Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.22 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/402 106 37745 565130 364714 2026-10-03T12:54:31Z Junglk 34905 /* Revista */ 565130 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|380|DOM JOÃO VI NO BRAZIL}}</noinclude>vios de guerra britannicos, por contrabando, pois que tal exportação era legalmente defesa. Assim se foi accentuando, excepção feita do lampejo pombalino, a decadencia economica do Reino, simultanea com a sua decadencia politica e mesmo intellectual, e se convertendo a Inglaterra na caixa e depois praticamente na suzerana de Portugal. Nunca todavia ficou tão marcada esta relação de dependencia como no tratado de 1810, negociado no Rio de Janeiro e do qual escreveu Palmella <ref>Apontamentos auto-biographicos ineditos até publicação, em larga proporção, na ''Vida do Duque de Palmella'' pela Snra. D. Maria Amalia Vaz de Carvalho.</ref> ter sido “na forma e na substancia o mais lesivo e o mais desigual que jamais se contrahiu entre duas nações independentes”<ref>Foi o proprio duque de Palmella o encarregado, em 1835 e depois em 1842, pelo governo liberal, victorioso em Portugal, de negociar outros tratados com a Inglaterra, nos quaes alcançou a abolição de muitas clausulas humilhantes e o estabelecimento de um regimen mais equitativo e mais honroso. O tratado politico de 1842, de amizade, commercio e navegação, foi por elle ultimado, e para o especial de commercio diz o illustre negociador ter estado firmemente resolvido a não mais admittir direitos ''{{lang|la|ad valorem}}'', posto que variando segundo a natureza do producto e não uniformes como em 1810. (''Apoint. cit.'')</ref>: a começar pelos motivos que immediatamente o determinaram e a findar nas consequencias que n’elle se originaram. O motivo capital foi o grande prejuizo incorrido pelos negociantes inglezes que, depois da abertura dos portos brazileiros, mal apreciando por um lado as possibilidades do mercado que se lhes offercia, e por outro lado com as fabricas e armazens repletos de mercadorias mercê das guerras continuadas e da organização do bloqueio continental, remetteram para a America do Sul tudo quanto podia constituir artigo de negocio, conta-se que até patins. Não achando muitas das consignações prompta collocação, baixaram seus preços de metade, ao passo que os generos brazileiros alcançavam<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> rg689qqqi65ozonw1fvm0ysifht6zir Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/403 106 37746 565131 364715 2026-10-03T12:58:58Z Junglk 34905 /* Revista */ 565131 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|381}}</noinclude>preços dobrados, mesmo porque os navios empregados em trazer as manufacturas britannicas careciam de fretes de torna viagem. Como resultado, e ainda não dos peores, deve-se registrar a grande devastação das mattas do litoral por effeito da permissão, dada aos Inglezes no tratado, de n’ellas cortarem madeiras de construcção para as suas embarcações. A madeira carregada para a Inglaterra o foi não sómente para uso nos estaleiros, como para todas as applicações possiveis no paiz de destino e n’outros paizes. Entraram a abundar em Londres os moveis de jacarandá e de vinhatico “e os navios da mesma nação, que em outro tempo forão de pinho, e de outras madeiras fracas, e pouco duraveis, agora já erão de vinhatico, pao d’arco, e similhantes madeiras muito fortes, e duradouras” <ref>Hist. de Port. cit.</ref>. Quando em 1808 o Principe franqueou os portos brazileiros ás ''nações amigas'', era outrosim um privilegio que concedia á Inglaterra, não sómente por ser a unica então da Europa em estado de manter e proteger uma possante marinha mercante, como pela razão muito simples de estar quasi todo o continente sob o jugo de Napoleão, quer como protegido, quer como alliado, o que não passava de um equivalente do primeiro termo. Mais tarde, por occasião da grande pacificação presidida por Metternich, é que os portos brazileiros foram realmente abertos a todo o commercio internacional: o decreto de 18 de Junho de 1814 já se não fundava sobre restricções especiosas. Esses annos entre 1808 e 1814 foram portanto de verdadeiro monopolio mercantil para a Grã Bretanha e serviram-lhe para occupar suas posições estrategicas e conquistar o mercado. A principio não tinha<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 1bz2cuns41knej8pjfe2kgu5cpq53o7 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/404 106 37747 565132 364716 2026-10-03T13:07:03Z Junglk 34905 /* Revista */ 565132 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|382|DOM JOÃO VI NO BRAZIL}}</noinclude>concorrentes e, quando surgiu a possibilidade d’estes apparecerem, estava ella armada do vantajoso tratado de 1810, tão hostil pelo seu exclusivismo ás outras nações e tão prejudicial á propria metropole do Brazil. A politica de isolamento professada no Reino era debaixo de certos pontos de vista atrazada e damnhinha, mas ainda era o que amparava na sua decadencia o commercio portuguez. Hoje, com as modificações impostas pelo espirito do seculo, denominamos proteccionista tal politica, que nos Estados Unidos tem dado os resultados conhecidos. A abertura dos portos e o tratado Linhares-Strangford deram áquelle commercio um golpe fatal, accentuando-se o seu deperecimento quando, em 1815, entrou o mundo culto a gosar novamente dos beneficios da paz. Em 1805 tinham entrado no porto do Rio de Janeiro, sob o regimen do velho monopolio, 810 navios portuguezes; em 1806 entraram 642, em 1807 subiu o numero a 777, sendo quasi igual — 765 — em 1808, para atingir em 1810, sob o effeito combinado da liberdade mercantil e da concentração na capital brasileira dos interesses economicos do imperio, o algarismo de 1214. Pois dez annos mais tarde, em 1820, apenas 57 embarcações portuguezas, procedentes de Lisboa e das quaes 28 sómente de trez mastros, fundeavam na bahia de Guanabara, elevando-se tal numero a 212 si ajuntarmos os navios sob pavilhão portuguez vindos da India, Africa e outros paizes da America do Sul. São obvios os motivos de semelhante decadencia. Ao passo que os generos coloniaes entraram a baixar depois da paz geral, mercê da crescente producção de Cuba e dos Estados Unidos, fazendo as exportações d’estas terras temivel concorrencia ao nosso algodão, ao nosso assucar e ao nosso<noinclude></noinclude> i0r8p72yypm3yifbjfw4iiyxvreh305 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/405 106 37748 565134 364717 2026-10-03T13:10:47Z Junglk 34905 /* Revista */ 565134 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|383}}</noinclude>fumo, e iniciando um estado de cousas que pode dizer-se até hoje se prolonga, as pobres manufacturas do Reino viram-se afastadas em proveito das superiores manufacturas britannicas, pela reducção que ás ultimas fôra concedida. Igualmente exerceu essa reducção pernicioso effeito sobre certas industrias e culturas incipientes no reino ultramarino, taes como da seda, do anil, da cochonilha, do canhamo, do trigo, dos tecidos de algodão, dos cortumes e das salinas, que a metropole anteriormente impedira e que á sombra da franquia de 1808 tinham começado a medrar sob bons auspicios. Em vista por um lado das circumstancias economicas predominantes, e por outro das condições politicas geraes em que se achavam as duas potencias contractantes em relação uma á outra — si bem que no momento precisamente do início das negociações precisasse a Inglaterra muito, por motivo do bloqueio continental, do mercado brazileiro, e grande numero de officiaes inglezes requeressem ir servir em Portugal, tendo bastantes militares portuguezes acompanhado a côrte e sendo não poucos dos que ficaram taxados de ''francezes''—não podia o tratado com a Inglaterra deixar de representar para Portugal uma capitulação e para o Brazil uma inferioridade. De facto assim succedeu. As condições exaradas no convenio de 1810 significavam a transplantação do protectorado britannico, cuja situação privilegiada na metropole se consagrava na nossa esphera economica e até se consignava imprudentemente como perpetua. A falta de genuina reciprocidade era absoluta e dava-se em todos os terrenos, parecendo mesmo difficilima de estabelecer-se pela carencia de artigos que se equilibrassem na necessidade do consumo, sendo mais precisos no Brazil os artigos manufacturados inglezes do que á Inglaterra as<noinclude></noinclude> 2lk7qmqt42fl5pwpncvll3y6m39v7hr Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/406 106 37749 565136 364718 2026-10-03T13:14:17Z Junglk 34905 /* Revista */ 565136 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|384|DOM JOÃO VI NO BRAZIL}}</noinclude>materias primas brazileiras. Dava-se ainda a desigualdade na importancia que respectivamente representavam suas exportações para os paizes productores, constituindo a Inglaterra o mercado quasi unico do Brazil, ao passo que aquella nação dividia por muitos paizes os seus interesses mercantis; e dava-se finalmente na natureza dos meios de transporte com que chegavam os generos aos mercados, não podendo competir um fardo de algodão descido de Minas em costa de mula, com uma peça de tecido carregada por excellente estrada de Manchester a Londres ou Southampton <ref>Correio Braziliense, ''passim''.</ref>. Como, d’este modo, impor taxas proporcionaes e equivalentes para balançar a situação, isto é, os favores aduaneiros que um tratado de justa reciprocidade devia assegurar ás duas partes? Hippolyto lembrava bem que em tudo levava vantagem o negociante inglez, na justiça e severidade com que no seu paiz se fazia a cobrança dos direitos, quando no Brazil estava a porta sempre aberta a todos os abusos e malversações, prejudicando a uns a condescendencia criminosa exhibida para com outros; e tambem na conquista real e effectiva que para aquelle representavam a protecção e a tolerancia exaradas no tratado para a sua pessoa e religião, quando taes regalias eram communs na Inglaterra para todas as nacionalidades e credos e nada introduziam de novo. O subdito portuguez domiciliado na Inglaterra gosava, exactamente como o nacional britannico, da “singular excellencia da constituição do paiz”, mas o subdito inglez, que viesse residir em Portugal ou dominios, ficaria livre das arbitrariedades praticadas frequentemente pela administração e policia e a que andavam sujeitos os naturaes. {{nop}}<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> fx6xokd61m8uhkfxrkvmrc7vvxmydn9 Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/407 106 37750 565138 364719 2026-10-03T13:18:59Z Junglk 34905 /* Revista */ 565138 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|385}}</noinclude>Por ultimo, como eram identicos os direitos e equivalentes os addicionaes a impor, quer fossem os generos transportados em navios portuguezes, quer em navios inglezes — assim se considerando tanto os construidos nos dous paizes respectivos como os apresados e legalmente condemnados <ref>O tratado não encerrava expressamente esta especificação com relação aos navios inglezes, mas foi dada tal intelligencia por uma nota do marquez de Wellesley ao cavalheiro de Souza Coutinho, de 17 de Junho de 1810.</ref> — lucrava evidentemente com semelhante disposição a marinha mercante britannica, já anteriormente e superiormente apparelhada para o trafego. As auctoridades portuguezas eram, de resto, as primeiras a pôr tropeços á livre e franca navegação das embarcações nacionaes. Haja visto o caso do ''Tigre'', navio sahido de Londres para o Maranhão em 1810 e que, depois de carregado para a torna viagem, foi detido pelo governador D. José Thomaz de Menezes por não poder o mestre do barco satisfazer a exigencia legal mandando viajar com capellão e cirurgião, pela simples razão de se não encontrar ecclesiastico ou facultativo na capitania ou disposto e emprehender a travessia <ref>''Correio Braziliense.''</ref>. Não paravam ahi as flagrantes desigualdades do convenio. Os vinhos portuguezes, que constituiuam a grande importação britannica, continuaram a gosar do direito differencial quando transportado em embarcações inglezas, offerecendo a Inglaterra como equivalente a Portugal o tributar este mais as lãs que não fossem transportadas em embarcações portuguezas, o que estava bem longe de corresponder effectivamente a um favor reciproco porque as lãs tambem eram todas transportadas em navios britannicos. {{nop}}<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> qlhstbqnb0m20648zcchuyvl7y1mjhe Predefinição:Progressos recentes 10 220893 565143 565127 2026-10-03T14:00:15Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 565143 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|11|2|6|81}} | [[Index:A Onda Verde (1922).pdf|A Onda Verde]] |- | {{Barra de progresso|3|0|0|0|3|94}} | [[Index:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf|Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |- | {{Barra de progresso|0|0|7|1|0|92}} | [[Index:Correio Braziliense ou Armazem Literario. 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{{:MediaWiki:Proofreadpage_index_template |Type=book |Título=[[Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |Subtítulo= |Language=pt |Autor=Antonio Joaquim de Mello |Tradutor= |Editor= |Ilustrador= |Edição= |Volume= |Editora= |Gráfica=Typ. de Manoel Figueiroa de Faria & Filhos |Local=Recife |Ano=1895 |ISBN= |Fonte={{commons|Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf}} |Imagem= |Capa=7 |Progresso=C |Páginas=<pagelist 1to6=- 7="capa" 8=- 9="prefacio" 10=- 11=3 290to294=- /> |Tomos= |Volumes= |Notas= |Sumário={{cabeçalho||{{x-larger|{{k|5|INDICE}}}}}} {{tabela | título = [[Biographia de Gervasio Pires Ferreira/PREFACIO|PREFACIO]] | página = [[Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/9|1]] }} {{tabela | título = [[Biographia de Gervasio Pires Ferreira/I|I]] | página = [[Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/11|3]] }} {{tabela | título = [[Biographia de Gervasio Pires Ferreira/II|II]] | página = [[Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/14|6]] }} {{tabela | título = 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calendario; mas não deixa bem airados os santos varões. Não valeu a pena ao primeiro padecer martyrios beatificatorios para descer á terra transfeito em lenho, e andar por ahi nos disturbios a empollar gallos no coruto dos espancados. Nem ao segundo operar o milagre dos peixes para desfechar afinal em esteio de máus cavalleiros em transe de corcóvos. As velhas fazendas não fugiram á praxe. Rara é a que toma nome d’algum estigma peculiar ao feitio topographico, escapando desse modo á santificação. Ha-as, porém, e entre estas a fazenda do Atoleiro, propriedade do major João Lucas. A quarto de legua do arraial do mesmo nome, seus quinhentos alqueires de massapê vêm morrer á espalda do povoado, rente ao pequenino cemiterio de taipa. De permeio entre este e um tracto de mattas virgens dormita de papo acima o atoleiro que deu figa aos santos. Pégo de insidiosa argila negra, fraldejado por corôa de velhos guembês nodosos, a tabúa esvelta cresce-lhe pelo meio, viçosa na folhagem erectil como espadas verdes que as brisas tremelicam. Pela infloresciencia, longos hastis soerguem-se a prumo sustendo no apice um chouriço côr de telha que, maturado, se esbruga em paina esvoaçante. Entre seus talos corre a batuira arisca de longo bico, e saltita a corruila do brejo, cujo ninho bojudo se, ouriça, tramado de aculeos, nos espinheiros marginaes. {{nop}}<noinclude></noinclude> ix5d6zh216bxjlshl1shci552wuj6aw Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/152 106 258612 565129 2026-10-03T12:21:42Z JppBr98 28173 /* Revista */ 565129 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 146 {{--}}}}</noinclude>Christina, a filha unica, vinha, a passeio, o bacharel Eduardo, primo longe e noivo da moça. E aquella hora ouviam na varanda, da bocca do Vargas, fiscal, a noticia do succedido durante a ausencia. Já contára Vargas do café, da puxada dos milhos e estava na criação. Porcos, têm sumido alguns. Uma leitôa rabicó e um capadete malhado dos «Polanchan» ha duas semanas que moita. Para mim, ninguem me tira da cabeça, o ladrão foi o negro, ainda mais que essa criação costumava alongar das bandas do brejo. Eu estou sempre dizendo: precisa tocar de la o raio do maldelazento. Aquillo, Deus me perdoe, é bicho ruim inteirado. Mas não ''querem'' me acreditar… O major sorriu. Vargas tinha ogerisa velha ao misero Boccatorta, não perdia ensanchas de lhe attribuir maleficios, e de estumar o patrão a correr com elle das terras, que aquillo, Nossa Senhora, até enguiçava uma fazenda! Eduardo indagou do estranho personagem. — Boccatorta é a maior curiosidade da fazenda. Filho d’uma escrava de meu pae, nasceu o coitado, disforme e horripilante como não ha noticia de outro. Um monstro. De tão feio fugiu ao mundo e ha annos vive sosinho, entocado no matto, donde raras vezes sae e só á noite. O povo diz delle horrores, que come crianças, que é bruxo, que tem parte com o diabo. Todas as desgraças acontecidas no arrajal correm á sua conta. Para mim é um pobre diabo cujo crime unico é<noinclude></noinclude> nfovkk8x9ewzdsihnfyfhe3bpfccbvb Página:A Onda Verde (1922).pdf/27 106 258613 565133 2026-10-03T13:10:24Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565133 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /><div style="font-family:serif"></noinclude>{{cabeçalho||{{x-larger|{{k|5|O “GRILLO” XIMENES}}}}|borda_inferior=sim}} {{dhr|5}} {{dropinitial|E}}STAʼ na berlinda, a proposito do Monumento da Independencia, um “diz-que-diz-que” que tóca de perto a honorabilidade paulistana. O caso é este: um dos concurrentes ouviu dizer que nestas plagas tudo se arranja, sendo questão apenas de topete e geito. Fiado nisso, organizou um meticuloso plano de campanha para arrebatar a muque a palma da victoria. Não confiou somente, como o fizeram os demais, nos meritos artisticos da sua obra: poz em jogo os melhores truques da psychologia de ganhar concursos, na qual, dizem, é um genio. Trouxe cunhas de primeirissima, cartas dos melhores padrinhos europeus, a começar do papa, endereçadas aos paredros paulistanos com voz decisoria no certamen. {{nop}}<noinclude></div></noinclude> apahn32uhm0fb5e0vwb54yadbrk2rvy Página:A Onda Verde (1922).pdf/28 106 258614 565135 2026-10-03T13:12:38Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565135 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /><div style="font-family:serif"> {{cabeçalho|''28''||{{k|5|''Monteiro Lobato''}}}}</noinclude>Nāo parou ahi. Anda a presentear com bustos de marmore e bronze, de sua lavra, varios personagens marcantas do nosso alto bordo, capazes de cochichar no ouvido da Themis que vae decidir do concurso as palavrinhas magicas da victoria. Não esqueceu, por exemplo, o presidente do Estado, nem, para maior reforço, pessoa que lhe é cara. Não esqueceu o poderoso deputado-poeta que entre nós exerce a funcção mimosa de embaixador de Apollo, Minerva e Mercurio junto ao Thesouro Paulista. Nem esqueceu nenhum dos mimosos ageitadores de negocios, susceptiveis de ternura ante a sua desinteressadissima amabilidade. Isto é publico e notorio. Outras combinaçõeszinhas, não publicas nem notorias, fiquem por lá, no segredo dos bastidores. Aʼ nossa these bastam os factos acima, reveladores da intenção de vencer um concurso artistico por meios outros que não as qualidades da obra dʼarte apresentada. {{nop}}<noinclude></div></noinclude> ko12n8f9lksk2n897gpivvuioei0wwp Página:A Onda Verde (1922).pdf/29 106 258615 565137 2026-10-03T13:15:10Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565137 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /><div style="font-family:serif"> {{cabeçalho|{{k|5|''“O Grillo” Ximenes''}}||''29''}}</noinclude>— Exaggero! O facto de homenagear com bustos certas pessoas de S. Paulo não quer dizer que... — Quer. Porque ao organizar a lista dos busteaveis só incluiu nomes de julgadores do concurso, directos ou indirectos, na intenção visivel de puxar brasas para o seu gesso. O caso é serio, pois. Eʼ desses que despertam os gansos do Capitolio e os põe a grasnar de apito na bocca. Significa, nem mais nem menos. o intuito friamente deliberado de vencer a todo o transe, pela peita de alto cothurno alliada a um fidalgo e artistico suborno. Errou, todavia, o arguto psychologo. Está proximo o julgamento das maquetas apresentadas e s. s. verificará como mentiram os que na Italia deram como “ageitaveis” os nossos pro-homens immaculados. Outra questão, agora. O seu projecto é tal que possa vencer pela simples força do valor esthetico? {{nop}}<noinclude></div></noinclude> ooww9pyim197iq8wpls27uftb6wdqig Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/82 106 258616 565139 2026-10-03T13:28:30Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565139 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|78|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>as lendas de Ramayana, o Ganges tem a sua nascente no céu, dʼonde, graças a Brahma, desce para a terra. Ao mesmo tempo que fazia as compras, Passepartout viu rapidamente a cidade, outrʼora defendida por um forte magnifico que se tornou prisāo de estado. Nem commercio nem industria havia já nʼesta cidade dʼantes tāo commercial e industrial. Passepartout, que debalde procurava um armazem de modas, como se estivesse no Regent-Street, a alguns passos de distancia de Farmer e Co, apenas encontrou em casa de um adello, judeu velho e meticuloso, os objectos de que tinha necessidade, isto é, um vestido de estofo escocez, um grande manto e uma bella pellissa de lontra, os quaes nāo poz duvida em pagar por setenta e cinco libras. Depois, com ar de triumpho, voltou para a estaçāo. Mrs. Aouda começava a tornar a si. A influencia a que os padres de Pillaji a tinham submettido dissipava se pouco a pouco, e os seus lindos olhos recuperavam toda a doçura indiana de que eram dotados. Quando o rei-poeta Uçaf Uddaul celebra os encantos da rainha de Alméhnagara, exprime-se assim: «Os seus cabellos reluzentes, divididos ao meio, emmoldu-<br>«ram-lhe o harmonioso contorno das faces alvas e delicadas,<br>«scintillantes de lustre e de frescura. As suas sobrancelhas de<br>«ebano tèem a fórma e o poder do areo de Kama, deus do<br>«amor, e sob as pestanas compridas e assetinadas, na negra<br>«pupilla dos olhos limpidos, fluetuam-ihe como nos sagrados la-<br>«gos do Himalaya, os reflexos mais puros da luz celeste. Finos,<br>«iguaes, de deslumbrante alvura, resplandecem-lhe os dentes<br>«entre os labios banhados de riso, como resplandecem as gotas<br>«de orvalho no seio entreaberto da flor da romeira. As suas ore-<br>«lhas delicadas de curvas symetricas, as suas māos nacaradas.<br>«os seus pequeninos pés arqueados e tenros como os renovos<br>«do lotus, igualam no brilho as mais bellas perolas de Ceylāo,<br>«os mais formosos diamantes de Golconda. A cintura delgada e<br>«flexivel, que cabe em qualquer māo, realça-lhe a elegante cur-<br>«va dos arredondados rins e a opulencia do busto onde a no-<br><noinclude></noinclude> q90j4bysmg2dq1tb13nty754yyme5ar 565140 565139 2026-10-03T13:30:16Z Erick Soares3 19404 565140 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|78|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>as lendas de Ramayana, o Ganges tem a sua nascente no céu, dʼonde, graças a Brahma, desce para a terra. Ao mesmo tempo que fazia as compras, Passepartout viu rapidamente a cidade, outrʼora defendida por um forte magnifico que se tornou prisāo de estado. Nem commercio nem industria havia já nʼesta cidade dʼantes tāo commercial e industrial. Passepartout, que debalde procurava um armazem de modas, como se estivesse no Regent-Street, a alguns passos de distancia de Farmer e Co, apenas encontrou em casa de um adello, judeu velho e meticuloso, os objectos de que tinha necessidade, isto é, um vestido de estofo escocez, um grande manto e uma bella pellissa de lontra, os quaes nāo poz duvida em pagar por setenta e cinco libras. Depois, com ar de triumpho, voltou para a estaçāo. Mrs. Aouda começava a tornar a si. A influencia a que os padres de Pillaji a tinham submettido dissipava se pouco a pouco, e os seus lindos olhos recuperavam toda a doçura indiana de que eram dotados. Quando o rei-poeta Uçaf Uddaul celebra os encantos da rainha de Alméhnagara, exprime-se assim: «Os seus cabellos reluzentes, divididos ao meio, emmoldu-<br>«ram-lhe o harmonioso contorno das faces alvas e delicadas,<br>«scintillantes de lustre e de frescura. As suas sobrancelhas de<br>«ebano tèem a fórma e o poder do areo de Kama, deus do<br>«amor, e sob as pestanas compridas e assetinadas, na negra<br>«pupilla dos olhos limpidos, fluetuam-ihe como nos sagrados la-<br>«gos do Himalaya, os reflexos mais puros da luz celeste. Finos,<br>«iguaes, de deslumbrante alvura, resplandecem-lhe os dentes<br>«entre os labios banhados de riso, como resplandecem as gotas<br>«de orvalho no seio entreaberto da flor da romeira. As suas ore-<br>«lhas delicadas de curvas symetricas, as suas māos nacaradas.<br>«os seus pequeninos pés arqueados e tenros como os renovos<br>«do lotus, igualam no brilho as mais bellas perolas de Ceylāo,<br>«os mais formosos diamantes de Golconda. A cintura delgada e<br>«flexivel, que cabe em qualquer māo, realça-lhe a elegante cur-<br>«va dos arredondados rins e a opulencia do busto onde a mo-<br><noinclude></noinclude> pejeo557x3fvtx7vpsovtxdm7xaozex Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/83 106 258617 565141 2026-10-03T13:34:34Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565141 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|79|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>«cidade em flor ostenta os mais perfeitos thesouros; o seu cor-<br>«po, sob as sedosas ondulaçōes da tunica que o envolve, parece<br>«ter sido modelado em prata pura pela māo divina de Vieva-<br>«carma, o eterno estatuario.» Mas, dispensando toda esta amplificaçāo poetica, basta dizer que mrs. Aouda, a viuva do rajah do Bundelkund, era uma mulher encantadora na rigorosa accepçāo europea da palavra. Fallava inglez com extraordinaria correcçāo, e o guia nāo exagerára affirmando que a joven parsi fôra transformada pela educaçāo. Entretanto, o trem ia deixar a estação de Allahabad. O parsi esperava pela paga. Mr. Fogg pagou-lhe o que se convencionára, sem um ''farthing'' <ref>''Farthing'', moeda ingleza de cobre, que vale um quarto de ''penny'', ou cinco réis pouco mais ou menos.{{right|(''N. do T.'')}}</ref> a mais ou a menos. Isto admirou um pouco Passepartout, que sabia quanto seu amo era devedor á dedicaçāo do guia. O parsi tinha na realidade arriscado voluntariamente a vida na surpreza de Pillaji, e se mais tarde os indios viessem a saber dʼisto, difficilmente escaparia á sua vingança. Restava a questāo do Kiouni. Que se havia de fazer de um elephante que tāo caro custára? Phileas Fogg já tinha tomado uma resoluçāo a esse respeito. Parsi, disse elle ao guia, tu és serviçal e dedicado. Paguei os teus serviços, mas nāo recompensei a tua dedicaçāo. Queres este elephante? Dou-tʼo. Os olhos do guia brilharam. — É uma fortuna que Vossa Honra me dá! exclamou elle. — Acceita, guia, redarguiu mr. Fogg, e sou eu que ainda fico teu devedor. — Ora muito bem ! exelamou Passepartout. Toma, amigo ! Kiouni é um animal corajoso e valente! E indo direito ao animal apresentou-lhe alguns pedaços de assucar, dizendo: — Toma, Kiouni, toma, toma, toma ! {{nop}}<noinclude>{{smallrefs}}</noinclude> op5uqd88pum05shsw0iod595qsuknye Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/84 106 258618 565142 2026-10-03T13:38:20Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565142 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|80|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>O elephante fez ouvir alguns grunhidos de satisfaçāo. Em seguida, agarrando Passepartout pela cintura e enrolando-o com a tromba, levantou-o até á altura da sua enorme cabeça. Passepartout nāo teve o menor susto, fez uma caricia affectuosa ao animal, que o tornou a pôr em terra com toda a cautela, e ao aperto da tromba do bom Kiouni correspondeu um vigoroso aperto de māo do bom do moço. Instantes depois Phileas Fogg, sir Francis Cromarty e Passepartout, installados nʼum commodo wagon, do qual mrs. Aonda occupava o melhor logar, corriam a todo o vapor em direcçāo a Benarés. Oitenta milhas, o muito, separam esta cidade de Allahabad, as quaes foram percorridas em duas horas. Durante o trajecto a joven tornou completamente a si; os vapores suporiferos do «hang» dissiparam-se. Qual nāo foi, porém, a sua admiraçāo ao achar-se no caminho de ferro, nʼaquelle compartimento, trajando á maneira da Europa, em meio de viajantes que lhe eram completamente desconhecidos! Os seus companheiros trataram logo de lhe prodigalisar os maiores cuidados, e reanimaram-na com algumas gotas de licor; em seguida o brigadeiro contou-lhe o que se passára com ella. Insistiu na dedicaçāo de Phileas Fogg, que nāo hesitára em arriscar a vida para a salvar, e no desenlace da aventura, devida á audaciosa imaginaçāo de Passepartout. Mr. Fogg deixou-o fallar, sem dizer palavra. Passepartout, todo envergonhado, repetia que «aquillo nāo valia nada!» Mrs. Aouda, enternecida, agradeceu aos seus salvadores mais com lagrimas do que com palavras. Nʼella, os olhos formosos, mais do que os labios, foram interpretes do seu reconhecimento. Depois, volvendo o pensamento para as scenas do sutty, dirigindo os olhos para aquella terra indiana onde tantos perigos ainda a esperavam, sentiu um estremecimento de terror. Phileas Fogg comprehendeu o que se passava no espirito de mrs. Aouda, e para a tranquillisar, offereceu-lhe, aliás com muita frieza, que a levaria para Hong-Kong, onde podia fi-<noinclude></noinclude> gyydrgu1dxo9h6u6f3neek7vm23v73e Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/475 106 258619 565144 2026-10-03T14:30:54Z MLReis 41056 Transcrição com Google OCR, conferida com o original; lemas, categorias gramaticais e definições formatados. 565144 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="display:flex;justify-content:space-between;font-family:serif"><span>A M E</span><span>A M E</span><span>267</span></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> {{lema|Ameaçar cahida ou ruina.}} {{Def|Correr riſco ou acharſe em perigo de vir a terra.}} Dos edificios e couſas eminentes. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Gaſp. da Cruz</span>, Tr. 6, 1 Eſtão [os muros] muito limpos ſem buraco, nem fenda, nem couſa, que ''ameace cahida''. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Deſcripç. 10 Porque parecem os penedos que eſtão ''ameaçando ruina''. <span style="font-variant:small-caps">Caſtr.</span> Ulyſſ. 8, 8 De eſpantado largava o grão Gigante O alto pezo da eſfera criſtalina, E arriſcando o eſtillifero Tonante, ''Ameaçava'' o Ceo grave ''ruina''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Eſper.</span> Hiſt. 1. Prelud. 1, 1 Com a qual tribulação a virtude, e a fé ''ameaçavão ruina''. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Voz, 2, 3, 14 Verão os homens enſanguentados o Sol e a Lua, e todas as creaturas deſordenadas ''ameaçar'' a derradeira ''ruina''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. ''Ameaça'' muitos quem affronta hum. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Aulegr. 3, 4. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Quem ''ameaça'', e não dá, medo há uſ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Quem ''ameaça'', huma tem, e outra guarda ou eſpera. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 2, 4. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Quem ''ameaça'', ſua ira gaſta, uſ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEAÇO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O meſmo que}} Ameaça. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Ulyſſip. 2, 6 Hum ''ameaço'' meigo, que levanta o pó do chão. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 8, 90 Os ''ameaços'' ſeus não teme nada. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 7, 14, 7. n. 521 Todas eſtas palavras são de fé, vede ſe pódem faltar tanto pela parte da promeſſa, como do ''ameaço''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. Dizſe nas differentes accepções de Ameaçar. <span style="font-variant:small-caps">Fernand.</span> Palm. 3, 78 Sobre tudo não tinha mais de barba, que huns ''ameaços'' della. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 5, 73 Ꝟ Não temendo do tempo os ''ameaços''. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Hiſt. do Fut. 59, 65 Applicando o remedio á ferida, ou aos ''ameaços'' della. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEADO, A.}} Fortif. pouc. uſ. {{catgram|p. p.}} de Amear. Applicaſe as muralhas. <span style="font-variant:small-caps">Caſtanh.</span> Hiſt. 4, 29 He [o muro] entulhado de terra até o meio, e ''ameado'' com améas de ſetteiras. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEALHADOR.}} {{catgram|s. m.}} {{lema|ORA.}} {{catgram|f.}} {{Def|O que ou a que amealha.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Barbos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> No fem. <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEALHAR.}} {{catgram|v. n.}} vulg. {{Def|Regatear na compra, barateando o preço.}} <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 1, 2 Velos ''amealhar'', parece, que darem mais hum ceitil, lá lhe vão os olhos da cara. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Act. {{Def|Ajuntar poupando com eſcacêza.}} <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 1, 4, 124, A Enterrando comſigo o que ''amealhárão''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEAR.}} {{catgram|v. a.}} pouc. uſ. Fortif. {{Def|Guarnecer de ameias.}} <span style="font-variant:small-caps">Caſtanh.</span> Hiſt. 6, 128 Sem o muro da banda do mar eſtar de todo çarrado, e o da banda da terra por ''amear'' maior parte delle. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEBÉO.}} {{catgram|adj.}} [verſo] {{Def|Alternado.}} Do Greg. ''Ἀμοιβαῖος''. <span style="font-variant:small-caps">Leon. da Coſt.</span> Ecl. 3, 10 Ꝟ. not. a Verſo ''amebeo'' ... he quando dous cantando alternadamente, o ſegundo diz outros tantos verſos; mas que ſignifiquem couſa maior, ou contraria. <span style="font-variant:small-caps">Galheg.</span> Templ. Indic. ''Amebeo''. He huma caſta de verſo, que ſe uſa nos Epithalamios, he o meſmo que alterno. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Á MEDIDA.}} {{catgram|fórm. adv.}} Vej. Medida. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|A MEDO.}} {{catgram|fórm. adv.}} Vej. Medo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEDRENTADAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} pouc. uſ. {{Def|Medroſamente, com temor.}} <span style="font-variant:small-caps">Tenreir.</span> Itin. 15 Tem algumas Igrejas pequenas, e Oratorios em a dita Cidade, onde dizem Miſſas, e celebrão os Officios Divinos ao modo da primitiva Igreja, porém ''amedrentadamente''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEDRENTADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Amedrentar. <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 1, 348 Ꝟ. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 2, 41, 120. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 7, 113. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEDRENTAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Atemorizar, cauſar grande medo, infundir ſuſto, ou pavor.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 1, 5, 2 Sem os ''amedrentar'' com algum tiro, que os fizeſſe acolher. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 10, 72 E a viſta lhe ''amedrenta'' Da fera multidão quadrupedante. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 2, 11, 30 ''Amedrentando'' [Faretecão] os cercados, pertendia reconhecer os lugares. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEDRONTADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Amedrontar. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. de D. Man. 1, 56. <span style="font-variant:small-caps">Sous. Coutinh.</span> Cerc. 1, 10, 16 Ꝟ. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 1, 91. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEDRONTAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|O meſmo que}} Amedrentar. antiq. Amedorentar. <span style="font-variant:small-caps">Andrad.</span> Cerc. 3, 10, 1 Vós os dous Dioniſios, que c'o fero Nome ſó, a Syracuſa ''amedrontaſtes''. <span style="font-variant:small-caps">Guerreir.</span> Rel. 5, 3, 20 Os Bonzos, que niſto tanto intereſsão, tem cuidado de os ''amedrontar''. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 1, 17 Como touro paſſado da garrocha, Que o corro com bramidos ''amedronta''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEGAR.}} {{catgram|v. a.}} ant. {{Def|Abolar, amolgar, fazer moça, abrir}} </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> {{Def|fenda.}} Reg. ''em''. <span style="font-variant:small-caps">Caſtanh.</span> Hiſt. 5, 42 Porém nas paredes dos muros não ''amegavão'' os pelouros nada. <span style="font-variant:small-caps">Memor. das Proez.</span> 1, 30 Do que elles andavão maravilhados, e muito mais do pouco damno, que lhe fazião por a muita fortaleza das armas, em que não ''amegavão'' as forças dos cavalleiros, pera o poderem ferir. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEGIA.}} {{catgram|s. f.}} antiq. Vej. Ameijoa. <span style="font-variant:small-caps">A. Galv.</span> Tr. 58. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEGO.}} {{catgram|s. m.}} ant. Vej. Amago. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEJA.}} {{catgram|s. f.}} antiq. Vej. Ameijoa. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 4, 4, 8. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIA.}} {{catgram|s. f.}} Fortif. {{Def|Parte ſuperior das muralhas, não continuada, mas interrompida a iguaes diſtancias, deixando entre ſi lugar para deſcobrir e atirar aos inimigos.}} Talvês do Lat. ''Minæ''. Uſaſe mais frequentemente no pl. [Amêa] Sing. <span style="font-variant:small-caps">Caſtilh.</span> Comm. 2, 34 Não tinhão huma ''amea'' ganhada. <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 90 Cercada [cidade de tijolo] com eſpigões por cima do muro, ſem ''amêa'' nenhuma, nem baluarte. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Voz. 2, 1, 2. p. 175 Se em todas as Fortalezas do Reino preſidiadas por Caſtella, não ha huma ſó ''amea'' por ſua parte, que importa que Portugal tem mais hum homem? </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Pl. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 4, 6, 15 Determinando deſcoroar as ''améas'' dos muros. <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Palm. 1, 16 O gigante Dramuſiando ſe pôs antre as ''amêas'', que cahião ſobre a ponte. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Od. 1, 4 Nem pera em fogo arder Deſdo chão té as ''amêas'' Meca e Cairo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Heit. Pint.</span> Dial. 1, 5, 10 Antes ha de ter tal vigia e contemplação, que eſtando na terra, chegue com as ''amêas'' ao céo. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 2, 201, 1 Oh Martyres glorioſos, fruitas da Cruz de meu Senhor, que aſſi como Deos offereceo o filho por voſſo remedio, aſſi vós voſſas vidas por ſua honra nas ''amêas'' e theatro do mundo. <span style="font-variant:small-caps">Leon. da Coſt.</span> Converſ. 2. Nem o poder furibundo Do mundo, nem do profundo, Huma ''amêa'' lhe tomou; Porque ella nunca peccou. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEJEA.}} {{catgram|s. f.}} antiq. Vej. Amejoa. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIGAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Afagar, amimar, fazer meiguices.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Barbos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIJOA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Certo mariſco bivalve.}} He de figura rhomboidal, achaſe enterrado no lodo, e na areia; aberto pela parte inferior ſe alliga aos rochedos, e a ſua carne, incluida nas conchas, ſe vai pouco a pouco fazendo calloſa, e endurecendo tanto mais, quanto mais perto eſtá do rochedo. He por fóra de côr terrea, e interiormente esbranquiçada com manchas pardas. As caſcas são eſtriadas com regos tanto menos profundos, quanto mais ſe chegão ao ponto e centro da ſua união. A parte ſuperior he liza no lugar, em que as duas conchas, cercadas de pequenos dentes, ſe vem a unir. Haas de diverſos tamanhos e com as caſcas mais ou menos duras: ſervem de iguaria, e tem hum goſto ſaboroſo. antiq. Amegia. Ameja, Amegea. <span style="font-variant:small-caps">Bern. Lim.</span> Ecl. 11 Faz d'aqui perto o mar hum largo ſeio, Onde de ''amejoas'' lizas, ſem trabalho Podemos apanhar hum ceſto cheio. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 4, 4, 8 Não tinhão ferro, porque em ſeu lugar uſavão de caſcas de ''amejas''. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Deſcripç. 30 Oſtras, ''amejeas'', mexilhões... </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIJOADA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Paſtagem deſcoberta e expoſta ao relento.}} <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 1, 91 E ſendo já alto dia, diſſe, que aquelles fógos, que elle vira, erão de almocreves, que jazião em hum grande valle em ſua ''ameijoada''. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. J. I. 23 E ſendo alto dia, diſſe que aquelles fógos erão de almocreves, que jazião em hum valle de ''ameijoada''. <span style="font-variant:small-caps">M. Godinh.</span> Rel. 23, 145 Era o lugar belliſſimo para dar huma ''ameijoada'' aos cavallos, que já não tinhão cevada. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Ajudas de ameijoada.}} Med. <span style="font-variant:small-caps">Curv.</span> Polyanth. 2, 73, 30 A ſexta advertencia, he, que aos doentes de eryſipela ſe deitem todos os dias ''ajudas'' freſcas ''de ameijoada''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIJOAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Levar o gado á ameijoada.}} Só ſe uſa com pron. peſſ. Dos paſſaros. <span style="font-variant:small-caps">Caſtanh.</span> Hiſt. 4, 35 Eſtas aves ''ſe ameijoão'' em humas rochas, qu'eſtão nas meſmas Ilhas ao longo do mar. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIJORAR.}} {{catgram|v. n.}} antiq. {{Def|Recolherſe na ameijoada.}} <span style="font-variant:small-caps">Vit. Chriſt.</span> 2, 25, 72 Em as quaes [Igrejas] Deos fez ''ameijorar'' e lançar as ſuas ovelhas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIXA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Fructo da ameixoeira.}} Parece ſer voz tomada do Perſico, ''Mexmas'', que ſignifica damaſcos; donde parece vir a palavra Portugueza ameixas, aindaque ſignifica couſa diverſa; pois a differença da couſa he tão pouca, como a corrupção do nome. ant. Amexa, Amexea ou Amexia. <span style="font-variant:small-caps">Ort.</span> Colloq. 20, 93 Eſſa fructa [figos da India] ha em Veneza, e he como ''amexeas''. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 1, 26, 115 O fructo, que ſe chama lançaas he </p> |}<noinclude><div style="text-align:right;font-family:serif">do</div></noinclude> 9k1fz70geu7m2mwtb9k86ft39l3vmoo Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/476 106 258620 565145 2026-10-03T14:35:47Z MLReis 41056 Transcrição com Google OCR, conferida com o original; lemas, categorias gramaticais e definições formatados. 565145 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" /><div style="display:flex;justify-content:space-between;font-family:serif"><span>268</span><span>A M E</span><span>A M E</span></div></noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> do tamanho de ''ameixas''. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Deſcripç. 23 Das ''ameixas'' ha infinda novidade. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEIXIAL.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Lugar plantado de ameixieiras.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Barbos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEXIEIRA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Certa arvore fructifera.}} He brava, ou manſa. A eſta chama Linneo ''Prunus domeſtica''. Ha della varias eſpecies, que dão fructos differentes na côr, figura, e ſabor. As flores deſta arvore são diſpoſtas em fórma de roſa. Ás flores ſuccedem fructos ſucculentos, diverſos no ſabor, ſegundo a diverſidade da arvore. As folhas são ſimplices, quaſi ovaes, denticuladas, nervoſas por baixo, e regoadas por cima, e prezas alternativamente aos ramos. Multiplica eſta arvore de enxertia, de caroço, e de eſtaca. ant. Ameixiera, Amexeira, Amexoeira, Ameixuera. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Eleg. 7, 9 A ''ameixieira'' a flôr eſtá ſoltando. <span style="font-variant:small-caps">Ort.</span> Colloq. 6, 18 Vejo ſer [a arvore Triſte] de tamanho de huma oliveira, e ter as folhas como d&#39;''amexoeira''. <span style="font-variant:small-caps">Sever.</span> Promptuar. 198 Outras [arvores] em poucos annos perecem, como ''ameixieira'', e as mais, que produzem fructo de caroço. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Abraçouſe o aſno com a ''ameixieira'', e acharãoſe parentes. <span style="font-variant:small-caps">Preſt.</span> Aur. 44. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Não buſques o figo na ''ameixieira''. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 10. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMELOADO, A.}} {{catgram|adj.}} pouc. uſ. {{Def|Que tem figura de melão.}} <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 3, 474 Cingia hum roſario de contas ''ameloadas'', com vivas quinas &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMELROADO, A.}} {{catgram|adj.}} Cavall. {{Def|De côr de melro.}} Dos cavallos. <span style="font-variant:small-caps">Reg.</span> Summul. 1 Os cavallos ''amelroados''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMEN.}} Voz Hebraica. {{Def|Aſſim ſeja,}} ſupplicando; ou {{Def|certamente,}} approvando e confirmando. Dizſe no fim de todas as orações de Igreja. Na ſagrada Eſcriptura tem ás vezes força de adverbio, e no principio dos periodos quer dizer, ''na verdade''; e repetido tem maior força affirmativa. Compõeſe de letras iniciaes das palavras Hebraicas, ''Adonai, Melec, Nee, Man'', que valem o meſmo que ''Senhor Rei fiel''. <span style="font-variant:small-caps">Vercial</span>, Sacram. 1, 11, 15 Ꝟ ''Amen'', alleluia ſom palavras do Hebraico, e nunca forom mudadas em outra lingoagem, não porque não ſe podem interpretar e declarar; mas porque foſſe guardada antiguidade em em ellas por autoridade ſanta, que houverom ... E eſte nome ''amen'' ha duas ſignificações. A huma quer dizer, aſſi ſeja. A outra quer dizer, verdade he. <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 1, 305 Duas palavras quiz [a Igreja Romana] que ficaſſem na lingoa propria [Hebraica] e muitas vezes repetidas, huma, que ſignifica verdade, que he ''Amen'' &c. <span style="font-variant:small-caps">Cathec. Rom.</span> 401 Ꝟ E por differentes modos foi por muitos declarada eſta palavra ''amen'', os ſetenta interpretes a interpretárão, ſeja feito. Segundo outros quer dizer, verdadeiramente: ſegundo Aquila ſignifica fielmente. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Pl. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 2, 312, 3 Vamos agora aos ''amens'' de Chriſto. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Palavr. 13, 2, 3. p. 67 Aſſim como elle [Deos] antiga e antiquiſſimamente pronunciou as promeſſas, aſſim os effeitos depois lhe reſponderão com os ''amens''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Dizer os amens á alguem.}} Fraſ. met. {{Def|Confirmar ou approvar ſubmiſſa e liſonjeiramente o que alguem diz ou faz.}} <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Apol. 395. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 1, 6, 246, B. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Nem tanto ''amen'', que ſe damna a Miſſa. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 3, 2. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Ulyſſip. 1, 3. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENAGEM.}} {{catgram|s. f.}} antiq. {{Def|O meſmo que}} Homenagem. <span style="font-variant:small-caps">Vercial.</span> Sacram. 3, 54, 119 Ꝟ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENCIA.}} {{catgram|s. f.}} pouc. uſ. {{Def|Privação e falta de entendimento.}} Do Lat. ''Amentia''. <span style="font-variant:small-caps">M. Fernand.</span> Alm. 1, 5, 3. n. 61 E Philo Hebreo diz, que muitos dos Iſraelitas chegavão a tanta ''amencia'', que &c. <span style="font-variant:small-caps">Curv.</span> Polyanth. 2, 19, 1 Eſtulticia e fatuidade he huma diminuta e enfraquecida operação do entendimento: differem da ''amencia'' e tolice; porque a ''amencia'' e tolice he huma privação e total falta de entendimento. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENDOA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|O fructo da amendoeira.}} <span style="font-variant:small-caps">Ort.</span> Colloq. 5, 15 O ſeu miolo [do anacardo] he ſemelhante a ''amendoa''. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 1, 26, 116 Entre os quaes [fructos] ha humas arvores grandes chamadas Canaxas, que ſempre dão fructo do meſmo nome, de maneira, feição, e tamanho de ''amendoa''. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 6, 3 Lançou duas pedras do feitio e tamanho de duas grandes ''amendoas'', quando eſtão verdes e cobertas de caſca. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Amendoas confeitas a moda.}} {{Def|São as amendoas deſcacadas cobertas de açucar, ficando em varios relevos pequenos.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Amendoas marquezinhas.}} {{Def|São as amendoas cobertas mais pequenas, e mimoſas.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Adag. O papagaio treme maleitas, porque lhe não dão ''amendoas'' confeitas. <span style="font-variant:small-caps">Hern. Nun.</span> Retran. 83 Ꝟ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Amendoa.}} T. de Ourivez. uſ. {{Def|Brinco ou peça de pedras precioſas com figura de amendoa.}} </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENDOADA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Pivitada ou emulsão de pivides, particularmente de melão e melancia, a que ſe ajunta alguma amendoa, ou ainda meſmo ſem ſe lhe ajuntar.}} <span style="font-variant:small-caps">A. da Cruz</span>, Recop. 4, 7 E o doente póde tomar a noite ''amendoada'' feita de amendoas, e pivides de melão, e de abobora. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 1, 9 Por maneira que hum dia, que havia de tomar huma ''amendoada'', ſe mandou buſcar huma colher fóra de caſa empreſtada. <span style="font-variant:small-caps">Sever.</span> Prompt. 1, 1, 2. p. 3 Ꝟ D. Pedro da Coſta, Biſpo de Oſma, era tão obſervante de abſtinencia, que nem morrendo, quiz provar a ſubſtancia de carne, que lhe derão em huma ''amendoada''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENDOADO, A.}} {{catgram|adj.}} pouc. uſ. {{Def|Que tem amendoa.}} <span style="font-variant:small-caps">Ort.</span> Colloq. 9, 28 Ꝟ He huma eſpecia [de Benjui] a mais vendavel de todas, que chamão ''amendoado'', que tem dentro humas amendoas brancas, e quanto mais amendoas tem, tanto he havido por melhor. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENDOAL.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Lugar plantado ou povoado de amendoeiras.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Barbos.</span> Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENDOEIRA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Certa arvore fructifera.}} He denominada por Linneo ''Amygdalus communis''. Creſce até altura de vinte e cinco pés pouco mais ou menos, e de ordinario a ſua figura he irregular. O tronco tem a ſuperficie deſigual, coberta de huma caſca cinericia; o pao he duro, arruivaſcado, e ás vezes de côres lindas. Os ramos, em novos, são delgados, compridos, flexiveis, e tem huma caſca liza e verde clara. Suſtentão folhas alternas, eſtreitamente lanceoladas, pontudas, e denteadas, poſtas ſobre peciolos do comprimento de huma pollegada. As flores são rentes, ſolitarias ou geminadas, eſpalhadas pelo comprimento dos ramos, brancas, com huma côr purpurea mais ou menos eſcura na baſe das ſuas petalas. Abremſe eſtas flores do meio de Março até ao meado de Abril, primeiro que as de todas as outras arvores, e antes de apparecerem as ſuas meſmas folhas. O fructo he huma drupa ſecca e de máo goſto, oval, achatada nos lados, e ainda quando amadurece não toma côr, como os outros fructos: cobre hum caroço furado em muitas partes, regoado na ſuperficie, menor e menos gretado, que o do pecego. Dentro nelle ſe acha hum miollo oblongo, branco, tenro, oleoſo, doce, ou amargo, ſegundo a variedade das arvores, de que naſce. Tem muito uſo em differentes iguarias e medicamentos. Dáſe na parte Septentrional da Africa, e nas meridionaes, e temperadas da Europa. <span style="font-variant:small-caps">Barreir.</span> Chorogr. 105 Ꝟ Toda eſta terra he plantada de vinhas e olivaes, ''amendoeiras'' e outras muitas fructas. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 23, 3 Nunca ſe enxerta larangeira em limoeiro, ou ''amendoeira'' em damaſco. <span style="font-variant:small-caps">M. Thom.</span> Inſul. 10, 92 ''Amendoeira'', que a primeira gloria Leva na flôr com fructo retardado. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Abraçouſe o aſno com a ''amendoeira'', e acharãoſe parentes. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 24. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|AMENDOIM.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Certa planta da familia das leguminoſas.}} He denominada por Linneo ''Arachis Hypogæa''. He huma pequena planta aſſás ſingular pela ſua diſpoſição, e muito mais pela fórma dos ſeus fructos. A ſua raiz he fibroſa, tem hum ou mais troncos, ſimplices, felpudos, avermelhados, acanelados, poſtrados, de ſeis até nove pollegadas. Eſtes troncos são guarnecidos de flores alternas, axillares, ſem impares, e compoſtas cada huma de quatro foliolos ovaes, poſtos dous a dous na parte ſuperior de hum peciolo commum. Dos dous pares de foliolos, que compõe cada huma das folhas, hum he terminal, e o outro ſituado pela parte debaixo em pouca diſtancia do de cima. Cada peciolo commum he do comprimento de duas pollegadas, até duas e meia, felpudo, nú na ſua ametade inferior, e munido junto á baſe de huma eſtipula membranoſa, que a abraça, e ſe reparte em duas lacinias pontudas. As flores são amarrellas, axillares, ſolitarias ſobre os ſeus pedunculos, que são mais curtos, que os peciolos das folhas, e naſcem huma ou duas juntas em cada axilla. Cada flôr compõeſe de hum caliz, dividido em duas partes, das quaes a ſuperior he ſemifendida em tres lacinias, e a inferior lanceolada; de huma corolla, papilionacea, quaſi reſſupinada, e compoſta de hum eſtendarte largo, arredondado, e chanfrado; de duas alas ovaes mais curtas, que o eſtandarte; e de huma naveta hum pouco curvada, e levemente bifendida na ſua baſe; de dez eſtames, cujos filetes são reunidos pela parte inferior em huma bainha membrano- </p> |}<noinclude><div style="text-align:right;font-family:serif">ſa</div></noinclude> 4taipgkasv6yhu0hgdhvg0b7r7aj37m Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/18 106 258621 565146 2026-10-03T17:55:55Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: 11. D. Catharina. Morreu solteira. 12. Gervasio Pires Ferreira. Desta noticia biographica. {| cellspacing=0 cellpadding=0 style="background-color:transparent;line-height:1em;" |Anna.||{{chave|r|t}}|| |- |||{{chave|r|mt}}|| Mortos em vida do Pai. |- |||{{chave|r|mb}}|| |- |João.||{{chave|r|b}}|| |} {{c|{{linha horizontal|2em}}}} Gervasio Pires Ferreira nasceo na freguezia de S. Frei Pedro Gonçalves da cidade do Recife na madruga... 565146 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>11. D. Catharina. Morreu solteira. 12. Gervasio Pires Ferreira. Desta noticia biographica. {| cellspacing=0 cellpadding=0 style="background-color:transparent;line-height:1em;" |Anna.||{{chave|r|t}}|| |- |||{{chave|r|mt}}|| Mortos em vida do Pai. |- |||{{chave|r|mb}}|| |- |João.||{{chave|r|b}}|| |} {{c|{{linha horizontal|2em}}}} Gervasio Pires Ferreira nasceo na freguezia de S. Frei Pedro Gonçalves da cidade do Recife na madrugada de 26 de Junho de 1765. Feita aqui a escola primaria e na idade de 11 a 12 anos, seus pais o fizeram recolher ao Collegio de Mafra, em Portugal, e nelle corrente em Humanidades, passou a Coimbra, e em sua Universidade matriculou-se na Faculdade Mathematicas. Do grande desvelo na educação intellectual superior dos seus filhos, como deixamos visto, melhormente avalia-se ainda, que homem de rasão era Domingos Pires Ferreira, pois comprehendia que o bom pai mal se desempenha, não segura a seus filhos a melhor posição e a verdadeira felicidade entre os homens, somente ''com lhes deixar descanços corruptores'', si, apesar de abundantes meios, descuida-se ou nega-se a dotal-os principalmente com a mais solida, mais permanente e mais honorifica riqueza, o saber. E na verdade, que importancia e influencia, que gosos obterá na sociedade o ricasso estupido, que somenos e diminutos não sejam, á vista do que distinguem e felicitam o homem sabio? De ordinario, os ricos ignorantes são avarentos, esqualidos e egoistas, não só insensiveis ás dores e lastimas do afflicto, mas seus oppressores; e si a riqueza lhes vem hereditaria, não sabendo avaliar e devidamente {{Cph|mo|moderar}}<noinclude></noinclude> dizgl7qaa03r5ps46h4jvk1ivmtek6f Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/19 106 258622 565147 2026-10-03T18:05:34Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|derar}} e augmentar o que nada lhes custou, emborcam em breves dias os cofres paternos em pantana. Severa então a Satura, apontando para um destes, diz com Pope: ''Pode-se julgar do pouco caso que Deus faz das riquezas pelas pessoas a quem as dá.'' E logo {{w|André Chénier|Chenier}}, <poem> {{d|''J'ai su, pouvre et content, savourer á longs traits''}} {{d|''Les muses, plaisirs et l'etude et la paix.''}} {{d|''Qui ne sait être p... 565147 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|derar}} e augmentar o que nada lhes custou, emborcam em breves dias os cofres paternos em pantana. Severa então a Satura, apontando para um destes, diz com Pope: ''Pode-se julgar do pouco caso que Deus faz das riquezas pelas pessoas a quem as dá.'' E logo {{w|André Chénier|Chenier}}, <poem> {{d|''J'ai su, pouvre et content, savourer á longs traits''}} {{d|''Les muses, plaisirs et l'etude et la paix.''}} {{d|''Qui ne sait être pauvre est né pour l'esclavage.''}} {{d|''Une pauvreté libre est un trésor si doux!''}} </poem> Mais de vagar, e entendamo-nos; se esses versos tão lindos são consonancia de um voto monachal ou fanatico de pobresa, para ahi não vamos nós; si, porém, elles contém os sentimentos da honra e do genio conformados com a sorte avessa ao merito e ao trabalho, mil louvores a uma resignação e moral, tão bella e sobrehumana. Devemos por meio do trabalho incessante e honesto e da bem entendida economia procurar obter fazenda, que nos livre de ser pesados aos outros; que nos augmente os meios que possamos ter de ser uteis em geral, e nos dê especialmente o incomparavel goso de concorrer no allivio das penas e lagrimas do proximo desgraçado, praticando essas ações generosas que fazem honra á humanidade. Todos não podem attingir esta felicidade, é certo; que tal sempre será este mundo incongruente e vario; mas não se desconsolem por isto os pobres virtuosos: elles não ficam jámais em valor e utilidade moral abaixo dos ricos, que sejam tambem virtuosos, si os não sobrelevam;<noinclude></noinclude> 0drseq5dg19w7m02y1qbq22fkkann30 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/20 106 258623 565148 2026-10-03T18:19:41Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: e a rasão é bem clara: os pobres mais inimigos combatem, mais victorias alcançam. Respeito, porém, á instrucção, seja rico, seja pobre, ''quantum a belluis homines, tantum distant a laicis literarii.'' Gervasio era {{w|Miopia|myope}}: no fim do primeiro anno de Universidade foi atacado de uma forte ophthalmia, de que ficou toda a vida soffrendo mais ou menos, e foi-lhe por conseguinte necessario abstrahir do forçado estudo academico.... 565148 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>e a rasão é bem clara: os pobres mais inimigos combatem, mais victorias alcançam. Respeito, porém, á instrucção, seja rico, seja pobre, ''quantum a belluis homines, tantum distant a laicis literarii.'' Gervasio era {{w|Miopia|myope}}: no fim do primeiro anno de Universidade foi atacado de uma forte ophthalmia, de que ficou toda a vida soffrendo mais ou menos, e foi-lhe por conseguinte necessario abstrahir do forçado estudo academico. E' porém tradição constante na familia, que elle mais folgadamente applicou-se a estudar Direito, ou como ouvinte na Universidade, ou com algum Jurisconsulto em particular; e por muitas vezes deu elle provas de não ter perdido inutilmente o seu tempo. Regressou a Pernambuco. Seu pai indicou-lhe então o estado ecclesiastico; mas, repugnando elle, voltou á Lisboa, e matriculado negociante n'aquella grande praça e entregue todo ao commercio, casou na mesma cidade a 8 de Julho de 1792 com D. Genoveva Perpetua de Jesus Caldas, filha do rico negociante José Pereira de Souza Caldas, Cavalleiro professo da {{w|Ordem de Cristo|Ordem de Christo}} e Fidalgo da Casa real, e de sua mulher D. Thereza Joaquina de Jesus; tio paterno o dito Caldas do insigne poeta sacro brazileiro, o Reverendo Doutor {{w|Antonio Pereira de Souza Caldas}}. Sobre intelligente e activo, austeramente probo, o negociante Gervasio Pires Ferreira tornou-se um grande capitalista e não tanto por esta qualiadde, como por seus conhecimentos e perspicacia commerciaes era geralmente attendido e respeitado. Mas, {{w|Transferência da corte portuguesa para o Brasil|o Rei e a Familia Real embarcaram para o Brazil}}, e exercitos francezes invadem e {{Cph|subju|subjugam}}<noinclude></noinclude> 1mmjdtiitc9161gm2ctvbglemc2nft3 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/21 106 258624 565151 2026-10-03T18:31:46Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <section begin="II"/>{{tph|gam}} Lisboa; o Rio de Janeiro torna-se a metropole da Monarchia, e {{w|Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas|os portos do Brazil são abertos ao commercio de todas as Nações}}. Gervasio vio nestes grandes acontecimentos e mudanças a decadencia de Portugal e a dourada aurora das prosperidades e grandeza do Brazil. Sahe de Lisboa no seu proprio navio—Espada de Ferro—com toda sua familia e cabedal, e r... 565151 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><section begin="II"/>{{tph|gam}} Lisboa; o Rio de Janeiro torna-se a metropole da Monarchia, e {{w|Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas|os portos do Brazil são abertos ao commercio de todas as Nações}}. Gervasio vio nestes grandes acontecimentos e mudanças a decadencia de Portugal e a dourada aurora das prosperidades e grandeza do Brazil. Sahe de Lisboa no seu proprio navio—Espada de Ferro—com toda sua familia e cabedal, e restitue-se a Pernambuco no principio do anno de 1809. Aqui na vida que prosegne de negociante, foi elle o primeiro que emprehendeo e fez a navegação e commercio directo de Pernambuco á Asia: o seu navio—Espada de Ferro—e depois outro navio seu foram os primeiros que deram á vela directamente, e levaram por vezes mercadorias e effeitos do porto de Pernambuco a Calcutá, e trouxeram os de Calcutá a Pernambuco. Para uma das viagens, a desconfiança ou verdadeiramente, a rivalidade européa negou-se a carregar, mas Gervasio abarrotou elle só o navio e expedio-o. <section end="II"/> <section begin="III"/>{{t2|III}} Rico e tranquillo na sua terra, no seio complacente e amavel de sua respeitada familia, acatado por seus patricios, e sem revezes no commercio, Gervasio gosava as doçuras de uma felicidade completa. A {{w|Revolução Pernambucana|revolução de 1817}}, lh'a transtornou cruelmente. Tempos havia (e já o dissemos) que as ideias e aspirações de independencia e liberdade fermentavam nos peitos pernambucanos. Os povos limitrophes do Brazil haviam-se já erguido, e {{Cph|luc|luctavam}}<section end="III"/><noinclude></noinclude> 2yyx8sjuir82icw8lttegyqw3s4fbyn 565152 565151 2026-10-03T18:35:28Z Notsonotoriousbig 43614 565152 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><section begin="III"/>{{tph|gam}} Lisboa; o Rio de Janeiro torna-se a metropole da Monarchia, e {{w|Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas|os portos do Brazil são abertos ao commercio de todas as Nações}}. Gervasio vio nestes grandes acontecimentos e mudanças a decadencia de Portugal e a dourada aurora das prosperidades e grandeza do Brazil. Sahe de Lisboa no seu proprio navio—Espada de Ferro—com toda sua familia e cabedal, e restitue-se a Pernambuco no principio do anno de 1809. Aqui na vida que prosegne de negociante, foi elle o primeiro que emprehendeo e fez a navegação e commercio directo de Pernambuco á Asia: o seu navio—Espada de Ferro—e depois outro navio seu foram os primeiros que deram á vela directamente, e levaram por vezes mercadorias e effeitos do porto de Pernambuco a Calcutá, e trouxeram os de Calcutá a Pernambuco. Para uma das viagens, a desconfiança ou verdadeiramente, a rivalidade européa negou-se a carregar, mas Gervasio abarrotou elle só o navio e expedio-o. <section end="III"/> <section begin="IV"/>{{t2|III}} Rico e tranquillo na sua terra, no seio complacente e amavel de sua respeitada familia, acatado por seus patricios, e sem revezes no commercio, Gervasio gosava as doçuras de uma felicidade completa. A {{w|Revolução Pernambucana|revolução de 1817}}, lh'a transtornou cruelmente. Tempos havia (e já o dissemos) que as ideias e aspirações de independencia e liberdade fermentavam nos peitos pernambucanos. Os povos limitrophes do Brazil haviam-se já erguido, e {{Cph|luc|luctavam}}<section end="IV"/><noinclude></noinclude> 2tl0xpa3xvwd9ag948apzrppcvsd2qh Biographia de Gervasio Pires Ferreira/II 0 258625 565153 2026-10-03T18:40:08Z Notsonotoriousbig 43614 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf" from=14 to=21 fromsection="II" tosection="III" header=1 /> 565153 wikitext text/x-wiki <pages index="Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf" from=14 to=21 fromsection="II" tosection="III" header=1 /> gxkndr1e1ekor7zs7m644kxpk3xpako Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/22 106 258626 565154 2026-10-03T18:55:48Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|tavam}} para sacudirem o jugo colonial, a constituirem-se em Nações Livres; o exemplo era fascinante e contagioso; e já com temeraria franqueza essas ideias e necessidade ennuciavam-se em Pernambuco, nem faltava intelligencia, quando não mesmo alguma cousa de liga a respeito, em outras provincias ao Norte. Todavia, nenhuma resolução prévia e calculada houve para o rompimento do dia 6 de Março. Dada, porém, a explosão, toda a nota... 565154 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|tavam}} para sacudirem o jugo colonial, a constituirem-se em Nações Livres; o exemplo era fascinante e contagioso; e já com temeraria franqueza essas ideias e necessidade ennuciavam-se em Pernambuco, nem faltava intelligencia, quando não mesmo alguma cousa de liga a respeito, em outras provincias ao Norte. Todavia, nenhuma resolução prévia e calculada houve para o rompimento do dia 6 de Março. Dada, porém, a explosão, toda a notabilidade, a provincia em geral curvou-se adorabunda á apparecida independencia, á suspirada liberdade: jubilosa applaudio-as, e exaltada servio-as desde esse dia cada qual quanto pôde, e até quando lhe foi possivel. Gervasio Pires Ferreira não se havia alinhado anterior e formalmente a uma tal causa, mas o choque espantoso desse dia electrisou-o, se bem o não derribou totalmente. Não sendo elle pessoa, cuja adhesão ou contrariedade fosse indifferente aos Governadores Republicanos, estes o convocaram, e o Major Manoel de Azevedo do Nascimento, que para isso deputava á sua casa, o acompanhou deste á sala de sessões. Ahi o vimos sentado, por honra na cadeira e o logar da Presidencia, largo tempo discutindo com o Padre {{w|João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro}}, tambem sentado á sua direita, e mui attento, embebendo-se do que lhe ouvia. Conversavam, porém, em voz baixa, e ninguem os percebia, porque tambem o respeito e a polidez não consentiam á curiosidade aproximar-se tanto que os entendesse. Essa e outras salas do edificio estavam abertas e franqueadas a todos. Gervasio foi encarregado pelo Governo {{Cph|Pro|Provisorio}}<noinclude></noinclude> 9s63522f4to27po19jemfnw4e1sh4xq Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/23 106 258627 565156 2026-10-03T19:04:53Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|visorio}} de examinar o systema fiscal da provincia e de propôr as reformas e melhoramentos que entendesse necessarios; especialmente o Governo o consultava sobre taes assumptos e os de commercio, posto que não tivesse titulo escripto e solemne de Conselheiro; e prestou alguns outros serviços, ainda além dos que deixa entrever a sua bem trabalhada e relevante defeza. Julgamos esta defeza digna do prelo por instructiva e necessari... 565156 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|visorio}} de examinar o systema fiscal da provincia e de propôr as reformas e melhoramentos que entendesse necessarios; especialmente o Governo o consultava sobre taes assumptos e os de commercio, posto que não tivesse titulo escripto e solemne de Conselheiro; e prestou alguns outros serviços, ainda além dos que deixa entrever a sua bem trabalhada e relevante defeza. Julgamos esta defeza digna do prelo por instructiva e necessaria á nossa Historia, e por ser producção exclusiva da intelligencia do defendido. O manuscripto della que damos impresso neste volume, nos foi entregue pelos seus herdeiros e está emendado e retocado desde a primeira pagina por letra do mesmo Gervasio. Evaporou-se a independente Republica. Gervasio é preso a 25 de Maio, e remettido em ferros com outros muitos no porão trancado do navio Carrasco aos carceres da cidade da Bahia, onde o martyrisam incommunicavel mais de tres annos. Desde a prisão até muito depois que foi posto em liberdade, elle emmudeceu totalmente. Foi duro e vil o tratamento em todo o sentido, e quasi em todo o tempo de semelhante prisão de todos os presos republicanos de Pernambuco; regimen criminal tenebroso, insensibilidade habitual, vingança feroz e necessaria, por ''{{w|Direito divino dos reis|direito divino}},'' de El Rei ''Nosso Senhor'' cerca da sua indocil escravaria. O Deputado por Pernambuco ás {{w|Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa|Côrtes Constituintes}} em Lisboa, {{w|Domingos Malaquias de Aguiar Pires Ferreira}}, disse na sessão de 13 de Setembro de 1821:—Não ha carcereiro mais ladrão do que o da Bahia. Estando preso n'aquella cidade {{Cph|Ger|Gervasio}}<noinclude></noinclude> 59f1r5wgt0c7lpos6o98puu8ogknevk Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/24 106 258628 565157 2026-10-03T19:42:16Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|vasio}} Pires Ferreira, um dos complicados na revolução de Pernambuco, teve que gastar alguns sete mil crusados para alcançar que seu filho pudesse ir tomar-lhe abenção—. Gervasio achou, todavia, meios de socorrer, como socorria, a diversos dos seus masi pobres e desamparados companheiros de trabalhos e prisão, e de fazer chegar ás mãoes de sua mulher, em Pernambuco, a seguinte carta que se divulgou amplamente:<ref name="p24"> «... 565157 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|vasio}} Pires Ferreira, um dos complicados na revolução de Pernambuco, teve que gastar alguns sete mil crusados para alcançar que seu filho pudesse ir tomar-lhe abenção—. Gervasio achou, todavia, meios de socorrer, como socorria, a diversos dos seus masi pobres e desamparados companheiros de trabalhos e prisão, e de fazer chegar ás mãoes de sua mulher, em Pernambuco, a seguinte carta que se divulgou amplamente:<ref name="p24"> « Minha Rica. A indignação contra a per-<br> « versa falsidade dos homens me fez romper o silencio que a amisade me tinha condemnado para nãomagoar a tua sensibilidade com a triste historia dos meus soffrimentos. <br> Na verdade, minha Rica, quem deixará de irri tar-se á vista da falsidade com que uma duzia de malvados de mãos dadas jravam na devassa a que se procedeu nesse desgraçado paiz? Que o vil interesse levasse o homem a prostituir a propria mulher, a ser perjuro o assassino, disso nos apresenta a historia das maldades do homem alguns exemplos; mas que doze homens se collocassem, sem motivo visivel, a jurarem falsidads, a torto e a direito, e assim cavarem a ruina de tantos chefes de familias, isto custaria a crer si desgraçadamente não fosse uma verdade constante dos autos da Devassa, <br> Seria acasso a necessidade de encobrir os proprios crimes quem lhes lembrou a ideia de accusar delles aos ouotros para assim apartarem de si as {{Cph|tes|temunhas?}} </ref> Depois de tres annos, oito mezes e vinte e dois dias de prisão e angustias, molestias e privações, sequestro de bens e transtornos de {{Cph|fortu|fortuna,}}<noinclude></noinclude> 6e9e1e0soqq3sufk8vsi8ix82edqw7f 565162 565157 2026-10-03T19:59:37Z Notsonotoriousbig 43614 565162 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|vasio}} Pires Ferreira, um dos complicados na revolução de Pernambuco, teve que gastar alguns sete mil crusados para alcançar que seu filho pudesse ir tomar-lhe abenção—. Gervasio achou, todavia, meios de socorrer, como socorria, a diversos dos seus masi pobres e desamparados companheiros de trabalhos e prisão, e de fazer chegar ás mãoes de sua mulher, em Pernambuco, a seguinte carta que se divulgou amplamente:<ref name="p24"> « Minha Rica. A indignação contra a perversa falsidade dos homens me fez romper o silencio que a amisade me tinha condemnado para nãomagoar a tua sensibilidade com a triste historia dos meus soffrimentos. <br> Na verdade, minha Rica, quem deixará de irri tar-se á vista da falsidade com que uma duzia de malvados de mãos dadas jravam na devassa a que se procedeu nesse desgraçado paiz? Que o vil interesse levasse o homem a prostituir a propria mulher, a ser perjuro o assassino, disso nos apresenta a historia das maldades do homem alguns exemplos; mas que doze homens se collocassem, sem motivo visivel, a jurarem falsidads, a torto e a direito, e assim cavarem a ruina de tantos chefes de familias, isto custaria a crer si desgraçadamente não fosse uma verdade constante dos autos da Devassa, <br> Seria acasso a necessidade de encobrir os proprios crimes quem lhes lembrou a ideia de accusar delles aos ouotros para assim apartarem de si as {{Cph|tes|temunhas?}} </ref> Depois de tres annos, oito mezes e vinte e dois dias de prisão e angustias, molestias e privações, sequestro de bens e transtornos de {{Cph|fortu|fortuna,}}<noinclude></noinclude> 93slc97j65p5f9b94zwvzn6p0l91kez 565164 565162 2026-10-03T20:00:41Z Notsonotoriousbig 43614 565164 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|vasio}} Pires Ferreira, um dos complicados na revolução de Pernambuco, teve que gastar alguns sete mil crusados para alcançar que seu filho pudesse ir tomar-lhe abenção—. Gervasio achou, todavia, meios de socorrer, como socorria, a diversos dos seus masi pobres e desamparados companheiros de trabalhos e prisão, e de fazer chegar ás mãoes de sua mulher, em Pernambuco, a seguinte carta que se divulgou amplamente:<ref name="p24"> « Minha Rica. A indignação contra a perversa falsidade dos homens me fez romper o silencio que a amisade me tinha condemnado para nãomagoar a tua sensibilidade com a triste historia dos meus soffrimentos. <br> Na verdade, minha Rica, quem deixará de irri tar-se á vista da falsidade com que uma duzia de malvados de mãos dadas jravam na devassa a que se procedeu nesse desgraçado paiz? Que o vil interesse levasse o homem a prostituir a propria mulher, a ser perjuro o assassino, disso nos apresenta a historia das maldades do homem alguns exemplos; mas que doze homens se collocassem, sem motivo visivel, a jurarem falsidads, a torto e a direito, e assim cavarem a ruina de tantos chefes de familias, isto custaria a crer si desgraçadamente não fosse uma verdade constante dos autos da Devassa, <br> Seria acaso a necessidade de encobrir os proprios crimes quem lhes lembrou a ideia de accusar delles aos ouotros para assim apartarem de si as {{Cph|tes|temunhas?}} </ref> Depois de tres annos, oito mezes e vinte e dois dias de prisão e angustias, molestias e privações, sequestro de bens e transtornos de {{Cph|fortu|fortuna,}}<noinclude></noinclude> dw9zulsyff8ft2hwh7i9ruhfauusxm1 565165 565164 2026-10-03T20:01:54Z Notsonotoriousbig 43614 565165 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|vasio}} Pires Ferreira, um dos complicados na revolução de Pernambuco, teve que gastar alguns sete mil crusados para alcançar que seu filho pudesse ir tomar-lhe abenção—. Gervasio achou, todavia, meios de socorrer, como socorria, a diversos dos seus mais pobres e desamparados companheiros de trabalhos e prisão, e de fazer chegar ás mãoes de sua mulher, em Pernambuco, a seguinte carta que se divulgou amplamente:<ref name="p24"> « Minha Rica. A indignação contra a perversa falsidade dos homens me fez romper o silencio que a amisade me tinha condemnado para nãomagoar a tua sensibilidade com a triste historia dos meus soffrimentos. <br> Na verdade, minha Rica, quem deixará de irri tar-se á vista da falsidade com que uma duzia de malvados de mãos dadas jravam na devassa a que se procedeu nesse desgraçado paiz? Que o vil interesse levasse o homem a prostituir a propria mulher, a ser perjuro o assassino, disso nos apresenta a historia das maldades do homem alguns exemplos; mas que doze homens se collocassem, sem motivo visivel, a jurarem falsidads, a torto e a direito, e assim cavarem a ruina de tantos chefes de familias, isto custaria a crer si desgraçadamente não fosse uma verdade constante dos autos da Devassa, <br> Seria acaso a necessidade de encobrir os proprios crimes quem lhes lembrou a ideia de accusar delles aos ouotros para assim apartarem de si as {{Cph|tes|temunhas?}} </ref> Depois de tres annos, oito mezes e vinte e dois dias de prisão e angustias, molestias e privações, sequestro de bens e transtornos de {{Cph|fortu|fortuna,}}<noinclude></noinclude> rj0i1xkx5skkazet1ypmloo81aic4a5 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/25 106 258629 565158 2026-10-03T19:55:04Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <section begin="V"/><ref follow="p24"> {{tph|temunhas?}} Desgraçados! Não reflectiram que eu não era homem para soffrer em silencio suas calumnias Graças á Providencia, que, privando-me do uso da voz e escripta, me permittio, comtudo, esta para por seu meio responder em Dezembro passado as perguntas feitas pelo Juiz da Alçada; o agora nos cinco dias assignados para dizer de facto e de direito me concedeo um bom interprete da minha nova... 565158 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><section begin="V"/><ref follow="p24"> {{tph|temunhas?}} Desgraçados! Não reflectiram que eu não era homem para soffrer em silencio suas calumnias Graças á Providencia, que, privando-me do uso da voz e escripta, me permittio, comtudo, esta para por seu meio responder em Dezembro passado as perguntas feitas pelo Juiz da Alçada; o agora nos cinco dias assignados para dizer de facto e de direito me concedeo um bom interprete da minha nova lingua de dêdo para fazer a minha defeza! E esta imprimida, como já o ordenei, fará publica e eterna, a minha innocencia no facto da rebellião de que me accusam, assim como os nomes, crimes e falsidades dos juramentos desses malvados. <br> Graças ainda outra vez à Providencia, elles não reuniam a tanta maldade de coração e perspicacia e talentos dos Placidos, Lovalace e outros, para que fosse difficultoso ou impossivel desmascarar suas falsidades; e a sua mesma estupidez os atraiçoou. Para de uma e outra cousa fazeres uma justa ideia, basta que te diga que o Rego jura que eu e Antonio Carlos (requentavamos o engenho do Morgado do </ref>{{tph|na,}} Gervasio foi julgado comprehendido no perdão da Carta Regia de 9 de Março de 1819 e solto em 22 de Fevereiro de 1821. <section end="V"/> <section begin="VI"/>{{t2|IV}} Restituido á Patria e á saudosa familia, cinco mezes não eram passados ocorre o levantamento do Goyanna. Já o sangue brazileiro havia regado a terra: o governo de Goyanna achava-se já na povoação de Beberibe, e o seu exercito distante de duas leguas da cidade do Recife: os estragos e horrores das batalhas iam repetir-se em maior<section end="VI"/><noinclude></noinclude> 6pnewlt2y4jbslrvfzk8hke25gpo4xh Biographia de Gervasio Pires Ferreira/III 0 258630 565161 2026-10-03T19:58:59Z Notsonotoriousbig 43614 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf" from=21 to=25 fromsection="IV" tosection="V" header=1 /> 565161 wikitext text/x-wiki <pages index="Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf" from=21 to=25 fromsection="IV" tosection="V" header=1 /> q5yopfn4it3xngn6o53pips37rah0ga Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/290 106 258631 565166 2026-10-03T20:05:26Z Notsonotoriousbig 43614 /* Sem texto */ 565166 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><noinclude></noinclude> 8u5o9i73i73265pbks1xwqdemlzwg6r Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/291 106 258632 565167 2026-10-03T20:05:39Z Notsonotoriousbig 43614 /* Sem texto */ 565167 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><noinclude></noinclude> 8u5o9i73i73265pbks1xwqdemlzwg6r Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/292 106 258633 565168 2026-10-03T20:05:59Z Notsonotoriousbig 43614 /* Sem texto */ 565168 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><noinclude></noinclude> 8u5o9i73i73265pbks1xwqdemlzwg6r Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/293 106 258634 565169 2026-10-03T20:06:16Z Notsonotoriousbig 43614 /* Sem texto */ 565169 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><noinclude></noinclude> 8u5o9i73i73265pbks1xwqdemlzwg6r Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/294 106 258635 565170 2026-10-03T20:06:32Z Notsonotoriousbig 43614 /* Sem texto */ 565170 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="0" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><noinclude></noinclude> 8u5o9i73i73265pbks1xwqdemlzwg6r Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/26 106 258636 565171 2026-10-03T20:30:40Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p24"> Cabo; que José Antonio Gomes jura que, quando eu vim de Lisboa, já era notado de {{w|Maçonaria|Pedreiro livre}}, e que Bernardo José Carneiro Monteiro jura que eu, Antonio Carlos e o Juiz de Fora de Santarem tinhamos no Poço da Panella muitas conferencias sobre revolução, como elle observou. <br> Por estes podes julgar dos juramentos de Manoel Soares, Zacharias, Joaquim José Vieira, Pedro Pinto de Miranda, José Anton... 565171 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p24"> Cabo; que José Antonio Gomes jura que, quando eu vim de Lisboa, já era notado de {{w|Maçonaria|Pedreiro livre}}, e que Bernardo José Carneiro Monteiro jura que eu, Antonio Carlos e o Juiz de Fora de Santarem tinhamos no Poço da Panella muitas conferencias sobre revolução, como elle observou. <br> Por estes podes julgar dos juramentos de Manoel Soares, Zacharias, Joaquim José Vieira, Pedro Pinto de Miranda, José Antonio de Lemos Gomes, João Borges de Siqueira, Antonio Albuquerque, Antonio Ferreira Moreira, Manoel José Martins Ribeiro, José Roberto Pereira da Silva e Simão de Souza, testemunhas universaes da Devassa, de muitas das quaes tu ignoravas a existencia; e para fazeres ideia da parcialidade da Devassa, basta que te diga que nella só jurou, ou a mais vil canalha, ou os mais criminosos nos termos da Ordenação. <br> Felizmente estas verdades já vão apparecendo, e a minha defesa acabará de convercer ao publico a à Sua Magestade; e felizmente superior a incomodos physicos e seguro na minha consciencia {{Cph|es|espero}} </ref>escala, e talvez uma acção geral cobrir de luto e lagrimas a infeliz provincia. O coração de Gervasio Pires Ferreira não podia ser indifferente a um tal conflicto e calamidade da Patria; offerece-se ao Capitão General, e é um dos seus Enviados ao Governo de Goyanna, encarregados de proporem pela ultima vez a paz. A coadjuvação da sua presença e interferencia conseguio felizmente o Armisticio e ''{{w|Convenção de Beberibe}},'' que já publicamos no tomo 3.°, com a narração veridica desse arrojado pleito. Chegaram de Lisboa a Resolução das {{w|Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa|Côrtes}} e a Carta Regia, que mandam eleger uma Junta<noinclude></noinclude> 7tgxf3ivvcdbjwz0lvn351ems2fpb1r 565182 565171 2026-10-03T21:27:53Z Notsonotoriousbig 43614 565182 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref name="p26"> Cabo; que José Antonio Gomes jura que, quando eu vim de Lisboa, já era notado de {{w|Maçonaria|Pedreiro livre}}, e que Bernardo José Carneiro Monteiro jura que eu, Antonio Carlos e o Juiz de Fora de Santarem tinhamos no Poço da Panella muitas conferencias sobre revolução, como elle observou. <br> Por estes podes julgar dos juramentos de Manoel Soares, Zacharias, Joaquim José Vieira, Pedro Pinto de Miranda, José Antonio de Lemos Gomes, João Borges de Siqueira, Antonio Albuquerque, Antonio Ferreira Moreira, Manoel José Martins Ribeiro, José Roberto Pereira da Silva e Simão de Souza, testemunhas universaes da Devassa, de muitas das quaes tu ignoravas a existencia; e para fazeres ideia da parcialidade da Devassa, basta que te diga que nella só jurou, ou a mais vil canalha, ou os mais criminosos nos termos da Ordenação. <br> Felizmente estas verdades já vão apparecendo, e a minha defesa acabará de convercer ao publico a à Sua Magestade; e felizmente superior a incomodos physicos e seguro na minha consciencia {{Cph|es|espero}} </ref>escala, e talvez uma acção geral cobrir de luto e lagrimas a infeliz provincia. O coração de Gervasio Pires Ferreira não podia ser indifferente a um tal conflicto e calamidade da Patria; offerece-se ao Capitão General, e é um dos seus Enviados ao Governo de Goyanna, encarregados de proporem pela ultima vez a paz. A coadjuvação da sua presença e interferencia conseguio felizmente o Armisticio e ''{{w|Convenção de Beberibe}},'' que já publicamos no tomo 3.°, com a narração veridica desse arrojado pleito. Chegaram de Lisboa a Resolução das {{w|Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa|Côrtes}} e a Carta Regia, que mandam eleger uma Junta<noinclude></noinclude> 7liuep9hwvox5fsthd5xe7w06uu7ge4 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/27 106 258637 565172 2026-10-03T20:40:45Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p24"> {{tph|pero}} que a minha sentença corresponderá aos meus desejos; assim como espero recuperar ao menos o uso da escripta para escrever a historia da desgraça desse paiz, devida á temeraria desesperação de quatro soldados e a fraqueza de uma multidão de officiaes generaes, a quem Sua Magestade pagava para defender os seus direitos e proteger os seus pacificos vassalos. Entretanto que os destinos me retem nessa prisão,... 565172 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p24"> {{tph|pero}} que a minha sentença corresponderá aos meus desejos; assim como espero recuperar ao menos o uso da escripta para escrever a historia da desgraça desse paiz, devida á temeraria desesperação de quatro soldados e a fraqueza de uma multidão de officiaes generaes, a quem Sua Magestade pagava para defender os seus direitos e proteger os seus pacificos vassalos. Entretanto que os destinos me retem nessa prisão, escola a mais instructiva do caracter e vicios do animal homem, espero que me faças a justiça de crer que sou o—Teu Amigo—Gervasio Pires Ferreira. P. S. Abraça da minha parte os nossos filhos, agradece a lembrança que tuas cunhadas me enviaram por via de João de Deus, e recommenda-me a José Alexandre, João Felix, primo Joaquim e a nossa Isabel. » </ref>de Governo da Provincia e recolher-se a Lisboa o Capitão General {{w|Luiz do Rego Barreto}}. Um panico terror de perseguições e vinganças de todo genero com esta noticia e mudança apodera-se da gente portugueza residente na cidade, donde começava a emigrar; o que importava a retirada de capitaes e atraso do commercio, além de outras calamidades a algumas Familias. O negociante Gervasio Pires Ferreira, conhecendo este mal, sahio-lhes ao encontro, com o seguinte edital que fez affixar nas esquinas da Praça do Commercio. <big>'''Gervasio Pires Ferreira a seus concidadãos de Pernambuco.'''</big> « Pernambucanos, que é isto? Que terror panico se tem apoderado de alguns dentre vós?<noinclude></noinclude> dnsl6eq8thkyj7dmuof3aj0itoz0wut 565173 565172 2026-10-03T20:42:23Z Notsonotoriousbig 43614 565173 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p24"> {{tph|pero}} que a minha sentença corresponderá aos meus desejos; assim como espero recuperar ao menos o uso da escripta para escrever a historia da desgraça desse paiz, devida á temeraria desesperação de quatro soldados e a fraqueza de uma multidão de officiaes generaes, a quem Sua Magestade pagava para defender os seus direitos e proteger os seus pacificos vassalos. Entretanto que os destinos me retem nessa prisão, escola a mais instructiva do caracter e vicios do animal homem, espero que me faças a justiça de crer que sou o—Teu Amigo—Gervasio Pires Ferreira. P. S. Abraça da minha parte os nossos filhos, agradece a lembrança que tuas cunhadas me enviaram por via de João de Deus, e recommenda-me a José Alexandre, João Felix, primo Joaquim e a nossa Isabel. » </ref>de Governo da Provincia e recolher-se a Lisboa o Capitão General {{w|Luiz do Rego Barreto}}. Um panico terror de perseguições e vinganças de todo genero com esta noticia e mudança apodera-se da gente portugueza residente na cidade, donde começava a emigrar; o que importava a retirada de capitaes e atraso do commercio, além de outras calamidades a algumas Familias. O negociante Gervasio Pires Ferreira, conhecendo este mal, sahio-lhes ao encontro, com o seguinte edital que fez affixar nas esquinas da Praça do Commercio. {{c|<big>'''Gervasio Pires Ferreira a seus concidadãos de Pernambuco.'''</big>}} « Pernambucanos, que é isto? Que terror panico se tem apoderado de alguns dentre vós?<noinclude></noinclude> 1arfe4hxontkt2ed05witcge17heipf 565181 565173 2026-10-03T21:27:35Z Notsonotoriousbig 43614 565181 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p26"> {{tph|pero}} que a minha sentença corresponderá aos meus desejos; assim como espero recuperar ao menos o uso da escripta para escrever a historia da desgraça desse paiz, devida á temeraria desesperação de quatro soldados e a fraqueza de uma multidão de officiaes generaes, a quem Sua Magestade pagava para defender os seus direitos e proteger os seus pacificos vassalos. Entretanto que os destinos me retem nessa prisão, escola a mais instructiva do caracter e vicios do animal homem, espero que me faças a justiça de crer que sou o—Teu Amigo—Gervasio Pires Ferreira. P. S. Abraça da minha parte os nossos filhos, agradece a lembrança que tuas cunhadas me enviaram por via de João de Deus, e recommenda-me a José Alexandre, João Felix, primo Joaquim e a nossa Isabel. » </ref>de Governo da Provincia e recolher-se a Lisboa o Capitão General {{w|Luiz do Rego Barreto}}. Um panico terror de perseguições e vinganças de todo genero com esta noticia e mudança apodera-se da gente portugueza residente na cidade, donde começava a emigrar; o que importava a retirada de capitaes e atraso do commercio, além de outras calamidades a algumas Familias. O negociante Gervasio Pires Ferreira, conhecendo este mal, sahio-lhes ao encontro, com o seguinte edital que fez affixar nas esquinas da Praça do Commercio. {{c|<big>'''Gervasio Pires Ferreira a seus concidadãos de Pernambuco.'''</big>}} « Pernambucanos, que é isto? Que terror panico se tem apoderado de alguns dentre vós?<noinclude></noinclude> 45uz8udyfyya8b9cmj9dqf2dpf6gedr Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/28 106 258638 565174 2026-10-03T20:51:24Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Acaso receiaes alguma cousa contra a segurança de vossas pessoas e bens, do Governo Constitucional que se vae installar por livre escolha de vossos mesmos eleitores de Comarca? Este receio vos seria muito injurioso por dever suspeitar a vossa retirada de menos respeito a affeição ás ordens do soberano Congresso da Nação Portugueza, de quem sois igualmente filhos, e de menoscabardes os beneficios que nos vem acarretando a sagrada Consti... 565174 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>Acaso receiaes alguma cousa contra a segurança de vossas pessoas e bens, do Governo Constitucional que se vae installar por livre escolha de vossos mesmos eleitores de Comarca? Este receio vos seria muito injurioso por dever suspeitar a vossa retirada de menos respeito a affeição ás ordens do soberano Congresso da Nação Portugueza, de quem sois igualmente filhos, e de menoscabardes os beneficios que nos vem acarretando a sagrada [[Constituição portuguesa de 1822|Constituição]] que tendes jurado manter e observar. E para que logar ireis a Monarchia Portugueza, que já não vejaes allumiado com os brilhantes raios de luz que o acompanham? Acaso vos asusta o Governo Temporario de Goyanna? Vós bem sabeis, ou já o deveis saber, que, ainda quando elle não acabasse com a installação d'este outro que vós mesmos ides eleger, elle nunca distinguio os Portuguezes pelo local de seu nascimento, e que os mesmos membros que o compõem, são oriundos de um e outro hemispherio. « Testemunha presencial no mesmo campo de Marte de seus sentimentos de fraternidade para com seus irmãos portuguezes, qualquer que fosse o horisonte que vos vira nascer, eu vos afianço esta verdade; e a experiencia de comportamento de vossos irmãos brazileiros no espantoso dia 6 de Março e seguintes, apesar da intriga de alguns desgraçados, d'aquem e d'alem már, que nos quizeram desunir, vos deve ter convencido que os Portuguezes Brazileiros não veem nos Portuguezes Europeus senão irmãos e amigos. A identidade de religião, de lingua, de costumes, as mais estreitas relações de sangue, as mesmas leis e {{Cph|go|governo,}}<noinclude></noinclude> 68ecys6lwyqiap3bou3p36djp6t3e9z Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/29 106 258639 565175 2026-10-03T20:58:09Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|verno,}} e sobretudo mutuos interesses, esta mola real do coração humano, tudo afiança uma tão grata verdade. Que motivo, pois, vos conduz a uma expatriação, que, inda mesmo voluntaria, como é, arrastará sempre após si incommodos e prejuizos incalculaveis? « Desassombrai-vos, portanto, Pernambucanos; vivei tranquillos em vossos lares e occupações; confiai na prudencia do Governo, que vossos eleitores vão nomear; e para maior seg... 565175 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|verno,}} e sobretudo mutuos interesses, esta mola real do coração humano, tudo afiança uma tão grata verdade. Que motivo, pois, vos conduz a uma expatriação, que, inda mesmo voluntaria, como é, arrastará sempre após si incommodos e prejuizos incalculaveis? « Desassombrai-vos, portanto, Pernambucanos; vivei tranquillos em vossos lares e occupações; confiai na prudencia do Governo, que vossos eleitores vão nomear; e para maior segurança recommendai-lhes de escolher homens proprios de reconhecida moralidade, conducta e patriotismo constitucional, embora não tenham a opinião de sabios. Os conhecimentos adquirem-se mais facilmente que a prudencia e a pratica da verdade. « O Governo que vos vae governar, não ignorará de certo que differença de opiniões não faz o homem criminoso aos olhos da rasão e da lei, e que o mesmo erro de facto não é crime: elle não ha de ignorar que, si algum d'entre vós pareceu aberrar da verêda da sociedade civil e constitucional, foi seduzido pela arteira intriga, que, para melhor nos opprimir e tirar partido da calamidade publica, nos quiz dividir, a despeito dos sentimentos de paz e concordia da mesma Junta Governativa; vós o sabereis melhor quando a nova ordem de cousas for dissipando as nuvens com que se vos occultava a verdade. Vive, portanto, socegados, vos torna a repetir que nunca se compoz com a mentira para deixar de ser acreditado; e louvando a providencia pelos beneficios vistos, que derramou sobre a Nação Portugueza, gritai<noinclude></noinclude> pwuvfxc68o5ul2z3qr3tdza54zvdxng Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/30 106 258640 565177 2026-10-03T21:09:38Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <section begin="VII"/>commigo: Viva a Religião, as Côrtes, El Rei e o novo Governo que se vai installar. {{c|« Recife, 18 de Setembro de 1821.}} {{d|« ''Gervasio Pires Ferreira.'' »}} Reunindo o collegio eleitoral no corpo da {{w|Catedral de Olinda|Igreja Cathedral de Olinda}}, nomeia a Garvasio Pires Ferreira, Presidente desse primeiro e verdadeiramente ingenuo e mais espontaneo governo regenerador e popular de Pernambuco; e elle e... 565177 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><section begin="VII"/>commigo: Viva a Religião, as Côrtes, El Rei e o novo Governo que se vai installar. {{c|« Recife, 18 de Setembro de 1821.}} {{d|« ''Gervasio Pires Ferreira.'' »}} Reunindo o collegio eleitoral no corpo da {{w|Catedral de Olinda|Igreja Cathedral de Olinda}}, nomeia a Garvasio Pires Ferreira, Presidente desse primeiro e verdadeiramente ingenuo e mais espontaneo governo regenerador e popular de Pernambuco; e elle entre applausos e regosijos e com os mais lisongeiros auspicios, no dia 28 de Outubro do mesmo anno, obtida solemne posse, entra no complicado exercicio. Foi com a alegria de lhe dizerem que o desejavam eleger Presidente, honra inestimavel n'aquella conjunctura, que a falla se restituio a Gervasio, que desde a prisão fazia-se entender traçando letras em uma tabella como dedo e por acenos. Seria effeito morbido involuntario tão absoluta e prolongada mudez? Ou calculo para melhor haver-se nos trabalhos e vencel-os? Ainda hoje os seus proprio filhos não o podem explicar satisfactoriamente. E' certo, porém, que elle padecia, e se tornou com a prisão e della sahio extenuado e muito mais tremulo do que era dantes. <section end="VII"/> <section begin="VIII"/>{{t2|V}} Não houve assumpto e repartição publica que, mormente á indicação e perspicacia de Gervasio, a {{w|Junta governativa pernambucana de 1821–1822|Junta Provisoria}} não examinasse e regulasse {{Cph|in|intelligente,}}<section end="VIII"/><noinclude></noinclude> 0qbluwlrvsf47n5vwfet45slipkw02v Biographia de Gervasio Pires Ferreira/IV 0 258641 565180 2026-10-03T21:12:37Z Notsonotoriousbig 43614 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf" from=25 to=30 fromsection="VI" tosection="VII" header=1 /> 565180 wikitext text/x-wiki <pages index="Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf" from=25 to=30 fromsection="VI" tosection="VII" header=1 /> lykw0zy80ylinjb0zfdtko2kq7icbkc Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/31 106 258642 565183 2026-10-03T21:38:31Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|telligente,}} cortando os abusos, reparando, instaurando, creando normas e melhorando a sorte dos empregados, a arrecadação das rendas, e firmando a responsabilidade, segundo a legislação e as circunstancias extraordinarias o permittiam e reclamavam. Não sendo possivel neste breve apontamento noticiarmos, nem ao menos toda a parte mais importante e ardua desse trabalho incessante, consagraremos, em resumo, apenas o que, delle par... 565183 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|telligente,}} cortando os abusos, reparando, instaurando, creando normas e melhorando a sorte dos empregados, a arrecadação das rendas, e firmando a responsabilidade, segundo a legislação e as circunstancias extraordinarias o permittiam e reclamavam. Não sendo possivel neste breve apontamento noticiarmos, nem ao menos toda a parte mais importante e ardua desse trabalho incessante, consagraremos, em resumo, apenas o que, delle parecendo-nos mais saliente e de maior utilidade e alcance, foi sabia e honrosamente preparado e executado. A Junta proclamou aos habitantes da provincia. A cada um dos membros do extincto Governo de Goyanna manifestou seus agradecimentos e louvores, e, em nome da provincia, dirigindo-lhes honrosos officios, e rogando-lhes a sua valiosa cooperação e conselhos a prol do socego e prosperidade da Patria. Mandou arrasar todos os reductos e circumvalação com que {{w|Luiz do Rego}} se fortificára na cidade do Recife, e reparar todas as demolições e estragos feitos, de sorte que se esquecesse para sempre a guerra civil que déra causa a taes obras e procedimentos. E fez recolher e demorar em Olinda as tropas de Goyanna até embarcar para Portugal o batalhão do Algarve, que havia seguido em tudo a Luiz do Rego, prevenindo assim confflictos e choques funestos, que a força Pernambucana á vista da portugueza no bairro de Santo Antonio da cidade do Recife, onde era o quartel desta, podia occasionar. Este quartel dos Algarves, no convento de Santo Antonio, fôra tambem a casa de reclusão de muitos {{Cph|bra|brazileiros}}<noinclude></noinclude> 356os7z4qf78yatlixloi7e48lj3lck Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/32 106 258643 565184 2026-10-03T21:44:57Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|zileiros}} milicianos e paisanos presos á ordem de Luiz do Rego, e por esta causa mais o batalhão se tornara impopular e odiado. Para mais facil conseguir em Olinda a demora das tropas constitucionaes, tão sofregas e saudosas de abraçarem no Recife as suas familias, a Junta lhes deputou os seus membros Felippe Nery Ferreira e Joaquim José de Miranda, que alli as felicitaram e louvaram em nome da Patria agradecida, e foram dellas... 565184 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|zileiros}} milicianos e paisanos presos á ordem de Luiz do Rego, e por esta causa mais o batalhão se tornara impopular e odiado. Para mais facil conseguir em Olinda a demora das tropas constitucionaes, tão sofregas e saudosas de abraçarem no Recife as suas familias, a Junta lhes deputou os seus membros Felippe Nery Ferreira e Joaquim José de Miranda, que alli as felicitaram e louvaram em nome da Patria agradecida, e foram dellas acolhidos com muita alegria e enthusiasmo constitucional; submettendo-se todos promptamente ao preceito da circumspecta missão. Corre depois voz de que o batalhão portuguez com alguns sectarios do ex-Capitão General e outros zelosos da união da Monarchia, projectaram depôr a Junta democratica e idependente, como lhe chamavam, e mandal-a para Portugal, não faltando ainda, além desses, outros visionarios, a quem a consciencia se fazia temer e propalar que o exercito de Goyanna, entrando no Refice, cometteria infallivel barbaras hostilidades e vinganças. A guarnição de Olinda, reduzido o exercito de Goyanna, e as milicias circumvisinhas marcham intrepidas e rapidas até o Recife, em defesa da Junta. Sendo tudo, porém, boatos falsos e terror panico, contramarcharam dias depois, e se dispersaram a seus quarteis e domicilios. Todavia houve antes e depois algumas rixas e desordens e muitas ameaças entre o povo e entre este e as praças do batalhão predito com bordoadas e ferimentos. A junta, além de outras providencias, resolveo passar<noinclude></noinclude> jnom1ei86verz5w63zo060nkua40bxi Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/33 106 258644 565185 2026-10-03T21:53:33Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: o batalhão para outro bairro, o da freguezia de S. Frei Pedro Gonçalves, no edificio do Convento da Madre de Deus, mais proximo ao embarque; estabeleceo rondas nos tres bairros e tambem de cavallaria, e pelos arrebaldes. commandadas por honrados officiaes populares de 1.ª linha; collocou de Commandante Militar no logarejo Casa Forte ao Capitão José Gomes Ferreira; e o Capitão João Tavares da Fonseca no arrabalde dos Afogados, e outros... 565185 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>o batalhão para outro bairro, o da freguezia de S. Frei Pedro Gonçalves, no edificio do Convento da Madre de Deus, mais proximo ao embarque; estabeleceo rondas nos tres bairros e tambem de cavallaria, e pelos arrebaldes. commandadas por honrados officiaes populares de 1.ª linha; collocou de Commandante Militar no logarejo Casa Forte ao Capitão José Gomes Ferreira; e o Capitão João Tavares da Fonseca no arrabalde dos Afogados, e outros em diversas localidades; fez publicar ao som de caixas um Bando; congratulou a guarnição de Olinda e proclamou ao Povo. Eis as tre peças: a proclamação é redação de gervasio.<ref name="p33"> « Tem sido publicos o escandalosos os frivolos comportamentos pueris, o até insultantes da paz e harmonia social com que algumas pessoas, que a titulo de brincadeira tem excedido os limites da bôa ordem, ajuntando-se em bandos, e indo bater às portas de pessoas de quem são menos affectas, com cantorias e expressões allusivas, aliás offensivas; e porque de taes procedimentos só se seguem desordens, malevolencias e perpetuidade de antigas rivalidades, semeadas e propagadas por individuos que já não existem na provincia, são renovadas todas as ordens relativas a não haverem ajuntamentos pelas ruas; e dos que houverem em casas particulares, ficarão responsaveis seus donos si nos mesmos ajuntamentos houver a menor sombra de satyras allusivas, ficando certos desde já que os autores e os de qualquer modo cooperadores de tão perigosos procedimentos serão havidos tratados e castigados como perturbadores do socego publico. <br> Palacio da Junta Provisoria do Governo da </ref><noinclude></noinclude> fkq7g4ays5iivf10655tfh4md7k04mq 565187 565185 2026-10-03T22:01:29Z Notsonotoriousbig 43614 565187 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>o batalhão para outro bairro, o da freguezia de S. Frei Pedro Gonçalves, no edificio do Convento da Madre de Deus, mais proximo ao embarque; estabeleceo rondas nos tres bairros e tambem de cavallaria, e pelos arrebaldes. commandadas por honrados officiaes populares de 1.ª linha; collocou de Commandante Militar no logarejo Casa Forte ao Capitão José Gomes Ferreira; e o Capitão João Tavares da Fonseca no arrabalde dos Afogados, e outros em diversas localidades; fez publicar ao som de caixas um Bando; congratulou a guarnição de Olinda e proclamou ao Povo. Eis as tre peças: a proclamação é redação de gervasio.<ref name="p33"> « Tem sido publicos o escandalosos os frivolos comportamentos pueris, o até insultantes da paz e harmonia social com que algumas pessoas, que a titulo de brincadeira tem excedido os limites da bôa ordem, ajuntando-se em bandos, e indo bater às portas de pessoas de quem são menos affectas, com cantorias e expressões allusivas, aliás offensivas; e porque de taes procedimentos só se seguem desordens, malevolencias e perpetuidade de antigas rivalidades, semeadas e propagadas por individuos que já não existem na provincia, são renovadas todas as ordens relativas a não haverem ajuntamentos pelas ruas; e dos que houverem em casas particulares, ficarão responsaveis seus donos si nos mesmos ajuntamentos houver a menor sombra de satyras allusivas, ficando certos desde já que os autores e os de qualquer modo cooperadores de tão perigosos procedimentos serão havidos tratados e castigados como perturbadores do socego publico. <br> Palacio da Junta Provisoria do Governo da </ref> {{nop}}<noinclude></noinclude> mrf11ne1gz2s9zhhx4g1b4k2vvr9kgo Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/34 106 258645 565188 2026-10-03T22:02:54Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p233"> Provincia de Pernambuco em 3 de Dezembro de 1821. <br> Assignados os Membros da Junta Provisoria do Governo. <br> {{linha horizontal|2em}} <br> « Cidadãos Soldados, bemvindos sejaes: a Patria por intervenção do Governo vos agradece os briosos e generosos esforços que fizestes para a installação de um Governo Constitucional. O Soberano Congresso e El Rei o Sr. {{w|D. João VI}} não deixarão de ver na vossa marcha para... 565188 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p233"> Provincia de Pernambuco em 3 de Dezembro de 1821. <br> Assignados os Membros da Junta Provisoria do Governo. <br> {{linha horizontal|2em}} <br> « Cidadãos Soldados, bemvindos sejaes: a Patria por intervenção do Governo vos agradece os briosos e generosos esforços que fizestes para a installação de um Governo Constitucional. O Soberano Congresso e El Rei o Sr. {{w|D. João VI}} não deixarão de ver na vossa marcha para Goyanna o nobre fim a que se dirigiam os vossos passos, assim como vós deveis conhecer que, si alguns outros não vos acompanharam, a força debaixo de que gemiam, a incerteza sobre os motivos que vos conduziam, e finalmente os prestigios com que a astuta malicia os tinha fascinado, foram as unicas causas da temporaria separação em que estivemos. A {{w|convenção de Beberibe}} fez vêr a pureza e justiça das vossas intenções; falta para vossa completa gloria o do Governo que vos governa e ama, como a benemeritos cidadãos, a prova destas vossas intenções. Não deslustreis a gloria que tendes adquirido com mesquinhas e despresiveis rivalidades; a differença de opiniões que outr'ora houve sobre a legitimidade dos dois extinctos governos, poderia ser um erro, mas nunca um crime aos olhos da rasão o da lei. Felizmente, em honra o gloria nossa, nem esse </ref>Reconhecendo-se que a existente desigualdade dos soldos era mais um motivo de rivalidades entre os diversos Corpos Militares, rivalidades que se deveriam por todos os meios acalmar e extinguir, a Junta os igualou, mantidos os postos conferidos pelo Governo de Goyanna, assim como estavam em effectividade os promovidos por<noinclude></noinclude> c0dyv9mz5unm9xi14y1o651ydxc941f Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/35 106 258646 565189 2026-10-03T22:12:02Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p233"> motivo pôde já perturbar os laços de fraternidade com que estamos todos ligados. <br> O memoravel dia 29 do passado acabou de dar a mais decisiva prova da nossa inteira união. O simples receio de que o Governo fosse atacado, foi o signal da reunião de todos os corpos da 1.ª e 2.ª linha. O 3.° e 4.° batalhões de milicias que se achavam desarmados, correram á porfia a armar-se em defesa do Governo; os habitantes dos A... 565189 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p233"> motivo pôde já perturbar os laços de fraternidade com que estamos todos ligados. <br> O memoravel dia 29 do passado acabou de dar a mais decisiva prova da nossa inteira união. O simples receio de que o Governo fosse atacado, foi o signal da reunião de todos os corpos da 1.ª e 2.ª linha. O 3.° e 4.° batalhões de milicias que se achavam desarmados, correram á porfia a armar-se em defesa do Governo; os habitantes dos Afogados, da Casa-Forte e Olinda gritaram ás armas, e entre vivas á religião, ás Côrtes e a El Rei se ajuntaram em grandes massas, para servirem de antemural a qualquer tentativa contra a obra da sua escolha. <br> Foi presente ao Governo o vosso enthusiasmo e ardor para voardes em sua defesa. O Governo, sensivel a tão decisivas provas de amor, não pôde deixar de fazer publico o seu reconhecimento. Eia pois, Concidadãos Soldados, acabemos a obra da união a que demos principio nas lindas margens do Beberibe. Convençamos ao mundo inteiro com a pratica da mais fraternal harmonia quão mal fundadas eram, quando não injuriosas, as desconfianças que, sobre a pureza de vossos sentimentos e nossa fidelidade ao Soberano Congresso e a El Rei, a intriga soube semear entre alguns de nossos irmãos. <br> O Governo, entre outras providencias, acaba de mandar sustar a partida da Fragata e Navios de transporte, para onde o medo mais desarrasoado {{Cph|ti|tinha}} </ref>Luiz do Rego, uns e outros não confirmados ainda; isto, porém, até chegar o Governador das Armas que de Lisboa traria as ordens e instrucções necessarias. Disposto já tudo para o embarque do batalhão de Portugal, com as familias de algumas praças e officiaes, em numero de mais de oitenta {{Cph|pes|pessoas,}}<noinclude></noinclude> dr8hsi2xq8b90iw02ztt8h2pyc5pua3 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/36 106 258647 565190 2026-10-03T22:20:32Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p233"> {{tph|nha}} conduzido alguns dos nossos irmãos, para que fossem as testemunhas preferenciaes perante o soberano Congresso da nossa confraternidade com os que não se deixaram alucinar e entre nós ficaram. <br> Sustentai tão nobre sentimentos, elles são congenitos com o vosso caracter, e vós sois dignos delles, e nem por outra maneira podia proceder o Governo, que vós escolhestes, para com os vossos irmãos e vossos me... 565190 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p233"> {{tph|nha}} conduzido alguns dos nossos irmãos, para que fossem as testemunhas preferenciaes perante o soberano Congresso da nossa confraternidade com os que não se deixaram alucinar e entre nós ficaram. <br> Sustentai tão nobre sentimentos, elles são congenitos com o vosso caracter, e vós sois dignos delles, e nem por outra maneira podia proceder o Governo, que vós escolhestes, para com os vossos irmãos e vossos mestres na tatica Constitucional. Uni, portanto, vossas vozes ás nossas e entoai os sonoros Vivas á Religião, ás Côrtes, a El Rei e aos nossos Irmãos Europeus. <br> Palacio da Junta Provisoria do Governo da Provincia de Pernambuco, aos 3 de Dezembro de 1821. <br> Presidente, Gervasio Pires Ferreira. <br> Felippe Nery Ferreira. <br> Bento José da Costa. <br> Antonio José Victoriano Borges. <br> Joaquim José de Miranda. <br> Manoel Ignacio de Carvalho. <br> Secretario, Laurentino Antonio Moreira de Carvalho. <br> {{linha horizontal|2em}} <br> « Habitantes de Pernambuco. Que é isto! Que espirito maligno, aproveitando-se de vossa credulidade, tem semeado entre vós desconfianças, que </ref>{{tph|soas,}} apresentou pessoalmente o Commandante da Fragata—Venus—á Junta do Governo um requerimento a esta feito, assignado por mais de cem pessoas (coberto de outro ao mesmo Commandante em que pediam a este que apresentasse aquelle á Junta) protestando pelos damnos que se seguissem da sahida do batalhão; declarando, outrosim,<noinclude></noinclude> 961cne54ieg3g58czxvko44y7skkcd2 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/37 106 258648 565191 2026-10-03T22:27:39Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p233"> attentam o vosso socego? A experiencia já não vos tem convencido milhares de vezes de quanto a intriga com suas estupidas calumnias tem abusado da vossa credulidade, em damno do socego publico? Que triste disposição é esta de acreditardes os mais grosseiros embustes? Provas reaes e as mais evidentes mostram o espirito de paz e harmonia da guarnição de Olinda, outr'ora o exercito de Goyanna, e prudencia com que o Gov... 565191 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p233"> attentam o vosso socego? A experiencia já não vos tem convencido milhares de vezes de quanto a intriga com suas estupidas calumnias tem abusado da vossa credulidade, em damno do socego publico? Que triste disposição é esta de acreditardes os mais grosseiros embustes? Provas reaes e as mais evidentes mostram o espirito de paz e harmonia da guarnição de Olinda, outr'ora o exercito de Goyanna, e prudencia com que o Governo tem curado de restabelecer a boa ordem constitucional pelo despotismo totalmente perturbada; e vôs desconfiaes de um, e não confiaes nas providencias de outro? <br> A guarnição de Olinda tem dado as provas mais decisivas do seu amor e respeito ao Governo, para cuja installação havia de longo tempo trabalhado; e vós duvidaes da sua obediencia e relativamente á segurança de algum d'entre vós? As estações publicas estão pejadas de providencias do Governo, despacham-se em um dia requerimentos e negocios que levariam mezes no antigo regimen; e por que não são feitas com o estrepito das armas e violencia contra a liberdade do cidadão, não {{Cph|con|confiaes}} </ref>o mesmo Commandante á Junta que as mesmas pessoas anteriormente o haviam procurado (e não encontrado, por estar a bordo) com um requerimento que lhe fizeram entregar, para que elle por si se oppuzesse ao embarque do batalhão. A Junta deliberou não receber o requerimento da mão do Commandante, salvo com officio escripto deste,<noinclude></noinclude> i4gm4bxyk856wao6pm31silfroivi2z Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/38 106 258649 565192 2026-10-03T22:35:27Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p233"> {{tph|fiaes}} no seu resultado a bem do socego publico e vossa segurança? A marcha de um governo constitucional differente da do despotismo, com a de um regato manso e de suaveis aguas rega e fortifica, não inunda e estraga como a de um impetuoso rio. Não vos deixeis deslumbrar, portanto, habitantes de Pernambuco, dos prestigios da intriga; vagas calumnias não podem destruir factos por vós mesmos presenciados. Vivei... 565192 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude><ref follow="p233"> {{tph|fiaes}} no seu resultado a bem do socego publico e vossa segurança? A marcha de um governo constitucional differente da do despotismo, com a de um regato manso e de suaveis aguas rega e fortifica, não inunda e estraga como a de um impetuoso rio. Não vos deixeis deslumbrar, portanto, habitantes de Pernambuco, dos prestigios da intriga; vagas calumnias não podem destruir factos por vós mesmos presenciados. Vivei tranquillos, confiai a vossa segurança do Governo que vós mesmos escolhestes, e que, sendo constitucional, como até pelos individuaes sentimentos de seus membros, não deixará de promovel-a por todos os meios possiveis e a trôco da proria vida. <br> Palacio do Governo da Junta Provisoria da Provincia de Pernambuco, aos 15 de Novembro de 1821. <br> Presidente, Gervasio Pires Ferreira. <br> Felipe Nery Ferreira. <br> Bento José da Costa. <br> Joaquim José de Miranda. <br> Manoel Ignacio de Carvalho. <br> Secretario, Laurentino Antonio Moreira de Carvalho. </ref>o qual assim o praticou no dia seguinte 28 de Novembro. Na sessão deste dia, tratando a Junta do tal requerimento dos negociantes da praça, compareceo uma deputação delles para reforçal-o pessoalmente, resumindo o pedido á que se adiasse o embarque do batalhão até quinze dias, desvanecido então já o receio derramado na praça de desordens e aggressões que somente julgavam elles poderiam ser evitadas pela presença do referido {{Cph|ba|batalhão}}<noinclude></noinclude> net5actesp4btx6dodhy5ah4yonr0zq Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/39 106 258650 565193 2026-10-03T22:43:19Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|talhão}} n. 2 do Exercito de Portugal. A Junta, apesar de reputar sem fundamento o temor dos negociantes europeus, quiz condescender algum tanto e convocou os Commandantes dos Corpos, José Joaquim Simões, do batalhão de Portugal, Aleixo José de Oliveira, do 1.° batalhão estacionado em Olinda, o Commandante Militar desta o Coronel José Camello Pessoa, Pedro Antonio Velloso da Silveira, Commandante da artilharia aquartelada na mesm... 565193 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|talhão}} n. 2 do Exercito de Portugal. A Junta, apesar de reputar sem fundamento o temor dos negociantes europeus, quiz condescender algum tanto e convocou os Commandantes dos Corpos, José Joaquim Simões, do batalhão de Portugal, Aleixo José de Oliveira, do 1.° batalhão estacionado em Olinda, o Commandante Militar desta o Coronel José Camello Pessoa, Pedro Antonio Velloso da Silveira, Commandante da artilharia aquartelada na mesma cidade, o commandante da Fragata Venus, e os negociantes Antonio Marques da Costa Soares, Jacintho Ferreira Homem, José de Oliveira Ramos, Elias Coelho Cintra, José Joaquim Jorge Gonçalves, Joaquim José de Miranda e Antonio Cardoso de Carvalho, todos portuguezes, os quaes presentes, menos o Coronel Pessoa e o Tenente Coronel Aleixo, atreveo-se o tal Antonio Cardoso de Carvalho a dizer que era um facto estar-se a reunir gente em Olinda para a independencia, vociferando outros absurdos e desaforos, sem temor algum e respeito ao Governo, de maneira tal que o mesmo Commandante do batalhão de Portugal requereo que elle fosse preso. Estando-se a ponto de verificar a prisão e lavrar o auto, o negociante Joaquim José de Miranda, a quem o calumniador disse ter ouvido o que affirmava, desmentio-o totalmente; e chegando ao mesmo tempo de Olinda o Coronel Pessoa e o Tenente Coronel Aleixo, seguraram não haver n'aquella pacifica cidade outra gente senão a da guarnição. Convencidos todos desta verdade e vista a embriaguez que tresvariava o Carvalho, alguns dos reunidos pediram á Junta que houvesse delle {{Cph|pie|piedade,}}<noinclude></noinclude> d9sgxljpwnnghtuk7bnpt92ylqaomgf Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/40 106 258651 565194 2026-10-03T22:50:18Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|dade,}} ao que a Junta dobrou-se, dando assim mais uma lição de brandura. Entrando-se na discussão do requerimento dos negociantes, e ouvidas as rasões dos que estavam presentes, disse o Commandante do batalhão de Portugal: Senhores, retirando-se o meu batalhão, póde ser que hajam algumas pequenas desordens na praça, mais isto não é infallivel; demorando-se, porém, o batalhão, depois de estar com tudo embarcado, me parecem infal... 565194 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|dade,}} ao que a Junta dobrou-se, dando assim mais uma lição de brandura. Entrando-se na discussão do requerimento dos negociantes, e ouvidas as rasões dos que estavam presentes, disse o Commandante do batalhão de Portugal: Senhores, retirando-se o meu batalhão, póde ser que hajam algumas pequenas desordens na praça, mais isto não é infallivel; demorando-se, porém, o batalhão, depois de estar com tudo embarcado, me parecem infalliveis as desordens. Entre o meu batalhão e as tropas da terra existem profundo antagonismo e indisposições; não ha providencias que os possa conter. Portanto, protesto contra toda a demora do embarque; reconheço a legitimidade deste respeitavel Governo, obedecerei prompto ás suas ordens, mas peço instrucções que, no caso de algum choque das tropas, me salvem da responsabilidade. Os outros Commandantes foram de igual voto. O Governo decidio que embarcasse o batalhão logo que as embarcações estivessem promptas; que os negociantes mais assustados se recolhessem á Fragata, querendo; e que esta e os demais navios do comboio não dessem á volta sem segunda ordem, para que no emtanto aquelles timoratos, certos do socego da terra, se restituissem desassombrados a suas casas e traficos. Discutia a Junta em sessão do dia seguinte o modo de effectuar o embarque do batalhão portuguez, cousiderados os reciprocos desaguisados e desatinos existentes entre elle e o povo, occasionados pelos boatos de alguns portuguezes indiscretos, de que o batalhão deixava de embarcar;<noinclude></noinclude> rdpp4sjicb6aipawruyuf45xgg9u5ye 565195 565194 2026-10-03T22:50:46Z Notsonotoriousbig 43614 565195 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>{{tph|dade,}} ao que a Junta dobrou-se, dando assim mais uma lição de brandura. Entrando-se na discussão do requerimento dos negociantes, e ouvidas as rasões dos que estavam presentes, disse o Commandante do batalhão de Portugal: Senhores, retirando-se o meu batalhão, póde ser que hajam algumas pequenas desordens na praça, mais isto não é infallivel; demorando-se, porém, o batalhão, depois de estar com tudo embarcado, me parecem infalliveis as desordens. Entre o meu batalhão e as tropas da terra existem profundo antagonismo e indisposições; não ha providencias que os possa conter. Portanto, protesto contra toda a demora do embarque; reconheço a legitimidade deste respeitavel Governo, obedecerei prompto ás suas ordens, mas peço instrucções que, no caso de algum choque das tropas, me salvem da responsabilidade. Os outros Commandantes foram de igual voto. O Governo decidio que embarcasse o batalhão logo que as embarcações estivessem promptas; que os negociantes mais assustados se recolhessem á Fragata, querendo; e que esta e os demais navios do comboio não dessem á volta sem segunda ordem, para que no emtanto aquelles timoratos, certos do socego da terra, se restituissem desassombrados a suas casas e traficos. Discutia a Junta em sessão do dia seguinte o modo de effectuar o embarque do batalhão portuguez, cousiderados os reciprocos desaguisados e desatinos existentes entre elle e o povo, occasionados pelos boatos de alguns portuguezes indiscretos, de que o batalhão deixava de embarcar; {{nop}}<noinclude></noinclude> g9u1xdvocv7v0loyd3b3pfbw5txxgvl Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/41 106 258652 565196 2026-10-03T22:58:40Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: Atropellavam-se as queixas e representações perante a Junta de desordens que faziam os Algarvios, e multiplicavam-se as ordens e providencias que mais adaptaveis e efficazes pareciam á mantença da ordem e tranquilidade publica, quando, depois das tres horas da tarde, alguns soldados do batalhão nas ruas da cidade começaram a renhir com o vulgo e baterem-se. Acode a gente em grandes troços, exaltam-se as ameaças e vociferações e repetem... 565196 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" /></noinclude>Atropellavam-se as queixas e representações perante a Junta de desordens que faziam os Algarvios, e multiplicavam-se as ordens e providencias que mais adaptaveis e efficazes pareciam á mantença da ordem e tranquilidade publica, quando, depois das tres horas da tarde, alguns soldados do batalhão nas ruas da cidade começaram a renhir com o vulgo e baterem-se. Acode a gente em grandes troços, exaltam-se as ameaças e vociferações e repetem-se brigas. A Guarda da Boa-Vista toca a rebate. N'uma peleja lá entre soldados Algarvios e alguns Henriques morre um d'aquelles e outro é malferido: no bairro de Santo Antonio um tiro mata um paisano. A Junta é informada que os soldados de Portugal são os provocantes. O Coronel Commandante delles, sem ordem superior, posta a artilharia em frente de seu quartel, carrega-a e faz derramar pela cidade grandes patrulhas municiadas, commandadas por seus officiaes; o que indigna e alborata mais o povo. A desconfiança de um golpe atraiçoado contra a Junta do Governo era geral. ''A' defesa do novo Governo''! Era a voz unanime. Os chefes de todos os outros Corpos, todos os Officiaes Superiores e muitos milicianos, empregados publicos e paisanos, armados uns e outros por armar, se apresentam á Junta promptos a defendel-a e á severa execução das suas ordens. Em meio destes conflictos e transtornos, a Junta recebe um officio do Commandante do batalhão Lusitano propondo a passagem immediata do aquartelamento deste edificio da {{Cph|Con|Congregação}}<noinclude></noinclude> o4d6163k5zjitujdvthu34d06u17bgk