Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.20 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/10 106 37353 563547 545413 2026-09-21T14:03:35Z Port archivist 43850 /* Validada */ 563547 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Port archivist" /></noinclude>{{dhr|6}} {{c|Trabalhos do auctor|fs=200%}} {{dhr}} {{lh|5em}} [[Pernambuco (Oliveira Lima)|Pernambuco, seu desenvolvimento historico]] — Leipzig, 1894. [[Aspectos da Literatura Colonial Brasileira|Aspectos da litteratura colonial brazileira]] — Leipzig, 1896. {{lang|fr|Sept ans de République au Brésil}} — Paris, 1896. [[Nos Estados Unidos|Nos Estados Unidos, Impressões politicas e sociaes]] — Leipzig 1899. [[Memória sobre o Descobrimento do Brasil e Negociações Diplomáticas a que deu Origem|Memoria sobre o Descobrimento do Brazil e negociações diplomaticas a que deu origem]] — Rio de Janeiro, 1900. [[O Reconhecimento do Império|O Reconhecimento do Imperio]] — Rio de Janeiro-Pariz, 1901. [[No Japão|No Japão, Impressões da terra e da gente]] — Rio de Janeiro, 1903. [[Relação dos Manuscritos de Interesse para o Brasil Existentes no Museu Britânico de Londres|Relação dos Manuscriptos de interesse para o Brazil existentes no Museu Britannico de Londres]] — Rio de Janeiro, 1903. [[Elogio Acadêmico de F. A. de Vernhagen|Elogio academico de F. A. de Vernhagen]] — Rio de Janeiro, 1903. [[O Secretário do Rei|O Secretario d’El-Rey]], peça historica — Rio de Janeiro-Pariz, 1904. [[O Papel de José Bonifácio no Movimento da Independência|O papel de José Bonifacio no movimento da Independencia]] — S. Paulo, 1907. [[O Padre Manoel de Moraes|O padre Manoel de Moraes]] — S. Paulo, 1907. [[Pan-Americanismo|Pan-Americanismo, Bolivar-Monroe-Roosevelt]] — Rio de Janeiro-Pariz, 1908. [[Coisas Diplomáticas|Cousas diplomaticas]] — Lisboa, 1908. [[Gustavo Beyer (Oliveira Lima)|Gustavo Beyer]] — S. 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Pedro de Souza Holstein a peito, o fizesse desanimar, antes o incitava a proseguir no que elle chamava a ''guerra litteraria'', a saber, influir pelos escriptos de propaganda sobre a opinião publica, no sentido de desfazer prejuizos nacionaes e populares; e por outro lado insistir na campanha mais efficaz da corrupção, distribuindo presentes para se informar do que ocorria nas sessões secretas, obter copias dos papeis importantes e predispor a votação de harmonia com os interesses de Portugal e Brazil. Para Dona Carlota a chave da situação passara por esse tempo a encontrar-se em Hespanha. Ahi é que seus interesses precisavam ser promovidos e sustentados. No Rio da Prata, desde o 25 de Maio de 1810, a partida estava senão perdida, gravemente compromettida. Assim o comprehendera o atilado Contucci e o expuzera n’uma memoria dirigida ao conde de Linhares, valendo-se dos seguintes termos: <ref>Esta memoria, sem data, encontra-se entre os Pap. Av. do Min. das Rel. Ext. Deve ser de 1810, pois que 1808 e 1809 foram os annos em que a candidatura da Princeza do Brazil maiores probabilidades teve de vingar.</ref> “Houve hum tempo em que o partido favoravel aos interesses de S. A. R. a Princeza Nossa Senhora era o mais numeroso, não por reflexão, ou por amor á antiga e veneravel Constituição Hespanhola; porem por hum conjuncto feliz de circumstancias que fazião coincidir os interesses de S. A. R. com os interesses, e paixoens dos particolares então violentamente agitadas. As intrigas do novo Vice Rey (Cisneros), e de Ruiz Huidobro, e as desgraças da Peninsula<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> nnoexwhf08duhth9korixc8w79gb5zx Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/373 106 37716 563423 364681 2026-09-21T13:28:26Z Joanacvp 43851 563423 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Giro bot" /></noinclude>{{c | DOM JOÃO VI NO BRAZIL}} 351 desbaratarão inteiramente este partido. O da Independencia tomou o ascendente: o sistema democratico representativo proposto pela Junta Central veio a ser huma opinião legal e justificada, e hum crime o adherir á antiga Constituição Monarquica. Segundo as ultimas noticias de Buenos Ayres, ainda que discrepem muito aquelles habitantes sobre a forma e o modo de fundar hum novo regimen, concordão em hum ponto essencial quasi todos, que he o de excluir os justos di- reitos reclamados por S. A. R. a Princeza Nossa Senhora." De ameaçados, tinham os de Buenos Ayres passado mesmo a ameaçar, pela propaganda dos principios que não pela força das armas, e Linhares tanto não desprezava a contingencia que, conforme resulta de notas autographas do proprio ministro appensas á citada memoria, confiara a Contucci uma missão secreta da maxima importancia, qual a de levar com exito a effeito a acclamação de Dona Car- lota Joaquina. Devia o aventureiro partir na certeza de ser apoiado pelas tropas do Rio Grande do Sul e de Santa Ca- tharina, as quaes com rapidez acudiriam em soccorro do Cabildo ou do governador de Montevidéo qualquer que primeiro reclamasse a assistencia d'ellas - emquanto se não despachavam do Rio, sem romper a alliança ingleza, outras tropas e alguma força naval. O caso não era porém mais de activar apenas o engran- decimento do poder portuguez: tratava-se de defender tam- bem e sobretudo o existente, de conservar a integridade dos dominios do Principe Regente sob o regimen transplantado. Contucci, cuja memoria provocara ou respondia ao encargo, assim expressava os seus receios, reaes ou simulados, de uma crise revolucionaria: "O sistema democratico adoptado pela America Hespanhola pode sernos tão incomodo como<noinclude><references/></noinclude> hnfv5av3bpzetiuqjzo344c9ozq1a2g 563427 563423 2026-09-21T13:30:30Z Joanacvp 43851 563427 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Giro bot" /></noinclude>{{c | DOM JOÃO VI NO BRAZIL {{d | 351}} desbaratarão inteiramente este partido. O da Independencia tomou o ascendente: o sistema democratico representativo proposto pela Junta Central veio a ser huma opinião legal e justificada, e hum crime o adherir á antiga Constituição Monarquica. Segundo as ultimas noticias de Buenos Ayres, ainda que discrepem muito aquelles habitantes sobre a forma e o modo de fundar hum novo regimen, concordão em hum ponto essencial quasi todos, que he o de excluir os justos di- reitos reclamados por S. A. R. a Princeza Nossa Senhora." De ameaçados, tinham os de Buenos Ayres passado mesmo a ameaçar, pela propaganda dos principios que não pela força das armas, e Linhares tanto não desprezava a contingencia que, conforme resulta de notas autographas do proprio ministro appensas á citada memoria, confiara a Contucci uma missão secreta da maxima importancia, qual a de levar com exito a effeito a acclamação de Dona Car- lota Joaquina. Devia o aventureiro partir na certeza de ser apoiado pelas tropas do Rio Grande do Sul e de Santa Ca- tharina, as quaes com rapidez acudiriam em soccorro do Cabildo ou do governador de Montevidéo qualquer que primeiro reclamasse a assistencia d'ellas - emquanto se não despachavam do Rio, sem romper a alliança ingleza, outras tropas e alguma força naval. O caso não era porém mais de activar apenas o engran- decimento do poder portuguez: tratava-se de defender tam- bem e sobretudo o existente, de conservar a integridade dos dominios do Principe Regente sob o regimen transplantado. Contucci, cuja memoria provocara ou respondia ao encargo, assim expressava os seus receios, reaes ou simulados, de uma crise revolucionaria: "O sistema democratico adoptado pela America Hespanhola pode sernos tão incomodo como<noinclude><references/></noinclude> lps0y8ojyesu56v5z9anr524ow5fzqi 563432 563427 2026-09-21T13:33:27Z Joanacvp 43851 563432 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Giro bot" /></noinclude>{{c | DOM JOÃO VI NO BRAZIL}} {{d | 351}} desbaratarão inteiramente este partido. O da Independencia tomou o ascendente: o sistema democratico representativo proposto pela Junta Central veio a ser huma opinião legal e justificada, e hum crime o adherir á antiga Constituição Monarquica. Segundo as ultimas noticias de Buenos Ayres, ainda que discrepem muito aquelles habitantes sobre a forma e o modo de fundar hum novo regimen, concordão em hum ponto essencial quasi todos, que he o de excluir os justos di- reitos reclamados por S. A. R. a Princeza Nossa Senhora." De ameaçados, tinham os de Buenos Ayres passado mesmo a ameaçar, pela propaganda dos principios que não pela força das armas, e Linhares tanto não desprezava a contingencia que, conforme resulta de notas autographas do proprio ministro appensas á citada memoria, confiara a Contucci uma missão secreta da maxima importancia, qual a de levar com exito a effeito a acclamação de Dona Car- lota Joaquina. Devia o aventureiro partir na certeza de ser apoiado pelas tropas do Rio Grande do Sul e de Santa Ca- tharina, as quaes com rapidez acudiriam em soccorro do Cabildo ou do governador de Montevidéo qualquer que primeiro reclamasse a assistencia d'ellas - emquanto se não despachavam do Rio, sem romper a alliança ingleza, outras tropas e alguma força naval. O caso não era porém mais de activar apenas o engran- decimento do poder portuguez: tratava-se de defender tam- bem e sobretudo o existente, de conservar a integridade dos dominios do Principe Regente sob o regimen transplantado. Contucci, cuja memoria provocara ou respondia ao encargo, assim expressava os seus receios, reaes ou simulados, de uma crise revolucionaria: "O sistema democratico adoptado pela America Hespanhola pode sernos tão incomodo como<noinclude><references/></noinclude> rsnw71cwq4cb3cq900rbl6v0ny24lsj 563451 563432 2026-09-21T13:38:26Z Joanacvp 43851 563451 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Giro bot" />{{c | DOM JOÃO VI NO BRAZIL}} {{d | 351}}</noinclude>desbaratarão inteiramente este partido. O da Independencia tomou o ascendente: o sistema democratico representativo proposto pela Junta Central veio a ser huma opinião legal e justificada, e hum crime o adherir á antiga Constituição Monarquica. Segundo as ultimas noticias de Buenos Ayres, ainda que discrepem muito aquelles habitantes sobre a forma e o modo de fundar hum novo regimen, concordão em hum ponto essencial quasi todos, que he o de excluir os justos di- reitos reclamados por S. A. R. a Princeza Nossa Senhora." De ameaçados, tinham os de Buenos Ayres passado mesmo a ameaçar, pela propaganda dos principios que não pela força das armas, e Linhares tanto não desprezava a contingencia que, conforme resulta de notas autographas do proprio ministro appensas á citada memoria, confiara a Contucci uma missão secreta da maxima importancia, qual a de levar com exito a effeito a acclamação de Dona Car- lota Joaquina. Devia o aventureiro partir na certeza de ser apoiado pelas tropas do Rio Grande do Sul e de Santa Ca- tharina, as quaes com rapidez acudiriam em soccorro do Cabildo ou do governador de Montevidéo qualquer que primeiro reclamasse a assistencia d'ellas - emquanto se não despachavam do Rio, sem romper a alliança ingleza, outras tropas e alguma força naval. O caso não era porém mais de activar apenas o engran- decimento do poder portuguez: tratava-se de defender tam- bem e sobretudo o existente, de conservar a integridade dos dominios do Principe Regente sob o regimen transplantado. Contucci, cuja memoria provocara ou respondia ao encargo, assim expressava os seus receios, reaes ou simulados, de uma crise revolucionaria: "O sistema democratico adoptado pela America Hespanhola pode sernos tão incomodo como<noinclude><references/></noinclude> h8chkgjjpfq6r7a60k3ud2g1rhpflrg 563467 563451 2026-09-21T13:44:40Z Port archivist 43850 /* Revista */ 563467 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Port archivist" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|351}}</noinclude>desbaratarão inteiramente este partido. O da Independencia tomou o ascendente: o sistema democratico representativo proposto pela Junta Central veio a ser huma opinião legal e justificada, e hum crime o adherir á antiga Constituição Monarquica. 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Devia o aventureiro partir na certeza de ser apoiado pelas tropas do Rio Grande do Sul e de Santa Ca- tharina, as quaes com rapidez acudiriam em soccorro do Cabildo ou do governador de Montevidéo qualquer que primeiro reclamasse a assistencia d'ellas - emquanto se não despachavam do Rio, sem romper a alliança ingleza, outras tropas e alguma força naval. O caso não era porém mais de activar apenas o engran- decimento do poder portuguez: tratava-se de defender tam- bem e sobretudo o existente, de conservar a integridade dos dominios do Principe Regente sob o regimen transplantado. 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R. a Princeza Nossa Senhora." De ameaçados, tinham os de Buenos Ayres passado mesmo a ameaçar, pela propaganda dos principios que não pela força das armas, e Linhares tanto não desprezava a contingencia que, conforme resulta de notas autographas do proprio ministro appensas á citada memoria, confiara a Contucci uma missão secreta da maxima importancia, qual a de levar com exito a effeito a acclamação de Dona Carlota Joaquina. Devia o aventureiro partir na certeza de ser apoiado pelas tropas do Rio Grande do Sul e de Santa Catharina, as quaes com rapidez acudiriam em soccorro do Cabildo ou do governador de Montevidéo qualquer que primeiro reclamasse a assistencia d'ellas - emquanto se não despachavam do Rio, sem romper a alliança ingleza, outras tropas e alguma força naval. 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Contucci, cuja memoria provocara ou respondia ao encargo, assim expressava os seus receios, reaes ou simulados, de uma crise revolucionaria: "O sistema democratico adoptado pela America Hespanhola pode sernos tão incomodo como<noinclude><references/></noinclude> 6qp8xekaptjhkq21u8oscs9h95d7es2 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/539 106 37882 563583 544603 2026-09-21T14:17:17Z Port archivist 43850 /* Validada */ 563583 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Port archivist" /></noinclude>{{Imagem float-p |file=Conde da Barca (Dom João VI no Brazil, Volume 01).jpg |cap={{dhr}}{{Cursivo|Conde da Barca}} |align=center |width=400px |padb=2em |padt=2em }}<noinclude></noinclude> iwvnb3dae87qddzh3kexx9enhl05mw8 Fabulas de Esopo/O Asno e a Cobra 0 145072 563898 459575 2026-09-22T01:53:36Z ~2026-50995-44 43870 563898 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra = [[Fabulas de Esopo]] |autor = Esopo |tradutor = Manuel Mendes da Vidigueira |anterior = [[Fabulas de Esopo/A Nora e a Sogra|A Nora e a Sogra]] |posterior = [[Fabulas de Esopo/O Corvo e o Escorpião|O Corvo e o Escorpião]] |seção = O Asno e a Cobra |notas = |edição_override = {{edição/originais}} }} <pages index="Fabulas de Esopo.djvu" from=164 to=165 fromsection="O Asno e a Cobra" tosection="O Asno e a Cobra" /> [[Categoria:Fabulas de Esopo]] chd18v58dghl6cfai04pz7rkruusf6p Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/266 106 145180 563784 479677 2026-09-21T15:55:18Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563784 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>{{c|<big>A Colecção "ONTEM E HOJE"</big>}} {{c|pelo interêsse indiscutível que os seus volumes despertam constitue, como a sua congénere francesa «{{lang|fr|Hier et aujour d'hui}}», um grande sucesso da livraria portuguesa}} {{c|VOLUMES JÁ PUBLICADOS NESTA COLECÇÃO}} N.º 1 — ''Uma das Maravilhosas «Madame Tallien ′'', por Paulo Reboux. — (Volume ilustrado com 5 gravuras). N.º 2 — ''Lénine'', por João Jacoby. — (Volume ilustrado com 18 gravuras). N.º 3 — ''Heroínas Portuguesas'', por Rocha Martins — ''D. Filipa de Vilhena, Mariana de Lencastre'' (defensora de Monção), e a ''Duquesa de Ficalho''. — (Volume ilustrado com 5 gravuras). N.º 4 — ''Os Grandes Estadistas Nacionais'', por Rocha Martins — ''João das Regras, Conde de Castelo Melhor e Marquês de Pombal''. — (Volume ilustrado com 6 gravuras). N.º 5 — ''Amores à Margem da História'', por Rocha Martins. Volume ilustrado com 3 gravuras). N.º 6 — ''Os Dramas da Liberdade'', por Rocha Martins. N.º 7 — ''Maria Antonieta em Versalhes'', por Pedro da Nolhac. N.º 8 — ''Os segredos da Bastilha'', por Funck-Brentano. N.º 9 — ''O cavalheiro de Oliveira'', por Aquilino Ribeiro. N.º10 — ''Heróis portugueses no Brasil'', por J. de Barros. N.º11 — ''Historia de Portugal'', I Vol. por Ângelo Ribeiro. N.°12 — ′ ′ ′ ′ , II Vol. pelo Dr. Newton de Macedo. N.º13 — ′ ′ ′ ′ , III Vol. por Ângelo Ribeiro. N.º14 — ′ ′ ′ ′ , IV Vol por Hernâni Cidade. N.º15 — ''Bocage'', por Hernâni Cidade {{c|Preço de cada volume com capa ilustrada 7$50}} {{c|NOVOS VOLUMES A PUBLICAR!}} ''A condessa da Ega'', por Aquilino Ribeiro ''Madame de Pompadour'', por Tinayre (Marcels). '' A Revolução de 1820 e os seus Homens'', por João de Barros, etc., etc.<noinclude>{{lista de livros}}</noinclude> ejqqy5f5e323b3b1mqgbohlf2s8yvs8 Página:O Momento Literario (1908).pdf/16 106 207045 563496 444802 2026-09-21T13:51:13Z Abre-caminhos 43842 563496 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Giro bot" /></noinclude>gerações novas porque escreveu alguns versos e foi amante de Mme. Vítor Hugo. Talvez apenas dele se recordem por ter essa senhora esquecido o gigante para amar o zoilo. Quem vos fala hoje, a sério, de Schlegel, de Hegel, ou mesmo do pobre Hennequin? A crítica atual é a informação e a reportagem. Há alguns {{corr|annos|anos}}, Anatole France dizia: - “A crítica é como a {{corr|philosophia|filosofia}}, e a história uma espécie de romance para uso dos espíritos avisados e curiosos. Ora, todo romance no fundo é uma {{corr|auto-biographia|autobiografia}}, e o bom crítico é aquele que conta as aventuras da própria alma entre as obras-primas. ”{{corr| actualmente|Atualmente}}, para o grande público, já não é isso. {{corr|Si|Se}} o romance, desde Balzac, outra coisa não foi senão a reportagem, genial ou não, da moral e dos costumes, a crítica é a reportagem dos autores. Só dominam hoje os que vão ao local, indagam, vêm e escrevem com o documento ao lado. A crítica passou a ser uma consulta experimental, como a fazem Brisson e Huret, e eu posso assegurar que tenho uma impressão muito mais justa e exata de Zola ou de Rostand, quando Brisson os narra numa das suas entrevistas, que lendo toda a {{corr|panegyria|panegírica}} e todos os insultos de que o ''Cyrano'' e a ''Terre'' tenham sido causa. Foi-se o tempo, meu amigo, em que Diogo<noinclude></noinclude> 24xtj2xy50074na2imbz4rp42i1y8lq 563499 563496 2026-09-21T13:52:06Z Abre-caminhos 43842 /* Revista */ 563499 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Abre-caminhos" /></noinclude>gerações novas porque escreveu alguns versos e foi amante de Mme. Vítor Hugo. Talvez apenas dele se recordem por ter essa senhora esquecido o gigante para amar o zoilo. Quem vos fala hoje, a sério, de Schlegel, de Hegel, ou mesmo do pobre Hennequin? A crítica atual é a informação e a reportagem. Há alguns {{corr|annos|anos}}, Anatole France dizia: - “A crítica é como a {{corr|philosophia|filosofia}}, e a história uma espécie de romance para uso dos espíritos avisados e curiosos. Ora, todo romance no fundo é uma {{corr|auto-biographia|autobiografia}}, e o bom crítico é aquele que conta as aventuras da própria alma entre as obras-primas. ”{{corr| actualmente|Atualmente}}, para o grande público, já não é isso. {{corr|Si|Se}} o romance, desde Balzac, outra coisa não foi senão a reportagem, genial ou não, da moral e dos costumes, a crítica é a reportagem dos autores. Só dominam hoje os que vão ao local, indagam, vêm e escrevem com o documento ao lado. A crítica passou a ser uma consulta experimental, como a fazem Brisson e Huret, e eu posso assegurar que tenho uma impressão muito mais justa e exata de Zola ou de Rostand, quando Brisson os narra numa das suas entrevistas, que lendo toda a {{corr|panegyria|panegírica}} e todos os insultos de que o ''Cyrano'' e a ''Terre'' tenham sido causa. Foi-se o tempo, meu amigo, em que Diogo<noinclude></noinclude> 11ohxhdjadz0w6p18rzy664njx22v6q Página:O Momento Literario (1908).pdf/38 106 207933 563484 446157 2026-09-21T13:49:09Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563484 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" /></noinclude>decisivo; sempre fui homem material, e, rudeza ou grosseria, sempre tudo submeti e subordinei à forma, não havendo para mim substância se não a externa, palpável e evidente. Sou capaz de afirmar e afirmo que me fiz poeta só e unicamente porque eu tinha então papel, ''esplêndido'', como se diz hoje, para versos: eram umas aparas do ''Arquivo Econômico'' da Bahia, revista que meu avô assinava e cujas margens larguíssimas por supérfluas eram cortadas; do bico da tesoura eu recolhia aquelas fitas brancas e lisas, que na minha mão se enrolavam curvas como o aço dos relógios, esperando a desenvolução futura, nos momentos de furor e de estro. Naquelas duas polegadas de papel a minha letra miúda poria destramente um alexandrino, mas nem de tanto havia mister, porque eu comecei pela ''oitava rima'' e pelo poema épico: a epopéia devia ser uma ''Brasileida'' ou ''Brasilíada'' (ou coisa que o valia, e agora me esquece) e era assunto a crônica de descobrimento do Brasil, que eu li no ''Panorama'(1) e onde se contavam os amores de Ipeca, índia tupinacuim, e de um português da frota de Cabral. Acabo aqui a história porque já vou excedendo, mal a meu grado, os limites da resposta; mas (1) Creio que de F. A. Varnhagen; um romance histórico; estava então na baila W. Scott, entre os escritores portugueses Rebelo da Silva, Herculano, etc.<noinclude></noinclude> dj11jjnsltxg1d4jw203q0zz66ktrbq Página:O Momento Literario (1908).pdf/39 106 207934 563510 446158 2026-09-21T13:55:03Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563510 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" /></noinclude>aqui tem v. mais ou menos os ''autores que mais contribuíram'', na formação do meu primeiro e único poema: técnica — o papel aparado e o vezo da charada; ciência e mitologia — o ''Manual Enciclopédico''; sujeito e desenvolvimento — o ''Panorama''. O resto, atribua-o v. generosamente ao meu talento. 2. Das suas obras qual a que prefere? Obras literárias, além de um livro de versos, não as tenho; tudo quanto escrevi foram fragmentos, artigos de jornal, cousas esparsas e sem valia, das quais um colchete coordenador poderá talvez fazer um mísero opúsculo. Mas posso dizer à maneira de D. Francisco Manuel — "nunca me arrependi do que deixei de escrever". Escrevi, sim, e v. bem o sabe, alguns livros úteis, ou com a intenção de úteis, e em realidade o foram ao menos para mim mesmo. A ''Brasileida'' perdeu-se ou eu a rasguei, sem nenhum gesto de ira; os outros terão agonia mais lenta e hão de perder-se com mais demorados vagares. Francamente, não prefiro nenhum, a não ser talvez um ou outro verso, dos que compus, menos pelo que vale e mais pelo que lembra na memória de outros tempos. 3. Lembrando separadamente a prosa e a poesia contemporâneas, parece-lhe que no momento atual, no Brasil, atravessamos um pe-<noinclude></noinclude> fnve1gn43lyu2blu0nazmce3krcg2cc Página:O Momento Literario (1908).pdf/40 106 207935 563518 446160 2026-09-21T13:57:02Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 563518 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Giro bot" /></noinclude>riodo estancionario, ha novas escolas( romance social, poesia de ação etc.) ou há a luta entre as antigas e as modernas? Neste último caso quais são elas? Quais os escritores contemporâneos que as representam? Qual a que julga destinada a predominar? — Acho difícil responder a tanta cousa por junto e mais do que difícil acho que seria odiosa a minha inútil franqueza. Vou ver se me conformo à verdade sem faltar às conveniências. A verdade, segundo a eu entendo, já se vê. Não gosto, absolutamente não gosto dos nossos últimos poetas; falo dos últimos, recentíssimos. Basta dizer que não os leio e que ainda que o quisesse não os podia ler. E digo com a máxima sinceridade que, em abrindo uma folha, prefiro ler um anúncio de leilão a um soneto. É a nossa poesia de hoje uma cousa pior que péssima, porque é sempre a mesma repetição eterna, descorada, longuíssima, das mesmas coisas, é a mesma ênfase chilra, destemperada, cansada como aquele ''chá'' do Tolentino... <poem>Em bule chamado inglês Que já para pouco serve, Duas folhas lança ou três De cansado chá que ferve Com esta, a sétima vez. Poder-se-ia ainda continuar: De fatias nem o cheiro Etc.</poem><noinclude></noinclude> 6lxgf4ptsnqbezgsqhjmpvfgant1cai 563521 563518 2026-09-21T13:57:26Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563521 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" /></noinclude>riodo estancionario, ha novas escolas( romance social, poesia de ação etc.) ou há a luta entre as antigas e as modernas? Neste último caso quais são elas? Quais os escritores contemporâneos que as representam? Qual a que julga destinada a predominar? — Acho difícil responder a tanta cousa por junto e mais do que difícil acho que seria odiosa a minha inútil franqueza. Vou ver se me conformo à verdade sem faltar às conveniências. A verdade, segundo a eu entendo, já se vê. Não gosto, absolutamente não gosto dos nossos últimos poetas; falo dos últimos, recentíssimos. Basta dizer que não os leio e que ainda que o quisesse não os podia ler. E digo com a máxima sinceridade que, em abrindo uma folha, prefiro ler um anúncio de leilão a um soneto. É a nossa poesia de hoje uma cousa pior que péssima, porque é sempre a mesma repetição eterna, descorada, longuíssima, das mesmas coisas, é a mesma ênfase chilra, destemperada, cansada como aquele ''chá'' do Tolentino... <poem>Em bule chamado inglês Que já para pouco serve, Duas folhas lança ou três De cansado chá que ferve Com esta, a sétima vez. 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E digo com a máxima sinceridade que, em abrindo uma folha, prefiro ler um anúncio de leilão a um soneto. É a nossa poesia de hoje uma cousa pior que péssima, porque é sempre a mesma repetição eterna, descorada, longuíssima, das mesmas coisas, é a mesma ênfase chilra, destemperada, cansada como aquele ''chá'' do Tolentino... <poem>Em bule chamado inglês Que já para pouco serve, Duas folhas lança ou três De cansado chá que ferve Com esta, a sétima vez. Poder-se-ia ainda continuar: De fatias nem o cheiro Etc.</poem><noinclude></noinclude> jikm58y89ctg0hp9o0qmrj7tg4xrhhk Página:O Momento Literario (1908).pdf/41 106 207936 563543 446161 2026-09-21T14:02:53Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563543 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" /></noinclude><nowiki /> Ao menos versos destes podem ser repetidos e hão de o ser eternamente. Está-se a ver por este excesso do meu juízo que o defeito é todo meu, falha e insuficiência da minha parte. Não é possível que eu tenha razão. A verdade é que não sinto e não entendo, não alcanço o que querem os nossos poetas. Quer v. mais? Já transpus os limites da discrição, e numa sociedade primitiva e guerreira como esta, democracia pela força das cousas mas sem nenhuma educação liberal, e em que a regra é ''eliminar os discordantes'', com o que disse já estou muito mal parado. Peço-lhe, se se interessa pela minha paz de espírito, que acrescente aí numa entrelinha: há algumas exceções honrosas... Não sucede, porém, a mesma cousa com os nossos prosadores; e ainda que eu conheça (só pela rama) umas três das grandes literaturas européias, acho que podemos falar de escritores nossos sem incontinência. Se tudo é relativo, há descomedimento a nosso favor, e a proporção que nos convém dá muito para envaidecer-nos. Temos romancistas, críticos, jornalistas, oradores mais e melhor do que jamais tivemos. Os nossos prosadores de hoje, no Rio, escrevem com gosto, clareza e não raro com perfeição de forma e outras excelências ainda há pouco<noinclude></noinclude> acbz75s5r2y2tkg5f7o869cx7jtvhdp Predefinição:Progressos recentes 10 220893 563387 563382 2026-09-21T13:00:12Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 563387 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|83|3|15|-1}} | [[Index:A infanta D. Maria de Portugal e suas damas.djvu|A infanta D. Maria de Portugal e suas damas]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|0|1|99}} | [[Index:Bibliotheca lusitana - Tomo I (1741).djvu|Bibliotheca lusitana]] |- | {{Barra de progresso|46|1|1|2|2|48}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|37|0|57|2|5|-0.99999999999999}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|100|0|0|0|0|0}} | [[Index:Hino de Santo André (SP).pdf|Hino do município de Santo André (São Paulo)]] |- | {{Barra de progresso|0|0|19|0|5|76}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|34|0|1|0|17|48}} | [[Index:Paulicea desvairada (1922).pdf|Paulicea Desvairada]] |- | {{Barra de progresso|0|1|44|0|14|41}} | [[Index:Pégadas.pdf|Pégadas]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|94|6|0}} | [[Index:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf|Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas]] |- | {{Barra de progresso|2|0|41|1|5|51}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> h9inlkwms0rx4rig874qkpq091ffkml 563534 563387 2026-09-21T14:00:23Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 563534 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|1|0|3|0|0|96}} | [[Index:(1855) Sermões do padre Antonio Vieira, Volumes 5-6.pdf|Sermões do padre Antonio Vieira]] |- | {{Barra de progresso|1|0|5|3|0|91}} | [[Index:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf|A Linguagem Médica de Portugal e Brasil]] |- | {{Barra de progresso|46|1|1|2|2|48}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|37|0|57|2|5|-0.99999999999999}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|2|0|21|1|5|71}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|0|0|100}} | [[Index:Júlio Verne - Atribulações de um Chinês na China (1888).pdf|Atribulações de um Chinez na China]] |- | {{Barra de progresso|91|0|3|0|1|5}} | [[Index:O Momento Literario (1908).pdf|O Momento Literário]] |- | {{Barra de progresso|23|0|7|7|17|46}} | [[Index:Paulicea desvairada (1922).pdf|Paulicea Desvairada]] |- | {{Barra de progresso|0|1|44|1|14|40}} | [[Index:Pégadas.pdf|Pégadas]] |- | {{Barra de progresso|0|0|8|0|0|92}} | [[Index:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf|Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> m6vp5fkmhlfjh1ublag854lrzm0gui7 563645 563534 2026-09-21T15:00:19Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 563645 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|1|0|3|0|0|96}} | [[Index:(1855) Sermões do padre Antonio Vieira, Volumes 5-6.pdf|Sermões do padre Antonio Vieira]] |- | {{Barra de progresso|2|0|5|3|0|90}} | [[Index:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf|A Linguagem Médica de Portugal e Brasil]] |- | {{Barra de progresso|0|0|75|19|6|0}} | [[Index:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf|Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly]] & [[Carta de guia de casados]] |- | {{Barra de progresso|0|0|79|11|10|0}} | [[Index:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf|Manifestos Cypherpunks]] |- | {{Barra de progresso|8|0|0|0|0|92}} | [[Index:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf|Dialogo da uiçiosa vergonha]] |- | {{Barra de progresso|47|1|1|2|2|47}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|0|0|21|5|5|69}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|0|0|96|0|4|0}} | [[Index:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf|Á Roda da Lua]] |- | {{Barra de progresso|23|0|1|18|17|41}} | [[Index:Paulicea desvairada (1922).pdf|Paulicea Desvairada]] |- | {{Barra de progresso|0|1|37|8|14|40}} | [[Index:Pégadas.pdf|Pégadas]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> 4f4jewlctl7igyhunbzjt3b6wn08mgq 563805 563645 2026-09-21T16:00:18Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 563805 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|3|0|0|0|0|97}} | [[Index:1568 - A conversão de S. 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Zimmermann]]''' |página=[[Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/18|17]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40 |seção= |título=[[Manifestos Cypherpunks/Manifesto Criptoanarquista|MANIFESTO CRIPTOANARQUISTA (1992)]]<br/>'''[[Autor:Timothy C. May|Timothy C. May]]''' |página=[[Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/26|25]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40 |seção= |título=[[Manifestos Cypherpunks/Manifesto Cypherpunk|MANIFESTO CYPHERPUNK (1993)]]<br/>'''[[Autor:Eric Hughes|Eric Hughes]]''' |página=[[Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/30|29]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40 |seção= |título=[[Manifestos Cypherpunks/Posfácio|POSFÁCIO]]<br/>'''André Ramiro''' |página=[[Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/34|33]] }} {{tabela|largura=36em|largura-p=40 |seção= |título=[[Manifestos Cypherpunks/Anexo|ANEXO: CRIPTO-GLOSSÁRIO]]<br/>'''[[Autor:Timothy C. May|Timothy C. May]] e [[Autor:Eric Hughes|Eric Hughes]]''' |página=[[Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/46|45]] }} {{nop}}<noinclude></noinclude> qsgxmmxp9jae6x3snva4u0ssweo5etf Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/10 106 222463 563575 476651 2026-09-21T14:12:00Z Abre-caminhos 43842 /* Validada */ 563575 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Abre-caminhos" /></noinclude>{{right|{{x-larger|'''INTRODUÇÃO'''}}}} {{c|{{x-larger|Criptografia em defesa da privacidade}}}} {{right|''Leonardo Foletto''}} Na década de 1970, o professor de literatura canadense Marshall McLuhan profetizou que o “novo mundo” criado pela tecnologia, com informação em abundância e “aldeias globais” amplamente conectadas e espalhadas pelo mundo, veria o fim de um dos direitos fundamentais da humanidade: a privacidade. “Eu discordava dele e dizia que ainda éramos capazes de manter silêncio sobre as coisas”, afirmou em 2014 Derrick de Kerckhove<ref>Fonte: https://baixacultura.org/o-fim-da-privacidade-e-a-etica-da-transparencia/</ref>, herdeiro da cadeira e do pensamento de McLuhan na Universidade de Toronto. “Ele dizia que não, que o fim da privacidade era como um tsunami: ´você pode nadar, mas não vai servir para nada`”. McLuhan construiu seu pensamento teórico ''pop'', provocativo e amplamente difundido na mídia da época a partir de uma robusta pesquisa histórica e de uma coragem de apostar: dizia que os computadores estariam ligados em rede como a fase final das extensões do homem, chamada por ele de “simulação tecnológica da consciência”, “pela qual o processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e carnalmente a toda a sociedade humana”, como disse em seu clássico “''Understanding Media''” (“Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”, publicado no Brasil pela Cultrix desde 1969). Essa consciência tecnológica simulada e estendida a toda sociedade criaria um “novo mundo”, não mais uma vila isolada, mas “a grande família humana em uma só tribo” — a aldeia global, um de seus conceitos mais conhecidos. Uma só tribo conectada e moldada pelas tecnologias<noinclude> {{right|9}}</noinclude> g6q6yy85s76ktqe07ljoapdicqjtul9 563588 563575 2026-09-21T14:19:51Z Épico 12904 563588 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Abre-caminhos" /></noinclude>{{right|{{x-larger|'''INTRODUÇÃO'''}}}} {{c|{{x-larger|Criptografia em defesa da privacidade}}}} {{right|''Leonardo Foletto''}} Na década de 1970, o professor de literatura canadense Marshall McLuhan profetizou que o “novo mundo” criado pela tecnologia, com informação em abundância e “aldeias globais” amplamente conectadas e espalhadas pelo mundo, veria o fim de um dos direitos fundamentais da humanidade: a privacidade. “Eu discordava dele e dizia que ainda éramos capazes de manter silêncio sobre as coisas”, afirmou em 2014 Derrick de Kerckhove<ref>Fonte: https://baixacultura.org/o-fim-da-privacidade-e-a-etica-da-transparencia/</ref>, herdeiro da cadeira e do pensamento de McLuhan na Universidade de Toronto. “Ele dizia que não, que o fim da privacidade era como um tsunami: ´você pode nadar, mas não vai servir para nada`”. McLuhan construiu seu pensamento teórico ''pop'', provocativo e amplamente difundido na mídia da época a partir de uma robusta pesquisa histórica e de uma coragem de apostar: dizia que os computadores estariam ligados em rede como a fase final das extensões do homem, chamada por ele de “simulação tecnológica da consciência”, “pela qual o processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e carnalmente a toda a sociedade humana”, como disse em seu clássico “''Understanding Media''” (“Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”, publicado no Brasil pela Cultrix desde 1969). Essa consciência tecnológica simulada e estendida a toda sociedade criaria um “novo mundo”, não mais uma vila isolada, mas “a grande família humana em uma só tribo” — a aldeia global, um de seus conceitos mais conhecidos. Uma só tribo conectada e moldada pelas tecnologias<noinclude>{{Linha horizontal}} {{right|9}}</noinclude> 9w4w4z4x05y5tjcjer9amrzv6j0mxd2 Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/11 106 222464 563667 476653 2026-09-21T15:10:17Z Fillorian Archivist 40795 /* Validada */ 563667 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Fillorian Archivist" /></noinclude>não teria mais lugar para o segredo: o direito à reserva de informações pessoais e da própria vida pessoal teria que ser embarcado nas tecnologias de comunicação para poder existir. Corte para 2021: todos (ou quase todos) estamos conectados, tendo todas as nossas ações e o nosso tempo em frente a uma tela monitorados e quantificados por algumas empresas que, com esses dados — “o petróleo do Século XXI”, numa expressão já tornada clichê —, ganham dinheiro e poder literalmente a ''partir'' da exposição de nossa privacidade. A ideia do ''big data'' - combinações infinitas de bancos de dados digitalizados diversos, estruturados para produzir novos significados — é uma ''extensão do homem'' mais potente e global do que McLuhan previu a partir das tecnologias de sua época, sobretudo as telecomunicações e a eletricidade. Nesse cenário, como ainda pode ser possível falar de privacidade? Mais do que falar: como é possível cada um ainda proteger a sua privacidade? Kerckhove diz que não podemos mais nos proteger, o que seu antecessor talvez também diria. Ele não acredita em criptografia e defende, sim, uma “ética da transparência”. “No lugar de tentar proteger sua privacidade com criptografia e senhas, que acabam quebradas mais cedo ou mais tarde, as pessoas deveriam passar a exigir dos governos e das empresas a mesma transparência a que suas vidas estão expostas”. Provavelmente, Kerckhove (muito menos McLuhan) não conheceu a fundo os ''cypherpunks'', defensores da utilização da criptografia como meio para provocar mudanças sociais e políticas. Originários de uma vertente da cultura hacker mais afeita à ação política e libertária, em contraponto à outra mais ligada ao liberalismo empreendedor das ''startups'' do Vale do Silício, os ''cypherpunks'' surgem nos anos 1990 dizendo que a única maneira de manter a privacidade na era da informação é com uma criptografia forte. À pergunta sobre o fim da privacidade, eles replicam com um firme: ''não''. E, para defendê-la, propõem o uso de tecnologias que respeitem o direito de cada um de proteger sua privacidade, tendo como elemento central a criptografia forte. {{nop}}<noinclude> {{left|10,}}</noinclude> q2f0ub9bpbuodrsclj8pbryt5psnvu4 Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/12 106 222465 563799 476703 2026-09-21T15:59:02Z Osa 88 43848 /* Validada */ 563799 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Osa 88" /></noinclude>Ainda que o aspecto da “ética da transparência” seja uma questão importante também para os ''cypherpunks'' - vide as ações do Wikileaks, liderado por um dos mais conhecidos ''hackers cypherpunks'', Julian Assange — a exigência de uma postura mais transparente dos governos vem junto de um trabalho de base de ensino da proteção individual e coletiva via criptografia. “Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos”, frase que virou lema do Wikileaks, indica de outra forma que exigir transparência de órgãos governamentais e particulares deve vir associado à proteção da privacidade de cada um contra a vigilância desses mesmos governos e empresas. E, até hoje, o principal meio de se proteger da vigilância na internet é a partir do uso de criptografia. A “escrita escondida”, presente desde a origem da palavra (do grego: ''kryptós'', “escondido”, e ''gráphein'', “escrita”) é uma técnica e uma prática de comunicação que visa proteger a segurança da mensagem da ação de terceiros, chamados na área de “adversários” (essa terminologia bélica representa bem a serventia militar que a criptografia teve ao longo de sua história). Os motivos da proteção de uma mensagem podem ser tantos quanto a criatividade humana quiser inventar: dos óbvios temas ligados à guerra aos não tão óbvios assuntos de amor, passando pela diplomacia e a competição, todos eles de alguma forma ligados ao “direito de ser deixado em paz” contida no entendimento comum de privacidade<ref>'''H'''á registros históricos muito antigos sobre o uso da criptografia; um dos primeiros remete a 1900 a.C., no Egito, quando um escriba usou hieróglifos fora do padrão numa inscrição. Alguns séculos depois, entre 600 a.C. e 500 a.C, os hebreus utilizavam a cifra de substituição simples (de fácil reversão e fazendo uso de cifragem dupla para obter o texto original), sendo monoalfa'''b'''ético e monogrâmica (os caracteres são trocados um a um por outros), e com ela escreveram o Livro de Jeremias. O chamado “Codificador de Júlio César” tornou-se popular (ainda hoje) como “Cifra de César”, uma das técnicas mais clássicas de criptografia, em que o autor da cifragem troca cada letra por outra situada a três posições à frente no alfabeto. Uma simples ação que, diz a história, foi responsável por enganar muitos inimigos do Império '''R'''omano. Fonte: WIkipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/Criptografia</ref>. {{nop}}<noinclude> {{right|11}}</noinclude> szgrf3andjhadlmxiy2ebnulf8hqg57 Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/13 106 222492 563801 476694 2026-09-21T15:59:52Z Osa 88 43848 /* Validada */ 563801 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Osa 88" /></noinclude>Com a junção de computadores cada vez menores processando milhares de informações em cada vez menos tempo, e uma rede que une esses computadores todos ao redor do mundo, a criptografia tornou-se ainda mais importante. Não estamos mais falando apenas de situações raras ou estratégicas como, por exemplo, a proteção de trocas de bilhetes entre Imperadores e amantes no Império Romano, nem mesmo na cifragem de informações estratégicas de localização para ataques e defesas produzidas nos então rudimentares computadores da II Guerra Mundial. Agora são quase todas as informações da vida de uma pessoa que cruzam computadores potentes levados por nós a (quase) todos os lugares, que podem ser vistas por muita gente em qualquer canto do mundo a partir de outros computadores. São dados que, processados juntos com outras milhares de informações centralizadas em poucas empresas, extraem o suco da vida de alguém para então, de forma cada vez mais frequente, moldar nossos comportamentos a partir do endereçamento preciso de informação via plataformas digitais como ''Facebook, Google, Instagram'' ou ''Twitter''. Os textos presentes nestes ''Manifestos Cypherpunks'' são alguns dos primeiros alertas contra a vigilância massiva na era da internet. Foram escritos na época em que a rede mundial dos computadores ainda engatinhava, entre o final dos anos 1980 até meados dos 1990, por pessoas que conheciam a fundo alguns aspectos dos aparatos técnicos que faziam funcionar a rede e queriam nos fazer ficar atentos a eles. “Uma vez que uma infraestrutura de comunicações otimizada para a vigilância se torna arraigada, uma mudança nas condições políticas podem levar ao abuso desse poder recém-descoberto”, escreveu em 1991 Philip R. Zimmermann, cientista da computação formado na Flórida que, na mesma ocasião, criou o PGP (''Pretty Good Privacy''), um programa de computador que utiliza criptografia assimétrica para proteger a privacidade do e-mail e dos arquivos armazenados no computador do usuário, software que é a base de muitos programas de criptografia ainda hoje. {{nop}}<noinclude> {{left|12}}</noinclude> bzny4xxynbv5c4gh3kuiegu977u0t7j Página:Cypherpunks-manifestos WEB.pdf/14 106 222493 563808 476696 2026-09-21T16:00:58Z Osa 88 43848 /* Validada */ 563808 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Osa 88" /></noinclude>Como outros textos desse período de nascimento da internet<ref>“[[A Ideologia Californiana]]”, de Richard Barbrook e Andy Cameron (1995), publicado como primeiro volume dessa coleção “Tecnopolítica”, é um deles.</ref>, alguns trechos desses manifestos podem soar premonitórios do que viria a ocorrer. A perseguição da criptografia pelo Estado, o que de fato ocorre neste 2021 no Brasil e em outros países, é um exemplo que já consta no segundo texto desta coletânea, “O Manifesto Criptoanarquista” (1993), de Timothy C. May, engenheiro eletricista que se tornou um dos mais reconhecidos ''cypherpunks'' assim que saiu da Intel, em 1986. “O estado tentará, é claro, desacelerar ou deter a disseminação dessas tecnologias, citando preocupações com a segurança nacional, o uso da tecnologia por traficantes de drogas e sonegadores de impostos, e temores de desintegração social. Muitas dessas preocupações serão válidas; a criptoanarquia permitirá que segredos nacionais sejam vendidos livremente e permitirá que materiais ilícitos e roubados sejam comercializados. Vários elementos criminosos e estrangeiros serão usuários ativos da CriptoNet. Mas isso não vai parar a propagação da criptoanarquia.” Como em May, também no terceiro texto desta publicação, “Manifesto Cypherpunk” (1993), de Eric Hughes, está presente um pensamento libertário, de desconfiança em relação ao Estado: “Não podemos esperar que governos, corporações ou outras organizações grandes e sem rosto nos concedam privacidade por benevolência. É para beneficio próprio que falam de nós, e devemos esperar que eles vão falar. Tentar impedir a sua fala é lutar contra as realidades da informação. A informação não apenas quer liberdade, ela deseja ser livre”, ecoando nesta última frase o primeiro princípio da ética hacker. Matemático e programador, Hughes, assim como os outros dois autores dos textos aqui, são filhos da cultura hacker dos Estados Unidos que ajudou a originar a internet, desenvolveu e potencializou o software livre e<noinclude>{{right|13}}</noinclude> 1jig0lrhtbpsynnb5wsys5m6o5vo225 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/11 106 222971 563765 505382 2026-09-21T15:51:25Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563765 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>[[File:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly (page 11 crop).jpg|center|450px]] {{c|{{larger|PRÓLOGO}}}} ''O estudo definitivo sôbre a autenticidade das Cartas da Freira portuguesa; a existencia, em Beja, da grande e desventurada amorosa; e até se fôra ou não o senhor de Chamilly quem ateára êsses arroubos de paixão esbraseante, — tudo isso só está irrefragàvelmente esclarecido desde 1888. Foi pelo trabalho precioso de [[autor:Luciano Cordeiro|Luciano Cordeiro]] que a questão ficou posta a tôda a luz.<ref>[[autor:Mariana Alcoforado|Sóror Mariana]] — a Freira portuguesa.</ref> Tudo o leitor ai encontra minuciosamente explanado — mais de dois séculos depois do aparecimento das Cartas!'' ''Portugal tem sido sempre um pais de maravilhas — e de desleixados. Em letras e belas-artes é quási criminoso o que se deixou esfarrapar e esboroar. Quando um grito se erguia reclamando documentos ou elucidando-os, êsse apêlo ou essa lição perdia-se fatigadamente entre o encolher de ombros dum desdém quási geral. O tempo que''<noinclude>{{dhr|2}} {{lh|6em|align=left}}</noinclude> epavwak00z95pspfu9mz5ipq9p1yqko Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/12 106 222972 563768 479244 2026-09-21T15:51:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563768 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|VIII|PRÓLOGO|}}</noinclude>''levou a aparecer um estudo completo àcérca da autenticidade das Cartas de Sóror Mariana é um exemplo característico da nossa vélha incúria.'' ''Em 1669 apareciam pala primeira vez impressas, traduzidas em francês, sem nome do tradutor nem da pessoa a quem eram dirigidas, as cinco Cartas admiráveis.'' <ref>Lettres portugaises, traduiles en françois.</ref> ''«Nos primeiros dias de janeiro daquele ano, Cláudio Barbin, o célebre livreiro parisiense — ''au Palais, sur le second perron de la Sainte Chapelle,'' — lançava nos salões e alcovas que continuavam a câmara azul da senhora de Rambouillet, um pequenino livro anónimo, que naquele meio galante, artificioso e frívolo, era, certo, como a mancha rude e sombria dum monge de Zurbaran, caindo inopinadamente numa pastoral mimosa de Watteau ou Boucher».'' ''O éxito é prodigioso. Tôdas as almas apaixonadas ou delicadas querem crestar-se na labareda fulgurante daquelas cinco Cartas. Ás edições sucedem-se. Logo aparecem outras Cartas, desta vez dum mundanismo enternecido — «''Lettres de la Dame portugaise''», — e editam-se ''Respostas e Novas respostas'', tudo evidentemente apócrifo, para atiçar o fogo, aproveitando o entusiasmo e a comoção nascida com a leitura das Cartas auténticas da Freira — e as Respostas talvez para atenuarem o egoismo e a atitude antipática de Chamilly…'' ''A voga aumenta estupendamente. Essas cinco mararárias correm mundo, e constituem um monumento litevilho e passional verdadeiramente incomparável. ''O nome do destinatário das Cartas e o do tradutor só''<noinclude>{{dhr}} {{lh|6em|align=left}}</noinclude> cbnxxshv595z4fpn9kdwv2lmqno7v2f Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/13 106 222973 563770 479230 2026-09-21T15:51:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563770 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|IX}}</noinclude>''foram impressos pela primeira vez na edição francesa de 1690. «O nome daquele a quem foram enviadas estas Cartas é o cavalheiro de Chamilly, e o nome de quem lhe fez a tradução é Guilleragues.» E a autora? Quem escrevera com sangue e com lágrimas essas Cartas eternas? Até 1810 sabe-se apenas que se chamava Mariana… É então que o ilustre Boissonade (a quem devemos a versão do «Hissope»), descobre num exemplar da edição original das Cartas uma nota escrita por mão contemporânea, dizendo o nome completo da extraordinária amorosa: — Mariana Alcoforado.'' ''Pois bem: só em 1888 Luciano Cordeiro documentou a existência de Mariana. É certo que antes dêle Felner, Juromenha e depois [[Autor:Pinheiro Chagas|Pinheiro Chagas]] tentaram documentar a existência em Beja, da grande apaixonada; mas nada puderam concluir das suas investigações. Não havia documentos. Só uma lenda esvoaçava vagamente, semelhante a alguma réstia de luar triste sôbre um túmulo quimérico…'' ''O problema, com efeito, dificilmente se podia desenredar. Dada a influência e representação da família Alcoforado no século XVII, era natural que se tentasse apagar o nome de Mariana de tudo o que mais ou menos evocasse êsse episódio ardente dos seus amores. Nas pesquizas a que procedeu, Luciano Cordeiro «sentiu positivamente mão desconhecida, que tivesse andado a apagar a memoria de Mariana»; o caso religioso também impunha reservas; as crónicas monásticas não se alargam em comentários mundanais; um ou outro arquivo importante conservava-se fechado a sete chaves ou de há muito esfarrapado e disperso… Uma agulha em palheiro!'' ''No entanto, não havia dúvidas: as Cartas haviam''<noinclude></noinclude> mwdqw8xuednlfjr4ubrxjtyd5uynrut Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/14 106 222974 563772 479231 2026-09-21T15:52:06Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563772 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|X|PRÓLOGO|}}</noinclude>''sido dirigidas a Chamilly. Além da edição de 1690, contemporâneos ilustres categòricamente o afirmavam, como Saint-Simon e Duclos — apesar do sr. Beauvois, publicista de Beaune, vir, dois séculos depois, dizer que não: as Cartas, segundo êsse homem singular, não podiam ter sido endereçadas ao futuro marquês e marechal de França, de quem faz o panegírico como militar e católico, e a quem considera incapaz de seduzir uma religiosa. É claro que é delicioso êste sr. Beauvois.'' ''Consoante pensa, as Cartas deviam ter sido escritas em francês, para gáudio dum editor esperto. Acha que elas são «un parfait secrétaire des amants…» Aqui resvala em tolo.'' ''Luciano Cordeiro atura-o, e discute esmagadoramente com o piedoso paladino do capitão de cavalos. Tempo bem empregado!'' ''Sousa Botelho (Morgado de Mateus), que em 1821 fez em Paris a retroversão das «Cartas portuguesas», como Filinto Elísio fizera cinco anos antes, mas misturando as autênticas e as apócrifas, Sousa Botelho afirma: — «Um português, ou seja quem fôr que conheça bem esta língua, não poderá duvidar de que as Cinco Cartas da Religiosa ''tenham sido traduzidas quási literalmente dum original português.'' A construção de muitas frases é tal, que retraduzindo-as palavra a palavra em português, encontrar-se hão inteiramente no génio e no carácter desta língua.» O sr. dr. Teófilo Braga é do mesmo alvitre.'' ''Por cá havia uma ou outra opinião ilustre de que as Cartas houvessem sido originalmente escritas em francês. Camilo Castelo Branco diz: — O torneio, a índole e a contextura da frase rescendem as olorosas meiguices do género epistolar francês.» A isto responde com razão''<noinclude></noinclude> 56v69lec0c9dudcpwff9wkattvl4jgd Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/15 106 222975 563773 479232 2026-09-21T15:52:29Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563773 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|XI}}</noinclude>''Luciano Cordeiro: — «Que nos perdôe o grande escritor, nosso mestre e amigo, mas é exactamente a isso que nos parece, e tem parecido a muitos, pudéramos dizer que a todos, que elas nem longínquamente rescendem.» Evidentemente Camilo não se tinha dado à canseira de estudar o caso. Elas são tam vivas e humanas, que a nenhum outro escrito poderemos aplicar com mais justeza aquele admirável dizer de Emerson: «Cortai-lhe as palavras: de tal maneira são vasculares e vivas, que elas deitarão sangue…»'' ''Tudo leva a crer que a tradução francesa (ou talvez uma revisão definitiva sôbre uma versão do próprio Chamilly) fôsse feita por Guilleragues. O abade Mercier de Saint-Léger, na edição das «''Cartas portuguesas''» de Delance de 1776, atribue a versão a Subligny, «advogado segundo uns, actor segundo outros, pai da menina Subligny, famosa dançarina da Ópera, o qual, além de outros trabalhos, escreveu em 1668 uma comédia critica contra a célebre tragédia «''Andrómaca''», de Racine.» Ora tôdas as ediçdes que indicam o tradutor chamam-lhe Guilleragues. Não seria Subligny o auctor das «''Lettres de la Dame portugaise''» e das primeiras Respostas? pergunta Eugénio Asse.'' ''«Lavergne de Guilleragues, ou o conde Lavergne de Guilleragues, era um gentil-homem gascão, secretário da câmara e do gabinete do rei, relacionado com Racine, Boileau, a senhora Sévigné, etc., e, segundo Saint-Simon, «glotão, agradável, com muito espírito, fazendo excelente companhia, tendo muilos amigos, e vivendio à custa dêles; porque tudo esbanjára.»'' {{nop}}<noinclude></noinclude> 9radpdtl1icxbz4am2own2dantgawbu Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/16 106 222976 563774 479095 2026-09-21T15:52:42Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563774 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|XII|PRÓLOGO|}}</noinclude>''O retrato de Boileau, seu amigo, é mais lisonjeiro:'' «Esprit né pour la cour et maître en l'art de plaire Guilleragues, qui sait et parler et se taire.» ''Dirigiu algum tempo a «''Gazette de France''», onde fez o necrologio de Turene. Fôra íntimo da senhora de Maintenon, quando ela era ainda a senhora Scarron. Segundo Saint-Simon foi esta circunstância que lhe valeu, em 1677, a embaixada de Constantinopla «pour se remplumer».'' ''Tudo indica, pois, que fôsse Guilleragues o tradutor ou revisor literário das cinco prodigiosas Cartas, com que o futuro marquês de Chamilly conseguiu, num gesto de fatuïdade quási ridículo, imortalizar o seu nome... Mas sem a fatuïdade dêsse capitão de cavalos, ter-se-iam apagado para sempre as estrêlas mais vivas, e por isso eternas, de tôda a nossa literatura de amor!'' ''As cinco Cartas foram efectivamente escritas por Mariana Alcoforado, e dirigidas ao oficial francês. Foi o que Luciano Cordeiro apurou no seu estudo vasto e valiosíssimo. Tudo o que diz respeito à adorável apaixonada ficou irrefutávelmente esclarecido. É êsse trabalho que indicamos aos leitores que se interesse pelo assunto. Tudo aí está, repetimos — incluindo uma larga bibliografia das Cartas. Os mais notáveis homens de letras portugueses felicitaram sinceramente o crítico ilustre. [[autor:Joaquim Pedro de Oliveira Martins|Oliveira Martins]] diz-lhe: — «V. fez um milagre. O livro das Cartas que V. fez é verdadeiramente definitivo; não há nada mais a dizer. Esgotou a erudição e a crítica: não há que rebuscar nem que observar mais. Está definido o caso patológico e determinado o concurso de circunstâncias em que se deu.»'' {{nop}}<noinclude></noinclude> kdpy4nvn752z1sgo57746do54nf2334 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/17 106 222977 563775 479106 2026-09-21T15:52:52Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563775 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|XIII}} {{dhr}}</noinclude>{{asterismo|150%}} {{dhr}} ''«Nos fins de 1660 chega [[w:Frederico Armando de Schomberg|Schomberg]] a Portugal, para nos auxiliar nas nossas lutas contra a Espanha. É-lhe passada a patente de mestre do campo general da província do Alentejo, cargo vago pela promoção do conde de Atouguia. Em 1663 Schomberg é elevado a governador das armas do Alentejo: e terminada a campanha, em 1663, recebe o título de conde de Mértola, para êle e seus descendentes, com a respectiva pensão, que foi como que a lembrança com que, em frases extremamente elogiosas, o presenteou na despedida o govêrno português.»'' ''[[w:Noel Bouton de Chamilly|Noël Bouton de Chamilly]], ao tempo conde de Saint-Léger, — o herói das Cartas — não viera com o valente e simpático general, como se tem afirmado. Só em 1663 aparece, naturalmente patrocinado por Turene, que activamente apoiava as intenções do cardeal Mazarino a favor da nossa independência, e que já havia indicado o conde de Schomberg.'' ''Beja era o centro dum constante movimento militar, «uma espécie de grande depósito e aquartelamento do exército do Alentejo». Chamilly é nomeado capitão no regimento de cavalaria organizado por Briquemault. Esteve no cérco de Valença de Alcântara e na derrota dos espanhóis em Castelo Rodrigo (1664), na batalha de Montes-Claros e no combate do rio Xevora (1665), na tomada de Benses, Guardia, Paimogo e São Lucar. Também tomou parte, em 1667, na investida do chamado Castelo de Ferreira. Entretanto o nome e a memória de Chamilly — frisa o sr. Luciano Cordeiro, de quem nos valemos ao traçar estas notas — não aparece nos nossos arquivos e cronistas dos sucessos do tempo. É pelos seus «''états de'' ''<noinclude></noinclude> s5dt48vu4anvrrj6tkny5k6ea2htn09 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/18 106 222978 563776 479121 2026-09-21T15:53:14Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563776 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|XIV|PRÓLOGO|}}</noinclude>''service», reproduzidos por Pinard, que sabemos onde esteve o futuro marechal de França. É certo que uma grande parte dos nossos documentos militares da época, — incluindo a correspondência de Schomberg — desapareceram provàvelmente na devastação, no abandôno dos arquivos, e na venda dos docunmetos acumulados em muitas casas herdeiras de algumas das principais personagens do século XVII.'' ''Como acontece o mesmo com Mariana Alcoforado, não nos parece estranho que seja proposital o silêncio sôbre os dois nomes, atendendo ao escândalo dêsses amores e ao relêvo da situação dos dois amantes. Luciano Cordeiro chega a acreditar qur Juromenha não quis também aclarar o caso que investigou, como dissemos, por motivos exclusivamente religiosos.'' ''Seja como fôr, o que está averiguado é que os feitos de armas de Chamilly, entre nós, não deram na vista. O «''Mercúrio Português''» não diz nada; os historiadores franceses, a tal respeito, são discretos.'' {{dhr}} {{asterismo|150%}} {{dhr}} ''Foi no convento da Conceição de Beja, «da varanda donde se vêem as portas de Mértola», que Mariana Alcoforada se sentiu prêsa de Chamilly.'' ''«Adivinhavam-se ainda, lá em baixo, os campos planos e assoalhados, em que há 220 anos, naquele dia fatal, se exercitavam os soldados de Chamilly, ou êste galopava cheio de mocidade e de petulância, à frente da sua companhia. Daquele lado voltava êle, talvez, alegre e triunfante, da expedição de S. Lucar. Dali veriam as pobres raparigas enclausuradas manobrar os terços com os seus''<noinclude></noinclude> e6k80ko8uv6fkpfyci4xu368bbtnq6c Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/19 106 222979 563777 479233 2026-09-21T15:53:22Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563777 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|XV}}</noinclude>''uniformes variados e scintilantes: escarlates uns, verdes outros, alguns cobertos de passamanes multicores, outros ostentando os brasões heráldicos dos generais, — e caracolando em volta, e exercitando-se nas cargas impetuosas, e desennovelando-se como longas serpes reluzentes, as companhias de cavalos, com os seus pelos oficiais, moços quási todos, cujos olhares atrevidos e cúpidos iriam por vezes alvoroçar estranhamente, através das rejas do balcão — se é que as tinha já, — o bando das pombas do Senhor.»'' ''Àquela como que aparição de encanto, seguem-se os capítulos rápidos e ardentes da novela amorosa (1666-1667). Chamilly tem 30 anos; Mariana 26. Chamilly, segundo Duclos, é bem parecido, elegante; é militar ousado; a sua farda esplende. Arteiro de certo em aventuras de ''sabreur'' fidalgo e decorativo; intelectualmente quási bronco, conforme se depreende de Saint-Simon. Tudo vantagens! Já Sainte-Beuve ambicionava uma farda, vendo-se provàvelmente ao espelho, calvo, com aquela fisionomia de sacristão solerte.'' ''Nós estamos a vê-lo, ao herói das Cartas, aparecer depois, deslumbradoramente, aos olhos namorados de Mariana — na penumbra da igreja, a cabeleira fulva em aneis, na mão o largo chapéu de plumas variegadas… Era uma clara mancha de vida e de sangue moço, a arder na luz frouxa e mística. Todo êle devia de resplandecer, tocado da beleza em que o amor enquadra as aparições maravilhosas. Aquele homem de guerra, que ela veria do côro austero, onde os lampadários bruxuleavam como soluços, onde as grandes estantes de cantochão bocejavam, era um pouco a vélha esfinge tentadora e demoníaca (e quási sempre, por isso mesmo, intensamente humana); era a expressão da vida, misteriosa e marulhosa, uma''<noinclude></noinclude> 5ln78tvw45z8zydtqlcisn9tiii8z6d Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/20 106 222980 563778 479234 2026-09-21T15:53:31Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563778 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|XVI|PRÓLOGO|}}</noinclude>''flor de oiro e sangue que abrisse num sepulcro. Para os olhos virgens e ardentes de Mariana, êle surgia no scenário monacal, enfadonto e baço, como um príncipe de lenda, leal e forte, criado para os longos êxtasis e para as aventuras longas, avezado a galopar por noites estreladas, profundas, nupciais… Como seriam doces os segredos de amor no locutório! Como a vida tôda se transfiguraria para Mariana, num ressurgimento estranho! Era um novo Génesis!'' ''Ela passaria então no claustro levada numa nuvem embaladora, ao mesmo tempo casta e voluptuária; sob o hábito escuro e triste da ordem, o coração desperto dir-se-ia doer-lhe de ventura; as pinturas da abóbada, os azulejos claros, teriam feiticeiras tintas, nunca por ela vistas; a arquitectura manuelina como que se espiritualizava, a mostrar-lhe, no alto, o largo céu, onde batiam asas livres; e enebriada por êsse perfume estranho e forte, que é um primeiro e grande amor, aos seus ouvidos cantaria o queixume epitalámico da água — «a ninfa pérfida, e fugitiva como a vida…»'' {{tracejado|100}} ''Chamilly desvaira Mariana; pèrfidamente a enlaça em cadeias de sedução deliciosas: — «''Eu era môça, era crédula, tinha-me encerrado desde criança neste convento, não vira senão gente desagradável, nunca ouvira as lisonjas que o sr. constantemente me dizia; parecia-me dever-lhe os atractivos e a beleza que me achava, e em que me fazia reparar; ouvira dizer bem de si, tôda a gente me falava em seu abôno… e o snr. tudo me fazia para me despertar amor…''»'' ''Êle teria o esmalte superficial da gente da sua classe, que andava galanteando por Versailles. Mariana era inteligente, mas ingénua e «crédula»; julgou-se {{hífen|since|sinceramente}}''<noinclude></noinclude> lz5qv9esb22kv6qdjy6vc0objqvwt5s Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/21 106 222981 563779 479235 2026-09-21T15:53:47Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563779 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|XVII}}</noinclude>''{{hífen-fim|ramente|sinceramente}} amada. E amou, amou desvairadamente. As suas Cartas teem qualquer coisa ígnea… Há períodos que ficam nos corações que amaram como um soluço imenso… Mas por entre êsse sofrimento tumultuário, que as torna por vezes estranhamente incoerentes para os analistas tranqüilos, como são fundas e admiráveis aquelas suas palavras: — «''Terias experimentado que se é mais feliz, e que sentimos alguma coisa muito mais intensa quando amamos violentamente, do que quando se é amado…''»'' ''Chamilly jogava quási a frio. ''Un caprice de garnison'', como diz Maxime Caucher. É o que se averigua da sua atitude sêca, quando parte, da óptima disposição em que faz a viagem, do seu silêncio, da própria publicação das Cartas logo que chega a França, do seu futuro casamento com uma senhora excelente, rica e feia. Homem prático, Chamilly. Neste ponto de vista amoroso era um aventureiro antipático. Não tem volta a dar-lhe o sr. Beauvois!'' ''«''Conheço agora a má fé de todos os teus transportes. Atraiçoavas-me sempre que dizias que o teu supremo encanto era estares comigo a sós. Consideravás a minha paixão apenas como uma vitória; o teu coração nunca foi profundamente penetrado por ela. Tinhas planeado, a sangue frio, incendiar-me de paixão!''» Que mais querem? É uma sedução em forma: uma burla de amor.'' ''E Mariana entrega-se, porque ama profundamente. A paixão absolve-a, e touca-a de flores eternas. Caiu, mas «num leito de circunstâncias atenuantes», como Donnap se exprime a propósito de Armanda Béjart. Mas no drama da Freira portuguesa há muito mais do que isso: há a divina labareda amorosa que a purifica entregando-se.''<noinclude></noinclude> s5opes1w2xcvgdwyulh1j5wxjfvxpdr Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/22 106 222982 563780 479132 2026-09-21T15:54:03Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563780 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|XVIII|PRÓLOGO|}}</noinclude>''Num momento tudo ela esfarrapa e perde pelo amante. Vem a pêlo transcrever (apenas no que possa referir-se à paixão de Mariana) um pensamento de Chamfort: «''Quand un homme et une femme ont l'un pour l'autre une passion violente, il me semble toujours que, quels que soient les obstacles qui les séparent, les deux amants sont l'un à l'autre, de «par la nature»; qu'ils s'appartiennent de «droit divin», malgré les lois et les conventions humaines''».'' ''Êsse lume redentor é tam vivo, que as suas Cartas estremecem e escaldam — e ela resplandece constantemente desventurosa e aureolada. Nela fulgura o génio, porque o amor profundo é também génio; e êsse brilho é o único que hoje ainda alumia a figura trivial do marquês de Chamilly — reflexo da constelação mais fulgente da epistolografia amorosa.'' ''Sainte-Beuve comenta, a propósito do auxilio que nos deu Luís XIV, dos combates que se travaram, dos voluntários que vieram bater-se, às ordens de Schomberg: — «''Qui done s'en soucie aujourd'hui? Mais le lecteur curieux que ne veut que son charme ne peut s'empêcher de dire que tout cela a été bon, puisque les lettres de la Réligieuse portugaise en devaient naitre''».'' ''Tam certo é que na poeirada e na fumarada das coisas que se perdem, um grito profundo de amor acorda e embala sempre a alma torva dos homens!'' {{dhr}} {{asterismo|150%}} {{dhr}} ''Mariana Alcoforado nasceu em Beja, de família ilustre, em 1640 — precisamente no ano da nossa {{hífen|conspira|conspiração}}''<noinclude></noinclude> hk8tmst4wg9rt44i31fr8q57vmh0m8s Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/23 106 222983 563781 479236 2026-09-21T15:54:14Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563781 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|XIX}}</noinclude>''{{hífen-fim|ção|conspiração}} libertadora. Faleceu a 28 de julho de 1723. Tinha 88 anos de idade, e mais de sessenta de claustro.'' ''É curioso analisar a vida de Mariana, quanto nos podem elucidar os documentos encontrados. O seu perfil moral ressalta encantador a cada passo, recortado pàlidamente, como nos agiológios. É duma grande e comunicativa bondade. «Ninguém teve queixa dela: era muito benigna para todos» — conta a vélha madre escrivã. De resto, essa bondade áurea e forte, trasborda inalterável em tôdas as cinco Cartas. Ainda quando o orgulho ferido a sacode, e lhe dói como os cilícios futuros, logo na alma lhe esvoaçam os anjos do perdão e do afecto. Comove, na verdade, essa mulher abandonada, ludibriada, esquecida, e a quem a bondade conserva sempre puras as ondas da paixão mais revôlta, como o sal purifica as ondas dêsse Atlântico!'' ''Como se vê das Cartas — a maravilha que o leitor vai ler — na primeira o pressentimento do abandôno anima-se ainda de esperança, à maneira de certas nuvens presagas que o sol ainda irisa: — «Adeus, ama-me sempre, e faze-me ainda sofrer mais tormentos!» Pobre Mariana!'' ''Depois vão-se acastelando as nuvens. Mariana sofre muito, adoece, definha-se. O coração estala-lhe no peito — quere voar para a França… Os seus gritos increpam o amante, para logo lhe suplicarem piedade, porque não quere magoá-lo… Mas o destino vai-lhe aparecendo como um emblema fúnebre; lembra-se do suicídio; e no pavor do seu esmagamento moral, as incoerências ressaltam dêsse coração que fica nú e sublime como uma labareda que procura apagar-se e que esfusia, num claro-escuro de génio, sublime de desartifício e de verdade.'' ''Todos o estimam, sempre. Dela irradia, com a {{hífen|suges|sugestão}}''<noinclude></noinclude> 669rgzpgob0l1qljoxiowr3rw6fmmyl Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/24 106 222984 563782 479237 2026-09-21T15:54:30Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563782 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|XX|PRÓLOGO|}}</noinclude>''{{hífen-fim|tão|sugestão}} do nome, da mocidade, da gentileza, outra coisa mais duradoira e mais bela — a bondade divina e contagiosa. Por isso a desventura a nimba de rosas tristes a esfolharem-se… No convento não se agastam contra a «pecadora»: pelo contrário, a acarinham. Fazem-na porteira, para a distraírem. É inútil. Como o náufrago, que se agarra a uma tábua pôdre que flutua, ela enleva-se ainda ouvindo o nome de seu amado; e de certo nos seus ouvidos perpassa uma doce música àquele nome pérfido, como nos êxtasis religiosos. Algumas freiras mais compadecidas falam-lhe dêle muitas vezes — e Mariana deixa-se ainda sonhar num embalo mágico, como deveria ser o das sereias aos vélhos nautas jónicos.'' ''Mas o tempo passa; a juventude passa; as ilusões desfolham-se. Êle não voltará de França! E Mariana começa a sentir na alma cândida os estremecimentos dum remorso — à maneira dum vento frio que encrespa um pouco as águas duma lagoa limpida… Então começam também, certamente, aqueles «''trinta anos em que fez ásperas penitências''», segundo reza um documento a seu respeito. Como se ela tivesse pecado! E cada vez a sua bondade é mais vasta, e é mais profunda e bela a sua tristeza!'' ''Como acontece com suas irmãs, como em regra com os Alcoforados, é grande a resistência física de Mariana. Doente, penitenciada, melancólica, ela passa na clausura tocada duma claridade singular... Essa paixão foi uma tempestade oceânica; é-o ainda durante um longo escoar de tempo; no entanto Mariana vai sentindo, a rasgar-lhe os negrumes do drama, a réstia de luar etéreo que lhe alumia e transfigura a vida inteira. Oiçam o que ela diz no fecho da terceira Carta, a mais bela, talvez: — «Agradeço-te, contudo, do fundo do meu coração, o {{hífen|deses|desespéro}}''<noinclude></noinclude> elav85in3s3tkihuwoumj881n2zka9t Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/25 106 222985 563783 479238 2026-09-21T15:54:48Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563783 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PRÓLOGO|XXI}}</noinclude>''{{hífen-fim|péro|desespéro}} que me causas, e detesto a tranqüilidade em que vivi antes de conhecer-te». ''Estas palavras podem servir de tema a uns versos que escrevemos há tempos, e que vem a proposito reproduzir:'' {{dhr}} <poem> Aos setenta anos, entre as religiosas, Sóror Mariana evoca o seu passado. Aves presas e lindas, a seu lado As freiras palram, riem buliçosas. Tal quem remexe em cartas amorosas E ainda sente um perfume evaporado; Ou nas cinzas dum lume sopitado E as brasas abrem 'num florir de rosas; Sóror Mariana aviva a calentura Dessa paixão que lhe alumiou cavernas, E deu a tudo um vago amor de mãe… «Amar na terra é amar a Deus na altura! (Consigo diz) «Ó lágrimas eternas, Quem fôra eu sem êsse amor. Ninguém!» </poem> {{dhr}} ''Com efeito, das grades dêsse convento da Conceição, só talvez ela pôde pressentir o mistério profundo das cousas. A dôr e o amor são as lanternas encantadas que iluminam a Vida.'' {{right|'''''JÚLIO BRANDÃO'''''.}}<noinclude></noinclude> co15nonbkdrdq36kxjiqe2jinae1lkr Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/79 106 222986 563599 497091 2026-09-21T14:27:08Z ACJCRC 43844 /* Validada */ 563599 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="ACJCRC" /></noinclude>{{c|fs=1.5em|{{serifa|D. FRANCISCO MANUEL DE MÉLO}}}} {{dhr}} {{lh|6em}} {{dhr}} <center><font style="font-size:2.25em; word-spacing:0.5em;font-family:serif">CARTA DE GUIA DE CASADOS</font></center> {{lh|4em}} {{dhr}} {{c|fs=0.95em|Nova edição, com prefácio biográfico por <br>CAMILO CASTELLO BRANCO, e notas por TEÓFILO BRAGA}}<noinclude></noinclude> bkjp1stbsrl3805dp67zvkruhj9g1aq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/81 106 222987 563813 505386 2026-09-21T16:02:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563813 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>[[File:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly, ed. Lello & Irmão (Ornamento 2).png|center|450px]] {{c|fs=2em|PREFÁCIO BIOGRÁFICO}} {{dhr|2}} {{lh|5em}} {{dhr|3}} {{t2|'''I'''}} {{dhr|2}} D. Francisco Manuel de Mello tem duas celebridades: a do talento e a da desgraça. Da fama que lhe apregôa o espírito mais culto e universal do seu tempo, temos a prova perpetuada em livros numerosos, ainda hoje relidos com prazer e por estudo. Da que lhe vem do infortúnio sabe-se pouco e nubelosamente. Grande parte de suas obras é datada no cárcere. O delito de que a justiça a argüiu, praticado ou aleivosamente atribuido, não o esclarecem os seus biógrafos mais esmerilhadores. Quem mais colheu na tradição, e em documentos coevos, foi o snr. [[Autor:Alexandre Herculano|Alexandre Herculano]]. Socorreu-se o eminente historiador de um manuscrito inédito que o autor da ''Biblioteca Lusitana'' tinha<noinclude></noinclude> pyexvu574dgmxda3g30c6yhn82cox2k Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/82 106 222988 563814 492481 2026-09-21T16:02:30Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563814 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|56|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>visto, e de que o snr. Inocêncio Francisco da Silva teve alguma notícia. O snr. Herculano publicou dois extensos fragmentos daquele inédito, que o encaminhou em conjecturas tam judiciosamente depreendidas, quanto competia a espírito de tanta lucidez e rara intuïção. <ref>Veja Panorama (de 1840) pag. 170 e 294.</ref> Sem embargo, a causa da prisão de D. Francisco Manuel de Melo não ficou dilucidada. Também eu possuo o inédito, cujos fragmentos o snr. A. Herculano acompanhou de louvores tam dignos quanto honradores da memória de D. Francisco. E, se outros documentos escritos por mão coetânea me não ilucidassem, êste bosquejo biográfico não iria adiantar nada ao que é já sabido àcêrca do grande escritor, prêso tantos anos, e não poucos desterrado. As notícias, que encontrei, desatam tôdas as dúvidas, alumiam os pontos obscuros de vingança tam prolongada e desacostumada con fidalgos do porte de D. Francisco Manuel de Melo, ainda parente da casa de Bragança. Posso afoitamente dizer que tenho bem travadas as scenas do drama em que tam inocente e ilustre vítima foi imolada. {{t2|'''II'''}} Abstenho-me de esmiuçar os lanços mais notórios da vida do insigne soldado, diplomata e escritor. São de sobra conhecidos das relações do abade de<noinclude>{{dhr}} {{lh|7em|align=left}}</noinclude> cwbu4cubpapn99ab6vulz4xbou05522 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/83 106 222989 563815 479326 2026-09-21T16:02:38Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563815 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|57}}</noinclude>Sevér, de Costa e Silva, e do laborioso bíbliófilo o snr. [[Autor:Inocêncio Francisco da Silva|Inocêncio Francisco da Silva]], relações que muito convém ampliar com os acrescentamentos do snr. Alexandre Herculano, no citado periódico. O meu propósito é deter-me tam sòmente na parte desconhecida ou hipotética da sua história, a causa bem esquadrinhada da sua desgraça — a prisão de dôze anos, funestamente continuados no destêrro. Os passos mais gloriosos de sua vida, referidos por êle mesmo, devem ser lidos muito mais agradàvelmente. Relata-os a D. João IV, com a verdade usada naquele tempo com os reis. Não podia desmentir-lhos o monarca, sendo invocado a depôr na veracidade dêles. Os honrados serviços de D. Francisco Manuel de Melo tinham de si mesmos o galardão de poderem ousadamente entrar ao paço, e humilharem o rei que autorizava os afrontamentos e as vilanias. É o que o leitor vai julgar do ''Memorial'' em parte já conhecido dos extractos do snr. A. Herculano. Dou cópia inteira dêsse honroso documento, do qual escreveu aquele perspicaz historiador…<ref>Veja ''Biblioteca Lusitana'', tom. II. ''Ensaio biog. crítico'', tom. VIII, e ''Dic. bibliogr.'', tom. II, pag. 437 e seguintes.</ref> é talvez o mais eloqüente arrazoado, escrito na língua portuguesa, e que nunca se imprimiu. Dêle tirámos o pedaço que acima ficou transcrito, e outro que vamos apresentar, como um modêlo de veemência, sentimento, e estilo, para que de caminho se veja quam rica e bela é esta nossa língua portuguesa, que para exprimir afectos nem carece de neologismos, nem de enredar-se de arcaismos<noinclude>{{dhr|2}} {{lh|7em|align=left}}</noinclude> 9rhgqmc3eqasg86rp201ih2sgnobhzc Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/84 106 222990 563816 479331 2026-09-21T16:02:48Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563816 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|58|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>e de torcer-se no estilo metafísico-bárbaro dos rudes escritores do 15.º século. <ref>Panorama citado.</ref> Dêste manuscrito faz menção o snr. Inocêncio Francisco da Silva em duas partes da sua resenha das obras de D. Francisco Manuel. Primeiramente diz: «E, se havemos de estar pelas tradições e memórias da época, nada menos verdadeiro que o delito que lhe imputavam. Além do que a êste respeito se tem dito desde muito tempo, o snr. dr. J. C. Aires de Campos acaba de comunicar-me uma nota muito curiosa, lançada por mão contemporânea em um dos interessantes livros manuscritos que o mesmo senhor possue. Dela consta explícitamente que o motivo oculto da perseguição feita a D. Francisco fôra um encontro nocturno, que êste tivera com o próprio soberano, em casa de uma dama de alta qualidade (cujo nome a decência manda calar) ''senhora de muito bem fazer a quem lho pedia'', que um e outro requestavam; e pela qual nessa ocasião vieram ambos às mãos, desembainhando as espadas, e acutilando-se mùtuamente. Parece que a vantagem ficára então da parte de D Francisco. Mas pouco depois da noute fatal, aparecendo assassinado um criado da fidalga; a complacente Justiça tirou azo dêste sucesso para desagravar a majestade ofendida, lançando o assassinio à conta do seu atrevido competidor.» Volta o snr. Inocêncio F. da Silva a citar o mesmo documento, quando no catálogo das obras inéditas de D. Francisco Manuel, escreve desta forma: {{nop}}<noinclude>{{dhr|2}} {{lh|7em|align=left}}</noinclude> qyabze4szevxdszt3f01rr284h20fid Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/85 106 222991 563818 479371 2026-09-21T16:03:01Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563818 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|59}}</noinclude>— ''Justificação de suas acções ante Deus, ante Sua Majestade, e ante o mundo contra as falsas calúnias impostas dos seus inimigos.'' — Diz Barbosa que era um memorial, que êle viu, dirigido a el-rei D. João IV, começando pelas palavras: «Senhor: os romanos costumavam ouvir em seu senado os réus, etc.» e acabando com as seguintes: «Isto quero, isto promulgo, isto espero fazer.» Não sei se porventura será êste o mesmo de que me dá notícia o snr. dr. J. C. Aires de Campos, declarando ter dêle cópia em um dos seus volumes de miscelânias manuscritas, onde tem o título: ''Memorial a el-rei D. João IV, nosso Senhor. Oferece Francisco Manuel de Melo, prêso há seis anos por parte da justiça.'' <ref>''Dic. bibliogr.''</ref> É, com tôda a certeza, o mesmo. Também o meu manuscrito, intitulado das duas maneiras em que o tem o snr. dr. Aires de Campos, e em que o viu o autor da ''Biblioteca'', principia e termina pelas frases citadas por Barbosa, e contém a mesma nota que o snr Inocêncio da Silva indica, no que respeita ao motivo da prisão. Agora segue o traslado da justificação de D. Francisco Manuel de Melo. {{nop}}<noinclude>{{dhr|10}} {{lh|7em|align=left}}</noinclude> s50ku89vgav36ah79vq0u7bdwqoc546 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/86 106 222992 563819 497117 2026-09-21T16:03:12Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563819 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|60|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}} {{dhr}}</noinclude>{{c|fs=1.25em|MEMORIAL <ref name=p60>Barbosa Machado apontando na Biblioteca lusitana as obras inéditas de D. Francisco Manuel cita um manuscrito intitulado: ''Justificação de suas acções ante Deus, ante Sua Majestade e ante o mundo contra as falsas calúnias impostas dos seus inimigos.'' <p>Dêste inédito tirou Herculano dois excertos, que publicou no ''Panorama'' em 1840, pelo seu valor autobiográfico. Barbosa o considerou um ''Memorial'' dirigido a D. João IV, e como tal o tomaram Camilo e Prestage, porque nas cópias da ''Justificação'', lhe encabeçaram êsse título. São duas peças diferentes: D. Francisco Manuel de Melo, na sua Carta de 28 de Janeiro de 1650 ao Conde Camareiro-mór, deciara: «eu fiz dois papeis, ''um longuíssimo'' (porque não pude acabar menos com a minha dôr) ''outro brevíssimo'', mas certíssimos ''ambos''.» O extenso, que é a ''Justificação'', que se divulgou por cópias particulares, foi substituído por um resumo, condição a que teve de submeter-se D. Francisco Manuel de Melo, para poder ser lido pelo ministro e na melhor esperança pelo rei. Êste ''Memorial'': — ao mui alto e muito poderosa rei nosso senhor D. João IV, aos doutissimos e meretíssimos Senadores por Sua Majestade consultados, — ficou absolutamente ignorado, e descoberto pelo</ref>}} {{c|{{sc|A el-rei D. João IV N. 6.}}}} {{c|{{sc|Oferece}}}} {{c|{{sc|D. Francisco Manuel de Melo}}}} ''Prêso há seis anos por parte da Sua Justiça.'' ''Justificação de suas acções, ante Deus, ante Vossa Majestade, e ante o mundo, contra as falsas calúnias impostas por seus inimigos.'' {{block right|width=20em|''Qui ambulat simpliciter ambulat confidenter: qui autem depravat vias suas manifestus erit:''}} {{nop}}<noinclude>{{dhr|2}} {{lh|7em|align=left}}</noinclude> 2vpskpisk7fl694vcylcf1lu5iy41jk Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/87 106 222993 563820 479373 2026-09-21T16:03:53Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563820 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|61}} {{dhr}}</noinclude>{{c|fs=1.25em|SENHOR}} Os romanos costumavam ouvir em seu senado aos réus. Entendiam que a justificação própria de ordinário periga na pena, ou na voz alheia. Maior documento é o de Deus, que não só ouviu as desculpas que Adão não tinha que lhe dar; mas ainda o chamou para que lhas desse. Os príncipes cristãos que se desviaram dêsse antigo e bom costume, parece que tàcitamente prometeram usar maior piedade com aqueles que não ouviam: essa pode ser que fôsse a causa de se mudar êste costume. Apadrinham tamanhos exemplos a ousadia que tomo em aparecer por estas letras aos Reais pés de V. Majestade. Quanto e mais, Senhor, que aos príncipes não menos os engrandece quem lhes pede justiça, que quem lhes pede mercês; pois por ambas estas acções lhes dão ocasião de exercitarem o grande poder deDeus na terra. É presente a V. Majestade, é notório a todos como <ref follow=p60>Dr. Prestage no Arquivo da Casa da Silvã, ficou publicado no seu livro ''D. Francisco Manuel de Melo'', pag. 223 e 234. Prestage pôs-lhe a rubrica de — ''Primeiro Memorial'' de D. Francisco Manuel de Melo e cita em tôda a sua obra a ''Justificação'' como ''2.º Memorial'', que não foi, sendo aliás escrito antes do pròpriamente Memorial. E mesmo era absurdo que em ambos os Memoriais, um em que se diz ''prêso há cinco anos'', e noutro ''prêso há seis anos'', no espaço de um ano recopíasse a Carta de Luís XIV intercedendo pelo seu livramento, e suprimisse o facto, até hoje ignorado, do falso testamento do seu criado João Vicente. O ''Memorial'' dirigia-se aos Juízes da ''Terceira Instância'', que julgaram em 22 de Março de 1650, antes de completar os ''cinco anos'' de prisão.</ref><noinclude>{{dhr}} {{lh|7em|align=left}}</noinclude> i6kx6wpwn1i73sioyjte5v8gyjh31as Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/88 106 222994 563822 479745 2026-09-21T16:04:26Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563822 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|62|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>estou prêso há seis anos. Qual a causa, qual a prova, quais os respeitos, que tal o sofrimento, que tam esquisito o rigor com que ordenou a minha fortuna fôsse e seja tratado. Não só no glorioso reinado de V. Majestade, mas em muitos outros antecedentes, se não tem visto ― por semelhante acusação ― prisão tam longa, sentenças tam rigorosas. Eu fôra ditosíssimo se V. Majestade se mandasse informar desta verdade; de que poderiam avisar os tribunais, e os ministros. E por que suposto que a minha justiça foi tantas vezes ventilada, quem poucas foi ditosa! E de tôdas seriam a V. Majestade sòmente referidos pelos juízes seus pareceres sem que apresentassem os motivos em que os fundaram. Permitta-me V. Majestade agora por princípio da clemência que invoco, represente aqui eu brevissimamente o processo da minha causa. Pela morte de Francisco Cardoso foram os matadores achados, e condenados à morte e o mostrador dêle a galés. Em a tal sentença se toma por fundamento cometerem aquele delito por mandado de certa pessoa, que os réus vária e injuridicamente deram a entender ser eu. Mas a sentença por ser dada entre outras pessoas não pode resultar em meu dano conforme e resolução do Direito tam vulgar, que até eu sei está assim escrito na ordenação, Lib. 3.°, art. 81. Com tal pretexto de réu, fui prêso pelas justiças seculares, que depois de vários incidentes, remetcram a causa ao tribunal da corôa, porque ali se determinasse o ponto a jurisdição; o qual sendo julgado a meu favor, fui remetido ao juizo dos cavaleiros. {{nop}}<noinclude></noinclude> mvabvwqobio0jminxgsbfr3wax44oso Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/89 106 222995 563824 479716 2026-09-21T16:04:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563824 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|63}}</noinclude>Pedi então nêle se pronunciasse sôbre a prisão, a que ainda não estava pronunciado, e que para êste provimento, o juiz se regulasse pela devassa geral, que era só o acto legitimo donde podia, ou não, resultar-me culpa. Suspendeu a deliberação dêsse requerimento, enquanto se ventilava a matéria do assassinio, em que aquele quis envolver sua acusação com igual falência que na de mandante. Finalmente declarou o juiz não continha o caso assassinamento, anulando o sumário, e procedimentos dos actos, deixando porém as chamadas culpas em sua realidade. Esta sentença se confirmou em segunda e terceira instância. Por quais sentenças parece sem dúvida haverem usado de fundamentos contrários, porque não pode o sumário, e procedimentos do juizo secular serem nulos, sem que também o ficassem sendo as culpas, que me formavam por êles. Assim, sendo julgada a nulidade do processo, se anulou também a validade da culpa, porque de causa notóriamente nula se não pode produzir algum efeito jurídico, e que vàlidamente prejudique: o que não só mostram as leis, mas tôda a bôa razão. Sendo, enfim, entregue ao juiz dos cavaleiros, e havendo êle então de pronunciar sôbre a prisão (como no despacho antecedente havia prevenido) pois já se decidira o não haver assassinto — declarou — não sei por que causa, me livrasse em seu juízo da prisão em que estava. E por que se veja a violência, que ali padeceu minha justiça, é de saber, que ainda que a sentença do<noinclude>6</noinclude> 58r83jfqagr6rvx7sexqupv12b62jgs Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/90 106 222996 563825 479717 2026-09-21T16:04:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563825 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|64|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>juiz se confirmou, foi sòmente quanto à questão do assassinio, de que por então sòmente se tratava; e não quanto à validade das culpas e pronunciação. Isto é claro, por que se o juiz, antes de averiguado aquele ponto, não quis deferir ao requerimento da pronunciação; ¿como podia a mesa, e a instância, adiantar-se a julgarem em mais de que se litigava de presente? Assim, a título de réu, fui acusado pela via ordinária, pela culpa de mandante. Pois se pelas três sentenças estava livre do assassinio, que era mandar matar por dinheiro, ou cousa que o valesse, bem se segue que também fiquei livre de o haver mandado matar. Por que as circunstâncias que se aniquilaram e destruiram pelas três sentenças, por se presumir mandara matar por dinheiro, eram as próprias que estavam já nulas, e sem algum crédito por se presumir que mandaram matar sem êle. E não constando de tal mandado, nem podendo ser de efeito em meu prejuizo as declarações dos réus, várias e nulas, bem se segue haver sido mal condenado pelo juiz dos cavaleiros em degrêdo perpétuo para a África, mil cruzados para a parte, duzentos para as despesas da mesa, e cento para seu juízo. Prova-se melhor o excessivo rigor desta sentença, se o seguinte se considera. Admitiu-me o juiz a defesa, condenou-me como indefeso: disseram contra {{sic|nim|mim}} os réus incerta e vâriamente: disseram em minha defesa quarenta testemunhas: êles convencidos por duas sentenças da Relação, no mesmo caso por falsários, havendo envolvido nêle outras pessoas; as testemunhas que juraram por mim<noinclude></noinclude> apy3gr1ya9iqwr3saddss6qokq43wl8 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/91 106 222997 563826 479744 2026-09-21T16:05:32Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563826 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|65}}</noinclude>tôdas de grande crédito. Nunca se deu causa contra mim desta morte. ''Eu provei uma tam justificada, como era vingar o matador o adultério que o morto lhe tinha feito.'' Os mesmos e maiores fundamentos havia para não haver de ser pela mesa, como fuí condenado em perpétuo degrêdo para a Índia; privação da comenda, dois mil cruzados para a parte, quinhentos para as despesas do tribunal, e cento para as do juizo: cuja execução em maior parte está já feita. Conhece-se qual seja o ódio da parte que me persegue, não por verdadeira queixa, mas com ruim vontade, pois sendo esta sentença tam notàvelmente rigorosa — como disse a voz pública — ainda apelou dela, pedindo igualmente comigo a V. Majestade 3.ª instância. Permissão clara de Deus, que nas mãos de V. Majestade havia posto o remédio duma tam grande semrazão, para que visse o mundo, que nem ainda aquele a cujo favor se dirigia, queria nela consentir, para que de nenhuma sorte houvesse efeito. Concedeu-me V. Majestade a 3.ª instância, consultaram a V. Majestade já os juízes; pende agora do árbitro Real a resolução. A essa causa são os votos dêstes juízes consultivos, e não definitivos. Êste suave estilo guardaram sempre os mestres da nossa ordem, — e das outras — e lhes foi assinado pelos Sumos Pontífices, não certo para se aterem ao parecer dos sucessores; pois a clemência do Príncipe está sôbre tôda a autoridade; mas para se justificarem com os súbditos, em qualquer acção rigorosa, quando a pedissem as qualidades do réu, e do delito. {{nop}}<noinclude></noinclude> 1sbagg17cvtq1kc5f7wk467n9x2rpka Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/92 106 222998 563827 479747 2026-09-21T16:05:46Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563827 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|66|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>Considere V. Majestade se com viva esperança, posso estar de que sendo V. Majestade o árbitro, o Senhor, e o Mestre, haja de emendar o êrro alheio, de que êles que tam sem causa justa criminaram minha inocência, hajam de moderar o excesso a que subiram meu castigo. Veja-se com olhos de prudência, se do mais perdido homem da República se pode crer semelhante feito, quanto mais de um, a quem pela bondade de Deus, antes dêste, se não impôs algum outro leve desconcêrto. Ninguém ignora a paixão de que fizeram motivo alguns dos que me julgaram, para me condenarem; cujo efeito, eu mais adivinhei, que mereci, prevenindo dêle a V. Majestade muito antes de ser julgado por que sabia, que me tinha a paixão certo do dano naquele mesmo logar, onde a razão me mandava buscar o remédio. Não houve naquela sentença uma só clausula, que não provasse o que dela referiu o público sentimento. Não só excede a pena à mensura da culpa, nem havida nem provada, mas ainda esquecida a lei, pela qual não há degrêdo nem um assinado para a Índia, fez como todos se lembrassem da causa, por que a lei se esquecia. Condena em degrêdo perpétuo, pena impraticável, senão contra o hereje, de cuja presença se deve velar a república. Manda-me pagar maior quantia do que vale quanto possuo. Castiga com privação de comenda, cousa tam sem exemplo, como sem razão; por que jàmais se viu que por crime de qualidade não exceptuada, fôsse algum<noinclude></noinclude> b3bt89sosggeg1cxy8i9m9uv1c9z3aj Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/93 106 222999 563828 479764 2026-09-21T16:05:57Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563828 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|67}}</noinclude>réu por algum titulo privado, nem do chapéu, nem do vestido que possue. É a razão jurídica, por que em tais casos, a pena da condenação, sòmente pode alegar a quantidade e não o esbulho e menos a total privação que não esteja, como não está, admitida por direito expresso. Enfim, Senhor, tais as passadas sentenças, que não receberam menos benefícios, que eu próprio na emenda delas, as consciências dalguns que me julgaram e maior ainda as almas de outros, que já podem delas estar tam arrependidos, quanto necessitados de que a justiça de V. Majestade os alivie dêste encargo. Mas porque a experiência me tem mostrado, que com armas mais dobres, além desta acusação, que estejam contra mim meus inimigos, impondo-me diante de V. Magestade várias, e falsíssimas calúnias, lícito me deve ser, Senhor, tomando de V. Majestade a devida licença, tornar sequer esta vez por meus procedidimentos, dando minhas obras a minhas palavras tanta confiança, como razão. Sei não se esquece V. Majestade das obrigações em que nasci, e em que vivi com a sereníssima casa de Bragança. Depois que nela entrou e snr. Infante D. Duarte, bisavô de V. Majestade por casamento com a snr.ª Infante D. Isabel, até o dia presente, posso verificar que nenhum dos senhores desta real casa deixou nascer, e se criar nos braços de meus parentes. Irmãos foram, primos, e sobrinhos, de meu bisavô, e pai, D. Diogo de Noronha, D. António, D. Luís, D. Afonso, e D. Cristóvão, outro D. António, D. Luís, e D. Rodrigo de Mello, D. Diogo, D. António, D. Gomes, e D. Francisco, que todos viveram e morreram no {{hífen|ser|serviço}}<noinclude></noinclude> iv6btwaj52xfu81869ezojy8yqjskpx Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/94 106 223000 563829 487784 2026-09-21T16:06:06Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563829 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|68|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>{{hífen-fim|viço|serviço}} da sereníssima casa de Bragança, e nela ocuparam com honra e fidelidade os maiores logares. Primeiro e não com menos vantagens os Manueis, que com meus passados, e comigo tinham quási igual parentesco, e entraram no serviço, e debaixo da protecção dos sereníssimos principes avós de V. Majestade quando o segundo casamento do snr. duque D. Jaime, com a snr.ª duquesa D. Joana de Maiorca. Assim D. Francisco Manuel, D. Cristóvão, D. Diogo, D. Rodrigo, e outros que todos adquiriram para si, e para os seus, a honra de criados, e confidentes de sereníssima casa. E, se estas são as causas por que entre os humanos se contrái obrigação, se produz confiança, também não são para esquecer, e basta que se não finjam, outros mais poderosos, e não menos certos principios: cuja memória só obriga a que V. Majestade tam liberalmente honre a muitos, e dêles se confie. Sabem todos os que professam o estudo da antiguidade, era D. Maria Melo, mãe de meu bisavô D. Gomes de Melo, filha de D. Francisco de Faro, segundo filho do primeiro conde de Faro, D. Afonso, que foi irmão do 2.º serenissimo Duque D. Fernando. Bastava por certo a honra desta lembrança, para me fazer que adorasse quanto mais que amasse a Real Pessoa, vida, e Estado de V. Majestade, e sobejamente para se ter por firme o coração de um homem, que sempre trouxe a honra diante dos olhos, como sabem amigos e inimigos. Se o meu procedimento desmentiu a minha obrigação, eu quero ser o primeiro que o acuse. Permita-me V. Majestade lhe represente minhas acções, por ver se dalguma delas fui contra aquilo que devia. Não deixará V. Majestade de se lembrar que no<noinclude></noinclude> eeg43kcvq6fo8sa2uwff2ol8p7xnuci Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/95 106 223001 563830 492473 2026-09-21T16:06:15Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563830 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFACIO BIOGRÁFICO|69}}</noinclude>mesmo tempo em que outros lhe faltaram, faltando as grandes mercês e benefícios, eu próprio, êste mesmo caluniado e perseguido D. Francisco, só pela mercê de se lembrar V. Majestade para se servir de mim, me dispus com todo o ânimo a fazê-lo na maior, e mais importante ocasião, e negócio, que à Real casa de V. Majestade havia acontecido. Vive António Pereira que era então agente de V. Majestade na côrte de Madrid, por cujas mãos V. Majestade foi servido dirigir-me as ordens, como me devia empregar naquela acção, quando no ano de 1637 sucederam neste Reino as alterações de Évora. Creio também é vivo um Mateus Álvares que a V. Majestade servia nestas jornadas, e as fez várias vezes à côrte, e à minha pousada, levando, e trazendo segredos, e confianças. Não tinha V. Majestade a êsse tempo outro criado em Madrid, que António Pereira, e tinha — como é de crer — muitos émulos, muitos fiscais, e muitos olheiros para as suas acções. Satisfiz eu segundo meu pouco cabedal, a grande honra que V. Majestade me havia feito, dando cartas e informações ao Rei, valido, e ministros; avisando a V. Majestade dos secretos e expedientes que se tomavam nas juntas e conselhos, àcêrca daquele negócio, conforme o observava, e por minha indústria podia alcançar dos ministros com quem tinha suficiente entrada; serviu-se V. Majestade agradecer-me por carta de 20… de 1637. Nada tomou do instrumento o bom successo. E nem por eu ser inferior a tamanha causa, deixa de ser presente a V. Majestade e ao mundo, como se acertou em tudo o que convinha. {{NOP}}<noinclude></noinclude> 8jxl1gbnhcba3ddpqhl1nj6l1poy1mu Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/96 106 223002 563831 497090 2026-09-21T16:06:27Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563831 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|70|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>Sei que se deve à prudência com que V. Majestade o dispôs, não à diligência com que eu o solicitei. Mas nem por isto deixa de conhecer-se qual foi meu ânimo, e a minha diligência. Pois, Senhor, ¿que prémios? ¿que vantagens? ¿que interesses me obrigaram a padecer tanto, como devia então? E agora quando incomparáveis os podia esperar das Reais mãos de V. Majestade — ¿quem fez que me desobrigasse de os merecer? ¿como depois os desmereci? Foi mandado o conde de Linhares a Évora, e eu em sua companhia a Vila Viçosa, com aquele fim que se podia esperar pudesse ter então em seus desígnios a côrte castelhana dirigida por um ministro industrioso, e político, qual era o conde-duque. ¿E que era eu então, senão um requerente, que em tudo dependia do bom semblante de ministro tam poderoso? Tam pouco a idade me favorecia. A honra supria por tudo. Porventura o galardão que podia esperar de comprazer àquele ministro, os sinais que êle não dissimulava, de desejar lhe revelasse alguns segredos dos que passavam neste reino, foram bastantes para me meter nos beiços outras razões, que aquelas que me ditava a obrigação, e o amor que tinha, e guardei sempre à real pessoa de V. Majestade, e a seu estado. Se eu o finjo, se agora vãmente o alego a V. Majestade por serviço. fale por mim o efeito. ¿Haverá, Senhor, quem pese em justa balança êste serviço e êste procedimento com os dos que mais na feliz aclamação de V. Majestade se adiantaram, que<noinclude></noinclude> 6fa93254u2zwajhi8lg91ljbobhf443 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/97 106 223003 563833 497046 2026-09-21T16:06:37Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563833 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|71}}</noinclude>deixe de ter estas provas por muito iguais às daquela fidelidade? ¿Não se sabe que o ser católico em Inglaterra, é maior fineza, que o ser cristão em Roma? ¿Ser português entre os castelhanos, há quem diga que é menos do que ser português entre os portugueses? Viu-se bem o efeito; porque apenas chegou a Castela a nova da aclamação felicíssima de V. Majestade quando por primeira diligência me mandou prender el-rei D. Filipe à Catalunha onde estava servindo com bom logar e aplauso. Nenhum outro motivo teve aquele desconfiança, que as informações que poucos tempos antes eu havia dado na côrte àcêrca dos ânimos de Portugal, pois principalmente daqueles que nas ocasiões da passada suspeita me foram mandados observar. V. Majestade sabe quais eram, e Deus sabe se mo pagaram. Quis-me Deus salvar a vida para empregar melhor os riscos dela no serviço de V. M. a quem não tardei em oferecê-la; mais que o que se tardou em me darem liberdade. ¿Quam alheios são, Senhor, êstes passos, de poder esperar por êles o cativeiro, a injúria, e a miséria daquela mesma vida? Soltaram-me, e não sem prémio, e honra, como constou a V. Majestade, pelos despachos que pus — quando vim — nas mãos reais de V. Majestade. ¿Acaso cuidei, ou duvidei, se havia de vir logo entregar essa liberdade que gozava no império de V. Majestade? Não por certo. O primeiro fui, que rompendo dificuldades, e deixando cómodos, vim a êste reino. Antes de chegar a êle comecei a servir a V. Majestade, pois, entrando nos estados de Holanda, fui<noinclude></noinclude> a8g79fp5qs6zlhe9ibn9hgwpwt71ide Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/98 106 223004 563834 497086 2026-09-21T16:06:45Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563834 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|72|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>encarregado em nome de V. Majestade pelo embaixador Tristão de Mendonça do govêrno daquela armada que êle lá prevenira para socorro dêste reino. Governei-a, e a conduzi a Lisboa, sendo aquele um dos maiores socorros que em seu pôrto entraram à custa de imenso trabalho meu; pela contrariedade dos tempos e falta de todos os meios necessários. Justifiquei e assino particular o ânimo com que vinha, por só alcançar a honra de vassalo de V. Majestade fazendo por estudo de não pedir mercê alguma, por que desejava primeiro merecê-las. Os postos para que V. Majestade foi servido destinar-me por sua real grandeza, se movia a fazer mercê dêles não por algum género de diligência minha. Aqueles em que todos cuidaram poderia ser empregado, se desviaram. Eu observando como pude o semblante de minha fortuna, em nenhum posto falei jamais, e dalguns procurei humildemente escusar-me; por que conhecia convir assim naquele tempo, tanto ao serviço de V. Majestade, como à minha conservação, até que o mesmo tempo qualificasse meus procedimentos, com o que, a prazer de todos, podia merecer outros logares. Fui depois, em fôro de soldado, servir a V. M. a Alentejo. O como servi e obrei em um ano de assistência, dirão os cabos debaixo de cuja mão servia. Vivos são, honrados são, estou pelo que disserem. No mesmo dia em que eu estava diante dum esquadrão, governando-o contra os inimigos de V. M. estava alguma pessoa, — que desta prática já haverá dado a Deus conta — nesse Paço, persuadindo a V. M. me mandasse prender, por que eu sem dúvida, — a juízo<noinclude></noinclude> notvla66yiegarhhmi1mjnt1myuk0ug Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/99 106 223005 563835 497088 2026-09-21T16:06:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563835 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|73}}</noinclude>da sua bondade — ia com ânimo de me passar a Castela. Fundava bem esta sua suspeita em me haver eu escusado de testemunhar contra Francisco de Lucena aquilo que eu não sabia. E êste tal, queria por fôrça que eu o soubesse, com pena de me ter a mim, e querer que me tivesse V. Majestade, e o mundo naquela conta em que êle tinha aquele ministro. Fui desta acção avisado, por que a prática não parou nos ouvidos de V. M. Então por satisfação minha, tomando a ousadia da verdade, escrevi a V. M. uma carta a que V. M. com singular clemência foi servido de me mandar responder com outra, firmada da Real mão, em 4 de janeiro de 1642, servindo-se V. M. de honrar-me tanto, que se acham nela escritas estas palavras: «me pareceu dizer-vos que de vossos procedimentos tenho a devida satisfação. E fico certo que em tudo o mais que se oferecer de meu serviço procedereis sempre muito como deveis às obrigações de quem sois, e à confiança que eu faço de vossa pessoa». Não houve ocasião, conselho, negócio, ou confiança naquele exército, em que os cabos dêle a não fizessem de mim mui particular: pois será V. Majestade lembrado fui bôa parte para se resolver a campanha daquele ano, tam bem lograda, como todos viram. Sabem todos se não deu fórma àquele primeiro exército sem meus papeis, parecer, e indústria. Examine-se bem quais destas acções foram simuladas. Veja-se em que faltei com a pessoa, com o juízo, e com a fazenda. E se para êstes empregos se achou outro mais diligente, ou mais oferecido. Serviu-se V. Majestade depois de me mandar encarregar a condução de tôdas as tropas rendidas por<noinclude></noinclude> 9t1t0aj7qmpgi5rxhd52t0t5pz395ah Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/100 106 223006 563838 497089 2026-09-21T16:07:09Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563838 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|74|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>suas armas em Castela, tirando-me para êsse efeito do exército em virtude duma sua Real carta, em que V. Majestade, depois de considerar a importância dêste serviço, houve por bem de que se continuasse. «Confiando de vós, e do amor com que me servis, procedereis nesta ocasião como sempre fizestes em tudo o que se vos encarregou». E mais abaixo: «Sendo certo que êste serviço que ora me ides fazer, se há-de avaliar em vossas pretenções como se fôra feito no exército, em que com tanta satisfação minha o estáveis fazendo». Foi esta carta escrita em Évora a 17 de setembro de 1643. Representei eu então a V. Majestade as razões que havia para que V. Majestade me escusasse de misturar com aquela gente, por que sem falta, isto seria dar novas asas com que voasse ódio de meus inimigos. V. Majestade o não houve assim por bem, mandando-me responder por bôca de seus ministros, podia estar seguro que a confiança que V. M. de mim fazia, se não embaraçava com semelhantes calúnias. Concluido aquele negócio, que então era não de pequeno cuidado, se deu V. Majestade por tam servido do modo porque nêle me houvera, que fez mercê de mandar escrever por carta de 5 de Outubro de 1643, o seguinte: «Agradeço-vos muito o trabalho, e o acêrto com que tendes, concluido êste negócio». Algumas, e várias vezes me escreveu V. M. mandando-me assistir em algumas juntas, com os maiores ministros, sôbre matérias de guerra, política, e conveniência: como se vê dos bilhetes por que fui chamado, mado, que em meu poder tenho. Vivos são, e ao lado de V. M. assistem alguns dos<noinclude></noinclude> 49nl7xa1fj384qc7nk2r1jcu6wtcqae Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/101 106 223007 563839 497110 2026-09-21T16:07:23Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563839 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|75}}</noinclude>sujeitos que ali concorreram, e ouviram meus pareceres; testifiquem do zêlo, e amor ao real serviço com que sempre tratei aquelas matérias. Pareceu a V. M. podia bem empregar-me a servi-lo na condução e cómodos dos soldados reformados de Flandres e Catalunha, que andavam na côrte; mandou-me assim V. M. por seu real decreto de 5 de novembro de 1611, e em muito breves dias, por minha indústria, despejei a côrte de requerentes, e povoei as fronteiras de reformados. O expediente que depois se tomou sôbre seus soldos, conservando-se-lhes algum àparte, eu fui o primeiro que o arbitrei a V. M. por um papel, que para isso ofereci, muito tempo antes que se resolvesse. E enfim se praticou na mesma fórma que eu o havia proposto. Mandou-me V. Majestade por decreto de 16 de novembro de 1643 recebesse em seu serviço os soldados que andavam vagos na côrte, daquelas tropas dos rendidos de Castela, das quais por minhas diligências, desfiz mais de setecentos homens, que para o poder do inimigo não voltaram, e dêstes reconduzi a V. M. em menos de três dias, uma leva de quinhentos soldados vélhos, que fui remetendo aos almazens, segundo V. M. me ordenara. Não é para esquecer (nem creio que a V. M. esquecerá), que achando-se quási tôda a nobreza dêste Reino na campanha de Badajoz, fui eu escolhido dos generais para vir dar conta a V. M. de bôca, dos designios e potências de suas armas, e receber de V. Majestade as ordens de como se servia, elas se empregassem em seus progressos. Entendia V. Majestade ser obrigado a dar fórma de<noinclude></noinclude> a9yz7kowjj0jfmiwmjmy8g3ii2oi3hk Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/102 106 223008 563840 497111 2026-09-21T16:07:34Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563840 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|76|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>vida a Mamede Pereira de Lacerda, môço fidalgo de sua casa, filho de D. Maria da Cunha, camareira que hoje é da Rainha nossa Senhora. Para êste efeito, sabendo que eu passava por mestre de campo para Flandres, e levantava gente neste reino, houve V. M. por bem escrever-me encomendando-me por carta sua e escrita em Vila Viçosa a…de… que pelas obrigações que tinha a Mamede Pereira, desejava V. M. que eu me encarregasse do seu cómodo: assisti-lhe de maneira, que sem que êle houvesse alguma hora saído da côrte de V. Majestade, o fiz prover duma companhia de infantaria, o levei e deixei em Flandres encaminhado a tal fortuna que se não resolveu êle deixái-a, nem ainda quando no crescimento da grandeza de V. M., se lhe estavam prometendo muitos aumentos. Neste próprio tempo e ocasião me encarregou V. M. outro tal cómodo, para a pessoa de Teodósio Tavares, também criado de V. M.; e sem que êle houvesse servido na guerra, só por obedecer a V. M. o provi duma bandeira. Foi, e esteve em Flandres, donde veio digno de V. Majestade o fazer sargento-mór de um têrço desta cidade. Foi V. Majestade encarregado do govêrno das {{sic|arams|armas}} dêste Reino; posto (ao que então se pode observar) solicitado pelos inimigos de V. Majestade em cujo exercício, a êste respeito, convinha haver grande vigilância. E por que aquelas matérias não eram muito presentes a V. Majestade, quis V. Majestade que lhe apontasse o modo por que se devia haver na direcção das armas; e sem embargo de estar ausente enviei a V. Majestade um papel pelo qual oferecia a V. Majeste de tôdas as advertências não só competentes ao posto,<noinclude></noinclude> 1okd2nhq0vnm4zabx7n0hiishifypax Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/103 106 223009 563841 497509 2026-09-21T16:07:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563841 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|77}}</noinclude>mas à conservação da autoridade de sua Real pessoa, que tam bem se logrou depois. Dois dos maiores negócios externos competentes à conservação desta corôa, foi V. Majestade servido de me querer encarregar dentro em uma semana estando em Évora. Um se serviu V. Majestade de comunicar-me em sua Real presença; outro me mandou V. Majestade tratar pelo secretário de estado, que por ambos haverem contido segrêdo não declaro, nos quais, não fiz a V. Majestade menor serviço (havendo representado minha insuficiência) de que o fizera encarregando-me de cada um dêles, donde nasceu encarregarem-se a outras pessoas capazes, que dêles deram mui bôa conta ; devido em alguma maneira àquela útil e humilde desistência que em mim acharam, fundado no conhecimento que de mim tinha de que V. Majestade se deu por muito satisfeito. Êstes foram, senhores, meus progressos em dois anos e meio que assisti sôlto, na côrte, e no exército de V. M. Mande V. M. agora a meus émulos, que declarem quais foram os outros por que me caluniam. Quais foram meus desígnios vistos por minhas obras, ou vindicados por elas nestes seis anos de minha prisão. Daqui donde não podia servir a V. M. com a pessoa na maneira que me era possível, jámais estive ocioso em seu serviço. Achar-se hão nas secretarias de V. M. papeis, cartas, e lembranças minhas, prevenindo, lembrando, e pedindo a V. M. aquilo que, a meu fraco juízo, parecia mais conveniente nas presentes ocorrências. Publicaram os inimigos dêste reino, e de V. M. livros, e inventívas contra a honra dêle e seu real direito,<noinclude></noinclude> oim3b3dcuoh8qc2bmgmtx9be9mf1qbq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/104 106 223010 563843 497510 2026-09-21T16:07:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563843 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|78|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>tomei a pena e me opus a seu desconcêrto, e escrevendo contra os émulos na maneira que o mundo sabe. Por semelhantes serviços fez V. M. avantajadas mercês e pela escrita dum só livro, em matéria discutida, e abundante, se serviu V. M. de dar o seu desembargo do Paço ao dr. Francisco Vaz de Gouveia. Do crédito que os estrangeiros deram a meus escritos, não é inventora a vaidade; mas testemunha a experiència, vê-se a conta que dêles se tem feito, achando-se alegados largamente em comprovação dos procedimentos violentíssimos dos émulos de V. M., donde êles, e sua voz, recebem a confusão que se conhece. Apenas tive notícia de que V. M. gostaria vêr escritas as vidas dos sereníssimos Reis Portugueses, para correrem com suas medalhas pelo mundo, logo me dispus a fazer a V. M. êste serviço&thinsp;; cuja execução está bem próxima, que por minha parte se não retarda. Sucedeu o milagroso caso quando Deus nos guardou a vida de V. M. (que guarde, e prospere por muitos anos). Houve V. M. de o fazer assim manifesto às gentes, e houve esta própria pena de ser uma das que o publicaram, servindo-se V. M., que o meu papel por direcção de seus ministros fôsse aos ministros, Príncipes, e Nações amigas, em cujas linguas corre há muito convertido&thinsp;; sendo êste um meio por onde novamente se conhece a justiça de V. M. pelo grande cuidado com que Deus guarda a sua pessoa, e inocência. Havendo hoje neste Reino tantos sujeitos grandes, teve V. M. por bem, que sendo eu o menor dêles, me ocupasse em historiar a vida, e feitos do snr. Duque D. Teodósio que Deus haja seu pai sereníssimo. Senhor, se estas são minhas acções exteriores, {{hífen|exa|examinem-se}}<noinclude></noinclude> lwbe2mkg9l7nt6o3512runnuf2bxfba Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/105 106 223011 563844 497889 2026-09-21T16:07:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563844 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|79}}</noinclude>minem-se as interiores; pelas quais logo o ânimo dos homens é reconhecido. ¿ Quais são os meus tratos ? ¿ Qual o ânimo? ¿ Que sofrimento ? ¿ Que pesar ou alegria com os bons, os maus sucessos públicos ? ¿ Que pessoas são as da minha amizade ? ¿ Que tais as razões que me são ouvidas ? Constará que minhas correspondências são com os sujeitos mais graves dêste reino, e de maior religião, e virtude; que aqueles com quem tenho mais estreita amizade, e me fazem graça de a quererem ter comigo, são os ministros, e criados de V. Majestade mais confidentes, e mais para o serem. Fóra de Portugal, aqueles que de mim tem alguma lembrança, e eu a conservo para com êles, são os embaixadores, residentes, secretários, e outras pessoas de quem V. Majestade faz tôda a conta, e estimação. Meus comércios são as letras, e os livros, em que maior piedade, e honra se acha, como é notório. Meu sentimento e alegria é aquele e aquela que um bom e zeloso vassalo deve ter nos prósperos, e adversos acontecimentos da sua pátria. É constante, que sucedendo neste reino, depois que eu a êle vim, quási todos os casos de infelicidade (sem os quais não quis Deus conceder a glória de vermos a V. Majestade em seu trono) foi também êle, servido por sua infinita bondade, que havendo-se enredado naquelas matérias muitas pessoas com culpa, ou sem ela, não fui eu nenhuma dessas. {{nop}} Não é menos certo que em nove anos de Portugal, em seis de prisão e em quási todos de perseguição foi sempre tam claro, e tam singelo, o meu procedimento que apesar do artifício dos émulos não houve nunca logar de me ocasionarem esta última ruína.<noinclude>{{esquerda|7}}</noinclude> lo5ldltx088loiiq4hpvg58bitdy4me Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/106 106 223012 563846 497900 2026-09-21T16:08:07Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563846 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|80|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>¿ Onde se achará, Snr., no mundo um mau que assim saiba, e assim possa reprimir a sua malícia ? ¿ E por que se não acabará de crer que é bom, quem por tantas obras, e por tantos anos o tem mostrado ? ¿ Que maldade não comete, quem contra um proceder tam justificado pretende opôr sombra de maliciosos pensamentos ? Dou todos por testemunhas da moderação com que levo meus trabalhos. ¿ Acaso vêr-me enterrado vivo, no melhor da minha idade, quando pudera esperar possuir o que vejo desperdiçar aos outros, tirou alguma hora de mim uma só queixa, uma só palavra impaciente ? Vendo encaminhar a uma total ruína minha justiça, e tendo por certo havia pessoas, que folgariam de ma não achar, e chegando a tanto, que ma não acharam, ¿ foi porventura tamanha causa bastante para que eu quebrasse êstes cadeados de bons respeitos que voluntàriamente havia lançado em minha própria bôca ? Cansei a V. Majestade alguma hora, com petições de melhoras, ou alívio de prisão, senão que padecendo meus males, e trabalhos, me acomodei sempre de tal sorte com prisão que V. Majestade me assinou, que já pode ser que pela conformidade com que a levava, houvesse quem dessa temperança quisesse fazer artifício. ¿ Ouviu alguém o meu nome antes de agora pelos tribunais, acusado de algum delito ? Esta observação é um dos incentivos que mais estimula a meus contrários, a fazerem hoje contra mim todo o esfôrço da sua malícia. Sabem, que livrando-me Deus desta acusação, não<noinclude></noinclude> pqealfo4rz5h9mmvmyoe5b6kjth1z6o Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/107 106 223013 563847 497902 2026-09-21T16:08:15Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563847 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|81}}</noinclude>acharam, nem acharão outra em que poderem empecer-me. Não incluida só em Portugal a fama da violência, com que de meus inimigos era tratada minha justiça, voou tanto, que chegando aos ouvidos do Cristianíssimo Rei de França, como verdadeiro irmão, e fiel amigo de V. Majestade procurou concorrer com sua autoridade Real, escreveu a V. Majestade a seguinte carta, não sei se mais em recomendação da minha causa, que em desagravo da justiça dêste reino&thinsp;: «Muito alto, muito excelente, muito poderoso Príncipe, nosso muito caro, e muito amado bom irmão, e primo. O snr. D. Francisco Manuel, vassalo de V. Majestade, e que de presente está prêso na tôrre vélha de Lisbôa por causa duma falsa acusação, que lhe foi levantada por seus inimigos, os quais aproveitando-se de sua retenção com escurecer manifestamente a verdade, acertaram de maneira, que por êsse respeito êle foi condenado a servir a V. Majestade na Índia. Mas por quanto é fidalgo de merecimentos e que os serviços que nos fez, em nossos exércitos, nos convidam a compadecer-mo-nos da desgraça que lhe há sucedido, escrevemos esta carta a V. Majestade para lhe rogar com tôda a afeição que nos é possível, lhe queira conceder a graça que lhe é necessária, para que êle não satisfaça tal condenação, o que me será testemunho da conta que V. M. quer ter da minha recomendação, que por êste sujeito se emprega de tam bôa vontade como eu peço a Deus, muito alto, muito excelente, e muito poderoso príncipe nosso muito caro, e muito amado bom<noinclude></noinclude> j5ynmqg6hw9exdh4o7231qqjvba9x2u Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/108 106 223014 563848 497938 2026-09-21T16:08:25Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563848 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|82|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>irmão, e primo, tenha a V. M. em sua santa e digna guarda. Escrita em Paris a 6 dias de novembro de 1648. Vosso bom irmão e primo. {{right|Luis.»}} Foi tão atento ao grande decoro que devia à justiça de V. Majestade, que havendo eu recebido esta carta de el-rei cristianíssimo para V. Majestade de que com tanta razão podia confiar muito, desviei que ela se apresentasse a V. Majestade por mãos de algum ministro de França, oferecendo-a eu a V. Majestade pelas do secretário do expediente, afim de não obrigar a V. Majestade contra o seu ditame, a alguma correspondência com aquela corôa, ainda a trôco da minha utilidade. Presentemente deixei de valer-me da intercessão dos Príncipes Palatinos, com quem tinha alguma conhecimento de Inglaterra, e da Rainha sua mãe, e irmãos quando me achei em Holanda, sendo de alguma maneira invitado com sua autoridade para êsse efeito, só por me não parecer justo oprimir as resoluções de V. Majestade com extraordinárias diligências. Desejava, e desejo de alcançar o benefício de que necessita minha fortuna, ou da grandeza de V. M. ou da virtude da minha justiça. Mas se depois de tam vivas razões particulares, podem ter logar as comuns, por singular favor peço a V. Majestade se sirva de mandar ouvir o que àcêrca de minha causa, procedimentos, e pessoa, diz o povo, de quem se afirma por sua bôca fala Deus. Mande V. Majestade ouvir os soldados, os {{hífen|virtuo|virtuosos}}<noinclude></noinclude> pilyhkfp9og4o9swblnpo829jvqiwe0 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/109 106 223015 563849 497939 2026-09-21T16:08:40Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563849 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|83}}</noinclude>{{hífen-fim|sos|virtuosos}}, os amigos de letras; ouça V. Majestade os bons, como melhores que são e mais dignos de serem ouvidos, e de serem criados dos príncipes, ouçam-se aqueles em cujo poder estou há seis anos. Mande-se V. Majestade de todos êles informar àcêrca de minha vida, ditos, e feitos: mande V. Majestade contar o número de meus amigos, e de meus inimigos. ¿ Que artificio será aquele que tanto saiba fingir ? ¿ que indústria a que de tantos se recate, e a todos engabe ? ¿ Não é, Senhor, mais próprio, mais prudente, e mais cristão discurso, entender que erram um ou dois primeiro que tantos ? ¿ que se enganam os poucos antes que os muitos ? ¿ E que podem fingir os inimigos aquilo que não podem fingir todos ? Um ano inteiro estive preparado para haver de ir ao Brasil (como se entendia)&thinsp;: não foi V. Majestade servido que assim fôsse. E com me vêr ficar incertamente, haver gastado, e ter perdido o pouco que tinha de meu, nem por isso fiz a V. M. alguma lembrança, nem outra diligência&thinsp;: não se ouviu que eu neste caso me queixasse mais da minha fortuna. Era obrigado a crêr e sem dúvida cria, que no real peito de V. Majestade, se tinha tornado comigo resolução justa, e conveniente. Seria grave crime meu, se sabendo (como sei) se não esquecesse V. Majestade das verdades que aqui refiro, esperasse da sua real mão, menos que uma deliberação em tudo de V. Majestade, como tôda de V. M. há-de ser&thinsp;; e eu por essa a hei-de seguir, e venerar. À vista desta modéstia, e quando cuidava me entrava a clemência pelas portas, e o fim dos trabalhos<noinclude></noinclude> 1kzcqycsnf4j0z7gpgix0nik0kp50gz Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/110 106 223016 563850 497940 2026-09-21T16:08:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563850 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|84|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>padecidos, me vejo de novo apertado, e oprimido, donde é bem para sentir mais a causa, que o efeito. A confusa notícia que se me deu dos motivos desta novidade, é haver V. Majestade tido aviso, de que eu pretendia usar mal da confiança que de mim se fazia nesta prisão, e eu não desmereci, enquanto se passaram quatro anos que a gozei&thinsp;; nem por algum excesso dei causa a repreensão, ou arrependimento de quem de mim a fazia. Diferentes sobressaltos, mais urgentes perigos, tinha padecido minha justiça em todos os tempos passados, e em outros ânimos, que não eram o de V. Majestade, e mais fiei eu tanto dela, e do seu ânimo, que por nenhuma contingência me veio tal modo de remédio ao pensamento. Pensamentos dificultosos são de provar&thinsp;; mas só as obras tem por seus fiadores&thinsp;; o que tenho obrado servirá de prova ao que tenho desejado. Está hoje minha causa só pendente do arbítrio de V. Majestade, e ainda que essa razão me podia ter animado a lhe esperar bom sucesso, muito maior é a esperança que nasce das demonstrações, sendo V. Majestade servido de responder ao secretário do expediente, quando dêle recebeu a carta de el-Rei cristianíssimo, me assegurasse (como me assegura) se informaria V. Majestade com o mais favorável voto dos Acessores, ainda que êsse fôsse o único. Esta própria luz observaram sempre da clemência de V. Majestade todos os ministros e pessoas grandes, que de mim compadecidos, ofereceram a V. Majestade como bons vassalos a lembrança da minha causa, por digna matéria, em que pudessem exercitar-se a grandeza e piedade como geral agradecimento.<noinclude></noinclude> d3u2sja0h9nn5z23kfhpwde4bbr5rwj Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/111 106 223017 563851 497944 2026-09-21T16:09:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563851 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|85}}</noinclude>¿ Quem seria logo tam sem fé, e sem juízo, que à vista desta real promessa, e destas benígnas demonstrações houvesse de acobardar-se ? ¿ Como quereria perder aquele mérito, que se tem por adquirido sem dúvida, em o passado sofrimento ? O desconto do que padeci em seis anos de prisão, a que as leis, a razão, e a piedade tanto olham, que o reputam por uma grande parte do castigo. Não havendo V. M. por bem de me mandar ao Brasil, como se dizia, cuidava justamente, podia entender que V. Majestade como rei, senhor, e mestre nosso, se movia a ter maior compaixão de meus trabalhos, e não vinha em querer se me dilatassem em um tam remoto destêrro. ¿ Como se conforma esta esperança, tam justamente fundada, com a desesperação de que, sem alguma causa, fui caluniado ? Presentíssimo é a V. Magestade, como nestes mesmos dias, atentos os grandes apertos, e faltas de fazenda em que me vejo, fiz rogar instantemente a V. Majestade, e instantemente da minha parte, pelo conde de Redondo, e depois pelo padre António Vieira, fôsse V. Majestade servido de me mandar passar desta tôrre ao castelo de Lisbôa. Foi esta pretenção tanto nos próprios dias em que a V. M. parece se devia dar aviso de movimento (ou por melhor dizer de meus inimigos) que juntas recebi as novas de que a V. Majestade estava proposta a mudança de minha prisão&thinsp;; e de que V. M. ordenava fôsse apertado nesta. Foi sem falta, misericórdia e providência de Deus (que aos injustamente perseguidos não desampara)<noinclude></noinclude> bx1gqizfgmm8c6iyn4hhto65837i06i Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/112 106 223018 563853 497945 2026-09-21T16:09:16Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563853 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|86|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>guardar-se para êste tempo esta calúnia&thinsp;; por que fôsse ela mesmo quem por minha parte a convencesse. Por que, Senhor, ¿ em que entendimento cabe, e pode ter entrada, que nos mesmos dias em que a V. M. disseram tratava eu de aproveitar-me das comodidades dêste logar, para me sair dêle, estivesse eu com repetidas instâncias nestes mesmos dias pedindo a V. M. me mandasse tirar daqui, e para parte donde parece que de todo se ficára impossibilitada a execução de tal pensamento, quando em mim o houvesse ? Bem creio não duraria no ânimo de V. M. o crédito desta suspeita, (quando por minha desgraça o houvesse havido) mais que o que chegasse à memória de V. M. esta lembrança. Eu deixei prémios por vir buscar a V. M., entreguei-lhe por eleição, e por amor a liberdade que possuía&thinsp;:&thinsp;nada disto se mudou, nem mudará em tôda a vida, porquanto nas pessoas de juízo, e cristandade, o castigo não induz desafeição da parte de quem o dá, nem da parte de quem o recebe&thinsp;:&thinsp;castiga o bom pai, e o bom senhor, e o que o não é deixa viver sem castigo ao filho, e ao súbdito, como que se lhe dá pouco da sua perdição. Se eu o merecesse, e V. M. me castigasse, ânimo, o juízo me deu Deus para o saber agradecer&thinsp;; se o não merecesse, e V. M. me castigasse, ânimo, e juízo me deu Deus para saber discernir as acções de V. M., das de meus inimigos&thinsp;; e conhecer que sua malicia dêles inexcusavelmente obrigaria em vez de justiça a que contra mim se fizesse qualquer severa demonstração. Tenho inimigos descobertos e encobertos, sabe-o, conhece-o, e conhece-os V. M. Tomo a Deus por testemunha de que não mereço ódio de nenhum, nem de<noinclude></noinclude> euqr4xucqaua19g3cpsbibtiatd9wu2 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/113 106 223019 563911 497946 2026-09-22T08:44:11Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563911 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|87}}</noinclude>ninguém. Todavia não descansam de fulminar meu dano. Não me vale para com êles, o calar, e o sofrer&thinsp;; mas para com Deus, e para com V. M. muito espero que me valha. Verem que V. M. se detém, en consentir a ruína que êles me desejam, é um novo estímulo, que está concitando a mais crueis efeitos sua ruim vontade. Conheceram, que já aqui não tinham outra alguma causa, com que criminar o meu procedimento&thinsp;; Inventaram esta, por ser a causa que mais levemente se deve crêr de um prêso, o desejo da liberdade&thinsp;; sem saberem medir, que ela para mim por êste meio era mais dura que a prisão e destêrro, pois que me negava a esperança, que não perderei nunca, de alcançar algum tempo, a graça de V. Majestade, e o suave repouso da pátria, que sôbre tôdas as felicidades, é desejado dos homens. Senhor, castigando-me V. M., perdoando-me, mandando-me para os fins da terra, tendo-me nêles, eu sou, e serei dos mais fieis, e verdadeiros vassalos dos que a V. Majestade amam, e obedecem. Aquele que nunca faltou aos homens com a verdade, nunca enganou amigos, e conhecidos, nem ninguém do mundo, êste tal, senhor, é certo que tem feito largas provas para não haver de faltar a seu senhor, e a seu rei, a quem se deve mais verdade, a quem se ama mais, a quem se teme mais, e de quem mais que dos outros se espera e depende. Mostrará o tempo o que prometo&thinsp;; verá V. Majestade&thinsp;:&thinsp;saberão êstes reinos se Deus me der vida, se V. Majestade ma deixar empregar em seu serviço, que castigado, desprezado, e cheio de trabalhos procedo tam alegre, e tam constante em minha obrigação, como aquele que mais possue favores, e prémios. {{nop}}<noinclude></noinclude> 4sy8uc6397vre0712dibrwc2hj8mn23 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/114 106 223020 563912 497959 2026-09-22T08:44:23Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563912 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|88|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>Espero, já que no estado próspero não pude obrar de sorte que deixasse de parecer digno de castigo, que no estado de minha miséria obre de maneira, que a todos pareça digno de lástima, e perdão. Ocasiões passadas houve, em que muitas vezes ofereci a V. Majestade o sangue, e a vida, que é sua. E assim como aquele que deve lhe não é lícito escusar-se de pagar sua dívida, a quem e a onde lhe manda seu acredor; assim também ao bom vassalo, não é lícito escusar de dar sua vida na parte, e como lhe manda seu senhor. Isto conheço&thinsp;; Isto promulgo. Isto protesto fazer. {{t2|IV}} As ilações mais relevantes que se colhem dêste ''Memorial'' são: 1.ª que um certo Francisco Cardoso fôra assassinado em vindita do adultério cometido com a mulher de um dos assassinos, ou, mais provàvelmente, do condenado a galés, por ter mandado os outros; 2.ª que algum dos réus depusera que D. Francisco Manuel de Melo comprara os assassinos de Francisco Cardoso&thinsp;; 3.ª que o réu se defendeu com testemunhas do maior crédito, provando, ao mesmo tempo, que o assassinado havia sido amante da mulher de um cúmplice já condenado como tal. Estas razões, ainda robustecidas com outras, não impediram que D. Francisco fôsse condenado, na segunda instância, em degrêdo perpétuo para a Índia, e 2:600 cruzados de custas. Não se compreende tamanha iniquidade. Há um<noinclude></noinclude> 194vwp75buvw02yzh2mt8dw3ggs4xdv Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/115 106 223021 563913 497960 2026-09-22T08:44:33Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563913 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|89}}</noinclude>braço omnipotente que obriga os juízes a condenarem, a despeito das quarenta testemunhas que no tribunal se afrontam com o inimigo misterioso do prêso. A vida do obscuro criado de certo fidalgo não podia ser tam preciosa quanto a condenação inculca, já mais se o conjurado na morte dêle é fidalgo de tanto tômo e com tantos serviços assinalados. Não se dispensa, pois, que D. João IV seja o perseguidor mal rebuçado que de dia para dia vai engrossando os ferrolhos que encarceram o seu, já noutros tempos tam fiel amigo e partidário. Vem logo a tradição desvelar o segrêdo, referindo que o rei, concorrendo à mesma dama com D. Francisco, se travara com êle, no escuro de um pátio, e, de espada arrancada, disputára o acesso ao camarim da requestada. Dado que assim fôsse, ¿ que tem que vêr o assassínio de Francisco Cardoso com o recontro nocturno do rei e do fidalgo ? ¿ Desceria D. João IV a solicitar dos magistrados que o desforçassem, colorindo a vingança ? ¿ Revelaria o seu desonesto segrêdo, tendo à real mão outros expedientes de vingança mais sumários ? ¿ Não se teria dito no processo, ou não diria D. Francisco Manuel no ''Memorial'' que razões de suspeita puderam incriminá-lo na morte de Francisco Cardoso ? É escureza que a tradição deixou entenebrecer-se mais com o dobar dos anos. Se alguns genealógicos a puderam desfazer, enfreou-os o respeito, o mêdo, a transigência com certos decoros, sinónimos de certas desonras. Não obstante, como os linhagistas, fechados em seus gabinetes, não se temiam de escrever as volumosas costaneiras que hoje os seus descendentes trocam a romances, ou por um jantar ― veniaga mais digna de indulto ― aconteceu que a história do autor da<noinclude></noinclude> ss7lncxlmm2zyi5jgz3asghu0v0sho6 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/116 106 223022 563914 497964 2026-09-22T08:45:41Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563914 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|90|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>''Carta de Guia de Casados'' ficou escrita minudenciosamente em um dos dez tomos de linhagens, que possuo, e foram escritos por Joseph de Cabedo e Vasconcelos, natural de Setúbal, e Manuel Monis de Castelo-Branco, natural de Vila de Fronteira, ambos contemporâneos de D. Francisco Manuel de Melo. Antes de levantar de todo o capuz do mistério, quero dar a cópia da nota, que segue o meu traslado do ''Memorial'', e que tem pontos de analogia com a do manuscrito do snr. dr. Aires de Campos, conforme a referida informação do snr. Inocêncio Francisco da Silva. Diz assim: {{c|fs=1.15em|ADVERTÊNCIA<ref name=p90>A nota marginal que aparece transcrita em algumas cópias manuscritas da ''Justificação'' com o título de {{sc|Advertência}}, ja tinha sido publicada por Inocêncio em 1859 no ''Dicionário Bibliográfico'' por comunicação do insigne filólogo. Dr. Aires de Campos encontrada em um dos seus manuscritos&thinsp;; Camilo transcreveu o texto dado por Inocêncio o que autenticava a verdade do manuscrito a que dava publicidade, mas ainda assim o meticuloso crítico lembrou-se de julgar essa {{sc|Advertência}} como invenção romanesca de Camilo. Prestage encontrou-a copiada também no ''Tacito português'', inédito de D. Francisco Manuel de Melo conservado na Biblioteca nacional. Camilo não soube utilizar a luz contida na {{sc|Advertência}}, para determinar qual das três ''Condessas de Vila Nova'', que fôram sucessivamente espôsas de D. Gregório, foi a dama objectivo do duelo nas trevas entre D. João IV e D. Francisco Manuel. A morte do criado do Conde Vila</ref>}} ''A sentença de que aqui se faz menção foi dada em uma segunda-feira, 2 de março de 1648, estando prêso''<noinclude>{{lh|align=left|7em}}</noinclude> duhe5mtti5g26hdhnfhqigqgyy2i6he Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/117 106 223023 563915 497965 2026-09-22T08:46:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563915 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|91}}</noinclude>''(D. Francisco) na Tôrre da Cabeça Sêca, perto de 4 anos&thinsp;; e, depois, em virtude dêste Memorial, a terceira instância que se lhe concedeu e outras diligências, estando mais 3 anos prêso, se lhe comutou o degrêdo da Índia para o Brasil, como consta da sua carta declamatória ao príncipe D. Teodósio. <ref>Está impressa no volume intitulado ''Aula Política, Curia militar, Epistola declamatória'', etc., de D. Francisco Manuel de Melo, desde pag. 109 até 132.</ref> ''A morte que se fez foi a um Francisco Cardoso, criado do conde de Vila Nova, D. Gregório&thinsp;; foram enforcados três homens por ela, e um que entregou o morto aos homicidas foi condenado a galés.'' ''Item: dizem que a má vontade com que el-rei D. João IV se mostrou nesta dependência de D. Francisco, procedera de se encontrar com êle uma noite em a porta do pátio das Colunas que está nas casas contíguas ao Limoeiro, em que morava então a condessa de Vila Nova, (senhora de muito bem fazer a quem lho pedia) e porque tinha dado ponto, senha e hora, uma noite, a D. Francisco Manuel, e deu a mesma em tudo a el-rei, que também era opositor, não sabendo um do outro, pretendendo subir a escada ambos ao mesmo tempo, e não querendo ceder qualquer dêles, vieram à contenda das espadas, brigando igualmente com esfôrço, e ventura&thinsp;; cansados, suspenderam a contenda, e, acudindo gente, se retiraram'' <ref follow=p90><p>Nova foi em 1643, depois do duelo&thinsp;: «''Sucedeu depois'' a morte de Francisco Cardoso, criado da Condessa…»</p> <p>Era então ''D. Branca da Silveira'', a 2.ª espôsa do Conde de Vila Nova, que faleceu em 3 de Abril de 1649 (diz a {{sc|Advertência}}&thinsp;: ''a sua lhe sobreveiu a ela daí a pouco tempo).''</p> <p>Infelizmente Camilo não tendo notado estas circunstâncias, entregou-se às cegas ao êrro dos linhagistas Cabedo de Vasconcelos e Monís Castelo-Branco.</p></ref><noinclude>{{lh|7em|align=left}}</noinclude> 7bdgyrogej663u9be1pr695m3snc90f Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/118 106 223024 563916 497977 2026-09-22T08:46:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563916 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|92|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>''ambos por não serem conhecidos&thinsp;; sem embargo que el-rei conheceu a D. Francisco, e D. Francisco não conheceu a el-rei, nem sabia que era opositor àquela empresa.'' ''Sucedeu depois a morte de Francisco Cardoso, criado da condessa, e a sua lhe sobreveio a ela dai a pouco tempo. Na prisão é que D. Francisco soube quem fôra o rival, e bem se mostra a sua inocência nos livros que compôs estando prêso, pondo em todos''&thinsp;—&thinsp;{{sc|quare ?}}''&thinsp;—&thinsp;experimentando a ira do soberano com tanto rigor, não lho merecendo seus relevantes serviços, feitos a êle e à pátria, como refere. Se isto foi assim, mancha é na fama de tal príncipe, e tam heróico, que fórma paralelo com a de el-rei D. Manuel com Duarte Pacheco.'' Esta nota abre alguma luz&thinsp;; mas não nos desassombra a verêda, antes nos embaraça mais na relação que possa travar-se entre o rei, e D. Francisco, e o criado morto, e a condessa falecida pouco tempo depois do assassínio do criado. É agora o ensejo de saír em pleno dia todo o enrêdo desta obscurecida tragédia. {{t2|V}} D. Gregório Taumaturgo de Castelo-Branco, terceiro conde de Vila Nova de Portimão, guarda-mór da pessoa de el-rei D. João IV, e gentil-homem da câmara do príncipe D. Teodósio, casou com sua sobrinha D.<noinclude></noinclude> 0j2xkchlh6g6t7to508tsklrpmoahb5 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/119 106 223026 563918 497980 2026-09-22T08:47:18Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563918 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|93}}</noinclude>Brázia de Vilhena, <ref>Ao aproveitar a preciosa notícia das Linhagens compiladas por Cabedo e Monte Castelo-Branco, Camilo seguiu as interpolações na sucessão das três ''Condessas de Vila Nova&thinsp;;'' começa pela ''segunda'', errando-lhe o nome ''D. Brázia'' de Vilhena, casada depois do regresso do tio a Portugal, de Castela, onde estivera refugiado, em 1640. Passa para a ''primeira'' espôsa D. Guiomar da Silva, envenenada por D. Gregório, pelo que fugira para Espanha&thinsp;; e dá a ''terceira'' espôsa D. Mariana de Alencastre, que casára depois de 1650 e que sobreviveu ao Conde de Vila Nova falecido em 1662, convolando ela a segundas núpcias, Camilo veio a conhecer êste último facto na ''Boémia do Espírito'', mas continuando a considerar esta terceira Condessa, que também se chamou ''Condessa de Figueiró'', o motivo da rivalidade de D. João IV com D. Francisco Manuel de Melo, exercendo sôbre êle a vingança do prepotente. <p>Assim Camilo, depois do envenenamento de D. Guiomar da Silva, põe às costas de D. Gregório mais o envenenamento de D. Mariana de Alencastre, que lhe sobreviveu matrimoniando-se outra vez. </p> <p>Prestage, não se entendendo no melo destas complicações inerentes aos facto que se tornam lendários, deixou intacto o problema capital da Vida de D. Francisco Manuel de Melo.</p></ref> filha e herdeira de D. Luis da Silveira, conde da Sortelha. Ao segundo ano de casado, o conde veio no conhecimento de que os tios não são os melhores maridos das sobrinhas, ou as sobrinhas não amam tanto quanto respeitam os tios. A denúncia dos desvios conjugais da condessa foi-lhe feita pelo seu pagem Francisco Cardoso. O conde fez recolher a espôsa ao mosteiro de Santa Ana, onde saudades e desprezos a mataram, após dois anos de rigorosa reclusão. Casou o conde, em segundas núpcias, com D. Guiomar da Silva, filha de D. Francisco de Faro, conde de Odemira, e de D. Mariana da Silveira. Esta, bem que não fôsse sobrinha do marido, resvalou da inteireza dos bons costumes da casa brigantina<noinclude>{{lh|align=left|7em}}</noinclude> kd8zi43p2nlnyrhsh0wxkm3ndqbk7hj Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/120 106 223027 563919 497982 2026-09-22T08:47:34Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563919 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|94|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>donde derivava, e deu-se a uns funestos amores que Francisco Cardoso espiava com o zêlo de leal servo de seu infeliz amo. Patente o delito, D. Gregório Taumaturgo, que, ao envés do seu apelido, não fazia o milagre de achar mulher honrada; rompeu na ruim deliberação de matar a sua, com as necessárias cautelas. Assim o fez, mediante peçonha, que a dilacerou em poucas horas de agonia. Rumorejou-se, ao tempo, naquela inopinada morte, e atribuiu-se a mêdo dos parentes de sua mulher a saída do conde para Castela, donde se repatriou em 1640. Casou o conde, terceira vez, com D. Mariana de Alencastre, filha de D. Lourenço de Alencastre, comendador de Coruche, e de Inês de Noronha. Foi D. Mariana de peregrina formosura, e a mais cantada dos poetas fidalgos daquele tempo. D. Gregório não estava já em anos de poesia nem de amores, para tanto insistir em terceira experiência. Frizava-lhe já menos mal o epigrama que D. Francisco Manuel de Melo lhe fizera a êle ou a outro de análogo sestro&thinsp;: <poem> ''Semprônio se descasou ''de Lésbia, dela tal ser&thinsp;; ''porém, nada escarmentou&thinsp;: ''tomou Lívia por mulher, ''sôbre ela logo gritou. ''Júlio, o sogro, acode à filha, ''bradam todos; e um doutor ''quer pôr em paz a quadrilha, ''dizendo que era o sabor ''que se tomou da vazilha.'' <ref>''Obras metricas'', pag. 234.</ref> </poem>'' {{nop}}<noinclude> {{lh|align=left|7em}}</noinclude> gwjppto6hd64vjrtpyfvsg7fyj9hp67 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/121 106 223028 563920 498000 2026-09-22T08:47:44Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563920 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|95}}</noinclude>Esta terceira condessa parecia querer que a memória das suas antecessoras fôsse absolvida, ou então vingá-las da cruêza do marido. Entre vários amadores, aceitou os requebros do rei, por que era D. João IV, e os de D. Francisco Manuel de Melo, por que era gentil, môço de trinta anos, corajoso e poeta, o primeiro e mais galã de quantos então abrilhantavam os saraus da primeira fidalguia. Não é verdade que a condessa de Vila Nova de Portimão désse hora e senha ao rei e ao fidalgo conjuntamente. A hora era de D. João IV&thinsp;; mas D. Francisco, cioso e desconfiado, espreitava um rival quem quer que fôsse. Estava êle acantoado no pátio do palácio, espaçoso vestibulo, que se chamava o «Pátio das colunas» perto do Limoeiro, no terreno onde, mais de século e meio depois, o secretário da Regência, Salter de Mendonça, edificou o seu palácio, sôbre as ruínas do outro, arrasado pelo terramoto de 1755. D. João IV entrou ao escuro recinto&thinsp;; e, quando subia a espaçosa escada, deu tento de um vulto, e do tinir da espada no talabarte. Arrancou da sua sem proferir palavra&thinsp;; mas conheceu o adversário com quem ia havê-las, por que D. Francisco perguntou ao desconhecido quem era. O rei tinha bem de memória a voz do homem com quem, a miúdo, e aprazivelmente praticava. Brigaram algum tempo, ferindo-se ligeiramente, e cessaram de esgrimir, quando no patamar da escada lampejou o clarão de uma luz, com que a sobressaltada condessa acudia ao tilintar dos ferros. Então, fugiram ambos a um tempo, e cada um por sua betêsga mais à mão. O conflito passou ignorado do marido para não<noinclude>{{esquerda|8}}</noinclude> 1bd6z47rw8wdms2i9zh80c3xc3ejj7k Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/122 106 223029 563921 498001 2026-09-22T08:47:55Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563921 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|96|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>desmentir o provérbio, e de tôda a gente, exceptuados os dois paladinos&thinsp;; mas só um dêstes possuía o trama completo da aventura. No entanto, D. Francisco Manuel, acirrado pelo ciúme, descurou as vigilâncias com que se houvera até à certeza de ser atraiçoado. As assiduidades descautelosas expuseram-o à espionagem de Francisco Cardoso, que, àquele tempo, havia sido galardoado com a mordomia da casa. Teve o conde aviso da perfídia, e interrogou a condessa com a severidade prenúncia de alguma catástrofe. D. Mariana de Alencastre, ameaçada na vida, afastou de si D. Francisco Manuel, revelando-lhe que Francisco Cardoso os espreitava e deletara ao conde. Êste Cardoso andava de amores adulterinos com uma Catarina de Enxobregas, mulher de um arrendatário de foros da casa de Vila Nova, chamado Marco Ribeiro. Sabedor de sua desonra, êste marido peitou três criados que mataram a ferro o mordomo do conde. Os assassinos foram presos&thinsp;; e, postos a tormento, declararam quem os mandara. Não obstante, o conde, comunicando o seu terceiro revés a el-rei, atribuiu a morte do seu fiel criado e amigo a D. Francisco Manuel, por sugestão da condessa, cujo crime o mordomo assassinado lhe denunciara. O rei não impugnou a hipótese, antes a robusteceu consentindo no mesmo alvitre. Postos novamente a torturas os assassinos, a dôr, e a insinuação dos inquiridores, arrancaram-lhes a calúnia que envolvia D. Francisco Manuel de Melo na cumplicidade. Prêso, processado e condenado, o inocente estava irremediàvelmente perdido. Todavia, o conde, descontente com vingança tam apoucada em comparação das que já tinha de vêze,<noinclude></noinclude> 1gilwys54gc75ylgm7w9l46plu6pt1f Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/123 106 223030 563922 498002 2026-09-22T08:48:05Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563922 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|97}}</noinclude>como guardasse ainda algum resíduo do veneno que matára D. Guiomar da Silva, ministrou-o a D. Mariana de Alencastre com igual êxito, vindo assim a condessa a morrer pouco tempo depois do denunciante. Não podemos já desejar mais claridade no mistério que tanto deu que meditar e conjecturar no decurso de quási dous séculos e meio. Traslado-o pouco menos de textualmente copiado do códice genealógico de Cabêdo, que diz ter conhecido todos ou quási todos os figurantes da horrenda história, nomeando por seus nomes até os três matadores que morreram na forca, depois de haverem dito no oratório que não conheciam de nome nem de vista D. Francisco Manuel de Melo. Êste desgraçado não esteve prêso sete ou oito anos, na Tôrre Vélha, como dizem os seus biógrafos&thinsp;; mas sim dôze como êle mesmo diz em uma de suas cartas&thinsp;: «Nos primeiros seis anos da minha prisão escrevi vinte e duas mil e seiscentas cartas. ¿ E que será hoje, ''sendo dôze'' os de prêso, seis os de desterrado, e muitos os de desditoso ?» <ref>Carta 1.ª do autor aos leitores&thinsp;—&thinsp;Cartas.</ref> Sofreu penúrias no cárcere, por que foi esbulhado de suas rendas. Provam a sua extrema pobreza as seguintes passagens da correspondência&thinsp;: «Sinto só o vêr-me em maneira que nem para estar aqui nem para sair daqui vejo meios&thinsp;; por que, faltando-me os com que me hei-de sustentar, não tenho sagrado a que apele, nem na paciência própria… Sirva-se V. M. me mandar uma manta de lenha, que com essa incerteza estou desaviadíssimo para o inverno&thinsp;; e, segundo isto vai, levo geito de lhe queimar aqui todo o pinhal… Os livros folgara<noinclude>{{lh|align=left|7em}}</noinclude> aeon6jlejip0mq9mh0ume01nko20k0i Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/124 106 223031 563923 498043 2026-09-22T08:49:29Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563923 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|98|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>muito de comprar, quando os houvesse&thinsp;; mas estou mais para vender êstes que para comprar outros». <ref>Carta XCIII.</ref> As justiças zombavam dêle como de todos os encarcerados&thinsp;; mas, com êste prêso, o escárnio era mais de quebrar ânimo e esperanças, por que era D. João IV quem escarnecia&thinsp;: «Agora me mandaram crêr que me querem soltar. O mesmo me prometeram a semana passada. Já não me entendo com palavras de príncipes. Pode ser que com a semana se passe a memória de promessa». <ref>Carta XXXI, da 3.ª Centúria.</ref> Ao fim de dôze anos, D. Francisco Manuel de Melo saiu da célula penitenciária da Tôrre Velha para o destêrro, não a cumprir sentença lavrada no infame processo, senão a dessedentar a rancorosa sêde do rei. A pena de degrêdo para a África era assim comutada, sob color de indulto. Saiu a vítima do inexorável devasso para o Brasil em 1655. No ano seguinte, morreu cá o rei, e desde logo o desterrado obteve licença de voltar á pátria. <ref name=p98> Camilo supõe que o regresso de D. Francisco Manuel do degrêdo do Brasil foi porque ''obteve licença de voltar à pátria'', depois da morte de D. João IV em 1656. Sob a regência da rainha D. Luisa de Gusmão, que instigava o marido, continuou o degrêdo de D. Francisco Manuel de Melo, que por um impulso natural ''quebrantou o degrêdo'' em Março de 1658 e veio para Portugal, Só pela aclamação de D. Afonso VI, o seu ministro Castelo Melhor, por êsse título mandou passar-se-lhe alvará de reabilitação e ''perdão de quebrantamento do dengrêdo'', em data de 30 de Julho de 1662, Tivemos a fortuna de achar êste documento na Chancelaria da Ordem de Cristo, que escapára às insistentes pesquizas de Prestage. <p>Por esta reabilitação social é que se explíca a missão de que foi encarregado D. Francisco Manuel em 1663 de</ref> {{nop}}<noinclude>{{lh|7em|align=left}}</noinclude> t80w03f4qcx4mqy7d8lpt9tq9qlfvrh Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/125 106 223032 563924 498044 2026-09-22T08:49:50Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563924 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|99}}</noinclude>Não tinha êle, porém, na pátria saüdades ou afectos que docemente lhe acenassem. O melhor da existência, a pujança da mocidade devorára-lha, desde os trinta e três até aos quarenta e cinco anos, a amargura infinita da prisão, aquele inferno da alma inocente posta em juízo no banco de três assassinos, e por sôbre tudo isto a compaixão e saüdade de Mariana de Alencastre, orta violentamente por sua causa. Divagou D. Francisco pela Europa, e assentou residência em Roma, onde permaneceu sete anos. Aí começou a publicação de suas obras em nova e esmerada edição&thinsp;; mas, escasseado de recursos e protectores, levantou mão desta consoladora ocupação. Pressentindo o avizinhar da morte, deu-lhe o coração rebates de saüdade de Portugal, como quem se acingia ao desejo de haver na terra da pátria a bastante para lhe agasalhar, em derradeira hospedagem, o coração anavalhado de angústias. Chegou a Portugal em fins de 1665&thinsp;; escondeu-se em ermo não bem averiguado aí por perto da Tôrre onde estivera prêso, e lá faleceu em 13 de outubro de 1666 aos 55 de idade, tendo nascido a 23 de novembro de 1611. «Foi sepultado em S. José de Ribamar, donde provàvelmente a civilização e o progresso já atiraram os seus ossos, ou para o Tejo, que fica vizinho, ou para <ref follow=p98>ir negociar o casamento de D. Afonso VI. Esta parte da sua vida, que para Camilo era apenas uma divagação pela Europa, tendo saído de Roma para Paris por meados de 1665 (não assentou residência em Roma por sete anos), vindo à falecer em Lisboa em 13 de Outubro de 1666 com 58 anos. (Corrige Camilo, por só agora se saber que nascera eu 1608, pelo assento descoberto por Prestage.)</ref><noinclude>{{lh|7em|align=left}}</noinclude> fq2ykn32nzh7ww59g6y884i3kf2hb2o Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/126 106 223033 563925 498045 2026-09-22T08:49:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563925 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|100|PREFÁCIO BIOGRÁFICO|}}</noinclude>algum depósito de imundícies que sirvam para adubar terras de pão pelo vale de Algés, ou da Ribeira de Jamor». <ref>O snr. A. Herculano, ''Panorama'' citado.</ref> D. Francisco Manuel de Melo morreu solteiro&thinsp;; deixou, porém, um filho natural, de nome D. Jorge, que pereceu, oito anos depois de seu pai, na batalha de Senef. Diz Joseph de Cabedo que a mãe de D. Jorge era uma senhora do Pôrto, que vivera com D. Francisco em uma quinta do seu gentil namorado à margem direita do Douro, em um sítio chamado ''Entre-ambos-os-rios''. Desta quinta falou, em dias mais felizes, o poeta a D. João IV em uma graciosa petição rimada, que o leitor encontra a pag. 209 da ''Viola de Tália'', edição de 1664. Pelo que toca a D. Gregório, conde de Vila Nova de Portimão, há a certeza de que não casou com quarta mulher. Deu-se a menos arriscados amores, amistando-se com Helena da Cunha, sua criada, de quem houve um filho, que também se chamou D. Gregório de Castelo-Branco, e herdou de seu pai uma comenda de Cristo, e o restante que podia herdar. O título extinguiu-se com a pessoa daquele 4.º conde que eu respeito na sua infelicidade, e até no desabrimento do seu desfôrço&thinsp;; mas reprovo-lhe a covardia da vingança, que tirou do amante da espôsa assassinada, imputando-lhe com infames cavilações a morte do mordomo. Como quer que fôsse, se a algum homem do século XVII preluziram as teorias de Alexandre Dumas, nisto de matar as descendentes de Nod, foi a D. {{hífen|Gre|Gregório}}<noinclude>{{lh|7em|align=left}}</noinclude> 4ldpwi0azxfcnwn73sjc3cix4fg1g13 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/127 106 223035 563927 498130 2026-09-22T08:51:21Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563927 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||PREFÁCIO BIOGRÁFICO|101}}</noinclude>{{hífen-fim|gório|Gregório}}, que, por amor desta milagrosa previsão, foi talvez predestinadamente chamado «Taumaturgo». Não sei quando êle morreu, nem se morreu na desconfiança de que o seu rei o desonrára, fazendo-lhe do pátio sala de esgrima nocturna, e bordel da alcova nupcial. O duque de Bragança não era esquivo destas gratificações aos que lhe tinham cingido o diadêma, a despeito da covardia, que a história abjecta chamou prudência. Êste pecado do adultério é uma seráfica virtude comparado ao estigma de parricida que a crítica, em dias de mais luz e hombridade, gravará na fronte do pai do príncipe D. Teodósio, o querido da fidalguia, do exército e do povo. Ora, daquele corpo e daquela alma do algoz coroado de D. Francisco Manuel de Melo, saíram Afonso VI e Pedro II, e o mais que veio e vier, até que Deus se amercie dêste globo com um segundo dilúvio, se é que a casa de Bragança não tem de entrar em nova arca, por causa da espécie zoológica.<noinclude></noinclude> kpn50wqi3mu8fli8czn0sqoexqf6mp5 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/129 106 223037 563929 498133 2026-09-22T08:51:53Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563929 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||ADVERTÊNCIA|103}}</noinclude>{{hífen-fim|gunda|segunda}} edição, era já falecido ''Paulo'', e sucedera na ofieina seu filho ''António''. Escolhi das várias edições a melhormente ortografada ao uso moderno, e desbastei nessa mesma o que me pareceu destoar das outras emendas bem aconselhadas. Como a doutrina dêste livrinho é aplicada e bem cabida, em geral, nos costumes de hoje em dia, entendi que o devia despir dos trajos antigos, e pelo tanto dissaboridos para quem se não regosija em comparações filológicas. ''A Carta de Guia'' saiu de um fôlego da abundante veia do autor. Não tem paragens, nem divisões de matérias, bem que as haja abundantíssimas. Por isso reparti o assunto geral em capítulos, cada um com seu título, podendo assim o leitor achar no ''Índice'' a matéria que deseja relêr ou consultar. Pode haver alguém que por muito ''amartelado de antiguidade'', na frase de D. Francisco Manuel de Melo, me acoime de irreverência ao grande escritor, à conta destas superfetações em obra que dois séculos respeitaram na sua primitiva maneira. A minha veneração aos antigos é menos acrizolada, se as suas obras merecem andar na circulação da renovada economia social. Raras são as que o merecem, e dessas poucas haverá que a geração nova perfilhe, se lhas não amaneirarmos, em bôa consonância com o gôsto, por maneira que a instrução senão descaze do recreio. Uns livros são monumentos literários, padrões de um ciclo do espírito humano, marcos que apontam para o passado, e não preluziram o itinerário do futuro. Êsses, a meu juízo, devem subsistir inviolados, íntegros, e intactos das renovações que lhes não dariam cunho de moeda correntia. {{nop}}<noinclude></noinclude> s6yw6b1zofxthqkptz92j2jfs1d26xv Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/130 106 223038 563930 498134 2026-09-22T08:52:04Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563930 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|104|ADVERTÊNCIA|}}</noinclude>Outros livros, tirados da sciência e experiência da vida, sempre nova e vélha a um tempo, devem amoldar-se às evoluções estéticas, quanto couber no possível, sem desfiguração do substancial. A ''Carta de Guia'' pertence à pequena colecção dêsses livros de filosofia, que nunca descáem de sua virilidade, e vão de par, pelos séculos dentro, com as renovadas gerações, reflorindo perpétua mocidade. Alterar a locução arrevezada e semi-bárbara do ''Cancioneiro do colégio dos Nobres'' seria destruir êsse monumento que é, assim qual está, o deleite dos que professam a sciência filológica. Guardar intacta a prosódia incorrecta dos livros acondicionados a recrearem e instruirem sempre, não me parece razão que mereça refutada. Fiz o que se me figurou razoável e útil a quem lêr esta nova edição da ''Carta de Guia de Casados''.<noinclude></noinclude> 0pifxpm0gpb4co4nijly4nfq8psiqr8 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/131 106 223039 563931 498196 2026-09-22T08:52:18Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563931 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>{{dhr|2}} {{alinhamento deslocado|''A D. FRANCISCO DE MELO, Alcaide Mór de Lamego, Comendador de S. Pedro da Veiga de Lira, Trinchante de S. Majestade.''}} {{dhr|3}} ''Primo. Para haver no mundo uma dedicatória verdadeira, assim havia de ser feita ao descuido. Agora me avisa António Craesbeeck que na sua oficina está impressa a minha Carta de Guia de Casados&thinsp;; que ou a dedique eu por mim mesmo, ou lhe deixe fazer dela convite a quem a estime, e lha agradeça. Mas eu, que não estou já para provar ventura com bafos de grandes, nem ouso mandar de novo o meu nome às aventuras (porque enfim o bafo é vento, e as aventuras soem ser desastres) neste pouco espaço que me deixou cuidar no que faria, o pedidor da resposta, nada soube fazer mais atinado, que o ir-me lembrar de vós, e da minha obrigação, para vos oferecer êste livrinho. Não julgaria que me ficais devendo muito&thinsp;; e só para que saibais qual é o empenho, desenrolai o presente. Fazei conta que o que vos haveria de ir dizendo aos poucos, quando Deus vos puser neste estado,''<noinclude></noinclude> avssy5hngvnj0rvd4fxz9aibvg8gqv7 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/132 106 223040 563932 498197 2026-09-22T08:52:27Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563932 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>''vô-lo tenho aqui dito por junto&thinsp;; porque eu não sou nem quero ser daqueles, que se curam a si com diferentes mèzinhas que aos outros. Escrevi a um amigo estas observações. Confiadamente vos servi delas a seu tempo&thinsp;; porque como a amizade é o maior parentesco, o parentesco deve ser a maior amizade. Vai debaixo de condição, que não haveis de amparar, nem defender o livro&thinsp;; porque se êle não corresse ofendido, e desamparado, até eu o não teria por meu. Usai antes, se fôr (que sim será) necessário, daquela minha resposta a um que me tachava de que fizesse muitos, e maus livros&thinsp;: Senhor (lhe disse eu) deixai-me fazer muitos, até que faça um que vos contente. Dizei-lhe isto, e Deus vos guarde. {{block right|align=center|''Vosso primo, <br>{{dhr|1}} D. Francisco Manuel.''}}<noinclude></noinclude> 7l0r0ij8camc32r8k3jio8o9538yop4 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/133 106 223041 563933 505388 2026-09-22T08:52:38Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563933 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>[[File:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly, ed. Lello & Irmão (Ornamento 2).png|center|450px]] {{center|{{serifa|'''AOS LEITORES DESTA CARTA'''}}|fs=125%}} {{dhr|2}} {{lh|2.5em}} {{dhr|2}} Não é outra coisa a filosofia que uma consideração universal de tôdas as cousas, pela qual se alcança o conhecimento delas. Divide-se em natural, e moral. A natural averigua as qualidades dos céus, elementos, e criaturas. A moral aparelha a ordem do trato humano. Também esta moral se divide em três partes, que chamam ética, económica, e política. A ética cuida dos costumes do homem. A económica tem por fim o regimento das casas, e famílias. A política entende sôbre o govêrno das cidades, reinos, e impérios&thinsp;: mas de tal maneira, que a económica requer política, e a política económica&thinsp;; porque o reino é casa grande, e a casa reino pequemo&thinsp;; e a ética necessita da política, e da económica&thinsp;; porque o homem é um mundo inteiro. Mas agora, falando sòmente da filosofia económica, que é a que pertence a êste tratado, digo que esta tal<noinclude></noinclude> 2qohpoj69rtxwdqe3da193zb2e8lk8m Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/134 106 223042 563934 498462 2026-09-22T08:52:48Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563934 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|108|AOS LEITORES DESTA CARTA|}}</noinclude>filosofia compreende tôdas as condições de gente de que consta a república : grande, meã, e pequena : porém olha com maior intenção para os grandes ; porque a segunda, e terceira qualidade de homens não requerem tanto estudo para sua conservação. Estende-se também a todos os estados de vida : Casados, solteiros, e viúvos ; mas da mesma maneira é mais própria dos casados que dos solteiros e viúvos. Não porque êstes dois modos de vida deixem de necessitar de regras para seu bom regimento ; porém porque são estados em que poucos, e pouco tempo se detêm ; constam sempre de limitadas famílias, e por isso de menos ocasiões ; não pedem todo aquele desvêlo, cuidado, e vigilância, que convém ao casado para sustentar sua casa em honra, e sem perigo. O principal estudo que aos casados pertence para conseguirem êsse fim, é aquele que lhes dá o modo justo de se haverem, e para viverem com suas mulheres ; porque dêste acêrto, ou êrro, procedem todos os erros, ou acertos de um varão, e de uma família. D. Francisco, autor dêste papel, sendo rogado de um seu grande amigo que entendia casar-se, para que lhe dêsse alguns bons conselhos, e avisos àcêrca dêste estado, escreveu êste discurso (como êle mesmo afirma) sem algum artifício ; que é bôa qualidade para dar crédito ao que se aconselha. Foi seu ânimo persuadir aos casados a paz a concórdia com que devem ordenar sua vida ; encomendar a estimação das mulheres próprias ; inculcar os meios por onde o amor se conserva, e se aumenta a opinião. Êste livro, correndo manuscrito, quis ser de algumas pessoas caluniado de severo contra a liberdade das mulheres ; e foi esta a principal razão de se {{hífen|comuni|comunicar}}<noinclude></noinclude> 4sefen7tm55xvex8eg4cm4npp49c9y3 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/135 106 223043 563936 498474 2026-09-22T08:53:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563936 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||AOS LEITORES DESTA CARTA|109}}</noinclude>{{hífen-fim|car|comunicar}} agora, a todos, para que se veja a pouca causa que o livro deu ao juízo que dêle se tinha feito. O que bem se pode conhecer conferindo sua doutrina com o que escrevem todos os que trataram esta matéria. E se porventura disser alguém que o entendimento dos homens obra aqui apaixonado por sua jurisdição ; veja-se aquele excelente tratado que escreveu da nobreza virtuosa, a condessa de Aranda, D. Luisa Maria de Padilha, e publicou Fr. Pedro Henrique Pastor ; que lojo se achará como nem por ser escrito por mulher se subornou da fragilidade de sua condição, para que deixasse de assentar às mulheres com tôda a aspereza os preceitos necessários. A natureza mostra, e o confirma a experiência, que as mêzinhas de uso mais dificultoso são aquelas de virtude mais eficaz. A arte, a que os médicos chamam Precautoria, sem dúvida é moléstia, se se olha a quanto obriga ; mas, se ao muito de que preserva, sem dúvida é suavíssima. O ânimo de D. Francisco bem prova, que não foi induzir a novos cuidados, e desconfianças, mas antes mostrar os caminhos para sair dêles, e fugir delas. Entre os seus livros, pode ser que nenhum seja mais útil que o presente. E nenhum de-certo é mais fácil ; ou que a matéria pedisse um descansado estilo, ou qua êle cansado de ser repreendido de misterioso (e talvez de escuro) quisesse escrever para todos ; pois para todos escrevia, senão para si mesmo. Seja-lhe contudo desculpa (senão louvor) haver sido seu fim em todos seus escritos acomodar sempre o estilo com a matéria : cousa não de todos guardada, e ao menos concedida. Porque na história de Catalunha mostrou verdadeiramente eloqüência histórica. No ''Eco Político'' levantou mais a pena, porque o pedia a política. No ''Maior {{hífen|pe|pequeno}}<noinclude></noinclude> esu8lqbhyu4evyknmno87use4pmqlvc Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/136 106 223044 563937 498476 2026-09-22T08:53:12Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563937 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|110|AOS LEITORES DESTA CARTA|}}</noinclude>''{{hífen-fim|queno|pequeno}}'', e em os ''Fénix'' escreveu aforístico, e lacónico, porque as matérias morais, e místicas que compreendem, fôssem pela brevidade apetecidas. Nas musas, grave ; por ser êsse o melhor método entre o vulgar e o difícil. No ''Panteon'' culto ; porque à matéria trágica se assina o mais alto dos estilos. O mesmo observou nos livros, e tratados que compôs antes, e depois dos referidos. O próprio guarda no presente, que é o primeiro dos livros portugueses, e que bem mostra não ser menos digno de louvor pela propriedade com que escreve sua língua, que pela elegância com que nas passadas obras mostrou haver feito sua a castelhana. Seguirão os mais em português, que fico preparando enquanto gastardes o tempo em castigar, ou estimar êste, que a todos serve, a todos ofereço. {{right|{{sc|O impressor}}.}}<noinclude></noinclude> 9wzn3z2pq47s9xoiswqnzy5lcvp91qa Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/137 106 223045 563938 505394 2026-09-22T08:53:27Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563938 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>[[File:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly (page 11 crop).jpg|center|450px]] {{c|{{serifa|Carta de Guia de Casados}}|fs=225%}} {{lh|3em}} {{c|{{serifa|'''PREÂMBULO'''}}|fs=120%}} {{dhr|2}} Em meio estou, senhor N., daquelas duas cousas mais poderosas com os homens : Amor, e obediência. Amo a v. m. Manda-me v. m. E suposto que me manda uma cousa bem dificultosa ; a obediência, e o amor, que já fizeram impossíveis não se negarão hoje a vencer dificuldades. Diz-me v. m. que se casa, e que lhe dê eu, para se governar nesse seu novo estado, alguns bons conselhos. Esta é uma das cousas de que eu cuido que falta mais quem a peça, que quem a dê. Pois por certo que aquele que deseja bons conselhos, já parece que dêles não necessita ; porque é tam grande prudência pedir conselho, que do homem que o sabe pedir, crerei que nenhum lhe fará falta. O primeiro que aconselharei a v. m. será que se não fie em nada só do meu voto : pois suposto que em mim<noinclude>{{esquerda|9}}</noinclude> bmigj4r4d90dy4v4miegz8qclc3y621 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/138 106 223046 563995 498468 2026-09-22T09:11:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563995 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|112|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>possa haver vontade para o bem servir, pode ser que nem por isso haja entendimento para o bem aconselhar ; porque entendimento, e vontade ainda se ajuntam menos vezes, que a honra, e o proveito : e ela, com que seja potência poderosa, nem sempre guia ao acêrto, se lhe faltam olhos de suficiência. Grandes cousas deixou escrito a antiguidade, para advertência dos casados. Muitas são, e graves são ; a que também os modernos acrescentaram outras, ou nos puseram em outras palavras as antigas. Mas nós aqui, senhor N., nos havemos de entender ambos em prática como do lar, a cujo abrigo, nestas longas noites de janeiro, vou escrevendo a v. m. estas regras em estilo alegre, e fácil, qual requer o estado, e idade de v. m., bem que tam diverso do meu humor, e de minha fortuna. Darão licença os Sénecas, Aristóteles, Plutarcos, e Platões ; nem ficaremos mal com as Pórcias, Casandras, Zenóbias e Lucrécias ; tudo tam desenrolado nestas doutrinas ; porque sem seus ditos dêles, e sem seus feitos delas, espero nos faça Deus mercê de que atinemos com o que v. m. deseja de ouvir, e eu procuro dizer-lhe. Não sou já mancebo. Criei-me em Côrtes ; andei por êsse mundo : atentava para as cousas ; guardava-as na memória. Vi, li, ouvi. Êstes serão os textos, êstes os livros, que citarei a v. m., neste papel ; onde juntas algumas histórias, que me fôrem lembrando, pode mui bem ser não sejam agora menos úteis que essa máquina de gregos, e romanos, de que os que chamamos doutos, para cada cousa nos fazem prato, que às vezes nos enfastia. Ora assentamos que qualquer mudança causa estranheza. Mudar de umas casas a outras é em alguma<noinclude></noinclude> p4gqtul3p1tpk7au27pyzvszg33tsrh Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/139 106 223047 563996 498470 2026-09-22T09:11:28Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563996 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|113}}</noinclude>maneira esquivo. Segue-se logo que não se mudará a vida sem algum receio. Porque se perca, imagine v. m. que para êste estado nasceu, e o criaram seus pais. Êste foi o que v. m. sabia o estava esperando. Êste lhe é próprio, o outro alheio. Ninguém se queixa de haver chegado ao fim de seu caminho. Considere que aqui não padece alguma fôrça sua liberdade ; antes, assim como aquele que sobe açodado por uma escada ingreme, quantos mais são os degraus, mais deseja de achar um mainel em que descanse ; assim também, subindo o homem pela escada da vida, quantos mais são os anos, quanto mais soltamente os vai vivendo, tanto lhe é mais necessário o repouso de um honrado casamento ; que já por essa razão lhe chamamos estado, por ser não só fim, mas também descanso. Tem v. m. subido, se não muitos degraus, digo, se não tem vivido muitos anos, vivido tem aqueles que bastem ; e ainda mal porque a tal curso, que bem pode já dar o descanso a que chega, por chegado ao melhor tempo. Paga o filho a seu pai, em se casar, aqueles benefícios que recebeu dêle. Pois se seu pai não casára, o filho não fôra. Vão assim os homens contribuindo uns aos outros ; e todos à memória dos que lhes deram ser, a que, depois de Deus, somos mais obrigados que a tudo o mais. {{nop}}<noinclude></noinclude> ngo0ajlbw3h81i63bdf7n1s39tspex2 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/140 106 223048 563997 498621 2026-09-22T09:11:36Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563997 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|114|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}} {{dhr|2}}</noinclude><section begin="Vantagem do casamento"/>{{t2|I}} {{center|'''Vantagem do casamento'''}} Espantam-se os moços com o que ouvem dizer do casamento de ordinário aos mal casados, porque, senhor, há v. m. de saber, que muito mais certo é que o mantimento bom se converta no mau humor que em nós acha, do que converter o mau humor nessa sua bôa virtude. Parece-lhes aos moços intolerável a carga do matrimónio. É, senhor, pesadíssima para os que a não sabem levar ; para os que sabem, é ligeira. Uma arrôba de ferro ao ombro carrega um homem, que com o fácil artifício de duas rodas pode levar um quintal. Não excede o pêso do casamento nossas fôrças, falta-lhe as mais das vezes nossa prudência para que o sustente ; e daí vem que nos pareça grande. ¿ Quere v. m. vêr quam leve é a carga dêste modo de vida que toma ? meça-a com o pêso dessa outra vida que deixa. Ponha, senhor N., em balança a inquietação passada, os perigos, os desgostos, a desordem dos afectos, aquele temer tudo, não fiar de nada, o queixume que dói, a vingança que arrisca, a ruim lei que desespera, os ciúmes que abrasam, os amores que consomem, a honra em ocasião, a saúde diminuida, a vida arriscada, e o que é mais, a vida sempre queixosa. Ora alvíçaras, senhor N., que já lá vai tudo isto. Em verdade, que quando o casamento não {{hífen|trou|trouxera}}<noinclude></noinclude> c9vseexchz5h9lmtscrgmwt5gwx9a8p Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/141 106 223049 563998 498598 2026-09-22T09:11:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563998 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|115}}</noinclude>{{hífen-fim|xera|trouxera}} outro algum bem mais que livrar de tantos males, justamente merecia o nome de santa e doce vida. Pois vejamos o que se lhe dá a um casado, a trôco dessa liberdade, que êles tanto alegam que deixam. Dá se-lhe outra : entrega-se-lhe a mulher com a liberdade, com a vontade, com a fazenda, com o cuidado, com a obediência, com a vida, com a alma. ¿ Quem pesará o que deixa com o que recebe, que logo não conheça os ganhos desta troca ?<section end="Vantagem do casamento"/> <section begin="A proporção de casamento"/>{{t2|II}} {{center|'''A proporção de casamento'''}} Uma das cousas que mais assegurar podem a futura felicidade dos casados, é a proporção do casamento. A desigualdade no sangue, nas idades, na fazenda, causa contradição ; a contradição discórdia. E eis aqui os trabalhos por onde vem. Perde-se a paz, e a vida é inferno. Para a satisfação dos pais convém muito a proporção do sangue, para o proveito dos filhos a da fazenda, para o gôsto dos casados a das idades. Não porém que seja preciso uma conformidade, de dia por dia, entre o marido, e mulher ; mas que não seja excessiva a vantagem de um a outro. Deve ser esta vantagem, quando a haja, sempre da parte do marido, em tudo à mulher superior. E quando em tudo sejam iguais, essa é a suma felicidade do casamento. Dizia um nosso grande cortesão, que havia três<noinclude></noinclude> 36dymxyi78yow06w5r36f7lkd72fpra Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/142 106 223050 563999 498594 2026-09-22T09:12:55Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563999 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|116|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>castas de casamento no mundo : casamento de Deus, casamento do diabo, casamento da morte. De Deus, o do mancebo com a môça. Do diabo, o da vélha com o mancebo. Da morte, o da môça com o vélho. Êle certo tinha razão, porque os casados moços podem viver com alegria. As vélhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia. Os vélhos casados com as môças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias. Mas porque estas cousas são muito gerais, e ainda os incapazes tem delas o conhecimento que aos entendidos lhes sobeja ; é tempo de passar a alguns mais particulares avisos. Senhor, saiba v. m. que à sua alma se acrescenta outra alma de novo ; à sua obrigação se ajunta outra obrigação. Assim devem crescer seus cuidados, e seus respeitos. E da mesma sorte que, se a um homem que possuisse uma herdade, a qual cultivasse, lhe fôsse deixada outra de novo, para o mesmo efeito ; êste tal homem, sem diminuir em sua alegria, era fôrça que na diligência se avantajasse, por abranger com seu trabalho a ambas aquelas suas fazendas ; nem mais, nem menos deve o casado multiplicar o tento, e a fadiga (sem que por isso se entristeça) por não faltar ao novo cargo, que tomou, e lhe entregaram, com a mulher que lhe deram ; não para que a arriscasse, e perdesse, (e a si mesmo com ela) mas para que com maior cómodo e descanso pudesse passar com ela a vida.<section end="A proporção do casamento"/><noinclude></noinclude> sxfiiygdqq6f89fr8hc89w4zczzhvin Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/143 106 223051 564000 498623 2026-09-22T09:13:03Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564000 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|117}} {{dhr|2}}</noinclude><section begin="O amor"/>{{t2|III}} {{center|'''O amor'''}} Provemos a vêr se será possível dar alguma regra ao amor ; ao amor, que soe ser a principal causa de fazer o casados mal casados. Umas vezes porque falta, e outras porque sobeja. Armemos-lhe, se quer, as rêdes ; caia êle se quiser ; e o mais certo será que avôe, e fuja delas ; porque quiçá por isso o pintaram com asas. Ame-se a mulher, mas de tal sorte que se não perca por ela seu marido. Aquele amor cego fique para as damas, e para as mulheres o amor com vista. Ou cure os olhos que tem, ou os peça emprestados ao entendimento dêsses que lhe sobejam. Digo, perder pelo mulher : perder por ela seu marido a dignidade, e compostura de homem, a trôco de lhe não contradizer sua vontade, quando é justo que lha contradiga. Saiba-se, e tema-se, que também há narcisos do amor alheio, como de seu próprio. Gabavam muito certos Cardeais ao Papa Pio V, um seu criado, que êle mais favorecia. Respondeu-lhes : Bom é, mas nunca me contradiz. Tam longe está de ser desamor, que antes é perfeição do amor o saber encontrar a vontade de quem se ama, quando ela não deve de ser seguida. Há alguns, senhor N., de tam pouco juízo, que fazem ostentação de seu próprio cativeiro. Igual {{hífen|afron|afronta}}<noinclude></noinclude> tobgjagl7si5enieddl8fgopjjyakmc Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/144 106 223052 564001 498624 2026-09-22T09:13:16Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564001 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|118|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|ta|afronta}} é a um casado saber-se que o manda sua mulher, que saber-se é ela de seu marido escrava, e não companheira. Êste fôro, esta prerrogativa de que cada um é bem que use, logo ao princípio convém que se concerte. O marido tenha as vezes de sol, em sua casa, a mulher as de lua. Alumie com a luz que êle lhe der ; e tenha também alguma claridade. A êle sustente o poder, a ela a estimação. Ela tema a êle, e êle faça que todos a temam a ela, serão ambos obedecidos. Dissera eu, que as mulheres são como as pedras preciosas, cujo valor cresce, ou mingúa, segundo a estimação que delas fazemos. Os que casam com mulheres maiores no ser, no saber, e no ler, estão em grandíssimo perigo. Dêste livrou Deus a v. m. (e aqueles que assim casaram) porque no que deviam ser iguais mulher, e marido, são muito iguais, e no que v. m. era bem que excedesse, assim é que excede. Os mais anos são grandes arras no casamento, em favor da autoridade do marido. Não me detenho em apontar remédios a êstes riscos, porque o meu ânimo não é dar conselhos quem escolhe mulher, senão avisos para se viver com aquela que já se tem escolhido.<section end="O amor"/><noinclude></noinclude> 1y6m2hexxrvodtjx3tnnrikwtwp42y6 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/145 106 223053 564002 498627 2026-09-22T09:13:29Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564002 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|119}} {{dhr|2}}</noinclude><section begin="A idade da noiva"/>{{t2|IV}} {{center|'''A idade da noiva'''}} O homem que casa com mulher de pouca idade, leva a demanda meia vencida. Nos tenros anos não há ruim costume ; porque ainda o menos advertido está no ânimo como hóspede, e não de assento. Acusando um homem a sua mulher de mal acostumada, diante de seu príncipe, foi dêle perguntado, de que anos entrára em seu poder ; e como lhe disse o marido, que de dôze, respondeu aquele rei : Pois vós sois o que mereceis ser castigado, que tam mal a criastes. Um leão, em pequeno se amansa. Aos próprios ferros da gaiola, em que vive prêso, toma afeição um passarinho : sendo aquele por seu natural feroz, e êste livre. É a criação outro segundo nascimento ; e, se em alguma cousa difere do primeiro, é só em ser mais poderoso êste segundo. O homem que tiver discrição, e indústria, casando com mulher de tal idade, pai cuide que vai a ser de sua mulher, tanto como seu marido. Pode fazer que ela renasça com novas condições. Se vemos balhar um urso em uma corda, animal de tam diferente despejo, que bruto se afirma mal sôbre a terra ; ¿ que há que desesperar de poder instruir a mulher môça em todos os bons costumes, e ditames em que a puser seu marido ? E também ¿ que há que confiar de que não tome os ruins, se seu marido lhe dá lições, e motivos para cair, e ficar neles ?<section end="A idade da noiva"/><noinclude></noinclude> es05m0riaagds6bniugs8t2vtpii527 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/146 106 223054 564003 499941 2026-09-22T09:13:45Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564003 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|120|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}} {{dhr|2}}</noinclude><section begin="Parentescos"/>{{t2|V}} '''{{center|Parentescos}}''' Correm algum perigo as muito môças pela sobejo amor aos pais, e irmãos, com que se criaram; e é tanto mais ocasionado êste inconveniente, quanto parece mais lícito. De ordinário esta acção se regula pelo ser dêsses pais, e dessa parentela. Quando os pais sejam como devem, louvável é a inclinação; quando não, é necessário que se vá desde logo, e por bons meios, despartindo aquela familiaridade. Sobretudo eu quisera vêr antes nas casadas para com seus pais reverência, que amor; não que lho neguem, porque sem algum amor não há nenhuma obediência; mas quando seja amor, e êles tais que não sejam dignos dêle, se no marido houver arte, o remédio não parece dificultoso. Julgava en que para esta tal mêzinha era bem conveniente uma nova brandura, um nove afago, (digamos assim) um namorar a mulher outro tanto mais do que sem esta razão seria necessário. A criança que outra cousa não sabe senão o peito de sua mãe, o deixa a trôco de se lhe dar a conhecer a suavidade do mel, ou do açúcar, que é mais doce que o leite. Não se duvida que o bem querer do marido é mais próprio para a mulher, que o de seus pais, e parentes. Donde vem que a mulher obrigada, e amimada do marido, esquece fàcilmente o trato dos pais, e dos irmãos. {{nop}}<noinclude></noinclude> 8q7f1ty5ss1izw4dvvwptjimaj0pnh3 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/147 106 223055 564004 500074 2026-09-22T09:14:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564004 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|121}}</noinclude>Êste afago também deve ser discreto, repartindo-o igualmente por obras, e palavras. O vestido quando se não pede, o brinco que se não espera, a saída em que se não cuida, um não sair de casa uma tarde, um recolher mais cedo uma noite, (e, se disser um levantar mais tarde uma manhã, não mentirei) farão logo chaníssimo o caminho para aquele esquecimento, ou desvio dos pais, quando ao marido lhe convenha.<section end="Parentescos"/> <section begin="Casamento por conveniência"/>{{t2|VI}} '''{{center|Casamento por {{sic|conveniencia|conveniência}}}}''' Houve quem duvidasse, se podia ser perfeito a amor entre aqueles que por conveniências, e por concertos se casavam : entendendo que esta perfeição de querer, só se guardava para os que casavam por amores. A que se referia um galante, que convidando-o uma sua parenta para que casasse por concertos, lhe deu por resposta : Senhora, não me obrigo a amar ninguém per fé de escrivão, senão pela minha. De uma, e de outra cousa não faltam bons, e maus exemplos ; mas eu que sou mais amartelado da razão que do caso, direi com alguma novidade o que se me oferece. Persuado-me, senhor N., que esta cousa a que o mundo chama amor, não é só uma cousa, porém muitas com um próprio nome. Poderá bem ser que por isto os antigos fingissem haver tantos amores no mundo, a que davam diversos nascimentos ; e também pode ser<noinclude></noinclude> iummwgyjyo8ciqwh1pku5jj2x8q335x Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/148 106 223056 564005 500073 2026-09-22T09:14:11Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564005 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|122|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>venha daqui, que ao amor chamemos amores ; pois se êle fôra um só, grande impropriedade fôra esta. Eu considero dous amores entre a gente. O primeiro é aquele comum afecto com que, sem mais causa que sua própria violência, nos movemos a amar, não sabendo o que, nem o porque amamos. O segundo é aquele, com que prosseguimos em amar o que tratamos, e conhecemos. O primeiro acaba na posse do que se desejou; o segundo começa nela : mas de tal sorte, que nem sempre o primeiro engendra o segundo, nem sempre o segundo procede do primeiro. Donde infiro, que o amor que se produz do trato, familiaridade, e fé dos casados, para ser seguro, e excelente, em nada depende do outro amor, que se produziu do desejo do apetite, e desordem dos que se amaram antes desconcertadamente ; a que, não sem erro, chamamos amores, que a muitos mais impeceram que aproveitaram. Parecerá dificultoso o considerar, como à pessoa que não havemos visto poderemos amar com perfeição. Larga é a disputa, e não daqui. Digo eu que façamos, senhor N., neste caso, como os que cortam madeira, e a lançam ao rio, para que sua corrente lha leve (sem algum trabalho) ao pôrto. Êles não sabem por onde vai sua mercadoria, mas basta-lhes saber, que ela chega a salvamento, por outras que já tem chegado, para que a entreguem às águas com muita confiança. Deixe-se levar a casado do poder daquele virtuoso costume ; não lute, não forceje com a corrente, que quando menos o espere (e sem saber o como aquilo foi) êle se achará amando a salvamento a sua mulher, e sendo dela muito seguramente amado. Dê-se-lhe a entender a mulher, que a cousa que<noinclude></noinclude> kqq3otnc91znivl7t347xuygz8h5zxq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/149 106 223057 564006 500075 2026-09-22T09:14:20Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564006 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|123}}</noinclude>mais deve querer é a seu marido. Tenha o marido para si, que a cousa que mais deve querer é sua honra, e logo sua mulher. Diz um antigo ditado : Quem não tem marido não tem amigo. Diz outro : Quem tem mulher tem o que há mister. E na verdade assim é entre os bons casados ; e os rifões, senhor N., sentenças são verdadeiras, que a experiência, suma mestra das artes, pronunciou pelas bôcas do povo. Mas porque sucede que ser embargo de tôdas as mêzinhas receitadas, quando Deus nos quere castigar com a pena, e injúria de encontrarmos com uma condição avêssa, a mulher luta por sustentar-se em seus desmanchos : discorreremos aqui pelos vários géneros de ruins qualidades, que acontece haver nelas, para que todos se possam aplicar os remédios convenientes ; mas nem por isso se espere que de tôdas se consiga a melhoria.<section end="Casamento por conveniência"/> <section begin="Várias castas de mulheres"/>{{t2|VII}} '''{{center|Várias castas de mulheres}}''' Cuidam, com falso discurso, algumas mulheres, que como elas guardem a lei devida á honra de seus maridos, em tudo o mais lhes devem êles de sofrer quanto elas quiserem que lhes sofram. É êste um mero engano ; por duas razões : a primeira, porque nada se lhes deve ás honradas de guardarem a obrigação, em que Deus, a natureza, o mundo, o mêdo as tem posto. {{nop}}<noinclude></noinclude> o45q6a6fpgv37ajsdov1kzxacjjyk6n Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/150 106 223058 564007 500079 2026-09-22T09:14:28Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564007 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|124|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Lembra-me que, estando em Madrid, tinha uma vizinha muito brava, que pelejando um dia, como sempre fazia, não cessava de dizer ao marido, e com verdade : ''Hermano, soy muy honrada ;'' e êle respondia-lhe : ''Pues anda a Dios que te lo pague, que a mi cuenta no está el pagarlo, quando lo seas, sino el castigarlo quando no lo seas.'' A segunda, porque não só a honra de seus maridos se perde por sua descontinência, mas não menos pelas ocasiões a que põem os homens por muitos outros excessos que cometem. Foi assim graciosa, mais que segura, a opinião de certa pessoa, que ninguém tanto sofria como quem tinha bôa mulher, bom criado, e bôa cavalgadura. Porque à conta de bôas peças cada uma fazia sua vontade, e nunca a de seu dono. Não fôsse ora por isso o dizer a chocarrisse castelhana : ''Buena mula, buena cabra, buena hembra, son tres malas bestias.'' As mulheres de rija condição, a quem comummente chamam bravas, são as que menos cura tem ; porque até da temperança do marido, que era a sua melhor mèzinha, tomam causa de se demasiarem ; sendo já antigo, que o soberbo se faz mais insolente à vista da humildade ; o bravo se enfurece diante da mansidão. A violência e o castigo não tem logar na gente de grande qualidade. Pelo que já disse um muito discreto, que entre as cousas, que os vilãos traziam lá usurpado aos fidalgos, era uma, o poderam castigar suas mulheres cada vez que lho mereciam. Pouco mais remédio sóem ter estas tais condições, que uma grande prudência com que se atalhem. Aconselharia a aquele a quem tal sucedesse, se apartasse o possível de viver nas côrtes, e grandes logares. Quem grita no despovoado, é menos ouvido. Atalham-se assim<noinclude></noinclude> eu1g6j0cbd6eueawyjfvm0fts1pwxbv Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/151 106 223059 564008 500147 2026-09-22T09:14:41Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564008 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|125}}</noinclude>inconvenientes ; não se ficará sendo a fábula do povo, onde de ordinário servem de iguaria aos murmuradores as {{sic|acçoes|acções}} de tais casados. Procede daqui não leve injúria ; pelo menos um escrúpulo de afronta, que anda sempre zunindo nos ouvidos do pobre marido, como os grilos da própria mulher brava. A feia é pena ordinária, porém que muitas vezes ao dia se pode aliviar, tantas quantas seu marido sair de sua presença, ou ela da do marido. Considere que mais vale viver seguro no coração, que contente nos olhos e desta segurança viva contente ; que pouco mais importa haver perdido por junto a formosura, que vê-la ir perdendo cada dia, com lástima de quem a ama. Isto sucede sempre nas mulheres, já pela idade já pelos achaques, a que tôda a formosura vive sujeita. Donde com muita razão se queixava um discreto, não de que a natureza acabasse as formosas, mas de que as envelhecesse. Mulher néscia, cousa é pesada, mas não insofrível ; procure o marido emprestar de seu juízo ás acções de sua mulher aquela discrição que vir que lhe falta. Assim o fará o entendido, e se êle também o não fôr, pouca pena lhe dará que ela o não seja. A doença, que a muitos aflige, é também um não pequeno trabalho : vê-se penar a pessoa a quem se quere bem ; e porventura soem ser estas as que menos o merecem ; porque males e bens muito há que costumam andar desordenados. Deve a mulher, quando enfêrma, ser tratada de seu marido com todo o regalo possivel, sofrida com tôda a paciência. Pode-se fazer esta conta : que estando disposto haja de padecer o homem em ametade de sua alma, favor foi grande de Deus padecesse antes naquela parte que menos falta faria à sua<noinclude></noinclude> kimzpg9xpi98zn03vmspg4iuoazroa5 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/152 106 223060 564009 500148 2026-09-22T09:14:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564009 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|126|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>família. Considere-se (para que se bem sofra) que a obrigação do fiel companheiro, é guardar companhia, tanto pelo mau, como pelo bom caminho. Se as sortes se mudassem, da mesma maneira quisera o marido ser tratado, e sofrido da mulher. Há não poucas mulheres proluxíssimas, e de condição impertinente, cuja demasia de ordinário descarrega sôbre os criados, a quem são insuportáveis : donde à casa resulta ruim fama, e achar o senhor dela com dificuldade quera o sirva. Convém que a estas tais se lhes aperte o freio, se lhes dê pouca mão no govêrno, e como as pessoas feridas de mal contagioso, as sirvam, e ministrem ao longe, ouvindo-se pouco, e dando-lhes a ouvir menos. Mostrem-se-lhes por experiência os frutos de sua condição, faltando-lhes talvez com o serviço necessário ; porque se com êste garrote não tornam em si, são por outro modo de dificultoso remédio ; e vem a pagar o marido, sem culpa, os desabrimentos da mulher agressora, e merecedora da ruim vontade dos servos, que, como pouco prudentes, não distinguem em acções tam próprias como as de mulher, e marido, qual dêles é digno de amor, e qual de desamor. Acontece serem escassas : e dos defeitos mais leves, que nelas se acham, é êste um dêles. Não julgo que seja de algum perigo (posto que pode ser de descontentamento, e azo de pouca paz) porque se o marido é liberal, êle dará logo remédio à condição da mulher ; se tiver o mesmo costume, viverão com miséria, mas com contentamento. Não cuido certo que os Egípcios com tôda a sua agudeza, inventaram mais excelente geroglífico do que o descobre um nosso provérbio português : O marido barca, a mulher arca. Ouvi-o dias há a uma vélha, e o<noinclude></noinclude> kt63ih6m8214c33g8oppl7fl0qpruqx Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/153 106 223061 564010 500150 2026-09-22T09:14:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564010 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|127}}</noinclude>escutei como da bôca de un sábio : Traga o marido, e guarde a mulher. Mulher ciosa, é bem ocasionada mulher para que se viva sem contentamento. Dizia uma de bom juízo : A mulher ciosa tende a ociosa. Queria dizer, não lhe deis causa, que ela a não tomará. Esta não vinha em distinguir a queixa do ciúme ; porque aquela que com razão se sente, não chamo eu ciosa. A ciosa é aquela que sem causa se queixa ; e estas são as trabalhosas. Porque emendar cada um as suas fraquezas, sôbre que é dificultoso, não é impossível ; mas emendar as alheias não é dificultoso, porque é impossível. Contra as ciosas sem razão, o melhor remédio é que elas a não tenham ; porque assim se segura a consciência, e a honra. Contra as ciosas com razão, curando-se o marido da leviandade, fica a mulher curada do ciúme. Para desconfianças leves, que um discreto chamava sarna do amor, que faz doer, e gostar juntamente, digo eu, que como se satisfizeram as damas, se satisfarão as espôsas. Aquele amor desordenado, mais furioso é, e assim mais veementes seus ciúmes (como é do melhor vinho o melhor vinagre). Quem soube (que todos souberam) desmentir os ciúmes de sua dama, quando a teve, por êsse mesmo modo desminta os de sua mulher, quando a tenha. Eis-aqui vem as gastadoras, fogo perenal das casas, e das famílias. Sempre foi causa de muitos males esta tal condição ; porque lá tem suas côres de cousa bôa ; e sobretudo é mui aceita. Digo, senhor N., com verdade, que me parece deve uma mulher honrada tratar o dinheiro com aquele mesmo temor que ao ferro e fogo, outras cousas de que convêm sejam medrosas. Parece o dinheiro em mãos da mulher arma imprópria, {{hífen|Per|Pergunto}}<noinclude></noinclude> tctvvtzs0f2ywoc73ix937b6fg0n00r Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/154 106 223062 564011 500215 2026-09-22T09:15:07Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564011 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|128|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{Hífen-fim|gunto|Pergunto}} : Se para despedir, e lançar de sua casa um criado, a mulher casada por si não tem bastante autoridade, porque a quererá ter para despedir, e lançar fóra de casa sua fazenda, em que consiste o bem, e repouso de amos, e criados ! Para a que fôr ferida dêste mal, é necessário armar de um grande recato, e vigia ; e assim como quem navega se teme muito mais de abrir uma ferida no casco do navio, por onde sem dúvida se irá a pique, do que se se lhe abriram outras muitas pelo bordo, que vai fóra da água ; assim não é tam perigosa a uma casa outra qualquer desordem, nem lhe ameaça ruína, como o excesso da mulher gastadora, e desregrada ; porque como êsse defeito jaz dentro na água (dentro digo do próprio cabedal) por ali logo se vai ao fundo a família inteira. Umas há destas apetitosas, e que por tu bonifrate venderão um padrão de juro da câmara. É defeito que compreende não só as grandes senhoras (antes nelas menos perigoso, e mais desculpado) mas até à gente de pequena condição. Sucedeu, estando em Madrid, vir a minha casa com grande ânsia a mulher de um, obreiro ''a pedir, que sobre dos savanas le prestasen doze reales'' ; e perguntando-se-lhe, qual era sua necessidade : ''Ai señores, disse, que tengo concertadas a comprar media dezena de hijos de azavache lindissimas, y si agora no las tomo, no sé quando podré despues heverlas.'' Sofre-se melhor um dêstes desmanchos, quando não é costume. Na môça é tolerável, na mulher condenável. Saiba tôda a mulher, que o mundo é maior que seu apetite, porque não queira fazer-se necessitar de quanto vir, ou ouvir. Deus nos guarde de umas, que fazem certo aquele rifão bem vulgar, mas muito próprio: A minha filha Tareja, quanto vê tanto deseja. Responda-se-lhe nesta razão:<noinclude></noinclude> 0kk2f9c176wdu2waka1llnnkfk199qw Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/155 106 223063 564012 500216 2026-09-22T09:15:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564012 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|129}}</noinclude>Primeiro está a obrigação, logo a temperança, e depois o gôsto. ¿ Que direi das voluntárias, que por nome, não menos próprio, se dizem teimosas ? ¿ de outras que aporfiam ? As mais são constantes, e ainda contumazes em seu parecer. Acontece isto com maior freqüência nas ou muito néscias, ou muito presumidas. Não venho em que com a mulher se litigue, que é conceder-lhe uma igualdade no juízo, e império, cousa de que devemos fugir. Faça-se-lhe certo que à sua conta não está o entender, senão o obedecer, e fazer executar, mas que não entenda. Mostre-se-lhe às vezes que, havendo quando se casou entregado sua vontade ao marido, comete agora delito em querer usar daquilo que já não é seu. Tudo é sombra, se se compara com o defeito da facilidade, ou ligeireza; e ainda o não acabo de dizer, porque não acho nome decente. Mulheres há leves e gloriosas, prezadas de seu parecer: loureiras, cuido eu que lhes chamavam nossos antigos, por significar que a qualquer bafejo do vento se moviam. Êste é o último de seus males. Nem o quero considerar, porque nos não é necessário, nem apontar o remédio. A honra de cada um, e a consciência sejam neste triste caso os conselheiros. Com agudeza definiu êste ponto em poucas palavras um discreto: Sofra o marido à mulher tudo, senão ofense : e a mulher ao marido ofensas, e tudo. Advertirei, todavia, que aquele seu pretexto, de que cortesanias, ou galanterias não fazem mal, é conclusão erradíssima, cuja prática introduziu a indústria, não a razão. Para que se pregue um prego, costumamos fazer-lhe primeiro lugar com uma subtil verruma. Nenhum vicio entra tamanho como é. Aquele bicho que no Brasil se padece por achaque, sem falta que com<noinclude></noinclude> k0flvrpjohyrz4xmsecr089mm7qekuw Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/156 106 223064 564013 500217 2026-09-22T09:16:37Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564013 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|130|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>providência nô-lo deu a natureza a todo o mundo por exemplo ; entra invisível, começa entretenimento, passa a ser moléstia, chega a ser doença, e acontece que pode ser perigo. A honra da mulher comparo eu à conta do algarismo ; tanto erra quem errou em um, como quem errou em mil. Façarn as honradas bôas contas, acharão esta conta certa. De umas que se prezam de formosas, não há para que nos descuidemos. Que a mulher se conheça não é vicio ; antes antiga opinião minha que em muitas partes tenho escrito. Devemos tanto conhecer o bem, se o há em nós, como o mal quando o haja. Aquele para que se guarde, e não perca ; êste para que se emende, e não vá adiante. Desejo que da formosura se use como da nobreza: folgue cada um de a ter, mas não que a amostre. Levar da espada a cada passo, argüe pouca prudência. O marido que vir sua mulher inclinar a esta vanglória, viva por ela mesmo avisado, e saiba que tem perigosa mercadoria, sendo esta das mulheres ao revés que as outras, pois quando mais cobiçada é, menos e para cobiçar. E por esta razão não faltou já quem duvidasse se a formosura se dava por prémio, se por castigo. Passado havemos êste enfadonho labirinto, ou por êstes monstruosos mêdos, que o guardam. Tudo há no mundo, donde em nada perigará a pessoa advertida. Verá v. m. nos mapas, porque se governam os mareantes, notados com tanta diligência os baixos de que se hão-de guardar, como os portos aonde devem de ir a surgir.<section end="Várias castas de mulheres"/><noinclude></noinclude> lkjk23dj45g09zd4g672j496c9x92y6 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/157 106 223065 564014 500246 2026-09-22T09:16:56Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564014 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CANTA DE GUIA DE CASADOS|131}}</noinclude><section begin="Maneira de conservar a bondade das que são bôas"/>{{t2|VIII}} '''{{center|Maneira de conservar a bondade das que são bôas}}''' Tendo, senhor meu, mostrado a v. m. assim umas sombras dos perigos, e inconvenientes, que causam as mulheres com algumas de suas imperfeições, hei como dito a v. m. os descansos, os contentamentos, que trazem consigo as bôas. Êles são tantos, que na verdade se não poder dizer. Não há na eloqüência louvor que não venha estreito para a mulher honrada. Assim a deve de tratar seu marido como penhor celestial. Para a conservação desta honra, e desta mulher, em que ela tanto estriba, irei assim apontando a v. m. algumas cousas, as quais não servem aprendidas, senão usadas, e usadas muitas vezes. Bem se vê que não basta prantar a murta no jardim, por de melhor casta que ela seja, para que a adorne, faça figuras, e lavores agradáveis ; é necessário torcer-lhe às vezes os raminhos, e outras cortar-lhe as vergônteas ; e contudo nada aproveita, se perpètuamente o jardineiro a não toza, a cultiva, porque veceja muito. Fuja-se, como de peste, de repartir casa, e receber criados com distinção, tais para o senhor, e tais para a senhora. Se o casamento é união, ¿ de que serve dividi-lo ? Êste ponto é mais proveitoso à advertência, que agradável à especulação. Daqui vem, que nem lhe fujo, nem a persigo. Tem-se hoje por grandeza lavrar quartos, e {{Hífen|apo|aposentos}}<noinclude></noinclude> hzea81s12yucpnylatvb93uah6q2mcq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/158 106 223066 564015 500407 2026-09-22T09:17:04Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564015 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|132|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{Hífen-fim|sentos|Aposentos}} à parte, conservarem-se por tôda a vida assim entre os casados. E há homem que vive tam diminuto de sua mulher, como das de seus vizinhos. Perguntem-se neste caso às paredes das casas mais antigas ; que pois as paredes falam, elas dirão os costumes dos passados. Vê-se no seu modo de edificar, que onde hoje não cabe um pobre escudeiro, antes cabia um senhor grande. Eu não sou tam amartelado da antiguidade, que cêgamente siga seus costumes, mas parecia-me bem aquela singeleza, e não bem esta cautela. Vivam todos con tôdas as casas, maridos, e mulheres ; que o contrário certo, é abuso cheio de perigos. Afirmo ser êrro que traz grandes inconvenientes, haver em casa gente parcial, e que cuide alguma dela que só a sua ama deve fidelidade, e segrêdo, só a ela queira servir, e dar gôsto, só tema seu enôjo, e espere seu prémio.<section end="Maneira de conservar a bondade das que são bôas"/> <section begin="Criados e criadas"/>{{t2|IX}} '''{{center|Criados e criadas}}''' Costumavam dizer os grandes : Tantos criados, tantos inimigos ; sentença de que foi autor não menos que o Espirito Santo. Pois estoutra casta de criados, que o são, e que o não são, é a quinta essência dos criados inimigos. Introduziu o costume, ou o diabo inventou, uma sorte de pagemzinhos, que chamam de tocha, ou de estrado. Não aprovo tal uso, se se lhe houver de assinar<noinclude></noinclude> i69y2c18t5ho4w569e5ucmcct5ua7sc Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/159 106 223067 564016 500450 2026-09-22T09:17:13Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564016 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|133}}</noinclude>particular exercício, antes sou mais contra êle, porque entram, e saem, são espertos, e artistas, tomam cio com o favor, como quartãos galegos, e saem dêle com más manhas. Sejam os pagens todos do senhor, e dêstes os mais modestos e honrados se apliquem ao serviço de sua mulher ; e, se se variarem, é ouro sôbre azul. Não é necessário para fazer isto, senão vêr-se que é melhor que o contrário. Faça-se porque é bom, e mais seguro que o que se não faz. Entrem pouco, e até parte sinalada : porque, se são pequenos, negoceiam com as criadas, e advogam às vezes por outros ; se são grandes, trazem procuração em causa própria, sempre com dano do decoro da casa. Viu um dia o duque de Alva, avô dêste que hoje vive, entrar um pagem já espigado no quarto das criadas ; chamou-o, e disse-lhe : ''Andad, decidle al mayordomo, que ó os cape, ó os encape.'' Havia sucedido um desconcêrto em casa de uma senhora a certa criada sua ; e foi tal, que se houve de descobrir de noite, e ir-se-lhe buscar o remédio a casa de uma comadre ; dava grandes vozes o portador, e dizia (dizia êle depois, que por lhe parecer mais honesto :) Senhor, acuda v. m. de-pressa a casa da senhora dona fulana, que está uma sua dona de parto. Que pregão êste ! ¿ E quem tam culpado na infâmia daquela casa, como o descuido do marido senhor da casa ? Senhor N., olhe v. m. : quando o fogo anda na coitada, varrem-lhe muito bem os caminhos, que não fique palhinha, nem uresta, nem argueiro, e isto a fim de que não salte de um arvoredo em outro, por meio daqueles nadas, em que se ateia. {{nop}}<noinclude></noinclude> cdwwuapljgacg4u1rxj6kvkj369v77s Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/160 106 223068 564017 500459 2026-09-22T09:17:30Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564017 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|134|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Estas sevandilhas pequenas, êstes argueiros, estas palhinhas, estas arêstas, são às vezes causa de grandissimos incêndios. Ande, senhor meu, a casa de v. m. bem limpa, e bem varrida, que além de ser grande aceio, e grande descanso. Quero falar em criadas, e quisera falar mais baixo, se a escritura tivera tons, como tem a prática. O número delas, nem falte ao estado de cada um, nem sobeje à fazenda de cada um. Nesta mingua nos levam os estrangeiros muita vantagem. Senhoras de grande porte, por terras que vi, e andei, se servem com uma, duas criadas, e mais das filhas que delas. E já porventura por esta causa chamam os franceses ás damas do paço filhas de Honor ; dando a entender, que não menos das filhas se podem fazer criadas, do que se podem as criadas ter em conta de filhas. Se o hei-de dizer em outra parte, seja aqui logo, antes que me esqueça. Ouvi muitas vezes a um famoso prègador (que todos ouvimos) repetir êste dito engraçado, e verdadeiro : Quem gasta menos do que tem, é prudente ; quem gasta o que tem, é cristão ; quem gasta mais do que tem, é ladrão. Em nada deve haver excesso na casa bem regida ; e se em alguma cousa se compadece falta, é naquela que menos se vê, quais devem ser as criadas, que estas convém que sejam as cousas menos vistas da casa, ainda que não sejam as menos para vêr. Certo que quando por mais não fôsse, que por atalhar os embaraços que elas causam à família, se podem ter, e usar com grande moderação. Valida especial de sua senhora não haja alguma porque tôdas o possam ser no grau conveniente. Tôdas a amem, a tôdas estime ; sejam tôdas suas criadas, seja<noinclude></noinclude> jkv2uwnkbucrnpakyh53bc49q2v0aui Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/161 106 223069 564019 500476 2026-09-22T09:17:40Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564019 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|135}}</noinclude>senhora de tôdas ; de nenhuma seja amiga, com nenhuma se mostre companheira. Certo que hei de contar a v. m. (conto-lha, não lha inculco) em segrêdo uma história : Dizia-me uma grande senhor muito discreto, e gentil político ; que assim como sua mulher se declarava em favorecer uma criada mais que as outras, se era môça lha galanteava logo, até que a bôa senhora, a puros ciúmes, a lançava de seu serviço, ou pelo menos de sua valia ; e se vélha, lha comprava com dinheiro, e mercês, de maneira que também por suspeitosa e descompunha. Eis tudo revôlto, e à vontade do marido. De sorte que com tal destreza se havia, que nunca vira a sua mulher três dias particularizar-se mais com uma criada que com outra. Tenho-o por demasiada astúcia ; mas êle fazia muito caso desta tretá. Fique dito, não aconselhado. Pois estamos aqui, digamos o que àcêrca de criados se oferece que advertir. Se fôr alguma cousa mais prolixo, saiba v. m. que de propósito me detenho, porque julgo êste ponto por um dos mais principais à honra e paz dos casados. Mulheres, que são como o rio Nilo, a quem se não sabe o nascimento, e tôda sua corrente, fugir, senhor, delas como dos próprios crocodilos, que dizem leva êsse rio. Há umas que dão em ter dons ; outras que se prezam de nobilíssimas (e praza a Deus que não seja por afinidade). Muitas que se vendem por filhas bastardas de fulano, e fulano, as quais (se o são) sendo mal criadas ao bafejo das mães, são pouco a propósito para bôas criadas ; algumas que se introduzem por descasadas ; algumas que se lhes foram há tantos anos seus maridos para a Índia, e nada daquilo é seguro, e apenas é certo. Estas costumam ser discretas músicas, {{Hífen|comedian|comediantas}}<noinclude></noinclude> cpu9mqfnottgwdoc0k2pwa8668rwhqf Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/162 106 223070 564020 500548 2026-09-22T09:17:49Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564020 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|136|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{Hífen-fim|tas|comediantas}}, sabem fazer toucados extravagantes, bordadoras, costureiras, e com o cêvo das bôas habilidades enfeitiçam as senhoras, que mal advertidas daqueles laços que na aparência se encobrem, caem fâcilmente em seus enredos ; são as logo mimosas, e queridas ; erguem-se de repente sôbre as mais ; anda a casa revôlta, e ainda êste é o menor inconveniente. Contam histórias a suas amas, mostram-lhe às vezes a facilidade de vencer um impossível ; alegam-lhes com casos passados ; e finalmente são como sarna da honra, que sendo uma ruim e asquerosa doença, passa por gôsto, e dana com graça à pessoa que a padece. ¿ Era para cuidar, se convinha servir de pessoas de grandes partes ? Quando elas fôssem conhecidas, muito bom seria. Vemos contudo, que nestas há o maior perigo ; porque a fortuna tem guerras apregoadas com a natureza : sempre uma desfavorece a quem a outra favorece. Acho-o com agudeza, e razão aquele meu amigo, que escreveu ; eram os quatro costados da doudice, a música, a poesia, a valentia, e o amor ; não porque tudo isto deixe de ser muito bom, mas porque porventura por ser tam bom, jàmais se concedem estas bôas partes (e outras como estas) sem a pensão de um juízo leve, as mais vezes arriscado, e não poucas defeituoso. Quando a mulher tenha desejos de receber em seu serviço pessoas assim semelhantes, oponha-se-lhe com suavidade seu marido. Faça-lhe entender que as rendas se vendem na capela, os toucados se fazem no paço, e tudo o que custa dinheiro é mais barato : que a trôco de viver com receio, ou ocasião, nenhuma cousa é bôa. Convém para criadas as filhas das que o foram, e que tem feito prova do amor, e da lealdade ; as {{Hífen|vassa|vassalas}}<noinclude></noinclude> 0m60uh7jtw9la81dj87zfhfyqlvyqbn Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/163 106 223071 564021 500645 2026-09-22T09:17:57Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564021 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|137}}</noinclude>{{Hífen-fim|las|vassalas}} (que as tiver), as vizinhas, e gente de antigo conhecimento ; e tôdas daquela esfera de gente, que sem vergonha de seu estado, pode, e deve servir, e de quem seus amos, sem pejo nem vaidade, podem, e devem ser servidos. Uma casta de mulheres que há pelo mundo, que são entre hóspedes e recolhidas, tam pouco levará o meu voto. Muitas senhoras folgam de valer a estas tais com autoridade de sua casa. Não sou contra o bem fazer ; mas incauta seria a piedade de quem tirasse do lume os carvões acesos, porque se não gastassem, e os metesse no seio para que lho abrasassem. Todavia não é geral esta regra, que pode pela prudência do marido ser alguma vez dispensada. Contra a antiga modéstia portuguesa, introduziu o costume que as criadas andassem no mesmo trajo que suas senhoras. Ajudam-se de outra astúcia, metendo em cabeça às pobres amas, (a quem com tais persuadições deixam mais pobres) que a honra de minha senhora está em fazer suas criadas mais lustrosas que a si mesmo, e lhe apontam que veja a aquela, e aqueloutra, que não é tanto como ela, e veste as criadas tanto melhor que ela. Pode assim acontecer cada dia, segundo a igualdade dos trajos, não se saber qual é a ama, ou a criada, com muito mais ocasião do que dizem que a teve certo caseiro de um fidalgo noivo muito mancebo, que entrando com um presente na câmara onde jaziam seus amos, e não distinguindo qual fôsse êle, ou ela (a quem as crenchas faziam semelhantes, e as barbas não dessemelhavam) perguntou simplesmente qual dos dous era, ao serviço de Deus, o senhor noivo ? porque a êle queria dar seu recado. ¿ Quantas vezes puderam hoje outros<noinclude></noinclude> 08xrzrw214207col4bbz7e0ncodqi6d Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/164 106 223072 564022 500703 2026-09-22T09:18:04Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564022 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|138|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>mais práticos, vendo as senhoras, e as casadas do costume, perguntar qual era a senhora ama ? O menos perigo que aqui há é o excesso, e desordem do gasto ; que contudo é tamanho, que em verdade, se se medir a ânsia e trabalho, em que vivem muitos {{sic|amis|amos}} para sustentar a vaidade de seus servos, que bem malos trabalho passam os senhores por serviço de seus {{sic|criadoo|criado}} que os criados pelo de seus senhores. Mas tornando ao fausto, e escusado adôrno das criadas, mostra bem a experiência os danos que êste costume traz consigo. Elas vendo-se assim majestosas, logo sobem de pensamentos, e tratam de aproveitar aquele bom tempo, mostrando-se, e deixando-se vêr, e procurando haver por tais meios algum estado, que, em sendo havido por elas, e por aqueles meios, soe ser sempre bem ruim. Seja o marido Almotacel, que taxe as galas de sua família ; às criadas consinta tôda a limpeza, mas não tôda a louçaínha ; diference-as o trajo, como o oficio. Não se lhes chame damas, nem se lhes consintam galanteios : cousa moderna, e bem escusada. Fique-se essa permissão para a casa de el-rei, donde o mêdo do castigo, e a fôrça do decoro, suprime a malícia, que alguma vez se desaforou tanto, que venceu a mêdo, e se revelou contra o decoro. Em parentes de criadas muito solicitas (e também em parentas) haja grande tento. Primos, e cunhados, que não forem muito conhecidos, falem de fóra, e, se não falarem, ainda darão menos em que falar. Curas que se vão fazer a casa de irmãs, e de tias, são enfermidades. Visitações, ainda com dona vélha à ilharga, tem seu risco. Amizades especiais entre esta gente, são dignas de<noinclude></noinclude> 5qeeonl2w4p93o7miuj8f3ldd5dup9p Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/165 106 223073 564023 500705 2026-09-22T09:18:13Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564023 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|139}}</noinclude>tento ; segredos perpétuos induzem suspeita. Evite-se-lhes que se chamem umas às outras com nomes que inventa a sua ociosidade, como : meu marido, minha avó, minha comadre ; ou também, amores, cuidados, pensamentos ; porque tudo isto, quando de presente não seja mau, é a meu juízo um jôgo de espada preta em que o vício as exercita, para que depois as tenha déstras para qual mais sanguinho desmancho. Mas nem por isso aconselho aos amos o que Maquiavelo aos príncipes, a quem persuade revolvam os criados, para que não havendo algum que seja fiel ao outro, lho sejam todos a êle. Vele-se o casado quanto puder ; porém não espere por ruins meios a concórdia, que se não alcança (se se alcança) senão na casa pacífica, e concertada. Não quero pôr em cêrco estas mulheres, nem negar-lhes o lícito ; aponto onde jaz o perigo, para que dêle se desviem, pelo cuidado do senhor da casa, a senhora, e as criadas dela. Sobretudo, convém que o senhor procure ser bem quisto de suas criadas, e as trate para êsse efeito com a benignidade possível ; acuda por elas na semrazão que lhes fizer sua ama, se lha fizer. Não se particularize per nenhuma: fale, e procure por tôdas. A liberalidade, pelo menos a galantario, ajuda a isso muito ; dando-lhes de quando em quando que dêle não esperam. Verdadeiramente, senhor N., que podemos afirmar, que assim como entre a cabeça, e mais partes do corpo humano, convém que haja grande conformidade para que vivamos com saúde ; assim também entre o senhor da casa, e os familiares dela, convém que haja concórdia, para que se possa viver com gôsto, e quietação. E da mesma sorte, assim como os humores mais sutis, e delgados são os que primeiro se revolvem, e {{Hífen|corrom|corrompem}}<noinclude></noinclude> i9zry1razzhpcj5q83fmb1woucbodej Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/166 106 223074 564024 500706 2026-09-22T09:18:24Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564024 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|140|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{Hífen-fim|pem|corrompem}} ; assim as mulheres são as que primeiro dão causa a qualquer movimento ; por donde é necessário viver com elas muito regrado, porque senão destemperem, adoeçam, e matem contentamento. Agora peço eu a v. m. por prémio do risco a que me pus em falar tam livremente, que v. m. leia, e guarde só para si êstes avisos ; porque por mais que o meu estado seja já isento dos perigos de sua indignação, todavia os passados danos fazem como ainda agora tema, e as tema. Pelo que tenho dito das criadas, se podem tirar alguns documentos para os criados. A primeira observação àcêrca dêles, seja que a nenhum se trate de maneira que à sua própria senhora dê cuidado : cousa que não poucas vezes acontece. Quando êste favor é indiscreto, cuidam as mulheres que os criados servem a seus amos em ruins ofícios ; e particularmente se cansam com aqueles da antiga obrigação dos maridos, como antigos obreiros de suas mocidades. Se tal sucedesse, seja o casado fácil em persuadir a sua mulher, que a trôco de que viva satisfeita, lhe será leve desviar de sua valia, e ainda de sua casa, êsse criado. E faça-o, se convém, porque neste caso a resistência é constelação das contrárias suspeitas. Eu fico que a bem inclinada, e amante de seu marido, se contente com saber lhe é possível despejar-se daquele enfadamento, quando lhe põe em sua eleição o remédio. Sucede muitas vezes às mulheres, o que aos potros, que melhor se governam quando lhes dão a rédea, e cuidam que podem ir à sua vontade, que quando lha recolhem, e mostram que vão à vontade alheia. Não é cura para a mulher a raiva, e acinte ; e assim se deve usar com elas de brandura, e cortesia. Se {{Hífen|admi|admitíssemos}}<noinclude></noinclude> li1ptjzkn9104y4e1ilsda0aup60yyj Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/167 106 223075 564025 500750 2026-09-22T09:18:32Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564025 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|141}}</noinclude>{{Hífen-fim|tíssemos|admitíssemos}} para entre os casados algum artifício, dissera ser bôa regra para a mulher, mostrar-lhe que com o marido podia tudo, sem que pudesse realmente mais do que fôsse razão. Saiba, todavia, a mulher sisuda, que deve honrar a quem seu marido honra ; e o homem honrado, que a ninguém deve dar aso que a sua mulher perca o respeito. Não se nega que a um, e a uns criados possa ter o senhor melhor vontade, segundo o que cada qual se avantajar em serviços, e merecimentos. A regra geral dêste negócio é que de se favorecer o criado que muito merece, ninguém se escandaliza ; de vêr acrescentar sem ordem aquele, que todos conhecem por inútil, todos suspeitam mal. Isto é nos senhores, isto nos grandes, isto nos reis. A escolha de criados, sendo sempre necessário que se faça com consideração, o é mais para a casa dos casados. Os que se prezam de valentes, são ruidosos ; os músicos, inquietos ; os namorados, infieis ; os lindos, impertinentes. Homens limpos, bem criados, amigos de honra, são a propósito ; e estas suas melhores partes. Taxe o número à fazenda (como já das criadas se tem dito). A razão pede uma continua igualdade na casa do homem sisudo. Nesta parte dispensâra fàcilmente, quando a ocasião requeresse contra a igualdade. Bodas, filhos, cargos, alegrias públicas, pedem vantagem na família ; que tam pouco passado aquele tempo seria defeito aguarentá-lo, e o seria passar por estas cousas sem algum novo luzimento ; porque o mundo, com quem vivemos, como tomou o sabor dos pensamentos dos homens, não julga aquela temperança por prudência, senão por avareza. {{nop}}<noinclude></noinclude> 9hku5br7giaczpe0iq8i33l87j2sind Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/168 106 223076 564026 500751 2026-09-22T09:18:50Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564026 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|142|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Lembra-me àcêrca disto uma cortesania. Achei-me em uma côrte ao tempo que um rei mandou certa embaixada ao imperador. Era prudentíssima a pessoa que a levava, nada quis crescer no esplendor de sua casa. Notava-se por culpa, esta mediania entre os ministros. E porque el-rei expedira o negócio estando doente, diziam os travessos que S. Majestade mandava em seu nome aquele embaixador de tal maneira, por haver feito voto de ir descalço a certa casa de devoção em Alemanha, se Deus lhe desse saúde. O mesmo que do número direi do trato. O interior, e das portas a dentro, sempre convém que seja suficiente. A gente de não grandes pensamentos, nada tanto a satisfaz como o bom pasto, que é felicidade, ou trabalho que padecem duas vezes ao dia ; o exterior das portas afóra, por que entendo o vestido, pode (como já disse): segundo os tempos, crescer, ou minguar. Particularizando mais êste ponto : Tenho por grande prudência o dar tinelo aos solteiros ; comem, e andam limpos. O dinheiro é ocasionado : jogam, e o gastam mal, depois padecem. Êste é o perigo dos que são grandes ; e o dos pequenos, diga-o o que aqui dizia um fidalgo cortesão (vá por conta da chaminé) : que nunca tivera pagens sem sarna, senão depois que dera em os fazer dormir na cama com as donas de sua mulher. Mas que seja tornar a isto : Contava-me um grande prelado de certa religião mui reformada, que sempre trazia os seus frades famintos, porque não cuidassem em outra cousa, senão em comer melhor. Os criados se devem tratar às avessas, porque, andando bem mantidos, são melhores os seus pensamentos. Temos assentada a família, e posto ao casado sua<noinclude></noinclude> 7eyqpcvs25mirqlqac1nm22bhgipxta Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/169 106 223077 564027 500755 2026-09-22T09:19:09Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564027 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|143}}</noinclude>rasa. Digamos alguma cousa da mulher ; e depois apontaremos como deve usar de tudo.<section end="Criados e criadas"/> <section begin="A espôsa"/>{{t2|X}} '''{{center|A espôsa}}''' Meu ânimo (segundo já deixo dito) não foi aconselhar como deve casar-se ; que o acêrto de v. m. me livrou dêsse trabalho ; podendo por êsse exemplo aconselhar a todos como era bem que casassem ; se forem tão venturosos que assim possam. Para o que já casou, e supomos bem casado, é que ajuntamos aqui estas advertências. Perguntou alguém, algumas vezes, se seria lícito deixar usar a mulher própria daquelas bôas partes de que a dotou a natureza ; como o cantar, o dançar, e ainda o fazer versos, e outras semelhantes prerrogativas, que em algumas se acham, e em muitas pudera haver, se o receio as não suprimisse. Certamente, que se v. m. me fizera esta pergunta, me vira eu em grande enleio ; porque o aniquilar em qualquer pessoa as perfeições que Deus lhe deu, impiedade parece&thinsp;; fazer-lhas exercitar naqueles limites que a prudência requer, parece impossível. Dizia a êste propósito a princesa de Roca-Sorion em França, que foi discretíssima, e não bem casada : Que das três potências com que entrára em poder de seu marido, duas lhe tomara êle, e lhe deixára uma só, que ela lhe dera bem fàcilmente. Porque nem a {{Hífen|potên|potência}}<noinclude>{{esquerda|11}}</noinclude> sgnhsmeita3bh34ta1cz4eu5xdzv6ym Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/170 106 223078 564028 500779 2026-09-22T09:19:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564028 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|144|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{Hífen-fim|cia|potência}} do entender, nem a do querer tinha já ; e só lhe ficara a memória de que as tivera em algum tempo, para sentir mais a pena de se vêr agora sem entendimento, nem vontade. De tôdas as graças das mulheres, a graça é a que tenho por mais perigosa ; porque para se usar dela, necessita de menos aparelhos ; sendo, a meu juízo, esta graça a mais perigosa desgraça. Cantar a mulher a seu marido, e filhos, se os tem, cousa parece lícita, e o seria o dançar alguma hora na sua câmara, enquanto a idade lhe permitisse essa alegria. Não louvo o trazer castanhetas na algibeira, o saber jácaras, e entender de mudanças do sarambeque, por serem indícios de desenvoltura. Mas, aquilo de ser engraçada, e aguda na visita, na Igreja, no côche e no paço, traz grandes inconvenientes consigo, e dificilíssimos de atalhar&thinsp;; porque das cousas a que se segue aplauso, bem ou mal ganhado, ninguém se arrepende. Vele-se disso seu marido ; e, se com ela acabar a emenda, creia que fez muito ; porque dêste mal nunca vi a nenhum doente convalecido.<section end="A espôsa"/> <section begin="Costumes da Côrte"/>{{t2|XI}} '''{{center|Costumes da côrte}}''' Somos entrados na máquina dos costumes da côrte, senhor N. Em grandes receios estou que comece a não saber o que digo, se já o não tenho feito. {{nop}}<noinclude></noinclude> 70s81qwly2xukta2ld368eje2qq4gs7 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/171 106 223079 564029 500771 2026-09-22T09:19:25Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564029 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|145}}</noinclude>¿ Quem dará têrmo a visitas, a merendas, a jogos, a romarias, a camaradas, a comadres, a amigos ? Vira-lhes eu têrmo, e fôra dado por quem fôra. Senhor, há aí umas cousas, que não são bôas, nem más ; e só as faz bôas ou más o costume. Há outras, que de si não são bôas, e por mais que se costumem, sempre são más. Há outras, que são ruins ; mas que o costume as tem já feito sofríveis. Folgara eu muito que v. m., pois é discreto, me dera por adivinhado, sem me fazer declarar quais são umas, quais outras, que eu declararei por muito comuns exemplos. Quero lisonjear as mulheres. O uso dos seus guarda-infantes, e cousas desta maneira, ponha entre aquelas, que de si não são más, nem bôas, e o costume lhe dá o ser, ou lho tira. Eu vi andarem as Francesas com semelhante trajo, a que então chamavam verdugadins ; parecerem muito bem, e não lhes ser estranhado. Depois as vi sem êles, e parecerem da mesma sorte. Quando estas cousas se usam, se estimam dignas ; e, quando não, se estimam indignas. ¿ Pode mais ser ? Eu tenho na minha livraria um livro feito por Alonso Carrança, contra as guedelhas, de que diz cousas abomináveis ; e tenho outro feito por Pedro Méxia, em que não cessa de chorar o vêr os homens trusquiados. A razão disto é o uso, que no tempo de um costumavam os cabelos grandes, e parecía vício, e abuso raparem-se os homens ; e no de outro costumavam cabelos rasos, e parecia desonestidade trazerem-se crescidos. Estas tais são as cousas, que não sendo más, nem bôas, o uso as faz bôas, ou más. Em Flandres (e mais em Alemanha) é acto de galantaria, singeleza, amizade, e bôa lei, beberem os homens tanto, que perdem seu juízo. Mas êste tal {{Hífen|cos|costume}}<noinclude></noinclude> olc2jj8186r2f1pss4cseiwuad7l2r0 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/172 106 223080 564030 500770 2026-09-22T09:19:33Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564030 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|146|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{Hífen-fim|tume|costume}}, não pode desmentir, nem honrar o vício que há nêle ; porque aquela demasia é de seu natural injuriosa. Os antigos quebravam o jejum com qualquer outra cousa que comessem fóra daquela hora, em que lhes era permitida a refeição. Veio o uso, e fez consoar, e pode tanto, que ficou por um uso. Aqui ajuntamos as consoadas do Natal ; e por ir mais longe, os miúdos de Castela, que tudo foram introduções, sem alguma concessão, ou direito ; porém já, calificadas pelo inalterável consentimento, se fizeram toleráveis, e perderam o nome de vício. Eis em bem claro modo, os três modos do poder do costume. Mas deixemo-las com os seus guarda-infantes, que êles virão a ser maus (se agora ainda o não são) como elas acharem outro trajo de que cuidem as faz mais airosas. Deixemo-las com suas visitas, romarias, e jornadas ; que ainda que não era bom, já o uso lhe comunicou seu privilégio. Porém jogos excessivos, banquetes descompostos, vindas fóra de horas, amizades com porfia&thinsp;; as compreendidas (se as há) dêem licença, porque eu me resolvo a dizer a v. m. e a todo o mundo, que estas tais são daquelas cousas que nenhum uso pode fazer decentes. Conhecendo-se que é mau, procure-lhe o marido cedo o remédio, antes que se aposse da pessoa. Consiste na ociosidade, e apetite ; trate de dar o remédio à ociosidade, ocupando-a no honesto trabalho do govêrno de sua casa ; e ao apetite, encaminhando-lho a outro emprêgo de mais honra, e proveito ; qual seria, que tenha apetite de viver em paz, e confiança com seu marido, certificando-se-lhe que de outra maneira lhe será impossível. {{nop}}<noinclude></noinclude> 8582avfmv1dw5qt6fp4hk2bvd6zudtn Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/173 106 223081 564031 500778 2026-09-22T09:19:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564031 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|147}}</noinclude>Ouvi já dizer a um príncipe, falando-lhe uma pessoa de grande respeito por um criado, a quem aquele príncipe havia descomposto : Deixai-o, deixai-o estar em minha desgraça, que primeiro que o castigasse com ela, lhe roguei muito que me tomasse por amigo entre os mais por quem me deixou, e nunca quis senão deixar-me por seus amigos. Êste tal requerimento deve com mais razão fazer o marido a sua mulher, e quando ela não convenha nêle, outro tal castigo lhe merece. É cousa rija que a senhora de casa, de tudo seja amiga, senão de sua casa ; como acontece a aquelas, que ou perdem a casa, porque nunca estão nela; ou porque o estar nela as ajuda a que a lancem a perder.<section end="Costumes da Côrte"/> <section begin="Govêrno doméstico"/>{{t2|XII}} '''{{center|Govêrno doméstico}}''' Disse que seria bom ocupar a mulher no govêrno doméstico ; e é bom, e é necessário, não só para que ela viva ocupada, senão para que o marido tenha menos êsse trabalho. Cousas tão miúdas não é bem que pejem o pensamento de um homem ; e para os da mulher são muito convenientes. Pergunto : ¿ Não se rira v. m. se vira ir um elefante carregado com um grão de trigo na tromba ? Sim, por certo ; e logo louvára a Deus se o visse levar no bico a uma formiga. Diz bem por isso o rifão : Do homem a praça, da mulher a casa. Os maridos que<noinclude></noinclude> lje5mygg1ydodclmwbtgwupprqtd2ua Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/174 106 223082 564032 502298 2026-09-22T09:20:05Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564032 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|148|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>em tudo querem mandar, são dignos de repreensão, igualmente aos que não querem mandar em nada. Enfim, snr. N., fique assentado, que o gasto ordinário convém que se entregue à mulher pela contentar, pela ocupar, pela confiar, por lhe dar aqueles cuidados, por lhe desviar outros. Se o faz como é razão, ¿ que maior ventura ? Fará conta o marido que achou um criado tam bom como êle, e tam fiel, que o serve de graça. Se o faz menos bem, ainda é mal bem tolerável. ¿ Quanto melhor será que o desaproveite a mulher que não o criado ? Que ela sempre errará contra sua vontade, ou pelo menos com vergonha ; e o criado pode ser que muito por sua vontade, e sem nenhum pejo, desacerte. As casas da gente ordinária soem ser melhor governadas ; porque infalivelmente guardam esta regra : um traz, outro aproveita. Dissera eu que à mulher se entregasse uma tal porção de dinheiro, que pouco excedesse o gusto quotidiano. Não por exercitar com ela alguma avareza ; porém, porque tenho por sem dúvida não convém as mulheres demasiado cabedal. Costumam gastar sem ordem aquelas que sem ordem recebem. Diga-lhe o marido, que êle se oferece para seu escritório, que acuda a êle quando lhe falta o dinheiro, como pudera a uma gaveta de seus contadores ; e faça-lho assim certo. Leve-a pela vaidade de grande govêrno ; mostre espantar-se do muito a que chega sua indústria. Não se vê o bom alfaiate onde há muito pano, nem o bom cocheiro nas ruas largas. Eu fico que se a mulher é gloriosa, para o seguinte mês, gaste um têrço menos. Para que lhe não seja molesto o pedir-lhe contas,<noinclude></noinclude> lcp2yisq7oryrmuco5nadoeb89s6xhj Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/175 106 223083 564033 502302 2026-09-22T09:20:14Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564033 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|149}}</noinclude>dê-lhe contas seu marido daquilo que gasta, e corre por sua conta. Mostrar-lhes confiança as obriga a que façam o mesmo. Estas contas de fazenda entre casados, não seria eu de parecer que jàmais se ajustassem, nem levassem ao cabo ; seja só reconhecimento, que na mulher haja ao marido. Tira-se daqui uma grande conveniência ; a qual é, que a mulher está sempre como que não é senhora disso mesmo que possui. Igualmente convém que gaste a mêdo, e goze a mêdo ; mas jàmais seja despojada do que logra ; porque então agradece, como que lhe deram, aquilo que lhe não tiram. Agora inventou a cautela outras cautelas contra esta bôa política, ajustando-se logo nos contratos do casamento (especialmente entre pessoas poderosas) os alimentos que hão-de dar os maridos a suas mulheres, durante o matrimónio. A quem o prometeu assim, aconselharei que o satisfaça ; a quem o não prometeu, aconselharei que o não faça. Não é, a êste propósito, pequeno o inconveniente que há quando se casa com filha herdeira ; as quais com maior razão pretendem ser senhoras do que é seu, e ter na governança de seus bens maior mão que seus maridos ; donde lemos haver algumas discórdias entre o Rei D. Fernando, e D. Isabel. Quando a mulher tal pretendesse, certifique-a seu marido, que quem é senhor da pessoa, e da vida, o é também da fazenda. Quem deu um anel de diamantes em uma caixinha de veludo, que não desse também a caixa, como deu o anel !<section end="Govêrno doméstico"/> {{nop}}<noinclude></noinclude> ls0hw13p8spad30uum1z7gwdqf2j309 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/176 106 223084 564034 502350 2026-09-22T09:20:24Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564034 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|150|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="O trajar"/>{{t2|XIII}} '''{{center|O trajar}}''' Não há para que me detenha no modo de vestir-se, vista-se conforme sua idade, mude-se com ela. Tem-se nisto respeito aos filhos, à saúde, ao gôsto, à presença, ou ausência do marido, e também à idade dêle. Se o houvéssemos de regular, parece que até aos três filhos, e até aos vinte e cinco anos se permite tôda a gala. E ainda nesse mesmo tempo tenha suas crescentes, e minguantes ; que nos mesmos altares de Deus se mudam as côres, e adornos, e vez há em que se mostram tristes. Aborrece-me umas maias muito enfeitadas sempre de bordados, e jóias, que parecem Fama de procissão, ou Rainha Moura de comédias. Seja mais confiada em si a formosura, se são formosas ; e mais reportada a fealdade, se são feias. Dizia um marido galante a sua mulher, destas muito arraiadas: que em a vendo daquela sorte, lhe fazia mais devoção que amor ; porque aquele seu andar, não era andar vestida, senão revestida. Outras há, que são uma perpétua pastilha, e uma caçoula perene. Muito conforme cousa é com elas o cheiro ; mulheres, e perfumes, tudo são fumos. E se êles fôssem bem adubados da discrição, eu fico que recendessem mais ainda. Confesso que nunca fui desafeiçoado ao concêrto das casas, e das pessoas, como por concertá-las se não desconcertem. Lembra-me haver ouvido, e lido (tudo conto com pouco aplauso meu) do<noinclude></noinclude> cv4dd1iy28s02ijt940y6cns06gzfl0 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/177 106 223085 564035 502351 2026-09-22T09:20:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564035 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|151}}</noinclude>Imperador D. Fernando o segundo, pai do que hoje impera (se êle impera) que não quis dormir em uma câmara, porque lha tinham perfumado. Se foi achaque de natural repugnância, é desculpável ; se não mais que hombridade, não vi eu maior impertinência. Há quem diga que foi religião ; porque dizem, tinha D. Fernando para si, que os cheiros eram só devidos a Deus. Do nosso rei D. Sebastião também contam, não ser muito caroável de cheiros. Não sei como isto é, porque, como eu sempre ouvi chamar reais a tôdas as cousas bôas, cuidava sermos obrigados a crer que tôdas as cousas bôas eram reais ; eram, digo, aceitas e dignas dos reis. A experiência mostra alguma vez que essa regra não é infalível. Contudo, se tem por certo sinal de um bom espírito ter inclinação para tôdas as cousas bôas. Não sei se nestes perfumes das mulheres entram tantas filosofias ; mas ainda que não sejam virtude, contentemo-nos com que não sejam vício.<section end="O trajar"/> <section begin="Regalos caseiros"/>{{t2|XIV}} '''{{center|Regalos caseiros}}''' Direi dos regalos, dores, e conservas o mesmo ; se bem êstes géneros, como mais necessários, em razão da saúde, da caridade, e da grandeza (que tudo é necessário) não devem faltar nunca, como por acudir a êles se não falte a outras cousas mais necessárias. Contudo me parece conveniente deixar cevar (digâmo-lo assim) as mulheres nestas suas curiosidades<noinclude></noinclude> 8dtpjkslww208pfltligpihda2w18ma Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/178 106 223086 564036 502352 2026-09-22T09:21:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564036 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|152|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>femeais : serem prezadas de melhor marmelada, bôas caçoulas, consoadas pontuais, lavores esquisitos, pano delgado, e cousas semelhantes ; que verdadeiramente as que se enfrascam nestes negócios caseiros, não lhe lembram outros, e êste é louvável. Debaixo da mesma lei compreendo os adornos, e alfaias de casa, julgando-a uma excelente ocupação a da senhora que dela trata ; e a seu marido louvarei muito, que em tal exercício a ajude sempre. Honram, alegram, servem ; e enfim é tesouro que se faz para as filhas, e em que se ganha às vezes mais que em mandar encomendas à India ; porque para levantar o falso testemunho de um dote de tantos mil cruzados, não há reposteiro vélho, nem tapête que não valha a cento por cento.<section end="Regalos caseiros"/> <section begin="Visitas"/>{{t2|XV}} '''{{center|Visitas}}''' Visitas que se fazem, e que se recebem, é um largo pégo. Já atrás deixo tocado nisto, mas não à minha vontade. Muito havia aqui que advertir, mas nem tudo é para papel, e tinta. Por certo, que não deixarei de contar o que me contava um homem discreto, e não bem casado, que havendo-me dito muitas queixas de sua mulher, rematou com esta, por tim de tudo : E vê v. m. isto ? Pois o que mais sinto dela, é ser muito bemquista. E de verdade as muitas amigas é cousa para dar cuidado, porque nem tôdas podem ser como hão-de ser as amigas. {{nop}}<noinclude></noinclude> mhfwuhxtvbbi43vj5ur3c1sy5senbjr Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/179 106 223087 564037 502353 2026-09-22T09:21:10Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564037 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|153}}</noinclude>Uma cousa que antigamente entre as amigas se chamava púcaro de água, passou a ser merenda, e de merenda a banquete ; e de banquete tem já subido a tanto, que se lhe não acha nome, ou pelo menos não lho quero eu dar. Não sei como seja bôa amizade, andarem-se destruindo as amigas umas às outras, empenhando as casas com excessos, desgostando os maridos com petições impertinentes, de perigoso, e de impossivel despacho. Se esta demasia se encaminha a mostrar amor, certamente indigna à a amizade que tem a guia por seu fim ; se a ostentar grandeza, ¿ como se pode conseguir a grandeza pelos meios que se alcança amizade, que entre todos os porque se alcança, nenhuns são tam próprios como o gasto desordenado ? Havia adoecido um fidalgo de pena de se vêr empenhado sem propósito, pelos despropósitos com que sua mulher gastava o que não tinha ; e como, estando com grandes febres, visse em casa um prato de cidrão mole, com que apesar de sua careza, a mulher se servia de ordinário nestes seus convites, dizem que disse o pobre doente : Dai-me cá aquele cidrão, que o quero comer todo. Requeria-lhe a mulher que tal não fizesse, porque o cidrão era fogo para quem se achava naquele estado. Respondeu então : Bem sei que é fogo, que bem abrasado me tem ; mas deixai-me vêr se acaso tem o cidrão a virtude do cão danado, cujos cabelos, se os põe na mordedura que êle fez, dizem que a sara logo. Nem andou menos discreto um criado, que perguntando-lhe certa pessoa, que fazia seu senhor, porque o queria ver ; êle lhe respondeu agudamente : Meu amo não está para vêr, porque o está merendando minha senhora com as senhoras suas amigas.<section end="Visitas"/><noinclude></noinclude> lcs3hkzl21xtc3a9th5m9kp7gcdzhwk Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/180 106 223088 564038 502423 2026-09-22T09:21:27Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564038 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|154|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="Murmurações"/>{{t2|{{sic|XXI|XVI}}}} '''{{center|Murmurações}}''' Faça o marido de quando em quando uma estação a sua mulher ; admoeste-a, que nem no seu estrado, nem em o alheio apóde ninguém ; cousa muito certa, e de que as apodadas, sendo mulheres, se cansam assaz, e também apódam ; e de que, se homens, logo lançam mão para queixas, ou agradecimentos. Que não desenrole os cuidados alheios, se fulano olha, ou se passeia a fulana. Parece cousa imprópria, que uma senhora, que não é bem que saiba mais que de si, e sua casa, traga registados os pensamentos do outro. Nunca a algum homem dos do lugar em que viver, louve, ou injurie. É nas mulheres êste diverso efeito (de ordinário) procedido de uma própria causa. Daqueles de quem muito mal se diz, e daqueles de quem muito bem se conta, julguei sempre um igual mistério ; e foi o pior que nunca me enganei nestas sentenças. Deve ser a prática das mulheres, do seu lenço de amostras, do ruim tempo que vai para curar pastilhas, queixar-se das criadas, e ainda para que se queixem dos despegos de seus maridos, lhes dou licença ; ainda que lhes levantem falso testemunho. E porque sei que hão-de pedir maior comarca para sua conversação, me parece que lhes podemos conceder, que possam até estranhar o bem, ou mal feito vestido que traz D. Fulana : e quando muito, chegar a não<noinclude></noinclude> 3gyfvffraebe5h2t1d2kl1zl755v8kt Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/181 106 223089 564039 502547 2026-09-22T09:21:38Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564039 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|155}}</noinclude>lhe parecer bem as côres, de que o betou, contanto que lhas não interpretem.<section end="Murmurações"/> <section begin="Amizades"/>{{t2|XVII}} '''{{center|Amizades}}''' Torno às amigas, e reparo muito, que em nosso bom português, com muita razão, de amigas imigas quási não vai diferença. Sou tam ruim, que creio que muito mais dano fizeram amigas no mundo, que inimigas. E assim costumo eu a dizer, que aos homens perdem seus inimigos, e às mulheres suas amigas. Tenha-se que devem ser as melhores ; e estas não tratadas com porfia ; basta que seja sem artifício. E esta tal amizade assento eu em especialidade, e cumprimento. Isto com as mais amigas.<section end="Amizades"/> <section begin="Freqüência do Paço"/>{{t2|XVIII}} '''{{center|Freqüência do Paço}}''' Trouxe-nos Deus agora (com todo o mais bem que veio a êste reino) um novo Paço e Côrte ; e porque da do tempo passado nos não lembramos os que vivemos agora, mal poderemos governar estas acções por aquelas antigas. A côrte portuguesa era bem {{hífen|freqüen|freqüentada}}<noinclude></noinclude> 3vzzltenrvzitfxycdrb5jds7656k4q Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/182 106 223090 564040 502419 2026-09-22T09:22:14Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564040 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|156|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|tada|freqüentada}}, bem galante, e bem luzida, mas de grande recolhimento. As idas ao Paço são devidas, justas, e bôas ; as vezes devem de ser contadas. Nascimentos de infantes, bodas, festas de entre ano, achaques de príncipes, sua saúde, novas notáveis, e pouco mais que isto. O ir só, não é elegante ; seja a companhia sempre bôa, mas não de pessoa maior (salvo a primeira vez) cuja autoridade some o agasalho, que cada um deseja de achar na graça dos reis, em suas casas, e em as de qualquer hóspede. Acontece que muitas mulheres muito para isso, começam a cobrar (vâmente) fumos de bem vistas das rainhas, e princesas ; a que, sem algum fruto, se segue grande inquietação. E sucede mais, que para dourarem sua ligeireza, se hão com os maridos como dizem que fazem os negros dos mercadores, que em indo por onde querem, tapam a bôca aos amos com dizer-lhes que foram ouvir missa. Vem muitas vezes a ser o lícito capa e manto do ilícito. Com achaque de que vão ao Paço, se gasta o tempo em ociosidades, e a casa se desgoverna. A mulher principal basta-lhe que a sua rainha a conheça. Em melhor conta a terá quando vir o siso com que procede, as poucas vezes que a vir. O correio extraordinário a todos alvoroça, quando chega ; o correio ordinário vai e vem, sem ninguém fazer caso dêle. Às pessoas de fóra do serviço dos príncipes, é custosa, e arriscada a pretensão de seu favor. Punha um grande cortesão o servir às damas, e aos reis, com o uso do limão, e da laranja ; que o limão quere que o apertem muito, e então dá melhor sumo ; a laranja se quere espremida muito a de leve, porque logo amarga em se apertando. As damas querem ser assistidas ; os reis {{hífen|vis|vistos}}<noinclude></noinclude> p1qknqjfzem4hn1a0moeapp6udddzmm Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/183 106 223091 564041 502421 2026-09-22T09:22:36Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564041 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|157}}</noinclude>{{hífen-fim|tos|vistos}} à bôamente. Por isso já disse alguém, que os príncipes, e o fogo, se queriam tratados de longe, porque perto queimam, e longe alumiam.<section end="Freqüência do Paço"/> <section begin="Festas"/>{{t2|XIX}} '''{{center|Festas}}''' Ser mui pontual em tôdas as festas, certo que é grande fadário. Aquelas das igrejas, que entre nós são mais freqüentes, ninguém pode duvidar que seja lícito acudir a elas ; mas nem tôdas as cousas lícitas são sempre convenientes. Dê-se-lhe confiança bastante à mulher para crêr que pode ir a tôdas as festas, mas com amor, e cortesia se lhe mereça que não vá a tôdas. De uma que não lhe escapava alegria, em que se não achasse, dizia um : A senhora fulana péna em glória. Porque verdadeiramente parece um novo género do purgatório não haver festa, onde a mulher não queira ser presente. Perguntavam a um casado, onde fôra sua mulher à missa, e êle dizia : Onde ouvir charamelas. Eu conheci em Castela uma titular vélha, e graciosa, e por extremo honrada, que quando se metia no côche, e lhe perguntavam o cocheiro, a onde ? Respondia : ''A donde huviere mas gente''.<section end="Festas"/><noinclude></noinclude> 7fry18msv4ul9v8eqekn73fibzqrvz9 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/184 106 223092 564042 502518 2026-09-22T09:23:13Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564042 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|158|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="Cachorrinhos e outros bichos"/>{{t2|XX}} '''{{center|Cachorrinhos e outros bichos}}''' Ora já que vou tam miúdo, hei de me aventurar um pouco mais ; servirá de alegrar a melancolia, que até aqui guardamos. Senhor N., não sou de cachorrinhos enfeitados, que sempre tem nomes misteriosos. Já me sucedeu em uma igreja vir-me perguntar um pagem esbaforido, se vira eu por ali o cuidado da senhora D. fulana, que andava perdido : e perguntando qual era o cuidado daquela senhora, que pudera bem ter outros, achei que era um cachorrinho daquele nome. Papagaios, saguins, são praças mortas, mui escusadas, e que as mais vezes induzem ligeireza. Senhor meu, os mineiros pelas ervas, pelas flores, que dá a terra cá por fóra, conhecem logo qual tem ouro lá dentro, e qual não tem ouro. Tanto podem os sinais exteriores. Vou estando tam impertinente, que nem pássaros hei deixar. Roussinol de todo o ano, que canta de noite, e dizem logo que faz saudades, ¿ de que serve ? ¿ De que servem saüdades estando o marido em casa ? Não convém que haja saüdades neste tempo, nem que se conheçam. Negrinho, negrinha a que se digam requebros ; enjeitadinhos graciosos, vilões simples (que às vezes não são simples) vestidos de côres, que se chamam Dons fulanos, entram, e vão por donde querem, não quisera eu que entrassem, nem fôssem por casa de v. m. Tudo isto na minha má opinião é repreensível ; e folgara de o ver longe das portas de meus amigos. {{nop}}<noinclude></noinclude> 7e0xalvep0af13hi01gehuocczl6hvv Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/185 106 223093 564043 502520 2026-09-22T09:23:22Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564043 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|159}}</noinclude>Juro a v. m. que tôda a vida me enfadaram as damas dos livros de cavalarias, porque sempre as achava acompanhadas de cachorros, de leões, e de anões. Tam inimigo sou destas tais sevandilhas, que nem em livros mentirosos as sofro ; ¿ veja v. m. que será nas cousas verdadeiras ? Mas o que é humor, ou capricho meu, não é razão que se assente por regra geral. Seja advertido para quem tiver outro tam mau gôsto.<section end="Cachorrinhos e outros bichos"/> <section begin="Mulheres caseiras"/>{{t2|XXI}} '''{{center|Mulheres caseiras}}''' Os castelhanos celebram muito as mulheres caseiras, que tratam do serviço de suas casas. Verdadeiramente êles as festejarão tanto, porque colhem lá delas tam pouca novidade, que vem a ser novidade o achar lá uma destas mulheres. Contudo ouvi da rainha D. Margarida de Áustria (mãe de el-rei D. Filipe que hoje reina) bordava ela, e suas damas, mandava vender sua obra, e aplicava para regalos das freiras da Encarnação seus ganhos, e cabedais. Ou como, por melhor exemplo, dizem que faz hoje o mesmo a rainha nossa Senhora, imitando as nossas antigas princesas, entre as quais foi neste virtuoso exercício sinalada a rainha D. Catarina, tia da sereníssima rainha nossa senhora, de quem se diz se dava tam bem neste honesto e piedoso trato, que enriquecia os mosteiros pobres do reino ; dos quais muitos guardam todavia singulares adornos, ou feitos<noinclude>{{esquerda|12}}</noinclude> hnq6tzgfkm3i95enl27z3asgg7br9dn Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/186 106 223094 564044 502662 2026-09-22T09:23:36Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564044 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|160|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>por mãos daquela santa princesa, ou ganhados pelo trabalho delas. Não cansa a minha Margarida de Valois, rainha que foi de França, e Navarra. Chamo-lhe minha pela grande afeição que tenho a seus escritos ; e porque foi, a meu juízo, a mais discreta mulher de nossos tempos ; cujas acções de muitos caluniadas, eu espero brevemente defender no meu Teodósio. Não cansa, digo, esta entendidíssima senhora de encarecer o bem que lhe pareceu vêr desabotoar-se a condessa de Lalaim, estando à mesa com a própria rainha, a dar de mamar a um filhinho seu, que a seus peitos criava. Gaba a franceza grandemente aquela caseira acção da condessa, e diz : que nunca teve inveja a feito de mulher, como a aquele.<section end="Mulheres caseiras"/> <section begin="Mulheres ídolos, varonis e sábias"/>{{t2|XXII}} '''{{center|{{sic|Mulheres ídolos, varonis, e sábias|Mulheres ídolos, varonis e sábias}}}}''' Há umas mulheres ídolos, que ou são inutilíssimas, ou se prezam de o ser ; e só lhes parece que nasceram para ser adoradas ; e disso só querem servir. Ora eu me contento com que não façam mais de um serviço em suas casas. E seja êste. Sirva a mulher de ser senhora de sua casa, satisfaça as obrigações dêste seu ofício : que assaz fará de serviço a sua casa, a seu marido, se o fizer como deve. Como o tomará v. m. se disser mal das varonis. Ó senhor N., eu me fundo em razão. Se eu tivesse por certo que o grande coração da mulher se houvesse {{hífen|sem|sempre}}<noinclude></noinclude> g8mticy4bjujm606zc618m3cljths3d Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/187 106 223095 564045 502651 2026-09-22T09:23:46Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564045 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|161}}</noinclude>{{hífen-fim|pre|sempre}} de ocupar bem, bem lho sofrera ; mas em dúvida tenham mêdo de um rato ; desmaiem-se em vendo espada nua ; um trovão seja para elas um dia de juízo. Criou-as Deus fracas, sejam fracas ; oxalá façam o que são obrigadas, não lhes quero pedir mais que sua obrigação. Já sei que desta vez ficarão de todo mal tôdas comigo. Não quisera discorrer pelo seu entendimento, nem dar regras a cousa que serve de dar regra às outras cousas ; mas pois me atrevi a oferecer preceitos sôbre o amor, que é ainda afeito mais livre, não temo já de os dar para o entender. Hei-de estranhar por fôrça um dito daquele nosso tam nomeado, e tanto para nomear, bispo D. Afonso, que dizia : A mulher que mais sabe, não passa de saber arrumar uma arca de roupa branca. Nem sentirei melhor do outro que afirmava : Que a mais sabida mulher, sabia como duas mulheres. Sou de muito diferente opinião, e creio certo há muitas de grande juízo ; vi, e tratei algumas em Espanha, e fóra dela. Por isso mesmo me parece que a aquela sua agilidade no perceber, e discorrer, em que nos fazem vantagens, é necessário temperá-la com grande cautela. A êste seu juízo não se pode pôr lei alguma ; aos exercícios sim. Como se agora a um homem fôsse dada uma navalha de finíssimo aço, para que fizesse um feito ruim ; mas estando ela ainda em tôsco, aquele que lhe escondesse a pedra em que a queria afiar, fizera o mesmo que se lha tirasse da mão, e escusasse o malefício. Assim, pois não nos é lícito privarmos as mulheres do subtilíssimo metal de entendimento, com que as forjou a natureza ; podemos, sequer, desviar-lhe as<noinclude></noinclude> ot9267okqhd3yxnx07aa1y6ra6gcubq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/188 106 223096 564046 502652 2026-09-22T09:23:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564046 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|162|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>ocasiões de que o agucem em seu perigo, e nosso dano. Façamos nós. senhor N., o que podemos. Nos cuidados, e empregos dos homens não se metam as mulheres, fiadas em que também tem como nós entendimentos, e em que a alma não é macho, nem fêmea, como alguma em seu favor alegava. Mas saibam os maridos que nem por esta taxa, que lhes ponho, é justo que a mulher sisuda deixe de dar a seu marido modestamente seu parecer ; nem deixa êle de ser obrigado a lho pedir. Não cuide v. m. que me contradigo, ou arrependo do que tenho escrito ; declaro-me com um bom semelhante. Seja a mulher como a mão do relógio, e o marido seja o relógio. Aponte ela, e soe êle. Um mostre, outro resolva ; que andando desta maneira temperado o relógio, todos o crêem, todos o tem por oráculo. Não só se concerta a si mesmo, mas faz andar aos outros concertados. E ao contrário, se se desconcerta, também aos outros. Oh ! como folgo de vêr uma mulher ignorar aquilo que não é razão saber ! mas que verdadeiramente o saiba. Acho grande perfeição quando erram aquelas cousas que lhes podiam pôr imperfeição, se as acertassem. Entenda a mulher como mulher ; seja tal sua lição quando lêr ; sua prática quando praticar ; e tal o mesmo que se lhe lêr, e que se lhe praticar. Pois comecei com os meus adágios, hei-de acabar com êles. Ouvi um dia caminhando, e não era êle menos que a um chapado recoveiro (veja v. m. que enjeitei os filósofos, para citar êstes autores) enfim ouvi-lhe, que Deus o guardasse de mula que faz ''him'', e de mulher que sabe latim. O riso, e gôsto com que lhe escutei esta<noinclude></noinclude> e717iuf5ofl4z5g3qxqfce7wfu0emvk Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/189 106 223097 564047 502653 2026-09-22T09:24:04Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564047 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|163}}</noinclude>engraçada sentença me faz agora lembrar dela ; não se julgue por indecente, se é proveitosa. O ponto está em que o latim não é o que dana ; mas o que consigo traz de outros saberetes envolto aquele saber. Já que estou ao fogo, e como desde êste logar falo a v. m., e v. m. me ouve, e me perdôa, irá outra não pior história. Confessava-se uma mulher honrada a um frade vélho, e rabujento ; e como começasse a dizer em latim a confissão, perguntou-lhe o confessor : ¿ Sabeis latim ? Disse-lhe : Padre, criei-me em mosteiro. Tornou-lhe a perguntar : ¿ Que estado tendes ? Respondeu-lhe : Casada. A que tornou : ¿ Onde está vosso marido ? Na Índia, meu Padre (disse ela). Então com agudeza repetiu o vélho: Tende mão, filha : ¿ sabeís latim, criastes-vos em mosteiro, tendes marido na Índia ? Ora ide-vos embora, e vinde cá outro dia, que vos é fôrça que tragais muito que dizer, e eu estou hoje muito de-pressa. Tomára que as mulheres não soubessem de guerras, nem estados, nem procurassem por isso. Enfadam-me umas que se metem em eleições de governos, julgar de brigas, praticar desafios, mover demandas. Outras que se prezam de entender versos, abocanham em linguagens alheias, tratam questões de amor, e de fineza, decoram perguntas para gentes discretas, trazem memorial de motes dificultosos. Umas que dão significação às ervas, que adivinham as côres, outras que as tem de sua tenção ; outras que examinam prêgações, que lhes tomam palavras ; outras que as usam esquisitas, e falam por circunlóquios, que tem modos de gabar fóra do uso, que praticam ao som do meneio das mãos, ou do movimento dos olhos. Fóra, fóra tudo isto, que parece ficção, e nem verdadeiro, nem fingido é bem que seja.<noinclude></noinclude> 7qg5e5wjx57rrlabwe80oh5qxywhmmr Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/190 106 223098 563994 502660 2026-09-22T09:10:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563994 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|164|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Não me tenha v. m. por maldizente ; mais vale que por proluxo. Mas em verdade, que tudo o que aponto é digno de ser lembrado. Pedia uma dama a um seu irmão, homem discreto, que lhe desse uma letra para certa empresa sua, que queria mandar abrir em um sinete ; respondeu-lhe : Minha irmã, deixai as empresas para as adargas dos cavaleiros andantes ; as empresas, que haveis de mandar abrir, sejam chavões para fazerdes bolos a vosso marido quando o tiverdes.<section end="Mulheres ídolos, varonis e sábias"/> <section begin="Mulheres palreiras, descompostas e muito risonhas"/>{{t2|XXIII}} '''{{center|Mulheres palreiras, descompostas e muito risonhas}}''' Falar sempre, é mau ; rijo, é malíssimo ; e em logares indecentes pior que tudo. Acontece que muitas que se prezam de discretas, respondem alto nas igrejas pare que as ouçam, e aplaudam ; entendem com as amigas, que lhe ficam longe, a fim de serem ouvidas. Também o suspirar à prêgação, fazer gestos com a cabeça, como que lhe contenta o que se disse, rezar desentoado, compassar a música, são cousas que não houveram de ser. Fale a mulher discreta o necessário, brando, a tempo, com tom que baste para ser ouvida da pessoa a quem fala, e não das outras. Comparou bem um entendido as pessoas com os sinos, que pela voz se conhece se estão sãos, ou quebrados. Escuso de mostrar como as {{sic|palavaras|palavras}} informam do ânimo ; porque assim como pelo correio que vem de tal parte, sabemos as novas<noinclude></noinclude> r5a02i1gsagewkl16rvza1mtxlcmidq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/191 106 223099 563993 502746 2026-09-22T09:10:38Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563993 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|165}}</noinclude>que lá vão, assim pelas palavras, que vem do juízo, sabemos o que lá vai. Elas já sei que me terão por suspeito ; pois até os movimentos lhe hei-de medir. Uma das terríveis cousas que há na mulher é usar de meneios descompostos. Sei que nem tôdas podem ser airosas ; mas graves, tôdas o podem ser. Faz grande dano uma maldita palavra, que se nos pegou de Castela, a que chamam despejo, de que muitas se prezam ; e certo que, em bom português, despejo é descompostura. Outra explicação lhe ia eu a dar, mas esta baste. E claro está, que o despejo é cousa ruim, porque o pejo era cousa bôa. Nada disto se lhe perdôe : sendo, senhor meu, tam importante que êstes costumes exteríores andem concertados, como é a formosa frontaria a um nobre edifício, para que se tenha por nobre. ¿ Ora do riso que diremos ? Pois se elas tem bons dentes, e aquilo que chamam graça na bôca, e cova na face, aí lhe digo eu a v. m. que está o perigo. Há mulher destas, que rirá a todo o sermão da Paixão, como se fôsse ao de dia de Páscoa, sòmente por assoalhar aquele seu tesouro. Não disse Platão, nem Séneca, cousa melhor que o que disseram as nossas vélhas : ''Muito riso, pouco siso.'' Longe estou de persuadir à mulher que seja melancólica ; porque antes a sempre triste induz pouca satisfação de sua vida. Alegre-se, e ria-se em sua casa, à sua mesa, e na conversação de seu marido, filhos, e familiares, deixe o riso em casa, quando fôr fóra, a modo da serpente que vomita a peçonha primeiro que vá beber, e depois que bebe, torna outra vez a recolher a sua peçonha. Venha para casa, e tome a sua bôa graça.<section end="Mulheres palreiras, descompostas e muito risonhas"/> {{nop}}<noinclude></noinclude> gtxcy934g9ldkmaposul512eqk5ed2f Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/192 106 223100 563992 502747 2026-09-22T09:10:29Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563992 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|166|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="Leituras"/>{{t2|XXIV}} '''{{center|Leituras}}''' Ainda fico com escrúpulo sôbre a lição em que muitas se ocupam. O melhor livro é a almofada, e o bastidor ; mas nem por isso lhe negarei o exercício dêles. Estas que sempre querem lêr comédias, e que sabem romances delas de cór, e os dizem às vezes entoados, não gabo. Outras são mortas por livros de novelas ; tais pelos de cavalarias. Aqui é mais perigosa a afeição, que o uso. Bem vejo que se lhes pode permitir êste desenfado : mas seja com maior cautela a aquelas que excessivamente se lhe entregarem ; visto que podemos temer se ama nêle antes a semelhança dos pensamentos, que a variedade da lição. Não quisera que ninguém gostasse senão daquilo, de que era justo que tivesse gôsto. Contarei a v. m. uma cousa que a meu pezar me lembra. Caminhava por Espanha, e entrando em uma pousada bem cheio de neve, não houve algum remédio para que a hóspeda, ou suas filhas, que eram duas, me quisessem abrir um aposento, em que recolher-me ; e quanto eu mais apertava, me desenganavam melhor de que nenhuma se levantaria donde estava, sem acabar de ouvir lêr certa novela, cuja história ia muito gostosa, e enredada. E tal era a sofreguidão com que ouviam, que nem ameaçando-as com que iria a outra pousada, quiseram desistir de seu exercício, antes me {{hífen|convida|convidavam}}<noinclude></noinclude> s0t4meduwh76owbw05vgybxswffnqjo Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/193 106 223101 563991 502750 2026-09-22T09:09:52Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563991 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|167}}</noinclude>{{hífen-fim|vam|convidavam}} que ouvisse os lindos requebros, que Cardénio estava dizendo a Estefânia : que tudo isto rezava a bôa da novela. Enfim eu me fui apear a outra parte, e voltando em breve tempo por aquele logar, e perguntando pela curiosa leitora, e ouvintes, me disseram que muito poucos dias depois as novelas foram tanto adiante, que cada uma das filhas daquela estalajadeira fizera sua novela, fugindo com seu mancebo do logar, como bôas aprendizes da doutrina, que tam bem estudaram.<section end="Leituras"/> <section begin="Beatarias e crendices"/>{{t2|XXV}} '''{{center|Beatartas e erendices}}''' Somos entrados na santimónia, ou por melhor dizer, na beataria. Tenho cansado a v. m., quisera passar voando por aqui, mas hei mêdo que não possa. A matéria é das mais importantes; procure v. m. (mas que se force) ouvir-me com nova menção, que eu também renovando o cuidado, hei-de procurar de falar a v. m. Muitas pessoas de grande porte, e excelente natural, a título de virtude, temos visto caír em vida desordenada. Nosso inimigo, o demónio há-se às vezes connosco, como um homem quando busca outro, que se topa em um caminho, e vê que vem para êle, ali o espera ; e se vê que se desvia para outra parte, então estuga o passo, e o segue até alcançá-lo. Às pessoas que vivem mal, muitas vezes lhes não sai ao encontro, porque sabe vem direitas para êle ; mas às que vivem bem, após dessas se lança com maior ligeireza. {{nop}}<noinclude></noinclude> 0amz806gu4veivifv6620gjysv3tk53 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/194 106 223102 563990 502869 2026-09-22T09:06:10Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563990 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|168|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>A reformação dos costumes cousa é boníssima, e santíssima. Tem porém nas casadas seu limite ; de maneira que por se darem de todo a aqueles bons exercícios, não desamparem os da obrigação de seu estado ; no qual Deus deixou virtude e santidade bastante para que, sem saírem dêle, se possam salvar todos, e tôdas, a quem compreende. Andam pelo mundo espalhados uns homens, e mulheres, que fazem profissão de mestres de virtude, de que verdadeiramente nem são discípulos. A êste fim arrebatam, sem alguma prudência, os ânimos singelos, e piedosos das senhoras, e gentes principais, que às vezes guiam tam mal, como nos mostram mil exemplos, e como êles a si se tem guiado. Convém que a casada tenha seu confessor certo ; e êste seja pessoa grave, e conhecida, e daquelas religiões que mais florecem no logar onde viver. Muitas senhoras de grande estado vi confessar com os curas, e párocos de suas freguesias, que quando êles sejam homens doutos, e sisudos, julgo por excelente costume. Pois como até na eleição de confessor pode haver desacêrto, discreta resignação, e desconfiança seria não fiar de seu juízo cousa tam importante, e seguir aquela que a igreja tem feito, entregando sua consciência à pessoa a quem as entrega aquele a quem Deus, e seu Vigário as tem entregado. Tenham as senhoras tôda a piedade, e compaixão dos pobres, e afligidos. Mas umas devoções a beatas, e beatos extravagantes, não levarão jàmais meu parecer. Senhor N., freiras veleiras, que não sejam as serventes dos conventos conhecidos, vélhas alumiadas, gentes professoras de novidades, que trazem orações, e devoções de tantos dias, com tantas candeias, e de tal<noinclude></noinclude> bkcbpzt48hhq3df6tidedwsntemb7pi Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/195 106 223103 563989 502870 2026-09-22T09:06:01Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563989 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|169}}</noinclude>côr, porque logo Deus (como elas dizem) lhes mostra o que há-de ser, requeiro a v. m. que tal cousa não admita. Galantemente o advertiu o nosso Sá nos seus Vilhalpandos, espelho de graça, e cortesania. Quando a vélha, que ensinava a matrona, mandasse nove môças em romaria com vélas de cera virgem para abrandar a condição do filho travésso ; torna a fazer a vélha aquela tam estremada lembrança : Ouvis, senhora ; a cera das vélas convém que em todo o caso seja virgem ; que as môças, quer o sejam, quer não. Tais costumam ser de ordinário aquelas suas devoções, tais as circunstâncias em que elas põem a fôrça de sua virtude. Umas há, que chamam madres, que se prezam de dizer cousas em segrêdo : se se casará, se terão filhos, se será o marido governador de tal parte, se ficarão viúvas cedo ; benzem enfermos, vão a Santo André, gastam rolos com seus nós todo o ano : afirmam que a alma do parente não esteve mais que três dias no Purgatório : guardar, senhor, de tudo isto, como do próprio inferno.<section end="Beatarias e crendices"/> <section begin="Frades e freiras"/>{{t2|XXVI}} '''{{center|Frades e freiras}}''' Vejo que já me estão perguntando, ¿ como se haverão em o trato dos frades ? Responderei com a resposta de um cortesão, ou aconselharei com o seu conselho. Dizia êste, sendo assim perguntado : Olhai, eu sou amicíssimo dos frades : se não são bons, não lhes quero dar ocasião em minha casa para que sejam piores : se são<noinclude></noinclude> na2getncdlf87ezghtzy3em4m6vdg9x Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/196 106 223104 563988 502871 2026-09-22T09:05:16Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563988 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|170|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>bons, não lhes quero dar ocasião em minha casa para que o não sejam : de sorte que sempre os amo, e sempre os escuso. Outro mais escrupuloso dizia, que em quatro partes lhe pareciam bem os religiosos : Altar, Púlpito, Confessionário ; e perguntando-lhe qual fôsse o quarto logar ? Respondeu : pintados. Lícito é que o parente religioso veja a mulher de seu parente, ou sua parenta. Venha a casa, ajude a alegrar nas ocasiões de contentamento, e a consolar no desgôsto ; componha a discórdia, se aconteceu entre os casados. Que o mesmo faça o prelado da Religião, o homem douto, e virtuoso dela ; assista-lhes o marido, dê autoridade a suas visitações, que então fica a prática mais universal, e a visita mais solene. Enfada-me (e é para isso) o modo de alguns homens, que em lhe chegando Frade, ou pessoa de que êles não gostam, à sala, já o encaminham para D. fulana, e por se verem livres da impertinência, ou petitório de alguns de tais mensageiros, lhos lançam à pobre mulher, como quem lança ôdre de vento a touro em que desbrave. É êste um mal considerado remédio. Também o ser descortês com os religiosos, e estar como potro espantadiço, tendo mêdo de qualquer argueiro que vôa pelo ar, é andar muito por êle. A mulher se desconfia, vendo o pouco que fiam dela, escandaliza-se a casa, o senhor se afronta, e nada fica melhorado. Reduzira, finalmente, as beatarias da mulher casada em ser muito amiga de Deus, e muito temerosa dêle. Estudar nas obrigações de seu estado. Ouça a missa no seu oratório à semana ; e, se ao domingo quiser ir à Igreja, é bem louvável. Vá, e não às de maior<noinclude></noinclude> s6k7iywc7nt9vciyxt03iifxbvvar6q Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/197 106 223105 563987 503257 2026-09-22T09:04:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563987 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|171}}</noinclude>concurso. Em dias de festa será conveniente acompanhar-se da parenta, e da amiga ; ir cedo ; e não entrar na casa de Deus com o mesmo estrondo que se entrára em uma batalha, destroçando, e atropelando o povo, que se queixa, e as murmura. Esta é mannha de algumas senhoras, e não por certo bôa manha. Não seja a última que sáia, nem a primeira. Tinha também que dizer a umas que comem nas Igrejas, para ficar para a tarde ; a outras, que sem propósito se levantam mil vezes cada hora a rezar de joelhos, não sendo tempo ; mas parece apertar muito : fique pelo menos sabido que não esquece. O uso das penitências, para quem as usa, é saudável. Na mulher que as aprende, convém que se moderem. Há uns casados tam indiscretos que se desviam da mortificação, quando algum a quere receber. Isto não deve ser assim : porque quem ama a pessoa, muito mais deve amar o espírito. A mulher bôa, que sem excesso se mortifica, é digníssima de que se lhe dê todo o azo, e licença, para que prossiga em sua oração, e mais exercícios santos. Ao marido o mesmo a mulher ; que o contrário é amar de gentilidade. Duvido (ou não sei se não duvido) de que seja conveniente a amizade de casadas com freiras. Isto podia ser mais, e menos tolerável, segundo fôsse mais, ou menos freqüente. Por cousa tenho senhoril ter bôa amizade com uma religiosa, que as mais delas, ou são santas, ou discretas, curiosas, e pessoas de estima ; quando o negócio não chegasse a amores impertinentes, escritos de cada dia, ciúmes de cada hora, presentes, e viagens de todo o ano. O mais, como digo, antes fôra bem permitido ; e que a casada mandasse à freira seus presentes, por festas, e a visse por festa. {{nop}}<noinclude></noinclude> 3ihjfi7mwfu9q6lpscsxz3pt2ti8ykh Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/198 106 223106 563986 503258 2026-09-22T09:04:50Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563986 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|172|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>O mesmo a seu confessor, ao prelado conhecido do convento reformado. Fez Deus aos ricos tesoureiros dos pobres ; e assim é razão que se deixem usar dêles, como de acredores seus. Não tenho aqui que dizer mais, e antes cuido que fui sobejo. Salvo se acrescentar um aviso de cousa, com que há muito tenho azar ; a qual é vêr a umas mulheres andar sempre fazendo festas, pedindo-as, prometendo-as, e aceitando-as com o pretexto que elas querem. Falei já no servir a Deus quam bem parecia ; mas nesta matéria creio que há não pouco inconveniente, porque às vezes uma senhora a trôco de se não escusar de receber uma capela, e um ramalhete em uma salva, cuidando que se apouca em a não aceitar, a aceita, e põe depois seu marido em maior vergonha, ou não fazendo a festa, ou fazendo-a mal, do que ela se ficára escusando-se dela. Até a estas cousas alcança a obediência que aos maridos se deve.<section end="Frades e freiras"/> <section begin="Atavios"/>{{t2|XXVII}} '''{{center|Atavios}}''' Ande a mulher tôda vestida, e sempre composta por sua casa, e jàmais a vejam seus criados em hábito indecente. Como para ela não é bem que haja outro mundo que seu marido, creia que assim convém aparecer a seu marido, como se aparecera a todo o mundo. Estou de candeias às avessas com um novo costume de umas capinhas, que não sei donde vieram ; {{hífen|por|porque}}<noinclude></noinclude> r19aeuo5qeatkovs4i6bymba2cjuf4u Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/199 106 223107 563985 503259 2026-09-22T09:04:41Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563985 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|173}}</noinclude>{{hífen-fim|que|porque}} me não lembra que tal visse em nenhuma parte. Ora seja, ou não seja de outra nação, êle não é trajo autorizado, nem (a meu juízo) decente ; e já tam vulgar, que isso mesmo pudera ser o seu desprêzo. Podendo-se com mais razão dizer pelas tais capinhas, o que dizia um pechoso pelas violas, que sendo um excelente instrumento, bastava saberem-no tanger os negros e patifes, para que nenhum honrado o pusesse nos peitos. Chega o desatento a tanto, que neste trajo se aceitam visitas ; e é cousa muito para evitar, por ser tam pouco airosa para quem a oferece, como para quem a recebe. Ambas as pessoas desestima quem a sua mostra ser compostura a outra pessoa. Ao que bem aludia um cortesão, que sendo convidado de um amigo, e dêle mal agasalhado, lhe disse: Não cuidei que éramos tam amigos.<section end="Atavios"/> <section begin="Facilidades dos maridos"/>{{t2|XXVIII}} '''{{center|Facilidades dos maridos}}''' Há homens fáceis em mostrar a seus amigos sua mulher. E suposto que êsse costume diz simplicidade de ânimo, e é usado entre os estrangeiros ; todavía nem hoje está o mundo para que um só queira ser êsse simplíssimo, nem ainda nesses, que o costumam fazer, deixam de estar sucedendo casos, que os puderam mui bem haver feito mudar êsse costume. Convidava (em Espanha era) um senhor principal, e bem casado a alguns amigos seus de alta condição ;<noinclude></noinclude> 3ywjh0e9or1p2i7l8tn8fvyr6yx3d7f Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/200 106 223108 563984 503334 2026-09-22T09:04:33Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563984 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|174|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>quis que vissem sua mulher ; ela se escusou ; mas enfim a visitaram. Depois à mesa quis seu marido que ela também comesse, e honrasse os hóspedes : retirou-se, e sendo apertada com recados, respondeu em sua própria língua: ''Dicid al Duque, qui si me hizo baxilla, no me hará vianda''. Mostrando com agudeza castelhana, que já que como baixela a fizera vêr, a não quisesse também facilitar como iguaria. Que o senhor leve algumas vezes o parente, o amigo, o ministro, o prelado, e estrangeiro, e homem douto, e principalmente o homem bom, a sua casa, e lhes faça convite, não só o não estranho, mas o louvo. É cousa honrada, e que faz os homens bemquistos. Não deve evitá-lo sua mulher, antes com todo o concêrto decente dispôr que se ministre, honrando a seu marido naquela acção ; com o que os muito ásperos se obrigam ; porque os corações nobres muito mais se satisfazem de vêr que se ama o que êles amam, do que ainda de serem por si mesmos amados. Hei-de dizer aqui de umas, que se prezam de matronas, e quer bem, quer mal, elas querem ser os senhores de suas casa. Estas pretendem sua maioria por muito honradas, por muito sabedoras, ou por muito ilustres. E às vezes sem nenhum dêstes extremos, elas se dão tal manha, que a conseguem, especialmente dos maridos bons, simples, e divertidos. Vigie-se logo ao princípio aquele que tais pensamentos descobrisse em sua mulher ; porque se lhe vir que uma vez deixa senhorear-se, tantas o intentará, até que de todo ela seja senhora, e êle servo. Dizia um em tal caso a sua mulher : Senhora, hei vos de levar a casa de vosso pai, e hei-de demandá-lo por justiça, que me dê minha mulher ; e perguntando ela porque, {{hífen|respon|respondeu}}<noinclude></noinclude> s3gg6t21fym07tsata6w3beqa1q6cal Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/201 106 223109 563983 503335 2026-09-22T09:04:21Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563983 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|175}}</noinclude>{{hífen-fim|deu|respondeu}} êle : Porque vós não sois minha mulher, senão meu marido. E a mim me dizia um discreto, e galante casado : que deixarem as mulheres de mandar seus maridos, era impossível ; mas que o que estava à conta dos homens honrados, era fazerem que isto fôsse o mais tarde que pudesse ser. Eu não me contentára com menos, senão que nunca fôsse ; dando mui bem por escusadas essas matronerias. Desejei de mandar uma cadeia de ouro a uma casada, que estando chovendo, e ela para ir fóra, quando já se molhava muito bem, e lho advertiam os criados, chamou um pagem, e lhe disse : Dize a teu senhor, que me mande dizer se chove, porque me não fio dêstes, nem de mim, e escusarei de sair. Oh ! que discretíssima ignorância ! Oh ! que invenção de obediência, tanto para ser obedecida ! Parece, senhor N., que nos vamos esquecendo das cousas picantes, que dão mais contentamento, e são salsa das outras ; e de verdade não menos necessárias.<section end="Facilidades dos maridos"/> <section begin="Govêrno da casa"/>{{t2|XXIX}} '''{{center|Govêrno da casa}}''' Ainda não falei no tráfego da casa. Isto é cousa que requer muito tento. Quisera eu as casas de um só gargalo. Muitas portas, muitas serventias, não aprovo. As casas dos reis, e príncipes tem infinitas guardas, e<noinclude>{{esquerda|13}}</noinclude> 01r3g5tovv7cnc1tt8q6en1n5edi3gm Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/202 106 223110 563982 503336 2026-09-22T09:04:13Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563982 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|176|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>porteiros ; com isto se defendem de inconvenientes ; como quem põe estrepes em muro baixo. As casas dos fidalgos particulares, que não podem ter êsses porteiros, e portarias, necessitam de alguns criados vélhos, e fieis, a quem seus amos constituam vigias, e sentinelas de seu decôro. Mas neste caso não descarregar neles todo o cuidado o marido ; porque assim como na guerra (e eu o estou aqui vendo, e ouvindo nesta torre) costumamos pôr soldados de posta ; e nem com tudo isso se contenta a disciplina militar, senão que lança roldas, e sobreroldas, e sôbre elas vão depois os oficiais a vêr, e vigiar o que fazem, e o que vigiam os soldados que vigiam ; assim nem mais, nem menos deve o senhor da casa roldar, e vigiar sôbre os criados, a quem entrega o cuidado de sua honra. Negras, e mulatas, que saem fóra, não tivera. Soem ser fecundas, e inçam uma casa de tantas manchas (a meu vêr) como delas nascem ; porque parece feia cousa andar uma tam vil licença aos olhos da senhora, e das criadas. Negrinhas, mulatinhos filhos destas, são os mesmos diabos, ladinos, e chocarreiros, por castanhas trazem, e levam recados às môças, e são delas favorecidos. Ciganas, ermitoas, adelas, mulheres que vendem garavins, e bolotas para lenços ; outras que trazem doces, e os dão mais baratos do que valem, tudo é malíssimo. Mudas é peçonha. Lavandeiras, ramalheteiras, umas que vendem, e são freguesas, e com quem as criadas em um instante armam contas de rações, que lhes trocam, mostrando que não podem viver sem elas, são gente bem escusada. Os que adivinham, os que benzem. Os chocarreiros, e mais os dos príncipes, costumam ser atrevidos pelas entradas que lhes dão sem tento. Uns trejeitadores, outros que fazem {{hífen|prèga|prègações}}<noinclude></noinclude> 3p4nqnm1a2rd2wmdpfn8sjggx97k11n Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/203 106 223111 563981 503481 2026-09-22T09:04:05Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563981 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|177}}</noinclude>{{hífen-fim|ções|prègações}}, que arremedam animais, e gentes, são peçonha refinada : e as que em tudo o são, são umas que vendem dixes, águas de rosto, tiram pano, fazem sobrancelhas com linha, alimpam o carão com vidro ; homens de linhas, bofirinheiros, mulheres que pedem para uma certa missa de esmolas, outras para amparar uma órfã. Tudo isto, Senhor, é uma casta de gente, que ferve ao redor das casas grandes, assim como peixe, que anda à lambugem da pedra. Apartam-se com dificuldade ; sofrem-se com perigo. Seu estorvo requer tanta fôrça como indústria ; porque cada uma destas criaturas pela maior parte não cuida senão em enganar, levar, roubar, mentir, dar novas, e às vezes (e não poucas) em fazer muito ruins mensagens, e trazer outras, em dano, e descrédito das casas onde se consentem, que não seja a de v. m. Tinha um homem principal sua filha donzela doente, guardava-a muito. Havia quem lhe quisesse bem. Escrevia-lhe : revolvia-se o papel, e sôbre êle se armava um ramalhete. Vinha uma ermitoa, falava ao pai, dava-lhe aquele ramo da parte de tal Santo ; levava-lho êle mesmo com grande gôsto e era o próprio corretor de sua filha, servindo-lhe por sua mão a peçonha dissimulada naquele ramalhete. ¿ Quem tal havia de cuidar ? Quanto por êste, bem se podia (e por muitos) dizer o que diz o Romance : ''El aspid anda en las flores, alerta, alerta, zagales''. Tomado daquele adágio latino, que entre as ervas mimosas latia o ''aspid'' peçonhento.<section end="Govêrno da casa"/><noinclude></noinclude> m9xjs9n2l9excqlnb45ch85uetlkotn Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/204 106 223112 563980 503488 2026-09-22T09:03:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563980 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|178|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="Ocasiões de perigo"/>{{t2|XXX}} '''{{center|Ocasiões de perigo}}''' Costumam alguns homens de grande sorte introduzir suas mulheres em suas pretensões, entendendo quantos grandes negócios se acabaram já por elas. Poucos são os casos, a meu juízo, em que me pareça lícito ficar um homem passeando, e mandar a sua mulher que vá falar, e requerer por êle. A prisão do marido, a honra da sua casa, do seu ofício, do seu título, a vinda do marido ausente, e risco de morte do filho : estas são, e não outras, as cousas que farão lícita esta diligência, sempre perigosa, e não sempre proveitosa. Um certo ministro grande costumava dar audiência às senhoras fóra de sua casa, em um logar tam decente, que era demasiado recolhido. Levaram ali dous fidalgos suas mulheres para semelhante negociação ; e deixando-as lá, se saíram logo. Viam isto outros, e então disse um dêles : Certo que fulano, e fulano não fizeram bem de se saírem ; porque estando ali autorizavam o seu negócio. Respondeu outro : Hide-vos disso, que fulano, e fulana não são dos que querem autorizar o seu negócio ; são dos que querem fazer o seu negócio. Nunca será bem acabada de louvar aquela sentença tam repetida do discretíssimo conde de Vimioso : Quem perde a honra pelo negócio, perde o negócio, e mais a honra. Senhor N., nenhum prudente, nenhum honrado pretenda com riscos suas melhoras. ¿ Que há-de ganhar do<noinclude></noinclude> 4inso6itrz138sdr6ec580lqbjp4bff Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/205 106 223113 563979 503489 2026-09-22T09:03:50Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563979 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|179}}</noinclude>por vir, quem logo de antemão entra perdendo ? Os bons mercadores seguram as encomendas de mór valia. Seja a mulher honrada, como dizem que é o corpo santo, que não aparece senão nas grandes tempestades, e sempre para remédio delas. Acuda aos males de sua casa, aos trabalhos de seu marido, e de seus filhos. Procure salvá-lo, e salvá-los a êles. Seja sua voz, não seu requerente. Possa ser instrumento ao remédio da necessidade, não ao lôgro do interêsse.<section end="Ocasiões de perigo"/> <section begin="Cautelas"/>{{t2|XXXI}} '''{{center|Cautelas}}''' Obrigam-se muito as casadas de que seus maridos lhes contem o que sabem, e o que ouvem, e o que passa pelo lugar. Que os homens sejam secos, é meio caminho andado para serem aborrecíveis, que sejam faladores, é todo o caminho andado para serem desprezados. Deve-se eleger um bom meio, de sorte que a mulher não cuide que seu marido a tem em conta pouca, nem que êle faça de maneira, que em outra semelhante seja tido dela. As mais logo trazem decorado aquele rifão : Quem me a mim quere bem, diz-me do que sabe, dá-me do que tem. Guarde-se o discreto de contar a sua mulher as histórias passadas de seus amores, e de sua mocidade. Causam assim dous males ; dar a conhecer às mulheres a fraqueza de seu natural, e entenderem como há outras pelo mundo, que se deixam enganar fàcilmente. {{nop}}<noinclude></noinclude> fqnk63p3bbgoj0dizev7oxluuprrimp Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/206 106 223114 563978 503490 2026-09-22T09:03:42Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563978 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|180|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Por nenhum caso se lhes sirva o prato de leviandade alheia ; e naquelas cousas tam públicas, que se não puderem negar, pelo menos se desculpem, ou se desviem. Mostre-se sempre horror a tais sucessos ; e havendo de praticar nêles, carregue a culpa, e causa à parte do marido, e a da mulher se desculpe. Dando assim a entender, que aquele que fôr bom marido, sempre terá mulher bôa, como de ordinário sucede, e êle o espera de si, e da sua. Algumas vezes vemos, que a casada de grandíssima honra, trata, e acompanha confiadamente com outras de não tam igual fama. Haja nisto grande tento, e o melhor será escusá-lo de todo. A reputação é espelho cristalino ; qualquer toque o quebra, qualquer bafo o empana. Elas, quanto são mais seguras em seus procedimentos, se aventuram, pode ser, mais a tratar as que o não são. O vulgo sempre cego, não sabe distinguir, ou não quere, o bom do mau. As mais vezes quem atira não dá ali aonde atira, mas dá perto do logar aonde atira. Assim os maldizentes, indo a acusar a uma pessoa, não acertam logo ; e porventura infamam as que andam junto dela. Valho-me sempre das cousas naturais, e assombro-me certo neste caso, considerando que uma só gota de tinta que caia em uma redoma de água claríssima, basta, e sobeja para a tornar turva : e que para aclarar, e deixar limpa uma redoma de tinta, não basta uma pipa de água clara. Assin costume ser a má, e a bôa fama, que a muito bôa não pode acabar de purificar a ruim, e a ruim logo empece à muito bôa. Noutro logar disputo eu largamente : ¿ porque se nos não pega a saúde assim como se nos pega a doença ? Notável cousa por certo ! Agora me contentarei com o dizer do nosso {{hífen|mo|moral}}<noinclude></noinclude> cxhqmyv6scv051wg3apdvqf0zfjtq9x Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/207 106 223115 563977 503491 2026-09-22T09:03:12Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563977 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|181}}</noinclude>{{hífen-fim|ral|moral}} : O bem não é como tinha, o mal pode ser que sim. Aparte esta contenda a prudência do marido. Contava um, que costumava a se haver neste caso com excelente destreza. Instava de continuo à mulher, que visse, buscasse, e andasse com fulana, e fulana, de quem êle tinha satisfação ; porque com estas persuasões ficava adquirindo nova autoridade para estorvar que se não visse, buscasse, e andasse com fulana, e fulana, de quem êle não era satisfeito. Gabar à mulher a formosura de outras, as mais delas o tem por descortesia ; assim o ar, a graça, e as mais bôas partes : mas como nisto não houvesse excesso, seria sofrido. Dêem-lhe todavia regra a condição, idade, parecer, e bôas qualidades da mulher própria ; porque as que dêstes dotes são abundantes, podem ser mais confiadas. Um fidalgo praticando com sua mulher, na qual era sobeja a gentileza, e a discrição, que faltava nêle, exagerava por extremo a formosura, e qualidades de outra mulher. Sofreu a própria quanto pôde, e vendo sua demasia lhe disse : Não quisera mais para me vingar das invejas que me fazeis com fulana, que vê-la casada convosco, para vos não parecer nada disso, e para vêr como ela se havia quando vós me gabásseis outro tanto.<section end="Cautelas"/> {{nop}}<noinclude></noinclude> as5m2zdaanoqffzuguy0780o10j5rqw Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/208 106 223116 563976 503582 2026-09-22T09:03:01Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563976 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|182|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="Galantarias honestas"/>{{t2|XXXII}} '''{{center|Galantarias honestas}}''' Não se nega porém ao marido, que se possa mostrar galante com as damas, e senhoras, quando a ocasião fôr de galantaria ; porque esta obrigação é de bom sangue ; e como não seja viciosa, antes virtude, pelo menos política, não obriga contra ela o matrimónio. As próprias mulheres, se são generosas, folgam que seus maridos se mostrem cortesãos onde o devem ser. Estavam os reis católicos para saír fóra, e a raínha à janela, viu passar o cavalo de el-rei, e que igualando-se com a sua égua, que já ali estava, não fizera nenhuma bizarria. Bradou donde estava a rainha ; e chamando o estribeiro-mór, lhe disse, que logo mandasse cortar as pernas a aquele cavalo, porque não levava gôsto que el-rei tornasse a subir nêle. E perguntando-lhe o estribeiro-mór que razão daria a el-rei de um tal feito, lhe respondeu : ''Porque pasó sin relinchar a una yegua tan hermosa como la mia ; y cavalo que es tan para poco, no hará cosa buena''. Estas galantarias do marido não podem ser recíprocas para a mulher, que tem muito menores licenças, sem ter alguma razão de queixa ; como acontece que uma cidade tem muito menor comarca que a outra, e nem por isso terá justiça para a pretender igual. Não gabe a mulher a outro homem diante de seu marido, salvo daquelas cousas, que tidas, ou não tidas, vem a ser a mesma cousa. <section end="Galantarias honestas"/> {{nop}}<noinclude></noinclude> 1wldqgjcjf7g0cuklc1yzblflel0w0f Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/209 106 223117 563975 503584 2026-09-22T09:02:48Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563975 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|183}}</noinclude><section begin="Louçanias"/>{{t2|XXXIII}} '''{{center|Louçanias}}''' Permite-se-lhe ao casado moço ser loução, e usar de todos os adornos de sua pessoa que a um homem são decentes. Supomos que aquele é estado, a que se dírigia ; e assim como no estado estão tôdas as cousas em maior perfeição que no aumento, ou declinação, assim ao casado são lícitas tôdas as cousas pertencentes à perfeição dêle. Os cheiros, as galas, os regalos, para os casados, e para os namorados se fizeram ; porque se deixa entender que aqueles empregos nascem do cuidado da mulher, ou da dama ; com o que se qualificam melhor, que se do próprio cuidado do varão nasceram. Estas são das cousas que também trocou o uso ; e de verdade não cuido que viciou, quando as não melhorasse. Os nossos vélhos diziam também : Que o homem havia de cheirar a pólvora, e a mulher a incenso. Aludiam à religião, e milícia em que os queriam a êles, e a elas, ocupadas. Não há muitos anos que uma senhora principal, e não pouco gloriosa, tachava os perfumes de um cortesão ; êle sabendo-o, lhe mandou dizer, que acabasse sua Senhora consigo o cheirar a incenso, que êle acabaria logo consigo o cheirar a pólvora. O concêrto dos aposentos do senhor, o asseio de sua pessoa, finalmente estas cousas que os antigos desprezavam, hoje são lícitas, e não tem o vício em seu uso,<noinclude></noinclude> ajbcrupaffivtorwq9135ixpkzg5hse Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/210 106 223118 563974 503619 2026-09-22T09:02:32Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563974 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|184|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>senão em seu abuso. Façamos diferença de lindos a concertados.<section end="Louçanias"/> <section begin="Afeminação, desleixo, e requebros indecentes"/>{{t2|XXXIV}} '''{{center|Afeminação, desleixo, e requebros indecentes}}''' E porque não nos desconsolemos de todo com os costumes modernos, nem os que se prezam de severíssimos nos queiram confundir com a pureza dos antigos ; como se poderá crer que naquele reinado de el-rei D. Sebastião, em que os homens se fingiam de ferro, por contemplação dos excessos de el-rei, era costume andarem os fidalgos mancebos encostados em seus pagens, como hoje as damas ? E chegava a tanto aquele mau costume, que quando os que jogavam a péla, passavam de uma casa para outra, o não faziam, sem que se lhes chegassem os pagens, e neles se encostassem. Diziam ''haã'', fazendo-o muito comprido, e os mais falavam afeminado, por uso daquele tempo. Sendo isto assim, não há para que condenar os costumes pela idade senão pela qualidade ; nem é justo desprezar o presente por engrandecer o passado. Tenho por muito digno de repreensão o andar por casa descomposto. Persuadira, a não ser molesto, que fôsse o mesmo trajo o de casa, e o da rua. Verdadeiramente o homem em seu hábito, parece que tem outra grandeza, e império. Prova-se bem, com que os reis, e os grandes, aquele criado de que mais confiam, é o que admitem a sua presença, quando estão descompostos : como que necessita de amor, e fidelidade quem<noinclude></noinclude> o01o702vwebt9j3wq8arhreg0m5c308 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/211 106 223119 563973 503989 2026-09-22T09:02:22Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563973 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUTA DE CASADOS|185}}</noinclude>houver de guardar inteira reverência a um homem descomposto. Alguns há tão pouco advertidos, que requebram suas mulheres à mesa diante de seus criados, agora com as palavras, agora com os meneios ; é de todos os modos indignissimo ; porque igualmente ofende a modéstia dos homens, e a honestidade das mulheres. Tenha êste excesso sua contradição na mulher, quando não tiver sua advertência no marido.<section end="Afeminação, desleixo, e requebros indecentes"/> <section begin="Pièguices paternais com os filhos"/>{{t2|XXXV}} '''{{center|Pièguices paternais com os filhos}}''' Passo a estranhá-lo também para com os filhos. Vi um dia a um grande general rodeado de muitos homens grandes, que o seguiam, abrir o corro de todos, e lançar a correr por receber um filhinho seu que o vinha buscar, e beijá-lo em presença daquele concurso, que todo se estava olhando, e admirando, de que uma tam grave pessoa pudesse tam pouco consigo. Digo a v. m., senhor N., que se poder tivera, lhe tirára logo o ofício, porque o ânimo dos homens não se vê quando resistem àqueles efeitos, que aborrecem, senão quando vencem aqueles que amam. Dirão a isto os pais, que os que o não são, não podem dar regras a seu amor. Êles dirão o que quiseram ; mas eu não direi outra cousa. E todos sabem que muito melhor conhece os lanços do jôgo aquele que o vê, que aquele que o joga. {{nop}}<noinclude></noinclude> sz32tvrnuhwmxv17ooxvwvfttsltnp5 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/212 106 223120 563972 503995 2026-09-22T09:02:12Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563972 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|186|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Ora, pois falamos em filhos, acabemos o que há que dizer àcêrca dêles. Desejá-los é tam justo, como merecê-los. Mas não obrigue êste desejo a fazer demasias. Nos moços deve de hever uma bôa confiança. E já que nos servimos dos ditados, não vem aqui mal para escusar mais leitura, aquilo que se diz : A Deus rogando, etc. Escuso-me de acabar o adágio, porque de todos é sabido. Mèzinhas, caldas, devoções, frades que benzem, freira que toca, físicos estrangeiros, quintas essências, bebidas desusadas, emprastos desconhecidos ; de tudo isto livre Deus a v. m. Muito faz aqui a hombridade ; muito mais a cristandade. Pôr nas mãos de Deus ; tomar delas o que vier ; que sempre é mais a propósito que nossos desejos. Ora os filhos nascidos. Guarda de contar graças, nem estremecer sôbre êles. Tudo isto os faz malcriados, e aos pais é de pouca opinião. As mães querem que os maridos os tragam, e folguem com êles ; quando v. m. caia nesta venialidade, seja a modo de ofícios em Igreja interdita, quero dizer a portas fechadas. Não é cousa pertencente a um homem ser ama, nem berço de seus filhos. Fazer-lhes aqueles seus momos, falar-lhes naquela sua linguagem, tudo é indecente. Basta que os veja, e ame, e lhes procure todo o regalo, e bôa criação. Essas outras figurarias são próprias das mães, a quem se não há-de tomar em nada o modo, nem o ofício. Bofé que me lembrou agora uma cousa que me não há-de ficar no tinteiro, mas que todo não venha a propósito. Tinha um ministro muito lisonjeado um certo filhinho seu, que costumava vir a um aposento cheio de grandes pretendentes. Havia entre êles um muito<noinclude></noinclude> i0ppf1onf7p4t47k81siftcjs24d47h Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/213 106 223121 563971 504002 2026-09-22T09:02:04Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563971 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|187}}</noinclude>grande nos anos, na pessoa, e no estado ; e mais que tudo nos interesses. Era êste o que mais praticava com a criaturinha, e tais cousas lhe fazia fazer o espírito mau da lisonja, e adulação que trazia no corpo, que dizia outro pretendente por êle : Certo, muito é que o interêsse faça mais parvo a fulano com os filhos alheios, do que o amor nos faz a nós com os nossos. Vá mais por jôgo, que por conselho. Quando, senhor N., Deus der filhas a v. m., não lhes consinta mais que um só nome liso, aquele que lhe ditar a devoção, ou obrigação. Tenho por grande leviandade esta ladainha de nomes (dissera melhor carta de nomes) que hoje se usa, pondo em camouço uns sôbre outros, deixando os de mais barafunda para o cabo. Deram as mulheres nesta nova casta de damaria ; e acontece que a que nasceu, e se criou mera Domingas, ou Francisca, lança sôbre si meia dúzia de Jacintas, Leocádias, Micaelas, Hipólitas, e outros nomes esdrúxulos, só porque viram chamarem-se assim, pouco mais, ou menos, a suas vizinhas. Acho graça nesta história. Fôra a baptizar em um logar desta minha vizinhança a filha de um escudeiro ; e porque ouviu que a outra de um título tinha sua mãe mandado pôr na pia três nomes ; como a êle lhe custava barata a grandeza, içou um furo mais à vaidade, e mandou baptizar a menina com quatro nomes. Ouviu-os todos o cura, e disse aos padrinhos : Senhores, escolham um só nome, que sou fraco de memória ; ou juro a tal que lha baptize sem nome, ou lha mande para casa como veio, até que lá se resolvam no que melhor lhes parecer. Parece que me ia esquecendo de uma cousa que julgo digna de advertência, e para que pode ser que<noinclude></noinclude> 9bzwe6mx5auyl75lakvuqwx9iobpees Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/214 106 223122 563970 504680 2026-09-22T09:01:56Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563970 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|188|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>fôsse advertido de quem sabe que escrevo êste papel. Costuma haver excesso nos maridos por dous modos, quando suas mulheres se acham naquela hora do parto. Uns que as servem, e assistem melhor que as próprias comadres ; outros que como inimigos fogem delas. Dizia um dêstes com travessura, que, se casasse, não havia de ser senão em julho. E sendo perguntado porque ? respondeu : Porque se fôr tam mofino que minha mulher haja de parir, seja em março ; e possa eu achar embarcação para a Índia, onde me irei antes que vê-la em estado. A bôa, ou não bôa vontade que se tem à mulher, dará aqui o melhor conselho. Também o natural do marido puxará muito por êle. Não reprovo aqueles que tudo querem ser naqueles casos ; reprovo os que não querem ser nada. O saír de casa é repreensível, porque pode haver mil sucessos para que sejam necessários. Bastará estar cada um no seu aposento, e receber nêle com igual constância as ruins, ou alegres novas. Hei-de alegrar tamalavez esta matéria com um dito de certo senhor castelhano. Era general, e lhe pediu um seu capitão licença por escrito para se ir achar em casa ao nascimento de um filho. Pôs-lhe por despacho : ''Al tener el hijo quisiera yo hallarme en mi casa ; que al nascer, poco importa''.<section end="Pièguices paternais com os filhos"/> <section begin="Amas"/>{{t2|XXXVI}} '''{{center|Amas}}''' A miséria dos tempos que em tudo vão para traz, tem feito que as amas, que antes eram mulheres {{hífen|honra|honradas}}<noinclude></noinclude> ecsmhragriajhlj5ped0sg1407jvfbd Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/215 106 223123 563969 504681 2026-09-22T09:01:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563969 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|189}}</noinclude>{{hífen-fim|das|honradas}}, se hajam hoje trocado a vilãs bem dispostas. Já viemos das mães para as amas; e agora das bôas amas imos para as ruins. Enfim, é uso, vá com êle. Mas contra a natural obrigação das mães ; porque, como disse um sábio : quem antes de nos vêr, e conhecer, nos sustenta nove meses dentro em sí ; ¿ porque depois de nos vêr e conhecer, nos enjeita, e busca outrem que nos sustenta ? Bem folgára eu de vêr os filhos de meus amigos mamar bom leite ; não só na qualidade do corpo, mas também na do espírito. A quem foi filho tam bem criado como v. m., pouco, ou nada tenho que lhe lembrar na criação dos filhos. Crie-os v. m. como seus pais o criaram, que todos nos daremos por contentes. É também esta matéria larguíssima para discorrer nela, e toca verdadeiramente mais a outro intento, porque o que agora levamos é só apontar regras à vida dos casados, para que levem suavemente aquele jugo que sôbre ambos descansa.<section end="Amas"/> <section begin="Bastardos"/>{{t2|XXXVII}} '''{{center|Bastardos}}''' Virá aqui a propósito de filhos, isto de filhos bastardos : alfaias certo mui bem escusadas, e de não pouco embaraço aos casados ; mas que aquele que as tem, não pode mandá-las vender ao Pelourinho. É fôrça que digamos sôbre isto alguma cousa. Os naturais, e que não devem nada à fé do {{hífen|matrimó|matrimónio}}<noinclude></noinclude> sucgw65tp7wvvgiyrv35500v2wp990v Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/216 106 223124 563968 504684 2026-09-22T09:01:30Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563968 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|190|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|nio|matrimónio}}, são dignos de conservar enquanto não há legítimos. Houve tantos famosos homens no apelido de v. m. e em outros, dêste tal nascimento, que não aconselhara se esperdiçassem antes de tempo. Com os pais, acabado me parece que o tenho ; nas mulheres à maior a dificuldade. Muitas há de tam generoso natural que agasalham com muita galantaria aos filhos de seus maridos ; outros que os não podem vêr, e os maltratam. Notável foi a fineza daquela Margarida de Valois, raínha de França (que já deixo nomeada). Estava no leito com seu marido Henrique IV, o Grande (que grande ingrato the foi !) viu que se afligia por lhe trazerem em secreto recado que estava no próprio paço real parindo do mesmo Henrique, mademoiselle de Foseuse, dama da rainha, e de el-rei. Vestiu-se Margarida, e foi assistir ao parto de sua criada, que tam mal a servia ; tratou de seu regalo, e o que é mais, de sua honra ; mandando a tôdas aquelas de quem se ajudou, que sob pena de sua desgraça, nenhuma descobrisse êste sucesso. Se por esta receita obraram as outras mulheres, bem se lhe puderam confiar os filhos que chamam de ganância ; visto porém que não é assim, seria acôrdo criá-los sempre não só fóra de casa, mas do logar em que se vive. As filhas em conventos ; uns, e outros não sejam desamparados nunca ; que enfim soem ser filhos do amor, a quem se deve bôa correspondência ; e que por faltos de fazenda, e cheios da obrigação de seus nomes, se acham em mil aflições, que tôdas resultam em dano da honra, e da consciência de seus pais. A Índia, e a religião costumam dar bôa acolhida a êste género de gente. Siso será destinar-lha. Entre aqui a advertência da emenda da vida livre,<noinclude></noinclude> gs6basy9g8uock99gy1kbdz81fafvt5 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/217 106 223125 563967 504685 2026-09-22T09:01:18Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563967 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|191}}</noinclude>e descomposta ; que se antes do casamento compreendeu alguma parte da idade do homem, tanto maior deve de ser depois o apartamento dela. Ó senhor ! que foge às vezes um lebreu que estava prêso ; quebra as cadeias, e corre sem elas ; mas lá junto à coleira vai ainda tinindo um fuzil das prisões por que estava prêso, com que ainda êle se não dá por sôlto, e livre. Benzer, senhor, benzer como do diabo, de cousas passadas, que não debalde da linguagem das vélhas, cousas passadas, ou cousas más, é tudo o mesmo ; nem com os olhos se torne a voltar para elas, nem para vêr se ficam lá muito longe. Com muita razão, e boníssima doutrina fingiram os poetas, que o seu Orfeu não perigára quando foi ao inferno, senão quando depois dêle fóra quisera olhar para trás. Verdadeiramente, senhor N., que essa é a última perdição : sair do mau estado, e tornar a olhar para êle<section end="Bastardos"/> <section begin="Freiráticos e ciúmes"/>{{t2|XXXVIII}} '''{{center|Freiráticos e ciúmes}}''' Muitos há que, não sei em que fiados, dão em terem amizades proluxas com freiras ; parece-lhes que nada ofendem as mulheres nessa correspondência. Tira-se daqui muito ruim fruto: porque as mais das casadas começando em zêlo do que os maridos gastam, e do que se descompõem, acabam em um finíssmo ciúme. Elas tem razão, porque os maridos não farão menos<noinclude>{{esquerda|14}}</noinclude> 5joy8lhxfuwtsegh2om8m7dgeq7o7s9 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/218 106 223126 563966 504686 2026-09-22T09:01:08Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563966 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|192|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>ofensa a suas mulheres divertindo-lhes a afeição, que qualquer dos outros cabedais, que lhes são devidos, e com êsse nome de devido se nomeiam ; antes será maior a ofensa quanto fôr a mulher mais daquelas, que só da afeição de seus maridos se satisfazem. Não quero passar tam de-pressa por esta palavra, ciúme, ou ciúmes; que ou dados, ou tomados, significa um humano inferno. Humano, porque vive entre os humanos; e desumano, porque desumanamente trata aqueles entre quem vive, ou vivem nêle. Foi questão, e ainda não é conclusão, qual lhe seria pior a um casado, dar ciúmes a sua mulher, ou tê-los dela ? Escuso-me de averiguá-la ; uma, e outra cousa abomino. Há muitos que do dar ciúmes não fazem caso, e grandíssimo de os receber. O engano, senhor, é manifesto ; porque o dar ciúmes que se despreza, de ordinário assenta sôbre grande causa; e o recebê-los que em muito se tem, as mais vezes é imaginação; e como as mulheres padeçam ainda menos de fracas, que de vingativas, acontece que mil vezes produz nelas mais terríveis efeitos a vingança, que a fraqueza. Disse bem quem disse, que os ciúmes se pareciam a Deus, em fazer de nada alguma cousa. Eis aqui o seu ofício, que em tôdas as maneiras não deve ter logar nas casas onde viver a discrição, e cristandade. Porque certo é terrível tormento o que padecem, já os homens, já as mulheres, por esta maldita imaginação ; a quem com não menor propriedade houve quem chamasse víbora, porque em nascendo mata a pessoa que a engendra. Amoesto a todo casado fuja desta peste ; e que aquilo mesmo que para si tam justamente deve de não<noinclude></noinclude> kmw1fpgtt6i5v4xt9m4bx2ar1yohpbo Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/219 106 223127 563965 504687 2026-09-22T09:00:33Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563965 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|193}}</noinclude>querer, o não queira também para quem ama, ou deve de amar pelo menos. Dizia um discreto, que o chegar um casado a dar a entender a sua mulher tinha ciúmes dela, era meio caminho andado para que ela lho merecesse ; aludindo ao que se diz vulgarmente, que a maior jornada é o sair de casa. Assim como o direito dizem que ten deixado muitos casos para que não assinou pena, por não presumir aconteceriam no mundo ; assim o casado deve mostrar-se esquecido de tal pensamento, por não presumir lhe possa ser necessário. Distingo porém prudentes de ciosos. A prudência precata, desvia, e assegura todos os caminhos da suspeita. Nada disto faz o ciúme ; antes para não ser um homem cioso, convém que seja prudente. Pô-lo hei mais claro com êste exemplo. O prudente é como o capitão de um castelo, que traz pelo campo de contínuo suas espias ao longe, vigiando noite e dia seu inimigo, bem que o não tenha ; porque quando o tiver, o não possa tomar de sobressalto. Êste tal vive seguro, come com gôsto, dorme com descanso. O cioso é como outro capitão, que temendo-se de tudo o que há, e não há ; se encerra miseràvelmente em seu castelo ; o ar que corre lhe faz nojo, a fôlha que se move cuida que é assalto ; e assim sem honra, e sem proveito, cheio de mêdo e desconfiança passa a vida, ignorando o que é paz e repouso. Aqui lembro de passo a muitos e muitas que me lerem, que quando me virem ser miúdo nas cousas e praticar cautelas que parecem escusadas, não cuidem que por nenhum modo é meu ânimo inculcar aos casados o ciúme ; antes, porque nenhum o seja, lhe {{hífen|propo|proponho}}<noinclude></noinclude> 7rktdv80co9yspb2lstkhqzz4ys7tka Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/220 106 223128 563963 504688 2026-09-22T09:00:13Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563963 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|194|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|nho|proponho}} tantos outros meios de segurança, que de todo percam êsse receio. ¿ Quem duvída se deve muito maior agradecimento ao médico que nos dá regras para não perder a saúde, que ao que nos dá mèzinhas para que depois de perdida possamos cobrá-la ?<section end="Freiráticos e ciúmes"/> <section begin="Jôgo"/>{{t2|XXXIX}} '''{{center|Jôgo}}''' O jôgo em todos os estados é ruim ofício, se é ofício, quando não passe de ocupação cortesã, e que anda anexa à ociosidade dos poderosos. Eu viera fàcilmente em que se jogara o lícito, se eu soubera medir até onde era lícito o jôgo ; mas ainda acho maior dificuldade em poder ter mão nas rédeas da cólera ou ambição daqueles que jogam ; afectos, que jàmais se enfreiam. Sôbre uma muito pequena causa se arma uma porfia, e sôbre ela uma perda de honra, ou de vida ; porque os homens já não fazem motivo da quantidade da perda, senão da qualidade da dúvida. São tantos os exemplos, que não há para que provar os danos do jôgo. Olhem-se as lágrimas ; escutem-se as tragédias. Era dito de um discreto, que vinho, jôgo, e tabaco se deviam de vender nas boticas como mêzinha. O solteiro, se joga, joga o seu, ainda quando dermos que é seu isso que joga. O casado joga o que é alheio, porque êle não tem em sua família mais de um<noinclude></noinclude> bvfjnwb3iyrp73s7171pe0l2854fa0a Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/221 106 223129 563962 504689 2026-09-22T09:00:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563962 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|195}}</noinclude>quinhão ; e respectivamente tem ali outros a mulher, os filhos, e os criados. ¿ Logo como pode com justiça aventurar, contratar, e perder o alheio ? Tinha um senhor, mui inclinado a jôgo, uma filha muito querida. Começou a perder dinheiro, jóias, alfaias, que ia mandando buscar a sua casa, e eram tôdas gran parte do dote daquela sua filha. Ela afligida, e queixosa justamente, tomou seus criados, e foi-se onde êle jogava : viu-a o pai, e com grande sobressalto lhe perguntou que queria dêle em tal logar ? Respondeu-lhe : Venho, senhor, a que V. S. me jogue também, e que me perca ; porque, assim como assim, ¿ eu para que valho já em casa sem o que V. S. tirou dela? Um, que gabava o jôgo, chamava-lhe escola da paciência. Fôra-o, se nela se aprendesse como se gasta. A êste fim considero em muitas vezes a servidão de um taful ; a que não acabo de dar saída ; porque quando vejo que, se contra um dêstes se dá uma sentença de vinte mil réis pronunciada por um juiz, e confirmada por três, alega dúvidas, põe encargos, mete tempo em meio, e ainda no fim de todo, ou não paga, ou se queixa ; e logo naquele maior demanda do jôgo os vejo tam obedientes, que porque sota de ouros veio primeiro que seis de espadas, lhe levam sua fazenda, e o dá por bem julgado : confesso a v. m. que, quando tal vejo, não sei filosofar em qual seja a causa desta temperança à vista daquela demasia. Acabarei de falar no jôgo com uma bem grande galantaria dum dos nossos antigos cortesãos. Dizia êste, que três bens desejava a seus inimigos para se vêr vingado dêles : pedir, mas que lhe dessem ; pleitear, mas que vencessem ; jogar, mas que ganhassem.<section end="Jôgo"/> {{nop}}<noinclude></noinclude> oyd6qxvackohwxd2yokvvcx7qdcj79i Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/222 106 223130 563961 504703 2026-09-22T08:59:52Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563961 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|196|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="Amigos"/>{{t2|XL}} '''{{center|Amigos}}''' Outro género de perigo não menos urgente é o duns, que andam enfeitiçados com amigos ; seguem com êles caçadas, folguedos, banquetes, viagens, e tôdas as mais acções que traz consigo a ociosidade. Digo a v. m. que êste dano compreende mais aos homens de inferior sorte ; porque verdadeiramente entre os grandes são tam poucos os amigos, que assim como não há gozar dos proveitos da amizade, assim não há perigar dos inconvenientes dela ; mas dêles sempre se guarde. Parecerá contudo mal, e será mau, que o casado escolha por amigo o solteiro, principalmente se êle é de vida solta ; porque como a amizade consiste na semelhança, por milagre tivera que o casado não fizesse o que visse fazer ao solteiro. Dêstes os mais costumam dar maus conselhos, exortar ao casado que se não sujeite à mulher, e viva como livre. É manha antiga de nossa fraqueza folgarmos de fazer os vícios comunicaveis. Os doentes desconfiam de que haja quem se guarde de seu mal. Aqueles que padecem, ou afectam sua soltura, procuram de a pegar aos que vivem em devido recolhimento. É para ser seguido, e acompanhado do bom casado, o casado de bom procedimento ; e dêstes sempre deve de ser o parente preferido. São bons para amigos aqueles, cujas mulheres são também amigas das mulheres próprias. Podem-se ajudar, e prestar nas ocasiões ; {{hífen|de|desabafa-se}}<noinclude></noinclude> chn0tf64uyylc44nat71g3inojx2rfn Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/223 106 223131 563960 504709 2026-09-22T08:59:38Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563960 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|197}}</noinclude>{{hífen-fim|sabafa-se|desabafa-se}} com êles o enfadamento familiar com mais confiança de compaixão, e remédio ; porque além de se referir a pessoa que os conhece, fica dito a pessoa, que outro dia pode fazer o mesmo.<section end="Amigos"/> <section begin="Horas de recolher"/>{{t2|XLI}} '''{{center|Horas de recolher}}''' Dias há que me perguntou um fidalgo sisudo, casado de poucos tempos, a que hora seria conveniente se recolhesse à noite para casa. Lembra-me que lhe disse, que essa hora daria o amor, ou ocupação, e não o relógio ; mas êle não satisfeito, fez que discorrêssemos naquele ponto. A uns parece que se deve recolher o casado sempre a uma hora ; e tal, que possa muito bem antes dela haver negociado o que lhe pode suceder, sem dar sobressalto na tardança. A outros, que não deve ser assim, senão à hora que fôr possível ; porque vindo umas vezes cedo, se mostra que as outras que se tarda, teve a culpa a ocasião, e não a vontade. Tenho para mim que nada disto é seguro : porque os alicerces da confiança do casado devem-se de lançar no crédito, e não no artifício. Inclino-me mais ao recolher sempre a uma hora justa, e proporcionada com as ocupações, ou de casa, ou de fóra. Sobretudo parece que os casados de pouco devem guardar mais cortesia a suas mulheres, assistindo-lhes com maior cuidado aqueles anos primeiros. {{nop}}<noinclude></noinclude> qxrqsw2hdc3ltz8feeg9obwov86o3ae Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/224 106 223132 563959 504714 2026-09-22T08:59:07Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563959 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|198|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Também nesta obrigação não deixou de haver opiniões bem contrárias ; e tanto, que entre dous esposados de grande juízo ouvimos contar de um, que indo-se a recolher, dissera ao seu estribeiro : Fazei ter prestes àmanhã bem cedo para irmos à caça ; que visita de cada dia não pode ser larga. E de outro, que sendo-lhe perguntado pelo moço que lhe dava de vestir, que vestido queria lhe concertasse para o outro dia, lhe respondeu : Vai-te para casa de teu pai até que te mande vir ; porque primeiro se há-de segar aquele trigo, que ali andam semeando, que eu haja mister vestido. Tais são, e tam várias as opiniões dos homens ; pelo que um entendido dizia : ¿ Sabeis vós porque o corpo é negro ? Porque se vos não pergunta se é negro, ou branco. Já v. m. tem visto como nestes avisos não sigo alguma ordem, senão aquela, e aquilo, que a memória me vai oferecendo. Creio que longe fica de seu logar (mas em qualquer parte vem a tempo) o amoestar ao casado, que com o mesmo tento que deve falar diante de sua mulher louvando as alheias, deve (e com maior ainda) de gabar a própria diante dos homens.<section end="Horas de recolher"/> <section begin="Se deve louvar-se a espôsa"/>{{t2|XLII}} '''{{center|Se deve louvar-se a espôsa}}''' Pode, e deve bem o marido, quando haja razão, e necessidade, louvar modestamente as virtudes de sua mulher : digo as virtudes, mas não digo as excelências : e das mesmas virtudes não se faça ostentação a cada<noinclude></noinclude> gj2cn4ifeflebev71mjce76vkvtofpi Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/225 106 223133 563958 504717 2026-09-22T08:58:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563958 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|199}}</noinclude>passo. Ao pai, ao irmão, a tam chegados parentes, aos muito amigos, e muito sisudos, poderia ser lícito que dêsse o casado alguma vez mostra da satisfação que tinha dos dotes do ânimo, que em sua mulher havia, e estimava. Não são poucos, nem pouco grandes aqueles, que entremetendo de cortesãos, ou engraçados, gabam em público as qualidades de suas mulheres, ou falam nelas : cousa, a meu juízo, indigníssima, e digníssima de grande repreensão. Eu fiquei um dia como morto, falando com um fidalgo de idade, e autoridade, porque me disse, estando sua mulher doente de um peito, que fulana estava muito afligida, porque tinha as tetinhas muito delicadas. Estando, uma noite (qual estas) en Flandres, em certa casa, onde assistiam grandes pessoas, foi um dos circunstantes tam pouco advertido, que tirou o retrato de sua mulher, para o mostrar aos outros. Era de uns que se fazem com diferentes trajos, que se lhe vão vestindo à vontade do apetite dos olhos : que tantas salsas tem inventado o vício para a vista, como para o gôsto. Sucedeu pois que estava então o bom do retrato em figura de alferes, e não parecia mal. Achava-se na mesma casa um dos convidados, mancebo bem ilustre, mas muito dado aos costumes da terra ; e como todos estivéssemos sôbre ceia (o que neste se enxergava melhor que nos outros) deu-lhe na cabeça levar da mão ao simples do marido o retrato da mulher, que beijava, e abraçava mais francamente, que se fôsse sua, dizendo-lhe : ''Ó alferes mio ! Ó alferes mio !'' e mil requebros descompostos. Enfim o negócio procedeu de feição, que todos viemos às pancadas, e por pouco se não matam mais de dous ; com tal vergonha, e escândalo,<noinclude></noinclude> kqv6yy2kw284q4ziwuokwcx2uizlnxh Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/226 106 223134 563957 504720 2026-09-22T08:57:49Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563957 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|200|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>que não sendo a gente ciosa, nem a terra maliciosa, houve assaz murmuração, e durou muito ; o que tudo procedeu da incauta confiança daquele descuidado marido.<section end="Se deve louvar-se a espôsa"/> <section begin="Remoques perigosos, e impertinências"/>{{t2|XLIII}} '''{{center|Remoques perigosos, e impertinências}}''' Outros há que, com tam pouco tento, levados, ou do desejo, ou da facilidade de sua condição, mostram en práticas às mulheres lhes não pezará de ficar viívos. E suposto que os mais lançam êstes ditos a zombaria, naquelas que os ouvem, se guardam como indícios do ânimo, e sinal certo de desamor ; que na verdade vêmos melhor pago na mesma moeda, do que se costuma dizer que o amor se paga. Desvie-se o prudente de tais remoques ; antes em feitos, e ditos, mostre sempre a sua mulher aquela bôa lei, com que dela quisera ser tratado. Não como se conta do outro, que estando a sua agonizando, e dizendo que tinha grande desconsolação de deixar tal, e tal cousa por fazer ; êle lhe respondeu : Morrei vós, senhora, que tudo bem se fará. Guarda, senhor N., de ser proluxo, e cansado, como não poucos são a suas mulheres e famílias. É certo cousa intolerável de sofrer a impertinência de muitos, que sem alguma razão mais que aquela de que estão em sua casa, gritam, são comichosos, e enfadam as criaturas, ora querendo uma cousa, ora não querendo aquela própria cousa que quiseram. O ódio começa em {{hífen|desagra|desagrado}}<noinclude></noinclude> bknts32ys56xzcw4m7ati3qrdpd4mzb Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/227 106 223135 563956 504851 2026-09-22T08:57:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563956 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|201}}</noinclude>{{hífen-fim|do|desagrado}}, e por ali vai subindo, até se fazer ódio, que assaz de vezes achamos entre a mulher, e o marido ; servindo as causas do perpétuo consórcio, que haviam de ministrar a amizade, e fé, persuadir a inimizade, e perfídia. Já que conto a v. m. histórias assim, não hei cá de deixar esta. Solicitava com esquisita importunação em Roma a beatificação da venerável matrona Margarida de Chaves, um seu filho, que eu muito bem conheci, e de sua bôca ouvi o que digo. Tinha o Papa Paulo V, remetido a causa a certo cardial, que já andava tam temeroso do requerente, que em o vendo fugia dêle. Sucedeu chegar a falar-lhe um dia, estando o cardial mais que outros enfadado ; e havendo-lhe lembrado, como costumava, seu negócio, lhe respondeu : Senhor, não nos cansemos em provas da santidade de vossa mãe ; provai sòmente que vos sofreu ; que o Papa a declarará logo por Santa. É assim, que se considerarmos o que se sofre a homens impertinentes, e que se prezam de senhores absolutos, e que em nada tanto o parecem, como em se darem a padecer às pobres das mulheres ; sem falta elas farão a Dens tam grande sacrifício de paciência, que bem poderão ser contadas no número das Santas. Pois uns gritadores, e que por qualquer mosca que voou contra seu gôsto, já fundem a casa, e tiram dela o segrêdo de sua má condição, e êles próprios e lançam na rua ! Deus nos livre, senhor, de tam mau costume. Disse bem o que disse, que ninguém padece tanto incómodo, que, se puser os olhos no que outros padecem, lhe falte razão para suportar o que padece. Esta paixão toca de ordinário nos muito altivos, e nos muito desarrazoados. Aqueles cuidam que todos, e tudo fez voto solene de os servir ; estoutros não {{hífen|que|querem}}<noinclude></noinclude> nvvg19i4ee479i4tyy0aozh3ldwtcno Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/228 106 223136 563955 504871 2026-09-22T08:56:52Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563955 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|202|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|rem|querem}} dar às cousas algum desconto. Ambos são defeitos infelicíssimos ; porque como as mais das cousas, e casos não estão em nossa mão, acontece que todo o dia, todo o ano, e tôda a vida, nos vão sucedendo ao revés do gôsto, e da conveniência ; ao que não remedeia nada a desconformidade com que se levam êsses sucessos.<section end="Remoques perigosos, e impertinências"/> <section begin="Maridos calaceiros de criadas"/>{{t2|XLIV}} '''{{center|Maridos calaceiros de criadas}}''' Parece-me será razão fazer uma breve lembrança a alguns, que dão em se torcer para suas criadas, com grande perigo, certo, da reputação de sua casa, a quem êles mesmos são aleivosos, e merecedores de que em seu dano com semelhante ousadia sejam de Deus castigados. As próprias aves de rapina, que não tem outro ofício senão caçar, e prear o que encontram, costumam ir ao longe donde habitam, fazer seus empregos. ¿ Porque serão os homens menos fieis, e menos doutrinados ? Sendo certo que a porta principal para todo o perigo dos homens, é o ilícito trato com as mulheres ; nenhum dos mais licenciosos resulta com tam péssimos efeitos, como aquele que se toma dentro na própria casa. O desconcêrto do senhor dela é logo bem aprendido da família ; e como um delito chame por outro, êles se multiplicam até um triste excesso. As criadas, vendo-se queridas de seus amos, conspiram logo contra as senhoras, traçando de ordinário tais enredos, que não contentes da primeira ofensa, as<noinclude></noinclude> bae6wjdpkapbmygcvlkz1yy0ptpv3aa Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/229 106 223137 563954 504872 2026-09-22T08:56:41Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563954 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|203}}</noinclude>procuram despojar da honra, e da vida. Algumas com esperança de sucederem em seus logares (como não poucas vezes acontece) ; outras por gozar mais soltamente sua ruim liberdade. Daqui ouvimos tragédias lastimosas ; daqui vimos bodas infames.<section end="Maridos calaceiros de criadas"/> <section begin="Avisos"/>{{t2|XLV}} '''{{center|Avisos}}''' Entre os conselhos tocantes às virtudes do ânimo, que vàriamente tenho apontado a v. m., convém fazer-lhe presente de alguns avisos concernentes ao bom govêrno de sua casa : cousa que por outro nome mais elegante chamam os filósofos virtude económica, segunda parte da sciência civil, que também é segunda parte da filosofia moral. Isto enfim não é outra cousa que a indústria, e prudência com que o cidadão, o fidalgo, o grande, e também o pequeno, governam sua família ; que no príncipe é arte política, ou matéria de estado ; chamem-lhe os filósofos como lhe chamarem. Êsse capitão romano, que tinha para si saberia bem dispôr uma batalha aquele que bem sabia dispôr um banquete, dissera melhor quando afirmasse saberia bem governar uma rèpública, quem sabia bem governar sua casa ; pois é certo que a cidade é uma família grande, e a família uma cidade pequena. Aconteceu-me um dia (e porque o conto com tôda a verdade, era uma véspera de Reis) ir a visitar um fidalgo meu amigo, que por morar longe da minha {{hífen|pou|pousada}}<noinclude></noinclude> m04gzfzjxy1iwmqlms6hqvt3ktz3dj5 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/230 106 223138 563953 504888 2026-09-22T08:56:25Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563953 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|204|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|sada|pousada}}, e serem dias de inverno, cuidei que o não achasse já em casa. Era mancebo, e notados de pouco govêrno, êle, e sua mulher. Cheguei enfim à sua porta, e mandando saber se estava em modo de receber minha visita, enquanto lidava nesta averiguação um pagem (batendo em vão a muitas portas) ouvi eu muito bem lá de dentro uma voz que dizia : Fulano, ide a casa do cura, e perguntai-lhe da parte do snr. D. Fulano, se é hoje dia de peixe, ou de carne. Se disser que de peixe, trazei-o da ribeira ; se disser que de carne, trazei-a do açougue ; ide de-pressa, para que se faça de jantar. Era isto, quando menos, de uma para as duas horas. Veja v. m. que tal seria para os servos o govêrno daquela casa, quando para os senhores dela era desta maneira. Não são numeráveis os descontos, que causa um senhor frouxo. Vulgar, mas certíssima, sentença é aquela, de que então doem todos os membros, quando a cabeça está doente. Conheci um homem de grande qualidade, e juízo, em tanta maneira remisso, que mandava pedir a um seu amigo viesse a pelejar com os seus criados e obrigá-los a que o servissem. Ora êstes excessos contam-se como monstruosidade ; e não poucas vezes convém trazê-los à memória para os aborrecer. Tôda a governança de uma casa, eu reduzo a dous pontos : Pão, e pano ; ou prato, e trato, regra, que muitos dias há que sabe a prudência. Pelo pão, ou prato, podemos entender todos os bens, e cómodos das portas adentro. Pelo pano, ou trato, entenderemos todos os bens, e cómodos das portas afóra. Alguma cousa disto toquei nos avisos passados ; menos porém do necessário. Mas especializando de novo esta matéria, convém<noinclude></noinclude> s1905hmzl626gwr48kktyqe1dni7vqx Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/231 106 223139 563952 504889 2026-09-22T08:56:15Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563952 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|205}}</noinclude>que o senhor da casa procure que sua família ande acomodada, e lustrosa, segundo seu estado, desvelando-se, e buscando os efeitos para a conservar inteira em ambas estas qualidades. O cómodo do pão, porque se denota o mantimento ordinário, deve com grande providência ser provida, para que a casa seja abundante, e que nela com ordem, e sem miséria se reparta. Pouco importará que de fóra se tragam a casa os meios que a podem fazer abastecida, se nela se vive em proluxa abstinência. Muito pior levam os criados a abundância miserável, que a pobreza liberal. Outros, com o escritório bem provido, pagam mal, vestem pior. Não me ponho da parte da fortuna, que muitas vezes faz que os amos que menos bem tratam seus servos, sejam os mais bem servidos ; advogo pela razão, que obriga, desengana, e manda a quem quere ter bons criados, que lhe queira ser bom senhor. Aquele, que de seus criados espera adivinhem seus pensamentos, adivinhe também suas necessidades. Tenho por regra geral muito conveniente, que o prato da família seja mais copioso que curioso ; e o trato mais curioso que custoso. Comer a horas, vestir a tempo. Dizia um grande senhor, por outro de muito menos estado, mas de grande concêrto, que nunca desejára cousa como ser criado de fulano ; porque assim os tratava, e conservava inteiros, que não só não envelheciam jàmais nos vestidos, mas que nem na idade. Pague bem ; isto é, a tempo. Aos criados o que lhes prometeu ; aos oficiais o que valer seu trabalho. Será bem servido de uns, e outros. O prémio deve seguir ao serviço, para que o serviço acuda à necessidade. Quem paga logo, paga com menos ; porque se o dar logo, é dar duas vezes, verdadeiramente se estima em muito<noinclude></noinclude> 305tmk1uqfi8l4iwhwack13yktfor0r Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/232 106 223140 563951 504891 2026-09-22T08:56:03Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563951 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|206|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>mais do que é. Quem paga tarde, tem já os ânimos tam desabridos, que com outro tanto mais do que deve os não deixa satisfeitos. Perguntavam a um criado, a quem servia ? e respondia que a um filho seu ; e tornando-lhe a perguntar que dizia nisto ? respondeu : Sirvo a meu herdeiro. Por semelhante razão disse um discreto, andava errado o provérbio de que quem bem paga é herdeiro do alheio, porque muito mais certo é ser herdeiro do alheio, aquele que o alheio não paga.<section end="Avisos"/> <section begin="Mesa"/>{{t2|XLVI}} '''{{center|Mesa}}''' A tôdas estas cousas assista a previdência, e não a soberba ; que sendo guiadas por aquela, serão justas, e excelentes ; e por esta demasiadas, e escandalosas. Convenho em que o casado principal tenha a sua mesa não faminta, limpíssima, e bem servida ; mas, que seja mesa para a bôca, não para os olhos. Quero dizer, que ministre a necessidade, e não a vaidade. Ora contarei duas cousas a êste propósito estranhas, e que ambas vi, e alguma experimentei com meu dano. Havia um grande de Espanha tam grande na vaidade, certo, como na miséria ; mandava-se servir de dôze pratos ao jantar, e outros tantos à ceia, que se lhe ministravam em público com notável cerimónia ; e era certíssimo que só dêles os três levavam iguaria, e os nove passavam sua carreira tam vazios como a cabeça de seu dono. {{nop}}<noinclude></noinclude> retgq60eo9ksh92fz6itz7qorweih74 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/233 106 223141 563950 504897 2026-09-22T08:55:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563950 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|207}}</noinclude>A outro vi, que tendo, por razão de seu cargo, o prato de certo príncipe, a quem servia, mandava levar as iguarias a sua casa, as quais lhe serviam a êle à mesa, e de que pouco se servia. Sucedia-lhe logo outra mesa de seu filho herdeiro, que comia com hóspedes de ordinário, e de quem eu o fui algumas vezes ; e eis aqui que apareciam outra vez aqueles pratos, sendo já a terceira que no mesmo dia tinham saído a público ; mas não parando nesta mesa, se armava o tinelo, e lá iam aos criados maiores, e dêles desciam os resíduos aos menores ; de feição que cinco papeis faziam os pobres pratos antes de serem de todo consumidos. Por onde, com agudeza bem da sua terra, dizia um dos criados desta casa, ''que el N. su señor era el mayor cavallero de España ; porque se servia com nietos de infantes ; porque todos sus criados estavam en el quarto grado con S. A.'' Aludindo às quatro mesas, por onde, como graus, vinham descendo a êles as cousas, que na sua se comiam. Tanto pode, senhor N., a vaidade com os homens, e mais no tempo de hoje, que lança sancadilhas à natureza, e a derruba. Que o homem côma bem por necessidade, pode passar ; que côma bem por regalo, pode passar ; mas que funde seu crédito em pratos vazios, ou aparecidos como figuras de comédias, guarde-nos Deus de tal semsaboria. O servir à mesa com os criados, cousa é costumada ; mas em verdade que êstes nossos portugueses servem com tal descuido, ou confusão, que tinha por não grande perda o servir com as criadas. Misturas dêles, e delas não fizera eu nunca ; e sempre aconselhára ao senhor se servisse com as criadas, senão fôra destituí-los a êles para nunca o saberem servir quando vem hóspedes : onde é necessário que os criados assistam,<noinclude>{{esquerda|15}}</noinclude> ofie0ds28l5uzgbc1zngox71qm56h5m Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/234 106 223142 563949 504898 2026-09-22T08:55:36Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563949 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|208|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>e onde convém que saibam melhor o que fazem ; cousa, que raramente sabem fazer os nossos. Achei-me na côrte de Londres, em casa dos embaixadores de S. Majestade a aquele trágico rei Carlos I ; e havendo-se de dar ali uma ceia às damas da raínha, e às maiores senhoras de Inglaterra, suposto que na casa se tinha mui decentemente preparado aqueles ministros ; eu que sou assim proluxo, e não vi em nenhum de seus criados a arte necessária para tal ministério, o tomei à minha conta ; e com um filho, e um neto de um embaixador, o genro de outro, e o secretário da embaixada, o negócio se dispôs de feição, que se deram as convidadas por melhor servidas ainda do que regaladas. Tanto importa o saber servir às mesas nobres, que verdadeiramente é a principal iguaria delas ; mas entre nós poucas vezes achada ; e também digo que nem muitas achada menos. Acabo isto com o exemplo de S. Majestede, que põe fim a tôdas as razões, e esforça a minha ; pois podendo ser servido de seus criados, os deixa, e certo que com grande acôrdo, e se serve com as damas, e criadas da rainha. Tenho para a pessoa de qualquer estado por mais limpo, e quieto modo de servir à mesa, aquele das mulheres, ainda que não sejam anjos as que ministrem. E por isto dizia um convidado de uma sua parenta, que o fazia servir de duas criadas, uma feia, e outra bem parecida : Senhora, cá viera todos os dias, se a feia só me servisse ; porque estoutra é anjo, que me deixa anjo. Já que aqui estamos, diga-se (pois também importa) que não se côma desorado ; quero dizer, fora de tempo. É grande inconveniente para as pessoas a quem assistem seus criados. Quando o ministério, o ofício, ou<noinclude></noinclude> go1rhhjw4ss6ask8dexvo4xjzvmqcdr Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/235 106 223145 563948 504900 2026-09-22T08:55:18Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563948 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|209}}</noinclude>negócio assim o pedissem, fôra de parecer que os criados comessem primeiro ; porque de outra sorte seria intolerável, e anda sempre a casa mal servida : acontecendo que por esperar o senhor que comam os criados, se comem depois dêle, perder mil vezes o negócio, ou saída, por não ter de quem se acompanhe. Gabo muito, senhor meu, um conservar nas casas certos costumes nossos familiares, e antigos, que as fartam, alegram, e agasalham, corroborando de novo o amor que se tem ao senhor da casa. Teve v. m. um parente grandíssimo mestre destas políticas, e o mais amado amo de seus criados que eu vi jàmais, por estas e outras utilíssimas humanidades que guardava com êles.<section end="Mesa"/> <section begin="Comédias e romarias"/>{{t2|XLVII}} '''{{center|Comédias e romarias}}''' Digo eu que o casado, por alegrar sua mulher, e família, mesmo de seu movimento, mande (se as houvesse) fazer em sua casa duas, e três comédias cada ano. Seja êle próprio o que com elas convide ; tem-se aquilo em muito ; dizem logo dêle que é um anjo ; e na verdade é mostra de bondade folgar de que folguem os outros com as cousas decentes. Não como o nosso rei D. Pedro, que chamaram crú, e cruel, que mandava de noite acordar o povo que dormia, porque êle não podia dormir. Arme outras tantas romarias, e folgas, que cheguem<noinclude></noinclude> 70tn7y9k8f88vj8uoaiuereh70w0c7y Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/236 106 223146 563947 504929 2026-09-22T08:55:08Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563947 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|210|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>até aos menores. Mostre-se-lhes assim leve, e cuidadoso de seu regalo. Reparta com prudência dos mimos que lhe vierem, já da renda, já do presente. Há casas onde se perderão cem queijos de Alentejo antes que dar um a um criado. Aquilo de matar porcos pelo tempo é lance caseiríssimo, e bem aceito, que faz os homens bemquistos até da vizinhança. E para dar algum gôsto a esta baixeza (que não quis que me esquecesse) direi o que aqui dizia um malvado cortesão, que assim como cada homem, por bom govêrno de sua casa, devia matar cada ano pelo menos dous porcos ; assim por bem govêrno da rèpública, devia matar cada ano pelo menos dous vilãos ruins. Por tam bom costume tinha êste aquele agasalho ; o que bem favorece o nosso rifão quando diz : No dia de S. Tomé quem porco não tiver, matar pode a mulher.<section end="Comédias e romarias"/> <section begin="Quintas"/>{{t2|XLVIII}} '''{{center|Quintas}}''' O ir às quintas louvo, o morar nelas não gabo ; não porque me pareça indecente, mas porque o tenho por desacomodadíssimo ; vindo a ser estas quintas uma quinta essência da ciganaria. Estraga as casas, desbarata os móveis, destroça os criados ; nada se forra, antes se gasta mais ; e os homens nem gozam a quietação do campo, nem a autoridade da côrte. Entendo por estas {{sic|qiuntas|quintas}} aquelas, das quais se pode vir cada dia a Lisboa, onde com comodidade, ou sem ela, nenhum<noinclude></noinclude> dqwqhcy6348bcn59mfxnocdjgqb77t7 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/237 106 223147 563946 504939 2026-09-22T08:55:01Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563946 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|211}}</noinclude>dos vizinhos deixa de vir cada dia : pelo que disse com a graça que costuma, um nosso discreto, que o côche de fulano ia três vezes cada ano a Jerusalém, lançando as contas certas às léguas que andava cada dia o côche e seu dôno, indo e vindo de outra tal paragem. Os grandes cortesãos fazem a vivenda do campo aborrecível, que ela de seu não é ; antes alegre, e conveniente. Sendo um convidado de certo fidalgo para estar com outros em uma sua quinta dous dias, ao segundo sem se despedir dos companheiros, tomou o caminho da cidade ; gritavam-lhe os mais, que se detivesse, e como o fizesse assim, e lhe perguntassem aonde ia, respondeu : Amigos, vou-me, porque se estou mais de vinte e quatro horas no campo, cuido que me torno boi. Julgo por importante acção não viver de contínuo na côrte, e me parece que há uns tempos próprios de se retirar (o casado com sua família) a viver no seu logar, comenda, ou herdade ; enfim aquela parte que mais cómoda fôr para a vida. Se hei-de apontar regras a êste tal retiro, dissera que tendo o casado mais de dous filhos, era o próprio tempo. E que os anos da ausência da côrte podiam bem ser aqueles enquanto os três filhos crescem, e não perdem por não ser conhecidos até então ; como se disséssemos, até idade de oito, e dez anos. Depois é bom tornar à côrte a introduzi-los nela, para que o rei os conheça, e êles se criem sem espanto dos paços, que sem dúvida o causam aos que os não viram desde a mocidade, como se diz das águas do Nilo, cujo estrondo é medonho ao forasteiro, e do natural não é ouvido. Dizia o Duque de Alva, pai do que hoje<noinclude></noinclude> 6rxepyd7p7jjpqnedsr2ypmn60vz4pu Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/238 106 223148 563945 504946 2026-09-22T08:54:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563945 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|212|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>é, sendo Mordomo mór de El-Rei de Castela : ''Si dos dias estoy sin venir a Palacio, al tercero ya tropieço en las esteras, o ellas se burlan de mi''. Parece-me que depois de vindo até casar êstes filhos, se não deve fazer ausência ; e que, casados êles, se faça para descansar a velhice, ou maior idade ; e dar um cristão intervalo entre os negócios, e a morte : que é o mais importante negócio para os vivos. Esta observação só compreende aquele que vive só para si, e consigo ; porque para o ministro, para o soldado, e para o criado do príncipe, que vai de uns empregos subindo a outros, e merecendo cada dia mais, não é meu ânimo dar por conselho que sem causa deixe cada um sua profissão, e aumentos. Com causa não lho negára ; nem, quando o fôsse, fôra tam indiscreta a minha confiança que esperasse dêsses tais se governariam pelas regras de um homem que tam mal se governou. Estas ausências trazem grandes, e muitos proveitos à vida, à saúde, à fazenda, à salvação. À vida, porque no campo se vive mais ; à saúde, porque seus exercícios a conservam ; à fazenda, porque se gasta menos ; à salvação, porque faltam as ocasiões que a arriscam, e anda o ânimo mais livre para cuidar em Deus, e em si mesmo. Não falece contudo quem tudo isto contradiga, porque, como dizia um discreto, todo o homem põe outro nome à sua vontade. Assim é notável a controvérsia, que houve sempre sôbre êste modo de vida retirada. Um fidalgo nosso antigo se gabava que só de « não no há aí » poupava no campo a metade de sua fazenda. Mas não fazia isso assim outro castelhano, que quando se viu alcançado, fingia que se retirava, e não saía da côrte, e dizia que : ''Para descançar cada uno a su casa,''<noinclude></noinclude> 4ca7803e4impo3iqru9w2tbhcm0tmwt Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/239 106 223149 563944 505002 2026-09-22T08:54:46Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563944 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|213}}</noinclude>''no havia cosa como comerse media dozena de pajes y lacayos sin salir de su tierra''. Estas tais retiradas costumam sempre ter grande contradição nas mulheres ; e quanto elas na côrte são melhor vistas, mais aparentadas, e gozam maior aplauso, tanto mais impugnam tal resolução dos maridos. Contra isso não tenho mais que dizer, que o que disse um mesquinho a outro que lhe pediu dinheiro emprestado, oferecendo-lhe sete razões, pelas quais lho devia de emprestar : Nas mesmas sete me fundo eu (disse o mesquinho) para não fazer o que v. m. me pede.<section end="Quintas"/> <section begin="Viagens"/>{{t2|XLIX}} '''{{center|Viagens}}''' Não me posso escusar de dizer duas palavras a uns certos casados, que tôda a sua ânsia, e desejo é andarem sempre ausentes de sua casa, em viagens e jornadas, umas para que êles se convidam, outras de que se não desviam : deixando as mulheres môças, e às vezes bem desamparadas de todo o resguardo que lhes é devido. Êstes costumam dizer, que por buscar pão, e honra se ausentam ; e não poucas vezes vimos que em tais demandas se perde de contado a fazenda, e não poucas vezes se arriscam cousas que valem mais que ela. As mulheres casam para serem casadas. É o contrário não entender cada um sua obrigação. Falava uma viúva com um homem um dia, que sabia que ela era viúva, e ela dizia-lhe : Senhor, eu nunca<noinclude></noinclude> lzfbasrws2ah77p2ovah0gvrobk4n6h Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/240 106 223150 563943 505009 2026-09-22T08:54:38Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563943 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|214|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>casei, vêde vós como posso ser viúva. Replicáva o outro, que sim o era, porque conhecera em tal parte o senhor fulano seu marido ; e ela tornara : Senhor, digo-vo-lo porque eu casei por procuração, e fui casada por carta ; e isto não é ser casada. E era assim, que pelas ausências de seu marido apenas o conhecêra. Se estamos sós, senhor N., hei-de contar a v. m. uma história de mancebo, que ouvi em Barcelona. Havia ali um fidalgo casado de pouco, cujo nome era Mosen Gralha. Passou o imperador Carlos V para Itália, e o seguiu êste catalão a despeito de sua mulher môça, formosa, e honrada. Engolfou-se o marido em serviços, e esperanças, e não fazia conta de vir tam cedo. Enfadava-se a mulher, e lhe requeria muitas vezes que viesse ; mas desesperada já da vinda, dizem que lhe escreveu em catalão estas palavras : ''Mosen Gralha, Mosen Gralha, mon amor non manja palha''. Tomou o soldado a carta, levou-a ao imperador que lha interpretasse ; o qual conhecendo o que queria dizer (que é fácil de conhecer-se), e fazendo-lhe mercê, gabou a confiança, e discrição da mulher, e mandou para sua casa seu marido. Mosteiros, recolhimentos, e outros resguardos semelhantes, em que os homens depositam suas mulheres, não deixam de ser arriscados ; e de-certo, quando a ocasião não seja muito urgente, é usar com as mulheres ruim lei, e faltar-lhes com a fé, e companhia devida ; porque se cada uma daquelas quisera ser freira, bem escusara de se casar. Advirta-se todo o casado, que no ausentar-se por longo tempo de sua casa tenha muito tento ; e seja raro o interêsse porque assim o faça. Disputável foi entre os políticos, se convinham, ou não os capitães casados,<noinclude></noinclude> pkrym3tbuda2efj52ychq6t0cqmpdps Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/241 106 223151 563942 505011 2026-09-22T08:54:30Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563942 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|215}}</noinclude>ou solteiros. Dissera eu aos reis, se falara com êles, que para as conquistas, e guerras ofensivas que se fazem em províncias distantes, buscassem os solteiros ; porque pela liberdade se arriscam ; e por virem a descansar na pátria, e buscar espôsa, abreviam mais as empresas, e são menos custosos na vida, e na morte a seus senhores. Ao contrário, para dentro de sua província, e na guerra defensiva, prefiram os casados aos solteiros nos postos militares ; porque por defenderem a mulher, filhos, e honra dêles, costumam os homens obrar maiores feitos, que por benefício de sua própria vida. O mesmo, que aconselhara aos reis para com os vassalos, aconselhara aos vassalos para com os reis. Assim nas eleições, assim nas pretenções. ¿ Passa v. m. por isto ? Que me ia eu agora me tendo em políticas, e cousas de estado sem me sentir ! Lá se avenham os que mandam o mundo. Com licença de v. m. quero fazer minha volta, e vir-me do pégo para a terra.<section end="Viagens"/> <section begin="Esquisitices e tratamentos"/>{{t2|L}} '''{{center|Esquisitices e tratamentos}}''' A cousa com que mais atentado sou, é uns que dão em nomearem as mulheres por circunlóquios, chamando-lhes ora a minha vélha, a minha companheira, a minha hóspeda, a minha obrigação, a mãe dos meus filhos, e cousas assim, que em qualquer tom que sejam ditas, parecem pouco graves, e, a meu juízo, indignas<noinclude></noinclude> 0vrj9iij435r4e0bx21gqc7o03602qj Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/242 106 223152 563941 505013 2026-09-22T08:54:23Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563941 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|216|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>de se acharem na bôca de nenhum sisudo. A mulher de que o homem se preza, e o homem de que a mulher se honra, ¿ porque não hão-de ser por seus nomes nomeados ? Digo delas para êles outro tanto. Os parentes, se se casam, costumam chamar-se pelos graus de seu parentesco, as mulheres aos maridos, e os maridos às mulheres. Eu sou amigo da verdade ; e antes aconselhára a cada um que dissesse minha mulher, e meu marido, que minha prima, nem minha sobrinha, nem meu tio, nem meu primo. Todavía não é costume condenável, se o não fôsse com tal excesso que désse a ocasião, que deu outro, que de contínuo nomeava a mulher por sua prima, a que um criado seu, havendo de lhe escrever, lhe pôs no sobrescrito : À senhora prima de meu senhor ; porque lhe não sabia o nome. Se hei-de levar ao cabo minhas impertinências, também quero falar alguma cousa sôbre o estilo de se falarem entre si os casados. O ''tu'' é Castelhano ; e por mais que êles o achem carinhoso, como lá dizem, é palavra muito de praça, e que ao mais não deve de quebrar a menagem da câmara para fóra. O ''vós'' é francês, que com um ''vous'', receberam a mesma raínha Sabá, se cá tornára. Tenho-o por demasiado vulgar. O ''êle'', e ''ela'', um—¿ ouve, senhor ? ¿ Que diz, senhora ? é têrmo bem português, assaz honesto, e bem soante. As senhorias, e excelências, a quem pertencem, gravidade induzem ; mas parece um certo modo de esquivança tratar um homem sua mulher como se o não fôra. Fiquem-se para os príncipes, e reis as altezas, e majestades; e proíbam-se-lhes também aqueles afagos humanos entre os mais afectos que lhes não podem ser comuns. Por<noinclude></noinclude> mtexcsj1sgrahwja1yrrq74gzps4nxc Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/243 106 223153 563940 505175 2026-09-22T08:54:12Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563940 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|217}}</noinclude>onde já dizia D. João o segundo, que por só três dias folgara de poder ser homem. Tratem-se, a meu rôgo, os nossos casados com aquele modo que melhor companhia faça guardar ao amor, e à estimação ; que é uma excelente conserva para a vida dos honrados. Sem embargo, os mais moços tem privilégio para poderem sair tamalavez da severidade destas regras.<section end="Esquisitices e tratamentos"/> <section begin="Conselhos às senhoras"/>{{t2|LI}} '''{{center|Conselhos às senhoras}}''' Ora muito há que lhes não digo nada às casadas, às quais tenho para encomendar uma acção não inútil, antes de grande conveniência. Há muitas, que de desgostos que não podem remediar, tomam em si o castigo ; cousa totalmente indigna, como injusta. Umas, por serem mal casadas, se desmancham em si mesmo, e desfigura, com o que vem a ser pior casadas. Aquelas a quem lhes morrem os filhos, aquelas a quem lhes não nascem, vivem não sòmente desconsoladas, no ânimo ; mas o dão a entender no trajo, e rostro ; de que os maridos prudentes, e que mais as estimam, se entristecem, e vivem afligidos ; e os de leve condição tomam motivo para procederem mais levemente, achando fácil a desculpa, que não tem, no esquisito modo das mulheres. Nascem desta desordem outras maiores, em grande ofensa da paz ; porque de ordinário os homens não são da condição de um meu amigo, que dizia a sua mulher noutro tal caso : Senhora, desenganai-vos, que por mais<noinclude></noinclude> l502read2cdolgq7mvmt89o7kdzbcgq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/244 106 223154 563939 505176 2026-09-22T08:54:03Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563939 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|218|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>que me façais, nem vos hei-de querer mal, nem me haveis de parecer mal. Deve-se à fé, e igualdade no matrimônio contraída, grande satisfação ; e assim como entre os bem casados é digno de muita dôr, faltar a alguma dêles a vida ; assim é digno de muito sentimento faltar a alegria de algum. Já deixo dito que as almas dos casados são comuns ; seus gostos, e pezares. Não haja parte que se queira levantar com a parte alheia. Nenhum chore, nem se alegre, mais do que pode tocar afecto à sua ametade. Pois a propósito destas que de tristes se desconcertam, farei lembrança de outras que igualmente são repreensíveis por, de muito alegres, se concertarem mais do necessário. Já disse àcêrca das galas, e adornos ; e não sei se de nojo, ira, ou esquecimento tardei até agora em falar de umas que põem no rostro. A mulher que põe no rostro, põe nêle sua injúria, e tira dêle sua vergonha ; não beleza, neme mocidade põe por certo ; porque não só ofende o siso, mas os anos, e o parecer. Todos entendem logo que pouco se fia em si aquela que de tam baixas cousas se ajuda. Sempre se teve por cobarde o que muito se armava. Quantas, em vez de agradarem aos que as vêem, por essa própria diligência escandalizam e vão como convidando o riso, e a mofa da gente que pretendiam admirar, e afeiçoar, pode ser ! Êste abuso é digno de que o marido, logo que o conhecer, o atalhe por todos os meios ; porque a idade o não emenda, antes o acrescenta. Tenho por certo que tam ruim conta dá de seu juízo o marido que sofre posturas a sua mulher, como dá de seu entendimento a mulher que as usa. Uma convidava a seu marido que se sentasse junto dela; e êle dizia : Deixai-me, que de uma doença me ficou grande entejo aos doces da botica.<noinclude></noinclude> s9ihwsayxjuecg06rzm5e5vlhz4tkcl Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/245 106 223155 563810 505177 2026-09-21T16:01:41Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563810 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|219}}</noinclude>Outro dizia por uma sua parenta, que com muitos anos sôbre si, trabalhava pelos lançar fóra do parecer : Minha tia fulana não quere senão esperdiçar desenganos. E na verdade assim é, porque a graça da mocidade se não alcança, e se perde a gravidade da velhice. Os rostros se desfiguram com os martírios que nêles fazem os unguentos ; e as pobres são escravas de sua presunção. A que aludia um discreto, dizendo por outro tal : Muito ruim cativeiro se dá aquela senhora ao seu rostro. Mas com muito mais graça que todos o disse (como sempre) o cardial Çapata, que visitando uma senhora romana de maior idade, e muito dada a êste mau costume, como ela lhe perguntasse que novas havia em Italia, e êle visse tam maltratado seu rostro pela fôrça das posturas, dizem que lhe respondeu : ''Ilustrissima señora, mui malas nuevas tenemos ; porque segun las cosas corren, yo estoy viendo Soliman apoderado de Civita vieja''. E porque, escrevendo eu a v. m., e regulando estas amoestações, ou conselhos, segundo as pessoas de seu porte, das quais costumam saír sempre (pelo menos sempre deviam saír) as que ocupam grandes logares na paz, e na guerra, não será sem fruto deixar advertido a tôdas as mulheres, que o chegarem a ser de ministros, e pessoas que tem à sua conta os negócios públicos, alguma cousa tocante à conservação dêsse estado.<section end="Conselhos às senhoras"/><noinclude></noinclude> c8l8946dqzph7xshhk5mxh6qijpxeuz Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/246 106 223156 563809 505329 2026-09-21T16:01:31Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563809 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|220|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude><section begin="As ministras"/>{{t2|LII}} '''{{center|As ministras}}''' Dão muitas destas senhoras mulheres de ministros, com grande risco de seus maridos, e casas, em quererem ser elas ministras também como êles. A três pontos se reduzem êstes inconvenientes : Interceder pelos que pretendem, negociar com os despachados, revelar segredos aos negociantes. Não sei qual é pior. Afirmo que tudo é péssimo para a opinião dos ministros, cujas mulheres se deixam levar do aplauso, interêsse, e ambição. Tenho em meu poder a cópia duma carta de Carlos V para D. Filipe seu filho, quando em uma de suas jornadas o deixava governando, e instruía dos sujeitos que lhe dava por ministros ; e chegando a um, de quem não tinha tôda a satisfação, diz estas palavras : ''Fulano era el mejor de todos, si fuera eunuco ; porque la mujer deshace en aquel hombre las mejores partes que he visto''. Nas mulheres de ministros de justiça é mais perigoso êste costume. Mas porque os de estado são pessoas maiores, quando neles se acha êste defeito, é mais notável ; ou quiçá que o não é tanto nos primeiros, por ser mais ordinário. Ao que aludia um cortesão, que, pegando-se o fogo em casa de um ministro de justiça pouco escrupuloso, ia dizendo pelo caminho: Acudamos, senhores, à nossa fazenda, que se nos queima. Queixava-se um requerente a outro de que um seu juiz, sendo pobre, gastava como rico: e nomeando suas<noinclude></noinclude> pminnbve9koz6d37nodzz3e5j48j7wd Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/247 106 223157 563807 505328 2026-09-21T16:00:35Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563807 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|221}}</noinclude>ostentações, rematava com dizer: ¿ Pois isto, senhor, de que sai ? E outro lhe respondia: Do que entra. Tornava o queixoso, e dizia: Senhor, não fizeram isso seus passados ; e outro respondia : Não, senhor, mas fazem-no nossos presentes. Costumam as mulheres de alguns ministros, pela própria razão que se houveram de abster, e ajudar com grande tento a levar aquela carga a seus maridos, ocasionar-lhes seu precipício, carregando-os de novo com suas desordens, e vindo depois com êles a terra. Deve o marido começar por si mesmo no cuidado que é bem que tenha de sua conservação. E pois é certo que ao próprio sangue, em que nossa vida consiste, lançamos das veias, se se corrompe, porque não apodreça o outro que nos fica, quanto mais se deve sangrar a ambição, ou interêsse, se na mulher fôr conhecido, que em breve tempo ameaça corrupção à saúde do corpo, e da família: morte da casa, do ofício, e da conveniência ? Confesso que fôra lícito à senhora mandar sua encomenda, fazer ao marido esta, e aquela lembrança por um, ou por outro pretendente, e ainda favorecer a algum que o merecesse, dando-lhe uns longes de seu negócio, com que lhe pudesse dar remédio. Mas como estas cousas sejam de seu natural perigosas, poucas vezes acontece que nelas se obre sòmente o lícito. Contentára-me com que a pena do desconcêrto se ficára com o autor dêle ; mas não é assim ; antes, da inconsideração da mulber é o marido sempre (sem ser o fiador) o principal pagador. Havia em Castela um ministro dos que vou dizendo ; era pouco limpo, ainda que mui asseado ; mercadejava a mulher, e ganhava sempre ; êle dizia, quando<noinclude></noinclude> p5g7f5jdycx6xzavi6649vjz5i07dp7 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/248 106 223158 563806 505330 2026-09-21T16:00:25Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563806 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|222|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>lhe gabavam suas alfaias: ''Muchas gracias à la industria de dona Clara''. E o certo era, que a indústria era clara com que D. Clara se aproveitava de sua indústria. Passando ás Índias um mercador, lhe foi dada certa encomenda da mulher de um ministro ; e acertou o pobre de se perder, e perdê-la, com todo seu cabedal. Tornou a Espanha, e à côrte ; e não lhe sendo recebida em desconto a perdição, houve tal violencia no caso, que lhe fizeram pagar aquela encomenda com ganhos, e cabedais, como que não pudesse ser perdida como as outras. Voltou a Sevilha, e topando a outro mercador seu amigo, lhe perguntou aonde ia, e havendo-lhe dito que à igreja maior, a segurar com Deus, e com os homens de negócio, certa grande partida de fazenda que esperava de fóra, então lhe disse o queixoso: ''Andad, señor, y no hagais tal ; mejor es encomendarla a mi señora D. fulana, que toda la saca a puerto de salvacion''. Mas porque toquei arriba àcêrca dos segredos que as mulheres costumam revelar dos ofícios de seus maridos ; a propósito virá agora tratar desta matéria, assaz essencial para o descanso do matrimónio.<section end="As ministras"/> <section begin="Segredos"/>{{t2|LIII}} '''{{center|Segredos}}''' Vi, senhor N., e ouvi já grandes disputas (e tive já bôa parte nelas) sôbre se se deve dizer à mulher, ou não, tudo o que se sabe. Eu, que fui sempre amigo de vêr amar com singeleza, muito tempo tive para mim,<noinclude></noinclude> qxqcf85fuig2e7qepfo1xw5phzaf2dg Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/249 106 223159 563804 505332 2026-09-21T16:00:10Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563804 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|223}}</noinclude>que a mulher honrada havia de ser uma boceta, em que se guardassem os secretos mais íntimos de seu marido ; e que êsse era dos maiores bens do casamento, achar um homem na mulher um coração fiel, com quem poder repartir dos cuidados, e ânsias, que às vezes não cabem no coração do homem, com a mesma confiança que se não saíssem de seu ânimo ; e que tudo o contrário era um amar fraudulentamente. Isto era o que eu cuidava ; mas não é isto o que hoje creio, nem o aconselharei a meus amigos: antes me tem mostrado a experiência, e maior observação, que alcancei com os maiores anos, e com os novos casos, que contra êsse mesmo amor, e legalidade, que à mulher própria se deve, irá aquele que lhe fiar segredos, e paixões à sua capacidade aventajados. Parece-me a mim agora isto como quem põe meada grande em dobadoura pequena, que em lhe puxando pelo fio, traz o fio a meada, e a dobadoura, tudo a terra. Senhor meu, se carregarmos uma caravela com o lastro de um galeão, metê-la hemos no fundo. Os segredos que se fizeram para os grandes corações, fiquem-se nêles. E traga-se sempre presente aquele notável dito do outro : Nunca me arrependi do que não disse. Porém, pois em tudo vou pondo dos meus unguentos, saiba-se que não julgo as mulheres por de todo indignas de que se lhes confie alguma matéria importante. E assim, se houvéssemos de medir pela razão êste negar, ou fiar segredos, diria : Que as paixões próprias eram, e são, dignas de lhes serem comunicadas. Os pontos da honra, os mistérios do ofício, as confianças do rei, as resoluções da república, estas deve reservar o casado em seu peito indispensàvelmente. Se eu posso dar regras, melhor regra será esta : {{hífen|Po|Pode-se}}<noinclude>{{esquerda|10}}</noinclude> bx68qei7z71wsq6aa20xq2946q4bydq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/250 106 223160 563802 505352 2026-09-21T15:59:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563802 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|224|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|de-se|Pode-se}} dizer à mulher o que a mulher pode remediar com suas fôrças, ou com o conselho ; o que não pode remediar, não convém que se lhe diga. Confesso houve, e haverá no mundo mulheres de grande coração, donde fôra bem empregada tôda a confiança ; contudo isto são como uns baratos, que dá a natureza, quando se acha rica, e sobeja, que não devemos de esperar haja repartido com tôdas ; e apenas podemos crer que com algumas os repartisse.<section end="Segredos"/> <section begin="Casamentos dos filhos"/>{{t2|LV}} {{center|Casamentos dos filhos}} Uma das cousas, em que os casados mais necessitam de advertência é nos casamentos dos filhos. V. m. ainda está longe ; porém, como nisto falamos por uma só vez, não será justo que, havendo-me lembrado de tanta impertinência, me esqueça de cousa tam importante. Anda uma prática entre os homens, que afirma que o tempo do casamento dos filhos é quando houver melhor ocasião. Esta regra, a meu juízo, é bem falível ; porque, dado que haja bôa ocasião para casar, e má disposição para casar, em tal caso o acêrto seria duvidoso, e as mais vezes não seria. Deve-se entender isso da ocasião depois da disposição, e quando a vontade dos filhos estivesse conforme para receber êsse estado. Porque ainda que das conveniências dêle se podia esperar que o proveito trouxesse o gôsto ; todavia a {{hífen|von|vontade}}<noinclude></noinclude> 931dmm7i08cr540a0n4jsergapgqpen Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/251 106 223161 563800 505334 2026-09-21T15:59:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563800 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|225}}</noinclude>{{hífen-fim|tade|vontade}}, que é nesta demanda o autor ou réu, raras vezes se governa por essas regras ; e de casamentos sem vontade não há que esperar contentamento. Seja livre a eleição do estado dos filhos ; mas de tal sorte livre, que seus pais os estejam sempre inclinando a aquele que lhes convém. Sejam então seus conselheiros, não seus senhores. Mas filhas é grandíssimo perigo ; porque havendo trazido a vaidade humana umas leis (certo tiranas) contra a honra, portes, e virtude, e só em favor do interêsse ; sucede de ordinário que nas casas ilustres, e grandes, onde há muitas filhas, apenas pode haver dote com que casar uma como convém. Ficam logo as outras condenadas a perderem por fôrça a liberdade, e haverem de tomar estado que não desejam, e violentíssimamente sofrem. O remédio dêste dano é quási sem remédio ; porque seria necessário emendar primeiro tôda a república, e os maus costumes dela. Se nos houvéssemos de governar por exemplos passados, vimos que muitos grandes homens, achando-se ricos de filhas, se fizeram maiores nas descendências, e a elas não violentaram. Recolheram na religião as que a pediam : casaram que o desejavam. Nêste caso, parece que o pai de muitas filhas se pode contentar não abaixando, sem que procure subir ; que mais claramente é dizer-lhe, poderia casar suas filhas com pessoas que lhas pedissem para se honrar com tais mulheres ; e não querendo achar para genros homens com que se honrasse. Basta que se não desonrasse com êles. Isto não é sempre nem para todos ; nem lhes nego a todos que procurem o melhor ; mas amoesto que se acomodem com o possível. Guardaram esta matéria de estado muito notáveis<noinclude></noinclude> 913xcefx94z93l118sry55x55u35bj7 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/252 106 223162 563798 505337 2026-09-21T15:58:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563798 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|226|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>pessoas dêste reino, que pudera nomear, se não fôra aqui escandalosa a comparação : fazendo memória de algumas desigualdades, que depois igualou o tempo, e a fortuna. A valia dos príncipes, a grande riqueza, o valor notável da pessoa nas armas, ou nas letras, quando seja acompanhado de limpeza de sangue, realçam as qualidades dos homens de sorte que os fazem merecedores de se poderem aparentar com os maiores ; e a êstes dão confiança para se deixarem aparentar com êles. Dizia um grande senhor em duas palavras tudo o que aqui há que dizer : Que com seus filhos haviam de ir rogar seus pais, para serem bem casados ; e para suas filhas haviam de ser rogados, para serem bem casadas. E outro, não menos entendido, costumava dizer : Que as bôas partes eram chapins da qualidade, que faziam crescer as pessoas de sorte que muitas vezes igualavam os pequenos com os grandes. Falta-me aqui por advertir alguma cousa a umas certas mães, e não sei se a alguns pais, que dão seus geitos às filhas para que se casem ; particularmente a aquelas de bom frontispício, largando-lhes para êsse efeito um pouco a rédea do recato. Digo de mim, que sou austeríssimo nesta matéria. Se a houvesse de julgar conforme meu natural, não acabára nunca de condená-la. Vemos contudo pelo contrário tantos exemplos, que parece tem já tirado o horror que nela acharam outros. Fóra de Espanha é tam ordinária esta arte (em Flandres especialmente) que os galanteios são permitidos, e devidos, e chega a tanto, que os pais, e mães vem a ser os mestres das filhas, a quem aconselham os termos porque se devem haver com seus amantes até os obrigar a que lhes sejam maridos. {{nop}}<noinclude></noinclude> ceagvxxp3kbamoq2it6k8je67f0gazk Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/253 106 223163 563797 505338 2026-09-21T15:58:32Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563797 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|227}}</noinclude>De má vontade direi (mas enfim o digo) que se pode dissimular a uma filha, quando se saíba é bem vista de tal pessoa, que lhe estará bem para marido. Mas devem ser tais os modos porque esta dissimulação possa ser lícita, que tenho o achá-los por impossível. Aconselhará neste caso o ânimo de cada um. Vem agora aqui o casar a furto, que chamamos, e contra a vontade dos pais. Isto é em duas maneiras : em acção, ou em paixão, em acção casando o filho, em paixão sendo a filha casada. Ao homem que seu filho se casasse bem, ainda que contra vontade de seus pais da mulher com que casasse, aconselhára que o sofresse, que de secreto o ajudasse, e se não desse por contente, nem descontente da acção daquele filho. Receitaria neste caso uma ausência, que é cousa utilíssima para negar ao juízo público a tristeza, ou alegria, quando delas não convém testemunho. E se fôsse antes do sucesso, seria maior prudência. Ao homem que sua filha lhe fôsse levada para casar com o filho alheio, se assim fôsse que nisso não perdesse, aconselharia que se fôsse após dela, e se vencesse no pezar que lhe daria essa desobediência ; que nos mais é teima, e raiva, e nos menos verdadeira dôr. Destas abominações entre os pais dos que assim se casam, nascem de ordinário inimizades, brigas, contendas ; e mais de ordinário públicos ditos, remoques, e desonras ; desenterram-se avós, publica-se o que se não sabia, vão os escândalos de monte a monte ; então no cabo de todos seus defeitos, verdadeiros, ou mentirosos, virem à praça, ei-los amigos. O casar bem dos filhos pode absolvê-los da culpa de ser o desgôsto dos pais ; que obrigados eram a ter gôsto do aumento dos filhos. Finalmente o modo {{hífen|sem|sempre}}<noinclude></noinclude> 6m9kfa1gb9btsn9ngo6howyvm9lqloc Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/254 106 223164 563796 505358 2026-09-21T15:58:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563796 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|228|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>{{hífen-fim|pre|sempre}} era bem que fôra bom ; mas lá diz o rifão castelhano : ''Hagase el milagro, hagalo el diablo''. O casar mal, e a desgôsto dos pais, é o último desconcêrto, e o que mais vezes se vê. Tem só' o remédio na preservação ; porque para o êrro não há mèzinhas. Advirtam-se assim os pais de darem com tempo estado aos filhos ; e pelo menos, quando não possa ser com a brevidade que se deseja, mostrem-lhes que disso se trata. Com esta esperança os entretenham. Acontece haver homens, que por se gozarem de sua casa inteira, ouvem mal, e respondem pior aos casamentos dos filhos ; e não poucas mulheres há que por não verem a nora enfeitada junto a si, ou a filha descoberta, e próximo o perigo de serem avós antes de tempo, enxotam de casa as bôas ocasiões das bôdas dos filhos, que dão em ser tam melindrosas, e desconfiadas, que poucas vezes tornam onde una vez as desprezaram. Vale-se de tam indignos defeitos o marido sisudo, e a mulher honrada. Queiram para os filhos quando sejam pais, aquilo que, quando eram filhos, quiseram para si.<section end="Casamentos dos filhos"/> <section begin="Sogras, noras, genros e cunhados"/>{{t2|LIV}} '''{{center|{{sic|Sogras, noras, genros, e cunhados|Sogras, noras, genros e cunhados}}}}''' Não é pouco, nem pouco proluxo, o que se tem discursado. Cada ponto quisera já que fôra o último ; mas com licença de v. m. não me haverei de despedir sem falar em sogros, e sogras, noras, e genros, cunhados, e cunhadas. {{nop}}<noinclude></noinclude> 7kkcejlg2mtpdvuiyyvrd9752rn774c Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/255 106 223165 563795 505340 2026-09-21T15:58:11Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563795 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|229}}</noinclude>Êstes soem ser uns mal-estreados parentescos. Certo que já me pus a filosofar comigo sòmente, sôbre a causa desta desavença ; e outra não posso achar, salvo aquela que em outra diferente causa deu o mestre dos políticos, dizendo : Que aos grandes eram agradáveis as obrigações, enquanto as podiam pagar ; mas como cresciam mais, ainda em vez de amor causavam ódio. Julgo que é tamanha a dívida que se tem aos sogros, e êstes aos genros, uns a outros os cunhados, tanto o amor que se deve a pessoas tam conjuntas, que porque se não pode pagar, se converte em aborrecimento. Bem o mostra o estilo, que nos ensina, vendo chamar pais aos sogros, filhos aos genros, aos cunhados irmãos. Quanto é aqui, assaz está expressa a obrigação ; mas assaz mais expressa a ingratidão dêstes, e aqueles, pelo que estamos vendo. Queixava-se uma senhora viúva da grande amizade que tinha um seu filho com certo fidalgo, em que a ela parecia não ganhava êle muito ; de que recebia desgôsto. Entrou-lhe por casa um criado pedindo alviçaras ; e perguntando-lhe de que ? respondeu : De que meu senhor quebrou já com fulano, porque lhe casa com uma filha. Como me não encarreguei de dar a razão, só procurarei dar o remédio para que nunca tal abuso se pratique. Diga-me v. m. Se um homem lavrasse com grandes despesas uma quinta, durasse nesta obra muitos anos, gastasse nela seu tempo, e sua fazenda, lhe saísse em tudo perfeita, e logo, ela acabada, se fôsse a casa de v. m. e lhe desse aquela propriedade, lhe vinculasse outras, e de tudo o metesse de posse, ¿ que faria v. m. ? ¿ Que digo eu ? v. m. ? ¿ Que faria a mais ingrata pessoa<noinclude></noinclude> 355666xp13ggzaubzyw7e2911e5lbjh Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/256 106 223166 563793 505343 2026-09-21T15:57:41Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563793 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|230|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>do mundo, senão venerar, amar, regalar, e servir a aquele homem, confessar-se por seu escravo, por seu devedor, por seu perpétuo amigo ? Pois que faz menos, ou que não merece mais, aquele que cria por tantos anos a filha, a doutrina, guarda, e aperfeiçôa ; e depois repartindo com ela seus bens, e entregando ametade da sua alma, mete todo êste tesouro na mão a outro homem, a quem porventura antes nada devia ? Trarei para exemplo de bons sogros o que sucedeu quási entre nós, e quási em nossos tempos. E foi, que havendo um homem rico casado uma sua filha com um fidalgo honrado, e querendo casar outra com outro, em nada maior que o primeiro ; êste segundo não quis fazer o casamento sem que lhe dessem em dote mais dez mil cruzados do que ao outro havia dado; e como o sogro dissesse, que teria grande causa de queixa o primeiro genro, dando êste mais ao segundo, e lhe não valesse esta razão para efectuar o último casamento ; houve enfim de convir nêle, e efectuá-lo com tal galantaria, e primor, que no próprio dia, que assinou as escrituras ao segundo genro, mandou outros dez mil cruzados ao primeiro, dizendo-lhe, que não queria que houvesse alguêm que cuidasse o estimava a êle menos. Por certo que não vi, nem ouvi cousa mais galante, e honrada. E porque se veja que também há genros que o sabem ser como devem, contarei a v. m. outro caso que bem o prova. Havia, não há muitos anos, em certo logar uma pessoa riquíssima, com uma só filha herdeira para casar: afeiçoou-se sua mãe a um seu natural de bôa qualidade, mas não muita fazenda ; mandou-lhe dizer que estava tam satisfeita de sua pessoa, que lhe queria dar as {{hífen|me|melhores}}<noinclude></noinclude> 8a4bq5x9cabc5ib3yoo7snjhupf88ih Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/257 106 223167 563792 505345 2026-09-21T15:57:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563792 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|231}}</noinclude>{{hífen-fim|lhores|melhores}} duas peças que tinha em sua casa ; quais eram, sua filha por mulher, e com ela tudo quanto tinha. Respondeu-lhe o genro, que não seria razão que a quem tanto lhe queria, e a quem êle devia tanto, despojasse de todos os seus bens em uma só hora ; que a filha receberia por espôsa, com condição que lhe não havia de dar mais da ametade do que lhe prometia. Bem vejo que êstes exemplos são muito bons para escritos, mas não são tais para praticados ; e disso mesmo é a minha queixa. Enfim eu satisfaço a minha obrigação, mostrando como não é impossível esta devida amizade. Malditos sejam os interesses ! Que êles tem a culpa de que ela não prevaleça ; porque de ordinário acontece que aqueles queixumes de sogros, e genros, tudo funda em — sim me deu, não me deu. Grande descanso viera ao mundo, se todos nos contentáramos com o possível ; mas isto é querer outro mundo. Tenho por bôa a amizade, e a companhia dos cunhados, quando êles sejam para amigos, e companheiros ; quando o não sejam, nem por isso os excluo do trato, e conversação. Deve-se neste caso fazer distinção dos maus aos ignorantes. Ainda que o cunhado não seja águia, se deve admitir ; e antes a êstes com maior causa, porque os outros se lhes não atrevam. Mas ainda que seja águia aquele que mal procede, se deve desviar com todo o cuidado ; se quer porque não pareça que em suas obras se consente. Já ouvi murmurar, e não sei certo se murmurarei eu também, de alguns que casando se apartam dos amigos que tinham antes, e de todo se entregam à parentela de suas mulheres. Isto é condenável ; e se vê mais certamente naqueles que a elas cegamente se lhes entregam. {{nop}}<noinclude></noinclude> gjult8hggwt75tmj3t115l3d52yc2b1 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/258 106 223168 563791 505347 2026-09-21T15:57:05Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563791 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|232|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>Andava um noivo sempre entre dous cunhados seus, que nem largava, nem o largavam. Passava às vezes por um seu amigo do tempo de solteiro, a quem tratava com estranheza. Êle queixoso lhe disse um dia : Peza-me, senhor fulano, que a senhora D. fulana tenha tam pouca confiança da fé de v. m. que o não deixe andar pela cidade sem familiares. Também não será razão que nos passe por alto a prática de um acidente, não poucas vezes sucedido entre casados ; como agora digamos uns descontentamentos, ou arrufos, que passam com nome de escândalos entre a mulher, e seus parentes, agora sejam do marido, agora seus próprios. Tudo isto costuma proceder de leves causas. E como ordináriamente as vinganças das mulheres não são grandes, por isso são mais as queixas, que dão causa a desconfianças, e ruins vontades, com grande cargo do primor, e às vezes da consciência ; porque debaixo de um, eu sou sua amiga, está enroscado um ódio como uma serpente. Há homens que tem por grande siso o não terem parte nestas contendas. Tal não aprovo, porque, além de que ao marido por sua dignidade toca a justificação das acções de sua mulher, ou a emenda, também lhe pertence a direcção delas ; e mais na sua amizade, ou inimizade : assim como ao rei pertence a guerra, ou paz feita por seu vassalo. Fôra de parecer que nos casos miúdos (que êstes são os mais) um pouco se dissimulára. Porque, senhor N., aí há um desconcertar de braço, ou pé, com que é fôrça acudir ao algebrista, e outro que quanto mais bólem com êle mais o desmancham. É carne quebrada, que ela por si mesmo solda quando lhe parece. {{nop}}<noinclude></noinclude> 28ulkplzlmg9lmpl3u8egix9hdnoh9p Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/259 106 223169 563790 505363 2026-09-21T15:56:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563790 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|233}}</noinclude>Quando a dúvida passasse muito adiante entre a mulher, e seus parentes, e parentas, e pudesse ser pública, e escandalosa, ou assim o ameaçasse ; obrigado seria o marido a interpôr-se em meio, e acordar tudo. Isto se faz melhor, tratando-se com o próprio marido da parente (se o tem) ou já ofendida, ou já agressora. E ainda que seja levantando-lhe um par de testemunhos a ambas as agravadas, e dizendo a cada uma que a outra a roga (cousa de que elas muito se satisfazem) é conveniente acomodá-las, e fazê-las amigas. Mulheres há, e não poucas, que nisto são tenazes, e duríssimas de reduzir de seus pontos, ou caprichos. Sem embargo, razão é que os maridos as encaminhem à razão, e lhes façam certo que elas é bem que sigam o seu parecer dêles ; pois à sua conta dêles está sua honra, e crédito delas. Quando, feita a diligência prudente, e necessária, não bastasse, tam pouco serei de opinião que um homem esteja mal com sua mulher porque ela não está bem com a outra.<section end="Sogras, noras, genros e cunhados"/> <section begin="Conclusão"/>'''{{center|CONCLUSÃO|fs=110%}}''' Ora, Senhor N., quando comecei a escrever a v. m. foi com ânimo de não passar de uma carta ; e acho me agora com um processo escrito. Eu de meu natural sou miúdo, e proluxo ; o estar só, e a melancolia, que de si é cuidadosa, me fizeram armar tam largas rêdes, para colhêr dentro delas todos os casos, e todos os avisos. Praza a Deus que nos não hajamos cansado debalde ; como seria, se no cabo de v. m. haver ouvido muito,<noinclude></noinclude> 2aj446d02yk3gdjpn0js3njjto956a7 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/260 106 223170 563789 505349 2026-09-21T15:56:29Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563789 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho|234|CARTA DE GUIA DE CASADOS|}}</noinclude>e de haver eu dito multo, daqui não tirássemos algum proveito. Rematarei com as generalidades que, a meu parecer, avultam bem a grandeza das casas ; isto como conclusão do muito que nestes pontos havia que dizer. Ben vejo eu que se chegar e ser lido de alguma casada, ou casado (e mais ainda dos que estiverem para o ser) acharão medonho êste caminho, por onde pretendo guiá-los à prometida casa do descanso. Porque dirão êles o estão vendo cheio de abrolhos, e cautelas, que apenas parece poderá passá-lo a consideração, quanto mais a obra. Dir-lhe hei a tôdas, que nesta carta sucede o que nas cartas de marear, que quem as vir assim cruzadas de linhas, e riscos, que se comem uns aos outros, parece que de tal confusão não pode haver quem se desempece ; e na verdade não é assim ; porque aqueles linhas tôdas são umas próprias, e apenas passam de quatro principais ; mas para fazer mais fácil o nosso uso, se multiplicam. Quem com bom juízo considerar esta máquina de cousas, as verá tam semelhantes, atadas, e dependentes umas de outras, que não lhe parecerão muitas, mas uma só. E porque, como vêmos, a corda de poucos fios se quebra fàcilmente, se com ela apertam muito ; por isso é necessário tecer e torcer de muitos avisos, e remédios esta corda, de que está pendurada a honra, vida, e salvação dos casados ; porque com as fôrças do vício se nos não rompa. E como tôdas elas costumam quebrar pelo mais fraco, e esta fraqueza é própria da mulher ; por essa mesma razão convêm fortificá-la de sorte, com tanta cautela, e arte, que por mais que tire a ocasião, sempre se conserve sã, e inteira. {{nop}}<noinclude></noinclude> jnnetxezbtf9qdigvt1267sw0hyd0xa Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/261 106 223171 563788 505350 2026-09-21T15:56:16Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563788 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||CARTA DE GUIA DE CASADOS|235}}</noinclude>Mas se contudo parecer às mulheres excessivamente rigorosa esta minha doutrina, certifico-lhes que meu ânimo não foi êsse, senão encaminhar tudo à sua estimação, regalo, e serviço. E porque assim se veja mais certamente, haja quem queira de mim outra carta para as casadas ; e então se verá quam bem advogo por sua parte, quando pelo que aos maridos deixo dito as mulheres se não dêem por satisfeitas. Senhor meu. Casa limpa. Mesa asseada. Prato honesto. Servir quedo. Criados bons. Um que mande. Paga certa. Escravos poucos. Côche a ponto. Cavalo gordo. Prata muita. Ouro o menos. Jóias que se não peçam. Dinheiro o que se possa. Alfaias tôdas. Armações muitas. Pinturas as melhores. Livros alguns. Armas que não faltem. Casas próprias. Quinta pequena. Missa em casa. Esmola sempre. Poucos vizinhos. Filhos sem mimo. Ordem em tudo. Mulher honrada. Marido cristão ; é bôa vida, e bôa morte. {{gap|1.5em}}Tôrre Vélha, em 5 de março de 1650. {{right|{{sc|D. Francisco Manuel.}}}}<noinclude></noinclude> q9nrmdum4wrjpbdqrjotzvue5wikzzq Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/262 106 223172 563787 505390 2026-09-21T15:56:05Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563787 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>[[File:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly, ed. Lello & Irmão (Ornamento 1) 01.png|center|450px]] {{center|{{serifa|ÍNDICE}}|fs=200%}} {{dhr|2}} {{lh|3em}} {{dhr|2}} <section begin="Índice CdA"/>{{t2|[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly|'''CARTAS DE AMOR''']]}} {{dhr|2}} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |nodots |página={{sc|Pag.}} }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly/Prólogo|Prólogo]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/11|VII]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly/Carta Primeira|Carta primeira]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/11|3]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly/Carta Segunda|Carta segunda]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/35|11]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly/Carta Terceira|Carta terceira]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/49|25]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly/Carta Quarta|Carta quarta]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/57|33]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Cartas de Amor ao cavaleiro de Chamilly/Carta Quinta e Última|Carta quinta e última]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/65|41]] }}<section end="Índice CdA"/> {{t2|[[Carta de guia de casados|'''CARTAS DE GUIA DOS CASADOS''']]}} {{dhr|2}} <section begin="Índice CGC"/>{{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Carta de guia de casados/Prefácio biográfico|Prefácio biográfico]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/81|55]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Carta de guia de casados/Advertência|Advertência]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/128|102]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Carta de guia de casados/Carta a D. Francisco de Melo|Carta a D. Francisco de Melo]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/131|105]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Carta de guia de casados/Aos leitores|Aos leitores]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/133|107]] }} {{tabela|indentation=-1|largura-p=40 |título=[[Carta de guia de casados/Preâmbulo|Preâmbulo]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/137|111]] }}<noinclude></noinclude> 0p0m29638y7oub7f80k1z6bxvjeujh3 Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/263 106 223173 563786 503578 2026-09-21T15:55:50Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563786 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{Cabeçalho||INDICE|237}} {{dhr|2}}</noinclude><noinclude>{{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 100 | nodots | página = {{sc|Pag.}} }}</noinclude> {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =I — |título=[[Carta de guia de casados/Vantagens do casamentos|Vantagens do casamentos]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/140|114]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =II — |título=[[Carta de guia de casados/A proporção do casamento|A proporção do casamento]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/141|115]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =III — |título=[[Carta de guia de casados/O amor|O amor]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/143|117]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =IV — |título=[[Carta de guia de casados/A idade da noiva|A idade da noiva]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/145|119]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =V — |título=[[Carta de guia de casados/Parentescos|Parentescos]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/146|120]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =VI — |título=[[Carta de guia de casados/Casamento por conveniência|Casamento por conveniência]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/147|121]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =VII — |título=[[Carta de guia de casados/Várias castas de mulheres|Várias castas de mulheres]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/149|123]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =VIII — |título=[[Carta de guia de casados/Maneira de conservar a bondade das que são bôas|Maneira de conservar a bondade das que são bôas]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/157|131]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =IX — |título=[[Carta de guia de casados/Criados e criadas|Criados e criadas]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/158|132]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =X — |título=[[Carta de guia de casados/A espôsa|A espôsa]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/169|143]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =XI — |título=[[Carta de guia de casados/Costumes da Côrte|Costumes da Côrte]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/170|144]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =XII — |título=[[Carta de guia de casados/Govêrno doméstico|Govêrno doméstico]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/173|147]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =XIII — |título=[[Carta de guia de casados/O trajar|O trajar]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/176|150]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =XIV — |título=[[Carta de guia de casados/Regalos caseiros|Regalos caseiros]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/177|151]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s = 90 | seção =XV — |título=[[Carta de guia de 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{{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s=90 | seção =XXXII — |título=[[Carta de guia de casados/Galantarias honestas|Galantarias honestas]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/208|182]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s=90 | seção =XXXIII — |título=[[Carta de guia de casados/Louçanias|Louçanias]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/209|183]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s=90 | seção =XXXIV — |título=[[Carta de guia de casados/Afeminação, desleixo, e requebros indecentes|Afeminação, desleixo, e requebros indecentes]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/210|184]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s=90 | seção =XXXV — |título=[[Carta de guia de casados/Pièguices paternais com os filhos|Pièguices paternais com os filhos]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/211|185]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s=90 | seção =XXXVI — 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cunhados|Sogras, noras, genros e cunhados]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/254|228]] }} {{tabela|identação=-1|largura-p=40|largura-s=90 | seção = |título=[[Carta de guia de casados/Conclusão|Conclusão]] |página=[[Página:Cartas de amor ao cavaleiro de Chamilly.pdf/259|233]] }}<section end="Índice CGC"/><noinclude></noinclude> cp8eowbd352j6yfd57hso9h5qwornl5 Página:(1855) Sermões do padre Antonio Vieira, Volumes 5-6.pdf/9 106 233939 563587 500219 2026-09-21T14:19:42Z PeterBlackjack 43843 /* Revista */ 563587 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="PeterBlackjack" /></noinclude>{{c|{{serifa|SERMÃO}}|fs=350%}} {{c|{{serifa|DA}}|fs=75%}} {{c|{{serifa|SEXTA SEXTA FEIRA}}|fs=275%}} {{c|{{serifa|DE QUARESMA.}}|fs=150%}} '''{{c|Prégado na capella real, mo anno de 1662.}}''' {{right|Collegerunt pontifices, et pharisai concilium.— Joan. XI.}} {{t2|I.}} A melhor e a peior coisa que ha no mundo, qual será? A melhor e a peior coisa que ha no mundo, é o conselho. Se é bom, é o maior bem; se é máu, é o peior mal. A maior maldade que commetteu neste mundo a cegueira e obstinação dos homens, foi a morte de Christo: a maior misericordia que obrou neste mundo a bondade e piedade de Deus, foi a redempção dos homens. E ambas estas coisas, tão grandes e tão oppostas, sairam hoje resolutas de um conselho: Expedit vobis, ut unus moriatur homo, ne fota gens pereat. Supposta esta primeira verdade de ser o conselho o maior bem e o maior mal do mundo, ou, quando menos,<noinclude></noinclude> 6fw61ld018np7o1ovzuhv7edh6lw34a 563612 563587 2026-09-21T14:37:04Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563612 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{c|{{serifa|SERMÃO}}|fs=350%}} {{c|{{serifa|DA}}|fs=75%}} {{c|{{serifa|SEXTA SEXTA FEIRA}}|fs=275%}} {{c|{{serifa|DE QUARESMA.}}|fs=150%}} '''{{c|Prégado na capella real, mo anno de 1662.}}''' {{right|Collegerunt pontifices, et pharisai concilium.— Joan. XI.}} {{t2|I.}} A melhor e a peior coisa que ha no mundo, qual será? A melhor e a peior coisa que ha no mundo, é o conselho. Se é bom, é o maior bem; se é máu, é o peior mal. A maior maldade que commetteu neste mundo a cegueira e obstinação dos homens, foi a morte de Christo: a maior misericordia que obrou neste mundo a bondade e piedade de Deus, foi a redempção dos homens. E ambas estas coisas, tão grandes e tão oppostas, sairam hoje resolutas de um conselho: Expedit vobis, ut unus moriatur homo, ne fota gens pereat. Supposta esta primeira verdade de ser o conselho o maior bem e o maior mal do mundo, ou, quando menos,<noinclude></noinclude> 2v0rl6lgr8u3uzly8ohquo7ghelnt1t Página:(1855) Sermões do padre Antonio Vieira, Volumes 5-6.pdf/10 106 233940 563504 500220 2026-09-21T13:53:37Z ~2026-50891-64 43855 563504 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Junglk" />{{cabeçalho|6|SERMÕES.|}}</noinclude>a fonte dos maiores bens, e dos maiores males, quizera eu hoje que fosse materia do nosso discurso, a consideração dos bens e males que concorreram neste conselho. Este conselho, ou se póde considerar pela parte que teve de politico, ou pela parte que devia ter de christão. Pela parte que teve de politico, mostrou alguns dictames acertados: pela parte que devia ter de christão, commetteu o mais enorme de todos os erros. E porque dos erros e dos acertos, como do aço e do crystal, se compoem e formam os espelhos; dos acertos e dos erros deste conselho, determino formar hoje um espelho á nossa corte. Será este espelho de tal maneira politico para os christãos, e de tal modo christão para os politicos, que se possa vér e compor a elle um conselho, e um conselheiro, e tambem um aconselhado. Se fôr muito lizo, e muito claro, isso é ser espelho. {{t2|II.}} ''{{c|Collegerunt pontifices, et pharisei concilium.}}'' Quatro partes considero neste conselho do evangelho, sem as quaes nenhum conselho póde ser acertado, nem ainda ser conseJho. A eleição dos conselheiros, a formalidade da proposta, a conveniencia dos pareceres, e a efficacia da execução. A primeira contém os principios do conselho, a segunda o modo, a terceira os meios, a quarta o fim. Sem a primeira, será o conselho imprudente; sem a segunda, confuso; sem a terceira, damnoso; sem a ultima, ocioso e inutil. Comecemos pela primeira. {{t2|III.}} A primeira boa propriedade que teve este conselho do evangelho, foi que a materia sobre que se havia de votar, era da profissão dos conselheiros. A materia era de religião, e elles eram sacerdotes: a materia era de fé, e elles eram theologos: a materia era do Messias, promettido pelos prophetas, e elles eram doutos nas escripturas: em fim, a materia era de letras, e elles eram le-<noinclude></noinclude> tgnr59p80piaxr3njwwfpi0rsf469f5 563614 563504 2026-09-21T14:37:41Z MMIRENE 43852 /* Corregido */ 563614 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MMIRENE" />{{cabeçalho|6|SERMÕES.|}}</noinclude>a fonte dos maiores bens, e dos maiores males, quizera eu hoje que fosse materia do nosso discurso, a consideração dos bens e males que concorreram neste conselho. Este conselho, ou se póde considerar pela parte que teve de politico, ou pela parte que devia ter de christão. Pela parte que teve de politico, mostrou alguns dictames acertados: pela parte que devia ter de christão, commetteu o mais enorme de todos os erros. E porque dos erros e dos acertos, como do aço e do crystal, se compoem e formam os espelhos; dos acertos e dos erros deste conselho, determino formar hoje um espelho á nossa corte. Será este espelho de tal maneira politico para os christãos, e de tal modo christão para os politicos, que se possa vér e compor a elle um conselho, e um conselheiro, e tambem um aconselhado. Se fôr muito lizo, e muito claro, isso é ser espelho. {{t2|II.}} ''{{c|Collegerunt pontifices, et pharisei concilium.}}'' Quatro partes considero neste conselho do evangelho, sem as quaes nenhum conselho póde ser acertado, nem ainda ser conseJho. A eleição dos conselheiros, a formalidade da proposta, a conveniencia dos pareceres, e a efficacia da execução. A primeira contém os principios do conselho, a segunda o modo, a terceira os meios, a quarta o fim. Sem a primeira, será o conselho imprudente; sem a segunda, confuso; sem a terceira, damnoso; sem a ultima, ocioso e inutil. Comecemos pela primeira. {{t2|III.}} A primeira boa propriedade que teve este conselho do evangelho, foi que a materia sobre que se havia de votar, era da profissão dos conselheiros. A materia era de religião, e elles eram sacerdotes: a materia era de fé, e elles eram theologos: a materia era do Messias, promettido pelos prophetas, e elles eram doutos nas escripturas: em fim, a materia era de letras, e elles eram le-<noinclude></noinclude> lmum1or9sjzmer6k3ae9qrbfbyq89pt Página:(1855) Sermões do padre Antonio Vieira, Volumes 5-6.pdf/11 106 233941 563616 500221 2026-09-21T14:39:37Z MMIRENE 43852 /* Corregido */ 563616 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MMIRENE" />{{Cabeçalho||SERMÕES.|7}}</noinclude>trados. A causa de se governar tão mal o mundo, e de andar tão mal aconselhado, havendo tantos conselbos, é porque de ordinario os principes baralham os metaes, e trazem desencontrados os conselhos e os conselheiros. Se o soldado votar nas letras, e o letrado na navegação, e o piloto nas armas, que conselho ba de haver, nem que successo? Haverá letrados, e não se verá justiça : haverá pilotos, e não se fará viagem: haverá soldados e exercitos, e levarão a victoria os inimigos. Vote cada um no que professa, e logo nos conselhos haverá conselho. Nos casos da religião vote Samuel e Hely: nos negocios da guerra vote Joab e Abner: nas importancias do estado vote Chuzay e Achitofel: e nas occorrencias da navegação e do mar (ainda que não tenham nomes tão pomposos) vote Pedro e André. Indigna coisa parece, e ainda escandalosa, que os pharizeus entrem no mesmo conselho com os pontifices: Collegerunt pontifices, et pharisei concilium. Tambem o pharizeu ha de ter logar no conselho? Tambem o pharizeu ha de dizer seu parecer? Tambem o pharizeu ha de dar seu voto? Tambem; se a materia for da sua profissão. Ainda que o nome de pharizeu naquelle tempo fora tão vil, e tão mal soante como é hoje, nem por isso se havia de excluir do conselho nas materias da sua profissão; porque o bom conselho, e o bom conselheiro, não o faz o nome, nem a qualidade da pessoa, senão a do voto. E porque vos não pareça esta doutrina de tão má escóla, como a do nosso evangelho, vêde tudo o que tenho dito, no conselho de um principe melhor que os melhores pontifices, e no voto de um conselheiro peior que os peiores pharizeus. Viu o propheta Micheas a Deus em conselho, assentado em um throno de grande magestade. (Conta o caso o mesmo propheta no 3.º livro dos Reis cap. 22) (3 Reg. XXII-20) Assistiam a Deus de uma e outra parte do conselho todas as grandes personagens das tres gerarchins: os thronos, as potestades, as dominações, cherubins, serafins, etc. E diz o propheta que tambem veio o diabo a achar-se no conselho. Se n'um conselho do céu, onde o presidente é Deus, e os conselheiros anjos, entra um diabo; nos conselhos da terra, onde os que presidem, e os que aconselham, são homens, e talvez homens de muita carne e san-<noinclude></noinclude> q6733z1wpgy76t7wv7u5mofh0q7fldy Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/1 106 244551 563473 538451 2026-09-21T13:46:53Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563473 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>{{c|A LINGUAGEM MÉDICA}} {{c|DE PORTUGAL E BRASIL}}<noinclude></noinclude> qtt7er182k0k0bqqcx1vfln3r3rd1i7 Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/3 106 244816 563394 533213 2026-09-21T13:17:03Z Car Nikolau 43847 /* Revista */ 563394 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Car Nikolau" /></noinclude>ANTÓNIO {{smaller|VIEIRA}} BARRADAS {{c|{{xxxx-larger|A Linguagem Médica}}}} {{c|{{x-smaller|DE}}}} {{c|{{x-larger|PORTUGAL E BRASIL}}}} {{c|'''Apontamentos e comentários'''}} {{c|'''para um Dicionário dos Termos Técnicos de Medicina'''}} {{c|'''DISSERTAÇÃO INAUGURAL'''}} {{c|{{smaller|APRESENTADA À}}}} {{c|{{larger|'''Faculdade de Medicina do Pôrto'''}}}} {{d|PÔRTO{{br}}Julho, 1915}}<noinclude></noinclude> 1i338rkf7tv0qc4jsof0pk6ihiq8k0g Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/3 106 246526 564069 532514 2026-09-22T09:41:11Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564069 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{c|{{larger|{{lsp||DIALOGO}}}}|fs=150%}} {{dhr}} {{c|{{larger|{{lsp||ENTRE DOUS MORTOS}}}}|fs=150%}} {{dhr}} {{c|{{lsp||TRADUZIDO}}}} {{dhr}} {{c|{{smaller|{{lsp||DO}}}}}} {{dhr}} {{c|{{lsp||IDIOMA LUNATICO}}}} {{dhr}} {{c|{{smaller|{{lsp||'''EM'''}}}}}} {{dhr}} {{c|{{lsp||PORTUGUEZ}}}} {{dhr}} {{c|{{lsp||'''POR HUM'''}}}} {{dhr}} {{c|{{x-larger|{{lsp||'''''CONSTITUCIONAL.'''''}}}}|fs=150%}} {{dhr|4}} {{rule|6em}} {{dhr|4}} {{c|{{lsp||LISBOA:}}}} {{dhr}} {{c|NA OFFIC. DE ANTONIO RODRIGUES GALHARDO,}} {{dhr}} {{c|{{smaller|Impressor do Conselho de Guerra.}}}} {{dhr}} {{c|{{smaller|''Com licença da Comissaō de Censura.''}}}} {{dhr}} {{rule|6em}} {{dhr}} {{c|{{lsp||1821}}}} {{page break|label=}} {{nop}}<noinclude></div></noinclude> 81xtlljbmggmdhn239v01zu7kp9may7 Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/4 106 246527 564068 532516 2026-09-22T09:41:01Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564068 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|2}} {{dhr|5}} {{rule|15em}}</noinclude>{{c|{{larger|EXTRACTO FILOSOFICO ,}}}} {{dhr}} {{c|{{lsp||QUE}}}} {{dhr}} {{c|{{lsp||SERVE DE INDEX ANALITICO.}}}} {{dhr|5}} {{capitular|A}} Necessaria resoluçaō, que a Naçaō devia tomar para extirpar o germen da decadencia Nacional , devia achar , como succede em todos os choques revolucionarios , grandes obstaculos a seus progressos. A desordem tem seus limites , que naō póde excedellos sem terminar em ordem. Para evitar-se tal resoluçaō , se intentou com maō anticipada reduzir a Naçaō á maior indigencia , tratou-se de deteriorar todas as classes de Proprietarios na fatal organisaçaō dos Corpos de Milicias , e Ordenanças , na facilidade da importaçaō de generos estrangeiros , e no gravame em que se viaō os Nossos : varias reflexōes sobre este objecto. Mostra-se qual sempre foi o caracter da Naçaō Portugueza , suas nobres acçōes , e sacrificios desde 1808 até 1820 , a necessidade de hum Rei Consticional : faz-se hum breve discurso em que se vê quanto nisto se exalta a Magestade : se a Naçaō podia extinguir o Governo antigo , se nisto houve traiçaō. Se, além das causas prescriptas se achaō outras já envelhecidas , que se devaō corrigir. Que se deve pensar sobre Morgados , se estes saō os que mais influem sobre o entorpecimento da industria Nacional. Falla-se dos Donatarios , grandes fundos de Prelados , meias annatas que se cedem á Curia Romana , dinheiro que se emprega para dispensa de casamentos , e outras graças. Reflexōes sóbra. Ordens Religiosas , o que se deve esperar dos Juizes , &c. {{nop}}<noinclude></div></noinclude> 89e148pn1u2rqx1bhlrjn3o8yvup3w0 Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/5 106 246553 564067 532572 2026-09-22T09:40:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564067 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|3}} {{dhr|5}} {{rule|15em}}</noinclude>{{t2|{{lsp||AO LEITOR}}}} {{dhr|5}} {{capitular|D}}Iz hum sabio, que o homem nasceo para a verdade, como para a virtude. Esta só o póde pôr em harmonia com a sociedade , depois que sem ella o seu coraçaō se acha devorado de sentimentos hostis , e o mundo naō lhe offerece senaō inimigos. O habito de fazer bem o enche de vivas , e doces commoçóes , que talvez ninguem , por mais infeliz que seja , naō as tenha alguma vez experimentado ; he por ella que a alma se engradece , e a quem os verdadeiros bens da vida lhe saō exclusivamente reservados : mas a verdade lhe he essencialmente necessaria ; sem esta , a virtude pode aos homens mais excellentes precipitar em todos os gráos da desgraça , e póde até vir a ser a origem dos mais funestos erros , onde aclarar sua consciencia naō he menos huma necessidade , do que hum dever , a sua descoberta o enche da maior satisfaçaō. O fim , meu Leitor , deste Dialogo , foi dissipar a muitos virtuosos Cidadáos as trevas em que estavaō envoltos. He a gloria que aspiro , e por isso naō temo o mordaz zoilo , porque a este só direi , que sendo o Dialogo entre Mortos , fique para elle tudo em zero. O tempo vem por fim a destruir o sonho das opiniōes humanas , restabelece as Leis da Natureza. {{dhr|4}} {{cabeçalho|||''Cicero.''}} {{nop}}<noinclude></div></noinclude> 2sv2i5q4n2vs9hoentci15uazellroh Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/6 106 246554 564066 532575 2026-09-22T09:40:31Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564066 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|4}} {{dhr|5}} {{rule|15em}}</noinclude>{{t2|{{lsp||DIALOGO}}}} {{dhr}} {{t2|ENTRE DOUS MORTOS}} {{dhr|4}} {{rule|8em}} {{dhr|3}} {{t2|{{lsp||PROLOGO.}}}} {{dhr|6}} {{capitular|E}}Sta pratica succedeo na Lua aos dias 26 de Agosto de 1820 da Era Christā , entre hum Avô , e sua Neta , no tempo em que a alma daquelle hia a ser julgada pelo inflexivel Minos , e a deste descia a encarnar. Este caso se me communicou em Idioma Lunatico , que verti em Portuguez ; e apezar do inverosimil , de que a alma do Avô olhasse para tráz , com tudo achei-o interessante para o dar ao prélo. Nesta obra se descreve muito em breve o nobre desenvolvimento , e energica resoluçaō que tomou a Naçaō Portugueza na épocha do seu captiveiro , e quaes foraō as causas tanto remotas , como proximas da sua decadencia , que devem merecer as vistas do Augusto Congresso Nacional , a quem lhe confiou amplos , e geraes poderes para promoverem o bem da sua felicidade. {{dhr}} {{rule|20em}} {{rule|20em}} {{dhr}} ''Neta.'' Olhe para a Terra , meu Avô , e veja que desordem , e confusaō se entrevê naquella porçaō mais brilhante do Globo Terraqueo , em que homens , e mulheres entre o estrondo de trovōes exultaō de prazer , quando ha pouco me dissestes que os deixareis gemendo manietados.<noinclude></div></noinclude> 5dmhn4oztiis52pmw5j02rbvl72lewc Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/7 106 246555 564065 532576 2026-09-22T09:40:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564065 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|5}}</noinclude>com as duras algemas da ferrea tyrannia , e.quaes frageis bateis sem leme fluctuando á discriçaaō das procelosas ondas do horrivel pégo ; vê como entre o tropel de cavallaria , e infantaria o povo se erige n՚hum Tribunal respeitavel , jurando extirpar ao fado a infausta sorte , que o condemna ; e alli ao meio dia o seu orgulhoso Oraculo , empolado da Magestade , gritando em altas vozes ser isto hum delirio , e huma horrorosa traiçaō contra a Magestade , que o protege, e sua felicidade anibiciona. ''Avô.'' Já tempo ha , minha Neta , que nessa minha Patria presentia , que a gloriosa memoria dos seus altos feitos despertaria seus virtuosos filhos do profundo lethargo em que jaziaō , apezar dos pérfidos meios que se empregáraō para aterrar seu heroismo , maxima que n՚outro tempo dictada pelo maior dos Tyrannos , que os seculos conhecêraō , a qual sem dúvida conseguiria seu pleno effeito n՚outras almas , que naō fossem as dos Portuguezes. He a este respeito que diz hum Sabio do nosso seculo “ que desordem jámais pode passar de certos limites , que parece ter fixado a mesma Natureza , a qual mostra conter em si os principios da volta para a ordem , ou da reproducçaō dos phenomenos conservadores... A ordem pode ser turbada , mas ella se renova , ou pela duraçaō , ou pelo excesso das acçōes das mesmas circumstancias , que tendem a destrui-la. „ Reparo porém , minha Neta , que em todo este alboroto naō percebo senaō a mais admiravel ordem , pois noto que todos os seus movimentos , quaes relampagos , se propagaō harmonicamente como por encanto de hum até outro pólo , sendo o prazer , a gloria, e o enthusiasmo a sua geral devisa ; e se naō observa , como todos os Portuguezes , espelhos vivos daquellas virtudes que tanto exaltáraō os amigos Lusitanos , que tanto figuraraō por todo o Mundo , caminhando a passos agigantados , e levando como resplendor em suas frentes a gravidade , a modestia , a serenidade , e ostentaçaō de sua taō alta nobreza : repara como se deixa perceber , que por harmonicas correspondencias , a propriedade , a doce liberdade , e a justa igualdade , que devem ser fundadas na razaō Divina , e protegidas por virtuosas Leis , que por traiçaō , e despotismo se lhes haviaō arrancado , deviaō reconquistar-se a preço de<noinclude></div></noinclude> 7xzmahyqxeof9wdmvteq9zzd3h66nye Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/8 106 246565 564064 532598 2026-09-22T09:39:58Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564064 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|6}}</noinclude>qualquer que fosse o sacrificio. ¿ E naō deveriaō obter estes preciosos bens aquelles mesmos Portuguezes , que em 1808 com animo impertubavel , no meio do ferro , fogo , fome , e captveiro , errantes na Soledade , sem casas , bens , e propriedades , combatendo contra o Ceo , e todos os elementos , sem que a desapiedade morte do Pai , filhos , Esposa , e irmåos os alterasse , progredindo atterrando o maior dos Tyrannos ; e frustrando seus planos , elevaraō o Emporio Portuguez acima dos altos Ceos , e vieraō a esculpir por rodo o Mundo quanto pode taō virtuosa gente ? E como agora se esqueceriaō dos altos deveres que delles sua exigia sua triste Mái agonizante , e em lugubres ais submergida , sem numerario, agricultura , e commercio , seus fundos publicos invertidos , Exercito esfomeado , nú , e condemnado a soster conquistas imaginarias ? O denominado Governo esperava que a falta de meios mergulharia a Naçaō n՚huma lethargica apathia , e que o systema de enriquecer a expensas do commum , obteria seu pleno effeito ; mas quaō longe isto se acha daquella maxima que expôz hum Sabio , que se exprime assim “ He por huma feliz necessidade que o interesse de hum particular naō poderá verdadeiramente estar separado do interesse dos outros homens : os esforsos que para o conseguir quizer tentar saō actos de hostilidade geral , que inevitavelmente cedo , ou tarde recahem sobre seu author. „ He para estranhar que o jogo de taes interesses se houvesse de querer cobrir sob pretexto de huma alta traiçaō ao Soberano ; era desconhecido a taes senhores declamadores , que a grandeza da Soberania depende essencialmente dos jnteresses , virtudes , gloria , e honra do povo ; e que a ruina deste arrasta infallivelmente a daquelle , que hum , e outro saō duas partes contratantes , cujos interesses sendo confiados a hum feitor , e percebendo-se que este m o administrador dá com tudo em banca rôta , pergunta-se se qualquer das partes o poderá despedir ? Ninguem penso que dirá o contrario , eis pois o que faz a Naçaō Portugueza , porque cada hum está obrigado a promover asua conservaçaō , esta a primeira lei natural. Além disto ninguem esta em melhores circumstancias de conhecer os seus mais intimos o proprio suor , do que<noinclude></div></noinclude> 1aezcf30mgbciomd1zpzokcxrsa7hzt Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/9 106 246580 564063 532622 2026-09-22T09:39:51Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564063 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|7}}</noinclude>mesmo povo, e ninguem igualmente pode apreçar mais que elle da origem dos males que o suffocaō ; logo ninguem melhor do que o povo pode decidir , modificar , mudar , e inverter o Governo economico. Entre as maiores desgraças que submergiaō a Naçaō , merece particular cuidado a organisaçaō de hum Corpo de Exercito , formado de individuos , que sahiaō da classe de Proprietarios , e á falta destes de casados de toda a elas , de filhos unicos que deviaō ser o amparo de suas Māis viuvas , ou de seus Pais decrepitos , de officiaes Artistas , que deviaō estar na meema actividade , e exercicio , que se o inimigo estivesse presente : exigia-se a estes que abandonassem suas occupaçōes ordinarias , vindo assim a expôr suas mulheres , filhos , seus decrepitos Pais , e infelices Máis á fome , e nudez ; que elles mesmos se vestissem a sua custa , e se provessem de utensilios incompativeis , e até mesmo impessiveis ao seu ser , e fortuna. Pergunto agora , naō vem isto a ser huma tyrannia , e manifesta injustiça ? Embora a Naçaō os obrigasse a servir á causa commum , mas porque perdêraō estes infelices o direito de reclamar suas pagas , e importe de todo o trem que delles se exigia ? Naō bastava que o Publico ficasse defraudado de dois , eu mais dias de trabalho , que por semana perdia cada Miliciano , mas que ainda alem disto ficassem estes exauridos , e impossibilitados para a continuaçaō de suas tarefas , he tudo que pode exceder a expectaçaō. Porém se ha direito a exigir a estes desgraçados taes sacrificios sem remuneraçaō , porque seraō disto isemptos os mais empregados ? ou porque se exigia dos primeiros os mesmos tributos , e pensōes como o resto dos Cidadáos ? Oh Miseria ! Oh Tempos ! onde estaō os resultados de tanta gloria , e felicidade , que com tanto sangue havieis comprado desde 1808 até 1815 ? Terminarei pois , mostrando que a organisaçaō de hum tal Corpo , que só cogita nas desgraças de sua familia , naō pode aperfeiçoar-se na arte a que he obrigado , mas sim deve olhar com horror o deploravel destino a que o condemnaō. Este desgraçado estabelecimento tem produzido hum fatal commercio tao ruinoso á classe dos Proprietarios , e Operarios , que lhes era preciso comprar suas<noinclude></div></noinclude> r7g6xv8q18l0zos7bmanqmpcc2mq6va Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/10 106 246581 564062 532623 2026-09-22T09:39:42Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564062 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|8}}</noinclude>baixas a custo de 20 , 30 , e 100 moedas confórme bem se jogava , havendo além disto hum grande trafico no tempo da guerra , na dispensa dos Soldados por tres e mais moedas , e o abuso de servir-se destes Milicianos para seus proprios interesses a titulo do R. S. He isto verdade senhores Milicianos ? Outra nova desgraça apparecia na organisaçaō das denominadas Ordenanças , em que seus Chefes se viaō obrigados a emprehender jornadas , que ás vezes continhaō a circumferencia de alguma Capitania Mór , duas vezes ao anno , e igualmente obrigados a comprar á sua custa todos os mappas , relaçōes , e papel as mais das vezes ridiculo , relativo á sua organisaçaō , e enviar a seu custo toda , e qualquer recruta , obrigado o povo a assistir abandonando suas occupaçōes ás vezes indispensaveis , sob penas pecuniarias com o pretexto de serem destinadas á Caixa Militar. Naō eraō só estes os unicos meios , que se empregavaō para arrancar os braços á agricultura , e industria , ainda se empregavaō outros mais detestaveis para se estancar , e syncopar de tudo a Naçaō , e vinhaō a ser a admissaō do paō estrangeiro , que paralisou de repente o nosso unico recurso. He huma maxima bem sabida que huma Naçaō , cuja opulencia he devida ás suas minas , na sua declinaçaō rapida naō póde nem antes , nem depois contrastar com os generos , e manufacturas estrangeiras , porque no primeiro caso tendo a moeda menos estimaçaō , porque muito abunda , e os generos maior valor ; isto basta para facilitar o consumo dos do estrangeiro : e no segundo caso naō ha a mesma facilidade de os fabricar , nem mesmo a moeda tem adquirido o seu justo valor : por outro lado como os nossos generos estavaō ainda sobrecarregados de decima , dizima , redizima , real d՚agoa , novos direitos , derramas , &c. &c. forçosamente se tornariaō caros. Naō he isto verdade senhores Lavradores d՚Aquém , e d՚Além-Téjo ? E nos outros ramos de industria , que era o que se observava ? Basta que só se refira , ainda que vergonhosamente , que os vestidos , e calçados já feitos , &c. nos vinhaō do estrangeiro. Que se esperava pois desta pobreza ? A estupidez. Eis ahi os dois grandes eixos em que se cimenta o Despotismo ; mas a rapidez da marcha despertou a Naçaō<noinclude></div></noinclude> teojvjo1eaz6ozze3g3r7ff8zjay7xe Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/11 106 246582 564060 532624 2026-09-22T09:39:33Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564060 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|9}}</noinclude>que dormia e como se naō deveria esperar huma reacçaō terrivel vista a propagaçaō das suas luzes , o exemplo das Naçōes visinhas , e a passagem repentina do sentimento das anteriores , ao das presentes impressōes ? Seria preciso imitar a Natureza , que sempre progrede a passos insenciveis. Naō he isto verdade , deliciosa Seiubal , quando banhada em lagrimas , e cheia de lamentos levaste tuas humildes supplicas ao Governo , pedindo-lhe se interessasse na extracçaō dos vossos sáes , donde pendia a vossa fortuna , alliviando-os do enorme pezo de tributos com que estavaō sobrecarregados ? Naō he verdade isto Coroa do Mundo , Lisboa Nobre , quando de repente vistes teu exaltado commercio com todo o Mundo , tuas immensas riquezas , nobreza , e artes haver-se de todo extinguido : Com que coluços naō olharias tua navegaçaō encalhada , e os poucos vasos expostos á piratagem ? apezar que da interior corresse mais perigo , que da exterior. Como te houvéras pois conter ó Portugal , quando n՚outros tempos vias ao teu nome ajoelhar-se a Fama a perfumar-te a gloria com os mais fragrantes , e deliciosos perfumes , coroando-te com flores ; e de repente transformado n՚hum deserto , sem nome , sem gloria , sem honra , e lastrado de mirrados esqueletos ? E como continuarieis o soffrer , excelsos , e magnanimos Portuguezes , que sendo hontem o assombro do Mundo , fósseis hoje o ludibrio de huns poucos de Egoistas ? Dizei degenerados Portuguezes , onde no vosso egoismo , e systema ambicioso estava a felicidade , a gloria , e honra que reservaveis ao nosso adorado Monarcha , e a seu querido povo ? Pertendieis arrancar deste modo os ultimos momentos de vida aos vossos honrados irmāos , e sobre hum monte de ruinas , que n՚outr՚ora tinha sido o modello das virtudes , a gloria da humanidade , o assombro , e terror dos soberbos , e iniquos , calcar depois com vossos sacrilegos pés , para que nem memoria delles existisse? Oh quaō grande foi a vossa estupidez, e ingratidaō ! Mil , e mil vezes feliz , adorado Monarcha , que reinando sobre taō nobre gente , hides ver desterrados do pé do vosso Throno a mentira , a calumnia , a traiçaō , a lisonja , e em fim todas as furias que do inferno se tinhaō taō descaradamente conjurado em atacar vossa virtude , vos-<noinclude>{{c|2}} </div></noinclude> kp31gv6hvl1ngzqob7hz7frnnrr57im Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/12 106 246594 564059 532649 2026-09-22T09:39:25Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564059 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|10}}</noinclude>sa honra , e vosso caracter. He por huma sabia Constituiçaō que vindes a reconquistar o Reino mais brilhante do que tinheis perdido em 1807. Devendo assim governar homens verdadeiros, nobres , sabios , virtuosos , heroicos , e soberbos Soldados, vem o vosso nome a eternisar-se. He por este meio que como hum adorado Pai vos vereis abençoado , e respeitado por vossos filhos : a verdade vos será descoberta , e vossos interesses promovidos , o vosso Nome temido por todo o Mundo : a mordaz satyra emudecerá , e os vicios tremulos se horrorisaraō á Vossa Respeitavel Presença. E tu , minha Neta , quanto he para invejar tua futura sorte ! passas a entrar no Imperio da virtude , e luz que o Anjo das trevas nos havia escurecido. ''Neta.'' Como porém o interesse vil , e pessoal de hum terceiro he quasi sempre incompativel com a felicidade d՚El-Rei , e da Naçaō , he assás justo que aquelle nada ouça sobre interesses geraes , senaō pelo orgao da Naçaō ; mas dizei-me achará esta outros erros já envelhecidos que deva corrigir? ''Avó.'' Sim : em primeiro lugar deve extirpar o estabelecimento dos Morgados , como huma das principaes causas da decadencia Nacional , porque naō só destroe a igualdade , he anti-social , e opposto ao fim da instituiçaō , mas ainda empece as artes, e industria. 1.° He pela natureza de taes instituiçōes , que se diminue o numero dos Proprietarios. 2.° Destroe o direito de igualdade , que devem ter os filhos dos mesmos Pais , sem que para isso se accuse que algum seja criminoso , nem mesmo ás vezes se preveja sua futura inclinaçaō. 3.° A desigualdade de naō vender , e transportar bens , relativo ao resto das mais classes , prejudica o cofre das cizas. 4.° Naō podendo o possuidor vigiar em todas as suas propriedades , que de ordinario estaō muito separadas , e fóra do alcance de seu poder , as vem por isso a confiar á vigilancia de Feitores , que sabem sempre tirar toda a vantagem com detrimento de propriedade , senhorio , e Naçaō. 5.° A observaçaō mostra que sendo os primogenitos<noinclude></div></noinclude> 12cw3ygylu2i1npsu8ozf2yazlyov2a Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/13 106 246595 564058 532650 2026-09-22T09:39:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564058 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|11}}</noinclude>educados no seio do mimo , e lisonja , saō caracterisados de paixōes violentas , e ás vezes de inextinguivel odio a seus irmãos. 6.° He pela opulencia em que vivem seus Pais , que quasi sempre se descuidaō na boa educaçaō de seus filhos , ou mesmo quando disto se lembraō , entaō lhes faltaō os meios , que infelizmente tem prodigalisado nos jogos , devassidaō , e ostentaçaō de sua opulencia , a que se dá o nome politico de razaō de estado , vindo seus filhos a ficarem na occiosidade , que he a Māi de todos os vicios. 7.° Como o estado da occiosidade he o seu patrimonio commum , o continuado habito de observarem-se pessoas qualificadas pelo vulgo lhes dá hum realce , que olhaō as artes como qualidades só dos homens de baixa ralé , e os artifices em baixo apreço. O desastre naō termina aqui , he hum máo exemplo que rapidamente se tem propagado pelo resto das classes , tal he a força da instituiçaō , e o desejo de singularisar-se : He huma pestilente mania , que o Soberano Congresso deve curar. 8.° Huma parte de taes descendentes sendo , como a observaçaō mostra , muito inferiores em virtudes a seus predecessores , he claro que naō preenchem os nobres sentimentos , que por meio de tal instituiçaō , seus antepassados quizeraō imprimir-lhes : Eu me admiro , quando sem virtudes vejo a muitos enfatuados pelas honras , que lhes rende o povo. Merecem em segundo lugar toda a attençaō os Donatarios. Estes fundos , e rendas pela Naçaō destinadas aos Donatarios pertencem á mesma Naçaō , logo pertence-lhe revendicallos , e maxime quando se acha summamente exaurida ; porque a cedellos contrahe hum ''deficit'' , que para ser cuberto , seria preciso immensos sacrificios no resto das classes , que naō estaō já em estado de satisfazer , e mormente estando paralisados os ramos da industria , commercio , e agricultura. Em segundo lugar , a estes Donatarios foraō cedidos estes fundos para apresentarem a seu custo certo numero de armas , e lanças , e acharem-se á primeira voz que lhes désse a Naçaō , se este fim tem deixado de existir , pode a Naçaō , e deve tomallos debaixo da sua inspecçaō. {{nop}}<noinclude>{{c|2 <nowiki>*</nowiki>}} </div></noinclude> gky8iyesx3fsfcjmsrvzaidu1pkmjff Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/22 106 246596 564049 532652 2026-09-22T09:38:03Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564049 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|20}}</noinclude>Agosto , e 15 de Setembro do anno de 1820 ; principio da sua Regeneraçaō politica , portar se de hum modo tal , que o exemplo servirá de memoria ás Naçōes do Mundo , preparando assim ao melhor dos Reis hum Throno solido , e seguro nos coraçōes Portuguezes , sustentado pela honra , pela justiça , e pela virtude. A arvore da liberdade , cujos braços sao os Iliustres Membros do Soberano Congresso Nacional , cresce , vigora , e floresse de dia em dia : estes Heróes , Representantes da Naçaō , e dignos do Nome Portuguez tem se esmerado em aperfeiçoar a delicada , e melindrosa tarefa de que saō encarregados , e dando-se ao mais assiduo disvello pela salvaçaō da Patria , só procuraō satisfazer a Naçaō briosa a que pertencem , a Magestade que respeitā , e os altos fins de seus ardentes desejos : esta he pois a gloria que aspiraō , o sagrado fim que se propōem ; resultado do emprego a que taō dignamente satisfazem , e o dever do Cidadaō zeloso pelo bem da sua Patria. {{dhr|4}} {{c|{{larger|{{lsp||FIM}}}}}} </div> {{nop}}<noinclude></noinclude> 2090vodm50uzjbj0my8nn2w0embcj66 Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/14 106 246597 564057 532653 2026-09-22T09:39:09Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564057 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|12}}</noinclude>He em terceiro lugar contra toda a razaō , que havendo a Naçaō de premiar os meritos pessoaes , o faça de hum tal modo , que se perpetue por toda a linha descendente , porque passado certo numero de annos se vê exaurida de recursos para que possa remunerar novos heroes , e benemeritos , que a todo o risco sabem expôr a sua vida pela salvaçaō da Patria. Convenhamos pois que reste a cada hum o caminho da virtude , e que sempre a Naçaō lhe possa proporcionar o premio correspondente. Deve em terceiro lugar a Naçaō fixar a sua vista sobre dinheiros , que com lima surda se exportaō da Patria , e a exorbitancia de fundos que se destinaō a alguns Ecclesiasticos. A necessidade naō tem lei : vou fallar disto como de huma opiniaō. Diz Cicero “ ''Salus populi suprema lex est''. Logo tem direito a Naçaō de lançar maō de tudo quanto dispendia de mais , e lhe pode servir aos altos , e gloriosos fins a que aspira ; e como se acha na ultima decadencia , e sua saude quasi em ponto de desesperaçaō , deve recorrer aos remedios extremos , e unicos para salvar-se ; logo pode chamar a si , quando o julgue necessario , naō só os grandes fundos que desfrutaō todas as Ordens , e enormes sommas que gozaō os grandes Prelados , reservando-lhes sómente o que se julgue preciso , e conveniente para a sua decorosa representaçaō ; mas até nesta hypothese poderá applicar em seu proveito o vencido em toda a vacancia , e mesmo as meias annatas que recebe a Curia Romana : Ainda que ignoro o fundamento desta instituiçaō , tenho sempre ouvido dizer , que ''bona Ecclesiasticorum sunt bona pauperum'' , e por isso he lezar os pobres cedendo estes bens á Curia Romana. He por esta occasiaō que passo a descobrir hum outro canal por onde passa o dinheiro de Portugal para fóra do Reino , e vem a ser as dispensas para casamentos , e outras graças ; e ainda que a Disciplina da Igreja seja taō antiga aos olhos da Religiaō que professamos , com tudo pode mudar-se neste caso , pois que na Lei de Jesus Christo nada vejo , que se conseguisse por dinheiro , ou mesmo que tivesse o cunho de compra ; este meio chamava-se Simonia , palavra derivada de Simaō Mago , quando propôz a S. Pedro que lhe vendesse o dora de fazer milagres : E as Concordatas ? Respondo : que naō<noinclude></div></noinclude> i9qd63wuactvk4cniuxo0dlkj76w81z Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/15 106 246598 564056 532655 2026-09-22T09:39:01Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564056 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|13}}</noinclude>ha contracto que se naō desmanche pelo consentimento das partes : no estado em que estamos ha lezaō enorme. Os Senhores Bispos cedêraō o direito ; mas ignoro se hoje o deveriaō fazer com prejuizo da Mái a que pertencem ; e neste caso naō me parece contra justiça fazellos entrar nas circumstancias présentes. S. S. deve evitar estes banqueiros , estes homens ociosos , que vivem do suor alheio , este commercio que se tem feito taō escandaloso ; entregando aos Senhores Bispos os seus poderes , pois que podem estar melhor ao alcance de conhecerem as suas proprias ovelhas , e necessidades , evitando-se com isto a prolongaçaō dos effeitos de huma correspondencia remota , e facilitar os matrimonios, que saō o germen da felicidade Nacional. Merece em quarto lugar a attençaō do Soberano Congresso sobre os estabelecimentos Religiosos. Estes estabelecimentos saō compostos pelo commum de individuos , que arrastados á profissaō , seja ou por paixaō , seja por seducçaō , ou coaçaō de seus Pais , por negocio , ou por falta de esperiencia , achaó-se ao depois accommettidos do grande impulso da Natureza , devendo com tudo suffocar suas imperiosas leis ; n՚huma palavra estaō situados entre o meio de atraiçoar seus deveres , ou de resistir ao impulso que os arrasta , e nesta laboriosa luta qualquer que seja o resultado , sempre os contemplo infelizes na ordem do Mundo , porque se cedem ao impulso da Nareza , segue-se o remorso effeito do crime , e se resistem luctaō contra si , e contra a Natureza violentada : Naō he aqui meu animo o referir quanto seus piedosos instituidores ideáraō para pôr hum fieio a estes mancebos fogosos , ardentes , e melancolicos ; como a abstinencia , os alimentos magros , as sangrias prodigalisadas , &c. nem mesmo se taes resultados correspondiaō aos altos fins ideados. Vejamos se os votos religiosos saō compativeis com o estado social , e com as leis geraes da Natureza. Principiarei pelo voto de castidade. A sabedoria dos Romanos bem penetrou que huma das causas da decadencia do Imperio era o estado de celibato , e por evitallo foi que sómente se concediaō aos casados as honras Municipaes , e terem assento nos Tribunaes. {{nop}}<noinclude></div></noinclude> s70rlx1ughsfbycfqgt98ubze8kbydc Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/16 106 246599 564055 532660 2026-09-22T09:38:53Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564055 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|14}}</noinclude>O celibato he taō opposto ao augmento da populaçaō , que a deminue , mas he pelo seu maior augmento que qualquer Naçaō se tem em consideraçaō , e respeito ; logo o Celibato directamente se oppōe á sua felicidade. Na historia dos Judeos , o seu legislador dá tanto valor á populaçaō , que a refere entre os maiores bens que Deos concede aos homens : Fallando como politico proponho as minhas razōes sem querer affrontar a Religiaō , que se tem proclamado : sei que o dom da castidade vem de Deos , que naō he impossivel , que existio até entre os gentios , mas que he muito difficultoso. Tambem naō entro na questaō se o estado pode obrigar directamente os homens a casar : ha muita gente , que tendo meios naō se liga ao matrimonio , só para se forrar aos incommodos , que este estado trás comsigo. Proponho as minhas idéas no meio de huma refórma : os abusos saō manifestos , e a difficuldade da lei n՚hum seculo de luzes he digna de reparo. Huma Naçaō sem braços está sujeita ao insulto da visinha , sua liberdade , propriedades , e igualdade naō tem protecçaō : diminuir-lhe os braços he decipar-lhe as forças. Outro voto he o renunciar o Mundo. Esta separaçaō naō se ajusta com as idéas da sociedade em geral , e até mesmo pode ser anti-social. Entre os Romanos a ninguem se permittia o ser suicida sob pena de ficar privado de sepultura , porque a vida do Cidadaō , considerava-se pertencer á Naçaō a quem devia o ser : esta doutrina he da Natureza , que fez o homem sociavel. Pelo voto referido vem a sociedade a perder outros cantos braços , que poderiaō empregar-se em qualquer dos ramos da sociedade. A naō ser o Sacerdocio bem se podia dizer , que os Frades eraō perdidos para o estado , mas elles podem ser Sacerdotes sem fazer os tres votos : o dogma naō se pode alterar a Disciplina he variavel segundo as tempos , e circumstancias do Mundo. Vejamos o que diz hum sabio : He o homem a ser mais fraco , e mais incapaz de se defender contra as intemperies das estaçōes , e contra os ataques de outros animaes , contra a fome , e sede , e n՚huma palavra o mais incapaz de prover as suas necessidades. Elle naō póde con-<noinclude></div></noinclude> 7zlkkkqjciicnhf2e40g2h0i001wof6 Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/17 106 246600 564054 532661 2026-09-22T09:38:44Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564054 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|15}}</noinclude>servar-se , e sobre tudo reproduzir-se , senaō na vida social ; a sua existencia que parece milagrosa , exige huma continuaçaō de cuidados assiduos. O terceiro voto he a obediencia. Convenho que esta he o primeiro dever em qualquer jerarchia , mas parece que os meios empregados nāo sāo os mais naturaes discorrendo como Filosofo , e ainda mesmo como Theologo. Os cheffes destas instituiçōes bem intencionados , mas sem pezar a Natureza , julgáraō que para obter o seu fim , nada melhor o satisfazia , que o emprego de huma severissima abstinencia , mas as reflexōes seguintes , filhas da observaçaō , mostraráō o que se deve sentir a este respeito. O methodo debilitante fundado em grandes abstinencias , distincçaō de alimentos , sangrias, &c. naō satisfaz per si mesmo , nem regula a immaginaçaō estragada , ainda quando quebranta as forças do corpo. O homem deixado a si mesmo , sempre tem que luctar contra si mesmo ; he levado para aquillo que mais se prohibe , e no maior abatimento ainda restaō os desejos : o remedio exaspera : naō abranda o mal. Esta verdade naō acha alguma duvida nos grandes observadores. Os que entraō no estado , altivos , fogosos , e melancolicos em toda a força da idade , os que por inquietaçōes aventureiras , ou gestos singulares , indolencia , ou por vadice povoaō os claustros , soffrem hum jugo de ferro no retiro , e uniformidade de vida , que os induzem sempre ás mesmas impressōes , meditaçaō contemplativa , e insperiencia do Mundo ; e a recordaçaō do sacrificio que tinhaō feito da sua propria liberdade , o abandono da doce , e amavel companhia de Pais , Māis , Parentes , e de tudo que lhes era mais caro , a reclusaō entre quatro paredes , a perda da esperança de jamais recuperar aquillo que huma vez por inconsiderada reflexaō tem perdido , a monotonia das suas impressōes , a sujeiçaō severa , naō podiaō menos que offerecer-lhes pinturas quimericas do que perderaō , idéas as mais fantasticas , e propensōes as mais fogosas. A sua existencia causa-lhes hum tormento insoffrivel : vivem desesperados : saō o escandalo da Religiaō , e do seculo. He por isto que eu julgo que varios Padres da Igreja tem fallado contra a facilidade de acceitar noviços , nem admira , quando se sabe aquella antiquissima maxima ,<noinclude></div></noinclude> i3ea95w8a62thlrlqpo1g5jvjsu3ccp Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/18 106 246601 564053 532662 2026-09-22T09:38:35Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564053 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|16}}</noinclude>que os homens separados da sociedade , entregues a si mesmos , e violentados , degeneraō , acanhaō o seu espirito , perdem todo o seu elasterio , fortaleza natural : esta humildade contrafeita , e aparente , está bem longe da humildade generosa que se dá tambem com todas as virtudes. ''Neta.'' Mas qual poderia ser o methodo taō modesto para viverem homens de bem abandonados da fortuna ? ''Avô.'' A tua expressaō involve maximas perniciosas , e fataes á vida social , e vem a ser que as Artes , a Industria , e o Commercio , Navegaçaō , e estado Militar , naō sejaō estados que possaō honrar qualquer membro da sociedade , e pelo contrario , que se devem classificar como indecorosos a hum homem de bem ; e eis o motivo por que ao principio fallando sobre as causas , que entorpeciaō o estado , referi a presistencia dos Morgados , donde se collige que a Naçaō deve desvelar-se em remunerar as Artes , Commercio , e Agricultura , e inventos ; e perseguir o vagabundo , o ocioso , que naō tem modo de vida conhecido , até excluillos da ordem de Cidadāos. Huma outra vantagem se tira da extinçaō dos Conventos , e vem a ser possuir a Naçaō edificios em que possa organizar officinas para dar o primeiro impulso ás fabricas : podem servir para depositos, para seminarios , para Clerigos Seculares, &c. &c. ''Neta.'' Porém como se conservariaō taes fabricas se o producto de seus generos naō poderia comparar-se no valor ao dos estrangeiros. ''Avô.'' Se a comparaçaō naō podesse verificar-se com as nossas manufacturas nos mercados da Europa ; comtudo pela imposiçaō de grandes tributos sobre os generos estrangeiros poderia a Naçaō conseguir , que os nossos obtivessem huma extracçaō favoravel. Deveria neste caso El-Rei , Familia Real , Empregados publicos , e Tropa usar dos generos Coloniaes , e deste modo o seu exemplo seria em breve seguido : pouco ou nada infuria que taes generos obtivessem alto valor , porque o numerario correria em a Naçaō , e por conseguinte os mais ramos viriaō a obter suas vantagens , e eis o equilibrio que se annhela nas maquinas Nacionaes. ''Neta.'' Mas as Religiōes tem produzido homens , que ainda hoje a Patria respeita. {{nop}}<noinclude></div></noinclude> hda3lkqvkdzzojgncae08onqv7rtbna Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/19 106 246603 564052 532666 2026-09-22T09:38:28Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564052 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|17}}</noinclude>''Avô.'' Sim, mas deves saber que huma grande parte desses homens tem seguido hum caminho diametralmente opposto ao seu Instituto quando figuráraō no Mundo. Merece em quinto lugar a attençaō do Soberano Congresso o exame do poder despotico de que gozaō os Juizes , e se acaso seraō uteis? Se a Naçaō está bem sciente que só os governos livres tem possuido os maiores heroés em todos os ramos , os homens mais virtuosos , e n՚huma palavra que sempre tem sido o verdadeiro fóco em que o amor da Patria era a devisa universal de todos os seus membros , e pelo contrario todo o Imperio entrava em decadencia ao apontar o Despotismo , e arbitramento , pois que os vicios no primeiro caso , nada havendo que os proteja , só a liberdade as faz conter , porque arrancando-lhes a mascara , se mostraō horrorosos aos espectadores , e vergonhosos a quem os pratica : deve disto deduzir-se que a liberdade á proporçaō se deve diffundir nas partes que a compōe. Seguir-se-ha o ser assás rasoavel , que o Povo possa escolher Juizes , porque ninguem está em melhores circumstancias de conhecer o caracter , e virtudes que os adornaō , e de que possaō tirar toda a vantagem ; e por outra parte mostra a observaçaō , que raras vezes se achaō expostas a erro suas eleiçōes ; como se vê nas Naçōes visinhas , e antigas eleiçōes dos Bispos. Como o fim dos Juizes deve dirigir-se ao bem commum , promover a felicidade do Povo , extinguir discordias civis , cuidar da saude publica , escolas , hospitaes , misericordias , reparar calçadas , &c. &c. deve-se entrar em discussaō quem melhor satisfará estas tarefas. A՚ primeira vista bem se percebe que a ninguem redunda maior vantagem , do que aos Vereadores , naō só pela gloria que disfrutaō do beneficio que recebe a sua Patria natalicia , mas porque esta vantagem refunde nelle , e filhos seus. 2.° O Ministro territorial está mais no alcance de conhecer os membros que compōe a sua povoaçaō , suas virtudes , ou vicios , seu caracter , conducta , &c. o que lhe dá mais hum soccorro para decidir em autos duvidosos em que a prudencia tem bastante parte. 3.° A ninguem melhor que aos Ministros territoriaes in-<noinclude>{{c|3}} </div></noinclude> kxwf43c6bwggcmy5o2eedohnsjf4uoi Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/20 106 246604 564051 532667 2026-09-22T09:38:20Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564051 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|18}}</noinclude>teressa a construcçaō ; o reparo dos caminhos , pontes , &c: porque lhes facilita melhor a extracçaō de seus generos , obrem maior valor , e comprehendem suas jornadas com menos perigo. 4.° Ninguem duvida que algum outro possa melhor que os territoriaes tomar tanto interesse pela paz , e socego das outros Cidadāos , por naō comprometter-se em suas decisōes. 5.° Mas ninguem pode sobre isto influir mais que os Ministros territoriaes , que sempre influem sobre o Povo pela sua maior illuminaçaō , virtudes , caracter , e riquezas. 6.° Sendo o caso arduo , temendo responsabilidades procuraō a illustraçaō de alguns sabios , que desconhecendo as partes letigantes lhe daō hum conselho imparcial. 7.° O bem publico desfrutaria por este modo os fundos que hoje se destinaō aos Juizes de fóra. 8.° He bem verdade que a respeito dos ramos relativos á industria , agricultura , e artes tem aquelles Ministros conhecimentos treviaes , mas a maior parte destes por desgraça nem esses mesmos possuem : he por isso que o Soberano Congresso deve erigir aulas publicas cujas liçōes se façaō ao alcance de todos. 9.° Os Vereadores só devem exercer sua jurisdiçaō por espaço de hum anno para que o bom exemplo de huns sirva de emulaçaō aos seguintes , ou a sua má administraçaō sirva de liçaō ao Povo para a sua continencia ulterior: 10.° Naō he natural pensar que os Juizes de fóra , tendo tantos gastos para mostrar-se idoneos. á entrança dos lugares , preparando sua estada , e dispondo-se com grandes dispensas , e incommodos a entrar em outros novos lugares , venhaō só a mostrar virtudes com taō pequenos soldos que se lhes cédem , e naō procurem fazer disto huma negociaçaō , reconquistando tantas perdas , seja quem for o lezado : o papel-moeda tem sido huma Mina , a irresponsabilidade hum Thesouro = ''sapientibus pauca''... Eu nisto naō desejo deslustrar qualquer Illustre Membro de taō respeitavel Corpo : fallo em geral do que o Povo soffre , e geme , pela irrazoavel conducta da maior parte dos Juizes. Naō he por este meio que o Soberano tem toda a as-<noinclude></div></noinclude> f19blzd9gu4ei2wqofnjy2vhgxrymgq Página:Dialogo entre dous mortos.pdf/21 106 246605 564050 532668 2026-09-22T09:38:11Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564050 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /><div style="font-family:serif"> {{c|19}}</noinclude>cendencia sobre os Póvos , que olhaō estes enviados como outros tantos aspides , que os vem envenenar , ou pela corrupçaō de costumes , ou pela desordem que nos Póvos infundem ; mas pelo contrario disto , olhaō o Soberano naō como Pai , mas como Padrasto , naō com amor , mas sim com medo , donde se infere a utilidade dos Póvos na escolha de seus Juizes. Terminarei pois este discurso pelas causas proximas que produziraō a decadencia de Portugal , mas estas saō taō obvias que apenas bastará que as aponte. He bem notorio que existindo S. Magestade no Rio de Janeiro , e deixando de ser Lisboa a escala do Commercio , Portugal bem depressa deveria perder sua existencia politica , para o que bastaō as reflexōes seguintes. Até ao anno de 1807 gozando Portugal de Minas que paralizavaō a sua industria , porque sempre andaō na razaō inversa ; seguir-se-hia que perdendo as primeiras , nem Minas , nem industria possuiria , porém apezar que Portugal nesse tempo possuisse immensas sommas superiores a qualquer numero , sendo lhe preciso mendigar o pāo do estrangeiro , e mais generos , como saō pannos , sedas , coiros , algodaō , páos medecinaes , madeiras , chá , café , ferro , lonas , marfim quinquelherias , generos de luxo , &c. vem a computar hum numero supperior a qualquer somma. Por outra parte , os generos coloniaes estando paralizados , seguia-se que a decadencia estava nas bordas do precipicio , e que os mesmos Fidalgos existentes no Rio de Janeiro ficando , suas rendas reduzidas a extrema diminuiçaō , e incapazes de poderem representar segundo a sua dignidade , e caracter , ou haviaō degenerar em homens cuja moral nada os honraria , ou viriaō a excitar huma mudança para se pôr em abrigo de alguma degeneraçaō : Daqui se collige a necessidade de que o Senhor D. Joaō VI. resida na muito nobre , e sempre leal Cidade de Lisboa , antiga séde , e Berço original da Monarchia , e tomando tal resoluçaō como nos consta , cooperará por este modo para a felicidade de huma Naçaō , que no meio dos mais atrozes males , que o Despotismo lhe havia preparado , gemendo na triste orphandade com o pezo da mais ferrea escravidaō , soube sacudir o jugo que a opprimia , e nos memoraveis dias 24 de<noinclude></div></noinclude> 8a6fjy8iktry81pgyumof2h4qmkrsno Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/2 106 246729 563390 533212 2026-09-21T13:15:09Z Car Nikolau 43847 /* Revista */ 563390 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Car Nikolau" /></noinclude>'''<u>Tip. a vapor da “Enciclopédia Portuguesa„{{br}}Rua Cândido dos Reis, 47 a 49 — Pôrto</u>'''<noinclude></noinclude> nrzef47bjxp5rglbj4rh1pfo7j46ia7 563478 563390 2026-09-21T13:47:18Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563478 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>'''<u>Tip. a vapor da “Enciclopédia Portuguesa„{{br}}Rua Cândido dos Reis, 47 a 49 — Pôrto</u>'''<noinclude></noinclude> qxe38b5i5jec4dy4ktbvhbi6alsnc8k Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/4 106 246730 563470 533214 2026-09-21T13:45:48Z Car Nikolau 43847 563470 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pablo Busatto" /></noinclude>{{Maior | {{c | Faculdade de Medicina do Pôrto }} }} DIRECTOR Cândido Augusto Correia de Pinho LENTE SECRETÁRIO ÁLVARO TEIXEIRA BASTOS CORPO DOCENTE Professores Ordinários e Extraordinários / 2.R classe — Fisiologia e Histologia & * Luís de Freitas Viegas T .« . ti- AT :—„ i Joaquim Alberto Pires de Lima í António Plácido da Costa . .< T , , - . . . T . j José de Oliveira Lima 3.* classe— Farmacologia. Vaga 4.* classe — Medicina legal e Anatomiaí Augusto Henrique de Almeida Brandão Patológica 1 Vaga | João Lopes da Silva Martins Júnior 5.. classe-Higiene e Bacteriologia . . | A , b e r t o p e r e i r a p i n t o d e A g u i a r 6.' classe-Obstetrícia e Ginecologra f Cândido Augusto Correia de Pinho .' j ^ T^árlí Ba5tos 7.» classe — Cirurgia f Roberto Belarmino do Rosário Frias { Carlos Alberto de Lima ^ António Joaquim de Sousa Júnior 8.» classe —Medicina . . . . . . í José Dias de Almeida Júnior A José Alfredo Mendes de Magalhães { Tiago Augusto de Almeida Psiquiatria António de Sousa Magalhães e Lemos. Professores jubilados José de Andrade Gramaxo Pedro Augusto Dias Maximiano Augusto de Oliveira Lemos.<noinclude></noinclude> 3mn46ex3l246p4ejb315l0moe355phw 563558 563470 2026-09-21T14:06:46Z ~2026-50970-67 43862 563558 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pablo Busatto" /></noinclude>{{Maior | {{c | Faculdade de Medicina do Pôrto }} }} — DIRECTOR Cândido Augusto Correia de Pinho LENTE SECRETÁRIO ÁLVARO TEIXEIRA BASTOS — CORPO DOCENTE Professores Ordinários e Extraordinários 1ª classe — Anatomia ....... <math>\left\{ \begin{matrix} \text {Luís de Freitas Viega} \\ \text {Joaquim Alberto Pires de Lima}\\ \end{matrix} \right.</math> / 2.R classe — Fisiologia e Histologia & * Luís de Freitas Viegas T .« . ti- AT :—„ i Joaquim Alberto Pires de Lima í António Plácido da Costa . .< T , , - . . . T . j José de Oliveira Lima 3.* classe— Farmacologia. Vaga 4.* classe — Medicina legal e Anatomiaí Augusto Henrique de Almeida Brandão Patológica 1 Vaga | João Lopes da Silva Martins Júnior 5.. classe-Higiene e Bacteriologia . . | A , b e r t o p e r e i r a p i n t o d e A g u i a r 6.' classe-Obstetrícia e Ginecologra f Cândido Augusto Correia de Pinho .' j ^ T^árlí Ba5tos 7.» classe — Cirurgia f Roberto Belarmino do Rosário Frias { Carlos Alberto de Lima ^ António Joaquim de Sousa Júnior 8.» classe —Medicina . . . . . . í José Dias de Almeida Júnior A José Alfredo Mendes de Magalhães { Tiago Augusto de Almeida Psiquiatria António de Sousa Magalhães e Lemos. Professores jubilados José de Andrade Gramaxo Pedro Augusto Dias Maximiano Augusto de Oliveira Lemos.<noinclude></noinclude> ti3i59jaeljcd8jyj0wcctx9b676tp9 563611 563558 2026-09-21T14:36:01Z ~2026-50970-67 43862 563611 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pablo Busatto" /></noinclude>{{Maior | {{c | Faculdade de Medicina do Pôrto }} }} {{br}} — {{br}} DIRECTOR{{br}} Cândido Augusto Correia de Pinho{{br}}{{br}} LENTE SECRETÁRIO{{br}} ÁLVARO TEIXEIRA BASTOS{{br}} —{{br}}{{br}} CORPO DOCENTE{{br}} Professores Ordinários e Extraordinários{{br}} 1ª classe — Anatomia ....... <math>\left\{ \begin{matrix} \text {Luís de Freitas Viega} \\ \text {Joaquim Alberto Pires de Lima}\\ \end{matrix} \right.</math> / 2.R classe — Fisiologia e Histologia & * Luís de Freitas Viegas T .« . ti- AT :—„ i Joaquim Alberto Pires de Lima í António Plácido da Costa . .< T , , - . . . T . j José de Oliveira Lima 3.* classe— Farmacologia. 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Professores jubilados José de Andrade Gramaxo Pedro Augusto Dias Maximiano Augusto de Oliveira Lemos.<noinclude></noinclude> tccw8fwhfbj6lkhwdn51fv94z4quqva 563623 563611 2026-09-21T14:41:26Z ~2026-50970-67 43862 563623 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pablo Busatto" /></noinclude>{{Maior | {{c | Faculdade de Medicina do Pôrto }} }} — {{c | DIRECTOR{{br}} Cândido Augusto Correia de Pinho{{br}} LENTE SECRETÁRIO{{br}} ÁLVARO TEIXEIRA BASTOS{{br}} —{{br}}{{br}} CORPO DOCENTE{{br}} Professores Ordinários e Extraordinários{{br}} }} 1ª classe — Anatomia ....... <math>\left\{ \begin{matrix} \text {Luís de Freitas Viega} \\ \text {Joaquim Alberto Pires de Lima}\\ \end{matrix} \right.</math> 2ª classe — Fisiologia e Histologia.. <math>\left\{ \begin{matrix} \text {António Plácido da Costa} \\ \text {José de Oliveira Lima}\\ \end{matrix} \right.</math> 3ª classe — Farmacologia ..... Vaga 4ª classe — Medicina legal e Anatomia Patológica...... <math>\left\{ \begin{matrix} \text {Augusto Henrique de Almeida Brandão} \\ \text {Vaga}\\ \end{matrix} \right.</math> 5ª classe — Higiene e Bacteriologia..<math>\left\{ \begin{matrix} \text {João Lopes da Silva Martins Júnior} \\ \text {Alberto Pereira Pinto de Aguiar}\\ \end{matrix} \right.</math> 6.' classe-Obstetrícia e Ginecologra f Cândido Augusto Correia de Pinho .' j ^ T^árlí Ba5tos 7.» classe — Cirurgia f Roberto Belarmino do Rosário Frias { Carlos Alberto de Lima ^ António Joaquim de Sousa Júnior 8.» classe —Medicina . . . . . . í José Dias de Almeida Júnior A José Alfredo Mendes de Magalhães { Tiago Augusto de Almeida Psiquiatria António de Sousa Magalhães e Lemos. Professores jubilados José de Andrade Gramaxo Pedro Augusto Dias Maximiano Augusto de Oliveira Lemos.<noinclude></noinclude> kjdg41g9jf8m2hwalpqrdpdmhzedlxa Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/5 106 246731 563416 533215 2026-09-21T13:23:33Z Car Nikolau 43847 /* Revista */ 563416 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Car Nikolau" /></noinclude>A Escola nâo responde pelas doutrinas expendidas na dissertação e enunciadas nas proposições. ''(Regulamento da Escola, de 23 de Abril de 1840, art. 155º).''<noinclude></noinclude> 1abb9yb6cwv9dy9lpvlmn0l5jifvf17 563457 563416 2026-09-21T13:39:44Z ACJCRC 43844 /* Validada */ 563457 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="ACJCRC" /></noinclude>A Escola não responde pelas doutrinas expendidas na dissertação e enunciadas nas proposições. ("Regulamento da Escola, de 23 de Abril de 1840, art. 155.°").<noinclude></noinclude> o33b8rrefte4rbdzgu83hrmyijopit3 Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/6 106 246732 563466 533216 2026-09-21T13:44:15Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563466 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>Outros trabalhos do autor Em colaboração com João Saavedra: Dicionário dos Termos Técnicos de Medicina — Publicado o 1.° tomo (fôlhas 1 a 10). — Porto, 1913-1915. Palestras Médicas — Porto, 1914. Nomenclatura Anatómica Portuguesa — ''Vocabulário Anatómico em três línguas, latim, francês e português'' — 1. Osteologia —Separata dos n.os 8, 11 e 12, 4.° ano da Gazeta dos Hospitais do Pôrto — Pôrto, 1910. Pequeno Vocabulário Ortográfico — Pôrto, 1911.<noinclude></noinclude> i2v7d5ed23luwnt34u1p6hgiynzh5ps 563472 563466 2026-09-21T13:46:01Z Joana Lages 43857 563472 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>===== Outros trabalhos do autor ===== Em colaboração com João Saavedra: Dicionário dos Termos Técnicos de Medicina — Publicado o 1.° tomo (fôlhas 1 a 10). — Porto, 1913-1915. Palestras Médicas — Porto, 1914. Nomenclatura Anatómica Portuguesa — ''Vocabulário Anatómico em três línguas, latim, francês e português'' — 1. Osteologia —Separata dos n.os 8, 11 e 12, 4.° ano da Gazeta dos Hospitais do Pôrto — Pôrto, 1910. Pequeno Vocabulário Ortográfico — Pôrto, 1911.<noinclude></noinclude> axhxbttm2bcu1g8xtc56ihiayucxwii Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/7 106 246733 563760 533217 2026-09-21T15:47:55Z Car Nikolau 43847 /* Revista */ 563760 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Car Nikolau" /></noinclude>{{Maior| {{c|TRADUÇÕES}}}} '''O Rádio e a Pedra Filosofal''', de ''Ferruccio Rizzatti'', vertido do italiano e acrescentado com notas e um apêndice bibliográfico, por ''António Barradas'' — Pôrto, 1910. '''Viagens Pitorescas: PORTUGAL''', de ''Inês Goodall'' (tradução do inglês) — Rio de Janeiro, 1913. '''Viagens Pitorescas: CHINA''', de ''Lena E. Johnston'' (tradução do inglês) — Rio de Janeiro, 1914. '''Viagens Pitorescas: INGLATERRA''', de J''ohn Finnemore'' (tradução do inglês) — Rio de Janeiro, 1915. '''As Doenças da Memória''', de ''Teódulo Ribot'' (tradução do francês) — Lisboa, 1915.<noinclude></noinclude> bzipnxukmtgd3aqc9egp2xmj7eroysg Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/8 106 246734 563509 533218 2026-09-21T13:54:52Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563509 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>Medicus sum, Nihil a me alienum.. . Le vrai vaincre a pour rôle le choc et non l'estoc, et consiste l'honneur, à combatre, non à battre. MONTAIGNE. Nisto de nomenclatura é hir com todos, novos e velhos ; se houvesse vontade d'ater-nos ao nosso, A. F. BRAGA. O conhecimento das palavras conduz ao conhecimento das coisas. PLATÃO. A nomenclatura scientífica, mais que nenhuma outra, precisa e deve ser rigorosa. PLÁCIDO BARBOSA.<noinclude></noinclude> 5p712zvtd6cqpsb9f19qyiva4t6zi75 Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/9 106 246735 563517 533219 2026-09-21T13:56:38Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563517 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>== INTRODUÇÃO == Este trabalho, que hoje apresentamos à Faculdade de Medicina do Porto como dissertação inaugural, é o esboço e o começo de uma mais larga obra que amanhã teremos de apresentar a público. O estudante, ao fim do seu 5.° ano escolar, não sai, infelizmente, das nossas escolas (e creio que o mesmo se dá nas estrangeiras), com cabedal scientífico e filosófico para apresentar e defender uma ''tese''. ''Tese'', em sua primitiva etimologia, significa um princípio novo que alguém apresenta e se propõe defender. Ora é uma célebre ilusão, esta que as faculdades se teem alimentado, de suporem os seus alunos aptos a sustentar e defender um princípio novo, alguma coisa de valioso e útil para o progresso scientífico e para o bom nome da faculdade. Chama-se também à tese ''dissertação''. O aluno tem que dissertar sobre qualquer assunto. Em seu artigo 154 diz o velho Regulamento de 23 de abril de 18á0, por que ainda hoje em parte a<noinclude></noinclude> 6qosan869ncqudbj4ps4ybezp80lzs6 Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/10 106 246736 563525 533220 2026-09-21T13:58:25Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563525 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>12 Escola se rege, e que ainda está virtualmente radicado no espírito de alguns mestres: «Servirá de objecto do Acto grande uma Dissertação sobre qualquer materia de Cirurgia, escolhida pelo Candidato e seis proposições Medicas ou Cirnrgicas, igualmente de. sua escolha, escritas no fim da Dissertação.» O aluno desenvolverá qualquer matéria por êle escolhida. Ora é sempre difícil tal escolha. É, desde estudos de crítica histórica vista pelo prisma do critério médico, até um breve estudo sobre a ventriloquia ou qualquer chinesice de igual teor, tudo nos passou pela cabeça... Acalentámos durante muito tempo a ideia de escrever uma nosografia do nosso grande Fialho, m a s . . . mais essa ilusão tombou como tantas outras que cria e logo derruba o nosso incorrigível temperamento de meridional. De há muito o nosso espírito se sente inclinado, — como curioso apenas, é bem de ver, —para os estudos filológicos. Leve é a bagagem de conhecimentos de tal matéria de que êle se possa jactar. Mas assim mesmo muito e muito o feriu o abandono a que há tanto tempo se vota a pureza do nosso idioma. E uma vez ingressado nos estudos médicos, foi para esse departamento da linguagem — ''A Linguagem Médica'' — que as minhas atenções mais se voltaram. Não fiz estudos profundos, quási não tomei apontamentos, mas observei, vi e fui comentando.<noinclude></noinclude> kq0wghv4fvziuzevw60p4j7mh4a5539 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/1 106 249610 564112 540312 2026-09-22T11:07:46Z MMIRENE 43852 /* Corregido */ 564112 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MMIRENE" /></noinclude><noinclude></noinclude> gaj7b9x6evh9jxnczwe9lhqcm22gwss Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/84 106 249632 564093 557745 2026-09-22T10:35:47Z VIGNERON 4471 564093 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" /></noinclude>{{center| BIBLIOGRAFIA}} {{c|-}} {{sc|Albuquerque}} (Afonso de). ''Cartas'', 3 vol. Lisboa, 1884. {{sc|Alwis}} (Rev. C.). ''The Sinhalese Hand-book''. Colombo, 1880. {{sc|Amarakoça}}. ''Diccionário sanscrito do 5.° século''. Ed. de Bombaim, 1890. 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Lisboa, 1905.<noinclude></noinclude> pppp9tqvdddhvyuscmt6g5ny6qnfvup Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/30 106 249666 564072 542552 2026-09-22T09:46:35Z VIGNERON 4471 564072 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxv}}}}</noinclude>e Wā nas montanhas da Birmânia Superior, e, fora da Índia, nas línguas de Pegu e de Camboja. O tibetano e o birmanês são as duas línguas cultas da segunda sub-família, que possui nas regiões montanhosas da Índia setentrional inumeráveis membros, na generalidade pouco conhecidos, e alguns classificados em grupos, como: garó, bodó, nagá, kuki-chin, kachin, himalaico. O nevari e outras falas de Nepal, à excepção de nepali, filiam-se no tibetano. A terceira sub-família, que, alêm da China, tem a sua principal vivenda em Sião, é representada na Índia pela língua dos estados Shan e pelo karen da Birmânia meridional. Finalmente, a quinta família — malaia ou malaio-polinésia — abrange Malaca e a Insulíndia ou Malásia. Cust distingue dez grupos: Samatra-Malaca, Java, Celebes, Bornéu, Filipinas, Molucas, Timor, China, Madagascar e alfurês-negrito; — e enumera 88 línguas e 29 dialectos. Com esta classificação genealógica incide, mais ou menos, a morfológica. As línguas neo-áricas são polissilábicas flexivas, algumas com tendências analíticas. As dravídicas são polissilábicas aglutinativas sufixativas, com tendências para o grau flexivo. As coláricas são polissilábicas aglutinativas sufixativas e infixativas, como o turco. As indo-chinesas são monossilábicas, remáticas ou aglutinativas. As malaio-polinésias são remáticas dissilábicas<ref>Para mais pormenores, vid. Cust, Beames, Caldwell e particularmente Grierson, ''opp. citt.''</ref>. <section end=int4 /><section begin=int5 /> {{center| V. — '''Distribuição geográfica''' }} É claro que no presente estado de conhecimentos, muito incompletos, não se podem traçar matemáticamente linhas divisórias de cada uma das línguas vivas da Índia, nem isto será possível em certas localidades. Alêm da dificuldade, já aludida, de delimitar a Índia linguística, surge a de saber se os povos montanhosos, étnicamente distintos, tambêm se distinguem por línguas, e se essas pertencem à mesma família<ref name=p30>«Nos Himálaias as duas famílias, a julgar pelas informações que temos, são</ref>.<noinclude> {{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> dq15zup36ohcs6npv14whveay2grpvu Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/33 106 249740 564074 563130 2026-09-22T09:48:24Z VIGNERON 4471 564074 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxviii}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude><section begin=int8 />{{center| VIII. — '''Veículos e motivos da influência do português''' }} A introdução das palavras portuguesas na lexicologia asiática tem por veículos, isolados ou simultâneos: — ''a)'' o domínio directo; ''b)'' o trato comercial; ''c)'' a influência política; ''d)'' a vizinhança das colónias portuguesas; ''e)'' a propaganda religiosa; ''f)'' o convívio de muitas línguas vernáculas em certas cidades; ''g)'' o empréstimo da língua limítrofe ou mais poderosa, já influenciada; ''h)'' a coexistência do indo-português; ''i)'' o indo-inglês. Conforme a natureza da causa ou o concurso de causas e o grau da sua acção e extensão, varia a influência da língua portuguesa e se determina a sua órbita. Há termos vulgares, que são comuns a todos ou quási todos os idiomas indígenas cultos, e que se restringem a pequeno número; há mais, que são privativos dos cristãos; alguns são conhecidos das classes ilustradas e usados nas cidades principais. A matéria em que mais se fez sentir essa influência, e os motivos que mais actuaram na sua admissão podem reduzir-se às seguintes categorias: 1. A religião cristã, propagada e mantida pelos missionários portugueses ou ''aportuguesados''; assim porque não havia termos vernáculos exactamente correspondentes e comummente sabidos, como, quando os houvesse, para se não dar aso a confundirem-se e assemelharem-se o cristianismo e o paganismo ou o maometismo. Cf. ''cruz'', ''igreja'', ''altar'', ''padre'', ''casar''. Tambêm os nomes de dignidades eclesiásticas, paramentos e utensílios religiosos, cerimónias e festividades litúrgicas, são portugueses, com poucas excepções, como: ''papa'', ''bispo'', ''arcebispo'', ''meirinho''; ''cálix'', ''hóstia'', ''partícula''; ''alva'', ''estola'', ''capa''; ''natal'', ''advento'', ''páscoa''<ref>Por exemplo, em tamul, para não falar do concani, empregam-se os seguintes termos eclesiásticos: amito, alva, cordão, casula, dalmática, manípulo, estola, capa, cálix, patena, pala, bôlsa, corporal, sanguinho, cota, hóstia, partícula, missal, ritual, estante, altar, cruz, castiçal, tabernáculo, sacramento, turíbulo, naveta, caldeirinha, galheta, pálio, sotaina, loba. Pela maior parte, são omitidos tais vocábulos no corpo do vocabulário.</ref>. 2. A nova civilização, que introduziu novos vocábulos para denotar<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> dt86acmwhh9qxjnllq5q8oqjxcy8njy Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/34 106 249741 564075 563131 2026-09-22T09:49:15Z VIGNERON 4471 564075 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxix}}}}</noinclude>objectos até então desconhecidos ou pouco conhecidos; tais como: ''armário'', ''balde'', ''bomba'', ''botão'', ''camisa'', ''fita'', ''pena'', ''pipa'', ''pistola'', ''meia'', ''cadeira''. 3. A introdução de novas plantas, que levaram consigo os nomes originários, como: ''ananás'', ''anona'', ''caju'', ''couve'', ''papaia'', ''pera'', ''tabaco''. 4. A nobilitação ou exaltação de pessoas e coisas, à que melhor se prestam palavras peregrinas<ref>Como acontece ao português com relação ao francês e inglês: ''soirée'', ''matinée'', ''corbeille'', ''délivrance''; ''club'', ''lunch'', ''sport''.</ref>. Cf. ''mestre'', ''pedreiro'', ''louvado''; ''copo'', ''cozinha'', ''doce'', ''pão'', ''jôgo'', ''tronco''. 5. A enunciabilidade simples, expressiva e caracterizante, que se impõe à preferência. Cf. ''ama'', ''aia'', ''bacia'', ''banco'', ''grade'', ''leilão'', ''sorte''. 6. Há, demais, certas palavras, cuja adopção, em detrimento ou com concurso das vernáculas, só posso explicar por fascinação, que certas dições teem a virtude de produzir. Cf. ''buraco'', ''chave'', ''paga'', ''ponta'', ''renda''. 7. Encontram-se tambêm alguns vocábulos de origem asiática, introduzidos directamente do indo-português, como: ''achar'' (subst.), ''chita'', ''gudão'', ''pires'', ''rota'' (bengala).<section end=int8 /> <section begin=int9 />{{center| IX. — '''Natureza morfológica dos exotismos''' }} A generalidade da importação é constituída, como é natural, por substantivos, por nomes de pessoas ou cousas, e alguns abstractos, às vezes com ampliação ou restrição do sentido. Formam-se os abstractos e derivados, e declinam-se os nomes em conformidade com as regras gerais de cada língua. Assim ''bebdó'' = bêbado, em concani, dá ''bebdepan'' ou ''bebdikáy'' = bebedice; ''bébaduva'', em singalês, dá ''bēbadukama''. De ''kāzár'', que é tambêm substantivo em concani (= casamento), se derivam: ''kāzāri'' = casado, ''kāzārātsó'' = casadoiro, ''kāzró'' = casório. Alguns substantivos são empregados na acepção peculiar ao crioulo local, como, no singalês, ''rámuva'' (crioulo ''ramo'') por «moldura»: ''réndaya'' (= renda) por «aluguel, peagem, rendas do estado». Os verbos teem pouca adaptabilidade e são de escassa necessidade. Encontram-se porêm muitos no concani e na família malaia. Em concani conservam-se em regra invariáveis, sendo conjugados com o<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> r3msd16ndl1zhzvtaygllrabg90f71f Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/35 106 249744 564076 563121 2026-09-22T09:49:53Z VIGNERON 4471 564076 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxx}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>auxílio do verbo vernáculo correspondente ''a fazer'' ou ''ser'', conforme é transitivo ou intransitivo e reflexivo. Os verbos malaios não teem flexões. Algumas palavras com forma verbal teem significação conjunta ou exclusiva do substantivo, como: ''casar'' = ''casar'' e casamento, ''pintar'' = pintar e pintura; ''pagar'' = paga; ''jogar'' = jôgo de azar; ''confessar'' = confissão. Ocorrem alguns adjectivos em poucas línguas, empregados tambêm adverbialmente, por influência indígena, como, em Goa, ''júst'' = justo e justamente; ''sert'' = certo e certamente. Advérbios própriamente, conjunções e preposições ocorrem tão sómente no grupo malaio. Mas há ''contra'' em concani.<section end="int9" /> <section begin="int10" />{{center| X. — '''Observações fonológicas''' }} As palavras portuguesas, na sua transição para as línguas orientais, sofrem, em geral, alterações fonéticas, mais ou menos importantes, como aconteceu com os vocábulos asiáticos que se introduziram no português. Algumas são comuns a quási todas as línguas, por passarem duma à outra ou por obedecerem às mesmas leis; outras são peculiares a cada uma ou a um grupo ou família. Sendo o meu trabalho primáriamente de natureza lexicológica, não posso analisar e explicar em cada caso todas as diferenças de fonação de tantos idiomas. Acho, por isso, conveniente registar aqui, na generalidade, as mais importantes. 1. A vogal inicial, constituindo sílaba por si só, cai fácilmente nos polissílabos, do mesmo modo como nos crioulos: ''kāphlár'' = acafelar, ''nánas'' = ananás, ''nona'' = anona; ''már'', ''murá'' (L.-Hindust.) = amarra, amura; ''girjá'' = igreja; ''vānjel'' (Conc.) = evangelho; ''būrnal'' (L.-Hindust.) = embornal; ''duljens'' (Conc.) = indulgência; ''legojo'' (Jav.) = algoz. 2. Cai tambêm às vezes a sílaba inicial com consoante: ''míngo'' ou ''míngu'' (Mal., Jav.) = domingo; ''báko'' (em muitas das línguas malaio-polinésias) = tabaco; ''dilu'' (Mak.) = codilho; pinéti (Mal.) = alfinete. 3. Cai igualmente a vogal final, antecedida de vogal tónica: ''almāri'' = armário, ''basí'' = bacia. Em concani eliminam-se todas as vogais postónicas: ''ālmár'' = armário, ''vigár'' = vigário, ''muzg'' = música, músico, ''kámbr'' = câmara.<noinclude></noinclude> qq6pqerc2knup3g8xpcqygdwmdck6te Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/36 106 249747 564079 563132 2026-09-22T09:51:13Z VIGNERON 4471 564079 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxi}}}}</noinclude>4. O ''a'' final (posconsonântico) é diversamente tratado. Nas línguas áricas do sul (excepto o singalês) é mudo: ''phít'', ''kamís'' ou ''kamíj'', ''bomb'' = fita, camisa, bomba. Nas do norte, ordináriamente, alonga-se ou tonifica-se: ''phītá'', ''pīpá'', ''gīrjá''; ''kamij'', ''mêj'' = fita, pipa, igreja; camisa, mesa. Nas dravídicas muda-se em ''ụ'', desinência favorita: ''kamísụ'' (Tam. ''kamisei''), ''pistúlụ'', ''rípụ'', ''várụ'' = camisa, pistola, ripa, vara. Nas malaias, conserva-se em umas, e muda-se em ''ô'' fechado noutras: ''renda'', ''rendô''; ''roda'', ''rodô''; ''ronda'', ''rondô''. 5. O ''e'' final surdo oscila entre ''í'' tónico (línguas áricas) e ''i'' átono (línguas dravídicas e malaias); ''bāldí'', ''báldi'' = balde; ''chāví'', ''chávi'' = chave; ''pādrí'', ''pádri'' = padre. Em concani e marata cai muitas vezes sendo precedido de consoante simples: ''kôb'' = couve, ''garád'' = grade; ''búl'' (Conc.) = bule; ''kôch'' (Conc.) = coche. 6. Semelhantemente, o ''o'' final cai nas línguas áricas, muda-se em ''u'' breve nas dravídicas e em ''u'' breve ou ''ô'' fechado nas malaias: ''bánk'', ''bánku'', ''bánkô'' — banco; ''kald'', ''káldu'', ''káldô'' = caldo; ''burákh'' (áric.) = buraco. Mas ''tambākú'' ou ''tamākú'' = tabaco, em quási todas as línguas. 7. Os ditongos ''ei'' e ''ou'' atenuam-se em ''é'' ou ''ê'' e ''ô'', como nos crioulos; ''bandér'', ''bandéra'', ''banderô'' = bandeira; ''kadér'', ''kadera'', ''kadêl'' = cadeira; ''kôb'', ''kôbis'' = couve, couves; ''orívis'' (Mal.) = ourives. 8. Nasalizam-se algumas vogais em contacto com as consoantes labiais: ''tambakú'' = tabaco, ''pimp'' = pipa, ''bhomplá'' (Mar.) = abóbora. Tambêm ''phínt'' = fita<ref> Idêntico fenómeno dá-se tambêm em português antes de consoantes mudas: ''fiandeiro de fiar'', ''lavandeira de lavar''.</ref>. 9. Ch conserva o seu som antigo, vigente no norte de Portugal e idêntico ao fonema oriental (''tch''): ''tchepém'' = chapéu, ''tchinél'' = chinela. Em algumas línguas, como concani e marata, soa ''ts'' antes de ''a'' e ''o'': ''tsāvi'' = chave. 10. ''V'' é quási equivalente ao inglês ''w'', particularmente sendo medial. As línguas que o não teem (e às vezes as que o teem) convertem-no em ''b'', como fazem com o ''f'', mudando-o em ''p''. 11. ''R'' inicial soa como o medial. ''Rr'' geminado simplifica-se, em regra, por o não admitir a maior parte dos idiomas asiáticos: ''kareta'' = carreta, ''amáru'' = amarra, ''bora'' = bôrra, ''phôr'' = fôrro. 12. ''Lh'' e ''nh'', que não teem fonemas correspondentes, são representados por ''ly'' ou ''l'' e ''ny'' ou ''n'': ''tuváliya'', ''tuvála'', ''tuvál'', ''tuvāló'' =<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> iabgi4mo7wik83565w4nucmrgw41239 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/37 106 249751 564080 563133 2026-09-22T09:52:03Z VIGNERON 4471 564080 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxii}}|INTRODUÇÂO}}</noinclude>toalha; ''veillu'', ''el'' = velho; ''kunyá'' = cunha, barkín = barquinha. O concani, o malayálam e mais alguns idiomas conservam o som originário em certos vocábulos, representando-o por ''ñ'' ou ''ññ'': ''modiñ'' ou ''modinh'' (Conc.) = modinha, ''viññu'' (Malayál.) = vinho. 13. ''S'' intervocálico (= ''z'') muda-se geralmente em ''j'' (algumas vezes em ''s'' sibilante), por não terem muitos dos idíomas tal som ou por êsse se restringir a sílabas de certas vogais (''a'', ''o'', ''u'', como em concani, marata, sindhi): m''êj'' = mesa, ''kamíj'' ou ''kamís'' = camisa<ref> Em concani ''j'' muda-se normalmente em ''z'' depois de ''a'', ''o'', ''u''; ''imáz'' = imagem, ''relóz'' = relójio, ''āzúd'' = ajuda.</ref>. 14. ''R'' e ''l'' trocam-se às vezes nas línguas que os teem, e substitui-se um por outro nas que teem sómente um dêles: ''kadêl'', ''bhohḷó'' = cadeira, abóbora; ''boru'', ''charamera'' (Jap.) = bôlo, charamela; ''compla-'' ''dor'', ''patili'' (Pid.-Engl.) = comprador, padre. 15. Consoantes surdas tornam-se freqùentemente sonoras da mesma classe, e vice-versa, em raro caso: ''alavángu'' = alavanca, ''turung'' = tronco, ''práda'' = prata; ''prek'' = prego. 16. Dá-se cacuminalização dalgumas consoantes, especialmente em contacto com ''r'', como acontece em sânscrito: ''soḍtí'', ''sorṭí'' = sorte; ''korṇel'' = coronel; ''bhohḷó'' ou ''bhompḷá'' = abóbora; ''barkíṇ'' = barquinha. 17. Há exemplos de consoantes aspiradas: ''khamís'' = camisa, ''khu-'' ''rís'' = cruz, ''burákh'' = buraco; ''bhobló'' ou ''bhomplá'' = abóbora. 18. Ocorre metátese de ''r'': ''girjá'' = igreja, ''krasa'' = garça. 19. Destrói-se o hiato no meio da palavra pela intercalação de ''v'': ''tuvál'' ou ''tuvāló'' = toalha, ''baluvárdi'' = baluarte. 20. Desfaz-se consoante composta, cujo segundo componente é ''r'', pela inserção de vogal (suarabacti): ''garád'', grade, ''paránch'' = prancha, ''karáb'' = cravo, ''turung'' = tronco, ''vídur'', ''víduruva'' = vidro. Algumas das línguas não admitem consoantes compostas em nenhuma situação; outras admitem sómente as geminadas.<section end=int10 /> <section begin=int11 />{{center| XI. — '''Fontes e dificuldades do estudo''' }} O meio mais adequado à elaboração de lista completa das palavras portuguesas, enxertadas no léxico de línguas asiáticas, seria evidentemente o estudo feito ao ''vivo'', no íntimo convívio de todas as camadas sociais, em toda a extensão da vivenda de cada uma das<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> 1i7zlo6pig4405hl8avwex0dwxoffxs Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/38 106 249757 564081 563135 2026-09-22T09:52:52Z VIGNERON 4471 564081 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxiii}}}}</noinclude>línguas. Ora isto é quási impossível, atenta a enormidade da área e o variadíssimo número dos idiomas a analisar, alêm doutros obstáculos de fácil intuição. O conhecimento pessoal dum poliglota aturado dificilmente chegaria, sem graves lacunas, ao cabo de muitos anos à meia dúzia de idiomas duma ou duas famílias. É por isso que se não vêem até hoje léxicos comparados, como há gramáticas comparadas muito importantes<ref> John Beames, ''Comparative Grammar of Aryan Languages''. Robert Caldwell, ''A Comparative Grammar of the Dravidian or South Indian Family of Languages''.</ref>. O que há são pequenos vocabulários, ou dicionários dalguns dialectos ou de duas ou três línguas aparentadas<ref> Sir W. W. Hunter publicou em 1868 uma lista de 186 vocábulos em 120 línguas ou dialectos anáricos, com o título de ''Comparative Dictionary of the Lan-'' ''guages of India and High Asia''. F. A. Sevettenham tambêm compilou ''Comparative'' ''Vocabulary of the Dialects of the Wild Tribes inhabiting the Malayan Peninsula''.</ref>. Outro meio, supletivo e deficiente, seria obter, por intermédio de pessoas competentes resenhas de dições portuguesas infiltradas nas respectivas línguas. Isto tambêm não é fácil, porque poucos se encontrarão dispostos a tão ímprobo trabalho, compreensivo de todos os vocábulos, que não ocorrem espontâneamente, desassociados de ideas. Eu não pude alcançar mais de três listas de tamul, uma de bengali, uma de canarês e uma de telúgu, e essas mesmas incompletas e sumárias, por favor de amigos obsequiosos. Não conheço listas isoladas ou parciais já feitas, alêm de uma do hindustani (Schuchardt, ''op.'' ''cit.''), e algumas da família malaio-polinésia. Resta, por tanto, como último recurso, percorrer palavra por palavra os dicionários das línguas que os possuam. Mas pouquíssimas são as línguas vivas da Ásia que tenham, como a marata, a hindustani e a malaia, léxicos que se possam chamar ''thesaurus línguae''. O geral dos dicionários são elaborados para uso de escolas ou de missões, e alguns não passam de primeiros tentames. Não é pois de esperar que em tais livros apareçam todos os termos em uso geral ou particular<ref> Acresce a isto que alguns dicionários valiosos já se não encontram no mercado ou são caríssimos. As bibliotecas públicas de Portugal possuem mui poucos das línguas asiáticas; a instâncias minhas as autoridades da Biblioteca Nacional de Lisboa adquiriram meia dúzia dêles. </ref>. Os lexicógrafos procuram de ordinário evitar (digo-o de experiência) palavras peregrinas, com a mira de mostrar a riqueza da língua,<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> rjphyq869w1m8og87ujmqwojfj1l4dd Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/39 106 249771 564082 563136 2026-09-22T09:54:11Z VIGNERON 4471 564082 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxiv}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>ou interpretam-nas por descrições, que a linguagem falada repudia. Quando indicam a etimologia, e raros são os que o fazem, como não conhecem, na maioria, o português, seguem a tradição ou o exemplo, e atribuem-lhe o que não é seu ou, ao contrário,, socorrem-se doutra língua indígena<ref> Há tambêm entre os que se julgam sabedores quem assevere que, excepto ''tôpo'', ''câmara'', ''fita'', «e poucas outras palavras, o predomínio português na Índia poucos vestígios linguísticos deixou». ''Blackwood's Edinbourgh Magazine'', citado por Schuchardt.</ref>. Em certos casos há grave dificuldade em discernir se o português com efeito deu ou, antes, recebeu certos vocábulos, como, por exemplo, ''pires'', ''gago'', ''canga'', ''bafo''; se o português ou o inglês é a fonte real, como em ''biscoito'', ''botelha'', ''batata'', ''estala''; se algumas palavras eram já conhecidas antes dos descobrimentos e conquistas dos portugueses, como ''tabaco'', ''arratel'', ''chá'', ''café''; se certos termos são de facto paralelos, às vezes com ligeiras variantes do sentido, como ''chapa'', ''tanque'', ''varanda''<ref> «As derivações dos nomes sam mui más de acertar nas próprias regiões onde nacemos, e onde sabemos também as linguoas; que fará nas estranhas, onde escassamente sabemos hum vocábulo, quanto mais a derivaçam delle». Garcia da Orta, ''Coloquios dos Simples e Drogas da India'', LVII.</ref>.<section end=int11 /> <section begin=int12 />{{center| XII. — '''Organização do vocabulário''' }} Entre os termos portugueses de que se compõe o vocabulário, há uns, cuja qualidade de étimo é evidente ou quási certa; há outros, cuja proveniência nos idiomas indígenas é duvidosa ou improvável; há, finalmente, uns poucos, que com certeza ou com muita probabilidade não são a fonte dos vocábulos asiáticos. Marco os da segunda categoria com um ponto de interrogação, pôsto no comêço, se a dúvida abrange todas as línguas mencionadas, ou anteposto a uma ou mais destas, se a incerteza se limita só a elas. E assinalo com um asterisco os da terceira classe, indicando o motivo da sua inclusão no catálogo e as razões da sua rejeição como étimos, para que não pareça que os omiti por desconhecê-los. Há algumas palavras que não são genuinamente portuguesas, e por isso não transitaram do Continente; mas pertencem a uma língua<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> jmpzb2mu3ur7ol75uvk7g15iifcu7il Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/40 106 249773 564083 563109 2026-09-22T09:54:41Z VIGNERON 4471 564083 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxv}}}}</noinclude>ou família asiática. Como porêm formam parte do vocabulário do ásio-português e foram adoptadas e disseminadas pelos portugueses, julguei que tinham cabimento no meu trabalho, feita a devida reserva. Dou diversos derivados e compostos, nas línguas indígenas, de vozes portuguesas de maior importância, como argumento da sua vulgarização. E indico em alguns casos a área onde o termo voga ou a classe de gente que o emprega. Reproduzo com frequência os termos vernáculos mais ou menos correspondentes aos portugueses, para mostrar que não foi a sua absoluta carência que actuou na adopção do vocábulo peregrino. Mas não estendi muito o processo, que, alêm de prolixo, seria demasiado laborioso. Os termos vernáculos, dados como equivalentes aos portugueses e comuns às línguas duma família, estão na forma que teem: em concani, sendo neo-áricos; em tamul, sendo dravídicos; em malaio, pertencendo ao grupo malaio. Na inscrição das línguas asiáticas podia eu seguir uma das duas ordens, geográfica ou genealógica, que nem sempre coincidem. Preferi a genealógica e a da afinidade, observando possívelmente a continuidade geográfica; porque assim se apreciam melhor as formas que o vocábulo português assume em idiomas similares. Principiei pelo campo neo-árico, tomando por ponto de partida o concani, percorri em seguida a área dravídica, e passei depois a outras famílias, grupos e línguas desaparentadas. Coligi em um índice geral todos os vocábulos portugueses introduzidos em qualquer das línguas que formam o objecto do meu estudo, e notei em itálico os que não fazem parte do vocabulário. Por êle se verão com muita facilidade o número e a natureza dos termos adoptados. Para que se conheçam dum relance as palavras portuguesas que penetraram em pada uma das línguas, elaborei listas especiais, em que incluí as vozes portuguesas que, por serem privativas do concani, ou do teto e galóli, omiti do corpo do vocabulário. Os vocábulos portugueses ou presumidos portugueses, que registo em determinadas línguas asiáticas, são quási todos conhecidos, de sciência certa, como realmente usadas em cada uma delas. Por meras conjecturas ou ilações, poderia aumentar muito o seu número em idiomas aparentados.<section end=int12 /><noinclude></noinclude> iu27ufztyuiqil02zypss0emij7xqqn Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/41 106 249774 564084 563137 2026-09-22T09:55:08Z VIGNERON 4471 564084 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxvi}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude><section begin=int13 />{{center| XIII. — '''Noções individuais das línguas''' <ref> Vid. ''Mappa Dialectologico do continente português'', por J. Leite de Vasconcellos, precedido de uma classificação summária das línguas por A. R. Gonçalves Vianna. Latham, ''Elements of Comparative Philology''. Gustav Oppert, ''On the Class-'' ''ification of Languages''. Sir Erskine Perry, ''Memoria sobre a distribuição geogra-'' ''phica das principaes línguas da India'', na Introdução à gramática da língua concani pelo Padre Thomás Estevão. H. H. Wilson, ''A Glossary of Judicial and'' ''Revenue Terms'', prefácio. Robert Cust, ''A Sketch of the Modem Languages of the'' ''East Indies''. Jolm Beames, ''op. cit.'', e ''Outlines of Indian Philology''. Caldwell, ''op.'' ''cit.'' George Grierson, ''Linguistic Survey of India''; ''The Languages of India, and the Census''.</ref>}} Dou neste capítulo noções sucintas de cada uma das línguas que fazem o objecto do meu estudo, pela ordem por que entram no vocabulário. Alêm da filiação e da natureza, indico a área, a população, os dialectos, os alfabetos, a antiguidade da literatura, etc. Indico tambêm os meios de transmissão dos vocábulos portugueses. Aponto os autores que tratam do assunto com relação a cada língua. {{center| § 1. — CONCANI<ref> Vid. Sebastião Rodolfo Dalgado, ''Dicionário Konkani-português'' (Introdução). Cunha Rivara, ''Ensaio Histórico da Lingua Concani'', na ''Gramatiça'' do Padre Tomás Estevão. Gerson de Cunha, ''The Konkani Language and Literature''. Angelus Maffei, ''An English-Konkani Dictionary''. ''Dicionario Portuguez-concani'', por um missionário italiano. Ramchandra Gunjikar, ''Sarasvatī-mandala''.</ref>}} O konkani ou concani, chamado outrora, imprópriamente, pelos portugueses, ''lingua canarina'' ou ''canarim''<ref> «Hũa cumprida e estreita faixa de terra, chamão elles Concan, e aos pouos propriamente '''Conquenijs''', posto que os nossos lhe chamão '''Canarijs'''», João de Barros, Déc. I, ix, 1. «Foi assim em português como em '''lingoa Canarij''' da terra (Goa) mandou lançar pregão». ''Id.'', Déc. II, v, 3.</ref> e ''brâmana'', é o represen-tante mais meridional da família árica na Índia. É falado, segundo o cálculo do Dr. Gerson da Cunha, por cêrca de doís milhões em uma área de sete mil milhas. Tem a sua vivenda primordial em Goa, sendo por isso, e para se evitar confusão com um dialecto marata, denominado pelos filólogos modernos ''gomantakí'', de Gomanta, nome antigo de Goa.<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> 1ll9r3mdy3tonye7o3xfq2gzj3b9cmt Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/42 106 249785 564085 563138 2026-09-22T09:56:35Z VIGNERON 4471 564085 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxvii}}}}</noinclude>O concani estende-se, devido provávelmente em parte à diversidade de confinações políticas e em parte à emigração, por norte até Malvane, e por sul ao Canará até Mangalor. Tem, por conseqùência, três dialectos principais: o do norte, ''kudali'', influenciado pelo marata; o de Goa, ''gomantakí'', própriamente dito, e o do sul, influenciado pelo canarês, sem designação especial. O dialecto de Goa distingue-se no das Novas Conquistas, mais maratizado, e no das Velhas Conquistas, mais aportuguesado; e êste se subdistingue no de Bardês, considerado mais puro, por ser mais inflexivo, e no de Salcete, mais analítico e mais ressabiado do canarês e do português. A fala das Ilhas de Goa participa de um e outro dialecto. Quanto à sua natureza e origem traslado o que disse no meu ''Di-'' ''cionário'': «Daqui concluo resumidamente: 1.°, que a língua concani é árica e inflexiva, e não dravídica e aglutinativa; 2.°, que se assemelha à bālabhāshā; 3.°, que dista menos do sânscrito no organismo gramatical e no vocabulário do que o marata; 4.°, que não é dialecto ou corrução do marata; 5.°, que mais se aproxima do marata antigo (que por seu turno mais se aproxima da bālabhāshā) do que do moderno; 6.°, que se avizinha muito, na sua estrutura fonética, das línguas gáuricas do norte, mormente do bengali; 7.° que representa com muita probabilidade a língua sarasvati, que os orientalistas tomam por extinta, sendo os emigrantes de Tirhotra ou Tirhut que a introduziram no Concão»<ref>1 «Vid. ''Sahyādri-khanda'', editado pelo Dr. Cunha. Hoernle e Grierson acham que «o konkani tem íntimas afinidades com o hindi, representante directo do antigo maharastri».</ref>. Em Goa, emprega-se na escrita o alfabeto romano, com a fonética portuguesa; no norte, ''bālbodh'' ou ''modi'' do marata; no Canará, o canarês ou o romano. Ha escritos antigos assim em caracteres canareses, como em devanagáricos, que se devem considerar como alfabeto próprio do concani. Como é natural, estando o território por quatro séculos sob o domínio de Portugal, o concani ocupa o primeiro lugar na apropriação do vocabulário português. Um décimo, e talvez mais, da linguagem coloquial das Velhas Conquistas consta de palavras portuguesas ou derivadas de portuguesas. No citado dicionário admiti: «1.°, todas as vozes que, alêm do concani, eram usadas em uma ou mais línguas<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> hyxuy6dr26304rvv6g8g8h3d2s053dg Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/43 106 249786 564086 563139 2026-09-22T09:59:22Z VIGNERON 4471 564086 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xxxviii}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>orientais, por ser indício seguro da necessidade ou conveniência de tais vozes; 2.°, todos os vocábulos de tal modo naturalizados, que andam na bôca de todos, sem mesmo se atinar na sua proveniência, adoptados ou para marcar uma linha divisória entre os cristáos e os hindus, ou por não se achar o termo vernáculo adequádo, ou por não ser comummente conhecido, ou para evitar o incómodo de cunhar; 3.°, muitas palavras que são mais usadas que as suas respectivas vernáculas; 4.°, mais algumas inteiramente desnecessárias, para mostrar que a língua tem muitas para as representar e que só o culpável desleixo ou o pedantismo as podia empregar. No presente trabalho sou ainda mais restrito: omito do vocabulário todos os termos portugueses que são privativos do concani, e não se encontram em nenhuma outra língua indígena. Reproduzo-as no respectivo índice<ref> No meu ''Dicionário português-concani'', publicado por conta do Govêrno em 1905, dou quási todas as palavras em uso, mais ou menos geral, em gomantaki.</ref> {{center|§ 2. - MARATA<ref> Vid. John Wilson, ''Notes on the constituent elements, the diffusion and application of the Marāthī Language'', no dicionário de Molesworth. Dr. Stevenson, ''An Essay on the points of similarity and dissimilarity between the English and Marāthī Languages'', no dicionário de Candy. Filipe Néri Pires, ''Grammatica Maratha''.</ref>}} ''Marāṭhī'' ou marata é a língua falada em Mahārāxtra («grande região ou país dos Mahares») por 18,237,899 indivíduos, conforme o censo de 1901, que nela inclui o concani do território inglês. Estende-se desde Goa até o rio de Damão (''Daman Ganga''), abrangendo uma vasta área e confinando por leste com as línguas telúgu e canaresa. Distinguem-se três dialectos principais: ''khandexí'', ''dakhíṇí'' e ''konkaṇí''; aos quais alguns filólogos ajuntam gomantakí ou concani própriamente dito. O marata ocupa, pela sua importância, o segundo lugar nas línguas gáuricas. É muito cultivado, tem escolas primárias em toda a parte, e possui uma rica literatura, mormente escolar<ref> Merecem especial menção, como obras modelares, os dicionários de Molesworth e de Candy.</ref>, sendo a mais antiga, que é poética e religiosa, do século XIII. O marata tem dois alfabetos: ''bālbodh'' (ou ''bālbod''), que é, com<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> q42fzxaznwb6vslptgddn0id1g3joqh Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/44 106 249787 564088 563140 2026-09-22T10:21:05Z VIGNERON 4471 564088 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xxxix}}}}</noinclude>ligeiras variantes, o devanágari ou sânscrito, e se emprega nas escolas e na impressão; e ''moḍi'' ou ''moḍ'', peculiar da língua, com menos letras e sem distinção de vogais longas e breves (''i'', ''ī'', ''u'', ''ū''); escreve-se cursivamente sem separação de letras, e usa-se na correspondência e em manuscritos. O seu copioso vocabulário, constante de 20:000 palavras, compõe-se: do ''stock'' turánico aborígene, de prácrito por magadhi (língua antiga de Behar), de sânscrito, pela literatura, de árabe e persa, pela dominação muçulmana e pela influência do hindustani, e de português e inglês. A infiltração do português provêm do domínio (Bombaim, Taná, Baçaim, Chaul), do comércio, (Surrate, Bijapur), da vizinhança (Goa, Damão), das missões do Padroado na maior parte do território e do crioulo ''norteiro''<ref> Vid. o meu ''Dialecto Indo-português do Norte''.</ref>. É sobretudo no distrito do Concão que esta influência é preponderante. {{center|§ 3. — GUJARATI<ref> Vid. Shapurjí Edalji, ''A Dictionary Gujaratí and English''.</ref>}} ''Gujarati'' ou guzarate (guzeratha), língua de Gujarata, confina por norte com o hindi e por sul e leste com o marata. Conta dez milhões de população, e é muito cultivada ao presente, tendo grande representação na imprensa periódica de Bombaim. É falada pela opulenta e ilustrada comunidade dos parses (originários da Pérsia) como língua materna, e empregada como língua franca do comércio, especialmente na cidade de Bombaim. Tem alguns dialectos, como, surrati, ahmedabadi, kattyavari, comercial. Os elementos constitutivos do seu léxico são análogos aos do marata. Tem tambêm, como o marata, dois alfabetos: um próprio, com menos consoantes e sem discriminação de vogais (''i'', ''u'') longas e breves, e outro, ''bālbodh'' ou devanágari, um pouco deformado. Sendo o gujarati a língua vernácula das possessões portuguesas de Damão e Diu, onde há escolas oficiais para o seu ensino, a influência do português é directa e actual nestas partes, com tendência à expansão. Os dicionários, por ora deficientes, não registam porêm<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> 8iuxvyj71c5p8p8yel8s7fxzrbs5l85 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/45 106 249788 564091 563141 2026-09-22T10:27:49Z VIGNERON 4471 564091 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xl}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>todas as palavras portuguesas, usadas nestas localidades, mas tão sómente as que pertencem ao vocabulário geral, e que nele entraram pelas antigas relações políticas, pela vizinhança e pelo comércio. {{center|§ 4. — HINDI}} O hindi é a mais importante língua da Índia, ocupando quási todo o centro, quer pela sua área — 248:000 milhas quadradas; quer pela sua população — quási sessenta e três milhões; quer pela vitalidade, alastrando-se sempre mais e absorvendo outros idiomas; quer pela quantidade de dialectos — 58, segundo Cust, alguns dos quais podem passar por verdadeiras línguas. Há filólogos que julgam que se devem incluir nos seus dialectos as línguas gujarati, panjabi e nepali. Beames enumera os seguintes dialectos como principais: mathíli, magadhi, bhojpuri, kosali, brijbasha, kanauji, rajputani (grupo de dialectos), bundelkhandi. O Sr. Grierson divide o hindi em duas partes: oriental e ocidental. Pôsto que derivado do indo-árico, o hindi contêm muitos vocábulos turánicos e grande enxêrto do árabe-persa. É comummente escrito no alfabeto devanagárico. Literáriamente, distingue-se em três estádios: antigo, de há setecentos anos, médio e moderno. A influência do português no seu vocabulário é principalmente mediata, por via doutras línguas vizinhas. As relações político-comerciais, não muito frequentes, parece que pouco poderiam ter influido<ref> Shakespear atribui ao hindi uma grande parte de dições portuguesas introduzidas no hindustani.</ref>. {{center|§ 5.— HINDUSTANI}} Sem entrar na questão de saber se o hindustani é língua independente ou, antes, um dialecto do hindi, como geralmente se considera, trato-o em separado, pela natureza especial do meu trabalho. Formado do persa, fala dos conquistadores, e do hindi, fala dos indígenas, no século XVI, sobre a base gramatical neo-árica, mas escrito, de ordinário, no alfabeto árabe-persa modificado, o hindustani tornou-se língua materna dos maometanos de qualquer parte da Índia, e desenvolveu-se em língua franca nos principais centros comer-<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> mtbh14lco0sycikku9xry5ad7ew34zt Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/46 106 249789 564097 563142 2026-09-22T10:43:56Z VIGNERON 4471 564097 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xli}}}}</noinclude>ciais da raça árica. «O hindustani é, diz Beames, de todos os idiomas indianos o mais largamente espalhado e comummente entendido, e é falado como língua franca por gente cuja língua materna não é, por toda a Índia». «O hindustani ou urdu, observa Cust, não é dialecto territorial... mal se pode dizer com justeza que é a língua comum dalgum distrito, embora falada por muitas classes». Mas o Sr. Grierson afirma que é vernáculo do delta gangético superior e da circunvizinhança. Se bem que se empregam promíscuamente as palavras ''urdu'' e ''hindustani'', urdu designa, própriamente, a forma da língua literária e mais pura ou polida, e hindustani, a fala vulgar, eivada de exotismos. Distingue-se em hindustani do norte, mais puro, e em hindustani do sul ou dakhini, mais corruto. «Ainda maior degradação ou desfiguração, nota Cust, se dá pela mistura de palavras românico-áricas no dialecto dos estabelecimentos portugueses da costa ocidental da Índia». Mas nos presentes domínios não está em voga. A influência do português, que se nota mais no dekhani, deve-se principalmente ao convívio e relações comerciais e políticas antigas<ref> Vid. J. A. Ismael Gracias, ''Uma Dama Portuguesa na Côrte do Grão-Mogol''</ref> e à facilidade que o hindustani tem de se apropriar de vocábulos peregrinos. {{center|§ 6. — LASKARI-HINDUSTANI}} ''Lascarí'' ou ''lascarim'', do persa ''lashkarī'', empregado primeiro pelos portugueses e depois adoptado pelos holandeses e ingleses, na sua significação originária de «soldado»<ref>«O que se pagaua de soldo, e mantimento aos '''lascarins''' que estauão na cidade». Castanheda, ''Historia do Descobrimento e Conquista da India''. "Repartem pelos soldados de suas capitanias, a que chamão '''lascarins'''». Damião de Góis, ''Chronica del Rei D. Manuel'', II, cap. 6.</ref>, passou subsequentemente a designar o marinheiro indígena, e é agora, neste sentido, sinónimo do árabe-hindustani ''khalāsī''<ref> «Marinheiros portuguezes tambem menos do que se haviam mister e em seu logar '''lascaris mouros''', marinheiros que como não andam mais que a fazer proveito, pelo pouco que lhes vêm das brigas as desviam e impedem». António Bocarro, Déc. XIII, p. 25. «Tirando alguns, que nos seus proprios navios, ou nos d'elRey vam por mestres e pilotos toda a mais chusma, e meneio das naos sam Mouros, que chamam '''Laschares''' (donde procedeu aos soldados o ordinário appellido de '''Lascharís''')». João de Lucena, liv. IV, cap. 1.</ref>. E como são, em geral, os muçulmanos<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> fnl2eptdu8kxhtiev3bolr2r0c401u8 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/47 106 249791 564098 563143 2026-09-22T10:44:37Z VIGNERON 4471 564098 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xlii}}|INTRODUÇÂO}}</noinclude>que entram na tripulação dos vapores e navios de longo curso, deu-se à sua fala o nome de ''laskari-hindustani''. Ora é bem natural que na formação dêste dialecto marítimo figurem muitíssimas palavras da língua dos europeus que primeiro cruzaram nos mares da Índia e neles exerceram por largo período domínio quási exclusivo. O inglês representa boje, em parte suplementar, igual papel. O seu vocabulário, portanto, ó mescla do hindustani própriamente dito, do português dos séculos XVI e XVII e do inglês actual<ref> «Dass ursprünglich die ganze Seemannsspracbe des Laskaren portogiesisch war, das zu vermnten dürfte mit Hinblich auf die vorstehender Abhandlung dargelegten Thatsachen nicht allzuküher sein». Sohuchardt, ''Beiträge'', etc.</ref>. Tem especial interêsse o estudo desta algaravia, pela variedade de formas e pelas alterações fonéticas que apresenta dos 'termos portugueses, provindas da bôca de gente rude no decurso de prolongado uso. Ter-me hão provavelmente escapado, no exame do seu dicionário, algumas palavras técnicas, por estarem muito deformadas<ref> Os termos portugueses, empregados assim no hindustani própriamente, como no hindustani dos lascarias, são dados no vocabulário sómente sob a designação do primeiro, a fim de evitar a repetição.</ref>. {{center|§§ 7. — NEPALI<ref>Vid. Turnbull, ''Nepali Grammar and Dictionary''.</ref>}} ''Nepali'', ''gorkhali'', ''khas'' e ''parbate'' são os nomes da língua da côrte e língua franca de Nepal, falada por três milhões de indivíduos, pela maior parte hindus, e escrita em devanágari. Possui escassa literatura, de pouca importância, e algumas variedades dialectais<ref> O Sr. Grierson diz que naipali ou pahari oriental não é a língua principal de Napal, mas sim ''nevari''. Turnbull porêm declara que já o não é actualmente</ref>. Rigorosamente, nepali é um dialecto do hindi, proveniente do rajasthani, fala de Rajputana. Há, alêm disto, numerosos idiomas anáricos, falados pelas raças tibeto-birmânicas, que teem nele vocabularmente influído. Hunter menciona trinta e seis no seu dicionário comparativo. A influência do português nesta língua é inteiramente mediata, por via do hindi. Infelizmente, o vocabulário inglês-nepali que tenho à mão é muito resumido. É contudo de presumir que grande parte de vozes portuguesas que existem no hindi terão transitado ao nepali.<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> n5nsal3jeb4ru8nv16d8jqd40v9d3d2 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/48 106 249792 564099 563144 2026-09-22T10:46:11Z VIGNERON 4471 564099 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xliii}}}}</noinclude> {{center|§ 8. — ORIYA}} ''Oriya'', ''uriya'' ou ''utkala'' é a língua falada em Orissa por uma população de mais de nove milhões e meio em uma área de 60:000 milhas quadradas, entre as províncias de Bengala, de Madrasta e as centrais. Pertence, juntamente com o bihari, bengali e assamês, ao grupo sanscritoide oriental, derivado imediatamente da antiga língua de Magadha, pátria do budismo<ref> Não pude abranger o behari no meu estudo, por míngua de elementos lexicológicos. Rudolf Hoernle e George Grierson começaram a publicar, em 1885, ''A Comparative Dictionary of the Bihari Language'', de que saíram sómente dois fascículos, que nem chegam ao fim da primeira letra. O bihari tem quatro dialectos principais: baisvari, bhajpuri, magahi e maithili. Êste último passa por normal, por ser o mais desenvolvido e cultivado e por possuir monumentos literários, que datam do século XIV. É de presumir que tenha os mesmos vocábulos portugueses que o hindi.</ref>. O oryia tem vários dialectos, como o setentrional, o meridional, o de Sumbhulpur, o de Kalakundi; mas o de Cattack considera-se modelar. O seu alfabeto baseia-se no devanágari, com modificações em diversas partes do território, sendo o único dos do norte que adoptou a fórma curvilínea dos traços superiores, que nos outros são horizontais<ref> Cust pretende explicar a peculiaridade pelos materiais da escrita, que eram um estilo ou ponteiro e uma folha de palmeira (ola), que se romperia com os traços rectos. Mas tais materiais são ou eram comuns a outras línguas.</ref>. Os seus monumentos literários mais antigos teem quatro séculos de existência. A influência do português no oriya é principalmente mediata, por intermédio do telúgu ao sul e do bengali ao norte, posto que outrora tenha havido relações comerciais<ref> «Os mais principais com que tivemos communicação, por causa de seus estados virem beber ao mar, forão estes: Elrey de Bisnaga, de Orixá, de Bengala, de Pegu, de Sião, e da China". João de Barros, Déc. I, IX, 2.</ref>. {{center|§ 9. — BENGALI}} O bengali é, como indica o nome, a língua vernácula de Bengala, praticada por mais de quarenta e quatro milhões de indivíduos, assim hindus como maometanos. É actualmente muito cultivada pelos ''babus'', classe a mais ilustrada e progressiva da Índia; mas a linguagem<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> i95y80qesb8o3l35bomwp3au59xkvyl Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/49 106 249793 564101 563145 2026-09-22T10:48:12Z VIGNERON 4471 564101 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xliv}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>literária difere notávelmente da coloquial, não sómente no vocabulário, mas ainda na morfologia, e é muito sanscritizada. O seu alfabeto é uma variante gráfica do devanagárico. O bengáli possui vários dialectos, que não estão bem discriminados e que Beames agrupa sob as designações genéricas de oriental, setentrional e meridional, sendo normal o de Bengala central. Há, demais, dialectos mixtos nas fronteiras do hindi e do oriya, e os das raças anáricas, semihinduizadas, do leste e do oeste, entre os quais Cust distingue os de Purneah, Rungpur, Kuch, Sylhet, Rabha, Meeyang e Chittagong. Portugal teve uma feitoria no Bandel de Ugli ou Ogolim (Hooghly), numerosa colónia em Calcutá, freqùentes relações comerciais em várias partes, e ainda tem importantes missões com vastas propriedades<ref> "Chegando nós ao porto de Chatigão no Reyno de Bengala, aonde naquelle tempo havia muytos Portugueses». Fernão Pinto, cap. CLXXII. «Assi como elRey de Orixá, e elRey de Bengalla, que tem muitos portos do mar, que nós nauegamos, e com que temos commercio». João de Barros, Déc. III, n, 5.</ref>. Daqui se originou um crioulo, que agora está muito circunscrito e tende a desaparecer. Fica assim explicada a introdução de numerosos vocábulos portugueses no bengali. Os descendentes dos europeus empregam muitos termos com relação a doces e iguarias, como tambêm acontece em outras regiões, sem foros de naturalização. {{center|§ 10. - ASSAMÊS<ref> Vid. Bronson, ''A Dictionary in Assamese and English''.</ref>}} O assamês é a língua falada na planície de Assão (ou Ação) pela inteira população do vale de Brahmaputra, que orça por cêrca de milhão e meio<ref> Nas regiões montanhosas há tríbus anáricas, que teem idiomas peculiares, um dos quais, khassi, faz parte dêste estudo.</ref>. As invasões dos ahoms, da família tai, que dominaram por longo tempo, — dos birmaneses e kacharis, da família tibeto-birmânica, — e dos maometanos não deixaram quási nenhuns vestígios na língua vernácula, que é muito aproximada da de Bengala. O assamês abunda em termos sânscritos, modernamente introduzidos, às vezes com significação e pronunciação alteradas. Tem alfabeto próprio, em que está impressa a versão da Biblia; mas tambêm<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> bl7p0bkm0ofz3dh1wwnweuaq8jtw0oa Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/50 106 249794 564102 563146 2026-09-22T10:49:03Z VIGNERON 4471 564102 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh||INTRODUÇÃO|{{sc|xliv}}}}</noinclude>se empregam os caracteres do bengali. Possui literatura em prosa e verso dos últimos dois ou três séculos. A linguagem da maior parte das obras poéticas difere considerávelmente da dos Buronjas ou histórias. Sendo actualmente língua oficial do govêrno provincial, é de esperar que venha a ser largamente cultivada. Os termos portugueses que se introduziram no vocabulário assamês tiveram por canais primários o bengali e o hindustani. {{center|§ 11. — SINDHI<ref> Vid. George Stack, ''A Dictionary English and Sindhi''.</ref>}} O sindhi tem a sua vivenda no Sindh, no vale do Indo Inferior, de Multan ao mar, confinando por leste e oeste com o hindi e com os dialectos baluches. Conta três milhões de população, composta de hindus e muçulmanos. Escreve-se geralmente no alfabeto árabe, muito alterado para se conformar com os fonemas cacuminais e aspirados de língua árica<ref> Tendo mais fonemas do que as letras devanagáricas, quando se emprega êsse alfabeto, usam-se sinais diacríticos com caracteres ordinários para os discriminar.</ref>. Os seus principais dialectos são: siraí, vi-choli, lari, uch e kachi. O léxico do sindhi compõe-se, como o do hiudustani, alêm do ''stock'' próprio, de vocábulos sânscritos, árabes e persas. Ressente-se em especial da influência do pushtu, seu vizinho, pertencente ao ramo eránico. Todas as palavras terminam em vogal, como em italiano, sendo masculinas as que acabam em ''u'' e ''o''. Não ha género neutro. A influência do português é quási toda mediata, como parece, e muito restrita, a julgar pelos dicionários até hoje publicados. {{center|§ 12. — PANJABI<ref> Vid. Bhai Maya Singh, ''The Panjabi Dictionary'', Introdução.</ref>}} A língua do Panjab estende-se do Indo ao Sutlej e de Multan à cordilheira; é falada por dezassete milhões de indivíduos, e escrita em uma grande variedade de alfabetos do sistema árico, sendo gurmukhi o principal. A correspondência oficial e a literatura em geral preferem o alfabeto persa. Pela sua estreita afinidade com o hindi, muitos indianistas preten-<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> cddezzaqndyuzxc9suh8efumjxxtne8 Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/51 106 249795 564103 563147 2026-09-22T10:50:11Z VIGNERON 4471 564103 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Tigr3tao" />{{rh|{{sc|xlvi}}|INTRODUÇÃO}}</noinclude>dem que seja antes um dialecto dessa língua. Tem numerosos dialectos. Beanies assevera que cada distrito tem um dialecto, e há distritos que teem mais de um; o que contesta Cust, com mais competência neste assunto. Os mais importantes são, segundo Maya Singh: panjabi própriamente, multani, pathohari e pahadi.<ref> Grierson designa multani por lahnda, considera-a língua distinta, muito diversa do panjabi, e dá-lhe uma população de mais de três milhões.</ref>. No seu vocabulário, composto de hindi, árabe e persa, alêm do cabedal próprio, entraram muitos termos portugueses por intermédio do hindustani. {{center|§ 13. — KASHMIRI}} A língua vernácula do vale de Kashmira (ou Cachemira), falada por três milhões ou, segundo o Sr. Grierson, por milhão de indivíduos, é o ramo mais setentrional da família indo-árica. Mas não é culta, não está reduzida à escrita na sua forma actual, nem tem gramática completa nem dicionário digno do nome. É pois língua coloquial, sendo o persa o da corte e da correspondência. Ainda assim, distinguem-se três variedades: a dos brâmanes, recheada de palavras sânscritas; a dos maometanos, eivada de arabismos e eranismos; e a do povo rude, com mais vernaculidade dialectal. Podia bem deixar de figurar no meu trabalho êste idioma, de que sómente está publicado um vocabulário, onde nem meia dúzia de palavras portuguesas aparecem, algumas das quais são de origem incerta. É porêm natural que haja mais, ligadas aos objectos para ali levados pelos conquistadores muçulmanos. {{center|§ 14. — SINGALÊS<ref> Vid. B. Clough. ''A Dictionary of the Singhalese and English Languages''. R. C. Childers, ''Notes on the Sinhalese Language''. James D'Alwis, ''On the Origin of Sinhalese Language''.</ref>}} Alem dos aborígenes ''veddas'', ao presente muito reduzidos em número<ref> «Vive huma casta de gente, a que chamão '''Bédas''': são na côr quasi como nós, e alguns ruivos bem assombrados; a lingua nenhum Chingalá, ou outra nação da India a entende, somente uns com outros se communicão». João Ribeiro, ''Fatalidade Histórica da Ilha de Ceilão'', liv. I, cap. 24.</ref>, duas são as raças indígenas que povoam a ilha de Ceilão: a<noinclude>{{rule|6em|align=left}} <references /></noinclude> 2llfni7l3olpl7guvnlnkbkt9c6we6o Página:Sebastião Rodolfo Dalgado - Influência do Vocabulário Português em Línguas Asiáticas (1913).pdf/85 106 249904 564094 557746 2026-09-22T10:39:32Z VIGNERON 4471 564094 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MLReis" />{{center| BIBLIOGRAFIA}}</noinclude><nowiki/> {{sc|Campbell}} (A. D.). ''A Dictionary of the Teloogoo Language''. Madras, 1821. {{sc|Candy}} (Thomas). ''A Dictionary English and Maráthi''. Bombay, 1873. {{sc|Cardeal Saraiva}} (D. Francisco de S. Luís). Obras completas, 10 vol. Especialmente: ''Glossario de vocabulos portuguezes derivados das linguas orientaes e africanas, excepto o arabe''. Lisboa, 1818. {{sc|Cardim}} (P. António Francisco). ''Batalhas da Companhia de Jesus''. Lisboa, 1894. {{sc|Carter}} (Charles). ''An English and Sinhalese Dictionary''. 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Em uma revista holandesa, de que sómente possuo algumas páginas sem título.<noinclude></noinclude> ey476cr2kzn8o0abqumlgveh6myza44 Página:Os insetos brasileiros descritos pelo naturalista Georg Marcgrave (1610 – c.1644).pdf/11 106 257123 563889 561185 2026-09-21T23:27:37Z Trooper57 24584 563889 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Trooper57" />{{ad}}</noinclude>Sua provável representação nos L.P., está na p.120 (v.2), ocupando posição inferior da folha.</div> {{ad|'''749 – Inominada;''' Lepidoptera; Nymphalidae; Brassolinae; ''Caligo'' sp., como identifica Lane (1942); Nomura (1996, p.276) acha que talvez seja ''Caligo beltrao'' (Illiger, 1802) ou ''C. brasiliensis'' (Felder, 182). Sua provável representação nos L.P. está na p.176 (v.1), desenhada de um espécime vivo, onde é denominada de “Panamaguaçú”<ref>É uma aquarela de estilo e qualidade superiores às demais, revelando um outro traço provavelmente de Eckhout.</ref>.}} {{ad|'''752 – “Panapanamucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; sua provável representação nos L.P. está na p.133 (v.2), onde a mariposa é denominada de “Panáma”. A aquarela representa um adulto recém-emergido, mas possui elementos que correspondem ao texto descritivo.}} {{ad|'''755 – “Isocucu”;''' Lepidoptera; Sphingidae; Lane (1942), discutindo o termo indígena de Montoya, a denominação correta deve ser “isocuçú”, isto é, lagarta grande. Sua provável representação nos L.P. está na p.110 (v.2), desenhado de um espécime vivo, sobre uma folha digitada, provavelmente de “fruta-pão” (''Artocarpus incisa''), com pelotas escuras de excremento. A lagarta da aquarela é denominada de “Içocobà”.}} {{ad|'''756 – Inominada;''' Lepidoptera; Sphingidae; ''Manduca quinquemaculata'' (Haworth, 1803) provavelmente, uma lagarta do tomateiro. O texto descritivo refere-se a uma lagarta de “cor verde elegante, com pontinhos transversais pretos e linhas brancas, entre duas quaisquer dobras laterais”. Sua provável representação nos L.P. está na p.163, n0 2, (v.1).}} {{ad|'''760 – “Formica”;''' Hymenoptera; Formicidae; ''Atta cephalotes'' (L., 1758), como identifica Lane (1942) referindo-se a Lineu que a descreveu originalmente como ''Formica cephalotes''. Sua provável representação nos L.P. está na p.114, n0 2 (v.2), onde é denominada de “Içaúba”. Esta representação também corresponde à formiga descrita como “Cupia”.}} {{ad|'''769 – “Mberuobi”;''' Diptera; Calliphoridae; ''Cochliomya macellaria'' (Fabricius, 1775), como identifica Nomura (1996, p.278), baseado na descrição que pela cor auriverde é mais provável tratar-se de uma “mosca varejeira”; segundo Lane (1942) seria possível identificá-la como ''Ornidia obesa'' (Fabricius, 1775), um Syrphidae, onde as “quatro asas” do texto, poderiam ser interpretadas como as duas verdadeiras mais as calíptras. Sua provável representação nos L.P. está na p.116 (v.2), na posição inferior da página, onde é denominada de “Mberuobí”.}} {{ad|'''774 – “Jacatinga”;''' Odonata; Libelullidae; ''Orthemis discolor'' (Burmeister, 1839) é a primeira espécie. O texto descritivo é curioso e revela a observação do inseto no campo. A descrição de Marcgrave na edição brasileira é a seguinte:}} Inseto que aparece com freqüência nos jardins, bosques e campos, nos meses chuvosos. Tem dois dedos de comprimento, a cabeça como os olhos tem o tamanho<noinclude>{{rule}} {{smallrefs}} {{rh|Episteme, Porto Alegre, v.13, n. 27, p. 141-166, jan./jun. 2008.||151|borda_inferior=1|borda_superior=1}}</noinclude> 2vtrpojt196nj998mh6vh2x4wcwt3cu Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/1 106 257186 563495 561277 2026-09-21T13:51:02Z Pimfa 41224 /* Validada */ 563495 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Pimfa" /></noinclude>[[File:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886) (page 1 crop).jpg|centro|400px]] {{nop}}<noinclude></noinclude> 7w37xgss7va9qa75li848411a7veqwv Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/6 106 257192 563546 561283 2026-09-21T14:03:22Z Pimfa 41224 /* Validada */ 563546 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Pimfa" /></noinclude>{{rh||Typ das Horas Romanticas — Rua da Alalaya, 40 a 52, Lisboa|borda_superior=sim}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 4q6dbumnoc0vtk6oz5aewg6rpaun0kp Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/5 106 257193 563489 561285 2026-09-21T13:50:08Z Pimfa 41224 /* Validada */ 563489 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Pimfa" /></noinclude>{{c| '''GRANDE EDIÇÃO POPULAR''' {{sc|das}} VIAGENS MARAVILHOSAS AOS MUNDOS CONHECIDOS E DESCONHECIDOS {{Linha customizada|sp|10|lzt|60|sp|10}} '''JULIO VERNE''' {{rule|3em}} {{xx-larger|{{lsp||'''A VOLTA DO MUNDO'''}}}} {{dhr}} {{smaller|{{lsp||{{sc|em}}}}}} {{dhr}} {{larger|OITENTA DIAS}} {{dhr}} {{c|{{smaller|TRADUÇĀO DE}}}} {{dhr}} {{c|A. M. DA CUNHA E SÁ}} {{dhr|4}} {{rule|10em}} TERCEIRA EDIÇÃO {{rule|10em}} }} {{Imagem float-p |file=Logo da Empresa Horas Românticas (1881).png |width=125px |align=center |padt=4em |padb=4em }} {{c| '''LISBOA''' DAVID CORAZZI, EDITOR {{smaller|EMPREZA HORAS ROMANTICAS}} {{smaller|Premiada com medalhas de ouro na Exposição do Rio de Janeiro<br>e na da Sociedade Giambattista Vico de Napoles<br>Administração: — Rua da Atalaya, 40 a 52}} Filial no Brazil: — 38, Rua da Quitanda, Rio de Janeiro 1886 }} {{nop}}<noinclude></noinclude> 2jwb9c1njty3jsmchyx2giddvz4ypml Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/8 106 257194 563554 561286 2026-09-21T14:05:52Z Pimfa 41224 /* Validada */ 563554 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Pimfa" /></noinclude><div style="width:500px;margin:0 auto"> [[File:'Around the World in Eighty Days' by Neuville and Benett 22.jpg|centro|400px]] {{dhr}} <small> {{rh|A volta do mundo em oitenta dias||Typ. — Rua da Atalaya, 40 a 52, Lisboa}}</small> {{dhr}} {{c|Passepartout nāo teve o menor susto}} </div> {{nop}}<noinclude></noinclude> cev26e0fgxm5mzimwwag7fzc60t3rv1 Página:Júlio Verne - À Roda da Lua (1886).pdf/200 106 257221 563589 561334 2026-09-21T14:20:18Z Veryfiner 43849 563589 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|192|{{sc|á roda da lua}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>O projectil soffreu um certo abalo que se communicou muito<br> sensivelmente ao interior. Os tres amigos olhavam, escutavam sem ouvir, respirando<br> apenas. No meio dʼaquelle absoluto silencio podia ouvir-se-<br> lhes palpitar o coraçāo. — Entāo caimos ? perguntou Miguel Ardan. — Nāo, respondeu Nicholl, visto a culatra do projectil nāo se<br> ter voltado para o disco lunar ! Nʼaquelle momento Barbicane, abandonando a vidraça da vi-<br> gia, voltou-se para os companheiros. Estava horrivelmente pal-<br> lido, com a fronte enrugada e os labios contraidos. — Caimos sim! disse. — Ah ! exclamou Miguel Ardan, para a Lua? — Nāo, para a Terra! respondeu Barbicane. — Diabo! exclamou Miguel Ardan, e acrescentou philoso-<br> phicamente: — Bom! nós tambem, quando entrámos nʼesta bala, já tinha-<br> mos sobejas rasōes para suspeitar que nāo seria facil de cá<br> sair. Com effeito começava aquella tremenda quéda. A velocidade<br> que o projectil conservava, arrastára-o alem do ponto neutro,<br> e a explosāo dos foguetes nāo lográra tolher-lhe o passo. Aquel-<br> la velocidade que na ida arrastára o projectil para fóra da li-<br> nha neutra, tambem no regresso o arrastava. Era consequencia<br> das leis physicas que o projectil na orbita elliptica ''tornasse a''<br> ''passar por todos os pontos por onde já passára''. Era uma quéda terrivel, de setenta e oito mil leguas de al-<br> tura, que nenhumas molas podiam amortecer. O projectil havia de incidir na Terra, em virtude das leis da<br> balistica, com uma velocidade igual á que o animava ao sair<br> da columbiada, isto é, com uma velocidade de «dezeseis mil<br> metros no ultimo segundo !» Ministremos um termo de comparaçāo. Está calculado que<br> um objecto arremessado do alto das torres de Notre-Dame, cuja<br> altitude é apenas de duzentos pés, chega ao chāo com uma ve-<br> locidade de cento e vinte leguas por hora. E no nosso caso o<br><noinclude></noinclude> fd3xhm8fefphhpzjqvftkve1q7hj9wh Página:Pégadas.pdf/7 106 257429 563514 562071 2026-09-21T13:55:58Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563514 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{Espacejamento de letra||PÉGADAS}}|fs=200%}}<noinclude></noinclude> s3crwckjn02e6kbafxszvgzhvq3e7i5 Página:Pégadas.pdf/14 106 257434 563535 561963 2026-09-21T14:00:23Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563535 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>Nem todos os contos de que se compõe esta obra são agora reunidos em volume pela primeira vez; dentre elles alguns, quasi a metade, figuraram já, na sua primitiva fôrma, em outro livro que publiquei com o titulo « Demônios » por intermédio da extincta casa edictora Teixeira Irmão, de São Paulo. Faço esta singella declaração para que não chegue o leitor a imaginar que tivemos, o meu illustre edtor e eu, a intenção pouco desculpável de impingir-lhe fazenda velha por nova. {{d|O AUCTOR}}.<noinclude></noinclude> 4bj57fsayukgv4my9117m2xnwk2xqd9 Página:Pégadas.pdf/15 106 257436 563553 562074 2026-09-21T14:05:46Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563553 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{Espacejamento de letras||VICIOS}}|fs=150%}}<noinclude></noinclude> eiyk4runb2d4iwccup7sm8295jwja1q Página:Pégadas.pdf/17 106 257442 563559 562060 2026-09-21T14:06:58Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563559 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{C|VICIOS}} {{traço}}</noinclude>Tarde de inverno. Ouvia-se o relógio palpitar soturnamente, ao fundo da longa sala e ouvia-se o çrepitar das azas de um insecto que se debatia contra as vidraças de uma janella fechada. A casa, na sua adormecida opulencia coberta de pó, tinhaum duro e profundo aspecto de tristeza. Dous homens, pae e filho, um eternamente irresponsável e criança, apezar das suas rugas e dos seus cabellos falsamente negros, o outro já desilludido e velho, a despeito dos seus miseraveis vinte e poucos annos; ambos cançados, ambos tristes, ambos inuteis e vencidos, quedavam-se, sem animo para mais nada, assentados um defronte do outro, olhando o espaço, como que vegetalisados ambos por um só e mesmo tédio, por um só e mesmo desgosto de existir, por uma só e mesma preguiça de viver.<noinclude></noinclude> 2hkhqw9mosbl1bem3yztpizdbr6p7si 563579 563559 2026-09-21T14:15:22Z Épico 12904 563579 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{xx-maior|INVEJA}}}} {{EspV|140%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|200%}} Tarde de inverno. Ouvia-se o relógio palpitar soturnamente, ao fundo da longa sala e ouvia-se o çrepitar das azas de um insecto que se debatia contra as vidraças de uma janella fechada. A casa, na sua adormecida opulencia coberta de pó, tinhaum duro e profundo aspecto de tristeza. Dous homens, pae e filho, um eternamente irresponsável e criança, apezar das suas rugas e dos seus cabellos falsamente negros, o outro já desilludido e velho, a despeito dos seus miseraveis vinte e poucos annos; ambos cançados, ambos tristes, ambos inuteis e vencidos, quedavam-se, sem animo para mais nada, assentados um defronte do outro, olhando o espaço, como que vegetalisados ambos por um só e mesmo tédio, por um só e mesmo desgosto de existir, por uma só e mesma preguiça de viver.<noinclude></noinclude> 41pvzak6wmdv3og31cfzpeyfdoy3nlh 563580 563579 2026-09-21T14:15:37Z Épico 12904 563580 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{xx-maior|VICIOS}}}} {{EspV|140%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|200%}} Tarde de inverno. Ouvia-se o relógio palpitar soturnamente, ao fundo da longa sala e ouvia-se o çrepitar das azas de um insecto que se debatia contra as vidraças de uma janella fechada. A casa, na sua adormecida opulencia coberta de pó, tinhaum duro e profundo aspecto de tristeza. Dous homens, pae e filho, um eternamente irresponsável e criança, apezar das suas rugas e dos seus cabellos falsamente negros, o outro já desilludido e velho, a despeito dos seus miseraveis vinte e poucos annos; ambos cançados, ambos tristes, ambos inuteis e vencidos, quedavam-se, sem animo para mais nada, assentados um defronte do outro, olhando o espaço, como que vegetalisados ambos por um só e mesmo tédio, por um só e mesmo desgosto de existir, por uma só e mesma preguiça de viver.<noinclude></noinclude> 34y1h7b8ch1rxnvrl0deidks2ay310w Página:Pégadas.pdf/13 106 257443 563526 562238 2026-09-21T13:58:53Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563526 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|'''ALUIZIO AZEVEDO'''|fs=125%}} {{EspV}} {{linha horizontal|6em}} {{EspV}} {{C|style=font-family:serif;|'''PÉGADAS'''|fs=300%}} {{EspV}} {{linha horizontal|5em}} {{C| VICIOS — ULTIMO LANCE<br /> O IMPENITENTE — PELO CAMINHO — RESPOSTA<br /> HERANÇAS — A SERPENTE — NO MARANHÃO<br /> FÓRA DE HORAS — INVEJA — DEMÔNIOS — DAS NOTAS<br /> DE UMA VIUVA — INSEPULTOS<br /> O MADEIREIRO — MUSCULOS E NERVOS. |fs=90%}} {{linha horizontal|7em}} {{C| '''RIO DE JANEIRO'''<br /> '''H. GARNIER, LIVREIRO-EDITOR'''<br /> 71, RUA MOREIRA-CESAR, 71<br /> e<br /> 6, RUE DES SAINTS-PÈRES, 6<br /> '''PARIS'''<br /> Ficam reservados todos os direitos de propriedade.}}<noinclude></noinclude> kciafjhcfcn7lx3gqc14n0428ew63x5 Página:Pégadas.pdf/18 106 257444 563606 562040 2026-09-21T14:33:54Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563606 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho|4|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>Sentia-se desconsoladamente que naquellas escuras paredes sobrecobertas de ennegrecidos painéis e desbotadas tapeçarias e naquelle tecto de estuque já sem côr e naquelles dourados moveis despolidos pelo tempo, ha muito não echoavam rir e palrear de crianças ou alegres vozes de família. Apezar dos dous espectros de homem que lá permaneciam immoveis, a casa toda parecia totalmente deshabitada. O velho de cabellos tintos levantou-se afinal, bocejando, deu como um somnambulo algumas tropegas voltas pelo aposento, tomou um calice de cognac da frasqueira que havia a um canto sobre um tremó antigo, accendeu um cigaro e encaminhou-se lentamente para o outro, a quem tocou no hombro. — Então?... disse, parando defronte delle. O rapaz fixpu-o com o seu indifferente olhar de enfermo sem cura, e balbuciou supplicante : — Prepara-me uma, injecção de morphina... Sim? — Não! — Ora! — Não é possível, meu filho,.. — Por amor de Deus! — Não. Só logo mais, quando eu voltar. O moço contrahiu afflictivamente o rosto, em cópia de toda a sua dolorida contrariedade; e abateu-se mais na cadeira, deixando pender a<noinclude></noinclude> 43j5p2vjvyfm8ecyfwj5y086zb5atkq Página:Pégadas.pdf/8 106 257445 563524 562045 2026-09-21T13:58:01Z MMIRENE 43852 /* Revista */ 563524 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|DO MESMO AUTOR|fs=125%}} {{linha horizontal|4em}} {{C|ROMANCES}} {{Tabela alinhada |cols=4 |style=max-width:38em;width:100%;margin:0 auto; |col1align=left |col2align=right |col3align=left |col4align=left |{{sc2|[[O Mulato]]}} |1 |vol. in-8º. |Nova edição. |{{sc2|[[Casa de Pensão]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[O Coruja]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[O Homem]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[O Cortiço]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[Memorias de um Condemnado]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[Philomena Borges]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[Uma Lagrima de Mulher]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[A Mortalha de Alzira]]}} |1 |» |» |{{sc2|[[Mysterio da Tijuca]]}} |1 |» in-4º |» |{{sc2|[[Livro de uma Sogra]]}} |1 |» in-8º |» }} {{C|NOVELLAS E CONTOS}} {{Tabela alinhada |cols=3 |style=max-width:38em;width:100%;margin:0 auto; |col1align=left |col2align=right |col3align=left |{{sc2|Demonios.}} |1 |vol. in-8º. |{{sc2|Pegadas}} |1 |» }} {{C|THEATRO}} {{Tabela alinhada |cols=2 |style=max-width:38em;width:100%;margin:0 auto; |col1align=left |col2align=left |{{sc2|O Mulato}} |Dram. 3 ac. Rep. no th. ''Recreio Dramatico''. |{{sc2|Os Sonhadores}} |Com. 3 ac. Rep. no th. ''Sant'Anna'' com o titulo ''Macaquinhos no sotão''. |{{sc2|Philomena Borges.}} |Com. 1 ac. Rep. no th. ''Principe Imperial''. |{{sc2|Casa de Orates}} |Com. 3 ac. coll. com Art. Azevedo. Rep. no th. ''Sant'Anna''. |{{sc2|Flôr de Liz}} |Op. 3 ac. coll. com Art. Azevedo. Rep. no th. ''Sant'Anna''. |{{sc2|Fritzmack.}} |Rev. de anno. coll. com Art. Azevedo. Rep. no th. ''Variedades''. |{{sc2|A Republica.}} |Rev. de anno. coll. com Art. Azevedo. Rep. no th. ''Variedades''. |{{sc2|Venenos que curam.}} |Com. 4 ac. coll. com E. Rouede. Rep. no th. ''Lucinda''. |{{sc2|O Caboclo}} |Dram. 3 ac. coll. com E. Rouede. Rep. no th. ''Sant'Anna''. |{{sc2|Um caso de adulterio.}} |Dram. 3 ac. coll. com E. Rouede. Rep. no th. ''Lucinda''. |{{sc2|Em flagrante}} |Com. 1 ac. coll. com E. Rouede. Rep. no th. ''Lucinda''. }}<noinclude></noinclude> exiz5ome29myuwuyyyg33qegr556vbf Página:Pégadas.pdf/19 106 257460 563607 562032 2026-09-21T14:34:20Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563607 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho||VICIOS|5|borda_inferior=sim}}</noinclude>cabeça sobre o peito e abandonando os braços ao próprio peso. — Sentes-te mal hoje? perguntou o pai. O interrogado sacudiu os hombros indifferentemente, sem levantar o rosto. Pobre criança!... pensou aquelle, refranzindo as rugas da sua marmorea e despojada fronte de velho folgazão. Muito caro pagas tu a minha loucura de te haver dado a vida!... Maldicta hora em que consenti, por conveniencias de fortuna, me casassem com tua mãe!... O enfermo, como se lhe percebera o pensamento, ergueu os olhos para fixar os do pae; e este accrescentou, agora fallando: — Que falta te fez ella na infancia!... tua mãe! O moço deu de hombros outra vez com a mesma desdenhosa indifferença. — Minha mãe... tartamudeou depois, pondo-se a olhar um retrato de mulher que havia na sala. Minha mãe... sei cá!... Nem sequer a conheci! E, insistindo em contemplar o retrato, disse ainda com um suspiro bocejado: — Era bem bonita minha mãe!... — Bonita e boa! Não serias, talvez, assim inutil e perdido para a vida, se nos teus primeiros annos ella te inoculasse no espirito, com o seu amor, as idéas do Bem, que eu nunca tive! E proséguiu, depois de sorver de um trago um novo calice de cognac :<noinclude></noinclude> 69byq953ps4bwe68u6k60rxktlgv63w Pégadas/Vícios 0 257464 563893 562052 2026-09-22T00:31:03Z Épico 12904 563893 wikitext text/x-wiki <pages index="Pégadas.pdf" from="17" to="26" header="1" /> 351upeeswmn0pgv6adnosz0rj57wvpc Página:Pégadas.pdf/20 106 257465 563608 562056 2026-09-21T14:34:49Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563608 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho|6|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>— Era uma boa creatura; era, não ha duvida! Honesta, friamente virtuosa, muito discreta e concentrada. Não sei se algum dia me amou, casou-se por obediencia aos paes, foi sempre em absoluto indifferente ás minhas caricias como ás irregularidades da minha má conducta de homem casado! Mas, quem sabe, se ella não morresse logo depois do parto, se te não deixasse tão cedo sósinho commigo; quem sabe o que poderias vir a ser?... A nossa riqueza, o meu temperamento leviano e a educação ociosa e galante que me deram, tudo isso, meu pobre filho, conspirou contra ti e fez de teu pae o peior que até hoje existiu no mundo!... O rapaz sacudiu novamente os hombros, com desprezo, emquanto o outro ia ainda exgotar um calice de cognac á garrafeira do tremó. — Ah! se ella não tivesse morrido tão cedo!... exclamou o velho estroina, lamentosamente. E accrescentou, como se precisasse descarregar a consciencia n'uma humilhante confissão de todo o seu crime paterno; — Vê tu que desgraça! Fui eu, eu só, o teu exemplo na infancia, o teu guia, o teu mestre — eu! Eu, que jamais comprehendi deveres de especie alguma, nem tive nunca esperanças no futuro, nem ambições de qualquer genero, nem ao menos confiança e fé na familia ou em Deus! Sei que sou homem, porque ás vezes soffro! O companheiro fiel que me seguiu pela existencia, meu filho, não foste tu, nem foi tua<noinclude></noinclude> idsnpms9wwn17rg8avz38u19rk4sm0z Página:Pégadas.pdf/21 106 257466 563618 562058 2026-09-21T14:40:08Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563618 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho||VÍCIOS|7|borda_inferior=sim}}</noinclude>mãe ou algum amigo extremecido, foi a forte paixão pelos meus proprios vicios; e, na ausencia destes, foi só o tedio que enxerguei sempre ao meu lado. Ah! como tenho remorsos de te haver feito viver!... Como fui mau, principalmente com relação a ti!... — É exacto! suspirou o filho. — Como sou um pae digno da tua inutilidade e da tua degeneração! Como tu, pobre esqueleto gottoso, és bem o filho dos meus ossos! E, depois de outro calice de cognac, o velho começou a declamar, em uma explosão nervosa, agitando os braços e dando á voz inflexões theatraes: — Fui na existencia um navio inutil, sem carga, sem destino, sem bandeira e sem munições para nenhum combate! Vaguei, errante e perdido, por todos os mares largos do vicio, succudido por todas as tempestades e por todos os vendavaes da intemperança e da luxuria! Cheguei á velhice como um casco naufragado, com a mastreação partida, as enxarcias estaladas e o cavername arrebentado! Eis o que sou! O filho afastou-o com a mão, enfastiadamente, a torcer o rosto afflicto em um esgar de repugnancia. — Vae-te embora!... murmurou. Já estás bebêdo!... — E é este despojo, continuou a declamar o pae, sem levar em conta aquellas palavras; e é<noinclude></noinclude> qk60yc6d2qcnks2yup1xepfb90j2xnx Página:Pégadas.pdf/22 106 257467 563619 562061 2026-09-21T14:40:36Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563619 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho|8|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>este resto de naufragio que ha vinte annos representa para ti, minha querida victima, todo o teu passado e toda a tua familia!... Oh! sem duvida que não serias isso que ahi está prostrado nessa cadeira, a implorar por amor de Deus uma injecção de morphina, se fosses gerado por qualquer outro homem!... Perdôa-me ter sido eu o teu pae, meu filho! — Mas, vae-te embora! Vae-te embora, por piedade! Para que me has de torturar?! — Amo-te entretanto, pobre criança! sempre te amei! O meu amor, porém, nunca te serviu de beneficio; fez-te, ao contrario, caminhar até hoje pela minha mão no sombrio e humido caminho da minha loucura, sem me lembrar, desgraçados de nós! que não tinhas tu herdado de mim, como eu herdei de meu pai, a resistencia physica que elle economisára durante a sua vida e que eu prodigamente gastei toda inteira, só commigo, nos meus prazeres egoistas! — Mas, vae-te embora! São quatro horas. A primeira banca principia no Club ás quatro e meia! Vae-te embora! Vae jogar! — Queres tu vir commigo..? — Não. — Vê se te resolves... Talvez até isso te faça bem... — Não posso... Sinto-me mal. — Como tens um pae differente do pae que eu tive!... Aquelle que alli está naquelle quadro,<noinclude></noinclude> n2gofnjvo44zd1f3h77whg21em4yedd Página:Pégadas.pdf/23 106 257468 563621 562062 2026-09-21T14:41:06Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563621 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho||VÍCIOS|9|borda_inferior=sim}}</noinclude>ao lado de tua avó, ah! esse um homem!... — Não recomeces por amor de Deus! Vae-te embora! — Aquelle não conhecia tedios, nem fastios! Não tinha vicios! Trabalhou toda a vida! Triplicou a fortuna que herdou, e que eu desbaratei antes dos trinta annos! Era um justo! — Já sei de tudo isso! já m'o disseste mil vezes! Vae-te embora! Vae-te embora, se me não queres ver disparatar. — Se eu tivesse ao menos amado tua mãe... é possivel, se assim fosse, que te salvasses!... E como merecia ella ser amada!... a infeliz senhora!... Ah! se a conhecesses, meu filho!... (E a voz do miseravel começou a estalar, ameaçando abrir em soluços.) Era uma santa creatura! Fria, indifferente, mas resignada e casta!... Imagina que eu... O outro, porém, ergueu-se possesso e começou a agitar-se por toda a sala, bradando desabridamente: — Mas que mal fiz eu para me torturarem deste modo?! — Acalma-te! Acalma-te! — Arre! É muito! É demais! — Acalma-te, meu filho! — Acalmar-me, é boa! Já me não posso conter! Era isso que querias?! Pois aqui o tens! Daqui a pouco estou por terra, espumando!<noinclude></noinclude> mmfte0uljkc68djb9jhemg9w0qljy45 Página:Pégadas.pdf/24 106 257469 563624 562063 2026-09-21T14:43:41Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563624 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho|10|VÍCIOS||borda_inferior=sim}}</noinclude>— Não! Não te apoquentes! Saio já! Saio immediatamente!... — Agora! Agora pouco me importa que saias ou não! O que eu não queria era cahir neste estado! Vê como tremo todo! Olha como tenho já a lingua! Olha para as minhas mãos! — Vê se socegas!... — Que inferno! Que inferno! bramiu o moço. E, depois de puxar pelos cabellos e bater contra a cabeça os punhos contrahidos, exclamou, de braços e olhos arrancados para o tecto: — Mas, meu Deus! meu Deus! porque me fizeram viver?! Que espirito cruel me chamou a esta vida de lama, sem indagar se eu tinha forças para arrastal-a pelo mundo?! Porque me entalaram nesta prisão que me dóe, onde meu pobre espirito offega opprimido e a minha carne geme e os meus ossos estalam?! E para que me deixaram cá dentro do barro podre deste corpo só prestavel para doer, esta maldicta consciencia que marca os segundos da minha agonia como um relogio de medico; esta enfermeira coberta de lucto que ronda a minha insomnia e pesa a minha incalculavel miseria, gramma a gramma, n'uma balança de hospital?! Porque?! Porque?! Que mal fiz eu ao mundo, meu Deus?! Amaldiçoados sejam os creadores de existencias e mais os seus agentes e os seus cumplices! Amaldiçoado sejas tu, velho libertino! — Meu filho!...<noinclude></noinclude> jqshj8v5nnunh542rhxomr8d8io8jws Página:Pégadas.pdf/25 106 257470 563627 562065 2026-09-21T14:44:33Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563627 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho||{{sic|ULTIMO LANCE|VICIOS}}|11|borda_inferior=sim}}</noinclude>— Vae-te para o diabo! Se ao menos pudesse eu matar-me! Mas o covarde instincto da vida agarra-me torpemente a esta carcaça epileptica e leva-me de bruços pela existencia, como a lesma rastejando na propria baba!... — Acalma-te, meu filho! — Mostra-me então o meu logar nesse alegre banquete, do qual nunca te levantaste! Mostra-me o meu talher e o meu copo! Aponta-me a cama da mulher que tenha labios e braços para me amar! Vamos! O que é do meu quinhão? Devoraste-m'o tu, Falstaff! Choras, hein? mas choras repleto e ainda não saciado! Choras, bem vejo! mas tens rido a vida toda com todas as dissolutas que topaste no caminho! tens palpitado de commoção em todas as bancas de azar! tens te embriagado com todos os vinhos que existem na terra! E continuas a beber, a fumar, a viver noites inteiras no amor e no jogo; e eu?! O que foi que eu gozei até agora?! Deste-me para ama de leite uma das tuas cumplices venereas! desmamaste-me a cognac! levaste-me ainda criança a todos os logares em que te corrompeste! fizeste-me, na edade em que se aprendem as orações, fumar e beber para divertir os teus companheiro de libertinagem e fizeste-me macaquear os libertinos para servir de histrião ás tuas prostitutas! És um monstro! Sahe da minha presença ou eu te mato! — Não! não, meu filho, não quero que fiques<noinclude></noinclude> nmlgjptm8ajohk63gbk836gfe05g31w Página:Pégadas.pdf/26 106 257471 563628 562066 2026-09-21T14:45:18Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563628 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" />{{cabeçalho|12|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>mal commigo!... Não ficarás! Aqui tens morphina! — Morphina?! Ah! dá m'a! d'á-m'a! Perdôo te tudo! Como és bom! como és bom, meu pae! Muito obrigado!<noinclude></noinclude> q9pfd7kyzagj75vmm2z683m7knl2m12 Página:Pégadas.pdf/27 106 257472 563629 562073 2026-09-21T14:45:36Z MMIRENE 43852 /* Validado */ 563629 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{Espacejamento de letra||ULTIMO LANCE}}|fs=150%}}<noinclude></noinclude> c6fkhex7idzq6xvpq4ejvfkaknqcwsp Página:Pégadas.pdf/29 106 257476 563582 562084 2026-09-21T14:16:53Z Épico 12904 563582 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{xx-maior|ULTIMO LANCE}}}} {{EspV|140%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|200%}} Dez luizes!... Era tudo que lhe restava!... Eram as ultimas moedas da larga e velha herança que até a elle chegára, escorrendo sonoramente, de degrau em degrau, por uma nobre escadaria de avós. Dez luizes!... E D. Filippe, depois de agitar na mão fidalga, as derradeiras moedas de ouro, encaminhou-se lentamente para o logar que meia hora antes havia abandonado á banca da roleta. De pé, apoiado ao espaldar da sua cadeira ainda vazia, deixou cahir sobre o taboleiro verde o seu frio olhar indifferente e altivo. Os numeros desappareciam afogados no ouro e na prata dos outros jogadores. Permaneceu immovel por longo tempo, sem ver o que olhava. Seus sentidos estavam de todo<noinclude></noinclude> rpt8n7u6ky93a586d6ske9l6dd2ep2s Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/12 106 257522 563597 562142 2026-09-21T14:24:34Z A.g.mateus 43845 /* Validada */ 563597 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="A.g.mateus" />{{rvh|8|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>membros. De vinte e quatro horas, passava dez em casa, fôsse para dormir, fôsse para cuidar da sua ''toilette''. Quando passeava, era invariavelmente em passo igual, na sala de entrada com sobrado embutido, ou na galeria circular, por sobre a qual se arredonda um zimborio com vidros azues, sustentado por vinte columnas jonicas de porphyro vermelho. Ao almoço e ao jantar eram as cosinhas, a despensa, a copa, o mercado habitual do club que forneciam á sua mesa os succulentos manjares ; eram os creados do club, personagens de grave aspecto, trajando casaca preta, calçando sapatos palmilhados de baetilha, que o serviam em porcelana escolhida e em admiravel roupa de linho de Saxe; eram os cristaes do club, de caprichoso modelado, que continham o seu ''sherry'', o seu Porto, o seu ''claret'' com mistura de avenca e cinnamomo; era finalmente o gelo do club,— gelo trazido com immensas despezas dos lagos da America— que lhe conservavam os liquidos de que se servia em estado de agradavel frescura. Se o viver em taes condiçōes é, segundo a expressȃo ingleza, uma excentricidade, confessemos que o ser excentrico nāo é das cousas peores! Sem ser sumptuosa a casa de Saville-row, tornava-se recommendavel pelas suas grandes commodidades. Alem dʼisso, em rasāo dos habitos regulares do morador, ali o serviço reduzia-se a cousa pouca. Entretanto, Phileas Fogg exigia do seu unico creado uma pontualidade, uma regularidade extraordinarias. Nʼaquelle mesmo dia, 2 de outubro, Phileas Fogg despedira James Forster,— porque o moço commettéra a falta de lhe trazer para a barba agua a oitenta e quatro graus marcados pelo thermometro Fahrenheit em vez de oitenta e seis como devéra ser, — e esperava o creado successor, que devia apresentar-se das onze horas para as onze e meia. Phileas Fogg, muito bem sentado no seu ''fauteil'', os pés juntos como um soldado em fórma, as māos apoiadas nos joelhos, grave, aprumado, a cabeça levantada, observava o andamento do ponteiro da sua pendula, — complicadissimo apparelho que indicava as horas, os minutos, os segundos, os dias, a data do<noinclude></noinclude> 45v11u86mv0nn4yccg0kdoalimnr2gv Página:Pégadas.pdf/5 106 257581 563512 562245 2026-09-21T13:55:25Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563512 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="MMIRENE" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|'''ALUIZIO AZEVEDO'''|fs=125%}} {{EspV|150%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|250%}} {{C|style=font-family:serif;|{{espacejamento de letras||'''PÉGADAS'''}}|fs=300%}} {{EspV|150%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|150%}} {{C| VICIOS — ULTIMO LANCE<br /> O IMPENITENTE — PELO CAMINHO — RESPOSTA<br /> HERANÇAS — A SERPENTE — NO MARANHÃO<br /> FÓRA D'HORAS — INVEJA — DEMÔNIOS — DAS NOTAS<br /> DE UMA VIUVA — INSEPULTOS<br /> O MADEIREIRO — MUSCULOS E NERVOS |fs=90%}} {{EspV|150%}} {{linha horizontal|5em}} {{EspV}} {{C|'''NOVA EDIÇÃO'''|fs=110%}} {{EspV}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|400%}} {{C| '''RIO DE JANEIRO'''<br /> '''H. 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Recebei no vosso perdão o esfôrço do escolhido por vós para único discípulo; daquele que nêste momento de martírio muito a medo inda vos chama o seu Guia, o seu Mestre, o seu Senhor. Mario de Andrade 14 de DEZEMBRO de 1921 S$. PAULO<noinclude></noinclude> 7jl3bomkw65wiqw0x45nhozdrc65p4k 563408 563404 2026-09-21T13:21:41Z Leppakertu 43853 563408 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Leppakertu" /></noinclude>A MARIO DE ANDRADE Mestre querido. Nas muitas horas breves que me fizestes ganhar a vosso lado dizieis da vossa confiança pela arte livre e sincera... Não de mim, mas de vossa experiéncia recebi a coragem da minha Verdade eo orgulho do meu Ideal. Permiti-me que ora vos oferte êste livro que de vós me veio. Prouvera Deus! nunca vos perturbe a dúvida feroz de Adriano Sixte... Mas não sei, Mestre, si me perdoareis a distância mediada entre êstes poemas e vossas altíssimas lições... 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Recebei no vosso perdão o esfôrço do escolhido por vós para único discípulo; daquele que nêste momento de martírio muito a medo inda vos chama o seu Guia, o seu Mestre, o seu Senhor. Mario de Andrade 14 de DEZEMBRO de 1921 S. PAULO<noinclude></noinclude> kzfcu834f7cwyxryf7cyi1gp4h9o6le Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/9 106 257622 563391 563285 2026-09-21T13:15:36Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563391 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|'''Prefácio Interessantíssimo'''}} </div> <div style="text-align:right"> {{smaller|''« Dans mon pays de fiel et d'or j'en suis la loi »''<br>{{small caps|E. Vernhaeren}}}} {{dhr}} {{rule|3em}} </div> <div style="text-align:left"> ''Leitor:'' Está fundado o Desvairismo <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Este prefácio, apesar de interessante, inútil. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão prazer em descobrir minhas conclusões, {{nop}} </div> </div><noinclude></noinclude> 3npc13lauzqtb1zf1duho0diqmsshav 563447 563391 2026-09-21T13:38:15Z Elsa de Brabrante 43846 /* Validada */ 563447 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Elsa de Brabrante" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|'''Prefácio Interessantíssimo'''}} </div> <div style="text-align:right"> {{smaller|''« Dans mon pays de fiel et d'or j'en suis la loi »''<br>{{small caps|E. 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Para quem me regeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. D’aí a razão dêste Prefácio Interessantíssimo. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Aliás muito difícil nesta prosa saber onde termina a ''blague'', onde principia a seriedade. Nem eu sei. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> E desculpe-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos actuais. Sou passadista, {{nop}} </div><noinclude></noinclude> gxavysq8ogekvtwuhahpj4o36qug57s 563439 563396 2026-09-21T13:35:24Z Leppakertu 43853 /* Validada */ 563439 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> confrontando obra e dados. Para quem me regeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para justificar o que escrevi. D’aí a razão dêste Prefácio Interessantíssimo. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Aliás muito difícil nesta prosa saber onde termina a ''blague'', onde principia a seriedade. Nem eu sei. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> E desculpe-me por estar tão atrasado dos movimentos artísticos actuais. 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Na escultura Rodin é ruim, os imaginários africanos são bons. Os músicos despresam Debussy, genuflexos deante da polifonia catedralesca de Palestrina e João Sebastião Bach. A poesia... « tende a despojar o homem de todos os seus {{nop}} </div><noinclude></noinclude> t8i9nzcb46e4npggzw7pa4fq3fzgr2n 563544 563400 2026-09-21T14:02:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563544 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor dêste livro seria hipócrita si pretendesse representar orientação moderna que ainda não compreende bem. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Livro evidentemente impressionista. Ora, segundo modernos, êrro grave o Impressionismo. Os arquitectos fogem do gótico como da arte nova, filiando-se, para alem dos tempos históricos, nos volumes elementares: cubo, esfera, etc. Os pintores desdenham Delacroix como Whistler, para se apoiarem na calma constructiva de Rafael, de Ingres, do Grecco. Na escultura Rodin é ruim, os imaginários africanos são bons. Os músicos despresam Debussy, genuflexos deante da polifonia catedralesca de Palestrina e João Sebastião Bach. A poesia... « tende a despojar o homem de todos os seus {{nop}} </div><noinclude></noinclude> jlvek6si006gi8171603g8ezqnntq6g Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/12 106 257633 563388 562347 2026-09-21T13:13:42Z Joanacvp 43851 563388 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Didacus21" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> aspectos contingentes e efêmeros, para apanhar nele a humanidade »... Sou passadista, confesso. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « Este Alcorão nada mais é que uma embrulhada de sonhos confusos e incoerentes. Não é inspiração provinda de Deus, mas criada pelo autor. Maomé não é profeta, é um homem que faz versos. Que se apresente com algum sinal revelador do seu destino, como os antigos profetas ». Talvez digam de mim o que disseram do criador de Alá. Differença cabal entre nós dois: Maomé apresentava-se como profeta; julguei mais conveniente apresentar-me como louco. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Você já leu São João Evangelista? Walt Whitman? Mallarmé ? Verhaeren ? <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Perto de dez anos metrifiquei, rimei. Exemplo?<noinclude></noinclude> lmvfpzoyo6lb1oj01vjgkiyxu2vf4qh 563410 563388 2026-09-21T13:22:09Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563410 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> aspectos contingentes e efêmeros, para apanhar nele a humanidade »... Sou passadista, confesso. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « Este Alcorão nada mais é que uma embrulhada de sonhos confusos e incoerentes. Não é inspiração provinda de Deus, mas criada pelo autor. Maomé não é profeta, é um homem que faz versos. Que se apresente com algum sinal revelador do seu destino, como os antigos profetas ». Talvez digam de mim o que disseram do criador de Alá. Differença cabal entre nós dois: Maomé apresentava-se como profeta; julguei mais conveniente apresentar-me como louco. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Você já leu São João Evangelista? Walt Whitman? Mallarmé ? Verhaeren ? <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Perto de dez anos metrifiquei, rimei. Exemplo?<noinclude></noinclude> 3xvug3aboo2ms12o0j0dyvj9dv29flp 563415 563410 2026-09-21T13:23:24Z Elsa de Brabrante 43846 /* Revista */ 563415 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> aspectos contingentes e efêmeros, para apanhar nele a humanidade »... Sou passadista, confesso. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « Este Alcorão nada mais é que uma embrulhada de sonhos confusos e incoerentes. Não é inspiração provinda de Deus, mas criada pelo autor. Maomé não é profeta, é um homem que faz versos. Que se apresente com algum sinal revelador do seu destino, como os antigos profetas ». Talvez digam de mim o que disseram do criador de Alá. Differença cabal entre nós dois: Maomé apresentava-se como profeta; julguei mais conveniente apresentar-me como louco. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Você já leu São João Evangelista? Walt Whitman? Mallarmé ? Verhaeren ? <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Perto de dez anos metrifiquei, rimei. Exemplo?<noinclude></noinclude> 62y22jk855apot49l2i4jvzssh5c190 563442 563415 2026-09-21T13:36:21Z Leppakertu 43853 /* Validada */ 563442 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> aspectos contingentes e efêmeros, para apanhar nele a humanidade »... Sou passadista, confesso. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « Este Alcorão nada mais é que uma embrulhada de sonhos confusos e incoerentes. Não é inspiração provinda de Deus, mas criada pelo autor. Maomé não é profeta, é um homem que faz versos. Que se apresente com algum sinal revelador do seu destino, como os antigos profetas ». Talvez digam de mim o que disseram do criador de Alá. Differença cabal entre nós dois: Maomé apresentava-se como profeta; julguei mais conveniente apresentar-me como louco. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Você já leu São João Evangelista? Walt Whitman? Mallarmé ? Verhaeren ? <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Perto de dez anos metrifiquei, rimei. 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Laurindo de Brito, Martins Fontes, Paulo Setubal, embora não tenham evidentemente a envergadura de Vicente de Carvalho ou de Francisca Julia, publicam seus versos. E fazem muito bem. Podia, como êles, publicar meus versos metrificados. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existéncia do artigo e deixei que saisse. Tal foi o escándalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que se discutiriam minhas ideas (que nem são minhas): discutiram minhas intenções. Já agora não me calo. Tanto ridicularizariam meu siléncio como esta grita. </div><noinclude></noinclude> 9qb8hno9rk3g8d8j88fm9laxtpsdded 563455 563422 2026-09-21T13:39:09Z Leppakertu 43853 563455 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> Os snrs. Laurindo de Brito, Martins Fontes, Paulo Setubal, embora não tenham evidentemente a envergadura de Vicente de Carvalho ou de Francisca Julia, publicam seus versos. E fazem muito bem. Podia, como êles, publicar meus versos metrificados. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existéncia do artigo e deixei que saisse. Tal foi o escándalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que se discutiriam minhas ideas (que nem são minhas): discutiram minhas intenções. Já agora não me calo. Tanto ridicularizariam meu siléncio como esta grita. </div><noinclude>12</noinclude> 6apqq0rqn76pdrt2r5ba1rx6gvfk5to 563458 563455 2026-09-21T13:39:53Z Leppakertu 43853 /* Validada */ 563458 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> Os snrs. Laurindo de Brito, Martins Fontes, Paulo Setubal, embora não tenham evidentemente a envergadura de Vicente de Carvalho ou de Francisca Julia, publicam seus versos. E fazem muito bem. Podia, como êles, publicar meus versos metrificados. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existéncia do artigo e deixei que saisse. Tal foi o escándalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que se discutiriam minhas ideas (que nem são minhas): discutiram minhas intenções. Já agora não me calo. Tanto ridicularizariam meu siléncio como esta grita. </div><noinclude>12</noinclude> 6q0sexr8y92gcp2v1sbumdlars8zb96 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/148 106 257636 563739 562351 2026-09-21T15:38:43Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563739 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:center; font-family:serif"> {{x-larger|''Acabou a impressão deste livro,''}} {{dhr}} {{x-larger|''nas officinas da CASA MAYENÇA,''}} {{dhr}} {{x-larger|''Editora,''}} {{dhr}} {{x-larger|''á rua Sto. Antonio n.° 9,''}} {{dhr}} {{x-larger|''na Capital de S. Paulo,''}} {{dhr}} {{x-larger|''aos 21 de Julho do anno de 1922,''}} {{dhr}} {{x-larger|''100.° da Independencia do Brasil.''}} </div><noinclude></noinclude> 7nl0zq4eznuawhju7d5pmy17qi3vdmv 563759 563739 2026-09-21T15:47:32Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563759 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:center; font-family:serif"> {{x-larger|''Acabou a impressão deste livro,''}} {{dhr}} {{x-larger|''nas officinas da CASA MAYENÇA,''}} {{dhr}} {{x-larger|''Editora,''}} {{dhr}} {{x-larger|''á rua Sto. Antonio n.° 9,''}} {{dhr}} {{x-larger|''na Capital de S. 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(quasi a sorrir, dormindo) Eu . .. os desertos... os Caíns... a maldição... {{dhr|3}} {{Bloco direito|(As {{small caps|Juvenilidades Auriverdes}} e {{small caps|Minha Loucura}} adormecem eternamente surdos; enquanto das janelas de palácios, teatros, tipografias, hoteis — escancaradas, mas cegas — cresce uma enorme váia de assovios, zurros, patadas.)}} </poem> {{dhr|4}} <div style="text-align:center"> {{larger|FIM}} {{dhr|4}} {{xxx-larger|'''''LAUS DEO !'''''}} </div><noinclude></noinclude> i5mahim0tjc7ehv561zljglocvvu3zw 563754 563733 2026-09-21T15:44:03Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563754 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> <poem> das florestas sem traições de guaranis ( Depois dormi !) que vôs sepulte a Paz Invulnerável ! Venham os descansos veludosos vestir os vossos membros... Descansai ! (quasi a sorrir, dormindo) Eu . .. os desertos... os Caíns... a maldição... {{dhr|3}} {{Bloco direito|(As {{small caps|Juvenilidades Auriverdes}} e {{small caps|Minha Loucura}} adormecem eternamente surdos; enquanto das janelas de palácios, teatros, tipografias, hoteis — escancaradas, mas cegas — cresce uma enorme váia de assovios, zurros, patadas.)}} </poem> {{dhr|4}} <div style="text-align:center"> {{larger|FIM}} {{dhr|4}} {{xxx-larger|'''''LAUS DEO !'''''}} </div><noinclude></noinclude> 9i1winlmhxdkz3qgy64eudmfrewm1yw Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/41 106 257638 563672 562353 2026-09-21T15:12:02Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563672 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> Repugna-me dar a chave de meu livro. Quem for como eu tem essa chave. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> E está acabada a escola poética « Desvairismo ». <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Próximo livro fundarei outra. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Poderia ter citado Gorch Fock. Evitava o Prefácio Interessantíssimo. « Toda canção de liberdade vem do cárcere » </div><noinclude></noinclude> on63737ejyavb1rb8e3cjh2w3lno4f0 563743 563672 2026-09-21T15:40:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563743 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> Repugna-me dar a chave de meu livro. Quem for como eu tem essa chave. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> E está acabada a escola poética « Desvairismo ». <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Próximo livro fundarei outra. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> E não quero discípulos. Em arte: escola = imbecilidade de muitos para vaidade dum só <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Poderia ter citado Gorch Fock. Evitava o Prefácio Interessantíssimo. « Toda canção de liberdade vem do cárcere » </div><noinclude></noinclude> nkj6mzvm6r4agajsi8j92x05vt9w6it Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/40 106 257639 563670 562354 2026-09-21T15:10:57Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563670 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> me recordo onde. Ha umas palavras tambem em João Cocteau, “La Noce Massacrée”. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Mas todo êste prefácio, com todo o disparate das teorias que contém, não vale coisíssima nenhuma. Quando escrevi "Paulicea Desvairada" não pensei em nada disto. Garanto porém que chorei, que cantei, que ri, que berrei... Eu vivo ! <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. Quem não souber cantar não leia Paisagem n.° 1. Quem não souber urrar não leia Ode do Burguês. Quem não souber rezar, não leia Religião. Despresar: A Escalada. Soffrer: Colloque Sentimental. Perdoar: a cantiga do berço, um dos solos de Minha Loucura, das Enfibraturas do Ipiranga. Não continuo. </div><noinclude></noinclude> pjd9wou7umpkant8w34p5zm1h92hxk3 563741 563670 2026-09-21T15:39:15Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563741 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> me recordo onde. Ha umas palavras tambem em João Cocteau, “La Noce Massacrée”. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Mas todo êste prefácio, com todo o disparate das teorias que contém, não vale coisíssima nenhuma. Quando escrevi "Paulicea Desvairada" não pensei em nada disto. Garanto porém que chorei, que cantei, que ri, que berrei... Eu vivo ! <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. Quem não souber cantar não leia Paisagem n.° 1. Quem não souber urrar não leia Ode do Burguês. Quem não souber rezar, não leia Religião. Despresar: A Escalada. Soffrer: Colloque Sentimental. Perdoar: a cantiga do berço, um dos solos de Minha Loucura, das Enfibraturas do Ipiranga. Não continuo. </div><noinclude></noinclude> h6hg30g21coco3nx6f8xyz4y8s6n0gr Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/39 106 257640 563665 562355 2026-09-21T15:09:25Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563665 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> selvagem da cidade. Como o homem primitivo cantarei a princípio só. Mas canto é agente simpático: faz renascer na alma dum outro prediposto ou apenas sinceramente curioso e livre, o mesmo estado lírico provocado em nós por alegrias, sofrimentos, ideais. Sempre hei-de achar também algum, alguma que se embalarão á cadéncia libertária dos meus versos. Nêsse momento: novo Anfião moreno e caixa-d’óculos, farei que as próprias pedras se reunam em muralhas á magia do meu cantar. E dentro dessas muralhas esconderemos nossa tribu. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Minha mão escreveu a respeito dêste livro que « não tinha e não tem nenhuma intenção de o publicar ». Jornal do Comércio, 6 de Junho. Leia frase de Gourmont sobre contradição: 1.° volume das “Promenades Littéraires”. Rui Barbosa tem sobre ela página lindíssima, não<noinclude></noinclude> lh3b35uqlkyo2grgr5sxk2f99xu9tp5 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/38 106 257641 563663 562356 2026-09-21T15:07:57Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563663 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> publicada, muita gente me disse: « Não entendi ». Pessoas houve porêm que confessaram: « Endendi, mas não senti ». Os meus amigos... percebi mais duma vez que sentiam, mas não entendiam. Evidentemente meu livro é bom. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Escritor de nome disse dos meus amigos e de mim que ou éramos génios ou bêstas. Acho que tem razão. Sentimos, tanto eu como meus amigos, o anseio do farol. Si fossemos tão carneiros a ponto de termos escola colectiva, esta seria por certo o «Farolismo». Nosso desejo: alumiar. A extrema-esquerda em que nos colocámos não permite meio-termo. Si génios: indicaremos o caminho a seguir; bêstas: naufrágios por evitar. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Canto da minha maneira. Que me importa si me não entendem ? Não tenho fôrças bastantes para me universalizar ? Paciéncia. Com o vário alaúde que construí, me parto por essa selva<noinclude></noinclude> 9cwwkiigvyr5lccovg4l126gm9atsbq 563738 563663 2026-09-21T15:38:28Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563738 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> publicada, muita gente me disse: « Não entendi ». Pessoas houve porêm que confessaram: « Endendi, mas não senti ». Os meus amigos... percebi mais duma vez que sentiam, mas não entendiam. Evidentemente meu livro é bom. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Escritor de nome disse dos meus amigos e de mim que ou éramos génios ou bêstas. Acho que tem razão. Sentimos, tanto eu como meus amigos, o anseio do farol. Si fossemos tão carneiros a ponto de termos escola colectiva, esta seria por certo o «Farolismo». Nosso desejo: alumiar. A extrema-esquerda em que nos colocámos não permite meio-termo. Si génios: indicaremos o caminho a seguir; bêstas: naufrágios por evitar. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Canto da minha maneira. Que me importa si me não entendem ? Não tenho fôrças bastantes para me universalizar ? Paciéncia. Com o vário alaúde que construí, me parto por essa selva<noinclude></noinclude> cc670y8dt3l7gt800f9tttkqwroeurp Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/37 106 257642 563661 562357 2026-09-21T15:06:22Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563661 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> duma era nova. Esteticamente: fui buscar entre as hipóteses feitas por psicólogos, naturalistas e críticos sobre os primitivos das eras passadas, expressão mais humana e livre de arte. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> O passado é lição para se meditar, não para reproduzir.<br> « E tu che sè costí, anima viva,<br> Pártiti da cotesti che son morti ». <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Por muitos anos procurei-me a mim mesmo. Achei. Agora não me digam que ando á procura da originalidade, porquê já descobri onde ela estava, pertence-me, é minha. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Quando uma das poesias dêste livro foi </div><noinclude></noinclude> qxl70k3u1lr1aw5pb8kgoxotf9laqax 563737 563661 2026-09-21T15:37:59Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563737 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="text-align:left; font-family:serif"> duma era nova. Esteticamente: fui buscar entre as hipóteses feitas por psicólogos, naturalistas e críticos sobre os primitivos das eras passadas, expressão mais humana e livre de arte. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> O passado é lição para se meditar, não para reproduzir.<br> « E tu che sè costí, anima viva,<br> Pártiti da cotesti che son morti ». <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Por muitos anos procurei-me a mim mesmo. Achei. Agora não me digam que ando á procura da originalidade, porquê já descobri onde ela estava, pertence-me, é minha. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki></div> Quando uma das poesias dêste livro foi </div><noinclude></noinclude> 0ya0taz4pkvjzqepdqeyosacpyjmjos Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/147 106 257643 563736 562361 2026-09-21T15:37:52Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563736 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{tabela|largura-s=100|alinhamento-s=center |título=[[Paulicea Desvairada/Dedicatoria|{{larger|''Dedicatoria''}}]] |página=5}} {{tabela|largura-s=100|alinhamento-s=center |título=[[Paulicea Desvairada/Prefacio Interessantíssimo|{{larger|''Prefacio Interessantíssimo''}}]] |página=7 a 39}} {{dhr}} {{tabela|largura-s=100|alinhamento-s=center |título=[[Paulicea Desvairada/Inspiração|{{larger|''Inspiração''}}]] |página=43}} {{tabela|largura-s=100|alinhamento-s=center 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Imundo meu coração. . . Olha o edifício: Matadouros da Continental. Os vícios viciaram-me na bajulação sem sacrifícios.. Minha alma corcunda como a avenida São João... {{dhr|2}} E dizem que os polichinelos são alegres ! Eu nunca em guisos nos meus interiores arlequinais !... {{dhr|2}} Paulicea, minha noiva... Ha matrimónios assim ... Ninguém os assistirá nos jamais ! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> n6mkshi1r9854ref677sz95a5y2qfyw Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/47 106 257646 563676 562384 2026-09-21T15:15:14Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563676 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|'''Inspiração'''}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr}} <poem> {{bloco direito|{{smaller|«Onde até na fôrça do verão havia tempestades de ventos e frios de crudelíssimo inverno»}} FR. LUIS DE SOUSA}} {{dhr|3}} <div style="text-align:left> São Paulo! comoção de minha vida... Os meus amores são flores feitas de original... Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro.... Luz e bruma... Forno e inverno morno... Elegáncias sutis sem escándalos, sem ciumes... Perfumes de Paris... Arys ! Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!... {{dhr|2}} São Paulo ! comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> 8n0utesc6f5ebpwuavny8omnrra8k7r 563746 563676 2026-09-21T15:41:09Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563746 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|'''Inspiração'''}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr}} <poem> {{bloco direito|{{smaller|«Onde até na fôrça do verão havia tempestades de ventos e frios de crudelíssimo inverno»}} FR. LUIS DE SOUSA}} {{dhr|3}} <div style="text-align:left> São Paulo! comoção de minha vida... Os meus amores são flores feitas de original... Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro.... Luz e bruma... Forno e inverno morno... Elegáncias sutis sem escándalos, sem ciumes... Perfumes de Paris... Arys ! Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!... {{dhr|2}} São Paulo ! comoção de minha vida... Galicismo a berrar nos desertos da América! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> tpal036ux3avmx8lwafrs4ysop241l6 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/49 106 257663 563678 562385 2026-09-21T15:16:10Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563678 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''O Trovador'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Sentimentos em mim do asperamente dos homens das primeiras eras... As primaveras de sarcasmo intermitentemente no meu coração arlequinal... Intermitentemente... Outras vezes é um doente, um frio na minha alma doente como um longo som redondo... Cantabona ! Cantabona ! Dlorom... {{dhr|2}} Sou um tupi tangendo um alaúde ! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> qlt0i5bbcctz9k6dmepho2zvr4hmmcv 563747 563678 2026-09-21T15:41:46Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563747 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''O Trovador'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Sentimentos em mim do asperamente dos homens das primeiras eras... As primaveras de sarcasmo intermitentemente no meu coração arlequinal... Intermitentemente... Outras vezes é um doente, um frio na minha alma doente como um longo som redondo... Cantabona ! Cantabona ! Dlorom... {{dhr|2}} Sou um tupi tangendo um alaúde ! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> fml83d1fssfgyniqj4jeirjleincny6 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/150 106 257667 563740 562390 2026-09-21T15:39:13Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563740 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>[[File:Paulicéia Desvairada - Contracapa.jpg|centro|400px]] {{nop}}<noinclude></noinclude> h79b0nhrxf40pu312cywsfglq7xf2i2 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/15 106 257677 563425 562424 2026-09-21T13:29:52Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563425 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> Andarei a vida de braços no ar, como o «Indiferente» de Watteau. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> «Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia citada) não compreenderam logo. Creio mesmo que é impossivel compreender inteiramente á primeira leitura pensamentos assim squematizados sem uma certa prática. Nem é nisso que um poeta pode queixar-se dos seus leitores. No que êstes se tornam condenáveis é em não pensar que um autor que assina não escreve asnidades pelo simples prazer de experimentar tinta; e que, sob essa extravagáncia aparente havia um sentido porventura interessantíssimo, que havia qualquer coisa por compreender ». João Epstein. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Ha neste mundo um senhor chamado Zdislas Milner. Entretanto escreveu isto: « O facto duma {{nop}}<noinclude></noinclude> 7n39tprmx18gupd8r9wtjou8ug82bwl 563556 563425 2026-09-21T14:06:39Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563556 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> Andarei a vida de braços no ar, como o «Indiferente» de Watteau. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> «Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia citada) não compreenderam logo. Creio mesmo que é impossivel compreender inteiramente á primeira leitura pensamentos assim squematizados sem uma certa prática. Nem é nisso que um poeta pode queixar-se dos seus leitores. No que êstes se tornam condenáveis é em não pensar que um autor que assina não escreve asnidades pelo simples prazer de experimentar tinta; e que, sob essa extravagáncia aparente havia um sentido porventura interessantíssimo, que havia qualquer coisa por compreender ». João Epstein. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Ha neste mundo um senhor chamado Zdislas Milner. Entretanto escreveu isto: « O facto duma {{nop}}<noinclude></noinclude> tvl9xuextx4mo4r85c8u0v8e8fuvl9r Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/16 106 257678 563429 562425 2026-09-21T13:31:40Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563429 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> obra se afastar de preceitos e regras aprendidas, não dá a medida do seu valor ». Perdoe-me dar algum valor a meu livro. Não ha pai que, sendo pai, abandone o filho corcunda que se afoga, para salvar o lindo herdeiro do visinho. A ama-de-leite do conto foi uma grandíssima cabotina desnaturada. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade tambem. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> O ridículo é muitas vezes subjectivo. Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.<noinclude></noinclude> ikv33gll2kimzgt2k2moni7jrug7stl 563434 563429 2026-09-21T13:34:27Z Elsa de Brabrante 43846 563434 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> obra se afastar de preceitos e regras aprendidas, não dá a medida do seu valor ». Perdoe-me dar algum valor a meu livro. Não ha pai que, sendo pai, abandone o filho corcunda que se afoga, para salvar o lindo herdeiro do visinho. A ama-de-leite do conto foi uma grandíssima cabotina desnaturada. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade tambem. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> O ridículo é muitas vezes subjectivo. Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.<noinclude></noinclude> tp8po6hj782up218hy3wzabme199jr8 563460 563434 2026-09-21T13:40:29Z Leppakertu 43853 563460 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> obra se afastar de preceitos e regras aprendidas, não dá a medida do seu valor ». Perdoe-me dar algum valor a meu livro. Não ha pai que, sendo pai, abandone o filho corcunda que se afoga, para salvar o lindo herdeiro do visinho. A ama-de-leite do conto foi uma grandíssima cabotina desnaturada. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade tambem. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> O ridículo é muitas vezes subjectivo. Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.<noinclude>14</noinclude> 9lhu64u3256dctr6ry7ps2n6tyjxb1p 563461 563460 2026-09-21T13:40:38Z Leppakertu 43853 /* Validada */ 563461 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> obra se afastar de preceitos e regras aprendidas, não dá a medida do seu valor ». Perdoe-me dar algum valor a meu livro. Não ha pai que, sendo pai, abandone o filho corcunda que se afoga, para salvar o lindo herdeiro do visinho. A ama-de-leite do conto foi uma grandíssima cabotina desnaturada. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade tambem. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> O ridículo é muitas vezes subjectivo. Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.<noinclude>14</noinclude> 8butkylh5u71rakfktzwjfjbhqo7vnb 563477 563461 2026-09-21T13:47:15Z Leppakertu 43853 563477 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> obra se afastar de preceitos e regras aprendidas, não dá a medida do seu valor ». Perdoe-me dar algum valor a meu livro. Não ha pai que, sendo pai, abandone o filho corcunda que se afoga, para salvar o lindo herdeiro do visinho. A ama-de-leite do conto foi uma grandíssima cabotina desnaturada. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade tambem. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não fujo do ridículo. Tenho companheiros ilustres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> O ridículo é muitas vezes subjectivo. Independe do maior ou menor alvo de quem o sofre.<noinclude> 14</noinclude> jj7rx6k58twz911ujaoxo6v9rwlja5c Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/18 106 257679 563452 562426 2026-09-21T13:38:33Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563452 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> de arame do caminho. Deixe que tropece, cáia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades românticas, de pormenores inúteis ou inexpressivos. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Que Arte não seja porém limpar versos de exagêros coloridos. Exagêro: símbolo sempre novo da vida como do sonho. Por êle vida e sonho se irmanam. E, consciente, não é defeito, mas meio legítimo de expressão. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « O vento senta no ombro das tuas velas ! » Shakespeare. Homero já escrevera que a terra mugia debaixo dos pés de homens e cavalos. Mas você deve saber que ha milhões de exagêros na obra dos mestres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Taine disse que o ideal dum artista consiste em « apresentar, mais que os próprios objectos, {{nop}}<noinclude></noinclude> otkucslqaqwjisvgt22y1t1inzo8kz7 563480 563452 2026-09-21T13:48:46Z Elsa de Brabrante 43846 563480 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> de arame do caminho. Deixe que tropece, cáia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades {{corr|románticas|românticas}}, de pormenores inúteis ou inexpressivos. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Que Arte não seja porém limpar versos de exagêros coloridos. Exagêro: símbolo sempre novo da vida como do sonho. Por êle vida e sonho se irmanam. E, consciente, não é defeito, mas meio legítimo de expressão. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « O vento senta no ombro das tuas velas ! » Shakespeare. Homero já escrevera que a terra mugia debaixo dos pés de homens e cavalos. Mas você deve saber que ha milhões de exagêros na obra dos mestres. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Taine disse que o ideal dum artista consiste em « apresentar, mais que os próprios objectos, {{nop}}<noinclude></noinclude> gk3uhw7emfr051pasvv1yxg1m5ay6k4 563481 563480 2026-09-21T13:48:48Z Leppakertu 43853 563481 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> de arame do caminho. Deixe que tropece, cáia e se fira. Arte é mondar mais tarde o poema de repetições fastientas, de sentimentalidades {{corr|románticas|românticas}}, de pormenores inúteis ou inexpressivos. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Que Arte não seja porém limpar versos de exagêros coloridos. Exagêro: símbolo sempre novo da vida como do sonho. Por êle vida e sonho se irmanam. E, consciente, não é defeito, mas meio legítimo de expressão. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « O vento senta no ombro das tuas velas ! » Shakespeare. Homero já escrevera que a terra mugia debaixo dos pés de homens e cavalos. 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E, consciente, não é defeito, mas meio legítimo de expressão. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> « O vento senta no ombro das tuas velas ! » Shakespeare. Homero já escrevera que a terra mugia debaixo dos pés de homens e cavalos. 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Luis Carlos, porém, reconheço que tem o direito de citar o mesmo em defêsa das suas "Colunas." <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Já raciocinou sobre o chamado « belo horrivel » ? E’ pena. O belo horrivel é uma escapatória criada pela dimensão da orelha de certos filósofos para justificar a atracção exercida, em todos os tempos, pelo feio sobre os artistas. Não me venham dizer que o artista, reproduzindo o feio, o horrivel, faz obra bela. Chamar de belo o que é feio, horrivel, só porquê está expressado com grandeza, comoção, arte, é desvirtuar ou desconhecer o conceito da beleza. Mas feio = pecado... Atrái. Anita Malfatti falava-me outro dia no encanto sempre novo do feio. Ora Anita Malfatti ainda não leu Emilio Bayard : « O fim {{nop}}<noinclude></noinclude> mmxo77hokic15w0hflipmltlictr2ua 563435 563433 2026-09-21T13:34:47Z Leppakertu 43853 563435 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Leppakertu" />MARIO DE ANDRADE</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> completa e claramente qualquer característica essencial e saliente dêles, por meio de alterações sistemáticas das relações naturais entre as suas partes, de modo a tornar essa característica mais visível e dominadora ». O snr. Luis Carlos, porém, reconheço que tem o direito de citar o mesmo em defêsa das suas "Colunas." <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Já raciocinou sobre o chamado « belo horrivel » ? E’ pena. O belo horrivel é uma escapatória criada pela dimensão da orelha de certos filósofos para justificar a atracção exercida, em todos os tempos, pelo feio sobre os artistas. Não me venham dizer que o artista, reproduzindo o feio, o horrivel, faz obra bela. Chamar de belo o que é feio, horrivel, só porquê está expressado com grandeza, comoção, arte, é desvirtuar ou desconhecer o conceito da beleza. Mas feio = pecado... Atrái. Anita Malfatti falava-me outro dia no encanto sempre novo do feio. Ora Anita Malfatti ainda não leu Emilio Bayard : « O fim {{nop}}<noinclude>17</noinclude> c4gm62oz6zlcffy33uwltw1djkbd05b 563464 563435 2026-09-21T13:41:33Z Osa 88 43848 /* Validada */ 563464 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Osa 88" />MARIO DE ANDRADE</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> completa e claramente qualquer característica essencial e saliente dêles, por meio de alterações sistemáticas das relações naturais entre as suas partes, de modo a tornar essa característica mais visível e dominadora ». O snr. Luis Carlos, porém, reconheço que tem o direito de citar o mesmo em defêsa das suas "Colunas." <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Já raciocinou sobre o chamado « belo horrivel » ? E’ pena. O belo horrivel é uma escapatória criada pela dimensão da orelha de certos filósofos para justificar a atracção exercida, em todos os tempos, pelo feio sobre os artistas. Não me venham dizer que o artista, reproduzindo o feio, o horrivel, faz obra bela. Chamar de belo o que é feio, horrivel, só porquê está expressado com grandeza, comoção, arte, é desvirtuar ou desconhecer o conceito da beleza. Mas feio = pecado... Atrái. Anita Malfatti falava-me outro dia no encanto sempre novo do feio. 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Todos os grandes artistas, ora consciente (Rafael das Madonas, Rodin do Balzac, Beethoven da Pastoral, Machado de Assis do Braz Cubas), ora inconscientemente (a grande maioria) foram deformadores da natureza. Donde infiro que o belo artístico será tanto mais artístico, tanto mais subjectivo quanto mais se afastar do belo natural. Outros infiram o que quizerem. Pouco me importa. <div style="font-family:serif; text-align:left"> <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Nossos sentidos são frágeis. A percepção das {{nop}}<noinclude></noinclude> cvd7nguj2m3jw4c24p8143q25bezvee 563486 563468 2026-09-21T13:49:43Z Leppakertu 43853 /* Validada */ 563486 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> lógico dum quadro é ser agrádavel de ver. Todavia comprazem-se os artistas em exprimir o singular encanto da feiura. 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Esta idealização livre, subjectiva, permite criar todo um ambiente de realidades ideais onde sentimentos, sêres e coisas, belezas e defeitos se apresentam na sua plenitude heroica, que ultrapassa a defeituosa percepção dos sentidos. Não sei que futurismo pode existir em quem quasi perfilha a concepção estética de Fichte. Fujamos da natureza ! Só assim a arte {{nop}}<noinclude></noinclude> j3cososv4i6o731luoa82kei1itg0gs 563562 563476 2026-09-21T14:07:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563562 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> coisas exteriores é fraca, prejudicada por mil véus, provenientes das nossas taras físicas e morais: doenças, prèconceitos, indisposições, antipatias, ignoráncias, hereditariedade, circumstáncias de tempo, de lugar, etc... Só idealmente podemos conceber os objectos como os actos na sua inteireza bela ou feia. A arte que, mesmo tirando os seus temas do mundo objectivo, desenvolve-se em comparações afastadas, exageradas, sem exactidão aparente, ou indica os objectos, como um universal, sem delimitação qualificativa nenhuma, tem o poder de nos conduzir a essa idealização livre, musical. Esta idealização livre, subjectiva, permite criar todo um ambiente de realidades ideais onde sentimentos, sêres e coisas, belezas e defeitos se apresentam na sua plenitude heroica, que ultrapassa a defeituosa percepção dos sentidos. Não sei que futurismo pode existir em quem quasi perfilha a concepção estética de Fichte. Fujamos da natureza ! 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Paulicea — a grande bocca de mil dentes; e os jôrros dentre a lingua trissulca de pús e de mais pús de distinção... </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> lit6tnl75u6np5mn03nubzquljgpwac 563748 563679 2026-09-21T15:42:07Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563748 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''Os Cortejos'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Monotonias das minhas retinas... Serpentinas de entes frementes a se desenrolar... Todos os sempres das minhas visões! «Bon giorno, caro.» {{dhr|2}} Horríveis as cidades ! Vaidades e mais vaidades... Nada de asas ! Nada de poesia ! Nada de alegria ! Oh ! os tumultuários das auséncias ! 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Serpentinas de entes frementes a se desenrolar... {{dhr|2}} Estes homens de São Paulo, todos iguais e desiguais, quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos, parecem-me uns macacos, uns macacos. </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> e8z84rc3y6waunuog3ztumfcxa35gxn 563750 563681 2026-09-21T15:42:20Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563750 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:left> <poem> Giram homens fracos, baixos, magros... 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Catedral?... — Estas cadeias da virtude !... — Tripinga-te ! (Os empurrões dos braços em segrêdo.) Principiarás escravo, irás a Chico-Rei ! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> cnc2zk5prrkgxhqf33q92n7bsbr5tpf 563751 563682 2026-09-21T15:42:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563751 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''A Escalada'''}}}} </div> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> (Maçonariamente.) — Alcantilações !... Ladeiras sem conto !... Estas cruzes, estas crucificações da honra !... — Não ha ponto final no môrro das ambições. As bebedeiras do vinho dos aplaudires... Champanhações... Cospe os fardos ! {{dhr|2}} (São Paulo é trono.)— E as imensidões das escadarias!... — Queres te assentar no píncaro mais alto? Catedral?... — Estas cadeias da virtude !... — Tripinga-te ! (Os empurrões dos braços em segrêdo.) 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Que é dos teus fardos, Hermes Pança ? ! </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> 7w8en4wwicxekghoe9rhc1ye1t5054g 563752 563683 2026-09-21T15:43:08Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563752 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:left> {{dhr|12}} <poem> (Ha fita de série no Colombo. "O Empurrão na Escuridão". Film nacional.) — Adeus lirios do Cubatão para os que andam sózinhos ! (Sono tre tustune per i ragazzini.) — Estes mil quilos da crença !... — Tripinga-te ! Alcançarás o sólio e o sol sonante ! Cospe os fardos ! Cospe os fardos ! Vê que facilidades as tais asas ?... (Toca a banda do Fieramosca: Pa, pa, pa, pum ! Toca a banda da polícia: Ta, ra, ta, tchim !) E's rei ! Olha o rei nú ! 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Alguem agora t'os virá trazer. {{dhr|2}} (E ei-lo na curul do vêsgo Olho-na-Treva.) {{dhr|5}} </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> bgpk5caoqslhv3emw2q2886twliilpu 563753 563685 2026-09-21T15:43:20Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563753 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|12}} <div style="text-align:left> <poem> — Deixei-os lá nas margens das escadarias, onde nas violetas corria o rio dos olhos de minha mãi... — Sossega. E's rico, és grandíssimo, és monarca ! Alguem agora t'os virá trazer. {{dhr|2}} (E ei-lo na curul do vêsgo Olho-na-Treva.) {{dhr|5}} </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> 5dlokow0x4wcvirt6yxip3d6c903qzr Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/57 106 257688 563686 562436 2026-09-21T15:22:45Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563686 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''Rua de São Bento'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Triángulo {{dhr|2}} Ha navios de vela para os meus naufrágios ! E os cantares da uiara rua de São Bento... {{dhr|2}} Entre estas duas ondas plúmbeas de casas plúmbeas as minhas delícias das asfixias da alma ! Ha leilão. Ha feira de carnes brancas. Pobres arrozais ! Pobres brisas sem pelúcias lisas a alisar ! A cainçalha... A Bolsa... As jogatinas... </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> k54zxbq25rihnkg194xosweetrz3tpb 563727 563686 2026-09-21T15:34:59Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563727 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''Rua de São Bento'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Triángulo {{dhr|2}} Ha navios de vela para os meus naufrágios ! E os cantares da uiara rua de São Bento... {{dhr|2}} Entre estas duas ondas plúmbeas de casas plúmbeas as minhas delícias das asfixias da alma ! Ha leilão. Ha feira de carnes brancas. Pobres arrozais ! Pobres brisas sem pelúcias lisas a alisar ! A cainçalha... A Bolsa... 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Como um possesso num acesso em meus aplausos aos salvadores do meu estado amado !... {{dhr|2}} Desciam, inteligentes, de mãos dadas entre o trepidar dos taxis vascolejantes, a rua Marechal Deodoro... </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> eif65pyvpmq538i1f7xdaykztai6eqr 563731 563692 2026-09-21T15:35:34Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563731 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''O Rebanho'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Oh ! minhas alucinações ! Vi os deputados, chapéus altos, sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas, sairem de mãos dadas do Congresso... 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Setas... Cantigas... Povoar ! Ritmos de Brecheret !... E a santificação da morte ! Foram-se os ouros !... E o hoje das turmalinas !... </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> r41bvvaaqcdnpylk4xd7t9x5omubo9g 563710 563696 2026-09-21T15:31:05Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563710 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''Tietê'''}}}} </div> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Era uma vez um rio... Porém os Borbas-Gatos dos ultra-nacionais esperia- <div style="text-align:right> [mente </div> {{dhr|2}} Havia nas manhãs cheias de Sol do entusiasmo as monções da ambição... E as giganteas vitórias ! As embarcações singravam rumo do abismal Desca- <div style="text-align:right> [minho... </div> {{dhr}} Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas... Povoar ! Ritmos de Brecheret !... E a santificação da morte ! Foram-se os ouros !... 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Acontece a comoção caber nêles. Entram pois ás vezes no cabaré rítmico dos meus versos. Nesta questão de metros não sou aliado ; sou como a Argentina: enriqueço-me. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Sobre a ordem ? « Repugna-me, com efeito, o que Musset chamou : {{nop}} </div><noinclude></noinclude> dy7w5s7ouxd5yzs0gaqwk5ejplluamn 563492 563479 2026-09-21T13:50:25Z Leppakertu 43853 /* Validada */ 563492 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Leppakertu" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> não se ressentirá da ridícula fraqueza da fotografia... colorida. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Não acho mais graça nenhuma nisso da gente submeter comoções a um leito de Procusto para que obtenham, em ritmo convencional, número convencional de sílabas. Já, primeiro livro, usei indiferentemente, sem obrigação de retorno periódico, os diversos metros pares. 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Existe uma ordem, inda mais alta, na fúria desencadeada dos elementos. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Quem leciona Historia do Brasil obedecerá a uma ordem que, certo, não consiste em estudar a guerra do Paraguai antes do ilustre acaso de Pedro Alvares. Quem canta seu subconsciente seguirá a ordem imprevista das comoções, das associações de imagens, dos contactos exteriores. Acontece que o tema ás vezes descaminha. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> O impulso lírico clama dentro de nós como turba enfuriada. Seria engraçadíssimo que a esta {{nop}} </div><noinclude></noinclude> e5w2vpgi63pg1n5bh5o3705lbxosn2p 563565 563494 2026-09-21T14:07:49Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563565 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> «L’art de servir à point un dénoument bien cuit». <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Existe a ordem dos colegiais infantes que saem das escolas de mãos dadas, dois a dois. Existe uma ordem nos estudantes das escolas superiores que descem uma escada de quatro em quatro degraus, chocando-se lindamente. Existe uma ordem, inda mais alta, na fúria desencadeada dos elementos. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Quem leciona Historia do Brasil obedecerá a uma ordem que, certo, não consiste em estudar a guerra do Paraguai antes do ilustre acaso de Pedro Alvares. 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Quem souber afastar-se idealmente dela, verá o imponente desenvolver-se dessa alma colectiva, falando a retórica exacta das reivindicações. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Minhas reivindicações ? Liberdade. Uso dela ; não abuso. Sei embrida-la nas minhas verdades filosóficas e religiosas ; porquê verdades filosóficas, religiosas, não são convencionais como a Arte, são verdades. Tanto não abuso ! Não pretendo obrigar ninguém a seguir-me. Costumo andar sózinho. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Virgilio, Homero, não usaram rima. Virgilio, Homero, têm assonáncias admiráveis. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> A lingua brasileira é das mais ricas e sonoras. {{nop}} </div><noinclude></noinclude> avmuqbf1j36rb69jo7cpgj9uqwxo9r0 563566 563500 2026-09-21T14:08:06Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563566 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> se dissesse:<br> « Alto lá ! Cada qual berre por sua vez ; e quem tiver o argumento mais forte, guarde-o para o fim ! » A turba é confusão aparente. Quem souber afastar-se idealmente dela, verá o imponente desenvolver-se dessa alma colectiva, falando a retórica exacta das reivindicações. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Minhas reivindicações ? Liberdade. Uso dela ; não abuso. Sei embrida-la nas minhas verdades filosóficas e religiosas ; porquê verdades filosóficas, religiosas, não são convencionais como a Arte, são verdades. Tanto não abuso ! Não pretendo obrigar ninguém a seguir-me. Costumo andar sózinho. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Virgilio, Homero, não usaram rima. 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Sinto que o meu copo é grande demais para mim, e inda bebo no copo dos outros. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Sei construir teorias engenhosas. Quer ver ? A poética está muito mais atrasada que a música. Esta abandonou, talvez mesmo antes do século 8, o regime da melodia quando muito oitavada, para enriquecer-se com os infinitos recursos da harmonia. A poética, com rara excepção até meados do século 19 francês, foi essencialmente melódica. Chamo de verso melódico o mesmo que melodia musical: {{nop}} </div><noinclude></noinclude> n9axirv3lkb4uzxu6fah4zyc0opfd54 563567 563506 2026-09-21T14:08:19Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563567 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> E possúi o admirabilíssimo « ão ». <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Marinetti foi grande quando redescobriu o poder sugestivo, associativo, simbólico, universal, musical da palavra em liberdade. Aliás: velha como Adão. Marinetti errou: fez dela sistema. E' apenas auxiliar poderosíssimo. Uso palavras em liberdade. Sinto que o meu copo é grande demais para mim, e inda bebo no copo dos outros. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Sei construir teorias engenhosas. Quer ver ? A poética está muito mais atrasada que a música. Esta abandonou, talvez mesmo antes do século 8, o regime da melodia quando muito oitavada, para enriquecer-se com os infinitos recursos da harmonia. A poética, com rara excepção até meados do século 19 francês, foi essencialmente melódica. Chamo de verso melódico o mesmo que melodia musical: {{nop}} </div><noinclude></noinclude> ogubgvxuqr4te2tg9ee9bbmpdxjbiot Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/26 106 258015 563513 563293 2026-09-21T13:55:51Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563513 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> arabesco horisontal de vozes (sons) consecutivas, contendo pensamento inteligível. Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos horisontais:<br> « Mnezarete, a divina, a pálida Phrynea<br> Comparece ante a austera e rígida assemblea<br> Do Areópago supremo . . . »<br> fizermos que se sigam palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo facto mesmo de se não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem umas ás outras, para a nossa sensação, formando, não mais melodias, mas harmonias.<br> Explico milhor:<br> Harmonia: combinação de sons simultâneos.<br> Exemplo:<br> « Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas.. . Povoar !... »<br> Estas palavras não se ligam. Não formam enumeração. Cada uma é frase, período elíptico, reduzido ao mínimo telegráfico. Si pronuncio «Arroubos», como não faz parte {{nop}} </div><noinclude></noinclude> 24ewdihrx0o3bww9tob42lqsgibl6fi 563569 563513 2026-09-21T14:08:42Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563569 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:left"> arabesco horisontal de vozes (sons) consecutivas, contendo pensamento inteligível. Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos horisontais:<br> « Mnezarete, a divina, a pálida Phrynea<br> Comparece ante a austera e rígida assemblea<br> Do Areópago supremo . . . »<br> fizermos que se sigam palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo facto mesmo de se não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem umas ás outras, para a nossa sensação, formando, não mais melodias, mas harmonias.<br> Explico milhor:<br> Harmonia: combinação de sons simultâneos.<br> Exemplo:<br> « Arroubos... Lutas... Setas... Cantigas.. . 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Veste o ''water-proof'' dos tambens ! </poem><noinclude></noinclude> gpvbfe4xwbslc85glptjlfidy6kiaej 563728 563688 2026-09-21T15:35:09Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563728 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>{{dhr|7}} <div style="font-family:serif"> <poem> Não tenho navios de vela para mais naufrágios ! Faltam-me as fôrças ! Falta-me o ar ! Mas qual ! Não ha siquer um pôrto môrto ! «Can you dance the tarantella ?» — «Ach ! ya.» São as califórnias duma vida milionária numa cidade arlequinal... {{dhr|2}} O Clube Comercial... A Padaria Espiritual... Mas a desilusão dos sombrais amorosos põe ''majoration temporaire'', 100 % <sup>nt</sup> !... {{dhr}} Minha Loucura, acalma-te ! 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O rei de Tule jogou a taça ao mar... </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> phiqdv5l6w65064fqga41j8vjgc2tgf Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/110 106 258036 563718 563342 2026-09-21T15:32:58Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563718 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif> {{dhr|12}} <poem> Os homens passam encharcados.. . Os reflexos dos vultos curtos mancham o ''petit-pavé''... As rôlas da Normal esvoaçam entre os dedos da garôa (E si pusesse um verso de Crisfal No De Profundis ?...) De repente um ráio de Sol arisco risca o chuvisco ao meio. </poem> </div><noinclude></noinclude> 7xh3qm7p7ddgljalta3xcf2fif3wkzk Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/111 106 258037 563723 563343 2026-09-21T15:34:03Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563723 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> <div style="text-align:center"> {{xx-larger|{{Small caps|'''Colloque Sentimental'''}}}} </div> <div style="text-align:right> {{dhr|4}} <div style="text-align:left> <poem> Tenho os pés chagados nos espinhos das calçadas... Higienópolis !... As Babilónias dos meus desejos baixos... Casas nobres de estilo... Enriqueceres em tragédias... Mas a noite é toda um véu-de-noiva ao luar ! {{dhr|2}} A preamar dos brilhos das mansões... O jazz-band da cor... O arco-íris dos perfumes... O clamor dos cofres abarrotados de vidas... Ombros nús, ombros nús, lábios pesados de adultério.. E o ''rouge'' — cogumelo das podridões... Exércitos de casacas eruditamente bem talhadas... </poem> </div> </div><noinclude></noinclude> 0xz1jusfmbjee2ddga3howf5ilrlv2g Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/112 106 258038 563725 563344 2026-09-21T15:34:52Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563725 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>{{dhr|7}} <div style="font-family:serif"> <poem> Sem crimes, sem roubos o carnaval dos títulos... Si não fosse o talco adeus sacos de farinha ! Impiedosamente... {{dhr}} — Cavalheiro... — Sou conde ! — Perdão. Sabe que existe um Braz, um Bom Retiro ? {{dhr}} — Apre ! respiro... Pensei que era pedido. Só conheço Paris ! {{dhr}} — Venha comigo então. Esqueça um pouco os braços da visinha... {{dhr}} — Percebeu, hein ! Dou-lhe gorgeta e cale-se. O sultão tem dez mil... Mas eu sou conde ! </poem> </div><noinclude></noinclude> gm0u5s934hc5j2rku211hgkp22a4pyr Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/43 106 258040 563694 563346 2026-09-21T15:25:38Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563694 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:center"> {{Extrair imagem}} {{dhr|2}} {{larger|'''DESENHO DE ANTONIO MOYA'''}} </div><noinclude></noinclude> droontb600ay9zpxxtx1kf9qu7atbce 563744 563694 2026-09-21T15:40:33Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563744 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif; text-align:center"> {{Extrair imagem}} {{dhr|2}} {{larger|'''DESENHO DE ANTONIO MOYA'''}} </div><noinclude></noinclude> c5zx8pxb8kt9r86hkenj3caw6cdopqe Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/76 106 258041 563711 563347 2026-09-21T15:31:08Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563711 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif> {{dhr|4}} <poem> As permanéncias de ser um na febre! {{dhr|2}} Nunca nos encontrámos... Mas ha ''rendez-vous'' na meia-noite do Armenoville... {{dhr|2}} E tivemos uma filha, uma só... Batismos do snr. cura Bruma; agua-benta das garôas monótonas... Registei-a no cartório da Consolação... Chameia-a Solitude das Plebes... {{dhr|2}} Pobres cabelos cortados da nossa monja ! </poem> </div><noinclude></noinclude> pjil4cvxdi83jzdo1i1pjf7md9u6775 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/59 106 258048 563690 563359 2026-09-21T15:24:33Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563690 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Nem chegarás tão cedo á fábrica de tecidos dos teus êxtases; telefone: Alem, 3991... Entre estas duas ondas plúmbeas de casas plúmbeas, vê, lá nos muito-ao-longes do horisonte, a sua chaminé de céu azul ! {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> t1g2huijxeweqdphibvazace9nitpoh 563729 563690 2026-09-21T15:35:20Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563729 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Nem chegarás tão cedo á fábrica de tecidos dos teus êxtases; telefone: Alem, 3991... Entre estas duas ondas plúmbeas de casas plúmbeas, vê, lá nos muito-ao-longes do horisonte, a sua chaminé de céu azul ! {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> eeg4owgn4bx5pp21x05af851xbmel9w Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/66 106 258052 563697 563364 2026-09-21T15:27:17Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563697 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|9}} <poem> — Nadador ! vamos partir pela via dum Mato-Grosso ? — Io ! Mai !... (Mais dez braçadas. Quina Migone. Hat Stores. Meia de seda.) Vado a pranzare con la Ruth. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> kvok4msd4g4f6xm38fwfylawpf3cvr7 563713 563697 2026-09-21T15:31:46Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563713 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|9}} <poem> — Nadador ! vamos partir pela via dum Mato-Grosso ? — Io ! Mai !... (Mais dez braçadas. Quina Migone. Hat Stores. Meia de seda.) Vado a pranzare con la Ruth. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> e2obfdm6uylfr3jsbekav8hu0w89nbl Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/562 106 258068 563386 2026-09-21T12:59:55Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 354 APO 1, 6 Mas que engeitou a honra com animo de vario Apoftolico. VIEIR. Serm. 8, 406 Os Prégadores Apofto- licos e Santos são comparados ás nuvens, porque as nu- vens tem dous effeitos, a chuva e os trovócs.. Tambem fe applica as coufas. FR. MARC. Chr. 1, 1, 12 Entendendo o Servo de Deos a fignificação def- ta visão fer referida ao favor, que havia de achar na al- teza da dignidade Apoftolica, foi cheo de alegria efpiri- tual. Luc... 563386 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" /></noinclude>354 APO 1, 6 Mas que engeitou a honra com animo de vario Apoftolico. VIEIR. Serm. 8, 406 Os Prégadores Apofto- licos e Santos são comparados ás nuvens, porque as nu- vens tem dous effeitos, a chuva e os trovócs.. Tambem fe applica as coufas. FR. MARC. Chr. 1, 1, 12 Entendendo o Servo de Deos a fignificação def- ta visão fer referida ao favor, que havia de achar na al- teza da dignidade Apoftolica, foi cheo de alegria efpiri- tual. Luc. Vid. 1, 2. Com o exemplo de vida verdadei- ramente Apoftolica, c credito de doutrina. Applicafe a certos herejes. M. BERN. Floreft. 5, 2, 2, C Como fe moftra tambem o erro dos Herejes Pe- trobrufianos e Apoftolicos, fegundo refere S. Bernardo. Subft. antiq. O Summo Pontifice. COND. D. PEDR. Nobil. 7, 31 E dixerom ao Apoftolico, que nom havião Rei, porque el nom fazia juftiça. Sous. Hift. 1, 4, 10 (certidão de 1200 ) Vimos letras de Noffo Senhor o Apoftoligo de Roma. (affim escrito). {{lema|APOSTOLO}}. s. m. Nuncio, enviado, legado. Dáfe ef efte nome a cada hum dos doze primeiros difcipulos, que Je- fus Chrifto efcolheo para prégar a fua doutrina pelo mun- do. A Igreja lhes ajuntou com a mefma denominação S. Paulo S. Barnabé. Do Greg. A'Troos. acc. na an- tepenult. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 2, Afli como o Senhor diffe aos Apoftolos, jà vos não chamarci fer- vos, mas amigos, GoEs, Chr. de D. Man. 3, 38 As quaes armas, que affi nos enviou, fignificão a cruz, que no ceo foi vifta, e affi o Apoftolo Santiago, com todos os outros Santos. CORT. R. Cerc. 9, 104 Aquelle fa- cro dia já chegava Do Apoftolo Hefpanhol, a cujo tem. plo Concorre quafi toda a christandade.. of GMA Epith. Beatiffimo. Ros. Hift. 2, 112, 1. Bemaven- turado. Azur. Chr. 3, 10. Benevolo. CuNu. Catal. I, 12. Divino. SOVER. Hift. 3, 11. Evangelico. M. FER- NAND. Alm. I, 2, 2. n. 229. Famofilimo. LisB. Sanctor. 75, 4. Gloriofo. Gouv. Jorn. I, I, Grandiofo. CEIT. Serm. 2, 154, 2. Hefpanhol (Santiago. ) CORT. R. Cerc. 9, 104. Milagrofo. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 270, 1. Nobiliffimo. M. BERN. Luz e Cal. 2, 3, 348. Preclariffimo. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 147. Sa- grado. Luc. Vid. 1, 8. Santo. FR. BERSARD. DA SILV. Defenf. 2, 10. Valerofiffimio. Liss. Sanctor. 75, 2. Ze- lofo. FREIR. Vid. 1, 71. O maior Apoftolo. S. Pedro. VIEIR. Serm. 4, 10, 4. n. 350.0 Meftra dos Apoftolos. A Virgem Santiffima Senhora Hoffa. M. BERN. Exerc. 2, 6, 7. P: 473. too Principe dos Apoftolos. S. Pedro. ER. MARC. Exerc. 16, 62. Luc. Vid. 3, 4. BRIT. Chr. 2, Senbora noffa. M. Rainha dos Apoftolos. A Virgem Scnber BERN. Exerc. 2, 6, 7. P. 472. Apoftolo, abf. ou Apoftolo das gentes on do ter- ceiro Céo. S. Paulo. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 3 Segundo teftifica o Apoftolo, dizendo: O homem ani- mal não gofta as coufas, que são do efpirito. TELL, Chr. 1, 2, 22. n. 8, O Apoftolo das gentes, S. Paulo, não houve por indigno da dignidade Apoftolica ganhar de co- mer, trabalhando per fuas proprias mãos. VIEIR. Serm. 4, 10, 4. n. 1351 Porque diz logo o Apoftolo, do terceiro Céo, que &c. Apoftolo da India. S. Thome. FREIR. Vid. 1, 36. Apoftolo. Qualquer varão infigne no zelo da conver- são ou falvação das almas; ou que primeiro annuncion o Evangelho a alguma nação, provincia, &c. BARR. Paneg. 14, 311 Tornados Los Gentios] à luz com a prégação del Rei Voffo Pai, que pera elles foi novo Apoftolo. BRIT. Mon. 2, 6. c. 12 Ao qual [Lucencio] e a S. Martinho podemos chamar Apoftolos dos Suevos. Sous. Hift. 1, 1, 8 Em quanro delles fe não dividir o que defta Religião foi Apoftolo de Portugal. Fazerfe Apoftolo. Prégar o Evangelbo. PAIN. Serm. 3, 80 Não fomente creo, mas fe fez Apoftolo de fua cafa. Pl. Adjuntos do Summo Saccrdote entre os Judeos e que com a jurifdicção de Legados zelavão a obfervancia da Lei Moyfaica. Feo, Tr. 1, 215, 2 Os quaes [He- breos] como ponderou Baronio, chamayão Apoftolos a certos homens, que de ordinario, andavão ao lado do Summo Sacerdote para o confultarem nas duvidas, que occorreflem acerca da lei, e eráo huns, como adjuntos e deputados feus, que lhe affiftião na reformação do Ef- tado Ecclefiaftico, e de quando em quando os mandava vifitar as Synagogas, devaffar dos coftumes com poderes para caftigarem os delinquentes, e obrigarem os Sacer- dotes a que viveffem reformadamente, e fegundo a lei. Denominação, que entre nós fe. deo aos Jefuitas def- de o tempo delRei D. João III. Luc. Vid. 1, 9 Os co- meçarão aos Jefuitas por todo o Reino vulgarmente a chamar Apoftolos. TELL. Chr. 1, 1, 9. n. 4 O povo de Lisboa nos chamou Apoftolos a todos os da Compa- nhia. BARRET. Flos Sanct. 2, 361, 2 Foi feu obrat tal de S. Francifco Xavier e do P. M. Simão] e fua modeftia no andar táo compofta, que a gente, e ainda o Rei lhe chamavão Apoftolos, e Apoftolos fe chamão ainda hoje em Portugal os Padres da Companhia. Forenf. Letras authenticas, que a requerimento das partes fe concedem pelos Juizes Apoftolicos e Ecclefiafticos, de cuja fentença fe appella para fatisfação da appellação interpofta. REGIM. D'EVOR. 4, 161 E quando fe appellar do Vigairo Geral, ou da Relação, e fe não receber a appellação fe mandarão dar os autos á parte por apof- tolos refutatorios. PROV. DA HIST. GEN. 3, 6, 41. P. 529. ann. 1428 Ao qual dou coutorgo todo meu com- prido poder... que por mim c em meu nome poffa requerer appellações intimar, e apoftolos pedir &c. CAMINH. Form. dos Libell. 42 E pede os apoftolos fae- pe, faepius, faepiffime. {{lema|APOSTOLORUM}}. (unguento) Pharmac. Certo unguento, que, por outro nome fe chama unguento. de Venus. A. DA CRUZ, Recop. Cap. Univ, z Unguento Apoftolorum para mundificar, e principalmente as chagas velhas. FER- NAND. FERR. Art. 4, 18 E de tres em tres dias lhe po- nhão ungento Apoftolorum, que tem potencia de alimpar as chagas. CURV. Atal. 160 Tomai de mel rofado coado dez reis de unguento Apoftolorum outros dez reis &c. {{lema|APOSTROPHE}}. s. m. cf. Rhet. Certa figura, de que fe ufa, quando fe dirige o difcurfo a outro differente daquel- le, com que fe está fallando. Greg. A nosτpon. acc. na an- tepenult. A. DE VASc. Anj. z, 5, 2. part. 1. p. 467 Como bem ponderou S. Bernardo fazendo em hum fer- mão da Afcensão huma apoftrophe a feus Religiofos. D. F. MAN. Apol. 333 Entretanto que huns fe matão fobre o final apoftrophe ou peroração. VIEIR. Serm. 1o do Rof 28, 5, 495 Rompe [S. Bernardo ] eloquentiffimamente nefta apoftrophe. {{lema|APOSTROPHE}}. s. m. ou {{lema|APOSTROPHO}}, s. m. Orthogr. Sinal de figura de hama virgula o qual denota elisão ou falta de alguma letra, principalmente vogal, e fe por alguin tanto mais alto que a letra precedente d elifa; affim como: d'Almeida. Do Greg. A Tostrups. acc. na antepenult. Leão, Orthogr. 67, Apoftropho he huma figura, que os Gregos contão en- tre feus accentos, fem fer accento. Porque fó denota a vogal, que fe tira do fim da dicção, per huma figura chamada fynalepha, quando fe fegue outra dicção, que outrofi começa em vogal. O que fe faz ao verfo, pa- ra fe evitar o hiato e abertura da bocca, que fe caufa. acabando huma dicção em vogal, começando outra tambeni em vogal. A qual nota fe poe fempre fobre a derradeira confoante da dicção, ficando en lugar da vo- gal, que fe tira, cuja figura he ametade de hum circu- lo affi). E as dicções acabadas em vogal, em que mais commummente comemos e tiramos a dita ultima vogal são cftas, de, me, te, fe, que, ante, no, na effeef te, aquelle, outro. Polo que os efereveremos afli, quan- do lhe tirarmos, e elidirmos aquellas vogacs, m, t, s, qu, mn 2 ant, c, cft aquell our, como: d'ambos, difto; não m'ouvis não t'onvi, não sentende; quandais dizendo? n'efte, n'efta, noutro, ant bontem, efs'outro, eft'anno, aquell outr'anno. E confundindo tudo, e ajuntandoo na efcritura, como fazemos na pronuncia- ção, feria coufa fèa, e que caufaria duvida no fignifi- cado, como fe efcreveffemos, não mamais, por não me amais, ou não touço por não te ouco. CARDOS. Agiol. 3, 143 Como fe F epitaphio, apoftro- ...não fignificara tanto frater, como filius. {{lema|APOSTURA}}. s. f. ant. Gentileza, galbardia, boa prefen- ça ou poftura. MEMOR. DAS PROEZ. 1, 47 O cavalleiro, feito feu acatamento a fuas Altezas, offercceofe aos Jui- zes com gentil apoftura. FERNAND. Palm. 4, 41 Dous faniofos cavalleiros, cuja eftranha gentileza e apoftura a todos deixou maravilhados. Maus. Aff. Afr. 12, 184 Efta [fonte] bufca galhardo na apoftura Hum fol- dado. Antiq. O mefmo que Poftura. ORDEN. DE D. MAN. 1, 46 Em lugar e tempo, que feja defezo por apoftu- sul 35 os sobres, ra do Concelho. Apofturas. pl. Marinh. As ultimas peças das balizas.<noinclude></noinclude> gk09kyti3ve0piq90yibsjxs7qkm062 Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/156 106 258069 563389 2026-09-21T13:14:39Z VIGNERON 4471 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: mortal do mais bello estylo. Mas ando caiu no caes, cujo ta buado estava earunchoso, quasi se ia mettendo por elle abaixo Todo desconsolado da maneira por que pozera pe no novo continente, o excellente moço soltou um grito formidavel, que fez voar espavoridos grande numero de corvos marinhos e de pelieanos, hospedes costumados dos caes moveis. Mr. Fogg, assim que desembarcou, informou-se da hora que partia o primeiro comboio para Nova... 563389 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="VIGNERON" />{{rvh|150|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mortal do mais bello estylo. Mas ando caiu no caes, cujo ta buado estava earunchoso, quasi se ia mettendo por elle abaixo Todo desconsolado da maneira por que pozera pe no novo continente, o excellente moço soltou um grito formidavel, que fez voar espavoridos grande numero de corvos marinhos e de pelieanos, hospedes costumados dos caes moveis. Mr. Fogg, assim que desembarcou, informou-se da hora que partia o primeiro comboio para Nova York. Era ás seis horas da tarde. Mr. Fogg tinha, pois, um dia à sua disposição que podia passar na capital da California. Mandou vir uma carruagem para si e para mrs. Aouda. Passepartout subiu para a almofada, e o vehiculo, a tres dollars por corrida, dirigiu-se para o ''International Hotel''. Do logar elevado que occupava, Passepartout observava cheio de curiosidade a grande capital americana. Ituas espaçosas, casas baixas bem alinhadas, igrejas e templos de um gothico anglo-saxonio, docas immensas, armazens que pareciam palacios, uns de madeira, outros de tijolo, carungens numerosas, omnibus, carros de tramways em constante movimento, e umal grande multidão composta não só de americanos e de europeus, mas tambem de chinezes e de indios, com que se poderia formar uma população de mais de duzentos mil habitantes,-tal cra o espectaculo deslumbrante que se offerecia à vista. Passepartout ficou bem surprehendido do que via. Esperava ainda a cidade legendaria de 1849, a cidade dos bandidos, dos incendiarios e dos assassinos que ali tinham affluido em busca de barras de ouro, immenso pandemonio composto de todos os profugos da sociedade, onde se jogava a puro em pó, com um revolver na mão e um punhal na outra. Mas esse bom tempo) já tinha passado. San Francisco offerecia o aspecto de uma gran de cidade commercial. O elevado campanario da casa da camara, com os seus vigias, dominava todo este conjuncto de ruas e de avenidas, que se cruzavam em angulos reetos, entre as quaes se abriam praças ajardinadas: do campanario igualmente se avistava uma cidade chineza que parecia ter sido importada do Celeste Imperio dentro de alguma caixinha de brinquedos. Já<noinclude></noinclude> h99cxfvekpvy7eigutxrl64klnlpc49 563392 563389 2026-09-21T13:15:56Z VIGNERON 4471 /* Não revista */ 563392 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="VIGNERON" />{{rvh|150|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mortal do mais bello estylo. Mas ando caiu no caes, cujo ta buado estava earunchoso, quasi se ia mettendo por elle abaixo Todo desconsolado da maneira por que pozera pe no novo continente, o excellente moço soltou um grito formidavel, que fez voar espavoridos grande numero de corvos marinhos e de pelieanos, hospedes costumados dos caes moveis. Mr. Fogg, assim que desembarcou, informou-se da hora que partia o primeiro comboio para Nova York. Era ás seis horas da tarde. Mr. Fogg tinha, pois, um dia à sua disposição que podia passar na capital da California. Mandou vir uma carruagem para si e para mrs. Aouda. Passepartout subiu para a almofada, e o vehiculo, a tres dollars por corrida, dirigiu-se para o ''International Hotel''. Do logar elevado que occupava, Passepartout observava cheio de curiosidade a grande capital americana. Ituas espaçosas, casas baixas bem alinhadas, igrejas e templos de um gothico anglo-saxonio, docas immensas, armazens que pareciam palacios, uns de madeira, outros de tijolo, carungens numerosas, omnibus, carros de tramways em constante movimento, e umal grande multidão composta não só de americanos e de europeus, mas tambem de chinezes e de indios, com que se poderia formar uma população de mais de duzentos mil habitantes,-tal cra o espectaculo deslumbrante que se offerecia à vista. Passepartout ficou bem surprehendido do que via. Esperava ainda a cidade legendaria de 1849, a cidade dos bandidos, dos incendiarios e dos assassinos que ali tinham affluido em busca de barras de ouro, immenso pandemonio composto de todos os profugos da sociedade, onde se jogava a puro em pó, com um revolver na mão e um punhal na outra. Mas esse bom tempo) já tinha passado. San Francisco offerecia o aspecto de uma gran de cidade commercial. O elevado campanario da casa da camara, com os seus vigias, dominava todo este conjuncto de ruas e de avenidas, que se cruzavam em angulos reetos, entre as quaes se abriam praças ajardinadas: do campanario igualmente se avistava uma cidade chineza que parecia ter sido importada do Celeste Imperio dentro de alguma caixinha de brinquedos. Já<noinclude></noinclude> 0s26q5eanvqgb0kg7lyeuknb6cdy91y 563520 563392 2026-09-21T13:57:13Z Pimfa 41224 /* Revista */ 563520 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Pimfa" />{{rvh|150|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mortal do mais bello estylo. Mas ando caiu no caes, cujo tabuado estava earunchoso, quasi se ia mettendo por elle abaixo. Todo desconsolado da maneira por que pozera pe no novo continente, o excellente moço soltou um grito formidavel, que fez voar espavoridos grande numero de corvos marinhos e de pelieanos, hospedes costumados dos caes moveis. Mr. Fogg, assim que desembarcou, informou-se da hora quepartia o primeiro comboio para Nova York. Era ás seis horas da tarde. Mr. Fogg tinha, pois, um dia à sua disposição que podia passar na capital da California. Mandou vir uma carruagem para si e para mrs. Aouda. Passepartout subiu para a almofada, e o vehiculo, a tres "dollars" por corrida, dirigiu-se para o ''International Hotel''. Do logar elevado que occupava, Passepartout observava cheio de curiosidade a grande capital americana. Ruas espaçosas, casas baixas bem alinhadas, igrejas e templos de um gothico anglo-saxonio, docas immensas, armazens que pareciam palacios, uns de madeira, outros de tijolo, carungens numerosas, omnibus, carros de tramways em constante movimento, e umal grande multidão composta não só de americanos e de europeus, mas tambem de chinezes e de indios, com que se poderia formar uma população de mais de duzentos mil habitantes,- tal era o espectaculo deslumbrante que se offerecia à vista. Passepartout ficou bem surprehendido do que via. Esperava ainda a cidade legendaria de 1849, a cidade dos bandidos, dos incendiarios e dos assassinos que ali tinham affluido em busca de barras de ouro, immenso pandemonio composto de todos os profugos da sociedade, onde se jogava a puro em pó, com um revolver na mão e um punhal na outra. Mas esse "bom tempo" já tinha passado. San Francisco offerecia o aspecto de uma grande cidade commercial. O elevado campanario da casa da camara, com os seus vigias, dominava todo este conjuncto de ruas e de avenidas, que se cruzavam em angulos reetos, entre as quaes se abriam praças ajardinadas: do campanario igualmente se avistava uma cidade chineza que parecia ter sido importada do Celeste Imperio dentro de alguma caixinha de brinquedos. Já<noinclude></noinclude> k5pc68cs4ytrvm6d84hodpkpqpxxh15 563523 563520 2026-09-21T13:57:59Z Pimfa 41224 563523 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Pimfa" />{{rvh|150|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mortal do mais bello estylo. Mas ando caiu no caes, cujo tabuado estava earunchoso, quasi se ia mettendo por elle abaixo. Todo desconsolado da maneira por que pozera pe no novo continente, o excellente moço soltou um grito formidavel, que fez voar espavoridos grande numero de corvos marinhos e de pelieanos, hospedes costumados dos caes moveis. Mr. Fogg, assim que desembarcou, informou-se da hora que partia o primeiro comboio para Nova York. Era ás seis horas da tarde. Mr. Fogg tinha, pois, um dia à sua disposição que podia passar na capital da California. Mandou vir uma carruagem para si e para mrs. Aouda. Passepartout subiu para a almofada, e o vehiculo, a tres "dollars" por corrida, dirigiu-se para o ''International Hotel''. Do logar elevado que occupava, Passepartout observava cheio de curiosidade a grande capital americana. Ruas espaçosas, casas baixas bem alinhadas, igrejas e templos de um gothico anglo-saxonio, docas immensas, armazens que pareciam palacios, uns de madeira, outros de tijolo, carungens numerosas, omnibus, carros de tramways em constante movimento, e umal grande multidão composta não só de americanos e de europeus, mas tambem de chinezes e de indios, com que se poderia formar uma população de mais de duzentos mil habitantes,- tal era o espectaculo deslumbrante que se offerecia à vista. Passepartout ficou bem surprehendido do que via. Esperava ainda a cidade legendaria de 1849, a cidade dos bandidos, dos incendiarios e dos assassinos que ali tinham affluido em busca de barras de ouro, immenso pandemonio composto de todos os profugos da sociedade, onde se jogava a puro em pó, com um revolver na mão e um punhal na outra. Mas esse "bom tempo" já tinha passado. San Francisco offerecia o aspecto de uma grande cidade commercial. O elevado campanario da casa da camara, com os seus vigias, dominava todo este conjuncto de ruas e de avenidas, que se cruzavam em angulos reetos, entre as quaes se abriam praças ajardinadas: do campanario igualmente se avistava uma cidade chineza que parecia ter sido importada do Celeste Imperio dentro de alguma caixinha de brinquedos. Já<noinclude></noinclude> 1mkrrt51g58zw3nygpinaiadstjlc8s 563617 563523 2026-09-21T14:39:49Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563617 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|150|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mortal do mais bello estylo. Mas quando caiu no caes, cujo tabuado estava carunchoso, quasi se ia mettendo por elle abaixo. Todo desconsolado da maneira por que pozera pe no novo continente, o excellente moço soltou um grito formidavel, que fez voar espavoridos grande numero de corvos marinhos e de pelicanos, hospedes costumados dos caes moveis. Mr. Fogg, assim que desembarcou, informou-se da hora que partia o primeiro comboio para Nova York. Era ás seis horas da tarde. Mr. Fogg tinha, pois, um dia á sua disposiçāo que podia passar na capital da California. Mandou vir uma carruagem para si e para mrs. Aouda. Passepartout subiu para a almofada, e o vehiculo, a tres ''dollars'' por corrida, dirigiu-se para o ''International Hotel''. Do logar elevado que occupava, Passepartout observava cheio de curiosidade a grande capital americana. Ruas espaçosas, casas baixas bem alinhadas, igrejas e templos de um gothico anglo-saxonio, docas immensas, armazens que pareciam palacios, uns de madeira, outros de tijolo, caruagens numerosas, omnibus, carros de «''tramways''» em constante movimento, e uma grande multidāo composta nāo só de americanos e de europeus, mas tambem de chinezes e de indios, com que se poderia formar uma populaçāo de mais de duzentos mil habitantes, — tal era o espectaculo deslumbrante que se offerecia á vista. Passepartout ficou bem surprehendido do que via. Esperava ainda a cidade legendaria de 1849, a cidade dos bandidos, dos incendiarios e dos assassinos que ali tinham affluido em busca de barras de ouro, immenso pandemonio composto de todos os profugos da sociedade, onde se jogava a ouro em pó, com um revolver na māo e um punhal na outra. Mas esse ''bom tempo'' já tinha passado. San Francisco offerecia o aspecto de uma grande cidade commercial. O elevado campanario da casa da camara, com os seus vigias, dominava todo este conjuncto de ruas e de avenidas, que se cruzavam em angulos rectos, entre as quaes se abriam praças ajardinadas: do campanario igualmente se avistava uma cidade chineza que parecia ter sido importada do Celeste Imperio dentro de alguma caixinha de brinquedos. Já<noinclude></noinclude> eul0mkul27pmgh86mbrs8pxxvpl7yf6 Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/1 106 258070 563395 2026-09-21T13:17:24Z Faraqat-flup 43854 Portada com cercadura de elementos vegetais 563395 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>DIALO GO DA uiciosa Ver gonha. OLISSIPPONE. Apud Lodouicum Rotori = giu[m] Typographum. M. D. XL.<noinclude></noinclude> anpnl780cx0ucndusbcxrdfxfg16swz 563402 563395 2026-09-21T13:20:16Z Faraqat-flup 43854 563402 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>DIALO GO DA uiçiosa Ver gonha. OLISSIPPONE. Apud Lodouicum Rotori = giu[m] Typographum. M. D. XL.<noinclude></noinclude> inf9awp1utdd1p3isw53jr2dezsctrk 564089 563402 2026-09-22T10:23:30Z Faraqat-flup 43854 564089 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>{{c|DIALO GO DA uiçiosa Ver gonha. OLISSIPPONE. 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Fogg. - Sim, Vossa Honra, o barco de pilotagem n.° 43, o melhor... 563397 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="193.137.34.251" />{{rvh|117|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude> mas só viu navios a carregarem ou a descarregarem, e que por conseguinte não podiam apparelhar. Fix sentiu renascer- The a esperança. Entretanto mr. Fogg não se desorientava, e ia continuar as suas pesquizas quando se lhe chegou a elle um marinheiro. - Vossa Honra procura um barco? perguntou-lhe o mari- nheiro descobrindo-se. - Tem algum barco prompto? perguntou-lhe mr. Fogg. - Sim, Vossa Honra, o barco de pilotagem n.° 43, o melhor da esquadrilha. -É veleiro? - Faz oito a nove milhas por hora, pouco mais ou menos Quer vel-o? - Quero. - Ha de ficar satisfeito. Trata-se de algum passeio por mar? -Não. De uma viagem. - De uma viagem? - Quer levar-me a Yokohama? O marinheiro, ao ouvir estas palavras, deixon cair os braços e abriu muito os olhos. -Está zombando? disse elle. -Não! Perdi o "Carnatic", e é preciso que eu esteja, o mais tardar, no dia 14, em Yokohama, para tomar logar no paquete da carreira de San Francisco. - Sinto muito, redarguiu o piloto, mas é impossivel. - Offereço-lhe cem libras por dia e uma gratificação de du- zentas libras se chegar a tempo. - E serio? perguntou o piloto. - Muito serio, respondeu mr. Fogg. O piloto afastára-se um pouco. Observava o mar, evidente- mente hesitando entre a perspectiva de um ganho enorme e o perigo de se aventurar tão longe. Fix estava em afficções de morte. A este tempo, mr. Fogg voltára-se para mrs. Aouda. -Tem medo? perguntou-lhe elle.<noinclude></noinclude> p9m5ewee6ije981cci6oun8hz9wclzm 563399 563397 2026-09-21T13:19:54Z ~2026-50891-64 43855 563399 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="193.137.34.251" />{{rvh|117|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mas só viu navios a carregarem ou a descarregarem, e que por conseguinte não podiam apparelhar. Fix sentiu renascer- The a esperança. Entretanto mr. Fogg não se desorientava, e ia continuar as suas pesquizas quando se lhe chegou a elle um marinheiro. - Vossa Honra procura um barco? perguntou-lhe o mari- nheiro descobrindo-se. - Tem algum barco prompto? perguntou-lhe mr. Fogg. - Sim, Vossa Honra, o barco de pilotagem n.° 43, o melhor da esquadrilha. -É veleiro? - Faz oito a nove milhas por hora, pouco mais ou menos Quer vel-o? - Quero. - Ha de ficar satisfeito. Trata-se de algum passeio por mar? -Não. De uma viagem. - De uma viagem? - Quer levar-me a Yokohama? O marinheiro, ao ouvir estas palavras, deixon cair os braços e abriu muito os olhos. -Está zombando? disse elle. -Não! Perdi o "Carnatic", e é preciso que eu esteja, o mais tardar, no dia 14, em Yokohama, para tomar logar no paquete da carreira de San Francisco. - Sinto muito, redarguiu o piloto, mas é impossivel. - Offereço-lhe cem libras por dia e uma gratificação de du- zentas libras se chegar a tempo. - E serio? perguntou o piloto. - Muito serio, respondeu mr. Fogg. O piloto afastára-se um pouco. Observava o mar, evidente- mente hesitando entre a perspectiva de um ganho enorme e o perigo de se aventurar tão longe. Fix estava em afficções de morte. A este tempo, mr. Fogg voltára-se para mrs. Aouda. -Tem medo? perguntou-lhe elle.<noinclude></noinclude> cqh97ws3j6frtwtou76nfchbuoxxkyq 563483 563399 2026-09-21T13:49:02Z ~2026-50891-64 43855 563483 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="193.137.34.251" />{{rvh|117|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mas só viu navios a carregarem ou a descarregarem, e que por conseguinte não podiam apparelhar. Fix sentiu renascer- lhe a esperança. Entretanto mr. Fogg não se desorientava, e ia continuar as suas {{cor | pesquizas | pesquisasp}} quando se lhe chegou a elle um marinheiro. - Vossa Honra procura um barco? perguntou-lhe o marinheiro descobrindo-se. - Tem algum barco {{cor | prompto | pronto}}? perguntou-lhe mr. Fogg. - Sim, Vossa Honra, o barco de pilotagem n.° 43, o melhor da esquadrilha. -É veleiro? - Faz oito a nove milhas por hora, pouco mais ou menos Quer {{cor | vel-o | vê-lo}} - Quero. - Ha de ficar satisfeito. 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Aouda. -Tem medo? perguntou-lhe elle.<noinclude></noinclude> 2te4cj18px02ickrsapxh1nqs7hivlo 563493 563483 2026-09-21T13:50:36Z ~2026-50891-64 43855 563493 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="193.137.34.251" />{{rvh|117|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mas só viu navios a carregarem ou a descarregarem, e que por conseguinte não podiam apparelhar. Fix sentiu renascer- lhe a esperança. Entretanto mr. Fogg não se desorientava, e ia continuar as suas {{cor | pesquizas | pesquisasp}} quando se lhe chegou a elle um marinheiro. - Vossa Honra procura um barco? perguntou-lhe o marinheiro descobrindo-se. - Tem algum barco {{cor | prompto | pronto}}? perguntou-lhe mr. Fogg. - Sim, Vossa Honra, o barco de pilotagem n.° 43, o melhor da esquadrilha. -É veleiro? - Faz oito a nove milhas por hora, pouco mais ou menos Quer {{cor | vel-o | vê-lo}} - Quero. - Ha de ficar satisfeito. Trata-se de algum passeio por mar? -Não. De uma viagem. - De uma viagem? - Quer levar-me a Yokohama? O marinheiro, ao ouvir estas palavras, {{cor | deixon | deixou}} cair os braços e abriu muito os olhos. -Está zombando? disse elle. -Não! Perdi o ''Carnatic'', e é preciso que eu esteja, o mais tardar, no dia 14, em Yokohama, para tomar logar no paquete da carreira de San Francisco. - Sinto muito, redarguiu o piloto, mas é impossivel. - Offereço-lhe cem libras por dia e uma gratificação de duzentas libras se chegar a tempo. - E serio? perguntou o piloto. - Muito serio, respondeu mr. Fogg. O piloto afastára-se um pouco. Observava o mar, evidente- mente hesitando entre a perspectiva de um ganho enorme e o perigo de se aventurar tão longe. Fix estava em afflicções de morte. A este tempo, mr. Fogg voltára-se para mrs. Aouda. -Tem medo? perguntou-lhe elle.<noinclude></noinclude> idfpthwkicksswrqeghn1z0uhmzrjcu 563600 563493 2026-09-21T14:27:54Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ Não é necessário atualizar a ortografia; quando o OCR troca o "u" pelo "n", ou equivalentes, pode corrigir. 563600 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|117|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>mas só viu navios a carregarem ou a descarregarem, e que por conseguinte não podiam apparelhar. Fix sentiu renascer-lhe a esperança. Entretanto mr. Fogg nāo se desorientava, e ia continuar as suas pesquizas quando se lhe chegou a elle um marinheiro. — Vossa Honra procura um barco? perguntou-lhe o marinheiro descobrindo-se. — Tem algum barco prompto? perguntou-lhe mr. Fogg. — Sim, Vossa Honra, o barco de pilotagem n.° 43, o melhor da esquadrilha. — É veleiro? — Faz oito a nove milhas por hora, pouco mais ou menos Quer vel-o? — Quero. — Ha de ficar satisfeito. Trata-se de algum passeio por mar? — Nāo. De uma viagem. — De uma viagem? — Quer levar-me a Yokohama? O marinheiro, ao ouvir estas palavras, deixou cair os braços e abriu muito os olhos. — Está zombando? disse elle. — Nāo! Perdi o ''Carnatic'', e é preciso que eu esteja, o mais tardar, no dia 14, em Yokohama, para tomar logar no paquete da carreira de San Francisco. — Sinto muito, redarguiu o piloto, mas é impossivel. — Offereço-lhe cem libras por dia e uma gratificaçāo de duzentas libras se chegar a tempo. — E serio? perguntou o piloto. — Muito serio, respondeu mr. Fogg. O piloto afastára-se um pouco. Observava o mar, evidentemente hesitando entre a perspectiva de um ganho enorme e o perigo de se aventurar tāo longe. Fix estava em afflicções de morte. A este tempo, mr. Fogg voltára-se para mrs. Aouda. — Tem medo? perguntou-lhe elle. {{nop}}<noinclude></noinclude> 1tkude8i5fcniidcjer85is4hwdx8ze Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/208 106 258072 563398 2026-09-21T13:19:37Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 202 VIAGENS MARAVILHOSAS Mas parece que Phileas Fogg teve uma idéa, porque disse ao capitão: -Pois bem, quer transportar-me a Bordeus? -Não, nem que me pagasse cem dollars! - Offereço-lhe dois mil (). - Por pessoa? - Por pessoa. - E são quatro? - Quatro. O capitão Speedy começou a coçar na testa com desespero. como se quizesse arrancar a pelle. 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Demais, passageiros a dois mil dollars já não são passageiros, são mercadoria preciosa. -Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o ca- pitão Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... - Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade não inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do Henrietta, subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o gentleman fez com a serenidade que não o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o llenrietta levantava ferro, já se acha- vam todos quatro a bordo. Quando Passepartout soube quanto enstava esta ultima via- gem, soltou um d'esses Ah! prolongados, que percorrem to- das as notas da escala chromatica descendente! Quanto ao agente Fix, disse comsigo que decididamente o Banco de Inglaterra não ficaria indemnisado do roubo. Com effeito, chegando a Inglaterra e suppondo que o gentleman não deitasse mais alguns punhados de notas ao mar, faltariam mais de sete mil libras no saco das notas. () Dois contos de rés.<noinclude></noinclude> 6gpquaqee5qus2jeutez2ioatop70xn 563401 563398 2026-09-21T13:20:11Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563401 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" />{{rvh|202|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>202 VIAGENS MARAVILHOSAS Mas parece que Phileas Fogg teve uma idéa, porque disse ao capitão: -Pois bem, quer transportar-me a Bordeus? -Não, nem que me pagasse cem dollars! - Offereço-lhe dois mil (). - Por pessoa? - Por pessoa. - E são quatro? - Quatro. O capitão Speedy começou a coçar na testa com desespero. como se quizesse arrancar a pelle. Oito mil dollars a ganhar sem alterar a viagem, era cousa por amor da qual valia muito a pena pôr de lado a sua antipathia declarada contra toda a es- pecie de passageiros. Demais, passageiros a dois mil dollars já não são passageiros, são mercadoria preciosa. -Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o ca- pitão Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... - Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade não inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do Henrietta, subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o gentleman fez com a serenidade que não o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o llenrietta levantava ferro, já se acha- vam todos quatro a bordo. 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(*) Dois contos de rés.<noinclude></noinclude> t5fh5ioivpya1xjgvr5z4auann5le39 563406 563401 2026-09-21T13:21:13Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 563406 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" />{{rvh|202|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>202 VIAGENS MARAVILHOSAS Mas parece que Phileas Fogg teve uma idéa, porque disse ao capitão: -Pois bem, quer transportar-me a Bordeus? -Não, nem que me pagasse cem dollars! - Offereço-lhe dois mil (*). - Por pessoa? - Por pessoa. - E são quatro? - Quatro. O capitão Speedy começou a coçar na testa com desespero. como se quizesse arrancar a pelle. Oito mil dollars a ganhar sem alterar a viagem, era cousa por amor da qual valia muito a pena pôr de lado a sua antipathia declarada contra toda a es- pecie de passageiros. Demais, passageiros a dois mil dollars já não são passageiros, são mercadoria preciosa. -Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o ca- pitão Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... - Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade não inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do Henrietta, subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o gentleman fez com a serenidade que não o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o llenrietta levantava ferro, já se acha- vam todos quatro a bordo. Quando Passepartout soube quanto enstava esta ultima via- gem, soltou um d'esses Ah! prolongados, que percorrem to- das as notas da escala chromatica descendente! Quanto ao agente Fix, disse comsigo que decididamente o Banco de Inglaterra não ficaria indemnisado do roubo. 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Oito mil dollars a ganhar sem alterar a viagem, era cousa por amor da qual valia muito a pena pôr de lado a sua antipathia declarada contra toda a es- pecie de passageiros. Demais, passageiros a dois mil dollars já não são passageiros, são mercadoria preciosa. -Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o ca- pitão Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... - Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade não inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do Henrietta, subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o gentleman fez com a serenidade que não o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o llenrietta levantava ferro, já se acha- vam todos quatro a bordo. Quando Passepartout soube quanto enstava esta ultima via- gem, soltou um d'esses Ah! prolongados, que percorrem to- das as notas da escala chromatica descendente! Quanto ao agente Fix, disse comsigo que decididamente o Banco de Inglaterra não ficaria indemnisado do roubo. Com effeito, chegando a Inglaterra e suppondo que o gentleman não deitasse mais alguns punhados de notas ao mar, faltariam mais de sete mil libras no saco das notas. (*) Dois contos de rés.<noinclude></noinclude> 5tvp7oz9y8q44q702ld9vv88ct6oj1v 563412 563409 2026-09-21T13:22:39Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 563412 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" />{{rvh|202|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>202 VIAGENS MARAVILHOSAS Mas parece que Phileas Fogg teve uma idéa, porque disse ao capitão: -Pois bem, quer transportar-me a Bordeus? -Não, nem que me pagasse cem dollars! - Offereço-lhe dois mil (*). - Por pessoa? - Por pessoa. - E são quatro? - Quatro. O capitão Speedy começou a coçar na testa com desespero. como se quizesse arrancar a pelle. Oito mil dollars a ganhar sem alterar a viagem, era cousa por amor da qual valia muito a pena pôr de lado a sua antipathia declarada contra toda a es- pecie de passageiros. Demais, passageiros a dois mil dollars já não são passageiros, são mercadoria preciosa. -Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o ca- pitão Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... - Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade não inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do Henrietta, subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o gentleman fez com a serenidade que não o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o llenrietta levantava ferro, já se acha- vam todos quatro a bordo. Quando Passepartout soube quanto enstava esta ultima via- gem, soltou um d'esses Ah! prolongados, que percorrem to- das as notas da escala chromatica descendente! Quanto ao agente Fix, disse comsigo que decididamente o Banco de Inglaterra não ficaria indemnisado do roubo. Com effeito, chegando a Inglaterra e suppondo que o gentleman não deitasse mais alguns punhados de notas ao mar, faltariam mais de sete mil libras no saco das notas. (*) Dois contos de rés.<noinclude></noinclude> h3o6dw5zt2z43jcip9a7nzyni1bbaa5 563639 563412 2026-09-21T14:56:51Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563639 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|202|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Mas parece que Phileas Fogg teve uma idéa, porque disse ao capitāo: —Pois bem, quer transportar-me a Bordéus? — Nāo, nem que me pagasse cem dollars! — Offereço-lhe dois mil<ref>Dois contos de réis.</ref>. — Por pessoa? — Por pessoa. — E sāo quatro? — Quatro. O capitāo Speedy começou a coçar na testa com desespero, como se quizesse arrancar a pelle. Oito mil dollars a ganhar sem alterar a viagem, era cousa por amor da qual valia muito a pena pôr de lado a sua antipathia declarada contra toda a especie de passageiros. Demais, passageiros a dois mil dollars já nāo sāo passageiros, sāo mercadoria preciosa. — Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o capitāo Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... — Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade nāo inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do ''Henrietta'', subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o ''gentleman'' fez com a serenidade que nāo o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o ''Henrietta'' levantava ferro, já se achavam todos quatro a bordo. Quando Passepartout soube quanto custava esta ultima viagem, soltou um dʼesses «Ah!» prolongados, que percorrem todas as notas da escala chromatica descendente! Quanto ao agente Fix, disse comsigo que decididamente o Banco de Inglaterra nāo ficaria indemnisado do roubo. 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Oito mil dollars a ganhar sem alterar a viagem, era cousa por amor da qual valia muito a pena pôr de lado a sua antipathia declarada contra toda a especie de passageiros. Demais, passageiros a dois mil dollars já nāo sāo passageiros, sāo mercadoria preciosa. — Parto ás nove horas, disse com toda a simplicidade o capitāo Speedy, e se o senhor e os seus apparecerem?... — Ás nove horas estaremos a bordo! redarguiu Phileas Fogg com simplicidade nāo inferior. Eram oito e meia. Desembarcar do ''Henrietta'', subir para uma carruagem, dirigir-se ao hotel Saint-Nicolas, e trazer mrs. Aouda, Passepartout e até o inseparavel Fix, a quem graciosamente offereceu passagem, foi o que o ''gentleman'' fez com a serenidade que nāo o abandonava em circumstancia alguma. No momento em que o ''Henrietta'' levantava ferro, já se achavam todos quatro a bordo. 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Ora, todas essas versões já são velhas nesta quadra tormentosa em que uma hora tem um valor imenso; já têm quinze dias. Há quinze dias que se aguarda a todos os minutos a rendição do arraial, já ocupado em parte, pelas nossas forças e tendo apenas duzentos inimigos combalidos pelas fadigas e pela fome, cindidos pela discórdia e desalentados a ponto de irem para a batalha, a pau... E se considerarmos que eles sabem dos reforços que seguem e dos que hoje, neste momento, devem estar chegando a Canudos, para completar o cerco, trancando-lhe definitivamente a única estrada livre — e da qual não se aproveitam, em tempo, fugindo à morte inevitável — somos irresistivelmente levados a considerar a campanha, em vez de próxima ao seu termo, sob a sua feição primitiva, incompreensível, misteriosa. Ela tem-no sido desde o começo; desde o princípio que os desastres sobrevêm — surpreendendo a toda a gente, inesperadamente, caindo de chofre no momento em que se espera a vitória e se antecipam ovações triunfais. Por que razão os ''jagunços'', desmoralizados, em número reduzido, tendo ainda franca a fuga para o sertão indefinido e impérvio, onde não há descobri-los, no seio de uma natureza que é a sua melhor arma de guerra — esperam que lhes fechem a única estrada para a salvação, aguardam que se complete o sítio do qual resultarão a rendição e todas as suas funestas conseqüências? Afastada a hipótese de um devotamento sobre-humano que lhes imponha o sucumbir sob os muros desmantelados dos templos que alevantaram — quase que se é irresistivelmente inclinado a pensar numa nova cilada caindo ex-abrupto, baralhando mais uma vez os planos da campanha. Do mesmo modo que as nossas tropas anseiam por novos reforços que chegam, não esperarão eles, acaso, dos sertões desconhecidos que se desdobram ao norte e noroeste de Canudos, fortes contingentes que ponham a nossa gente entre dois fogos? Não será também lícito conjeturar, afastada esta suposição, que o número relativamente pequeno dos que permanecerem no arraial, arrostando todos os perigos, tenha como objetivo atrair exclusivamente para ali o exército e ali demorá-lo, iludido durante algum tempo, até que se revigorem os fanáticos e se reúnam e se reforcem<noinclude></noinclude> l52cevd2sbie03k0mj0g58rl3qz36rx Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/104 106 258074 563405 2026-09-21T13:21:01Z Pimfa 41224 /* Revista */ 563405 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Pimfa" />{{rvh|100|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}} 400 VIAGENS MARAVILHOSAS</noinclude>tou-o sem elle saber bem porque. O francez teria adivinhado? Não sabia o que pensasse. Mas como é que Passepartout podía adivinhar a sua profissão de agente de policía? Em todo o caso, fallando-lhe d'aquelle modo, Passepartout tivera de certo se- gunda intenção. Aconteceu mesmo que certo dia o bom do moço foi mais longe. Aquillo era mais forte do que elle; não podia ter mão na lingua. - Vamos a ver, mr. Fix, pergunton elle ao seu companheiro em tom malicioso, dar-se-ha caso que, chegados a long-Kong, tenhamos a desgraça de ahi o deixarmos? - Mas, respondeu Fix bastante embaraçado, não sei!... Tal- vez que... Ah! disse Passepartout, se nos acompanhasse, seria uma fortuna para mim. Vejamos! um agente da companhia peninsu- lar não póde parar no caminho. O senhor ia só a Bombaim, e- eil-o quasi na China! A America não fica longe, e da America á Europa vae um passo apenas! Fix olhou attentamente para o seu interlocutor, que lhe mos- trava a cara mais amavel do mundo, e tomou a resolução de rir com elle. Mas Passepartout, que estava com vela, pergun- tou-lhe se aquelle officio rendia muito. - Sim e não, respondeu Fix sem pestanejar. Ha negocios bons e maus. Bem deve perceber que não viajo à minha custa! -Oh! quanto a isso, tenho a certeza! exclamou Passepartout cada vez com mais vontade de rir.. Acabada a conversa, Fix entrou no seu camarote e poz-se a reflectir. Evidentemente tinham-lhe adivinhado as idéas. De um modo ou de outro, o francez reconhecera-lhe a qualidade de espião. Mas teria prevenido o amo? Que papel desempenhava elle em tudo isto? Era cumplice ou não? O negocio estaria des- coberto e por conseguinte perdido? O agente passou algumas horas bem amargas, ora julgando tudo perdido, ora afagando a esperança de que Fogg ignorasse a situação, e a final ficou sem saber que partido tomasse.<noinclude></noinclude> 6shlpw0q7uekfhphob2gkqlxwsvdt2s 563471 563405 2026-09-21T13:45:51Z Pimfa 41224 563471 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Pimfa" />{{rvh|100|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}} 400 VIAGENS MARAVILHOSAS</noinclude>tou-o sem elle saber bem porque. O francez teria adivinhado? Não sabia o que pensasse. Mas como é que Passepartout podía adivinhar a sua profissão de agente de policía? Em todo o caso, fallando-lhe d'aquelle modo, Passepartout tivera de certo segunda intenção. Aconteceu mesmo que certo dia o bom do moço foi mais longe. Aquillo era mais forte do que elle; não podia ter mão na lingua. - Vamos a ver, mr. Fix, pergunton elle ao seu companheiro em tom malicioso, dar-se-ha caso que, chegados a Hong-Kong,tenhamos a desgraça de ahi o deixarmos? - Mas, respondeu Fix bastante embaraçado, não sei!... Talvez que... Ah! disse Passepartout, se nos acompanhasse, seria uma fortuna para mim. Vejamos! um agente da companhia peninsular não póde parar no caminho. O senhor ia só a Bombaim, e-eil-o quasi na China! A America não fica longe, e da America á Europa vae um passo apenas! Fix olhou attentamente para o seu interlocutor, que lhe mostrava a cara mais amavel do mundo, e tomou a resolução de rir com elle. Mas Passepartout, que estava com vela, pergun- tou-lhe se aquelle officio rendia muito. - Sim e não, respondeu Fix sem pestanejar. Ha negocios bons e maus. Bem deve perceber que não viajo à minha custa! -Oh! quanto a isso, tenho a certeza! exclamou Passepartout cada vez com mais vontade de rir.. Acabada a conversa, Fix entrou no seu camarote e poz-se a reflectir. Evidentemente tinham-lhe adivinhado as idéas. De um modo ou de outro, o francez reconhecera-lhe a qualidade de espião. Mas teria prevenido o amo? Que papel desempenhava elle em tudo isto? Era cumplice ou não? O negocio estaria descoberto e por conseguinte perdido? O agente passou algumas horas bem amargas, ora julgando tudo perdido, ora afagando a esperança de que Fogg ignorasse a situação, e a final ficou sem saber que partido tomasse.<noinclude></noinclude> kz17gq3x5qxgu04bp8or63rexu23iyk 563590 563471 2026-09-21T14:20:20Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563590 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|100|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>tou-o sem elle saber bem porque. O francez teria adivinhado? Nāo sabia o que pensasse. Mas como é que Passepartout podia adivinhar a sua profissāo de agente de policía? 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Bem deve perceber que nāo viajo á minha custa! — Oh! quanto a isso, tenho a certeza! exclamou Passepartout cada vez com mais vontade de rir. Acabada a conversa, Fix entrou no seu camarote e poz-se a reflectir. Evidentemente tinham-lhe adivinhado as idéas. De um modo ou de outro, o francez reconhecera-lhe a qualidade de espiāo. Mas teria prevenido o amo? Que papel desempenhava elle em tudo isto? Era cumplice ou nāo? O negocio estaria descoberto e por conseguinte perdido? 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Não me engano, disse, chegando-se a elle com o mais ama- vel sorriso, foi effectivamente o senhor que tão compla... 563407 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" />{{rvh|44|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>VIAGENS MARAVILHOSAS Bem alimentado, bem abrigado, via terras, e depois affirmava a si proprio que similhante phantasia acabava em Bombaim. No dia que se seguiu à partida de Suez, a 29 de outubro, não foi sem certo prazer que elle encontrou sobre a tolda o ob- sequiador personagem a quem se dirigira ao desembarcar no Egypto. Não me engano, disse, chegando-se a elle com o mais ama- vel sorriso, foi effectivamente o senhor que tão complacente- mente me serviu de guia em Suez? -Effectivamente, respondeu o homem da polícia, reconhe- ço-o. É o creado d'aquelle inglez original... -Exactamente, mr... -Fix. Mr. Fix, repetiu Passepartout. Folgo immenso de o encon- trar a bordo. E aonde vae? -Como o senhor, a Bombaim. -Melhor. Já fez esta viagem? -Tenho-a feito muitas vezes, respondeu Fix. Sou agente da Companhia Peninsular. N'esse caso conhece a India? -Ah... sim... respondeu Fix, que não queria adiantar-se muito. E é curiosa a India? -Muito! Vêem-se mesquitas, minaretes, templos, fakirs, pa- godes, tigres, serpentes, bailadeiras! Mas é de esperar que te- nha tempo de visitar a terra. -Assim espero, mr. Fix. Bem comprehende que não é per- mittido a um homem que tenha a cabeça no seu logar passar a vida a saltar dos paquetes para os caminhos de ferro, e dos caminhos de ferro para os paquetes, sob pretexto de fazer uma viagem á roda do mundo em oitenta dias! Não. Toda esta gym- nastica ha de acabar em Bombaim, não duvide d'isso. -E mr. Fogg passa bem? perguntou Fix com o tom mais natural. -Muito bem, mr. Fix, muito bem. E tambem eu. Como que nem um ogre em jejum. É do ar do mar.<noinclude></noinclude> 8pbb9hzwamdsdmma8n9x0n7ree22tmu 563413 563407 2026-09-21T13:22:46Z ACJCRC 43844 /* Revista */ 563413 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" />{{rvh|44|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>VIAGENS MARAVILHOSAS Bem alimentado, bem abrigado, via terras, e depois affirmava a si proprio que similhante phantasia acabava em Bombaim. No dia que se seguiu à partida de Suez, a 29 de outubro, não foi sem certo prazer que elle encontrou sobre a tolda o ob- sequiador personagem a quem se dirigira ao desembarcar no Egypto. Não me engano, disse, chegando-se a elle com o mais ama- vel sorriso, foi effectivamente o senhor que tão complacente- mente me serviu de guia em Suez? -Effectivamente, respondeu o homem da polícia, reconhe- ço-o. É o creado d'aquelle inglez original... -Exactamente, mr... -Fix. Mr. Fix, repetiu Passepartout. Folgo immenso de o encon- trar a bordo. E aonde vae? -Como o senhor, a Bombaim. -Melhor. Já fez esta viagem? -Tenho-a feito muitas vezes, respondeu Fix. Sou agente da Companhia Peninsular. N'esse caso conhece a India? -Ah... sim... respondeu Fix, que não queria adiantar-se muito. E é curiosa a India? -Muito! Vêem-se mesquitas, minaretes, templos, fakirs, pa- godes, tigres, serpentes, bailadeiras! Mas é de esperar que te- nha tempo de visitar a terra. -Assim espero, mr. Fix. Bem comprehende que não é per- mittido a um homem que tenha a cabeça no seu logar passar a vida a saltar dos paquetes para os caminhos de ferro, e dos caminhos de ferro para os paquetes, sob pretexto de fazer uma viagem á roda do mundo em oitenta dias! Não. Toda esta gym- nastica ha de acabar em Bombaim, não duvide d'isso. -E mr. Fogg passa bem? perguntou Fix com o tom mais natural. -Muito bem, mr. Fix, muito bem. E tambem eu. Como que nem um ogre em jejum. 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E aonde vae? — Como o senhor, a Bombaim. — Melhor. Já fez esta viagem? — Tenho-a feito muitas vezes, respondeu Fix. Sou agente da Companhia Peninsular. — Nʼesse caso conhece a India? — Ah... sim... respondeu Fix, que nāo queria adiantar-se muito. — E é curiosa a India? — Muito! Véem-se mesquitas, minaretes, templos, fakirs, pagodes, tigres, serpentes, bailadeiras! Mas é de esperar que tenha tempo de visitar a terra. — Assim espero, mr. Fix. Bem comprehende que nāo é permittido a um homem que tenha a cabeça no seu logar passar a vida a saltar dos paquetes para os caminhos de ferro, e dos caminhos de ferro para os paquetes, sob pretexto de fazer uma viagem á roda do mundo em oitenta dias! Nāo. Toda esta gymnastica ha de acabar em Bombaim, nāo duvide dʼisso. — E mr. Fogg passa bem? perguntou Fix com o tom mais natural. — Muito bem, mr. Fix, muito bem. E tambem eu. Como que nem um ogre em jejum. 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A propria policia ignorava o que fora feito do agente Fix, que tão desgraçada- mente se lançára n'uma pista falsa. Tudo isto, porém, não im- pediu que se fizessem novas apostas, e em maior escala. Como um cavallo de corridas, Phileas Fogg estava quasi no termo da carreira. Já não o cotavam a cem, mas a vinte, a dez, a cinco, e o velho paralytico, lord Albermale, esse, tomava-o ao par. Por isso, no sabbado á noite, havia grande multidão reunida em Pall Mall e nas ruas circumvisinhas. Dir-se-ia uma immen- sa multidão de corretores, estabelecidos permanentemente nas proximidades do Reform-Club. A circulação estava obstruida. Discutiam-se, disputavam-se, apregoavam-se os Phileas Fogg como os fundos inglezes. Os agentes da policia com difficulda- de continham o populacho, e à medida que se aproximava a hora em que devia chegar Phileas Fogg, a commoção tomava proporções inverosimeis. N'aquella noite os cinco collegas do gentleman achavam-se reunidos desde as sete horas no salão principal do Reform- Club. Os dois banqueiros John Sullivan e Samuel Fallentin, o engenheiro Andrew Stuart, Gauthier Ralph, administrador do Banco de Inglaterra, o cervejeiro Thomaz Flanagan, esperavam anciosos. No momento em que o relogio do salão dava oito horas e vinte e cinco minutos, Andrew Stuart, levantando-se, disse: Senhores, dentro de vinte minutos o praso combinado en- tre nós e mr. Phileas Fogg terá expirado. A que horas chegou o ultimo comboio de Liverpool? per- guntou Thomaz Flanagan. Ás sete horas e vinte e tres minutos, respondeu Gauthier == Texto de cabeçalho ==<noinclude></noinclude> lqzxnqno8uunjevxh7aaiiwgta8rlrm 563659 563417 2026-09-21T15:05:14Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563659 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|221|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>no sabbado 21 de dezembro, ás oito horas e quarenta e cinco minutos da noite, iria elle apparecer, como o deus da exactidāo, no limiar da sala do Reform-Club? Temos de renunciar a pintura da anciedade em que, durante tres dias, viveu toda esta classe da sociedade ingleza. Expediram-se despachos telegraphiecs para a America, para a Asia, a fim de se obterem noticias de Phileas Fogg! Mandaram vigiar dia e noite a casa de Saville-row... Nada. A propria policia ignorava o que fora feito do agente Fix, que tāo desgraçadamente se lançára nʼuma pista falsa. Tudo isto, porém, nāo impediu que se fizessem novas apostas, e em maior escala. Como um cavallo de corridas, Phileas Fogg estava quasi no termo da carreira. Já nāo o cotavam a cem, mas a vinte, a dez, a cinco, e o velho paralytico, lord Albermale, esse, tomava-o ao par. Por isso, no sabbado á noite, havia grande multidāo reunida em Pall Mall e nas ruas circumvisinhas. Dir-se-ia uma immensa multidāo de corretores, estabelecidos permanentemente nas proximidades do Reform-Club. A circulaçāo estava obstruida. Discutiam-se, disputavam-se, apregoavam-se os «Phileas Fogg» como os fundos inglezes. Os agentes da policia com difficuldade continham o populacho, e á medida que se aproximava a hora em que devia chegar Phileas Fogg, a commoçāo tomava proporçōes inverosimeis. Nʼaquella noite os cinco collegas do ''gentleman'' achavam-se reunidos desde as sete horas no salāo principal do Reform-Club. Os dois banqueiros John Sullivan e Samuel Fallentin, o engenheiro Andrew Stuart, Gauthier Ralph, administrador do Banco de Inglaterra, o cervejeiro Thomaz Flanagan, esperavam anciosos. No momento em que o relogio do salāo dava oito horas e vinte e cinco minutos, Andrew Stuart, levantando-se, disse: — Senhores, dentro de vinte minutos o praso combinado entre nós e mr. Phileas Fogg terá expirado. — A que horas chegou o ultimo comboio de Liverpool? perguntou Thomaz Flanagan. — Ás sete horas e vinte e tres minutos, respondeu Gauthier<noinclude></noinclude> r19ud1u6t1ot14hct0juf2py2qzfuq7 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/563 106 258077 563420 2026-09-21T13:24:24Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: le madeiras de encher, que formão a ofada para cima da cinta do navio. São da figura de hum S. BLUT. VO- {{lema|APOTHEGMA}}. s. m. Dito breve, agudo ou fentenciofo de peffoa illuftre. (Apophthegma.) ant. Apotegma Apote- na. Greg. A'zoyz. BARR. Viciof. Vergonh. 27 Por ahi não haver hum Plutarco, que recolheffe os feus apo- stemas em Grego on Latim, perderão as coufas feu pre-opofentar.. 10 co? Luc. Vid. 1, 1 Fazendo particulares tratad... 563420 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />APO</noinclude>le madeiras de encher, que formão a ofada para cima da cinta do navio. São da figura de hum S. BLUT. VO- {{lema|APOTHEGMA}}. s. m. Dito breve, agudo ou fentenciofo de peffoa illuftre. (Apophthegma.) ant. Apotegma Apote- na. Greg. A'zoyz. BARR. Viciof. Vergonh. 27 Por ahi não haver hum Plutarco, que recolheffe os feus apo- stemas em Grego on Latim, perderão as coufas feu pre-opofentar.. 10 co? Luc. Vid. 1, 1 Fazendo particulares tratados, até dos ditos breves, a que chamão apophthegmas dos varoes illuftres. M. BERN. Floreft. 1. Prol. Havia recolhido varios ab apophthegmas (ifto he ditos breves e fentenciofos dos enoffos trabalhos máis fe hão de favorecer com a protei- -ção dos doutos, que apoucar com a mal intencionada ore- olha dos malignos,car com a m {{lema|APOTHEGMATA}}. s. f. antiq. O mefnto que Apothegma. SABELL. Eneid. 2, 1, 13 Ha hi agora algumas fuas apo- thegmatas. {{lema|APOTHEOSIS}}. s. f. Ceremonia de deificação, acto de por ino numero dos Deofes algum mortal. Os Romanos a pra- ticárão com os feus Emperadores. Greg. A'olewig. acc. na penult. BLUT. Vocab... {{lema|APOUCADAMENTE}}. adv. mod. Com abatimento ou baiboxeza de animo. BARBOS. Dia..he omo si {{lema|APOUCADO, A}}. p. p. de Aponcar. Ufafe commummen- lete como adj. Limitado, efcafo; pequeno. Das coufas. sc Gouv. Rel. 1, 17 Volla Altezai fó bafta pera contraf- -avtar o poder do Turcocemi occafião, em que elle eftá listão apoucado. Luz, Serm. 3, 17,02 Pedirlhe os bens do Epith Claro. SADELL. Eneid. 2, 2, 30. Cuftofo. mundo, fendo elles tão vis e appucados. VIEIR. Serm. 10 do Rof. 23, 9, 310 Supponho que não haverá Fé -tão apoucada, ei tão incredula &caolo - Acanbado, que be para ponco, de pequeno efpiri- mito ou de fraco preftimo. Das peffoas e do animo. ARR. Dial. 1, 23 Publicarofaltas fecretas, publicando o autor dellas, he vicio de homem apoucado. PRIM. E HONR. 2, 2. O ferviço del Rei quer zelo, se amor, e condição de -leaes filhos, ce não homens mercenarios de animo apou rado. SYN. Dioc. 19, 60 y Como gentesville poucada todo o feu cuidado e intento era roubar e apanhar o que podião. robemos o Infaufto, defgraçado. TELL. Chr. 1, 2, 20. n. 1 Haldias apoucados, e horas mingoadas, que afli chamou Jacob aos dias de fua vida. {{lema|APOUCAMENTO}}. s. m. Abatimento de animo, pequenés ou acanhamento de efpirito. BARBOS. Dist., soV. {{lema|APOUCAR}}. v. a. Diminuir, reduzir a menor numero. Tem .Ila anomalia dos verbos em car. CAM. Luf. 4, 31 Recre- -cem os imigos fobre a pouca Gente de fero Nuno, que dos apouca. CEIT. Serm. 1, 11, 1Aborrido Deos 1 BERN. Rim. Hift. de S. Urful. 11 ESPER. Hift. 2, 9, 35. n. 1. Demafiado. GRAN. Comp. 3, 4. Eftrondofo. VIEIR. Voz. 14, 275. Exceffivo. ARR. Dial. 8, 19. Ex- terior, GUERREIR. Rei. 4, 1, 15. Fan:aftico. PARAD. Arr. 3, 19163. col: 2. Funebre, PINHEIR. Summar. 22. Funeral. GUERREIR. Rel. 4, 3, 4. Grande. GOES, Chr. de D. Man. 1, 68. Grandiofo. ANDRAD. Chr. I, 16. N- luftre: SAI DE. MEN. Mal. 1, 57. Immenfo. F. DE MER- Doç. Serm. 2, 124, 33. Incrivel. SAEELL. Eneid. 1, 9, 122. Luftrofo. SOVER. Hift. 1, 13. Mageftofo. ESPER. Hift. Prelud. 110, 13. Magnificentiffimo. SABELL. Eneid. 1, 8, 107. Magnifico. VIEIR. Serm. 9. do Rof. 12, 3, 456. Mundano. CALV. Homil. 2, 524. Nobre. ANDRAD. Cerc. 2, 6, 1. Pompofo. GAST. DOS REIS, Rel. 50, 93. Real, Maus. Aff. Afr. 1 5. Rice. Sous. COUTINH. Cerc. 1, Sobejo. FR. Mare. Vid. 5, 10. BERN. Lim. Cart. 27. Soberano. ANDRAD. Cerc. 2, 9, 3. Soberbo. A- MARAL, Serm. 356, 10. Solemne. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 360, 8. Sumptuofo. PINHEIR. Summar. 4 Y. ANDRAD. Cerc. 1. Triunfal. ArF. GUERREIR. Feft. 25. Vão. HEIT, PINT. Dial. 2, 1, 14. Venerado. ARR. Dial. de tanto, estão mão. mundo, mandou o diluvio, affim 8, 13/10 o 1 14. Ponado. ARR. Dial pera o apoucar (não deixando mais que oito em huma arca) como pera o melhorar. VIEIR. Serm. y.. do Rof. 12, 6, 474 Tratou conforme ifto Gedeão de apoucar e diminuir o feu exercito. tonomos m Met. Abater, humilhar, tornar menos em preço, - valor, eftimac Ros. Summ. 31 Regernos por ellas [paixões] the aponcar noffa dignidade. ARR. Dial. cb429 E he que quando pediffemos alguma. mercé aos magnanimos, apoucaffemos nofas coufas. CALV. Homil. 2, 173 Tudo delicias aponcão, efféminão, e acabão. - Defdenbar en detrabir de alguem ou de alguma con -ufa, abatendolhe o merecimento ou tirandolhe o valor para fe ter em pouco. EUTROS. 1, 4 E por cima de noflas -blasfemias, de noflo apoucar feu faber &c. BARR. Dec. 4, 5, 15 Apoucando as coufas de Nuno. da Cunha, e dos Portuguezes. CALV. Homil. 2, 373 He confolação de mãos dettahir e apontar bons. Com pron. peff. Diminuirfe, reduzirfe a menor qulan- tidade na extensão ou duração. AxR. Dial. I, 20 Em ne- nhuma coufa fe apouca mais a natureza humana. FED, Tr. 1, 123, 4 Tanto mais fe lhe diminuião as forças naturaes, as quaes fe hião apoucando com a intenção do Aprefto, apparelho, inftrumento para fe fazer algu ma confa. Ufafe ás mais das vezes no pl. Sous. Hift. 1, 3, 41 Efte Principe jouve até noffos tempos...Nem huma caixa de marmore branco, encalhada em roda, de arvoredos e apparatos de montaria. MARINH. Doutr. 5 Para alcançar mais depreffa huma victoria, convém que muito dantemão fe juntem os apparatos, ALVODACCU- Ns. Efcól. 23, 15. Defdiria muito da obra, fe não fa- hiffem plaufiveis, aquellas acções, pera as quaes fe fize. arão tantos apparatos., motube sp, cativis Dizfe particularmente de tudo neceffario para fazer a guerra. BARR Dec. 1, 32 Porém quando elles vi- rão tamanho apparato de guerra &c. BRIT. Chr. 2, 21 Temia que o apparato de guerra de Alemanha lhe def carregafle to lo em fuas terras. Maus. Aff. Afr. 8, 121 Sentio Bellona lá onde fe encerra Efte apparato. Epith. ne precedente fignificado. Bellico. SA DE Man. Mal 3,126. PER. D'AFONS. Poder. 9, 231. Belli- cofo. SA DE MEN., Mal. 6, 86. Formidavel, VIEIR. Serm. 5, 12, 6. n. 414. Forte. APR. Dial. 3, 22. Horrendo. PINT. PER Hift. 2, 34, 103 y. Terrivel. SABELL. Eneid. -12, 1, 4 nerer ses bis 174 Foriofe mais aponcando Preliminares, introdução, on colleção de memorias paas idades dos homens. Met. Abaterfe, humilharfe. GRAN. Comp. 1, 9 De maneira que fendo elle da fubftancia de Deos, e igual a Deos, fe abateo e apoucou, fazendofe homem mando figura de fervo. CEIT. Serm. 1,106,3 De for- te, diz o Apoftolo, que de veras, e mui de propofito fe andou fugeitando, e, fe póde caber o vocabulo, a- poucando: Semetipfum exinanit. CALV. Defenf. i,Os {{lema|APOUPAR}}. a. antiq. O mesmo que Poupar, e he como hoje fe diz. MACHAD. Cerc 2, 24 y Que não fe ha de apoupar nunca o imigo. {{lema|APOUSENTAR}}. v. a. ant. e os feus derivados. Vej. A- {{lema|APOUTAR}}. v. n. Dar fundo com buma ou mais pedras em lugar de ancora. BLUT. Vocab. {{lema|APOZEMA}}. s. f. Vej. Apofima. Nota. Todas as palavras, que alguns efcrevem por varoes illuftres.) 4. App. e não fe acharem na fua ordem, bufquemfe por Ap. {{lema|APPARATADO, A}}. p. p. de Apparatar. FR. GAS. DE S. BERNARD. Itin. 14. Epith. Antigo. FR. LEÃO, Bened. 1, 1, 5. c. 11. Celebre. D. G. COUTINH. Jorn. 30. Decantado. M. BERN. - Florelt. 4, 15, 197. Delicado. Makiz, Dial. 4, 11. -Sentenciofo. MARIZ, Dial. 4, 11. ... {{lema|APPARATAR}}. v. a. pouc. ul. Ornar, fazer apparatofo GASP. DOS Reis, Rel. 5, 12 A cuja fermofura por mór graça, hião em redondo apparatando huns dourados e fubtis volantes. FR. GASE. DE S. BERNARD. Itin. 2 Man- dou logo o Capitão pera efte recebimento poppa da não de ricas alcatifas d'Odiaz, apparatar {{lema|APPARATO}}. s. m. Pompa, magnificencia, trém efplendido e de oftentação. Do Lat. Apparatus. BARR. Dec. 1, 3, -2 Refpondeo Diogo d'Azambuja que a caufa del Rei feu fenhor o enviar com tão grande apparato aquella terra, fora defejar paz e mais eftreita amizade com elle. BERN. Lim. Cart. 25 Ahi em vãos, fobejos apparatos Não gaftão o que tem, e o que não tem. ANDRAD. Chr. 1, 16 Afli fe fez preftes para efta jornada com tão grande me cuftofo apparaw. &c. ra facilitar alguma composição. Esper. Hift. 1 Declar. 1, 110 Difponho a natração com preludios da maneira, que Batonib Waddingo, e outros que de apparatos grandes levantarão fuas machinas. Vis: Hift. do Fur. 9, 176 E poftqque todo efte tão largo Prologomeno em rigor não feja Hiftoria do Futuro. (enão preparação ou appa- rató para ella &ccoris ab ray b ad Apparato morbofo. Med. Difpofição de humores en-<noinclude></noinclude> ohcyruae1s0x2x8en8n5yh5pzrgfxmm Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/176 106 258078 563424 2026-09-21T13:29:42Z ACJCRC 43844 /* Revista */ 563424 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" /></noinclude>180 Ao inteligente e estimado colega Dr. Vítor Ramos sou devedor de alguns conselhos e alvitres amigos, que não são mais do que o reflexo da colaboração infatigável com que desinteressadamente éle se tem prestado a substituir no Dic. Term. Tecn. Med. o colega João Saavedra. Os meus bons amigos quintanista Hernâni Barrosa e terceiranista Alberto Saavedra, fizeram larga colheita de termos por livros e revistas de medicina, facilitando assim muito a minha tarefa. A todos GRATIAS AGAMUS. * Começou a ser escrita esta tese a 1 de Julho de 1915. Imprimiu-se a l.a folha em 7 do mesmo mês; a última a 17. Aos Srs. Lemos & C.a, proprietários da Tipografia e ao Sr. Joaquim Vieira da Silva, seu director, bem como ao restante pessoal gráfico, que dedicadamente se esforçaram por que o trabalho se ultimasse em curto prazo, muitos agradecimentos. * Deve ser defendida esta dissertação no dia 28 de julho de 1915 perante um júri a que presidirá o Sr. Prof. Roberto Frias e em que serão arguentes os Srs. Profs. Cândido de Pinho e Pires de Lima.<noinclude></noinclude> e6dn8gbnwmlnd5v1rf3blc4lnpuw7qs 563426 563424 2026-09-21T13:30:13Z ACJCRC 43844 563426 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" /></noinclude>180 Ao inteligente e estimado colega Dr. Vítor Ramos sou devedor de alguns conselhos e alvitres amigos, que não são mais do que o reflexo da colaboração infatigável com que desinteressadamente éle se tem prestado a substituir no Dic. Term. Tecn. Med. o colega João Saavedra. Os meus bons amigos quintanista Hernâni Barrosa e terceiranista Alberto Saavedra, fizeram larga colheita de termos por livros e revistas de medicina, facilitando assim muito a minha tarefa. A todos GRATIAS AGAMUS. * Começou a ser escrita esta tese a 1 de Julho de 1915. Imprimiu-se a l.ª folha em 7 do mesmo mês; a última a 17. Aos Srs. Lemos & C.ª, proprietários da Tipografia e ao Sr. Joaquim Vieira da Silva, seu director, bem como ao restante pessoal gráfico, que dedicadamente se esforçaram por que o trabalho se ultimasse em curto prazo, muitos agradecimentos. * Deve ser defendida esta dissertação no dia 28 de julho de 1915 perante um júri a que presidirá o Sr. Prof. Roberto Frias e em que serão arguentes os Srs. Profs. Cândido de Pinho e Pires de Lima.<noinclude></noinclude> 3i1jvtexmr75zb3dpzywao02caxa67l 563428 563426 2026-09-21T13:30:36Z ACJCRC 43844 563428 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" /></noinclude>180 Ao inteligente e estimado colega Dr. Vítor Ramos sou devedor de alguns conselhos e alvitres amigos, que não são mais do que o reflexo da colaboração infatigável com que desinteressadamente éle se tem prestado a substituir no Dic. Term. Tecn. Med. o colega João Saavedra. Os meus bons amigos quintanista Hernâni Barrosa e terceiranista Alberto Saavedra, fizeram larga colheita de termos por livros e revistas de medicina, facilitando assim muito a minha tarefa. A todos GRATIAS AGAMUS. * Começou a ser escrita esta tese a 1 de Julho de 1915. Imprimiu-se a 1.ª folha em 7 do mesmo mês; a última a 17. Aos Srs. Lemos & C.ª, proprietários da Tipografia e ao Sr. Joaquim Vieira da Silva, seu director, bem como ao restante pessoal gráfico, que dedicadamente se esforçaram por que o trabalho se ultimasse em curto prazo, muitos agradecimentos. * Deve ser defendida esta dissertação no dia 28 de julho de 1915 perante um júri a que presidirá o Sr. Prof. Roberto Frias e em que serão arguentes os Srs. Profs. Cândido de Pinho e Pires de Lima.<noinclude></noinclude> p2r86zjy06fl898y4xh5gubujpp6y1a 563488 563428 2026-09-21T13:49:54Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563488 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>180 Ao inteligente e estimado colega Dr. Vítor Ramos sou devedor de alguns conselhos e alvitres amigos, que não são mais do que o reflexo da colaboração infatigável com que desinteressadamente éle se tem prestado a substituir no Dic. Term. Tecn. Med. o colega João Saavedra. Os meus bons amigos quintanista Hernâni Barrosa e terceiranista Alberto Saavedra, fizeram larga colheita de termos por livros e revistas de medicina, facilitando assim muito a minha tarefa. A todos GRATIAS AGAMUS. * Começou a ser escrita esta tese a 1 de Julho de 1915. Imprimiu-se a 1.ª folha em 7 do mesmo mês; a última a 17. Aos Srs. Lemos & C.ª, proprietários da Tipografia e ao Sr. Joaquim Vieira da Silva, seu director, bem como ao restante pessoal gráfico, que dedicadamente se esforçaram por que o trabalho se ultimasse em curto prazo, muitos agradecimentos. * Deve ser defendida esta dissertação no dia 28 de julho de 1915 perante um júri a que presidirá o Sr. Prof. Roberto Frias e em que serão arguentes os Srs. Profs. Cândido de Pinho e Pires de Lima.<noinclude></noinclude> m0hbek0gqy4raavtfjm8mrpjl5ct3hj Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/2 106 258079 563430 2026-09-21T13:32:10Z Faraqat-flup 43854 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: IOAM DE BARROS EM O DIALOGO DA VI çiósa uergonha. EM o prólogo da Cartinha & grammá- tica da nóssa linguágem que deregimos ao principe nósso senhor: prometemos hum Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei- to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega- mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que lhe tocáua, como a Car... 563430 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>IOAM DE BARROS EM O DIALOGO DA VI çiósa uergonha. EM o prólogo da Cartinha & grammá- tica da nóssa linguágem que deregimos ao principe nósso senhor: prometemos hum Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei- to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega- mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que lhe tocáua, como a Cartinba foy impréßa procurou proueito della fem oulhár a nóssa órdem. Porque de- pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe- ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui- cios naturáes de sua idade. E como a ui- çiófa vergonha é o primeiro imigo que os cométe foriamos neste se- guinte Diálogo ármas com que se della pódem defender Páy<noinclude></noinclude> 5c0yfojtl5kru9o9df4v0cxqqohksv5 563431 563430 2026-09-21T13:32:56Z Faraqat-flup 43854 563431 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>IOAM DE BARROS EM O DIALOGO DA VI çiósa uergonha. EM o prólogo da Cartinha & grammá- tica da nóssa linguágem que deregimos ao principe nósso senhor: prometemos hum Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei- to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega- mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que lhe tocáua, como a Cartinha foy impréssa procurou proueito della fem oulhár a nóssa órdem. Porque de- pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe- ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui- cios naturáes de sua idade. E como a ui- çiófa vergonha é o primeiro imigo que os cométe foriamos neste se- guinte Diálogo ármas com que se della pódem defender Páy<noinclude></noinclude> 76j3umqc47fu0ozo3d4sk47d89gvfcx 564100 563431 2026-09-22T10:46:48Z Faraqat-flup 43854 564100 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>IOAM DE BARROS<br> ''EM O DIALOGO DA VI''<br> ''çiósa uergonha.''<br> EM o prólogo da Cartinha & grammá-<br> tica da nóssa linguágem que deregimos ao<br> principe nósso senhor: prometemos hum<br> Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma<br> téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei-<br> to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega-<br> mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra<br> zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que<br> lhe tocáua, como a Cartinha foy impréssa procurou<br> proueito della fem oulhár a nóssa órdem. Porque de-<br> pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de<br> sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe-<br> ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui-<br> cios naturáes de sua idade. 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Porque de-<br> pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de<br> sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe-<br> ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui-<br> cios naturáes de sua idade. E como a ui-<br> çiófa vergonha é o primeiro imigo<br> que os cométe foriamos neste se-<br> guinte Diálogo ármas com<br> que se della pódem<br> defender}} Páy<noinclude></noinclude> hosus8lxf4bwvs5smwufnf5h3leoffv 564107 564106 2026-09-22T10:56:59Z Faraqat-flup 43854 564107 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>{{c|IOAM DE BARROS<br> ''EM O DIALOGO DA VI''<br> ''çiósa uergonha.''<br> ''EM o prólogo da Cartinha & grammá-<br> ''tica da nóssa linguágem que deregimos ao<br> ''principe nósso senhor: prometemos hum<br> ''Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma<br> ''téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei-<br> ''to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega-<br> ''mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra<br> ''zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que<br> ''lhe tocáua, como a Cartinha foy impréssa procurou<br> ''proueito della fem oulhár a nóssa órdem. Porque de-<br> ''pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de<br> ''sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe-<br> ''ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui-<br> ''cios naturáes de sua idade. E como a ui-<br> ''çiófa vergonha é o primeiro imigo<br> ''que os cométe foriamos neste se-<br> ''guinte Diálogo ármas com<br> ''que se della pódem<br> ''defender<br>''}} ''Páy''<noinclude></noinclude> d8kmdjtyxv34mtsgm0fynln25gql6lr 564108 564107 2026-09-22T10:58:10Z Faraqat-flup 43854 564108 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>{{c|IOAM DE BARROS<br> E''M O DIALOGO DA VI''<br> ''çiósa uergonha.''<br> ''EM o prólogo da Cartinha & grammá-<br> ''tica da nóssa linguágem que deregimos ao<br> ''principe nósso senhor: prometemos hum<br> ''Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma<br> ''téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei-<br> ''to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega-<br> ''mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra<br> ''zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que<br> ''lhe tocáua, como a Cartinha foy impréssa procurou<br> ''proueito della fem oulhár a nóssa órdem. Porque de-<br> ''pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de<br> ''sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe-<br> ''ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui-<br> ''cios naturáes de sua idade. E como a ui-<br> ''çiófa vergonha é o primeiro imigo<br> ''que os cométe foriamos neste se-<br> ''guinte Diálogo ármas com<br> ''que se della pódem<br> ''defender<br>''}} ''Páy''<noinclude></noinclude> cl29cpvq3y0r6pmzt1rdou36w6wgjqz 564109 564108 2026-09-22T10:58:32Z Faraqat-flup 43854 564109 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>{{c|IOAM DE BARROS<br> EM O DIALOGO DA VI''<br> ''çiósa uergonha.''<br> E''M o prólogo da Cartinha & grammá-<br> ''tica da nóssa linguágem que deregimos ao<br> ''principe nósso senhor: prometemos hum<br> ''Diálogo da uiçiósa uergonha,por ser ma<br> ''téria conueniente á idáde dos minimos em cuio prouei-<br> ''to as outras pártes se ordenaram. Agóra que chega-<br> ''mos a elle,parece que a neçessidade péde dármos aqui ra<br> ''zám do seu fundamento : por que o impresor pelo que<br> ''lhe tocáua, como a Cartinha foy impréssa procurou<br> ''proueito della fem oulhár a nóssa órdem. Porque de-<br> ''pois que os mininos sáem das leteras que é o leite de<br> ''sua criaçám:coméçám a militár em costumes pe-<br> ''ra que lhe convém ármas conuenientes aos ui-<br> ''cios naturáes de sua idade. E como a ui-<br> ''çiófa vergonha é o primeiro imigo<br> ''que os cométe foriamos neste se-<br> ''guinte Diálogo ármas com<br> ''que se della pódem<br> ''defender<br>''}} ''Páy''<noinclude></noinclude> to33kwxc8p2527vb1vg8h8hdjkwnv07 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/17 106 258080 563436 2026-09-21T13:34:55Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563436 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Criamo-lo para vestir com êle quem fere nosso orgulho, ignorância, esterilidade. '' Um pouco de teoria ? Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, crea frases que são versos inteiros, sem prèjuizo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. Entroncamento é sueto para os condenados da prisão alexandrina. Ha porém raro exemplo dêle nêste livro. Uso de caximbo... '' A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer impecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia (1), não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisa-lo das pedras e cercas (1) Lirismo + Arte = Poesia, fórmula de P. Dermée. f- 15<noinclude></noinclude> 2bjjlhv9y7y40mpgy8soel9c4wpgkvy 563456 563436 2026-09-21T13:39:22Z Osa 88 43848 563456 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Criamo-lo para vestir com êle quem fere nosso orgulho, ignorância, esterilidade. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Um pouco de teoria ? Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, crea frases que são versos inteiros, sem prèjuizo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. Entroncamento é sueto para os condenados da prisão alexandrina. Ha porém raro exemplo dêle nêste livro. Uso de caximbo... <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer impecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia (1), não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisa-lo das pedras e cercas (1) Lirismo + Arte = Poesia, fórmula de P. Dermée. f- 15<noinclude></noinclude> fhjzphivguxecmasyzdtua73r3ihy3i 563560 563456 2026-09-21T14:06:59Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563560 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Criamo-lo para vestir com êle quem fere nosso orgulho, ignorância, esterilidade. <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> Um pouco de teoria ? Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, crea frases que são versos inteiros, sem prèjuizo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. Entroncamento é sueto para os condenados da prisão alexandrina. Ha porém raro exemplo dêle nêste livro. Uso de caximbo... <div style="text-align:center">''<nowiki>''</nowiki>''</div> A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer impecilho a perturba e mesmo emudece. Arte, que, somada a Lirismo, dá Poesia (1), não consiste em prejudicar a doida carreira do estado lírico para avisa-lo das pedras e cercas (1) Lirismo + Arte = Poesia, fórmula de P. 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Ao Sr. Prof. Roberto Frias, a cujo brilhante ta- lento e altas qualidades de prelector e de clínico já de há muito me acostumei a prestar homenagem, folgo de agradecer agora a honra concedida de presi- dir à minha lese. Ao prezadíssimo amigo Dr. João Saavedra, cuja colaboração diligentíssima no Dic. Term. Tecn. Med. uma prolongada doença tem feito interromper, devo o concurso de valiosíssimos apontamentos, que não contentes de serem precioso fundo de consulta do Dic. Term. Tecn. Med., ainda para esta obra trasbordaram relevante subsídio. Votos faço pelo seu rápido re- gresso à vida activa.<noinclude></noinclude> ep3rpatl835mjyokfydl4hz8pddcc5t 563440 563437 2026-09-21T13:35:26Z ACJCRC 43844 563440 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="ACJCRC" /></noinclude>NOTA FINAL Para a realização dêste trabalho contribuiram, mais ou menos directamente, valiosos auxílios: O Sr. Prof. Maximiano Lemos, a quem devo, bem como a sua família, inesquecíveis benefícios e cari- nhoso acolhimento, quis ainda fornecer-me preciosas indicações para as consultas que tive de fazer. 0 Sr. Prof. Pires de Lima, além do incentivo que sempre me tem dado para o prosseguimento dos meus estudos de linguagem médica, concedeu-me facilidades grandes para a consulta de numerosas obras na bi- blioteca da Faculdade, e valiosas informações e es- clarecimentos, colhidos na sua vasta leitura de auto- res médicos, quer para o Dicionário, quer para este trabalho. Ao Sr. Prof. Roberto Frias, a cujo brilhante ta- lento e altas qualidades de prelector e de clínico já de há muito me acostumei a prestar homenagem, folgo de agradecer agora a honra concedida de presi- dir à minha lese. Ao prezadíssimo amigo Dr. João Saavedra, cuja colaboração diligentíssima no Dic. Term. Tecn. Med. uma prolongada doença tem feito interromper, devo o concurso de valiosíssimos apontamentos, que não contentes de serem precioso fundo de consulta do Dic. Term. Tecn. Med., ainda para esta obra trasbordaram relevante subsídio. Votos faço pelo seu rápido re- gresso à vida activa.<noinclude></noinclude> bshv25q4v8ber970po06d0yeqyzcdo3 563450 563440 2026-09-21T13:38:24Z ACJCRC 43844 /* Revista */ 563450 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" /></noinclude>NOTA FINAL Para a realização dêste trabalho contribuiram, mais ou menos directamente, valiosos auxílios: O Sr. Prof. Maximiano Lemos, a quem devo, bem como a sua família, inesquecíveis benefícios e cari- nhoso acolhimento, quis ainda fornecer-me preciosas indicações para as consultas que tive de fazer. 0 Sr. Prof. Pires de Lima, além do incentivo que sempre me tem dado para o prosseguimento dos meus estudos de linguagem médica, concedeu-me facilidades grandes para a consulta de numerosas obras na bi- blioteca da Faculdade, e valiosas informações e es- clarecimentos, colhidos na sua vasta leitura de auto- res médicos, quer para o Dicionário, quer para este trabalho. Ao Sr. Prof. Roberto Frias, a cujo brilhante ta- lento e altas qualidades de prelector e de clínico já de há muito me acostumei a prestar homenagem, folgo de agradecer agora a honra concedida de presi- dir à minha lese. Ao prezadíssimo amigo Dr. João Saavedra, cuja colaboração diligentíssima no Dic. Term. Tecn. Med. uma prolongada doença tem feito interromper, devo o concurso de valiosíssimos apontamentos, que não contentes de serem precioso fundo de consulta do Dic. Term. Tecn. Med., ainda para esta obra trasbordaram relevante subsídio. 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Ao Sr. Prof. Roberto Frias, a cujo brilhante ta- lento e altas qualidades de prelector e de clínico já de há muito me acostumei a prestar homenagem, folgo de agradecer agora a honra concedida de presi- dir à minha lese. Ao prezadíssimo amigo Dr. João Saavedra, cuja colaboração diligentíssima no Dic. Term. Tecn. Med. uma prolongada doença tem feito interromper, devo o concurso de valiosíssimos apontamentos, que não contentes de serem precioso fundo de consulta do Dic. Term. Tecn. Med., ainda para esta obra trasbordaram relevante subsídio. Votos faço pelo seu rápido re- gresso à vida activa.<noinclude></noinclude> 2o8vm4hjhz6h7v5pkmd0fkto5mqftet Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/128 106 258082 563438 2026-09-21T13:35:14Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563438 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" /></noinclude>131 lábil V. termostábil. lactado, lactante, criança lactante Lactado—criança de mama.—Duarte Rebello Saldanha (1762). Lactante — criança de mama. — Manuel de Sá Mattos (1788). Criança lactante. — Antonio Gomes Lourenço, (1790-1794). — Informações do Sr. Prof. Pires de Lima. laringe V. faringe. lassidão Trad, do fr. courbature. — Esse termo traduz-se vulgarmente prostração. — José Bento Lopes escrevia laxidão e José Manuel Chaves (Febriologia accomodada também ás pessoas curiosas, Coimbra, 1740) chamava-lhe modorra. — Cit. do Sr. Prof. Pires de Lima, Gaz. dos Hosp. do Porto, vol. iv, 1910, p. 23. lechinos Objectos de penso. — Antonio Gomes Lourenço (1790-1794). —Em Antonio de Almeida (1825) reaparece o termo com as formas lichino e lichinho, para designar um rolo de fios de aplicação análoga à<noinclude></noinclude> f9ighb714l0up3cyf9arvzkaxzsdleg Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/105 106 258083 563443 2026-09-21T13:37:07Z Pimfa 41224 /* Revista */ 563443 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Pimfa" />{{rvh|101|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}} A VOLTA DO MUNDO EM OITENTA DIAS 101</noinclude> Entretanto voltou-lhe ao espirito a tranquillidade, e resolveu andar lealmente com Passepartout. Se as circumstancias não lhe permittissem prender Fogg em Hong-Kong, e se Fogg se preparasse para definitivamente deixar o territorio inglez, elle, Fix, diria tudo a Passepartout. On o creado era cumplice do amo, - e este tudo sabia, e portanto o negocio estava definitivamente. perdido, - ou o creado não tinha parte alguma no roubo, e en- tão o seu interesse seria abandonar o ladrão. Tal era, pois, a situação d'estes dois homens, acima dos quaes se erguia Phileas Fogg em magestosa indifferença. Descrevia racionalmente a sua orbita em roda do mundo, sem se inquie- tar com os asteroides que gravitavam em torno d'elle. E comtudo, nas suas proximidades movia-se um astro que devia produzir certas perturbações no coração do "gentleman". Mas não succedia assim! Os encantos de mrs. Aouda não ti- nham n'elle influnencia alguma, com extrema surpreza de Passe- partout, e as perturbações, se as havia, eram mais difficeis de ealcular do que as de Urano, que occasionaram a descoberta de Neptuno. Na verdade, todos os dias era isto o assombro de Passepar- tout, que lia tanto reconhecimento nos olhos da joven! Decidi- damente Phileas Fogg só tinha o coração preciso para se portar heroicamente, mas não como homem amoroso. Quanto ás preoc- cupações que os acasos da viagem deviam n'elle causar, não se lhes viam vestigios. Mas Passepartout, esse vivia sempre not meio de transes crueis. Um dia, apoiado á balaustrada do «en- gine-room contemplava a potente machina, que em certos mo- mentos tomava maior força, quando a arfagem mais violenta fazia com que o helice se movesse fóra da agua. O vapor saia então pelas valvulas, o que provocava a colera do excellente moço. -Não estão bem fechadas as valvulas! exclamou elle. Não andámos! São inglezas e basta! Ah! se isto fosse um navio ame- ricano, iamos talvez pelos ares, mas caminhavamos mais de- pressa!<noinclude></noinclude> imdznne005ob4t4hogcu7qt795jc70d 563596 563443 2026-09-21T14:23:48Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563596 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|101|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Entretanto voltou-lhe ao espirito a tranquillidade, e resolveu andar lealmente com Passepartout. Se as circumstancias nāo lhe permittissem prender Fogg em Hong-Kong, e se Fogg se preparasse para definitivamente deixar o territorio inglez, elle, Fix, diria tudo a Passepartout. On o creado era cumplice do amo, — e este tudo sabia, e portanto o negocio estava definitivamente perdido, — ou o creado nāo tinha parte alguma no roubo, e entāo o seu interesse seria abandonar o ladrāo. Tal era, pois, a situação dʼestes dois homens, acima dos quaes se erguia Phileas Fogg em magestosa indifferença. Descrevia racionalmente a sua orbita em roda do mundo, sem se inquietar com os asteroides que gravitavam em torno dʼelle. E comtudo, nas suas proximidades movia-se um astro que devia produzir certas perturbaçōes no coraçāo do ''gentleman''. Mas nāo succedia assim! Os encantos de mrs. Aouda nāo tinham nʼelle influnencia alguma, com extrema surpreza de Passepartout, e as perturbaçōes, se as havia, eram mais difficeis de calcular do que as de Urano, que occasionaram a descoberta de Neptuno. Na verdade, todos os dias era isto o assombro de Passepartout, que lia tanto reconhecimento nos olhos da joven! Decididamente Phileas Fogg só tinha o coraçāo preciso para se portar heroicamente, mas nāo como homem amoroso. Quanto ás preoccupaçōes que os acasos da viagem deviam nʼelle causar, nāo se lhes viam vestigios. Mas Passepartout, esse vivia sempre not meio de transes crueis. Um dia, apoiado á balaustrada do «engine-room» contemplava a potente machina, que em certos momentos tomava maior força, quando a arfagem mais violenta fazia com que o helice se movesse fóra da agua. O vapor saia entāo pelas valvulas, o que provocava a colera do excellente moço. — Nāo estāo bem fechadas as valvulas! exclamou elle. Nāo andámos! Sāo inglezas e basta! Ah! se isto fosse um navio americano, iamos talvez pelos ares, mas caminhavamos mais depressa! {{nop}}<noinclude></noinclude> ss661oqlic5d686158qpmqprkknkhsy Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/28 106 258084 563444 2026-09-21T13:37:36Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563444 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>Tenho a língua portuguesa pela mais latina e mais grega de quantas se derivam dos idiomas de Cícero e de Demóstenes: assim, esforço-me eu para dar às suas palavras o mais possível aquela ''rotunda sonoridade'', segundo seu ''ore retundo'', tam própria da língua grega, e que êle tanto queria ver imitada na latina, ''parce detorta''. Por isso à imitação dos gregos, faço esdrúxulas todas as palavras que posso sem afectação : nisto não me servem de regra as sílabas breves ou longas de suas raízes, como elas no grego para tal não serviam; mas sim o meu ouvido, o meu gôsto, ou a analogia que guardam com outras semelhantes palavras já em uso na língua portuguesa. Deixo os nomes de Sciências ou de fracções delas acabadas em ...''ia'' com a predominante na penúltima, como ''Fisiologia'', ''Patologia'', pôsto ser isto contra o génio do nosso idioma, do latino e do grego; mas sacrifique-se esta racionalidade no inveterado abuso que tiramos da língua francesa, na qual são impossiveis os esdrúxulos do grego e do latim. Escrevo pois v. g. ''anoréxia'' ou ''anorexe'', ''syndésmose'', ''hemátose'', ''diártrose'', ''epilépsia'' ou ''epilepse'', ''cardiálgia'', ''cárdia'', ''epigênese'', ''epiplérose'', ''sarcócele'', etc. — Estas matérias prosodiais serão tratadas com a precisa extensão no Prólogo definitivo. A redacção de cada artigo não é constante em sua referência a êste ou àquele autor: tirei ora de um ora de mais, ora de todos, conservando a ordem que ali estava ou dando-lhe outra. Assim, mui poucos artigos se acharão tais quais os teem seus autores<noinclude></noinclude> 0jg71tf3jkenbiofgo3hahyzar0ndns 563446 563444 2026-09-21T13:38:14Z Joana Lages 43857 563446 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>Tenho a língua portuguesa pela mais latina e mais grega de quantas se derivam dos idiomas de Cícero e de Demóstenes: assim, esforço-me eu para dar às suas palavras o mais possível aquela ''rotunda sonoridade'', segundo seu ''ore retundo'', tam própria da língua grega, e que êle tanto queria ver imitada na latina, ''parce detorta''. Por isso à imitação dos gregos, faço esdrúxulas todas as palavras que posso sem afectação : nisto não me servem de regra as sílabas breves ou longas de suas raízes, como elas no grego para tal não serviam; mas sim o meu ouvido, o meu gôsto, ou a analogia que guardam com outras semelhantes palavras já em uso na língua portuguesa. Deixo os nomes de Sciências ou de fracções delas acabadas em ...''ia'' com a predominante na penúltima, como ''Fisiologia'', ''Patologia'', pôsto ser isto contra o génio do nosso idioma, do latino e do grego; mas sacrifique-se esta racionalidade no inveterado abuso que tiramos da língua francesa, na qual são impossiveis os esdrúxulos do grego e do latim. Escrevo pois v. g. ''anoréxia'' ou ''anorexe'', ''syndésmose'', ''hemátose'', ''diártrose'', ''epilépsia'' ou ''epilepse'', ''cardiálgia'', ''cárdia'', ''epigênese'', ''epiplérose'', ''sarcócele'', etc. — Estas matérias prosodiais serão tratadas com a precisa extensão no Prólogo definitivo. A redacção de cada artigo não é constante em sua referência a êste ou àquele autor: tirei ora de um ora de mais, ora de todos, conservando a ordem que ali estava ou dando-lhe outra. Assim, mui poucos artigos se acharão tais quais os teem seus autores<noinclude></noinclude> kbv9o0tuilntoxr4ilu4e7vwrw7frwa 563702 563446 2026-09-21T15:28:52Z Car Nikolau 43847 /* Validada */ 563702 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Car Nikolau" /></noinclude>Tenho a língua portuguesa pela mais latina e mais grega de quantas se derivam dos idiomas de Cícero e de Demóstenes: assim, esforço-me eu para dar às suas palavras o mais possível aquela ''rotunda sonoridade'', segundo seu ''ore retundo'', tam própria da língua grega, e que êle tanto queria ver imitada na latina, ''parce detorta''. Por isso à imitação dos gregos, faço esdrúxulas todas as palavras que posso sem afectação : nisto não me servem de regra as sílabas breves ou longas de suas raízes, como elas no grego para tal não serviam; mas sim o meu ouvido, o meu gôsto, ou a analogia que guardam com outras semelhantes palavras já em uso na língua portuguesa. Deixo os nomes de Sciências ou de fracções delas acabadas em ...''ia'' com a predominante na penúltima, como ''Fisiologia'', ''Patologia'', pôsto ser isto contra o génio do nosso idioma, do latino e do grego; mas sacrifique-se esta racionalidade no inveterado abuso que tiramos da língua francesa, na qual são impossiveis os esdrúxulos do grego e do latim. Escrevo pois ''v. g.'' ''anoréxia'' ou ''anorexe'', ''syndésmose'', ''hemátose'', ''diártrose'', ''epilépsia'' ou ''epilepse'', ''cardiálgia'', ''cárdia'', ''epigénese'', ''epiplérose'', ''sarcócele'', etc. — Estas matérias prosodiais serão tratadas com a precisa extensão no Prólogo definitivo. A redacção de cada artigo não é constante em sua referência a êste ou àquele autor: tirei ora de um ora de mais, ora de todos, conservando a ordem que ali estava ou dando-lhe outra. Assim, mui poucos artigos se acharão tais quais os teem seus autores<noinclude></noinclude> ez2rygpqnpub3kvtvv87pwqfcrj938f Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/564 106 258085 563445 2026-09-21T13:37:59Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: contrados de que procedem muitas enfermidades. A. DA CRUZ, Recop. 2, i E fica o apparato morbofo na par- te e corpo, pera tornar a recahir facilmente. AZEV. Cor- recç. 1, 3, 1. p. 235 Sem prefuppör morbofo apparato. {{lema|APPARATOSAMENTE}}. adv. mod. Com apparato e often- tação. Gasp. Dos Reis, Rel. 4, 11 Atraveffavão os ar- cos apparatofamente toda aquella entrada. Feo, Tr. Qua- dr. 1, 165, 2 Mais val, e mais eftimarei fervir no vof... 563445 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />356 APP</noinclude>contrados de que procedem muitas enfermidades. A. DA CRUZ, Recop. 2, i E fica o apparato morbofo na par- te e corpo, pera tornar a recahir facilmente. AZEV. Cor- recç. 1, 3, 1. p. 235 Sem prefuppör morbofo apparato. {{lema|APPARATOSAMENTE}}. adv. mod. Com apparato e often- tação. Gasp. Dos Reis, Rel. 4, 11 Atraveffavão os ar- cos apparatofamente toda aquella entrada. Feo, Tr. Qua- dr. 1, 165, 2 Mais val, e mais eftimarei fervir no vof fo templo de hum pobre porteiro, ou occuparme em qualquer outro officio, que ier da chave dourada nos l'a- ços Reces do mundo, e viver nelles efplendida e appa- ratofamente. FEST. NA, CANON 130 Fizerão fua entrada no campo de Santiago, para jogarem as cannas, táo ap- parasolamente, que &c. {{lema|APPARATOSO, A}}. adj. Magnifico, fumptuofo, de gran- de apparato e oftentação. FERNAND. Palm. 3, 53 Tinha huns edificios já deftroçados do tempo, mas tão bem fei- tos e apparatojos, que &c. Maus. Aff. Afr. 8, 120 Forma huma apparatufa companhia. Sous. Vid. 3, 14 Certo argumento que o brio e autoridade do Paftor Ec clefiaftico não pende de megeſtade, e repreſentações aparatoſas da terra. Das pelloas. Cour. Dec. 7, 3, 9 Porque o Governador era hum Fidalgo muito apparatofo. TELL Chr. 1, 3, 4. n. 4 Aquelle vem mais bizarro e apparatofo, q que traz mais pedras deftas. {{lema|APPARECENÇA}}. s. f. antiq O mesmo que Apparição ou ma he apparelhada pera todo o extremo mão. CAM. Luf. Apparecimento. VIT. CHRIST. 1, 20, 69 Tirandote dos 10, 148 Por vos fervir a tudo apparelhado. FR. TH. DE louvores e apparecenças do mundo. VERCIAL, Sacram. Jes. Trab. I, 14, 332 E pois de todo o tempo have- I, 10, 11 Que das outras apparecenças, que diz S. ob mos de dár la Deos conta, em todas as mudanças delic Thomas, todo fe prova pelo Evangelho. nos cumpre estar apparelhados para lha dar muito boa. {{lema|APPARECENTE}}. antiq. p. a. de Apparecer. VIT. CHRIST. 25, 15 Por haver occafiom apparecente pera matar Joanne. VERCIAL, Sacram. 2, 1164 Ou fe o feito he tão evidente e tão apparefcente, que em alguma maneira nom fe póde encobrir. {{lema|APPARECER}}. v. n. Moftrarfe, deixarfe ver, offerecerfe á vifta inopinadamente. Da Lat. Apparere. ant. Apparefcer e ás vezes com hum fó p. Das peffoas. BARR. Dcc. 1, 3, 3. Via que pela margem delle [rio] apparecia mui- ta gente, da que era coftumado a ver pela cófta arraz. CORT. R. Cerc. 13, 207 E apparecendo N'hum ponto todos tres, nelle difparem Furiofos arcabuzes. Luc. Vid. 1, 10 Era indecente... apparecer cada dia no meio da schufma dos marinheiros e pallageiros da náo, ou la- vando a roupeta a bordo, ou cozinhando no fogão. Manifeftarfe, defcobrirfe, aprefentarfe nos olhos de fubito. Das coulas. CAM. Luf. 3, 8 Os montes Hyper- boreos apparecem. BRIT. Chr. 1, 8 Apparecerão fobre o apofento, em que jazia feu corpo, dous arcos, de cör drefplendeucente. D. F. MAN. Apol. 13 Ainda os louros raios do Sol náo apparecião nos beiços do Oriente, ja eu lhe cafcava o meio dia. Met. Darfe a conhecer, perceberfe, fentirfe. Corr. R.. Naufr. 1, 3 y Nunca appareças ca, trifte ventura. PAIV. Serm. 3, A lei de Deos affi hade eftar n'al- ma, que ha de apparecer e reluzir por fóra. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 5 Por humas [fendas] apparece a foberba; por outras a cobiça.lt pas bonum Vir a faberfe. Leño, Chr. de D. Aff. III. 85 Item, eu Mathilde, quero se ordeno, que todas minhas dividas, que poderem apparecer, fe paguem por meus teftamenteiros, Aprefentarfe, ir ou vir bufcar alguem, procuralo pa- ra algum fim. Reg. a alg. ante, diante ou em prefença de alg. CAM. Eleg. 4, 2 Em fonhos lhe apparece todo armado. Marte. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 22 E apparece- mos aute o feu confpecto com dor e trifteza. BRIT. Chr. I, 6 Appareceo tambem diante de nós Fr. Gofredo. - 1, 7: Onde diz que Santo Estevão e Santo Alberico, em companhia do Santo Abbade Roberto, apparecerão em fua prefença. wat o Dia de apparecer. Forenf. Traslado da appellação e fentença, o qual fe não metteo no tempo, que lhe foi deter- minado. Chamafe aflim, porque com efte traslado vai a parte, ou manda aprefentalo na Relação para por elle ie fentencear a caufa, paffado o tempo da atempação, fe requer que fe de o dia de apparecer. ORDEN. DE D. MAN. 1, 32. Quando alguma pelloa aprefentar perante elles dia d'apparecer, e requerer que apregoem a parte &c. LEIS EXTRAV. 2, 1, 3. n. 2 Item que os dias de appa- recer, que fahiffem dos feitos das quantias fobreditas, vieffem aos Defembargadores do aggravo. CHAG. Obr. 1, 1, 23 São acções, que não fe póc em juizo; appella- ções fem dia de apparecer, e que fe não podem feguir. Adag. Aos parvos apparecen os Santos. HERN. NUN. Refran. 11 MONITORA Quem não apparece, efquece. DELIC. Adag. 3. {{lema|APPARECIDO, A}}. p. p. de Apparecer. SovER. Hift 1, 4. {{lema|APPARECIMENTO}}. s. m. Acção e effeito de apparecer. GALV. Chr. 15 O que tambem fe affirma, que nefte apparecimento foi o Principe D. Affonfo certificado por Deos de fempre Portugal haver de fer confervado em Reino. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 9 Afli como os bapparecimentos das visões em femelhança de fórmas e de images. BRIT. Mon. 1, 4. tit. 6 Cotejando o tempo da vinda dos Reis, e apparecimento da citrella. Epith. Admiravel. VILL. BOAS, Nobiliatch. 24 Benaventurado. FR. MARC. Chr. 1, 2, 58. Celeftial. So- VER. Hift. 1, 4. Efclarecido. SoOVER. Hift. 1, 9. Eftra- nho. Soven. Hift. Prol. Gloriofo. Soven. Hift. 1, 1. Ma- ravilbofo. FERNAND. GALV. Serm. 2, 142, 3. Milagro- fo. VILL. BOAS, Nobiliarch. 24. Miraculofo. SovER. Hift. 1, 3. Notavel. TELL. Chr. 2, 5, 1. n. 6. Prodigiofo. paratofas da terra.semplVIEIR. Serm. 8, 215. Sobrenatural. FR. MARC. Chr. I, Que se trata ou mostra com apparato e efplendor. su 2, 55. gust as is ass {{lema|APPARELHADO, A}}. p. p. de Apparelhar. CAM. Luf. 2, 30. FERNAND. Palm. 3, 15. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 3. Ufafe como adj. Difpoftos pronto, preftes, expedi to. Das peffoas. MEMOR, DAS PROEz. 1, 26 A mulher Proprio, apto, accommodado, opportuno. Dos luga- res e coufas. MOR. Palm. 2, 154 Em todas eftas par- tes bufcava os mais aparelhados lugares, que lhe feu en- genho foube defcobrir, pera fua habitação. BERN. Lim. Ecl. 17 Lugar frefco, e fombrio, aparelhado Pera fugir do Sol. Maus. Aff. Afr. 2, 27 y Noite cuftodia de qual- quer fegredo,Para qualquer encanto apparelhada. V EIR. Serm. 4, 11, 9. n. 418 E que occafião mais ap- parelbada,ve ainda mais forçofa, e mais fidalga, que &c. Adornado, concertado. FR. MARC. Exerc. 48, 231 Como efpoza bem apparelbada e ornada. Prov. DA HIST GEN. I, I, 54. p. 635. ann. 1452 A quinta á hora bode terça fe foi o Santo Padte à Igreja de S. Pedro, apparelhado em Pontifical. e a Igreja de S. Pedro, Provido, apercebido. Reg. abf, com ou de. D. Hi- LAR. Voz, 16, 96 Veio ao Sepulchro onde o vira fe- pultar, apparelhada com balfamo e preciofos licores, pe- ra cumprir a divida do amor. LEÃO, Chr. de D. Aff. II. 69 Afóra dez galés, que pelo mat trazião bem rema- das e apparelhadas. VIEIR. Cart. 3, 4 O dito barco he muito velho, roro, e mal apparelhado de tudo. {{lema|APPARELHADOR}}. s. m. O que apparelba. VIT. CHRIST. 1, 6, 21 E então fez primeiramente Jefu o feu ap- parelhador das carreiras propheta. D. HILAR. Voz, 29, 179 Porém como nefta coufa fó o Efpirito Santo fe- ja o apparelhador; e o que move immediatamente &c. Ros. Hift. 2, 25, E mais vos digo, que elle he a- quelle Anjo, do qual eftá profetizado por Malachias, que havia de fer precurfor, apparelhador do caminho do Meflias. O que debaixo das ordens do Architecto ou meftre prin- cipal, dirige a conftrucção de algum edificio. Ass. GUER REIR. Feft. 39 Andavão quatro Pedreiros picando em hu- ma pedra grande, e hum apparelhador, que lhe dava ordem. Sous. Vid. 3, 4 Apertava com os apparelhado- res da obra, com os officiacs, e. fuperintendentes, que metteffem gente, crefceffe o edificio, e luziffe a defpeza. {{lema|APPARELHAMENTO}}. s. m. antiq. O nicfmó que Appare- lho. VIT. CHRIST. 1, 10, 35 Foi ainda dada [a circun- cisão] por apparelhamento de receber a Fe. VERCIAL, Sacram, 1, 10, 11 A quinta [claufula ferá] hum ap- parelhamento de gloria. {{lema|APPARELHAR}}. v. a. Prevenir; difpor, ordenar, ter pref- tes, por pronto. Do Lat. Apparare. SA DE MIR. Eftrang. 2, 48 Quer contar fuas mentiras, apparelho os ouvidos. FERR. Pocm. Son. 2, 41 Anjo enviado a apparelhar as Jevias Do Cordeiro de Deos. ALBUQ. Comm. 1, 27. Man- dou Affonfo d'Albuquerque avifar os Capitães, que co- mo ouviffem tocar o feu atambor, fe fizeffem todos pref- tes, e apparelhaffem feus bateis..oors Preparar deftinar alguma confa á alguem. CoRr. R. Cerc. 13, 205 Os Martyres no Céo já te apparelhão<noinclude></noinclude> fu50sp1owqesdb3nu5u9cr8ynvzb1iu 563453 563445 2026-09-21T13:38:39Z MLReis 41056 563453 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{c |356 APP}}</noinclude>contrados de que procedem muitas enfermidades. A. DA CRUZ, Recop. 2, i E fica o apparato morbofo na par- te e corpo, pera tornar a recahir facilmente. AZEV. Cor- recç. 1, 3, 1. p. 235 Sem prefuppör morbofo apparato. {{lema|APPARATOSAMENTE}}. adv. mod. Com apparato e often- tação. Gasp. Dos Reis, Rel. 4, 11 Atraveffavão os ar- cos apparatofamente toda aquella entrada. Feo, Tr. Qua- dr. 1, 165, 2 Mais val, e mais eftimarei fervir no vof fo templo de hum pobre porteiro, ou occuparme em qualquer outro officio, que ier da chave dourada nos l'a- ços Reces do mundo, e viver nelles efplendida e appa- ratofamente. FEST. NA, CANON 130 Fizerão fua entrada no campo de Santiago, para jogarem as cannas, táo ap- parasolamente, que &c. {{lema|APPARATOSO, A}}. adj. Magnifico, fumptuofo, de gran- de apparato e oftentação. FERNAND. Palm. 3, 53 Tinha huns edificios já deftroçados do tempo, mas tão bem fei- tos e apparatojos, que &c. Maus. Aff. Afr. 8, 120 Forma huma apparatufa companhia. Sous. Vid. 3, 14 Certo argumento que o brio e autoridade do Paftor Ec clefiaftico não pende de megeſtade, e repreſentações aparatoſas da terra. Das pelloas. Cour. Dec. 7, 3, 9 Porque o Governador era hum Fidalgo muito apparatofo. TELL Chr. 1, 3, 4. n. 4 Aquelle vem mais bizarro e apparatofo, q que traz mais pedras deftas. {{lema|APPARECENÇA}}. s. f. antiq O mesmo que Apparição ou ma he apparelhada pera todo o extremo mão. CAM. Luf. Apparecimento. VIT. CHRIST. 1, 20, 69 Tirandote dos 10, 148 Por vos fervir a tudo apparelhado. FR. TH. DE louvores e apparecenças do mundo. VERCIAL, Sacram. Jes. Trab. I, 14, 332 E pois de todo o tempo have- I, 10, 11 Que das outras apparecenças, que diz S. ob mos de dár la Deos conta, em todas as mudanças delic Thomas, todo fe prova pelo Evangelho. nos cumpre estar apparelhados para lha dar muito boa. {{lema|APPARECENTE}}. antiq. p. a. de Apparecer. VIT. CHRIST. 25, 15 Por haver occafiom apparecente pera matar Joanne. VERCIAL, Sacram. 2, 1164 Ou fe o feito he tão evidente e tão apparefcente, que em alguma maneira nom fe póde encobrir. {{lema|APPARECER}}. v. n. Moftrarfe, deixarfe ver, offerecerfe á vifta inopinadamente. Da Lat. Apparere. ant. Apparefcer e ás vezes com hum fó p. Das peffoas. BARR. Dcc. 1, 3, 3. Via que pela margem delle [rio] apparecia mui- ta gente, da que era coftumado a ver pela cófta arraz. CORT. R. Cerc. 13, 207 E apparecendo N'hum ponto todos tres, nelle difparem Furiofos arcabuzes. Luc. Vid. 1, 10 Era indecente... apparecer cada dia no meio da schufma dos marinheiros e pallageiros da náo, ou la- vando a roupeta a bordo, ou cozinhando no fogão. Manifeftarfe, defcobrirfe, aprefentarfe nos olhos de fubito. Das coulas. CAM. Luf. 3, 8 Os montes Hyper- boreos apparecem. BRIT. Chr. 1, 8 Apparecerão fobre o apofento, em que jazia feu corpo, dous arcos, de cör drefplendeucente. D. F. MAN. Apol. 13 Ainda os louros raios do Sol náo apparecião nos beiços do Oriente, ja eu lhe cafcava o meio dia. Met. Darfe a conhecer, perceberfe, fentirfe. Corr. R.. Naufr. 1, 3 y Nunca appareças ca, trifte ventura. PAIV. Serm. 3, A lei de Deos affi hade eftar n'al- ma, que ha de apparecer e reluzir por fóra. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 5 Por humas [fendas] apparece a foberba; por outras a cobiça.lt pas bonum Vir a faberfe. Leño, Chr. de D. Aff. III. 85 Item, eu Mathilde, quero se ordeno, que todas minhas dividas, que poderem apparecer, fe paguem por meus teftamenteiros, Aprefentarfe, ir ou vir bufcar alguem, procuralo pa- ra algum fim. Reg. a alg. ante, diante ou em prefença de alg. CAM. Eleg. 4, 2 Em fonhos lhe apparece todo armado. Marte. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 22 E apparece- mos aute o feu confpecto com dor e trifteza. BRIT. Chr. I, 6 Appareceo tambem diante de nós Fr. Gofredo. - 1, 7: Onde diz que Santo Estevão e Santo Alberico, em companhia do Santo Abbade Roberto, apparecerão em fua prefença. wat o Dia de apparecer. Forenf. Traslado da appellação e fentença, o qual fe não metteo no tempo, que lhe foi deter- minado. Chamafe aflim, porque com efte traslado vai a parte, ou manda aprefentalo na Relação para por elle ie fentencear a caufa, paffado o tempo da atempação, fe requer que fe de o dia de apparecer. ORDEN. DE D. MAN. 1, 32. Quando alguma pelloa aprefentar perante elles dia d'apparecer, e requerer que apregoem a parte &c. LEIS EXTRAV. 2, 1, 3. n. 2 Item que os dias de appa- recer, que fahiffem dos feitos das quantias fobreditas, vieffem aos Defembargadores do aggravo. CHAG. Obr. 1, 1, 23 São acções, que não fe póc em juizo; appella- ções fem dia de apparecer, e que fe não podem feguir. Adag. Aos parvos apparecen os Santos. HERN. NUN. Refran. 11 MONITORA Quem não apparece, efquece. DELIC. Adag. 3. {{lema|APPARECIDO, A}}. p. p. de Apparecer. SovER. Hift 1, 4. {{lema|APPARECIMENTO}}. s. m. Acção e effeito de apparecer. GALV. Chr. 15 O que tambem fe affirma, que nefte apparecimento foi o Principe D. Affonfo certificado por Deos de fempre Portugal haver de fer confervado em Reino. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 9 Afli como os bapparecimentos das visões em femelhança de fórmas e de images. BRIT. Mon. 1, 4. tit. 6 Cotejando o tempo da vinda dos Reis, e apparecimento da citrella. Epith. Admiravel. VILL. BOAS, Nobiliatch. 24 Benaventurado. FR. MARC. Chr. 1, 2, 58. Celeftial. So- VER. Hift. 1, 4. Efclarecido. SoOVER. Hift. 1, 9. Eftra- nho. Soven. Hift. Prol. Gloriofo. Soven. Hift. 1, 1. Ma- ravilbofo. FERNAND. GALV. Serm. 2, 142, 3. Milagro- fo. VILL. BOAS, Nobiliarch. 24. Miraculofo. SovER. Hift. 1, 3. Notavel. TELL. Chr. 2, 5, 1. n. 6. Prodigiofo. paratofas da terra.semplVIEIR. Serm. 8, 215. Sobrenatural. FR. MARC. Chr. I, Que se trata ou mostra com apparato e efplendor. su 2, 55. gust as is ass {{lema|APPARELHADO, A}}. p. p. de Apparelhar. CAM. Luf. 2, 30. FERNAND. Palm. 3, 15. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 3. Ufafe como adj. Difpoftos pronto, preftes, expedi to. Das peffoas. MEMOR, DAS PROEz. 1, 26 A mulher Proprio, apto, accommodado, opportuno. Dos luga- res e coufas. MOR. Palm. 2, 154 Em todas eftas par- tes bufcava os mais aparelhados lugares, que lhe feu en- genho foube defcobrir, pera fua habitação. BERN. Lim. Ecl. 17 Lugar frefco, e fombrio, aparelhado Pera fugir do Sol. Maus. Aff. Afr. 2, 27 y Noite cuftodia de qual- quer fegredo,Para qualquer encanto apparelhada. V EIR. Serm. 4, 11, 9. n. 418 E que occafião mais ap- parelbada,ve ainda mais forçofa, e mais fidalga, que &c. Adornado, concertado. FR. MARC. Exerc. 48, 231 Como efpoza bem apparelbada e ornada. Prov. DA HIST GEN. I, I, 54. p. 635. ann. 1452 A quinta á hora bode terça fe foi o Santo Padte à Igreja de S. Pedro, apparelhado em Pontifical. e a Igreja de S. Pedro, Provido, apercebido. Reg. abf, com ou de. D. Hi- LAR. Voz, 16, 96 Veio ao Sepulchro onde o vira fe- pultar, apparelhada com balfamo e preciofos licores, pe- ra cumprir a divida do amor. LEÃO, Chr. de D. Aff. II. 69 Afóra dez galés, que pelo mat trazião bem rema- das e apparelhadas. VIEIR. Cart. 3, 4 O dito barco he muito velho, roro, e mal apparelhado de tudo. {{lema|APPARELHADOR}}. s. m. O que apparelba. VIT. CHRIST. 1, 6, 21 E então fez primeiramente Jefu o feu ap- parelhador das carreiras propheta. D. HILAR. Voz, 29, 179 Porém como nefta coufa fó o Efpirito Santo fe- ja o apparelhador; e o que move immediatamente &c. Ros. Hift. 2, 25, E mais vos digo, que elle he a- quelle Anjo, do qual eftá profetizado por Malachias, que havia de fer precurfor, apparelhador do caminho do Meflias. O que debaixo das ordens do Architecto ou meftre prin- cipal, dirige a conftrucção de algum edificio. Ass. GUER REIR. Feft. 39 Andavão quatro Pedreiros picando em hu- ma pedra grande, e hum apparelhador, que lhe dava ordem. Sous. Vid. 3, 4 Apertava com os apparelhado- res da obra, com os officiacs, e. fuperintendentes, que metteffem gente, crefceffe o edificio, e luziffe a defpeza. {{lema|APPARELHAMENTO}}. s. m. antiq. O nicfmó que Appare- lho. VIT. CHRIST. 1, 10, 35 Foi ainda dada [a circun- cisão] por apparelhamento de receber a Fe. VERCIAL, Sacram, 1, 10, 11 A quinta [claufula ferá] hum ap- parelhamento de gloria. {{lema|APPARELHAR}}. v. a. Prevenir; difpor, ordenar, ter pref- tes, por pronto. Do Lat. Apparare. SA DE MIR. Eftrang. 2, 48 Quer contar fuas mentiras, apparelho os ouvidos. FERR. Pocm. Son. 2, 41 Anjo enviado a apparelhar as Jevias Do Cordeiro de Deos. ALBUQ. Comm. 1, 27. Man- dou Affonfo d'Albuquerque avifar os Capitães, que co- mo ouviffem tocar o feu atambor, fe fizeffem todos pref- tes, e apparelhaffem feus bateis..oors Preparar deftinar alguma confa á alguem. CoRr. R. Cerc. 13, 205 Os Martyres no Céo já te apparelhão<noinclude></noinclude> cug234169i5jqcyyazq367cn9sz6g2s 563454 563453 2026-09-21T13:39:00Z MLReis 41056 563454 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{c |356}} {{c |APP}}</noinclude>contrados de que procedem muitas enfermidades. A. DA CRUZ, Recop. 2, i E fica o apparato morbofo na par- te e corpo, pera tornar a recahir facilmente. AZEV. Cor- recç. 1, 3, 1. p. 235 Sem prefuppör morbofo apparato. {{lema|APPARATOSAMENTE}}. adv. mod. Com apparato e often- tação. Gasp. Dos Reis, Rel. 4, 11 Atraveffavão os ar- cos apparatofamente toda aquella entrada. Feo, Tr. Qua- dr. 1, 165, 2 Mais val, e mais eftimarei fervir no vof fo templo de hum pobre porteiro, ou occuparme em qualquer outro officio, que ier da chave dourada nos l'a- ços Reces do mundo, e viver nelles efplendida e appa- ratofamente. FEST. NA, CANON 130 Fizerão fua entrada no campo de Santiago, para jogarem as cannas, táo ap- parasolamente, que &c. {{lema|APPARATOSO, A}}. adj. Magnifico, fumptuofo, de gran- de apparato e oftentação. FERNAND. Palm. 3, 53 Tinha huns edificios já deftroçados do tempo, mas tão bem fei- tos e apparatojos, que &c. Maus. Aff. Afr. 8, 120 Forma huma apparatufa companhia. Sous. Vid. 3, 14 Certo argumento que o brio e autoridade do Paftor Ec clefiaftico não pende de megeſtade, e repreſentações aparatoſas da terra. Das pelloas. Cour. Dec. 7, 3, 9 Porque o Governador era hum Fidalgo muito apparatofo. TELL Chr. 1, 3, 4. n. 4 Aquelle vem mais bizarro e apparatofo, q que traz mais pedras deftas. {{lema|APPARECENÇA}}. s. f. antiq O mesmo que Apparição ou ma he apparelhada pera todo o extremo mão. CAM. Luf. Apparecimento. VIT. CHRIST. 1, 20, 69 Tirandote dos 10, 148 Por vos fervir a tudo apparelhado. FR. TH. DE louvores e apparecenças do mundo. VERCIAL, Sacram. Jes. Trab. I, 14, 332 E pois de todo o tempo have- I, 10, 11 Que das outras apparecenças, que diz S. ob mos de dár la Deos conta, em todas as mudanças delic Thomas, todo fe prova pelo Evangelho. nos cumpre estar apparelhados para lha dar muito boa. {{lema|APPARECENTE}}. antiq. p. a. de Apparecer. VIT. CHRIST. 25, 15 Por haver occafiom apparecente pera matar Joanne. VERCIAL, Sacram. 2, 1164 Ou fe o feito he tão evidente e tão apparefcente, que em alguma maneira nom fe póde encobrir. {{lema|APPARECER}}. v. n. Moftrarfe, deixarfe ver, offerecerfe á vifta inopinadamente. Da Lat. Apparere. ant. Apparefcer e ás vezes com hum fó p. Das peffoas. BARR. Dcc. 1, 3, 3. Via que pela margem delle [rio] apparecia mui- ta gente, da que era coftumado a ver pela cófta arraz. CORT. R. Cerc. 13, 207 E apparecendo N'hum ponto todos tres, nelle difparem Furiofos arcabuzes. Luc. Vid. 1, 10 Era indecente... apparecer cada dia no meio da schufma dos marinheiros e pallageiros da náo, ou la- vando a roupeta a bordo, ou cozinhando no fogão. Manifeftarfe, defcobrirfe, aprefentarfe nos olhos de fubito. Das coulas. CAM. Luf. 3, 8 Os montes Hyper- boreos apparecem. BRIT. Chr. 1, 8 Apparecerão fobre o apofento, em que jazia feu corpo, dous arcos, de cör drefplendeucente. D. F. MAN. Apol. 13 Ainda os louros raios do Sol náo apparecião nos beiços do Oriente, ja eu lhe cafcava o meio dia. Met. Darfe a conhecer, perceberfe, fentirfe. Corr. R.. Naufr. 1, 3 y Nunca appareças ca, trifte ventura. PAIV. Serm. 3, A lei de Deos affi hade eftar n'al- ma, que ha de apparecer e reluzir por fóra. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 5 Por humas [fendas] apparece a foberba; por outras a cobiça.lt pas bonum Vir a faberfe. Leño, Chr. de D. Aff. III. 85 Item, eu Mathilde, quero se ordeno, que todas minhas dividas, que poderem apparecer, fe paguem por meus teftamenteiros, Aprefentarfe, ir ou vir bufcar alguem, procuralo pa- ra algum fim. Reg. a alg. ante, diante ou em prefença de alg. CAM. Eleg. 4, 2 Em fonhos lhe apparece todo armado. Marte. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 22 E apparece- mos aute o feu confpecto com dor e trifteza. BRIT. Chr. I, 6 Appareceo tambem diante de nós Fr. Gofredo. - 1, 7: Onde diz que Santo Estevão e Santo Alberico, em companhia do Santo Abbade Roberto, apparecerão em fua prefença. wat o Dia de apparecer. Forenf. Traslado da appellação e fentença, o qual fe não metteo no tempo, que lhe foi deter- minado. Chamafe aflim, porque com efte traslado vai a parte, ou manda aprefentalo na Relação para por elle ie fentencear a caufa, paffado o tempo da atempação, fe requer que fe de o dia de apparecer. ORDEN. DE D. MAN. 1, 32. Quando alguma pelloa aprefentar perante elles dia d'apparecer, e requerer que apregoem a parte &c. LEIS EXTRAV. 2, 1, 3. n. 2 Item que os dias de appa- recer, que fahiffem dos feitos das quantias fobreditas, vieffem aos Defembargadores do aggravo. CHAG. Obr. 1, 1, 23 São acções, que não fe póc em juizo; appella- ções fem dia de apparecer, e que fe não podem feguir. Adag. Aos parvos apparecen os Santos. HERN. NUN. Refran. 11 MONITORA Quem não apparece, efquece. DELIC. Adag. 3. {{lema|APPARECIDO, A}}. p. p. de Apparecer. SovER. Hift 1, 4. {{lema|APPARECIMENTO}}. s. m. Acção e effeito de apparecer. GALV. Chr. 15 O que tambem fe affirma, que nefte apparecimento foi o Principe D. Affonfo certificado por Deos de fempre Portugal haver de fer confervado em Reino. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 9 Afli como os bapparecimentos das visões em femelhança de fórmas e de images. BRIT. Mon. 1, 4. tit. 6 Cotejando o tempo da vinda dos Reis, e apparecimento da citrella. Epith. Admiravel. VILL. BOAS, Nobiliatch. 24 Benaventurado. FR. MARC. Chr. 1, 2, 58. Celeftial. So- VER. Hift. 1, 4. Efclarecido. SoOVER. Hift. 1, 9. Eftra- nho. Soven. Hift. Prol. Gloriofo. Soven. Hift. 1, 1. Ma- ravilbofo. FERNAND. GALV. Serm. 2, 142, 3. Milagro- fo. VILL. BOAS, Nobiliarch. 24. Miraculofo. SovER. Hift. 1, 3. Notavel. TELL. Chr. 2, 5, 1. n. 6. Prodigiofo. paratofas da terra.semplVIEIR. Serm. 8, 215. Sobrenatural. FR. MARC. Chr. I, Que se trata ou mostra com apparato e efplendor. su 2, 55. gust as is ass {{lema|APPARELHADO, A}}. p. p. de Apparelhar. CAM. Luf. 2, 30. FERNAND. Palm. 3, 15. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 3. Ufafe como adj. Difpoftos pronto, preftes, expedi to. Das peffoas. MEMOR, DAS PROEz. 1, 26 A mulher Proprio, apto, accommodado, opportuno. Dos luga- res e coufas. MOR. Palm. 2, 154 Em todas eftas par- tes bufcava os mais aparelhados lugares, que lhe feu en- genho foube defcobrir, pera fua habitação. BERN. Lim. Ecl. 17 Lugar frefco, e fombrio, aparelhado Pera fugir do Sol. Maus. Aff. Afr. 2, 27 y Noite cuftodia de qual- quer fegredo,Para qualquer encanto apparelhada. V EIR. Serm. 4, 11, 9. n. 418 E que occafião mais ap- parelbada,ve ainda mais forçofa, e mais fidalga, que &c. Adornado, concertado. FR. MARC. Exerc. 48, 231 Como efpoza bem apparelbada e ornada. Prov. DA HIST GEN. I, I, 54. p. 635. ann. 1452 A quinta á hora bode terça fe foi o Santo Padte à Igreja de S. Pedro, apparelhado em Pontifical. e a Igreja de S. Pedro, Provido, apercebido. Reg. abf, com ou de. D. Hi- LAR. Voz, 16, 96 Veio ao Sepulchro onde o vira fe- pultar, apparelhada com balfamo e preciofos licores, pe- ra cumprir a divida do amor. LEÃO, Chr. de D. Aff. II. 69 Afóra dez galés, que pelo mat trazião bem rema- das e apparelhadas. VIEIR. Cart. 3, 4 O dito barco he muito velho, roro, e mal apparelhado de tudo. {{lema|APPARELHADOR}}. s. m. O que apparelba. VIT. CHRIST. 1, 6, 21 E então fez primeiramente Jefu o feu ap- parelhador das carreiras propheta. D. HILAR. Voz, 29, 179 Porém como nefta coufa fó o Efpirito Santo fe- ja o apparelhador; e o que move immediatamente &c. Ros. Hift. 2, 25, E mais vos digo, que elle he a- quelle Anjo, do qual eftá profetizado por Malachias, que havia de fer precurfor, apparelhador do caminho do Meflias. O que debaixo das ordens do Architecto ou meftre prin- cipal, dirige a conftrucção de algum edificio. Ass. GUER REIR. Feft. 39 Andavão quatro Pedreiros picando em hu- ma pedra grande, e hum apparelhador, que lhe dava ordem. Sous. Vid. 3, 4 Apertava com os apparelhado- res da obra, com os officiacs, e. fuperintendentes, que metteffem gente, crefceffe o edificio, e luziffe a defpeza. {{lema|APPARELHAMENTO}}. s. m. antiq. O nicfmó que Appare- lho. VIT. CHRIST. 1, 10, 35 Foi ainda dada [a circun- cisão] por apparelhamento de receber a Fe. VERCIAL, Sacram, 1, 10, 11 A quinta [claufula ferá] hum ap- parelhamento de gloria. {{lema|APPARELHAR}}. v. a. Prevenir; difpor, ordenar, ter pref- tes, por pronto. Do Lat. Apparare. SA DE MIR. Eftrang. 2, 48 Quer contar fuas mentiras, apparelho os ouvidos. FERR. Pocm. Son. 2, 41 Anjo enviado a apparelhar as Jevias Do Cordeiro de Deos. ALBUQ. Comm. 1, 27. Man- dou Affonfo d'Albuquerque avifar os Capitães, que co- mo ouviffem tocar o feu atambor, fe fizeffem todos pref- tes, e apparelhaffem feus bateis..oors Preparar deftinar alguma confa á alguem. CoRr. R. Cerc. 13, 205 Os Martyres no Céo já te apparelhão<noinclude></noinclude> 94rzsc27p0bx7ylo9zht83nhmec2izc 563459 563454 2026-09-21T13:40:00Z MLReis 41056 563459 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{rh|{{sc|356}}|APP|}}</noinclude>contrados de que procedem muitas enfermidades. A. DA CRUZ, Recop. 2, i E fica o apparato morbofo na par- te e corpo, pera tornar a recahir facilmente. AZEV. Cor- recç. 1, 3, 1. p. 235 Sem prefuppör morbofo apparato. {{lema|APPARATOSAMENTE}}. adv. mod. Com apparato e often- tação. Gasp. Dos Reis, Rel. 4, 11 Atraveffavão os ar- cos apparatofamente toda aquella entrada. Feo, Tr. Qua- dr. 1, 165, 2 Mais val, e mais eftimarei fervir no vof fo templo de hum pobre porteiro, ou occuparme em qualquer outro officio, que ier da chave dourada nos l'a- ços Reces do mundo, e viver nelles efplendida e appa- ratofamente. FEST. NA, CANON 130 Fizerão fua entrada no campo de Santiago, para jogarem as cannas, táo ap- parasolamente, que &c. {{lema|APPARATOSO, A}}. adj. Magnifico, fumptuofo, de gran- de apparato e oftentação. FERNAND. Palm. 3, 53 Tinha huns edificios já deftroçados do tempo, mas tão bem fei- tos e apparatojos, que &c. Maus. Aff. Afr. 8, 120 Forma huma apparatufa companhia. Sous. Vid. 3, 14 Certo argumento que o brio e autoridade do Paftor Ec clefiaftico não pende de megeſtade, e repreſentações aparatoſas da terra. Das pelloas. Cour. Dec. 7, 3, 9 Porque o Governador era hum Fidalgo muito apparatofo. TELL Chr. 1, 3, 4. n. 4 Aquelle vem mais bizarro e apparatofo, q que traz mais pedras deftas. {{lema|APPARECENÇA}}. s. f. antiq O mesmo que Apparição ou ma he apparelhada pera todo o extremo mão. CAM. Luf. Apparecimento. VIT. CHRIST. 1, 20, 69 Tirandote dos 10, 148 Por vos fervir a tudo apparelhado. FR. TH. DE louvores e apparecenças do mundo. VERCIAL, Sacram. Jes. Trab. I, 14, 332 E pois de todo o tempo have- I, 10, 11 Que das outras apparecenças, que diz S. ob mos de dár la Deos conta, em todas as mudanças delic Thomas, todo fe prova pelo Evangelho. nos cumpre estar apparelhados para lha dar muito boa. {{lema|APPARECENTE}}. antiq. p. a. de Apparecer. VIT. CHRIST. 25, 15 Por haver occafiom apparecente pera matar Joanne. VERCIAL, Sacram. 2, 1164 Ou fe o feito he tão evidente e tão apparefcente, que em alguma maneira nom fe póde encobrir. {{lema|APPARECER}}. v. n. Moftrarfe, deixarfe ver, offerecerfe á vifta inopinadamente. Da Lat. Apparere. ant. Apparefcer e ás vezes com hum fó p. Das peffoas. BARR. Dcc. 1, 3, 3. Via que pela margem delle [rio] apparecia mui- ta gente, da que era coftumado a ver pela cófta arraz. CORT. R. Cerc. 13, 207 E apparecendo N'hum ponto todos tres, nelle difparem Furiofos arcabuzes. Luc. Vid. 1, 10 Era indecente... apparecer cada dia no meio da schufma dos marinheiros e pallageiros da náo, ou la- vando a roupeta a bordo, ou cozinhando no fogão. Manifeftarfe, defcobrirfe, aprefentarfe nos olhos de fubito. Das coulas. CAM. Luf. 3, 8 Os montes Hyper- boreos apparecem. BRIT. Chr. 1, 8 Apparecerão fobre o apofento, em que jazia feu corpo, dous arcos, de cör drefplendeucente. D. F. MAN. Apol. 13 Ainda os louros raios do Sol náo apparecião nos beiços do Oriente, ja eu lhe cafcava o meio dia. Met. Darfe a conhecer, perceberfe, fentirfe. Corr. R.. Naufr. 1, 3 y Nunca appareças ca, trifte ventura. PAIV. Serm. 3, A lei de Deos affi hade eftar n'al- ma, que ha de apparecer e reluzir por fóra. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 5 Por humas [fendas] apparece a foberba; por outras a cobiça.lt pas bonum Vir a faberfe. Leño, Chr. de D. Aff. III. 85 Item, eu Mathilde, quero se ordeno, que todas minhas dividas, que poderem apparecer, fe paguem por meus teftamenteiros, Aprefentarfe, ir ou vir bufcar alguem, procuralo pa- ra algum fim. Reg. a alg. ante, diante ou em prefença de alg. CAM. Eleg. 4, 2 Em fonhos lhe apparece todo armado. Marte. HEIT. PINT. Dial. 2, 2, 22 E apparece- mos aute o feu confpecto com dor e trifteza. BRIT. Chr. I, 6 Appareceo tambem diante de nós Fr. Gofredo. - 1, 7: Onde diz que Santo Estevão e Santo Alberico, em companhia do Santo Abbade Roberto, apparecerão em fua prefença. wat o Dia de apparecer. Forenf. Traslado da appellação e fentença, o qual fe não metteo no tempo, que lhe foi deter- minado. Chamafe aflim, porque com efte traslado vai a parte, ou manda aprefentalo na Relação para por elle ie fentencear a caufa, paffado o tempo da atempação, fe requer que fe de o dia de apparecer. ORDEN. DE D. MAN. 1, 32. Quando alguma pelloa aprefentar perante elles dia d'apparecer, e requerer que apregoem a parte &c. LEIS EXTRAV. 2, 1, 3. n. 2 Item que os dias de appa- recer, que fahiffem dos feitos das quantias fobreditas, vieffem aos Defembargadores do aggravo. CHAG. Obr. 1, 1, 23 São acções, que não fe póc em juizo; appella- ções fem dia de apparecer, e que fe não podem feguir. Adag. Aos parvos apparecen os Santos. HERN. NUN. Refran. 11 MONITORA Quem não apparece, efquece. DELIC. Adag. 3. {{lema|APPARECIDO, A}}. p. p. de Apparecer. SovER. Hift 1, 4. {{lema|APPARECIMENTO}}. s. m. Acção e effeito de apparecer. GALV. Chr. 15 O que tambem fe affirma, que nefte apparecimento foi o Principe D. Affonfo certificado por Deos de fempre Portugal haver de fer confervado em Reino. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 9 Afli como os bapparecimentos das visões em femelhança de fórmas e de images. BRIT. Mon. 1, 4. tit. 6 Cotejando o tempo da vinda dos Reis, e apparecimento da citrella. Epith. Admiravel. VILL. BOAS, Nobiliatch. 24 Benaventurado. FR. MARC. Chr. 1, 2, 58. Celeftial. So- VER. Hift. 1, 4. Efclarecido. SoOVER. Hift. 1, 9. Eftra- nho. Soven. Hift. Prol. Gloriofo. Soven. Hift. 1, 1. Ma- ravilbofo. FERNAND. GALV. Serm. 2, 142, 3. Milagro- fo. VILL. BOAS, Nobiliarch. 24. Miraculofo. SovER. Hift. 1, 3. Notavel. TELL. Chr. 2, 5, 1. n. 6. Prodigiofo. paratofas da terra.semplVIEIR. Serm. 8, 215. Sobrenatural. FR. MARC. Chr. I, Que se trata ou mostra com apparato e efplendor. su 2, 55. gust as is ass {{lema|APPARELHADO, A}}. p. p. de Apparelhar. CAM. Luf. 2, 30. FERNAND. Palm. 3, 15. HEIT. PINT. Dial. 1, 3, 3. Ufafe como adj. Difpoftos pronto, preftes, expedi to. Das peffoas. MEMOR, DAS PROEz. 1, 26 A mulher Proprio, apto, accommodado, opportuno. Dos luga- res e coufas. MOR. Palm. 2, 154 Em todas eftas par- tes bufcava os mais aparelhados lugares, que lhe feu en- genho foube defcobrir, pera fua habitação. BERN. Lim. Ecl. 17 Lugar frefco, e fombrio, aparelhado Pera fugir do Sol. Maus. Aff. Afr. 2, 27 y Noite cuftodia de qual- quer fegredo,Para qualquer encanto apparelhada. V EIR. Serm. 4, 11, 9. n. 418 E que occafião mais ap- parelbada,ve ainda mais forçofa, e mais fidalga, que &c. Adornado, concertado. FR. MARC. Exerc. 48, 231 Como efpoza bem apparelbada e ornada. Prov. DA HIST GEN. I, I, 54. p. 635. ann. 1452 A quinta á hora bode terça fe foi o Santo Padte à Igreja de S. Pedro, apparelhado em Pontifical. e a Igreja de S. Pedro, Provido, apercebido. Reg. abf, com ou de. D. Hi- LAR. Voz, 16, 96 Veio ao Sepulchro onde o vira fe- pultar, apparelhada com balfamo e preciofos licores, pe- ra cumprir a divida do amor. LEÃO, Chr. de D. Aff. II. 69 Afóra dez galés, que pelo mat trazião bem rema- das e apparelhadas. VIEIR. Cart. 3, 4 O dito barco he muito velho, roro, e mal apparelhado de tudo. {{lema|APPARELHADOR}}. s. m. O que apparelba. VIT. CHRIST. 1, 6, 21 E então fez primeiramente Jefu o feu ap- parelhador das carreiras propheta. D. HILAR. Voz, 29, 179 Porém como nefta coufa fó o Efpirito Santo fe- ja o apparelhador; e o que move immediatamente &c. Ros. Hift. 2, 25, E mais vos digo, que elle he a- quelle Anjo, do qual eftá profetizado por Malachias, que havia de fer precurfor, apparelhador do caminho do Meflias. O que debaixo das ordens do Architecto ou meftre prin- cipal, dirige a conftrucção de algum edificio. Ass. GUER REIR. Feft. 39 Andavão quatro Pedreiros picando em hu- ma pedra grande, e hum apparelhador, que lhe dava ordem. Sous. Vid. 3, 4 Apertava com os apparelhado- res da obra, com os officiacs, e. fuperintendentes, que metteffem gente, crefceffe o edificio, e luziffe a defpeza. {{lema|APPARELHAMENTO}}. s. m. antiq. O nicfmó que Appare- lho. VIT. CHRIST. 1, 10, 35 Foi ainda dada [a circun- cisão] por apparelhamento de receber a Fe. VERCIAL, Sacram, 1, 10, 11 A quinta [claufula ferá] hum ap- parelhamento de gloria. {{lema|APPARELHAR}}. v. a. Prevenir; difpor, ordenar, ter pref- tes, por pronto. Do Lat. Apparare. SA DE MIR. Eftrang. 2, 48 Quer contar fuas mentiras, apparelho os ouvidos. FERR. Pocm. Son. 2, 41 Anjo enviado a apparelhar as Jevias Do Cordeiro de Deos. ALBUQ. Comm. 1, 27. Man- dou Affonfo d'Albuquerque avifar os Capitães, que co- mo ouviffem tocar o feu atambor, fe fizeffem todos pref- tes, e apparelhaffem feus bateis..oors Preparar deftinar alguma confa á alguem. CoRr. R. Cerc. 13, 205 Os Martyres no Céo já te apparelhão<noinclude></noinclude> duvc0l8n8hfeuoyv0qvcpmz1bfcdfh6 Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/127 106 258086 563448 2026-09-21T13:38:16Z Nuno VilaSanta (WMPT) 43342 /* Revista */ 563448 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Nuno VilaSanta (WMPT)" /></noinclude>130 nosso, talvez andaço, junto com algum adjectivo (aqui o catarrosó), valesse o mesmo para falar naquilo que ninguém entende.» Ainda o bom Ferreira Braga não lhe ouvira chamar gripe . . . instituições Instituições de Pathologia Geral se chama um livro do velho lente da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, António Ferreira Braga, em 1840. É nome que está abandonado, este de instituições, para livros didácticos, desta espécie. E com efeito o termo é bem vernáculo e exprime bem o que se quere dizer. Gomo as institicições são as leis fundamentais de uma sociedade política, também podem ser as regras ou normas basilares de um conhecimento scientífico. intermédio «A substância'que lhe torna possível a divisão ou mistura». (Ed. Mota). . . . ise (o sufixo) V. . . . ase (o sufixo). ... ite (o sufixo) Designa as afecções inflamatórias: bronquite, pul~ tnonite, gastrite, metrite, etc., etc.<noinclude></noinclude> 0qqku8mg1vq568kdk0xal4hqvp29rfv Página:Pégadas.pdf/119 106 258087 563449 2026-09-21T13:38:23Z MMIRENE 43852 /* Revista */ 563449 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MMIRENE" /></noinclude>{{centralizado|INVEJA|fs=2em}} Era uma rica tarde de Novembro. O sol aeabava dé retirar-se n'aquelle instante, mas a terra, toda enrubecida, palpitava ainda com o calor dos seus ultimos beijos. 0 ceu, vermelho e quente, debruçava-se sobre ella, envolvendo-a num longo abraço voluptuoso; de todos os lados ouvia-se o lamentoso estridular das cigarras, e as arvores concentravam-se, murmurando, em extasis, como se rezassem a oração do crepusculo. Aquella hora de recolhimento e de amor â natureza parecia commovida. A noite abria lentamente no espaço as suas azas de paz, humidas de orvalho, prenhes de estrellas que ainda mal se denunciavam numa palpitação diffusa. Uma boiada recolhia ao longe, abeberando nos charcos do caminho, e bois tran-<noinclude></noinclude> lrviq22j3ok0ffy3ipaiozy1i07znix 563564 563449 2026-09-21T14:07:48Z MMIRENE 43852 563564 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MMIRENE" />{{centralizado|INVEJA|fs=2em}} {{traço}}</noinclude>Era uma rica tarde de Novembro. O sol aeabava dé retirar-se n'aquelle instante, mas a terra, toda enrubecida, palpitava ainda com o calor dos seus ultimos beijos. 0 ceu, vermelho e quente, debruçava-se sobre ella, envolvendo-a num longo abraço voluptuoso; de todos os lados ouvia-se o lamentoso estridular das cigarras, e as arvores concentravam-se, murmurando, em extasis, como se rezassem a oração do crepusculo. Aquella hora de recolhimento e de amor â natureza parecia commovida. A noite abria lentamente no espaço as suas azas de paz, humidas de orvalho, prenhes de estrellas que ainda mal se denunciavam numa palpitação diffusa. Uma boiada recolhia ao longe, abeberando nos charcos do caminho, e bois tran-<noinclude></noinclude> ag4pjilcbdm8mikwnsephmtyxl0tljv 563574 563564 2026-09-21T14:11:41Z Épico 12904 /* Validada */ Aqui, o título faz parte do conteúdo e será transcrito depois no cápitulo completo, portanto não ficá no cabeçalho. Padronizei o estilo também com o resto do livro. 563574 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Épico" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{xx-maior|INVEJA}}}} {{EspV|140%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|200%}} Era uma rica tarde de Novembro. O sol acabava de retirar-se n'aquelle instante, mas a terra, toda enrubecida, palpitava ainda com o calor dos seus ultimos beijos. O ceu, vermelho e quente, debruçava-se sobre ella, envolvendo-a num longo abraço voluptuoso; de todos os lados ouvia-se o lamentoso estridular das cigarras, e as arvores concentravam-se, murmurando, em extasis, como se rezassem a oração do crepusculo. Aquella hora de recolhimento e de amor a natureza parecia commovida. A noite abria lentamente no espaço as suas azas de paz, humidas de orvalho, prenhes de estrellas que ainda mal se denunciavam numa palpitação diffusa. Uma boiada recolhia ao longe, abeberando nos charcos do caminho, e bois tran-<noinclude></noinclude> brwlzy3s2vcdb0qzpnqvu55nckga7ab Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/186 106 258088 563462 2026-09-21T13:40:39Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563462 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>A histeria é para a psiquiatria o que o cancro é para a patologia — um grande enigma. Se o sistema nervoso é o mais ''nobre'' dos sistemas, a clínica psiquiátrica é a mais ''nobre'' das clínicas. Pode imprimir-se. Pinho. Visto. R. Frias.<noinclude></noinclude> lu0lmh026ez0iagtqc28uf6rto51tvi 563724 563462 2026-09-21T15:34:51Z Car Nikolau 43847 /* Validada */ 563724 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Car Nikolau" /></noinclude>A histeria é para a psiquiatria o que o cancro é para a patologia — um grande enigma. Se o sistema nervoso é o mais ''nobre'' dos sistemas, a clínica psiquiátrica é a mais ''nobre'' das clínicas. '''Pode imprimir-se.''' {{Maior|'''Pinho.'''}} {{br}} {{br}} '''Visto.''' {{Maior|'''R. Frias.'''}}<noinclude></noinclude> 3spgu97cscmvhoppmmoiwbk4js5uzsa Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/124 106 258089 563463 2026-09-21T13:41:05Z ~2026-50891-64 43855 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: -Na sua companhia, de certo que não, mr. Fogg, respondeu a joven. 0 piloto aproximara-se outra vez do "gentleman", e dava voltas ao chapéu que tinha entre as mãos. - Então, piloto? disse mr. Fogg. - Então, respondeu o piloto, não posso arriscar a minha gente, nem me posso arriscar a mim, nem mesmo a Vossa Honra, em viagem tão longa n'um barco de vinte toneladas apenas e n'esta época do anno. Demais, não chegariamos a tem- po, porque... 563463 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="~2026-50891-64" />{{rvh|118|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>-Na sua companhia, de certo que não, mr. Fogg, respondeu a joven. 0 piloto aproximara-se outra vez do "gentleman", e dava voltas ao chapéu que tinha entre as mãos. - Então, piloto? disse mr. Fogg. - Então, respondeu o piloto, não posso arriscar a minha gente, nem me posso arriscar a mim, nem mesmo a Vossa Honra, em viagem tão longa n'um barco de vinte toneladas apenas e n'esta época do anno. Demais, não chegariamos a tem- po, porque vão mil seiscentas e cincoenta milhas de Hong-Kong a Yokohama. -Só mil e seiscentas, ponderou mr. Fogg. -Vem a ser o mesmo. Fix tomou o folego com ancia. - Mas, acrescentou o piloto, ha talvez um meio de se arranjarem as cousas de outro modo. D'esta vez Fix perdeu o folego. -Como? perguntou Phileas Fogg. -Indo a Nagasaki, na extremidade sul do Japão, que fics a mil e cem milhas de Hong-Kong, ou apenas a Shangai, que fica a oitocentas milhas. N'este ultimo trajecto não nos afastariamos da costa da China, o que seria grande vantagem, tanto mais que n'essas paragens as correntes têem a direcção do norte. -Piloto, é em Yokohama que deve tomar o paquete americano, e não em Shangai ou em Nagasaki. - Porque não? redarguiu o piloto. O paquete de San Francisco não parte de Yokohama. Faz escala ali e em Nagasaki, mas o seu porto de partida é Shangai? -Está certo d'isso? -Estou. -E quando é que o paquete larga de Shangai? -No dia 11, ás sete horas da tarde. Temos, pois, quatro dias à nossa disposição. Quatro dias são o mesmo que noventa e seis horas, e com uma média de oito milhas por hora, se o tempo nos for favoravel, com vento de sueste e o mar manso,<noinclude></noinclude> la8vq2v6wpnfy5wjupjmhk78b1op9un 563469 563463 2026-09-21T13:45:26Z ~2026-50891-64 43855 563469 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="~2026-50891-64" />{{rvh|118|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>-Na sua companhia, de certo que não, mr. Fogg, respondeu a joven. O piloto aproximara-se outra vez do "gentleman", e dava voltas ao chapéu que tinha entre as mãos. - Então, piloto? disse mr. Fogg. - Então, respondeu o piloto, não posso arriscar a minha gente, nem me posso arriscar a mim, nem mesmo a Vossa Honra, em viagem tão longa n'um barco de vinte toneladas apenas e n'esta época do anno. Demais, não chegariamos a tem- po, porque vão mil seiscentas e cincoenta milhas de Hong-Kong a Yokohama. -Só mil e seiscentas, ponderou mr. Fogg. -Vem a ser o mesmo. Fix tomou o folego com ancia. - Mas, acrescentou o piloto, ha talvez um meio de se arranjarem as cousas de outro modo. D'esta vez Fix perdeu o folego. -Como? perguntou Phileas Fogg. -Indo a Nagasaki, na extremidade sul do Japão, que fics a mil e cem milhas de Hong-Kong, ou apenas a Shangai, que fica a oitocentas milhas. N'este ultimo trajecto não nos afastariamos da costa da China, o que seria grande vantagem, tanto mais que n'essas paragens as correntes têem a direcção do norte. -Piloto, é em Yokohama que deve tomar o paquete americano, e não em Shangai ou em Nagasaki. - Porque não? redarguiu o piloto. O paquete de San Francisco não parte de Yokohama. Faz escala ali e em Nagasaki, mas o seu porto de partida é Shangai? -Está certo d'isso? -Estou. -E quando é que o paquete larga de Shangai? -No dia 11, ás sete horas da tarde. Temos, pois, quatro dias à nossa disposição. Quatro dias são o mesmo que noventa e seis horas, e com uma média de oito milhas por hora, se o tempo nos for favoravel, com vento de sueste e o mar manso,<noinclude></noinclude> lrt5l9xnvhsc89rvavln5c34393urzw 563604 563469 2026-09-21T14:31:18Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563604 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|118|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Na sua companhia, de certo que nāo, mr. Fogg, respondeu a joven. O piloto aproximara-se outra vez do ''gentleman'', e dava voltas ao chapéu que tinha entre as māos. — Entāo, piloto? disse mr. Fogg. — Entāo, respondeu o piloto, nāo posso arriscar a minha gente, nem me posso arriscar a mim, nem mesmo a Vossa Honra, em viagem tāo longa nʼum barco de vinte toneladas apenas e nʼesta época do anno. Demais, nāo chegariamos a tempo, porque vāo mil seiscentas e cincoenta milhas de Hong-Kong a Yokohama. — Só mil e seiscentas, ponderou mr. Fogg. — Vem a ser o mesmo. Fix tomou o folego com ancia. — Mas, acrescentou o piloto, ha talvez um meio de se arranjarem as cousas de outro modo. Dʼesta vez Fix perdeu o folego. — Como? perguntou Phileas Fogg. — Indo a Nagasaki, na extremidade sul do Japão, que fica a mil e cem milhas de Hong-Kong, ou apenas a Shangai, que fica a oitocentas milhas. Nʼeste ultimo trajecto nāo nos afastariamos da costa da China, o que seria grande vantagem, tanto mais que nʼessas paragens as correntes têem a direcçāo do norte. — Piloto, é em Yokohama que deve tomar o paquete americano, e nāo em Shangai ou em Nagasaki. — Porque não? redarguiu o piloto. O paquete de San Francisco nāo parte de Yokohama. Faz escala ali e em Nagasaki, mas o seu porto de partida é Shangai? — Está certo dʼisso? — Estou. — E quando é que o paquete larga de Shangai? — No dia 11, ás sete horas da tarde. Temos, pois, quatro dias á nossa disposiçāo. Quatro dias sāo o mesmo que noventa e seis horas, e com uma média de oito milhas por hora, se o tempo nos for favoravel, com vento de sueste e o mar manso,<noinclude></noinclude> bt5wjkyj0l3vok6tin1h2m1h06dywus Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/206 106 258090 563475 2026-09-21T13:46:56Z Sartigalha 43856 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 200 VIAGENS MARAVILHOSAS 21 íam nove dias, treze horas e quarenta e cinco minutos. Se, pois, Phileas Fogg tivesse partido na vespera pelo ""China"", um dos navios mais velozes da linha Cunard, chegaria a Liverpool, e depois a Londres, no praso exigido! Mr. Fogg saiu do hotel só, depois de ter recommendado ao creado que o esperasse e prevenisse mrs. Áouda para que estivesse prompta á primeira voz. Mr. Fogg dirigiu-se ás margens do Hud... 563475 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Sartigalha" />{{rvh|200|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>200 VIAGENS MARAVILHOSAS 21 íam nove dias, treze horas e quarenta e cinco minutos. Se, pois, Phileas Fogg tivesse partido na vespera pelo ""China"", um dos navios mais velozes da linha Cunard, chegaria a Liverpool, e depois a Londres, no praso exigido! Mr. Fogg saiu do hotel só, depois de ter recommendado ao creado que o esperasse e prevenisse mrs. Áouda para que estivesse prompta á primeira voz. Mr. Fogg dirigiu-se ás margens do Hudson, e entre os navios amarrados ao caes, ou ancorados no rio, procurou attentamente com o olhar os que estavam para partir. Muitos barcos tinham o signal de partida e preparavam-se para se fazerem ao largo na maré da manhá, porque no immenso e admiravel porto de Nova York, náo ha dia em que não saiam cem navios para todos os pontos do globo; mas a maior parte eram navios de véla, e não podiam convir a Phileas Fogg. Parecia o gentleman dever falhar na sua ultima tentativa, quando avistou ancorado diante da Batterie um navio de commercio, a helice, airoso de fórmas, e cuja chaminé, vomitando grandes novellos de fumo, indicava que se praparava para partir. Phileas Fogg chamou um bote, embarcou, e em poucas remadas achou-se na escada do Henrietta, vapor construído de madeira e ferro. O capitão do Henrietta estava a bordo. Phileas Fogg subiu á tolda e chamou por elle. O capitão apresentou-se no mesmo instante Era um homem de cincoenta annos, uma especie de lobo marinho, um resmungão que não devia ser tratavel. Olhos esbogalhados, rosto cór de cobre oxydado, cabellos avermelhados, cachaço de touro, —nada se lhe via no aspecto que denotasse um homem sociavel. - O capitão? perguntou mr, Fogg. - Sou eu. - Eu sou Phileas Fogg, de Londres. - E eu Andrew Speedy, da Cardiff. - Vae largar?<noinclude></noinclude> mlkscewt5aoqofw8d1culfgteri2a60 563632 563475 2026-09-21T14:48:09Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563632 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|200|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>21 íam nove dias, treze horas e quarenta e cinco minutos. Se, pois, Phileas Fogg tivesse partido na vespera pelo ''China'', um dos navios mais velozes da linha Cunard, chegaria a Liverpool, e depois a Londres, no praso exigido! Mr. Fogg saiu do hotel só, depois de ter recommendado ao creado que o esperasse e prevenisse mrs. Áouda para que estivesse prompta á primeira voz. Mr. Fogg dirigiu-se ás margens do Hudson, e entre os navios amarrados ao caes, ou ancorados no rio, procurou attentamente com o olhar os que estavam para partir. Muitos barcos tinham o signal de partida e preparavam-se para se fazerem ao largo na maré da manhā, porque no immenso e admiravel porto de Nova York, nāo ha dia em que nāo saiam cem navios para todos os pontos do globo; mas a maior parte eram navios de véla, e nāo podiam convir a Phileas Fogg. Parecia o ''gentleman'' dever falhar na sua ultima tentativa, quando avistou ancorado diante da Batterie um navio de commercio, a helice, airoso de fórmas, e cuja chaminé, vomitando grandes novellos de fumo, indicava que se praparava para partir. Phileas Fogg chamou um bote, embarcou, e em poucas remadas achou-se na escada do ''Henrietta'', vapor construido de madeira e ferro. O capitāo do ''Henrietta'' estava a bordo. Phileas Fogg subiu á tolda e chamou por elle. O capitāo apresentou-se no mesmo instante Era um homem de cincoenta annos, uma especie de lobo marinho, um resmungāo que nāo devia ser tratavel. Olhos esbogalhados, rosto côr de cobre oxydado, cabellos avermelhados, cachaço de touro, —nada se lhe via no aspecto que denotasse um homem sociavel. — O capitāo? perguntou mr, Fogg. — Sou eu. — Eu sou Phileas Fogg, de Londres. — E eu Andrew Speedy, da Cardiff. — Vae largar? {{nop}}<noinclude></noinclude> 7oro18n12nb6x41myl5c0ywy4skwdwq Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/568 106 258091 563485 2026-09-21T13:49:11Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: amoli Darfe rebate, fazerfe final bradando. DESCOBR. DA FROLID. 113 Tantoque chegou [o Governador] e foi dos Indios fentido, appellidoufe a terra. GAVI, Cerc. 7, 19 Tantoque fe ouvia o eftrondo, que fazia [o trabuco] quando tirava safe appellidavão com huma voz: Guarda trabuco; e logo todos tomavão os portaes das porras &c. {{lema|APPELLIDO}}. s. ni. Sobrenome, das peffoas fegundo a dif- ferença das familias. BARR. Dec. 1, 1,3 Ao qual... 563485 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{rh|{{sc|360}}|APP|}}</noinclude>amoli Darfe rebate, fazerfe final bradando. DESCOBR. DA FROLID. 113 Tantoque chegou [o Governador] e foi dos Indios fentido, appellidoufe a terra. GAVI, Cerc. 7, 19 Tantoque fe ouvia o eftrondo, que fazia [o trabuco] quando tirava safe appellidavão com huma voz: Guarda trabuco; e logo todos tomavão os portaes das porras &c. {{lema|APPELLIDO}}. s. ni. Sobrenome, das peffoas fegundo a dif- ferença das familias. BARR. Dec. 1, 1,3 Ao qual lu- gar elle chamou Camara de lobos, e tomou efte appel- lido. BERE. Lim. Cart. 20 A Fama com tal fom irá can- tando De Moura o appellido, que não moura, Por mais que o rempo vá tudo gaftando. SEYER. Notic. 3, 2, 90 -Os appellidos são os finaes hoje da defcendencia das fa- milias, e nobrezas della. adii Epith. Alto. CORT. R. Naufr. 14, 160. Amorofo. L. BRAND. Medit. 2, 5, 189. p. 516. Antigo. PINT. PER. Hift. 1, 1, 2. Arrogante. M. BERN. Floreft. 3, 7, 384, C. Celebre. Los. Condeft. 11, 104. Efclarecido. FR. F. BRAND. Confelh. 42. Fantaftico. ESPER. Hift. 1, 5, 12. n. 4. Grande. EUFROS. 5, 10. Honrado. Gouv. Rel. 3, 1. Honrofo. AMARAL, Serm, 29, 3. Humilde. VIEIR. Serm. .7, 7, 8. n. 228. Illuftre. Cour. Dec. 7, 7, 9. Immor- tal. SA DE MEs. Mal. 9, 11. 5. Mageftofo. AMARAL, Serm. 209, 5. Nobre, CORT. R. Cerc., 13, 235. FR. L. DOS ANJ. Jard. 2. Novo. FR. SIM. COELH. Chr. 1, 15, 61. Patronimico. FR. Leão, Bened. 2, 1, 4. c. 14. Pe- culiar. PINT. Per. Hift. 1, 11, 48. Proprio. PINT. PER. Hift. 1, 1, 2. Soberano. AMARAL, Serm. 30, 7. Suave. D. HILAR. Voz, 22, 176 y. Venturofo. Purir. Chr. 2, 5, 3. S. 17. Vergonhofo. FERN. Lor. Chr. de D. J. 1. .mi, 100.in Job Verb. Acquirir... de. D. HILAR. Voz, 7, 36. Alcançar... de. SA: DE MEN. Mal: 9, 11. Dar por... a alg. CORT. R. Cerc. 13, 220. A. DE VASc. Anj. 2, 68. part. 2. p. 955. Impor... de. ARR. Dial. 1, 5. Mudar o... FR. SIM. COELH. Chr. 1, 15, 61. Nome- arfe com... de. Los: Cort. 2, 16. Ter... de. D. F. MAN. Apol. 179. por... CAN. Luf. 10, 105. Tomar... abf. BARR. Dec. 1; 1, 3.... de. FR. SIM. COELH. Chr. 1, 1, 4. Sous. Vid. I, 1. ond Appellido. Denominação, titulo,s diftintivo nome particular, que fe dá a alguma coufa. Paiv. Serm, 3, 103 E fe en algum lugar, a meu juizo, quadrava mais a Chrifto.chamar a Virgem pelo appellido de mulher, an- tcs que pelo de mai, foi aqui. HEIT. PINT. Dial. 1, 1, 6 Elles mefmos fe desherdão de feu nome, nem são di- gnos de fer chamados homens, nem lhe convém zal ap- pellido. Los. Condeft. 19, 59 Os Catholicos Reis fe irão chamando, Appellido do céo, ditofa alcunha. Ant. Rebate, acção de convocar gente para dar aju- da ou tomar armas; ou a mefina voz, que fe dá para acudir. Nefte fignificado he voz muito antiga em Portu- gal, e fe acha no Foral dado por elRei D. Affonfo Henriquez a Leiria. BRAND. Mon. 3. Efcrit. 18, 286 Mi les, qui ibi habuerit equum fanum, et non exierit in appellido, der quinque folidos in vino.4, 15, 24 Efcrit. de D. Af III. ann. 1259. Solum hoc, quod mihi et fuccefforibus refervo in perpetuum, videlicer collectam, monetam, hofte, annaduam, appellidum, foffadum, &c. FERN. Lor. Chr. de. D. J. I. 1, 9 E que catão fe hiria elle com os feus em maneira de accorro, chamando quan- ros achaffe pelas ruas, os quaes fe irião com elle de boamente, como houveffe tal appellido. ORDEN. DE D. MAN, 1, 54 Pera tantoque ouvirem algum appellido, ou os chamar o quadrilheiro, poderem logo dahi ir onde The for mandado. SA DE MIR. Ecl. 8, 71 Cá nunca che- ga appellido De fogo, nem arruido.. Senha, que fe dava aos foldados para fe aprefta- rem, a pegar em armas. SABELL. Eneid. 1, 7, 82 Por- que inventára..a teffera militar, que he o appellido, que dá o Capitão pera acudirem a ella. LEÃO, Chr. de D. Henr. 14 E lhes diffe que aquella palavra, que to- dos a huma voz fubito dixerão ... lhes dava para fi- smal eappellido, que dixeffem, quando acommetteffem os imigos. {{lema|APPENDICE}}. s. m. Addição, fupplemento, accrefcentamen- to, que se faz a alguna obra on tratado. Do Lat. Ap- -pendix, acc. na antepenult. CALV. Homil. z, 650 Agora sfó accrefcento de S. Agoftinho ou do Autor, que an- da no appendice das fuas obras. BRAND. Mon. 3, 8, 4 O qual teftamento] le tresladará no appendice defte to- mo. BARRET. Rel. 100 Da traducção de Portuguez em Latim, que fez do livro intitulado Direito Hereditario da Sereniffima Senhora D. Catherina, e de feu appen- dice. Met. CEIT. Quadrag. 1, 139, 3 Efte do diabo. dim.de appendice foi {{lema|APPENDICULO}}. s. m. dim. de Appendice. Do Lat. Ap- pendiculus. M. BERN. Arm. 25. Floreft. 1, 6, 288, 1 {{lema|APPENDIX}}. s. m. O mefmo que Appendice. Lat. Appen- dix. Gouv. Jorn. 1, 8 Trasladou o Arcebifpo efta em- baixada e obediencia do Appendix, que fez o doutiffimo Cardeal no feu quarto tomo dos Annaes Ecclefiafticos.. de ver no Appendix, que o dito Autor faz no fim 2dos feus doutos Commentarios. MARINH. Comm. 2, 7 A que podemos accrefcentar por appendix, que &c. .Met. Feo, Tr. Quadr. 2. Prol. As virtudes merecimento não são o appendix je o accefforio da idade. {{lema|APPENSAR}}. v. a. Forenf. Ajuntar bum feito ou hum pa- pel a outro por linha, de forte que fiquem feparados. Do Lat. Appendere. CUNH. Catal. 2, 18 Que para bem de fua juftiça mandou appenfar aos feus [proceflos] o Bif- po D. Pedro. {{lema|APPENSO, A}}. adj. pouc. uf. Que eftá junto on pendente de outro. Do Lat. Appenfus. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 89 Será efta graça hu collar appenfo ao voffo pefcoço. Met. Difpofto, inclinado; propenfo. BARRET. Flos Sanct. 2, 443, 2 E paraque com aquella vifta fe ani- maffe Santo Eftevão] a morrer pelo que morrera por elle, e entendeffe que lhe eftava o ceo aberto, e Jefus muito appenfo e apparelhado para o ajudar. {{lema|APPENSO}}. s. m. Forenf. Feito ou papel, que anda junto a outro por linha, como confa feparada. TELL. Hift. 1, 15, 39 Que montão entre nós tantos autos e appenfos, tantos termos, tantas cotas, &c. {{lema|APPETECER}}. v. a. Cobiçar, defejar muito exceffivamente. Do Lat. Appetere. D. M. DE PORTUG. Obr. 9, 199 Appetece minha alma a fonte viva No eftio do amor em félta ardente. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. y, 268 As mulhe- res appetecem muito qualquer novidade. Sous. Hift. 1, 5, 7 As mulheres são efficazes no que emprendem, e mais no que appetecem. {{lema|APPETECIDO, A}}. p. p. de Appetecer. NUN. DA SILY. Poef. 111. M. BERN. Floreft. 1, 5, 170, A. {{lema|APPETECIVEL}}. adj. de huma term. Digno de fe appete- cer. D. F. Max. Apol. 188 O primeiro [bem] não fe fazer o lugar tão appetecivel &c. Sous. DE MAC. Ev. 1, 10, 32. n. 5 O governar he appetecivel. S. ANN. Chr. 1, 1, 5 Não o fentio affi a Serafica nolla Madre San- ta Terefa, a quem o amor de Deos fazia appetetivel e facil o caminho da Cruz. {{lema|APPETENCIA}}. s. f. Impulfo natural ou movimento inte- rior, com que fe defejão ou appetecem as coufas. Do Lat Appetentia. CIT., Serm. .I 1334 De maneira he [Deos] vifto, que fempre ha appetencia de o ver. BAR- TIF. GUERREIR. Cor. 4, 3, 405 Na appetencia de gloria e honra, nem a antiga Koma os venceo. M. BERN. Luz e Cal. 2, 1, 255 Veio a perder o fomno e appetencia de comer. Veio a perder {{lema|APPETIR}}. v. a. ant. e pouc. uf. O mesmo que Appetecer. FERR. DE VASC. Ulyflip, 4, 7 Não tem juizo pera ap petir bom nome, porque, de coftumados a pouquidades, não fabem querer, nem entender fenão coufas pequenas. {{lema|APPETITE}}. s. m. Inclinação ou movimento da alma para o bem verdadeiro ou apparente. Do Lat. Appetitus. ant. Appetito. SA DE MIR. Vilhalp. 1, 3. Como aqui ha mui- ta forte d'appetitos. CATHEс. ROM, 19 Alem diffo affi temperou [Deos] nelle [homem ] todos os movimentos de animo, e appetites, que fempre obedeceffem ao que mandafle a razão. Luc. Vid. 8, 20 Por iffo a chanião a ella vontade] appetite intellectual e ao entendi- mento raiz da liberdade. Paixão ou affecto defordenado. D. FR. BR. DE BARR. Espelh. 1,8 Convém ao homem fer morto com o ap- petite de vangloria e complacencia. FERR. Poen. Od. 1,3 Aquelles adoravão Os appetites feus. LOBAT. Palm. 5, 59 Dizendo que poftoque o Conde feu avô fora def- rerrado por hum appetite do paffado Emperador &c. Defejo grande e immoderado de alguma coufa. Fio, Tr. 2, 9, 2 E a quem os vê, fazem appetite de mais os ver. Sous. Hift. 1, 3, 17 Se collige, que havia ap- petite na obra, e defejo que correlle. TELL. Chr. 1, 2, 23. n. 7 De nenhuma coufa os Religiofos mais fe de- vem temer e vigiar que defte infernal appetite de gover- nar. Deleite, recreação Deleite, recreação dos fentidos. BRIT. Chr. 6, 3 Nun- ca o Santo tomava dellas [iguarias] fenão o menos, e de menor appetite. SOTTO. Ribeir. 4, izz Cobertos os agafares de goivos amarellos, e roxas violetas, que<noinclude></noinclude> c6yxnoguwmt66as8itln93ua9qazbqy Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/3 106 258092 563487 2026-09-21T13:49:45Z Faraqat-flup 43854 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: DIALOGO 3 PAY FILHO VEm cá, Antonio: Vái á minha liu raria,e tráze hũus quadernos numme- ro quinze, que estám na estante se gunda na párte numero seyes (F) Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu- guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P) Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas. Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P) Nam,esse é hum tratádo dere... 563487 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>DIALOGO 3 PAY FILHO VEm cá, Antonio: Vái á minha liu raria,e tráze hũus quadernos numme- ro quinze, que estám na estante se gunda na párte numero seyes (F) Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu- guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P) Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas. Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P) Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ- poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo? (P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari- stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam. (F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques- tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei- Aij хо<noinclude></noinclude> 9etwhleki0fx5nvyohp69va2mrd5wpt 563584 563487 2026-09-21T14:17:44Z Faraqat-flup 43854 563584 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> PAY FILHO VEm cá, Antonio: Vái á minha liu raria,e tráze hũus quadernos numme- ro quinze, que estám na estante se gunda na párte numero seyes (F) Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu- guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P) Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas. Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P) Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ- poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo? (P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari- stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam. (F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques- tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei-<noinclude>Aij</noinclude> bvq0kff10lgkfkoc22z3tl4mfrwq097 563586 563584 2026-09-21T14:19:10Z Faraqat-flup 43854 563586 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> PAY FILHO VEm cá, Antonio: Vái á minha liu raria,e tráze hũus quadernos numme- ro quinze, que estám na estante se gunda na párte numero seyes (F) Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu- guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P) Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas. Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P) Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ- poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo? (P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari- stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam. (F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques- tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei- xo Aij<noinclude></noinclude> 2g429jvt8czlssogi2aeyg9z6jh6q9v 564104 563586 2026-09-22T10:51:20Z Faraqat-flup 43854 564104 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> PAY FILHO ''VEm cá, Antonio: Vái á minha liu<br> ''raria,e tráze hũus quadernos numme-<br> ''ro quinze, que estám na estante se<br> ''gunda na párte numero seyes (F)<br> ''Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu-<br> ''guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P)<br> ''Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos<br> ''numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas.<br> ''Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P)<br> ''Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ-<br> ''poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor<br> ''dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo?<br> ''(P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari-<br> ''stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam.<br> ''(F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que<br> ''meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques-<br> ''tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam<br> ''sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam<br> ''de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã<br> ''diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti<br> ''tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei-<br> xo<br> ''Aij<noinclude></noinclude> ggakvk07f8guuublovb75jca8uark5l 564105 564104 2026-09-22T10:51:48Z Faraqat-flup 43854 564105 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> PAY FILHO ''VEm cá, Antonio: Vái á minha liu<br> ''raria,e tráze hũus quadernos nume-<br> ''ro quinze, que estám na estante se<br> ''gunda na párte numero seyes (F)<br> ''Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu-<br> ''guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P)<br> ''Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos<br> ''numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas.<br> ''Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P)<br> ''Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ-<br> ''poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor<br> ''dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo?<br> ''(P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari-<br> ''stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam.<br> ''(F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que<br> ''meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques-<br> ''tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam<br> ''sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam<br> ''de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã<br> ''diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti<br> ''tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei-<br> xo<br> ''Aij<noinclude></noinclude> f891lub7v3nn6yc1ihj9tysmxii2z78 564117 564105 2026-09-22T11:17:29Z Faraqat-flup 43854 564117 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> '''PAY FILHO''' ''VEm cá, Antonio: Vái á minha liu<br> ''raria,e tráze hũus quadernos nume-<br> ''ro quinze, que estám na estante se<br> ''gunda na párte numero seyes (F)<br> ''Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu-<br> ''guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P)<br> ''Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos<br> ''numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas.<br> ''Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P)<br> ''Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ-<br> ''poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor<br> ''dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo?<br> ''(P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari-<br> ''stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam.<br> ''(F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que<br> ''meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques-<br> ''tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam<br> ''sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam<br> ''de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã<br> ''diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti<br> ''tolo ao teu tratádo. 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(P) Pois esses de causas trátam.<br> ''(F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que<br> ''meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques-<br> ''tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam<br> ''sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam<br> ''de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã<br> ''diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti<br> ''tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei-<br> xo<br> ''Aij<noinclude></noinclude> g9dfvvg658kyl1z4rtbzde3i0gvzbr4 Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/88 106 258093 563490 2026-09-21T13:50:12Z ~2026-50959-30 43859 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: == 81 VIAGENS MARAVILHOSAS == Passepartout, com os seus costumes francezes, quiz fazer observações, mas o policia tocou-lhe com a sua varinha, e Phileas Fogg fez-lhe signal para que obedecesse.<br> - Esta joven póde acompanhar-nos? perguntou mr. Fogg.<br> — Póde, respondeu o policia.<br> Mr. Fogg, mrs. Aouda e Passepartout foram conduzidos para um ''palki-ghari'', especie de carruagem de quatro rodas e quatro logares {{corr|log... 563490 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="31.22.201.240" />{{rvh|84|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>== 81 VIAGENS MARAVILHOSAS == Passepartout, com os seus costumes francezes, quiz fazer observações, mas o policia tocou-lhe com a sua varinha, e Phileas Fogg fez-lhe signal para que obedecesse.<br> - Esta joven póde acompanhar-nos? perguntou mr. Fogg.<br> — Póde, respondeu o policia.<br> Mr. Fogg, mrs. Aouda e Passepartout foram conduzidos para um ''palki-ghari'', especie de carruagem de quatro rodas e quatro logares {{corr|logares|lugares}}, puxada por dois cavallos. Pozeram-se a caminho. Durante o trajecto, que durou quasi vinte minutos, não se proferiu uma palavra.<br> A carruagem atravessou primeiramente a «cidade negra», formada de ruas estreitas, nas quaes formigava uma população cosmopolita, immunda e andrajosa; em seguida entrou na cidade europea, composta de edificações de tijolo que lhe davam um aspecto alegre, ensombrada de coqueiros, e eriçada de mastros, por entre os quaes, apesar da hora matinal, deslisavam já elegantes cavalleiros e trens esplendidos.<br> O ''palki-ghari'' parou à porta de um edificio de modesta apparencia, mas que não devia de certo servir para usos domesticos. O polícia fez descer os presos,—pois que em rigor se lhes podia dar este nome,—e conduziu-os para um aposento de janellas gradeadas, dizendo-lhes:<br> - É ás oito horas e meia que devem comparecer na presença do juiz Obadiah.<br> Depois retirou-se e fechou a porta.<br> - Bem! estamos presos! exclamou Passepartout, deixando-se cair n'uma cadeira.<br> Mrs. Aouda, dirigindo-se a mr. Fogg, disse-lhe com uma voz cuja commoção debalde procurava dissimular:<br> - Senhor, é preciso que me abandone! É por minha causa que o perseguem! Por me haver salvado!<br> Phileas Fogg limitou-se a responder que isso não era possivel. Perseguido pelo acontecimento do sutty! não se podia admittir! Como é que os queixosos se atreveriam a apresentar? Havia engano. Mr. Fogg acrescentou que em todo o caso não abandonaria a joven, e a conduziria a Hong–Kong.<noinclude></noinclude> ifho1lbmpiq1bq458vo4eugyfh97hli 563561 563490 2026-09-21T14:06:59Z ~2026-50959-30 43859 563561 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="31.22.201.240" />{{rvh|84|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>== 84 VIAGENS MARAVILHOSAS == Passepartout, com os seus costumes francezes, quiz fazer observações, mas o policia tocou-lhe com a sua varinha, e Phileas Fogg fez-lhe signal para que obedecesse.<br> — Esta joven póde acompanhar-nos? perguntou mr. Fogg.<br> — Póde, respondeu o policia.<br> Mr. Fogg, mrs. Aouda e Passepartout foram conduzidos para um ''palki-ghari'', especie de carruagem de quatro rodas e quatro {{corr|logares|lugares}}, puxada por dois cavallos. Pozeram-se a caminho. Durante o trajecto, que durou quasi vinte minutos, não se proferiu uma palavra.<br> A carruagem atravessou primeiramente a «cidade negra», formada de ruas estreitas, nas quaes formigava uma população cosmopolita, immunda e andrajosa; em seguida entrou na cidade europea, composta de edificações de tijolo que lhe davam um aspecto alegre, ensombrada de coqueiros, e eriçada de mastros, por entre os quaes, apesar da hora matinal, deslisavam já elegantes cavalleiros e trens esplendidos.<br> O ''palki-ghari'' parou à porta de um edificio de modesta apparencia, mas que não devia de certo servir para usos domesticos. O polícia fez descer os presos,—pois que em rigor se lhes podia dar este nome,—e conduziu-os para um aposento de janellas gradeadas, dizendo-lhes:<br> — É ás oito horas e meia que devem comparecer na presença do juiz Obadiah.<br> Depois retirou-se e fechou a porta.<br> — Bem! estamos presos! exclamou Passepartout, deixando-se cair n'uma cadeira.<br> Mrs. Aouda, dirigindo-se a mr. Fogg, disse-lhe com uma voz cuja commoção debalde procurava dissimular:<br> — Senhor, é preciso que me abandone! É por minha causa que o perseguem! Por me haver salvado!<br> Phileas Fogg limitou-se a responder que isso não era possivel. Perseguido pelo acontecimento do sutty! não se podia admittir! Como é que os queixosos se atreveriam a apresentar? Havia engano. Mr. Fogg acrescentou que em todo o caso não abandonaria a joven, e a conduziria a Hong–Kong.<noinclude></noinclude> hpob4kurykyoinnc65h5irw3rmlxqa7 563581 563561 2026-09-21T14:16:52Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563581 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|84|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Passepartout, com os seus costumes francezes, quiz fazer observaçōes, mas o policia tocou-lhe com a sua varinha, e Phileas Fogg fez-lhe signal para que obedecesse. — Esta joven póde acompanhar-nos? perguntou mr. Fogg. — Póde, respondeu o policia. Mr. Fogg, mrs. Aouda e Passepartout foram conduzidos para um ''palki-ghari'', especie de carruagem de quatro rodas e quatro logares, puxada por dois cavallos. Pozeram-se a caminho. Durante o trajecto, que durou quasi vinte minutos, nāo se proferiu uma palavra. A carruagem atravessou primeiramente a «cidade negra», formada de ruas estreitas, nas quaes formigava uma populaçāo cosmopolita, immunda e andrajosa; em seguida entrou na cidade europea, composta de edificaçōes de tijolo que lhe davam um aspecto alegre, ensombrada de coqueiros, e eriçada de mastros, por entre os quaes, apesar da hora matinal, deslisavam já elegantes cavalleiros e trens esplendidos. O ''palki-ghari'' parou á porta de um edificio de modesta apparencia, mas que nāo devia de certo servir para usos domesticos. O polícia fez descer os presos,— pois que em rigor se lhes podia dar este nome,— e conduziu-os para um aposento de janellas gradeadas, dizendo-lhes: — É ás oito horas e meia que devem comparecer na presença do juiz Obadiah. Depois retirou-se e fechou a porta. — Bem! estamos presos! exclamou Passepartout, deixando-se cair nʼuma cadeira. Mrs. Aouda, dirigindo-se a mr. Fogg, disse-lhe com uma voz cuja commoçāo debalde procurava dissimular: — Senhor, é preciso que me abandone! É por minha causa que o perseguem! Por me haver salvado! Phileas Fogg limitou-se a responder que isso nāo era possivel. Perseguido pelo acontecimento do sutty! nāo se podia admittir! Como é que os queixosos se atreveriam a apresentar? Havia engano. 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Entretanto, um padre ainda moço, depois de passeiar silenciosamente á sombra das arvores; foi assentar-se, triste e preoccupado, nos restos de uma fonte de pedra, cuja pobreza as hervas disfarçavam com a opulencia da sua folhagem viçosa e florida. E ahi ficou a scismar, perdido num profundo enlevo, como se o ardente perfume daquella tarde de verão fôra forte de mais para a sua pobre alma enferma de homem casto. Estranhos e indefinidos desejos levantavam-se dentro delle, pedindo confortos de uma felicidade que lhe não pertencia e levando-o a cobiçar uma doce existencia desconhecida, que seu coração magoado e resentido mal se animava de sonhar por instincto. E, assim, vinham-lhe á memória, com uma reminiscencia dolorosa, todas as suas aspirações<noinclude></noinclude> fej6kuovdfr6tkrk1bydtrxm6jwlq1t 563577 563497 2026-09-21T14:13:34Z Épico 12904 /* Validada */ 563577 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Épico" />{{cabeçalho|106|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>quillos levantavam a cabeça, com a bocca escorrendo em fios de prata, e enchiam a solidão das clareiras com a prolongada tristeza dos seus mugidos. Num quintal, entre uma nuvem de pombos, uma rapariga apanhava da corda a roupa lavada que estivera a seccar durante o dia; emquanto um homem, em mangas de camisa, passava pela estrada, cantando, de ferramenta ao hombro. De cada casa vinha um rumor alegre de familia que se reune para jantar, e, junto com latidos de cães e choros de criança, ouvia-se o contente palavrear dos trabalhadores em descanço, ao lado da mulher e dos filhos. Entretanto, um padre ainda moço, depois de passeiar silenciosamente á sombra das arvores, foi assentar-se, triste e preoccupado, nos restos de uma fonte de pedra, cuja pobreza as hervas disfarçavam com a opulencia da sua folhagem viçosa e florida. E ahi ficou a scismar, perdido num profundo enlevo, como se o ardente perfume daquella tarde de verão fôra forte de mais para a sua pobre alma enferma de homem casto. Estranhos e indefinidos desejos levantavam-se dentro delle, pedindo confortos de uma felicidade que lhe não pertencia e levando-o a cobiçar uma doce existencia desconhecida, que seu coração magoado e resentido mal se animava de sonhar por instincto. 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Entretanto, um padre ainda moço, depois de passeiar silenciosamente á sombra das arvores; foi assentar-se, triste e preoccupado, nos restos de uma fonte de pedra, cuja pobreza as hervas disfarçavam com a opulencia da sua folhagem viçosa e florida. E ahi ficou a scismar, perdido num profundo enlevo, como se o ardente perfume daquella tarde de verão fôra forte de mais para a sua pobre alma enferma de homem casto. Estranhos e indefinidos desejos levantavam-se dentro delle, pedindo confortos de uma felicidade que lhe não pertencia e levando-o a cobiçar uma doce existencia desconhecida, que seu coração magoado e resentido mal se animava de sonhar por instincto. E, assim, vinham-lhe á memória, com uma reminiscencia dolorosa, todas as suas aspirações<noinclude></noinclude> ffkrmx38fmrwp83jl5ruyytb3p223l0 563609 563601 2026-09-21T14:35:18Z MMIRENE 43852 /* Validada */ 563609 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Épico" />{{cabeçalho|106|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>quillos levantavam a cabeça, com a bocca escorrendo em fios de prata, e enchiam a solidão das clareiras com a prolongada tristeza dos seus mugidos. Num quintal, entre uma nuvem de pombos, uma rapariga apanhava da corda a roupa lavada que estivera a seccar durante o dia; emquanto um homem, em mangas de camisa, passava pela estrada, cantando, de ferramenta ao hombro. De cada casa vinha um rumor alegre de família que se reúne para jantar, e, junto com latidos de cães e chôros de criança, ouvia-se o contente palavrear dos trabalhadores em descanso, ao lado da mulher e dos filhos. Entretanto, um padre ainda moço, depois de passeiar silenciosamente á sombra das arvores; foi assentar-se, triste e preoccupado, nos restos de uma fonte de pedra, cuja pobreza as hervas disfarçavam com a opulencia da sua folhagem viçosa e florida. E ahi ficou a scismar, perdido num profundo enlevo, como se o ardente perfume daquella tarde de verão fôra forte de mais para a sua pobre alma enferma de homem casto. Estranhos e indefinidos desejos levantavam-se dentro delle, pedindo confortos de uma felicidade que lhe não pertencia e levando-o a cobiçar uma doce existencia desconhecida, que seu coração magoado e resentido mal se animava de sonhar por instincto. E, assim, vinham-lhe á memória, com uma reminiscencia dolorosa, todas as suas aspirações<noinclude></noinclude> f5byq0uzmqavxsx3e5dj66zwxkd81by Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/222 106 258095 563498 2026-09-21T13:52:05Z A.g.mateus 43845 /* Revista */ 563498 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="A.g.mateus" />{{rvh|216|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>== 216 VIAGENS MARAVILHOSAS == ás vezes esses inglezes monomaniacos, sob a influencia de uma idéa fixa. Por isso Passepartout, com a maior dissimulacio, vigiava o amo. A primeira cousa de que o bom do rapaz tratou ao chegar ao seu (quarto, foi de apagar o bico de gaz, que estava acceso havia oitenta dias, Achára na caixa das cartas uma nota da companhia do gaz, e entendeu que já era tempo de pôr termo áquella despeza, pela qual estava responsavel. Passou-se a noite; mr. Fogg deitou-se, mas não sabemos se dormiu. Quanto a mrs. Aouda, não teve um momento de repouso. Passapartout ficára de guarda, como um cão, á porta de seu amo. No dia seguinte mr, Fogg chamou-o e recommendou-Ihe em termos laconicos, que tratasse do almoço de mrs. Aouda, Elle contentar-se-ia com uma chavena de chá e uma torrada, e pedia a mrs. Aouda que dispensasse a sua presença ao almoço e ao jantar, porque todo o tempo seria consagrado a pôr em ordem os seus negocios. Não sairia dos aposentos; só á noite é que pedia licença a mrs. Aouda para uma entrevista de alguns minutos. Depois de lhe ser communicado este programma, Passepartout só tinha que se conformar com elle. Observava seu amo sempre impassivel, e não podia resolver-se a deixar o seu aposento. Tinha o coração afflicto, a consciencia perturbada pelos remorsos, porque cada vez se accusava mais gravemente de tão irreparavel desastre. Na verdade, se tivesse prevenido mr. Fogg, se lhe tivesse descoberto os projectos do agente Fix, mr. Fogg não teria de certo arrastado o agente atraz de si até Liverpool, e entao... Passepartout não se poude conter mais tempo. - Meu amo! mr. Fogg! exclamou elle, amaldiçoe-me. É por minha falta que... — Nao accuso ninguem, redarguiu Phileas Fogg no tom mais socegado. Vá-se. Passepartout obedeceu e foi ter com a joven, á qual participou o que lhe dissera o amo.<noinclude></noinclude> r7axjr02nax9esx228l3oo438w2hh91 563522 563498 2026-09-21T13:57:36Z A.g.mateus 43845 563522 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="A.g.mateus" />{{rvh|216|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude> ás vezes esses inglezes monomaniacos, sob a influencia de uma idéa fixa. Por isso Passepartout, com a maior dissimulacio, vigiava o amo. A primeira cousa de que o bom do rapaz tratou ao chegar ao seu (quarto, foi de apagar o bico de gaz, que estava acceso havia oitenta dias, Achára na caixa das cartas uma nota da companhia do gaz, e entendeu que já era tempo de pôr termo áquella despeza, pela qual estava responsavel. Passou-se a noite; mr. Fogg deitou-se, mas não sabemos se dormiu. Quanto a mrs. Aouda, não teve um momento de repouso. Passapartout ficára de guarda, como um cão, á porta de seu amo. No dia seguinte mr, Fogg chamou-o e recommendou-Ihe em termos laconicos, que tratasse do almoço de mrs. Aouda, Elle contentar-se-ia com uma chavena de chá e uma torrada, e pedia a mrs. Aouda que dispensasse a sua presença ao almoço e ao jantar, porque todo o tempo seria consagrado a pôr em ordem os seus negocios. Não sairia dos aposentos; só á noite é que pedia licença a mrs. Aouda para uma entrevista de alguns minutos. Depois de lhe ser communicado este programma, Passepartout só tinha que se conformar com elle. Observava seu amo sempre impassivel, e não podia resolver-se a deixar o seu aposento. Tinha o coração afflicto, a consciencia perturbada pelos remorsos, porque cada vez se accusava mais gravemente de tão irreparavel desastre. Na verdade, se tivesse prevenido mr. Fogg, se lhe tivesse descoberto os projectos do agente Fix, mr. Fogg não teria de certo arrastado o agente atraz de si até Liverpool, e entao... Passepartout não se poude conter mais tempo. - Meu amo! mr. Fogg! exclamou elle, amaldiçoe-me. É por minha falta que... — Nao accuso ninguem, redarguiu Phileas Fogg no tom mais socegado. Vá-se. Passepartout obedeceu e foi ter com a joven, á qual participou o que lhe dissera o amo.<noinclude></noinclude> lgytd1ykweuazfjnnp25dioxf2orj2j 563648 563522 2026-09-21T15:00:26Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563648 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|216|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ás vezes esses inglezes monomaniacos, sob a influencia de uma idéa fixa. Por isso Passepartout, com a maior dissimulaçāo, vigiava o amo. A primeira cousa de que o bom do rapaz tratou ao chegar ao seu quarto, foi de apagar o bico de gaz, que estava acceso havia oitenta dias. Achára na caixa das cartas uma nota da companhia do gaz, e entendeu que já era tempo de pôr termo áquella despeza, pela qual estava responsavel. Passou-se a noite; mr. Fogg deitou-se, mas nāo sabemos se dormiu. Quanto a mrs. Aouda, nāo teve um momento de repouso. Passapartout ficára de guarda, como um cāo, á porta de seu amo. No dia seguinte mr, Fogg chamou-o e recommendou-Ihe em termos laconicos, que tratasse do almoço de mrs. Aouda. Elle contentar-se-ia com uma chavena de chá e uma torrada, e pedia a mrs. Aouda que dispensasse a sua presença ao almoço e ao jantar, porque todo o tempo seria consagrado a pôr em ordem os seus negocios. Nāo sairia dos aposentos; só á noite é que pedia licença a mrs. Aouda para uma entrevista de alguns minutos. Depois de lhe ser communicado este programma, Passepartout só tinha que se conformar com elle. Observava seu amo sempre impassivel, e nāo podia resolver-se a deixar o seu aposento. Tinha o coraçāo afflicto, a consciencia perturbada pelos remorsos, porque cada vez se accusava mais gravemente de tāo irreparavel desastre. Na verdade, se tivesse prevenido mr. Fogg, se lhe tivesse descoberto os projectos do agente Fix, mr. Fogg nāo teria de certo arrastado o agente atraz de si até Liverpool, e entao... Passepartout não se poude conter mais tempo. — Meu amo! mr. Fogg! exclamou elle, amaldiçoe-me. É por minha falta que... — Nāo accuso ninguem, redarguiu Phileas Fogg no tom mais socegado. Vá-se. Passepartout obedeceu e foi ter com a joven, á qual participou o que lhe dissera o amo. {{nop}}<noinclude></noinclude> gsz9nrmp4iib2bwexu3dfwr5b9my0vd Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/69 106 258096 563503 2026-09-21T13:53:35Z Elsa de Brabrante 43846 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca... 563503 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MÁRIO DE ANDRADE</noinclude>E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca...<noinclude>65</noinclude> 2y99sh6gjiobjgzfyw7qfmff2907gf4 563505 563503 2026-09-21T13:54:01Z Elsa de Brabrante 43846 563505 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MÁRIO DE ANDRADE</noinclude>E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca...<noinclude>65</noinclude> cqeogah3yhjpj43zyphiae1vu50fj2k 563507 563505 2026-09-21T13:54:19Z Elsa de Brabrante 43846 563507 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MÁRIO DE ANDRADE</noinclude>E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca...<noinclude></noinclude> g7427pee0irz6y35ophr1dbod95fdgg 563527 563507 2026-09-21T13:58:58Z Elsa de Brabrante 43846 563527 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MÁRIO DE ANDRADE</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca... {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> szjgqqmyemlo7tsadiavzob1ri5y8sk 563538 563527 2026-09-21T14:01:42Z Elsa de Brabrante 43846 563538 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />{{d|MÁRIO DE ANDRADE}}</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca... {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> iks5kml3nv57a2cxvylspo1czz0ujom 563706 563538 2026-09-21T15:29:57Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563706 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />{{d|MÁRIO DE ANDRADE}}</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca... {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> 0al9td2hmts82n7nuo9oc310z20jxvg 563720 563706 2026-09-21T15:33:43Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563720 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{d|MÁRIO DE ANDRADE}}</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> E sigo. E vou sentindo, á inquieta alacridade da invernia, como um gôsto de lágrimas na boca... {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> 9wwazlespbgajklg5o2wrp1hs69s6gh Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/27 106 258097 563508 2026-09-21T13:54:39Z Leppakertu 43853 /* Revista */ 563508 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Leppakertu" />MARIO DE ANDRADE</noinclude>de frase (melodia), a palavra chama a atenção para seu insulamento e fica vibrando, á espera duma frase que lhe faça adquirir significado e QUE NÃO VEM. « Lutas » não dá conclusão alguma a « Arroubos »; e, nas mesmas condições, não fazendo esquecer a primeira palavra, fica vibrando com ela. As outras vozes fazem o mesmo. Assim: em vez de melodia (frase gramatical) temos acorde arpejado, harmonia, — o verso harmónico. Mas, si em vez de usar só palavras soltas, uso frases soltas: mesma sensação de superposição, não já de palavras (notas) mas de frases (melodias). Portanto: polifonia poética. Assim, em “Paulicea Desvairada” usam-se o verso melódico: «São Paulo é um palco de bailados russos»; o verso harmónico: «A cainçalha. . . A Bolsa.. . As jogatinas. . .» ; e a polifonia poética (um e ás vezes dois e mesmo mais versos consecutivos): « A engrenagem trepida... A bruma neva. . . »<noinclude> 25</noinclude> 2xkcfo4v6hyjjx8310t67srf9qc7uqt 563570 563508 2026-09-21T14:08:55Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563570 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />MARIO DE ANDRADE</noinclude>de frase (melodia), a palavra chama a atenção para seu insulamento e fica vibrando, á espera duma frase que lhe faça adquirir significado e QUE NÃO VEM. « Lutas » não dá conclusão alguma a « Arroubos »; e, nas mesmas condições, não fazendo esquecer a primeira palavra, fica vibrando com ela. As outras vozes fazem o mesmo. Assim: em vez de melodia (frase gramatical) temos acorde arpejado, harmonia, — o verso harmónico. Mas, si em vez de usar só palavras soltas, uso frases soltas: mesma sensação de superposição, não já de palavras (notas) mas de frases (melodias). Portanto: polifonia poética. Assim, em “Paulicea Desvairada” usam-se o verso melódico: «São Paulo é um palco de bailados russos»; o verso harmónico: «A cainçalha. . . A Bolsa.. . As jogatinas. . .» ; e a polifonia poética (um e ás vezes dois e mesmo mais versos consecutivos): « A engrenagem trepida... A bruma neva. . . »<noinclude> 25</noinclude> tlbx5d7bqvt1k8odv3wqv2aiplsrtew Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/567 106 258098 563511 2026-09-21T13:55:22Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: eftroncados; e com a chifma e appellamento que vai por fóra, ficáo muito defpejados. 2, 4, to Hum grande fobrexcellente de coufas, em que fe não havia de bulit pera outro effetto affi de mantimentos, arti- Tharia, polvora, munições, cappellamento, como de todas as outras exarcias e materiaes neceffarios pera fe poderem armar todos os navios. {{lema|APPELLANTE}}. p. a. de Appellar. Que appella. ORDEN. DE D. MAN. I, 61 E fe alguma das p... 563511 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{c | APP}}</noinclude>eftroncados; e com a chifma e appellamento que vai por fóra, ficáo muito defpejados. 2, 4, to Hum grande fobrexcellente de coufas, em que fe não havia de bulit pera outro effetto affi de mantimentos, arti- Tharia, polvora, munições, cappellamento, como de todas as outras exarcias e materiaes neceffarios pera fe poderem armar todos os navios. {{lema|APPELLANTE}}. p. a. de Appellar. Que appella. ORDEN. DE D. MAN. I, 61 E fe alguma das partes appellantes ou aggravantes não quizerem trazer procuração de fuas mulheres, o Juiz do feito lhes não aflinará termo pera feguitem fua appellação ou aggravo. Subft. O que interpoe appella ão em juizo. ORDEN. DE D. MAN. 1, 3 Item cartas de manterem em poffe os appellantes ou tornarem a ella, fe depois da appel- lação forem esbulhados. REGIM. DA FAZEND. 23, 10 y Item havemos por bem e determinamos, que as appel- Iações e aggravos, que fahirem d'ante os Juizes das fi- fas até contia de dous mil reis ... os appellantes e ag- gravantes as levem logo perante o dito Contador mor Sous. Vid. 5, 11 A muitos efpantava muito a igualda- de de animo, com que levava as appellações de fuas fentenças ou mandados pera maior poder; fendo a cou- fa, que tão mal toma qualquer julgadorzinho, que polo mefmo cafo não entrará o appellante ja mais com elle em jogo. {{lema|APPELLAR}}. v. n. Forenf. Recorrer, queixandofe, a Juiz ou Tribunal fuperior da fentença ou procedimento, que fe fuppõe injufto na inftancia inferior. Do Lat. Appellare. FERN. LOP. Chr. de D. J. I. 2, 66 E quando algum fe havia por aggravado do que elle mandava, que elle ap- pellava pera elRei. Sovs. Vid. 3., 19 Appellon em no- me do Clero pera a fanta Sé Apoftolica. CUNH. Catal. 2, 29 Appellarão os Padres deftas cenfuras pera a Sé Apoftolica.stes deltas centuras pera a Met. CAN. Luf. 10, 114 O Santo, que não vê melhor cfcufa, Que appellar pera o Padre omnipoten- te &c. MAUS. Vid. 1, 14 y Lá viveo té que a morte em terra fria O pleito feu, fem appellar, despacha. ACAD. DOS SING. 1, 6, Oraç. Appellão os grandes ho- mens da jurifdicção do tempo para o tribunal da fama. Valerfe de alguma coufa conto refugio ou remedio pa- ra efcapar de perigo, mal, &c. Reg. a ou para alg. c. FERNAND. GALV. Serm. 2, 45, 3 Tal he o rifco, em que vivem os que tem feito affento no mal, pois por fe não tirar delle, fempre appellão pera novos remedios. Es FER, Hift. 2, 12, 14. n. 4 E por não appellar ſempre Acclamar, proclamar, chamar bradando ou com re- pera o tempo antigo &c. D. FERNAND. DE MEN. Vid. 2, 224 E fe a palavra dos Principes não he fegura, a que ha de appellar a confiança dos vaffallos? ACAD. DOS SING. 1, 12, Oraç. Appellemos ao ultimo remedio das adver- fidades, que he à efperança. Appellar de huma coufa para outra. Servirfe de al guma confa, deixando outra, por fe julgar de pouco ou ne bum effeito ou preftimo. D. F. MAN. Apol. 18 Vendofe pois o trifte homem táo affiligido, appellou da violencia pera a induftria, VIEIR. Serm. 8, 259 E quando menos que appellando dos meios humanos para os Divinos lhe valeffe com fuas orações. Não haver oz não ter para quem appellar, or mais que appellar. Não fe dar ou não ter remedio ou recurfo em alguma difficuldade ou aperto. AVEIR. Itin. 42 Porque [os Turcos] abfolutamente fe querem fazer fenhores de quanto vêm e cubição, e fem terdes pera quem appellar. FERNAND. GALV. Serm. 1, 49, 4 E he tal a bondade de Deos, que o fen não, fempre traz brandura comfigo, o voffo não he tão fecco; que não ha mais que appellar, nem aggravar. D. F. MAN. Apol. 300 Já não ba para quem appellar, fenão fazelo. Appellar o enfermo. Ir convalefcendo on escapar de doença grave, na qual fe correo perigo de vida. BLUT. Vocab. Appellar, com pron, peff. pouc. uf. Chamarfe, no- mearfe, denominarfe. PER. Elegiad. 1, 10 D alguns In- fante Ungaro fe appella. Forenf. Interporfe appellação em juizo. Fn. Sim. COELH. Chr. 2, 11, 147 Podem [os Patriarcas] conhe cer da caufa fer jufta ou injufta, pela qual fe appella do Bifpo ou Arcebifpo para o Papa. MEND. PINT: Pe- regr. 85 Ordenárão outra [meza] fobre efta do Rei pe- port. Appellarfe póde nos crimes em todo o tempo. {{lema|APPELLATIVO}}. adj. (nome) Gramm. O que fe dd defpecie, ou ainda ao genero das coufas, e he commum a mui- Atos. Do Lat. Appellativus. Fro, Tr. 1, 109, 4 Nome que fendo appellativo de Chrifto, foffe proprio de S. Pe- dro, SovER, Hift. 2, 12 Sendo o nome nelle proprio, e nos outros appellativo. VIEIR Serm. 7, zn Os nomes de Chrifto na Efcritura. Sagrada são muitos, huns proprios, outros appellativos &c.al - Subft. SANCH. Art. 33 Appellativo fe chama O -que diz coufas incettas. BARRET. Orthogr. 7 Os appella- tivos são os nomes geraes das coufas, como: >homem -cidade, rio, animalig e outros taes. M. BERN. Paraif. ar, Efte melmo appellativo tem em outras Efcrituras, junta a expofição dos Interpretes. {{lema|APPELLATORIO, A}}. adj. Forens. De appellação, perten- cente à appellação. Do Lat. Appellatoritts. REGIM. D'EVOR. 4,170 E vindo o appellante nefta inftancía com libel- lo appellatorio &c. LEIS EXTRAV. I, 4, 3 Ordenou o di- to Senhor Rei, que os Defembargadores do Paço, quan- do paffalem cartas tuitivas tiveffem a ordem feguinte: Que a parte, que quizelle pedir carta tuitiva appellato- tria, fizeffe petição, declarando &c. {{lema|APPELLIDADO, A}}. p. p. de Appellidar. BARR. Dec. I, 7, 2. Fro, Tr. Quadr. 1, 27, 4. Sous. Hift. 3, 3, 16. {{lema|APPELLIDAR}}. v. a. Congregar, convocar por convite ou chamamento. Goes, Chr. de D. Man. 2, 18 Ao que lo- go Diogo d'Azambuja quiz acudir primeiro, que o Mou- to appellidae os da fua valia. CoRT. R. Nauft. 9, 95 O Temicapro Pão logo appellida De Satyros e Faunos grão companha. BRIT. Mon. I, 2. c. 2. Lhe conveio appellidar mais teftemunhas pera tirar a inquirição do feu caminho. Chamar, nomear, intitular, denominar. CEIT. Serm. 1, 99, 1 Appellidandoa todos á bocca cheia por ditofa, bemdita, bemaventurada, e em fim Mãi de Deos. PINT. Riz. Rel. 367 Pelo negro coftumné das partes offen- didas appellidarem logo propofito, e reisa velha... na briga mais nova, e acafo, que fe púde confiderar. Dar rebate; fazer final para fe ajuntar gente e to- mar armas. ALBvQ. Comm. 2, 41 Vendo Affonfo d'Al- buquerque o alvoroço na Armada... metteofe no feu batel com cinco enta. homens armados... com.determina- ção de os apagar logo [os amotinados] e a todos aquel- les, que acudiffem ao feu appcllidar. Luc. Vid. 6, 6 Sem duvida o matáráo... fe os Chriftaos não appellidd- -rão os lugares vizinhos. LEño, Chr. de D. Aff. Henr. 47 A Atalaia appellidon logo, e deo final de haver imi- gos. i remena petidas vozes. Lob. Condeft. 6, 62 Affi deixando à por- ta cruel bando, Dece, o nome do Meftre appellidan- do. Sous. DE MAC. Ev. 2, 8, 307. n. 11 Cicero... conta que naquelle tempo hum interprete das Sibyllas- clamava em Roma, que, fe querião fer.falvos, appelli- daffem Rei ao que então o era em effeito. ARAUJ. Suc- cell. 3, Indo os foldados appellidando vivas a el Rei noffo Senhor. Invocar, levantar a voz implorando ajuda ou pro- intecção de alguem. BRIT. Chr. 2, 23 Outros appellidavao o nome de nolo Padre S. Bernardo. Los. Condeft. 17, 20 Donde fua bandeira vencedora O nome de São Jor- ge appellidon. TELL. Chr. 1, 1, 29. n. 1 Appellidou o Juiz da terra pera com autoridade do braço fecular obri- gar o peregrino a tomar o caminho pera Lisboa. Appellida guerra ou victoria. Apregoala, proclama- la. Gavi, Cerc. 9, 30 Dia de S. Jorge, que foi vel- pora do primeiro alfalto ou combate, que os Mouros de- rão à Fortaleza, appellidárão as regateiras e meninas de Lisboa, victoria, victoria, que S. Jorge venceo os Mouros, BRAND. Mon. 3 10, 1 Elles, como certos da victoria, a appellidão já de antemão. TELL. Chr. 1, 3, 8. n. 3 Pedião pazes os que vinhão com furia que vinho com for infernal appellidando guerra. Appellidar. com pron. pell. Convocarfe por convite - ou chamamento. Sous. Hift., 2, 7 Era lingoagem.com- mum appellidaremfe os amigos e compadres com a voz. dos antigos Epicuros: Comainos bem, pais havemos de acabar cedo. Chamarfe, nomearfe. CAM. Lnf. 10, 100 O cabo, que co nome fe appellida Da cidade Fartáque, alli fa- bida. Maus. Aff. Afr. 1; 13 Não fei que vida morta [a tama] fe appellida. Não sei que vi ra a qual fe appella em alguns cafos graves. LEão, Re Ter appellido ou fobrenome. Reg. de. CORT. R. Naufr. 2, 27 Honra mui júfta Daquclles, que de San- de fe appellidão. Leão, Chr. de D. Aff. Henr. 45 Def- tes fe crè, que erão os fidalgos, que fe appellidavao de Almada.<noinclude></noinclude> b6je9hydvb7d0t9uupxqpuyl2r1yubh Página:Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, Tomo XI (1904).pdf/29 106 258099 563515 2026-09-21T13:56:12Z ACJCRC 43844 /* Não revista */ 563515 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" />{{rvh|17|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN. 17 de que não possam estes abusar, ou, no caso de abuso, encon- trem nas leis a devida repressão.» Por derradeiro disse Mendonça que lhe parecia em todo o caso conveniente protestar-se por enquanto fidelidade no monarcha; autorizando estas ultimas conclusões com a reflexão de não poder a republica, sem exercito e armamento, fazer-se respeitar, nem terem os que eram por ella meios de sustental-a contra os que eram contra ella. VII Este notavel discurso, sem deixar de ser o programma de mua politica habil, sensata, e liberal, não podia, comtudo, ser bem acceito por sua moderação, á maioria do governo, no qual predominava ainda a exaltação das paixões da rua não de todo assentadas. Além disso, essa maioria, menos por convicção, que por fe inubalavel, era republicana. Sua confiança na de- mocracia não tinha solução de continuidade. O padre Ribeiro Pessoa, Domingos Theotonio, e Domingos José Martins, em relação à republica, não eram sómente partidarios, eram princi- palmente cultores fervorosos. Para elles a republica era uma religião, que merecia por altar a patria. A prodigiosa fundação da republica nos Estados Unidos, elles a explicavam ligando ao principio um cunho de revelação, que achava fundamento no caracter sacerdotal do primeiro da- quelles tres patriotas e no espirito pouco illustrado, mas crente dos ultimos. Ao parecer delles onde Mendonça via perigos, estava o maior seguro para a ordem e estabilidade da nação re- cente. Entendiam que quanto mais um povo odeia o despo- tismo mais deve estimar a liberdade. Tinham por erronca a opinião dos que entendem que o servilismo politico inhabilita o povo sobre quem se exercita, para o gozo inmediato da liber- dade. Acreditavam que, por profundo que seja o servilismo, nunca teri forças para obliterar de todo a consciencia da dig- nidade humana, e a noção da justa reacção para recobrar os perdidos foros da especie racional-e livre por essencia. Fun- dados nestas crenças, em que, a nosso parecer, ha profiandas verdades politicas, achavam o povo pernambucano tanto mais proprio para o exercicio da democracia, quanto, segundo dizia 3 Digitized by Google<noinclude></noinclude> e4rswcgovd3j537q6px8tuuri5uj2zo 563516 563515 2026-09-21T13:56:33Z ACJCRC 43844 563516 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" />{{rvh|17|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.|REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN.}}{{rule}}</noinclude>REV. DO INST. ARCH. E GEOG. PERN. 17 de que não possam estes abusar, ou, no caso de abuso, encon- trem nas leis a devida repressão.» Por derradeiro disse Mendonça que lhe parecia em todo o caso conveniente protestar-se por enquanto fidelidade no monarcha; autorizando estas ultimas conclusões com a reflexão de não poder a republica, sem exercito e armamento, fazer-se respeitar, nem terem os que eram por ella meios de sustental-a contra os que eram contra ella. VII Este notavel discurso, sem deixar de ser o programma de mua politica habil, sensata, e liberal, não podia, comtudo, ser bem acceito por sua moderação, á maioria do governo, no qual predominava ainda a exaltação das paixões da rua não de todo assentadas. Além disso, essa maioria, menos por convicção, que por fe inubalavel, era republicana. Sua confiança na de- mocracia não tinha solução de continuidade. O padre Ribeiro Pessoa, Domingos Theotonio, e Domingos José Martins, em relação à republica, não eram sómente partidarios, eram princi- palmente cultores fervorosos. Para elles a republica era uma religião, que merecia por altar a patria. A prodigiosa fundação da republica nos Estados Unidos, elles a explicavam ligando ao principio um cunho de revelação, que achava fundamento no caracter sacerdotal do primeiro da- quelles tres patriotas e no espirito pouco illustrado, mas crente dos ultimos. Ao parecer delles onde Mendonça via perigos, estava o maior seguro para a ordem e estabilidade da nação re- cente. Entendiam que quanto mais um povo odeia o despo- tismo mais deve estimar a liberdade. Tinham por erronca a opinião dos que entendem que o servilismo politico inhabilita o povo sobre quem se exercita, para o gozo inmediato da liber- dade. Acreditavam que, por profundo que seja o servilismo, nunca teri forças para obliterar de todo a consciencia da dig- nidade humana, e a noção da justa reacção para recobrar os perdidos foros da especie racional-e livre por essencia. Fun- dados nestas crenças, em que, a nosso parecer, ha profiandas verdades politicas, achavam o povo pernambucano tanto mais proprio para o exercicio da democracia, quanto, segundo dizia 3 Digitized by Google<noinclude></noinclude> kl6blxr4bd3nr23y3xm4ldmjfo4nain Utilizador Discussão:MMIRENE 3 258100 563519 2026-09-21T13:57:03Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563519 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, MMIRENE'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. 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Luc. Vid. 2, 12 Em todas as feitas dos Infieis á volta daquellas apparencias de algum bem e verdade, são tantas as fabulas, que &c. coliov Epith. Agradavel. CHAG. Obr. 1, 1, 33. Alegre. MERCUR. de Agoft, de 666. Aprazivel. ALV. DA CUNH. Efcól. 12, 5. Bella. MATT. Jeruf. 4, 28. Boa. PAIV. Serm. 2, 507. Brand... 563528 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{rh|{{sc|358}}|APP|}}</noinclude>24, 110 Levantados e foberbos Religiofos, que moftrais de fóra huma fingida apparencia de obedientes e verda- ordeiros Religiofos. Luc. Vid. 2, 12 Em todas as feitas dos Infieis á volta daquellas apparencias de algum bem e verdade, são tantas as fabulas, que &c. coliov Epith. Agradavel. CHAG. Obr. 1, 1, 33. Alegre. MERCUR. de Agoft, de 666. Aprazivel. ALV. DA CUNH. Efcól. 12, 5. Bella. MATT. Jeruf. 4, 28. Boa. PAIV. Serm. 2, 507. Branda. CAM. Lul. 10, 24. Clara. AN- DRAD. Cerc. 11, 51, 2. Contrafeita. CORT. R. Naufr. 11,119 y. Ditofa. CORT. R. Naufr. 14, 171. Doce. CORT. R. Naufr. 6, 64. Duvidofa. PER. Elegiad. 9, 5123 . Enganofa, L. BRAND. Medit. 3, 6, 259. P. 351. Efpeciofa. M. BERN. Floreft. 5, 1, 183, C. Exterior. GUERRER. Rel. 3, 2, 5. Externa. TELL. Chr. I, I, 18. n. 5. Falfa. CAM. Eleg. 6, 8. PAv. Seim. 1, 261 oy. Fantaftica. S. ANN. Chr. 3, 47, 900. Festival, An- DRAD. Cerc. 13, 64, 4. Fingida. CORT. R. Naufr. 11, 120 . FR. MARC. Exerc. 24, 110. Formofa. GIL. VIC. Obr. 1, 21. PINT. PER. Hift. 2, 2, 8 y. Grave. L. BRAND. Medit. 3, 6; 238. p. 209. Horrenda. CASTE. Ulyff 3 69. Leda. ANDRAD. Cerc. 13, 64, 1. Leve. L. BRAND. Medit. 3, 6, 238. p. 209. Luftrofa. PARAD. Art. 5, 10, 241. col. 4. Mentirofa. ORIENT. Lufit. 40 y. Santa. CoRT. R. Naufr. 10; 116. Temerofa. Leño, Chr. de D. Aff. Henr. 33 . Terrivel. ROLL. Noviff. 1, 11. Tran- fitoria. FR. MARC. Chr. 1, 8, 2. Vaa. CORT. R. Nau- fr. 14, 114 . Verdadeira. ANDRAD. Cerc. 11, 51, 2. Viftofijima. MERCUR. de Agoft. de 666. su Verb. Dar... de alg. c. LEÃO Defcripç. 23. Fazer de alg. c. MERCUR. de Julh. de 665. Levarfe das. L. BRAND. Medit. 1, 3, 93. p. 560. Moftrar... de alg. c. ANDRAD. Cerc. I, 5; 3. FR. MARC. Exerc. 24, 110. Ter... de alg. c. AvEIR. Itin. 51. Trazer... abf. Sous. Hift. 1, 1, 4.... de alg. c. BRIT. Chr. 1, 30. Em apparencia. fórm. adv. Apparentemente. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 8. Apparencia. Reprefentação de pessoa illuftre e confpi- cua em alguma qualidade. Fr. GASP. DA CRUZ, Tr. 24, 2 Trabalhou de induzir quatro Portuguezes, que tinhão mais apparencia cm fuas peffoas que os outros, que di- xeffem que erão Reis de Malaca. Sous. COUTINH, Cerc. I, I, I Quafi em todos feus reinos não havia homem de apparencia, é fe o havia, procurava o tal por eftc náo fer julgado. Pl. Mutações das fcenas no theatro. D. F. MAN. Apol. 150 Pois fe fallarmos nas habilidades do amor, e fua induftria, nem Cofmelot the chega com as tão fa- mofas apparencias. {{lema|APPARENCIAZINHA}}. s. f. dim. de Apparencia. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 312, 13. {{lema|APPARENTE}}. adj. de huma term. Que fe reprefenta ou offercee & vifta. HEIT. PINT, Dial. 1, 1, 12 He huma imagem apparente por fóra, e váa por dentro. CONST. DE LEIR. 4, 6 Ordenamos que na notla Sé... haja confeffionarios publicos e apparentes. CASTR. Ulyff. 10, 103 Onde aquellas imagens apparentes. O Sol c'os raios atraveffa a cipaços. Parecido, femelhante. CAN. Anfitr. 238 Olha, e nota con cuidado Se eftá em mim o pintado Appa- rente c'o real. Provavel, verifimil. BARR. Dec. 1, 4, 9 Pera que indignaffe el Rei contra elles com algumas rezões appa- rentes, que lhe derão pera o cafo. BRIT. Chr. 1, 25 E acabou a vida com grandes fignaes de fantidade, cap- parentes efperanças de gloria. Loв. Peregr. 1, 9 O ac- cufou da morte do creado, e de outras fingidas culpas, 2 que deo rão apparentes indicios, que &c. Fingido, fuppofto, imaginario, que parece e não he. FR. MARC. Chr. 1. Prol. Afli nem tiverão verdadeira vir- tude, mas apparente, cega, c váa. ARR. Dial. 2, 21 E o que mais he, nelle fe achão cegueiras e enganos no- taveis na eftima dos bens apparentes. CASTR. Ulyff. 6, 96 Onde fe encerra N'huma apparente paz occulta guerra, decent {{lema|APPARENTEMENTE}}. adv. mod. Com apparencia. SOAR. DE BRIT Apolog. 4, 7 Enfinão os Philofophos] que ao appellado craffidão do meio he caufa de esforçar apparentemente a grandeza nos objectos. PARAD. Art. 2, 19, 111. col. z Porém que David enganaffe a Vrias com obras tão appa- rantemente boas, mandandoo chamar da guerra, em que andava occupado &c. VIEIR. Serm. 8, 438 Reftituindoos do que apparentemente erão ao que realmente tinhão fido. {{lema|APPARIÇÃO}}. s. f. Apparecimento, acção e effeito de apparecer. Do Lat. Apparitio. GUERREIR. Rel. 1, 2, 10 E era coufa myfteriofa, que não vião as ditas cruzes, c mais apparições logo em chegando. TELL. Hift. 3, 36, 299 Declarando Deos por fonhos a hum bom Catholi- co... tudo o que fuccedeo com huma divina appari- ção, que &c. VIEIR. Serm. 8, 339 Prodigiofa appari- tão, com que o mefmo Chrifto em peffoa para o con- verter a elle [S. Paulo] deceo do céo à terra. Mez de apparição. Chronol. O que começa do pri- -meiro inftante da Lua nova, até ao ultimo da Lua min- goante, e tem quafi vinte dias. Por eftes mezes fe go- vernarão os Romanos até ao tempo de Julio Cefar. BLUT. Vocab. {{lema|APPELLAÇÃO}}. s. f. Nome, titulo, denominação de algu ma confa. Do Lat. Appellatio. FR. MARC. Chr. 2, 10, 6 Terdes diverfos nomes e appellações. M. BERN. Floreft. 1, 6, 283, B Omittimos eftes, como tambem os dias feriacs, faftos,.. e outras appellações femelhantes, por- que não indicáo differença de tempo, quanto á duração. Forenf. Interpofição de queixa a Juiz on Tribunal fuperior, feita por huma das partes contra a fentença, que fe fuppõe injuftamente dada pelo Juiz inferior. ORDEN. DE D. MAN. 1, 2 E fóra das ditas legoas conhecerá de co- do o Reino nos ditos cafos por appellação e aggtavo. Gois, Chr. de D. Man. 3, 19 Refervando appellação e alçada pera as juftiças dos Reis de Portugal. MEND. PINT. Peregr 100 Chegámos á grande cidade de Pequim, pe- ra onde, como já diffe, hiamos remettidos por appel- lação. Appellação deferta. A que o appellante defampara, deixando de apparecer por fi on por outrem ante o Juiz no tempo affinalado. ORDEN. DE D. MAN. 1, 32. Eu- FROS. 5, 8. Sem appellação, nem aggravo. Sem fe lhe admittir huma e outra cousa, depois de dada fentença. Sous. Hift. I, 3, 11. VIEIR. Cart. 1, 12, ... Met. Dizfe do que fe obra abfolutamente e com violencia contra juftiça, fem haver a quem fe recorra. Fro, Tr. 1, 151, i Mas coitado do homem, que por lhe darem o officio, que ficou de feu pai, e lhe cuftou o feu dinheiro, lhe mettem hua Lia em cafa fem appel- lação, nem aggravo, fob pena de não ter officio, nem remedio-pellação, met. Recurſe, effugio de alguma co Appellação. met. Recurfo, effugio de alguma coufa. FERNAND. GALV. Serm. 3, 141, 2 Porem a duvida não fe refolveo com o voto de S. Ifabel, aindaque tão fan- ta, fenão que houve appellação pera o parecer do mari- do Zacharias. Verb. Admittir... FR. BERNARD. DA SILV. De- fenf. 1, 32. Attempar a... ORDEN. DE D. MAN. 1, 10. Cerrar a... ORDEN. DE D. MAN. 1, 61. Conhecer da... ORDEN. DE D. MAN. 1, 7. Dar... d alg. (con- cederiba) ORDEN. DE D. MAN. I 19. Denegar. LEão, Report. 58 y. Intimar a CANINH. Fórm. dos Libell. 42. Por... ORDEN. DE D. MAN. 1, 20. Rece- ber a... abf. CONST. DE GOA, 36, 2... a alg. Sa- BELL. Eneid. 2, 4, 47. Seguir a... ORDEN. DE D. MAN. 1, 61. Sabir a... dante alg. ORDEN. DE D. MAN. 1, 44. Vir a... a alg. ou a algum juizo. Ox- DEN. DE D. MAN. 1, 7. Appellação. Marinh. CASTANH. Hift. 8, 148 E che- gáráofe tanto que lhe lançarão mão da appellação da fuf- ta, querendolha enfeccat de todo. BARR. Dec. 1, 8, 1 E foi em huma galé da feição das noflas fem appellação, a qual depois acabou em Chaui. PINT. PER. Hift. 1, 2, 9 A galeota... volrando por ventura com efperança de fe falvar por huma parte da appellação Sec. {{lema|APPELLADO, A}}. p. p. de Appellar. ORDEN. DE D. MAN. 1, 61. LEÃO, Chr. de D. Din. 129. VIEIR. Serm. 5, 14, 1. n. 463. D. 129. VIER. SCIT Subft. Aquelle, contra quem fe interpôs appellação. CAMINH. Fórm. dos Libell. 30 E fe elle ou o appel- lado quizerem allegar artigos de novo &c. CONST, DE LEIR. Eftil. do Audit. 3, 119 E paffado o termo, que for affinado pera o feguimento da appellação poderá appellação por deferra e não feguida. PROV. DA HIST. GEN, 4, 6, 257 p. 569. ann. 1630 Mandou paffar definhibitoria em fórma a requerimento dos ditos appel- lados. mandar citar o appellante, pera fe julgar a {{lema|APPELLAMENTO}}. s. m. Marinh. O mefmo que Appella- ção. PINT. PIR. Hift. 1, 26, 114 Sáo [Joangas] navios eftro-<noinclude></noinclude> 6kgt6ehkqro1tqcwodvhtrqw6z2mghs Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/28 106 258102 563529 2026-09-21T13:59:26Z Osa 88 43848 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Que tal ? Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que construí. Para ajuntar á teoria: 1º Os gênios poéticos do passado conseguiram dar maior interesse ao verso melódico, não só criando-o mais belo, como fazendo-o mais variado, mais comotivo, mais imprevisto. Alguns mesmo conseguiram formar harmonias, por vezes ricas. Harmonias porém inconscientes, esporádicas. Provo inconsciência: Victor Hugo, muita vez harmônico, exc... 563529 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Osa 88" /></noinclude>Que tal ? Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que construí. Para ajuntar á teoria: 1º Os gênios poéticos do passado conseguiram dar maior interesse ao verso melódico, não só criando-o mais belo, como fazendo-o mais variado, mais comotivo, mais imprevisto. Alguns mesmo conseguiram formar harmonias, por vezes ricas. Harmonias porém inconscientes, esporádicas. Provo inconsciência: Victor Hugo, muita vez harmônico, exclamou depois de ouvir o quarteto do Rigoletto: «Façam que possa combinar simultaneamente várias frases e verão de que sou capaz.» Encontro anecdota em Galli, Estética Musical. Se non é vero... 2º Ha certas figuras de retórica em que podemos ver embrião da harmonia oral, como na lição das<noinclude></noinclude> nzvtqx1ce518rg8yej17ske0wmz51ps 563533 563529 2026-09-21T14:00:13Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563533 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>Que tal ? Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que construí. Para ajuntar á teoria: 1º Os gênios poéticos do passado conseguiram dar maior interesse ao verso melódico, não só criando-o mais belo, como fazendo-o mais variado, mais comotivo, mais imprevisto. Alguns mesmo conseguiram formar harmonias, por vezes ricas. Harmonias porém inconscientes, esporádicas. Provo inconsciência: Victor Hugo, muita vez harmônico, exclamou depois de ouvir o quarteto do Rigoletto: «Façam que possa combinar simultaneamente várias frases e verão de que sou capaz.» Encontro anecdota em Galli, Estética Musical. Se non é vero... 2º Ha certas figuras de retórica em que podemos ver embrião da harmonia oral, como na lição das<noinclude></noinclude> 5dczku7ypdy8wibpmvuskv0znzlg2i1 563585 563533 2026-09-21T14:18:15Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563585 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>Que tal ? Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que construí. Para ajuntar á teoria: 1º Os gênios poéticos do passado conseguiram dar maior interesse ao verso melódico, não só criando-o mais belo, como fazendo-o mais variado, mais comotivo, mais imprevisto. Alguns mesmo conseguiram formar harmonias, por vezes ricas. Harmonias porém inconscientes, esporádicas. Provo inconsciência: Victor Hugo, muita vez harmônico, exclamou depois de ouvir o quarteto do Rigoletto: «Façam que possa combinar simultaneamente várias frases e verão de que sou capaz.» Encontro anecdota em Galli, Estética Musical. Se non é vero... 2º Ha certas figuras de retórica em que podemos ver embrião da harmonia oral, como na lição das<noinclude></noinclude> r9d1sz2hc2kdn0v4ivw64dg3ji2p52s 563870 563585 2026-09-21T18:17:27Z Didacus21 18931 563870 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude><div style="font-family:serif"> Que tal ? Não se esqueça porém que outro virá destruir tudo isto que construí. Para ajuntar á teoria: {{dhr|2}} 1º {{dhr}} Os gênios poéticos do passado conseguiram dar maior interesse ao verso melódico, não só criando-o mais belo, como fazendo-o mais variado, mais comotivo, mais imprevisto. Alguns mesmo conseguiram formar harmonias, por vezes ricas. Harmonias porém inconscientes, esporádicas. Provo inconsciência: Victor Hugo, muita vez harmônico, exclamou depois de ouvir o quarteto do Rigoletto: «Façam que possa combinar simultaneamente várias frases e verão de que sou capaz.» Encontro anecdota em Galli, Estética Musical. Se non é vero... {{dhr|2}} 2º {{dhr}} Ha certas figuras de retórica em que podemos ver embrião da harmonia oral, como na lição das </div><noinclude></noinclude> m02rcahw9v3cgswo1qbucu2oas7akxq Página:Júlio Verne - Atribulações de um Chinês na China (1888).pdf/11 106 258103 563530 2026-09-21T13:59:40Z ~2026-50988-62 43861 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: ATRIBULAÇÕES DE UM CHINEZ NA CHINA CAPITULO 1 EM QUE A PERSONALIDADE E A INDIVIDUALIDADE DOS PERSONAGENS SE ESCLARECEM POUCO A POUCO - É necessario, comtudo confessar que a vida em cousas boas! exclamou um dos convivas, com o cotovelo encostado ao braço da sua cadeira de espaldar de marmore, mascando uma raiz de nenuphar, passada pelo assucar. - E cousas más também! respondeu entre dois accessos de tosse um outro, a quem uma delgan... 563530 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="194.210.211.167" /></noinclude>ATRIBULAÇÕES DE UM CHINEZ NA CHINA CAPITULO 1 EM QUE A PERSONALIDADE E A INDIVIDUALIDADE DOS PERSONAGENS SE ESCLARECEM POUCO A POUCO - É necessario, comtudo confessar que a vida em cousas boas! exclamou um dos convivas, com o cotovelo encostado ao braço da sua cadeira de espaldar de marmore, mascando uma raiz de nenuphar, passada pelo assucar. - E cousas más também! respondeu entre dois accessos de tosse um outro, a quem uma delgana barbatana de tubaraão ia quasi suffocando! - Sejamos philosophos! disse então um personagem mais idoso, que sobrecarregava o nariz com uns oculos de enormes vidros e aros de madeira. Hoje expomo-nos a morrer suffoca-dos, e ámanhã tudo passa, como passam os doces goles d'este nectar! A vida é isto, a final! E dizendo, este epicurista, de humor complascente, esgotou um copo de um excelente vinho morno, cujos tenues vapores emergiam lentamente de um bule de metal. - Na minha opinião, accrescentou um quarto conviva, a existencia parece-me perfeitamente acceitavel, logo que nada se faça e que se possa não fazer cousa alguma!<noinclude></noinclude> l5ykgais757h0v4qqt3hcahno2xaovh Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/46 106 258104 563531 2026-09-21T13:59:46Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563531 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|42|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>rer. O ''Mongolia'', que ia a todo o vapor, corria de maneira a ganhar avanço sobre o praso do regulamento. A maior parte dos passageiros embarcados em Brindisi tinham a India por destino. Uns dirigiam-se a Bombaim, outros a Calcuttá, mas pela via de Bombaim, porque depois que uma linha ferrea atravessa em toda a sua largura a peninsula indiana, deixou de ser necessario dobrar a ponta de Ceilāo. Entre estes passageiros contavam-se diversos funcionarios civis e officiaes de todas as graduaçōes. Dʼestes pertenciam uns ao exereito britannico, propriamente dito, ontros commandavam as tropas indigenas dos cypaes, todos pagos de um modo exorbitante, mesmo depois que o governo substituiu a Companhia das Indias: os alferes 7:000 francos, os brigadeiros 60:000 e os generaes 100:000. Passava-se vida regalada a bordo do ''Mongolia'', no meio dʼesta sociedade de funccionarios, entre os quaes se misturavam alguns jovens inglezes, que, com o seu milhāo na algibeira, iam fundar ao longe estabelecimentos de commercio. O ''purser'', o despenseiro, o homem de confiança da companhia, o igual do capitāo a bordo, fazia as cousas com grandeza. Pela manhā ao almoço, ao ''lunch'' das duas horas, ao jantar das cinco e meia, e á ceia das oito horas, as mesas vergavam sob o peso da carne fresca, e das iguarias fornecidas pela despensa do paquete. As passageiras — e havia algumas — mudavam de ''toilette'' duas vezes por dia. Tocava-se musica, dançava-se até quando o mar o permittia. Mas o mar Roxo é muito caprichoso e está bastantes vezes mau, como todos os golfos estreitos e compridos. Quando o vento soprava ou da costa da Asia on da costa da Africa, o ''Mongolia'', especie de fuso comprido munido de helice, batido de través pelo vento, balouçava de um modo horrivel. Entāo as damas desappareciam; calavam-se os pianos e as danças cessavam a um tempo. E comtudo, apesar do vento e da vaga, o paquete, impellido pela sua machina poderosa, nāo afrouxava a carreira em direcçāo ao estreito de Bab-el-Mandeh. Durante este tempo que fazia Phileas Fogg? {{nop}}<noinclude></noinclude> ru5xule51ag4dvx8slcezlgfj2oxg4e Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/29 106 258105 563537 2026-09-21T14:01:23Z Leppakertu 43853 /* Revista */ 563537 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Leppakertu" />{{e|MARIO DE ANDRADE}}</noinclude>sinfonias de Pitágoras encontramos germe da harmonia musical. Antitese — genuina dissonáncia. E si tão apreciada é justo porquê poetas como músicos, sempre sentiram o grande encanto da dissonáncia, de que fala G. Migot. {{c|3.º}} Comentário á frase de Hugo. Harmonia oral não se realiza, como a musical, nos sentidos, porquê palavras não se fundem como sons, antes baralham-se, tornam-se incompreensíveis. A realização da harmonia poética efectua-se na inteligência. A compreensão das artes do tempo nunca é imediata, mas imediata. Na arte do tempo coordenamos actos de memória consecutivos, que assimilamos num todo final. Este todo, resultante de estados de consciência successives, dá a compreensão final, completa da musica, poesia, dansa terminada. Victor Hugo errou querendo realizar objectivamente o que se realiza subjectivamente, dentro de nós.<noinclude> {{d|27}}</noinclude> 0fd55wd9ptdbv2o8p9yyoe4a000vbv9 563539 563537 2026-09-21T14:01:46Z Leppakertu 43853 563539 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Leppakertu" />{{d|MARIO DE ANDRADE}}</noinclude>sinfonias de Pitágoras encontramos germe da harmonia musical. Antitese — genuina dissonáncia. E si tão apreciada é justo porquê poetas como músicos, sempre sentiram o grande encanto da dissonáncia, de que fala G. Migot. {{c|3.º}} Comentário á frase de Hugo. Harmonia oral não se realiza, como a musical, nos sentidos, porquê palavras não se fundem como sons, antes baralham-se, tornam-se incompreensíveis. A realização da harmonia poética efectua-se na inteligência. A compreensão das artes do tempo nunca é imediata, mas imediata. Na arte do tempo coordenamos actos de memória consecutivos, que assimilamos num todo final. Este todo, resultante de estados de consciência successives, dá a compreensão final, completa da musica, poesia, dansa terminada. Victor Hugo errou querendo realizar objectivamente o que se realiza subjectivamente, dentro de nós.<noinclude> {{d|27}}</noinclude> 34lh7yfa0aq4gdy1cb2ezdsdpaiguyb 563613 563539 2026-09-21T14:37:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563613 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{d|MARIO DE ANDRADE}}</noinclude>sinfonias de Pitágoras encontramos germe da harmonia musical. Antitese — genuina dissonáncia. E si tão apreciada é justo porquê poetas como músicos, sempre sentiram o grande encanto da dissonáncia, de que fala G. Migot. {{c|3.º}} Comentário á frase de Hugo. Harmonia oral não se realiza, como a musical, nos sentidos, porquê palavras não se fundem como sons, antes baralham-se, tornam-se incompreensíveis. A realização da harmonia poética efectua-se na inteligência. A compreensão das artes do tempo nunca é imediata, mas imediata. Na arte do tempo coordenamos actos de memória consecutivos, que assimilamos num todo final. Este todo, resultante de estados de consciência successives, dá a compreensão final, completa da musica, poesia, dansa terminada. Victor Hugo errou querendo realizar objectivamente o que se realiza subjectivamente, dentro de nós.<noinclude> {{d|27}}</noinclude> bnnpy4yli1em1ljedn9qe6p863hnmzg 563615 563613 2026-09-21T14:39:02Z Osa 88 43848 563615 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />{{d|MARIO DE ANDRADE}}</noinclude>sinfonias de Pitágoras encontramos germe da harmonia musical. Antítese — genuina dissonáncia. E si tão apreciada é justo porquê poetas como músicos, sempre sentiram o grande encanto da dissonáncia, de que fala G. Migot. {{c|3.º}} Comentário á frase de Hugo. Harmonia oral não se realiza, como a musical, nos sentidos, porquê palavras não se fundem como sons, antes baralham-se, tornam-se incompreensíveis. A realização da harmonia poética efectua-se na inteligéncia. A compreensão das artes do tempo nunca é imediata, mas mediata. Na arte do tempo coordenamos actos de memória consecutivos, que assimilamos num todo final. Este todo, resultante de estados de consciéncia successivos, dá a compreensão final, completa da musica, poesia, dansa terminada. Victor Hugo errou querendo realizar objectivamente o que se realiza subjectivamente, dentro de nós.<noinclude> {{d|27}}</noinclude> fsuqjwb4umt52277h4j6uto4hj044ey Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/565 106 258106 563542 2026-09-21T14:02:41Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Lugar, para que eftés em gloria. FK. MARC. Exerc... 25, 114 O feu corpo foi banhado em feu fervente fan- gue, pera nos apparelhar falutifero banho, em que per- feitamente foffemos lavados e limpos de toda macula dos peccados. Sous. Hift. I, I, I Apparelbando affi as vias ao Antichrifto. pools... Habilitar, fazer apto, toruar idoneo para alguma confa. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 6 Ou os fa- zem apodrecer, apparelhando as peffoas a mu... 563542 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{c | APP}}</noinclude>Lugar, para que eftés em gloria. FK. MARC. Exerc... 25, 114 O feu corpo foi banhado em feu fervente fan- gue, pera nos apparelhar falutifero banho, em que per- feitamente foffemos lavados e limpos de toda macula dos peccados. Sous. Hift. I, I, I Apparelbando affi as vias ao Antichrifto. pools... Habilitar, fazer apto, toruar idoneo para alguma confa. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 1, 6 Ou os fa- zem apodrecer, apparelhando as peffoas a muitas tentações, e laços do imigo antigo. LEIT. D'ANDRAD. Mifc. 4, ICI O vinho apparelha o animo pera Venus. M. Tком. In- ful. 1, 66 Apparelba à defeza o braço oufado, Ornar, concertar, enfeitar. Fr. MARC. Chr. 2, 2, 17 E os Frades por honrar a fefta [do Natal] e por Miniftro, apparelhárão as mezas melhor alguma coula, pondo mantés lavados, e meza alta, e vafos limpos. Delinear, lavrar ou difpor de qualquer modo as pe- ças de pedra ou madeira, que hão de fervir para a obra, que fe intenta fazer. FR. MARC. Vid. 3, 4 Apparelha fó ra a tua obra... e depois edifica a tua cafa. Fro, Tr. Quadr. 1, 47, 4 Tomada, a femelhança dos que appa- relbão as pedras para o edificio. Arrear, prover de todos os apparelhos neceffarios as cavalgaduras e beftas de carga para fe ufar dellas. Fro Tr. Quadr. 2, 92, 2 Como aos Difcipulos não confta- va da vontade e determinação do Meltre, apparelhárão ambos [os animaes] para que foffe em qual mais qui zeffe. Pintur. Dar com as primeiras cores a imprimidura no pauno, depois de pregado e bem eftendido na grade, até que fique bem tapado. FILIPP. Nur. Art, da Pintur. 55 Primeiramente os paincis de páo fe apparelhão na fór- ma feguinte. Aparelhar. com pron. peff. Prepararfe, difporfe, aprontarfe, porfe preftes. Reg. abf. para ou à alg. e. CORT. R. Naufr. 8, 84 Apparelbaofe todos ao cami- nho. HEIT. PINT. Dial. 1, 1, 6 Mas triftes daquelles que fe não querem difpôr, e apparelhar pera a graça! LEAO Chr, de D. Aff. Henr. 24 y E que el Rei lhe differa que... fe apparelhaffe, como logo Tha [Miffa] di- xeffe, fenão que lhe the cortaria a cabeça com aquella ef- pada. Job gadi Deftinarfe, eftar para fucceder on fobrevir alguma cou- fa a alguem. CAM. Luf. 6, 6 Mas o máo Thyonco, que n'alma fente As venturas, que então fe appare- havão A' gente Lufitana &c. Los. Cort. ;,33 Em quan- to fe move cruel guerra na Chriftandade, fe apparelha no- Tavel ruina de toda a Europa. Sous. Lagrim. 5 Mas trifte de mim; menos mal he morte, que o modo e cir- cunftancias da que fe apparelha pera o Bom Jefus. Appreftarfe, proverfe do neceffario para o fim, a que fe dirige. Das coufas. ALBUQ. Comm. I, 21 Man- dou por fogo á cidade, onde fe queimárão muitos manti- mentos... e huma tereçana cheia de tudo o neceffario pera fe as nãos apparelharem. CORT. R. Naufr. 5, 56 Apparelhaffe a não igual a hum monte. Cruz, Poef. Vid. de S. Cath. Apparelhaffe o mais como convinha. {{lema|APPARELHO}}. s. m. Preparo, prevenção, aprefto, difpofição. FR. MARC. Exerc. 33, 158 He [a temperança] appare- lho pera todas as virtudes. Dias, Vid. 20 Sempre fazia grande apparelho de oração e filencio. LOBAT. Palm. 5, 42 Deffa forte, diffe o do carro, temos melhor appare- lho do que eu imaginava Dizfe particularmente do efpirito para os actos de religião. PAIV. Serm. 3, 127 y O principal apparelho pa- ra o receber dignamente [Chrifto facramentado] he ac- cender o animo em reverencia defte Sacramento. Luc. Vid. 1, 5 Mal o fatisfarião hoje [a Deos] os que tivef- fem por fobejo algum apparelbo pera o facrificio do ver- dadeiro corpo e fangue do Senhot. Sous. Hift. I, I, 27 Como fe deixa enrender do apparelho, que ufava to- das as vezes, que chegava à fanta Communhão. Tudo de que fe neceffita para a celebração de algum alto folemne. CART. DE JAP. 1, 6, 2 Levamos todos os apparelhos pera dizer Miffa. Feo, Tr. 2, 70, 4 Antes veio fogo do céo, que abrazou a fua Synagoga com to- dos os feus apparelhos e ornamenitos. Trem, equipagem militar, todo genero de apreftos para a guerra. CAM. Luf. 1, 82 E logo nefle inftante concertou Pera a guerra o belligero apparelho. ALBUQ. Comm. 1, 28 Efte Mouto lhe contou que em a Ci-Moftra enganofa e imaginaria, pela qual fe coma dade havia muita gente, e muitos apparelhos de guerra. MARIZ, Dial. 2, 12 Onde o principal defte bellico ap- parelho ordinarianiente fe fazia, Conjunto de tudo neceffario para a mareação, como velas, cabreftantes, maftos, roldanas, cordas, e. BARR, Dec. 2,293 Porque as agoas. do inverno, que allithe grande the tinhão apodrecido todolos apparelhos. CAM. Luf. 4, 76 Determinão o nautico apparelho. SEVER. Difc. 1, 6 E os materiaes e apparelhos da navegação velhos e podres com grande damno dos navegantes. Inftrumento on maquina para fazer alguna obra. FR. LEÃO, Bened. 1, 3, 3. c. 14 Porque trabalhando os Officiaes [na edificação de huma Igreja]... recolhendo- fe á noite, quando vinhão pela menhaa, achavão os ap- parelhos e inftrumentos do leu officio ao pé do monte. GALV. D'ANDRAD. Arr. 1, 2 Efta, viga fe poderá obrar. de maneira aflim na groflura e altura, que poffa tambem fervir para levantarem as beftas em apparelho, e as fan- grarem. L. BRAND. Medit. 3, 6, 228. p. 142 Logo the reprefenra a difficuldade, que o poço he alto, que não tem apparelho para a tirar a agoa] &c. Dafe particularmente efte nome ao conjuncto de inftrumentos, de. que fe neceffita para fazer certas cou- fas; como: Apparelhos de alimpar beftas, carrruagens, be; Apparelhos da barba e fangria; Apparelho de meza, de chá, café, br. Arreios e preparos das cavalgaduras e beftas de car- ga. ALBUQ. Comm. 2, 23 Lhe contareis... de como à gente de Portugal anda a cavallo, e dos arreios de pra- ta e ouro, fellas, e apparelhos de cavallo, que trazem. Feo, Tr. Quadr. 2, 19, 2 A qual [Rachel ] enten- dendo ao que Labão vinha, efcondeo com muita preffa os idolos debaixo dos apparelhos de hum camelo, e ai fenroufe em cima. Pintur. Preparo, que fe faz em qualquer materia pa- ra depois fe jantar. Eicier. Nun. Art. da Pintur. 59 Dif- ferençale tambem no apparelbo, porque não leva impri- midura. T. da Pefcaria. Linba ou corda, com varios anzočs, com a qual fe atravefa hum rio, ou algum dos feus bra- ços. SANT. Ethiop. 1, 1, 26 Não tem redes, e appare- ibo, e habilidade para iffo. redes, e Adag. Aindaque eftejas mal com tua mulher, não che de bom confelho, que cortes o apparelbe. HERN. NUN. Refran. 4 . {{lema|APPARENÇA}}. s. f. ant. O mefmo que Apparencia. SA' DE MIR. Son. 3 São preceitos de Horacio me dirão, al não poffo, figuoo em apparenças. MENOR. DAS PROEZ. I, 39 Como quem julgava crela, e ter por boa qual- quer apparença. CEIT. Quadrag. 1, 199, 4 Intentando Deos com efla fó apparença de fóra moftrar os effeitos verdadeiros invifiveis, que fe fazião dentro. {{lema|APPARENCIA}}. s. f. Apparição, ou apparecimento, acto de fe. moftar ou deixar ver. He de pouco ufo nefte fig- nificado, Do Lat. Apparentia. MENDOÇ. Jorn. 1, 4 Na tarde defte mefimo dia appareceo no campo d'Alcaçar al- guma gente de Molei Moluco, junto a ponte do ribei Tro Mocafim, pela appareneia da qual fe entendeo cla ramente eftar vizinho o inimigo. Reprefentação ou parecer exterior de alguna coufa, objeto, que fe offerece á vifta. Corr. R. Nauft. 1, 3 Indaque as appareneias moftrão corpos De fujeito mot- tal, e humano effeto. LOBAT. Palm. 5, 35 Pos os olhos no. Emperador Beliazem, que entre todos os outros, afli na apparencia de fua pefloi, como no affento moftrava appmais mageſtade. Loa. Gort, Ded. Einalmente huma Cor- re, que como bonina do mato, a que falta o cheiro, C a brandura da dos jardins, ainda que na apparencia cores a queira contrafazer, he com tudo differenre. Semelbança, pareccnga. Fe. SIM. COELH. Chr. 2 15, 168 Com juftiça ou apparencia della. AVEIR. Ifin. 51 Aindaque na folha tem alguma apparencia della [aro- eira.] An. Dial, 1, 14 A verdade... fo com a fua apparencia nos deleita. Probabilidade, verifemelhança. AnDRAD. Chr. I, 1z ElRei the refpondeo por então indeterminadamente, e com razões mais de apparencia, qué de refolução. PAI. Serm. 3, 12 Sarisfazeivos da injuria com irdes ao in- ferno Quando o fizereis ir a elle, e vós ficareis de fó- ra, tivera apparencia, mas, &c. Sov. Hift. 1, 1, 4 Me- nos força tem, aindaque traz mais alguma apparencia, outra razão, com que efte Padre cuida, que de todo dei- xa encabeçada a Inquifição na fua Ordem. huma confa por outra com que fe parece. CAM. Luf. 10, 24 Ifto fazem os Reis, quando embebidos N'húa ep- .o.parencia branda, que os contenta &c. FR. MARC. Exerc.<noinclude></noinclude> 0ts7pozvydn83d1ve746fpkyfskqyeu Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/207 106 258107 563545 2026-09-21T14:03:01Z Sartigalha 43856 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A VOLTA DO MUNDO EM OITENTA DIAS 201 - D'aqui a uma hora, - Tem carregação para... - Bordéus. - E de que? - Pedra no porão. Não estou fretado, Parto em lastro. - Leva passageiros? - Não levo, nunca levo passageiros. Mercadoria que embaraca e que palra. - Tem bom andamento o seu navio? - Faz onze a doze milhas, O ""Henrietta"" é bem conhecido. - Quer-me transportar para Liverpool a mim e mais tres pessoas? - Para Liverpool? Porque... 563545 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Sartigalha" />{{rvh|201|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>A VOLTA DO MUNDO EM OITENTA DIAS 201 - D'aqui a uma hora, - Tem carregação para... - Bordéus. - E de que? - Pedra no porão. Não estou fretado, Parto em lastro. - Leva passageiros? - Não levo, nunca levo passageiros. Mercadoria que embaraca e que palra. - Tem bom andamento o seu navio? - Faz onze a doze milhas, O ""Henrietta"" é bem conhecido. - Quer-me transportar para Liverpool a mim e mais tres pessoas? - Para Liverpool? Porque não ha de ser para a China? - Digo para Liverpool. - Não! - Não? - Não. Destino-me a Bordéus, e hei de ir para Bordéus. - Seja qual for o preço? - Seja qual for o preço. O capitão fallára num tom que náo admittia replica. - Mas os armadores do ""Henrietta""... volveu Phileas Fogg. - Os armadores, sou eu, replicou o capitão. O navio pertence-me. - Eu freto-lh'o? - Não. - Compro-lh'o? - Não! Phileas Fogg não pestanejou. Entretanto a situação ¡a-se tornando grave. Não se passavam as cousas em Nova York como se tinham passado em Hong-Kong; nem succedia com o capitão do ""Henrietta"" o mesmo que succedera com o mestre da ""Tankadère"". Ató aqui o dinheiro do ""gentleman"" vencera sempre os obstaculos. Mas d'esta vez o dinheiro falhava. Entretanto, era-lhe preciso achar o meio de atravessar o Atlantico em navio, —toda a vez que o não quizesse fazer em balão, — o que seria muito arriscado e, demais, irrealisavel.<noinclude></noinclude> kin3zon4o2dpc8ml7j10dfyj2jhvzdp 563634 563545 2026-09-21T14:52:38Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563634 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|201|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Dʼaqui a uma hora. — Tem carregaçāo para... — Bordéus. — E de que? — Pedra no porāo. Nāo estou fretado. Parto em lastro. — Leva passageiros? — Nāo levo, nunca levo passageiros. Mercadoria que embaraça e que palra. — Tem bom andamento o seu navio? — Faz onze a doze milhas, O ''Henrietta'' é bem conhecido. — Quer-me transportar para Liverpool a mim e mais tres pessoas? — Para Liverpool? Porque nāo ha de ser para a China? — Digo para Liverpool. — Nāo! — Nāo? — Nāo. Destino-me a Bordéus, e hei de ir para Bordéus. — Seja qual for o preço? — Seja qual for o preço. O capitāo fallára nʼum tom que nāo admittia replica. — Mas os armadores do ''Henrietta''... volveu Phileas Fogg. — Os armadores, sou eu, replicou o capitāo. O navio pertence-me. — Eu freto-lhʼo? — Nāo. — Compro-lhʼo? — Nāo! Phileas Fogg não pestanejou. Entretanto a situaçāo ia-se tornando grave. Nāo se passavam as cousas em Nova York como se tinham passado em Hong-Kong; nem succedia com o capitāo do ''Henrietta'' o mesmo que succedera com o mestre da ''Tanka-dère''. Até aqui o dinheiro do ''gentleman'' vencera sempre os obstaculos. Mas dʼesta vez o dinheiro falhava. Entretanto, era-lhe preciso achar o meio de atravessar o Atlantico em navio, — toda a vez que o nāo quizesse fazer em balāo, — o que seria muito arriscado e, demais, irrealisavel. {{nop}}<noinclude></noinclude> sq201t7q56uhz3qan7axv4pcikrnhdm Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/47 106 258108 563549 2026-09-21T14:04:43Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563549 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|43|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Poder-se-ia julgar que, sempre inquieto e ancioso, se preoccupava com as mudanças do vento prejudiciaes ao andamento do navio, com o embate desordenado da vaga que punha a machina em perigo de grave accidente, emfim com todas as avarias possiveis que, obrigando o ''Mongolia'' a arribar a algum porto, compromettessem a viagem. Porém, nāo succedia assim, ou, pelo menos, se pensava em taes eventualidades, nāo o dava a conhecer. Era sempre o homem impassivel, o membro imperturbavel do Reform-Club, que nenhum accidente ou incidente podia surprehender. Nāo dava mais signaes de commoçāo do que poderiam dar os chronometros de bordo. Raras vezes o viam sobre a tolda. Pouco se lhe dava de observar este mar Roxo tāo fertil em recordaçōes, este theatro das primeiras scenas historicas da humanidade. Nāo vinha reconhecer as curiosas cidades espalhadas pelas suas margens, e cujo vulto se contornava algumas vezes no horisonte. Nem sequer pensava nos perigos dʼeste golfo arabico, do qual os antigos, Strabāo, Arriano, Arthémidoro, Edrisi fallaram sempre com assombro, e cujas aguas nunca os navegadores se atreviam outrʼora a sulcar sem primeiro consagrarem a viagem por meio de votos propicios. O que fazia pois este original, encerrado no ''Mongolia?'' Em primeiro logar a tarefa de devorar as quatro refeiçōes do dia, sem que nunca o balanço ou a arfagem do navio podessem causar desarranjo nʼuma machina tāo bem organisada como a sua. Depois jogava o whist. Sim, tinha encontrado parceiros tāo enthusiastas como elle: um recebedor de impostos que se dirigia para o seu posto em Goa, um ministro da igreja, o reverendo Decimus Smith, que regressava a Bombaim, e um brigadeiro general do exercito inglez, que reunia ao seu corpo em Benarés. Estes tres passageiros tinham pelo whist a mesma paixāo que mr. Fogg, e jogavam horas inteiras nāo menos silenciosamente do que elle. Quanto a Passepartout, o enjóo nāo entrava com elle. Occupava um beliche de próa, e comia tambem com toda a consciencia. Deve-se dizer que, decididamente, esta viagem, feita em taes condiçōes, nāo lhe desagradava. Conformára-se, a final.<noinclude></noinclude> rremadd0pead39n5fge9xa1uh6nry3u Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/569 106 258109 563550 2026-09-21T14:05:00Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: que com o cheiro davão appetite hos olhos. Senfualidade, deleitação carnal. MoR. Palm. 2, 116 Cumprir. hum appetite à cuita da honra alhêa, he cou- fa mal acertada, porque o gofto ou contentamento nef- tes cafos he breve, ca fama, que fe nelles perde, he impoffivel cobrarfe. FERNAND. GALV. Serm. 2, 36, I Crucificavão fua carne, e os appetites della. FR. L. DOS ANJ. Jard. 119 Succedeo dalli a dous annos, que hum Religiofo por nome Remig... 563550 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{c | APP}}</noinclude>que com o cheiro davão appetite hos olhos. Senfualidade, deleitação carnal. MoR. Palm. 2, 116 Cumprir. hum appetite à cuita da honra alhêa, he cou- fa mal acertada, porque o gofto ou contentamento nef- tes cafos he breve, ca fama, que fe nelles perde, he impoffivel cobrarfe. FERNAND. GALV. Serm. 2, 36, I Crucificavão fua carne, e os appetites della. FR. L. DOS ANJ. Jard. 119 Succedeo dalli a dous annos, que hum Religiofo por nome Remigio, foi tentado de infernacs appetites contra a pureza defta Santa. Vontade de conter ou de beber. CAM. Luf. 10, 5 Mil praticas alegres fe tocavão, Rifos doces, fubtis, é ar- gutos ditos Que entre hum e outro manjar fe levan- tavão, Despertando os alegres appetitos. ARR. Dial. 3, 2 Como fez el Rei David a agoa, que por fatisfazer a feu appetite os leacs e valerofos de feu exercito The trou- xerão da cifterna de Bethlem. BRIT. Chr. 1, 29 O pão, que comião, era de toda a farinha; e tal, que fua cor e afpereza baftava pera tirar o appetite de comer a quem o tiveffe. Luz Epith. Abominavel. CARDOS. Agiol. 1, 14. Accefo. Tr. do Delej. 5, 8. Alegre. CAM. Luf. 10, 5. Alto. ANDRAD. Cerc. 9, 43, 1. Ardentiffimo. CALV. Ho- mil. 2, 60. Baixo. Fx. TH. DE JES. Trab. 1, 10, 243. Beftial. ARR. Dial. 3, 1. Brando. BARRET. Flos Sanct. 1, 188, 1. Breve. VIEIR. Serm. 2, 10, 5. n. 320. Bru tal. LOBAT. Palm. 5, 44. Bruto. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 4. Carnal. GRAN. Comp. 2, 16. Cego. PER. Elegiad. 6, 82. FERNAND. GALV. Serm. 2, 75, 1. Cevado. D. F. MAN. Apol. 403. Corrupto. HEIT. PINT. Dial. 2, 1, 9. Concupifcivel. PAEZ, Serm. 2, 304, 3. Cujo. D. Hi- LAR. VOZ, 15, 82 . Danado. FERR. DE VASC. Ulyf- fip. 5, 2. Deleitofo. HEIT. PINT. Dial. 2, 4, 17. De- mafiado. D. HILAR. Voz, 3, 10. Depravado. VIEIR. Serm. 6, 1, 10. n. 47. Defaforado. Luz, Serm. 2, 2, 58. col. 3. Defaventurado. FR. TH. DE JES. Trab. 2, 37, 164. Defenfreado. Gouv. Rel. 3, 1. Deshonefto. Luz, Serm. 1, 2, 62. col. 3. Defordenado. PAIV. Serm. 3, 310. Defregrado. ALV. DA CUNH. Efcól. 7, 9. Diaboli ro. LOBAT. Palm. 5, 44. Errado. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 18. Eftragado. MEND. DE VASC. Sit. 1, 62. Eftulto. M. FERNAND. Alm. ;, 2, 2. n. 14. p. 265. Falfo. FR. THOM. DA VEIG. Confid. I, I 1. n. 1. Feio. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 22. Furiofo. LOBAT. Palm. 5, 32. Heroico. ANDRAD. Cerc. 9, 43, 1. Honefto. MONTEIR. Art. 21, 4, 362. Humano. FR. MARC. Chr. 1, 2, 62. Hydropico. ALV. DA CUNH. Efcól. 7, 9. Illicito. Es TAÇ. Antig. 28, 6. Immoderado. HEIT. PINT. Dial. z, 4, 13. Immortificado. M. BERN. Exerc. 2, 6, 5. p. 441. Incitativo. Cour. Dec. 5, 6, 4. Indifereto. FR. THOM. DA VEIG. Confid. 1, 11, 5. n. 4. Infernal. TELL. Chr. 1, 2, 23. n. 7. Infaciavel. CEIT. Quadrag. 1, 180, 2. Infano. ANDRAD. Cerc. 12, 60, 4. Intellectivo. CALv. Defenf. 6, 17 y. Interno. ALV. DA CUNH. Efcól. 23. 8. Irafcivel. ESPER. Hift. I, 1, 29. n. 3. Irracional. Vi EIR. Serm. 9. do Rof. 7, 3, 270. Leve. L. BRAND. Mc. dit. 1, 3, 90. p. 545. Libidinolo. A. DE VASc. Anj. 2, 53. part. 5. P. 439. Livre. TELL. Hift. 6, 19, 585. Luxuriofo. M. BERN. Serm. 1, 18, 2. Mal acostumado. Luc. Vid. 10, 4. Máo. ARR. Dial. 7, 10. Mortificado. F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 247, 21, Mundano. ESTAT. Dos CONEG. AZUES, 10, 8 y. Natural. Ros. Hift. z, 13, 3. Nefando. Leño, Defcripç. 62. Nefcio. CHAG. Obr. 1, 3, 256. Peccaminofo. Liss. Jard. 141, 1. Per- verfo. FR. TH. DE JES. Trab. I, io, 243. Prefuntnofo. Luz, Serm. 2, 142, 2. Regido. (mal) TELL. Hift. 6, 19, 585. Ruim. GRAN. Comp. 2, 7. Saborofo. D. FR. BR. DE BARR. Efpelh. 3, 19. Senfitivo. CALV. Defenf. 6, 17 . Senfual. FERR. DE VASc. Ulyflip. 5, 2. Sobe- jo. PAIV. Serm. 1, 331. Los. Ecl. 10. Solto. L. ALv. Serm. 3, 15, 4. n. 12. Superfino. CUNH. Catal. 17. Temerario. ANDRAD. Cerc. II, 55, 4. Terreno. CHяG. Obr. 1, 2, 1. Torpe. GUERREIR. Rel. 1, 2, 3. Vão. BERN. Lim. Cart. 8. FERNAND. GALV. Serm. 3, 115, 4. Viciofo, A. DE VASC. Anj. 2, 6, 7. part. 5. P. 935. Vil. VIEIR. Serm. 2, 10, 5. n. 320. Verb. Abrir o... d alg. Do comer. TELL. Chr. 2, 4, 52. n. 7. Açaintar os... L. ALv. Serm. 3, 6, 9. n. 24. Accender o... de alg. c. FERNAND. GALV. Serm. 3, 233, 4. Achar... em alg. c. D. FR. BR. DE BARR. Ef pelh. 3, 19. Amanfar o... de alg. c. D. HILAR. Voz. 12, 66. Arder em... de alg. c. A. DE VASc. Anj. z, 4,8. part. 7. p. 247. Afolar... F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 216, 24 Outro Abraham com ferto e fogo, peta com ambos afolar feus appetites. Avivar o à alg. Bair: Chr. 1, 19. Captivo estar do... PAIV. Serm. 1, 254. Cego do... PAEZ, Serm. 2, 196, 3. Condefcender con os. S. ANN. Chr. 3, 44, 882. Confundir os... Suus. Hift. 1, 1, 18. Confeguir o feu. D. CATH. INF. Ré- gr. 1, 22. Cortar... CUN. Catal. I, 7.- - pelos: .. ARR. Dial. 7, 6. Crucificar... ARR. Dial. 7, 9. FER NAND. GALV. Serm. 2, 36, 1. Cumprir o... ou os PAI, Serni. 3, 69. CALV. Homil. I, 309. Dar... á. alg. de alg. c. SOTTOM. Ribeir. 4, 122. Degollar feus... F. DE MENDOç. Serm. 2, 157, 9. Deixar os... Huis. PINT. Dial. 2, 1, 2. Defbaratar... FERNAND. GALV. Serm. z, 319, 4. Defenfrcar o... ou os... FR. Tu. DE JES. Trab. I, 1, 57. F. DE MENDOÇ. Scim. 2, 167 2. Desfazer... FERNAND. GALV. Scrm. 2, 319, 4. Def pertar o Do comer. CAM. Luf. 10; 5. Dobrar o... (vencelo) ESPER. Hift. 2, 9, 35. n. 7. Domar o... 03 os... Ros. Hift. 2, 106, 2. Liss. Sanctor. 81, 4. Do- minar... L. BRAND. Medit. 1, 2, 84. p. 511. Effeituar... HEIT. PINT. Dial. 2, 5, 3. Emendar o... FR. SIM. COELH. Chr. 2, 26, 219. Encontrar os... (cpporfelbes) MONTEIR. Art. 26, 28, 522 y. Enfrear os... EUFROS. 2, 5. Patv. Scrm. z, 448. Entrado de alg.... FR. L. DOS ANT. Jard. 119. Entregarse a feus... Luz Tr. do Defej. 1, 4. Efpertar o... Do comer. Liss. Sanctor. 118, 4. Executar feus... L. BRAND. Medit. 4, 7, 387. p. 598. Fartar o... ou os... Pai. Serm. 1, 16 y. CART. DE JAP. 1, 382, 4. Fazer... á alg. Feo, Tr. 2, 9, 2.- mei. FERNAND. GALY. Serm. 3, 81, 2. Faz appetite a fermofura da virtude. Fomentar... PAEZ, Serm. 2, 188, 2. Haver... de ou em alg. c. Sous. Hift. 1, 3, 17. Incitar... ARR. Dial. 9, 11. Izento de... L. BRAND. Medit. 1, 3, 78. p. 475. Largar as redeas aos... F. DE MENDOG. Serm. 1, 10, 19. Levarfe do... ou dos... L. BRAND. Medit. 1, 19. p. 55. M. FERNAND. Alm. 3, 2, 5. n. 32. p. 391. Matar os... Sous. Hilt. 1, 1, 18. Mode- rar o... ou os... MONTEIR. Art. 10, 13. L. BRAND. Medit. 1, 3, 78. p. 475. Mortificar ds... em alg. TELL. Chr. 1, 2, 2. n. 2. VIEIR. Serm. 6, 11, 4. n. 326. o... ou os... de alg. c. D. HILAR. Voz, 12, 66. FR. L. Dos ANI. Jard. 148. Obedecer aos... LISE. Sanctor. 81, 2. Pôr... á alg. c. PROV. DA HIST. GEN. 3, 4, 161. P. 29c. Por a ferro os... TELL. Chr. 2, 4, I. n. 4. Quebrantar os... BARRET. Flos Sanct. 1, 543; 1. Re- frear o... ou os.. PAIV. Serm. 3, 69 y. GRAN. Comp. 2, 13. Regerfe pelos.. Ros. Summ. 31 y. Remediar os 2. de alg. PAIV. Serm. 3., 74 y. Reprimir o... ou os. PAIV. Serm. 3, 69 y. MONTEIR. Art. I; 13. em fi. Lime. Fug. to, 13, 297. col. 1. Refiftir aos... L. BRAND. Medit. 1, 3, 100. p. 601. Sacrificar... L. BRAND. Medit. 4, 7, 343. P. 276. Satisfazer a feus.. LEÃO, Defcrip. 62. ao... de alg. ARR, Dial: 3, os... LisB. Jard. 141, 1. VIEIR. Serm. 5, 1, 10. n. 52. Seguir os... FERR. DE VASc. Ulyflip. f., 3. HET. PINT. Dial. I, 1, 5. Senborear os... FERR. DE VASC. Aulegr. 5, 6. ARR. Dial. 5, 9.0.de alg. c. Luz, Serm. 2, 2, 170. col. 1. Servir aos... Luc. Vid. 2, 13. Sffrear os... ARR: Dial. 7, 7. Sogigar... GRAN. Comp. 3, 14. Sopear o. cu os... D. HILAR. Voz, 6, 31 y. HEIT. PINT. Dial. I, 2, 4. Submetti- do nos... CAM. Canç. 7, 5. Sugeitar os... FR. MARC. Exerc. 33, 158. Sugeitarfe aos. ALV. DA CUNH. Ef col. 7, 6. Supprimir... HEIT. PINT. Dial. I, 2; 4. Tenperar os... CATHEC. Roй. 19. buz, Seim. 1, 6, 4. Trabalhar contra os... Maus. Aff. Afr. 6, 102 . Tirar o... Do comer. BRIT. Chr. 2, 9. de alg. c. a alg. Axn. Dial. 9; 11. Vencer os... HEIT. PINT. Dial. I, I, 6. FR. BERNARD. DA SILY. Defenf. 3, 42. Vir... a alg. de alg. c. DIA9, Paix. Confid. 1, 6. {{lema|APPETITIVEL}}. adj. de huma term. pouc. ul. Que teni appetite. Luz, Serm. i; 139, 1. Da parte das forças ap- petitiveis. {{lema|APPETITIVO, A}}. adj. {{Uso|Philos}}. Que tem appetite. Applicafe à potencia ou faculdade de appetecer. D. FR. DR. DE BARK Efpelh. 3, 22 Per a blanda face do qual lu- me a affeição appetitiva do coração com todalas medul- Tas fe delecta. MONTEIR. Art. 3, 1 Daqui nace ter [a alma] diverfas potencias... humas apprehenfivas, cujo officio he perceber ou conhecer; outras appetitivas, eu- jo officio he appecccer. M. BERN. Luz e. Cal. 1, 2, .26 Na alma racional, ha tres esferas ou regiões differentes, que conftão de vatias faculdades, ou virtudes da mef- ma alma humas cognofcitivas, outras appetitivas, ifto he, dadas pelo Autor da natureza para conhecermos a<noinclude></noinclude> ef9d5lv54cjh5hzw03x2cad1szua161 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/68 106 258110 563552 2026-09-21T14:05:26Z Elsa de Brabrante 43846 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Passa um São Bobo, cantando, sob os plátanos, um tralálá... A guarda-civica! Prisão! Necessidade a prisão para que haja civilização? Meu coração sente-se muito triste... Enquanto o cinzento das ruas arrepiadas dialoga um lamento com o vento... Meu coração sente-se muito alegre! Este friozinho arrebitado dá uma vontade de sorrir! {{dhr|9}} </poem> </div> 563552 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Passa um São Bobo, cantando, sob os plátanos, um tralálá... A guarda-civica! Prisão! Necessidade a prisão para que haja civilização? Meu coração sente-se muito triste... Enquanto o cinzento das ruas arrepiadas dialoga um lamento com o vento... Meu coração sente-se muito alegre! Este friozinho arrebitado dá uma vontade de sorrir! {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> 0lzjfsxcl2epkcxt13dupvnusfjaigo 563557 563552 2026-09-21T14:06:42Z Elsa de Brabrante 43846 563557 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Passa um São Bobo, cantando, sob os plátanos, um tralálá... A guarda-civica! Prisão! Necessidade a prisão para que haja civilização? Meu coração sente-se muito triste... Enquanto o cinzento das ruas arrepiadas dialoga um lamento com o vento... Meu coração sente-se muito alegre! Este friozinho arrebitado dá uma vontade de sorrir! {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> h2ndduhldhz5i1rmk9ybces7p2xi30d 563703 563557 2026-09-21T15:29:15Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563703 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Passa um São Bobo, cantando, sob os plátanos, um tralálá... A guarda-civica! Prisão! Necessidade a prisão para que haja civilização? Meu coração sente-se muito triste... Enquanto o cinzento das ruas arrepiadas dialoga um lamento com o vento... Meu coração sente-se muito alegre! Este friozinho arrebitado dá uma vontade de sorrir! {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> jegcavr30yry5d8uz4qb06she12jhlw 563717 563703 2026-09-21T15:32:42Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563717 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />PAULICEA DESVAIRADA</noinclude><div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Passa um São Bobo, cantando, sob os plátanos, um tralálá... A guarda-civica! Prisão! Necessidade a prisão para que haja civilização? Meu coração sente-se muito triste... Enquanto o cinzento das ruas arrepiadas dialoga um lamento com o vento... Meu coração sente-se muito alegre! Este friozinho arrebitado dá uma vontade de sorrir! {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> i1sgisp19vga1e2aefgefgmg64yp3rr Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/67 106 258111 563571 2026-09-21T14:10:06Z Elsa de Brabrante 43846 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Paisagem n. 1 <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Minha Londres das neblinas finas! Pleno verão. Os dez mil milhões de rosas paulistanas. Ha neve de perfumes no ar. Faz frio, muito frio... E a ironia das pernas das costureirinhas parecidas com bailarinas... O vento é como uma navalha nas mãos dum espanhol. Arlequinal!... Ha duas horas queimou Sol. Daqui a duas horas queima Sol. {{dhr|9}} </poem> </div> 563571 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MARIO DE ANDRADE</noinclude> Paisagem n. 1 <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Minha Londres das neblinas finas! Pleno verão. Os dez mil milhões de rosas paulistanas. Ha neve de perfumes no ar. Faz frio, muito frio... E a ironia das pernas das costureirinhas parecidas com bailarinas... O vento é como uma navalha nas mãos dum espanhol. Arlequinal!... Ha duas horas queimou Sol. Daqui a duas horas queima Sol. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> 17fef5janotf0qynkjdanr97mxi8uin 563573 563571 2026-09-21T14:11:14Z Elsa de Brabrante 43846 563573 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MARIO DE ANDRADE</noinclude> PAISAGEM N. 1 <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Minha Londres das neblinas finas! Pleno verão. Os dez mil milhões de rosas paulistanas. Ha neve de perfumes no ar. Faz frio, muito frio... E a ironia das pernas das costureirinhas parecidas com bailarinas... O vento é como uma navalha nas mãos dum espanhol. Arlequinal!... Ha duas horas queimou Sol. Daqui a duas horas queima Sol. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> t14y4kg13wmgbbce4gb3etvvjfz7i9e 563576 563573 2026-09-21T14:12:33Z Elsa de Brabrante 43846 563576 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Elsa de Brabrante" />MARIO DE ANDRADE</noinclude> {{c|PAISAGEM N. 1}} <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Minha Londres das neblinas finas! Pleno verão. Os dez mil milhões de rosas paulistanas. Ha neve de perfumes no ar. Faz frio, muito frio... E a ironia das pernas das costureirinhas parecidas com bailarinas... O vento é como uma navalha nas mãos dum espanhol. Arlequinal!... Ha duas horas queimou Sol. Daqui a duas horas queima Sol. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> kjrptp220in8rmnbbzomwsmmpm5xsr1 563699 563576 2026-09-21T15:28:09Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563699 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" />MARIO DE ANDRADE</noinclude> {{c|PAISAGEM N. 1}} <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Minha Londres das neblinas finas! Pleno verão. Os dez mil milhões de rosas paulistanas. Ha neve de perfumes no ar. Faz frio, muito frio... E a ironia das pernas das costureirinhas parecidas com bailarinas... O vento é como uma navalha nas mãos dum espanhol. Arlequinal!... Ha duas horas queimou Sol. Daqui a duas horas queima Sol. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> 4cpry9dwueqpoqcuyu1hmq03ffjvt6y 563715 563699 2026-09-21T15:32:11Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563715 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />MARIO DE ANDRADE</noinclude> {{c|PAISAGEM N. 1}} <div style="font-family:serif"> {{dhr|7}} <poem> Minha Londres das neblinas finas! Pleno verão. Os dez mil milhões de rosas paulistanas. Ha neve de perfumes no ar. Faz frio, muito frio... E a ironia das pernas das costureirinhas parecidas com bailarinas... O vento é como uma navalha nas mãos dum espanhol. Arlequinal!... Ha duas horas queimou Sol. Daqui a duas horas queima Sol. {{dhr|9}} </poem> </div><noinclude></noinclude> lg1n0znshgin5hw22351gmbsjxc2ncw Página:Bibliotheca lusitana - Tomo I (1741).djvu/89 106 258112 563572 2026-09-21T14:11:01Z Leonordeoliveiramartins 41055 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|BIBLIOTHECA LUSITANA}} {{c|A}} BRAHAM COEN PIMENTEL natural de Lisboa, donde paſſando a Amſterdaõ, publicou no anno de 1699. ''Queſtoens Eſcolaſticas''. ABRAHAM FERRAR natural da Cidade do Porto, e Medico de profiſſaõ. Por ſer acerrimo Sequaz do Hebraiſmo, receando experimentar o merecido caſtigo da ſua apoſtaſia ſe retirou furtivamente para Amſterdaõ, onde foy pelos ſeus naturaes benignamente recebido, e exceffivamente eílima... 563572 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Leonordeoliveiramartins" /></noinclude>{{c|BIBLIOTHECA LUSITANA}} {{c|A}} BRAHAM COEN PIMENTEL natural de Lisboa, donde paſſando a Amſterdaõ, publicou no anno de 1699. ''Queſtoens Eſcolaſticas''. ABRAHAM FERRAR natural da Cidade do Porto, e Medico de profiſſaõ. Por ſer acerrimo Sequaz do Hebraiſmo, receando experimentar o merecido caſtigo da ſua apoſtaſia ſe retirou furtivamente para Amſterdaõ, onde foy pelos ſeus naturaes benignamente recebido, e exceffivamente eílimado; de tal forte, que o elegerão Preſidente da Sinagoga no anno de 1652. em o qual lhe dedicou Manaſſe Ben Iſrael huma Oraçaõ compoſta em applaufo do Principe de Orange, e Henriqueta Maria Rainha de Inglaterra na occaſiaõ em que eſtes Principes foraõ ver a meſma Sinagoga. Eſcreveo, e imprimio na lingua materna em Amſterdaõ. ''Declaraçaõ das 613. Encomendanças da noſſa Santa Ley. Anno da creaçaõ 5387. e de Chriſto'' 1627. em 4. Deſta obra, como do ſeu author, faz memoria o meſmo Manaſſe ''in lib. de Refurrect. mort.'' e no de ''Fragilitate human''. part. 2. § 10. Guſtavo Peringer. pag. 26. onde por engano lhe chama ''David''. Jul. Bartoloc. in ''Bib. Rabbin.'' Part. i. n. 108. NicoL Ant. in ''Bib. Hiſpan''. Tom. 2. in append. 2. pag. 313. Joan. Chriſtoph. Wolſius in ''Bibiliotb''. ''Hebraa''. pag. 98. n. 137. Jacob. Le Long. ''Bib. Sacra.'' pag. mihi 593. col. 2. ABRAHAM FERREYRA cujo apellido mudou em Irira, quando deixando Portugal paſſou a Amſterdaõ, onde profeſſou a obſervancia dos Ritos Judaicos. Foy igualẽmte perito em os myſterios da Cabbala que nas<noinclude></noinclude> biu1d3mwr1gle3wcc971r3m0dzmtwqf Utilizador Discussão:Abre-caminhos 3 258113 563591 2026-09-21T14:20:26Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563591 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Abre-caminhos'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 14h20min de 21 de setembro de 2026 (UTC) 4kv74c9dex4akdqftfto3flncj5hkkj 563637 563591 2026-09-21T14:55:37Z Abre-caminhos 43842 /* */ Resposta 563637 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Abre-caminhos'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 14h20min de 21 de setembro de 2026 (UTC) :Muito obrigada, Épico! [[Utilizador:Abre-caminhos|Abre-caminhos]] ([[Utilizador Discussão:Abre-caminhos|discussão]]) 14h55min de 21 de setembro de 2026 (UTC) kixcrq0joh5ftbmpaewobj8ltiip90v Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/140 106 258114 563592 2026-09-21T14:20:32Z ACJCRC 43844 /* Revista */ 563592 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" />{{rvh|134|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>134 VIAGENS MARAVILHOSAS rasão do nome de uma deusa do mar, adorada nas ilhas pro- ximas. Viam-se nella formosas alamedas de pinheiros e de ce- dros, porticos sagrados de estranha architectura, pontes quasi occultas pelo enredado dos bambús e dos canniços, templos abrigados sob a ramagem immensa e melancholica de cedros se- culares, mesquitas de bonzos, ao fundo das quaes arrastavam uma vida ociosa os padres do boudhismo e os sectarios da re- ligião de Confucio, ruas interminaveis onde se poderia fazer abundante messe de creanças de cutis rosadas e faces verme- lhas, dando ares de figurinhas recortadas de algum biombo in- digena, e brincando em meio de cadellas de pernas curtas e de gatos amarellados, sem cauda, muito indolentes e muito meigos. Nas ruas havia um bulicio, um movimento incessante: esta- vam atalhadas de bonzos (*) que passavam processionalmente tocando nos seus monotonos tambores: de yakounines, officiaes da alfandega ou da policia, de chapéus ponteagudos encrustados de laca e trazendo dois sabres à cinta; de soldados vestidos de trajos de algodão azul listrado de branco, e armados de espin- gardas de percussão; de homens de armas do mikado, mettidos nos seus gibões de seda, com loriga e cota de malha, e muitos outros militares de todas as condições,-porque, no Japão, a profissão de soldado é tão estimada como desprezada na China; depois viam-se tambem leigos pedintes, peregrinos de grandes tunicas, simples funccionarios civis, de cabellos compridos e pretos como o ebano, cabeça grande, busto comprido, pernas delgadas, estatura pouco elevada, côr do rosto passando por todas as gradações, desde o ten carregado do cobre até ao branco pallido, mas nunca amarella como a dos chinezes, de que os japonezes differem essencialmente. Finalmente, entre as earruagens, os palaquins, os cavallos, os moços de frete, os carrinhos de véla, os «norimons» com paredes de laca, os fô- fos «cangos», verdadeiras liteiras de bambú, viam se circular ao passo miudo dos seus pés pequeninos, caleados de sapatos (*) Bonzos são os sacerdotes na Asia.<noinclude></noinclude> lodu29esm13ddvg46w1vshuj63uf4ur 563594 563592 2026-09-21T14:22:16Z ACJCRC 43844 563594 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" />{{rvh|134|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>134 VIAGENS MARAVILHOSAS rasão do nome de uma deusa do mar, adorada nas ilhas pro- ximas. Viam-se nella formosas alamedas de pinheiros e de ce- dros, porticos sagrados de estranha architectura, pontes quasi occultas pelo enredado dos bambús e dos canniços, templos abrigados sob a ramagem immensa e melancholica de cedros se- culares, mesquitas de bonzos, ao fundo das quaes arrastavam uma vida ociosa os padres do boudhismo e os sectarios da re- ligião de Confucio, ruas interminaveis onde se poderia fazer abundante messe de creanças de cutis rosadas e faces verme- lhas, dando ares de figurinhas recortadas de algum biombo in- digena, e brincando em meio de cadellas de pernas curtas e de gatos amarellados, sem cauda, muito indolentes e muito meigos. Nas ruas havia um bulicio, um movimento incessante: esta- vam atalhadas de bonzos (*) que passavam processionalmente tocando nos seus monotonos tambores: de yakounines, officiaes da alfandega ou da policia, de chapéus ponteagudos encrustados de laca e trazendo dois sabres à cinta; de soldados vestidos de trajos de algodão azul listrado de branco, e armados de espin- gardas de percussão; de homens de armas do mikado, mettidos nos seus gibões de seda, com loriga e cota de malha, e muitos outros militares de todas as condições,-porque, no Japão, a profissão de soldado é tão estimada como desprezada na China; depois viam-se tambem leigos pedintes, peregrinos de grandes tunicas, simples funccionarios civis, de cabellos compridos e pretos como o ebano, cabeça grande, busto comprido, pernas delgadas, estatura pouco elevada, côr do rosto passando por todas as gradações, desde o ten carregado do cobre até ao branco pallido, mas nunca amarella como a dos chinezes, de que os japonezes differem essencialmente. Finalmente, entre as earruagens, os palaquins, os cavallos, os moços de frete, os carrinhos de véla, os «norimons» com paredes de laca, os fô- fos «cangos», verdadeiras liteiras de bambú, viam se circular ao passo miudo dos seus pés pequeninos, caleados de sapatos (*) Bonzos são os sacerdotes na Asia.<noinclude></noinclude> k37r4m9qw76xdq1rthkrzsa34ujxsom 563595 563594 2026-09-21T14:23:26Z ACJCRC 43844 563595 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="ACJCRC" />{{rvh|134|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>134 VIAGENS MARAVILHOSAS rasão do nome de uma deusa do mar, adorada nas ilhas proximas. Viam-se nella formosas alamedas de pinheiros e de cedros, porticos sagrados de estranha architectura, pontes quasi occultas pelo enredado dos bambús e dos canniços, templos abrigados sob a ramagem immensa e melancholica de cedros seculares, mesquitas de bonzos, ao fundo das quaes arrastavam uma vida ociosa os padres do boudhismo e os sectarios da religião de Confucio, ruas interminaveis onde se poderia fazer abundante messe de creanças de cutis rosadas e faces vermelhas, dando ares de figurinhas recortadas de algum biombo indigena, e brincando em meio de cadellas de pernas curtas e de gatos amarellados, sem cauda, muito indolentes e muito meigos. Nas ruas havia um bulicio, um movimento incessante: esta- vam atalhadas de bonzos (*) que passavam processionalmente tocando nos seus monotonos tambores: de yakounines, officiaes da alfandega ou da policia, de chapéus ponteagudos encrustados de laca e trazendo dois sabres à cinta; de soldados vestidos de trajos de algodão azul listrado de branco, e armados de espingardas de percussão; de homens de armas do mikado, mettidos nos seus gibões de seda, com loriga e cota de malha, e muitos outros militares de todas as condições,-porque, no Japão, a profissão de soldado é tão estimada como desprezada na China; depois viam-se tambem leigos pedintes, peregrinos de grandes tunicas, simples funccionarios civis, de cabellos compridos e pretos como o ebano, cabeça grande, busto comprido, pernas delgadas, estatura pouco elevada, côr do rosto passando por todas as gradações, desde o ten carregado do cobre até ao branco pallido, mas nunca amarella como a dos chinezes, de que os japonezes differem essencialmente. Finalmente, entre as earruagens, os palaquins, os cavallos, os moços de frete, os carrinhos de véla, os «norimons» com paredes de laca, os fôfos «cangos», verdadeiras liteiras de bambú, viam se circular ao passo miudo dos seus pés pequeninos, caleados de sapatos (*) Bonzos são os sacerdotes na Asia.<noinclude></noinclude> 92qxb1eij9ryuj19f5vxeljrxn4iq9i 563610 563595 2026-09-21T14:35:58Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563610 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|134|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>rasāo do nome de uma deusa do mar, adorada nas ilhas proximas. Viam-se nʼella formosas alamedas de pinheiros e de cedros, porticos sagrados de estranha architectura, pontes quasi occultas pelo enredado dos bambús e dos canniços, templos abrigados sob a ramagem immensa e melancholica de cedros seculares, mesquitas de bonzos, ao fundo das quaes arrastavam uma vida ociosa os padres do boudhismo e os sectarios da religiāo de Confucio, ruas interminaveis onde se poderia fazer abundante messe de creanças de cutis rosadas e faces vermelhas, dando ares de figurinhas recortadas de algum biombo indigena, e brincando em meio de cadellas de pernas curtas e de gatos amarellados, sem cauda, muito indolentes e muito meigos. Nas ruas havia um bulicio, um movimento incessante: estavam atalhadas de bonzos<ref>Bonzos sāo os sacerdotes na Asia.</ref> que passavam processionalmente tocando nos seus monotonos tambores: de yakounines, officiaes da alfandega ou da policia, de chapéus ponteagudos encrustados de laca e trazendo dois sabres á cinta; de soldados vestidos de trajos de algodāo azul listrado de branco, e armados de espingardas de percussāo; de homens de armas do mikado, mettidos nos seus gibōes de seda, com loriga e cota de malha, e muitos outros militares de todas as condiçōes, — porque, no Japāo, a profissāo de soldado é tão estimada como desprezada na China; depois viam-se tambem leigos pedintes, peregrinos de grandes tunicas, simples funccionarios civis, de cabellos compridos e pretos como o ebano, cabeça grande, busto comprido, pernas delgadas, estatura pouco elevada, côr do rosto passando por todas as gradaçōes, desde o den carregado do cobre até ao branco pallido, mas nunca amarella como a dos chinezes, de que os japonezes differem essencialmente. Finalmente, entre as carruagens, os palaquins, os cavallos, os moços de frete, os carrinhos de véla, os «norimons» com paredes de laca, os fôfos «cangos», verdadeiras liteiras de bambú, viam se circular ao passo miudo dos seus pés pequeninos, calcados de sapatos<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> eorz5z1z802122ssbem89jo1d082r8z Página:A Linguagem Médica de Portugal e Brasil.pdf/11 106 258115 563593 2026-09-21T14:21:55Z Joana Lages 43857 /* Não revista */ 563593 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Joana Lages" /></noinclude>13 Hoje, mal chegado ao fim do meu curso, encontro-me com a consciência perfeita de não poder sustentar uma tese na verdadeira acepção da palavra, isto é, um princípio novo que á medicina dê nova luz e novo brilho. Não me padeceria o ânimo ir ofender o prestígio que tanto ambiciono para o meu nome, e mais, ofender o espírito do legislador quando decretou que se defendesse tese com uma dissertação original, e por fim ofender o prestígio que eu tanto ambicionaria imarcescível para a Faculdade Médica da terra que me foi berço — não me padeceria o ânimo, repito, ofender esse prestígio, apresentando como tese uma tradução mascavada de algum mau trabalbo francês. E assim, deixando-me vogar nesta ordem de ideias, concebi um trabalho que, por muito pouco valioso, representasse o meu esforço, original, próprio, em assunto em que, à mingua de cultores, de há anos me venho ocupando, com o interesse que sempre dá o trabalho gostosamente feito. E foi assim que elaborei um trabalho sobre — A Linguagem Médica de Portugal e Brasil. * A Escola do Porto, velho organismo com os seus 90 anos de existência passada, tem nas 1.46,5 teses<noinclude></noinclude> 8lvfhrarn9ohya8wm3y6m5batks32sr 563749 563593 2026-09-21T15:42:15Z Car Nikolau 43847 /* Revista */ 563749 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Car Nikolau" /></noinclude>13 Hoje, mal chegado ao fim do meu curso, encontro-me com a consciência perfeita de não poder sustentar uma tese na verdadeira acepção da palavra, isto é, um princípio novo que á medicina dê {{br}} ''nova luz e novo brilho.'' {{br}} Não me padeceria o ânimo ir ofender o prestígio que tanto ambiciono para o meu nome, e mais, ofender o espírito do legislador quando decretou que se defendesse tese com uma dissertação original, e por fim ofender o prestígio que eu tanto ambicionaria imarcescível para a Faculdade Médica da terra que me foi berço — não me padeceria o ânimo, repito, ofender esse prestígio, apresentando como tese uma tradução mascavada de algum mau trabalbo francês. E assim, deixando-me vogar nesta ordem de ideias, concebi um trabalho que, por muito pouco valioso, representasse o ''meu esfôrço, original, próprio'', em assunto em que, à mingua de cultores, de há anos me venho ocupando, com o interêsse que sempre dá o trabalho gostosamente feito. E foi assim que elaborei um trabalho sôbre — A'' Linguagem Médica'' de Portugal e Brasil. {{br}} * {{br}} A Escola do Pôrto, velho organismo com os seus 90 anos de existência passada, tem nas 1.465 teses<noinclude></noinclude> 4h1c2mr8bp3lbkc75hnmmwwb8ca0w7s Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/570 106 258116 563598 2026-09-21T14:25:21Z MLReis 41056 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: verdade, e querermos para nós a bondade, que ha nas coufas. {{lema|APPETITO}}. s. m. ant. O mefimo que Appetite. D. CATH. INF. Regr. 1, 2. VERCIAL. Sacram. 1, 19, 23 v. {{lema|APPETITOSAMENTE}}, adv. mod. Com grande appetite, com ardente defijo. CALV. Homil. 1, 107 Bufcais nefte fanto tempo huns as razões e occafióes pera náo jejuar, outros pera comer appetitofamente guifado &c. M. FER- NAND. Alm. 2, 1, 25. n. 61 Não ha faminto, que... 563598 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MLReis" />{{rh|{{sc|362}}|APP|}}</noinclude>verdade, e querermos para nós a bondade, que ha nas coufas. {{lema|APPETITO}}. s. m. ant. O mefimo que Appetite. D. CATH. INF. Regr. 1, 2. VERCIAL. Sacram. 1, 19, 23 v. {{lema|APPETITOSAMENTE}}, adv. mod. Com grande appetite, com ardente defijo. CALV. Homil. 1, 107 Bufcais nefte fanto tempo huns as razões e occafióes pera náo jejuar, outros pera comer appetitofamente guifado &c. M. FER- NAND. Alm. 2, 1, 25. n. 61 Não ha faminto, que tão appetitofamente defeje o comer &c. {{lema|APPETITOSO, A}}. adj. Que fe deixa levar dos feus appeti- tes, dado ou entregue & appetites. Pin: Chr. de D. Aff. IV. 52 Por fua livre vontade e appetitofa condição. SA' DE MIR. Vilhalp. 3, 8 Tu es appetitofo e liberal, a velha falfa e cobiçofa. FERR. DE VASc. Ulyshp. 5, Bem fabeis o que são, e o que fazem rapazes appetitofos. Cobicofo, defejofo, que tem grande vontade de al- guma coufa. EurROS. 2, 5 Quanto eu, não poffo cuidar quem feja effa coufa, e não estou pouco appetitofa po- lo faber. FERNAND. Palm. 4, 9 Mande Voffa Mageftade pôr a batalha em ordem, que eftas Senhoras eftão tão appetitefas por nos acharmos depreffa na parte pera on- de caminhamos, que foffrem muito mal efta detença. Dizfe particularmente a refpeito da comida. Pi- NHEIR. Summar. 27 Eftas são as iguarias, de que fo- mos mais appetitofos. Paiv. Serm. 3, 58 Tem muito maior gofto de comer] quem com a neceflidade anda faminto, que a quem a abaftança fez appetitofo. FEO, Tr. Quadr. 1, 47, 1 Chamoufe o lugar onde forão fe- pultados os appetitofos de comer carnes, Sepulchros da concupifcencia. Digno de fe appetecer, , e defejar muito. Luc. Vid. 2, 15 Pera nos fazer fuaves e auida appetitofas as dif- ficuldades da virtude. Que defperta o appetite, que provoca a vontade de comer. ARR. Dial. 1, 20 Nenhuma coufa] ha tão bem guifada e appetitofa, que a repleção a não faça defabri- da e faftiofa. BERN. Lim. Ecl. 11 Marifco appetitofo aqui não falta. CALV. Homil. 2, 12 A gula recrêa os gulofos, comendo demafiadas e appetitofas iguarias. Met. Los. Corr. 9, 85 Afli a converfação, que tem mais delle [fal] he mais appetitofa e desejada dos ouvintes. {{lema|APPLAUDIDO, A}}. p. p. de Applaudir. D. F. MAN. Apol. 312. SOUS. DE MAC. Ulyflip. 1o. Argum. VIEIR. Serm. 7,7, 1. n. 199. {{lema|APPLAUDIR}}. v. a. Acclamar, celebrar con vozes, vivas, ou de jubilo..ou approvação. Do Lat. Applaufus. BERN. Lim. Cart. 26 Temem, como fu- S. A. a todas as mais demonftrações, com que os mef- tres applaudirão fua vinda. NuN. DA SILV. Poef. 2; Os meritos de Jsbella fobcrana. Cante alta, diga alegre, applauda ufana. {{lema|APPLAUSIVEL}}. adj. de huma term. pouc. uf. Digno de applaufo, plaufive!. MONTEIR. Art. 15, t Tambem livre- mente lhe podemos perdoar fem mais fatisfação, que noffa liberal graça, e indulgencia, e mifericordia, que de fi he mais amavel e applaufivel. M: FERNAND. Alm. 3, 3, 2. n. 317. p. 892 Manda que o Prepofito Geral com toda a diligencia tenha cuidado do exercicio da doutrina Chriftia; porque, pofto a primeira face feja menos ap- paratofo e applaufivel, he com tudo fummamente necef- fario. {{lema|APPLAUSO}}. s. m. Acclamação, alto de celebrar com vo- zes, vivas ou palmas em final de jubilo e approvação. birão levemente, Que torne a defandar a roda leve, Com applaufo geral da leve gente. Sovs. Hift. 1, 1, 13 Foi recebido [S. Domingos] naquella Corte com hum tão grande amor, e applaufo de todo o genero, c eftado de gente, que fe enxergava claramente ferem ef- feitos da mão divina. SEVER. Prompt. 23, 4, 74 y Pe lo bem, que fazemos, em nenhuma maneira procuremos ou defejemos applaufos humanos. Met. TELL. Chr. 1, 31, 1 Com grandes feftas da Corte, e com melhores applaufos do Céo. Gofto grande, eftimação ou alegria, com que fe faz, ouve ou recebe alguma confa. BRIT. Chr. 1, 2 Concebeo Ermengarde hum filho com applaufo geral de feus fub- ditos, e particular feu, e de Theodorico 6, 20 Le- vou logo huma cadeira de Philofophia [S. Edmundo] com fummo applaufo da Univerfidade. Eftrondo de vozes e rizadas, com que fe fefteja al- gum dito ou acção, tanto em boa, como em má parte. BRIT, Chr. 1, 29 Mui feftejada foi dos circunftantes a dúvi- da do lavrador, e o defengano da inconftancia do pen- famento, em que elle logo cahio pelo applaufo, que ou- vio fazer ao que differa. Epith. Admiravel. GREGOR. DE ALMEID. Reftaur. 2, DEALED. Reftaur, 2 3. Alegre. D. G. COUTINH, Jorn. 17. Ambiciofo. TELL. Hift. 4, 15, 338. Aprazivel. SovER. Hift. 1, 15. Com- mum. CORT. R. Naufr. 13, 139 . Devotiffimo. ESPER. Hift. 1. Declaraç. Efpecial. GREGOR. DE ALMEID. Reftaur. 2, 10. Eftranho. Maus. Aft. Afr. 3, 47. Etcino. L. AL- VAR. Serm. 1, 18, 6. n. 13. Extraordinario. BARRET. Flos Sanct. 2, 319, 2. Feftivo. M. BERN. Medit. 2, 2. Firme. ALV.. DA CUNH. Efol. 23, 14. Geral. BERN. Lim. Cart. 26. Sous. Hift. 3, 6, 2. Gloriofo. ESPER. Hift. 1, 5, 32. n. 6. Grande. CoRT. R. Nauft. 4, 46 y. GUER- REIR. Rcl. 1, 2, 26. Honrado. FREIR. Vid. 3, 27. Hu- mano. L. Aiv Serm. 3, 7, 1. n. 1. Immortal. ACAD. Dos SING, 1, 15, Oraç. Importuno. ESPER. Hift. 2, 6, 6. n. 2. Legitimo. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 22. n. 236. Notavel. CuN. Catal. 1, 7. Novo. VIEIR. Serm. II, 1, 9. n. 35. Piedofo. FREIR. Vid. 4, 104. Popular. ARR. Dial. 10, 10. Reverente. FREIR. Vid. 4, 104. Singular. FREIR. Vid. 1, 56. Sonorofo. CAM. Luf. 10, 74. Sum. mo. BRIT. Chr. 6, 20. Trasordinario. BARTH. GUERREIR. Cor. 1, 19, 136.. Vão. CHAG. Obr. 2, 32, 9. Univer- fal. VIEIR: Catt., 1., 141. Verb. Acceitar... F. DE MENDOÇ. Serm. 2, 254, 4. Acclamar... a alg. CHAG. Ramilh. 8., 10. Agenciat... ALV. DA CUNH. Elcól. 22, 4. Caufar...a alg. GUERREIR. Rel. 3, 3, 5. Conciliar... TELL. Chr. 1. Prol. Dar ... a alg. ou à alg. c. CART. DE JAP. 2, 40, 4. Cas- TR. Ulyff. 10, 91. Defejar... SEVER. Prompt. 23, 4, 74 . Desprezar... GUERREIR. Rel. 4, 2, 3. Fazer ... à alg. c. BRIT. Chr. 1, 29. GUERREIR. Rel. 1, 2, 26. Gozar... D. F. MAN. Apol. 240. ALV. DA CUNH. Efcól. 14, 5. Grangcar... TAvon. Hift. 296. Levar os d alg. L. ALv. Serm. 3, 20, 1. n. 1. Lograr... de. CARDOS. Agiol. 3, 386. Pertender... de alg. Luz, Serm. 1, 56, 3. Procurar... SEVER. Prompt. 23, 4, 74 . L. BRAND. Medit. 3, 6, 287. p. 551. Receber... de alg. Cruz, Poef. Son. 26. alg. e. com ... D. FERN. DE MEN. Vid. 2, 167. Renunciar... CHAG. Ra- milh. 7, 75 {{lema|APPLICAÇÃO}}. s. f. Acção de chegar ou por alguma coufa junto a outra. Do Lat. Applicatio. CEIT. Quadtag. I 153, 4 Sendo afli que muitas vezes faz [Deos] os mi- lagres pela applicação do fato, ou reliquia de qualquer 01 batendo as palmas em final into. Accommodação, acto de deftinar buma cousa a outra para algum fim. PINHEIR. Summar, 9 Cada hum [dos Sacramentos por fua particular e diftinta applicação &c. FEO, Tr. 164, 1 Ainda que a applicação de cada An- jo a cada qual de nós fe faça na nacença, com tudo antes de nós nacermos, e de fermos, já Deos tem An- jos preftes e apparelhados pera nós. Sous. Hift. 13. 18 Tambem the não deixárão ordinatia nenhuma efmól- la perpetua, fe quer pera reparo do edificio, ou pera as alampadas... com particular applicação.. Dos medicamentos e remedios. A. DA CRUZ, Re- cop. 2, 1 O final de fe repercutir he a fubita diminui- ção do tumor pela applicação das mezinhas frias. Cuidado, diligencia, attenção dos que fe dedicão a fazer ou apprender alguma coufa. Sous. Hift. 1, 3, 38 Ficou eftudando e efcrevendo em ferviço da Republica Literaria até ao ultimo efpirito, com a mefma continua- ção e applicação, que fe eftivera obrigado ás lições da Communidade. TELL. Chr. I, 2, 23. n. 1 Continuavão as obras do novo Collegio, e continuavão ... com tão grande applicação e deftreza como &c. Hift. 3, 16, 250 Começou logo a pregação, que o Emperador e mais circunftantes ouvirão com notavel applicação e filen- cio. Epith. Efpccial. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 12. n. 45. No:avel.. TELL. Hift. 3, 16, 150. Remifa, M. BERN. Direcç. 1, 2, 2. Sollicita. M. FERNAND. Alm. 2, 1, 12. n. 45. {{lema|APPLICADAMENTE}}. adv. mod. Cuidadofamente, diligen- temente, attentamente. M. BERE. Medir. 10, 3 A fegun- da, fuppofto que tambem fe punha no baftidor do Ora- torio a bordar o manto da Senhora, não era porém tá applicada e fervorofamente. Ditecç. 1, 2, 12 Para que a carne não repugne ao efpirito, e o deixe fazer applicadamente a obra de Deos. {{lema|APPLICADISSIMO, A}}. fuperl. de Applicado. PURIF. Chr.<noinclude></noinclude> 8cvep2qbwjv4osjj60x3ygnw74ekdul Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/4 106 258117 563602 2026-09-21T14:31:01Z Faraqat-flup 43854 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: xo como herãça de minha possibilidáde: e se te nam lei- xár outra mayór,a hi acharás também essa causa, que será asáz pera saberes que tenho amor de páy limitádo naley de deos.Leuãtate,áias a sua bençã e a minha. E por galardám dessa cor que te ueo ao rostro pois esta- mos ẽ causas,quéro te dizer a causa della:e quam louuá da nos de tua idade é â neçesaria,e quã uiciósa ẽ todos â sobeia. E nisto farey ópera que pedia estes quadé... 563602 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> xo como herãça de minha possibilidáde: e se te nam lei- xár outra mayór,a hi acharás também essa causa, que será asáz pera saberes que tenho amor de páy limitádo naley de deos.Leuãtate,áias a sua bençã e a minha. E por galardám dessa cor que te ueo ao rostro pois esta- mos ẽ causas,quéro te dizer a causa della:e quam louuá da nos de tua idade é â neçesaria,e quã uiciósa ẽ todos â sobeia. E nisto farey ópera que pedia estes quadérnos da grãmática, que éra escreuer algũa cousa morál pera doutrinár os de tua idáde. E se açerca desta matéria da uiciósa uergonha deseiáres saber algũa cousa, pódes perguntár:e assi das tuas perguntas e minhas repóstas faremos hum diálogo inocente pera inocẽtes (F) ou tro dia estáua meu méstre lendo hum tratádo de Plu tárcho, cuio titulo tambem éra, da uiciósa vergonha. (P) Muitos autores tratáram de hũa matéria, mas o módo e caminho q[ue] cada hũ leuou,fez a uariaçã de quã- tos tratádos uemos. Plutárcho,dádo que seia dos mais gráues autores que tratáram materias moráes,nẽ por- isso seguirey em tudo seu caminho, mas daquelles que seguiram ô do auãgelho de Cristo que elle nam seguio nem alcançou, no qual acharás mais enleuáda filoso- fia la que tratáram todolos gentios escritores. E porẽ, por que a prática é contigo e ordenáda aos de tua idá de,os quáes iá das escólas tendes ouvido ditos e sẽtẽças<noinclude></noinclude> qkb0r5x7mqb1axmm8y42ut8xs4t3lp9 564110 563602 2026-09-22T11:03:32Z Faraqat-flup 43854 564110 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude> ''xo como herãça de minha possibilidáde: e se te nam lei-<br> ''xár outra mayór,a hi acharás também essa causa, que<br> ''será asáz pera saberes que tenho amor de páy limitádo<br> ''naley de deos.Leuãtate,áias a sua bençã e a minha. E<br> ''por galardám dessa cor que te ueo ao rostro pois esta-<br> ''mos ẽ causas,quéro te dizer a causa della:e quam louuá<br> ''da nos de tua idade é â neçesaria,e quã uiciósa ẽ todos â<br> ''sobeia. E nisto farey ópera que pedia estes quadérnos<br> ''da grãmática, que éra escreuer algũa cousa morál pera<br> ''doutrinár os de tua idáde. E se açerca desta matéria<br> ''da uiciósa uergonha deseiáres saber algũa cousa, pódes<br> ''perguntár:e assi das tuas perguntas e minhas repóstas<br> ''faremos hum diálogo inocente pera inocẽtes (F) ou<br> ''tro dia estáua meu méstre lendo hum tratádo de Plu<br> ''tárcho, cuio titulo tambem éra, da uiciósa vergonha.<br> ''(P) Muitos autores tratáram de hũa matéria, mas o<br> ''módo e caminho q[ue] cada hũ leuou,fez a uariaçã de quã-<br> ''tos tratádos uemos. Plutárcho,dádo que seia dos mais<br> ''gráues autores que tratáram materias moráes,nẽ por-<br> ''isso seguirey em tudo seu caminho, mas daquelles que<br> ''seguiram ô do auãgelho de Cristo que elle nam seguio<br> ''nem alcançou, no qual acharás mais enleuáda filoso-<br> ''fia la que tratáram todolos gentios escritores. E porẽ,<br> ''por que a prática é contigo e ordenáda aos de tua idá<br> ''de,os quáes iá das escólas tendes ouvido ditos e sẽtẽças''<br> moráes<noinclude></noinclude> g14zxzjkkp3w7trc6klqsae8u5zjopr 564111 564110 2026-09-22T11:03:57Z Faraqat-flup 43854 564111 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO.</noinclude> ''xo como herãça de minha possibilidáde: e se te nam lei-<br> ''xár outra mayór,a hi acharás também essa causa, que<br> ''será asáz pera saberes que tenho amor de páy limitádo<br> ''naley de deos.Leuãtate,áias a sua bençã e a minha. E<br> ''por galardám dessa cor que te ueo ao rostro pois esta-<br> ''mos ẽ causas,quéro te dizer a causa della:e quam louuá<br> ''da nos de tua idade é â neçesaria,e quã uiciósa ẽ todos â<br> ''sobeia. E nisto farey ópera que pedia estes quadérnos<br> ''da grãmática, que éra escreuer algũa cousa morál pera<br> ''doutrinár os de tua idáde. E se açerca desta matéria<br> ''da uiciósa uergonha deseiáres saber algũa cousa, pódes<br> ''perguntár:e assi das tuas perguntas e minhas repóstas<br> ''faremos hum diálogo inocente pera inocẽtes (F) ou<br> ''tro dia estáua meu méstre lendo hum tratádo de Plu<br> ''tárcho, cuio titulo tambem éra, da uiciósa vergonha.<br> ''(P) Muitos autores tratáram de hũa matéria, mas o<br> ''módo e caminho q[ue] cada hũ leuou,fez a uariaçã de quã-<br> ''tos tratádos uemos. Plutárcho,dádo que seia dos mais<br> ''gráues autores que tratáram materias moráes,nẽ por-<br> ''isso seguirey em tudo seu caminho, mas daquelles que<br> ''seguiram ô do auãgelho de Cristo que elle nam seguio<br> ''nem alcançou, no qual acharás mais enleuáda filoso-<br> ''fia la que tratáram todolos gentios escritores. E porẽ,<br> ''por que a prática é contigo e ordenáda aos de tua idá<br> ''de,os quáes iá das escólas tendes ouvido ditos e sẽtẽças''<br> moráes<noinclude></noinclude> 3hohq42vrf9muuu36yxk7bp506fcici 564123 564111 2026-09-22T11:20:23Z Faraqat-flup 43854 564123 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />♠ DIALOGO. ♠</noinclude> ''xo como herãça de minha possibilidáde: e se te nam lei-<br> ''xár outra mayór,a hi acharás também essa causa, que<br> ''será asáz pera saberes que tenho amor de páy limitádo<br> ''naley de deos.Leuãtate,áias a sua bençã e a minha. E<br> ''por galardám dessa cor que te ueo ao rostro pois esta-<br> ''mos ẽ causas,quéro te dizer a causa della:e quam louuá<br> ''da nos de tua idade é â neçesaria,e quã uiciósa ẽ todos â<br> ''sobeia. E nisto farey ópera que pedia estes quadérnos<br> ''da grãmática, que éra escreuer algũa cousa morál pera<br> ''doutrinár os de tua idáde. E se açerca desta matéria<br> ''da uiciósa uergonha deseiáres saber algũa cousa, pódes<br> ''perguntár:e assi das tuas perguntas e minhas repóstas<br> ''faremos hum diálogo inocente pera inocẽtes (F) ou<br> ''tro dia estáua meu méstre lendo hum tratádo de Plu<br> ''tárcho, cuio titulo tambem éra, da uiciósa vergonha.<br> ''(P) Muitos autores tratáram de hũa matéria, mas o<br> ''módo e caminho q[ue] cada hũ leuou,fez a uariaçã de quã-<br> ''tos tratádos uemos. Plutárcho,dádo que seia dos mais<br> ''gráues autores que tratáram materias moráes,nẽ por-<br> ''isso seguirey em tudo seu caminho, mas daquelles que<br> ''seguiram ô do auãgelho de Cristo que elle nam seguio<br> ''nem alcançou, no qual acharás mais enleuáda filoso-<br> ''fia la que tratáram todolos gentios escritores. E porẽ,<br> ''por que a prática é contigo e ordenáda aos de tua idá<br> ''de,os quáes iá das escólas tendes ouvido ditos e sẽtẽças''<br> moráes<noinclude></noinclude> cr9hq3bkgb45j33mh9mlaw9im2q1cup Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/162 106 258118 563603 2026-09-21T14:31:10Z Ana Ester Tavares 43860 /* Revista */ 563603 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Ana Ester Tavares" />{{rvh|156|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>VIAGENS MARAVILHOSAS O agente sorriu e não respondeu. Como se vê, mr Fogg era d'essa raça de inglezes que, não tolerando no seu paiz o duello, batem-se no estrangeiro quando se trata da sua honra. Ás seis menos um quarto, os viajantes chegavam á gare e encontravam o comboio prestes a partir. No momento em que mr. Fogg ía a entrar para o seu compartimento, perguntou a um empregado: - Meu amigo, não houve hoje alguns tumultos na capital? - Foi um ''meeting'', respondeu o empregado. - Comtudo, parece-me que notei uma certa animação nas ruas. - Tratava-se apenas de um ''meeting'' para uma eleição. - Eleição de algum general e.n chefe, por certo? perguntou mr. Fogg. - Não, senhor, de um juiz de paz. Depois d'esta resposta, Phileas Fogg subiu para o wagon, e o trem partia a todo o vapor. {{Xx-maior|{{C|CAPITULO XXVI}}}} {{C|EM QUE SE TOMA O COMBOLO EXPRESSO DO CAMINHO DE FERRO DO PACIFICO}} «De Oceano a oceano» — assim dizem os americanos, - e estas tres palavras deviam ser a denominação geral do grande traçado que atravessa os Estados Unidos da America em toda a extensãoo, Porém, na realidade, o caminho de ferro do Pacifico divide-se em duas partes distinctas: «Pacifico Central» entre San Francisco e Odgen e «Pacifico União» entre Olgen e Omaha. D'aquí partem cinco linhas distinctas (que põem Omaha em communicação frequente com a cidade de Nova York. Estão, pois, Nova York e San Francisco presentemente ligadas entre si por uma faixa de metal não interrompida que mede nada, menos do que tres mil setecentas e oitenta e seis milhas. En-<noinclude></noinclude> 6ja4722o4biu2doz5azwsa8rjn3ftj3 563625 563603 2026-09-21T14:44:08Z Erick Soares3 19404 /* Validada */ 563625 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|156|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>## Cap. XXIV O agente sorriu e nāo respondeu. Como se vê, mr Fogg era dʼessa raça de inglezes que, nāo tolerando no seu paiz o duello, batem-se no estrangeiro quando se trata da sua honra. Ás seis menos um quarto, os viajantes chegavam á ''gare'' e encontravam o comboio prestes a partir. No momento em que mr. Fogg ia a entrar para o seu compartimento, perguntou a um empregado: — Meu amigo, nāo houve hoje alguns tumultos na capital? — Foi um ''meeting'', respondeu o empregado. — Comtudo, parece-me que notei uma certa animaçāo nas ruas. — Tratava-se apenas de um ''meeting'' para uma eleiçāo. — Eleição de algum general em chefe, por certo? perguntou mr. Fogg. — Nāo, senhor, de um juiz de paz. Depois dʼesta resposta, Phileas Fogg subiu para o wagon, e o trem partia a todo o vapor. {{dhr|2}} <section begin="Cap. XXVI"/>{{t2|{{sc|em que se toma o comboio expresso do caminho de ferro<br>do pacifico}}|CAPITULO XXVI}} {{dhr}} «De Oceano a oceano» — assim dizem os americanos, — e estas tres palavras deviam ser a denominaçāo geral do grande traçado que atravessa os Estados Unidos da America em toda a extensāo. Porém, na realidade, o caminho de ferro do Pacifico divide-se em duas partes distinctas: «Pacifico Central» entre San Francisco e Odgen e «Pacifico Uniāo» entre Olgen e Omaha. Dʼaqui partem cinco linhas distinctas (que pōem Omaha em communicaçāo frequente com a cidade de Nova York. Estāo, pois, Nova York e San Francisco presentemente ligadas entre si por uma faixa de metal nāo interrompida que mede nada menos do que tres mil setecentas e oitenta e seis milhas. En- <section end="Cap. XXVI"/><noinclude></noinclude> r5jwr4etetit3h4ptdxp1eeluh3vquy 563626 563625 2026-09-21T14:44:23Z Erick Soares3 19404 563626 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Erick Soares3" />{{rvh|156|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude><section begin="Cap. XXIV"/>O agente sorriu e nāo respondeu. Como se vê, mr Fogg era dʼessa raça de inglezes que, nāo tolerando no seu paiz o duello, batem-se no estrangeiro quando se trata da sua honra. Ás seis menos um quarto, os viajantes chegavam á ''gare'' e encontravam o comboio prestes a partir. No momento em que mr. Fogg ia a entrar para o seu compartimento, perguntou a um empregado: — Meu amigo, nāo houve hoje alguns tumultos na capital? — Foi um ''meeting'', respondeu o empregado. — Comtudo, parece-me que notei uma certa animaçāo nas ruas. — Tratava-se apenas de um ''meeting'' para uma eleiçāo. — Eleição de algum general em chefe, por certo? perguntou mr. Fogg. — Nāo, senhor, de um juiz de paz. Depois dʼesta resposta, Phileas Fogg subiu para o wagon, e o trem partia a todo o vapor. {{dhr|2}} <section end="Cap. XXIV"/> <section begin="Cap. XXVI"/>{{t2|{{sc|em que se toma o comboio expresso do caminho de ferro<br>do pacifico}}|CAPITULO XXVI}} {{dhr}} «De Oceano a oceano» — assim dizem os americanos, — e estas tres palavras deviam ser a denominaçāo geral do grande traçado que atravessa os Estados Unidos da America em toda a extensāo. Porém, na realidade, o caminho de ferro do Pacifico divide-se em duas partes distinctas: «Pacifico Central» entre San Francisco e Odgen e «Pacifico Uniāo» entre Olgen e Omaha. Dʼaqui partem cinco linhas distinctas (que pōem Omaha em communicaçāo frequente com a cidade de Nova York. Estāo, pois, Nova York e San Francisco presentemente ligadas entre si por uma faixa de metal nāo interrompida que mede nada menos do que tres mil setecentas e oitenta e seis milhas. En- <section end="Cap. XXVI"/><noinclude></noinclude> o1zr77nasic4btp6zh35vytbdyqckc5 Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/233 106 258119 563605 2026-09-21T14:32:01Z PeterBlackjack 43843 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: A porta abriu-se, e o impassivel gentleman appareceu. - O que ha de novo, Passepartout? - O que ha! Agora mesmo acabo de saber.... - O que? - Que podiamos ter feito a viagem á roda do mundo em setenta e oito dias apenas. - Com certeza, replicou Phileas Fogg, não atravessando a India. Mas se eu não tivesse atravessado a India, não teria salvado mrs. Aouda, não seria ella minha mulher, e... E mr. Fogg fechou tranquillamente a porta. P... 563605 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="PeterBlackjack" />{{rvh|227|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>A porta abriu-se, e o impassivel gentleman appareceu. - O que ha de novo, Passepartout? - O que ha! Agora mesmo acabo de saber.... - O que? - Que podiamos ter feito a viagem á roda do mundo em setenta e oito dias apenas. - Com certeza, replicou Phileas Fogg, não atravessando a India. Mas se eu não tivesse atravessado a India, não teria salvado mrs. Aouda, não seria ella minha mulher, e... E mr. Fogg fechou tranquillamente a porta. Phileas Fogg ganhara, portanto, a aposta. Realísara em oitenta dias a viagem em volta do mundo! Empregára n'ella todos os meios de transporte, paquetes, railways, carruagens, yachts, navios mercantes, trenós e um elephante. O excentrico cavalheiro desenvolnêra n'esta empreza os seus maravilhosos dotes de sangue frio e de exactidão. Mas a final? O que tinha ganho n'este deslocamento? O que alcançára com a viagem? Nada, hão de dizer. Nada, em verdade, a não ser uma seduetora mulher, que - por muito inverosímil que isto pareça, - o tornou o mais feliz dos homens! Em rigor, não se faria por menos ainda a Volta do Mundo<noinclude></noinclude> cetmfcaoss997o5shpjmrlt5ay6ldxt 563664 563605 2026-09-21T15:08:22Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 563664 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|227|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>A porta abriu-se, e o impassivel ''gentleman'' appareceu. — O que ha de novo, Passepartout? — O que ha! Agora mesmo acabo de saber.... — O que? — Que podiamos ter feito a viagem á roda do mundo em setenta e oito dias apenas. — Com certeza, replicou Phileas Fogg, nāo atravessando a India. Mas se eu nāo tivesse atravessado a India, nāo teria salvado mrs. Aouda, nāo seria ella minha mulher, e... E mr. Fogg fechou tranquillamente a porta. Phileas Fogg ganhara, portanto, a aposta. Realísara em oitenta dias a viagem em volta do mundo! Empregára nʼella todos os meios de transporte, paquetes, ''railways'', carruagens, yachts, navios mercantes, trenós e um elephante. O excentrico cavalheiro desenvoluêra nʼesta empreza os seus maravilhosos dotes de sangue frio e de exactidāo. Mas a final? O que tinha ganho nʼeste deslocamento? O que alcançára com a viagem? Nada, hāo de dizer. Nada, em verdade, a nāo ser uma seductora mulher, que — por muito inverosimil que isto pareça, — o tornou o mais feliz dos homens! Em rigor, nāo se faria por menos ainda a Volta do Mundo ? {{dhr|5}} {{c|{{smaller|{{sc|fim}}}}}} {{nop}}<noinclude></noinclude> 9kfptxiz5nmkh0fzh8hy79h7eb0c3zt Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/30 106 258120 563620 2026-09-21T14:40:44Z Osa 88 43848 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: PAULICEA DESVAIRADA l'-') * Os psicólogos não admitirão a teoria... E’ responder-lhes com o « Só-quem-ama » de Bilac. Ou com os versos de Heine de que Bilac tirou o « Só-quem-ama ». Entretanto : si você já teve por acaso na vida um acontecimento forte, imprevisto (já teve, naturalmente) recorde-se do tumulto desordenado das muitas ideas que nesse momento lhe tumultuaram no cérebro. Essas ideas, reduzidas ao mínimo telegráfico da pal... 563620 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA l'-') * Os psicólogos não admitirão a teoria... E’ responder-lhes com o « Só-quem-ama » de Bilac. Ou com os versos de Heine de que Bilac tirou o « Só-quem-ama ». Entretanto : si você já teve por acaso na vida um acontecimento forte, imprevisto (já teve, naturalmente) recorde-se do tumulto desordenado das muitas ideas que nesse momento lhe tumultuaram no cérebro. Essas ideas, reduzidas ao mínimo telegráfico da palavra, não se continuavam, porquê não faziam parte de frase alguma, não tinham resposta, solução, continuidade. Vibravam, ressoavam, amontoavam-se, sobrepunham-se. Sem ligação, sem concordáncia aparente — embora nascidas do mesmo acontecimento — formavam, pela successão rapidíssima, verdadeira simultaneidade, verdadeiras harmonias acompanhando a melodia enérgica e larga do acontecimenlo. 28<noinclude></noinclude> fxw9uwjlyykei3aszo5thj586irolb9 563638 563620 2026-09-21T14:56:07Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563638 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA l'-') * Os psicólogos não admitirão a teoria... E’ responder-lhes com o « Só-quem-ama » de Bilac. Ou com os versos de Heine de que Bilac tirou o « Só-quem-ama ». Entretanto : si você já teve por acaso na vida um acontecimento forte, imprevisto (já teve, naturalmente) recorde-se do tumulto desordenado das muitas ideas que nesse momento lhe tumultuaram no cérebro. Essas ideas, reduzidas ao mínimo telegráfico da palavra, não se continuavam, porquê não faziam parte de frase alguma, não tinham resposta, solução, continuidade. Vibravam, ressoavam, amontoavam-se, sobrepunham-se. Sem ligação, sem concordáncia aparente — embora nascidas do mesmo acontecimento — formavam, pela successão rapidíssima, verdadeira simultaneidade, verdadeiras harmonias acompanhando a melodia enérgica e larga do acontecimenlo. 28<noinclude></noinclude> fyrwqhag35yqgiidi6qcisbnp45owvc 563642 563638 2026-09-21T14:59:36Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563642 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA l'-') * Os psicólogos não admitirão a teoria... E’ responder-lhes com o « Só-quem-ama » de Bilac. Ou com os versos de Heine de que Bilac tirou o « Só-quem-ama ». Entretanto : si você já teve por acaso na vida um acontecimento forte, imprevisto (já teve, naturalmente) recorde-se do tumulto desordenado das muitas ideas que nesse momento lhe tumultuaram no cérebro. Essas ideas, reduzidas ao mínimo telegráfico da palavra, não se continuavam, porquê não faziam parte de frase alguma, não tinham resposta, solução, continuidade. Vibravam, ressoavam, amontoavam-se, sobrepunham-se. Sem ligação, sem concordáncia aparente — embora nascidas do mesmo acontecimento — formavam, pela successão rapidíssima, verdadeira simultaneidade, verdadeiras harmonias acompanhando a melodia enérgica e larga do acontecimenlo. 28<noinclude></noinclude> djegj3538yxd6uznmetbc05xyl500j7 Galeria:Álvaro de Castro - A Caminho do Forte da Graça.jpg 104 258121 563630 2026-09-21T14:46:57Z VIGNERON 4471 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563630 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=A Caminho do Forte da Graça |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Álvaro de Castro |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano= |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} nhsqewp9qmb0b6v258a0oltxfy69xya 563631 563630 2026-09-21T14:47:54Z VIGNERON 4471 563631 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=A Caminho do Forte da Graça |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Álvaro de Castro |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano= |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=C |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 9nipf9koyw0kip04bvlqzjnhu8hxmfd Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/5 106 258122 563633 2026-09-21T14:50:32Z Faraqat-flup 43854 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: demoráes escritores como Plutárcho:traremos as auto ridádes e exemplos daquelles que nos ocórrerẽ á memó ria,roubádos delles como de iustos possédores,á imita çã dos hebreos:que roubárã os uásos e preciófas ióyas dos egicios [Exodi.xij.c]. E daqui te dou licença que âs póssas alegár: quando te ocorrerem a prepósito da matéria. E por nã preambulár mais,quéro fazer o que diz Tullio no liuro [Lib.i.de offi] dos oficios:começár da di... 563633 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>demoráes escritores como Plutárcho:traremos as auto ridádes e exemplos daquelles que nos ocórrerẽ á memó ria,roubádos delles como de iustos possédores,á imita çã dos hebreos:que roubárã os uásos e preciófas ióyas dos egicios [Exodi.xij.c]. E daqui te dou licença que âs póssas alegár: quando te ocorrerem a prepósito da matéria. E por nã preambulár mais,quéro fazer o que diz Tullio no liuro [Lib.i.de offi] dos oficios:começár da disinçã pera fe entender aquillo de que se tráta. Aristóteles quer q[ue] a uergonha, feia hũa [Disincam da uergonha. Lib ij.rethoricorum.] dor e toruaçã dos máles presentes ou futuros:os quáes sobreuindo trázem infamea. Santo Thomás,diz, vergo nha chutemor de torpeza reprensiuel, que principálme [S.Tho.ij.ij. q.e.vi.ar.ij.] te oulha ao uitupério e per consiguinte á culpa: e isto em duas maneiras,çesando ou encobrindo (F) Lógo se gundo essas disinções tem ella tres nomes? Dor, Torua çám. e Temor? (P) Os nomes diferentes,sam fegũdo as cáufas donde ella procede. E da qui uem outros lhe dá- rem diuérsos epitetos em suas disinções. Nós pera nósso propófito diremos,fer hũa afeiçám generósa do animo que proçéde de honrra e humildáde com respeito de tres tempos,(F) Essa disinçám nam entendo eu por fer cõtra natureza dous cõtráiros em hũ soieito como diz a sentença comum. E máis fegundo os lógicos a [Arif.in.ij.to pico.ca.xxi.] disinçám á de conuir com o disinido, e ambos se am de conuerter hum em outro.(P) Ouuirás as diui-<noinclude>Aiij</noinclude> dobcavp7exah1hp90c272tddkc9vtpj 564114 563633 2026-09-22T11:10:03Z Faraqat-flup 43854 564114 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>''demoráes escritores como Plutárcho:traremos as auto<br> ''ridádes e exemplos daquelles que nos ocórrerẽ á memó<br> ''ria,roubádos delles como de iustos possédores,á imita<br> ''çã dos hebreos:que roubárã os uásos e preciófas ióyas [Exodi.xij.c]<br> ''dos egicios. E daqui te dou licença que âs póssas alegár:<br> ''quando te ocorrerem a prepósito da matéria. E por nã<br> ''preambulár mais,quéro fazer o que diz Tullio no liuro [Lib.i.de offi]<br> ''dos oficios:começár da disinçã pera fe entender aquillo<br> ''de que se tráta. Aristóteles quer q[ue] a uergonha, feia hũa [Disincam da uergonha.]<br> ''dor e toruaçã dos máles presentes ou futuros:os quáes [Lib ij.rethoricorum.]<br> ''sobreuindo trázem infamea. Santo Thomás,diz, vergo<br> ''nha chutemor de torpeza reprensiuel, que principálme [S.Tho.ij.ij. q.e.vi.ar.ij.]<br> ''te oulha ao uitupério e per consiguinte á culpa: e isto<br> ''em duas maneiras,çesando ou encobrindo (F) Lógo se<br> ''gundo essas disinções tem ella tres nomes? Dor, Torua<br> ''çám. e Temor? (P) Os nomes diferentes,sam fegũdo as<br> ''cáufas donde ella procede. E da qui uem outros lhe dá-<br> ''rem diuérsos epitetos em suas disinções. Nós pera nósso<br> ''propófito diremos,fer hũa afeiçám generósa do animo<br> ''que proçéde de honrra e humildáde com respeito de<br> ''tres tempos,(F) Essa disinçám nam entendo eu por<br> ''fer cõtra natureza dous cõtráiros em hũ soieito como<br> ''diz a sentença comum. E máis fegundo os lógicos a [Arif.in.ij.to pico.ca.xxi.]<br> ''disinçám á de conuir com o disinido, e ambos se am<br> ''de conuerter hum em outro.(P) Ouuirás as diui-''<br> sões del- ''Aiij''<noinclude></noinclude> leg0bm4va1ud2xn8xa0bsa4shdp8w0j 564122 564114 2026-09-22T11:19:52Z Faraqat-flup 43854 564122 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />♠ DIALOGO ♠</noinclude>''demoráes escritores como Plutárcho:traremos as auto<br> ''ridádes e exemplos daquelles que nos ocórrerẽ á memó<br> ''ria,roubádos delles como de iustos possédores,á imita<br> ''çã dos hebreos:que roubárã os uásos e preciófas ióyas [Exodi.xij.c]<br> ''dos egicios. E daqui te dou licença que âs póssas alegár:<br> ''quando te ocorrerem a prepósito da matéria. E por nã<br> ''preambulár mais,quéro fazer o que diz Tullio no liuro [Lib.i.de offi]<br> ''dos oficios:começár da disinçã pera fe entender aquillo<br> ''de que se tráta. Aristóteles quer q[ue] a uergonha, feia hũa [Disincam da uergonha.]<br> ''dor e toruaçã dos máles presentes ou futuros:os quáes [Lib ij.rethoricorum.]<br> ''sobreuindo trázem infamea. Santo Thomás,diz, vergo<br> ''nha chutemor de torpeza reprensiuel, que principálme [S.Tho.ij.ij. q.e.vi.ar.ij.]<br> ''te oulha ao uitupério e per consiguinte á culpa: e isto<br> ''em duas maneiras,çesando ou encobrindo (F) Lógo se<br> ''gundo essas disinções tem ella tres nomes? Dor, Torua<br> ''çám. e Temor? (P) Os nomes diferentes,sam fegũdo as<br> ''cáufas donde ella procede. E da qui uem outros lhe dá-<br> ''rem diuérsos epitetos em suas disinções. Nós pera nósso<br> ''propófito diremos,fer hũa afeiçám generósa do animo<br> ''que proçéde de honrra e humildáde com respeito de<br> ''tres tempos,(F) Essa disinçám nam entendo eu por<br> ''fer cõtra natureza dous cõtráiros em hũ soieito como<br> ''diz a sentença comum. E máis fegundo os lógicos a [Arif.in.ij.to pico.ca.xxi.]<br> ''disinçám á de conuir com o disinido, e ambos se am<br> ''de conuerter hum em outro.(P) Ouuirás as diui-''<br> sões del- ''Aiij''<noinclude></noinclude> 1eydi5sl4w7nyy3l0uedcgvi1s7uylz Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/31 106 258123 563635 2026-09-21T14:55:15Z Osa 88 43848 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: MARIO DE ANDRADE Bilac, Tarde, é muitas vezes tentativa de harmonia poética. Daí, em parte ao menos, o estilo novo do livro. Descobriu, para a lingua brasileira, a harmonia poética, antes dêle empregada raramente. (Gonçalves Dias, genialmente, na scena da luta, Y - Juca - Pirama), O defeito de Bilac foi não metodizar o invento; tirar dèle todas as consequéncias. Explica-se historicamente seu defeito: Tarde é um apogeu. As decadências... 563635 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Bilac, Tarde, é muitas vezes tentativa de harmonia poética. Daí, em parte ao menos, o estilo novo do livro. Descobriu, para a lingua brasileira, a harmonia poética, antes dêle empregada raramente. (Gonçalves Dias, genialmente, na scena da luta, Y - Juca - Pirama), O defeito de Bilac foi não metodizar o invento; tirar dèle todas as consequéncias. Explica-se historicamente seu defeito: Tarde é um apogeu. As decadências não vêm depois dos apogeus. O apogeu já é decadência, porquê sendo estagnação não pode conter em si um progresso, uma evolução ascencional. Bilac representa uma fase destructiva da poesia; porquê toda perfeição em arte significa destruição. Imagino o seu susto, leitor, lendo isto. Não tenho tempo para explicar: estude, si quiser. 0 nosso primitivismo representa uma nova fase constructiva. A nós compete squematizar, metodizar as lições do passado. Volto ao poeta. Ele fez como os criadores do 29<noinclude></noinclude> e054zufv2cb5cykosxoxaii8848dbsn 563636 563635 2026-09-21T14:55:35Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563636 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Bilac, Tarde, é muitas vezes tentativa de harmonia poética. Daí, em parte ao menos, o estilo novo do livro. Descobriu, para a lingua brasileira, a harmonia poética, antes dêle empregada raramente. (Gonçalves Dias, genialmente, na scena da luta, Y - Juca - Pirama), O defeito de Bilac foi não metodizar o invento; tirar dèle todas as consequéncias. Explica-se historicamente seu defeito: Tarde é um apogeu. As decadências não vêm depois dos apogeus. O apogeu já é decadência, porquê sendo estagnação não pode conter em si um progresso, uma evolução ascencional. Bilac representa uma fase destructiva da poesia; porquê toda perfeição em arte significa destruição. Imagino o seu susto, leitor, lendo isto. Não tenho tempo para explicar: estude, si quiser. 0 nosso primitivismo representa uma nova fase constructiva. A nós compete squematizar, metodizar as lições do passado. Volto ao poeta. Ele fez como os criadores do 29<noinclude></noinclude> 799n6osu7rwgechu31aqgfkwae0u5jq 563643 563636 2026-09-21T14:59:50Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563643 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Bilac, Tarde, é muitas vezes tentativa de harmonia poética. Daí, em parte ao menos, o estilo novo do livro. Descobriu, para a lingua brasileira, a harmonia poética, antes dêle empregada raramente. (Gonçalves Dias, genialmente, na scena da luta, Y - Juca - Pirama), O defeito de Bilac foi não metodizar o invento; tirar dèle todas as consequéncias. Explica-se historicamente seu defeito: Tarde é um apogeu. As decadências não vêm depois dos apogeus. O apogeu já é decadência, porquê sendo estagnação não pode conter em si um progresso, uma evolução ascencional. Bilac representa uma fase destructiva da poesia; porquê toda perfeição em arte significa destruição. Imagino o seu susto, leitor, lendo isto. Não tenho tempo para explicar: estude, si quiser. 0 nosso primitivismo representa uma nova fase constructiva. A nós compete squematizar, metodizar as lições do passado. Volto ao poeta. Ele fez como os criadores do 29<noinclude></noinclude> 1b7289glt5pgxwls5b0sqiu18zr3tuo Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/32 106 258124 563641 2026-09-21T14:58:26Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563641 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA . ^ Organum medieval: aceitou harmonias de quartas e de quintas despresando terceiras, sextas, todos os demais intervallos. O número das suas harmonias é muito restrito. Assim, «... o ar e o chão, a fauna e a flora, a erva e o passaro, a pedra e o tronco, os ninhos e a hera, a agua e o reptil, a folha e o insecto, a flor e a [fera » dá impressão duma longa, monótona série de quintas medievais, fastidiosa, excessiva, inútil, incapaz de sugestionar o ouvinte e dar-lhe a sensação do crepúsculo na mata. (1) // Lirismo: estado afectivo sublime — visinho da sublime loucura. Preocupação de métrica e de (1) Ha 6 ou 8 mezes expus esta teoria aos meus amigos. Recebo agora, dezembro, numero 11 e 12, novembro, da revista «Esprit Nouveau»- Aliás «Esprit Nouveau»: minhas andas nêste Prefácio Interessantissimo. Epstein, continuando estudo «O Fenômeno Literário » observa o harmonismo moderno, a que denomina simultaneïsmo. Acha-o interessante, mas diz que é «utopia fisiológica». Epstein no mesmo êrro de Hugo. 30<noinclude></noinclude> s6rg9sisvagij9j6rsoy82kckvhdvv2 563647 563641 2026-09-21T15:00:20Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563647 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA . ^ Organum medieval: aceitou harmonias de quartas e de quintas despresando terceiras, sextas, todos os demais intervallos. O número das suas harmonias é muito restrito. Assim, «... o ar e o chão, a fauna e a flora, a erva e o passaro, a pedra e o tronco, os ninhos e a hera, a agua e o reptil, a folha e o insecto, a flor e a [fera » dá impressão duma longa, monótona série de quintas medievais, fastidiosa, excessiva, inútil, incapaz de sugestionar o ouvinte e dar-lhe a sensação do crepúsculo na mata. (1) // Lirismo: estado afectivo sublime — visinho da sublime loucura. Preocupação de métrica e de (1) Ha 6 ou 8 mezes expus esta teoria aos meus amigos. Recebo agora, dezembro, numero 11 e 12, novembro, da revista «Esprit Nouveau»- Aliás «Esprit Nouveau»: minhas andas nêste Prefácio Interessantissimo. Epstein, continuando estudo «O Fenômeno Literário » observa o harmonismo moderno, a que denomina simultaneïsmo. Acha-o interessante, mas diz que é «utopia fisiológica». Epstein no mesmo êrro de Hugo. 30<noinclude></noinclude> fpmc1qnsh7poy0ixutma63zcx8xwbkh Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/33 106 258125 563644 2026-09-21T14:59:52Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563644 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>rima prejudica a naturalidade livre do lirismo objectivado. Por isso poetas sinceros confessam nunca ter escrito seus milhores versos. Rostand por exemplo; e, entre nós, mais ou menos, o sr. Amadeu Amaral. Tenho a felicidade de escrever meus milhores versos. Milhor do que isso não posso fazer. r/ Ribot disse algures que inspiração é telegrama cifrado transmitido pela actividade inconsciente á actividade consciente que o traduz. Essa actividade consciente pode ser repartida entre poeta e leitor. Assim aquele não escorcha e esmiuça friamente o momento lírico; e bondosamente concede ao leitor a glória de colaborar nos poemas. // « A linguagem admite a forma dubitativa que o mármore não admite ». Renan. // /< Entre o artista plástico e o músico está o poeta, que se avisinha do artista plástico com a sua /'/ 31<noinclude></noinclude> 6q5pnj79twb2vgtpby4ja2a37d8g2k5 Página:1568 - A conversão de S. Paulo - importante sermão do Padre José D'Anchieta.pdf/7 106 258126 563646 2026-09-21T15:00:19Z ACJCRC 43844 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — 4 — recer aos nossos leitores, esse sermão, que é um documento de alta valia histórica e religiosa. Eil-o : In die conrertianis s. Pauli 1568 Vas electionis est mihi isle. Act. 9. Nos desafios de pessoas grandes, como de príncipes e senhores que entram em desafio sobre alguma grande empreza, como sobre um reino, condado, soe haver grande concurso de gente de parte a parte, dezejando cada uma d'ellas que seu príncipe sahia com a v... 563646 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" /></noinclude> — 4 — recer aos nossos leitores, esse sermão, que é um documento de alta valia histórica e religiosa. Eil-o : In die conrertianis s. Pauli 1568 Vas electionis est mihi isle. Act. 9. Nos desafios de pessoas grandes, como de príncipes e senhores que entram em desafio sobre alguma grande empreza, como sobre um reino, condado, soe haver grande concurso de gente de parte a parte, dezejando cada uma d'ellas que seu príncipe sahia com a victoria; e comummente os homens guerreiros e valefítes folgam e gostam muito de vêr e axar-se prezentes em similhantes espetáculos. Ora somos xamados todos a um negocio similhante : temos diante dos<noinclude></noinclude> 0zixn1vvko2me1zoxmzzjgifmz3un75 563649 563646 2026-09-21T15:01:01Z ACJCRC 43844 563649 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" /></noinclude> — 4 — recer aos nossos leitores, esse sermão, que é um documento de alta valia histórica e religiosa. Eil-o : 'In die conrertianis s. Pauli 1568 Vas electionis est mihi isle. Act. 9.' Nos desafios de pessoas grandes, como de príncipes e senhores que entram em desafio sobre alguma grande empreza, como sobre um reino, condado, soe haver grande concurso de gente de parte a parte, dezejando cada uma d'ellas que seu príncipe sahia com a victoria; e comummente os homens guerreiros e valefítes folgam e gostam muito de vêr e axar-se prezentes em similhantes espetáculos. Ora somos xamados todos a um negocio similhante : temos diante dos<noinclude></noinclude> b207rgkfxex0iy87kf222fyanysl5ul 563650 563649 2026-09-21T15:01:25Z ACJCRC 43844 563650 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" /></noinclude> — 4 — recer aos nossos leitores, esse sermão, que é um documento de alta valia histórica e religiosa. Eil-o : "In die conrertianis s. Pauli 1568 Vas electionis est mihi isle. Act. 9." Nos desafios de pessoas grandes, como de príncipes e senhores que entram em desafio sobre alguma grande empreza, como sobre um reino, condado, soe haver grande concurso de gente de parte a parte, dezejando cada uma d'ellas que seu príncipe sahia com a victoria; e comummente os homens guerreiros e valefítes folgam e gostam muito de vêr e axar-se prezentes em similhantes espetáculos. Ora somos xamados todos a um negocio similhante : temos diante dos<noinclude></noinclude> emz22pll2j7cprr93jlv1i1jn8vay6p 563653 563650 2026-09-21T15:02:01Z ACJCRC 43844 563653 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" /></noinclude> — 4 — recer aos nossos leitores, esse sermão, que é um documento de alta valia histórica e religiosa. Eil-o : ''In die conrertianis s. Pauli 1568 Vas electionis est mihi isle. Act. 9.'' Nos desafios de pessoas grandes, como de príncipes e senhores que entram em desafio sobre alguma grande empreza, como sobre um reino, condado, soe haver grande concurso de gente de parte a parte, dezejando cada uma d'ellas que seu príncipe sahia com a victoria; e comummente os homens guerreiros e valefítes folgam e gostam muito de vêr e axar-se prezentes em similhantes espetáculos. Ora somos xamados todos a um negocio similhante : temos diante dos<noinclude></noinclude> 707m10bz8iscxt0xdqnwk95wozab6oz 563656 563653 2026-09-21T15:03:20Z ACJCRC 43844 563656 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" /></noinclude> — 4 — recer aos nossos leitores, esse sermão, que é um documento de alta valia histórica e religiosa. Eil-o : ''In die conrertianis s. Pauli 1568'' ''Vas electionis est mihi isle. Act. 9.'' Nos desafios de pessoas grandes, como de príncipes e senhores que entram em desafio sobre alguma grande empreza, como sobre um reino, condado, soe haver grande concurso de gente de parte a parte, dezejando cada uma d'ellas que seu príncipe sahia com a victoria; e comummente os homens guerreiros e valefítes folgam e gostam muito de vêr e axar-se prezentes em similhantes espetáculos. Ora somos xamados todos a um negocio similhante : temos diante dos<noinclude></noinclude> 6s2a4a290busvv1ihml02l97i3p1opy Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/57 106 258127 563651 2026-09-21T15:01:33Z Fillorian Archivist 40795 /* Não revista */ 563651 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Fillorian Archivist" /></noinclude>CATALOGO DOS AUTORES E OBRAS, QUE SE LERÃO, E DE QUE SE TOMARÃO AS AUTORIDADES PARA A COMPOSIÇÃO DO DICCIONARIO DA LINGOA PORTUGUEZA. Formado pela ordem das abbreviaturas dos nomes e apellidos dos meſmos Autores, e dos titulos das obras anonymas. ACAD. DOS SING. Academia dos Singulares. Eſta Academia pelo que ſe alcança do que eſcreve Bartholomeu de Faria , hum dos ſeus ſocios , foi inſtituida e celebrouſe á principio em caſa de Pedro Duarte Ferrão , Inquiridor das cauſas de S. Mageſtade. Em huma Oração alli recitada pelo dito Bartholomeu de Faria , em que vai numerando por ſua ordem os que nella tinlião [?] ſervido de Preſidentes , ſecha o ſeguinte. <ref>Acad. dos Sing. I , 10. Oraç. p. 159. Na B. L. tom. I. p. 387. col. 2. ſe lê que as conferencias ſe fazião em caſa de Antonio Serrão de Caſtro, o que talvez poderia ſer depois : porém o P. João Baptiſta de Caſtro no Mapa de Portugal tom. 4. §. 8. n. 25. p. 80. da ediç. de 1749. ſe enganou em dizer que eſta Academia ſe celebrava em caſa de D. Franciſco Manoel de Mello, tomandoa pela dos Generoſos.</ref>,, Occupava o oitavo lugar o Senhor Pedro Duarte Ferrão... a quem deve Apollo o novo edificio , que em ſua caſa levantou a ſciencia , ſendo ao meſmo paſſo templo das Muſas e altar a ſua propria veneração. ,, Abrioſe em 4 de Outubro de 1663 com o anno lectivo , e finalizou em 24 de Fevereiro de 1664 , e das obras compoſtas neſte eſpaço de tempo , ſe formou o primeiro volume da ſua colleção. A empreza da dita Academia he huma pyramide , em que eſtão eſcritos , começando pela baſe , os nomes , que ſe ſeguem. Homero, Ariſtoteles , Virgilio , Ovidio , Horacio , Camões , Gracilaſſo , Gongora , e Lope, com a letra : ''Solaque non possunt haec monumenta mori''. No alto da pyramide eſtá o Sol , que a allumia com ſeus raios. Como os alumnos , de que ſe compunha , são os engenhos mais celebres daquella idade , por iſſo , e pela abundancia de vozes e fraſes familiares , que tem , lhe coube lugar entre os livros , de que ſe fez uſo para o Diccionario ; por ſer difficil encontrar taes locuções fora do eſtilo jocoſſerio, que he o dominante neſtas obras. He certo , que aſſim meſmo , he elle ſe bem que puro no tocante ás palavras , diverſiſſimo porém pela differença dos muitos eſcritores , a que pertence , e aſſás infecto da corrupção do goſto , que prevalecia naquelle tempo , e então ſe nomeava cultura. Sahio a luz o primeiro tomo com o ſeguinte titulo : ''Academias dos Singulares de Lisboa. Dedicadas a Apollo. Primeira Parte. Lisboa. Na Officina de Henrique Valente de Oliveira.'' 1665. = 4.° Divideſe em dezoito Academias , cada huma das quaes conſta de huma Oração , ordinariamente em proſa ; de alguns verſos em louvor do Preſidente de cada Academia ; e de compoſições ſobre hum , dous , ou tres aſſumptos em varios metros. O celebre Poeta Manoel de Galhegos , approvando eſte primeiro tomo, diz haver nelle ,, tanto da elegancia dos Oradores , e do poetico eſplendor , que merece geral eſtimação , e he digniſſimo de applauſo. ,, ''Parte ſegunda. Lisboa , por Antonio Craesbeeck de Mello.'' 1668. = 4.° Eſta ſegunda Parte he dedicada por Pedro Duarte Ferrão , que foi Preſidente da primeira Academia della , a D. Jozé Luiz de Alencaſtre , Conde de Figueiró. Principiárãoſe as conferencias em 9 de Outubro de 1664, e concluirãoſe aos 19 de Fevereiro de 1665. Conſta de dezoito Academias , e de hum certame a Noſſa Senhora do Roſario , a quem tomárão por protectora da Academia , feito em 3 de Novembro de 1664 , do qual forão Juizes o P. Fr. André de Chriſto , o Doutor Franciſco Cabral de Almada , e Manoel de Galhegos. Foi Secretario das ſobreditas Academias Luiz de Bulhão , <ref>Acad. dos Sing. I , 10. Oraç. p. 157.</ref> e Meſtre de Poetica , João Duarte , o qual explicava Ariſtoteles. A explicacão de Alciato e Gongora pertencia a Antonio Marques Lesbio ; <ref>Ahi meſmo, I, 11. Oraç. p. 180.</ref> a de Seneca a André Rodrigues de Mattos ; e a de Tacito a André Nunes da Silva. <ref>Ahi meſmo, 2, 8. Oraç. p. 215.</ref> A. DA CRUZ. Antonio da Cruz , Cirurgião , natural de Lisboa. D. Franciſco Manoel <ref>Cart. [?] 4 , I.</ref> o conta em primeiro lugar no numero dos noſſos naturaes , que publicárão doutiſſimas obras em Cirurgia. Duarte Madeira Arraiz. <ref>Meth. 1 , 23. n. 5.</ref> o intitula ''Cirurgião mui experimentado'' : e com a meſma denominação , o allega Antonio Ferreira , <ref>Conſult. 2 , 402.</ref> dizendo : ''O noſſo'' Antonio da Cruz , ''a que nos devemos arrimar , como Cirurgião tão experimentado''. Sahio a luz pela ſegunda vez : ''Recopilaçam de Cirurgia , compoſta pelo Licenciado Antonio da Cruz, natural de Lisboa, e Cirurgião delRey noſſo Senhor , e do ſeu Hoſpital Real de todos os Santos. Agora novamente emendada e acrecentada neſta ſegunda Impreſſão. Dirigida ao Illuſtriſſimo Senhor Dom Miguel de Caſtro , Arcebiſpo de Lisboa. Em Lisboa por Antonio Alvares''. 1605.= 4.° O Autor , como declara em huma advertencia ao principio da obra , ſeguio nella a ordem de Guido , e aſſim a dividio em hum Capitulo univerſal e cinco Tratados , cada hum dos quaes conſta de diverſos capitulos. Na primeira edição de 1601. vem dous ſonetos anonyimos em ſeu louvor. No primeiro delles ſe diz o ſeguinte , deixando o mais , ſe bem ſeja tudo , quanto em ambos ſe lê , eſcrito com elegancia e para ſe dar a conhecer o merecimento do Autor. Eiſaqui o lugar. E a lingoa Portugueza aqui ſe eſtende Onde não chega a Grega , e a Latina.<noinclude></noinclude> e2f3wo9n739f75kioaj91l7843pwxvf Página:Pégadas.pdf/121 106 258128 563652 2026-09-21T15:01:40Z Épico 12904 /* Revista */ "e alanha tua carne com as unhas" me fez consultar vários dicionários para confirmar que não foi erro do editor; é no sentido de tirar lanhos: [[:wikt:pt:alanhar|alanhar]] 563652 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho||INVEJA|107|borda_inferior=sim}}</noinclude>da infancia. Ah! nesse tempo, quanta esperança no futuro!... Quanta innocencia nas suas aspirações!... Quanta confiança em tudo que é da terra e em tudo que é do céo!... Nesse tempo não conhecia elle a luta dos homens contra os homens; não conhecia as guerras da inveja e as guerras da vaidade; não conhecia as humilhantes necessidades deste mundo; não conhecia ainda a responsabilidade da sua vida e não sabia como e quanto dóe ambicionar muito e nada conseguir. Ah! nesse tempo feliz, elle era expansivo e risonho. Nesse tempo elle era bom. Mas, continuou a pensar, cruzando sobre o fundo estomago as mãos finas e descoradas, enterraram-me numa casa abominavel, para ser padre. Deram-me depois uma mortalha negra e disseram-me: « Estuda, medita, reza, e faze-te um santo! És moço? Pois bem! quando o sangue, em ondas de fogo, subir-te á cabeça e quizer estrangular os teus votos, agarra aquelle cilicio e fustiga com elle o corpo! quando vires uma mulher, cujo olhar, humido e casto, te faça sonhar os deslumbramentos do amor, bate com os punhos cerrados contra o teu peito e ", até que sangres de todo o veneno da tua mocidade! Fecha-te ao prazer e á ternura, fecha-te dentro da tua fé, como se te fechasses dentro de um tumulo! <!--No original falta o fechamento da citação » --> E, com estas recordações, o infeliz quedára-se esquecido, a olhar cegamente para a paizagem<noinclude></noinclude> ejdejamx82x9rfkw96rr6cn8skz05xq 563862 563652 2026-09-21T17:05:41Z Épico 12904 563862 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho||INVEJA|107|borda_inferior=sim}}</noinclude>da infancia. Ah! nesse tempo, quanta esperança no futuro!... Quanta innocencia nas suas aspirações!... Quanta confiança em tudo que é da terra e em tudo que é do céo!... Nesse tempo não conhecia elle a luta dos homens contra os homens; não conhecia as guerras da inveja e as guerras da vaidade; não conhecia as humilhantes necessidades deste mundo; não conhecia ainda a responsabilidade da sua vida e não sabia como e quanto dóe ambicionar muito e nada conseguir. Ah! nesse tempo feliz, elle era expansivo e risonho. Nesse tempo elle era bom. Mas, continuou a pensar, cruzando sobre o fundo estomago as mãos finas e descoradas, enterraram-me numa casa abominavel, para ser padre. Deram-me depois uma mortalha negra e disseram-me: « Estuda, medita, reza, e faze-te um santo! És moço? Pois bem! quando o sangue, em ondas de fogo, subir-te á cabeça e quizer estrangular os teus votos, agarra aquelle cilicio e fustiga com elle o corpo! quando vires uma mulher, cujo olhar, humido e casto, te faça sonhar os deslumbramentos do amor, bate com os punhos cerrados contra o teu peito e alanha tua carne com as unhas, até que sangres de todo o veneno da tua mocidade! Fecha-te ao prazer e á ternura, fecha-te dentro da tua fé, como se te fechasses dentro de um tumulo! <!--No original falta o fechamento da citação » --> E, com estas recordações, o infeliz quedára-se esquecido, a olhar cegamente para a paizagem<noinclude></noinclude> fv9053laqvvz9830t5ymp5p7ta3y6lj Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/34 106 258129 563654 2026-09-21T15:02:17Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563654 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA produção consciente, enquanto atinge as possibilidades do músico no fundo obscuro do inconsciente ». De Wagner. // : Você está reparando de que maneira costumo andar sòzinho... i : Dom Lirismo, ao desembarcar do Eldorado do Inconsciente no cáis da terra do Consciente, é inspeccionado pela visita médica, a Inteligéncia, que o alimpa dos macaquinhos e de toda e qualquer doença que possa espalhar confusão, obscuridade na terrinha progressista. Dom Lirismo sofre mais uma visita alfandegária, descoberta por Freud, que a denominou Censura. Sou contrabandista ! E contrário á lei da vacina obrigatória. // Parece que sou todo instinto... Não é verdade.. Ha no meu livro, e não me desagrada, tendéncia 32<noinclude></noinclude> 2h0uu9ugfj1pe54jbbkori8ukqhunf2 563698 563654 2026-09-21T15:28:04Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563698 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA produção consciente, enquanto atinge as possibilidades do músico no fundo obscuro do inconsciente ». De Wagner. // : Você está reparando de que maneira costumo andar sòzinho... i : Dom Lirismo, ao desembarcar do Eldorado do Inconsciente no cáis da terra do Consciente, é inspeccionado pela visita médica, a Inteligéncia, que o alimpa dos macaquinhos e de toda e qualquer doença que possa espalhar confusão, obscuridade na terrinha progressista. Dom Lirismo sofre mais uma visita alfandegária, descoberta por Freud, que a denominou Censura. Sou contrabandista ! E contrário á lei da vacina obrigatória. // Parece que sou todo instinto... Não é verdade.. Ha no meu livro, e não me desagrada, tendéncia 32<noinclude></noinclude> 49d18todiwexxtczcrnovfv5vychavs Galeria:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf 104 258130 563655 2026-09-21T15:03:03Z Pimfa 41224 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563655 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866 |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Governo da Provincia de Macau e Timor |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=Imprensa nacional |Gráfica= |Local=Macau |Ano=1866 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} gzgg5n7zzddlfefgmtegf0fjud4e9ex 563701 563655 2026-09-21T15:28:31Z ~2026-50888-60 43864 563701 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866 |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Governo da Provincia de Macau e Timor |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=Imprensa nacional |Gráfica= |Local=Macau |Ano=1866 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist 1 to 528/> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} gsm74uvbur9568fkftigyk58f6dpq06 563716 563701 2026-09-21T15:32:14Z ~2026-50888-60 43864 563716 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Boletim da Provincia de Macau e Timor - 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1866 |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Governo da Provincia de Macau e Timor |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=Imprensa nacional |Gráfica= |Local=Macau |Ano=1866 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa=1 |Progresso=L |Páginas='''1866 — volume XII''' <pagelist from=1 to=232 1="Capa" 2to4="–" 5=1 109="Falta27" 110to112="–" 113=109 175="S42" 176="–" 177=171 203="S48-1" 204="S48-2" 205="S48-3" 206="S48-4" 207="S48-5" 208="S48-6" 209="S48-7" 210="S48-8" 211="S48-9" 212="–" 213=197 /> '''1867 — volume XIII''' <pagelist from=233 to=528 233=1 429to430="–" 431=199 439="Falta36" 440to444="–" 445=213 481="Falta43" 482to486="–" 487=255 525to527="–" 528="Contracapa" /> |Tomos= |Volumes= |Notas=O ficheiro reúne os volumes XII (1866) e XIII (1867). A numeração de 1867 recomeça em 1 na página 233 do PDF. * '''Lacunas de 1866:''' falta o n.º 27 (pp. 105–108); as páginas 109–112 do PDF contêm uma folha com a indicação «MISSING» e folhas em branco. * '''Lacunas de 1867:''' as pp. 197–198 estão substituídas por folhas em branco (páginas 429–430 do PDF). Faltam os n.os 36 (pp. 207–212) e 43 (pp. 249–254), assinalados por folhas «MISSING» nas páginas 439 e 481 do PDF. * '''Suplementos de 1866:''' S42 identifica o suplemento ao n.º 42, de 18 de outubro (página 175 do PDF). S48-1 a S48-9 são rótulos de navegação para as nove páginas do suplemento ao n.º 48, de 1 de dezembro, incluindo as tabelas anexas (páginas 203–211 do PDF); não integram a paginação contínua do volume. |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} r6zkk3reqou0kbdu1stzjbryd0osdtb Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/35 106 258131 563657 2026-09-21T15:03:22Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563657 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE pronunciadamente intelectualista. Que quer você ? Consigo passar minhas sedas sem pagar direitos. Mas é psicologicamente impossível livrar-me das injecções e dos tónicos. n A gramática apareceu depois de organizadas as linguas. Acontece que meu inconsciente não sabe da existéncia de gramáticas, nem de linguas organizadas. E como Dom Lirismo é contrabandista... // Você perceberá com facilidade que si na minha poesia a gramática ás vezes é despresada, graves insultos não sofre nêste prefácio interessantissimo. Prefácio: rojão do meu eu superior. Versos: paisagem do meu eu profundo. // Pronomes ? Escrevo brasileiro. Si uso ortografia /5 33<noinclude></noinclude> pwqfwikncy8jtgtppikjzprft7es6yf 563705 563657 2026-09-21T15:29:44Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563705 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE pronunciadamente intelectualista. Que quer você ? Consigo passar minhas sedas sem pagar direitos. Mas é psicologicamente impossível livrar-me das injecções e dos tónicos. n A gramática apareceu depois de organizadas as linguas. Acontece que meu inconsciente não sabe da existéncia de gramáticas, nem de linguas organizadas. E como Dom Lirismo é contrabandista... // Você perceberá com facilidade que si na minha poesia a gramática ás vezes é despresada, graves insultos não sofre nêste prefácio interessantissimo. Prefácio: rojão do meu eu superior. Versos: paisagem do meu eu profundo. // Pronomes ? Escrevo brasileiro. Si uso ortografia /5 33<noinclude></noinclude> 1m00i0hgrjib5wkjf7qvadsoazao3he 563707 563705 2026-09-21T15:30:05Z Joana Lages 43857 563707 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE pronunciadamente intelectualista. Que quer você ? Consigo passar minhas sedas sem pagar direitos. Mas é psicologicamente impossível livrar-me das injecções e dos tónicos. n A gramática apareceu depois de organizadas as linguas. Acontece que meu inconsciente não sabe da existéncia de gramáticas, nem de linguas organizadas. E como Dom Lirismo é contrabandista... // Você perceberá com facilidade que si na minha poesia a gramática ás vezes é despresada, graves insultos não sofre nêste prefácio interessantissimo. Prefácio: rojão do meu eu superior. Versos: paisagem do meu eu profundo. // Pronomes ? Escrevo brasileiro. Si uso ortografia 33<noinclude></noinclude> p24mofmlwoprkph640we1zf595gnr9z Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/36 106 258132 563658 2026-09-21T15:05:05Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563658 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA portuguesa é porquê, não alterando o resultado, dá-me uma ortografia. ff Escrever arte moderna não significa jamais para mim representar a vida actual no que tem de exterior: automóveis, cinema, asfalto. Si estas palavras frequentam-me o livro não é porquê pense com elas escrever moderno, mas porquê sendo meu livro moderno, elas têm nele sua razão de ser. n fí'f; |:»i Sei mais que pode ser moderno artista que se inspire na Grécia de Orfeu ou na Lusitánia de Nun’Alvares. Reconheço mais a existéncia de temas eternos, passíveis de afeiçoar pela modernidade: universo, pátria, amor e a presença-dos-ausentes, ex-gôso-amargo-de-infelizes. tr Não quis também tentar primitivismo vesgo e insincero. Somos na realidade os primitivos 34<noinclude></noinclude> s7nf2qjebb90xh976ckqn6r3e1ijps1 Página:1568 - A conversão de S. Paulo - importante sermão do Padre José D'Anchieta.pdf/8 106 258133 563660 2026-09-21T15:05:58Z ACJCRC 43844 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: — 5 — olhos um notável desafio e batalha, que se faz entre duas pessoas mui notáveis, que são Jesus e S. Paolo: ha mui grande concurso de gente de parte a parte; de parte de Jesus estão todos os coros angélicos e os santos, de parte do santo estão todos os exércitos infernaes dos diabos e dos farizêos, desejando uns e outros ter a victoria de sua parte. Si somos guerreiros, como devemos ser, pois ''militia est vita hominis super terra... 563660 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="ACJCRC" /></noinclude>— 5 — olhos um notável desafio e batalha, que se faz entre duas pessoas mui notáveis, que são Jesus e S. Paolo: ha mui grande concurso de gente de parte a parte; de parte de Jesus estão todos os coros angélicos e os santos, de parte do santo estão todos os exércitos infernaes dos diabos e dos farizêos, desejando uns e outros ter a victoria de sua parte. Si somos guerreiros, como devemos ser, pois ''militia est vita hominis super terram''; si somos esforçados, como devemos ser, pois somos christãos, e christão não quer dizer outra cousa sinão homem de Christo, nosso verdadeiro e valentíssimo capitão, o qual, ungido com o óleo da graça ''proe consortibus suis'', nos ungio também a nós, para sermos valentes e esforçados lutadores e guerreiros contra o Diabo e a Carne, de-<noinclude></noinclude> bpgno4zj6jpinf5v22i37q3s0qnw91i Galeria:Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna 104 258134 563662 2026-09-21T15:06:59Z MMIRENE 43852 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563662 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Ferreyra |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano= |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 594q1jiskznmg6lswvx0nhm4jv96hoe 563666 563662 2026-09-21T15:09:53Z MMIRENE 43852 563666 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Ferreyra |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano=1754 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} en1a8rk2e25i6wyqusfar98nsz8ju78 563669 563666 2026-09-21T15:10:38Z MMIRENE 43852 563669 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Ferreyra |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano=1754 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=OCR |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 4ditek39wn4xxka7h2df8qycpix47jn 563684 563669 2026-09-21T15:20:37Z MMIRENE 43852 563684 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título={{ER|G7}} |Subtítulo= |Language=pt |Autor={{ER|G7}} |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano= |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=OCR |Páginas={{ER|G7}} |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} javbi0abtbeb4ehbz6cdpkscox8gkuy Página:Álvaro de Castro - A Caminho do Forte da Graça.jpg 106 258135 563668 2026-09-21T15:10:32Z Abre-caminhos 43842 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c|{{xx-maior|A caminho do forte da Graça}}}} ''''E olhando o presente com serenidade e calma, sentindo já unir as fileiras da enorme legião de amanhã, eu posso gritar com entusiasmo novo: '''Viva a Répública!''' Preparemo-nos, pois, para honrar a memória dos {{corr|herois|heróis}} e dos mártires de 5 deOutubro que nos guiam e iluminam.'''' (Da carta enviada de Celorico de Basto em 3 de Outubro {{corr|á|à}} Comissão de Festejos de 5... 563668 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Abre-caminhos" /></noinclude>{{c|{{xx-maior|A caminho do forte da Graça}}}} ''''E olhando o presente com serenidade e calma, sentindo já unir as fileiras da enorme legião de amanhã, eu posso gritar com entusiasmo novo: '''Viva a Répública!''' Preparemo-nos, pois, para honrar a memória dos {{corr|herois|heróis}} e dos mártires de 5 deOutubro que nos guiam e iluminam.'''' (Da carta enviada de Celorico de Basto em 3 de Outubro {{corr|á|à}} Comissão de Festejos de 5 de Outubro,em Coimbra). A caminho do Forte da Graça, limitada a minha acção por uma pertinaz doença, o meu espírito e o meu coração não sentem o desalento. Bem ao con- trário. Frente a frente com os factos que denunciam a traição á Répública e á pátria, sinto décuplicar as minhas energias e erguer-se a minha fé a alturas infinitas. A República, a República de principios e ideias, regada com o sangue gene- roso de tantos mártires, e não a dos fariseus rapaces que agora no poder maca- queiam de estadistas, está prestes a revelar-se na limpida harmonia das suas for- mas de encanto e de graça. Os obreiros do resgate urgente, braços titânicos da consciência nacional ofendida, trabalham com denôdo. Elevemo-nos a altura dos sacrificios que a defeza da República de nós exige. Republicanos! Retemperai os vossos corações no vosso infinito amor Pátrio! A hora da luta està próxima, aprestai as vossas armas no sintilante fulgor da vossa esperança e da vossa fé! A's armas cidadãos, O Exército républicano, sereno e firme, cjo forte coração eu sinto pulsar entre estas quatro paredes, pelos gestos de solidariedade que até aqui véem, vos acompa- nharà, desfralbada ao vento da Liberdadǝ a bandeira verde rubra que o incita e conduz. O Exército, républicano repudia a obra de espionagem dêsse famigerado Serviço de ligações, onde camaradas espreitam camaradas com a sanha, com a ferocidade dos infames familiares do Santo-Oficio. O Exército républicano aborrece e despréza os tiranêtes de operêta que, al- candorando-se nas cadeiras do poder, toma las de assalto, cobrem a sua incompe- tência, a imoralidade da sua administração com as severidades estúpidas duma censura de analfabetos impotentes. O Exército républicano, herdeiro das tradições gloriosas do exército Por- tuguês, não quere servir de guarda pretoriana dos miseros que se arvoram em mandantes para expoliarem a Nação dos seus imprescriptivos direitos, afirmados numa longa e dolorosa história de lutas tremendas e sacrificios inenarraveis. O Exército républicano não quere assistir quiéto e calado, de arma em continên- cia, a entrega da República manietada e atraiçoada. Pôvo Républicano, alerta! Prepara-se, na sonora, a traição contra a República. Num almoço em Sintra, há pouco tempo, a que assistiram ministros do actual ministério, acompanhando o presidente Carmona, convencionou-se resta- belecer a monarquia ! A traição està em marcha e o ministério de monarquicos prepara-se para assassinar a Républica na encruzilhada a que a conduziu. Pela Répública, vencer ou morrer Viva a Répública ! Hospital Militar do Porto, 25 de Outubro de 1926. Alvaro de Castro.<noinclude></noinclude> o81co3pjofmc4eo3a419wixadwc27x4 563671 563668 2026-09-21T15:11:55Z Abre-caminhos 43842 /* Não revista */ 563671 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Abre-caminhos" /></noinclude>{{c|{{xx-maior|A caminho do forte da Graça}}}} ''E olhando o presente com serenidade e calma, sentindo já unir as fileiras da enorme legião de amanhã, eu posso gritar com entusiasmo novo: Viva a Répública! Preparemo-nos, pois, para honrar a memória dos {{corr|herois|heróis}} e dos mártires de 5 de Outubro que nos guiam e iluminam.'' (Da carta enviada de Celorico de Basto em 3 de Outubro {{corr|á|à}} Comissão de Festejos de 5 de Outubro,em Coimbra). A caminho do Forte da Graça, limitada a minha acção por uma pertinaz doença, o meu espírito e o meu coração não sentem o desalento. Bem ao con- trário. Frente a frente com os factos que denunciam a traição á Répública e á pátria, sinto décuplicar as minhas energias e erguer-se a minha fé a alturas infinitas. A República, a República de principios e ideias, regada com o sangue gene- roso de tantos mártires, e não a dos fariseus rapaces que agora no poder maca- queiam de estadistas, está prestes a revelar-se na limpida harmonia das suas for- mas de encanto e de graça. Os obreiros do resgate urgente, braços titânicos da consciência nacional ofendida, trabalham com denôdo. Elevemo-nos a altura dos sacrificios que a defeza da República de nós exige. Republicanos! Retemperai os vossos corações no vosso infinito amor Pátrio! A hora da luta està próxima, aprestai as vossas armas no sintilante fulgor da vossa esperança e da vossa fé! A's armas cidadãos, O Exército républicano, sereno e firme, cjo forte coração eu sinto pulsar entre estas quatro paredes, pelos gestos de solidariedade que até aqui véem, vos acompa- nharà, desfralbada ao vento da Liberdadǝ a bandeira verde rubra que o incita e conduz. O Exército, républicano repudia a obra de espionagem dêsse famigerado Serviço de ligações, onde camaradas espreitam camaradas com a sanha, com a ferocidade dos infames familiares do Santo-Oficio. O Exército républicano aborrece e despréza os tiranêtes de operêta que, al- candorando-se nas cadeiras do poder, toma las de assalto, cobrem a sua incompe- tência, a imoralidade da sua administração com as severidades estúpidas duma censura de analfabetos impotentes. O Exército républicano, herdeiro das tradições gloriosas do exército Por- tuguês, não quere servir de guarda pretoriana dos miseros que se arvoram em mandantes para expoliarem a Nação dos seus imprescriptivos direitos, afirmados numa longa e dolorosa história de lutas tremendas e sacrificios inenarraveis. O Exército républicano não quere assistir quiéto e calado, de arma em continên- cia, a entrega da República manietada e atraiçoada. Pôvo Républicano, alerta! Prepara-se, na sonora, a traição contra a República. Num almoço em Sintra, há pouco tempo, a que assistiram ministros do actual ministério, acompanhando o presidente Carmona, convencionou-se resta- belecer a monarquia ! A traição està em marcha e o ministério de monarquicos prepara-se para assassinar a Républica na encruzilhada a que a conduziu. Pela Répública, vencer ou morrer Viva a Répública ! Hospital Militar do Porto, 25 de Outubro de 1926. Alvaro de Castro.<noinclude></noinclude> 3rj9cguz9ifixz2ootwhli0gl7m51e2 563687 563671 2026-09-21T15:23:00Z Abre-caminhos 43842 /* Não revista */ 563687 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Abre-caminhos" /></noinclude>{{c|{{xx-maior|A caminho do forte da Graça}}}} ''E olhando o presente com serenidade e calma, sentindo já unir as fileiras da enorme legião de amanhã, eu posso gritar com entusiasmo novo: Viva a Répública! Preparemo-nos, pois, para honrar a memória dos {{corr|herois|heróis}} e dos mártires de 5 de Outubro que nos guiam e iluminam.'' (Da carta enviada de Celorico de Basto em 3 de Outubro {{corr|á|à}} Comissão de Festejos de 5 de Outubro,em Coimbra). A caminho do Forte da Graça, limitada a minha acção por uma pertinaz doença, o meu espírito e o meu coração não sentem o desalento. Bem ao contrário. Frente a frente com os factos que denunciam a traição á Répública e á pátria, sinto décuplicar as minhas energias e erguer-se a minha fé a alturas infinitas. A República, a República de principios e ideias, regada com o sangue generoso de tantos mártires, e não a dos fariseus rapaces que agora no poder macaqueiam de estadistas, está prestes a revelar-se na limpida harmonia das suas formas de encanto e de graça. Os obreiros do resgate urgente, braços titânicos da consciência nacional ofendida, trabalham com denôdo. Elevemo-nos a altura dos sacrificios que a defeza da República de nós exige. Republicanos! Retemperai os vossos corações no vosso infinito amor Pátrio! A hora da luta está próxima, aprestai as vossas armas no sintilante fulgor da vossa esperança e da vossa fé! A's armas cidadãos. O Exército républicano, sereno e firme, cjo forte coração eu sinto pulsar entre estas quatro paredes, pelos gestos de solidariedade que até aqui véem, vos acompanharà, desfralbada ao vento da Liberdadǝ a bandeira verde rubra que o incita e conduz. O Exército, républicano repudia a obra de espionagem dêsse famigerado Serviço de ligações, onde camaradas espreitam camaradas com a sanha, com a ferocidade dos infames familiares do ''Santo-Oficio''. O Exército républicano aborrece e despréza os tiranêtes de operêta que, alcandorando-se nas cadeiras do poder, toma las de assalto, cobrem a sua incompetência, a imoralidade da sua administração com as severidades estúpidas duma censura de analfabetos impotentes. O Exército républicano, herdeiro das tradições gloriosas do exército Português, não quere servir de guarda pretoriana dos miseros que se arvoram em mandantes para expoliarem a Nação dos seus imprescriptivos direitos, afirmados numa longa e dolorosa história de lutas tremendas e sacrificios inenarraveis. O Exército républicano não quere assistir quiéto e calado, de arma em continência, a entrega da República manietada e atraiçoada. Pôvo Républicano, alerta! Prepara-se, na sonora, a traição contra a República. Num almoço em Sintra, há pouco tempo, a que assistiram ministros do actual ministério, acompanhando o presidente Carmona, convencionou-se restabelecer a monarquia! A traição està em marcha e o ministério de monarquicos prepara-se para assassinar a Républica na encruzilhada a que a conduziu. Pela Répública, vencer ou morrer! ==== Viva a Répública ! ==== Hospital Militar do Porto, 25 de Outubro de 1926. Alvaro de Castro.<noinclude></noinclude> 2dyzgtyvgrwgfocyp9jb5v83m99e476 Galeria:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf 104 258136 563674 2026-09-21T15:14:01Z Joana Lages 43857 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563674 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios) |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Francisco de Lémos |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=Emprêsa da revista Diogo-Caão |Volume= |Editora= |Gráfica=Emprêsa da revista Diogo-Caão |Local=Santiago de Cabo Verde |Ano=1937 |ISBN= |Fonte= |Imagem=[[File:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf|Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios)]] |Capa=1 |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos=1 |Volumes=1 |Notas= |Sumário=Livro sobre a costa da Guiné |Epígrafe=n.a. |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} [[Categoria:Cabo Verde]] [[Categoria:Guiné-Bissau]] rvcmrtnlo5jtdxc4ipckykpfq6dcjhd Galeria:Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna.pdf 104 258137 563675 2026-09-21T15:14:55Z MMIRENE 43852 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563675 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna.pdf |Subtítulo= |Language=pt |Autor= |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano=1754 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 4dud27mbp68h6gfcnxcyeyqh8sydjxp 563677 563675 2026-09-21T15:15:52Z MMIRENE 43852 563677 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna.pdf |Subtítulo= |Language=pt |Autor= |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano=1754 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=OCR |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} oet651zj89xnyllulj2xfqr9o4bw4bc Página:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf/1 106 258138 563680 2026-09-21T15:17:55Z Joana Lages 43857 /* Sem texto */ 563680 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Joana Lages" /></noinclude><noinclude></noinclude> gp4zzv5yqq31yy7yq845ajhz1olucbb Página:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf/2 106 258139 563689 2026-09-21T15:24:10Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563689 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>Lemos ''Francisco de'' —Discripção da costa de Guiné, e situação de todos os portos, e rios della; e Roteyro para se poderem navegar todos seus rios. Feita pello Capitam Francisco de Lemos em Sam Thiago de Cabo Verde, no Anno de 1684. Lettra da época. - 1 vol. in-fol. de III-58 fl., encad, (B, 6—6) 454 Angola. «Informação» em uns embargos sustentados por D. Francisco Gongamoyza senhor da Morinda (ou morgado) contra Baptista Cambambe favorecido dos Jesuitas. Cita os governadores Salvador Correa, João Fernandes Vieira, Tristam da Cunha e D. Francisco de Tavora; o P.e Sebastião Raposo e o capitão-mor Cosmo Carvalho, Refere-se ao governo da Ginga, etc. (Sem data.) Lettra do sec. XVII.—Junto á «Descripgao de Guiné» de Francisco de Lemos.—A fl. 58. 454 MICROFILMADO 15/07/1986 Alvaro<noinclude></noinclude> povvq3r17q1tdqi4n1zaaqnqwyx1nu7 Página:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf/3 106 258140 563691 2026-09-21T15:24:55Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563691 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>454<noinclude></noinclude> f4ddybzombbbz60u9n7wck8s54ieygs Página:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf/4 106 258141 563693 2026-09-21T15:25:23Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563693 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>INÉDITOS COLONIAIS Série A - Número II Descrição da Costa de Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios) POR Francisco de Lémos Sant'lago de Cabo-Verde 1684 EMPRESA DA revista DIOGO-CAÃO Lisboa, 1937 Caixa Postal 362 Tiragem: 500 exemplares - Preço: 10$00<noinclude></noinclude> 17ighij4oyjnb4jxzg5xitqti0ysuon 563695 563693 2026-09-21T15:26:29Z Joana Lages 43857 563695 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>INÉDITOS COLONIAIS Série A - Número II == Descrição da Costa de Guiné == === (Roteiro comercial de pórtos e rios) === POR Francisco de Lémos Sant'lago de Cabo-Verde 1684 EMPRESA DA revista DIOGO-CAÃO Lisboa, 1937 Caixa Postal 362 Tiragem: 500 exemplares - Preço: 10$00<noinclude></noinclude> 6gbmry0h4pyqta8ps5op0b2a6jhignd Página:Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna.pdf/1 106 258142 563700 2026-09-21T15:28:17Z MMIRENE 43852 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{centralizado|O SANTISSIMO SACRAMENTO. BREVE RELACAÕ DA VIDA, E MORTE PRODIGIOSA DA MADRE SOROR MARIA JOANNA NOSSA IRMÃ,|fs=2em}} {{centralizado|style=font-family:serif;| Que falefceo a 25. de Março defte prefente anno 1754. nefte noflo Convento do Leuriçal.}} NASCEO efta Religiofa na Cidade de Evora, e della paffaraõ feus Pays a viver em Eftremoz por alguns annos: por morte de feus pays veyo com fuas tias para á Cidade de Coimbra,... 563700 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />(I)</noinclude>{{centralizado|O SANTISSIMO SACRAMENTO. BREVE RELACAÕ DA VIDA, E MORTE PRODIGIOSA DA MADRE SOROR MARIA JOANNA NOSSA IRMÃ,|fs=2em}} {{centralizado|style=font-family:serif;| Que falefceo a 25. de Março defte prefente anno 1754. nefte noflo Convento do Leuriçal.}} NASCEO efta Religiofa na Cidade de Evora, e della paffaraõ feus Pays a viver em Eftremoz por alguns annos: por morte de feus pays veyo com fuas tias para á Cidade de Coimbra, de defafete annos de idade, para cafa de feu tio, que he o Reverendo Doutor Antonio da Cruz Ferreira Chantre da Sé da mefma Cidade, e Lente actual da Cadeira de Efcritura pequena na mefma Univerfidade. Logo pela fua virtude, tendo noticia defte Convento do Santiffimo Sacramento do Louriçal, lhe deo noflo Senhor grandes defejos de fer Religiofa nelle,os quaes comunicou a feu tio o Reverendo Chantre, pedindo-lhe com grande empenho,lhe alcançaffe do Senhor Cardeal da Mota hum lugar;o q confeguio facilmente,e tomou o habito a 16.de Julho, dia de Nofla Senhora do Carmo, no anno A<noinclude></noinclude> eblutbcszvloss0zmdgv8c0pwtvqbxz 563704 563700 2026-09-21T15:29:23Z MMIRENE 43852 563704 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />(I)</noinclude>{{centralizado| LOUVADO SEJA O SANTISSIMO SACRAMENTO. BREVE RELACAÕ DA VIDA, E MORTE PRODIGIOSA DA MADRE SOROR MARIA JOANNA NOSSA IRMÃ,|fs=2em}} {{centralizado|style=font-family:serif;| Que falefceo a 25. de Março defte prefente anno 1754. nefte noflo Convento do Leuriçal.}} NASCEO efta Religiofa na Cidade de Evora, e della paffaraõ feus Pays a viver em Eftremoz por alguns annos: por morte de feus pays veyo com fuas tias para á Cidade de Coimbra, de defafete annos de idade, para cafa de feu tio, que he o Reverendo Doutor Antonio da Cruz Ferreira Chantre da Sé da mefma Cidade, e Lente actual da Cadeira de Efcritura pequena na mefma Univerfidade. Logo pela fua virtude, tendo noticia defte Convento do Santiffimo Sacramento do Louriçal, lhe deo noflo Senhor grandes defejos de fer Religiofa nelle,os quaes comunicou a feu tio o Reverendo Chantre, pedindo-lhe com grande empenho,lhe alcançaffe do Senhor Cardeal da Mota hum lugar;o q confeguio facilmente,e tomou o habito a 16.de Julho, dia de Nofla Senhora do Carmo, no anno A<noinclude></noinclude> 3p0e21303z6rtl7c4sstgasdkcsvh00 563709 563704 2026-09-21T15:30:35Z MMIRENE 43852 563709 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />{{centralizado|(I)}}</noinclude>{{centralizado| LOUVADO SEJA O SANTISSIMO SACRAMENTO. BREVE RELACAÕ DA VIDA, E MORTE PRODIGIOSA DA MADRE SOROR MARIA JOANNA NOSSA IRMÃ,|fs=2em}} {{centralizado|style=font-family:serif;| Que falefceo a 25. de Março defte prefente anno 1754. nefte noflo Convento do Leuriçal.}} NASCEO efta Religiofa na Cidade de Evora, e della paffaraõ feus Pays a viver em Eftremoz por alguns annos: por morte de feus pays veyo com fuas tias para á Cidade de Coimbra, de defafete annos de idade, para cafa de feu tio, que he o Reverendo Doutor Antonio da Cruz Ferreira Chantre da Sé da mefma Cidade, e Lente actual da Cadeira de Efcritura pequena na mefma Univerfidade. 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Logo pela fua virtude, tendo noticia defte Convento do Santiffimo Sacramento do Louriçal, lhe deo noflo Senhor grandes defejos de fer Religiofa nelle,os quaes comunicou a feu tio o Reverendo Chantre, pedindo-lhe com grande empenho,lhe alcançaffe do Senhor Cardeal da Mota hum lugar;o q confeguio facilmente,e tomou o habito a 16.de Julho, dia de Nofla Senhora do Carmo, no anno {{centralizado|A}}<noinclude></noinclude> 3r3fcdc9dz4m5qjgrgxllkcz4io051a Galeria:Comedias famosas portuguesas.pdf 104 258143 563708 2026-09-21T15:30:25Z Leppakertu 43853 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563708 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Comedias Famosas Portuguesas dos doctores Francisco Saa de Miranda e Antonio Ferreria |Subtítulo= |Language=pt |Autor= |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=António Alvarez Impressor |Gráfica= |Local= |Ano= |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos=1 |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 9nqr1ygvarew0h6v5llwedxjacizmzk 563712 563708 2026-09-21T15:31:30Z Leppakertu 43853 563712 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Comedias Famosas Portuguesas dos doctores Francisco Saa de Miranda e Antonio Ferreria |Subtítulo= |Language=pt |Autor= |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora=António Alvarez Impressor |Gráfica= |Local= |Ano= |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=T |Páginas=<pagelist /> |Tomos=1 |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} is8lynoocljo2u16taiiwt8edlawuc9 563722 563712 2026-09-21T15:33:48Z Leppakertu 43853 563722 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Comedias Famosas Portuguesas dos doctores Francisco Saa de Miranda e Antonio Ferreria |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Saa de Miranda, António Ferreira |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição=Edição de 1622 |Volume= |Editora=António Alvarez Impressor |Gráfica= |Local=Lisboa |Ano=1622 |ISBN= |Fonte= |Imagem= |Capa= |Progresso=T |Páginas=<pagelist /> |Tomos=1 |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} 6jdgps4yiusq1bln2emjdbw5ai5nhz8 Galeria:Certificado de indulgências de Inocêncio VIII.pdf 104 258144 563730 2026-09-21T15:35:32Z Port archivist 43850 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 563730 proofread-index text/x-wiki {{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=Certificado de indulgências de Inocêncio VIII |Subtítulo= |Language=pt |Autor= |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica= |Local= |Ano=1486-1493 |ISBN= |Fonte=https://bndigital.bnportugal.gov.pt/records/item/69928-certificado-de-indulgencias-de-inocencio-viii?offset=2 |Imagem= |Capa= |Progresso=X |Páginas=<pagelist /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário= |Epígrafe= |Width= |Css= |Header= |Footer= |Modernização=N }} ahdk5rb81mduti5olayc8tfmgwpcdqd Página:Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna.pdf/2 106 258145 563742 2026-09-21T15:40:01Z MMIRENE 43852 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: no de 1732. tendo de idade 20. annos. Paffou o anno de Noviciado com muitas moleftias, de forte, que chegou efta Communidade a duvidarlhe os votos para profeffar pela fua pouca faude; mas provando fe fer tudo empenho do demonio, fem duvida por ver nella finais, de que po- deria fer fingular na virtude, (como foy) fe refolveraõ a profeffalla a 4. de Outubro dia do noffo P. S. Francifco, no anno de 1733. Logo que profeffou, entrou a ter... 563742 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />{{centralizado|(2)}}</noinclude>no de 1732. tendo de idade 20. annos. Paffou o anno de Noviciado com muitas moleftias, de forte, que chegou efta Communidade a duvidarlhe os votos para profeffar pela fua pouca faude; mas provando fe fer tudo empenho do demonio, fem duvida por ver nella finais, de que po- deria fer fingular na virtude, (como foy) fe refolveraõ a profeffalla a 4. de Outubro dia do noffo P. S. Francifco, no anno de 1733. Logo que profeffou, entrou a ter huma faude perfei- ta, e teve fempre até morrer, no decurfo de vinte, e dous annos, que viveo nefta cafa. Seguia em tudo a noffa vida commua, fendo humil- de, muito obediente, muito pobre, muito manfa, muito prompta nos actos de Communidade, e muito obfervan- te da noffa Regra, e Conftituiçoens; mas como ifto por mercê de Deos he ordinario em todas, nao havia nella mais que admirar, fenao que era das Religiofas mais perfeitas. Agora por fua morte parece foy noffo Senhor empenhado em manifeftar as fuas virtudes em gráo heroico, e os prodigios, que nella tinha obrado, os quaes ella foube deffimular tanto, que nada fabiamos, pois até para depois de fua ditofa morte deixou efpecial recommendaçao, para que a amortalhaffem por fórma, que a nao defpiffem. Adoeceo a 14. de Março com doença, que indicava fer pleuriz; e pelo que agora fabemos, tinha-lhe noffo Senhor revelado, que havia de levalla em huma Quaresma. Nefta defde que entrou, dizem, que andava mais no Ceo, que na terra: entrou a prepararfe para a morte, pedindo com grande inftancia o Senhor por Viatico: veyo nillo o Medico ao oitavo dia de fua enfermidade, e como o amor de Deos era a caufa da fua doença, porque verdadeiramente era enferma do divino Amor, com efta vifita de noflo Senhor entrou a delirar, e moftrar o mefmo Senhor,o que ella toda a vida occultou tanto. Entrou o Medico avificalla,<noinclude></noinclude> 2kxtegzdgmyp3ldkrf7eqimdoet8fpo Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/1 106 258146 563756 2026-09-21T15:46:09Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ Página em branco criada 563756 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude><noinclude></noinclude> foy0pltlxqrydbihj2pu3l04fujedwb 563763 563756 2026-09-21T15:50:06Z Pimfa 41224 /* Sem texto */ 563763 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Pimfa" /></noinclude><noinclude></noinclude> q2t4y8v1w7z2k5ss1dhyykhdqnzg489 Página:Descrição Da Costa-de-Guiné (Roteiro comercial de pórtos e rios).pdf/5 106 258147 563762 2026-09-21T15:49:30Z Joana Lages 43857 /* Revista */ 563762 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Joana Lages" /></noinclude>INÉDITOS COLONIAIS SÉRIE A - Cabo Verde e Guiné - I. Descrição da Costa-de-Guiné, desde o Ca- bo-Verde até à Serra-Leoa, por Francisco de Azevedo Coelho 1669. Preço. 10$00 - Roteiro II. Descrição da Costa - de - Guiné comercial e religioso de pórtos e rios, por Francisco de Lémos - 1684. Preço. 10$00 III. Notícia Corográfica e Cronológica do Bis- pado de Cabo-Verde, por um Leal Vassale de Sua Majestade - 1784. Preço. 10$00<noinclude></noinclude> 5ob0565g4j7kn8d1hbcdepgpigz3s3g Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/2 106 258148 563764 2026-09-21T15:50:35Z Pimfa 41224 /* Revista */ 563764 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Pimfa" />HARVARD COLLEGE LIBRARY</noinclude><noinclude></noinclude> fkdtgwjck6b3b1m2ikfkqs5v0egpu4s 564048 563764 2026-09-22T09:30:17Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 564048 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" />HARVARD COLLEGE LIBRARY</noinclude><noinclude></noinclude> nvodkkoej2k62w73vibgjvvob7w4f72 Página:Breve Relaçaõ da Vida, e Morte Prodigiosa da Madre Soror Maria Joanna.pdf/3 106 258149 563766 2026-09-21T15:51:28Z MMIRENE 43852 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: (3) la, e como a achou tao differente, ignorando a caufa,pertendia mandalla farjar, o que nós não confentimos, por ter prefenciado a caufa de feu delirio fanto. No dia feguinte pedio ao noffo Padre Confeffor the deffe outra vez o Senhor por Viatico, allegando para iffo, que o Padre Abriol dizia, que todos os dias que o enfermo o pediffe, fe lhe podia dar, o que dos Affiftentes foy muito celebrado. Recebeo a noffo Senhor nefles tres di... 563766 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />{{centralizado|(3)}}</noinclude>(3) la, e como a achou tao differente, ignorando a caufa,pertendia mandalla farjar, o que nós não confentimos, por ter prefenciado a caufa de feu delirio fanto. No dia feguinte pedio ao noffo Padre Confeffor the deffe outra vez o Senhor por Viatico, allegando para iffo, que o Padre Abriol dizia, que todos os dias que o enfermo o pediffe, fe lhe podia dar, o que dos Affiftentes foy muito celebrado. Recebeo a noffo Senhor nefles tres dias até o de noffa Senhora 25. de Março, em que falefceo. Em todos eftes dias, logo que acabava de commungar, ficava extatica: fechavao-fe as cortinas, mas como noffo Senhor queria já publicar as fuas maravilhas, permittia, que muita parte do que lá fe paflava foffe dito em altas vozes, ouvindofe-lhe dizer diverfas coufas; humas vezes dizia:{{italic block|Senhor, daime mais que padecer, mais, e mais: o amor, a Cruz be que aqui me tem: be pouco Senhor, o que padéço, ainda polo mais com a voffa graça ifto nao be Cruz, he bum enfayo de Cruz, que como vos tenho dito, eftou na voffa cafa comendo o pao ociofo: por alivio, Senhor wenbao mais dores.}}Humas vezes pela ouvirmos gemer muito, lhe perguntámos fe queria alguma coufa; ao que ella refpondeo: {{italic block|Ainda que me ouçao gemer, nao venhao cá, que tenho ao meu Jefus no meu coraçao, nao poffo attender a outro algum objecto. Outras vezes dizia; He poffivel que quereis, que eu acabe a vida ás violencias do volo amor!}} Neftes tres dias ultimos a poz noffo Senhor em huma tal innocencia, e com huma tal candidez, que nos fazia attrahir. Bem o moftrao as fuas palavras, pois huma vez, para certo remedio, chegandolhe a nofla Madre Abadeça ao peito, e achandolhe mais altura, The difle:{{italic block|Ifto be defmancho, que aqui tendes? }}Refpondeo: {{italic block|Nao Madre, ifto foy em dia do Santiffimo Coraçao de Jefus começou o coraçao a bater, ea pular por fórma, que como nao pode fabir pela boca rompeo para abi.}} Outra vez lhe diffe: {{italic block|Madre, eu morro fem pena, e fem dór}} {{centralizado|A2}}<noinclude></noinclude> qji979k8u7mhtvbwjiqh787m0diyzft 563771 563766 2026-09-21T15:51:59Z MMIRENE 43852 563771 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />{{centralizado|(3)}}</noinclude>la, e como a achou tao differente, ignorando a caufa,pertendia mandalla farjar, o que nós não confentimos, por ter prefenciado a caufa de feu delirio fanto. No dia feguinte pedio ao noffo Padre Confeffor the deffe outra vez o Senhor por Viatico, allegando para iffo, que o Padre Abriol dizia, que todos os dias que o enfermo o pediffe, fe lhe podia dar, o que dos Affiftentes foy muito celebrado. Recebeo a noffo Senhor nefles tres dias até o de noffa Senhora 25. de Março, em que falefceo. Em todos eftes dias, logo que acabava de commungar, ficava extatica: fechavao-fe as cortinas, mas como noffo Senhor queria já publicar as fuas maravilhas, permittia, que muita parte do que lá fe paflava foffe dito em altas vozes, ouvindofe-lhe dizer diverfas coufas; humas vezes dizia:{{italic block|Senhor, daime mais que padecer, mais, e mais: o amor, a Cruz be que aqui me tem: be pouco Senhor, o que padéço, ainda polo mais com a voffa graça ifto nao be Cruz, he bum enfayo de Cruz, que como vos tenho dito, eftou na voffa cafa comendo o pao ociofo: por alivio, Senhor wenbao mais dores.}}Humas vezes pela ouvirmos gemer muito, lhe perguntámos fe queria alguma coufa; ao que ella refpondeo: {{italic block|Ainda que me ouçao gemer, nao venhao cá, que tenho ao meu Jefus no meu coraçao, nao poffo attender a outro algum objecto. Outras vezes dizia; He poffivel que quereis, que eu acabe a vida ás violencias do volo amor!}} Neftes tres dias ultimos a poz noffo Senhor em huma tal innocencia, e com huma tal candidez, que nos fazia attrahir. Bem o moftrao as fuas palavras, pois huma vez, para certo remedio, chegandolhe a nofla Madre Abadeça ao peito, e achandolhe mais altura, The difle:{{italic block|Ifto be defmancho, que aqui tendes? }}Refpondeo: {{italic block|Nao Madre, ifto foy em dia do Santiffimo Coraçao de Jefus começou o coraçao a bater, ea pular por fórma, que como nao pode fabir pela boca rompeo para abi.}} Outra vez lhe diffe: {{italic block|Madre, eu morro fem pena, e fem dór}} {{centralizado|A2}}<noinclude></noinclude> 2y50wv7fdwkim2qays8ubq7xo9kllva 563794 563771 2026-09-21T15:57:56Z MMIRENE 43852 563794 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />{{centralizado|(3)}}</noinclude>la, e como a achou tao differente, ignorando a caufa,pertendia mandalla farjar, o que nós não confentimos, por ter prefenciado a caufa de feu delirio fanto. No dia feguinte pedio ao noffo Padre Confeffor lhe deffe outra vez o Senhor por Viatico, allegando para iffo, que o Padre Abriol dizia, que todos os dias que o enfermo o pediffe, fe lhe podia dar, o que dos Affiftentes foy muito celebrado. Recebeo a noffo Senhor nefles tres dias até o de noffa Senhora 25. de Março, em que falefceo. Em todos eftes dias, logo que acabava de commungar, ficava extatica: fechavao-fe as cortinas, mas como noffo Senhor queria já publicar as fuas maravilhas, permittia, que muita parte do que lá fe paflava foffe dito em altas vozes, ouvindofe-lhe dizer diverfas coufas; humas vezes dizia:{{italic block|Senhor, daime mais que padecer, mais, e mais: o amor, a Cruz be que aqui me tem: be pouco Senhor, o que padéço, ainda polo mais com a voffa graça ifto nao be Cruz, he bum enfayo de Cruz, que como vos tenho dito, eftou na voffa cafa comendo o pao ociofo: por alivio, Senhor venhaõ mais dores.}}Humas vezes pela ouvirmos gemer muito, lhe perguntámos fe queria alguma coufa; ao que ella refpondeo: {{italic block|Ainda que me ouçao gemer, nao venhao cá, que tenho ao meu Jefus no meu coraçao, nao poffo attender a outro algum objecto.}} Outras vezes dizia; {{italic block|He poffivel que quereis, que eu acabe a vida ás violencias do volo amor!}} Neftes tres dias ultimos a poz noffo Senhor em huma tal innocencia, e com huma tal candidez, que nos fazia attrahir. Bem o moftrao as fuas palavras, pois huma vez, para certo remedio, chegandolhe a nofla Madre Abadeça ao peito, e achandolhe mais altura, The difle:{{italic block|Ifto be defmancho, que aqui tendes? }}Refpondeo: {{italic block|Nao Madre, ifto foy em dia do Santiffimo Coraçao de Jefus começou o coraçao a bater, ea pular por fórma, que como nao pode fabir pela boca rompeo para abi.}} Outra vez lhe diffe: {{italic block|Madre, eu morro fem pena, e fem dór}} {{centralizado|A2}}<noinclude></noinclude> fl7e0aocce8081mnwaerzg8ye274ipq Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/3 106 258150 563767 2026-09-21T15:51:32Z Pimfa 41224 /* Sem texto */ 563767 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Pimfa" /></noinclude><noinclude></noinclude> q2t4y8v1w7z2k5ss1dhyykhdqnzg489 Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/4 106 258151 563769 2026-09-21T15:51:51Z Pimfa 41224 /* Sem texto */ 563769 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Pimfa" /></noinclude><noinclude></noinclude> q2t4y8v1w7z2k5ss1dhyykhdqnzg489 Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/5 106 258152 563803 2026-09-21T16:00:03Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{justificado | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA I DE JANEIRO DE 1866. No. 1}} {{c |PARTE OFFICIAL.}} NOMENCLATURA Aza de peixe. Picos 428 Assucar Picos 576 Azeite Bahus de canfora Bicho do mar Picos 1,486 Cha Caixas 283 Chapeos de sol de papel. 16,000 5,040 Caixas 12,113 Caixas 388 Charutos Caixas 7 Cobertores de la Fardos 11 840 1,375 Canella Couros. Couros Picos 245 Cocos. 5,065 2,604 150 Conser Conser... 563803 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{justificado | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA I DE JANEIRO DE 1866. No. 1}} {{c |PARTE OFFICIAL.}} NOMENCLATURA Aza de peixe. Picos 428 Assucar Picos 576 Azeite Bahus de canfora Bicho do mar Picos 1,486 Cha Caixas 283 Chapeos de sol de papel. 16,000 5,040 Caixas 12,113 Caixas 388 Charutos Caixas 7 Cobertores de la Fardos 11 840 1,375 Canella Couros. Couros Picos 245 Cocos. 5,065 2,604 150 Conser Conservas Dinheiro 107,094 Estrella de aniz. Esteiras. 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CIRCULAR No. 69. que Não sendo permittido aoe Governado res das Provincias altramarinas, confe- rir postos de accesso por commissão aos officiacs militares, a não ser no caso de 1,500 guerra aberta, como é expresso no §. 2.° 2,880 Picos 3,702 8 19,500 do art. 3. do Decreto de 28 de setembro Balças 145 3,140 de 1835; Manda Sua Magestade El-Rei, 30 370 Regente em Nome do Rei, pela Secre taria d'Estado dos Nep Negocios cios da Marinha e Ultramar r recommendar Tao Governador de Macau, a stricta observancia a tal respeito cito determina o sobredito de- ereto; devendo sem que houverem sempre 60,850 vagaturas nos respectivos quadros remet ter a competente proposta, na conformi dade das ordens estabelecidas para serem 9,725 submettidas á Regia Approvação, sem o que não pode ser promovido official al- gum. Paço, em 3 de novembro de 1965. - Visconda da Prata Grande. do Caixas 1,778 Caixas 1,383 Caixas 191 Amarrados200 49,400 4,810 1,000 220 Galangal Caixas 100 120 Genebra Caixas 34 119 20. Repartição. Jarros de barro Lenços de seda de Cantão Caixas 14 Louça... Cestos Medicamentos chinas. Caixas Mariscos differentes Picos 316 1,260 Ninho de passaro Picos 6 2,000 Caixas de cobre Caixas Objectos de bambu. Caixas de canella. Caixas Oleo de aniz. Picos 14 2,380 Caixas Patna Caixas 489 312,960 Caixas Opio Benares Caixas 176 109, 120 Papel. Fardoy Pontas de bufaló Picos 28 1,000 Porco salgado Barris 52 1,560 Pedra hume. Picos Pau china prêto Pivetes Panchões Caixas Picos 1,142 2,500 Caixas 176 Caixas 1,597 Rottim Picos 1.227 855 Saccos vasios Seda Fardos 1,338 Picos 223 342,800 Caixas Picos Sandalo Picos 91 455 Sibucau Picos 350 750 Sapatos. em folha Picos 8 Caixas 24 Caixas Vacca salgada Barris 48 1,440 Vermilhão. Caixas 8 Vinagre. 75 Caixas 87 Jarros 52 Vinho Barris 13 390 Volume diversos 195 Total.. $917,391 1,900 a conselheira intendente da 11,500 marinha de Lisboa manifestado duvida 160 ácerca do que lhe cumpre fazer quando 12,710 receiar a evasão de algum individuo su- jeito a a processo, por delicto maritimo, 4,662 perguntando se pode exigir-lhe fiança; Considerando que na falta de disposi 50 ção especial no codigo respectivo, deve 1,850 recorrer-se à lei do processo commum. que é para este casa o decreto de 10 de dezembro de 1852; 450 5,840 44,800 4.° Considerando que nos artigos 2., 3." e do dito decreto se marcam, conforme á natureza Ja pena correspondente ao facto, os casos em que os réus podem li- vrar-se soltos sem fiança, em que podem livrar-se com fança, o em que fiança não è admissivel; para se admittir ou negar á fiança, cumpre attender ao ma- rimo la peua estabelecida na lei e não ás circumstancias, que porventura hajam 97,700 precedido 2,730 1,125 m ou acompanhado o facto e pos. influir para minorar a culpabilidade ou a pena, as quaes circumstancias só no julgamento final podem ser devidamente 3,920 avaliadas; 8647.732 N.B.-O valor total da importação e exportação do mappa supra 6 de 81:565,123. Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> 1x68srocejit41rbydcrkckyou3g6kj 563811 563803 2026-09-21T16:02:04Z Pimfa 41224 563811 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{justificado | Vol.. 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Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> g8gutfueldz2opl9lqrcttpxwufu8os 563917 563866 2026-09-22T08:47:13Z Pimfa 41224 563917 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA 1 DE JANEIRO DE 1866. No. 1}} {{c |PARTE OFFICIAL.}} {| class="wikitable" |IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MACAU, NO MEZ DE NOVEMBRO DE 1865, EM NAVIOS DE ALTO BORDO ! NOMENCLATURA !! | IMPORTAÇÂO |EXPORTAÇÃO|- | Aza de peixe || Picos 42 || 8 1,500|- | Assucar || Picos 576||2,880} Azeite Bahus de canfora Bicho do mar Picos 1,486 Cha Caixas 283 Chapeos de sol de papel. 16,000 5,040 Caixas 12,113 Caixas 388 Charutos Caixas 7 Cobertores de la Fardos 11 840 1,375 Canella Couros. Couros Picos 245 Cocos. 5,065 2,604 150 Conser Conservas Dinheiro 107,094 Estrella de aniz. Esteiras. Feijão Picos 78 IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MACAU, NO MEZ DE NOVEMBRO DE 1865, EM NAVIOS DE ALTO BORDO. IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO Quantidade Valor Quantidade Valor 246,400 9,245 MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR. 20. DIRECCAO. 2a. Repartição. CIRCULAR No. 69. que Não sendo permittido aoe Governado res das Provincias altramarinas, confe- rir postos de accesso por commissão aos officiacs militares, a não ser no caso de 1,500 guerra aberta, como é expresso no §. 2.° 2,880 Picos 3,702 8 19,500 do art. 3. do Decreto de 28 de setembro Balças 145 3,140 de 1835; Manda Sua Magestade El-Rei, 30 370 Regente em Nome do Rei, pela Secre taria d'Estado dos Nep Negocios cios da Marinha e Ultramar r recommendar Tao Governador de Macau, a stricta observancia a tal respeito cito determina o sobredito de- ereto; devendo sem que houverem sempre 60,850 vagaturas nos respectivos quadros remet ter a competente proposta, na conformi dade das ordens estabelecidas para serem 9,725 submettidas á Regia Approvação, sem o que não pode ser promovido official al- gum. Paço, em 3 de novembro de 1965. - Visconda da Prata Grande. do Caixas 1,778 Caixas 1,383 Caixas 191 Amarrados200 49,400 4,810 1,000 220 Galangal Caixas 100 120 Genebra Caixas 34 119 20. Repartição. Jarros de barro Lenços de seda de Cantão Caixas 14 Louça... Cestos Medicamentos chinas. Caixas Mariscos differentes Picos 316 1,260 Ninho de passaro Picos 6 2,000 Caixas de cobre Caixas Objectos de bambu. Caixas de canella. Caixas Oleo de aniz. Picos 14 2,380 Caixas Patna Caixas 489 312,960 Caixas Opio Benares Caixas 176 109, 120 Papel. Fardoy Pontas de bufaló Picos 28 1,000 Porco salgado Barris 52 1,560 Pedra hume. Picos Pau china prêto Pivetes Panchões Caixas Picos 1,142 2,500 Caixas 176 Caixas 1,597 Rottim Picos 1.227 855 Saccos vasios Seda Fardos 1,338 Picos 223 342,800 Caixas Picos Sandalo Picos 91 455 Sibucau Picos 350 750 Sapatos. em folha Picos 8 Caixas 24 Caixas Vacca salgada Barris 48 1,440 Vermilhão. 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Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> b4hn8rlg2oce3v0wcsgpxsh9431jhrh 563926 563917 2026-09-22T08:50:59Z Pimfa 41224 563926 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA 1 DE JANEIRO DE 1866. 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CIRCULAR No. 69. que Não sendo permittido aoe Governado res das Provincias altramarinas, confe- rir postos de accesso por commissão aos officiacs militares, a não ser no caso de 1,500 guerra aberta, como é expresso no §. 2.° 2,880 Picos 3,702 8 19,500 do art. 3. do Decreto de 28 de setembro Balças 145 3,140 de 1835; Manda Sua Magestade El-Rei, 30 370 Regente em Nome do Rei, pela Secre taria d'Estado dos Nep Negocios cios da Marinha e Ultramar r recommendar Tao Governador de Macau, a stricta observancia a tal respeito cito determina o sobredito de- ereto; devendo sem que houverem sempre 60,850 vagaturas nos respectivos quadros remet ter a competente proposta, na conformi dade das ordens estabelecidas para serem 9,725 submettidas á Regia Approvação, sem o que não pode ser promovido official al- gum. Paço, em 3 de novembro de 1965. - Visconda da Prata Grande. do Caixas 1,778 Caixas 1,383 Caixas 191 Amarrados200 49,400 4,810 1,000 220 Galangal Caixas 100 120 Genebra Caixas 34 119 20. Repartição. Jarros de barro Lenços de seda de Cantão Caixas 14 Louça... Cestos Medicamentos chinas. Caixas Mariscos differentes Picos 316 1,260 Ninho de passaro Picos 6 2,000 Caixas de cobre Caixas Objectos de bambu. Caixas de canella. Caixas Oleo de aniz. Picos 14 2,380 Caixas Patna Caixas 489 312,960 Caixas Opio Benares Caixas 176 109, 120 Papel. Fardoy Pontas de bufaló Picos 28 1,000 Porco salgado Barris 52 1,560 Pedra hume. Picos Pau china prêto Pivetes Panchões Caixas Picos 1,142 2,500 Caixas 176 Caixas 1,597 Rottim Picos 1.227 855 Saccos vasios Seda Fardos 1,338 Picos 223 342,800 Caixas Picos Sandalo Picos 91 455 Sibucau Picos 350 750 Sapatos. em folha Picos 8 Caixas 24 Caixas Vacca salgada Barris 48 1,440 Vermilhão. Caixas 8 Vinagre. 75 Caixas 87 Jarros 52 Vinho Barris 13 390 Volume diversos 195 Total.. $917,391 1,900 a conselheira intendente da 11,500 marinha de Lisboa manifestado duvida 160 ácerca do que lhe cumpre fazer quando 12,710 receiar a evasão de algum individuo su- jeito a a processo, por delicto maritimo, 4,662 perguntando se pode exigir-lhe fiança; Considerando que na falta de disposi 50 ção especial no codigo respectivo, deve 1,850 recorrer-se à lei do processo commum. que é para este casa o decreto de 10 de dezembro de 1852; 450 5,840 44,800 4.° Considerando que nos artigos 2., 3." e do dito decreto se marcam, conforme á natureza Ja pena correspondente ao facto, os casos em que os réus podem li- vrar-se soltos sem fiança, em que podem livrar-se com fança, o em que fiança não è admissivel; para se admittir ou negar á fiança, cumpre attender ao ma- rimo la peua estabelecida na lei e não ás circumstancias, que porventura hajam 97,700 precedido 2,730 1,125 m ou acompanhado o facto e pos. influir para minorar a culpabilidade ou a pena, as quaes circumstancias só no julgamento final podem ser devidamente 3,920 avaliadas; 8647.732 N.B.-O valor total da importação e exportação do mappa supra 6 de 81:565,123. Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> 57l1yzqxdi2j7dx0nbrs93q26bf41th 563928 563926 2026-09-22T08:51:42Z Pimfa 41224 563928 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA 1 DE JANEIRO DE 1866. 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Caixas 8 Vinagre. 75 Caixas 87 Jarros 52 Vinho Barris 13 390 Volume diversos 195 Total.. $917,391 1,900 a conselheira intendente da 11,500 marinha de Lisboa manifestado duvida 160 ácerca do que lhe cumpre fazer quando 12,710 receiar a evasão de algum individuo su- jeito a a processo, por delicto maritimo, 4,662 perguntando se pode exigir-lhe fiança; Considerando que na falta de disposi 50 ção especial no codigo respectivo, deve 1,850 recorrer-se à lei do processo commum. que é para este casa o decreto de 10 de dezembro de 1852; 450 5,840 44,800 4.° Considerando que nos artigos 2., 3." e do dito decreto se marcam, conforme á natureza Ja pena correspondente ao facto, os casos em que os réus podem li- vrar-se soltos sem fiança, em que podem livrar-se com fança, o em que fiança não è admissivel; para se admittir ou negar á fiança, cumpre attender ao ma- rimo la peua estabelecida na lei e não ás circumstancias, que porventura hajam 97,700 precedido 2,730 1,125 m ou acompanhado o facto e pos. influir para minorar a culpabilidade ou a pena, as quaes circumstancias só no julgamento final podem ser devidamente 3,920 avaliadas; 8647.732 N.B.-O valor total da importação e exportação do mappa supra 6 de 81:565,123. Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> cg8iejswrjs7evwxe87xrsqxe5ha918 563935 563928 2026-09-22T08:52:54Z Pimfa 41224 563935 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA 1 DE JANEIRO DE 1866. 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CIRCULAR No. 69. que Não sendo permittido aoe Governado res das Provincias altramarinas, confe- rir postos de accesso por commissão aos officiacs militares, a não ser no caso de 1,500 guerra aberta, como é expresso no §. 2.° 2,880 Picos 3,702 8 19,500 do art. 3. do Decreto de 28 de setembro Balças 145 3,140 de 1835; Manda Sua Magestade El-Rei, 30 370 Regente em Nome do Rei, pela Secre taria d'Estado dos Nep Negocios cios da Marinha e Ultramar r recommendar Tao Governador de Macau, a stricta observancia a tal respeito cito determina o sobredito de- ereto; devendo sem que houverem sempre 60,850 vagaturas nos respectivos quadros remet ter a competente proposta, na conformi dade das ordens estabelecidas para serem 9,725 submettidas á Regia Approvação, sem o que não pode ser promovido official al- gum. Paço, em 3 de novembro de 1965. - Visconda da Prata Grande. do Caixas 1,778 Caixas 1,383 Caixas 191 Amarrados200 49,400 4,810 1,000 220 Galangal Caixas 100 120 Genebra Caixas 34 119 20. Repartição. Jarros de barro Lenços de seda de Cantão Caixas 14 Louça... Cestos Medicamentos chinas. Caixas Mariscos differentes Picos 316 1,260 Ninho de passaro Picos 6 2,000 Caixas de cobre Caixas Objectos de bambu. Caixas de canella. Caixas Oleo de aniz. Picos 14 2,380 Caixas Patna Caixas 489 312,960 Caixas Opio Benares Caixas 176 109, 120 Papel. Fardoy Pontas de bufaló Picos 28 1,000 Porco salgado Barris 52 1,560 Pedra hume. Picos Pau china prêto Pivetes Panchões Caixas Picos 1,142 2,500 Caixas 176 Caixas 1,597 Rottim Picos 1.227 855 Saccos vasios Seda Fardos 1,338 Picos 223 342,800 Caixas Picos Sandalo Picos 91 455 Sibucau Picos 350 750 Sapatos. em folha Picos 8 Caixas 24 Caixas Vacca salgada Barris 48 1,440 Vermilhão. Caixas 8 Vinagre. 75 Caixas 87 Jarros 52 Vinho Barris 13 390 Volume diversos 195 Total.. $917,391 1,900 a conselheira intendente da 11,500 marinha de Lisboa manifestado duvida 160 ácerca do que lhe cumpre fazer quando 12,710 receiar a evasão de algum individuo su- jeito a a processo, por delicto maritimo, 4,662 perguntando se pode exigir-lhe fiança; Considerando que na falta de disposi 50 ção especial no codigo respectivo, deve 1,850 recorrer-se à lei do processo commum. que é para este casa o decreto de 10 de dezembro de 1852; 450 5,840 44,800 4.° Considerando que nos artigos 2., 3." e do dito decreto se marcam, conforme á natureza Ja pena correspondente ao facto, os casos em que os réus podem li- vrar-se soltos sem fiança, em que podem livrar-se com fança, o em que fiança não è admissivel; para se admittir ou negar á fiança, cumpre attender ao ma- rimo la peua estabelecida na lei e não ás circumstancias, que porventura hajam 97,700 precedido 2,730 1,125 m ou acompanhado o facto e pos. influir para minorar a culpabilidade ou a pena, as quaes circumstancias só no julgamento final podem ser devidamente 3,920 avaliadas; 8647.732 N.B.-O valor total da importação e exportação do mappa supra 6 de 81:565,123. Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> nia3y33gbsaw81g2cljcyclbwof3um3 564018 563935 2026-09-22T09:17:32Z VIGNERON 4471 564018 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA 1 DE JANEIRO DE 1866. No. 1}} {{c |PARTE OFFICIAL.}} {| class="wikitable" |+IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MACAU, NO MEZ DE NOVEMBRO DE 1865, EM NAVIOS DE ALTO BORDO ! rowspan="2" | NOMENCLATURA ! colspan="2" | IMPORTAÇÂO ! colspan="2" | EXPORTAÇÃO |- ! ''Quantidade'' !! ''Valor'' !! ''Quantidade'' !! ''Valor'' |- | Aza de peixe || Picos 42 || $ 1,500 || || |- | Assucar || Picos 576||2,880 || || |} Azeite Bahus de canfora Bicho do mar Picos 1,486 Cha Caixas 283 Chapeos de sol de papel. 16,000 5,040 Caixas 12,113 Caixas 388 Charutos Caixas 7 Cobertores de la Fardos 11 840 1,375 Canella Couros. Couros Picos 245 Cocos. 5,065 2,604 150 Conser Conservas Dinheiro 107,094 Estrella de aniz. Esteiras. Feijão Picos 78 246,400 9,245 MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR. 20. DIRECCAO. 2a. Repartição. CIRCULAR No. 69. que Não sendo permittido aoe Governado res das Provincias altramarinas, confe- rir postos de accesso por commissão aos officiacs militares, a não ser no caso de 1,500 guerra aberta, como é expresso no §. 2.° 2,880 Picos 3,702 8 19,500 do art. 3. do Decreto de 28 de setembro Balças 145 3,140 de 1835; Manda Sua Magestade El-Rei, 30 370 Regente em Nome do Rei, pela Secre taria d'Estado dos Nep Negocios cios da Marinha e Ultramar r recommendar Tao Governador de Macau, a stricta observancia a tal respeito cito determina o sobredito de- ereto; devendo sem que houverem sempre 60,850 vagaturas nos respectivos quadros remet ter a competente proposta, na conformi dade das ordens estabelecidas para serem 9,725 submettidas á Regia Approvação, sem o que não pode ser promovido official al- gum. Paço, em 3 de novembro de 1965. - Visconda da Prata Grande. do Caixas 1,778 Caixas 1,383 Caixas 191 Amarrados200 49,400 4,810 1,000 220 Galangal Caixas 100 120 Genebra Caixas 34 119 20. Repartição. Jarros de barro Lenços de seda de Cantão Caixas 14 Louça... Cestos Medicamentos chinas. Caixas Mariscos differentes Picos 316 1,260 Ninho de passaro Picos 6 2,000 Caixas de cobre Caixas Objectos de bambu. Caixas de canella. Caixas Oleo de aniz. Picos 14 2,380 Caixas Patna Caixas 489 312,960 Caixas Opio Benares Caixas 176 109, 120 Papel. Fardoy Pontas de bufaló Picos 28 1,000 Porco salgado Barris 52 1,560 Pedra hume. Picos Pau china prêto Pivetes Panchões Caixas Picos 1,142 2,500 Caixas 176 Caixas 1,597 Rottim Picos 1.227 855 Saccos vasios Seda Fardos 1,338 Picos 223 342,800 Caixas Picos Sandalo Picos 91 455 Sibucau Picos 350 750 Sapatos. em folha Picos 8 Caixas 24 Caixas Vacca salgada Barris 48 1,440 Vermilhão. Caixas 8 Vinagre. 75 Caixas 87 Jarros 52 Vinho Barris 13 390 Volume diversos 195 Total.. $917,391 1,900 a conselheira intendente da 11,500 marinha de Lisboa manifestado duvida 160 ácerca do que lhe cumpre fazer quando 12,710 receiar a evasão de algum individuo su- jeito a a processo, por delicto maritimo, 4,662 perguntando se pode exigir-lhe fiança; Considerando que na falta de disposi 50 ção especial no codigo respectivo, deve 1,850 recorrer-se à lei do processo commum. que é para este casa o decreto de 10 de dezembro de 1852; 450 5,840 44,800 4.° Considerando que nos artigos 2., 3." e do dito decreto se marcam, conforme á natureza Ja pena correspondente ao facto, os casos em que os réus podem li- vrar-se soltos sem fiança, em que podem livrar-se com fança, o em que fiança não è admissivel; para se admittir ou negar á fiança, cumpre attender ao ma- rimo la peua estabelecida na lei e não ás circumstancias, que porventura hajam 97,700 precedido 2,730 1,125 m ou acompanhado o facto e pos. influir para minorar a culpabilidade ou a pena, as quaes circumstancias só no julgamento final podem ser devidamente 3,920 avaliadas; 8647.732 N.B.-O valor total da importação e exportação do mappa supra 6 Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> pzr7sf9ko0gn1pja2jw6fo65shkzxzg 564078 564018 2026-09-22T09:50:47Z Pimfa 41224 564078 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c | O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c | Vol.. XII SEGUNDA-FEIRA 1 DE JANEIRO DE 1866. No. 1}} {{c |PARTE OFFICIAL.}} {| class="wikitable" |+IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MACAU, NO MEZ DE NOVEMBRO DE 1865, EM NAVIOS DE ALTO BORDO ! rowspan="2" | NOMENCLATURA ! colspan="2" | IMPORTAÇÂO ! colspan="2" | EXPORTAÇÃO |- ! ''Quantidade'' !! ''Valor'' !! ''Quantidade'' !! ''Valor'' |- | Aza de peixe || Picos 42 || $ 1,500 || || |- | Assucar || Picos 576||2,880 ||Picos 3,702 ||$ 19,500 |- |Azeite || || ||Balças 145 || 3,140 |} Bahus de canfora Bicho do mar Picos 1,486 Cha Caixas 283 Chapeos de sol de papel. 16,000 5,040 Caixas 12,113 Caixas 388 Charutos Caixas 7 Cobertores de la Fardos 11 840 1,375 Canella Couros. Couros Picos 245 Cocos. 5,065 2,604 150 Conser Conservas Dinheiro 107,094 Estrella de aniz. Esteiras. Feijão Picos 78 246,400 9,245 MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR. 20. DIRECCAO. 2a. Repartição. CIRCULAR No. 69. que Não sendo permittido aoe Governado res das Provincias altramarinas, confe- rir postos de accesso por commissão aos officiacs militares, a não ser no caso de 1,500 guerra aberta, como é expresso no §. 2.° 2,880 Picos 3,702 8 19,500 do art. 3. do Decreto de 28 de setembro Balças 145 3,140 de 1835; Manda Sua Magestade El-Rei, 30 370 Regente em Nome do Rei, pela Secre taria d'Estado dos Nep Negocios cios da Marinha e Ultramar r recommendar Tao Governador de Macau, a stricta observancia a tal respeito cito determina o sobredito de- ereto; devendo sem que houverem sempre 60,850 vagaturas nos respectivos quadros remet ter a competente proposta, na conformi dade das ordens estabelecidas para serem 9,725 submettidas á Regia Approvação, sem o que não pode ser promovido official al- gum. Paço, em 3 de novembro de 1965. - Visconda da Prata Grande. do Caixas 1,778 Caixas 1,383 Caixas 191 Amarrados200 49,400 4,810 1,000 220 Galangal Caixas 100 120 Genebra Caixas 34 119 20. Repartição. Jarros de barro Lenços de seda de Cantão Caixas 14 Louça... Cestos Medicamentos chinas. Caixas Mariscos differentes Picos 316 1,260 Ninho de passaro Picos 6 2,000 Caixas de cobre Caixas Objectos de bambu. Caixas de canella. Caixas Oleo de aniz. Picos 14 2,380 Caixas Patna Caixas 489 312,960 Caixas Opio Benares Caixas 176 109, 120 Papel. Fardoy Pontas de bufaló Picos 28 1,000 Porco salgado Barris 52 1,560 Pedra hume. Picos Pau china prêto Pivetes Panchões Caixas Picos 1,142 2,500 Caixas 176 Caixas 1,597 Rottim Picos 1.227 855 Saccos vasios Seda Fardos 1,338 Picos 223 342,800 Caixas Picos Sandalo Picos 91 455 Sibucau Picos 350 750 Sapatos. em folha Picos 8 Caixas 24 Caixas Vacca salgada Barris 48 1,440 Vermilhão. Caixas 8 Vinagre. 75 Caixas 87 Jarros 52 Vinho Barris 13 390 Volume diversos 195 Total.. $917,391 1,900 a conselheira intendente da 11,500 marinha de Lisboa manifestado duvida 160 ácerca do que lhe cumpre fazer quando 12,710 receiar a evasão de algum individuo su- jeito a a processo, por delicto maritimo, 4,662 perguntando se pode exigir-lhe fiança; Considerando que na falta de disposi 50 ção especial no codigo respectivo, deve 1,850 recorrer-se à lei do processo commum. que é para este casa o decreto de 10 de dezembro de 1852; 450 5,840 44,800 4.° Considerando que nos artigos 2., 3." e do dito decreto se marcam, conforme á natureza Ja pena correspondente ao facto, os casos em que os réus podem li- vrar-se soltos sem fiança, em que podem livrar-se com fança, o em que fiança não è admissivel; para se admittir ou negar á fiança, cumpre attender ao ma- rimo la peua estabelecida na lei e não ás circumstancias, que porventura hajam 97,700 precedido 2,730 1,125 m ou acompanhado o facto e pos. influir para minorar a culpabilidade ou a pena, as quaes circumstancias só no julgamento final podem ser devidamente 3,920 avaliadas; 8647.732 N.B.-O valor total da importação e exportação do mappa supra 6 Macau, secretaria do governo, 30 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario du Governo. nofdecreto regula que mentar de 4 de julho de 1864 e respecti- vos modelos se suppoera hypothese de não caber fiança ao delicto, já no mode lo 6. do mandado de prisão passado pelo presidente do tribunal maritimo, já no modelo 14."; Sua Magestade El-Rei, Regente em nome do Rei, canformando-se conro pa- recer do conselheiro ajudante do procu- rador geral da coróa, manda pela secre- taria d'estado dos negocios da marinha e ultramar declarar: Digitized by Google 6,038 Haven 80 668 ---- 17 8 101 20 132 70 4,116 18,180 30 80 32 100 1,140 16,255 Considerando 270 75 13 972 17,0%) Considerando 840 100 264 1<noinclude></noinclude> puwtf6laeaauqc68yp90cz6bp3ylkxi Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/62 106 258153 563812 2026-09-21T16:02:14Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563812 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA Oh ! minhas alucinações ! Gomo um possesso num acesso em meus aplausos aos heróis do meu estado amado !... E as esperanças de ver tudo salvo ! Duas mil reformas, tres projectos... Emigram os futuros nocturnos... E verde, verde, verde !... Oh ! minhas alucinações ! Mas os deputados, chapéus altos, mudavam-se pouco a pouco em cabras ! Crescem-lhes os cornos, descem-lhes as barbinhas t : 58<noinclude></noinclude> btwk6zwoe8vfep4ef22a1tiw0m95cqx Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/63 106 258154 563817 2026-09-21T16:02:59Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563817 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE E vi que os chapéus altos do meu estado amado, com os triángulos de madeira no pescoço, nos verdes esperanças, sob as franjas de oiro da tarde, se punham a pastar rente do palácio do senhor presidente. . . Oh ! minhas alucinações ! 59<noinclude></noinclude> bq9y6p359n62t8jsyyvvmvxep074we6 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/71 106 258155 563821 2026-09-21T16:04:03Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563821 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Ode ao Burguês Eu insulto o burguês ! O burguês-níquel, o burguês-burguês ! A digestão bem feita de São Paulo ! O homem-curva ! o homem-nádegas ! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco ! Eu insulto as aristocracias cautelosas ! Os barões lampeões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos; e gemem sangues de alguns milreis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam o “Printemps” com as unhas ! 33 67<noinclude></noinclude> bn5vz6uab4wfzcfynfzw2yt8yzibc6w 563908 563821 2026-09-22T08:42:28Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563908 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Ode ao Burguês Eu insulto o burguês ! O burguês-níquel, o burguês-burguês ! A digestão bem feita de São Paulo ! O homem-curva ! o homem-nádegas ! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco ! Eu insulto as aristocracias cautelosas ! Os barões lampeões! os condes Joões! os duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos; e gemem sangues de alguns milreis fracos para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam o “Printemps” com as unhas ! 33 67<noinclude></noinclude> 27oasd2m9tbwr6rvxif27kvrsfaofhg Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/6 106 258156 563823 2026-09-21T16:04:31Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 2 O BOLETIM DO GOVERNO. 1. Que são applicaveis aos delictus F... até à quantia de réis..., disse que naritimos as disposições dos artigos 2.", sabia ter bens de raiz superiores a esse 3. e 4. do decreto de 10 de dezembro de valor, e por isso o julga idonen, sujei- 1852, para, segundo ellas, o presidente tando-se na falta d'elle as mesmas obri- do tribunal maritimo resolver, attenden-gações contrahidas pelo fiador, e lido o do ao maximo... 563823 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>2 O BOLETIM DO GOVERNO. 1. Que são applicaveis aos delictus F... até à quantia de réis..., disse que naritimos as disposições dos artigos 2.", sabia ter bens de raiz superiores a esse 3. e 4. do decreto de 10 de dezembro de valor, e por isso o julga idonen, sujei- 1852, para, segundo ellas, o presidente tando-se na falta d'elle as mesmas obri- do tribunal maritimo resolver, attenden-gações contrahidas pelo fiador, e lido o do ao maximo da pena respectiva impos- depoimento, que achou conforme, o as- ta no no codigo disciplinar, se se o réu se pó- signou commigo escrivão e com o presi- de livrar solto sem fiança, com fiança, ou dente. se esta lhe não é admissivel: 2. Que a idoneidade da fiança deve cuidadosamente ser apreciada pelo pre- sidente do tribunal, que arbitrará em quantia correspondente à gravidade do caso, e nunca inferior a 508000 réis; 3. Que pode o presidente do tribunal prender o réu á sua ordem, não só nos casos em que se não admitte fiança, mas tambem n'aquelles em que for admissi- emquanto o réu não requerer essa fiança e não a pre a prestar idonea; vel. modelo (Rubrica do presidente, idem da teste- munha, idem do escrivão.) F... (estado, idade, profissão e mora- da, etc.) (Segue-se a mesma formula na inqui- rição d'esta testemunha.) (Despacho do presidente.) 1 Julgo idonea a fiança, visto o depoi- mento das testemunhas: e (ae o réu es- tiver preso) passe-se mandado de soltu- r8. (Data e assignatura.) Que em em relação à fiança se siga a Secretaria d'estado dos negocios da junto, que faz parte d'esta ports-marinha e ultramar, em 20 de outubro ria, e vae assignado pelo conselheiro di- de 1865.-Antonio Rafael Rodrigues rector da 1. direcção da sobredita se. Sette, director. cretaria d'estado. Paço, em 20 de outubro de 1865.- Visconde da Praia Grande. (1) 0 despacho do presidente dere ser profe- rido logo etn acto continuo á inquirição, o ha- vendo de passar-se mandado de soltura deve ser Modelo a que se refere a portaria d'esta passado e executado tambem em acto continuo. data MODELO N. 7-A No. 14. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: (Pedido de admissão e arbitramento do flança.) F...(profissão), morador em... Sendo necessario empregar n'outro tendo de responder por delicto maritimo serviço o superintendente da emigra- perante o tribunal maritimo commercial ção chineza de Macau, Antonio Marques d'esta cidade (ou villa), quer prestar fian-Pereira; hei por conveniente exoneral-o ça por ser caso d'ella, e dá por seu fiador a F...(profissão), morader em... pa- ra testemunhas abonotorias F... e F... (profissão e moradas), e por isso P. av... como presidente do tribunal, admitta a fiança e a arbi- tre. (Data e assignatura.) (Despacho) Admitto a fiança por ser caso d'ella; arbitro-a em réis... (nunca menos de 508000), e dentro de vinte e quatro ho- ras compareçam n'este tribunal o fiador Fara assignar termo, e as testemunhas a- bonatorias que o requerente fará apre- sentar. (Data e assignatura.) (Termo de flança) Aos de... de 186... na sala des sessões do tribunal maritimo commer- do dito cargo, no desempenho do qual se houve sempre com zelo, intelligencia honestidade. As authoridades quem o conhecimento e execução desta perten- cor assim a tenham entendido e cum- pram. Macau 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amral, Governador de Macau. No. 15. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: Dispondo o decreto de 5 de julho úl- timo que a cargo de procurador dos ne- gocios syaicos de Macau, que d'antes era exercido por um vereador da respectiva camara municipal, eleito expressamente para o desempenho s d'esse para das funeções cargo, passe a ser de nomeação régin: Não se tendo procurador do procedido à elei roximo e de negocios synicos para o anno 1866, e devendo o mandato do actual com o da ca- cessar o mandato mear para superintendente da referida emigração a José Bernardo Goularte, que ha servido de procurador dos nego- cins synicos, por eleição, durante o anno de 1865, 05, que hoje finda. As authoride- des a quem o conhecimento e execução desta pertencer assim o tenham entendi- do e cumpram. Macan 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. EDITAL. O RECEBEDOR das decimas e mais im- postos: Faz saber que estando terminados os trabalhos do lançamento da decima, e mais impostos annexos para o anno ec- conomico de 1864 a 1865, em virtude das ordens. cofre " re janeiro o da recebedoria, dia 8 des superiores, se ha de abrir no qual continuará aberto até ao dia 8 de fevereiro para buen da fre dos Pagamento collectados cofre d'aquelle anno. Outro: sim se hade receber em uma só que se prestação a importancia das mesmas cal- nos termos das instrucções de 5 de setembro de 1861, e não podendo ter legar pagamento per conts, nem por en- contro, ou de outra qualquer forma que não seja em em moeda sonante, e bem as- sim que dos collectados que não paga. rem à boca do cofre até ao referido din 8 de fevereiro se lhes cobrarão mais 3 por cento addiciones sobre es suas res pectivas collectas, que serão obrigados a satisfazer juntamente com estas: o que para conhecimento dos interessarlox se faz publico. Macau 28 de dezembro de 1865. Vicente Caetano da Rocha, Recebedor das Decimas. PARTE NÃO OFFICIAL MACAO I DE JANEIRO DE 1866. Occurrencias policiaes de 23 a 30 do de- zembro findo. Presos por piratas • Chinas 1 por furtos, desordens ei vias de facto 7 " " per contravenções. 7 - 15 Total dos presos Macau, secretaría do governo, 31 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo. mara de que fa necessidade do provi- A MALA inglesa de 10 de novem- Vindo d'aqui a r cial d'esta cidade (du villa), comparecenção de F... (profissão e e morada), e perante n presidente do mesmo tribunal, e peran- te mim escrivão, disse que ficára por. dor e principal pagaior pela quantia do réu F.. .... accusado do delicto mariti. mo previsto do no artigo... codigo pe- e disciplinar da marinha mercante nale para se livrar solto, sujeitando-se elle findor as leis e obrigações da fiança efi- minal por sua pessoa e bens por este ter- mo que assigno depois de lhe ser lido, com elle presidente e commigo. F... (assignatura do presidente.) P... (idem do fiador.) F... (iden. do escrivão.) (Inquiração de testemunhas abonatorias.) Aos de... de 186..., na sala do tribunal maritimo commercial d'esta ci- dade (ou villa) de.... foram inquiridas pelo presidente do mesmo tribunal as testemunhas seguintes; abonatorias da fiança do réu F... F... (estado, idade, profissão e mora- da.) ajuramentado nos termos da lei; perguntado pela idoneidade do fiador lidade que se mento do referido cargo, por acto do go- verno local, e attendendo eu ás boss qua- se dão em Antonio Marques Pereira para u exercer; hei por con- veniente nomeal-n procurador interino das negocios synicos de Macau. As execução desta pertencer assim te. authoridades a quem o conhecimento e Uham entendido e cumpram. Macau 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. No. 16. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: Achando-se vago o logar de superin. tendente da emigração chineza de Ma- cau, pela transferencia de Antonio Mar- ques Pereira, que o exercis, para o cargo de procurador dos negocios synicos da mesma cidade, hei por conveniente no- bro foi recebida em Macau no dia 23 de dezembro findo. As noti- cias do reino alcançam a 3 de no- vembro. As ultimas noticias suas mages- tades, el-rei e a rainha e o princi- pe D. Carlos ficavam em Turim, gosando excellente saude. Espe- rava-se que a 6 chegassem a Flo- rença. Sua magestade o regen- te e a restante familia real gosa- vam igualmente boa saude. As camaras deviam abrir-se no dia 6. O sr. conde de Torres Novas continuava gravemente enfermo. O estado sanitario de Portugal era, em geral, satisfactorio. Os poucos casos de cholera em Elvas Digitized by Google<noinclude></noinclude> 31hd56tn7930dtubynqpzt9gxx9pien 563854 563823 2026-09-21T16:09:37Z Pimfa 41224 563854 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" />2 O BOLETIM DO GOVERNO.</noinclude> 1. Que são applicaveis aos delictus F... até à quantia de réis..., disse que naritimos as disposições dos artigos 2.", sabia ter bens de raiz superiores a esse 3. e 4. do decreto de 10 de dezembro de valor, e por isso o julga idonen, sujei- 1852, para, segundo ellas, o presidente tando-se na falta d'elle as mesmas obri- do tribunal maritimo resolver, attenden-gações contrahidas pelo fiador, e lido o do ao maximo da pena respectiva impos- depoimento, que achou conforme, o as- ta no no codigo disciplinar, se se o réu se pó- signou commigo escrivão e com o presi- de livrar solto sem fiança, com fiança, ou dente. se esta lhe não é admissivel: 2. Que a idoneidade da fiança deve cuidadosamente ser apreciada pelo pre- sidente do tribunal, que arbitrará em quantia correspondente à gravidade do caso, e nunca inferior a 508000 réis; 3. Que pode o presidente do tribunal prender o réu á sua ordem, não só nos casos em que se não admitte fiança, mas tambem n'aquelles em que for admissi- emquanto o réu não requerer essa fiança e não a pre a prestar idonea; vel. modelo (Rubrica do presidente, idem da teste- munha, idem do escrivão.) F... (estado, idade, profissão e mora- da, etc.) (Segue-se a mesma formula na inqui- rição d'esta testemunha.) (Despacho do presidente.) 1 Julgo idonea a fiança, visto o depoi- mento das testemunhas: e (ae o réu es- tiver preso) passe-se mandado de soltu- r8. (Data e assignatura.) Que em em relação à fiança se siga a Secretaria d'estado dos negocios da junto, que faz parte d'esta ports-marinha e ultramar, em 20 de outubro ria, e vae assignado pelo conselheiro di- de 1865.-Antonio Rafael Rodrigues rector da 1. direcção da sobredita se. Sette, director. cretaria d'estado. Paço, em 20 de outubro de 1865.- Visconde da Praia Grande. (1) 0 despacho do presidente dere ser profe- rido logo etn acto continuo á inquirição, o ha- vendo de passar-se mandado de soltura deve ser Modelo a que se refere a portaria d'esta passado e executado tambem em acto continuo. data MODELO N. 7-A No. 14. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: (Pedido de admissão e arbitramento do flança.) F...(profissão), morador em... Sendo necessario empregar n'outro tendo de responder por delicto maritimo serviço o superintendente da emigra- perante o tribunal maritimo commercial ção chineza de Macau, Antonio Marques d'esta cidade (ou villa), quer prestar fian-Pereira; hei por conveniente exoneral-o ça por ser caso d'ella, e dá por seu fiador a F...(profissão), morader em... pa- ra testemunhas abonotorias F... e F... (profissão e moradas), e por isso P. av... como presidente do tribunal, admitta a fiança e a arbi- tre. (Data e assignatura.) (Despacho) Admitto a fiança por ser caso d'ella; arbitro-a em réis... (nunca menos de 508000), e dentro de vinte e quatro ho- ras compareçam n'este tribunal o fiador Fara assignar termo, e as testemunhas a- bonatorias que o requerente fará apre- sentar. (Data e assignatura.) (Termo de flança) Aos de... de 186... na sala des sessões do tribunal maritimo commer- do dito cargo, no desempenho do qual se houve sempre com zelo, intelligencia honestidade. As authoridades quem o conhecimento e execução desta perten- cor assim a tenham entendido e cum- pram. Macau 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amral, Governador de Macau. No. 15. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: Dispondo o decreto de 5 de julho úl- timo que a cargo de procurador dos ne- gocios syaicos de Macau, que d'antes era exercido por um vereador da respectiva camara municipal, eleito expressamente para o desempenho s d'esse para das funeções cargo, passe a ser de nomeação régin: Não se tendo procurador do procedido à elei roximo e de negocios synicos para o anno 1866, e devendo o mandato do actual com o da ca- cessar o mandato mear para superintendente da referida emigração a José Bernardo Goularte, que ha servido de procurador dos nego- cins synicos, por eleição, durante o anno de 1865, 05, que hoje finda. As authoride- des a quem o conhecimento e execução desta pertencer assim o tenham entendi- do e cumpram. Macan 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. EDITAL. O RECEBEDOR das decimas e mais im- postos: Faz saber que estando terminados os trabalhos do lançamento da decima, e mais impostos annexos para o anno ec- conomico de 1864 a 1865, em virtude das ordens. cofre " re janeiro o da recebedoria, dia 8 des superiores, se ha de abrir no qual continuará aberto até ao dia 8 de fevereiro para buen da fre dos Pagamento collectados cofre d'aquelle anno. Outro: sim se hade receber em uma só que se prestação a importancia das mesmas cal- nos termos das instrucções de 5 de setembro de 1861, e não podendo ter legar pagamento per conts, nem por en- contro, ou de outra qualquer forma que não seja em em moeda sonante, e bem as- sim que dos collectados que não paga. rem à boca do cofre até ao referido din 8 de fevereiro se lhes cobrarão mais 3 por cento addiciones sobre es suas res pectivas collectas, que serão obrigados a satisfazer juntamente com estas: o que para conhecimento dos interessarlox se faz publico. Macau 28 de dezembro de 1865. Vicente Caetano da Rocha, Recebedor das Decimas. PARTE NÃO OFFICIAL MACAO I DE JANEIRO DE 1866. Occurrencias policiaes de 23 a 30 do de- zembro findo. Presos por piratas • Chinas 1 por furtos, desordens ei vias de facto 7 " " per contravenções. 7 - 15 Total dos presos Macau, secretaría do governo, 31 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo. mara de que fa necessidade do provi- A MALA inglesa de 10 de novem- Vindo d'aqui a r cial d'esta cidade (du villa), comparecenção de F... (profissão e e morada), e perante n presidente do mesmo tribunal, e peran- te mim escrivão, disse que ficára por. dor e principal pagaior pela quantia do réu F.. .... accusado do delicto mariti. mo previsto do no artigo... codigo pe- e disciplinar da marinha mercante nale para se livrar solto, sujeitando-se elle findor as leis e obrigações da fiança efi- minal por sua pessoa e bens por este ter- mo que assigno depois de lhe ser lido, com elle presidente e commigo. F... (assignatura do presidente.) P... (idem do fiador.) F... (iden. do escrivão.) (Inquiração de testemunhas abonatorias.) Aos de... de 186..., na sala do tribunal maritimo commercial d'esta ci- dade (ou villa) de.... foram inquiridas pelo presidente do mesmo tribunal as testemunhas seguintes; abonatorias da fiança do réu F... F... (estado, idade, profissão e mora- da.) ajuramentado nos termos da lei; perguntado pela idoneidade do fiador lidade que se mento do referido cargo, por acto do go- verno local, e attendendo eu ás boss qua- se dão em Antonio Marques Pereira para u exercer; hei por con- veniente nomeal-n procurador interino das negocios synicos de Macau. As execução desta pertencer assim te. authoridades a quem o conhecimento e Uham entendido e cumpram. Macau 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. No. 16. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: Achando-se vago o logar de superin. tendente da emigração chineza de Ma- cau, pela transferencia de Antonio Mar- ques Pereira, que o exercis, para o cargo de procurador dos negocios synicos da mesma cidade, hei por conveniente no- bro foi recebida em Macau no dia 23 de dezembro findo. As noti- cias do reino alcançam a 3 de no- vembro. As ultimas noticias suas mages- tades, el-rei e a rainha e o princi- pe D. Carlos ficavam em Turim, gosando excellente saude. Espe- rava-se que a 6 chegassem a Flo- rença. Sua magestade o regen- te e a restante familia real gosa- vam igualmente boa saude. As camaras deviam abrir-se no dia 6. O sr. conde de Torres Novas continuava gravemente enfermo. O estado sanitario de Portugal era, em geral, satisfactorio. Os poucos casos de cholera em Elvas Digitized by Google<noinclude></noinclude> 39ojtvmvaynnolcgm5mz38znd4rrlye 563855 563854 2026-09-21T16:10:21Z Pimfa 41224 563855 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" />2 {{c | O BOLETIM DO GOVERNO.}}</noinclude> 1. Que são applicaveis aos delictus F... até à quantia de réis..., disse que naritimos as disposições dos artigos 2.", sabia ter bens de raiz superiores a esse 3. e 4. do decreto de 10 de dezembro de valor, e por isso o julga idonen, sujei- 1852, para, segundo ellas, o presidente tando-se na falta d'elle as mesmas obri- do tribunal maritimo resolver, attenden-gações contrahidas pelo fiador, e lido o do ao maximo da pena respectiva impos- depoimento, que achou conforme, o as- ta no no codigo disciplinar, se se o réu se pó- signou commigo escrivão e com o presi- de livrar solto sem fiança, com fiança, ou dente. se esta lhe não é admissivel: 2. Que a idoneidade da fiança deve cuidadosamente ser apreciada pelo pre- sidente do tribunal, que arbitrará em quantia correspondente à gravidade do caso, e nunca inferior a 508000 réis; 3. Que pode o presidente do tribunal prender o réu á sua ordem, não só nos casos em que se não admitte fiança, mas tambem n'aquelles em que for admissi- emquanto o réu não requerer essa fiança e não a pre a prestar idonea; vel. modelo (Rubrica do presidente, idem da teste- munha, idem do escrivão.) F... (estado, idade, profissão e mora- da, etc.) (Segue-se a mesma formula na inqui- rição d'esta testemunha.) (Despacho do presidente.) 1 Julgo idonea a fiança, visto o depoi- mento das testemunhas: e (ae o réu es- tiver preso) passe-se mandado de soltu- r8. (Data e assignatura.) Que em em relação à fiança se siga a Secretaria d'estado dos negocios da junto, que faz parte d'esta ports-marinha e ultramar, em 20 de outubro ria, e vae assignado pelo conselheiro di- de 1865.-Antonio Rafael Rodrigues rector da 1. direcção da sobredita se. Sette, director. cretaria d'estado. Paço, em 20 de outubro de 1865.- Visconde da Praia Grande. (1) 0 despacho do presidente dere ser profe- rido logo etn acto continuo á inquirição, o ha- vendo de passar-se mandado de soltura deve ser Modelo a que se refere a portaria d'esta passado e executado tambem em acto continuo. data MODELO N. 7-A No. 14. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: (Pedido de admissão e arbitramento do flança.) F...(profissão), morador em... Sendo necessario empregar n'outro tendo de responder por delicto maritimo serviço o superintendente da emigra- perante o tribunal maritimo commercial ção chineza de Macau, Antonio Marques d'esta cidade (ou villa), quer prestar fian-Pereira; hei por conveniente exoneral-o ça por ser caso d'ella, e dá por seu fiador a F...(profissão), morader em... pa- ra testemunhas abonotorias F... e F... (profissão e moradas), e por isso P. av... como presidente do tribunal, admitta a fiança e a arbi- tre. (Data e assignatura.) (Despacho) Admitto a fiança por ser caso d'ella; arbitro-a em réis... (nunca menos de 508000), e dentro de vinte e quatro ho- ras compareçam n'este tribunal o fiador Fara assignar termo, e as testemunhas a- bonatorias que o requerente fará apre- sentar. (Data e assignatura.) (Termo de flança) Aos de... de 186... na sala des sessões do tribunal maritimo commer- do dito cargo, no desempenho do qual se houve sempre com zelo, intelligencia honestidade. As authoridades quem o conhecimento e execução desta perten- cor assim a tenham entendido e cum- pram. Macau 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amral, Governador de Macau. No. 15. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: Dispondo o decreto de 5 de julho úl- timo que a cargo de procurador dos ne- gocios syaicos de Macau, que d'antes era exercido por um vereador da respectiva camara municipal, eleito expressamente para o desempenho s d'esse para das funeções cargo, passe a ser de nomeação régin: Não se tendo procurador do procedido à elei roximo e de negocios synicos para o anno 1866, e devendo o mandato do actual com o da ca- cessar o mandato mear para superintendente da referida emigração a José Bernardo Goularte, que ha servido de procurador dos nego- cins synicos, por eleição, durante o anno de 1865, 05, que hoje finda. As authoride- des a quem o conhecimento e execução desta pertencer assim o tenham entendi- do e cumpram. Macan 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. EDITAL. O RECEBEDOR das decimas e mais im- postos: Faz saber que estando terminados os trabalhos do lançamento da decima, e mais impostos annexos para o anno ec- conomico de 1864 a 1865, em virtude das ordens. cofre " re janeiro o da recebedoria, dia 8 des superiores, se ha de abrir no qual continuará aberto até ao dia 8 de fevereiro para buen da fre dos Pagamento collectados cofre d'aquelle anno. Outro: sim se hade receber em uma só que se prestação a importancia das mesmas cal- nos termos das instrucções de 5 de setembro de 1861, e não podendo ter legar pagamento per conts, nem por en- contro, ou de outra qualquer forma que não seja em em moeda sonante, e bem as- sim que dos collectados que não paga. rem à boca do cofre até ao referido din 8 de fevereiro se lhes cobrarão mais 3 por cento addiciones sobre es suas res pectivas collectas, que serão obrigados a satisfazer juntamente com estas: o que para conhecimento dos interessarlox se faz publico. Macau 28 de dezembro de 1865. Vicente Caetano da Rocha, Recebedor das Decimas. PARTE NÃO OFFICIAL MACAO I DE JANEIRO DE 1866. Occurrencias policiaes de 23 a 30 do de- zembro findo. Presos por piratas • Chinas 1 por furtos, desordens ei vias de facto 7 " " per contravenções. 7 - 15 Total dos presos Macau, secretaría do governo, 31 de dezembro de 1865. Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo. mara de que fa necessidade do provi- A MALA inglesa de 10 de novem- Vindo d'aqui a r cial d'esta cidade (du villa), comparecenção de F... (profissão e e morada), e perante n presidente do mesmo tribunal, e peran- te mim escrivão, disse que ficára por. dor e principal pagaior pela quantia do réu F.. .... accusado do delicto mariti. mo previsto do no artigo... codigo pe- e disciplinar da marinha mercante nale para se livrar solto, sujeitando-se elle findor as leis e obrigações da fiança efi- minal por sua pessoa e bens por este ter- mo que assigno depois de lhe ser lido, com elle presidente e commigo. F... (assignatura do presidente.) P... (idem do fiador.) F... (iden. do escrivão.) (Inquiração de testemunhas abonatorias.) Aos de... de 186..., na sala do tribunal maritimo commercial d'esta ci- dade (ou villa) de.... foram inquiridas pelo presidente do mesmo tribunal as testemunhas seguintes; abonatorias da fiança do réu F... F... (estado, idade, profissão e mora- da.) ajuramentado nos termos da lei; perguntado pela idoneidade do fiador lidade que se mento do referido cargo, por acto do go- verno local, e attendendo eu ás boss qua- se dão em Antonio Marques Pereira para u exercer; hei por con- veniente nomeal-n procurador interino das negocios synicos de Macau. As execução desta pertencer assim te. authoridades a quem o conhecimento e Uham entendido e cumpram. Macau 31 de dezembro de 1865. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. No. 16. O GOVERNADOR de Macau determina o seguinte: Achando-se vago o logar de superin. tendente da emigração chineza de Ma- cau, pela transferencia de Antonio Mar- ques Pereira, que o exercis, para o cargo de procurador dos negocios synicos da mesma cidade, hei por conveniente no- bro foi recebida em Macau no dia 23 de dezembro findo. As noti- cias do reino alcançam a 3 de no- vembro. As ultimas noticias suas mages- tades, el-rei e a rainha e o princi- pe D. Carlos ficavam em Turim, gosando excellente saude. Espe- rava-se que a 6 chegassem a Flo- rença. Sua magestade o regen- te e a restante familia real gosa- vam igualmente boa saude. As camaras deviam abrir-se no dia 6. O sr. conde de Torres Novas continuava gravemente enfermo. O estado sanitario de Portugal era, em geral, satisfactorio. 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Nefte dia pedio com muito empenho ao Medico lhe. mandaffe dar a Santa Unçao: concedeolha, e depois de to- das as ceremonias acabadas, diffe para nós: {{italic block|Ora graças a Deos: já agora à vida da minha vida, venha a morte cada vez que quizer.}} Defpedio-fe de toda a Commu- nidade, chamando a cada Religiofa per fi, dizendo: {{italic block|Que muito bem fabia as que lhe faltavad ainda;}} e abraçando- as a todas, lhes pedia muitos perdoens, e chegando ás No- viças, lhes fez huma pratica a cada huma, que a todas nos fez chorar de confolaçao. Paffava as noites com taes ancias de receber a noffo Senhor, que continuamente eftava perguntando as horas, que erao; e dizendofe-lhe huma vez, que erao tres da madrugada, refpondeo ella: {{italic block|Ainda agora! Que defterro! Bendito Jejais, Senhor, que as fazeis tao dilatadas.}} Logo que amanhecia, entrava em mayores ancias, dizendo: {{italic block|Se o noflo Padre Confeffor foubera o que iflo cufta, nao fe havia de dilatar tanto.}} Huma deftas noites, dizendolhe nós, que viffe fe podia dormir, refpondeo ella: {{italic block|Já fe dormio o que fe havia de dormir.}} Outras vezes dizia: {{italic block|Coraçao, aonde eftás? Eftás com o teu Senhor? Abi te quero eu. Eu durmo, e o meu coraçao vela.}} Pelas muitas fecuras de boca, que tinha, coftumava tomar agoa, e dizia: {{italic block|Hey de deixarme difto, que be regalo, e já o tempo be pouco para trabalhar.}} No dia da Annunciação de noffa Senhora a 25. de Mar-<noinclude></noinclude> e9k0tmleagihuzr9xliqz4wr549wnf5 563836 563832 2026-09-21T16:07:05Z MMIRENE 43852 563836 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="MMIRENE" />{{centralizado|(4)}}</noinclude>{{italic block|dor, morro fem dór alguma;}} (Affim diffe a noffa veneravel Madre Maria do Lado no feu tranfito) e refponden-do-lhe a noffa Madre Abadeça: Morrey, filha como Deos quizer: ella refpondeo: {{italic block|Eu nao quero outra cousa.}} Na vefpera do dia de noffa Senhora, levandolhe lá a fua Imagem da noffa Igreja, lhe pedio com grande ancia, fe era vontade de Deos, e lua a levaffe no feu dia, pois fempre defejara morrer em hum dia dedicado a el- la. Nefte dia pedio com muito empenho ao Medico lhe. mandaffe dar a Santa Unçao: concedeolha, e depois de to- das as ceremonias acabadas, diffe para nós: {{italic block|Ora graças a Deos: já agora à vida da minha vida, venha a morte cada vez que quizer.}} Defpedio-fe de toda a Commu- nidade, chamando a cada Religiofa per fi, dizendo: {{italic block|Que muito bem fabia as que lhe faltavad ainda;}} e abraçando- as a todas, lhes pedia muitos perdoens, e chegando ás No- viças, lhes fez huma pratica a cada huma, que a todas nos fez chorar de confolaçao. Paffava as noites com taes ancias de receber a noffo Senhor, que continuamente eftava perguntando as horas, que erao; e dizendofe-lhe huma vez, que erao tres da madrugada, refpondeo ella: {{italic block|Ainda agora! Que defterro! 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Nefte dia pedio com muito empenho ao Medico lhe. mandaffe dar a Santa Unçao: concedeolha, e depois de todas as ceremonias acabadas, diffe para nós: {{italic block|Ora graças a Deos: já agora à vida da minha vida, venha a morte cada vez que quizer.}} Defpedio-fe de toda a Communidade, chamando a cada Religiofa per fi, dizendo: {{italic block|Que muito bem fabia as que lhe faltavad ainda;}} e abraçando-as a todas, lhes pedia muitos perdoens, e chegando ás Noviças, lhes fez huma pratica a cada huma, que a todas nos fez chorar de confolaçao. Paffava as noites com taes ancias de receber a noffo Senhor, que continuamente eftava perguntando as horas, que erao; e dizendofe-lhe huma vez, que erao tres da madrugada, refpondeo ella: {{italic block|Ainda agora! Que defterro! Bendito Jejais, Senhor, que as fazeis tao dilatadas.}} Logo que amanhecia, entrava em mayores ancias, dizendo: {{italic block|Se o noflo Padre Confeffor foubera o que iflo cufta, nao fe havia de dilatar tanto.}} Huma deftas noites, dizendolhe nós, que viffe fe podia dormir, refpondeo ella: {{italic block|Já fe dormio o que fe havia de dormir.}} Outras vezes dizia: {{italic block|Coraçao, aonde eftás? Eftás com o teu Senhor? Abi te quero eu. Eu durmo, e o meu coraçao vela.}} Pelas muitas fecuras de boca, que tinha, coftumava tomar agoa, e dizia: {{italic block|Hey de deixarme difto, que be regalo, e já o tempo be pouco para trabalhar.}} No dia da Annunciação de noffa Senhora a 25. de Mar-<noinclude></noinclude> 5w3uvo4f1mrd1ysvmcnuv02hltjdtv1 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/72 106 258158 563837 2026-09-21T16:07:06Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563837 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA Eu insulto o burguês-funesto ! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições ! Fóra os que algarismam os amanhãs ! Olha a vida dos nossos setembros ! Fará Sol ? Choverá ? Arlequinal ! Mas á chuva dos rosais o êxtase fará sempre Sol ! Morte á gordura ! Morte ás adiposidades cerebrais ! Morte ao burguês-mensal ! ao burguês-cinema ! ao burguês-tilburi ! Padaria Suissa ! Morte viva ao Adriano ! «— Ai, filha, que te darei pelos teus anos ? — Um colar... — Conto e quinhentos !!! Mas nós morremos de fome ! » Come ! Come-te a ti mesmo, oh ! gelatina pasma ! Oh ! "p u r é e" de batatas morais ! Oh ! cabelos nas ventas ! oh! carecas! Odio aos temperamentos regulares ! h ,1 68<noinclude></noinclude> cbjm3krp772dn10r21g47u7xkgrlnra 563845 563837 2026-09-21T16:08:04Z Osa 88 43848 563845 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA Eu insulto o burguês-funesto ! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições ! Fóra os que algarismam os amanhãs ! Olha a vida dos nossos setembros ! Fará Sol ? Choverá ? Arlequinal ! Mas á chuva dos rosais o êxtase fará sempre Sol ! Morte á gordura ! Morte ás adiposidades cerebrais ! Morte ao burguês-mensal ! ao burguês-cinema ! ao burguês-tilburi ! Padaria Suissa ! Morte viva ao Adriano ! «— Ai, filha, que te darei pelos teus anos ? — Um colar... — Conto e quinhentos !!! Mas nós morremos de fome ! » Come ! Come-te a ti mesmo, oh ! gelatina pasma ! Oh ! " p u r é e " de batatas morais ! Oh ! cabelos nas ventas ! oh! carecas! Odio aos temperamentos regulares ! 68<noinclude></noinclude> kn71x2fc1qhsgt3u1xwfg3z6bgmlbsh 563909 563845 2026-09-22T08:43:02Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563909 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>PAULICEA DESVAIRADA Eu insulto o burguês-funesto ! O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições ! Fóra os que algarismam os amanhãs ! Olha a vida dos nossos setembros ! Fará Sol ? Choverá ? Arlequinal ! Mas á chuva dos rosais o êxtase fará sempre Sol ! Morte á gordura ! Morte ás adiposidades cerebrais ! Morte ao burguês-mensal ! ao burguês-cinema ! ao burguês-tilburi ! Padaria Suissa ! Morte viva ao Adriano ! «— Ai, filha, que te darei pelos teus anos ? — Um colar... — Conto e quinhentos !!! Mas nós morremos de fome ! » Come ! Come-te a ti mesmo, oh ! gelatina pasma ! Oh ! " p u r é e " de batatas morais ! Oh ! cabelos nas ventas ! oh! carecas! Odio aos temperamentos regulares ! 68<noinclude></noinclude> 5bmfzq2ultibilszttkoxs7dbpcjwj0 Página:Paulicea desvairada (1922).pdf/73 106 258159 563852 2026-09-21T16:09:04Z Osa 88 43848 /* Revista */ 563852 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Osa 88" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Odio aos relógios musculares! Morte e infámia ! Odio á soma! Odio aos secos e molhados ! Odio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos, sempiternamente as mesmices convencionais ! De mãos nas costas ! Marco eu o compasso ! Eia ! Dois a dois! Primeira posição! Marcha! Todos para a Central do meu rancor inebriante! Odio e insulto! Odio e raiva! Odio e mais ódio! Morte ao burguês de giôlhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Odio vermelho! Odio fecundo! Odio ciclico ! Odio fundamento, sem perdão! Fora! Fú! Fora o bom burguês ! 69<noinclude></noinclude> 274tma3m77uycso8b1za6ydxweq27gq 563910 563852 2026-09-22T08:43:13Z Joana Lages 43857 /* Validada */ 563910 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Joana Lages" /></noinclude>MARIO DE ANDRADE Odio aos relógios musculares! Morte e infámia ! Odio á soma! Odio aos secos e molhados ! Odio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos, sempiternamente as mesmices convencionais ! De mãos nas costas ! Marco eu o compasso ! Eia ! Dois a dois! Primeira posição! Marcha! Todos para a Central do meu rancor inebriante! Odio e insulto! Odio e raiva! Odio e mais ódio! Morte ao burguês de giôlhos, cheirando religião e que não crê em Deus! Odio vermelho! Odio fecundo! Odio ciclico ! Odio fundamento, sem perdão! Fora! Fú! Fora o bom burguês ! 69<noinclude></noinclude> hgtx1xmuijzf50tmvcvg6lkm2fv6p8e Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/7 106 258160 563856 2026-09-21T16:11:24Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: o BOLKTIM nSo dayam makyreseuídadoa. O ijovenio pòz a concurso uma regular carreira, por navios de vela, entre Lisboa e Moçambique. Dos concorrentes ao concurso fui a firma de Bessone Jr. <& Barbosa quem apresentou uma proposta mais vantajosa, e julga-se que a carreira lhe será adjudicada De politica nos joroaes estrangeiros nada ha de ímportatite. No MA 26 de dezembro ultimo, fi>i S. Exa. o Govematbr a Hongkong presidir á festa s^o... 563856 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>o BOLKTIM nSo dayam makyreseuídadoa. O ijovenio pòz a concurso uma regular carreira, por navios de vela, entre Lisboa e Moçambique. Dos concorrentes ao concurso fui a firma de Bessone Jr. <& Barbosa quem apresentou uma proposta mais vantajosa, e julga-se que a carreira lhe será adjudicada De politica nos joroaes estrangeiros nada ha de ímportatite. No MA 26 de dezembro ultimo, fi>i S. Exa. o Govematbr a Hongkong presidir á festa s^olemnc da coliocaç&o da primeira pedra do edifício que ali se vae erigir para um club portugucx, com o titulo de Clnh Ltisifano. Sua Exa. o governa<l(ir loi de Macau, acompiíiihadi) pflo seu estado maiur, e foi recc!>id(> em Hongkong pelos cavalheiros da cummissão directora do referido club, estando no caes, para o mesmo fim, o general das fiirças brilADoicas, eui Hongkong, e uma piarda do honra de in&aUria 9, salvando-sr ao de senibarque de S. Exa. com a salTa que Ibe competia. A fcsla. a cjUL' assi<>tiram todos OS priacipaes funcionários ingleses, e a maioria doa portuguezcs residentes na colónia, correu sumptuosa brilhante. e S. Exa. o governador partiu de Uongk<ing penhorado por tantas altençQes de considerarão como as que recebeu ua curta demora que teve n'aquella cidade. Dcpoiís da ceremonirr f;nc correu com as devida» furmalidudes, servla«8e um esplendido lundi, no qtnl fizeram vários brindes, todos tom entbusiasnio recebidos. Os primeiros foram « 8. M. a Rainha Victoria, e a S. M. El-Rei, o sr. D. Luis. DO GOVERNO, Em todas estas matérias os estudantes deram provas de applicaçào, sendo distinctos os uluinnos Antonio Rastos, C. A. de As>>is o Fernandes, J. G. Fernandes Jr., Lino I..opcs, Cancio .Jorge, Eu- BANDA * DO BATALHÃO DE rnouR AMMA. MACAU. ^ Quinta-feira -1 fie janeiro de 1800. 1 .* Paisii dobrado, fiika do RegimtnUt ; 2. * Catatinn da oftTt Torcttio Two 1 3. * Qmdrilia ; . génio Sic, Lopes, F^iloineiio Cruz, Antonio Reymundoda Leon, b * Vrt/.íu .• 6.' PoRa. Leôncio l^erreira e outros. 1." HtfiHHí) Popular. A dÍ8iribuiçào dos prémios — medalhas de ouro e de prata, li1. * PasmIhmiii.^o dobrado 7; <lo r^rrrnte vros, e gravuras — teve logar uo Galope ; da opfrtt Saffo : 2.3-** Canatina dia 31, ao meio dia, perante um respeitável auditwio. O sr. GoM»-7 ,h; opera Ramilko: fi.*• .SV«/. HIiiz urka vernador do bispado fez a distri- '■ '1 buirão. Durante este acto tocou (•>.' I'>,i:.'t . mm bem, e cetn gosto, n banda instniinetilal nriraiiisada ciitrc al- ■ 7." Hymn i da Carta Con.^litiíciiinal. — =^ ^ i I II guns dos a lu m nus. Era m u penas ; Vi;.M)A. Concordi-u á UlUOn:l".IÍA|.(inugii.-z des os que tocavam, mas o modo ewni>trui(io em Sjnn» i^n liitii, dc porque o fizeram dâ esperanças de I 2*20 tMll«Utla* áe rcfTÍítii cmn <»» WM serem excellcntes artistas. perience» •egtmilo o inff«nl«rÍ4>. Os premiados com grãu de cnieE. L. LANCA. ritus foram trcs, com primeiros e MncBii, 2i> «Ir n«*eit>bru de IM^ó. segundos prémios, niais di- quarenta. Foram S cla»silicados LíJMMKlteiAL BANK COKI-OKATIOW OF INOIA BV AKD Rov«t TUE KASl'. coHio accesscrunl, c mereceram ser iNCUKPliHATeO CltARTRIIloiírtidns 1^7. Para II 2 ' antu» de pilotagem, liouve por premio um magnifico instrumento de reflexão, qup pertrnreii no cstndante distincto Marcello José Munes. A festa do seminário leíminou, a contento geral, porto das duas hurab da tarde. Apresentamos em seguida, como promettemos, a lista dos estudantes (|ue foram premiados na Nova Escola Macaense no dia 24 de dezeiíibru findo. Português : L* classe — MetfaIhas de prata, por muito aproveitamento em historia e giamniatica, Lino ue Almeida, Euclides V'ianiia, e Prusdomio do Kozario. Livros, a Augusto Oscar e Eduardo Vital. 2.> classe: pela medalha de prata a Damos sinceros parabéns aos jgrammatica, I Eduardo Kobertsi livros, a Lino sócios do novo club pelo bem que [da Portaria, pela grammatiea, e correu esta festa, de muito ai ca n a J. Borralho, pela leitura. ce, e pela dignidade com que se Inglez :— Medalha de oiro a F* honveram em acto tão soletone. Jorge, e medalha de prata a AI* hino Pacheco; estes dois alumnos foram também distinctos no exaOs exAMBs do seminário diocesano que principiaram a 15 do mez me de geographia e da lingua frauceza. Livros, a Saturnino d^ próximo passado ficaram concluídos no dia 30. Os exames ver- I Cruz, Saturnino dos Remédios, çaram sobre methaphysica, lógi- I Antonio Gutterres, Antonio Boteca, latinidade, latim (elementos), lho eJosé Luiz .lves. ' Latim :— Medalha de ouro a inglez, fraocez, litterattira portugueza, língua e gramuiaiica por- Ernesto da Silva. tuguesa, aritbmetica, historia e Aritbmetica :— ^Livros, a Leocborographia,geographia, lingoas poldo Lopes» e ic/ío Baptist»Gon> latina-sinica,e portugueza-sinica, doatâiacbristã, physica^desenfao, Geogra pbii: — Livio^* a J<w01lla> çalves. lia da Silva. a caligraphia. Puid tip Capital Xl.tlOO.OOD. Powcr tu inn-fiasf lo i.2,<H)0,CKK) K(:s»:Hvr.u FiiNit, iniO.;iOI. LoiMloa E.C. U>N00KlÍÃifX8KS. BttLieiTons LoHDoM• JoiNT 8rncx Damk. Mkssrs. Clakkk. S» Rawi-im!";. BKAN'CHKS ANI) .•VíiENCrKS i Uo M B AV , C .% L<; U TT A , S I . «; A IMI K b, bll AKGiiAE, Fiiii-iiAi;, IIamkow, YwkvHAMA, ANU Í<AN EraKCIMO. BOHQKOMa BBAMCU. ^I^HR llank mgoei»le« anil enllscú UilU anil gianin Driifi» uii it» Dráiichvs itu Agcnrie* a» «hii»e. I( tUo nrl( ilic Açciil nl |iiiriir< iti inakít^ Ín*('itiiieiU 111 t^liglisli au<i ItiUiait publíc •ucuriiic». The Baok ala» «litMiinis or makef vuiict'» nn 1'Hrafe ICtVif a»! JVbfcc. bearini; nt |ra«t IWit ^p)>rnrr<| iinmM im^WRIII < U'() in getiferal ii<ir(iiria|ii|i ; or bniiii); oiily hn» name, ^4ccnmp«ni0d hy itii- ili>|»<>«1i <>r atJr(]uit^ci>ll.<icni1 trcuriLoano iirR smntrú iipoo prinlurc n, «■eichRnili/f «[«irccl iii Uh- l?ii<ik's iiwn Godown», or ii) ihoar ol fulilic (Jnmpii« ■lies : bii( undcr no circumstetHces vthúteter, xoUl any advunee be made o» fnduce or merchandite liortd (■ tli€ 60* dovmt of tkc ba/nmnr, * Prwdumanil Merehandin «ofTfliwd srcurilv ("t Inani» mtist aiJcoTi [«inicil by li ci rtiticatc i^f valiie and quiilily aigned by ao aji|)rovti| Iiispcclfir or Brukfi. Rebate uf intereat nl 'À por ceni per • nnum undrr lhe rate ciiargril by thiBank will be allowed on loans p:iicl,ul1' befurc nyiturity. Drawinp nrrrnipH epeneil wUh' firma <>r indiríiInaU, A prraAn havinir ■ Dr«M'ing ■cenunl aay liave a Ditcuunt accnuni, bui niiooscnn have lhe Ulter wilhoul heving lho farn* Dlgltized by Goc<noinclude></noinclude> 55f1fq5tkte2uzko3qlphkxsit4gb2c Página:Certificado de indulgências de Inocêncio VIII.pdf/1 106 258161 563857 2026-09-21T16:11:33Z Port archivist 43850 /* Problemática */ 563857 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="2" user="Port archivist" /></noinclude>[col. 1] [...] Participante ꝑa ſempre em todolos ſacrificios geiuūs oracoōes diſciplinas eſmollas ⁊ em todollos outros beės que ſe fazem ⁊ faram em tota a vniuerſal ygreia por que dous Reaus de prata por alma ꝑa curar os doentes que na guerra dafrica adoecerem ⁊ edifficar ⁊ ornamentar as ygreias nos lugares que dos imfiees ſe tomarem. Innocencio Papa octauo fez a allma de Participante ꝑa ſempre em todolos ſacrificios geiuūs oracoōes diſciplinas eſmollas ⁊ em todolos outros beės que ſe fazem ⁊ faram em tota a vniuerſal ygreia por que dous Reaus de prata por alma ꝑa curar os doentes que na guerra daffrica adoecerem ⁊ edifficar ⁊ ornamentar as ygreias nos lugares que dos imfiees ſſe tomarem. Innocencio Papa octauo fez a allma de Participante ꝑa ſempre em todolos ſacrificios geiuūs oracoōes diſciplinas eſmolas ⁊ em todolos outros beės que ſe fazem ⁊ faram em tota a vniuerſal ygreia por que dous Reaes de prata por allma ꝑa curar os doentes que na guerra dafrica adoecerem ⁊ edifficar ⁊ ornamentar as ygreias nos lugares que dos imfiees ſe tomarem. [col. 2] Innocencio Papa octauo fez a allma de Participante ꝑa ſempre em todolos ſacrificios geiuūs oracoōes diſciplinas eſmolas ⁊ em todolos outros beės que ſe fazem ⁊ faram em tota a vniuerſal ygreia por que dous Reaes de prata por allma ꝑa curar os doentes que na guerra dafrica adoecerem ⁊ edifficar ⁊ ornamentar as ygreias nos lugares que dos imfiees ſe tomarem. Innocencio Papa octauo fez a allma de Participante ꝑa ſempre em todolos ſacrificios geiuūs oracoōes diſciplinas eſmolas ⁊ em todolos outros beės que ſe fazem ⁊ faram em tota a vniuerſal ygreia por que dous Reaes de prata por allma ꝑa curar os doentes que na guerra dafrica adoecerem ⁊ edifficar ⁊ ornamentar as ygreias nos lugares que dos imfiees ſe tomarem. Innocencio Papa octauo fez a allma de Participante ꝑa ſempre em todolos ſacrificios geiuūs oracoōes diſciplinas eſmolas ⁊ em todolos outros beės que ſe fazem ⁊ faram em tota a vniuerſal ygreia por que dous Reaes de prata por allma ꝑa curar os doentes que na guerra dafrica adoecerem ⁊ edifficar ⁊ ornamentar as ygreias nos lugares que dos imfiees ſe tomarem.<noinclude></noinclude> qjjrxtb7ohtv87aeyxbpaqusg6t78ob Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/8 106 258162 563858 2026-09-21T16:15:13Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Esa dee. A S. neeieg Rere ,,e. ones Sua losse ss. necgere Peree rso- sepo pasco covee ae us eeseece res esera s copotres o hores e con pre per. cegocer5 sera cee ee r rectes sy recer ciesco. oreereeLee ge Se safernes spre ceses coster. ses Renimes. zavese neceete, ceterris, poceree- cececes receces. heeees. Teceness, ses frevcece gano ey noseres sasco e o- beseetes de aohere cvo ces eeeces oee cene ceneeremre m reetee ee. to óereo... 563858 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>Esa dee. A S. neeieg Rere ,,e. ones Sua losse ss. necgere Peree rso- sepo pasco covee ae us eeseece res esera s copotres o hores e con pre per. cegocer5 sera cee ee r rectes sy recer ciesco. oreereeLee ge Se safernes spre ceses coster. ses Renimes. zavese neceete, ceterris, poceree- cececes receces. heeees. Teceness, ses frevcece gano ey noseres sasco e o- beseetes de aohere cvo ces eeeces oee cene ceneeremre m reetee ee. to óereom. recs rene rete s e eeeaeeee see res eeres sn de re ese - coe eobe a ne dece cocesce cetae lotes. pete, poceme s- re eseceo, pvec. pereectero ebrenneeseses. ó teese c ne cecoe merenen. . oemeroe de tonte se se co- oebos robue mes en rhees. bra conmcorcenetesm or..eese en te. ceteremuene. oreterescesm... ocecemo err cetessetace. ebeces de ececteese n ecencel s. o ces arena de. sacen Cosodo lecen preneses rese eese un aveloecer emprecos. so- ........................ s crpenes de se esferesese po aoca se ocheren belens otee. o teoso obte conos concue con c tems se ce deseser coes, se cn cnene cen ter. res cen retrescetet. Sa seteen te. recess oeetre ceretes de cone coeeetevonee eerere. ue. 3 5 5 2. o ponor po covenxo 2 ae deos de lo. enme ee ns 1a vee. ceplo nes btoces, uecen es loa. neehae le 21.º Sue. Sovmede Age. Honolono vepicanexros vovos. 50º cemee en Necan, se plereec. e Leepolemo de rieeco. ee- ongene phormecio fmece. AVro cuosenaro po PEEno Sonoven ne Lenas 2 recese nccireneme re de cbe cecora olo de neneve- see rpeco s lers cor- ento. asde...re e cuemeresee ranorn pe uxrocuoseitro SE CAl órmocase peta es cetece e cero. con ne rener ee cete.. ecues.. mece.ee. cescras or orosroncran ne reeco Natrezare ceecere desep for vne Pen. Segeceeno ese. cn 2 se ererero de sto peos so. rec eettaso recera o eresbecuete. nene eeeeuestee setceee relecto afen- oepebco2 e oeceza de us- pemecto noes dese pere Aperie feneese. n . e de cet. mreccio Fosrentas pr naxico Cor r. recete cener- ereeeco co ren. ceso eces es de corsa. cpaxotos eXañore omrono corvIE astarica oe p. ters Cergicmee nus. scereereteecañrenre. . oerercoerecen. . e. ees to ce Cereetes es grerco. peeece es . en ference ee.reec.resee. cene rerss. nue peegroseen. cece vees oee . oce se socecos preee an- od e. ceceg rec j go. e rese se loen - ee. Bone se meenes cae n loe renes Dr. eper. se aues a ore cemeen ree. cececen etegee obr e ..y . Po- rreeeceereeeeceneecenee. b. potenenmeresdej ee Nere. Eo os. .." Leserg heseose se me- nee se hespioes S. Lo- co Peto pesreecuceresecetos. oes. Pon recerectoces o e. esese emede 2 ser. e seses de. beco meme - reco. ó arenecorrir anernco rescc- se formes de puoseeeredo, co pemz.. en rees- peados de verec.ndo un óse cobte n cen teces asto Nerer e cre corese de l Lpio. CuAÑozOS xARor ererecetu ne Lerioe porespenc lde rorseenesen- - nes me prom comese eres cete meleemo. Serveco un - ec m- es Pore. se fee e efe en algunes curos potento de pen- resedes. pestanten pescorofalesen- ne. E roso.,yese cech So. porer gs. coese er meces ee respperees Len se seco- se mobees cteree. emerescme rercesee ny ole con un ponrececteno ceve es cces. cenes rene se cetu oue es eeespe yr e s cer epo s le . me eene re. bere. rt. 4 a prerpereeces. n. ses vue.. 258. =RASOE cohen- puye a 24 stva- va.eege de o. movs ro no ronio vecesc ber 2sres 9e eese á ro .., e heegecer. sos cocpe nereme Pere cino poes - ueceeseeso eseree.. nes. iecgeces, sen es de po. soheres hene v No. ereeino Feecos. . lergeees. e n.. co n ree beerone- vacos eve. pe sepo So cee e. esr. Se. . c e- e egeotete de becene-los o. n Lesen 2 or Es 4 N. meserees nu. n 2so . Berere. cen cloree . mecs aet. ore de ; sa Sue- 8s<noinclude></noinclude> oapywlppt9kjkvn41u66upvp1mrn558 563863 563858 2026-09-21T17:14:25Z Pimfa 41224 /* Não revista */ 563863 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>4 The Bank receives Deposits on the following terms: 2. Repayable in 1 Month 3%, annum. do. 3 4 " " do. 6 " do. do. 9 12 5 6 " Office hours 10 to 4; Saturdays 10 to A. SHAW, Acting Agent. Hongkong. December 4, 1805. ASSOCIAÇÃO DO BANCO COMMERCIAL DA INDIA E DO ORIENTE. ORGANISADA POR CARTA REGIA. Capital page £1,000,000 (um milhão de libras esterlinas) com poderes para augmentar o capital a £2,000,000 (dois milhões de libras esterlinas). FUNDOS EM RESERVA, £169,301. Oficina principal,-Londres, rus Moor- gate No. 64 (circuito oriental) BANQUEIR EM LONDRES LONDON JOINT CE BANK. ADVOGA Os SRS. CLARKE, SON E RAWLINGS. RAMOS E AGENCIAS EM BOMBAIM, CALCUTTA, SINGAPURA, SHANGHAI, FUHCHAU, HANKAU, YOKOHAMA, SAN FRANCISCO E RAMO DE HONGKONG, O BOLETIM DO GOVERNO. A officina acha-se aberta desde ás 10 horas da manhã até ás 4 da tarde, ex- cepto nos sabbados, que será das 10 da manhá até ás 2 P. M. A. SHAW, Servindo de Agente. Hongkong, 4 de dezembro de 1865. MEDICAMENTOS NOVOS. S seguintes medicamentos encon- tram-se em Macau, na pharmacia de Leopoldino de Figueredo, e em Hong- kong, na pharmacia franceza. HYPO-PHOSPHATO DE FERRO SOLUVEL DE LERAS E precioso medicamento para a cura de chlorosis anemia (falta de menstrua- São e pallidez) de lencorrhea, fluxo branco, debilidade, serofulas, dores de estomago e affecções nervosss. 08, curas, attestados, etc. que se distri- buem gratuitamente nas mesmas phar- macias. O HYDROCOTYLE ASIATICO vende-se sob formas de pilulas assucaradas, em vidros azues, quadrados, com rotulos as- peados de verde, sendo um o que cobre a rolha com as firmas Labeonye e E. Fournier, e sobre tudo o sinete em la- cre encarnado de J. Lepine. GRANULOS E XAROPE D'HYDROCOTILE ASIATICA DE J. LEPINE. Das experiencias feitas na India, e em França resulta que as affeições da pelle, e todas as que resultam d'um vicio orga aico são promptamente curadas por este novo medicamento. torio feito na academia dicina de Paris, elle foi efficaz não somente somente nas e em algumas outras E recommendado para as doenças de rebeldes, mas tambem XAROPE DE HYPOPHOSPHITO DE CAL. е um rela- de me- leprosas da pelle peito. Com tão perfeito medicamento syphilis. E emfim, alescrofulas e na se curam a tosse, os suores nocturnos, a phtisica, e os catarros ordinarios. GRACEAS DE GELIS E CONTÉ LACTATE DE FERRO INALTERAVEL. Approvadas pela Academia Imperial de Medicina de Pariz. 6 Segundo o relatorio feito no academia em 4 de fevereiro de 1840 pelos Sra. BANCO negocia e cobra letras, professores BOUILLAUD FOUQIER & BAL- faz saques de dinheiro contra os LY este ferruginoso é reconhecido supe- seus ramos e agencias, e tambem se oe cupa como agente para empregar dinheirior a todos os outros para curar: cloro- sis (páles couleurs), a 2 rem seguros publicos inglezes ou da a lencorrhéa ( a (pertes blanches), a amenia (fraqueza de tem- peramento nos dous sexos) difficuldades incontiniencia de ourinas, etc. de menstruação, sobre tudo nas moças, India. O banco tambem desconta ou faz adi- antimentos sobre letras ou notas particu lares que tenham dues assignaturas ap- provadas, sendo que estas assignaturas não podem ser de pessoas que perten- çan ambas a uma dada sociedade; as notas e letras, porém, mente uma assignatura, quo ter sú- esta se. ja acompanhada de hypotheca adequada. O banco faz ainda adiantamentos so- bre generos e mere e mercadorias, armazena- dos em armazens do banco ou de com- INFECÇÃO E CAPSULAS DE MATICO. Cara a gonorrhea, recente e antiga- substituindo estes preparados com van, tagem a todos os de copshiba. GRANULOS E XAROPE D'HYDRO- COTYLE ASIATICA. panhias publicas; mas em nenhum caso DE J. LEPINE. fará adiantamentos sobre generos e mer- Cirurgião-mór da marinha militar cadorias, armazenados em armazens das approvado pela academia imperial de me- pessoas que contrahirem o emprestimo. dicina de Pariz, para curar radicalmente Os generos ou as mercadorias, offere as affecções cutaneas, syphiliticas, esern cidos como segurança, devem ser acom. com.phulosas, etc., taes como: lepra tuber- panhados de uma certidão, em que seja culosa (elephantiasis dos gregos), ele declarado o valor e qualidade dos gone-phantiasis dos arabes, lichen (prurido), ros e mercador dor, devendo esta gerti- licha chronica, hyperesta papulosa, ec- dão ser assignar um reconhecedor zema, zema, psoriasis, acné, pelagro rheuma- tismo e gota, ulceras escrophulosas, dar- tros, syphilis constitucional, etc., etc., e todas as affecções provenientes da alte- ração do sangue. ou corretor. Quando alguem pretender pagar ao banco um qualquer emprestimo, antea delle estar vencido, a quantia será n mittida, sendo os juros na rasão de 2 para menos do que os juros que primei ramente se acharem estabelecidas pe- lo banco. O banco abre contas correntes com casas commerciaes ou con individuos, Qualquer pessoa, que tenha aberta nea conta corrente com o banco, póde ter uma outra conta de desconto. Não ten do, porém, conta corrente com o ban- co, tambem não pode ter de desconto. O banco recebe depositos de dinheiro com as seguintes condições: . Repagavel em 1 mez a 3, so anno 3 " .. 4 Idem " 6 " " 5 " " " 9 .. 6 " " 12" ..7 " Este agente poderoso está já em gran- de voga na India, onde tem feito curas miraculosas. Entre os medicos que o empregaram com successo na India, ci- taremos praticos dis tinctos, e especialmente os Sra. Dever- gie, Cazenave e Hillairet, medicos do hospital de S. Luiz, de Paris, affectados ao tratamento das molestias empregaram as aracões d'anea tyle com um notavel successo contra os eczmas, o o prerissis, o impetigo e as di- versas variedades de dartros, contra as affecções syphiliticas recentes ou anti- gas, a lepra, as ulceras, escrofulosas a outras, ou rheumatismos chronicos, etc. Deposito geral em Paris: E. Fournier Labelonie, pharmaceuticos, rua Bour- bou-Villeneuve, 19. ESTOJOS. GRANDE variedade para homens senhoras, recentemente chegados. Dirija-se á loja d a de J. DA SILVA. Macao 9 de agosto de 1865. Dez. " " MOVIMENTO DO PORTO Navios entrados. 25-Barca prussiana Der Fuchs- capitão A. Fuchs-329 tonela- das de Hongkong, em lastro. 28-Galera peruana Companhia Maritima de Perú N.° 2-ca- pitão Sphiral-1076 toneladas <-de Hongkong, em lastro. 28-Escuna ingleza Music-capi- tão Kleen-444 toneladas-de Hongkong, com carvão de pe. dra. 30-Barca francez Mouse de Nan- tes-capitão Fuges-365 tone- ladas de Hongkong, em las- tro. 30-Brigue hespanhol Nocano- capitão M. Barreda-249 tone. ladas de Manilla, com sibucáu. Navios sahidos. tepro duran. Boejau, que atacado da Dez. 22-Barco americans Star King sua residencia naquelle continente, experimenton sobre si mes- mo o Hydrocotyle asiatico, o Dr. Pou peau, cirurgião da 1. classe da marinha, Houbert e os membros da junta de o Dr. Aygiene de Madrasta. Em França, os Sra. Drs. Azenares, S. Luvergier, Henet tem obtido os mes- mos resultados no hospital de S. Luiz, em Pariz, nos affectados das doenças cu- taness. Para esclarecimentos mais extensos, leão-se os folhetos contendo os relatori- " " -capitão G. Smith-428 tone- ladas para Nova York, com canella, 22-Escuna ingleza Gitana-capi- tão Dugdale-103 toneladas- para Londres, com aniz. 24-Barca lubeck Emma & Ma- tilde-capitão H. J Behrens- 385 toneladas-para Havana, com 219 passageiros chinas. Macáo: Impressa na Typographia de J. DA SILVA.<noinclude></noinclude> dfcne4z2eb19emo1qs469u5vfiluhl3 Hino do município de Arame (Maranhão) 0 258163 563859 2026-09-21T16:23:27Z Pe Manoel Neto 43867 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Arame, Arame! Para sempre vou te exaltar o teu povo sempre contente Para ti quero encantar (repete) Salve salve nossos verdes, nossas matas Salve salve o nosso rio Zutiua O nosso Povo que tem fé e tanta raça e mora no cantinho bom desse Brasil Salve Francisco Guarin Que descobriu e nos mostrou A nossa Terra adorada Faramos isso com muito amor Arame, Arame! Para sempre vou te exaltar o teu povo sempre contente Para ti quero encantar 1988 sua emancipação... 563859 wikitext text/x-wiki Arame, Arame! Para sempre vou te exaltar o teu povo sempre contente Para ti quero encantar (repete) Salve salve nossos verdes, nossas matas Salve salve o nosso rio Zutiua O nosso Povo que tem fé e tanta raça e mora no cantinho bom desse Brasil Salve Francisco Guarin Que descobriu e nos mostrou A nossa Terra adorada Faramos isso com muito amor Arame, Arame! Para sempre vou te exaltar o teu povo sempre contente Para ti quero encantar 1988 sua emancipação independente acolhedora nós chamamos de coração beleza rara que nos dá orgulho de carregar com emoção em nossos ombros nossa bandeira e no peito nosso brasão Arame, Arame! Para sempre vou te exaltar o teu povo sempre contente Para ti quero encantar Cada palmo desse chão é digno de muito valor sua semente é tão fértil E gente boa sempre brotou Viva as crianças e os nossos jovens Viva o índio viva o negro viva o branco E os nossos visitantes que se rendem aos nossos encantos Arame, Arame! Para sempre vou te exaltar o teu povo sempre contente Para ti quero encantar Autor: Carlos Lima 69sgiaaqye96pj37jv3005gzkph7xcw Utilizador Discussão:Joana Lages 3 258164 563860 2026-09-21T16:38:18Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563860 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Joana Lages'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 16h38min de 21 de setembro de 2026 (UTC) q9ht4orjhtezpvasnktcq8qkdduhook Utilizador Discussão:Osa 88 3 258165 563864 2026-09-21T17:14:49Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563864 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Osa 88'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 17h14min de 21 de setembro de 2026 (UTC) qulb8aq4ajp7q7hqcc48fppyksyicld Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/232 106 258166 563867 2026-09-21T17:25:33Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 216 O BOLETIM DO GOVERNO. Continua As medalhas de prata distribui-As nossas cartas e jorunes do Japão al das no seminario diocesano, pelo cançam a 15 do corrente mez. aproveitamento do ultimo anno kohama e em Yeddo. No dia 4 de desem- vam os incendios nas visinhanças de Yo- lectivo, foram 28; sendo os alum-bro na cidade japoneza de Kanagawa, fo- nos premiados os seguintes: An- ram destruidas 40 casas em um dos bair tonio Bastos, Leonci... 563867 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>216 O BOLETIM DO GOVERNO. Continua As medalhas de prata distribui-As nossas cartas e jorunes do Japão al das no seminario diocesano, pelo cançam a 15 do corrente mez. aproveitamento do ultimo anno kohama e em Yeddo. No dia 4 de desem- vam os incendios nas visinhanças de Yo- lectivo, foram 28; sendo os alum-bro na cidade japoneza de Kanagawa, fo- nos premiados os seguintes: An- ram destruidas 40 casas em um dos bair tonio Bastos, Leoncio Ferreira, ros populosos, desapparecendo o conhecido Matheus Leong, Lino Lopes, José eminario chamado Yoshiwarra, de educa- ção feminina. No momento em que par- de Almeida, Eugenio Lopes, Al- tia a mala da bahia de Yokomama avista. bano Cordeiro, Antonio P. de Cas-va-se uma conflagação em Kawasaki, a 12 tro, André da Silva, Lino Nunes, milhas do estabelecimento europeo, e sa- Carlos Osorio, Antonio Gonsal- bia-se de outro grande incendio em Yoddo, cujas ves, Bartholomeu Tam, Cancio via. Estes desastres davam cuidados. particularidades so 80 ignoravam toda Jorge, Manoel da Silva, Herme- As tropas do Taicua tinham na maior negildo Bastos, Secundino Noro- parte regressado a Yeddo, e os oa tumultos nha, José Bastos, (com duas) João causados pela fome tinham acabado, e o saber bem qua a Inglaterra só ontrega pos tos tão distinctos e de tanta responsabili dade a homous experimentados na arte de governar, e de muito tacto e talento. Com este aditamento parece-nos ter de algum modo completado a descripção da festa do Club Lusitano. No domingo passado depois da missa da guarnição na freguesia de S. Lourenço, ás 8 horas da manhã, o batalhão de linha d'es- ta cidade recolheu ao seu novo quartel em S. Francisco. AVISO. BEPARTIÇÃO DE SAUDE. Rodrigues, Virginio Botelho, Ri-Preço do arroz fa sendo rasoavel. Asseve POR cela repartiçto se faz publico que rava-se que no mar interior as forças do principe de Kokura tinham batido com cardo Sales, Segismundo Rangel, Vicente Paula Conceição, Adria- as do Choshiu, ficando aquellas mal; este no da Silva e José da Silva. acontecimento, sendo verdadeiro, não se da retirada das 0 по вец se em Kioto ainda não tinha tido logar. Julgava-se que Stosbashi se achava ja de recebera, no dia 9 de dezembro, co le do throno, pelas visitas offic officiaes castello, dos daimios de Yeddo, o dos re- presentantes dos ausentes; todavia, os mi- nistros estrangeiros não tinham recebido partecipação alguma a tal respeito. Decomprehende na theatro da guerra. vemos notar uma bonita acçaotroho dos Daimios c do Taicun do que por esta occasião presencia- aque devia congregar- mos. Havendo na lingon ingleza tres estudante com direito ao 1. prémio, e dicidindo-se à sorte, foi esta favoravel ao estudante An- tonio Bastos, o qual tendo ja re- cebido um premio identico, pelo seu adiantamento em logica e me thafisica, cedeu a segunda meda- Ilia a favor do sen collega Euge- nio Lopes, acção que foi mui bem acollida, e que é um bom sym- ptoma d'aquelle mancebo, pela sua espontaneidade. Além dos premios, muitos ou- tros alumnos tiverain classifica- ções de louvor. Apesar das calamidades que tem assal- tado Yokohama, o estado do commercio estrangeiro tendis a prosperar muito. Os jornacs de Shanghae de 22 do corrente mes dão noticia de um incendio em Ning. pó, no dia 15, ardando muitas casas chi- nas, e tendo corrido muito risco os arma- zens europeos. no dia quinta-feira 10 de janeiro proximo futuro, de 9 horas da manhã, hade contratar ein hasta pública o forne- cimento de algumas roopas para oso dos doentes do hospital militar. As propos. las das pessoas que desejarem concorrer á licitação deverão ser apresentadas por ctos que han de ser fornecidos. Na se escripto, indicando as preços dos obje. cretaria da repartição, no edificio do mesmo hospital, se dán todas as informs- ções precisas a este respeito. Repartição de saude em Macau, 29 de dezembro de 1966. BRINCOS BRINCOS!! BRINCOS!!! PRESENTES PARA NATAL. BRINCOS em grande variedade, re- centemente chegados. E Chapeos de Feltro preto. MULLER & CLAUSSEN. Macau, 13 de dezembro de 1800. PARA SUB-ARRENDAR. Sé. MULLER & CLAUSSEN. Macau, 13 de dezembro de 1866. MOVIMENTO DO PORTO Corriam boatos de que o governo china seoppunha ao estabelecimento dos europeos CAZAS.n. 17, sitas na rua de no banco norte de Yangtze, do lado oppos. Na Nova Escola Macaense os to a Chinkeang. E que Tsen-kuo-fan, alumnos que receberam medalhas accedendo ao pedido de recolher a Pekim, foram, Saturnino da Cruz, pelo fa partir de Nankim, devendo assumir na seu aperfeiçoamento em inglez,apital o cargo de ministro da guerra, e passando o seu antecessor Li-hung-chang Euclides Vianna, pelo francez e a ser o generalissimo das tropas inperi- arithmetica, e João Baptista Gon-ag salves, pelo seus bons exames de francez e latim. Cox referencia á fusta do dia 17 d'eate mex no Club Lusitano de Hongkong, regis taremos ainda o brinde que Sir Richard MacDonnell, governador da colonia visi- nha ingleza, fez a sua magestade el-rei o Sr. D. Luis I. S exa. explanou-se sobre as antigas fa- No dia 25 do corrente mez, pelas 11 horas da notte manifestou-se fogo na Rua da Policia, no bazar. O incendio principibu n'uma loçanhas dos portuguezes no oriente, não se ja de papel e lampiões, por des- esquecendo de notar que nos tempos em cuido. Apezar dos promptos soc- que a bandeira ingleza era ainda desco corros, a actual seca dos poços hecida nos mares da Asia ja a raça ener- dos lusitanos tinha plantado o seu es- fez sentir a falta de agoa, toda-tandarte nas praias d'esta parte do mundo, gica via o foco do incendio poude iso- introdusindo a civilisação n'estes romotos lar-se, destruindo-se algumas ca- logares. Declarou s. exa. quanto a causa sas; e, não havendo vento conse da civilisação dovia Portugal, seudo & guio-se que o fogo não tomasse Inglaterra quem depois, a seu lado, se se- guio n'esse empenho e trabalho. Que é as proporções ameaçadoras com verdade ter Portugal mudado da sua pri- que se apresentou. Arderam 7 mitiva situação, mas quo D'ostas plagas casas, e destruiram-se 6, avalian- ainda restava amplo campo para os subdi- tos das duas nações amigas e allindas do-se os prejuisos em doze mil pa- tacas Morreram asfyxiados tres chinas. O incendio ficou com- pletamente extincto pelas 5 ho- ras da manhã do dia 26, Quando o sr. governador Horts propoz o brinde a Sir Richard MacDonnell, de- clarou que, se não conhecesse possoalmen te a s. exa., se não tivesse tão amplo co- nhecimento das suas virtudes, lhe bastava a sus qualidade de governador de uma co- lonia ingleza para lhe grangear estima, por Dez. Dez. Navios entrados. 24-Borca bremense Batavia- enpitão J. B. Westendoof-355 tonelades de Saigon, com ar- ΓΟΣ. 27-Escuna hespanhola S. Fer nando-capitão J. B. Lara- 155-toneladas de Manills. cam cocos. 29-Transpurte a vapor de guerra bespanhol Patino-comman- dante o tenente de envio D. Manoel Serra de Hongkong. Navios sahidos. 26-Barca hamburgueza Dioscu- ren-capitão D. Dagner-300 toneladas para Saigon, com cha. 28-Barea hollandeza Oreste-ce- pitão Angouse-293 toneladas para Batavia com sacos va- είου, 29-Vapor de guerra portuguez Principe Carlos. 30-Galera belga Egmont Hoorn -eapitão F. Frudden-708 to- neladas para Havana, com 367 passageiros chinas, Macau: Impresso ne Typographis de J. DA SILVA.<noinclude></noinclude> hkk2luqhvlyigjnozss3a8s6hku0q4a Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/508 106 258167 563871 2026-09-21T19:29:24Z Anacastrosalgado 41047 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 300 AND AND Adag. A mulher andeira diz de todos e todoa rogr. I , I j 2^ Tem huma clauftra multo grande de codizem delia. Blut. Vocab. lumnas mui groíTas com tormoía galaria no andar de ANDES. s. f. antiq. O mefmo que Andas. Barr. Gramm. cima. 97 E das que ufamos pera ferviço da peíToa e cafa, Direitura ou igualdade de altura do pavimento. andes, andilbas, calças , ciroulas &c. C fenáo he erro Aveir. Itin. 56 A qual [ capella ] eftá... 563871 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Anacastrosalgado" /></noinclude>300 AND AND Adag. A mulher andeira diz de todos e todoa rogr. I , I j 2^ Tem huma clauftra multo grande de codizem delia. Blut. Vocab. lumnas mui groíTas com tormoía galaria no andar de ANDES. s. f. antiq. O mefmo que Andas. Barr. Gramm. cima. 97 E das que ufamos pera ferviço da peíToa e cafa, Direitura ou igualdade de altura do pavimento. andes, andilbas, calças , ciroulas &c. C fenáo he erro Aveir. Itin. 56 A qual [ capella ] eftá fóra do andar da imprefsáo por Andas. } da Igreja. Luc. Vid. 10 20 Quafi lhe ficáo as cafas ro mefmo andar. Brand. Mon. ^ j 10 , 22 No mefmo ANDILHAS. s. f. pl. dim. Efpecie de fella , armada com corrêas , e cm quatro pdos atravcjfados de huma e outra andar do Tejo fe abatem dous valles de Norte a Sul. banda , que fe poe nas befias em cima da albarda, e enMet. Paiv. Serm. i , ^20 f He muito para artre os quaes fe ajfentão as mulheres. Eufros. 5,1 Pois recear que fe defcuide na emenda , quem fabe que ha promettovos eu, fegundo Ihé tomei o tento no pezo ao de ficar no mefmo andar de quando era peccador. Calv. iubir das andilbas, que he valente. Mendoç. ]orn. 1 , Homil. 2, ^18 Ficáo abaixo do andar dos brutos os 2 As fenhoras mui prmcipnes , e a mefma Rainha anque não reconhecem obrigação. Ceit. Serm. i , 96 , i daváo cm andilbas. Corr. Comm. 5, 62 E comfigo fuás 3L bem fabida regra he , que a coufa não fica táo fegumulheres em cima de bois muito gordos , albardados ra j pofla nos fòros da carne, como fica pofta no andar com íuas albardas de tabúa, a modo das Caftelhanas , do elpirito e mérito com Deos. e com huns páos, que fazem feição de andilbas. Andar da rua. vulg. O meio da rua, ou a rua. Eu'FROs, ^ , z Mandoume que me pufeíTe no andar da rua. ANDITO. s. m. pouc. uf. Paffeio ou efpaço para fe poder andar. Sovs. Vid. 6 , 17 Sobre efte eftrado deixandoArr. Dial. I , 20 E ajudado de outros por huma^ janelIhe tres palmos de andito cm torno. la fe pôs no andar da rua. Ceit. Serm. 2 , 66, 2 LoANDONE. s. m.- Cart. de Jap. i , 117, 2 Por toda 3 go , logo pela porta fóra , póftos no andar da rua. riia larga, que vai ate a cruz, puferáo os Portuguezes Andar da fala. O meio da fala ou a fala. Ferr. arvores mui altas de huma parte , c da outra, e nellas Ds Va3c. Aulegr. i j 5 Pondevos no andar da fala, muitas lanternas e andones accefos. leixaime bracejar com minhas magoas , e brasfemar de ANDOR. s. m. Certo tbrono, que fujtentado fobre varas, mim. ferve para levar aos hombros nas procifsoes as imagens ott ANDAREJO , A. adj. ant. e pouc. uf. O mefmo Anderelíquias dos Santos, Leit. d'Andrad. Mifc. 12 , E jo. Ferr. de Vasc. Ulyílip. i 1 2 As meninas sáo anno fim a Senhora das Mercês no feu andor com coroa darejas, que he hum prazer. Prest. Aut. 12^^ AHi diImperial na cabeça. Camp. Receb. f' Efte andor era go eu por efta bocca , A cafada , tres horas na Igreja, o derradeiro da primeira repartição. Vieir. Serm. 8, li o mais qne em cafa efteja , E náo já que troque a Os Religiofos , que também levaváo aos hombros o feu roca, Pelos goftos de andareja. Santo Padre em hum efquife ou andor ricamente orANDARENGO, A. adj. ant. c pouc. uf. O mefmo que Annado. , dejo. Goes 3 Chr. de D. Man. 2 , 29 Que lhe mandafCarruagem portátil da índia. De Andul. Voz Perfe fellar huma faca baia mui andarenga. fica. Castakh. Hift. 4 , 16 Defpois de recebido [[ Vaf/NDARILHO. s. m. Lacaio veloz e ligeiro, que anda e co da Gama J foi tomado cm hum andor ,. . porque nacorre muito. De commum acompanha a pé feu amo a ca-' quella terra náo fe coftuma andar a cavallo , e andáo nefvallo ou em carruagem , correndo diante delie , com veftes andores, que sáo como leitos d^andas , fenáo que tido á ligeira, e baftâo na máo. Também ferve para lesáo defcobertos , e quafi razos, táo baixas cem as guarvar cartas , e fazer recados com fumma prefteza. Blot. das. Goes , Chr. de D. Man. i , 39 Na mefma hora, Vocab. Suppl. que Vafco da Gama defembarcou , o fez o Catual toANDARIM. s. m, O mefmo que Andarilho. Blut. Vocab. mar em Imm andor , que sáo a modo de andas defcoSuppl. bertas , que levaváo quatro homens aos hombros porefANDAS. s. f. pl. Leito em forma de liteira fohre varaes, tado , eftes sáo tá» detlros neíle oíHcio, que o que vai Jem caixa, porque tirão homens ou animaes. Resend. Chr. no andor, poítoque elles vão ás vezes correndo, quafi 1:54 E a Princeza coberta de almatega e vafo , mettida que náo fente , que o movem , a par dos quaes vai ouem humas andas cobertas de burel. Bernard. Rib. Metro homem com hum fombreiro defparavel , pofto em nin. 1,5 Em huitias ricas andas, que Lamencor na náo huma afte comprida pera lhe tomar o foi e a chuva. trouxe, hiáo as duas irmáas. Barr. Dec. ^ , 2, 7 E Cam. Luf. 10, 17 Mas hum tiro, que com zonido voa, quando [ as mulheres da China J hão de ir tora , vão De íangue o tinge no andor íublime. mettidas em andas todas cobertas de sèda , em collos de Qjialquer carruagem portátil vara fer conduzida aos homens , rodeadas de fervidores. hombros de nomens , ou de outro qualquer modo. Brit. Mon. Varaes tirados por bejias , fobre que fe pÕe a tumz , y. c. z Difcorrendo pelos efquadróes em hum andor ba ou efquife , em que fe levão a enterrar os defuntos. de marfim ao modo , que os Reis Godos coftumaváo Barr. Dec. 4, 9, 8 O Capitão por honra de feu Rei, andar nos exercitos. Feo , Tr. i , 52 , 4 Foi difto hum o mandou embalfamar , e polto em andas com toda a retrato aqueile andor, que Salamáo mandou fazer para pompa e ceremonia , que elle pode tazer , o levou calhe fervir no dia dos leus defpoforios , quando , indo nelminho de Gouro. Mor. Palm. 2 , 76 Viráo vir contra le com fua efpofa j deffe mpftras de fi a toda a cidaft humas andas cobertas de hum tapete negro , acompade. Seus. Vid. 2,40 meio , que achou o engenho nhadas de tres efcudeiros , que faziáo grão pranto por humano pera vadear efte paíTo , foi inventar huma mahum corpo morto , que uellas hia. neira de andores, ou carretes, que váo decendo, ou caANDAVEL. adj. de huma term. pouc. uf. O mefmo que hindo polas ferras abaixo , arraftrados cada hum por dous Andejo. M. de Figueir. Chronogr. 2 , 28 Sáo priguihomens. çofos , pezados no andar, pouco andaveis, efcarnecedoANDORINHA, s. f. Certa av: de arribarão, que fe acha res , burladores. em hum e outro Continente. Tem a cabeça muito grande, ANDECHA. s. f. ant. O mefmo que Endecha. Bent. Per. para o tamanho do feu corpo , e achatada , o bico curThef. to , e algum tanto curvo na extremidade , delgado na ANDE}0 , A. adj. Que anda ou caminha muito. Vit. ponta , e comprimido na bafe , com huma abertura muiChrist. 2,25 Havendo pouco temor , que feráo legato larga. O pelcoço he curto, as azas compridas, os pés dos os feus aníiejoí pés. Barth. Guerreir. Cor. 2, 19, curtos e muito pequenos com tres dedos anteriores , e hum 125 Refponde ás pegas , que cá lançáo aos bois muipofterior, e o dedo do meio ellreitamcnte unido ao pofto andejos. tcrior até á primeira articulação. Ha diverfas efpecies. de Amigo de andar, que por vicio e cojiume anda de Andorinhas: a mais conhecida entre nós , e que de orbttma parte para outra. Vir. Christ. 2 , 25 Mas eíles dinário fabrica o feu ninho nas caafs, peza apenas huReligiofos ] d agora vagabundos e andejos leixáo o erma onça : tem de feis até fetc pollegadas de comprido mo , e bufcáo as cidades c paços. Salgad. Theatr. z , defde o fim do bico até a extremidade da cauda, e qua19 Se cftas Senhoras náo foráo Andejas, andáráo bem fi hum pé de envergadura, ifto he, da extremidade de &c. Chag, Ramilh. 8, 107 Façafe .. . odeliciofo, mor■ huma a de outra aza: a fua grandeza he media entre as tificado ; o andejo , recolhido , &c. outras efpecies. O bico he negro , o paladar amarello , Mct. Vit. Christ. 2 , , 7 O coraçnm traveíTo, os olhos hum pouco grandes , o íris cor de avelláa ,. 03 c defaviado, e andejo per errores, e atribulado perloupés , e unhas denegridas, a garganta , e a parte fupeçainhas e oufanas. rior da cabeça cor de caltanha efcura, o refto da cabeAdag. Comadre andeja, náo vou a parte, onde a ça e a parte fuperior do corpo de hum negro luftrofo náo veja. Delic. Adag. 1:55. ANDEIRO , A. adj. O mefnn que Andejo. Blut. Vocab. com reflexos dc aço azulado, e polido: pela parte infe- c<noinclude></noinclude> erd1b8ck9vj7691qhb12wirxzkt0mfv Página:Pégadas.pdf/122 106 258168 563873 2026-09-21T21:37:38Z Épico 12904 /* Revista */ 563873 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" /></noinclude>108 PEGADAS que defronte delle ia pouco e pouco se estornando e esbatendo nos crepes da noite; ao passo que no ceu as estrellas se accendiam. Desde que o destinaram a padre, sentia-se arrastado para a tristeza e para a solidão; achava que defronte delle ia pouco e pouco se esfumando e esbatendo nos crepes da noite; ao passo que no ceu as estrellas se accendiam. Desde que o destinaram a padre, sentia-se arrastado para a tristeza e para a solidão; achava certo goso amargo em deixar-se consumir pela áspera certeza da sua inutilidade physica. Não queria a convivencia dos outros homens, porque todos tinham e desfructavam aquillo que lhe era vedado — o amor, a alegria, a doce consolação da familia. O que elle desejava do fundo do seu desgosto era morrer, morrer logo ou quando menos envelhecer quanto antes; ficar feio, acabado, impotente; que o seu cabello de preto e lustroso se tornasse todo branco; que o seu olhar arrefecesse; que os seus dentes amarellassem e a sua fronte se abrisse em rugas. Desejava refugiar-se covardemente na velhice como num abrigo seguro contra as paixões mundanas. Soffria impetos de arrancar aquelle seu coração importuno e esmagal-o debaixo dos pés. Não se sentia capaz de domar a matilha que lhe rosnava no sangue; sobresaltava-se com a idéa de succumbir a uma revolta mais forte dos nervos, e só a lembrança de que seria capaz de uma paixão sensual sacudia-o todo com um frio tremor de febre. — Todavia... replicou-lhe do intimo da consciencia uma voz meiga, medrosa, quasi imperceptivel — todavia, o amor deve ser bem bom!...<noinclude></noinclude> hmne4gm5ocijjtbstfzzkqozrhpics1 563874 563873 2026-09-21T21:40:38Z Épico 12904 563874 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho|108|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>que defronte delle ia pouco e pouco se esfumando e esbatendo nos crepes da noite; ao passo que no ceu as estrellas se accendiam. Desde que o destinaram a padre, sentia-se arrastado para a tristeza e para a solidão; achava certo goso amargo em deixar-se consumir pela áspera certeza da sua inutilidade physica. Não queria a convivencia dos outros homens, porque todos tinham e desfructavam aquillo que lhe era vedado — o amor, a alegria, a doce consolação da familia. O que elle desejava do fundo do seu desgosto era morrer, morrer logo ou quando menos envelhecer quanto antes; ficar feio, acabado, impotente; que o seu cabello de preto e lustroso se tornasse todo branco; que o seu olhar arrefecesse; que os seus dentes amarellassem e a sua fronte se abrisse em rugas. Desejava refugiar-se covardemente na velhice como num abrigo seguro contra as paixões mundanas. Soffria impetos de arrancar aquelle seu coração importuno e esmagal-o debaixo dos pés. Não se sentia capaz de domar a matilha que lhe rosnava no sangue; sobresaltava-se com a idéa de succumbir a uma revolta mais forte dos nervos, e só a lembrança de que seria capaz de uma paixão sensual sacudia-o todo com um frio tremor de febre. — Todavia... replicou-lhe do intimo da consciencia uma voz meiga, medrosa, quasi imperceptivel — todavia, o amor deve ser bem bom!...<noinclude></noinclude> t6uw6uhgmyqah84v01hrhe6p58xasyh Página:Pégadas.pdf/123 106 258169 563876 2026-09-21T22:06:07Z Épico 12904 /* Revista */ 563876 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho||INVEJA|109|borda_inferior=sim}}</noinclude>E dous fios compridos escorreram pelas faces pallidas do padre. Nisto, o canto de um passarinho fel-o olhar para cima. Na embalsamada cupola de verdura que cobria a fonte o innocente intruso trinava ao lado da sua companheira. O moço estremeceu e ficou a olhar fixamente para elles. Os dous velhaquinhos, descuidosos na sua felicidade, conservavam-se muito unidos, como se estivessem cochichando segredos de amor. A fêmea estendia a cabeça ao amigo e, emquanto este lhe ordenava as pennas com o bico, ella, num arrepio, contrahia-se toda, com as azas levemente abertas e tremulas. Depois, uniram-se ainda mais, prostrados logo pelo mesmo entorpecimento. Então, o joven ecclesiastico, tomado de uma vertigem, levantou o guarda-chuva e com uma pancada lançou por terra o amoroso par. Os pobresitos, ainda palpitantes de amor, cahiram, estrebuchando a seus pés. O padre voltou o rosto e affastou-se silenciosamente. No horisonte esbatia-se a ultima restea de sol e o sino de uma torre distante começou a soluçar Ave Maria.<noinclude></noinclude> bc5nzek8zkvngzulx3jbherd7id2p41 Pégadas/Inveja 0 258170 563877 2026-09-21T22:06:39Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Pégadas.pdf" from="119" to="123" header="1" /> 563877 wikitext text/x-wiki <pages index="Pégadas.pdf" from="119" to="123" header="1" /> ssv8r2dje2nogpj9wkbt5tq1phi1lat Utilizador Discussão:Anacastrosalgado 3 258171 563878 2026-09-21T22:09:58Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563878 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Anacastrosalgado'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 22h09min de 21 de setembro de 2026 (UTC) 69nmfuh528fmgpzluiu65rq1e1f97d7 Utilizador Discussão:Port archivist 3 258172 563879 2026-09-21T22:40:22Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563879 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Port archivist'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 22h40min de 21 de setembro de 2026 (UTC) cn3g2275zmn604nfhbtfvwaiczsz82x Página:Pégadas.pdf/124 106 258173 563880 2026-09-21T22:43:02Z Épico 12904 /* Sem texto */ 563880 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Épico" /></noinclude><noinclude></noinclude> aaccngzzvexzvvw9np60syu0sndysjo Página:Pégadas.pdf/125 106 258174 563881 2026-09-21T22:44:05Z Épico 12904 /* Revista */ 563881 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" /></noinclude> {{C|style=font-family:serif;|fs=150%|{{espacejamento de letra||DEMONIOS}}}}<noinclude></noinclude> 9rr850j2pnp3c15xhzq4fypjp9l6xsd Página:Pégadas.pdf/173 106 258175 563882 2026-09-21T22:45:07Z Épico 12904 /* Revista */ [vou deixar "Demonios" para depois] 563882 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" /></noinclude> {{C|style=font-family:serif;|fs=150%|{{espacejamento de letra||DAS NOTAS DE UMA VIUVA}}}}<noinclude></noinclude> 2nhnfdks6tz62l8vpawm494jwii4zco Página:Pégadas.pdf/172 106 258176 563883 2026-09-21T22:45:16Z Épico 12904 /* Sem texto */ 563883 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Épico" /></noinclude><noinclude></noinclude> aaccngzzvexzvvw9np60syu0sndysjo Página:Pégadas.pdf/175 106 258177 563884 2026-09-21T22:54:38Z Épico 12904 /* Revista */ 563884 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" /></noinclude>{{C|style=font-family:serif;|{{xx-maior|DAS NOTAS DE UMA VIUVA}}}} {{EspV|140%}} {{linha horizontal|4em}} {{EspV|200%}} « Eu tinha dez mezes de viuva e havia seis que Paulo me fazia a côrte. Por esse tempo propoz-me elle um passeio ao campo e eu acceitei. A manhã era esplendida; uma bella manhã de Setembro, cheia de luz e temperada por um calor communicativo e doce. Ás quatro horas mettemo-nos num carrinho de vime, leve como uma cesta, rasteiro como um divan, e commodo como um leito. Paulo deu redeas ao animal e o carro conduziu-nos para fóra da cidade. Eu sentia um bom humor extraordinario; o ar puro e consolador daquella madrugada, pulverisado no espaço em vapores côr de rosa, enchia-me toda como de uma grande alma nova, feita de cousas alegres e bemfazejas. Tive vontade de rir e de cantar. O sol principiava a destacar o contorno irregular das arvores e derramava sobre as montanhas<noinclude></noinclude> 07a24ld7vvh8czhwas9mj5wf31g1c90 Página:Pégadas.pdf/176 106 258178 563886 2026-09-21T23:03:37Z Épico 12904 /* Revista */ 563886 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho|162|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>uma luz sanguinea e transparente. Achei-me expansiva, travessa, com repentes de criança; e, não sei porque, Paulo nessa occasião se me affigurou muito melhor do que nas outras. Cheguei a descobrir-lhe espirito e a desfazer-me em risadas com algumas pilherias suas que, fóra d'alli, me fariam bocejar. Em certa altura, parámos. Elle ajudou-me a descer, prendeu o cavallo, abriu a minha sombrinha, e começámos os dous a andar de braço dado por debaixo das arvores. Que delicioso passeio! Ninguem póde calcular quanto me sentia feliz. Mais alguns passos e tinhamos chegado a um caramanchão, ou melhor, alpendre de verdura, mysterioso, morno, impregnado de perfumes resinosos e embebido de azul sombrio. Ao lado, uma cascata corria em sussurros; e as suas aguas esfarelavam-se nas pedras, irradiando na fulguração do sol. Paulo deixou-me por um instante, para ir buscar o carro. E, n'esse momento de inteira liberdade, quando senti que não era observada por ninguem, levantei-me, bati palmas e puz-me a dançar como uma doida; depois galguei aos saltos o lado da cascata e recebi no rosto o pó humido das aguas, d'onde o sol tirava cambiantes multicôres e dourados. Abaixei-me, colhi agua na concha das mãos e bebi. Afinal, assentei-me no chão e abri a cantar uma cousa alegre que aprendera ainda no tempo do collegio.<noinclude></noinclude> g1xpwy7e69np6ssulateka8fy800tl3 Página:Pégadas.pdf/177 106 258179 563887 2026-09-21T23:06:39Z Épico 12904 /* Revista */ 563887 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho||DAS NOTAS DE UMA VIUVA|163|borda_inferior=sim}}</noinclude>Paulo voltou com o carro e recolheu ao pavilhão o cesto do almoço. Extendeu a toalha sobre uma mesinha de pedra que havia; pousou uma machina de café, duas garrafas de bordeaux, uma de champagne, uma botija de curaçáo, uma empada, um assado, queijo, fructas e pão. Sentia appetite e confesso que estava encantada com tudo aquillo. Era a primeira vez que me animava a fazer uma folia d'esse genero — um almoço ao ar livre, ao lado de um rapaz. E Paulo não me parecia o mesmo homem: descobria-lhe maneiras e qualidades, para as quaes jamais attentára em quanto o vira sómente nas frias attitudes circumspectas da vida; notava-lhe agora a distincta estroinice dos pandegos de boa familia, creados e amimados entre senhoras finas e orgulhosas; um certo pouco caso fidalgo e elegante pelas virtudes communs e pelos vicios vulgares; um ar altivo e masculo de quem está habituado a gastar forte com os seus prazeres; uma linha moderna, libertina e gentil a um tempo, feita de extravagancias de bom gosto, e um pouco de viagens, alguns conhecimentos de musica, um nada de politica, anecdotas francezas, algum dinheiro, charutos caros, um monoculo, o uso de varias linguas, duas gottas de mel inglez no lenço, um fato bem feito de casimira cambraia, um chapéu de palha, luvas amarellas, polainas e uma bengala. E o grande caso é que estava um rapagão<noinclude></noinclude> meahbr8b21771iatgy9wl6kkojlqldw Utilizador Discussão:Car Nikolau 3 258180 563888 2026-09-21T23:13:39Z Épico 12904 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{subst:Bem vindo}} ~~~~ 563888 wikitext text/x-wiki <div style="background-color: #FFF; border: 1px solid #a7d7f9; border-radius: 10px; padding:1em;"> <span style="font-size: 144%; ">'''Olá, Car Nikolau'''!</span> Boas-vindas à Wikisource, um projeto colaborativo livre voltado para a construção de um '''acervo digital de livros e textos em domínio público, ou em [[Wikisource:GNU Free Documentation License|licença aberta]] ''' que sejam relevantes para o público geral, utilizando uma comunidade [[w:wiki|wiki]]. Se você deseja colaborar, sugerimos que leia as seguintes páginas: * '''[[Ajuda:Introdução|Introdução]]''' — para ter uma ideia de quem somos e como colaborar. * '''[[Wikisource:Portal comunitário|Portal comunitário]]''' — onde pode acessar a documentação do projeto. * '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' — lugar onde pode pedir ajuda, discutir aspectos técnicos e administrativos do projeto. <hr style="background: #F89B40; margin: 1em auto; width: 300px;" /> '''Informações adicionais:''' *Ao postar mensagens em páginas de discussão de usuário, de um texto ou na [[Wikisource:Esplanada|Esplanada]], sempre assine suas mensagens . Para isto, após escrever sua mensagem, digite <code><nowiki>~~~~</nowiki></code>: sua assinatura será postada automaticamente ao salvar a página. * A comunidade Wikisource é muito flexível em relação a erros de novatos, por isto não hesite em editar: caso cometa erros, '''usuários experientes sempre ajudarão na sua edição'''. No entanto, como um projeto sério, alterações intencionais sem sentido serão coibidas. * '''Referencie todo conteúdo que você incluir na Wikisource''': buscamos oferecer conteúdos confiáveis e em licença aberta, e conteúdos sem referência poderão ser apagados. Leia [[Wikisource:Fontes de Referência]] para mais detalhes. * Se você entrou na Wikisource porque um '''conteúdo seu ou de terceiros, protegido por direitos autorais, foi disponibilizado na Wikisource sem autorização''', por favor comunique '''imediatamente''' à '''[[Wikisource:Esplanada|Esplanada]]''' para que possamos avaliar o caso e tomar as medidas cabíveis. <br> Boa estadia e bom trabalho! </div> — [[Usuário:Épico|<span style="color:var(--color-emphasized,#101418); font-family:Times New Roman;serif;">Épico</span>]] <span style="font-size:85%">[[Usuário Discussão:Épico|(disc)]]/[[Especial:Contribuições/Épico|(contrib)]]</span> 23h13min de 21 de setembro de 2026 (UTC) 52wmv62omyoo1my2j4cvpw2j2piy8xb Página:Pégadas.pdf/178 106 258181 563891 2026-09-22T00:21:48Z Épico 12904 /* Revista */ 563891 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho|164|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>cheio de gestos largos, de atiramentos de perna e de grandes exclamações em inglez. Assentei-me no banco que circulava a mesa e elle fez o mesmo defronte de mim. Informou-se se eu estava satisfeita com o passeio; fallou em repetil-o. Era preciso aproveitar o verão. Mas, nos domingos — nada! Havia muita gente! E abria garrafas, dava lume á machina de café, servia-me de mariscos e fallava-me do seu amor. Eu contei-lhe francamente as impressões que recebera aquella manhã e mostrei-me contente. — Se soubesse, minha amiga, disse-me elle, quanto me sinto bem a seu lado!... Nem mesmo me reconheço, creia! Fico tolo só a pensar em nossa futura felicidade, em nossa casa e em nossos... Ia fallar nos filhos, mas deteve-se e ficou a olhar-me em silencio, com os olhos afogados n'uma grande insistencia humilde. Parecia haver um pranto escondido por detraz das suas pupillas verdes. — Descance, falta pouco!... respondi, possuida de alguma cousa que não sei bem se era compaixão. — Falta um seculo!... emendou elle com um suspiro. E chegou-se mais para mim. Tinha o ar tão respeitoso que não fugi. — Porque não fica mais á vontade? aconselhou-<noinclude></noinclude> 2p4fyn1v2uegisc1b88amimxhtszm57 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/133 106 258182 563894 2026-09-22T00:43:06Z JppBr98 28173 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O mata-pau {{capitular|P|ficheiro=Urupês (3ª Edição) Página 133 Imagem 0002.png}}INCAROS arriba e perambeiras abaixo, a serra do Palmital escurece da mataria virgem, sombria e humida, tramada de taquarassús, afestoada de pócas, com grandes arvores velhas por cujo tronco e galhaça trepam cipós, escorre a barba de pau, e adherem musgos. Quem sóbe da varzea, transpostas as capoeiras da raiz, ao emboscar-se de chofre no frio tunnel veget... 563894 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 127 {{--}}}}</noinclude>O mata-pau {{capitular|P|ficheiro=Urupês (3ª Edição) Página 133 Imagem 0002.png}}INCAROS arriba e perambeiras abaixo, a serra do Palmital escurece da mataria virgem, sombria e humida, tramada de taquarassús, afestoada de pócas, com grandes arvores velhas por cujo tronco e galhaça trepam cipós, escorre a barba de pau, e adherem musgos. Quem sóbe da varzea, transpostas as capoeiras da raiz, ao emboscar-se de chofre no frio tunnel vegetal que é ali a estrada, inevitavelmente espirra. E se é homem das cidades, desaffeito aos aspectos bravios do sertão, depois do espirro abre a bocca, pasmado da paulama. Extasia-se ante a copa graciosa dos samambaiussús semelhantes a palmeiras, ante as borboletas azues, ante as orchideas, os lichens, tudo. Soffrea o animal sem o sentir; mas não pára. Vae parar adiante, na Volta Fria, onde um broto d’agua gelada, fluente por entremeio de pedras<noinclude></noinclude> 32ddvgu9wbwhzw2x7a9bdbttxxa0b6a Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/134 106 258183 563896 2026-09-22T01:13:48Z JppBr98 28173 /* Revista */ 563896 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 128 {{--}}}}</noinclude>limosas, o tenta a sorver um gole aparado em folha de caheté. Bebida a agua, e dito que nas {{PT||cidades não ha d’aquillo, leva-lhe a vista o soberbo mata-pau que abalisa o grotão.}} [[File:Urupês (3ª Edição) Página 134 Imagem 0002.png|centro|300px]] {{PT|cidades não ha d’aquillo, leva-lhe a vista o soberbo mata-pau que abalisa o grotão.}} — Que raio de arvore é esta? pergunta ao capataz, pasmado mais uma vez. {{nop}}<noinclude></noinclude> abbtbnd3hpr6wwenhvcyyj11bdajau9 Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/135 106 258184 563897 2026-09-22T01:46:36Z JppBr98 28173 /* Revista */ 563897 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 129 {{--}}}}</noinclude>E tem razão de parar, admirar e perguntar, porque é duvidoso existir naquella sertania exemplar mais truculento de gamelleiro. Eu, de mim, confesso que fiz as tres coisas. O camarada respondeu á terceira: — Não vê que é um mata-pau. — E que vem a ser o mata-pau? — Não vê que é uma arvore que mata outra. Começa, quer ver como? — disse elle escabichando as frondes com olhar agudo em procura d’um exemplar typico — está ali um! — Onde? perguntei eu, tonto. — Aquelle fiapinho de planta ali no gancho do jacaré, continuou o cicerone, apontando com dedo e beiço uma parasita humilde, grudada na forquilha de um galho, com dois filamentos pendurados, oscillantes ás brisas. — Começa «assimzinho», meia duzia de folhas piquiras; bóta p’ra baixo esse fio de barbante na tenção de pegar a terra. E vae indo, sempre n’aquillo, nem p’ra mais, nem p’ra menos, até que o fio alcança o chão. E vae então o fio vira raiz, e pega de beber a sustancia da terra. A parasita cria folego, e cresce que nem embaúva. O barbantinho engrossa todo o dia, passa a cordel, passa a corda, passa a pau de caibro e acaba virando tronco de arvore e matando a mãe, como este guampudo, — concluiu dando com o cabo do relho no meu gamelleiro. — Com effeito! — exclamei. E a arvore deixa? — Que é que ha de fazer? Não desconfia de nada a boba. {{nop}}<noinclude></noinclude> aidogr8w1o7qw51y94x7utvjn7gcb0t Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/136 106 258185 563899 2026-09-22T02:00:05Z JppBr98 28173 /* Revista */ 563899 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 130 {{--}}}}</noinclude>Quando vê no seu galho uma isca de quatro folhinhas imagina que é parasita, e não se precata. O fio, pensa que é cipó. Quando a malvada ganha alento, e garra de engrossar, é que a arvore sente a dôr dos apertos na casca. Mas é tarde. O poderoso d’ahi para diante é o mata-pau. A arvore morre e deixa a lenha podre dentro delle. Era isso mesmo. O lenho gordo e viçoso da planta facinorosa envolvia um {{corr|tornco|tronco}} morto, bichado, a desfazer-se em carcoma. Viam-se por elle acima, intervalados, os terriveis cingulos estranguladores; hoje, inuteis, desempenhada já a sua missão constrictora, esses anneis jaziam frouxos e atrophiados. Imaginação envenenada pela literatura, pensei logo nas serpentes de [[w:Laocoonte|Laocoonte]], na vibora aquecida no seio do homem da fabula, nas filhas do [[w:Rei Lear|rei Lear]], em todas as figuras classicas da ingratidão. Pensei e calei, tanto o meu companheiro era uma creatura simples, pura dos vicios mentaes que inoculam livros. Encavalgamos de novo e partimos. Não longe d’ali a serra complana-se em rechan, e a matta mingúa em capoeira nova. No meio della, em terreiro descoivarado, entremostra-se uma tapera. Esverdece o melão de S. Caetano por sobre o tapume arruinado do quintalejo, onde laranjeiras hervadas, e uma ou outra planta domestica, marasmam agoniadas pelo matto suffocante. {{nop}}<noinclude></noinclude> jll9p5dj5ftdwcqhz9fmxlumfcqkxnl Página:Pégadas.pdf/179 106 258186 563901 2026-09-22T02:44:16Z Épico 12904 /* Revista */ 563901 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho||DAS NOTAS DE UMA VIUVA|165|borda_inferior=sim}}</noinclude>me, ajudando-me, muito solicito, a tirar o chapéu e desfazer-me do mantelete. Houve um silencio. Elle queixou-se da falta de gelo, abrio uma nova garrafa de bordeaux e encheu as taças. Depois, leu-me uns versos que a mim fizera no meu tempo de solteira. Vieram recordações. — O nosso namoro! Quanta criancice! — E o bofetão?... Esta lembrança trouxe-me uma risada que me fez engasgar. Sobreveio-me tosse; fiquei um pouco suffocada... Elle levantou-se logo, começou a bater-me delicadamente nas costas. E, a pretexto de auxiliar-me, affagava-me os cabellos e a fronte. — Não é nada! não é nada! dizia. Um gole de champagne! — Não! antes agua... Correu á cascata e voltou com um copo d'agua. Tornamos á palestra, e não reparei logo que o rapaz d'esta vez ficara inteiramente encostado a mim. Passámos á sobremesa. As pilherias repetiam-se mais a miudo. Paulo poz-se a fumar. Consenti e disse até que gostava do cheiro do fumo. Elle fez saltar a rolha do champagne. Sentia-me enlanguecer; os olhos ardiam-me um tanto e todo o corpo me pedia repouso; insensivelmente fui perdendo alguma cousa da minha cerimonia e pondo-me á vontade; estiquei mais as pernas, recostei-me nas costas do banco e debrucei para traz a cabeça.<noinclude></noinclude> 7d5em8c4flqg8zf343wce9v485hq89k Página:Pégadas.pdf/180 106 258187 563902 2026-09-22T02:52:53Z Épico 12904 /* Revista */ 563902 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho|166|PÉGADAS||borda_inferior=sim}}</noinclude>Elle ficou a olhar-me muito, com um ar serio e infeliz. Tive vontade de dizer qualquer coisa e nada mais consegui do que sorrir. Estava fatigada. Paulo aconselhou-me que fumasse um cigarrinho e esta idéa extravagante não me pareceu má. Fumei o meu primeiro cigarro. Em seguida senti um vago desejo de dormir. Elle serviu o café e o licôr. Fez-me tomar antes um pouco de champagne misturado com Bordeaux. E continuámos a conversar As recordações de antes do meu casamento vinham a todo o instante. — Isto sempre teve genio!... segredava elle, ameigando-me o queixo. Chamava-me creaturinha má, sem coração; ameaçava-me com vingançazinhas, que se realisariam quando fossemos casados. Tinha ditos maliciosos, palavras de sentido dubio e olhares cheios de paixão. Eu extendia-me cada vez mais no banco, amollecida por um entorpecimento agradavel; as palpebras fechavam-se-me. Fazia-se-me vontade de ser menos severa para com aquelle pobre companheiro de infancia; tanto que não me sobresaltei quando senti a sua mão empolgar-me a cintura. — Como eu te amo! murmurou elle, com a bocca muito perto de meu rosto. O seu halito abrazava-me as faces. — Não faça assim: pedi, repellindo-o frouxamente.<noinclude></noinclude> ftvikucera4v8611iqrozhadizc1k0f Página:Pégadas.pdf/181 106 258188 563904 2026-09-22T03:05:25Z Épico 12904 /* Revista */ 563904 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Épico" />{{cabeçalho||DAS NOTAS DE UMA VIUVA|167|borda_inferior=sim}}</noinclude>Mas elle passou-me a outra mão na cinta e puxou-me para si. Fiz ainda alguma resistencia; sentia-me porém tão molle, e além d'isso sabia-me tanto ser abraçada por alguém n'aquella occasião, que me deixei levar e cahi sobre elle, com a cabeça desfallecida no seu hombro. Paulo segurou-me o rosto e estonteou-me de beijos. Eram ardentes, vivos, repetidos, como os tiros de uma metralhadora. »<noinclude></noinclude> 2bcay9n07u833v69h2kx3fq8wkggo8a Página:Pégadas.pdf/182 106 258189 563905 2026-09-22T03:05:38Z Épico 12904 /* Sem texto */ 563905 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Épico" /></noinclude><noinclude></noinclude> aaccngzzvexzvvw9np60syu0sndysjo Pégadas/Das notas de uma viúva 0 258190 563906 2026-09-22T03:07:17Z Épico 12904 bonitinho esse conto; "beijou-me como uma metralhadora" é uma imagem tão moderna, parece quase anacronismo 563906 wikitext text/x-wiki <pages index="Pégadas.pdf" from="175" to="181" header="1" /> sta1ig95erof8itmjhenn61cuvb65mr Página:Certificado de indulgências de Inocêncio VIII.pdf/2 106 258191 563907 2026-09-22T08:40:53Z Joana Lages 43857 /* Sem texto */ 563907 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Joana Lages" /></noinclude><noinclude></noinclude> gp4zzv5yqq31yy7yq845ajhz1olucbb Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/6 106 258192 564061 2026-09-22T09:39:42Z Faraqat-flup 43854 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde, per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ- pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste, das primeiras disinções. [Diuisam da uergonha.] E quãto á primeira que é dor, á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo: aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri meiro asento desta,foy no paraiso terreá... 564061 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde, per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ- pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste, das primeiras disinções. [Diuisam da uergonha.] E quãto á primeira que é dor, á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo: aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de- pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do paraiso,e respondeo a deos que o chamáua: Senbor ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer- gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó- dese chamár penitençia. Este perdam, conseguio elrey Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte: e este perdã conseguira Iudas, se quando disse pequei em trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia, por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi- lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa- láura, gratia plena. Esta uergonba quérem imitár aquelles<noinclude></noinclude> lj3a5e8u9f00ov0gbk6hwpegwtsoqhg 564070 564061 2026-09-22T09:43:41Z Faraqat-flup 43854 564070 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde, per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ- pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste, das primeiras disinções. [Diuisam da uergonha.] E quãto á primeira que é dor, á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo: aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de- pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do paraiso[Gene.iij.ca.],e respondeo a deos que o chamáua: Senbor ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer- gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó- dese chamár penitençia [Isa.xxxviij.]. [Reg,xxiiij.]Este perdam, conseguio elrey Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam [Luc.vijca.] [Luc.xxij.c] lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte: e este perdã conseguira Iudas [Mat.xxvij], se quando disse pequei em trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia, por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi- lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa- láura, gratia plena [Luc.i.capi.]. Esta uergonba quérem imitár aquelles<noinclude></noinclude> he5zfz3mh635jv0jzo7zx2fk4lr2801 564071 564070 2026-09-22T09:45:09Z Faraqat-flup 43854 564071 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde, per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ- pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste, das primeiras disinções. [Diuisam da uergonha.] E quãto á primeira que é dor, á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo: aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de- pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do paraiso[Gene.iij.ca.],e respondeo a deos que o chamáua: Senbor ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer- gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó- dese chamár penitençia [Isa.xxxviij.]. [Reg.xxiiij.] Este perdam, conseguio elrey Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam [Luc.vijca.] [Luc.xxij.c] lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte: e este perdã conseguira Iudas [Mat.xxvij], se quando disse pequei em trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia, por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi- lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa- láura, gratia plena [Luc.i.capi.]. Esta uergonba quérem imitár aquelles<noinclude></noinclude> jwawwvvkdkwhg2tvcdbr9qwjbkmiv2l 564073 564071 2026-09-22T09:48:15Z Faraqat-flup 43854 564073 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>=== === DIALOGO === === sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde, per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ- pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste, das primeiras disinções. [Diuisam da uergonha.] E quãto á primeira que é dor, á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo: aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de- pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do paraiso[Gene.iij.ca.],e respondeo a deos que o chamáua: Senbor ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer- gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó- dese chamár penitençia [Isa.xxxviij.]. [Reg.xxiiij.] Este perdam, conseguio elrey Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam [Luc.vijca.] [Luc.xxij.c] lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte: e este perdã conseguira Iudas [Mat.xxvij], se quando disse pequei em trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia, por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi- lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa- láura, gratia plena [Luc.i.capi.]. Esta uergonba quérem imitár aquelles<noinclude></noinclude> l9hknjix5ufauoqqupxk17tr9fu1nzs 564077 564073 2026-09-22T09:49:55Z Faraqat-flup 43854 564077 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde, per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ- pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste, das primeiras disinções. [Diuisam da uergonha.] E quãto á primeira que é dor, á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo: aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de- pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do paraiso[Gene.iij.ca.],e respondeo a deos que o chamáua: Senbor ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer- gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó- dese chamár penitençia [Isa.xxxviij.]. [Reg.xxiiij.] Este perdam, conseguio elrey Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam [Luc.vijca.] [Luc.xxij.c] lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte: e este perdã conseguira Iudas [Mat.xxvij], se quando disse pequei em trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia, por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi- lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa- láura, gratia plena [Luc.i.capi.]. Esta uergonba quérem imitár aquelles<noinclude></noinclude> 5tx7b8euxd9yu8r0fof4oermbwitlqt 564115 564077 2026-09-22T11:15:50Z Faraqat-flup 43854 564115 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />DIALOGO</noinclude>''sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde,<br> ''per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se<br> ''contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ-<br> ''pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste,<br> ''[Diuisam da uergonha.] das primeiras disinções. E quãto á primeira que é dor,<br> ''á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo:<br> ''aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri<br> ''meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de-<br> ''pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do<br> ''[Gene.iij.ca.] paraiso,e respondeo a deos que o chamáua: Senbor<br> ''ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer-<br> ''gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó-<br> ''[Isa.xxxviij.] [Reg.xxiiij.] dese chamár penitençia. Este perdam, conseguio elrey<br> ''[Luc.vijca.] [Luc.xxij.c] Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam <br> ''lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo<br> ''q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte:<br> ''[Mat.xxvij] e este perdã conseguira Iudas, se quando disse pequei em<br> ''trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia,<br> ''por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas<br> ''uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde<br> ''á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi-<br> ''lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue<br> ''cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio<br> ''saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa-<br> ''[Luc.i.capi.]láura, gratia plena. Esta uergonba quérem imitár<br> aquelles<noinclude></noinclude> q3ritezyzmjtn5nrez4fpu499wyqclh 564125 564115 2026-09-22T11:21:33Z Faraqat-flup 43854 564125 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />♠ DIALOGO ♠</noinclude>''sões della: e entam sentirás como honrra e humilidáde,<br> ''per ley de Christo dõde nós fundamos esta disinçám,se<br> ''contem debáixo de hum soieito, com respeito de tres tẽ-<br> ''pos,que correspondem aos tres nomes que apontáste,<br> ''[Diuisam da uergonha.] das primeiras disinções. E quãto á primeira que é dor,<br> ''á hi hũa uergonha que tem respeito ao tempo passádo:<br> ''aquál se gera da memória do pecádo cometido,E o pri<br> ''meiro asento desta,foy no paraiso terreál, quando de-<br> ''pois que Adam pecou se scondia antre as árvores do<br> ''[Gene.iij.ca.] paraiso,e respondeo a deos que o chamáua: Senbor<br> ''ouuy a tua uóz e escondime por que éra nu. Esta uer-<br> ''gonha por causa do que se fegue a ella que é perdam:pó-<br> ''[Isa.xxxviij.] [Reg.xxiiij.] dese chamár penitençia. Este perdam, conseguio elrey<br> ''[Luc.vijca.] [Luc.xxij.c] Ezechias,e Dauid,e a Madaléna em casa de Symam <br> ''lepróso, e a dultera quãdo â presentarám a Christo<br> ''q[ue] â cõdenásse, e Pedro quãdo chorou amargósamẽte:<br> ''[Mat.xxvij] e este perdã conseguira Iudas, se quando disse pequei em<br> ''trair o sangue do iusto,esperára na sua misericórdia,<br> ''por que sem esta esperança pouco aproueitã lagrimas<br> ''uergonha e dor. Outra uergonha á hi que corresponde<br> ''á toruaçám e tempo presente:a quál se póde chamár fi-<br> ''lha da humildáde: por que se géra quando alguem ouue<br> ''cousas de seu louvor. Esta naçeo no tempo que o anio<br> ''saudou a nóssa senhora : quando se toruou nesta pa-<br> ''[Luc.i.capi.]láura, gratia plena. 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Contrastar! — Futilidade, civilização... Hoje quem joga?... 0 Paulistano. Para o Jardim América das rosas e dos ponta-pés !<noinclude>73</noinclude> s2cy36vcuxtz1r3s97yyt8ps1hjrj3d Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/9 106 258194 564113 2026-09-22T11:09:28Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O BOLETIM Vol. XII DE MACAU. DO GOVERNO SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866. PARTE OFFICIAL. MINISTERIO DA MARISHA & ULTRAMAR. 2. DIRECÇÃO. 3.* Repartição. Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de de 1864 a tornar extensivas ás provincias oltramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art.... 564113 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>O BOLETIM Vol. XII DE MACAU. DO GOVERNO SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866. PARTE OFFICIAL. MINISTERIO DA MARISHA & ULTRAMAR. 2. DIRECÇÃO. 3.* Repartição. Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de de 1864 a tornar extensivas ás provincias oltramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art. 7. O fim da visita é verificar: 1. Se o local escolhido pelos conser- vadores é sufficiente: 2. Se n'elle existem devidamente ar- mencionados no arti- go aplegante!.. 3. Se n'elle existem o livro de recei- e despeze modelo I, e os cadernos de unico. A vista será feita, por deter- o registo de hypothe-talão impressos modelo L; 4. Se tudo mais que toca so material cas, direitos e encargos predises; confor- do serviço está em boa ordem e colloca- mando-me com a consulta do conselhoção; ultramarino de 18 de agosto do corrente anno: : hei p bem, em nome de i por l em nome de El-Rei, approvar o codigo do credito predial das provincias ultramarinas, que faz parte d'este decreto, e baixa assignado pelo ministro e secretario d'estado interino dos negocios da marinha e ultramar. O mesmo ministro e secretario d'esta- do o tenha assim entendido e faça execu- tar. Paço, em 17 de outubro de 1865. -REI, Regente.- Visconde da Praia Grande. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA. Do registo predial CAPITULO I Da natureza e fim do registo predial. Artigo 1. É estabelecido nas provin- cias ultramarinas o registo predial em conformidade com as disposições d'este codigo. Art. 2 No registo predial serão re- gistados todos os direitos e encargos reaes que affectarem a propriedade, e os titulos que a constituirem, modificarem ou extinguirem, de modo que seja patèn- le o estado da propriedade, a se facilite do ere a seção credito sobre minação do governador geral, pelo res pectivo juiz de direito da comarca e pre- sidente da camara municipal, que parti- ciparão ao mesmo governador o estado das conservatorias. Art 8. São effeitos da installação do registo no dia marcado (artigo 5."): 1. Tornar desde esse dia obrigatorio esse codigo; No. 2: unico. Os processos pendentes so- bre acções reaes, em qualquer estado em que se achem, comprehendendo o de execução, não poderão proseguir vali- damente. depois da instalação do regis to predial (artigo 5.), sem que se junte certidão do registo, conforme o disposto n'este codigo. Art. 11. Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. Estarem pagos ou garantidos os direitos & fazenda publics, se houver lo ublica, buyer oogle<noinclude></noinclude> pujvc8mw48njahrjdvj1rd8ak2ugjet 564116 564113 2026-09-22T11:17:15Z Pimfa 41224 564116 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c|O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU. }} {{c|Vol. XII SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866.}} {{c|PARTE OFFICIAL.}} MINISTERIO DA MARISHA & ULTRAMAR. 2.ª DIRECÇÃO. 3.ª Repartição. Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de maio de 1864 a tornar extensivas ás provincias ultramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art. 7. O fim da visita é verificar: 1. Se o local escolhido pelos conser- vadores é sufficiente: 2. Se n'elle existem devidamente ar- mencionados no arti- go aplegante!.. 3. Se n'elle existem o livro de recei- e despeze modelo I, e os cadernos de unico. A vista será feita, por deter- o registo de hypothecas, direitos e encargos prediaes; -talão impressos modelo L; 4. Se tudo mais que toca so material confor- do serviço está em boa ordem e colloca- mando-me com a consulta do conselhoção; ultramarino de 18 de agosto do corrente anno: : hei p bem, em nome de i por l em nome de El-Rei, approvar o codigo do credito predial das provincias ultramarinas, que faz parte d'este decreto, e baixa assignado pelo ministro e secretario d'estado interino dos negocios da marinha e ultramar. O mesmo ministro e secretario d'esta- do o tenha assim entendido e faça execu- tar. Paço, em 17 de outubro de 1865. -REI, Regente.- Visconde da Praia Grande. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA. Do registo predial CAPITULO I Da natureza e fim do registo predial. Artigo 1. É estabelecido nas provin- cias ultramarinas o registo predial em conformidade com as disposições d'este codigo. Art. 2 No registo predial serão re- gistados todos os direitos e encargos reaes que affectarem a propriedade, e os titulos que a constituirem, modificarem ou extinguirem, de modo que seja patèn- le o estado da propriedade, a se facilite do ere a seção credito sobre minação do governador geral, pelo res pectivo juiz de direito da comarca e pre- sidente da camara municipal, que parti- ciparão ao mesmo governador o estado das conservatorias. Art 8. São effeitos da installação do registo no dia marcado (artigo 5."): 1. Tornar desde esse dia obrigatorio esse codigo; No. 2: unico. Os processos pendentes so- bre acções reaes, em qualquer estado em que se achem, comprehendendo o de execução, não poderão proseguir vali- damente. depois da instalação do regis to predial (artigo 5.), sem que se junte certidão do registo, conforme o disposto n'este codigo. Art. 11. Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. 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Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. Estarem pagos ou garantidos os direitos & fazenda publics, se houver lo ublica, buyer oogle<noinclude></noinclude> sp8n9gdyzndzguzzr4aunpfocp812hr 564120 564118 2026-09-22T11:19:20Z Pimfa 41224 564120 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c|O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c|Vol. XII SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866.}} {{c|PARTE OFFICIAL.}} {{c|MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR.}} {{c|2.ª DIRECÇÃO.}} {{c|3.ª Repartição.}} Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de maio de 1864 a tornar extensivas ás provincias ultramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art. 7. O fim da visita é verificar: 1. Se o local escolhido pelos conser- vadores é sufficiente: 2. Se n'elle existem devidamente ar- mencionados no arti- go aplegante!.. 3. Se n'elle existem o livro de recei- e despeze modelo I, e os cadernos de unico. A vista será feita, por deter- o registo de hypothecas, direitos e encargos prediaes; -talão impressos modelo L; 4. Se tudo mais que toca so material confor- do serviço está em boa ordem e colloca- mando-me com a consulta do conselhoção; ultramarino de 18 de agosto do corrente anno: : hei p bem, em nome de i por l em nome de El-Rei, approvar o codigo do credito predial das provincias ultramarinas, que faz parte d'este decreto, e baixa assignado pelo ministro e secretario d'estado interino dos negocios da marinha e ultramar. O mesmo ministro e secretario d'esta- do o tenha assim entendido e faça execu- tar. Paço, em 17 de outubro de 1865. -REI, Regente.- Visconde da Praia Grande. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA. Do registo predial CAPITULO I Da natureza e fim do registo predial. Artigo 1. É estabelecido nas provin- cias ultramarinas o registo predial em conformidade com as disposições d'este codigo. Art. 2 No registo predial serão re- gistados todos os direitos e encargos reaes que affectarem a propriedade, e os titulos que a constituirem, modificarem ou extinguirem, de modo que seja patèn- le o estado da propriedade, a se facilite do ere a seção credito sobre minação do governador geral, pelo res pectivo juiz de direito da comarca e pre- sidente da camara municipal, que parti- ciparão ao mesmo governador o estado das conservatorias. Art 8. São effeitos da installação do registo no dia marcado (artigo 5."): 1. Tornar desde esse dia obrigatorio esse codigo; No. 2: unico. Os processos pendentes so- bre acções reaes, em qualquer estado em que se achem, comprehendendo o de execução, não poderão proseguir vali- damente. depois da instalação do regis to predial (artigo 5.), sem que se junte certidão do registo, conforme o disposto n'este codigo. Art. 11. Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. Estarem pagos ou garantidos os direitos & fazenda publics, se houver lo ublica, buyer oogle<noinclude></noinclude> gwq94f8w6qxyiku6gzkeoidj84kqcn9 564121 564120 2026-09-22T11:19:52Z Pimfa 41224 564121 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c|O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c|Vol. XII SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866.}} {{c|PARTE OFFICIAL.}} {{c|MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR.}} {{c|2.ª DIRECÇÃO.}} {{c|3.ª Repartição.}} Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de maio de 1864 a tornar extensivas ás provincias ultramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art. 7. O fim da visita é verificar: 1. Se o local escolhido pelos conser- vadores é sufficiente: 2. Se n'elle existem devidamente ar- mencionados no arti- go aplegante!.. 3. Se n'elle existem o livro de recei- e despeze modelo I, e os cadernos de unico. A vista será feita, por deter- o registo de hypothecas, direitos e encargos prediaes; -talão impressos modelo L; 4. Se tudo mais que toca so material confor- do serviço está em boa ordem e colloca- mando-me com a consulta do conselhoção; ultramarino de 18 de agosto do corrente anno: : hei p bem, em nome de i por l em nome de El-Rei, approvar o codigo do credito predial das provincias ultramarinas, que faz parte d'este decreto, e baixa assignado pelo ministro e secretario d'estado interino dos negocios da marinha e ultramar. O mesmo ministro e secretario d'esta- do o tenha assim entendido e faça execu- tar. Paço, em 17 de outubro de 1865. -REI, Regente.- Visconde da Praia Grande. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA. Do registo predial CAPITULO I Da natureza e fim do registo predial. Artigo 1. É estabelecido nas provin- cias ultramarinas o registo predial em conformidade com as disposições d'este codigo. Art. 2 No registo predial serão re- gistados todos os direitos e encargos reaes que affectarem a propriedade, e os titulos que a constituirem, modificarem ou extinguirem, de modo que seja patèn- le o estado da propriedade, a se facilite do ere a seção credito sobre minação do governador geral, pelo res pectivo juiz de direito da comarca e pre- sidente da camara municipal, que parti- ciparão ao mesmo governador o estado das conservatorias. Art 8. São effeitos da installação do registo no dia marcado (artigo 5."): 1. Tornar desde esse dia obrigatorio esse codigo; No. 2: unico. Os processos pendentes so- bre acções reaes, em qualquer estado em que se achem, comprehendendo o de execução, não poderão proseguir vali- damente. depois da instalação do regis to predial (artigo 5.), sem que se junte certidão do registo, conforme o disposto n'este codigo. Art. 11. Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. Estarem pagos ou garantidos os direitos & fazenda publics, se houver lo ublica, buyer oogle<noinclude></noinclude> sp8n9gdyzndzguzzr4aunpfocp812hr 564124 564121 2026-09-22T11:20:26Z Pimfa 41224 564124 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c|O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c|Vol. XII SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866.}} {{c|PARTE OFFICIAL.} } {{c|MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR.}} {{c|2.ª DIRECÇÃO.}} {{c|3.ª Repartição. }} Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de maio de 1864 a tornar extensivas ás provincias ultramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art. 7. O fim da visita é verificar: 1. Se o local escolhido pelos conser- vadores é sufficiente: 2. Se n'elle existem devidamente ar- mencionados no arti- go aplegante!.. 3. Se n'elle existem o livro de recei- e despeze modelo I, e os cadernos de unico. A vista será feita, por deter- o registo de hypothecas, direitos e encargos prediaes; -talão impressos modelo L; 4. Se tudo mais que toca so material confor- do serviço está em boa ordem e colloca- mando-me com a consulta do conselhoção; ultramarino de 18 de agosto do corrente anno: : hei p bem, em nome de i por l em nome de El-Rei, approvar o codigo do credito predial das provincias ultramarinas, que faz parte d'este decreto, e baixa assignado pelo ministro e secretario d'estado interino dos negocios da marinha e ultramar. O mesmo ministro e secretario d'esta- do o tenha assim entendido e faça execu- tar. Paço, em 17 de outubro de 1865. -REI, Regente.- Visconde da Praia Grande. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA. Do registo predial CAPITULO I Da natureza e fim do registo predial. Artigo 1. É estabelecido nas provin- cias ultramarinas o registo predial em conformidade com as disposições d'este codigo. Art. 2 No registo predial serão re- gistados todos os direitos e encargos reaes que affectarem a propriedade, e os titulos que a constituirem, modificarem ou extinguirem, de modo que seja patèn- le o estado da propriedade, a se facilite do ere a seção credito sobre minação do governador geral, pelo res pectivo juiz de direito da comarca e pre- sidente da camara municipal, que parti- ciparão ao mesmo governador o estado das conservatorias. Art 8. São effeitos da installação do registo no dia marcado (artigo 5."): 1. Tornar desde esse dia obrigatorio esse codigo; No. 2: unico. Os processos pendentes so- bre acções reaes, em qualquer estado em que se achem, comprehendendo o de execução, não poderão proseguir vali- damente. depois da instalação do regis to predial (artigo 5.), sem que se junte certidão do registo, conforme o disposto n'este codigo. Art. 11. Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. Estarem pagos ou garantidos os direitos & fazenda publics, se houver lo ublica, buyer oogle<noinclude></noinclude> m4rtvzx4lmhpkplfz6fu1j1nm2itvfo 564126 564124 2026-09-22T11:25:08Z Pimfa 41224 564126 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>{{c|O BOLETIM DO GOVERNO DE MACAU.}} {{c|Vol. XII SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 1866.}} {{c|PARTE OFFICIAL. }} {{c|MINISTERIO DA MARINHA E ULTRAMAR.}} {{c|2.ª DIRECÇÃO.}} {{c|3.ª Repartição. }} Estando o governo auctorisado pelo artigo 8. da carta de lei de 16 de maio de 1864 a tornar extensivas ás provincias ultramarinas a carta de lei de 1 de julho de 1863, que estabeleceu em todo o reino e ilhas adjacentes o registo de hypothecas, direitos e encargos prediaes; conformando-me com a consulta do conselho ultramarino de 18 de agosto do corrente anno: ção; 2. A rubrica dos mesmos livros; 3. A visita das conservatorias. Art. 7. O fim da visita é verificar: 1. Se o local escolhido pelos conser- vadores é sufficiente: 2. Se n'elle existem devidamente ar- mencionados no arti- go aplegante!.. 3. Se n'elle existem o livro de recei- e despeze modelo I, e os cadernos de unico. A vista será feita, por deter- -talão impressos modelo L; 4. Se tudo mais que toca so material confor- do serviço está em boa ordem e colloca- : hei p bem, em nome de i por l em nome de El-Rei, approvar o codigo do credito predial das provincias ultramarinas, que faz parte d'este decreto, e baixa assignado pelo ministro e secretario d'estado interino dos negocios da marinha e ultramar. O mesmo ministro e secretario d'esta- do o tenha assim entendido e faça execu- tar. Paço, em 17 de outubro de 1865. -REI, Regente.- Visconde da Praia Grande. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA. Do registo predial CAPITULO I Da natureza e fim do registo predial. Artigo 1. É estabelecido nas provin- cias ultramarinas o registo predial em conformidade com as disposições d'este codigo. Art. 2 No registo predial serão re- gistados todos os direitos e encargos reaes que affectarem a propriedade, e os titulos que a constituirem, modificarem ou extinguirem, de modo que seja patèn- le o estado da propriedade, a se facilite do ere a seção credito sobre minação do governador geral, pelo res pectivo juiz de direito da comarca e pre- sidente da camara municipal, que parti- ciparão ao mesmo governador o estado das conservatorias. Art 8. São effeitos da installação do registo no dia marcado (artigo 5."): 1. Tornar desde esse dia obrigatorio esse codigo; No. 2: unico. Os processos pendentes so- bre acções reaes, em qualquer estado em que se achem, comprehendendo o de execução, não poderão proseguir vali- damente. depois da instalação do regis to predial (artigo 5.), sem que se junte certidão do registo, conforme o disposto n'este codigo. Art. 11. Só se consideram onus reaes s do n. 3. do artigo ante- para os e cedent pasiva; 1A 2. O uso, habitação e o usufructo; A emphyteuse e sub-emphyteuse; 4. O censo e quinhão ou pensão; 5. O dote: 6.* 0 arrendamento ou sublocação por mais de um anno, havendo adiante- mento de renda, e por mais quatro não havendo; 7. A consignação de rendimentos pa- ra o pagamento de quantia determinada, ou por determinado numero de ants. CAPITULO IV 2. Fazer cessar o registo das hypo- thecas e outros estabelecidos pelos de- Dos titulos admissiveis ao registo e cretos de de 26 de outubro de 1836 e 3 de janeiro de 1837 e mais providencias cor relativas. Art. 9. Os livros do registo a que se elere o a. 2. do artigo antecedente se- n.° 2° rão, com os seus indices e mais papeis respectivos, transferidos por inventario depositados no archivo da respectiva e que estive conservatoris, no estado e em em entre rem, dentro de trinta dias contados do da instalação do registo predial. Os conservadores lavrarão termo no livro são os livros recebidos e as circumstan- dos ultimos registos, declarando quantos cias externas que n'elles encontrarem. unico. A estes actos assistirào tambem o juiz de direito da respectiva reella. comarca e presidente da camara munici- Art. 3. Os funccionarios principal-pal, devendo assignar com o conserva mente encarregados do registo denomi dor o termo a que se refere a segunda nam-se conservadores. As repartições parte d'este artigo. publicas onde se se effectus o registo de- nominam-se conservatorias. Art. 40 registo será feito na con- servatoria em cujo districto estiver situa do o predio e não em outra, sob pena de nuilidade. unico. Sendo o predio situado em mais de uma conservatoria o registo se- rá feito em cada uma dellas. CAPITULO II Da installação do registo e seus effeitos. Art. 5. O registo predial será instal- Jado nas provincias ultramarinas no dia que for fixado por decreto especial, pra- ticados os actos preparatarios menciona dos no artigo seguinte. Art. 6. A cedera : installação do registo pre- 1. A distribuição dos livros, modelos A, B, C, D, E, juntos no fim d'este codi- go. CAPITULO III seus requisitos S6mente serão admittidos no registo definitivo: Art. 12 1. Cartas de sentença; 2. Autos de conciliação; 3. Certidões de deliberações de con- elho de familia, ou mandados do juiz, nos casos em que lhe pertence exercer as attribuições do mesmo conselho; 4. Escripturas, testamentos ou quaes- quer outros instrumentos publicos: 5. Titulos d de bancos predises ou agri- colas, devidamente auctorisados; 6. Escriptos particulares de contratos cujo valor exceda a 1008000 réis. Art. 13. Os titulos não serão admitti- dos a registo sem reunirem os seguintes quesitos: B Serem expedido pur anctoridade competeste e revestidos das formalida- des extrin extrinsecas exigidas por direito; 2. Serem sassignaturas dos originaes, reconhecidas por tabellião da comarca ou julgado e houver em que registo, ou por outro de fóra, reconheci pre-do por aquelle, observando-se o mesmo Das certidões e publicas formas para o isto, não sendo Dos direitos e encargos geraes sugeitos ao registo Art. 10. Estão sujeitos ao registo dial; de ser feito 1. O dominio ou propriedade immo- escrivão respeitahidas dos autos biliaria: 2.° As hypothecas; 3. Os onus reses; pelo 3. pelo ministro Serem olivo os expedidos dades estrangeiras por auetori- 4. As acções reaes sobre bens immo- ou consul portuguez da da respectiva loca- biliarios, ou sobra nullidade de registo lidade, e reconhecido no ministerio dos ou do seu cancellamento, e da sentenças negocios estrangeiros, e e traduzidos pelo que n'ellas se proferirem, tendo passado legal; e sendo sentenças que não podem consulado respectivo ou 5. As transmissões de propriedade no artigo 56 as que não podem em julgado; immovel por titulo gratuito ou oneroso; 6. A posse devidamente comprova da; 7. A penhora em bens immobiliarios; 8. O privilegio immobiliario a que se refere o artigo 230. n.° 2. 567. de novissima re- forma judicial, ser exequiveis sem revi- são e confirmação de alguma relação, não serão registadas sem accordão con firmatorio da sentença; 4. Estarem pagos ou garantidos os direitos & fazenda publics, se houver lo ublica, buyer oogle<noinclude></noinclude> eszvpgfckfvq2jak9i6ec9v58rp3ioq Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/10 106 258195 564127 2026-09-22T11:26:48Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 6 O BOLETIM DO GOVERNO. tentes direitos de mercê e sello. As auctoridades a quem o conhecimento execução desta pertencer assim a tenham entendido e cumpram. Macan 3 de ja- de 1866. gar a elles; e sendo divida em estipula- o de juros com ou sem hypotheca, es- ar feito o competente manifesto; tudo sob pena de e suspensão por um anno so conservador ou ajudante, responsabili-neiro dade por perdas e damnos, sendo annul- lado o registo. Art.... 564127 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>6 O BOLETIM DO GOVERNO. tentes direitos de mercê e sello. As auctoridades a quem o conhecimento execução desta pertencer assim a tenham entendido e cumpram. Macan 3 de ja- de 1866. gar a elles; e sendo divida em estipula- o de juros com ou sem hypotheca, es- ar feito o competente manifesto; tudo sob pena de e suspensão por um anno so conservador ou ajudante, responsabili-neiro dade por perdas e damnos, sendo annul- lado o registo. Art. 14. Os titulos a inscrever serão apresentados em duplicado ao conserva- dor, o de verificará a perfeita igualda. $1. O conservador tomará em segui- reproduzirá ambos José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador de Macau. Tendo-se referido por vezes um jornal Portugues que se publica em Hongkong, o Echo do Poro, ao facto de um china que en trou no Asylo dos pobres, com doença de pelo virus blennorroghico, e por ser verdade mistér för. Macau 6 de janeiro de 1866. e esta me ser pedida a passei, jurando-a se Joaquim Candido da Silva Telles. Illmo. Sr. Tenho a honra d'accusar o officio de V. Sa. recebido neste momento, e cumpre-me dizer em execução a elle, que tendo sido consultado pelo meu collega Leocadio Jus tino da Costa sobre os padecimentos do china da no diario nota da apresentaçãu, a qual olhos, tendo para ali ido de um estabele-militia, Canhei que soffris ophtal. nos titulos apresentados, e serão rubricados por elle e pelo requerente, ou só por elle se este não Bouber assignar, § 2.° Feito registo, o conservador numerará e rubricará todas as folhas de ambos os os exemplares um só, quando se ders do titulo, ou de se der a excepção do 4.º 43: O conservador entregará depois o que será declarado. á parte o titulo numerado e cimento de emigração chineza, e havendo o mesmo jornal narrado inexactamente as cir- cumstancias do caso, publicam-se, de or- dem superior, os seguintes documentos que mostram como o mesmo caso se deu na verdade. José Bernardo Goularte, Superinten- dente da emigração chineza, &c. Certifico que, revendo os livros do re- devendo ao mesmo tempo caramell" isto dos estabelecimentos da emigração tambem um rido com certificado de registo confe- com o original por elle conserva- dor assignado, e archivarà o o duplicado com o número de orde ordem correspondente mediato de pás blennorrhogico, como me de- causada pelo contacto im- clarou o proprio doente, que nessa data sof fria blennorrhogia.-Em combinação c collega Telles, e medico assistente Costa, prescrevi o tratamento appropriado. com 0 Deos Gue. a V. Sa.-Macau 6 de janei- ro de 1866.-Illmo. Sr. José Bernardo Goularte, Superintendente da Emigração. João Jaques Floriano Alvares. Ilimo. Sr. Respondendo ao officio de V. Sa. que agora mesmo recebi, sou a dizer a V. Sa. que no dia 16 de dezembro r. r. foi admit- tido no Asylo um china por nome Hong- chioy, natural de Linchau, casado, de ida- de 19 annos, remettido por Bernardo Es- tevão Carneiro, padecendo o china dos olhos. Aos 18 do mesmo dezembro ás 11 da da manhã, sahio do Asylo para a Procura- tura, e ás 4 horas da à tarde voltou para o Asylo e está até agora. chineza, d'elles consta que o china Hum Hey, natural de Lincháo, de idade 22 an- nos, déra entrada no estabelecimento sito Da rua Da rua de Santo Antonio n. 10, perten- an registo, quando isso tiver logar. cente a Bernardo Estevam Carneiro, em §4. Não ba ha obrigação de apresentar 16 de setembro de 1865, onde ficou com a o titulo em duplicado, quando o seu ori-113; e assignando o seu contrato no ginal ou ou cópia authentica se achar de Tribunal da Procuratura em 22 do mesmo um modo permanente em algum archivo mez, foi u cartorio publico. transportado a 23 para a galera italiana Providenza, onde tomou o n.° 88. Tendo adoecido gravemente a bordo, de doença dos olhos, desembarcou em 10 de de novembro para o estabelecimento do Tar- rafeiro n. 31, do referido do. Tornando-se, porém, incuravel a mo Estevam Carneiro, a fim de ser ali trata-Ribeiro, Secretario do Governo desta Pro- eferido agente Bernardo lestia, Pe. Francisco A. da Silva, segundo o parecer do mesmo mez, com auctorisação do super. foi recolhido ao Asylo dos pobres em 17 Presidente da commissão do Asylo. intendente da Antonio Marques Art. 15, Os titulos terão em cada dia o numero de ordem que lhes pertence, e que n'elles será escripto no acto da apresentação. A prioridade d'esse meregulará a precedencia no registo ção for simultanea será antigo em mais nu- Se a a apresentação for primeiro em numero o lata. Se um e mesmo requerente sentar mais de um titulo divergo, terão numeros seguidos. Se meis de um titu- In for apresentado pelo mesmo requeren- te, relativo ao mesmo objecto, o numero de ordem será o mesmo, addicionado nos outros titulos com as letras A, B, C, etc. unico. As declarações complemen- teres terão o mesmo número de ordem dos titulos a que se referem. CAPITULO V Das pessoas legitimas para requerer o registo Art. 16. São pessoas legitimas para solicitar os actos de hecripção, averba- mentos, e cancellação nos registos, a- quellas que possuirem ou adquirirem al- gum direito predial, apresentando por si ou por seu legitimo representante, o tito- lo, nos termos d'este codigo. do facultativo, ePereira que então era Certifico mais, que, tendo sido chamado o mesmo china Procuratuta em 18 de da cidade, ali declarou, na minha presen- dezembro ultimo, sendo eu o Procurador ça, do , do superintendente da emigração e de ro nome era pessoas, que o seu verdadei. varias outras -chioy, e não Hum-Hey, nome este que déra no a no estabelecimento por julgar que assim lhe convinha.. I E quanto tenho a certificar em ou em cumprimento do que me foi ordenado pelo officio do expediente geral n. 9 de 5 do corrente mez. Macau, Superintendencia da emigração chineza, de janeiro de 1866. O superintendente, José Bernardo Goularte. 7 Co- Attesto eu abaixo assignado, que lono china Hum-Hey, natural de Lincháo, Art. 17. Quem fizer register qualquer de idade 22 annos, foi accommettido de dos factos mencionados no artigo 10, sem ophtalmia syphilitica a bordo da barca ita- que elle exista juridicamente, será res liana Providenza, e tendo sido desembarca- ponsavel por perdas e damnos; e quando logo em seguida, esteve no meu trata- do o fizer dolosamente incorre nas penas impostas ao crime de falsidade. (Continua.) mento durante o espaço de mais de vinte dias no estabelecimento do Tarrafeiro n." 31, até que foi transportado para o Asylo dos pobres, por ter passado ao estado incu ravel, e por ser verdade, e osta me ser pedi O GOVERNADOE de Macau determina oda a passei, jurando-a se mistér för. Ma seguinte: cau 6 de janeiro de 1866. No. 1. Tendo corrido concurso para o provi. mento do logar vago de carcereiro de cadein publies, e havendo sido gradusdu em primeiro logar, pelo conselho do go. verno, candidato Francisco de Paula Barros; hei por conveniente, confor mando-me com a opinião do mesmo con- selho nomear o dito Francisco de Paula Barros para o referido logar com o res pectivo vencimento, pagando os compe L. J. da Costa, Medico civil. Eu abaixo assignado, facultativo do es- tabelecimento n.º 31 sito no Tarrafeiro, at- testo que tenho tratado, em combinação com o meu collega sr. Leocadio J. da Costa, o china Hum-Hey, que foi desembar- cado da barca italiana Providenza, accom- mettido de ophtalmia syphilitica causada Deus Guarde a V. Sa.-Macau 5 de ja- neiro de 1866.-Illmo. Sr. Gregorio José vincia TRIBUNAL COMMERCIAL. Lista dos cidadãos desta cidade que se dedicam ao commercio, apurada pelo governo, e pelo mesmo remettida. Illmos. Sre. Antonio Marques da Roza. Antonio Carlos Brandão. Antonio Joaquim Collaço. Bartholomeu Antonio Pereira. Cornelio José Garcias. Camillo Lelis de Souza. Eugenio Leonardo Lança. Francisco Antonio da Silva. Francisco Manoel da Cunha. Francisco de Paula Noronha. Feliciano Narciso Ozorio. Joan Proculo Bellem. João Maria da Silva. José Baptista da Roza. José Bernardo Goularte. José da Silva. Jaime Peregrino dos José Maria da Fonceca. João Eleuterio d'Almeida. José Manoel de Luiz Antonio Franco. noel de Jesus. Manoel Baptista da Roze. Marciano Francisco da Silva. Santos. Antonio da Ponte. Tolentino Fernan-les. Pedro Nolasco de Silva. Quintiliano D. F. da Silva, Simplicio Antonio Tavares. Victoriano Antonio da Graça. Vicente de Paulo Volong. Avong. Bernardino de Senna Fernandes. João Joaquim Braga. Francisco de Assis e Fernandes. Joaquim Peres da Siva. Lourenço Marques. Digitized by Google<noinclude></noinclude> 84qjxkdjb0famzhogbco3c4tpy2sqt2 Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/11 106 258196 564128 2026-09-22T11:27:08Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Maximiano Antonio dos Remedios. Monoel Pereira. Vicente de Portaria. Illmos. Srs. registo. Joaquim Maria Pereira de Campos. Claudio José da Silva. O BOLETIM DO GOVERNO. to, por espaço de um anno, das dietas e algumas substancias medicamentosas pa- ra o consumo do hospital militar desta cidade. As propostas das pessoas que dezejarem concorrer á licitação deverão ser apresentadas por escripto, indicando os preços dos objectos que hão de... 564128 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>Maximiano Antonio dos Remedios. Monoel Pereira. Vicente de Portaria. Illmos. Srs. registo. Joaquim Maria Pereira de Campos. Claudio José da Silva. O BOLETIM DO GOVERNO. to, por espaço de um anno, das dietas e algumas substancias medicamentosas pa- ra o consumo do hospital militar desta cidade. As propostas das pessoas que dezejarem concorrer á licitação deverão ser apresentadas por escripto, indicando os preços dos objectos que hão de ser fornecidos, o que poderão saber na secre- taria desta repartição, no edificio do re- ferido hospital. recahindo aliàs amiudadas vezes em ci- dadãos habilitados e extremamente dig. nos, entretanto os collocava, pela falta de permanencia e de effective responsa Negociantes matriculados no competente bilidade, desligados em certo mudo da re- partição de partição que eram chefes, e lhes afas-ser tava insensivelmente a suctoridade e o empenho de effectuarem os seus projec- tos de melhuris, para que tambem Thea não sobrava o temp o tempo do seu exercicio. А nova origem do Procurador, identifi- cando-o mais com os numerosos deveres que hoje lhe incumbem, obriga-o a r conhecimento e responsabilidade da mar- cha geral da sua determina em mais da sua repartição, porque subido gráu Lino Francisco d'Almeida. Domingos Clemente Pacheco. José dos Santos. José Severo da Silva Telles. Maximiano Thimotheu dos Remedios. Caetano José Lourenço. Reputados matriculados na forma da Illmos. Srs. lei. Candido Antonio Ozorio. Felix Hilario d'Azevedo, Evaristo Lopes. Eduardo Pio Marques. São por este convidados todos os ars. scima mencionados para se reunirem no dia sexta feira 19 do corrente mez no meio dia no Tribunal do Commercio pa- ra elegerem os quatro Jurados e dous & maior the Disse diencia e methodo no interessado na thes que, como principal boa reputação ação d'este importante tribu- nal, sería o meu maior empenho torna-l'o sempre digno do mais elevado conceito de moralidade e de justiça, e justiça, e que n'essa diligancia emp empregaris toda a toda a minha boa vuntade, não hesitando nas innovações que me parecessem convenientes re- querendo da do governo colonia a adop substitutos, que hão de servir nas ques- que poder "fair toes commercises, na fórma do artigo 1045 do Codigo Commercial, e carta de Lei de 7 de Abril de 1863. Macáo 4 de Janeiro de 1866. 0 PROCERATURA dos negocios sinicus.-ção tinha por N. 2. Ilmo. e Exmo. Sar. Tenho a honra de participar a V. Exs. que entrei em 2 do corrente no exercicio das funcções de Procurador interino dos negocios sinicos d'esta cidade de Macau, para que V. Exa. houve por bem nome ar-me na sua portaria n. 15, de 31 de de- sembro proximo passado. ção de quaesquer esquer medidas necessarios. Que particularmente me não descuidaris jamais de quaesquer influencias o melhor anda prejudicar o melhor mento da justiça em um tribunal onde o grande numero de questões obriga a julgari mais amiúdo er æquo et bono do que segundo as mais demoradas formu- las do nosso direito. Que n'esta a resolu- r muito conveniente assegu- rar a mais possirel o o accesso junto da ressos do Procurador, deavanecendo a ideia, que ainda de todo se não apagon entre os chinas, de considerar esta auc- toridade uma similhança darins, junto de quem mal se chega ensto, e não simples funccionario de um paiz civilisado e liberal, para unien dever a protecção decidida e fa- igeciu eil a todos e que justamente ih's r th's requerem. Concluí enumerando os deveres que es pecialmente cumprem a a varios emprega dos d'esta repartição, tendo comtudo por inutil recorda-lh'os, pois-que firme. mente creio que nenhum d'elles deixará um só momento de os attender. Dirigindo, com como devo, esta participa ção a V. Exa., não teria necessidade de accrescentar que por enquanto me acho em quasi inteira impossibilidade de formular uma exposição circumstancia repartição, pois que muito bem cont conhecerious V. Exa. quanto a a multiplicidade e impar- da da da estado em que se encontra esta tancia das 0s que a ella percen de dos seus man- • quem V. Exa. Reproduzi agui brevemte estas consi- um expediente derações, porque, sendo ellas o pros- trabalhoso e continuo, que a falta de re- pecto que desde já entendi adopter no gulamentos completos e a variedade de exercicio do cargo que acaba de me systhems das differentes procuradores ser confiado, era obrigação minha sujei tornou de anno para anno main mais confuso, Exa. -difficultam o immediato conhecimento - ' & approvação de Irei gradualmente expondo a das necessidades ou defeitos que porven-os reparosa que a experiencia me for le- tora convenha aqui remediar. Cumpre- vande; e devu notar já agora que, entre me, porém, desde assegurar a V. Exa. as difficuldades que se oppoem ao mais que, no limite das minhas forças, me breve conhecimento de todos os assum- m hei-de applicar incessantemente ao de- ptos d'esta repartição, av avultam a grande- sempenho das minhas obrigações, ea sa do expediente diario, que mais ne nu- contribuir na parte que me incumbe, pagmenta com um systhems menos metho ra reforma iniciada pelo decreto de 5 dien, e a falta de archivos, que, em de julho, submettendo á esclarecida con partição tão antiga, dão apenas conhe ideração de V. Exa. as indicações que cimento dos negocios sinicos tratados. prática me for dictando, nos ultimos tres ou quatro annos. Por occasião de tomar entrega, julguei de utili-tade dirigir a a tolas os empreg dos da Procuratura uma breve falla, mon- trando-lhes significava a crescitado decreto que, em re- Deus Guarde a V. Exa.-Macau, 5 de janeiro de 1866.-1lima, e Exmo. Snr. Conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral. Governador de Macau, &e.; &c., &c. Antonio Marques Pereira. Prueurador interino. a creação de uma repartição quasi inteiramente nova, ou pelo menos em muitos pontos differente da que exis tie até aqui, e declarando lhes a norma que invariavelmente me proponho se- AVISO. guir, e em que muito confio me han-de REPARTIÇÃO DE SAUDR. acompanhar. Punderei que a abolida Por esta repartição se faz publico, que praties da eleição annual do Procurador no dia sexta-feira 12 do corrente mez de (que o decreto jalgon incompativel com janeiro, pelas 9 horas da manhã, se hade a naturesa das attribuições d'este cargo) "contratar em hasta publics o fornecimen- Repartição de saude em Macau, 2 de janeiro de 1966. CAU NO 4o. TRIMESTRE DE 1865. ESTATISTICA DOS BAPTISADOS E CABAMENTOS EM MA- FREGUESIAS Designações Total Deervações 8. Lou Santo arzs 6 são chinas 25 25 são chinas Kaparigas. Rapazes пор вор кору корек 5314 I 1 3643 69 6 Total. - 4' 1 36 Casamentos 6 Macau, Secretaria do Governo, 8 de janeiro de 1866. MORTALIDADE EM MACAU NO Classificações. Homens Mulheres 40. TRIMESTRE DE 1865 heres Masculings. Menores Femininos. Totalidade .. 26 1 Freguezia Freguezia de Sm. Lourenço de Sto. Total Antonio Macau, Secretaria do Governo, 3 de janeiro de 1866. Freguezia da Se Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo. Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo. PARTE NAO OFFICIAL. MACAO 8 DE JANEIRO DE 1966. Occurrencias policiaes de 30 de dezembro ultimo a 6 do corrente. Presos por furtos Chinas G por desdrdens e ferimentos por contravenções " Total dos presos 9 Macau, secretaria do governo, 6 de janeiro de 1866. Gregorio José Ribeiro, Secretario do Governo Google<noinclude></noinclude> ptkxkeiy3o0s0j2z8lcvi28s9izkbze Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/12 106 258197 564129 2026-09-22T11:28:01Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O VAPOR francez Donnai, com a mala de Marselha de 19 de no- vembro, chegou a Hongkong no O BOLETIM DO GOVERNO. nected in general partnership; or bear- ing only one name, if accompanied by the deposit of adequate collateral securi- ty. smill Loans are granted upon produce or merchandize stored in the Bank's own Godowns, or in those of Public Compa- nies: bot under no circumstances what- ever, will any advance be made on pro- duce or or... 564129 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>O VAPOR francez Donnai, com a mala de Marselha de 19 de no- vembro, chegou a Hongkong no O BOLETIM DO GOVERNO. nected in general partnership; or bear- ing only one name, if accompanied by the deposit of adequate collateral securi- ty. smill Loans are granted upon produce or merchandize stored in the Bank's own Godowns, or in those of Public Compa- nies: bot under no circumstances what- ever, will any advance be made on pro- duce or or merchandize stored in the Go- downs of the borrower. Produce and and Merchandise offered as security for loans must be accompanied by a certificate of value and quality sign- ed by an approved Inspector or Broker. Rebate of interest ala2 per cent per annum under the rate charged by the Bank will be allowed on loans paid off before maturity. Drawing accounts opened with firms or individuals. A person having Drawing account may have a Discount account, but no one can have the latter without having the form- dia 3 do corrente. A revolta dos pretos na Jamaica finha termina- do, segundo o noticiam os ultimos telegrammas, sendo enforcados perto de dusentos revoltosos e um dos chefes mais afamados. O mo- vimento dos fenians obriga a In- glaterra a fortificar as fronteiras. O China Express diz que El-ed by en Rei o sr. D. Luiz I ficava em Mi- lão. Quanto ao reino, annuncia que a abertura das camaras tivera logar no dia 6 de novembro, ten- do El-Rei o sr. D. Fernando prestado o devido juramento co- mo regente do reino. Nas cama- ras discutia-se a reforma da lei ci- vil. O estado sanitario de Elvas fa cada vez a melhor. A morte do sr. Conde de Torres Novas e do sr. Conde de Mello são anhun- ciadas tambem. BANDA DO BATALHÃO DE MACAU. PROGRAMMA. Quinta-feira 11 de janeiro de 1886. "Le triomphe" Passo dobrado; 2. Furiozo; 3 La Princesse de Granade Quadrilha; 4. Fantazia obrigada a corneta piston; 5. Valsa; 6. Polka; 7. Hymne de S. Exa. o Governador. Domingo 14 do corrente. 1. Passo dobrado; 2. Aria da Opera Bellizario; 3. The coquette Schotish; 4. Aria da opera Carlota; 5. Valsa 6.* Polka ; 7. Hymno de 8. M. El-Rei » Sr. D. Luiz I. COMMERCIAL BANK CORPORATION OF INDIA AND THE EAST. INCORPORATED BY ROYAL CHARTER. Paid up Capital £1,000,000, with Pow er to increase to £2,000,000. RESERVED FUND, £169,301. Head Office-64, Moorgate Street, London E.C. . LONDON BANKERS,. LONDON JOINT STOCK BANK. SOLICITORS MESORS. CLARKE, SON & RAWLINGS. BRANCHES AND AGENCIES AT BOMBAY, CALCUTTA, SINGAPORE, SHANO- HAB, FHCHAU, HANKOW, Yoko- HAMA, AND SAN ERANOI800. er. The Bank receives Deposits on the following terms: 2. Repayable in 1 Month 3% annum. 3 " 4 do. do. do. 9 do. 12 5 " 0 " " Office hours 10 to 4; Saturdays 10 to A. SHAW, Acting Agent. Hongkong, December 4, 1885. ASSOCIAÇÃO DO BANCO COMMERCIAL DA INDIA E DO ORIENTE. ORGANISADA POR CARTA BR014. Capital pago £1,000,000 (um milhão de libras esterlinas) com poderes para augmentar o capital a £2,000,000 (dois milhões de libras esterlinas). FUNDOS EK RESERVA, £169,301. Oficina principal,-Londres, rue Moor. gate No. 64 (circuito oriental) BANQUEIROS EM LONDRES LONDON JOINT STOCK BANK. ADVOGADOS Os BRG. CLARKE, SON r RAWLINGS, RAMOB B AGENCIAS EN BOMBAIN, CALCUTTA, SINGAPURA, SHANGHAI, FOHCHAU, HANKAU, YOKOHAMA, BAN FRANCISCO R RAMO DE HONGKONG. Tos e mercadorias, devendo este certi- dão ser assignada por um reconhecedor ou corretor. Quando alguem pretender pagar ao banco um qualquer emprestimo, antes delle estar vencido, a quantia será ad- millida, sendo os juros na rasão de 2. para menos do que os juros que primei ramente se acharem estabelecidas pe- lo banco. O banco abre contas correntes com casas commercises ou com individuos. Qualquer pessoa, que tenha aberta uma conte corrente com o banco, póde ter uma uirn conta de desconto. Não ten- do, porém, conta corrente com o bap- co, tambem não pode ter a de desconto. O banco recebe depositos de dinheiro com as seguintes condições: Repagavel em 1 mes 3, an anno Idem k " +9 1,5 9 12. " A officina acha-se aberta desde ás 10 horas de manhá sté ás 4 da tarde, ex- cepto nos abbados, que será dae 10 de manhá até às 2 P. m. A. SHAW, Servindo de Agente. Hongkong, 4 de dezembro de 1865. PARA VENDA. OBRIGUE portuguez Concordia, construido em Siam em 1862, de 226 toneladas de registo com os seus pertences segundo o inventario. Dirija-se E. L. LANÇA. Macau, 25 de novembro de 1966. Jan. " MOVIMENTO DO PORTO Navios entrados. 4-Galera portugueze Josefta e Al- mira capitão V. A. Remedios -1142 toneladas-de Hong- kong, em lastro. 4-Brigue chilene Emma-capi tho Henrique Wich-301 tone- ladas de Nova Zelandia, em lastro. 6-Berea hespanhola Bordees & Havana no. 1-capitão M. U- range-440 toneladas-de Hong- kong, em lastro. Navios sahidos. BANCO negocia e cubre letras. Jan. 2-Barca portugueza & Vicente de faz saques de dinheiro contra os seus ramos e agenciae, e tambem se oc- cups como agente para empregar dinhei- ro em seguros publicos inglezes ou da India. O banca tambem desconta ou faz adi. antamentos sobre letras ou notas particu- Lares que tenhum duas assignaturas ap- Provadas, sendo que estes assignaturas não podem ser de pessoas que perten ambas a ume dada sociedade; as gam notas e só- esta se- letras, porem poderão let' mente uma sa de hypotheca adequada. jacompanhada das O banco faz ainda adiantamentos so- HONGKONG BRANCH bre generos e mercadorias, armazena- THE THE Bank negocistes and collects dos em armazens do banco ou de com- Bills and grants Drafts on its Bran-panhias publicas; mas em nenhum caso ches and Agencies as above. It also fara adiantamentos subre generos e mer. arte as the Agent of parties in making cadorias, armagenedos em armazena investiment in English and Indian public pessoas que contrahirem o emprestimo. Os generos on as mercadorias, offere The Bank also discounts or makes ad- eidos como segurança, devem ser acom- vances on Private Bills and Notes, bear-panhados de uma certidão, em que seje ing at least two approved names uncon- "declarado o valor e qualidade dos gene. secorities. Paula-espitão E. P. da Silva -440 toneladas-para Singa- pura, com ladrilhos e 400 pas- sageiros chinas. 3-Galera ingleze James Russell J. Griffiths 768 tone- Lundres, com cha. inglesa Music capitán J. Klein-444 toneladas-para empu, em lastro. 3-1 4-Barca sueca Mina-eapitão P. A. Aurbm-550 toneladas-pa- com 341 passagei. ro Havana, 4-Barea gusen Sovinto-capitau W. Willman-671 tonelades- para Havana, com 317 passa geiros 5-Bares oldemburguesa Ammer. lund-capitão J. F. Higimman 360 toneladas-para Havana, cam 225 passageiros chinas. Macáo: Impresse na Typographie de J. DA SILVAd by Google<noinclude></noinclude> mj8rkxwgoy9vuoxpa3j6t972wxib0tw Página:Boletim da Provincia de Macau e Timor - 1866.pdf/13 106 258198 564130 2026-09-22T11:28:31Z Pimfa 41224 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: O BOLETIM VOL. XII DE MACAU. DO GOVERNO SEGUNDA-FEIRA 15 DE JANEIRO DE 1866. PARTE OFFICIAL. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA (Continuado do numero antecedente). CAPITULO VI. Das conservatorias do registo, funccio marios encarregados do mesmo e sua responsabilidade. Art. 18 Haverà em cada comarca ju- dicial uma conservatoria, para n'ella se fazerem os registos prediaes, relativos ane predios situa... 564130 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Pimfa" /></noinclude>O BOLETIM VOL. XII DE MACAU. DO GOVERNO SEGUNDA-FEIRA 15 DE JANEIRO DE 1866. PARTE OFFICIAL. CODIGO DO CREDITO PREDIAL DAS PRO- VINCIAS ULTRAMARINAS. PARTE PRIMEIRA (Continuado do numero antecedente). CAPITULO VI. Das conservatorias do registo, funccio marios encarregados do mesmo e sua responsabilidade. Art. 18 Haverà em cada comarca ju- dicial uma conservatoria, para n'ella se fazerem os registos prediaes, relativos ane predios situados n'essa comarca. Á medida que se forem creando nuras co- marcas serão igualmente creadas novas conservatories. unico. No estado da India haverá mais uma conservatoria no julgado de No. 3 pretender ser despachado delegado do quella annotação pelo conservador, nos procurador da coros e fazenda. termos do artigo 33., § 1. Art. 26. Os conservadores terão a gratificação, e os ajudantes e amanuense as vencimentos, marcados na tabella n.º 1 junta este codigo, 205 Art. 27. Os conservadores e seus aju. dantes serão civil e solidariamente res- ponssveis pela indemnisação dos prejui fundarem no exercicio de suse funcções ao estado ou aos particulares, sem que fiquem por isso isentos da res- ponsabilidade penal em que incorre rem. Art. 36. A entrega do titula registado com a certificado competente será o ul- timo acto do serviço com relação à pes. soa que tiver requerido o registo. Art 37. Chegada a hora de fechar as conservatorias nenhum acto de serviço poderá ser praticado, excepto a annota ção de encerramento no diario, na qual se se indicará o numero numero de apresentações de titulos para o regie, durante as ho- registo, assim unico. Se ning ras fixadas, vier requerer Art. 28. Os conservadores e seus aju-se dirá no mencionado encerramento. Janies podem ser demittidos, transferi- dos ou suspensos pelas falsas commeti- das, segundo a sua gravidade, ignorancia, erro, culpa ou dolo, nos termos d'este codigo. Art. 29. A demissão ou suspensão de Art. 38. Se so chegar da hora do en- cerramento se não tiver acabado de lan- çar algum registo, será prorogade até este se conclair, mas não será admittida durante a prorogação nova apresentação e qualquer d'estas circumstancias será rio. Damso e outra no de Diu, servindo de dor importe a demissão ou mencionada no encerramento do dia- conservadores os respectivos delegados do procurator da coroa e fazenda. Arl 19. O serviço de cada conserva- toris será feito por um conservador, um ajudante privativo e um srasouense. Es tes dois prestam juramento nas mãos do conservador. de delegado do procurador da coros e fazenda, ou vice versa a d'este a Art. 39. Todos os extractos de titu. d'aquelle los, que em tempo forem apresentada e Art. 30. Os conservadores e seus a-não poderem antes da hora do encerra- judantes serão responsareis pela boa or- mento ser lançados no registo competen dem, gusrde e conservação de todos os te, ficarão reservados para o dia seguia livros, documentos e mais papeis perten-te: e sendo este feriado, para o imme. centes conservatoria. diato que o não seja. Art. 31. 0 O conservador ou ajudante de novo despachado d deverá assegurar-se, ao entrar no exercicio do seu cargo, da Art. 40. Os extractos adiados por fal- ta de tempo serão os primeiros a ser lan çados nos competentes registon, Art. 20. São conservadores natos em cada conservatoria as delegados do pro- corador de corón e fazenda, em quanto forem creados conservadores priva-existencia real de todos os registos, indi-servarão a prioridade e o número de or não tivos. AIL Art. 21. Os conservadores e seus aju- dantes téem fé publics om juizo tanto nas declarações escriplas que assignarem re- lativas objectos de sua competencia, Bas certidões e certificados que . como passarem. Art. 22. Os ajudantes dos conserva- dores, não só coadjuvarão estes em todo o serviço da conservatoria, mas substitui los-hão em todos os impedimentos on fal- tas. Sendo bachareis formados em di- reilo, serán preferidos para os l os logares de delegados do procurador da coros e fa- zenda, em igualdade . ces ou ou repertorios, e mais livros leereta- dos n'este codigo, dos quaes se fara o competente inventario, assistindo elle e assignando-o o respectivo juiz de direi- to e presidente da camara municipal. CAPITULO VII. Do serviço nas conservatorias. Art. 33. O serviço das conservatorias começark 6s Dove horas da maoba, e ter- minará ás quatro horne da tarde, e terá logar todos os dias não feriados. dem obtido no dia da apresentaçãn. unico. Em todo o casu, logo que estiver concluido qualquer registo, ne voltará ao diario, para ali so escrever nn columna do titalo apresentado a nots de registado. CAPITULO VIII. Dos livros do registo, seus requisitos, descripção, conservação e reforma. Art. 41. Haverá em todas as conser. vatorias para overviço do registo predial conforme os modelos que acompanham de circumcientes au depois das horas fixadas, e os este codigo, os seguintes livros: Art. 23. Os ajudantes dos conserva. dores 1. Serão nullos os registos tomados conservadores responsaveis por perdas e damnos, além das penas estabelecidas no 1. Diario (modelo A). 2. Descripcões e inscripcões prediacs B). serão nomeados por decreto real codigo penal, no caso de falsidade.. Ex- (model peritas (modelo C). com precedencia de concurso de trints dias perante o ministerio da marinha e ultramar; 10 e interinamente pelos gover Badores geraes, nos termos da legislação em vigor na provincia. Art. 24. Os amanuenses das conser vatorias serão nomeados pelos governa- dores gernes sobre proposta do conserve- dor, a serve para coadjuvar este em todo O serviço relativo á Art. 25. Os cons es não podem concorrer aos logares da magistratura judicial s sem mostrarem trarem que téem em dia devidamente escripturado e arrumado o registo predial, e que teem bem desem- penhado as suas funcções. unico. Esta disposição é applicavel ao ajudante que, sendo bacharel formado, ceptua-se a especie previsto no artigo 38 $2 Se pelo número de concorrentes não poder fazer-se o registo no mesmo dia, bastarão para fixar a sua antiguida de OU prioridade os numeros de ordem de apresentação constante do diario. Art. Nas conservatorias estarão sempre presentes os conservadores ou seus ajudantes. 34 3. Indice real (modela D). 6. Indice pessoal (modelo E). Art. 42. Estes livros serão: 1. Uniformes em todas as provincies ultramarinas, riscados e pautados confor me os referidos modelos juotus; 2. Organisados impressos debiaxo da inspecção do ministeri ministerio da marinha e ultramar, e por estes fornecidos a todas intermedios dos Art. 36. Se durante o registo sobre as conservatorias por interm vier qualquer requerente, não se suspen- governadores das provincias. derá nem interromperá o serviço, mes Art. 43. As conservatorise indenfnisa. deverá logo ser annotada ne titolo e norão pelos emolumentos do registo aquel diario com competente numero de or- la despeza, paseado um anno da instella- dem a nova apresentação por um dos om-ção, logo que para isso haja emolum en- pregados da conservatoria que estiver tos sufficientes, ou em prestações, como desimpedido, mas rubricada sempre a- o governo o determinar. Digitized by Google<noinclude></noinclude> 55cptu7vcdh3pj5cbevq3x0ws0g7jdo