Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.17 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/328 106 37671 561137 364631 2026-08-31T21:13:53Z Junglk 34905 /* Revista */ 561137 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|306|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude><noinclude>{{lang|es|</noinclude>ha tenido en un asunto tan grave como este, e que Usted ha sabido manejar con tanta descripcion y honor, asi como las gracias por haberen repartido conmigo de la immortal gloria que se han adquerido en ser los primeiros que en este nuebo emisferio han rendido el debido homenaje a la Legitima Autoridad, que la Providencia ha tenido a bien guardar para gobernar sugetos tan respetables por sus talentos y amabilidad como lo son Ustedes}}”. Tão ductil devia ser o seu espirito italiano, que entretinha Contucci relações com o proprio Liniers, que elle sabia perfeitamente ser hostil a Dona Carlota, a quem buscaria attrahir á ''justa causa'' e sobre quem escrevia a Linhares: <ref>Carta de 4 de Novembro de 1809, ''ibidem''</ref> “{{lang|en|El Virey ha jurado gritando, que haria degollar em medio de la plaza al primero que ablase de esa Senorita, (S. A. R. la Princesa N. S.) Tiene sus espias, que predican en favor del malo plan de Gobierno, en que hablé a V. E. los dias pasados; mas creo que nada conceguirá, porque el partido por N. A. R. la Princeza N. S. es grande, e entran en el las personas mas ilustradas de estos Reinos}}”. Para bem avaliar a importancia de todas estas multiplas intrigas, concertadas umas e outras desconchavadas, é mister conservar sempre em mente o que concordam em observar os differentes historiadores que superiormente se occuparam de semelhante phase da gestação sociologica da nacionalidade argentina: a saber, que a idéia da independencia não surgiu immediatamente nem do episodio quasi romantico da reconquista de Buenos-Ayres, occupada pelas tropas inglezas do General Whitelocke, nem mesmo dos primeiros conflictos entre Europeus e ''Creoulos'', entre partidarios extremados de Fernando VII e amigos da Junta de<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 682etslohzasxx2fxvf8ywcozhcpwel Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/329 106 37672 561138 364632 2026-08-31T21:20:21Z Junglk 34905 /* Revista */ 561138 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|307}}</noinclude>governo nacional, pois que as juntas locaes, productos da fermentação popular, se tinham ido extendendo ao ultramar. E’ de ver que a principio os lances da epopéa se desenrolaram ás escuras, longe e muito na ignorancia do que realmente se estava passando na Peninsula, lembrando a Paul Groussac, pelo cahir cego e inconsciente da pancadaria, a aventura de D. Quixote e Sancho Pança na venda, quando “{{lang|es|al ventero se le apagó el candil}}”. O que entretanto já existia—e com isto não contava Napoleão, quando por uns momentos dispensou sua attenção ao Rio da Prata, mandando Sassenay a seduzir Liniers; nem contava D. Rodrigo de Souza Coutinho quando, por julgar fóra de duvida a completa sujeição da monarchia hespanhola á França, remetteu ao Cabildo de Buenos Ayres a sua carta comminatoria de submissão; nem contava a Princeza do Brazil quando pretendeu impor-se á lealdade dynastica das populações hispano-americanas—era um vigoroso sentimento de altaneria e pundonor entre essas nações em embryão. Ameaças não surtiam facilmente effeito com ellas, muito pelo contrario; tanto que além da resposta irritada logo dirigida pelo Cabildo a D. Rodrigo, se pensou então em Buenos-Ayres n’uma invasão do Rio Grande por forças de Montevidéo, como retaliação da affronta recebida. <ref>P. Groussac, ''Biografia de Santiago Liniers'', Tomo III dos ''Anales de la Biblioteca, Publicacion de documentos relativos al Rio de la Plata''. Buenos Ayres, 1904.</ref> Foi mesmo em virtude de attitude semelhante, com que foi colhido de surpreza, não a esperando em vista da limitação de recursos da colonia e das difficuldades extremas por que estava atravessando a Hespanha, que D. Rodrigo transitou para caminho menos directo e se decidiu a coadjuvar a<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> l1d7mi45qjgzy2z5x80fiiis40q5zg0 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/330 106 37673 561139 364634 2026-08-31T21:24:53Z Junglk 34905 /* Revista */ 561139 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|308|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Princeza Dona Carlota. Procurou em todo caso o ministro portuguez meios sinuosos de fazer vingar os apregoados direitos de sua Ama, com os quaes lhe convinha especular, reservando para melhor opportunidade o proseguir no seu verdadeiro projecto, que era o de uma annexação pura e simples. Assim encarou o gabinete do Rio a idéia de ir ao Rio da Prata, em vez de Dona Carlota, o Infante Dom Pedro Carlos, munido dos plenos poderes de sua tia para o fim de alli estabelecer uma regencia, evitando d’este modo o movimento revolucionario que se dizia e de facto se achava imminente. <ref>Commumicação de D. Rodrigo de Souza Coutinho a Sir Sidney Smith em 30 de Novembro de 1808, nos Livros de Registro da Secretaria dos Negocios Estrangeiros.</ref> Sir Sidney Smith, muito mais sincero do que Linhares em todo este negocio, porquanto o instigava de preferencia a preoccupação dos interesses pessoaes da Princeza do Brazil, foi quem nunca cessou de influir para a presença da propria Dona Carlota no Rio da Prata, na certeza de que sómente por esta forma se lograria aproveitar para tal fim dynastico a separação que se ensaiava n’aquella colonia, ainda sob color de manter a união com o Rei legitimo. Em Buenos-Ayres entrou a breve trecho a funccionar uma Junta, consentida pelo vice-rei Cisneros e que se acobertava com o nome do monarcha desthronado, exactamente como a que em Montevidéo organizara o governador D. Javier Elio afim de se subtrahir á supremacia moribunda dos vice-reis e livrar a sua praça do delirio da rebellião. Dona Carlota comprehendeu sem esforço que a consequencia mais do que provavel da formação da Junta de Buenos Ayres, dada a sua attitude, seria a independencia pla-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 41wirta1nyruzc06rw35an1wajg3rrp Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/331 106 37674 561140 364635 2026-08-31T21:30:53Z Junglk 34905 /* Revista */ 561140 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|309}}</noinclude>tina, e por isso, com a annuencia desconfiada e paulatina do Principe Regente e até quanto lh’o permittiam seus minguados recursos, tratou de soccorrer a praça de Montevidéo, baluarte da legitimidade e dos seus direitos, d’esta derivados. Fel-o quer com armas, quer com um prelo e typos destacados da Impressão Regia afim de se habilitarem os realistas a responder com artigos de jornaes ás catilinarias demagogicas editadas da outra banda do Prata. <ref>Escrevendo a Contucci a 12 de Setembro de 1810, referia o Secretario Presas ácerca da remessa do prelo e typos: “{{lang|es|Ya havia visto vencido el imposible de la imprenta la que logra de nuestro amigo el Exm. Snr. Conde Linhares mediante todo el poderoso empeño de mi Ama y Snra. quien la pidio al Principe de un modo que no se la pudo negar.}}” E ajuntava cynicamente o philosopho: “{{lang|es|Todo peno de mi Ama Snra. quien la pidio al Principe de un modo que Rel. Ext.}})</ref> As previsões de Dona Carlota muito depressa se tinham realizado. Em 1810 mesmo declarou-se Buenos Ayres independente e deliberou invadir e sujeitar a Banda Oriental, fazendo com talar seus campos, surgir a figura sanguinaria do caudilho patriota Artigas, a um tempo sublevado contra a Junta de Buenos Ayres e contra os commandantes da praça leal. A situação transformou-se então por completo num verdadeiro ''embroglio''. O Principe Regente, no seu desejo de mostrar então acceder sempre aos conselhos britannicos, promettera a lord Strangford não mais intrometter-se nos negocios do Rio da Prata, deixando assim de por uma forma indirecta instigar a rebellião nacionalista com alimentar as dissenções locaes. A’ socapa, porém, ia sustentando os manejos da consorte e fazendo causa commum com ella, acabando até por destacar do Rio Grande do Sul, em soccorro de Montevidéo, a principio tropas auxiliares e por fim o proprio governador D. Diogo de Souza (depois Conde do Rio Pardo) á testa das forças disponiveis. {{nop}}<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> thy5j1p87evh2vtzxdkvpjjiflk29p2 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/332 106 37675 561141 364636 2026-08-31T21:36:07Z Junglk 34905 /* Revista */ 561141 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|310|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Dona Carlota tudo ensaiou ao seu alcance para combater a tentativa dos de Buenos Ayres contra a cidade fiel. Convenceu negociantes do Rio da excellencia da especulação de mandarem generos alimenticios para abastecimento da praça ameaçada e já quasi sitiada e, como Izabel a Catholica, mandou vender e rifar as joias para applicar o producto ás despezas da guerra. O essencial da defeza residia comtudo no auxilio militar portuguez. Na idéa occulta de Dom João, a Princeza, e seus direitos, e os interesses da dynastia hespanhola, deviam todavia servir de mero disfarce, desfructando elle ao cabo o ganho certo da sua energia no intervir; si mais não fosse, com espantar o espectro da republica que teimava em perseguil-o quando elle pensava ter posto o oceano de permeio entre o seu solio e essa sombra inquietadora. Tambem a Princeza, requerendo do marido por intermedio de Linhares uma demonstração positiva de soccorro, agia tão sómente no sentido da sua conveniencia, ainda que affectando mover-se em proveito da Hespanha e dos irmãos. Com que armas poderia aliás contar, a sofrega Dona Carlota, senão com as da duplicidade, desprovida de amizades solidas, n’um meio quasi todo hostil, tendo até tido o dissabor de ver barra fóra o seu fiel sir Sidney, a quem, em Março de 1812, foi mandado fazer companhia o confidente Presas, expulso tambem por exigencias de lord Strangford, que lobrigou no intrigante secretario um inimigo do seu governo? Com effeito, si fóra, nos dominios sobre que pretendia exercer jurisdicção, via Dona Carlota a sua candidatura de côr tradicional acolhida sem favor unanime, nem mesmo geral, havendo alguns addictos no {{Reconstruído|apoial-a|Palavra mais provável}} mas muitos<noinclude></noinclude> c4a6fdv6wdq4hu1z45jpq3eckz3vcbt Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/333 106 37676 561144 364637 2026-08-31T21:40:18Z Junglk 34905 /* Revista */ 561144 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|311}}</noinclude>apostados em contrarial-a, dentro da sua côrte mesmo contava a ardente Princeza não poucos inimigos e adversarios resolutos, impellidos uns por despeitos pessoaes e outros por preoccupações patrioticas. D. Rodrigo de Souza Coutinho, por exemplo, nunca poderia favorecer sem reserva taes planos, quando ao que realmente visava era a aproveitar-se das difficuldades em que se debatia a monarchia hespanhola afim de arredondar o imperio portuguez pelo menos com a banda septentrional do Prata, para isto convindo-lhe, á sombra dos direitos de Dona Carlota, animar e fomentar a sizania existente no vice-reinado de Buenos Ayres desde o episodio da curta occupação ingleza, e especialmente desde a subversão dynastica em Madrid. E Dona Carlota tinha perfeita consciencia de quão pouco seguro alliado era D. Rodrigo. Na conversação, occorrida no Rio, com o conde de Liniers, irmão de Santiago—o qual, tendo emigrado disfarçado por via de Lisboa, foi reconhecido e detido na capital brazileira, como meio da côrte portugueza entrar em melhor intelligencia com o vice-rei, cuja proclamação fôra julgada alarmante por irreconciliavel — o ministro do Principe Regente nem a mais leve referencia fez á candidatura da Princeza, então em plena actividade. Entretanto o conde de Liniers referio ''verbatim'' para Buenos Ayres a sua curiosa entrevista. <ref>{{lang|en|British Museum}}, ''Cod. cit.''</ref> Linhares desmanchou-se em promessas e ameaças. Respondeu francamente o conde de Liniers que o irmão estava apenas disposto a manter com o governo do Rio as melhores relações, protegendo o commercio portuguez no Rio da Prata e bem assim as pessoas e propriedades dos Portugue-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 77skfdiy2o0mgx3htifoqr7p81zhwtv Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/334 106 37677 561145 364638 2026-08-31T21:44:12Z Junglk 34905 /* Revista */ 561145 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|312|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>zes, mas repellindo qualquer pretenção a mudança de dominio. Não mais existir a Hespanha, como declarara D. Rodrigo, parecia-lhe uma arrojada metaphora politica, e para oppor ás forças combinadas de Portugal e Inglaterra, de que D. Rodrigo fazia alarde, possuia a colonia recursos sufficientes. Não quiz de resto o Francez ficar atraz na jactancia. Aos Paulistas afamados, manifestou elle, não seriam seguramente inferiores na certeza da pontaria os caçadores de onças e contrabandistas platinos, dispondo Buenos Ayres, além d’esse valioso elemento irregular e da sua infantaria, artilheria e cavallaria pesada e ligeira, da importantissima contribuição de guerreiros indigenas offerecida pelos caciques dos pampas, com um contingente montado, excellente para importunar o inimigo e prival-o de abastecimentos, sob pena de serem alcançados e aprisionados seus destacamentos forrageadores. <ref>{{lang|en|British Museum}}, ''Cod. cit.''</ref> O conde de Liniers indica Linhares como aferrado á sua idéa, apezar dos esforços que empregara para d’ella o dissuadir, fazendo-lhe sentir os perigos de uma lucta armada e, mesmo no caso de ser a solução favoravel á bandeira portugueza, a fronteira assolada, as populações annexadas rebeldes ao jugo, as cem difficuldades a compor. Nem sempre, porém, o ministro do Principe Regente fallava no mesmo tom arrogante. Punha antes o seu motivo de accordo com as circumstancias que lhe dictavam um proceder necessariamente dubio, ora parecendo auxiliar zelosamente a Princeza quando de facto a ludibriava, ora disfarçando suas intenções hostis sob palavras de paz. Por isso formalmente o incre-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> tb9euzmzbwxcpvsiujuj42l3on39umr Hino do município de Guajará 0 137105 561173 251877 2026-09-01T00:02:38Z ~2026-47600-48 43703 561173 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Hino do município de [[w:Guajará (Amazonas)|Guajará]] |letra por= |melodia por= |notas= }} <poem> Na mais densa floresta brasileira; Um povo muito bravo se avista; Gente humilde persistente e guerreira; Guajará és a nova conquista; ''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;'' ''És agora um município Brasileiro;'' ''Para a Glória do País abrilhantar!'' Juruá é que te banha óh formosa; Terra farta de riquezas naturais; Abençoada pelo Santo Padroeiro; Segue em frente Guajará com muita paz; ''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;'' ''És agora um município Brasileiro;'' ''Para a Glória do País abrilhantar!'' Guajará Deus te proteja todo dia; Do inimigo voraz destruidor; E que sejas para pátria Brasileira; Belo hino de nobreza e Amor; ''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;'' ''És agora um município Brasileiro;'' ''Para a Glória do País abrilhantar!'' Do amazonas és a Terra contemplada; Bem amada por teus filhos e turistas; Teu perfume tem o cheiro bom da mata; O teu verde as raízes da conquista; ''Servidão, e grilhões, esse fardo não irás mais carregar;'' ''És agora um município Brasileiro;'' ''Para a Glória do País abrilhantar!'' </poem> [[Categoria:Hinos do Amazonas|Guajara]] p91k14yuv8iamx8dnufovyqhllrx7ti Predefinição:Progressos recentes 10 220893 561113 561087 2026-08-31T14:00:12Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 561113 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|1|1|85|0|11|2}} | [[Index:A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf|A Dança do Destino]] |- | {{Barra de progresso|92|0|2|0|3|3}} | [[Index:Alguns homens do meu tempo.djvu|Alguns homens do meu tempo]] |- | {{Barra de progresso|2|0|10|0|3|85}} | [[Index:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf|Dialogos das grandezas do Brasil]] |- | {{Barra de progresso|44|0|50|2|5|-1}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|0|0|80|0|4|16}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|0|0|100}} | [[Index:Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis - 2 ed.djvu|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]] |- | {{Barra de progresso|59|0|35|1|2|3}} | [[Index:Obras completas de Luis de Camões II (1843).djvu|Obras completas de Luis de Camões]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|0|0|100}} | [[Index:Rhythmas de Luis de Camões.djvu|Rhythmas de Luis de Camões]] |- | {{Barra de progresso|1|0|15|0|3|81}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |- | {{Barra de progresso|0|0|13|0|3|84}} | [[Index:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. 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Lallemant |Gráfica= |Local=Lisboa |Ano=1883 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa=3 |Progresso=OCR |Páginas=<pagelist 1="capa" 2="-" 3="capa" 7="1" 5to6="-" 4="roman" 4="1" 36="contracapa" 35="-" 34="contracapa" /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} [[Categoria:Originais de edições impressas em 1883]] tlg84h7wxwwd8qiipr9pr7a4pifsc3e Página:Maria Rita Chiappe Cadet - A mascarada infantil; comedia em um acto (1883).djvu/7 106 249880 561122 540815 2026-08-31T15:16:34Z BlitzkriegBoop 37692 /* Problemática */ 561122 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{Uc|MARIA RITA CHIAPPE CADET}}}} {{lh|20em}}{{lh|20em}} {{dhr}} {{C|{{uc|{{Serifa|{{X-larger|THEATRO DAS CRIANÇAS}}}}}}}} {{dhr}} {{lh|4em}} {{dhr}} {{C|{{uc|{{xxx-larger|'''A MASCARADA INFANTIL'''}}}}}} {{Dhr}} {{C|{{uc|COMEDIA EM UM ACTO}}}} {{dhr}} {{C|{{extrair imagem}}}} {{dhr}} {{C|{{x-larger|{{uc|{{serifa|Á VENDA:}}}}}}}} {{C|{{uc|{{serifa|LIVRARIA EDITORA DE MADAME MARIE FRANÇOIS LALLEMANT}}}}|style=tranform:scale(1,.6)}} {{C|{{uc|LISBOA, 22 — RUA DO THESOURO VELHO, 22 — LISBOA}}}} {{C|{{serifa|{{xx-larger|1883}}}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> fs97kf6osl730yu5u7c06irb2en9ynu Página:Maria Rita Chiappe Cadet - A mascarada infantil; comedia em um acto (1883).djvu/9 106 249887 561123 540814 2026-08-31T15:19:09Z BlitzkriegBoop 37692 561123 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|''Ao distincto actor''}} {{dhr|3em}} {{C|{{uc|José Carlos dos Santos}}|fs=120%}} {{dhr}} {{C|Cavalleiro de S. Thiago, Commendador de Izabel de Hespanha, Professor de declamação do Real Conservatorio de Lisboa}} {{dhr|3em}} {{C|{{uc|Para suas discipulas}}}} {{dhr|3em}} {{d|offset=2em|fs=150%|''A auctora.''}} {{nop}}<noinclude></noinclude> l7f7mjofhs8pzlhtvgscabr6pnz0cei Utilizador:Inter-rede/vector-2022.css 2 250127 561134 542512 2026-08-31T20:35:06Z Inter-rede 30127 561134 css text/css #text { text-align: inherit; } #text p { text-indent: 0; } #text:not(.ws-noexport) { font-family: "STIX Two Text", "Tex Gyre Termes", serif; font-size: 17px; } pu0ns1ku6to9ort4d5iir2f76j6upfv 561135 561134 2026-08-31T20:44:19Z Inter-rede 30127 561135 css text/css #text { text-align: inherit; } #text p { text-indent: 0; } #text:not(.ws-noexport) { font-family: "STIX Two Text", "Tex Gyre Termes", serif; font-size: 17px; } .ws-noexport, .vector-body-before-content { font-family: sans-serif; } f8iudeyyfx4mh2f2f8uuhgme0n6wa7i Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/171 106 250472 561189 557008 2026-09-01T08:28:54Z MLReis 41056 /* Validada */ 561189 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||EMPRESTAR ENXÊRTO|{{sc|74}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:L447234|Doutor.]]''' Conc. ''dotôr''. Term. vern. ''xāstrí''; ''raiz''. — ? Mal. ''dogtor'', que Fabre deriva do português. — Bug. ''dórtorō'', que Matthes deriva do hol. ''dokter''. — Tet., Gal. ''dótôr'', médico. Term. vern. ''badain''. '''[[:d:Lexeme:L448455|Doutrina]]''' (cristã). Conc. ''dotín'', ''dotôn''. — Tet., Gal. ''dotrina''. '''[[:d:Lexeme:|Durar.]]''' Conc. ''durár-zāvunk''. Termo vern. ''tagunk'', ''zagunk'', ''urunk''. — Mal. ''durar''. «''Durare'', ''peculiare nullum habet verbum''». Haex. — Tet., Gal. ''dúra'' (tambêm «duração»). Term. vern. ''kléur''. '''[[:d:Lexeme:|Dúzia.]]''' Conc. ''dúz''. — Tet., Gal. ''dúzi'', ''dúsi''. {{center|{{larger|E}}}} '''[[:d:Lexeme:L1119015|Elefante.]]''' Conc. ''elephánt'', pano cru ou patente. — ? Nic. ''lifanta''. — ? Malg. ''elifanta''. Tambêm no português de Goa se chama «elefante» ao pano patente. Parece que o nome provêm da estampa do elefante, que é a marca mais generalizada, havendo outras com camelo e veado. É possível que o étimo do vocábulo nicobarês seja o ingl. ''elephant'', como sugere Man. '''[[:d:Lexeme:|Empatar.]]''' Conc. ''empātár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''bád karunk'' ou ''divunk''. — Tet. ''empáta''. Term. vern. ''hatáu''. '''[[:d:Lexeme:L1248947|Emplastro.]]''' Conc. ''emprás''. Term. vern. ''lêp''. — ? Tel. ''palástaru''. — ? Can. ''palástar''. Provávelmente do ingl. ''plaster''. — Malg. ''empelastra''. '''[[:d:Lexeme:|Emprêgo.]]''' Conc. ''emprêg''. Term. vern. ''tsākrí''. — Tet. ''emprêgu''. Term. vern. ''lákon''. '''[[:d:Lexeme:L669978|Emprestar.]]''' Conc. ''emprestár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''uxṇó divunk''. — Mal. ''impústa''. — Tet. ''emprésta''. '''[[:d:Lexeme:|Enganar.]]''' Mal. ''enganar'' (Haex). Term. vern. ''típu''. '''[[:d:Lexeme:|Engenho.]]''' Mal. ''inginio'' («tochlea in altum quid levare», moitão, roldana. Haex). — Mol. ''ingeniyo''<ref>«Tinha pomares, ortas, palmeiras com poços para regar, que se tira agoa delles com engenho de bois». ''Comment. de Afonso de Albuquerque'', I, cap. 24.</ref>. O achinês tem ''énjin'', do ingl. ''engine''. '''[[:d:Lexeme:L674370|Então.]]''' Mal. ''entaon'' (Haex). — Tet. ''antã''. Term. vern. ''aló'', ''bá-sá''. '''[[:d:Lexeme:|Entendimento.]]''' Mal. ''entendimento'' (Haex). '''[[:d:Lexeme:L669980|Entregar.]]''' Conc. ''entregár-karunk'' (p. us.). Term. vern. ''divunk'', ''samarpunk''. — Mal. ''entregar'' (Haex). — Tet. ''entréga''. Term. vern. ''sára'', ''lólo''. '''[[:d:Lexeme:|Entrudo.]]''' Conc. ''intrúd''. — Beng. ''entrudú''. — Tet. ''entrúdu''. '''[[:d:Lexeme:|? Enxêrto]]''' («árvore de mangueira == Notas == <references /><noinclude></noinclude> p4bwfeym232m8p1bdoajh77mhakdqan Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/172 106 250508 561190 557132 2026-09-01T08:31:27Z MLReis 41056 /* Validada */ 561190 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|75}}|ESCÔVA ESPERANÇA|}}</noinclude>de enxêrto»). Conc. ''isáḍ'', ''ixeḍ''. — Mar. ''isáḍ'', ''isāḍá''. Molesworth deriva o vocábulo marata do sânsc. ''īshā'', «temão do carro ou do arado». Em concani tambêm se emprega ''gárph'' (port. ''garfo'') por «renovo e mangueira de enxêrto». '''[[:d:Lexeme:|Era]]''' (cristã). Mak. ''héra''. '''[[:d:Lexeme:|Ermida.]]''' Conc. ''irmít''. — Tet. ''ermida''. '''[[:d:Lexeme:|Ervilha.]]''' Conc. ''virvíl''. — Tet. ''ervilha''. '''[[:d:Lexeme:|Escada.]]''' Conc. ''iskád''. Term. vern. ''xiḍí'' (p. us.), ''nisaṇ'' (escada móvel). — L.-Hindust. ''ískát''. '''[[:d:Lexeme:|Escaler.]]''' Conc., Tet. ''iskalér''. '''[[:d:Lexeme:|Escândalo.]]''' Conc. ''eskánd''. — Tet. ''iskandálu''. '''[[:d:Lexeme:L477309|Escola.]]''' Conc. ''iskól''. Term. vern. ''sáḷ'', ''pāṭhsáḷ'', ''vidyāsáḷ''. — Sing. ''skólaya'', ''iskóle''. Term. vern. ''pāthaxāláva'', ''aksharaxāḷáva'', ''akaru-maḍuva''. ''Skólayê sahakáriya'', condiscípulo. — Tam. ''iskolei''. — Mal. ''skola'', ''sakola'', ''sekola''. ''Sekula'' (Favre) mostra a influência do hol. ou do ingl. ''school''. — Sund. ''iskola''. — Jav. ''skólah'' (''h'', para se conservar o som do ''a'', que aliás se tornaria ''ô''), ir à escola. ''Nyekolahakê'', ''nyekolahaken'' (verbo causativo), mandar à escola. — Mad. ''sekólô''. — Tet., Gal. ''escola''. Term. vern. ''anôri''. '''[[:d:Lexeme:|Escolta.]]''' Conc. ''eskolt''. Term. vern. ''valāvó'', ''balāvó''. — Tet., Gal. ''eskolta''. '''[[:d:Lexeme:L448497|Escôva.]]''' Conc. ''eskôv''. — Tet., Gal. ''eskôva''. '''[[:d:Lexeme:L669433|Escritório]]''' («móvel»). Guj. ''iskotarô''. '''[[:d:Lexeme:|Escrivão.]]''' Conc. ''iskrivámv'' (especialmente o das comunidades agrícolas), ''sikirámv'' (forma popular). Term. vern. ''xeṇay'', ''kārkúṇ'', ''xrīkarṇí''. — Tam. ''iskiriván'', escrivão da irmandade. — Indo-ingl. ''scrivan'' (obsol.). — Tet., Gal. ''eskriván''. — Jap. ''ishikiriban'' (obsol.). '''[[:d:Lexeme:|Esmola.]]''' Conc. ''izmól'' (us. entre os cristãos). Term. vern. ''bhík'', ''dharm''. — Beng. ''ejmolá''. — Mal. ''ismola'' (Haex), ''samola''. — Tet., Gal. ''esmola''. '''[[:d:Lexeme:L580338|Espada.]]''' Conc. ''ispád''. Term. vern. ''tarvár'', ''khaḍg''. — Hindi, Hindust., Beng., Panj. (tambêm ''aspát'') ''ispát'', aço. — Mal. ''spada'' (Haex). Term. vern. ''pedang'', ''sudang''. — Mak. ''sapada''. — Ár. ''spáda''. — Rab. ''espáthe''. '''[[:d:Lexeme:|Espadilha.]]''' Conc. ''espādílh''. — Mak., Bug. ''sapadila''. Vid. ''az''. '''[[:d:Lexeme:|Espera.]]''' Mal. ''spera'' («machinae ignivomae», Haex). — Mol. ''espera'', «peça de artilharia, da antiga espera (palavra do malaio das Molucas)», Castro)<ref>«Lhe atirarão algumas '''esperas''', cujos pilouros derão por derredor da Fusta». Diogo do Couto, Déc. V, III, 6. «Erão três basiliscos, seis '''esperas''', que encarregou a Berau Baxá». ''Id''., 7.</ref>. '''[[:d:Lexeme:L662547|Esperança.]]''' Conc. ''esperams'' (p. us.). Term. vern. ''bharvāmsó''. — Jap. ''superansa'' (obsol.). == Notas == <references /><noinclude></noinclude> obmj6ykobqm2nkmbqbuqa4tj3t317ws Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/173 106 250509 561191 557012 2026-09-01T08:34:14Z MLReis 41056 /* Validada */ 561191 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||ESTALA ESTIRAR|{{sc|76}}}}</noinclude>'''[[:d:Lexeme:|Esperto.]]''' Conc. ''expért''. Term. vern. ''huxár'', ''xiḍúk'', ''tsatur''. — Tet. ''espértu''. — Term. vern. ''matének'', ''badain''. '''[[:d:Lexeme:|Espingarda.]]''' Mal. ''espingarda'' (Haex), ''istingarda''. Term. vern. ''térkul''. ''Bedil-espingarda'' (Haex), bombarda. '''[[:d:Lexeme:L500853|Espírito.]]''' Sing. ''sprítuva''. Term. vern. ''átmaya'', ''práṇaya''. — Tet. ''ispirítu''. Term. vern. ''klámar''. — Gal. ''ispirítu''. Term. vern. ''mánar''. '''[[:d:Lexeme:|Espírito Santo.]]''' Conc. ''Sprít Sánt''. — Beng. ''Spiritú Sāntú''. — Tam., Tel., Can. ''Spíritu Sántu''. — Ann. ''Chúa xi-phiritô''. '''[[:d:Lexeme:|Espoleta.]]''' Conc. ''ispilêt''. — Tet., Gal. ''espoleta''. '''[[:d:Lexeme:|Esponja.]]''' Conc. ''esponj''. — Hindi ''ispanj''. — Hindust. ''ispanj'', ''isfanj''. — Beng. ''spanj''. — Malayál. ''spoñu''. — Tel. ''spanji''. — Can. ''spanju''. — Ár. ''espinkh'', ''esfinkh'', ''isfonkh'', ''isfankh'', ''safankh'', ''sifankh'', ''sufankh''. De origem grega. '''[[:d:Lexeme:|Essa.]]''' Conc. ''es''. Term. vern. ''gar'' (não usado pelos cristãos). — Tet., Gal. ''esa''. '''[[:d:Lexeme:L500009|Estado.]]''' Conc. ''estád''. — Term. vern. ''gat'', ''bhex''; ''dabāzó''. — Mar. ''istád'', alfaia. — ? Tel. ''istuva'', ''istuvu'', bens. — Tet. ''estádu'', govêrno. Molesworth e Wilson derivam ''istád'' do ár. ''isti'dád'', «capacidade, aptidão»; mas não explicam porque só o marata o adoptou. '''[[:d:Lexeme:|? Estala.]]''' Sing. ''stálaya'', ''istálaya'', ''istále''. — Sund. ''istal''. Tambêm no crioulo de Ceilão, ''stella'', ''stal''. Provávelmente do hol. ''stal''. '''[[:d:Lexeme:|Estante.]]''' Conc. ''estánt''. — Beng. ''stāntí''. — Tam. ''stántei''. '''[[:d:Lexeme:|Esticar.]]''' Sing. ''istrĭkaya'', ''istirĭkaya'', ''strĭkaya'' (subst.), ferro de engomar. ''Istirikayen madinavā'', correr a ferro. — Mal. ''istríka'', ferro; passar a ferro. — Tet., Gal. ''estríka'', correr a ferro, engomar. Tambêm o crioulo malaio tem ''estika''. Vid. ''estirar''. '''[[:d:Lexeme:|Estingue]]''' (naut.). L.-Hindust. ''istingí''. ''Istingí chāmpná'', recolher as velas. '''[[:d:Lexeme:L700213|Estirar.]]''' Mar. ''istrí'' (subst.), ferro de engomar; acção de passar a ferro. ''Istrí karṇem'', passar a ferro. — Guj. ''istrí'', ''astrí'', ''astarí'' (subst. e verb.), ferro; passar a ferro. — Hindi, Hindust., Or., Beng., Ass., Panj., Malayál., Khas. ''istrí'', ferro. — Sindh. ''isitirí'', ferro. — Tel. ''istiri'', acção de passar a ferro. — Can., Tul. ''istri'', passar a ferro. Swettenham diz que o mal. ''istríka'' vem do hindustani e significa literalmente «trabalho de mulher». Mas nem o hindustani tem ''istríka'', nem ''strīka'', em sânscrito, significa «trabalho de mulher»; mas no fim do composto possessivo (''bahuvrīhi'') quer dizer «acompanhado de mulher, o que tem mulher, casado». ''Strīkāryam'' é que designa «trabalho, ofício de mulher»; não pode, porêm, ser o étimo de ''istríka'', porque é muito genérico, e porque o serviço de lavar roupa pro-<noinclude></noinclude> quvz9z45pponocv11so3wfi9aoacsbh Página:"Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?".pdf/23 106 256866 561133 560556 2026-08-31T20:21:53Z Erick Soares3 19404 561133 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rule}} {{rh|||{{smaller|“Olha a terra, meu amigo, como é que ela é?”: tradução e análise do mito mesopotâmico ''Etana''}}}}</noinclude>filha deu à luz, o rei, que temia que a profecia se cumprisse, mandou atirar o bebé da acrópole. Mas “indeed the eagle, seeing most keenly the childʼs descent in midair, before the infant was dashed against the ground, swooped underneath it and threw its back beneath it, and it carries it to a garden (...) And he is called Gilgamos”<ref>SMITH — Gilgamos in Rome, p. 331.''</ref>. {{dhr}} {{left|'''c) A inviolabilidade do juramento e a intervenção de Šamaš'''}} {{dhr}} Como refere Winitzer<ref>Etana in Eden, p. 447.</ref>, no sistema religioso mesopotâmico, Šamaš equivale a um juiz cósmico. É desta forma que ele se comporta na narrativa em análise. É perante o deus da justiça que a águia e a serpente realizam o juramento solene. Este compromisso previa, tal como os demais efetuados na terra entre os rios, que, acaso houvesse uma transgressão, “a armadilha e a maldição de Šamaš a dominem e [capturem]!” (tab. II, 1. 22). Assim, quando a águia come os filhos da serpente, Šamaš<ref>Em contos mais tardios, porventura inspirados em ''Etana'', o papel de Šamaš é transferido para Zeus. Veja-se o poema do grego Arquíloco (séc. VII a.C.) a propósito de uma águia e de uma raposa (CURRIE — Etana in Greece, p. 128).</ref> entra em ação, tecendo um plano para que a sua maldição se abata sobre ela. O castigo pela violação do juramento é decisivo e corresponde a um volte-face na trama. É a dureza da decisão do deus sol — arrancar as suas asas, privá-la da capacidade de voar, condenar a ave a uma não-vida num buraco escuro que relembra o mundo tenebroso e poeirento dos mortos — que impele os intervenientes na narrativa a consciencializarem-se dos seus atos e a adotarem um comportamento destoante daquele que haviam tido até então. Antes ainda de o castigo ser efetivado, a águia suplica clemência à serpente. Mas esta questiona “Se te libertasse, como responderia eu ao eminente Šamaš? / A tua punição voltar-se-ia contra mim” (tab. II, ls. 117. 118). O juramento é um ato sagrado, cuja infração não tem, nem merece, à partida, perdão. Šamaš ordena à serpente que siga as suas ordens no sentido de ferir a sua atacante. Como as linhas em destaque deixam transparecer, a serpente compreende que, assim que a instrução é proferida pela divindade, fica automaticamente implicada na aplicação pena. Não há volta atrás. Mas Utu/Šamaš é muito mais do que simples deus da justiça. Tal como Enki/Ea, ele aparece frequentemente na literatura mitopoética como um deus que se coloca a favor da humanidade. Šamaš estende amiúde a mão a outras personagens numa atitude claramente salvifica. Afinal, o sol confere lucidez e transparência, mas tem igualmente um poder curativo e benfazejo. O sol dá vida. Assim, os mesopotâmios podiam ter a certeza de que “shining Šamaš, he will grasp your hand in time of peril”<ref>''Epopeia de Gilgameš, versão paleobabilónica. GEORGE — ''The Epic of Gilgamesh'', p. 119.</ref>. A omnipresença divina implicava que a divindade estivesse disponível<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{right|187}}</noinclude> 872vqs8mtaqkkjyol64zqbj7fozz0dm A Dança do Destino 0 257002 561126 560908 2026-08-31T17:08:07Z BlitzkriegBoop 37692 adicionado controle de autoridade e estatuto de direitos de autor 561126 wikitext text/x-wiki <pages index="A Dança do Destino - Lutegarda Guimarães de Caires (1913).pdf" header=1/> {{controle de autoridade}} {{DP-3}} [[Categoria:A dança do destino| ]] [[Categoria:Lutegarda Guimarães de Caires]] [[Categoria:obras publicadas em 1913]] truotnsakqaejd03o9sxm7a2to2qu8j Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/191 106 257103 561111 2026-08-31T13:51:10Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 561111 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|lucta contra o impossivel}}|CAPITULO XIX}} {{dhr|4}} Por largo espaça, Barbicane e os seus companheiros contemplaram mudos e pensativos aquelle mundo que apenas de longe tinham visto, como Moysés a Terra de Chanaan, e de que se iam afastando, sem esperança de voltar. A posiçāo do projectil em relaçāo á Lua soffrera alteraçāo. Agora, estava o fundo da bala voltado para a Terra. Barbicane, que verificára esta mudança, nāo deixou de ficar com ella surprehendido. Effectivamente, se a bala tinha de gravitar em volta do satellite segundo uma orbita elliptica, por que rasāo nāo voltaria para elle a parte mais pesada, como acontece á Lua para com a Terra? O caso era obscuro. Observando a marcha do projectil, podia reconhecer-se que este seguia, ao afastar-se da Lua, uma curva analoga á que descrevêra quando se aproximava do astro. Por consequencia descrevia uma ellipse muito alongada, que provavelmente se estendia até ao ponto de ignal attracçāo, que é aquelle em que se neutralisam as influencias da Terra e do seu satellite. Tal foi a conclusāo que Barbicane fundadamente tirou dos fa-<noinclude></noinclude> g9hkqn6u29lf45r7p2d5a6f522fanr8 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/192 106 257104 561112 2026-08-31T13:54:32Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 561112 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|184|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ctos observados, com convicçāo que os dois amigos com elle partilhavam. Inmediatamente começou um chuveiro de perguntas. — E quando lá chegarmos, a esse ponto neutro, o que nos succederá? perguntou Miguel Ardan. — O ignoto! respondeu Barbicane. — Mas sempre se podem fazer hypotheses, supponho eu? — Sim, duas, respondeu Barbicane. Ou a velocidade do projectil será insufficiente, e nʼesse caso permanecerá este eternamente immovel sobre essa linha de dupla attracçāo... — Gosto mais da outra, seja qual for, replicou Miguel. — Ou a sua velocidade será bastante, proseguin Barbicane, e entāo começará a percorrer a sua orbita elliptica para nʼella gravitar eternamente á roda do astro das noites. — Revoluçāo aliás pouco consoladora, acudiu Miguel. Passar ao estado de humildes creados de uma Lua que estamos costumados a considerar creada nossa! Bonito futuro nos espera! Nem Barbicane nem Nicholl responderam. — Entāo calaes-vos? continuou o impaciente Miguel. — É que nāo ha que responder, disse Nicholl. — Pois nāo serà possivel tentar alguma cousa? — Nada, respondeu Barbicane. Acaso pretendes luctar contra o impossivel? — E porque nāo? Pois um francez e dois americanos haviam de recuar perante tal palavra? — Mas que queres tu fazer? — Dominar o movimento que nos arrasta! — Dominal-o? — Sim, proseguiu Miguel enthusiasmando-se, dominal-o, alteral-o, modifical-o, finalmente aproveital-o para a realisaçāo dos nossos projectos. — Mas como ? — Isso agora nāo é commigo, é comvosco. Artilheiros que nāo sāo senhores das balas que atiram, nāo merecem o nome de artilheiros. Se o projectil é que manda no artilheiro, metta-se o artilheiro dentro da peça em logar do projectil! Bonites<noinclude></noinclude> bxqr9a58lm9hniw6jsq3fuparejbasc Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/193 106 257105 561114 2026-08-31T14:00:56Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 561114 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|185|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>sabios, na verdade! Vejam como elles nem sabem o que hāo de fazer, e isto sendo elles que me induziram... — Que te induziram... exclamaram Barbicane e Nicholl. Que te induziram! Que entendes tu por essas palavras? — Deixemo-nos de recriminaçōes! disse Miguel. Eu cá nāo me queixo! O passeio agrada-me! A bala convem-me! Mas façamos tudo o que for humanamente possivel para ir dar a alguma parte, já que nāo podemos ir dar á Lua. — Isso e o que nós desejamos é tudo o mesmo, meu caro Miguel, respondeu Barbicane, mas os meios é que nos faltam- — Entāo nāo podemos modificar o movimento do projectil? — Nāo. — Nem diminuir-lhe a velocidade? — Tambem nāo. — Nem mesmo alliviando-o, como se alliviam os navios que tèem carga de mais? — E que queres tu deitar fóra? Lastro nāo o ha a bordo. De mais a mais parece-me que o projectil, se o alliviassemos, ainda caminharia mais depressa. — Menos, disse Miguel. — Mais, replicou Nicholl. — Nem mais nem menos, respondeu Barbicane, pondo os dois amigos de accordo, porque vogámos no vasio, e, portanto, nāo ha a attender ao peso especifico. — Á vista dʼisso, exclamou Miguel em tom de resoluçāo, nāo ha senāo uma cousa a fazer. — Qual? perguntou Nicholl. — Almoçar! respondeu imperturbavel o audacioso francez, que, nas mais difficeis conjecturas, lembrava sempre esta sóluçāo. O caso era que, se tal operaçāo nāo podia ter a menor influencia sobre a direcçāo do projectil, pelo lado do estomago podia tentar-se sem inconveniente e até com bom exito. Decididamente o nosso Miguel nāo tinha senāo boas idéas. Almoçou-se por consequencia ás duas horas da manhā; a hora, porém, pouco importava. Miguel serviu o costumado ''menu'',<noinclude></noinclude> c000mvs5xb3s3b15pyt710m7o55bix0 Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/172 106 257106 561115 2026-08-31T14:04:16Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 561115 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|Tholomyès sente-se tam alegre que canta uma<br/>cançāo hespanhola.}}|IV}} {{dhr|5}} Aquelle dia era todo aurora. A natureza parecía estar em férias e a rir-se. Os jardins de Saint-Cloud trescalavam perfumes; a viraçāo do Sena agitava vagamente as folhas; os galhos gesticulavam com o impulso do vento; as abelhas subtrahiam os jasmins ; uma infinidade de borboletas pousavam nas achilléas, nos trevos e nas plantaçōes de avèa; havia no augusto parque do rei de França um enxame de vagabundos, os passarinhos. Os quatro ledos pares, rodeados de luz, de campos, de flores, de arvores, resplandeciam. E, nessa communidade de paraiso, fallando, cantando, correndo, dansando, caçando borboletas, colhendo trepadeiras, molhando na densa relva as meias de roseas malhas, frescas, doudejantes, sem o menor bocadinho de fel, iam todas recebendo de vez em quando os beijos dos seus companheiros, todas, á excepçāo de Fantina absorta na sua vaga resistencia meditativa e severa, e que amava.— Andas sempre com um ar tam nāo sei como, dizia-lhe Favorita. Taes sāo as verdadeiras alegrias. Os pares ditosos<noinclude></noinclude> an5uuhkgn3zt2l5mr1w59i5qxonjuqi Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/173 106 257107 561116 2026-08-31T14:09:47Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 561116 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|169}}</noinclude>que assim vemos passar são como que um irresistivel convite da parte da vida e da natureza, e fazem sahir de tudo caricias e luz. Houve uma vez uma fada que lez as campinas e as arvores expressamente para os que amam. Eis o motivo da eterna predilecção dos amantes pelos prazeres que se fruem no campo, predilecção que durará emquanto houver prados e amantes. Eis o mofivo da popularidade da primavera entre os pensadores. O patricio e o amolador ambulante, o duque e par e o obscuro beca, a gente da côrte e a gente da cidade, como outrʼora se dizia, todos concorrem a essa festa. Riem-se, procuram-se, ha no ar un clarão dʼapotheose, como o amar transfigura! Os escreventes de tabellião são deoses. E os gritosinhos, as carreiras atrás um do outro por cima da relva, o corpo em que se agarra no meio da corrida, as girias que são melodias, as adorações que se manifestam no modo por que se diz uma syllaba, as cerejas que uma boca arranca de outra boca, tudo isto fulgura e passa envolto em esplendores celestes. As moças formosas desbaratam docemente a propria individualidade. Crêm que nunca lhe chegarão ao fim. Os philosophos, os poetas, os pintores contemplam estes extasis, e, de tam deslumbrados que ficam, não sabem o que fazer delles. A partida para Cythera! exclama Watteau ; Lancret, o pintor das classes medias, contempla os seus burguezes mergulhados no azul do espaço; Diderot estende os braços para todos estes amores, e d Urfé ajunta-lhes druidas. Depois do almoço os quatro pares tinham ido ver, no que se chamava então ''o quadrado do rei'', uma planta chegada recentemente da India, cujo nome não temos presente neste momento, e a qual nessa epoca attrahia Pariz em pezo a Saint-Cloud: era um singular e lindo arbusto de tronco alto, cujos innumeraveis ramos finos como cordeis, ericados, sem folhas, estavam cobertos de um milhão de rosinhas brancas; o que dava ao arbusto o aspecto de uma cabelleira apolvilhada de flores. Havia sempre gente inmensa a admira-lo. Visto o arbusto, Tholomyès exclamara: Eu pago os jumentos e, ajustado o preço com o alugador dos animaes, tinham voltado por Vanvres e Issy. Em Issy, novo divertimento. O parque, bem nacional, possuido nessa época pelo fornecedor Bourgouin, estava por acaso a-<noinclude>{{left|{{gap}}{{gap}}22}}</noinclude> tmkb6en2ibo2me8ugsj85t9ql7yrmx1 561117 561116 2026-08-31T14:10:02Z Erick Soares3 19404 561117 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|169}}</noinclude>que assim vemos passar são como que um irresistivel convite da parte da vida e da natureza, e fazem sahir de tudo caricias e luz. Houve uma vez uma fada que lez as campinas e as arvores expressamente para os que amam. Eis o motivo da eterna predilecção dos amantes pelos prazeres que se fruem no campo, predilecção que durará emquanto houver prados e amantes. Eis o mofivo da popularidade da primavera entre os pensadores. O patricio e o amolador ambulante, o duque e par e o obscuro beca, a gente da côrte e a gente da cidade, como outrʼora se dizia, todos concorrem a essa festa. Riem-se, procuram-se, ha no ar un clarão dʼapotheose, como o amar transfigura! Os escreventes de tabellião são deoses. E os gritosinhos, as carreiras atrás um do outro por cima da relva, o corpo em que se agarra no meio da corrida, as girias que são melodias, as adorações que se manifestam no modo por que se diz uma syllaba, as cerejas que uma boca arranca de outra boca, tudo isto fulgura e passa envolto em esplendores celestes. As moças formosas desbaratam docemente a propria individualidade. Crêm que nunca lhe chegarão ao fim. Os philosophos, os poetas, os pintores contemplam estes extasis, e, de tam deslumbrados que ficam, não sabem o que fazer delles. 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Ao passo que balançava as moçoilas uma após outra, o que causava, entre risos geraes, ameudados entufamentos de saias que Greuze houvera sabido aproveitar, Tholomyès, que era um tanto hespanhol, visto Toulouse ser prima de Tolosa, cantava, servindo-se de uma melopea melancolica, a canção gallega provavelmente inspirada por alguma formosa moça a balançar-se entre duas arvores em uma corda impellida com toda a força: {{dhr}} <poem> <center> <small> '''Soy de Badajoz''' '''Amor me ilama''' '''Toda mi alma''' '''Es en mis ojos''' '''Porque enseñas''' '''A tus piernas.''' </small> </center> </poem> {{dhr}} Fantina foi a unica que não quiz balançar-se. —Não gosto de gente que se faz assim de tam delicada, murmurou Favorita com bastante azedure. Deixados os jumentos, nova alegria ; atravessaram o Sena em um barco, e de Passy, caminhando a pé, chegaram á barreira da Estrella. Elles tinham começado o seu passeio, como deve lembrar-se o leitor, ás cinco horas da manhan ; mas, ora ! ''no domingo ninguem se cansa'', dizia Favorita ; ''o cansaço não trabalha domingo''. Pelas tres horas da tarde os quatro pares, ebrios de prazer, divertiam-se descendo as ''montanhas russas'', singular edificio que occupava então as eminencias de Beaujon e cuja linha serpenteava por cima das arvores dos Campos-Elysios. De quando em quando Favorita exclamava : —E a sorpresa? eu quero a sorpresa. —Tem paciencia, respondia Tholomyès. {{nop}}<noinclude></noinclude> 89i5du56i02km1lqa3z4nb5xkglsw8b Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo primeiro/Livro terceiro/IV 0 257109 561119 2026-08-31T14:16:27Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=172 to=174 header=1 /> {{Modernização}} {{DP-1}} [[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 3/04]] 561119 wikitext text/x-wiki <pages index="Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf" from=172 to=174 header=1 /> {{Modernização}} {{DP-1}} [[fr:Les Misérables/Tome 1/Livre 3/04]] r1svw10h36pp1hfy2k2ke2a5hc650e3 Página:Maria Rita Chiappe Cadet - A mascarada infantil; comedia em um acto (1883).djvu/12 106 257110 561124 2026-08-31T15:25:33Z BlitzkriegBoop 37692 /* Revista */ 561124 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{C|{{uc|Personagens}}}} {{dhr|3em}} {{tabela|largura=40|título={{uc|Lydia}}|página=10 annos}} {{tabela|largura=40|título={{uc|Noemi}}|página=9 »}} {{tabela|largura=40|título={{uc|Florinda}}, ''creada''|página=16 »}} {{dhr|3em}} {{C|Actualidade}}<noinclude></noinclude> 1tlgxl19t5oju5mx1dj7ix4bafjus1i Galeria:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf 104 257111 561127 2026-08-31T17:49:48Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 561127 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=journal |Título=[[Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644)]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=[[Autor:Argus Vasconcelos de Almeida|Argus Vasconcelos de Almeida]] |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume=13, n. 27 |Editora=Episteme |Gráfica= |Local=Porto Alegre |Ano=2008 |ISBN= |Fonte={{commons|Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf}} |Imagem= |Capa=1 |Progresso=C |Páginas=<pagelist 1=141 /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer={{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}} |Modernização=N }} e05w6a0b3p4ryy8plzq1yz2b2ch8di3 Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/1 106 257112 561128 2026-08-31T18:00:12Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561128 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|OS INSETOS BRASILEIROS DESCRITOS PELO NATURALISTA GEORG MARCGRAVE (1610-C.1644)}} {{d|style=background-color: black; color:white|''Argus Vasconcelos de Almeida<ref>Professor Adjunto do Departamento de Biologia da UFRPE. E-mail: argus@ufrpe.br</ref>''}} {{rule}} {{t2|RESUMO}} {{Bloco centro|align=justify|{{fine|O presente trabalho estuda os “insetos” brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – ''c.'' 1644) durante a sua permanência no Nordeste brasileiro, no período de 1638 a 1643. Tentou-se fazer uma comparação e análise de duas obras históricas que, presumivelmente, são de autoria de Marcgrave: o Livro VII da ''Historiae rerurm naturalium Brasiliae'' e os ''Libri Principis'' (LP). O Livro VII descreve de 75 exemplares, dos quais 65 são insetos e 12 outros artrópodos terrestres. Nos L.P. existem 58 aquarelas que representam insetos e outros artrópodos. Em relação aos insetos, podese concluir que foi numa outra série de desenhos que as xilogravuras do Livro VII foram baseadas. De acordo com pistas taxonômicas fez-se uma revisão desses insetos concluindo-se pela sua pouca representatividade regional.{{quebra}}'''Palavras-chave:''' Insetos, História Natural do Brasil holandês, século XVII, Georg Marcgrave}}}} {{t2|BRAZILIAN INSECTS DESCRIBED BY THE NATURALIST GEORG MARCGRAVE (1610 - C. 1644)}} {{Bloco centro|align=justify|{{fine|Abstract: The present work studies the “insects” described by the naturalist Georg Marcgrave (1610 – c. 1644) during your stay in the Brazilian Northeast, in the period from 1638 to 1643. Tried to do a comparison and analysis of two historical works presumably, they are authorship of Marcgrave: the Book VII of ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' and ''Libri Principis''. The Book VII treats of 75 copies, of which 65 are insects and 12 other terrestrial arthropods. In L.P. there are 58 watercolors that represent insects and other arhropodos exist. In relation to the insects, it can be concluded that it was in one another series of drawings that the xilogravuras of Book VII had been based. Based on taxonomic tracks a revision was made of these insects concluding itself for its little local representation.{{quebra}}'''Keywords:''' Insects, Natural History of Dutch Brazil; {{sic|VII|XVII}} century, Georg Marcgrave.}}}} {{dhr}} {{rule}} {{dhr}}<noinclude>{{rule|10em|align=left}} {{smallrefs}} {{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||141|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 37qvo31ra4f2mofj78zceunerm3sdfl 561183 561128 2026-09-01T03:25:56Z Trooper57 24584 561183 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|'''OS INSETOS BRASILEIROS DESCRITOS PELO NATURALISTA GEORG MARCGRAVE (1610-C.1644)'''}} {{d|style=background-color: black; color:white|''Argus Vasconcelos de Almeida<ref>Professor Adjunto do Departamento de Biologia da UFRPE. 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A partir dos 16 anos, obteve autorização paterna para deixar a cidade natal com o objetivo de visitar e estudar em diversas universidades européias. Segundo Taunay (1942), terminou a sua deambulação acadêmica em Leyden, na Holanda, quando a 11 de setembro de 1636, matriculou se como estudante de Medicina. Findos os estudos, entrou em contato com Joannes de Laet (1593-1649), diretor da Companhia das Índias Ocidentais e este o fez conhecer a Guilherme Piso (Willem Pies, 1611-1678), médico do conde Maurício de Nassau (1604-1679), que havia sido nomeado governador do Brasil holandês. Segundo Pickel (1949), Laet já deveria conhecer Marcgrave dos círculos universitários e, portanto, já estaria bem recomendado quando convidado por Piso para tomar parte na expedição ao Brasil. Marcgrave demonstrava grande interesse em conhecer o Brasil, com o principal objetivo de realizar observações astronômicas. Assim, através de Laet, conseguiu ser designado para servir, inicialmente a Piso, como assistente naturalista, e depois, a Nassau, como astrônomo e geógrafo no Brasil (Carvalho, 1909). Partiu Marcgrave da Holanda no dia 1 de janeiro de 1638, chegando à Bahia após dois meses de viagem. Chegando ao Recife, reuniu-se a Piso, então cirurgião-mor das tropas e também chefe da missão científica de Nassau. Neste período assumiu as funções de geógrafo, cartógrafo, astrônomo e meteorologista (Moulin, 1986). Em suas horas vagas, ainda coletava e estudava as plantas e animais da região. Em suas pesquisas, Marcgrave teve o apoio de Nassau que, inclusive, mandou construir para o mesmo, numa das torres do Vrijburg (seu palácio na ilha de Antonio Vaz, no Recife), um pequeno observatório astronômico, o primeiro do Hemisfério Sul, com o objetivo principal de observar o eclipse solar previsto para 13 de dezembro de 1640 (Moulin, 1986). Ali foram realizadas as primeiras observações astronômicas e meteorológicas na América. Entretanto, a localização deste observatório numa das torres do Vrijburg, é questionada por Polman (1984), que registra a sua localização na 1ª casa de moradia de Nassau no Recife, situada onde atualmente é o cruzamento da Rua do Imperador com a {{corr|1º.de março|1º de março}}, em Santo Antonio do Recife. Segundo a maior parte dos historiadores, no Nordeste, Marcgrave teria empreendido diversas excursões de pesquisa e coleta de material vegetal e animal. Como cartógrafo, parece ter sido um bom conhecedor das regiões do Brasil holandês, pois os próprios mapas da obra de Barlaeus, atribuídos a Franz Post, parecem ter sido cópias dos seus trabalhos cartográficos. Suas principais excursões teriam abrangido a região compreendida pelos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que teriam sido anotadas em um diário ou caderno de campo, hoje perdido. {{NOP}}<noinclude>{{rh|142||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> chgq4p48v2yssuowvl388f705gs3coc 561130 561129 2026-08-31T18:03:18Z Trooper57 24584 561130 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|INTRODUÇÃO}} Georg Marcgrave nasceu em 30 de setembro de 1610, em Liebstad, Saxônia, filho do mestre-escola Georg Markgraf e de sua mulher Elizabeth, casados em 27 de novembro de 1609 (Whitehead, 1979). A partir dos 16 anos, obteve autorização paterna para deixar a cidade natal com o objetivo de visitar e estudar em diversas universidades européias. Segundo Taunay (1942), terminou a sua deambulação acadêmica em Leyden, na Holanda, quando a 11 de setembro de 1636, matriculou se como estudante de Medicina. Findos os estudos, entrou em contato com Joannes de Laet (1593-1649), diretor da Companhia das Índias Ocidentais e este o fez conhecer a Guilherme Piso (Willem Pies, 1611-1678), médico do conde Maurício de Nassau (1604-1679), que havia sido nomeado governador do Brasil holandês. Segundo Pickel (1949), Laet já deveria conhecer Marcgrave dos círculos universitários e, portanto, já estaria bem recomendado quando convidado por Piso para tomar parte na expedição ao Brasil. Marcgrave demonstrava grande interesse em conhecer o Brasil, com o principal objetivo de realizar observações astronômicas. Assim, através de Laet, conseguiu ser designado para servir, inicialmente a Piso, como assistente naturalista, e depois, a Nassau, como astrônomo e geógrafo no Brasil (Carvalho, 1909). Partiu Marcgrave da Holanda no dia 1 de janeiro de 1638, chegando à Bahia após dois meses de viagem. Chegando ao Recife, reuniu-se a Piso, então cirurgião-mor das tropas e também chefe da missão científica de Nassau. Neste período assumiu as funções de geógrafo, cartógrafo, astrônomo e meteorologista (Moulin, 1986). Em suas horas vagas, ainda coletava e estudava as plantas e animais da região. Em suas pesquisas, Marcgrave teve o apoio de Nassau que, inclusive, mandou construir para o mesmo, numa das torres do Vrijburg (seu palácio na ilha de Antonio Vaz, no Recife), um pequeno observatório astronômico, o primeiro do Hemisfério Sul, com o objetivo principal de observar o eclipse solar previsto para 13 de dezembro de 1640 (Moulin, 1986). Ali foram realizadas as primeiras observações astronômicas e meteorológicas na América. Entretanto, a localização deste observatório numa das torres do Vrijburg, é questionada por Polman (1984), que registra a sua localização na 1ª casa de moradia de Nassau no Recife, situada onde atualmente é o cruzamento da Rua do Imperador com a {{corr|1º.de março|1º de março}}, em Santo Antonio do Recife. Segundo a maior parte dos historiadores, no Nordeste, Marcgrave teria empreendido diversas excursões de pesquisa e coleta de material vegetal e animal. Como cartógrafo, parece ter sido um bom conhecedor das regiões do Brasil holandês, pois os próprios mapas da obra de Barlaeus, atribuídos a Franz Post, parecem ter sido cópias dos seus trabalhos cartográficos. Suas principais excursões teriam abrangido a região compreendida pelos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que teriam sido anotadas em um diário ou caderno de campo, hoje perdido. {{NOP}}<noinclude>{{rh|142||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 2v5n4c66s5wj1q36fs013yzstmt4eh3 561182 561130 2026-09-01T03:23:15Z Trooper57 24584 561182 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{ch|'''INTRODUÇÃO'''}} Georg Marcgrave nasceu em 30 de setembro de 1610, em Liebstad, Saxônia, filho do mestre-escola Georg Markgraf e de sua mulher Elizabeth, casados em 27 de novembro de 1609 (Whitehead, 1979). A partir dos 16 anos, obteve autorização paterna para deixar a cidade natal com o objetivo de visitar e estudar em diversas universidades européias. Segundo Taunay (1942), terminou a sua deambulação acadêmica em Leyden, na Holanda, quando a 11 de setembro de 1636, matriculou se como estudante de Medicina. Findos os estudos, entrou em contato com Joannes de Laet (1593-1649), diretor da Companhia das Índias Ocidentais e este o fez conhecer a Guilherme Piso (Willem Pies, 1611-1678), médico do conde Maurício de Nassau (1604-1679), que havia sido nomeado governador do Brasil holandês. Segundo Pickel (1949), Laet já deveria conhecer Marcgrave dos círculos universitários e, portanto, já estaria bem recomendado quando convidado por Piso para tomar parte na expedição ao Brasil. Marcgrave demonstrava grande interesse em conhecer o Brasil, com o principal objetivo de realizar observações astronômicas. Assim, através de Laet, conseguiu ser designado para servir, inicialmente a Piso, como assistente naturalista, e depois, a Nassau, como astrônomo e geógrafo no Brasil (Carvalho, 1909). Partiu Marcgrave da Holanda no dia 1 de janeiro de 1638, chegando à Bahia após dois meses de viagem. Chegando ao Recife, reuniu-se a Piso, então cirurgião-mor das tropas e também chefe da missão científica de Nassau. Neste período assumiu as funções de geógrafo, cartógrafo, astrônomo e meteorologista (Moulin, 1986). Em suas horas vagas, ainda coletava e estudava as plantas e animais da região. Em suas pesquisas, Marcgrave teve o apoio de Nassau que, inclusive, mandou construir para o mesmo, numa das torres do Vrijburg (seu palácio na ilha de Antonio Vaz, no Recife), um pequeno observatório astronômico, o primeiro do Hemisfério Sul, com o objetivo principal de observar o eclipse solar previsto para 13 de dezembro de 1640 (Moulin, 1986). Ali foram realizadas as primeiras observações astronômicas e meteorológicas na América. Entretanto, a localização deste observatório numa das torres do Vrijburg, é questionada por Polman (1984), que registra a sua localização na 1ª casa de moradia de Nassau no Recife, situada onde atualmente é o cruzamento da Rua do Imperador com a {{corr|1º.de março|1º de março}}, em Santo Antonio do Recife. Segundo a maior parte dos historiadores, no Nordeste, Marcgrave teria empreendido diversas excursões de pesquisa e coleta de material vegetal e animal. Como cartógrafo, parece ter sido um bom conhecedor das regiões do Brasil holandês, pois os próprios mapas da obra de Barlaeus, atribuídos a Franz Post, parecem ter sido cópias dos seus trabalhos cartográficos. Suas principais excursões teriam abrangido a região compreendida pelos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, que teriam sido anotadas em um diário ou caderno de campo, hoje perdido. {{NOP}}<noinclude>{{rh|142||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> gtkv92scpbtks0udbeavswwoml5fsqe Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/24 106 257114 561131 2026-08-31T18:04:10Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Ocorrem registros de difícil compreensão, como é o caso do gafanhoto Tropidacris cristata, com atual distribuição geográfica ao Norte do Brasil, que parece ter sido facilmente coletado e descrito vivo no campo, pelo naturalista. Finalmente, deve ser enfatizado que os principais insetos úteis ou nocivos, inúmeras vezes referenciados pelos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII no Nordeste, despertaram pouca ou nenhuma atenção de Mar... 561131 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Ocorrem registros de difícil compreensão, como é o caso do gafanhoto Tropidacris cristata, com atual distribuição geográfica ao Norte do Brasil, que parece ter sido facilmente coletado e descrito vivo no campo, pelo naturalista. Finalmente, deve ser enfatizado que os principais insetos úteis ou nocivos, inúmeras vezes referenciados pelos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII no Nordeste, despertaram pouca ou nenhuma atenção de Marcgrave. Assim, acredita-se que grande parte dos insetos e outros artrópodos descritos no Livro VII foram observados, desenhados, criados e coletados nos jardins do Horto do Palácio de Friburgo no Recife, do qual o próprio Marcgrave deve ter sido um dos planejadores e organizadores. Pelo menos em relação aos insetos, não predominou o critério de utilitarismo nos levantamentos dos produtos naturais da terra, sendo representados, com menos esforço, os que estavam mais à mão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTIN, P.J. Arte e Ciência no Brasil Holandês – Theatri Rerum Naturalium Brasiliae: um estudo dos desenhos. Revista Brasileira de Zoologia, v.3, n.5, pp. 249326, 1985. ALMEIDA, A.V.; CARVALHO, P.F.F. Os insetos de Marcgrave (1610 –c.1644). Recife: UFRPE, Imprensa Universitária, 2002. BOESEMAN, M; HOLTHIUS, L.B.; HOOGMOED, M.S. & SMEENK, C. Seventeenth century drawings of Brazilian animals in Lenigrad. Zoologische Verhandeligen, n. 267, pp.3-187, 1990. CALVET, E. Quimica general. Barcelona: Salvat, 1934. CARVALHO, A. Um naturalista do século XVII: Georg Markgraf (1610 – 1644). Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, n. 72, pp. 212222, 1909. COSTA-LIMA, A.M. Coleópteros. In: COSTA – LIMA, A.M. Insetos do Brasil (t.8, pt.2, cap.29), Rio de Janeiro: Escola Nacional de Agronomia, 1953. DURANTON, J.F. & LAUNOIS, M. Guia prático de luta contra os gafanhotos devastadores no Brasil. Montpellier: FAO-CIRAD-PRIFAS, 1987. HORA, M.J.L. & ALMEIDA, A.V. Registro de nova ocorrência de Tropidacris cristata (L., 1758) (Orthoptera, Romaleidae) em Pernambuco. In: Resumos da II Semana de Biologia da UFRPE. Recife: Departamento de Biologia da UFRPE, 1993. LANE, F. Comentários sobre o livro VII de Marcgrave (insetos).In: MARCGRAVE, J. História natural do Brasil. São Paulo:Imprensa Oficial do Estado – Museu Paulista, 1942 LENKO, K. & PAPAVERO, N. Insetos no folklore. 2a ed. São Paulo: Editora Plêiade – FAPESP, 1996. 164 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> smh216dfddpf93t26hoinqze1e6aktk Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/3 106 257115 561142 2026-08-31T21:37:22Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561142 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>Segundo Mello-Leitão (1937), dessas excursões, voltava Marcgrave ao Recife, trazendo coleções de vegetais herborizados, peles e penas de animais, exemplares taxidermizados ou mesmo vivos, enjaulados, destinados aos viveiros do horto de Nassau e insetos preparados a seco. Sob outro ponto de vista, afirma Whitehead (1979), que a maior parte de suas observações relativas à História Natural, foram realizadas nas vizinhanças do Recife ou na própria cidade do Recife, no jardim botânico-zoológico do palácio de Nassau, o primeiro fundado em moldes europeus no Novo Mundo. Aí teve oportunidade de observar espécies que não pode fazer em suas viagens. Como escreve Teixeira (1995), assim entende-se a ausência de determinados elementos da fauna regional, sobretudo em relação aos insetos, pela pobreza da sua representação. Pois a maior parte dos seus insetos e outros artrópodos terrestres, até hoje, são de ocorrência muito comum na região. Apontando a necessidade de uma pesquisa mais profunda, este jardim zoo botânico de Nassau teve um papel muito mais importante, do que julga a maioria dos pesquisadores, como locus das descrições zoológicas e botânicas de Marcgrave (Almeida & Carvalho, 2002). Segundo Lichtenstein (1961), por precaução, todas as suas anotações foram escritas em linguagem cifrada, que depois da sua morte, deram trabalho a Laet para decifrá-las e organizá-las. Enquanto isso, Piso, por sua vez, também coletava e anotava, com especial atenção às plantas medicinais práticas médicas da região (Moulin, 1986). Chamado de volta à Europa pela direção da Companhia das Índias Ocidentais, Maurício de Nassau deixou Pernambuco, em maio de 1644. Com ele, seguiu Piso e os demais membros da missão artístico-científica. Marcgrave, provavelmente por designação do próprio Nassau, seguiu viagem para Angola, com vistas a novas investigações astronômicas e naturalísticas, quando veio a falecer em São Paulo de Luanda, vítima de uma febre endêmica, segundo Taunay (1942) em julho ou agosto de 1644 ou como sustenta Whitehead (1979), em outubro de 1643, isto é, sete meses antes da partida de Nassau para a Europa, quando, certamente, já deveria ter tido notícia da sua morte. Todo o material coletado por Marcgrave, bem como as suas anotações e desenhos, faziam parte da bagagem de Nassau. Interessado na rápida publicação dos trabalhos de Piso e Marcgrave, o conde destinou-os a renomados estudiosos europeus para a sua necessária organização. Assim, suas amostras, anotações cifradas e desenhos de plantas e animais, foram entregues a Joannes de Laet, que, juntando-as ao trabalho médico de Piso, acrescidos de um apêndice de sua autoria, editou em 1648 a notável obra Historia naturalis Brasiliae (Pisonis & Marcgravi, 1648). Segundo Pickel (1949), a participação de Laet foi muito maior do que a de um simples editor e organizador, pois, redigiu anotações, introduziu desenhos, quando julgou necessário, completou falhas e imprecisões descritivas. Consta que Piso, após a morte de Laet em 1649, demonstrou insatisfação com o resultado da obra e dez anos depois, já médico famoso na Holanda, edita a obra ''De Indiae utriusque re naturali et medica'', modificando o plano original da obra, incorporando<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||143|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 16q749tw4svn7bmylhh4l7r1lmzocxq Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/4 106 257116 561143 2026-08-31T21:39:55Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561143 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>aos capítulos de sua autoria o que só a Marcgrave pertencia e citando-o como mero coletor e assistente (Taunay, 1942). Durante os séculos XVIII e XIX, o material de Marcgrave, foi estudado por uma série de notáveis naturalistas, entre os quais, o próprio Lineu, que descreveu inúmeras espécies animais e vegetais; Lichtenstein, que identificou os vertebrados, em memórias publicadas entre 1814 e 1826 e as plantas por Martius, no 70 volume dos Anais da Academia da Baviera, entre 1853 e 1855 (Mello-Leitão, 1937). Como enfatiza Whitehead (1979) os primeiros registros da fauna e flora do Brasil, foram realizados por amadores: cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII. Entretanto, com Marcgrave, a pesquisa sistemática da biota brasileira, pela primeira vez foi empreendida por um cientista profissional, treinado, com financiamento direto e publicação garantida dos seus resultados. Por outro lado, além do seu papel colonial e suas funções na missão científica, Marcgrave pode ser considerado como um verdadeiro representante da cultura científica da Renascença, acumulando todos os saberes sistematizados da época em que viveu. Deve-se a este jovem sábio, que trabalhou com tanto afã como estivesse pressentindo a própria morte prematura, o primeiro levantamento sistematizado da nossa fauna e flora. Em relação aos insetos, Marcgrave fez diversas observações de campo, registrou algumas datas e localidades, criou, colecionou e observou-os sob “vidro de aumento”, em diversas oportunidades, constituindo-se assim, nos primeiros seres vivos no Novo Mundo examinados sob um instrumento ótico de aumento. Entretanto, escreveu as suas notas num estilo sóbrio, seco, quase cartorial, de levantamento descritivo desses produtos irrelevantes da natureza, como eram considerados os insetos na época. Como escreve Teixeira (1995), todo o seu texto é marcado pela ausência de maiores discussões teóricas candentes da época, como a origem da biota americana e sobre as teorias da geração dos seres vivos. Julga Whitehead (1979) que em seu texto não há lugar para qualquer observação filosófica em relação ao seu próprio sistema classificatório, sendo igualmente imune em relação às histórias fantásticas correntes sobre animais fabulosos. Além das descrições lineanas e de seus discípulos nos séculos XVIII e XIX, os insetos de Marcgrave foram objeto de estudos de Lane (1942), por ocasião da edição brasileira da obra de Marcgrave, em parte por Boeseman ''et al''. (1990) e mais recentemente pelo zoólogo Hitoshi Nomura na sua obra abrangente sobre a “História da Zoologia no Brasil: século XVII”, 2ª parte, que é dedicada exclusivamente à identificação zoológica dos animais descritos por Marcgrave, baseado exclusivamente na edição brasileira de 1942. Com a recente edição brasileira dos ''Manuais'' ou ''Libri Principis'' e do ''Theatrum rerum naturalium Brasiliae'', além do ''Miscellanea Cleyeri'' (Teixeira, 1995), uma nova luz foi lançada sobre o problema da identificação das espécies marcgravianas. Em relação aos insetos, tornou-se imperioso um estudo comparativo<noinclude>{{rh|144||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> f0sbvzrq95r07eqwvcpnyzw139ysi7y Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/5 106 257117 561146 2026-08-31T21:45:04Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561146 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia. É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte para as xilogravuras e descrições. {{t2|MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA}} A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve {{sic|conseqüências|consequências}} marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'', editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949). Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”, até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos organizadores das grandes navegações e conquistas. Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais, é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar. De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 578d03zfa2jf6984ykecepug040lqkn 561147 561146 2026-08-31T21:49:10Z Trooper57 24584 561147 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia. É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte para as xilogravuras e descrições. {{t2|MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA}} A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve {{sic|conseqüências|consequências}} marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'', editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949). Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”, até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos organizadores das grandes navegações e conquistas. Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais, é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar. De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||145|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 0otu06yezlrdw8eke24dnmeirmqqwn7 561181 561147 2026-09-01T03:23:02Z Trooper57 24584 561181 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia. É intenção do presente trabalho contribuir no esclarecimento deste problema, através de um estudo analítico-comparativo entre as representações e descrições dos insetos e outros artrópodos terrestres existentes no Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' e na possível iconografia que serviu de fonte para as xilogravuras e descrições. {{ch|'''MARCGRAVE E A HISTÓRIA NATURAL QUINHENTISTA'''}} A formação científica de Marcgrave deu-se ainda sob a influência da História Natural quinhentista. A sua obra é marcada pela influência de zoólogos renascentistas como Edward Wotton (1492-1555), fiel seguidor da classificação aristotélica, autor da obra ''De differentiis animalium'', que exerceu profunda influência sobre Gesner (1516-1565) e Aldrovandi (1522-1605), que teve {{sic|conseqüências|consequências}} marcantes nas classificações biológicas ao longo da história da Biologia. Além de Thomas Mouffet, autor da obra ''Insectorum sive minimorum animalium theatrum'', editada em Londres em 1634. Esse conjunto de zoólogos renascentistas era completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949). Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”, até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos organizadores das grandes navegações e conquistas. Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais, é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar. De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||145|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 4hm6bor8aoxaqewqke62rcjjhburdkh 561186 561181 2026-09-01T04:15:59Z Trooper57 24584 561186 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>entre as xilogravuras do Livro VII da ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' com a iconografia redescoberta na Biblioteca Jaguelônica da Universidade de Cracóvia. 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Esse conjunto de zoólogos renascentistas era completado por Rondelet (1505-1556), discípulo de Aldrovandi e um pioneiro nas pesquisas de zoologia marinha; Pierre Belon (1517-1564), um dos fundadores da ornitologia e autor de um dos primeiros ensaios de investigação em anatomia comparada e Giulio Cesare Scaliger (1484-1558), cuja estreita relação com a História Natural foi por conta da sua tradução da “História dos Animais” de Aristóteles e do “Tratado das Plantas” de Teofrasto (Nordenskiöld, 1949). Para a História Natural de então o conceito de inseto era muito mais abrangente do que hoje é compreendido. Como insetos ({{lang|la|''insectum''}}) eram considerados todos os invertebrados de corpo segmentado. O próprio termo “inseto”, até hoje possui uma carga de conotação depreciativa, como registrado em todos os dicionários e enciclopédias, num plano absolutamente secundário, os termos associados, tais como: “porqueiras”, “imundícies”, “vermes” e “bichos”. Os misteres do “naturalista” passam a ser então uma atividade reconhecida e prestigiada pelos organizadores das grandes navegações e conquistas. Na Holanda além da já existente e exitosa Companhia das Índias Orientais, é fundada em junho de 1621 a Companhia das Índias Ocidentais, que segundo Teixeira (1995), se dá ao término da trégua com a Espanha, com a tarefa de centralizar as operações na África e América. Após uma série de ações fulminantes em territórios coloniais portugueses e espanhóis, chega a vez do Nordeste do Brasil em 1630. Após uma frustrada tentativa de tomar Salvador em 1624, a Companhia passou a empenhar esforços para tomar Pernambuco, região favorável aos interesses mercantis holandeses, por causa da cana-de-açúcar. De acordo com Albertin (1985), em 1636 foi designado, pelos diretores da Companhia das Índias Ocidentais, para o cargo de governador geral do território<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||145|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 5new0ybvtx4pw70o2dqarjx20m584ff Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/6 106 257118 561148 2026-08-31T21:59:15Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561148 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>holandês no Brasil: o Conde João Maurício de Nassau-Siegen, que assumiu um conceito muito diferente de sua função de administrador da colônia. IsSo fica patente pela organização da sua comitiva, da qual faziam parte, além de soldados e oficiais do governo, também cientistas e artistas, entre os quais: Piso, Marcgrave, Plante, Cralitz, Eckhout, Post e Wagener. {{t2|O LIVRO VII DA HISTORIAE RERUM NATURALIUM BRASILIAE E A EDIÇÃO BRASILEIRA DE 1942}} O Livro VII, que trata dos insetos de Marcgrave, é parte da obra original ''Historia naturalis Brasiliae'' (Pisonis & Marcgravi, 1648), editada em Amsterdã, tendo como divisão a ''Historiae rerum naturalium Brasiliae'' (“História das coisas naturais do Brasil”), que está, por sua vez, dividida em oito livros: os três primeiros tratando das plantas; o quarto, dos peixes; o quinto, das aves; o sexto, dos quadrúpedes e serpentes; o sétimo, dos insetos e o oitavo, que trata da região e dos seus habitantes indígenas. A obra de Marcgrave, acrescentada da obra de Piso (''De medicina Brasiliensi'') e o apêndice de autoria de Laet (''De Tapuys et Chilensibus''), formam o todo da obra. No Livro VII são descritos 75 exemplares de artrópodos, sendo 65 insetos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 xilogravuras no texto, sendo 23 de insetos. Os comentários sobre o Livro VII na edição brasileira de 1942 são de autoria do entomologista Frederico Lane (1901-1979), baseado nas descrições lineanas e sobre os estudos de Montoya sobre línguas indígenas de 1876. Grande parte dos insetos e outros artrópodos terrestres foram identificados até suas espécies, com base no exame das xilogravuras e textos descritivos. Contudo, as identificações de Lane (1942), apresentam algumas lacunas e imprecisões, principalmente em nível dos taxa superiores de classes, ordens e famílias. Mais recentemente, com a redescoberta da iconografia, os desenhos dos insetos foram, em parte, comentados por Boeseman et al. (1990), examinando o material de Leningrado e, de uma forma muito geral e baseada exclusivamente na edição brasileira de 1942, por Nomura (1996). {{t2|INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS E FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS MODELOS NOS LIBRI PRINCIPIS}} Os insetos e outros artrópodos terrestres estão numerados segundo a edição brasileira de 1942, seguida da denominação original de Marcgrave, da sua possível identificação zoológica e comentários. As xilogravuras comentadas são todas do<noinclude>{{rh|146||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 2odn1ua4aqeqzx10l8rt5f3bbdge9kq 561180 561148 2026-09-01T03:22:33Z Trooper57 24584 561180 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>holandês no Brasil: o Conde João Maurício de Nassau-Siegen, que assumiu um conceito muito diferente de sua função de administrador da colônia. 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Mesmo assim, Nomura (1996, p.273) acha que pode tratar-se de Stagmatoptera precaria (L., 1758).... 561149 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Livro VII da “História das coisas naturais do Brasil” comparadas com as aquarelas dos Libri Principis. 733 – “Gaayara”; Mantodea; Mantidae: Segundo Lane (1942) este inseto foi relacionado por Lineu a sua Mantis gongylodes, porém, esta não é da nossa entomofauna. Comenta o mesmo que não há elementos suficientes para identificação específica. Mesmo assim, Nomura (1996, p.273) acha que pode tratar-se de Stagmatoptera precaria (L., 1758). A xilogravura está representada na p.246 e seu provável modelo (L.P., v.1, p.160) apresenta uma posição invertida, a cabeça levemente virada, com os apêndices abdominais corretamente representados, sendo denominado de “Caaiara”. No texto descritivo, Marcgrave compara-o a figura de um camelo2. 734 – “Enena”; Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae; Megasoma gyas (Hbst., 1785) como identifica Lane (1942). Este inicia uma série de coleópteros representados no Livro VII, denominados de “touros voadores” pelo naturalista. Este, sendo o primeiro, está representado na p.246 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.153)3, 735 – “Taurus volans”; Coleoptera; Scarabaeidae; Strategus aloeus (L., 1758) como identifica Lane (1942). A xilogravura está na p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.173), também em posição invertida, de coloração bastante escura, sendo improvável ter servido de modelo para a execução da xilogravura. Entretanto, a posição dos apêndices e cerdas indicam ser o mesmo inseto. Sua denominação na aquarela é também “Enéma”. É conhecido na região como “besouro-da-raiz-docoqueiro”. 736 – “Taurus”; Coleoptera; Scarabaeidae; Scarabaeinae; Phanaeus (Megaphanaeus) ensifer (Germar, 1821) como identifica Lane (1942). O texto descritivo apresenta tres aspectos curiosos: a observação de campo do hábito escavador do besouro; o registro pioneiro do uso de instrumento ótico de aumento (magascópio) para examinar os “embriões” ou “fetos” fixos no dorso do besouro, sendo considerados como “semelhantes ao pai cornudo” (provavelmente os primeiros assim examinados no Novo Mundo), para descrever os ácaros comumente encontrados em coleópteros e finalmente, o relato de Marcgrave de que manteve este inseto numa caixa, anotando a sua força física. A xilogravura da p.247 representa o besouro com face humana de barba e bigodes, tendo como provável modelo a aquarela (L.P., v.1, p.175) com a figura de posição invertida, em relação à xilogravura, de coloração muito escura e com interessante anotação de Nassau sobre os ácaros. 737 – “Taurus volans alius”; Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae: Dynastes hercules (L., 1758), como identifica Lane (1942). A espécie tem sido registrada na Bahia. 2 Na nota correspondente, Laet o denomina de gafanhoto, citando o gênero Mantes de Thomas Mouffet. Em Pernambuco e Paraíba é conhecido como “põe-mesa”. 3 É uma das poucas figuras não coloridas dos L.P., apresentando uma posição invertida e com as pernas mais arqueadas e sem as pontuações dos élitros representadas na xilogravura. A denominação do desenho é “Enéma”. É conhecido na região como “besouro de chifre”. Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 147<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 5ovkel471tiii40u8go5u3bri8dm277 561171 561149 2026-08-31T23:57:44Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561171 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>Livro VII da “História das coisas naturais do Brasil” comparadas com as aquarelas dos ''Libri Principis''. {{ad|'''733 – “Gaayara”;''' Mantodea; Mantidae: Segundo Lane (1942) este inseto foi relacionado por Lineu a sua [[species:Mantis gongylodes|''Mantis gongylodes'']], porém, esta não é da nossa entomofauna. Comenta o mesmo que não há elementos suficientes para identificação específica. Mesmo assim, Nomura (1996, p.273) acha que pode tratar-se de [[species:Stagmatoptera precaria|''Stagmatoptera precaria'']] (L., 1758). 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Este, sendo o primeiro, está representado na p.246 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.153)<ref>É uma das poucas figuras não coloridas dos L.P., apresentando uma posição invertida e com as pernas mais arqueadas e sem as pontuações dos élitros representadas na xilogravura. A denominação do desenho é “Enéma”. É conhecido na região como “besouro de chifre”.</ref>{{corr|,|.}}}} {{ad|'''735 – “Taurus volans”;''' Coleoptera; Scarabaeidae; [[species:Strategus aloeus|''Strategus aloeus'']] (L., 1758) como identifica Lane (1942). A xilogravura está na p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.173), também em posição invertida, de coloração bastante escura, sendo improvável ter servido de modelo para a execução da xilogravura. Entretanto, a posição dos apêndices e cerdas indicam ser o mesmo inseto. Sua denominação na aquarela é também “Enéma”. 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A xilogravura da p.247 representa o besouro com face humana de barba e bigodes, tendo como provável modelo a aquarela (L.P., v.1, p.175) com a figura de posição invertida, em relação à xilogravura, de coloração muito escura e com interessante anotação de Nassau sobre os ácaros.}} {{ad}} '''737 – “Taurus volans alius”;''' Coleoptera; Scarabaeidae; Dynastinae: [[species:Dynastes hercules|''Dynastes hercules'']] (L., 1758), como identifica Lane (1942). 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O texto de Marcgrave registra observações de campo ou de criação em cativeiro, como a ocorrência de exúvias e os cuidados da fêmea com a ooteca. 746 – “Panapanamucu”; Lepidoptera; Sphingidae; Sphinginae; Segundo Lane (1942) parece tratar-se de uma espécie de Phlegethontius; Nomura (1996:275), acredita que pode ser P. sexta paphus (Cramer, 1779). A xilogravura encontra-se na p.250 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.170) que parece representar Cocytus duponchel (Poey, 1832), cujas lagartas atacam folhas de anonáceas e mandioca (Manihot sculenta). A sua tosca xilogravura se constitui numa das piores representações da obra. 753 – “Arumatia brasiliensibus”; Phasmida; Acanthoderus sp., como identifica Lane (1942), provavelmente, segundo Nomura (1996, p.276), A. 20-spinosus (Redtenbacher, 1906). A xilogravura é a primeira da p.251 e o seu modelo (L.P., v.1, p.166); gravura e aquarela são muito semelhantes e exatos desta fêmea de “bicho-pau”, comparado por Marcgrave a uma “varinha de videira”. 763 – “Japuruca”; Chilopoda; Scolopendromorpha, Scolopendridae; Scolopendra subsnipes subsnipes Leach, 1815, como identifica Nomura (1996, p.277). Marcgrave usa a denominação de Scolopendra para este quilópodo, conhecido regionalmente como “lacraia”. A xilogravura da p.253 está muito semelhante a aquarela, que deve ter servido de modelo (L.P., v.1, p.156, n 0 1). 765 – “Culex”; Diptera; Dolichopodidae; para Nomura (1996, p.278) parece tratar-se de um Culicidae. O texto descritivo refere-se ao uso, na observação do inseto, de um “megascópio”. A xilogravura da p.253 apresenta, por fantasia do gravador, uma nítida cruz no dorso do tórax do inseto, o que não se observa no seu provável modelo (L.P., v.1, p.162). 4 Apresentam realmente a semelhança com uma face humana, na parte dorsal do abdome, principalmente nos exemplares vivos, que ocorrem comumente nos jardins, onde armam suas grandes teias entre os galhos e caules das plantas. 148 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> itobhboq5w7ntpvjw787fajf23u7in4 561174 561150 2026-09-01T00:05:39Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561174 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>A xilugravura é a última da p.247 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.106), com posição invertida e também denominado de “Enéma”.</div> {{ad|'''740 – “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Argiopidae; ''Argiope argentata'' (Fabricius, 1775), como identifica Lane (1942). 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A xilogravura de posição inferior na p.248 e o seu provável modelo (L.P., v.2, p.115, posição superior)<ref>Apresentam realmente a semelhança com uma face humana, na parte dorsal do abdome, principalmente nos exemplares vivos, que ocorrem comumente nos jardins, onde armam suas grandes teias entre os galhos e caules das plantas.</ref>.}} {{ad|'''742 – “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Heteropodidae; [[species:Heteropoda venatoria|''Heteropoda venatoria'']] (L., 1767), como identifica Lane (1942). Para Boeseman et al. (1990), esta aranha parece ser uma espécie de ''Micrathena''. O texto de Marcgrave registra observações de campo ou de criação em cativeiro, como a ocorrência de exúvias e os cuidados da fêmea com a ooteca.}} {{ad|'''746 – “Panapanamucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; Sphinginae; Segundo Lane (1942) parece tratar-se de uma espécie de ''Phlegethontius''; Nomura (1996:275), acredita que pode ser ''P. sexta paphus'' (Cramer, 1779). A xilogravura encontra-se na p.250 e o seu provável modelo (L.P., v.1, p.170) que parece representar ''Cocytus duponchel'' (Poey, 1832), cujas lagartas atacam folhas de anonáceas e mandioca (''Manihot sculenta''). A sua tosca xilogravura se constitui numa das piores representações da obra.}} {{ad|'''753 – “Arumatia brasiliensibus”;''' Phasmida; ''Acanthoderus'' sp., como identifica Lane (1942), provavelmente, segundo Nomura (1996, p.276), ''A. 20-spinosus'' (Redtenbacher, 1906). A xilogravura é a primeira da p.251 e o seu modelo (L.P., v.1, p.166); gravura e aquarela são muito semelhantes e exatos desta fêmea de “bicho-pau”, comparado por Marcgrave a uma “varinha de videira”.}} {{ad|'''763 – “Japuruca”;''' Chilopoda; Scolopendromorpha, Scolopendridae; [[species:Scolopendra subspinipes subspinipes|''Scolopendra {{sic|subsnipes subsnipes|subspinipes subspinipes}}'']] Leach, 1815, como identifica Nomura (1996, p.277). Marcgrave usa a denominação de [[species:Scolopendra|''Scolopendra'']] para este quilópodo, conhecido regionalmente como “lacraia”. A xilogravura da p.253 está muito semelhante a aquarela, que deve ter servido de modelo (L.P., v.1, p.156, n 0 1).}} {{ad|'''765 – “Culex”;''' Diptera; Dolichopodidae; para Nomura (1996, p.278) parece tratar-se de um Culicidae. O texto descritivo refere-se ao uso, na observação do inseto, de um “megascópio”. A xilogravura da p.253 apresenta, por fantasia do gravador, uma nítida cruz no dorso do tórax do inseto, o que não se observa no seu provável modelo (L.P., v.1, p.162).}} {{nop}}<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{rh|148||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 5qnt311iz2moiu1ydm3ftydhyebsgjt Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/9 106 257121 561151 2026-08-31T21:59:49Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 768 – “Quici Miri”; Coleoptera; Elateridae; Chalcolepidius zonatus Eschscholtz, 1829, como identificado por Lane (1942)5. A xilogravura da p.254 é uma das melhores da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2, p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici miri” pode ser compreendido como “be... 561151 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>768 – “Quici Miri”; Coleoptera; Elateridae; Chalcolepidius zonatus Eschscholtz, 1829, como identificado por Lane (1942)5. A xilogravura da p.254 é uma das melhores da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2, p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici miri” pode ser compreendido como “besouro pequeno”, enquanto “quicigoaçú”, como está grafado na aquarela, pode ser compreendido como “besouro grande”, como realmente ocorre no Nordeste, com mais de 3 cm de comprimento. Assim, a denominação do Livro VII dá um sentido completamente contrário ao tamanho real do inseto. 773 – “Quici”; Coleoptera; Cerambycidae; identificado por Lane (1942) como Trachyderes succintus (L., 1758), conhecido atualmente como Retrachyderes thoracicus. A xilogravura da p.254 apresenta uma inversão da cor da faixa dos élitros, representando-a escura, quando no seu provável modelo (L.P., v.2, p.107) é amarelada, em relação aos élitros escuros, como escreve Marcgrave (1942): “Pelo meio das asas ou do dorso, corre transversalmente uma linha larga, amarela pálida”. A posição dos apêndices também está diferente, bem como a xilogravura apresenta os antenômeros em forma de contas, intercalados com os de forma alongada, fato que não existe na aquarela e nem tampouco no inseto real. 775 – “Vermis”; Diplopoda; Spiribolida, Spirobolidae; Spirobolus maximus (L., 1766), como Nomura (1996, p.279) acha provável. O texto descritivo refere-se a um “verme terrestre” e a xilogravura da p.255 representa um conhecido “embuá”. O seu provável modelo (L.P., v.2, p.118, posição inferior), esclarece qualquer dúvida, onde está grafado corretamente de “Ambuá”. 777 – “Tambeiva”; Coleoptera; Chrysomelidae; Cassidinae; Lane (1942) e Boeseman et al. (1990) identificam este inseto como Desmonota (Pelidionota) variolosa (Weber, 1801), Nomura (1996, p.279), afirma que esta espécie é hoje Polychalca (Desmonota) variolosa (Weber, 1801). A gravura da p.255, bem como o seu provável modelo, a aquarela (L.P., v.2, p.122, n 0 1), são muito fiéis este conhecido crisomelídeo. O texto descritivo indica que Marcgrave observou o inseto vivo, pois registra a sua locomoção terrestre e seu vôo lento e pesado. 778 – “Paipai Guacu”; Hymenoptera; Pompilidae; Pepsis sp. possivelmente. A xilogravura da p.255 tem seu provável modelo (L.P., v.2, p.124), com posição invertida em relação à gravura6. 781 – “Insectum volans”; Phasmida; Prisopus ohrtmani (Lichtestein, 1802), como Nomura (1996, p.280) desconfia que seja; segundo Lane (1942) trata-se de uma espécie de Prisopus. A xilogravura da p.256 tem seu possível modelo na aquarela 5 Em nota correspondente ao texto, Laet confunde este elaterídeo com um buprestídio. A edição brasileira grafa erradamente o nome de Mouffet, escrevendo Mousset, confundindo a letra f latina por s. 6 O texto descritivo é bastante claro e revela a prática da alfinetagem de insetos, quando se refere a dureza do seu corpo quando da tentativa de alfinetá-lo. Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 149<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> m6gr6vtapvg9fdfclqfwmspxlaa745l 561175 561151 2026-09-01T00:38:53Z Trooper57 24584 /* Não revista */ 561175 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>{{ad|'''768 – “Quici Miri”;''' Coleoptera; Elateridae; ''Chalcolepidius zonatus'' Eschscholtz, 1829, como identificado por Lane (1942)<ref>Em nota correspondente ao texto, Laet confunde este elaterídeo com um buprestídio. A edição brasileira grafa erradamente o nome de Mouffet, escrevendo Mousset, confundindo a letra f latina por s.</ref>. A xilogravura da p.254 é uma das melhores da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2, p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici miri” pode ser compreendido como “besouro pequeno”, enquanto “quicigoaçú”, como está grafado na aquarela, pode ser compreendido como “besouro grande”, como realmente ocorre no Nordeste, com mais de 3 cm de comprimento. Assim, a denominação do Livro VII dá um sentido completamente contrário ao tamanho real do inseto.}} {{ad|'''773 – “Quici”;''' Coleoptera; Cerambycidae; identificado por Lane (1942) como ''Trachyderes succintus'' (L., 1758), conhecido atualmente como Retrachyderes thoracicus. A xilogravura da p.254 apresenta uma inversão da cor da faixa dos élitros, representando-a escura, quando no seu provável modelo (L.P., v.2, p.107) é amarelada, em relação aos élitros escuros, como escreve Marcgrave (1942): “Pelo meio das asas ou do dorso, corre transversalmente uma linha larga, amarela pálida”. 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A gravura da p.255, bem como o seu provável modelo, a aquarela (L.P., v.2, p.122, n 0 1), são muito fiéis este conhecido crisomelídeo. O texto descritivo indica que Marcgrave observou o inseto vivo, pois registra a sua locomoção terrestre e seu vôo lento e pesado.}} {{ad|'''778 – “Paipai Guacu”;''' Hymenoptera; Pompilidae; Pepsis sp. possivelmente. A xilogravura da p.255 tem seu provável modelo (L.P., v.2, p.124), com posição invertida em relação à gravura<ref>O texto descritivo é bastante claro e revela a prática da alfinetagem de insetos, quando se refere a dureza do seu corpo quando da tentativa de alfinetá-lo.</ref>.}} {{ad}} '''781 – “Insectum volans”;''' Phasmida; Prisopus ohrtmani (Lichtestein, 1802), como Nomura (1996, p.280) desconfia que seja; segundo Lane (1942) trata-se de uma espécie de Prisopus. A xilogravura da p.256 tem seu possível modelo na aquarela<noinclude></div> {{rule}} {{Smallrefs}} {{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||149|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> hdeljndqoegbctj9frn7o1u0uc1f0ht 561178 561175 2026-09-01T03:09:54Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561178 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{ad|'''768 – “Quici Miri”;''' Coleoptera; Elateridae; ''Chalcolepidius zonatus'' Eschscholtz, 1829, como identificado por Lane (1942)<ref>Em nota correspondente ao texto, Laet confunde este elaterídeo com um buprestídio. A edição brasileira grafa erradamente o nome de Mouffet, escrevendo Mousset, confundindo a letra f latina por s.</ref>. A xilogravura da p.254 é uma das melhores da obra, sendo ambas, gravura e aquarela, como provável modelo (L.P., v.2, p.114, n 0 1) muito fiéis em relação ao conhecido “salta-martim”. A denominação escrita na aquarela é mais exata do que a escrita no Livro VII, pois o termo “quici miri” pode ser compreendido como “besouro pequeno”, enquanto “quicigoaçú”, como está grafado na aquarela, pode ser compreendido como “besouro grande”, como realmente ocorre no Nordeste, com mais de 3 cm de comprimento. Assim, a denominação do Livro VII dá um sentido completamente contrário ao tamanho real do inseto.}} {{ad|'''773 – “Quici”;''' Coleoptera; Cerambycidae; identificado por Lane (1942) como ''Trachyderes succintus'' (L., 1758), conhecido atualmente como ''Retrachyderes thoracicus''. A xilogravura da p.254 apresenta uma inversão da cor da faixa dos élitros, representando-a escura, quando no seu provável modelo (L.P., v.2, p.107) é amarelada, em relação aos élitros escuros, como escreve Marcgrave (1942): “Pelo meio das asas ou do dorso, corre transversalmente uma linha larga, amarela pálida”. A posição dos apêndices também está diferente, bem como a xilogravura apresenta os antenômeros em forma de contas, intercalados com os de forma alongada, fato que não existe na aquarela e nem tampouco no inseto real.}} {{ad|'''775 – “Vermis”;''' Diplopoda; Spiribolida, Spirobolidae; ''Spirobolus maximus'' (L., 1766), como Nomura (1996, p.279) acha provável. O texto descritivo refere-se a um “verme terrestre” e a xilogravura da p.255 representa um conhecido “embuá”. O seu provável modelo (L.P., v.2, p.118, posição inferior), esclarece qualquer dúvida, onde está grafado corretamente de “Ambuá”.}} {{ad|'''777 – “Tambeiva”;''' Coleoptera; Chrysomelidae; Cassidinae; Lane (1942) e Boeseman et al. (1990) identificam este inseto como ''Desmonota (Pelidionota) variolosa'' (Weber, 1801), Nomura (1996, p.279), afirma que esta espécie é hoje ''Polychalca (Desmonota) variolosa'' (Weber, 1801). A gravura da p.255, bem como o seu provável modelo, a aquarela (L.P., v.2, p.122, nº 1), são muito fiéis este conhecido crisomelídeo. O texto descritivo indica que Marcgrave observou o inseto vivo, pois registra a sua locomoção terrestre e seu vôo lento e pesado.}} {{ad|'''778 – “Paipai Guacu”;''' Hymenoptera; Pompilidae; ''Pepsis'' sp. possivelmente. A xilogravura da p.255 tem seu provável modelo (L.P., v.2, p.124), com posição invertida em relação à gravura<ref>O texto descritivo é bastante claro e revela a prática da alfinetagem de insetos, quando se refere a dureza do seu corpo quando da tentativa de alfinetá-lo.</ref>.}} {{ad}} '''781 – “Insectum volans”;''' Phasmida; ''Prisopus ohrtmani'' (Lichtestein, 1802), como Nomura (1996, p.280) desconfia que seja; segundo Lane (1942) trata-se de uma espécie de ''Prisopus''. A xilogravura da p.256 tem seu possível modelo na aquarela<noinclude></div> {{rule}} {{Smallrefs}} {{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||149|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> pa6corspyf1uxxylrwf42yc5yxa1d1z Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/10 106 257122 561152 2026-08-31T21:59:55Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: (L.P., v.2, p.129), que possui, entretanto, uma coloração bastante diferente da descrita no texto, pois possui o corpo acizentado e mandíbulas coralíneas, enquanto no texto, a sua cor é de madeira com apêndices pretos. Na aquarela, sua denominação é “Iaçóca”. 795 – “Insectum”; Hemiptera; Belostomatidae; Belostoma sp., como identifica Lane (1942). Embora que a xilogravura e a aquarela pareçam indicar um Lethocerus, as dimensões descrita... 561152 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>(L.P., v.2, p.129), que possui, entretanto, uma coloração bastante diferente da descrita no texto, pois possui o corpo acizentado e mandíbulas coralíneas, enquanto no texto, a sua cor é de madeira com apêndices pretos. Na aquarela, sua denominação é “Iaçóca”. 795 – “Insectum”; Hemiptera; Belostomatidae; Belostoma sp., como identifica Lane (1942). Embora que a xilogravura e a aquarela pareçam indicar um Lethocerus, as dimensões descritas por Marcgrave no texto (2 dedos de comprimento por 1 de largura) indicam uma espécie de Belostoma, mais comum na região. A gravura da p.259 é muito fiel ao seu possível modelo (L.P., v.1, p.171) e representa uma conhecida “barata d’água”, muito comum no litoral nordestino na época chuvosa, quando é atraída pela luz dos postes e residências e temida por uma suposta “picada venenosa”. INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS REPRESENTAÇÕES NOS LIBRI PRINCIPIS 729 – “Iaaciaiira”; Arachnida; Scorpionida; Buthidae; Rhopalurus rochai Borelli, 1910, como acredita ser Nomura (1996, p.273), tratando-se do escorpião mais comum do Nordeste; Lane (1942) acha que é uma espécie de Rhopalurus, conhecido regionalmente como “lacraus”. Sua provável representação nos L.P. está na p.113 (v.2), que apresenta duas formas, uma maior, ocupando posição superior e outra menor, inferior. Sua denominação na aquarela é “Iaaçiajíra”. 732 – “Tucurobi”; Orthoptera; Tettigoniidae; segundo Lane (1942), Lineu relaciona este inseto à sua espécie Tettigonia laurifolius, entretanto, escreve acertadamente, que o texto descritivo não oferece elementos seguros para a sua identificação. Nomura (1996, p.273), com base na denominação de “gafanhoto verde”, associa esta denominação a Tropidacris grandis e Eutropidacris collaris. Entretanto o texto não deixa dúvidas que se trata de um tetigonídeo. Sua provável representação nos L.P. está na p.109 (v.2). 741 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; segundo Lane (1942), trata-se de uma espécie de Nephila; para Nomura (1996, p.274), deve ser Nephila cruenta (Fabricius, 1775). Sua provável representação nos L.P., ocupa a posição superior da p.120 (v.2), onde é denominada de “Nhanduí”. 743 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Salticidae; segundo Nomura (1996, p.275), trata-se de uma aranha “papa-moscas” que pode ser dos gêneros Plexippus, Hasarius ou Salticus. Sua provável representação nos L.P. está na p.152 (v.1), onde é denominada de “Nhandií”. 744 – “Araneus”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; Gasteracantha cancriformes (L., 1767), provavelmente. Comparada por Marcgrave a uma “tartaruga terrestre”. 150 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> la0nzqb9iwo7m5tv7ux2p9zjbzccafl 561179 561152 2026-09-01T03:21:56Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561179 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>(L.P., v.2, p.129), que possui, entretanto, uma coloração bastante diferente da descrita no texto, pois possui o corpo acizentado e mandíbulas coralíneas, enquanto no texto, a sua cor é de madeira com apêndices pretos. Na aquarela, sua denominação é “Taçóca”.</div> {{ad|'''795 — “Insectum”;''' Hemiptera; Belostomatidae; ''Belostoma'' sp., como identifica Lane (1942). Embora que a xilogravura e a aquarela pareçam indicar um ''Lethocerus'', as dimensões descritas por Marcgrave no texto (2 dedos de comprimento por 1 de largura) indicam uma espécie de ''Belostoma'', mais comum na região. A gravura da p.259 é muito fiel ao seu possível modelo (L.P., v.1. p.171) e representa uma conhecida “barata d’água”, muito comum no litoral nordestino na época chuvosa, quando é atraída pela luz dos postes e residências e temida por uma suposta “picada venenosa”.}} {{ch|'''INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO FIGURADOS NO LIVRO VII, COM PROVÁVEIS REPRESENTAÇÕES NOS LIBRI PRINCIPI.'''}} {{ad|'''729 — “Iaacialira”;''' Arachnida; Scorpionida; Buthidae; ''Rhopalurus rochai'' Borelli, 1910, como acredita ser Nomura (1996, p.273), tratando-se do escorpião mais comum do Nordeste; Lane (1942) acha que é uma espécie de Rhopalurus, conhecido regionalmente como “lacraus”. Sua provável representação nos L.P. está na p.113 (v.2), que apresenta duas formas, uma maior, ocupando posição superior e outra menor, inferior. Sua denominação na aquarela é “Iaaciajira”.}} {{ad|'''732 — “Tucurobi”;''' Orthoptera; Tettigoniidae; segundo Lane (1942). Lineu relaciona este inseto à sua espécie ''Tettigonia laurifolius'', entretanto, escreve acertadamente, que o texto descritivo não oferece elementos seguros para a sua identificação. Nomura (1996, p.273), com base na denominação de “gafanhoto verde”, associa esta denominação a ''Tropidacris grandis'' e ''Eutropidacris collaris''. Entretanto o texto não deixa dúvidas que se trata de um tetigonídeo. Sua provável representação nos L.P. está na p. 109 (v.2).}} {{ad|'''741 — “Araneus”;''' Arachnida; Araneae; Argiopidae; segundo Lane (1942), trata-se de uma espécie de ''Nephila''; para Nomura (1996, p.274), deve ser ''Nephila cruenta'' (Fabricius, 1775). 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Comparada por Marcgrave a uma “tartaruga terrestre”.<noinclude></div> {{rh|150||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> b9py5el2vwurp4sfcj7opbef71l3xux Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/11 106 257123 561153 2026-08-31T22:00:01Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição inferior da folha. 749 – Inominada; Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; Caligo sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja Caligo beltrao (Illiger, 1802) ou C. brasiliensis (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de “Panamaguaçú”7. 752 – “Panapanam... 561153 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição inferior da folha. 749 – Inominada; Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; Caligo sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja Caligo beltrao (Illiger, 1802) ou C. brasiliensis (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de “Panamaguaçú”7. 752 – “Panapanamucu”; Lepidoptera; Sphingidae; sua provável representação nos L.P. está na p.133 (v.2), onde a mariposa é denominada de “Panáma”. A aquarela representa um adulto recém-emergido, mas possui elementos que correspondem ao texto descritivo. 755 – “Isocucu”; Lepidoptera; Sphingidae; Lane (1942), discutindo o termo indígena de Montoya, a denominação correta deve ser “isocuçú”, isto é, lagarta grande. Sua provável representação nos L.P. está na p.110 (v.2), desenhado de um espécime vivo, sobre uma folha digitada, provavelmente de “fruta-pão” (Artocarpus incisa), com pelotas escuras de excremento. A lagarta da aquarela é denominada de “Içocobà”. 756 – Inominada; Lepidoptera; Sphingidae; Manduca quinquemaculata (Haworth, 1803) provavelmente, uma lagarta do tomateiro. O texto descritivo refere-se a uma lagarta de “cor verde elegante, com pontinhos transversais pretos e linhas brancas, entre duas quaisquer dobras laterais”. Sua provável representação nos L.P. está na p.163, n0 2, (v.1). 760 – “Formica”; Hymenoptera; Formicidae; Atta cephalotes (L., 1758), como identifica Lane (1942) referindo-se a Lineu que a descreveu originalmente como Formica cephalotes. Sua provável representação nos L.P. está na p.114, n0 2 (v.2), onde é denominada de “Içaúba”. Esta representação também corresponde à formiga descrita como “Cupia”. 769 – “Mberuobi”; Diptera; Calliphoridae; Cochliomya macellaria (Fabricius, 1775), como identifica Nomura (1996, p.278), baseado na descrição que pela cor auriverde é mais provável tratar-se de uma “mosca varejeira”; segundo Lane (1942) seria possível identificá-la como Ornidia obesa (Fabricius, 1775), um Syrphidae, onde as “quatro asas” do texto, poderiam ser interpretadas como as duas verdadeiras mais as calíptras. Sua provável representação nos L.P. está na p.116 (v.2), na posição inferior da página, onde é denominada de “Mberuobí”. 774 – “Jacatinga”; Odonata; Libelullidae; Orthemis discolor (Burmeister, 1839) é a primeira espécie. O texto descritivo é curioso e revela a observação do inseto no campo. A descrição de Marcgrave na edição brasileira é a seguinte: Inseto que aparece com freqüência nos jardins, bosques e campos, nos meses chuvosos. Tem dois dedos de comprimento, a cabeça como os olhos tem o tamanho 7 É uma aquarela de estilo e qualidade superiores às demais, revelando um outro traço provavelmente de Eckhout. Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 151<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> flrsdwckxziw96i8x2ocahpuo617a1x 561185 561153 2026-09-01T04:15:34Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561185 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição inferior da folha.</div> {{ad|'''749 – Inominada;''' Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; ''Caligo'' sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja ''Caligo beltrao'' (Illiger, 1802) ou ''C. brasiliensis'' (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de “Panamaguaçú”<ref>É uma aquarela de estilo e qualidade superiores às demais, revelando um outro traço provavelmente de Eckhout.</ref>.}} {{ad|'''752 – “Panapanamucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; sua provável representação nos L.P. está na p.133 (v.2), onde a mariposa é denominada de “Panáma”. A aquarela representa um adulto recém-emergido, mas possui elementos que correspondem ao texto descritivo.}} {{ad|'''755 – “Isocucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; Lane (1942), discutindo o termo indígena de Montoya, a denominação correta deve ser “isocuçú”, isto é, lagarta grande. Sua provável representação nos L.P. está na p.110 (v.2), desenhado de um espécime vivo, sobre uma folha digitada, provavelmente de “fruta-pão” (''Artocarpus incisa''), com pelotas escuras de excremento. A lagarta da aquarela é denominada de “Içocobà”.}} {{ad|'''756 – Inominada;''' Lepidoptera; Sphingidae; ''Manduca quinquemaculata'' (Haworth, 1803) provavelmente, uma lagarta do tomateiro. O texto descritivo refere-se a uma lagarta de “cor verde elegante, com pontinhos transversais pretos e linhas brancas, entre duas quaisquer dobras laterais”. Sua provável representação nos L.P. está na p.163, n0 2, (v.1).}} {{ad|'''760 – “Formica”;''' Hymenoptera; Formicidae; ''Atta cephalotes'' (L., 1758), como identifica Lane (1942) referindo-se a Lineu que a descreveu originalmente como ''Formica cephalotes''. Sua provável representação nos L.P. está na p.114, n0 2 (v.2), onde é denominada de “Içaúba”. Esta representação também corresponde à formiga descrita como “Cupia”.}} {{ad|'''769 – “Mberuobi”;''' Diptera; Calliphoridae; ''Cochliomya macellaria'' (Fabricius, 1775), como identifica Nomura (1996, p.278), baseado na descrição que pela cor auriverde é mais provável tratar-se de uma “mosca varejeira”; segundo Lane (1942) seria possível identificá-la como ''Ornidia obesa'' (Fabricius, 1775), um Syrphidae, onde as “quatro asas” do texto, poderiam ser interpretadas como as duas verdadeiras mais as calíptras. Sua provável representação nos L.P. está na p.116 (v.2), na posição inferior da página, onde é denominada de “Mberuobí”.}} {{ad|'''774 – “Jacatinga”;''' Odonata; Libelullidae; ''Orthemis discolor'' (Burmeister, 1839) é a primeira espécie. O texto descritivo é curioso e revela a observação do inseto no campo. A descrição de Marcgrave na edição brasileira é a seguinte:}} Inseto que aparece com freqüência nos jardins, bosques e campos, nos meses chuvosos. Tem dois dedos de comprimento, a cabeça como os olhos tem o tamanho<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> rg8mehicpf8ufs0o3fykbq2fdjb3hi9 Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/12 106 257124 561154 2026-08-31T22:00:05Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de um grão de ervilha e é de forma redonda; os olhos de figura de elipse são muito grandes. A bôca, quando aberta, é bem grande; o lábio inferior ou maxila inferior é bifurcada no meio; a superior é integra. Na bôca, encontra-se quatro dentes falciformes, os dois superiores são mais fortes e guarnecidos cada um de quatro aguilhões; os inferiores só têm um aguilhão, na extremidade. Sôbre a bôca, no alto da cabeça, encontram-se duas prot... 561154 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>de um grão de ervilha e é de forma redonda; os olhos de figura de elipse são muito grandes. A bôca, quando aberta, é bem grande; o lábio inferior ou maxila inferior é bifurcada no meio; a superior é integra. Na bôca, encontra-se quatro dentes falciformes, os dois superiores são mais fortes e guarnecidos cada um de quatro aguilhões; os inferiores só têm um aguilhão, na extremidade. Sôbre a bôca, no alto da cabeça, encontram-se duas protuberâncias pequenas, como se houvesse uma fronte bifurcada, e dois cornichos finíssimos. O tórax e o ventre formam um contínuo de dedo e meio de comprimento, da grossura de uma fava medíocre; ao mesmo se acha anexa uma cauda do comprimento de um dedo e quarto, formada de onze juntas, de uma figura de pirâmide trilateral, curva na extremidade. Junto ao dorso, achamse quatro asas, duas de cada lado, que sempre se acham estendidas lateralmente, quer êste inseto esteja voando, quer assentado. Cada asa mede quase dois dedos de comprimento e, na maior largura, meio dedo; elas constam de uma membrana dura, lustrosa, grisalha, entrecortada de veiazinhas. Cada asa tem, na extremidade, em direção à parte anterior, uma mancha alongada, de um fusco escuro; cada uma também adere ao corpo por meio de uma dupla articulação, como se fosse uma dupla roldana e por isso as traz sempre extensas em linha reta; pode levantá-las para cima ou para baixo, mas não dobrá-las ou voltá-las para trás; quando voa, produz um sussurro. Os olhos são de cor punícea; o resto da cabeça e a cauda são de um vermelho carregado; o tórax e o ventre são também vermelhos carregados com uma mescla de preto e branco; as mesclas são; as pernas são fuscas. Êste inseto procura alimento, pousando nas flores. Os belgas denominam êste inseto, “Een spaensche inffzow”. Êste inseto me parece ser o mesmo descrito e pintado por Scaligero, Hist. Anim. Lib. VI, e declara que é chamado Coroculum pelos adriáticos e Monachettam pelos taurinenses. Êle pensa que êste inseto corresponde ao efêmero de Aristóteles, mas não conseguiu nada de certo dos escritos de Aristóteles. No mês de Julho de 1640 vi inúmeros insetos nos campos da mesma cor do que acima foi descrito, mas com umas manchas redondas e pretas, nas asas, uns também tinham o corpo fusco; alguns, esverdeados. (Marcgrave, 1942, p.254). Esta minuciosa descrição, não deixa dúvidas, tratam-se de exemplares de libélulas (Odonata), tão comuns na Zona da Mata e litorânea do Nordeste, principalmente em Pernambuco, nos “meses chuvosos”, como registra Marcgrave, devido a presença de água no ambiente. A morfologia da cabeça está descrita com muita precisão e também a do abdome, com sua forma de “pirâmide trilateral”. As asas e a coloração fornecem os principais elementos de identificação: assim, o primeiro exemplar descrito, com sua cor de “vermelho carregado”, deve tratar-se de Orthemis discolor (Burmeister, 1839), até hoje comuníssima na região. Sua provável representação nos L.P., está na p.117 (v.2), onde é denominada de “Jaçatína”8. O 8 Muito semelhante a denominações populares deste inseto na Amazônia: “Jacina” ou “Jacinta”, como registradas por Lenko & Papavero (1996) 152 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> t0q985qr636vntj1q1uyornrdz210no 561187 561154 2026-09-01T04:33:02Z Trooper57 24584 /* Revista */ 561187 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>de um grão de ervilha e é de forma redonda; os olhos de figura de elipse são muito grandes. A bôca, quando aberta, é bem grande; o lábio inferior ou maxila inferior é bifurcada no meio; a superior é integra. Na bôca, encontra-se quatro dentes falciformes, os dois superiores são mais fortes e guarnecidos cada um de quatro aguilhões; os inferiores só têm um aguilhão, na extremidade. Sôbre a bôca, no alto da cabeça, encontram-se duas protuberâncias pequenas, como se houvesse uma fronte bifurcada, e dois cornichos finíssimos. O tórax e o ventre formam um contínuo de dedo e meio de comprimento, da grossura de uma fava medíocre; ao mesmo se acha anexa uma cauda do comprimento de um dedo e quarto, formada de onze juntas, de uma figura de pirâmide trilateral, curva na extremidade. Junto ao dorso, achamse quatro asas, duas de cada lado, que sempre se acham estendidas lateralmente, quer êste inseto esteja voando, quer assentado. Cada asa mede quase dois dedos de comprimento e, na maior largura, meio dedo; elas constam de uma membrana dura, lustrosa, grisalha, entrecortada de veiazinhas. Cada asa tem, na extremidade, em direção à parte anterior, uma mancha alongada, de um fusco escuro; cada uma também adere ao corpo por meio de uma dupla articulação, como se fosse uma dupla roldana e por isso as traz sempre extensas em linha reta; pode levantá-las para cima ou para baixo, mas não dobrá-las ou voltá-las para trás; quando voa, produz um sussurro. Os olhos são de cor punícea; o resto da cabeça e a cauda são de um vermelho carregado; o tórax e o ventre são também vermelhos carregados com uma mescla de preto e branco; as mesclas são; as pernas são fuscas. Êste inseto procura alimento, pousando nas flores. Os belgas denominam êste inseto, “Een spaensche inffzow”. Êste inseto me parece ser o mesmo descrito e pintado por Scaligero, Hist. Anim. Lib. VI, e declara que é chamado ''Coroculum'' pelos adriáticos e ''Monachettam'' pelos taurinenses. Êle pensa que êste inseto corresponde ao efêmero de Aristóteles, mas não conseguiu nada de certo dos escritos de Aristóteles. No mês de Julho de 1640 vi inúmeros insetos nos campos da mesma cor do que acima foi descrito, mas com umas manchas redondas e pretas, nas asas, uns também tinham o corpo fusco; alguns, esverdeados. (Marcgrave, 1942, p.254). Esta minuciosa descrição, não deixa dúvidas, tratam-se de exemplares de libélulas (Odonata), tão comuns na Zona da Mata e litorânea do Nordeste, principalmente em Pernambuco, nos “meses chuvosos”, como registra Marcgrave, devido a presença de água no ambiente. A morfologia da cabeça está descrita com muita precisão e também a do abdome, com sua forma de “pirâmide trilateral”. As asas e a coloração fornecem os principais elementos de identificação: assim, o primeiro exemplar descrito, com sua cor de “vermelho carregado”, deve tratar-se de ''Orthemis discolor'' (Burmeister, 1839), até hoje comuníssima na região. Sua provável representação nos L.P., está na p.117 (v.2), onde é denominada de “Jaçatína”<ref>Muito semelhante a denominações populares deste inseto na Amazônia: “Jacina” ou “Jacinta”, como registradas por Lenko & Papavero (1996)</ref>. O<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{rh|152||Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> oecvxnof3cvij6alkgvug45nc17kmw8 Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/13 106 257125 561156 2026-08-31T22:01:21Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: segundo exemplar, que Marcgrave escreve ter observado no campo, em revoada, no mês de julho de 1640, com umas “manchas redondas e pretas, nas asas”, deve tratarse do libelulídeo Erytrodiplax umbrata (Linnaeus, 1758), que possui tais manchas nas asas, quando adultos já maduros, embora que tais manchas sejam, mais precisamente, em forma de barras, à distância do vôo, poderiam ser perfeitamente descritas como arredondadas. 787 – “Manganga... 561156 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>segundo exemplar, que Marcgrave escreve ter observado no campo, em revoada, no mês de julho de 1640, com umas “manchas redondas e pretas, nas asas”, deve tratarse do libelulídeo Erytrodiplax umbrata (Linnaeus, 1758), que possui tais manchas nas asas, quando adultos já maduros, embora que tais manchas sejam, mais precisamente, em forma de barras, à distância do vôo, poderiam ser perfeitamente descritas como arredondadas. 787 – “Mangangai”; Hymenoptera; Xylocopidae; Xylocopa grisenscens Lep., que Nomura (1996, p.281), baseado na descrição, confunde com um coleóptero escarabídeo. Sua provável representação nos L.P. está na p.172 (v.1), onde é denominado de “Mutucúna”. 788 – “Mangagai”; Hymenoptera; Anthophoridae; Centris sp. Nomura (1996: 281), acha que a descrição faz lembrar um mamangava do gênero Bombus (Bombidae). O texto descritivo indica a observação do inseto vivo, em vôo, produzindo um zumbido característico. Sua provável representação nos L.P. está na p.126, n 0 2 (v.2), onde é denominado de “Peroár”. 793 – “Insectum”; Hymenoptera; Xylocopidae; Xylocopinae; Xylocopa frontalis (Olivier, 1789). Outro mamangava, com provável representação nos L.P. na p.169 (v.1), onde é denominado de “Mutúca”. 797 – “Insectum”; Coleoptera; Chrysomelidae: a descrição coincide com o desenho do coleóptero representado nos L.P., à p.164 (v.1) e, curiosamente, também representado por Wagener (1964), na sua figura 85, sob a denominação de “fuqua”, enquanto a aquarela dos L.P. tem a denominação de “Areapé”. O texto descritivo sugere um inseto de pequenas dimensões, pois foi observado por Marcgrave sob uma lupa. 798 – “Insectum”; Blattariae: a descrição possivelmente indique a pequena barata verde representada nos L.P., p.126, n0 3 (v.2). INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS E FIGURADOS NO LIVRO VII, SEM MODELOS NOS LIBRI PRINCIPIS 738 – “Nhandu Guacu”; Arachnida; Araneae; Theraphosidae; Avicularia avicularia (L., 1758), como identifica Lane (1942); Boeseman et al.(1990), comentando a série de desenhos de Leningrado, identifica como Avicularia sp. No texto descritivo Marcgrave registra a sua presença na Ilha de Santo Aleixo, no litoral sul de Pernambuco. A aquarela da p.151 (v.1) dos L.P., onde é denominada corretamente de “Nhandiguaçú”, isto é, aranha grande, não parece ter sido o modelo para a execução da xilogravura. Pois, além da posição dos apêndices ser diferente, as quelíceras não aparecem na xilogravura e a parte terminal do abdome da aranha da aquarela, aparece sem cerdas, enquanto na xilogravura é completamente coberto. A aranha caranguejeira representada em duas posições diferentes na p.60 dos Icones Animalium do Theatrum (Teixeira, 1995), também não serviu de modelo para a xilogravura e por seu estilo e qualidade artística Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 153<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 8lise1hd4zpbvnnvxubnfgs9rreqlcx Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/14 106 257126 561157 2026-08-31T22:01:31Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: superior aos demais desenhos, deve ser de autoria de Eckhout. Esta aranha também é representada por Wagener (1964), prancha 89, porém, com a parte terminal do abdome sem cerdas e com um par de apêndices abdominais 9. Marcgrave, como descreve no texto, chegou a criar destas aranhas em cativeiro, alimentando-as com moscas e outros insetos, observando as suas ecdises. 754 – Inominada; Phasmida; Phasmidae; Cladomorphus phillinus Gray, 1835... 561157 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>superior aos demais desenhos, deve ser de autoria de Eckhout. Esta aranha também é representada por Wagener (1964), prancha 89, porém, com a parte terminal do abdome sem cerdas e com um par de apêndices abdominais 9. Marcgrave, como descreve no texto, chegou a criar destas aranhas em cativeiro, alimentando-as com moscas e outros insetos, observando as suas ecdises. 754 – Inominada; Phasmida; Phasmidae; Cladomorphus phillinus Gray, 1835, como identificam Boeseman et al. (1990); segundo Lane (1942), é possivelmente uma espécie de Phibalosoma. Não há modelo ou representação deste inseto nos L.P. A aquarela da p.61 dos Icones Animalius do Theatrum (Teixeira, 1995), certamente não serviu de modelo para a xilogravura, pois a posição dos apêndices é completamente diferente. No texto descritivo, Marcgrave confunde o ovipositor da fêmea com um aguilhão e anuncia que o inseto era capaz de picar. 766 – “Enembiu”; Coleoptera; Chrysomelidae; Eumolpinae; Eumolpus ignitus (Fabricius, 1787); Nomura (1996, p.278) opina tratar-se do buprestídeo Euchroma gigantea (L., 1758). Entretanto, a própria descrição e a xilogravura não correspondem a tal identificação: Marcgrave afirma as “asas duras e lisas” e não com élitros pontuados, carenados ou rugosos, como ocorre em Buprestidae. As cores descritas por Marcgrave: o pronoto cor de “safira polida” e as asas (élitros) “verdes com áureo brilho notável”, a forma do inseto da xilogravura, correspondem a este belo crisomelídeo. A xilogravura apresenta a presença de um par extranumerário de apêndices abdominais que não existe no inseto. 767 – “Ambua”; Lepidoptera; Hemileucidae (larva); Automeris sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.278), vai mais longe e identifica a espécie Automeris illustris (Walker, 1855), conhecido o adulto como “olho-de pavãoalaranjado”. Entretanto, não há registros na literatura desta espécie em folhas de jurubeba (Solanum paniculatum), como é geralmente encontrada em Pernambuco e o texto menciona “Jurupeba”. A lagarta representada na aquarela da p.118 (v.2) dos L.P., denominada de “Inajaaçóca”, parece não ter sido o modelo da xilogravura: o texto registra que as cerdas venenosas são de cor verde e o corpo “muito preto”10. 779 – “Insectum”; Hemiptera (forma jovem): a descrição refere-se a presença de quatro “asas tênues”, que sugerem as tecas alares e ao mau cheiro exalado, semelhante ao “Geepe”, do odor da substância exalada pelas glândulas dos percevejos. 9 De acordo com Mello (1986, p.100), o desenho desta aranha consta da obra de Laet na edição de 1630, que por sua vez foi retirada de Clúsio, da sua obra póstuma Curae Posteriores, que por sua vez, recebeu o desenho de um certo Jan van Uffele que a desenhou de um exemplar observado na Bahia em fins do século XVI. Whitehead (1979: 437) também afirma que, o desenho da caranguejeira foi tirado da obra de Clusius por Laet, para servir de modelo da xilogravura do Livro VII. 10 Wagener (1964, prancha 90 a) parece ter também representado esta lagarta, tanto na figura, quanto na descrição, quando se refere a “lagarta verde”. 154 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> bhfkcfqwwywld56cc14bwxewveciq3n Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/15 106 257127 561158 2026-08-31T22:01:35Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 780 – “Insectum”; Hymenoptera; Mutiliidae: tanto a xilogravura, quanto a descrição parecem indicar uma “formiga feiticeira”, cujas fêmeas são ápteras e vivem como predadoras de outros insetos. Marcgrave observou o inseto em atividade no solo: “currit super terram ut araneus terrestris” (Marcgravi, 1648). 782 – “Guaracu Eremembi”; Homoptera; Cicadidae; Carineta fasciculata (Germar, 1820) como Lane (1942) achou possível identificar. N... 561158 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>780 – “Insectum”; Hymenoptera; Mutiliidae: tanto a xilogravura, quanto a descrição parecem indicar uma “formiga feiticeira”, cujas fêmeas são ápteras e vivem como predadoras de outros insetos. Marcgrave observou o inseto em atividade no solo: “currit super terram ut araneus terrestris” (Marcgravi, 1648). 782 – “Guaracu Eremembi”; Homoptera; Cicadidae; Carineta fasciculata (Germar, 1820) como Lane (1942) achou possível identificar. Não há representação desta cigarra nos L.P. e, certamente, a pequena cigarra, denominada de “Jacurandí”, representada na p.114, n0 3 (v.2), não serviu de modelo para a xilogravura. Por outro lado, a cigarra representada na p.63 dos Icones Animalium do Theatrum (Teixeira, 1995), embora denominada de “Guaraçueremembi”, é muito diferente da xilogravura que apresenta ainda, uma figura suplementar esquemática da cabeça e rostro da cigarra. O texto descritivo original revela a observação das cigarras no campo, quando reproduz o seu “canto” e a crença popular sobre a morte das cigarras de tanto “cantar”, confundindo as exúvias encontradas nos troncos das árvores, com o corpo dos adultos alados. 783 – “Nhatiu”; Muriçoca ou pernilongo macho; Diptera; Culicidae; Culex sp., como identifica Lane (1942). O texto descritivo e a xilogravura são bastante precisos e revelam a experiência de noites insones, pelo tormento causado por estes insetos, além do método popular, até hoje usado na região, para afugentá-los, queimandose esterco de gado. Por outro lado, este texto e, particularmente, a xilogravura são da maior importância, na medida em que se constituem no único desenho e texto da obra, onde Marcgrave sugere a sua autoria, usando um instrumento ótico de aumento11. Na nota correspondente, Laet cita outros dípteros importunos do Novo Mundo, inclusive os famigerados maruins, não mencionados por Marcgrave, mas bem comentados por Piso (1948), como um dos piores incômodos da região. É estranho que Marcgrave não os tenha mencionado, pois estes insetos são os mais referenciados tormentos dos cronistas coloniais. 786 – “Apeare”; forma jovem de percevejo; Hemiptera: no texto descritivo há referência ao odor de percevejo (“geepe”) e a descrição morfológica corresponde a uma ninfa destes hemípteros. 789 – “Forcipula”; Dermaptera; Pygidicranidae; Pygidicrana v-nigrum Serville, 1831, como identifica Lane (1942), frequente na Bahia. Em Pernambuco, os insetos desta ordem são conhecidos como “lacrainhas” ou “tesourinhas” e geralmente temidos pelo povo, pela presença das suas pinças. 790 – “Milipede”; Diplopoda: conhecido na região como “imbuá”. 11 A principal questão é: por que este desenho não está representado na iconografia? Como já desconfiava Whitehead (1979), que talvez tenha havido uma outra série de desenhos não coloridos que serviram de modelos para as xilogravuras. Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 155<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> mvahnkt879sdfxkwu9h0ae67tzva1ia Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/16 106 257128 561159 2026-08-31T22:01:42Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO FIGURADOS NO LIVRO VII, SEM MODELOS OU REPRESENTAÇÕES NOS LIBRI PRINCIPIS 730 – “Jatebucu”; carrapato-estrela; Arachnida; Acarina; Ixodidae; Amblyoma cajennense (Fabricius, 1787), como identifica Lane (1942). O texto descritivo é interessante e revela uma desagradável experiência de Marcgrave que teve o seu corpo infestado por estes carrapatos12. 731 – “Tucuracu”; Orthoptera; Romaleidae; R... 561159 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>INSETOS E OUTROS ARTRÓPODOS DESCRITOS, MAS NÃO FIGURADOS NO LIVRO VII, SEM MODELOS OU REPRESENTAÇÕES NOS LIBRI PRINCIPIS 730 – “Jatebucu”; carrapato-estrela; Arachnida; Acarina; Ixodidae; Amblyoma cajennense (Fabricius, 1787), como identifica Lane (1942). O texto descritivo é interessante e revela uma desagradável experiência de Marcgrave que teve o seu corpo infestado por estes carrapatos12. 731 – “Tucuracu”; Orthoptera; Romaleidae; Romaleinae; Tropidacris cristata (Linnaeus, 1758); segundo Lane (1942), trata-se de Tropidacris collaris (Stoll, 1813) e Nomura (1996, p.273), concorda com a identificação de Lane, e também acha que se trata de T. collaris. Marcgrave fez a seguinte descrição deste gafanhoto: Locusta do comprimento de quatro dedos, com seis pernas, duas das quais, junto ao pescoço, são as mais curtas, medindo cada uma dedo e meio ou um pouco mais de comprimento. As duas pernas médias são um pouco mais longas e as duas posteriores são as mais longas de tôdas, isto é, medem quatro dedos e são voltadas para trás; com elas dá o salto; cada uma consta de três articulações. Os pés quase se assemelham à unha do cavalo e têm duas pequenas unhas laterais; as pernas posteriores são mais grossas e a última metade delas é alternadamente dotada de dentinhos agudos, numa dupla série. Quatro são as asas, do comprimento de mais de três dedos; as exteriores têm mais de meio dedo de largura e com elas êle cobre as duas interiores, que são dobradas em três partes e da largura de quase dedo e meio. A cabeça é quase equina; os olhos são dois, salientes; a figura é oval; a barba como a do caranguejo é do comprimento de dedo e meio. No pescoço achase um tegumento, semelhante ao capuz dos monjes, descido da cabeça e enrugado. O ventre consta de oito secções; o corpo é verde; na parte inferior e no dorso é de côr vermelha. O capuz e a cabeça são de côr verde clara; assim também são a barba e duas pernas dianteiras; os outros dois pares de perna são verdes, mas marchetados de branco e fusco; os pés são vermelhos. Os olhos tem a côr do lapis Bezoar. A côr das asas exteriores é cinzenta com mescla de muito vermelho à semelhança da flor “myagre”, entrecortado de veiazinhas; as asas interiores são manchadas de uns quadrinhos vermelhos carregado, preto, cinzento e verde. A força dos gafanhotos acha-se colocada, nas pernas posteriores; à semelhança dos gatos, costumam preparar a cabeça e a barba com as pernas da frente. (Marcgrave, 1942, p.245). A descrição acima é de uma notável precisão e revela a observação do inseto vivo, no seu ambiente. As suas medições em dedos oferecem um relativo grau de exatidão. Provavelmente, o espécime que usou para a sua descrição era um 12 No final, pela primeira vez questiona o conceito de geração espontânea de Aristóteles em relação a estes artrópodos. 156 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 3y10ttrciqi4rgfjmbbjf02mimptstu Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/17 106 257129 561160 2026-08-31T22:01:46Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: macho, que em Tropidacris, varia em comprimento de 5 a 7 cm, o que equivale ao dos dedos indicador, médio, anular e mínimo, unidos entre si, “quatro dedos”, como afirma Marcgrave. A descrição das pernas é muito fiel, sobretudo a das posteriores, de função saltatória. A dos “pés” corresponde ao pós-tarso e a estrutura semelhante à “unha de cavalo” é o arólio, com as suas duas garras laterais adjacentes. A descrição da cabeça, aprese... 561160 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>macho, que em Tropidacris, varia em comprimento de 5 a 7 cm, o que equivale ao dos dedos indicador, médio, anular e mínimo, unidos entre si, “quatro dedos”, como afirma Marcgrave. A descrição das pernas é muito fiel, sobretudo a das posteriores, de função saltatória. A dos “pés” corresponde ao pós-tarso e a estrutura semelhante à “unha de cavalo” é o arólio, com as suas duas garras laterais adjacentes. A descrição da cabeça, apresenta aspectos problemáticos: como a sua forma “quase equina”, distante da realidade, subglobosa; a “barba como a do caranguejo” deve corresponder aos palpos maxilares e labiais, mas nunca tão longos (“dedo e meio”) como citados. A região denominada de “pescoço”, corresponde ao pronoto, com a carena média sulcada perpendicularmente, fielmente descrito como um “capuz dos monjes, descido da cabeça”, sobre este aspecto, Pinto citado por Lenko & Papavero (1996), comenta que os índios davam aos frades franciscanos a denominação de “tucura”, pela semelhança dos seus capuzes com o protórax dos gafanhotos. A cor dos olhos compostos está muito fiel com a da pedra Bezoar, e não do “lápis”, como está na edição brasileira. Um dos aspectos decisivos da identificação deste gafanhoto é o da coloração das asas posteriores, que diferencia, entre outros aspectos, duas espécies brasileiras de Tropidacris. Segundo Duranton & Launois (1987): T. collaris possui as asas posteriores de uma coloração azul-esverdeada; enquanto, T. cristata, apresenta-as com uma coloração vermelho-vinho, franjadas de preto e pontilhadas de manchas escuras. Ora, esta coloração corresponde seguramente com a de Marcgrave: “as asas interiores são manchadas de uns quadrinhos vermelhos carregado, preto, cinzento e verde” e não de coloração azul-esverdeada, como em T. collaris. Trata-se, portanto, de um exemplar macho, adulto, de Tropidacris cristata (Linnaeus, 1758)13. O outro gafanhoto de “cor fusca”, sumariamente descrito no texto, pode tratar-se de uma espécie de Schistocerca (Acrididae). 739 – “Nhamdui”; Arachnida; Araneae; Argiopidae; Micrathena difissa (Walckenaer, 1767), como identifica Nomura (1996, p.272) baseado em Boeseman et al. Segundo Lane (1942) seria provavelmente Gasterocantha cancriformes (L., 1767). 745 – “Tunga”; Suctoria; Tungidae; Tunga penetrans (L., 1758): com um texto descritivo curto e conciso, consegue Marcgrave descrever o conhecido “bicho- 13 Seguramente, este é o primeiro assinalamento dessa espécie para o Nordeste, já que esta, tem uma distribuição geográfica ao Norte do Brasil, nos Estados do Amazonas, Pará, Rondônia e Mato Grosso. Entretanto, nos dias atuais, já ocorreu assinalamento da presença dessa espécie no Município de Moreno, Pernambuco, atribuída pelos autores a causas acidentais (Hora & Almeida, 1994). Conclui-se, portanto, que a área de distribuição geográfica da espécie, há séculos atrás, era muito mais ampla do que é hoje. Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 157<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 4wc1gnoaao71v5s7jcab11j300eoyyq Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/18 106 257130 561161 2026-08-31T22:01:51Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: de-pé”, um dos insetos daninhos mais referenciados pelos nossos cronistas coloniais14. 747 – “Panama”; Lepidoptera: o texto descritivo é muito confuso e sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) opina tratar-se de um representante da família Ithomiidae. 748 – Inominados; Lepidoptera; Pieridae: o texto descritivo cita algumas espécies de pierídeos, sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) acha que são exemplares d... 561161 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>de-pé”, um dos insetos daninhos mais referenciados pelos nossos cronistas coloniais14. 747 – “Panama”; Lepidoptera: o texto descritivo é muito confuso e sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) opina tratar-se de um representante da família Ithomiidae. 748 – Inominados; Lepidoptera; Pieridae: o texto descritivo cita algumas espécies de pierídeos, sem elementos de identificação. Nomura (1996, p.275) acha que são exemplares de Ascia monuste (L., 1764). 750 – Inominado; Lepidoptera; Heliconiidae; Dione juno juno (Cramer, 1782), como identificada por Lane (1942), muito mais pelas informações sobre a biologia desta praga do maracujàzeiro (Passiflora edulis), do que pela morfologia descrita no texto. O texto de Marcgrave descreve minuciosamente todo o desenvolvimento pós-embrionário do inseto, por ele observado no horto do palácio de Nassau: No jardim de Maurício, em dezembro de 1640; elas [as lagartas] consumiram a máxima parte das fôlhas de maracujá e puseram inúmeros ovos, das quais provieram as lagartas e em seguida as borboletas. Sobre as fôlhas do maracujá põem ovos lúteos, do tamanho da papoula menor, os quais ficam aderentes às fôlhas; dêstes ovos procedem lagartas de côr hepática, que crescem até terem a grossura de uma pena de pato. Estas lagartas tem uns aguilhões pretos pelo corpo; a cabeça é preta bicornuda; pelo corpo se acham espalhadas uns pontos quase vermelhos. Estas lagartas consomem as fôlhas do maracujá e ao morrer se revestem de uma pele grisalha ou uma bolsinha, que se abre, depois de um certo tempo, e daí procedem as borboletas de asas. (Marcgrave, 1942, p.250). Como se vê, Marcgrave tinha um claro conhecimento da metamorfose completa das borboletas. Por que então não concluiu que muitas das suas lagartas descritas, seriam formas jovens de lepidópteros, no lugar de descrevê-las como “vermes”, ou como se fossem outros “insetos”? 751 – Inominada; Lepidoptera; Uraniidae; Urania leilus (L., 1758), como identifica Lane (1942). Uma das mais exatas descrições de Marcgrave. Um fato interessante é que esta borboleta está representada na obra de Wagener (1964, prancha 88) e também nos Icones Volatilium (t.IV, p.171) do Theatrum (Teixeira, 1995), onde é representada junto a um periquito (Tujete). Entretanto, não há nenhuma representação desta borboleta nos L.P. 757 – “Isocu”; Lepidoptera; Saturniidae (pupa); segundo Lane (1942) é possível que se trate de uma espécie de Rothschildia; Nomura (1996, p.277) adianta que pode ser R. aurota (Cramer, 1775), conhecida como “espelho”. No texto descritivo, Marcgrave afirma que criou este inseto num vidro, observando a excreção de um líquido escuro durante sua transformação. 14 Constituia-se num dos principais tormentos relatados pelos colonizadores nas regiões costeiras do Brasil. Marcgrave descreve também o seu mais usado processo de extração e tratamento. 158 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> csv2k9tqcp9u9k1tdf9460mitfws07v Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/19 106 257131 561162 2026-08-31T22:01:56Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 758 – Inominados; larvas de Lepidoptera: 3 lagartas de lepidópteros são mencionadas, sem elementos de identificação. 759 – Inominado; Hymenoptera; Formicidae; Atta sexdens sexdens (L., 1758), como identifica Nomura (1996, p.277). O texto de Marcgrave refere-se a uma formiga voadora, conhecida na região como “tanajura” 15.. Nos L.P. e no Theatrum, não há nenhum desenho desta formiga, encontrada, entretanto, em Wagener (1964, no alto à d... 561162 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>758 – Inominados; larvas de Lepidoptera: 3 lagartas de lepidópteros são mencionadas, sem elementos de identificação. 759 – Inominado; Hymenoptera; Formicidae; Atta sexdens sexdens (L., 1758), como identifica Nomura (1996, p.277). O texto de Marcgrave refere-se a uma formiga voadora, conhecida na região como “tanajura” 15.. Nos L.P. e no Theatrum, não há nenhum desenho desta formiga, encontrada, entretanto, em Wagener (1964, no alto à direita da prancha 86). Se Wagener, como afirmam os autores, deve ter feito cópias dos seus desenhos nos de Marcgrave e Eckhout, onde teria copiado o desta formiga ? 761 – “Tapiiai”; Hymenoptera; Formicidae; Ponerinae; Cryptocerus atratus (L., 1758), como identifica Lane (1942), relatando que Lineu baseou-se nessa descrição para classificar a sua Formica atrata; Nomura (1996, p.277), baseado em Buzzi, pela denominação “tapiai”, identifica Termitopone marginata (Roger, 1861). 762 – “Cupia”; Hymenoptera; Formicidae; Atta sp.; Nomura (1996, p.277), opina ser uma espécie de cupim (Termitidae). Entretanto, pela cor e forma da cabeça, citadas na descrição, deve ser uma saúva. 764 – “Milípede”; Thysanura; Lepismatidae; Nomura (1996, p.277) acha que, tanto pode ser Acrotelsa collaris (Fabricius, 1793) como Ctenolepisma ciliata (Dufour, 1831): a descrição é muito clara de uma traça de livros. Entretanto, acredita-se não haver elementos para uma identificação específica. 770 – Inominada; Diptera; Tephritidae; Nomura (1996, p.278) acredita ser uma espécie de Eristalis (Syrphidae). Entretanto, o “processo tibeiforme” na parte posterior do corpo, pode ser interpretado como um ovipositor de uma mosca-das-frutas. 771 – Inominados; Diptera; Tabanidae; segundo Lane (1942) deve ser uma espécie de Chrysopus16. 772 – Inominado; Diptera; Tabanidae; Tabanus sp.: embora Marcgrave registre a existência de quatro asas, a descrição coincide com exemplares de mutucas de maior tamanho que os anteriores. 776 – “Insectum volans”: Marcgrave faz a seguinte descrição deste inseto: A descrição, embora detalhada, é confusa e não oferece elementos de identificação, nem dos taxa superiores. 791 – “Scarabeus”; Coleoptera; Chrysomelidae; Hispinae; Coraliomela brunnea (Thunberg, 1821), provavelmente; Nomura (1996, p.281) acha que deve ser uma cochonilha-vermelha, Pulvinaria vitis (L., 1758), (Homoptera, Coccidae). 15 Marcgrave registra a entomofagia dos negros, mas nada escreve sobre os indígenas, onde este hábito era mais comum e até hoje praticado, durante as revoadas de tanajuras, logo após a ocorrência das primeiras chuvas do ano. 16 Moscas assinaladas por Marcgrave como ocorrentes em Camaragibe e Trapussú (e não “Taprassú” como está escrito na edição brasileira de 1942, que deve ser o rio Tapiruçú, no atual município de Serinhaém, PE). Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 159<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> tlz0mbmucznzxbx17gvvwdbmhg3mzax Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/20 106 257132 561163 2026-08-31T22:02:01Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Entretanto, o texto descritivo sugere uma “barata-do-coqueiro”, tendo a cor geral “vermelha carregada; olhos e cornichos pretos”. 792 – “Locusta”; Orthoptera; Romaleidae; Romaleinae; Xestotrachelus robustus (Bruner, 1913); Nomura (1996, p.281) afirma com segurança que se trata de Elaeochlora trilineata (Serville, 1839). Entretanto, não se conhece nenhuma espécie de Elaeochlora com a coloração preta lustrosa, principalmente a espécie ci... 561163 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>Entretanto, o texto descritivo sugere uma “barata-do-coqueiro”, tendo a cor geral “vermelha carregada; olhos e cornichos pretos”. 792 – “Locusta”; Orthoptera; Romaleidae; Romaleinae; Xestotrachelus robustus (Bruner, 1913); Nomura (1996, p.281) afirma com segurança que se trata de Elaeochlora trilineata (Serville, 1839). Entretanto, não se conhece nenhuma espécie de Elaeochlora com a coloração preta lustrosa, principalmente a espécie citada, que é predominantemente de coloração verde. Marcgrave faz a seguinte descrição deste gafanhoto: Encontra-se aquí também um de côr preta lustrosa, com a cabeça cortada de linhas de côr do cinábrio; as pernas são também pretas sombreadas de cinábrio; na extremidade de seu invólucro, encontra-se uma linha branca em lugar de fímbria; rodeam a secção posterior umas linhas circulares amarelas; nas asas pretas, achase uma fímbria de côr cinábria (Marcgrave, 1942, p.258). Tal descrição poderia ser confundida com ninfas do último estádio de Tropidacris spp., Porém Marcgrave refere-se a presença de “asas pretas”, o que não poderiam ser confundidas com os rudimentos alares das ninfas. A espécie identificada tem a sua distribuição geográfica do Maranhão à Bahia (Roberts & Carbonell, 1982). No Nordeste brasileiro, tem muita proximidade com o gênero Chromacris, cujas espécies são mais comuns, atualmente, no Nordeste, principalmente C. speciosa17. 794 – “Memoa”; Coleoptera; Elateridae; Pyrophorus sp.; Apesar de Nomura (1996, p.282) identificar como Chalcolepidius zonatus Eschscholtz, 1829, que é um elaterídeo, mas não possui órgãos bioluminescentes. Marcgrave faz a seguinte descrição desse pirilampo, seguida do comentário de Laet 18: Caracol do tamanho apenas de um grão da semente dos melões ou pepinos com o corpo oblongo. A cabeça é mínima; os olhinhos, pretos e lustrosos com duas proeminências como cabelos, junto da bôca. A primeira secção do corpo do tamanho de meio grão de cânhamo, cortado pelo meio, tem de um e outro lado uma mancha redonda, do tamanho de uma semente de papoula, branco e lustroso. Por estas manchas emite de noite e de dia uma luz e faz estas manchas, quando quer, de uma côr verde-mar, brilhante, espargindo através dela um clarão, como o fogo, de noite e de dia. Depois dêstes focos de luz, acha-se um cornicho 17 A chave para a compreensão da descrição marcgraviana foi a da cor do “cinábrio”, que segundo Calvet (1934), corresponde a coloração vermelha escarlate do sulfeto de mercúrio (AgS). 18 Nota de Laet. Fizemos menção dêste inseto na descrição da Índia Ocidental, lib.I, cap. 4 conforme estas palavras. Não merece fé o que narra Oviedo e outros acêrca do Cucuyo, do gênero dos escarabeus, isto é, que emite tanta luz através dos olhos e lados, donde procedem as asas, que dissipa como lâmpadas as trevas da noite, e dão aos homens a possibilidade de ler ou escrever. Dizem também que os indígenas da América Espanhola usavam dêste inseto como meio de iluminação e até de afugentar ao Níguas, espécie de mosquitos molestíssimos. (Laet, 1942, p.258). 160 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> qsqb61rnhyu2u267jhlczj1mckj3xvl Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/21 106 257133 561164 2026-08-31T22:02:12Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: amarelado, inclinado para a parte posterior; as asas são duas; as pernas seis, finas, com três juntas; todo o inseto é de côr castanha escura. Por meio de um vidro de aumento, observei dois fios de barba, cada qual composto de quatorze partículas; observa-se também que cada pé tem quatro dedos, as pernas são pontudas e peludas, como no touro volante e, junto da bôca, acham-se quatro tenazes. (Marcgrave, 1942, p.258). Outra exata descri... 561164 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>amarelado, inclinado para a parte posterior; as asas são duas; as pernas seis, finas, com três juntas; todo o inseto é de côr castanha escura. Por meio de um vidro de aumento, observei dois fios de barba, cada qual composto de quatorze partículas; observa-se também que cada pé tem quatro dedos, as pernas são pontudas e peludas, como no touro volante e, junto da bôca, acham-se quatro tenazes. (Marcgrave, 1942, p.258). Outra exata descrição de Marcgrave, complementada pelo comentário de Laet, que não deixa dúvidas, trata-se de um pirilampo, coleóptero elaterídeo do gênero Pyrophorus Bilberg, 1820 (segundo Costa Lima, 1953) 19. Nesta descrição, destacam-se os seguintes aspectos: sobre a forma do pronoto, denominado de “primeira secção”, como um “grão de cânhamo cortado pelo meio” , o que se constitui numa analogia muito exata; a descrição dos órgãos luminosos, situados de cada lado da base do pronoto, “do tamanho de uma semente de papoula” , que corresponde ao aspecto exato da macula vesicularis, inclusive com a sua coloração branco-amarelada; refere-se muito precisamente também ao fenômeno da luminescência apresentado por esses elaterídeos20. 796 – “Insectum”; Coleoptera; Coccinelidae; apesar de Nomura (1996, p.282) achar que é um crisomelídeo, este inseto descrito como quase imperceptível por Marcgrave, preto lustroso, redondo, “coberto por uma casca”, examinado através de lupa, está mais para uma joaninha. A numeração correta deste inseto é 796 e não 795, como está na edição brasileira de 1942. 799 a 804 – “Kitshaara, Kitshagk, Heubig, Atshoy, Ehenhe, Benatshy”; Hymenoptera; Apidae; Meliponinae21: ASPECTOS CONCLUSIVOS Como objetivo geral do presente trabalho, tentou-se fazer a comparação e análise de duas obras históricas que contém textos e figuras de insetos e outros artrópodos terrestres que, presumivelmente, são de autoria de Marcgrave: o Livro VII do “História das coisas naturais do Brasil” e os dois volumes dos Libri Principis. 19 Deixa-se de entender a denominação de “caracol” dada a este inseto na abertura do texto, Marcgrave seguramente, não iria cometer este engano; muito provavelmente, deve tratar-se de um erro de tradução, já que a forma, tamanho e hábitos do inseto, estão corretamente descritos. 20 Destaca-se, mais uma vez, a referência ao uso de um “vidro de aumento” para examinar o inseto, que deveria ser uma espécie de lupa manual. 21 Estas abelhas nativas não foram descritas e nem citadas por Marcgrave e sim por Laet, com base em informação dos tapuias coletadas por Jacob Rabbi. Do ponto de vista benéfico e utilitário, estes insetos são os mais referenciados pelos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII e também por Piso, que descreve os hábitos e utilidade de um bom número de abelhas nativas. Por que estes insetos, tão comuns no Nordeste brasileiro, não teriam chamado a atenção de Marcgrave ? Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 161<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 12c4j35p6456tea7rjcrsj1cnhubpfd Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/22 106 257134 561165 2026-08-31T22:02:53Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O Livro VII trata de 75 exemplares, entre os quais, 65 são insetos propriamente ditos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 figuras (xilogravuras) no texto, entre as quais, 23 representam insetos e apenas 6 outros artrópodos terrestres. Nos L.P., praticamente não há textos descritivos, existem rápidas anotações de aspectos curiosos sobre os animais, feitas por um leigo, que, historicamente, são atribuídas ao próprio Nassau, já... 561165 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>O Livro VII trata de 75 exemplares, entre os quais, 65 são insetos propriamente ditos e 12 outros artrópodos terrestres. Existem 29 figuras (xilogravuras) no texto, entre as quais, 23 representam insetos e apenas 6 outros artrópodos terrestres. Nos L.P., praticamente não há textos descritivos, existem rápidas anotações de aspectos curiosos sobre os animais, feitas por um leigo, que, historicamente, são atribuídas ao próprio Nassau, já que presumivelmente, foram feitos para seu uso e entretenimento. Nos L.P. existem 58 aquarelas e desenhos de insetos e outros artrópodos terrestres22. Tendo-se como hipótese a grande probabilidade de que os desenhos e aquarelas tenham sido feitos no Brasil e certo que as xilogravuras foram elaboradas na Holanda, por ocasião da publicação da Historia naturalis Brasiliae, em 1648 e de que as primeiras serviram de modelos para as segundas, de acordo com a nossa análise: apenas 18 “insetos” são descritos e figurados no Livro VII com possíveis modelos nos L.P.; 17 são descritos, mas não são figurados, porém, existem possíveis representações destes nos L.P., totalizando 35 relacionamentos; 11 são descritos e figurados no Livro VII e não possuem modelos ou representações nos L.P.; 29 são descritos e não figurados e não possuem modelos ou representações nos L.P., totalizando 40 exemplares e, finalmente, 23 aquarelas são exclusivas dos L.P. e não existem no Livro VII. Se as primeiras serviram de referência para as segundas, como explicar a ocorrência de 11 exemplares descritos e figurados no Livro VII, sem modelos ou representações nos L.P.? Como explicar a existência de 23 aquarelas exclusivas dos L.P. que nada tem a ver com o Livro VII ? Do ponto de vista iconográfico, o exame das reproduções das aquarelas dos Libri Principis indica que há um considerável número de desenhos que possui um mesmo estilo simplificado e padrão esquemático que devem ser de autoria de Marcgrave, como ele mesmo declarou numa de suas cartas escritas em português (Whitehead, 1979, p.434). Entretanto, existem algumas aquarelas que possuem um estilo diferente das demais, mais sofisticado, como elevado padrão de qualidades artísticas, nas proporções das figuras, na elegância do traço, no sombreamento e uso de cores. Características observadas, por exemplo, nas figuras dos insetos: “Panamaguaçú”; “Quijitinga”; “Panamá”; “Panáme”; “Cacicacyguaçú” e “Tataurána”, que provavelmente sejam da autoria de Albert Eckhout. Quando as xilogravuras do Livro VII são comparadas com as reproduções das aquarelas dos Libri Principis, torna-se evidente que, embora alguns insetos e outros artrópodos tenham seus possíveis modelos ou representações daí, não são 22 Reproduções de aquarelas de um conjunto de 22 insetos e um aracnídeo são apresentadas nos L.P. que não existem no Livro VII, cujas figuras, identificações e comentários são tratadas por Almeida & Carvalho (2002). 162 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> pulny68hc8vnesdcjg03wrfnw9qglif Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/23 106 257135 561166 2026-08-31T22:05:04Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: exatamente as aquarelas que serviram de fonte para a elaboração das xilogravuras. Pois, é improvável que algumas das xilogravuras tenham sido copiadas das aquarelas, pela presença de algumas discrepâncias nas minúcias e orientação das figuras, cujo gravador não teria condições de criar por fantasia ou imaginação. Enfim, tratam-se dos mesmos “insetos”, mas não dos seus respectivos modelos, como afirmam Boeseman et al. (1990), estudando... 561166 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>exatamente as aquarelas que serviram de fonte para a elaboração das xilogravuras. Pois, é improvável que algumas das xilogravuras tenham sido copiadas das aquarelas, pela presença de algumas discrepâncias nas minúcias e orientação das figuras, cujo gravador não teria condições de criar por fantasia ou imaginação. Enfim, tratam-se dos mesmos “insetos”, mas não dos seus respectivos modelos, como afirmam Boeseman et al. (1990), estudando os desenhos de Lenigrado, para quem as xilogravuras foram baseadas em desenhos anteriores ou traçados subsequentes às pinturas e desenhos feitos por Eckhout, Wagener e pelo próprio Marcgrave. Horkel, citado pelos mesmos autores, acreditava que os originais dos desenhos foram realizados com base em esboços de campo e que os L.P. haviam sido feitos na Holanda, entre 1644 e 1645, baseados em cópias dos originais de Marcgrave. A hipótese de que as aquarelas não tenham servido de fonte para as xilogravuras, foi levantada pela primeira vez por Whitehead (1979) quando achou plausível que estas, poderiam ter sido baseadas em esboços feitos a lápis. Esta hipótese também é compartilhada por Albertim (1985). Consequentemente, pelo menos em relação aos insetos, é possível concluirse que foi numa outra série de desenhos não coloridos que os gravadores de Hackium-Elzevirium basearam-se para a confecção das xilogravuras. Daí se compreende a dificuldade do organizador da Historia naturalis Brasiliae em escolher os desenhos correspondentes a cada texto descritivo, que, algumas vezes, mostram notáveis discrepâncias, revelando a pressa com que foram organizadas por Laet, para dar conta da tarefa designada por Nassau. Nota-se que alguns grupos, desde muito reconhecidos pelos naturalistas quinhentistas, como naturais e facilmente identificáveis, como o dos coleópteros e lepidópteros, por exemplo, estão baralhados no Livro VII. Outros, com as designações indígenas estropiadas, em relação às das aquarelas, quase sempre corretamente grafadas. Algumas figuras foram importadas de outros autores, como no caso mais flagrante, da aranha caranguejeira de Clusius, além do caso mais evidente da virtual autoria de Marcgrave do desenho do mosquito “Nhatiu”, que não existe nas representações das aquarelas dos L.P., bem como 11 xilogravuras de insetos e outros artrópodos que, seguramente, não possuem modelos ou representações nos L.P. Em relação ao conteúdo dos textos descritivos, o que mais chama a atenção é que Marcgrave não tenha reconhecido algumas lagartas que descreveu e desenhou como larvas de lepidópteros. Pois se ele mesmo descreveu a metamorfose completa da lagarta do maracujazeiro, chegando mesmo a criar crisálidas em cativeiro, como não identificar as suas lagartas como estádios jovens de borboletas e denominá-las de “vermes”? Quanto à representação geral dos insetos e outros artrópodos no Livro VII e também nos L.P., constitui-se numa reduzida amostra da rica e diversificada entomofauna nordestina, mesmo para os dias atuais, quando grande parte dos nossos ecossistemas naturais foi ou está sendo devastada. Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p.141-166, jan./jun. 2008. 163<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> ctt040frsmx7riuejj95fgf8jdu2nc1 Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/25 106 257136 561167 2026-08-31T22:05:11Z Trooper57 24584 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: LICHTENSTEIN, M.H.K. Estudo crítico dos trabalhos de Marcgrave e Piso sobre a história natural do Brasil à luz dos desenhos originais. São Paulo: Brasiliensia Documenta, 1961. MARCGRAVI, G. Historiae rerum naturalium Brasiliae, libro octo Cum appendice de Tapuys et Chilensibus. Ioannes de Laet, Antverpianus, In ordinem digessit & annotationes addit multas, & Varia ab auctore omissa supplevit & illustravit. In: PISONIS, G & MARCGRAVI, G... 561167 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>LICHTENSTEIN, M.H.K. Estudo crítico dos trabalhos de Marcgrave e Piso sobre a história natural do Brasil à luz dos desenhos originais. São Paulo: Brasiliensia Documenta, 1961. MARCGRAVI, G. Historiae rerum naturalium Brasiliae, libro octo Cum appendice de Tapuys et Chilensibus. Ioannes de Laet, Antverpianus, In ordinem digessit & annotationes addit multas, & Varia ab auctore omissa supplevit & illustravit. In: PISONIS, G & MARCGRAVI, G.. Historia Naturalis Brasiliae, asspicio et beneficio Ilustras I. Maritii Com. Nassau. Issius provinciae et Maris summi praefecti adornata in qua non tantum plantae et animalia sed et indiginarum morbi, ingenia et mores describuntur et iconibus scipta quingentas illustrantus. Lundunum Batavorum & Amstelodami: Franciscum Hackium & Lud Elizevirium, 1648. MARCGRAVE, J. Livro VII – Dos Insetos. In: MARCGRAVE, J. História natural do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado – Museu Paulista, 1942. MELLO, J.A.G. de Joannes de Laet e sua descrição do Novo Mundo. In: MELLO, J.A.G. de Estudos Pernambucanos. Recife: Fundarpe,1986. MELLO-LEITÃO, C. A biologia no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional (Brasiliana, v.99), 1937. MOULIN, D. Medicina e ciências naturais no governo de Nassau. In: MOULIN, D.; MAULE, A.F.; ANDRADE-LIMA, D.; RAHN, K. & PEDERSEN, T.M. O herbário de Georg Marggraf. Rio de Janeiro:Fundação Pró-Memória, 1986. NOMURA, H. História da zoologia no Brasil: século XVII, 2a parte. 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São Paulo: Brasiliensia Documenta (v.IV), 1964. WHITEHEAD, P.J.P. Georg Markgraf and Brazilian zoology. In: BOOGART, E.V.D.; HOETINK, H.R. & WHITEHEAD, P.J.P. (edit). Johan Maurits van Nassau-Siegen 1604-1679; a humanist pr... 561168 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" /></noinclude>TEIXEIRA, D.M. (org.). Brasil holandês: Miscellanea Cleyeri, Libri Principis & Theatrum rerum naturalium Brasiliae. (5 vol.). Rio de Janeiro: Editora Index, 1995. WAGENER, Z. Zoobiblion. Livro dos animais do Brasil. São Paulo: Brasiliensia Documenta (v.IV), 1964. WHITEHEAD, P.J.P. Georg Markgraf and Brazilian zoology. In: BOOGART, E.V.D.; HOETINK, H.R. & WHITEHEAD, P.J.P. (edit). Johan Maurits van Nassau-Siegen 1604-1679; a humanist prince in Europe and Brazil. The Hague: The Johan Maurits van Nassau Stichting, 1979. 166 Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.<noinclude>{{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> aeinrierpeyz80h2sv75fhzx62119hj Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644) 0 257138 561169 2026-08-31T22:08:06Z Trooper57 24584 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf" from=1 to=26 header=1 /> ==Notas== {{reflist}} {{Cc-by-4.0}} {{Controle de autoridade}} 561169 wikitext text/x-wiki <pages index="Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf" from=1 to=26 header=1 /> ==Notas== {{reflist}} {{Cc-by-4.0}} {{Controle de autoridade}} qzbd4kl4xkz61c7yiw71n9olkcda3ty Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/459 106 257139 561192 2026-09-01T08:36:21Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ALU Convém banhos de caldas fulfureas e aluminofas. {{lema|ALUMIOSO, A}}. adj. antiq. O mefmo que Luminofo. VIT. CHRIST. I, 56, 169 Elle foi candea accendida e alu- miofa. {{lema|ALUMNO}}. s. m. MNA. f. O que be on foi creado de me- nino por alguem, ou em fua cafa, cuidandofe da fua fuften- tação, doutrina, e bons coftumes. Do Lat. Alumnus. CORRA Comm. 8, 32 Alumno he creado, chamafe afli de. Alo, is, palavra Latina, que quer dizer,... 561192 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>ALU Convém banhos de caldas fulfureas e aluminofas. {{lema|ALUMIOSO, A}}. adj. antiq. O mefmo que Luminofo. VIT. CHRIST. I, 56, 169 Elle foi candea accendida e alu- miofa. {{lema|ALUMNO}}. s. m. MNA. f. O que be on foi creado de me- nino por alguem, ou em fua cafa, cuidandofe da fua fuften- tação, doutrina, e bons coftumes. Do Lat. Alumnus. CORRA Comm. 8, 32 Alumno he creado, chamafe afli de. Alo, is, palavra Latina, que quer dizer, crear e. fuftentar. TELL. Chr. 2, 4, 41. n. 9 Com notavel proveito dos alumnos, que alli fe crião em letras, e em bons coftu- mes. BARRET. Encid. 11 8 O qual paje da lança e ef- cudeiro... Por charo alumno ao filho então feguia. Difcipulo, educando, o que tem ou teve alguem por meftre, aio ou pedagogo, &c. CAM. Luf. 8, 13 Efté, que vês olhar com gefto irado Pera o rompido alumno mal foffrido, &c. So us. Vid. 2, 34 Como quem fora feu alumno, e em fua doutrina creado. VIEIR. Serm. 6. Ex- horr. I, 6, 456 Eftudantes e alumnos daquelles dous fa- mofos Seminarios de Apoftolos e Martyres os dous Col- legios Reacs de Coimbra e Evora. Mer. A. DE VASC. Anj. 2, 5, 1. part. 11. p. 366 Eu te profetizo, que fe daqui fahes, que has de fer fi- lho do inferno, e alumno da perdição. ACAD. DOS SING. 1, 2, Oraç. Porque fei que os entendidos não gaftão tão mal o feu tempo, que, como fejão filhos de Apol- lo, não defprezão por pobres os feus alumnos. M. FER- NAND. Alm. 1, 6, 3. n. 25 Finalmente com a coroa do martyrio provou bem, que fora alumno da Mái de Deos. Alumno. Natural de algun lugar. CAM. Luf. 8, 32 Ditofa patria, que tal filho teve : Mas antes pai, que em quanto o Sol rodea Efte globo de Ceres e Ne- pruno, Sempre fufpirará por tal alumno. ARR. Dial. 4, 9 André Refende, varão de muita erudição, livrou das trévas da ignorancia, Evora, fua nobre patria, não in- digna de tal alumno. M. THOм. Inful. 1, 44 Cada qual do terreno he proprio alammo. Membro ou focio de alguma corporação, communi- dade, &c. Nic. Pix. Cart. 53 Entretanto nos confola- mos com ter lá paffado hum noffo alumuo, Sacerdote, que confola e fuftenta aquelles Catholicos na Fé e Chrif tandade. CARDOs. Agiol. 1, 72 Podemos logo inferir o trouxe a efte Reino o amor da patria, e da Re- que ligião, de que foi alumno. M. BERN. Floreft. 4, 15, 202 Não fe pertende pela fobredita doutrina calumniar ou tachar o efpirito de pobreza, que os Eftarutos de algu- mas Religiões prefcrevem aos Teus alumnos. No fem. ACAD. DOS SINO. 1, 15; Silv. Alumna foi de Apollo a mais querida. M. FERNAND. Alm. 32, 3. n. 21. p. 326 Defcoberta por huma alumna da velha a maldade commettida. {{lema|ALVO, A}}. adj. Branco, claro. Particularmente denota huma brancura mais efpecial e fobr'excellente. Do Lat. Albus. Das peffoas ou da pelle do corpo humano. SA DE MIR. Vilhalp. 2, 3 A mim he ella boa filha, alva, grande e loura. GOES, Chr. de D. Man. 1, 66 A gen- te da qual terra] he muito barbara e agrefte, quafi do modo dos da terra de Santa Cruz, fenão que são alvos, e tão curtidos do frio, que a alvura fe lhes perde com a idade. CAM. Luf. 9, 84 As mãos alvas the davão co- mo efpofas. Das coufas, MoR Dial. 3, 31 Tendo minha can- tareira alva, como a neve. CAM. Luf. 9, 54 Por entre pedras alvas fe deriva A fonorofa linfa fugitiva. MEND. PINT. Peregr. 103 Tinha na mão huma vara de marfim muito alva à maneira de fceptro. Da cabeça coberta de caas ou dos mefmos cabel- los brancos. MOR. Palm. 2 156 Como já da barba c cabeça foffe mui alvo pola idade &c. FR. SIM. COELH. Chr. 2, 18, 180, Tambem tinha fua cabeça e cabellos alvos como a lán como a neve. ConT. R. Naufr. 6, 64 O grão Nerco, e o grave Padre Oceano Com cref- pas e alvas cás. 2 gmb Met. EUFROS. 5, 5 A quem a fortuna pintou ne- gro, nenhum tempo o póde fazer alvo. FERR. Poem. Od. Em que 17 Quem vifle já o tão claro e alvo dia, repoufaffe Eite efprito inquieto. CAM. Luf. 10, 47 Poe, na fama alva nodoa fêa cefcura. Adag. Cafareis, e em mantens alvos comereis. De zic. Adag. 41. MOTAL Preta he a pimenta, e vão por ella à tenda, e alvo he o leite, e vendemno pela Cidade. DELIC. Adag. 52. Pão alvo. Vej. Páo. {{lema|ALVO}}. s. m. Fito, a que fe atira e fe procura acertar. Fa ziafe com huma folha de papel branco, e com hum cir- culo negro, e daqui lhe veio o nome. Leão, Chr. de D. Din. 113 Alguns tomavão Portuguezes, e os punhão a- tados, como barreiras e alvo, a que atiravão. TELL. Chr. 1, 3, 9. n. 7 Como fe o coche do Rei foffe a bar- reira, que demandava, e feu peito o alvo, a que fe ti- rava. CARDOS. Agiol. 2, 43 Atado a huma arvore, fer- vio de alvo a huma nuvem de fettas, que chovião fobre elle. Met. FERR. DE VASc. Aulegr. 1,7 Tudo cuido que vai em acertar ou errar o alvo de nofla forte. HEIT. PINT. Dial. 1, 2, 2 Tomando o [Creador] por alvo, aonde vão parar as fettas de noffas obras, palavras, e pen famentos. VIEIR. Serm. 2, 10, 5. n. 313 A graça dos Reis he hum alvo, a que fe tirão todas as fettas. Fim, a que fe dirige algum intento. BERN. Lim. Cart. 10 Vou do que a letra foa defviado, A outro alvo ira a minha Mufa. ORIENT. Lufit. 44 Alvo [uni- co] ferás defta fé unica. Sous. Vid. 6, 3 Feita a fe- pultura, que era o fundamento de toda a obra, e o al- vo das impoffibilidades. Objecto, caufa on motivo principal. Paiv. Serm. 3, 165 Os Herejes tem tomado efte divino Sacramento; como alvo de todas fuas fandices. Los. Ecl. 5 Alvo de quantos louvores, Cantavão todas as horas. CARDOS. Agiol. 3 245 Elle [D. Eftevão Vafquez] os não quiz acceitar os Bailiados] por, não fer alvo da inveja abs Cavalleiros eftrangeiros. Verb. Acertar o... FERR. DE VASc. Aulegt. i, 7. PAEZ, Serm. 2, 357, 1.com o...de alg. c. met. Luz, Serm. 2, 2, 122. col. 1. Atinar o... CEIT. Quadrag. 1, 168, 2. Atirar ao... FEO, Tr. 1, 8, 2. TELL. Chri 2, 6, 51. n. 1. Atraveffar o... PAEZ, Serm. 2, 269, 1. Gollimar ao... (pôrlhe o ponto ou mira.) M. FERNAND, Alm. I, 1, 3. n. 1. A efte alvo hão de collimar todos os noffos penfamentos. Dar fóra do ... BRIT. Mon. 1, 4. c. 8. no ponto do... SALGUEIR. Rel. 66. Defpa rar no... CEIT. Quadrag. 1, 3, 16. Enderecar ao... EUFROS. Prol. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 7. Errar o... FERR. DE VASC. Aulegr. I, 7. BRIT. Mon. I, 1. c. 13. Fazerde alg. BARTH. GUERREIR. Cor. 3, 12, 350. Fe- rir o... M. BERN. Floreft. 4, 9, 12. Furtar o... CAN, Anfitr. Ordenar as fettas ao... (dirigilas ou endereçalas.) Luz, Serm. 2, 2, 73. col. 4. Por conto... HEIT. PINT, Dial. 33. por... CART. DE JAP. 1, 376, 1. L. ALv. Serm. 3, 14, 4. n. 14. Pregar o... com a fetta. PAEZ, Serm. 2, 357, 1. Ser... bu o... de alg. c. ou a que fe atira. Sous. Hift. 1, 1, 20. TELL. Chr. I, 3, 9. n. 7. Servir de... CARDOS. Agiol. 2, 43. Ter alg. c. por.de. CAM. Cart a huma Dama. Luz, Serm. 2,2, 116. col. 3. Tirar ao...(o mefmo que atirar.) BERN. Lim. Cart. 10. VIEIR. Serm. 2, 10, 5. n. 313. Tomar alg. ou alg. c. como... PAv. Serm. 3, 165. Trafpaffar o... CHAG. Obr. 1, 9, 9. Alvo. Failando dos olhos. O mesmo que Alva. PER. Elegiad. 17, 263 A vifta efconde, os alvos defcobrin do, Todos toldados já de nevoa efcura. Em alvo. fórm. adv. Revirando as meninas dos olhos, e defcobrindo muito as, alvas. SoVER. Hift. 3, 8 Ficou á moça á maneira, de morta com cor perdida, olhos ém alvo, &c. Ajuntafe aos feguintes verbos. Deitar os olhos cm ... Cair. Serm. 1, 16, 2 Outros, que pera cantarem deitão os olhos en alvo. Lançar os olhos ent... (dizfe particularmente dos agonizantes.) CASTANH. Hift., 2, 64. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 251. p. 685. Por os olbos em (tambem de .commum fe diz dos moribundos.) .D. HILAR. Voz, 38, 211 . PRIM. E HONR. I, 13, 29 y. Virar os olhos em...(tambem dos agonizantes.) PER. Elegiad. 3, 39. tes, Alvo. pouc. uf. Lifta, rol. EUFROS. Proem. Por certo tenho fer falteada [a Comedia] de muitos cenfo- aos quaes Voffa Alteza ouça, fegundo Alexan- dre daya de fi audiencia pois fó o efcrevi no alvo, pois Mercurio não fe faz de todo o pão. {{lema|ALVOR}}. s. m. pouc. uf. O mefimo que Alva do dia. COND. D. PEDR. Nobil. 7, 33 E feu filho D. Affonfo... feube iifto....e em outro dia, de Janeiro tomou Montemór a velho, rompente o alvor. MATT. Jeruf. 7, 5. Não def- pertou até que aos paffarinhos Ouvio faudar alegres los alvores. Cuao. Obr. 2352 Ainda a noire lenão en- .feitava com os alvores do crepufculo, quando já com os olhos da alma bufcava as luzes do feu Sol, {{lema|ALVORAÇAR}}. v. a, e os feus derivados. Vej. Alvoroçar.<noinclude></noinclude> 90i1hynd5nq87dmbyvvolj82t3j5ql0 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/460 106 257140 561193 2026-09-01T08:45:35Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 252 A L V {{lema|ALVORADA}}. s. f. Madrugada, tempo de amanhecer, ou em que começa a raiar o dia. VIT. CHRIST. 4, 21, 120 Alva ou alvorada he antre as trévas da noite, e a per- feita luz do dia. BARR. Dec. 2, 5, 6 De maneira, que quando veio na alvorada da menhaa, &c. BERK. Lím. Ecl. 17 Seguro vás de noite, e d'alvorada A ver o bicho máo, que lhe faz nojo. Epith. Alegre. TELL. Chr. 2, 5, 52. n. 2. Aprazi- vel. TELL. Chr..I, 2, 33. n.... 561193 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>252 A L V {{lema|ALVORADA}}. s. f. Madrugada, tempo de amanhecer, ou em que começa a raiar o dia. VIT. CHRIST. 4, 21, 120 Alva ou alvorada he antre as trévas da noite, e a per- feita luz do dia. BARR. Dec. 2, 5, 6 De maneira, que quando veio na alvorada da menhaa, &c. BERK. Lím. Ecl. 17 Seguro vás de noite, e d'alvorada A ver o bicho máo, que lhe faz nojo. Epith. Alegre. TELL. Chr. 2, 5, 52. n. 2. Aprazi- vel. TELL. Chr..I, 2, 33. n. 6. Frefca. CORT. R. Naufr. I, 2. CEIT. Quadrag. 1, 120, 3. Graciofa. Mor. Palm. I, I. Canto dos pafaros ao amanhecer. HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 8 Alevantafe hum folitario acordado ás vezes ao tom dos roufinoes, e outras aves muficas, que em ama- nhecendo, o efpertão com fuas alvoradas e fuaves can- tos. ARR. Dial. 9, 1 E as avezinhas lhe dão fuas ale- gres alvoradas. M. THOм. Inful. 10, 120 Com agradaveis pennas variadas, Com fom agudo,,e vozes indiftincas, Terá dos pintafirgos alvoradas Em repetidos cótos, não fuccintas. Defcante, concerto de vozes ou de inftrumentos mufi- cos pela madrugada à porta de alguem. CASTANH. Hift. 2, 105 Os trombetas lhe davão alvoradas aos Domingos e feftas. FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 14, 4 Humi madrugada com os mefmos inftrumentos nos vicrão dar huma alvo- rada. Sovs. Vid. 1, 23 Se os meus Prebendados defejão ouvir alvoradas de charamelas. 1.3. Mer. AND HAD. Cerc. 20, 107, 3 Não foa nelle [dia] a horrifona alvorada De pilouros crueis, bravos ardentes. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 190, 15 Job, aonde eftavas quan- do as eftrellas da manhãa me davão as alvoradas, cme entoavão as matinas com fuas luzidas pompas. VIER. Serm. 9. do Rof. 8, 2, 291 Huma das mais fingulares pre- rogativas defta Sagrada Religião [de S. Domingos]... he que no mesmo dormitorio... dão a primeira alvorada à Aurora, de que nafceo o Divino Sol, cantando o feu Officio. Milic Signal, que fe faz ao amanhecer ou pouco depois de haver amanhecido com inftrumentos de guerra para os foldados defpertarem do fomno. D. F. Mas Epan. 4, 446 Tocavão feus clarins as alvoradas, as quaes feguião as outras Capitanas com luftrofa competencia. {{lema|ALVORAR}}. v. n. [a manhãa] Efclarecer os raiar o dia, JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dist. BENT. Pв. Thef. Ant. e os feus derivados. Vej. Arvorat. {{lema|ALVOREAR}}. v. n. Burlefc. O inefino que Alvorar. ACAD. DOS SING. I, 18, Oraç Claraboiava eftupido pyropo, alvorcava-cynthico fulgor, quando fepultado no Caucafo da morte, &c. Com pron. peff. CAM. Luf 1, 45 A gente fe alvo. .roça, e de alegria Não fabe mais que clhar a caufa det- la. PAIV: Serm. 2, 405 Quem folga de fer doente, mal pode alvoroçarfe com a vinda do Phyfico. FERNAND. Palm. 3,25 Como he coftume do povo alvoroçarfe com novidades. {{lema|ALVORECER}}. v. n. ant. Amanhecer, romper a alva, raiar o dia. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 1, 122 Na alva da menhaa tanto que alvoreceo &c. CHR. DO CONDEST. 59 E chegou ao lugar cm alvorecendo. VIT. CHIST. 1,43, 135 E como foi dia, muito cedo alvorecendo, fahio- fe Jefu de Capharnau &c. oh pod. {{lema|ALVOROÇADAMENTE}}. adv. mod. Com alvoroço. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thef {{lema|ALVOROÇADISSIMO, A}}. fuperl. de Alvoroçado. BRIT.. Chr. 2, 2. Fto. Tr. 1, 191, 3. {{lema|ALVOROÇADO, A}}. p. p. de Alvoroçar. Mor. Palm. 2, 140. CAM. Luf. 5, 24. Cour. Dec. 5, 1, 2.. Ufafe como adj. Sediciofo, tubulento, revoltofo. RE- SEND. Chr. 164 Porque por elle fer defcortez e alvoro cado podião com elle travar de maneira, que cada hum. deftes feus defeitos pareceffe a caufa da fua morte. AL- 20BUQ. Comm. 4, 33 Reis Hamed, como homem alvoraça- do, the refpondco: iffo não fe entende em mim. Cons. R. Naufr. 1, 2 y. Nobre. CAM. Luf. 4, 84. Nota- mivel. Paiv. Serm. 2, 405. Santo. HEIT. PIT. Dial. 16, 5. Subito. CORT. R. Naufr. 6, 60 y. Summo. VIEIR. Catt. -le-2, 21. Temerofo. PIN. Chr. de D. Aft, V. 185. Trafordina- tio. BARTH. GUERREIR, Cor. 4; 74, 649. Vivo. CORT. R. Naufr. 5, 51. Mag author padro Adag Nem ante Rei armado, nem ante povo al- voroçado. DELIC Adag. 167. {{lema|ALVOROÇADOR}}. s. m. O que alvoroça ou caufa alvoroto. FR. TH. DE Jes. Trab., 30, 65 Accusãovos de perturbador e pervertedor do povo, e alvoroçador. Pist. PER. Hift. 2, 10, 27 Chamandolhe [os Cidadócs de Chaul a Lopo Soares] nefcio, aluoroçador, e outros no- mes mais feios. Cour. Dec. 4, 2, 1E Aires Cabral, ae Jorge de Mello mandou levar prezos pera a Fortaleza de Beneftarim, por alvoraçadores do povo. {{lema|ALVOROÇAR}}. v. a. Excitar, abalar, commover o ani- mo com esperança, defejo on novidade de alguma coufa. ant. Alvoraçar. MoR. Palm. 2, 163 E efte bem tem os que o são infenfiveis] nem as grandes alegrias os alvo- en roção, nem os grandes males os atormentão. CAM. Luf. 6, 51 Toda a Corte alvoroça a novidade. ARR.. Dial. 3, 78 Sendo provocados com a fé e devação dos Reis Magos, que os devera alvoroçar grandemente en alg. Conr. R. Cerc, 3, 34. Luc. Vid. 2, 13, Banba- do cm... BARR. Clarim. 2, 67. Cheio de... CEIT. Qua- drag. 1, 109, 1. Sous. Hift. I, 1, 8. Crear... em alg. -FERNAND. Palm. 3, 34. Dar a alg. Paiv. Serm. 1, 308. PINT. PER. Hift. 2, 4, 14. Fazer em alg. PINT, PER. Hift. 2, 30, 80 y. de prazer em alg. BARR. Dcc. 32, 2. Imprimir.. SEVER. Difc. 114 v. Moderar o... HEIT. PINT. Dial. 1, 6, 1. Moftrarabf. FERNAND. GALV. Serm. 1, 109, 2. com alg. c. Luz, Serm. I, 2, 55. col. 3. TAVOR. Hift. 28. Perder o... ANDRAD. Cerc, 2, 6, 1. Pora alg. PREST. Aut. 39. A. GALV. Tr. 23 Y. em alg. Azus. Chr. 3, 71. Pofto ... FEST. NA CANON. 76 y. Receber.abf. PINHEIR. Summar. 19 y. Gouv. Rel. 3, 10. no animo. ALV. Comm. Alvoroçar. Efpantar o cavallo ou outra alguma befta. Tambem fe ufa com. pron. peff. ou em fignificação neu- tra. CHR, DO CONDEST. 29 E com as feridas os cavallos alvoraçavão e derribaváofe, e feus donos, c. retrahião a- -traz. PROV. DA HIST. GEN. 2, 308 E o cavallo de nada fe cfpantava, nem alvoroçava CORT. R. Cerc. 5, 58 E outros mil inftrumentos, que alvoroção Os cavallos, e os fazem dar mil faltos. Despertar alguem do fomno de fobrefulto ou com de. faffocego. ORIENT. Lufit. 95 Ah, Serrano, cu dor- mia hontem na choça? Senão quando o latido dos ra- feiros, Que a dous lobos ladravão, me alvoroça Amotinar, alvorotar. ARR. Dial. 4, 19 Dous annos antes do faco de Roma Itilico Vandalo alvoroçon as gen- tes dos Alanos. MEND. PINT. Percgr. 74. E fe trabalhaf- fe por tomarmos, o mais fecretamente, que pudeffe fer, por não alvoroçarmos a terra, quem nos diceffe a diftan- ..cia, que &c. BкIT. Mon. 1, 3. tit. 4 Refoluto efteve o pai em tirar do mundo tão máo filho, e o fizera fe não temêta alvoroçar o exercito. Mct. EurRos. 4, 3 Alvoroçárão feus ventos o mar de meus defejos. TE:V. Sentenç 27, Como o vento no omar levanta as ondas, Afli a ira alvoroça e combate a alma. {{lema|ALVOROÇO}}. s. m. Sobrefalto, alteração ou commoção ve bemente do animo, caufada por diverfas paixões, e principal- mente pela efperança, alegria, novidade, &c. Talvez do Greg. A, eftar defaflocegado ou com aninio inquieto. Leão, Orig. zz póe cfta palavra no numero das Portu- inguezas, que fe não podem bem explicar por outras Lati nas, nem de outra lingoa. SEVER. Difc. 2, 74 diz que efta voz fó fe acha na lingoa Portugueza. BARR. Dec. 1, 1, 2 Vendo elle Infante o grande alvoroço, com que fe já os homens difpunhão a efte negocio &c. CAM. Luf. 4, 84 E já no porto da inclita Ulyffea Chum alvo- roco nobre, e com hum defejo... As náos preftes eftão, &c. Vier Serm. 6, 8, 3. n. 233 Confirmando [S. Ifa- belo que dizia com os faltos e alvoroços do maior dos C Profetas, que tinha em fuas entranhas. Impulfo, commoção forte de algum affecto. BARR. Dec. 3, 2, 2. A qual determinação fez em toda a gente de armas tanto alvoroço de prazer, &c. PINT. PER. Hift. 1, 27, 118 Paffado aquelle grande alvoroço da cfperança, com que pattirão &c. Luz, Serm. 3, 14, 1 Pelo alvo- roco de alegria, que teve a mulher, que achou a drach- ma perdidi. Epith. Accidental. PINHEIR. Summar. 19 . Admiavel. ESPER. Hift. 1, 3, 26. n.7. Alegre. BARR. Clatim. 2, 67. Aprazivel. GASP. DOS REIS, Rel. 2,5 . Bellico. SA DE MEN. Mal. 6, 38. Crefcido. VID. DE Sus. 111. Def dacoftumado. PAIV. Serm. 2, 506. Eftranho. CASTILH. Comm. 2., 38. Extraordinario. F. DE MENDOç. Serm. 21, 204, 4. Falfo. CORT. R. Naufr. 14, 170 y. HEIT. PINT, Dial. 41. Fingido. CORT. R. Naufr. 14, 170 y. Geucro- fo. SEVER. Dilc. 114 V. Geral. ANDRAD. Cerc. II. Grande. Conr. R. Nauft. 4, 46, PINT. PER. Hift. 1, 32, 149. Incrivel. M. BERN. Floret. 2, 2, 300, B. Intrinfeco. Verb. Caufara alg. Luz, Serm. 1, 6, 2.<noinclude></noinclude> r1losaphr6799jc00gqvxicjxdq27m1 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/461 106 257141 561194 2026-09-01T08:54:03Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A L V slur. Sentir. PAIV, Serm. 2, 405. L. ALv. Seim3; 5, 4. n. 12. Temperar o... CASTILH. Elog. 201. HEIT. Pie Dial. 1,6,1 Ter..abf. BRIT. Chr. 1, 12.em alg. ANDRAD. Chr. 1, 1. Tranfportado no.de algum 5 prazer. BARR. Paneg. 4, 307. Trazer...abf. BERN. Lin. Cart: 110. em alge. MoR. Palm. 29 83. Alvoroço. Tumulto, motim 3 fedição, movimento de of genten.com vozes e eftrepito. BARR. DecPI, 6, 5 No al- voroço, que o povo de Calecut comm... 561194 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A L V slur. Sentir. PAIV, Serm. 2, 405. L. ALv. Seim3; 5, 4. n. 12. Temperar o... CASTILH. Elog. 201. HEIT. Pie Dial. 1,6,1 Ter..abf. BRIT. Chr. 1, 12.em alg. ANDRAD. Chr. 1, 1. Tranfportado no.de algum 5 prazer. BARR. Paneg. 4, 307. Trazer...abf. BERN. Lin. Cart: 110. em alge. MoR. Palm. 29 83. Alvoroço. Tumulto, motim 3 fedição, movimento de of genten.com vozes e eftrepito. BARR. DecPI, 6, 5 No al- voroço, que o povo de Calecut commettco. EUFROS. 1, co2 Guardevos Deos da ira do Senhor ac de alvoroço do -povo. MEND. PINT: Peregr. 74 Porque receava, que ven- doos, houvelle alvoroço nos Chins. ibus Verb. Accenderfe... FERN. LOP. Chr. de D. J. I.1, 12. Andar em ALBUQ. Comm. 1, 5. Apagar CASTANH. Hift. 3,21. de algum lugar. SAEELL. Eneid. 2, 6, 93. Aplacar... BRIT. Mon. 1 1. c. 17. Aquietari o... ALBUQ. Comm, 2, 33. Arder em... algum lugar, GOUT. Dec. 5, 8, 9 Aigar o... CASTANH. Hift. 3, 22. Caufar... AYER. Itin. 73. Commetter... BARR. Dec. 1, 65. Fazer CASTANH. Hift..2, 4. Levantarfe .. CASTANH. Hift. 3, 21. Bur. Mon. 1. c. 27. €07- trà alg. SABELL. Eneid. 1, 8, 101. Metter .. em algum lugar. Cour Dec. 5, 3, 8. Socegar o... FERR. l'oem. T.Caftr. 1. D. G. COUTINH. Jorn. 24, Y. - Adag. Guarte de alvoroço do povo e de travar com doudo. DELIC. Adag. 161. {{lema|ALVOROTADO, A}}. p. p. de Alvorotar. LOBAT. Palm, 5, 51. CALV. Homil. 2, 197. Maus. Aff. Afr. 8, 126 y. {{lema|ALVOROTADOR}}. s. m. O que alvorota. BARR. Dec. 4, 1,7 E porque não queria caftigar os alvorotadores do po- PIVO &C. GUERREIR. Kel. 4, 3, 1 Nem as coufas da fé [podem] crecer, pelo muito que os Miniftros da Igre- ja são encontrados, e tidos quafi por alvorotadores. VIEIR. Serm. 3, 9, 3. n. 385 Ouvindo o pregão de malfeitor, e alvorotador do povo. {{lema|ALVOROTAR}}. v. a. Amotinar, excitar tumulto, fedição, rebulico, ou defaffoeego entre muitos. ant. Alborotar, Al- voratar, GUERREIR. Kel. 5, 5, 5 Entrando na corte, al- sivorotárão todo o imperio. BARRET. Encid. 7, 82 Para que .com tal monftro furibundo Toda a cafa alboroté. MA- RINH. Doutr. 12 Por cuja caufa fuccedem cada inftante brigas e differenças, alvorotando todos os quarteis. Com pron. peff. BRIT. Mon. 1, 3, c. 27 Porque fendo ifto... coufa mui eftranha da modeftia, e tem- perada condição de Sertorio, eftava clato, que fe albo- rotaria, ou quereria reprehender aos que o fizeflem. CEIT. Quadrag. 1, 20, 3 Que acto efte pera je não al- vorotarem? Gouv. Rel. 2, 23 Pelo qual refpeito fe co- -meçárão a inquietar e alvorotar algumas fortalezas. Met. CEIT: Quadrag. 1, 292, 4 Até as creaturas elementares fe alvorotárão pera a feftejar. BARRET. Eneid. 10, 9 Ou quem desfazer póde novos fados, Alboro- tando as ordens do Deftino? {{lema|ALVOROTO}}. s. m. Tumulto, motim, fedição, arruido, pendencia entre muitos, principalmente com vozes e cftré- pito. O P. Guadix, citado por Covarrubias, diz, que vem do Arab. borod, que quer dizer paeira, accrefcentado o articulo al porque a gente alvorotada com o movimen- to dos pés levanta muita pocira. ant. Alboroto. BARR. Dec. 4, 1, 7 Caftigaffe graviflimamente a quem caufaf- fe alvorotos. GUERREIR. Rel. 4, 1, 1 O Xogum velho moftrava defejar, que os que favorecião ao Principe fe declaraffem com algum alvoroto de armas. D. FERN. DE MEN. Hift. 3, 61, 143 Sahio em peffoa, quietou o al- voroto. Adag. Guardevos Deos da ira do Senhor, alvoro to do povo, e de doudo em lugar eftreito. FERR, DE VASc. Aulegr. 3, 6. Rebolico, perturbação, defafoeego procedido da con- currencia de muitas peffons on coufas, que a bum mefino tempo perturbão a quietação, e fazem eftrepito. FERNAND. GALV. Serm. 2, 131, 4 Sem arrecear perder a fazenda c lugar, offereceofe [Nicodemus] em tal alvoroto à vif- ta de todos, por cumprir com a obrigação de difcipulo. BARRET. Eneid. 8, 88 Das ameaças grandes de Lauren- to, E do duro alboroto commovido. ACAD. DOS SING. 1, 8, Silv. Porém efte alvoroto em continente Me def- perrou. {{lema|ALUTADO, A}}. adj. O mefmo que Enlutado. CASTR. Ulyff. 2, 17 Ao vento damos efperança e vida, Com alu- tados remos apartando As ondas. {{lema|ALVURA}}. s. f. Braneura. Commummente le toma pela que he muito cfpecial e extraordinaria. Da pelle do cor- po humano, A. GALV. Tr. 58 Os habitadores parecião na feição e alvura defcenderem da China. Leão, Defcripes 61 E na alvera do rofto é teições, mais parecia Hef- panhol, que Africano. CASTR. Ulyff 3, 38 Que em tua alvara e bocca graciofa, &c. Das coufas. CART. DE JAP. I., 1c6, 1 Em toda a terra não apparecia mais que huina alvura, que nos ce- gava e cantava a vifta de olhar pera'clla. CoRT. R. Naufr. 4, 43 Outros [notáo.] o movimento affecegado Das pos mas, que em alvura a neve excedem. Sous. Hift. 1, 2, 28 Veftido de humas roupas, como de neve na al- Vira. Das caas ou cabellos brancos da cabeça ou da bar- ba. BARR. Dec. 3, 3, 10 Com prazer começarão feus olhos a verter lagrimas pela alvura de fua barba, que elle fra- zia bem comprida. MoR. Palm. 2, 113 Como tiveffe a peffoa grande e autorizada, juntamente com nte com a alvura da cabeça e barba &c. Met. MEND. PINT. Peregr. 104 O nollo bordão prin cipal, em que a alma fe encofta pera não cahir quando tropeça, he a caridade, que ufamos co proximo, quan do por vangloria não leva farello do mundo, que cega a alvurn do bom zelo. M. THом. Infel. 10, 82 Segre do, que em prudencia, no futuro Alvara póc. List: Jard. 273, 4 A pureza e alvura da caftidade, com ne- nhuma coufa melhor fe fuftenta e apura, que com a afpereza. Alvira da madeira. Parte da arvore bianca e tehra entre a cafea e o duro. BLUT. Vocab. {{lema|ALUZIADO, A}}. p. p. de Aluziar. JER. CARDos. Dict BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALUZIAR}}. v. n. Brilbar, refplendecer. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALXAIMA}}. s. f. T. Arab. O mefimo que Aduar. D. FERIE DE MEN. Hift. 1, 20, 14 Além das aldeas há por ella [terra] espalhados muitos Aduares ou Alkaimas, que são junras de rendas de láa de cabra, em que vivem os Mou⭑ ros com feus gados, e fe mudão conforme os tempos. {{lema|ALXARIFE}}. s. m. T. Atab. Pin. Chr. de D. Aff. III. II E tinha a Villa por elle hum feu Alcaide mór, que cha inavão Aloandro, que era feu Alxarife. Nota. Todas as palavras, que alguns efcrevent por Aly, devem bufcarfe em Ali. {{center||A M}} {{lema|AMA}}. s. f. Mulher, que cria a feus peitos, e dá de mam nar ao filho alheio. Do Hebt. Amim, do verbo amans crcar, educar, nutrir. Porém Laño, Orig. 15, C BRIT. Mon. 2, 6. c. 1. poe efte vocabulo no numero daquel les que nos ficarão dos Godos. BARR. Páneg. 73, 336 Quintilliano inftituio nos feus preceitos, que as amas dos moços, creados pera Oradores, foffem difcretas e eloquentes. CAM. Luf. 2, 43 Come menito da ama caftigado. ANDRAD. Cht. 1, 3 Então, que era ja tempo de lha tirarem [a mamma] não foi neceffario mais inven- ção ou artificio, que afagalo fua ama hum dia. Ama feccá. Mulher, commmmmente de idade, que nos hofpitaes e. cafas dos expoftos, vigla fobre as amas de leite. R. Nic. DE OLIV. Grandez. 5, 5 Ha huma, a que chamão ama feeea , que he huma velha de confiança, que tem cuidado das outras. Ama. Met. CAM. Canç. io, 4 Foi minha ama hu- ma féra. ESTAÇ. Antig. 90, 4 Donde veio a dizer Pli nio, que Italia era mai e ama das outras terras. PINT. Ris. Prefer. 1, 172 Com ellas [armas] defendemos a juftiça legitima, que he huma viva ama e creadora de todas as virtudes. Ama. Senhora, que tem creados ou fervos, a que manda, e que fuftenta. Sa' DE MIR. Vilhalp. 1, 3 Agora são em pratica com nofla ama por via de devações. Eu FROS. 5, 9 Eu te promento que rens tu nella ama c çanfonina. HEIT. PIT. Dial. 1, 2, 2 A incontinente ama do cafto Jofeph notavao de incontinente. Denominação, que dão ás Princezas Senhoras da primeira qualidade os feus creados, on os que por compris mento affim fe intitulão. VIEIR. Carr. 392 Em fim, mi- nha Rainha, minha Senhora, e minha ama, em hum livro mpreffo em. França vejo aqui, e ventro o rerrato de Voffa Mageftade. Aia de pesoa de qualidade. BERNARD. RIB. Menin. 1, 11 A doni hontada, que ama fe chamou depois pe- la creação da menina, como era já de dias, era de moi, to faber. FERR. Poem. Caftr. 1 Ama, na creação ama f no amor mãi, Sabes como em fahindo dos teus braços.<noinclude></noinclude> ehnbeeye1rtrrljqxczteujoxrqzm49 561195 561194 2026-09-01T08:54:48Z MLReis 41056 561195 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A L V slur. Sentir. PAIV, Serm. 2, 405. L. ALv. Seim3; 5, 4. n. 12. Temperar o... CASTILH. Elog. 201. HEIT. Pie Dial. 1,6,1 Ter..abf. BRIT. Chr. 1, 12.em alg. ANDRAD. Chr. 1, 1. Tranfportado no.de algum 5 prazer. BARR. Paneg. 4, 307. Trazer...abf. BERN. Lin. Cart: 110. em alge. MoR. Palm. 29 83. Alvoroço. Tumulto, motim 3 fedição, movimento de of genten.com vozes e eftrepito. BARR. DecPI, 6, 5 No al- voroço, que o povo de Calecut commettco. EUFROS. 1, co2 Guardevos Deos da ira do Senhor ac de alvoroço do -povo. MEND. PINT: Peregr. 74 Porque receava, que ven- doos, houvelle alvoroço nos Chins. ibus Verb. Accenderfe... FERN. LOP. Chr. de D. J. I.1, 12. Andar em ALBUQ. Comm. 1, 5. Apagar CASTANH. Hift. 3,21. de algum lugar. SAEELL. Eneid. 2, 6, 93. Aplacar... BRIT. Mon. 1 1. c. 17. Aquietari o... ALBUQ. Comm, 2, 33. Arder em... algum lugar, GOUT. Dec. 5, 8, 9 Aigar o... CASTANH. Hift. 3, 22. Caufar... AYER. Itin. 73. Commetter... BARR. Dec. 1, 65. Fazer CASTANH. Hift..2, 4. Levantarfe .. CASTANH. Hift. 3, 21. Bur. Mon. 1. c. 27. €07- trà alg. SABELL. Eneid. 1, 8, 101. Metter .. em algum lugar. Cour Dec. 5, 3, 8. Socegar o... FERR. l'oem. T.Caftr. 1. D. G. COUTINH. Jorn. 24, Y. - Adag. Guarte de alvoroço do povo e de travar com doudo. DELIC. Adag. 161. {{lema|ALVOROTADO, A}}. p. p. de Alvorotar. LOBAT. Palm, 5, 51. CALV. Homil. 2, 197. Maus. Aff. Afr. 8, 126 y. {{lema|ALVOROTADOR}}. s. m. O que alvorota. BARR. Dec. 4, 1,7 E porque não queria caftigar os alvorotadores do po- PIVO &C. GUERREIR. Kel. 4, 3, 1 Nem as coufas da fé [podem] crecer, pelo muito que os Miniftros da Igre- ja são encontrados, e tidos quafi por alvorotadores. VIEIR. Serm. 3, 9, 3. n. 385 Ouvindo o pregão de malfeitor, e alvorotador do povo. {{lema|ALVOROTAR}}. v. a. Amotinar, excitar tumulto, fedição, rebulico, ou defaffoeego entre muitos. ant. Alborotar, Al- voratar, GUERREIR. Kel. 5, 5, 5 Entrando na corte, al- sivorotárão todo o imperio. BARRET. Encid. 7, 82 Para que .com tal monftro furibundo Toda a cafa alboroté. MA- RINH. Doutr. 12 Por cuja caufa fuccedem cada inftante brigas e differenças, alvorotando todos os quarteis. Com pron. peff. BRIT. Mon. 1, 3, c. 27 Porque fendo ifto... coufa mui eftranha da modeftia, e tem- perada condição de Sertorio, eftava clato, que fe albo- rotaria, ou quereria reprehender aos que o fizeflem. CEIT. Quadrag. 1, 20, 3 Que acto efte pera je não al- vorotarem? Gouv. Rel. 2, 23 Pelo qual refpeito fe co- -meçárão a inquietar e alvorotar algumas fortalezas. Met. CEIT: Quadrag. 1, 292, 4 Até as creaturas elementares fe alvorotárão pera a feftejar. BARRET. Eneid. 10, 9 Ou quem desfazer póde novos fados, Alboro- tando as ordens do Deftino? {{lema|ALVOROTO}}. s. m. Tumulto, motim, fedição, arruido, pendencia entre muitos, principalmente com vozes e cftré- pito. O P. Guadix, citado por Covarrubias, diz, que vem do Arab. borod, que quer dizer paeira, accrefcentado o articulo al porque a gente alvorotada com o movimen- to dos pés levanta muita pocira. ant. Alboroto. BARR. Dec. 4, 1, 7 Caftigaffe graviflimamente a quem caufaf- fe alvorotos. GUERREIR. Rel. 4, 1, 1 O Xogum velho moftrava defejar, que os que favorecião ao Principe fe declaraffem com algum alvoroto de armas. D. FERN. DE MEN. Hift. 3, 61, 143 Sahio em peffoa, quietou o al- voroto. Adag. Guardevos Deos da ira do Senhor, alvoro to do povo, e de doudo em lugar eftreito. FERR, DE VASc. Aulegr. 3, 6. Rebolico, perturbação, defafoeego procedido da con- currencia de muitas peffons on coufas, que a bum mefino tempo perturbão a quietação, e fazem eftrepito. FERNAND. GALV. Serm. 2, 131, 4 Sem arrecear perder a fazenda c lugar, offereceofe [Nicodemus] em tal alvoroto à vif- ta de todos, por cumprir com a obrigação de difcipulo. BARRET. Eneid. 8, 88 Das ameaças grandes de Lauren- to, E do duro alboroto commovido. ACAD. DOS SING. 1, 8, Silv. Porém efte alvoroto em continente Me def- perrou. {{lema|ALUTADO, A}}. adj. O mefmo que Enlutado. CASTR. Ulyff. 2, 17 Ao vento damos efperança e vida, Com alu- tados remos apartando As ondas. {{lema|ALVURA}}. s. f. Braneura. Commummente le toma pela que he muito cfpecial e extraordinaria. Da pelle do cor- po humano, A. GALV. Tr. 58 Os habitadores parecião na feição e alvura defcenderem da China. Leão, Defcripes 61 E na alvera do rofto é teições, mais parecia Hef- panhol, que Africano. CASTR. Ulyff 3, 38 Que em tua alvara e bocca graciofa, &c. Das coufas. CART. DE JAP. I., 1c6, 1 Em toda a terra não apparecia mais que huina alvura, que nos ce- gava e cantava a vifta de olhar pera'clla. CoRT. R. Naufr. 4, 43 Outros [notáo.] o movimento affecegado Das pos mas, que em alvura a neve excedem. Sous. Hift. 1, 2, 28 Veftido de humas roupas, como de neve na al- Vira. Das caas ou cabellos brancos da cabeça ou da bar- ba. BARR. Dec. 3, 3, 10 Com prazer começarão feus olhos a verter lagrimas pela alvura de fua barba, que elle fra- zia bem comprida. MoR. Palm. 2, 113 Como tiveffe a peffoa grande e autorizada, juntamente com nte com a alvura da cabeça e barba &c. Met. MEND. PINT. Peregr. 104 O nollo bordão prin cipal, em que a alma fe encofta pera não cahir quando tropeça, he a caridade, que ufamos co proximo, quan do por vangloria não leva farello do mundo, que cega a alvurn do bom zelo. M. THом. Infel. 10, 82 Segre do, que em prudencia, no futuro Alvara póc. List: Jard. 273, 4 A pureza e alvura da caftidade, com ne- nhuma coufa melhor fe fuftenta e apura, que com a afpereza. Alvira da madeira. Parte da arvore bianca e tehra entre a cafea e o duro. BLUT. Vocab. {{lema|ALUZIADO, A}}. p. p. de Aluziar. JER. CARDos. Dict BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALUZIAR}}. v. n. Brilbar, refplendecer. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|ALXAIMA}}. s. f. T. Arab. O mefimo que Aduar. D. FERIE DE MEN. Hift. 1, 20, 14 Além das aldeas há por ella [terra] espalhados muitos Aduares ou Alkaimas, que são junras de rendas de láa de cabra, em que vivem os Mou⭑ ros com feus gados, e fe mudão conforme os tempos. {{lema|ALXARIFE}}. s. m. T. Atab. Pin. Chr. de D. Aff. III. II E tinha a Villa por elle hum feu Alcaide mór, que cha inavão Aloandro, que era feu Alxarife. Nota. Todas as palavras, que alguns efcrevent por Aly, devem bufcarfe em Ali. {{c|'''A M'''.}} {{lema|AMA}}. s. f. Mulher, que cria a feus peitos, e dá de mam nar ao filho alheio. Do Hebt. Amim, do verbo amans crcar, educar, nutrir. Porém Laño, Orig. 15, C BRIT. Mon. 2, 6. c. 1. poe efte vocabulo no numero daquel les que nos ficarão dos Godos. BARR. Páneg. 73, 336 Quintilliano inftituio nos feus preceitos, que as amas dos moços, creados pera Oradores, foffem difcretas e eloquentes. CAM. Luf. 2, 43 Come menito da ama caftigado. ANDRAD. Cht. 1, 3 Então, que era ja tempo de lha tirarem [a mamma] não foi neceffario mais inven- ção ou artificio, que afagalo fua ama hum dia. Ama feccá. Mulher, commmmmente de idade, que nos hofpitaes e. cafas dos expoftos, vigla fobre as amas de leite. R. Nic. DE OLIV. Grandez. 5, 5 Ha huma, a que chamão ama feeea , que he huma velha de confiança, que tem cuidado das outras. Ama. Met. CAM. Canç. io, 4 Foi minha ama hu- ma féra. ESTAÇ. Antig. 90, 4 Donde veio a dizer Pli nio, que Italia era mai e ama das outras terras. PINT. Ris. Prefer. 1, 172 Com ellas [armas] defendemos a juftiça legitima, que he huma viva ama e creadora de todas as virtudes. Ama. Senhora, que tem creados ou fervos, a que manda, e que fuftenta. Sa' DE MIR. Vilhalp. 1, 3 Agora são em pratica com nofla ama por via de devações. Eu FROS. 5, 9 Eu te promento que rens tu nella ama c çanfonina. HEIT. PIT. Dial. 1, 2, 2 A incontinente ama do cafto Jofeph notavao de incontinente. Denominação, que dão ás Princezas Senhoras da primeira qualidade os feus creados, on os que por compris mento affim fe intitulão. VIEIR. Carr. 392 Em fim, mi- nha Rainha, minha Senhora, e minha ama, em hum livro mpreffo em. França vejo aqui, e ventro o rerrato de Voffa Mageftade. Aia de pesoa de qualidade. BERNARD. RIB. Menin. 1, 11 A doni hontada, que ama fe chamou depois pe- la creação da menina, como era já de dias, era de moi, to faber. FERR. Poem. Caftr. 1 Ama, na creação ama f no amor mãi, Sabes como em fahindo dos teus braços.<noinclude></noinclude> qe6zjjoztsa7vovr8te1skbb5053ja5 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/462 106 257142 561196 2026-09-01T08:57:30Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 254 A MA ços, Ama, na viva flor da minha idade, &c. BRAND. Mon. 3, 11, 21 Em outro lugar referi efcritura authen- tica do melmo Mofteiro de Salzeda, em que el Rei D. Affonfo nomea Dona Thereza ama de feus filhos, ifto he, aia e meftra. Mulher de idade que ferve e tem a feu cargo o governo de alguma cafa, principalmente de Clerigo on bo- mem folteiro. EUFROS. 1, 6 Guardate deftes eftudantes, que são fanguefugas de converfações, e com... 561196 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>254 A MA ços, Ama, na viva flor da minha idade, &c. BRAND. Mon. 3, 11, 21 Em outro lugar referi efcritura authen- tica do melmo Mofteiro de Salzeda, em que el Rei D. Affonfo nomea Dona Thereza ama de feus filhos, ifto he, aia e meftra. Mulher de idade que ferve e tem a feu cargo o governo de alguma cafa, principalmente de Clerigo on bo- mem folteiro. EUFROS. 1, 6 Guardate deftes eftudantes, que são fanguefugas de converfações, e com cftas fuas amas dão bataria ao Cairo. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 19, 576 Trouxe, como digo, efte Prior, que então era aqui, huma parenta ou ama pera o fervir, fendo homem já entrado em idade. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 160. p. 800 A virtuofa Therefa, natural de Ourem, era ama de hum dos Priores daquella Villa. Eftalajadeira. CEIT. Serm. I, 248, 2 Porque ahi não foffrer acabar de comer o trifte, ou eftar ainda com o boccado na bocca, e vir a ama, que chamão da cafa, vendendolhe gato por lebre, &c. Adag. A Frade não faças cama, e a tua mulher não faças ama. HERN. NUN. Refran. 9 y. {{lema|AMABIL}}. adj. de huma term. ant. Vej. Amavel. {{lema|AMABILIDADE}}. s. f. Qualidade ou perfeição, que faz on conftitue amavel alguma pessoa ou coufa. Do Lat. Amabi- litas. VIEIR. Serm. 7, 11, 9. n. 369 E fuppofto que el- le fó foi o fabedor da treição, faiba e ouça agora, que não achou Chrifto menos amabilidade em judas, que no mefmo S. João. CHAG. Cart. I, 71 Inexplicavel iniinida- de de infinidades, de amor, de amabilidade immenfa. M. BERN. Floreft. 3, 7, 358, A Tudo que eftc Senhor tem de doçura e agrado, tem tambem de bondade e amabilidade. {{lema|AMABILISSIMO, A}}. fuperl. Muito ou fummamente ama- vel. Do Lat. Amabiliffimus. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 40, 210 O' formofiflimo, ó dulciflimo, ó riquiffimo, ó amabiliffimo, ó fuaviflimo cordeiro. CART. DE JAP. I, 414, 3 He de condição, amalfiliffima com todos. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 24. n. 20 Mas logo com immundas falivas lhe afeão fuas amabiliffimas faces. {{lema|AMAÇAGAFAR}}. v. a. vulg. Revolver, defcompor, deforde- nar. Buur. Vocab. Suppl. {{lema|AMAÇÃO}}. s. m. antiq. O mefimo que Maçãa. Pra, Elegiad. .15, 220 Vem tambem o bruto atroce, Que da ana- fega come o amação doce. {{lema|AMADEIRADO, A}}. adj. ant. O mefmo que Enimadeira- do, e he como hoje fe diz. Cour. Dec. 12, 1, 18 E em cada huma tem hum baluarte amadeirado de traves groffas. {{lema|AMADIGO}}. s. m. ant. Efpecie de privilegio cu izenção, que davão antigamente os Fidalgos de Portugal ás peffoas, que creavão feus filhos legitimos, e aos lugares, onde elles Je creavão. Fr. F. BRAND. Mon. 5, 17, 79 Outro modo havia de honras igualmente nocivo á fazenda Real, e era, a que chamavão Paramos, ou Amadigos. Querião os lavradores libertar feus cafaes, e herdades, pedião a al- gum Fidalgo, Senhor da mais vizinha honra, que the déffe hum filho a crear a fua mulher, creavao ella em fua cafa, e por razão de fer ama defte tal filho, em- paravão os pais delle aquelle cafal co honravão, e muitas vezes todo o lugar, e vizinhos delle. Ilto com tudo fe entendia nos que erão filhos legitimes, que lo- go fc expreffava nas Inquirições, e achando não fer legi- timo, fe devaffava. Mas durou fó até efte anno [1290] em que el Rei totalmente mandou, que delle em diante fe- não fizeffem mais honras por amadigos, ainda que os fi- lhos foffem legitimos. VIT. CHRIST. 1, 15, 50 E de Jofeph, de que folamente creado ou filho por amadigo c creaçom. {{lema|AMADIÓSAMENTE}}. adv. mod. antiq. O mefmo que Maviofamente, BENT. PER. Thef. {{lema|AMADIOSO, A}}. adj. antiq. O mefino que Maviofo. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 1, 29 Deshi doendofe da terra de hu era natural, e havendo amadiofa piedade do com- mum povo, &cc. {{lema|AMADISSIMO, A}}. fupcrl. de Amado. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 122, 28. {{lema|AMADO, A}}. p. p. de Amar. CAM. Luf. 2, 58. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 2. VIEIR. Serm. 8, 20. Difcipulo amado ou o amado de Jefus, de Deos ou do Senhor. S. João Evangelifla, affim chamado por excellencia entre os outros difcipulos de Jefus Chrifto. FERR. Poem. Son. 2, 42 Difcipulo de Deos o mais amado. Sous. Hift. 1, 6, 31 E o amado de Jefus S. João E- vangelifta, CEIT. Quadrag. 1, 300, 3 Não falta quem queira dizer, que fallon por efte Padre o amado difcipulo do Senhor, quando diffe &c. Amado, a. fubft. m. e f. Aquelle ou aquella, a quem quer bem e tem amor peffoa de differente fexp. Fr. MARC. Exerc. 286 Afli o dizia a Efpofa. A fombra de meu amado, que eu amaya, me affentei. SA DE MEN. Mal. 8, 56 Gritando meia defcalça, e mal veftida, Após o ingrato amado fahe correndo. VIEIR. Serm. 8, 20 Huma coula he fer amado, outra fer o amado... Dizfe particularmente em fentido efpiritual de Deos a refpeito das almas devotas. D. FR. BR. DE BARR. Ef- pelh. 3,7 Eu ao meu amado, ca conversão delle a mim. Cauz, Poef. Vid. de S. Cath. 60 Do feu di- tofo corpo degolado Aquella alma, ditofa defpedida Nos braços repouzou do feu amado. TELL., Chr. 2, 6, 53. n. 2 E como defejava verfe fo com feu amado &c. No fem. ESTIM. DO AM. Div., 1, 3 Adjurovos, filhas de Jerufalem, que não esperteis, nem façais acor- dar a minha amada até que ella queira. Los. Cort. 5, 49 Temistocles ... ufava em huma doença, que fua amada teve, dos mefmos remedios, que lhe a ella faziáo. SA DE MEN. Mal. 11, 75 Furiofo amante, a vida impa- ciente Já pela bella amada dar procura. {{lema|AMADOIRO, A}}. adj. antiq. O mefimo que Amavel. VIT. CHRIST. I, 9, 29 O amadoiro e maravilhofo conten- ramento! D. CATH. INF. Regr. 1, 17 Mas as coufas que são ditas com fentido de dentro, e alegria de voz, fabem bem ao defejo, e ás orelhas dão bom fom; aos Anjos são feitas amadoiras, e a Deos dão mui brando cheiro de louvor. {{lema|AMADOR, ORA}}. adj. Que ama. BARR. Dec. 1, 1, 15 Foi muito amador da creação dos Fidalgos, por os dou- trinar em bons coftumes. CAM. Ecl. 7, I. Os Semica- pros Deofes, amadores Das Napeas. Luz, Tr. do Defej. 6,5 Transfigurafe [o demonio] em Anjo de luz, pera fob efpecie de piedade efcarnecer da [alma] amadora da virtude: Subft. BARR. Clarim. 2, 46 As quaes [obras] a- gora lhe são coroa de leal amador, em quanto a gloria de fua fama durar. EUFROS. 2, 1 O defaventurados a- madores, a que os males de Niobe não chegão. BERN. Rin. Son. z. Aqui de largos males breve hiftoria Lede, vós, defamados amadores. No fem. FR. MARC. Chr. 2, 5, 33 A fervente a- madora de nolfo Senhor Jefu Chrifto. FR. TH. DE JES. Trab. 1, 12, 298 Na hora, que a Magdalena peccado- Ta vos chorou a eftes pés, e abraçou, logo ficou com titulo de amadora. Lir. Fug. 11, 18, 242. col. I Por- que como de feu fangue Real [de David.] havia de def- cender a Virgem Santiflima Maria, táo grande. amadora da limpeza e da pureza &c. Adag. Velho amador, inverno com flôr. DELIC. Adag. 3. M. BERN. Floreft. 3, 7, 383, B. {{lema|AMADORNADO, A}}. adj. Lethargico. .CASTILH. Elog. 304 Té o anno de cincoenta, que o começou tomar hum fon- no amadornado no meio dos negocios. Met. HIST. TRAG. MARIT. 2, 42 E dos mares, que nos cobrirão, e de quantas vezes efta não ficou a- madornada e morta debaixo d'agoa." {{lema|AMADORRADO, A}}. adi. Vej. Amodorrado. {{lema|AMADOURO, A}}. adj. antiq. Vej. Amadoiro. {{lema|AMADOUROS}}. s. m. pl. ant. O mefimo que Amavias. CONST. DE BRAG. 40, 12, 3 Se ha alguma peffoa... que feja feiticeira ou, bruxa, ou que faça amadouros, ou quaefquer fuperftições pera ligar ou desligar. {{lema|AMADURADO, A}}. p. p. de Amadurar. M. FERNRND. Alm. 3, 3, 2. n. 306. p. 884. {{lema|AMADURAR}}. v. n. Amadurecer, fazerfe maduro, chegar ao ponto de madureza. DESCOBR. DA FROLID. II alli como vão amadurando [as fruitas,] fe vai abaixan- do a arvore com ellas. L. "ALv. Serm. 3, 4, 9. n. 27 Se os influxos do Sol, e a fua luz faltar, nem as no- vidades fe pódem crear, nem amadurar os fructos, nem crefcer as flores. Met. A. DE VASc. Anj. 2, 6, 10. part. I. p. 994 Com tudo convem foffrer, porque com a idade e trato com Deos amadure o juizo, fe penetre a. alma de Deos pouco a pouco. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 12. n. 80 Não os ajudeis [aos peccadores] a crefcer no mal, mas à - madurar no que eftá feito. Med. CABREIR. Comp. 14 Fará. efte remedio a- madurar a efquinencia e abrilaha. MORAT. Febr. 3, 2 Se apparecem [as parotidas] depois de haver alguns fi- naes de cozimento, e amadurão, são faudaveis.<noinclude></noinclude> hh7d1n70npbsycc01qx7jor69nhfs4p Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/463 106 257143 561198 2026-09-01T09:02:27Z MLReis 41056 /* Problemática */ 561198 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="MLReis" /></noinclude>A MA Em fignif. act. CABREIR. Comp. 64 Açucar rofado pofto fobre os inchaços tambem os amadura. MonAT. Pratic. I, 10, 2 A nigella... he o maior remedio, que ha para parar o eftillicidio catarral por caufa fria, e para para o amadurar. {{lema|AMADURECER}}. v. a. Fazer maduro, por no ponto da madureza.: MONTEIR. Art. 21, 4, 356 O voffo Sol en- tretanto por voflo mandado eftá creando as vinhas, ama- durecendo os olivaes, de que fahe o vinho e o azeite, que me conforta e alenta. VIEIR. Serm. 4, I, 3. n. 8 A's lavouras não lhes faltou a chuva, que as regaffe, nem o Sol, que as amadureceffe. Met. VIEIR. Serm. II, 14, 2 O progreffo das nol- fas armas não tinha amadurecido as verduras do pundonor. Neutr. Fazerfe maduro, chegar ao ponto da madn- reza. Luc. Vid. 2, 13 Pera nós ferião novas, fe al- guem contaffe que amadurecião as uvas em Polonia. BRIT. Mon. 1, 4 c 22 Quando alguma coufa nacia, a falta de Sol e tempo claro a não deixava chegar a fazão de ama- durecer. Lon. Peregr. 2,7 Amadurece já no fecco ef- O grão no feu bolfinho. tio Met. CES. Summ. 2, 4 Conhece... quanto impor- ta acceitar as occafiões arrifcadas, e deixalas amadurecer. Med. ou Cirurg. Das poftemas, leicenços, &c. Luc. Vid. 6, 3 Ajuda o Cirurgião com oleos brandos a poftema, quando todavia não pertende que creça pera não farar, mas que amadurça pera a abrir. MORAT. Fe- br. 3, 1 Os bubões, fe crefcem e amadurecem, são me- nos perigofos. GRISL. Defeng. 2, 18 A raiz pizada co- mo emplaftro logo faz amadurecer o leicenço da pefte. {{lema|AMADURECIDO, A}}. p. p. de Amadurecer. Só fe ufa junto com os verbos auxiliares Haver e Ter para formar os tempos compoftos. Vej. Amadurecer. {{lema|AMAESTRAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. Ameftrar. {{lema|AMAGO}}. s. m. A parte interior da arvore, da planta, rado nos poderofos, pacifica e amaina a inquietação dos pequenos. CEIT. Serm. 2, 6, 3 Outras vezes [fe vio em S. Francifco amainar o fogo, vento e chuvas. Neutr. Tomar on apanhar as velas em todo ou em parte. BARR. Dec. 3, 4, 7 Por não quererem amiainar á bandeira d'el Rei de Portugal. CAM. Lul. I, 48 Peraque junto ás Ilhas amainaffem. MEND. PINT. Peregr. 50 E vendo ferem moços Chriftãos, bradámos rijo aos mari nheiros, que amainafem. Met. HIST. TRAG. MARIT. 2, 349 Tanto vai em faberem os Senhores amainar hum dia do feu rigor e -diffimular. Luc. Vid. 10, 4 Amaindrão as procifsões herva, &c. ant. Amaguo, Amego. Ost. Colloq. 30, 130 Não cheira bem fenão o amago a que chamão os Por- tuguęzes cerne (Falla do linehoaloes.) MAGALH. Hift. 5 Pelos quaes golpes ou furos] pouco a pouco eftão [as arvores eftilando do amago efte licor preciofo. A. DA • CRUZ, Recop. 5, 160 E o miolo ou amago de dentro che frio. Met. O intrinfeco, a fubftancia, a parte mais priu- cipal de alguma coufa. EurRos. 5, 5 O Portuguez ame- go e timbre dos Hefpanhoes. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 6 Pondo os olhos na cafca das coufas, fem penetrar o a- mego dellas. PINT. RIB. Rel. 1, 14 O entendimento, da lei não está nas palavras e corpo della, mas no amego e alma. Centro, o interior de algum lugar. CORR. Comm. 1, 8 . Dos quaes [pontos] os dous Oriente e Ponente são ter- mo e baliza do Horizonte: e o Meridiano he como a- mago e centro delles. MEND. PINT. Peregr. 95 E outros de outras muitas terras e Reinos, que pelo amago defte fertão habitão. SANT. Ethiop. 2, 2, 8 Não tem agora ef- tas terras differença alguma das que eftão mettidas no amago da Chriftandade. T. de Ourives. PROV. DA HIST. GEN. 2, 4, 76. p. 447. ann. 1522 Outro gomil de prata pequeno lavrado d'amagos, hum branco. &c. {{lema|AMAGO}}. s. m. O mesmo que Ameaço. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|AMAGOTADO, A}}. adj. Marinh. CARN. Rot. do Braz. 29 Pela terra dentro vai correndo huma terra groffa ama- gotada. PIMENT. Art. Rot. 251 E chegandovos mais a el- la [Ilha] te vos fará amagotada. {{lema|AMAINADO, A}}. p. p. de Amainar. SANT. Ethiop. 2, 2, 19. HIST. TRAG. MARIT. I, 389. M. Tдox. Inful. 2, 86. {{lema|AMAINAR}}. v. a. Marinh. Abater, deitar abaixo as velas ou tomalas em parte. BARR. Paneg. 15, 12 Sem oufa- rem de levantar fuas vélas, que a força Portugueza tan- tas vezes amainou. CAM. Luf 6, 72 Amaina, diffe o Meftre a grandes brados, Amaina, diffe amaina a grande véla. SA DE MEN. Mal. 1, 23 Amainão logo os nautas todo o panno. Met. HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 9 Era impoffivel ha- ver coufa no mundo, que o pudeffe abater, e fazerlhe amainar as velas de fua grandeza e prefunção. ARR. Dial. 2, 18 Pera lhe fazer amainar as vélas do feu faf- to e arrogancia. VIEIR. Serm. 2, 4, 3. n. 98 Todos amai- ndrão as vélas, e recolherão os remos da fua ambição. Afroxar enfraquecer, diminuir. FERR, DE VASC. Aulegr. 1, 2 E muito fegura, que lhe hei foffrer fuas perrarias, parar fuas manias, e agradecerlhe muito.amai- nar fuas birras. BRIT. Mon. 1, 3. c. 23 O rigor execu- di- minuiofe o concurfo das Igrejas. TELL. Hilt. 6, 25, 505 Quando contra a Fé Catholica fe lançou o impio pre- gão, nada amainou [Oracy] de feu fanto fervor. Amainar. act. è menos uf. Aralmar, focegar, abo- nançar. SANT. Ethiop. I, 3, 19 Não amaina [o mar] fuas ondas até lhe não lançarem tudo quanto vai na embarcação. Neutr. e he mais ufado. Acalmar, abonançar, fe- renarfe. Da rempeftade, do mar, do vento, &c. Luc. Vid. 4, 1 Fizelle então com o favor dá divina graça amainar o vento a feu propofito. CEIT. Quadrag. 2, 210, 1 Os mares amainão, e fe fazem, acabadas as tempef. tades, navegaveis. TELL. Chr. 1, 1, 14. n. 1 No mef- mo inftante... amainou o vento. Met. CASTIL. Comm. 2, 38 E batião [as peças de artilharia por todas as partes em roda [a C dade] fenz amainar de dia, nem de noite a tormenta. TELL. Chr. 3, 3, 34. n. 9 Com fua aufencia [do P. M. Simão] não poderia amainar efta mareta ? Remittirfe, quebrar de fua vehemencia ou vigor al- guma paixão forte. Tambem fe ufa com pron. peff. Luc. Vid. 8, 26 Nunca amainou a ambição. Sous. Vid. 1, 9 E até nos mal contentes amainou a raiva, quando fe pu- blicou a nova da fua doença, e a caufa della. TELL. Hift. 6, 16, 577 Veio em fim a fe amainar a cólera, e a fe temperar a cobiça. Irfe enfraquecendo on diminuindo a intenção ou for ça de alguma coufa, principalmente da enfermidade. Sous. Hift. 1, 2, 32 E a olhos viftos amaínou a inchação. VIEIR. Cart. I, 31 Depois me deo huma grande eryfi- pela, cuja inflammação e força amainou com feis fant- grias. {{lema|A MALAGAMA}}. s. f. Vej. Amalgama. {{lema|A MAL DE SEU GRADO}}. form. adv. ant. A feu pezar, contra fua vontade. Sous. CoUTINI. Cerc. 2,9 E affi confundidos a mal de jeu grado, fe decêrão. BRIT. Chr. I, 23 O demonio a mal de feu grado a houve de dei- xar a certa mulher] com finaes de grande pezar, quc tinha em tal partida. {{lema|AMALDIÇOADO, A}}. p. p. de Amaldiçoar. RoBOR. DC- clar.7, 40. D. F. MAN. Cart. 3, 9. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 20, 7, 187. Ufafe como adj. Execrando, deteftavel. Leño, Chr. de D. Aff. IV. 147 Por deixardes entre vós viver efta analdiçoada gente. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 359, 4 Dia, em que começou o peccado, dia amaldiçoado. {{lema|AMALDIÇOADOR}}. s. m. ORA, f. O que amaldiçoa. BENT. PER. Thef. No fem. BENT. PER. Thef. nr {{lema|AMALDIÇOAR}}. v. a. Lançar maldição. MEND. PINT. Pe- regr. 87 Amaldiçoárão toda a Meza grande, e todos os Miniftros do crime. BRIT. Mon. 1, 1. c. 2 Donde reful- tou amaldiçoar a elle, e fua geração. Sous. Hift. 3, 3, 5 Accrefcenrando por remate, que fuas peffoas, e até fuas fazendas amaldiçoava. {{lema|'AMALECHITAS}}. s. m. pl. Povos do Oriente, que vivião na parte meridional de Iduméa; aim chamados de Amalech. BLUT. Vocab. {{lema|AMALGAMA}}. s. f. Chim. Acão e effeito de amalgamar. BLUT. Vocab. {{lema|AMALGAMAR}}. v. a. Chim. Unir e misturar o azougue com outras metaes, particularmente com o ouro e a prata, para os adoçar e fazer. flexiveis. BLUT. Vocab. {{lema|AMALHADO, A}}. p. p. de Amalhar. FERNAND. FERR. Art. 5, 14 Para de noire cettarem amalhadas [as aves] cha- mão a fe ajuntar. VIEIR. Serm. 6, 14, 8. n. 437 Cor- rer huma lebre, ou dar huma lançada no javali ama- Ibado. {{lema|AMALHAR}}. v. a. Recolher o gado em algum terreno cerca- do de rede para paffar a noite e eftrumar as terras. BLUT. Vocab. Dizfe a refpeito de qualquer animal, que fe póe<noinclude></noinclude> neplazjs7uqxm7i734miw2aeap6eqm9 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/464 106 257144 561199 2026-09-01T09:07:18Z MLReis 41056 /* Problemática */ 561199 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="MLReis" /></noinclude>256 A MA stem lugar feguro. Los. Peregr, 2, 10 Sem fer viſta de duas paftoras... que occupadas em amalhar hum cervo, de que tiverão vilta & s o Met. FERR DE, Vasc. Aulegr. 1, 15 E a fua ra- pariga, des que ifto começou, anda tão de levante, que ora não pollo analbar. BARE. Dec. 4, 71, 12 Tornou o Capitão Verugii, que andava por mandado de D. João, tras o raftro de Aga, a lhe dizer que o tinha amalba- do ao pé de huma ferra.. ama poria {{lema|A MAL MAIÇA}}. form. adv. e vulg. Gir Vic. Obr. 3, 168 As outras Damas irão A mal maiça vestidas, Segundo fua tenção, Affi as cores tomaráo. Differen- tes e efcolhidas. {{lema|AMAME}}. adj. huma term. [cavallo] O que he malhado de branco, e preto. BARK. Clarim. 1, 28 E com eftas, ar- mas deolhe tambem hum cavallo aname. LEIS EXTRAV. Addiç. 31 Amame [cavallo ] igualmente compofto de co- res branco e preto {{lema|AMAMENTADO, A}}. p. p. de Amamentar. BARBOS. Dict. {{lema|AMAMENTAR}}. v. a. antiq. Dar de mammar, Vir. CXRIST. 4, 13, 86 O'cbo, Jefu, que a tua madre, mui dore, a qual te creou com grão diligencia, e te tratou com reverencia, e te amamentou tão docemente &c. SABELL. Eneid. 1, 3, 12 E mandou, que metteffem [dous me- ninos em hum curral de cabras, e ao paftor, que os pufeffe ás mammas das mefmas cabras; e, em quanto os amamentaffe; não fallaffe nenhuma palavra perante elles. {{lema|AMANÇA}}. s. f. antiq. e pouc. uf. Amor. F. MARC: Chr. 2, 10. cant. 22 Que lhe amoftre a fé, Ondė he ve- ra amanca, He chêa a efperança, Donde he o amor boato. {{lema|AMANCEBADO, A}}. p. p. de Amancebar, Leir. D'AN- DRAD. Mifc. 12 336. Leão, Chr. de D. J. I. 45. BRIT. o Mon. t. I. tit. 1. -Subit. Luz, Serm. I, 159, 1 Como efta, que vi- nha bufcar agoa para a ter em cafa, frefca para o feu Smancebado. {{lema|AMANCEBAMENTO}}, s. m. Trato illicito entre homem e mulher por targo tempo. FERNAND: GALV. Scrm. I, 131, 24 Se póde julgar o grande perigo, em que o peccado de amancebamento o havia pofto. LEN. DE AFONS. Comm. -61, 5 O amanecbamento ainda que não foffe condemnado -de Direito Civil. com tudo de Direito Canonico e Di- vino, a que fe deve obedecer, he prohibido e reprova- do. M. BERN. Arm. 22 O amaneebamento /he hum dos vicios, que Deos mais frequentemente caftiga com mor- res repentinas, {{lema|AMANCEBAR}}. v. a. Só fe ufa com pron. petl. Ter trato illicito homem e malker por largo tempo. Bair. Mon. 57, 1. tit. 19 Deft cafamiento da gentia deo Sansão em outro abfurdo menos decente á fua pelloa, amanceban- -dofe na Cidade de Gaza com huma mulher publica. PER. ab D'Arons. Poder. 10, 250 Lhe foi occafião de fe aman- cebar com mulheres de varias nações. {{lema|A'MANHÃA}}. fórm. adv. Vej. Manhaa. {{lema|A'MANEIRA}}. fórm. adv. Vej. Maneira. {{lema|AMANHADO, A}}. p. p. de Amanhar.. EUFROS. 5, 8. {{lema|AMANHAR}}. v. a. Agritar, concertar, fazer artificiofamen- carte. De Mão. VAL. FERNAND. Report. Eu fam Agofto, que amanho as cubas, Pipas e quartos pera o cumo das ubas. FR. ISID. DE BARBEIR. Vid. 25 (Doação do Rei nado de D. Din.) Se vio fcccamente o feu moimento, cá fe não póde amanhar com ferramenta. Dizfe particularmente da lavoura e agricultura. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 5. n. 199. p. 632 O cuidado de amanbar e tratar da vinha, nunca diz, bafta, mas he inexhaufto. BLUT. Vocab. Amanlar, na Beira val o mesmo val o que matar qualquer animal. Amanhar. com pron. peff.. Difpörfe , accommodarfe a fazer alguma coufa. GIL Vic. Obr. 4, 225 Por Deos bem vos amanbais, E não he melhor folgar, Que trabalhar por demais. MACHAD. Alf. 1, 59 Que biftrinfa efte nurganho A lingoagem de Caftella, E cu ca- chopo tamanho, Que nom fei trincar por ella, Por mais que a iffo me amanho. D. F. MAN. Cart. 2, 10 Eu não me amaubo ja topar a quem queira bem. Adag. Cada qual como fe antanha BLUT. Vocab. {{lema|AMANHECENTE}}. ant. p. a. de Amanhecer. GaLv. Chr. 26 Andando toda a noite, até a mata, que 'cftá fobre Perues, onde chegarão fexta feira amanhecente. {{lema|AMANHECER}}. v. n. impeff Principiar a efelarecer on a raiar o dia. Sa' Dà Min. Vilhalp. 5, 1 Ainda bem náo amanbeee. Leão, Chr. de D. Aff. Henr. 38 Andou toda a noite até á mata, que cftá fobre Pernes, onde che- gárão à fexta feira, querendo amanhecer. VIEIR. Serm. 4, 12, 3. n. 426 Em quanto não amanhece confervafe e prefevera a noite, tanto que amanheceo, ficou acabada e perdida. on Raiar, começar a esclarecer. Do Sol ou do dia. BARR. Paneg. 33, 322 Não fei que diga por efte tão bom dia, como nos amanhecco. FBRR. Poem. Son. 13 13 Aquelle Sol formofo, que na ferra Nos foe amanhecer, BAIT. Mon. 1, 4. c. 11 Amanheceo o dia feguinte com notavel ob gofto dos foldados de Cefar.m Mer. ARR. Dial. 8, 3 Suppliquemos com humilda- de á Divina Luz, que nos amanheça. Sous. Vid. 3, 20 Afli vacillando valeolhe huma luz da Divma graça, que The amanheceo n'alma. VIEIR. Serm. 5, 8, 3. 11. 264 En- tão fahe ou amanhece, como Sol de entre nuvens, o lu- me do entendimento e da razão.. ob Amanhecer. Chegar a algum lugar, ou apparecer nelle ao romper da manhãa, GOES, Chr. de D. Man. 1, 12 Caminhando a fio, forão amanhecer fobela aldea. Cour. Dec. 5, 8, 3 Áo outro dia forão amanhecer ao pé daquella Fortaleza. Maus. Aff. Afr. 10, 156 Amanbe- ee fobre cila Cidade] de repente, Dando cfpanto e temor a tanta gente. o Apparecer de novo ou manifeftarfe ao romper da ma- uhaa ou com a primcira luz do día. Fx. GASP. DA CRUZ, Tr. 2, 4 Ha no fertão... muita abundancia de peixe do mar, de maneira que todolos dias amanhecem as pra- ças chèas de peixe.frefco do mar. MEND. PINT. Peregr. 6 to Amanhecerão mortos Nuno Delgado, e André Borges. Luc. Vid. 1, 3 Amanheceo ao dia feguinte o enfermo com os cordeis fora: auto Met. Começar a manifeftarfe alguma coufa profpera. SOTTOM. Ribeir. 1927 Quando quizer o cco, que ama- nheça a minha fortuna. TELL. Chr. 1 1, 5. n. 7 Veio o dia, c. com elle lhe amanheceo a faude. D. F. MAN. Epa- naf. 3, 288 Porque. fendo o defengano noite do dia dos amores, já mais erá poffivel declinar ao aborrecimento aquelle, a quem nunca intereffes havião amanhecido. Principiar a fer on exiftir. HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 5 Quando [Diocleciano] fe vio fóra do Imperio, différa, que então amanhecia, e que defd'aquella hora por dian- te começava a viver. CHAG. Obr. 1, 9, 9 O primeiro pallo de tempo; com que todos amanhecemos na caduca aurora da vida, he o primeiro, que apreflamos para o occidente da morte. Amanhecer. act. pouc. uf. VIEIR. Serm. I, 4, 4. col. 245 E quem foi a Aurora, que amanheceo ao nun- do efte dia tão alegre, tão falutifero e tão vital, fe- não aquella Luz Divina ? Uſafe como adj. e fe lhe ajuntão os adverbios Bem Com pron. peff. pouc. uf. O mesmo que Amanhe- . ou Mal, e fe diz das peffoas bem ou mal veftidas é à- taviadas. FER. Lor. Chr. de D. J. I. 2, 48 Erão pro- vemente e mal amanhados.. TELL. Hift., 15, 41 Po- rém aflim como cftes calções dos mais fidalgos são juftos, allim: os dos outros são do feitio das bragas...com que -Landão os Abexins] muito mal amanhados. cer. Maus. Vid. 4. 38 Voume fazendo aquella ar- vore trifte, Que a India Oriental produz e cria... Sécca, murcha, fem gloria fe amanhece. Adag. Amanhceerd, fararnoshá Deos merce. DELIG. Adag. 76. Nem por muito madrugar, amanhece mais afinha on mais cedo. FER. DE VASc. Ulyflip. 1, 2. CAM. Filod. 145. DELIC. Adag. 36. {{lema|AMANHECIDO, A}}. p. p. de Amanhecer. PER. Elegiad. 3, 39 Bem como quando a frefca e fuave. rofa Polo avaro Outono amanhecida Na. desfolhada planta &c. ARAUJ. Succeff. 3, 12 Amanhecido, fe foi o Meltre de Campo a Eljas. {{lema|AMANHO}}. s. f. uí. Aeção e effeito de amanbar. Pl. Inftrumentos, apparelhos neceffarios para fazer alguma obra. PINT. RIs. Ufurp. 17 Tomando e vendendo os penhores, que pela maior parte crão os pobres ama- nhos e veftidos das cafas e peffo as dos executados com defcrida deshumanidade. {{lema|AMANSADO, A}}. p. p. de Amanfar. D. CATH. INF. Regr. 1, 15. FERR. Poem. Cart. 2, 4. VIEIR. Serm. 8, 330. {{lema|AMANSADOR}}. s. m. ORA. f. O que amanfa. FR. TH. DE JES. Trab. 1, 23, 520 Adorovos maior que Jonas, vence- dor da morte, anianfador dos mares das tribulaçães. FERNAND. GALV. Serm. 3, 180, 4 De hum mancebo co- mo Daniel [fez Deos] Juiz do povo, amanjador dos leões, &c.<noinclude></noinclude> i86ui27qfnf1mirjnfaemgh57dwtab0 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/465 106 257145 561200 2026-09-01T09:13:06Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A MA No fem. BENT. PER. Thef. {{lema|AMANSADURA}}. s. f. Acção e effeito de amanfar. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|AMANSAR}}. v. a. Domefticar, tirar a braveza, fazer man- fo, tratavel, e docil bum animal feroz. ARR. Dial. 3, 35 De modo que a arte magica a não póde amanfar, nem acabar com ella [ferpente ] que ponha de parte o vene- no. SILV, DE LIZ. 64 Ceffa Lizardo já de eftar queixofo (Lhe diffe a bella Silvia) que effas d... 561200 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA No fem. BENT. PER. Thef. {{lema|AMANSADURA}}. s. f. Acção e effeito de amanfar. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|AMANSAR}}. v. a. Domefticar, tirar a braveza, fazer man- fo, tratavel, e docil bum animal feroz. ARR. Dial. 3, 35 De modo que a arte magica a não póde amanfar, nem acabar com ella [ferpente ] que ponha de parte o vene- no. SILV, DE LIZ. 64 Ceffa Lizardo já de eftar queixofo (Lhe diffe a bella Silvia) que effas dores Amanfarão hum Tigre furiofo. TELL. Chr. 1, 1, 33. n. 9 Differão os Gregos do feu Orphco, que o feguião as pedras, que amanfou Tigres, &c. Met. Socegar, apaziguar. As peffoas, principalmen- te dominadas de alguma paixão. FERR. Poem. Caftr. 1 Ferve o fangue, arde o peito, crefceme ira Contra quem me perfegue: tu me amanfas. Can. Luf. 6, 91 Defta maneira as outras amanfavão Subitamente os ou- tros amadores. TELL. Chr. 1, 1, 36. n. 9 Foi mui fa- cil... amanfar e reger aquelle povo táo feroz. Mitigar, moderar, refrear. As paixões. BARR. Dec. 2, 1, 2 Sómente que ella amanfou a foberba daquella Cidade. CAM. Luf. 4, 41 E porque mais aqui fe amanfe e dome A foberba do imigo furibundo. Sous. Hift. 1, 3, 23 Que fem dúvida feria remedio poderofo pera o Senhor amanfar a fua ira. Serenar, abonançar, fazer tranquillo. O mar, a tempeftade, o vento, &c. Tambem fe ufa com pron. peff. FR. SIM. COELH. Chr. 1, 16, 67 Contão os Antigos, que andando o mar em tormenta no inverno, quando ella [alcione] põe feus óvos, fe amanfa. Cam. Canç. 9, 5 O que irado mar gemendo amanfo. FR. MARG. Vid. 2, z Orando amanfou a tempeftade do mar e dos ventos. Diminuir, enfraquecer, abrandar. A vehemencia ou intensão de coufa incommoda. D. MAN. DE PORTUG. Obr. 9, 199 Cuidando de amanfar a fede eftiva FERR. Poem. Cart. 2, 11 Humas [agoas] feguindo as outras nunca cansão, A fonte fempre viva, fempre mana, E o ca- minhánte a ardente fede amanfa. Paiv. Serm. 1, 248 y Nenhuma coufa póde amanfar eftcs medos. Amanfar. neutr. Domefticarfe deixar ou perder a braveza. Dos animaes. Maus. Aff. Afr. 8, 119 y Mais fe enreda [a avezinha e já de fraca amanfa. F. DE MEN- Doç. Serm. 2, 95, Paraque os animaes bravos entre os manfos amanfassen. Met. Ufafe em todas as fobreditas fignificações da voz activa. Pix. Chr. de D. Din. 22 Por.ver feu filho tão fem razão contra fi, fem nunca querer amanfar. BER- NARD. RIB. Menin. I, 8 Era já manhãa quafi, c a dôr não amanfava. CORT. R. Cerc. 10, 137 Aguardão que hum bom tempo lhes conceda Viagem, amanfando o mar inchado. Adag. Amanfe fua fanha, quem por fi mefmo en- gana. DELIC. Adag. 36. Cafaris e amanfarás. FERR. DE Vasc. Ulyflip. 1, I DELIC. Adag. 45. Não debalde fe diz, cafareis e amanfareis. M. BERN. Medir. 15, 3 O dictado commum; defpofartehas e aman- farás. Pouco damno efpanta, e muito amanfa. DELIC. Adag. 71. {{lema|AMANTE}}. p. a. de Amar. Que ama. CAM. Luf. 7, 10 Ajuntarem o exercito inquieto Contra os povos, que são de Chrifto amantes. CEIT. Quadrag. 1, 188, Porém como da vontade feja proprio levar a peffoa amante à. coufa amada, &c. D. F. MAN. Epan. 2, 153 Devem os homens amantes da razão, guardar em fuas acções huma tal ordem, que &c. Subft. m. e . O namorado, o que anda de amores. EUFROS, I, IO amante fabe o que defeja, mas não vé o que lhe cumpre. CAM. Luf. 5, 54 Que he grande dos amantes a cegueira, RIB. DE MAC. Ariftip, 3 Porque a Dama não coftumava cançar a conftancia dos amantes. No fem. CAM. Od. 3, 8. E c'os teus olhos ver a doce amante. Luz, Tr. do Defej. 5, 7 Apontei cfta doçura do amor, paraque de todo fe perfuada a alma devora, que então fe tenha por verdadeira amante do Efpofo, quando em tudo, que foffter por amor delle, achar doçura. M. BERN. Floreft. 4, 1, 273 Tambem foi fuggerido pelo Efpirito Santo o bizarro lance da fina amante do Senhor a Magdalena Santa. Epith. Affigido. CORT. R. Naufr. 7, 79. Amavel. Sous. DE MAC. Ev. 1, 12, 51. n. 16. Anciofo. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 19, 8, 153. Atrevido, PAIV. DE AN- DRAD. Cafam. 7. Bruto (o touro.) CAM. Luf. 3, 66. Ce- go. CAИ. Od. 10, 8. Charo. Maus. Aff. Afr. 9, 134, Defacordado. Loe. Peregr. 2, 5. Defifperado. Conr. R. Naufr. 7, 79. Defprezado. FERR. DE VASC. Auleg.. 5, 6. Doce. CAM. Od. 3, 8. Enganado. VIEIR. Scrm. 2, 13, 4. n. 415. Enternecido. M. BERN. Luz e Cal. 2, 1, 236. Extremado. MEMOR. DAS PROEZ. I, 13. Falfo. PURIF. Chr. 2, 5, 3. §. 24. Forvente. CARDOS. Agiol. 3, 82. Fervido. CAN. Luf. 6, 46. Fiel. Cam. Od. 1, 10. Luz, Serm. 2, 2, 179. col. 1. Fino. L. Anv. Serm: 3, 20, 3. n. 5. Firme. CAM. Luf. 6, 89. Furiofo. SA' DE MEN. Mal. 11, 75. Immenfo. CORT. R. Nautr. 17, 206. Im- paciente. Sous. DE MAC. Ev. 3, 31, 405. n. 3. Il- canto. Cam, Luf. 2, 38. Infinito das neffas almas. (Fe- fus Chrifto.) VIEIR. Serm. 8, 321. Infigne. MONTEIN. Art. 25, 30, 46;. Lafcivo. PAIV. DE ARDRAD. Cafani. 7. Leal. SiLv. DE Liz. 102. Mal pagado. ORIENT. Lu- fit. 120 . Mdo. FERNAND. GALV. Serm. 3, 81, 2. Mi- fero. Ca. Luf. 5, 48. Novel. Maus. Aff. Afr. 12, 185 y. Prefeito. GIL Vic. Obr. 3, 145 . Primorofo. L BRAND. Medit. 2, 4, 115. P. 91. Profano. M. BERN. Luz e Cal. 2, 2, 304. Querido. FERR. DE VASC. Aule- gr. 5, 6. Maus. Aff. Afr. 1, 11. Karo. SALGAD. Thea- tr. 2, 13. Requebrado. PAIV. DE ANDRAD. Cafam. 6. Re- finado. LisB. Jard. 89, 35. Ruim (bem) Luz, Serm. 2, 2, 68. col. 2. Secreto. Sa DE MEN. Mal. 6, 87. Sempi- terno. (Deos.) SA LE MEN. Mal. 2, 45. Singular. CEIT. Quadrag. 1, 301, 2. Soffrido. Sous. DE MAC. Ev. 2, 31, 405. n. 3. Sellicito. ANDRAD. Cerc. 9, 42, 2. Ter 10. CASTR. Ulyt. 10, 23. Timido. MATT. Jeruf. 13, 446 Torpe. M. FERNAND. Alm. 3, 3135. P. 587. Trifte. CAM. Ecl. 2, 41. Vão. FERR. DE VASC. Ulyfip. 2, 6, Verdadeiro. LoB. Primay, 2, 7. Lisa. Jard. 81, 13. {{lema|AMANTEIGADO, A}}. adj. uf. Semelhante à manteiga. Met. Brando, benigno. CEIT. Scrm. 1, 71, 2 Per modo que lhe veio chamar o Profera Ifaias, hum Dcos amanteigado. {{lema|AMANTELADO, A}}. adj. Fortif. Cercado de muros. BLUT. Vocab. {{lema|AMANTES}}. s. m. pl. Matinh. Os apparelhos para puxar as ancoras. BLUT. Vocab. Supp!. {{lema|AMANTIFORMA}}. adj. [bondade] Theol. D. HILAR. Voz 36, 202 Por confeguinte o mefmo dizemos quando a vontade perfeitamente he affecta à bondade amantiforma, e a memoria compridamente forvida neffe fummo e al- tiflimo bem, que he effe mefmo Deos, gloria dos bem- aventurados. {{lema|AMANTILHOS}}. s. m. pl. Matinh. Certos cabos, que vão das pontas das vergas abaixo da gavea em buma polé, é vem a fazer fixo perto da enxarcia. Cour. Dec. 5, 8, 2 Dons delles os amantilhos, outros dous as efcoftas das gaveas, &c. Met. M. BERN. Floreft. 1, 5, 178, A As [mulhe res] que andão nos alhèos [pés] uccellitão de muito mais cnxarcia, enfrexadura, e amantilhos. {{lema|AMANTISSIMO, A}}. fuperl. de Amante. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 41, 226 y. ARR. Dial. 9, 17. Luc. Vid. 5, 201 {{lema|AMANUENSE}}. s. m. O que efcreve ou traslada o que ou tro dicta cu compõe. Do Lar. Amannenfis. M. BERN. Flo reft. 3, 3, 134, C Amanuenfe do Sagrado Evangelifta. {{lema|A' MÃO}}. fốm. adv. Vej Mão. {{lema|A' MÃO TENENTE}}. form. adv. ant. O mefmio que A' mão tente. Bann. Dec. 3, 3, 2 Por. meio de fógos, lettas, e outros aguilhões de morte, huns de arremieço, outros dmo tenente. {{lema|A' MÃO TENTE}}. fórm. adv. Com muita força, on fent defeza do que recebe algum golpe. CASTANH. Hift. 5, 59 Forão feridos feffenta e tantos, os mais delles de lança- das à mão tente. PINT. PER. Hift. 2, 47, 236 Dandolhe tantas portadas à mão tente, que &c: FEO, Serm. has Exeq. i Matar Deos hum Rei, he huma bofetada, que dá, e á mão tente na melhor parte defte corpo myftico, o rosto. {{lema|A MÃOS LAVADAS}}. fórm. adv. Vej. Mão. {{lema|AMAR}}. v. a. Querer bem, ter amor e affeição. Do Lat. Amare. CAM. Luf. 8, 11 Efte he aquelle zelofo, a quem Deos ama. Luz, Serm. 1, 32, z Que coula he amer fenão bem quercr C ter huma vontade mui prompta para tudo o que fe offerecer do ferviço do amigo? VIEIR. Serm. 8, 86 O amar, definido pelo mefmo Sanito Thomás, e por Ariftoteles: Eft velle bonum: Amar he querer bem. Abf. Ter amores, eftar namorado. FERR. DE VASc.. Ulyffip. 1,8 Trifte e cativa coufa he a mulher, que ama. Can. Luf. 6, 91 Ella lhes prometteo (vendo que amtavão Sempiterno favor em feus amores. FERNAND<noinclude></noinclude> 182i83135t453vm2sflm9g85tykijcz Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/466 106 257146 561201 2026-09-01T09:17:21Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 258 A MA Palm. 3, 58 Ordinatia cegucira he de quem ama, cui- dar que ninguem fente o proceffo de feus cuidados. Met. Eftimar, apreciar, ter em muito. CAM. Luf. 9, 18 Amio fómente mandos e riquezas. Luc. Vid. 2, Mas fendo... efta empreza geral... táo fingularmen- te a amou em todos o P. Francifco... como fe a elle fó a cncommendára Deos. BRIT. Chr. 1, 6 Fiquevos o cuidado de fazer que aquelles, que não o ermo, def- cancem nelle. Quere... 561201 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>258 A MA Palm. 3, 58 Ordinatia cegucira he de quem ama, cui- dar que ninguem fente o proceffo de feus cuidados. Met. Eftimar, apreciar, ter em muito. CAM. Luf. 9, 18 Amio fómente mandos e riquezas. Luc. Vid. 2, Mas fendo... efta empreza geral... táo fingularmen- te a amou em todos o P. Francifco... como fe a elle fó a cncommendára Deos. BRIT. Chr. 1, 6 Fiquevos o cuidado de fazer que aquelles, que não o ermo, def- cancem nelle. Querer, defejar, appetecer. D. CATH. INF. Regr. 2, 4 Qual he o homem, que quer a vida, e ama ver os bons dias. VIT. CHRIST. 3, 13, 37 y Os homens amão .em efta terra viver. Efcolher, feguir. BRIT. Chr. 1, 5 Amando hum meio difcreto, acompanhado com a medida da razão, ordenai tudo em tão boa traça, que 8cc. Adv. c form. Affectuofamente. A. DE VASC. Anj. 2, 4, 2. part. I. p. 18. A lufadas. Luz, Serm. 2, 90, 4. Ardentemente. Paiv. Serm. I, 199 y. Benignamente. GRAN. Comp. 2, 19. Brandamente. EUFROS. 5, 5. Carualmente. FR. G. DA SILV. Vid. 1, 10. Caramente. MOR. Palm. 2, 169. Caftamente. D. CATH. INF. Regr. 2, 15. Cegamente. PAIV. Serm. 1, 28 y. Com affecto entranhavel." ESPER. Hift. 1, 4, 28. n. 4. Com amor ardente, exceffivo, &c. FR. MARC. Exerc. 3, 15. PAIV. Serm. 1, 24. Com efficacia. PAIV. Serm. 1, 317 y. Com exceffo grande de affeição. FR. BERNARD. DA SILV. Defenf. 2, 39. Com extremo grande. VIEIR. Serm. 2, 2, 3. n. 37. Como alg. c. v. g. como a mefma vida, como a propria alma, como o lume dos olhos, c. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 17, 491. S MAR. Chr. I, I, 3. n. 5. Com toda a alma. Fa. SiN. COELH. Chr. 1, 7, 27. Com todas as forças. Luz, Serm. 2, 2, 76. col. 1. Con todo o coração. FR. T. DE JES. Trab. 1, 2, 70 . Conftantemente. Paiv. Serm. 1, 280. Cordealmente. ARR. Dial. 4, 17. Da alma. BRIT. Chr. I, 14. Das entraubas do coração. FR. MARC. Exerc. 26, 122. De amor puro e fincero. "CORT. R. Naufr. 2, 20. De coração. MEND. PINT. Peregr. 113. Delicadamente. D. CATH. INF. Regt. 2, 14. Demasiadamente. HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 2. De prefeito coração. FR. MARC. Exerc. 54, 258. Defatinadamente. BARRET. Flos Sanct. 2, 263, 2. Deshoneftamente. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 19. Defintereffadamente. A. DE VASc. Anj. 2, 4, 1. part. 4. p. 12. Defordenadamente. VIEIR. Voz. 15, 7, 6. p. 2oz. De toda a alma. BARR. Paneg. 19, 314. De todas as forças. BARR. Paneg. 19, 314. De todo o coração. FR. SIM. COELH. Chr. 1, 7, 27. De todo o entendimento. L. BRAND. Medit. 4, 7, 382. p. 565.' De veras. Paiv. Serm. 1, 302 . De verdade. GRAN. Comp. 2, 6. Diffimuladamente. Feo, Tr. Quadr. 1, 23, 4. Do- cemente. D. CATH. INF. Regr. 1 8. Do coração. PIN. Chr. do D. Din. 19. Do intimo da alma. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 39, 191. Do peito. CAM. Luf. 3, 46. Efficazmente. A. DE VASC. Anj. 2,5,6. part. 2. p. 530. Em cxtremo. LEÃO, Defcripç. 89. Em grão maneira. Sous. COUTINH. Cerc. I, 15. Em particular. ARR. Dial. 1, 2. Em fua alm. PER. D'AFONS. Poder. 12, 312. Em vão. FERR. Poem. Ecl. 10. Encarecidamente. FEO, Tr. 2, 21, 2. Enganofamente. CHAG. Ramilh. 2, 3. Enternecidamente. FERNAND. GALV.. Serm. 1, 140, 1. Entraubavelmente. BRIT. Mon. 2, 7. c. 1. Erradamente. VISIR. Serm. 4, 11, 9. n. 417. Efpecial- mente. Azur. Chr. 3, 41. Efpiritualmente. Feo, Tr. Qua- dr. 2, 98, 1. Eftraubamente. Liss. Jard. 298, 5. Eftreita- mente. CART. DE JAP. I, 243, 3. Eftultamente. M. FER- NAND. Alm. 3, 2, 7. n. 5. p. 297. Excellentemente. Luz, Serm. 2, 2, 183. col. 1. Extraordinariamente. VIEIR. CART. 1, 28. Extremadamente. MOR. Palm. 2, 169. Ex- tremofamente. VIEIR. Serm. 7; 1, 4. n. 7. Falfamente. VIEIR. Serm. 4, 11, 9. n. 417. Familiarmente. VIT. CHRIST. 3, 3, 7. Ferventemente. D. HILAR. Voz, 33, 189. Fervorofa- mente. Feo, Tr. Quadt. 2, 98, 1. Fideliffimamente. FR. T. DE JES. Trab. 2, 45, 307. Fielmente. VIEIR. Serm. 14, 1, 6. n. 34. Finamente. VIEIR. Serm. 4, 1, 2. n. 5. Fingidamente. L. BRAND. Medit. 1, 2, 65. p. 404. Fora da medida dos outros. LEÃO, Defcripç. 88. Fortemente. Luz, Serm. 1, 2, 54. col. 3. Friamente. L. BRAND. Me- dit. 2, 5, 167. p. 391. Graciofamente. Luz, Tr. do De- fej. 5, 9. Grandemente. ANDRAD. Cerc. 2, 8, 3. Ros. Vid. 2, 164, 4. Gratuitamente. FR. THOM. DA VEIG. Serm. 156, 3, 12. Heroicamente. VIEIR. Serm. 7, 11,9. n. 369. Honeftamente. PARAD. Art. 1, 24, 57. col. 2. Humildofa- mente. D. CATH. INF. Regt. 2, 15. Illicitamente. CALV. Homil. 1, 117. Imperfeitamente.. CALV. Homil. 2, 538. Incançavelmente. VIEIR. Serm. 7, 1, 4. 11. 7. Infinitamen- te. FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 20. Injustamente. CALY. Homil. 1, 140. Intenfamente. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 120, 20. Intimamente. VIEIR. Serm. 2, 10, 2. n. 297. Lealmente. PIN. Chr. de D. Aff. V. 37. Liberalmente. FR. THOM. DA VEG. Serm. 156, 3, 12. Limpamente. FR. SIM. COELH. Chr. 2, 20, 188. Loucamente. M. BERN. Luz e Cal. 2, 3, 360. Mais que alg. c. v. g. mais que a pro- pria vida, mais que a fi, &c. BARR. Clarim. 3, iog. CORT. R. Naufr. 7, 69. Nas entranhas. Luz, Serm. 3, 35, 1. Naturalniente. Parz, Serm. 2, 221, 4. Orde- nadamente. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 20. Particularmente. BRIT. Chr. 3, 32. Paternalmente. FR. MARC. Exerc. 8, 42. Perdidamente. VIEIR. Serm. 14, 2, 5. n. 63. Perfeitamen- te. CEIT. Quadrag. 1, 46, 3. Por extremo. CART. DE JAP. 2, 20, 2. Primorofamente. L. BRAND. Medit. 2, 5, 150. p. 292. Prudentemente. Luz, Serm. 1, 2, 54. col. 3. Pu- ramente. FR. MARC. Exerc. 29, 134 . Remiffamente. L. BRAND. Medit. 2, 5, 167. p. 391. Sabiamente. Fɛo, Tt. Quadr. 2, 98, 1. Saborofamente. M. BERN. Luz e Cal., 8, 161. Sem limite. FR. THOM. DA VEIG. Confid. 1, 3, 8. n. 3. Sem medida. FERNAND. GALV. Setm. 2, 117, 1. Sem refpeito de premio. FR. MARC. Exerc. 29, 134 . Sem ter- no. FERNAND. GALV. Serm. 2, 107, 3. Senfualmente. D. CATH. INF. Regr. 1, 22. Singularmente. Luc. Vid. 2, 3. Sobejamente. PAIV. Serm. 2, 174. Sobre mancira. FR. SIM. COELH. Chr. I, 20, 84. Sobre modo. BRIT. Mon. 1, 2. c. 20. Sobre todas as confas. Luz, Tr. do Defej. 3, 3- Sobre todo o amor. GRAN. Serm. 10, 39. Sobre todo o encarecimento. Fɛo, Tr. 2, 55, 2. Suavemente. Luz, Serm. 1, 2, 54. col. 3. Summamente. Paiv. Serm. 1, 40 y. Temerariamente. PAIV. Serm. I, 28 y. Teuramente. FEO, Tr. 1, 11, 4. Terniffimamente. VIEIR. Voz. 15, 6, 1. n. 131. Tibiamente Paiv. Serm. 1, 312 y. Torpemente, Leão, Defcripç. 45. Totalmente. FR. MARC. Exerc. 54, 258. Valentemente. D. CATH. INF. Regr. 2, 18. Väamente. CALV. Homil. 1, 140. Verdadeiramente. BARR. Clatim. 2, 48. Unicamente. VIEIR. Serm. 2, 9, 5. n. 281. Adag. Ama quem te ama, refponde a quem re chama, andarás carreira cháa. EUFROS. 2, 4. Amar e faber não póde fer, on a poucos fe concede. FERR. DE VASC. Ulyflip. 1, 8. A mulher que a dous ama, a ambos engana. Bem ama quem nunca fe efquece. DELIC. Adag. 1. Dos filhos, o que falta, effe mais fe ama. DELIC. Adag. 79. O bom pai amefe, o máo foffrafe. DELIC. Adag. 69. Quem ama a Beltrão, ama o feu cão. DELIC. Adag. 3.. Quem ama a mulher cafada, traz a vida empreftada. DELIC. Adag. 3. Quem ama o Frade, amelhe o capello. HERN. NUN. Re- fran. 96 y. Quem ama, fabe o que defeja, e não fabe o que lhe cumpre. EUFROS. 2, 5. Quem o feio ama, formofo the parece. FERR. DE VASC. Ulyffip., 6. Loв. Peregr. 1, 11. Quem te não ama, em praça ou em jogo te defama. Eu- FROS. 2, 4. HERN. NUN. Refran. 96. DELIC. Adag. 78. Tudo acaba fenão o amar a Deos. BLUT. Vocab. {{lema|AMARACO}}. s. m. Poet. e pouc. uf. O mefmo que Man- gerona. Do Lat. Amaracus. CASTR. Ulyff. 1, 78 O a- chanto e amaraco, que extincto, De feus aromas o vapor derrama, {{lema|AMARADO, A}}. p. p. de Amatar. CASTANH. Hift. 7, 92. L. ALv. Serni. 2, 14; 2. n. 6. {{lema|AMARAMENTE}}. adv. mod. O mefmo que Amargamente. D. HILAR. Voz, 16, 97 E vejas e contemples aquel- le, que padeceo tão amaramente por amor de ti. Ros. Vid. 2, 116, I Chorando amaramente, debaixo da.fi- gura, ouvio hurma voz, que lhe difle &c. {{lema|AMARANTEZES}}. s. m. pl. Os naturaes on moradores de Amarante, Villa de Portugal, na Provincia de Entre Douro e Minho. Sous. Hitt. 3, 3, 6 Afli a venerão os Amarantezes. {{lema|AMARANTO}}. s. m. O micfino que Papagaios; ainda que os noflos Autores o tomárão muitas vezes por Perpetua. Do Lat. Amarantus. CAM. Od. 1, 15 E efte frefco amaran- to, Humido inda do pranto, &c. FAR. E Sous. Comni. » Amaranto es aquella flor dorada, que nunca fe marchi- ta, y fe llama del Amor, y amaranto quiere dezir im- marceffible.» VIEIR. Serm. 5, 8, 7. n. 290 O Ama- ranto, como diz Plinio, he huma flor, a qual porque nunca fe murcha, mereceo desde a antiguidade o nome de immortal. M. BERN. Floreft. 5, 4, 258, B Por fó- ra todas as folhas são brancas, como a côr das fo- lhas do amaranto, que chamamos perpetuas. {{lema|AMARAR}}. v. n. Fazerfe ao mar, engolfarfe, metterfe ao mar.<noinclude></noinclude> f02w4x3d6qdszpqnu9703tx8ru9ft5l Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/467 106 257147 561202 2026-09-01T09:22:38Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A MA mar largo. Comnummente fe ufa com pron. peff. LEM. Cerc. 1, 9 Defignando [a armada] en je amarar. TELL. Hift. 3, 2, 213 Tanto que aviftáráo Dofár, fe amard- rão pera não ferem viftos da terra. {{lema|A'MARAVILHA}}. fórm. adv. Vej. Maravilha. {{lema|AMARELLADO, A}}. adj. pouc. uf. O mefmo que Amarel- lento. DELIC. Adag. 41 Afli he o marido amarellado, como cafa fem telhado. {{lema|AMARELLECER}}. v. n. Fazerfe amarello. D. CATH.... 561202 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA mar largo. Comnummente fe ufa com pron. peff. LEM. Cerc. 1, 9 Defignando [a armada] en je amarar. TELL. Hift. 3, 2, 213 Tanto que aviftáráo Dofár, fe amard- rão pera não ferem viftos da terra. {{lema|A'MARAVILHA}}. fórm. adv. Vej. Maravilha. {{lema|AMARELLADO, A}}. adj. pouc. uf. O mefmo que Amarel- lento. DELIC. Adag. 41 Afli he o marido amarellado, como cafa fem telhado. {{lema|AMARELLECER}}. v. n. Fazerfe amarello. D. CATH. INF. Regr. 2, 6 Mas aquellas [raizes] feccas, toda a arvo- re amarellere, e te perde. FERR. Poem. Ecl. 10 A mão te treme, o rofto amarellere. ANDRAD. Cerc. 17, 88, 1 E o contrario á infiel face acontece, Que fendo antes purpurea, amarellece... Tambem fe lhe ajunta o pron. peff. JER. CARDOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|AMARELLEJAR}}. v. n. pouc. uf. Apparecer ou moftrarfe amarello. M. GODINH. Rel. 28, 179 Quando por alli paf- fei, era tempo de gieftas, e como erão muitas, amarel- lejavão as Terras, deitando de fi tal fragancia, que con- vidavão à ficar nellas. {{lema|AMARELLENTO, A}}. adj. Algum tanto amarello, que ti- ra para amarello, ou que tem a cor de hum amarello bai- xo ou deslavado. CURV. Obferv. 50, 7 E fe converterá [o licor de branco em amarellento efpeffo. {{lema|AMARELLEZA}}. s. f. antiq. e pouc. uf. O mefmo que Amarellidão. FR. MARC. Chr. 2, 10 cant. II Côr, que natural tinha de belleza, De muito aviltado, toma amarelleza. ado, toina {{lema|AMARELLIDÃO}}. s. f. Cor amarella do corpo humano Diz- fe particularmente do rofto por enfermidade, melancolia, fufto,&c. HEIT. PINT: Dial: 2, 3, 3 Fica o rofto vef- tido de amarellidão. FR. MARC. Vid. 6, 16 Em cujo corpo morto contra natureza dos outros, que fedem, fe via a luz por amarellidão, e o cheiro por o fedor. CORT. R. Cerc. 11, 166 Mudando a viva côr, e ledo rofto N'huma amarellidão e mortal fombra. {{lema|AMARELLINHO, A}}. adj. dim. de Amarello. LEON. DA COST. Ecl. 2, 7. {{lema|AMARELLO, A}}. adj. Que na cor be femelhante ao curo, ou de cor entre branco e vermelho, igualmente diftante de hum e outro. Segundo Covarrubias o a he articulo Ara- bigo, que fe accrefcenta ao Greg. mapin', languidus ig- nis, fogo, que não refplendece. BARR. Dec. 3, 2,5 Seu habito he de panno de algodão, e de cor amarella, por- que todo o amarello pela femelhança, que tem com o ouro, he dedicado a Deos. EUFROS. 1, 1 A rapariga ef- tava bonita como o ouro, de fua vafquinha amarella, quartapizada, em mangas de camifa. CAM. Luf. 5, 39 A bocca negra, os dentes amarellos. Dizfe do corpo humano, e patticularmente do rof- to por natureza, ou por doença, fufto, &c. MoR. Dial. 2, 22 Ah, Senhor Doutor, que nunca vos viftes com cem bombardas groffas affentadas, nelles peitos, e as fa- ces amarellas como cera. CORT. R. Cerc. 14, 242 Ama- rello na côr, inchado o peito. BRIT. Chr. 1, 16 Conge- landofe o fangue, fe deixou o Santo eftar tanto efpaço, que fe fez amarello, e perdeo a cor de vivo: Differençale o amarello, fegundo he mais ou me- nos vivo, cm amarello claro, gualdo, toftado, &c. Lon. Primav. 1, 9 Veftião de azul claro e amarello toftado. Cort. 13, 125 As creadas veftião de cetim ama- rello gualdo com guarnição de prata. SALGUEIR. Rel. 48 Calções de damafco amarello toftado. Subft. Cor amarella. ALBvQ. Comm. 3, 18 Ninguem póde veltir amarello fob pena de morte, fe não o Rei da terra. SANT. Ethiop. 1, 3, 17 Tem outra concha... pin- tada de amarello, e preto. CABREIR. Comp. 58 Deitemlhe huma onça do amarello, que tem a cebola cecem. Peixe amarello. Peixe, a que os Chinas chamão Ho- angeio yu. Do fim do Outono até o Eftio anda no mar, onde os da terra procurão apanhalo, porque he mui fa- borofo; mas no principio do Eftio fe muda em ave com pennas amarellas, e voa para os montes, para procurar, como os mais volateis, feu fuftento. Em vindo o Inver- no fe reftitue ao mar, onde petde com a fua pluma- gem as fuas azás, e fe cobre de efcamas com fuas guel- ras, até tomar na Primavera outras azas &c. BLUT. Vo- cab. Suppl. {{lema|AMARGADAMENTE}}. adv. mod. O mefimo que Amarga- mente, BENT. PER. Thef. {{lema|AMARGADO, A}}. p. p. de Amargar. Ufafe como adj. Que fente ou experimenta amargor. MONTEIR. Art. 14, 13 Com que olhos vos verci, ó bom Jefu, á hora de fexta ao meio dia quando os moradores de Jerufalem ef tavão em banquetes, amargado de fel e vinagre no cal- vario. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 25, 4, 373 Com a bocca amargada de fel.. Met. FERR. DE Vasc. Ulyffip. 2, 6 Más, á pezar de Lucifer, que amargado vzi o golto. FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 27 Contemplando o peito parte De tudo, que he amargado. {{lema|AMARGAMENTE}}. adv. mod. Com amargura, pena, e grande dor. CART. DE JAP. 2, 92, 4 Choravão o pai é a mát amargamente com laftima, que tinhão de verem a filha padecer tão crueis tormentos. BERN. Rim. Lagrim. de S. Pedr. 5 Sempte chorou depois amargamente. ESPER. Hift. I, 5, 42. n. 2 Todas as Igrejas pela maior patte ge- mião amargamente com o pezo dos trabalhos. Malignamente. LEON. DA COST. Ecl. 3, 14. not. c Do que rindofe amargamente Menalca &c. {{lema|AMARGAR}}. v. n. Ser amargofo ou ter hum gosto defagra- davel e defabrido ao paladar. SA' DE MIR. Vilhalp. 2, 3 As mezinhas todas amargão. ORT. Colloq 34, 134 A cafquinha, que cobre o amago [da laranja] não amarga coufa alguma. MEND. PINT. Peregr. 53 E além de feder infupportavelmente [o mantimento, amargava de má neira, que não havia quem o pudeffe metter na bocca. Fazerfe on tornarfe amargofo. ARR. Dial. 2,7 Os que fe purgão, amargalhe a bocca por algumas horas. CEIT. Serm. 2, 325, 3 E ahi effe fel tão amargofo, que derramado por efta Cidade, he doença de tiricia, e que ranto nos tem amargado. Met. Moleftar, incon:modar, dar defgofto, caufar pena ou amargura. EUFROS. I, Não he fenão o ponto da verdade, mas ella amarga. FERK. Poem. Carti 2, 4 Devemonos á morte: doc c amarga O fó feu nome. ARR. Dial. 9, 10 Que me não amarg dra tanto a morre goftada tantas vezes, como mie amarga a vida. Amargar. act. e pouc. uf. Fazer amargofo. Mons TEIR. Art. 20, 5 Bocca adoçada com leite virginál dei- xais amargar com fel e vinagre. Com pron. pef. VIEIR. Voz 15, 11, 6. p. 375 Iria a Virgem Maria... ao monte Calvario, para fe laf- tinar com os cravos, para fe trefpaffar com a lança, para fe amargar com o fel. Amargar o comido, o boccado, &c. Fraf. proverb. Pagar ou fatisfazer, com defgofto o que fe acquirio com prazer. EUFROS. 5, 7 E feu pai agora amargue o comido, e feja exemplo pera outros. LIMP. Fug. 6, 12, 190. col. 2 Amargo foi o boccado, e tanto, que depois de o ha- ver amargado Adão, ainda o amargamos nos outros. TELL. Hift. 5, 19, 458 Amargando bem [o Abexim] que fe dizia refufcitado os doces, que no Paraifo dille tinha comido. Adag. A homem farto as cerejas amargão. DELIC. Adag. 91. A verdade amarga. FERR. DE VASC. Ulyffip. I, 1. Cada dia peixe, amarga o caldo. FERR. DE VASc. Ulyf fip. 1, 5. DEC. Adag. 46. {{lema|AMARGARITÃO}}. s. m. O mefmo que Deamargaritáo. CA- BREIR. Tr. Unic. z Pós de amargaritão, coral, alambre, de cada hum duas oitavas, mifture. {{lema|AMARGO, A}}. adj. O mefmo que Amargofo. Do Lat. A marus. Or. Colloq. 2, 6 Diz Antonio Mufa, que [o aloes de Cocotora he mais amargo. CoRT. R. Naufr. 10, 103 Frusta amarga, monteza comem todos. Vi- EIR. Serm. 8, 455 O intento e fim era que o mefmo, que antes fora doce, fe confervaffe em amargo. Mer. Molefto, incommodo, que affige e dá pena. FERR. DE VASC. Úlyflip. 2, 5 Amargo vai o gofto, que fe logo compra tão caro. BERN. Lim. Ecl. 15 Já o come- ço ouvifte de meu damno, Amigo Limiano, o fins amargo, Em que não ferei largo, efcuta agora. Heiz. PINT. Dial. 1, 3, 10 Tu [Justiça ] cs inimiga da amar- ga difcordia. Subft. O mesmo que Amargor. ORT. Colloq. 7, 21 O amargo [da affa fetida] he appetitofo. FERNAND. GALV. Serm 1, 61, 1 He Medico tão perito, que... fem paf- far pelo amargo dos xaropes e purgas, 8cc. Met. MEMOR. DAS PROEZ. 1, 8 Altemando o doce e o amargo em diverfos effeitos. CEIT. Quadrag. 2, 43, I O mundo immundo, fe com tantos Amargos pareces doce. Maus. Aff. Afr. 6, 104 Dar de mão a fcu contcn- tamento Para perpetuo amargo alli provado. Adag. Ao gofto damnado ou eftragado, o doce he amargo. DELIC. Adag. 121. Pouco fel faz amargo muito mel. FERR, DE VACC. Ulyf fip. 1, 1.<noinclude></noinclude> t7r0kz4fhcayhal1eqznf70unitm3fk Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/468 106 257148 561203 2026-09-01T09:25:44Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 260 A MA {{lema|AMARGOR}}. s. m. Sabor on gofto da. coufa amargofa. OxT. Colloq. 7, 21 Tem a afla fetida] hum pouco de amargor. CoRT. R. Naufr. 14, 176 y Mal fentindo o` amargor e o fa!, fe afaftão. Los. Cor. 11, 106 E co- mo logo fe quiz aproveitar, foi tão grande o amargor na bocca, que o não pode encobrir. Amargor de bocca ou na bocca. Difpofição do pa- ladar, affecto de enfermidade, que o caufa. RESEND. Chr. 211 Tendo tamanho ama... 561203 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>260 A MA {{lema|AMARGOR}}. s. m. Sabor on gofto da. coufa amargofa. OxT. Colloq. 7, 21 Tem a afla fetida] hum pouco de amargor. CoRT. R. Naufr. 14, 176 y Mal fentindo o` amargor e o fa!, fe afaftão. Los. Cor. 11, 106 E co- mo logo fe quiz aproveitar, foi tão grande o amargor na bocca, que o não pode encobrir. Amargor de bocca ou na bocca. Difpofição do pa- ladar, affecto de enfermidade, que o caufa. RESEND. Chr. 211 Tendo tamanho amargor na bocca, que fe não póde foffrer. A. DA CRUZ. Recop. 2, 6 E na [efquinencia] de cólera tem maior feccura, e quentura, e dôt, e a- margores de bocca. CURV. Polyanth. 1, 1, 2. n. 11 O qual [Hippocrates] aconfelha aos Medicos, que ufem de vo- mitorios todas as vezes, que houve amargores de bocca. Amargor. mer. Afficção, pena, anguftia. FR. MARC. Tr. 1, 6, 36 y Nenhum membro, ainda que pequeno, foi nelle fem ter pena, nem lugar tão pequeno, que não foffe cheio de amargor. ARR. Dial. 2,6 De muitos amar- gores eftà miftutada a doçura da humana profperidade. BRIT. Mon. I, 1. tit. 1 Calvario, onde o fegundo Adão, Chrifto Salvador noffo, remio a culpa de primeiro, e pagou com duros amargores a fuavidade do pomo pro- hibido. {{lema|AMARGOS}}. s. m. ant. Vej. Amargoz. {{lema|AMARGOSAMENTE}}. adv. mod. Com amargura, pena ou anguftia. BARR. Vicios. Vergonh. 3 Pedro quando chorou amargofamente. CATHEC. ROM. 38; O qual [S. Pedro] hindo fóra, chorou amargofamente. FEO, Tr. 1, 235, 4 Poe Chrifto os olhos nelle [S. Pedro ] começa a chorar amargofamente. {{lema|AMARGOSISSIMAMENTE}}. adv. mod. fuperl. de Amargo- famente. CALV. Homil. 2, 610. BARRET. Flos Sanct. 2, 390, 1. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 4. n. 40. p. 366. {{lema|AMARGOSISSIMO, A}}. fuperl. de Amargofo. ARR. Dial. 10, 84. Barr. Chr. 3, 32. CALV. Homil. 2, 62. {{lema|AMARGOSO, A}}. adj. Que tem amargor ou gofto defagra- davel. CORT. R. Naufr. 9,97 Não vos verei roet as amargofas Salgueiras. BRIT. Chr. 1, 18 Por haver al- li grande copia de huma herva amargofa, que em Latim fe chama Abfinthium. VIEIR. Serm. 11, 4, 7. n. 162 A razão, porque as agoas amargofas fe convertem em tributos doces, he porque a tetra, por onde pafsão, re- cebe o fal em fi. Met. CARD. INF. D. HENR. Medit. 87 y O' Ma- ria Magdalena, que foi ifto, que affi revolveo voflo ef- pirito, e lhe fez deitar fóra tão amargofos humores de fel de voffos peccados? CALV. Defenf. 4, 13 y Os [defgoftos] que procedem e arrebentão defta amargofa raiz a emulação nafcida de enveja] nunca fe acabão. MAUS. Aff. Afr. 8 131 Tende fentimento De mcus temores, e amargofo trago. Molefto, incommodo, que caufa defgofto on pena. Sous. Vid. 3, 17 Afli fabia dourar piloras de verdades amargofas com derivações engraçadas. Lov. Cort. 4, 42 Democtito diz que o creado he coufa tão neceffaria, como amargofa. PINT. RIB. Luftr. 1, 55 Popello Rei [de Polonia ] dado a todo genero de vicios, mandou ma- tar dous tios, que lhe davão faudaveis confelhos, mas para elle amargofos. Que fente amargura, pena ou anguftia. Pix. Chr. de D. Din. 25 Quem confentirá fem amargofo coraçom, que &c. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 2, 3 O fegun- do gráo he revolver o modo de fua amargofa paixão. ESPER. Hift. 2, 12, 16. n. 8 No fim do anno feguin- te acabou os feus amargofos dias. Subft. O mefmo que Amargor. PAEZ, Serm. 1, 595 Aquella, que teve por gofto o amargofo do fel e vina- gre. TELL. Hift. 1, 12, 35 Pode animofo vencer com a docura do Céo o amargofo das ferras da Ethiopia. Sovs. DE MAC. Ev. 1. Prol. Tita a vefpa o amargofo. {{lema|AMARGOZ}}. s. m. O mefmo que Amargor. (Amargós) FR. SIN. COELH. Chr. 2, 3, 108 Não achárão amargoz no manjar. TELL. Cht. 1, 1, 13. n. 6 Efpremeo, chupou, levou para baixo. . . goftando mui de vagar aquelles fua- ves amargozes. ROLL. Novifl. 4, 9 Amargos julga quan- to vai comendo. Met. Aus. Dial. 2, 5 Confeffo que effa confide- ração bafta pera adoçar todos os amargozes defta vida. COUT. Dec. 4, 1, 8 O Melique Sacca não entendeo o. amargoz, que hia debaixo defte dourado &c. Luc. Vid. 8, 2 O coração, que tem e vê dentro em fi o defgofto e amargo, não o póde, fegundo Salamão, a- doçar, nem alegrar o que paffa de fóra. {{lema|AMARGOZ}}. adj. de hum term. ant. O, mefmo que Amar gofo. CASTANH. Hift. 7, 70 Ainda efta agoa que a- chavão, era amargoz. CORT. R. Cerc. 6, 78 Cobertas com palmeiras, cujo fructo Era bravo, amargoz. Cour. Dec. 5, 7, 9 E andarão pelo deferto de Sur tres dias, até irem ao lago amargoz, que Moyfés fez doce com a vara. {{lema|AMARGUEZA}}, s. f. antiq. e pouc. uf. O mesmo que Amargura. FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 11 É com fua- vidade trouxe amargueza. {{lema|AMARGURA}}. s. f. Sabor ou gofto de confa amargofa. ORT. Colloq. 26 Quanto era mais perto da taiz [da her- va babofa] amargava mais, e nas pontas de cima fem nenhuma amargura. Lise. Jard. 440, 9 Por efte pão da arvore, he fignificado o tenho da Cruz, pela amargura, das agoas, os trabalhos da vida. VIEIR. Serm. , 45 Todos os rios, tantos e táo caudalolos, entrando no mar, elle com a fua amargura os converte em fi. Met. Pena, auguftia, affição. PIN. Chr. de D. Din. 25 E encheo de muita amargma noffa paternal af- feição. EUFROS. 5, 5 Ninguem vem a ter... doce feli- cidade humana iem amargura. SEVER. Prompt. 48, 24, 175 Se cuidamos que havemos de ver a Deos, fem pri- meiro paffar pelas amarguras defte mundo, muito enga- nados citamos. Acerbidade, afpereza. FR. MARC. Chr. 1; 1, 27. Não permitindo crecet entre fi alguma raiz d'amargura enveja, ou paixão. BRIT. Chr. 2, 9 Viofe em Confifto- rio a fumma de voffa fupplica (fe he jufto chamarfe vof- fo, o que fendo tão estranho de voffa condição, vos querem apropriar zelos cheios de amargura) e bufcando- fe algum méio, &c. SOTTOM. Ribeir. 4, 112 O' dou- radas pirolas, que com o outo da affeição cobris do odio a amargura! Comic. ou vulg. Objeto ou peffoa defagradavel. Ev. FROS. 3, 1 Olhai vós a amargura pera ter o penfamento em mi. Caliz de amargura. Além do fentido proprio, diz- fe metaphoricamente de qualquer mortificação ou grande trabalho. CART. DE JAP. 2, 200, 2 E parece não quiz noffo Senhor, que viffem, nem bebeffem tão grande ca- liz de amargura, como pouco depois nos deo Quamba- cudono. Rua da amargura. Aquella, por onde Noo Senbor Jefus Chrifto foi levado ao monte Calvario no dia da fua facratiffima Paixão. Além do fentido proprio, tambem fe acha no metaphorico. GIL Vic. Obr. 1, 72 Quando me vires levar Pela rua da amargura, Que olbes mi- nha figura, E o fangue, que cu deiramar, minha alma por cura. D. F. MAN. Cart. 2, 72 Porque efte defeno tem vezes de rua de amargura. Tome Adag. Dia de purga, dia de amargura. DELIC. A- dag. 123. {{lema|AMARGURADAMENTE}}. adv. mod. Com amargura e an- guftia. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. {{lema|AMARGURADO, A}}. p. p. de Amargurar. GIL VIC, O- br. 1, 39 . ARR. Dial. 10, 70. M. BERN. Floreft. 2, 3,70, C. {{lema|AMARGURAR}}. v. a. pouc. uf. Fazer amargofo. M. FER- NAND. Alm. I, 3, 1. n. 7 Nem em alguma coufa amar- gurem [os Chriftãos] fua elementaria e nativa docuta [de nome de Chriftãos. ] Met. fo fe ufa com pron. peff. Affigirfe, anguf- tiarfe. JEB. CARDOS. Diet. BARBOS. Dict. {{lema|AMARIDÃO}}. s. f ant. e pouc. uf. O mefmo que Amar- gor. OKT. Colloq. 20, 90 No fabot fe fente quentuta com alguma amaridão. {{lema|AMARINHADO, A}}. p. p. de Amarinhar. CASTANK. Hift. 2, 37. BARK. Dec. 1, 4, 2. PIMENT. Art. Rot. 223. {{lema|AMARINHAR}}. v. a. Marinh. Marear, fervir à mareação. Tambem fe ufa com pron. peff. CASTANH. Hift. 8, sz Partidos os imigos, dille Francifco de Barros a Anrique Mendes, como ficára, e que forçado havia d'ir a terra pola gente, que là tinha, e amarinbarfe, porque fem if- fo não podia ir a Malaca. BARR. Dec. 3, 3, 3 Além da gente, que amarinhava a náo. {{lema|AMARINHEIRADO, A}}. adj. Marinh. Provido de tudo neceffario para mareação. Cour. Dec. 4, 8, 2. D. Efte- vão lhe pedio huma embarcação maior, e amarinheirada. {{lema|AMARISSIMAMENTE}}. adv. fuperl. de Amaramente. FER- NAND. GALV. Serm. 2, 133, 1. {{lema|AMARISSIMO, A}}. fuperl. de Amato. SABELL. Eneid.I; 8, 101. CAM. Canç. 10, 8. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 28. n. 29. {{lema|AMARITUDINE}}. s. f. pouc. uf. O mesmo que Amargura:<noinclude></noinclude> tfxdh7hc85o11ia0ko42nn8qi3limss Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/469 106 257149 561205 2026-09-01T10:33:38Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A MA Do Lat. Amaritudo. CART, DE JAP. I, 15, 2 Rogovos muito, que entre vós haja hum verdadeiro amor, não deixando nafcer amaritudines de animo. {{lema|AMARLOTADO, A}}. p. p. de Amarlotar. CANCION. 227 , 3 Vois andais amarlotado, Que fejais muito fabi- do, E andeis atabiado, Andais fempre entanguido. CAM. Seleuc. Que vem mais amarlotado dos encontros, que hum capuz rouxo de piloto, que fahe em terra, e o tira da arca de cedro. {{lem... 561205 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA Do Lat. Amaritudo. CART, DE JAP. I, 15, 2 Rogovos muito, que entre vós haja hum verdadeiro amor, não deixando nafcer amaritudines de animo. {{lema|AMARLOTADO, A}}. p. p. de Amarlotar. CANCION. 227 , 3 Vois andais amarlotado, Que fejais muito fabi- do, E andeis atabiado, Andais fempre entanguido. CAM. Seleuc. Que vem mais amarlotado dos encontros, que hum capuz rouxo de piloto, que fahe em terra, e o tira da arca de cedro. {{lema|AMALROTAR}}. v. a. Enrugar, encrefpar, apertando ou ma- nuzeando. BENT. PER. Thef. {{lema|AMARO, A}}. adj. O mefmo que Amargofo. Do Lat. Ama- rus. Can. Luf. 2, 28 Tambem foge faltando n'agoa ama- ra. ORT. Colloq. 2, 6 Todalas coufas amaras, quanto mais amaras, tanto são melhores. ARR. Dial. I, 2 Quem poderá de tão amara planta colher doce fruito! Met. SABELL. Eneid. 1, 3, 19 Ouviáofe eftas ama- ras vozes em todo o cabo. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 7. E contra feus proximos le movem levemente com má fufpeita, falfo juizo, e com amara furia. Can. Luf. 4., 90 Velhice minha, Que em choro acabará penofo e amaro. Refidencia amara. T. Ecclef. Vej. Refidencia. {{lema|AMARRA}}. s. f. Cabo groffo, com que fe fegura a em- barcação no porto ou na paragem, onde da fundo, ou preza na ancora, ou em terra. CAM. Luf. 9, 10 Huns puxão pela amarra. PINT. PER. Hift. 1, 29, 134 E de tres 4- marras, que tinha ao mar, fe levou a melhor. Luc. Vid. 1, 12 Agafal havafe na praça da, não, entre os ma- rinheiros fobre as amarras. Met. SA' DE MIR. Vilhalp. I, I Quizera em tama- nha tormenta ter meu filho a mais amarras. FERK. DE Vasc. Ulyllip. I, 4 Prefumem terme aferrado a cem amarras, por mais perrarias, que me fação. HEIT. PINT. Dial. 1, 4, 7 Os bons amigos hão de fer ancoras e amarras na tempeftade defta vida. Verb. Alara... ALBUQ. Comm. I, 32. Alargar a... ant. o mefmo que Largar. CASTANH. Hift. 8, 3, 2. ALBUQ. Comm. 1, 4. Arriar a... CASTANH. Hift. 5,7,4. MEND. PINT. Peregr. 47. Caçar a... abs. ou a alg. Da embarcação. CEIT. Quadrag. I, 59, 2 Como navio, que contra a agoa e furia dos ventos caça todas as amarras. GUERREIR. Rel. 4, 2, 3 Atéque huma noite lhe caçou a amarra, e defcozeo tanto o feu galeão , que ama- nhecco junto das náos dos imigos. Cortar a... BARR.. Dec. 1, 1, 14. Paiv. Serm. I, 124 y. a alguem ou a alguma embarcação. Gois, Chr. de D. Man. 1, 37.. CAM. Luf. 2, 66. Defatar a... Ros. Vid. 2, 186, 1. Defcançar na. Da náo. CASTR. Ulyff. 5, 82. fobre a... CASTR. Uly. 6, 1. Deter a... a alg. TELL. Hift. 4, 23, 355. Emendar a... Anzug. Comm. 1, 20. Eftar com a. a pique. MEND. PINT. Peregr. 36. Eftar fobre a... Da embarcação. FR. GASP. DE S. BERNARD. Itin. 1. S. MAR. Chr. 2, 9, 27. n. 3. met. EUFROS. 1, 6 Todas são mui providas em não estarem fobre hu- ma amarra. Fazer fobre a... Da embarcação. PIN. Chr. de D. Aft. 11. 6. Langar... MEND. PINT. Pereg. 45. FR. GASP. DE S. BERNARD. Itin. I. ao mar. ANDRAD. Cerc. 13, 66, 1. Largar a... MEND. PINT. Peregr. 36. CoUT. Dec. 5, 3, 6. por mão. MEND. PINT. Peregr. 19. Le- vantar a... VIEIR. Cart. 3, 94. Levar a... (alala ou levantala.) MEND. PINT. Peregr. 41. PINT. PER. Hift. I, 29, 134. Picar a . . . BARR. Dec. 2, 1, 4. Sous, DE Mac. Ulyllip. 6, 58. a algun navio. GoEs, Chr. de D. Man. 1, 37. D. G. COUTINH. Jorn. 41 y. Portar a náo pela... ALBUQ. Comm. 4, 8.0 Piloto como a náo por- tou pela amarra, metteofe no efquife, e foi fondar tu- do por derredor. Puxar pela... CAM. Luf. 9, 10. Que- brar a...Do mar, dos navegantes e da mefma embar cação. BARR. Clarim. 2, 47. PER. Elegiad. 4, 55. MEND. PINT. Peregr. 62. a alg. PINT. PER. Hift. 1, 29, 134. AVEIR. Itin. 16. Reformar a... PER. Elegiad. 4, 54. Ro- erfe a... FR. GASP. DE S. BERNARD. Itin. 1. Romper a... Da embarcação. M. FERNAND. Alm. 3, 3, 15. P.. 573- Soffrer a... Da embarcação. CASTANH, Hift. 5, 3. BARR. Dec. 4, 2, 11. Surgir... ALBUQ. Comm. 4, 2 Ven- tou o Levante tão rijo, que foi neceffario algumas nãos furgirem tres e quatro amarras. Ter a... ao mar. PINT. PER. Hift. 1, 29, 134. Trincar a... Da embarcação. BARR. Dec. 43, 3. BARRET. Eneid. 3, 150. Adag. Mais ha na amarra, que fazela, c. furala. DELIC. Adag. 145. {{lema|AMARRADO, A}}. p. p. de Amarrar. BARR. Dec. 3, 5, 4. GOES, Chr. de D. Man. 1, 91, VIEIR. Serm. 10. do Rof. 20, 3, 170. {{lema|AMARRADOR}}. s. m. O que amarra. BENT. PER. Thef. {{lema|AMARRAR}}. v. a. Atar, prender ou fegurar com amarra BARR. Dec. 1, 5, 4 Pallado aquelle dia, que todo fe difpendco, em amarrar as nãos. HIST. TRAG. MARITA 1,189 E ranto que o amarrarão [o navio,] logo the metterão o fato e o mantimento. Sovs. Hift. I, 3, 17 Pera fervirem [as argolas] de amarrar navios. Liar, atar ou fegurar fortemente huma confa com outra com cordas, cadeias, &c. GOES, Chr. de D. Man. 1,46 E afli o amarrão no meio da cafa a hum piat. CORR., Comm. 4, 103 Enojado Jupiter do atrevimento de Prometheo, o mandou amarrar no monte Caucafo com huma aguia junto com elle, que lhe eftiveffe de conti- nuo comendo as entranhas. Gouv. Jorn. z, z E quiz re- ceber, huns cafados, que achou fe rinhão cafado lo com amarrar hum ho ao pefcoço hum do outro. Mer. FR. THOM. DA VEIG, Confid. 1, 14, 4. n. I He tão poderofa [a malicia humana com os pecca- dores, que os cativa e amarra como proptios efcravos. M. FERNAND. Alm, 3, 2, 71. p. 304 O mal he que os filhos de hoje não fe deixão atar a vontade dos pais, antes querem atar e amarrar os pais à fua. M. BERN. Luz e Cal. 2, 5, 406, Senhor, amarrai com as cadeias de voffo fanto temor as furias de minha liberdade. Com pron. peff. Aferrar fe com pertinacia e teinia a alguma confa. EUFROS. 4, I Que fraco foffrimento he porém o noffo, que como não tem particular gofto, a que fe amarre, e faça força, não ha inconveniente, que o enfree. FERR. DE VASC. Ulyffip. 1, 3 Huma merce me fazei, que vos não amarreis tanto aos preceitos da ve- lhice de minha mãi. PARAD. Dial. 9, 64 E de tal maneira, fe amarron cada hum ao feu parecer, que fe vic- rão a defcompôr em palavras. Amarrar. neutr. Atarfe ou fegurarfe. Ufafe no fen- tido proprio e metaphorico. FERR. DE VASC. Ulyflip. 4, 1 Trifte coufa he amarrar ao bom nome alheio, e te- lo muito. ruim. Ros. Hift. 2, 1, 3 Senão metreivos, cm hum efquife, e batel da fé viva, effe vos levará a Dcos, onde delle muito entendereis, aqui amarrar. Agric. Podar nas vinhas a vara para fe empar a mai, a que chamão amarrar. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|AMARRETA}}. s. f. dim. de Amarra. BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|AMARTELLADO, A}}. p. p. de Amartellar. L. ALv. Serm. 3, 24, 2. . 4. CuAo. Serm. Genuin. 14, 333. MA Met. Amartellado abf. ou Amartellado de alguma" coufa. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 18, 523 O qual por an dar muito amartellado dos amores de huma Dama do Pa- ço &c. D. F. MAN. Cart. de Guia, 15 Mas eu, que fou mais amartellado da razão, que do cafo &c. M. BERN. Luz e Cal. 2, 2, 299 Foi o mefmo que dizer a modo de amante mui amartellado: Não te has de ir, e has de amarme. Amartellado a alguma coufa. Inclinado ou affeiçoa- do a ella. GUERREIR. Rel. 5, 5, 5 E quanto ao que diz da nação Porrugueza, que de muito amartellada ou affeiçoada á fua patria, e á companhia dos feus compa triotas lhe dá logo em rofto qualquer outra terra, &ca {{lema|AMARTELLAR}}. v. a. Bater, dar golpes com martello. Ulafe no fentido proprio e metaphorico. VIT. CHRIST. 2, 2, 5 Que coufa he efta, fe nom que a foberba noffa fe atarraca e amartella per o Senhor em nós. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 22 Finalmenre he [o mundo] hum engatia- dor e embaidor, que tem por officio metternos, na_of- ficina de feus enganos, e bigorna de fuas falfas cfpe- ranças pera nos amartellar com o marrello de fuas tribu- lações. {{lema|AMARUJAR}}. v. n. Tirar para amargo, fer algum tanto amargofo. Ufafe no proprio e no metaphorico. ARR. Dial. 1, 24 O fel da inveja, que nos deslingoados domina, não póde pelo inftrumento da lingoa efpargir fenão cou fas, que amarujão e amargão. {{lema|AMARULENTO, A}}. adj. pouc. uf. Muito amargofo. Do Lat. Amarulentus. CURv. Obferv. 89, 1 Se o doente fe queixa de vomitos, ou amargores de bocca, deitão a cul- pa ao fangue, dizendo que he colérico, e que regurgi- ta das veias alguma porção de fucco amarulento para o eftomago. {{lema|AMASIO}}. s. m. pouc. uf. O amante, o namorado. Do Lat. Amafius. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 15. n. 37 Menéde- mo amafio de Afclipiades. {{lema|AMASSADEIRA}}. s. f. Mulher, que amaffa farinha para fazer pão. D. HILAR. VOZ, 10, 51 y Corre Eva, co- mái univerfal da natureza corrupta, que ella como amafadeira aformentou em cada hum dos mortaes, ditos<noinclude></noinclude> m4ahlew6uv89j65c0nb7j3i7v6cezye Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/470 106 257150 561206 2026-09-01T10:43:34Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 362 A MA filhos de Adam. Sous. Hift. 2, 3, 8 Fez conta o carido- fo Refeitoreiro, que por muito que gaftaffe com os hof- pedes, não faltaria o pão ordinario na amafadeira. Es- PER. Hift. 1, 5, 13. n. 5 Servia d'amaffadeira, quan- do foube que Deos a chamava pera defcançar na gloria. Adag. Quando o trigo anda pela cira, anda o pão pela amaffadeira. HERN. NUN. Refran. 95. {{lema|AMASSADEIRO}}. s. m. pouc. uf. O que amaffa farinha para... 561206 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>362 A MA filhos de Adam. Sous. Hift. 2, 3, 8 Fez conta o carido- fo Refeitoreiro, que por muito que gaftaffe com os hof- pedes, não faltaria o pão ordinario na amafadeira. Es- PER. Hift. 1, 5, 13. n. 5 Servia d'amaffadeira, quan- do foube que Deos a chamava pera defcançar na gloria. Adag. Quando o trigo anda pela cira, anda o pão pela amaffadeira. HERN. NUN. Refran. 95. {{lema|AMASSADEIRO}}. s. m. pouc. uf. O que amaffa farinha para fazer pão. FEO, Tr. Quadr. 2, 144, 3 Hum def- tes era Copciro mór, e o outro Amaffadeiro mór del Rei. {{lema|AMASSADO, A}}. p. p. de Amaffar. BARA. Dec. 2, 6, 9. ARR. Dial. 6, 5. Leño, Defcrip. 35. Ufafe como adj. Aboleimado, efpalmado. Applica- fe particularmente ao rofto humano ou a alguma das fuas partes. BARR. Dec. 1, 5, 2 A figura do rofto, coufa mui nova, porque era tão amafada, e fem a commum femelhança da outra gente &c. MAGALH. Hift. 10 Tem [os Indios] o rofto amaffado, e algumas feições delle a maneira de Chins. Luc. Vid. 10, 19 As feições... são apraziveis, atéque alargando nos roftos, e ficando- thes os narizes amafados, com que os olhos fe fazem mais pequenos, ficão menos gentis homes. Unido, conforme, concorde com alguem ou com al- guma coufa. FR. TH. LE JES. Trab. 1, 8, 162 y Efta- va Judéa pofluida de Rei eftrangeiro Herodes... mas já tão fria das efperanças defte bem [de vir o Meflias] e tão amaffada com o ferviço e governo do idolatra eftran- geiro, que &c. Sous. Hift. 3, 4, 6 E os mais dos mo- radores prefentes são já filhos e neros de gente baptiza-marda, e tão amafados e amigos com os Portuguezes, que &c. CEIT. Quadrag. 2, 80, z He bem verdade, que ef- tes vicios, foberba, ira, odio, inveja, andão tão germa- nados e amafados, que &c. Marinh. Agoa amallada. A que he efpea, groja, e junta. HIST. TRAG. MARIT. 1, 173 Olhárão algumas peffoas pera a agoa, e logo differão que era muito ver- de e amaffada, M. DE FIGUEIR. Hydogr. Rot. de Angola. 26 Se virdes agoa amafada, e barrenta, entendei que eftais tanto avante como o Rio de Coanfa. {{lema|AMASSADOR}}. s. m. O mefmo que Amaffadeiro. JER. CAR- Dos. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|AMASSADORIA}}. s. f. O mefino que Amaffaria. BENT. PER. Thef. {{lema|AMASSADOURO}}. s. m. uf. Lugar, onde fe amafa a cal e areia. {{lema|AMASSADURA}}. s. f. Acção e effeito de amaffar farinha para fazer pão. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. Porção de maffa para pão, que fe faz para cozer de huma vez. EUFROS. 5, 2 Hoje furtei eu a minha ama da amaadura, com que fiz hum bolo recebondo. FEO, Tr. 2, 262, 4 Não fomente Sára de fuas portas a den- tro fez amafadura de pães pera comerem Anjos &c. ror, Met. GIL Vic. Obr. 2, 119 No Baldo achareis, Dou- Effa negra amaffadura. D. F. MAN. Apol. 380 La fazei voilas amafaduras. {{lema|AMASSAR}}. v. a. Fazer maffa, mifturando a farinha com agoa, revolvendoa, apertandoa e efmagandoa com as mãos para fazer pão, &c. Reg. abf. ou com cafo ex- preffo. GIL Vic. Obr. 2, 118. E efta noite hei d'amaffar, E bem fabeis onde mora. FERR. DE VASC. Ulyflip. 1, 3 Sois cá moças de Villa, não fabeis fenão amaffar e pe- neirar. BARR. Dec. 1, 1 12 E desfalecialhe o engenho pera o amalar [o trigo] em pão. Feo, Tr. 2, 57, 4 Os filhos cortão a lenha, os pais accendem o togo, as máis amafsão os bolos. Remexer o barro, a terra, a cal com a areia, &c. mifturandolhe agoa, até fe ligar e reduzir como a maffa. CASTANH. Hift. 2, 65 Todos os Capitães, Fidalgos, Ca- valileiros e toda a outra gente o erão tambem pedrei- ros] e fervião em amaffar cal, e acarretar pedra. BARR. Dec. 2, 2, 4 E affi deo ajuda de todalas achegas, e alguns officiaes e fervidores, aos quaes foi dado cuidado de trazer e amafarem o geflo. Sous. Hift. 1, 2, 2 Não fe defdenhavão as mãos lagradas de amaffar o barro. Met. Misturar, confundir. VIT. CHRIST. 2, 71 E fe amaffa e miftura todo quanto fe ajunta. CASTANH. Hift. 6, 39 E cahirão no lugar mil e quinhentas cafas juntamente, que fe amafárão todas. HEIT. PINT. Dial. 1, 4, 1 Mistura contentamentos com defgoftos, prazeres com fobrefaltos, mil males com hum pequeno bem, amaf- fando tudo juntamente, pera nos ajuntar nefte cerco de defventuras. Adag. A quem peneira e amala, não furtes a fo- gaça. FERR. DE Vasc. Ulyflip. 1, 1. Amaffar as cartas. Baralbalas ou difpolas de modo, que fe faiba onde ficão as boas e de forte, e tambem as más è de azar, para que ao levantalas ou tiralas, faião co- nto as concertou o que fez a trapaça. VIXIR. Serm. 8, 258 Davãofe de parte a parte as cartas, e as que toca- vão ao jogador perdido, como fe nas mãos fe The pin- taffem, erão rudo o que havia mifter, que tão bem a- maffadas eftavão. Amaffar. ant. Omefmo que Maffar, e he como hoje fe diz. MEND. PINT. Peregr. 85 Aonde achámos tres homens, quc cftavão amafando linho. S. MAR. Chr. 2, 7, 4. n. z Olinho pera vir a fer alvo e branco, paffa por mil traba- lhos e penas, fendo depois de colhido, ripançado, ata- do, remolhado, amafado, gramado, reftelado, e fe- dado. Amaffar. Amolgar, efmagar. BARR. Dec. 4, 4, 15 Não obrava mais o pelouro, que amafar hum pouco o lugar, onde dava. PINT. PER. Hift. 2, 44, 129 Como aconteceo a hum foldado, a que deo hum pelouro de roqueira nos cabos da efpada... fem the fazer mais que amafalos. CASTR. Ulyff. 9, 21 Elmo e cabeça hum mel- mo golpe amafa. Amaffar a carne. Na India he ir affentando os pu- nhos brandamente no corpo da cintura para baixo. BLUT. Vocab. Suppl. Neutr. Amolgarfe, efmagarfe. PINT. PEx. Hift. 1, 7, 34 A elle [Nuno Velho] lhe foi dada huma [ pingardada de muita ventura, porque acertando de o to- por cima do geolho, fem tocar em armas, amafou o pelouro, fem fazer mais que huma nodoa preta. Amaffar. com pron. peil. Ajuftarfe, conformarfe, concordar. Fr. TH. DE JES. Trab. 1, 4, 101 Quem fe atre- vêra comvofco, fe voffa bondade fe não amafára tanto comigo. HEIT. PINT. Dial 2, 3, 6 São coufas táo diffe- rentes, e encontradas amizade e adulação, que nunca fe amafárão, nem fizerão parçaria. Luc. Vid. 3, 12 Não me efpanta menos a facilidade, com que elle en- trava, e fe amafava (como dizem) com os peores. {{lema|AMASSARIA}}. s. f. Lugar ou cafa, onde fe amaja o pão; ou tudo, que pertence à acção de o amaffar. F. Arv. In- form. 13 Ha nefte Mofteiro mui grande cozinha e amaf- faria. Sovs. Hift. 3, 2, 2 O que comia era [pão] de rala preto e groffeiro, e pedido por efmóla, a quem ti- nha o cargo da amafaria. Canv. Chorogr. 3, 2, 8. p. 521 Sendo já Freira e tendo por fua conta a amaffa- ria do Convento, &c. {{lema|AMASSILHO}}. s. m. Porção de farinha amafada para fa- zer pão. Tambem fe chama affim a acção de amaffar o pão, e as difpofições para iffo. MERCUR. de Setem- br. de 662 Para o amalfilbo [do pão] fe tem dado a ordem conveniente, a preço muito moderado, correndo pelo Vedor Geral do Exercito. M. BERN. Floreft. 5, 4, 58, A Quem obrigou aos Difcipulos de Chrifto e comer as cfpigas, fervindolhes as mãos juntamente da fouce, e cira, e trilha, c mó, e amaffilho, e forno, e meza Claro eftá, que foi a fome. {{lema|A MATA CAVALLO}}. form. adv. A todo correr, com fum- ma pre fa. Dizfe propriamente dos que vem a cavallo. BARR. Dec. 3, 7, 9 O qual a mata cavallo acudio com tanra gente, que cobria os campos. PREST. Aut. 115 Qu' he ifto, inda venho cedo, Fiz logo bem parvo 2- balo, Que cu vinha a mata cavallo, E a meza ef- tá de quedo. {{lema|AMATALOTADO, A}}. p. p. de Amatalotar. Fro, Tr. Quadr, 1, 128, 3. VIEIR. Serm. 8, 179. {{lema|AMATALOTAR}}. v. a. Só fe ufa com pron. peff. Afociar- fe com alguem, tomálo por matalote, on companheiro na viagem. BENT. PER. Thef. {{lema|A MATE FORÇADO}}. fórm. adv. Vej. Mate. {{lema|AMATHISTA}}. s. f. Vej. Amethista. {{lema|AMATIVO, A}}. adj. Theol. Que ama. Luz. Vid. Con- templ. 4, 5, 185 Donde vem que nos Bemaventurados efte amor refpeito a Deos fe determina á parte amativa. FR. MARC. Chr. 2, 10. cant. 28 O amor grande acti- Que não fentes o paffivo, Que venha o 2- mativo De amor purificado. M. BERN. Paraif. 56 O Ef- pirito Santo, que começa a tomar poffe da vontade, e por iffo péga ou prende aquella parte amativa para ibe imprimir dentro o feu fanto amor. vo, {{lema|AMATORIO, A}}. adj. Pertencente ao amor, que trata de amor, que inclina a amar. Do Lat. Amatorius. Los. Cort. 3, 21 E aonde deixais as cartas amatorias ou namora- das? MONTEIR. Art. 17, 6 Já de poefias amatorias, ains daque feja com capa de te aproveitares do metro.<noinclude></noinclude> cdluv4iufwwbd8cd5fdf7syvgdufr8z Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/471 106 257151 561207 2026-09-01T10:48:50Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A MA ,fuge como de pefte. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 25, 5, 380 A terceira imagem ] feita tambem de pedras preciofas para os mefmos feitiços amatorios. {{lema|AMAVEL}}. adj.. de huma term. Digno de fer amado. Ap- plicafe particularmente às peffoas affaveis, e de benigno trato. Do Lat. Amabilis. BARR. Viciof. Vergonh. 5, Que coufa he mais amavel, que o mancebo vergonho- fo. Los. Cort. 4, 39 Para com a gravidade e brandu- ra fer amavel e... 561207 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>A MA ,fuge como de pefte. VIEIR. Serm. 10. do Rof. 25, 5, 380 A terceira imagem ] feita tambem de pedras preciofas para os mefmos feitiços amatorios. {{lema|AMAVEL}}. adj.. de huma term. Digno de fer amado. Ap- plicafe particularmente às peffoas affaveis, e de benigno trato. Do Lat. Amabilis. BARR. Viciof. Vergonh. 5, Que coufa he mais amavel, que o mancebo vergonho- fo. Los. Cort. 4, 39 Para com a gravidade e brandu- ra fer amavel e autorizado. Govv. Rel. 1, 23 Sendo de fua natureza amavel. Tambem fe applica ás coufas. CEIT. Quadrag. 1, 145, 4 Mui amavel he fem dúvida o eftado da virtude e fantidade. Sous. Hift. 1, 2, 20 Irmão Fr. Martinho ... fabeis como he fermofo, como he amavel, como hc doce effe nome Divino. FR. LEÃO, Bened. 1, 2, 5. c. 5 Efte he o modo de vida, que os Eremitas Camaldulen- fes guardão... naquelle feu paraifo ou campo amavel. {{lema|AMAVELMENTE}}. adv. mod. Com amor ou carinho. JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. PER. Thef. {{lema|AMAVIAS}}. s. f. pl. Filtros, feitiços, confeições ou bebera- jens, que fe prefumia obrigavão a amar, e provocavão o amor. EUFKOS. ;, z Eftoutro não parece aquelle, que era o que fobia fempre aconfelhar a todos, não póde fer fenão que lhe derão algumas amavias que tirão o homem de fuas finas. LoB. Primav. 1, 6 Mal haja quem te tal tornou, que o demo he, fe iflo não forão algu- mas amadias, que te embruxáráo ou algum olhado, que te quebrantou. (affim eferito.) {{lema|AMAVIOS}}. s. m. pl. O mefmo que Amavias. BENT. PER.Thef. {{lema|AMAVIOSAMENTE}}. adv. mod. antiq. O mefimo que Ma- viofamente ou Amorofamenre. Vir. Chrift. 1, 60, 179 Beijava os pés docemente, e amiude, e amaviofamente. {{lema|AMAVIOSO, A}}. adj. antiq. O mefino que Maviofo. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 2, 1 Aquelles, que são de facil natureza, alegres, bons de dobrar, benignos, amavio- fos, tem de fi grande ajuda pera chegar áquella vida in- terior. {{lema|AMAZELAR}}. v. a. ant. Só fe ufa com pron. peff. Lafti- marfe. FERN. Lor. Chr. de D. J. I. 2, 42 Alçoufe rijo, e começou de andar rezoando comfigo, amazelandofe mui- to, e dizendo, &c. {{lema|AMAZILHADO, A}}. adj. pouc. uf. Torpe, impuro. M. FER- NAND. Alm. 3, 2, 4. n. 40. p. 366 Com que animo folta- rei minha lingoa c meus beiços amazilhados, c contamina- dos para delles palavra alguma chegar a voffos ouvidos? {{lema|AMAZONAS}}. s. f. pl. Certas mulheres da Scythia muito guer- reiras, que vivião fem vardes: queimavão ás meninas as te- tas direitas, porque quando folent mulberes, thes não ef- torvaffem atirar com os areos. Do Lat. Amazones. CORR. Comm. 44 As Amazonas, que moravão antigamente na Scythia, por onde o rio Thermodonte paffa. Fr. GASP. DE S. BERNARD. Itin. 8 As hiftorias modernas nos dão teftemunho das Amazonas, mulheres valerofiffi- mas nas armas, que houve afli na Scythia em Tarta- ria, como na Ethiopia em Africa. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 10, 3, 372 As antigas Amazonas, cujas armas erão arco e aljava, para poderem atirar mais forte e mais expeditamente, as fuas fettas, cortavão os peitos direitos. {{lema|AMAZONIO, A}}. adj. Pertencente ás Amazonas. Do Lat. Amazonius. Los. Cort. 4, 32 y Carta, que o grão Se- nhor dos Turcos efcrevco aos Amazonios. BARRET. Eneid. 574 Outro tera] cheia de frechas dos guerreiros Thraces, huma amazonia aljava ao lado, Pendente de hum talim d'ouro brilhante. {{lema|AMBAGES}}. s. f. pl. Voltas, torcicolos, caminhos intrinea- dos, como de laberyntho. acc. na penult. Lat. Ambages. (err. Ambajens) Met. Cireunloquios, rodeios de palavras efeuras e equi vocas, ou por affectação de cultura no fallar. BARR. Dec. 1, 9, 3 E outras rezões de compridas ambages, que elles contão. FR. BERNARD. DA SILV. Defenf. 1, 14 Ifto afli explicado e entendido fem mais ambajens, nem cir- cunloquios. {{lema|AMBAR}}. s. m. Certa fubftancia leve, opdea, oleofa, de cor de cinza, femeada de pequenas manchas brancas, odo- riferas, bem que o feu cheiro fe conhece muito melhor, mifturandofe com alguma porção de outros aromas. Experi- mentafe a bondade do ambar, fe picandoo com huma agulha quente, lança hum fucco foleofo e odorifero : in- flammafe, e arde facilmente, diffolvefe em parte no ef- pirito de vinho, e, pofto ao lume em qualquer vafo, fe derrete, e reduz a huma rezina líquida, de côr de ouro. Os Naturaliftas não concordão entre fi fobre a na- cureza e origem do ambar. Huns dizem, que he excre- mento de balêa; outros efterco de certas aves; alguns que he cera, e mel mifturados e alterados pelo Sol, c fal marinho. Mr. Geofroi julga que he huma efpecie de betume, que corre das entranhas da terra nas agoas, primeiro líquido, e depois efpefo e condenfado, com que fe agglutinão conchas, pedras, offos, bicos de aves, favos de cera e mel, e que efta he a razão porque den- tro dos pedaços de ambar endurecido, fe defcobrem al- gumas vezes todos eftes córpos heterogeneos. Achafe o ambar nas bordas do mar en boccados maiores, ou me- nores, principalmente nos mares da India, junto ás Mo- lucas nas cóftas de Africa, e em algumas Ilhas da cófta de Moçambique; e ainda que fe encontre em tan- tos lugares, fempre efte aroma he raro, c preciofo. Co- mo o ambar abunda de partes oleofas, tenues, e vola- teis, he muito util para fortificar o cerebro e o eftoma- go, e vivificar os fentidos. Os Orientaes usão muito del- le, e o julgão proprio para prolongar a vida. A fua prin- cipal virtude he fer antifpafmodico, e calmante. Os nof- fos Autores dão tres variedades de ambar: branco, ou gris, que he o que aqui fe defcreve, pardo, e preto. Do Arab. Anbar. ant. Ambre. CASTANH. Hift. 4; 35 Eftas aves [anacangrifpaqui] fe ameijoão em humas rochas, que estão nas niefmas ilhas [de Maldiva] ao longo do mar, e alli deitão feu efterco, que he o ambar, MA- GALH. Hift. 8 E daqui vem a muitos terem pera fi, que. não he outra coufa efte ambar, fenáo efterco de baleas ... Outros querem dizer, que he fem nenhuma falta a efperme da mefma balĉa. Mas o que fe tem por cer- to (deixando eftas e outras erradas opiniões á parte) he que nace efte licor no fundo do mar, não geralmente em todo, mas em algumas partes delle, que a nature- za acha difpoftas pera o crear. E como o tal licôr feja manjar das baleas, affirmafe que comem tanto delle até fe embebedarem, e que efte, quo fahe nas praias, he o fobejo, que ellas arrebefsão. ORT. Colloq. 3, 10 y Ambar dizem os Arabios, e ambarum os Latinos, por o coftume de variação Latina e ufo, e as outras nações e lingoas, quantas cu fei, todos o chamão afli, ou va- riáo muito pouco. Alguns differão fer a efperma da balea, c outros affirmárão fer efterco de animal do mar, ou efcuma delle outros dixerão, que era fonte, que manava do fundo do mar, e efta parecia melhor, e mais conforme á verdade. Avicena e Serapião dizem gerarfe no mar affi como fe gerão os fungos ou fungãos dos penedos e arbores, e que quando o mar anda tempef- tuofo 3 deita de fi pedras, e com ellas lança á volta o ambre, e efta opinião tambem he mais conforme à ver- dade de que as outras rezadas por Avicena. Met. e poet. Cheiro Juave. CASTR. Ulyff. 1, 74 Zephyro alegre e brando com lafcivas Pennas meneia as flores, que bulindo. Ambar exhalão. Vsio. Laur. Od. 4,3 Coche de ambar [o de Venus.] Epith. Cheirofo. PER. Elegiad. 4, 50. Crui. CART. DE JAP. I, 36, 2. Defejado. M. THOM. Un. Sacram. Hymn. 6, 81. Fino. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 7. Fragan- tiffimo. CuAo. Serm. Genuin. 7, 167. Molle. CASTA. U- lyff. 10, 25. Odorifero. CORT. R. Naufr. 19, 190 y. Differençãole varias efpecies de ambar, como: Ambar branco. O mefimo que Ambar gris. CURV. Poly- anth. 2, 8, 58. n. 47 O efectuario, que fe faz de huma oitava de ambar branco, outra de pó de unha da grão befta, &c. Ambar gris, Vej. Ambar. MAGALK. Hift. 8 Ha to- davia ambar de duas caftas, s. hum pardo, a que cha- mão gris, outro preto: o pardo he muito fino è eftima- do em grande preço em todas as partes do mundo: o preto he mais baixo nos quilates do cheiro, 'e prefta pe- ra muito pouco, fegundo o que delle fe tem alcançado.. CORR. Comm. 6, 25 Ha duas caftas de ambar, hum pardo, a que chamão gris, que he muito eftimado em todo o mundo, outro preto, que val muito pouco. Logo quando fahe ette ambar he folto como fabão, mas dahi i pouco endurece, e fica com o cheiro, que todos ve- mos, tendo muito pouco ou nenhum em maffa. Ambar mexueira. O mefimo que Ambar pardo. SANT. Ethiop. 1, 1, 28 Tres fortes de ambar ha netta cófta; hum muito alvo, a que chamão ambar gris: outro par- do, a que chamão mexueira: outro negro como pez, a que chamão ambar preto. Ambar pardo. O ambar de cor mais efenra, e in- ferior ao ambar gris; pofto que alguns dos nofos Autores o confundem com anbar gris, fazendo fo duas variedades,<noinclude></noinclude> rxdm88hhdyvl8llxqgilsysx4zv9as3 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/472 106 257152 561208 2026-09-01T10:50:53Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 264 A M B pardo, ou gris, e preto. MAGALH. Hift. 8. CORR. Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. 1, 1, 28. Ambar preto. O que tem efta cor, e. be muito infe- rior em qualidade, e eftímação. MAGALI. Hift. 8. CORR. Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. I, 1, 28. Ambar virgem. O memo que Ambar gris. CURY. Polyanth. 2, 127, 64 Tomem de ambar virgem, a que o povo chama ambar gris, meia onça. Ambar. Certa fruta da India. He o fructo de huma arvore grande, que te... 561208 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>264 A M B pardo, ou gris, e preto. MAGALH. Hift. 8. CORR. Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. 1, 1, 28. Ambar preto. O que tem efta cor, e. be muito infe- rior em qualidade, e eftímação. MAGALI. Hift. 8. CORR. Comm. 6, 25. SANT. Ethiop. I, 1, 28. Ambar virgem. O memo que Ambar gris. CURY. Polyanth. 2, 127, 64 Tomem de ambar virgem, a que o povo chama ambar gris, meia onça. Ambar. Certa fruta da India. He o fructo de huma arvore grande, que tem as folhas como de nogueira, de cor verde agradavel, e femeadas de bellas nervuras. As flores são pequenas', c brancas: o fructo he do tanianho de huma noz, amarello, quando, maduro, de hum chei-` ro agradavel, e de gofto azedo, chêo de hum miollo cartilaginofo, duro e femeado de nervuras, Poefe de con- ferva em fal e vinagre, e ferve, como diz Lemery, para excitar o appetite, e diffolver a, cólera. ORT. Col- loq: 7, 24 Ru. Si: mas primeiro me direis, que fructa he aquella do tamanho de huma noz, que tão bem chei- ra? OR: Náo he fructa, de que fe ufe êm mezinha, mas he boa pera temperar os comeres com azedo, fazendo- os mais appetitofos: em madura cheira bem, e com fer madura retem em fi o azedo mais appetitofo, chamão- fe ambares, e tem. huma armadura carrilaginofa, e he amarelfa, quando madura, e quando não o he, a foa cor he verde craro. {{lema|AMBIÇÃO}}. s. f. Defejo defordenado on paixão defordenada de confeguir fama, louvor, honras e dignidades. Dó Lat. Ambitio. Hair. PINT. Dial. 2, 4, 13 Efta ambição he hum immoderado appetite e ardente defejo de ter hon- ras, excellencias, e dominios. SEVER. Prompt. 49, 1, 179 He a ambição defejo defordenado de dignidades, de honra vaa, e do louvor dos homens, tendo eftes bens por grandes. MONTEIR. Art. 14, 11 Ambição vem da pa- lavra anbire, que he o mefmo que correr ou cercar em roda, como fazião antigamente os pertendentes de dignida- des e magiftrados da republica, que corrião toda a Ci- dade, correjando huns coutros, é ganhando a bencvolen- cia dos que podião ter voto. rofto Colica, extremofo appetite de riquezas. Nefte fenti- do teni fua impropriedade. CAM. Luf. 10, 58 Mas na India cobiça e ambição, Que claramente põe aberto o Contra Deos e juftiça &c. CRUZ, Poef. Ecl. 4 Jofeph d'onze [irmãos] que tinha foi vendido, Nabo- th apedrejado d'ambição. VIEIR. Hift, do Fut. 128 Se por hum aéto de justiça, defintereffe, e obediencia dá Deos huma Monarchia; por hum acto de injuftiça, am- bição, e defobediencia tambem póde tirar outra. Met. Defejo vehemente e culpavel de alguma coufa. BRIT. Mon. I 1. tit. 26 Difficillima coufa he acharfe em hum fuppofto ambição de mandar, junta com algum genero de bondade. FREIR: Vid. 1, 9 Lhe fizerão as profperidades lugar á ambição de reinar. VIEIR. Serm. 4, 5, 4. n. 156 Mas não a dereve cobiça ou ambição de riquezas, porque tinha o coração em outros thefouros. Tambem fe diz das coufas honeftas ou indifferen- tes. BARR. Dec. 4, 4, 16 Não ha lugar na terra, em que não haja efta ambição de nomes honrofos no fim ou no principio do feu proprio. FRETR: Vid. 1, 1; Porque fervia com maior ambição do nome, que do premio. Vi- EIR. Serm. 7, 15, 9. n. 556 Defcançar para cançar mais, antes he ambição de trabalho, que defejo do defcanço. Epith. em boa e ma parre nas fobreditas fignifica- ções. Ardente. CHAG. Serm. Genuin 14, 328., Brutal. VIEIR. Palavr. 13, 2, 8. p. 104. Céga. VIEIR. Serm. 7, 2, 6. n. 65. Civil. SABELL. Encid. 2, 8, 43. Demafia- da. FERNAND. GALY. Serm. 2, 63, 4. Defarrezoada. L. ALY. Serm. 3, 8, 8. n. 19. Defatinada. CEIT. Quadrag. 1, 104, 3. Defooccada. PINT. RIB. Luftr. 3, 72. Defen- freada. Paiv. Serm. 188. Defordenada. ALv. DA CU- NH. Elcól. 8, 10. Defpejada. FEO, Tr. Quadr. 1, 66, 2. Divina. VEIG. Laur. Od. 6, 6. Féra. SA DE MEN. Mal. 10, 46. Groffifina. Fa. TH: DE JES. Trab. 1, 1, 155 y. Humana. MONTEIR. Art. 3, 14. Hydropica. D. FERN. DE MEN. Vid. 4, 299. Importuna. FERNAND. GALV. Serm. I, 81, 3. Impotente. VIEIR. Serm. 12, 4, 2. n. 103. Infaciavel. Luc. Vid. 7, 6. Infana. M. FERNAND. Alm. 2, 3, 3. n. 14. Infolente. EsPER. Hift. 1, 2, 14. n. 1. Leve. CASTR. Ulyff. 4, 51. Luciferina. M. BERN. Floreft. 5, 1, 182, C. Moderada. FERRAND. GALV. Serm. 2, 63, 4. Mortal. FR. MARC. Vid. 1, 1. Natural. MATT. Jeruf. 2, 68. Popular. FERR. DE VASc. Aulegr. 5, 5. Pre- fumida. VIEIR. Hift. do Fut. 4, 42. Pura. LISE. Jard. 53, 12. Profana. CHAG. Obr. 1, 2, 3. Refinada. L. BRAND. Medit. 1, 2 43. p. 305. Sandia. FR. MARC. Vid. 1; 1 Santa. TELL. Chr. 1, 1, 15. n. 2. Solitaria. CEIT. Serm. 2, 103, 1. Sollicita. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 2. n. 188. Teimofa. VIEIR. Serm. 7, 10, 4. n. 317. Ter- rena. CHAG. Serm. Genuin. 10, 248. Väa. FR. MARC. Vid. 1, 1. Vaniffima. Luc. Vid. 7, 17. Vaftiffima. M. BERN. Floreft. 3, 4, 186, B.Venenofa. CART. DE JAP. 2, 62. 2. Adj. e verb. Abrazado de... BARRET. Flos Sanct. I, 606. 2. Arrebatado da... L. ALv. Serm. 3, 8, 9. n. 32. Cego da... ESPER. Hift. 2, 9, 11: n. 2. Cheio de... HEIT. PINT. Dial. I, 3, 6. Empolgado na... PAIV. Serm. 3, 8 y. Eftimulado da ... HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 9. Hydropico de... CHAG. Obr. 1, 12, 12. Levado da... CALV. Homil. 1, 494. Levarfe de... ou da... FR. THOM. DA VEIG. Serm. 259, 2, 3. L. BRAND. Medit. 1, 2, 48. p. 307. Livre de... HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 6. Moderar a... L. ALV. Serm. 1, 8, 4. n. 10. Moftrar... L. BRAND. Medit. 2, 4, 103. p. 11. Mo- vido da... HEIT. PINT. Dial. 1, 5, 8. Picado de... L. ALv. Serm. 3, 19, 10. n. 33. Refrear a... ALV. DA CUNH. Efcól. 22, 5. Sugeito à... BARTH. GUERREIR. Cor. 4,20, 487. Suppeditar a... ALV. DA CUNH. Efcól. 7, 1. Ter... VIEIR. Serm. 6, 2, 9. n. 75. Tocado da ... CAM. Luf. 4, 57. FERNAND. GALV. Serm. 3, 277, 2 Tomado da ... D. HILAR. Voz, 11, 58 y. Vencer a ... CALV. Homil. I, 85. Vencido de... HEIT. PINT. Dial. {{lema|AMBIÇÃOZINHA}}. s. f. dim. de Ambição. M. BERN. Di- ficio.recç. 2, 4, 1. {{lema|AMBICIAR}}. v. a. pouc. uf. Defejar com ambição, appete- cer com exceffo e defordenadamente. PINT. RIB. Rel. 3, z Não ambiciando inais que ferem conhecidos, reconheci- dos, e vencrados pelo que cuidão. Luftt. 1, 75 Pa- rece que de andarem mais à braços com os Reis... thes nafceo e refultou tanta confiança, e não ambiciarem, an- tes regularem e eftreitarem a franqueza de feu alto oficio. {{lema|AMBICIONAR}}. v. a. Ter ambição, cobiçar. BLUT. Vocab! Suppl. {{lema|AMBICIOSAMENTE}}. adv. mod. Com ambição. Luc. Vid. 114 Pois acceitais e procurais huns dos outros ambi- ciofamente a honra e a gloria. Sous. Hift. 2, 4, 7 Que cabia nelle com juftiça a honra de Prégador muito me- lhor, que em muitos, que ambiciofamente a pertendião. PINT. Ris. Injuft. Succeff. 3, 69 Della [carta] fe cothe o contrario, do que elle affirma ambiciofamente. {{lema|AMBICIOSISSIMO, A}}. fuperl. de Ambicioso. PINT. PER. Hift. 2, 6, 18. ESTAÇ. Antig. 10, 5. BRIT. Mon. 12. tit. 12. {{lema|AMBICIOSO, A}}. adj. Que tem ambição. Do Lat. Ambitio- fus. Paiv. Serm. 1, 271 Gente ambiciofa nem fonhar que outrem val, póde foffrer. CAM. Luf. 4, 58 E logo orde- na De ir ajudar o pai ambiciofo. M. THOм. Un. Sacram. 2, 21 Fabricou o diabo com a mentira Ambiciofo e maligno, Huma mina de treição. Ufafe como fubft. FERR. Poem. Cart. I, 10 Pro- cura honras, eftados, e altezas Ambiciofo vão. CEIT. Serm. 2, 66, 1 Que não foffrerá hum ambiciofo, por vos não defcontentar, fe de vós efpera. FERNAND. GALV. Serm. 3, 59, 2 O ambiciofo cuida que com a privança ficara quieto, e depois de alcançado o lugar não defcança.. Cobicofo, follicito e defejofo com exceffo de acquirir dinheiro, riquezas, e dominios. Commummeute fe ufa co- mo fubft. PAIV. Serm. 3, 28 A primeira coufa, que faz hum cobiçofo, e hum ambiciofo, quando commette onzena... he pizar aos pés a Deos, e pôr em feu lu- gar ao demonio. D. F. MAN. Epan. 3, 288 Quezo amor mais legitimo he o mais avaro, e o liberal, nun- ca verdadeiro; porque, da forte que os ambiciofos, fó fe emprega em ajuntar feus thefouros. VIEIR. Serm. 1o. do Rof. 22, 5, 261 Com os feguros the fouros de não defejar o fuperfluo fou mais rico, que todos os anibicio- fos do mundo. Em que fe dá on moftra ambição ou cobiça. Appli- cafe ás coufas. PER. Elegiad. 11, 155 Deixar livres a- quelles poucos fructos, Que Deos aos que miniftrão feus altares, Quiz dar, não os abranjão os tributos De ambiciofas fedes feculares. HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 20 Que foi hum dos mais foberbos e ambiciofos edifi- cios do mundo. ARR. Dial. 10, 6 Feftejou Plinio com ambiciofas palavras a deleitofa frefcura da Italia. Que defeja com ancia ou exceffo alguma coufa. M. THOM. Un. Sacram. Prol. Nem [fou] tão ambiciofo de<noinclude></noinclude> oh2f3f44gap666y4m4sjvxdu0a3j21s