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|notas=A ''Oração de Manassés'' é um texto apócrifo atruibuído ao rei Manassés, ímpio governante que se arrependeu após um cativeiro ([[Ferreira de Almeida Atualizada/2 Reis/XXI|2 Reis 21:1-18]], [[Ferreira de Almeida Atualizada/2 Crônicas/XXXIII|2ª Crônicas 33:1-20]]). Este texto apareceu em edições da [[w:Septuaginta|Septuaginta]] e em apêndices da [[w:Vulgata|Vulgata]]. O texto é aceito como deuterocanônico pelos cristãos ortodoxos do Sínodo de Jerusalém e aparece junto a 2ª Crônicas na Bíblia etíope.
}}
{{versículo|1|1|Ó יהוה, Poderoso אלהא de nossos pais, Abraham, Yitzchak e Yakov, e de sua justa semente;}}
{{versículo|1|2|Que fizestes os céus e a terra, com tudo aquilo que estão neles;}}
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{{versículo|1|7|Porque tu és o maior Deus, de grande compaixão, paciente, muito misericordioso e perdoa as maldades dos homens. Tu, ó יהוה, de acordo com a grande bondade prometestes o perdão àqueles que pecaram contra ti: e de tuas infinitas misericórdias conferistes o arrpendimento aos pecadores, para que possam ser salvos.}}
{{versículo|1|8|Tu portanto, ó יהוה, que é o Deus dos justos, não conferistes arrependimento aos justos, assim como a Abraham, Yitzchak e Yakov, que não pecaram contra ti; mas tu conferistes arrependimento a mim, pecador;}}
{{versículo|1|9|Porque eu pequei tanto quanto o número das areias do mar. Minhas transgressões, ó יהוה, são multiplicadas: são multiplicadas, e eu não sou digno de contemplar os altos céus por causa da multidão das minhas iniquidades.}}
{{versículo|1|10|Estou preso por correntes de ferro, não posso levantar a minha cabeça, ninguém me libertou: porque eu provoquei tua ira, e fiz o que era mau perante ti: eu não fiz tua vontade, nem guardei as tuas Mitzvot: eu levantei abominações, e multipliquei ofensas.}}
{{versículo|1|11|Assim, agora eu dobro os joelhos de meu Lev e imploro pela tua graça.}}
{{versículo|1|12|Eu pequei, ó יהוה, eu pequei, e eu reconheço minhas iniqüidades;}}
{{versículo|1|13|Por isso eu humildemente imploro, perdoa-me, ó יהוה, perdoa-me e não me destrua com as minhas iniqüidades. Não te ires comigo para sempre, com o mal para mim; nem me condene às partes mais baixas da terra. Porque tu és יהוה, o Deus daqueles que se arrependem;}}
{{versículo|1|14|E em mim derrama tua bondade: porque tu me salvastes, apesar de eu não merecer, de acordo com tua grande misericórdia.}}
{{versículo|1|15|Por isso eu o louvarei em todos os dias da minha vida: porque todos os poderes dos céus louvam a ti, e tua é a glória para sempre e sempre. אמן.}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|342|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Junta de Murcia, das Côrtes hespanholas terem em tempo de Carlos IV, no anno de 1789, votado a abrogação da referida lei, conservando-se porém secreta a deliberação por causa das ligações dynasticas e politicas então existentes entre a Hespanha e a França — a lei salica era um dos artigos do credo dos Bourbons — e ficando o Rei depositario do documento, que aliás nunca appareceu. Muitos dos deputados presentes ás Côrtes de 1789 testemunharam comtudo a sua veracidade, e o Supremo Conselho da Hespanha e Indias reconheceu-lhe a authenticidade <ref>Constam estes pormenores historicos de uma Memoria preparada por Palmella para ser distribuida em propaganda nas Côrtes de Cadiz (Arch. do Min. das Rel. Ext.)</ref>.
Quando o exame sereno dos successos e a psychologia dos personagens não auctorizassem bastantemente o historiador a affirmar que o fim alvejado pela politica portugueza por esse tempo era a reunião das duas monarchias peninsulares, com suas possessões, sob o sceptro dos Braganças, nenhuma duvida restaria a respeito apoz a leitura da correspondencia official do ministro em Cadiz. “O maior e mais resplandecente Imperio do mundo, ahi se dizia, poderia surgir dentre as ruinas e os incendios desta Revolução.” E tanto se apaixonou o diplomata por tal grandioso projecto que, ao mostrar-se o governo do Rio acobardado pela reluctancia do governo de Londres e pelas intimativas de Strangford, e disposto a mercadejar os direitos da Princeza do Brazil, escrevendo Linhares a Souza Holstein que, no caso da Inglaterra se oppor invencivelmente ao reconhecimento d’esses direitos, tratasse de negociar e obter alguma justa e razoavel compensação d’elles, o futuro conde de Palmella<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|343}}</noinclude>Julgou a suggestão summamente prejudicial, além de impraticavel pela segura inadmissão por parte do gabinete britannico.
Pensava de certo Linhares que a acquisição, consentida pela Grã Bretanha, da margem septentrional do Prata indemnizaria Portugal do abandono voluntario dos mal parados direitos da esposa do Principe Regente. Palmella achava porém que semelhantes direitos eram pelo contrario em demasia validos para sobre elles se dever transigir, e que a perspectiva do proximo imperio luzo-hispanico se offerecia em demasia brilhante para a ella se renunciar levemente: mais acertado se lhe afigurava proseguir no caminho encetado e que conduzia á reunião das duas monarchias, a qual lhe parecia infallivel, com a sobrevivencia da dynastia hespanhola á crise nacional, e a imposição pela opinião publica hespanhola do resultado visão pela politica portugueza.
A resolução primeiro proposta do Rio de Janeiro tinha por si, primeiro a immensa vantagem de annullar todos os ''infernaes'' planos de Bonaparte tendentes a privar a Hespanha da sua dynastia, offendendo o mais gravemente a nação nos seus sentimentos tradicinaes de lealdade. Depois, para a segurança do paiz e garantia do seu desenvolvimento, quão sensivel differença não ia do governar uma princeza que, no caso de sobrevir desgraça ao legitimo soberano, era a propria natural successora da corôa, a governar uma entidade, embora centralizadora, que apenas por delegação, ou então por usurpação, podia representar a pessoa do monarcha.
Opinava Palmella que, sómente na hypothese de se despedaçar a monarchia hespanhola, competiria aos homens d’Estado portuguezes “tirar o partido que podessem desta<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|344|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>dissolução de hum tão grande corpo politico”: o que significava occuparem immediatamente a Banda Oriental, “allegando por motivo a sua defensa, e incumbindo aos seus Ministros o cuidado de justificar essa medida, porque será sempre sem duvida muito mais conveniente o ter que dar razões de huma semelhante resolução, depois de executada, do que o esperar consentimentos de outras Potencias para a executar” <ref>Officio de Souza Holstein a Linhares, Cadiz 28 de Abril de 1810, no Arch. do Min. das Rel. Ext.</ref>. Nem outra havia de ser a maneira de proceder adoptada pelo governo portuguez em 1816 e mal previa Palmella, ao escrever as phrases citadas, quantos trabalhos lhe causaria até 1820 o problema da restituição ou conservação de Montevidéo.
Já ao tempo da sua missão em Sevilha e Cadiz, tivera elle que se esforçar por destruir as impressões transmittidas pelos vice-reis de Buenos Ayres e contradizer as informações do ministro Casa Irujo, apresentando a queixa formal do Principe Regente contra as suspeições de Liniers e de Cisneros no tocante á côrte do Rio e contra seu proceder para com os Portuguezes estabelecidos em Buenos Ayres, e ao mesmo tempo justificando a concentração de forças no Rio Grande com dal-as como penhor de um apoio do qual se podia vir a valer a Hespanha, attento o crescente estado revolucionario das suas colonias. Com essas tropas é que esteve para operar de combinação, em 1808, a esquadra de sir Sidney Smith, agindo o almirante todavia n’este caso não tanto por conta propria e para favonear as velleidades de Dona Carlota, como sob instrucções do Almirantado e por despique patriotico, para resgatar os revezes de Popham,<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|345}}</noinclude>Beresford e Whitelocke; ainda assim contra os designios e até os desejos manifestados pelo ministro Strangford.
Nos pontos em questão foi o representante portuguez completamente bem succedido, alcançando que o governo da Regencia hespanhola accedesse sem reservas á permanencia das tropas de observação na fronteira meridional do Brazil e reprovasse, ao ponto de lhe dar substituto mais accommodado, a attitude de Casa Irujo, o qual se obstinava em entender-se com o governo colonial de Buenos Ayres para a manutenção dos interesses da metropole e acertava no prever e denunciar a politica imperialista de Dom João VI. E’ mesmo possivel que a Regencia agisse d’essa forma não tanto por falta de meios de acção, posto que tal falta fosse uma realidade, quanto por acreditar na sinceridade do eventual auxilio portuguez, fundada na irmandade das conveniencias politicas dos dous paizes, cuja principal preoccupação deveria consistir em reprimir qualquer movimento sedicioso nas suas respectivas possessões americanas. De facto toda a ambição da Hespanha se cifrava, com sustentar-se a monarchia nacional, em salvarem-se as colonias, affectando este objectivo especialmente os interesses de Cadiz por ser a praça maritima do paiz mais em contacto com as terras do Novo Mundo.
Nas Côrtes de Cadiz tiveram assento deputados da America e esta assembléa, diversamente do que mais tarde succedeu com a de Lisboa, mostrou-se sympathica á causa das communidades ultramarinas, não se revelando sequer infensa, entre outros ''desiderata'' d’essas populações, á liberdade de commercio. Tornara-se mesmo mister advogar tal liberdade por ser impossivel pôl-a de lado quando se fizera indispensavel ligar inteiramente os interesses mercantis da Grã<noinclude><references/></noinclude>
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Image:40 anos no interior do Brasil.pdf|link=Galeria:40 anos no interior do Brasil.pdf|page=1|'''[[40 anos no interior do Brasil]]'''
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Image:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf|link=Galeria:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf|page=7|'''[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly]] & [[Carta de guia de casados]]'''
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Image:A Theoria da Relatividade e as Raias Espectraes do Hydrogenio.pdf|link=Galeria:A Theoria da Relatividade e as Raias Espectraes do Hydrogenio.pdf|page=1|'''[[Annaes da Academia Brasileira de Ciências/Volume 1/Número 1/A Theoria da Relatividade e as Raias Espectraes do Hydrogenio|A Theoria da Relatividade e as Raias Espectraes do Hydrogenio]]'''
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Image:Biblia Sagrada Illustrada - Volume I (1891).pdf|link=Galeria:Biblia Sagrada Illustrada - Volume I (1891).pdf|page=10|'''Biblia Sagrada Illustrada - Volume I'''
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* [https://bdlb.bn.gov.br/?lang=en Biblioteca Digital Luso-Brasileira]
* [https://digital.bbm.usp.br/handle/bbm/1/browse?type=dateissued&sort_by=3&order=DESC&rpp=100&etal=0&submit_browse=Atualizar Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin]
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* [https://www.jstor.org/site/catholic-university/oliveira-lima-library/?so=item_title_str_asc&searchkey=1741715876613&efqs=eyJjdHkiOlsiWTI5dWRISnBZblYwWldSZlltOXZhM009Il19 Biblioteca Oliveira Lima]
* [https://literaturabrasileira.ufsc.br/?locale=pt_BR Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos]
* [https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/4/discover?filtertype_1=type&filter_relational_operator_1=equals&filter_1=Obra+rara&rpp=20&sort_by=dc.date.issued_dt&order=asc Biblioteca do Senado Federal - Obras Raras]
* [https://bibdig.biblioteca.unesp.br/home Biblioteca Digital UNESP]
* [https://www.obrasraras.fiocruz.br/ Obras Raras (Fiocruz)]
* [https://app.docvirt.com/bibliotecaruibarbosa/pageid/11378 Biblioteca Digital Rui Barbosa]
* [https://rubi.casaruibarbosa.gov.br/ Repositório Rui Barbosa]
* [https://app.docvirt.com/cordelfcrb/pageid/54242 Literatura de Cordel]
* [https://redememoria.bn.gov.br/redeMemoria/handle/20.500.12156.2/1 Rede Memória]
* [https://app.docvirt.com/bma_lista Biblioteca Mário de Andrade]
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* [https://rnod.bnportugal.gov.pt/rnod/ Registro Nacional de Objetos Digitais]
* [https://bdor.sibi.ufrj.br/handle/doc/4 Biblioteca Digital de Obras Raras (UFRJ)]
* [https://doweb.rio.rj.gov.br/ Diário Oficial do Rio de Janeiro]
* [https://app.docvirt.com/livrossp/pageid/26759 Obras Raras sobre São Paulo]
* [https://am.uc.pt/items Universidade de Coimbra]
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* [https://hemeroteca2.cultura.sc.gov.br/docreader/docmulti.aspx?bib=acervo Hemeroteca Digital Catarinense]
* [https://onlinebooks.library.upenn.edu/search.html The Online Book Page]
* [https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/ Hemeroteca Digital de Lisboa]
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=== Páginas para incluir digitalização ===
[[O primo Basílio]] → [[Galeria:O primo Basílio (1900).djvu]]
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[[Gética]] → [[s:en:Index:The origin and deeds of the Goths in English version.djvu]]
[[Estatuto da Ordem dos Advogados]] → [https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Di%C3%A1rio_da_Rep%C3%BAblica_n._18-2005_(S%C3%A9rie_I-A).pdf Commons]
[[Cartilha Maternal]] → [https://purl.pt/145 Biblioteca Nacional de Portugal]
[[Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção]] → [https://www.unodc.org/lpo-brazil/pt/corrupcao/convencao.html Site das Nações Unidas]
[[Memória sobre a ilha Terceira]] → [https://www.culturacores.azores.gov.pt/biblioteca_digital/MEMORIA-ILHATERCEIRA/MEMORIA-ILHATERCEIRA_item1/index.html?page=278 Site Cultura Açores]
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{{cabeçalho para portais
| notas = '''Pollice Verso''' é um conto de Monteiro Lobato publicado em 1917.
}}{{lista de versões}}
* [[Revista do Brasil/Número 18/Volume 5/Pollice Verso|Pollice Verso]], como publicado na Revista do Brasil em 1917.
* {{livro digitalizado|Urupês (3ª edição)/Pollice verso|Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Pollice Verso}}, como publicado na 3ª edição de Urupês;
* [[Urupês (5ª edição)/Pollice Verso|Pollice Verso]], como publicado pela 5ª edição da obra Urupês;
* {{livro digitalizado|Urupês (6ª edição)/Pollice Verso|Urupês 1920 (ed.6, 18º milheiro).pdf|Pollice Verso}}, como publicado pela 6ª edição de Urupês.
[[Categoria:Monteiro Lobato]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>{{hífen-fim|tica|Identica}} homenagem, comquanto um pouco mais tardia, lhe prestou em latim Ignacio de Moraes, representando-a no Empyreo, em conversa com o príncipe seu irmão <ref>203 ''Ignatii Moralis in Interitu Principis Joannis Elegia dua 1554. Joannes Princeps recenti fatu functus et Maria eius soror in Olympo colloquuntur.</ref>, o ultimo vastago de dez, que em dois decennios foram arrancados aos braços de D. João e D. Catharina (1553).
{{bloco centro|<poem>
''Si spectes quoties Lucinam experta faventem''
''uxor magna fuit, praesto est numerosa propago.''
''Si spectes quoties Libitinam expertus uterque''
''de grege bis quino nullum superesse dolebis.''
''Tot pueri immaturi cevo, tot morte puella''
''absumptce vacuam liquere parentibus aulam'' <ref>204 ''In obitum D. Joannis III Lusit. regis conquestio'', v. 37 ss.</ref>.</poem>}}
De alguns escritos, em vernáculo, hoje perdidos, de Gaspar de Barreiros, é impossível dizer, qual das duas Marias portuguesas visava, se a Infanta ou a Princesa <ref>205 Barbosa Machado II 336 (s. v. Gaspar Barreiros) regista uma ''Carta Consolatoria'', escrita em Roma a 4 de Dez. de 1563 (sic) á Infanta D. Maria ácerca da morte do Infante D. Duarte seu irmão; e uma ''Egloga pastoril'' em louvor da Infanta D. Maria. Não discuto neste logar os pontos duvidosos, que são tres: a identidade do Infante D. Duarte, a da Infanta D. Maria, as datas das viagens de Barreiros a Roma.
Tocando pela ultima vez na confusão entre as varias Marias, estabeleço apenas que a Infanta á qual Jorge de Montemór offertou no anno 1548 a ''Exposicion Moral sobre o Psalmo 86'', não é nenhuma princesa portuguesa, mas sim a filha de Carlos V, e que é esta mesma que vemos nomeada no ''Canto de Orfeo'', na primeira das estrophes laudatorias, ainda com precedencia a D. Juana, sua irman:
{{bloco centro|<poem>
Los ojos levantad, mirando aquella
Que en la suprema silla está sentada,
El cetro y la corona junto à ella,
Y de otra parte la fortuna airada:
Esta es la luz de España y clara estrella,
Con cuya ausencia está tan eclipsada.
Su nombre; oh ninfas! es doña Maria,
Gran reina de Bohemia, Austria, y Hungria.
La otra junto à ella es doña Juana,
De Portugal princesa y de Castilla,
Infanta á quien quitó fortuna insana
El cetro, la corona y alta silla,
Y á quien la muerte fue tan inhumana
Que aun ella á si se espanta y maravilla
De ver cuan presto ensangrentó sus manos
En quien fue espejo y luz de lusitanos. (Estr. 4 e 5).</poem>}}
A explicação é simples. Jorge de Montemór, embora português de nação, era devedor de fervorosos agradecimentos ás filhas de Carlos v porque o haviam admittido como cantor da sua capella. Na viagem a Portugal acompanhou a Princesa D. Juana como seu aposentador (1553-1554).</ref>.
Quando est’ultima deixou vago o seu logar no paço, já lá estavam a substitui-la, no affecto dos paes, as pequeninas orfans do Infante D. Duarte (1515-1540). Educadas pela Rainha como se fossem filhas suas, os méritos da ''Senhora D. Maria'' (n. 1538) e da ''Senhora D. Catharina'' (n. 1539) deixaram rasto, não só na obra de latinos como Diogo de Teive <ref>206 ''Epithalamium in laudem nuptiarum Alexandri et Maria principum Purma es Placentia.''</ref>, mas tambem na dos verdadeiros lyricos portugueses.
Ouçamos por exemplo o cysne de Montemór que as avistou no paço da Rainha, ao lado da Infanta, nas festas do Noivado de D. João e D. Juana (1552). Ao dar á luz a sua obra-prima, o romance pastoril de Diana, pendurou os retratos das duas meninas num d’esses Templos de Gloria em que era praxe collocar celebridades coevas <ref>207 Esse Templo de Gloria, ou ''Conto de Orfeo'', acha-se no Livro Quarto do Romance Pastoril.</ref>. Primeiro a Infanta, no momento em que a perda da mãe a perturbou profundamente:
{{bloco centro|<poem>
''Mirad, Ninfas, la gran dona Maria,''
''De Portugal infanta soberana,''
''cuya hermosura y gracia sube hoy dia''
''ado llegar no puede vista humana:''
''Mirad, que, aunque fortuna alli porfia,''
''la vence el gran valor que d’ella mana''
''y no son parte el hado, tiempo y muerte''
''para vencer su gran bondad y suerte'' <ref>208 Estancia 6. — A allusão à morte de D. Leonor serve para determinarmos a data 1558 como termo a quo da conclusão e publicação da ''Diana''.</ref>.</poem>}}
{{nop}}<noinclude>{{D|45}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>teem apenas a rubrica ''A’ morte de D. Maria'', abstrahida do texto, e que nada explica. Dois dizem porém explicitamente: ''A’ D. Maria de Tavora, Filha de Luiz Alvares de Tavora''. E essa Maria de Tavora, Dama da Rainha D. Catharina, bella entre as mais bellas, morreu de facto de pouca idade, e inesperadamente, sendo chorada por mais de um poeta aulico — como Pedro de Andrade Caminha <ref>265 Epigramma XXI da Ed. Academica, tambem em dialogo.</ref> e Felipe de Aguilar (Bocanegra), <ref>266 Impresso nas ''Poesias'' de Sá de Miranda N.° 122. Confira-se p. 420 e 841, Nota 9.</ref> tio da Natercia do Camões.
Isso basta, creio. Resta explicar quem se lembrou de affirmar que ''dona Maria'' era a Infanta dos Serões e de retocar o soneto neste sentido, pondo a ''gran Maria'' <ref>267 Talvez se lembrasse da Oitava de Montemór: ''Mirad, ninfas, la gran doña Maria''.</ref>. Quem, senão o phantasioso Faria e Sousa? fecundo polygrapho, colleccionador incansavel, e um benemerito como commentador e biographo de Cambes, apesar dos gravissimos senões que deturpam a sua physionomia porque ''in maiorem Camonii gloriam'' attribuia ao seu poeta todas quantas poesias quinhentistas, editas ou ineditas, podiam fornecer mais uma nota para a ''Vida'', mais uma pedra preciosa engastada na sua corôa de poeta? editor sem consciência que emendava os textos a sabor do seu gosto e dos seus fins ?
Avido de relacionar o Poeta com reis, principes e magnates, Faria e Sousa resolvera attribuir-lhe um poema sacro que um dos melhores quinhentistas, e por isso um dos mais saqueados e calumniados, havia offerecido á Infanta. Para authenticar a novidade precisava provar relações entre Camões e a princesa. Eis o motivo que o levou a transformar o soneto ''A‘ morte de D. Maria de Tavora'' num ''Soneto á morte da Infanta D. Maria'', o qual soneto pela sua vez serviria para tornar aceitavel as suas affirmações sobre o Poema. Um circulo viciosissimo, como se vê. Um genio independente, fogoso, altivo como o creador da epopeia nacional, certamente levantava a voz apenas quando o furor divino o impellia, e não honrava, depois de morta, uma dama que não tivesse venerado com affecto sincero em quanto vivia. De mais a mais, em 1577, nos últimos arrancos seus e da nação, e na linguagem que vimos. <ref>268 As variantes do texto de Faria e Sousa, comparado com os impressos antigos e manuscriptos existentes, teem todo o caracter de emendas arbitrarias. Na 2.{{sup|a}} quarteta relevou, como era de esperar, a pergunta: ''Como ficou sua luz?'' referindo-a ao convento e hospital da Luz!</ref>
O caso do ''Poema'' é mais complexo.
Diogo Bernardes havia publicado no anno 1594 — note-se bem, 14 annos depois da morte de Camões, e 17 depois do fallecimento da Infanta! — num volume inteiro de versos sacros, seus, intititulado ''Varias Rimas ao Bom Jeitos — uma Historia de Santa Ursula'', dirigida á Infanta D. Maria, conforme manifesta na oitava quarta:
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Isso basta, creio. Resta explicar quem se lembrou de affirmar que ''dona Maria'' era a Infanta dos Serões e de retocar o soneto neste sentido, pondo a ''gran Maria'' <ref>267 Talvez se lembrasse da Oitava de Montemór: ''Mirad, ninfas, la gran doña Maria''.</ref>. Quem, senão o phantasioso Faria e Sousa? fecundo polygrapho, colleccionador incansavel, e um benemerito como commentador e biographo de Camões, apesar dos gravissimos senões que deturpam a sua physionomia porque ''in maiorem Camonii gloriam'' attribuia ao seu poeta todas quantas poesias quinhentistas, editas ou ineditas, podiam fornecer mais uma nota para a ''Vida'', mais uma pedra preciosa engastada na sua corôa de poeta? editor sem consciência que emendava os textos a sabor do seu gosto e dos seus fins ?
Avido de relacionar o Poeta com reis, principes e magnates, Faria e Sousa resolvera attribuir-lhe um poema sacro que um dos melhores quinhentistas, e por isso um dos mais saqueados e calumniados, havia offerecido á Infanta. Para authenticar a novidade precisava provar relações entre Camões e a princesa. Eis o motivo que o levou a transformar o soneto ''A‘ morte de D. Maria de Tavora'' num ''Soneto á morte da Infanta D. Maria'', o qual soneto pela sua vez serviria para tornar aceitavel as suas affirmações sobre o Poema. Um circulo viciosissimo, como se vê. Um genio independente, fogoso, altivo como o creador da epopeia nacional, certamente levantava a voz apenas quando o furor divino o impellia, e não honrava, depois de morta, uma dama que não tivesse venerado com affecto sincero em quanto vivia. De mais a mais, em 1577, nos últimos arrancos seus e da nação, e na linguagem que vimos. <ref>268 As variantes do texto de Faria e Sousa, comparado com os impressos antigos e manuscriptos existentes, teem todo o caracter de emendas arbitrarias. Na 2.{{sup|a}} quarteta relevou, como era de esperar, a pergunta: ''Como ficou sua luz?'' referindo-a ao convento e hospital da Luz!</ref>
O caso do ''Poema'' é mais complexo.
Diogo Bernardes havia publicado no anno 1594 — note-se bem, 14 annos depois da morte de Camões, e 17 depois do fallecimento da Infanta! — num volume inteiro de versos sacros, seus, intititulado ''Varias Rimas ao Bom Jeitos — uma Historia de Santa Ursula'', dirigida á Infanta D. Maria, conforme manifesta na oitava quarta:
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<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>mesmo considerar a sua mystica fugida da côrte, realizada antes de 1549, segundo chronistas coevos <ref>319 Andrade, 1. c.: «De Jorge da Silva, filho do mesmo regedor João da Silva, hum dos tres primeyros no serviço do Principe, se não tratou por então, por elle ter tomado hum modo de vida com que parecia que tinha renunciado a tudo o que da corte se podia esperar.» Outros auctores especializam, narrando que naquella epoca punha todo o seu desvelo em soccorrer diariamente os desvalidos com largos donativos.</ref>, e sua actividade como escriptor devoto <ref>320 Os seus escritos sahiram de 1552 a 1557. Não sei se erro, calculando a epoca de maior fervor religioso de 1548 a 1556.</ref>, conseqüencia de um profundo desgosto e de uma crise affectiva. Mas ainda aqui, varias difficuldades inhibem-nos de ceder à tentação.
Se um homem de bem como Jorge da Silva casou <ref>321 Barbosa Machado falla de dois casamentos. Enganam-se os que consideram D. Luis de Barros como filha do historiador. A esposa d'este não se chamou Filipa de Mello; mas antes Maria de Almeida, dos Almeidas de Pombal e Linhares. Cf. ''Nota'' 326.</ref> ― ignoro quando, mas pela idade d'elle e dos sobrinhos calculo seria antes de 1540 ― se morreu sem successão, quem nos garante que não foi a maior dôr humana, ― a perda da mulher amada e de filhos dilectos ― que o deprimiu e santificou?
Collocando a sua mocidade entre 1526 e 1540 <ref>322 Pelos dados que nos ministram os historiadores (incluindo Frei Luis de Sousa, nos ''Annaes'' e na ''Hist. de S. Domingos'') e auctores genealogicos como Salazar (VIII c. 7 e 9), fallando unanimes da sua velhice e tratando-o de ancião muito virtuoso e santo, calculei que nasceria em 1508, pouco mais ou menos, e assim o apontei na ''Zeitschrift'' 1. c. (O pae viveu de 1482 a 1557). Manuscriptos relativos ao Convento de S. Marcos indicam todavia, indirectamente, data um tanto posterior. Exarando 1511 como anno do nascimento do primogenito do Regedor, e 1517 como o do 4.{{sup|o}} filho João Gomes da Silva (fall. em 1543, na idade de 26) obrigam-nos a collocar os principios de Jorge em 1513, se foi filho 2.°, ou em 1515, a terem razão os que lhe dão o terceiro logar.</ref>, noto que
mesmo nos primeiros momentos do escasso decennio em que o genio de Luis de Camões illuminava a côrte (1544 até 1549; ou 1543 até 1553 se quiserem estender o prazo o mais possivel), a Infanta já contava mais de quatro lustros, passando dos trinta o supposto amador. Ambos deviam por isso ser, não lhes parece? tanto pela sua categoria como pela sua indole peculiar, superiores não a ternos e profundos affectos, mas a loucos devaneios e atrevidas galanterias, que merecessem reparos e castigos dos soberanos?
Em terceiro logar, se foram precisas medidas severas, como se concilia e entende então que um doidivanas, capaz de manchar, levemente que fosse, a honra de uma filha de D. Manoel, continuasse dentro do paço, com entrada franca na Camara do Principe? Num reinado em que era costume desterrar da corte para os campos de batalha da Africa, ou para a India, os moços-fidalgos arrebatados de paixão, como João Lopes Leitão, D. Antonio de Noronha, Luis de Camões? a não ser que livremente tomassem o habito, como D. Antonio de Mendonça.
Reservei para o fim a objecção principal. Já sabemos que até 1543 coexistiam na côrte portuguesa duas Infantas, de nome Maria. Do mesmo modo havia entre os moradores da côrte, outro Jorge da Silva <ref>323 Outro, ou outros. Além dos dois citados, conheço um Jorge da Silva, filho de Ruy Pereira, e outro, filho de Lourenço, o qual, captivo na batalha de Alcacere, falleceu depois em Africa. Vid. ''Hist. Gen''., XI, 719 e 924; XII, 97; ''S. Marcos'', 70.</ref>, além do filho do Regedor. Esse, dos Silvas de Portalegre (que já conhecemos como parentes dos condes de Linhares <ref>324 Já disse que D. Joana da Silva, irman do Cardeal D. Miguel, foi mulher do 1.° Conde de Linhares. Cf. ''Hist. Gen.'', X, 132.</ref>, em cuja casa Luis de Camões vivia), irmão alem d'isso de uma dama da Rainha <ref>325 D. Catharina da Silva.</ref>, expiou, é certo, após assaz longa detenção na Torre de Belem, delitos graves que os reis não lhe queriam perdoar; batalhou depois nos campos africanos, e foi morrer em Mazagão! Isto no anno 1544. Os historiadores e genealogistas registam como origem do desfavor regio as suas relações com o celebre cardeal D. Miguel da Silva, seu tio «a quem el-rey tinha desnaturalisado <ref>326 No meu Ms. leio a íl. 17: «D. João da Silva, filho de D. Diogo da Silva, foi 2.° Conde de Portalegre e herdou a mais casa de seus pais. Cazou com D. Maria Manuel de Vilhena, filha do Senhor D. Alvaro, Conde de Tentugal, da qual houve D. Álvaro, D. Jorge que matarão os mouros em Mazagão, indo desterrado por El-Rey Dom João o 3.°, culpado e convencido na comonicação que tinha com o Cardeal seu tio a quem el-Rey tinha desnaturalizado.»</ref>. Alguns relacionam o caso todavia com a outra Infanta D. Maria, filha dos reinantes, contando com discrição, que só ás supplicas d'ella, no<noinclude><references/>
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Se um homem de bem como Jorge da Silva casou <ref>321 Barbosa Machado falla de dois casamentos. Enganam-se os que consideram D. Luis de Barros como filha do historiador. A esposa d'este não se chamou Filipa de Mello; mas antes Maria de Almeida, dos Almeidas de Pombal e Linhares. Cf. ''Nota'' 326.</ref> ― ignoro quando, mas pela idade d'elle e dos sobrinhos calculo seria antes de 1540 ― se morreu sem successão, quem nos garante que não foi a maior dôr humana, ― a perda da mulher amada e de filhos dilectos ― que o deprimiu e santificou?
Collocando a sua mocidade entre 1526 e 1540 <ref>322 Pelos dados que nos ministram os historiadores (incluindo Frei Luis de Sousa, nos ''Annaes'' e na ''Hist. de S. Domingos'') e auctores genealogicos como Salazar (VIII c. 7 e 9), fallando unanimes da sua velhice e tratando-o de ancião muito virtuoso e santo, calculei que nasceria em 1508, pouco mais ou menos, e assim o apontei na ''Zeitschrift'' 1. c. (O pae viveu de 1482 a 1557). Manuscriptos relativos ao Convento de S. Marcos indicam todavia, indirectamente, data um tanto posterior. Exarando 1511 como anno do nascimento do primogenito do Regedor, e 1517 como o do 4.{{sup|o}} filho João Gomes da Silva (fall. em 1543, na idade de 26) obrigam-nos a collocar os principios de Jorge em 1513, se foi filho 2.°, ou em 1515, a terem razão os que lhe dão o terceiro logar.</ref>, noto que
mesmo nos primeiros momentos do escasso decennio em que o genio de Luis de Camões illuminava a côrte (1544 até 1549; ou 1543 até 1553 se quiserem estender o prazo o mais possivel), a Infanta já contava mais de quatro lustros, passando dos trinta o supposto amador. Ambos deviam por isso ser, não lhes parece? tanto pela sua categoria como pela sua indole peculiar, superiores não a ternos e profundos affectos, mas a loucos devaneios e atrevidas galanterias, que merecessem reparos e castigos dos soberanos?
Em terceiro logar, se foram precisas medidas severas, como se concilia e entende então que um doidivanas, capaz de manchar, levemente que fosse, a honra de uma filha de D. Manoel, continuasse dentro do paço, com entrada franca na Camara do Principe? Num reinado em que era costume desterrar da corte para os campos de batalha da Africa, ou para a India, os moços-fidalgos arrebatados de paixão, como João Lopes Leitão, D. Antonio de Noronha, Luis de Camões? a não ser que livremente tomassem o habito, como D. Antonio de Mendonça.
Reservei para o fim a objecção principal. Já sabemos que até 1543 coexistiam na côrte portuguesa duas Infantas, de nome Maria. Do mesmo modo havia entre os moradores da côrte, outro Jorge da Silva <ref>323 Outro, ou outros. Além dos dois citados, conheço um Jorge da Silva, filho de Ruy Pereira, e outro, filho de Lourenço, o qual, captivo na batalha de Alcacere, falleceu depois em Africa. Vid. ''Hist. Gen''., XI, 719 e 924; XII, 97; ''S. Marcos'', 70.</ref>, além do filho do Regedor. Esse, dos Silvas de Portalegre (que já conhecemos como parentes dos condes de Linhares <ref>324 Já disse que D. Joana da Silva, irman do Cardeal D. Miguel, foi mulher do 1.° Conde de Linhares. Cf. ''Hist. Gen.'', X, 132.</ref>, em cuja casa Luis de Camões vivia), irmão alem d'isso de uma dama da Rainha <ref>325 D. Catharina da Silva.</ref>, expiou, é certo, após assaz longa detenção na Torre de Belem, delitos graves que os reis não lhe queriam perdoar; batalhou depois nos campos africanos, e foi morrer em Mazagão! Isto no anno 1544. Os historiadores e genealogistas registam como origem do desfavor regio as suas relações com o celebre cardeal D. Miguel da Silva, seu tio «a quem el-rey tinha desnaturalisado <ref>326» No meu Ms. leio a íl. 17: «D. João da Silva, filho de D. Diogo da Silva, foi 2.° Conde de Portalegre e herdou a mais casa de seus pais. Cazou com D. Maria Manuel de Vilhena, filha do Senhor D. Alvaro, Conde de Tentugal, da qual houve D. Álvaro, D. Jorge que matarão os mouros em Mazagão, indo desterrado por El-Rey Dom João o 3.°, culpado e convencido na comonicação que tinha com o Cardeal seu tio a quem el-Rey tinha desnaturalizado.»</ref>. Alguns relacionam o caso todavia com a outra Infanta D. Maria, filha dos reinantes, contando com discrição, que só ás supplicas d'ella, no<noinclude><references/>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="BlitzkriegBoop" /></noinclude>momento em que com apenas dezaseis annos, sahia de Portugal para casar com Felipe II (1543), deveu Jorge da Silva a permutação da pena maior em desterro <ref>327 Hist. Gen. x 132. — Zeitschrift VIII, 14. — Com respeito a esta juvenil D. Maria, torno a recordar que o Infante D. Luis, encantado da sua graça e com os olhos na successão do throno, acariciava a ideia de, com dispensa do pontifice, casar com essa sua sobrinha.</ref>.
Nos caminhos arriscados e sempre tortuosos da hypothese é raro acertarmos. Mas d'esta vez, o tempo, o nome, o infortunio concorda tão perfeitamente que é justo preguntar, se as relações illicitas com D. Miguel da Silva não seriam mero pretexto, sob o qual se escondem loucuras de paixão d'esse Jorge da Silva (Portalegre)? O auctor tardio, explorado pelo visconde de Juromenha, confundiu-o nesse caso com o seu muito mais notavel homonymo, o ancião morto em Alcacer-Quebir.
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Quanto à nossa Infanta, é natural que nova, bella, cheia de espirito e amavel, exercesse tambem certa seducção mundana sobre os moços-fidalgos da corte. Um sorriso benevolo, um lampejo de luz nos olhos geralmente serenos, uma suave commoção na voz bem timbrada, ao pronunciar palavras de agradecimento, seriam de longe em longe a recompensa de acções nobres, feitos cavalheirescos praticados, ou de versos sublimes escritos em sua honra; resposta digna e recatada á admiração submissa, manifestada ora por rubores ou pallidez, ora pelo emmudecer de uma boca geralmente buliçosa. Galanteios exagerados não podiam, porém, ser do seu agrado. Uma grande reserva, seu justo orgulho de filha e irmã de reis protegiam-a, como couraça impenetravel, contra a paixão dos outros, e os impulsos do proprio coração. Como D. Leonor, a gentilissima irman de D. Affonso V, venerada casta e occultamente por João Amadeu da Silva, podia dizer de si, com a Beatrice do Dante:
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''Io son fatta da Dio, sua mercê, tale
''Che la vostra miseria non mi tange,
''E fiamma d'esto incendio non m'assale.</poem>}}
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|título=VI. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Objecto do estudo|Objecto do estudo]]
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|título=VII. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Elementos exóticos|Elementos exóticos]]
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|título=VIII. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Veículos e motivos da influência do português|Veículos e motivos da influência do português]]
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|título=IX. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Natureza morfológica dos exotismos|Natureza morfológica dos exotismos]]
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|título=X. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Observações fonológicas|Observações fonológicas]]
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|título=XI. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Fontes e dificuldades do estudo|Fontes e dificuldades do estudo]]
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|título=XII. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Organização do Vocabulário|Organização do Vocabulário]]
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|título=XIII. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Noções individuais das línguas|Noções individuais das línguas]]
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|título=XIV. — [[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Alfabetos e transcrições|Alfabetos e transcrições]]
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|título=[[Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Relação alfabética das línguas e dos dialectos do Vocabulário|Relação alfabética das línguas e dos dialectos do Vocabulário]]
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxviii}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude><section begin=int8 />{{center| VIII. — '''Veículos e motivos da influência do português''' }}
A introdução das palavras portuguesas na lexicologia asiática tem
por veículos, isolados ou simultâneos: — ''a)'' o domínio directo; ''b)'' o
trato comercial; ''c)'' a influência política; ''d)'' a vizinhança das colónias
portuguesas; ''e)'' a propaganda religiosa; ''f)'' o convívio de muitas lín-
guas vernáculas em certas cidades; ''g)'' o empréstimo da língua limí-
trofe ou mais poderosa, já influenciada; ''h)'' a coexistência do indo-
-português; ''i)'' o indo-inglês.
Conforme a natureza da causa ou o concurso de causas e o grau
da sua acção e extensão, varia a influência da língua portuguesa e
se determina a sua órbita. Há termos vulgares, que são comuns a
todos ou quási todos os idiomas indígenas cultos, e que se restringem
a pequeno número; há mais, que são privativos dos cristãos; alguns
são conhecidos das classes ilustradas e usados nas cidades princi-
pais.
A matéria em que mais se fez sentir essa influência, e os motivos
que mais actuaram na sua admissão podem reduzir-se às seguintes
categorias:
1. A religião cristã, propagada e mantida pelos missionários por-
tugueses ou ''aportuguesados''; assim porque não havia termos vernácu-
los exactamente correspondentes e comummente sabidos, como, quando
os houvesse, para se não dar aso a confundirem-se e assemelharem-se
o cristianismo e o paganismo ou o maometismo. Cf. ''cruz'', ''igreja'',
''altar'', ''padre'', ''casar''.
Tambêm os nomes de dignidades eclesiásticas, paramentos e uten-
sílios religiosos, cerimónias e festividades litúrgicas, são portugueses,
com poucas excepções, como: ''papa'', ''bispo'', ''arcebispo'', ''meirinho''; ''cálix'',
''hóstia'', ''partícula''; ''alva'', ''estola'', ''capa''; ''natal'', ''advento'', ''páscoa''<ref>Por exemplo, em tamul, para não falar do concani, empregam-se os seguintes
termos eclesiásticos: amito, alva, cordão, casula, dalmática, manípulo, estola,
capa, cálix, patena, pala, bôlsa, corporal, sanguinho, cota, hóstia, partícula,
missal, ritual, estante, altar, cruz, castiçal, tabernáculo, sacramento, turíbulo,
naveta, caldeirinha, galheta, pálio, sotaina, loba.
Pela maior parte, são omitidos tais vocábulos no corpo do vocabulário.</ref>.
2. A nova civilização, que introduziu novos vocábulos para denotar<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxviii}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude><section begin=int8 />{{center| VIII. — '''Veículos e motivos da influência do português''' }}
A introdução das palavras portuguesas na lexicologia asiática tem
por veículos, isolados ou simultâneos: — ''a)'' o domínio directo; ''b)'' o
trato comercial; ''c)'' a influência política; ''d)'' a vizinhança das colónias
portuguesas; ''e)'' a propaganda religiosa; ''f)'' o convívio de muitas lín-
guas vernáculas em certas cidades; ''g)'' o empréstimo da língua limí-
trofe ou mais poderosa, já influenciada; ''h)'' a coexistência do indo-
-português; ''i)'' o indo-inglês.
Conforme a natureza da causa ou o concurso de causas e o grau
da sua acção e extensão, varia a influência da língua portuguesa e
se determina a sua órbita. Há termos vulgares, que são comuns a
todos ou quási todos os idiomas indígenas cultos, e que se restringem
a pequeno número; há mais, que são privativos dos cristãos; alguns
são conhecidos das classes ilustradas e usados nas cidades princi-
pais.
A matéria em que mais se fez sentir essa influência, e os motivos
que mais actuaram na sua admissão podem reduzir-se às seguintes
categorias:
1. A religião cristã, propagada e mantida pelos missionários por-
tugueses ou ''aportuguesados''; assim porque não havia termos vernácu-
los exactamente correspondentes e comummente sabidos, como, quando
os houvesse, para se não dar aso a confundirem-se e assemelharem-se
o cristianismo e o paganismo ou o maometismo. Cf. ''cruz'', ''igreja'',
''altar'', ''padre'', ''casar''.
Tambêm os nomes de dignidades eclesiásticas, paramentos e uten-
sílios religiosos, cerimónias e festividades litúrgicas, são portugueses,
com poucas excepções, como: ''papa'', ''bispo'', ''arcebispo'', ''meirinho''; ''cálix'',
''hóstia'', ''partícula''; ''alva'', ''estola'', ''capa''; ''natal'', ''advento'', ''páscoa''<ref>Por exemplo, em tamul, para não falar do concani, empregam-se os seguintes
termos eclesiásticos: amito, alva, cordão, casula, dalmática, manípulo, estola,
capa, cálix, patena, pala, bôlsa, corporal, sanguinho, cota, hóstia, partícula,
missal, ritual, estante, altar, cruz, castiçal, tabernáculo, sacramento, turíbulo,
naveta, caldeirinha, galheta, pálio, sotaina, loba.
Pela maior parte, são omitidos tais vocábulos no corpo do vocabulário.</ref>.
2. A nova civilização, que introduziu novos vocábulos para denotar<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxix}}}}</noinclude>objectos até então desconhecidos ou pouco conhecidos; tais como:
''armário'', ''balde'', ''bomba'', ''botão'', ''camisa'', ''fita'', ''pena'', ''pipa'', ''pistola'', ''meia'',
''cadeira''.
3. A introdução de novas plantas, que levaram consigo os nomes
originários, como: ''ananás'', ''anona'', ''caju'', ''couve'', ''papaia'', ''pera'', ''tabaco''.
4. A nobilitação ou exaltação de pessoas e coisas, à que melhor
se prestam palavras peregrinas<ref>Como acontece ao português com relação ao francês e inglês: ''soirée'', ''matinée'',
''corbeille'', ''délivrance''; ''club'', ''lunch'', ''sport''.</ref>. Cf. ''mestre'', ''pedreiro'', ''louvado''; ''copo'',
''cozinha'', ''doce'', ''pão'', ''jôgo'', ''tronco''.
5. A enunciabilidade simples, expressiva e caracterizante, que se
impõe à preferência. Cf. ''ama'', ''aia'', ''bacia'', ''banco'', ''grade'', ''leilão'', ''sorte''.
6. Há, demais, certas palavras, cuja adopção, em detrimento ou
com concurso das vernáculas, só posso explicar por fascinação, que
certas dições teem a virtude de produzir. Cf. ''buraco'', ''chave'', ''paga'',
''ponta'', ''renda''.
7. Encontram-se tambêm alguns vocábulos de origem asiática, in-
troduzidos directamente do indo-português, como: ''achar'' (subst.),
''chita'', ''gudão'', ''pires'', ''rota'' (bengala).<section end=int8 />
<section begin=int9 />{{center| IX. — '''Natureza morfológica dos exotismos''' }}
A generalidade da importação é constituída, como é natural, por
substantivos, por nomes de pessoas ou cousas, e alguns abstractos, às
vezes com ampliação ou restrição do sentido.
Formam-se os abstractos e derivados, e declinam-se os nomes em
conformidade com as regras gerais de cada língua. Assim ''bebdó'' =
bêbado, em concani, dá ''bebdepan'' ou ''bebdikáy'' = bebedice; ''bébaduva'',
em singalês, dá ''bēbadukama''. De ''kāzár'', que é tambêm substantivo
em concani (= casamento), se derivam: ''kāzāri'' = casado, ''kāzārātsó''
= casadoiro, ''kāzró'' = casório.
Alguns substantivos são empregados na acepção peculiar ao crioulo
local, como, no singalês, ''rámuva'' (crioulo ''ramo'') por «moldura»: ''rén-
daya'' (= renda) por «aluguel, peagem, rendas do estado».
Os verbos teem pouca adaptabilidade e são de escassa necessidade.
Encontram-se porêm muitos no concani e na família malaia. Em con-
cani conservam-se em regra invariáveis, sendo conjugados com o<noinclude>{{lh|align=left|10em}}
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxix}}}}</noinclude>objectos até então desconhecidos ou pouco conhecidos; tais como:
''armário'', ''balde'', ''bomba'', ''botão'', ''camisa'', ''fita'', ''pena'', ''pipa'', ''pistola'', ''meia'',
''cadeira''.
3. A introdução de novas plantas, que levaram consigo os nomes
originários, como: ''ananás'', ''anona'', ''caju'', ''couve'', ''papaia'', ''pera'', ''tabaco''.
4. A nobilitação ou exaltação de pessoas e coisas, à que melhor
se prestam palavras peregrinas<ref>Como acontece ao português com relação ao francês e inglês: ''soirée'', ''matinée'',
''corbeille'', ''délivrance''; ''club'', ''lunch'', ''sport''.</ref>. Cf. ''mestre'', ''pedreiro'', ''louvado''; ''copo'',
''cozinha'', ''doce'', ''pão'', ''jôgo'', ''tronco''.
5. A enunciabilidade simples, expressiva e caracterizante, que se
impõe à preferência. Cf. ''ama'', ''aia'', ''bacia'', ''banco'', ''grade'', ''leilão'', ''sorte''.
6. Há, demais, certas palavras, cuja adopção, em detrimento ou
com concurso das vernáculas, só posso explicar por fascinação, que
certas dições teem a virtude de produzir. Cf. ''buraco'', ''chave'', ''paga'',
''ponta'', ''renda''.
7. Encontram-se tambêm alguns vocábulos de origem asiática, in-
troduzidos directamente do indo-português, como: ''achar'' (subst.),
''chita'', ''gudão'', ''pires'', ''rota'' (bengala).<section end=int8 />
<section begin=int9 />{{center| IX. — '''Natureza morfológica dos exotismos''' }}
A generalidade da importação é constituída, como é natural, por
substantivos, por nomes de pessoas ou cousas, e alguns abstractos, às
vezes com ampliação ou restrição do sentido.
Formam-se os abstractos e derivados, e declinam-se os nomes em
conformidade com as regras gerais de cada língua. Assim ''bebdó'' =
bêbado, em concani, dá ''bebdepan'' ou ''bebdikáy'' = bebedice; ''bébaduva'',
em singalês, dá ''bēbadukama''. De ''kāzár'', que é tambêm substantivo
em concani (= casamento), se derivam: ''kāzāri'' = casado, ''kāzārātsó''
= casadoiro, ''kāzró'' = casório.
Alguns substantivos são empregados na acepção peculiar ao crioulo
local, como, no singalês, ''rámuva'' (crioulo ''ramo'') por «moldura»: ''rén-
daya'' (= renda) por «aluguel, peagem, rendas do estado».
Os verbos teem pouca adaptabilidade e são de escassa necessidade.
Encontram-se porêm muitos no concani e na família malaia. Em con-
cani conservam-se em regra invariáveis, sendo conjugados com o<noinclude>{{lh|align=left|7em}}
<references/></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxix}}}}</noinclude>objectos até então desconhecidos ou pouco conhecidos; tais como:
''armário'', ''balde'', ''bomba'', ''botão'', ''camisa'', ''fita'', ''pena'', ''pipa'', ''pistola'', ''meia'',
''cadeira''.
3. A introdução de novas plantas, que levaram consigo os nomes
originários, como: ''ananás'', ''anona'', ''caju'', ''couve'', ''papaia'', ''pera'', ''tabaco''.
4. A nobilitação ou exaltação de pessoas e coisas, à que melhor
se prestam palavras peregrinas<ref>Como acontece ao português com relação ao francês e inglês: ''soirée'', ''matinée'',
''corbeille'', ''délivrance''; ''club'', ''lunch'', ''sport''.</ref>. Cf. ''mestre'', ''pedreiro'', ''louvado''; ''copo'',
''cozinha'', ''doce'', ''pão'', ''jôgo'', ''tronco''.
5. A enunciabilidade simples, expressiva e caracterizante, que se
impõe à preferência. Cf. ''ama'', ''aia'', ''bacia'', ''banco'', ''grade'', ''leilão'', ''sorte''.
6. Há, demais, certas palavras, cuja adopção, em detrimento ou
com concurso das vernáculas, só posso explicar por fascinação, que
certas dições teem a virtude de produzir. Cf. ''buraco'', ''chave'', ''paga'',
''ponta'', ''renda''.
7. Encontram-se tambêm alguns vocábulos de origem asiática, in-
troduzidos directamente do indo-português, como: ''achar'' (subst.),
''chita'', ''gudão'', ''pires'', ''rota'' (bengala).<section end=int8 />
<section begin=int9 />{{center| IX. — '''Natureza morfológica dos exotismos''' }}
A generalidade da importação é constituída, como é natural, por
substantivos, por nomes de pessoas ou cousas, e alguns abstractos, às
vezes com ampliação ou restrição do sentido.
Formam-se os abstractos e derivados, e declinam-se os nomes em
conformidade com as regras gerais de cada língua. Assim ''bebdó'' =
bêbado, em concani, dá ''bebdepan'' ou ''bebdikáy'' = bebedice; ''bébaduva'',
em singalês, dá ''bēbadukama''. De ''kāzár'', que é tambêm substantivo
em concani (= casamento), se derivam: ''kāzāri'' = casado, ''kāzārātsó''
= casadoiro, ''kāzró'' = casório.
Alguns substantivos são empregados na acepção peculiar ao crioulo
local, como, no singalês, ''rámuva'' (crioulo ''ramo'') por «moldura»: ''rén-
daya'' (= renda) por «aluguel, peagem, rendas do estado».
Os verbos teem pouca adaptabilidade e são de escassa necessidade.
Encontram-se porêm muitos no concani e na família malaia. Em con-
cani conservam-se em regra invariáveis, sendo conjugados com o<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xlvii}}}}</noinclude>dravídica, emigrada do continente indiano em tempos imemoriais, ao
norte; a árica, levada para aí por Vijaya no século VI antes de Cristo.
A língua vernácula da primeira é tamul, a da segunda é singalês,
singhales, singlês, ou chinglá, como se diz no crioulo.<ref>Ceilão é uma colónia àparte - ''Crown Colony''-, separada da Índia. Não
entrou por isso no censo de 1901, e creio que também nâo no de 1911.</ref>
É uma questão muito debatida entre os indianistas se o singalês
se deve classificar entre as linguas áricas ou dravídicas. Rask, Frie-
drich Müller, Beames são pela segunda opinião. Clough, Max Müller,
Cust, Alwis sustentam a primeira. E essa parece mais verosímil de-
pois das investigações linguísticas feitas por Childers.<ref>Gustav Oppert classifica o singalês entre as línguas arianizadas.</ref>
O singalês tem, pelo menos, dois mil anos de idade, possui uma
copiosa literatura, a começar do século IV, e conta cerca de dois mi-
lhões de população. Distinguem-se duas formas: a arcaica, denomi-
nada ''elu'', a qual é caracterizada por decadência fonética de palavras
áricas (''tadbhavas''); e a moderna, singalês popular, que acusa larga
importação, sem notável alteração, do sânscrito, e do páli, língua sa-
grada dos budistas, como o são os singaleses na sua grande maio-
ria. <ref>Entre elles ha uma lingua que não he vulgar, como entre nós o latim».
João Ribeiro, liv. 1, cap. 16.</ref> Tem alfabeto próprio, com algumas vogais a mais do que no de-
nanágari. <ref>Há várias opiniões com respeito à origem do páli. Westergaard (''Ueber der
ültersten Zeitraum der Indischen Geschichte'') deriva-o do dialecto de Ujjayiní no
século III antes de Cristo. Kern (''Over de Jaartelling der Zuidelijke Buddhisten'')
toma-o por língua artificial, à semelhança do Sauraseni dos dramas, elaborado no
começo da era cristã. Oldenberg (''The Vinaya Pitakam'') supõe que é um dialecto
do Decão oriental. Vid. Barth, T''he Religions of India'', p. 108.</ref>
A dominação portuguesa afirmou-se em Ceilão mais funda e larga-
mente do que em várias outras possessões, e exerceu influência tão
intensa e multíplice na sociedade indígena, que a Holanda com todos
os seus esforços não conseguiu apagar nem reduzir considerável-
mente os seus vestígios. Temos disso dois monumentos de alta valia:
o dialecto português, o mais importante dos crioulos, ainda hoje cheio
de vitalidade <ref>Vid. ''Dialecto Indo-português de Ceilão'', pelo autor.</ref>; e a introdução no vocabulário singalês, aliás copio-
síssimo, de tão avultado número de termos portugueses, que, sob
este respeito, ocupa esta língua o primeiro lugar, depois do concani,<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/53
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" /> {{rh|{{sc|xlviii}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>entre os idiomas indianos. Cumpre reconhecer que o crioulo concorreu
poderosamente para êste resultado.
{{center| § 15. — TAMUL <ref>Vid. em especial para as línguas dravídicas a monumental obra de Robert
Caldwell, já citada, e Rev. Henry Rice, ''Native Life in South India''.</ref>}}
O tamul ou, com mais propriedade, támil<ref>«The proper spelling of the name Tamil is Tamir, but through the change of
r into it is often pronounced Tamil; and it is often (though erroneously) writt-
en Tamul by Europeans». Caldwell «E ho regno de Charamandel, cuja lyngoa
he Tamul». Duarte Barbosa, ''Livro'', p. 291.</ref>, é o principal membro
da família dravídica, quer pela sua esmerada cultura, quer pela opu-
lência do seu léxico, quer pela antiguidade e exuberância da sua
literatura. «Nenhuma língua, diz Rice, combina maior fôrça e concisão,
ou é mais exacta e filosófica nos seus modos de expressão»<ref>Os portugueses, segundo o seu costume de dar à lingua o nome do país, cha-
maram ''Malabar'' à lingua falada na costa ocidental, malayalam, e estenderam a
denominação à da costa de Choromândel (Coromandel), sendo uma e outra muito
parecidas. Outros europeus adoptaram depois a denominação, que agora vai
caindo em desuso. «Primeiramente destas gentes que diguo estrangeiras que no
Malabar moraom, hûa hy ha que chamaom Chatis naturaes da provincia de Cha-
ramandel... sua lingoa he diferente da do Malabar, asy como Castelhanos e Por-
tugueses». Duarte Barbosa, p.340.</ref>
A sua área estende-se dos Gates ao golfo de Bengala e de Palicate
ao cabo Comorim. Fala-se também na parte meridional de Travancar
e setentrional de Ceilão, e em algumas outras regiões. A sua popu-
lação monta a dezasseis milhões e quinhentos mil. Tem alfabeto pecu-
liar, composto de trinta letras para a escrita própria, e mais quatro
para a escrita ou vocábulos sânscritos, sendo, neste caso, denominado
''grantha''. Possui duas fórmas ou fases, que antes parecem duas lín-
guas diferentes: antiga ou clássica — ''xen''', e moderna ou coloquial —
''kodun'''<ref>«Um indivíduo pode conhecer uma sem saber a outra». Rice. Segundo êste
autor, a palavra tamil significa «melodiosidade»</ref>.
O tamul é cioso da sua vernaculidade, admite com dificuldade ter-
mos peregrinos; a mesma importação do sânscrito é muito restrita e
pouco empregada em composições clássicas, as mais antigas das
quais teem mais de mil anos de existência.
A influência do português, assaz considerável, derivou de diversas<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxx}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>auxílio do verbo vernáculo correspondente ''a fazer'' ou ''ser'', conforme
é transitivo ou intransitivo e reflexivo. Os verbos malaios não teem
flexões.
Algumas palavras com forma verbal teem significação conjunta ou
exclusiva do substantivo, como: ''casar'' = ''casar'' e casamento, ''pintar''
= pintar e pintura; ''pagar'' = paga; ''jogar'' = jôgo de azar; ''confessar''
= confissão.
Ocorrem alguns adjectivos em poucas línguas, empregados tambêm
adverbialmente, por influência indígena, como, em Goa, ''júst'' = justo
e justamente; ''sert'' = certo e certamente.
Advérbios própriamente, conjunções e preposições ocorrem tão só-
mente no grupo malaio. Mas há ''contra'' em concani.<section end=int9 />
<section begin=int10 />{{center| X. — '''Observações fonológicas''' }}
As palavras portuguesas, na sua transição para as línguas orien-
tais, sofrem, em geral, alterações fonéticas, mais ou menos impor-
tantes, como aconteceu com os vocábulos asiáticos que se introduzi-
ram no português. Algumas são comuns a quási todas as línguas,
por passarem duma à outra ou por obedecerem às mesmas leis;
outras são peculiares a cada uma ou a um grupo ou família.
Sendo o meu trabalho primáriamente de natureza lexicológica, não
posso analisar e explicar em cada caso todas as diferenças de fonação
de tantos idiomas. Acho, por isso, conveniente registar aqui, na generalidade, as mais importantes.
1. A vogal inicial, constituindo sílaba por si só, cai fácilmente nos
polissílabos, do mesmo modo como nos crioulos: ''kāphlár'' = acafelar,
''nánas'' = ananás, ''nona'' = anona; ''már'', ''murá'' (L.-Hindust.) = amarra,
amura; ''girjá'' = igreja; ''vānjel'' (Conc.) = evangelho; ''būrnal'' (L.-Hin-
dust.) = embornal; ''duljens'' (Conc.) = indulgência; ''legojo'' (Jav.) =
algoz.
2. Cai tambêm às vezes a sílaba inicial com consoante: ''míngo'' ou
''míngu'' (Mal., Jav.) = domingo; ''báko'' (em muitas das línguas malaio-
-polinésias) = tabaco; ''dilu'' (Mak.) = codilho; pinéti (Mal.) = alfinete.
3. Cai igualmente a vogal final, antecedida de vogal tónica: ''almāri''
= armário, ''basí'' = bacia. Em concani eliminam-se todas as vogais
postónicas: ''ālmár'' = armário, ''vigár'' = vigário, ''muzg'' = música, mú-
sico, ''kámbr'' = câmara.<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxx}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>auxílio do verbo vernáculo correspondente ''a fazer'' ou ''ser'', conforme
é transitivo ou intransitivo e reflexivo. Os verbos malaios não teem
flexões.
Algumas palavras com forma verbal teem significação conjunta ou
exclusiva do substantivo, como: ''casar'' = ''casar'' e casamento, ''pintar''
= pintar e pintura; ''pagar'' = paga; ''jogar'' = jôgo de azar; ''confessar''
= confissão.
Ocorrem alguns adjectivos em poucas línguas, empregados tambêm
adverbialmente, por influência indígena, como, em Goa, ''júst'' = justo
e justamente; ''sert'' = certo e certamente.
Advérbios própriamente, conjunções e preposições ocorrem tão só-
mente no grupo malaio. Mas há ''contra'' em concani.<section end="int9" />
<section begin="int10" />{{center| X. — '''Observações fonológicas''' }}
As palavras portuguesas, na sua transição para as línguas orien-
tais, sofrem, em geral, alterações fonéticas, mais ou menos impor-
tantes, como aconteceu com os vocábulos asiáticos que se introduzi-
ram no português. Algumas são comuns a quási todas as línguas,
por passarem duma à outra ou por obedecerem às mesmas leis;
outras são peculiares a cada uma ou a um grupo ou família.
Sendo o meu trabalho primáriamente de natureza lexicológica, não
posso analisar e explicar em cada caso todas as diferenças de fonação
de tantos idiomas. Acho, por isso, conveniente registar aqui, na generalidade, as mais importantes.
1. A vogal inicial, constituindo sílaba por si só, cai fácilmente nos
polissílabos, do mesmo modo como nos crioulos: ''kāphlár'' = acafelar,
''nánas'' = ananás, ''nona'' = anona; ''már'', ''murá'' (L.-Hindust.) = amarra,
amura; ''girjá'' = igreja; ''vānjel'' (Conc.) = evangelho; ''būrnal'' (L.-Hin-
dust.) = embornal; ''duljens'' (Conc.) = indulgência; ''legojo'' (Jav.) =
algoz.
2. Cai tambêm às vezes a sílaba inicial com consoante: ''míngo'' ou
''míngu'' (Mal., Jav.) = domingo; ''báko'' (em muitas das línguas malaio-
-polinésias) = tabaco; ''dilu'' (Mak.) = codilho; pinéti (Mal.) = alfinete.
3. Cai igualmente a vogal final, antecedida de vogal tónica: ''almāri''
= armário, ''basí'' = bacia. Em concani eliminam-se todas as vogais
postónicas: ''ālmár'' = armário, ''vigár'' = vigário, ''muzg'' = música, mú-
sico, ''kámbr'' = câmara.<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xlix}}}}</noinclude>fontes: dominação de certos territórios, comércio, religião e missões,
crioulos, ora quási extintos, e o convívio dos tamuis em várias re-
giões ocupadas pelos portugueses.
{{center| § 16. — MALAYALAM<ref>Vid. Gundert, ''A Malayalam and English Dictionary''.</ref>}}
O malayalam é a língua do Malabar, desde Chandraguiri, perto de
Mangalor, até Trivandrum, falada por quási seis milhões de indiví-
duos. Considerado como origináriamente dialecto do tamul, desenvol-
veu-se em idioma autónomo, cêrca do século IX, principalmente pelo
desuso de terminações pessoais dos verbos e pela maior quantidade
de termos sânscritos de que se apropriou, devido à influência bra-
mânica. O seu alfabeto é calcado sôbre o árico. Os habitantes mao-
metanos, chamados ''mappilas'', teem um dialecto à parte, e servem-se
na escrita dos caracteres árabes modificados.
O Malabar foi a região que os portugueses primeiro descobriram e
em parte conquistaram e evangelizaram, e por longo tempo tiveram
debaixo do seu domínio. Ainda hoje há ali um bispado português em
Cochim, e um dialecto crioulo, que está em decadência<ref>O Dr. Hugo Schuchardt publicou um opúsculo sôbre este crioulo.</ref>.
Também dali ou por ali entraram em Portugal muitos termos in-
dianos, como: ''manga'' (fruto), ''cairo'', ''bétel'', ''ola'', ''teca'', ''chatim''; e no
indo-português, como: ''jagra'', «açucar mascavado», ''chuname'', «cal».
''pinaca'', «bagaço de côco e de gergelim», ''mainato'', «lavadeiro».
{{center| § 17. — TELÚGU<ref>Vid. C. P. Brown, ''A Dictionary of the mixed Dialects and foreign words used
in Telugu.''
É curiosa a aplicação restritiva do nome ''Gentoo'' (do português ''gentio'') ao povo
e à lingua telugu, feita pelos ingleses por longo tempo. Com mais propriedade,
os portugueses chamaram à gente ''badagas'', tamul ''vadugar'', cauarês ''badaga''. «Ou-
tra que parte com ho regno de Narsyngua, que chamaom '''Telingu'''». Duarte Bar-
bosa, p. 291.</ref> }}
O telúgu ou telinga é, quanto à cultura e ao léxico, a segunda lín-
gua dravídica, mas superior ao tamul na eufonia e em o número dos
que a praticam, mais de vinte milhões<ref>«Pos por Gouernador da comarca dos Talingas, que são os gentios mais</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|l}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>A sua área estende-se de Palicate a Chicacole e a oeste entronca
com o marata. O seu alfabeto é árico. Os seus livros mais antigos
datam do século XII. O vocabulário actual está muito inçado de exo-
tismos, pela maior parte sânscritos e hindustanis.
A influência do português no telúgu explica-se pelas estreitas e
freqùentes relações políticas e comerciais com os reis narsingas
(=''narasimha'') de Bisnágar ou Bisnaga (=''vijayanagara''), bem como
pela convizinhança do tamul e do marata e pelo contacto com o hin-
dustani. Avultado pois é o número dos termos portugueses adoptados
na liguagem popular, alguns dos quais são privativos.
{{center| §18. — CANARÊS}}
O canarês ou canari tem a sua vivenda no planalto de Mysore (ou
Maiçor) e nos distritos ocidentais de Hidrabad; e é predominante no
distrito do Canará na costa do Malabar (onde também vogam o con-
cani, o túlu e o malayalam), devido a ter estado essa região por
muitos séculos sujeita aos reis canareses<ref>Como se vê, houve deslocação geográfica do antigo nome ''Karnata'' ou K''ar-
nataka'', corrompido em ''Kannada'', ''Kanara''. Por Carnatic os ingleses designam o
sopé oriental dos Gates na costa de Choramândel. Os antigos portugueses, tam-
bêm do seu lado, torturaram a geografia e a etnologia, chamando aos indígenas
de Goa << canarins» e à sua língua «canarim ou canarina». E o êrro continua
ainda hoje, quando é óbvio que os habitantes do Concão são coneanis! Duarte
Barbosa chama ao moderno Canarà ''Tolinate'', «i. e. ''Tulu nadu'', or the modern
district of S. Canara». ''Hobson-Jobson''.</ref>. É falado por mais de dez
milhões de indivíduos.
O canarês tem, como as outras línguas dravídicas, duas formas: a
antiga ou clássica e a moderna ou popular, as quais se diferenciam,
não tanto pelo vocabulário, como pelas flexões gramaticais. O seu
alfabeto actual é o mesmo que o do telúgu, com ligeiras modificações.
A influência do português nesta língua é devida à dominação em
uma parte, às relações políticas e comerciais, aos colonos originários
de Goa, às missões e à circunvizinhança doutras línguas.
apurados na linguagem que todos de Decan». Diogo do Couto, Déc. IV,
x, 4.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxi}}}}</noinclude>4. O ''a'' final (posconsonântico) é diversamente tratado. Nas línguas
áricas do sul (excepto o singalês) é mudo: ''phít'', ''kamís'' ou ''kamíj'', ''bomb''
= fita, camisa, bomba. Nas do norte, ordináriamente, alonga-se ou
tonifica-se: ''phītá'', ''pīpá'', ''gīrjá''; ''kamij'', ''mêj'' = fita, pipa, igreja; camisa,
mesa. Nas dravídicas muda-se em ''ụ'', desinência favorita: ''kamísụ''
(Tam. ''kamisei''), ''pistúlụ'', ''rípụ'', ''várụ'' = camisa, pistola, ripa, vara.
Nas malaias, conserva-se em umas, e muda-se em ''ô'' fechado noutras:
''renda'', ''rendô''; ''roda'', ''rodô''; ''ronda'', ''rondô''.
5. O ''e'' final surdo oscila entre ''í'' tónico (línguas áricas) e ''i'' átono
(línguas dravídicas e malaias); ''bāldí'', ''báldi'' = balde; ''chāví'', ''chávi'' =
chave; ''pādrí'', ''pádri'' = padre. Em concani e marata cai muitas vezes
sendo precedido de consoante simples: ''kôb'' = couve, ''garád'' = grade;
''búl'' (Conc.) = bule; ''kôch'' (Conc.) = coche.
6. Semelhantemente, o ''o'' final cai nas línguas áricas, muda-se
em ''u'' breve nas dravídicas e em ''u'' breve ou ''ô'' fechado nas malaias:
''bánk'', ''bánku'', ''bánkô'' — banco; ''kald'', ''káldu'', ''káldô'' = caldo; ''burákh''
(áric.) = buraco. Mas ''tambākú'' ou ''tamākú'' = tabaco, em quási todas
as línguas.
7. Os ditongos ''ei'' e ''ou'' atenuam-se em ''é'' ou ''ê'' e ''ô'', como nos crioulos;
''bandér'', ''bandéra'', ''banderô'' = bandeira; ''kadér'', ''kadera'', ''kadêl'' = ca-
deira; ''kôb'', ''kôbis'' = couve, couves; ''orívis'' (Mal.) = ourives.
8. Nasalizam-se algumas vogais em contacto com as consoantes
labiais: ''tambakú'' = tabaco, ''pimp'' = pipa, ''bhomplá'' (Mar.) = abóbora.
Tambêm ''phínt'' = fita<ref> Idêntico fenómeno dá-se tambêm em português antes de consoantes mudas:
''fiandeiro de fiar'', ''lavandeira de lavar''.</ref>.
9. Ch conserva o seu som antigo, vigente no norte de Portugal e
idêntico ao fonema oriental (''tch''): ''tchepém'' = chapéu, ''tchinél'' = chi-
nela. Em algumas línguas, como concani e marata, soa ''ts'' antes de
''a'' e ''o'': ''tsāvi'' = chave.
10. ''V'' é quási equivalente ao inglês ''w'', particularmente sendo me-
dial. As línguas que o não teem (e às vezes as que o teem) conver-
tem-no em ''b'', como fazem com o ''f'', mudando-o em ''p''.
11. ''R'' inicial soa como o medial. ''Rr'' geminado simplifica-se, em
regra, por o não admitir a maior parte dos idiomas asiáticos: ''kareta''
= carreta, ''amáru'' = amarra, ''bora'' = bôrra, ''phôr'' = fôrro.
12. ''Lh'' e ''nh'', que não teem fonemas correspondentes, são repre-
sentados por ''ly'' ou ''l'' e ''ny'' ou ''n'': ''tuváliya'', ''tuvála'', ''tuvál'', ''tuvāló'' =<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|li}}}}</noinclude>{{center| § 19. — TÚLU<ref>Vid. A. Männer, ''Tulu-English Dictionary''.</ref>}}
''Túlu'' ou ''túlava'' é o nome duma língua pouco importante, quanto
à área e à população; pois é situada entre os rios Chandraguiri e
Kalyampuri, no distrito do Canará, e falada por quinhentos mil. A.
despeito de não ter literatura, salvo algumas legendas em olas, é uma
das mais desenvolvidas da família dravídica, mais aproximada do
canarês que do malayálam, e tem alguns dialectos. O seu léxico tem
enxertos do sânscrito, do canarês, do malayálam e do hindustani.
Estava antes em voga o alfabeto malayálam, agora se vai generali-
zando o canarês.
É considerável a quantidade de palavras portuguesas adoptadas,
mais que nas línguas confinantes. Não sei explicar a razão, a não ser
por imigração de hindus de Goa. Termos religiosos portugueses fo-
ram introduzidos pelos missionários protestantes.
{{center | §20. — INDO-INGLÊS<ref>Vid. Yule-Burnell, Hobson-Jobson. Whitworth, ''An Anglo-Indian Dictionary''.
Wilson, ''A Glossary of Judicial and Revenue Terms''.</ref>}}
O inglês não tem crioulos na Índia, nem é provável que venha a
tê-los. Mas o vocabulário do inglês ali falado está inçado, como não
podia deixar de ser, de termos indígenas.
Quando os ingleses entraram na Índia, o português crioulizado já
era a língua franca, assim entre os europeus e os naturais, como
entre os próprios europeus de diferentes nacionalidades.
Não admira, por isso, que o português tenha ministrado grande
contingente para o indo-inglês, quer directamente, quer por intermé-
dio de línguas vernáculas. Até mesmo muitos termos indígenas pas-
saram para ele por via do português, como são: ''areca'', ''betel'', ''benzoin'',
''coir'', ''copra'', ''corge'', ''congee'', ''godown'', ''mandarin'', ''mango'', ''palanquin'', ''mon-
soon'', ''typhoon'', etc.<ref>«Even amongst the English, the number of Portuguese terms in daily use is
remarkable». Emerson Tennent, ''Ceylan''.</ref>.
Muitas das palavras portuguesas estão agora obsoletas; algumas<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
28olr6x3jpom946yfa2dz3a3yxjs9j0
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LII
{{center| INTRODUÇÃO }}
vigoram sómente em certos lugares. Do outro lado, deve-se-lhe a
difusão de muitos termos portugueses em línguas vernáculas.
O indo-inglês tem, portanto, cabimento no meu trabalho<ref>O erudito glossário de Yule & Burnell tem-me aproveitado imenso.</ref>.
{{center | § 21. — INDO-FRANCÊS<ref>Vid, Aristide Marre, N''otice sur la langue portugaise dans l'Inde Française et
en Malaisie''.</ref>}}
Os franceses chegaram tarde à Índia, onde já se encontravam em
contenda os portugueses, os holandeses e os ingleses, e quási nenhuma
influência de carácter geral e duradouro ali exerceram. As suas mi-
núsculas colónias não teem crioulos nacionais, como os não teem as
inglesas; falava-se nelas, e fala-se ainda hoje, pôsto que em menor
escala, o indo-português, ao lado dos vernáculos<ref>Dr. Schuchardt inclui Pondichery e Chandernagar nas regiões onde se
fala indo-português, e dá espécimes do crioulo português de Mahé. E A. Marre
diz: «Il résulte évidemment des propres termes de l'Annuaire que le portugais
est parlé par une partie de la population de l'Inde française».</ref>.
Como o indo-inglês, o francês falado na Índia tem no seu vocabu-
lário algumas palavras genuinamente portuguesas e muitas asiáticas
aportuguesadas, que lhe foram, na sua generalidade, transmitidas
pelo indo-português, alêm das que recebeu directamente dos idiomas
vernáculos. Vários dêsses termos, designativos de objectos peculia-
res, passaram ao francês continental, como aconteceu com o inglês
da Europa.
As razões que me induziram a incluir o indo-inglês no meu traba-
lho militam igualmente a favor do indo-francês, conquanto não seja
igual a sua importância. Não conheço nenhuma obra especial sobre o
assunto alêm da citada, nem lhe prestei atenção senão à última hora,
quando me convenci de que não era nele pequena a influência do
português asiático. É, portanto, natural que a lista de vocábulos por-
tugueses no indo-francês seja deficiente.
{{center | § 22. — GARÓ}}
Na parte inferior do vale de Assão há um grupo de línguas pouco
importantes, denominado ''bodó'', pertencente à sub-família tibeto-bir-<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lii}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>vigoram sómente em certos lugares. Do outro lado, deve-se-lhe a
difusão de muitos termos portugueses em línguas vernáculas.
O indo-inglês tem, portanto, cabimento no meu trabalho<ref>O erudito glossário de Yule & Burnell tem-me aproveitado imenso.</ref>.
{{center | § 21. — INDO-FRANCÊS<ref>Vid, Aristide Marre, N''otice sur la langue portugaise dans l'Inde Française et
en Malaisie''.</ref>}}
Os franceses chegaram tarde à Índia, onde já se encontravam em
contenda os portugueses, os holandeses e os ingleses, e quási nenhuma
influência de carácter geral e duradouro ali exerceram. As suas mi-
núsculas colónias não teem crioulos nacionais, como os não teem as
inglesas; falava-se nelas, e fala-se ainda hoje, pôsto que em menor
escala, o indo-português, ao lado dos vernáculos<ref>Dr. Schuchardt inclui Pondichery e Chandernagar nas regiões onde se
fala indo-português, e dá espécimes do crioulo português de Mahé. E A. Marre
diz: «Il résulte évidemment des propres termes de l'Annuaire que le portugais
est parlé par une partie de la population de l'Inde française».</ref>.
Como o indo-inglês, o francês falado na Índia tem no seu vocabu-
lário algumas palavras genuinamente portuguesas e muitas asiáticas
aportuguesadas, que lhe foram, na sua generalidade, transmitidas
pelo indo-português, alêm das que recebeu directamente dos idiomas
vernáculos. Vários dêsses termos, designativos de objectos peculia-
res, passaram ao francês continental, como aconteceu com o inglês
da Europa.
As razões que me induziram a incluir o indo-inglês no meu traba-
lho militam igualmente a favor do indo-francês, conquanto não seja
igual a sua importância. Não conheço nenhuma obra especial sobre o
assunto alêm da citada, nem lhe prestei atenção senão à última hora,
quando me convenci de que não era nele pequena a influência do
português asiático. É, portanto, natural que a lista de vocábulos por-
tugueses no indo-francês seja deficiente.
{{center | § 22. — GARÓ}}
Na parte inferior do vale de Assão há um grupo de línguas pouco
importantes, denominado ''bodó'', pertencente à sub-família tibeto-bir-<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LIII
{{center| INTRODUÇÃO}}
mânica, e falado por seiscentos mil homens. Uma dessas línguas é
garó, falada por 186:000, a qual conta vários dialectos e tem sido
suficientemente estudado. Possui escolas e livros escolares e religio-
sos, devidos a missionários americanos, que se servem actualmente,
para o seu ensino, de livros ingleses em substituição dos bengalis, e
fazem largo uso de terminologia inglesa, em aditamento à árica.
Os vocábulos portugueses no garó penetraram por via do assamês
e do bengali, e alguns, talvez, por intermédio dos missionários.
{{center| § 23. — BIRMANÊS}}
A língua da Birmânia (ou Bramá), falada por sete milhões e meio
de habitantes, é aglutinativa e culta. Tem muitos vocábulos áricos,
introduzidos pelo budismo, religião dominante, juntamente com a
literatura pálica. Possui alfabeto próprio, derivado do indiano. Os
seus principais dialectos são: aracanês, tavogui ou tancagsori e yó.
Alêm do tibetano, o birmanês é a única língua importante do grupo
tibeto-birmânico. A sua literatura data de alguns séculos; mas a lin-
guagem literária não difere muito da de Sião.
A influência da língua portuguesa no birmanês, a julgar pelo único
vocabulário que tive à mão, é muito limitada. Mais alguns vocábulos
de origem lusitana devem naturalmente existir, levados pelos comer-
ciantes e aventureiros portugueses ou introduzidos pelas línguas de
Bengala e de Sião.
{{center| § 24. — TIBETANO<ref>Vid. C. A. Bell, ''Manual of Colloquial Tibetan''.</ref>}}
O tibetano acha-se no estado de transição do sistema remático para
o aglutinativo. Possui vasta literatura antiga e moderna e quatro for-
mas de alfabeto silábico, derivado do árico, que foi introduzido no
século VII<ref>It is to intimate relations thus established, so it seems to me, that Tibet
probably ows not only her Buddhism in great measure, but also her written
alphabet». I. A. Waddell, in ''Asiatic Quaterly Review''.</ref>. A linguagem literária difere notávelmente da coloquial.
«Tibete é essencialmente, segundo Bell, um país de dialectos; um pro-
vérbio muito corrente diz: cada distrito tem o seu dialecto; cada lama
tem a sua doutrina». O mais importante é o de Lhassa, que passa
por normal e língua franca do inteiro territorio.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|liii}}}}</noinclude>mânica, e falado por seiscentos mil homens. Uma dessas línguas é
garó, falada por 186:000, a qual conta vários dialectos e tem sido
suficientemente estudado. Possui escolas e livros escolares e religio-
sos, devidos a missionários americanos, que se servem actualmente,
para o seu ensino, de livros ingleses em substituição dos bengalis, e
fazem largo uso de terminologia inglesa, em aditamento à árica.
Os vocábulos portugueses no garó penetraram por via do assamês
e do bengali, e alguns, talvez, por intermédio dos missionários.
{{center| § 23. — BIRMANÊS}}
A língua da Birmânia (ou Bramá), falada por sete milhões e meio
de habitantes, é aglutinativa e culta. Tem muitos vocábulos áricos,
introduzidos pelo budismo, religião dominante, juntamente com a
literatura pálica. Possui alfabeto próprio, derivado do indiano. Os
seus principais dialectos são: aracanês, tavogui ou tancagsori e yó.
Alêm do tibetano, o birmanês é a única língua importante do grupo
tibeto-birmânico. A sua literatura data de alguns séculos; mas a lin-
guagem literária não difere muito da de Sião.
A influência da língua portuguesa no birmanês, a julgar pelo único
vocabulário que tive à mão, é muito limitada. Mais alguns vocábulos
de origem lusitana devem naturalmente existir, levados pelos comer-
ciantes e aventureiros portugueses ou introduzidos pelas línguas de
Bengala e de Sião.
{{center| § 24. — TIBETANO<ref>Vid. C. A. Bell, ''Manual of Colloquial Tibetan''.</ref>}}
O tibetano acha-se no estado de transição do sistema remático para
o aglutinativo. Possui vasta literatura antiga e moderna e quatro for-
mas de alfabeto silábico, derivado do árico, que foi introduzido no
século VII<ref>It is to intimate relations thus established, so it seems to me, that Tibet
probably ows not only her Buddhism in great measure, but also her written
alphabet». I. A. Waddell, in ''Asiatic Quaterly Review''.</ref>. A linguagem literária difere notávelmente da coloquial.
«Tibete é essencialmente, segundo Bell, um país de dialectos; um pro-
vérbio muito corrente diz: cada distrito tem o seu dialecto; cada lama
tem a sua doutrina». O mais importante é o de Lhassa, que passa
por normal e língua franca do inteiro territorio.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/37
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxii}}|INTRODUÇÂO}}</noinclude>toalha; ''veillu'', ''el'' = velho; ''kunyá'' = cunha, barkín = barquinha. O
concani, o malayálam e mais alguns idiomas conservam o som origi-
nário em certos vocábulos, representando-o por ''ñ'' ou ''ññ'': ''modiñ'' ou
''modinh'' (Conc.) = modinha, ''viññu'' (Malayál.) = vinho.
13. ''S'' intervocálico (= ''z'') muda-se geralmente em ''j'' (algumas vezes
em ''s'' sibilante), por não terem muitos dos idíomas tal som ou por
êsse se restringir a sílabas de certas vogais (''a'', ''o'', ''u'', como em con-
cani, marata, sindhi): m''êj'' = mesa, ''kamíj'' ou ''kamís'' = camisa<ref> Em concani ''j'' muda-se normalmente em ''z'' depois de ''a'', ''o'', ''u''; ''imáz'' = imagem,
''relóz'' = relójio, ''āzúd'' = ajuda.</ref>.
14. ''R'' e ''l'' trocam-se às vezes nas línguas que os teem, e substi-
tui-se um por outro nas que teem sómente um dêles: ''kadêl'', ''bhohḷó'' =
cadeira, abóbora; ''boru'', ''charamera'' (Jap.) = bôlo, charamela; ''compla-''
''dor'', ''patili'' (Pid.-Engl.) = comprador, padre.
15. Consoantes surdas tornam-se freqùentemente sonoras da mesma
classe, e vice-versa, em raro caso: ''alavángu'' = alavanca, ''turung'' =
tronco, ''práda'' = prata; ''prek'' = prego.
16. Dá-se cacuminalização dalgumas consoantes, especialmente
em contacto com ''r'', como acontece em sânscrito: ''soḍtí'', ''sorṭí'' = sorte;
''korṇel'' = coronel; ''bhohḷó'' ou ''bhompḷá'' = abóbora; ''barkíṇ'' = barquinha.
17. Há exemplos de consoantes aspiradas: ''khamís'' = camisa, ''khu-''
''rís'' = cruz, ''burákh'' = buraco; ''bhobló'' ou ''bhomplá'' = abóbora.
18. Ocorre metátese de ''r'': ''girjá'' = igreja, ''krasa'' = garça.
19. Destrói-se o hiato no meio da palavra pela intercalação de ''v'':
''tuvál'' ou ''tuvāló'' = toalha, ''baluvárdi'' = baluarte.
20. Desfaz-se consoante composta, cujo segundo componente é ''r'',
pela inserção de vogal (suarabacti): ''garád'', grade, ''paránch'' = pran-
cha, ''karáb'' = cravo, ''turung'' = tronco, ''vídur'', ''víduruva'' = vidro. Al-
gumas das línguas não admitem consoantes compostas em nenhuma
situação; outras admitem sómente as geminadas.<section end=int10 />
<section begin=int11 />{{center| XI. — '''Fontes e dificuldades do estudo''' }}
O meio mais adequado à elaboração de lista completa das pala-
vras portuguesas, enxertadas no léxico de línguas asiáticas, seria
evidentemente o estudo feito ao ''vivo'', no íntimo convívio de todas as
camadas sociais, em toda a extensão da vivenda de cada uma das
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxii}}|INTRODUÇÂO}}</noinclude>toalha; ''veillu'', ''el'' = velho; ''kunyá'' = cunha, barkín = barquinha. O
concani, o malayálam e mais alguns idiomas conservam o som origi-
nário em certos vocábulos, representando-o por ''ñ'' ou ''ññ'': ''modiñ'' ou
''modinh'' (Conc.) = modinha, ''viññu'' (Malayál.) = vinho.
13. ''S'' intervocálico (= ''z'') muda-se geralmente em ''j'' (algumas vezes
em ''s'' sibilante), por não terem muitos dos idíomas tal som ou por
êsse se restringir a sílabas de certas vogais (''a'', ''o'', ''u'', como em con-
cani, marata, sindhi): m''êj'' = mesa, ''kamíj'' ou ''kamís'' = camisa<ref> Em concani ''j'' muda-se normalmente em ''z'' depois de ''a'', ''o'', ''u''; ''imáz'' = imagem,
''relóz'' = relójio, ''āzúd'' = ajuda.</ref>.
14. ''R'' e ''l'' trocam-se às vezes nas línguas que os teem, e substi-
tui-se um por outro nas que teem sómente um dêles: ''kadêl'', ''bhohḷó'' =
cadeira, abóbora; ''boru'', ''charamera'' (Jap.) = bôlo, charamela; ''compla-''
''dor'', ''patili'' (Pid.-Engl.) = comprador, padre.
15. Consoantes surdas tornam-se freqùentemente sonoras da mesma
classe, e vice-versa, em raro caso: ''alavángu'' = alavanca, ''turung'' =
tronco, ''práda'' = prata; ''prek'' = prego.
16. Dá-se cacuminalização dalgumas consoantes, especialmente
em contacto com ''r'', como acontece em sânscrito: ''soḍtí'', ''sorṭí'' = sorte;
''korṇel'' = coronel; ''bhohḷó'' ou ''bhompḷá'' = abóbora; ''barkíṇ'' = barquinha.
17. Há exemplos de consoantes aspiradas: ''khamís'' = camisa, ''khu-''
''rís'' = cruz, ''burákh'' = buraco; ''bhobló'' ou ''bhomplá'' = abóbora.
18. Ocorre metátese de ''r'': ''girjá'' = igreja, ''krasa'' = garça.
19. Destrói-se o hiato no meio da palavra pela intercalação de ''v'':
''tuvál'' ou ''tuvāló'' = toalha, ''baluvárdi'' = baluarte.
20. Desfaz-se consoante composta, cujo segundo componente é ''r'',
pela inserção de vogal (suarabacti): ''garád'', grade, ''paránch'' = pran-
cha, ''karáb'' = cravo, ''turung'' = tronco, ''vídur'', ''víduruva'' = vidro. Al-
gumas das línguas não admitem consoantes compostas em nenhuma
situação; outras admitem sómente as geminadas.<section end=int10 />
<section begin=int11 />{{center| XI. — '''Fontes e dificuldades do estudo''' }}
O meio mais adequado à elaboração de lista completa das pala-
vras portuguesas, enxertadas no léxico de línguas asiáticas, seria
evidentemente o estudo feito ao ''vivo'', no íntimo convívio de todas as
camadas sociais, em toda a extensão da vivenda de cada uma das<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh
|{{sc|liv}}
|INTRODUÇÃO
|
}}</noinclude>A influência do português no tibetano é quási nula; no seu vocabulário
encontrei sómente duas palavras desta procedência. Houve
todavia uma missão portuguesa no Tibete, fundada em 1624 pelo
jesuíta António de Andrade, e continuado pelos padres Gonçalo de
Sousa e João Cabral<ref>Vid. Cardeal Saraiva, ''Obras Completas'', v, p. 149.</ref>. Agora, com comunicações mais freqùentes da
Índia com o Tibete, é natural que lá penetrem mais termos portugueses.
{{c|§ 25. — KHASSI<ref>Vid. H. Roberts, ''An Anglo-Khassi Dictionary''.</ref>}}
Na fronteira sul do vale de Assão, a leste da Índia própria, entre
as tríbus garó e naga, está situado o país das tríbus khassi-jáintia,
cuja população orça por duzentos mil e cuja lingua se chama ''khassi'',
''kassia'' ou ''kossia''. Está ali a sede do govêrno da província de Assão.
Morfológicamente, khassi é monossilábico remático; e genealógicamente,
Beames inclui-o na classe lohótica ou birmânica, Cust constitui-o
em família à parte, e Grierson, fundado na autoridade de Kuhn,
filia-o na sub-família mon-khmēr da família indo-chinesa.
O khassi não tem literatura nem alfabeto próprio, sendo, por isso,
agora adoptado o romano, como mais conveniente, pelos missionários
ingleses na composição de gramática e dicionário e nos livros escolares<ref>O tentame para a introdução do alfabeto bengali não deu resultado.</ref>.
O khassi possui muitos dialectos, sendo o normal o cheara, e um
rico vocabulário, composto em grande parte de onomatopeias, com
infiltração do bengali e do hindustani. É por intermédio dessas línguas
que se lhe transmitiram palavras portuguesas, sem que estas
tribus semi-selvagens tivessem sequer ouvido o nome de Portugal. E
assim acontecerá naturalmente em casos análogos <ref>Nissor Singh refere ao hindi quási todos os vocábulos portugueses, introduzidos no khassi.</ref>.
{{c|§ 26. — CAMBOJANO}}
O cambojano é actualmente o principal representante da sub-família
mon-khmēr, sendo ''Khmer'' o nome indígena do país, agora muito decaído,
e do povo, que professa o budismo. É falado por um milhão<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
p8ychn51eim8o2me6pogmkneiiq7v2i
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/60
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LV
{{center| INTRODUÇÃO}}
em Camboja e por quinhentos mil em Sião e Annão. Possui três dia-
lectos: xong, samre e khamen-boran.
O cambojano é monossilábico, como os outros ramos da família,
mas sem variedade de tons, é repleto de palavras do siamês, com
que foi confundido por longo tempo, e importa muitos termos do páli,
malaio, annamita e peguano, em grande parte contraídos, para os
ajeitar à sua índole. Tem dois alfabetos modernos, sagrado e vulgar,
derivados do devanágari, e monumentos literários antigos, que datam
do século XIII.
A influência do português, relativamente considerável, no vocabu-
lário cambojano, deve-se às antigas relações comerciais, políticas e
religiosas, e às línguas circunvizinhas, especialmente à malaia<ref>Vid. Fr. João dos Santos, ''Ethiopia oriental'', 11, cap. 7.</ref>.
Achando-se ao presente o reino sob o protectorado de França, vão-se
introduzindo muitos termos franceses, o que ocasiona incerteza com
respeito à proveniência de certos vocábulos romanicos.
{{center| § 27. — SIAMÊS<ref>Vid. Michell, ''A Siamese-English Dictionary. Lunet de Lajonquière, Dition-
naire français-siamois.''</ref>}}
O siamês é o representante de maior importância do ramo tai da
sub-família siamo-chinesa, e pertence, como o chinês, à classe de lín-
guas monossilábicas isoladas<ref>Mas as línguas indo-chinesas eram antigamente inflexivas, como o teem de-
monstrado as recentes investigações. Vid. Grierson, ''The Languages of India'',
p. 6.</ref>. O nome de Sião é corrução de ''sham'',
outro nome da raça tai ou thai, que no século VII invadiu a Birmânia
Superior e foi depois estabelecer-se neste país e em Assão<ref>Os nossos antigos escritores chamam a Sião ''Sornau''. Vid. Fernão Mendes
Pinto. Duarte Barbosa diz Danseam. «O segundo Reyno continuado a este pela
parte do Norte he ''Chaumúa'', os pouos do qual tem lingua per si: e propriamente
o Reyno, a que nos chamamos Sião, nome entre elles estranho, e imposto pelos
estrangeiros áquelle seu estado, e não per elles». João de Barros, Déc. III,
II, 5.</ref>.
A área do siamês é vasta: estende-se da Birmânia ao lago de Cam-
boja e do golfo de Sião aos confins de Laos. É falado por dois
milhões de indivíduos, que seguem o budismo do Sul, e escrito em
alfabeto de origem indiana, indicando-se os tons por acentos. Tem<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lv}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>em Camboja e por quinhentos mil em Sião e Annão. Possui três dia-
lectos: xong, samre e khamen-boran.
O cambojano é monossilábico, como os outros ramos da família,
mas sem variedade de tons, é repleto de palavras do siamês, com
que foi confundido por longo tempo, e importa muitos termos do páli,
malaio, annamita e peguano, em grande parte contraídos, para os
ajeitar à sua índole. Tem dois alfabetos modernos, sagrado e vulgar,
derivados do devanágari, e monumentos literários antigos, que datam
do século XIII.
A influência do português, relativamente considerável, no vocabu-
lário cambojano, deve-se às antigas relações comerciais, políticas e
religiosas, e às línguas circunvizinhas, especialmente à malaia<ref>Vid. Fr. João dos Santos, ''Ethiopia oriental'', 11, cap. 7.</ref>.
Achando-se ao presente o reino sob o protectorado de França, vão-se
introduzindo muitos termos franceses, o que ocasiona incerteza com
respeito à proveniência de certos vocábulos romanicos.
{{center| § 27. — SIAMÊS<ref>Vid. Michell, ''A Siamese-English Dictionary. Lunet de Lajonquière, Dition-
naire français-siamois.''</ref>}}
O siamês é o representante de maior importância do ramo tai da
sub-família siamo-chinesa, e pertence, como o chinês, à classe de lín-
guas monossilábicas isoladas<ref>Mas as línguas indo-chinesas eram antigamente inflexivas, como o teem de-
monstrado as recentes investigações. Vid. Grierson, ''The Languages of India'',
p. 6.</ref>. O nome de Sião é corrução de ''sham'',
outro nome da raça tai ou thai, que no século VII invadiu a Birmânia
Superior e foi depois estabelecer-se neste país e em Assão<ref>Os nossos antigos escritores chamam a Sião ''Sornau''. Vid. Fernão Mendes
Pinto. Duarte Barbosa diz Danseam. «O segundo Reyno continuado a este pela
parte do Norte he ''Chaumúa'', os pouos do qual tem lingua per si: e propriamente
o Reyno, a que nos chamamos Sião, nome entre elles estranho, e imposto pelos
estrangeiros áquelle seu estado, e não per elles». João de Barros, Déc. III,
II, 5.</ref>.
A área do siamês é vasta: estende-se da Birmânia ao lago de Cam-
boja e do golfo de Sião aos confins de Laos. É falado por dois
milhões de indivíduos, que seguem o budismo do Sul, e escrito em
alfabeto de origem indiana, indicando-se os tons por acentos. Tem<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
kvdnz1xwyjvuwrzgq17oyyvbr5r33m4
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lv}}}}</noinclude>em Camboja e por quinhentos mil em Sião e Annão. Possui três dia-
lectos: xong, samre e khamen-boran.
O cambojano é monossilábico, como os outros ramos da família,
mas sem variedade de tons, é repleto de palavras do siamês, com
que foi confundido por longo tempo, e importa muitos termos do páli,
malaio, annamita e peguano, em grande parte contraídos, para os
ajeitar à sua índole. Tem dois alfabetos modernos, sagrado e vulgar,
derivados do devanágari, e monumentos literários antigos, que datam
do século XIII.
A influência do português, relativamente considerável, no vocabu-
lário cambojano, deve-se às antigas relações comerciais, políticas e
religiosas, e às línguas circunvizinhas, especialmente à malaia<ref>Vid. Fr. João dos Santos, ''Ethiopia oriental'', 11, cap. 7.</ref>.
Achando-se ao presente o reino sob o protectorado de França, vão-se
introduzindo muitos termos franceses, o que ocasiona incerteza com
respeito à proveniência de certos vocábulos romanicos.
{{center| § 27. — SIAMÊS<ref>Vid. Michell, ''A Siamese-English Dictionary. Lunet de Lajonquière, Dition-
naire français-siamois.''</ref>}}
O siamês é o representante de maior importância do ramo tai da
sub-família siamo-chinesa, e pertence, como o chinês, à classe de lín-
guas monossilábicas isoladas<ref>Mas as línguas indo-chinesas eram antigamente inflexivas, como o teem de-
monstrado as recentes investigações. Vid. Grierson, ''The Languages of India'',
p. 6.</ref>. O nome de Sião é corrução de ''sham'',
outro nome da raça tai ou thai, que no século VII invadiu a Birmânia
Superior e foi depois estabelecer-se neste país e em Assão<ref>Os nossos antigos escritores chamam a Sião ''Sornau''. Vid. Fernão Mendes
Pinto. Duarte Barbosa diz Danseam. «O segundo Reyno continuado a este pela
parte do Norte he ''Chaumúa'', os pouos do qual tem lingua per si: e propriamente
o Reyno, a que nos chamamos Sião, nome entre elles estranho, e imposto pelos
estrangeiros áquelle seu estado, e não per elles». João de Barros, Déc. III,
II, 5.</ref>.
A área do siamês é vasta: estende-se da Birmânia ao lago de Cam-
boja e do golfo de Sião aos confins de Laos. É falado por dois
milhões de indivíduos, que seguem o budismo do Sul, e escrito em
alfabeto de origem indiana, indicando-se os tons por acentos. Tem<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/61
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LVI
{{center| INTRODUÇÃO}}
avultada literatura religiosa e profana, e três dialectos: o dos livros
sagrados, o das classes elevadas e o do povo. O seu vocabulário,
que, segundo Michell, tem 14:000 palavras, contêm numerosos vo-
cábulos peregrinos, em geral deformados, tirados do páli, sânscrito,
cambojano, malaio, chinês e de línguas europeias.
Atentas as freqùentes relações de várias espécies que Portugal teve
com Sião, era de esperar que o siamês tivesse muitos termos portu-
gueses; mas nos seus dicionários só se vê um número muito limi-
tado, o que acontece igualmente com outras Jínguas monossilábicas<ref>Existem em Sião, com carácter de permanência, 43 portugueses, católi-
cos... São 250 os portugueses de origem chinesa, que se acham inscritos no con-
sulado... Finalmente há mais 68 protegidos portugueses de origem chinesa, re-
sidindo em Sião. Ao todo, 361 portugueses inscritos. (''Boletim'' da S. G. L.). Vid.
Fr. João dos Santos, 11, cap. 6; e Frederico Pereira, ''Relação de Portugal com
Sião'', in Bol., 8. sér., pp. 385-404.</ref>.
A gente letrada cunha dições com elementos sânscritos para denotar
objectos novos, como telégrafo, telefone, estenografia; e os jornais
e o povo em contacto com os europeus preferem palavras inglesas<ref>Tais como: ''bank'', ''bill'', ''boat'', ''boot'', ''foot'', ''madam'', ''mister'', ''minute'', ''agent'', ''hotel'', ''office'', ''pen'', ''police'', ''salute'', ''stamp'', ''station'', ''tape''.</ref>.
{{center| §§ 28-29. ANNAMITA е TONKINÊS}}
Por annamita ou, melhor, annamês, se entende ou a língua do an-
tigo reino de Annão, ou, mais restritamente, o dialecto cochinchinês,
em distinção do tonkinês<ref>A qual terra os Chijs chamão Reyno de Cacho, e os Siameses e Malaios
Cauchinchina: a differença do Cochij do Malabar». João de Barros, Déc. III,
VIII, 6.</ref>.
Não estão de acordo os glotólogos acêrca da classificação do annamês
em geral. Logan relaciona-o com mon-khmēr, constituindo um grupo
mon-anão. Cust e Grierson põem em dúvida tal conexão, posto que
haja khmers no território. Sylvain Lévi relaciona-o, por informação
verbal,. com o siamês ou tai, mas admite grande influência do chinês.
Em todo o caso, não se notam nele nenhuns vestígios da civilização
indiana, que cessa depois de Camboja, para dar lugar à chinesa.
O povo professa o budismo do tipo chinês, possui considerável
literatura, e serve-se duma grande quantidade de idiógrafos chine-<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
6fm6uchmc28wamh48han5ysi0zobz9r
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lvi}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>avultada literatura religiosa e profana, e três dialectos: o dos livros
sagrados, o das classes elevadas e o do povo. O seu vocabulário,
que, segundo Michell, tem 14:000 palavras, contêm numerosos vo-
cábulos peregrinos, em geral deformados, tirados do páli, sânscrito,
cambojano, malaio, chinês e de línguas europeias.
Atentas as freqùentes relações de várias espécies que Portugal teve
com Sião, era de esperar que o siamês tivesse muitos termos portu-
gueses; mas nos seus dicionários só se vê um número muito limi-
tado, o que acontece igualmente com outras Jínguas monossilábicas<ref>Existem em Sião, com carácter de permanência, 43 portugueses, católi-
cos... São 250 os portugueses de origem chinesa, que se acham inscritos no con-
sulado... Finalmente há mais 68 protegidos portugueses de origem chinesa, re-
sidindo em Sião. Ao todo, 361 portugueses inscritos. (''Boletim'' da S. G. L.). Vid.
Fr. João dos Santos, 11, cap. 6; e Frederico Pereira, ''Relação de Portugal com
Sião'', in Bol., 8. sér., pp. 385-404.</ref>.
A gente letrada cunha dições com elementos sânscritos para denotar
objectos novos, como telégrafo, telefone, estenografia; e os jornais
e o povo em contacto com os europeus preferem palavras inglesas<ref>Tais como: ''bank'', ''bill'', ''boat'', ''boot'', ''foot'', ''madam'', ''mister'', ''minute'', ''agent'', ''hotel'', ''office'', ''pen'', ''police'', ''salute'', ''stamp'', ''station'', ''tape''.</ref>.
{{center| §§ 28-29. ANNAMITA е TONKINÊS}}
Por annamita ou, melhor, annamês, se entende ou a língua do an-
tigo reino de Annão, ou, mais restritamente, o dialecto cochinchinês,
em distinção do tonkinês<ref>A qual terra os Chijs chamão Reyno de Cacho, e os Siameses e Malaios
Cauchinchina: a differença do Cochij do Malabar». João de Barros, Déc. III,
VIII, 6.</ref>.
Não estão de acordo os glotólogos acêrca da classificação do annamês
em geral. Logan relaciona-o com mon-khmēr, constituindo um grupo
mon-anão. Cust e Grierson põem em dúvida tal conexão, posto que
haja khmers no território. Sylvain Lévi relaciona-o, por informação
verbal,. com o siamês ou tai, mas admite grande influência do chinês.
Em todo o caso, não se notam nele nenhuns vestígios da civilização
indiana, que cessa depois de Camboja, para dar lugar à chinesa.
O povo professa o budismo do tipo chinês, possui considerável
literatura, e serve-se duma grande quantidade de idiógrafos chine-<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxiii}}}}</noinclude>línguas. Ora isto é quási impossível, atenta a enormidade da área e
o variadíssimo número dos idiomas a analisar, alêm doutros obstá-
culos de fácil intuição.
O conhecimento pessoal dum poliglota aturado dificilmente che-
garia, sem graves lacunas, ao cabo de muitos anos à meia dúzia de
idiomas duma ou duas famílias. É por isso que se não vêem até
hoje léxicos comparados, como há gramáticas comparadas muito im-
portantes<ref> John Beames, ''Comparative Grammar of Aryan Languages''. Robert Caldwell,
''A Comparative Grammar of the Dravidian or South Indian Family of Languages''.</ref>. O que há são pequenos vocabulários, ou dicionários dal-
guns dialectos ou de duas ou três línguas aparentadas<ref> Sir W. W. Hunter publicou em 1868 uma lista de 186 vocábulos em 120
línguas ou dialectos anáricos, com o título de ''Comparative Dictionary of the Lan-''
''guages of India and High Asia''. F. A. Sevettenham tambêm compilou ''Comparative''
''Vocabulary of the Dialects of the Wild Tribes inhabiting the Malayan Peninsula''.</ref>.
Outro meio, supletivo e deficiente, seria obter, por intermédio de
pessoas competentes resenhas de dições portuguesas infiltradas nas
respectivas línguas. Isto tambêm não é fácil, porque poucos se en-
contrarão dispostos a tão ímprobo trabalho, compreensivo de todos os
vocábulos, que não ocorrem espontâneamente, desassociados de ideas.
Eu não pude alcançar mais de três listas de tamul, uma de bengali,
uma de canarês e uma de telúgu, e essas mesmas incompletas e su-
márias, por favor de amigos obsequiosos. Não conheço listas isoladas
ou parciais já feitas, alêm de uma do hindustani (Schuchardt, ''op.''
''cit.''), e algumas da família malaio-polinésia.
Resta, por tanto, como último recurso, percorrer palavra por pala-
vra os dicionários das línguas que os possuam. Mas pouquíssimas
são as línguas vivas da Ásia que tenham, como a marata, a hindus-
tani e a malaia, léxicos que se possam chamar ''thesaurus línguae''. O
geral dos dicionários são elaborados para uso de escolas ou de mis-
sões, e alguns não passam de primeiros tentames. Não é pois de es-
perar que em tais livros apareçam todos os termos em uso geral ou
particular<ref> Acresce a isto que alguns dicionários valiosos já se não encontram no mer-
cado ou são caríssimos. As bibliotecas públicas de Portugal possuem mui poucos
das línguas asiáticas; a instâncias minhas as autoridades da Biblioteca Nacional
de Lisboa adquiriram meia dúzia dêles.
</ref>.
Os lexicógrafos procuram de ordinário evitar (digo-o de experiên-
cia) palavras peregrinas, com a mira de mostrar a riqueza da língua,<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
8d5fca2bu7rclw57leydrg0s4xqsc14
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
ses, usados fonéticamente como silabário. Mas a classe mais ilus-
trada prefere integralmente os caracteres chineses. À vista da difi-
culdade que oferece o conhecimento dêsses caracteres, os missionários
católicos inventaram um esmerado sistema de transcrição em alfabeto
romano, denominado ''quôc ngũ'', para representar fielmente todos os
sons e tonalidades do idioma. Êste sistema é geralmente seguido pelos
filólogos e, segundo Lajonquière, pelos próprios indígenas da Cochin-
china<ref>«Alem da letra sinina têem outra da lingua propria da terra, de que com-
mummente usam, e a podem aprender ainda as mulheres». António Francisco
Cardim, ''Batalhas da Companhia de Jesus'', p. 69.</ref>.
O tonkinês difere dialectalmente do annamita; tem sua literatura e
livros especiais para o seu estudo; mas a julgar pelo seu vocabulário
a diferença não é notável<ref>«Sendo os cochinchinas da mesma nação que os tonquins, chamando-se todo.
o reino Annam, e os portugueses o dividiram em nome de Cochinchina e Ton-
quim, sendo na verdade a mesma nação, e nada differente na '''lingua''', trajo e cos-
tumes, como se dissessemos o reino dos Algarves em respeito de Portugal». Car-
dim, p. 69.</ref>. Um e outro teem as mesmas palavras
europeias, que são pouquíssimas e pela maior parte de procedência
francesa, excepto alguns termos religiosos, que denunciam claramente
a origem portuguesa. Alêm do trato comercial, havia em Tonquim
missões portuguesas muito florescentes, que contavam nos meados do
século XVII 205 igrejas e cêrca de 200:000 almas<ref>Vid. Cardim, op. cit.</ref>.
{{center| § 30.- MALAIO<ref>Vid. Favre, ''Grammaire de la Langue Malaise''. Swettenham, ''Vocabulary of the
English and Malay Languages''. Heyligers, ''Traces de Portugais'', etc. Gonçalves
Viana, ''Vocabulário malaio derivado do português''. Fokker, O ''Elemento português
na língua malaia''.</ref>}}
Com relação ao meu trabalho, o malaio é, depois do concani, a
mais importante das línguas asiáticas, e é êle que me induziu a es-
tender a órbita do meu estudo para alêm da Índia própria<ref>«Tem lingoa sobre si que se chama malaya que he muy doce e facil de to-
mar». Castanheda, 11, cap. 112.
«Par sa politesse et sa douceur, le mal
ais a mérité à juste titre d'être
appellé l'italien de l'Orient». Favre.</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lvii}}}}</noinclude>ses, usados fonéticamente como silabário. Mas a classe mais ilus-
trada prefere integralmente os caracteres chineses. À vista da difi-
culdade que oferece o conhecimento dêsses caracteres, os missionários
católicos inventaram um esmerado sistema de transcrição em alfabeto
romano, denominado ''quôc ngũ'', para representar fielmente todos os
sons e tonalidades do idioma. Êste sistema é geralmente seguido pelos
filólogos e, segundo Lajonquière, pelos próprios indígenas da Cochin-
china<ref>«Alem da letra sinina têem outra da lingua propria da terra, de que com-
mummente usam, e a podem aprender ainda as mulheres». António Francisco
Cardim, ''Batalhas da Companhia de Jesus'', p. 69.</ref>.
O tonkinês difere dialectalmente do annamita; tem sua literatura e
livros especiais para o seu estudo; mas a julgar pelo seu vocabulário
a diferença não é notável<ref>«Sendo os cochinchinas da mesma nação que os tonquins, chamando-se todo.
o reino Annam, e os portugueses o dividiram em nome de Cochinchina e Ton-
quim, sendo na verdade a mesma nação, e nada differente na '''lingua''', trajo e cos-
tumes, como se dissessemos o reino dos Algarves em respeito de Portugal». Car-
dim, p. 69.</ref>. Um e outro teem as mesmas palavras
europeias, que são pouquíssimas e pela maior parte de procedência
francesa, excepto alguns termos religiosos, que denunciam claramente
a origem portuguesa. Alêm do trato comercial, havia em Tonquim
missões portuguesas muito florescentes, que contavam nos meados do
século XVII 205 igrejas e cêrca de 200:000 almas<ref>Vid. Cardim, op. cit.</ref>.
{{center| § 30.- MALAIO<ref>Vid. Favre, ''Grammaire de la Langue Malaise''. Swettenham, ''Vocabulary of the
English and Malay Languages''. Heyligers, ''Traces de Portugais'', etc. Gonçalves
Viana, ''Vocabulário malaio derivado do português''. Fokker, O ''Elemento português
na língua malaia''.</ref>}}
Com relação ao meu trabalho, o malaio é, depois do concani, a
mais importante das línguas asiáticas, e é êle que me induziu a es-
tender a órbita do meu estudo para alêm da Índia própria<ref>«Tem lingoa sobre si que se chama malaya que he muy doce e facil de to-
mar». Castanheda, 11, cap. 112.
«Par sa politesse et sa douceur, le mal
ais a mérité à juste titre d'être
appellé l'italien de l'Orient». Favre.</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LVIII
{{center| INTRODUÇÃO}}
Fala-se em Malaca e nas ilhas de Sumatra (de mistura com outras
línguas), Banca, Billiton, nas Molucas (ou Maluco<ref>«Mas a lingua mais comum, e de que todos vsão, he a Malaya: que por ser
mais doce, e de melhor pronunciação, se lhe afeiçoarão todos». Diogo do Couto,
Déc. IV, VII, 7.</ref>) e em algumas
outras partes. A sua população está orçada em mais de dez milhões.
Distingue-se em malaio própriamente dito e baixo malaio. O primeiro
tem seu representante normal em Singapura e Malaca, e possui litera-
tura em prosa e verso, escrita no alfabeto árabe modificado. O segundo,
destituído de fonemas árduos e de formas complicadas, passa por lín-
gua franca da Insulíndia, como o hindustani é a da Índia, e como tal
é falado pela população indígena dos portos marítimos, embora não
seja malaia de raça, e escreve-se comummente em caracteres ro-
manos<ref>«Chama-se a gente natural Malaya, e a lingoa tambem, que he propria, e
per rezam do commercio de Malaca com todas as ilhas vizinhas, quasi por todas
ellas se pratica, e entende». Lucena, ''Historia da vida do Padre Francisco de Xa-
vier'', liv. 111, cap. 10.
«La langue qu'on appelle Malaye, est parmi les Orientaux ce que la langue
Latine est dans nôtre Europe». Tavernier, ''Voyages'', IV, p. 251.</ref>.
Ao baixo malaio pertence a fala de Batávia. Algumas palavras
portuguesas tomam nela formas especiais, que vão notadas no voca-
bulário, assim como as privativas das Molucas<ref>Os samsanas de Quedda em Malaca, siameses de raça, muçulmanos de reli-
gião, falam malaio misturado com o siamês.</ref>.
O malaio tem grande adaptabilidade a exotismos, e o seu vocabu-
lário está repleto de ingredientes do sânscrito, árabe, persa, javanês,
chinês, telugu e das línguas europeias<ref>«O malaio e o hindustani manifestam aquela capacidade para a absorção e
assimilação de elementos estranhos que nós reconhecemos fazer do inglês a maior
língua vernácula que o mundo jámais viu». Cust.
A la suite des Portugais, vinrent les Hollandais, puis les Anglais, les Espa-
gnols; en un mot, l'Europe entière vint s'implanter dans la Malaisie, dont la lan-
gue dut s'augmenter d'une nouvelle série des mots appartenants aux diverses
langues européennes», Favre.</ref>.
A influência do português no malaio, particularmente no baixo,
proveniente de conquista, longo domínio, comércio, evangelização,
missões e crioulos, é vasta e funda, pois abrange enorme quantidade
de vocábulos e estende-se até a verbos e partículas.
Felizmente, há muitos trabalhos gerais e especiais sôbre o assunto.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
t7xrtua72rcdgnw6a28uq6trgu1yp0i
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lviii}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>Fala-se em Malaca e nas ilhas de Sumatra (de mistura com outras
línguas), Banca, Billiton, nas Molucas (ou Maluco<ref>«Mas a lingua mais comum, e de que todos vsão, he a Malaya: que por ser
mais doce, e de melhor pronunciação, se lhe afeiçoarão todos». Diogo do Couto,
Déc. IV, VII, 7.</ref>) e em algumas
outras partes. A sua população está orçada em mais de dez milhões.
Distingue-se em malaio própriamente dito e baixo malaio. O primeiro
tem seu representante normal em Singapura e Malaca, e possui litera-
tura em prosa e verso, escrita no alfabeto árabe modificado. O segundo,
destituído de fonemas árduos e de formas complicadas, passa por lín-
gua franca da Insulíndia, como o hindustani é a da Índia, e como tal
é falado pela população indígena dos portos marítimos, embora não
seja malaia de raça, e escreve-se comummente em caracteres ro-
manos<ref>«Chama-se a gente natural Malaya, e a lingoa tambem, que he propria, e
per rezam do commercio de Malaca com todas as ilhas vizinhas, quasi por todas
ellas se pratica, e entende». Lucena, ''Historia da vida do Padre Francisco de Xa-
vier'', liv. 111, cap. 10.
«La langue qu'on appelle Malaye, est parmi les Orientaux ce que la langue
Latine est dans nôtre Europe». Tavernier, ''Voyages'', IV, p. 251.</ref>.
Ao baixo malaio pertence a fala de Batávia. Algumas palavras
portuguesas tomam nela formas especiais, que vão notadas no voca-
bulário, assim como as privativas das Molucas<ref>Os samsanas de Quedda em Malaca, siameses de raça, muçulmanos de reli-
gião, falam malaio misturado com o siamês.</ref>.
O malaio tem grande adaptabilidade a exotismos, e o seu vocabu-
lário está repleto de ingredientes do sânscrito, árabe, persa, javanês,
chinês, telugu e das línguas europeias<ref>«O malaio e o hindustani manifestam aquela capacidade para a absorção e
assimilação de elementos estranhos que nós reconhecemos fazer do inglês a maior
língua vernácula que o mundo jámais viu». Cust.
A la suite des Portugais, vinrent les Hollandais, puis les Anglais, les Espa-
gnols; en un mot, l'Europe entière vint s'implanter dans la Malaisie, dont la lan-
gue dut s'augmenter d'une nouvelle série des mots appartenants aux diverses
langues européennes», Favre.</ref>.
A influência do português no malaio, particularmente no baixo,
proveniente de conquista, longo domínio, comércio, evangelização,
missões e crioulos, é vasta e funda, pois abrange enorme quantidade
de vocábulos e estende-se até a verbos e partículas.
Felizmente, há muitos trabalhos gerais e especiais sôbre o assunto.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LIX
{{center| INTRODUÇÃO}}
O mais antigo é o ''Dicionário'' do padre Haex, que regista muitas pa-
lavras que se não vêem nas obras modernas, ou por estarem actual-
mente obsoletas, ou por não terem então sido de uso comum, mas
restrito e privativo dos missionários e cristãos<ref>Diz o autor: <<In calce Dictionarii Malaio-Latini adiunctae sunt Lusitanicae
et Tarnaticae dictiones, quae valde sunt communia et vocabulis Malaicis in
Insulis Amboyna, Banda, Java et Moluccis intermiscuntur». Por faltar este
apêndice (pp. 51-54) no exemplar da Biblioteca Nacional, pertencente à antiga
de Alcobaça, um amigo de Roma mandou-me de empréstimo o da biblioteca do
cardeal Mezzofanti, ora integrada na do Colégio da Propaganda Fide.</ref>. Entre os modernos
merece especial menção o do Sr. Gonçalves Viana, que em grande
parte compreende os outros anteriores.
{{center| § 31. — ACHINÊS<ref>Vid. ''Encyclopedia Britannica''.</ref>}}
O achinês é uma das linguas de Samatra, a qual tem, como indica
o nome, a sua vivenda em Achem (própriamente Acheh), que fica no
extremo norte e pertence à Holanda<ref>The Portuguese generally called it Achem (or frequently, by the adhesion
of the genitive preposition, ''Dachem'')». Hobson-Jobson. António Nunes distingue
Dachem grande e Dachem pequeno. ''Livro dos Pesos da Ymdia''.</ref>. Apresenta íntimas afinidades
com o malaio, mas é menos culto e muito menos rico no vocabulário.
A sua literatura consta de obras poéticas e teológicas e de muitas
crónicas. A população é quási toda maometana e serve-se do alfabeto
árabe.
A influência do português nesta língua não é muito considerável,
e deve ter provindo directa e indirectamente, por via do malaio. Os
portugueses tiveram frequentes relações, de ordinário hostis, com os
achineses, que nos séculos XVI e XVII eram a maior potência indígena
de Samatra<ref>«Posto que o pensamento
Occupado tenhaes na guerra infesta,
Ou do sanguinolento
Taprobanico Achem, que o mar molesta».
Camões, nos ''Coloquios'' de Garcia da Orta.</ref>.
{{center| § 32. — BATTA}}
Batta ou batak é outra língua da ilha de Samatra, falada por um
povo pagão e canibalesco, mas não inteiramente inculto, que se vai<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
3eha53f8eoi9j3wmwzs2ybjqv8kmkhh
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lix}}}}</noinclude>O mais antigo é o ''Dicionário'' do padre Haex, que regista muitas pa-
lavras que se não vêem nas obras modernas, ou por estarem actual-
mente obsoletas, ou por não terem então sido de uso comum, mas
restrito e privativo dos missionários e cristãos<ref>Diz o autor: <<In calce Dictionarii Malaio-Latini adiunctae sunt Lusitanicae
et Tarnaticae dictiones, quae valde sunt communia et vocabulis Malaicis in
Insulis Amboyna, Banda, Java et Moluccis intermiscuntur». Por faltar este
apêndice (pp. 51-54) no exemplar da Biblioteca Nacional, pertencente à antiga
de Alcobaça, um amigo de Roma mandou-me de empréstimo o da biblioteca do
cardeal Mezzofanti, ora integrada na do Colégio da Propaganda Fide.</ref>. Entre os modernos
merece especial menção o do Sr. Gonçalves Viana, que em grande
parte compreende os outros anteriores.
{{center| § 31. — ACHINÊS<ref>Vid. ''Encyclopedia Britannica''.</ref>}}
O achinês é uma das linguas de Samatra, a qual tem, como indica
o nome, a sua vivenda em Achem (própriamente Acheh), que fica no
extremo norte e pertence à Holanda<ref>The Portuguese generally called it Achem (or frequently, by the adhesion
of the genitive preposition, ''Dachem'')». Hobson-Jobson. António Nunes distingue
Dachem grande e Dachem pequeno. ''Livro dos Pesos da Ymdia''.</ref>. Apresenta íntimas afinidades
com o malaio, mas é menos culto e muito menos rico no vocabulário.
A sua literatura consta de obras poéticas e teológicas e de muitas
crónicas. A população é quási toda maometana e serve-se do alfabeto
árabe.
A influência do português nesta língua não é muito considerável,
e deve ter provindo directa e indirectamente, por via do malaio. Os
portugueses tiveram frequentes relações, de ordinário hostis, com os
achineses, que nos séculos XVI e XVII eram a maior potência indígena
de Samatra<ref>«Posto que o pensamento
Occupado tenhaes na guerra infesta,
Ou do sanguinolento
Taprobanico Achem, que o mar molesta».
Camões, nos ''Coloquios'' de Garcia da Orta.</ref>.
{{center| § 32. — BATTA}}
Batta ou batak é outra língua da ilha de Samatra, falada por um
povo pagão e canibalesco, mas não inteiramente inculto, que se vai<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/65
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LX
{{center| INTRODUÇÃO}}
agora maometanizando e cristianizando<ref>«Noted especially for their cannibal institutions». ''Hobson-Jobson''. «In ejus
insulae, quam dicunt Bathek, parte, anthropophagi habitant... capita humana in
thesauris habent, quae ex hostibus captis abscissa, esis carnibus recondunt,
iisque utuntur pro nummis». Nicolo Conti (1430), De ''Varietate Fortunae''.
«Chamão '''Bátas''', os quais comem carne humana, gente mais agreste e guerreira
de toda a terra. João de Barros, Déc. III, v, 1.</ref>. Possui literatura em prosa
e verso e alfabeto próprio, sendo a escrita feita de baixo para cima
e da esquerda para a direita.
Cust menciona três dialectos: dáiri, toba e mandailung. Joustra
acrescenta karo, sem fornecer muitas informações.
A influência do português nesta língua, que uns aproximam do
antigo javanês e outros do malaio, não é muito grande e parece ter
sido quási toda exercida por via do malaio, pôsto que os portugueses
tivessem tido com o país trato comercial e relações políticas<ref>Vid. Fernão Pinto, capp. xIII e segg.</ref>. Os vo-
cábulos que registo como de batta pertencem própriamente ao dialecto
karo, conforme o dicionário de Joustra.
{{center| § 33. — SUNDANÊS<ref>Vid. em especial Rigg, A ''Dictionary of the Sunda Language'</ref>'.}}
A língua de Sunda, parte ocidental de Java, é provávelmente a
primitiva da ilha inteira e pertence ao grupo javanês. Não tem lite-
ratura antiga. Emprega na escrita caracteres javaneses, mas em me-
nor número, e igualmente os romanos. Aproximando-se, pela sua po-
sição geográfica e pela forma dos vocábulos, mais do malaio que do
javanês, inscrevo-o antes dêste último.
A influência do português no seu vocabulário, que é mais verná-
culo do que o das línguas congéneres, é directa e indirecta, como no
javanês. Havia em Sunda uma numerosa colónia portuguesa, de que
Fernão Pinto e outros escritores fazem muitas vezes menção.
{{center| § 34. — JAVANES}}
«Sob o ponto de vista glotológico, a língua javanesa é sem dúvida
a mais importante de todas as línguas malaio-polinésias. É falada por
muitos milhões de homens, pertencentes a uma tríbu, que entre os
povos do Arquipélago ocupa inquestionávelmente o primeiro lugar em<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
0qkrzzn1fb7k2rxjpcjqjem2q4y0amb
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lx}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>agora maometanizando e cristianizando<ref>«Noted especially for their cannibal institutions». ''Hobson-Jobson''. «In ejus
insulae, quam dicunt Bathek, parte, anthropophagi habitant... capita humana in
thesauris habent, quae ex hostibus captis abscissa, esis carnibus recondunt,
iisque utuntur pro nummis». Nicolo Conti (1430), De ''Varietate Fortunae''.
«Chamão '''Bátas''', os quais comem carne humana, gente mais agreste e guerreira
de toda a terra. João de Barros, Déc. III, v, 1.</ref>. Possui literatura em prosa
e verso e alfabeto próprio, sendo a escrita feita de baixo para cima
e da esquerda para a direita.
Cust menciona três dialectos: dáiri, toba e mandailung. Joustra
acrescenta karo, sem fornecer muitas informações.
A influência do português nesta língua, que uns aproximam do
antigo javanês e outros do malaio, não é muito grande e parece ter
sido quási toda exercida por via do malaio, pôsto que os portugueses
tivessem tido com o país trato comercial e relações políticas<ref>Vid. Fernão Pinto, capp. xIII e segg.</ref>. Os vo-
cábulos que registo como de batta pertencem própriamente ao dialecto
karo, conforme o dicionário de Joustra.
{{center| § 33. — SUNDANÊS<ref>Vid. em especial Rigg, A ''Dictionary of the Sunda Language'</ref>'.}}
A língua de Sunda, parte ocidental de Java, é provávelmente a
primitiva da ilha inteira e pertence ao grupo javanês. Não tem lite-
ratura antiga. Emprega na escrita caracteres javaneses, mas em me-
nor número, e igualmente os romanos. Aproximando-se, pela sua po-
sição geográfica e pela forma dos vocábulos, mais do malaio que do
javanês, inscrevo-o antes dêste último.
A influência do português no seu vocabulário, que é mais verná-
culo do que o das línguas congéneres, é directa e indirecta, como no
javanês. Havia em Sunda uma numerosa colónia portuguesa, de que
Fernão Pinto e outros escritores fazem muitas vezes menção.
{{center| § 34. — JAVANES}}
«Sob o ponto de vista glotológico, a língua javanesa é sem dúvida
a mais importante de todas as línguas malaio-polinésias. É falada por
muitos milhões de homens, pertencentes a uma tríbu, que entre os
povos do Arquipélago ocupa inquestionávelmente o primeiro lugar em<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
bler31akqr03hp89xc56upd71fy5hmh
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/67
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXII
{{center| INTRODUÇÃO}}
que o sundanês e o madurês. Escreve-se geralmente em olas ou folhas
de palmeira com caracteres javaneses. O seu vocabulário acusa in-
gredientes do sânscrito pelo kavi (língua poética de Java), do javanês
e do malaio. As classes inferiores falam um dialecto mais vernáculo,
isento de exotismos.
Encontram-se mui poucos termos portugueses nos dicionários pu-
blicados pelos holandeses, que dominam na ilha, e êsses mesmos são
de transmissão mediata. Mas é provável que haja mais.
{{center| § 37.― DAYAK}}
Dayak ou dyak é a principal das doze línguas da vasta ilha de
Bornéu. É também o nome genérico da população puramente indí-
gena, que é pagã. Nas costas há elementos étnicos malaios, javane-
ses, búguis e chineses. O idioma é inculto, nem tem literatura nem
alfabeto.
Os portugueses tiveram uma feitoria em Bornéu (1590-1643). Os
vocábulos portugueses, porêm, que aparecem no dayak, parece te-
rem-se introduzido mormente por via do malaio e doutras línguas
congéneres, e atento o meio de transmissão e o grau de civilização,
não deixa de ser notável o número dêsses vocábulos.
{{center| § 38.-MAKASSARES<ref>Vid. Matthes, ''Makassarsch-Hollandseh Woordenboek''.</ref>}}
O makassarês (ou macaçarês) tem a sua vivenda na parte meri-
dional da ilha de Celebes, do mesmo nome, e pertence a um grupo
especial<ref>«According to Crawfurd this name (Celebes) is unknown to the natives, not
only of the great island itself but of the Archipelago generally, and must have
arisen from some Portuguese misunderstanding or corruption». ''Hobson-Jobson''.
Fernão Pinto chama-lhe «Ilha dos Selebres».</ref>. É culto, tem literatura, e possui caracteres próprios, clas-
sificados conforme o alfabeto devanagárico.
No seu léxico entram muitos termos malaios, javaneses, sundane-
ses, chineses e árabes. É assim pelo malaio e pelo javanês, como pela
influência directa, especialmente religiosa<ref>Vid. Diogo do Couto, Déc. V, VII, 2.</ref>, muito intensa, que se lhe
transmitiram os vocábulos portugueses<ref>Não se sabe quando e por quem foram introduzidos os termos portu-</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxii}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>que o sundanês e o madurês. Escreve-se geralmente em olas ou folhas
de palmeira com caracteres javaneses. O seu vocabulário acusa in-
gredientes do sânscrito pelo kavi (língua poética de Java), do javanês
e do malaio. As classes inferiores falam um dialecto mais vernáculo,
isento de exotismos.
Encontram-se mui poucos termos portugueses nos dicionários pu-
blicados pelos holandeses, que dominam na ilha, e êsses mesmos são
de transmissão mediata. Mas é provável que haja mais.
{{center| § 37.― DAYAK}}
Dayak ou dyak é a principal das doze línguas da vasta ilha de
Bornéu. É também o nome genérico da população puramente indí-
gena, que é pagã. Nas costas há elementos étnicos malaios, javane-
ses, búguis e chineses. O idioma é inculto, nem tem literatura nem
alfabeto.
Os portugueses tiveram uma feitoria em Bornéu (1590-1643). Os
vocábulos portugueses, porêm, que aparecem no dayak, parece te-
rem-se introduzido mormente por via do malaio e doutras línguas
congéneres, e atento o meio de transmissão e o grau de civilização,
não deixa de ser notável o número dêsses vocábulos.
{{center| § 38.-MAKASSARES<ref>Vid. Matthes, ''Makassarsch-Hollandseh Woordenboek''.</ref>}}
O makassarês (ou macaçarês) tem a sua vivenda na parte meri-
dional da ilha de Celebes, do mesmo nome, e pertence a um grupo
especial<ref>«According to Crawfurd this name (Celebes) is unknown to the natives, not
only of the great island itself but of the Archipelago generally, and must have
arisen from some Portuguese misunderstanding or corruption». ''Hobson-Jobson''.
Fernão Pinto chama-lhe «Ilha dos Selebres».</ref>. É culto, tem literatura, e possui caracteres próprios, clas-
sificados conforme o alfabeto devanagárico.
No seu léxico entram muitos termos malaios, javaneses, sundane-
ses, chineses e árabes. É assim pelo malaio e pelo javanês, como pela
influência directa, especialmente religiosa<ref>Vid. Diogo do Couto, Déc. V, VII, 2.</ref>, muito intensa, que se lhe
transmitiram os vocábulos portugueses<ref>Não se sabe quando e por quem foram introduzidos os termos portu-</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/68
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXIII
{{center| INTRODUÇÃO}}
{{center| § 39. — BÚGUIA<ref>Vid. Matthes, ''Boegincesch-Hollandsch Woordenboek''.</ref>}}
Búgui ou vúgui (''bugi'' ou ''wugi'') é outra língua importante de Cele-
bes, muito parecida com o makassarês, a qual, segundo Cust, exer-
ceu grande influência nas das outras ilhas. Tem copioso vocabulário,
em que entram muitas vozes arábicas pelo maometismo, e vasta lite-
ratura moderna e alguma antiga, e uma linguagem arcaica. O seu
alfabeto é o mesmo que o de makassarês.
A influência do vocabulário português no búgui deve ter sido
directa e indirecta, como no makassarês. A grande quantidade de
termos desta procedência, alguns dos quais se não encontram nas
outras línguas malaio-polinésias, bem mostra que foi muito extenso e
fundo o influxo da civilização portuguesa.
''Nota''. — Há muitas outras línguas pertencentes a diversos grupos
do arquipélago, mas não possuo elementos de estudo para a sua aná-
lise. Pode-se porêm conjecturar, pelas congéneres que fazem parte
dêste trabalho, que também nelas, não sendo bárbaras e segregadas
do convívio, se terão infiltrado diversas palavras portuguesas, espe-
cialmente as mais generalizadas e as que não teem equivalentes ver-
náculos.
{{center| § 40. — NICOBARÉS}}
O nicobarês, língua das ilhas de Nicobar, é relacionado na sua
estrutura actual com a família malaio-polinésia, mas tem por base
outra língua, ora extinta. Com respeito a essa língua antiga, diz o
Sr. Grierson: «Deve-se admitir que há no fundo das línguas mundas
faladas pelos coles, das línguas dos mon-khmeres e das dos nicoba-
reses e dos «urangutangs», um substracto comum, que, no caso, pelo
menos, dos mon-khmeres e dos nicobareses, conquanto manifeste
claros vestígios da sua existência, foi sobreposto por uma língua per-
tencente a uma família de fala inteiramente diferente».
O nicobarês é inculto, sem alfabeto próprio; mas tem muitos dia-
lectos, que se distinguem conforme as ilhas habitadas.
Os portugueses teriam freqùentemente tocado nestas ilhas nas suas
gueses do jôgo de voltarete, os quais não ocorrem senão nesta língua e na
bugui.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxiii}}}}</noinclude>{{center| § 39. — BÚGUIA<ref>Vid. Matthes, ''Boegincesch-Hollandsch Woordenboek''.</ref>}}
Búgui ou vúgui (''bugi'' ou ''wugi'') é outra língua importante de Cele-
bes, muito parecida com o makassarês, a qual, segundo Cust, exer-
ceu grande influência nas das outras ilhas. Tem copioso vocabulário,
em que entram muitas vozes arábicas pelo maometismo, e vasta lite-
ratura moderna e alguma antiga, e uma linguagem arcaica. O seu
alfabeto é o mesmo que o de makassarês.
A influência do vocabulário português no búgui deve ter sido
directa e indirecta, como no makassarês. A grande quantidade de
termos desta procedência, alguns dos quais se não encontram nas
outras línguas malaio-polinésias, bem mostra que foi muito extenso e
fundo o influxo da civilização portuguesa.
''Nota''. — Há muitas outras línguas pertencentes a diversos grupos
do arquipélago, mas não possuo elementos de estudo para a sua aná-
lise. Pode-se porêm conjecturar, pelas congéneres que fazem parte
dêste trabalho, que também nelas, não sendo bárbaras e segregadas
do convívio, se terão infiltrado diversas palavras portuguesas, espe-
cialmente as mais generalizadas e as que não teem equivalentes ver-
náculos.
{{center| § 40. — NICOBARÉS}}
O nicobarês, língua das ilhas de Nicobar, é relacionado na sua
estrutura actual com a família malaio-polinésia, mas tem por base
outra língua, ora extinta. Com respeito a essa língua antiga, diz o
Sr. Grierson: «Deve-se admitir que há no fundo das línguas mundas
faladas pelos coles, das línguas dos mon-khmeres e das dos nicoba-
reses e dos «urangutangs», um substracto comum, que, no caso, pelo
menos, dos mon-khmeres e dos nicobareses, conquanto manifeste
claros vestígios da sua existência, foi sobreposto por uma língua per-
tencente a uma família de fala inteiramente diferente».
O nicobarês é inculto, sem alfabeto próprio; mas tem muitos dia-
lectos, que se distinguem conforme as ilhas habitadas.
Os portugueses teriam freqùentemente tocado nestas ilhas nas suas
gueses do jôgo de voltarete, os quais não ocorrem senão nesta língua e na
bugui.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/66
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXI
{{center| INTRODUÇÃO}}
desenvolvimento e em civilização. Esta língua, que se estende ao cen-
tro da ilha de Java, bem como à parte leste, distingue-se pela riqueza
do seu vocabulário e das suas formas, assim como pela riqueza da
sua literatura». Heyligers.
Há três dialectos principais: alto-javanês, -dialecto cerimonial;
baixo-javanês, - dialecto popular; médio-javanês, - dialecto familiar.
Existe a mais uma língua poética, denominada ''kavi'', impregnada de
sanscritismos. O vocabulário tem os mesmos elementos peregrinos
que o malaio. O alfabeto é derivado do índico, mas muito modificado
e complicado.
Se bem que os portugueses não tivessem conquistado a ilha, visita-
ram, contudo, freqùentemente os seus portos, e mantiveram relações
comerciais e por vezes políticas. É por êste meio e pela comunicação
doutras línguas, mormente do baixo malaio, que se introduziram no
javanês palavras portuguesas. Algumas dessas passam por evolução
especial no ''krama'' ou alto-javanês, em harmonia com a índole do dia-
lecto.
{{center| § 35. - MADURÊS}}
O madurês é a língua indígena da ilha de Madura e dos imigrantes
estabelecidos, há séculos, na parte oriental de Java. É falado por
milhão e meio de indivíduos e escrito em caracteres javaneses. É de
construção mais simples, mas de enunciação difícil e áspera. Tem um
dialecto chamado Sumanap, alêm de formas peculiares de linguagem
coloquial.
Parece que os portugueses não tiveram grande trato com a ilha, e
que a inserção dos vocábulos portugueses na sua língua se deve
principalmente atribuir ao javanês e ao baixo malaio. Ainda assim,
é considerável o número dos que nela figuram e que geralmente se-
guem a forma javanesa.
{{center| § 36. - BALINES<ref>Vid. R. Van Eck, ''Eerste Proeve van een Balineesch-Hollandsch Woordenboek''.</ref>}}
O balinês é a única língua da ilha de Báli, falada por uma popu-
lação de quinhentos mil, que professa o hinduísmo e o budismo, im-
portados de Java e muito deturpados. Segundo Cust, é mais polido<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxi}}}}</noinclude>desenvolvimento e em civilização. Esta língua, que se estende ao cen-
tro da ilha de Java, bem como à parte leste, distingue-se pela riqueza
do seu vocabulário e das suas formas, assim como pela riqueza da
sua literatura». Heyligers.
Há três dialectos principais: alto-javanês, -dialecto cerimonial;
baixo-javanês, - dialecto popular; médio-javanês, - dialecto familiar.
Existe a mais uma língua poética, denominada ''kavi'', impregnada de
sanscritismos. O vocabulário tem os mesmos elementos peregrinos
que o malaio. O alfabeto é derivado do índico, mas muito modificado
e complicado.
Se bem que os portugueses não tivessem conquistado a ilha, visita-
ram, contudo, freqùentemente os seus portos, e mantiveram relações
comerciais e por vezes políticas. É por êste meio e pela comunicação
doutras línguas, mormente do baixo malaio, que se introduziram no
javanês palavras portuguesas. Algumas dessas passam por evolução
especial no ''krama'' ou alto-javanês, em harmonia com a índole do dia-
lecto.
{{center| § 35. - MADURÊS}}
O madurês é a língua indígena da ilha de Madura e dos imigrantes
estabelecidos, há séculos, na parte oriental de Java. É falado por
milhão e meio de indivíduos e escrito em caracteres javaneses. É de
construção mais simples, mas de enunciação difícil e áspera. Tem um
dialecto chamado Sumanap, alêm de formas peculiares de linguagem
coloquial.
Parece que os portugueses não tiveram grande trato com a ilha, e
que a inserção dos vocábulos portugueses na sua língua se deve
principalmente atribuir ao javanês e ao baixo malaio. Ainda assim,
é considerável o número dos que nela figuram e que geralmente se-
guem a forma javanesa.
{{center| § 36. - BALINES<ref>Vid. R. Van Eck, ''Eerste Proeve van een Balineesch-Hollandsch Woordenboek''.</ref>}}
O balinês é a única língua da ilha de Báli, falada por uma popu-
lação de quinhentos mil, que professa o hinduísmo e o budismo, im-
portados de Java e muito deturpados. Segundo Cust, é mais polido<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/39
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxiv}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>ou interpretam-nas por descrições, que a linguagem falada repudia.
Quando indicam a etimologia, e raros são os que o fazem, como não
conhecem, na maioria, o português, seguem a tradição ou o exemplo,
e atribuem-lhe o que não é seu ou, ao contrário,, socorrem-se doutra
língua indígena<ref> Há tambêm entre os que se julgam sabedores quem assevere que, excepto
''tôpo'', ''câmara'', ''fita'', «e poucas outras palavras, o predomínio português na Índia
poucos vestígios linguísticos deixou». ''Blackwood's Edinbourgh Magazine'', citado
por Schuchardt.</ref>.
Em certos casos há grave dificuldade em discernir se o português
com efeito deu ou, antes, recebeu certos vocábulos, como, por exem-
plo, ''pires'', ''gago'', ''canga'', ''bafo''; se o português ou o inglês é a fonte
real, como em ''biscoito'', ''botelha'', ''batata'', ''estala''; se algumas palavras
eram já conhecidas antes dos descobrimentos e conquistas dos portu-
gueses, como ''tabaco'', ''arratel'', ''chá'', ''café''; se certos termos são de facto
paralelos, às vezes com ligeiras variantes do sentido, como ''chapa'',
''tanque'', ''varanda''<ref> «As derivações dos nomes sam mui más de acertar nas próprias regiões onde
nacemos, e onde sabemos também as linguoas; que fará nas estranhas, onde es-
cassamente sabemos hum vocábulo, quanto mais a derivaçam delle». Garcia da
Orta, ''Coloquios dos Simples e Drogas da India'', LVII.</ref>.<section end=int11 />
<section begin=int12 />{{center| XII. — '''Organização do vocabulário''' }}
Entre os termos portugueses de que se compõe o vocabulário, há
uns, cuja qualidade de étimo é evidente ou quási certa; há outros,
cuja proveniência nos idiomas indígenas é duvidosa ou improvável;
há, finalmente, uns poucos, que com certeza ou com muita probabi-
lidade não são a fonte dos vocábulos asiáticos.
Marco os da segunda categoria com um ponto de interrogação,
pôsto no comêço, se a dúvida abrange todas as línguas mencionadas,
ou anteposto a uma ou mais destas, se a incerteza se limita só a elas.
E assinalo com um asterisco os da terceira classe, indicando o motivo
da sua inclusão no catálogo e as razões da sua rejeição como étimos,
para que não pareça que os omiti por desconhecê-los.
Há algumas palavras que não são genuinamente portuguesas, e
por isso não transitaram do Continente; mas pertencem a uma língua
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
r1uz13gyqu22zvxxt8le4qye72garhl
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2026-09-18T13:20:48Z
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxiv}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>ou interpretam-nas por descrições, que a linguagem falada repudia.
Quando indicam a etimologia, e raros são os que o fazem, como não
conhecem, na maioria, o português, seguem a tradição ou o exemplo,
e atribuem-lhe o que não é seu ou, ao contrário,, socorrem-se doutra
língua indígena<ref> Há tambêm entre os que se julgam sabedores quem assevere que, excepto
''tôpo'', ''câmara'', ''fita'', «e poucas outras palavras, o predomínio português na Índia
poucos vestígios linguísticos deixou». ''Blackwood's Edinbourgh Magazine'', citado
por Schuchardt.</ref>.
Em certos casos há grave dificuldade em discernir se o português
com efeito deu ou, antes, recebeu certos vocábulos, como, por exem-
plo, ''pires'', ''gago'', ''canga'', ''bafo''; se o português ou o inglês é a fonte
real, como em ''biscoito'', ''botelha'', ''batata'', ''estala''; se algumas palavras
eram já conhecidas antes dos descobrimentos e conquistas dos portu-
gueses, como ''tabaco'', ''arratel'', ''chá'', ''café''; se certos termos são de facto
paralelos, às vezes com ligeiras variantes do sentido, como ''chapa'',
''tanque'', ''varanda''<ref> «As derivações dos nomes sam mui más de acertar nas próprias regiões onde
nacemos, e onde sabemos também as linguoas; que fará nas estranhas, onde es-
cassamente sabemos hum vocábulo, quanto mais a derivaçam delle». Garcia da
Orta, ''Coloquios dos Simples e Drogas da India'', LVII.</ref>.<section end=int11 />
<section begin=int12 />{{center| XII. — '''Organização do vocabulário''' }}
Entre os termos portugueses de que se compõe o vocabulário, há
uns, cuja qualidade de étimo é evidente ou quási certa; há outros,
cuja proveniência nos idiomas indígenas é duvidosa ou improvável;
há, finalmente, uns poucos, que com certeza ou com muita probabi-
lidade não são a fonte dos vocábulos asiáticos.
Marco os da segunda categoria com um ponto de interrogação,
pôsto no comêço, se a dúvida abrange todas as línguas mencionadas,
ou anteposto a uma ou mais destas, se a incerteza se limita só a elas.
E assinalo com um asterisco os da terceira classe, indicando o motivo
da sua inclusão no catálogo e as razões da sua rejeição como étimos,
para que não pareça que os omiti por desconhecê-los.
Há algumas palavras que não são genuinamente portuguesas, e
por isso não transitaram do Continente; mas pertencem a uma língua<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/69
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXIV
{{center| INTRODUÇÃO}}
navegações da Índia e de Ceilão para Malaca, e ter-lhes-iam transmi-
tido muitas palavras suas, como ''rei'', ''chumbo'', ''sal'', ''lebre'', ''cabra'', que
se não encontram nas outras línguas<ref>«Achão-se cinco ou seis ilhas, que tem muy boas agoas e pousos para nãos,
pouoadas de Gentios proues, as quais se chamaom Nacabar». Duarte Barbosa,
p. 374. «O qual Francisco de Almeida indo da India para lá (Samatra), faleceu
de febres nas Ilhas de Nicubar». Fernão Pinto, cap. xx. «Tornando a D. Paulo
de Lima (que tinha ficado nas calmarias entre as ilhas de Nicobar)». Fr. João
dos Santos, II, p. 210.</ref>. As outras que aparecem no
vocabulário nicobarês devem ter entrado, em grande parte, por via
do malaio. Houve tambêm missões católicas nas ilhas no século XVII.
{{center| § 41.- TETO<ref>Vid. Aparicio da Silva, ''Diccionario de Portuguez-tetum''. Rafael das Dores, ''Diccionario Teto-português''. Dr. Alberto Osório de Castro, ''Flores de Coral'', s. v. ''Timor''.
</ref>}}
A colónia portuguesa de Timor tem um milhão de população indí-
gena, composta de malaios adventícios e de negritos aborígenes. Fa-
lam-se no território cinco línguas ou dialectos principais, muito apa-
rentados e com variantes locais: tétum, galóli, uaimá, macaçáe e
midic<ref>Vid. Dr. Castro, ''op. cit''., p. 189.</ref>.
O tétum ou teto é o mais generalizado da ilha<ref>É falado em Dili, Viqueque, Luca, Lacluta, Alas, Suai, Monofahi, Berique,
Dotic, Bibiçuçu, Samoro, Batugadi, Sanir, Balibó, Cova, Joanilo, Silacan e Fia-
laran.
«O Tétum é quasi uma lingoa-franca do territorio, como o é o ''galóli'' entre os
povos do littoral a Leste de Dilli». Dr. Castro, p. 189.</ref>. É inculto, não tem
alfabeto nem escrita. A fala de Dili, sede do govêrno, difere das do
interior assim no vocabulário, como na morfologia e na sintaxe<ref>«O dialecto que se falla em Delly, que é ''teto'' ou ''tetum'', & comprehendido em
toda a ilha; todavia o teto que se falla em Lachuta e noutras partes diverge
muito d'aquelle dialecto. José dos Santos Vaquinhas, ''Timor'', in Bol. S. G. L.,
4.° sér., p. 276.</ref>.
Sendo Timor uma possessão portuguesa e teto um idioma muito
pobre, é óbvio que o seu vocabulário está inçado de termos portugue-
ses, mais ou menos vulgarizados, conforme o maior ou menor contacto
dos seus povos com a civilização europeia. Não reproduzo no voca-
bulário todas as palavras portuguesas consignadas nos dicionários do<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
438awd4edcah6cqjlim3vakpfgezsqy
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Junglk
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563201
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxiv}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>navegações da Índia e de Ceilão para Malaca, e ter-lhes-iam transmi-
tido muitas palavras suas, como ''rei'', ''chumbo'', ''sal'', ''lebre'', ''cabra'', que
se não encontram nas outras línguas<ref>«Achão-se cinco ou seis ilhas, que tem muy boas agoas e pousos para nãos,
pouoadas de Gentios proues, as quais se chamaom Nacabar». Duarte Barbosa,
p. 374. «O qual Francisco de Almeida indo da India para lá (Samatra), faleceu
de febres nas Ilhas de Nicubar». Fernão Pinto, cap. xx. «Tornando a D. Paulo
de Lima (que tinha ficado nas calmarias entre as ilhas de Nicobar)». Fr. João
dos Santos, II, p. 210.</ref>. As outras que aparecem no
vocabulário nicobarês devem ter entrado, em grande parte, por via
do malaio. Houve tambêm missões católicas nas ilhas no século XVII.
{{center| § 41.- TETO<ref>Vid. Aparicio da Silva, ''Diccionario de Portuguez-tetum''. Rafael das Dores, ''Diccionario Teto-português''. Dr. Alberto Osório de Castro, ''Flores de Coral'', s. v. ''Timor''.
</ref>}}
A colónia portuguesa de Timor tem um milhão de população indí-
gena, composta de malaios adventícios e de negritos aborígenes. Fa-
lam-se no território cinco línguas ou dialectos principais, muito apa-
rentados e com variantes locais: tétum, galóli, uaimá, macaçáe e
midic<ref>Vid. Dr. Castro, ''op. cit''., p. 189.</ref>.
O tétum ou teto é o mais generalizado da ilha<ref>É falado em Dili, Viqueque, Luca, Lacluta, Alas, Suai, Monofahi, Berique,
Dotic, Bibiçuçu, Samoro, Batugadi, Sanir, Balibó, Cova, Joanilo, Silacan e Fia-
laran.
«O Tétum é quasi uma lingoa-franca do territorio, como o é o ''galóli'' entre os
povos do littoral a Leste de Dilli». Dr. Castro, p. 189.</ref>. É inculto, não tem
alfabeto nem escrita. A fala de Dili, sede do govêrno, difere das do
interior assim no vocabulário, como na morfologia e na sintaxe<ref>«O dialecto que se falla em Delly, que é ''teto'' ou ''tetum'', & comprehendido em
toda a ilha; todavia o teto que se falla em Lachuta e noutras partes diverge
muito d'aquelle dialecto. José dos Santos Vaquinhas, ''Timor'', in Bol. S. G. L.,
4.° sér., p. 276.</ref>.
Sendo Timor uma possessão portuguesa e teto um idioma muito
pobre, é óbvio que o seu vocabulário está inçado de termos portugue-
ses, mais ou menos vulgarizados, conforme o maior ou menor contacto
dos seus povos com a civilização europeia. Não reproduzo no voca-
bulário todas as palavras portuguesas consignadas nos dicionários do<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
t9wp3ytvgob2jwkgp2madao7yj5m34x
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxv}}}}</noinclude>ou família asiática. Como porêm formam parte do vocabulário do
ásio-português e foram adoptadas e disseminadas pelos portugueses,
julguei que tinham cabimento no meu trabalho, feita a devida reserva.
Dou diversos derivados e compostos, nas línguas indígenas, de
vozes portuguesas de maior importância, como argumento da sua
vulgarização. E indico em alguns casos a área onde o termo voga ou
a classe de gente que o emprega.
Reproduzo com frequência os termos vernáculos mais ou menos
correspondentes aos portugueses, para mostrar que não foi a sua
absoluta carência que actuou na adopção do vocábulo peregrino. Mas
não estendi muito o processo, que, alêm de prolixo, seria demasiado
laborioso.
Os termos vernáculos, dados como equivalentes aos portugueses e
comuns às línguas duma família, estão na forma que teem: em
concani, sendo neo-áricos; em tamul, sendo dravídicos; em malaio,
pertencendo ao grupo malaio.
Na inscrição das línguas asiáticas podia eu seguir uma das duas
ordens, geográfica ou genealógica, que nem sempre coincidem. Preferi
a genealógica e a da afinidade, observando possívelmente a continui-
dade geográfica; porque assim se apreciam melhor as formas que o
vocábulo português assume em idiomas similares. Principiei pelo
campo neo-árico, tomando por ponto de partida o concani, percorri
em seguida a área dravídica, e passei depois a outras famílias, gru-
pos e línguas desaparentadas.
Coligi em um índice geral todos os vocábulos portugueses introdu-
zidos em qualquer das línguas que formam o objecto do meu estudo,
e notei em itálico os que não fazem parte do vocabulário. Por êle se
verão com muita facilidade o número e a natureza dos termos adop-
tados.
Para que se conheçam dum relance as palavras portuguesas que
penetraram em pada uma das línguas, elaborei listas especiais, em
que incluí as vozes portuguesas que, por serem privativas do concani,
ou do teto e galóli, omiti do corpo do vocabulário.
Os vocábulos portugueses ou presumidos portugueses, que registo
em determinadas línguas asiáticas, são quási todos conhecidos, de
sciência certa, como realmente usadas em cada uma delas. Por meras
conjecturas ou ilações, poderia aumentar muito o seu número em
idiomas aparentados.<section end=int12 /><noinclude></noinclude>
i84mmy3k7gmt15qyodzu3m78pi8v3yq
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxvi}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude><section begin=int13 />{{center| XIII. — '''Noções individuais das línguas''' <ref> Vid. ''Mappa Dialectologico do continente português'', por J. Leite de Vascon-
cellos, precedido de uma classificação summária das línguas por A. R. Gonçalves
Vianna. Latham, ''Elements of Comparative Philology''. Gustav Oppert, ''On the Class-''
''ification of Languages''. Sir Erskine Perry, ''Memoria sobre a distribuição geogra-''
''phica das principaes línguas da India'', na Introdução à gramática da língua con-
cani pelo Padre Thomás Estevão. H. H. Wilson, ''A Glossary of Judicial and''
''Revenue Terms'', prefácio. Robert Cust, ''A Sketch of the Modem Languages of the''
''East Indies''. Jolm Beames, ''op. cit.'', e ''Outlines of Indian Philology''. Caldwell, ''op.''
''cit.'' George Grierson, ''Linguistic Survey of India''; ''The Languages of India, and
the Census''.</ref>}}
Dou neste capítulo noções sucintas de cada uma das línguas que
fazem o objecto do meu estudo, pela ordem por que entram no voca-
bulário. Alêm da filiação e da natureza, indico a área, a população,
os dialectos, os alfabetos, a antiguidade da literatura, etc. Indico
tambêm os meios de transmissão dos vocábulos portugueses. Aponto
os autores que tratam do assunto com relação a cada língua.
{{center| § 1. — CONCANI<ref> Vid. Sebastião Rodolfo Dalgado, ''Dicionário Konkani-português'' (Introdução).
Cunha Rivara, ''Ensaio Histórico da Lingua Concani'', na ''Gramatiça'' do Padre To-
más Estevão. Gerson de Cunha, ''The Konkani Language and Literature''. Angelus
Maffei, ''An English-Konkani Dictionary''. ''Dicionario Portuguez-concani'', por um
missionário italiano. Ramchandra Gunjikar, ''Sarasvatī-mandala''.</ref>}}
O konkani ou concani, chamado outrora, imprópriamente, pelos
portugueses, ''lingua canarina'' ou ''canarim''<ref> «Hũa cumprida e estreita faixa de terra, chamão elles Concan, e aos pouos
propriamente '''Conquenijs''', posto que os nossos lhe chamão '''Canarijs'''», João de Bar-
ros, Déc. I, ix, 1. «Foi assim em português como em '''lingoa Canarij''' da terra (Goa)
mandou lançar pregão». ''Id.'', Déc. II, v, 3.</ref> e ''brâmana'', é o represen-tante mais meridional da família árica na Índia. É falado, segundo o
cálculo do Dr. Gerson da Cunha, por cêrca de doís milhões em uma
área de sete mil milhas. Tem a sua vivenda primordial em Goa,
sendo por isso, e para se evitar confusão com um dialecto marata,
denominado pelos filólogos modernos ''gomantakí'', de Gomanta, nome
antigo de Goa.
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxvi}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude><section begin=int13 />{{center| XIII. — '''Noções individuais das línguas''' <ref> Vid. ''Mappa Dialectologico do continente português'', por J. Leite de Vascon-
cellos, precedido de uma classificação summária das línguas por A. R. Gonçalves
Vianna. Latham, ''Elements of Comparative Philology''. Gustav Oppert, ''On the Class-''
''ification of Languages''. Sir Erskine Perry, ''Memoria sobre a distribuição geogra-''
''phica das principaes línguas da India'', na Introdução à gramática da língua con-
cani pelo Padre Thomás Estevão. H. H. Wilson, ''A Glossary of Judicial and''
''Revenue Terms'', prefácio. Robert Cust, ''A Sketch of the Modem Languages of the''
''East Indies''. Jolm Beames, ''op. cit.'', e ''Outlines of Indian Philology''. Caldwell, ''op.''
''cit.'' George Grierson, ''Linguistic Survey of India''; ''The Languages of India, and
the Census''.</ref>}}
Dou neste capítulo noções sucintas de cada uma das línguas que
fazem o objecto do meu estudo, pela ordem por que entram no voca-
bulário. Alêm da filiação e da natureza, indico a área, a população,
os dialectos, os alfabetos, a antiguidade da literatura, etc. Indico
tambêm os meios de transmissão dos vocábulos portugueses. Aponto
os autores que tratam do assunto com relação a cada língua.
{{center| § 1. — CONCANI<ref> Vid. Sebastião Rodolfo Dalgado, ''Dicionário Konkani-português'' (Introdução).
Cunha Rivara, ''Ensaio Histórico da Lingua Concani'', na ''Gramatiça'' do Padre To-
más Estevão. Gerson de Cunha, ''The Konkani Language and Literature''. Angelus
Maffei, ''An English-Konkani Dictionary''. ''Dicionario Portuguez-concani'', por um
missionário italiano. Ramchandra Gunjikar, ''Sarasvatī-mandala''.</ref>}}
O konkani ou concani, chamado outrora, imprópriamente, pelos
portugueses, ''lingua canarina'' ou ''canarim''<ref> «Hũa cumprida e estreita faixa de terra, chamão elles Concan, e aos pouos
propriamente '''Conquenijs''', posto que os nossos lhe chamão '''Canarijs'''», João de Bar-
ros, Déc. I, ix, 1. «Foi assim em português como em '''lingoa Canarij''' da terra (Goa)
mandou lançar pregão». ''Id.'', Déc. II, v, 3.</ref> e ''brâmana'', é o represen-tante mais meridional da família árica na Índia. É falado, segundo o
cálculo do Dr. Gerson da Cunha, por cêrca de doís milhões em uma
área de sete mil milhas. Tem a sua vivenda primordial em Goa,
sendo por isso, e para se evitar confusão com um dialecto marata,
denominado pelos filólogos modernos ''gomantakí'', de Gomanta, nome
antigo de Goa.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXV
{{center| INTRODUÇÃO}}
teto e do galóli, muitas das quais são evidentemente dadas para su-
prir a falta de correspondentes vernáculos; mas incluo-as nos seus
respectivos índices.
{{center| § 42. - GALÓLI<ref>Vid. Padre Alves da Silva, ''Noções da Grammatica Galóli''; ''Diccionario Por-
tuguez-galóli''.</ref>}}
O galóli é outra língua ou dialecto principal de Timor. A seu res-
peito diz o Padre Silva: «Dialecto mais usado e commum das chris-
tandades do nordeste de Timor, que constitue a parte de Malesia mais
obediente e fiel á coroa portuguesa... Com o galóli igualmente se no-
tam essas alterações, ainda que menos sensiveis; e assim este dialecto
falado em Manatuto, se bem que compreendido em Laleia e Vemasse,
apresenta comtudo certas variantes, que se observam até em Lacló,
apesar d'este reino distar d'aquelle apenas duas horas de caminho».
A influência do português nesta língua é análoga à que se exerce
no teto. No seu dicionário notam-se menos palavras portuguesas<ref>Não ha nenhuns elementos para o estudo de uaimá, macaçáe e midic.</ref>.
{{center| § 43.- MALGACHE<ref>Vid. Malzac, ''Dictionnaire Français-malgache''. Marre, ''Vocabulaire des mots
d'origine européenne'', etc.</ref>}}
Pela sua posição geográfica, a ilha de Madagascar, «ilha de S. Lou-
renço dos nossos antigos escritores, pertence à África; mas étnica
e glotológicamente está relacionada com a Ásia<ref>«Os nomes de Madagascar e de S. Lourenço são estrangeiros; que entre os
naturaes até agora não ha achar nome geral a toda a ilha». P. Luis Mariano,
''Relação da jornada e descobrimento da ilha de S. Lourenço'' (1613), in Bol. S. G.
L., 7.a sér., p. 315.</ref>. É por isso que Cust
inclui o malgache (ou malagási), idioma da ilha, no seu estudo das
línguas indianas<ref>Esta ilha de São Lourenço, a que os escritores chamão Madagascar... He
toda esta ilha pouoada de hûas gentes, nem tão pretas como Cafres, nem tão al-
uas como os mouros de toda aquella costa... Presumesse que foi já esta ilha con-
quistada de Jáos, e que são estas gentes mestiços, dantre elles, e os antigos na-
turaes, que devião de ser Cafres da outra banda da terra firme». Diogo do Couto,
Déc. VII, iv, 5.
«Se tem por certo serem estes buques da ilha de S. Lourenço procedidos de
muitos achens (de Samatra) que d'aquella banda de fóra tem dado e dão á costa
n'ella». António Bocarro, Déc. XIII, p. 683.</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxv}}}}</noinclude>teto e do galóli, muitas das quais são evidentemente dadas para su-
prir a falta de correspondentes vernáculos; mas incluo-as nos seus
respectivos índices.
{{center| § 42. - GALÓLI<ref>Vid. Padre Alves da Silva, ''Noções da Grammatica Galóli''; ''Diccionario Por-
tuguez-galóli''.</ref>}}
O galóli é outra língua ou dialecto principal de Timor. A seu res-
peito diz o Padre Silva: «Dialecto mais usado e commum das chris-
tandades do nordeste de Timor, que constitue a parte de Malesia mais
obediente e fiel á coroa portuguesa... Com o galóli igualmente se no-
tam essas alterações, ainda que menos sensiveis; e assim este dialecto
falado em Manatuto, se bem que compreendido em Laleia e Vemasse,
apresenta comtudo certas variantes, que se observam até em Lacló,
apesar d'este reino distar d'aquelle apenas duas horas de caminho».
A influência do português nesta língua é análoga à que se exerce
no teto. No seu dicionário notam-se menos palavras portuguesas<ref>Não ha nenhuns elementos para o estudo de uaimá, macaçáe e midic.</ref>.
{{center| § 43.- MALGACHE<ref>Vid. Malzac, ''Dictionnaire Français-malgache''. Marre, ''Vocabulaire des mots
d'origine européenne'', etc.</ref>}}
Pela sua posição geográfica, a ilha de Madagascar, «ilha de S. Lou-
renço dos nossos antigos escritores, pertence à África; mas étnica
e glotológicamente está relacionada com a Ásia<ref>«Os nomes de Madagascar e de S. Lourenço são estrangeiros; que entre os
naturaes até agora não ha achar nome geral a toda a ilha». P. Luis Mariano,
''Relação da jornada e descobrimento da ilha de S. Lourenço'' (1613), in Bol. S. G.
L., 7.a sér., p. 315.</ref>. É por isso que Cust
inclui o malgache (ou malagási), idioma da ilha, no seu estudo das
línguas indianas<ref>Esta ilha de São Lourenço, a que os escritores chamão Madagascar... He
toda esta ilha pouoada de hûas gentes, nem tão pretas como Cafres, nem tão al-
uas como os mouros de toda aquella costa... Presumesse que foi já esta ilha con-
quistada de Jáos, e que são estas gentes mestiços, dantre elles, e os antigos na-
turaes, que devião de ser Cafres da outra banda da terra firme». Diogo do Couto,
Déc. VII, iv, 5.
«Se tem por certo serem estes buques da ilha de S. Lourenço procedidos de
muitos achens (de Samatra) que d'aquella banda de fóra tem dado e dão á costa
n'ella». António Bocarro, Déc. XIII, p. 683.</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXVI
{{center| INTRODUÇÃO}}
A sua população, que orça em dois milhões e meio, está dividida
em numerosas tríbus, que se distinguem pelas diferenças fisionómicas,
provenientes de maior ou menor mistura do elemento africano com
o malaio, árabe e indiano<ref>O segundo Rey Mouro que reinou em Cambaya, que foi grande conquista-
dor, mandou certas náos á costa de Melinde... vieram a ter á Ilha de São Lou-
renço, e por as nãos não serem pera navegar, ficaram nella, e povoáram alguns
portos. ''Commentarios de Afonso de Albuquerque'', IV, cap. 23.</ref>. Mas todas falam uma língua comum, que
consta de dez dialectos, sendo o hova o principal e geralmente enten-
dido<ref>«A lingua universal, que é buque,... é tão uniforme em toda a ilha que os
naturaes da ponta do S. se entendem com os naturaes da ponta do N., pobre de
vocabulos, porem facil assim para se aprender como para se pronunciar». P. Ma-
riano, ''loc. cit.'', p. 353.</ref>. E não havendo alfabeto próprio, servem-se comummente do ro-
mano.
A afinidade do malgache com a família malaio-polinésia foi notada
há perto de quatro séculos, e tem sido confirmada pelas modernas
investigações de Van der Tuuck, Marre, Marin e W. E. Cousins<ref>«Pela ilha dentro e mais partes e costas d'ella falla-se sómente a lingua
buqua, a qual é propria dos naturaes, differente totalmente da lingua cafre, mas
muito similhante á lingua malaia, argumento quasi certo que dos portos de Ma-
laqua vieram os primeiros moradores». ''Id''., p. 323.
«Por algûas bayas destas (de Madagascar) acharão algûas pessoas que pa-
recião Jaòs: por onde vierão a cuidar que ja fóra aquella costa pella banda de
fora pouoada de Jaòs, porque falauão a sua lingua». Diogo do Couto, Déc. VII,
VIII, 1. Vid. ''ibid''.</ref>.
Mas as raízes não são todas dissilábicas, como nas línguas da Insu-
líndia. As palavras terminam todas em vogal, especialmente em ''a'' e ''i''.
No seu vocabulário entram muitos elementos exóticos, particularmente
ingleses<ref>Como: ''book'', ''glass'', ''page'', ''pencil'', ''Christian'', ''Christmas'', ''monastery'', ''catechist'',
''Bible'', ''angel''.</ref>
, devidos à intensa propaganda protestante, e franceses,
graças ao domínio e à evangelização católica.
Os portugueses visitaram muitas vezes os portos de Madagascar,
a que deram nomes agiológicos; não tiveram porêm relações políticas
ou comerciais, gerais e permanentes. De Goa foram mandadas algu-
mas expedições político-religiosas, que tambêm não deram grandes
resultados; e os trabalhos missionários, iniciados por padres jesuítas,
foram de pouco fruto e de pouca dura<ref>Vid. Bocarro, capp. 42, 108, 146 e 147; e Fr. João dos Santos, II, cap. 9.</ref>. De entre os termos românicos,<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxvi}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>A sua população, que orça em dois milhões e meio, está dividida
em numerosas tríbus, que se distinguem pelas diferenças fisionómicas,
provenientes de maior ou menor mistura do elemento africano com
o malaio, árabe e indiano<ref>O segundo Rey Mouro que reinou em Cambaya, que foi grande conquista-
dor, mandou certas náos á costa de Melinde... vieram a ter á Ilha de São Lou-
renço, e por as nãos não serem pera navegar, ficaram nella, e povoáram alguns
portos. ''Commentarios de Afonso de Albuquerque'', IV, cap. 23.</ref>. Mas todas falam uma língua comum, que
consta de dez dialectos, sendo o hova o principal e geralmente enten-
dido<ref>«A lingua universal, que é buque,... é tão uniforme em toda a ilha que os
naturaes da ponta do S. se entendem com os naturaes da ponta do N., pobre de
vocabulos, porem facil assim para se aprender como para se pronunciar». P. Ma-
riano, ''loc. cit.'', p. 353.</ref>. E não havendo alfabeto próprio, servem-se comummente do ro-
mano.
A afinidade do malgache com a família malaio-polinésia foi notada
há perto de quatro séculos, e tem sido confirmada pelas modernas
investigações de Van der Tuuck, Marre, Marin e W. E. Cousins<ref>«Pela ilha dentro e mais partes e costas d'ella falla-se sómente a lingua
buqua, a qual é propria dos naturaes, differente totalmente da lingua cafre, mas
muito similhante á lingua malaia, argumento quasi certo que dos portos de Ma-
laqua vieram os primeiros moradores». ''Id''., p. 323.
«Por algûas bayas destas (de Madagascar) acharão algûas pessoas que pa-
recião Jaòs: por onde vierão a cuidar que ja fóra aquella costa pella banda de
fora pouoada de Jaòs, porque falauão a sua lingua». Diogo do Couto, Déc. VII,
VIII, 1. Vid. ''ibid''.</ref>.
Mas as raízes não são todas dissilábicas, como nas línguas da Insu-
líndia. As palavras terminam todas em vogal, especialmente em ''a'' e ''i''.
No seu vocabulário entram muitos elementos exóticos, particularmente
ingleses<ref>Como: ''book'', ''glass'', ''page'', ''pencil'', ''Christian'', ''Christmas'', ''monastery'', ''catechist'',
''Bible'', ''angel''.</ref>
, devidos à intensa propaganda protestante, e franceses,
graças ao domínio e à evangelização católica.
Os portugueses visitaram muitas vezes os portos de Madagascar,
a que deram nomes agiológicos; não tiveram porêm relações políticas
ou comerciais, gerais e permanentes. De Goa foram mandadas algu-
mas expedições político-religiosas, que tambêm não deram grandes
resultados; e os trabalhos missionários, iniciados por padres jesuítas,
foram de pouco fruto e de pouca dura<ref>Vid. Bocarro, capp. 42, 108, 146 e 147; e Fr. João dos Santos, II, cap. 9.</ref>. De entre os termos românicos,<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/72
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
introduzidos no malgache, é dificil discernir os que são de proce-
dência portuguesa imediata ou mediata, estando a presunção sempre
a favor do francês e do inglês, como canais de transmissão<ref>«Tendo ouvidas estas cousas, e notadas algumas palavras portuguesas, hoje
em dia correntes entre esta gente: ''camisa'', ''calção'', ''romã'', ''filho meu'', ''espingarda'' e
outras similhantes, se recolheram á caravella aos 11». P. Mariano, p. 341.</ref>.
{{center| § 44. — PIDGIN-ENGLISH<ref>Vid. Leland, ''Pidgin-English Sing-Song''.</ref>}}
Nas cidades marítimas da China está em voga um dialecto do in-
glês, que serve de meio de comunicação, como outrora o crioulo por-
tuguês, entre os indígenas e os estrangeiros da Europa e da Amé-
rica, e em alguns casos, mesmo entre os próprios chineses que falam
dialectos muito diferentes.
«Na sua primeira e baixa forma, diz Leland, como está dado nos
vocabulários publicados para uso de criados, Pidgin é um ''jargon''
muito rude, no qual palavras inglesas, singularmente deformadas,
devido à dificuldade de representar os seus sons em escrita chinesa,
são expostas conforme os princípios da gramática chinesa. É de facto
versão palavra por palavra, com pouco esforço para inflexão ou con-
jugação, visto que tais formas de gramática, como nós as entende-
mos, não existem no chinês. O resultado disto naturalmente é que,
sendo o vocabulário muito limitado, um chinês aprende o Pidgin-
English com não maior dificuldade do que a apresentada pela aquisi-
ção de poucas centenas de palavras, cuja pronunciação e gramática
se teem modificado para se acomodar às da sua própria língua. Cor-
responde nisto exactamente ao ''posh an posh'', ou corruto dialecto rom-
many, falado pelos ciganos ingleses, no qual palavras hindi-persas
seguem a estrutura inglesa<ref>«O Pitchin english (business english) é a lingua commercial dos portos da
China; mau inglez com algumas palavras portuguezas e construcção grammati-
cal ingleza». J. H. Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 16.</ref>.
«É devido à facilidade com que os chineses aprendem êste dialecto,
e à boa vontade dos estrangeiros de lhes irem ao encontro a meio
caminho, que se tem propagado à tão incrível extensão, preparando
assim o terreno para fazer do inglês a língua do Pacífico. E como o
chinês aprende mais fácilmente uma língua românica do que o inglês<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
qkt9ggxabvtjk6syyjokkngb5gfdfhn
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxvii}}}}</noinclude>introduzidos no malgache, é dificil discernir os que são de proce-
dência portuguesa imediata ou mediata, estando a presunção sempre
a favor do francês e do inglês, como canais de transmissão<ref>«Tendo ouvidas estas cousas, e notadas algumas palavras portuguesas, hoje
em dia correntes entre esta gente: ''camisa'', ''calção'', ''romã'', ''filho meu'', ''espingarda'' e
outras similhantes, se recolheram á caravella aos 11». P. Mariano, p. 341.</ref>.
{{center| § 44. — PIDGIN-ENGLISH<ref>Vid. Leland, ''Pidgin-English Sing-Song''.</ref>}}
Nas cidades marítimas da China está em voga um dialecto do in-
glês, que serve de meio de comunicação, como outrora o crioulo por-
tuguês, entre os indígenas e os estrangeiros da Europa e da Amé-
rica, e em alguns casos, mesmo entre os próprios chineses que falam
dialectos muito diferentes.
«Na sua primeira e baixa forma, diz Leland, como está dado nos
vocabulários publicados para uso de criados, Pidgin é um ''jargon''
muito rude, no qual palavras inglesas, singularmente deformadas,
devido à dificuldade de representar os seus sons em escrita chinesa,
são expostas conforme os princípios da gramática chinesa. É de facto
versão palavra por palavra, com pouco esforço para inflexão ou con-
jugação, visto que tais formas de gramática, como nós as entende-
mos, não existem no chinês. O resultado disto naturalmente é que,
sendo o vocabulário muito limitado, um chinês aprende o Pidgin-
English com não maior dificuldade do que a apresentada pela aquisi-
ção de poucas centenas de palavras, cuja pronunciação e gramática
se teem modificado para se acomodar às da sua própria língua. Cor-
responde nisto exactamente ao ''posh an posh'', ou corruto dialecto rom-
many, falado pelos ciganos ingleses, no qual palavras hindi-persas
seguem a estrutura inglesa<ref>«O Pitchin english (business english) é a lingua commercial dos portos da
China; mau inglez com algumas palavras portuguezas e construcção grammati-
cal ingleza». J. H. Calado Crespo, ''Cousas da China'', p. 16.</ref>.
«É devido à facilidade com que os chineses aprendem êste dialecto,
e à boa vontade dos estrangeiros de lhes irem ao encontro a meio
caminho, que se tem propagado à tão incrível extensão, preparando
assim o terreno para fazer do inglês a língua do Pacífico. E como o
chinês aprende mais fácilmente uma língua românica do que o inglês<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxvii}}}}</noinclude>O concani estende-se, devido provávelmente em parte à diversidade
de confinações políticas e em parte à emigração, por norte até Mal-
vane, e por sul ao Canará até Mangalor. Tem, por conseqùência, três
dialectos principais: o do norte, ''kudali'', influenciado pelo marata; o
de Goa, ''gomantakí'', própriamente dito, e o do sul, influenciado pelo
canarês, sem designação especial.
O dialecto de Goa distingue-se no das Novas Conquistas, mais maratizado, e no das Velhas Conquistas, mais aportuguesado; e êste
se subdistingue no de Bardês, considerado mais puro, por ser mais
inflexivo, e no de Salcete, mais analítico e mais ressabiado do cana-
rês e do português. A fala das Ilhas de Goa participa de um e outro
dialecto.
Quanto à sua natureza e origem traslado o que disse no meu ''Di-''
''cionário'': «Daqui concluo resumidamente: 1.°, que a língua concani é
árica e inflexiva, e não dravídica e aglutinativa; 2.°, que se assemelha
à bālabhāshā; 3.°, que dista menos do sânscrito no organismo grama-
tical e no vocabulário do que o marata; 4.°, que não é dialecto ou
corrução do marata; 5.°, que mais se aproxima do marata antigo (que
por seu turno mais se aproxima da bālabhāshā) do que do moderno;
6.°, que se avizinha muito, na sua estrutura fonética, das línguas gáu-
ricas do norte, mormente do bengali; 7.° que representa com muita
probabilidade a língua sarasvati, que os orientalistas tomam por ex-
tinta, sendo os emigrantes de Tirhotra ou Tirhut que a introduziram
no Concão»<ref>1
«Vid. ''Sahyādri-khanda'', editado pelo Dr. Cunha. Hoernle e Grierson acham
que «o konkani tem íntimas afinidades com o hindi, representante directo do
antigo maharastri».</ref>.
Em Goa, emprega-se na escrita o alfabeto romano, com a fonética
portuguesa; no norte, ''bālbodh'' ou ''modi'' do marata; no Canará, o ca-
narês ou o romano. Ha escritos antigos assim em caracteres canare-
ses,como em devanagáricos, que se devem considerar como alfabeto
próprio do concani.
Como é natural, estando o território por quatro séculos sob o domínio de Portugal, o concani ocupa o primeiro lugar na apropriação
do vocabulário português. Um décimo, e talvez mais, da linguagem
coloquial das Velhas Conquistas consta de palavras portuguesas ou
derivadas de portuguesas. No citado dicionário admiti: «1.°, todas as
vozes que, alêm do concani, eram usadas em uma ou mais línguas<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxviii}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>orientais, por ser indício seguro da necessidade ou conveniência de
tais vozes; 2.°, todos os vocábulos de tal modo naturalizados, que
andam na bôca de todos, sem mesmo se atinar na sua proveniência,
adoptados ou para marcar uma linha divisória entre os cristáos e os
hindus, ou por não se achar o termo vernáculo adequádo, ou por não
ser comummente conhecido, ou para evitar o incómodo de cunhar;
3.°, muitas palavras que são mais usadas que as suas respectivas
vernáculas; 4.°, mais algumas inteiramente desnecessárias, para mos-
trar que a língua tem muitas para as representar e que só o culpável
desleixo ou o pedantismo as podia empregar.
No presente trabalho sou ainda mais restrito: omito do vocabulário
todos os termos portugueses que são privativos do concani, e não
se encontram em nenhuma outra língua indígena. Reproduzo-as no
respectivo índice<ref> No meu ''Dicionário português-concani'', publicado por conta do Govêrno em
1905, dou quási todas as palavras em uso, mais ou menos geral, em gomantaki.</ref>
{{center|§ 2. - MARATA<ref> Vid. John Wilson, ''Notes on the constituent elements, the diffusion and applicat-''
''ion of the Marāthī Language'', no dicionário de Molesworth. Dr. Stevenson, ''An''
''Essay on the points of similarity and dissimilarity between the English and Marā-''
''thī Languages'', no dicionário de Candy. Filipe Néri Pires, ''Grammatica Maratha''.</ref>}}
Marāthī ou marata é a língua falada em Mahārāxtra («grande re-
gião ou país dos Mahares») por 18,237,899 indivíduos, conforme o
censo de 1901, que nela inclui o concani do território inglês. Esten-
de-se desde Goa até o rio de Damão (''Daman Ganga''), abrangendo
uma vasta área e confinando por leste com as línguas telúgu e cana-
resa.
Distinguem-se três dialectos principais: ''khandexí'', ''dakhíṇí'' e ''konkaṇí'';
aos quais alguns filólogos ajuntam gomantakí ou concani própriamente
dito.
O marata ocupa, pela sua importância, o segundo lugar nas línguas
gáuricas. É muito cultivado, tem escolas primárias em toda a parte,
e possui uma rica literatura, mormente escolar<ref> Merecem especial menção, como obras modelares, os dicionários de Molesworth e de Candy.</ref>, sendo a mais antiga,
que é poética e religiosa, do século XIII.
O marata tem dois alfabetos: ''bālbodh'' (ou ''bālbod''), que é, com<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxix}}}}</noinclude>ligeiras variantes, o devanágari ou sânscrito, e se emprega nas esco-
las e na impressão; e ''moḍi'' ou ''moḍ'', peculiar da língua, com menos
letras e sem distinção de vogais longas e breves (''i'', ''ī'', ''u'', ''ū''); escre-
ve-se cursivamente sem separação de letras, e usa-se na correspondência e em manuscritos.
O seu copioso vocabulário, constante de 20:000 palavras, com-
põe-se: do ''stock'' turánico aborígene, de prácrito por magadhi (língua
antiga de Behar), de sânscrito, pela literatura, de árabe e persa, pela
dominação muçulmana e pela influência do hindustani, e de português
e inglês.
A infiltração do português provêm do domínio (Bombaim, Taná,
Baçaim, Chaul), do comércio, (Surrate, Bijapur), da vizinhança (Goa,
Damão), das missões do Padroado na maior parte do território e do
crioulo ''norteiro''<ref> Vid. o meu ''Dialecto Indo-português do Norte''.</ref>. É sobretudo no distrito do Concão que esta in-
fluência é preponderante.
{{center|§ 3. — GUJARATI<ref> Vid. Shapurjí Edalji, ''A Dictionary Gujaratí and English''.</ref>}}
''Gujarati'' ou guzarate (guzeratha), língua de Gujarata, confina por
norte com o hindi e por sul e leste com o marata. Conta dez milhões
de população, e é muito cultivada ao presente, tendo grande repre-
sentação na imprensa periódica de Bombaim. É falada pela opulenta
e ilustrada comunidade dos parses (originários da Pérsia) como lín-
gua materna, e empregada como língua franca do comércio, especial-
mente na cidade de Bombaim.
Tem alguns dialectos, como, surrati, ahmedabadi, kattyavari, co-
mercial.
Os elementos constitutivos do seu léxico são análogos aos do ma-
rata. Tem tambêm, como o marata, dois alfabetos: um próprio, com
menos consoantes e sem discriminação de vogais (''i'', ''u'') longas e breves,
e outro, ''bālbodh'' ou devanágari, um pouco deformado.
Sendo o gujarati a língua vernácula das possessões portuguesas
de Damão e Diu, onde há escolas oficiais para o seu ensino, a in-
fluência do português é directa e actual nestas partes, com tendência
à expansão. Os dicionários, por ora deficientes, não registam porêm<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xl}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>todas as palavras portuguesas, usadas nestas localidades, mas tão
sómente as que pertencem ao vocabulário geral, e que nele entraram
pelas antigas relações políticas, pela vizinhança e pelo comércio.
{{center|§ 4. — HINDI}}
O hindi é a mais importante língua da Índia, ocupando quási todo
o centro, quer pela sua área — 248:000 milhas quadradas; quer pela
sua população — quási sessenta e três milhões; quer pela vitalidade,
alastrando-se sempre mais e absorvendo outros idiomas; quer pela
quantidade de dialectos — 58, segundo Cust, alguns dos quais podem passar por verdadeiras línguas.
Há filólogos que julgam que se devem incluir nos seus dialectos as
línguas gujarati, panjabi e nepali. Beames enumera os seguintes dia-
lectos como principais: mathíli, magadhi, bhojpuri, kosali, brijbasha,
kanauji, rajputani (grupo de dialectos), bundelkhandi. O Sr. Grierson
divide o hindi em duas partes: oriental e ocidental.
Pôsto que derivado do indo-árico, o hindi contêm muitos vocábulos
turánicos e grande enxêrto do árabe-persa. É comummente escrito no
alfabeto devanagárico. Literáriamente, distingue-se em três estádios:
antigo, de há setecentos anos, médio e moderno.
A influência do português no seu vocabulário é principalmente me-
diata, por via doutras línguas vizinhas. As relações político-comer-
ciais, não muito frequentes, parece que pouco poderiam ter influido<ref> Shakespear atribui ao hindi uma grande parte de dições portuguesas intro-
duzidas no hindustani.</ref>.
{{center|§ 5.— HINDUSTANI}}
Sem entrar na questão de saber se o hindustani é língua indepen-
dente ou, antes, um dialecto do hindi, como geralmente se considera,
trato-o em separado, pela natureza especial do meu trabalho.
Formado do persa, fala dos conquistadores, e do hindi, fala dos
indígenas, no século XVI, sobre a base gramatical neo-árica, mas es-
crito, de ordinário, no alfabeto árabe-persa modificado, o hindustani
tornou-se língua materna dos maometanos de qualquer parte da Índia, e desenvolveu-se em língua franca nos principais centros comer-<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xli}}}}</noinclude>ciais da raça árica. «O hindustani é, diz Beames, de todos os idiomas
indianos o mais largamente espalhado e comummente entendido, e é
falado como língua franca por gente cuja língua materna não é, por
toda a Índia».
«O hindustani ou urdu, observa Cust, não é dialecto territorial...
mal se pode dizer com justeza que é a língua comum dalgum dis-
trito, embora falada por muitas classes». Mas o Sr. Grierson afirma
que é vernáculo do delta gangético superior e da circunvizinhança.
Se bem que se empregam promíscuamente as palavras ''urdu'' e ''hin-''
''dustani'', urdu designa, própriamente, a forma da língua literária e
mais pura ou polida, e hindustani, a fala vulgar, eivada de exotismos.
Distingue-se em hindustani do norte, mais puro, e em hindustani do
sul ou dakhini, mais corruto. «Ainda maior degradação ou desfigu-
ração, nota Cust, se dá pela mistura de palavras românico-áricas no
dialecto dos estabelecimentos portugueses da costa ocidental da Ín-
dia». Mas nos presentes domínios não está em voga.
A influência do português, que se nota mais no dekhani, deve-se
principalmente ao convívio e relações comerciais e políticas antigas<ref> Vid. J. A. Ismael Gracias, ''Uma Dama Portuguesa na Côrte do Grão-Mogol''</ref>
e à facilidade que o hindustani tem de se apropriar de vocábulos pe-
regrinos.
{{center|§ 6. — LASKARI-HINDUSTANI}}
''Lascarí'' ou ''lascarim'', do persa ''lashkarī'', empregado primeiro pelos
portugueses e depois adoptado pelos holandeses e ingleses, na sua
significação originária de «soldado»<ref>«O que se pagaua de soldo, e mantimento aos '''lascarins''' que estauão na ci-
dade». Castanheda, ''Historia do Descobrimento e Conquista da India''.
"Repartem pelos soldados de suas capitanias, a que chamão '''lascarins'''». Da-
mião de Góis, ''Chronica del Rei D. Manuel'', II, cap. 6.</ref>, passou subsequentemente a
designar o marinheiro indígena, e é agora, neste sentido, sinónimo
do árabe-hindustani ''khalāsī''<ref> «Marinheiros portuguezes tambem menos do que se haviam mister e em
seu
logar '''lascaris mouros''', marinheiros que como não andam mais que a fazer
proveito, pelo pouco que lhes vêm das brigas as desviam e impedem». António
Bocarro, Déc. XIII, p. 25.
«Tirando alguns, que nos seus proprios navios, ou nos d'elRey vam por mes-
tres e pilotos toda a mais chusma, e meneio das naos sam Mouros, que chamam
'''Laschares''' (donde procedeu aos soldados o ordinário appellido de '''Lascharís''')». João
de Lucena, liv. IV, cap. 1.</ref>. E como são, em geral, os muçulmanos<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>lxviii
{{center| INTRODUÇÃO }}
puro, é provável que se não fôra o ''jargon'' Pidgin, um português corruto teria formado o meio popular de comunicação entre os estrangeiros e os naturais da China. A grande quantidade de vocábulos
portugueses que ora existe no Pidgin-English parece prová-lo».
A palavra ''pidgin'' supõe-se ser corrução da inglesa ''business'', mas
com significação muito mais ampla e variada. É como o comércio é o
grande laço de união entre os chineses e os residentes estrangeiros,
não admira que o termo se tenha aplicado à língua que se formou no
seu serviço. Não falta porém quem julgue que ''pidgin'' é derivado do
português ''ocupação''
<ref>No vocabulário anglo-chinês há muitos termos hindustanis e anglo-indianos,
levados principalmente pelos ingleses, como: ''bangee'', ''bobbery'', ''chop'', ''pukkha'', ''punkah'', ''puttee''; ''go-down'', ''tiffin'', ''Griffin''.</ref>.
{{center| § 45. — JAPONÊS<ref>Vid. ''The Encyclopaedia Britannica, La Grande Encyclopédie''.N. Murakámi,
''The Influence of early intercourse''. Ladislau Batalha, ''O Japão por dentro''. Wenceslau de Morais, no ''Boletim'' da Sociedade de Geografia de Lisboa, 2ª série,
nº6. E, em particular, Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''.</ref>}}
Os glotólogos não estão de acôrdo em classificar genealógicamente
o idioma do Japão, o ''yamato''. Uns divisam nele afinidades com a família árica. Outros colocam-no na família uralo-altaica, relacionando-o
com o coreano, manchu e mongólico. Outros, finalmente, consideram-no inteiramente isolado, do mesmo modo como a raça japonesa.
Morfológicamente, o japonês é aglutinativo e polissilábico. A linguagem falada e popular é muito diferente da linguagem escrita e
literária, em que entram muitíssimos vocábulos chineses<ref>«A língua nipponica primitiva, o ''Yamato-kotóba'', devia ser necessariamente
mui pobre de termos; e parece certo que os primeiros japoneses ignoraram por
completo o uso da escripta. Com relações successivas e crescentes do Japão com
a China, ahi pelo nosso século III, começou a enriquecer-se ''Yamato-kotóba'' com
palavras chinesas, por mais estranha que pareça a alliança; iniciando-se então
a arte de dar á idéa fórma graphica». Wenceslau de Morais, ''op. cit.''</ref>. No seu
vocabulário encontram-se várias palavras do sânscrito ou, antes, do
páli, introduzidas pelo budismo<ref>Tais como; ''araghyo'' = ''arghya'', ''arano'' = ''aranya'', ''biku'' = ''bhiksu'', ''butsu'' = ''buddha'', ''karancho'' = ''krañcha'', ''daruma'' = ''dharma'', ''namae'' = ''nama'', ''shishi'' = ''çisya'',
''shishū'' = ''simha''.</ref>.
As diferenças dialectais que se notam em diversas localidades são
pouco importantes; não se podem comparar com as que se dão na<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxviii}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>puro, é provável que se não fôra o ''jargon'' Pidgin, um português corruto teria formado o meio popular de comunicação entre os estrangeiros e os naturais da China. A grande quantidade de vocábulos
portugueses que ora existe no Pidgin-English parece prová-lo».
A palavra ''pidgin'' supõe-se ser corrução da inglesa ''business'', mas
com significação muito mais ampla e variada. É como o comércio é o
grande laço de união entre os chineses e os residentes estrangeiros,
não admira que o termo se tenha aplicado à língua que se formou no
seu serviço. Não falta porém quem julgue que ''pidgin'' é derivado do
português ''ocupação''
<ref>No vocabulário anglo-chinês há muitos termos hindustanis e anglo-indianos,
levados principalmente pelos ingleses, como: ''bangee'', ''bobbery'', ''chop'', ''pukkha'', ''punkah'', ''puttee''; ''go-down'', ''tiffin'', ''Griffin''.</ref>.
{{center| § 45. — JAPONÊS<ref>Vid. ''The Encyclopaedia Britannica, La Grande Encyclopédie''.N. Murakámi,
''The Influence of early intercourse''. Ladislau Batalha, ''O Japão por dentro''. Wenceslau de Morais, no ''Boletim'' da Sociedade de Geografia de Lisboa, 2ª série,
nº6. E, em particular, Gonçalves Viana, ''Palestras Filológicas''.</ref>}}
Os glotólogos não estão de acôrdo em classificar genealógicamente
o idioma do Japão, o ''yamato''. Uns divisam nele afinidades com a família árica. Outros colocam-no na família uralo-altaica, relacionando-o
com o coreano, manchu e mongólico. Outros, finalmente, consideram-no inteiramente isolado, do mesmo modo como a raça japonesa.
Morfológicamente, o japonês é aglutinativo e polissilábico. A linguagem falada e popular é muito diferente da linguagem escrita e
literária, em que entram muitíssimos vocábulos chineses<ref>«A língua nipponica primitiva, o ''Yamato-kotóba'', devia ser necessariamente
mui pobre de termos; e parece certo que os primeiros japoneses ignoraram por
completo o uso da escripta. Com relações successivas e crescentes do Japão com
a China, ahi pelo nosso século III, começou a enriquecer-se ''Yamato-kotóba'' com
palavras chinesas, por mais estranha que pareça a alliança; iniciando-se então
a arte de dar á idéa fórma graphica». Wenceslau de Morais, ''op. cit.''</ref>. No seu
vocabulário encontram-se várias palavras do sânscrito ou, antes, do
páli, introduzidas pelo budismo<ref>Tais como; ''araghyo'' = ''arghya'', ''arano'' = ''aranya'', ''biku'' = ''bhiksu'', ''butsu'' = ''buddha'', ''karancho'' = ''krañcha'', ''daruma'' = ''dharma'', ''namae'' = ''nama'', ''shishi'' = ''çisya'',
''shishū'' = ''simha''.</ref>.
As diferenças dialectais que se notam em diversas localidades são
pouco importantes; não se podem comparar com as que se dão na<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xlii}}|INTRODUÇÂO}}</noinclude>que entram na tripulação dos vapores e navios de longo curso, deu-se
à sua fala o nome de ''laskari-hindustani''.
Ora é bem natural que na formação dêste dialecto marítimo figu-
rem muitíssimas palavras da língua dos europeus que primeiro cru-
zaram nos mares da Índia e neles exerceram por largo período do-
mínio quási exclusivo. O inglês representa boje, em parte suplementar,
igual papel. O seu vocabulário, portanto, ó mescla do hindustani pró-
priamente dito, do português dos séculos XVI e XVII e do inglês
actual<ref> «Dass ursprünglich die ganze Seemannsspracbe des Laskaren portogiesisch
war, das zu vermnten dürfte mit Hinblich auf die vorstehender Abhandlung dar-
gelegten Thatsachen nicht allzuküher sein». Sohuchardt, ''Beiträge'', etc.</ref>.
Tem especial interêsse o estudo desta algaravia, pela variedade de
formas e pelas alterações fonéticas que apresenta dos 'termos portu-
gueses, provindas da bôca de gente rude no decurso de prolongado
uso. Ter-me hão provavelmente escapado, no exame do seu dicioná-
rio, algumas palavras técnicas, por estarem muito deformadas<ref> Os termos portugueses, empregados assim no hindustani própriamente,
como no hindustani dos lascarias, são dados no vocabulário sómente sob a de-
signação do primeiro, a fim de evitar a repetição.</ref>.
{{center|§§ 7. — NEPALI<ref>Vid. Turnbull, ''Nepali Grammar and Dictionary''.</ref>}}
''Nepali'', ''gorkhali'', ''khas'' e ''parbate'' são os nomes da língua da côrte
e língua franca de Nepal, falada por três milhões de indivíduos, pela
maior parte hindus, e escrita em devanágari. Possui escassa litera-
tura, de pouca importância, e algumas variedades dialectais<ref> O Sr. Grierson diz que naipali ou pahari oriental não é a língua principal
de Napal, mas sim ''nevari''. Turnbull porêm declara que já o não é actualmente</ref>.
Rigorosamente, nepali é um dialecto do hindi, proveniente do ra-
jasthani, fala de Rajputana. Há, alêm disto, numerosos idiomas aná-
ricos, falados pelas raças tibeto-birmânicas, que teem nele vocabu-
larmente influído. Hunter menciona trinta e seis no seu dicionário
comparativo.
A influência do português nesta língua é inteiramente mediata, por
via do hindi. Infelizmente, o vocabulário inglês-nepali que tenho à
mão é muito resumido. É contudo de presumir que grande parte de
vozes portuguesas que existem no hindi terão transitado ao nepali.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xliii}}}}</noinclude>
{{center|§ 8. — ORIYA}}
''Oriya'', ''uriya'' ou ''utkala'' é a língua falada em Orissa por uma po-
pulação de mais de nove milhões e meio em uma área de 60:000 mi-
lhas quadradas, entre as províncias de Bengala, de Madrasta e as
centrais. Pertence, juntamente com o bihari, bengali e assamês, ao
grupo sanscritoide oriental, derivado imediatamente da antiga língua
de Magadha, pátria do budismo<ref> Não pude abranger o behari no meu estudo, por míngua de elementos lexi-
cológicos. Rudolf Hoernle e George Grierson começaram a publicar, em 1885, ''A''
''Comparative Dictionary of the Bihari Language'', de que saíram sómente dois fas-
cículos, que nem chegam ao fim da primeira letra.
O bihari tem quatro dialectos principais: baisvari, bhajpuri, magahi e mai-
thili. Êste último passa por normal, por ser o mais desenvolvido e cultivado e
por possuir monumentos literários, que datam do século XIV.
É de presumir que tenha os mesmos vocábulos portugueses que o hindi.</ref>.
O oryia tem vários dialectos, como o setentrional, o meridional, o
de Sumbhulpur, o de Kalakundi; mas o de Cattack considera-se mo-
delar. O seu alfabeto baseia-se no devanágari, com modificações em
diversas partes do território, sendo o único dos do norte que adoptou
a fórma curvilínea dos traços superiores, que nos outros são horizon-
tais<ref> Cust pretende explicar a peculiaridade pelos materiais da escrita, que eram
um estilo ou ponteiro e uma folha de palmeira (ola), que se romperia com os tra-
ços rectos. Mas tais materiais são ou eram comuns a outras línguas.</ref>. Os seus monumentos literários mais antigos teem quatro séculos
de existência.
A influência do português no oriya é principalmente mediata, por
intermédio do telúgu ao sul e do bengali ao norte, posto que outrora
tenha havido relações comerciais<ref> «Os mais principais com que tivemos communicação, por causa de seus es-
tados virem beber ao mar, forão estes: Elrey de Bisnaga, de Orixá, de Bengala,
de Pegu, de Sião, e da China". João de Barros, Déc. I, IX, 2.</ref>.
{{center|§ 9. — BENGALI}}
O bengali é, como indica o nome, a língua vernácula de Bengala,
praticada por mais de quarenta e quatro milhões de indivíduos, assim
hindus como maometanos. É actualmente muito cultivada pelos ''ba-''
''bus'', classe a mais ilustrada e progressiva da Índia; mas a linguagem<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
hwoa0r0mpehikk56wvvg9f4g3kzs1el
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xliv}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>literária difere notávelmente da coloquial, não sómente no vocabulário, mas ainda na morfologia, e é muito sanscritizada. O seu alfa-
beto é uma variante gráfica do devanagárico.
O bengáli possui vários dialectos, que não estão bem discriminados
e que Beames agrupa sob as designações genéricas de oriental, se-
tentrional e meridional, sendo normal o de Bengala central. Há, de-
mais, dialectos mixtos nas fronteiras do hindi e do oriya, e os das
raças anáricas, semihinduizadas, do leste e do oeste, entre os quais
Cust distingue os de Purneah, Rungpur, Kuch, Sylhet, Rabha, Meey-
ang e Chittagong.
Portugal teve uma feitoria no Bandel de Ugli ou Ogolim (Hooghly),
numerosa colónia em Calcutá, freqùentes relações comerciais em vá-
rias partes, e ainda tem importantes missões com vastas proprieda-
des<ref> "Chegando nós ao porto de Chatigão no Reyno de Bengala, aonde naquelle
tempo havia muytos Portugueses». Fernão Pinto, cap. CLXXII.
«Assi como elRey de Orixá, e elRey de Bengalla, que tem muitos portos do
mar, que nós nauegamos, e com que temos commercio». João de Barros, Déc. III,
n, 5.</ref>. Daqui se originou um crioulo, que agora está muito circuns-
crito e tende a desaparecer. Fica assim explicada a introdução de
numerosos vocábulos portugueses no bengali. Os descendentes dos
europeus empregam muitos termos com relação a doces e iguarias,
como tambêm acontece em outras regiões, sem foros de natura-
lização.
{{center|§ 10. - ASSAMÊS<ref> Vid. Bronson, ''A Dictionary in Assamese and English''.</ref>}}
O assamês é a língua falada na planície de Assão (ou Ação) pela
inteira população do vale de Brahmaputra, que orça por cêrca de mi-
lhão e meio<ref> Nas regiões montanhosas há tríbus anáricas, que teem idiomas peculiares,
um dos quais, khassi, faz parte dêste estudo.</ref>.
As invasões dos ahoms, da família tai, que dominaram por longo
tempo, — dos birmaneses e kacharis, da família tibeto-birmânica,—
e dos maometanos não deixaram quási nenhuns vestígios na língua
vernácula, que é muito aproximada da de Bengala.
O assamês abunda em termos sânscritos, modernamente introdu-
zidos, às vezes com significação e pronunciação alteradas. Tem alfa-
beto próprio, em que está impressa a versão da Biblia; mas tambêm<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xliv}}}}</noinclude>se empregam os caracteres do bengali. Possui literatura em prosa
e verso dos últimos dois ou três séculos. A linguagem da maior parte
das obras poéticas difere considerávelmente da dos Buronjas ou his-
tórias. Sendo actualmente língua oficial do govêrno provincial, é de
esperar que venha a ser largamente cultivada.
Os termos portugueses que se introduziram no vocabulário assa-
mês tiveram por canais primários o bengali e o hindustani.
{{center|§ 11. — SINDHI<ref> Vid. George Stack, ''A Dictionary English and Sindhi''.</ref>}}
O sindhi tem a sua vivenda no Sindh, no vale do Indo Inferior,
de Multan ao mar, confinando por leste e oeste com o hindi e com os
dialectos baluches. Conta três milhões de população, composta de
hindus e muçulmanos. Escreve-se geralmente no alfabeto árabe,
muito alterado para se conformar com os fonemas cacuminais e as-
pirados de língua árica<ref> Tendo mais fonemas do que as letras devanagáricas, quando se emprega
êsse alfabeto, usam-se sinais diacríticos com caracteres ordinários para os dis-
criminar.</ref>. Os seus principais dialectos são: siraí, vi-choli, lari, uch e kachi.
O léxico do sindhi compõe-se, como o do hiudustani, alêm do ''stock''
próprio, de vocábulos sânscritos, árabes e persas. Ressente-se em
especial da influência do pushtu, seu vizinho, pertencente ao ramo
eránico. Todas as palavras terminam em vogal, como em italiano,
sendo masculinas as que acabam em ''u'' e ''o''. Não ha género neutro.
A influência do português é quási toda mediata, como parece, e
muito restrita, a julgar pelos dicionários até hoje publicados.
{{center|§ 12. — PANJABI<ref> Vid. Bhai Maya Singh, ''The Panjabi Dictionary'', Introdução.</ref>}}
A língua do Panjab estende-se do Indo ao Sutlej e de Multan à
cordilheira; é falada por dezassete milhões de indivíduos, e escrita
em uma grande variedade de alfabetos do sistema árico, sendo gur-
mukhi o principal. A correspondência oficial e a literatura em geral
preferem o alfabeto persa.
Pela sua estreita afinidade com o hindi, muitos indianistas preten-<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
kzkoxigdvc0d1murx35paleo2a2btj9
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<noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xlvi}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>dem que seja antes um dialecto dessa língua. Tem numerosos dia-
lectos. Beanies assevera que cada distrito tem um dialecto, e há dis-
tritos que teem mais de um; o que contesta Cust, com mais compe-
tência neste assunto. Os mais importantes são, segundo Maya Singh:
panjabi própriamente, multani, pathohari e pahadi.<ref> Grierson designa multani por lahnda, considera-a língua distinta, muito di-
versa do panjabi, e dá-lhe uma população de mais de três milhões.</ref>.
No seu vocabulário, composto de hindi, árabe e persa, alêm do
cabedal próprio, entraram muitos termos portugueses por intermédio
do hindustani.
{{center|§ 13. — KASHMIRI}}
A língua vernácula do vale de Kashmira (ou Cachemira), falada
por três milhões ou, segundo o Sr. Grierson, por milhão de indiví-
duos, é o ramo mais setentrional da família indo-árica. Mas não é
culta, não está reduzida à escrita na sua forma actual, nem tem gra-
mática completa nem dicionário digno do nome. É pois língua colo-
quial, sendo o persa o da corte e da correspondência. Ainda assim,
distinguem-se três variedades: a dos brâmanes, recheada de pala-
vras sânscritas; a dos maometanos, eivada de arabismos e eranismos;
e a do povo rude, com mais vernaculidade dialectal.
Podia bem deixar de figurar no meu trabalho êste idioma, de que
sómente está publicado um vocabulário, onde nem meia dúzia de pa-
lavras portuguesas aparecem, algumas das quais são de origem in-
certa. É porêm natural que haja mais, ligadas aos objectos para ali
levados pelos conquistadores muçulmanos.
{{center|§ 14. — SINGALÊS<ref> Vid. B. Clough. ''A Dictionary of the Singhalese and English Languages''. R.
C. Childers, ''Notes on the Sinhalese Language''. James D'Alwis, ''On the Origin of
Sinhalese Language''.</ref>}}
Alem dos aborígenes ''veddas'', ao presente muito reduzidos em nú-
mero<ref> «Vive huma casta de gente, a que chamão '''Bédas''': são na côr quasi como
nós, e alguns ruivos bem assombrados; a lingua nenhum Chingalá, ou outra na-
ção da India a entende, somente uns com outros se communicão». João Ribeiro,
''Fatalidade Histórica da Ilha de Ceilão'', liv. I, cap. 24.</ref>, duas são as raças indígenas que povoam a ilha de Ceilão: a<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXIX
{{center| INTRODUÇÃO}}
China. Merece especial menção o dialecto do grupo das ilhas Riukiu,
que conserva o seu carácter antiquado. A fala das tríbus Ainos das
ilhas de Spezo é totalmente distinta do japonês puro, e por isso não
é entendido pela gente doutras ilhas.
Na escrita empregam-se geralmente caracteres idiográficos chineses
em número de três mil. O alfabeto própriamente japonês é silábico,
constando de 47 sílabas<ref>As modificações dalgumas dessas sílabas elevam o número total a 73. Vid.
Ballhorn, ''Alphabete orientalischer und occidentalischer Sprachen''.</ref>, e chama-se ''kana'', de que há duas varieda-
des: ''katakana'' e ''hiragana''. O japonês escreve-se em colunas verticais
da direita para a esquerda. A sua literatura conta doze séculos de
existência<ref>«Catorze sortes de letras differentes nam do corte de figuras sómente, mas
na propriedade, e modo de significação, aprendem nos mosteiros dos Bonzos os
moços fidalgos. Lucena, ''Historia da vida do Padre Francisco de Xavier'', liv. VII, 5.</ref> .
Portugal foi a primeira nação europeia que entrou em contacto com
o Japão e manteve por longo período relações comerciais e missio-
nárias. Deixou, como quási em toda a parte, vestigios indeléveis da
sua língua na do país, na sua maioria devidos à introdução de novos
objectos e da nova religião. Alguns dos termos estão de tal modo na-
turalizados, que a sua origem estrangeira não é de fácil reconheci-
mento. Os livros antigos abundam, segundo o testemunho do Dr. Mu-
rakámi, em palavras religiosas peregrinas, que sómente em pequeno
número penetraram na linguagem comum<ref>Dr. Murakáni, director da Escola de línguas estrangeiras em Tókio, teve
a amabilidade de me enviar uma lista de tais termos, que êle não tinha reprodu-
zido no seu opúsculo já citado. Modernamente, teem-se introduzido muitas pa-
lavras do inglês ou por via do inglês, como: ''alcali, alcool, blanket, butter, beer,
brush, gallon, gas, glass, lace, race, panorama, piano, pin, pipe, pump, punch,
matches, soda, yard''.</ref>.
{{center | § 46. PERSA<ref>Vid. ''The Encyclopaedia Britannica''. K. Brugmann, ''Abrégé de Grammaire
Comparative des Langues Indo-européennes''. A. Meillet, ''Introduction à l'Étude
comparative des Langues Indo-européennes''.</ref>}}
O persa tem passado por diversas fases. O eránio primitivo tinha
dois dialectos principais: o eránio ocidental ou persa antigo, escrito
em caracteres cuneiformes, sendo o mais antigo documento do tempo<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
799yb1dqyly1xscww9pz2y1ku35aan1
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxix}}}}</noinclude>China. Merece especial menção o dialecto do grupo das ilhas Riukiu,
que conserva o seu carácter antiquado. A fala das tríbus Ainos das
ilhas de Spezo é totalmente distinta do japonês puro, e por isso não
é entendido pela gente doutras ilhas.
Na escrita empregam-se geralmente caracteres idiográficos chineses
em número de três mil. O alfabeto própriamente japonês é silábico,
constando de 47 sílabas<ref>As modificações dalgumas dessas sílabas elevam o número total a 73. Vid.
Ballhorn, ''Alphabete orientalischer und occidentalischer Sprachen''.</ref>, e chama-se ''kana'', de que há duas varieda-
des: ''katakana'' e ''hiragana''. O japonês escreve-se em colunas verticais
da direita para a esquerda. A sua literatura conta doze séculos de
existência<ref>«Catorze sortes de letras differentes nam do corte de figuras sómente, mas
na propriedade, e modo de significação, aprendem nos mosteiros dos Bonzos os
moços fidalgos. Lucena, ''Historia da vida do Padre Francisco de Xavier'', liv. VII, 5.</ref> .
Portugal foi a primeira nação europeia que entrou em contacto com
o Japão e manteve por longo período relações comerciais e missio-
nárias. Deixou, como quási em toda a parte, vestigios indeléveis da
sua língua na do país, na sua maioria devidos à introdução de novos
objectos e da nova religião. Alguns dos termos estão de tal modo na-
turalizados, que a sua origem estrangeira não é de fácil reconheci-
mento. Os livros antigos abundam, segundo o testemunho do Dr. Mu-
rakámi, em palavras religiosas peregrinas, que sómente em pequeno
número penetraram na linguagem comum<ref>Dr. Murakáni, director da Escola de línguas estrangeiras em Tókio, teve
a amabilidade de me enviar uma lista de tais termos, que êle não tinha reprodu-
zido no seu opúsculo já citado. Modernamente, teem-se introduzido muitas pa-
lavras do inglês ou por via do inglês, como: ''alcali, alcool, blanket, butter, beer,
brush, gallon, gas, glass, lace, race, panorama, piano, pin, pipe, pump, punch,
matches, soda, yard''.</ref>.
{{center | § 46. PERSA<ref>Vid. ''The Encyclopaedia Britannica''. K. Brugmann, ''Abrégé de Grammaire
Comparative des Langues Indo-européennes''. A. Meillet, ''Introduction à l'Étude
comparative des Langues Indo-européennes''.</ref>}}
O persa tem passado por diversas fases. O eránio primitivo tinha
dois dialectos principais: o eránio ocidental ou persa antigo, escrito
em caracteres cuneiformes, sendo o mais antigo documento do tempo<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXX
{{center| INTRODUÇÃO}}
de Dario; e eránio oriental; atestado por Avesta e escrito em um al-
fabeto de procedência aramaica. A forma média do antigo persa é
conservada nas inscrições ''pehlvis'' ou ''pahlavis'', as mais antigas das
quais datam do século III da era cristã. O persa literário aparece com
as dinastias muçulmanas, no século IX. O persa moderno, especial-
mente o escrito, está largamente eivado de vocábulos árabes; não
há nenhuma palavra desta origem que não tenha ou não possa ter
cabimento no seu vocabulário. O seu alfabeto é tambêm árabe com
leves modificações. Mas a sua estrutura permanece eránica.
O persa esteve em grande voga na Índia no período da dominação
maometana: era a língua da côrte e dos tribunais, oficial e literária. O
primeiro digesto de direito indiano, compilado por ordem de Warren
Hastings — ''The Gentoo Code'' — foi vertido de sânscrito em persa e
depois trasladado a inglês. Muitos dos funcionários ingleses se viam
na necessidade, até no século passado, de saber esta língua<ref>Vid. W. T. Tucker, ''A Pocket Dictionary of English and Persian''.</ref>; e ainda
hoje há escolas de persa em várias partes. Os tratados dos portugue-
ses com os soberanos maometanos eram feitos em português e em
persa<ref>Concluidos estes capitulos se passarão dous estromentos em Parseo e Por-
tuguês, um pera darem ao Embaixador, e outro pera ficar em estado... Deste
juramento se fizerão dous autos em Parseo e Português». Diogo do Couto, Déc.
V, I, 9.</ref>.
{{center| § 47. - ÁRABE}}
Há muitos trabalhos acerca da influência do árabe nos idiomas his-
pânicos, mas pouquissimos no sentido inverso. A razão deve certa-
mente ser que a influência das falas da península não foi tão intensa,
tão duradoira e tão geral na língua dos dominadores. O mais impor-
tante estudo que conheço sobre o assunto é o de Simonet; mas pa-
rece que não é guia seguro, porque muitos dos vocábulos que regista
como recebidos pelos árabes em Espanha fazem suspeitar origem
diversa e uso restrito.
O árabe é a língua sagrada dos muçulmanos da Índia, onde há
escolas para o seu estudo. Mas poucos termos portugueses ter-se-lhe
hão transmitido por esta via. Os que entram no meu vocabulário per-
tencem sómente ao árabe oriental, e não ao africano, que tem muitos
mais. E estes mesmos não indicam com certeza, na generalidade, o<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
eficadhmol0qi3wil48xolt3840ko9c
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxx}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>de Dario; e eránio oriental; atestado por Avesta e escrito em um al-
fabeto de procedência aramaica. A forma média do antigo persa é
conservada nas inscrições ''pehlvis'' ou ''pahlavis'', as mais antigas das
quais datam do século III da era cristã. O persa literário aparece com
as dinastias muçulmanas, no século IX. O persa moderno, especial-
mente o escrito, está largamente eivado de vocábulos árabes; não
há nenhuma palavra desta origem que não tenha ou não possa ter
cabimento no seu vocabulário. O seu alfabeto é tambêm árabe com
leves modificações. Mas a sua estrutura permanece eránica.
O persa esteve em grande voga na Índia no período da dominação
maometana: era a língua da côrte e dos tribunais, oficial e literária. O
primeiro digesto de direito indiano, compilado por ordem de Warren
Hastings — ''The Gentoo Code'' — foi vertido de sânscrito em persa e
depois trasladado a inglês. Muitos dos funcionários ingleses se viam
na necessidade, até no século passado, de saber esta língua<ref>Vid. W. T. Tucker, ''A Pocket Dictionary of English and Persian''.</ref>; e ainda
hoje há escolas de persa em várias partes. Os tratados dos portugue-
ses com os soberanos maometanos eram feitos em português e em
persa<ref>Concluidos estes capitulos se passarão dous estromentos em Parseo e Por-
tuguês, um pera darem ao Embaixador, e outro pera ficar em estado... Deste
juramento se fizerão dous autos em Parseo e Português». Diogo do Couto, Déc.
V, I, 9.</ref>.
{{center| § 47. - ÁRABE}}
Há muitos trabalhos acerca da influência do árabe nos idiomas his-
pânicos, mas pouquissimos no sentido inverso. A razão deve certa-
mente ser que a influência das falas da península não foi tão intensa,
tão duradoira e tão geral na língua dos dominadores. O mais impor-
tante estudo que conheço sobre o assunto é o de Simonet; mas pa-
rece que não é guia seguro, porque muitos dos vocábulos que regista
como recebidos pelos árabes em Espanha fazem suspeitar origem
diversa e uso restrito.
O árabe é a língua sagrada dos muçulmanos da Índia, onde há
escolas para o seu estudo. Mas poucos termos portugueses ter-se-lhe
hão transmitido por esta via. Os que entram no meu vocabulário per-
tencem sómente ao árabe oriental, e não ao africano, que tem muitos
mais. E estes mesmos não indicam com certeza, na generalidade, o<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/76
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXI
{{center| INTRODUÇÃO}}
étimo português. Os lexicógrafos referem muitos dêles, como noto em
vários casos, ao grego, ao latim, ao francês e ao italiano. O árabe e
o persa entram, portanto, no meu trabalho como línguas secundárias.
{{center| § 48.- OUTRAS LÍNGUAS}}
Alêm das línguas já referidas, há umas poucas cujos vocábulá-
rios não foram objecto directo do meu estudo, como são o chinês, o
rabino, o turco e os idiomas das Filipinas. Os dicionários das outras
línguas que analisei mencionam incidentemente algumas palavras ro-
mânicas que se encontram nesses vocabulários. Mas poucas destas
são de origem portuguesa certa, como ''leilão'' e ''padre'' no chinês; ou-
tras podem ter tido procedência diversa. As de tagalo e bisaio devem
ter imediatamente provindo do espanhol. As rabinas e as turcas são
reproduzidas do ''Glossário'' de Simonet. A sua ocorrência no meu tra-
balho deve sujeitar-se a esta ressalva.
ANDAMANÊS. — Examinei dois dicionários das línguas, ainda não
classificadas, das ilhas de Andaman<ref>''A Manual of the Andamanese Languages'', by M. V. Portman, London 1887.
''Notes on
the Languages of the South Andaman Group of Tribes'', by M. V. Portman,
Calcutta 1898.</ref>, e não encontrei neles nenhuma
palavra portuguesa; porque não registam nenhum vocábulo peregrino
e por isso omitem os termos ''sabão'', ''mesa'', ''tabaco'', etc. Conquanto os
andamaneses sejam selvagens, é de presumir que na sua fala tenham
entrado algumas dições portuguesas por via do hindustani e do inglês,
como tem acontecido em casos análogos<ref>«Foise perder nas ilhas que chamão de Andramu: a gente das quais come carne humana». João de Barros, Déc. III, v, 3.</ref>.<section end=int13 />
<section begin=int14 />{{center| XIV. — '''Alfabetos e transcrições'''<ref>Vid. Beames, ''Comparative Grammar of the Modern Aryan Languages of India''.
Caldwell, ''A Comparative Grammar of the Dravidian Languages''. Arthur Macdo-
nell, ''A History of Sanskrit Literature''. Friedrich Ballhorn, ''Alphabete orienta-
lischer und occidentalischer Sprachen''. G. Bühler, ''On the Origin of the Indian
Brahma Alphabet''.</ref>}}
É agora ponto assente entre os sanscritólogos, após as investiga-
ções paleográficas do Dr. Bühler, que a escrita era conhecida na In-
dia no século VIII antes de Cristo, pôsto que não fôsse então, nem
== Notas ==
<references /><noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXI
{{center| INTRODUÇÃO}}
étimo português. Os lexicógrafos referem muitos dêles, como noto em
vários casos, ao grego, ao latim, ao francês e ao italiano. O árabe e
o persa entram, portanto, no meu trabalho como línguas secundárias.
{{center| § 48.- OUTRAS LÍNGUAS}}
Alêm das línguas já referidas, há umas poucas cujos vocábulá-
rios não foram objecto directo do meu estudo, como são o chinês, o
rabino, o turco e os idiomas das Filipinas. Os dicionários das outras
línguas que analisei mencionam incidentemente algumas palavras ro-
mânicas que se encontram nesses vocabulários. Mas poucas destas
são de origem portuguesa certa, como ''leilão'' e ''padre'' no chinês; ou-
tras podem ter tido procedência diversa. As de tagalo e bisaio devem
ter imediatamente provindo do espanhol. As rabinas e as turcas são
reproduzidas do ''Glossário'' de Simonet. A sua ocorrência no meu tra-
balho deve sujeitar-se a esta ressalva.
ANDAMANÊS. — Examinei dois dicionários das línguas, ainda não
classificadas, das ilhas de Andaman<ref>''A Manual of the Andamanese Languages'', by M. V. Portman, London 1887.
''Notes on
the Languages of the South Andaman Group of Tribes'', by M. V. Portman,
Calcutta 1898.</ref>, e não encontrei neles nenhuma
palavra portuguesa; porque não registam nenhum vocábulo peregrino
e por isso omitem os termos ''sabão'', ''mesa'', ''tabaco'', etc. Conquanto os
andamaneses sejam selvagens, é de presumir que na sua fala tenham
entrado algumas dições portuguesas por via do hindustani e do inglês,
como tem acontecido em casos análogos<ref>«Foise perder nas ilhas que chamão de Andramu: a gente das quais come carne humana». João de Barros, Déc. III, v, 3.</ref>.<section end=int13 />
<section begin=int14 />{{center| XIV. — '''Alfabetos e transcrições'''<ref>Vid. Beames, ''Comparative Grammar of the Modern Aryan Languages of India''.
Caldwell, ''A Comparative Grammar of the Dravidian Languages''. Arthur Macdo-
nell, ''A History of Sanskrit Literature''. Friedrich Ballhorn, ''Alphabete orienta-
lischer und occidentalischer Sprachen''. G. Bühler, ''On the Origin of the Indian
Brahma Alphabet''.</ref>}}
É agora ponto assente entre os sanscritólogos, após as investiga-
ções paleográficas do Dr. Bühler, que a escrita era conhecida na In-
dia no século VIII antes de Cristo, pôsto que não fôsse então, nem<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
kf7ihqoe5cecdhorgjyr6xatwfiijkq
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxi}}}}</noinclude>étimo português. Os lexicógrafos referem muitos dêles, como noto em
vários casos, ao grego, ao latim, ao francês e ao italiano. O árabe e
o persa entram, portanto, no meu trabalho como línguas secundárias.
{{center| § 48.- OUTRAS LÍNGUAS}}
Alêm das línguas já referidas, há umas poucas cujos vocábulá-
rios não foram objecto directo do meu estudo, como são o chinês, o
rabino, o turco e os idiomas das Filipinas. Os dicionários das outras
línguas que analisei mencionam incidentemente algumas palavras ro-
mânicas que se encontram nesses vocabulários. Mas poucas destas
são de origem portuguesa certa, como ''leilão'' e ''padre'' no chinês; ou-
tras podem ter tido procedência diversa. As de tagalo e bisaio devem
ter imediatamente provindo do espanhol. As rabinas e as turcas são
reproduzidas do ''Glossário'' de Simonet. A sua ocorrência no meu tra-
balho deve sujeitar-se a esta ressalva.
ANDAMANÊS. — Examinei dois dicionários das línguas, ainda não
classificadas, das ilhas de Andaman<ref>''A Manual of the Andamanese Languages'', by M. V. Portman, London 1887.
''Notes on
the Languages of the South Andaman Group of Tribes'', by M. V. Portman,
Calcutta 1898.</ref>, e não encontrei neles nenhuma
palavra portuguesa; porque não registam nenhum vocábulo peregrino
e por isso omitem os termos ''sabão'', ''mesa'', ''tabaco'', etc. Conquanto os
andamaneses sejam selvagens, é de presumir que na sua fala tenham
entrado algumas dições portuguesas por via do hindustani e do inglês,
como tem acontecido em casos análogos<ref>«Foise perder nas ilhas que chamão de Andramu: a gente das quais come carne humana». João de Barros, Déc. III, v, 3.</ref>.<section end=int13 />
<section begin=int14 />{{center| XIV. — '''Alfabetos e transcrições'''<ref>Vid. Beames, ''Comparative Grammar of the Modern Aryan Languages of India''.
Caldwell, ''A Comparative Grammar of the Dravidian Languages''. Arthur Macdo-
nell, ''A History of Sanskrit Literature''. Friedrich Ballhorn, ''Alphabete orienta-
lischer und occidentalischer Sprachen''. G. Bühler, ''On the Origin of the Indian
Brahma Alphabet''.</ref>}}
É agora ponto assente entre os sanscritólogos, após as investiga-
ções paleográficas do Dr. Bühler, que a escrita era conhecida na In-
dia no século VIII antes de Cristo, pôsto que não fôsse então, nem<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/77
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXII
{{center| INTRODUÇÃO}}
muito depois, empregada para fins literários. E de origem semítica do
tipo finício, semelhante à da estala moabita, introduzida por merca-
dores por via da Mesopotâmia. Os mais antigos documentos que pos-
suímos são as inscrições lapidares do imperador Açoca (século III
antes de Cristo), que já apresentam numerosos cambiantes gráficos.
A remodelação, a sistematização e a adaptação dos caracteres
semíticos à fonética indo-europeia deram em resultado, no século V,
o alfabeto conhecido pelo nome de bra̅hmi̅. É dêste que derivam to-
dos os alfabetos modernos da Índia, mesmo os dravídicos, por mais
divergentes que ao presente pareçam. O mais importante é o ''na̅gari̅''
(«urbano») ou ''devana̅gari̅'' («da cidade de Deus»), no qual principal-
mente estão exarados os monumentos literários da língua sânscrita,
e que na sua caracterização gráfica data pelo menos do século VIII
da era vulgar.
Seguem o alfabeto devanagárico: o hindi, o nepali, o bihari, o kash-
miri; o sindhi e o hindustani, conjuntamente com o árabe-persiano;
o marata (vid. XIII, § 2), o concani, parcialmente, e o gujarati (vid.
XIII, § 3). O panjabi, o bengali, o oriya, o assamês, o singalês, o te-
lúgu, o canarês com túlu e o malayálam teem alfabetos próprios, que
diferem do devanágari gráficamente, e não fonética ou metódicamente.
Muitas destas línguas porêm não usam no vocabulário vernáculo
todos os fónemas do devanágari, e algumas há que teem um ou outro
fonema especial ou fonemas e letras a mais.
Entre as línguas dravídicas só o alfabeto do tamul difere notável-
mente do nagárico, assim por falta de muitas letras, como pelo acres-
centamento dalgumas consoantes, e mais pelo emprêgo de certas
consoantes para representar dois ou tres fonemas.
Servem-se do alfabeto árabe-persiano: o hindustani, o sindhi com
sistema especial de diacríticos, o malaio e o achinês.
O birmanês, o tibetano, o siamês, o cambojano, o batta, o javanês
com o sundanês e o balinês, e o madurês teem alfabetos peculiares,
derivados do índico, mas muito modificados. O alfabeto do búgui e
do makassarês é coordenado conforme o sistema devanagárico.
O garó, o klassi, o dayak, o nicobarês, o teto, o galóli, o malga-
che, e, em parte, o concani, o baixo malaio e o sundanês usam ca-
racteres romanos. O annamita, o tonkinês e o japonês empregam
idiógrafos chineses<ref>Rev. J. Knowles afirma que «os alfabetos do império indiano atingem a</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXII
{{center| INTRODUÇÃO}}
muito depois, empregada para fins literários. E de origem semítica do
tipo finício, semelhante à da estala moabita, introduzida por merca-
dores por via da Mesopotâmia. Os mais antigos documentos que pos-
suímos são as inscrições lapidares do imperador Açoca (século III
antes de Cristo), que já apresentam numerosos cambiantes gráficos.
A remodelação, a sistematização e a adaptação dos caracteres
semíticos à fonética indo-europeia deram em resultado, no século V,
o alfabeto conhecido pelo nome de bra̅hmi̅. É dêste que derivam to-
dos os alfabetos modernos da Índia, mesmo os dravídicos, por mais
divergentes que ao presente pareçam. O mais importante é o ''na̅gari̅''
(«urbano») ou ''devana̅gari̅'' («da cidade de Deus»), no qual principal-
mente estão exarados os monumentos literários da língua sânscrita,
e que na sua caracterização gráfica data pelo menos do século VIII
da era vulgar.
Seguem o alfabeto devanagárico: o hindi, o nepali, o bihari, o kash-
miri; o sindhi e o hindustani, conjuntamente com o árabe-persiano;
o marata (vid. XIII, § 2), o concani, parcialmente, e o gujarati (vid.
XIII, § 3). O panjabi, o bengali, o oriya, o assamês, o singalês, o te-
lúgu, o canarês com túlu e o malayálam teem alfabetos próprios, que
diferem do devanágari gráficamente, e não fonética ou metódicamente.
Muitas destas línguas porêm não usam no vocabulário vernáculo
todos os fónemas do devanágari, e algumas há que teem um ou outro
fonema especial ou fonemas e letras a mais.
Entre as línguas dravídicas só o alfabeto do tamul difere notável-
mente do nagárico, assim por falta de muitas letras, como pelo acres-
centamento dalgumas consoantes, e mais pelo emprêgo de certas
consoantes para representar dois ou tres fonemas.
Servem-se do alfabeto árabe-persiano: o hindustani, o sindhi com
sistema especial de diacríticos, o malaio e o achinês.
O birmanês, o tibetano, o siamês, o cambojano, o batta, o javanês
com o sundanês e o balinês, e o madurês teem alfabetos peculiares,
derivados do índico, mas muito modificados. O alfabeto do búgui e
do makassarês é coordenado conforme o sistema devanagárico.
O garó, o klassi, o dayak, o nicobarês, o teto, o galóli, o malga-
che, e, em parte, o concani, o baixo malaio e o sundanês usam ca-
racteres romanos. O annamita, o tonkinês e o japonês empregam
idiógrafos chineses<ref name="p77">Rev. J. Knowles afirma que «os alfabetos do império indiano atingem a</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxxii}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>muito depois, empregada para fins literários. E de origem semítica do
tipo finício, semelhante à da estala moabita, introduzida por merca-
dores por via da Mesopotâmia. Os mais antigos documentos que pos-
suímos são as inscrições lapidares do imperador Açoca (século III
antes de Cristo), que já apresentam numerosos cambiantes gráficos.
A remodelação, a sistematização e a adaptação dos caracteres
semíticos à fonética indo-europeia deram em resultado, no século V,
o alfabeto conhecido pelo nome de bra̅hmi̅. É dêste que derivam to-
dos os alfabetos modernos da Índia, mesmo os dravídicos, por mais
divergentes que ao presente pareçam. O mais importante é o ''na̅gari̅''
(«urbano») ou ''devana̅gari̅'' («da cidade de Deus»), no qual principal-
mente estão exarados os monumentos literários da língua sânscrita,
e que na sua caracterização gráfica data pelo menos do século VIII
da era vulgar.
Seguem o alfabeto devanagárico: o hindi, o nepali, o bihari, o kash-
miri; o sindhi e o hindustani, conjuntamente com o árabe-persiano;
o marata (vid. XIII, § 2), o concani, parcialmente, e o gujarati (vid.
XIII, § 3). O panjabi, o bengali, o oriya, o assamês, o singalês, o te-
lúgu, o canarês com túlu e o malayálam teem alfabetos próprios, que
diferem do devanágari gráficamente, e não fonética ou metódicamente.
Muitas destas línguas porêm não usam no vocabulário vernáculo
todos os fónemas do devanágari, e algumas há que teem um ou outro
fonema especial ou fonemas e letras a mais.
Entre as línguas dravídicas só o alfabeto do tamul difere notável-
mente do nagárico, assim por falta de muitas letras, como pelo acres-
centamento dalgumas consoantes, e mais pelo emprêgo de certas
consoantes para representar dois ou tres fonemas.
Servem-se do alfabeto árabe-persiano: o hindustani, o sindhi com
sistema especial de diacríticos, o malaio e o achinês.
O birmanês, o tibetano, o siamês, o cambojano, o batta, o javanês
com o sundanês e o balinês, e o madurês teem alfabetos peculiares,
derivados do índico, mas muito modificados. O alfabeto do búgui e
do makassarês é coordenado conforme o sistema devanagárico.
O garó, o klassi, o dayak, o nicobarês, o teto, o galóli, o malga-
che, e, em parte, o concani, o baixo malaio e o sundanês usam ca-
racteres romanos. O annamita, o tonkinês e o japonês empregam
idiógrafos chineses<ref name="p77">Rev. J. Knowles afirma que «os alfabetos do império indiano atingem a</ref>.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/78
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXIII
{{center| INTRODUÇÃO}}
O congresso dos orientalistas, realizado em Genebra em 1994,
adoptou, quanto ao devanágari, um sistema uniforme de transcrição,
que desde então tem sido geralmente seguido pelos sanscritólogos. O
mesmo pode e convêm aproveitar-se para a transcrição dos outros
alfabetos que teem idêntica origem, com notação particular, fácilmente
inteligivel, das letras especiais.
Importa, portanto, conhecer principalmente a transcrição dos alfa-
betos devanagárico, tamul e árabe-persiano.
{{center| Transcrição do alfabeto devanagárico}}
Vogais:
Guturais:
Palatais:
Cacuminais:
Dentais:
Labiais:
Semivogais:
Sibilantes:
Aspirante:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. ''A'' sôa como a vogal neutra ou o ''a'' pequeno. Em concani e em
bengali aproxima-se do ''ŏ'' breve. A, i, u, ṛ , ḷ são breves (= ă, ĭ, ŭ,
ṛ̆, ḷ); a, i, u, são longos. As vogais ṛ, ṝ, ḷ são privativas de vocá-
bulos sânscritos. ''E'' e ''o'' consideram-se ditongos em sânscrito (origi-
náriamente ǎi e ǎu) e, como tais, são longos e fechados (= ê, ô).
II. Nas línguas dravídicas e em algumas das neo-áricas ''e'' e ''o'' são
breves e longos. Represento-os por ē e ō, quando longos e átonos. O
singalês tem, a mais, e ditongo (=ae), breve e longo, muito palati-
<ref follow="p77">soma de cinquenta - número maior que o de todas as outras línguas do mundo, antigas e modernas por junto».</ref><noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
nxc11ezuoqfjzez525m689rfk281sze
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxiii}}}}</noinclude>O congresso dos orientalistas, realizado em Genebra em 1994,
adoptou, quanto ao devanágari, um sistema uniforme de transcrição,
que desde então tem sido geralmente seguido pelos sanscritólogos. O
mesmo pode e convêm aproveitar-se para a transcrição dos outros
alfabetos que teem idêntica origem, com notação particular, fácilmente
inteligivel, das letras especiais.
Importa, portanto, conhecer principalmente a transcrição dos alfa-
betos devanagárico, tamul e árabe-persiano.
{{center| Transcrição do alfabeto devanagárico}}
Vogais:
Guturais:
Palatais:
Cacuminais:
Dentais:
Labiais:
Semivogais:
Sibilantes:
Aspirante:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. ''A'' sôa como a vogal neutra ou o ''a'' pequeno. Em concani e em
bengali aproxima-se do ''ŏ'' breve. A, i, u, ṛ , ḷ são breves (= ă, ĭ, ŭ,
ṛ̆, ḷ); a, i, u, são longos. As vogais ṛ, ṝ, ḷ são privativas de vocá-
bulos sânscritos. ''E'' e ''o'' consideram-se ditongos em sânscrito (origi-
náriamente ǎi e ǎu) e, como tais, são longos e fechados (= ê, ô).
II. Nas línguas dravídicas e em algumas das neo-áricas ''e'' e ''o'' são
breves e longos. Represento-os por ē e ō, quando longos e átonos. O
singalês tem, a mais, e ditongo (=ae), breve e longo, muito palati-
<ref follow="p77">soma de cinquenta - número maior que o de todas as outras línguas do mundo, antigas e modernas por junto».</ref><noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
kng1pdjzfsdq3qh867kcmjx0984m4eb
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxiii}}}}</noinclude>O congresso dos orientalistas, realizado em Genebra em 1994,
adoptou, quanto ao devanágari, um sistema uniforme de transcrição,
que desde então tem sido geralmente seguido pelos sanscritólogos. O
mesmo pode e convêm aproveitar-se para a transcrição dos outros
alfabetos que teem idêntica origem, com notação particular, fácilmente
inteligivel, das letras especiais.
Importa, portanto, conhecer principalmente a transcrição dos alfa-
betos devanagárico, tamul e árabe-persiano.
{| style="margin: auto; border-spacing: 1em 0;"
|+ '''Transcrição do alfabeto devanagárico'''
|-
| Vogais:
| colspan="5" style="text-align:center;" |
अ ''a'', आ ''ā'', इ ''i'', ई ''ī'', उ ''u'', ऊ ''ū'', ऋ ''ṛ'', ॠ ''ṝ'', ऌ ''ḷ'', ए ''e'', ऐ ''ai'', ओ ''o'', औ ''au''
|-
| Guturais:
| क ''ka'' || ख ''kha'' || ग ''ga'' || घ ''gha'' || ङ ''ṅa''
|-
| Palatais:
| च ''ca'' || छ ''cha'' || ज ''ja'' || झ ''jha'' || ञ ''ña''
|-
| Cacuminais:
| ट ''ṭa'' || ठ ''ṭha'' || ड ''ḍa'' || ढ ''ḍha'' || ण ''ṇa''
|-
| Dentais:
| त ''ta'' || थ ''tha'' || द ''da'' || ध ''dha'' || न ''na''
|-
| Labiais:
| प ''pa'' || फ ''pha'' || ब ''ba'' || भ ''bha'' || म ''ma''
|-
| Semivogais:
| य ''ya'' || र ''ra'' || ल ''la'' || व ''va''
|-
| Sibilantes:
| श ''śa'' (palatal) || colspan="2" | ष ''ṣa'' (cacuminal) || colspan="2" | स ''sa'' (dental)
|-
| Aspirante:
| colspan="5" | ह ''ha''; anusvāra: ''ṁ''; visarga: ''ḥ''
|}
{{dhr}}
{{center|OBSERVAÇÕES|fs=75%}}
I. ''A'' sôa como a vogal neutra ou o ''a'' pequeno. Em concani e em
bengali aproxima-se do ''ŏ'' breve. A, i, u, ṛ , ḷ são breves (= ă, ĭ, ŭ,
ṛ̆, ḷ); a, i, u, são longos. As vogais ṛ, ṝ, ḷ são privativas de vocá-
bulos sânscritos. ''E'' e ''o'' consideram-se ditongos em sânscrito (origi-
náriamente ǎi e ǎu) e, como tais, são longos e fechados (= ê, ô).
II. Nas línguas dravídicas e em algumas das neo-áricas ''e'' e ''o'' são
breves e longos. Represento-os por ē e ō, quando longos e átonos. O
singalês tem, a mais, e ditongo (=ae), breve e longo, muito palati-
<ref follow="p77">soma de cinquenta - número maior que o de todas as outras línguas do mundo, antigas e modernas por junto».</ref><noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
pwkplrdyxdtjrw8dgh71endgv101pbd
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/79
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXIV
{{center| INTRODUÇÃO}}
zado; transcreve-se comummente em ''ẹ'' e ''ẹ̄'' ou, melhor, em ''ẹ̣'' e ''ẹ̣̄'' . O
concani tem ''e'' e ''o'' abertos e fechados; destingo-os, se é necessário,
por ''é'' e ''ó'', quando abertos e tónicos, e por ''ê'' e ''ô'', sendo fechados. As
línguas dravídicas finalizam muitas palavras em ''u'' muito breve de
apoio, que se costuma notar por ''ụ'' ou ''u̥''. Os gramáticos dão-lhe,
conforme Caldwell, um quarto da quantidade de vogal longa.
III. Muitas das línguas neo-áricas não pronunciam o ''a'' breve final
e freqùentemente nem o medial, pôsto que escrevam a consoante in-
teira (sem o ''virāma''), como se o tivesse inerente. Assim, escreve-se
rāma, mas pronuncia-se ''rām'''. Nestes casos, omito o ''a'' na trans-
crição.
IV. Os idiomas dravídicos e muitos dos neo-áricos teem o fonema,
bem como a letra ḷa cacuminal, que no sânscrito somente ocorre
na escrita védica.
V. O concani, o marata e o telúgu teem duas letras com dois fo-
nemas cada uma, sem distinção gráfica: o normal (antes de ''e'' e ''i'') ''ch''
explosivo (como o italiano ''c'' antes de ''e'' e ''i'') e ''ts'', quási equivalente ao
de ''zz'' em italiano; ''j'' explosivo (como em inglês) e ''z'' (ou ''dz'')<ref>Beames denomina ''ts'' e ''dz'' «palatais não-assimiladas».</ref>
. Distin-
go-os na transcrição.
VI. Por motivos ponderosos e especiais, faço as seguintes alterações
na transcrição acima dada: ''ch'', ''chh'' por ''c'', ''ch''; ''x'' (palatal) por ''ç'' (ou ''s'')
e ''s''; e emprego ''n'', em geral, não sómente para designar a nasal den-
tal, mas tambêm a gutural ''n'' e a palatal ''n''. Todas as nasais mediais,
desacompanhadas de vogal, são de ordinário representadas na escrita
neo-árica por um ponto (anusvāra), colocado por cima da letra ante-
cedente, como o português til; e distinguem-se fonéticamente pela
consoante que segue, como em concani: ''ang'' por ''añg'', ''vamjh'' por
''vanjh'', ''phamț'' por ''phant'', ''damt'' por ''dant'', ''rimpi'' por ''ximpi''.
VII. Em quási todas as linguas polissilábicas o acento recai na
última sílaba, se fôr longa, ou na penúltima, longa ou breve, se a
última fôr breve. Em singalês porém pode o acento protrair-se à ante-
penúltima, ainda que seja breve, como ''annasiya'', «ananás» <ref>As palavras esdrúxulas singalesas teem o acento tónico na 4ª sílaba, incluindo o sufixo ''yx'' ou ''-va'': ''kámaraya'' = câmara, ''púkuruva'' = púcaro, ''viduruva'' = vidro.</ref>. Indico as excepções pelo acento agudo, sendo longa a vogal; pelo acento e
sinal de breve, sendo breve a vogal.<noinclude>{{lh|align=left|7em}}
{{smallrefs|fs=85%}}</noinclude>
q5w48glf7mtflqpmfo8426eirx62xdy
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXIV
{{center| INTRODUÇÃO}}
zado; transcreve-se comummente em ''ẹ'' e ''ẹ̄'' ou, melhor, em ''ẹ̣'' e ''ẹ̣̄'' . O
concani tem ''e'' e ''o'' abertos e fechados; destingo-os, se é necessário,
por ''é'' e ''ó'', quando abertos e tónicos, e por ''ê'' e ''ô'', sendo fechados. As
línguas dravídicas finalizam muitas palavras em ''u'' muito breve de
apoio, que se costuma notar por ''ụ'' ou ''u̥''. Os gramáticos dão-lhe,
conforme Caldwell, um quarto da quantidade de vogal longa.
III. Muitas das línguas neo-áricas não pronunciam o ''a'' breve final
e freqùentemente nem o medial, pôsto que escrevam a consoante in-
teira (sem o ''virāma''), como se o tivesse inerente. Assim, escreve-se
rāma, mas pronuncia-se ''rām'''. Nestes casos, omito o ''a'' na trans-
crição.
IV. Os idiomas dravídicos e muitos dos neo-áricos teem o fonema,
bem como a letra ḷa cacuminal, que no sânscrito somente ocorre
na escrita védica.
V. O concani, o marata e o telúgu teem duas letras com dois fo-
nemas cada uma, sem distinção gráfica: o normal (antes de ''e'' e ''i'') ''ch''
explosivo (como o italiano ''c'' antes de ''e'' e ''i'') e ''ts'', quási equivalente ao
de ''zz'' em italiano; ''j'' explosivo (como em inglês) e ''z'' (ou ''dz'')<ref>Beames denomina ''ts'' e ''dz'' «palatais não-assimiladas».</ref>
. Distin-
go-os na transcrição.
VI. Por motivos ponderosos e especiais, faço as seguintes alterações
na transcrição acima dada: ''ch'', ''chh'' por ''c'', ''ch''; ''x'' (palatal) por ''ç'' (ou ''s'')
e ''s''; e emprego ''n'', em geral, não sómente para designar a nasal den-
tal, mas tambêm a gutural ''n'' e a palatal ''n''. Todas as nasais mediais,
desacompanhadas de vogal, são de ordinário representadas na escrita
neo-árica por um ponto (anusvāra), colocado por cima da letra ante-
cedente, como o português til; e distinguem-se fonéticamente pela
consoante que segue, como em concani: ''ang'' por ''añg'', ''vamjh'' por
''vanjh'', ''phamț'' por ''phant'', ''damt'' por ''dant'', ''rimpi'' por ''ximpi''.
VII. Em quási todas as linguas polissilábicas o acento recai na
última sílaba, se fôr longa, ou na penúltima, longa ou breve, se a
última fôr breve. Em singalês porém pode o acento protrair-se à ante-
penúltima, ainda que seja breve, como ''annasiya'', «ananás» <ref>As palavras esdrúxulas singalesas teem o acento tónico na 4ª sílaba, incluindo o sufixo ''yx'' ou ''-va'': ''kámaraya'' = câmara, ''púkuruva'' = púcaro, ''viduruva'' = vidro.</ref>. Indico as excepções pelo acento agudo, sendo longa a vogal; pelo acento e
sinal de breve, sendo breve a vogal.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
t0uz251g2nigzjxu6cyt5dzrpjja83o
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh|{{sc|lxxiv}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>zado; transcreve-se comummente em ''ẹ'' e ''ẹ̄'' ou, melhor, em ''ẹ̣'' e ''ẹ̣̄'' . O
concani tem ''e'' e ''o'' abertos e fechados; destingo-os, se é necessário,
por ''é'' e ''ó'', quando abertos e tónicos, e por ''ê'' e ''ô'', sendo fechados. As
línguas dravídicas finalizam muitas palavras em ''u'' muito breve de
apoio, que se costuma notar por ''ụ'' ou ''u̥''. Os gramáticos dão-lhe,
conforme Caldwell, um quarto da quantidade de vogal longa.
III. Muitas das línguas neo-áricas não pronunciam o ''a'' breve final
e freqùentemente nem o medial, pôsto que escrevam a consoante in-
teira (sem o ''virāma''), como se o tivesse inerente. Assim, escreve-se
rāma, mas pronuncia-se ''rām'''. Nestes casos, omito o ''a'' na trans-
crição.
IV. Os idiomas dravídicos e muitos dos neo-áricos teem o fonema,
bem como a letra ḷa cacuminal, que no sânscrito somente ocorre
na escrita védica.
V. O concani, o marata e o telúgu teem duas letras com dois fo-
nemas cada uma, sem distinção gráfica: o normal (antes de ''e'' e ''i'') ''ch''
explosivo (como o italiano ''c'' antes de ''e'' e ''i'') e ''ts'', quási equivalente ao
de ''zz'' em italiano; ''j'' explosivo (como em inglês) e ''z'' (ou ''dz'')<ref>Beames denomina ''ts'' e ''dz'' «palatais não-assimiladas».</ref>
. Distin-
go-os na transcrição.
VI. Por motivos ponderosos e especiais, faço as seguintes alterações
na transcrição acima dada: ''ch'', ''chh'' por ''c'', ''ch''; ''x'' (palatal) por ''ç'' (ou ''s'')
e ''s''; e emprego ''n'', em geral, não sómente para designar a nasal den-
tal, mas tambêm a gutural ''n'' e a palatal ''n''. Todas as nasais mediais,
desacompanhadas de vogal, são de ordinário representadas na escrita
neo-árica por um ponto (anusvāra), colocado por cima da letra ante-
cedente, como o português til; e distinguem-se fonéticamente pela
consoante que segue, como em concani: ''ang'' por ''añg'', ''vamjh'' por
''vanjh'', ''phamț'' por ''phant'', ''damt'' por ''dant'', ''rimpi'' por ''ximpi''.
VII. Em quási todas as linguas polissilábicas o acento recai na
última sílaba, se fôr longa, ou na penúltima, longa ou breve, se a
última fôr breve. Em singalês porém pode o acento protrair-se à ante-
penúltima, ainda que seja breve, como ''annasiya'', «ananás» <ref>As palavras esdrúxulas singalesas teem o acento tónico na 4ª sílaba, incluindo o sufixo ''yx'' ou ''-va'': ''kámaraya'' = câmara, ''púkuruva'' = púcaro, ''viduruva'' = vidro.</ref>. Indico as excepções pelo acento agudo, sendo longa a vogal; pelo acento e
sinal de breve, sendo breve a vogal.<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/80
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>INTRODUÇÃO
{{center| '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
}}
Letras para fonemas sânscritos:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes<noinclude>{{lh|align=left|7em}}
{{smallrefs|fs=85%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>INTRODUÇÃO
{{center| '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
}}
Letras para fonemas sânscritos:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxv}}}}</noinclude>{{center| '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
}}
Letras para fonemas sânscritos:
{{center| OBSERVAÇÕES}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxv}}}}</noinclude>{| style="margin: auto; border-spacing: 0.5em 0;"
|+ '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
|-
| அ || ''a''
| எ || ''e''
| க் || ''k''
| த் || ''t''
| ல் || ''l''
|-
| ஆ || ''ā''
| ஏ || ''ē''
| ங் || ''ṅ''
| ந் || ''n''
| வ || ''v''
|-
| இ || ''i''
| ஒ || ''o''
| ச் || ''ch''
| ப || ''p''
| ழ் || ''ḻ'' (ou ''l̪'')
|-
| ஈ || ''ī''
| ஓ || ''ō''
| ஞ் || ''ñ''
| ம் || ''m''
| ள் || ''ḷ''
|-
| உ || ''u''
| ஐ || ''ai'' (ou ''ei'')
| ட் || ''ḍ''
| ய் || ''y''
| ற் || ''ṛ''
|-
| ஊ || ''ū''
| ஔ || ''au''
| ண் || ''ṇ''
| ர் || ''r''
| ன் || ''n''
|-
| colspan="10" | Letras para fonemas sânscritos: ஷ் ''sh'', ஸ் ''s'', ஹ் ''h'', ஃ ''ḥ''.
|}
{{center|OBSERVAÇÕES|fs=85%}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxv}}}}</noinclude>{| style="margin: auto; border-spacing: 0.5em 0;"
|+ '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
|-
| அ || ''a''
| எ || ''e''
| க் || ''k''
| த் || ''t''
| ல் || ''l''
|-
| ஆ || ''ā''
| ஏ || ''ē''
| ங் || ''ṅ''
| ந் || ''n''
| வ || ''v''
|-
| இ || ''i''
| ஒ || ''o''
| ச் || ''ch''
| ப || ''p''
| ழ் || ''ḻ'' (ou ''l̪'')
|-
| ஈ || ''ī''
| ஓ || ''ō''
| ஞ் || ''ñ''
| ம் || ''m''
| ள் || ''ḷ''
|-
| உ || ''u''
| ஐ || ''ai'' (ou ''ei'')
| ட் || ''ḍ''
| ய் || ''y''
| ற் || ''ṛ''
|-
| ஊ || ''ū''
| ஔ || ''au''
| ண் || ''ṇ''
| ர் || ''r''
| ன் || ''n''
|-
| colspan="10" | Letras para fonemas sânscritos: ஷ் ''sh'', ஸ் ''s'', ஹ் ''h'', ஃ ''ḥ''.
|}
{{center|OBSERVAÇÕES|fs=85%}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxv}}}}</noinclude>{| style="margin: auto; border-spacing: 0.5em 0;"
|+ '''Transcrição do alfabeto tamul'''
<ref>Vid Caldwell, op. cit , Percival, ''Tamil-English Dictionary''.</ref>
|-
| அ || ''a''
| எ || ''e''
| க் || ''k''
| த் || ''t''
| ல் || ''l''
|-
| ஆ || ''ā''
| ஏ || ''ē''
| ங் || ''ṅ''
| ந் || ''n''
| வ || ''v''
|-
| இ || ''i''
| ஒ || ''o''
| ச் || ''ch''
| ப || ''p''
| ழ் || ''ḻ'' (ou ''l̪'')
|-
| ஈ || ''ī''
| ஓ || ''ō''
| ஞ் || ''ñ''
| ம் || ''m''
| ள் || ''ḷ''
|-
| உ || ''u''
| ஐ || ''ai'' (ou ''ei'')
| ட் || ''ḍ''
| ய் || ''y''
| ற் || ''ṛ''
|-
| ஊ || ''ū''
| ஔ || ''au''
| ண் || ''ṇ''
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|-
| colspan="10" | Letras para fonemas sânscritos: ஷ் ''sh'', ஸ் ''s'', ஹ் ''h'', ஃ ''ḥ''.
|}
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{{center|OBSERVAÇÕES|fs=75%}}
I. Êste alfabeto dravídico é também silábico; o ponto por cima da
consoante, equivalente ao sânscrito ''virāma'', indica a ausência do ''a''
breve inerente.
II. O tamul não tem fonemas aspirados, nem letras especiais para
consoantes brandas; um mesmo carácter serve para representar ambos os fonemas.
III. ''K, ch, t, t, p'', sendo mediais e simples, isto é, não geminados, soam ''g, j'' (pouco usado em palavras vernáculas), ḍ, d, b. ''Ch''
inicial, e mesmo intervocálico simples, abranda-se às vezes em ''x'' ou
o sânscrito ''ś'' ou ''ç''; e também se emprega para representar a sibilante
dental ''s''. Transcrevo ''ch, j'' e ''s'', mas não ''x'', que não é vulgar. O ''d''
intervocálico do tamul e do malayálam é muito brando como ''th'' inglês em ''than, that''. Não o distingo de ''d'' simples, nem o faz Caldwell.
Em vocábulos peregrinos ocorrem sonoras iniciais.
IV. A regra temúlica de sonoras mediais é igualmente observada
no malayálam, mas com letras distintas, excepto ''k'' medial que sôa ''g''
muito fraco, quási como ''h'', e transcreve-se por um sinal especial, que
eu omito.
V. As consoantes peculiares são: ''l, r, n''. A primeira, que ocorre
igualmente no malayálam, «pronuncia-se diferentemente em diferentes<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/81
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh
|{{sc|lxxvi}}
|INTRODUÇÃO
}}</noinclude>distritos», diz Caldwell. Conforme este autor, o seu som normal assemelha-se
ao de ''r'' inglês em ''farm'', mais líquido e pospalatal. Conforme
Percival, é uma mistura de ''r, l'' e do francês ''j''. O telúgu substitui-o
por ''ḍ'' cacuminal, e o canarês moderno, por ''ḷ'' cacuminal.
VI. O ''ŗ'' duro, presentemente usado em tamul e malayalam, tem o
seu médio entre as cerebrais ''ḍ'' e ''ḷ'', como no inglês ''crack''.
VII. O ''n'', última letra do alfabeto, não se diferença fonéticamente
de ''n'' dental; não tem, por isso, notação discriminativa.
VIII. Algumas das vogais teem cambiantes especiais ante certas
consoantes, que acho desnecessário descrever. O ditongo ''ai'' é de
pouca ocurrência<ref>As línguas dravídicas conservam geralmente o acento tónico das palavras
portuguesas na sílaba em que recai.</ref>.
{{center|Transcrição do alfabeto árabe-persa-hindustani<ref>Vid. Duncan Forbes, ''A Grammar of the Hindustani Language''. David Lopes,
''Textos de Aljamia Portuguesa''.</ref>}}
{{center|OBSERVAÇÕES}}
I. Muitas das letras dadas tomam diversas formas, quando iniciais,
mediais e finais. Não as reproduzo por não influírem na transcrição.
II. As letras ''th, h, s, z'' (''ḍ''), ''t, z, ', q'', são peculiares ao árabe.
''Kh, dh, z, gh'', são comuns ao árabe e ao persa. A letra zh é peculiar
ao persa. P, ch, g, são comuns ao persa e ao hindustani. As
cacuminais ou cerebrais ṭ, ḍ, ṛ, são peculiares ao hindustani.
III. Algumas das letras arábicas teem som diferente em persa e<noinclude>{{lh|align=left|7em}}
{{smallrefs|fs=85%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh
|{{sc|lxxvi}}
|INTRODUÇÃO
}}</noinclude>distritos», diz Caldwell. Conforme este autor, o seu som normal assemelha-se
ao de ''r'' inglês em ''farm'', mais líquido e pospalatal. Conforme
Percival, é uma mistura de ''r, l'' e do francês ''j''. O telúgu substitui-o
por ''ḍ'' cacuminal, e o canarês moderno, por ''ḷ'' cacuminal.
VI. O ''ŗ'' duro, presentemente usado em tamul e malayalam, tem o
seu médio entre as cerebrais ''ḍ'' e ''ḷ'', como no inglês ''crack''.
VII. O ''n'', última letra do alfabeto, não se diferença fonéticamente
de ''n'' dental; não tem, por isso, notação discriminativa.
VIII. Algumas das vogais teem cambiantes especiais ante certas
consoantes, que acho desnecessário descrever. O ditongo ''ai'' é de
pouca ocurrência<ref>As línguas dravídicas conservam geralmente o acento tónico das palavras
portuguesas na sílaba em que recai.</ref>.
{{center|Transcrição do alfabeto árabe-persa-hindustani<ref>Vid. Duncan Forbes, ''A Grammar of the Hindustani Language''. David Lopes,
''Textos de Aljamia Portuguesa''.</ref>}}
{{center|OBSERVAÇÕES}}
I. Muitas das letras dadas tomam diversas formas, quando iniciais,
mediais e finais. Não as reproduzo por não influírem na transcrição.
II. As letras ''th, h, s, z'' (''ḍ''), ''t, z, ', q'', são peculiares ao árabe.
''Kh, dh, z, gh'', são comuns ao árabe e ao persa. A letra zh é peculiar
ao persa. P, ch, g, são comuns ao persa e ao hindustani. As
cacuminais ou cerebrais ṭ, ḍ, ṛ, são peculiares ao hindustani.
III. Algumas das letras arábicas teem som diferente em persa e<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
iiygk8yyxvaanbzgcrpethofukivnwh
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<noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh|{{sc|lxxvi}}|INTRODUÇÃO|}}</noinclude>distritos», diz Caldwell. Conforme este autor, o seu som normal assemelha-se
ao de ''r'' inglês em ''farm'', mais líquido e pospalatal. Conforme
Percival, é uma mistura de ''r, l'' e do francês ''j''. O telúgu substitui-o
por ''ḍ'' cacuminal, e o canarês moderno, por ''ḷ'' cacuminal.
VI. O ''ŗ'' duro, presentemente usado em tamul e malayalam, tem o
seu médio entre as cerebrais ''ḍ'' e ''ḷ'', como no inglês ''crack''.
VII. O ''n'', última letra do alfabeto, não se diferença fonéticamente
de ''n'' dental; não tem, por isso, notação discriminativa.
VIII. Algumas das vogais teem cambiantes especiais ante certas
consoantes, que acho desnecessário descrever. O ditongo ''ai'' é de
pouca ocurrência<ref>As línguas dravídicas conservam geralmente o acento tónico das palavras
portuguesas na sílaba em que recai.</ref>.
{| style="margin: auto; border-spacing: 0.8em 0;"
|+ '''Transcrição do alfabeto árabe-persa-hindustani'''<ref>Vid. Duncan Forbes, ''A Grammar of the Hindustani Language''. David Lopes,
''Textos de Aljamia Portuguesa''.</ref>
|-
| ا || ''a'' (etc.)
| چ || ''ch''
| ذ || ''dh''
| ش || ''sh''
| غ || ''gh''
| م || ''m''
|-
| ب || ''b''
| ج || ''j''
| ر || ''r''
| ص || ''ṣ''
| ف || ''f''
| ن || ''n''
|-
| پ || ''p''
| ح || ''ḥ''
| ڙ || ''ṛ''
| ض || ''ẓ'' (''ḍ'')
| ق || ''q''
| ه || ''h''
|-
| ت || ''t''
| خ || ''kh''
| ز || ''z''
| ط || ''ṯ''
| ک || ''k''
| و || ''v'' (''w'')
|-
| ٿ || ''ṭ''
| د || ''d''
| ژ || ''zh''
| ظ || ''ẕ''
| گ || ''g''
| ی || ''y''
|-
| ث || ''th''
| ڐ || ''ḍ''
| س || ''s''
| ع || ''ʿ''
| ل || ''l''
|
|}
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{{center|OBSERVAÇÕES|fs=75%}}
I. Muitas das letras dadas tomam diversas formas, quando iniciais,
mediais e finais. Não as reproduzo por não influírem na transcrição.
II. As letras ''th, h, s, z'' (''ḍ''), ''t, z, ', q'', são peculiares ao árabe.
''Kh, dh, z, gh'', são comuns ao árabe e ao persa. A letra zh é peculiar
ao persa. P, ch, g, são comuns ao persa e ao hindustani. As
cacuminais ou cerebrais ṭ, ḍ, ṛ, são peculiares ao hindustani.
III. Algumas das letras arábicas teem som diferente em persa e<noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
21privynoz7dgb1zcj8j2ajf6pab3b3
Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/82
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
hindustani, como: ''th'' = ''s''; ''dh'' = ''z''; ''ḍ'' = hindust. ''z; t, z'' = hindust.
''t, z''.
IV. O referido congresso dos orientalistas tambêm fixou a trans-
crição do alfabeto arábico, que eu sigo, preferindo as variantes opta-
tivas. Mas substituo ''ḍ'' por ''ẓ'', para evitar a confusão com o ''ḍ'' do hin-
dustani, e ''w'' por ''v'', para manter a harmonia com a transcrição do
alfabeto devanagárico.
V. Como Simonet e outros autores adoptam diversas transcrições,
que nem sempre explicam, reproduzo várias dições arábicas destas
fontes sem observar rigorosa ou uniformemente a transcrição do con-
gresso.
VI. O malaio não emprega no vocabulário vernáculo as seguintes
letras arábicas: ''th, h, kh, z, sh, ṣ, ḍ, ṭ̣, ẓ̣,', gh, f''; e tem a mais as
seguintes: ''ch, ng, p, g, ñ'' ou ''ny''.
VII. Os autores holandeses, conformando-se com a índole da sua
língua, transcrevem por ''tj, dj'' e ''nj'', as letras ''ch, j'' e ''ñ'' do malaio e
outras línguas do Arquipélago, as quais se pronunciam exactamente
como no devanagári. «''Ch'' sempre se pronuncia como o ''ch'' em ''church''».
Swettenham. «<Ou como a palavra espanhola ''muchacho''». Favre. ''J'' deve
pronunciar-se como em ''jury, justice, jew''». Rigg. «''Ñ'' pronuncia-se
como ''gn'' em ''agneau''; é o ñ espanhol». Favre<ref>«The Dutch language does not contain this sound (''ch''), and it is consequently
represented by them by ''tj'', which does not convey the sound even according
to the Dutch use of letters, as ''j'' with them has the power of the English ''y''. It
rather conveys the force of the French letters so applied». Rigg.</ref>.<section end=int14 /><noinclude>{{lh|align=left|7em}}
{{smallrefs|fs=85%}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>LXXVII
{{center| INTRODUÇÃO}}
hindustani, como: ''th'' = ''s''; ''dh'' = ''z''; ''ḍ'' = hindust. ''z; t, z'' = hindust.
''t, z''.
IV. O referido congresso dos orientalistas tambêm fixou a trans-
crição do alfabeto arábico, que eu sigo, preferindo as variantes opta-
tivas. Mas substituo ''ḍ'' por ''ẓ'', para evitar a confusão com o ''ḍ'' do hin-
dustani, e ''w'' por ''v'', para manter a harmonia com a transcrição do
alfabeto devanagárico.
V. Como Simonet e outros autores adoptam diversas transcrições,
que nem sempre explicam, reproduzo várias dições arábicas destas
fontes sem observar rigorosa ou uniformemente a transcrição do con-
gresso.
VI. O malaio não emprega no vocabulário vernáculo as seguintes
letras arábicas: ''th, h, kh, z, sh, ṣ, ḍ, ṭ̣, ẓ̣,', gh, f''; e tem a mais as
seguintes: ''ch, ng, p, g, ñ'' ou ''ny''.
VII. Os autores holandeses, conformando-se com a índole da sua
língua, transcrevem por ''tj, dj'' e ''nj'', as letras ''ch, j'' e ''ñ'' do malaio e
outras línguas do Arquipélago, as quais se pronunciam exactamente
como no devanagári. «''Ch'' sempre se pronuncia como o ''ch'' em ''church''».
Swettenham. «<Ou como a palavra espanhola ''muchacho''». Favre. ''J'' deve
pronunciar-se como em ''jury, justice, jew''». Rigg. «''Ñ'' pronuncia-se
como ''gn'' em ''agneau''; é o ñ espanhol». Favre<ref>«The Dutch language does not contain this sound (''ch''), and it is consequently
represented by them by ''tj'', which does not convey the sound even according
to the Dutch use of letters, as ''j'' with them has the power of the English ''y''. It
rather conveys the force of the French letters so applied». Rigg.</ref>.<section end=int14 /><noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Anacastrosalgado" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|lxxvii}}}}</noinclude>hindustani, como: ''th'' = ''s''; ''dh'' = ''z''; ''ḍ'' = hindust. ''z; t, z'' = hindust.
''t, z''.
IV. O referido congresso dos orientalistas tambêm fixou a trans-
crição do alfabeto arábico, que eu sigo, preferindo as variantes opta-
tivas. Mas substituo ''ḍ'' por ''ẓ'', para evitar a confusão com o ''ḍ'' do hin-
dustani, e ''w'' por ''v'', para manter a harmonia com a transcrição do
alfabeto devanagárico.
V. Como Simonet e outros autores adoptam diversas transcrições,
que nem sempre explicam, reproduzo várias dições arábicas destas
fontes sem observar rigorosa ou uniformemente a transcrição do con-
gresso.
VI. O malaio não emprega no vocabulário vernáculo as seguintes
letras arábicas: ''th, h, kh, z, sh, ṣ, ḍ, ṭ̣, ẓ̣,', gh, f''; e tem a mais as
seguintes: ''ch, ng, p, g, ñ'' ou ''ny''.
VII. Os autores holandeses, conformando-se com a índole da sua
língua, transcrevem por ''tj, dj'' e ''nj'', as letras ''ch, j'' e ''ñ'' do malaio e
outras línguas do Arquipélago, as quais se pronunciam exactamente
como no devanagári. «''Ch'' sempre se pronuncia como o ''ch'' em ''church''».
Swettenham. «<Ou como a palavra espanhola ''muchacho''». Favre. ''J'' deve
pronunciar-se como em ''jury, justice, jew''». Rigg. «''Ñ'' pronuncia-se
como ''gn'' em ''agneau''; é o ñ espanhol». Favre<ref>«The Dutch language does not contain this sound (''ch''), and it is consequently
represented by them by ''tj'', which does not convey the sound even according
to the Dutch use of letters, as ''j'' with them has the power of the English ''y''. It
rather conveys the force of the French letters so applied». Rigg.</ref>.<section end=int14 /><noinclude>{{rule|6em|align=left}}
<references /></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rh|200|VIAGENS MARAVILHOSAS|borda_inferior=sim}}</noinclude>[[File:Delaterrelalun00vern 0146 1.png|centro|400px]]
{{c|Parti commigo para vermos ([[Página:Da Terra á Lua.pdf/196|pag. 197]]).}}
{{PT|pam da Lua. E tu não dás credito á influencia da Lua sobre as doenças?}}
{{dhr}}
— Pouco, respondeu o presidente do Gun-Club.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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Erick Soares3
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Foi desfeita a revisão [[Special:Diff/563112|563112]] de [[Special:Contributions/Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[User talk:Erick Soares3|discussão]])
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text/x-wiki
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— Pouco, respondeu o presidente do Gun-Club.
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{c|{{--}} 190 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|diosas|enxundiosas}} tatoranas burocraticas a conto, e baitacas parlamentares a cem mil réis por dia – dá-lhe o generoso e nababesco Estado… cem mil réis mensaes. Quer dizer ''um real'' por cada nove braças de tormento. Com um vintem paga-lhe 330 metros de supplicio. Vem a sair um kilometro de martyrio por 60 réis. Não é caro.
{{dhr}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 196 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{dhr}}
O estafetado entra a definhar de canceira e fome. As carnes vão-se-lhe, as bochechas encovam, as pernas viram parenthesis dentro dos quaes móra o ventre do rocim desventurado.
Alem das calamidades physiologicas, economicas e sociaes, chovem-lhe em cima as meteorologicas.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 175 {{--}}}}</noinclude>Tambem do peito de Trancoso subiu um suspiro. Seus olhos alçaram-se a um cirro que fazia no ceu as vezes da Via-Lactea, e sua bocca mur{{PT||murou em soliloquio um rabo d’arraia desses que derrubam meninas:}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 181 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{PT|murou em soliloquio um rabo d’arraia desses que derrubam meninas:}}
— O amor!… A via lactea da vida!… O {{hífen|aro|aroma}}<noinclude></noinclude>
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Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/188
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 182 {{--}}}}</noinclude>Peza-me confessal-o, não! E não a vendeu por artes do mais estranho, absurdo, inconcebivel e fanttastico de quantos qui-pró-quós tem armado neste
mundo o diabo — sim, porque afóra o tinhoso quem é capaz de intrincar os fios da meada com
laços e nós cegos justamente quando vae a feliz
remate o croché?
{{dhr|200%}}
O acaso deu a Trancoso uma sorte de cincoenta contos na loteria. Não se riam. Porque mo{{PT||tivo não havia Trancoso de ser o escolhido, se a sorte é cega e elle trazia no bolso um bilhete? Ganhou os 50 contos, dinheiro para um pé-atraz d’aquella marca significativo de grande riqueza.}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 188 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{PT|tivo não havia Trancoso de ser o escolhido, se a sorte é cega e elle trazia no bolso um bilhete? Ganhou os 50 contos, dinheiro para um pé-atraz d’aquella marca significativo de grande riqueza.}}
De posse da maquia, após os dias de tonteira,
deliberou afazendar-se. Queria tapar a bocca ao<noinclude></noinclude>
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Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106
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<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{c|{{--}} 100 {{--}}}}</noinclude>quinto em ''[[w:Antares|Antarés]],'' e o derradeiro na ''[[w:Espiga (estrela)|Epi de la
Vierge]].'' A marota morria de rir nos braços dum
''apache,'' contando-lhe a historia comica dos seis
parvos brasilicos e das seis estrellas respectivas.
Liam juntos as seis cartas recebidas a cada vapor, nas quaes os protestos amorosos em tempera{{PT||tura de ebulição faziam perdoar a ingrammaticalidade do francez antarctico. E respondiam de collaboração em carta circular onde só variavam o nome da estrella e o endereço. Promptas todas {{PT||as copias, o ''apache'' abria o canhenho e dictava:}}}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 106 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{PT|tura de ebulição faziam perdoar a ingrammaticalidade do francez antarctico. E respondiam de collaboração em carta circular onde só variavam o nome da estrella e o endereço. Promptas todas {{PT||as copias, o ''apache'' abria o canhenho e dictava:}}}}
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text/x-wiki
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Vierge]].'' A marota morria de rir nos braços dum
''apache,'' contando-lhe a historia comica dos seis
parvos brasilicos e das seis estrellas respectivas.
Liam juntos as seis cartas recebidas a cada vapor, nas quaes os protestos amorosos em tempera{{PT||tura de ebulição faziam perdoar a ingrammaticalidade do francez antarctico. E respondiam de collaboração em carta circular onde só variavam o nome da estrella e o endereço. Promptas todas {{PT||as copias, o ''apache'' abria o canhenho e dictava:}}}}
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[[File:Urupês (3ª Edição) Página 106 Imagem 0002.png|centro|300px]]
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{{PT|tura de ebulição faziam perdoar a ingrammaticalidade do francez antarctico. E respondiam de collaboração em carta circular onde só variavam o nome da estrella e o endereço. Promptas todas {{PT||as copias, o ''apache'' abria o canhenho e dictava:}}}}
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{c|{{--}} 101 {{--}}}}</noinclude>{{PT|as copias, o ''apache'' abria o canhenho e dictava:}}
— Mr. Gomes, ''le Taureau;'' Mr. Silva, ''l’Epi de
la Vierge;'' Mr. Souza, ''le Bélier…''
E Yvonne ia collocando as estrellas, a rir. Esta
circular era o que havia de terno. Queixava-se a
rapariga de saudades{{corr|—| — }}«essa palavra tão poetica
que fôra aprender no Brasil, o bello paiz das
palmeiras, do ceu azul, e do amor…» Acoimava-os de ingratos, convolados já para novos amores, enquanto ella, a pobresinha, solitaria e triste
«comme la jurity», na casa humilde dos velhos
paes consumia os dias em rememorar o doce passado e os serões em fitar a estrella…
Eis explicada a razão pela qual, em noites limpidas, o Dr. Ignacinho se quedava á janella, pensativo, de olhos posto na ''Chevelure de Berenice.'' E tambem se explica o segredo d’umas cartas que lhe entregava o correio, carimbadas de França,
sobre a figurinha da Semeadora.
O sonho do moço era enriquecer ás rapidas,
para reatar a gostosura do idylio interrompido.
— Paris!… balbuciava a meia voz nos momentos de devaneio, semi-cerrando os olhos do
antegozo do paraiso.
Sonhava-se lá, riquinho, com Yvonne pelo braço, flanando no Bois, tal qual como nos romances; e a realisação d’este sonho era o alvo de
todos os seus passos. Jurára á amiga ir ter com
ella, logo que a prosperidade lhe abastasse meios.
Entretanto o tempo corria, e nenhuma piabanha de vulto lhe cahia na rede. Tardava a bolada…
{{nop}}<noinclude></noinclude>
esyyx984gs48198hgivdq889h5xy3k1
Wikisource:Esplanada/Imagens que quebram parágrafos
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Olá, existe alguma convenção de como realizar a transcrição de páginas com imagens que quebram parágrafos? Até agora tenho simplesmente colocado a imagem ao fim do parágrafo quebrado, como em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]] e [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]].
[[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 20h36min de 17 de setembro de 2026 (UTC)
:Não é uma convenção em si, mas esse método é bem clean, descobri ele através do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Dê uma olhada nessa predefinição: {{tl|pt}}, ela funciona como uma forma de escolher o que irá ser renderizado nos [[:en:Help:Namespaces|namespaces]] ''Main Page'' e ''Page'', olhe essas duas páginas como exemplo: [[Página:Da Terra á Lua.pdf/198]] e [[Página:Da Terra á Lua.pdf/199]]; agora olhe como fica o resultado na final [[Da Terra á Lua/XXII]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h46min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
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Olá, existe alguma convenção de como realizar a transcrição de páginas com imagens que quebram parágrafos? Até agora tenho simplesmente colocado a imagem ao fim do parágrafo quebrado, como em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]] e [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]].
[[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 20h36min de 17 de setembro de 2026 (UTC)
:Não é uma convenção em si, mas esse método é bem clean, descobri ele através do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Dê uma olhada nessa predefinição: {{tl|pt}}, ela funciona como uma forma de escolher o que irá ser renderizado nos [[:en:Help:Namespaces|namespaces]] ''Main Page'' e ''Page'', olhe essas duas páginas como exemplo: [[Página:Da Terra á Lua.pdf/198]] e [[Página:Da Terra á Lua.pdf/199]]; agora olhe como fica o resultado na final [[Da Terra á Lua/XXII]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h46min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
::{{ping|Junglk}} o cenário dessas imagens é o uso original da predefinição (descobri em [[O que eu vi, o que nós veremos]]), mas para o problema levantado por {{ping|JppBr98}} na [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106|página 106]], eu descobri que ele também trata o "antes e depois" da imagem como "páginas diferentes" na transclusão: compare [[Página:Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição).pdf/13]] com o [[Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição)/Capítulo 1|Capítulo 1]].
::{{dhr}}
::Porém, em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]] existe uma chata complexidade adicional, onde é necessário fazer algo como:
::{{dhr}}
::Bloco de texto A<nowiki>{{pt||Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki>
::Imagem
::<nowiki>{{pt|Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki> (com a linha da página seguinte também ficando dentro de um PT de uso tradicional).
::{{dhr}}
::Vou até fazer as alterações lá para deixar de exemplo. Talvez seja o caso de atualizar essa predefinição ou criar uma nova: existem alguns casos onde podem ocorrer diversos "blocos dentro de blocos" ([[Página:Os noivos (v.1).pdf/20|exemplo]]) para possibilitar uma transclusão clean (o que aumenta a complexidade para recém chegados. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h54min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
86vi3bbcq1cvkeqvckx07t2e9r2wwni
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Olá, existe alguma convenção de como realizar a transcrição de páginas com imagens que quebram parágrafos? Até agora tenho simplesmente colocado a imagem ao fim do parágrafo quebrado, como em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]] e [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]].
[[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 20h36min de 17 de setembro de 2026 (UTC)
:Não é uma convenção em si, mas esse método é bem clean, descobri ele através do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Dê uma olhada nessa predefinição: {{tl|pt}}, ela funciona como uma forma de escolher o que irá ser renderizado nos [[:en:Help:Namespaces|namespaces]] ''Main Page'' e ''Page'', olhe essas duas páginas como exemplo: [[Página:Da Terra á Lua.pdf/198]] e [[Página:Da Terra á Lua.pdf/199]]; agora olhe como fica o resultado na final [[Da Terra á Lua/XXII]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h46min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
::{{ping|Junglk}} o cenário dessas imagens é o uso original da predefinição (descobri em [[O que eu vi, o que nós veremos]]), mas para o problema levantado por {{ping|JppBr98}} na [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106|página 106]], eu descobri que ele também trata o "antes e depois" da imagem como "páginas diferentes" na transclusão: compare [[Página:Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição).pdf/13]] com o [[Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição)/Capítulo 1|Capítulo 1]].
::{{dhr}}
::Porém, em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]] existe uma chata complexidade adicional, onde é necessário fazer algo como:
::{{dhr}}
::Bloco de texto A<nowiki>{{pt||Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki>
::Imagem
::<nowiki>{{pt|Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki> (com a linha da página seguinte também ficando dentro de um PT de uso tradicional).
::{{dhr}}
::Vou até fazer as alterações lá para deixar de exemplo. Talvez seja o caso de atualizar essa predefinição ou criar uma nova: existem alguns casos onde podem ocorrer diversos "blocos dentro de blocos" ([[Página:Os noivos (v.1).pdf/20|exemplo]]) para possibilitar uma transclusão clean (o que aumenta a complexidade para recém chegados. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h54min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
:::Quanto [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]], não é necessário nenhuma alteração específica: a imagem está entre parágrafos, não no meio de um parágrafo (como os outros casos). Dá para deixar assim. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 14h01min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
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Olá, existe alguma convenção de como realizar a transcrição de páginas com imagens que quebram parágrafos? Até agora tenho simplesmente colocado a imagem ao fim do parágrafo quebrado, como em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]] e [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]].
[[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 20h36min de 17 de setembro de 2026 (UTC)
:Não é uma convenção em si, mas esse método é bem clean, descobri ele através do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Dê uma olhada nessa predefinição: {{tl|pt}}, ela funciona como uma forma de escolher o que irá ser renderizado nos [[:en:Help:Namespaces|namespaces]] ''Main Page'' e ''Page'', olhe essas duas páginas como exemplo: [[Página:Da Terra á Lua.pdf/198]] e [[Página:Da Terra á Lua.pdf/199]]; agora olhe como fica o resultado na final [[Da Terra á Lua/XXII]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h46min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
::{{ping|Junglk}} o cenário dessas imagens é o uso original da predefinição (descobri em [[O que eu vi, o que nós veremos]]), mas para o problema levantado por {{ping|JppBr98}} na [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106|página 106]], eu descobri que ele também trata o "antes e depois" da imagem como "páginas diferentes" na transclusão: compare [[Página:Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição).pdf/13]] com o [[Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição)/Capítulo 1|Capítulo 1]].
::{{dhr}}
::Porém, em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]] existe uma chata complexidade adicional, onde é necessário fazer algo como:
::{{dhr}}
::Bloco de texto A<nowiki>{{pt||Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki>
::Imagem
::<nowiki>{{pt|Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki> (com a linha da página seguinte também ficando dentro de um PT de uso tradicional).
::{{dhr}}
::Vou até fazer as alterações lá para deixar de exemplo. Talvez seja o caso de atualizar essa predefinição ou criar uma nova: existem alguns casos onde podem ocorrer diversos "blocos dentro de blocos" ([[Página:Os noivos (v.1).pdf/20|exemplo]]) para possibilitar uma transclusão clean (o que aumenta a complexidade para recém chegados. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h54min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
:::Quanto [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]], não é necessário nenhuma alteração específica: a imagem está entre parágrafos, não no meio de um parágrafo (como os outros casos). Dá para deixar assim. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 14h01min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], muito obrigado, corrigi as demais páginas com imagens. [[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 15h23min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
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Erick Soares3
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Olá, existe alguma convenção de como realizar a transcrição de páginas com imagens que quebram parágrafos? Até agora tenho simplesmente colocado a imagem ao fim do parágrafo quebrado, como em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]] e [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]].
[[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 20h36min de 17 de setembro de 2026 (UTC)
:Não é uma convenção em si, mas esse método é bem clean, descobri ele através do @[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]]. Dê uma olhada nessa predefinição: {{tl|pt}}, ela funciona como uma forma de escolher o que irá ser renderizado nos [[:en:Help:Namespaces|namespaces]] ''Main Page'' e ''Page'', olhe essas duas páginas como exemplo: [[Página:Da Terra á Lua.pdf/198]] e [[Página:Da Terra á Lua.pdf/199]]; agora olhe como fica o resultado na final [[Da Terra á Lua/XXII]]. [[Utilizador:Junglk|Junglk]] ([[Utilizador Discussão:Junglk|discussão]]) 12h46min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
::{{ping|Junglk}} o cenário dessas imagens é o uso original da predefinição (descobri em [[O que eu vi, o que nós veremos]]), mas para o problema levantado por {{ping|JppBr98}} na [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106|página 106]], eu descobri que ele também trata o "antes e depois" da imagem como "páginas diferentes" na transclusão: compare [[Página:Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição).pdf/13]] com o [[Alice no País das Maravilhas (Trad. Lobato, 8ª edição)/Capítulo 1|Capítulo 1]].
::{{dhr}}
::Porém, em [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/106]] existe uma chata complexidade adicional, onde é necessário fazer algo como:
::{{dhr}}
::Bloco de texto A<nowiki>{{pt||Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki>
::Imagem
::<nowiki>{{pt|Bloco de texto B{{pt||Bloco de texto da página seguinte}}}}</nowiki> (com a linha da página seguinte também ficando dentro de um PT de uso tradicional).
::{{dhr}}
::Vou até fazer as alterações lá para deixar de exemplo. Talvez seja o caso de atualizar essa predefinição ou criar uma nova: existem alguns casos onde podem ocorrer diversos "blocos dentro de blocos" ([[Página:Os noivos (v.1).pdf/20|exemplo]]) para possibilitar uma transclusão clean (o que aumenta a complexidade para recém chegados. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 13h54min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
:::Quanto [[Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/196]], não é necessário nenhuma alteração específica: a imagem está entre parágrafos, não no meio de um parágrafo (como os outros casos). Dá para deixar assim. [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 14h01min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
::::@[[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]], muito obrigado, corrigi as demais páginas com imagens. [[Utilizador:JppBr98|JppBr98]] ([[Utilizador Discussão:JppBr98|discussão]]) 15h23min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
:::::Não há de que! :) [[Utilizador:Erick Soares3|Erick Soares3]] ([[Utilizador Discussão:Erick Soares3|discussão]]) 15h28min de 18 de setembro de 2026 (UTC)
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|33|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>volveu o consul. Bém sabe que um criminoso inglez esconde-se
muito melhor em Londres do que em qualquer paiz estrangeiro.
Depois dʼesta reflexāo, que deu muito que scismar ao agente, o consul voltou para o seu escriptorio, que ficava pouco distante. O homem da policia ficon só, entregue a uma impaciencia nervosa, com o presentimento bastante singular de que
o seu ladrāo devia achar-se a bordo do ''Mongolia'', — e na verdade, se aquelle velhaco saira de Inglaterra com a intençāo de
passar á America, o caminho das Indias, menos vigiado, ou mais
difficil de vigiar que o do Atlantico, devia merecer-lhe a preferencia.
Fix nāo esteve muito tempo entregue a estas reflexōes. Silvos penetrantes annunciaram a chegada do paquete. A horda
inteira dos ganha-pāes e dos ''fellahs'' correu para o caes, em tumulto um pouco inquietador para os membros e para os fatos
dos passageiros. De terra largou cerea de uma duzia de bateis
e dirigiram-se para o ''Mongolia''.
Bem depressa se avistou o casco gigantesco do ''Mongolia'',
deslisando entre as margens do canal, e davam onze horas
quando o steamer ancorava no porto, ao mesmo tempo que o
vapor da machina se escapava com grande ruido pelos tubos
de segurança.
Os passageiros eram em grande numero. Alguns ficaram sobre a coberta a contemplar o panorama pittoresco da cidade;
mas a maior parte embarcou nos bateis que tinha a bordo do
''Mongolia''.
Fix examinava escrupulosamente todos que desembarcavam.
Nʼeste momento um dʼelles aproximou-se-lhe, depois de ter
vigorosamente repellido os fellahs que o importunavam com os
seus offerecimentos, e perguntou-lhe com toda a delicadeza se
lhe podia indicar a casa do consulado inglez. Dizendo isto, of
passageiro apresentava un passaporte no qual desejava de certo fazer pôr o visto britannico.
Fix pegou instinctavamente no passaporte, e de um rapido
golpe de vista leu as indicaçōes exaradas no documento.
{{nop}}<noinclude>
{{rh|{{gap}}{{sc|a volta do mundo}}||3{{gap}}}}</noinclude>
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Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/38
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|34|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude><section begin="Cap. VI"/>Por pouco que nāo fez um movimento involuntario. O papel
tremeu-lhe na māo. Os signaes de que o passaporte fazia mençāo eram os mesmos que recebéra do director da policia da
metropole.
— Este passaporte nāo é seu? disse elle ao passageiro.
— Nāo, respondeu o interpellado, é de meu amo.
— E onde está seu amo ?
— Ficou a bordo.
— Mas, ponderou o agente, é preciso que elle se apresente
em pessoa ao consul, a fim de demonstrar a sua identidade.
— O que, pois isso é necessario?
— É indispensavel.
— E onde fica a casa do consul?
— Acolá, ao canto da praça, respondeu o agente, apontando
para uma casa distante dʼali duzentos passos.
— Entāo, vou buscar meu amo, que nāo deve gostar muito
dʼeste incommodo.
Dito isto, o passageiro comprimentou Fix e voltou para bordo do vapor.
{{dhr|2}}
<section end="Cap. VI"/>
<section begin="Cap. VII"/>{{t2|{{sc|que prova mais uma vez a inutilidade dos passaportes<br>em assumptos de policia}}|CAPITULO VII}}
{{dhr}}
O agente de policia dirigiu-se rapidamente para o escriptorio
do consul. No mesmo instante, e em satisfaçāo ao seu pedido
urgente, foi introduzido junto do funccionario.
— Senhor consul, disse elle sem mais preambulos, tenho boas
rasōes para crer que o nosso homem tomou passagem a bordo
do ''Mongolia''.
E Fix contou o que se passara entre elle e o creado a proposito do passaporte.
— Bem, mr. Fix, redarguiu o consul, nāo se me dá de ver a
cara dʼesse tratante. Mas é de crer que nāo venha aqui, se for
o que suppōe.
{{nop}}<section end="Cap. VII"/><noinclude></noinclude>
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Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/39
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|35|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Um ladrāo nāo gosta de deixar vestigios da sua passagem, e
depois, a formalidade dos passaportes ha muito tempo que nāo
é obrigatoria.
— Senhor consul, volveu o agente, se for, como bem se deve
imaginar, um homem muito habil, ha de vir.
— Pôr o visto no seu passaporte?
— De certo. Os passaportes só servem para estorvar as pessoas de bem e favorecer a fuga das que o nāo sāo. Affirmo-lhe
que o dʼaquelle ha de estar em regra, mas espero, com rasāo,
que o senhor nāo lhe porá o visto...
— E porque nāo? Se o passaporte estiver regular, retorquiu o consul, nāo tenho direito de recusar a minha assignatura.
— Entretanto, senhor consul, é preciso que eu retenha aqui
este homem até receber de Londres uma ordem de prisāo.
— Ah! senhor, isso diz-lhe respeito, retorquiu o consul, mas
eu nāo tenho direito....
O consul nāo poude concluir. Nʼeste momento batiam á porta
do gabinete, e o moço do escriptorio introduziu dois estrangeiros, um dos quaes era precisamente o creado que fallára com
o agente.
Eram com effeito o amo e o creado. O amo apresentou o seu
passaporte, pedindo com todo o laconismo ao consul que o referendasse.
O consul pegou no passaporte e leu-o com toda a attençāo,
ao mesmo tempo que Fix, nʼum canto do gabinete, observava
ou antes devorava o estrangeiro com os olhos.
Quando acabou de ler, o consul pergunton:
— É Phileas Fogg, esquire?
— Sim, respondeu o ''gentleman''.
— E este homem é seu creado?
— É. Chama-se Passepartout e é francez.
— Vem de Londres?
— Venho.
— E para onde vae?
— Para Bombaim
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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A Volta do Mundo em Oitenta Dias (3ª edição)/VI
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=33 to=38 fromsection="Cap. VI" tosection="Cap. VI" header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 6]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo VI]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab VI]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/6]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 6]] he:סביב הארץ בשמוני...
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<pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=33 to=38 fromsection="Cap. VI" tosection="Cap. VI" header=1/>
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[[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo VI]]
[[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab VI]]
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[[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 6]]
[[he:סביב הארץ בשמונים יום/פרק ו]]
[[it:Il giro del mondo in ottanta giorni/Capitolo VI]]
[[pl:Podróż naokoło świata w 80-ciu dniach/Rozdział VI]]
[[uk:Подорож довкола землї в 80 днях/VI]]
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Veículos e motivos da influência do português
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Natureza morfológica dos exotismos
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Observações fonológicas
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Fontes e dificuldades do estudo
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Organização do Vocabulário
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Noções individuais das línguas
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Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas/Alfabetos e transcrições
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<noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>APO
R. Naufr. 1, 4. Cuftofo. Los. Peregr. 1; 11. Defalinha-
do. M. BERN. Floreft. 1, 3, 90, B. Determinado, Cax.
Luf. 1, 41. Dilatado. CASTR. Ulyff. 1, 38. Dourado.
ANDRAD. Cerc. 6, 28, 1. Duro. CORT: R. Naufr. 2,
22 y. Efcuro. LOB. Condeft. 16, 75. Efcufo. PURIF. Chr.
1, 3, 1. §. 1. Eftreito. SovER. Hift. 1, 9. MAUs. Aff.
Afr. 5, 90. Eterno. Maus. Aff. Afr. 1, 12 y. Formofo.
BARRET. Rel. 19. Forte. SANT. Ethiop. 1, 2, 11. Frio.
(a fepultura CORT. R. Naufr. 3, 40. Funebre. LOB.
Condelt. 16, 75. Gentil. MEMOR. DAS PROEZ. I, 9. Ge-
ral. CORT. R. Cerc. 14, 253. Grande. FR. GASP. DA
CRUZ, Tr. 6, 5. Grandiofo. L. BRAND. Medit. 4, 7,
315. p. 72. Horrido. Maus. Aff. Aff. 5, 90. Humilde.
CALV. Homil. 1, 496. Limitado. FR. F. BRAND. Oraç.
7. Magnifico. CORT. R. Naufr. 6, 61 y. ARR. Dial. 4,
21. Medonho. CORT. R. Cerc. 13, 223. Nobre. CORT.
R. Cerc. 14, 145. CART. DE JAP. 2, 36, 4. Ornado.
ANDRAD. Cerc. 3, 15, 4. Particular. CALV. Homil. 2,
285. Paterno. CORT. R. Naufr. 4, 42. Patrio. Los. Con-
delt. 11, 33. Pequeno. SoVER. Hift. 1, 9. Pobre. AN-
DRAD. Cerc. 5, 21, 4. ESPER. Hift. 2, II, 3. n. 3.
Raro. LOB. Condeft. 19; 49. Real. M. BERN. Paraif. 2.
Réfplendecente. FR. ISID. DE BARREIR. Hift. 27. Retirado.
S. ANN. Chr. 1, 24, 141. Rico. CORT. R. Cerc. 6, 70.
Ruftico. COST. R. Naufr. 8, 82. Sagrado. M. BERN. Me-
dit. 13, 2. Secreto. ARR. Dial. 2, 12. CASTR. Ulyff.
3, 93. Segaro. CORT. R. Naufr. 2, 28. Soberbo. CORT.
R. Naufr. 6, 61 y. Sumptuofo. CAM. Luf. 7, 50. Ter-
reo. (o mundo) Maus. Aff. Afr. 1, 14. Terrivel. CORT.
R. Naufr. 2, 22 y. Trifte. CORT. R. Naufr. 2, 16.
ARR. Dial. 7 Vazin. CORT. R. Cerc. 11, 173. Vil.
CORT. R. Naufr. 8, 82. Luz, Serm. 2, 19, 3. Ufa-
do. CORT. R. Naufr. 4, 49.
Apofento. Forenf. Apofentadoria, privilegio para to-
mar cafas de morada. Sous. Vid. 2, 33 Em fim foi for-
ça contentalo em parte com acceitar paffarfe pera huma
boa cafa, que em quanto fe deteve com elRei, the
mandára tomar de apofento. ORDEN. DE D. PEDR. I, I,
47 Mandara apofentar os Officiaes da Cafa por hum Ef-
crivão que irá diante fazer o apofento, como o faz o
noffo Apofentador.
{{lema|APOSIMA}}. s. f. Med. Cozimento de diverfas raizes, plan-
tas, flores, fementes, frutos ou folhas, dulcificado e cla-
rificado. Do Greg. Ana. (Apofema, Apozima.) acc.
na antepenult. Sous. Vid. 4, 30 E de mittura com apo-
zimas, e muitos cordiaes pera reprimir a malignidade do
humor venenofo. A. DA CRUZ, Recop. 2, 17 E tam-Verb. Andar de... alg. c. com outra. met. CEIT.
bem louva muito efta apofima. AzEv. Correcç. 1, 3,
4. p.
4. p. 292 He neceffario ufar de apozimas e bebidas
frias.
{{lema|APOSIMADO, A}}. p. p. de Apofimar. Cuxv. Polyanth.
-2, 11, 88. n. 37-
{{lema|APOSIMAR}}. v. n. Med. Dar apofimas. CuRv. Obferv.
18, 1 Já fangrando, já purgando, já apofimando.
{{lema|APOSIMAZINHA}}. s. f. dim. de Apofima. Azev. Correcç.
2, 3, 232.
{{lema|APOSSADO, A}}. p. p. de Apoffar. Ufafe como adj. Que
fe apoderon ou tomou poffe. LEño, Chr. de D. Aff. III.
8z Tanto que veio certa nova da morte del Rei D. San-
cho, o Conde D. Affonfo de Bolonha, feu irmão, co-
mo legitimo fucceffor feu, que era, e que das fortale-
zas todas do reino cftava já apoffado, foi logo levanta-
do por Rei. SANT. Ethiop. 1, 2, 18 Para ajudar a fan-
çar fora de fua cafa o inimigo, que estava apofado del
fa. TELL. Hift. 3, 28, 279 Affim acabou aqui o def-
graçado Emperador Jacobo, que duas vezes foi chamado,<
20 apofado do Imperio, e outras tantas &c.
{{lema|APOSSAR}}. v. a. Dar poffe, metter de poffe. FR. F. BRAND.
Confelh. 60 O apofar Deos no tempo prefente a el-
Rei nolfo Senhor Dom João o IV. foi fem falta querer
moftrar a divina juftiça, que não fe logrão violencias
contra a verdadeira e legitima linha dos fucceffores.
Met. Dominar, fenborear, ganbar. FR. MARC. Chr.
1, 8, 6 E affi tinha prezo e apoffado hum maravilho-
fo amor a ambas as irmãas, que &c. Vid. 6, 7
Porque não terão já luz aquelles, que o temor da mor-
te eterna já terá apoffado.
Com pron. peff. Apoderarfe, tomar poffe, fazerfena
fenhor, Goes, Chr. de D. Man. 3, 43 Por onde en-
trou com feffenta homens, que hião em fua companhia,
e fe apoffou do cubelo. CART. DE JAP. 1, 113, 3 Nefta
revolta alguns Bonzos fe quizerão apofar da noffa Igre-
ja. TELL. Chr. 1, 2, 22. n. 7 A experiencia os de-
fenganava, que nos não queriamos apofar da cidade.
Met. MEMOR: DAS PROEZ. 1, 22 E quanto a luz
mais fe apofava da cova, ranto defcobria mais por den-
tro. EUEROS. 4, 4 Vós dizeilmo zombando, celle [a
mor] apofoufe de verdade defta alma. Luc. Vid. 2, 14
Apoffonfe em Manapar o demonio de hum homem rico
e honrado &c.
Apoflarfe de hum negocio. Encarregarfe delle, to-
malo a fi. D. F. MAN. Cart. 2, 64 Sirvafe V. M. de
fe apofar defte negocio, fallandolhe e pedindolhe o bre-
ve delpacho delle.
{{lema|APOSSEAR}}. v. a. que fó fe ufa com pron. peff. Apolar-
fe, apoderarfe. DESCOBR. DA FROLID. 154 Eftes com
os que fervião, que co'elles concertados eftavão, havião
de pôr fogo as cafas: e primeiro apoffearfe das lanças,
que ás porras das cafas arrimadas tinhão. PER. D'AFONS.
Poder. 5, 135 E quanto a mim, a maior feftima dos
olhos] he por fer o principal meio, por onde fe apofed
de huma alma amor.
{{lema|APOSTA}}. s. f. Acção e effeito de apoftar. BARR. Dec. 3,
3, 2 E perdefe, e ganhale grande fomma de dinheiro
nas apoftas, que fobre iffo fazem os que vão ver efte
efpectaculo. LEO, Defcripç. 87 De maneira que de dia,
nem de noite fe não fallava em al, que em fazer a-
poftas fobre as victorias. MONTEIR. Meth. 68 Apofta
chamamos, quando dous contendem da verdade ou fuc
ceffo de huma coufa, e fobre iffo póe alguma coufa pe-
ra aquelle, que fallar verdade, ou por quem a coufa
fucceder.la confa apoftada. Cruz, Poef. Ecl. 9 In-
Premio da
da que mór apofta fe perdeffe. GUERREIR. Rel. 3, 3,
9 Foife o Chriftão pera cafa com cfta apofta. M. FER-
NAND. Alm. 3, 3, 2. n. 52. p. 726 O pobre muito con-
tente tomou o pão, e fe foi com elle aos companheiros,
dizendo: ganhei a apofta.
De apofta. fórm. adv. A' acinte, á competencia, de
propofito. FEO, Tr. 2, 215, 2 He huma refolução diu-
turna, e tomada de muito tempo, e de apofta, não de
hontem, nem de antehontem. CEIT. Serm. I, 188, 3
Tres banquetes acho, que fe derão em varias idades do
mundo, como de apofta e competencia. M. BERN. Flo-
reft. 4, 15, 222 Pareceme que tomou Deos o cafo de
apofta, e que diffe entre fi &c.
Sobre apofta. Havendofe apoftado. SA' DE MIR. Ef-
trang. 4, 57 Guarda de diante, guarda, que vai fobre
apofta. LEON. DA COST. Ecl. 3. Argum. Depois intervin-
do Palemon por juiz, cantão fobre apofta.
Serm. 2, 69, 3 E tanto, que parece, andou de apofta
a graça com a natureza, a qualvo havia de fazer mais
humilde e pequeno. Defcerfe da... Luc. Vid. 9, 18.
Fazer... ou apoftas. abl. MoR. Dial. 2, 22. SANT. E-
thiop. 1, 1, 16. fobre alg. c. BARR. Dec. 3, 3,
2. Leão, Defcripe. 87. Tomar alg. c. de... met. Luz,
Serm. 1, 143, 1. M. BERN. Floreft. 4, 15, 222.
{{lema|APOSTADAMENTE}}. adv. mod. Determinadamente, refo-
lutamente, de propofito. Prov. DA HIST. GEN. 3, 4, 161.
p. 340 Bem affim como a poftura os fez fer apoftada-
mente cada hum fegundo fua razão,
{{lema|APOSTADO, A}}. p. p. de Apoftar. CEIT. Quadrag. 2,
242,02. MONTEIR. Meth. 69.
Ufafe como adj. Refoluto, determinado. Das peffoas.
Reg. abf. a ou em. ARR. Dial. 2, 7 Convém, que me
ouçais com attenção, Antiocho, que estou apoftado a
me moftrar pera vós grande doutor. CEIT. Serm. I, I,
Sempre o reparo do entendimento foi, fenão pode-
rofo com gente apoftada, ao menos, feguró com a ver-
dadeira. TELL. Chr. I, I, 22. n. 9 Poltoque os viáo
Então apoftados em continuar feus bons propofitos &c.
Do animo e feus effeitos. Feo, Tr. Quadr. 1, 42,
A alma, que eftà apoftada a fe fazer a vontade a
fi, confeguintemente, eftá refoluta em não fazer em cou-
fa alguma a de Deos. CALV. Defenf. I 13 Pedir a
Deos, que o livre do aguilhão defta carne, e humani-
dade fenfitiva, não de falta de animo apoftado a dar a
o vida &c. VIEIR. Serm. 14, 2, 6. n. 69 Demos nós
tambem com apoftada refolução quanto temos pela de-
sir fenfa da inoffa [patria.] sh
Chr. 1, 2, 24, n. 1 O qual [P. Luiz Gonçalves] foi
varão apoftado a toda a virtude.
{{lema|APOSTAMENTE}}. adv. mod. ant. Gentilmente, galharda-
mente. BERNARD. RIB. Menin. 13 Hum cavalleiro apof-
tamente armado fobre feu fermofo cavallo. BARR. Clarim,
2,58 E com efte contentamento ataviáráofe mui apof-
tamente.<noinclude></noinclude>
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LUSITANA<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Herveba" /></noinclude>Desta edição fez-se uma tiragem especial de 100 exem-
plares, em papel Registo 120, numerados e rubricados
por Manuel Lopes de Almeida.<noinclude></noinclude>
a7lkyzuulj001v8mjom0vygm2b65o4q
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 108 {{--}}}}</noinclude>prestidigitar manhoso, reduzir tudo a uns tantos
contos de réis bem soantes.
A carta desse mez dizia á Yvonne:
— Os negocios melhoraram. Estou mettido em
uma empreza que se me afigura rendosa. Sahindo tudo a contento, tenho esperanças de inda este
anno beijar-te sob a luz da terna confluente dos
nossos olhares…
{{dhr|200%}}
O velho peiorou com a medicação. Injecções
hypodermicas, capsulas, pilulas, poções, não houve therapeutica que se não experimentasse nelle,
desastrosamente.
— E’ mais grave o caso do que eu suppunha,
disse o doutor á mulher, e os escrupulos do meu
sacerdocio aconselham-me a pedir uma conferencia medica; os collegas da terra são o que a Sra.
sabe; entretanto, submetto-me a ouvil-os. Se a
familia quizer…
— Não, doutor, Mendanha não quer ouvir falar
nos seus collegas; só tem confiança no doutor
Ignacio Gama.
— Nesse caso…
Ignacinho voltou para casa esfregando as mãos.
Estava só em campo, com todos os ventos favoraveis.
Mau grado seu, na semana seguinte, inesperadamente, o major apresentou melhoras. Sarava,
o patife! A Ignacio palpitou que com mais uma
quinzena d’aquella arribação o homem se punha
de pé. Fez os calculos: trinta visitas, trinta {{hífen|in|injecções}}<noinclude></noinclude>
af0b5csip8gutlcfmdp5up9g1jee5al
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 109 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|jecções|injecções}} e tal e tal: tres contos. Uma miseria.
Se morresse, já o caso mudava de figura, poderia
exigir vinte ou trinta contos.
O costume dos tempos era fazerem-se os máus
medicos herdeiros dos clientes. Serviços pagos ahi
com centenas de mil réis em caso de cura, em
caso de morte reputavam-se por contos. Se reluctavam no pagamento os interessados, a questão
subia aos tribunaes, com base no arbitramento. Os
arbitros, officiaes do mesmo officio, sustentavam
o pedido — por colleguismo, dizendo em latim:
''Hodie mihi, cras tibi,'' cuja traducção medica é:
prepare-se você para fazer o mesmo, que eu
tambem tenho em vista a minha cartada.
Ignacio ponderou tudo isto. Mediu prós e contras. Consultou accordãos. E tão absorvido andou pelo problema que á noite, na janella,
deixava-se ficar até altas horas, mergulhado em
scismas, sem erguer os olhos para a Berenice
estellar.
{{dhr|200%}}
O que a sua cabeça pensou ninguem o saberá
jamais. As ideias têm para escondel-as a caixa
craneana, o couro cabelludo, a grenha; isso por
cima; pela frente, têm a mentira do olhar e a
hypocrisia da bocca. Assim entrincheiradas, ellas,
já de si immateriaes, ficam inexpugnaveis á argucia alheia. E vae nisso a pouca de felicidade
existente neste mundo sub-lunar. Fosse possivel
ler nos cerebros, claro como se lê no papel, e a<noinclude></noinclude>
nu0tcbotzs0qrqcyzqktudleqvckb8t
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<noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 110 {{--}}}}</noinclude>humanidade crispar-se-ia de horror ante si propria…
Positivo como era Ignacinho, suppomos que
metteu em equação o problema das duas vidas.
{{gap}}Primeira hypothese:</br>
Cura do Major = 3 contos.</br>
Tres contos = Itaóca, pasmaceira, etc…
{{gap}}Segunda hypothese:</br>
Morte do Major = 30 contos.</br>
Trinta contos = Paris, Yvonne, ''Bois…''
Depois desta solida mathematica, esta anavalhante philosophia: A morte é um preconceito.
Não ha morte. Tudo é vida. Morrer é a transição de um estado para outro. Quem morre, transforma-se. Continua a viver inorganicamente,
transmutado em gazes e saes, ou organicamente,
feito Lucilias, Necrophoras e uma centena de outras vidinhas esvoaçantes. Que importa para a
harmonia universal das coisas esta ou aquella
forma? Tudo é vida. Tudo mata para viver. A
grande questão é poder matar!… Eu preciso e
quero viver a minha vida. Ha obices no caminho?
Afasto-os! Tão simples…
Fiquemos por aqui. Estes soliloquios mentaes
são apavorantes quando descarnados da abençoada polpa da hypocrisia.
Hypocrisia! que cascão precioso és tu! E como
te injuriam… os hypocritas!
Fiquemos por aqui.
Não ha tempo para malbaratar com o {{hífen|amora|amoralismo}}<noinclude></noinclude>
h4hz0sl6h8858ft0x2vyx9ytsce1ay8
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 110 {{--}}}}</noinclude>humanidade crispar-se-ia de horror ante si propria…
Positivo como era Ignacinho, suppomos que
metteu em equação o problema das duas vidas.
{{ad|Primeira hypothese:</br>Cura do Major <nowiki>=</nowiki> 3 contos.</br>Tres contos <nowiki>=</nowiki> Itaóca, pasmaceira, etc…|2em|2em}}
{{ad|Segunda hypothese:</br>Morte do Major <nowiki>=</nowiki> 30 contos.</br>Trinta contos <nowiki>=</nowiki> Paris, Yvonne, ''Bois…''|2em|2em}}
Depois desta solida mathematica, esta anavalhante philosophia: A morte é um preconceito.
Não ha morte. Tudo é vida. Morrer é a transição de um estado para outro. Quem morre, transforma-se. Continua a viver inorganicamente,
transmutado em gazes e saes, ou organicamente,
feito Lucilias, Necrophoras e uma centena de outras vidinhas esvoaçantes. Que importa para a
harmonia universal das coisas esta ou aquella
forma? Tudo é vida. Tudo mata para viver. A
grande questão é poder matar!… Eu preciso e
quero viver a minha vida. Ha obices no caminho?
Afasto-os! Tão simples…
Fiquemos por aqui. Estes soliloquios mentaes
são apavorantes quando descarnados da abençoada polpa da hypocrisia.
Hypocrisia! que cascão precioso és tu! E como
te injuriam… os hypocritas!
Fiquemos por aqui.
Não ha tempo para malbaratar com o {{hífen|amora|amoralismo}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 111 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|lismo|amoralismo}} porque o Major Mendanha peiorou subitamente e la agonisa. Morreu. O attestado d’obito
baptisou a ''causa-mortis'' de phlegmatite aguda com
nephrite elipsoidal. Podia baptisal-a de embolia
estourada, nó cego na tripa, tuberculose mesenterica, estupor granuloso peristaltico, ou qualquer outro dos cem mil modos de morrer á grega.
Morreu, e está dito tudo.
Morreu, e o Dr. Ignacinho apresentou em inventario uma conta de chegar: 35 contos de réis.
Os herdeiros impugnaram o pagamento. Move-se a traquitana desengonçada que chamam a
Justiça, com maiuscula, inda se não descobriu
porque. Moe-se o palavriado tabellionesco. Saem
das estantes carunchosos trabucos romanos.
Procede-se ao arbitramento.
Os arbitros são Fortunato e Moura, os quaes
disseram entre si:
— Que grande velhaco! Mata o homem e ainda por cima quer ficar-se herdeiro! O tratamento,
alto e malo, não vale cem mil reis. Que valha
duzentos. Que valha um conto, ou tres. Mas
trinta e cinco, é ser ladrão!
No laudo, entretanto, acharam relativamente
modico o pedido, sem dizer relativo ao que.
A Justiça enguliu aquelle papel, gestou-o com
os outros ingredientes da praxe, e a cabo de
prazos partejou um monstrosinho chamado sentença, o qual obrigava o espolio a alliviar-se de
35 contos em proveito do médico, mais as custas da esvurmadela forense.
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 112 {{--}}}}</noinclude>Ignacinho embolsou os cobres, e reconciliou-se
com os dois collegas, que afinal não eram as
azemolas que elle suppunha.
— Collegas, o passado, passado; agora, para
a vida e para a morte.
— Pois está visto, disse Fortunato. Tolo foi
você de abrir lucta com os que ajudam o negocio.
O colleguismo: eis a nossa grande força!…
— Tem razão, tem razão. Criançada minha,
illusões, farofas que a idade cura.
{{dhr|200%}}
Que mais? Que vôou a Paris? Está claro. Vôou, e lá está, sob o pallio da grenha astral, a
passear com a Yvonne no ''Bois.''
Ao pae escreveu:
— Isto é que é vida! Que cidade! Que povo!
Que civilisação! Vou diariamente á Sorbonna ouvir as lições do grande Doyen, e opéro em
tres hospitaes. Voltarei não sei quando. Fico por
cá durante os 35 contos, ou mais se o pae entender de auxiliar-me neste aperfeiçoamento de estudos.
A Sorbonna! A Sorbonna é algum «paraiso» em
Montmartre, onde compartilha com o ''apache'' da
Yvonne o dia da rapariga.
E os tres hospitaes? Ora! são os tres ''cabarets''
mais a geito.
Não obstante, o pae scismou naquillo cheio
d’orgulho, embora pezaroso: que pena não estar
viva a Joaquininha para ver em que alturas andava o Nico, o Nico do sanhaço estripado…<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 113 {{--}}}}</noinclude>Em Paris!… Na Sorbonna!… Discipulo do
querido Doyen, o grande, o immenso Doyen!…
Mostrou a cárta aos medicos reconciliados.
— Isto de hospitaes, gemeu o invejoso Fortunato, é uma mina. Dá nome. Para botar nos annuncios é de primeirissima.
— E o Doyen, hein? murmurou baboso o embevecido pae. Não ha como a gente apropinquar-se
das celebridades…
— E’ isso mesmo, concluiu o Moura, relanceando um olhar a Fortunato, n’um commentario
mudo aquelle mirifico apropinquamento. E os dois
enxugaram , á uma, os copos da cerveja commemorativa, mandada abrir pelo bemaventurado Coronel.
{{dhr|200%}}
— E a Consciencia? perguntará com indignação algum megatherio, ledor de Hugo e Sue,
contemporaneo do remorso, do dedo de Deus e
outras antigualhas fosseis.
— Dorme o somno do archaismo no fundo dos
diccionarios, responde com o seu riso metallico o
nosso prezado amigo Mephistopheles, de dentro
de um «Fausto» de qualquer edição.<noinclude></noinclude>
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Urupês (3ª edição)/Pollice verso
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JppBr98
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Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/61
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Didacus21
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''O Rebanho'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Oh ! minhas alucinações ! Vi os deputados, chapéus altos, sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas, sairem de mãos dadas do Congresso... Como um possesso num acesso em meus aplausos aos salvadores do meu estado amado !... {{dhr|2}} Desciam, in...
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<div style="text-align:left>
<poem>
Oh ! minhas alucinações !
Vi os deputados, chapéus altos,
sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas,
sairem de mãos dadas do Congresso...
Como um possesso num acesso em meus aplausos
aos salvadores do meu estado amado !...
{{dhr|2}}
Desciam, inteligentes, de mãos dadas
entre o trepidar dos taxis vascolejantes,
a rua Marechal Deodoro...
</poem>
</div>
</div><noinclude></noinclude>
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Parnaso mariano (1890)/Poesias/I: Conceição
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[[Categoria:Parnaso mariano (1890)]]
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