanque do Mercado das Flores. No ministerio da marinha começava a reinar inquietaçāo por nāo terem ainda chegado noticias da
fatal fragata ''Meduza'', que devia cobrir de vergonha<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|153}}</noinclude>Chammareix e de gloria Géricault. O coronel Silves
ia para o Egypto para la se tornar Solimāo Bachá. O
palacio das Thermas, na rua de La Harpe, servia de
officina a um tanoeiro. Via-se ainda na plataforma da
torre octogona do palacio de Cinoy a casinha de taboas
que servira de observatorio a Messier , astronomo da
marinha no reinado de Luiz XVI. A duqueza de Ducas, no seu camarim adereçado com moveis em forma
de X e estofados de azul-celeste, lia a inedita ''Ourika''
a tres ou quatro amigos. No Louvre tiravam-se de toda
a parte os N. A ponte de Austerlitz abdicava e intitulava-se ponte do Jardim do Rei, duplo enigma que disfarçava a um tempo a ponte de Austerlitz e o jardim
das Plantas. Luiz XVIII, preoccupado, ao passo que
ia notando o seu Horacio a unhadas, com os heróes
que se fazem imperadores, e com os tamanqueiros que
se fazem ''delphins'', tinha dous motivos de desassocego,
Napoleāo e Mathusino Bruneau. A academia franceza
punha em concurso o seguinte thema: ''a dita que resulta do estudo''. M. Bellart era officialmente eloquente.
Via-se crescer à sua sombra o futuro advogado geral
Broë, fadado aos sarcasmos de Paulo Luiz Courier. Havia um falso Châteaubriand chamado Marchangy, em
quanto nāo apparecia um falso Marchangy chamado
Arlincourt. ''Clara dʼAlba e Malek-Adel'' eram obras
primorosas; a Cottin era tida como a primeira entre
todos os escriptores da época. O instituto mandava riscar da sua lista o academico Napoleāo Bonaparte. Um
decreto do rei erigia Angoulême em escola de marinha,
porquanto , sendo o duque dʼAngoulême grande almirante, era evidente que a cidade dʼAngoulême tinha de
direito todas as qualidades de um porto de mar, pois
do contrario se offenderia o principio monarchico. Os
ministros deliberavam em conselho para saber se deviam tolerar-se as figuras representando attitudes acrobaticas, que realçavam os cartazes de Franconi e attrahiam as chusmas de libertinos que perambulavam pelas
ruas. Paër, autor da ''Agnese'', velho de cara quadrada,
que tinha uma verruga na face, dirigia os pequenos
concertos familiares da marqueza de Sassenaye, na rua
de la Ville-lʼEvêque. Todas as moças cantavam o ''Ermitāo de Saint-Avelle'', cuja letra era de Edmundo Geraud. O ''Anāo amarello'' transforma-se em ''Espelho''. O<noinclude>
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{{dtpl|chapter-width=3em||Nuno Pereira (133).|symbol=|249}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 210 {{--}}}}</noinclude>Foi um allivio o erguermo-nos da mesa. Fausto
lembrára um gyro pelos cafesaes, e já estavam
arreadas as cavalgaduras. Logo que montou volveu á expansibilidade anterior, com a alegre despreoccupação dos annos escolares. A conversa
correu por mil veredas e por fim embicou para o
thema casamento.
— Aquelle nosso horror á colleira matrimonial!
Como esbanjavamos diatribes contra o amor sacramento, benzido pelo padre, gatafunhado pelo
escrivão… Lembras-te?
— E estamos ambos a pagar a lingua. E’ isto
vida: a liberrima theoria por cima e a trama
ferrea das injuncções por baixo. Somos, os homens, uma cadeia de contradicções. O casamento… Hoje não o defino com aquelle entono de
solteiro. Só digo que não ha casamento, ha casamentos; cada caso é um caso especial.
— Tendo aliás de commum, disse eu, um mesmo traço: restricção da personalidade.
— Sim. E’ mister que o homem ceda cincoenta
por cento da sua, e a mulher outros tantos, para
que haja o equilibrio razoavel a que chamamos
felicidade conjugal.
— «Felicidade conjugal», dizes bem, restringindo com o adjectivo a amplidão do substantivo.
A vista do cafesal interrompeu as confidencias.
Era Setembro, e o aspecto das arvores, estrelejadas de florinhas de neve, dava uma sensação
farta de riqueza e futuro. Corremol-o em parte,
gozando o «prazer paulista» de ver ondular por<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 211 {{--}}}}</noinclude>espigões e grotas a onda verde escura dos cafeeiros alinhados.
— No teu caso, perguntei, foste feliz?
Fausto retardou a resposta, mastigando-a.
— Não sei. Cedi os cincoenta, e espero que minha mulher imite a minha abnegação. Ella porem, mais tenaz, embirra em não chegar a tanto.
Procuramos o equilibrio, ainda…
— E Laura? perguntei de chofre, estouvadamente.
Fausto voltou-se de golpe, como ferido pela
pergunta. Encarou-me a fito, e vacilou em revelar-me o fundo de sua alma. Depois, como atravessavamos um sombrio pedaço de caminho, com
barranco acima, avencas viçosas, samambaias e
begonias agrestes, disse, apontando para aquillo:
— Sabes o que é uma face noruega? Cá tens
uma. Não bate o sol, muita folha, muito viço,
verdes carregados, mas nada de flores ou fructos.
Sempre esta frialdade humida. Laura… é como
um raio de sol matutino que folga e ri na face
noruega da minha vida.
Calou-se, e até á casa não mais pronunciou palavra.
Comprehendi a situação do meu querido
Fausto, e não lhe invejei as riquezas adquiridas
por semelhante preço.
{{dhr}}
Deixei o Paraiso, que assim chamavam á fazenda, com tres impressões n’alma; deliciosa a
da menina dos bolinhos, no seu avental azul, {{hífen|co|corada}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 212 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|rada|corada}} como as romãs; penosa a da megera entrevista na creatura feia e má, rica o sufficiente
para adquirir marido como quem adquire na feira
um animal de luxo; a terceira impressão não a
define ahi qualquer adjectivo espipado, complexa,
subtil em demasia para caber em moldes vulgares.
Era o vago presentir de uma equação sentimental
cujos termos — o raio de sol, a face noruega e
o meu Fausto, — vagamente perambulavam dentro da minha imaginativa, ás cabriolas.
{{dhr}}
Nunca tornei aquellas paragens, nem me fez
encontradiço o acaso com nenhum dos tres personagens.
Este mundo, entretanto, é uma pequena bola.
Volvidos vinte annos, estava eu parado ante um
mostruario, no Rio, quando alguem me cotucou
as costellas.
— Tu, Fausto!
— Eu, Bruno.
Envelhecera quarenta annos o meu amigo naquelles vinte de desencontro e o tempo, ou o que
quer que era, murchára-lhe a {{corr|expansibilidada|expansibilidade}} folgazan. Emquanto palestravamos, uma a uma subiam á tona da memoria as scenas e pessoas do
Paraiso, a fascinante Laurinha á frente. Perguntei por ella, em primeiro.
— Morta, foi a resposta secca e torva.
Como nos dias claros de verão, nuvem erradia,
tapando ás subitas o sol, põe na paizagem soalheira manchas mormacentas de sombra, assim<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 213 {{--}}}}</noinclude>aquella palavra nos velou a ambos a alegria do
encontro.
— E tua mulher? os filhos?
— Morta, a mulher. Os filhos por ahi, casados
uns, o ultimo inda commigo. Meu caro Bruno, o
dinheiro não é tudo na vida, e principalmente não
é para-raios que nos ponha a salvo de coriscos a
cabeça. Moro á rua tal, apparece lá de noite que
te contarei a minha historia — e gaba-te disso,
pois serás a unica pessoa no mundo a quem revelarei o inferno que me saiu o Paraiso.
{{dhr}}
Eis o que ouvi:
«Quando a febre de Campinas orphanou Laurita, eu, como o parente melhor condicionado,
trouxe-a para a minha companhia. Tinha ella cinco annos, e já prenunciava nas graças infantis a
encantadora mulher que seria.
Eu estava casado de fresco. Minha mulher — não o suspeitaste naquelle jantar? — era uma
creatura visceralmente má. O ''má'' na mulher diz
tudo; dispensa maior gasto de expressões. Quando
ouvires de uma mulher, que é má, não peças por
mais: foge a sete pés. Se eu fôra refazer o Inferno, acabaria com tantos circulos que lá poz o
Dante, e no lugar mettia de guarda aos precitos
uma duzia de megéras. Haviam elles de ver que
paraiso eram, em comparação, os circulos…
Confesso que me não casei por amor. Estava
bacharel e pobre. Vi pela frente o marasmo das
promotorias, e a victoria rapida do casamento {{hífen|ri|rico}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
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encontro.
— E tua mulher? os filhos?
— Morta, a mulher. Os filhos por ahi, casados
uns, o ultimo inda commigo. Meu caro Bruno, o
dinheiro não é tudo na vida, e principalmente não
é para-raios que nos ponha a salvo de coriscos a
cabeça. Moro á rua tal, apparece lá de noite que
te contarei a minha historia — e gaba-te disso,
pois serás a unica pessoa no mundo a quem revelarei o inferno que me saiu o Paraiso.
{{dhr}}
Eis o que ouvi:
«Quando a febre de Campinas orphanou Laurita, eu, como o parente melhor condicionado,
trouxe-a para a minha companhia. Tinha ella cinco annos, e já prenunciava nas graças infantis a
encantadora mulher que seria.
Eu estava casado de fresco. Minha mulher — não o suspeitaste naquelle jantar? — era uma
creatura visceralmente má. O ''má'' na mulher diz
tudo; dispensa maior gasto de expressões. Quando
ouvires de uma mulher, que é má, não peças por
mais: foge a sete pés. Se eu fôra refazer o Inferno, acabaria com tantos circulos que lá poz o
Dante, e no lugar mettia de guarda aos precitos
uma duzia de megéras. Haviam elles de ver que
paraiso eram, em comparação, os circulos…
Confesso que me não casei por amor. Estava
bacharel e pobre. Vi pela frente o marasmo das
promotorias, e a victoria rapida do casamento {{hífen|ri|rico.}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 214 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|co.|rico.}} Optei pela victoria rapida, descurioso de sondar para onde me levaria a aurea vereda. O dote,
grande, valia, ou pareceu-me valer o sacrificio.
Errei. Comi a experiencia de hoje, agarrava a peior
das sinecuras.
O viver que levamos não o desejaria como castigo a qualquer scelerado.
— A face noruega!…
— Era exacta a comparação, gelida como nos
corria a vida conjugal no periodo em que, illudidos, contemporisavamos, tentando um equilibrio
impossivel. Depois, tornou-se-me infernal.
Laura, á proporção que desabrochava, reunia
em si quanta formosura de corpo, alma e espirito
um poeta concebe em sonhos para metter em
poemas. Conluiava-se nella a belleza de diabo,
propria da idade, com a belleza de Deus, permanente, e o pobre do teu Fausto, um exilado em
fria Siberia matrimonial, coração virgem de amor,
não teve mão de si, succumbiu. No peito que suppunha calcinado, viçou o perigosissimo amor dos
trinta annos. O vel-a deslisando pela casa como
a fada mimosa da triste mansão, ora a florir um
vaso, ora a ameigar os pequenos, já curando os
doentes pobres da fazenda, sempre irradiando em
roda de si felicidade e graça, foi-se tornando a
razão do meu viver. Todas as generosidades e
todas as coragens dos annos adolescentes borbulharam no meu seio. Comprehendi a minha desgraça: era um cego a quem se restituiam os olhos,
e que, deslumbrado, via do fundo de um carcere,
através de reixas encruzadas, a aurora, a luz, a<noinclude></noinclude>
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/Os meninos da estrela de ouro na testa
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}}
'''<big>OS MENINOS DA ESTRELA DE OURO NA TESTA</big>'''
HAVIA num país muito distante daqui, uma viúva que tinha três filhas.
Ora esta viúva entendia de feitiçarias e, sendo aliás boa mulher, muito bem se governava com as suas traças e sabenças.
Quando as filhas chegaram a mulheres, chamou-as um dia e mandou-as para o bosque, no caminho por onde o Rei voltaria da caça, e muito bem lhes ensinou o seu recado.
As raparigas eram muito formosas, com especialidade a mais nova, que além de bonita era um anjo de bondade. Vestiram-se com a maior riqueza possível e foram sentar-se à beira do caminho, mas todas separadas: a mais velha à entrada do bosque, a segunda no meio e a mais nova no fim.
Tinha a primeira acabado de se sentar quando ouviu ao longe o tropear de cavalos e o som alegre das buzinas de caça; logo após viu chegar o Rei, um rapaz muito novo, que havia pouco subira ao trono, seguido de numerosa comitiva de fidalgos, pagens, falcoeiros e mais gente indispensável em tal divertimento. Mal deu com os olhos na menina sentada à beira do caminho, parou, tirou com galanteria o emplumado gorro e perguntou-lhe o que estava ali fazendo.
— A mostrar as minhas fracas habilidades, Real Senhor — respondeu ela.
— Quais são essas habilidades, formosa dama?
— Fiar numa só noite linho bastante para Vossa Majestade vestir os seus exércitos durante um ano inteiro.
— Grande milagre será esse, Senhora minha, pois deveis saber que é muito grande o meu exército.
— Embora! Cumprirei o que digo.
— Fazeis-me a graça de habitar o palácio real?
— Da melhor vontade.
A menina foi para o palácio com o ajudante de ordens do Rei, e ele continuou o seu caminho. A meio do bosque deparou com a segunda menina e disse para a sua gente:
— Bravo! Se a primeira era formosa esta ainda o é mais.
E, cumprimentando-a, perguntou o que estava ali fazendo.
— Real Senhor, estou aqui para mostrar as minhas fracas habilidades — disse ela.
— Então quais são elas?
— Fazer numa só noite roupa que se meta no fundo dum baú e que as suas tropas não serão capazes de romper durante um ano.
— Oh, oh! Isso seria uma grande coisa. Quer a menina ir para o meu palácio?
— Da melhor vontade.
E aquela foi também acompanhada por um ajudante do Rei, enquanto este, com a comitiva, seguia o seu caminho.
À saída do bosque encontrou a mais nova das três irmãs e ficou admirado com tamanha beleza. Dirigiu-se-lhe perguntando o que estava ali a fazer, tão bonita e tão só! Respondeu ela:
— Eu estou aqui para mostrar as minhas fracas habilidades.
— Quais são elas, Senhora? Muito boas devem ser se as avaliarmos pela formosura do vosso rosto.
— É que uma fada me fadou ao nascer para que eu tivesse dois meninos e uma menina cada um com sua estrela de ouro na testa.
— Está bem; venha comigo para o palácio e será minha esposa.
Foram todos e durante oito dias só pensaram em alegrias e folgares. No fim desse tempo disse o Monarca à mais velha das irmãs:
— Senhora, é tempo de cumprir o que dissestes.
Ela inclinou a cabeça, submissa, foi à noite para um quarto sòzinha e de manhã tinha-o cheio de linho fiado, ensarilhado, tecido e pronto a ser talhado para vestir os soldados do Rei. Este ficou muito contente e só no fim de mais de oito dias de festas disse à segunda que era tempo de também cumprir o que prometera.
À noite foi ela sòzinha para um grande quarto e de manhã foram-no encontrar tão cheio de roupa já feita, que todas as tropas do reino seriam incapazes de as romper durante um ano. Trouxeram um baú e não chegaram com toda essa roupa a cobrir-lhe o fundo.
O Rei, todo satisfeito de ver que as duas irmãs tinham cumprido as promessas, resolveu logo casar com a mais nova a ver se ela também cumpria o que dissera — ser mãe de três meninos com estrelas de ouro na testa.
Fizeram-se grandes festas, houve muitas alegrias, e a nova Rainha a todos agradava pela sua muita bondade e delicadeza. Só as duas irmãs se enraiveciam com isto, pois lhe tinham uma grande inveja.
Juntaram-se aquelas duas criaturas de maus sentimentos e começaram a combinar o que haviam de fazer para desgostar o Rei da pobre irmã, que para elas só tinha carinhos e boas palavras.
Passado muito tempo de combinações, foram chamar uma feiticeira de muito má fama que ali vivia e pediram-lhe conselho.
Como lhe pagaram muito bem, a mulher foi logo pôr-se ao seu dispor e aconselhou-as a resolverem o Rei a que ele fosse por alguns meses combater os infiéis. Nesse meio tempo nasceram os dois meninos e uma menina com uma estrela de ouro na testa. Eram a coisa mais linda que se pode imaginar. Nem os anjos nem as fadas têm beleza igual à daquelas três criancinhas.
As tias, aconselhadas pela feiticeira, esconderam os meninos e foram ao campo buscar três sapos para mandar dizer ao Rei que aqueles eram os filhos da irmã.
O Rei ficou desesperado e deu ordem para que a Rainha fosse enterrada viva até à cintura, à porta da rua, e todos os que entrassem ou saíssem lhe dessem uma chibatada e lhe cuspissem na cara.
A infeliz não fazia senão chorar e dizer que sofria inocente; mas que fazer, se ninguém acredita nos desgraçados?! O marido nunca mais a quis ver nem mesmo ouvir falar nela e as irmãs só tratavam de festas e folguedos gozando do palácio como se dele fossem donas.
Ora os meninos, metidos pelas tias numa caixinha de pau muito bem betumada e com uma grande soma de dinheiro dentro foram deitados ao rio, para que a pessoa que encontrasse aquela caixa com as três criancinhas mortas tratasse de as enterrar sem a ninguém dizer nada para lhe não tirarem o dinheiro.
Foi a caixa navegando rio abaixo até que deu na roda dum moinho e a fez parar. O moleiro, que estava dentro a conversar com a mulher, mal sentiu o moinho parado foi logo ver o que era e achou a caixa, que por milagre se não desfizera de encontro à roda, antes a fizera parar e parecer esperar o dono. O moleiro, muito surpreendido, pegou numa vara, puxou o caixotinho para a margem e, levando-o para dentro, abriu-o diante da mulher.
Quando viram aquelas três criancinhas lindas como as coisas mais lindas, ficaram boquiabertos. E disse a moleira para o marido:
— Ai! Se Deus Nosso Senhor me desse leite eu criava estes três meninos juntamente com o nosso — pois tinham um filhito de poucos meses.
Como tudo era feito e disposto por uma suprema vontade, logo a mulherzinha sentiu que teria leite bastante. Ficou muito contente e criou as criancinhas com tantos cuidados e amor como tinha ao próprio filho.
Com o dinheiro que os meninos traziam no caixotinho, entraram eles de negociar e os negócios corriam-lhes de tal maneira felizes que em breve se tornaram muito ricos.
Como brilhavam muito as estrelas de ouro arranjaram uns barretinhos para os meninos e uma touquinha para a menina, proibindo-os de jamais se descobrirem.
Desta maneira viveram os meninos muito felizes, chamando pais aos moleiros e irmão ao filho destes, e na verdade, julgando-os assim. Não havia ninguém que não os estimasse porque eram a bondade em pessoa.
Quando já tinham doze anos e andavam todos no colégio, o filho do moleiro ia um dia pelo caminho divertindo-se a atirar pedras a quem passava. Disseram-lhe os Príncipes:
— Mano, não faça isso que é uma coisa muito feia e pode causar alguma desgraça.
O outro, que era rabino, respondeu-lhes:
— Eu não me importo do que dizem, porque os meninos não são meus irmãos.
Eles não responderam nada, mas, quando passaram pelo colégio da irmã para a levarem para casa, contaram-lhe o que tinha dito o filho do moleiro.
A Princesa, que era muito viva, disse-lhes logo que deviam ir perguntar aos pais, pois eles como filhos os tinham criado. Os irmãos concordaram e foram dali todos três procurar o moleiro e contar-lhe o caso. Este ficou muito triste, porque estimava os pequenos como filhos mas entendeu de seu dever contar-lhes a verdade.
Os meninos disseram então que em vista disso não queriam ali estar mais tempo a incomodar e iam em busca dos verdadeiros pais. O moleiro e a mulher ficaram com muita pena, mas não tiveram remédio senão deixá-los partir. Deram-lhes três cavalos e muito dinheiro, pois estavam riquíssimos com os ganhos que a fortuna dos meninos lhes tinha trazido.
Despediram-se, não sem haver muitas lágrimas de parte a parte, pois até o filho do moleiro estava arrependido e não se consolava de ter sido o causador daquela separação. Os três puseram-se em marcha pela primeira estrada com que depararam, a menina no meio e os rapazes um de cada lado. Como eram formosíssimos, toda a gente olhava para eles e principalmente para a rapariga. Os meninos, não gostando disso, logo que chegaram à primeira cidade resolveram que a Princesa se vestisse de rapaz, pois iam assim muito mais à-vontade.
Compraram tudo que era preciso, e ela, entrajada como um jovem cavaleiro, não se distinguia dos irmãos.
Assim foram andando até que chegaram a uma estalagem, à beira duma estrada, nos arrabaldes da capital dum grande reino. Entraram, pediram de comer e depois perguntaram à hospedeira se não havia ali nenhuma casa que se vendesse.
— Há, há — respondeu a mulherzinha — um palácio muito velho, mesmo defronte do palácio real, mas parece-me que é um palácio encantado, porque apareceu ali dum dia para o outro e ninguém ainda quis ir habitá-lo.
— Bom, nós, que não temos medo, vamos comprá-lo.
Foram vê-lo, acharam-no muito do seu gosto e deram tudo quanto lhe pediu uma velhinha que logo desapareceu.
Entraram, viram o que lhes faltava e tornaram logo a sair para comprar tudo que necessitavam para a casa. Mercaram fatos novos para todos três; assoldadaram serviçais; fizeram enfim tudo que era preciso para se instalarem convenientemente. Quando à noite foram ver o dinheiro para saberem com o que podiam contar, acharam-se com o mesmo que tinham antes. Ficaram admirados, mas nada contrariados, como se pode supor.
Já ali viviam havia uns poucos de dias, quando, à janela do palácio real, apareceu uma das tias dos meninos, pois quisera a Providência guiar os passos deles para defronte da casa do pai.
Por acaso tinha a Princesinha levantado o véu, e os meninos tirado os capacetes que sempre traziam. Quando a tia deu com os olhos em tais belezas, ficou verdadeiramente admirada, e muito desconfiada foi dizer à irmã:
— Ai mana, que vi os nossos sobrinhos!
— Tu não estás em ti — respondeu a outra — pois ainda imaginas que eles possam viver?
— Vi dois meninos e uma menina tão lindos, que não podes fazer ideia, e todos eles tinham uma estrela de ouro na testa. Quem hão-de ser senão eles?
Começaram a teimar; uma dizia que sim, outra dizia que não, e iam-se zangando a valer, até que resolveram ir chamar a feiticeira que as tirasse de dúvidas.
Veio a mesma peste que já as tinha ensinado a desembaraçarem-se dos sobrinhos e era uma velha feiticeira conhecida pelas suas maldades e por isso tida em muito má conta por todas as outras feiticeiras, fadas, génios e mais povo desses sobrenaturais espíritos.
Entrou, perguntou o que lhe queriam e respondeu logo que sim, que eram os filhos do Rei, aqueles três meninos.
As tias ficaram desesperadas e deram-lhe muito dinheiro e promessa de mais para que ela as desembaraçasse novamente das inocentes crianças.
Combinado isto, foi a velha, disfarçada em pedinte, à porta dos meninos, fazer uma choradeira para que lhe dessem uma esmola. Depois começou a conversar e a dizer que aquele palácio era muito velho, mas que lhe tinham dito que possuía um jardim muito bonito, que muito desejava ver, se os meninos dessem licença.
As crianças, que não desconfiavam de coisa alguma, porque geralmente os bons não vêem a maldade dos outros, deixaram-na entrar. Logo que chegou ao jardim, começou ela a gritar:
— Ai que lindo, que belo jardim! Só lhe falta uma coisa para ser a maravilha do Mundo.
— Então o que é, tiazinha?
— Ora! Eu não digo, porque é coisa de longe e os meninos não vão lá. É muito custoso, não têm coragem!...
Isto dizia ela para os entusiasmar, porque sabia bem que é condão da mocidade fazer sempre de valorosa. Por isso os meninos começaram logo a dizer:
— Diga o que nos falta aqui, senão pômo-la fora e nunca mais lhe daremos nada.
— Pois então sempre digo: falta aqui a árvore de todos os frutos, a água de ouro e o pássaro que fala.
— E onde é que existem essas maravilhas? — perguntou o menino que por sua decisão parecia o mais velho.
A feiticeira explicou tudo, e, depois de receber uma boa espórtula, foi-se embora toda satisfeita receber a paga das tias, pois bem sabia o perigo em que metera aquelas crianças.
Ficando sós, disseram os dois rapazes:
— Vamos todos buscar aquelas coisas tão lindas, que vão fazer do nosso jardim uma maravilha do Mundo?
— Não — respondeu a menina — deve ir só um porque se lhe acontecer algum perigo ficam dois para o ir procurar.
— Pois então vou eu — disse o primeiro.
— Vai, que nós temos esta bacia mágica; se te acontecer desgraça logo conheceremos, porque deixamos de ver as nossas caras na água.
O menino vestiu-se como quem ia para longa e difícil viagem, meteu uma garrafinha no bolso, despediu-se dos irmãos, montou a cavalo e partiu.
Andou e fartou-se de andar durante cinco dias e cinco noites, mas só via céu e matos. Estava descoroçoado de todo, dizendo mal à sua vida e maldizendo a feiticeira, quando ao longe distinguiu uma luzinha. Tomou ânimo e lá foi seguindo até que deparou com uma espécie de capela perdida entre serras bravas e à porta um Monge de austeras barbas brancas até à cintura.
O menino levou a mão ao gorro e disse cortêsmente:
— Deus o guarde, meu irmão.
— Deus te guarde, cavaleiro. Podes apear-te que já sei ao que vens.
— O quê, já sabe?!
— Sei que procuras a árvore de todos os frutos, a fonte de ouro e o pássaro que fala. Oh, eterna ilusão humana! Quando vos cansareis vós, homens de pouco tino, de andar assim a correr perigos e martírios atrás da felicidade que só está no sossego das vossas consciências?!
O menino estava espantado daquele discurso, mas o Monge, que era um bom espírito protector dos fracos, disse-lhe mais:
— Nenhum dos teus pensamentos nem das tuas acções me é desconhecido, e porque sei que és bom é que te quero salvar dos malefícios da feiticeira que para aqui te mandou. Entra, dorme e descansa, que amanhã seguirás o teu destino.
O Principezinho desmontou-se e o Monge deu-lhe ceia e cama. Ao romper de alva deu-lhe o almoço e, entregando-lhe um novelo de guita, disse:
— Aqui tens, deita esse novelo a correr e onde ele parar aí é o portão verde que se abre às onze e meia e fecha ao meio-dia. Se nessa meia hora tiveres tempo de entrar, encher a tua garrafa, cortar um ramo da árvore de todos os frutos e saires sem olhar para trás, serás feliz. Senão ficarás feito em pedra mármore como tantos outros desgraçados que este mesmo caminho têm feito.
O menino despediu-se, deitou o novelo e desatou a correr atrás dele, até que parou junto do portão verde.
Estava a dar a meia hora para o meio-dia quando o portão se abriu estrondosamente, mostrando aos olhos maravilhados do visitante o mais encantador dos jardins. A água de ouro caía de todas as fontes; a árvore procurada, ao meio, vergava ao peso de todos os frutos quantos existem para regalo dos nossos olhos e do nosso paladar. Todo o jardim estava cheio do canto de passarinhos gentis, que voavam alegremente em torno da gaiola de ouro onde estava o pássaro que falava, como se ele fosse o rei de todas aquelas maravilhas. Por toda a parte se viam homens feitos em mármore e que
só pela imobilidade não pareciam vivos, tão naturais eram as suas posições.
O menino levou a ver tudo isto mais tempo do que lhe cumpria e depois foi a correr encher a garrafinha numa das fontes de ouro e a correr cortou o ramo da árvore. Ia a pegar na gaiola quando um sino de ouro deu o meio-dia e logo o menino, de braços levantados, ficou feito em pedra mármore.
Os outros irmãos lá continuavam em casa e todos os dias iam consultar a água da bacia, até que uma vez, não vendo as suas caras lá reflectidas, ficaram presos da maior angústia, pensando que alguma desgraça tinha acontecido ao irmão.
Ambos queriam ir mas o segundo menino pediu à irmã o deixasse partir sòzinho, que depois iria ela se ele tivesse a mesma triste sorte.
Despediram-se com muitas lágrimas, e ao segundo aconteceu as mesmas coisas que ao primeiro tinham sucedido. Esse estava já à porta com as três coisas e o irmão desencantado quando ela se fechou estrondosamente deixando-os ambos em pedra.
A menina, que todos os dias ia consultar a água, quando a viu turva ficou muito aflita, mas não perdeu a coragem. Tornou a envergar os fatos de rapaz, montou a cavalo e partiu.
Andou por montes e vales, terras habitadas e terras de desolação, e não descobriu para o fim da sua jornada mais do que céu e matos. Muito desconsolada, temendo ter-se perdido, andava, andava sem encontrar vivalma a quem procurar caminho. Nisto ouviu o relinchar de cavalos e viu o seu arrebitar as orelhas com alegria. Ficou mais animada porque pensou que seriam os cavalos que seus irmãos montavam. Começou a andar naquela direcção até que avistou a mesma longínqua luzinha e à porta da tal capela o mesmíssimo velho Monge que os irmãos tinham visto. Levou a mão ao gorro e disse:
— Guarde-o Deus, irmão.
— Deus vos guarde, linda donzela.
— Donzela, sendo eu um cavaleiro?! Ofendeis-me, senhor!
E dando um passo atrás levou a mão à cinta onde tinha um bom punhal.
— Sei tanto que és uma jovem e formosa senhora como sei que vens procurar teus irmãos. Mas eles estão feitos em pedra mármore.
A menina, quando isto ouviu, teve um desgosto tão grande que caiu do cavalo abaixo sem sentidos, mostrando assim que apesar do seu varonil juízo o seu coração era de bondosa mulher.
O Monge pegou nela ao colo, deitou-lhe água na cara e, depois de a ver restabelecida, contou-lhe tudo o que aos irmãos tinha acontecido, dizendo-lhe o que ela no dia seguinte devia fazer.
Ao outro dia, mal o sol apontava, pôs-se a pé, pronta a marchar; deu-lhe o Monge uma lanceta, uma chávena e uma ligadura e disse-lhe:
— Aqui tens, na meia hora em que o portão está aberto, hás-de lancetar-te, ligar a ferida e, com o sangue que para esta chávena deitares, untarás os teus dois irmãos dos pés para a cabeça. Foge logo com eles porque já têm a água de ouro, o ramo da árvore de todos os frutos e o pássaro que fala.
A menina deitou o novelo e pôs-se a correr atrás dele até chegar ao portão verde. Faltavam alguns minutos para as onze e meia e disse ela para consigo: — Deixa-me cá ir sangrando que depois posso não ter tempo.
Se melhor o pensou, melhor o fez; levantou a manga do gibão, enterrou a lanceta, deixou correr o sangue até encher a chícara e depois ligou o braço com todo o cuidado. Ela a acabar de fazer isto, a meia hora a dar e o portão a abrir-se com grande estrondo.
Mal entrou não quis olhar para coisa alguma senão para os dois irmãos que estavam quase à porta, um com a água de ouro e o ramo da árvore de todos os frutos, outro com a gaiola do pássaro que falava. Untou-os com o seu sangue enquanto eles diziam:
— Ai, deixa-me dormir!
— Não, não! Logo dormem.
E com toda a força os puxou para fora, ao mesmo tempo que dava meio-dia e a porta se fechava com tanta violência e pressa que ainda a capa de um dos rapazes lá ficou presa. Mas isso pouco importava, visto que os tinha ali vivos; com o punhal cortou o pedaço de pano e eles ficaram livres. E os três irmãos, ao cabo de tantos desgostos, reunidos, sãos e salvos, abraçaram-se com imensa alegria.
Passaram por casa do Monge, a quem agradeceram os favores que dele tinham recebido, e partiram para o seu palácio, depois de terem perguntado o que deviam fazer dali para o futuro.
Chegaram lá e dirigiram-se imediatamente ao jardim onde enterraram o raminho da árvore. Num grande tanque de mármore que havia no meio deitaram a água de ouro. O pássaro que fala tirado da gaiola andava sempre no ombro da menina, como fiel companheiro. Despediram os serviçais e ficaram só os três, pois tudo lhes aparecia feito sem saberem como.
Passados oito dias, foram eles ver como estava a sua plantação e ficaram num espanto, pois o jardim era um verdadeiro paraíso. A árvore tinha crescido como se muito ano tivesse passado, cheia de frutos de todas as qualidades. Só de olhá-la se ficava saciado. O tanque de água de ouro lançava para o ar o mais belo dos repuxos, e passarinhos de mil espécies enchiam de cantares aquele paraíso terreal.
Os meninos chamaram logo um pregoeiro e mandaram-no gritar por toda a cidade que ali podia ir quem quisesse ver a árvore de todos os frutos, a fonte de ouro e o pássaro que fala.
Toda a gente correu a ver tais maravilhas e em breve se não falava noutra coisa na cidade.
Fizeram tais espantos que um dia o Rei disse para os seus cortesãos:
— Ora que toda a gente vai ver aquelas coisas extraordinárias, e eu, que estou aqui defronte, ainda não fui! Pois hei-de lá ir hoje.
As duas cunhadas, que eram as malvadas tias dos meninos, cheias de medo, quiseram dissuadi-lo, mas o Rei teimou e foi por uma porta travessa por onde sempre saía para não ver a mulher.
Muito sobressaltado ficou quando viu os meninos com uns capacetes na cabeça de maneira a encobrir a testa e a menina com um véu; não quis perguntar nada, e, tratando-os muito bem, pediu-lhes para lhe mostrarem o jardim. Assim que lá entraram começou o repuxo a deitar fios de ouro para cima do Rei, os passarinhos a cantar cada vez melhor e a árvore a deixar-lhe cair os frutos aos pés. Era mesmo um céu aberto.
Nem o Rei se podia tirar dali tão encantado estava com o que via e com os três meninos que se mostravam muito bons e amáveis. Quando por fim se resolveu a sair, disse o passarinho ao ouvido da menina:
— Convida-o para vir amanhã jantar convosco.
— Ó passarinho, mas que temos nós que seja próprio para um Rei comer?
— Não te apoquentes, convida-o que o resto aparecerá.
A menina convidou o Rei, e ele, muito satisfeito, disse logo que sim. Pois tinha gostado tanto de estar naquela casa que — dizia ele — mesmo que a comida não prestasse lhe saberia bem.
Ao outro dia foi para lá muito cedo, não se importando do que lhe diziam as cunhadas que estavam fulas de raiva e tentavam dissuadi-lo com discursos enganosos.
À hora do jantar foram todos quatro, os meninos e o Rei, sentar-se à mesa, e o passarinho empoleirar-se no ramo de flores raras que estava no centro. Criados era coisa que se não via, mas a comida saborosa era servida com muita presteza. O Rei estava intrigadíssimo com tudo quanto via, mas, por delicadeza, nada queria dizer.
Ao fim da noite pediu também aos meninos para no dia seguinte irem jantar a casa dele e a menina disse que sim, que iam, mas com a condição de levarem a ave que fala da qual se não podiam separar. O Rei respondeu logo que até tinha muito gosto em lá ver o lindo passarinho.
Foi para o seu palácio e preveniu as cunhadas que mandassem fazer um bom jantar para o dia seguinte, pois tinha convidado os amáveis meninos. Elas ficaram logo em ânsias e mandaram chamar a feiticeira que lhes deu um veneno para deitarem na comida que fosse para os sobrinhos.
Ao outro dia levantaram-se os meninos, vestiram-se com o maior esmero, eles dois com seus gibões, calção e meia de corte, ela como Princesa, com seu vestido de rendas e pérolas, arrastando larga cauda, e diadema nos bonitos cabelos. O passarinho todo contente saltou-lhe para o ombro, e lá foram muito satisfeitos.
À entrada do palácio veio um guarda entregar-lhes uma chibata para eles darem com ela na senhora que estava à porta principal, enterrada até à cintura, recebendo aquela desfeita de toda a gente que entrava e saía, que por maldade ainda lhe cuspiam e enchiam de insultos.
Apesar dos três meninos não saberem que era a sua própria mãe, recusaram fazer tal coisa, dizendo que se iam embora se os quisessem obrigar a fazer o que tanto repugnava às suas consciências.
O Rei, ouvindo barulho, mandou saber o que era e, como lhe dissessem que os seus hóspedes não queriam entrar senão com aquela condição, ordenou que os deixassem passar sem bater na desgraçada. Quando ela os viu passar desatou a chorar e, sem que ninguém lho dissesse, convenceu-se que eram os seus queridos filhinhos aquelas três lindas crianças.
Chegou a hora do jantar, sentaram-se à mesa, mas os meninos não comiam nada, porque a ave que fala meteu a cabeça entre as asas e logo eles viram que não deviam tocar em coisa alguma.
O Rei perguntou-lhes porque não comiam, se não gostavam da comida e eles responderam que não comiam porque a ave, sua protectora, não mandava. Perguntou então ao passarinho porque não deixava comer os meninos e ele respondeu logo:
— Não deixo porque a comida deles está cheia de veneno e eu estou aqui para os proteger e não para os ver morrer.
— Que venha outra comida — ordenou logo o Rei.
As cunhadas foram lá dentro e, se a primeira trazia veneno, a segunda então nem se fala.
— Ó passarinho, os meninos agora não podem comer?
— Não, porque esta ainda tem mais veneno do que a primeira.
— Pois então hão-de comer do meu jantar e já não haverá perigo.
— Mas não o faremos enquanto Vossa Majestade não mandar buscar para a mesa aquela mulher que lá está em baixo — responderam os meninos.
— Ah! Isso é que não pode ser, porque está sofrendo o castigo de me ter enganado.
— Pois então vamo-nos embora.
Iam-se a levantar da mesa, mas o Rei, que já os estimava muito, não consentiu tal e mandou desenterrar a mulher, o que causou o espanto de toda a corte.
Qual não foi porém a admiração de todos, vendo-a sair da terra tão bem vestida e limpa como no dia e hora em que tinha sido enterrada! Na sua cova nasceu uma fonte de pura água e um rosal a dar rosas que tudo perfumavam.
Mal chegou à sala de jantar, entre as exclamações daqueles que durante tanto ano a tinham injuriado, os três meninos levantaram-se e tiraram os capacetes e o véu, aparecendo mais formosos do que três anjos, com suas estrelas de ouro na testa.
Foram imediatamente reconhecidos pelos pais, que não cabiam em si de felicidade. O passarinho contou tudo que se tinha passado. E o Rei, desesperado com a malvadez das cunhadas, mandou-as logo prender e condenar à morte. Mas as malvadas, sabendo o que mereciam, por suas mãos próprias se castigaram, pois já se tinham deitado ao mar. A feiticeira foi encarcerada para toda a vida e o moleiro, a mulher e o filho chamados ao palácio e cumulados de honras e mercês.
O Rei pediu muito perdão à Rainha, que tudo perdoou de boa mente, porque a felicidade não recorda mágoas.
O pássaro que fala e o palácio dos meninos desapareceram por encanto, pois por encanto fora tudo feito para se salvarem aqueles inocentes.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|Os meninos da estrela de ouro na testa]]
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/Os sapatinhos de setim
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'''<big>OS SAPATINHOS DE SETIM</big>'''
UM viúvo, tinha uma filha, a criança melhor e mais modesta que se pode imaginar. E tão bonita também que, de pequenina, a começaram a chamar Rosalinda, que é como quem diz linda rosa.
Quando o pai viu que a menina começava a crescer e não tinha em casa mãe que a ensinasse, mandou-a para a mestra aprender o que as mulheres precisam de saber para bem ordenar e governar a sua casa.
Ora a mestra era também viúva e tinha uma filha, a qual era altiva e má como outra não havia. Começou a professora a tratar com todo o carinho a discípula e a dizer-lhe que, se o pai quisesse casar com ela, lhe daria sopinhas de mel.
Respondia o homem, quando a filha em tal lhe falava:
— Filha, agora te dá sopinhas de mel e depois tas dará de fel.
A criança contou à mestra a resposta, e a mulher jurou e tornou a jurar que a trataria tão bem como à própria filha. A ponto que por fim o pai de Rosalinda, cansado de tantos pedidos, consentiu em casar.
A princípio tudo ia bem, mas a madrasta depressa quis mostrar que inteiramente o era, e não fazia senão apoquentar a pobre criança. Pancada não faltava todos os dias; o serviço mais pesado da casa era para ela; cama no chão e a comida da pior, o sobejo de todos. A menina fartava-se de chorar, e o pai não deixava de lhe repetir:
— Vês, não to dizia?! Antes prometia-te sopinhas de mel e agora dá-tas de fel.
Se ele estava em casa, ainda não era grave o mal; mas, quando o pobre homem saía para o trabalho, então é que vinham todos os martírios.
Havia no casal uma vaquinha preta com uma linda malha branca na testa, que a menina costumava ir guardar para o monte. Às vezes, só por passeio, ia também a filha da madrasta; mas a merenda que Rosalinda levava era sempre um bocado de pão duro, e, quando muito, algumas azeitonas, enquanto a outra, as raras vezes que ia, tinha o seu cabaz bem recheado de acepipes, pão alvo, e até bolos.
Sucedeu que, tendo uma vez ido ambas, e estando à sombra duma árvore Rosalinda a fiar e a outra a comer o farnel, passou por ali uma mulherzinha já velha e parecendo doente, que lhe disse:
— Minha menina, se me desse alguma coisinha da sua merenda, quanto lhe agradeceria!
— Olha que atrevimento — respondeu a soberba — nem eu tinha mais nada que fazer senão dar-lhe dos meus ovos e do meu pão branco! Talvez queira também que lhe ofereça vinho!?...
Começou a troçar a pobre, enquanto Rosalinda tirava a roca da cinta, e, abrindo o pequeno alforje, onde trazia o seu pão, o deu à pobre, dizendo com a maior delicadeza:
— Aqui tem o que lhe posso oferecer; coma, que me dará muito gosto.
E foi a uma fontinha que corria perto, encheu uma pequena bilha com água fresca, que deu à mendiga, já que não tinha vinho nem mais delicados manjares. A pobrezinha comeu com apetite, e no fim disse:
— Como é boa e caridosa, quero fazer-lhe um dom. Fado-a para que seja a mais linda cara do Mundo e, quando falar, da sua boca caiam as mais raras flores e pedras preciosas.
Voltando-se para a outra, continuou:
— E a menina, que é tão soberba e tem um coração tão duro, quero fadá-la para que da sua boca saiam porcarias, sapos e mais répteis que serão a imagem das más palavras que costuma proferir.
Enquanto falava, endireitou-se, acenou com o cajado a que se encostava, que se transformou numa delicada varinha de condão, os trapos de que estava coberta mudaram-se em riquíssimos trajos e assim se mostrou, o que realmente era, a mais bela e melhor das fadas.
Quando à noite vieram para casa, a madrasta perguntou logo a Rosalinda se tinha feito a tarefa, e, como ela respondesse que sim, logo da sua boca lhe saíram perfumadas flores e riquíssimas pérolas e diamantes. Muito surpreendida, perguntou à filha o que queria aquilo dizer, mas, quando esta foi a responder, era tal a bicharada pela casa, que a mandou calar imediatamente.
Se Rosalinda até aí era infeliz, daí para diante foi mil vezes pior. O que lhe valia era a companhia da vaquinha preta da malha branca na testa, com quem desabafava todas as suas mágoas.
Um dia disse-lhe a madrasta:
— Hás-de ir hoje para o monte com a vaca e enquanto lá estiveres tens de fiar este linho, ensarilhá-lo e trazer a meada. E aqui tens este pão e esta cabaça de vinho, que hás-de trazer como levas. Já que podes passar sem ele para o dares às mendigas também poderás passar sem comer para o trazeres para casa.
A menina foi para o monte e não fazia senão chorar. Perguntou-lhe a vaquinha:
— O que tem, minha querida amiga?
Contou o que lhe sucedia, ao que a vaca respondeu:
— Não se apoquente, que eu arranjo tudo.
Com um dos chavelhinhos fez um buraco no pão e tirou-lhe todo o miolo, que a Rosalinda comeu, depois fê-la beber o vinho e encheu a cabaça com a baba. Mandou a menina pôr o linho nos chavelhinhos e logo ele apareceu fiado e ali mesmo se ensarilhou. Acabada a tarefa, adormeceu Rosalinda muito alegre, e à noite tudo entregou à madrasta, que lhe perguntou logo:
— Ai, filha (pois sempre que a queria enganar a chamava assim), quem te ensinou a fazer tanto serviço?
— Foi a vaquinha de malha branca na testa — respondeu a menina com toda a inocência.
— Ah, sim?! Pois amanhã há-de ser morta.
Rosalinda começou a chorar, e, doida de pena, foi abraçar-se à vaquinha.
Perguntou ela:
— Então, menina, o que é que a aflige? Será mais serviço para amanhã? Descanse que ele se fará.
— Ai, minha querida vaquinha, antes fosse. Pois a madrasta não te quer amanhã mandar matar!? Foi por seres boa para mim.
— Não se apoquente, que assim me faz favor pois me livra deste encanto. A menina peça para ir lavar as minhas tripas e há-de lá encontrar uma bolinha de ouro; não a deixe fugir, que ela fará as minhas vezes e será a sua guia.
Ao outro dia foi morto o pobre animal e a menina foi pedir à madrasta que a deixasse ir ao rio lavar as tripas.
— Pois decerto que hás-de ir; querias talvez que fosse a minha filha?! — respondeu com má cara.
Rosalinda ficou muito contente e partiu para o rio. Quando estava com todo o cuidado, para não perder a bola de ouro, caiu-lhe esta para o chão e começou a correr, a correr, e ela atrás muito aflita para a apanhar, até que chegaram a uma casa.
Entrou a ver se via a bolinha, mas nada mais encontrou do que um cãozito. Como a casa estivesse desarrumada, camas por fazer, lume apagado, numa desordem completa, tratou de pôr tudo no seu lugar, fez o jantar, deu de comer ao cãozito que a seguia por toda a parte, e quando sentiu vir gente escondeu-se atrás da porta. Nisto entraram os donos da casa, que eram uns quadrilheiros, e, ficando admirados do arranjo que encontraram, disseram uns para os outros:
— Quem nos faria tanto bem?
Gritou dali o cãozito por três vezes:
— Béu, béu béu, detrás da porta está quem bem nos fez e bem nos fará.
Foram ver e lá encontraram Rosalinda muito assustada.
O capitão perguntou à menina como tinha chegado àquele ermo, e, depois de lhe ouvir a história, jurou que ficaria como sua irmã e tudo mandaria naquela casa.
Rosalinda ficou, e era feliz, pois os quadrilheiros a tratavam com todo o respeito e carinho.
Mas a madrasta, como a não visse voltar, foi ter com uma feiticeira que lhe disse onde estava a enteada e o bem que gozava. Ficou furiosa e deu muito dinheiro à bruxa para mesmo ali a perseguirem.
Quando uma pessoa é má, parece que todo o bem e o sossego dos outros lhe é veneno.
Um dia que todos os quadrilheiros tinham saído e a menina estava só em casa, apareceu à porta uma velha muito miserável e fingindo-se doente, que pedia agasalho.
Rosalinda que era muito boa e sabia o que era a infelicidade, tratou-a com todo o carinho, deu-lhe de comer e fato para mudar.
No fim disse a feiticeira, que outra não era, com mil lamúrias e agradecimentos:
— Minha menina, há-de consentir que lhe dê esta lembrança: são uns sapatinhos bordados que fiz na minha mocidade. Só a menina os merece, por sua bondade. Deixe que eu lhos calce.
Os sapatos eram tão bonitos que a menina, apesar de ter ali tudo quanto havia de melhor, gostou deles e deixou que a velha lhe calçasse um. Imediatamente caiu para trás como se estivesse morta, mas com os olhos abertos. Calçou-lhe o outro, e ninguém diria senão que Rosalinda era um cadáver. A velha fugiu, não sem que o cãozito da casa a seguisse a ladrar pela floresta fora durante bastante tempo. Depois o animal voltou para casa tristemente, e, quando os ladrões vieram e encontraram a menina morta, ainda ele disse:
— Béu, béu, béu, foi uma velha que tanto mal fez!
Mas de que servia o pobre brutinho dizer isso, se não tinha podido defender a companheira nem lhe dava remédio nenhum?
Os quadrilheiros tiveram um grande desgosto, o maior da sua vida, com a morte da boa Rosalinda. Depois, como ela estava tão bonita que mais parecia entregue a um bom sonho do que morta, resolveram vestir-lhe o mais rico vestido que tinha, todo bordado a ouro e pedras preciosas, pôrem-lhe na cabeça um diadema de pérolas das que lançava pela boca quando falava, meterem-na num caixão de vidro e cobrirem-na de flores. Com grande mágoa levaram o caixão para o meio do bosque e o puseram na árvore mais alta, para que Rosalinda tivesse a companhia dos passarinhos do céu e estivesse longe das criaturas humanas e das feras. Aqueles homens, que não sabiam senão fazer mal, choravam como crianças ao despedirem-se da menina.
Assim passou o tempo sem que ela desse sinal de vida.
Um dia o Príncipe daquele reino, que era um bom e valente mancebo, passou por ali seguido do seu fiel pagem, e, vendo o caixão de vidro a brilhar ao sol, mandou o companheiro que subisse à árvore e lhe dissesse o que era aquilo.
— Ai meu Senhor, venha cá, se quer ver a imagem mais linda de quantas se adoram por todas as igrejas do Mundo! — gritou de lá o pagenzito.
O Príncipe subiu à árvore e ficou como que fulminado de espanto ao ver aquela menina formosíssima, vestida com a máxima grandeza, e que parecia dormir o melhor e mais feliz dos sonos.
Ajudado pelo pagem, desceu com o caixão para baixo, e, às escondidas de todos, por alta noite, o introduziram na sua real câmara.
Desde essa noite, ninguém, a não ser o fiel servidor, lhe entrou mais no quarto e quando raramente saía levava a chave no bolso. Mas andava tão triste, tão triste, que a toda agente dava cuidado. A Rainha perguntava o que teria o seu único e querido filho e afligia-se.
Pedia-lhe que escolhesse noiva, que era tempo de o fazer para ser jurado rei. Muitas princesas aguardavam, para escolher noivo, que ele tivesse feito primeiro a sua escolha; e nenhum monarca negaria uma filha àquele modelo de príncipes.
Mas ele respondia sempre que não queria casar, que nenhuma mulher viva lhe agradava.
Toda a gente na corte desconfiava de algum segredo escondido na câmara sempre fechada do jovem herdeiro da coroa.
A Rainha mandou chamar o pagem à sua presença para que lhe revelasse o que porventura soubesse; mas o fiel moço respondeu logo:
— Podeis mandar-me prender ou matar, Senhora; nas vossas mãos estou. Mas a minha boca jamais se abrirá para dizer um segredo do meu Príncipe.
A Rainha, comovida com tal procedimento, em lugar de o punir o louvou e premiou. E o segredo e a tristeza do Príncipe continuavam.
Uma vez que, por acaso, o Príncipe se esqueceu de levar a chave do quarto, as aias da Rainha, em lugar de a chamarem, entraram lá e deram com o caixão de vidro onde a menina dormia.
Mulheres que eram, trataram de o abrir para melhor observarem o bordado do vestido, as jóias e tudo que a cobria. Até que uma delas disse, pegando num dos sapatos de cetim:
— Que beleza de sapatinho! Deixa cá ver se me serve!
Tirou-lho do pé e logo a menina abriu os olhos; cheias de espanto iam tirar o outro quando sentiram os passos do Príncipe e fugiram espavoridas até onde estava a Rainha para que as desculpasse.
O Príncipe, vendo o caixão aberto, ficou muito zangado; e ia pôr tudo no seu lugar, quando ouviu a mãe bater à porta pedindo que abrisse e dizendo que sabia como acordar aquela menina que não estava morta mas adormecida por magia.
O Príncipe, alvoroçado, abriu logo a porta. E as aias, suplicando o perdão para a sua curiosidade, contaram o que tinham feito.
Foi uma alegria sem nome para o Príncipe quando tiraram o outro sapato e a menina se sentou no caixão a sorrir e a falar.
Perguntou-lhe então o motivo da sua aparente morte, e ela, como nada tinha que ocultar, contou a sua vida inteira. O Príncipe, que jurara não casar com outra mulher, ficou satisfeitíssimo, e a Rainha, vendo a riqueza imensa que ela lançava pela boca, consentiu de bom grado no casamento, pois nenhuma Princesa da terra possuía tesouro igual.
O Príncipe, a pedido da menina, ainda mandou procurar o pai para o trazer para casa, mas o pobre homem já tinha morrido de desgosto.
A madrasta vivia miseràvelmente, odiada por todos, e a filha tão má se tornara que a própria mãe a expulsara de casa, dizendo-se que tinha morrido de fome na floresta.
Os quadrilheiros foram chamados à presença do Príncipe e da Princesa Rosalinda, que lhes agradeceram o que por ela tinham feito e lhes pediram muito que mudassem de vida e todas as suas maldades lhes seriam perdoadas. Eles assim fizeram e daí por diante tornaram-se bons e honrados, sendo os súbditos mais fiéis dos jovens monarcas. O capitão ofereceu à menina o cãozito que fora seu companheiro e que para bem de Rosalinda não pudera livrá-la da desgraça.
Como foi muito feliz e fez felizes todos os que a rodeavam, não há mais que contar da bondosa Rosalinda.
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O gosto dos gostos
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'''<big>O GOSTO DOS GOSTOS</big>'''
HAVIA num grande reino de outrora um velho Rei que tinha três filhas. Chegado a idade tão avançada que lhe era penoso tratar dos negócios públicos, mandou reunir a corte com todos os representantes do povo e deu-lhes parte que ia dividir o reino pelas suas três filhas, se elas mostrassem gostar do pai como lhe cumpria.
Foram pois chamadas as três princesas, e perguntou o Rei à mais velha:
— Filha, como gostais de mim?
— Senhor, eu vos quero como ao ver dos meus olhos.
— Muito amor me tens, filha, e eu te agradeço dando-te a parte oriental do meu reino. E vós, filha minha, como gostais de mim? — perguntou à segunda.
— Senhor, como de mim mesma.
— Muito me agrada esse dizer, e vos agradeço. Ficareis pois com os verdes prados e as altas montanhas da bela província do Norte. E vós, minha filha, a que comparais o vosso afecto? — perguntou à mais nova.
— Pai e Senhor meu, amo-vos como ao gosto dos gostos das pedrinhas de sal.
Quando a Princesa acabou de falar, levantou o Rei os braços ao céu clamando que a filha mais nova o não amava. Mandou-a sair da sala e cobriu a face com as mãos, enquanto as duas princesas o acendiam em ira contra a irmã. Tanto gritaram e disseram que o Rei se encheu de razão e dividiu o reino só entre as duas, que era exactamente o que elas queriam. Depois, levado ainda pelos maus conselhos de tão ambiciosas criaturas, expulsou a filha de casa e mandou-lhe dizer que nunca mais a queria ver.
A pobre Princesa saiu do palácio chorando o seu desgosto e abandono, e, sem saber de quem se valesse, foi ter com sua madrinha, a fada melhor de quantas existiam nesses ditosos tempos em que as fadas acudiam aos homens em suas aflições, e contou-lhe a sua desgraça.
— Não tem razão o velho Rei teu pai, querida filha, mas contra ele nada devemos tentar, porque lhe deves respeito e amizade. Esperemos que os seus olhos se abram à justiça e que o seu coração te chame — disse a bela fada à infortunosa princesinha.
Depois prometeu-lhe que a não abandonaria nunca e lhe aconselhou o que devia fazer.
Partiu dali a menina, mais consolada, e para encobrir seus vestidos ricos de infanta pôs às costas uma feia pele de burro que a fada lhe deu.
Andou por muitos caminhos, atravessou cidades e vilas, sujeitou-se a ouvir os ditos de gente grosseira que se riam dá sua aparente fealdade, mas nada a impediu de caminhar sempre em frente até onde a mandava o seu destino.
Chegou por fim ao palácio de campo do grande Rei de França, e apresentou-se à porta perguntando se queriam serviçal.
Todos se riram, chamaram-lhe bicho, e para coisa alguma a tomariam nem lhe dariam qualquer serviço se nessa ocasião o moço e belo Rei não entrasse da caça, e, tendo dó da triste, a não mandasse ficar.
Como parecia feia, velha e suja, embrulhada na pele de burro, nenhum serviço lhe deram senão o de andar pelo campo a guardar os patos. E à noite, quando chegava a casa, a criadagem ria-se dela e faziam-na sofrer com as suas chufas e troças.
A Princesa tudo levava com paciência, e, quando se via só com os patos no meio do verdejante prado, punha-se a fiar para distrair suas penas, pensando no formoso Rei, seu senhor, que porventura a poderia esposar se ela fosse ainda infanta real em casa da sua família.
E chorava por se ver tão miserável, cismando em que dessa maneira nunca ele poria os olhos na sua pessoa, que só ela sabia quanto era diferente da aparência.
Às vezes impacientava-se, porque a maior paciência tem limites, e quando via os patos correrem cada um para seu lado, batia-lhes com o queijado e dizia:
— Pata aqui, pata ali, filha de Rei a guardar patos é coisa que eu nunca vi!
Matava um, trazia-o para casa, e dizia que tinha morrido, sem explicar mais nada.
Mas tantas vezes isto aconteceu que enfim o foram dizer ao jovem Rei para que ele despedisse a ''Pele de burro'' (como lhe chamavam por não ter dado um nome), visto que por sua ordem fora admitida ao serviço.
Quando o Rei tal soube encheu-se de curiosidade e foi para o campo espionar a rapariga. Ouviu-a então dizer:
— Pata aqui, pata ali, filha de Rei a guardar patos é coisa que eu nunca vi!
Depois dar com o queijado num dos animais e matá-lo.
Ficou intrigadíssimo e não fazia senão espionar a ''Pele de burro''. Soube que ela dormia num canto escuro, que até aí só tinha servido para arrecadação de velhas coisas fora de uso, e foi espreitá-la pelo buraco da fechadura.
A Princesa entrou para o quarto, fechou a porta, acendeu luzes e tirou a pele com que andava coberta. Depois lavou-se, penteou-se, vestiu um dos seus bonitos fatos de grande senhora, e por fim adornou-se com suas jóias, mostrando ser a mais formosa dama que até aí ele tinha contemplado.
Por sua vontade teria entrado logo, mas teve medo de a assustar e retirou-se com o firme propósito de mandar ao outro dia chamar a ''Pele de burro''. Mandou-a chamar efectivamente, dizendo a toda a corte ser ela a mais linda mulher do seu reino.
Quando tal disse toda a gente se riu, e tanto o magoaram esses risos que se envergonhou, quase convencido que fora um sonho que tivera.
Entrou depois numa tristeza tão grande, que nunca mais pôde dormir nem comer com descanso, por ignorar quem era aquela formosa criatura que em sonho ou verdade o encantara.
A Rainha sua mãe, vendo que já nada o distraía, resolveu procurar-lhe noiva que fosse bonita como ele sonhara e grande Princesa digna de ocupar o trono de França. Combinou com o Rei, que a nada se opôs, visto que não lhe era possível achar o que já lhe parecia só ter visto em fantasia.
Veio a Princesa que nesse tempo maior fama tinha de formosa, e no dia da apresentação foi dado um grande baile.
''Pele de burro'', que tudo sabia pela tagarelice da criadagem, disse consigo, cheia de mágoa:
— Se eu tivesse um vestido que fosse da cor do sol, iria ao baile e veria o Rei uma última vez.
Olhou para o lado e viu um vestido, a coisa mais maravilhosa que poderia ter sonhado. Tecido de ouro, coberto de pedrarias, decerto que imitava em brilho o sol que nos alumia.
Muito contente, não se fartava de o admirar. Penteou-se com esmero, pôs as melhores jóias do seu cofre e saiu, sem ser vista, do seu quarto.
Quando o baile estava na maior animação entrou, majestosamente.
O Rei, que não tinha dançado nem saía dum canto onde curtia o seu aborrecimento, mal a viu correu a oferecer-lhe o braço e não a deixou em toda a noite. A Princesa noiva estava desesperada, mas o Rei pouco se lhe deu, pois a ''Pele de burro'' tinha tanta graça e vivacidade que ele já estava capaz de trocar o seu reino e até todos os seus súbditos pela honra de a esposar.
Passaram-se dias sobre dias, e, não havendo mais novas da formosa desconhecida, o Rei adoeceu a valer.
Vieram os melhores médicos do Mundo e todos à uma disseram que ele sofria de mal de amor, que é mal que só pode ser curado por quem o causa.
A mãe chorava muito e não se fartava de lhe perguntar o que lhe apetecia comer.
— Desejo um bolo amassado pela ''Pele de burro'' — disse por fim de muito instado.
Toda a gente ficou admirada, e disseram à Rainha que ela era uma criatura tão feia e suja que metia medo. A Rainha, porém, querendo satisfazer o desejo do filho, não se importou com o que lhe diziam e ordenou que o bolo fosse feito por quem o Rei desejava.
A menina arranjou a melhor farinha, mandou-a peneirar muito bem, e, entrando depois para o quarto, lavou-se, penteou-se e vestiu-se a primor para amassar o bolo que lhe pediam.
Quando já estava pronto e só lhe faltava entrar no forno, tirou do dedo o mais formoso dos seus anéis e meteu-o dentro.
Trouxeram o bolo ao Rei e ele comeu-o com tal sofreguidão que ia engolindo o anel.
Quando o encontrou deu um grito de alegria, arrecadou-o e disse à mãe que casava com a mulher a quem servisse aquela pequenina jóia.
Foram chamadas todas as princesas e damas da corte, mas nenhuma conseguiu enfiá-lo no dedo. Depois vieram as burguesas, em seguida as camponesas, de maneira que não havia no país senão a ''Pele de burro'' que o não tivesse experimentado.
— Pois vão chamar essa — disse o Rei.
Veio a Princesa com o seu feio trajo mais debaixo dele surgiu a mais linda mão que até aí se tinha visto. O anel entrou com toda a facilidade, e ela, no meio da admiração de todos, sacudiu a pele que a cobria e mostrou-se com o brilhante vestido da cor do sol, tão formosa e resplandecente como no dia do baile.
O Rei melhorou imediatamente e marcaram logo o dia para o casamento.
A Princesa contou a sua vida ao Rei e perguntou logo notícias do pai, ficando muito triste quando soube que as irmãs o tratavam tão mal que ele errava de corte em corte, sem reino e sem família.
O Rei mandou-o convidar para assistir ao seu casamento, mas não lhe disse quem era a noiva, nem ela se deu a conhecer quando o pai chegou.
No dia do casamento houve um grande jantar e a Princesa ordenou que a comida do pai fosse toda feita à parte e sem nenhum sal.
O velho Rei via que todos comiam com gosto e não se queixavam, e por isso nada dizia, mas não podia levar tal sensaboria de comer.
Até que no fim lhe perguntou a filha:
— Senhor Rei, porque não comeis?
— Porque não tenho vontade, real Senhora.
— Não é por isso, mas sim porque falta na vossa comida o ''gosto dos gostos das pedrinhas de sal''. Já sabeis que sem ele se não pode comer com gosto.
O velho Rei tudo compreendeu, e, abraçando a filha, confessou o erro em que tinha caído e pediu-lhe que narrasse o que por sua culpa tinha padecido que depois lhe contaria as maldades e traições de que as duas infantas mais velhas tinham usado para com ele.
A nova Rainha contou então tudo o que se passara desde que saíra do palácio; de como encontrara protecção na boa fada sua madrinha, e, seguindo os seus conselhos, se sujeitara a padecer todos os trabalhos e misérias para no fim alcançar a felicidade que lhe estava destinada.
Por sua vez, o antigo monarca historiou miùdamente os vexames e deslealdades que as suas outras filhas lhe haviam feito; de como se via despojado da maior parte das suas províncias e castelos, a ponto de andar agora, peregrino, a clamar justiça e auxílio pelas cortes estrangeiras.
O marido da antiga ''Pele de burro'' tanto se indignou com as ingratidões e espoliações daquelas más filhas que jurou solenemente que delas tiraria vingança.
Pouco tempo depois declarava-lhes guerra. Depois de as vencer completamente, expulsou-as dos seus domínios, restituindo tudo ao velho soberano, o qual ainda os administrou, e excelentemente, por muitos anos.
Assim foram cruelmente castigadas as duas princesas muito más, e acabou a história com muitas felicidades para os bondosos Reis de França e seu velho sogro e pai.
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