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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|306|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude><noinclude>{{lang|es|</noinclude>ha tenido en un asunto tan grave como este, e que Usted ha sabido manejar con tanta descripcion y honor, asi como las gracias por haberen repartido conmigo de la immortal gloria que se han adquerido en ser los primeiros que en este nuebo emisferio han rendido el debido homenaje a la Legitima Autoridad, que la Providencia ha tenido a bien guardar para gobernar sugetos tan respetables por sus talentos y amabilidad como lo son Ustedes}}”.
Tão ductil devia ser o seu espirito italiano, que entretinha Contucci relações com o proprio Liniers, que elle sabia perfeitamente ser hostil a Dona Carlota, a quem buscaria attrahir á ''justa causa'' e sobre quem escrevia a Linhares: <ref>Carta de 4 de Novembro de 1809, ''ibidem''</ref> “{{lang|en|El Virey ha jurado gritando, que haria degollar em medio de la plaza al primero que ablase de esa Senorita, (S. A. R. la Princesa N. S.) Tiene sus espias, que predican en favor del malo plan de Gobierno, en que hablé a V. E. los dias pasados; mas creo que nada conceguirá, porque el partido por N. A. R. la Princeza N. S. es grande, e entran en el las personas mas ilustradas de estos Reinos}}”.
Para bem avaliar a importancia de todas estas multiplas intrigas, concertadas umas e outras desconchavadas, é mister conservar sempre em mente o que concordam em observar os differentes historiadores que superiormente se occuparam de semelhante phase da gestação sociologica da nacionalidade argentina: a saber, que a idéia da independencia não surgiu immediatamente nem do episodio quasi romantico da reconquista de Buenos-Ayres, occupada pelas tropas inglezas do General Whitelocke, nem mesmo dos primeiros conflictos entre Europeus e ''Creoulos'', entre partidarios extremados de Fernando VII e amigos da Junta de<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|307}}</noinclude>governo nacional, pois que as juntas locaes, productos da fermentação popular, se tinham ido extendendo ao ultramar.
E’ de ver que a principio os lances da epopéa se desenrolaram ás escuras, longe e muito na ignorancia do que realmente se estava passando na Peninsula, lembrando a Paul Groussac, pelo cahir cego e inconsciente da pancadaria, a aventura de D. Quixote e Sancho Pança na venda, quando “{{lang|es|al ventero se le apagó el candil}}”. O que entretanto já existia—e com isto não contava Napoleão, quando por uns momentos dispensou sua attenção ao Rio da Prata, mandando Sassenay a seduzir Liniers; nem contava D. Rodrigo de Souza Coutinho quando, por julgar fóra de duvida a completa sujeição da monarchia hespanhola á França, remetteu ao Cabildo de Buenos Ayres a sua carta comminatoria de submissão; nem contava a Princeza do Brazil quando pretendeu impor-se á lealdade dynastica das populações hispano-americanas—era um vigoroso sentimento de altaneria e pundonor entre essas nações em embryão. Ameaças não surtiam facilmente effeito com ellas, muito pelo contrario; tanto que além da resposta irritada logo dirigida pelo Cabildo a D. Rodrigo, se pensou então em Buenos-Ayres n’uma invasão do Rio Grande por forças de Montevidéo, como retaliação da affronta recebida. <ref>P. Groussac, ''Biografia de Santiago Liniers'', Tomo III dos ''Anales de la Biblioteca, Publicacion de documentos relativos al Rio de la Plata''. Buenos Ayres, 1904.</ref>
Foi mesmo em virtude de attitude semelhante, com que foi colhido de surpreza, não a esperando em vista da limitação de recursos da colonia e das difficuldades extremas por que estava atravessando a Hespanha, que D. Rodrigo transitou para caminho menos directo e se decidiu a coadjuvar a<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|308|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Princeza Dona Carlota. Procurou em todo caso o ministro portuguez meios sinuosos de fazer vingar os apregoados direitos de sua Ama, com os quaes lhe convinha especular, reservando para melhor opportunidade o proseguir no seu verdadeiro projecto, que era o de uma annexação pura e simples. Assim encarou o gabinete do Rio a idéia de ir ao Rio da Prata, em vez de Dona Carlota, o Infante Dom Pedro Carlos, munido dos plenos poderes de sua tia para o fim de alli estabelecer uma regencia, evitando d’este modo o movimento revolucionario que se dizia e de facto se achava imminente. <ref>Commumicação de D. Rodrigo de Souza Coutinho a Sir Sidney Smith em 30 de Novembro de 1808, nos Livros de Registro da Secretaria dos Negocios Estrangeiros.</ref>
Sir Sidney Smith, muito mais sincero do que Linhares em todo este negocio, porquanto o instigava de preferencia a preoccupação dos interesses pessoaes da Princeza do Brazil, foi quem nunca cessou de influir para a presença da propria Dona Carlota no Rio da Prata, na certeza de que sómente por esta forma se lograria aproveitar para tal fim dynastico a separação que se ensaiava n’aquella colonia, ainda sob color de manter a união com o Rei legitimo. Em Buenos-Ayres entrou a breve trecho a funccionar uma Junta, consentida pelo vice-rei Cisneros e que se acobertava com o nome do monarcha desthronado, exactamente como a que em Montevidéo organizara o governador D. Javier Elio afim de se subtrahir á supremacia moribunda dos vice-reis e livrar a sua praça do delirio da rebellião.
Dona Carlota comprehendeu sem esforço que a consequencia mais do que provavel da formação da Junta de Buenos Ayres, dada a sua attitude, seria a independencia pla-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|309}}</noinclude>tina, e por isso, com a annuencia desconfiada e paulatina do Principe Regente e até quanto lh’o permittiam seus minguados recursos, tratou de soccorrer a praça de Montevidéo, baluarte da legitimidade e dos seus direitos, d’esta derivados. Fel-o quer com armas, quer com um prelo e typos destacados da Impressão Regia afim de se habilitarem os realistas a responder com artigos de jornaes ás catilinarias demagogicas editadas da outra banda do Prata. <ref>Escrevendo a Contucci a 12 de Setembro de 1810, referia o Secretario Presas ácerca da remessa do prelo e typos: “{{lang|es|Ya havia visto vencido el imposible de la imprenta la que logra de nuestro amigo el Exm. Snr. Conde Linhares mediante todo el poderoso empeño de mi Ama y Snra. quien la pidio al Principe de un modo que no se la pudo negar.}}” E ajuntava cynicamente o philosopho: “{{lang|es|Todo peno de mi Ama Snra. quien la pidio al Principe de un modo que Rel. Ext.}})</ref>
As previsões de Dona Carlota muito depressa se tinham realizado. Em 1810 mesmo declarou-se Buenos Ayres independente e deliberou invadir e sujeitar a Banda Oriental, fazendo com talar seus campos, surgir a figura sanguinaria do caudilho patriota Artigas, a um tempo sublevado contra a Junta de Buenos Ayres e contra os commandantes da praça leal. A situação transformou-se então por completo num verdadeiro ''embroglio''. O Principe Regente, no seu desejo de mostrar então acceder sempre aos conselhos britannicos, promettera a lord Strangford não mais intrometter-se nos negocios do Rio da Prata, deixando assim de por uma forma indirecta instigar a rebellião nacionalista com alimentar as dissenções locaes. A’ socapa, porém, ia sustentando os manejos da consorte e fazendo causa commum com ella, acabando até por destacar do Rio Grande do Sul, em soccorro de Montevidéo, a principio tropas auxiliares e por fim o proprio governador D. Diogo de Souza (depois Conde do Rio Pardo) á testa das forças disponiveis.
{{nop}}<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|310|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Dona Carlota tudo ensaiou ao seu alcance para combater a tentativa dos de Buenos Ayres contra a cidade fiel. Convenceu negociantes do Rio da excellencia da especulação de mandarem generos alimenticios para abastecimento da praça ameaçada e já quasi sitiada e, como Izabel a Catholica, mandou vender e rifar as joias para applicar o producto ás despezas da guerra. O essencial da defeza residia comtudo no auxilio militar portuguez.
Na idéa occulta de Dom João, a Princeza, e seus direitos, e os interesses da dynastia hespanhola, deviam todavia servir de mero disfarce, desfructando elle ao cabo o ganho certo da sua energia no intervir; si mais não fosse, com espantar o espectro da republica que teimava em perseguil-o quando elle pensava ter posto o oceano de permeio entre o seu solio e essa sombra inquietadora. Tambem a Princeza, requerendo do marido por intermedio de Linhares uma demonstração positiva de soccorro, agia tão sómente no sentido da sua conveniencia, ainda que affectando mover-se em proveito da Hespanha e dos irmãos.
Com que armas poderia aliás contar, a sofrega Dona Carlota, senão com as da duplicidade, desprovida de amizades solidas, n’um meio quasi todo hostil, tendo até tido o dissabor de ver barra fóra o seu fiel sir Sidney, a quem, em Março de 1812, foi mandado fazer companhia o confidente Presas, expulso tambem por exigencias de lord Strangford, que lobrigou no intrigante secretario um inimigo do seu governo? Com effeito, si fóra, nos dominios sobre que pretendia exercer jurisdicção, via Dona Carlota a sua candidatura de côr tradicional acolhida sem favor unanime, nem mesmo geral, havendo alguns addictos no {{Reconstruído|apoial-a|Palavra mais provável}} mas muitos<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|311}}</noinclude>apostados em contrarial-a, dentro da sua côrte mesmo contava a ardente Princeza não poucos inimigos e adversarios resolutos, impellidos uns por despeitos pessoaes e outros por preoccupações patrioticas.
D. Rodrigo de Souza Coutinho, por exemplo, nunca poderia favorecer sem reserva taes planos, quando ao que realmente visava era a aproveitar-se das difficuldades em que se debatia a monarchia hespanhola afim de arredondar o imperio portuguez pelo menos com a banda septentrional do Prata, para isto convindo-lhe, á sombra dos direitos de Dona Carlota, animar e fomentar a sizania existente no vice-reinado de Buenos Ayres desde o episodio da curta occupação ingleza, e especialmente desde a subversão dynastica em Madrid. E Dona Carlota tinha perfeita consciencia de quão pouco seguro alliado era D. Rodrigo.
Na conversação, occorrida no Rio, com o conde de Liniers, irmão de Santiago—o qual, tendo emigrado disfarçado por via de Lisboa, foi reconhecido e detido na capital brazileira, como meio da côrte portugueza entrar em melhor intelligencia com o vice-rei, cuja proclamação fôra julgada alarmante por irreconciliavel — o ministro do Principe Regente nem a mais leve referencia fez á candidatura da Princeza, então em plena actividade. Entretanto o conde de Liniers referio ''verbatim'' para Buenos Ayres a sua curiosa entrevista. <ref>{{lang|en|British Museum}}, ''Cod. cit.''</ref>
Linhares desmanchou-se em promessas e ameaças. Respondeu francamente o conde de Liniers que o irmão estava apenas disposto a manter com o governo do Rio as melhores relações, protegendo o commercio portuguez no Rio da Prata e bem assim as pessoas e propriedades dos Portugue-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|312|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>zes, mas repellindo qualquer pretenção a mudança de dominio. Não mais existir a Hespanha, como declarara D. Rodrigo, parecia-lhe uma arrojada metaphora politica, e para oppor ás forças combinadas de Portugal e Inglaterra, de que D. Rodrigo fazia alarde, possuia a colonia recursos sufficientes.
Não quiz de resto o Francez ficar atraz na jactancia. Aos Paulistas afamados, manifestou elle, não seriam seguramente inferiores na certeza da pontaria os caçadores de onças e contrabandistas platinos, dispondo Buenos Ayres, além d’esse valioso elemento irregular e da sua infantaria, artilheria e cavallaria pesada e ligeira, da importantissima contribuição de guerreiros indigenas offerecida pelos caciques dos pampas, com um contingente montado, excellente para importunar o inimigo e prival-o de abastecimentos, sob pena de serem alcançados e aprisionados seus destacamentos forrageadores. <ref>{{lang|en|British Museum}}, ''Cod. cit.''</ref>
O conde de Liniers indica Linhares como aferrado á sua idéa, apezar dos esforços que empregara para d’ella o dissuadir, fazendo-lhe sentir os perigos de uma lucta armada e, mesmo no caso de ser a solução favoravel á bandeira portugueza, a fronteira assolada, as populações annexadas rebeldes ao jugo, as cem difficuldades a compor. Nem sempre, porém, o ministro do Principe Regente fallava no mesmo tom arrogante. Punha antes o seu motivo de accordo com as circumstancias que lhe dictavam um proceder necessariamente dubio, ora parecendo auxiliar zelosamente a Princeza quando de facto a ludibriava, ora disfarçando suas intenções hostis sob palavras de paz. Por isso formalmente o incre-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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Hino do município de Guajará
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|melodia por=
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}}
<poem>
Na mais densa floresta brasileira;
Um povo muito bravo se avista;
Gente humilde persistente e guerreira;
Guajará és a nova conquista;
''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;''
''És agora um município Brasileiro;''
''Para a Glória do País abrilhantar!''
Juruá é que te banha óh formosa;
Terra farta de riquezas naturais;
Abençoada pelo Santo Padroeiro;
Segue em frente Guajará com muita paz;
''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;''
''És agora um município Brasileiro;''
''Para a Glória do País abrilhantar!''
Guajará Deus te proteja todo dia;
Do inimigo voraz destruidor;
E que sejas para pátria Brasileira;
Belo hino de nobreza e Amor;
''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;''
''És agora um município Brasileiro;''
''Para a Glória do País abrilhantar!''
Do amazonas és a Terra contemplada;
Bem amada por teus filhos e turistas;
Teu perfume tem o cheiro bom da mata;
O teu verde as raízes da conquista;
''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;''
''És agora um município Brasileiro;''
''Para a Glória do País abrilhantar!''
</poem>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||EMPRESTAR ENXÊRTO|{{sc|74}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L447234|Doutor.]]''' Conc. ''dotôr''. Term. vern. ''xāstrí''; ''raiz''. — ? Mal. ''dogtor'', que Fabre deriva do português. — Bug. ''dórtorō'', que Matthes deriva do hol. ''dokter''. — Tet., Gal. ''dótôr'', médico. Term. vern. ''badain''.
'''[[:d:Lexeme:L448455|Doutrina]]''' (cristã). Conc. ''dotín'', ''dotôn''. — Tet., Gal. ''dotrina''.
'''[[:d:Lexeme:|Durar.]]''' Conc. ''durár-zāvunk''. Termo vern. ''tagunk'', ''zagunk'', ''urunk''. — Mal. ''durar''. «''Durare'', ''peculiare nullum habet verbum''». Haex. — Tet., Gal. ''dúra'' (tambêm «duração»). Term. vern. ''kléur''.
'''[[:d:Lexeme:|Dúzia.]]''' Conc. ''dúz''. — Tet., Gal. ''dúzi'', ''dúsi''.
{{center|{{larger|E}}}}
'''[[:d:Lexeme:L1119015|Elefante.]]''' Conc. ''elephánt'', pano cru ou patente. — ? Nic. ''lifanta''. — ? Malg. ''elifanta''.
Tambêm no português de Goa se chama «elefante» ao pano patente. Parece que o nome provêm da estampa do elefante, que é a marca mais generalizada, havendo outras com camelo e veado.
É possível que o étimo do vocábulo nicobarês seja o ingl. ''elephant'', como sugere Man.
'''[[:d:Lexeme:|Empatar.]]''' Conc. ''empātár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''bád karunk'' ou ''divunk''. — Tet. ''empáta''. Term. vern. ''hatáu''.
'''[[:d:Lexeme:L1248947|Emplastro.]]''' Conc. ''emprás''. Term. vern. ''lêp''. — ? Tel. ''palástaru''. — ? Can. ''palástar''. Provávelmente do ingl. ''plaster''. — Malg. ''empelastra''.
'''[[:d:Lexeme:|Emprêgo.]]''' Conc. ''emprêg''. Term. vern. ''tsākrí''. — Tet. ''emprêgu''. Term. vern. ''lákon''.
'''[[:d:Lexeme:L669978|Emprestar.]]''' Conc. ''emprestár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''uxṇó divunk''. — Mal. ''impústa''. — Tet. ''emprésta''.
'''[[:d:Lexeme:|Enganar.]]''' Mal. ''enganar'' (Haex). Term. vern. ''típu''.
'''[[:d:Lexeme:|Engenho.]]''' Mal. ''inginio'' («tochlea in altum quid levare», moitão, roldana. Haex). — Mol. ''ingeniyo''<ref>«Tinha pomares, ortas, palmeiras com poços para regar, que se tira agoa delles com engenho de bois». ''Comment. de Afonso de Albuquerque'', I, cap. 24.</ref>.
O achinês tem ''énjin'', do ingl. ''engine''.
'''[[:d:Lexeme:L674370|Então.]]''' Mal. ''entaon'' (Haex). — Tet. ''antã''. Term. vern. ''aló'', ''bá-sá''.
'''[[:d:Lexeme:|Entendimento.]]''' Mal. ''entendimento'' (Haex).
'''[[:d:Lexeme:L669980|Entregar.]]''' Conc. ''entregár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''divunk'', ''samarpunk''. — Mal. ''entregar'' (Haex). — Tet. ''entréga''. Term. vern. ''sára'', ''lólo''.
'''[[:d:Lexeme:|Entrudo.]]''' Conc. ''intrúd''. — Beng. ''entrudú''. — Tet. ''entrúdu''.
'''[[:d:Lexeme:|? Enxêrto]]''' («árvore de mangueira
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|75}}|ESCÔVA ESPERANÇA|}}</noinclude>de enxêrto»). Conc. ''isáḍ'', ''ixeḍ''. — Mar. ''isáḍ'', ''isāḍá''.
Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''īshā'', «temão do carro ou do arado». Em concani tambêm se emprega ''gárph'' (port. ''garfo'') por «renovo e mangueira de enxêrto».
'''[[:d:Lexeme:|Era]]''' (cristã). Mak. ''héra''.
'''[[:d:Lexeme:|Ermida.]]''' Conc. ''irmít''. — Tet. ''ermida''.
'''[[:d:Lexeme:|Ervilha.]]''' Conc. ''virvíl''. — Tet. ''ervilha''.
'''[[:d:Lexeme:|Escada.]]''' Conc. ''iskád''. Term. vern. ''xiḍí'' (p. us.), ''nisaṇ'' (escada móvel). — L.-Hindust. ''ískát''.
'''[[:d:Lexeme:|Escaler.]]''' Conc., Tet. ''iskalér''.
'''[[:d:Lexeme:|Escândalo.]]''' Conc. ''eskánd''. — Tet. ''iskandálu''.
'''[[:d:Lexeme:L477309|Escola.]]''' Conc. ''iskól''. Term. vern. ''sáḷ'', ''pāṭhsáḷ'', ''vidyāsáḷ''. — Sing. ''skólaya'', ''iskóle''. Term. vern. ''pāthaxāláva'', ''aksharaxāḷáva'', ''akaru-maḍuva''. ''Skólayê sahakáriya'', condiscípulo. — Tam. ''iskolei''. — Mal. ''skola'', ''sakola'', ''sekola''. ''Sekula'' (Favre) mostra a influência do hol. ou do ingl. ''school''. — Sund. ''iskola''. — Jav. ''skólah'' (''h'', para se conservar o som do ''a'', que aliás se tornaria ''ô''), ir à escola. ''Nyekolahakê'', ''nyekolahaken'' (verbo causativo), mandar à escola. — Mad. ''sekólô''. — Tet., Gal. ''escola''. Term. vern. ''anôri''.
'''[[:d:Lexeme:|Escolta.]]''' Conc. ''eskolt''. Term. vern. ''valāvó'', ''balāvó''. — Tet., Gal. ''eskolta''.
'''[[:d:Lexeme:L448497|Escôva.]]''' Conc. ''eskôv''. — Tet., Gal. ''eskôva''.
'''[[:d:Lexeme:L669433|Escritório]]''' («móvel»). Guj. ''iskotarô''.
'''[[:d:Lexeme:|Escrivão.]]''' Conc. ''iskrivámv'' (especialmente o das comunidades agrícolas), ''sikirámv'' (forma popular). Term. vern. ''xeṇay'', ''kārkúṇ'', ''xrīkarṇí''. — Tam. ''iskiriván'', escrivão da irmandade. — Indo-ingl. ''scrivan'' (obsol.). — Tet., Gal. ''eskriván''. — Jap. ''ishikiriban'' (obsol.).
'''[[:d:Lexeme:|Esmola.]]''' Conc. ''izmól'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''bhík'', ''dharm''. — Beng. ''ejmolá''. — Mal. ''ismola'' (Haex), ''samola''. — Tet., Gal. ''esmola''.
'''[[:d:Lexeme:L580338|Espada.]]''' Conc. ''ispád''. Term. vern. ''tarvár'', ''khaḍg''. — Hindi, Hindust., Beng., Panj. (tambêm ''aspát'') ''ispát'', aço. — Mal. ''spada'' (Haex). Term. vern. ''pedang'', ''sudang''. — Mak. ''sapada''. — Ár. ''spáda''. — Rab. ''espáthe''.
'''[[:d:Lexeme:|Espadilha.]]''' Conc. ''espādílh''. — Mak., Bug. ''sapadila''. Vid. ''az''.
'''[[:d:Lexeme:|Espera.]]''' Mal. ''spera'' («machinae ignivomae», Haex). — Mol. ''espera'', «peça de artilharia, da antiga espera (palavra do malaio das Molucas)», Castro)<ref>«Lhe atirarão algumas '''esperas''', cujos pilouros derão por derredor da Fusta». Diogo do Couto, Déc. V, III, 6. «Erão três basiliscos, seis '''esperas''', que encarregou a Berau Baxá». ''Id''., 7.</ref>.
'''[[:d:Lexeme:L662547|Esperança.]]''' Conc. ''esperams'' (p. us.). Term. vern. ''bharvāmsó''. — Jap. ''superansa'' (obsol.).
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||ESTALA ESTIRAR|{{sc|76}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Esperto.]]''' Conc. ''expért''. Term. vern. ''huxár'', ''xiḍúk'', ''tsatur''. — Tet. ''espértu''. — Term. vern. ''matének'', ''badain''.
'''[[:d:Lexeme:|Espingarda.]]''' Mal. ''espingarda'' (Haex), ''istingarda''. Term. vern. ''térkul''. ''Bedil-espingarda'' (Haex), bombarda.
'''[[:d:Lexeme:L500853|Espírito.]]''' Sing. ''sprítuva''. Term. vern. ''átmaya'', ''práṇaya''. — Tet. ''ispirítu''. Term. vern. ''klámar''. — Gal. ''ispirítu''. Term. vern. ''mánar''.
'''[[:d:Lexeme:|Espírito Santo.]]''' Conc. ''Sprít Sánt''. — Beng. ''Spiritú Sāntú''. — Tam., Tel., Can. ''Spíritu Sántu''. — Ann. ''Chúa xi-phiritô''.
'''[[:d:Lexeme:|Espoleta.]]''' Conc. ''ispilêt''. — Tet., Gal. ''espoleta''.
'''[[:d:Lexeme:|Esponja.]]''' Conc. ''esponj''. — Hindi ''ispanj''. — Hindust. ''ispanj'', ''isfanj''. — Beng. ''spanj''. — Malayál. ''spoñu''. — Tel. ''spanji''. — Can. ''spanju''. — Ár. ''espinkh'', ''esfinkh'', ''isfonkh'', ''isfankh'', ''safankh'', ''sifankh'', ''sufankh''.
De origem grega.
'''[[:d:Lexeme:|Essa.]]''' Conc. ''es''. Term. vern. ''gar'' (não usado pelos cristãos). — Tet., Gal. ''esa''.
'''[[:d:Lexeme:L500009|Estado.]]''' Conc. ''estád''. — Term. vern. ''gat'', ''bhex''; ''dabāzó''. — Mar. ''istád'', alfaia. — ? Tel. ''istuva'', ''istuvu'', bens. — Tet. ''estádu'', govêrno.
Molesworth e Wilson derivam ''istád'' do ár. ''isti'dád'', «capacidade, aptidão»; mas não explicam porque só o marata o adoptou.
'''[[:d:Lexeme:|? Estala.]]''' Sing. ''stálaya'', ''istálaya'', ''istále''. — Sund. ''istal''.
Tambêm no crioulo de Ceilão, ''stella'', ''stal''. Provávelmente do hol. ''stal''.
'''[[:d:Lexeme:|Estante.]]''' Conc. ''estánt''. — Beng. ''stāntí''. — Tam. ''stántei''.
'''[[:d:Lexeme:|Esticar.]]''' Sing. ''istrĭkaya'', ''istirĭkaya'', ''strĭkaya'' (subst.), ferro de engomar. ''Istirikayen madinavā'', correr a ferro. — Mal. ''istríka'', ferro; passar a ferro. — Tet., Gal. ''estríka'', correr a ferro, engomar.
Tambêm o crioulo malaio tem ''estika''. Vid. ''estirar''.
'''[[:d:Lexeme:|Estingue]]''' (naut.). L.-Hindust. ''istingí''. ''Istingí chāmpná'', recolher as velas.
'''[[:d:Lexeme:L700213|Estirar.]]''' Mar. ''istrí'' (subst.), ferro de engomar; acção de passar a ferro. ''Istrí karṇem'', passar a ferro. — Guj. ''istrí'', ''astrí'', ''astarí'' (subst. e verb.), ferro; passar a ferro. — Hindi, Hindust., Or., Beng., Ass., Panj., Malayál., Khas. ''istrí'', ferro. — Sindh. ''isitirí'', ferro. — Tel. ''istiri'', acção de passar a ferro. — Can., Tul. ''istri'', passar a ferro.
Swettenham diz que o mal. ''istríka'' vem do hindustani e significa literalmente «trabalho de mulher». Mas nem o hindustani tem ''istríka'', nem ''strīka'', em sânscrito, significa «trabalho de mulher»; mas no fim do composto possessivo (''bahuvrīhi'') quer dizer «acompanhado de mulher, o que tem mulher, casado». ''Strīkāryam'' é que designa «trabalho, ofício de mulher»; não pode, porêm, ser o étimo de ''istríka'', porque é muito genérico, e porque o serviço de lavar roupa pro-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rule}}
{{rh|||{{smaller|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”: tradução e análise do mito mesopotâmico ''Etana''}}}}</noinclude>filha deu à luz, o rei, que temia que a profecia se cumprisse, mandou atirar o bebé da
acrópole. Mas “indeed the eagle, seeing most keenly the childʼs descent in midair,
before the infant was dashed against the ground, swooped underneath it and threw
its back beneath it, and it carries it to a garden (...) And he is called Gilgamos”<ref>SMITH — Gilgamos in Rome, p. 331.''</ref>.
{{dhr}}
{{left|'''c) A inviolabilidade do juramento e a intervenção de Šamaš'''}}
{{dhr}}
Como refere Winitzer<ref>Etana in Eden, p. 447.</ref>, no sistema religioso mesopotâmico, Šamaš equivale a um juiz cósmico. É desta forma que ele se comporta na narrativa em análise. É
perante o deus da justiça que a águia e a serpente realizam o juramento solene. Este
compromisso previa, tal como os demais efetuados na terra entre os rios, que, acaso
houvesse uma transgressão, “a armadilha e a maldição de Šamaš a dominem e [capturem]!” (tab. II, 1. 22). Assim, quando a águia come os filhos da serpente, Šamaš<ref>Em contos mais tardios, porventura inspirados em ''Etana'', o papel de Šamaš é transferido para Zeus. Veja-se o poema do
grego Arquíloco (séc. VII a.C.) a propósito de uma águia e de uma raposa (CURRIE — Etana in Greece, p. 128).</ref>
entra em ação, tecendo um plano para que a sua maldição se abata sobre ela. O castigo pela violação do juramento é decisivo e corresponde a um volte-face na trama.
É a dureza da decisão do deus sol — arrancar as suas asas, privá-la da capacidade de
voar, condenar a ave a uma não-vida num buraco escuro que relembra o mundo
tenebroso e poeirento dos mortos — que impele os intervenientes na narrativa a
consciencializarem-se dos seus atos e a adotarem um comportamento destoante
daquele que haviam tido até então. Antes ainda de o castigo ser efetivado, a águia
suplica clemência à serpente. Mas esta questiona “Se te libertasse, como responderia
eu ao eminente Šamaš? / A tua punição voltar-se-ia contra mim” (tab. II, ls. 117.
118). O juramento é um ato sagrado, cuja infração não tem, nem merece, à partida,
perdão. Šamaš ordena à serpente que siga as suas ordens no sentido de ferir a sua
atacante. Como as linhas em destaque deixam transparecer, a serpente compreende
que, assim que a instrução é proferida pela divindade, fica automaticamente implicada na aplicação pena. Não há volta atrás.
Mas Utu/Šamaš é muito mais do que simples deus da justiça. Tal como Enki/Ea, ele aparece frequentemente na literatura mitopoética como um deus que se coloca a favor da humanidade. Šamaš estende amiúde a mão a outras personagens numa atitude claramente salvifica. Afinal, o sol confere lucidez e transparência, mas tem igualmente um poder curativo e benfazejo. O sol dá vida. Assim, os mesopotâmios podiam ter a certeza de que “shining Šamaš, he will grasp your hand in time of peril”<ref>''Epopeia de Gilgameš, versão paleobabilónica. GEORGE — ''The Epic of Gilgamesh'', p. 119.</ref>. A omnipresença divina implicava que a divindade estivesse disponível<noinclude>{{rule}}
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[[Categoria:A dança do destino| ]]
[[Categoria:Lutegarda Guimarães de Caires]]
[[Categoria:obras publicadas em 1913]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|lucta contra o impossivel}}|CAPITULO XIX}}
{{dhr|4}}
Por largo espaça, Barbicane e os seus companheiros contemplaram mudos e pensativos aquelle mundo que apenas de longe
tinham visto, como Moysés a Terra de Chanaan, e de que se
iam afastando, sem esperança de voltar.
A posiçāo do projectil em relaçāo á Lua soffrera alteraçāo.
Agora, estava o fundo da bala voltado para a Terra.
Barbicane, que verificára esta mudança, nāo deixou de ficar
com ella surprehendido. Effectivamente, se a bala tinha de gravitar em volta do satellite segundo uma orbita elliptica, por que
rasāo nāo voltaria para elle a parte mais pesada, como acontece á Lua para com a Terra? O caso era obscuro.
Observando a marcha do projectil, podia reconhecer-se que
este seguia, ao afastar-se da Lua, uma curva analoga á que descrevêra quando se aproximava do astro. Por consequencia descrevia uma ellipse muito alongada, que provavelmente se estendia até ao ponto de ignal attracçāo, que é aquelle em que se
neutralisam as influencias da Terra e do seu satellite.
Tal foi a conclusāo que Barbicane fundadamente tirou dos fa-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|184|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ctos observados, com convicçāo que os dois amigos com elle
partilhavam.
Inmediatamente começou um chuveiro de perguntas.
— E quando lá chegarmos, a esse ponto neutro, o que nos
succederá? perguntou Miguel Ardan.
— O ignoto! respondeu Barbicane.
— Mas sempre se podem fazer hypotheses, supponho eu?
— Sim, duas, respondeu Barbicane. Ou a velocidade do projectil será insufficiente, e nʼesse caso permanecerá este eternamente immovel sobre essa linha de dupla attracçāo...
— Gosto mais da outra, seja qual for, replicou Miguel.
— Ou a sua velocidade será bastante, proseguin Barbicane,
e entāo começará a percorrer a sua orbita elliptica para nʼella
gravitar eternamente á roda do astro das noites.
— Revoluçāo aliás pouco consoladora, acudiu Miguel. Passar
ao estado de humildes creados de uma Lua que estamos costumados a considerar creada nossa! Bonito futuro nos espera!
Nem Barbicane nem Nicholl responderam.
— Entāo calaes-vos? continuou o impaciente Miguel.
— É que nāo ha que responder, disse Nicholl.
— Pois nāo serà possivel tentar alguma cousa?
— Nada, respondeu Barbicane. Acaso pretendes luctar contra o impossivel?
— E porque nāo? Pois um francez e dois americanos haviam
de recuar perante tal palavra?
— Mas que queres tu fazer?
— Dominar o movimento que nos arrasta!
— Dominal-o?
— Sim, proseguiu Miguel enthusiasmando-se, dominal-o, alteral-o, modifical-o, finalmente aproveital-o para a realisaçāo
dos nossos projectos.
— Mas como ?
— Isso agora nāo é commigo, é comvosco. Artilheiros que
nāo sāo senhores das balas que atiram, nāo merecem o nome
de artilheiros. Se o projectil é que manda no artilheiro, metta-se o artilheiro dentro da peça em logar do projectil! Bonites<noinclude></noinclude>
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Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/193
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|185|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>sabios, na verdade! Vejam como elles nem sabem o que hāo
de fazer, e isto sendo elles que me induziram...
— Que te induziram... exclamaram Barbicane e Nicholl.
Que te induziram! Que entendes tu por essas palavras?
— Deixemo-nos de recriminaçōes! disse Miguel. Eu cá nāo
me queixo! O passeio agrada-me! A bala convem-me! Mas façamos tudo o que for humanamente possivel para ir dar a alguma parte, já que nāo podemos ir dar á Lua.
— Isso e o que nós desejamos é tudo o mesmo, meu caro
Miguel, respondeu Barbicane, mas os meios é que nos faltam-
— Entāo nāo podemos modificar o movimento do projectil?
— Nāo.
— Nem diminuir-lhe a velocidade?
— Tambem nāo.
— Nem mesmo alliviando-o, como se alliviam os navios que
tèem carga de mais?
— E que queres tu deitar fóra? Lastro nāo o ha a bordo.
De mais a mais parece-me que o projectil, se o alliviassemos,
ainda caminharia mais depressa.
— Menos, disse Miguel.
— Mais, replicou Nicholl.
— Nem mais nem menos, respondeu Barbicane, pondo os
dois amigos de accordo, porque vogámos no vasio, e, portanto,
nāo ha a attender ao peso especifico.
— Á vista dʼisso, exclamou Miguel em tom de resoluçāo, nāo
ha senāo uma cousa a fazer.
— Qual? perguntou Nicholl.
— Almoçar! respondeu imperturbavel o audacioso francez,
que, nas mais difficeis conjecturas, lembrava sempre esta sóluçāo.
O caso era que, se tal operaçāo nāo podia ter a menor influencia sobre a direcçāo do projectil, pelo lado do estomago
podia tentar-se sem inconveniente e até com bom exito. Decididamente o nosso Miguel nāo tinha senāo boas idéas.
Almoçou-se por consequencia ás duas horas da manhā; a
hora, porém, pouco importava. Miguel serviu o costumado ''menu'',<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|Tholomyès sente-se tam alegre que canta uma<br/>cançāo hespanhola.}}|IV}}
{{dhr|5}}
Aquelle dia era todo aurora. A natureza parecía estar
em férias e a rir-se. Os jardins de Saint-Cloud trescalavam perfumes; a viraçāo do Sena agitava vagamente as
folhas; os galhos gesticulavam com o impulso do vento;
as abelhas subtrahiam os jasmins ; uma infinidade de
borboletas pousavam nas achilléas, nos trevos e nas plantaçōes de avèa; havia no augusto parque do rei de França um enxame de vagabundos, os passarinhos.
Os quatro ledos pares, rodeados de luz, de campos, de
flores, de arvores, resplandeciam.
E, nessa communidade de paraiso, fallando, cantando,
correndo, dansando, caçando borboletas, colhendo trepadeiras, molhando na densa relva as meias de roseas
malhas, frescas, doudejantes, sem o menor bocadinho
de fel, iam todas recebendo de vez em quando os beijos
dos seus companheiros, todas, á excepçāo de Fantina
absorta na sua vaga resistencia meditativa e severa, e
que amava.— Andas sempre com um ar tam nāo sei como, dizia-lhe Favorita.
Taes sāo as verdadeiras alegrias. Os pares ditosos<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|169}}</noinclude>que assim vemos passar são como que um irresistivel
convite da parte da vida e da natureza, e fazem sahir
de tudo caricias e luz. Houve uma vez uma fada que lez
as campinas e as arvores expressamente para os que amam. Eis o motivo da eterna predilecção dos amantes
pelos prazeres que se fruem no campo, predilecção que
durará emquanto houver prados e amantes. Eis o mofivo da popularidade da primavera entre os pensadores.
O patricio e o amolador ambulante, o duque e par e o
obscuro beca, a gente da côrte e a gente da cidade,
como outrʼora se dizia, todos concorrem a essa festa.
Riem-se, procuram-se, ha no ar un clarão dʼapotheose,
como o amar transfigura! Os escreventes de tabellião
são deoses. E os gritosinhos, as carreiras atrás um do
outro por cima da relva, o corpo em que se agarra no
meio da corrida, as girias que são melodias, as adorações que se manifestam no modo por que se diz uma
syllaba, as cerejas que uma boca arranca de outra boca,
tudo isto fulgura e passa envolto em esplendores celestes. As moças formosas desbaratam docemente a propria individualidade. Crêm que nunca lhe chegarão ao
fim. Os philosophos, os poetas, os pintores contemplam
estes extasis, e, de tam deslumbrados que ficam, não sabem o que fazer delles. A partida para Cythera! exclama Watteau ; Lancret, o pintor das classes medias, contempla os seus burguezes mergulhados no azul do espaço; Diderot estende os braços para todos estes amores, e d Urfé ajunta-lhes druidas.
Depois do almoço os quatro pares tinham ido ver, no
que se chamava então ''o quadrado do rei'', uma planta
chegada recentemente da India, cujo nome não temos
presente neste momento, e a qual nessa epoca attrahia
Pariz em pezo a Saint-Cloud: era um singular e lindo
arbusto de tronco alto, cujos innumeraveis ramos finos
como cordeis, ericados, sem folhas, estavam cobertos de
um milhão de rosinhas brancas; o que dava ao arbusto
o aspecto de uma cabelleira apolvilhada de flores. Havia sempre gente inmensa a admira-lo.
Visto o arbusto, Tholomyès exclamara: Eu pago os
jumentos e, ajustado o preço com o alugador dos animaes, tinham voltado por Vanvres e Issy. Em Issy, novo
divertimento. O parque, bem nacional, possuido nessa
época pelo fornecedor Bourgouin, estava por acaso a-<noinclude>{{left|{{gap}}{{gap}}22}}</noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|169}}</noinclude>que assim vemos passar são como que um irresistivel
convite da parte da vida e da natureza, e fazem sahir
de tudo caricias e luz. Houve uma vez uma fada que lez
as campinas e as arvores expressamente para os que amam. Eis o motivo da eterna predilecção dos amantes
pelos prazeres que se fruem no campo, predilecção que
durará emquanto houver prados e amantes. Eis o mofivo da popularidade da primavera entre os pensadores.
O patricio e o amolador ambulante, o duque e par e o
obscuro beca, a gente da côrte e a gente da cidade,
como outrʼora se dizia, todos concorrem a essa festa.
Riem-se, procuram-se, ha no ar un clarão dʼapotheose,
como o amar transfigura! Os escreventes de tabellião
são deoses. E os gritosinhos, as carreiras atrás um do
outro por cima da relva, o corpo em que se agarra no
meio da corrida, as girias que são melodias, as adorações que se manifestam no modo por que se diz uma
syllaba, as cerejas que uma boca arranca de outra boca,
tudo isto fulgura e passa envolto em esplendores celestes. As moças formosas desbaratam docemente a propria individualidade. Crêm que nunca lhe chegarão ao
fim. Os philosophos, os poetas, os pintores contemplam
estes extasis, e, de tam deslumbrados que ficam, não sabem o que fazer delles. A partida para Cythera! exclama Watteau ; Lancret, o pintor das classes medias, contempla os seus burguezes mergulhados no azul do espaço; Diderot estende os braços para todos estes amores, e d Urfé ajunta-lhes druidas.
Depois do almoço os quatro pares tinham ido ver, no
que se chamava então ''o quadrado do rei'', uma planta
chegada recentemente da India, cujo nome não temos
presente neste momento, e a qual nessa epoca attrahia
Pariz em pezo a Saint-Cloud: era um singular e lindo
arbusto de tronco alto, cujos innumeraveis ramos finos
como cordeis, ericados, sem folhas, estavam cobertos de
um milhão de rosinhas brancas; o que dava ao arbusto
o aspecto de uma cabelleira apolvilhada de flores. Havia sempre gente inmensa a admira-lo.
Visto o arbusto, Tholomyès exclamara: Eu pago os jumentos e, ajustado o preço com o alugador dos animaes, tinham voltado por Vanvres e Issy. Em Issy, novo divertimento. O parque, bem nacional, possuido nessa época pelo fornecedor Bourgouin, estava por acaso a-<noinclude>{{left|{{gap}}{{gap}}22}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|170}}</noinclude>berto. Elles haviam transposto o portão, visitado o anachoreta manequim na sua gruta, experimentado os effeitos mysteriosos do famoso gabinete dos espelhos, lasciva trapola digna de um satyro tornado milionario ou
de Turcaret metamorphoseado em Priapo. Tinham sacudido vigorosamente a rêde que serve de redouça presa aos dous castanheiros celebrados pelo abbade de
Bernis. Ao passo que balançava as moçoilas uma após
outra, o que causava, entre risos geraes, ameudados
entufamentos de saias que Greuze houvera sabido aproveitar, Tholomyès, que era um tanto hespanhol, visto
Toulouse ser prima de Tolosa, cantava, servindo-se de
uma melopea melancolica, a canção gallega provavelmente inspirada por alguma formosa moça a balançar-se
entre duas arvores em uma corda impellida com toda a
força:
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<center>
<small>
'''Soy de Badajoz'''
'''Amor me ilama'''
'''Toda mi alma'''
'''Es en mis ojos'''
'''Porque enseñas'''
'''A tus piernas.'''
</small>
</center>
</poem>
{{dhr}}
Fantina foi a unica que não quiz balançar-se.
—Não gosto de gente que se faz assim de tam delicada, murmurou Favorita com bastante azedure.
Deixados os jumentos, nova alegria ; atravessaram o
Sena em um barco, e de Passy, caminhando a pé, chegaram á barreira da Estrella. Elles tinham começado o
seu passeio, como deve lembrar-se o leitor, ás cinco horas da manhan ; mas, ora ! ''no domingo ninguem se cansa'', dizia Favorita ; ''o cansaço não trabalha domingo''.
Pelas tres horas da tarde os quatro pares, ebrios de
prazer, divertiam-se descendo as ''montanhas russas'',
singular edificio que occupava então as eminencias de
Beaujon e cuja linha serpenteava por cima das arvores
dos Campos-Elysios.
De quando em quando Favorita exclamava :
—E a sorpresa? eu quero a sorpresa.
—Tem paciencia, respondia Tholomyès.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo primeiro/Livro terceiro/IV
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[[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 3/04]]
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Página:Maria Rita Chiappe Cadet - A mascarada infantil; comedia em um acto (1883).djvu/12
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Galeria:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|Introdução}}
Georg Marcgrave nasceu em 30 de setembro de 1610, em Liebstad, Saxônia,
filho do mestre-escola Georg Markgraf e de sua mulher Elizabeth, casados em 27 de
novembro de 1609 (Whitehead, 1979). A partir dos 16 anos, obteve autorização
paterna para deixar a cidade natal com o objetivo de visitar e estudar em diversas
universidades européias. Segundo Taunay (1942), terminou a sua deambulação
acadêmica em Leyden, na Holanda, quando a 11 de setembro de 1636, matriculou
se como estudante de Medicina.
Findos os estudos, entrou em contato com Joannes de Laet (1593-1649),
diretor da Companhia das Índias Ocidentais e este o fez conhecer a Guilherme Piso
(Willem Pies, 1611-1678), médico do conde Maurício de Nassau (1604-1679), que
havia sido nomeado governador do Brasil holandês. Segundo Pickel (1949), Laet já
deveria conhecer Marcgrave dos círculos universitários e, portanto, já estaria bem
recomendado quando convidado por Piso para tomar parte na expedição ao Brasil.
Marcgrave demonstrava grande interesse em conhecer o Brasil, com o
principal objetivo de realizar observações astronômicas. Assim, através de Laet,
conseguiu ser designado para servir, inicialmente a Piso, como assistente naturalista,
e depois, a Nassau, como astrônomo e geógrafo no Brasil (Carvalho, 1909). Partiu
Marcgrave da Holanda no dia 1 de janeiro de 1638, chegando à Bahia após dois
meses de viagem. Chegando ao Recife, reuniu-se a Piso, então cirurgião-mor das
tropas e também chefe da missão científica de Nassau. Neste período assumiu as
funções de geógrafo, cartógrafo, astrônomo e meteorologista (Moulin, 1986). Em
suas horas vagas, ainda coletava e estudava as plantas e animais da região.
Em suas pesquisas, Marcgrave teve o apoio de Nassau que, inclusive,
mandou construir para o mesmo, numa das torres do Vrijburg (seu palácio na ilha de
Antonio Vaz, no Recife), um pequeno observatório astronômico, o primeiro do
Hemisfério Sul, com o objetivo principal de observar o eclipse solar previsto para
13 de dezembro de 1640 (Moulin, 1986). Ali foram realizadas as primeiras
observações astronômicas e meteorológicas na América. Entretanto, a localização
deste observatório numa das torres do Vrijburg, é questionada por Polman (1984),
que registra a sua localização na 1ª casa de moradia de Nassau no Recife, situada
onde atualmente é o cruzamento da Rua do Imperador com a {{corr|1º.de março|1º de março}}, em Santo
Antonio do Recife.
Segundo a maior parte dos historiadores, no Nordeste, Marcgrave teria
empreendido diversas excursões de pesquisa e coleta de material vegetal e animal.
Como cartógrafo, parece ter sido um bom conhecedor das regiões do Brasil holandês,
pois os próprios mapas da obra de Barlaeus, atribuídos a Franz Post, parecem ter
sido cópias dos seus trabalhos cartográficos. Suas principais excursões teriam
abrangido a região compreendida pelos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio
Grande do Norte, que teriam sido anotadas em um diário ou caderno de campo, hoje
perdido.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|INTRODUÇÃO}}
Georg Marcgrave nasceu em 30 de setembro de 1610, em Liebstad, Saxônia,
filho do mestre-escola Georg Markgraf e de sua mulher Elizabeth, casados em 27 de
novembro de 1609 (Whitehead, 1979). A partir dos 16 anos, obteve autorização
paterna para deixar a cidade natal com o objetivo de visitar e estudar em diversas
universidades européias. Segundo Taunay (1942), terminou a sua deambulação
acadêmica em Leyden, na Holanda, quando a 11 de setembro de 1636, matriculou
se como estudante de Medicina.
Findos os estudos, entrou em contato com Joannes de Laet (1593-1649),
diretor da Companhia das Índias Ocidentais e este o fez conhecer a Guilherme Piso
(Willem Pies, 1611-1678), médico do conde Maurício de Nassau (1604-1679), que
havia sido nomeado governador do Brasil holandês. Segundo Pickel (1949), Laet já
deveria conhecer Marcgrave dos círculos universitários e, portanto, já estaria bem
recomendado quando convidado por Piso para tomar parte na expedição ao Brasil.
Marcgrave demonstrava grande interesse em conhecer o Brasil, com o
principal objetivo de realizar observações astronômicas. Assim, através de Laet,
conseguiu ser designado para servir, inicialmente a Piso, como assistente naturalista,
e depois, a Nassau, como astrônomo e geógrafo no Brasil (Carvalho, 1909). Partiu
Marcgrave da Holanda no dia 1 de janeiro de 1638, chegando à Bahia após dois
meses de viagem. Chegando ao Recife, reuniu-se a Piso, então cirurgião-mor das
tropas e também chefe da missão científica de Nassau. Neste período assumiu as
funções de geógrafo, cartógrafo, astrônomo e meteorologista (Moulin, 1986). Em
suas horas vagas, ainda coletava e estudava as plantas e animais da região.
Em suas pesquisas, Marcgrave teve o apoio de Nassau que, inclusive,
mandou construir para o mesmo, numa das torres do Vrijburg (seu palácio na ilha de
Antonio Vaz, no Recife), um pequeno observatório astronômico, o primeiro do
Hemisfério Sul, com o objetivo principal de observar o eclipse solar previsto para
13 de dezembro de 1640 (Moulin, 1986). Ali foram realizadas as primeiras
observações astronômicas e meteorológicas na América. Entretanto, a localização
deste observatório numa das torres do Vrijburg, é questionada por Polman (1984),
que registra a sua localização na 1ª casa de moradia de Nassau no Recife, situada
onde atualmente é o cruzamento da Rua do Imperador com a {{corr|1º.de março|1º de março}}, em Santo
Antonio do Recife.
Segundo a maior parte dos historiadores, no Nordeste, Marcgrave teria
empreendido diversas excursões de pesquisa e coleta de material vegetal e animal.
Como cartógrafo, parece ter sido um bom conhecedor das regiões do Brasil holandês,
pois os próprios mapas da obra de Barlaeus, atribuídos a Franz Post, parecem ter
sido cópias dos seus trabalhos cartográficos. Suas principais excursões teriam
abrangido a região compreendida pelos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio
Grande do Norte, que teriam sido anotadas em um diário ou caderno de campo, hoje
perdido.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|'''INTRODUÇÃO'''}}
Georg Marcgrave nasceu em 30 de setembro de 1610, em Liebstad, Saxônia,
filho do mestre-escola Georg Markgraf e de sua mulher Elizabeth, casados em 27 de
novembro de 1609 (Whitehead, 1979). A partir dos 16 anos, obteve autorização
paterna para deixar a cidade natal com o objetivo de visitar e estudar em diversas
universidades européias. Segundo Taunay (1942), terminou a sua deambulação
acadêmica em Leyden, na Holanda, quando a 11 de setembro de 1636, matriculou
se como estudante de Medicina.
Findos os estudos, entrou em contato com Joannes de Laet (1593-1649),
diretor da Companhia das Índias Ocidentais e este o fez conhecer a Guilherme Piso
(Willem Pies, 1611-1678), médico do conde Maurício de Nassau (1604-1679), que
havia sido nomeado governador do Brasil holandês. Segundo Pickel (1949), Laet já
deveria conhecer Marcgrave dos círculos universitários e, portanto, já estaria bem
recomendado quando convidado por Piso para tomar parte na expedição ao Brasil.
Marcgrave demonstrava grande interesse em conhecer o Brasil, com o
principal objetivo de realizar observações astronômicas. Assim, através de Laet,
conseguiu ser designado para servir, inicialmente a Piso, como assistente naturalista,
e depois, a Nassau, como astrônomo e geógrafo no Brasil (Carvalho, 1909). Partiu
Marcgrave da Holanda no dia 1 de janeiro de 1638, chegando à Bahia após dois
meses de viagem. Chegando ao Recife, reuniu-se a Piso, então cirurgião-mor das
tropas e também chefe da missão científica de Nassau. Neste período assumiu as
funções de geógrafo, cartógrafo, astrônomo e meteorologista (Moulin, 1986). Em
suas horas vagas, ainda coletava e estudava as plantas e animais da região.
Em suas pesquisas, Marcgrave teve o apoio de Nassau que, inclusive,
mandou construir para o mesmo, numa das torres do Vrijburg (seu palácio na ilha de
Antonio Vaz, no Recife), um pequeno observatório astronômico, o primeiro do
Hemisfério Sul, com o objetivo principal de observar o eclipse solar previsto para
13 de dezembro de 1640 (Moulin, 1986). Ali foram realizadas as primeiras
observações astronômicas e meteorológicas na América. Entretanto, a localização
deste observatório numa das torres do Vrijburg, é questionada por Polman (1984),
que registra a sua localização na 1ª casa de moradia de Nassau no Recife, situada
onde atualmente é o cruzamento da Rua do Imperador com a {{corr|1º.de março|1º de março}}, em Santo
Antonio do Recife.
Segundo a maior parte dos historiadores, no Nordeste, Marcgrave teria
empreendido diversas excursões de pesquisa e coleta de material vegetal e animal.
Como cartógrafo, parece ter sido um bom conhecedor das regiões do Brasil holandês,
pois os próprios mapas da obra de Barlaeus, atribuídos a Franz Post, parecem ter
sido cópias dos seus trabalhos cartográficos. Suas principais excursões teriam
abrangido a região compreendida pelos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio
Grande do Norte, que teriam sido anotadas em um diário ou caderno de campo, hoje
perdido.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Ocorrem registros de difícil compreensão, como é o caso do gafanhoto Tropidacris cristata, com atual distribuição geográfica ao Norte do Brasil, que parece ter sido facilmente coletado e descrito vivo no campo, pelo naturalista. Finalmente, deve ser enfatizado que os principais insetos úteis ou nocivos, inúmeras vezes referenciados pelos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII no Nordeste, despertaram pouca ou nenhuma atenção de Mar...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Ocorrem registros de difícil compreensão, como é o caso do gafanhoto
Tropidacris cristata, com atual distribuição geográfica ao Norte do Brasil, que
parece ter sido facilmente coletado e descrito vivo no campo, pelo naturalista.
Finalmente, deve ser enfatizado que os principais insetos úteis ou nocivos,
inúmeras vezes referenciados pelos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII no
Nordeste, despertaram pouca ou nenhuma atenção de Marcgrave.
Assim, acredita-se que grande parte dos insetos e outros artrópodos
descritos no Livro VII foram observados, desenhados, criados e coletados nos jardins
do Horto do Palácio de Friburgo no Recife, do qual o próprio Marcgrave deve ter
sido um dos planejadores e organizadores.
Pelo menos em relação aos insetos, não predominou o critério de
utilitarismo nos levantamentos dos produtos naturais da terra, sendo representados,
com menos esforço, os que estavam mais à mão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBERTIN, P.J. Arte e Ciência no Brasil Holandês – Theatri Rerum Naturalium
Brasiliae: um estudo dos desenhos. Revista Brasileira de Zoologia, v.3, n.5, pp. 249326, 1985.
ALMEIDA, A.V.; CARVALHO, P.F.F. Os insetos de Marcgrave (1610 –c.1644).
Recife: UFRPE, Imprensa Universitária, 2002.
BOESEMAN, M; HOLTHIUS, L.B.; HOOGMOED, M.S. & SMEENK, C.
Seventeenth century drawings of Brazilian animals in Lenigrad. Zoologische
Verhandeligen, n. 267, pp.3-187, 1990.
CALVET, E. Quimica general. Barcelona: Salvat, 1934.
CARVALHO, A. Um naturalista do século XVII: Georg Markgraf (1610 – 1644).
Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, n. 72, pp. 212222, 1909.
COSTA-LIMA, A.M. Coleópteros. In: COSTA – LIMA, A.M. Insetos do Brasil (t.8,
pt.2, cap.29), Rio de Janeiro: Escola Nacional de Agronomia, 1953.
DURANTON, J.F. & LAUNOIS, M. Guia prático de luta contra os gafanhotos
devastadores no Brasil. Montpellier: FAO-CIRAD-PRIFAS, 1987.
HORA, M.J.L. & ALMEIDA, A.V. Registro de nova ocorrência de Tropidacris
cristata (L., 1758) (Orthoptera, Romaleidae) em Pernambuco. In: Resumos da II
Semana de Biologia da UFRPE. Recife: Departamento de Biologia da UFRPE,
1993.
LANE, F. Comentários sobre o livro VII de Marcgrave (insetos).In: MARCGRAVE,
J. História natural do Brasil. São Paulo:Imprensa Oficial do Estado – Museu
Paulista, 1942
LENKO, K. & PAPAVERO, N. Insetos no folklore. 2a ed. São Paulo: Editora
Plêiade – FAPESP, 1996.
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>Segundo Mello-Leitão (1937), dessas excursões, voltava Marcgrave ao
Recife, trazendo coleções de vegetais herborizados, peles e penas de animais,
exemplares taxidermizados ou mesmo vivos, enjaulados, destinados aos viveiros do
horto de Nassau e insetos preparados a seco. Sob outro ponto de vista, afirma
Whitehead (1979), que a maior parte de suas observações relativas à História
Natural, foram realizadas nas vizinhanças do Recife ou na própria cidade do Recife,
no jardim botânico-zoológico do palácio de Nassau, o primeiro fundado em moldes
europeus no Novo Mundo. Aí teve oportunidade de observar espécies que não pode
fazer em suas viagens. Como escreve Teixeira (1995), assim entende-se a ausência
de determinados elementos da fauna regional, sobretudo em relação aos insetos, pela
pobreza da sua representação. Pois a maior parte dos seus insetos e outros artrópodos
terrestres, até hoje, são de ocorrência muito comum na região.
Apontando a necessidade de uma pesquisa mais profunda, este jardim zoo
botânico de Nassau teve um papel muito mais importante, do que julga a maioria dos
pesquisadores, como locus das descrições zoológicas e botânicas de Marcgrave
(Almeida & Carvalho, 2002). Segundo Lichtenstein (1961), por precaução, todas as
suas anotações foram escritas em linguagem cifrada, que depois da sua morte, deram
trabalho a Laet para decifrá-las e organizá-las. Enquanto isso, Piso, por sua vez,
também coletava e anotava, com especial atenção às plantas medicinais práticas
médicas da região (Moulin, 1986).
Chamado de volta à Europa pela direção da Companhia das Índias
Ocidentais, Maurício de Nassau deixou Pernambuco, em maio de 1644. Com ele,
seguiu Piso e os demais membros da missão artístico-científica. Marcgrave,
provavelmente por designação do próprio Nassau, seguiu viagem para Angola, com
vistas a novas investigações astronômicas e naturalísticas, quando veio a falecer em
São Paulo de Luanda, vítima de uma febre endêmica, segundo Taunay (1942) em
julho ou agosto de 1644 ou como sustenta Whitehead (1979), em outubro de 1643,
isto é, sete meses antes da partida de Nassau para a Europa, quando, certamente, já
deveria ter tido notícia da sua morte.
Todo o material coletado por Marcgrave, bem como as suas anotações e
desenhos, faziam parte da bagagem de Nassau. Interessado na rápida publicação dos
trabalhos de Piso e Marcgrave, o conde destinou-os a renomados estudiosos
europeus para a sua necessária organização. Assim, suas amostras, anotações
cifradas e desenhos de plantas e animais, foram entregues a Joannes de Laet, que,
juntando-as ao trabalho médico de Piso, acrescidos de um apêndice de sua autoria,
editou em 1648 a notável obra Historia naturalis Brasiliae (Pisonis & Marcgravi,
1648). Segundo Pickel (1949), a participação de Laet foi muito maior do que a de
um simples editor e organizador, pois, redigiu anotações, introduziu desenhos,
quando julgou necessário, completou falhas e imprecisões descritivas. Consta que
Piso, após a morte de Laet em 1649, demonstrou insatisfação com o resultado da
obra e dez anos depois, já médico famoso na Holanda, edita a obra
''De Indiae utriusque re naturali et medica'', modificando o plano original da obra, incorporando<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||143|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>aos capítulos de sua autoria o que só a Marcgrave pertencia e citando-o como mero
coletor e assistente (Taunay, 1942).
Durante os séculos XVIII e XIX, o material de Marcgrave, foi estudado por
uma série de notáveis naturalistas, entre os quais, o próprio Lineu, que descreveu
inúmeras espécies animais e vegetais; Lichtenstein, que identificou os vertebrados,
em memórias publicadas entre 1814 e 1826 e as plantas por Martius, no 70 volume
dos Anais da Academia da Baviera, entre 1853 e 1855 (Mello-Leitão, 1937).
Como enfatiza Whitehead (1979) os primeiros registros da fauna e flora do
Brasil, foram realizados por amadores: cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII.
Entretanto, com Marcgrave, a pesquisa sistemática da biota brasileira, pela primeira
vez foi empreendida por um cientista profissional, treinado, com financiamento
direto e publicação garantida dos seus resultados.
Por outro lado, além do seu papel colonial e suas funções na missão
científica, Marcgrave pode ser considerado como um verdadeiro representante da
cultura científica da Renascença, acumulando todos os saberes sistematizados da
época em que viveu. Deve-se a este jovem sábio, que trabalhou com tanto afã como
estivesse pressentindo a própria morte prematura, o primeiro levantamento
sistematizado da nossa fauna e flora.
Em relação aos insetos, Marcgrave fez diversas observações de campo,
registrou algumas datas e localidades, criou, colecionou e observou-os sob “vidro de
aumento”, em diversas oportunidades, constituindo-se assim, nos primeiros seres
vivos no Novo Mundo examinados sob um instrumento ótico de aumento.
Entretanto, escreveu as suas notas num estilo sóbrio, seco, quase cartorial, de
levantamento descritivo desses produtos irrelevantes da natureza, como eram
considerados os insetos na época. Como escreve Teixeira (1995), todo o seu texto é
marcado pela ausência de maiores discussões teóricas candentes da época, como a
origem da biota americana e sobre as teorias da geração dos seres vivos. Julga
Whitehead (1979) que em seu texto não há lugar para qualquer observação filosófica
em relação ao seu próprio sistema classificatório, sendo igualmente imune em
relação às histórias fantásticas correntes sobre animais fabulosos.
Além das descrições lineanas e de seus discípulos nos séculos XVIII e XIX,
os insetos de Marcgrave foram objeto de estudos de Lane (1942), por ocasião da
edição brasileira da obra de Marcgrave, em parte por Boeseman ''et al''. (1990) e mais
recentemente pelo zoólogo Hitoshi Nomura na sua obra abrangente sobre a “História
da Zoologia no Brasil: século XVII”, 2ª parte, que é dedicada exclusivamente à
identificação zoológica dos animais descritos por Marcgrave, baseado
exclusivamente na edição brasileira de 1942.
Com a recente edição brasileira dos ''Manuais'' ou ''Libri Principis'' e do
''Theatrum rerum naturalium Brasiliae'', além do ''Miscellanea Cleyeri'' (Teixeira,
1995), uma nova luz foi lançada sobre o problema da identificação das espécies
marcgravianas. Em relação aos insetos, tornou-se imperioso um estudo comparativo<noinclude>{{rh|144||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a
iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia.
É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste
problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e
descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da
''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte
para as xilogravuras e descrições.
{{t2|MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA}}
A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da
História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos
renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação
aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência
sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve {{sic|conseqüências|consequências}}
marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de
Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'',
editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era
completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas
pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da
ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia
comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a
História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de
Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949).
Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais
abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram
considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”,
até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os
dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos
associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres
do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos
organizadores das grandes navegações e conquistas.
Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais,
é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo
Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de
centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes
em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil
em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia
passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses
mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar.
De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a
iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia.
É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste
problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e
descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da
''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte
para as xilogravuras e descrições.
{{t2|MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA}}
A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da
História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos
renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação
aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência
sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve {{sic|conseqüências|consequências}}
marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de
Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'',
editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era
completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas
pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da
ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia
comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a
História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de
Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949).
Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais
abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram
considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”,
até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os
dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos
associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres
do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos
organizadores das grandes navegações e conquistas.
Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais,
é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo
Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de
centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes
em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil
em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia
passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses
mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar.
De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||145|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a
iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia.
É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste
problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e
descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da
''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte
para as xilogravuras e descrições.
{{ch|'''MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA'''}}
A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da
História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos
renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação
aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência
sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve {{sic|conseqüências|consequências}}
marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de
Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'',
editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era
completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas
pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da
ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia
comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a
História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de
Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949).
Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais
abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram
considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”,
até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os
dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos
associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres
do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos
organizadores das grandes navegações e conquistas.
Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais,
é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo
Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de
centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes
em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil
em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia
passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses
mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar.
De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||145|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a
iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia.
É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste
problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e
descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da
''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte
para as xilogravuras e descrições.
{{ch|'''MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA'''}}
A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da
História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos
renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação
aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência
sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve conseqüências
marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de
Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'',
editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era
completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas
pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da
ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia
comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a
História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de
Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949).
Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais
abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram
considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”,
até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os
dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos
associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres
do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos
organizadores das grandes navegações e conquistas.
Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais,
é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo
Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de
centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes
em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil
em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia
passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses
mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar.
De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||145|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/6
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>holandês no Brasil: o Conde João Maurício de Nassau-Siegen, que assumiu um
conceito muito diferente de sua função de administrador da colônia. IsSo fica patente
pela organização da sua comitiva, da qual faziam parte, além de soldados e oficiais
do governo, também cientistas e artistas, entre os quais: Piso, Marcgrave, Plante,
Cralitz, Eckhout, Post e Wagener.
{{t2|O LIVRO VII DA HISTORIAE RERUM NATURALIUM BRASILIAE E A EDIÇÃO BRASILEIRA DE 1942}}
O Livro VII, que trata dos insetos de Marcgrave, é parte da obra original
''Historia naturalis Brasiliae'' (Pisonis & Marcgravi, 1648), editada em Amsterdã,
tendo como divisão a ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' (“História das coisas
naturais do Brasil”), que está, por sua vez, dividida em oito livros: os três primeiros
tratando das plantas; o quarto, dos peixes; o quinto, das aves; o sexto, dos
quadrúpedes e serpentes; o sétimo, dos insetos e o oitavo, que trata da região e dos
seus habitantes indígenas. A obra de Marcgrave, acrescentada da obra de Piso (''De medicina Brasiliensi'') e o apêndice de autoria de Laet (''De Tapuys et Chilensibus''),
formam o todo da obra. No Livro VII são descritos 75 exemplares de artrópodos,
sendo 65 insetos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 xilogravuras no texto,
sendo 23 de insetos.
Os comentários sobre o Livro VII na edição brasileira de 1942 são de autoria
do entomologista Frederico Lane (1901-1979), baseado nas descrições lineanas e
sobre os estudos de Montoya sobre línguas indígenas de 1876. Grande parte dos
insetos e outros artrópodos terrestres foram identificados até suas espécies, com base
no exame das xilogravuras e textos descritivos. Contudo, as identificações de Lane
(1942), apresentam algumas lacunas e imprecisões, principalmente em nível dos taxa
superiores de classes, ordens e famílias.
Mais recentemente, com a redescoberta da iconografia, os desenhos dos
insetos foram, em parte, comentados por Boeseman et al. (1990), examinando o
material de Leningrado e, de uma forma muito geral e baseada exclusivamente na
edição brasileira de 1942, por Nomura (1996).
{{t2|INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS E FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS MODELOS NOS LIBRI PRINCIPIS}}
Os insetos e outros artrópodos terrestres estão numerados segundo a edição
brasileira de 1942, seguida da denominação original de Marcgrave, da sua possível
identificação zoológica e comentários. As xilogravuras comentadas são todas do<noinclude>{{rh|146||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>holandês no Brasil: o Conde João Maurício de Nassau-Siegen, que assumiu um
conceito muito diferente de sua função de administrador da colônia. IsSo fica patente
pela organização da sua comitiva, da qual faziam parte, além de soldados e oficiais
do governo, também cientistas e artistas, entre os quais: Piso, Marcgrave, Plante,
Cralitz, Eckhout, Post e Wagener.
{{ch|'''O LIVRO VII DA HISTORIAE RERUM NATURALIUM BRASILIAE E A EDIÇÃO BRASILEIRA DE 1942'''}}
O Livro VII, que trata dos insetos de Marcgrave, é parte da obra original
''Historia naturalis Brasiliae'' (Pisonis & Marcgravi, 1648), editada em Amsterdã,
tendo como divisão a ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' (“História das coisas
naturais do Brasil”), que está, por sua vez, dividida em oito livros: os três primeiros
tratando das plantas; o quarto, dos peixes; o quinto, das aves; o sexto, dos
quadrúpedes e serpentes; o sétimo, dos insetos e o oitavo, que trata da região e dos
seus habitantes indígenas. A obra de Marcgrave, acrescentada da obra de Piso (''De medicina Brasiliensi'') e o apêndice de autoria de Laet (''De Tapuys et Chilensibus''),
formam o todo da obra. No Livro VII são descritos 75 exemplares de artrópodos,
sendo 65 insetos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 xilogravuras no texto,
sendo 23 de insetos.
Os comentários sobre o Livro VII na edição brasileira de 1942 são de autoria
do entomologista Frederico Lane (1901-1979), baseado nas descrições lineanas e
sobre os estudos de Montoya sobre línguas indígenas de 1876. Grande parte dos
insetos e outros artrópodos terrestres foram identificados até suas espécies, com base
no exame das xilogravuras e textos descritivos. Contudo, as identificações de Lane
(1942), apresentam algumas lacunas e imprecisões, principalmente em nível dos taxa
superiores de classes, ordens e famílias.
Mais recentemente, com a redescoberta da iconografia, os desenhos dos
insetos foram, em parte, comentados por Boeseman et al. (1990), examinando o
material de Leningrado e, de uma forma muito geral e baseada exclusivamente na
edição brasileira de 1942, por Nomura (1996).
{{ch|'''INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS E FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS MODELOS NOS LIBRI PRINCIPIS'''}}
Os insetos e outros artrópodos terrestres estão numerados segundo a edição
brasileira de 1942, seguida da denominação original de Marcgrave, da sua possível
identificação zoológica e comentários. As xilogravuras comentadas são todas do<noinclude>{{rh|146||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Livro VII da “História das coisas naturais do Brasil” comparadas com as aquarelas dos Libri Principis. 733 – “Gaayara”; Mantodea; Mantidae: Segundo Lane (1942) este inseto foi relacionado por Lineu a sua Mantis gongylodes, porém, esta não é da nossa entomofauna. Comenta o mesmo que não há elementos suficientes para identificação específica. Mesmo assim, Nomura (1996, p.273) acha que pode tratar-se de Stagmatoptera precaria (L., 1758)....
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Livro VII da “História das coisas naturais do Brasil” comparadas com as aquarelas
dos Libri Principis.
733 – “Gaayara”; Mantodea; Mantidae: Segundo Lane (1942) este inseto foi
relacionado por Lineu a sua Mantis gongylodes, porém, esta não é da nossa
entomofauna. Comenta o mesmo que não há elementos suficientes para
identificação específica. Mesmo assim, Nomura (1996, p.273) acha que pode
tratar-se de Stagmatoptera precaria (L., 1758). A xilogravura está representada
na p.246 e seu provável modelo (L.P., v.1, p.160) apresenta uma posição
invertida, a cabeça levemente virada, com os apêndices abdominais corretamente
representados, sendo denominado de “Caaiara”. No texto descritivo, Marcgrave
compara-o a figura de um camelo2.
734 – “Enena”; Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae; Megasoma gyas (Hbst., 1785)
como identifica Lane (1942). Este inicia uma série de coleópteros representados
no Livro VII, denominados de “touros voadores” pelo naturalista. Este, sendo o
primeiro, está representado na p.246 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.153)3,
735 – “Taurus volans”; Coleoptera; Scarabaeidae; Strategus aloeus (L., 1758) como
identifica Lane (1942). A xilogravura está na p.247 e o seu provável modelo (L.P.,
v.1, p.173), também em posição invertida, de coloração bastante escura, sendo
improvável ter servido de modelo para a execução da xilogravura. Entretanto, a
posição dos apêndices e cerdas indicam ser o mesmo inseto. Sua denominação na
aquarela é também “Enéma”. É conhecido na região como “besouro-da-raiz-docoqueiro”.
736 – “Taurus”; Coleoptera; Scarabaeidae; Scarabaeinae; Phanaeus (Megaphanaeus)
ensifer (Germar, 1821) como identifica Lane (1942). O texto descritivo apresenta
tres aspectos curiosos: a observação de campo do hábito escavador do besouro; o
registro pioneiro do uso de instrumento ótico de aumento (magascópio) para
examinar os “embriões” ou “fetos” fixos no dorso do besouro, sendo considerados
como “semelhantes ao pai cornudo” (provavelmente os primeiros assim
examinados no Novo Mundo), para descrever os ácaros comumente encontrados
em coleópteros e finalmente, o relato de Marcgrave de que manteve este inseto
numa caixa, anotando a sua força física. A xilogravura da p.247 representa o
besouro com face humana de barba e bigodes, tendo como provável modelo a
aquarela (L.P., v.1, p.175) com a figura de posição invertida, em relação à
xilogravura, de coloração muito escura e com interessante anotação de Nassau
sobre os ácaros.
737 – “Taurus volans alius”; Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae: Dynastes hercules
(L., 1758), como identifica Lane (1942). A espécie tem sido registrada na Bahia.
2 Na nota correspondente, Laet o denomina de gafanhoto, citando o gênero Mantes de Thomas
Mouffet. Em Pernambuco e Paraíba é conhecido como “põe-mesa”.
3 É uma das poucas figuras não coloridas dos L.P., apresentando uma posição invertida e com as
pernas mais arqueadas e sem as pontuações dos élitros representadas na xilogravura. A
denominação do desenho é “Enéma”. É conhecido na região como “besouro de chifre”.
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
147<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>Livro VII da “História das coisas naturais do Brasil” comparadas com as aquarelas dos ''Libri Principis''.
{{ad|'''733 – “Gaayara”;''' Mantodea; Mantidae: Segundo Lane (1942) este inseto foi relacionado por Lineu a sua [[species:Mantis gongylodes|''Mantis gongylodes'']], porém, esta não é da nossa entomofauna. Comenta o mesmo que não há elementos suficientes para identificação específica. Mesmo assim, Nomura (1996, p.273) acha que pode tratar-se de [[species:Stagmatoptera precaria|''Stagmatoptera precaria'']] (L., 1758). A xilogravura está representada na p.246 e seu provável modelo (L.P., v.1, p.160) apresenta uma posição invertida, a cabeça levemente virada, com os apêndices abdominais corretamente representados, sendo denominado de “Caaiara”. No texto descritivo, Marcgrave compara-o a figura de um camelo<ref>Na nota correspondente, Laet o denomina de gafanhoto, citando o gênero [[species:Mantes|''Mantes'']] de Thomas Mouffet. Em Pernambuco e Paraíba é conhecido como “põe-mesa”.</ref>.}}
{{ad|'''734 – “Enena”;''' Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae; [[species:Megasoma gyas|''Megasoma gyas'']] (Hbst., 1785) como identifica Lane (1942). Este inicia uma série de coleópteros representados no Livro VII, denominados de “touros voadores” pelo naturalista. Este, sendo o primeiro, está representado na p.246 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.153)<ref>É uma das poucas figuras não coloridas dos L.P., apresentando uma posição invertida e com as pernas mais arqueadas e sem as pontuações dos élitros representadas na xilogravura. A denominação do desenho é “Enéma”. É conhecido na região como “besouro de chifre”.</ref>{{corr|,|.}}}}
{{ad|'''735 – “Taurus volans”;''' Coleoptera; Scarabaeidae; [[species:Strategus aloeus|''Strategus aloeus'']] (L., 1758) como identifica Lane (1942). A xilogravura está na p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.173), também em posição invertida, de coloração bastante escura, sendo improvável ter servido de modelo para a execução da xilogravura. Entretanto, a posição dos apêndices e cerdas indicam ser o mesmo inseto. Sua denominação na aquarela é também “Enéma”. É conhecido na região como “besouro-da-raiz-do-coqueiro”.}}
{{ad|'''736 – “Taurus”;''' Coleoptera; Scarabaeidae; Scarabaeinae; [[species:Phanaeus (Megaphanaeus) ensifer|''Phanaeus (Megaphanaeus) ensifer'']] (Germar, 1821) como identifica Lane (1942). O texto descritivo apresenta tres aspectos curiosospecies: a observação de campo do hábito escavador do besouro; o registro pioneiro do uso de instrumento ótico de aumento (magascópio) para examinar os “embriões” ou “fetos” fixos no dorso do besouro, sendo considerados como “semelhantes ao pai cornudo” (provavelmente os primeiros assim examinados no Novo Mundo), para descrever os ácaros comumente encontrados em coleópteros e finalmente, o relato de Marcgrave de que manteve este inseto numa caixa, anotando a sua força física. A xilogravura da p.247 representa o besouro com face humana de barba e bigodes, tendo como provável modelo a aquarela (L.P., v.1, p.175) com a figura de posição invertida, em relação à xilogravura, de coloração muito escura e com interessante anotação de Nassau sobre os ácaros.}}
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'''737 – “Taurus volans alius”;''' Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae: [[species:Dynastes hercules|''Dynastes hercules'']] (L., 1758), como identifica Lane (1942). A espécie tem sido registrada na Bahia.<noinclude></div>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A xilugravura é a última da p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.106), com posição invertida e também denominado de “Enéma”. 740 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; Argiope argentata (Fabricius, 1775), como identifica Lane (1942). Descrita por Marcgrave como “aranha muito elegante”, tendo no dorso do abdome a representação de um rosto humano “entalhado na prata”. A xilogravura de posição inferior na p.248 e o seu p...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>A xilugravura é a última da p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.106), com
posição invertida e também denominado de “Enéma”.
740 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; Argiope argentata (Fabricius,
1775), como identifica Lane (1942). Descrita por Marcgrave como “aranha muito
elegante”, tendo no dorso do abdome a representação de um rosto humano
“entalhado na prata”. A xilogravura de posição inferior na p.248 e o seu provável
modelo (L.P., v.2, p.115, posição superior)4.
742 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Heteropodidae; Heteropoda venatoria (L.,
1767), como identifica Lane (1942). Para Boeseman et al. (1990), esta aranha
parece ser uma espécie de Micrathena. O texto de Marcgrave registra observações
de campo ou de criação em cativeiro, como a ocorrência de exúvias e os cuidados
da fêmea com a ooteca.
746 – “Panapanamucu”; Lepidoptera; Sphingidae; Sphinginae; Segundo Lane (1942)
parece tratar-se de uma espécie de Phlegethontius; Nomura (1996:275), acredita
que pode ser P. sexta paphus (Cramer, 1779). A xilogravura encontra-se na p.250
e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.170) que parece representar Cocytus
duponchel (Poey, 1832), cujas lagartas atacam folhas de anonáceas e mandioca
(Manihot sculenta). A sua tosca xilogravura se constitui numa das piores
representações da obra.
753 – “Arumatia brasiliensibus”; Phasmida; Acanthoderus sp., como identifica Lane
(1942), provavelmente, segundo Nomura (1996, p.276), A. 20-spinosus
(Redtenbacher, 1906). A xilogravura é a primeira da p.251 e o seu modelo (L.P.,
v.1, p.166); gravura e aquarela são muito semelhantes e exatos desta fêmea de
“bicho-pau”, comparado por Marcgrave a uma “varinha de videira”.
763 – “Japuruca”; Chilopoda; Scolopendromorpha, Scolopendridae; Scolopendra
subsnipes subsnipes Leach, 1815, como identifica Nomura (1996, p.277).
Marcgrave usa a denominação de Scolopendra para este quilópodo, conhecido
regionalmente como “lacraia”. A xilogravura da p.253 está muito semelhante a
aquarela, que deve ter servido de modelo (L.P., v.1, p.156, n 0 1).
765 – “Culex”; Diptera; Dolichopodidae; para Nomura (1996, p.278) parece tratar-se de
um Culicidae. O texto descritivo refere-se ao uso, na observação do inseto, de um
“megascópio”. A xilogravura da p.253 apresenta, por fantasia do gravador, uma
nítida cruz no dorso do tórax do inseto, o que não se observa no seu provável
modelo (L.P., v.1, p.162).
4
Apresentam realmente a semelhança com uma face humana, na parte dorsal do abdome,
principalmente nos exemplares vivos, que ocorrem comumente nos jardins, onde armam suas
grandes teias entre os galhos e caules das plantas.
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>A xilugravura é a última da p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.106), com posição invertida e também denominado de “Enéma”.</div>
{{ad|'''740 – “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Argiopidae; ''Argiope argentata'' (Fabricius, 1775), como identifica Lane (1942). Descrita por Marcgrave como “aranha muito elegante”, tendo no dorso do abdome a representação de um rosto humano “entalhado na prata”. A xilogravura de posição inferior na p.248 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.115, posição superior)<ref>Apresentam realmente a semelhança com uma face humana, na parte dorsal do abdome, principalmente nos exemplares vivos, que ocorrem comumente nos jardins, onde armam suas grandes teias entre os galhos e caules das plantas.</ref>.}}
{{ad|'''742 – “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Heteropodidae; ''Heteropoda venatoria'' (L., 1767), como identifica Lane (1942). Para Boeseman et al. (1990), esta aranha parece ser uma espécie de ''Micrathena''. O texto de Marcgrave registra observações de campo ou de criação em cativeiro, como a ocorrência de exúvias e os cuidados da fêmea com a ooteca.}}
{{ad|'''746 – “Panapanamucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; Sphinginae; Segundo Lane (1942) parece tratar-se de uma espécie de ''Phlegethontius''; Nomura (1996:275), acredita que pode ser ''P. sexta paphus'' (Cramer, 1779). A xilogravura encontra-se na p.250 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.170) que parece representar ''Cocytus duponchel'' (Poey, 1832), cujas lagartas atacam folhas de anonáceas e mandioca (''Manihot sculenta''). A sua tosca xilogravura se constitui numa das piores representações da obra.}}
{{ad|'''753 – “Arumatia brasiliensibus”;''' Phasmida; ''Acanthoderus'' sp., como identifica Lane (1942), provavelmente, segundo Nomura (1996, p.276), ''A. 20-spinosus'' (Redtenbacher, 1906). A xilogravura é a primeira da p.251 e o seu modelo (L.P., v.1, p.166); gravura e aquarela são muito semelhantes e exatos desta fêmea de “bicho-pau”, comparado por Marcgrave a uma “varinha de videira”.}}
{{ad|'''763 – “Japuruca”;''' Chilopoda; Scolopendromorpha, Scolopendridae; ''Scolopendra subsnipes subsnipes'' Leach, 1815, como identifica Nomura (1996, p.277). Marcgrave usa a denominação de ''Scolopendra'' para este quilópodo, conhecido regionalmente como “lacraia”. A xilogravura da p.253 está muito semelhante a aquarela, que deve ter servido de modelo (L.P., v.1, p.156, n 0 1).}}
{{ad|'''765 – “Culex”;''' Diptera; Dolichopodidae; para Nomura (1996, p.278) parece tratar-se de um Culicidae. O texto descritivo refere-se ao uso, na observação do inseto, de um “megascópio”. A xilogravura da p.253 apresenta, por fantasia do gravador, uma nítida cruz no dorso do tórax do inseto, o que não se observa no seu provável modelo (L.P., v.1, p.162).}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>A xilugravura é a última da p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.106), com posição invertida e também denominado de “Enéma”.</div>
{{ad|'''740 – “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Argiopidae; [[species:Argiope argentata|''Argiope argentata'']] (Fabricius, 1775), como identifica Lane (1942). Descrita por Marcgrave como “aranha muito elegante”, tendo no dorso do abdome a representação de um rosto humano “entalhado na prata”. A xilogravura de posição inferior na p.248 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.115, posição superior)<ref>Apresentam realmente a semelhança com uma face humana, na parte dorsal do abdome, principalmente nos exemplares vivos, que ocorrem comumente nos jardins, onde armam suas grandes teias entre os galhos e caules das plantas.</ref>.}}
{{ad|'''742 – “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Heteropodidae; [[species:Heteropoda venatoria|''Heteropoda venatoria'']] (L., 1767), como identifica Lane (1942). Para Boeseman et al. (1990), esta aranha parece ser uma espécie de ''Micrathena''. O texto de Marcgrave registra observações de campo ou de criação em cativeiro, como a ocorrência de exúvias e os cuidados da fêmea com a ooteca.}}
{{ad|'''746 – “Panapanamucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; Sphinginae; Segundo Lane (1942) parece tratar-se de uma espécie de ''Phlegethontius''; Nomura (1996:275), acredita que pode ser ''P. sexta paphus'' (Cramer, 1779). A xilogravura encontra-se na p.250 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.170) que parece representar ''Cocytus duponchel'' (Poey, 1832), cujas lagartas atacam folhas de anonáceas e mandioca (''Manihot sculenta''). A sua tosca xilogravura se constitui numa das piores representações da obra.}}
{{ad|'''753 – “Arumatia brasiliensibus”;''' Phasmida; ''Acanthoderus'' sp., como identifica Lane (1942), provavelmente, segundo Nomura (1996, p.276), ''A. 20-spinosus'' (Redtenbacher, 1906). A xilogravura é a primeira da p.251 e o seu modelo (L.P., v.1, p.166); gravura e aquarela são muito semelhantes e exatos desta fêmea de “bicho-pau”, comparado por Marcgrave a uma “varinha de videira”.}}
{{ad|'''763 – “Japuruca”;''' Chilopoda; Scolopendromorpha, Scolopendridae; [[species:Scolopendra subspinipes subspinipes|''Scolopendra {{sic|subsnipes subsnipes|subspinipes subspinipes}}'']] Leach, 1815, como identifica Nomura (1996, p.277). Marcgrave usa a denominação de [[species:Scolopendra|''Scolopendra'']] para este quilópodo, conhecido regionalmente como “lacraia”. A xilogravura da p.253 está muito semelhante a aquarela, que deve ter servido de modelo (L.P., v.1, p.156, n 0 1).}}
{{ad|'''765 – “Culex”;''' Diptera; Dolichopodidae; para Nomura (1996, p.278) parece tratar-se de um Culicidae. O texto descritivo refere-se ao uso, na observação do inseto, de um “megascópio”. A xilogravura da p.253 apresenta, por fantasia do gravador, uma nítida cruz no dorso do tórax do inseto, o que não se observa no seu provável modelo (L.P., v.1, p.162).}}
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{{rh|148||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/9
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 768 – “Quici Miri”; Coleoptera; Elateridae; Chalcolepidius zonatus Eschscholtz, 1829, como identificado por Lane (1942)5. A xilogravura da p.254 é uma das melhores da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2, p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici miri” pode ser compreendido como “be...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>768 – “Quici Miri”; Coleoptera; Elateridae; Chalcolepidius zonatus Eschscholtz, 1829,
como identificado por Lane (1942)5. A xilogravura da p.254 é uma das melhores
da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2,
p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação
escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici
miri” pode ser compreendido como “besouro pequeno”, enquanto “quicigoaçú”,
como está grafado na aquarela, pode ser compreendido como “besouro grande”,
como realmente ocorre no Nordeste, com mais de 3 cm de comprimento. Assim,
a denominação do Livro VII dá um sentido completamente contrário ao tamanho
real do inseto.
773 – “Quici”; Coleoptera; Cerambycidae; identificado por Lane (1942) como
Trachyderes succintus (L., 1758), conhecido atualmente como Retrachyderes
thoracicus. A xilogravura da p.254 apresenta uma inversão da cor da faixa dos
élitros, representando-a escura, quando no seu provável modelo (L.P., v.2, p.107)
é amarelada, em relação aos élitros escuros, como escreve Marcgrave (1942):
“Pelo meio das asas ou do dorso, corre transversalmente uma linha larga, amarela
pálida”. A posição dos apêndices também está diferente, bem como a xilogravura
apresenta os antenômeros em forma de contas, intercalados com os de forma
alongada, fato que não existe na aquarela e nem tampouco no inseto real.
775 – “Vermis”; Diplopoda; Spiribolida, Spirobolidae; Spirobolus maximus (L., 1766),
como Nomura (1996, p.279) acha provável. O texto descritivo refere-se a um
“verme terrestre” e a xilogravura da p.255 representa um conhecido “embuá”. O
seu provável modelo (L.P., v.2, p.118, posição inferior), esclarece qualquer
dúvida, onde está grafado corretamente de “Ambuá”.
777 – “Tambeiva”; Coleoptera; Chrysomelidae; Cassidinae; Lane (1942) e Boeseman
et al. (1990) identificam este inseto como Desmonota (Pelidionota) variolosa
(Weber, 1801), Nomura (1996, p.279), afirma que esta espécie é hoje Polychalca
(Desmonota) variolosa (Weber, 1801). A gravura da p.255, bem como o seu
provável modelo, a aquarela (L.P., v.2, p.122, n 0 1), são muito fiéis este
conhecido crisomelídeo. O texto descritivo indica que Marcgrave observou o
inseto vivo, pois registra a sua locomoção terrestre e seu vôo lento e pesado.
778 – “Paipai Guacu”; Hymenoptera; Pompilidae; Pepsis sp. possivelmente. A
xilogravura da p.255 tem seu provável modelo (L.P., v.2, p.124), com posição
invertida em relação à gravura6.
781 – “Insectum volans”; Phasmida; Prisopus ohrtmani (Lichtestein, 1802), como
Nomura (1996, p.280) desconfia que seja; segundo Lane (1942) trata-se de uma
espécie de Prisopus. A xilogravura da p.256 tem seu possível modelo na aquarela
5 Em nota correspondente ao texto, Laet confunde este elaterídeo com um buprestídio. A edição
brasileira grafa erradamente o nome de Mouffet, escrevendo Mousset, confundindo a letra f
latina por s.
6 O texto descritivo é bastante claro e revela a prática da alfinetagem de insetos, quando se refere
a dureza do seu corpo quando da tentativa de alfinetá-lo.
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
149<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>{{ad|'''768 – “Quici Miri”;''' Coleoptera; Elateridae; ''Chalcolepidius zonatus'' Eschscholtz, 1829, como identificado por Lane (1942)<ref>Em nota correspondente ao texto, Laet confunde este elaterídeo com um buprestídio. A edição brasileira grafa erradamente o nome de Mouffet, escrevendo Mousset, confundindo a letra f latina por s.</ref>. A xilogravura da p.254 é uma das melhores da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2, p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici miri” pode ser compreendido como “besouro pequeno”, enquanto “quicigoaçú”, como está grafado na aquarela, pode ser compreendido como “besouro grande”, como realmente ocorre no Nordeste, com mais de 3 cm de comprimento. Assim, a denominação do Livro VII dá um sentido completamente contrário ao tamanho real do inseto.}}
{{ad|'''773 – “Quici”;''' Coleoptera; Cerambycidae; identificado por Lane (1942) como ''Trachyderes succintus'' (L., 1758), conhecido atualmente como Retrachyderes thoracicus. A xilogravura da p.254 apresenta uma inversão da cor da faixa dos élitros, representando-a escura, quando no seu provável modelo (L.P., v.2, p.107) é amarelada, em relação aos élitros escuros, como escreve Marcgrave (1942): “Pelo meio das asas ou do dorso, corre transversalmente uma linha larga, amarela pálida”. A posição dos apêndices também está diferente, bem como a xilogravura apresenta os antenômeros em forma de contas, intercalados com os de forma alongada, fato que não existe na aquarela e nem tampouco no inseto real.}}
{{ad|'''775 – “Vermis”;''' Diplopoda; Spiribolida, Spirobolidae; Spirobolus maximus (L., 1766), como Nomura (1996, p.279) acha provável. O texto descritivo refere-se a um “verme terrestre” e a xilogravura da p.255 representa um conhecido “embuá”. O seu provável modelo (L.P., v.2, p.118, posição inferior), esclarece qualquer dúvida, onde está grafado corretamente de “Ambuá”.}}
{{ad|'''777 – “Tambeiva”;''' Coleoptera; Chrysomelidae; Cassidinae; Lane (1942) e Boeseman et al. (1990) identificam este inseto como Desmonota (Pelidionota) variolosa (Weber, 1801), Nomura (1996, p.279), afirma que esta espécie é hoje Polychalca (Desmonota) variolosa (Weber, 1801). A gravura da p.255, bem como o seu provável modelo, a aquarela (L.P., v.2, p.122, n 0 1), são muito fiéis este conhecido crisomelídeo. O texto descritivo indica que Marcgrave observou o inseto vivo, pois registra a sua locomoção terrestre e seu vôo lento e pesado.}}
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'''781 – “Insectum volans”;''' Phasmida; Prisopus ohrtmani (Lichtestein, 1802), como Nomura (1996, p.280) desconfia que seja; segundo Lane (1942) trata-se de uma espécie de Prisopus. A xilogravura da p.256 tem seu possível modelo na aquarela<noinclude></div>
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{{ad|'''773 – “Quici”;''' Coleoptera; Cerambycidae; identificado por Lane (1942) como ''Trachyderes succintus'' (L., 1758), conhecido atualmente como ''Retrachyderes thoracicus''. A xilogravura da p.254 apresenta uma inversão da cor da faixa dos élitros, representando-a escura, quando no seu provável modelo (L.P., v.2, p.107) é amarelada, em relação aos élitros escuros, como escreve Marcgrave (1942): “Pelo meio das asas ou do dorso, corre transversalmente uma linha larga, amarela pálida”. A posição dos apêndices também está diferente, bem como a xilogravura apresenta os antenômeros em forma de contas, intercalados com os de forma alongada, fato que não existe na aquarela e nem tampouco no inseto real.}}
{{ad|'''775 – “Vermis”;''' Diplopoda; Spiribolida, Spirobolidae; ''Spirobolus maximus'' (L., 1766), como Nomura (1996, p.279) acha provável. O texto descritivo refere-se a um “verme terrestre” e a xilogravura da p.255 representa um conhecido “embuá”. O seu provável modelo (L.P., v.2, p.118, posição inferior), esclarece qualquer dúvida, onde está grafado corretamente de “Ambuá”.}}
{{ad|'''777 – “Tambeiva”;''' Coleoptera; Chrysomelidae; Cassidinae; Lane (1942) e Boeseman et al. (1990) identificam este inseto como ''Desmonota (Pelidionota) variolosa'' (Weber, 1801), Nomura (1996, p.279), afirma que esta espécie é hoje ''Polychalca (Desmonota) variolosa'' (Weber, 1801). A gravura da p.255, bem como o seu provável modelo, a aquarela (L.P., v.2, p.122, nº 1), são muito fiéis este conhecido crisomelídeo. O texto descritivo indica que Marcgrave observou o inseto vivo, pois registra a sua locomoção terrestre e seu vôo lento e pesado.}}
{{ad|'''778 – “Paipai Guacu”;''' Hymenoptera; Pompilidae; ''Pepsis'' sp. possivelmente. A xilogravura da p.255 tem seu provável modelo (L.P., v.2, p.124), com posição invertida em relação à gravura<ref>O texto descritivo é bastante claro e revela a prática da alfinetagem de insetos, quando se refere a dureza do seu corpo quando da tentativa de alfinetá-lo.</ref>.}}
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'''781 – “Insectum volans”;''' Phasmida; ''Prisopus ohrtmani'' (Lichtestein, 1802), como Nomura (1996, p.280) desconfia que seja; segundo Lane (1942) trata-se de uma espécie de ''Prisopus''. A xilogravura da p.256 tem seu possível modelo na aquarela<noinclude></div>
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descrita no texto, pois possui o corpo acizentado e mandíbulas coralíneas,
enquanto no texto, a sua cor é de madeira com apêndices pretos. Na aquarela, sua
denominação é “Iaçóca”.
795 – “Insectum”; Hemiptera; Belostomatidae; Belostoma sp., como identifica Lane
(1942). Embora que a xilogravura e a aquarela pareçam indicar um Lethocerus,
as dimensões descritas por Marcgrave no texto (2 dedos de comprimento por 1 de
largura) indicam uma espécie de Belostoma, mais comum na região. A gravura
da p.259 é muito fiel ao seu possível modelo (L.P., v.1, p.171) e representa uma
conhecida “barata d’água”, muito comum no litoral nordestino na época chuvosa,
quando é atraída pela luz dos postes e residências e temida por uma suposta
“picada venenosa”.
INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO
FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS REPRESENTAÇÕES
NOS LIBRI PRINCIPIS
729 – “Iaaciaiira”; Arachnida; Scorpionida; Buthidae; Rhopalurus rochai Borelli, 1910,
como acredita ser Nomura (1996, p.273), tratando-se do escorpião mais comum
do Nordeste; Lane (1942) acha que é uma espécie de Rhopalurus, conhecido
regionalmente como “lacraus”. Sua provável representação nos L.P. está na p.113
(v.2), que apresenta duas formas, uma maior, ocupando posição superior e outra
menor, inferior. Sua denominação na aquarela é “Iaaçiajíra”.
732 – “Tucurobi”; Orthoptera; Tettigoniidae; segundo Lane (1942), Lineu relaciona
este inseto à sua espécie Tettigonia laurifolius, entretanto, escreve acertadamente,
que o texto descritivo não oferece elementos seguros para a sua identificação.
Nomura (1996, p.273), com base na denominação de “gafanhoto verde”, associa
esta denominação a Tropidacris grandis e Eutropidacris collaris. Entretanto o
texto não deixa dúvidas que se trata de um tetigonídeo. Sua provável
representação nos L.P. está na p.109 (v.2).
741 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; segundo Lane (1942), trata-se de
uma espécie de Nephila; para Nomura (1996, p.274), deve ser Nephila cruenta
(Fabricius, 1775). Sua provável representação nos L.P., ocupa a posição superior
da p.120 (v.2), onde é denominada de “Nhanduí”.
743 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Salticidae; segundo Nomura (1996, p.275),
trata-se de uma aranha “papa-moscas” que pode ser dos gêneros Plexippus,
Hasarius ou Salticus. Sua provável representação nos L.P. está na p.152 (v.1),
onde é denominada de “Nhandií”.
744 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; Gasteracantha cancriformes (L.,
1767), provavelmente. Comparada por Marcgrave a uma “tartaruga terrestre”.
150
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>(L.P., v.2, p.129), que possui, entretanto, uma coloração bastante diferente da descrita no texto, pois possui o corpo acizentado e mandíbulas coralíneas, enquanto no texto, a sua cor é de madeira com apêndices pretos. Na aquarela, sua denominação é “Taçóca”.</div>
{{ad|'''795 — “Insectum”;''' Hemiptera; Belostomatidae; ''Belostoma'' sp., como identifica Lane (1942). Embora que a xilogravura e a aquarela pareçam indicar um ''Lethocerus'', as dimensões descritas por Marcgrave no texto (2 dedos de comprimento por 1 de largura) indicam uma espécie de ''Belostoma'', mais comum na região. A gravura da p.259 é muito fiel ao seu possível modelo (L.P., v.1. p.171) e representa uma conhecida “barata d’água”, muito comum no litoral nordestino na época chuvosa, quando é atraída pela luz dos postes e residências e temida por uma suposta “picada venenosa”.}}
{{ch|'''INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS REPRESENTAÇÕES NOS LIBRI PRINCIPI.'''}}
{{ad|'''729 — “Iaacialira”;''' Arachnida; Scorpionida; Buthidae; ''Rhopalurus rochai'' Borelli, 1910, como acredita ser Nomura (1996, p.273), tratando-se do escorpião mais comum do Nordeste; Lane (1942) acha que é uma espécie de Rhopalurus, conhecido regionalmente como “lacraus”. Sua provável representação nos L.P. está na p.113 (v.2), que apresenta duas formas, uma maior, ocupando posição superior e outra menor, inferior. Sua denominação na aquarela é “Iaaciajira”.}}
{{ad|'''732 — “Tucurobi”;''' Orthoptera; Tettigoniidae; segundo Lane (1942). Lineu relaciona este inseto à sua espécie ''Tettigonia laurifolius'', entretanto, escreve acertadamente, que o texto descritivo não oferece elementos seguros para a sua identificação. Nomura (1996, p.273), com base na denominação de “gafanhoto verde”, associa esta denominação a ''Tropidacris grandis'' e ''Eutropidacris collaris''. Entretanto o texto não deixa dúvidas que se trata de um tetigonídeo. Sua provável representação nos L.P. está na p. 109 (v.2).}}
{{ad|'''741 — “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Argiopidae; segundo Lane (1942), trata-se de uma espécie de ''Nephila''; para Nomura (1996, p.274), deve ser ''Nephila cruenta'' (Fabricius, 1775). Sua provável representação nos L.P., ocupa a posição superior da p. 120 (v.2), onde é denominada de “Nhanduí”.}}
{{ad|'''743 — “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Salticidae; segundo Nomura (1996, p.275), trata-se de uma aranha “papa-moscas” que pode ser dos gêneros ''Plexippus, Hasarius'' ou ''Salticus''. Sua provável representação nos L.P. está na p.152 (v.1). onde é denominada de “Nhanduí”.}}
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'''744 — “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Argiopidae; ''Gasteracantha cancriformes'' (L{{corr|...|.}} 1767), provavelmente. Comparada por Marcgrave a uma “tartaruga terrestre”.<noinclude></div>
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Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/11
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição inferior da folha. 749 – Inominada; Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; Caligo sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja Caligo beltrao (Illiger, 1802) ou C. brasiliensis (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de “Panamaguaçú”7. 752 – “Panapanam...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição
inferior da folha.
749 – Inominada; Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; Caligo sp., como identifica
Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja Caligo beltrao (Illiger,
1802) ou C. brasiliensis (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está
na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de
“Panamaguaçú”7.
752 – “Panapanamucu”; Lepidoptera; Sphingidae; sua provável representação nos L.P.
está na p.133 (v.2), onde a mariposa é denominada de “Panáma”. A aquarela
representa um adulto recém-emergido, mas possui elementos que correspondem
ao texto descritivo.
755 – “Isocucu”; Lepidoptera; Sphingidae; Lane (1942), discutindo o termo indígena de
Montoya, a denominação correta deve ser “isocuçú”, isto é, lagarta grande. Sua
provável representação nos L.P. está na p.110 (v.2), desenhado de um espécime
vivo, sobre uma folha digitada, provavelmente de “fruta-pão” (Artocarpus
incisa), com pelotas escuras de excremento. A lagarta da aquarela é denominada
de “Içocobà”.
756 – Inominada; Lepidoptera; Sphingidae; Manduca quinquemaculata (Haworth,
1803) provavelmente, uma lagarta do tomateiro. O texto descritivo refere-se a
uma lagarta de “cor verde elegante, com pontinhos transversais pretos e linhas
brancas, entre duas quaisquer dobras laterais”. Sua provável representação nos
L.P. está na p.163, n0 2, (v.1).
760 – “Formica”; Hymenoptera; Formicidae; Atta cephalotes (L., 1758), como
identifica Lane (1942) referindo-se a Lineu que a descreveu originalmente como
Formica cephalotes. Sua provável representação nos L.P. está na p.114, n0 2 (v.2),
onde é denominada de “Içaúba”. Esta representação também corresponde à
formiga descrita como “Cupia”.
769 – “Mberuobi”; Diptera; Calliphoridae; Cochliomya macellaria (Fabricius, 1775),
como identifica Nomura (1996, p.278), baseado na descrição que pela cor auriverde é mais provável tratar-se de uma “mosca varejeira”; segundo Lane (1942)
seria possível identificá-la como Ornidia obesa (Fabricius, 1775), um Syrphidae,
onde as “quatro asas” do texto, poderiam ser interpretadas como as duas
verdadeiras mais as calíptras. Sua provável representação nos L.P. está na p.116
(v.2), na posição inferior da página, onde é denominada de “Mberuobí”.
774 – “Jacatinga”; Odonata; Libelullidae; Orthemis discolor (Burmeister, 1839) é a
primeira espécie. O texto descritivo é curioso e revela a observação do inseto no
campo. A descrição de Marcgrave na edição brasileira é a seguinte:
Inseto que aparece com freqüência nos jardins, bosques e campos, nos meses
chuvosos. Tem dois dedos de comprimento, a cabeça como os olhos tem o tamanho
7
É uma aquarela de estilo e qualidade superiores às demais, revelando um outro traço
provavelmente de Eckhout.
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição inferior da folha.</div>
{{ad|'''749 – Inominada;''' Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; ''Caligo'' sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja ''Caligo beltrao'' (Illiger, 1802) ou ''C. brasiliensis'' (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de “Panamaguaçú”<ref>É uma aquarela de estilo e qualidade superiores às demais, revelando um outro traço provavelmente de Eckhout.</ref>.}}
{{ad|'''752 – “Panapanamucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; sua provável representação nos L.P. está na p.133 (v.2), onde a mariposa é denominada de “Panáma”. A aquarela representa um adulto recém-emergido, mas possui elementos que correspondem ao texto descritivo.}}
{{ad|'''755 – “Isocucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; Lane (1942), discutindo o termo indígena de Montoya, a denominação correta deve ser “isocuçú”, isto é, lagarta grande. Sua provável representação nos L.P. está na p.110 (v.2), desenhado de um espécime vivo, sobre uma folha digitada, provavelmente de “fruta-pão” (''Artocarpus incisa''), com pelotas escuras de excremento. A lagarta da aquarela é denominada de “Içocobà”.}}
{{ad|'''756 – Inominada;''' Lepidoptera; Sphingidae; ''Manduca quinquemaculata'' (Haworth, 1803) provavelmente, uma lagarta do tomateiro. O texto descritivo refere-se a uma lagarta de “cor verde elegante, com pontinhos transversais pretos e linhas brancas, entre duas quaisquer dobras laterais”. Sua provável representação nos L.P. está na p.163, n0 2, (v.1).}}
{{ad|'''760 – “Formica”;''' Hymenoptera; Formicidae; ''Atta cephalotes'' (L., 1758), como identifica Lane (1942) referindo-se a Lineu que a descreveu originalmente como ''Formica cephalotes''. Sua provável representação nos L.P. está na p.114, n0 2 (v.2), onde é denominada de “Içaúba”. Esta representação também corresponde à formiga descrita como “Cupia”.}}
{{ad|'''769 – “Mberuobi”;''' Diptera; Calliphoridae; ''Cochliomya macellaria'' (Fabricius, 1775), como identifica Nomura (1996, p.278), baseado na descrição que pela cor auriverde é mais provável tratar-se de uma “mosca varejeira”; segundo Lane (1942) seria possível identificá-la como ''Ornidia obesa'' (Fabricius, 1775), um Syrphidae, onde as “quatro asas” do texto, poderiam ser interpretadas como as duas verdadeiras mais as calíptras. Sua provável representação nos L.P. está na p.116 (v.2), na posição inferior da página, onde é denominada de “Mberuobí”.}}
{{ad|'''774 – “Jacatinga”;''' Odonata; Libelullidae; ''Orthemis discolor'' (Burmeister, 1839) é a primeira espécie. O texto descritivo é curioso e revela a observação do inseto no campo. A descrição de Marcgrave na edição brasileira é a seguinte:}}
Inseto que aparece com freqüência nos jardins, bosques e campos, nos meses chuvosos. Tem dois dedos de comprimento, a cabeça como os olhos tem o tamanho<noinclude>{{rule}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de um grão de ervilha e é de forma redonda; os olhos de figura de elipse são muito grandes. A bôca, quando aberta, é bem grande; o lábio inferior ou maxila inferior é bifurcada no meio; a superior é integra. Na bôca, encontra-se quatro dentes falciformes, os dois superiores são mais fortes e guarnecidos cada um de quatro aguilhões; os inferiores só têm um aguilhão, na extremidade. Sôbre a bôca, no alto da cabeça, encontram-se duas prot...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>de um grão de ervilha e é de forma redonda; os olhos de figura de elipse são muito
grandes. A bôca, quando aberta, é bem grande; o lábio inferior ou maxila inferior é
bifurcada no meio; a superior é integra. Na bôca, encontra-se quatro dentes
falciformes, os dois superiores são mais fortes e guarnecidos cada um de quatro
aguilhões; os inferiores só têm um aguilhão, na extremidade. Sôbre a bôca, no alto
da cabeça, encontram-se duas protuberâncias pequenas, como se houvesse uma
fronte bifurcada, e dois cornichos finíssimos. O tórax e o ventre formam um contínuo
de dedo e meio de comprimento, da grossura de uma fava medíocre; ao mesmo se
acha anexa uma cauda do comprimento de um dedo e quarto, formada de onze juntas,
de uma figura de pirâmide trilateral, curva na extremidade. Junto ao dorso, achamse quatro asas, duas de cada lado, que sempre se acham estendidas lateralmente, quer
êste inseto esteja voando, quer assentado. Cada asa mede quase dois dedos de
comprimento e, na maior largura, meio dedo; elas constam de uma membrana dura,
lustrosa, grisalha, entrecortada de veiazinhas. Cada asa tem, na extremidade, em
direção à parte anterior, uma mancha alongada, de um fusco escuro; cada uma
também adere ao corpo por meio de uma dupla articulação, como se fosse uma dupla
roldana e por isso as traz sempre extensas em linha reta; pode levantá-las para cima
ou para baixo, mas não dobrá-las ou voltá-las para trás; quando voa, produz um
sussurro. Os olhos são de cor punícea; o resto da cabeça e a cauda são de um
vermelho carregado; o tórax e o ventre são também vermelhos carregados com uma
mescla de preto e branco; as mesclas são; as pernas são fuscas. Êste inseto procura
alimento, pousando nas flores. Os belgas denominam êste inseto, “Een spaensche
inffzow”. Êste inseto me parece ser o mesmo descrito e pintado por Scaligero, Hist.
Anim. Lib. VI, e declara que é chamado Coroculum pelos adriáticos e Monachettam
pelos taurinenses. Êle pensa que êste inseto corresponde ao efêmero de Aristóteles,
mas não conseguiu nada de certo dos escritos de Aristóteles. No mês de Julho de
1640 vi inúmeros insetos nos campos da mesma cor do que acima foi descrito, mas
com umas manchas redondas e pretas, nas asas, uns também tinham o corpo fusco;
alguns, esverdeados. (Marcgrave, 1942, p.254).
Esta minuciosa descrição, não deixa dúvidas, tratam-se de exemplares de
libélulas (Odonata), tão comuns na Zona da Mata e litorânea do Nordeste,
principalmente em Pernambuco, nos “meses chuvosos”, como registra Marcgrave,
devido a presença de água no ambiente. A morfologia da cabeça está descrita com
muita precisão e também a do abdome, com sua forma de “pirâmide trilateral”. As
asas e a coloração fornecem os principais elementos de identificação: assim, o
primeiro exemplar descrito, com sua cor de “vermelho carregado”, deve tratar-se de
Orthemis discolor (Burmeister, 1839), até hoje comuníssima na região. Sua provável
representação nos L.P., está na p.117 (v.2), onde é denominada de “Jaçatína”8. O
8 Muito semelhante a denominações populares deste inseto na Amazônia: “Jacina” ou “Jacinta”,
como registradas por Lenko & Papavero (1996)
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* Revista */
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>de um grão de ervilha e é de forma redonda; os olhos de figura de elipse são muito
grandes. A bôca, quando aberta, é bem grande; o lábio inferior ou maxila inferior é
bifurcada no meio; a superior é integra. Na bôca, encontra-se quatro dentes
falciformes, os dois superiores são mais fortes e guarnecidos cada um de quatro
aguilhões; os inferiores só têm um aguilhão, na extremidade. Sôbre a bôca, no alto
da cabeça, encontram-se duas protuberâncias pequenas, como se houvesse uma
fronte bifurcada, e dois cornichos finíssimos. O tórax e o ventre formam um contínuo
de dedo e meio de comprimento, da grossura de uma fava medíocre; ao mesmo se
acha anexa uma cauda do comprimento de um dedo e quarto, formada de onze juntas,
de uma figura de pirâmide trilateral, curva na extremidade. Junto ao dorso, achamse quatro asas, duas de cada lado, que sempre se acham estendidas lateralmente, quer
êste inseto esteja voando, quer assentado. Cada asa mede quase dois dedos de
comprimento e, na maior largura, meio dedo; elas constam de uma membrana dura,
lustrosa, grisalha, entrecortada de veiazinhas. Cada asa tem, na extremidade, em
direção à parte anterior, uma mancha alongada, de um fusco escuro; cada uma
também adere ao corpo por meio de uma dupla articulação, como se fosse uma dupla
roldana e por isso as traz sempre extensas em linha reta; pode levantá-las para cima
ou para baixo, mas não dobrá-las ou voltá-las para trás; quando voa, produz um
sussurro. Os olhos são de cor punícea; o resto da cabeça e a cauda são de um
vermelho carregado; o tórax e o ventre são também vermelhos carregados com uma
mescla de preto e branco; as mesclas são; as pernas são fuscas. Êste inseto procura
alimento, pousando nas flores. Os belgas denominam êste inseto, “Een spaensche
inffzow”. Êste inseto me parece ser o mesmo descrito e pintado por Scaligero, Hist.
Anim. Lib. VI, e declara que é chamado ''Coroculum'' pelos adriáticos e ''Monachettam''
pelos taurinenses. Êle pensa que êste inseto corresponde ao efêmero de Aristóteles,
mas não conseguiu nada de certo dos escritos de Aristóteles. No mês de Julho de
1640 vi inúmeros insetos nos campos da mesma cor do que acima foi descrito, mas
com umas manchas redondas e pretas, nas asas, uns também tinham o corpo fusco;
alguns, esverdeados. (Marcgrave, 1942, p.254).
Esta minuciosa descrição, não deixa dúvidas, tratam-se de exemplares de
libélulas (Odonata), tão comuns na Zona da Mata e litorânea do Nordeste,
principalmente em Pernambuco, nos “meses chuvosos”, como registra Marcgrave,
devido a presença de água no ambiente. A morfologia da cabeça está descrita com
muita precisão e também a do abdome, com sua forma de “pirâmide trilateral”. As
asas e a coloração fornecem os principais elementos de identificação: assim, o
primeiro exemplar descrito, com sua cor de “vermelho carregado”, deve tratar-se de
''Orthemis discolor'' (Burmeister, 1839), até hoje comuníssima na região. Sua provável
representação nos L.P., está na p.117 (v.2), onde é denominada de “Jaçatína”<ref>Muito semelhante a denominações populares deste inseto na Amazônia: “Jacina” ou “Jacinta”, como registradas por Lenko & Papavero (1996)</ref>. O<noinclude>{{rule}}
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: segundo exemplar, que Marcgrave escreve ter observado no campo, em revoada, no mês de julho de 1640, com umas “manchas redondas e pretas, nas asas”, deve tratarse do libelulídeo Erytrodiplax umbrata (Linnaeus, 1758), que possui tais manchas nas asas, quando adultos já maduros, embora que tais manchas sejam, mais precisamente, em forma de barras, à distância do vôo, poderiam ser perfeitamente descritas como arredondadas. 787 – “Manganga...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>segundo exemplar, que Marcgrave escreve ter observado no campo, em revoada, no
mês de julho de 1640, com umas “manchas redondas e pretas, nas asas”, deve tratarse do libelulídeo Erytrodiplax umbrata (Linnaeus, 1758), que possui tais manchas
nas asas, quando adultos já maduros, embora que tais manchas sejam, mais
precisamente, em forma de barras, à distância do vôo, poderiam ser perfeitamente
descritas como arredondadas.
787 – “Mangangai”; Hymenoptera; Xylocopidae; Xylocopa grisenscens Lep., que
Nomura (1996, p.281), baseado na descrição, confunde com um coleóptero
escarabídeo. Sua provável representação nos L.P. está na p.172 (v.1), onde é
denominado de “Mutucúna”.
788 – “Mangagai”; Hymenoptera; Anthophoridae; Centris sp. Nomura (1996: 281),
acha que a descrição faz lembrar um mamangava do gênero Bombus (Bombidae).
O texto descritivo indica a observação do inseto vivo, em vôo, produzindo um
zumbido característico. Sua provável representação nos L.P. está na p.126, n 0 2
(v.2), onde é denominado de “Peroár”.
793 – “Insectum”; Hymenoptera; Xylocopidae; Xylocopinae; Xylocopa frontalis
(Olivier, 1789). Outro mamangava, com provável representação nos L.P. na p.169
(v.1), onde é denominado de “Mutúca”.
797 – “Insectum”; Coleoptera; Chrysomelidae: a descrição coincide com o desenho do
coleóptero representado nos L.P., à p.164 (v.1) e, curiosamente, também
representado por Wagener (1964), na sua figura 85, sob a denominação de
“fuqua”, enquanto a aquarela dos L.P. tem a denominação de “Areapé”. O texto
descritivo sugere um inseto de pequenas dimensões, pois foi observado por
Marcgrave sob uma lupa.
798 – “Insectum”; Blattariae: a descrição possivelmente indique a pequena barata verde
representada nos L.P., p.126, n0 3 (v.2).
INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS E FIGURADOS NO
LIVRO VII, SEM MODELOS NOS LIBRI PRINCIPIS
738 – “Nhandu Guacu”; Arachnida; Araneae; Theraphosidae; Avicularia avicularia
(L., 1758), como identifica Lane (1942); Boeseman et al.(1990), comentando a
série de desenhos de Leningrado, identifica como Avicularia sp. No texto
descritivo Marcgrave registra a sua presença na Ilha de Santo Aleixo, no litoral
sul de Pernambuco. A aquarela da p.151 (v.1) dos L.P., onde é denominada
corretamente de “Nhandiguaçú”, isto é, aranha grande, não parece ter sido o
modelo para a execução da xilogravura. Pois, além da posição dos apêndices ser
diferente, as quelíceras não aparecem na xilogravura e a parte terminal do abdome
da aranha da aquarela, aparece sem cerdas, enquanto na xilogravura é
completamente coberto. A aranha caranguejeira representada em duas posições
diferentes na p.60 dos Icones Animalium do Theatrum (Teixeira, 1995), também
não serviu de modelo para a xilogravura e por seu estilo e qualidade artística
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
153<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: superior aos demais desenhos, deve ser de autoria de Eckhout. Esta aranha também é representada por Wagener (1964), prancha 89, porém, com a parte terminal do abdome sem cerdas e com um par de apêndices abdominais 9. Marcgrave, como descreve no texto, chegou a criar destas aranhas em cativeiro, alimentando-as com moscas e outros insetos, observando as suas ecdises. 754 – Inominada; Phasmida; Phasmidae; Cladomorphus phillinus Gray, 1835...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>superior aos demais desenhos, deve ser de autoria de Eckhout. Esta aranha
também é representada por Wagener (1964), prancha 89, porém, com a parte
terminal do abdome sem cerdas e com um par de apêndices abdominais 9.
Marcgrave, como descreve no texto, chegou a criar destas aranhas em cativeiro,
alimentando-as com moscas e outros insetos, observando as suas ecdises.
754 – Inominada; Phasmida; Phasmidae; Cladomorphus phillinus Gray, 1835, como
identificam Boeseman et al. (1990); segundo Lane (1942), é possivelmente uma
espécie de Phibalosoma. Não há modelo ou representação deste inseto nos L.P.
A aquarela da p.61 dos Icones Animalius do Theatrum (Teixeira, 1995),
certamente não serviu de modelo para a xilogravura, pois a posição dos apêndices
é completamente diferente. No texto descritivo, Marcgrave confunde o ovipositor
da fêmea com um aguilhão e anuncia que o inseto era capaz de picar.
766 – “Enembiu”; Coleoptera; Chrysomelidae; Eumolpinae; Eumolpus ignitus
(Fabricius, 1787); Nomura (1996, p.278) opina tratar-se do buprestídeo
Euchroma gigantea (L., 1758). Entretanto, a própria descrição e a xilogravura não
correspondem a tal identificação: Marcgrave afirma as “asas duras e lisas” e não
com élitros pontuados, carenados ou rugosos, como ocorre em Buprestidae. As
cores descritas por Marcgrave: o pronoto cor de “safira polida” e as asas (élitros)
“verdes com áureo brilho notável”, a forma do inseto da xilogravura,
correspondem a este belo crisomelídeo. A xilogravura apresenta a presença de um
par extranumerário de apêndices abdominais que não existe no inseto.
767 – “Ambua”; Lepidoptera; Hemileucidae (larva); Automeris sp., como identifica
Lane (1942); Nomura (1996, p.278), vai mais longe e identifica a espécie
Automeris illustris (Walker, 1855), conhecido o adulto como “olho-de pavãoalaranjado”. Entretanto, não há registros na literatura desta espécie em folhas de
jurubeba (Solanum paniculatum), como é geralmente encontrada em Pernambuco
e o texto menciona “Jurupeba”. A lagarta representada na aquarela da p.118 (v.2)
dos L.P., denominada de “Inajaaçóca”, parece não ter sido o modelo da
xilogravura: o texto registra que as cerdas venenosas são de cor verde e o corpo
“muito preto”10.
779 – “Insectum”; Hemiptera (forma jovem): a descrição refere-se a presença de quatro
“asas tênues”, que sugerem as tecas alares e ao mau cheiro exalado, semelhante
ao “Geepe”, do odor da substância exalada pelas glândulas dos percevejos.
9 De acordo com Mello (1986, p.100), o desenho desta aranha consta da obra de Laet na edição de
1630, que por sua vez foi retirada de Clúsio, da sua obra póstuma Curae Posteriores, que por
sua vez, recebeu o desenho de um certo Jan van Uffele que a desenhou de um exemplar
observado na Bahia em fins do século XVI. Whitehead (1979: 437) também afirma que, o
desenho da caranguejeira foi tirado da obra de Clusius por Laet, para servir de modelo da
xilogravura do Livro VII.
10 Wagener (1964, prancha 90 a) parece ter também representado esta lagarta, tanto na figura,
quanto na descrição, quando se refere a “lagarta verde”.
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 780 – “Insectum”; Hymenoptera; Mutiliidae: tanto a xilogravura, quanto a descrição parecem indicar uma “formiga feiticeira”, cujas fêmeas são ápteras e vivem como predadoras de outros insetos. Marcgrave observou o inseto em atividade no solo: “currit super terram ut araneus terrestris” (Marcgravi, 1648). 782 – “Guaracu Eremembi”; Homoptera; Cicadidae; Carineta fasciculata (Germar, 1820) como Lane (1942) achou possível identificar. N...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>780 – “Insectum”; Hymenoptera; Mutiliidae: tanto a xilogravura, quanto a descrição
parecem indicar uma “formiga feiticeira”, cujas fêmeas são ápteras e vivem como
predadoras de outros insetos. Marcgrave observou o inseto em atividade no solo:
“currit super terram ut araneus terrestris” (Marcgravi, 1648).
782 – “Guaracu Eremembi”; Homoptera; Cicadidae; Carineta fasciculata (Germar,
1820) como Lane (1942) achou possível identificar. Não há representação desta
cigarra nos L.P. e, certamente, a pequena cigarra, denominada de “Jacurandí”,
representada na p.114, n0 3 (v.2), não serviu de modelo para a xilogravura. Por
outro lado, a cigarra representada na p.63 dos Icones Animalium do Theatrum
(Teixeira, 1995), embora denominada de “Guaraçueremembi”, é muito diferente
da xilogravura que apresenta ainda, uma figura suplementar esquemática da
cabeça e rostro da cigarra.
O texto descritivo original revela a observação das cigarras no campo, quando
reproduz o seu “canto” e a crença popular sobre a morte das cigarras de tanto
“cantar”, confundindo as exúvias encontradas nos troncos das árvores, com o
corpo dos adultos alados.
783 – “Nhatiu”; Muriçoca ou pernilongo macho; Diptera; Culicidae; Culex sp., como
identifica Lane (1942). O texto descritivo e a xilogravura são bastante precisos e
revelam a experiência de noites insones, pelo tormento causado por estes insetos,
além do método popular, até hoje usado na região, para afugentá-los, queimandose esterco de gado. Por outro lado, este texto e, particularmente, a xilogravura são
da maior importância, na medida em que se constituem no único desenho e texto
da obra, onde Marcgrave sugere a sua autoria, usando um instrumento ótico de
aumento11.
Na nota correspondente, Laet cita outros dípteros importunos do Novo Mundo,
inclusive os famigerados maruins, não mencionados por Marcgrave, mas bem
comentados por Piso (1948), como um dos piores incômodos da região. É
estranho que Marcgrave não os tenha mencionado, pois estes insetos são os mais
referenciados tormentos dos cronistas coloniais.
786 – “Apeare”; forma jovem de percevejo; Hemiptera: no texto descritivo há referência
ao odor de percevejo (“geepe”) e a descrição morfológica corresponde a uma
ninfa destes hemípteros.
789 – “Forcipula”; Dermaptera; Pygidicranidae; Pygidicrana v-nigrum Serville, 1831,
como identifica Lane (1942), frequente na Bahia. Em Pernambuco, os insetos
desta ordem são conhecidos como “lacrainhas” ou “tesourinhas” e geralmente
temidos pelo povo, pela presença das suas pinças.
790 – “Milipede”; Diplopoda: conhecido na região como “imbuá”.
11 A principal questão é: por que este desenho não está representado na iconografia? Como já
desconfiava Whitehead (1979), que talvez tenha havido uma outra série de desenhos não
coloridos que serviram de modelos para as xilogravuras.
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
155<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO FIGURADOS NO LIVRO VII, SEM MODELOS OU REPRESENTAÇÕES NOS LIBRI PRINCIPIS 730 – “Jatebucu”; carrapato-estrela; Arachnida; Acarina; Ixodidae; Amblyoma cajennense (Fabricius, 1787), como identifica Lane (1942). O texto descritivo é interessante e revela uma desagradável experiência de Marcgrave que teve o seu corpo infestado por estes carrapatos12. 731 – “Tucuracu”; Orthoptera; Romaleidae; R...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO
FIGURADOS NO LIVRO VII, SEM MODELOS OU REPRESENTAÇÕES
NOS LIBRI PRINCIPIS
730 – “Jatebucu”; carrapato-estrela; Arachnida; Acarina; Ixodidae; Amblyoma
cajennense (Fabricius, 1787), como identifica Lane (1942). O texto descritivo é
interessante e revela uma desagradável experiência de Marcgrave que teve o seu
corpo infestado por estes carrapatos12.
731 – “Tucuracu”; Orthoptera; Romaleidae; Romaleinae; Tropidacris cristata
(Linnaeus, 1758); segundo Lane (1942), trata-se de Tropidacris collaris (Stoll,
1813) e Nomura (1996, p.273), concorda com a identificação de Lane, e também
acha que se trata de T. collaris.
Marcgrave fez a seguinte descrição deste gafanhoto:
Locusta do comprimento de quatro dedos, com seis pernas, duas das quais, junto
ao pescoço, são as mais curtas, medindo cada uma dedo e meio ou um pouco mais
de comprimento. As duas pernas médias são um pouco mais longas e as duas
posteriores são as mais longas de tôdas, isto é, medem quatro dedos e são voltadas
para trás; com elas dá o salto; cada uma consta de três articulações. Os pés quase
se assemelham à unha do cavalo e têm duas pequenas unhas laterais; as pernas
posteriores são mais grossas e a última metade delas é alternadamente dotada de
dentinhos agudos, numa dupla série. Quatro são as asas, do comprimento de mais
de três dedos; as exteriores têm mais de meio dedo de largura e com elas êle cobre
as duas interiores, que são dobradas em três partes e da largura de quase dedo e
meio. A cabeça é quase equina; os olhos são dois, salientes; a figura é oval; a
barba como a do caranguejo é do comprimento de dedo e meio. No pescoço achase um tegumento, semelhante ao capuz dos monjes, descido da cabeça e enrugado.
O ventre consta de oito secções; o corpo é verde; na parte inferior e no dorso é de
côr vermelha. O capuz e a cabeça são de côr verde clara; assim também são a
barba e duas pernas dianteiras; os outros dois pares de perna são verdes, mas
marchetados de branco e fusco; os pés são vermelhos. Os olhos tem a côr do lapis
Bezoar. A côr das asas exteriores é cinzenta com mescla de muito vermelho à
semelhança da flor “myagre”, entrecortado de veiazinhas; as asas interiores são
manchadas de uns quadrinhos vermelhos carregado, preto, cinzento e verde. A
força dos gafanhotos acha-se colocada, nas pernas posteriores; à semelhança dos
gatos, costumam preparar a cabeça e a barba com as pernas da frente. (Marcgrave,
1942, p.245).
A descrição acima é de uma notável precisão e revela a observação do inseto vivo,
no seu ambiente. As suas medições em dedos oferecem um relativo grau de
exatidão. Provavelmente, o espécime que usou para a sua descrição era um
12 No final, pela primeira vez questiona o conceito de geração espontânea de Aristóteles em relação
a estes artrópodos.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: macho, que em Tropidacris, varia em comprimento de 5 a 7 cm, o que equivale ao dos dedos indicador, médio, anular e mínimo, unidos entre si, “quatro dedos”, como afirma Marcgrave. A descrição das pernas é muito fiel, sobretudo a das posteriores, de função saltatória. A dos “pés” corresponde ao pós-tarso e a estrutura semelhante à “unha de cavalo” é o arólio, com as suas duas garras laterais adjacentes. A descrição da cabeça, aprese...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>macho, que em Tropidacris, varia em comprimento de 5 a 7 cm, o que equivale
ao dos dedos indicador, médio, anular e mínimo, unidos entre si, “quatro dedos”,
como afirma Marcgrave. A descrição das pernas é muito fiel, sobretudo a das
posteriores, de função saltatória. A dos “pés” corresponde ao pós-tarso e a
estrutura semelhante à “unha de cavalo” é o arólio, com as suas duas garras
laterais adjacentes. A descrição da cabeça, apresenta aspectos problemáticos:
como a sua forma “quase equina”, distante da realidade, subglobosa; a “barba
como a do caranguejo” deve corresponder aos palpos maxilares e labiais, mas
nunca tão longos (“dedo e meio”) como citados. A região denominada de
“pescoço”, corresponde ao pronoto, com a carena média sulcada
perpendicularmente, fielmente descrito como um “capuz dos monjes, descido da
cabeça”, sobre este aspecto, Pinto citado por Lenko & Papavero (1996), comenta
que os índios davam aos frades franciscanos a denominação de “tucura”, pela
semelhança dos seus capuzes com o protórax dos gafanhotos.
A cor dos olhos compostos está muito fiel com a da pedra Bezoar, e não do
“lápis”, como está na edição brasileira. Um dos aspectos decisivos da
identificação deste gafanhoto é o da coloração das asas posteriores, que
diferencia, entre outros aspectos, duas espécies brasileiras de Tropidacris.
Segundo Duranton & Launois (1987): T. collaris possui as asas posteriores de
uma coloração azul-esverdeada; enquanto, T. cristata, apresenta-as com uma
coloração vermelho-vinho, franjadas de preto e pontilhadas de manchas escuras.
Ora, esta coloração corresponde seguramente com a de Marcgrave: “as asas
interiores são manchadas de uns quadrinhos vermelhos carregado, preto, cinzento
e verde” e não de coloração azul-esverdeada, como em T. collaris. Trata-se,
portanto, de um exemplar macho, adulto, de Tropidacris cristata (Linnaeus,
1758)13.
O outro gafanhoto de “cor fusca”, sumariamente descrito no texto, pode tratar-se
de uma espécie de Schistocerca (Acrididae).
739 – “Nhamdui”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; Micrathena difissa (Walckenaer,
1767), como identifica Nomura (1996, p.272) baseado em Boeseman et al.
Segundo Lane (1942) seria provavelmente Gasterocantha cancriformes (L.,
1767).
745 – “Tunga”; Suctoria; Tungidae; Tunga penetrans (L., 1758): com um texto
descritivo curto e conciso, consegue Marcgrave descrever o conhecido “bicho-
13 Seguramente, este é o primeiro assinalamento dessa espécie para o Nordeste, já que esta, tem
uma distribuição geográfica ao Norte do Brasil, nos Estados do Amazonas, Pará, Rondônia e
Mato Grosso. Entretanto, nos dias atuais, já ocorreu assinalamento da presença dessa espécie no
Município de Moreno, Pernambuco, atribuída pelos autores a causas acidentais (Hora &
Almeida, 1994). Conclui-se, portanto, que a área de distribuição geográfica da espécie, há
séculos atrás, era muito mais ampla do que é hoje.
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de-pé”, um dos insetos daninhos mais referenciados pelos nossos cronistas coloniais14. 747 – “Panama”; Lepidoptera: o texto descritivo é muito confuso e sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) opina tratar-se de um representante da família Ithomiidae. 748 – Inominados; Lepidoptera; Pieridae: o texto descritivo cita algumas espécies de pierídeos, sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) acha que são exemplares d...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>de-pé”, um dos insetos daninhos mais referenciados pelos nossos cronistas
coloniais14.
747 – “Panama”; Lepidoptera: o texto descritivo é muito confuso e sem elementos de
identificação. Nomura (1996, p.275) opina tratar-se de um representante da
família Ithomiidae.
748 – Inominados; Lepidoptera; Pieridae: o texto descritivo cita algumas espécies de
pierídeos, sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) acha que são
exemplares de Ascia monuste (L., 1764).
750 – Inominado; Lepidoptera; Heliconiidae; Dione juno juno (Cramer, 1782), como
identificada por Lane (1942), muito mais pelas informações sobre a biologia desta
praga do maracujàzeiro (Passiflora edulis), do que pela morfologia descrita no
texto. O texto de Marcgrave descreve minuciosamente todo o desenvolvimento
pós-embrionário do inseto, por ele observado no horto do palácio de Nassau:
No jardim de Maurício, em dezembro de 1640; elas [as lagartas] consumiram a
máxima parte das fôlhas de maracujá e puseram inúmeros ovos, das quais
provieram as lagartas e em seguida as borboletas. Sobre as fôlhas do maracujá
põem ovos lúteos, do tamanho da papoula menor, os quais ficam aderentes às
fôlhas; dêstes ovos procedem lagartas de côr hepática, que crescem até terem a
grossura de uma pena de pato. Estas lagartas tem uns aguilhões pretos pelo corpo;
a cabeça é preta bicornuda; pelo corpo se acham espalhadas uns pontos quase
vermelhos. Estas lagartas consomem as fôlhas do maracujá e ao morrer se
revestem de uma pele grisalha ou uma bolsinha, que se abre, depois de um certo
tempo, e daí procedem as borboletas de asas. (Marcgrave, 1942, p.250).
Como se vê, Marcgrave tinha um claro conhecimento da metamorfose completa
das borboletas. Por que então não concluiu que muitas das suas lagartas descritas,
seriam formas jovens de lepidópteros, no lugar de descrevê-las como “vermes”,
ou como se fossem outros “insetos”?
751 – Inominada; Lepidoptera; Uraniidae; Urania leilus (L., 1758), como identifica
Lane (1942). Uma das mais exatas descrições de Marcgrave. Um fato interessante
é que esta borboleta está representada na obra de Wagener (1964, prancha 88) e
também nos Icones Volatilium (t.IV, p.171) do Theatrum (Teixeira, 1995), onde
é representada junto a um periquito (Tujete). Entretanto, não há nenhuma
representação desta borboleta nos L.P.
757 – “Isocu”; Lepidoptera; Saturniidae (pupa); segundo Lane (1942) é possível que se
trate de uma espécie de Rothschildia; Nomura (1996, p.277) adianta que pode ser
R. aurota (Cramer, 1775), conhecida como “espelho”. No texto descritivo,
Marcgrave afirma que criou este inseto num vidro, observando a excreção de um
líquido escuro durante sua transformação.
14 Constituia-se num dos principais tormentos relatados pelos colonizadores nas regiões costeiras
do Brasil. Marcgrave descreve também o seu mais usado processo de extração e tratamento.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 758 – Inominados; larvas de Lepidoptera: 3 lagartas de lepidópteros são mencionadas, sem elementos de identificação. 759 – Inominado; Hymenoptera; Formicidae; Atta sexdens sexdens (L., 1758), como identifica Nomura (1996, p.277). O texto de Marcgrave refere-se a uma formiga voadora, conhecida na região como “tanajura” 15.. Nos L.P. e no Theatrum, não há nenhum desenho desta formiga, encontrada, entretanto, em Wagener (1964, no alto à d...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>758 – Inominados; larvas de Lepidoptera: 3 lagartas de lepidópteros são mencionadas,
sem elementos de identificação.
759 – Inominado; Hymenoptera; Formicidae; Atta sexdens sexdens (L., 1758), como
identifica Nomura (1996, p.277). O texto de Marcgrave refere-se a uma formiga
voadora, conhecida na região como “tanajura” 15.. Nos L.P. e no Theatrum, não há
nenhum desenho desta formiga, encontrada, entretanto, em Wagener (1964, no
alto à direita da prancha 86). Se Wagener, como afirmam os autores, deve ter feito
cópias dos seus desenhos nos de Marcgrave e Eckhout, onde teria copiado o desta
formiga ?
761 – “Tapiiai”; Hymenoptera; Formicidae; Ponerinae; Cryptocerus atratus (L., 1758),
como identifica Lane (1942), relatando que Lineu baseou-se nessa descrição para
classificar a sua Formica atrata; Nomura (1996, p.277), baseado em Buzzi, pela
denominação “tapiai”, identifica Termitopone marginata (Roger, 1861).
762 – “Cupia”; Hymenoptera; Formicidae; Atta sp.; Nomura (1996, p.277), opina ser
uma espécie de cupim (Termitidae). Entretanto, pela cor e forma da cabeça,
citadas na descrição, deve ser uma saúva.
764 – “Milípede”; Thysanura; Lepismatidae; Nomura (1996, p.277) acha que, tanto
pode ser Acrotelsa collaris (Fabricius, 1793) como Ctenolepisma ciliata (Dufour,
1831): a descrição é muito clara de uma traça de livros. Entretanto, acredita-se
não haver elementos para uma identificação específica.
770 – Inominada; Diptera; Tephritidae; Nomura (1996, p.278) acredita ser uma espécie
de Eristalis (Syrphidae). Entretanto, o “processo tibeiforme” na parte posterior
do corpo, pode ser interpretado como um ovipositor de uma mosca-das-frutas.
771 – Inominados; Diptera; Tabanidae; segundo Lane (1942) deve ser uma espécie de
Chrysopus16.
772 – Inominado; Diptera; Tabanidae; Tabanus sp.: embora Marcgrave registre a
existência de quatro asas, a descrição coincide com exemplares de mutucas de
maior tamanho que os anteriores.
776 – “Insectum volans”: Marcgrave faz a seguinte descrição deste inseto: A descrição,
embora detalhada, é confusa e não oferece elementos de identificação, nem dos
taxa superiores.
791 – “Scarabeus”; Coleoptera; Chrysomelidae; Hispinae; Coraliomela brunnea
(Thunberg, 1821), provavelmente; Nomura (1996, p.281) acha que deve ser uma
cochonilha-vermelha, Pulvinaria vitis (L., 1758), (Homoptera, Coccidae).
15 Marcgrave registra a entomofagia dos negros, mas nada escreve sobre os indígenas, onde este
hábito era mais comum e até hoje praticado, durante as revoadas de tanajuras, logo após a
ocorrência das primeiras chuvas do ano.
16 Moscas assinaladas por Marcgrave como ocorrentes em Camaragibe e Trapussú (e não
“Taprassú” como está escrito na edição brasileira de 1942, que deve ser o rio Tapiruçú, no atual
município de Serinhaém, PE).
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Entretanto, o texto descritivo sugere uma “barata-do-coqueiro”, tendo a cor geral “vermelha carregada; olhos e cornichos pretos”. 792 – “Locusta”; Orthoptera; Romaleidae; Romaleinae; Xestotrachelus robustus (Bruner, 1913); Nomura (1996, p.281) afirma com segurança que se trata de Elaeochlora trilineata (Serville, 1839). Entretanto, não se conhece nenhuma espécie de Elaeochlora com a coloração preta lustrosa, principalmente a espécie ci...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Entretanto, o texto descritivo sugere uma “barata-do-coqueiro”, tendo a cor geral
“vermelha carregada; olhos e cornichos pretos”.
792 – “Locusta”; Orthoptera; Romaleidae; Romaleinae; Xestotrachelus robustus
(Bruner, 1913); Nomura (1996, p.281) afirma com segurança que se trata de
Elaeochlora trilineata (Serville, 1839). Entretanto, não se conhece nenhuma
espécie de Elaeochlora com a coloração preta lustrosa, principalmente a espécie
citada, que é predominantemente de coloração verde. Marcgrave faz a seguinte
descrição deste gafanhoto:
Encontra-se aquí também um de côr preta lustrosa, com a cabeça cortada de linhas
de côr do cinábrio; as pernas são também pretas sombreadas de cinábrio; na
extremidade de seu invólucro, encontra-se uma linha branca em lugar de fímbria;
rodeam a secção posterior umas linhas circulares amarelas; nas asas pretas, achase uma fímbria de côr cinábria (Marcgrave, 1942, p.258).
Tal descrição poderia ser confundida com ninfas do último estádio de Tropidacris
spp., Porém Marcgrave refere-se a presença de “asas pretas”, o que não poderiam
ser confundidas com os rudimentos alares das ninfas.
A espécie identificada tem a sua distribuição geográfica do Maranhão à Bahia
(Roberts & Carbonell, 1982). No Nordeste brasileiro, tem muita proximidade com
o gênero Chromacris, cujas espécies são mais comuns, atualmente, no Nordeste,
principalmente C. speciosa17.
794 – “Memoa”; Coleoptera; Elateridae; Pyrophorus sp.; Apesar de Nomura (1996,
p.282) identificar como Chalcolepidius zonatus Eschscholtz, 1829, que é um
elaterídeo, mas não possui órgãos bioluminescentes. Marcgrave faz a seguinte
descrição desse pirilampo, seguida do comentário de Laet 18:
Caracol do tamanho apenas de um grão da semente dos melões ou pepinos com o
corpo oblongo. A cabeça é mínima; os olhinhos, pretos e lustrosos com duas
proeminências como cabelos, junto da bôca. A primeira secção do corpo do
tamanho de meio grão de cânhamo, cortado pelo meio, tem de um e outro lado
uma mancha redonda, do tamanho de uma semente de papoula, branco e lustroso.
Por estas manchas emite de noite e de dia uma luz e faz estas manchas, quando
quer, de uma côr verde-mar, brilhante, espargindo através dela um clarão, como
o fogo, de noite e de dia. Depois dêstes focos de luz, acha-se um cornicho
17 A chave para a compreensão da descrição marcgraviana foi a da cor do “cinábrio”, que segundo
Calvet (1934), corresponde a coloração vermelha escarlate do sulfeto de mercúrio (AgS).
18 Nota de Laet. Fizemos menção dêste inseto na descrição da Índia Ocidental, lib.I, cap. 4
conforme estas palavras. Não merece fé o que narra Oviedo e outros acêrca do Cucuyo, do gênero
dos escarabeus, isto é, que emite tanta luz através dos olhos e lados, donde procedem as asas,
que dissipa como lâmpadas as trevas da noite, e dão aos homens a possibilidade de ler ou
escrever. Dizem também que os indígenas da América Espanhola usavam dêste inseto como
meio de iluminação e até de afugentar ao Níguas, espécie de mosquitos molestíssimos. (Laet,
1942, p.258).
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: amarelado, inclinado para a parte posterior; as asas são duas; as pernas seis, finas, com três juntas; todo o inseto é de côr castanha escura. Por meio de um vidro de aumento, observei dois fios de barba, cada qual composto de quatorze partículas; observa-se também que cada pé tem quatro dedos, as pernas são pontudas e peludas, como no touro volante e, junto da bôca, acham-se quatro tenazes. (Marcgrave, 1942, p.258). Outra exata descri...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>amarelado, inclinado para a parte posterior; as asas são duas; as pernas seis, finas,
com três juntas; todo o inseto é de côr castanha escura. Por meio de um vidro de
aumento, observei dois fios de barba, cada qual composto de quatorze partículas;
observa-se também que cada pé tem quatro dedos, as pernas são pontudas e
peludas, como no touro volante e, junto da bôca, acham-se quatro tenazes.
(Marcgrave, 1942, p.258).
Outra exata descrição de Marcgrave, complementada pelo comentário de Laet,
que não deixa dúvidas, trata-se de um pirilampo, coleóptero elaterídeo do gênero
Pyrophorus Bilberg, 1820 (segundo Costa Lima, 1953) 19. Nesta descrição,
destacam-se os seguintes aspectos: sobre a forma do pronoto, denominado de
“primeira secção”, como um “grão de cânhamo cortado pelo meio” , o que se
constitui numa analogia muito exata; a descrição dos órgãos luminosos, situados
de cada lado da base do pronoto, “do tamanho de uma semente de papoula” , que
corresponde ao aspecto exato da macula vesicularis, inclusive com a sua
coloração branco-amarelada; refere-se muito precisamente também ao fenômeno
da luminescência apresentado por esses elaterídeos20.
796 – “Insectum”; Coleoptera; Coccinelidae; apesar de Nomura (1996, p.282) achar que
é um crisomelídeo, este inseto descrito como quase imperceptível por Marcgrave,
preto lustroso, redondo, “coberto por uma casca”, examinado através de lupa, está
mais para uma joaninha. A numeração correta deste inseto é 796 e não 795, como
está na edição brasileira de 1942.
799 a 804 – “Kitshaara, Kitshagk, Heubig, Atshoy, Ehenhe, Benatshy”; Hymenoptera;
Apidae; Meliponinae21:
ASPECTOS CONCLUSIVOS
Como objetivo geral do presente trabalho, tentou-se fazer a comparação e
análise de duas obras históricas que contém textos e figuras de insetos e outros
artrópodos terrestres que, presumivelmente, são de autoria de Marcgrave: o Livro
VII do “História das coisas naturais do Brasil” e os dois volumes dos Libri Principis.
19 Deixa-se de entender a denominação de “caracol” dada a este inseto na abertura do texto,
Marcgrave seguramente, não iria cometer este engano; muito provavelmente, deve tratar-se de
um erro de tradução, já que a forma, tamanho e hábitos do inseto, estão corretamente descritos.
20 Destaca-se, mais uma vez, a referência ao uso de um “vidro de aumento” para examinar o inseto,
que deveria ser uma espécie de lupa manual.
21 Estas abelhas nativas não foram descritas e nem citadas por Marcgrave e sim por Laet, com base
em informação dos tapuias coletadas por Jacob Rabbi. Do ponto de vista benéfico e utilitário,
estes insetos são os mais referenciados pelos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII e
também por Piso, que descreve os hábitos e utilidade de um bom número de abelhas nativas. Por
que estes insetos, tão comuns no Nordeste brasileiro, não teriam chamado a atenção de
Marcgrave ?
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O Livro VII trata de 75 exemplares, entre os quais, 65 são insetos propriamente ditos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 figuras (xilogravuras) no texto, entre as quais, 23 representam insetos e apenas 6 outros artrópodos terrestres. Nos L.P., praticamente não há textos descritivos, existem rápidas anotações de aspectos curiosos sobre os animais, feitas por um leigo, que, historicamente, são atribuídas ao próprio Nassau, já...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>O Livro VII trata de 75 exemplares, entre os quais, 65 são insetos
propriamente ditos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 figuras
(xilogravuras) no texto, entre as quais, 23 representam insetos e apenas 6 outros
artrópodos terrestres.
Nos L.P., praticamente não há textos descritivos, existem rápidas anotações
de aspectos curiosos sobre os animais, feitas por um leigo, que, historicamente, são
atribuídas ao próprio Nassau, já que presumivelmente, foram feitos para seu uso e
entretenimento. Nos L.P. existem 58 aquarelas e desenhos de insetos e outros
artrópodos terrestres22.
Tendo-se como hipótese a grande probabilidade de que os desenhos e
aquarelas tenham sido feitos no Brasil e certo que as xilogravuras foram elaboradas
na Holanda, por ocasião da publicação da Historia naturalis Brasiliae, em 1648 e de
que as primeiras serviram de modelos para as segundas, de acordo com a nossa
análise: apenas 18 “insetos” são descritos e figurados no Livro VII com possíveis
modelos nos L.P.; 17 são descritos, mas não são figurados, porém, existem possíveis
representações destes nos L.P., totalizando 35 relacionamentos; 11 são descritos e
figurados no Livro VII e não possuem modelos ou representações nos L.P.; 29 são
descritos e não figurados e não possuem modelos ou representações nos L.P.,
totalizando 40 exemplares e, finalmente, 23 aquarelas são exclusivas dos L.P. e não
existem no Livro VII.
Se as primeiras serviram de referência para as segundas, como explicar a
ocorrência de 11 exemplares descritos e figurados no Livro VII, sem modelos ou
representações nos L.P.? Como explicar a existência de 23 aquarelas exclusivas dos
L.P. que nada tem a ver com o Livro VII ?
Do ponto de vista iconográfico, o exame das reproduções das aquarelas dos
Libri Principis indica que há um considerável número de desenhos que possui um
mesmo estilo simplificado e padrão esquemático que devem ser de autoria de
Marcgrave, como ele mesmo declarou numa de suas cartas escritas em português
(Whitehead, 1979, p.434). Entretanto, existem algumas aquarelas que possuem um
estilo diferente das demais, mais sofisticado, como elevado padrão de qualidades
artísticas, nas proporções das figuras, na elegância do traço, no sombreamento e uso
de cores. Características observadas, por exemplo, nas figuras dos insetos:
“Panamaguaçú”; “Quijitinga”; “Panamá”; “Panáme”; “Cacicacyguaçú” e
“Tataurána”, que provavelmente sejam da autoria de Albert Eckhout.
Quando as xilogravuras do Livro VII são comparadas com as reproduções
das aquarelas dos Libri Principis, torna-se evidente que, embora alguns insetos e
outros artrópodos tenham seus possíveis modelos ou representações daí, não são
22 Reproduções de aquarelas de um conjunto de 22 insetos e um aracnídeo são apresentadas nos
L.P. que não existem no Livro VII, cujas figuras, identificações e comentários são tratadas por
Almeida & Carvalho (2002).
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: exatamente as aquarelas que serviram de fonte para a elaboração das xilogravuras. Pois, é improvável que algumas das xilogravuras tenham sido copiadas das aquarelas, pela presença de algumas discrepâncias nas minúcias e orientação das figuras, cujo gravador não teria condições de criar por fantasia ou imaginação. Enfim, tratam-se dos mesmos “insetos”, mas não dos seus respectivos modelos, como afirmam Boeseman et al. (1990), estudando...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>exatamente as aquarelas que serviram de fonte para a elaboração das xilogravuras.
Pois, é improvável que algumas das xilogravuras tenham sido copiadas das
aquarelas, pela presença de algumas discrepâncias nas minúcias e orientação das
figuras, cujo gravador não teria condições de criar por fantasia ou imaginação.
Enfim, tratam-se dos mesmos “insetos”, mas não dos seus respectivos
modelos, como afirmam Boeseman et al. (1990), estudando os desenhos de
Lenigrado, para quem as xilogravuras foram baseadas em desenhos anteriores ou
traçados subsequentes às pinturas e desenhos feitos por Eckhout, Wagener e pelo
próprio Marcgrave. Horkel, citado pelos mesmos autores, acreditava que os originais
dos desenhos foram realizados com base em esboços de campo e que os L.P. haviam
sido feitos na Holanda, entre 1644 e 1645, baseados em cópias dos originais de
Marcgrave. A hipótese de que as aquarelas não tenham servido de fonte para as
xilogravuras, foi levantada pela primeira vez por Whitehead (1979) quando achou
plausível que estas, poderiam ter sido baseadas em esboços feitos a lápis. Esta
hipótese também é compartilhada por Albertim (1985).
Consequentemente, pelo menos em relação aos insetos, é possível concluirse que foi numa outra série de desenhos não coloridos que os gravadores de
Hackium-Elzevirium basearam-se para a confecção das xilogravuras.
Daí se compreende a dificuldade do organizador da Historia naturalis
Brasiliae em escolher os desenhos correspondentes a cada texto descritivo, que,
algumas vezes, mostram notáveis discrepâncias, revelando a pressa com que foram
organizadas por Laet, para dar conta da tarefa designada por Nassau. Nota-se que
alguns grupos, desde muito reconhecidos pelos naturalistas quinhentistas, como
naturais e facilmente identificáveis, como o dos coleópteros e lepidópteros, por
exemplo, estão baralhados no Livro VII. Outros, com as designações indígenas
estropiadas, em relação às das aquarelas, quase sempre corretamente grafadas.
Algumas figuras foram importadas de outros autores, como no caso mais flagrante,
da aranha caranguejeira de Clusius, além do caso mais evidente da virtual autoria de
Marcgrave do desenho do mosquito “Nhatiu”, que não existe nas representações das
aquarelas dos L.P., bem como 11 xilogravuras de insetos e outros artrópodos que,
seguramente, não possuem modelos ou representações nos L.P.
Em relação ao conteúdo dos textos descritivos, o que mais chama a atenção
é que Marcgrave não tenha reconhecido algumas lagartas que descreveu e desenhou
como larvas de lepidópteros. Pois se ele mesmo descreveu a metamorfose completa
da lagarta do maracujazeiro, chegando mesmo a criar crisálidas em cativeiro, como
não identificar as suas lagartas como estádios jovens de borboletas e denominá-las
de “vermes”?
Quanto à representação geral dos insetos e outros artrópodos no Livro VII e
também nos L.P., constitui-se numa reduzida amostra da rica e diversificada
entomofauna nordestina, mesmo para os dias atuais, quando grande parte dos nossos
ecossistemas naturais foi ou está sendo devastada.
Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
163<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: LICHTENSTEIN, M.H.K. Estudo crítico dos trabalhos de Marcgrave e Piso sobre a história natural do Brasil à luz dos desenhos originais. São Paulo: Brasiliensia Documenta, 1961. MARCGRAVI, G. Historiae rerum naturalium Brasiliae, libro octo Cum appendice de Tapuys et Chilensibus. Ioannes de Laet, Antverpianus, In ordinem digessit & annotationes addit multas, & Varia ab auctore omissa supplevit & illustravit. In: PISONIS, G & MARCGRAVI, G...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>LICHTENSTEIN, M.H.K. Estudo crítico dos trabalhos de Marcgrave e Piso sobre
a história natural do Brasil à luz dos desenhos originais. São Paulo: Brasiliensia
Documenta, 1961.
MARCGRAVI, G. Historiae rerum naturalium Brasiliae, libro octo Cum appendice
de Tapuys et Chilensibus. Ioannes de Laet, Antverpianus, In ordinem digessit &
annotationes addit multas, & Varia ab auctore omissa supplevit & illustravit. In:
PISONIS, G & MARCGRAVI, G.. Historia Naturalis Brasiliae, asspicio et
beneficio Ilustras I. Maritii Com. Nassau. Issius provinciae et Maris summi praefecti
adornata in qua non tantum plantae et animalia sed et indiginarum morbi, ingenia
et mores describuntur et iconibus scipta quingentas illustrantus. Lundunum
Batavorum & Amstelodami: Franciscum Hackium & Lud Elizevirium, 1648.
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008.
165<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: TEIXEIRA, D.M. (org.). Brasil holandês: Miscellanea Cleyeri, Libri Principis & Theatrum rerum naturalium Brasiliae. (5 vol.). Rio de Janeiro: Editora Index, 1995. WAGENER, Z. Zoobiblion. Livro dos animais do Brasil. São Paulo: Brasiliensia Documenta (v.IV), 1964. WHITEHEAD, P.J.P. Georg Markgraf and Brazilian zoology. In: BOOGART, E.V.D.; HOETINK, H.R. & WHITEHEAD, P.J.P. (edit). Johan Maurits van Nassau-Siegen 1604-1679; a humanist pr...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>TEIXEIRA, D.M. (org.). Brasil holandês: Miscellanea Cleyeri, Libri Principis &
Theatrum rerum naturalium Brasiliae. (5 vol.). Rio de Janeiro: Editora Index, 1995.
WAGENER, Z. Zoobiblion. Livro dos animais do Brasil. São Paulo: Brasiliensia
Documenta (v.IV), 1964.
WHITEHEAD, P.J.P. Georg Markgraf and Brazilian zoology. In: BOOGART,
E.V.D.; HOETINK, H.R. & WHITEHEAD, P.J.P. (edit). Johan Maurits van
Nassau-Siegen 1604-1679; a humanist prince in Europe and Brazil. The Hague: The
Johan Maurits van Nassau Stichting, 1979.
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Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude>
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Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644)
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==Notas==
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALU Convém banhos de caldas fulfureas e aluminofas. {{lema|ALUMIOSO, A}}. adj. antiq. O mefmo que Luminofo. VIT. CHRIST. I, 56, 169 Elle foi candea accendida e alu- miofa. {{lema|ALUMNO}}. s. m. MNA. f. O que be on foi creado de me- nino por alguem, ou em fua cafa, cuidandofe da fua fuften- tação, doutrina, e bons coftumes. Do Lat. Alumnus. CORRA Comm. 8, 32 Alumno he creado, chamafe afli de. Alo, is, palavra Latina, que quer dizer,...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALU
Convém banhos de caldas fulfureas e aluminofas.
{{lema|ALUMIOSO, A}}. adj. antiq. O mefmo que Luminofo. VIT.
CHRIST. I, 56, 169 Elle foi candea accendida e alu-
miofa.
{{lema|ALUMNO}}. s. m. MNA. f. O que be on foi creado de me-
nino por alguem, ou em fua cafa, cuidandofe da fua fuften-
tação, doutrina, e bons coftumes. Do Lat. Alumnus. CORRA
Comm. 8, 32 Alumno he creado, chamafe afli de. Alo,
is, palavra Latina, que quer dizer, crear e. fuftentar.
TELL. Chr. 2, 4, 41. n. 9 Com notavel proveito dos
alumnos, que alli fe crião em letras, e em bons coftu-
mes. BARRET. Encid. 11 8 O qual paje da lança e ef-
cudeiro... Por charo alumno ao filho então feguia.
Difcipulo, educando, o que tem ou teve alguem por
meftre, aio ou pedagogo, &c. CAM. Luf. 8, 13 Efté,
que vês olhar com gefto irado Pera o rompido alumno
mal foffrido, &c. So us. Vid. 2, 34 Como quem fora feu
alumno, e em fua doutrina creado. VIEIR. Serm. 6. Ex-
horr. I, 6, 456 Eftudantes e alumnos daquelles dous fa-
mofos Seminarios de Apoftolos e Martyres os dous Col-
legios Reacs de Coimbra e Evora.
Mer. A. DE VASC. Anj. 2, 5, 1. part. 11. p. 366
Eu te profetizo, que fe daqui fahes, que has de fer fi-
lho do inferno, e alumno da perdição. ACAD. DOS SING.
1, 2, Oraç. Porque fei que os entendidos não gaftão
tão mal o feu tempo, que, como fejão filhos de Apol-
lo, não defprezão por pobres os feus alumnos. M. FER-
NAND. Alm. 1, 6, 3. n. 25 Finalmente com a coroa do
martyrio provou bem, que fora alumno da Mái de Deos.
Alumno. Natural de algun lugar. CAM. Luf. 8, 32
Ditofa patria, que tal filho teve : Mas antes pai, que
em quanto o Sol rodea Efte globo de Ceres e Ne-
pruno, Sempre fufpirará por tal alumno. ARR. Dial. 4,
9 André Refende, varão de muita erudição, livrou das
trévas da ignorancia, Evora, fua nobre patria, não in-
digna de tal alumno. M. THOм. Inful. 1, 44 Cada qual
do terreno he proprio alammo.
Membro ou focio de alguma corporação, communi-
dade, &c. Nic. Pix. Cart. 53 Entretanto nos confola-
mos com ter lá paffado hum noffo alumuo, Sacerdote,
que confola e fuftenta aquelles Catholicos na Fé e Chrif
tandade. CARDOs. Agiol. 1, 72 Podemos logo inferir
o trouxe a efte Reino o amor da patria, e da Re-
que
ligião, de que foi alumno. M. BERN. Floreft. 4, 15, 202
Não fe pertende pela fobredita doutrina calumniar ou
tachar o efpirito de pobreza, que os Eftarutos de algu-
mas Religiões prefcrevem aos Teus alumnos.
No fem. ACAD. DOS SINO. 1, 15; Silv. Alumna
foi de Apollo a mais querida. M. FERNAND. Alm. 32,
3. n. 21. p. 326 Defcoberta por huma alumna da velha
a maldade commettida.
{{lema|ALVO, A}}. adj. Branco, claro. Particularmente denota huma brancura mais efpecial e fobr'excellente. Do Lat. Albus. Das peffoas ou da pelle do corpo humano. SA DE
MIR. Vilhalp. 2, 3 A mim he ella boa filha, alva,
grande e loura. GOES, Chr. de D. Man. 1, 66 A gen-
te da qual terra] he muito barbara e agrefte, quafi do
modo dos da terra de Santa Cruz, fenão que são alvos,
e tão curtidos do frio, que a alvura fe lhes perde com
a idade. CAM. Luf. 9, 84 As mãos alvas the davão co-
mo efpofas.
Das coufas, MoR Dial. 3, 31 Tendo minha can-
tareira alva, como a neve. CAM. Luf. 9, 54 Por entre
pedras alvas fe deriva A fonorofa linfa fugitiva. MEND.
PINT. Peregr. 103 Tinha na mão huma vara de marfim
muito alva à maneira de fceptro.
Da cabeça coberta de caas ou dos mefmos cabel-
los brancos. MOR. Palm. 2 156 Como já da barba c
cabeça foffe mui alvo pola idade &c. FR. SIM. COELH. Chr.
2, 18, 180, Tambem tinha fua cabeça e cabellos alvos
como a lán como a neve. ConT. R. Naufr. 6, 64
O grão Nerco, e o grave Padre Oceano Com cref-
pas e alvas cás. 2 gmb
Met. EUFROS. 5, 5 A quem a fortuna pintou ne-
gro, nenhum tempo o póde fazer alvo. FERR. Poem. Od.
Em que
17 Quem vifle já o tão claro e alvo dia,
repoufaffe Eite efprito inquieto. CAM. Luf. 10, 47
Poe, na fama alva nodoa fêa cefcura.
Adag. Cafareis, e em mantens alvos comereis. De
zic. Adag. 41. MOTAL
Preta he a pimenta, e vão por ella à tenda, e alvo he
o leite, e vendemno pela Cidade. DELIC. Adag. 52.
Pão alvo. Vej. Páo.
{{lema|ALVO}}. s. m. Fito, a que fe atira e fe procura acertar. Fa
ziafe com huma folha de papel branco, e com hum cir-
culo negro, e daqui lhe veio o nome. Leão, Chr. de D.
Din. 113 Alguns tomavão Portuguezes, e os punhão a-
tados, como barreiras e alvo, a que atiravão. TELL. Chr.
1, 3, 9. n. 7 Como fe o coche do Rei foffe a bar-
reira, que demandava, e feu peito o alvo, a que fe ti-
rava. CARDOS. Agiol. 2, 43 Atado a huma arvore, fer-
vio de alvo a huma nuvem de fettas, que chovião fobre
elle.
Met. FERR. DE VASc. Aulegr. 1,7 Tudo cuido
que vai em acertar ou errar o alvo de nofla forte. HEIT.
PINT. Dial. 1, 2, 2 Tomando o [Creador] por alvo,
aonde vão parar as fettas de noffas obras, palavras, e pen
famentos. VIEIR. Serm. 2, 10, 5. n. 313 A graça dos
Reis he hum alvo, a que fe tirão todas as fettas.
Fim, a que fe dirige algum intento. BERN. Lim.
Cart. 10 Vou do que a letra foa defviado, A outro
alvo ira a minha Mufa. ORIENT. Lufit. 44 Alvo [uni-
co] ferás defta fé unica. Sous. Vid. 6, 3 Feita a fe-
pultura, que era o fundamento de toda a obra, e o al-
vo das impoffibilidades.
Objecto, caufa on motivo principal. Paiv. Serm. 3,
165 Os Herejes tem tomado efte divino Sacramento;
como alvo de todas fuas fandices. Los. Ecl. 5 Alvo de
quantos louvores, Cantavão todas as horas. CARDOS.
Agiol. 3 245 Elle [D. Eftevão Vafquez] os não quiz
acceitar os Bailiados] por, não fer alvo da inveja abs
Cavalleiros eftrangeiros.
Verb. Acertar o... FERR. DE VASc. Aulegt. i,
7. PAEZ, Serm. 2, 357, 1.com o...de alg. c. met.
Luz, Serm. 2, 2, 122. col. 1. Atinar o... CEIT. Quadrag.
1, 168, 2. Atirar ao... FEO, Tr. 1, 8, 2. TELL. Chri
2, 6, 51. n. 1. Atraveffar o... PAEZ, Serm. 2, 269,
1. Gollimar ao... (pôrlhe o ponto ou mira.) M. FERNAND,
Alm. I, 1, 3. n. 1. A efte alvo hão de collimar todos
os noffos penfamentos. Dar fóra do ... BRIT. Mon. 1,
4. c. 8. no ponto do... SALGUEIR. Rel. 66. Defpa
rar no... CEIT. Quadrag. 1, 3, 16. Enderecar ao...
EUFROS. Prol. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 7. Errar o...
FERR. DE VASC. Aulegr. I, 7. BRIT. Mon. I, 1. c. 13.
Fazerde alg. BARTH. GUERREIR. Cor. 3, 12, 350. Fe-
rir o... M. BERN. Floreft. 4, 9, 12. Furtar o... CAN,
Anfitr. Ordenar as fettas ao... (dirigilas ou endereçalas.)
Luz, Serm. 2, 2, 73. col. 4. Por conto... HEIT. PINT,
Dial. 33. por... CART. DE JAP. 1, 376, 1. L.
ALv. Serm. 3, 14, 4. n. 14. Pregar o... com a fetta.
PAEZ, Serm. 2, 357, 1. Ser... bu o... de alg. c. ou a
que fe atira. Sous. Hift. 1, 1, 20. TELL. Chr. I, 3,
9. n. 7. Servir de... CARDOS. Agiol. 2, 43. Ter alg. c.
por.de. CAM. Cart a huma Dama. Luz, Serm. 2,2,
116. col. 3. Tirar ao...(o mefmo que atirar.) BERN.
Lim. Cart. 10. VIEIR. Serm. 2, 10, 5. n. 313. Tomar
alg. ou alg. c. como... PAv. Serm. 3, 165. Trafpaffar
o... CHAG. Obr. 1, 9, 9.
Alvo. Failando dos olhos. O mesmo que Alva. PER.
Elegiad. 17, 263 A vifta efconde, os alvos defcobrin
do,
Todos toldados já de nevoa efcura.
Em alvo. fórm. adv. Revirando as meninas dos olhos,
e defcobrindo muito as, alvas. SoVER. Hift. 3, 8 Ficou á
moça á maneira, de morta com cor perdida, olhos ém
alvo, &c.
Ajuntafe aos feguintes verbos. Deitar os olhos cm
... Cair. Serm. 1, 16, 2 Outros, que pera cantarem
deitão os olhos en alvo. Lançar os olhos ent... (dizfe
particularmente dos agonizantes.) CASTANH. Hift., 2, 64.
M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 251. p. 685. Por os olbos
em (tambem de .commum fe diz dos moribundos.)
.D. HILAR. Voz, 38, 211 . PRIM. E HONR. I, 13, 29
y. Virar os olhos em...(tambem dos agonizantes.)
PER. Elegiad. 3, 39.
tes,
Alvo. pouc. uf. Lifta, rol. EUFROS. Proem. Por
certo tenho fer falteada [a Comedia] de muitos cenfo-
aos quaes Voffa Alteza ouça, fegundo Alexan-
dre daya de fi audiencia pois fó o efcrevi no alvo,
pois Mercurio não fe faz de todo o pão.
{{lema|ALVOR}}. s. m. pouc. uf. O mefimo que Alva do dia. COND.
D. PEDR. Nobil. 7, 33 E feu filho D. Affonfo... feube
iifto....e em outro dia, de Janeiro tomou Montemór a
velho, rompente o alvor. MATT. Jeruf. 7, 5. Não def-
pertou até que aos paffarinhos Ouvio faudar alegres
los alvores. Cuao. Obr. 2352 Ainda a noire lenão en-
.feitava com os alvores do crepufculo, quando já com os
olhos da alma bufcava as luzes do feu Sol,
{{lema|ALVORAÇAR}}. v. a, e os feus derivados. Vej. Alvoroçar.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 252 A L V {{lema|ALVORADA}}. s. f. Madrugada, tempo de amanhecer, ou em que começa a raiar o dia. VIT. CHRIST. 4, 21, 120 Alva ou alvorada he antre as trévas da noite, e a per- feita luz do dia. BARR. Dec. 2, 5, 6 De maneira, que quando veio na alvorada da menhaa, &c. BERK. Lím. Ecl. 17 Seguro vás de noite, e d'alvorada A ver o bicho máo, que lhe faz nojo. Epith. Alegre. TELL. Chr. 2, 5, 52. n. 2. Aprazi- vel. TELL. Chr..I, 2, 33. n....
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>252
A L V
{{lema|ALVORADA}}. s. f. Madrugada, tempo de amanhecer, ou
em que começa a raiar o dia. VIT. CHRIST. 4, 21, 120
Alva ou alvorada he antre as trévas da noite, e a per-
feita luz do dia. BARR. Dec. 2, 5, 6 De maneira, que
quando veio na alvorada da menhaa, &c. BERK. Lím.
Ecl. 17 Seguro vás de noite, e d'alvorada A ver o
bicho máo, que lhe faz nojo.
Epith. Alegre. TELL. Chr. 2, 5, 52. n. 2. Aprazi-
vel. TELL. Chr..I, 2, 33. n. 6. Frefca. CORT. R. Naufr.
I, 2. CEIT. Quadrag. 1, 120, 3. Graciofa. Mor. Palm.
I, I.
Canto dos pafaros ao amanhecer. HEIT. PINT. Dial.
1, 5, 8 Alevantafe hum folitario acordado ás vezes ao
tom dos roufinoes, e outras aves muficas, que em ama-
nhecendo, o efpertão com fuas alvoradas e fuaves can-
tos. ARR. Dial. 9, 1 E as avezinhas lhe dão fuas ale-
gres alvoradas. M. THOм. Inful. 10, 120 Com agradaveis
pennas variadas, Com fom agudo,,e vozes indiftincas,
Terá dos pintafirgos alvoradas Em repetidos cótos, não
fuccintas.
Defcante, concerto de vozes ou de inftrumentos mufi-
cos pela madrugada à porta de alguem. CASTANH. Hift. 2,
105 Os trombetas lhe davão alvoradas aos Domingos e
feftas. FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 14, 4 Humi madrugada
com os mefmos inftrumentos nos vicrão dar huma alvo-
rada. Sovs. Vid. 1, 23 Se os meus Prebendados defejão
ouvir alvoradas de charamelas.
1.3.
Mer. AND HAD. Cerc. 20, 107, 3 Não foa nelle [dia]
a horrifona alvorada De pilouros crueis, bravos ardentes.
F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 190, 15 Job, aonde eftavas quan-
do as eftrellas da manhãa me davão as alvoradas, cme
entoavão as matinas com fuas luzidas pompas. VIER. Serm.
9. do Rof. 8, 2, 291 Huma das mais fingulares pre-
rogativas defta Sagrada Religião [de S. Domingos]...
he que no mesmo dormitorio... dão a primeira alvorada
à Aurora, de que nafceo o Divino Sol, cantando o feu
Officio.
Milic Signal, que fe faz ao amanhecer ou pouco
depois de haver amanhecido com inftrumentos de guerra para
os foldados defpertarem do fomno. D. F. Mas Epan. 4,
446 Tocavão feus clarins as alvoradas, as quaes feguião
as outras Capitanas com luftrofa competencia.
{{lema|ALVORAR}}. v. n. [a manhãa] Efclarecer os raiar o dia,
JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dist. BENT. Pв. Thef.
Ant. e os feus derivados. Vej. Arvorat.
{{lema|ALVOREAR}}. v. n. Burlefc. O inefino que Alvorar. ACAD.
DOS SING. I, 18, Oraç Claraboiava eftupido pyropo,
alvorcava-cynthico fulgor, quando fepultado no Caucafo
da morte, &c.
Com pron. peff. CAM. Luf 1, 45 A gente fe alvo.
.roça, e de alegria Não fabe mais que clhar a caufa det-
la. PAIV: Serm. 2, 405 Quem folga de fer doente, mal
pode alvoroçarfe com a vinda do Phyfico. FERNAND. Palm.
3,25 Como he coftume do povo alvoroçarfe com novidades.
{{lema|ALVORECER}}. v. n. ant. Amanhecer, romper a alva, raiar
o dia. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 1, 122 Na alva da
menhaa tanto que alvoreceo &c. CHR. DO CONDEST. 59
E chegou ao lugar cm alvorecendo. VIT. CHIST. 1,43,
135 E como foi dia, muito cedo alvorecendo, fahio-
fe Jefu de Capharnau &c. oh pod.
{{lema|ALVOROÇADAMENTE}}. adv. mod. Com alvoroço. JER.
CARDOS. Dict. BENT. PER. Thef
{{lema|ALVOROÇADISSIMO, A}}. fuperl. de Alvoroçado. BRIT..
Chr. 2, 2. Fto. Tr. 1, 191, 3.
{{lema|ALVOROÇADO, A}}. p. p. de Alvoroçar. Mor. Palm. 2,
140. CAM. Luf. 5, 24. Cour. Dec. 5, 1, 2..
Ufafe como adj. Sediciofo, tubulento, revoltofo. RE-
SEND. Chr. 164 Porque por elle fer defcortez e alvoro
cado podião com elle travar de maneira, que cada hum.
deftes feus defeitos pareceffe a caufa da fua morte. AL-
20BUQ. Comm. 4, 33 Reis Hamed, como homem alvoraça-
do, the refpondco: iffo não fe entende em mim.
Cons. R. Naufr. 1, 2 y. Nobre. CAM. Luf. 4, 84. Nota-
mivel. Paiv. Serm. 2, 405. Santo. HEIT. PIT. Dial. 16,
5. Subito. CORT. R. Naufr. 6, 60 y. Summo. VIEIR. Catt.
-le-2, 21. Temerofo. PIN. Chr. de D. Aft, V. 185. Trafordina-
tio. BARTH. GUERREIR, Cor. 4; 74, 649. Vivo. CORT.
R. Naufr. 5, 51.
Mag author padro
Adag Nem ante Rei armado, nem ante povo al-
voroçado. DELIC Adag. 167.
{{lema|ALVOROÇADOR}}. s. m. O que alvoroça ou caufa alvoroto. FR. TH. DE Jes. Trab., 30, 65 Accusãovos de
perturbador e pervertedor do povo, e alvoroçador. Pist.
PER. Hift. 2, 10, 27 Chamandolhe [os Cidadócs de
Chaul a Lopo Soares] nefcio, aluoroçador, e outros no-
mes mais feios. Cour. Dec. 4, 2, 1E Aires Cabral,
ae Jorge de Mello mandou levar prezos pera a Fortaleza
de Beneftarim, por alvoraçadores do povo.
{{lema|ALVOROÇAR}}. v. a. Excitar, abalar, commover o ani-
mo com esperança, defejo on novidade de alguma coufa.
ant. Alvoraçar. MoR. Palm. 2, 163 E efte bem tem os
que o são infenfiveis] nem as grandes alegrias os alvo- en
roção, nem os grandes males os atormentão. CAM. Luf.
6, 51 Toda a Corte alvoroça a novidade. ARR.. Dial. 3,
78 Sendo provocados com a fé e devação dos Reis Magos,
que os devera alvoroçar grandemente
en alg. Conr. R. Cerc, 3, 34. Luc. Vid. 2, 13, Banba-
do cm... BARR. Clarim. 2, 67. Cheio de... CEIT. Qua-
drag. 1, 109, 1. Sous. Hift. I, 1, 8. Crear... em alg.
-FERNAND. Palm. 3, 34. Dar a alg. Paiv. Serm. 1, 308.
PINT. PER. Hift. 2, 4, 14. Fazer em alg. PINT, PER.
Hift. 2, 30, 80 y. de prazer em alg. BARR. Dcc.
32, 2. Imprimir.. SEVER. Difc. 114 v. Moderar o...
HEIT. PINT. Dial. 1, 6, 1. Moftrarabf. FERNAND.
GALV. Serm. 1, 109, 2. com alg. c. Luz, Serm. I,
2, 55. col. 3. TAVOR. Hift. 28. Perder o... ANDRAD.
Cerc, 2, 6, 1. Pora alg. PREST. Aut. 39. A. GALV.
Tr. 23 Y. em alg. Azus. Chr. 3, 71. Pofto ...
FEST. NA CANON. 76 y. Receber.abf. PINHEIR. Summar.
19 y. Gouv. Rel. 3, 10. no animo. ALV. Comm.
Alvoroçar. Efpantar o cavallo ou outra alguma befta.
Tambem fe ufa com. pron. peff. ou em fignificação neu-
tra. CHR, DO CONDEST. 29 E com as feridas os cavallos
alvoraçavão e derribaváofe, e feus donos, c. retrahião a-
-traz. PROV. DA HIST. GEN. 2, 308 E o cavallo de nada
fe cfpantava, nem alvoroçava CORT. R. Cerc. 5, 58 E
outros mil inftrumentos, que alvoroção Os cavallos, e
os fazem dar mil faltos.
Despertar alguem do fomno de fobrefulto ou com de.
faffocego. ORIENT. Lufit. 95 Ah, Serrano, cu dor-
mia hontem na choça? Senão quando o latido dos ra-
feiros, Que a dous lobos ladravão, me alvoroça
Amotinar, alvorotar. ARR. Dial. 4, 19 Dous annos
antes do faco de Roma Itilico Vandalo alvoroçon as gen-
tes dos Alanos. MEND. PINT. Percgr. 74. E fe trabalhaf-
fe por tomarmos, o mais fecretamente, que pudeffe fer,
por não alvoroçarmos a terra, quem nos diceffe a diftan-
..cia, que &c. BкIT. Mon. 1, 3. tit. 4 Refoluto efteve
o pai em tirar do mundo tão máo filho, e o fizera fe
não temêta alvoroçar o exercito.
Mct. EurRos. 4, 3 Alvoroçárão feus ventos o mar
de meus defejos. TE:V. Sentenç 27, Como o vento no
omar levanta as ondas, Afli a ira alvoroça e combate a
alma.
{{lema|ALVOROÇO}}. s. m. Sobrefalto, alteração ou commoção ve
bemente do animo, caufada por diverfas paixões, e principal-
mente pela efperança, alegria, novidade, &c. Talvez do
Greg. A, eftar defaflocegado ou com aninio inquieto.
Leão, Orig. zz póe cfta palavra no numero das Portu-
inguezas, que fe não podem bem explicar por outras Lati
nas, nem de outra lingoa. SEVER. Difc. 2, 74 diz que
efta voz fó fe acha na lingoa Portugueza. BARR. Dec.
1, 1, 2 Vendo elle Infante o grande alvoroço, com que
fe já os homens difpunhão a efte negocio &c. CAM. Luf.
4, 84 E já no porto da inclita Ulyffea Chum alvo-
roco nobre, e com hum defejo... As náos preftes eftão,
&c. Vier Serm. 6, 8, 3. n. 233 Confirmando [S. Ifa-
belo que dizia com os faltos e alvoroços do maior dos
C Profetas, que tinha em fuas entranhas.
Impulfo, commoção forte de algum affecto. BARR. Dec.
3, 2, 2. A qual determinação fez em toda a gente de
armas tanto alvoroço de prazer, &c. PINT. PER. Hift. 1,
27, 118 Paffado aquelle grande alvoroço da cfperança,
com que pattirão &c. Luz, Serm. 3, 14, 1 Pelo alvo-
roco de alegria, que teve a mulher, que achou a drach-
ma perdidi.
Epith. Accidental. PINHEIR. Summar. 19 . Admiavel. ESPER. Hift. 1, 3, 26. n.7. Alegre. BARR. Clatim.
2, 67. Aprazivel. GASP. DOS REIS, Rel. 2,5 . Bellico.
SA DE MEN. Mal. 6, 38. Crefcido. VID. DE Sus. 111. Def
dacoftumado. PAIV. Serm. 2, 506. Eftranho. CASTILH. Comm.
2., 38. Extraordinario. F. DE MENDOç. Serm. 21, 204,
4. Falfo. CORT. R. Naufr. 14, 170 y. HEIT. PINT, Dial.
41. Fingido. CORT. R. Naufr. 14, 170 y. Geucro-
fo. SEVER. Dilc. 114 V. Geral. ANDRAD. Cerc. II.
Grande. Conr. R. Nauft. 4, 46, PINT. PER. Hift. 1, 32, 149. Incrivel. M. BERN. Floret. 2, 2, 300, B. Intrinfeco.
Verb. Caufara alg. Luz, Serm. 1, 6, 2.<noinclude></noinclude>
r1losaphr6799jc00gqvxicjxdq27m1
Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/461
106
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A L V
slur. Sentir. PAIV, Serm. 2, 405. L. ALv. Seim3;
5, 4. n. 12. Temperar o... CASTILH. Elog. 201. HEIT.
Pie Dial. 1,6,1 Ter..abf. BRIT. Chr. 1, 12.em
alg. ANDRAD. Chr. 1, 1. Tranfportado no.de algum
5 prazer. BARR. Paneg. 4, 307. Trazer...abf. BERN. Lin.
Cart: 110. em alge. MoR. Palm. 29 83.
Alvoroço. Tumulto, motim 3 fedição, movimento de
of genten.com vozes e eftrepito. BARR. DecPI, 6, 5 No al-
voroço, que o povo de Calecut commettco. EUFROS. 1,
co2 Guardevos Deos da ira do Senhor ac de alvoroço do
-povo. MEND. PINT: Peregr. 74 Porque receava, que ven-
doos, houvelle alvoroço nos Chins.
ibus Verb. Accenderfe... FERN. LOP. Chr. de D. J. I.1,
12. Andar em ALBUQ. Comm. 1, 5. Apagar
CASTANH. Hift. 3,21. de algum lugar. SAEELL. Eneid.
2, 6, 93. Aplacar... BRIT. Mon. 1 1. c. 17. Aquietari
o... ALBUQ. Comm, 2, 33. Arder em... algum lugar,
GOUT. Dec. 5, 8, 9 Aigar o... CASTANH. Hift. 3, 22.
Caufar... AYER. Itin. 73. Commetter... BARR. Dec. 1,
65. Fazer CASTANH. Hift..2, 4. Levantarfe ..
CASTANH. Hift. 3, 21. Bur. Mon. 1. c. 27. €07-
trà alg. SABELL. Eneid. 1, 8, 101. Metter .. em algum
lugar. Cour Dec. 5, 3, 8. Socegar o... FERR. l'oem.
T.Caftr. 1. D. G. COUTINH. Jorn. 24, Y.
- Adag. Guarte de alvoroço do povo e de travar com
doudo. DELIC. Adag. 161.
{{lema|ALVOROTADO, A}}. p. p. de Alvorotar. LOBAT. Palm, 5, 51. CALV. Homil. 2, 197. Maus. Aff. Afr. 8, 126 y.
{{lema|ALVOROTADOR}}. s. m. O que alvorota. BARR. Dec. 4,
1,7 E porque não queria caftigar os alvorotadores do po-
PIVO &C. GUERREIR. Kel. 4, 3, 1 Nem as coufas da
fé [podem] crecer, pelo muito que os Miniftros da Igre-
ja são encontrados, e tidos quafi por alvorotadores. VIEIR.
Serm. 3, 9, 3. n. 385 Ouvindo o pregão de malfeitor,
e alvorotador do povo.
{{lema|ALVOROTAR}}. v. a. Amotinar, excitar tumulto, fedição,
rebulico, ou defaffoeego entre muitos. ant. Alborotar, Al-
voratar, GUERREIR. Kel. 5, 5, 5 Entrando na corte, al-
sivorotárão todo o imperio. BARRET. Encid. 7, 82 Para que
.com tal monftro furibundo Toda a cafa alboroté. MA-
RINH. Doutr. 12 Por cuja caufa fuccedem cada inftante
brigas e differenças, alvorotando todos os quarteis.
Com pron. peff. BRIT. Mon. 1, 3, c. 27 Porque
fendo ifto... coufa mui eftranha da modeftia, e tem-
perada condição de Sertorio, eftava clato, que fe albo-
rotaria,
ou quereria reprehender aos que o fizeflem.
CEIT. Quadrag. 1, 20, 3 Que acto efte pera je não al-
vorotarem? Gouv. Rel. 2, 23 Pelo qual refpeito fe co-
-meçárão a inquietar e alvorotar algumas fortalezas.
Met. CEIT: Quadrag. 1, 292, 4 Até as creaturas
elementares fe alvorotárão pera a feftejar. BARRET. Eneid.
10, 9 Ou quem desfazer póde novos fados, Alboro-
tando as ordens do Deftino?
{{lema|ALVOROTO}}. s. m. Tumulto, motim, fedição, arruido,
pendencia entre muitos, principalmente com vozes e cftré-
pito. O P. Guadix, citado por Covarrubias, diz, que vem
do Arab. borod, que quer dizer paeira, accrefcentado o
articulo al porque a gente alvorotada com o movimen-
to dos pés levanta muita pocira. ant. Alboroto. BARR.
Dec. 4, 1, 7 Caftigaffe graviflimamente a quem caufaf-
fe alvorotos. GUERREIR. Rel. 4, 1, 1 O Xogum velho
moftrava defejar, que os que favorecião ao Principe fe
declaraffem com algum alvoroto de armas. D. FERN. DE
MEN. Hift. 3, 61, 143 Sahio em peffoa, quietou o al-
voroto.
Adag. Guardevos Deos da ira do Senhor, alvoro
to do povo,
e de doudo em lugar eftreito. FERR, DE
VASc. Aulegr. 3, 6.
Rebolico, perturbação, defafoeego procedido da con-
currencia de muitas peffons on coufas, que a bum mefino
tempo perturbão a quietação, e fazem eftrepito. FERNAND.
GALV. Serm. 2, 131, 4 Sem arrecear perder a fazenda
c lugar, offereceofe [Nicodemus] em tal alvoroto à vif-
ta de todos, por cumprir com a obrigação de difcipulo.
BARRET. Eneid. 8, 88 Das ameaças grandes de Lauren-
to, E do duro alboroto commovido. ACAD. DOS SING.
1, 8, Silv. Porém efte alvoroto em continente Me def-
perrou.
{{lema|ALUTADO, A}}. adj. O mefmo que Enlutado. CASTR. Ulyff.
2, 17 Ao vento damos efperança e vida, Com alu-
tados remos apartando As ondas.
{{lema|ALVURA}}. s. f. Braneura. Commummente le toma pela
que he muito cfpecial e extraordinaria. Da pelle do cor-
po humano, A. GALV. Tr. 58 Os habitadores parecião na
feição e alvura defcenderem da China. Leão, Defcripes
61 E na alvera do rofto é teições, mais parecia Hef-
panhol, que Africano. CASTR. Ulyff 3, 38 Que em tua
alvara e bocca graciofa, &c.
Das coufas. CART. DE JAP. I., 1c6, 1 Em toda a
terra não apparecia mais que huina alvura, que nos ce-
gava e cantava a vifta de olhar pera'clla. CoRT. R. Naufr.
4, 43 Outros [notáo.] o movimento affecegado Das pos
mas, que em alvura a neve excedem. Sous. Hift. 1,
2, 28 Veftido de humas roupas, como de neve na al-
Vira.
Das caas ou cabellos brancos da cabeça ou da bar-
ba. BARR. Dec. 3, 3, 10 Com prazer começarão feus olhos
a verter lagrimas pela alvura de fua barba, que elle fra-
zia bem comprida. MoR. Palm. 2, 113 Como tiveffe a
peffoa grande e autorizada, juntamente com
nte com a alvura da
cabeça e barba &c.
Met. MEND. PINT. Peregr. 104 O nollo bordão prin
cipal, em que a alma fe encofta pera não cahir quando
tropeça, he a caridade, que ufamos co proximo, quan
do por vangloria não leva farello do mundo, que cega
a alvurn do bom zelo. M. THом. Infel. 10, 82 Segre
do, que em prudencia, no futuro Alvara póc. List:
Jard. 273, 4 A pureza e alvura da caftidade, com ne-
nhuma coufa melhor fe fuftenta e apura, que com a
afpereza.
Alvira da madeira. Parte da arvore bianca e tehra
entre a cafea e o duro. BLUT. Vocab.
{{lema|ALUZIADO, A}}. p. p. de Aluziar. JER. CARDos. Dict
BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|ALUZIAR}}. v. n. Brilbar, refplendecer. JER. CARDOS. Dict.
BENT. PER. Thef.
{{lema|ALXAIMA}}. s. f. T. Arab. O mefimo que Aduar. D. FERIE
DE MEN. Hift. 1, 20, 14 Além das aldeas há por ella
[terra] espalhados muitos Aduares ou Alkaimas, que são
junras de rendas de láa de cabra, em que vivem os Mou⭑
ros com feus gados, e fe mudão conforme os tempos.
{{lema|ALXARIFE}}. s. m. T. Atab. Pin. Chr. de D. Aff. III. II
E tinha a Villa por elle hum feu Alcaide mór, que cha
inavão Aloandro, que era feu Alxarife.
Nota. Todas as palavras, que alguns efcrevent
por Aly, devem bufcarfe em Ali.
{{center||A M}}
{{lema|AMA}}. s. f. Mulher, que cria a feus peitos, e dá de mam
nar ao filho alheio. Do Hebt. Amim, do verbo amans
crcar, educar, nutrir. Porém Laño, Orig. 15, C BRIT.
Mon. 2, 6. c. 1. poe efte vocabulo no numero daquel
les que nos ficarão dos Godos. BARR. Páneg. 73,
336 Quintilliano inftituio nos feus preceitos, que as
amas dos moços, creados pera Oradores, foffem difcretas
e eloquentes. CAM. Luf. 2, 43 Come menito da ama
caftigado. ANDRAD. Cht. 1, 3 Então, que era ja tempo de
lha tirarem [a mamma] não foi neceffario mais inven-
ção ou artificio, que afagalo fua ama hum dia.
Ama feccá. Mulher, commmmmente de idade, que
nos hofpitaes e. cafas dos expoftos, vigla fobre as amas de
leite. R. Nic. DE OLIV. Grandez. 5, 5 Ha huma, a que
chamão ama feeea , que he huma velha de confiança,
que tem cuidado das outras.
Ama. Met. CAM. Canç. io, 4 Foi minha ama hu-
ma féra. ESTAÇ. Antig. 90, 4 Donde veio a dizer Pli
nio, que Italia era mai e ama das outras terras. PINT.
Ris. Prefer. 1, 172 Com ellas [armas] defendemos a
juftiça legitima, que he huma viva ama e creadora de
todas as virtudes.
Ama. Senhora, que tem creados ou fervos, a que
manda, e que fuftenta. Sa' DE MIR. Vilhalp. 1, 3 Agora
são em pratica com nofla ama por via de devações. Eu
FROS. 5, 9 Eu te promento que rens tu nella ama c
çanfonina. HEIT. PIT. Dial. 1, 2, 2 A incontinente
ama do cafto Jofeph notavao de incontinente.
Denominação, que dão ás Princezas Senhoras da
primeira qualidade os feus creados, on os que por compris
mento affim fe intitulão. VIEIR. Carr. 392 Em fim, mi-
nha Rainha, minha Senhora, e minha ama, em hum
livro mpreffo em. França vejo aqui, e ventro o rerrato
de Voffa Mageftade.
Aia de pesoa de qualidade. BERNARD. RIB. Menin.
1, 11 A doni hontada, que ama fe chamou depois pe-
la creação da menina, como era já de dias, era de moi,
to faber. FERR. Poem. Caftr. 1 Ama, na creação ama
f no amor mãi, Sabes como em fahindo dos teus braços.<noinclude></noinclude>
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slur. Sentir. PAIV, Serm. 2, 405. L. ALv. Seim3;
5, 4. n. 12. Temperar o... CASTILH. Elog. 201. HEIT.
Pie Dial. 1,6,1 Ter..abf. BRIT. Chr. 1, 12.em
alg. ANDRAD. Chr. 1, 1. Tranfportado no.de algum
5 prazer. BARR. Paneg. 4, 307. Trazer...abf. BERN. Lin.
Cart: 110. em alge. MoR. Palm. 29 83.
Alvoroço. Tumulto, motim 3 fedição, movimento de
of genten.com vozes e eftrepito. BARR. DecPI, 6, 5 No al-
voroço, que o povo de Calecut commettco. EUFROS. 1,
co2 Guardevos Deos da ira do Senhor ac de alvoroço do
-povo. MEND. PINT: Peregr. 74 Porque receava, que ven-
doos, houvelle alvoroço nos Chins.
ibus Verb. Accenderfe... FERN. LOP. Chr. de D. J. I.1,
12. Andar em ALBUQ. Comm. 1, 5. Apagar
CASTANH. Hift. 3,21. de algum lugar. SAEELL. Eneid.
2, 6, 93. Aplacar... BRIT. Mon. 1 1. c. 17. Aquietari
o... ALBUQ. Comm, 2, 33. Arder em... algum lugar,
GOUT. Dec. 5, 8, 9 Aigar o... CASTANH. Hift. 3, 22.
Caufar... AYER. Itin. 73. Commetter... BARR. Dec. 1,
65. Fazer CASTANH. Hift..2, 4. Levantarfe ..
CASTANH. Hift. 3, 21. Bur. Mon. 1. c. 27. €07-
trà alg. SABELL. Eneid. 1, 8, 101. Metter .. em algum
lugar. Cour Dec. 5, 3, 8. Socegar o... FERR. l'oem.
T.Caftr. 1. D. G. COUTINH. Jorn. 24, Y.
- Adag. Guarte de alvoroço do povo e de travar com
doudo. DELIC. Adag. 161.
{{lema|ALVOROTADO, A}}. p. p. de Alvorotar. LOBAT. Palm, 5, 51. CALV. Homil. 2, 197. Maus. Aff. Afr. 8, 126 y.
{{lema|ALVOROTADOR}}. s. m. O que alvorota. BARR. Dec. 4,
1,7 E porque não queria caftigar os alvorotadores do po-
PIVO &C. GUERREIR. Kel. 4, 3, 1 Nem as coufas da
fé [podem] crecer, pelo muito que os Miniftros da Igre-
ja são encontrados, e tidos quafi por alvorotadores. VIEIR.
Serm. 3, 9, 3. n. 385 Ouvindo o pregão de malfeitor,
e alvorotador do povo.
{{lema|ALVOROTAR}}. v. a. Amotinar, excitar tumulto, fedição,
rebulico, ou defaffoeego entre muitos. ant. Alborotar, Al-
voratar, GUERREIR. Kel. 5, 5, 5 Entrando na corte, al-
sivorotárão todo o imperio. BARRET. Encid. 7, 82 Para que
.com tal monftro furibundo Toda a cafa alboroté. MA-
RINH. Doutr. 12 Por cuja caufa fuccedem cada inftante
brigas e differenças, alvorotando todos os quarteis.
Com pron. peff. BRIT. Mon. 1, 3, c. 27 Porque
fendo ifto... coufa mui eftranha da modeftia, e tem-
perada condição de Sertorio, eftava clato, que fe albo-
rotaria,
ou quereria reprehender aos que o fizeflem.
CEIT. Quadrag. 1, 20, 3 Que acto efte pera je não al-
vorotarem? Gouv. Rel. 2, 23 Pelo qual refpeito fe co-
-meçárão a inquietar e alvorotar algumas fortalezas.
Met. CEIT: Quadrag. 1, 292, 4 Até as creaturas
elementares fe alvorotárão pera a feftejar. BARRET. Eneid.
10, 9 Ou quem desfazer póde novos fados, Alboro-
tando as ordens do Deftino?
{{lema|ALVOROTO}}. s. m. Tumulto, motim, fedição, arruido,
pendencia entre muitos, principalmente com vozes e cftré-
pito. O P. Guadix, citado por Covarrubias, diz, que vem
do Arab. borod, que quer dizer paeira, accrefcentado o
articulo al porque a gente alvorotada com o movimen-
to dos pés levanta muita pocira. ant. Alboroto. BARR.
Dec. 4, 1, 7 Caftigaffe graviflimamente a quem caufaf-
fe alvorotos. GUERREIR. Rel. 4, 1, 1 O Xogum velho
moftrava defejar, que os que favorecião ao Principe fe
declaraffem com algum alvoroto de armas. D. FERN. DE
MEN. Hift. 3, 61, 143 Sahio em peffoa, quietou o al-
voroto.
Adag. Guardevos Deos da ira do Senhor, alvoro
to do povo,
e de doudo em lugar eftreito. FERR, DE
VASc. Aulegr. 3, 6.
Rebolico, perturbação, defafoeego procedido da con-
currencia de muitas peffons on coufas, que a bum mefino
tempo perturbão a quietação, e fazem eftrepito. FERNAND.
GALV. Serm. 2, 131, 4 Sem arrecear perder a fazenda
c lugar, offereceofe [Nicodemus] em tal alvoroto à vif-
ta de todos, por cumprir com a obrigação de difcipulo.
BARRET. Eneid. 8, 88 Das ameaças grandes de Lauren-
to, E do duro alboroto commovido. ACAD. DOS SING.
1, 8, Silv. Porém efte alvoroto em continente Me def-
perrou.
{{lema|ALUTADO, A}}. adj. O mefmo que Enlutado. CASTR. Ulyff.
2, 17 Ao vento damos efperança e vida, Com alu-
tados remos apartando As ondas.
{{lema|ALVURA}}. s. f. Braneura. Commummente le toma pela
que he muito cfpecial e extraordinaria. Da pelle do cor-
po humano, A. GALV. Tr. 58 Os habitadores parecião na
feição e alvura defcenderem da China. Leão, Defcripes
61 E na alvera do rofto é teições, mais parecia Hef-
panhol, que Africano. CASTR. Ulyff 3, 38 Que em tua
alvara e bocca graciofa, &c.
Das coufas. CART. DE JAP. I., 1c6, 1 Em toda a
terra não apparecia mais que huina alvura, que nos ce-
gava e cantava a vifta de olhar pera'clla. CoRT. R. Naufr.
4, 43 Outros [notáo.] o movimento affecegado Das pos
mas, que em alvura a neve excedem. Sous. Hift. 1,
2, 28 Veftido de humas roupas, como de neve na al-
Vira.
Das caas ou cabellos brancos da cabeça ou da bar-
ba. BARR. Dec. 3, 3, 10 Com prazer começarão feus olhos
a verter lagrimas pela alvura de fua barba, que elle fra-
zia bem comprida. MoR. Palm. 2, 113 Como tiveffe a
peffoa grande e autorizada, juntamente com
nte com a alvura da
cabeça e barba &c.
Met. MEND. PINT. Peregr. 104 O nollo bordão prin
cipal, em que a alma fe encofta pera não cahir quando
tropeça, he a caridade, que ufamos co proximo, quan
do por vangloria não leva farello do mundo, que cega
a alvurn do bom zelo. M. THом. Infel. 10, 82 Segre
do, que em prudencia, no futuro Alvara póc. List:
Jard. 273, 4 A pureza e alvura da caftidade, com ne-
nhuma coufa melhor fe fuftenta e apura, que com a
afpereza.
Alvira da madeira. Parte da arvore bianca e tehra
entre a cafea e o duro. BLUT. Vocab.
{{lema|ALUZIADO, A}}. p. p. de Aluziar. JER. CARDos. Dict
BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|ALUZIAR}}. v. n. Brilbar, refplendecer. JER. CARDOS. Dict.
BENT. PER. Thef.
{{lema|ALXAIMA}}. s. f. T. Arab. O mefimo que Aduar. D. FERIE
DE MEN. Hift. 1, 20, 14 Além das aldeas há por ella
[terra] espalhados muitos Aduares ou Alkaimas, que são
junras de rendas de láa de cabra, em que vivem os Mou⭑
ros com feus gados, e fe mudão conforme os tempos.
{{lema|ALXARIFE}}. s. m. T. Atab. Pin. Chr. de D. Aff. III. II
E tinha a Villa por elle hum feu Alcaide mór, que cha
inavão Aloandro, que era feu Alxarife.
Nota. Todas as palavras, que alguns efcrevent
por Aly, devem bufcarfe em Ali.
{{c|'''A M'''.}}
{{lema|AMA}}. s. f. Mulher, que cria a feus peitos, e dá de mam
nar ao filho alheio. Do Hebt. Amim, do verbo amans
crcar, educar, nutrir. Porém Laño, Orig. 15, C BRIT.
Mon. 2, 6. c. 1. poe efte vocabulo no numero daquel
les que nos ficarão dos Godos. BARR. Páneg. 73,
336 Quintilliano inftituio nos feus preceitos, que as
amas dos moços, creados pera Oradores, foffem difcretas
e eloquentes. CAM. Luf. 2, 43 Come menito da ama
caftigado. ANDRAD. Cht. 1, 3 Então, que era ja tempo de
lha tirarem [a mamma] não foi neceffario mais inven-
ção ou artificio, que afagalo fua ama hum dia.
Ama feccá. Mulher, commmmmente de idade, que
nos hofpitaes e. cafas dos expoftos, vigla fobre as amas de
leite. R. Nic. DE OLIV. Grandez. 5, 5 Ha huma, a que
chamão ama feeea , que he huma velha de confiança,
que tem cuidado das outras.
Ama. Met. CAM. Canç. io, 4 Foi minha ama hu-
ma féra. ESTAÇ. Antig. 90, 4 Donde veio a dizer Pli
nio, que Italia era mai e ama das outras terras. PINT.
Ris. Prefer. 1, 172 Com ellas [armas] defendemos a
juftiça legitima, que he huma viva ama e creadora de
todas as virtudes.
Ama. Senhora, que tem creados ou fervos, a que
manda, e que fuftenta. Sa' DE MIR. Vilhalp. 1, 3 Agora
são em pratica com nofla ama por via de devações. Eu
FROS. 5, 9 Eu te promento que rens tu nella ama c
çanfonina. HEIT. PIT. Dial. 1, 2, 2 A incontinente
ama do cafto Jofeph notavao de incontinente.
Denominação, que dão ás Princezas Senhoras da
primeira qualidade os feus creados, on os que por compris
mento affim fe intitulão. VIEIR. Carr. 392 Em fim, mi-
nha Rainha, minha Senhora, e minha ama, em hum
livro mpreffo em. França vejo aqui, e ventro o rerrato
de Voffa Mageftade.
Aia de pesoa de qualidade. BERNARD. RIB. Menin.
1, 11 A doni hontada, que ama fe chamou depois pe-
la creação da menina, como era já de dias, era de moi,
to faber. FERR. Poem. Caftr. 1 Ama, na creação ama
f no amor mãi, Sabes como em fahindo dos teus braços.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>254
A MA
ços, Ama, na viva flor da minha idade, &c. BRAND.
Mon. 3, 11, 21 Em outro lugar referi efcritura authen-
tica do melmo Mofteiro de Salzeda, em que el Rei D.
Affonfo nomea Dona Thereza ama de feus filhos, ifto
he, aia e meftra.
Mulher de idade que ferve e tem a feu cargo o
governo de alguma cafa, principalmente de Clerigo on bo-
mem folteiro. EUFROS. 1, 6 Guardate deftes eftudantes,
que são fanguefugas de converfações, e com cftas fuas
amas dão bataria ao Cairo. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 19,
576 Trouxe, como digo, efte Prior, que então era aqui,
huma parenta ou ama pera o fervir, fendo homem já
entrado em idade. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 160.
p. 800 A virtuofa Therefa, natural de Ourem, era ama
de hum dos Priores daquella Villa.
Eftalajadeira. CEIT. Serm. I, 248, 2 Porque ahi
não foffrer acabar de comer o trifte, ou eftar ainda com
o boccado na bocca, e vir a ama, que chamão da cafa,
vendendolhe gato por lebre, &c.
Adag. A Frade não faças cama, e a tua mulher
não faças ama. HERN. NUN. Refran. 9 y.
{{lema|AMABIL}}. adj. de huma term. ant. Vej. Amavel.
{{lema|AMABILIDADE}}. s. f. Qualidade ou perfeição, que faz on
conftitue amavel alguma pessoa ou coufa. Do Lat. Amabi-
litas. VIEIR. Serm. 7, 11, 9. n. 369 E fuppofto que el-
le fó foi o fabedor da treição, faiba e ouça agora, que
não achou Chrifto menos amabilidade em judas, que no
mefmo S. João. CHAG. Cart. I, 71 Inexplicavel iniinida-
de de infinidades, de amor, de amabilidade immenfa.
M. BERN. Floreft. 3, 7, 358, A Tudo que eftc Senhor
tem de doçura e agrado, tem tambem de bondade e
amabilidade.
{{lema|AMABILISSIMO, A}}. fuperl. Muito ou fummamente ama-
vel. Do Lat. Amabiliffimus. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 40,
210 O' formofiflimo, ó dulciflimo, ó riquiffimo, ó
amabiliffimo, ó fuaviflimo cordeiro. CART. DE JAP. I, 414,
3 He de condição, amalfiliffima com todos. M. FERNAND.
Alm. 2, 1, 24. n. 20 Mas logo com immundas falivas lhe
afeão fuas amabiliffimas faces.
{{lema|AMAÇAGAFAR}}. v. a. vulg. Revolver, defcompor, deforde-
nar. Buur. Vocab. Suppl.
{{lema|AMAÇÃO}}. s. m. antiq. O mefimo que Maçãa. Pra, Elegiad.
.15, 220 Vem tambem o bruto atroce, Que da ana-
fega come o amação doce.
{{lema|AMADEIRADO, A}}. adj. ant. O mefmo que Enimadeira-
do, e he como hoje fe diz. Cour. Dec. 12, 1, 18 E
em cada huma tem hum baluarte amadeirado de traves
groffas.
{{lema|AMADIGO}}. s. m. ant. Efpecie de privilegio cu izenção,
que davão antigamente os Fidalgos de Portugal ás peffoas,
que creavão feus filhos legitimos, e aos lugares, onde elles
Je creavão. Fr. F. BRAND. Mon. 5, 17, 79 Outro modo
havia de honras igualmente nocivo á fazenda Real, e
era, a que chamavão Paramos, ou Amadigos. Querião os
lavradores libertar feus cafaes, e herdades, pedião a al-
gum Fidalgo, Senhor da mais vizinha honra, que the
déffe hum filho a crear a fua mulher, creavao ella em
fua cafa, e por razão de fer ama defte tal filho, em-
paravão os pais delle aquelle cafal co honravão, e
muitas vezes todo o lugar, e vizinhos delle. Ilto com
tudo fe entendia nos que erão filhos legitimes, que lo-
go fc expreffava nas Inquirições, e achando não fer legi-
timo, fe devaffava. Mas durou fó até efte anno [1290] em
que el Rei totalmente mandou, que delle em diante fe-
não fizeffem mais honras por amadigos, ainda que os fi-
lhos foffem legitimos. VIT. CHRIST. 1, 15, 50 E de
Jofeph, de que folamente creado ou filho por amadigo
c creaçom.
{{lema|AMADIÓSAMENTE}}. adv. mod. antiq. O mefmo que Maviofamente, BENT. PER. Thef.
{{lema|AMADIOSO, A}}. adj. antiq. O mefino que Maviofo. FERN.
Lor. Chr. de D. J. I. 1, 29 Deshi doendofe da terra
de hu era natural, e havendo amadiofa piedade do com-
mum povo, &cc.
{{lema|AMADISSIMO, A}}. fupcrl. de Amado. F. DE MENDOÇ.
Serm. 2, 122, 28.
{{lema|AMADO, A}}. p. p. de Amar. CAM. Luf. 2, 58. HEIT. PINT.
Dial. 1, 3, 2. VIEIR. Serm. 8, 20.
Difcipulo amado ou o amado de Jefus, de Deos
ou do Senhor. S. João Evangelifla, affim chamado por
excellencia entre os outros difcipulos de Jefus Chrifto. FERR.
Poem. Son. 2, 42 Difcipulo de Deos o mais amado.
Sous. Hift. 1, 6, 31 E o amado de Jefus S. João E-
vangelifta, CEIT. Quadrag. 1, 300, 3 Não falta quem
queira dizer, que fallon por efte Padre o amado difcipulo
do Senhor, quando diffe &c.
Amado, a. fubft. m. e f. Aquelle ou aquella, a
quem quer bem e tem amor peffoa de differente fexp. Fr.
MARC. Exerc. 286 Afli o dizia a Efpofa. A fombra de
meu amado, que eu amaya, me affentei. SA DE MEN.
Mal. 8, 56 Gritando meia defcalça, e mal veftida,
Após o ingrato amado fahe correndo. VIEIR. Serm. 8, 20
Huma coula he fer amado, outra fer o amado...
Dizfe particularmente em fentido efpiritual de Deos
a refpeito das almas devotas. D. FR. BR. DE BARR. Ef-
pelh. 3,7 Eu ao meu amado, ca conversão delle
a mim. Cauz, Poef. Vid. de S. Cath. 60 Do feu di-
tofo corpo degolado Aquella alma, ditofa defpedida
Nos braços repouzou do feu amado. TELL., Chr. 2, 6,
53. n. 2 E como defejava verfe fo com feu amado &c.
No fem. ESTIM. DO AM. Div., 1, 3 Adjurovos,
filhas de Jerufalem, que não esperteis, nem façais acor-
dar a minha amada até que ella queira. Los. Cort. 5,
49 Temistocles ... ufava em huma doença, que fua
amada teve, dos mefmos remedios, que lhe a ella faziáo.
SA DE MEN. Mal. 11, 75 Furiofo amante, a vida impa-
ciente Já pela bella amada dar procura.
{{lema|AMADOIRO, A}}. adj. antiq. O mefimo que Amavel. VIT.
CHRIST. I, 9, 29 O amadoiro e maravilhofo conten-
ramento! D. CATH. INF. Regr. 1, 17 Mas as coufas
que são ditas com fentido de dentro, e alegria de voz,
fabem bem ao defejo, e ás orelhas dão bom fom; aos
Anjos são feitas amadoiras, e a Deos dão mui brando
cheiro de louvor.
{{lema|AMADOR, ORA}}. adj. Que ama. BARR. Dec. 1, 1, 15
Foi muito amador da creação dos Fidalgos, por os dou-
trinar em bons coftumes. CAM. Ecl. 7, I. Os Semica-
pros Deofes, amadores Das Napeas. Luz, Tr. do Defej.
6,5 Transfigurafe [o demonio] em Anjo de luz, pera
fob efpecie de piedade efcarnecer da [alma] amadora da
virtude:
Subft. BARR. Clarim. 2, 46 As quaes [obras] a-
gora lhe são coroa de leal amador, em quanto a gloria
de fua fama durar. EUFROS. 2, 1 O defaventurados a-
madores, a que os males de Niobe não chegão. BERN.
Rin. Son. z. Aqui de largos males breve hiftoria Lede,
vós, defamados amadores.
No fem. FR. MARC. Chr. 2, 5, 33 A fervente a-
madora de nolfo Senhor Jefu Chrifto. FR. TH. DE JES.
Trab. 1, 12, 298 Na hora, que a Magdalena peccado-
Ta vos chorou a eftes pés, e abraçou, logo ficou com
titulo de amadora. Lir. Fug. 11, 18, 242. col. I Por-
que como de feu fangue Real [de David.] havia de def-
cender a Virgem Santiflima Maria, táo grande. amadora
da limpeza e da pureza &c.
Adag. Velho amador, inverno com flôr. DELIC. Adag.
3. M. BERN. Floreft. 3, 7, 383, B.
{{lema|AMADORNADO, A}}. adj. Lethargico. .CASTILH. Elog. 304
Té o anno de cincoenta, que o começou tomar hum fon-
no amadornado no meio dos negocios.
Met. HIST. TRAG. MARIT. 2, 42 E dos mares,
que nos cobrirão, e de quantas vezes efta não ficou a-
madornada e morta debaixo d'agoa."
{{lema|AMADORRADO, A}}. adi. Vej. Amodorrado.
{{lema|AMADOURO, A}}. adj. antiq. Vej. Amadoiro.
{{lema|AMADOUROS}}. s. m. pl. ant. O mefimo que Amavias.
CONST. DE BRAG. 40, 12, 3 Se ha alguma peffoa...
que feja feiticeira ou, bruxa, ou que faça amadouros, ou
quaefquer fuperftições pera ligar ou desligar.
{{lema|AMADURADO, A}}. p. p. de Amadurar. M. FERNRND. Alm.
3, 3, 2. n. 306. p. 884.
{{lema|AMADURAR}}. v. n. Amadurecer, fazerfe maduro, chegar
ao ponto de madureza. DESCOBR. DA FROLID. II
alli como vão amadurando [as fruitas,] fe vai abaixan-
do a arvore com ellas. L. "ALv. Serm. 3, 4, 9. n. 27
Se os influxos do Sol, e a fua luz faltar, nem as no-
vidades fe pódem crear, nem amadurar os fructos, nem
crefcer as flores.
Met. A. DE VASc. Anj. 2, 6, 10. part. I. p. 994
Com tudo convem foffrer, porque com a idade e trato
com Deos amadure o juizo, fe penetre a. alma de Deos
pouco a pouco. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 12. n. 80 Não
os ajudeis [aos peccadores] a crefcer no mal, mas à -
madurar no que eftá feito.
Med. CABREIR. Comp. 14 Fará. efte remedio a-
madurar a efquinencia e abrilaha. MORAT. Febr. 3, 2
Se apparecem [as parotidas] depois de haver alguns fi-
naes de cozimento, e amadurão, são faudaveis.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="2" user="MLReis" /></noinclude>A MA
Em fignif. act. CABREIR. Comp. 64 Açucar rofado
pofto fobre os inchaços tambem os amadura. MonAT.
Pratic. I, 10, 2 A nigella... he o maior remedio, que
ha para parar o eftillicidio catarral por caufa fria, e para para o amadurar.
{{lema|AMADURECER}}. v. a. Fazer maduro, por no ponto da
madureza.: MONTEIR. Art. 21, 4, 356 O voffo Sol en-
tretanto por voflo mandado eftá creando as vinhas, ama-
durecendo os olivaes, de que fahe o vinho e o azeite,
que me conforta e alenta. VIEIR. Serm. 4, I, 3. n. 8
A's lavouras não lhes faltou a chuva, que as regaffe,
nem o Sol, que as amadureceffe.
Met. VIEIR. Serm. II, 14, 2 O progreffo das nol-
fas armas não tinha amadurecido as verduras do pundonor.
Neutr. Fazerfe maduro, chegar ao ponto da madn-
reza. Luc. Vid. 2, 13 Pera nós ferião novas, fe al-
guem contaffe que amadurecião as uvas em Polonia. BRIT.
Mon. 1, 4 c 22 Quando alguma coufa nacia, a falta de
Sol e tempo claro a não deixava chegar a fazão de ama-
durecer. Lon. Peregr. 2,7 Amadurece já no fecco ef-
O grão no feu bolfinho.
tio
Met. CES. Summ. 2, 4 Conhece... quanto impor-
ta acceitar as occafiões arrifcadas, e deixalas amadurecer.
Med. ou Cirurg. Das poftemas, leicenços, &c.
Luc. Vid. 6, 3 Ajuda o Cirurgião com oleos brandos a
poftema, quando todavia não pertende que creça pera
não farar, mas que amadurça pera a abrir. MORAT. Fe-
br. 3, 1 Os bubões, fe crefcem e amadurecem, são me-
nos perigofos. GRISL. Defeng. 2, 18 A raiz pizada co-
mo emplaftro logo faz amadurecer o leicenço da pefte.
{{lema|AMADURECIDO, A}}. p. p. de Amadurecer. Só fe ufa
junto com os verbos auxiliares Haver e Ter para formar
os tempos compoftos. Vej. Amadurecer.
{{lema|AMAESTRAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Ameftrar.
{{lema|AMAGO}}. s. m. A parte interior da arvore, da planta,
rado nos poderofos, pacifica e amaina a inquietação dos
pequenos. CEIT. Serm. 2, 6, 3 Outras vezes [fe vio em
S. Francifco amainar o fogo, vento e chuvas.
Neutr. Tomar on apanhar as velas em todo ou em
parte. BARR. Dec. 3, 4, 7 Por não quererem amiainar á
bandeira d'el Rei de Portugal. CAM. Lul. I, 48 Peraque
junto ás Ilhas amainaffem. MEND. PINT. Peregr. 50 E
vendo ferem moços Chriftãos, bradámos rijo aos mari
nheiros, que amainafem.
Met. HIST. TRAG. MARIT. 2, 349 Tanto vai em
faberem os Senhores amainar hum dia do feu rigor e
-diffimular. Luc. Vid. 10, 4 Amaindrão as procifsões
herva, &c. ant. Amaguo, Amego. Ost. Colloq. 30, 130
Não cheira bem fenão o amago a que chamão os Por-
tuguęzes cerne (Falla do linehoaloes.) MAGALH. Hift. 5
Pelos quaes golpes ou furos] pouco a pouco eftão [as
arvores eftilando do amago efte licor preciofo. A. DA •
CRUZ, Recop. 5, 160 E o miolo ou amago de dentro
che frio.
Met. O intrinfeco, a fubftancia, a parte mais priu-
cipal de alguma coufa. EurRos. 5, 5 O Portuguez ame-
go e timbre dos Hefpanhoes. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 6
Pondo os olhos na cafca das coufas, fem penetrar o a-
mego dellas. PINT. RIB. Rel. 1, 14 O entendimento, da
lei não está nas palavras e corpo della, mas no amego
e alma.
Centro, o interior de algum lugar. CORR. Comm. 1, 8
. Dos quaes [pontos] os dous Oriente e Ponente são ter-
mo e baliza do Horizonte: e o Meridiano he como a-
mago e centro delles. MEND. PINT. Peregr. 95 E outros
de outras muitas terras e Reinos, que pelo amago defte
fertão habitão. SANT. Ethiop. 2, 2, 8 Não tem agora ef-
tas terras differença alguma das que eftão mettidas no
amago da Chriftandade.
T. de Ourives. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 76. p.
447. ann. 1522 Outro gomil de prata pequeno lavrado
d'amagos, hum branco. &c.
{{lema|AMAGO}}. s. m. O mesmo que Ameaço. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|AMAGOTADO, A}}. adj. Marinh. CARN. Rot. do Braz. 29
Pela terra dentro vai correndo huma terra groffa ama-
gotada. PIMENT. Art. Rot. 251 E chegandovos mais a el-
la [Ilha] te vos fará amagotada.
{{lema|AMAINADO, A}}. p. p. de Amainar. SANT. Ethiop. 2, 2,
19. HIST. TRAG. MARIT. I, 389. M. Tдox. Inful. 2, 86.
{{lema|AMAINAR}}. v. a. Marinh. Abater, deitar abaixo as velas
ou tomalas em parte. BARR. Paneg. 15, 12 Sem oufa-
rem de levantar fuas vélas, que a força Portugueza tan-
tas vezes amainou. CAM. Luf 6, 72 Amaina, diffe o
Meftre a grandes brados, Amaina, diffe amaina a
grande véla. SA DE MEN. Mal. 1, 23 Amainão logo os
nautas todo o panno.
Met. HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 9 Era impoffivel ha-
ver coufa no mundo, que o pudeffe abater, e fazerlhe
amainar as velas de fua grandeza e prefunção. ARR.
Dial. 2, 18 Pera lhe fazer amainar as vélas do feu faf-
to e arrogancia. VIEIR. Serm. 2, 4, 3. n. 98 Todos amai-
ndrão as vélas, e recolherão os remos da fua ambição.
Afroxar enfraquecer, diminuir. FERR, DE VASC.
Aulegr. 1, 2 E muito fegura, que lhe hei foffrer fuas
perrarias, parar fuas manias, e agradecerlhe muito.amai-
nar fuas birras. BRIT. Mon. 1, 3. c. 23 O rigor execu-
di-
minuiofe o concurfo das Igrejas. TELL. Hilt. 6, 25, 505
Quando contra a Fé Catholica fe lançou o impio pre-
gão, nada amainou [Oracy] de feu fanto fervor.
Amainar. act. è menos uf. Aralmar, focegar, abo-
nançar. SANT. Ethiop. I, 3, 19 Não amaina [o mar]
fuas ondas até lhe não lançarem tudo quanto vai na
embarcação.
Neutr. e he mais ufado. Acalmar, abonançar, fe-
renarfe. Da rempeftade, do mar, do vento, &c. Luc.
Vid. 4, 1 Fizelle então com o favor dá divina graça
amainar o vento a feu propofito. CEIT. Quadrag. 2, 210,
1 Os mares amainão, e fe fazem, acabadas as tempef.
tades, navegaveis. TELL. Chr. 1, 1, 14. n. 1 No mef-
mo inftante... amainou o vento.
Met. CASTIL. Comm. 2, 38 E batião [as peças de
artilharia por todas as partes em roda [a C dade] fenz
amainar de dia, nem de noite a tormenta. TELL. Chr.
3, 3, 34. n. 9 Com fua aufencia [do P. M. Simão]
não poderia amainar efta mareta ?
Remittirfe, quebrar de fua vehemencia ou vigor al-
guma paixão forte. Tambem fe ufa com pron. peff. Luc.
Vid. 8, 26 Nunca amainou a ambição. Sous. Vid. 1, 9
E até nos mal contentes amainou a raiva, quando fe pu-
blicou a nova da fua doença, e a caufa della. TELL. Hift.
6, 16, 577 Veio em fim a fe amainar a cólera, e a
fe temperar a cobiça.
Irfe enfraquecendo on diminuindo a intenção ou for
ça de alguma coufa, principalmente da enfermidade. Sous.
Hift. 1, 2, 32 E a olhos viftos amaínou a inchação.
VIEIR. Cart. I, 31 Depois me deo huma grande eryfi-
pela, cuja inflammação e força amainou com feis fant-
grias.
{{lema|A MALAGAMA}}. s. f. Vej. Amalgama.
{{lema|A MAL DE SEU GRADO}}. form. adv. ant. A feu pezar,
contra fua vontade. Sous. CoUTINI. Cerc. 2,9 E affi
confundidos a mal de jeu grado, fe decêrão. BRIT. Chr.
I, 23 O demonio a mal de feu grado a houve de dei-
xar a certa mulher] com finaes de grande pezar, quc
tinha em tal partida.
{{lema|AMALDIÇOADO, A}}. p. p. de Amaldiçoar. RoBOR. DC-
clar.7, 40. D. F. MAN. Cart. 3, 9. VIEIR. Serm. 10. do
Rof. 20, 7, 187.
Ufafe como adj. Execrando, deteftavel. Leño, Chr.
de D. Aff. IV. 147 Por deixardes entre vós viver efta
analdiçoada gente. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 359, 4 Dia,
em que começou o peccado, dia amaldiçoado.
{{lema|AMALDIÇOADOR}}. s. m. ORA, f. O que amaldiçoa. BENT.
PER. Thef.
No fem. BENT. PER. Thef. nr
{{lema|AMALDIÇOAR}}. v. a. Lançar maldição. MEND. PINT. Pe-
regr. 87 Amaldiçoárão toda a Meza grande, e todos os
Miniftros do crime. BRIT. Mon. 1, 1. c. 2 Donde reful-
tou amaldiçoar a elle, e fua geração. Sous. Hift. 3, 3, 5
Accrefcenrando por remate, que fuas peffoas, e até fuas
fazendas amaldiçoava.
{{lema|'AMALECHITAS}}. s. m. pl. Povos do Oriente, que vivião na
parte meridional de Iduméa; aim chamados de Amalech.
BLUT. Vocab.
{{lema|AMALGAMA}}. s. f. Chim. Acão e effeito de amalgamar. BLUT. Vocab.
{{lema|AMALGAMAR}}. v. a. Chim. Unir e misturar o azougue
com outras metaes, particularmente com o ouro e a prata,
para os adoçar e fazer. flexiveis. BLUT. Vocab.
{{lema|AMALHADO, A}}. p. p. de Amalhar. FERNAND. FERR. Art.
5, 14 Para de noire cettarem amalhadas [as aves] cha-
mão a fe ajuntar. VIEIR. Serm. 6, 14, 8. n. 437 Cor-
rer huma lebre, ou dar huma lançada no javali ama-
Ibado.
{{lema|AMALHAR}}. v. a. Recolher o gado em algum terreno cerca-
do de rede para paffar a noite e eftrumar as terras. BLUT.
Vocab.
Dizfe a refpeito de qualquer animal, que fe póe<noinclude></noinclude>
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/* Problemática */
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<noinclude><pagequality level="2" user="MLReis" /></noinclude>256
A MA
stem lugar feguro. Los. Peregr, 2, 10 Sem fer viſta de
duas paftoras... que occupadas em amalhar hum cervo,
de que tiverão vilta & s
o Met. FERR DE, Vasc. Aulegr. 1, 15 E a fua ra-
pariga, des que ifto começou, anda tão de levante, que
ora não pollo analbar. BARE. Dec. 4, 71, 12 Tornou o
Capitão Verugii, que andava por mandado de D. João,
tras o raftro de Aga, a lhe dizer que o tinha amalba-
do ao pé de huma ferra.. ama poria
{{lema|A MAL MAIÇA}}. form. adv. e vulg. Gir Vic. Obr. 3,
168 As outras Damas irão A mal maiça vestidas,
Segundo fua tenção, Affi as cores tomaráo. Differen-
tes e efcolhidas.
{{lema|AMAME}}. adj. huma term. [cavallo] O que he malhado de
branco, e preto. BARK. Clarim. 1, 28 E com eftas, ar-
mas deolhe tambem hum cavallo aname. LEIS EXTRAV.
Addiç. 31 Amame [cavallo ] igualmente compofto de co-
res branco e preto
{{lema|AMAMENTADO, A}}. p. p. de Amamentar. BARBOS. Dict.
{{lema|AMAMENTAR}}. v. a. antiq. Dar de mammar, Vir. CXRIST.
4, 13, 86 O'cbo, Jefu, que a tua madre, mui dore,
a qual te creou com grão diligencia, e te tratou com
reverencia, e te amamentou tão docemente &c. SABELL.
Eneid. 1, 3, 12 E mandou, que metteffem [dous me-
ninos em hum curral de cabras, e ao paftor, que os
pufeffe ás mammas das mefmas cabras; e, em quanto os
amamentaffe; não fallaffe nenhuma palavra perante elles.
{{lema|AMANÇA}}. s. f. antiq. e pouc. uf. Amor. F. MARC: Chr. 2, 10. cant. 22 Que lhe amoftre a fé, Ondė he ve-
ra amanca, He chêa a efperança, Donde he o amor
boato.
{{lema|AMANCEBADO, A}}. p. p. de Amancebar, Leir. D'AN-
DRAD. Mifc. 12 336. Leão, Chr. de D. J. I. 45. BRIT.
o Mon. t. I. tit. 1.
-Subit. Luz, Serm. I, 159, 1 Como efta, que vi-
nha bufcar agoa para a ter em cafa, frefca para o feu
Smancebado.
{{lema|AMANCEBAMENTO}}, s. m. Trato illicito entre homem e
mulher por targo tempo. FERNAND: GALV. Scrm. I, 131,
24 Se póde julgar o grande perigo, em que o peccado
de amancebamento o havia pofto. LEN. DE AFONS. Comm.
-61, 5 O amanecbamento ainda que não foffe condemnado
-de Direito Civil. com tudo de Direito Canonico e Di-
vino, a que fe deve obedecer, he prohibido e reprova-
do. M. BERN. Arm. 22 O amaneebamento /he hum dos
vicios, que Deos mais frequentemente caftiga com mor-
res repentinas,
{{lema|AMANCEBAR}}. v. a. Só fe ufa com pron. petl. Ter trato illicito homem e malker por largo tempo. Bair. Mon.
57, 1. tit. 19 Deft cafamiento da gentia deo Sansão em
outro abfurdo menos decente á fua pelloa, amanceban-
-dofe na Cidade de Gaza com huma mulher publica. PER.
ab D'Arons. Poder. 10, 250 Lhe foi occafião de fe aman-
cebar com mulheres de varias nações.
{{lema|A'MANHÃA}}. fórm. adv. Vej. Manhaa.
{{lema|A'MANEIRA}}. fórm. adv. Vej. Maneira.
{{lema|AMANHADO, A}}. p. p. de Amanhar.. EUFROS. 5, 8.
{{lema|AMANHAR}}. v. a. Agritar, concertar, fazer artificiofamen-
carte. De Mão. VAL. FERNAND. Report. Eu fam Agofto,
que amanho as cubas, Pipas e quartos pera o cumo das
ubas. FR. ISID. DE BARBEIR. Vid. 25 (Doação do Rei
nado de D. Din.) Se vio fcccamente o feu moimento,
cá fe não póde amanhar com ferramenta.
Dizfe particularmente da lavoura e agricultura. M.
FERNAND. Alm. 3, 3, 5. n. 199. p. 632 O cuidado de
amanbar e tratar da vinha, nunca diz, bafta, mas he
inexhaufto.
BLUT. Vocab. Amanlar, na Beira val o mesmo
val o que matar qualquer animal.
Amanhar. com pron. peff.. Difpörfe , accommodarfe
a fazer alguma coufa. GIL Vic. Obr. 4, 225 Por Deos
bem vos amanbais, E não he melhor folgar, Que
trabalhar por demais. MACHAD. Alf. 1, 59 Que biftrinfa
efte nurganho A lingoagem de Caftella, E cu ca-
chopo tamanho, Que nom fei trincar por ella, Por
mais que a iffo me amanho. D. F. MAN. Cart. 2, 10 Eu
não me amaubo ja topar a quem queira bem.
Adag. Cada qual como fe antanha BLUT. Vocab.
{{lema|AMANHECENTE}}. ant. p. a. de Amanhecer. GaLv. Chr.
26 Andando toda a noite, até a mata, que 'cftá fobre
Perues, onde chegarão fexta feira amanhecente.
{{lema|AMANHECER}}. v. n. impeff Principiar a efelarecer on a
raiar o dia. Sa' Dà Min. Vilhalp. 5, 1 Ainda bem náo
amanbeee. Leão, Chr. de D. Aff. Henr. 38 Andou toda
a noite até á mata, que cftá fobre Pernes, onde che-
gárão à fexta feira, querendo amanhecer. VIEIR. Serm. 4,
12, 3. n. 426 Em quanto não amanhece confervafe e
prefevera a noite, tanto que amanheceo, ficou acabada e
perdida.
on Raiar, começar a esclarecer. Do Sol ou do dia. BARR.
Paneg. 33, 322 Não fei que diga por efte tão bom dia,
como nos amanhecco. FBRR. Poem. Son. 13 13 Aquelle
Sol formofo, que na ferra Nos foe amanhecer, BAIT.
Mon. 1, 4. c. 11 Amanheceo o dia feguinte com notavel
ob gofto dos foldados de Cefar.m
Mer. ARR. Dial. 8, 3 Suppliquemos com humilda-
de á Divina Luz, que nos amanheça. Sous. Vid. 3, 20
Afli vacillando valeolhe huma luz da Divma graça, que
The amanheceo n'alma. VIEIR. Serm. 5, 8, 3. 11. 264 En-
tão fahe ou amanhece, como Sol de entre nuvens, o lu-
me do entendimento e da razão..
ob Amanhecer. Chegar a algum lugar, ou apparecer
nelle ao romper da manhãa, GOES, Chr. de D. Man. 1,
12 Caminhando a fio, forão amanhecer fobela aldea.
Cour. Dec. 5, 8, 3 Áo outro dia forão amanhecer ao
pé daquella Fortaleza. Maus. Aff. Afr. 10, 156 Amanbe-
ee fobre cila Cidade] de repente, Dando cfpanto e
temor a tanta gente.
o Apparecer de novo ou manifeftarfe ao romper da ma-
uhaa ou com a primcira luz do día. Fx. GASP. DA CRUZ,
Tr. 2, 4 Ha no fertão... muita abundancia de peixe
do mar, de maneira que todolos dias amanhecem as pra-
ças chèas de peixe.frefco do mar. MEND. PINT. Peregr. 6
to Amanhecerão mortos Nuno Delgado, e André Borges.
Luc. Vid. 1, 3 Amanheceo ao dia feguinte o enfermo
com os cordeis fora: auto
Met. Começar a manifeftarfe alguma coufa profpera.
SOTTOM. Ribeir. 1927 Quando quizer o cco, que ama-
nheça a minha fortuna. TELL. Chr. 1 1, 5. n. 7 Veio o
dia, c. com elle lhe amanheceo a faude. D. F. MAN. Epa-
naf. 3, 288 Porque. fendo o defengano noite do dia dos
amores, já mais erá poffivel declinar ao aborrecimento
aquelle, a quem nunca intereffes havião amanhecido.
Principiar a fer on exiftir. HEIT. PINT. Dial. 1, 5,
5 Quando [Diocleciano] fe vio fóra do Imperio, différa,
que então amanhecia, e que defd'aquella hora por dian-
te começava a viver. CHAG. Obr. 1, 9, 9 O primeiro
pallo de tempo; com que todos amanhecemos na caduca
aurora da vida, he o primeiro, que apreflamos para o
occidente da morte.
Amanhecer. act. pouc. uf. VIEIR. Serm. I, 4, 4.
col. 245 E quem foi a Aurora, que amanheceo ao nun-
do efte dia tão alegre, tão falutifero e tão vital, fe-
não aquella Luz Divina ?
Uſafe como adj. e fe lhe ajuntão os adverbios Bem Com pron. peff. pouc. uf. O mesmo que Amanhe-
. ou Mal, e fe diz das peffoas bem ou mal veftidas é à-
taviadas. FER. Lor. Chr. de D. J. I. 2, 48 Erão pro-
vemente e mal amanhados.. TELL. Hift., 15, 41 Po-
rém aflim como cftes calções dos mais fidalgos são juftos,
allim: os dos outros são do feitio das bragas...com que
-Landão os Abexins] muito mal amanhados.
cer. Maus. Vid. 4. 38 Voume fazendo aquella ar-
vore trifte, Que a India Oriental produz e cria...
Sécca, murcha, fem gloria fe amanhece.
Adag. Amanhceerd, fararnoshá Deos merce. DELIG.
Adag. 76.
Nem por muito madrugar, amanhece mais afinha on mais
cedo. FER. DE VASc. Ulyflip. 1, 2. CAM. Filod. 145.
DELIC. Adag. 36.
{{lema|AMANHECIDO, A}}. p. p. de Amanhecer. PER. Elegiad.
3, 39 Bem como quando a frefca e fuave. rofa Polo
avaro Outono amanhecida Na. desfolhada planta &c.
ARAUJ. Succeff. 3, 12 Amanhecido, fe foi o Meltre de
Campo a Eljas.
{{lema|AMANHO}}. s. f. uí. Aeção e effeito de amanbar.
Pl. Inftrumentos, apparelhos neceffarios para fazer
alguma obra. PINT. RIs. Ufurp. 17 Tomando e vendendo
os penhores, que pela maior parte crão os pobres ama-
nhos e veftidos das cafas e peffo as dos executados com
defcrida deshumanidade.
{{lema|AMANSADO, A}}. p. p. de Amanfar. D. CATH. INF. Regr.
1, 15. FERR. Poem. Cart. 2, 4. VIEIR. Serm. 8, 330.
{{lema|AMANSADOR}}. s. m. ORA. f. O que amanfa. FR. TH. DE
JES. Trab. 1, 23, 520 Adorovos maior que Jonas, vence-
dor da morte, anianfador dos mares das tribulaçães.
FERNAND. GALV. Serm. 3, 180, 4 De hum mancebo co-
mo Daniel [fez Deos] Juiz do povo, amanjador dos
leões, &c.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA
No fem. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMANSADURA}}. s. f. Acção e effeito de amanfar. BARBOS.
Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMANSAR}}. v. a. Domefticar, tirar a braveza, fazer man-
fo, tratavel, e docil bum animal feroz. ARR. Dial. 3, 35
De modo que a arte magica a não póde amanfar, nem
acabar com ella [ferpente ] que ponha de parte o vene-
no. SILV, DE LIZ. 64 Ceffa Lizardo já de eftar queixofo
(Lhe diffe a bella Silvia) que effas dores Amanfarão
hum Tigre furiofo. TELL. Chr. 1, 1, 33. n. 9 Differão
os Gregos do feu Orphco, que o feguião as pedras,
que amanfou Tigres, &c.
Met. Socegar, apaziguar. As peffoas, principalmen-
te dominadas de alguma paixão. FERR. Poem. Caftr. 1
Ferve o fangue, arde o peito, crefceme ira Contra
quem me perfegue: tu me amanfas. Can. Luf. 6, 91
Defta maneira as outras amanfavão Subitamente os ou-
tros amadores. TELL. Chr. 1, 1, 36. n. 9 Foi mui fa-
cil... amanfar e reger aquelle povo táo feroz.
Mitigar, moderar, refrear. As paixões. BARR. Dec.
2, 1, 2 Sómente que ella amanfou a foberba daquella
Cidade. CAM. Luf. 4, 41 E porque mais aqui fe amanfe
e dome
A foberba do imigo furibundo. Sous. Hift. 1,
3, 23 Que fem dúvida feria remedio poderofo pera o
Senhor amanfar a fua ira.
Serenar, abonançar, fazer tranquillo. O mar, a
tempeftade, o vento, &c. Tambem fe ufa com pron.
peff. FR. SIM. COELH. Chr. 1, 16, 67 Contão os Antigos,
que andando o mar em tormenta no inverno, quando
ella [alcione] põe feus óvos, fe amanfa. Cam. Canç. 9,
5 O que irado mar gemendo amanfo. FR. MARG. Vid.
2, z Orando amanfou a tempeftade do mar e dos ventos.
Diminuir, enfraquecer, abrandar. A vehemencia ou
intensão de coufa incommoda. D. MAN. DE PORTUG. Obr.
9, 199 Cuidando de amanfar a fede eftiva FERR. Poem.
Cart. 2, 11 Humas [agoas] feguindo as outras nunca
cansão, A fonte fempre viva, fempre mana, E o ca-
minhánte a ardente fede amanfa. Paiv. Serm. 1, 248 y
Nenhuma coufa póde amanfar eftcs medos.
Amanfar. neutr. Domefticarfe deixar ou perder a
braveza. Dos animaes. Maus. Aff. Afr. 8, 119 y Mais
fe enreda [a avezinha e já de fraca amanfa. F. DE MEN-
Doç. Serm. 2, 95, Paraque os animaes bravos entre
os manfos amanfassen.
Met. Ufafe em todas as fobreditas fignificações da
voz activa. Pix. Chr. de D. Din. 22 Por.ver feu filho tão
fem razão contra fi, fem nunca querer amanfar. BER-
NARD. RIB. Menin. I, 8 Era já manhãa quafi, c a dôr
não amanfava. CORT. R. Cerc. 10, 137 Aguardão que
hum bom tempo lhes conceda Viagem, amanfando o
mar inchado.
Adag. Amanfe fua fanha, quem por fi mefmo en-
gana. DELIC. Adag. 36.
Cafaris e amanfarás. FERR. DE Vasc. Ulyflip. 1, I
DELIC. Adag. 45.
Não debalde fe diz, cafareis e amanfareis. M. BERN.
Medir. 15, 3 O dictado commum; defpofartehas e aman-
farás.
Pouco damno efpanta, e muito amanfa. DELIC. Adag. 71.
{{lema|AMANTE}}. p. a. de Amar. Que ama. CAM. Luf. 7, 10
Ajuntarem o exercito inquieto Contra os povos, que são
de Chrifto amantes. CEIT. Quadrag. 1, 188, Porém
como da vontade feja proprio levar a peffoa amante à.
coufa amada, &c. D. F. MAN. Epan. 2, 153 Devem
os homens amantes da razão, guardar em fuas acções
huma tal ordem, que &c.
Subft. m. e . O namorado, o que anda de amores.
EUFROS, I, IO amante fabe o que defeja, mas não vé
o que lhe cumpre. CAM. Luf. 5, 54 Que he grande dos
amantes a cegueira, RIB. DE MAC. Ariftip, 3 Porque a
Dama não coftumava cançar a conftancia dos amantes.
No fem. CAM. Od. 3, 8. E c'os teus olhos ver
a doce amante. Luz, Tr. do Defej. 5, 7 Apontei cfta
doçura do amor, paraque de todo fe perfuada a alma
devora, que então fe tenha por verdadeira amante do
Efpofo, quando em tudo, que foffter por amor delle,
achar doçura. M. BERN. Floreft. 4, 1, 273 Tambem
foi fuggerido pelo Efpirito Santo o bizarro lance da fina
amante do Senhor a Magdalena Santa.
Epith. Affigido. CORT. R. Naufr. 7, 79. Amavel.
Sous. DE MAC. Ev. 1, 12, 51. n. 16. Anciofo. VIEIR.
Serm. 10. do Rof. 19, 8, 153. Atrevido, PAIV. DE AN-
DRAD. Cafam. 7. Bruto (o touro.) CAM. Luf. 3, 66. Ce-
go. CAИ. Od. 10, 8. Charo. Maus. Aff. Afr. 9, 134,
Defacordado. Loe. Peregr. 2, 5. Defifperado. Conr. R.
Naufr. 7, 79. Defprezado. FERR. DE VASC. Auleg.. 5,
6. Doce. CAM. Od. 3, 8. Enganado. VIEIR. Scrm. 2, 13,
4. n. 415. Enternecido. M. BERN. Luz e Cal. 2, 1, 236.
Extremado. MEMOR. DAS PROEZ. I, 13. Falfo. PURIF.
Chr. 2, 5, 3. §. 24. Forvente. CARDOS. Agiol. 3, 82.
Fervido. CAN. Luf. 6, 46. Fiel. Cam. Od. 1, 10. Luz,
Serm. 2, 2, 179. col. 1. Fino. L. Anv. Serm: 3, 20,
3. n. 5. Firme. CAM. Luf. 6, 89. Furiofo. SA' DE MEN.
Mal. 11, 75. Immenfo. CORT. R. Nautr. 17, 206. Im-
paciente. Sous. DE MAC. Ev. 3, 31, 405. n. 3. Il-
canto. Cam, Luf. 2, 38. Infinito das neffas almas. (Fe-
fus Chrifto.) VIEIR. Serm. 8, 321. Infigne. MONTEIN.
Art. 25, 30, 46;. Lafcivo. PAIV. DE ARDRAD. Cafani.
7. Leal. SiLv. DE Liz. 102. Mal pagado. ORIENT. Lu-
fit. 120 . Mdo. FERNAND. GALV. Serm. 3, 81, 2. Mi-
fero. Ca. Luf. 5, 48. Novel. Maus. Aff. Afr. 12, 185
y. Prefeito. GIL Vic. Obr. 3, 145 . Primorofo. L
BRAND. Medit. 2, 4, 115. P. 91. Profano. M. BERN.
Luz e Cal. 2, 2, 304. Querido. FERR. DE VASC. Aule-
gr. 5, 6. Maus. Aff. Afr. 1, 11. Karo. SALGAD. Thea-
tr. 2, 13. Requebrado. PAIV. DE ANDRAD. Cafam. 6. Re-
finado. LisB. Jard. 89, 35. Ruim (bem) Luz, Serm. 2,
2, 68. col. 2. Secreto. Sa DE MEN. Mal. 6, 87. Sempi-
terno. (Deos.) SA LE MEN. Mal. 2, 45. Singular. CEIT.
Quadrag. 1, 301, 2. Soffrido. Sous. DE MAC. Ev. 2,
31, 405. n. 3. Sellicito. ANDRAD. Cerc. 9, 42, 2. Ter
10. CASTR. Ulyt. 10, 23. Timido. MATT. Jeruf. 13, 446
Torpe. M. FERNAND. Alm. 3, 3135. P. 587. Trifte.
CAM. Ecl. 2, 41. Vão. FERR. DE VASC. Ulyfip. 2, 6,
Verdadeiro. LoB. Primay, 2, 7. Lisa. Jard. 81, 13.
{{lema|AMANTEIGADO, A}}. adj. uf. Semelhante à manteiga.
Met. Brando, benigno. CEIT. Scrm. 1, 71, 2 Per
modo que lhe veio chamar o Profera Ifaias, hum Dcos
amanteigado.
{{lema|AMANTELADO, A}}. adj. Fortif. Cercado de muros. BLUT. Vocab.
{{lema|AMANTES}}. s. m. pl. Matinh. Os apparelhos para puxar
as ancoras. BLUT. Vocab. Supp!.
{{lema|AMANTIFORMA}}. adj. [bondade] Theol. D. HILAR. Voz
36, 202 Por confeguinte o mefmo dizemos quando a
vontade perfeitamente he affecta à bondade amantiforma,
e a memoria compridamente forvida neffe fummo e al-
tiflimo bem, que he effe mefmo Deos, gloria dos bem-
aventurados.
{{lema|AMANTILHOS}}. s. m. pl. Matinh. Certos cabos, que vão
das pontas das vergas abaixo da gavea em buma polé, é
vem a fazer fixo perto da enxarcia. Cour. Dec. 5, 8, 2
Dons delles os amantilhos, outros dous as efcoftas das
gaveas, &c.
Met. M. BERN. Floreft. 1, 5, 178, A As [mulhe
res] que andão nos alhèos [pés] uccellitão de muito
mais cnxarcia, enfrexadura, e amantilhos.
{{lema|AMANTISSIMO, A}}. fuperl. de Amante. FR. TH. DE JES.
Trab. 2, 41, 226 y. ARR. Dial. 9, 17. Luc. Vid. 5, 201
{{lema|AMANUENSE}}. s. m. O que efcreve ou traslada o que ou
tro dicta cu compõe. Do Lar. Amannenfis. M. BERN. Flo
reft. 3, 3, 134, C Amanuenfe do Sagrado Evangelifta.
{{lema|A' MÃO}}. fốm. adv. Vej Mão.
{{lema|A' MÃO TENENTE}}. form. adv. ant. O mefmio que A' mão
tente. Bann. Dec. 3, 3, 2 Por. meio de fógos, lettas,
e outros aguilhões de morte, huns de arremieço, outros
dmo tenente.
{{lema|A' MÃO TENTE}}. fórm. adv. Com muita força, on fent
defeza do que recebe algum golpe. CASTANH. Hift. 5, 59
Forão feridos feffenta e tantos, os mais delles de lança-
das à mão tente. PINT. PER. Hift. 2, 47, 236 Dandolhe
tantas portadas à mão tente, que &c: FEO, Serm. has
Exeq. i Matar Deos hum Rei, he huma bofetada, que
dá, e á mão tente na melhor parte defte corpo myftico,
o rosto.
{{lema|A MÃOS LAVADAS}}. fórm. adv. Vej. Mão.
{{lema|AMAR}}. v. a. Querer bem, ter amor e affeição. Do Lat.
Amare. CAM. Luf. 8, 11 Efte he aquelle zelofo, a quem
Deos ama. Luz, Serm. 1, 32, z Que coula he amer
fenão bem quercr C ter huma vontade mui prompta
para tudo o que fe offerecer do ferviço do amigo?
VIEIR. Serm. 8, 86 O amar, definido pelo mefmo Sanito
Thomás, e por Ariftoteles: Eft velle bonum: Amar he
querer bem.
Abf. Ter amores, eftar namorado. FERR. DE VASc..
Ulyffip. 1,8 Trifte e cativa coufa he a mulher, que
ama. Can. Luf. 6, 91 Ella lhes prometteo (vendo que
amtavão Sempiterno favor em feus amores. FERNAND<noinclude></noinclude>
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MLReis
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 258 A MA Palm. 3, 58 Ordinatia cegucira he de quem ama, cui- dar que ninguem fente o proceffo de feus cuidados. Met. Eftimar, apreciar, ter em muito. CAM. Luf. 9, 18 Amio fómente mandos e riquezas. Luc. Vid. 2, Mas fendo... efta empreza geral... táo fingularmen- te a amou em todos o P. Francifco... como fe a elle fó a cncommendára Deos. BRIT. Chr. 1, 6 Fiquevos o cuidado de fazer que aquelles, que não o ermo, def- cancem nelle. Quere...
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A MA
Palm. 3, 58 Ordinatia cegucira he de quem ama, cui-
dar que ninguem fente o proceffo de feus cuidados.
Met. Eftimar, apreciar, ter em muito. CAM. Luf.
9, 18 Amio fómente mandos e riquezas. Luc. Vid. 2,
Mas fendo... efta empreza geral... táo fingularmen-
te a amou em todos o P. Francifco... como fe a elle
fó a cncommendára Deos. BRIT. Chr. 1, 6 Fiquevos o
cuidado de fazer que aquelles, que não o ermo, def-
cancem nelle.
Querer, defejar, appetecer. D. CATH. INF. Regr. 2,
4 Qual he o homem, que quer a vida, e ama ver os
bons dias. VIT. CHRIST. 3, 13, 37 y Os homens amão
.em efta terra viver.
Efcolher, feguir. BRIT. Chr. 1, 5 Amando hum
meio difcreto, acompanhado com a medida da razão,
ordenai tudo em tão boa traça, que 8cc.
Adv. c form. Affectuofamente. A. DE VASC. Anj. 2,
4, 2. part. I. p. 18. A lufadas. Luz, Serm. 2, 90, 4.
Ardentemente. Paiv. Serm. I, 199 y. Benignamente. GRAN.
Comp. 2, 19. Brandamente. EUFROS. 5, 5. Carualmente.
FR. G. DA SILV. Vid. 1, 10. Caramente. MOR. Palm. 2,
169. Caftamente. D. CATH. INF. Regr. 2, 15. Cegamente.
PAIV. Serm. 1, 28 y. Com affecto entranhavel." ESPER.
Hift. 1, 4, 28. n. 4. Com amor ardente, exceffivo, &c. FR.
MARC. Exerc. 3, 15. PAIV. Serm. 1, 24. Com efficacia.
PAIV. Serm. 1, 317 y. Com exceffo grande de affeição. FR.
BERNARD. DA SILV. Defenf. 2, 39. Com extremo grande.
VIEIR. Serm. 2, 2, 3. n. 37. Como alg. c. v. g. como a
mefma vida, como a propria alma, como o lume dos olhos,
c. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 17, 491. S MAR. Chr. I, I,
3. n. 5. Com toda a alma. Fa. SiN. COELH. Chr. 1, 7,
27. Com todas as forças. Luz, Serm. 2, 2, 76. col. 1.
Con todo o coração. FR. T. DE JES. Trab. 1, 2, 70 .
Conftantemente. Paiv. Serm. 1, 280. Cordealmente. ARR.
Dial. 4, 17. Da alma. BRIT. Chr. I, 14. Das entraubas
do coração. FR. MARC. Exerc. 26, 122. De amor puro e
fincero. "CORT. R. Naufr. 2, 20. De coração. MEND. PINT.
Peregr. 113. Delicadamente. D. CATH. INF. Regt. 2, 14.
Demasiadamente. HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 2. De prefeito
coração. FR. MARC. Exerc. 54, 258. Defatinadamente.
BARRET. Flos Sanct. 2, 263, 2. Deshoneftamente. HEIT.
PINT. Dial. 2, 3, 19. Defintereffadamente. A. DE VASc.
Anj. 2, 4, 1. part. 4. p. 12. Defordenadamente. VIEIR.
Voz. 15, 7, 6. p. 2oz. De toda a alma. BARR. Paneg.
19, 314. De todas as forças. BARR. Paneg. 19, 314. De
todo o coração. FR. SIM. COELH. Chr. 1, 7, 27. De todo
o entendimento. L. BRAND. Medit. 4, 7, 382. p. 565.' De
veras. Paiv. Serm. 1, 302 . De verdade. GRAN. Comp.
2, 6. Diffimuladamente. Feo, Tr. Quadr. 1, 23, 4. Do-
cemente. D. CATH. INF. Regr. 1 8. Do coração. PIN. Chr.
do D. Din. 19. Do intimo da alma. FR. TH. DE JES. Trab.
2, 39, 191. Do peito. CAM. Luf. 3, 46. Efficazmente. A.
DE VASC. Anj. 2,5,6. part. 2. p. 530. Em cxtremo. LEÃO,
Defcripç. 89. Em grão maneira. Sous. COUTINH. Cerc. I,
15. Em particular. ARR. Dial. 1, 2. Em fua alm. PER.
D'AFONS. Poder. 12, 312. Em vão. FERR. Poem. Ecl. 10.
Encarecidamente. FEO, Tr. 2, 21, 2. Enganofamente.
CHAG. Ramilh. 2, 3. Enternecidamente. FERNAND. GALV..
Serm. 1, 140, 1. Entraubavelmente. BRIT. Mon. 2, 7. c.
1. Erradamente. VISIR. Serm. 4, 11, 9. n. 417. Efpecial-
mente. Azur. Chr. 3, 41. Efpiritualmente. Feo, Tr. Qua-
dr. 2, 98, 1. Eftraubamente. Liss. Jard. 298, 5. Eftreita-
mente. CART. DE JAP. I, 243, 3. Eftultamente. M. FER-
NAND. Alm. 3, 2, 7. n. 5. p. 297. Excellentemente. Luz,
Serm. 2, 2, 183. col. 1. Extraordinariamente. VIEIR.
CART. 1, 28. Extremadamente. MOR. Palm. 2, 169. Ex-
tremofamente. VIEIR. Serm. 7; 1, 4. n. 7. Falfamente.
VIEIR. Serm. 4, 11, 9. n. 417. Familiarmente. VIT. CHRIST.
3, 3, 7. Ferventemente. D. HILAR. Voz, 33, 189. Fervorofa-
mente. Feo, Tr. Quadt. 2, 98, 1. Fideliffimamente. FR.
T. DE JES. Trab. 2, 45, 307. Fielmente. VIEIR. Serm.
14, 1, 6. n. 34. Finamente. VIEIR. Serm. 4, 1, 2. n. 5.
Fingidamente. L. BRAND. Medit. 1, 2, 65. p. 404. Fora
da medida dos outros. LEÃO, Defcripç. 88. Fortemente.
Luz, Serm. 1, 2, 54. col. 3. Friamente. L. BRAND. Me-
dit. 2, 5, 167. p. 391. Graciofamente. Luz, Tr. do De-
fej. 5, 9. Grandemente. ANDRAD. Cerc. 2, 8, 3. Ros.
Vid. 2, 164, 4. Gratuitamente. FR. THOM. DA VEIG. Serm.
156, 3, 12. Heroicamente. VIEIR. Serm. 7, 11,9. n. 369.
Honeftamente. PARAD. Art. 1, 24, 57. col. 2. Humildofa-
mente. D. CATH. INF. Regt. 2, 15. Illicitamente. CALV.
Homil. 1, 117. Imperfeitamente.. CALV. Homil. 2, 538.
Incançavelmente. VIEIR. Serm. 7, 1, 4. 11. 7. Infinitamen-
te. FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 20. Injustamente. CALY.
Homil. 1, 140. Intenfamente. F. DE MENDOÇ. Serm. 2,
120, 20. Intimamente. VIEIR. Serm. 2, 10, 2. n. 297.
Lealmente. PIN. Chr. de D. Aff. V. 37. Liberalmente. FR.
THOM. DA VEG. Serm. 156, 3, 12. Limpamente. FR.
SIM. COELH. Chr. 2, 20, 188. Loucamente. M. BERN. Luz
e Cal. 2, 3, 360. Mais que alg. c. v. g. mais que a pro-
pria vida, mais que a fi, &c. BARR. Clarim. 3, iog.
CORT. R. Naufr. 7, 69. Nas entranhas. Luz, Serm.
3, 35, 1. Naturalniente. Parz, Serm. 2, 221, 4. Orde-
nadamente. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 20. Particularmente.
BRIT. Chr. 3, 32. Paternalmente. FR. MARC. Exerc. 8, 42.
Perdidamente. VIEIR. Serm. 14, 2, 5. n. 63. Perfeitamen-
te. CEIT. Quadrag. 1, 46, 3. Por extremo. CART. DE JAP.
2, 20, 2. Primorofamente. L. BRAND. Medit. 2, 5, 150.
p. 292. Prudentemente. Luz, Serm. 1, 2, 54. col. 3. Pu-
ramente. FR. MARC. Exerc. 29, 134 . Remiffamente. L.
BRAND. Medit. 2, 5, 167. p. 391. Sabiamente. Fɛo, Tt.
Quadr. 2, 98, 1. Saborofamente. M. BERN. Luz e Cal.,
8, 161. Sem limite. FR. THOM. DA VEIG. Confid. 1, 3, 8.
n. 3. Sem medida. FERNAND. GALV. Setm. 2, 117, 1. Sem
refpeito de premio. FR. MARC. Exerc. 29, 134 . Sem ter-
no. FERNAND. GALV. Serm. 2, 107, 3. Senfualmente. D.
CATH. INF. Regr. 1, 22. Singularmente. Luc. Vid. 2, 3.
Sobejamente. PAIV. Serm. 2, 174. Sobre mancira. FR. SIM.
COELH. Chr. I, 20, 84. Sobre modo. BRIT. Mon. 1, 2.
c. 20. Sobre todas as confas. Luz, Tr. do Defej. 3, 3-
Sobre todo o amor. GRAN. Serm. 10, 39. Sobre todo o
encarecimento. Fɛo, Tr. 2, 55, 2. Suavemente. Luz,
Serm. 1, 2, 54. col. 3. Summamente. Paiv. Serm. 1, 40 y.
Temerariamente. PAIV. Serm. I, 28 y. Teuramente. FEO,
Tr. 1, 11, 4. Terniffimamente. VIEIR. Voz. 15, 6, 1. n.
131. Tibiamente Paiv. Serm. 1, 312 y. Torpemente, Leão,
Defcripç. 45. Totalmente. FR. MARC. Exerc. 54, 258.
Valentemente. D. CATH. INF. Regr. 2, 18. Väamente. CALV.
Homil. 1, 140. Verdadeiramente. BARR. Clatim. 2, 48.
Unicamente. VIEIR. Serm. 2, 9, 5. n. 281.
Adag. Ama quem te ama, refponde a quem re
chama, andarás carreira cháa. EUFROS. 2, 4.
Amar e faber não póde fer, on a poucos fe concede.
FERR. DE VASC. Ulyflip. 1, 8.
A mulher que a dous ama, a ambos engana.
Bem ama quem nunca fe efquece. DELIC. Adag. 1.
Dos filhos, o que falta, effe mais fe ama. DELIC. Adag. 79.
O bom pai amefe, o máo foffrafe. DELIC. Adag. 69.
Quem ama a Beltrão, ama o feu cão. DELIC. Adag. 3..
Quem ama a mulher cafada, traz a vida empreftada.
DELIC. Adag. 3.
Quem ama o Frade, amelhe o capello. HERN. NUN. Re-
fran. 96 y.
Quem ama, fabe o que defeja, e não fabe o que lhe
cumpre. EUFROS. 2, 5.
Quem o feio ama, formofo the parece. FERR. DE VASC.
Ulyffip., 6. Loв. Peregr. 1, 11.
Quem te não ama, em praça ou em jogo te defama. Eu-
FROS. 2, 4. HERN. NUN. Refran. 96. DELIC. Adag. 78.
Tudo acaba fenão o amar a Deos. BLUT. Vocab.
{{lema|AMARACO}}. s. m. Poet. e pouc. uf. O mefmo que Man-
gerona. Do Lat. Amaracus. CASTR. Ulyff. 1, 78 O a-
chanto e amaraco, que extincto, De feus aromas o
vapor derrama,
{{lema|AMARADO, A}}. p. p. de Amatar. CASTANH. Hift. 7, 92. L. ALv. Serni. 2, 14; 2. n. 6.
{{lema|AMARAMENTE}}. adv. mod. O mefmo que Amargamente.
D. HILAR. Voz, 16, 97 E vejas e contemples aquel-
le, que padeceo tão amaramente por amor de ti. Ros.
Vid. 2, 116, I Chorando amaramente, debaixo da.fi-
gura, ouvio hurma voz, que lhe difle &c.
{{lema|AMARANTEZES}}. s. m. pl. Os naturaes on moradores de
Amarante, Villa de Portugal, na Provincia de Entre
Douro e Minho. Sous. Hitt. 3, 3, 6 Afli a venerão os
Amarantezes.
{{lema|AMARANTO}}. s. m. O micfino que Papagaios; ainda que os
noflos Autores o tomárão muitas vezes por Perpetua. Do
Lat. Amarantus. CAM. Od. 1, 15 E efte frefco amaran-
to, Humido inda do pranto, &c. FAR. E Sous. Comni. »
Amaranto es aquella flor dorada, que nunca fe marchi-
ta, y fe llama del Amor, y amaranto quiere dezir im-
marceffible.» VIEIR. Serm. 5, 8, 7. n. 290 O Ama-
ranto, como diz Plinio, he huma flor, a qual porque
nunca fe murcha, mereceo desde a antiguidade o nome
de immortal. M. BERN. Floreft. 5, 4, 258, B Por fó-
ra todas as folhas são brancas, como a côr das fo-
lhas do amaranto, que chamamos perpetuas.
{{lema|AMARAR}}. v. n. Fazerfe ao mar, engolfarfe, metterfe ao mar.<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A MA mar largo. Comnummente fe ufa com pron. peff. LEM. Cerc. 1, 9 Defignando [a armada] en je amarar. TELL. Hift. 3, 2, 213 Tanto que aviftáráo Dofár, fe amard- rão pera não ferem viftos da terra. {{lema|A'MARAVILHA}}. fórm. adv. Vej. Maravilha. {{lema|AMARELLADO, A}}. adj. pouc. uf. O mefmo que Amarel- lento. DELIC. Adag. 41 Afli he o marido amarellado, como cafa fem telhado. {{lema|AMARELLECER}}. v. n. Fazerfe amarello. D. CATH....
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA
mar largo. Comnummente fe ufa com pron. peff. LEM.
Cerc. 1, 9 Defignando [a armada] en je amarar. TELL.
Hift. 3, 2, 213 Tanto que aviftáráo Dofár, fe amard-
rão pera não ferem viftos da terra.
{{lema|A'MARAVILHA}}. fórm. adv. Vej. Maravilha.
{{lema|AMARELLADO, A}}. adj. pouc. uf. O mefmo que Amarel-
lento. DELIC. Adag. 41 Afli he o marido amarellado,
como cafa fem telhado.
{{lema|AMARELLECER}}. v. n. Fazerfe amarello. D. CATH. INF.
Regr. 2, 6 Mas aquellas [raizes] feccas, toda a arvo-
re amarellere, e te perde. FERR. Poem. Ecl. 10 A mão
te treme, o rofto amarellere. ANDRAD. Cerc. 17, 88, 1
E o contrario á infiel face acontece, Que fendo antes
purpurea, amarellece...
Tambem fe lhe ajunta o pron. peff. JER. CARDOS.
Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMARELLEJAR}}. v. n. pouc. uf. Apparecer ou moftrarfe
amarello. M. GODINH. Rel. 28, 179 Quando por alli paf-
fei, era tempo de gieftas, e como erão muitas, amarel-
lejavão as Terras, deitando de fi tal fragancia, que con-
vidavão à ficar nellas.
{{lema|AMARELLENTO, A}}. adj. Algum tanto amarello, que ti-
ra para amarello, ou que tem a cor de hum amarello bai-
xo ou deslavado. CURV. Obferv. 50, 7 E fe converterá
[o licor de branco em amarellento efpeffo.
{{lema|AMARELLEZA}}. s. f. antiq. e pouc. uf. O mefmo que
Amarellidão. FR. MARC. Chr. 2, 10 cant. II Côr, que
natural tinha de belleza, De muito aviltado, toma
amarelleza.
ado, toina
{{lema|AMARELLIDÃO}}. s. f. Cor amarella do corpo humano Diz-
fe particularmente do rofto por enfermidade, melancolia,
fufto,&c. HEIT. PINT: Dial: 2, 3, 3 Fica o rofto vef-
tido de amarellidão. FR. MARC. Vid. 6, 16 Em cujo
corpo morto contra natureza dos outros, que fedem, fe
via a luz por amarellidão, e o cheiro por o fedor. CORT.
R. Cerc. 11, 166 Mudando a viva côr, e ledo rofto
N'huma amarellidão e mortal fombra.
{{lema|AMARELLINHO, A}}. adj. dim. de Amarello. LEON. DA
COST. Ecl. 2, 7.
{{lema|AMARELLO, A}}. adj. Que na cor be femelhante ao curo,
ou de cor entre branco e vermelho, igualmente diftante de
hum e outro. Segundo Covarrubias o a he articulo Ara-
bigo, que fe accrefcenta ao Greg. mapin', languidus ig-
nis, fogo, que não refplendece. BARR. Dec. 3, 2,5 Seu
habito he de panno de algodão, e de cor amarella, por-
que todo o amarello pela femelhança, que tem com o
ouro, he dedicado a Deos. EUFROS. 1, 1 A rapariga ef-
tava bonita como o ouro, de fua vafquinha amarella,
quartapizada, em mangas de camifa. CAM. Luf. 5, 39
A bocca negra,
os dentes amarellos.
Dizfe do corpo humano, e patticularmente do rof-
to por natureza, ou por doença, fufto, &c. MoR. Dial.
2, 22 Ah, Senhor Doutor, que nunca vos viftes com
cem bombardas groffas affentadas, nelles peitos, e as fa-
ces amarellas como cera. CORT. R. Cerc. 14, 242 Ama-
rello na côr, inchado o peito. BRIT. Chr. 1, 16 Conge-
landofe o fangue, fe deixou o Santo eftar tanto efpaço,
que fe fez amarello, e perdeo a cor de vivo:
Differençale o amarello, fegundo he mais ou me-
nos vivo, cm amarello claro, gualdo, toftado, &c. Lon.
Primav. 1, 9 Veftião de azul claro e amarello toftado.
Cort. 13, 125 As creadas veftião de cetim ama-
rello gualdo com guarnição de prata. SALGUEIR. Rel. 48
Calções de damafco amarello toftado.
Subft. Cor amarella. ALBvQ. Comm. 3, 18 Ninguem
póde veltir amarello fob pena de morte, fe não o Rei da
terra. SANT. Ethiop. 1, 3, 17 Tem outra concha... pin-
tada de amarello, e preto. CABREIR. Comp. 58 Deitemlhe
huma onça do amarello, que tem a cebola cecem.
Peixe amarello. Peixe, a que os Chinas chamão Ho-
angeio yu. Do fim do Outono até o Eftio anda no mar,
onde os da terra procurão apanhalo, porque he mui fa-
borofo; mas no principio do Eftio fe muda em ave com
pennas amarellas, e voa para os montes, para procurar,
como os mais volateis, feu fuftento. Em vindo o Inver-
no fe reftitue ao mar, onde petde com a fua pluma-
gem as fuas azás, e fe cobre de efcamas com fuas guel-
ras, até tomar na Primavera outras azas &c. BLUT. Vo-
cab. Suppl.
{{lema|AMARGADAMENTE}}. adv. mod. O mefimo que Amarga-
mente, BENT. PER. Thef.
{{lema|AMARGADO, A}}. p. p. de Amargar. Ufafe como adj.
Que fente ou experimenta amargor. MONTEIR. Art. 14, 13
Com que olhos vos verci, ó bom Jefu, á hora de fexta ao meio dia quando os moradores de Jerufalem ef
tavão em banquetes, amargado de fel e vinagre no cal-
vario. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 25, 4, 373 Com a bocca
amargada de fel..
Met. FERR. DE Vasc. Ulyffip. 2, 6 Más, á pezar de
Lucifer, que amargado vzi o golto. FR. MARC. Chr. 2,
10. cant. 27 Contemplando o peito parte
De tudo, que
he amargado.
{{lema|AMARGAMENTE}}. adv. mod. Com amargura, pena, e grande dor. CART. DE JAP. 2, 92, 4 Choravão o pai é a mát
amargamente com laftima, que tinhão de verem a filha
padecer tão crueis tormentos. BERN. Rim. Lagrim. de S.
Pedr. 5 Sempte chorou depois amargamente. ESPER. Hift.
I, 5, 42. n. 2 Todas as Igrejas pela maior patte ge-
mião amargamente com o pezo dos trabalhos.
Malignamente. LEON. DA COST. Ecl. 3, 14. not. c
Do que rindofe amargamente Menalca &c.
{{lema|AMARGAR}}. v. n. Ser amargofo ou ter hum gosto defagra-
davel e defabrido ao paladar. SA' DE MIR. Vilhalp. 2, 3
As mezinhas todas amargão. ORT. Colloq 34, 134 A
cafquinha, que cobre o amago [da laranja] não amarga
coufa alguma. MEND. PINT. Peregr. 53 E além de feder
infupportavelmente [o mantimento, amargava de má
neira, que não havia quem o pudeffe metter na bocca.
Fazerfe on tornarfe amargofo. ARR. Dial. 2,7 Os
que fe purgão, amargalhe a bocca por algumas horas.
CEIT. Serm. 2, 325, 3 E ahi effe fel tão amargofo, que
derramado por efta Cidade, he doença de tiricia, e que
ranto nos tem amargado.
Met. Moleftar, incon:modar, dar defgofto, caufar
pena ou amargura. EUFROS. I, Não he fenão o ponto
da verdade, mas ella amarga. FERK. Poem. Carti 2, 4
Devemonos á morte: doc c amarga O fó feu nome.
ARR. Dial. 9, 10 Que me não amarg dra tanto a morre
goftada tantas vezes, como mie amarga a vida.
Amargar. act. e pouc. uf. Fazer amargofo. Mons
TEIR. Art. 20, 5 Bocca adoçada com leite virginál dei-
xais amargar com fel e vinagre.
Com pron. pef. VIEIR. Voz 15, 11, 6. p. 375
Iria a Virgem Maria... ao monte Calvario, para fe laf-
tinar com os cravos, para fe trefpaffar com a lança,
para fe amargar com o fel.
Amargar o comido, o boccado, &c. Fraf. proverb.
Pagar ou fatisfazer, com defgofto o que fe acquirio com
prazer. EUFROS. 5, 7 E feu pai agora amargue o comido,
e feja exemplo pera outros. LIMP. Fug. 6, 12, 190. col.
2 Amargo foi o boccado, e tanto, que depois de o ha-
ver amargado Adão, ainda o amargamos nos outros. TELL.
Hift. 5, 19, 458 Amargando bem [o Abexim] que fe
dizia refufcitado os doces, que no Paraifo dille tinha
comido.
Adag. A homem farto as cerejas amargão. DELIC.
Adag. 91.
A verdade amarga. FERR. DE VASC. Ulyffip. I, 1.
Cada dia peixe, amarga o caldo. FERR. DE VASc. Ulyf
fip. 1, 5. DEC. Adag. 46.
{{lema|AMARGARITÃO}}. s. m. O mefmo que Deamargaritáo. CA-
BREIR. Tr. Unic. z Pós de amargaritão, coral, alambre,
de cada hum duas oitavas, mifture.
{{lema|AMARGO, A}}. adj. O mefmo que Amargofo. Do Lat. A
marus. Or. Colloq. 2, 6 Diz Antonio Mufa, que [o
aloes de Cocotora he mais amargo. CoRT. R. Naufr.
10, 103 Frusta amarga, monteza comem todos. Vi-
EIR. Serm. 8, 455 O intento e fim era que o mefmo,
que antes fora doce, fe confervaffe em amargo.
Mer. Molefto, incommodo, que affige e dá pena.
FERR. DE VASC. Úlyflip. 2, 5 Amargo vai o gofto, que
fe logo compra tão caro. BERN. Lim. Ecl. 15 Já o come-
ço ouvifte de meu damno, Amigo Limiano, o fins
amargo, Em que não ferei largo, efcuta agora. Heiz.
PINT. Dial. 1, 3, 10 Tu [Justiça ] cs inimiga da amar-
ga difcordia.
Subft. O mesmo que Amargor. ORT. Colloq. 7, 21
O amargo [da affa fetida] he appetitofo. FERNAND. GALV.
Serm 1, 61, 1 He Medico tão perito, que... fem paf-
far pelo amargo dos xaropes e purgas, 8cc.
Met. MEMOR. DAS PROEZ. 1, 8 Altemando o doce
e o amargo em diverfos effeitos. CEIT. Quadrag. 2, 43,
I O mundo immundo, fe com tantos Amargos pareces
doce. Maus. Aff. Afr. 6, 104 Dar de mão a fcu contcn-
tamento Para perpetuo amargo alli provado.
Adag. Ao gofto damnado ou eftragado, o doce he
amargo. DELIC. Adag. 121.
Pouco fel faz amargo muito mel. FERR, DE VACC. Ulyf
fip. 1, 1.<noinclude></noinclude>
t7r0kz4fhcayhal1eqznf70unitm3fk
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 260 A MA {{lema|AMARGOR}}. s. m. Sabor on gofto da. coufa amargofa. OxT. Colloq. 7, 21 Tem a afla fetida] hum pouco de amargor. CoRT. R. Naufr. 14, 176 y Mal fentindo o` amargor e o fa!, fe afaftão. Los. Cor. 11, 106 E co- mo logo fe quiz aproveitar, foi tão grande o amargor na bocca, que o não pode encobrir. Amargor de bocca ou na bocca. Difpofição do pa- ladar, affecto de enfermidade, que o caufa. RESEND. Chr. 211 Tendo tamanho ama...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>260
A MA
{{lema|AMARGOR}}. s. m. Sabor on gofto da. coufa amargofa.
OxT. Colloq. 7, 21 Tem a afla fetida] hum pouco de
amargor. CoRT. R. Naufr. 14, 176 y Mal fentindo o`
amargor e o fa!, fe afaftão. Los. Cor. 11, 106 E co-
mo logo fe quiz aproveitar, foi tão grande o amargor
na bocca, que o não pode encobrir.
Amargor de bocca ou na bocca. Difpofição do pa-
ladar, affecto de enfermidade, que o caufa. RESEND. Chr.
211 Tendo tamanho amargor na bocca, que fe não póde
foffrer. A. DA CRUZ. Recop. 2, 6 E na [efquinencia]
de cólera tem maior feccura, e quentura, e dôt, e a-
margores de bocca. CURV. Polyanth. 1, 1, 2. n. 11 O qual
[Hippocrates] aconfelha aos Medicos, que ufem de vo-
mitorios todas as vezes, que houve amargores de bocca.
Amargor. mer. Afficção, pena, anguftia. FR. MARC.
Tr. 1, 6, 36 y Nenhum membro, ainda que pequeno,
foi nelle fem ter pena, nem lugar tão pequeno, que não
foffe cheio de amargor. ARR. Dial. 2,6 De muitos amar-
gores eftà miftutada a doçura da humana profperidade.
BRIT. Mon. I, 1. tit. 1 Calvario, onde o fegundo Adão,
Chrifto Salvador noffo, remio a culpa de primeiro, e
pagou com duros amargores a fuavidade do pomo pro-
hibido.
{{lema|AMARGOS}}. s. m. ant. Vej. Amargoz.
{{lema|AMARGOSAMENTE}}. adv. mod. Com amargura, pena ou
anguftia. BARR. Vicios. Vergonh. 3 Pedro quando chorou
amargofamente. CATHEC. ROM. 38; O qual [S. Pedro]
hindo fóra, chorou amargofamente. FEO, Tr. 1, 235, 4
Poe Chrifto os olhos nelle [S. Pedro ] começa a chorar
amargofamente.
{{lema|AMARGOSISSIMAMENTE}}. adv. mod. fuperl. de Amargo-
famente. CALV. Homil. 2, 610. BARRET. Flos Sanct. 2,
390, 1. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 4. n. 40. p. 366.
{{lema|AMARGOSISSIMO, A}}. fuperl. de Amargofo. ARR. Dial.
10, 84. Barr. Chr. 3, 32. CALV. Homil. 2, 62.
{{lema|AMARGOSO, A}}. adj. Que tem amargor ou gofto defagra-
davel. CORT. R. Naufr. 9,97 Não vos verei roet
as amargofas Salgueiras. BRIT. Chr. 1, 18 Por haver al-
li grande copia de huma herva amargofa, que em Latim
fe chama Abfinthium. VIEIR. Serm. 11, 4, 7. n. 162
A razão, porque as agoas amargofas fe convertem em
tributos doces, he porque a tetra, por onde pafsão, re-
cebe o fal em fi.
Met. CARD. INF. D. HENR. Medit. 87 y O' Ma-
ria Magdalena, que foi ifto, que affi revolveo voflo ef-
pirito, e lhe fez deitar fóra tão amargofos humores de
fel de voffos peccados? CALV. Defenf. 4, 13 y Os
[defgoftos] que procedem e arrebentão defta amargofa
raiz a emulação nafcida de enveja] nunca fe acabão.
MAUS. Aff. Afr. 8 131 Tende fentimento De mcus
temores, e amargofo trago.
Molefto, incommodo, que caufa defgofto on pena.
Sous. Vid. 3, 17 Afli fabia dourar piloras de verdades
amargofas com derivações engraçadas. Lov. Cort. 4, 42
Democtito diz que o creado he coufa tão neceffaria,
como amargofa. PINT. RIB. Luftr. 1, 55 Popello Rei
[de Polonia ] dado a todo genero de vicios, mandou ma-
tar dous tios, que lhe davão faudaveis confelhos, mas
para elle amargofos.
Que fente amargura, pena ou anguftia. Pix. Chr.
de D. Din. 25 Quem confentirá fem amargofo coraçom,
que &c. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 2, 3 O fegun-
do gráo he revolver o modo de fua amargofa paixão.
ESPER. Hift. 2, 12, 16. n. 8 No fim do anno feguin-
te acabou os feus amargofos dias.
Subft. O mefmo que Amargor. PAEZ, Serm. 1, 595
Aquella, que teve por gofto o amargofo do fel e vina-
gre. TELL. Hift. 1, 12, 35 Pode animofo vencer com
a docura do Céo o amargofo das ferras da Ethiopia. Sovs.
DE MAC. Ev. 1. Prol. Tita a vefpa o amargofo.
{{lema|AMARGOZ}}. s. m. O mefmo que Amargor. (Amargós) FR.
SIN. COELH. Chr. 2, 3, 108 Não achárão amargoz no
manjar. TELL. Cht. 1, 1, 13. n. 6 Efpremeo, chupou,
levou para baixo. . . goftando mui de vagar aquelles fua-
ves amargozes. ROLL. Novifl. 4, 9 Amargos julga quan-
to vai comendo.
Met. Aus. Dial. 2, 5 Confeffo que effa confide-
ração bafta pera adoçar todos os amargozes defta vida.
COUT. Dec. 4, 1, 8 O Melique Sacca não entendeo
o. amargoz, que hia debaixo defte dourado &c. Luc.
Vid. 8, 2 O coração, que tem e vê dentro em fi o
defgofto e amargo, não o póde, fegundo Salamão, a-
doçar, nem alegrar o que paffa de fóra.
{{lema|AMARGOZ}}. adj. de hum term. ant. O, mefmo que Amar
gofo. CASTANH. Hift. 7, 70 Ainda efta agoa que a-
chavão, era amargoz. CORT. R. Cerc. 6, 78 Cobertas
com palmeiras, cujo fructo Era bravo, amargoz. Cour.
Dec. 5, 7, 9 E andarão pelo deferto de Sur tres dias,
até irem ao lago amargoz, que Moyfés fez doce com a
vara.
{{lema|AMARGUEZA}}, s. f. antiq. e pouc. uf. O mesmo que Amargura. FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 11 É com fua-
vidade trouxe amargueza.
{{lema|AMARGURA}}. s. f. Sabor ou gofto de confa amargofa. ORT.
Colloq. 26 Quanto era mais perto da taiz [da her-
va babofa] amargava mais, e nas pontas de cima fem
nenhuma amargura. Lise. Jard. 440, 9 Por efte pão da
arvore, he fignificado o tenho da Cruz, pela amargura,
das agoas, os trabalhos da vida. VIEIR. Serm.
, 45
Todos os rios, tantos e táo caudalolos, entrando no mar,
elle com a fua amargura os converte em fi.
Met. Pena, auguftia, affição. PIN. Chr. de D.
Din. 25 E encheo de muita amargma noffa paternal af-
feição. EUFROS. 5, 5 Ninguem vem a ter... doce feli-
cidade humana iem amargura. SEVER. Prompt. 48, 24,
175 Se cuidamos que havemos de ver a Deos, fem pri-
meiro paffar pelas amarguras defte mundo, muito enga-
nados citamos.
Acerbidade, afpereza. FR. MARC. Chr. 1; 1, 27.
Não permitindo crecet entre fi alguma raiz d'amargura
enveja, ou paixão. BRIT. Chr. 2, 9 Viofe em Confifto-
rio a fumma de voffa fupplica (fe he jufto chamarfe vof-
fo, o que fendo tão estranho de voffa condição, vos
querem apropriar zelos cheios de amargura) e bufcando-
fe algum méio, &c. SOTTOM. Ribeir. 4, 112 O' dou-
radas pirolas, que com o outo da affeição cobris do
odio a amargura!
Comic. ou vulg. Objeto ou peffoa defagradavel. Ev.
FROS. 3, 1 Olhai vós a amargura pera ter o penfamento
em mi.
Caliz de amargura. Além do fentido proprio, diz-
fe metaphoricamente de qualquer mortificação ou grande
trabalho. CART. DE JAP. 2, 200, 2 E parece não quiz
noffo Senhor, que viffem, nem bebeffem tão grande ca-
liz de amargura, como pouco depois nos deo Quamba-
cudono.
Rua da amargura. Aquella, por onde Noo Senbor
Jefus Chrifto foi levado ao monte Calvario no dia da fua
facratiffima Paixão. Além do fentido proprio, tambem fe
acha no metaphorico. GIL Vic. Obr. 1, 72 Quando
me vires levar Pela rua da amargura, Que olbes mi-
nha figura, E o fangue, que cu deiramar,
minha alma por cura. D. F. MAN. Cart. 2, 72 Porque
efte defeno tem vezes de rua de amargura.
Tome
Adag. Dia de purga, dia de amargura. DELIC. A-
dag. 123.
{{lema|AMARGURADAMENTE}}. adv. mod. Com amargura e an-
guftia. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict.
{{lema|AMARGURADO, A}}. p. p. de Amargurar. GIL VIC, O-
br. 1, 39 . ARR. Dial. 10, 70. M. BERN. Floreft. 2,
3,70, C.
{{lema|AMARGURAR}}. v. a. pouc. uf. Fazer amargofo. M. FER-
NAND. Alm. I, 3, 1. n. 7 Nem em alguma coufa amar-
gurem [os Chriftãos] fua elementaria e nativa docuta
[de nome de Chriftãos. ]
Met. fo fe ufa com pron. peff. Affigirfe, anguf-
tiarfe. JEB. CARDOS. Diet. BARBOS. Dict.
{{lema|AMARIDÃO}}. s. f ant. e pouc. uf. O mefmo que Amar-
gor. OKT. Colloq. 20, 90 No fabot fe fente quentuta
com alguma amaridão.
{{lema|AMARINHADO, A}}. p. p. de Amarinhar. CASTANK. Hift.
2, 37. BARK. Dec. 1, 4, 2. PIMENT. Art. Rot. 223.
{{lema|AMARINHAR}}. v. a. Marinh. Marear, fervir à mareação.
Tambem fe ufa com pron. peff. CASTANH. Hift. 8, sz
Partidos os imigos, dille Francifco de Barros a Anrique
Mendes, como ficára, e que forçado havia d'ir a terra
pola gente, que là tinha, e amarinbarfe, porque fem if-
fo não podia ir a Malaca. BARR. Dec. 3, 3, 3 Além da
gente, que amarinhava a náo.
{{lema|AMARINHEIRADO, A}}. adj. Marinh. Provido de tudo neceffario para mareação. Cour. Dec. 4, 8, 2. D. Efte-
vão lhe pedio huma embarcação maior, e amarinheirada.
{{lema|AMARISSIMAMENTE}}. adv. fuperl. de Amaramente. FER-
NAND. GALV. Serm. 2, 133, 1.
{{lema|AMARISSIMO, A}}. fuperl. de Amato. SABELL. Eneid.I; 8, 101. CAM. Canç. 10, 8. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 28.
n. 29.
{{lema|AMARITUDINE}}. s. f. pouc. uf. O mesmo que Amargura:<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A MA Do Lat. Amaritudo. CART, DE JAP. I, 15, 2 Rogovos muito, que entre vós haja hum verdadeiro amor, não deixando nafcer amaritudines de animo. {{lema|AMARLOTADO, A}}. p. p. de Amarlotar. CANCION. 227 , 3 Vois andais amarlotado, Que fejais muito fabi- do, E andeis atabiado, Andais fempre entanguido. CAM. Seleuc. Que vem mais amarlotado dos encontros, que hum capuz rouxo de piloto, que fahe em terra, e o tira da arca de cedro. {{lem...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA
Do Lat. Amaritudo. CART, DE JAP. I, 15, 2 Rogovos
muito, que entre vós haja hum verdadeiro amor, não
deixando nafcer amaritudines de animo.
{{lema|AMARLOTADO, A}}. p. p. de Amarlotar. CANCION. 227
, 3 Vois andais amarlotado, Que fejais muito fabi-
do, E andeis atabiado, Andais fempre entanguido.
CAM. Seleuc. Que vem mais amarlotado dos encontros,
que hum capuz rouxo de piloto, que fahe em terra, e
o tira da arca de cedro.
{{lema|AMALROTAR}}. v. a. Enrugar, encrefpar, apertando ou ma-
nuzeando. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMARO, A}}. adj. O mefmo que Amargofo. Do Lat. Ama-
rus. Can. Luf. 2, 28 Tambem foge faltando n'agoa ama-
ra. ORT. Colloq. 2, 6 Todalas coufas amaras, quanto
mais amaras, tanto são melhores. ARR. Dial. I, 2 Quem
poderá de tão amara planta colher doce fruito!
Met. SABELL. Eneid. 1, 3, 19 Ouviáofe eftas ama-
ras vozes em todo o cabo. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1,
7. E contra feus proximos le movem levemente com má
fufpeita, falfo juizo, e com amara furia. Can. Luf. 4.,
90 Velhice minha, Que em choro acabará penofo e
amaro.
Refidencia amara. T. Ecclef. Vej. Refidencia.
{{lema|AMARRA}}. s. f. Cabo groffo, com que fe fegura a em-
barcação no porto ou na paragem, onde da fundo, ou preza
na ancora, ou em terra. CAM. Luf. 9, 10 Huns puxão
pela amarra. PINT. PER. Hift. 1, 29, 134 E de tres 4-
marras, que tinha ao mar, fe levou a melhor. Luc.
Vid. 1, 12 Agafal havafe na praça da, não, entre os ma-
rinheiros fobre as amarras.
Met. SA' DE MIR. Vilhalp. I, I Quizera em tama-
nha tormenta ter meu filho a mais amarras. FERK. DE
Vasc. Ulyllip. I, 4 Prefumem terme aferrado a cem
amarras, por mais perrarias, que me fação. HEIT. PINT.
Dial. 1, 4, 7 Os bons amigos hão de fer ancoras e
amarras na tempeftade defta vida.
Verb. Alara... ALBUQ. Comm. I, 32. Alargar
a... ant. o mefmo que Largar. CASTANH. Hift. 8, 3, 2.
ALBUQ. Comm. 1, 4. Arriar a... CASTANH. Hift. 5,7,4.
MEND. PINT. Peregr. 47. Caçar a... abs. ou a alg. Da
embarcação. CEIT. Quadrag. I, 59, 2 Como navio, que
contra a agoa e furia dos ventos caça todas as amarras.
GUERREIR. Rel. 4, 2, 3 Atéque huma noite lhe caçou
a amarra, e defcozeo tanto o feu galeão , que ama-
nhecco junto das náos dos imigos. Cortar a... BARR..
Dec. 1, 1, 14. Paiv. Serm. I, 124 y. a alguem ou
a alguma embarcação. Gois, Chr. de D. Man. 1, 37..
CAM. Luf. 2, 66. Defatar a... Ros. Vid. 2, 186, 1.
Defcançar na. Da náo. CASTR. Ulyff. 5, 82.
fobre a... CASTR. Uly. 6, 1. Deter a... a alg. TELL.
Hift. 4, 23, 355. Emendar a... Anzug. Comm. 1, 20.
Eftar com a. a pique. MEND. PINT. Peregr. 36. Eftar
fobre a... Da embarcação. FR. GASP. DE S. BERNARD.
Itin. 1. S. MAR. Chr. 2, 9, 27. n. 3.
met. EUFROS.
1, 6 Todas são mui providas em não estarem fobre hu-
ma amarra. Fazer fobre a... Da embarcação. PIN. Chr.
de D. Aft. 11. 6. Langar... MEND. PINT. Pereg. 45. FR.
GASP. DE S. BERNARD. Itin. I. ao mar. ANDRAD. Cerc.
13, 66, 1. Largar a... MEND. PINT. Peregr. 36. CoUT.
Dec. 5, 3, 6. por mão. MEND. PINT. Peregr. 19. Le-
vantar a... VIEIR. Cart. 3, 94. Levar a... (alala ou
levantala.) MEND. PINT. Peregr. 41. PINT. PER. Hift. I,
29, 134. Picar a . . . BARR. Dec. 2, 1, 4. Sous, DE
Mac. Ulyllip. 6, 58. a algun navio. GoEs, Chr. de
D. Man. 1, 37. D. G. COUTINH. Jorn. 41 y. Portar a náo
pela... ALBUQ. Comm. 4, 8.0 Piloto como a náo por-
tou pela amarra, metteofe no efquife, e foi fondar tu-
do por derredor. Puxar pela... CAM. Luf. 9, 10. Que-
brar a...Do mar, dos navegantes e da mefma embar
cação. BARR. Clarim. 2, 47. PER. Elegiad. 4, 55. MEND.
PINT. Peregr. 62. a alg. PINT. PER. Hift. 1, 29, 134.
AVEIR. Itin. 16. Reformar a... PER. Elegiad. 4, 54. Ro-
erfe a... FR. GASP. DE S. BERNARD. Itin. 1. Romper a...
Da embarcação. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 15. P.. 573-
Soffrer a... Da embarcação. CASTANH, Hift. 5, 3. BARR.
Dec. 4, 2, 11. Surgir... ALBUQ. Comm. 4, 2 Ven-
tou o Levante tão rijo, que foi neceffario algumas nãos
furgirem tres e quatro amarras. Ter a... ao mar. PINT.
PER. Hift. 1, 29, 134. Trincar a... Da embarcação.
BARR. Dec. 43, 3. BARRET. Eneid. 3, 150.
Adag. Mais ha na amarra, que fazela, c. furala.
DELIC. Adag. 145.
{{lema|AMARRADO, A}}. p. p. de Amarrar. BARR. Dec. 3, 5, 4. GOES, Chr. de D. Man. 1, 91, VIEIR. Serm. 10. do Rof.
20, 3, 170.
{{lema|AMARRADOR}}. s. m. O que amarra. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMARRAR}}. v. a. Atar, prender ou fegurar com amarra
BARR. Dec. 1, 5, 4 Pallado aquelle dia, que todo fe
difpendco, em amarrar as nãos. HIST. TRAG. MARITA
1,189 E ranto que o amarrarão [o navio,] logo the
metterão o fato e o mantimento. Sovs. Hift. I, 3, 17
Pera fervirem [as argolas] de amarrar navios.
Liar, atar ou fegurar fortemente huma confa com
outra com cordas, cadeias, &c. GOES, Chr. de D. Man.
1,46 E afli o amarrão no meio da cafa a hum piat.
CORR., Comm. 4, 103 Enojado Jupiter do atrevimento
de Prometheo, o mandou amarrar no monte Caucafo com
huma aguia junto com elle, que lhe eftiveffe de conti-
nuo comendo as entranhas. Gouv. Jorn. z, z E quiz re-
ceber, huns cafados, que achou fe rinhão cafado lo com
amarrar hum ho ao pefcoço hum do outro.
Mer. FR. THOM. DA VEIG, Confid. 1, 14, 4. n.
I He tão poderofa [a malicia humana com os pecca-
dores, que os cativa e amarra como proptios efcravos.
M. FERNAND. Alm, 3, 2, 71. p. 304 O mal he que os
filhos de hoje não fe deixão atar a vontade dos pais,
antes querem atar e amarrar os pais à fua. M. BERN.
Luz e Cal. 2, 5, 406, Senhor, amarrai com as cadeias
de voffo fanto temor as furias de minha liberdade.
Com pron. peff. Aferrar fe com pertinacia e teinia
a alguma confa. EUFROS. 4, I Que fraco foffrimento he
porém o noffo, que como não tem particular gofto, a
que fe amarre, e faça força, não ha inconveniente, que
o enfree. FERR. DE VASC. Ulyffip. 1, 3 Huma merce
me fazei, que vos não amarreis tanto aos preceitos da ve-
lhice de minha mãi. PARAD. Dial. 9, 64 E de tal
maneira, fe amarron cada hum ao feu parecer, que fe vic-
rão a defcompôr em palavras.
Amarrar. neutr. Atarfe ou fegurarfe. Ufafe no fen-
tido proprio e metaphorico. FERR. DE VASC. Ulyflip. 4,
1 Trifte coufa he amarrar ao bom nome alheio, e te-
lo muito. ruim. Ros. Hift. 2, 1, 3 Senão metreivos, cm
hum efquife, e batel da fé viva, effe vos levará a Dcos,
onde delle muito entendereis, aqui amarrar.
Agric. Podar nas vinhas a vara para fe empar a
mai, a que chamão amarrar. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|AMARRETA}}. s. f. dim. de Amarra. BLUT. Vocab. Suppl.
{{lema|AMARTELLADO, A}}. p. p. de Amartellar. L. ALv. Serm.
3, 24, 2. . 4. CuAo. Serm. Genuin. 14, 333. MA
Met. Amartellado abf. ou Amartellado de alguma"
coufa. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 18, 523 O qual por an
dar muito amartellado dos amores de huma Dama do Pa-
ço &c. D. F. MAN. Cart. de Guia, 15 Mas eu, que
fou mais amartellado da razão, que do cafo &c. M. BERN.
Luz e Cal. 2, 2, 299 Foi o mefmo que dizer a modo
de amante mui amartellado: Não te has de ir, e has de
amarme.
Amartellado a alguma coufa. Inclinado ou affeiçoa-
do a ella. GUERREIR. Rel. 5, 5, 5 E quanto ao que
diz da nação Porrugueza, que de muito amartellada ou
affeiçoada á fua patria, e á companhia dos feus compa
triotas lhe dá logo em rofto qualquer outra terra, &ca
{{lema|AMARTELLAR}}. v. a. Bater, dar golpes com martello. Ulafe no fentido proprio e metaphorico. VIT. CHRIST. 2,
2, 5 Que coufa he efta, fe nom que a foberba noffa fe
atarraca e amartella per o Senhor em nós. HEIT. PINT.
Dial. 2, 3, 22 Finalmenre he [o mundo] hum engatia-
dor e embaidor, que tem por officio metternos, na_of-
ficina de feus enganos, e bigorna de fuas falfas cfpe-
ranças pera nos amartellar com o marrello de fuas tribu-
lações.
{{lema|AMARUJAR}}. v. n. Tirar para amargo, fer algum tanto
amargofo. Ufafe no proprio e no metaphorico. ARR. Dial.
1, 24 O fel da inveja, que nos deslingoados domina,
não póde pelo inftrumento da lingoa efpargir fenão cou
fas, que amarujão e amargão.
{{lema|AMARULENTO, A}}. adj. pouc. uf. Muito amargofo. Do
Lat. Amarulentus. CURv. Obferv. 89, 1 Se o doente fe
queixa de vomitos, ou amargores de bocca, deitão a cul-
pa ao fangue, dizendo que he colérico, e que regurgi-
ta das veias alguma porção de fucco amarulento para o
eftomago.
{{lema|AMASIO}}. s. m. pouc. uf. O amante, o namorado. Do Lat.
Amafius. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 15. n. 37 Menéde-
mo amafio de Afclipiades.
{{lema|AMASSADEIRA}}. s. f. Mulher, que amaffa farinha para
fazer pão. D. HILAR. VOZ, 10, 51 y Corre Eva, co-
mái univerfal da natureza corrupta, que ella como
amafadeira aformentou em cada hum dos mortaes, ditos<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>362
A MA
filhos de Adam. Sous. Hift. 2, 3, 8 Fez conta o carido-
fo Refeitoreiro, que por muito que gaftaffe com os hof-
pedes, não faltaria o pão ordinario na amafadeira. Es-
PER. Hift. 1, 5, 13. n. 5 Servia d'amaffadeira, quan-
do foube que Deos a chamava pera defcançar na gloria.
Adag. Quando o trigo anda pela cira, anda o pão
pela amaffadeira. HERN. NUN. Refran. 95.
{{lema|AMASSADEIRO}}. s. m. pouc. uf. O que amaffa farinha
para fazer pão. FEO, Tr. Quadr. 2, 144, 3 Hum def-
tes era Copciro mór, e o outro Amaffadeiro mór del Rei.
{{lema|AMASSADO, A}}. p. p. de Amaffar. BARA. Dec. 2, 6,
9. ARR. Dial. 6, 5. Leño, Defcrip. 35.
Ufafe como adj. Aboleimado, efpalmado. Applica-
fe particularmente ao rofto humano ou a alguma das fuas
partes. BARR. Dec. 1, 5, 2 A figura do rofto, coufa
mui nova, porque era tão amafada, e fem a commum
femelhança da outra gente &c. MAGALH. Hift. 10 Tem
[os Indios] o rofto amaffado, e algumas feições delle
a maneira de Chins. Luc. Vid. 10, 19 As feições...
são apraziveis, atéque alargando nos roftos, e ficando-
thes os narizes amafados, com que os olhos fe fazem mais
pequenos, ficão menos gentis homes.
Unido, conforme, concorde com alguem ou com al-
guma coufa. FR. TH. LE JES. Trab. 1, 8, 162 y Efta-
va Judéa pofluida de Rei eftrangeiro Herodes... mas já
tão fria das efperanças defte bem [de vir o Meflias] e
tão amaffada com o ferviço e governo do idolatra eftran-
geiro, que &c. Sous. Hift. 3, 4, 6 E os mais dos mo-
radores prefentes são já filhos e neros de gente baptiza-marda, e tão amafados e amigos com os Portuguezes, que
&c. CEIT. Quadrag. 2, 80, z He bem verdade, que ef-
tes vicios, foberba, ira, odio, inveja, andão tão germa-
nados e amafados, que &c.
Marinh. Agoa amallada. A que he efpea, groja,
e junta. HIST. TRAG. MARIT. 1, 173 Olhárão algumas
peffoas pera a agoa, e logo differão que era muito ver-
de e amaffada, M. DE FIGUEIR. Hydogr. Rot. de Angola.
26 Se virdes agoa amafada, e barrenta, entendei que
eftais tanto avante como o Rio de Coanfa.
{{lema|AMASSADOR}}. s. m. O mefmo que Amaffadeiro. JER. CAR-
Dos. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMASSADORIA}}. s. f. O mefino que Amaffaria. BENT. PER.
Thef.
{{lema|AMASSADOURO}}. s. m. uf. Lugar, onde fe amafa a cal
e areia.
{{lema|AMASSADURA}}. s. f. Acção e effeito de amaffar farinha
para fazer pão. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT.
PER. Thef.
Porção de maffa para pão, que fe faz para cozer
de huma vez. EUFROS. 5, 2 Hoje furtei eu a minha ama
da amaadura, com que fiz hum bolo recebondo. FEO,
Tr. 2, 262, 4 Não fomente Sára de fuas portas a den-
tro fez amafadura de pães pera comerem Anjos &c.
ror,
Met. GIL Vic. Obr. 2, 119 No Baldo achareis, Dou-
Effa negra amaffadura. D. F. MAN. Apol. 380 La
fazei voilas amafaduras.
{{lema|AMASSAR}}. v. a. Fazer maffa, mifturando a farinha com
agoa, revolvendoa, apertandoa e efmagandoa com as
mãos para fazer pão, &c. Reg. abf. ou com cafo ex-
preffo. GIL Vic. Obr. 2, 118. E efta noite hei d'amaffar,
E bem fabeis onde mora. FERR. DE VASC. Ulyflip. 1, 3
Sois cá moças de Villa, não fabeis fenão amaffar e pe-
neirar. BARR. Dec. 1, 1 12 E desfalecialhe o engenho
pera o amalar [o trigo] em pão. Feo, Tr. 2, 57, 4
Os filhos cortão a lenha, os pais accendem o togo, as
máis amafsão os bolos.
Remexer o barro, a terra, a cal com a areia, &c.
mifturandolhe agoa, até fe ligar e reduzir como a maffa.
CASTANH. Hift. 2, 65 Todos os Capitães, Fidalgos, Ca-
valileiros e toda a outra gente o erão tambem pedrei-
ros] e fervião em amaffar cal, e acarretar pedra. BARR.
Dec. 2, 2, 4 E affi deo ajuda de todalas achegas, e
alguns officiaes e fervidores, aos quaes foi dado cuidado
de trazer e amafarem o geflo. Sous. Hift. 1, 2, 2 Não
fe defdenhavão as mãos lagradas de amaffar o barro.
Met. Misturar, confundir. VIT. CHRIST. 2, 71 E
fe amaffa e miftura todo quanto fe ajunta. CASTANH.
Hift. 6, 39 E cahirão no lugar mil e quinhentas cafas
juntamente, que fe amafárão todas. HEIT. PINT. Dial. 1,
4, 1 Mistura contentamentos com defgoftos, prazeres com
fobrefaltos, mil males com hum pequeno bem, amaf-
fando tudo juntamente, pera nos ajuntar nefte cerco de
defventuras.
Adag. A quem peneira e amala, não furtes a fo-
gaça. FERR. DE Vasc. Ulyflip. 1, 1.
Amaffar as cartas. Baralbalas ou difpolas de modo,
que fe faiba onde ficão as boas e de forte, e tambem as más
è de azar, para que ao levantalas ou tiralas, faião co-
nto as concertou o que fez a trapaça. VIXIR. Serm. 8,
258 Davãofe de parte a parte as cartas, e as que toca-
vão ao jogador perdido, como fe nas mãos fe The pin-
taffem, erão rudo o que havia mifter, que tão bem a-
maffadas eftavão.
Amaffar. ant. Omefmo que Maffar, e he como hoje fe
diz. MEND. PINT. Peregr. 85 Aonde achámos tres homens,
quc cftavão amafando linho. S. MAR. Chr. 2, 7, 4. n. z
Olinho pera vir a fer alvo e branco, paffa por mil traba-
lhos e penas, fendo depois de colhido, ripançado, ata-
do, remolhado, amafado, gramado, reftelado, e fe-
dado.
Amaffar. Amolgar, efmagar. BARR. Dec. 4, 4, 15
Não obrava mais o pelouro, que amafar hum pouco o
lugar, onde dava. PINT. PER. Hift. 2, 44, 129 Como
aconteceo a hum foldado, a que deo hum pelouro de
roqueira nos cabos da efpada... fem the fazer mais que
amafalos. CASTR. Ulyff. 9, 21 Elmo e cabeça hum mel-
mo golpe amafa.
Amaffar a carne. Na India he ir affentando os pu-
nhos brandamente no corpo da cintura para baixo. BLUT.
Vocab. Suppl.
Neutr. Amolgarfe, efmagarfe. PINT. PEx. Hift. 1,
7, 34 A elle [Nuno Velho] lhe foi dada huma [
pingardada de muita ventura, porque acertando de o to-
por cima do geolho, fem tocar em armas, amafou
o pelouro, fem fazer mais que huma nodoa preta.
Amaffar. com pron. peil. Ajuftarfe, conformarfe,
concordar. Fr. TH. DE JES. Trab. 1, 4, 101 Quem fe atre-
vêra comvofco, fe voffa bondade fe não amafára tanto
comigo. HEIT. PINT. Dial 2, 3, 6 São coufas táo diffe-
rentes, e encontradas amizade e adulação, que nunca
fe amafárão, nem fizerão parçaria. Luc. Vid. 3, 12
Não me efpanta menos a facilidade, com que elle en-
trava, e fe amafava (como dizem) com os peores.
{{lema|AMASSARIA}}. s. f. Lugar ou cafa, onde fe amaja o pão;
ou tudo, que pertence à acção de o amaffar. F. Arv. In-
form. 13 Ha nefte Mofteiro mui grande cozinha e amaf-
faria. Sovs. Hift. 3, 2, 2 O que comia era [pão] de
rala preto e groffeiro, e pedido por efmóla, a quem ti-
nha o cargo da amafaria. Canv. Chorogr. 3, 2, 8. p.
521 Sendo já Freira e tendo por fua conta a amaffa-
ria do Convento, &c.
{{lema|AMASSILHO}}. s. m. Porção de farinha amafada para fa-
zer pão. Tambem fe chama affim a acção de amaffar o
pão, e
as difpofições para iffo. MERCUR. de Setem-
br. de 662 Para o amalfilbo [do pão] fe tem dado a
ordem conveniente, a preço muito moderado, correndo
pelo Vedor Geral do Exercito. M. BERN. Floreft. 5,
4, 58, A Quem obrigou aos Difcipulos de Chrifto e
comer as cfpigas, fervindolhes as mãos juntamente da
fouce, e cira, e trilha, c mó, e amaffilho, e forno,
e meza Claro eftá, que foi a fome.
{{lema|A MATA CAVALLO}}. form. adv. A todo correr, com fum-
ma pre fa. Dizfe propriamente dos que vem a cavallo.
BARR. Dec. 3, 7, 9 O qual a mata cavallo acudio com
tanra gente, que cobria os campos. PREST. Aut. 115
Qu' he ifto, inda venho cedo, Fiz logo bem parvo 2-
balo,
Que cu vinha a mata cavallo, E a meza ef-
tá de quedo.
{{lema|AMATALOTADO, A}}. p. p. de Amatalotar. Fro, Tr.
Quadr, 1, 128, 3. VIEIR. Serm. 8, 179.
{{lema|AMATALOTAR}}. v. a. Só fe ufa com pron. peff. Afociar-
fe com alguem, tomálo por matalote, on companheiro na
viagem. BENT. PER. Thef.
{{lema|A MATE FORÇADO}}. fórm. adv. Vej. Mate.
{{lema|AMATHISTA}}. s. f. Vej. Amethista.
{{lema|AMATIVO, A}}. adj. Theol. Que ama. Luz. Vid. Con-
templ. 4, 5, 185 Donde vem que nos Bemaventurados
efte amor refpeito a Deos fe determina á parte amativa.
FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 28 O amor grande acti-
Que não fentes o paffivo, Que venha o 2-
mativo De amor purificado. M. BERN. Paraif. 56 O Ef-
pirito Santo, que começa a tomar poffe da vontade, e
por iffo péga ou prende aquella parte amativa para ibe
imprimir dentro o feu fanto amor.
vo,
{{lema|AMATORIO, A}}. adj. Pertencente ao amor, que trata de
amor, que inclina a amar. Do Lat. Amatorius. Los. Cort.
3, 21 E aonde deixais as cartas amatorias ou namora-
das? MONTEIR. Art. 17, 6 Já de poefias amatorias, ains
daque feja com capa de te aproveitares do metro.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA
,fuge como de pefte. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 25, 5, 380
A terceira imagem ] feita tambem de pedras preciofas
para os mefmos feitiços amatorios.
{{lema|AMAVEL}}. adj.. de huma term. Digno de fer amado. Ap-
plicafe particularmente às peffoas affaveis, e de benigno
trato. Do Lat. Amabilis. BARR. Viciof. Vergonh. 5,
Que coufa he mais amavel, que o mancebo vergonho-
fo. Los. Cort. 4, 39 Para com a gravidade e brandu-
ra fer amavel e autorizado. Govv. Rel. 1, 23 Sendo de
fua natureza amavel.
Tambem fe applica ás coufas. CEIT. Quadrag. 1,
145, 4 Mui amavel he fem dúvida o eftado da virtude
e fantidade. Sous. Hift. 1, 2, 20 Irmão Fr. Martinho
... fabeis como he fermofo, como he amavel, como hc
doce effe nome Divino. FR. LEÃO, Bened. 1, 2, 5. c. 5
Efte he o modo de vida, que os Eremitas Camaldulen-
fes guardão... naquelle feu paraifo ou campo amavel.
{{lema|AMAVELMENTE}}. adv. mod. Com amor ou carinho. JER.
CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef.
{{lema|AMAVIAS}}. s. f. pl. Filtros, feitiços, confeições ou bebera-
jens, que fe prefumia obrigavão a amar, e provocavão o
amor. EUFKOS. ;, z Eftoutro não parece aquelle, que
era o que fobia fempre aconfelhar a todos, não póde
fer fenão que lhe derão algumas amavias que tirão o
homem de fuas finas. LoB. Primav. 1, 6 Mal haja quem
te tal tornou, que o demo he, fe iflo não forão algu-
mas amadias, que te embruxáráo ou algum olhado,
que te quebrantou. (affim eferito.)
{{lema|AMAVIOS}}. s. m. pl. O mefmo que Amavias. BENT. PER.Thef.
{{lema|AMAVIOSAMENTE}}. adv. mod. antiq. O mefimo que Ma-
viofamente ou Amorofamenre. Vir. Chrift. 1, 60, 179
Beijava os pés docemente, e amiude, e amaviofamente.
{{lema|AMAVIOSO, A}}. adj. antiq. O mefino que Maviofo. D. FR.
BR. DE BARR. Efpelh. 2, 1 Aquelles, que são de facil
natureza, alegres, bons de dobrar, benignos, amavio-
fos, tem de fi grande ajuda pera chegar áquella vida in-
terior.
{{lema|AMAZELAR}}. v. a. ant. Só fe ufa com pron. peff. Lafti-
marfe. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 2, 42 Alçoufe rijo, e
começou de andar rezoando comfigo, amazelandofe mui-
to, e dizendo, &c.
{{lema|AMAZILHADO, A}}. adj. pouc. uf. Torpe, impuro. M. FER-
NAND. Alm. 3, 2, 4. n. 40. p. 366 Com que animo folta-
rei minha lingoa c meus beiços amazilhados, c contamina-
dos para delles palavra alguma chegar a voffos ouvidos?
{{lema|AMAZONAS}}. s. f. pl. Certas mulheres da Scythia muito guer-
reiras, que vivião fem vardes: queimavão ás meninas as te-
tas direitas, porque quando folent mulberes, thes não ef-
torvaffem atirar com os areos. Do Lat. Amazones. CORR.
Comm. 44 As Amazonas, que moravão antigamente
na Scythia, por onde o rio Thermodonte paffa. Fr.
GASP. DE S. BERNARD. Itin. 8 As hiftorias modernas nos
dão teftemunho das Amazonas, mulheres valerofiffi-
mas nas armas, que houve afli na Scythia em Tarta-
ria, como na Ethiopia em Africa. VIEIR. Serm. 9. do
Rof. 10, 3, 372 As antigas Amazonas, cujas armas erão
arco e aljava, para poderem atirar mais forte e mais
expeditamente, as fuas fettas, cortavão os peitos direitos.
{{lema|AMAZONIO, A}}. adj. Pertencente ás Amazonas. Do Lat.
Amazonius. Los. Cort. 4, 32 y Carta, que o grão Se-
nhor dos Turcos efcrevco aos Amazonios. BARRET. Eneid.
574 Outro tera] cheia de frechas dos guerreiros
Thraces, huma amazonia aljava ao lado, Pendente
de hum talim d'ouro brilhante.
{{lema|AMBAGES}}. s. f. pl. Voltas, torcicolos, caminhos intrinea-
dos, como de laberyntho. acc. na penult. Lat. Ambages.
(err. Ambajens)
Met. Cireunloquios, rodeios de palavras efeuras e equi
vocas, ou por affectação de cultura no fallar. BARR. Dec.
1, 9, 3 E outras rezões de compridas ambages, que
elles contão. FR. BERNARD. DA SILV. Defenf. 1, 14 Ifto
afli explicado e entendido fem mais ambajens, nem cir-
cunloquios.
{{lema|AMBAR}}. s. m. Certa fubftancia leve, opdea, oleofa, de
cor de cinza, femeada de pequenas manchas brancas, odo-
riferas, bem que o feu cheiro fe conhece muito melhor, mifturandofe com alguma porção de outros aromas. Experi-
mentafe a bondade do ambar, fe picandoo com huma
agulha quente, lança hum fucco foleofo e odorifero : in-
flammafe, e arde facilmente, diffolvefe em parte no ef-
pirito de vinho, e, pofto ao lume em qualquer vafo,
fe derrete, e reduz a huma rezina líquida, de côr de
ouro. Os Naturaliftas não concordão entre fi fobre a na-
cureza e origem do ambar. Huns dizem, que he excre-
mento de balêa; outros efterco de certas aves; alguns
que he cera, e mel mifturados e alterados pelo Sol, c
fal marinho. Mr. Geofroi julga que he huma efpecie de
betume, que corre das entranhas da terra nas agoas,
primeiro líquido, e depois efpefo e condenfado, com
que fe agglutinão conchas, pedras, offos, bicos de aves,
favos de cera e mel, e que efta he a razão porque den-
tro dos pedaços de ambar endurecido, fe defcobrem al-
gumas vezes todos eftes córpos heterogeneos. Achafe o
ambar nas bordas do mar en boccados maiores, ou me-
nores, principalmente nos mares da India, junto ás Mo-
lucas nas cóftas de Africa, e em algumas Ilhas da
cófta de Moçambique; e ainda que fe encontre em tan-
tos lugares, fempre efte aroma he raro, c preciofo. Co-
mo o ambar abunda de partes oleofas, tenues, e vola-
teis, he muito util para fortificar o cerebro e o eftoma-
go, e vivificar os fentidos. Os Orientaes usão muito del-
le, e o julgão proprio para prolongar a vida. A fua prin-
cipal virtude he fer antifpafmodico, e calmante. Os nof-
fos Autores dão tres variedades de ambar: branco, ou gris,
que he o que aqui fe defcreve, pardo, e preto. Do
Arab. Anbar. ant. Ambre. CASTANH. Hift. 4; 35 Eftas
aves [anacangrifpaqui] fe ameijoão em humas rochas,
que estão nas niefmas ilhas [de Maldiva] ao longo do
mar, e alli deitão feu efterco, que he o ambar, MA-
GALH. Hift. 8 E daqui vem a muitos terem pera fi, que.
não he outra coufa efte ambar, fenáo efterco de baleas
... Outros querem dizer, que he fem nenhuma falta
a efperme da mefma balĉa. Mas o que fe tem por cer-
to (deixando eftas e outras erradas opiniões á parte) he
que nace efte licor no fundo do mar, não geralmente
em todo, mas em algumas partes delle, que a nature-
za acha difpoftas pera o crear. E como o tal licôr feja
manjar das baleas, affirmafe que comem tanto delle até
fe embebedarem, e que efte, quo fahe nas praias, he
o fobejo, que ellas arrebefsão. ORT. Colloq. 3, 10 y
Ambar dizem os Arabios, e ambarum os Latinos, por o
coftume de variação Latina e ufo, e as outras nações e
lingoas, quantas cu fei, todos o chamão afli, ou va-
riáo muito pouco. Alguns differão fer a efperma da
balea, c outros affirmárão fer efterco de animal do mar,
ou efcuma delle outros dixerão, que era fonte, que
manava do fundo do mar, e efta parecia melhor, e mais
conforme á verdade. Avicena e Serapião dizem gerarfe
no mar affi como fe gerão os fungos ou fungãos dos
penedos e arbores, e que quando o mar anda tempef-
tuofo 3
deita de fi pedras, e com ellas lança á volta o
ambre, e efta opinião tambem he mais conforme à ver-
dade de que as outras rezadas por Avicena.
Met. e poet. Cheiro Juave. CASTR. Ulyff. 1, 74
Zephyro alegre e brando com lafcivas Pennas meneia
as flores, que bulindo. Ambar exhalão. Vsio. Laur. Od.
4,3 Coche de ambar [o de Venus.]
Epith. Cheirofo. PER. Elegiad. 4, 50. Crui. CART.
DE JAP. I, 36, 2. Defejado. M. THOM. Un. Sacram.
Hymn. 6, 81. Fino. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 7. Fragan-
tiffimo. CuAo. Serm. Genuin. 7, 167. Molle. CASTA. U-
lyff. 10, 25. Odorifero. CORT. R. Naufr. 19, 190 y.
Differençãole varias efpecies de ambar, como:
Ambar branco. O mefimo que Ambar gris. CURV. Poly-
anth. 2, 8, 58. n. 47 O efectuario, que fe faz de huma
oitava de ambar branco, outra de pó de unha da grão
befta, &c.
Ambar gris, Vej. Ambar. MAGALK. Hift. 8 Ha to-
davia ambar de duas caftas, s. hum pardo, a que cha-
mão gris, outro preto: o pardo he muito fino è eftima-
do em grande preço em todas as partes do mundo: o
preto he mais baixo nos quilates do cheiro, 'e prefta pe-
ra muito pouco, fegundo o que delle fe tem alcançado..
CORR. Comm. 6, 25 Ha duas caftas de ambar, hum
pardo, a que chamão gris, que he muito eftimado em
todo o mundo, outro preto, que val muito pouco. Logo
quando fahe ette ambar he folto como fabão, mas dahi
i pouco endurece, e fica com o cheiro, que todos ve-
mos, tendo muito pouco ou nenhum em maffa.
Ambar mexueira. O mefimo que Ambar pardo. SANT.
Ethiop. 1, 1, 28 Tres fortes de ambar ha netta cófta;
hum muito alvo, a que chamão ambar gris: outro par-
do, a que chamão mexueira: outro negro como pez, a
que chamão ambar preto.
Ambar pardo. O ambar de cor mais efenra, e in-
ferior ao ambar gris; pofto que alguns dos nofos Autores o
confundem com anbar gris, fazendo fo duas variedades,<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 264 A M B pardo, ou gris, e preto. MAGALH. Hift. 8. CORR. Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. 1, 1, 28. Ambar preto. O que tem efta cor, e. be muito infe- rior em qualidade, e eftímação. MAGALI. Hift. 8. CORR. Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. I, 1, 28. Ambar virgem. O memo que Ambar gris. CURY. Polyanth. 2, 127, 64 Tomem de ambar virgem, a que o povo chama ambar gris, meia onça. Ambar. Certa fruta da India. He o fructo de huma arvore grande, que te...
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>264
A M B
pardo, ou gris, e preto. MAGALH. Hift. 8. CORR. Comm.
6, 25. SANT. Ethiop. 1, 1, 28.
Ambar preto. O que tem efta cor, e. be muito infe-
rior em qualidade, e eftímação. MAGALI. Hift. 8. CORR.
Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. I, 1, 28.
Ambar virgem. O memo que Ambar gris. CURY.
Polyanth. 2, 127, 64 Tomem de ambar virgem, a que
o povo chama ambar gris, meia onça.
Ambar. Certa fruta da India. He o fructo de huma
arvore grande, que tem as folhas como de nogueira, de
cor verde agradavel, e femeadas de bellas nervuras. As
flores são pequenas', c brancas: o fructo he do tanianho
de huma noz, amarello, quando, maduro, de hum chei-`
ro agradavel, e de gofto azedo, chêo de hum miollo
cartilaginofo, duro e femeado de nervuras, Poefe de con-
ferva em fal e vinagre, e ferve, como diz Lemery,
para excitar o appetite, e diffolver a, cólera. ORT. Col-
loq: 7, 24 Ru. Si: mas primeiro me direis, que fructa
he aquella do tamanho de huma noz, que tão bem chei-
ra? OR: Náo he fructa, de que fe ufe êm mezinha, mas
he boa pera temperar os comeres com azedo, fazendo-
os mais appetitofos: em madura cheira bem, e com fer
madura retem em fi o azedo mais appetitofo, chamão-
fe ambares, e tem. huma armadura carrilaginofa, e he
amarelfa, quando madura, e quando não o he, a foa
cor he verde craro.
{{lema|AMBIÇÃO}}. s. f. Defejo defordenado on paixão defordenada
de confeguir fama, louvor, honras e dignidades. Dó Lat.
Ambitio. Hair. PINT. Dial. 2, 4, 13 Efta ambição he
hum immoderado appetite e ardente defejo de ter hon-
ras, excellencias, e dominios. SEVER. Prompt. 49, 1,
179 He a ambição defejo defordenado de dignidades,
de honra vaa, e do louvor dos homens, tendo eftes bens
por grandes. MONTEIR. Art. 14, 11 Ambição vem da pa-
lavra anbire, que he o mefmo que correr ou cercar em
roda, como fazião antigamente os pertendentes de dignida-
des e magiftrados da republica, que corrião toda a Ci-
dade, correjando huns coutros, é ganhando a bencvolen-
cia dos que podião ter voto.
rofto
Colica, extremofo appetite de riquezas. Nefte fenti-
do teni fua impropriedade. CAM. Luf. 10, 58 Mas na
India cobiça e ambição, Que claramente põe aberto o
Contra Deos e juftiça &c. CRUZ, Poef. Ecl. 4
Jofeph d'onze [irmãos] que tinha foi vendido, Nabo-
th apedrejado d'ambição. VIEIR. Hift, do Fut. 128 Se
por hum aéto de justiça, defintereffe, e obediencia dá
Deos huma Monarchia; por hum acto de injuftiça, am-
bição, e defobediencia tambem póde tirar outra.
Met. Defejo vehemente e culpavel de alguma coufa.
BRIT. Mon. I 1. tit. 26 Difficillima coufa he acharfe
em hum fuppofto ambição de mandar, junta com algum
genero de bondade. FREIR: Vid. 1, 9 Lhe fizerão as
profperidades lugar á ambição de reinar. VIEIR. Serm. 4,
5, 4. n. 156 Mas não a dereve cobiça ou ambição de
riquezas, porque tinha o coração em outros thefouros.
Tambem fe diz das coufas honeftas ou indifferen-
tes. BARR. Dec. 4, 4, 16 Não ha lugar na terra, em
que não haja efta ambição de nomes honrofos no fim ou
no principio do feu proprio. FRETR: Vid. 1, 1; Porque
fervia com maior ambição do nome, que do premio. Vi-
EIR. Serm. 7, 15, 9. n. 556 Defcançar para cançar mais,
antes he ambição de trabalho, que defejo do defcanço.
Epith. em boa e ma parre nas fobreditas fignifica-
ções. Ardente. CHAG. Serm. Genuin 14, 328., Brutal.
VIEIR. Palavr. 13, 2, 8. p. 104. Céga. VIEIR. Serm. 7,
2, 6. n. 65. Civil. SABELL. Encid. 2, 8, 43. Demafia-
da. FERNAND. GALY. Serm. 2, 63, 4. Defarrezoada. L.
ALY. Serm. 3, 8, 8. n. 19. Defatinada. CEIT. Quadrag.
1, 104, 3. Defooccada. PINT. RIB. Luftr. 3, 72. Defen-
freada. Paiv. Serm. 188. Defordenada. ALv. DA CU-
NH. Elcól. 8, 10. Defpejada. FEO, Tr. Quadr. 1, 66,
2. Divina. VEIG. Laur. Od. 6, 6. Féra. SA DE MEN.
Mal. 10, 46. Groffifina. Fa. TH: DE JES. Trab. 1, 1, 155
y. Humana. MONTEIR. Art. 3, 14. Hydropica. D. FERN.
DE MEN. Vid. 4, 299. Importuna. FERNAND. GALV. Serm.
I, 81, 3. Impotente. VIEIR. Serm. 12, 4, 2. n. 103.
Infaciavel. Luc. Vid. 7, 6. Infana. M. FERNAND. Alm.
2, 3, 3. n. 14. Infolente. EsPER. Hift. 1, 2, 14. n. 1.
Leve. CASTR. Ulyff. 4, 51. Luciferina. M. BERN. Floreft.
5, 1, 182, C. Moderada. FERRAND. GALV. Serm. 2,
63, 4. Mortal. FR. MARC. Vid. 1, 1. Natural. MATT.
Jeruf. 2, 68. Popular. FERR. DE VASc. Aulegr. 5, 5. Pre-
fumida. VIEIR. Hift. do Fut. 4, 42. Pura. LISE. Jard.
53, 12. Profana. CHAG. Obr. 1, 2, 3. Refinada. L. BRAND.
Medit. 1, 2 43. p. 305. Sandia. FR. MARC. Vid. 1;
1 Santa. TELL. Chr. 1, 1, 15. n. 2. Solitaria. CEIT.
Serm. 2, 103, 1. Sollicita. M. FERNAND. Alm. 3, 2,
2. n. 188. Teimofa. VIEIR. Serm. 7, 10, 4. n. 317. Ter-
rena. CHAG. Serm. Genuin. 10, 248. Väa. FR. MARC.
Vid. 1, 1. Vaniffima. Luc. Vid. 7, 17. Vaftiffima. M. BERN.
Floreft. 3, 4, 186, B.Venenofa. CART. DE JAP. 2, 62. 2.
Adj. e verb. Abrazado de... BARRET. Flos Sanct.
I, 606. 2. Arrebatado da... L. ALv. Serm. 3, 8, 9.
n. 32. Cego da... ESPER. Hift. 2, 9, 11: n. 2. Cheio
de... HEIT. PINT. Dial. I, 3, 6. Empolgado na...
PAIV. Serm. 3, 8 y. Eftimulado da ... HEIT. PINT.
Dial. 2, 5, 9. Hydropico de... CHAG. Obr. 1, 12, 12.
Levado da... CALV. Homil. 1, 494. Levarfe de... ou
da... FR. THOM. DA VEIG. Serm. 259, 2, 3. L. BRAND.
Medit. 1, 2, 48. p. 307. Livre de... HEIT. PINT. Dial.
1, 5, 6. Moderar a... L. ALV. Serm. 1, 8, 4. n. 10.
Moftrar... L. BRAND. Medit. 2, 4, 103. p. 11. Mo-
vido da... HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 8. Picado de...
L. ALv. Serm. 3, 19, 10. n. 33. Refrear a... ALV.
DA CUNH. Efcól. 22, 5. Sugeito à... BARTH. GUERREIR.
Cor. 4,20, 487. Suppeditar a... ALV. DA CUNH. Efcól.
7, 1. Ter... VIEIR. Serm. 6, 2, 9. n. 75. Tocado da
... CAM. Luf. 4, 57. FERNAND. GALV. Serm. 3, 277,
2 Tomado da ... D. HILAR. Voz, 11, 58 y. Vencer a
... CALV. Homil. I, 85. Vencido de... HEIT. PINT. Dial.
{{lema|AMBIÇÃOZINHA}}. s. f. dim. de Ambição. M. BERN. Di-
ficio.recç. 2, 4, 1.
{{lema|AMBICIAR}}. v. a. pouc. uf. Defejar com ambição, appete-
cer com exceffo e defordenadamente. PINT. RIB. Rel. 3, z
Não ambiciando inais que ferem conhecidos, reconheci-
dos, e vencrados pelo que cuidão. Luftt. 1, 75 Pa-
rece que de andarem mais à braços com os Reis... thes
nafceo e refultou tanta confiança, e não ambiciarem, an-
tes regularem e eftreitarem a franqueza de feu alto oficio.
{{lema|AMBICIONAR}}. v. a. Ter ambição, cobiçar. BLUT. Vocab!
Suppl.
{{lema|AMBICIOSAMENTE}}. adv. mod. Com ambição. Luc. Vid.
114 Pois acceitais e procurais huns dos outros ambi-
ciofamente a honra e a gloria. Sous. Hift. 2, 4, 7 Que
cabia nelle com juftiça a honra de Prégador muito me-
lhor, que em muitos, que ambiciofamente a pertendião.
PINT. Ris. Injuft. Succeff. 3, 69 Della [carta] fe cothe
o contrario, do que elle affirma ambiciofamente.
{{lema|AMBICIOSISSIMO, A}}. fuperl. de Ambicioso. PINT. PER.
Hift. 2, 6, 18. ESTAÇ. Antig. 10, 5. BRIT. Mon. 12.
tit. 12.
{{lema|AMBICIOSO, A}}. adj. Que tem ambição. Do Lat. Ambitio-
fus. Paiv. Serm. 1, 271 Gente ambiciofa nem fonhar que
outrem val, póde foffrer. CAM. Luf. 4, 58 E logo orde-
na De ir ajudar o pai ambiciofo. M. THOм. Un. Sacram.
2, 21 Fabricou o diabo com a mentira Ambiciofo e
maligno, Huma mina de treição.
Ufafe como fubft. FERR. Poem. Cart. I, 10 Pro-
cura honras, eftados, e altezas Ambiciofo vão. CEIT. Serm.
2, 66, 1 Que não foffrerá hum ambiciofo, por vos não
defcontentar, fe de vós efpera. FERNAND. GALV. Serm.
3, 59, 2 O ambiciofo cuida que com a privança ficara
quieto, e depois de alcançado o lugar não defcança..
Cobicofo, follicito e defejofo com exceffo de acquirir
dinheiro, riquezas, e dominios. Commummeute fe ufa co-
mo fubft. PAIV. Serm. 3, 28 A primeira coufa, que
faz hum cobiçofo, e hum ambiciofo, quando commette
onzena... he pizar aos pés a Deos, e pôr em feu lu-
gar ao demonio. D. F. MAN. Epan. 3, 288 Quezo
amor mais legitimo he o mais avaro, e o liberal, nun-
ca verdadeiro; porque, da forte que os ambiciofos, fó fe
emprega em ajuntar feus thefouros. VIEIR. Serm. 1o.
do Rof. 22, 5, 261 Com os feguros the fouros de não
defejar o fuperfluo fou mais rico, que todos os anibicio-
fos do mundo.
Em que fe dá on moftra ambição ou cobiça. Appli-
cafe ás coufas. PER. Elegiad. 11, 155 Deixar livres a-
quelles poucos fructos, Que Deos aos que miniftrão
feus altares, Quiz dar, não os abranjão os tributos
De ambiciofas fedes feculares. HEIT. PINT. Dial. 2, 5,
20 Que foi hum dos mais foberbos e ambiciofos edifi-
cios do mundo. ARR. Dial. 10, 6 Feftejou Plinio com
ambiciofas palavras a deleitofa frefcura da Italia.
Que defeja com ancia ou exceffo alguma coufa. M.
THOM. Un. Sacram. Prol. Nem [fou] tão ambiciofo de<noinclude></noinclude>
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