Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.17 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Autor:Júlio Verne 102 124347 560959 557890 2026-08-29T22:01:39Z Erick Soares3 19404 /* Viagens Extraordinárias */ 560959 wikitext text/x-wiki {{Autor/v2 | InicialUltimoNome = V | nome = Júlio Verne | nome completo = | nome nativo = | imagem = Jules Verne.gif | imagem_tamanho = | legenda = | nacionalidade = | data_nascimento = {{dni|8|2|1828|si}} | data_morte = {{morte|24|3|1905|8|2|1828}} | género = | período = | temas = | abl = | Wikipedia = Júlio Verne | Wikiquote = Júlio Verne | Wikicommons = Jules Verne | MiscBio = Júlio Verne foi o filho mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado (avoué), e Sophie Allote de la Fuÿe, esta de uma família burguesa de Nantes. É considerado por críticos literários o precursor do género de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua. }} == Obras == === Viagens Extraordinárias === {{Lista de documentos início|tn}} {{Documento|data=1863|título=Cinco Semanas em Balão|tn=Cinq Semaines en ballon|galeria=Júlio Verne - Cinco Semanas em Balão (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1864|título=Viagem ao Centro da Terra|tn=Voyage au centre de la Terre|galeria=Júlio Verne - Viagem ao Centro da Terra (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1865|título=[[Da Terra á Lua|Da Terra à Lua]]|tn=De la Terre à la Lune|galeria=Da Terra á Lua.pdf|progresso=4|exportar=Da Terra á Lua|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1866|título=[[Aventuras do Capitão Haterras]]|tn=Les Aventures du capitaine Hatteras |galeria=Júlio Verne - Aventuras do Capitão Hatteras, Parte 1 - Os Ingleses no Polo Norte (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=dois volumes}} {{Documento|data=1868|título=[[Os Filhos do Capitão Grant]]|tn=Les Enfants du capitaine Grant|galeria=Júlio Verne - Os Filhos do Capitão Grant, Parte 1 - América do Sul (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=3 volumes}} {{Documento|data=1870|título=[[Á Roda da Lua (5ª edição)|Á Roda da Lua]]|tn=Autour de la Lune|galeria=Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1870|título=[[Vinte Mil Léguas Submarinas]]|tn=Vingt mille lieues sous les mers|galeria=Júlio Verne - Vinte Mil Léguas Submarinas, Parte 1 - O Homem das Águas (1887).pdf|progresso=|gênero=|notas=Dois volumes}} {{Documento|data=1871|título=A Cidade Flutuante|tn=Une ville flottante|galeria=|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1872|título=Aventuras de Três Russos e Três Ingleses|tn=Aventures de trois Russes et de trois Anglais|galeria=Júlio Verne - Aventuras de Três Russos e Três Ingleses (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1873|título=O País das Peles|tn=Le Pays des fourrures|galeria=|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1873|título=A Volta do Mundo em 80 Dias|tn=Le Tour du monde en quatre-vingts jours|galeria=Júlio Verne - 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É considerado por críticos literários o precursor do género de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua. }} == Obras == === Viagens Extraordinárias === {{Lista de documentos início|tn}} {{Documento|data=1863|título=Cinco Semanas em Balão|tn=Cinq Semaines en ballon|galeria=Júlio Verne - Cinco Semanas em Balão (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1864|título=Viagem ao Centro da Terra|tn=Voyage au centre de la Terre|galeria=Júlio Verne - Viagem ao Centro da Terra (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1865|título=[[Da Terra á Lua|Da Terra à Lua]]|tn=De la Terre à la Lune|galeria=Da Terra á Lua.pdf|progresso=4|exportar=Da Terra á Lua|gênero=|notas=}} {{Documento|data=1866|título=[[Aventuras do Capitão Haterras]]|tn=Les Aventures du capitaine Hatteras |galeria=Júlio Verne - Aventuras do Capitão Hatteras, Parte 1 - Os Ingleses no Polo Norte (1886).pdf|progresso=|gênero=|notas=dois volumes}} {{Documento|data=1868|título=[[Os Filhos do Capitão Grant]]|tn=Les Enfants du capitaine Grant|galeria=Júlio Verne - 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II: Na abundância da terra coberta, Pelas matas e os pinheirais, Foi o que motivou os pioneiros, A lutarem por seus ideais. III: No redemoinho das águas, Que dançam no leito dos rios, Da fertilidade da terra, Que essa cidade surgiu. (x2) = REFRÃO: Eu amo esta terra, E sempre vou amar, Por Deus abençoada, Minha terra Jupiá. IV: Hoje olho com fé pro futuro, E posso com orgulho contar, A riqueza da nossa história, Que o tempo não vai apagar. V: Cada mão que escreveu esta história, Com respeito iremos lembrar, O legado de amor e coragem, Para sempre iremos honrar. (x2) = REFRÃO: Eu amo esta terra, E sempre vou amar, Por Deus abençoada, Minha terra Jupiá. jxzvgim5lgdo2cwljhlk68cujefqln8 Predefinição:Progressos recentes 10 220893 560909 560898 2026-08-29T12:00:11Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 560909 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|92|0|2|0|3|3}} | [[Index:Alguns homens do meu tempo.djvu|Alguns homens do meu tempo]] |- | {{Barra de progresso|67|0|17|14|1|1}} | [[Index:Diccionario Bibliographico Brazileiro v1.pdf|Diccionario Bibliographico Brazileiro]] |- | {{Barra de progresso|45|0|48|2|5|0}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|0|0|4|0|3|93}} | [[Index:Estudos sobre o romanceiro peninsular - romances velhos (1909).djvu|Romances velhos em Portugal]] |- | {{Barra de progresso|32|2|55|2|5|4}} | [[Index:Horto (1910).djvu|Horto]] |- | {{Barra de progresso|0|0|76|0|4|20}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|0|0|81|1|18|0}} | [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]] |- | {{Barra de progresso|98|1|1|0|0|0}} | [[Index:Ursula (1859).djvu|Ursula, romance original brasileiro]] |- | {{Barra de progresso|1|0|13|0|3|83}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |- | {{Barra de progresso|0|0|11|0|3|86}} | [[Index:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. 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Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf|Os Miseraveis]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> 1zpociuhzccxvecks184v2ozaln6lkh O estigma 0 230100 560995 508771 2026-08-30T00:49:30Z JppBr98 28173 560995 wikitext text/x-wiki {{cabeçalho para portais | notas = '''O estigma''' é um conto de Monteiro Lobato publicado em 1918. }}{{lista de versões}} * ''O estigma'', Revista do Brasil, Nº 28, 1918. * {{livro digitalizado|Urupês (3ª edição)/O Estigma|Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|O Estigma}}, como publicado na 3ª edição de Urupês; * [[Urupês (5ª edição)/O estigma|O estigma]], como publicado pela 5ª edição da obra Urupês; * {{livro digitalizado|Urupês (6ª edição)/O estigma|Urupês 1920 (ed.6, 18º milheiro).pdf|O estigma}}, como publicado pela 6ª edição de Urupês. [[Categoria:Monteiro Lobato]] mkb9pxdqsgdgxf0tose5iunndh62hoq Galeria:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf 104 237608 560946 560907 2026-08-29T14:37:23Z BlitzkriegBoop 37692 epígrafe adicionada 560946 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[A Dança do Destino]] |Subtítulo=Contos e narrativas |Language=pt |Autor=[[Autor:Lutegarda Guimarães de Caires|Lutegarda Guimarães de Caires]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume= |Editora=Parceria Antonio Maria Pereira |Gráfica= |Local=Lisboa |Ano=1913 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa=5 |Progresso=C |Páginas=<pagelist 1=Capa 2to4=– 5="Folha de rosto" 6=– 7=5 8=– 12=– 36=– 52=– 64=– 76=– 78=– 92=– 104=– 106=– 120=– 122=– 140=- 156=– 158=– 159=Índice 160to166=– /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/159}} |Epígrafe={{Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/5}} {{page break|label=}} |Width= |Css= |Header={{lh}} {{rh|{{{pagenum}}}|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|{{{pagenum}}}}} {{lh}} |Footer= |Modernização=N }} nd3fj5rh2hv5iiotqj0k1qgax8dcqqy Hino do município de Princesa 0 240601 560953 517946 2026-08-29T20:02:01Z Heitor100YT 39659 No dia 18 de dezembro de 2025, foi adotado o Hino Oficial do Município de Princesa (Santa Catarina, Brasil). 560953 wikitext text/x-wiki I: Sob o céu azul que brilha, Princesa, terra de encantos mil, Teus campos verdes, tua gente brava, És o orgulho do nosso Brasil. REFRÃO: Oh, Princesa terra amada, Com força, fé e união, Teus filhos cantam com esperança, Por um futuro de coração. II: No vale onde o sol desponta, O teu povo cresce, luta e sonha, Com suor e a coragem, Construíndo um amanhã que se ganha. REFRÃO: Oh, Princesa terra amada, Com força, fé e união, Teus filhos cantam com esperança, Por um futuro de coração. III: Teus rios correm com vigor, Teus morros são testemunhas, Da história rica que aqui se faz, No caminho e na paz de tuas bravuras. REFRÃO: Oh, Princesa terra amada, Com força, fé e união, Teus filhos cantam com esperança, Por um futuro de coração. IV: Tu és Princesa, jardim de luz e cor, Na pureza de suas crianças, Um cantinho de paz e fulgor, Terra pujante, tu tens valor. REFRÃO: Oh, Princesa terra amada, Com força, fé e união, Teus filhos cantam com esperança, Por um futuro de coração. V: Princesa, teu nome é realeza, Teu destino é de brilhar, Com amor e harmonia, Para sempre vamos te exaltar. REFRÃO: Oh, Princesa terra amada, Com força, fé e união, Teus filhos cantam com esperança, Por um futuro de coração. VI: Princesa, és joia rara, Em cada canto do mundo, ecoa tua voz, Te louvamos com fervor, És para sempre o nosso amor. REFRÃO: Oh, Princesa terra amada, Com força, fé e união, (x2) = Teus filhos cantam com esperança, Por um futuro de coração. s54oypvzj418lf1d1nbxfsh67gpjd5r Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/159 106 242219 560910 521453 2026-08-29T13:22:53Z BlitzkriegBoop 37692 560910 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{xxx-larger|{{serifa|{{uc|Indice}}}}}}}} {{dhr|3em}} {{lh|3em}} {{dhr|3em}} {{TOC page listing||Pag.|symbol= }} {{dtpl||[[A Dança do Destino/Chuva de flores|Chuva de flores]] |djvupage=7}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/A Roleta|A Roleta]]|djvupage=11}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/Os Cadilhos|Os Cadilhos]]|djvupage=35}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/O Charuto|O Charuto]]|djvupage=51}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/A Cotovia|A Cotovia]]|djvupage=63}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/O Comunista|O Comunista]]|djvupage=77}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/Maria Julia|Maria Julia]]|djvupage=91}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/Uma revolução na floresta|Uma revolução na floresta]]|djvupage=105}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/O Conspirador|O Conspirador]]|djvupage=121}} {{dtpl||[[A Dança do Destino/Raizes do coração|Raizes do coração]]|djvupage=139}} {{dhr|5em}} {{lh|5em}}<noinclude></noinclude> ijif2zxs8bsf9sd19oyp4lsgb4ihz2v Autor:Henrique de Macedo 102 252158 560956 555365 2026-08-29T20:08:16Z Erick Soares3 19404 560956 wikitext text/x-wiki {{Autor/v2 | InicialUltimoNome = C | MiscBio ='''Henrique de Macedo Pereira Coutinho''', o 1.º Conde de Macedo, conhecido por Henrique de Macedo, foi um matemático, astrónomo, Professor e político Português. }} ==Traduções== ;Grande Edição Popular das Viagens Maravilhosas aos Mundos Conhecidos e Desconhecidos * {{livro digitalizado|Da Terra á Lua|Da Terra á Lua.pdf}}, (1874) * {{livro digitalizado|Á Roda da Lua (5ª edição)|Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua}}, (1886) {{autores}} {{controle de autoridade}} [[Categoria:Autores portugueses]] 2vu2m1sr0w5ojjk6f9s7sx4f4acd2fl Os Filhos do Capitão Grant 0 252298 560971 549441 2026-08-29T22:19:28Z Erick Soares3 19404 560971 wikitext text/x-wiki {{cabeçalho para portais | notas = O livro '''Os Filhos do Capitão Grant''' (em francês: Les Enfants du capitaine Grant), é um romance geográfico escrito por Júlio Verne entre os anos de 1866 e 1868. A obra é dividida em três partes (América do Sul, Austrália e Oceano Pacífico). }}{{lista de versões}} ;Tradução de A. M. da Cunha Sá *{{Livro digitalizado|Os Filhos do Capitão Grant (3ª edição)/Primeira parte|Júlio Verne - Os Filhos do Capitão Grant, Parte 1 - América do Sul (1886).pdf|America do Sul}} *{{Livro digitalizado|Os Filhos do Capitão Grant (3ª edição)/Segunda parte|Júlio Verne - Os Filhos do Capitão Grant, Parte 2 - Austrália Meridional (1886).pdf|Australia meridional}} *{{Livro digitalizado|Os Filhos do Capitão Grant (3ª edição)/Terceira parte|Júlio Verne - Os Filhos do Capitão Grant, Parte 3 - Oceano Pacífico (1886).pdf|Oceano pacifico}} [[Categoria:Júlio Verne]] [[Categoria:Trabalhos originalmente em francês]] [[Categoria:Obras publicadas em 1886]] [[Categoria:Obras publicadas em 1887]] [[Categoria:Obras publicadas em 1888]] 9wzvujboupqpz07y4v4q7err7i1xutq Vinte Mil Léguas Submarinas 0 252299 560973 549440 2026-08-29T22:22:59Z Erick Soares3 19404 560973 wikitext text/x-wiki {{cabeçalho para portais | notas = '''Vinte Mil Léguas Submarinas''' (no original, em francês: Vingt mille lieues sous les mers) é uma das obras literárias mais famosas do escritor Júlio Verne. Originalmente publicada em forma de uma série no periódico Magasin d'Éducation et de Récréation, de março de 1869 a junho de 1870, teve uma edição ilustrada publicada em novembro de 1871, com 111 ilustrações por Alphonse de Neuville e Édouard Riou. }}{{lista de versões}} ;Tradução de Gaspar Borges de Avellar *{{Livro digitalizado|Vinte Mil Leguas Submarinas (2ª edição)/Primeira parte|Júlio Verne - Vinte Mil Léguas Submarinas, Parte 1 - O Homem das Águas (1887).pdf|O Homem das Aguas}} *{{Livro digitalizado|Vinte Mil Leguas Submarinas (2ª edição)/Segunda parte|Júlio Verne - Vinte Mil Léguas Submarinas, Parte 2 - O Fundo do Mar (1887).pdf|O Fundo do Mar}} [[Categoria:Júlio Verne]] [[Categoria:Trabalhos originalmente em francês]] [[Categoria:Obras publicadas em 1869]] [[Categoria:Obras publicadas em 1870]] [[Categoria:Obras publicadas em 1871]] c9zcoz94wtqsknjq478tofmztgbmpin Aventuras do Capitão Hatteras 0 252300 560962 549442 2026-08-29T22:05:05Z Erick Soares3 19404 560962 wikitext text/x-wiki {{cabeçalho para portais | notas = '''Aventuras do capitão Hatteras''' é um romance de autoria do escritor francês Júlio Verne. }}{{lista de versões}} ;Tradução de Henrique de Macedo *{{Livro digitalizado|Aventuras do Capitão Hatteras (3ª edição)/Primeira parte|Júlio Verne - Aventuras do Capitão Hatteras, Parte 1 - Os Ingleses no Polo Norte (1886).pdf|Os ingleses no Polo Norte}} *{{Livro digitalizado|Aventuras do Capitão Hatteras (3ª edição)/Segunda parte|Júlio Verne - Aventuras do Capitão Hatteras, Parte 2 - O Deserto de Gelo (1886).pdf|O deserto de gelo}} [[Categoria:Júlio Verne]] [[Categoria:Trabalhos originalmente em francês]] [[Categoria:Obras publicadas em 1864]] [[Categoria:Obras publicadas em 1865]] d5mfemcd7tksfbl31aglse89vyo9pzp Galeria:Neologismos indispensaveis e barbarismos.pdf 104 253791 560989 560590 2026-08-30T00:20:35Z Trooper57 24584 560989 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]] |Subtítulo=com um vocabulario neologico portuguez |Language=pt |Autor=[[Autor:Antônio de Castro Lopes|Antônio de Castro Lopes]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume= |Editora=Typ. de G. 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Vinte Mil Léguas Submarinas, Parte 1 - O Homem das Águas (1887).pdf 104 255829 560972 558682 2026-08-29T22:21:39Z Erick Soares3 19404 560972 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Vinte Mil Leguas Submarinas (2ª edição)/Primeira parte|O Homem das Aguas]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Júlio Verne|Júlio Verne]] |Tradutor=[[Autor:Gaspar Borges de Avellar|Gaspar Borges de Avellar]] |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local=Lisboa |Ano=1887 |ISBN= |Fonte={{commons|Júlio Verne - Vinte Mil Léguas Submarinas, Parte 1 - O Homem das Águas (1887).pdf}} |Imagem= |Capa=1 |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} qirq1t40oyhy101kcazzlxnkjjcbbnl Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa 0 255971 561006 560783 2026-08-30T11:57:02Z Mt516 43586 561006 wikitext text/x-wiki {| class="toc" style="width:100%; margin-bottom: 1em; background-color: #f9f9f9; border: 1px solid #aaa; padding: 5px;" | '''Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa'''<br /> ''Autora:'' [[Autor:Ana de Castro Osório|Ana de Castro Osório]]<br /> ''Ilustrador:'' Álvaro Duarte de Almeida<br /> ''Edição:'' Sociedade de Expansão Cultural (Lisboa, 1952)<br /> ''Digitalização:'' Biblioteca Nacional de Portugal (PURL) [https://purl.pt/39286] <br /> ''Nota:'' Edição diplomática. Texto fixado segundo a ortografia original de 1952. |} == Índice == === Volume I === * [[/Prefácio|Prefácio]] * [[/O Homem da moca|O Homem da moca]] * [[/História do careca|História do careca]] * [[/A Bela Felicidade|A Bela Felicidade]] * [[/O porqueiro|O porqueiro]] * [[/O coelho branco|O coelho branco]] * [[/Branca-Flor|Branca-Flor]] * [[/História do Príncipe encantado no palácio de ferro no reino da escuridão|História do Príncipe encantado no palácio de ferro no Reino da Escuridão]] * [[/O corvo|O corvo]] * [[/O Príncipe Bezerro|O Príncipe Bezerro]] * [[/A Princesa da Áustria|A Princesa da Áustria]] * [[/História do Príncipe Luís|História do Príncipe Luís]] * [[/O Bicho-de-sete-cabeças|O Bicho-de-sete-cabeças]] * [[/História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja|História maravilhosa do Príncipe Urso Doce de Laranja]] * [[/O homem de pedra|O homem de pedra]] * [[/A menina fadada|A menina fadada]] * [[/O esperto|O Esperto]] * [[/Os dois almocreves|Os dois almocreves]] * [[/A mão de finado|A mão de finado]] * [[/O leão de ouro|O leão de ouro]] * [[/A Princesa Macaca|A Princesa Macaca]] * [[/O soldado|O soldado]] * [[/Os meninos da estrela de ouro na testa|Os meninos da estrela de ouro na testa]] * [[/O figuinho da figueira|O figuinho da figueira]] * [[/Os sapatinhos de setim|Os sapatinhos de setim]] * [[/O gosto dos gostos|O gosto dos gostos]] * [[/O bom serviço recompensado|O bom serviço recompensado]] * [[/História da Princesa adormecida ou das treze fadas|História da Princesa adormecida ou das treze fadas]] * [[/A menina curiosa ou a luta do bem e do mal|A menina curiosa ou a luta do bem e do mal]] === Volume II === ''Nota: Volume em fase de transcrição.'' * [[/A feia que se faz bonita|A feia que se faz bonita]] * [[/A rainha invejosa|A rainha invejosa]] * [[/História da Princesa que se perdeu na floresta|História da Princesa que se perdeu na floresta]] * [[/O que é a felicidade|O que é a felicidade]] * [[/História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas|História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas]] * [[/O Tio Novelo|O Tio Novelo]] * [[/O canudo mágico|O canudo mágico]] * [[/As três cidras do amor|As três cidras do amor]] * [[/História das três meninas da torre|História das três meninas da torre]] * [[/História da Linda-a-linda|História da Linda-a-linda]] * [[/Os figos maravilhosos|Os figos maravilhosos]] * [[/História do papagaio|História do papagaio]] * [[/História do mercador e seus três filhos|História do mercador e seus três filhos]] * [[/História do Príncipe Monstro|História do Príncipe Monstro]] * [[/Príncipe com orelhas de burro|Príncipe com orelhas de burro]] * [[/O soldado jogador|O soldado jogador]] * [[/História do jardineiro e seus três filhos|História do jardineiro e seus três filhos]] * [[/A Princesa das pedras lindas|A Princesa das pedras lindas]] * [[/História do armador|História do armador]] * [[/O juramento|O juramento]] * [[/O médico da morte|O médico da morte]] * [[/Conto do bago de romã ou o orgulho castigado|Conto do bago de romã ou o orgulho castigado]] * [[/História do Rei-Turco|História do Rei-Turco]] * [[/O Príncipe das maçãs de ouro|O Príncipe das maçãs de ouro]] * [[/O Olharapo|O Olharapo]] * [[/O Príncipe do Lodo|O Príncipe do Lodo]] * [[/História da menina Graça da Fortuna|História da menina Graça da Fortuna]] * [[/A Princesa e o pobre aldeão|A Princesa e o pobre aldeão]] * [[/A afilhada de São Pedro|A afilhada de São Pedro]] * [[/As filhoses da bruxa|As filhoses da bruxa]] * [[/A padeirinha|A padeirinha]] * [[/A Riqueza e a Fortuna|A Riqueza e a Fortuna]] * [[/A pastorinha e a moura|A pastorinha e a moura]] * [[/Sumido sejas tu como o vento|Sumido sejas tu como o vento]] * [[/O criado do doutor Mágico|O criado do doutor Mágico]] * [[/História do Príncipe Imaginário|História do Príncipe Imaginário]] * [[/A Princesa dos Cuidados|A Princesa dos Cuidados]] * [[/A flor do Liro-Lar|A flor do Liro-Lar]] * [[/Longo, Largo e Lince|Longo, Largo e Lince]] * [[/A Princesa Carvoeiro|A Princesa Carvoeiro]] * [[/O criado infiel|O criado infiel]] * [[/A Princesa infeliz|A Princesa infeliz]] ---- {{PD-old-70}} [[Categoria:Ana de Castro Osório]] [[Categoria:1952]] [[Categoria:Contos portugueses]] 4le4t2o15nhgjffv2wtjox12xs9163y Urupês (3ª edição)/Urupês 0 256890 560994 560786 2026-08-30T00:48:39Z JppBr98 28173 560994 wikitext text/x-wiki <pages index="Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf" from=227 to=243 header="1" notas="{{versões|Anexo:Versões/Urupês (artigo)}}"/> {{PD-old-70-BR}} [[Categoria:Monteiro Lobato]] a6gugcseel01fk65vk311zo4rmdeub7 A Dança do Destino 0 257002 560908 2026-08-29T12:00:06Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 560908 wikitext text/x-wiki <pages index="A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf" header=1/> [[Categoria:A dança do destino| ]] [[Categoria:Lutegarda Guimarães de Caires]] [[Categoria:obras publicadas em 1913]] 9szu8cu4ypzw8udv8clxscc1rpng2iw Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/141 106 257003 560911 2026-08-29T13:24:57Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560911 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{Ch|fontsize=150%|{{serifa|Raizes do coração}}}} {{Dhr|3em}} {{lh|3em}} {{dhr|3em}} {{C|{{serifa|{{x-larger|I}}}}}} Maria Adelaide andava febril e aflicta havia uns tempos a esta parte. O marido enganava-a. Ao principio foram simples suspeitas que ela porfiava em afastar do seu espirito, como geralmente sucede quando trazem desgosto; mas em breve a certesa era fatal, não havia meio de conservar a ilusão. A pobre rapariga, apertava a cabeça entre as mãos e scismava, desolada, na fórma de livrar o marido da horrivel obsessão que o dominava. E então, com quem a afrontava êle! Com uma mulher baixa e tôrpe que era de todos! Uma repuguante tolerada! E a alma enchia-se-lhe de tédio por êsse homem, que, mau grado seu, não deixava de amar. Afinal, era o pae dos seus filhos. E esta ideia desculpava-a a seus proprios olhos do sentimento que ainda a torturava de ciumes, pelo ente que deveria despresar. {{nop}}<noinclude></noinclude> 7nahiozktzzcgbx2kypqdtm3c0zuztq Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/142 106 257004 560912 2026-08-29T13:27:24Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560912 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|140|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>Como era que a pobre Maria Adelaide poderia explicar o desvario do seu João? Ela, de sentimentos tão puros, tão honesta e simples, poderia lá nunca compreender semelhante anomalia? ― Ainda se fosse por outra mulher, murmurava ela, mas uma perdida!... E comtudo, embora todo o seu sêr se revoltasseperante tal monstruosidade, tinha de a aceitar como uma inexoravel verdade. O marido, outrora tão honesto e dedicado, era o relaxado amante de uma rameira. E como estava mudado, meu Deus! De bom operario que fôra, tornára-se um indolente e descuidado. Já tinha sido despedido, e fôra ela que conseguira, à força de pedidos, que o tivessem readmitido. Até no afecto pelos filhos tinha mudado. Olhava-os agora com indiferença, quando dantes era louco por êles. E então para com ela? O seu procedimento chegava a ser revoltante. Tornára-se grosseiro e mau. A tal ponto, que parecia, por veses, odiá-la. E comtudo, o seu ultimo filho ainda não tinha dez mezes! Tão pequenino ainda, e aquéle pai, outrora tão carinhoso, nem uma caricia já lhe fazia! Que horror de vida! Como podéra uma paixão, tão baixa e degradante, endurecer o coração do seu homem, antes tão bom e afectuoso? {{nop}}<noinclude></noinclude> t94ypv2gdh1lnzffokoionyj545p6ov Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/143 106 257005 560913 2026-08-29T13:29:51Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560913 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|141}} {{lh}}</noinclude>E os ralhos sucediam-se, e ás invectivas as lagrimas, tornando aquela casa num verdadeiro inferno. Êle cada vez mais brusco, mais arredio e cruel, perdera até a noção do seu dever, pois que no pouco que lhe dava, parecia fazer-lhe um favor. Só vinha a casa comer e dormir. Talvês ainda para aproveitar a pequena parcéla que dispensava do seu ganho, na manutenção da misera familia. Enquanto ela trabalhava até não poder mais para manter uma certa ordem, na casa oudo o pão escasseava, êle vivia na mais estupida indiferença por tudo o que o rodeava. Encontrar a comida feita e um certo conforto em casa, nada mais o preocupava, sem atentar nos sacrificios que a mulher tinha de fazer para que tal sucedesse, nem nos sulcos que as lagrimas do desespero deixavam nas faces emagrecidas da pobre Maria Adelaide. Todas as tardes o João, ao terminar o jantar, puxava pelo cigarro, acendia-o, e sem olhar para os filhos, sem uma palavra de despedida, sahia, atirando com a porta, levado pela obsessão que o atrahia para a ignobil criatura que o esperava lá fóra. Ultimamente já não tinha de caminhar muito para se encontrar com a amante, porque ela, com o maior cinismo, esperava-o á esquina da travessa onde êle morava, caminhando depois os dois lado a lado até à mais proxima taverna, onde ela, em requebros de grosseira e atrevida lascivia, entre copinhos de genebra e aguardente, que êle pagava, o fazia esquecer completamente dos seus mais sagrados deveres de pai e esposo. {{nop}}<noinclude></noinclude> d1dx83x69k8a6b4iy0ja1h67utvml3w Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/144 106 257006 560914 2026-08-29T13:33:36Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560914 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|142|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>As coisas estavam neste pé, quando, uma tarde, chegando a casa, ao regressar do trabalho, na ancia de comer e partir para onde a fatal demencia o impelia, encontrou a mulher deitada sobre a cama a tremer, cheia de febre. O jantar por fazer, e a pequenita mais velha, que tinha 7 annos a mourejar pela casa, cuidando nos irmãositos. Olhou torvo em volta, sentindo uma surda irritação pela falta da súa comodidade. Então que significava aquilo? nem as sopas encontrava em casa? Para que lhe servia a mulher? ― Estou doente — murmurava ela; — não posso comigo, tem paciencia! ― Tem paciencia! Sim? Olha que diabo! arremetia o homem com violencia. Vá para o hospital! Se lhe dá agora a manha para se fazer doente, estamos arranjados. ― Manha! ― gemia a pobre, — Deus te não castigue, João! ― Lá vêm as pragas! já cá faltavam! ― barafustava êle, cada vez mais irritado; e dando grandes passadas pelo quarto, continuava: — Estou farto! que inferno! Quem é pobre não póde ter o luxo de estar doente. Isso é para os ricos. Tambem não admira: sempre lhe deu para as finuras... só cá faltava mais esta. Que grande espiga! Ela agora não respondia; olhava-o fixamente. As fontes latejavam-lhe na angustia d'essa tremenda injustiça que a flagelava. Os filhos choravam em volta do pae. {{nop}}<noinclude></noinclude> diblw09w4m15301zq0f85ri7rzf2fa1 Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/145 106 257007 560915 2026-08-29T13:36:36Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560915 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|143}} {{lh}}</noinclude>Êle, sentindo-se mal nesse ambiente de desgraça de que era a principal causa, parou por um momento diante do leito onde a mulher permanecia e, encolhendo os hombros desdenhosamente, encaminhou-se para a porta. Ela então chamou-o: — João, ó João! Que hei de fazer? Não posso comigo! vem cá! Êle parou; a pequena, prendendo-se-lhe ao casaco, choramingava: — Pae! venha, ande! a mãe está doentinha!... Então êle, afastando a filha brandamente, dirigiu-se, com uma expressão enjoada, para a cama, onde a mulher estava meio erguida, e disse-lhe rudemente: — Que ha mais? — Onde vais tu? perguntou ela numa voz enfraquecida. — Tem graça! ― chasqueou ironico, dêm-lhe ainda satisfações, à ''madama''! Onde vou! onde me dêm de comer; porque isto aqui é só entregar a féria á mulher, que acha sempre pouco, para nem umas tristes sopas encontrar em casa! — Mas isto sucedeu hoje... a todos acontece. — Isso, nunca! — bradou êle. As mulheres dos outros ajudam os homens, não estão estendidas na cama, à boa vida. — Meu Deus, João! que injustiça! Os outros, quando as mulheres adoecem, ajudam no que podem; os pobres sujeitam-se à sua sorte. A pequena alguma coisa te póde fazer já, faze tu o que ela não puder. — Ah! pois está se a ver! — interrompeu êle. ―<noinclude></noinclude> qkaodqs0ak1f19saq83kzk43zv8hk1g Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/185 106 257008 560916 2026-08-29T13:38:26Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560916 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|177|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>figura propicio ao desenvolvimento do reino animal, nem sufficiente para occorrer ás necessidades da existencia, tal como nós a comprehendemos. — De accordo, respondeu Nicholl. Mas não será a Lua habitavel para seres organisados por fórma differente da nossa? — E mais difficil responder a essa pergunta, replicou Barbicane; comtudo tentarei fazel-o. Perguntarei, porém, primeiro a Nicholl se o ''movimento'' lhe parece resultado necessario da vida, qualquer que seja a sua organisação? — De certo, respodeu Nicholl. — Pois bem, meu estimavel companheiro, nʼesse caso responder-vos-hei que observámos os continentos lunares a distancia de quando muito quinhentos metros, e que cousa alguma nos pareceu em movimento na superficie da Lua. A presença de uma humanidade qualquer ter-se-ia revelado por apropriações, por construcções diversas, por algumas ruinas até. E que vimos nós? Sempre, e em toda a parte, o trabalho geologico da natureza, nunca o trabalho do homem. Se existem, portanto, na Lua representantes do reino animal, estarão soterrados nʼessas cavidades insonsadeis que o olhar não logra penetrar; o que aliás não posso admittir, porque, se assim fôsse, teriam deixado vestigios da sua passagem nas planicies que a camada atmospherica de certo cobre, por pouco elevada que seja. E taes vestigios não se vêem em parte alguma. Resta, portanto, a unica hypothese de uma raça de seres vivos a que fôsse estranho o movimento, que é a propria vida! — Tanto vale dizer creaturas vivas que não vivessem, replicou Miguel. — Exactamente, respondeu Barbicane, o que para nós nem sentido tem tem. — Então, podemos formular a nossa opinião, disse Miguel Ardan. — Sim, respondeu Nicholl. — Então vá lá, proseguiu Miguel Ardan: a commissão scientifica reunida no projectil do Gun-Club, depois de ter apoiado a sua argumentação sobre factos novamente observados, decide<noinclude>{{right|12}}</noinclude> o63ogwajichtyjzeeuj2vs4ohusihk1 560918 560916 2026-08-29T13:39:23Z Erick Soares3 19404 560918 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|177|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>figura propicio ao desenvolvimento do reino animal, nem sufficiente para occorrer ás necessidades da existencia, tal como nós a comprehendemos. — De accordo, respondeu Nicholl. Mas nāo será a Lua habitavel para seres organisados por fórma differente da nossa? — E mais difficil responder a essa pergunta, replicou Barbicane; comtudo tentarei fazel-o. Perguntarei, porém, primeiro a Nicholl se o ''movimento'' lhe parece resultado necessario da vida, qualquer que seja a sua organisaçāo? — De certo, respodeu Nicholl. — Pois bem, meu estimavel companheiro, nʼesse caso responder-vos-hei que observámos os continentos lunares a distancia de quando muito quinhentos metros, e que cousa alguma nos pareceu em movimento na superficie da Lua. A presença de uma humanidade qualquer ter-se-ia revelado por apropriaçōes, por construcçōes diversas, por algumas ruinas até. E que vimos nós? Sempre, e em toda a parte, o trabalho geologico da natureza, nunca o trabalho do homem. Se existem, portanto, na Lua representantes do reino animal, estarāo soterrados nʼessas cavidades insonsadeis que o olhar nāo logra penetrar; o que aliás nāo posso admittir, porque, se assim fôsse, teriam deixado vestigios da sua passagem nas planicies que a camada atmospherica de certo cobre, por pouco elevada que seja. E taes vestigios nāo se vêem em parte alguma. Resta, portanto, a unica hypothese de uma raça de seres vivos a que fôsse estranho o movimento, que é a propria vida! — Tanto vale dizer creaturas vivas que nāo vivessem, replicou Miguel. — Exactamente, respondeu Barbicane, o que para nós nem sentido tem tem. — Entāo, podemos formular a nossa opiniāo, disse Miguel Ardan. — Sim, respondeu Nicholl. — Entāo vá lá, proseguiu Miguel Ardan: a commissāo scientifica reunida no projectil do Gun-Club, depois de ter apoiado a sua argumentaçāo sobre factos novamente observados, decide<noinclude>{{right|12}}</noinclude> ck7dcxal4lsg0f5hv2aicqdu27e9sla Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/146 106 257009 560917 2026-08-29T13:38:45Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560917 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|144|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>Só me faltava agora pôr a panela ao lume e ir coser as meias... ― E arremessou com o cigarro ao chão, enraivecido com as proprias palavras. Depois, tendo nos labios a expressão do mais cruel despreso, disse-lhe: ― Olha, minha ''grande dama'', se não fossem os filhos, estas pobres creaturas que para ahi estão a chorar e me moem como os diabos, tu já de ha muito não comias nem uma parcela do meu rico suor, entendeste? ― Sim, sim, entendo! ― soluçava ela. — Isso já eu sei! Bem se vê que essa maldita, sem vergonha, te transtornou o juizo... para assim falares à mãe dos teus filhos!.... ― Sem vergonha és tu — regougou êle. Ela enfiou. ― João! João, cuidado! ― gritou-lhe com a voz estrangulada pela colera, ― por causa d'essa perdida, que te põe louco, não me insultes, toma cuidado! — E sentou-se na cama, subitamente afogueada. Mas êle, numa obsessão bestial, cresceu para ela, de punho fechado, os olhos lançando odio, e berrou: — Atrevida! ameaças-me! tu ainda me ameaças? Pois então ouve o que nunca ouviste: Sim, é verdade, tenho essa mulher, sim! gosto d'ela, porque a ti odeio-te! Não me serves para nada. Estou farto das tuas delicadezas, dos teus modos de princeza, que não te impodem de comer o pão que eu ganho. E qualquer dia, ouves? qualquer dia abalo d'este inferno e vou ter com a outra, que me não<noinclude></noinclude> egz97cucug8sz4jtpbodnb3mmuwgyhm Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/221 106 257010 560919 2026-08-29T13:39:31Z JppBr98 28173 /* Revista */ 560919 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 215 {{--}}}}</noinclude>vida — tudo inaccessivel… Victimava-me a peior casta d’amor — o amor secreto… Correram mezes. Ao cabo, ou porque me trahisse o fogo interno, ou porque désse o ciume á minha mulher uma visão de lynce, tudo leu ella dentro de mim, como se o coração me pulsasse num corpo de cristal. Conheci, então, um lugubre pedaço da alma humana, a caverna onde moram os dragões do ciu me e do odio. O que escabujou contra os «amasios»! A caninana envolvia no mesmo insulto a innocencia ignorante e a nobreza d’um sentimento purissimo recalcado no fundo do meu ser. Intimou-me a expulsal-a incontinente. Resisti. Afastaria Laura, mas não com a bruteza exigida, de modo a me trahir perante ella e todo o mundo. Era a primeira vez que eu depois de casado resistia, e tal firmeza encheu de assombro á «senhora». Tenho cá na visão o riso de desafio que lhe crispou a bocca nesse momento, e tenho n’alma as cicatrizes das ascuas que espirraram aquelles olhos! Acceitei a luta. Estas guerras conjugaes de portas a dentro… Não ha’hi guerra civil que se lhes compare em crueza. Na frente de estranhos, de Laura e dos filhos, continha-se. Maltratava a pobre menina, mas sem revelar a verdadeira causa da perseguição. Durou pouco isso. Escrevi a parentes, e concertava com elles a arrumação de Laura, quando… Não te recordas do bosque de pinheiros plantado em seguimento ao pomar? {{nop}}<noinclude></noinclude> tvj2ggia1r4izvjv53v5lzoj8n9x97u Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/147 106 257011 560920 2026-08-29T13:40:31Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560920 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|145}} {{lh}}</noinclude>rala, que não chora e que vale mais do que tu... que ao menos ganha dinheiro... Ela levantou-se num impeto de furor. A revolta d'aquela alma delicada manifestou-se d'uma fórma terrivel. Livida, as mãos crispadas, o olhar chamejante fixo nêle, bradou numa voz enrouquecida, dilacerada pela dôr e pela vergonha: ― Ah! miseravel! infame! perdido! És digno d'ela, sim, e eu agora é que te odeio!... eu é que te odeio!... O chale que tinha sobre os hombros cahira-lhe ao chão, deixando ver o seu peito arquejante, sob a camiza que mal o tapava; e aquele seio branco e casto, onde o seu ultimo filho ainda procurava o alimento, estremecia em ondas de infinito odio por esse miseravel, que, na mais estupida das perversões, lhe lançára nm tão vil insulto ás faces, comparando-a, a ela, a esposa impecavel e mãe honestissima, à mais impudica rameira. Completamente alucinada, correu para a mesa que estava proxima e, pegando numa faca, avançou para o marido, que, atonito, recuava. Ela tinha no olhar o mais intenso odio e de seus labios, descerrados numa crispação de asco, soltou-se uma risada escarninha, estridente e sinistra... Teria enlouquecido? Êle assim o supôz, e, aterrado, precipitou-se para a porta da escada, que se fechou com estrondo. Maria Adelaide estacou. Os filhos gritavam, perdidos de medo. A infeliz olhou-os um instante e largou a faca.<noinclude>{{D|10}}</noinclude> 1liqbaqy06w04q4fpcst0n36gvnuuwz Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/148 106 257012 560921 2026-08-29T13:42:10Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560921 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|146|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>Teve uma ligeira hesitação, mas, presa d'uma alucinação medonha, levou as mãos á cabeça e precipitou-se para a janela, lançando-se do segundo andar abaixo. O seu corpo foi bater nas pedras da calçada, ante o olhar espavorido do marido, que mal tivera tempo de sahir a porta da rua. Ele então, possuido d'um terror indescritivel, sentindo as punhaladas do remorso a alanceá-lo, ergueu-a nos braços, tremulos de aflição, e numa vertigem louca, antes que lh'o impedissem, transportou-a, correndo polas escadas acima, aconchegando aquele corpo exangue, mas ainda palpitante, ao seu coração, numa ancia desesperada de prender essa vida, que temia lhe fugisse, emquanto a beijava desvairadamente, gritando: ― Adelaide! minha querida mulher! tu não morres, não?... filha da minha alma tu não morres... Mas ao transpôr a porta do quarto, ela descerrou os olhos, pousou-os na filha que soluçava e murmurou: ― Os filhos... os filhos... Em seguida expirou-lhe nos braços. {{ch|II}} Já noite cerrada e ainda à porta estacionava uma parte dos curiosos que a policia não tinha podido fazer dispersar de todo. {{nop}}<noinclude></noinclude> b4nt7mgv0saovzyaqusb9qsjrk6w1tw Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/186 106 257013 560922 2026-08-29T13:43:00Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560922 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|178|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>por unanimidade de votos ácerea do problema da habitabilidade actual da Lua o seguinte: — Nāo, a Lua nāo é habitavel. Lançou o presidente Barbicane esta decisāo na sua carteira de notas, onde figura a acta da sessāo de 6 de dezembro. — Agora, disse Nicholl, deitemo-nos ao segundo problema, complemento indispensavel do primeiro. Por consequencia perguntarei á honrada commissāo:—Nāo sendo a Lua actualmente habitavel, acaso seria outrʼora habitada? — Tem a palavra o cidadāo Barbicane, disse Miguel Ardan- — Amigos, respondeu Barbicane, eu nāo esperei por esta viagem para formar opiniāo ácerea da passada habitabilidade do nosso satellite. Acrescentarei tambem que as nossas observaçōes pessoaes nāo fizeram mais do que confirmar-me nʼessa opiniāo. Creio, affirmo até, que a Lua foi habitada por uma raça humana organisada como a nossa, que produziu animaes com conformaçāo anatomica analoga á dos animaes terrestres, mas acrescento que o tempo dʼessas raças humanas ou animaes passou, e que estāo para todo o sempre extinctas! — Nʼesse caso, perguntou Miguel, é a Lua um mundo mais velho que a Terra? — Nāo, responden Barbicane com convicçāo, mas sim um mundo que envelheceu mais depressa, e cuja formaçāo e deformaçāo foram mais rapidas. Relativamente, as forças organisadoras da materia foram muito mais violentas no interior da Lua do que no interior do globo terrestre. Prova-o superabundantemente o estado actual dʼaquelle disco gretado, atormentado, rugoso. Tanto a Lua como a Terra, na sua origem, foram massas gazosas. Esses gazes passaram ao estado liquido sob diversas influencias, e mais tarde formou-se a massa solida. Mas de certo, o nosso espheroide estava ainda gazoso ou liquido, quando a Lua já era solida e habitavel em virtude do resfriamento. — Assim o creio, disse Nicholl. — Nessa época, proseguiu Barbicane, estava a Lua envolvida por uma atmosphera. As aguas, contidas por aquelle envolucro gazoso, nāo podiam evaporar-se. A vegetaçāo, sob a influencia do ar, da agua, da luz, do calor solar e do calor cen-<noinclude></noinclude> ieyhv2tbk1x503zh8qsienfeyn27nga Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/222 106 257014 560923 2026-08-29T13:44:17Z JppBr98 28173 /* Revista */ 560923 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 216 {{--}}}}</noinclude>— O pinhal d’Azambuja! Foi o nome que lhe puz, como andassem uns lagartões, seus freguezes, a me pilharem as capoeiras. Este pinhal era o passeio favorito de Laura. Emboscava-se ali com um livro, ou a costura, e dess’arte socegava um momento da inferneira domestica. Um dia em que sahi á caça, menos pela caçada do que para retemperar-me da guerra caseira na paz das mattas, ao montar a cavallo via-a dirigir-se para lá com o cestinho do bordado. Demorei-me mais que o usual e em vez de paca trouxe uma longa meditação desanimadora, feita, inda me lembro, de papo acima, sob a fronde duma guabirobeira. Na volta as creanças esperavam-me na escada. — Papae não viu Laura? Estranhei a pergunta, e mais vendo approximar-se a velha Lucrecia, que disse: — Patrão, não vá ter acontecido alguma para nha Laurinha. Sahiu cedo, antes do café, já é quasi noite e nada, ninguem. — A senhora… comecei eu a perguntar não sabia ainda o quê. Sinhá está no quarto. Andou pelo pomar, e depois se trancou por dentro, não quer enxergar ninguem, parece que comeu caninana. O coração palpitou-me violento e sahi em procura de Laurinha. Na colonia ninguem a vira. Lembrei-me do pinhal e organisei uma alvoraçada batida ao bosque. Com fachos incendidos de galhaça morta quebramos a escuridão reinante.<noinclude></noinclude> nhou8nokdqf40ih30fndu6ds2l3ib8y Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/149 106 257015 560924 2026-08-29T13:44:31Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560924 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|147}} {{lh}}</noinclude>Eram agora só os visinhos que, mal a policia desaparecia, tornavam a sahir das suas portas para novamente se juntarem a comentar o caso. O auditorio compunha-se ''apenas'' de quasi toda a visinhança que, ''em familia'', trocavam as suas impressões. Estava, pois, o soalheiro em grande gala. Ferviam as hipoteses, qual d'elas mais tola e hipocrita, não faltando os respectivos louvores à infeliz Maria Adelaide, logo que tiveram a certeza de que havia morrido. — Pudera!. dizia a capelista defronte — pois aquilo era lá vida! O atrevido do marido até lhe batia, o malvado! ― Lá bater, não digo, mas fartura de fome é que êle lhe dava, pela certa alvitrava a taverneira da travessa proxima. — Só em copinhos de genebra para obsequiar a Russa, gastava êle quasi a féria toda. ― Sim? Coitadinha! ― lastimava a criada do primeiro andar. Por isso eu não me quero casar! — E olhava para o rapaz do talho, acrescentando com um ar malicioso: Quando pretendem, são todos bons, depois... Nada! que isto da gente dar com um homem tão reles que nos troque por uma tipa, é obra!... ― E que tipa! O' menina Francisca! so a visse quando ela está bêbeda, ató a gente se enche de riso! E' uma pandega de estalo... Isso é que ela é!... .. A Francisca olhou-o de má catadura e, despeitada, inquiriu: {{nop}}<noinclude>{{D|<nowiki>*</nowiki>}}</noinclude> irc2iew4jahzxrc704l95g1bydssy9v Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/150 106 257016 560925 2026-08-29T13:47:08Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560925 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|148|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>― Sério? então você parece que tem ''óservado'' isso muita vez, hein? O rapaz envaidecido pelo ciume que despertara, respondeu benevolo: ― Ora Francisquinha! vómecê bem sabe quem eu gosto de''óservar!...'' Valeu-lhe um sorriso satisfeito da rapariga. O auditorio teve gestos de impaciencia. Que vinha agora aquele dialogo desviar a atenção do assunto principal? Então a creadita da capelista, que não via a outra com bons olhos, retorquiu muito azêda: ― Olhem p'ra aquilo! estar agora com asneiras quando se trata d'uma coisa tão séria! Até com as crianças se faz tôla! Cabra! ― Cabra é ela! grita a outra, furiosa. ― Antes crianças que homens casados. A sujeita que até se enfeitava para o marido da pobre Maria Adelaide!... ― Você é capaz de me dizer isso na minha cara! ― vociferava a outra. ― ''Tá bon!'' Como se eu não estivesse à cóca ali da janela, quando êle ia ao estanco comprar os cigarros! É milhor que se cále, ande! ―Ó sua atrevida, mas você viu? diga, diga, ande, você viu? perguntava a da capelista, muito atrapalhada. ― Olhe: com estes. Respondia a outra, repuxando com os dedos a pálpebra inferior de ambos os olhos e avançando para a rapariga. Mas as visinhas empurravam-na para a porta, interceptando a passagem à rival que a ameaçava de punhos fechados, enquanto<noinclude></noinclude> 4tqewlunecib8aj3jwu4gnpjvds5fbu Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/187 106 257017 560926 2026-08-29T13:47:57Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560926 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|179|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>tral, apoderava-se dos continentes preparados a recebel-a, e de certo que a vida se manifestou nʼessa época, porque a natureza nāo se gasta em inutilidades, e porque um mundo tāo maravilhosamente habitavel necessariamente deveu ser habitado. — Todavia, respondeu Nicholl, bastantes phenomenos inherentes aos movimentos do nosso satellite deviam tolher a expansāo dos reinos vegetal e animal. Por exemplo, esses dias e essas noites de trezentas e cincoenta horas? — Nos pólos terrestres duram seis mezes! — O argumento pouco vale, visto que os pólos nāo sāo habitados. — Notemos, amigos meus, acudia Barbicane, que se no estado actual da Lua, essas compridas noites e esses longos dias sāo causa de differenças de temperatura intoleraveis para o organismo, nāo devia ser assim na época dos tempos historicos. A atmosphera envolvia entāo o disco nʼum manto fluido. Os vapores dispunham-se nʼella em fórma de nuvens, e este véu natural temperava o ardor dos raios solares, e tolhia também a irradiaçāo nocturna. Tanto a luz como o calor podiam diffundir-se no ar; e dʼahi vinha um equilibrio entre essas influencias que nāo existe actualmente, porque essa atmosphera desappareceu quasi de todo. De mais a mais vou causar-lhes grande admiraçāo... — Pois causa lá, se és capaz, disse Miguel Ardan. — Mas sempre direi que creio de bom grado que nʼessa época em que a Lua era habitada, nem as noites nem os dias durevam trezentas e cincoenta e quatro horas! — E porque? perguntou Nicholl com vivacidade. — Porque é muito provavel que, entāo, o movimento de rotaçāo da Lua em torno do seu eixo nāo fosse igual ao seu movimento de revoluçāo, igualdade que apresenta cada ponto do disco por espaço de quinze dias á acçāo dos raios solares. — De accordo, respondeu Nicholl, mas porque nāo seriam esses dois movimentos iguaes, visto que actualmente o sāo? — Porque essa igualdade foi determinada pela attracçāo terrestre. E quem nos diz que essa attracçāo tinha força bastante<noinclude></noinclude> r06xm718t5dwt531e2qgpulrlcxgxe6 Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/151 106 257018 560927 2026-08-29T13:48:22Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560927 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|149}} {{lh}}</noinclude>a assistencia se unia mais para continuar no assunto palpitante. Mas tinha de sêr. Tinliam de terminar os comentarios dêsse dia, porque os homens da justiça desciam lá de cima e a policia vinha afastar os comentadores, intimando-os a recolherem a suas casas. {{Ch|III}} Já a noite ia a fugir nos primeiros alvores da madrugada. Em casa da pobre Maria Adelaide reinava o mais sinistro silencio. O quarto estava apenas alumiado pela luz mortiça e vacilante de duas velas do cêra que ardiam aos lados da cama, ondo jazia o corpo da infeliz, coberto até ao pescoço por um lençol. Os cabelos escuros, esparsos sobre o travesseiro, faziam sobresair a lividês cadaverica do seu rosto emagrecido e d'uma serenidade comovedora... O marido velava-a. Com os cotovelos fincados sobre uma meza, estava em frente do leito, com a fronte escondida entro as mãos. Os pingos de cera derretida que tombavam das velas faziam-no estremecer. Olhava então demoradamente para o rosto da sua<noinclude></noinclude> 5fhsrkyyg9931j5vlm97fsx5jjgd51k Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/152 106 257019 560928 2026-08-29T13:49:52Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560928 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|150|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>victima, cujas feições se lhe afigurava ver moverem-se à luz trémula das velas, e o peito erguia-se-lhe em ancias sufocantes. Dirigia-se então para a janela, encostando a face esbraseáda aos vidros, que começavam a empalidecer aos primeiros alvores da manhǎ. Depois, um pouco mais sereno, voltava a sentar-se, retomando a primitiva posição. A pequenita dormia numa cadeira de verga que estava ao canto do quarto, abraçada ao irmãosito de 3 anos. Não quizera ir deitar-se no seu quarto, cheia de vagos temores e inquietações que lhe agitavam o peito em fundos suspiros, mesmo adormecida no seu somno nervoso e assustado. Á creança de 9 mezes, que ainda ficava com a mãe, tinham-lhe feito uma caminha no chão, onde dormia nessa noite. Ali estava toda a mísera familia em volta do leito mortuario... E enquanto o pai velava, os filhos dormiam o somno fugaz da vida ao pé do eterno somno da morte. De subito o silencio da rua foi interrompido por uma altercação. Vozes avinhadas trocavam palavras confusas. Frases licenciosas cortavam o espaço, de envolta com risos desbragados. De repente, as vozes sumiram-se e os sons melancolicos de uma guitarra evolavam-se no silencio da madrugada. Uma voz eurouquecida, de mulher, cantava: {{NOP}}<noinclude></noinclude> pu5s7lckttynrmzpdwf1mfmej2vao9p Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/162 106 257020 560929 2026-08-29T13:50:46Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560929 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|158}}</noinclude>{{t2|{{sc|Duplo quatuor.}}|II}} {{dhr|5}} Estes parizienses eram um de Toulouse, outro de Limoges, o terceiro de Cahorse, o quarto de Montauban ; mas eram estudantes, e quem diz estudante diz pariziense ; estudar em Pariz é nascer em Pariz. Estes moços nenhuma importancia tinham; eram figuras conhecidas de todos ; quatro individuos parecidos com qualquer outro ; nem bons nem máus, nem sabios nem ignorantes, nem genios nem imbecis ; tinham a belleza desse encantador abril, que chamamos vinte annos. Eram quatro Oscares quaesquer ; porquanto nessa época não existia ainda nenhum Arthur. ''Queimai para'' ''elle os perfumes dʼArabia,'' exclamava o romance, ''Oscar ahi chega, Oscar, eu vou vê-lo !'' Ossian fôra lido recentemente ; a elegancia era scandinava e caledonia, as maneiras inglezas puras só mais tarde deviam prevalecer, e o primeiro Arthur Wellington mal acabava de ganhar a batalha de Waterloo. Esses Oscares chamavam-se o primeiro Felix Tholomyès, de Toulouse; o segundo Listolier, de Cahors; o terceiro Fameuil, de Limoges; o quarto Blachevelle,<noinclude></noinclude> k4sypqr05vyf8w7kv6qisbqizaielbk 560930 560929 2026-08-29T13:50:56Z Erick Soares3 19404 560930 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|Duplo quatuor.}}|II}} {{dhr|5}} Estes parizienses eram um de Toulouse, outro de Limoges, o terceiro de Cahorse, o quarto de Montauban ; mas eram estudantes, e quem diz estudante diz pariziense ; estudar em Pariz é nascer em Pariz. Estes moços nenhuma importancia tinham; eram figuras conhecidas de todos ; quatro individuos parecidos com qualquer outro ; nem bons nem máus, nem sabios nem ignorantes, nem genios nem imbecis ; tinham a belleza desse encantador abril, que chamamos vinte annos. Eram quatro Oscares quaesquer ; porquanto nessa época não existia ainda nenhum Arthur. 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Esses Oscares chamavam-se o primeiro Felix Tholomyès, de Toulouse; o segundo Listolier, de Cahors; o terceiro Fameuil, de Limoges; o quarto Blachevelle,<noinclude></noinclude> 6d33cpioi2n95ktongomftl7xayikla Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/223 106 257021 560931 2026-08-29T13:51:02Z JppBr98 28173 /* Revista */ 560931 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 217 {{--}}}}</noinclude>Nada. Eu desanimava já de encontral-a por ali quando um capataz, desgarrado na frente, gritou: — Está aqui o cestinho. Corremos todos. Estava a cestinha, e mais adiante… O corpo frio da menina. Morta, á bala! A blusa entreaberta mostrava no entreseio a ferida mortal: um pequeno furo negro donde fluia para as costellas uma estria de sangue. Ao lado da mão direita inerte, o meu revolver. Suicidara-se… Não te digo o meu desespero. Esqueci mundo, conveniencias, tudo, e beijei-a longamente, entre arquejos e sacões de angustia. Trouxeram-na a braços. Em casa, minha mulher, então gravida, recusou-se a ver o cadaver com pretexto do estado, e Laura desceu á cova sem que ella por um só momento deixasse a clausura. Note você isto: minha mulher não viu o cadaver da menina. Dias depois, humanisou-se. Deixou a cella, voltando á vida costumeira, muito mudada de genio, entretanto. Cessára a exaltação ciumosa do odio, vindo em lugar um mutismo sombrio. Pouquissimas palavras lhe ouvi d’ahi por diante. A mim o suicidio de Laura, sobre abalar-me o organismo como o peior dos terremotos, preoccupava-me como um enigma. Não comprehendia aquillo. Suas ultimas palavras na casa, seus ultimos actos, nada induziam o horrivel desenlace. Porque se matara Laura? Como conseguira o revolver, guardado sempre no meu quarto, em {{hífen|lu|lugar}}<noinclude></noinclude> ii43juygjsq8dnsmhnbal28fg10r24y Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/153 106 257022 560932 2026-08-29T13:51:58Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560932 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|151}} {{lh}}</noinclude>{{bloco centro|<poem> Quem se lembra que a perdida, na sua vil desventura, antes de má já foi pura e antes de vil, desvalida!... Todos lhe cospem na sorte, ninguem no mundo lhe fála.... Na terra só tem a vála, o charco imundo da morte!... </poem>}} Êle levantou-se, reconhecera a voz da amante. Do leito mortuario parecia que se evolava um suspiro. João estremeceu e olhou na direcção. O peito da morta afigurou-se-lhe soerguer-se sob o lençol que o envolvia, e a luz das velas, oscilante e amortecida, projètando sombras no seu rosto macerado, parecia agitar-lhe as pálpebras, como se d'elas fossem desprender-se lagrimas, prestes a rolarom pelas faces pálidas, d'uma serenidade magoada... E êle sem poder despregar os olhos d'aquêle rosto querido, enclavinhava as unhas no peito. Lá fóra a voz proseguia : {{bloco centro|<poem> Flor impura e sem fragrancia, fanada pela desgraça. no egoismo que passa e a desfolhou na infancia. </poem>}} A guitarra gemia em languidos acordes e a voz continuava arrastando-se tristemente, já um pouco distanciáda: {{NOP}}<noinclude></noinclude> dftjm72kz8ms7rvatxdeceiwjtit59c Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/210 106 257023 560933 2026-08-29T13:52:01Z JppBr98 28173 /* Sem texto */ 560933 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="JppBr98" /></noinclude><noinclude></noinclude> rldsui2aafkmkayqcjgir6gixvbaoys Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/154 106 257024 560935 2026-08-29T13:53:37Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560935 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh|152|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}|}} {{lh}}</noinclude>{{bloco centro|<poem> Ai! quem acode á perdida! que arrasta a vida tão nova e só descansa na cova, que é menos triste que a vida...</poem>}} Maldição!. Que grande infame que êle föra! E por causa d'aquilo, jazia ali morta, inanimada, a sua pobre companheira, a casta mãe de seus filhos! Então dando um murro no peito, cheio de desespero, abriu a gaveta da mesa e tirou de dentro um revólver, lançando um ultimo olhar para o leito... Mas um ligeiro ruido, como de umas azas que se arrastam, fê-lo estremecer. Um subito terror o assaltou e trémulo, de olhar esgazeado, olhou em volta... O pequerito de 9 mezes caminhava, de gatinhas, para êle. Ao chegar ao pé do pai, que o olhava a tremer, agarrou-se-lhe a uma perna, erguendo-se com dificuldade. Depois, muito unido a êle, olhando-o a sorrir, com a loura cabecinha um pouco ao lado, murmurou, numa voz muito meiga: ― ''Tai!...'' Era a primeira palavra que os seus inocentes labios balbuciavam. E o pai que êle invocava, largando o revólver, teve um soluço enorme. Sentiu todo o pranto que até então lhe esmagava o coração, subir-lhe, numa onda salvadora aos olhos, e num impeto apaixonado, quasi selvagem, levantou o filho nos braços, beijando-o sofregamente. Lagrimas, como punhos, soltavam-se-lhe dos olhos, até então resequidos, vindo cair nas faces rosadas da criança. A filha olhava-o assustada, da cadeira onde tinha<noinclude></noinclude> jb1qxh4x4w59xssdyw0g8x6wjdk1iqk Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/155 106 257025 560936 2026-08-29T13:55:13Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560936 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" />{{lh}} {{rh||{{uc|A dança do destino}}|153}} {{lh}}</noinclude>despertado, e vendo o pai a chorar, correu para êle, com o outro irmãosinho nos braços, escostando-se-lhe aos joelhos e chorando em silencio. Ele então, unindo-os a todos num abraço anciado, exclamou: ― Filhos! filhos! Como pude pensar em deixar-vos? Filhos da minha alma, ''raizes do meu coração!...'' Sempre com o mais pequenino abraçado, impeliu os outros para a beira do leito onde jazia a desventurada mãe, e, ajoelhando ao lado da cama, com os labios colados nos longos cabelos d'ela, soluçava: ― Perdão! Perdão!... A pobre morta, na sua serenidade magoada, parecia agora sorrir!... Sorria lá da Eternidade, onde tudo, ao que parece, tem perdão... {{NOP}} {{dhr|6em}} {{lh|4em}}<noinclude></noinclude> t66g67oeygbrzo162qvp3v73hsxp3vf Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/163 106 257026 560937 2026-08-29T13:55:47Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560937 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|159}}</noinclude>de Montauban. Cada um tinha naturalmente a sua amante. Blachevelle amava Favorita, assim chamada porque tinha estado em Inglaterra; Listolier adorava Dahlia, que tomára por appellido o nome de uma flor; Fameuil idolatrava Zephina, contracçāo de Josephina; Tholomyès posssuia Fantina, chamada a Loura , por causa dos seus lindos cabellos, que tinham a côr do sol. Favorita, Dalilia, Zephina e Fantina eram quatro encantadoras raparigas perfumadas e radiantes, ainda um tanto costureiras, por isso que nāo tinham largado de todo a agulha, distrahidas pelos namoricos, mas conservando no rosto um resto da serenidade do trabalho, e na alma essa flor de honestidade que na mulher sobrevive á primeira quéda. Entre as quatro havia uma a quem chamavam a moça, porque era a mais nova; e outra a quem chamavam a vella; a velha tinha vinte e tres annos. Para nada dissimular diremos que as tres primeiras eram mais amestradas, mais descuidosas e adeantadas no tumultuar da vida do que Fantina a Loura, que ainda passava pela primeira illusāo. Dahlia, Zephina, e sobretudo Favorita nāo teriam podido dizer outro tanto. Havia já mais de um episodio no seu romance apenas começado, e o amante, que se chamava Adolpho no primeiro capitulo, passava a ser Affonso no segundo e Gustavo no terceiro. Pobreza e faceirice sāo duas conselheiras fataes ; uma ralha , a outra lisongeia; e as lindas raparigas do povo teem-las ambas a segredarem-lhes ao ouvido, cada uma do seu lado. Essas almas mal guardadas ouvem-nas. Dahi as quédas que dāo e as pedras que lhes atiram. Affrontam-as com o esplendor de tudo que é immaculado e inaccessivel. Ah! se a ''Jungfrau'' tivesse fome ? Favorita, por ter estado em Inglaterra, tinha por admiradoras Zephina e Dahlia. Ella começára mui cedo a ser dona de casa. Seu pae era um velho professor de mathematicas, grosseiro e fanfarrāo; nunca fôra casado, só pensava nas modas, apezar da idade. Esse professor, quando moço, vira um dia o vestido de uma creada pegar-se a um guarda-cinza: apaixonára-se por este accidente. Favorita era o resultado dessa paixāo. De tempos a tempos encontrava-se com o pae, que a comprimentava. Certa manhan, uma velha com ar de beata<noinclude></noinclude> tpl7u4q9tpik5npgtyfo5tuhusknot5 A Dança do Destino/Raizes do coração 0 257027 560938 2026-08-29T13:57:05Z BlitzkriegBoop 37692 Página criada 560938 wikitext text/x-wiki <pages index="A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf" from=139 to=155 header=1 /> [[Categoria:A dança do destino| 10]] atxt9pi0imq7tki0ugtn41eed95zdeq Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/164 106 257028 560939 2026-08-29T13:59:26Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560939 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|160}}</noinclude>entrára-lhe pela porta dentro e dissera-lhe : Você nāo me conhece, menina ?—Nāo.— Eu sou tua māe.—Dito isto, a velha abrira o armario, bebera e comera, mandara buscar um colchāo que possuia, e mettera-se em casa. Essa māe, rabugenta e devota, nunca fallava com Favorita ; passa horas inteiras sem dizer palavra, almoçava, jantava e ceiava por quatro, e descia para ir metter-se no cubiculo do porteiro onde murmurava da filha. O que levara Dahlia a entregar-se a Listolier, a outros talvez, á ociosidade, fôra o amor que tinha ás suas lindas unhas rosadas. Como trabalhar com semelhantes unhas? Quem quer ser virtuosa nāo deve ter pena das suas māos. Quanto a Zephina, essa conquistára Fameuil pela graça travessa e cheia de meiguice com que costumava dizer : Sim, senhor. Assim como os moços eram camaradas, as moças eram amigas. Amores taes sāo sempre acompanhados de taes amisades. Nāo é dado a todos ser philosopho; e a prova é que, feitas as devidas restricçōes a respeito destes casaesinhos irregulares, Favorita, Zephina , e Dahalia, erām philosophas, e Fantina uma moça bem comportada. Bem comportada! dirà alguem, e Tholomyès ? Salomāo responderia que o amor faz parte da sabedoria. Quanto a nós, somente diremos que o amor de Fantina era um primeiro amor, um amor unico, um amor fiel. Era ella a unica das quatro que nāo tinha senāo uma só pessoa que a tratasse por tu. Fantina era uma dessas creaturas que sóem desabrochar, por assim dizer, no fundo do povo. Sahida das mais insondaveis espessuras da sombra social , tinha na fronte o signal do anonimo e do desconhecido. Ella nascêra em M.—sobre o M.— Quaes os seus progenitores ? Quem poderia dize-lo ? Ninguem lhe conhecera pae nem mae. Chamava-se Fantina ? Por que Fantina ? Ninguem lhe conhecera nunca outro nome. Na epocha do seu nascimento existia ainda o directorio. Nāo tinha nome de familia, porque nāo tinha familia ; nāo tinha nome de baptismo, por que a egreja entāo nāo existia. Teve o nome que aprouve ao primeiro transeunte dar-lhe, ao encontra-la ainda pequenina, caminhando descalça pelas ruas. Recebeu um nome da mesma forma por que apanhava na cabeça a agua das nuvens quando cho-<noinclude></noinclude> p1vhxdm9pv2b3ascop3q7tn4m9wps04 Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/165 106 257029 560941 2026-08-29T14:04:15Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 560941 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|161}}</noinclude>via. Chamaram-a Fantininha. Nada mais se sabia a tal respeito. Essa creatura humana entrara por tal modo na vida. Aos dez annos, Fantina deixou a cidade e foi trabalhar em casa de uns rendeiros dos arredores. Aos quinze annos veitou para Pariz afim de —buscar fortuna.— Fantina era bella, e conservou-se pura o mais tempo que pôde. Era uma linda loura com dentes bellissimnos. Tinha ouro e perolas por dote ; mas trazia o seu ouro na cabeça e as suas perolas na boca. Trabalhou para viver ; depois, igualmente para viver, porquanto o coração tambem tem fome; amou. Amou Tholomyės. Amorico para este, paixão para ella. As ruas do bairro latino, onde formigara estudantes e ''grisettes'', viram o começo desse sonho. Fantina, naquelles dedalos da collina do Pantheon, onde principiam e se desenlaçam tantas aventuras, evitára por muito tempo Tholomyès, mas de tal modo que o encontrava sempre. Ha uma maneira de evitar que se parece com o buscar. Em summa, teve lugar a egloga. Blachevelle, Listolier e Fameuil formavam uma especie de grupo, de que Tholomyès era a cabeça. Era nelle que estava o espirito. Tholomyès era o typo do antigo estudante velho : era rico, tinha quatro mil francos de renda, quatro mil francos de renda, esplendido escandalo na montanha de Santa Genoveva. Tholomyès era um patusco de trinta annos, mal conservado. Já tinha rugas e falta de dentes, e começava a formar-se-lhe uma calva de que elle mesmo dizia sem tristeza : ''Craneo aos trinta annos, joelho aos quarenta'' <ref>''Crâne'' tambem significa um sujeito dado a desordens, a unia vida de devassidão. ''Geonu'', joelho, é termo de que usam os francezes para exprimir quanto é calvo qualquer individuo. Tholomiyès faz pois um trocadilho, cujo sentido é que tendo levado até alli uma vida irregularissima, não seria para admirar que aos quarenta annos se achasse completamente calvo.</ref>. As suas digestões eram pouco regulares, e um dos olhos estava-lhe de continuo a lagrimejar. Á medida, porem, que se lhe extinguia a mocidade, redobrava de alegria ; a falta de dentes supria-a com ditos cheios de sal, a de cabellos com o seu ar prazenteiro, a de saude com a ironia, e o olho que chorava estava sempre a rir-se. Achava-se estragado,<noinclude>{{smallrefs}} {{right|21}}</noinclude> gtf8mb11e1w33mtj68240f6oxrn5o1o 560942 560941 2026-08-29T14:04:53Z Erick Soares3 19404 560942 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|161}}</noinclude>via. Chamaram-a Fantininha. Nada mais se sabia a tal respeito. Essa creatura humana entrara por tal modo na vida. Aos dez annos, Fantina deixou a cidade e foi trabalhar em casa de uns rendeiros dos arredores. Aos quinze annos veitou para Pariz afim de —buscar fortuna.— Fantina era bella, e conservou-se pura o mais tempo que pôde. Era uma linda loura com dentes bellissimnos. Tinha ouro e perolas por dote ; mas trazia o seu ouro na cabeça e as suas perolas na boca. Trabalhou para viver ; depois, igualmente para viver, porquanto o coraçāo tambem tem fome; amou. Amou Tholomyės. Amorico para este, paixāo para ella. As ruas do bairro latino, onde formigara estudantes e ''grisettes'', viram o começo desse sonho. Fantina, naquelles dedalos da collina do Pantheon, onde principiam e se desenlaçam tantas aventuras, evitára por muito tempo Tholomyès, mas de tal modo que o encontrava sempre. Ha uma maneira de evitar que se parece com o buscar. Em summa, teve lugar a egloga. Blachevelle, Listolier e Fameuil formavam uma especie de grupo, de que Tholomyès era a cabeça. Era nelle que estava o espirito. Tholomyès era o typo do antigo estudante velho : era rico, tinha quatro mil francos de renda, quatro mil francos de renda, esplendido escandalo na montanha de Santa Genoveva. Tholomyès era um patusco de trinta annos, mal conservado. Já tinha rugas e falta de dentes, e começava a formar-se-lhe uma calva de que elle mesmo dizia sem tristeza : ''Craneo aos trinta annos, joelho aos quarenta'' <ref>''Crâne'' tambem significa um sujeito dado a desordens, a unia vida de devassidāo. ''Geonu'', joelho, é termo de que usam os francezes para exprimir quanto é calvo qualquer individuo. Tholomiyès faz pois um trocadilho, cujo sentido é que tendo levado até alli uma vida irregularissima, nāo seria para admirar que aos quarenta annos se achasse completamente calvo.</ref>. As suas digestōes eram pouco regulares, e um dos olhos estava-lhe de continuo a lagrimejar. Á medida, porem, que se lhe extinguia a mocidade, redobrava de alegria ; a falta de dentes supria-a com ditos cheios de sal, a de cabellos com o seu ar prazenteiro, a de saude com a ironia, e o olho que chorava estava sempre a rir-se. 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Um dia Tholomyès chamou de parte os seus camaradas, fez um gesto de oraculo e disse-lhes : —Ha quasi um anno que Fantina, Dahlia, Zephina e Favorita nos pedem que lhes façamos uma sorpresa. Nós promettemo-lo solemnemente. Ellas estāo sempre a lembrar-no-lo, sobretudo a mim. Assim como em Napoles gritam as vellas à SanʼJanuario : ''Faccia giallata'', ''fa o miracolo'', Cara amarella, faze o teu milagre ! assim as nossas bellas andam continuamente a dizer-me : Tholomyès, quando virá finalmente á luz a tua sorpresa ? Ao mesmo tempo recebemos cartas de nossas familias. Importunaçāo de ambos os lados. Parece-me chegado o momento de satisfaze-las. Conversemos. Dito isto, Tholomyès abaixou a voz, e articulou mysteriosamente o que quer que fosse, tam engraçado que uma grande e enthusiastica risada soou em quatro bocas ao mesmo tempo, e Blachevelle exclamou : Olé! é uma bella lembrança ! Um botequim cheio de fumaça achava-se perto ; ahi entraram, e o resto da sua conferencia perdeu-se na escuridāo. O resultado dessas trevas foi uma esplendida patuscada que teve lugar no domingo daquella semana, sendo as quatro raparigas convidadas pelos quatro moços- {{nop}}<noinclude></noinclude> h2b725j0p8u8t6kc9id96xff4a482co Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo primeiro/Livro terceiro/II 0 257031 560944 2026-08-29T14:09:27Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=162 to=166 header=1 /> {{rule|5em|align=left}} {{smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-1}} [[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 3/02]] 560944 wikitext text/x-wiki <pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=162 to=166 header=1 /> {{rule|5em|align=left}} {{smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-1}} [[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 3/02]] e14vqddit4jwn9p3885sxpvw0khz441 Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/5 106 257032 560945 2026-08-29T14:30:44Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 560945 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}}} {{lh|height=0.1em|lh=0.1em}}{{lh|lh=0.1em}} {{dhr|3em}} {{C|{{uc|Luthgarda Guimarães de Caires}}|style=transform:scale(.9,1)}} {{dhr|23m}} {{lh|6em}} {{dhr|3em}} {{c|A Dança do Destino|fs=300%}} {{dhr|2em}} {{lh|4em}} {{dhr|2em}} {{c|{{serifa|'''Contos e Narrativas'''}}|style=transform:scale(1.3,1)}} {{dhr|6em}} {{cr|sp|100|d|4|sp|5|c|6|sp|5|d|4|sp|100}} {{dhr|5em}} {{c|{{uc|Lisboa}}|fs=90%}} {{c|{{sc|Parceria}} {{uc|Antonio Maria Pereira}}}} {{c|{{uc|Livraria editora}}|fs=90%}} {{c|44 ― {{uc|Rua Augusta}} — 54|fs=90%}} {{c|1913|fs=90%}}<noinclude></noinclude> 0llzx2muctxfbn5a77vb8cxx9gmlg7o 560947 560945 2026-08-29T14:38:22Z BlitzkriegBoop 37692 560947 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{uc|Collecção Antonio Maria Pereira}}}} {{lh|height=0.1em|lh=0.1em}}{{lh|lh=0.1em}} {{dhr|3em}} {{C|{{uc|Luthgarda Guimarães de Caires}}|style=transform:scale(.9,1)}} {{dhr|23m}} {{lh|6em}} {{dhr|3em}} {{c|A Dança do Destino|fs=300%}} {{dhr|2em}} {{lh|4em}} {{dhr|2em}} {{c|{{serifa|'''Contos e Narrativas'''}}|style=transform:scale(1.3,1)}} {{dhr|6em}} {{cr|sp|100|d|4|sp|5|c|6|sp|5|d|4|sp|100}} {{dhr|5em}} {{c|{{uc|Lisboa}}|fs=80%}} {{c|{{sc|Parceria}} {{uc|Antonio Maria Pereira}}}} {{c|{{uc|Livraria editora}}|fs=80%}} {{c|44 ― {{uc|Rua Augusta}} — 54|fs=80%}} {{c|1913|fs=80%}}<noinclude></noinclude> 095a4ied0u9lyharg56gy11kztgw5vx Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/4 106 257033 560948 2026-08-29T14:39:02Z BlitzkriegBoop 37692 /* Sem texto */ 560948 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude><noinclude></noinclude> ltg9mtpefm08n2h0k9e81m08dk0hzmr Página:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf/2 106 257034 560950 2026-08-29T15:12:03Z BlitzkriegBoop 37692 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{C|{{uc|'''Obras de Camillo Castello Branco'''}}|style=transform:scale(.6,1)|fs=150%}} {{dhr}} {{lh|5em}} {{C|Edição popular das suas principaes obras em 80 volumes<br>in-8.°, de 200 a 300 paginas<br>impressa em bom papel, typo elzevir}} {{dhr}} {{cr|sp|50|tl|20|fy1|40|tr|20|sp|50}} 560950 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{uc|'''Obras de Camillo Castello Branco'''}}|style=transform:scale(.6,1)|fs=150%}} {{dhr}} {{lh|5em}} {{C|Edição popular das suas principaes obras em 80 volumes<br>in-8.°, de 200 a 300 paginas<br>impressa em bom papel, typo elzevir}} {{dhr}} {{cr|sp|50|tl|20|fy1|40|tr|20|sp|50}}<noinclude></noinclude> nlzwy9s039cz5z277570x5dsmeazgoy Galeria:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf 104 257035 560952 2026-08-29T20:01:27Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 560952 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[A Volta do Mundo em Oitenta Dias (3ª edição)|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Júlio Verne|Julio Verne]] |Tradutor=[[Autor:A. 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Uma inspecção nos seus guardados não me esclareceu melhor; nenhuma carta, ou escripto indicioso. Mas o tempo foi reparando o desarranjo. Correram os mezes e, por fim, minha mulher deu á luz um menino. Que dia! doe-me a cabeça o recordal-o… A velha Lucrecia, auxiliar da parteira, foi quem me veiu á sala dar noticia do bom successo. — Desta vez foi um menino, mas veiu marcado. — Marcado? — Tem uma marca no peito, uma cobrinha coral de cabeça preta. Impressionado com a exquisitice, dirigi-me para o quarto. Acerquei-me da creança e desfiz as faixas o necessario para examinar-lhe o peitinho. E vi… um estigma que reproduzia fielmente o ferimento de Laurinha: um nucleo negro, imitante ao furo da bala, e a «cobrinha», uma estria rubra enviezada pelas costellas abaixo. Um raio de luz inundou-me o espirito. Comprehendi tudo. O feto em formação nas entranhas da mãe, fôra a unica testemunha do crime, e, mal nascido, denunciava-o com esmagadora evidencia. — Ella já viu isto? perguntei á parteira. — Não. Nem é bom que veja antes de sarada. Não me contive. Escancarei as janellas, derramei o sol no quarto, despi a criança e pul-a nua ante os olhos da mãe, dizendo com frieza de juiz: — Olha, mulher, quem te denuncia! {{nop}}<noinclude></noinclude> kjuoyozauquntyq6zy2ezh7przqwp2u Galeria:Rhythmas de Luis de Camões.djvu 104 257055 560991 2026-08-30T00:44:52Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 560991 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Rhythmas de Luis de Camões]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Luís Vaz de Camões|Luís Vaz de Camões]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume= |Editora=Manoel de Lyra |Gráfica= |Local= |Ano=1595 |ISBN= |Fonte={{commons|Rhythmas de Luis de Camões.djvu}} |Imagem= |Capa=9 |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 8rn0q6tbguc2jxs7b45792034ue0cu3 560996 560991 2026-08-30T00:52:29Z Trooper57 24584 560996 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Rhythmas de Luis de Camões]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Luís Vaz de Camões|Luís Vaz de Camões]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume= |Editora=Manoel de Lyra |Gráfica= |Local= |Ano=1595 |ISBN= |Fonte={{commons|Rhythmas de Luis de Camões.djvu}} |Imagem= |Capa=9 |Progresso=C |Páginas=<pagelist 9="folha de rosto" 10to24="highroman" 10="1" 25="1" 25to364="folio" 365to371="índice" /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/365}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/366}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/367}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/368}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/369}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/370}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/371}} |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} a8e6asudg0nnx9excbz6w56vwzqkhja 560998 560996 2026-08-30T01:00:42Z Trooper57 24584 560998 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Rhythmas de Luis de Camões]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Luís Vaz de Camões|Luís Vaz de Camões]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=1 |Volume= |Editora=Manoel de Lyra |Gráfica= |Local= |Ano=1595 |ISBN= |Fonte={{commons|Rhythmas de Luis de Camões.djvu}} |Imagem= |Capa=9 |Progresso=C |Páginas=<pagelist 1to5="-" 9="folha de rosto" 10to24="highroman" 10="1" 25="1" 25to364="folio" 365to372="índice" 373="1" 373to384="folio" 385="8" 385to451="folio" 452to460="-" /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/365}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/366}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/367}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/368}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/369}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/370}} {{Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/371}} |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=S }} tnotzd8by2un45zqeeylx32gxwv63jn Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/225 106 257056 560992 2026-08-30T00:45:12Z JppBr98 28173 /* Revista */ 560992 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 219 {{--}}}}</noinclude>A parturiente ergueu-se de golpe, recuou da testa as madeixas soltas, e cravou os olhos no estigma. Esbogalhou-os, como louca, á medida que lhe comprehendia a significação. Ergueu-os para mim, e aquelles olhos duros pela vez primeira se turvaram ante a fixidez inexoravel dos meus. Em seguida molleou o corpo, descahindo para os travesseiros, vencida. A’ noite sobreveiu-lhe uma crise. Acudiram medicos. Era a febre puerperal sob fórma gravissima. Minha mulher recusou obstinadamente a medicação, e morreu sem uma palavra, afóra as inconscientes, escapas nos momentos de delirio. {{dhr}} Mal concluira Fausto a confidencia daquelles horrores, abriu-se a porta e entrou na sala umy rapaz imberbe. — Meu filho, disse o pae, abre a camisa para que o Bruno veja a tua cobrinha. A illusão era perfeita: lá estava a imagem do orificio aberto pelo projectil, e do fio de sangue escorrido. — Veja você concluiu o meu triste amigo, os caprichos da Natureza… — Caprichos de Nemesis… ia eu dizendo, mas o olhar do pae cortou-me a palavra: o moço ignorava o crime de que fora elle proprio o eloquente delator. {{nop}}<noinclude></noinclude> t7lmnnwlpowirggjqpppx6hs0gxmhlg Urupês (3ª edição)/O Estigma 0 257057 560993 2026-08-30T00:47:37Z JppBr98 28173 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf" from=211 to=225 header="1" notas="{{versões|Anexo:Versões/O estigma}}"/> {{PD-old-70-BR}} [[Categoria:Monteiro Lobato]] 560993 wikitext text/x-wiki <pages index="Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf" from=211 to=225 header="1" notas="{{versões|Anexo:Versões/O estigma}}"/> {{PD-old-70-BR}} [[Categoria:Monteiro Lobato]] hfn3jhcygrz1fqtmzpiam4q4z4rpazc Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/388 106 257058 560999 2026-08-30T01:19:10Z Trooper57 24584 /* Problemática */ 560999 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="Trooper57" /></noinclude>{{Cursivo2|<poem>{{c|Soneto}} {{Gcapitular|A}}mor he hum fogo ꝙ arde sem se uer :::He ferida ꝙ doe Et naõ se sinte :::He hum Continitato descontente, :::He dor ꝙ desatina sem doer He hũ naõ querer mais ꝙ bemquerer :::He hum andar solitario entre agente :::He nunca contentarse de contente :::He hum cuidar ꝙ ganha sem se perder. He querer estar preso [?] uontade :::He seruir aquem uence o uencedor, :::He ter com quem nos mata, lealdade Naõ sei como causar pode seu fauor :::Nos coracoins humanos amizade :::Se taõ contrario assi he o mesmo Amor</poem>}}<noinclude></noinclude> fty1980o480ii5tda28ffwjgfse3jp9 561000 560999 2026-08-30T01:23:14Z Trooper57 24584 561000 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="Trooper57" /></noinclude>{{Cursivo2|<poem>{{c|Soneto}} {{Gcapitular|A}}mor he hum fogo ꝙ arde sem se uer :::He ferida ꝙ doe Et naõ se sente :::He hum Continitato descontente, :::He dor ꝙ desatina sem doer He hũ naõ querer mais ꝙ bemquerer :::He hum andar solitario entre agente :::He nunca contentarse de contente :::He hum cuidar ꝙ ganha sem se perder. 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D. {{sc|Lxxxxv}}.{{quebra}}{{fine|A cu{{s}}ta de E{{s}}teuão Lopez mercador de libros.}} }}<noinclude></noinclude> s1i46pax6zgq41nsvs6rof1rz85ktcp Página:Rhythmas de Luis de Camões.djvu/365 106 257060 561003 2026-08-30T05:10:39Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: DI TABOADA. SONETO S. A Alma minha gentil que te partifte, Fol.4 Aquella triste leda madrugada, Alegres campos, verdes aruoredos, fol.6 fol. 10 Amor com efperança ja perdida, fol. 14 Apollo, as noue Mufas difcantando, fol. 14 Apartauafe Nife de Montano 3 n B Bufca amor nouas artes, nono engenho.— C Clara minha enemiga em cuja mão, Como fezeste doce a tal ferida, 18 15 D Doces lembranças da paffada gloria, Devos me aparto ò Nymphas em t... 561003 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>DI TABOADA. SONETO S. A Alma minha gentil que te partifte, Fol.4 Aquella triste leda madrugada, Alegres campos, verdes aruoredos, fol.6 fol. 10 Amor com efperança ja perdida, fol. 14 Apollo, as noue Mufas difcantando, fol. 14 Apartauafe Nife de Montano 3 n B Bufca amor nouas artes, nono engenho.— C Clara minha enemiga em cuja mão, Como fezeste doce a tal ferida, 18 15 D Doces lembranças da paffada gloria, Devos me aparto ò Nymphas em tal mudança, 5 Depois de tantos dias mal gastados, Detão diuino assento, voz humana, Debaixo desta pedra està metido, Daime hüa lei fenhora de querervos. E Em quanto quis fortuna que tineffe, Eu cantarei de amor tão docemente. idEm flor vos arrancou de então crefcida, Efpanta crecer tanto’o Crocodilo, Emfermofa Lathea fe confia, Eftafe a Primauera trasladado, hid Efta olafcino doce paffarinho, 19 ibid 2E ibidem 6 6 7 7 20 2 3 Eu me aparte de vos Nymphas do Tejo, อง ง<noinclude></noinclude> 1vj3211parxx0jve9ulsz6jwey93g0j 561004 561003 2026-08-30T05:16:13Z Trooper57 24584 561004 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{Notas laterais}}</noinclude>{{c|{{x-larger|TABOADA.}}}} {{c|SONETOS.}} {{nle|A}}{{tabela|nodots |título=[[Alma minha gentil, que te partiste|Alma minha gentil que te parti{{s}}te]], |página=Fol. {{pl|4|0|32}}}} Aquella triste leda madrugada, Alegres campos, verdes aruoredos, fol.6 fol. 10 Amor com efperança ja perdida, fol. 14 Apollo, as noue Mufas difcantando, fol. 14 Apartauafe Nife de Montano 3 n B Bufca amor nouas artes, nono engenho.— C Clara minha enemiga em cuja mão, Como fezeste doce a tal ferida, 18 15 D Doces lembranças da paffada gloria, Devos me aparto ò Nymphas em tal mudança, 5 Depois de tantos dias mal gastados, Detão diuino assento, voz humana, Debaixo desta pedra està metido, Daime hüa lei fenhora de querervos. E Em quanto quis fortuna que tineffe, Eu cantarei de amor tão docemente. idEm flor vos arrancou de então crefcida, Efpanta crecer tanto’o Crocodilo, Emfermofa Lathea fe confia, Eftafe a Primauera trasladado, hid Efta olafcino doce paffarinho, 19 ibid 2E ibidem 6 6 7 7 20 2 3 Eu me aparte de vos Nymphas do Tejo, อง ง<noinclude>{{Notas laterais-fim}}</noinclude> al5eq29x9960z8rq0i7abcsfrsp0gxp Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/História da Princesa adormecida ou das treze fadas 0 257061 561005 2026-08-30T11:55:55Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História da Princesa adormecida ou das treze fadas | anterior = [[../O bom serviço recompensado/]] | posterior = [[../A menina curiosa ou a luta do bem e do mal/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DA PRINCESA ADORMECIDA OU DAS TREZE FADAS</big>''' UMA vez houve um Rei e uma Rainha que tinham um enorme desgosto por não terem filhos. 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Ora a menina era tão formosa que bem mostrava ter vindo ao Mundo por tanto empenho, pois só por grande raridade nasce na Terra uma tão completa beleza. Começaram-na a criar com todos os cuidados e carinhos e quando chegou aos três meses entenderam os pais que era tempo de a baptizarem. Foram logo expedidos convites para todas as fadas que nessa época habitavam o país, pois é fama que as fadas costumam encher os afilhados de perfeições e donativos sem conta. Aqueles previdentes monarcas pensavam, e muito bem, que a beleza só por si não é bastante condão para se estimar uma mulher, muito mais sendo ela Princesa, que mais precisa de inteligência e graça do que de formosura. E por isso, desejando que a filha fosse perfeita na alma como o era no corpo, resolveram chamar as fadas para a baptizarem. Mandados os convites, reconheceram que havia só doze e não treze fadas no país, como toda a gente imaginava, pois os emissários régios não puderam encontrar uma a quem chamavam a Inveja, pelo carácter invejoso de que era dotada. Os monarcas concluíram que ela tivesse mudado de residência, pois as fadas o costumam fazer amiudadamente, sem dar satisfações aos pobres mortais. E até ficaram contentes, pois só o medo os levava a convidá-la. Feitos os convites, ordenou o Rei ao seu ourives particular que lhe desse para o dia do baptizado doze talheres de fino ouro lavrado, cravejado das pedras mais preciosas que à vontade podia escolher no tesouro real, para servirem às doze madrinhas da menina. Decerto que seria prova de mau gosto e péssima educação, querer que as fadas se servissem dos talheres de que se servia a mais gente, embora elas só provem, por delicadeza, os alimentos que grosseiramente sustentam a humanidade. O dia do baptizado foi de regozijo para toda a gente, pois os reis ordenaram brilhantes festas públicas, querendo que todo o seu povo gozasse com a sua felicidade. Já tudo estava preparado, o banquete ia ser servido, as damas e cavaleiros da corte ostentavam os seus trajes de gala, o palácio ornamentado com esplendor abria-se a todos os convidados, quando, no momento preciso em que se iam sentar à mesa, apareceu a fada Inveja num carro amarelo puxado por furiosos e mosqueados tigres. Um estremecimento de pavor percorreu os assistentes, pois todos pressentiram que nada bom podia vir de tal visita. Havia bastantes anos que ela se conservava no seu castelo roqueiro, construído sobre uma rocha escarpada, meio arruinado, defendido pelos silvedos e animais bravios, de maneira que a tinham julgado fora do país, ou talvez mesmo, fora do Mundo. Por isso ficaram todos estarrecidos de susto, bem certos de que a Inveja não era capaz de fazer coisa que prestasse. O pobre do Rei adiantou-se muito humilhado, convidou-a para assistir à festa e pediu desculpa de não oferecer um talher igual ao das outras fadas, pois que, não sabendo onde ela morava, não pudera contar com a honra da sua visita. A fada mal soltou uma gargalhada de escárneo e sentou-se à mesa sem parecer ligar maior importância ao incidente, mas fez uma tal cara que não iludiu ninguém. Depois a festa continuou animadamente, e no fim, quando terminou o banquete, dirigiram-se todos à sala do trono onde a Princesinha já estava deitada no seu berço de marfim rendilhado, guardada pela ama e as aias particulares, para se realizar a cerimónia do baptizado. Começaram as fadas a fazer os seus dons e todas as perfeições imagináveis caíram sobre a cabeça da loura criança como uma chuva de bênçãos. Uma a fadou para que fosse a mais formosa entre as formosas; outra para que o seu corpo excedesse em elegância a mais bela das estátuas antigas; outra para que fosse inteligente e instruída como qualquer doutor de cabelos embranquecidos no estudo; outra, ainda, para que os seus ouvidos fossem surdos à lisonja e só escutassem as paixões e as reclamações dos que sofrem; enfim, cada qual lhe fez a sua graça de maneira a ficar a perfeição das perfeições. Só faltavam os presentes de duas fadas, a terrível Inveja, que em silêncio as ouvira todas, e a boa Caridade, que tinha desaparecido sem ninguém dar por isso. Como todos acabassem de falar, chegou a vez à Inveja, que se adiantou com orgulhoso porte e, agitando a varinha de condão, disse entre o pasmo e o desgosto geral: — Meus poderosos amigos, dignos monarcas deste glorioso povo, se à vossa festa vim sem ser convidada, foi para pagar com usura a delicadeza com que me trataram. Visto que as minhas colegas encheram a Princesinha de perfeições e eu já nada mais tenho que lhe dar, quero fazer-lhe um precioso dom: fado-a para que aos quinze anos se pique num fuso e morra imediatamente dessa ferida. No meio do alarido e prantos que tal vaticínio levantou entre os assistentes, apareceu a linda fada Caridade, como um raio de esperança que a todos consolou. Vestia de branco luminoso, como se fosse feito dum pedaço de sol o seu trajo; os cabelos, que semelhavam fios do mais puro ouro, eram coroados por um diadema de estrelas; na mão sustinha a indispensável vara de condão. Só com a sua presença levantou os ânimos abatidos pela maldade da Inveja. Com nobre tristeza afastou a sua antiga e irreconciliável inimiga, dizendo-lhe: — Esqueceste-te de que faltava ainda o meu presente. Não me admiro da feia acção que praticaste, sei que nada bom se pode esperar do teu coração de pedra, mas condenar um inocente é coisa tão bárbara que a todos indigna. Vai, some-te para o Inferno, tua digna morada, pois a isso te condena a Rainha de nós todas. Vê se te arrependes e deixas de perseguir o género humano, se queres achar perdão diante dos seus olhos. Mas, antes, fica sabendo que o mal que pretendes fazer a esta Princesa eu o atenuarei por forma que nem mesmo se possa considerar um mal. Vai-te! A Inveja recuou espavorida, tentando em vão chegar junto do bercinho onde a criança dormia plàcidamente, mas a Caridade estendeu o braço em direcção à porta com gesto tão imperioso que ela não teve remédio senão obedecer. Então voltou-se a boa fada para os reis e continuou: — Meus amigos, o poder da minha inimiga é tanto que eu não posso remediar completamente o mal que ela fez. Mas não desanimeis, que eu transformarei a morte de vossa filha num letárgico sono de que será despertada pelo melhor dos príncipes, que a fará inteiramente feliz. A festa terminou no meio do desânimo geral, pois que os reis não confiavam absolutamente nas palavras animadoras da boa fada e cogitavam no meio de evitar a desgraça que ameaçava a filha. Depois de muito meditarem e de não poucas vezes terem reunido o Conselho da coroa, decretaram que fosse proibido em todo o reino o uso das mulheres fiarem, estabelecendo grandes multas, não só às pessoas que transgredissem as ordens como aos negociantes que vendessem fusos, rocas ou rodas de fiar. A boa fada riu-se daquelas medidas enérgicas com as quais os reis imaginavam poder impedir o destino adverso, mas aprovou tudo para os não desgostar, prometendo não abandonar nunca a afilhada. Foi a menina crescendo em corpo, beleza e inteligência, de maneira que era a admiração de todo o Mundo. Nunca houve, decerto, Princesa que reunisse tal conjunto de perfeições e por isso não é de estranhar que fosse amada como nenhuma por aqueles que de perto a conheciam ou de longe ouviam a fama das suas virtudes, formosura, justiça e sabedoria. Assim foi passando o tempo até que chegou à idade — terrível para ela — dos quinze anos. Os pais, se até aí a tinham vigiado, daí para diante redobraram de cuidados e não a perdiam de vista nem um momento. Mas um dia, aproximava-se o tempo predito pela fada, foram passar o verão para um castelo afastado do barulho da cidade e onde, havia muito, não tinham ido. A Princesinha, que era curiosa como todas as crianças, aproveitou a ocasião da mudança para ir percorrer todo o vasto e antigo edifício. Mas tanto andou que se perdeu nos antigos corredores e imensos quartos e foi ter a um sótão onde nunca tinha ido, com certeza, nenhuma senhora da família real. Ficou muito admirada de encontrar ali uma velha centenária, que tinha sido aia de sua avó, e parecia viver por a morte se ter esquecido dela. A menina cumprimentou-a com toda a delicadeza e mandou-a continuar o serviço que estava fazendo, isto é, fiar, pois aos ouvidos da velhinha não tinha chegado a ordem real. A Princesa, que não tinha visto nunca fazer tal serviço, estava muito admirada, e, querendo também experimentar se era capaz de o fazer, pegou no fuso e na roca e começou a puxar o fio. Imediatamente sentiu uma picada, seguida de uma dor horrível nas mãos, e soltando um grito caiu por morta no chão. Os pais, as damas e aias, que já a andavam procurando por toda a parte, mal ouviram os clamores da velha correram ali e depararam com o triste espectáculo. Muito tristes, pegaram na Princesa e levaram-na em braços para a cama. Deitaram-lhe água no rosto, fizeram mil coisas para a despertar, mas foi o mesmo que nada. Depois, pensando os reis que não havia poderes humanos que acordassem a filha daquele sono sobrenatural mandaram ornamentar ricamente a melhor câmara do castelo, e armando uma cama do mais fino ouro ali deitaram a menina, vestida com a maior riqueza e elegância, cobrindo-a com uma formosíssima coberta de seda bordada a pérolas finas. Coroaram-na com o seu diadema real, e todos a foram ver, porque estava tão linda como se aquele sono não devesse durar mais do que alguns segundos ou os anjos do céu a quisessem levar para a sua estrelada moradia. Nisto, montada num cisne e vestida de branco, apareceu a fada Caridade, que não se tinha esquecido da sua protegida. Aprovou tudo quanto tinham feito, pôs-se algum tempo a meditar, e depois disse consigo: — Se a Princesa daqui a cem anos, quando acordar, não vir junto de si ninguém do seu conhecimento, deve ter um grande desgosto! O tempo muda e transforma tudo, linguagem, costumes, vestidos, e até a maneira de se apresentar e comer. Ora se a pobre menina se encontrar só, deve sofrer muito, embora o Príncipe que lhe destino seja o melhor dos homens. E, acto contínuo, para evitar tal sensaboria à sua afilhada, estendeu o braço com a varinha de condão, e logo as damas, aias e criadas que rodeavam a Princesa ficaram tal qual esta estava, adormecidas no mesmo sono mágico. Dali foi à ante-câmara, percorreu o palácio inteiro, e à sua passagem tudo ficava adormecido, na posição em que ela os surpreendia, como se aqueles corpos fossem todos estátuas de mármore. Não contente com isto, foi à cavalariça e fez o mesmo aos animais e aos criados, deixando apenas acordada a parelha e o cocheiro que deviam conduzir os reis à capital. Até o cão, o maior amigo e companheiro da Princesa, ficou adormecido aos pés da cama, como guarda fiel do seu sono. Depois chamou os reis, explicou-lhes a sua ideia e mandou-os despedir da filha, pois que a eles os não podia adormecer, sob pena do reino ficar abandonado e sujeito a todas as desgraças. Os pobres pais foram beijar a Princesinha e, cheios da mais funda mágoa, se afastaram dali, dando ordens apertadas para que ninguém mais fosse àquela tapada real. Esta ordem era desnecessária, pois a boa fada, pensando em tudo, logo ao sair fizera crescer em volta do castelo um matagal tão denso e emaranhado que nem os próprios animais lograriam penetrar naquele bosque. &nbsp; Passaram-se anos e anos e tudo naquele país se tinha transformado. Nova dinastia subira ao poder, nova gente e novos costumes imperavam por toda a parte. Guerras e desgraças tinham vindo, assim como prosperidades e glórias. E a Princesa encantada lá continuava a dormir o seu ditoso sono, rodeada da sua corte e guardada pelas árvores seculares que a protegiam de importunas visitas. Já a memória daquele caso se tinha perdido, e o povo — sempre pronto a crer o pior e a inventar o mais extraordinário — ao ver as torres do castelo que as árvores no inverno não encobriam, dizia que era ali a morada de todos os lobisomens, feiticeiras, olharapos e trasgos que pelo Mundo andavam a fazer mal. Mas nesse tempo subiu ao trono daquele reino um jovem e cavalheiresco Príncipe, que, em criança, ouvira contar a uma velha dona a história da menina adormecida e da sua peregrina beleza e de como um belo Príncipe, levado por uma força de amor, a devia despertar, e depois seria o seu esposo feliz. Tanto foi ouvir falar na jovem formosura adormecida por um poder sobrenatural, como apaixonar-se fortemente por ela, e de tal maneira que mulher nenhuma lhe distraía a atenção. De si para si jurou que só aquela Princesa misteriosa, a perfeição das perfeições sonhadas, seria a sua esposa, e que a sua vida seria consagrada a procurar o meio de a libertar. Um dia foi à caça e para os lados do castelo dirigiu os seus passos, como costumava, para ver de longe os coruchéus das torres e sonhar com a formosa criatura — que porventura o esperava e com ele sonhava também... Adiantou-se dos seus companheiros e encontrou-se só, no princípio da impenetrável floresta. Perguntou caminho e, não o encontrando, já estava resolvido a retroceder quando viu um veado dirigir-se para o matagal e, como por encanto, abrir-se-lhe diante dos passos uma larga e boa vereda. Montou a cavalo e seguiu atrás, notando com espanto que o animal voltava a cabeça de quando em quando como para se assegurar de que era seguido. Olhando o Príncipe para trás, viu, ainda com maior espanto, que o caminho se ia outra vez apertando à maneira que eles passavam, como se as silvas e os ramos das árvores tivessem entendimento e à vontade se pudessem enlaçar e afastar. Cada vez mais interessado na aventura, caminhou sempre em seguimento do veado, até que se viu diante da ponte levadiça de um antigo castelo de magnificência real. O veado atravessou a ponte e voltou-se, a ver se o Príncipe fazia o mesmo. Este, vendo os guardas imóveis do outro lado do pátio, parou indeciso. Mas, como ânimo novo não sofre obstáculos, entrou por ali dentro, resolvido a pedir desculpa se lhe dissessem alguma coisa. Qual não foi o seu espanto reparando que os archeiros, guardas e criados dormiam em pé como se estivessem em fofa cama de molas! Como não tinha a quem pedir licença entrou no vestíbulo, percorreu todas as salas do rés-do-chão e só encontrou pessoas adormecidas, mas em tão mágico sono que só parecia o reino da morte. Apesar da tristeza que tal espectáculo lhe causava, não deixou de continuar a sua visita, sempre com a esperança de ver a menina dos seus sonhos. Era certo que via entre as damas adormecidas muitas que bem se podia chamar formosas, mas nenhuma que igualasse ou de longe sequer lhe desse uma ideia da perfeição que imaginava ser a Princesa. Assim foi indo, até que chegou à câmara da menina. Parou, que não era acção de cavaleiro entrar assim no quarto duma donzela. Mas, levantando a medo o reposteiro, viu-a deitada no seu leito de ouro fino, coberta de seda, rodeada das suas damas e aias, e tão linda, tão linda, que não resistiu ao desejo de ajoelhar junto da sua cama e beijar-lhe a mão, que ela tinha de fora da roupa. Mal os seus lábios tocaram de leve a sua pele macia e alva, abriu a Princesa os olhos e, sorrindo divinamente, lhe disse: — Quanto tardaste, meu Príncipe! — Pois acaso me esperáveis, bela Princesa?! Quererão os fados que seja eu o ditoso mortal que vos estava destinado?! — Sim, há cem anos que vos aguardo e sonho com esta hora. Enlevados um no outro nem repararam que as damas e aias igualmente tinham acordado e que todo o castelo, ainda há pouco silencioso como um túmulo, se enchia do ruído alegre da vida. Foi preciso que a mais velha das damas se adiantasse e, com todas as cerimónias e mesuras, lembrasse à sua jovem senhora que estavam todas a morrer de fome depois de tão longo sono. O Príncipe ofereceu a mão à Princesinha para a ajudar a levantar e ficou encantado com a sua elegância, como já o estava com a sua formosura, inteligência e espírito. É certo que estranhou um pouco vê-la vestida com as modas de há cem anos, mas a verdadeira beleza com tudo fica bem e ele depressa se acostumou a vê-la assim entrajada, achando-a até encantadora. Depois, dirigiram-se à casa de jantar, onde a orquestra fazia já ouvir os seus harmoniosos acordes, e aí lhes serviram um magnífico jantar, é claro também cozinhado à moda dos antigos tempos. Mas o Príncipe tudo achava bom e bonito, e tão apaixonado estava pela menina que lhe pediu para chamar o capelão e nessa mesma noite realizar o casamento. A Princesa, quando se lembrava que os pais tinham morrido e não podiam assistir à sua felicidade, tinha muita pena, mas depressa se esquecia porque o Príncipe a tornava muito ditosa. Assim se passaram alguns dias da maior e mais completa felicidade, e depois o Príncipe despediu-se por alguns dias para ir à sua corte, prometendo voltar em breve. O seu desejo era levar na sua companhia a esposa e fazê-la jurar Rainha quando ele fosse Rei, mas tinha um grande temor da própria mãe, porque era invejosa e má e à boca pequena se dizia que era da raça dos ogres e por isso muito gulosa de carne humana. Voltou, pois, sòzinho à sua corte e foi jurado Rei, mas andava sempre tão triste que a todos causava pena. Só tinha consolação quando, sob qualquer pretexto, abandonava a capital e se dirigia para o castelo encanado, onde a jovem esposa o aguardava, sempre bela, amável e risonha. Assim foi passando o tempo e tinham já três filhos, dois meninos e uma menina, que se chamavam Cravo, Rosa e Jasmin. Na verdade, eles só pareciam as lindíssimas flores de que usavam os nomes. A Rainha-Mãe andava intrigada com as frequentes ausências do filho e tanto fez que conseguiu que ele se deixasse acompanhar por um pagem, prèviamente industriado para tudo espiar. Quando soube da existência da Princesa e dos três meninos, encheu-se de fúria e jurou que se vingaria de quem lhe tirara a amizade do filho. Não se lembrava, aquela maldosa, que a nora nenhuma culpa tinha, e se o jovem monarca não tivesse casado com ela decerto esposaria outra Princesa. Uma vez teve o Rei que ir fazer uma pequena viagem e perguntou à esposa o que desejava que lhe trouxesse. — Olha — disse ela — gostava de ter uma saia de esquilhas de ouro, como me disseste que se usam agora. O Rei foi, comprou uma lindíssima saia toda coberta de esquilhas de ouro, de maneira que ao andar fazia um barulho muito engraçado, e mandou-a à esposa, que ficou contentíssima. Quando ele já estava para se dirigir ao castelo começou a velha Rainha a gritar que se sentia muito doente e a pedir-lhe que não a deixasse, senão que morria. O Rei, apesar das grandes saudades que tinha da mulher e dos filhos, não se atrevia a deixá-la. Assim se passaram oito dias e já ele andava tão triste que não fazia senão suspirar, dizendo amiúde: — Ai de mim, Cravo, Rosa e Jasmim! Ela ficou ainda mais furiosa por ver confirmadas as informações do pagem. Mandou-o chamar, para que fosse ao castelo e dissesse à Rainha nova que o marido estava doente e desejava muito ver o menino Cravo. O pagem foi, e como era lá conhecido por acompanhar o Rei confiadamente lhe entregaram a criança, que ele às escondidas foi levar à Rainha-Mãe. Era tão bonito e esperto que, se ela não fosse uma grande malvada, ficaria morrendo pelo netinho. Mas não foi assim; chamou a cozinheira e entregando-lhe o menino disse, com um modo que não admitia réplicas: — Vai matar essa criança e ensopa-ma para o jantar. O pequenino Cravo pediu à mulher que não o matasse, porque tinha muita pena de deixar os pais e irmãos. A criada teve tanta pena que, em lugar de fazer o que a ama lhe mandara, tratou de arranjar um leitão que matou e cozinhou o melhor possível, mandando-o para a mesa, dizendo que era o menino Cravo, e levou a criança para sua casa, escondendo-o muito bem escondido. O Rei não podia comer, tamanha era a sua tristeza, e a mãe oferecia-lhe o guisado que imaginava ser o neto, dizendo: — Come, come, que teu é! O Rei continuava suspirando e mesmo em sonhos não fazia senão dizer: — Ai de mim, Cravo, Rosa e Jasmim! E a Rainha velha, cada vez mais furiosa, tornou a mandar o pagem para trazer a menina Rosa. Veio a criança, que ainda era mais linda do que o irmão, e foi entregue à cozinheira para que a matasse e guisasse para o jantar. A boa criatura, em vez de fazer tal, arranjou um cabritinho que mandou para a mesa, guardando a menina junto do irmão. A maldita da Rainha não fazia senão dizer para o filho: — Come, come, que teu é! Ele é que não tocava em alimento algum e dia a dia se tornava mais triste. Pela terceira vez a malvada Rainha o ouviu dizer entre suspiros: — Ai de mim, Cravo, Rosa e Jasmim! E, verdadeiramente furiosa, mandou o pagem buscar o menino Jasmim, que tinha apenas um ano. Veio a criancinha, tão linda como um anjo, e a Rainha Ogre sem piedade logo a entregou à cozinheira, para que a fizesse para o jantar. Ela, já se vê, levou-a para junto dos outros dois e apurou-se num manjar de carninha tenra que mandou para a mesa. — Come, come, que teu é! — dizia a velha Rainha ao filho. Mas o pobre do Rei é que não pôde tocar em coisa alguma e, doente de verdadeiras saudades, recolheu-se à cama. Não satisfeita com o mal que já tinha feito, mandou o pagem ao castelo para chamar a nora, dizendo que o Rei estava muito doente e desejava vê-la, e ela, sabendo já tudo, a queria receber como filha. A pobre Princesa, que não comia nem dormia ralada de saudades e cuidados pelo marido e pelos filhos, tratou de vestir a sua nova saia de esquilhas de ouro e partiu na companhia do pagem. Por ordem da velha Rainha entraram por uma porta falsa que dava para um escuro corredor. A sogra, que a esperava ali escondida e com os olhos a luzir como os dos lobos, mal a sentiu entrar deitou-se a ela para a matar e mesmo crua a queria comer. Quando a Princesa sentiu as unhas da velha bruxa no pescoço começou a lutar para se defender, e quanto mais lutava mais as esquilhas de ouro da saia tocavam umas nas outras, fazendo ruído. O jovem Rei, ouvindo aquela guizalhada, lembrou-se da sua querida mulher e doente como estava se levantou da cama para saber o que era. Ficou cheio de horror vendo a própria mãe a querer devorar a sua amada esposa, mas teve forças para lha tirar das mãos. Com mil cuidados reanimou a menina, que estava quase morta. Mal voltou a si perguntou pelos filhos, que o pagem tinha ido buscar em nome do pai. E o Rei, que viu que andava ali traição, começou a gritar, dizendo: — Ai de mim, Cravo, Rosa e Jasmim! Ai de mim, Cravo, Rosa e Jasmim! Este caso ràpidamente se espalhou pelo palácio, correndo de boca em boca, até chegar aos ouvidos da cozinheira. A boa mulher correu a casa e com grande alvoroço foi entregar aos pais as três criancinhas, que à força de habilidade tinha furtado ao apetite depravado da Rainha Ogre. Esta, tão desesperada ficou de ver que o filho descobrira a sua infame intriga, que pelas próprias mãos deu fim aos seus miseráveis dias, não deixando saudades, nem mesmo ao filho. O pagem infiel, logo posto a ferros, como grande criminoso que era, nunca mais viu a luz do dia; enquanto a boa cozinheira, cumulada de favores e presentes, chegou a ser uma grande dama da corte. O Rei dali em diante foi o mais venturoso dos homens, na companhia da linda Rainha, que escolhera por seu amor, e dos filhos. Como era justo e bom, foi também o mais estimado dos governantes, levando o seu povo às maiores prosperidades e glórias. [[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História da Princesa adormecida ou das treze fadas]] 7x8hav7wk1rq8z2en6cndxxb6p539v5