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Autor:Vicente de Carvalho
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Autor:João Marques de Carvalho
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{{Autor
| InicialUltimoNome = C
| MiscBio = '''João Marques de Carvalho''' foi um escritor, diplomata e jornalista brasileiro.
| nome = Marques de Carvalho
| nome completo = João Marques de Carvalho
| nacionalidade = {{BRAn|o}}
| data_nascimento = {{dni|6|11|1866|si}}
| data_morte = {{morte|11|4|1910|6|11|1866}}
| wikipedia = Marques de Carvalho
}}
== Obras ==
{{Lista de documentos início|gênero}}
{{Documento|data=1884|título=[[A leviana (Marques de Carvalho)|A leviana]]|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=In: ''[[Diário de Belém]]''}}
{{Documento|data=1884|título=[[Ângela (Marques de Carvalho)|Ângela]]|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=In: ''[[Diário de Belém]]''}}
{{Documento|data=1884|título=Georgina|galeria=|progresso=|gênero=Novela|notas=In: ''[[Diário de Belém]]''}}
{{Documento|data=1885|título=Entre parentes…|galeria=|progresso=|gênero=Teatro|notas=}}
{{Documento|data=1885|título=Que bom marido!|galeria=|progresso=|gênero=Conto|notas=In: ''[[Província do Pará]]''}}
{{Documento|data=1886|título=O Sonho do Monarcha|galeria=O Sonho do Monarcha (1886).pdf|progresso=3|gênero=Poema|notas=}}
{{Documento|data=1886|título=Lavas|galeria=|progresso=|gênero=Poemeto|notas=}}
{{Documento|data=1887|título=O pajé|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=}}
{{Documento|data=1887|título=Paulino de Brito|galeria=|progresso=|gênero=Ensaio|notas=}}
{{Documento|data=1888|título=Hortênsia|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=}}
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{{Documento|data=1889|título=Contos Paraenses|galeria=Contos paraenses (1889).pdf|exportar=Contos Paraenses|progresso=4|gênero=Contos|notas=}}
{{Documento|data=1889|título=O livro de Judith|galeria=|progresso=|gênero=Contos|notas=}}
{{Documento|data=1891|título=Sóror Maria|galeria=|progresso=|gênero=Romance|notas=}}
{{Documento|data=1896|título=Entre as Nympheas|galeria=Entre as Nympheas (1896).pdf|exportar=Entre as Nympheas|progresso=4|gênero=Contos|notas=}}
{{Documento|data=1900|título=[[Contos do Norte (Marques de Carvalho)|Contos do Norte]]|galeria=Contos do Norte (1907).pdf|progresso=3|gênero=Contos|notas=}}
{{Lista de documentos final}}
=== Periódicos ===
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{{Documento|data=1885|título=[[Comentários (Marques de Carvalho)|Comentários]]|galeria=|progresso=|gênero=Crônicas|notas=}}
{{Documento|data=1904|título=A Bubônica|galeria=|progresso=|gênero=Revista|notas=}}
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Junglk
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/* Século XIX */
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__NOTOC__
== [[File:Flag of Brazil.svg|18px]] Brasileiros ==
{{Div col|3}}
=== Século XVI ===
* {{A|Ambrósio Fernandes Brandão}} (c. 1555 - c. 1618) {{100%}}
* {{A|Bento Teixeira}} (c. 1561 - c. 1618) {{100%}}
* {{A|Frei Vicente do Salvador}} (1564 - c. 1636) {{100%}}
=== Século XVII ===
* {{A|Antônio Vieira}} (1608 - 1697) {{075%}}
* {{A|Nuno Marques Pereira}} (1625 - 1728) {{100%}}
* {{A|Gregório de Matos}} (1636 - 1696) {{075%}}
* {{A|Manuel Botelho de Oliveira}} (1636 - 1711) {{100%}}
* {{A|André João Antonil}} (1649 - 1716) {{100%}}
* {{A|Sebastião da Rocha Pita}} (1660 - 1738) {{100%}}
* {{A|Manuel de Santa Maria}} (c. 1668 - c. 1730) {{100%}}
=== Século XVIII ===
* {{A|Matias Aires}} (1705 - 1763) {{100%}}
* {{A|Teresa Margarida da Silva e Orta}} (1711 - 1793) {{100%}}
* {{A|Gaspar da Madre de Deus}} (1715 - 1800) {{100%}}
* {{A|Santa Rita Durão}} (1722 - 1784) {{100%}}
* {{A|Cláudio Manuel da Costa}} (1729 - 1789) {{100%}}
* {{A|Domingos Caldas Barbosa}} (1740 - 1800) {{100%}}
* {{A|Basílio da Gama}} (1741 - 1795) {{100%}}
* {{A|Alvarenga Peixoto}} (1744 - 1792) {{100%}}
* {{A|Tomás Antônio Gonzaga}} (1744 - 1810) {{100%}}
* {{A|Manuel Inácio da Silva Alvarenga}} (1749 - 1814) {{100%}}
* {{A|José da Silva Lisboa}} (1756-1835) {{075%}}
* {{A|Sousa Caldas}} (1762 - 1814) {{075%}}
* {{A|Francisco Carlos Teixeira da Silva}} (1763 - 1829) {{100%}}
* {{A|José Bonifácio}} (1763 - 1838) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Jacinto Nogueira da Gama|Manuel Jacinto Nogueira da Gama]] (1765 - 1847)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco Vilela Barbosa|Francisco Vilela Barbosa]] (1769 - 1846)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Saturnino da Costa Pereira|José Saturnino]] (1771 - 1852)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Andrada Machado|Andrada Machado]] (1773 - 1845)
* {{A|Mariano José Pereira da Fonseca}} (1773 - 1848) {{100%}}
* {{A|Hipólito da Costa}} (1774 - 1823) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Martim Francisco Ribeiro de Andrada|Martim Francisco]] (1775 - 1844)
* {{A|Frei Caneca}} (1779 - 1825) {{075%}}
* {{A|Beatriz Brandão}} (1779 - 1868) {{100%}}
* {{A|Januário da Cunha Barbosa}} (1780 - 1846) {{100%}}
* {{A|Diogo Antônio Feijó}} (1784 - 1843) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco do Monte Alverne|Francisco de Mont'Alverne]] (1784 - 1858)
* {{A|José Inácio de Abreu e Lima}} (1794 - 1869)
* {{A|Evaristo da Veiga}} (1799 - 1837) {{100%}}
* {{A|Odorico Mendes}} (1799 - 1864) {{100%}}
=== Século XIX ===
* {{A|Araújo Porto Alegre}} (1806 - 1879) {{100%}}
* {{A|Ana Eurídice Eufrosina de Barandas}} (1806 - 1863) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teófilo Ottoni|Teófilo Ottoni]] (1807 - 1869)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Paula Brito|Paula Brito]] (1809 - 1861)
* {{A|Nísia Floresta}} (1810 - 1885) {{100%}}
* {{A|Gonçalves de Magalhães}} (1811 - 1882) {{075%}}
* {{A|Teixeira e Sousa}} (1812 - 1861) {{100%}}
* {{A|Francisco de Sales Torres Homem}} (1812 - 1876) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Justiniano José da Rocha|Justiniano José da Rocha]] (1812 - 1862)
* {{A|João Lisboa}} (1812 - 1863)
* {{A|Martins Pena}} (1815 - 1848) {{100%}}
* {{A|Francisco Adolfo de Varnhagen}} (1816 - 1878) {{100%}}
* {{A|João Manuel Pereira da Silva}} (1817 - 1898) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Violante Bivar e Velasco|Violante Bivar e Velasco]] (1817 - 1875)
* {{A|Joaquim Manuel de Macedo}} (1820 - 1882)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Tristão de Alencar Araripe|Tristão de Alencar Araripe]] (1821 - 1908)
* {{A|Maria Firmina dos Reis}} (1822 - 1917)
* {{A|Gonçalves Dias}} (1823 - 1864)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ana Luísa de Azevedo Castro|Ana Luísa de Azevedo Castro]] (1823 - 1869)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Agostinho Marques Perdigão Malheiro (filho)|Agostinho Marques Perdigão Malheiro (filho)]] (1824 - 1881)
* {{A|Bernardo Guimarães}} (1825 - 1884)
* {{A|Francisco Otaviano}} (1825 - 1889)
* {{A|Dom Pedro II}} (1825 - 1891)
* {{A|Laurindo Rabelo}} (1826 - 1864)
* {{A|Augusto Emílio Zaluar}} (1826 - 1882)
* {{A|Adélia Fonseca}} (1827 - 1920)
* {{A|Aureliano José Lessa}} (1828 - 1861) {{100%}}
* {{A|Joaquim Felício dos Santos}} (1828 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Henriques Leal|Antônio Henriques Leal]] (1828 - 1885)
* {{A|José de Alencar}} (1829 - 1877)
* {{A|Qorpo Santo}} (1829 - 1883)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Angélica Ribeiro|Maria Angélica Ribeiro]] (1829 - 1880)
* {{A|Luís da Gama}} (1830 - 1882)
* {{A|Álvares de Azevedo}} (1831 - 1852)
* {{A|Manuel Antônio de Almeida}} (1831 - 1861)
* {{A|Junqueira Freire}} (1832 - 1855)
* {{A|Sousândrade}} (1833 - 1902) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teixeira de Melo|Teixeira de Melo]] (1833 - 1907)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Soriano de Souza|José Soriano de Souza]] (1833 - 1895)
* {{A|Luís Delfino}} (1834 - 1910)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisca Senhorinha da Motta Diniz|Francisca Senhorinha da Motta Diniz]] (1834 - 1910)
* {{A|Quintino Bocaiúva}} (1836 - 1912)
* {{A|César Zama}} (1837 - 1906)
* {{A|Couto de Magalhães}} (1837 - 1898)
* {{A|França Júnior}} (1838 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:André Rebouças|André Rebouças]] (1838 - 1898)
* {{A|Casimiro de Abreu}} (1839 - 1860)
* {{A|Tobias Barreto}} (1839 - 1889)
* {{A|Machado de Assis}} (1839 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Luís Pereira de Sousa|Pedro Luís Pereira de Sousa]] (1839 - 1884)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernesto Carneiro Ribeiro|Ernesto Carneiro Ribeiro]] (1839 - 1920)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Pereira Barreto|Luís Pereira Barreto]] (1840 - 1923)
* {{A|Fagundes Varela}} (1841 - 1875)
* {{A|Salvador de Mendonça}} (1841 - 1913)
* {{A|Franklin Távora}} (1842 - 1888)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Américo|Pedro Américo]] (1843 - 1905)
* {{A|Visconde de Taunay}} (1843 - 1899)
* {{A|José Carlos Rodrigues}} (1844 - 1923)
* {{A|Alexandre José de Melo Morais Filho}} (1844 - 1919)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Augusto Ferreira|Carlos Augusto Ferreira]] (1844 - 1913)
* {{A|Júlio Ribeiro}} (1845 - 1890)
* {{A|Guimarães Júnior}} (1845 - 1898)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ramiz Galvão|Ramiz Galvão]] (1846 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carneiro Vilela|Carneiro Vilela]] (1846 - 1913)
* {{A|Castro Alves}} (1847 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Vieira Fazenda|José Vieira Fazenda]] (1847 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos de Laet|Carlos de Laet]] (1847 - 1927)
* {{A|Araripe Júnior}} (1848 - 1911)
* {{A|Joaquim Nabuco}} (1849 - 1910)
* {{A|Ruy Barbosa}} (1849 - 1923)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho|Felisberto Rodrigues Pereira de Carvalho]] (1850 - 1898)
* {{A|Adelina Lopes Vieira}} (1850 - 1922)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ferreira Leal|Ferreira Leal]] (1850 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Artur de Oliveira|Artur de Oliveira]] (1851 - 1882)
* {{A|Domingos Olímpio}} (1851 - 1906) {{100%}}
* {{A|Manuel Querino}} (1851 - 1923)
* {{A|Sílvio Romero}} (1851 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Josefina Álvares de Azevedo|Josefina Álvares de Azevedo]] (1851 - 1913)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Emília Bandeira de Melo|Emília Bandeira de Melo]] (1852 - 1910)
* {{A|Narcisa Amália}} (1852 - 1924)
* {{A|Emília Moncorvo Bandeira de Melo}} (1852 - 1910)
* {{A|Capistrano de Abreu}} (1853 - 1927)
* {{A|Inglês de Sousa}} (1853 - 1918)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Benedita Bormann|Maria Benedita Bormann]] (1853 - 1895)
* {{A|Rodolfo Teófilo}} (1853 - 1932)
* {{A|Inês Sabino}} (1853 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Revocata Heloísa de Melo|Revocata Heloísa de Melo]] (1853 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Anália Franco|Anália Franco]] (1853 - 1919)
* {{A|José do Patrocínio}} (1854 - 1905)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teófilo Dias|Teófilo Dias]] (1854 - 1889)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lúcio de Mendonça|Lúcio de Mendonça]] (1854 - 1909)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Miguel Lemos|Miguel Lemos]] (1854 - 1917)
* {{A|Artur de Azevedo}} (1855 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Emília Freitas|Emília Freitas]] (1855 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Urbano Duarte de Oliveira|Urbano Duarte de Oliveira]] (1855 - 1902)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Julieta de Melo Monteiro|Julieta de Melo Monteiro]] (1855 - 1928)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Teixeira Mendes (filósofo)|Teixeira Mendes]] (1855 - 1927)
* {{A|Teodoro Sampaio}} (1855 - 1937)
* {{A|Fontoura Xavier}} (1856 - 1922)
* {{A|Aluísio Azevedo}} (1857 - 1913)
* {{A|José Veríssimo}} (1857 - 1916)
* {{A|Alberto de Oliveira}} (1857 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Filinto de Almeida|Filinto de Almeida]] (1857 - 1945)
* {{A|Rocha Pombo}} (1857 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Horácio de Carvalho|Horácio de Carvalho]] (1857 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Paula Ney|Paula Ney]] (1858 - 1897)
* {{A|Adelino Fontoura}} (1859 - 1884)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bernardino Lopes|Bernardino Lopes]] (1859 - 1916)
* {{A|Raimundo Correia}} (1859 - 1911)
* {{A|Valentim Magalhães}} (1859 - 1903)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Clóvis Beviláqua|Clóvis Beviláqua]] (1859 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Leolinda Daltro|Leolinda Daltro]] (1859 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luiza Leonardo|Luiza Leonardo]] (1859 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto de Lima (político)|Augusto de Lima]] (1859 - 1934)
* {{A|João Ribeiro}} (1860 - 1934)
* {{A|Eduardo Prado}} (1860 - 1901)
* {{A|Afonso Celso}} (1860 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio da Silva Jardim|Antônio da Silva Jardim]] (1860 - 1891)
* {{A|Cruz e Sousa}} (1861 - 1898)
* {{A|Manuel de Oliveira Paiva}} (1861 - 1892)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Xavier Marques|Xavier Marques]] (1861 - 1942)
* {{A|Luís Murat}} (1861 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Amélia Rodrigues|Amélia Rodrigues]] (1861 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Xavier Marques|Xavier Marques]] (1861 - 1942)
* {{A|Raimundo de Farias Brito}} (1862 - 1917)
* {{A|Júlia Lopes de Almeida}} (1862 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Domício da Gama|Domício da Gama]] (1862 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fausto Cardoso|Fausto Cardoso]] (1862 - 1906)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lindolfo Rocha|Lindolfo Rocha]] (1862 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Nina Rodrigues|Nina Rodrigues]] (1862 - 1906)
* {{A|Catulo da Paixão Cearense}} (1863 - 1946)
* {{A|Raul Pompeia}} (1863 - 1895) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gonzaga Duque|Gonzaga Duque]] (1863 - 1911)
* {{A|Virgílio Várzea}} (1863 - 1941)
* {{A|Coelho Neto}} (1864 - 1934)
* {{A|Pardal Mallet}} (1864 - 1894)
* {{A|Tito Lívio de Castro}} (1864 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fábio Luz|Fábio Luz]] (1864 - 1938)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Andradina de Oliveira|Andradina de Oliveira]] (1864 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alberto Torres|Alberto Torres]] (1865 - 1917)
* {{A|Olavo Bilac}} (1865 - 1918)
* {{A|João Simões Lopes Neto}} (1865 - 1916)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alcindo Guanabara|Alcindo Guanabara]] (1865 - 1918)
* {{A|Euclides da Cunha}} (1866 - 1909)
* {{A|Emiliano Perneta}} (1866 - 1921)
* {{A|Vicente de Carvalho}} (1866 - 1924) {{075%}}
* {{A|Emílio de Meneses}} (1866 - 1918)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rodrigo Otávio|Rodrigo Otávio]] (1866 - 1944)
* {{A|Rego Monteiro}} (1866 - 1952) {{100%}}
* {{A|João Marques de Carvalho}} (1866 - 1910) {{100%}}
* {{A|Adolfo Caminha}} (1867 - 1897) {{100%}}
* {{A|Medeiros e Albuquerque}} (1867 - 1934) {{100%}}
* {{A|Oliveira Lima}} (1867 - 1928) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Mário Pederneiras|Mário Pederneiras]] (1867 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Passos|Guimarães Passos]] (1867 - 1909)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Presciliana Duarte de Almeida|Presciliana Duarte de Almeida]] (1867 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Passos|Guimarães Passos]] (1868 - 1909)
* {{A|Graça Aranha}} (1868 - 1931) {{100%}}
* {{A|Afonso Arinos}} (1868 - 1916)
* {{A|Manuel Bonfim}} (1868 - 1932)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Sales|Antônio Sales]] (1868 - 1940)
* {{A|Nestor Vítor}} (1868 - 1932)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro Rabelo|Pedro Rabelo]] (1868 - 1905)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Júlia Cortines|Júlia Cortines]] (1868 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Max Fleiuss|Max Fleiuss]] (1868 - 1943)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Figueiredo Pimentel|Figueiredo Pimentel]] (1869 - 1914)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Chrysanthème|Chrysanthème]] (1869 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Gastão d'Escragnolle Dória|Luís Gastão d'Escragnolle Dória]] (1869 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Dario Persiano de Castro Vellozo|Dario Persiano de Castro Vellozo]] (1869 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Liberato Bittencourt|Liberato Bittencourt]] (1869 - 1948)
* {{A|Adherbal de Carvalho}} (1869 - 1915)
* {{A|Paulo Prado}} (1869 - 1943)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Zeferino Brasil|Zeferino Brasil]] (1870 - 1942)
* {{A|Alphonsus de Guimaraens}} (1870 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Osório Duque-Estrada|Osório Duque-Estrada]] (1870 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Péthion de Villar|Péthion de Villar]] (1870 - 1924)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lívio Barreto|Lívio Barreto]] (1870 - 1895)
* {{A|Francisca Júlia}} (1871 - 1920)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Paes de Barros|Maria Paes de Barros]] (1871 - 1952)
* {{A|Alberto Rangel}} (1871 - 1945)
* {{A|Mário de Alencar}} (1872 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Batista Cepelos|Batista Cepelos]] (1872 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Faria Neves Sobrinho|Faria Neves Sobrinho]] (1872 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Silveira Neto|Silveira Neto]] (1872 - 1942)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Valdomiro Silveira|Valdomiro Silveira]] (1873 - 1941)
* {{A|Laudelino Freire}} (1873 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rodolfo Garcia|Rodolfo Garcia]] (1873 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Valdomiro Silveira|Valdomiro Silveira]] (1873 - 1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul Pederneiras|Raul Pederneiras]] (1874 - 1953)
* {{A|Henrique Castriciano de Sousa}} (1874 - 1947)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Dias Fernandes|Carlos Dias Fernandes]] (1874 - 1942)
* {{A|Amadeu Amaral}} (1875 - 1929)
* {{A|Afrânio Peixoto}} (1876 - 1947) {{100%}}
* {{A|Auta de Souza}} (1876 - 1901)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manoel Arão|Manoel Arão]] (1876 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alcides Maia|Alcides Maia]] (1878 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Celso Vieira de Matos Melo Pereira|Celso Vieira]] (1878 - 1954)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Marcelo Gama|Marcelo Gama]] (1878 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maranhão Sobrinho|Maranhão Sobrinho]] (1879 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Félix Pacheco|Félix Pacheco]] (1879 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Artur de Sales|Artur de Sales]] (1879 - 1952)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Everardo Backheuser|Everardo Backheuser]] (1879 - 1951)
* {{A|Albertina Bertha}} (1880 - 1953) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jonas da Silva|Jonas da Silva]] (1880 - 1947)
* {{A|Elysio de Carvalho}} (1880- 1925)
* {{A|Lima Barreto}} (1881 - 1922)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Maria Goulart de Andrade|José Maria Goulart de Andrade]] (1881 - 1936)
* {{A|João do Rio}} (1881 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Azevedo Amaral|Azevedo Amaral]] (1881 - 1942)
* {{A|Monteiro Lobato}} (1882 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Oliveira Viana|Oliveira Viana]] (1883 - 1951)
* {{A|Augusto dos Anjos}} (1884 - 1914)
* {{A|Godofredo Rangel}} (1884 - 1954)
* {{A|Martins Fontes}} (1884 - 1937) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roquette-Pinto|Roquette-Pinto]] (1884 - 1954)
* {{A|Antônio Francisco da Costa e Silva}} (1885 - 1950)
* {{A|Antônio Torres}} (1885 - 1934)
* {{A|Pedro Kilkerry}} (1885 - 1917)
* {{A|Humberto de Campos}} (1886 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernani Rosas|Ernani Rosas]] (1886 - 1955)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Maria Lacerda de Moura|Maria Lacerda de Moura]] (1887 - 1945)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hermes Fontes|Hermes Fontes]] (1888 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roberto Simonsen|Roberto Simonsen]] (1889 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cásper Líbero|Cásper Líbero]] (1889 - 1943)
* {{A|Oswald de Andrade}} (1890 - 1954) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Felipe Daudt de Oliveira|Felipe Daudt de Oliveira]] (1890 - 1933)
* {{A|Jackson de Figueiredo}} (1891 - 1928) {{075%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ercília Nogueira Cobra|Ercília Nogueira Cobra]]
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eduardo Guimarães|Eduardo Guimarães]] (1892 - 1928)
* {{A|Graciliano Ramos}} (1892 - 1953) {{100%}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Juó Bananére|Juó Bananére]] (1892 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jorge de Lima|Jorge de Lima]] (1893 - 1953)
* {{A|Mário de Andrade}} (1893 - 1945)
* {{A|Ronald de Carvalho}} (1893 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Leonel Franca|Leonel Franca]] (1893 - 1948)
* {{A|Paulo Setúbal}} (1893 - 1937)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hugo de Carvalho Ramos|Hugo de Carvalho Ramos]] (1895 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul de Leoni|Raul de Leoni]] (1895 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alceu de Freitas Wamosy|Alceu de Freitas Wamosy]] (1895 - 1923)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ranulpho Prata|Ranulpho Prata]] (1896 - 1942)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Galeão Coutinho|Galeão Coutinho]] (1897 - 1951)
* {{A|Rodrigues de Abreu}} (1897 - 1927)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Virgílio de Melo Franco|Virgílio de Melo Franco]] (1897 - 1948)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eugênia Álvaro Moreyra|Eugênia Álvaro Moreyra]] (1898 - 1948)
=== Século XX ===
* {{A|Antonieta de Barros}} (1901 - 1952)
* {{A|Alcântara Machado}} (1901 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Alphonsus|João Alphonsus]] (1901 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carmen Cinira|Carmen Cinira]] (1902 - 1933)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Arthur Ramos|Arthur Ramos]] (1903 - 1949)
== Futuramente ==
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Basílio de Magalhães|Basílio de Magalhães]] (1874 - 1957) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2028)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bastos Tigre|Bastos Tigre]] (1882 - 1957) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2028)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Lins do Rego|José Lins do Rego]] (1901 - 1957) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2028)}}
* {{A|Afonso d'Escragnolle Taunay}} (1876 - 1958) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2029)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cornélio Penna|Cornélio Penna]] (1896 - 1958) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2029)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Olegário Mariano|Olegário Mariano]] (1889 - 1958) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2029)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Abílio Barreto|Abílio Barreto]] (1883 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gastão Cruls|Gastão Cruls]] (1888 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gustavo Barroso|Gustavo Barroso]] (1888 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lúcia Miguel Pereira|Lúcia Miguel Pereira]] (1901 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Otávio Tarquínio de Sousa|Otávio Tarquínio de Sousa]] (1889 - 1959) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2030)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pagu|Pagu]] (1910 - 1962) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2034)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ribeiro Couto|Ribeiro Couto]] (1898 - 1963) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2034)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Álvaro Moreyra|Álvaro Moreyra]] (1888 - 1964) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2035)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cecília Meireles|Cecília Meireles]] (1901 - 1964) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2035)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Frederico Schmidt|Augusto F. Schmidt]] (1906 - 1965) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2036)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Antônio Carneiro Leão|Antônio Carneiro Leão]] (1906 - 1966) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2037)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guimarães Rosa|Guimarães Rosa]] (1908 - 1967) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2038)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Lúcio Cardoso|Lúcio Cardoso]] (1912 - 1968) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2039)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Bandeira|Manuel Bandeira]] (1886 - 1968) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2039)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guilherme de Almeida|Guilherme de Almeida]] (1890 - 1969) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2040)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Álvaro Lins|Álvaro Lins]] (1912 - 1970) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2041)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Meyer|Augusto Meyer]] (1902 - 1970) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2041)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Cassiano Ricardo|Cassiano Ricardo]] (1895 - 1974) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2045)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Murilo Mendes|Murilo Mendes]] (1901 - 1975) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2046)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carolina Maria de Jesus|Carolina Maria de Jesus]] (1914 - 1977) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2048)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Clarice Lispector|Clarice Lispector]] (1920 - 1977) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2048)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Geraldo Vieira|José Geraldo Vieira]] (1897 - 1977) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2048)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Otto Maria Carpeaux|Otto Maria Carpeaux]] (1900 - 1978) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2049)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Otávio de Faria|Otávio de Faria]] (1900 - 1980) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2051)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Dinah Silveira de Queiroz|Dinah Silveira de Queiroz]] (1911 - 1982) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2053)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sérgio Buarque de Holanda|Sérgio Buarque de Holanda]] (1902 - 1982) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2053)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alceu Amoroso Lima|Alceu Amoroso Lima]] (1893 - 1983) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2054)}}
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Drummond de Andrade|Carlos Drummond de Andrade]] (1902 - 1987) [[File:Red copyright.svg|16px]] {{smaller|(2058)}}
{{Div col fim}}
== [[File:Flag of Portugal.svg|18px]] Portugueses ==
{{Div col|3}}
=== Século XIV ===
* {{A|Fernão Lopes}} (c. 1385 - c. 1460)
* {{A|Duarte de Portugal}} (1391 - 1438)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra|D. Pedro de Portugal, Duque de Coimbra]] (1392 - 1449)
=== Século XV ===
* {{A|Gomes Eanes de Zurara}} (c. 1410 - c. 1474)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pedro de Coimbra, Condestável de Portugal|Pedro de Coimbra]] (1429 - 1466)
* {{A|Rui de Pina}} (c. 1440 - c. 1522)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Duarte Galvão|Duarte Galvão]] (1446 - 1517)
* {{A|Gil Vicente}} (c. 1465 – c. 1536)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Duarte Pacheco Pereira|Duarte Pacheco Pereira]] (1465 - 1533)
* {{A|Garcia de Resende}} (c. 1470 - 1536)
* {{A|Sá de Miranda}} (1481 - 1558)
* {{A|Bernardim Ribeiro}} (c. 1482 - c. 1552)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gaspar Correia|Gaspar Correia]] (c. 1492 - c. 1563)
* {{A|João de Barros}} (1496 - 1570)
=== Século XVI ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pantaleão de Aveiro|Frei Pantaleão de Aveiro]] (séc. XVI)
* {{A|André de Resende}} (c. 1500 - 1573)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brás de Albuquerque|Brás de Albuquerque]] (c. 1500 - 1581)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fernão Lopes de Castanheda|Fernão Lopes de Castanheda]] (c. 1500 - 1559)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Moraes Cabral|Francisco de Moraes Cabral]] (c. 1500 - 1572)
* {{A|Garcia de Orta}} (c. 1500 - 1568)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Martim Afonso de Sousa|Martim Afonso de Sousa]] (c. 1500 - 1564)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Samuel Usque|Samuel Usque]] (c. 1500 - c. 1560)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Damião de Góis|Damião de Góis]] (1502 - 1574)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gonçalo Annes Bandarra|Gonçalo Annes Bandarra]] (c. 1502 - c. 1556)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Galvão|António Galvão]] (c. 1503 - 1557)
* {{A|Jerónimo Osório}} (1506 - 1580)
* {{A|Fernão de Oliveira}} (1507 - c. 1581)
* {{A|Fernão Mendes Pinto}} (c. 1510 - 1583)
* {{A|Jorge Ferreira de Vasconcelos}} (c. 1515 - c. 1585)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Holanda|Francisco de Holanda]] (1517 - 1584)
* {{A|Manuel da Nóbrega}} (1517 - 1570)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Ribeiro Chiado|António Ribeiro Chiado]] (c. 1520 - 1591)
* {{A|Pedro de Andrade Caminha}} (c. 1520 - 1589)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gaspar Frutuoso|Gaspar Frutuoso]] (1522 - 1591)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Baltazar Dias|Baltazar Dias]] (c. 1524 - c. 1600)
* {{A|Luís Vaz de Camões}} (c. 1524 - 1580)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Ferreira|António Ferreira]] (1528 - 1569)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei Heitor Pinto|Frei Heitor Pinto]] (c. 1528 - c. 1584)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jerónimo Corte-Real|Jerónimo Corte-Real]] (c. 1530 - c. 1588)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Amador Arrais|Amador Arrais]] (c. 1530 - 1600)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Duarte Nunes de Leão|Duarte Nunes de Leão]] (c. 1530 - 1608)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Fróis|Luís Fróis]] (1532 - 1597)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José de Anchieta|José de Anchieta]] (1534 - 1597)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Agostinho Pimenta|Agostinho Pimenta]] (1540 - 1619)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Andrade|Francisco de Andrade]] (c. 1540 - 1614)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Pero de Magalhães Gândavo|Pero de Magalhães Gândavo]] (c. 1540 - c. 1580)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Pereira Brandão|Luís Pereira Brandão]] (c. 1540 - c. 1590)
* {{A|Diogo do Couto}} (c. 1542 - 1616)
* {{A|Miguel Leitão de Andrada}} (c. 1553 - 1630)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei Luís de Sousa|Frei Luís de Sousa]] (c. 1555 - 1632)
* {{A|Ambrósio Fernandes Brandão}} (c. 1555 - c. 1618)
* {{A|Bernardo de Brito}} (1569 - 1617)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Gabriel Pereira de Castro|Gabriel Pereira de Castro]] (1571 - 1632)
* {{A|Francisco Rodrigues Lobo}} (1580 - 1622)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Brandão|António Brandão]] (1584 - 1637)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel de Faria e Sousa|Manuel de Faria e Sousa]] (1590 - 1649)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Jacinto Freire de Andrade|Jacinto Freire de Andrade]] (1597 - 1657)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brás Garcia de Mascarenhas|Brás Garcia de Mascarenhas]] (1596 - 1656)
=== Século XVII ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de Sá de Meneses|Francisco de Sá de Meneses]] (c. 1600 - 1664)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Violante do Céu|Violante do Céu]] (1601 - 1693)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António de Sousa de Macedo|António de Sousa de Macedo]] (1606 - 1682)
* {{A|Francisco Manuel de Melo}} (1608 - 1666)
* {{A|Jerónimo Baía}} (c. 1620 - 1688)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Frei António das Chagas|Frei António das Chagas]] (1631 - 1682)
* {{A|Mariana Alcoforado}} (1640 - 1723)
* {{A|Manuel Bernardes}} (1644 - 1710)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco Xavier de Meneses|Francisco Xavier de Meneses]] (1673 - 1743)
* {{A|António Caetano de Sousa}} (1674 - 1759)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Diogo Barbosa Machado|Diogo Barbosa Machado]] (1682 - 1772)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Bernardo Gomes de Brito|Bernardo Gomes de Brito]] (1688 - c. 1760)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Nunes Ribeiro Sanches|António Nunes Ribeiro Sanches]] (1699 - 1782)
=== Século XVIII ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António José da Silva|António José da Silva]] (1705 - 1739)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Dinis da Cruz e Silva|António Dinis da Cruz e Silva]] (1731 - 1799)
* {{A|Filinto Elísio}} (1734 - 1819)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Anastácio da Cunha|José Anastácio da Cunha]] (1744 - 1787)
* {{A|Tomás Antônio Gonzaga}} (1744 - 1810)
* {{A|Bocage}} (1765 - 1805)
* {{A|Curvo Semedo}} (1766 - 1838)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Francisco de São Luís Saraiva|Francisco de São Luís Saraiva]] (1766 - 1845)
* {{A|José Agostinho de Macedo}} (1761 - 1831)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Maria da Costa e Silva|José Maria da Costa e Silva]] (1788 - 1854)
* {{A|Almeida Garrett}} (1799 - 1854)
* {{A|António Feliciano de Castilho}} (1800 - 1875)
=== Século XIX ===
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luz Soriano|Luz Soriano]] (1802 - 1891)
* {{A|Alexandre Herculano}} (1810 - 1877)
* {{A|João de Lemos}} (1819 - 1890)
* {{A|José da Silva Mendes Leal}} (1820 - 1886)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís Augusto Rebelo da Silva|Luís Augusto Rebelo da Silva]] (1822 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João de Andrade Corvo|João de Andrade Corvo]] (1824 - 1890)
* {{A|Camilo Castelo Branco}} (1825 - 1890)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Pedro Lopes de Mendonça|António Pedro Lopes de Mendonça]] (1826 - 1865)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Soares de Passos|Soares de Passos]] (1826 - 1860)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Arnaldo Gama|Arnaldo Gama]] (1828 - 1869)
* {{A|Raimundo António de Bulhão Pato}} (1828 - 1912)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Ernesto Biester|Ernesto Biester]] (1829 - 1880)
* {{A|João de Deus}} (1830 - 1896)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Júlio César Machado|Júlio César Machado]] (1835 - 1890)
* {{A|Ramalho Ortigão}} (1836 - 1915)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Cardoso Vieira de Castro|José Cardoso Vieira de Castro]] (1837 - 1872)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Penha|João Penha]] (1838 - 1919)
* {{A|Júlio Dinis}} (1839 - 1871)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fernando Caldeira|Fernando Caldeira]] (1841 - 1894)
* {{A|Pinheiro Chagas}} (1842 - 1895)
* {{A|Antero de Quental}} (1842 - 1891)
* {{A|Teófilo Braga}} (1843 - 1924)
* {{A|Luciano Cordeiro}} (1844 - 1900)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Guiomar Torresão|Guiomar Torresão]] (1844 - 1898)
* {{A|Joaquim Pedro de Oliveira Martins}} (1845 - 1894)
* {{A|Eça de Queirós}} (1845 - 1900)
* {{A|Joaquim Pedro de Oliveira Martins}} (1845 - 1894)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sousa Viterbo|Sousa Viterbo]] (1845 - 1910)
* {{A|António Cândido Gonçalves Crespo}} (1846 - 1883)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Rafael Bordalo Pinheiro|Rafael Bordalo Pinheiro]] (1846 - 1905)
* {{A|Adolfo Coelho}} (1847 - 1927)
* {{A|Maria Amália Vaz de Carvalho}} (1847 - 1921)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Gomes Leal|António Gomes Leal]] (1848 - 1921)
* {{A|Francisco Teixeira de Queirós}} (1848 - 1919)
* {{A|Alberto Pimentel}} (1849 - 1925)
* {{A|Guerra Junqueiro}} (1850 - 1923)
* {{A|Gervásio Lobato}} (1850 - 1895)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Luís de Magalhães|Luís de Magalhães]] (1850 - 1924)
* {{A|Venceslau de Morais}} (1854 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:João Gonçalves Zarco da Câmara|João Gonçalves Zarco da Câmara]] (1855 - 1908)
* {{A|Cesário Verde}} (1855 - 1886)
* {{A|Abel Botelho}} (1854 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Marcelino Mesquita|Marcelino Mesquita]] (1856 - 1919)
* {{A|Fialho de Almeida}} (1857 - 1911)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Sampaio Bruno|Sampaio Bruno]] (1857 - 1915)
* {{A|Leite de Vasconcelos}} (1858 - 1941)
* {{A|António Feijó}} (1859 - 1917)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alfredo Gallis|Alfredo Gallis]] (1859 - 1910)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Teixeira Gomes|Manuel Teixeira Gomes]] (1860 - 1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Francisco Trindade Coelho|José Francisco Trindade Coelho]] (1861 - 1908)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Brito Camacho|Brito Camacho]] (1862 - 1934)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Nobre|António Nobre]] (1867 - 1900)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Raul Brandão|Raul Brandão]] (1867 - 1930)
* {{A|Camilo Pessanha}} (1867 - 1926)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Alice Moderno|Alice Moderno]] (1867 - 1946)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Eugénio de Castro|Eugénio de Castro]] (1869 - 1944)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Augusto Gil|Augusto Gil]] (1870 - 1929)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Roberto de Mesquita|Roberto de Mesquita]] (1871 - 1923)
* {{A|Ana de Castro Osório}} (1872 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Carlos Malheiro Dias|Carlos Malheiro Dias]] (1875 -1941)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:José Duro|José Duro]] (1875 - 1899)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Manuel Laranjeira|Manuel Laranjeira]] (1877 - 1912)
* {{A|Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos}} (1877 - 1952)
* [[w:Visconde de Vila-Moura|Visconde de Vila-Moura]] (1877 - 1935)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Afonso Lopes Vieira|Afonso Lopes Vieira]] (1878 - 1946)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Patrício|António Patrício]] (1878 - 1930)
* {{A|Alfredo Pimenta}} (1882 - 1950)
* {{A|Leonardo Coimbra}} (1883 - 1936)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Albino Forjaz de Sampaio|Albino Forjaz de Sampaio]] (1884 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Hipólito Raposo|Hipólito Raposo]] (1885 - 1953)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Sardinha|António Sardinha]] (1887 - 1925)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Fidelino de Figueiredo|Fidelino de Figueiredo]] (1888 - 1967)
* {{A|Fernando Pessoa}} (1888 - 1935)
* {{A|Mário de Sá-Carneiro}} (1890 - 1916)
* {{A|Florbela Espanca}} (1894 - 1930)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:Soeiro Pereira Gomes|Soeiro Pereira Gomes]] (1909 - 1949)
* [[File:Tango style Wikipedia Icon no shadow.svg|18px]] [[w:António Maria Lisboa|António Maria Lisboa]] (1928 - 1953)
{{Div col fim}}
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Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/209
106
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2026-09-27T09:12:28Z
MLReis
41056
Transcrição com Google OCR conferida com o original; corrigida a ordem das colunas e aplicada marcação de lemas, categorias gramaticais e definições.
564701
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<span style="float:left;font-size:500%;line-height:1;margin:0 0.12em 0 0;text-indent:0">{{lema|A}}</span> {{Def|1=<span style="font-style:normal">Primeira letra do Abecedario Portuguez, e primeira das vogaes.</span>}} O ſeu nome ſe toma como hum {{catgram|ſubſtantivo maſculino}} monoſillabo, cujo plural ſe deſigna duplicando na eſcritura a figura da letra deſte modo ''aa'', mas ſe pronuncia ''ás.'' <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orthogr. 2 ℣ ''A'' he letra vogal ſimples e pura, e ácerca de nós duvidoſa na quantidade, como ácerca dos Gregos e Latinos; porque póde ſer breve, e ſer longa, ſegundo as letras, a que ſe ajunta, ou o lugar onde cahe: e não ha mais que hum ''a''; porque ſer longo, e ſer breve he accidentalmente... E a razão, que faz parecer, que são dous ''aa'', hum grande, e hum pequeno, he a pronunciação varia, que ſe cauſa dos accentos, ou das letras, a que ſe ajunta eſta vogal. <span style="font-variant:small-caps">Ver.</span> Orthogr. 1, 3 Eſta letra ''A'' he vogal ſimples e pura, e na quantidade duvidoſa... Os Hebreos, Gregos, e Latinos (a que nós imitamos por a lingoa Portugueza ter origem da Latina) começárão ſeus alphabetos neſta letra ''A.'' Os Hebreos lhe chamárão ''Aleph'': os Gregos ''Alpha'': os Latinos ''A'', na fórma, que a pronunciamos. Dão varias razões os que eſcreverão ſobre eſta materia. Huns dizem, que os Gregos e Latinos começárão por eſta letra, por imitarem o alphabeto Hebreo, reconhecendo eſta lingoa por origem e inventora das letras. Outros dizem, que a razão de ſe pôr no principio de todas as letras, foi por ſer mais proxima ao coração; que, como elle he principio da vida, aſſi o he de todas as letras, que parece ſahe do mais interior de noſſo peito, quando pronunciamos eſta letra ''A.'' Finalmente dizem outros, que he poſta no principio de todas as mais, por ſer a primeira, que pronunciamos, quando naſcemos. <span style="font-variant:small-caps">Barret.</span> Orthogr. 16. Eſta letra ''A'', para com os Latinos, Gregos, Hebreos, Arabes, e, ſegundo Santo Iſidoro I. Etym., para com todas as outras lingoas independentes deſtas, he a primeira em ordem do Abece, aſſi das conſoantes, como das vogaes, pola qual razão Auſonio a chama guia dos elementos... Donde veio a tomarſe polo principio de qualquer couſa... Tem mais facil pronunciação, que todas as outras; porque ſe fórma com hum natural movimento e abertura dos beiços, não he neceſſario ſaber falar para a pronunciar... Mandaſe fóra da bocca com eſpirito mais cheio, que nenhuma das outras vogaes; reduzindoſe o gorgomillo e o eſpaço, em que ſe fórma a voz, a maior redondeza, e abaixandoſe o groſſo da lingoa, para dar ſahida mais larga ao flato, que faz a tal voz, e o reſtante da bocca, com os beiços, fica em ſua ordinaria poſtura, ſenão em quanto he neceſſario accommodar a abertura da bocca á voz, que ſahe... He eſta letra fatal para os de entre Douro e Minho, e Beirões, ſeguindoſelhe outro ''A''; porque não os podem pronunciar ambos, hum detraz do outro, ſem lhes metter de permeio I: e aſſi havendo de dizer ''a agoa, a alma'', infallivelmente hão de dizer ''ai agoa, ai alma.'' Mas o meſmo vicio tem (ſegundo Fr. Reginaldo Acceto, em o Theſouro de ſua lingoa) algumas terras da Italia... Em alguns vocabulos, que dos Latinos temos, ſe converte em ''E'', como: de ''alacris, alegre; factus, feito; baſium, beijo; lac, leite; magiſter, meſtre; ſagitta, ſetta'', e outros taes. A's vezes em ''O'', como: de ''fames, fome'', &c. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orthogr. 25 ℣ ''A'' primeiramente ſe muda em ''E'', como: de... ''amavi, amei''; e ás vezes em ''O'', como são todolos dithongos de ''au'' em ''ou'', como: de ''aurum, ouro''; de ''taurus, touro''; de ''laurus, louro''; de ''caulis, couve''; por ''autumnus, outono'': e por não gaſtar tempo, todos os mais vocabulos, em que eſte dithongo ''au'' entra; tirando ''autor, autoridade, aução, cauſa, agouro, Agoſto, Agoſtinho'', e poucos mais.
</p>
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Os Antigos, deſprezando a etymologia, punhão em muitas palavras o ''A'' em lugar de ''E'', como: ''alifante, altaração, eſpecia, piadade, reſplandor, variadade.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
E em lugar de ''O'', como: ''accupar, alvarada, devação, eſtamago, paraciſmo, mercadaria.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Pelo contrario trocavão o ''A'' em ''E'', como: ''ennexar, fanteſia.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
E algumas vezes em ''I'', como: ''mortindade, orfindade.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Os Modernos, ou em attenção á etymologia, ou á ſuavidade da pronunciação, trocárão em ''A'' o ''E'' de alguns vocabulos, como: ''arreigar, pera'' ({{catgram|prep.}}), ''rezão, treidor.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Pelo contrario em ''antre'', e ſeus compoſtos, e outros muitos mudárão o ''A'' em ''E.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Antigamente ſe accreſcentava no principio de algumas palavras ''A'', que depois tirou o uſo, como em ''adentro, afora, avoar.'' Porém os Antigos, e alguns Modernos de boa autoridade usão indifferentemente no meſmo ſignificado de ''conſelhar'', e ''aconſelhar''; ''contar'', e ''acontar''; ''moſtrar'', e ''amoſtrar'', e outros.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
<span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orthogr. 40 Tem os Heſpanhoes hum ''A'' ſeu proprio e peculiar, com que formão os verbos, que querem, como quando dizemos de ''manſo, amanſar''; de ''pedra, apedrejar''; de ''noite, anoitecer''; de ''cabo, acabar''; de ''proveito, aproveitar''; de ''puro, apurar'', e outros infinitos: os quaes são ſimplezes, e não compoſtos; porque a verdadeira compoſição he, quando ſe ajunta a prepoſição aos verbos, o que não ha neſtes; porque não ha ''proveitar'', nem ''manſar'', para dizermos, que ſe compõe com a prepoſição Latina ''ad.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Duplicavaſe eſta letra (aſſim como as outras vogaes) por via de regra em certas circumſtancias, para moſtrar a vogal ſer longa (<span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orthogr. 46 ℣.) como: ''aar, maa, paa, paadar, ſaarar.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Porém os Modernos reduzirão iſto a hum ſó ''A.'' <span style="font-variant:small-caps">Barret.</span> Orthogr. 45 O Licenciado Duarte Nunes coſtuma dobrar todas as vogaes, e aſſi diz: ''maa, paa, jaa, paadar''... e outras taes, que certo me parece hum fino deſpropoſito; polo que eſcreveremos: ''má, pá, já, pádar''... e nunca dobraremos ''a'', nem outra alguma vogal, pertencendo ao meſmo vocabulo.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|A.}} {{Def|1=<span style="font-style:normal">{{catgram|Articulo feminino}}, ou terminação femenina do articulo ''O, A.''</span>}} [ant. ''Ho, Ha.''] <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orthogr. 65 ℣ E porque muitos aſpirão os articulos, cuidando, que os tomamos dos Gregos, que no maſculino e feminino do primeiro caſo os tem aſpirados, dizendo ὁ, ἡ, lembro: que he eſcuſada curioſidade; aſſi porque os não pronunciamos aſpirados, como porque não tomamos eſſes articulos dos Gregos, ainda que como elles os tenhamos; porque os noſſos articulos ''o, a'' são o pronome ''is, ea, id'', por o qual dizemos, ''o, a, o''; o qual pronome não ſómente vai antes dos nomes, como articulo, mas antes e depois dos verbos, como relativo, que he. <span style="font-variant:small-caps">Ver.</span> Orthogr. 2, 3 Nos articulos ''O, A'', que ſe antepõe aos nomes para moſtrar de que genero são, não ha embaraço. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Orthogr. 189 De Artigo [ſerve o ''A''] como: ''A'' materia bem feita apraz ao Meſtre.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Muitas vezes ſe acha ſupprimido. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 1, 3, 10 Cá não queria perder alma; pois já tinha perdido o corpo. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Son. 1, 37 Dina de em toda lingoa ſer cantada. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Ecl. 3, 3 Que huma ſó ſalvação tem hum perdido Perder toda eſperança á ſalvação.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|A.}} {{catgram|pl.}} {{lema|As.}} {{catgram|Pronome relativo femenino.}} Põeſe antes e depois dos verbos. Vej. A, articulo. Serve ſó de caſo obliquo. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Orthogr. 189 Serve [o ''A''] de relativo per ſemelhante exemplo: Eſſa tua palmatoria ſe ''a'' eu tomar, fartehei lembrar eſta regra. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Caſtr. 2 Triſtes pobrezas ninguem ''as'' deſeje, Cégas riquezas ninguem ''as'' procure.
</p>
|}<noinclude><div style="font-family:serif;text-align:center;margin-left:50%">A</div></noinclude>
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{{c|HOJE E AMANHA: PRENÚNCIOS DO DESAPONTAMENTO}}
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|57|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>eram tres horas da manhā. E com effeito, este famoso relogio,
sempre regulado pelo meridiano de Greenwich, que ficava quasi a setenta e sete graus no occidente, devia mostrar, e effectivamente mostrava, um atrazo de quatro horas.
Sir Francis rectilieou por isso a hora que Passepartout dizia,
e ao qual fez a mesma observaçāo que Fix jà lhe fizera. Procurou convencel-o de que se devia regular por cada meridiano
novo, e que, visto ser a sua direcçāo constantemente para o
oriente, e por conseguinte para a banda do sol, os dias tornavam-se mais curtos na rasão de tantas vezes quatro minutos
quanto os graus percorridos. Foi trabalho baldado. Comprehendesse ou nāo o teimoso rapaz as observaçōes do brigadeiro, insistiu em nāo adiantar o relogio, que invariavelmente conservava regulado pela hora de Londres. Mania innocente, e que a
final a ninguem prejudicava.
Ás oito horas da manhā, e a quinze milhas adiante da estaçāo de Rothal, o trem parou no meio de uma vasta clareira, orlada de alguns ''bungalows'' e de algumas cabanas de operarios.
O conductor passou pela fileira dos wagons dizendo:
— Os viajantes descem aqui.
Phileas Fogg olhou para sir Francis Cromarty, que pareceu
nāo comprehender esta paragem em meio de uma floresta de
tamarindos e de khajours.
Passepartout, nāo menos surprehendido, saltou para a via e
voltou no mesmo instante exclamando:
— Senhor, nāo ha mais caminho de ferro!
— O que quer dizer com isso? disse sir Francis Cromarty.
— Quero dizer que o trem nāo continua a andar:
O brigadeiro general desceu logo do wagon.
Phileas Fogg seguiu-o sem se apressar. Dirigiram-se ambos
para o conductor.
— Onde estamos? perguntou sir Francis Cromarty.
— Na aldeia de Kholby, respondeu o conductor.
— Parámos então aqui?
— De certo. O caminho de ferro nāo está acabado...
— Como! nāo está acabado?
{{nop}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|58|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>— Nāo! ha ainda cincoenta milhas de rails a estabelecer entre este ponto e Allahabad, onde a via continúa.
— Mas os jornaes annunciaram a abertura de todo o caminho!
— Que quer, meu official, os jornaes enganaram-se.
— E deram-nos bilhetes de Bombaim a Calcuttá! replicou sir
Francis Cromarty, que principiava a exaltar-se.
— De certo, volveu o conductor, mas os viajantes nāo ignoram que devem fazer-se transportar de Kholby até a Allahabad.
Sir Francis Cromarty estava furioso. Passepartout sentia grande vontade de desancar o conductor. Nāo se atrevia a olhar
para o amo.
— Sir Francis, disse socegadamente mr. Fogg, se lhe pareee, vamos resolver qual será o meio de chegarmos a Allahabad.
— Mr. Fogg, isto é uma demora absolutamente prejudicial aos
seus interesses.
— Nāo, sir Francis, estava prevista.
— O que! pois sabia que o caminho de ferro...
— Nada, apenas sabia que um obstaculo qualquer cedo ou
tarde surgiria na viagem. Ora, nada está compromettido. Tenho
dois dias de avanço a sacrificar. Ha um vapor que parte de
Calcuttá para Hong-Kong a 25, ao meio dia. Estamos ainda a
22, e chegaremos a tempo a Calcuttá.
Nāo havia nada a dizer a uma resposta dada com tanta segurança.
Era verdade que os trabalhos do caminho de ferro paravam,
nʼaquelle ponto. Os jornaes sāo como certos relogios que téem
a mania de se adiantar, e haviam prematuramente annunciado a conclusāo da linha. A maior parte conheciam a interrupçāo
da via, e ao descerem do trem apoderaram-se dos vehiculos de
toda a especie que havia na aldeia, ''palligharis'' de quatro rodas
carretas puxadas por zebús, — especie de bois com corcovas, —
carros de viagem similhantes a pagodes ambulantes, palanquins, poneys, etc. Por isso mr. Fogg e sir Francis Cromar-<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|59|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>ty, depois de correrem a aldeia, voltaram sem nada ter
achado.
— Irei a pé, disse mr. Fogg.
Passepartout, que nʼaquelle momento se aproximou do amo,
fez uma careta significativa, lançando ao mesmo tempo um olhar
expressivo para as suas esplendidas mas inuteis chinellas. Felizmente para elle, andára tambem á descoberta, e com voz um
pouco hesitante disse:
— Mr. Fogg, parece-me que a final achei um meio de transporte.
— Qual é?
— Um elephante! um elephante pertencente a um indio que
mora a cem passos dʼaqui.
— Vamos ver o elephante, redarguiu mr. Fogg.
Cinco minutos depois, Phileas Fogg, sir Francis Cromarty e
Passepartout chegavam a uma cabana, contigua a um cerrado
feito de altas pallissadas. Na cabana havia um indio, no cerrado
um elephante. A pedido de mr. Fogg e dos seus companheiros, o indio introduziu-os no cerrado.
Ali, acharam-se em presença de um elephante meio domesticado, que o seu proprietario creava, nāo para fazer dʼelle um
animal de carga, mas de combate. Para este fim começára a modificar a indole naturalmente meiga do bicho, de modo que o
levasse gradualmente a esse paroxysmo de raiva chamado
«mutsh» na lingua indiana, o que elle conseguia sustentando-o
durante tres mezes a manteiga e assucar. Parece este tratamento improprio para dar um tal resultado, mas a verdade é que
nāo deixa por isso de ser proficuamente empregado pelos creadores. Felizmente para mr. Fogg, o elephante em questāo vinha
apenas de ser submettido a similhante regimen, e o «mutsh»
ainda nāo se declarára.
Kiouni — era este o nome do animal — podia, como todos os
sens congeneres, sustentar durante muito tempo uma marcha
rapida, e á falta de outro ginete, Phileas Fogg resolveu servir-se dʼelle.
Mas os elephantes sāo caros na India, onde começam a tor-<noinclude></noinclude>
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/História da Princesa que se perdeu na floresta
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História da Princesa que se perdeu na floresta | anterior = [[../A rainha invejosa/]] | posterior = [[../O que é a felicidade/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DA PRINCESA QUE SE PERDEU NA FLORESTA</big>''' HOUVE outrora um Rei muito poderoso, que era viúvo. Tinha uma única filha, linda, boa e esperta, que era o enlevo de todos, principa...
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{{navegar
| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
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| seção = História da Princesa que se perdeu na floresta
| anterior = [[../A rainha invejosa/]]
| posterior = [[../O que é a felicidade/]]
| notas =
}}
'''<big>HISTÓRIA DA PRINCESA QUE SE PERDEU NA FLORESTA</big>'''
HOUVE outrora um Rei muito poderoso, que era viúvo. Tinha uma única filha, linda, boa e esperta, que era o enlevo de todos, principalmente do pai, que não via outra coisa.
O bom do Rei sentia um profundo desgosto em não ter um filho varão que herdasse os seus vastos domínios e governasse com a força da sua espada e rectidão de juízo, sobre os nobres cavaleiros e humilde povo.
Mas, apesar disto e apesar dos conselhos dos seus cortesãos, não se resolveu nunca a dar madrasta à filha.
Era pois a gentil Princesa, além de bonita, esperta e bem educada, a herdeira dum belo reino e a futura Rainha dum grande povo.
Todos os anos pela mesma época costumava o Rei ir com toda a sua corte para um palácio de campo, onde se organizavam grandes caçadas que chamavam ao país muitos cavaleiros e príncipes estrangeiros.
Quando a Princesinha chegou aos quinze anos pediu ao pai que a deixasse também seguir os caçadores, pois era uma menina corajosa a quem muito agradavam os exercícios de força e destreza, que mais costumam ser entretenimento de cavaleiros.
O pai a princípio recusou fazer-lhe a vontade, temendo alguma desgraça, mas a Princesa mostrou sentir tal desgosto que ele não teve coragem de a contrariar e consentiu que seguisse a caçada no seu belo cavalo, a melhor estampa que existia em poder duma senhora, num tempo em que as senhoras raro saíam das salas onde tinham o bastidor e a roda de fiar.
A Princesa, mal obteve a licença desejada, chamou o seu pagem, ordenou que lhe mandasse aprontar o fiel alazão e correu aos seus aposentos para que as aias a vestissem com os mais ricos trajes de amazona.
Quando, no grande pátio da entrada, se reuniram todos os caçadores e o Rei deu a mão à filha para a ajudar a montar, não houve ninguém que não ficasse encantado com a beleza da menina, a quem o chapéu de plumas brancas, o vestido de veludo verde com botões de brilhantes e as luvas de malhas de ouro ainda tornavam mais bonita.
Partiram a galope.
A Princesa ia sempre na frente rindo dos perigos e de quem a aconselhava a ter prudência.
E tanto correu, que lá pelo meio-dia se encontrou só, no meio do mais espesso da floresta. Cheia de sede e calor, resolveu apear-se, procurar água e esperar pelos caçadores que a deviam ter seguido.
Desceu do cavalo, enfiou as rédeas no braço e foi andando por um lado e por outro em busca duma gota de água que lhe mitigasse a sede.
E cada vez se ia internando mais na floresta. Até que chegou a uma clareira, no meio da qual viu uma fonte de água límpida correndo mansamente à sombra de belas árvores.
Ficou satisfeita, porque era muito o calor e a sede apertava bastante. Bebeu à sua vontade e deixou o cavalo em liberdade pastar a erva macia, enquanto ela descansava à sombra, visto que, dos caçadores, por mais que ela tocasse na pequena trompa de ouro que trazia a tiracolo, não aparecia nenhum.
Tanto se aborreceu de esperar sem lhe chegar aos ouvidos o menor sinal de vida, que adormeceu.
Quando estava no melhor dos sonos, apareceu um Príncipe que andava também à caça, mas não pertencia à comitiva da menina.
É que ela, imaginando estar perto, tinha-se adiantado tanto que, sem dar por isso, tinha transposto as fronteiras do seu reino e achava-se nos domínios do pai do Príncipe — um inimigo irreconciliável do seu. Era esta a razão de a não conhecer o jovem cavaleiro, apesar de tão vizinhos.
Tão grande formosura ali sòzinha, adormecida, admirava-o muito. Quis esperar que despertasse para saber o seu nome e a sua história. Mas como a menina parecia dormir com vontade, resolveu ir chamar uma carruagem para a transportar, logo que ela acordasse, para o palácio.
Para dar sinal da sua presença, tirou-lhe a luva que ela tinha descalçado para beber da água corrente e meteu-a no peito do seu gibão.
Mal o Príncipe tinha partido, acordou a Princesa, que resolveu tornar a montar a cavalo e partir em busca dos companheiros de quem se tinha perdido.
Andou, andou, mas quanto mais andava, mais se afastava do seu país. Chegou, por fim, a uma grande cidade que lhe era completamente estranha
O que havia de fazer, não conhecendo ninguém nem podendo dizer quem era, sem que a tomassem por impostora? Não perdeu, porém, a coragem. Entrou numa loja e comprou um vestido, simples, ao uso da terra.
Assim disfarçada foi oferecer-se para servir, ao palácio real.
A Rainha mandou-a ir à sua presença e, simpatizando com ela, aceitou-a para companhia da filha, uma linda Princesa, que havia tempos sofria de uns ataques que a tornavam doida.
Tornada aia da doidinha, tão bem a tratou e de tal maneira lhe falava, que ela já não queria outra pessoa nem se entendia com mais ninguém.
Os reis estavam estupefactos, pois desde que a doença entrara com a filha não tinham tornado a ter um momento de descanso.
Um dia que a doida estava mais sossegada, a Princesa foi arranjar cartas e começou a jogar para a entreter. De súbito, apagaram-se, como por encanto, todas as luzes do palácio.
A Princesa, confundida com um caso tão estranho, olhou para o longe e viu uma grande claridade. Levantou-se, pegou num castiçal e às apalpadelas desceu a escada do palácio. Saiu para a rua e dirigiu-se para o sítio onde via o que imaginava a luz de uma casa.
Quando lá chegou reconheceu, porém, que era uma fogueira. Junto dela estavam dois pretos a mexer uma caldeira e um homem, mal encarado, que dizia:
<poem>
— Mexe, mexe, vai mexendo
Pois quanto mais remexer
mais o feitiço fará
A Princesa endoidecer. —
</poem>
Apesar de muito surpreendida com o que via, adiantou-se a pedir que lhe acendessem a vela.
— Então lá no palácio não há luzes? — perguntou o homem com má sombra.
Ela, que não era timorata, respondeu:
— Havia muitas, mas, estando eu a jogar com a Princesa, num instante todas se apagaram!
— A jogar com a Princesa?! Ela está doida, não pode jogar.
— Isso é engano seu. Ela tem até muito juízo.
— Mas eu sei que está doida.
— Não pode saber mais do que eu, que vivo junto dela. Tem muito juízo!
O homem entrou numa grande fúria e agarrando nos pretos atirou-os para dentro da caldeira, dizendo:
— Ah, não está doida e vocês andam a enganar-me!? Pois hão-de pagar tudo.
A Princesa acendeu o seu castiçal e voltou ao palácio, onde encontrou a doida já completamente curada — pois com a morte dos dois pretos se lhe quebrou o feitiço que lhe haviam feito.
Grande alegria reinou na corte a partir desse momento. O Rei e a Rainha contavam a toda a gente a maneira milagrosa como a filha fora curada, por intervenção da dama de companhia.
De maneira que a fama da sua inteligência e esperteza correu Mundo e não tardou que dum país vizinho viesse um embaixador com ordem de a levar para curar uma Princesa muda.
Nem o Rei, nem a Rainha, nem a Princesa tinham vontade de a deixar partir, mas o embaixador tinha ordem de declarar a guerra se não consentissem. E os reis tiveram que ceder.
Partiu pois a Princesa, mais triste do que alegre, porque sabia que deixava pessoas que a estimariam sempre e não sabia o que ia encontrar.
Depois de três dias de viagem chegou ao palácio da Princesa muda. Tanto o Rei como a Rainha a receberam com toda a consideração, pois já só tinham esperança nela para lhes curar a filha, que nenhum remédio tinha melhorado.
Em breve se tornou amiga da muda, a tal ponto que esta não queria estar longe dela nem um instante.
A Princesa não perdia ocasião de procurar descobrir a causa da extraordinária mudez da menina, mas nada conseguia.
De dia tudo ia bem, mas de noite, como ficava cada uma em seu quarto, nada podia observar. Resolveu então pedir licença à Rainha para ir dormir para o quarto da doente, que mostrou, com palmas e risos, quanto isso lhe era agradável.
Quando já estavam deitadas e tudo era adormecido no palácio, abriu-se um alçapão no meio do quarto e surgiu um preto, tão feio que a Princesa se encheu de susto e escondeu a cabeça debaixo da roupa.
De manhã o seu primeiro cuidado foi procurar o alçapão, mas não viu nem o menor sinal.
À noite, quando já estavam deitadas e nenhum rumor se sentia no palácio, abriu-se o mesmo alçapão e o mesmo preto apareceu, enchendo-a de terror. Escondeu-se debaixo da roupa e só de manhã abriu os olhos.
Na terceira noite disse consigo:
— Isto é vergonha. Não torno a esconder-me. Esta noite não hei-de ter medo e verei o que faz o mostrengo.
Chegou a hora do costume, fingiu-se adormecida e esperou. Daí a pouco abriu-se o alçapão e entrou o preto, que se dirigiu à cama da Princesa muda. Tirou-lhe da boca uma bolinha de ouro e meteu-a debaixo do travesseiro.
Mal o preto se sumiu por onde tinha vindo, levantou-se a Princesa, foi à cama da muda, tirou a bola, agarrou-a na mão com quanta força tinha e foi a correr meter-se outra vez na cama.
De madrugada tornou a abrir-se o alçapão e veio o preto procurar a bola debaixo do travesseiro da muda para lha tornar a meter na boca, o que era a causa da doença que a afligia. Por mais que procurasse não a encontrou, e, como já se ouvia rumor no palácio, foi-se embora desesperado.
Só então a Princesa descansou. Dormia ainda a sono solto quando a muda a chamou da sua cama, alegríssima por poder dizer o que pensava e sentia.
As aias que a vinham ajudar a vestir, ao ouvirem-na falar, correram a dar a boa nova ao Rei e à Rainha que ficaram loucos de alegria.
Se até ali a menina era bem tratada, daí para diante não sabiam o que mais lhe haviam de fazer — era como se fosse a senhora de tudo.
Já estava habituada a viver ali e tinha como própria aquela família, quando novo embaixador dum reino vizinho chegou pedindo para a menina ir curar um Príncipe que não falava, nem comia, nem dormia, sempre a olhar para uma luva de senhora.
Não houve remédio senão deixarem-na ir apesar do desgosto dela e de todos os que ficavam, pois não havia em palácio ninguém que a não estimasse.
Quando passados cinco dias de viagem, entrou no palácio do Príncipe apaixonado, foi recebida pela Rainha com todas as demonstrações de afecto e levada logo ao quarto do doente.
Bem admirada ficou reconhecendo nas mãos do Príncipe a luva que lhe tinha faltado no dia em que adormecera junto da fonte e se perdera do pai e mais comitiva.
Pediu à Rainha que a deixassem só com o doente, porque lhe parecia fácil a sua cura.
Quando se viu só com o Príncipe, disse-lhe com voz agradável:
— Senhor, porque estais triste?
Não respondeu o Príncipe, nem tão pouco levantou os olhos para quem lhe falava.
— Meu Príncipe, eu conheço essa luva — tornou a Princesa com doçura.
Não obtendo nenhuma resposta, continuou:
— Príncipe, meu Senhor, a dona dessa luva está junto de vós. Sou eu mesma!
— Se assim é, há-de ter o par — respondeu por fim, em voz que mal se ouvia, tão desfalecido estava o infeliz.
— Aqui está! — tornou triunfante a Princesinha, satisfeita por ter conseguido fazer-se ouvir.
Tirando a luva do bolso mostrou-a ao Príncipe, que ficou logo reanimado, chamando toda a família para dizer que tinha encontrado enfim a sua noiva e já não queria morrer.
A Princesa, vendo que podia contar a sua história, pois tinha no Príncipe uma testemunha da verdade, disse quem era e donde vinha, o seu nome e o de seu pai e o do seu reino. Isto causou grande alegria aos reis, porque não só viam o Príncipe curado como também noivo da mais rica das herdeiras.
Partiram emissários a dar a boa nova ao pai da Princesa, que por toda a parte, dia e noite, a procurava sem descanso. Correu ao reino do que tinha sido seu inimigo e agora ia ser sogro da sua filha, e no meio da maior alegria abraçaram-se todos, reconciliados e satisfeitos.
As festas do casamento duraram mais dum mês nos dois países e foram tão belas que não mais esqueceram.
E ainda hoje neles se conta a aventura da Princesa perdida na floresta e se louva a felicidade que a sorte, parecendo má, e a coragem da Princesa em a viver, trouxeram aos dois reinos que tanto se haviam odiado e combatido.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História da Princesa que se perdeu na floresta]]
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2026-09-26T14:29:31Z
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{{navegar
| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
| tradutor =
| seção = História da Princesa que se perdeu na floresta
| anterior = [[../A rainha invejosa/]]
| posterior = [[../O que é a felicidade/]]
| notas =
}}
'''<big>HISTÓRIA DA PRINCESA QUE SE PERDEU NA FLORESTA</big>'''
HOUVE outrora um Rei muito poderoso, que era viúvo. Tinha uma única filha, linda, boa e esperta, que era o enlevo de todos, principalmente do pai, que não via outra coisa.
O bom do Rei sentia um profundo desgosto em não ter um filho varão que herdasse os seus vastos domínios e governasse com a força da sua espada e rectidão de juízo, sobre os nobres cavaleiros e humilde povo.
Mas, apesar disto e apesar dos conselhos dos seus cortesãos, não se resolveu nunca a dar madrasta à filha.
Era pois a gentil Princesa, além de bonita, esperta e bem educada, a herdeira dum belo reino e a futura Rainha dum grande povo.
Todos os anos pela mesma época costumava o Rei ir com toda a sua corte para um palácio de campo, onde se organizavam grandes caçadas que chamavam ao país muitos cavaleiros e príncipes estrangeiros.
Quando a Princesinha chegou aos quinze anos pediu ao pai que a deixasse também seguir os caçadores, pois era uma menina corajosa a quem muito agradavam os exercícios de força e destreza, que mais costumam ser entretenimento de cavaleiros.
O pai a princípio recusou fazer-lhe a vontade, temendo alguma desgraça, mas a Princesa mostrou sentir tal desgosto que ele não teve coragem de a contrariar e consentiu que seguisse a caçada no seu belo cavalo, a melhor estampa que existia em poder duma senhora, num tempo em que as senhoras raro saíam das salas onde tinham o bastidor e a roda de fiar.
A Princesa, mal obteve a licença desejada, chamou o seu pagem, ordenou que lhe mandasse aprontar o fiel alazão e correu aos seus aposentos para que as aias a vestissem com os mais ricos trajes de amazona.
Quando, no grande pátio da entrada, se reuniram todos os caçadores e o Rei deu a mão à filha para a ajudar a montar, não houve ninguém que não ficasse encantado com a beleza da menina, a quem o chapéu de plumas brancas, o vestido de veludo verde com botões de brilhantes e as luvas de malhas de ouro ainda tornavam mais bonita.
Partiram a galope.
A Princesa ia sempre na frente rindo dos perigos e de quem a aconselhava a ter prudência.
E tanto correu, que lá pelo meio-dia se encontrou só, no meio do mais espesso da floresta. Cheia de sede e calor, resolveu apear-se, procurar água e esperar pelos caçadores que a deviam ter seguido.
Desceu do cavalo, enfiou as rédeas no braço e foi andando por um lado e por outro em busca duma gota de água que lhe mitigasse a sede.
E cada vez se ia internando mais na floresta. Até que chegou a uma clareira, no meio da qual viu uma fonte de água límpida correndo mansamente à sombra de belas árvores.
Ficou satisfeita, porque era muito o calor e a sede apertava bastante. Bebeu à sua vontade e deixou o cavalo em liberdade pastar a erva macia, enquanto ela descansava à sombra, visto que, dos caçadores, por mais que ela tocasse na pequena trompa de ouro que trazia a tiracolo, não aparecia nenhum.
Tanto se aborreceu de esperar sem lhe chegar aos ouvidos o menor sinal de vida, que adormeceu.
Quando estava no melhor dos sonos, apareceu um Príncipe que andava também à caça, mas não pertencia à comitiva da menina.
É que ela, imaginando estar perto, tinha-se adiantado tanto que, sem dar por isso, tinha transposto as fronteiras do seu reino e achava-se nos domínios do pai do Príncipe — um inimigo irreconciliável do seu. Era esta a razão de a não conhecer o jovem cavaleiro, apesar de tão vizinhos.
Tão grande formosura ali sòzinha, adormecida, admirava-o muito. Quis esperar que despertasse para saber o seu nome e a sua história. Mas como a menina parecia dormir com vontade, resolveu ir chamar uma carruagem para a transportar, logo que ela acordasse, para o palácio.
Para dar sinal da sua presença, tirou-lhe a luva que ela tinha descalçado para beber da água corrente e meteu-a no peito do seu gibão.
Mal o Príncipe tinha partido, acordou a Princesa, que resolveu tornar a montar a cavalo e partir em busca dos companheiros de quem se tinha perdido.
Andou, andou, mas quanto mais andava, mais se afastava do seu país. Chegou, por fim, a uma grande cidade que lhe era completamente estranha.
O que havia de fazer, não conhecendo ninguém nem podendo dizer quem era, sem que a tomassem por impostora? Não perdeu, porém, a coragem. Entrou numa loja e comprou um vestido, simples, ao uso da terra.
Assim disfarçada foi oferecer-se para servir, ao palácio real.
A Rainha mandou-a ir à sua presença e, simpatizando com ela, aceitou-a para companhia da filha, uma linda Princesa, que havia tempos sofria de uns ataques que a tornavam doida.
Tornada aia da doidinha, tão bem a tratou e de tal maneira lhe falava, que ela já não queria outra pessoa nem se entendia com mais ninguém.
Os reis estavam estupefactos, pois desde que a doença entrara com a filha não tinham tornado a ter um momento de descanso.
Um dia que a doida estava mais sossegada, a Princesa foi arranjar cartas e começou a jogar para a entreter. De súbito, apagaram-se, como por encanto, todas as luzes do palácio.
A Princesa, confundida com um caso tão estranho, olhou para o longe e viu uma grande claridade. Levantou-se, pegou num castiçal e às apalpadelas desceu a escada do palácio. Saiu para a rua e dirigiu-se para o sítio onde via o que imaginava a luz de uma casa.
Quando lá chegou reconheceu, porém, que era uma fogueira. Junto dela estavam dois pretos a mexer uma caldeira e um homem, mal encarado, que dizia:
<poem>
— Mexe, mexe, vai mexendo
Pois quanto mais remexer
mais o feitiço fará
A Princesa endoidecer. —
</poem>
Apesar de muito surpreendida com o que via, adiantou-se a pedir que lhe acendessem a vela.
— Então lá no palácio não há luzes? — perguntou o homem com má sombra.
Ela, que não era timorata, respondeu:
— Havia muitas, mas, estando eu a jogar com a Princesa, num instante todas se apagaram!
— A jogar com a Princesa?! Ela está doida, não pode jogar.
— Isso é engano seu. Ela tem até muito juízo.
— Mas eu sei que está doida.
— Não pode saber mais do que eu, que vivo junto dela. Tem muito juízo!
O homem entrou numa grande fúria e agarrando nos pretos atirou-os para dentro da caldeira, dizendo:
— Ah, não está doida e vocês andam a enganar-me!? Pois hão-de pagar tudo.
A Princesa acendeu o seu castiçal e voltou ao palácio, onde encontrou a doida já completamente curada — pois com a morte dos dois pretos se lhe quebrou o feitiço que lhe haviam feito.
Grande alegria reinou na corte a partir desse momento. O Rei e a Rainha contavam a toda a gente a maneira milagrosa como a filha fora curada, por intervenção da dama de companhia.
De maneira que a fama da sua inteligência e esperteza correu Mundo e não tardou que dum país vizinho viesse um embaixador com ordem de a levar para curar uma Princesa muda.
Nem o Rei, nem a Rainha, nem a Princesa tinham vontade de a deixar partir, mas o embaixador tinha ordem de declarar a guerra se não consentissem. E os reis tiveram que ceder.
Partiu pois a Princesa, mais triste do que alegre, porque sabia que deixava pessoas que a estimariam sempre e não sabia o que ia encontrar.
Depois de três dias de viagem chegou ao palácio da Princesa muda. Tanto o Rei como a Rainha a receberam com toda a consideração, pois já só tinham esperança nela para lhes curar a filha, que nenhum remédio tinha melhorado.
Em breve se tornou amiga da muda, a tal ponto que esta não queria estar longe dela nem um instante.
A Princesa não perdia ocasião de procurar descobrir a causa da extraordinária mudez da menina, mas nada conseguia.
De dia tudo ia bem, mas de noite, como ficava cada uma em seu quarto, nada podia observar. Resolveu então pedir licença à Rainha para ir dormir para o quarto da doente, que mostrou, com palmas e risos, quanto isso lhe era agradável.
Quando já estavam deitadas e tudo era adormecido no palácio, abriu-se um alçapão no meio do quarto e surgiu um preto, tão feio que a Princesa se encheu de susto e escondeu a cabeça debaixo da roupa.
De manhã o seu primeiro cuidado foi procurar o alçapão, mas não viu nem o menor sinal.
À noite, quando já estavam deitadas e nenhum rumor se sentia no palácio, abriu-se o mesmo alçapão e o mesmo preto apareceu, enchendo-a de terror. Escondeu-se debaixo da roupa e só de manhã abriu os olhos.
Na terceira noite disse consigo:
— Isto é vergonha. Não torno a esconder-me. Esta noite não hei-de ter medo e verei o que faz o mostrengo.
Chegou a hora do costume, fingiu-se adormecida e esperou. Daí a pouco abriu-se o alçapão e entrou o preto, que se dirigiu à cama da Princesa muda. Tirou-lhe da boca uma bolinha de ouro e meteu-a debaixo do travesseiro.
Mal o preto se sumiu por onde tinha vindo, levantou-se a Princesa, foi à cama da muda, tirou a bola, agarrou-a na mão com quanta força tinha e foi a correr meter-se outra vez na cama.
De madrugada tornou a abrir-se o alçapão e veio o preto procurar a bola debaixo do travesseiro da muda para lha tornar a meter na boca, o que era a causa da doença que a afligia. Por mais que procurasse não a encontrou, e, como já se ouvia rumor no palácio, foi-se embora desesperado.
Só então a Princesa descansou. Dormia ainda a sono solto quando a muda a chamou da sua cama, alegríssima por poder dizer o que pensava e sentia.
As aias que a vinham ajudar a vestir, ao ouvirem-na falar, correram a dar a boa nova ao Rei e à Rainha que ficaram loucos de alegria.
Se até ali a menina era bem tratada, daí para diante não sabiam o que mais lhe haviam de fazer — era como se fosse a senhora de tudo.
Já estava habituada a viver ali e tinha como própria aquela família, quando novo embaixador dum reino vizinho chegou pedindo para a menina ir curar um Príncipe que não falava, nem comia, nem dormia, sempre a olhar para uma luva de senhora.
Não houve remédio senão deixarem-na ir apesar do desgosto dela e de todos os que ficavam, pois não havia em palácio ninguém que a não estimasse.
Quando passados cinco dias de viagem, entrou no palácio do Príncipe apaixonado, foi recebida pela Rainha com todas as demonstrações de afecto e levada logo ao quarto do doente.
Bem admirada ficou reconhecendo nas mãos do Príncipe a luva que lhe tinha faltado no dia em que adormecera junto da fonte e se perdera do pai e mais comitiva.
Pediu à Rainha que a deixassem só com o doente, porque lhe parecia fácil a sua cura.
Quando se viu só com o Príncipe, disse-lhe com voz agradável:
— Senhor, porque estais triste?
Não respondeu o Príncipe, nem tão pouco levantou os olhos para quem lhe falava.
— Meu Príncipe, eu conheço essa luva — tornou a Princesa com doçura.
Não obtendo nenhuma resposta, continuou:
— Príncipe, meu Senhor, a dona dessa luva está junto de vós. Sou eu mesma!
— Se assim é, há-de ter o par — respondeu por fim, em voz que mal se ouvia, tão desfalecido estava o infeliz.
— Aqui está! — tornou triunfante a Princesinha, satisfeita por ter conseguido fazer-se ouvir.
Tirando a luva do bolso mostrou-a ao Príncipe, que ficou logo reanimado, chamando toda a família para dizer que tinha encontrado enfim a sua noiva e já não queria morrer.
A Princesa, vendo que podia contar a sua história, pois tinha no Príncipe uma testemunha da verdade, disse quem era e donde vinha, o seu nome e o de seu pai e o do seu reino. Isto causou grande alegria aos reis, porque não só viam o Príncipe curado como também noivo da mais rica das herdeiras.
Partiram emissários a dar a boa nova ao pai da Princesa, que por toda a parte, dia e noite, a procurava sem descanso. Correu ao reino do que tinha sido seu inimigo e agora ia ser sogro da sua filha, e no meio da maior alegria abraçaram-se todos, reconciliados e satisfeitos.
As festas do casamento duraram mais dum mês nos dois países e foram tão belas que não mais esqueceram.
E ainda hoje neles se conta a aventura da Princesa perdida na floresta e se louva a felicidade que a sorte, parecendo má, e a coragem da Princesa em a viver, trouxeram aos dois reinos que tanto se haviam odiado e combatido.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História da Princesa que se perdeu na floresta]]
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O juramento
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| título = [[../]]
| autor = Ana de Castro Osório
| tradutor =
| seção = O juramento
| anterior = [[../História do armador/]]
| posterior = [[../O médico da morte/]]
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}}
'''<big>O JURAMENTO</big>'''
NUMA antiga cidade portuguesa moravam outrora um conde muito rico e considerado entre os mais nobres do reino, e um mercador honesto, mas de humilde nascimento.
Nem um nem outro tinham filhos, o que muito os afligia e às suas esposas.
Tanto a condessa como a mercadora, tinham por hábito irem a uma igreja dedicada a Nossa Senhora, e ali pediam a Deus e à Virgem que lhes dessem filhos, porque uma família sem crianças é mais triste do que triste casa sem janelas.
Encontrando-se todos os dias e sofrendo ambas o mesmo desgosto, em breve se deram por conhecidas e ficaram amigas, apesar da diferença de posição em que estavam.
Os rogos foram por fim ouvidos, e cada uma teve seu filho. A condessa teve um belo rapaz, orgulho e esperança do pai, que só pensava em o tornar seu herdeiro e continuador. A mercadora teve uma menina, linda como a luz do sol.
Cresceu um e cresceu outro, e tornaram-se muito amigos, porque as duas senhoras continuaram a visitar a igreja de Nossa Senhora e levavam os filhos na sua companhia. Enquanto rezavam e conversavam, as crianças brincavam juntas e eram os maiores e mais dedicados amigos.
O rapaz fez-se homem, tornou-se um valente e formoso cavaleiro, de modo que um dia o velho conde achou que era tempo de o fazer escolher noiva, entre as mais formosas e nobres damas do reino.
— Não — disse o jovem conde — não preciso de escolher noiva, porque já a tenho escolhida desde criança.
— Então quem é?
— A filha do mercador.
O conde ficou tão irritado que se diria que não era o mesmo. E, sem querer ouvir mais razões, ordenou-lhe que se preparasse para ir fazer uma longa viagem, pois não consentiria jamais que um nobre descendente da sua família se fosse ligar à filha dum simples mercador.
O moço conde saiu dali muito triste e foi à capelinha, onde encontrou a menina.
Cheio de mágoa, contou o que lhe dissera o pai e como se via obrigado a partir.
No grande amor que tinham juraram defronte do altar que não casariam senão um com o outro, ainda que tivessem para isso de arrostar com a morte.
No outro dia o conde partiu para longa viagem. E a menina ficou tão triste que nada a consolava nem lhe trazia, animação.
Passaram-se os dias, passaram-se os meses, e do rapaz não mais vieram notícias. A menina que se considerava sua noiva não tornou a sair, nem a querer ir a nenhum divertimento, de maneira que todos reparavam e murmuravam.
Mais por brincadeira do que por maldade, combinaram três estudantes entre si que um deles havia de casar com a filha do mercador, apesar de parecer inconsolável pela ausência do noivo.
Foi o primeiro ter com o mercador e ele disse-lhe que, se a filha o quisesse para marido, de boa vontade lha daria, pois já estava aborrecido de a ver sempre triste.
Chamada a menina, disse que não queria casar-se.
Foi o estudante aonde os companheiros estavam dizer que, pela sua parte, perdera a aposta. Os outros dois troçaram-no muito. E o segundo foi dizendo:
— Vou lá eu e vamos a ver se me acontece o mesmo. É que tu és muito feio e ela não gostou de ti.
Preparou-se e foi ter com o mercador que lhe respondeu o mesmo que tinha dito ao primeiro. Foi a menina chamada, e respondeu que não o queria para marido. O rapaz foi contar aos companheiros como também perdera a aposta.
Disse então o terceiro:
— Que tolos que vocês são! Não sabem fazer as coisas. Vou lá eu e comigo é que há-de casar. E não vai mal que dentro em pouco serei um doutor.
Realmente foi, e o mercador recebeu-o muito bem, mas logo o dissuadiu de falar em tal, pois a filha já afirmara que não desejava casar.
— Mas pergunte sempre — disse o rapaz.
A menina foi chamada, e, como das outras vezes, disse que não o aceitava para marido.
O rapaz tinha mau coração e pensou logo em se vingar. Sem dizer mais nada, saiu e foi dali ter com o velho conde, a quem contou o sucedido, pedindo a sua intervenção.
O conde pensando que por este modo poderia afastar o seu filho de quem ele tinha por noiva e não era do seu agrado, deu-lhe toda a razão e prometeu ir falar com o mercador.
Na verdade foi, e tantas coisas lhe disse que por fim o convenceu a impor a sua vontade.
Sem querer ouvir razões nem ver lágrimas impôs à filha o casamento com o letrado.
A menina não fazia senão chorar e pedir a Deus que a matasse antes de faltar ao seu juramento. Mas o tempo ia passando e, não podendo fugir às ordens paternas, pediu afinal que a cerimónia se fizesse na capela de Nossa Senhora.
Fizeram-lhe essa vontade, e no dia marcado reuniu-se a cidade em peso na igreja, pois todos queriam ver a filha do mercador, que tão falada era pela sua beleza e pela sua fidelidade ao noivo.
Não faltava quem criticasse o velho conde, o mercador e o próprio estudante, por obrigarem uma menina a casar contra vontade. Mas que podiam fazer?
Entrou a filha do mercador na igreja, vestida de preto. Ajoelhou e esteve muito tempo a rezar. Depois levantou-se com um sorriso de esperança. E quando o padre ia para realizar a cerimónia, sentiu-se um estrondo como se a igreja fosse cair em ruínas; tudo fugiu para a rua a gritar e a menina desapareceu.
Grande foi o desgosto para os pais e para o próprio conde, pois todos começaram a murmurar do seu mau orgulho, e via a condessa chorar o crime cometido e também pelo mal que previa para o coração do seu filho.
Mas com o tempo tudo passa, e a pouco e pouco o caso foi caindo no esquecimento. Mais de um ano depois voltou o moço conde.
A primeira pessoa por quem perguntou foi pela noiva. Ninguém se atreveu a dizer-lhe o que sucedera senão a mãe, que lhe contou, com grande mágoa, o desaparecimento da menina e o mais que se dera.
Doído de mágoa, correu o jovem à igreja para chorar à sua vontade. Cortava o coração ouvi-lo chamar pela noiva em altos gritos, como se ela o pudesse ouvir.
Nisto, o chão da igreja abre-se e ele pôde ver, com o maior assombro, cheia de vida e alegria, a menina que para ele correu de abraços abertos.
Para o juramento, feito perante o seu altar, não ser quebrado, a Virgem Nossa Senhora tinha feito desaparecer a sua protegida e naquele subterrâneo aguardara, servida por anjos, para a entregar a quem era da sua vontade e guardara fiel amor.
Foi uma alegria geral na cidade quando viram o jovem conde voltar com a noiva fiel e recebê-la por esposa, dias depois. E todos tomaram como exemplo que um juramento feito é sagrado e ninguém o pode quebrar.
Ficaram muito felizes e viveram sossegados e alegres, na companhia das duas famílias tornadas uma só no amor dos dois filhos.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|O juramento]]
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/O médico da morte
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| autor = Ana de Castro Osório
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}}
'''<big>O MEDICO DA MORTE</big>'''
ERA uma vez um homem, pobre como Job, que tinha mulher e filhos a sustentar. Via-se aflito porque as despesas da casa eram muitas e os ganhos mesquinhos.
Chamou a mulher, um dia, e disse-lhe:
— Resolvi partir em busca de fortuna. Fica tu com as crianças; vai-as sustentando como puderes, que a esperança num futuro melhor dar-nos-á coragem.
A mulherzinha chorou muito, mas, entendendo que afinal o marido tinha razão e que não era justo sacrificar os filhos a uma infância de miséria podendo procurar por terras estranhas o trabalho, que na sua terra escasseava, deixou-o ir.
Arranjou, dum velho cobertor, uma capa que bem ou mal o agasalhasse; fez-lhe um farnel e despediu-se dele chorando. O pobre homem lá partiu com o seu bordão pelo caminho mais próximo. Por toda a parte pedia trabalho, mas, de triste que ia e miserável, riam-se dele ou diziam estar servidos. O pobre não desanimava e seguindo ia sempre adiante o seu caminho.
Comendo frutos selvagens bebendo água das fontes e aproveitando os nacos de pão que de vez em quando lhe davam, conseguiu chegar às portas duma grande cidade.
Como ia mal vestido parou junto a uma casa muito velha que ali estava, pensando se deveria entrar numa terra de riqueza e luxo e onde certamente eram escarnecidos e desprezados os pobres. Nisto abriu-se a porta da casa velha e viu sair um velho a passear no quintal. Entrou e pediu trabalho.
— Tu queres servir-me? — perguntou-lhe o velho com a maior tristeza.
— Quem me dera, senhor, arranjar um amo que me sustentasse e me desse alguma soldada para levar à minha mulher e aos meus filhos! Venho em busca de trabalho há muitos dias, e por toda a parte me despedem...
— Pois bem, ficarás comigo. Mas olha que a minha casa é a da tristeza. Em redor dela só se ouvem lamentações e gritos. E eu sou o ente mais amaldiçoado que existe. Alguns me procuram, mas é só quando a desgraça lhes obscurece o juízo.
— Farei o possível para consolar a vossa tristeza, senhor. Depois de saber que não sois feliz não vos abandonarei. Porque só sabe avaliar o sofrimento quem, como eu, o conhece de perto.
— Pois fica.
O amo saía todos os dias e andava horas e horas sem voltar a casa, mas quando voltava seguia-o um coro de lamentos que chegavam até à porta e não deixavam descansar ninguém.
Eram mulheres desgrenhadas, pedindo os filhos em altos brados. Homens ameaçando céu e terra, porque lhes roubara as noivas ou as mulheres. Filhas e filhos que chamavam por pais; parentes, amigos, simples conhecidos e admiradores do talento ou das virtudes dos que lhes eram arrebatados, que vinham até àquela porta suplicar piedade ou invectivá-la com ódio e horror.
O homenzinho nada dizia. Calado suportava toda aquela amargura, pensando no seu dever para com o amo que lhe dava alimento e na soldada que haveria de levar aos seus.
Via o seu amo sempre triste, suportando em silêncio as invectivas. E também dele tinha pena e procurava servi-lo o melhor que podia.
Mas, tanto ouviu e tanto se cansou de ver padecer, que um dia chegou ao pé do amo e lhe perguntou qual o motivo porque tanta gente vinha ali queixar-se.
— Desgraçado mortal, tu não sabes que eu sou a Morte. Que em meu peito não pode haver piedade, e o meu dever é guerrear a Vida?!...
— Ó senhor, mas quantos morrem na flor da idade, quantos vós levais quando mais se esperava do seu talento e da sua bondade, quantos ao partirem não despedaçam o coração dos que ficam?
— Tens razão, bom homem, mas o destino quer que eu seja cego; que fira, por igual, os grandes e os pequenos, os bons e os maus, os espertos e os estúpidos. E assim deve ser, porque na minha inconsciência há mais justiça do que em todas as vossas palavras. Tu não vês que a minha morada predilecta é junto duma grande cidade onde o luxo é desenfreado; onde as mulheres e os homens fazem do dia noite e da noite dia, para andarem nos bailes e divertimentos de toda a espécie; onde as crianças, fracas por nascerem em tal meio, vivem sem cuidado das mães? Não vês essa gente que furta o dinheiro à alimentação para o estragar nas tabernas ou em vestidos luxuosos? Enfim, não vês que por todos os modos me chapam, e quando eu vou gritam e berram insultando-me e odiando-me?
— Então os sábios, os bons, os que não andam nesses divertimentos, não os levais, da mesma maneira?
— O que sabes tu da vida desses? Quantas vezes o seu trabalho não é superior às forças humanas? Quantas vezes não esquecem tudo pela ambição do trabalho e seu entusiasmo? Quantos se não sacrificam pela humanidade, sabendo que abreviam a existência, mas nem por isso deixam de trabalhar, de pensar, de se sacrificar ao bem comum? Desses tenho pena, e não os mato sem uma dor imensa. Mas que fazer? E sabes tu quantas faltas antigas eles, inocentes, assim pagam?
— Senhor, eu não sei que responder-vos, mas sei que desejaria poder consolar os que sofrem.
— Pois bem, não te dou soldada por todo o tempo que me tens servido, mas ensino-te a maneira de fazeres a tua fortuna e enxugares muitas lágrimas. Volta para a tua terra e dize que no tempo que andaste por fora aprendeste medicina. Hão-de rir-se de ti; não faças caso, que ao princípio, ideias e homens, são sempre postos a ridículo; mas cedo ou tarde vem o conhecimento da verdade. E o que ontem era desprezado é no dia seguinte aclamado. Vai a todas as casas onde haja doentes e, como já me conheces, nas casas onde me vires não receites senão remédios para aliviar as dores, consola a família e sai. Nas casas onde não me encontrares receita qualquer coisa para consolação dos enfermos; manda arejar os quartos, lavar as roupas, queimar o que for velho e sujo e não se possa limpar; dá comidas simples aos doentes, anima-os, alegra-os, e a saúde voltará depressa. Agora vai e ganharás fortuna para criares e educares os teus filhos.
O homenzinho agradeceu à Morte a lição, pôs uma capa negra que lhe havia dado, pegou no bordão e dirigiu-se para casa.
A mulher ficou muito satisfeita quando o viu de volta e foi buscar os filhos que tinha na escola para o pai os ver e abraçar.
Depois o marido contou-lhe o que se passara com a Morte, a quem servira todo o tempo que estivera fora. Tratou logo a boa mulher de fazer um casaco da velha capa, de maneira que seu marido pudesse apresentar-se em casa dos doentes.
Começou o homem a intitular-se médico, mas, como andava mal vestido, riam-se dele e chamavam-lhe intrujão. No entanto, como tratava os pobres de graça, e muitos deles melhoravam, começou a correr a fama da sua bondade e saber.
Como não iludia ninguém, receitava poucos remédios, e nunca se enganava ao dizer quem poderia salvar; em breve foi considerado uma sumidade médica e ganhava rios de dinheiro.
Mas os colegas é que não o podiam ver e ainda o chamavam farsante.
Até que um dia o Rei adoeceu de misteriosa doença. Sofria sem encontrar alívio em remédio algum. Chorava a Rainha sem consolação. Todos choravam e temiam a morte do soberano. Lembrou-se um velho cortesão que ao médico da Morte julgava dever a vida, de o chamar ao paço.
Veio o homem, olhou para a cabeceira do leito onde o Rei parecia agonizar, e como não visse a Morte animou o doente e quantos o rodeavam; receitou-lhe um remédio que não poderia fazer-lhe mal e mandou que todos se alegrassem porque em breve o Rei estaria bom.
Com efeito o Rei curou-se ràpidamente, e, muito reconhecido, encheu o seu salvador de favores e dinheiro.
Passado tempo, o homem adoeceu e foi de mal a pior, até que caiu de cama. Mal se deitou viu a Morte à cabeceira e cheio de tristeza perguntou:
— Então, meu amo, logo da primeira vez me levais?
— E não estás tu satisfeito comigo? Deixas os teus filhos educados e a tua mulher com o suficiente para viver. Praticaste o bem. Podes morrer descansado.
— Tendes razão, senhor. Morrerei satisfeito porque cumpri o meu dever. Deixai-me despedir dos meus e depois estou pronto a seguir-vos.
E o homem disse adeus aos seus, consolou-os da sua falta e morreu serenamente.
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Lei Orgânica do Município de Santos/VI
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|anterior= [[Lei Orgânica do Município de Santos/V|Da Administração Municipal]]
|posterior= [[Lei Orgânica do Município de Santos/VII|Das Políticas Municipais]]
|seção= Título V: Da Tributação, das Finanças e dos Orçamentos
|autor=
}}
==Capítulo I: Dos Tributos Municipais==
===Seção I: Princípios Gerais===
'''Art. 101.''' O Município poderá instituir os seguintes tributos:
'''I –''' impostos;
'''II –''' taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição;
'''III –''' contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
'''§ 1º''' Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
'''§ 2º''' As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
'''§ 3º''' A legislação municipal tributária respeitará as disposições da lei complementar federal quanto a:
'''I –''' conflito de competência;
'''II –''' regulamentação às limitações constitucionais ao poder de tributar;
'''III –''' normas gerais sobre:
'''a)''' definição de tributos e suas espécies, bem como fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes de impostos;
'''b)''' obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;
'''c)''' adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
'''§ 4º''' O Município poderá instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para custeio, em benefício destes, de sistema de previdência e assistência social.
'''Art. 102.''' A lei disporá sobre a isenção do recolhimento dos Impostos Predial e Territorial Urbano às sociedades de melhoramentos, nas áreas ocupadas por suas sedes.
===Seção II: Das Limitações do Poder de Tributar===
'''Art. 103.''' Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado ao Município:
'''I –''' exigir ou aumentar tributos sem lei que o estabeleça;
'''II –''' instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;
'''III –''' cobrar tributos:
'''a)''' em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;
'''b)''' no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;
'''IV –''' utilizar tributo com efeito de confisco;
'''V –''' estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de meios de ligação na forma de túneis, balsas ou pontes entre as áreas insular e continental de Santos e intermunicipais;
'''VI –''' instituir impostos sobre:
'''a)''' patrimônio, renda ou serviços da União ou do Estado;
'''b)''' templos de qualquer culto;
'''c)''' patrimônio, renda ou serviços de partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
'''d)''' livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
'''VII –''' estabelecer diferença tributária entre bens e serviços de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.
'''§ 1º''' A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias, cooperativas habitacionais e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados às suas atividades essenciais ou às delas decorrentes.
'''§ 2º''' As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativo ao bem imóvel.
'''§ 3º''' As vedações expressas no inciso VI, "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades
essenciais das entidades nelas mencionadas.
'''§ 4º''' A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
'''§ 5º''' Qualquer anistia ou remissão que envolva matéria tributária ou previdenciária só poderá ser concedida mediante lei específica municipal.
===Seção III: Dos Impostos===
'''Art. 104.''' Compete ao Município instituir impostos sobre:
'''I –''' propriedade predial e territorial urbana;
'''II –''' transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos à sua aquisição;
'''III –''' vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasosos, exceto óleo diesel;
'''IV –''' serviços de qualquer natureza não compreendidos no [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VI/I|artigo 155, I, "b", da Constituição Federal]] e definidos em lei complementar.
'''§ 1º''' O imposto previsto no inciso I poderá ser progressivo, nos termos do Código Tributário Municipal, de forma a assegurar o cumprimento da função social da propriedade.
'''§ 2º''' O imposto previsto no inciso III não exclui a incidência do imposto estadual sobre a mesma operação.
'''§ 3º''' As alíquotas dos impostos previstos nos incisos III e IV não poderão ultrapassar o limite fixado em lei complementar federal.
'''Art. 105.''' Todas as entidades beneficiadas com isenção de impostos ficarão obrigadas a encaminhar aos Poderes Executivo e Legislativo, até 30 de junho, relatório circunstanciado das atividades do ano anterior, especificando pormenorizadamente a aplicação de receita e despesa.
'''Art. 106.''' O Município divulgará, até o último dia do mês subseqüente ao da arrecadação, os montantes de cada um dos tributos arrecadados, os recursos recebidos e os valores de origem tributária que lhe forem entregues pela União e pelo Estado.
===Seção IV: Da Receita e da Despesa===
'''Art. 107.''' A receita municipal constituir-se-á da arrecadação dos tributos municipais, da participação em tributos da União e do Estado, dos recursos resultantes do Fundo de Participação dos Municípios e da utilização de seus bens, serviços, atividades e de outros ingressos.
'''Art. 108.''' A fixação de preços públicos, devidos pela utilização de bens, serviços e atividades municipais, será estabelecida pelo Prefeito, mediante edição de decreto.
'''Parágrafo Único.''' Os preços públicos deverão cobrir os seus custos, sendo reajustáveis quando se tornarem deficientes ou excedentes.
'''Art. 109.''' Nenhum contribuinte será obrigado ao pagamento de qualquer tributo lançado pela Prefeitura, sem prévia notificação.
'''§ 1º''' Considera-se notificação a entrega do aviso de lançamento do domicílio fiscal do contribuinte, nos termos da legislação federal pertinente.
'''§ 2º''' Do lançamento do tributo cabe recurso ao Prefeito, assegurado para sua interposição o prazo de quinze dias, contados da data do recebimento da notificação.
'''Art. 110.''' A despesa pública atenderá aos princípios estabelecidos na [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil|Constituição Federal]] e às normas de direito financeiro.
'''Art. 111.''' Nenhuma despesa será ordenada ou satisfeita sem que exista recurso disponível, crédito votado pela Câmara e empenho prévio, salvo a que ocorrer por conta de crédito extraordinário.
'''Art. 112.''' As disponibilidades de caixa do Município, de suas autarquias e fundações e das empresas por ele controladas serão depositadas em instituições financeiras oficiais, salvo casos previstos em lei.
==Capítulo II: Das Finanças==
'''Art. 113.''' A despesa com pessoal ativo e inativo do Município não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar federal.
'''Parágrafo Único.''' A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta, autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas, companhias, cooperativas habitacionais e fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público só poderão ser feitas:
'''I –''' se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender a projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes:
'''II –''' se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas, sociedades de economia mista, autarquias, companhias, cooperativas habitacionais e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público.
'''Art. 114.''' O Poder Executivo publicará e enviará ao Legislativo, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária e relatório circunstanciado dos gastos com publicidade da administração direta, indireta e fundacional.
* <small>“Caput” com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 10, de 23 de novembro de 1992 (Jornal “A Tribuna” de 26/11/1992).</small>
'''§ 1º''' Até dez dias antes do encerramento do prazo de que trata este artigo, as autoridades nele referidas remeterão ao Poder Executivo as informações necessárias.
'''§ 2º''' O Poder Legislativo publicará seu relatório, nos termos deste artigo.
'''§ 3º''' O numerário correspondente às dotações orçamentárias do Poder Legislativo, compreendidos os créditos suplementares e especiais sem vinculação a qualquer tipo de despesa, será entregue em duodécimos, até o dia vinte de cada mês em cotas estabelecidas na programação financeira.
==Capítulo III: Dos Orçamentos==
===Seção I===
'''Art. 115.''' Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
'''I –''' plano plurianual;
'''II –''' as diretrizes orçamentárias;
'''III –''' os orçamentos anuais.
'''§ 1º''' A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes e metas da Administração Municipal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.
'''§ 2º''' A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da Administração Pública Municipal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de fomento.
'''§ 2º-A.''' A Lei de Diretrizes orçamentárias deverá reservar percentual de 1,0% (um por cento) a 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita líquida a ser prevista no projeto de lei orçamentário encaminhado pelo Poder Executivo, para atender às emendas parlamentares dos vereadores com investimentos em obras, equipamentos e serviços, além de subvenção, auxílio e/ou contribuição, através da celebração de parcerias, por meio de termo de cooperação ou de fomento, nos casos de entidades privadas sem fins lucrativos.
* <small>Parágrafo §2º - A com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DOM de 08/04/2019).</small>
* <small>Parágrafo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 74, de 24 de novembro de 2016 (DOM de 09/12/2016), alteração em vigor a partir de 01 de janeiro de 2017.</small>
* <small>Parágrafo 2º-A com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 89, de 04 de novembro de 2021 (DOM de 10/11/2021).</small>
'''§2º-B.''' A metade do percentual destinado às emendas parlamentares será destinada, obrigatoriamente, a ações e serviços públicos de saúde.
* <small>§ 2º-B com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19).</small>
'''§ 2º-C.''' É vedada a destinação dos recursos das emendas parlamentares para ações ou serviços que acarretem aumento de despesas continuadas.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-D.''' Não poderão ser apresentadas emendas parlamentares com valor inferior a 1% (um por cento) do valor total destinado a cada vereador.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-E.''' Os recursos oriundos de emendas parlamentares poderão ser remanejados, inclusive, de um órgão para outro da Administração Municipal, desde que com a devida autorização do Vereador Autor da emenda.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-F.''' É obrigatória a execução orçamentária e financeira das programações a que se refere o § 2º-A deste artigo, salvo nos casos dos impedimentos de ordem técnica.
* <small> Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-G.''' No caso de impedimento de ordem técnica, no empenho de despesa que integre a programação, na forma do parágrafo anterior deste artigo, serão adotadas as seguintes medidas:
'''I –''' até 120 (cento e vinte) dias após a publicação da lei orçamentária, o Poder Executivo enviará ao Poder Legislativo a justificativa do impedimento;
'''II –''' até 180 (cento e oitenta) dias após o término do prazo previsto no inciso I, o Vereador Autor da emenda indicará ao Poder Executivo o remanejamento da programação ao cujo impedimento seja insuperável, autorizando o remanejamento;
'''III –''' Se após o término do prazo previsto no inciso II, o Vereador Autor da emenda não se manifestar sobre o remanejamento, será esse implementado por ato do Poder Executivo.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-H.''' Após o prazo previsto no inciso III do § 2º-G, as programações orçamentárias previstas no § 2º-F não serão de execução obrigatória, nos casos dos impedimentos justificados na notificação prevista no inciso I do § 2º-G.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-I.''' As proposições de despesas públicas dos Vereadores, incluídas no Orçamento Anual, cujas previsões orçamentárias excedem o percentual estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias poderão ser transferidas ou remanejadas para outra categoria econômica de programação ou de um órgão para outro da Administração Municipal, na forma de legislação vigente no exercício financeiro.”
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-J.''' Nos Projetos de Lei encaminhados para a execução das emendas parlamentares deverão constar o nome do Vereador Autor da emenda e o número da emenda parlamentar correspondente.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§2º-K.''' Ficam obrigadas as Secretarias que receberem emendas parlamentares a apresentar Relatório Analítico com as informações sobre o andamento das emendas parlamentares executadas e não executadas, na primeira quinzena dos meses de abril, agosto e novembro do ano de execução orçamentária.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 3º''' Os planos e programas municipais, distritais, de bairros, regionais e setoriais previstos nesta Lei Orgânica serão elaboradas em consonância com o plano plurianual e apreciados pela Câmara.
'''§ 4º''' A lei orçamentária anual compreenderá:
'''I –''' o orçamento fiscal referente aos Poderes Legislativo e Executivo, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas pelo Poder Público;
'''II –''' o orçamento de investimentos das empresas em que o Município, direta ou indiretamente, detenha a maioria de capital social, com direito a voto.
'''§ 5º''' O orçamento anual conterá dotação específica destinada ao atendimento de entidades, desde que sejam consideradas de utilidade pública e que cuidem de pessoas deficientes de qualquer natureza, na forma do que dispuser a lei.
'''§ 6º''' Cabe à lei complementar, com observância da legislação federal:
'''I –''' dispor sobre o exercício financeiro a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária anual;
'''II –''' estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta ou indireta, bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos.
* <small>Artigo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 57, de 22 de novembro de 2010 (DOM de 11/04/1996)</small>
'''§ 7º''' As leis orçamentárias a que se refere este artigo deverão incorporar as prioridades e ações estratégicas do Programa de Metas.
* <small>parágrafo acrescentado pela Emenda à Lei Orgânica nº. 75, de 24 de novembro de 2016 (DOM de 09/12/2016).</small>
'''§ 8º''' As diretrizes do Programa de Metas incorporadas ao projeto de lei que visar à instituição do Plano Plurianual dentro do prazo legal definido para sua apresentação à Câmara Municipal.
* <small>parágrafo acrescentado pela Emenda à Lei Orgânica nº. 75, de 24 de novembro de 2016 (DOM de 09/12/2016).</small>
===Seção II: Das Vedações Orçamentárias===
'''Art. 116.''' A lei orçamentária anual não conterá dispositivos estranhos à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo, na proibição, a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação da receita.
'''Art. 117.''' São vedados:
'''I –''' o início de programas e projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
'''II –''' a realização de despesas ou assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais;
'''III –''' a realização de operações de crédito que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pela Câmara por maioria absoluta;
IV – a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos e que se referem os [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VI/I|artigos 158 e 159 da Constituição Federal]], a destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino, como determinado pelo [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VIII/III|artigo 212 da Constituição Federal]] e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação da receita, previstas no [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VI/II|artigo 165, § 8º, da Constituição Federal]];
'''V –''' a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes;
'''VI –''' a transposição, remanejamento ou transferência de recursos de uma categoria de programa para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;
'''VII –''' a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
'''VIII –''' a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos do orçamento anual, para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas da administração indireta, das autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas, companhias, cooperativas habitacionais e fundações públicas ou fundos do Município;
'''IX –''' a instituição de fundos de qualquer natureza sem prévia autorização legislativa.
'''§ 1º''' Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime contra a administração.
'''§ 2º''' Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subsequente.
'''§ 3º''' A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender às despesas imprevisíveis e urgentes, decorrentes de calamidade pública, devendo o Prefeito submetê-lo de imediato à Câmara que, estando em recesso, será convocada extraordinariamente para se reunir no prazo de cinco dias, a fim de apreciar a solicitação, cuja aprovação deverá ocorrer por maioria absoluta.
===Seção III: Dos Projetos Orçamentários===
'''Art. 118.''' O Prefeito encaminhará à Câmara, até o dia trinta de setembro de cada ano, o projeto de lei orçamentária.
* <small>Artigo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 52, de 12 de fevereiro de 2007 (DOM de 28/02/2007)</small>
'''Art. 119.''' O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito sobre receitas e despesas decorrentes de isenção, anistias, remissões e benefícios de natureza financeira e tributária.
'''Art. 120.''' Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pela Câmara na forma do Regimento Interno, respeitadas as disposições deste artigo.
'''§ 1º''' As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
'''I –''' sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
'''II –''' indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesas, excluídas as que incidam sobre:
'''a)''' dotação para pessoal e seus encargos;
'''b)''' serviço da dívida;
'''III –''' sejam relacionadas:
'''a)''' com correção de erros ou omissões;
'''b)''' com os dispositivos do texto do projeto de lei.
'''§ 2º''' As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual.
'''§ 3º''' O Prefeito poderá enviar mensagem à Câmara para propor modificações nos projetos a que se refere este artigo, enquanto não iniciada a votação, em Plenário, da parte cuja alteração é proposta.
'''§ 4º''' Os projetos de lei do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e do orçamento anual serão enviados pelo Prefeito, à Câmara, nos termos da lei complementar a que se refere o artigo 115, § 6º, I, desta Lei.
'''§ 5º''' Aplicam-se aos projetos mencionados neste artigo, no que não contrariar o disposto nesta Seção, as demais normas relativas ao processo legislativo.
'''§ 6º''' Não iniciados no prazo previsto na lei complementar referida no artigo 115, § 6º, I, desta Lei a Câmara elaborará, nos trinta dias seguintes, os projetos e propostas de que trata este artigo.
'''§ 7º''' Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes, poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.
[[Categoria:Lei Orgânica do Município de Santos]]
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{{navegar
|obra=[[Imagem:Brasão do município de Santos, SP.svg|75px]]<br>Lei Orgânica do Município de Santos
|anterior= [[Lei Orgânica do Município de Santos/V|Da Administração Municipal]]
|posterior= [[Lei Orgânica do Município de Santos/VII|Das Políticas Municipais]]
|seção= Título V: Da Tributação, das Finanças e dos Orçamentos
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}}
==Capítulo I: Dos Tributos Municipais==
===Seção I: Princípios Gerais===
'''Art. 101.''' O Município poderá instituir os seguintes tributos:
'''I –''' impostos;
'''II –''' taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição;
'''III –''' contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
'''§ 1º''' Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
'''§ 2º''' As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
'''§ 3º''' A legislação municipal tributária respeitará as disposições da lei complementar federal quanto a:
'''I –''' conflito de competência;
'''II –''' regulamentação às limitações constitucionais ao poder de tributar;
'''III –''' normas gerais sobre:
'''a)''' definição de tributos e suas espécies, bem como fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes de impostos;
'''b)''' obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;
'''c)''' adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
'''§ 4º''' O Município poderá instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para custeio, em benefício destes, de sistema de previdência e assistência social.
'''Art. 102.''' A lei disporá sobre a isenção do recolhimento dos Impostos Predial e Territorial Urbano às sociedades de melhoramentos, nas áreas ocupadas por suas sedes.
===Seção II: Das Limitações do Poder de Tributar===
'''Art. 103.''' Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado ao Município:
'''I –''' exigir ou aumentar tributos sem lei que o estabeleça;
'''II –''' instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;
'''III –''' cobrar tributos:
'''a)''' em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;
'''b)''' no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;
'''IV –''' utilizar tributo com efeito de confisco;
'''V –''' estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de meios de ligação na forma de túneis, balsas ou pontes entre as áreas insular e continental de Santos e intermunicipais;
'''VI –''' instituir impostos sobre:
'''a)''' patrimônio, renda ou serviços da União ou do Estado;
'''b)''' templos de qualquer culto;
'''c)''' patrimônio, renda ou serviços de partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
'''d)''' livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
'''VII –''' estabelecer diferença tributária entre bens e serviços de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.
'''§ 1º''' A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias, cooperativas habitacionais e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados às suas atividades essenciais ou às delas decorrentes.
'''§ 2º''' As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativo ao bem imóvel.
'''§ 3º''' As vedações expressas no inciso VI, "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades
essenciais das entidades nelas mencionadas.
'''§ 4º''' A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
'''§ 5º''' Qualquer anistia ou remissão que envolva matéria tributária ou previdenciária só poderá ser concedida mediante lei específica municipal.
===Seção III: Dos Impostos===
'''Art. 104.''' Compete ao Município instituir impostos sobre:
'''I –''' propriedade predial e territorial urbana;
'''II –''' transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos à sua aquisição;
'''III –''' vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasosos, exceto óleo diesel;
'''IV –''' serviços de qualquer natureza não compreendidos no [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VI/I|artigo 155, I, "b", da Constituição Federal]] e definidos em lei complementar.
'''§ 1º''' O imposto previsto no inciso I poderá ser progressivo, nos termos do Código Tributário Municipal, de forma a assegurar o cumprimento da função social da propriedade.
'''§ 2º''' O imposto previsto no inciso III não exclui a incidência do imposto estadual sobre a mesma operação.
'''§ 3º''' As alíquotas dos impostos previstos nos incisos III e IV não poderão ultrapassar o limite fixado em lei complementar federal.
'''Art. 105.''' Todas as entidades beneficiadas com isenção de impostos ficarão obrigadas a encaminhar aos Poderes Executivo e Legislativo, até 30 de junho, relatório circunstanciado das atividades do ano anterior, especificando pormenorizadamente a aplicação de receita e despesa.
'''Art. 106.''' O Município divulgará, até o último dia do mês subseqüente ao da arrecadação, os montantes de cada um dos tributos arrecadados, os recursos recebidos e os valores de origem tributária que lhe forem entregues pela União e pelo Estado.
===Seção IV: Da Receita e da Despesa===
'''Art. 107.''' A receita municipal constituir-se-á da arrecadação dos tributos municipais, da participação em tributos da União e do Estado, dos recursos resultantes do Fundo de Participação dos Municípios e da utilização de seus bens, serviços, atividades e de outros ingressos.
'''Art. 108.''' A fixação de preços públicos, devidos pela utilização de bens, serviços e atividades municipais, será estabelecida pelo Prefeito, mediante edição de decreto.
'''Parágrafo Único.''' Os preços públicos deverão cobrir os seus custos, sendo reajustáveis quando se tornarem deficientes ou excedentes.
'''Art. 109.''' Nenhum contribuinte será obrigado ao pagamento de qualquer tributo lançado pela Prefeitura, sem prévia notificação.
'''§ 1º''' Considera-se notificação a entrega do aviso de lançamento do domicílio fiscal do contribuinte, nos termos da legislação federal pertinente.
'''§ 2º''' Do lançamento do tributo cabe recurso ao Prefeito, assegurado para sua interposição o prazo de quinze dias, contados da data do recebimento da notificação.
'''Art. 110.''' A despesa pública atenderá aos princípios estabelecidos na [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil|Constituição Federal]] e às normas de direito financeiro.
'''Art. 111.''' Nenhuma despesa será ordenada ou satisfeita sem que exista recurso disponível, crédito votado pela Câmara e empenho prévio, salvo a que ocorrer por conta de crédito extraordinário.
'''Art. 112.''' As disponibilidades de caixa do Município, de suas autarquias e fundações e das empresas por ele controladas serão depositadas em instituições financeiras oficiais, salvo casos previstos em lei.
==Capítulo II: Das Finanças==
'''Art. 113.''' A despesa com pessoal ativo e inativo do Município não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar federal.
'''Parágrafo Único.''' A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta, autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas, companhias, cooperativas habitacionais e fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público só poderão ser feitas:
'''I –''' se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender a projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes:
'''II –''' se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas, sociedades de economia mista, autarquias, companhias, cooperativas habitacionais e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público.
'''Art. 114.''' O Poder Executivo publicará e enviará ao Legislativo, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária e relatório circunstanciado dos gastos com publicidade da administração direta, indireta e fundacional.
* <small>“Caput” com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 10, de 23 de novembro de 1992 (Jornal “A Tribuna” de 26/11/1992).</small>
'''§ 1º''' Até dez dias antes do encerramento do prazo de que trata este artigo, as autoridades nele referidas remeterão ao Poder Executivo as informações necessárias.
'''§ 2º''' O Poder Legislativo publicará seu relatório, nos termos deste artigo.
'''§ 3º''' O numerário correspondente às dotações orçamentárias do Poder Legislativo, compreendidos os créditos suplementares e especiais sem vinculação a qualquer tipo de despesa, será entregue em duodécimos, até o dia vinte de cada mês em cotas estabelecidas na programação financeira.
==Capítulo III: Dos Orçamentos==
===Seção I===
'''Art. 115.''' Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
'''I –''' plano plurianual;
'''II –''' as diretrizes orçamentárias;
'''III –''' os orçamentos anuais.
'''§ 1º''' A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes e metas da Administração Municipal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada.
'''§ 2º''' A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da Administração Pública Municipal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de fomento.
'''§ 2º-A.''' A Lei de Diretrizes orçamentárias deverá reservar percentual de 1,0% (um por cento) a 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita líquida a ser prevista no projeto de lei orçamentário encaminhado pelo Poder Executivo, para atender às emendas parlamentares dos vereadores com investimentos em obras, equipamentos e serviços, além de subvenção, auxílio e/ou contribuição, através da celebração de parcerias, por meio de termo de cooperação ou de fomento, nos casos de entidades privadas sem fins lucrativos.
* <small>Parágrafo §2º - A com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DOM de 08/04/2019).</small>
* <small>Parágrafo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 74, de 24 de novembro de 2016 (DOM de 09/12/2016), alteração em vigor a partir de 01 de janeiro de 2017.</small>
* <small>Parágrafo 2º-A com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 89, de 04 de novembro de 2021 (DOM de 10/11/2021).</small>
'''§2º-B.''' A metade do percentual destinado às emendas parlamentares será destinada, obrigatoriamente, a ações e serviços públicos de saúde.
* <small>§ 2º-B com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19).</small>
'''§ 2º-C.''' É vedada a destinação dos recursos das emendas parlamentares para ações ou serviços que acarretem aumento de despesas continuadas.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-D.''' Não poderão ser apresentadas emendas parlamentares com valor inferior a 1% (um por cento) do valor total destinado a cada vereador.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-E.''' Os recursos oriundos de emendas parlamentares poderão ser remanejados, inclusive, de um órgão para outro da Administração Municipal, desde que com a devida autorização do Vereador Autor da emenda.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-F.''' É obrigatória a execução orçamentária e financeira das programações a que se refere o § 2º-A deste artigo, salvo nos casos dos impedimentos de ordem técnica.
* <small> Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-G.''' No caso de impedimento de ordem técnica, no empenho de despesa que integre a programação, na forma do parágrafo anterior deste artigo, serão adotadas as seguintes medidas:
'''I –''' até 120 (cento e vinte) dias após a publicação da lei orçamentária, o Poder Executivo enviará ao Poder Legislativo a justificativa do impedimento;
'''II –''' até 180 (cento e oitenta) dias após o término do prazo previsto no inciso I, o Vereador Autor da emenda indicará ao Poder Executivo o remanejamento da programação ao cujo impedimento seja insuperável, autorizando o remanejamento;
'''III –''' Se após o término do prazo previsto no inciso II, o Vereador Autor da emenda não se manifestar sobre o remanejamento, será esse implementado por ato do Poder Executivo.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-H.''' Após o prazo previsto no inciso III do § 2º-G, as programações orçamentárias previstas no § 2º-F não serão de execução obrigatória, nos casos dos impedimentos justificados na notificação prevista no inciso I do § 2º-G.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-I.''' As proposições de despesas públicas dos Vereadores, incluídas no Orçamento Anual, cujas previsões orçamentárias excedem o percentual estabelecido na Lei de Diretrizes Orçamentárias poderão ser transferidas ou remanejadas para outra categoria econômica de programação ou de um órgão para outro da Administração Municipal, na forma de legislação vigente no exercício financeiro.”
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 2º-J.''' Nos Projetos de Lei encaminhados para a execução das emendas parlamentares deverão constar o nome do Vereador Autor da emenda e o número da emenda parlamentar correspondente.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§2º-K.''' Ficam obrigadas as Secretarias que receberem emendas parlamentares a apresentar Relatório Analítico com as informações sobre o andamento das emendas parlamentares executadas e não executadas, na primeira quinzena dos meses de abril, agosto e novembro do ano de execução orçamentária.
* <small>Parágrafo acrescido pela Lei Orgânica nº. 85, de 25 de março de 2019 (DO de 08/04/19)</small>
'''§ 3º''' Os planos e programas municipais, distritais, de bairros, regionais e setoriais previstos nesta Lei Orgânica serão elaboradas em consonância com o plano plurianual e apreciados pela Câmara.
'''§ 4º''' A lei orçamentária anual compreenderá:
'''I –''' o orçamento fiscal referente aos Poderes Legislativo e Executivo, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas pelo Poder Público;
'''II –''' o orçamento de investimentos das empresas em que o Município, direta ou indiretamente, detenha a maioria de capital social, com direito a voto.
'''§ 5º''' O orçamento anual conterá dotação específica destinada ao atendimento de entidades, desde que sejam consideradas de utilidade pública e que cuidem de pessoas deficientes de qualquer natureza, na forma do que dispuser a lei.
'''§ 6º''' Cabe à lei complementar, com observância da legislação federal:
'''I –''' dispor sobre o exercício financeiro a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária anual;
'''II –''' estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta ou indireta, bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos.
* <small>Artigo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº. 57, de 22 de novembro de 2010 (DOM de 11/04/1996)</small>
'''§ 7º''' As leis orçamentárias a que se refere este artigo deverão incorporar as prioridades e ações estratégicas do Programa de Metas.
* <small>parágrafo acrescentado pela Emenda à Lei Orgânica nº. 75, de 24 de novembro de 2016 (DOM de 09/12/2016).</small>
'''§ 8º''' As diretrizes do Programa de Metas incorporadas ao projeto de lei que visar à instituição do Plano Plurianual dentro do prazo legal definido para sua apresentação à Câmara Municipal.
* <small>parágrafo acrescentado pela Emenda à Lei Orgânica nº. 75, de 24 de novembro de 2016 (DOM de 09/12/2016).</small>
===Seção II: Das Vedações Orçamentárias===
'''Art. 116.''' A lei orçamentária anual não conterá dispositivos estranhos à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo, na proibição, a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação da receita.
'''Art. 117.''' São vedados:
'''I –''' o início de programas e projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
'''II –''' a realização de despesas ou assunção de obrigações diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais;
'''III –''' a realização de operações de crédito que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pela Câmara por maioria absoluta;
IV – a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos e que se referem os [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VI/I|artigos 158 e 159 da Constituição Federal]], a destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino, como determinado pelo [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VIII/III|artigo 212 da Constituição Federal]] e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação da receita, previstas no [[Constituição de 1988 da República Federativa do Brasil/Título VI/II|artigo 165, § 8º, da Constituição Federal]];
'''V –''' a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos correspondentes;
'''VI –''' a transposição, remanejamento ou transferência de recursos de uma categoria de programa para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;
'''VII –''' a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
'''VIII –''' a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos do orçamento anual, para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas da administração indireta, das autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas, companhias, cooperativas habitacionais e fundações públicas ou fundos do Município;
'''IX –''' a instituição de fundos de qualquer natureza sem prévia autorização legislativa.
'''§ 1º''' Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime contra a administração.
'''§ 2º''' Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subsequente.
'''§ 3º''' A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender às despesas imprevisíveis e urgentes, decorrentes de calamidade pública, devendo o Prefeito submetê-lo de imediato à Câmara que, estando em recesso, será convocada extraordinariamente para se reunir no prazo de cinco dias, a fim de apreciar a solicitação, cuja aprovação deverá ocorrer por maioria absoluta.
===Seção III: Dos Projetos Orçamentários===
'''Art. 118.''' O Prefeito encaminhará à Câmara, até o dia trinta de setembro de cada ano, o projeto de lei orçamentária.
* <small>Artigo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 52, de 12 de fevereiro de 2007 (DOM de 28/02/2007)</small>
'''Art. 119.''' O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito sobre receitas e despesas decorrentes de isenção, anistias, remissões e benefícios de natureza financeira e tributária.
'''Art. 120.''' Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pela Câmara na forma do Regimento Interno, respeitadas as disposições deste artigo.
'''§ 1º''' As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
'''I –''' sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
'''II –''' indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesas, excluídas as que incidam sobre:
'''a)''' dotação para pessoal e seus encargos;
'''b)''' serviço da dívida;
'''III –''' sejam relacionadas:
'''a)''' com correção de erros ou omissões;
'''b)''' com os dispositivos do texto do projeto de lei.
'''§ 2º''' As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual.
'''§ 3º''' O Prefeito poderá enviar mensagem à Câmara para propor modificações nos projetos a que se refere este artigo, enquanto não iniciada a votação, em Plenário, da parte cuja alteração é proposta.
'''§ 4º''' Os projetos de lei do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e do orçamento anual serão enviados pelo Prefeito, à Câmara, nos termos da lei complementar a que se refere o artigo 115, § 6º, I, desta Lei.
'''§ 5º''' Aplicam-se aos projetos mencionados neste artigo, no que não contrariar o disposto nesta Seção, as demais normas relativas ao processo legislativo.
'''§ 6º''' Não iniciados no prazo previsto na lei complementar referida no artigo 115, § 6º, I, desta Lei a Câmara elaborará, nos trinta dias seguintes, os projetos e propostas de que trata este artigo.
'''§ 7º''' Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem despesas correspondentes, poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.
==Capítulo IV: Da Fiscalização Contábil, Financeira e Orçamentária==
'''Art. 121.''' A fiscalização contábil, financeira e orçamentária, operacional e patrimonial do Município e das entidades da administração direta, autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas, companhias, cooperativas habitacionais e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pela Câmara, mediante controle externo e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
'''Parágrafo Único.''' Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos pelos quais o Município responda ou que, em nome deste, assuma obrigações de natureza pecuniária.
'''Art. 122.''' O controle externo, a cargo da Câmara, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, através de parecer prévio sobre as contas que o Prefeito deverá prestar à Câmara.
'''§ 1º''' As contas serão apresentadas dentro de noventa dias após o encerramento do exercício financeiro.
'''§ 2º''' Se até esse prazo não tiverem sido apresentadas as contas, a Câmara comunicará de imediato ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
'''§ 3º''' Somente pela decisão de dois terços dos membros da Câmara, deixará de prevalecer o parecer prévio do Tribunal de Contas.
'''Art. 123.''' O Poder Legislativo criará, no âmbito de sua competência, Comissão Permanente de Fiscalização, composta de três vereadores eleitos na forma do Regimento Interno da Câmara.
'''Parágrafo Único.''' Compete à Comissão Permanente de Fiscalização verificar todas as irregularidades praticadas pela administração direta, autarquias, sociedades de economia mista, empresas públicas, companhias, cooperativas habitacionais e fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público.
'''Art. 124.''' A Comissão Permanente de Fiscalização, diante de indícios de despesas não autorizadas, ainda que sob a forma de investimentos não programados ou de subsídios e subvenções não aprovadas, poderá solicitar da autoridade responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.
'''§ 1º''' Não prestados os esclarecimentos ou considerados estes insuficientes, a Comissão Permanente de Fiscalização solicitará ao Tribunal de Contas pronunciamento conclusivo sobre a matéria, em caráter de urgência.
'''§ 2º''' Entendendo o Tribunal de Contas irregular a despesa, a Comissão Permanente de Fiscalização, se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública, proporá à Câmara a sua sustação.
'''Art. 125.''' Os Poderes Legislativo e Executivo manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:
'''I –''' avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos do Município;
'''II –''' comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração municipal, bem como da aplicação de recursos públicos municipais por entidades de direito privado;
'''III –''' exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres do Município;
'''IV –''' apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional.
'''§ 1º''' Os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, darão ciência à Comissão Permanente de Fiscalização da Câmara, sob pena de responsabilidade solidária.
'''§ 2º''' Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte integrante e legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante a Comissão Permanente de Fiscalização da Câmara.
'''§ 3º''' A Comissão Permanente de Fiscalização da Câmara, tomando conhecimento de irregularidades ou ilegalidades, poderá solicitar à autoridade responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclarecimentos necessários, agindo na forma prevista no § 1º do artigo interior.
'''§ 4º''' Entendendo o Tribunal de Contas pela irregularidade ou ilegalidade, a Comissão Permanente de Fiscalização proporá à Câmara as medidas que julgar convenientes à situação.
'''Art. 126.''' O movimento de caixa do dia anterior será publicado diariamente, por edital afixado no edifício da Prefeitura e da Câmara.
'''Art. 127.''' Mensalmente, até o dia vinte, o balancete relativo à receita e à despesa do mês anterior será encaminhado à Câmara, afixado mediante edital no edifício da Prefeitura e da Câmara e publicado no órgão oficial ou não da imprensa do Município.
[[Categoria:Lei Orgânica do Município de Santos]]
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|título=Desproporçōes da Ordem Velha
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/* !Páginas revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <div style="width:500px;margin:0 auto"> ٭ ''Este livro foi composto e impresso nas oficinas da Emprêsa'' ''Gráfica da “Revista dos Tribunais”, à rua Conde de Sarzedas, 38'' ''— Sāo Paulo, para a Companhia'' ''Editora Nacional, em dezembro de'' ''1939.'' </div>
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٭ ''Este livro foi composto e impresso nas oficinas da Emprêsa''
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Lei Orgânica do Município de Santos/VII
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|obra=[[Imagem:Brasão do município de Santos, SP.svg|75px]]<br>Lei Orgânica do Município de Santos
|anterior= [[Lei Orgânica do Município de Santos/VI|Da Tributação, das Finanças e dos Orçamentos]]
|posterior= [[Lei Orgânica do Município de Santos/VIII|Disposições Gerais]]
|seção= Título VI: Das Políticas Municipais
|autor=
}}
==Capítulo I: Da Política Econômica==
===Disposições Gerais===
'''Art. 128.''' O Município, dentro de sua competência, organizará a ordem econômica, conciliando a liberdade de iniciativa com os superiores interesses da coletividade.
'''Art. 129.''' A ação do Município, no domínio econômico, terá por objetivo estimular, orientar e democratizar as relações da sociedade, visando à defesa dos interesses da coletividade, promovendo a justiça social e fomentando as ações de economia solidária.
* <small>Artigo com redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 65/2015, de 06 de abril de 2015 (DOM de 14/04/2015, retificação da publicação em 15/04/2015).</small>
'''Art. 130.''' O Município criará, mediante lei complementar, Conselho de Desenvolvimento Econômico, integrado por representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, além dos empresários e técnicos dos diferentes setores de atividade, o qual terá como objetivo apresentar subsídios para o planejamento econômico na sua jurisdição.
'''Art. 131.''' A exploração direta da atividade econômica, pelo Município, só será permitida em caso de relevante interesse coletivo, na forma da lei complementar que, dentre outras, especificará as seguintes exigências para as empresas públicas e sociedades de economia mista ou entidade que criar ou mantiver:
'''I –''' regime jurídico das empresas privadas;
'''II –''' proibição de privilégios fiscais não extensivos ao setor privado;
'''III –''' adequação da atividade ao plano diretor, ao plano plurianual e às diretrizes orçamentárias;
'''IV –''' orçamento anual aprovado pelo Prefeito.
'''Parágrafo Único.''' A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.
'''Art. 132.''' Na aquisição de bens e serviços, o Poder Público dará tratamento preferencial, na forma a lei, a empresas brasileiras de capital nacional.
'''Art. 133.''' O Município dispensará à microempresa e à empresa de pequeno porte, assim definidas em lei federal, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas e tributárias, no seu âmbito, por meio de lei.
'''Art. 134.''' O Município criará lei específica referente aos trabalhadores portadores de deficiência física, às comunidades rurais, artesanais e indígenas, e à sua organização, procurando proporcionar-lhes, entre outros benefícios, meios de produção e de trabalho, saúde e bem-estar social.
'''§ 1º''' O Município deverá criar órgão de assistência e encaminhamento de mão-de-obra ociosa.
'''§ 2º''' Serão isentas de impostos e taxas as respectivas comunidades e organizações.
'''Art. 135.''' O Município dará tratamento diferenciado, através de lei complementar, ao comércio ambulante, resguardados os direitos dos comerciantes legalmente estabelecidos.
[[Categoria:Lei Orgânica do Município de Santos]]
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 145 {{--}}}}</noinclude>Fóra disso rãs, mimbuias pensativas e, a rabear velocissima nas pocas verdinhentas d’algas,
a trahira, o voraz esqualosinho do lodo. Um brejo, emfim, como cem outros.
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 151 Imagem 0002.png|centro|300px]]
Notabilisa-o, porém, a profundez. Ninguem ao
vel-o tão calmo sonha o abysmo trahidor occulto na verdura. Dois, tres varejões de bambú
emendados que lhe tentem alcançar o fundo subvertem-se no lodo sem alcançar pé.
Além de varios animaes sumidos nelle, contava-se o caso tragico do portuguez que, na birra
de salvar um burro já atolado a meio, se viu
tragado lentamente pelo barro maldito. Desd’ahi
ficou o atoleiro gravado na imaginativa popular
como uma das boccas do proprio inferno.
Transposto o abysmo a vegetação encorpa até
constituir a matta por cujo seio corre a estrada
mestra da fazenda.
Pela manhã daquelle dia passara ali o troly
do major, de volta da cidade.
Além do velho, de sua mulher Don’Anna e de<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 154 {{--}}}}</noinclude>um estremecimento arripiado que ouviu o ladrido
proximo de um cão.
— E’ Merimbico, disse o velho, estamos quasi.
Mais cem passos e a matta rasgava-se em cla{{PT||reira na qual Christina viu logo a biboca do negro.}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 160 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{PT|reira na qual Christina viu logo a biboca do negro.}}
Fez-se toda pequenina e achegou-se de {{hífen|Don’|Don’Anna,}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 82 {{--}}}}</noinclude>focinho torcido um p’r’a o outro. O que foi, foi.
Acabou-se. Toque!
Elle relanceou os olhos p’ra o lado da ronqueira, eh! eh! e muito desconchavado espichou á
mão, sem abrir o bico. Traga um café, gritou
p’ra dentro. Enfiei os olhos pela casa: estava
assim de mulherada na cozinha! E peguei de
prosa. Elle foi respondendo. Uma conversa sem {{PT||graça, amarrada. Por fim especulei: e o monjolo, vizinho, ficou na ordem? Nunes amarellou que nem esta folha!}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 088 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{PT|graça, amarrada. Por fim especulei: e o monjolo, vizinho, ficou na ordem? Nunes amarellou que nem esta folha!}}
— «E’ bomzinho, disse, rende muito…
— «Quero ver, eu disse, se não é curiosidade…
— «Pois vá, respondeu sem se mexer do lugar.
Eu fui. Nossa Virgem! aquillo nunca foi monjolo nem na casa do diabo! Só se vê cipó {{hífen|amar|amarrando}}<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 79 {{--}}}}</noinclude>E como não houvesse milho, ficou a estréa
do monjolo para quando se quebrasse a roça.
{{dhr}}
{{c|***}}
{{dhr}}
Cessaram as chuvas do verão. Entrou o estio,
refrescado, limpo. As folhas do milharal amarellaram, as espigas penderam, maduras.
Começou a quebra. Nunes, impaciente, debu{{PT||lhou o primeiro jacá recolhido, e atuchou o pilão.}}
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 085 Imagem 0002.png|centro|300px]]
{{PT|lhou o primeiro jacá recolhido, e atuchou o pilão.}}
Ai! Não ha felicidade completa no mundo. O
engenho provou mal. Não rendia a cangica, a<noinclude></noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 75 {{--}}}}</noinclude>escavando o cocho a machado e enxó. Depois
rasgou as furas da haste, e afeiçoou a munheca.
Promptas que foram, atacou o pilão. Escava que
escava, em tres dias pol-o de lado, concluso. Restava somente apparelhar a virgem.
— O compadre sabe a historia do pau de feitiço?
Nunes não sabia. Nunes não sabia coisa nenhuma desta vida, tirante emborcar o gargalo
e detrahir Porungas.
[[File:Urupês (3ª Edição) Página 081 Imagem 0001.png|centro|300px]]
Maneta, sem interromper o esquadrejamento
da virgem, narrou o caso.
Ouvira a lenda ao pae, o Teixeirão Serrador,
madeireiro afamado.
Em cada eito de matto, dizia elle, — ha um
pau vingativo que pune a malfeitoria dos homens.
Vivi no matto toda a vida, lidei toda a casta de
arvore, desdobrei desde embaúva velha e {{hífen|em|embirussú}}<noinclude></noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: DIALOGO QUINTO sangue, na forma que o têm os pescados, sem embargo de estar en- cerrado na sua concha, cousa de que todo outro semelhante maris- co carece, e sobretudo o que mais espanta é que, nas conjuncções das luas, lhe acode o menstro, como costuma a vir ás mulheres. ALVIANO Não ousarei eu contar isso em Portugal. BRANDONIO Pois aqui vos poderei dar em prova da verdade que trato to- dos os moradores deste estado; porque não o perg...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{c|DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL}}</noinclude>DIALOGO QUINTO
sangue, na forma que o têm os pescados, sem embargo de estar en-
cerrado na sua concha, cousa de que todo outro semelhante maris-
co carece, e sobretudo o que mais espanta é que, nas conjuncções
das luas, lhe acode o menstro, como costuma a vir ás mulheres.
ALVIANO
Não ousarei eu contar isso em Portugal.
BRANDONIO
Pois aqui vos poderei dar em prova da verdade que trato to-
dos os moradores deste estado; porque não o perguntareis a nenhum
dos antigos da terra, que vos não asselle o que tenho dito por ver-
dadeiro.
ALVIANO
Não duvido que seja assim, mas eu não me quero obrigar a
buscar essas provas.
BRANDONIO
Ninguem vos póde obrigar a que creaes senão o que quizer-
des; mas no que digo não ha duvida. Acham-se tambem na terra
differentes castas de cangrejos, que são verdadeiro sustento dos po-
bres, que vi vem nella e dos indios, naturaes e escravos de
Guiné, pela muita abundancia que ha delles, e pouco trabalho
que dão em se deixarem tomar; ha uma casta dos taes, a que cha-
mam uçá, e outra siri, e tambem goajá, e da mesma maneira guoa-
zaranha. Aratú é outra casta delles, que se tem por contra peço-
nha, posto que eu o não experimentei. Tambem se acham uns de
outra calidade, a que chamam garauçá; e sobre tudo os guanha-
mús, cuja natureza causa espanto.
ALVIANO
Pois não ma deixeis encoberta.
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Diplod by Google<noinclude>{{c|}}</noinclude>
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/* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL nome commum dos Chelonios maritimos; e mug ou magum, da familia dos Symbranchideos, Symbranchus marmoratus, Bl. Vêm a seguir, porque vivem as agus e em terra, a capivara, o maior dos roedores, da familia dos Caviideos, Hydrocarus capybara, Erxl., o jacaré, reptil amydosaurio da familia do Crocodilideos, representada no Brasil pelos generos Caiman e Jacaretinga. Brandonio ia passar aos mariscos, "de que...
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<noinclude><pagequality level="1" user="Trooper57" />{{c|DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL}}</noinclude>DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL
nome commum dos Chelonios maritimos; e mug ou magum, da familia dos
Symbranchideos, Symbranchus marmoratus, Bl. Vêm a seguir, porque vivem as
agus e em terra, a capivara, o maior dos roedores, da familia dos Caviideos,
Hydrocarus capybara, Erxl., o jacaré, reptil amydosaurio da familia do
Crocodilideos, representada no Brasil pelos generos Caiman e Jacaretinga.
Brandonio ia passar aos mariscos, "de que ha muitos e diversos nesta pro-
vincia", quando seu interlocutor lhe chamou a attenção para as baleias, "que
de força deve haver muitas, pelo ambar que lançam em terra". Ahi admitte
elle a opinião, já reconhecida erronea em seu tempo, da origem vegetal do
ambar, veja Dialogo primeiro nota (27); das baleias dix que "na Bahia
matam muitas ás farpoadas alguns biscainhos, de que fazem o mesmo azeite,
por ser cousa que tomaram por officio, Dialogo terceiro, nota (15). Vol-
tando a tratar dos mariscos, que comprehendem não só os molluscos comesti
veis, como os crustaceos, enumera o polto, mollusco da ordem Cephalopoda,
Leligo brasiliensis, Bl.; o lagostim, crustaceo decapodo macruro da familia
dos Scyllarideos; e lagartos, que devem ser os chamados do mar, peixes da
familia dos Synodontideos, cuja cabeça tem golpeante semelhança com a de
certos lacertilios. Seguem-se os perseves, molluscos gasteropodos que se criam
apinhoados sobre pedras, como as lapas e caramujos, tambem citados; as os-
tras, molluscos lamellibranchios, da familia dos Ostreideos, de que no Brasil
Be conhecem duas especies principaes, ostra do mangue e ostra das pedras,
conforme o lugar em que vivem; amejoa, mollusco lamellibranchio marinho
da familia dos Luciniideos, Phacoides pectinatus, Gml.; sapimiaga, desconhe
cido; sernambim, mollusco lamellibranchio marinho da familia dos Meso-
desmatideos, Mesodesma mactroides, Desch. Vêm por fim os decapodos bra-
chyuros: uçá, da familia dos Gecarcinideos, Uoides (Oedipleura) cordatus,
Linn.; siri, da familia doa Portunideos, Callinectes danai, Sar.; goajá, "alias
gua já-cancer marinus generis Guiae et Carcini", Martius, Glossaria, 448; guoa-
zaranha, talvez aranha do mar, da familia dos Inachideos; aratú, da familia
dos Grapsideos, Aratus pisoni, M. Edw.; garançá, em Gabriel Soares goaiaus
ad, caranguejo branco das praias, difficil de identificar; e guanhame ou
guaiamú, da familia dos Gecarcinideos, Cardisoma guanhumi, Latr. O voca-
bulo até ou autá 6 da lingua tupi, e significa andar, caminhar. Já no
-
tempo de Brandonio se applicava aos caranguejos, que, por lascivos, em certa
estação do anno, saem das tócas e andam errantes estonteadamente, o que
muito facilita sua apprehensão. A conhecida canção popular
anda autá, consagrou a expressão ha muito tempo.
NOTA (4)
-
Caranguejo
Os primeiros cavallos e eguas vieram de Cabo Verde para a Bahia e dahi
foram a Pernambuco por mercadoria, onde valiam de duzentos a tresentos
cruzados, informa Gabriel Soares, Tratado descriptivo do Brasil em 1587,
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Criam-se outros caranguejos na agua salgada, á que os
indios chamam goaiá: estes são compridos, e tem as pernas
curtas e pequenas bocas: são muito poucos, mas muito
bons.
Aratús são outros caranguejos pequenos, como os de
Portugal, que se tomam no rio de Sacavem em Lisboa;
criam-se entre os mangues, de cuja folha e casca se mantêm
e sempre lhe estão roendo nos pés; dos quaes ha infini-
dade, mas tem a casca molle; e em seu tempo, uma vez no
anno, tem as femeas coraes, e os machos estão muito gor-
dos; é uns e outros são sadios e gostosos.
Ha outros caranguejos, a que os indios chamam goaia-
rara, que se criam nos rios, onde a agua doce se mistura
com a salgada, os quaes são mui lizos e de côr apavonada,
e tem o casco redondo, as pernas curtas, e são poucos e
gostosos.
Goaiaussá são outros caranguejos que se criam dentro
d'arêa, que se descobre na vasante da maré,, os quaes são
pequenos e brancos, e tem as covas mui fundas; e andam
sempre pelas praias, em quanto não vêm gente, e como a
sentem se mettem logo nas covas: e aconteceu já fazer um
indio tamanha cova, para tirar um d'estes caranguejos, que
lhe cabiu area em cima, de maneira que não pôde tirar a
cabeça e afogou-se; no que os indios tomam tanto trabalho,
porque lhes serve este goaiaussá de isca, que o peixe come
bem; os quaes tem a casca inuito molle ordinariamente, e
não se comem por pequenos.
CAPITULO CXL. ..
Que trata das qualidades das ostras que ha na Bahia.
As mais formosas ostras que se viram são as do Brazil;
e ha infinidade d'ellas; como se vê na Bahia, onde lhe os
indios chamam lerîuçú, as quaes estão sempre cheias, e
tem ordinariamente grandes miolos; e em algumas partes
os tem tamanhos que se não podem comer senão cortadas
em talhadas, as quaes cruas, assadas e fritas são muito
gostosas; as boas se dão dentro da vasa no salgado, e pelos
rios onde se junta a agua doce ao salgado se criam muitas
na vasa, e muito grandes, mas quando ha agua do monte,
estão mui doces e sem sabores. E ha tantas ostras na Bahia.
e em outras partes, que se carregam barcos d'ellas muito.
grandes, para fazerem cal das cascas, de que se faz muita e
TOMO XIV
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas
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}}
'''<big>HISTÓRIA DA MENINA DEITADA AO MAR OU DA MARIA DAS SILVAS</big>'''
ERA uma vez um Príncipe, novo e formoso, que, não tendo mais que fazer, passava o melhor tempo da sua vida a caçar por montes e vales, seguido pelos seus cães, falcoeiros, monteiros e grande comitiva de caçadores.
Um dia, porém, anoiteceu-lhe no caminho e, perdendo-se dos seus companheiros, achou-se inteiramente só num descampado.
A noite estava muito bela e serena. No céu as estrelas brilhavam com maior fulgor e na terra não se ouvia grito de animal ou rumor de vida que fizesse supor que ali existia gente.
O Príncipe apeou-se para repousar e fazer descansar o seu bom cavalo; estendeu a capa no chão e deitou-se a olhar para o céu, cismando no aborrecimento de ter de passar a noite sem outro abrigo nem companhia.
Nisto ouviu uma voz dizer bem claramente:
— Agora está para nascer quem há-de ser tua mulher.
Levantou-se surpreendido, olhou para todos os lados, mas, por mais que procurasse, os seus olhos não deparavam com sombra que semelhasse ente vivo.
Montou a cavalo, muito intrigado, e foi andando, andando, até chegar a uma estalagem modesta que havia à beira da estrada.
Mal parou, de novo a mesma voz se fez ouvir, dizendo:
— Aí irás encontrar com quem hás-de casar.
Olhou para todos os sítios e, sem ver nada suspeito, perguntava a si mesmo:
— O que quererá isto dizer? Dar-se-á o caso que haja aqui alguma Princesa hospedada?
Mas, não vendo equipagens, nem séquito, nem rumor de festa, começou a rir e tratou de bater à porta do modesto albergue. Porque a fadiga não escolhe cómodos e ele estava bem cansado, com tudo se contentava.
Apareceu uma pobre mulherzinha que perguntou o que queria e, conhecendo que era viajante ou caçador perdido nos campos, do seu melhor lhe deu a ceia e fez a cama na sala, pois era o único bom compartimento da casa — e apesar disso não era por aí além nenhuma câmara real.
Mas o Príncipe, sem reparar na rijeza dos colchões nem na grossura dos lençóis, adormeceu logo e mais profunda e sossegadamente do que o fazia no seu opulento palácio, cheio de comodidades e confortos.
Alta noite acordou sobressaltado, ouvindo a mesma voz que no caminho o tinha perseguido:
— Agora acaba de nascer a que há-de ser tua mulher.
Já não pôde tornar a pregar olho durante todo o resto da noite, sempre com a ideia fixa naquela voz que por três vezes ouvira.
Mal alvoroceu pôs-se a pé, e à primeira pessoa que lhe apareceu, que era a mesma velha que na véspera o recebera, perguntou:
— Houve por cá alguma novidade esta noite?
— Houve, sim, meu senhor; nasceu uma menina à minha filha — respondeu ela.
— É bonita?
— Tão linda como este sol que nos alumia.
— Bom; então vá dizer à sua filha que está aqui o Príncipe Real, que quer fazer feliz a menina que hoje nasceu. Que ma entregue, que eu mesmo a levo para o palácio, tomarei conta dela e a mandarei educar como se fosse uma Princesa do meu sangue.
A mãe não queria ceder, porque, apesar de pobre, era uma boa e sensata criatura que entendia que a filha não podia estar melhor do que ao seu lado, mas naquele tempo o que os reis mandavam era lei e a desditosa estalajadeira não teve remédio senão entregar a filhinha, que era na verdade linda como o sol.
O Príncipe pegou na criança, montou a cavalo e partiu, deixando bastante dinheiro para a estalajadeira criar os outros filhos que tinha.
No caminho encontrou uma floresta muito espessa e parou ali. Como quem trazia já a sua ideia, embrulhou a menina na sua riquíssima capa de cavaleiro e, atando-lhe à cintura uma saquinha de peças de ouro, atirou com ela para um silvado, dizendo:
— Some-te da minha presença, para que os fados não queiram que eu case contigo. Eu, um Príncipe de sangue, e tu, uma pobre filha de estalajadeira!... Só pensar em tal profecia me faz rir!
Depois continuou a jornada muito em paz com a sua consciência, pois muitos ricos fàcilmente e convencem de que tudo se paga e resolve com dinheiro.
Como daí a pouco acertasse de passar pelo mesmo sítio um pobre velho que juntava lenha para o seu lume, ouviu os vagidos da criancinha e foi ao silvado indagar o que seria.
Quando deu com aquela menina tão linda e tão ricamente abafada na capa do Príncipe, pensou:
— Coitadinha, quem a abandonaria aqui?! É por força filha de alguma rainha quem é tão bonita e se agasalha em capa tão rica.
Pegou nela ao colo e com muitos cuidados a levou à mulher.
Não tendo filho nem filha que os acompanhasse nos dias tristes da velhice, ficaram satisfeitos com o achado, criando a menina com o maior desvelo. Levaram-na à igreja e mandaram-na baptizar com o nome de Maria das Silvas, por a terem encontrado no silvado.
Educaram-na e estimaram-na como se na verdade fosse nascida para grande dama e os seus pèzinhos não devessem calcar senão os tapetes de palácios sumptuosos.
Com o dinheiro que o Príncipe deixara, tinham negociado e arranjado uma boa fortuna que lhes permitiu viverem com abundância e mandarem fazer uma sólida casa de pedra e cal no sítio da sua antiga e miserável choupana.
Assim decorreram doze anos de completo sossego para todos três, quando aconteceu passar por ali o mesmo Príncipe que tinha abandonado a menina. Como o dia estivesse quente e a sede apertasse, ficou satisfeitíssimo de ver aquela bonita casa de campo; fazendo parar o cavalo, disse para o pagem:
— Vai bater à porta e pede água para o teu Senhor.
O pagem assim fez. Maria das Silvas, que estava só em casa, ouviu o pedido e foi buscar uma rica taça de prata cheia de água, que lhe entregou, mas de maneira que ele a não viu.
O Príncipe bebeu com gosto e disse no fim:
— Oh, que linda taça e que água tão gostosa! Quem ta deu?
— A mão que ma deu é linda, Senhor, agora do rosto nada posso dizer porque o não vi — respondeu o pagenzito.
— Vamos lá ver se também se esconde de mim!
E, dizendo isto, apeou-se o Príncipe e foi ele próprio entregar o copo. Quando a menina estendeu o braço reparou na manga do vestido, que semelhava a sua capa de cavaleiro, e, dando-lhe o coração uma pancada, perguntou imediatamente:
— Ó menina, porque nos não aparece para lhe agradecermos?
Ela chegou à janela e respondeu:
— Aqui estou, cavaleiro, mas não tem que me agradecer porque eu só fiz o que meus pais me ensinaram, que é dar de beber a quem tem sede e de comer a quem tem fome.
— E quem são seus pais, que tão bem a ensinaram.
— São muito velhinhos, o que é a minha pena. Hoje foram eles a uma feira e fiquei eu sòzinha.
— Que idade tem a menina?
— Fiz doze anos pelas vindimas.
— Agora diga-me como se chama, para eu me lembrar sempre de quem tão bem me tratou.
— Chamo-me Maria das Silvas, porque meu pai me encontrou um dia num silvado aqui perto.
— Tate! — disse o Príncipe para consigo. — É a criança que eu quis perder.
Depois, fazendo-lhe muitas festas e perguntas, às quais a menina respondia com a franqueza de quem é boa e nada tem que ocultar, propôs-lhe ir com ele para o palácio.
— Isso não faço eu, que não quero deixar os meus pais.
— Ora! Eles não são seus pais verdadeiros e então depressa a esquecerão. Além disso, a menina poderá fazer-lhe muito bem estando na minha companhia.
Tanto disse que a pobrezita se deixou iludir e foi com ele.
Chegados que foram ao palácio fechou-a no seu quarto, de modo que ninguém a visse, e, mandando fazer um caixão muito bem calafetado, meteu-a dentro e atirou com ele ao mar, dizendo:
— Não, não hás-de casar comigo, porque seria vergonhoso que um Príncipe como eu aceitasse por esposa a filha duma estalajadeira.
Mas o caixão andava sobre as águas do mar como se fosse um barquinho guiado por Deus. Foi boiando, foi boiando, até que, passados dias, encalhou debaixo das janelas dum palácio real.
Ali vivia uma tia do Príncipe fadado para casar com Maria das Silvas, que era a soberana dum grande reino do Norte.
Estando no terraço, rodeada das suas damas, pagens e cavaleiros, avistou o caixão, que de propósito parecia ter parado em frente do seu castelo, e mandou-o buscar para ver o que continha.
A sua admiração foi grande ao depararem com a desditosa menina, quase morta de fome e tão linda como fadas e princesas o não tinham sido nunca.
A boa Rainha chorou de pura mágoa, disse mal da perversidade humana e mandou logo deitar a sua protegida em cama riquíssima, nos melhores aposentos do castelo, ordenando ao seu melhor médico que a não abandonasse sem ela estar completamente boa.
Maria depressa voltou a si e se restabeleceu completamente, com os carinhos e cuidados que lhe prodigalizaram. Mas, por mais que lhe perguntassem, não quis nunca dizer quem tão cruelmente a tinha atirado ao mar.
Interessante e bondosa como era, em breve se tornou o ai-jesus da Rainha, que era viúva e não tinha filhos a quem consagrar o seu afecto.
Bastas vezes dizia, enchendo Maria de afagos:
— Tomara que chegasse o meu sobrinho, que lhe hei-de pedir para casar contigo. Adoptar-te-ei como filha, e nada terá que dizer, porque ficarás assim senhora dum reino não inferior ao dele.
Maria não sabia quem era tal sobrinho e esperava alegre a época em que o Príncipe visitava, todos os anos, a Rainha sua tia, mas quando o viu e reconheceu ficou varada de susto. Mas não disse nada.
Depois das apresentações e festas do costume, a Rainha foi buscar a menina pela mão e fez perceber ao sobrinho quanto desejava vê-lo casado com aquela senhora.
O Príncipe reconheceu-a, mas, não se fiando nos próprios olhos, tratou de perguntar às damas e aias da Rainha quem era e donde tinha vindo aquela menina. Elas, que a invejavam pela muita amizade e confiança que a soberana lhe consagrava, trataram de azedar o ânimo do Príncipe, que, como sabemos, já de si estava pouco disposto a tal casamento.
No entanto prometeu à tia casar com a sua protegida, e, para melhor a enganar, já só a tratava por noiva.
Um dia pediu licença para a levar a passear, e, dirigindo-se a um sítio isolado onde vira muitas pipas, meteu-a dentro duma, sem atender às suas súplicas e lágrimas. Tapou a vasilha com todo o esmero, e, dando-lhe um forte impulso, a fez rebolar por uma ribanceira até cair no mar.
Depois voltou para o palácio, fingindo-se muito admirado de não encontrar a menina, pois a tinha perdido de vista sem saber como.
A Rainha sentiu tal desgosto que se vestiu de luto e ordenou que todos fizessem o mesmo, como se fosse por uma filha.
A pipa lá foi vogando por sobre as águas do mar até que um navio a encontrou e recolheu cuidando que fosse resto de naufrágio.
Abriram-na logo e muito surpreendidos ficaram os marinheiros ao deparar com uma criatura muito bonita e bem vestida, que parecia mais morta do que viva.
Trataram-na muito bem e o capitão resolveu que, mal chegasse ao seu país, a iria entregar à Rainha, que era nem mais nem menos do que a avó do Príncipe. Soberana dum poderoso e próspero estado, era a mais idosa e respeitável de quantos monarcas governavam então o Mundo conhecido. Da sua família tinham saído reis, rainhas e imperatrizes para todos os tronos.
O capitão do navio, mal pôs pé em terra, fez-se conduzir ao palácio real com a menina e, com toda a cortesia, a entregou à velha Rainha.
Ela ficou muito contente e para logo lhe tomou tão grande afecto que se lembrou de a casar com o único neto que se conservava solteiro, e era o mesmo Príncipe que tentara matar a Maria das Silvas.
Quando ele chegou, logo a Rainha lhe disse:
— Meu neto, tenho aqui uma menina que te destino para esposa. Não sei se é nobre, se plebeia; não conheço a sua história nem a sua família; mas sei que é boa como poucas, discreta como nenhuma e formosa como os anjos do céu.
O Príncipe teve um palpite de que era a Maria das Silvas e pediu para ver imediatamente a noiva que a avó lhe destinava, no que foi satisfeito.
Reconheceram-se logo, mas nada disseram.
Ele estava verdadeiramente desesperado com a obstinação com que o destino o perseguia, pondo-lhe diante dos passos aquela noiva.
Querendo livrar-se de tal, duma vez para sempre, respondeu à avó:
— Eu gosto muito da menina que me quer dar para esposa, mas fiz o voto de sòmente casar com a mulher que durante um ano conservasse em seu poder este anel que trago. Se a sua protegida se sujeita a guardá-lo para mo entregar de hoje a um ano, muito bem, casarei com ela. De contrário, a minha avó me dará a sua cabeça numa bacia dourada.
Maria das Silvas aceitou o anel, pois era essa a vontade da Rainha, e o Príncipe tratou logo de falar com a aia que a servia. Como também ali a pobre menina era motivo de ciúme e inveja de todos, depressa convenceu a aia a roubar o anel em troca de muito dinheiro.
Ora a menina, mal o recebeu das mãos do Príncipe, foi escondê-lo em sítio tão escuso que ninguém seria capaz de o descobrir, pois acostumada como estava a tanta traição em ninguém podia confiar.
A aia andava furiosa por não poder ganhar o dinheiro do Príncipe. Um dia, em que a menina foi passear com a Rainha, meteu-se-lhe no quarto e tanto fez, tantas voltas deu, que sempre o achou escondido num friso dourado do tecto. Com a grande alegria que teve, nem pensou em mais nada, pegou nele e atirou-o ao mar.
Quando a Maria chegou ao palácio e foi ver o seu tesouro, como costumava sempre fazer para se certificar de que o segredo não fora descoberto, achou-lhe apenas o lugar.
Chorou muito a sua desgraça, mas não quis perder a esperança em Deus, que de tantos apuros a tinha salvo já. Resignou-se a esperar a vinda do Príncipe. Que talvez ele lhe perdoasse, embora a não quisesse para esposa.
Diante de gente mostrava sempre o mesmo rosto sossegado, mas no fundo do coração quanta amargura e quanta lágrima escondia!
Assim foi passando o tempo, até estar próxima a chegada do noivo. A Rainha ordenara mil festejos. Ia por toda a parte um grande alvoroço. A aia observava a menina e só ela sabia as aflições em que andaria aquela que todos invejavam. E tão maldosa era, que não tinha remorsos da preversidade que fizera.
Uma tarde, como a Maria das Silvas se fosse sentar sòzinha na praia, pensando na sua aventurosa e pouco feliz vida, reparou que uns pescadores amanhavam um grande peixe e se queixavam por não terem quem de pronto lhes desse o dinheiro dele, pois bem precisavam para dar ordem à sua vida. Ela teve dó e lembrou-se logo de remediar aquela tristeza, já que ninguém podia consolar a sua. Pegou em quanto dinheiro tinha consigo e entregou-o aos homens, que se foram satisfeitíssimos.
No meio da sua distracção, olhou a menina para os intestinos do peixe que os homens tinham deixado e viu uma coisa a luzir como se fosse ouro e brilhantes. Foi ver, por curiosidade, e deu com o anel do Príncipe. Caiu de joelhos e por largo tempo chorou e rezou, dando graças a Deus por tão maravilhosa protecção.
Calou-se com o achado como se tinha calado com a perda, e começou a bordar num cinto todos os martírios porque tinha passado, desde que o Príncipe a tirara de casa da mãe e a atirara para as silvas, até àquela ocasião.
Nas vésperas da festa, a Rainha perguntou às damas e aias de que cor queriam vestir-se, pois lhes mandaria fazer o que desejassem.
Todas pediram as cores alegres que dizem bem a quem é novo e feliz; só a Maria escolheu a cor roxa, o que muito fez admirar.
Chegou o Príncipe, e, depois de cumprimentar a avó, foi ter com a aia para saber notícias do negócio de que a encarregara. A delambida respondeu logo, toda presunçosa:
— Com bastante trabalho o encontrei! Mas por ser coisa de Vossa Alteza não me poupei a incómodos, apesar do perigo que correrei se a Rainha vier a saber da traição.
— Não tenhas medo, que eu te darei dinheiro para ires para muito longe. Mas o anel onde está?
— Atirei com ele ao mar, para maior segurança. E a Maria das Silvas anda tão triste que até o vestido escolheu roxo.
O Príncipe pagou generosamente o serviço, mas na verdade não ficou muito contente, porque já começava a arrepender-se de tanta maldade e já muitas vezes se lembrava da menina com pena.
Chegou a hora de jantar, e quando todos já estavam sentados à mesa apareceu Maria com um vestido muito simples, de veludo cor de violeta, e um cinto largo em que ela bordara a ouro todas as suas torturas.
O Príncipe pôs os olhos nela e sentiu uma tão grande vergonha que mal teve coragem para se levantar e pedir-lhe baixinho o anel.
Ela com toda a graça e naturalidade o tirou do dedo e lho entregou, sem dizer palavra. Então, confundido por tão grande coragem e bondade, quis o Príncipe confessar diante de todos a sua culpa, pedindo pùblicamente o perdão, que a menina lhe concedeu de boa vontade, pois, apesar de tudo, nunca deixara de o estimar.
Ele também confessou que só por vaidade fizera tanta malvadez, pois gostava muito da noiva que o céu lhe destinara desde o berço e não pudera nunca encontrar quem a igualasse.
A velha Rainha, muito satisfeita, não se cansou de mandar fazer festas para celebrar aquele casamento tanto do seu agrado e só deixou sair o Príncipe com a nova Princesa com a promessa de todos os anos voltarem a vê-la.
Depois foram visitar a tia do Príncipe e primeira protectora de Maria, que ficou satisfeitíssima, mandando também que se fizessem grandes festejos, pois queria cumprir o que prometera, de fazer a menina sua herdeira.
Chegaram por fim ao reino do Príncipe, onde os festejos não acabavam, pois todos porfiavam em mostrar à nova Princesa quanto a estimavam pela sua história de desgraças. Ela mandou logo procurar os seus primeiros pais adoptivos, que trouxe para o palácio e ali morreram cheios de anos e de felicidades, tratados como se na verdade fossem seus verdadeiros pais.
À mãe e aos irmãos, que também mandou procurar, deu dinheiro e protecção para viverem como fidalgos.
Reinaram por muitos anos nos dois países reunidos e sempre felizes e em boa paz. Muitas vezes costumava o Príncipe dizer, quando recordava o que fizera para se livrar de Maria das Silvas:
— O casamento e a mortalha só no céu é que se talha.
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'''<big>HISTÓRIA DA MENINA DEITADA AO MAR OU DA MARIA DAS SILVAS</big>'''
ERA uma vez um Príncipe, novo e formoso, que, não tendo mais que fazer, passava o melhor tempo da sua vida a caçar por montes e vales, seguido pelos seus cães, falcoeiros, monteiros e grande comitiva de caçadores.
Um dia, porém, anoiteceu-lhe no caminho e, perdendo-se dos seus companheiros, achou-se inteiramente só num descampado.
A noite estava muito bela e serena. No céu as estrelas brilhavam com maior fulgor e na terra não se ouvia grito de animal ou rumor de vida que fizesse supor que ali existia gente.
O Príncipe apeou-se para repousar e fazer descansar o seu bom cavalo; estendeu a capa no chão e deitou-se a olhar para o céu, cismando no aborrecimento de ter de passar a noite sem outro abrigo nem companhia.
Nisto ouviu uma voz dizer bem claramente:
— Agora está para nascer quem há-de ser tua mulher.
Levantou-se surpreendido, olhou para todos os lados, mas, por mais que procurasse, os seus olhos não deparavam com sombra que semelhasse ente vivo.
Montou a cavalo, muito intrigado, e foi andando, andando, até chegar a uma estalagem modesta que havia à beira da estrada.
Mal parou, de novo a mesma voz se fez ouvir, dizendo:
— Aí irás encontrar com quem hás-de casar.
Olhou para todos os sítios e, sem ver nada suspeito, perguntava a si mesmo:
— O que quererá isto dizer? Dar-se-á o caso que haja aqui alguma Princesa hospedada?
Mas, não vendo equipagens, nem séquito, nem rumor de festa, começou a rir e tratou de bater à porta do modesto albergue. Porque a fadiga não escolhe cómodos e ele estava bem cansado, com tudo se contentava.
Apareceu uma pobre mulherzinha que perguntou o que queria e, conhecendo que era viajante ou caçador perdido nos campos, do seu melhor lhe deu a ceia e fez a cama na sala, pois era o único bom compartimento da casa — e apesar disso não era por aí além nenhuma câmara real.
Mas o Príncipe, sem reparar na rijeza dos colchões nem na grossura dos lençóis, adormeceu logo e mais profunda e sossegadamente do que o fazia no seu opulento palácio, cheio de comodidades e confortos.
Alta noite acordou sobressaltado, ouvindo a mesma voz que no caminho o tinha perseguido:
— Agora acaba de nascer a que há-de ser tua mulher.
Já não pôde tornar a pregar olho durante todo o resto da noite, sempre com a ideia fixa naquela voz que por três vezes ouvira.
Mal alvoroceu pôs-se a pé, e à primeira pessoa que lhe apareceu, que era a mesma velha que na véspera o recebera, perguntou:
— Houve por cá alguma novidade esta noite?
— Houve, sim, meu senhor; nasceu uma menina à minha filha — respondeu ela.
— É bonita?
— Tão linda como este sol que nos alumia.
— Bom; então vá dizer à sua filha que está aqui o Príncipe Real, que quer fazer feliz a menina que hoje nasceu. Que ma entregue, que eu mesmo a levo para o palácio, tomarei conta dela e a mandarei educar como se fosse uma Princesa do meu sangue.
A mãe não queria ceder, porque, apesar de pobre, era uma boa e sensata criatura que entendia que a filha não podia estar melhor do que ao seu lado, mas naquele tempo o que os reis mandavam era lei e a desditosa estalajadeira não teve remédio senão entregar a filhinha, que era na verdade linda como o sol.
O Príncipe pegou na criança, montou a cavalo e partiu, deixando bastante dinheiro para a estalajadeira criar os outros filhos que tinha.
No caminho encontrou uma floresta muito espessa e parou ali. Como quem trazia já a sua ideia, embrulhou a menina na sua riquíssima capa de cavaleiro e, atando-lhe à cintura uma saquinha de peças de ouro, atirou com ela para um silvado, dizendo:
— Some-te da minha presença, para que os fados não queiram que eu case contigo. Eu, um Príncipe de sangue, e tu, uma pobre filha de estalajadeira!... Só pensar em tal profecia me faz rir!
Depois continuou a jornada muito em paz com a sua consciência, pois muitos ricos fàcilmente se convencem de que tudo se paga e resolve com dinheiro.
Como daí a pouco acertasse de passar pelo mesmo sítio um pobre velho que juntava lenha para o seu lume, ouviu os vagidos da criancinha e foi ao silvado indagar o que seria.
Quando deu com aquela menina tão linda e tão ricamente abafada na capa do Príncipe, pensou:
— Coitadinha, quem a abandonaria aqui?! É por força filha de alguma rainha quem é tão bonita e se agasalha em capa tão rica.
Pegou nela ao colo e com muitos cuidados a levou à mulher.
Não tendo filho nem filha que os acompanhasse nos dias tristes da velhice, ficaram satisfeitos com o achado, criando a menina com o maior desvelo. Levaram-na à igreja e mandaram-na baptizar com o nome de Maria das Silvas, por a terem encontrado no silvado.
Educaram-na e estimaram-na como se na verdade fosse nascida para grande dama e os seus pèzinhos não devessem calcar senão os tapetes de palácios sumptuosos.
Com o dinheiro que o Príncipe deixara, tinham negociado e arranjado uma boa fortuna que lhes permitiu viverem com abundância e mandarem fazer uma sólida casa de pedra e cal no sítio da sua antiga e miserável choupana.
Assim decorreram doze anos de completo sossego para todos três, quando aconteceu passar por ali o mesmo Príncipe que tinha abandonado a menina. Como o dia estivesse quente e a sede apertasse, ficou satisfeitíssimo de ver aquela bonita casa de campo; fazendo parar o cavalo, disse para o pagem:
— Vai bater à porta e pede água para o teu Senhor.
O pagem assim fez. Maria das Silvas, que estava só em casa, ouviu o pedido e foi buscar uma rica taça de prata cheia de água, que lhe entregou, mas de maneira que ele a não viu.
O Príncipe bebeu com gosto e disse no fim:
— Oh, que linda taça e que água tão gostosa! Quem ta deu?
— A mão que ma deu é linda, Senhor, agora do rosto nada posso dizer porque o não vi — respondeu o pagenzito.
— Vamos lá ver se também se esconde de mim!
E, dizendo isto, apeou-se o Príncipe e foi ele próprio entregar o copo. Quando a menina estendeu o braço reparou na manga do vestido, que semelhava a sua capa de cavaleiro, e, dando-lhe o coração uma pancada, perguntou imediatamente:
— Ó menina, porque nos não aparece para lhe agradecermos?
Ela chegou à janela e respondeu:
— Aqui estou, cavaleiro, mas não tem que me agradecer porque eu só fiz o que meus pais me ensinaram, que é dar de beber a quem tem sede e de comer a quem tem fome.
— E quem são seus pais, que tão bem a ensinaram.
— São muito velhinhos, o que é a minha pena. Hoje foram eles a uma feira e fiquei eu sòzinha.
— Que idade tem a menina?
— Fiz doze anos pelas vindimas.
— Agora diga-me como se chama, para eu me lembrar sempre de quem tão bem me tratou.
— Chamo-me Maria das Silvas, porque meu pai me encontrou um dia num silvado aqui perto.
— Tate! — disse o Príncipe para consigo. — É a criança que eu quis perder.
Depois, fazendo-lhe muitas festas e perguntas, às quais a menina respondia com a franqueza de quem é boa e nada tem que ocultar, propôs-lhe ir com ele para o palácio.
— Isso não faço eu, que não quero deixar os meus pais.
— Ora! Eles não são seus pais verdadeiros e então depressa a esquecerão. Além disso, a menina poderá fazer-lhe muito bem estando na minha companhia.
Tanto disse que a pobrezita se deixou iludir e foi com ele.
Chegados que foram ao palácio fechou-a no seu quarto, de modo que ninguém a visse, e, mandando fazer um caixão muito bem calafetado, meteu-a dentro e atirou com ele ao mar, dizendo:
— Não, não hás-de casar comigo, porque seria vergonhoso que um Príncipe como eu aceitasse por esposa a filha duma estalajadeira.
Mas o caixão andava sobre as águas do mar como se fosse um barquinho guiado por Deus. Foi boiando, foi boiando, até que, passados dias, encalhou debaixo das janelas dum palácio real.
Ali vivia uma tia do Príncipe fadado para casar com Maria das Silvas, que era a soberana dum grande reino do Norte.
Estando no terraço, rodeada das suas damas, pagens e cavaleiros, avistou o caixão, que de propósito parecia ter parado em frente do seu castelo, e mandou-o buscar para ver o que continha.
A sua admiração foi grande ao depararem com a desditosa menina, quase morta de fome e tão linda como fadas e princesas o não tinham sido nunca.
A boa Rainha chorou de pura mágoa, disse mal da perversidade humana e mandou logo deitar a sua protegida em cama riquíssima, nos melhores aposentos do castelo, ordenando ao seu melhor médico que a não abandonasse sem ela estar completamente boa.
Maria depressa voltou a si e se restabeleceu completamente, com os carinhos e cuidados que lhe prodigalizaram. Mas, por mais que lhe perguntassem, não quis nunca dizer quem tão cruelmente a tinha atirado ao mar.
Interessante e bondosa como era, em breve se tornou o ai-jesus da Rainha, que era viúva e não tinha filhos a quem consagrar o seu afecto.
Bastas vezes dizia, enchendo Maria de afagos:
— Tomara que chegasse o meu sobrinho, que lhe hei-de pedir para casar contigo. Adoptar-te-ei como filha, e nada terá que dizer, porque ficarás assim senhora dum reino não inferior ao dele.
Maria não sabia quem era tal sobrinho e esperava alegre a época em que o Príncipe visitava, todos os anos, a Rainha sua tia, mas quando o viu e reconheceu ficou varada de susto. Mas não disse nada.
Depois das apresentações e festas do costume, a Rainha foi buscar a menina pela mão e fez perceber ao sobrinho quanto desejava vê-lo casado com aquela senhora.
O Príncipe reconheceu-a, mas, não se fiando nos próprios olhos, tratou de perguntar às damas e aias da Rainha quem era e donde tinha vindo aquela menina. Elas, que a invejavam pela muita amizade e confiança que a soberana lhe consagrava, trataram de azedar o ânimo do Príncipe, que, como sabemos, já de si estava pouco disposto a tal casamento.
No entanto prometeu à tia casar com a sua protegida, e, para melhor a enganar, já só a tratava por noiva.
Um dia pediu licença para a levar a passear, e, dirigindo-se a um sítio isolado onde vira muitas pipas, meteu-a dentro duma, sem atender às suas súplicas e lágrimas. Tapou a vasilha com todo o esmero, e, dando-lhe um forte impulso, a fez rebolar por uma ribanceira até cair no mar.
Depois voltou para o palácio, fingindo-se muito admirado de não encontrar a menina, pois a tinha perdido de vista sem saber como.
A Rainha sentiu tal desgosto que se vestiu de luto e ordenou que todos fizessem o mesmo, como se fosse por uma filha.
A pipa lá foi vogando por sobre as águas do mar até que um navio a encontrou e recolheu cuidando que fosse resto de naufrágio.
Abriram-na logo e muito surpreendidos ficaram os marinheiros ao deparar com uma criatura muito bonita e bem vestida, que parecia mais morta do que viva.
Trataram-na muito bem e o capitão resolveu que, mal chegasse ao seu país, a iria entregar à Rainha, que era nem mais nem menos do que a avó do Príncipe. Soberana dum poderoso e próspero estado, era a mais idosa e respeitável de quantos monarcas governavam então o Mundo conhecido. Da sua família tinham saído reis, rainhas e imperatrizes para todos os tronos.
O capitão do navio, mal pôs pé em terra, fez-se conduzir ao palácio real com a menina e, com toda a cortesia, a entregou à velha Rainha.
Ela ficou muito contente e para logo lhe tomou tão grande afecto que se lembrou de a casar com o único neto que se conservava solteiro, e era o mesmo Príncipe que tentara matar a Maria das Silvas.
Quando ele chegou, logo a Rainha lhe disse:
— Meu neto, tenho aqui uma menina que te destino para esposa. Não sei se é nobre, se plebeia; não conheço a sua história nem a sua família; mas sei que é boa como poucas, discreta como nenhuma e formosa como os anjos do céu.
O Príncipe teve um palpite de que era a Maria das Silvas e pediu para ver imediatamente a noiva que a avó lhe destinava, no que foi satisfeito.
Reconheceram-se logo, mas nada disseram.
Ele estava verdadeiramente desesperado com a obstinação com que o destino o perseguia, pondo-lhe diante dos passos aquela noiva.
Querendo livrar-se de tal, duma vez para sempre, respondeu à avó:
— Eu gosto muito da menina que me quer dar para esposa, mas fiz o voto de sòmente casar com a mulher que durante um ano conservasse em seu poder este anel que trago. Se a sua protegida se sujeita a guardá-lo para mo entregar de hoje a um ano, muito bem, casarei com ela. De contrário, a minha avó me dará a sua cabeça numa bacia dourada.
Maria das Silvas aceitou o anel, pois era essa a vontade da Rainha, e o Príncipe tratou logo de falar com a aia que a servia. Como também ali a pobre menina era motivo de ciúme e inveja de todos, depressa convenceu a aia a roubar o anel em troca de muito dinheiro.
Ora a menina, mal o recebeu das mãos do Príncipe, foi escondê-lo em sítio tão escuso que ninguém seria capaz de o descobrir, pois acostumada como estava a tanta traição em ninguém podia confiar.
A aia andava furiosa por não poder ganhar o dinheiro do Príncipe. Um dia, em que a menina foi passear com a Rainha, meteu-se-lhe no quarto e tanto fez, tantas voltas deu, que sempre o achou escondido num friso dourado do tecto. Com a grande alegria que teve, nem pensou em mais nada, pegou nele e atirou-o ao mar.
Quando a Maria chegou ao palácio e foi ver o seu tesouro, como costumava sempre fazer para se certificar de que o segredo não fora descoberto, achou-lhe apenas o lugar.
Chorou muito a sua desgraça, mas não quis perder a esperança em Deus, que de tantos apuros a tinha salvo já. Resignou-se a esperar a vinda do Príncipe. Que talvez ele lhe perdoasse, embora a não quisesse para esposa.
Diante de gente mostrava sempre o mesmo rosto sossegado, mas no fundo do coração quanta amargura e quanta lágrima escondia!
Assim foi passando o tempo, até estar próxima a chegada do noivo. A Rainha ordenara mil festejos. Ia por toda a parte um grande alvoroço. A aia observava a menina e só ela sabia as aflições em que andaria aquela que todos invejavam. E tão maldosa era, que não tinha remorsos da preversidade que fizera.
Uma tarde, como a Maria das Silvas se fosse sentar sòzinha na praia, pensando na sua aventurosa e pouco feliz vida, reparou que uns pescadores amanhavam um grande peixe e se queixavam por não terem quem de pronto lhes desse o dinheiro dele, pois bem precisavam para dar ordem à sua vida. Ela teve dó e lembrou-se logo de remediar aquela tristeza, já que ninguém podia consolar a sua. Pegou em quanto dinheiro tinha consigo e entregou-o aos homens, que se foram satisfeitíssimos.
No meio da sua distracção, olhou a menina para os intestinos do peixe que os homens tinham deixado e viu uma coisa a luzir como se fosse ouro e brilhantes. Foi ver, por curiosidade, e deu com o anel do Príncipe. Caiu de joelhos e por largo tempo chorou e rezou, dando graças a Deus por tão maravilhosa protecção.
Calou-se com o achado como se tinha calado com a perda, e começou a bordar num cinto todos os martírios porque tinha passado, desde que o Príncipe a tirara de casa da mãe e a atirara para as silvas, até àquela ocasião.
Nas vésperas da festa, a Rainha perguntou às damas e aias de que cor queriam vestir-se, pois lhes mandaria fazer o que desejassem.
Todas pediram as cores alegres que dizem bem a quem é novo e feliz; só a Maria escolheu a cor roxa, o que muito fez admirar.
Chegou o Príncipe, e, depois de cumprimentar a avó, foi ter com a aia para saber notícias do negócio de que a encarregara. A delambida respondeu logo, toda presunçosa:
— Com bastante trabalho o encontrei! Mas por ser coisa de Vossa Alteza não me poupei a incómodos, apesar do perigo que correrei se a Rainha vier a saber da traição.
— Não tenhas medo, que eu te darei dinheiro para ires para muito longe. Mas o anel onde está?
— Atirei com ele ao mar, para maior segurança. E a Maria das Silvas anda tão triste que até o vestido escolheu roxo.
O Príncipe pagou generosamente o serviço, mas na verdade não ficou muito contente, porque já começava a arrepender-se de tanta maldade e já muitas vezes se lembrava da menina com pena.
Chegou a hora de jantar, e quando todos já estavam sentados à mesa apareceu Maria com um vestido muito simples, de veludo cor de violeta, e um cinto largo em que ela bordara a ouro todas as suas torturas.
O Príncipe pôs os olhos nela e sentiu uma tão grande vergonha que mal teve coragem para se levantar e pedir-lhe baixinho o anel.
Ela com toda a graça e naturalidade o tirou do dedo e lho entregou, sem dizer palavra. Então, confundido por tão grande coragem e bondade, quis o Príncipe confessar diante de todos a sua culpa, pedindo pùblicamente o perdão, que a menina lhe concedeu de boa vontade, pois, apesar de tudo, nunca deixara de o estimar.
Ele também confessou que só por vaidade fizera tanta malvadez, pois gostava muito da noiva que o céu lhe destinara desde o berço e não pudera nunca encontrar quem a igualasse.
A velha Rainha, muito satisfeita, não se cansou de mandar fazer festas para celebrar aquele casamento tanto do seu agrado e só deixou sair o Príncipe com a nova Princesa com a promessa de todos os anos voltarem a vê-la.
Depois foram visitar a tia do Príncipe e primeira protectora de Maria, que ficou satisfeitíssima, mandando também que se fizessem grandes festejos, pois queria cumprir o que prometera, de fazer a menina sua herdeira.
Chegaram por fim ao reino do Príncipe, onde os festejos não acabavam, pois todos porfiavam em mostrar à nova Princesa quanto a estimavam pela sua história de desgraças. Ela mandou logo procurar os seus primeiros pais adoptivos, que trouxe para o palácio e ali morreram cheios de anos e de felicidades, tratados como se na verdade fossem seus verdadeiros pais.
À mãe e aos irmãos, que também mandou procurar, deu dinheiro e protecção para viverem como fidalgos.
Reinaram por muitos anos nos dois países reunidos e sempre felizes e em boa paz. Muitas vezes costumava o Príncipe dizer, quando recordava o que fizera para se livrar de Maria das Silvas:
— O casamento e a mortalha só no céu é que se talha.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História da menina deitada ao mar ou da Maria das Silvas]]
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Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/A padeirinha
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}}
'''<big>A PADEIRINHA</big>'''
CONTA-SE que existiu num país distante, uma padeirinha que era linda como linda flor.
Passava os dias no seu trabalho, sem se meter com a vida dos outros e por isso era estimada e respeitada por todos.
Logo de manhã abria a porta de casa e punha-se a cantar alegremente, vendendo o pão alvo aos fregueses.
Todo o santo dia andava entretida com o trabalho, amassando, peneirando a farinha, cozendo as fornadas e sempre a rir e a chalacear, sem fazer mal a ninguém.
Ao contrário, do que ganhava com o seu labor repartia com os pobres. De maneira que na terra não havia quem não estimasse a boa rapariga.
Ora aconteceu haver três rapazes que gostavam igualmente dela e a queriam para mulher. Como eram igualmente bons, muito honestos e trabalhadores, não sabia a padeirinha por qual se decidir. Para não desconsolar nenhum resolveu chamá-los e dizer-lhes:
— Eu não sei qual de vós hei-de escolher. Igualmente bons e meus amigos, eu casarei com aquele de vós três que, indo viajar, me trouxer a melhor prenda.
Ficaram os rapazes contentes com a lembrança e partiram imediatamente, cada um deles esperando ser o mais feliz.
Foram de princípio todos juntos porque eram amigos apesar de gostarem da mesma rapariga. Até que um dia chegaram a uma encruzilhada e resolveram seguir caminhos diversos, prometendo voltar em dia certo para juntos se apresentarem à bela padeirinha.
E cada um deles seguiu o seu destino, por estrada diferente, sempre na esperança de encontrar a melhor prenda e ser o preferido pela boa rapariga.
O primeiro andou muito, percorreu terras sem conto, mas nada via que pudesse levar para ser julgada a melhor prenda.
Até que chegou a uma grande cidade e entrando no mercado viu uma grande multidão escutando um homem que apregoava a maior maravilha do Mundo: um tapete voador que transportava quem nele estivesse assentado aonde o desejasse.
Uns riam e troçavam, outros duvidavam e queriam experimentar. Mas o homem dizia:
— O tapete só tem virtude para quem acreditar no seu condão. E só a esse o vendo.
O rapaz encheu-se de coragem. Foi ter com o vendedor, pagou-lhe o tapete por bom preço e, depois de ser seu, querendo experimentar-lhe o condão, sentou-se nele e desejou-se no cimo de uma grande árvore que havia no meio da praça.
Logo se sentiu elevado no ar e, com espanto da multidão, ficou no alto da árvore. Muito contente dizia consigo:
— Prenda igual a esta não são eles capazes de descobrir.
Quis-se junto do mercador que lhe vendeu o tapete e veio voando, rompendo a multidão, até junto dele a quem muito agradeceu. E embrulhando o seu rico tapete voador, pôs-se com ele a caminho para fazer a surpresa aos amigos.
O segundo rapaz foi por outro caminho e chegando, após muito palmilhar, a uma grande e magnífica cidade, procurou por todos os bazares a mais bela prenda que pudesse levar à padeirinha. Mas de tantas riquezas e maravilhas nada lhe parecia bom pois muitas coisas havia iguais. Entrou finalmente numa pequena e escura loja onde tudo parecia sem valor. A um canto distinguiu, porém, um pequeno espelho de prata que lhe despertou curiosidade.
O dono da loja, que parecia ainda mais velho que todas as suas velharias, disse-lhe:
— É a primeira vez, senhor, que vejo alguém notar aquele espelho. Talvez seja porque podeis sentir o seu condão. Aquele espelho, senhor, é um espelho maravilhoso. Nele pode ver o seu dono todas as pessoas que deseja. Vendo-o porque já não tenho no Mundo ninguém que deseje ver. Tão velho sou que a família, os amigos, a gente do meu tempo, tudo já lá vai! Se acreditais que falo verdade comprai-o. Sendo o seu dono o experimentareis.
O rapaz acreditou no velho mercador, comprou o espelho de prata por quanto o velho pediu e para o experimentar desejou ver a padeirinha. E logo ela lhe apareceu no espelho, muito alegre a amassar o seu pão.
Satisfeito e convicto de que levaria a melhor prenda pôs-se o rapaz a caminho da encruzilhada aonde com os outros combinara juntar-se.
O terceiro rapaz correu vilas e cidades, mercados e bazares, terras de muita e variada gente, por toda a parte buscando a prenda que desejava levar à padeirinha.
Mas nada o satisfazia porque tudo tinha outra coisa igual ou semelhante.
Foi sempre seguindo mais além e entrou em terras desertas e nuas. Ia já desanimado, após dias e dias de caminho, quando se viu de repente junto de um formoso jardim.
Junto dele viu uma velha que lhe perguntou se queria comprar flores do seu jardim ou frutos do seu pomar.
— Tenho — disse ela — laranjas cujo perfume embriaga, mas que dão remédio aos desejos, pêssegos que matam todas as sedes, cerejas que dão alegria aos macambúzios, morangos que tornam mais belo quem os comer. Mas a melhor das frutas do meu pomar é coisa única no Mundo: uma maçã que faz levantar um morto do caixão e o restitui à vida, se a cheirar antes de ser levado à terra. E a sua virtude por três vezes pode ser invocada.
Disse o rapaz consigo: — Ora, que melhor coisa hei-de eu levar à padeirinha? Nada há que se possa comparar a esta riqueza.
Comprou a maçã e partiu de volta.
No dia marcado lá estavam os três rapazes na encruzilhada.
Perguntaram uns aos outros o que traziam. E o primeiro disse:
— Eu trago a prenda melhor que existe. É este maravilhoso tapete voador que nos transporta aonde nós desejamos.
E disse logo o segundo:
— Pois eu trago melhor do que isso. É este espelho maravilhoso onde se pode ver a pessoa que se quiser.
E disse o terceiro:
— E eu ainda tenho coisa superior a isso tudo. É uma prenda que vale um Império. Esta maçã encantada que chegada ao nariz de um morto antes de levado à terra o faz ressuscitar. E por três vezes valerá o seu condão.
Cada um deles considerava a sua prenda a melhor e começaram a questionar. Até que disse o primeiro:
— Deixemo-nos de questionar pois a padeirinha é que há-de escolher. Ela dirá qual é a melhor prenda. E todos nós a queremos ver o mais depressa possível, não é assim? Pois vamos experimentar o espelho.
Desembrulharam o espelho e desejaram ver a padeirinha mas a sua surpresa e desgosto foram imensos ao verem-na aparecer estendida num caixão, morta, rodeada por toda a vizinhança, lamentando a sua perda e rezando pela sua alma.
Desataram os três rapazes a correr gritando:
— Vamos lá a correr para ao menos a acompanharmos ainda.
O dono do tapete foi o que primeiro recuperou o sangue-frio e chamando os dois amigos disse:
— Para onde é que vocês vão? Não sabem que até à nossa terra são ainda muitos dias de jornada? Sentemo-nos todos no tapete e desejemos chegar lá.
Assim foi. Sentaram-se todos três no tapete e apareceram logo em casa da padeirinha onde já estava o padre e a Irmandade para a levar.
Mas o dono da maçã, que não perdera a fé na sua virtude, mandou parar tudo e abrindo o caixão chegou o fruto maravilhoso ao nariz da morta. E logo ela abriu os olhos e saltou para o meio da casa, cheia de saúde e muito admirada com todo aquele aparato.
Cheios de alegria por a verem viva mas pensando no seu amor que a melhor prenda conquistaria, começaram os três rapazes a questionar.
Dizia um:
— Se não fosse o meu espelho não sabiam que ela tinha morrido, e quando chegássemos, daqui por muitos dias, já estaria enterrada.
Respondia o outro:
— Sim! Mas se não fosse o meu tapete, não poderíamos chegar a tempo de a salvar.
— Mas se não fosse a minha maçã maravilhosa de que vos serviria tê-la visto e chegado antes do seu enterro? Só para se apoquentarem mais. Já vêem que sou eu que devo casar com a padeirinha.
A questão ia-se azedando e os três amigos estavam já capazes de se baterem quando a rapariga, que todos ouviu, lhes disse:
— Eu devo a vida a todos três. E são igualmente maravilhosas as prendas que me trazem. Como não é possível dizer qual delas é melhor, também não é possível escolher um noivo, desprezando os outros dois. Sem o espelho não sabiam o perigo em que eu estava, sem o tapete não chegavam a tempo e sem a maçã ninguém me valeria. E há uma coisa que nenhuma prenda consegue: é dar o amor que escolhe sem respeito à amizade. O melhor é ficarmos todos quatro amigos para a vida e para a morte.
Assim foi. Os rapazes reconheceram que ela tinha razão, abraçaram-se reconciliados e ficaram também estimando-se com a mais funda amizade de irmãos.
[[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|A padeirinha]]
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MLReis
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="font-family:serif"><span style="float:left">470</span><div style="display:flex;text-align:center"><span style="width:50%">A S S</span><span style="width:50%">R S S</span></div></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify"
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0">
{{Def|ou aſſentado em algum lugar.}} <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 1, 6, 35 Fez eſmóla de huns lagares e moendas de azeite... com ſeus ''aſſentos'' de caſas e levadas d'agoa. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 17. n. 12 Não ficando a eſta reſidencia de Lisboa mais que o ''aſſento'' deſte Moſteiro, e alguns fóros.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento.}} {{Def|União dos materiaes em hum edificio, cauſada pelo pezo, que eſtes meſmos materiaes fazem huns ſobre outros, de que reſulta maior ſolidez e firmeza do tal edificio.}} <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 32, 3 Quem fez a caſa nova eſtá com o ſentido ſe arruinaria, ſe faria ''aſſento'', &c. <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 1, 109, 4 Servirá para fazer o edificio ''aſſento'' paraque fique ſeguro: tomada a ſemelhança da obra, da qual, quando faz ''aſſento'', dizeis que fica o edificio firme e ſeguro.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. {{Def|Eſtabilidade, conſiſtencia de alguma couſa.}} <span style="font-variant:small-caps">Albuq.</span> Comm. 1, 26 Determinando [Affonſo d'Albuquerque] de a deixar [a Fortaleza de Soar] entregue ao Alcaide, e irſe até ver o ''aſſento'', que as couſas de Ormuz tomavão. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 1, 1, 15 Pera dar ''aſſento'' nas couſas de Heſpanha.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento.}} {{Def|Pouſo ou pé, que fazem no fundo das vaſilhas as partes craſſas e terreas dos licores.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Parte inferior ou baſe de algum artefacto.}} <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 6, 56 ℣ Quem lançou muito a mão de ſeus eſtados, Que não viſſe da roda o baixo ''aſſento''. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 1, 2, 43 Porque tendo a ambula o ''aſſento'' da largura e fórma de huma moeda de oito reales Caſtelhanos &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento da ſella.}} {{Def|O lugar, em que o cavalleiro ſe aſſenta, e deſcança o corpo quando vai a cavallo.}} <span style="font-variant:small-caps">Prov. da Hiſt. Gen.</span> 3, 4, 161. p. 299. c. 62 O ''aſſento da ſella'' deve ſer bem atraz, ſempre pegado ao arção trazeiro.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento do freio.}} {{Def|Certa tira entre o talarejo e a barbella.}} <span style="font-variant:small-caps">Pint. Pachec.</span> Tr. 15 O freio brando he aquelle que tem os ''aſſentos'' groſſos, e aſſim meſmo a barbella... Tendo os ''aſſentos'' delgados e a barbella ainda &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento do roſto.}} {{Def|A ſua configuração.}} <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 1, 1 A proporção e alegre ''aſſento do roſto''... não he deſſemelhante á Lua chêa, quando ſahe ſobre o noſſo horiſonte.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento.}} T. de ourives. {{Def|Alheiro.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento natural.}} Alveit. {{Def|Aquella parte na bocca do cavallo, que a natureza formou ſem dentes, acima e junto dos colmilhos.}} <span style="font-variant:small-caps">Galv. d'Andrad.</span> Art. 1, 24 A natureza diſpôs os aſſentos ſem dentes... como tambem nos moſtrou o ''aſſento natural'' da barbella, &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento.}} {{Def|Propoſito, diſcrição, prudencia, madureza ou gravidade do animo, que ſe manifeſta no corpo.}} <span style="font-variant:small-caps">Sá de Mir.</span> Eſtrang. 3, 53 ''Sargenta.'' Nunca ſe tal gracia vio, nem tal ſiſo. ''Petronio.'' Tal ''aſſento'', nem tal fermoſura. <span style="font-variant:small-caps">Cart. de Jap.</span> 2, 141, 3 O Padre Pero Gomes ficou eſtranhamente ſatisfeito e admirado de ſeu ''aſſento'' e prudencia. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 4, 12 Com gentil parecer natural, muita virtude, gravidade, e ''aſſento''.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Seſudeza, compoſtura no ſemblante.}} <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vasc.</span> Ulyſſip. 1, 3 Pareceme muito bem o aſſocego no corpo, ſegurança e ''aſſento'' no roſto, natural, que não artificioſo. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 3, 2, 15 Viaſelhe no roſto huma ſerenidade e ''aſſento'' de animo mortificado.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Memoria, annotação, apontamento de alguma couſa por eſcrito, para que não eſqueça.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 5 Item tantoque aſſi for eſtimado, ſe fará diſſo ''aſſento'' em hum livro. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 2, 2, 2 Com outras mais condições, que no ''aſſento'' deſte acto são declaradas. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 5, 11 Requerendo ſe fizeſſe diſſo ''aſſento'' per autoridade publica.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Acção de ſe aliſtar ou dar a rol em alguma corporação, como na tropa, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Carv.</span> Chorogr. 1, 1, 18 Não forão poucos os Fidalgos e Cavalleiros de Guimarães, que ſem ſugeitarem a ſua liberdade aos ''Aſſentos'' de ſoldados, obrigárão ſuas vidas e diſpendios de ſuas fazendas ao ſerviço de ſeu Reino voluntariamente.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Contrato, convenção, concerto feito ſobre alguma couſa.}} <span style="font-variant:small-caps">Fr. Th. de Jes.</span> Trab. 1, 14, 329 Para acertar neſtas duas couſas aconſelharia a todo Chriſtão, que tiveſſe feito ''aſſento'' determinadiſſimo comſigo e com Deos de fazer a todo genero de homem quanto bem puder. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 10, 147 Alguns determinárão Com algum pacto bom e firme ''aſſento'' Entregarſe.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento de amizade, paz, tregoa, &c.}} {{Def|Tratado ſolemne, com que ſe eſtas couſas ajuſtão entre os povos.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 3, 2, 8 Com cartas ſobre ''aſſento'' de paz e amizade. <span style="font-variant:small-caps">Albuq.</span> Comm. 4, 48 Todos trabalhavão por te-
</p>
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0">
rem ''aſſento'' de amizade com Affonſo d'Albuquerque. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. Aff. IV. 156 ℣ E para o ''aſſento'' da tregoa eſcreveo o Biſpo a elRei de Portugal.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſento.}} {{Def|Contrato celebrado com o Soberano para prover a tropa de pão, fardamento, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Mercur.</span> de Setembr. de 663 O pagamento da quantia, que importava o ''aſſento'', ſe lhe conſignava no rendimento das decimas. <span style="font-variant:small-caps">Alv. da Cunh.</span> Eſcól. 21, 3 O dinheiro voa da praça para o campo, nem póde ſer negocio ſeguro fazer os ''aſſentos'', e prover as munições, quando a licença militar tira em huma hora quanto em muitos annos com muito perigo ſe tem grangeado. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 6, 9, 3. n. 266 O mercante, que tomou os ''aſſentos'' ou contratos Reaes de publico, e ſe contratou de ſecreto com os zeladores da fazenda do meſmo Rei &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Determinação, reſolução ſobre materia altercada e controverſa.}} <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Chr. 2, 10 Sendo os pareceres dos Cardeaes tão varios, como erão as tenções de cada hum, mas em fim ſe tomou ''aſſento'' entre os mais, que ſe celebraſſe em Roma. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 11. n. 3 Lhes declarou [elRei aos Padres] o ''aſſento'', que ſe tinha tomado. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 3 Pelo ''aſſento'', que tomou o Conſelho de Eſtado ſobre os agradecimentos, que ſe mandárão ao Embaixador Franciſco de Souſa, julguei quanto lá ſe eſtimará a concluſão deſta paz.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEO.}} {{catgram|s. m.}} Vej. Aſſeio.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEOSAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|Aptamente, idoneamente.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEOSO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Apto, idoneo.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERÇÃO.}} {{catgram|s. f.}} pouc. uſ. {{Def|Affirmação, aſſeveração.}} Do Lat. ''Aſſertio''. <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 3, 2, 2. n. 7. p. 396 O primeiro [gráo de juizo temerario] he a ''aſſerção'' ou dicção firme no coração.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERENADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſerenar. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vasc.</span> Ulyſſip. 2, 7. <span style="font-variant:small-caps">Monteir.</span> Art. 25, 30, 464. <span style="font-variant:small-caps">S. Ann.</span> Chr. 2, 49, 556.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERENAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Pôr ou eſfriar ao ſereno da noite.}} <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Fazer ſereno o ar, a tempeſtade, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. 297 Foi ſalteada de huma voz, que bem junto á ſua cabana com muita ſuavidade feria os ares, e os ''aſſerenava''. <span style="font-variant:small-caps">Monteir.</span> Art. 16, 1, 232 Alumiais com o reſplendor os miſeraveis navegantes na eſcura noite, em que andamos; ''aſſerenais'' tempeſtades, que ſe levantão; guiais ao porto deſejado.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. {{Def|Socegar, quietar, fazer placido, e tranquillo.}} <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Na Ind. ao Viſor. A clemencia, que ''aſſerena'' Coração tão ſingular. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 22. n. 2 Deſaſſombrouo o novo Doutor, e ''aſſerenoulhe'' o animo com eſtas formaes palavras.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERTIVAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|Affirmativamente, com aſſeveração.}} <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 8, 1 E diminuindo pois o que Deos lhe diſſe ''aſſertivamente'', diſſe ella com dúvida, ''ne forte moriamur''. <span style="font-variant:small-caps">Luz</span>, Serm. 2, 2, 173. col. 1 ''Aſſertivamente'' diſſe ſer ſua mãi. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Leão</span>, Bened. 1, 1, 1. c. 6 Aindaque ſe não diz ''aſſertivamente''.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERTO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Aſſeverado, affirmado por certo e legitimo.}} Do Lat. ''Aſſertus''. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 2, 15 Propoſição inventada e ''aſſerta'' por meſtres mentiroſos, amigos de liſongearem os Summos Pontifices. <span style="font-variant:small-caps">Arauj.</span> Succeſſ. 13, 97 D. Brites, ''aſſerta'' filha de D. Fernando, era illegitima. <span style="font-variant:small-caps">Velasc.</span> Acclam. 341 E pera o formar [o direito] e provar aquella ''aſſerta'' intruſão delRei D. João o primeiro, ſuppõe duas couſas.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERTO.}} {{catgram|s. m.}} uſ. {{Def|Propoſição, opinião ou doutrina dada ou tida por certa e legitima.}}
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERTOR.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Defenſor, libertador, o que pugna pela liberdade de alguem ou pela verdade de alguma couſa.}} Lat. ''Aſſertor''. <span style="font-variant:small-caps">Sabell.</span> Eneid. 2, 7, 107 Eſtando elle, e os outros ''aſſertores'' do imperio tratando ſobre como elegerião Rei &c. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 4, 1, 413 S. João Chryſoſtomo em varios lugares he inſigne ''aſſertor'' deſta doutrina.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSERTORIO.}} {{catgram|adj.}} (Juramento) Juriſpr. {{Def|O que he affirmativo.}} Do Lat. ''Aſſertorius''. <span style="font-variant:small-caps">Monteir.</span> Art. 27, 2 No juramento ''aſſertorio'' nos ajudamos da verdade divina, pera confirmar o que dizemos. <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 3, 2, 1. n. 6. p. 206 ''Aſſertorio'' [juramento] he aquelle, com que ſe confirma alguma couſa paſſada ou preſente; como: Por Deos que não fiz, ou que iſto he aſſim.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSESSEGAR.}} {{catgram|v. a. ou n.}} antiq. e os ſeus derivados. Vej. Aſſocegar.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSESSOR.}} {{catgram|adj.}} (Juiz) {{Def|O meſmo que}} Aſſeſſor. <span style="font-variant:small-caps">F. de Mendoç.</span> Serm. 1, 15, 4 Por eſſes meus juizes ''aſſeſſores''.
</p>
|}<noinclude>{{right|AS-}}</noinclude>
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106
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2026-09-27T08:46:26Z
MLReis
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="font-family:serif"><span style="float:right">471</span><div style="display:flex;text-align:center"><span style="width:50%">A S S</span><span style="width:50%">A S S</span></div></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify"
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<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSESSOR.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Letrado que aſſiſte ao Juiz leigo para julgar com elle ou por elle.}} Lat. ''Aſſeſſor.'' <span style="font-variant:small-caps">Const. de Leir.</span> 8, 2 Notario, ''aſſeſſor'', Avogado, Procurador, &c. <span style="font-variant:small-caps">Mend. de Vasc.</span> Art. 133 ℣ Aſſi elegerá hum ''aſſeſſor'' Letrado, que com elle julgue os caſos civeis e crimes. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 9. do Roſ. 3, 5, 114 Como a natureza pôs a razão e o juizo... na cabeça; pôslhe tambem de huma e de outra parte os ouvidos... como dous ''aſſeſſores'' do meſmo juizo.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. {{Def|Que aſſiſte a alguem para qualquer fim.}} <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 1, 42, 2 Hum ''aſſeſſor'' da Trindade Sagrada, que de continuo lhe aſſiſte, e ſem o qual ſe não dá a execução couſa alguma de importancia. (Falla de S. Miguel) <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 2, 17. n. 6 Deſignando a cada hum deſtes cinco ''aſſeſſores'' certo numero de Religioſos, com os quaes tratarião. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Rib.</span> Rel. 1, 25 Perigoſa eſtá a juſtiça, aonde a vontade dá a ſentença... Mas maior he o perigo, aonde os ''aſſeſſores'', que a ajudavão a dar, são os reſpeitos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSESSORA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|A que aſſiſte como juiza.}} <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSESTADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſeſtar. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 2, 4, 5. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Cerc. 21, 487. <span style="font-variant:small-caps">Gavi</span>, Cerc. 14, 60.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSESTAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Apontar ou dirigir o tiro da peça de artilharia ou de qualquer arma a determinada parte.}} Reg. {{catgram|abſ.}} ou ''contra.'' <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 1, 8, 9 Os quaes [fundidores] trabalhavão de acabar duas peças groſſas pera ''aſſeſtar'' na frontaria da cidade. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 9, 90 ℣ Cerra com elle a tempo, que ''aſſeſtava'' Contra elle o furioſo e mortal tiro. <span style="font-variant:small-caps">Gouv.</span> Rel. 2, 8 Contra eſta porta mandou o Xá ''aſſeſtar'' algumas peças de artilharia.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1. Prol. He hum dia de juizo ver os raios de queixas, os coriſcos de tiros, que ''aſſeſta'' contra o dito Abbade Conſtantino. <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 2, 77 ''Aſſeſtando'' contra elle, e contra a innocente Religião grande bataria. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 12, 11, 4. n. 290 Porque a inveja, como filha primogenita da ſoberba, peza para cima, e todos os ſeus tiros ſe ''aſſeſtão'' contra o mais alto.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSETTADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſettar. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 3, 2.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSETTAR.}} {{catgram|v. a.}} ant. {{Def|O meſmo que Aſſettear}}, e he como hoje ſe diz. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 2, 10. cant. 40 E o amor orando Aſſi ''aſſetta'' Com grande ſegredo &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSETTEADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſettear. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vasc.</span> Ulyſſip. 5, 7. <span style="font-variant:small-caps">Bern.</span> Lim. Ecl. 12. <span style="font-variant:small-caps">Heit. Pint.</span> Dial. 2, 1, 20.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSETTEAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Atraveſſar ou traſpaſſar com ſettas.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 3, 7, 19 E tendoo atado ao pé de huma arvore pera o ''aſſettear'' &c. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. Din. 114 Alguns tomavão Portuguezes, e os punhão atados, como barreiras e alvo, a que atiravão, e cruelmente os ''aſſetteavão.'' <span style="font-variant:small-caps">Sous. de Mac.</span> Ulyſſip. 11, 27 E não a tens [piedade] de hum peito feminino ''Aſſettear'' com tanta crueldade.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Das meſmas ſettas. <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 1, 28 He a má lingoa... ſetta, que ''aſſettea'' os de longe.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. <span style="font-variant:small-caps">D. Hilar.</span> Voz, 14, 74 Senhor, ''aſſetteai'' com o voſſo caſto temor, que lança fóra o ſervil, os impetos deſordenados deſte meu corpo mortal. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 6, 20 Mas aquelle eſpirito de verdade, que ſem ſer viſto, ''aſſettea'' corações &c. <span style="font-variant:small-caps">Veig.</span> Laur. Od. 5, 2 ''Aſſetteai'', Amor, eſta triſte alma.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEVAR}} (Pedra de) Vej. Pedra de cevar. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 110, 1. (aſſim eſcrito.)
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEVERAÇÃO.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção de aſſeverar.}} <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 2, 9, 2. n. 264 Se antes de Chriſto ter dito o que acabava de affirmar com tanta ''aſſeveração'', Pedro preſumiſſe tanto de ſi... não me admirara. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 3, 6, 267, A Iſto ſe prova ſufficientemente por aquella ſingella e repetida ''aſſeveração'' de S. Zozimas, que refirimos. <span style="font-variant:small-caps">Curv.</span> Obſerv. 55, 6 Para os bem intencionados eſtes exemplos ſobrão, e para os mal affectos nenhumas ''aſſeverações'' baſtão.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEVERAR.}} {{catgram|v. a.}} uſ. {{Def|Affirmar aſſegurar o que ſe diz.}} Do Lat. ''Aſſeverare.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEVERATIVO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Affirmativo, de aſſeveração.}} <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 3, 2, 3. n. 34. p. 219 Só fica hum modo ''aſſeverativo'' da verdade.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEZOAR.}} {{catgram|v. a.}} ant. e os ſeus derivados. Vej. Aſſazoar.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSEZONAR.}} {{catgram|v. a.}} ant. e os ſeus derivados. Vej. Aſſazonar.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSIDUAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|Continuamente, frequentemente.}} <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 3, 3, 2. n. 344. p. 911 Hippocrates lhe chama [á triſteza] eſpinhas nas entranhas,
</p>
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0">
que as eſtão ''aſſiduamente'' picando, como o abutre de Prometheo.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSIDUO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Continuo, frequente, repetido, que ſe faz continuamente.}} Do Lat. ''Aſſiduus.'' <span style="font-variant:small-caps">Cart. de Jap.</span> 2, 147, 1 Não reſtava mais que humilmente os Padres e Irmãos pedirem a Deos com ''aſſiduas'' orações e ſacrificios &c. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Voz. 2, 9, 397 E nota Cornelio a Lapide, que no texto original Grego, em que S. Lucas eſcreveo, a palavra, que correſponde a ''Perſeverantes'', não ſó quer dizer perſeverança ''aſſidua'', conſtante, perſiſtente, tenaz em couſa, que eſpera &c. <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 3, 3, 2. n. 387. p. 937 O impio tem nos ouvidos hum temor ''aſſiduo'' e já de aſſento.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSIM.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|Deſte, deſſe ou daquelle modo; deſta, deſſa ou daquella maneira.}} Do Lat. ''Sic.'' ant. Aſſi. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Clarim. 1, 2 E não era ſem cauſa ſer iſto ''aſſi.'' <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Ecl. 6, 31 ''Aſſi'' caritavão ambos os cultores Do monte e praia. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 2, 23 ''Aſſi'' ficamos, e eſtamos até hoje.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Do meſmo modo.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Clarim. 1, 1 Imprimio tanto amor nos corações de ſeus naturaes, e ''aſſi'' eſtrangeiros &c. <span style="font-variant:small-caps">Barreir.</span> Chorogr. 143 Ptolemeo tambem eſcreve as meſmas cidades e rios do meſmo nome dellas, e ''aſſi'' Athenéo cujas palavras relatarei.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Quando ſe repete em duas differentes orações, o primeiro ſignifica {{Def|de hum modo}}; o ſegundo {{Def|de outro}}. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 2, 8, 3. n. 235 Os Anjos, com ſerem Anjos, votárão huns ''aſſim'', outros ''aſſim'', como diz o Texto.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Ajuntaſe, como {{catgram|adv.}} affirmativo, ao verbo ''Ser'', e val o meſmo que {{Def|certo}}. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Primav. 3, 1 ''Aſſi he'', diſſe Lereno, que ninguem já agora vive a ſeu ſabor. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 5, 25 O que he tanto ''aſſi'', que &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Poſpoſto ao gerundio ''Sendo'', reſolveſe por {{Def|aindaque}}. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Deſeng. 2 Fezme o deſejo importuno, Porque não ſoffra tardança, ''Sendo aſſi'', que quanto obriga, Tanto quem foge ſe enfada. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 2, 30 ''Sendo aſſi'', que ha poucos eſcritos, de que ſe poſſa colher tanta abundancia e ſuavidade de eſpirito, como são os deſte Santo. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 1. n. 8 ''Sendo aſſi'', que nunca andárão pelo mundo.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim.}} {{Def|Tanto, de tal ſorte, em tal gráo ou extremo.}} Correſpondelhe de ordinario a particula ''que'' ou ''com que.'' <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Ecl. 1 Que mêo darás peraque eu abra Eſte meu peito? e lance delle fóra Eſta peçonha, que ''aſſi'' nelle lavra? <span style="font-variant:small-caps">Gavi</span>, Cerc. 11, 37 ℣ ''Aſſi'' lha quebrou [huma bombarda] com que nunca mais ſervio. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 3, 9 ''Aſſi'' ſe malenconizou que nunca mais o virão alegre.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim.}} Particula de comparação, á qual, ſe precede immediatamente a ''como'', ſignifica {{Def|do meſmo modo que}}. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 5, 77 Gente ''aſſi como'' nós da côr do dia. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 1, 8 ''Aſſi como'' não he bem... que os diſcipulos de Chriſto fação nenhum genero de diligencias pera haver dignidades; tambem &c. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 4, 12, 6. n. 444 Chilon, hum dos ſete Sabios de Grecia, dizia que ''aſſim como'' a pedra de toque prova o ouro e a prata; ''aſſim'' o ouro e a prata são a pedra de toque dos homens.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Quando a particula ''como'' vai no ſegundo extremo da comparação, ''aſſim'' ſignifica {{Def|tanto}}. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. de D. Man. 1, 36 Os naturaes são negros, ''aſſi'' os da ilha, ''como'' da terra firme. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 5, 4 ''Aſſi'' pera animar aos da Fortaleza, ''como'' pera metter terror e eſpanto nos Turcos. <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Chr. 1, 20 Foi eſta deſgraça mui ſentida, ''aſſi'' dos familiares de caſa, ''como'' dos eſtranhos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Quando ''aſſim'' vai no ſegundo extremo da comparação, correſpondendo a ''como'' ou a ''aſſim como'', então ''aſſim'' ſignifica {{Def|do meſmo modo}}. <span style="font-variant:small-caps">Vit. Christ.</span> 2, 1, ℣ ''Aſſi como'' em todo lugar he Deos, ''aſſi'' em todo lugar póde e quer ſer adorado. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Vid. 6, 13 Porque ''como'' a gloria dos bemaventurados não ſe póde acabar de dizer com palavras, ''aſſi'' nem a pena dos condemnados. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 4, 10, 5. n. 352 ''Aſſim como'' as ſemelhanças ſe não podem conhecer ſenão de perto, ''aſſim'' as diſtancias ſe não podem medir ſenão de longe.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
A's vezes ſe troca a ordem dos membros da comparação, ficando ''aſſim'' no primeiro, e ''como'' no ſegundo. <span style="font-variant:small-caps">Bern.</span> Lim. Ecl. 1 ''Aſſi'' ſe foi teu roſto deſcorando, ''Como'' o lirio no campo, ou a bonina, A quem o arado talha em treſpaſſando. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 6, 10 ''Aſſi'' ſervião todo o genero de torpeza, ''como'' fazião antes do bautiſmo.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim.}} {{Def|Tambem, juntamente, ao meſmo tempo.}} <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span>
</p>
|}<noinclude>{{right|Poem.}}</noinclude>
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106
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MLReis
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text/x-wiki
<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="font-family:serif"><span style="float:left">472</span><div style="display:flex;text-align:center"><span style="width:50%">A S S</span><span style="width:50%">A S S</span></div></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify"
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0">
Poem. Hiſt. de S. Comb. Chêo todo ar de queixas e gemidos; Chêo das frautas, que ſó Comba ſoão, Ouveas o vento, e ''aſſi'' c'o vento voão. <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. 79 Rezão he que ande alegre, e triſte ''aſſi.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Ajuntaſe aos {{catgram|adv.}} ''mais, meſmo'', e ''tambem.'' <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 2, 3 Mandando tresladar por tres vias [o inventario] e ''aſſi meſmo'' a devaſſa. <span style="font-variant:small-caps">Rib. de Mac.</span> Juiz. 2 Que renunciaria o direito dos Condado de Flandes e Artois, e ''aſſim mais'' os direitos pretendidos ſobre Napoles &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim.}} Serve para exprimir o deſejo de alguma couſa. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Ecl. 8 ''Aſſi'' pudeſſe eu toda após ti irme.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Tambem ſerve nas deprecações. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Clarim. 1, 19 ''Aſſi'' tiveſſe elle... alcançado huma couſa, como eu creio que vós tendes da Senhora Cademia cobrado eſſe perdão. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Ecl. 1 Dize, amigo, ''Aſſi'' nunca em perigo vêrte queira Tua Lesbia, que maneira, que arte tinha Eſſe canto? <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Canç. 6, 8 ''Aſſi'' nunca ſintais Do tempo injuria alguma, Que em vós achem abrigo As magoas, que aqui digo. —— nas reprehensões. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Eleg. 7 Onde te foſte ''aſſi'' cego, e ſem guia? ''Aſſi'' deixaſte Ninfas, e Camenas? ''Aſſi'' meus doces cantos, e inſtrumentos? As fontes frias, ribeiras amenas? —— nas fórmulas de juramento. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Clarim. 1, 27 ''Aſſi'' me valha Deos, que eu topei já muitos Cavalleiros, mas nunca achei algum, que tanto eſtimaſſe ſua falla como vós.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim}}, ''ou'' {{lema|Aſſim, aſſim.}} fórm. que denota menos perfeição de alguma couſa, que ſe não póde bem explicar. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 1, 4 Hum ''aſſi, aſſi'', já me entendeis. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vasc.</span> Aulegr. 5, 6 Vos acho hum não ſei que, ''aſſi, aſſi'', que me pareceis mui deſcoroçoada em caſos fortuitos. <span style="font-variant:small-caps">Paez</span>, Serm. 2, 79, 1 Como quando dizeis de hum enfermo, que não melhora por mais remedios, que lhe applicão, que anda ''aſſi'', com pouca ſaude, e ſem melhoria alguma.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim ou aſſi.}} {{Def|Por eſte ou por aquelle modo, de qualquer modo que ſeja.}} <span style="font-variant:small-caps">Fr. Th. de Jes.</span> Trab. 1, 10, 236 ℣ He obrigação ſatisfazerſe homem da palavra ''aſſi ou aſſi.'' <span style="font-variant:small-caps">Calv.</span> Homil. 2, 295 Senhor, ''aſſi ou aſſi'' ſempre eſtarei com voſco. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Exerc. 3, 3, 2. p. 413 Quando ſoube que o Senhor o queria remover da feitoria e pedirlhe contas, então he que as concertou ''aſſim ou aſſim.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim como aſſim.}} {{Def|O meſmo que}} Aſſim ou aſſim. <span style="font-variant:small-caps">Gil Vic.</span> Obr. 1, 67 Nos bens deſta vida não eſtá o perder, Que ''aſſi como aſſi'' cá hão de ficar, Pois hei de morrer. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 5, 10 Pois, ''aſſi como aſſi'', que tarde, que cedo ha ſe tudo de perder. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vasc.</span> Ulyſſip. 1, 2 ''Aſſi como aſſi'', já ſou [Freira.]
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſim.}} Serve de particula cauſal, concluſiva ou illativa, e tanto val como, {{Def|pelo que, deſorte que.}} Commummente ſe lhe antepõe a conjunção ''e.'' <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Ecl. 10 Menos dizem que fere, e menos voa [Amor] ''E aſſi'' do Mundo he já menos temido. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 2, 4 Era hum Fidalgo muito forte de condição, e tão vingativo que não perdoava couſa alguma. ''E aſſi'' eſtava toda a terra tão eſcandalizada delle, que foi neceſſario, que &c. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 1, 4 ''Aſſim'', a melhor eſcritura he a que retrata com mais ſemelhança a falla e converſação d'entre os amigos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
No meſmo ſignificado ſe lhe poſpõe ''que.'' <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Clarim. 1, 11 ''Aſſi que'' eſtava mui penſativo, ſem ſaber dar áquellas palavras verdadeiro entendimento. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Od. 8, 3 ''Aſſi que'' as mãos, que a tantos morte derão, Tambem a muitos vida dar puderão. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Vid. 5, 9 ''Aſſi que'' áquelles he a morte grave e eſpantoſa, que trabalhão por as couſas da terra.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Ainda aſſim.}} {{Def|Com tudo, não obſtante.}} <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 4, 64 ℣ E niſto falto Traz o corpo ''ainda aſſi'' de vós querido. <span style="font-variant:small-caps">Rib. de Mac.</span> Rel. 1, 1 Que ''ainda aſſim'' tinha feito quanto podia pela incluſão de Portugal.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Como aſſim?}} fórm. de eſtranheza e admiração, de que ſe uſa quando ſe vê ou ouve alguma couſa ineſperada. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Primav. 3, 5 ''Como aſſim'', não fugis deſta triſteza, E deſta vida em tudo deſcontente? <span style="font-variant:small-caps">F. de Mendoç.</span> Serm. 1, 77, 20 ''Como aſſi?'' qualquer palavra eis a triſteza.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Adag. Apprende alta e baixa, e como te tangerem ''aſſim'' dança. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 156.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
As palavras boas são, ſe ''aſſim'' foſſe o coração. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 29.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
''Aſſim'' anda o demo ás aveſſas, e o carro com os bois. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 99.
</p>
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' como ſai, ſai. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' como virmos, faremos. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' como vive o Rei, vivem os vaſſallos. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' fedemos, que fará ſe peixe vendermos: <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 174.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' he o marido amarellado, como caſa ſem telhado. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 41.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' medre meu ſogro, como cão atraz do fogo. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 41.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' ſe cria o horto, como o porco. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 5.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
''Aſſim'' ſe faz do eſcudeiro rapaz. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 99.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
Ao revez o veſti, andeſe ''aſſim.'' <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 172.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
Como canta o Abbade, ''aſſim'' reſponde o Sacriſtão. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 103.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
Como me tangerem, ''aſſim'' bailarei. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 152.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
Como vires a primavera, ''aſſim'' pelo al eſpera. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 6.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
Como vires o ſaval, ''aſſim'' eſpera o al. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 6.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
O mez de Janeiro como bom cavalleiro, ''aſſim'' acaba como a entrada. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 179.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
Por onde vás, ''aſſim'' como vires; ''aſſim'' farás. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 35.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSIMULAÇÃO.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Apparencia, repreſentação.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINAÇÃO.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção e effeito de aſſinar.}} <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 2, 16 Porque nos mereceo por direito da ſepultura, que he filiação e ''aſſinação'' do ceo, o que lhe faltou pelas leis da terra e da Provincia.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Ordem ou obediencia dada pelo Prelado ao ſubdito Religioſo para ir morar em determinado Convento.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſinação de dez dias.}} Forenſ. {{Def|Termo preſcrito para pagar dentro delles, ou allegar a dúvida, que tem.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINADAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|Determinadamente, expreſſamente.}} <span style="font-variant:small-caps">Prov. da Hist. Gen.</span> 4, 6, 99. p. 10. ann. 1497 E que ''aſſinadamente'' o Duque de Medina Sidonia lhe dava com ſua filha dezoito contos. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 1, 1, 34 O qual titulo o Meſtre da verdade Evangelica por ſua divina bocca ''aſſinadamente'' exprimio.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Eſpecialmente, ſinaladamente, com diſtincção.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Clarim. 2, 66 Nem vós ''aſſinadamente'' me pedis couſa, que com juſta cauſa, e ſem damno meu poſſa fazer. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Exerc. 33, 157 A qual morte não ſe dava ſenão aos mui ''aſſinadamente'' criminoſos e perverſos. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 2, 12, 34 Pelejou neſte rencontro em companhia de Dom Gonçalo mui ''aſſinadamente'' Franciſco de Toar.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſinar. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 3, 2, 7. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. de D. Man. 1, 1. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 5, 7.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Uſaſe como {{catgram|adj.}} {{Def|Notavel, diſtincto, qualificado.}} <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 5, 3 E vós aſſentai, que ninguem ſubio a eſtados, nem fez couſa ''aſſinada'', que não foſſe a muito cuſto do corpo e da alma. <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Palm. 1, 11 Deſpendião tempo na demanda da perda deſtes ''aſſinados'' Principes. <span style="font-variant:small-caps">Mariz</span>, Dial. 4, 18 A tempo, que elRei D. Manoel lhe havia mandado, havia poucos dias, muitos agradecimentos dos ''aſſinados'' ſerviços, que lhe fazia.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINADO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Eſcrito, obrigação, certidão, licença ou outro qualquer papel firmado da propria letra.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 3, 7, 8 De que lhe deo hum ''aſſinado'' condicional, que havia de ſer dentro em quarenta dias. <span style="font-variant:small-caps">Menor. das Proez.</span> 1, 30 Aqui vos entrego eſſe ''aſſinado'' de ambos, em que me commettem ſua juſtiça. <span style="font-variant:small-caps">Guerreir.</span> Rel. 5, 2, 1 E diſſo deo hum ''aſſinado'' ſeu, chêo de louvores de noſſa ſanta Fé.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Qualquer papel eſcrito.}} <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Chr. 1, 27 Acceitou noſſo Padre São Bernardo a eſmóla, e levando hum ''aſſinado'' da contia... foi ſalteado no caminho. <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 3, 2, 2. n. 35. p. 412 Porém os Anjos de Deos neſta hora me trouxerão hum ''aſſinado'' ou papel de todos os meus peccados.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Dial. 2, 19 ℣ Offerecem as vidas á morte, e trazem ''aſſinados'' das armas de ſeus imigos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINADOR.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O que aſſina.}} <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINADURA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|O meſmo que}} Aſſinatura. <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINALADAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|Expreſſamente, nomeadamente.}} <span style="font-variant:small-caps">Gran.</span> Comp. 1, 15 Que ſerá gozar e ver alli ''aſſinaladamente'' aquelle exercito glorioſo dos Martyres veſtidos de roupas brancas. <span style="font-variant:small-caps">Sever.</span> Prompt. 14, 5, 48 Nos quaes [juſtos] ''aſſinaladamente'' reſplendece a imagem da ſua bondade. <span style="font-variant:small-caps">Avell.</span> Report. 2, 75 Eſta variedade de deſcensão ''aſſinaladamente'' ſuccede nos arcos, que são vizinhos ao equinoccio.
</p>
|}<noinclude>{{right|''Com''}}</noinclude>
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="font-family:serif"><span style="float:right">473</span><div style="display:flex;text-align:center"><span style="width:50%">A S S</span><span style="width:50%">A S S</span></div></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify"
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Com diſtinção, com preferencia.}} <span style="font-variant:small-caps">Const. de Mir.</span> 8, 6 Porque ''aſſinaladamente'' no tempo das Endoenças coſtuma a Santa Madre Igreja celebrar a inſtituição deſte divino Sacramento &c. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 3, 12 Mas em Malaca tão ''aſſinaladamente'' [ſe deo a querer o P. M. Franciſco] que até hoje perſevera alli a edificação.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINALADISSIMO, A.}} {{catgram|ſuperl.}} de Aſſinalado. <span style="font-variant:small-caps">Barret.</span> Flos Sanct. 1, 66, 1. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 5, 15, 5. n. 499.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINALADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſinalar. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 7, 24. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 1, 13. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 1, 1, 27.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Uſaſe como {{catgram|adj.}} {{Def|Egregio, illuſtre, famoſo.}} Das peſſoas. Reg. {{catgram|abſ.}} ou ''em.'' <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 1, 1 As armas e os barões ''aſſinalados.'' <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. 116 ℣ Hum Senhor em preço e gentileza ''Aſſinalado'' então entre os humanos. <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 1, 149, 3 E eſta he a razão, porque no mundo são tão poucos os ''aſſinalados'' em feitos grandes, e em esforços, e proezas aſſinaladas, porque os calaceiros fiãoſe nos ſerviços dos ſeus antepaſſados.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Das couſas. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 2, 1 A arte, com que ſe alcançou huma victoria tão ''aſſinalada.'' <span style="font-variant:small-caps">Sever.</span> Diſc. 150 Achandoſe nos mais dos feitos ''aſſinalados'' do ſeu tempo. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 10. n. 4 Foi eſte Padre homem de mui ''aſſinalada'' virtude.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Notavel, extraordinario, que tem alguma circumſtancia, por que ſe diſtingue.}} <span style="font-variant:small-caps">Bern.</span> Lim. Cart. 32 O de Veneza em trage ''aſſinalado'', O de Geneva, o de França, o de Alemanha, De Mantua e de Ferrara alli vierão. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. <span style="font-variant:small-caps">Fern.</span> 200 ℣ E em hum dia ''aſſinalado'' daquelle anno de 1372 foi [o caſamento] propoſto aos que ſe hi achárão. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 2, 27 E ainda ſem nenhum genero de diſpenſação me póde [Voſſa Santidade] fazer ''aſſinalada'' mercê.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Adag. Guardevos Deos de homem mal ''aſſinalado.'' <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Paneg. 58, 333.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Homem ''aſſinalado'' ou mui bom, ou mui bravo. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 93.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINALADOR.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O que aſſinala.}} <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINALAMENTO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção de aſſinalar.}} <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINALAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Marcar, pôr ſinal}} (Aſſignalar) <span style="font-variant:small-caps">Sover.</span> Hiſt. 3, 4 Guardaivos dos que a natureza ''aſſinalou.'' <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 6, 1, 5 O que não puderão fazer ſem ſe travarem com os imigos, a quem ''aſſinalárão'' bem do ſeu ferro.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Dar a conhecer, deſignar, moſtrar por algum ſinal.}} <span style="font-variant:small-caps">Cathec. Rom.</span> 108 ℣ Porque quando o Apoſtolo diz: ungionos Deos, o qual tambem nos ''aſſinalou'', e deo penhor do eſpirito em noſſos corações: por aquella palavra ''aſſinalou'', declarou o ſinal, cuja propriedade he ſignificar e notar alguma couſa. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Condeſt. 11, 61 A que ''aſſinala'' a cruz branca e vermelha. <span style="font-variant:small-caps">Avell.</span> Report. 2, 12 E ſobre a dita Torre pôs a figura de Tritão com hum oſtenſor em huma mão, o qual ſe movia a todas as partes, e quando corria algum vento, o ''aſſinalava.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Eſpecificar, particularizar.}} <span style="font-variant:small-caps">D. M. de Portug.</span> Tr. 470 ℣ Como ſe ''aſſinala'' no 30 do Exodo. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 1, 3 Porque o particular privilegio da ſua graça ''aſſinalou'' e particularizou todos os remedios.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Determinar, preſcrever lugar ou tempo.}} <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 5, 15 ''Aſſinalando'' á batalha certo lugar e tempo. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 4. n. 5 Em quanto lhes não ''aſſinalava'' caſa propria, em que habitaſſem.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Illuſtrar, nobilitar, fazer célebre ou famoſo.}} <span style="font-variant:small-caps">Gavi</span>, Cerc. 8, 21 Cada hum pretendia ter ſeu lugar, aonde pudeſſe ''aſſinalar'' ſua peſſoa. <span style="font-variant:small-caps">Fernand.</span> Palm. 2, 22 Pois Recindos, que neſte dia ''aſſinalou'' ſuas obras por cima de todos outros homens, não dava golpe, que não derrubaſſe Cavalleiro. <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. 90 Aquelles, que ''aſſinalão'' ſeu preço no valor ſanguinolento.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Com {{catgram|pron. peſſ.}} {{Def|Diſtinguirſe, darſe a conhecer por algum ſinal ou diſtinctivo.}} <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 7, 57 No recoſtado geſto ''ſe aſſinala'' Hum venerando e proſpero Senhor. <span style="font-variant:small-caps">Gavi</span>, Cerc. 4, 13 Os quaes gaſtárão muito em veſtidos e armas bem guarnecidas, como homens, que determinavão ''aſſinalarſe'' em todas as couſas daquella empreza arriſcada.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Dar ſinal de ſi, moſtrarſe, apparecer.}} <span style="font-variant:small-caps">Barret.</span> Eneid. 2, 188 Em fim vendo que a Aurora ''ſe aſſinala'', A ver os ſocios torno com preſteza.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Nobilitarſe, fazerſe illuſtre por algum feito honroſo, acção ou qualidade louvavel.}} <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 4, 30 Logo o grande Pereira, em que ſe encerra Todo o valor, primeiro ''ſe aſſinala.'' <span style="font-variant:small-caps">Castilh.</span> Elog. 293 Onde ''ſe aſſinalárão'' alguns na eloquencia e doutrina. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5,
</p>
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0">
5, 2 Que como homem animoſo e esforçado ſe quiz ''aſſinalar'' e avantajar de todos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINAMENTE.}} {{catgram|adv.}} antiq. {{Def|O meſmo que}} Aſſinaladamente. <span style="font-variant:small-caps">Vit. Christ.</span> 2, 2, 5.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINAMENTO.}} {{catgram|s. m.}} ant. {{Def|Acção de aſſinar.}} <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 2, 124 Nom embargando... o ''aſſinamento'' do Papa Urbano, que de ſua diſpenſação leixára feito. —— 2, 177 Aſſi que eſtes e a maior parte dos outros todos, que ſe aſſinarom daquelles ramos, peró prougue a Deos, que nom morreo na batalha nenhum Portuguez por azo deſte ''aſſinamento.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Marcar, pôr ſinal.}} Do Lat. ''Aſſignare.'' (Aſſignar) <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vasc.</span> Ulyſſip. 4, 1 Guarte dos que a natureza ''aſſinou.'' <span style="font-variant:small-caps">Const. de Evor.</span> 19, 4 Não quererem cautelar, monferir, e ''aſſinar'' o gado. <span style="font-variant:small-caps">Const. de Mir.</span> 26, 2 E aſſi na maneira de ferrar e ''aſſinar'' do gado.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Sobreſcrever, pôr o ſeu nome ou firma.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 1 E ao pé delle [juramento] o Regedor ''aſſinará'', e abaixo de ſeu nome todos os Deſembargadores, que forem preſentes, ''aſſinarão'' iſſo meſmo. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 2, 10, 8 O qual importunado delles mandou eſcrever eſtas regras, que já mal ''aſſinou.'' <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 2, 31 Não fez mais detença, que em quanto acabou de ''aſſinar'' os decretos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſinar em branco.}} Fraſ. met. {{Def|Approvar anticipadamente e ſem exame.}} <span style="font-variant:small-caps">Fernand. Galv.</span> Serm. 3, 161, 4 ''Aſſinando em branco'' quanto S. Pedro fizer na terra. <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 1, 260, 1 Elle [mundo] quer que ''aſſineis em branco'' em quanto lhe parece bem. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 11, 16, 9. p. 19 Append. E póde haver huma felicidade, a que eſtejão reſumidas todas as felicidades. Sim. Se fôr hum privilegio de Deos ''aſſinado em branco'' de conceder tudo o que lhe pedirem.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſinar.}} {{Def|Demarcar, pôr baliza.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 3, 10, 7 Elle devia querer ir ''aſſinar'' a parte, por onde pareceſſe proveitoſo fazer o muro da cerca. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 5, 16. [Eſcrit. de 1421] Os quaes demarcárão e ''aſſinárão'' o lugar, onde ſe houveſſe de fazer.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 23. n. 2 Não era bem que os homens ''aſſinaſſem'' termo, a quem Deos não punha limites. <span style="font-variant:small-caps">Rib. de Mac.</span> Juiz. 1 Sendo arbitro o meſmo Pontifice, que ''aſſinou'' por limites aos Imperios os Rios Liris &c. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 3, 8 Ainda que a paz entre Caſtella e Hollanda ſe publique, que he o termo, que lhe ''aſſinão'' os Miniſtros de França e os noſſos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Apontar, eſpecificar.}} <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. Aff. IV. 141 ℣ Atéqui eu não ſaberia ''aſſinar'' couſa, porque do caſamento de voſſo filho com ella muito me não aprouveſſe. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 5, 88 Que caſa hoje ''ſe aſſina'', Que não ficaſſe ſolitaria e muda, Sem que voz de homem ſoe, ou della acuda. <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 1. Advert. 11 Muito menos obſta o dito Breve aos da quarta differença, que aos taes nenhum titulo lhe ''aſſinamos.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Nomear, deputar.}} <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 2, 6 E ''aſſinou'' pera ficarem na Fortaleza grande, ſeiſcentos homens.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Dizſe a reſpeito dos Religioſos deſtinados para aſſiſtir em algum Convento. <span style="font-variant:small-caps">Leit. d'Andrad.</span> Miſc. 1, 13 E me maravilho muito como os Religioſos deſta ſagrada Religião não andão á competencia, importunando ſeus Prelados, os ''aſſinem'' pera aqui. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 6, 1 E deſde agora pera então ''aſſino'' o dito Padre no Convento de Lisboa.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Determinar, deſtinar, particularmente tempo e lugar.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 3, 1 O farão apregoar no juizo, e a ſua revelia ''aſſinarão'' a dilação. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. de D. Man. 1, 18 E logo ſe ''aſſinou'' tempo certo pera a notificação deſte negocio. <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Chr. 2, 1 O lugar de ſua fundação, e as deſpezas delle [Moſteiro] vos ''não aſſino.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Conſtituir, eſtabelecer, applicar, deſtinar rendas, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Fr. Sim. Coelh.</span> Chr. 1, 15, 62. col. 2 Eſte Santo Pontifice foi o primeiro, que ordenou as Parochias nos Biſpados, e lhes ''aſſinou'' as decimas e primicias. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 5, 19 Porque em quanto erão moços ''aſſinavalhes'' ração de comida e veſtido. <span style="font-variant:small-caps">Cunh.</span> Hiſt. de Brag. 1, 46, 192 A Tarragona ''ſe aſſinárão'' dez Biſpados.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Com {{catgram|pron. peſſ.}} {{Def|Sobſcrever, pôr o ſeu ſinal ou firma.}} <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 2, 7 O Ouvidor Geral mandou fazer hum auto... em que ''ſe aſſinou'' com elle. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 2, 15 Como he ''aſſinarſe'' hum pouco abaixo das regras mais inclinado á parte direita que á eſquerda. <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Chr. 2, 20 Dizendo que ''ſe aſſinarião'' em quanto elle julgaſſe por conveniente.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſinarſe em branco.}} Fraſ. met. {{Def|Condeſcender, con-}}
</p>
|}<noinclude><div style="display:flex;justify-content:space-between;margin-left:55%"><span>Dddddd</span><span>''cor-''</span></div></noinclude>
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106
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MLReis
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<noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="font-family:serif"><span style="float:left">474</span><div style="display:flex;text-align:center"><span style="width:50%">A S S</span><span style="width:50%">A S S</span></div></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify"
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0">
{{Def|cordar; convir ſem mais exame.}} <span style="font-variant:small-caps">L. Brand.</span> Medit. 3, 6, 295. p. 608 Mas neſta petição da Cananéa, ''aſſinaſe em branco'', remetteſe á vontade de quem pede, concedelhe que ella meſma dê o deſpacho.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſinarſe.}} {{Def|Diſtinguirſe, fazerſe celebre, ſobreſahir em merecimento e louvor.}} <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 10, 158 ℣ Almeida, que por arte, em que ''ſe aſſina'', O ſegredo desfaz da occulta mina,
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Benzerſe, perſinarſe.}} <span style="font-variant:small-caps">Vit. Christ.</span> 4, 7, 21 ℣ ''Aſſignemſe'' todos do ſignal da cruz do Senhor. <span style="font-variant:small-caps">Vercial</span>, Sacram. 1, 1, 2 Primeiramente vejamos como o homem ſe deve ''aſſinar'' ou benzer.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Adag. Não bebas couſa, que não vejas, nem ''aſſines'' carta, que não leias. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 49.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSINATURA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Sinal ou rubrica, que ſe põe em algum papel.}} <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Mon. 2, 6. c. 19 A confirmação e ''aſſinatura'' da Rainha dizia deſte modo &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Forenſ. {{Def|Eſpórtula, que ſe paga ao Juiz ou Miniſtro por ſe aſſinar.}} <span style="font-variant:small-caps">Fr. Sim. Coelh.</span> Chr. 2, 1, 96 O intereſſe das eſpórtulas, ''aſſinaturas'', e ſalarios extraordinarios. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. de D. Man. 1, 9 E pera que os Deſembargadores deſpachaſſem as partes com mór brevidade, lhes concedeo de novo, aſſi a elles, como aos Corregedores das Commarcas ''aſſinaturas.'' <span style="font-variant:small-caps">Parad.</span> Art. 3, 13, 149. col. 3 Os officios do governo ordinario da republica todos tem emolumentos baſtantes, de que vivão, ou nos ſalarios, ''aſſinaturas'', e outras gages, que tem &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSIRIO, A.}} {{catgram|adj.}} Vej. Aſſyrio.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSISADO, A.}} {{catgram|adj.}} Vej. Aſſizado.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSISTENCIA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção de aſſiſtir, preſença actual.}} <span style="font-variant:small-caps">Paix. de Jes. Christ.</span> 57 ℣ ''Aſſiſtencia'' perpetua. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 3, 2 Viſtas as obrigações continuas da Sé, e o pezo graviſſimo da ''aſſiſtencia'' tão aturada e trabalhoſa. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 2, 32. n. 3 Não perdoaſſe ao trabalho, nem menos á ''aſſiſtencia.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Permanencia, morada, habitação actual em algum lugar.}} <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 4, 37 Pois a ſua ''aſſiſtencia'' he no Paço, junto á peſſoa do Principe. <span style="font-variant:small-caps">Rib. de Mac.</span> Rel. 1, 2 A poucos dias de ''aſſiſtencia'' em Toloſa recebeo o Conde deſpachos de Portugal.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Sitio ou lugar, em que ſe reſide.}} <span style="font-variant:small-caps">Veig.</span> Laur. Ecl. 3 Bem he que eſſa excellencia Tenha ſua ''aſſiſtencia'' Sobre os puros criſtaes do firmamento.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Acção de aſſiſtir ou eſtar preſente á alguem por obſequio.}} <span style="font-variant:small-caps">M. Thom.</span> Inſul. 2, 22 Sem merecer gozar ſua ''aſſiſtencia.'' <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 21 Entretanto eſtimo a peregrinação de V. S. ſobre tão repetidas ''aſſiſtencias'' do Corpo Santo. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 5, 2, 5, B Nem por iſſo fiz intermiſsão em minhas obſequioſas ''aſſiſtencias.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Ajuda, ſoccorro, favor, protecção.}} <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 1, 6 Com tão certos penhores e ſinaes da ''aſſiſtencia'' de ſua ſantiſſima graça. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 1, 4, 29 Mas S. Pero Gonçalves, em ſendo chamado, acode logo com luz, como em penhor de ſua ''aſſiſtencia.'' <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 15 Mandando V. Mageſtade recommendar de novo muito e ao meſmo Governador a ''aſſiſtencia'' e favor dos Miſſionarios.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Subſidio, contribuição de dinheiro para a ſuſtentação de alguem ou para algum outro fim.}} <span style="font-variant:small-caps">D. Fern. de Men.</span> Vid. 34 Se para eſte fim são neceſſarias contribuições e ''aſſiſtencias'', offerecidos eſtamos com eſte povo. <span style="font-variant:small-caps">Men.</span> Portug. 1, 3, 182 Chegandolhe huma carta do Conde para huma Senhora daquella cidade, a que devia grandes ''aſſiſtencias'' na ſua prizão.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Concurrencia em governo, conſelho, juizo, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Rib. de Mac.</span> Rel. 1, 1 Governava a Rainha Mãi, com a unica ''aſſiſtencia'' do Cardeal Julio Mazarino. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 12 Com condição que os Religioſos com ''aſſiſtencia'' do Cabo, que fôr, julguem primeiro os ditos cativeiros por juſtos.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Med. uſ. {{Def|Fluxo menſtruo das mulheres.}}
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSISTENTE.}} {{catgram|p. a.}} de Aſſiſtir. {{Def|Que aſſiſte ou eſtá preſente a algum acto.}} Uſaſe tambem como {{catgram|ſubſt.}} <span style="font-variant:small-caps">Fr. G. da Silv.</span> Vid. 6, 6 E todos os ''aſſiſtentes'' com grão prazer derão louvores a Deos. <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 1, 181 Quem pudera crer que huma meſma obra fizera tão differentes effeitos em huns meſmos ''aſſiſtentes'', que huns julgárão por ella que podia ſer filho de Deos, outros que era feiticeiro. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 4, 10 Forão ''aſſiſtentes'' continuos manhãa e tarde nos actos publicos das concluſões e pregações.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Que acompanha ou eſtá com alguem por obſequio ou acatamento.}} <span style="font-variant:small-caps">Paez</span>, Serm. 1, 547 Aſſi entende S. Gregorio Papa aquella poſtura dos Serafins ''aſſiſtentes'' do throno de Deos, que &c.
</p>
| style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" |
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Permanente, continuo.}} <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 3, 28 O primeiro [remedio] foi ordenar huma caſa grande e capaz... pera recolher e curar os feridos, com Medico, Cirurgião, e Barbeiro continuos e ''aſſiſtentes.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Qualquer dos dous Biſpos, que ajuda o Conſagrante na conſagração dos Biſpos, ou qualquer dos Sacerdotes, além do Diacono e Subdiacono, que aſſiſte no altar ao Celebrante nas Miſſas ſolemnes.}} <span style="font-variant:small-caps">Cart. do Jap.</span> 2, 16, 3 Diſſe o Padre Viſitador a Miſſa com Diacono e Subdiacono e dous ''aſſiſtentes.'' <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Deſcripç. 84 As veſtes ſacerdotaes do Pontifice e ''aſſiſtentes.'' <span style="font-variant:small-caps">Exeq. de Filipp. I.</span> 8 O Arcebiſpo com ſeus ''aſſiſtentes'' e Diaconos pôs ſua cadeira no coro.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|O que tem parte ou concurrencia em governo, conſelho, adminiſtração da juſtiça, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Prov. da Hist. Gen.</span> 2, 4, 68. p. 399. ann. 1449 Item que ſe neſtes Reinos ſe houver de poer Lugar-tenente, ou Vix-Rei, ou Governador, ou ''Aſſiſtente'', &c. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Gasp. da Cruz</span>, Tr. 6, 5 Eſtas [cadeiras] ſervem pera dez ''aſſiſtentes'', que eſtão com o principal ao deſpacho em negocios graves. <span style="font-variant:small-caps">S. Ann.</span> Chr. 1, 15, 93 ''Aſſiſtentes'' ambos do Nuncio na ſentença, que deo em noſſo favor.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
T. de Religioſos. {{Def|O que he deputado para aſſiſtir ao Geral no governo univerſal da Ordem, ou no particular de ſuas reſpectivas Provincias.}} <span style="font-variant:small-caps">Guerreir.</span> Rel. 5, 1, 6 O Padre João Alvares, ''aſſiſtente'' de Portugal [em Roma.] <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 2, 32. n. 10 Ou foſſe ſendo Reitor do Collegio de Coimbra, ou ſendo ſete annos ''aſſiſtente'' em Roma do P. Everardo Mercuriano, quarto Geral da Companhia. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 4 Fizerãoſe todos os ''aſſiſtentes'', menos o de Portugal.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Forenſ. {{Def|Que aſſiſte ou comparece em juizo por procuração em nome de outro.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 3, 15 E ſe vier algum ''aſſiſtente'' a cada huma das partes &c.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{lema|Aſſiſtente}} (Demonio) {{Def|O que vexa de continuo o energumeno.}} <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Luz e Cal. 1, 2, 17 A vexação dos demonios, que chamão arrimadiços ou ''aſſiſtentes.''
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSISTIDO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Aſſiſtir. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 15. n. 8. <span style="font-variant:small-caps">Rib. de Mac.</span> Rel. 2, 2. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 8.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em">
{{lema|ASSISTIR.}} {{catgram|v. n.}} {{Def|Eſtar preſente.}} Do Lat. ''Aſſiſtere.'' <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Chr. 1, 8 Deoſe no dia ſeguinte ſepultura a ſeu glorioſo corpo com ſoberana pompa por ſe achar preſente hum grande numero de Prelados e peſſoas devotas, que vierão ''aſſiſtir'' ao enterramento. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 6, 8 Depois os fez baptizar com os Embaixadores, ''aſſiſtindo'' elle e a Rainha D. Leonor ao auto ſanto. <span style="font-variant:small-caps">Sous. de Mac.</span> Ulyſſip. 12, 5 A's bodas ''aſſiſtia'' o ſabio velho.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Perſiſtir, permanecer, durar em algum exercicio.}} <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Ch. 1, 2, 10. n. 6 Por cauſa da muita continuação, com que ''aſſiſtia'' na oração.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
{{Def|Morar, habitar, reſidir.}} <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 1, 18 Recolheoſe o Arcebiſpo brevemente á Cidade pera ''aſſiſtir'' nella a Quareſma. <span style="font-variant:small-caps">Freir.</span> Vid. 1, 3 Fugindo, ſe embarcou para Tangere, onde contra o eſtilo daquellas praças ''aſſiſtio'' nove annos. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 2, 2 Toda a conſervação deſtes Indios... conſiſte em ''aſſiſtirem'' com alguns Religioſos da Companhia.
</p>
<p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em">
Met. {{Def|Exiſtir, darſe, eſtar.}} Das couſas eſpirituaes ou inanimadas. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 7, 105 Do esforço, que nos ſeus inteiro ''aſſiſte.'' <span style="font-variant:small-caps">M. Thom.</span> Inſul. 2, 21 Aonde ''aſſiſte'' Amor he couſa clara. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 5 A graça do Eſpirito Santo, que he Eſpirito de fortaleza, ''aſſiſta'' ſempre no coração de V. Alteza.
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{{lema|Aſſiſtir.}} {{Def|Acompanhar, eſtar com alguem por obſequio ou acatamento.}} <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 2, 22 ℣ Alli a ſeu throno ''aſſiſte'' o Odio, a Ira, A Determinação, o Ardor, e a Furia. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 2, 11 Fazem tambem tres eſtatuas de eſpiritos, huns limpiſſimos, que ſempre acompanhão e ''aſſiſtem'' a Deos, &c. <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 2, 129, 3 Na Cruz [as Marias] lhe ''aſſiſtirão.''
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{{Def|Ser adjunto ou conſelheiro.}} <span style="font-variant:small-caps">M. Thom.</span> Inſul. 3, 19 O terceiro occupavão mageſtoſos Juizes treze, que ó certamen grave De Neptuno e Minerva poderoſos ''Aſſiſtem'', para dar voto ſuave. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 1, 4. n. 11 S. Bernardo... chama Coadjutores áquelles, que ''aſſiſtião'' ao Papa Eugenio. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Cart. 1, 4 Entretanto governa a guerra Monſieur de Marcin Francez, o Politico D. Joſé de Margarit Catalão: e a hum e outro ''aſſiſte'' ſem titulo o Biſpo de Maria, huma das melhores cabeças de França.
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{{Def|Ajudar, ſoccorrer.}} <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 3, 13 E não ſe póde duvidar que ''aſſiſte'' Deos aos que em palavra e obra são Prégadores Apoſtolicos. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 1, 8 ℣ Contra o Mouro infiel, que bravo inſulta Portugal todo
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