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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|325}}</noinclude>pelo seu embaixador D. Domingos de Souza Coutinho, irmão de D. Rodrigo, previamente á reencorporação da colonia em esphacelo na monarchia hespanhola, uma mediação conjuncta dos governos britannico e portuguez, solicitada pelos patriotas de Buenos Ayres ao mesmo tempo que o armisticio.
No memorandum de D. Domingos procurava-se attrahir a Inglaterra com a idéa dos lucros a auferir da liberdade commercial em Buenos Ayres, ao passo que se engodava a Princeza com a idéa, parece que adrede renovada para irritar Strangford, de presidir ella ao conselho de Regencia, um conselho hypothetico, reconhecendo outrosim o governo britannico os seus direitos eventuaes de Infanta d’Hespanha á corôa real. Os chefes de Montevidéo e a Junta de Buenos Ayres, cujo representante no Rio era D. Manoel Sarratea, assentaram no accordo, de tão palpavel má fé que Dona Carlota, tão interessada na sua celebração, d’elle só teve conhecimento pela communicação feita por Elio de achar-se Montevidéo livre dos inimigos; e que Buenos Ayres de novo declarou guerra á praça leal, logo que regressaram para o Rio Grande as tropas portuguezas, vindas para destroçar as forças invasoras e os bandos rebeldes que tinham conseguido dominar parte do territorio oriental. A breve trecho recomeçavam as hostilidades não só em terra como tambem no estuario e no oceano, quando foram destruidas as pequenas forças maritimas de Montevidéo.
O accordo buscara comtudo satisfazer todos os negociadores e todos os interessados. Assim, estatuia a liberdade commercial do Prata, objectivo immediato da Grã Bretanha; inseria o armisticio, favoravel a Buenos Ayres, cujos arrancos eram superiores aos recursos e cujos destinos tinham sido<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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No memorandum de D. Domingos procurava-se attrahir a Inglaterra com a idéa dos lucros a auferir da liberdade commercial em Buenos Ayres, ao passo que se engodava a Princeza com a idéa, parece que adrede renovada para irritar Strangford, de presidir ella ao conselho de Regencia, um conselho hypothetico, reconhecendo outrosim o governo britannico os seus direitos eventuaes de Infanta d’Hespanha á corôa real. Os chefes de Montevidéo e a Junta de Buenos Ayres, cujo representante no Rio era D. Manoel Sarratea, assentaram no accordo, de tão palpavel má fé que Dona Carlota, tão interessada na sua celebração, d’elle só teve conhecimento pela communicação feita por Elio de achar-se Montevidéo livre dos inimigos; e que Buenos Ayres de novo declarou guerra á praça leal, logo que regressaram para o Rio Grande as tropas portuguezas, vindas para destroçar as forças invasoras e os bandos rebeldes que tinham conseguido dominar parte do territorio oriental. A breve trecho recomeçavam as hostilidades não só em terra como tambem no estuario e no oceano, quando foram destruidas as pequenas forças maritimas de Montevidéo.
O accordo buscara comtudo satisfazer todos os negociadores e todos os interessados. Assim, estatuia a liberdade commercial do Prata, objectivo immediato da Grã Bretanha; inseria o armisticio, favoravel a Buenos Ayres, cujos arrancos eram superiores aos recursos e cujos destinos tinham sido<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|326|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>subversivamente transferidos das mãos da Junta para as de um triumvirato; admittia tacitamente a mediação de Portugal e da Inglaterra n’uma acção conjuncta que despojava da sua significação a intervenção portugueza isolada, proclamando-se effectuada para concertar a integridade da monarchia hespanhola n’um pacto indissoluvel, o que era o fito dos Europeus de Montevidéo; firmava a sonegação expressa d’esta praça e da Banda Oriental á influencia preponderante ou melhor ao imperio de Buenos Ayres, resultado de toda conveniencia portugueza. A Dona Carlota, motivo essencial das intrigas em acção, ficava a esperança platonica da presidencia da regencia hespanhola, sua primeira e ultima ambição n’este longo e agitado episodio.
Montevidéo salvou-se momentaneamente da conquista; Buenos Ayres arredou para sempre o espectro da recolonização; a Inglaterra frustou, definitivamente pensava ella, as ambições platinas do seu alliado; Portugal firmou o primeiro passo no caminho da realização do seu plano colonial mais querido. Dona Carlota é que não tinha razão para ficar satisfeita, pois acertadamente julgava que o momento teria sido opportuno, quando D. Diogo de Souza acampava além da fronteira, Buenos Ayres se esgotava em convulsões politicas e Goyeneche triumphava no Alto Perú sobre os patriotas, para restabelecerem os Portuguezes, em proveito da sua Princeza, o dominio integro da Hespanha no Rio da Prata. Na propria praça de Montevidéo a secundava n’estas vistas, que em summa eram as que mais se approximavam dos interesses da metropole, que em tudo isso andavam bastante alheios, o partido irreconciliavel, denominado ''{{lang|es|empecinado}}'', dirigido pelo redactor da ''Gaceta'' frei Cirilo<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|327}}</noinclude>Alameda <ref>Francisco Bauzá, ''{{lang|es|Historia de la Dominacion Española en el Uruguay}}'', ''Montevidéo'', 1822, Tomo III.</ref> e que, tornando impossivel qualquer conciliação com Artigas e as suas forças em campo, permittiriam uma opportunidade melhor á nova e mais feliz intervenção portugueza poucos annos depois.
Elio logo depois partiu para a Hespanha, não tendo materialmente sobre que exercer sua final auctoridade de vice-rei. Onde não havia invasor ou rebelde, havia Portuguez, pois que as tropas do Rio Grande, não tendo de facto vindo a apagar o incendio senão a occupar o immovel, proseguiram algum tempo estacionadas em Maldonado, onde as surprehenderam e detiveram os sobrevindos eventos pacificos, e na Colonia do Sacramento. O grosso da expedição alcançara Maldonado pelo Jaguarão e o Cebollati, e uma divisão operara pelo lado do Arapey Mirim, avançando destacamentos sobre Japeyú no Rio Negro e até Paysandú. Os encontros que se deram foram de fortuna diversa, cahindo prisioneiro o chefe das forças portuguezas do Rio Negro, desbaratadas por Ojeda; retirando-se outras forças portuguezas do Arapey para aquém do Guaraim diante da opposição encontrada, e tomando por contra os invasores a povoação de Paysandú, bizarramente defendida pelo capitão nacionalista Sancho Bicudo <ref>Bauzá, ''ob. cit.'', Tomo III. Este trabalho é escripto muito do ponto de vista uruguayo, mas ministra informações e documentos interessantes.</ref>. Contucci, para não perder o habito de allegar serviços, gabou-se por esse tempo n’uma das suas cartas a Linhares <ref>Papeis avulsos no Arch. do Min. das Rel. Ext. do Brazil.</ref> de ter feito abortar um plano pelo qual Artigas mandara estacionar tropas de emboscada no Rio Negro, afim de penetrarem pela fronteira brasileira quando as forças de D. Diogo de Souza se approximassem<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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Itaóca é uma grande familia com presumpção a cidade, espremida entre montanhas, lá nos confins do Judas, precisamente no logar onde o demo perdeu as botas. Tão isolada vive do resto do mundo, que escapam á comprehensão dos forasteiros recem-chegados muitas palavras e locuções de uso regional, não só corrente como diario. Entre ellas esta, que seriamente impressionou um grammatico em transito por alli: Maria, dá cá o pito!
Usada em sentido pejorativo, para expressar decepção ou pouco caso, e applicada ao proprio grammatico mal descobriram que elle era apenas isso e não influencia politica como o suppunham, descreve-se aqui o facto que lhe deu origem. E pede-se perdão aos grammaticões de má morte pelo crime de introduzir a anecdota na tão sisuda quão circumspecta sciencia de torturar crianças e ensandecer adultos.
{{c|'''***'''}}
O reverendo tomou do estojo os velhos oculos de ouro, encavalgou-os no batatão nasal, e leu pausadamente a carta do compadre, que dava noticias, pedia-as, e communicava a proxima «ida para ahi do doutor Emmerencio do Val, nosso ex-ministro em Vienna d'Austria, homem de muito saber e distincção de maneiras, um desses diplomatas á antiga, como já os não ha nesta republica que etc. etc.» em viagem de recreio pelo interior a matar saudades do paiz.
O reverendo coçou o toitiço com dedos sornas, e releu a carta demorando o pensamento nas palavras que pintavam o alto figurão itinerante em via de honrar-lhe casa com sua nobre presença.
Verdade é que dispensava tal honraria, boa sécca á pacatez do seu viver abbacial, repartido entre missinhas de cinco mil réis (mais um frango), cachimbadas de muito bom fumo de corda e os pitéos (sinão ainda a ternura, como propalavam más linguas) da sua optima caseira e afilhada, a Maria<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
19404
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''Pedro Pichorra'''}}
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Quem dobra o morro da Samambaia, com a vista enjoada da verdura monotona, espairece na Grota Fria ao dar de chapa com uma sitioca pittoresca.
E passa levando nos olhos a impressão daquella sepia afogada em campo verde. Casebre de palha, terreirinho de chão limpo, mastro de Santo Antonio com desenhos já escorridos da chuva e bandeira rota, trapejante ao vento... Dois mamoeiros no quintal, apinhados de fructos; canteiros de esporinhas com periquito á roda e mangericões entreverados... Um pé de gyrasol, magro e desenxabido, a sopesar no alto uma rodella côr de canario; laranjeiras semi-mortas sob o toucado da herva passarinha...
Nos fundos da casa vê-se o lavadoiro, descoivarado apenas, num poço onde o córgo rebrilha tres palmos d'agua.
Sobre um taboão emborcado a meio lá está batendo roupa a Marianinha Pichorra, mulher do Pedro Pichorra, mãe de nove Pichorrinhas. E' alli o sitio dos Pichorras e até a Grota Funda já é conhecida por Fundão da Pichorrada.
{{c|'''***'''}}
Porque os antigos Pereiras de Souza, do Barro Branco, vieram a chamar-se Pichorras?
E' toda uma historia.
Pedrinho ia nos onze annos. Já se destabocára e já preferia, em
materia de fumo, o forte, bem melado. Na vespera realizára o sonho de toda a criança da roça — a faca de ponta. Dera-lh'a o pae, como um diploma de virilidade. «Menino, d'ora avante és homem. Aggredido, não gritarás por gente grande; é mão na faca, pé atrás e corisco nos
olhos».
Não lhe falou assim o pae, mas leu Pedrinho essa fala na lamina rebrilhante. Por isso irradiava d'orgulho, imaginando pégas, aloites,
tempoquentes e tocaias onde a sardinha alumiasse.
O pae, áquell'hora de pé na soleira da porta, assumptava o céo. Viu que chover não chovia, e,
— Pedrinho! gritou para os fundos.
— Pae?
— Vá pegar a egua.
O menino passou mão do cabresto e mergulhou no pasto. Minutos depois rebentou trotando em pello a Serena, egua velha, de muita barriga mas aguentadeira.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t3|'''As seis decepções'''}}
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Puzeram-se de rumo á cidade os tres irmãozinhos. Moravam longe, na chacara; mas uma meia hora de estrada barrenta, com poças d'agua côr de café com leite, que ladeavam pela beirinha na ponta dos pés, e um tejuco meio molle, meio duro, empelotado pela pata dos bois, eram fracos empecilhos á delicia semanal de «ir á cidade». A cidade vivia-lhes no espirito como alvo de todos os desejos e fim supremo de suas vidinhas trefegas. Lá moravam os parentes, a tia Salomé, as Franças, os amigalhotes; era lá a egreja, a quitanda, o circo de cavallinhos, a «gente».
Após a reclusão de uma semana no ermo da chacara, ir gosar um domingo na cidade, fincar os cotovelos nas janellas da titia e perder toda uma tarde bem comprida a vêr e commentar a rua com repenicadas «boas-tardes» aos conhecidos, a «reparar» no vestido das moças, a achar «impagavel» a barriga monstruosa do Canella, vendeiro da esquina, e outras innocentes maldades mais — era um prazer de sapatear; mas para Maria José e para das Dores sómente, que o terceiro, Antonico, depois que deitara calças compridas, só pensava em bilhares e «troça de rapazes».
Naquelle dia iam com licença de se reunirem ás Franças, pousando lá. Caminhavam silenciosos, signal evidente de desaccordo, que grulhavam como pintasilgos quando ardiam na ancia de realizar um mesmo projecto. Cada um suspeitava no outro um objectivo que não o seu — qual não sabia, mas differente e antagonico; e isso era o diabo, pois que em birra nunca houve irmãos de forças tão eguaes. Nenhum cederia — e nestes casos o desfecho era privarem-se todos da festa para não «dar o gosto» ao parceiro.
A verdade era esta: Maisé tramára no ultimo domingo uma ida á dançata semanal do Recreativo; Antonico uma noitada de cavallinhos e das Dores uma visita aos presepes; e como cada qual contasse reduzir os outros á sua idéa, cuidadosamente a calaram durante a semana inteira. Mas estava imminente a lucta e cada cabecinha ia ruminando a melhor tactica para vencer.
Aquelle silencio em que se escondiam era a pedra onde afiavam<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''Cabellos compridos'''}}
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— Coitada da Das Dores, tão boazinha...
Das Dores é isso, só isso bôazinha. Não possue outra qualidade. E' feia, é desengraçada, é inelegante, é magerrima, não tem seios, nem cadeiras, nem nenhuma rotundidade posterior; é pobre de dinheiro e de espirito; e é filha daquelle Joaquim da Venda, ilhéo de burrice eburnea — isto é, dura como o marfim. Moça que não tem por onde se lhe pegue fica sendo bôazinha.
— Coitada da Das Dores, tão boazinha...
Só tem uma coisa a mais que as outras — cabello. A fita da sua trança toca-lhe a barra da saia. Em compensação suas idéas medem-se por fracções de millimetro, tão curtinhas são. Cabellos compridos, idéas curtas, lá o disse Schopenhauer...
A natureza poz-lhe na cabeça um tabloide homopathico de intelligencia, um granulo de memoria, uma pitada de raciocinio — e plantou a cabelleira por cima.
Essa mesquinhez por dentro. Por fóra, ornou-lhe a asa do nariz com um grão de ervilha, que ella modestamente denominava verruga, arrebitou-lhe as ventas, rasgou-lhe uma bocca de dimensões compromettedoras e deu-lhe uns pés... Nossa Senhora, que pés! E outras taes pirraças lhe fez a madrasta que, ao vel-a, todos dizem commiserados:
— Coitada da Das Dores, tão bôazinha...
Das Dores só faz o que as outras fazem e porque as outras o fazem. Vae á egreja aos domingos, de livrinho na mão, ouve a missa, ouve a prédica, réza. Nunca falhou um dia. Si lhe perguntarem o porque daquelles actos responderá muito admirada da pergunta:
— Mas si todas vão!
O grande argumento de Das Dores é esse: as outras. Ouve o sermão do padre e chora nos lances tragicos, não porque comprehenda algo daquella rhetorica, nem porque sinta vontade de chorar — mas porque as outras choram.
Toma tudo quanto ouve ao pé da letra, incapaz que é de galgar do concreto ao abstracto. Si ouve falar em «fazer pé de alferes», fica-se a pensar em pés e mãos de alferes e tenentes.
— Tão bôazinha, a Das Dores...
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''O caso do tombo'''}}
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Não é meu este caso, mas d'um tio, juiz numa Itaóca beira mar. Homem sessentão, cheio de rabugens, pigarros e mais macacôas da velhice, nem por isso deixa de ser amigo da pulha, como diria mestre Machado. Gosta de contar pilherias e casos pandegos que descambam a meio em caretas rheumaticas muito de apiedar corações sobrinhos.
Os seus dominios juridicos são o reino da propria Pacatez. Os annos al'i fluem para o Esquecimento no deslizar preguiçoso dos ribeirões espraiados, sem cascatas nem corredeiras encrespadoras do espelho das aguas — disturbio, facada ou escandalo passional.
O povo, escasso como pennas de frango impubere, vive de apanhar tainhas e ameijoas. Feito o que, come-as. Feito o que, digere-as. Em seguida, «da capo» ás tainhas. E assim, annos e annos a fio até á derradeira conta do rosario da vida.
E' extrema a penuria de emoções. Vidas ha que ardem té ao berro final sem o tremelique duma commoção forte. Só a Morte pinga, a espaços, no cofre vazio dos acontecimentos, o vintem azinavrado d'um velho mariscador morto de pigarro senil ou o tostão d'uma pessoa grada, collector de rendas, fiscal, agente do correio. Em tempos deu «nota», um barão da Jamanta, ultimo varão conspicuo de que ficou memoria no logar.
Fóra disso nada mais bole com a sensibilidade em perpetua coma do excellente povo — nem dramas de amor, nem rixas eleitoraes, nem coisa nenhuma destoante dos mandamentos do Pasmado Viver.
A taramelagem das más linguas vê-se forçada, nos serões familiares,
na venda do José Inchado (club da ralé), ou na Botica do Cação de Ouro (aqui o escól), a esgravatar as castanhas chochas do assumpto sovado ou frivolo. Sempre conversinhas que não vão nem vêm.
A grande preoccupação local é matar o tempo, que em vez de dinheiro é em Itaóca uma grande maçada. Matam-no, os homens, pitando cigarrões de palha, e as mulheres, gestando a prole enfermiça. E assim escorregam para o Nirvana os dias, os mezes, os annos, feitos lesmas de Chronos, deixando nas memorias um rastilho dubio, breve extincto.
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''« Gens ennuyeux »'''}}
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— Queres ir? disse-me Lino espichando ante meus olhos um convite. Li: ''A Sociedade Minervina'', ahn, ahn... ''convida'', ahn.... ''a conferencia versará sobre a Historia da Terra''.
— E'; a these é catita; vaes?
— Está-me appetecendo conhecel-os, aos nossos sabios....
— Sabios, rosnei, ''gens ennuyeux''...
— Nem sempre, contraveiu Lino. O assumpto é magnifico, e depois, que diabo! uma penitenciazinha de vez em quando, por amor á sciencia...
— Pois vamos, resolvi com intrepidez.
— A's oito, rua tal.
— Lá estarei, adeus!
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Ao assomarmos á porta já as cadeiras do grande salão pintalgavam-se de austeras sobrecasacas scientificas, encimadas por carecas luzidias em cujo espelho punha gangrenas de luz (perdão, Apollo!) a luz violacea do arco voltaico.
Entramos, com religiosa compostura, pisando com passos humilimos o assoalho augusto do Pagode da Sciencia.
Vi no rosto do meu amigo uma leve expressão de terror sagrado. Os quichuas quando davam de chofre com o Eldorado haviam de ficar assim.... Commovia-se devéras o rapaz, e foi balbuciante que cochichou:
— Sabios, hein?
Sentamo-nos de vagarinho e puzemo-nos a olhar. Novas sobrecasacas chegavam, aos magotes de tres e quatro, compenetradas e pensabundas. Eram novos sabios. Havia-os de variegado estylo. O estylo-fiambre: gente vermelha com o sangue á flor da pelle, em permanente congestão. O typo-mellado: genero de importação norte-americana ou allemã. O estylo-''ball'': queijos de Palmyra com o vermelho substituido por um pallor circular de cabellugens ralas. O estylo-chlorose: rapazelhos de peito cavo e barba a espontar ingenuamente, macilentos de tez, olhos de bezerro desynterico em cujas meninas — meninas dos olhos — pareciam passear hypothenusas de braços dados a binomios de Newton.
A' nossa dextra suava uma rubra apoplexia allemã, enchouriçada em sobrecasaca de debrum contemporanea do iguanodonte, com costuras que cediam á pressão das en-<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''O figado indiscreto'''}}
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Que ha um Deus para o namoro e outro para os bebados está provado — '''''a contrario sensu'''''. Sem elles como explicar tanto passo falso sem tombo, tanto tombo sem nariz partido, tanta beijoca lambiscada a medo sem maiores consequencias fóra uns sobresaltos desagradaveis, quando passos intempestivos põem fim a duos de sofá em sala momentaneamente deserta?
Acontece, todavia, que esses deuses, ao geito de Homero, tambem cochilam: e parte o borracho o nariz de encontro ao lampião, ou a futura sogra lá pilha Romeu e Julieta em flagrante, contacto de epidermes, petrificando-os com o clássico: «Que pouca vergonha!...»
Outras vezes acontece aos protegidos decahirem da graça divina.
Foi o que succedeu a Ignacio, o calouro e por via disso perdeu elle de casar com a Sinhárinha Lemos, bôa menina a quem cincoenta contos de dóte faziam optima.
Ignacio era o rei dos acanhadões. Pelas coisas minimas avermelhava, sahia fóra de si e permanecia largo tempo idiotizado.
O progresso do seu namoro foi, como é natural, menos obra sua que da menina, e da familia de ambos, concertadas tacitamente em conspirar contra o celibato do futuro bacharel. Uma das traças conspirativas foi o convite que elle recebeu para jantar nos Lemos em certo dia de anniversario familiar commemorado a perú.
Ignacio barbeou-se, laçou a mais formosa gravata, floriu de orchideas a botoeira, friccionou os cabellos com loção de violeta e lá foi, de roupa nova, lindo como se saíra da forma áquell'hora. Levou comsigo, entretanto, para mal seu, o acanhamento. E d'ahi proveiu a catastrophe...
Havia mais moças na sala, fóra a eleita, e caras estranhas, vagamente suas conhecidas, que o olhavam com a benevola curiosidade merecida por um possivel futuro parente.
Ignacio, de natural mal firme nas estribeiras, sentiu-se já de começo um tanto desmontado com o papel de galã á força que lhe attribuiam. Uma das moças, criaturinha requintada de malicia, muito «sahida» e «semostradeira», interpellou-o sobre coisas de coração, idéas relativas casamento e tambem sobre a<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''O plagio'''}}
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— Você sae, Nenesto, com um tempo destes?
— Não ha outro.
— Dia de S. Bartholomeu, inda mais?...
— Importa-me la o santo.
— Está bem. Depois não se arrependa...
Isto dizia d. Eucharis ao «queixo duro» do seu marido, Ernesto d'Olivaes, ao vel-o tomar o chapeu do cabide e sair.
Fóra, remoinhava o vento, annunciando tempestade imminente.
Por castigo, nem bem caminhára o teimoso duzentos passos, desaba aguaceiro. Tão repentino que mal teve tempo de barafustar por um «sebo» a dentro no instante preciso em que o belchior cerrava a ultima folha de porta. Mesmo assim resfriou-se e foi com tres espirros que retribuiu á saudação do homem.
— Atchim!...
— Viva!
— Atchim!...
— Viva!
— Atchim... Brrr ! P'ra burro ! Espirro p'ra burro ! ''C'est le diable''.
(Seculo trinta! Se por acaso um exemplar desta novella chegar ao conhecimento dos teus fariscadores de antigualhas, não se assombre elle com a expressão curralina do meu Ernesto. Nem quebre a cabeça a interpretal-a com ajuda da philologia comparada, da veterinaria e mais sciencias connexas.
Cá fica a chave do enigma: semelhante expressão viveu correntia, pelas immediações da Grande Guerra, com significado de abundante, excessivo ou estupendo. Nascida nalguma cocheira, alargou-se ás ruas, e passou desta aos salões. Penetrou até na rhetorica amorosa. Romeus houve que, pintando a formosura das respectivas Julietas, substituiam o archaico — lindo como os amores — por este soberbo jacto de impressionismo cavallar: E' linda p'ra burro!
Não obstante, as Julietas casavam com elles, e eram felizes. Lá se entendiam....)
O belchior era francez, e Ernesto taramelava na lingua adoptiva do sr. d'Avray o necessario para embrulhar lingua com um belchior francez. Sabia differençar ''femme sage'' de ''sage femme'', distinguia ''chair'' de ''viande'' e alambicava a primor os ''u u'' gaulezes. Além disso tinha<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|'''De como quebrei a cabeça á<br/>mulher do Mello'''}}
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— Olha, esperam-te hoje em casa, para jantar.
— Impossivel. Não janto fóra.
— Abre uma excepção e vae.
— Impossivel, já disse. Não insistas.
— Põe de lado a exquisitice e vae.
— Não é exquisitice, meu caro, é sybaritismo e prudencia. Tenho para mim que comer é uma das boas coisas da vida. Mas comer o que se quer, como se quer, quando se quer. Gósto, por exemplo, de lombo de porco, mas a meu modo, assado cá d'um geito que sei. Si o cômo fóra de casa nunca o tenho ao sabor do meu paladar.
Gósto ainda de comer quando tenho fome. Detesto o horario forçado, almoço ás onze, jantar ás seis, haja ou não appetite. Ora, a não ser em minha casa, onde não tenho horario, raramente o appetite coincidirá com o momento do brodio. Essa circumstancia alliada ao facto de ser forçado a comer o que está na mesa e não o que me pede a veneta, leva-me a recusar systematicamente convites para jantar.
— Mas, homem de Deus, para tudo ha remedio. Farás tu mesmo o cardapio, darás as receitas e só se porá a mesa á voz do teu appetite.
— Não. Em tua casa são todos de taí modo amaveis que receio, jantando lá, não chegar á sobremesa sem commetter um homicidio.
— !!!
— Nunca te contei o meu rompimento com a familia do Mello? Eramos amicissimos de longos annos, e sel-o-iamos até hoje si não fôra a minha imprudencia acceitando um convite para lá jantar, em dia de annos de d. Vidóca. Mas commetti-a, e fui. Havia á mesa umas dez pessoas, todas intimas, e as filhas, os genros — um povaréo. D. Vidóca, como sabes, é uma creatura excessivamente amavel e nesse dia excedeu-se. Serviu-me sôpa, ella propria, mas carregando a mão como si eu fôra um frade bôrra. Arrepiou-me aquele pantagruelismo brutal mas calei a exasperação, e ingeri com paciencia aquella maranha de fios amarellos boiantes num caldo unctuoso. Mal absorvera<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|'''O espião allemão'''}}
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Abre a historia. Escuta. Só ouvirás rumores de guerra. Aquelle tropel desapoderado? E' a avalanche tartara. Tamerlão, o tigre coxo, derrama sobre a Persia legiões de féras — e leva a chacina a proporções inauditas. Seu capricho exige, em Ispahan, setenta mil cabeças humanas. Cada secção do exercito lhe ha de fornecer uma quota. Fartos, cançados de cortal-as, os soldados entram a adquiril-as, pagando a moeda de ouro cada uma. Era bom negocio: a offerta cresceu e o preço baixou meia moeda. Reunidas as setenta mil, Timur construiu torres de craneos em redor da cidade...
Ruge a sangueira além. E' em Dehli. Timur, tigre precavido, antes de bater-se com Mahomet IV delibera alliviar o exercito de cem mil prisioneiros incommodos. Solução magistral: degola-os...
A vaga prosegue, chega a Ancyra, esmaga Bajazeto, o grande sultão, e passa...
E acolá? Assyria. De Ninive, antro de leões famintos, descem para a carniçaria os reis flexeiros. Assurnizrhapal canta os proprios feitos em inscripções chegadas até nós: «Construí um muro diante das portas da cidade e forrei-o com a pelle dos chefes. A outros emparedei vivos, a outros empalei ao longo das muralhas. Fiz arrancar o couro, em minha presença, a innumeros e revesti paredes com esse couro semi-vivo. Reuni cabeças em fórma de corôas e os corpos entrelacei como guirlandas.»
A vida da Assyria é toda ella essa primorosa carnificina. Tuklatabazar, Assurbanipal, Nabuco, Sargão — todos os magarefes reaes viram a sua pericia em arrancar o couro a creaturas vivas cantada pelos poetas, commemorada pela architectura, admirada pelos posteros.
Timur passou. Passou a Assyria. Homens e coisas passam, mas a
guerra fica.
E' a guerra uma permanente. O homem tem a vocação do morticinio. A arte apotheósa a carniça. Os poetas só ascendem ao epico si o bafio do sangue lhes fumega a inspiração. A belleza suprema
é Achilles fendendo craneos, do frontal á nuca e a historia da humani-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" /></noinclude>{{t2|VOCABULARIO NEOLOGICO PORTUGUEZ}}
{{traço}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/V|{{sc|Abat-jour}}]]: Lucivélo, ou lucivéo, s. m. (Vede pag. {{pl|11|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/VII|{{sc|Aplomb}}]]: Prumo, (instrumento) s. m.; desempeno. (Vede pag. {{pl|19|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/VIII|{{sc|Avalanche}}]]: Runimol, s. m. (Vede pag. {{pl|23|44}}).}}
{{ad|{{sc|Bijouterie}}: Joalharia, s. m. Neologismo formado de substantivo ''joalheiro'', que já existe en portuguez.}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XIX|{{sc|Cabotagen}}]]: Costeagen, s. f. (Vede pag. {{pl|61|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/III|{{sc|Cache-nez}}]]: Focále, s. m. (Vede pag. {{pl|5|44}}).}}
{{ad|{{sc|Calembourg ou Calambour}}: Anciverbio; palavra que se presta a mais de un sentido. Este neologismo é formado de ''anceps'', ''ancipitis'', (duvidoso) e ''verbum'', ''i'' (palavra).}}
{{ad|Pode tamben traduzir-se ''Calembourg'' pelo termo — ''equivoco;'' mas não por ''trocadilho''.|3=2em}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XXIII|{{sc|Charivari}}]]: Peniludio, s. m.; algazarra, assuada, bulha, gritaria, matinada. (Vede pag. {{pl|75|44}}).}}
{{ad|[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis/I/XII|{{sc|Carnet}}]]: Choribel, (coribél) canhenho s. m. (Vede pag. {{pl|37|44}}).}}
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{{sc|Claque}}: Venapplauso, applauso vendido pelos que nos theatros baten as palmas aos actores, por dinheiro, ou por algun outro motivo; applauso<noinclude></div></noinclude>
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Galeria:Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis - 2 ed.djvu
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|Título=[[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis (2ª edição)|Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis]]
|Subtítulo=com um vocabulario neologico portuguez
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|Autor=[[Autor:Antônio de Castro Lopes|Antônio de Castro Lopes]]
|Tradutor=
|Editor=[[Autor:Domingos de Castro Lopes|Domingos de Castro Lopes]]
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/* Revistas e corrigidas */
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|197|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>fazem o que faz todo o viajante chegado a um paiz desconhecido: passeiam!
— Fico certo dʼisso, visto que o dizeis vós, meu joven amigo,
respondeu sorrindo o tenente Bronsfield.
— E comtudo, continuou outro official, a chegada dos viajantes não póde pôr-se em duvida. O projectil devia ter alcançado
a Lua no momento em que era cheia, no dia 5 á meia noite.
Estamos já a 11 de dezembro, já lá vão seis dias. E em seis
vezes vinte e quatro horas, havendo luz, ha tempo para se installar com toda a commodidade. Parece-me que estou a vél-os,
esses estimaveis compatriotas, acampados no fundo de algum
valle, á borda de algum regato selenita, junto ao projectil semi-arrombado pela quéda no meio dos despojos vulcanicos; o
capitão Nicholl a começar as suas operações de nivelamento,
Barbicane copiando a limpo os apontamentos de viagem e Miguel Ardan embalsamando as solidões lunares com o fumo do
seu ''londrés''.
— Sim, assim deve ser, assim é! exclamou o moço aspirante,
enthusiasmado com a descripção ideal do seu superior.
— Desejo acredital-o, respondeu o tenente Bronsfield, que
não era de enthusiasmos. Desgraçadamente nunca teremos noticias directas do mundo lunar.
— Perdão, meu tenente, disse o aspirante, pois o presidente
Barbicane não póde escrever?
Esta resposta foi acolhida com uma gargalhada geral.
— Não digo cartas, acudiu com vivacidade o moço. A administração do correio nada tem que ver com o caso.
— Será então a administração das linhas telegraphicas? perguntou com ironia um dos officiaes.
— Ainda menos, respondeu o aspirante, que não cedia á primeira. É facil, porém, estabelecer communicações graphicas com
a Terra.
— Mas como?
— Por meio do telescopio de Longʼs-Peak. Bem sabeis que
representa a Lua como se estivera apenas a duas leguas das
montanhas Penhascosas, e que permitte que se veja na superfi-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|197|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>fazem o que faz todo o viajante chegado a um paiz desconhecido: passeiam!
— Fico certo dʼisso, visto que o dizeis vós, meu joven amigo,
respondeu sorrindo o tenente Bronsfield.
— E comtudo, continuou outro official, a chegada dos viajantes nāo póde pôr-se em duvida. O projectil devia ter alcançado
a Lua no momento em que era cheia, no dia 5 á meia noite.
Estamos já a 11 de dezembro, já lá vāo seis dias. E em seis
vezes vinte e quatro horas, havendo luz, ha tempo para se installar com toda a commodidade. Parece-me que estou a vél-os,
esses estimaveis compatriotas, acampados no fundo de algum
valle, á borda de algum regato selenita, junto ao projectil semi-arrombado pela quéda no meio dos despojos vulcanicos; o
capitāo Nicholl a começar as suas operaçōes de nivelamento,
Barbicane copiando a limpo os apontamentos de viagem e Miguel Ardan embalsamando as solidōes lunares com o fumo do
seu ''londrés''.
— Sim, assim deve ser, assim é! exclamou o moço aspirante,
enthusiasmado com a descripçāo ideal do seu superior.
— Desejo acredital-o, respondeu o tenente Bronsfield, que
nāo era de enthusiasmos. Desgraçadamente nunca teremos noticias directas do mundo lunar.
— Perdāo, meu tenente, disse o aspirante, pois o presidente
Barbicane nāo póde escrever?
Esta resposta foi acolhida com uma gargalhada geral.
— Nāo digo cartas, acudiu com vivacidade o moço. A administraçāo do correio nada tem que ver com o caso.
— Será entāo a administraçāo das linhas telegraphicas? perguntou com ironia um dos officiaes.
— Ainda menos, respondeu o aspirante, que nāo cedia á primeira. É facil, porém, estabelecer communicaçōes graphicas com
a Terra.
— Mas como?
— Por meio do telescopio de Longʼs-Peak. Bem sabeis que
representa a Lua como se estivera apenas a duas leguas das
montanhas Penhascosas, e que permitte que se veja na superfi-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|198|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>cie dʼella qualquer objecto que tenha nove pés de diametro.
Pois bem! basta que os nossos engenhosos amigos construam
um alphabeto gigantesco! que escrevam palavras de cem toezas de comprido e phrases de uma legua, para poderem dar-nos noticias suas!
O joven aspirante foi ruidosamente applaudido por ter provado que tinha uma certa imaginaçāo. Até o proprio tenente
Bronsfield concordou em que a idéa era realisavel; e acrescentou que tambem projectando feixes de raios luminosos por meio
de espelhos parabolicos, se podiam estabelecer communicaçōes
directas; effectivamente, tāo visiveis seriam esses raios em Venus ou em Marte, como o é da Terra o planeta Neptuno. Terminou dizendo que os pontos brilhantes já observados nos planetas mais proximos podiam muito bem ser signaes feitos á
Terra. Mas fez tambem notar que, se por aquelle meio se podiam obter noticias do mundo lunar, nāo se podiam para lá
mandar novas do mundo terrestre, a nāo ser que os selenitas
tivessem á sua disposiçāo instrumentos proprios para fazer observaçōes a grande distancia.
— É evidente, respondeu um dos officiaes; mas o que sobretudo nos deve interessar é o que é feito dos viajantes e o que
elles terāo visto. E demais, se a experiencia der bom resultado, do que eu nāo duvido, recomeçar-se-ha, que a columbiada
lá está ainda embebida no sólo da Florida. E, portanto, a questāo é só de polvora e de bala, e todos as vezes que a Lua passar pelo zenith, póde-se-lhe mandar uma carregaçāo de visitantes.
— O que é evidente, respondeu o tenente Bronsfield, é que
J-T. Maston vae qualquer dʼestes dias reunir-se aos seus amigos.
— Se elle me acceitar, exclamou o aspirante, estou prompto
a acompanhal-o.
— Oh! amadores nāo hāo de faltar, replicou Bronsfield; dentro em pouco metade dos habitantes da Terra, se os deixassem,
tinham emigrado para a Lua!
Durou esta conversa entre os officiaes da ''Susquehanna'' até<noinclude></noinclude>
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Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/207
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|199|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>por volta da uma hora da manhā. Os systemas estapafurdios e
as theorias de deitar a baixo que ali foram emittidas por aquelles espiritos audaciosos, nāo é possivel relatal-os. Depois da
tentativa de Barbicane, nada parecia impossivel aos americanos.
Já projectavam mandar ás plagas selenitas, nāo uma simples
commissāo de homens de sciencia, mas uma colonia inteira, e
un exercito completo com infanteria, artilheria e cavallaria,
para conquistar o mundo lunar.
A uma hora da manhā ainda nāo estava completamente içada a sonda, faltavam uns dez mil pés, trabalho que demandava
ainda muitas horas. Segundo as ordens do commandante, estavam accesas as fornalhas. A ''Susquehanna'' podia partir no
mesmo instante se fosse necessario.
Nʼaquelle momento, — era uma hora e dezesete minutos da
manhā, — dispunha-se o tenente Bronsfield a largar o quarto e
voltar para o seu camarote, quando lhe solicitou a attençāo um
silvo bongiquo e inteiramente inesperado.
O tenente e mais officiaes julgaram a principio que tal silvo
fosse resultado de alguma fuga de vapor; mas, levantando os
olhos, conseguiram verificar que aquelle ruido se produzia nas
camadas mais elevadas da atmosphera.
Nem tempo tinham ainda tido para se interrogarem. Já o silvo assumira proporçōes de assustadora intensidade, e de subito appareceu-lhes, perante os olhos deslumbrados, um enorme
bolido, inflammado pela rapidez da quéda e pelo attrito nas camadas atmosphericas.
A massa ignea pareceu-lhes augmentar de volume, caiu com
o estrepito de um torvāo sobre o gurupez da corveta e partiu-o
rente pelo talha mar, abysmando-se finalmente nas ondas com
ruido de ensurdecer.
Alguns pés mais perto, e sossobrava o ''Susquehanna'' com vidas e fazendas.
Nʼaquelle momento appareceu o capitāo Blomsberry meio vestido, e saltando ao castello de popa, para onde se tinham precipitado os officiaes, perguntou:
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|200|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Com licença, meus senhores, que succedeu ?
E o aspirante fazendo-se, por assim dizer, echo de todos, exclamou:
— Meu commandante são elles que voltam!
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Á Roda da Lua (5ª edição)/XX
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf" from=202 to=208 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[pl:Podróż Naokoło Księżyca/XX]] [[ru:Вокруг_Луны_(Верн;_1869)/ДО#ГЛАВА_XX._Промѣры_Соскеганны.]] [[cs:Cesta kolem měsíce/Kapitola dvacátá]] [[en:Around the Moon/Chapter XX]] [[fr:Autour de la Lune/20]]
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text/x-wiki
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[[en:Around the Moon/Chapter XX]]
[[fr:Autour de la Lune/20]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /></noinclude>{{t2|{{sc|Morte de um cavallo.}}|VIII}}
{{dhr|5}}
—Janta-se melhor em casa do Edon do que no Bomarda, exclamou Zephina.
—Prefiro Bombarda a Edon, declarou Blachevelle.
Ha mais luxo. Tudo é mais asiatico. Vêde a sala de
baixo. As paredes estam forradas de damascos.
— A respeito de damascos, antes os quero no meu
prato, disse Favorita.
Blachevelle insistiu:
— Vêde as facas. Aqui no Bombarda têm cabos de
prata, e no Edon sāo de osso. Ora, a prata é mais preciosa do que o osso.
—Excepto para os que trazem um queixo de prata,
ponderou Tholomyès.
Olhava elle neste momento para o zimborio dos Invalidos, visivel das janellas do Bombarda.
Houve uma pausa.
—Tholomyès! exclamou Fameuil, Listolier e en discutiamos ha pouco.
—Uma disenssāo é cousa boa, respondeu Tholomyès,
mas uma briga é melhor.
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Página:Victor Hugo - Os Miseráveis, trad. Justiniano José da Rocha, Vol. 1 (1862).pdf/187
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|183}}</noinclude>—Disputavamos sobre assumptos philosophicos.
—Bem.
—Qual preferes tu, Descartes ou Spinosa ?
—Desangiers, disse Tholomyès.
Proferido este aresto, virou o copo e proseguiu :
—Estou decidido a viver. Ainda se não acabou tudo
no mundo, visto ainda se poder desarrazoar. Graças aos
deuses immortaes ! Todos mentem, mas tambem não
ha quem não ria. Todos affirmam, mas tambem todos
duvidam. O inopinado rebenta do syllogismo. É bello!
Ainda ha neste valle de lagrimas alguns humanos que
sabem abrir e fechar alegremente a [[:wiktionary:pt:boceta|boceta]] de sorprezas do paradoxo. Senhores, isso que bebeis com ar
tranquillo, ficae-o sabendo, é viulio da Madeira, da lavra
de Curral das Freiras, fica a trezentas e desasete toezas
acima do nivel do mar ! Attenção ao bebê-lo ! trezentas
e desasete toezas ! e o snr. Bombarda, o magnifico pasteleiro, vos da essas trezentas e desasete toezas por quatro francos e cincoenta centimos.
Fameuil tornou a interroper:
— Tholomyès, as tuas opiniões tem força de lei. Qual
é o teu autor favorito?
—Ber...
—Quin?
—Não. Choux.
E Tholomyès proseguiu :
—Honra a Bombarda! elle igualaria a Monophis dʼElephanta se pudesse trazer-me uma alméa, e Thygelion
de Cheronea se pudesse apresentar-me uma betaira !
Porquanto, ó senhoras, havia Bombardas na Grecia e no
Egypto. É Apuleio quem nò-lo diz. Ah! sempre as
mesmas cousas e nada de novo. Nada ha já inedicto na
creação do Creador!—''Nil sub sole novum''—, diz Salomão.— ''Amor onmibus idem''—, diz Virgilio ; e Carabina entra com Carabino na galeota de Saint-Cloud do
mesmo modo que Aspasia embarcava com Pericles na
armada de Samos. Ainda uma palavra. Sabeis, senhoras, quem era Aspasia ? Apezar de viver nʼum tempo
em que as mulheres ainda não tinham alma, era ella
uma alma ; uma alma de côr rosi-purpurea, mais ardente do que o fogo, mais fresca do que a aurora. Aspasia era uma creatura em quem se tocavam os dous extremos da mulher ; era a prostituta deusa. Era Socra-<noinclude></noinclude>
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—Bem.
—Qual preferes tu, Descartes ou Spinosa ?
—Desangiers, disse Tholomyès.
Proferido este aresto, virou o copo e proseguiu :
—Estou decidido a viver. Ainda se nāo acabou tudo
no mundo, visto ainda se poder desarrazoar. Graças aos
deuses immortaes ! Todos mentem, mas tambem nāo
ha quem nāo ria. Todos affirmam, mas tambem todos
duvidam. O inopinado rebenta do syllogismo. É bello!
Ainda ha neste valle de lagrimas alguns humanos que
sabem abrir e fechar alegremente a [[:wiktionary:pt:boceta|boceta]] de sorprezas do paradoxo. Senhores, isso que bebeis com ar
tranquillo, ficae-o sabendo, é viulio da Madeira, da lavra
de Curral das Freiras, fica a trezentas e desasete toezas
acima do nivel do mar ! Attençāo ao bebê-lo ! trezentas
e desasete toezas ! e o snr. Bombarda, o magnifico pasteleiro, vos da essas trezentas e desasete toezas por quatro francos e cincoenta centimos.
Fameuil tornou a interroper:
— Tholomyès, as tuas opiniōes tem força de lei. Qual
é o teu autor favorito?
—Ber...
—Quin?
—Nāo. Choux.
E Tholomyès proseguiu :
—Honra a Bombarda! elle igualaria a Monophis dʼElephanta se pudesse trazer-me uma alméa, e Thygelion
de Cheronea se pudesse apresentar-me uma betaira !
Porquanto, ó senhoras, havia Bombardas na Grecia e no
Egypto. É Apuleio quem nò-lo diz. Ah! sempre as
mesmas cousas e nada de novo. Nada ha já inedicto na
creaçāo do Creador!—''Nil sub sole novum''—, diz Salomāo.— ''Amor onmibus idem''—, diz Virgilio ; e Carabina entra com Carabino na galeota de Saint-Cloud do
mesmo modo que Aspasia embarcava com Pericles na
armada de Samos. Ainda uma palavra. Sabeis, senhoras, quem era Aspasia ? Apezar de viver nʼum tempo
em que as mulheres ainda nāo tinham alma, era ella
uma alma ; uma alma de côr rosi-purpurea, mais ardente do que o fogo, mais fresca do que a aurora. Aspasia era uma creatura em quem se tocavam os dous extremos da mulher ; era a prostituta deusa. Era Socra-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{c|184}}</noinclude>tes e Manon Lescaut. Aspasia foi creada para o caso
de Prometheu carecer de uma rameira.
Tholomyès, uma vez soltos os diques, difficilmente se
houvera calado, se um cavallo nāo tivesse cahido no caes
naquelle mesmo instante. Com esta quéda estacaram a
corroça e o orador. Era uma egua de Beauce, velha e
magra e digna do matadouro, que puxava uma carroça
sobremodo carregada. Ao chegar defronte do Bombarda, o animal, exhausto e estafado, nāo pudera dar nem
mais um passo. Este incidente attrahiiu a multidāo.
Apenas o carroceiro, praguejando e furioso, pronunciára com a conveniente energia a palavra sacrainental :—
''mátin !''—acompanhada de uma implacavel chicotada, o
sendeiro cabira para nāo mais levantar-se. Á bulha que
faziam os transeuntes, o ledo auditorio de Tholomyès
voltou a cabeça, e Tholomyès aproveitou-se daquella
circumstancia para arrematar a sua allocuçāo com esta
strophe melancolica:
{{dhr}}
<poem>
<small>
{{gap}}{{gap}}'''''Elle étaite de ce monde ou couccus et carrosses'''''
{{gap}}{{gap}}{{gap}}'''''Ont le même destin.'''''
{{gap}}{{gap}}'''''Et, rosse, elle a vécu ce que vivent les rosses,'''''
{{gap}}{{gap}}{{gap}}'''''Lʼespace dʼun matin !'''''
</small>
<poem>
{{dhr}}
—Pobre cavallo ! disse Fantina suspirando.
E Dahlia exclamou :
—Querem ver que Fantina vae pôr-se a lastimar a
sorte dos cavallos ? Como se pode ser tam tola assim !
Neste momento, Favorita, cruzando os braços e inclinando a cabeça para trás, encarou resolutamente Tholomyès e disse :
—Ora vamos ! e a sorpreza ?
—É verdade. Eis chegado o momento, respondeu
Tholomyès. Senhores, acaba de soar a hora de sorprender estas damas. Senhoras, esperae-nos um instante.
—A sorpresa deve começar por um beijo, disse Blachevelle.
—Na testa, accrescentou Tholomyès.
Cada um depoz gravemente um beijo na fronte de sua
amante ; depois dirigiram-se para a porta um após outro, levando o dedo á boca.
Favorita deu palmas á sua sahida.
—Já começo a achar a cousa bem divertida, disse ella.
—Nāo vos demoreis muito, murmurou Fantina. Ficamos á vossa espera.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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de Prometheu carecer de uma rameira.
Tholomyès, uma vez soltos os diques, difficilmente se
houvera calado, se um cavallo nāo tivesse cahido no caes
naquelle mesmo instante. Com esta quéda estacaram a
corroça e o orador. Era uma egua de Beauce, velha e
magra e digna do matadouro, que puxava uma carroça
sobremodo carregada. Ao chegar defronte do Bombarda, o animal, exhausto e estafado, nāo pudera dar nem
mais um passo. Este incidente attrahiiu a multidāo.
Apenas o carroceiro, praguejando e furioso, pronunciára com a conveniente energia a palavra sacrainental :—
''mátin !''—acompanhada de uma implacavel chicotada, o
sendeiro cabira para nāo mais levantar-se. Á bulha que
faziam os transeuntes, o ledo auditorio de Tholomyès
voltou a cabeça, e Tholomyès aproveitou-se daquella
circumstancia para arrematar a sua allocuçāo com esta
strophe melancolica:
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—Pobre cavallo ! disse Fantina suspirando.
E Dahlia exclamou :
—Querem ver que Fantina vae pôr-se a lastimar a
sorte dos cavallos ? Como se pode ser tam tola assim !
Neste momento, Favorita, cruzando os braços e inclinando a cabeça para trás, encarou resolutamente Tholomyès e disse :
—Ora vamos ! e a sorpreza ?
—É verdade. Eis chegado o momento, respondeu
Tholomyès. Senhores, acaba de soar a hora de sorprender estas damas. Senhoras, esperae-nos um instante.
—A sorpresa deve começar por um beijo, disse Blachevelle.
—Na testa, accrescentou Tholomyès.
Cada um depoz gravemente um beijo na fronte de sua
amante ; depois dirigiram-se para a porta um após outro, levando o dedo á boca.
Favorita deu palmas á sua sahida.
—Já começo a achar a cousa bem divertida, disse ella.
—Nāo vos demoreis muito, murmurou Fantina. Ficamos á vossa espera.
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Os Miseraveis (trad. Justiniano José da Rocha)/Tomo primeiro/Livro terceiro/VIII
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Anno XLIII ASATERAS PARE NUMERO AVULSO 100 RS. Avada Rio Branc CAPITAL io de Janeiro-Terça-feira 12 de Novembro de 1918 GAZETA DE NOTICIAS Stereotypada e impressa nas machines rotativas de Marinoni, na typographia da Sooledade Anonyms GAZETA DE NOTICIAS N. 314 ASSIGNATURAS PARA O ESTRANGEI tea de avidar 104 NUMERO AVULSO 100 RS. www ACABOU A GUERRA! GLORIOSA VICTORIA DOS ALLIADOS O povo brasileiro festejou com delirio a as- signatura d...
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GAZETA DE NOTICIAS
Stereotypada e impressa nas machines rotativas de Marinoni, na typographia da Sooledade
Anonyms GAZETA DE NOTICIAS
N. 314
ASSIGNATURAS PARA
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ACABOU A GUERRA!
GLORIOSA VICTORIA DOS ALLIADOS
O povo brasileiro festejou com delirio a as-
signatura do armisticio
O mundo respira, liberto para sempre do
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ALTO!
A Allemanha assi-
gnou a derrota!
As caadiptes de armisticio
Beatro de 14 dias a Belglez, a Alsacia Le-
reas e o Burado de Luxemburgo estarão-
livres do inimigo!
LONDRES, 11.-(A. A.)- Urgente-
Ofacial-Foi assignado o armisticio.
LONDRES, 11.-(Havas)-Os delegados
allonasos assignaram o armisticio.
A terminarão das hestilidades
PARIS, 11-(Havas) Oficial- O armisti
cio foi assignado as seis horas da manhã.
As hostilidudes terminarão as 11 ho-
ras.
Tritte na das para es allemies frais-
perem o Rheno
LONDRES, 11. (Agencia Ameri-
cana) A assignatura do armisticio teve
logar as 9 horas, cessando as hostilida-
des as 11 horas.
O armisticio concode aos allemãos o
prazo de 31 dias para se retirarem para
alem do Rheno.
0 Lord Malor annuncia so povo de Lon-
dres a assignatura do armisticio
LONDRES, 11.-(Hayas)- O Lord Maior
annunciou da sacada da "Mansion Hou-
se a assignatura do armisticio com a
Allemanha. Multidão immensa acolheu
com enthusiasmo frenetico a declaração
do Lord Maior. Bandeiras allindas flu
etuam por toda a parte.
As duras condições impestas co in migo
LONDRES, 11-Agencia Americana)--
Entre as condições do armisticio assigna-
do entre os alliados e a Allemanha, en-
contram-se as seguintes clausulas:
Os allemães evacuarão o teritorio da
Belgica, da Alsacia Lorena o (o Ducado
de Luxemburgo, nɔ praso de 14 dias, sen-
do consideradas prisioneiras de guerra as
tropas allemis que permaneçam nesses tor-
ritorios ao o referido prazo;a Allemanha
entregará aos alliados 2500 canhões de
grosso calibre, 2500 canhões de calibre
inferior e 30000 metralhadoras; os alle.
macs deverão retirar-se para a margem
opposta do Rheno; as tropas alliadas ad-
ministrarão o territorio evacuado pelos
allemães, e por elles serão immediata-
mente occupados.
A communicação of
ficial do armisticio
O ministro do Exterior no
Cattele
O expediente nas repar içdes
blicas será encerrado
hora da tarde
codiles impostas pelos alladi
ste a destino que deveria ser
dado so imperador Gute f
dynastia imperial allem todas
Se presidente da peles
de pofse a comunicacio ufficial
do palacio do Cattete, com
de festa sarional, pel qu
te Apocacional fosse excala
cade, nas ruas e ca
mario do Cameo Sr. Dr. Nodal Tease
5. Ex, efficiaborate, a nij
alegações e Londres, Paris
"Haya.
dedamas allielas
A bankira brasileira set hai
rado à hora da tande
As d
Esercito e Anadarka sa ase
o Sr. I. Nils Peçanha s
rat, so chefe de facto steeds Rig Beseestando elett
agus recibidos a respeito das on varied treebas da cidade
terra
A opinião do chanceller brasileiro
FAX
ON
homens
Os grandes criminosos allemães
fugen-para-a Hollanda
Lá estão o kaiser, Hindenbu gecem
officiaes do seu estado-maior
4
A Hollanda deve entregar essés bandidos
aos all ados
PARIS. H (Especial) - Um telegram-
ma de Haya annuncia que se refugi ram
ali, além do ex-imperador Guilherme II.
da Allemanha, com a ex-imperatriz, o
marechal Hindenburg com cem officipss
do seu Estado Malor.
Nos circulos diplomaticos de Haya
acredita-sé que a invasão desses refus
dos colloca em estado grave a siluach
internacional da Hollanda, quando se s
ba que un tribunal inftruacional terá que
julgar os autores e os executores das pro-
Tundas e irreparaveis barbaridades pra-
ticadas pelos exercitcs allemães na actual
guerra.
A faga de Guilher- A ultima proeza....
me li
Asesias preoccupações da
Hollanda
Um telegrama official
Ao Sr. presidente da Repu
blica e ministro da Relaçéra
Exteriores deu conhecimento)
da seguinte talega rec
bido da Legação Brasileira naj
Pagindo para salvar a vida.
boje, as seta horas di maah
chegaram a Eliden, a frontei
ra belge hollanda, onde ain.
da estão, o ex imperador da
Allemasks, o ex principe i
rial, Hindenburgo e cerca de
100 efficises viedos em des
automoveis e no trem imperial
Tedos chegaram fardados e ar
mades e conselho de mis
tros está reunido para decidir
sobre massira de recebel.)
internal os, Informamme que
ex imperador e o ex-principe
imperial, com wils alguns offi
dasz terio com residencia
castello Amerongen, na Gael
dra. (a) A. GUERRA DU
VAL-
A Republica da Po-
lonia
A constituição do seu
A nota official dos de leva te
governo brasileiro
0 Sr. ministro do Exterior Dr. Nilo Peca Communicação ao Senado
nha, ao sabir hentem do Palacio do Cat-
tele, foi solicitado por nós a dar sua opi-
nião sobre os ultimos acontecimentos, e
com a clarividencia de espirito que tanto
o enaltece e nos honra, o chanceller res-
pondeu:
O governo da Allemanha fez a gue:
ra e o pavo fez a paz..
Els ahi concretizada uma sensacional
evolução de quatro annos, de cujo sinal
o Brasil participa, graças a convicção, à
Té e ao patriotismo do estadista eminente
que dirige a nossa politica internacional.
எம்
e a Camara dos Deputados
a com a estrega de toles wo
scas vaples; occupacio de sol
வக
scoala de car
05. da das Relaces des territori da Fongs e da
Ad Seeds Federal da
Casa de Srs. Doss a fat a V. Ex.
presidente da Ke
Fedral, mais vivas
de endoa da Seração (N.)
V. A manicação do atmirum
tado ingle
excativo
Sr. perdite da je
Nesa conferencia S. Es labe
chefe da necko her rece
raga de gatita e tute; wido
governo
Varsovia convul-
cionada
Ainda ha "boches" de vergonha!
0 suicidio de tres generaes
Mas Hindenburgo fugin com.
o kronprinz !
AMSTERDAM, 11 (Havas)-Tres gene-
raes allemães suicidaram-se.
AMSTERDAM, 11 (Hivas)-Consta que
o marechal von Hindenburgo está em ter-
ritorio hollandez em companhia do ex-kaiser
e do ex kronprinz imperial da Allemanha.<noinclude></noinclude>
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561517
561515
2026-09-05T00:29:11Z
Trooper57
24584
/* Problemática */
561517
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="2" user="Trooper57" /></noinclude>{{rh|Anno XLIII|Rio de Janeiro — Terça-feira 12 de Novembro de 1918|N. 314|borda_inferior=1}}
{{rh
|{{c|ASSIGNATURAS PARA OS ESTADOS}}{{traço}}Anno...
|{{c|fs=4em|GAZETA DE NOTICIAS}}
|{{c|ASSIGNATURAS PARA O ESTRANGEIRO}}{{traço}}Anno...}}
{{rh|borda_superior=1|borda_inferior=1
|{{c|NUMERO AVULSO 100 RS.{{traço}}As assignaturas começam e terminam em qualquer mez}}
|Stereotypada e impressa nas machinas rotativas de Marinoni, na typographia da Sociedade Anonyma «GAZETA DE NOTICIAS»
|{{c|NUMERO AVULSO 100 RS.{{traço}}As assignaturas começam e terminam em qualquer mez}}}}
{{c|fs=4em|ACABOU A GUERRA!}}
{{c|fs=3em|GLORIOSA VICTORIA DOS ALLIADOS}}
{{colunas
|{{c|fs=2em|O mundo respira, liberto para sempre do negro espantalho das ambições allemãs}}
|{{c|fs=2em|O povo brasileiro festejou com delirio a assignatura do armisticio}}}}
{{c|fs=2em|ALTO!}}
{{t2|{{Underline|A Allemanha assignou a derrota!}}}}
{{c|'''As condições de armisticio'''}}
Beatro de 14 dias a Belglez, a Alsacia Le-
reas e o Burado de Luxemburgo estarão-
livres do inimigo!
LONDRES, 11.-(A. A.)- Urgente-
Ofacial-Foi assignado o armisticio.
LONDRES, 11.-(Havas)-Os delegados
allonasos assignaram o armisticio.
A terminarão das hestilidades
PARIS, 11-(Havas) Oficial- O armisti
cio foi assignado as seis horas da manhã.
As hostilidudes terminarão as 11 ho-
ras.
Tritte na das para es allemies frais-
perem o Rheno
LONDRES, 11. (Agencia Ameri-
cana) A assignatura do armisticio teve
logar as 9 horas, cessando as hostilida-
des as 11 horas.
O armisticio concode aos allemãos o
prazo de 31 dias para se retirarem para
alem do Rheno.
0 Lord Malor annuncia so povo de Lon-
dres a assignatura do armisticio
LONDRES, 11.-(Hayas)- O Lord Maior
annunciou da sacada da "Mansion Hou-
se a assignatura do armisticio com a
Allemanha. Multidão immensa acolheu
com enthusiasmo frenetico a declaração
do Lord Maior. Bandeiras allindas flu
etuam por toda a parte.
As duras condições impestas co in migo
LONDRES, 11-Agencia Americana)--
Entre as condições do armisticio assigna-
do entre os alliados e a Allemanha, en-
contram-se as seguintes clausulas:
Os allemães evacuarão o teritorio da
Belgica, da Alsacia Lorena o (o Ducado
de Luxemburgo, nɔ praso de 14 dias, sen-
do consideradas prisioneiras de guerra as
tropas allemis que permaneçam nesses tor-
ritorios ao o referido prazo;a Allemanha
entregará aos alliados 2500 canhões de
grosso calibre, 2500 canhões de calibre
inferior e 30000 metralhadoras; os alle.
macs deverão retirar-se para a margem
opposta do Rheno; as tropas alliadas ad-
ministrarão o territorio evacuado pelos
allemães, e por elles serão immediata-
mente occupados.
{{Extrair imagem}}
A communicação of
ficial do armisticio
O ministro do Exterior no
Cattele
O expediente nas repar içdes
blicas será encerrado
hora da tarde
codiles impostas pelos alladi
ste a destino que deveria ser
dado so imperador Gute f
dynastia imperial allem todas
Se presidente da peles
de pofse a comunicacio ufficial
do palacio do Cattete, com
de festa sarional, pel qu
te Apocacional fosse excala
cade, nas ruas e ca
mario do Cameo Sr. Dr. Nodal Tease
5. Ex, efficiaborate, a nij
alegações e Londres, Paris
"Haya.
dedamas allielas
A bankira brasileira set hai
rado à hora da tande
As d
Esercito e Anadarka sa ase
o Sr. I. Nils Peçanha s
rat, so chefe de facto steeds Rig Beseestando elett
agus recibidos a respeito das on varied treebas da cidade
terra
A opinião do chanceller brasileiro
FAX
ON
homens
Os grandes criminosos allemães
fugen-para-a Hollanda
Lá estão o kaiser, Hindenbu gecem
officiaes do seu estado-maior
4
A Hollanda deve entregar essés bandidos
aos all ados
PARIS. H (Especial) - Um telegram-
ma de Haya annuncia que se refugi ram
ali, além do ex-imperador Guilherme II.
da Allemanha, com a ex-imperatriz, o
marechal Hindenburg com cem officipss
do seu Estado Malor.
Nos circulos diplomaticos de Haya
acredita-sé que a invasão desses refus
dos colloca em estado grave a siluach
internacional da Hollanda, quando se s
ba que un tribunal inftruacional terá que
julgar os autores e os executores das pro-
Tundas e irreparaveis barbaridades pra-
ticadas pelos exercitcs allemães na actual
guerra.
A faga de Guilher- A ultima proeza....
me li
Asesias preoccupações da
Hollanda
Um telegrama official
Ao Sr. presidente da Repu
blica e ministro da Relaçéra
Exteriores deu conhecimento)
da seguinte talega rec
bido da Legação Brasileira naj
Pagindo para salvar a vida.
boje, as seta horas di maah
chegaram a Eliden, a frontei
ra belge hollanda, onde ain.
da estão, o ex imperador da
Allemasks, o ex principe i
rial, Hindenburgo e cerca de
100 efficises viedos em des
automoveis e no trem imperial
Tedos chegaram fardados e ar
mades e conselho de mis
tros está reunido para decidir
sobre massira de recebel.)
internal os, Informamme que
ex imperador e o ex-principe
imperial, com wils alguns offi
dasz terio com residencia
castello Amerongen, na Gael
dra. (a) A. GUERRA DU
VAL-
A Republica da Po-
lonia
A constituição do seu
A nota official dos de leva te
governo brasileiro
0 Sr. ministro do Exterior Dr. Nilo Peca Communicação ao Senado
nha, ao sabir hentem do Palacio do Cat-
tele, foi solicitado por nós a dar sua opi-
nião sobre os ultimos acontecimentos, e
com a clarividencia de espirito que tanto
o enaltece e nos honra, o chanceller res-
pondeu:
O governo da Allemanha fez a gue:
ra e o pavo fez a paz..
Els ahi concretizada uma sensacional
evolução de quatro annos, de cujo sinal
o Brasil participa, graças a convicção, à
Té e ao patriotismo do estadista eminente
que dirige a nossa politica internacional.
எம்
e a Camara dos Deputados
a com a estrega de toles wo
scas vaples; occupacio de sol
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scoala de car
05. da das Relaces des territori da Fongs e da
Ad Seeds Federal da
Casa de Srs. Doss a fat a V. Ex.
presidente da Ke
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de endoa da Seração (N.)
V. A manicação do atmirum
tado ingle
excativo
Sr. perdite da je
Nesa conferencia S. Es labe
chefe da necko her rece
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governo
Varsovia convul-
cionada
Ainda ha "boches" de vergonha!
0 suicidio de tres generaes
Mas Hindenburgo fugin com.
o kronprinz !
AMSTERDAM, 11 (Havas)-Tres gene-
raes allemães suicidaram-se.
AMSTERDAM, 11 (Hivas)-Consta que
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2026-09-05T03:37:03Z
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De ha muito esgotada a 1.ª edição dos [[Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis|''Neologismos indispensaveis e Barbarismos dispensaveis'']],
resolvi dar uma 2.ª edição do mesmo trabalho,
augmentada de outros neologismos, posteriormente
publicados na imprensa (do n.º XXVI
ao n.º XXXVIII), os quaes no ''Vocabulario neologico portuguez'', constante do fim do livro, vão
assignalados por um asterisco, e são os seguintes:
''Tellizar'' (engommar), ''tellizador'' (ferro de engommar),
''tellizadeira'' (engommadeira); ''Comitissa'' (condessa),
''vicomitissa'' (viscondessa), ''marchionissa''
(marqueza); ''Mamilla'' (bico do seio); ''Legicidio social''
(golpe de Estado); ''Adunguificar'' (dar a ultima
de mão); ''Retroagir'' (exercer acção sobre
o passado); ''Postar'' (entregar a correspondencia
no Correio); ''Sphragistica'' — já existente em latim
(conhecimento, estudo de sellos e de tudo
quanto lhes diz respeito) ou o neologismo ''Sigillogia''
(com a mesma accepção), ''sigillogistas'' (amadores,
colleccionadores de sellos); ''Festimana''
(matinée); ''Uxorio'' (esposo terno, marido perdido<noinclude></noinclude>
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Página:Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis - 2 ed.djvu/18
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2026-09-05T04:29:16Z
Trooper57
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/* Revista */
561524
proofread-page
text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{rh|{{sc2|VIII}}|{{sc2|PROLOGO DA 2.ª EDIÇÃO}}}}</noinclude>de amores por sua mulher); ''Operinsurreição'' (parede
de operarios), ''aurigagem'' (parede de cocheiros),
''demostasta'' (parede do povo).
Excuso encarecer a acceitação dos neologismos
propostos por meu Pai, por isso que muitos
delles, adoptados pelos jornaes, pelos escriptores
e pelo povo, já ganharam fóros de cidade
na lingua de que foi elle extreme cultor e de
cujo lexicon fazem parte.
Dando esta nova edição augmentada e ornada
com o retrato do autor, presto ao mesmo tempo
um serviço aos estudiosos e amantes do idioma
de Camões e uma homenagem a meu saudoso
Genitor.
{{fine|Rio de Janeiro, 1909.}}
{{d|{{sc|Domingos de Castro Lopes.}}}}<noinclude>{{traço}}</noinclude>
3grujd53toilkuhiyt8mx81zy6k3ajx
Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis (2ª edição)/Prologo
0
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2026-09-05T04:30:48Z
Trooper57
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Neologismos indispensaveis e barbarismos dispensaveis - 2 ed.djvu" header=1 from=17 to=18 />
561525
wikitext
text/x-wiki
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