Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.23 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/411 106 37754 565946 364724 2026-10-11T22:43:44Z Junglk 34905 /* Revista */ 565946 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|389}}</noinclude>Douro, creação de Pombal com que se reanimara no Reino a cultura da vinha. Poucos annos depois do convenio entrar em vigor, observava o negociante Tollenare <ref>Ms. das ''Notes Dominicales''.</ref> que a franquia dos portos — deveria tambem dizer o accordo de 1810 — prejudicara muito a companhia, sendo igualmente possivel que não fosse exemplar a sua administração. Os importadores tinham encontrado vantagem em mandarem vir vinhos da Hespanha e outros lugares, de preferencia aos do Porto, de sorte que nos depositos se accumulavam ruinosamente as colheitas. Em 1816 Tollenare viu nos armazens, sem venda, mais de 80.000 pipas. Conservara a Companhia o privilegio da exportação portugueza para o Brazil, mas cessara o monopolio da importação brazileira com a liberdade de trafico, e com a abolição dos favores exclusivos por effeito do tratado desappareceram outras regalias. A Companhia, que adiantava dinheiro aos lavradores a uma taxa moderada, antes comprava as colheitas pelo preço que ella mesma fixava, e tinha sósinha o direito de fabrico e venda dos vinhos chamados de feitoria. O lucro do Estado residia especialmente na manutenção das boas qualidades dos productos, livres das adulterações a que poderiam sujeital-os os lavradores isoladamente, conservando-se portanto alto o credito da exportação nacional, que á poderosa Companhia convinha zelar. As causas e processos dos Inglezes corriam por juizo privativo, de nomeação dos interessados, como já acontecia no Reino e hoje occorre na China, estipulando o artigo X do tratado com manifesta ironia, senão de intenção pelo menos de effeito, que em compensação d’esse direito de exterrito-<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> o6gri0hr6n1l7z0rsl8xj3in0nsf1ae Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/412 106 37755 565947 364725 2026-10-11T22:48:40Z Junglk 34905 /* Revista */ 565947 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|390|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|390}}</noinclude>rialidade se observariam escrupulosamente as leis pelas quaes eram asseguradas e protegidas as pessoas e propriedades dos vassallos portuguezes residentes nos dominios do Rei da Grã Bretanha “e das quaes elles (em commum com todos os outros estrangeiros) gozão do beneficio pela reconhecida equidade da jurisprudencia britannica, e pela singular excellencia da sua Constituição” <ref>''Correio Braziliense''. O juiz conservador da nação britannica só em 1832 foi abolido no Brazil pela Regencia quando sanccionou o Codigo do Processo Criminal, protestando ainda assim a Inglaterra (Vide Aviso de H. H. Carneiro Leão em Pereira Pinto, ''Apontamentos para o Direito Internacional'', vol. I).</ref>. O artigo XIV do tratado referia-se á prohibição de engajamento n’uma nação, de desertores da outra nação, devendo os magistrados locaes assistir na apprehensão dos moços e marinheiros desertores dos navios eventualmente ancorados no porto estrangeiro. Simultaneamente versava sobre extradição de criminosos, fixando como de indole a determinaram semelhante medida internacional a alta traição, falsidade e “outros crimes de uma natureza odiosa” — expressão, commentava Hippolyto nas suas excellentes considerações a respeito, muito vaga e sem realidade de significação pois que, si na Inglaterra estatuiria sobre o caso e em perfeita independencia um tribunal de justiça, em Portugal estaria tal interpretação á mercê do arbitrio de um Secretário d’Estado, sobre o qual exerceria o representante inglez sua poderosa pressão. Na Grã Bretanha o governo não se sentia superior ás leis, enquanto que no Brazil um aviso ministerial tinha o privilegio de destruir na pratica toda e qualquer legislação. Por isso mais uma vez era sensivel a desigualdade do convenio. Tambem no capitulo da tolerancia religiosa e da liberdade de consciencia, que igualdade podia estabelecer-se<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> 6bjfnwzdv0v2foi86d3yi9qmp3ncn8x 565948 565947 2026-10-11T22:48:48Z Junglk 34905 565948 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|390|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>rialidade se observariam escrupulosamente as leis pelas quaes eram asseguradas e protegidas as pessoas e propriedades dos vassallos portuguezes residentes nos dominios do Rei da Grã Bretanha “e das quaes elles (em commum com todos os outros estrangeiros) gozão do beneficio pela reconhecida equidade da jurisprudencia britannica, e pela singular excellencia da sua Constituição” <ref>''Correio Braziliense''. O juiz conservador da nação britannica só em 1832 foi abolido no Brazil pela Regencia quando sanccionou o Codigo do Processo Criminal, protestando ainda assim a Inglaterra (Vide Aviso de H. H. Carneiro Leão em Pereira Pinto, ''Apontamentos para o Direito Internacional'', vol. I).</ref>. O artigo XIV do tratado referia-se á prohibição de engajamento n’uma nação, de desertores da outra nação, devendo os magistrados locaes assistir na apprehensão dos moços e marinheiros desertores dos navios eventualmente ancorados no porto estrangeiro. Simultaneamente versava sobre extradição de criminosos, fixando como de indole a determinaram semelhante medida internacional a alta traição, falsidade e “outros crimes de uma natureza odiosa” — expressão, commentava Hippolyto nas suas excellentes considerações a respeito, muito vaga e sem realidade de significação pois que, si na Inglaterra estatuiria sobre o caso e em perfeita independencia um tribunal de justiça, em Portugal estaria tal interpretação á mercê do arbitrio de um Secretário d’Estado, sobre o qual exerceria o representante inglez sua poderosa pressão. Na Grã Bretanha o governo não se sentia superior ás leis, enquanto que no Brazil um aviso ministerial tinha o privilegio de destruir na pratica toda e qualquer legislação. Por isso mais uma vez era sensivel a desigualdade do convenio. Tambem no capitulo da tolerancia religiosa e da liberdade de consciencia, que igualdade podia estabelecer-se<noinclude>{{lh|5em|align=left}}{{Smallrefs|fs=95%}}</noinclude> rciomfbmdilxknisgnv0ty8v0acqu5y Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/413 106 37756 565949 364726 2026-10-11T22:53:19Z Junglk 34905 /* Revista */ 565949 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh||DOM JOÃO VI NO BRAZIL|391}}</noinclude>entre os Inglezes, que obtinham a faculdade de erigir suas capellas, sem forma exterior de templos nem sinos muito embora, e proceder livremente ás ceremonias do seu culto ou cultos sem serem inquietados ou perseguidos, e os Portuguezes aos quaes, concedendo aquella tolerancia e liberdade em materia espiritual, nenhum favor novo outorgava o governo britannico? A disparidade mais flagrante consistia sobretudo no facto da Inglaterra sómente garantir commercialmente a Portugal o tratamento todo platonico da nação mais favorecida, quando os productos inglezes iam gosar nos portos portuguezes, si importados por Inglezes, de um favor singular e exclusivo. Apoz o tratado, pelo regimen de virtual privilegio do commercio britannico, ficou sendo o seguinte o estado legal das relações mercantis do Brazil: livres, as mercadorias estrangeiras que já tivessem pago direitos em Portugal, e bem assim os productos da mór parte das colonias portuguezas; sujeitas á taxa de 24 por cento ''{{lang|la|ad valorem}}'' as mercadorias estrangeiras directamente transportadas em navios estrangeiros; sujeitas á taxa de 16 por cento as mercadorias portuguezas, e tambem as estrangeiras, importadas sob pavilhão portuguez; sujeitas á taxa de 15 por cento as mercadorias britannicas importadas sob pavilhão britannnico, ou portuguez. Esta ultima disposição ainda foi posterior ao tratado, tomada por decreto de 18 de Outubro de 1810 (o tratado de commercio e navegação era de 19 de Fevereiro e igual data trazia o de paz e amizade) para não prejudicar mais a navegação mercante do Reino, contra a qual todavia se attentava gravemente pela disposição anterior. Serviriam de base principal á pauta as facturas juradas dos generos e os seus preços correntes no paiz importador.<noinclude></noinclude> gmpauio1s9083oaghk6qan3b9890a7x Página:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu/414 106 37757 565950 364727 2026-10-11T22:59:59Z Junglk 34905 /* Revista */ 565950 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Junglk" />{{rh|392|DOM JOÃO VI NO BRAZIL|}}</noinclude>Impuzera lord Strangford como condição ''{{lang|la|sine qua non}}''—mais depressa, declarava Linhares na memoria apresentada ao Principe Regente sobre a conveniencia e vantagens do tratado, rompendo todas as negociações do que cedendo cousa alguma n’esse ponto — a admissão nos dominios portuguezes de todas as manufacturas inglezas indiscriminadamente, com manifesto prejuizo das fabricas privilegiadas do Reino e portanto da industria portugueza. Gosavam, é verdade, taes fabricas e continuariam gosando no Brazil da isenção de direitos de entrada e em Portugal da franquia de materias primeiras, mas em quantos casos poderiam ellas competir, em qualidade e preço do producto, com as excellentes e vastas fabricas inglezas? Entretanto, apezar d’aquella franquia indistincta, ficava pelo artigo XX do tratado vedado introduzirem-se na Inglaterra — a não ser para reexportação e sujeitos a encargos de armazenagem, dique, medições e peso, tanto na chegada como no despacho para fóra — productos dos mais importantes do Brazil, o assucar e o café entre outros. A par de tantas desigualdades havia, a guisa de compensação, disposições de uma reciprocidade comica, como a do artigo XXI, que dava gravemente ao Principe Regente de Portugal a faculdade de impor direitos prohibitivos sobre o assucar, café e outros generos coloniaes a serem importados das possessões britannicas, formulando-se assim a hypothese um tanto extraordinaria de entrarem em concorrencia com os nacionaes semelhantes artigos estrangeiros, de que no Brazil existia superabundancia para o consumo local. Tambem no tratado simultaneo de paz e amizade se continha como disposição muito liberal e proveitosa que a<noinclude></noinclude> o4btc04hbuockuwinzfymwjgprqxdyl Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937/Capítulo 16 0 193488 565938 565574 2026-10-11T16:07:38Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] texto trocado por '<pages index="Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf" from=91 to=102 fromsection="Cap. 16" header=1/> {{PD-Brasil-Gov}} [[Categoria:Constituição do Brasil de 1937]]' 565938 wikitext text/x-wiki <pages index="Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf" from=91 to=102 fromsection="Cap. 16" header=1/> {{PD-Brasil-Gov}} [[Categoria:Constituição do Brasil de 1937]] 4l0gqll5zej64i2erydtyb3atzo9qh6 Predefinição:Progressos recentes 10 220893 565924 565916 2026-10-11T15:00:13Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 565924 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|22|2|6|70}} | [[Index:A Onda Verde (1922).pdf|A Onda Verde]] |- | {{Barra de progresso|55|0|0|0|4|41}} | [[Index:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf|Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |- | {{Barra de progresso|82|0|6|4|4|4}} | [[Index:Caramuru 1781.djvu|Caramurú]] |- | {{Barra de progresso|19|0|3|0|1|77}} | [[Index:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf|Constituição do Brasil de 1937]] |- | {{Barra de progresso|31|0|62|2|5|0}} | [[Index:Dom João VI no Brazil, vol 1.djvu|Dom João VI no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:Dripping-pen.djvu|Carta do Assassino do Zodíaco de 8 de novembro de 1969]] |- | {{Barra de progresso|0|0|100|0|0|0}} | [[Index:Examiner-letter.djvu|Carta do Assassino do Zodíaco de 4 de agosto de 1969]] |- | {{Barra de progresso|0|0|0|95|5|0}} | [[Index:Iracema - 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E foy aſſi que poꝛ caſo eſtranho fuy leuada em parte onde me foram Ꝺiãte meus olhos apꝛeſentadas em couſas alheas todas as minhas anguſtias, ⁊ ho meu ſentido de ouuir nam ficou ſem ſua parte de Ꝺoꝛ. Alli vi entã na piedade q̃ ouue Ꝺe outrẽ camanha a Ꝺevera de ter de mi ſe nã fora Ꝺemaſiadamẽnte mais amiga Ꝺe mi minha Ꝺoꝛ Ꝺo que parece q̃ foy de mi quẽ me he a causa Ꝺella. Mas tamanha he a razam poꝛ que ſam triſte que nunca me veo mal nenhũ que eu jaa nam andaſſe em buſca delle: Da qui me veo a mi parecer que eſta mudança em que me eu agoꝛa vejo jaa ha eu entã começaua a buſcar, quãdo me eſta terra onde me ella aconteceo apꝛouve mais que {{hífen|ou|outra}}<noinclude></noinclude> o806q5j5svm64okjagp8mm7ie5cppik Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/1 106 258070 565941 564096 2026-10-11T17:01:10Z Faraqat-flup 43854 565941 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" /></noinclude>{{c|1=DIALO<br> GO ''DA''<br> ''uiçiosa Ver''<br> ''gonha.''<br> OLISSIPPONE.<br> ''Apud Lodouicum Rotori=<br> ''giũ Typographum.''<br> M. D. XL.}}<noinclude></noinclude> femjdr6esvp9quk1goezt4mjhv5j9x3 Página:Dialogo da uiçiosa vergonha.pdf/3 106 258092 565939 564367 2026-10-11T17:00:03Z Faraqat-flup 43854 565939 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Faraqat-flup" />♠ DIALOGO ♠ 3</noinclude>'''PAY FILHO''' V''Em cá, Antonio: Vái á minha liu-<br> ''raria,e tráze hũus quadernos nume-<br> ''ro quinze, que estám na estante se<br> ''gunda na párte numero seyes (F)<br> ''Sam os quadérnos da grammática da lingua Portu-<br> ''guesa,que compos pera o principe nósso fenhor? (P)<br> ''Esses sam ôs que péço (F) Lá ficam outros quadérnos<br> ''numero dezaseyes, e diz a cóta, Tratádo de causas.<br> ''Sam tambem aquelles da matéria da grãmática? (P)<br> ''Nam,esse é hum tratádo deregido aty, o quál uou cõ-<br> ''poendo pelo discurso dos tempos (F) Que quer senhor<br> ''dizer, de caufas:por que ainda nam ouuy tál titolo?<br> ''(P) Nam ouniste tu iá falár nos problemas de Ari-<br> ''stóteles? (F) Sy. (P) Pois esses de causas trátam.<br> ''(F) Lógo tratádo será de filosophia naturál? por que<br> ''meu mestre te hũus problemas, e diz elle que sam ques-<br> ''tões de filosofia (P) As caufas do teu tratádo nam<br> ''sam naturáes,mas moráes: ou por falár uerdáde sam<br> ''de hómẽes temporáes,que em hũas mesmas obras derã<br> ''diuérsos fructos por diferentes causas, donde naçeo o ti<br> ''tolo ao teu tratádo. Temlhe muyto amor, cá eu tô lei-<br> xo<br> Aij<noinclude></noinclude> s380033j93ib6o64q9lfccl9f1e0cg4 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/169 106 258978 565952 565915 2026-10-12T01:12:52Z Notsonotoriousbig 43614 565952 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 161 —'''}}</noinclude>esta provincia e na distancia de duas mil legoas, a tem abocanhado, collaborando por esta maneira, aliás contra as suas intenções, com os intrigantes e instigadores da desordem para desasocego desta provincia. Em verdade, Senhor, que fará o partido dos prudentes e firmes no seu dever, vendo-se ameaçados tão extraordinariamente quando suppunha ter direito á attenção de V. Magestade? Haverá por ventura meio algum mais efficaz de fazer descontentes? E será esse o proprio para se harmonisar espiritos mutuamente desconfiados e ulcerados? E' pena que os illustres Membros que de legisladores se erigiram em Juizes para nos julgar, não tivessem sido nomeados em nosso lugar para termos podido aprender de antemão o rumo que deveriamos dar em tão espantosa tormenta politica á estragada Barca Social desta provincia, de cuja direcção fomos encarregados! Talvez os illuda o natural amor proprio, mormente esteiado como se acha em tão reconhecidos talentos e saber; a experiencia, porém, os convenceria de quão difficil é navegar em tempo nublado entre {{Cila|Seyla}} e {{w|Caríbdis|Carybdis}}, e de que não basta saber os aforismos de [[Autor:Hipócrates|Hippocrates]] para curar molestias agudas de tão complicados symptomas. Graças a Providencia! A sabedoria de V. Magestade em pouco restabelecerá a paz que d'entre nós tem fugido. O additamento á Constituição na parte respectiva a este Reino do Brazil, mandado imprimir com urgencia, assim nos esperança; e convencido de que elle é o mais heroico calmante na actual febre politica, temos mandado reimprimil-o, e contamos com a sua efficacia para {{Cph|desva|desvanecer}}<noinclude>{{d|21}}</noinclude> 6ioqc4sd1du3k715tpjoveaytl6738z Página:A Onda Verde (1922).pdf/54 106 258979 565917 2026-10-11T14:32:05Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565917 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /><div style="font-family:serif"> {{cabeçalho|''54''||{{k|5|''Monteiro Lobato''}}}}</noinclude>— Olhe, disse abrindo uma folha, cá está noticia da ultima venda do Drouet: um Dégas, 100.000 frs.; um Corot, 400.000; um Millet, 500.000!... Tres milhões, rendeu o leilão! Isto é que él... Estimula o trabalho. Exalta a arte. Paga o artista. Mas aqui?... interrompeu-se, com um muxoxo de desprezo. — Cá estou eu, para exemplo. Tenho quarenta annos, pinto ha trinta e a bem dizer não vendi um só quadro até hoje! Fiz cara de triplice ponto de admiração, e elle: — Chamo ''vender quadros'' receber pela pintura o que ella vale, e não dal-a em troca dʼum punhado de nickeis. Por isso affirmo: nunca, jámais, em trinta annos de pintura, vendi um só quadro que fosse! Eʼ incrivel, mas é... Tomou folego e proseguiu: — Existe entre nós a phobia da arte. O publico odeia o artista e os criticos, para lisonjear o publico, mettem-lhe o páo. {{nop}}<noinclude></div></noinclude> 991e62z8y7tx5un0lo9sh3kqkxnetvs Página:A Onda Verde (1922).pdf/55 106 258980 565918 2026-10-11T14:34:09Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565918 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /><div style="font-family:serif"> {{cabeçalho|{{k|5|''O Incomprehendido''}}||''55''}}</noinclude>Na minha ultima exposição fui cruelmente maltratado. A critica escoicinhou á larga e o resultado foi não vender-se coisa nenhuma. Tenho aqui um caderno de recortes onde collecciono os coices. Tudo reza pela mesma cartilha: : o sr. F. tem muito boa vontade, é trabalhador, etc., etc., mas... e lá vêm as asnices, as piadas sobre o desenho, sobre o colorido, sobre os assumptos, sobre a perspectiva e até sobre as molduras. Como se entendessem do riscado, esses cavallos de dois pés! Tomou um góle mais de folego e: — Ninguem sabe de arte nesta cafraria, mas todos se mettem a latir opinião. Outro dia expuz este quadro, disse espanejando com o lenço um enorme ''Caipira accendendo o cigarro'', e fiquei por alli, sapeando, como Apelles. Chega um, olha e murmura que este pé está inchado... (Olhei e vi que, de facto, o pé estava inchado.) — ... que esta perna soffre de erysipela... (Reflecti com os meus botões que era justa a observação.) {{nop}}<noinclude></div></noinclude> 0khz9p0qffvttm2uzl3tdvcradpteqj Página:A Onda Verde (1922).pdf/56 106 258981 565919 2026-10-11T14:37:23Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565919 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" /><div style="font-family:serif"> {{cabeçalho|''56''||{{k|5|''Monteiro Lobato''}}}}</noinclude>— ... que as côres deste fundo estão vivas em excesso... (Vivissimas! pensei.) — ... que o nariz da figura está deslocado para a esquerda ! (Achei que se o nariz estivesse um pouquinho mais para a direita...) — Remordi-me por dentro, mas calei. O criticastro torceu o focinho a mais não sei quê e foi-se. Mal saiu este animal de rabo, chega outro e ri-se. Não me contive. Saí da tocaia e abordei-o: “De que se ri, o amigo?” “Da desproporção entre este tronco e estas pernas”, respondeu o insolente. Furioso da vida, disse-lhe vinte desaforos e agarrando o quadro trouxe-o para cá. Ora o senhor, que é um moço de talento e de bom gosto, vae dar-me sua opinião com toda a sinceridade. Que tal acha o meu quadro? — Optimo respondi. Um quadrão!... — E o pé? — Magnifico!... — E o nariz, não está direito? {{nop}}<noinclude></div></noinclude> 5d11k0tkm5co8twjxkuo4q7kk3bb8lv Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/109 106 258982 565920 2026-10-11T14:46:48Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565920 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|105|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>dores, de barcos de toda a especie que embaraçavam a entrada para Hong Kong. A uma hora já o ''Rangoon'' tinha lançado ferro e os passageiros desembarcavam. Dʼesta vez devemos concordar, o acaso favorecêra de um modo singular. Phileas Fogg. Se nāo fôra a necessidade de reparar as caldeiras, teria o ''Carnatic'' partido a 5 de novembro, e os viajantes para o Japāo seriam obrigados a esperar o paquete seguinte, que só partia dʼali a oito dias. Mr. Fogg ficava, é verdade, com um atrazo de vinte e quatro horas, mas este atrazo nāo podia ter consequencias muito graves para o resto da viagem. Com effeito, o paquete que faz a carreira do Pacifico de Yokohama a San Francisco estava em correspondencia directa com o paquete de Hong-Kong, e nāo podia partir sem que este chegasse. Evedentemente havia vinte e quatro horas de demora em Yokohama, mas na passagem do Pacifico podiam-se recuperar. Phileas Fogg achava-se, trinta e cinco dias depois de ter partido de Londres, com a differença quasi de vinte e quatro horas, nas mesmas condiçōes do seu programma. Como o ''Carnatic'' só partia no dia seguinte ás cinco horas da manhā, mr. Fogg dispunha de dezeseis horas para tratar dos seus negocios, isto é, dos que diziam respeito a mrs. Aouda. Ao desembarcar do vapor, offereceu o braço á joven e conduziu-a para um palanquim. Pediu aos conductores que lhe indicassem um hotel, e elles designaram-lhe o ''Hotel do Club''. Poz-se a caminho o palanquim, seguido de Passepartout, e vinte minutos depois chegava ao seu destino. Phileas Fogg tomou um quarto para a joven, e cuidou de que lhe nāo faltasse cousa alguma. Depois disse a mrs. Aouda que ia immediatamente tratar de procurar o parente a quem a devia deixar entregue em Hong-Kong. Ao mesmo tempo deu ordem a Passepartout para se deixar estar no hotel até elle voltar, a fim de que a joven nāo ficasse só. O ''gentleman'' fez-se transportar á Bolsa. Ali deviam por força<noinclude></noinclude> nnu4023ydjwpz9yjm60jsk9h3pz4jvo Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/110 106 258983 565921 2026-10-11T14:49:45Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565921 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|106|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>conhecer um personagem da classe do respeitavel Jejech, que era um dos mais ricos commerciantes da cidade. O corretor a quem se dirigiu, conhecia effectivamente o negociante parsi. Mas havia dois annos que Jejeeh nāo residia na China. Depois de fazer fortuna, transferira a residencia para a Europa, — para a Hollanda, segundo se suppunha, — o que se explicava pelas muitas relaçōes que tivera com este paiz durante a sua vida commercial. Phileas Fogg voltou para o ''Hotel do Club''. No mesmo momento mandou pedir licença a mrs. Aouda para se lhe apresentar, e sem mais preambulos participou-lhe que o respeitavel Jejech já nāo habitava em Hong Kong, e provavelmente residia na Hollanda, A isto nāo respondeu logo mrs. Aouda. Passou a māo pela fronte, e ficou alguns momentos absorto nas suas reflexōes. Ein seguida redarguiu com a sua voz meiga: — Que devo fazer, mr. Fogg? — Uma cousa bem simples, respondeu o ''gentleman''. Voltar para a Europa. — Mas nāo devo abusar... — Nāo abusa, e a sua presença em nada transtorna o meu programma. — Passepartout? — Senhor, respondeu Passepartout. — Vá ao ''Carnatic'' e tome tres logares. Passepartout, encantado com a idéa de continuar a viagem em companhia da joven, que era para elle muito amavel, abalou logo do ''Hotel do Club''. {{nop}}<noinclude></noinclude> 55rzhztjqkugh5nn06vb9gsf2gluoif A Volta do Mundo em Oitenta Dias (3ª edição)/XVIII 0 258984 565922 2026-10-11T14:52:48Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=106 to=110 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 18]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo XVIII]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab XVIII]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/18]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 18]] [[he:סביב הארץ בשמונים יום/פרק יח]] it:Il... 565922 wikitext text/x-wiki <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=106 to=110 header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 18]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo XVIII]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab XVIII]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/18]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 18]] [[he:סביב הארץ בשמונים יום/פרק יח]] [[it:Il giro del mondo in ottanta giorni/Capitolo XVIII]] [[pl:Podróż naokoło świata w 80-ciu dniach/Rozdział XVIII]] [[uk:Подорож довкола землї в 80 днях/XVIII]] 874z2x4p7v3yi2srp5c3lukjel36kfh Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/111 106 258985 565923 2026-10-11T14:57:07Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 565923 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|107|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>{{t2|{{smaller|{{sc|em que passepartout vivamente se interessa pelo amo<br>e o que dʼahi se segue}}}}|CAPITULO XIX}} {{dhr}} Hong-Kong é apenas uma ilha, cuja posse foi assegurada á Inglaterra pelo tratado de Nankin, depois da guerra de 1812. Em poucos annos, o genio colonisador da Gran-Bretanha ali fundou uma cidade importante e creou um porto, o porto Victoria. Está situada na embocadura do rio Cantāo, e apenas sessenta milhas a separam da cidade portugueza de Macau, edificada na outra margem. Docas, hospitaes, caes, alfandegas, uma cathedral gothica, uma «governement-house», casa do governo, ruas cobertas de mac-adam, tudo fazia suppor que algumas das cidades commerciaes do condado de Kent ou de Surrey, atravessando o espheroide terrestre, viera sair o ponto da China, quasi nos antipodas. Passepartout, de māos nas algibeiras, dirigiu-se para o porto de Victoria, contemplando pelo caminho os palanquins, os carrinhos de véla, ainda em estimação no Celeste Imperio, e a multidāo de chinezes, de japonezes e de europeus que mal cabiam nas ruas. Com pequena differença, era ainda Bombaim, Calcuttá ou Singapura, que o digno moço encontrava no seu trajecto. Ha assim uma fileira de cidades inglezas em volta do mundo. Passepartout chegon ao porto Victoria. Ali, na embocadura de Cantāo, havia um formigueiro de navios de todas as naçōes, inglezes, francezes, americanos, hollandezes, navios de guerra ou de commercio, embarcaçōes japonezas e chinezas, juncos, sempas, tankas, e mesmo barcos de flores que formavam outros tantos taboleiros de jardim sobre a superficie das aguas. No seu passeio, Passepartout fez reparo nʼum certo numero de indigenas, de idade muito avançada, vestidos de amarello. Entrando nʼum barbeiro chinez para se fazer barbear á chineza,<noinclude></noinclude> 1pk1v8d4m2mrsixxtktkvzqci0032uh Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/História do papagaio 0 258986 565925 2026-10-11T15:58:46Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História do papagaio | anterior = [[../Os figos maravilhosos/]] | posterior = [[../História do mercador e seus três filhos/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DO PAPAGAIO</big>''' ERA uma vez um capitão de navios, que era casado com uma linda menina. Tão amiga era do marido que sempre que ele embarcava não saía de casa nem aparecia à j... 565925 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História do papagaio | anterior = [[../Os figos maravilhosos/]] | posterior = [[../História do mercador e seus três filhos/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DO PAPAGAIO</big>''' ERA uma vez um capitão de navios, que era casado com uma linda menina. Tão amiga era do marido que sempre que ele embarcava não saía de casa nem aparecia à janela. Muito recatada, vivia na cidade como se vivesse num deserto. Ninguém a conhecia e ela não falava a ninguém. O marido estimava-a muito, mas não gostava que ela aparecesse nem recebesse visitas na sua ausência, coisa que nada a ralava pois o tempo lhe passava despercebido, sempre entretida com o trabalho. Uma noite em que passava na rua uma procissão, julgando que ninguém a veria, mandou acender as luzes e pô-las à janela ficando por detrás das vidraças. Um Príncipe, que ia na procissão, viu-a e achou-a tão linda que não descansou enquanto não soube quem era. Perguntou a uma pobre que estava a pedir esmola na porta da casa se conhecia aquela senhora. — Conheço-a de nome e por ter lá recebido muitas esmolinhas, mas nunca a vi. Ninguém lhe fala nem a vê quando o marido está ausente. Ora o Príncipe tinha dito em palácio, na noite da procissão, que vira a dama mais formosa da cidade, numa casa que não pertencia a nenhum magnate da corte nem a qualquer fidalgo. Homens e senhoras protestaram, citando as mulheres mais formosas que conheciam, mas o Príncipe sorria sempre e abanava a cabeça negativamente. Desafiaram-no a que lhes mostrasse a maravilha e ele jurou que lhes havia de fazer a vontade. Em casa seria impossível, visto ela não chegar nunca à janela. Lembrou-se de chamar uma velha alcoviteira muito sabida, esperta e de boa presença, e disse-lhe que de qualquer modo queria ver e poder mostrar aquela formosura. — Há-de ser difícil, meu Senhor! — disse a velha, que bem sabia o recato da mulher do capitão de navios. — Há-de ser difícil. — Tente o que for preciso e não olhe a despesas — disse o Príncipe muito empenhado no seu capricho. — Mas que ninguém saiba que trabalha de meu mandado. E despediu-a com uma boa gratificação. A velha, que era uma boa intrujona, vestiu-se de preto, com muita decência e foi bater à porta da casa do capitão. — Quem é? — perguntou a criada. — Abra a porta e vá dizer a sua ama que é a irmã de seu pai, a tia Gertrudes que voltou de fora e deseja falar-lhe. A criada foi dizer à senhora aquele recado e a senhora disse: — Não me consta ter nenhuma tia com esse nome, mas poderá ser que nunca me falassem nela. Manda-a entrar. Como era modesta e bondosa, não queria deixar de receber uma pessoa da sua família por ser pobre, pois não tinha vergonha de confessar a humildade de condição dos seus pais. E confiada, não supôs sequer que se tratasse de uma falsidade. A velha entrou fazendo uma grande festa. — Minha rica sobrinha, que alegria tive ao saber que tinhas casado ao teu gosto. — Estimo vê-la, minha tia, mas não me constava que meu pai tivesse mais uma irmã, vivendo fora desta cidade. — Que queres, filha? Eu era mais velha que teu pai. Quando saí desta terra, ainda ele era tão pequenino que se esqueceu de mim. Na boa fé, a senhora acreditou tudo que a velha disse e tratou-a como se na verdade fosse sua tia. — Já sei, já sei que teu marido não está. Mas não te rales, que há-de voltar breve. — Pois, minha tia, bem ralada já estou eu pela sua demora. Há uns poucos de dias que espero a chegada do navio em que ele vem. — Coitadinha, como estás apoquentada! Se queres vamos logo, das nove para as dez da noite, à capelinha de fora de portas. É costume todas as senhoras que têm maridos ausentes irem lá acender velas, que é para os fazerem voltar depressa e sem perigo. — Pois sim, iremos. Eu não gosto de sair de casa quando ele não está. Mas como é para seu bem, vamos lá. — Então eu vou comprar as velas. Saiu e deu parte ao Príncipe para lá estar com todos os seus amigos que quisessem convencer-se da verdade que lhes dissera. À noite, quando já estavam preparadas para sair, começou um papagaio que havia em casa a gritar pela dona. — O que é isto? — perguntou a velha. — É o meu papagaio que me chama. Espere um momento que eu vou ver o que ele quer. — Então vais-te demorar por causa dum papagaio? Deixa-o lá! — Isso não deixo, que lhe tenho muito amor. Foi meu marido quem o comprou por um ror de dinheiro na última viagem e mo trouxe de presente. O papagaio no entanto gritava: — Ai, minha rica senhora, que eu morro! Dói-me muito a barriguinha. Mande-me dar uma pinga de chá bem quente. A criada foi fazer o chá e a senhora ficou ao pé do doente. A velha estava furiosa, mas não tinha remédio senão esperar. Vem o chá e diz o papagaio: — Ai, está muito quente! Não quero queimar a língua! Enquanto esfria, ouça a minha senhora um caso que sucedeu. — Olha agora para que havia de dar ao maldito do papagaio! Deixa-o lá, sobrinha, e mais aos seus casos. — Isso não deixo, que muito o estimo, por ser prenda de meu marido. — Não se rale, senhora velha — gritou o animalzinho — que isto conta-se depressa e depois tem muito tempo de ir saber notícias do meu amo. Agora ouçam a minha história: Um Rei e uma Rainha, que não tinham filhos, sofriam com isso grande desgosto. Uma noite sonhou a Rainha que teria uma menina. No sonho foi-lhe perguntado se queria que a filha tivesse uma mocidade trabalhosa e uma velhice descansada, ou se preferia o contrário. Pediu velhice descansada, embora a mocidade fosse cheia de desgostos e sacrifícios. De manhã contou ao marido o que respondera, ao que ele respondeu que tinha feito muito bem. Nasceu a menina, e o Rei, que já tinha mandado fazer uma torre que chegava às nuvens, levou-a para lá, com a ama, na persuasão de que a livraria assim dos trabalhos que lhe estavam destinados. A menina cresceu e a ama foi-lhe ensinando todas as prendas duma senhora bem educada. Todas as tardes a Princesinha ia sentar-se no seu jardim e vinha um passarinho verde para o pé dela e ali se conservava todo o tempo que a Princesa estivesse, fazendo-lhe muitas festas. Já estava tão habituada a ter aquele companheiro na sua solidão, que um dia em que ele faltou pôs-se tão triste como a noite. Passados dias voltou o pássaro verde. Roubou-lhe o lenço que ela estava bordando e fugiu. A Princesa correu atrás dele pela porta do jardim, que por acaso estava aberta, e cheia de assombro se encontrou numa floresta. Como nunca saíra da sua torre, tudo lhe fazia confusão e quanto mais andava mais se embrenhava no matagal. O passarinho deixou então cair o lenço que levava no bico. Já muito cançada sentou-se a Princesa ao pé duma árvore e adormeceu profundamente... — Bom, isto já vai a amanhecer — disse o papagaio — não são horas de irem à capelinha de fora de portas. Irão à noite. Eu vou ao meu chàzinho e dormirei um bom sono. — Pois é verdade — respondeu a senhora — não são horas de sairmos. Iremos à noite. Vá a tia descansar um bocadinho, que logo faremos por sair, a tempo de ir à capela. A velha foi prevenir o Príncipe de que só na noite seguinte poderia levar a senhora do capitão à capelinha, visto o caso do papagaio. O Príncipe não ficou lá muito satisfeito, mas não teve outro remédio senão calar-se e esperar. À noite chega a velha toda preparada, com o seu capote e lenço engomado e andar muito subtil para não ser pressentida pelo espertalhão do papagaio, que fingia dormir. A senhora pôs a mantilha e já iam a sair a porta quando ele começou a gritar: — Minha senhora, minha rica senhora, acuda-me que eu morro! Mande-me já fazer um chàzinho, que me dói a minha barriguinha. — Olha o mafarrico do papagaio! — começou a velha a dizer, já furiosa. — Para o que lhe havia de dar! Deixa-o lá, sobrinha, vamos embora, que a criada cá lhe dará o remédio. — Não, isso não faço. O meu rico papagaio pode morrer e eu teria um grande desgosto com isso. Que tens tu, ''meu loiro'', que tanto te queixas? — Preciso dum chàzinho bem quente, minha querida ama. — Pois eu to vou fazer, espera um instantinho. Numa corrida foi fazer o chá e trouxe-lho. — Ai, minha senhora, o chá está muito quente, e então, enquanto esfria, vou acabar de lhe contar o caso que ontem comecei. É um instantinho, depois irão levar as velas. A velha estava desesperada, resmungando entre dentes: — Ora não morrer o maldito papagaio logo duma vez!... Mas o papagaio não se importava nada com as suas fúrias, e começou: — Ora como lhes ia dizendo, a menina adormeceu com a cabeça deitada sobre o lenço. Pouco depois apareceu um moço Príncipe que por ali andava perdido dos seus companheiros de caça. Acordou-a e perguntou-lhe quem era. A Princesa temendo alguma nova desgraça não respondeu à pergunta. Mas puseram-se a conversar como bons amigos. Quando já era tarde, disse o Príncipe para a jovem Princesa que esperasse por ele, porque em vista de estar tão cansada ia buscar uma carruagem em que a levasse para o seu palácio. Como lembrança pediu-lhe o seu lenço e deixou-lhe o precioso anel que trazia no dedo. Partiu o Príncipe e a menina esperou, esperou até à noite. Depois, vendo-se ali só, teve medo, e pôs-se a caminho, a ver se dava com alguém que a recolhesse. Lá muito longe deu com uma casa pequena onde viviam dois velhos muito pobrezinhos mas bondosos, que a receberam com muito gosto e com ela partilharam do que tinham. A Princesinha ali ficou muito sossegada, vivendo com os velhotes que a estimavam como filha. Tudo lhes corria bem desde que a menina entrara naquela pobre mas alegre morada. O Príncipe, esse perdera-se no caminho de modo que após muito andar e desandar, quando chegou com as aias e a carruagem ao sítio em que deixara a Princesa, já a não encontrou! Tal foi o seu desgosto que caiu doente. No palácio dos pais da menina também o desgosto era sem consolo desde a hora em que a ama correra a dar parte do seu desaparecimento misterioso... — Mas agora reparo, minha senhora — disse o papagaio. — O meu chá está frio, não o posso tomar. E isto já é manhã, não podem ir hoje à capelinha. Amanhã irá saber novas de meu amo. Agora vamos dormir. A velha espumava de raiva e dizia para a senhora: — Olha que tolice dar ouvidos a um papagaio! Se teu marido não vier será por culpa desta maldita ave. — Então, minha tia, que se lhe há-de fazer? É um presente de meu marido, e tratá-lo mal é não estimar quem mo deu. Olhe, iremos amanhã à meia-noite, sairemos sem ele dar por isso. Não teve remédio a alcoviteira senão ir dizer ao Príncipe o que se passava. Na noite seguinte voltou muito devagarinho para sairem sem o papagaio pressentir, mas quando iam à porta começou ele a gritar: — Acuda-me aqui, minha senhora, que eu morro! Ontem não bebi o meu chàzinho. Por isso estou assim doente! — Olha o papagaio que parece ter feitiço! Deixa-o lá, sobrinha, que tudo isto é manha. — Não, deixá-lo assim, não. Eu dou-lhe um chàzito e já vamos. Levou-lhe o chá e ele disse logo: — Minha ama, o chá está muito quente, e eu não quero queimar o meu bico e a minha barriguinha. Quando vier o meu amo quero estar bom como ele me deixou. Vou acabar o caso que ontem não pude acabar: O Príncipe ia-se finando de mágoa e o Rei, seu pai, mandou então publicar um decreto em que se prometiam fabulosas recompensas a quem desse com a cura daquele estranho mal. A menina de nada sabia, vivendo no cantinho da casa tão longe de tudo. Mas o velhote foi um dia à cidade e de lá trouxe a notícia do caso e de quantos afamados médicos de todo o Mundo tinham ido visitar o doente e saído com a certeza de que a medicina não curaria tão fundo mal... Que, todos o diziam, o desditoso moço tinha ensandecido ou morria de mal de amores. — Ai, meu bom velhinho, se me acompanhasse, eu ia lá e talvez curasse o Príncipe! — disse a Princesa. — Pois da melhor vontade — respondeu o bom velho. Partiram, e ao outro dia chegaram à porta do palácio. A menina pediu para falar ao doente, porque sabia uma receita que talvez o melhorasse. Foi logo levada para junto do Príncipe, e mal pôde reconhecer, tão mudado e abatido o encontrava. No entanto, chegou junto dele e perguntou de manso: — Meu Príncipe, que doença é a sua? — Doença que não tem cura. Tinha a felicidade na mão e deixei-a fugir!... — Quem sabe!? Não perca a esperança. Conte-me o seu mal, que eu talvez o cure. — Se assim fosse!... Bem lhe conto eu as tristezas da minha alma: Encontrei uma Princesa, linda como as estrelas e boa como os anjos, perdida numa floresta. Não podia andar mais de cansada que estava. Por isso, a deixei e vim ao meu palácio buscar carruagem para a trazer. Mas quando voltei à floresta perdi-me e não mais a vi!... — E que sinal lhe deixastes para vos reconhecer? — O meu anel de sete pedras. Então a menina estendeu-lhe a mão, onde brilhava o anel cravejado de sete pedras finas, e o Príncipe, caindo em si, ficou louco de alegria. A Princesa contou então a sua vida: de como sua mãe fora prevenida das desgraças que lhe haviam de suceder, e da terra em que vivera, e do passarinho verde atrás do qual fugira e se perdera. — Pois esse passarinho verde era o meu encantamento — disse o Príncipe. — Agora é que eu me lembro de tudo e quanto esperei por este amor. Vieram os Reis, pais do Príncipe, que ficaram muito satisfeitos por verem o filho curado. Imediatamente foram enviados correios a prevenir os pais da Princesa que estavam na maior consternação, e ficaram contentíssimos partindo logo para abraçar a filha e assistir ao casamento, que foi muito festejado... — Agora — disse o papagaio — vou comer as minhas sopinhas. E a senhora vá deitar-se que isto já é tarde. — Não faças caso, sobrinha, que ainda vamos a tempo de acender uma vela na capelinha. Sem isso não voltará o teu marido. Ela que dizia isto, sentiu-se bater à porta: — truz, truz, truz! — e logo a criada foi abrir. Era o capitão de navios que chegava da sua longa viagem. A mulher ficou muito contente, e a velha, em ânsias, o que queria era safar-se antes que soubesse o dono da casa o que ela ia lá fazer. Mas o papagaio não a deixou sair sem contar tudo ao capitão, que pôs a intrujona fora de casa a pontapés. E não foi só o que teve por castigo, por se meter nas vidas alheias, pois o Príncipe e os seus amigos, desesperados de esperarem, também lhe deram pancada. O capitão, que vinha muito rico, não tornou a fazer viagens e com a mulher viveu muito satisfeito e feliz tendo o seu esperto papagaio na maior estimação. De quando em vez contava o papagaio uma história. Mas nenhuma tanto agradava à mulher do capitão de navios como a História do Passarinho Verde que a livrara de, embora sem o querer, magoar quem tanto bem lhe queria. [[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História do papagaio]] q6l9aq277kebf17q12aarzqnadozonp Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/92 106 258987 565926 2026-10-11T16:00:43Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''Art. 136.''' O trabalho é um dever social. O trabalho intellectual, technico e manual tem direito á protecção e solicitude especiaes do Estado. A todos é garantido o direito de subsistir mediante o seu trabalho honesto e este, como meio de subsistencia do individuo, constitue um bem que é dever do Estado proteger, assegurando-lhe condições favoraveis e meios de defesa. '''Art. 137.''' A legislação do trabalho observará, além de ou... 565926 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-90-}}</noinclude>'''Art. 136.''' O trabalho é um dever social. O trabalho intellectual, technico e manual tem direito á protecção e solicitude especiaes do Estado. A todos é garantido o direito de subsistir mediante o seu trabalho honesto e este, como meio de subsistencia do individuo, constitue um bem que é dever do Estado proteger, assegurando-lhe condições favoraveis e meios de defesa. '''Art. 137.''' A legislação do trabalho observará, além de outros, os seguintes preceitos: :a) os contractos collectivos de trabalho concluidos pelas associações, legalmente reconhecidas, de empregadores, trabalhadores, artistas e especialistas, serão applicados a todos os empregados, trabalhadores, artistas e especialistas que elas representam; :b) os contractos collectivos de trabalho deverão es-<noinclude></noinclude> g2e34wk80a32rmmpdc11qf3j1kx3uyn Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/93 106 258988 565927 2026-10-11T16:01:16Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: tipular obrigatoriamente a sua duração, a importancia e as modalidades do salario, a disciplina interior e o horario do trabalho; :c) a modalidade do salario será a mais apropriada ás exigencias do operario e da empreza; :d) o operario terá direito ao repouso semanal aos domingos e, nos limites das exigencias technicas da empreza, aos feriados civis e religiosos, de accordo com a tradicção local; :e) depois de um anno de serviço ininte... 565927 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-91-}}</noinclude>tipular obrigatoriamente a sua duração, a importancia e as modalidades do salario, a disciplina interior e o horario do trabalho; :c) a modalidade do salario será a mais apropriada ás exigencias do operario e da empreza; :d) o operario terá direito ao repouso semanal aos domingos e, nos limites das exigencias technicas da empreza, aos feriados civis e religiosos, de accordo com a tradicção local; :e) depois de um anno de serviço ininterrupto em uma empreza de trabalho continuo, o operario terá direito a uma licença annual remunerada; :f) nas emprezas de trabalho continuo, a cessação das relações de trabalho, a que o trabalhador não haja dado motivo, e quando a lei não lhe garanta a estabilidade no emprego, crea-lhe o direito a uma indemnização proporcional aos<noinclude></noinclude> lo3j89nfac6ud4xrvzjeyvqr74gtfau Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/94 106 258989 565928 2026-10-11T16:01:53Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: annos de serviço; :g) nas emprezas de trabalho continuo, a mudança de proprietario não rescinde o contracto de trabalho, conservando os empregados, para com o novo empregador, os direitos que tinham em relação ao antigo; :h) salario minimo, capaz de satisfazer, de accordo com as condições de cada região, as necessidades normaes do trabalho; :i) dia de trabalho de oito horas, que poderá ser reduzido, e sómente susceptível de augmento no... 565928 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-92-}}</noinclude>annos de serviço; :g) nas emprezas de trabalho continuo, a mudança de proprietario não rescinde o contracto de trabalho, conservando os empregados, para com o novo empregador, os direitos que tinham em relação ao antigo; :h) salario minimo, capaz de satisfazer, de accordo com as condições de cada região, as necessidades normaes do trabalho; :i) dia de trabalho de oito horas, que poderá ser reduzido, e sómente susceptível de augmento nos casos previstos em lei; :j) o trabalho á noite, a não ser nos casos em que é effectuado periodicamente por turnos, será retribuido com remuneração superior á do diurno; :k) prohibição de trabalho a menores de quatorze annos; de trabalho nocturno a menores de dezesseis,<noinclude></noinclude> g5wbccgxkra4rk6462m4yt0abrp724x Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/95 106 258990 565929 2026-10-11T16:02:28Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: e, em industrias insalubres, a menores de dezoito annos e a mulheres; :l) assistencia medica e hygienica ao trabalhador e á gestante, assegurado a esta, sem prejuizo do salario, um periodo de repouso antes e depois do parto; :m) a instituição de seguros de velhice, de invalidez, de vida e para os casos de accidentes do trabalho; :n) as associações de trabalhadores têm o dever de prestar aos seus associados auxilio ou assistencia, no re... 565929 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-93-}}</noinclude>e, em industrias insalubres, a menores de dezoito annos e a mulheres; :l) assistencia medica e hygienica ao trabalhador e á gestante, assegurado a esta, sem prejuizo do salario, um periodo de repouso antes e depois do parto; :m) a instituição de seguros de velhice, de invalidez, de vida e para os casos de accidentes do trabalho; :n) as associações de trabalhadores têm o dever de prestar aos seus associados auxilio ou assistencia, no referente ás praticas administrativas ou judiciaes relativas aos seguros de accidentes do trabalho e aos seguros sociaes. '''Art. 138.''' A associação profissional ou syndical é livre. Sómente, porém, o syndicato regularmente reconhecido pelo Estado tem o direito de representação legal<noinclude></noinclude> m2lpm509fgo7498gxmc95g6hvvva031 Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/96 106 258991 565930 2026-10-11T16:03:07Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: dos que participarem da categoria de producção para que foi constituído, e de defender-lhes os direitos perante o Estado e as outras associações profissionaes, estipular contractos collectivos de trabalho obrigatorios para todos os seus associados, impôr-lhes contribuições e exercer em relação a elles funcções dellegadas de poder publico. '''Art. 139.''' Para dirimir os conflictos oriundos das relações entre empregadores e empregados,... 565930 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-94-}}</noinclude>dos que participarem da categoria de producção para que foi constituído, e de defender-lhes os direitos perante o Estado e as outras associações profissionaes, estipular contractos collectivos de trabalho obrigatorios para todos os seus associados, impôr-lhes contribuições e exercer em relação a elles funcções dellegadas de poder publico. '''Art. 139.''' Para dirimir os conflictos oriundos das relações entre empregadores e empregados, reguladas na legislação social, é instituida a justiça do Trabalho, que será regulada em lei e á qual não se applicam as disposições desta Constituição relativas á competencia, ao recrutamento e ás prerogativas da justiça commum. A gréve e o lock-out são declarados recursos anti-sociaes, nocivos ao trabalho e ao capital e incompativeis com os superiores interesses da producção nacional. '''Art. 140.''' A economia da producção será organizada em corporações, e estas, como entidades representati-<noinclude></noinclude> 1xgelzru8pbdpfhmtw7tkxadycbl9xn Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/97 106 258992 565931 2026-10-11T16:03:34Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: vas das forças do trabalho nacional, collocadas sob a assistencia e a protecção do Estado, são orgãos destes e exercem funcções delegadas de poder publico. '''Art. 141.''' A lei fomentará a economia popular, assegurando-lhe garantias especiaes. Os crimes contra a economia popular são equiparados aos crimes contra o Estado, devendo a lei cominar-lhes penas graves e prescrever-lhes processo e julgamento adequados á sua prompta e segura... 565931 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-95-}}</noinclude>vas das forças do trabalho nacional, collocadas sob a assistencia e a protecção do Estado, são orgãos destes e exercem funcções delegadas de poder publico. '''Art. 141.''' A lei fomentará a economia popular, assegurando-lhe garantias especiaes. Os crimes contra a economia popular são equiparados aos crimes contra o Estado, devendo a lei cominar-lhes penas graves e prescrever-lhes processo e julgamento adequados á sua prompta e segura punição. '''Art. 142.''' A uzura será punida. '''Art. 143.''' As minas e demais riquezas do sub-solo, bem como as quedas d'água constituem propriedade distinta da propriedade do solo para o effeito de exploração ou aproveitamento industrial. O aproveitamento industrial das minas e das jazidas mineraes, das aguas e da energia hydraulica, ainda que de propriedade privada, depende de autorização federal. {{nop}}<noinclude></noinclude> fop2iw6l9ix59cvmluuu2m13sjybcui Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/98 106 258993 565932 2026-10-11T16:03:54Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: :§ 1º A autorisação só poderá ser concedida a brasileiros, ou emprezas constituidas por accionistas brasileiros, reservada ao proprietario preferencia na exploração, ou participação nos lucros. :§ 2º O aproveitamento de energia hydraulica de potencia reduzida e para uso exclusivo do proprietario independe de autorisação. :§ 3º Satisfeitas as condições estabelecidas em lei entre ellas a de possuirem os necessarios serviços technicos e... 565932 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-96-}}</noinclude>:§ 1º A autorisação só poderá ser concedida a brasileiros, ou emprezas constituidas por accionistas brasileiros, reservada ao proprietario preferencia na exploração, ou participação nos lucros. :§ 2º O aproveitamento de energia hydraulica de potencia reduzida e para uso exclusivo do proprietario independe de autorisação. :§ 3º Satisfeitas as condições estabelecidas em lei entre ellas a de possuirem os necessarios serviços technicos e administrativos, os Estados passarão a exercer dentro dos respectivos territorios, a attribuição constante deste artigo. :§ 4º Independe de autorisação o aproveitamento das quedas d'água já utilizadas industrialmente na data desta Constituição, assim como, nas mesmas condições, a exploração das minas em lavra, ainda que transitoriamente suspensa. {{nop}}<noinclude></noinclude> ai0xqy8amnjyfx0ak701d8ozr58153w Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/99 106 258994 565933 2026-10-11T16:04:27Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''Art. 145.''' Só poderão funccionar no Brasil os bancos de deposito e as emprezas de seguros, quando brasileiros os seus accionistas. Aos bancos de deposito e emprezas de seguros actualmente autorisados a operar no paiz, a lei dará um prazo razoavel para que se transformem de accordo com as exigencias deste artigo. '''Art. 146.''' As emprezas concessionarias de serviços publicos federaes, estaduaes ou municipaes deverão constituir c... 565933 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-97-}}</noinclude>'''Art. 145.''' Só poderão funccionar no Brasil os bancos de deposito e as emprezas de seguros, quando brasileiros os seus accionistas. Aos bancos de deposito e emprezas de seguros actualmente autorisados a operar no paiz, a lei dará um prazo razoavel para que se transformem de accordo com as exigencias deste artigo. '''Art. 146.''' As emprezas concessionarias de serviços publicos federaes, estaduaes ou municipaes deverão constituir com maioria de brasileiros a sua administração ou delegar a brasileiros todos os poderes de gerencia. '''Art. 147.''' A lei federal regulará a fiscalisação e revisão das tarifas dos serviços publicos explorados<noinclude></noinclude> mrko1xpbjsfgi2ooi2nz7yp18in9adl Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/100 106 258995 565934 2026-10-11T16:05:05Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: por concessão para que, no interesse collectivo, dellas retire o capital uma retribuição justa ou adequada e sejam attendidas convenientemente as exigencias de expansão e melhoramento dos serviços. '''A lei se applicará ás concessões feitas no regime anterior de tarifas contractualmente estipuladas para todo o tempo de duração do contracto. '''Art. 148.''' Todo brasileiro que, não sendo proprietario rural ou urbano, occupar, por dez... 565934 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-98-}}</noinclude>por concessão para que, no interesse collectivo, dellas retire o capital uma retribuição justa ou adequada e sejam attendidas convenientemente as exigencias de expansão e melhoramento dos serviços. '''A lei se applicará ás concessões feitas no regime anterior de tarifas contractualmente estipuladas para todo o tempo de duração do contracto. '''Art. 148.''' Todo brasileiro que, não sendo proprietario rural ou urbano, occupar, por dez annos continuos, sem opposição nem reconhecimento de dominio alheio, um trecho de terra até dez hectares, tornando-o productivo com o seu trabalho e tendo nelle a sua morada, adquirirá o dominio, mediante sentença declaratoria devidamente transcripta. '''Art. 149.''' Os proprietarios armadores e commandantes de navios nacionaes, bem com os tripulantes, na proporção de dois terços devem ser brasileiros natos, re-<noinclude></noinclude> 48snku8f0im7ek9rikhtl6ejmx0vcvn 565935 565934 2026-10-11T16:05:31Z Erick Soares3 19404 565935 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-98-}}</noinclude>por concessão para que, no interesse collectivo, dellas retire o capital uma retribuição justa ou adequada e sejam attendidas convenientemente as exigencias de expansão e melhoramento dos serviços. A lei se applicará ás concessões feitas no regime anterior de tarifas contractualmente estipuladas para todo o tempo de duração do contracto. '''Art. 148.''' Todo brasileiro que, não sendo proprietario rural ou urbano, occupar, por dez annos continuos, sem opposição nem reconhecimento de dominio alheio, um trecho de terra até dez hectares, tornando-o productivo com o seu trabalho e tendo nelle a sua morada, adquirirá o dominio, mediante sentença declaratoria devidamente transcripta. '''Art. 149.''' Os proprietarios armadores e commandantes de navios nacionaes, bem com os tripulantes, na proporção de dois terços devem ser brasileiros natos, re-<noinclude></noinclude> ca0j5flmwa83skhw8jhati0t1jwvgjc Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/101 106 258996 565936 2026-10-11T16:05:56Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: servando-se também a estes a praticagem das barras, portos, rios e lagos. '''Art. 150.''' Só poderão exercer profissões liberaes os brasileiros natos e os naturalisados que tenham prestado serviço militar no Brasil, exceptuados os casos de exercicio legitimo na data da Constituição e os de reciprocidade internacional admittidos em lei. Sómente aos brasileiros natos será permittida a revalidação de diplomas profissionaes expedidos por... 565936 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-99-}}</noinclude>servando-se também a estes a praticagem das barras, portos, rios e lagos. '''Art. 150.''' Só poderão exercer profissões liberaes os brasileiros natos e os naturalisados que tenham prestado serviço militar no Brasil, exceptuados os casos de exercicio legitimo na data da Constituição e os de reciprocidade internacional admittidos em lei. Sómente aos brasileiros natos será permittida a revalidação de diplomas profissionaes expedidos por institutos estrangeiros de ensino. '''Art. 151.''' A entrada, distribuição e fixação de immigrantes no territorio nacional estará sujeita ás exigencias e condições que a lei determinar, não podendo, porém, a corrente immigratoria de cada paiz exceder, annualmente, o limite de dois por cento sobre o numero total dos respectivos nacionaes fixados no Brasil durante os ultimos cincoenta annos. '''Art. 152.''' A vocação para succeder em bens de es-<noinclude></noinclude> 30vtm4nzqcanv95xmf482fq87p5yrxp Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/102 106 258997 565937 2026-10-11T16:06:25Z Erick Soares3 19404 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: trangeiros situados no Brasil será regulada pela lei nacional em benefício do conjuge brasileiro e dos filhos do casal sempre que lhes não seja mais favoravel o estatuto do de cujus. '''Art. 153.''' A lei determinará a percentagem de empregados brasileiros que devem ser mantidos obrigatoriamente nos serviços publicos dados em concessão e nas emprezas e estabelecimentos de industria e de commercio. '''Art. 154.''' Será respeitada aos... 565937 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-100-}}</noinclude>trangeiros situados no Brasil será regulada pela lei nacional em benefício do conjuge brasileiro e dos filhos do casal sempre que lhes não seja mais favoravel o estatuto do de cujus. '''Art. 153.''' A lei determinará a percentagem de empregados brasileiros que devem ser mantidos obrigatoriamente nos serviços publicos dados em concessão e nas emprezas e estabelecimentos de industria e de commercio. '''Art. 154.''' Será respeitada aos selvicolas a posse das terras em que se achem localizados em caracter permanente, sendo-lhes, porém, vedada a alienação das mesmas. '''Art. 155.''' Nenhuma concessão de terras de área superior a dez mil hectares, poderá ser feita sem que, em cada caso, preceda autorização do Conselho Federal. {{nop}}<noinclude></noinclude> i641jkafclsoq5uk4hy59ega56pw26f Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/158 106 258998 565942 2026-10-11T22:27:04Z JppBr98 28173 /* Revista */ 565942 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 152 {{--}}}}</noinclude>Donaire, elegancia, distincção… pintam lá vocabulos esbeiçados pelo uso esse punhado de «quês». particularissimos cuja somma a palavra «linda» totalisa? Labios de cereja, a magnolia da pelle accesa em rosas na face, olhos sombrios como a noite, dentes de perola… as velhas tintas de uso em retratos femininos desde a Sulamita não pintam melhor que o « linda!» dicto sem mais enfeites além do ponto admirativo. Vel-a mordiscando o hastil duma panicula roxa de catingueiro, colhida á beira do caminho, ora risonha ora séria, a côr das faces mordida pelo vento frio, madeixas louras a brincar-lhe nas temporas, vel-a assim formosa no quadro agreste duma tarde de Junho era comprehender a expressão dos roceiros: linda que nem uma santa. Olhos sobretudo tinha-os Christina de alta belleza. Naquella tarde, porém, as sombras de sua alma coavam nelles penumbras de estranha melancholia. Melancholia e inquietação. O amoroso enlevo de Eduardo arrefecia amiude ante suas repentinas fugas. Elle a percebia longe de si, ou pelo menos introspectiva em excesso, — reticencia que o amor não vê de boa cara. E á medida que caminhavam recrescia aquella exquisitice. Um como intactil morcego diabolico riscava-lhe a alma de voejos presagos. Nem o estimulante das brisas asperas, nem a ternura do noivo, nem o «cheiro da natureza» exsolvido da terra eram de molde a esgarçar a mysteriosa bruma de lá dentro. Eduardo interpelou-a por fim:<noinclude></noinclude> 0c1hbmo305vfkw5dc7wn8cgkji3lxog 565943 565942 2026-10-11T22:27:30Z JppBr98 28173 565943 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 152 {{--}}}}</noinclude>Donaire, elegancia, distincção… pintam lá vocabulos esbeiçados pelo uso esse punhado de «quês». particularissimos cuja somma a palavra «linda» totalisa? Labios de cereja, a magnolia da pelle accesa em rosas na face, olhos sombrios como a noite, dentes de perola… as velhas tintas de uso em retratos femininos desde a Sulamita não pintam melhor que o « linda!» dicto sem mais enfeites além do ponto admirativo. Vel-a mordiscando o hastil duma panicula roxa de catingueiro, colhida á beira do caminho, ora risonha ora séria, a côr das faces mordida pelo vento frio, madeixas louras a brincar-lhe nas temporas, vel-a assim formosa no quadro agreste duma tarde de Junho era comprehender a expressão dos roceiros: linda que nem uma santa. Olhos sobretudo tinha-os Christina de alta belleza. Naquella tarde, porém, as sombras de sua alma coavam nelles penumbras de estranha melancholia. Melancholia e inquietação. O amoroso enlevo de Eduardo arrefecia amiude ante suas repentinas fugas. Elle a percebia longe de si, ou pelo menos introspectiva em excesso, — reticencia que o amor não vê de boa cara. E á medida que caminhavam recrescia aquella exquisitice. Um como intactil morcego diabolico riscava-lhe a alma de voejos presagos. Nem o estimulante das brisas asperas, nem a ternura do noivo, nem o «cheiro da natureza» exsolvido da terra eram de molde a esgarçar a mysteriosa bruma de lá dentro. Eduardo interpelou-a por fim: {{nop}}<noinclude></noinclude> mjgabz3ahbrqgri17w18jtrfy1fh3fu Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/159 106 258999 565944 2026-10-11T22:30:50Z JppBr98 28173 /* Revista */ 565944 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 153 {{--}}}}</noinclude>— Que tens hoje, Christina? Tão sombria… E ella, num sorriso triste: — Nada!… Porque? Nada… E’ sempre nada quando o que quer que é lucila avisos informes na escuridão do subconsciente, como os ziguezagues subtilissimos do sismographo em prenuncios de remota commoção tellurica. E esses nadas são tudo!… — A’ esquerda, pelo trilho. A voz do major chamou-os á realidade. Um carreiro mal batido na macega esgueirava-se em colleios até á beira d’um corrego onde todos se reuniram de novo. O major tomou a frente, e guiou-os matta a dentro pelos meandros d’uma velha picada. Era aquelle o matto sinistro onde se alapavam Boccatorta e o seu cachorro lazarento, Merimbico, nome tresandante a satanismo para o faro do povileu, sem que o soubessem porque. A’s sextas- feiras, na voz corrente do arraial, Merimbico virava lobishomem e se punha de ronda ao cemiterio com muitos uivos á lua e aboccamentos ás pobres almas penadas. Coisa muito de arrepiar. O sombrio da matta enoiteceu de vez a alma de Christina. — Mas afinal para onde vamos, meu pae? Afundar no atoleiro como o Simas? Meu pae já fez o testamento? — Já, filha, chasqueou o major, e deixo o Boccatorta para ti. Christina emmudeceu. Retransia-a em doses crescentes o velho medo de outr’ora e foi com<noinclude></noinclude> 9rby50aqo0xdhll5ee9zs1fh0x8gb4o Página:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf/161 106 259000 565945 2026-10-11T22:35:09Z JppBr98 28173 /* Revista */ 565945 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{c|{{--}} 155 {{--}}}}</noinclude>{{hífen-fim|Anna,|Don’Anna,}} apertando-lhe nervosamente as mãos. — Bobinha! Tudo isso é medo? — E’ peior que medo, é… não sei quê! Não tinha feição de moradia humana a alfurja do monstro. A’ laia de paredes, paus a pique mal juntos, entresachados de ramadas seccas. Por cobertura, presos com pedras chatas, molhos de sapê no fio, defumado e podre. Em redor, um terreirinho atravancado de latas ferrujentas, trapos e cacaria velha. A entrada era um buraco por onde mal passaria um homem de agacho. — Olá, ó caramujo! Sae da toca que está cá o sinhô moço e mais visitas! gritou o major. Respondeu de dentro um grunhido cavo. Ao ouvir tão desagradavel som, Christina sentiu correr na pelle o arrepio dos pesadelos antigos, e num incoercivel movimento de pavor abraçou-se com a mãe. O negro saiu da cova meio de rastos com a lentidão de monstruosa lesma. A principio surdiu uma gaforinha arruçada, depois o tronco e os braços e a traparia immunda que lhe escondia o resto do corpo, entremostrando, nos rasgões, o negror da pelle craquenta. Christina escondeu o rosto no hombro de Don’Anna, — não queria, não podia vêr. Boccatorta excedia a toda pintura. A hediondez personificára-se nelle, avultando sobretudo na monstruosa deformação da bocca. Não tinha beiços e as gengivas largas, violaceas, com raros cotos de dentes bestiaes fincados ás tontas, mostravam-se crúas, como enorme chaga viva. E torta,<noinclude></noinclude> pz68prh01pq3igvvium8l8jzuys6su7 Página:Hystoria de Menina e Moça.pdf/141 106 259001 565953 2026-10-12T08:46:18Z JppBr98 28173 /* Revista */ 565953 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="JppBr98" />{{rh||Menina e Moça.|lxvi}}</noinclude>ouue hai que ſoſpeitarom a verdade mas eſtauam tambem ocupadas em ſeus penſamentos, ho que ſe ſoſpeitou nam ſe ateou: poꝛem nam tardou muito que Ꝺalli nam naſceo todo pezar e todo ho dano Ꝺe Aualoꝛ e poꝛ que nam ha mal que nam ache caminho poꝛ õde venha a quem elle eſta pera vir aconteceo poꝛ acerto eſtar entam cõ hũa ſenhoꝛa amiga Ꝺe Aualoꝛ hum caualeiro Ꝺalto ſangue, mas Ꝺe baixos penſamentos, Ꝺe que teue naſcimento todo ho dano Ꝺeſpois, que aquella ſenhoꝛa como foſſe amiga grande Ꝺe Aualoꝛ ⁊ acuſtumaſe ſempꝛe afeſtejallo com recados, lhe mandou entam poꝛ hum paje a pꝛeguntar que lhe mandaſſe Ꝺizer, Ꝺe que tam alto caira que tamanho eſtrondo fizera: reſpondeolhe Aualor q̃ Ꝺo ſeu cuidado, ⁊ afirmou entam ho caualeiro antre ſi a ſua ſoſpeita ⁊ Ꝺa hi a hũ tempo Ꝺiſſe que Aualoꝛ ſeruia ſecretamente a Arima, ⁊ que Amizade Ꝺambos era Ꝺiſſimulada Yſto foi Ꝺito em parte que ho veo ſaber Arima, mas como ella Ꝺa ſua tençam eſteueſe ſegura e Ꝺa outra Ꝺe Aualoꝛ nam ſoubeſe inda nada, nam poſmentes naquillo Ꝺe todo antes ho teue poꝛ mexerico, mas cõ tudo como a ſoſpeita que entra hũa vez em alguẽ nunca Ꝺe todo ſe perde ainda que {{hífen|ſe|ſenam}}<noinclude></noinclude> f75yjpc0s0ml2gt75ca0o7cbxfx70y4 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/403 106 259002 565955 2026-10-12T08:51:38Z MLReis 41056 /* Revista */ Google OCR conferido com a imagem; lemas, categorias gramaticais e definições formatados. 565955 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|ALC|ALC|195}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> {{Def|teiro de Alcobaça, na Eſtremadura.}} <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Mon. 2, 6. c. 10 E eſta obra eſtá no codice ''Alcobacenſe''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOBILHA.}} {{catgram|s. f.}} dim. de Alcoba. ant. <span style="font-variant:small-caps">Exeq. de Filipp. I.</span> 67 Coſtumava a ſe ſahir da ''alcobilha'', em que dormia, por huma porta, de que ſó elle tinha a chave. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOFA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Eſpecie de ceſto com azas, largo, fundo, e ordinariamente redondo, feito de eſparto ou de folhas de palma, e em que de commum ſe deita pão, farinha, &c.}} Do Arab. ''alcoffa''. <span style="font-variant:small-caps">Reſend.</span> Chr. 214 E quando elRei foi enterrado lhe lançárão dentro do ataude tres ''alcofas'' de cal virgem pera ſer comido mais cedo. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Deſcripç. 31 Da folha [dos palmitos] ſe fazem as ''alcofas''. <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 12, 6, 4. n. 162 As ''alcofas'' tecemſe de palmas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. e vulg. {{Def|Alcoviteiro.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOFAZINHA.}} {{catgram|s. f.}} dim. de Alcofa. <span style="font-variant:small-caps">Feſt. na Canon.</span> 119 ℣. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOFINHA.}} {{catgram|s. f.}} dim. de Alcofa. <span style="font-variant:small-caps">Tell.</span> Chr. 1, 2, 28. n. 6. <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 2, 38. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 4, 1, 490. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOFOR.}} {{catgram|s. m.}} antiq. {{Def|O meſmo que}} Alcanfor. <span style="font-variant:small-caps">Vit. Chriſt.</span> 1, 60, 179 ℣. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOHOL.}} {{catgram|s. m.}} Chim. {{Def|Subſtancia reduzida ao maior grão de tenuidade, e ſimplicidade.}} Dáſe eſte nome a hum pó ſubtiliſſimo, e quaſi impalpavel; e ao eſpirito de vinho retificado por deſtillações repetidas, até ſe lhe conſumir a parte aquoſa. Do Arab. ''alcahol''. Derivaſe do verbo ''alcahol'', tingir os olhos de preto com o alcohol. <span style="font-variant:small-caps">Curv.</span> Atal. 359 E ſe moerá [o vidro] por tempo de duas horas, de ſorte que fique em pó tão ſubtil e impalpavel, que mereça o nome de ''alcohol''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOHOLIZADISSIMO. A.}} {{catgram|ſuperl.}} de Alcoholizado. <span style="font-variant:small-caps">Curv.</span> Obſerv. 17, 6. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOHOLIZADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Alcoholizar. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOHOLIZAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Reduzir a eſtado de alcohol.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOINA.}} {{catgram|s. f.}} antiq. {{Def|O meſmo que}} Alcunha. <span style="font-variant:small-caps">Vit. Chriſt.</span> 1, 24, 82 ℣. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOMONIA.}} {{catgram|s. f.}} Vej. Alcamonia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORANISTA.}} {{catgram|s. m.}} pouc. uſ. {{Def|O que ſegue a falſa doutrina do Alcorão.}} <span style="font-variant:small-caps">Purif.</span> Chr. 1, 2, 4. §. 2 Como hoje em dia nos fazem os Reis da Perſia, que ſendo de profiſsão Mahometanos e ''Alcoraniſtas'', &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORÃO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Livro ou recopilação, em que ſe contem a lei de Mafoma, e os ritos e ceremonias da ſua abominavel ſeita.}} Do Arab. ''alco-ran''. Derivaſe do verbo ''cará'', ler, collegir eſcritos. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 3, 5 Huns cahem meios mortos, outros vão Ajuda convocando do ''Alcorão''. <span style="font-variant:small-caps">Corr.</span> Comm. Aqui ſe toma pelo maldito Mafoma, ſeu autor. — 7, 13 ''Alcorão'' quer dizer doutrina, he o livro, em que eſtá eſcrita a maldita ſeita de Mafamede. <span style="font-variant:small-caps">Mariz</span>. Dial. 3, 3 Chamou [Mafoma] a ſua lei ''Alcorão'', por excellencia, que na lingoa Arabia ſignificava ajuntamento de preceitos, como diz Genebrardo. <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Mon. 2, 6. tit. 3. Fezſe a junta dos ſeis mais abalizados, e viſtos os papeis, compuſerão hum tomo dividido em ſeis livros, chamado ''Alcorão'', que tanto val como recopilação. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Epith. ''Abominavel.'' <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 1, 259. ''Bruto.'' <span style="font-variant:small-caps">Andrad.</span> Cerc. 6, 27, 2. ''Falſo.'' <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Cerc. 14, 242. ''Nefando.'' <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 2, 59. <span style="font-variant:small-caps">Purif.</span> Chr. Prol. 1, 6. ''Profano.'' <span style="font-variant:small-caps">Andrad</span> Cerc. 15, 53, 3. ''Turpiſſimo.'' <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 2, 59. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Lugar alto, em forma de torre, em que ſe préga a falſa doutrina do Alcorão de Mafoma.}} <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 3, 7, 2 Eſte Mouro, que eſtava por atalaia na torre, a que elles chamão ''Alcorão'' &c. <span style="font-variant:small-caps">Luc.</span> Vid. 10, 1 Os Mouros além do outras Meſquitas aqui tinhão hum dos mais famoſos ''Alcorões'' de toda a Aſia e Africa. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Gaſp. de S. Bernard.</span> Itin. 19 A ſegunda maneira de ''Alcorão'' he o que reſponde antre elles [Mouros] a torre dos ſinos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORÃOZINHO.}} {{catgram|s. m.}} dim. de Alcorão. <span style="font-variant:small-caps">D. Fern. de Men.</span> Hiſt. 3, 132, 270. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORÇA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Maça fina de açucar muito purificado, da qual ſe formão com miſtura de cheiros ou ſem ella, differentes figuras, como flores, conchas, &c. ou ſe cobrem outras eſpecies tambem doces e comeſtiveis.}} Do Arab. ''alcorce''. Derivaſe do verbo ''caraça'', beliſcar com os dedos ou com as unhas, pois os Arabes quando fazem certos bolos, a que dão o ſobredito nome, com as pontas dos dedos lhes fazem beliſcando huns dentes á roda, como os da roda de hum relogio. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Aulegr. 2, 10 Que eſté hum coitado de hum pai criando huma filha nos ſeus olhos, mais mimoſa que huma ''alcorça'', mais enfeitada </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> que hum bolo de rodilha &c. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 96, 4 Parecem feitos de ''alcorça'', até o olhar lhe faz nojo, e dá quebranto. <span style="font-variant:small-caps">Galheg.</span> Templ. 4, 159 E alli ſuave a ''alcorça'' peregrina Sabe imitar a candida bonina. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORCOVA.}} {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que}} Corcova, e he como hoje ſe diz. Do Arab. ''Alcorcoba''. Derivaſe do verbo de quatro letras ''cárcaba'', inclinarſe, dobrarſe, fazerſe redondo, como globo, ou como novelo. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 1, 2, 52. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Gaſp. de S. Bernard.</span> Itin. 17. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 1, 2, 52, B. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Aberta, valla feita atraz de alguma couſa.}} <span style="font-variant:small-caps">D. G. Coutinh.</span> Jorn. 31 ℣ Tendo [os Mouros] aquella noite acabado outra [obra]... que foi entulharem a ''alcorcova'', que Alvaro de Carvalho o velho abrira para ſegurança da coutada de forca. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. J. I. 33 Então lhes foi forçado beber outra agoa, que he a que eſtava na ''alcorcova'' das chuvas do inverno. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORCOVADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Alcorcóvar. e tambem ſe uſa como {{catgram|adj.}} ant. {{Def|O meſmo que}} Corcovado, e he como hoje ſe diz. <span style="font-variant:small-caps">Fr. G. da Silv.</span> Vid. 4, 33. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 2, 5, 7. <span style="font-variant:small-caps">Lisb.</span> Jard. 444, 15. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORCOVAR.}} {{catgram|v. a.}} Só ſe uſa com pron. peſſ. ant. {{Def|O meſmo que}} Corcovar, e he como hoje ſe diz. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 1, 2, 26. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORNOQUE.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|O meſmo que}} Sobreiro. <span style="font-variant:small-caps">A. Galv.</span> Tr. 73 Mas o melhor della [arvore] he huns capuchos, como d&#39;''alcornoques''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOROVIA.}} {{catgram|s. f.}} ant. Vej. Alcaravia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCORQUE.}} {{catgram|s. m.}} ant. {{Def|Certo calçado antigo, que tinha a ſola de cortiça.}} No Diccion. Caſtelhano ſe diz, que parece vir do Arabigo ''córque'', que ſignifica o meſmo, accreſcentado o articulo ''al''. <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Dial. 1, 8 ℣ E ſuſtentardes, que huns chapins de meias capelladas, que chamão ''alquorques'', era o melhor trajo do mundo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOVA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Apoſento, camera, ou quarto de commum no interior das caſas, onde eſtá o leito, em que ſe dorme, ou para eſſe fim deſtinado.}} Do Arab. ''Alcobba''. Os Antigos ſempre eſcrevem com b, Alcoba, e talvez aſſim melhor, conforme a etymologia. <span style="font-variant:small-caps">Caſtr.</span> Ulyſſ. 3, 95 Huma fermoſa ''alcoba'' alli ſe via. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Epan. 1, 92 Coſtumava o Conde Duque dar audiencia em huma grande galaria, que ſe rematava em huma ''alcoba'' portatil. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 5, 3, 32, A Fructas eſcolhidas para coroar as molduras da ''alcoba''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Chag.</span> Serm. Genuin. 4, 418 Deixando no coração as raizes do amor proprio, que he ''alcova'' do demonio. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOUCE.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Caſa ou morada, onde ſe dão commodos para commercios deſhoneſtos entre peſſoas de hum e outro ſexo.}} <span style="font-variant:small-caps">Conſt. de Evor.</span> 25, 1 O qual delicto commummente ſe chama ''alcouce''. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. Aff. IV. 173 As quaes [leis] temos hoje inſertas no corpo das Ordenações do Reino. De que são eſtas... Das alcoviteiras e ''alcouces''. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 2, 2, 321, C Mas ſe eſtes fetos corruptos, ſe eſtas palavras livres e deſcompoſtas, lançadas a pedaços pela bocca, apparecem ſó nas eſtradas, e eſtalagens, nos barcos, e nos ''alcouces'', nas grades dos prezos da infima ſorte &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Apol. 392 Eſta Officina Carmoeſiana havia miſter arraſada, porque dá ''alcouce'' aos mais dos deſpropoſitos, que vão de Heſpanha a França. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOUCEIRO.}} {{catgram|s. m.}} {{lema|RA.}} {{catgram|f.}} {{Def|Peſſoa, que dá ou tem alcouce.}} <span style="font-variant:small-caps">Conſt. de Brag.</span> 64, 1, 1 Os alcoviteiros e ''alcouceiros''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> No fem. <span style="font-variant:small-caps">Regim. de Evor.</span> 10, 38 Ao dito Executor pertence tomar e receber na fórma de direito todas e quaeſquer denunciações de amancebadas, ''alcouceiras'', alcoviteiras, feiticeiras, e d'outros crimes ſemelhantes. <span style="font-variant:small-caps">Conſt. de Brag.</span> 64, 1, 3 E as mulheres, que neſte crime forem comprehendidas, e ſe lhes provar, que são ''alcouceiras'' por algum dos ditos modos, ou outros ſemelhantes, haverão as penas pecuniarias atraz declaradas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOVETO.}} {{catgram|s. m.}} antiq. e pouc. uſ. {{Def|O que inculca por qualquer modo.}} Dizſe em ſentido honeſto. <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 2, 200 Eſcolheo Pedreanes Lobato, que dos bons homens havia conhecimento, aquelles, a que prougue de ir em ſua companhia, que lhe em tal obra foi fiel ''alcoveto''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOVITAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Sollicitar, induzir alguma mulher a ter commercio illicito com algum homem.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 5, 29 Qualquer peſſoa aſſim homem, como mulher, que ''alcovitar'' mulher caſada... moura por ello. <span style="font-variant:small-caps">Gil. Vic.</span> Obr. 4, 222 ℣ Mana minha a que delRei, Dize gato de Tobias, E mulher ſam eu de lei Pera ''alcovitar'' Judias. </p> |}<noinclude>{{Cabeçalho|||Goes,}}</noinclude> elm2aa5lgxscmahhx9yainpdjlidrc5 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/404 106 259003 565956 2026-10-12T08:55:51Z MLReis 41056 /* Revista */ Google OCR conferido com a imagem; lemas, categorias gramaticais e definições formatados. 565956 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|196|ALC|ALC}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. do Princ. 35 E que elle meſmo ''alcovitára'' a Rainha D. Joanna, ſua mulher, a hum ſeu privado. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. {{Def|Inculcar.}} <span style="font-variant:small-caps">Preſt.</span> Aut. 120 ℣ E já ſabes, Cavalleiro, (E eu tambem niſſo me fundo,) Que ''alcovita'' o amor ſegundo As lembranças do primeiro. <span style="font-variant:small-caps">Calv.</span> Homil. 1, 256 ''Alcovitoulhe'' [a ſerpente a Eva] o pomo vedado, dizendolhe &c. <span style="font-variant:small-caps">Limp.</span> Fug. 6, 5, 175. col. 1 Parece que naturalmente ''alcovitavão'' aos mais, para que nenhum delles ficaſſe vivo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOVITARIA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção de alcovitar.}} <span style="font-variant:small-caps">Cancion.</span> 164 ℣, 2 Nom ſom d&#39;''alcovitaria'', Nem menos curo d'amores, Cá me põe os trovadores Neſta grão ſobrançaria. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Rib.</span> Tit. da Nobrez. 255 São elles [crimes] leſa Mageſtade, aleivoſia, ... ''alcovitaria'', furto. <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Pedr.</span> 5, 32, 1 Se depois commetter outro qualquer maleficio da ſobredita qualidade de ''alcovitaria'' &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOVITEIRINHO.}} {{catgram|s. m.}} {{lema|NHA.}} {{catgram|f.}} dim. de Alcoviteiro. No maſc. <span style="font-variant:small-caps">Gil Vic.</span> Obr. 4, 146 ℣. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> No fem. <span style="font-variant:small-caps">Calv.</span> Homil. 1, 303. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCOVITEIRO.}} {{catgram|s. m.}} {{lema|RA.}} {{catgram|f.}} {{Def|Peſſoa, que ſollicita ou induz huma mulher para ter commercio illicito com algum homem; ou que dá e tem alcouce; ou por qualquer modo ſe faz terceira de amores deshoneſtos.}} Do Arab. ''Alcoued''. Tirandoſe deſte nome as letras formativas ''eiro'', e o artigo ''al'', fica ſendo ''coet'', com a differença porém, de ter a letra ''d'' trocada por ''t''. Derivaſe do verbo ''cáda'', guiar, acompanhar, entregar acompanhando alguma peſſoa a outrem. ant. Alcouviteiro. <span style="font-variant:small-caps">Gil. Vic.</span> Obr. 4, 210 ℣ Olhade a gente honrada, Que me trazia o ladrão, Hum, que foi amancebado, ''Alcouviteiro'' provado, E hum Frade rafião. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Briſt. 2, 2 Vedes aqui como ſe gaſtão muitas vezes os bens da Igreja, as comendas da Cavallaria com ''alcoviteiros'', com chocarreiros, com cães, com dados. <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 4, 44 ℣ Pois o ''alcoviteiro'' deſcreve, e afeita, e encarece &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> No fem. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Ulyſſip. 1, 1 Donde acontece muitas vezes, que a mais certa ''alcoviteira'', que filhas tem, he ſua propria mái. <span style="font-variant:small-caps">Leit. d'Andrad.</span> Miſc. 19, 577 Que tivera tão pouca vergonha, que huma mulher como ella commettêra deſſe recados à meſma donzella ... fazendo della ''alcoviteira''. <span style="font-variant:small-caps">Brit.</span> Mon. 2, 7. c. 9 As terceiras ou ''alcoviteiras'' ſejão queimadas, ou ſe negarem, ſalvemſe por ferro quente. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Palac.</span> Summ. 466 Porque he fazer a Deos ''alcoviteiro'' dos males. <span style="font-variant:small-caps">B. Eſtaç.</span> Rim. 7 ℣ Porque cauſas mil damos O verſo, que he de amor, A ſeu autor primeiro, Por quanto o faz ſervir de ''alcoviteiro''. <span style="font-variant:small-caps">Serr.</span> Diſc. 1, 245 Como de ''altoviteiros'' do intereſſe. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCREVITE.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O meſmo que}} Enxofre. Ha alcrevite natural, e outro artificial, delles faz menção Dioſc. lib. 4. cap. 82. He nome Arabigo, formado ſegundo Urréa, citado por Covarrubias, de ''quibrit'', que ſignifica enxofre, accreſcentado o articulo ''al''. <span style="font-variant:small-caps">Fernand. Ferr.</span> Art. 4, 33 A eſta doença... ſe acode, tomando ''alcrevite'', e azeite de oliveira. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCUNHA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Denominação accreſcentada ao nome proprio, ou ao appellido da familia.}} Ordinariamente ſe toma do meſmo individuo, a que ſe attribue; ou por alguma ſua excellente prerogativa, ou por algum caſo fortuito, que lhe aconteceo, ou por alguma imperfeição moral ou phyſica, que nelle haja. Do Arab. ''Alquenna''. Derivaſe do verbo ''canna'', pôr appellido, ou nomear alguem por ſeu ſobrenome. <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 1, 4, 11 Scipião mais ſe gloriava do feito, que lhe deo por ''alcunha'' Africano, que do appellido de Cornelio, que era da ſua linhagem. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. do Princ. 35 Ao qual, por ſer muito mal diſpoſto, chamárão de ''alcunha'' o doentio. <span style="font-variant:small-caps">Pint. Rib.</span> Tit. da Nobrez. 223 Bem certo he que ás vezes he o appellido... acquirido por ''alcunha'', que com o tempo veio a ter força de appellido. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Appellido, ſobrenome.}} <span style="font-variant:small-caps">Corr.</span> Comm. 2, 12 Semele, mái de Baccho, ſe chamava de ''alcunha'' Thyo e. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Cerc. 14, 246 Frei Antonio ſe chama eſte Prelado, E ''alcunha'' do Caſal. <span style="font-variant:small-caps">Brand.</span> Mon. 3, 10, 4 Naquelle tempo [de D. Affonſo Henriques] ſe não uſavão muito as ''alcunhas'' e appellidos, que ſó os patronymicos ſervião. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Dizſe dos lugares. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 1, 1, 5 Tornouſe mui alegre o Santo polo lugar, que lhe era concedido... e tambem pola ''alcunha'' de Porciuncula. <span style="font-variant:small-caps">Barreir.</span> Chorogr. 16 Algumas [Cidades] tinhão outras ''alcunhas'' differentes deſta. <span style="font-variant:small-caps">Eſtaç.</span> Antig. 88, 5 Aſſi como em noſſos tempos dão os Reis por honra e mercê ás ſuas Cidades e Villas ''alcunhas'' de leaes, nobres e notaveis. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Epith. ''Ditoſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Condeſt. 19, 59. ''Honorifica.'' <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. J. I. 103. ''Humilde.'' <span style="font-variant:small-caps">Barth. Guerreir.</span> Cor. 4, 55, 568. ''Illuſtre.'' <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 13, 152. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Verb. ''Chamar alg. de ... o.'' <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. do Princ. 35. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Briſt. 4, 6. — ''alguem por ...'' <span style="font-variant:small-caps">Sabell.</span> Eneid. 2, 6, 87. ''Chamarſe de ...'' <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 2. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Cerc. 16, 282. — ''por ...'' <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. Prol. 1. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 2, 108, 4. ''Dar a alg. a ... de.'' <span style="font-variant:small-caps">Eſtaç.</span> Antig. 88, 5. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. J. I. 103. — ''alg. c. a alg. por ...'' <span style="font-variant:small-caps">Barr.</span> Dec. 1, 4, 11. ''Merecer ... de.'' <span style="font-variant:small-caps">Corr.</span> Comm. 3, 71. ''Pôr de ... abſ. ou de ... a alg.'' <span style="font-variant:small-caps">Sabell.</span> Eneid. 2, 6, 87. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 5, 5, 6. — ''por ...'' <span style="font-variant:small-caps">Sabell.</span> Eneid. 2, 4, 53. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 141, 4. ''Ter ...'' <span style="font-variant:small-caps">Sabell.</span> Eneid. 2, 4, 53. <span style="font-variant:small-caps">Barreir.</span> Chorog. 16. — ''de ... o.'' <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Condeſt. 7, 78. — ''por ...'' <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 10, 114. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Cart. 1, 3. ''Tomar ... de alg.'' <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 1, 4, 19. <span style="font-variant:small-caps">A. de Vaſc.</span> Anj. 2, 6, 4. part. 4. p. 856. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCUPRETOR.}} {{catgram|s. m.}} <span style="font-variant:small-caps">Gil Vic.</span> Obr. 4, 247 ''M.'' Que lhe tendes vós guiſado? ''Bra.'' Cabeças d&#39;''alcupretor'', Que não come o peccador Deſdo Sabbado paſſado, E dieia ſerá peor. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇA.}} {{catgram|s. f.}} <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Ulyſſip. 5, 6 Lancemos o baſtão com ''alça''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alças.}} {{catgram|pl.}} {{Def|O que nos arrendamentos ſe dava além da renda ajuſtada.}} <span style="font-variant:small-caps">Regim. da Faz.</span> 53, 25 E querendo os ditos rendeiros dar logo fiança á decima parte do que montar nos ditos lanços pera vencimento das ''alças'', elles o poderão fazer. <span style="font-variant:small-caps">Cap. de Cort.</span> 62, 16 ℣ Quanto ás ''alças'', que pedis, que não haja em minhas rendas. Hei por bem, que daqui em diante por vos fazer mercê: os lanços, que ſe receberem em minhas rendas, ſejão ſem ''alças''. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 1, 3 Será iſto como ſinal, e de ''alças''; e o mais virá ſobre as profaças, que ainda temos muitas coſturas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|O exceſſo da receita, que os Guardiães da Religião Franciſcana deixão aos ſeus ſucceſſores, tirada a deſpeza, que fizerão.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|A parte ſuperior das botas dos villões.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alça.}} T. de Çapateiro. {{Def|Pedaço de ſola, que os Çapateiros põe em cima da forma, quando o çapato ha de ſer alguma couſa mais alto ou largo, do que correſponde ao tamanho della.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇACUELLO.}} {{catgram|s. m.}} ant. {{Def|Adorno antigo do peſcoço, de que uſavão tanto os homens, como as mulheres com differentes feitios, ſegundo a moda.}} He voz compoſta de Alçar, e do Caſtelhano Cuello, porque ſervia para trazer o peſcoço direito e levantado. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇADA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Tribunal ou caſa de juſtiça, em fórma de Relação, que antigamente com poderes Reaes, viſitava os povos para lhes fazer juſtiça, e lhes alçar aggravos.}} <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orig. 16 Põe eſte vocabulo no numero dos que os Portuguezes tem ſeus nativos. <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 84 Como Preſidentes de ''Alçadas'', que de tres em tres annos correm as Comarcas do Reino, e devaſsão dos Corregedores e Officiaes da juſtiça. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 4, 1 Chamamos ''Alçadas'' huns Tribunaes ou caſas de juſtiça, que conſtão de Preſidente, e companhia, e autoridade de Miniſtros; os quaes em fórma de Relação diſcorrem por todos os povos com poderes Reaes, como em viſita geral, a desfazer aggravos, caſtigar inſultos, tolher forças, e humilhar poderoſos, que mal usão do ſeu poder. <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Pedr.</span> 1, 6, 4 E no caſo, que alguns inſtrumentos forem tirados d'ante alguns Deſembargadores, que a algumas partes mandarmos com ''alçada'', poſto que Preſidente levem, não tomarão conhecimento dos taes aggravos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Juriſdicção prefixa do Magiſtrado ou Official da juſtiça com limite de territorio ou de poder.}} <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 1, 99 ℣ Hum Meirinho, que prende hum homem fóra do ſeu termo, e onde ſe não eſtende ſua ''alçada'', perde a vara. <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 85 O qual Almirante por juriſdicção particular tinha ''alçada'' ſobre toda a gente foraſteira. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Chr. de D. Aff. Henr. 39 ℣ Eſtes Conventos erão as Relações ou Parlamentos, a que as appellações e aggravos, e caſos maiores da juſtiça vinhão, como á mór ''alçada''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Dial. 1, 14 E já que ahi não ha lei, que o tolha, haveis de ter ''alçada'' até Amadis, e não mais por diante. <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 3, 3 E não vos parece que foi tomar a ''alçada'' a Deos, e ir contra a juſtiça e ſuavidade da lei Evangelica? <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 1, 15, 2. col. 1045 </p> |}<noinclude>{{Cabeçalho|||Con-}}</noinclude> tq11sw008induapl6dqluhi2xzu2tb1 Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/405 106 259004 565957 2026-10-12T08:59:31Z MLReis 41056 /* Revista */ Google OCR conferido com a imagem; lemas, categorias gramaticais e definições formatados. 565957 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|ALÇ|ALÇ|197}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Contra a ''alçada'' da morte, nem o Vaticano he ſagrado; mas a ſepultura ſim. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Epith. ''Grande.'' <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 9, 16. ''Maior ou Mór.'' <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 5, 11. ''Plenaria.'' <span style="font-variant:small-caps">Lisb.</span> Jard. 430, 5. ''Poderoſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 266, 3. ''Summa.'' <span style="font-variant:small-caps">Luz</span>, Serm. 2, 75, 3. ''Suprema.'' <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 85. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Verb. ''Alcançar a ... de alg. a outro.'' <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Cart. 3, 10. ''Andar com ... contra alg.'' <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. Quadr. 2, 8, 4. ''Caber alg. c. na ... de alg.'' <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 164. ''Conceder ... a alg.'' <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Cart. 5, 17. ''Dar ... a alg. até.'' Do Soberano, das leis &c. <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 15. — ''ſobre alg. ou alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 3, 10. ℣. ''Eſtender a ... de alg. em alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 1. ''Eſtenderſe a ... de alg. a alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 1, 99 ℣. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 266, 3. ''Mandar alg. com ...'' Do Soberano. <span style="font-variant:small-caps">Goes.</span> Chr. de D. Man. 1, 9. <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Pedr.</span> 1, 6, 4 ''Pôr ... em alg. (darlha.)'' <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Muſ. 93. Canſ. de Euterp. Cart. 6 A Providencia, que he juſta, Grande ''alçada'' no homem pôs. ''Ser alg. c. da ... de alg.'' <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 1, 62, 1. ''Ter ... abſ.'' <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 32. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Apol. 279. — ''até alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Dial. 1, 14. — ''de alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 117, 2. — ''em alg. c. v. gr. no civel e no crime.'' <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 85. — ''para alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 211, 2. <span style="font-variant:small-caps">F. de Mendoç.</span> Serm. 1, 6, 19. — ''ſobre alg. ou alg. c.'' <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 9, 16. <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 85. ''Tomar a ... a alg. (uſurparlha.)'' <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 3, 3. ''Uſar da ... de alg.'' <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 3, 26. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇADO, A.}} {{catgram|p. p.}} de Alçar. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 5, 49. <span style="font-variant:small-caps">Mor.</span> Palm. 2, 143. <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 1, 2, 27. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇADOR.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O que ſe alça com dividas.}} <span style="font-variant:small-caps">Bent. Per.</span> Theſ. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇALA’.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Copo de barro, em que nas Portarias de alguns Moſteiros e Conventos ſe dá de beber a pobres.}} <span style="font-variant:small-caps">Cancion.</span> 33, 2 Por ''alçalá'' vinho beba Com dor de madre, que tenha. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAMENTO.}} {{catgram|s. m.}} ant. {{Def|Acção e effeito de alçar.}} <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 1, 43 Mas eſte tomar de voz, e ''alçamento'' de pendão &c. <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 3 Se forem [petições] de ''alçamento'' de degredos. <span style="font-variant:small-caps">Vercial</span>, Sacram. 2, 125, 77 ℣ E o ''alçamento'', que faz, ſignifica que o alçarom de terra pera poer no ſepulcro. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAPÃO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Eſpecie de porta ou poſtigo, feito ſobre algum vão ao olivel do pavimento para ſe alçar ou abaixar, quando ſe quer, dando entrada ou ſahida.}} <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 2, 50, 144 ℣ Fazendo cahir a mór parte delles por hum ''alçapão'' abaixo. <span style="font-variant:small-caps">Machad.</span> Cerc. 1, 15 Pois por vida de João Braz, Que ſe lobrego o Mourás, Quer elle diga, quer não, Qu' hei de ſoltar o ''alçapão'', E mandalo a Barrabás. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Hiſt. 2, 5, 1 A eſta [caſa] mandou tapar de fóra portas e janellas, e abrirlhe em cima hum ''alçapão'' com ſua eſcada. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Porta de alçapão.}} {{Def|A que ſe abre debaixo para cima, ou ao contrario ſem ſer no pavimento.}} <span style="font-variant:small-caps">F. Alv.</span> Inform. 53 Em o meio do corpo da Igreja eſtá ſinal de huma porta, como ''porta d'alçapão''. <span style="font-variant:small-caps">Sant.</span> Ethiop. 1, 1, 22 Em huma ponta tem huma ''porta de alçapão'', como porta de ratoeira. <span style="font-variant:small-caps">Eſper.</span> Hiſt. 1, 3, 36. n. 4 E tratando do Sacrario, o qual não he mais de huma concavidade, que ſe fecha com ''porta de alçapão'', diz eſtas palavras &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAPE’.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Armadilha, laço ou qualquer outro engenho de caça, para prender e tomar pelo pé animaes e aves.}} He voz compoſta de Alçar e Pé. <span style="font-variant:small-caps">Fernand. Ferr.</span> Art. 5, 7 Tambem os homens do campo usão de ſuas armadilhas, tomando paſſarinhos, hora com buizes, hora com coſtellas, hora com varas de ''alçapé''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Apol. 192 Dizeilhe aos Criticos, e mal contentes, que ſe diſpão e venhão lutar comigo neſte poſto, a ver quem fica debaixo, por mais ''alçapés'' de calumnias, que armem ao noſſo diſcurſo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAPERNA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção de metter ou atraveſſar a perna a outro para o derrubar em terra.}} He voz compoſta de Alçar, e Perna. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAPREMA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Barra ou tranca de ferro ou de páo, que ſerve para mover, deſencaixar ou levantar algum grande pezo, pondolhe debaixo huma ponta e carregando ſobre a outra para que balancee.}} He voz compoſta de Alçar e e do Lat. ''Premere''. <span style="font-variant:small-caps">D. G. Coutinh.</span> Jorn. 100 ℣ Como que lhe houveſſem mettido ''alçaprema'' por baixo pera as levantar [as portas.] </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Preſt.</span> Aut. 45 ℣ E pois voſſo amor me tem Com tanaz em ''alçaprema'', Não me ſoltará ninguem. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Cirurg. {{Def|Inſtrumento de ferro, com que ſe arrancão dentes.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Caça. {{Def|Buiz, armadilha para tomar animaes e aves.}} </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Ferr. de Vaſc.</span> Aulegr. 4, 5 Determinão levarvos á toa com fingimentos; porque vos armão ''alçaprema''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAPREMAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Levantar alguma couſa apertandoa com alçaprema.}} <span style="font-variant:small-caps">Galv. de Andrad.</span> Art. 1, 24 E lhe pegará com a torquez [nos colmilhos] tendo as mãos bem altas, e apertará direito, ſem torcer, nem ''alçapremar'', e os quebrará. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|ALÇAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Levantar ou erguer ao alto ou para cima; por mais alto ou em lugar alto.}} De Alto com a mudança do t em ç. porém <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Orig. 16 o põe no numero dos vocabulos, que os Portuguezes tem ſeus nativos. <span style="font-variant:small-caps">Memor. das Proez.</span> 1, 36 ''Alçou'' a mão deſarmada, ſinal antigo de paz e tregoa <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Cart. 1, 9 Veria o Sol ſahindo roxo e claro A groſſa nevoa ''alçar'', dourando o dia. <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 9, 3 Ao tempo de tomar porto, querer ''alçar'' as velas pera outra vez nos tornarmos a engolfar. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Elevar, dirigir ou encaminhar ao alto.}} Os olhos, a viſta &c. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Canç. 1, 4 Dos raios deſſes olhos fez as ſettas, Com que fere quem ''alça'' os ſeus a velos. <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 2, 19 ''Alcemos'' pois os olhos áquelle meſtre, que pintou o corpo humano com ſentidos. <span style="font-variant:small-caps">Fernand.</span> Palm. 3, 1 Tornou a ''alçar'' os olhos pera a Cidade. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Fazer ſubir de ponto, tornar mais forte a voz, o grito, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Fr. Marc.</span> Chr. 1, 2, 16 E ''alçando'' a voz cada vez mais, replicava muitas vezes eſtas palavras. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Naufr. 1, 5 Após eſte preſagio horrendo ''alçarão'' As funeſtas irmáas hum triſte grito. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 5, 79 ℣ E com impeto ''alçando'' eſtranha grita. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Erigir, conſtruir, edificar.}} <span style="font-variant:small-caps">Sa’ de Mir.</span> Cart. 2, 49 Por iſſo a gentilidade... Ao Deos da ſaude ''alçava'' Templo fóra da cidade. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Eleg. 3 Em quanto ''alção'' de myrtho freſca tenda. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Cerc. 7, 89 Outras paredes ''alção'' polo meio. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. {{Def|Celebrar, engrandecer, exaltar.}} <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Cart. 1, 13 Quem a gloria não move, nem inflamma A generoſa inveja dos Heróas, Qu' aquelle grave ſom tanta ''alça'' e afama? <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. Ded. Son. Voſſo ſer alto irá meu canto ''alçando'', Porque ''alçe'' voſſo ſer meu baixo canto. <span style="font-variant:small-caps">Prov. da Hiſt. Gen.</span> 3, 4, 137. p. 42 Que podeſſe ''alçar'' com dignos louvores eſta voſſa Filoſofia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Encher de bens ou melhorar em poſto, cargo, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Prov. da Hiſt. Gen.</span> 3, 4, 161. p. 395. ann. 1456. ''Alçar'' querendo nós algum, como Adail &c. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Caſtr. 1 Receando A volta da fortuna que hora amiga, Hora imiga cruel ''alça'', e derriba. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Levantar ou tirar o interdicto, a excommunhão, o degredo, &c. ou privilegio, iſenção, prohibição, &c.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Pedr.</span> 5, 91, 1 E mandamos ás noſſas Juſtiças, que as não guardem [as penas das coutadas]... e ''alçem'' as taes coutadas e defeſas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar alguem ou alguma couſa a algum lugar.}} {{Def|Conduzilo por elevação, ou fazendoo ſubir.}} <span style="font-variant:small-caps">Camp.</span> Receb. 69 ℣ Ao monte onde por vós Deos quiz ''alçalo''. <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. 2 ℣ Ao céo da terra o penſamento ''alçando''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar as armas.}} {{Def|Deixalas, largalas, não uſar dellas.}} <span style="font-variant:small-caps">Paiv.</span> Serm. 3, 123 ''Alçar as armas'', com que vos podeis defender della [carne] e com que ſe elle [inferno] vence, que he tratar inteiramente de Deos, he monſtro, e grande deſcompoſtura. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar o degredo.}} {{Def|Quebralo, deixar de o cumprir.}} <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Report. 32 ℣ Degradado, que ''alçou o degredo'', como fará a petição do perdão. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar folha.}} T. de Impreſſor. {{Def|Ajuntala depois de impreſſa e enxuta com outras formando cadernos.}} <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar força.}} {{Def|Desforçar, reparar a ſemrazão ou violencia, que ſe havia feito.}} <span style="font-variant:small-caps">Prov. da Hiſt. Gen.</span> 1, 1, 31. p. 63. ann. 1261 Que vos ''alce força''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar mão,}} abſ. ou de alguma couſa. Fraſ. met. {{Def|Deixar de proſeguir o que ſe tinha começado, deſiſtir inteiramente ou por algum tempo daquillo, que ſe havia emprehendido.}} <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 45 E nom ''alcem mão'', nem partão dahi até que ſejão acabados os ditos roles. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Cart. 4, 53 Porém creio, que antes da Paſcoa acabarei eſte livro, e logo não ''alçarei mão'' da obra até &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar Rei ou por Rei.}} {{Def|Acclamalo por tal.}} Uſaſe mais frequentemente no {{catgram|part. paſſ.}} <span style="font-variant:small-caps">Cond. D. Pedr.</span> Nobil. 4, 14 E vierõmſe logo para el a mór parte dos bons do Reino, e ''alçárãono por Rei''. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Epitaf. 1 </p> |}<noinclude>{{Cabeçalho||Ddd|Pri-}}</noinclude> kqckhzg2vlx3wo1zhx7vf2b9hj0l1as Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/406 106 259005 565959 2026-10-12T09:15:10Z MLReis 41056 /* Revista */ Google OCR conferido com a imagem; lemas, categorias gramaticais e definições formatados. 565959 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|198|ALÇ|ALD}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Primeiro Affonſo, filho de Anrique, Entr'armas, ante imigos ''Rei alçado''. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 3, 94 Por eſta cauſa o Reino governou O Conde Bolonhez, depois ''alçado Por Rei''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Por S. Clemente ''alça'' mão da ſemente. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 12. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alça.}} Manej. {{Def|Fórm. de mandar levantar as mãos ou os pés ás cavalgaduras.}} <span style="font-variant:small-caps">Galv. de Andrad.</span> Art. 1, 1 Dizendolhe os lacaios, ''alça'', o fazem tambem, levantando muito as mãos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar,}} com {{catgram|pron. peſſ.}} {{Def|Levantarſe ou erguerſe ao alto, ou para cima.}} <span style="font-variant:small-caps">Pedr. Nun.</span> Tr. da Esfer. 1 Porque as eſtrellas, que nacem em Oriente, ſempre ſe vão ''alçando'' pouco a pouco, até virem ao meio do céo. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Od. 2, 1 Quem dignamente Dirá o fogo, que ''alçando Se vai'' aos céos. <span style="font-variant:small-caps">Cort. R.</span> Cerc. 4, 52 ''Alçãoſe'' em pouco eſpaço grandes nuvens De fumo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Eleg. 5 Nem meu eſprito, que no golpe duro De todo me cahio, podia ''alçarſe''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Enſoberbecerſe.}} <span style="font-variant:small-caps">D. Cath. Inf.</span> Regr. 2, 18 Já mais nom preſumas em couſa, nem ''te alces'' em teu coração. <span style="font-variant:small-caps">Bern.</span> Lim. Ecl. 1 Contigo, contra nós morte tyranna Deſta miſeria humana Me não queres levar, tanto ''t'alçaſte'', Quando o fermoſo Adonis nos levaſte, Que logo deſprezaſte Em deſprezada vida uſar crueza. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Sublevarſe, rebellarſe.}} <span style="font-variant:small-caps">Galv.</span> Chr. 5 Porque toda a terra ''ſe alçara'' com ſua mái. <span style="font-variant:small-caps">Reſend.</span> Miſc. 169 ℣ Em Valença, e ſua terra Vimos, qua os Mouros ''ſe alçárão'', Contra os Chriſtãos pelejárão, &c. <span style="font-variant:small-caps">Lavanh.</span> Viag. 4 ℣ Cincoenta e quatro annos depois, ''alçandoſe'' Luſitania com o valeroſo Sertorio, o ajudou Evora com 600 ſoldados. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Sobreſahir, ſobrelevarſe, levantarſe ſobre, ou mais alto.}} Dos edificios, do relevo, &c. <span style="font-variant:small-caps">Orden. de D. Man.</span> 1, 49 Qualquer, que tiver caſas ou caſa, póde nellas fazer eirados... e ''alçarſe'' quanto quizer, e tolher o lume a qualquer outro ſeu vizinho d'ante ſi. <span style="font-variant:small-caps">Maus.</span> Aff. Afr. 3, 36 ℣ No bacchico licor grande ouro nada, Onde eſtão figurados feitos graves Dos Reis antepaſſados, e no meio ''Se alça'' o famoſo Anrique, como eſteio. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçarſe a alguem.}} {{Def|Erguerſe ou pôrſe em pé o que eſtava aſſentado, por lhe fazer honra, ou por civilidade.}} <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 1, 14 E entrando elles pela porta, fizerãolhe ſua reverencia, e ella [a Rainha] ''alçouſe a elles''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçarſe com alguma couſa.}} {{Def|Uſurpala, tomala, tirala a outro indevidamente, ou á força.}} <span style="font-variant:small-caps">Ferr.</span> Poem. Eleg. 2 Alli ''t'alçaſte'' Ingrato co que em ti entheſouraſte. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 100, 4 Deos a mercê, que huma vez prometteo, nunca ''ſe alça com'' ella, por mais que nós a deſmereçamos. <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 1. Advert. 4 Galliza ''ſe alça com'' elles [Santos] ''in totum'' ás maiores, como ſe ſó a ella pertenceſſem. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> A reſpeito das dividas, tributos, &c. {{Def|Não querer pagar as taes couſas, principalmente uſando de força.}} <span style="font-variant:small-caps">Deſcobr. da Florid.</span> 83 ℣ Fezlhe queixume, que hum ſeu vaſſallo ''ſe lhe havia alçado com'' o tributo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Alçar,}} {{catgram|neutr.}} T. do jogo das cartas. {{Def|Separar ou dividir em duas partes o baralho, para que antes de ſe darem cartas, ſe paſſe para cima aquella porção dellas, que antes de partidas eſtava por baixo, e ſe evitem trapaças.}} <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 2, 11 Eſſas [cartas] diſſe então D. Julio, hei eu de partir; porque deſejava muito ''alçar'' por ellas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCUZ.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Eſpecie de cânfora ou alcaufor.}} <span style="font-variant:small-caps">Ort.</span> Colloq. 12, 40 Ha muita deſta cânfora... e a que Avicena chamou ''Alcuz''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALCYONE.}} {{catgram|s. f.}} &c. Vej. Alcione. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDA.}} {{catgram|s. f.}} antiq. {{Def|Certa medida como vara, da qual ſe uſava antigamente.}} <span style="font-variant:small-caps">Eſper.</span> Hiſt. 1, 1, 53. n. 2. (Cart. de D. J. I. do ann. 1383) Mandamos, que lhe dedes e paguedes em cada hum anno dezoito ''aldas'' de panno pera ſeu veſtir, qual fôr pertencente pera o ſeu eſtado. — Era ''alda'' huma medida, que corria no ſeu tempo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDAVA.}} {{catgram|s. f.}} ant. e os ſeus derivados. Vej. Aldrava. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDE’A.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Povoação menor que Lugar, ſem juriſdicção ſobre ſi, nem privilegio de Villa ou Cidade, cujos moradores são vizinhos da Villa ou Cidade, em cujo diſtricto, termo ou juriſdicção vivem.}} Do Arab. ''aldaia''. <span style="font-variant:small-caps">Goes</span>, Chr. de D. Man. 1, 84 Na ſerra de Farrabo a cinco legoas d'Arzilla eſtão as ''aldéas'' de Aljubilia e Arcana. <span style="font-variant:small-caps">Cam.</span> Luſ. 3, 49 A paſtoral companha... Recolhe o fato, e corre pera a ''aldéa''. <span style="font-variant:small-caps">Leão</span>, Deſcripç. 2 A Villa da Covilháa tem por termo trezentas e ſeſſenta e tantas ''aldéas''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. <span style="font-variant:small-caps">Sous.</span> Vid. 1, 7 Quem vira eſta pratica cá </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> pelas ''aldéas'' dos governos menores; pois nos grandes já ninguem roga, nem ſe deixa rogar. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Epith. ''Baixa.'' <span style="font-variant:small-caps">Barret.</span> Flos Sanct. 1, 258, 1. ''Cativa.'' (má) <span style="font-variant:small-caps">Mend. Pint.</span> Peregr. 156. ''Eſpaçoſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 1, 113. ''Famoſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Primav. 3, 1. ''Fraca.'' <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 13, 123 ℣. ''Gracioſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Cort. 1, 1. ''Grande.'' <span style="font-variant:small-caps">F. Alv.</span> Inform. 124. <span style="font-variant:small-caps">Orient.</span> Luſit. 35. ''Humilde.'' <span style="font-variant:small-caps">Barret.</span> Flos Sanct. 1, 258, 1. ''Ignobil.'' <span style="font-variant:small-caps">Cardos.</span> Agiol. 3, 144. ''Limitada.'' <span style="font-variant:small-caps">L. Alv.</span> Serm. 3, 23, 11. n. 34. ''Miſera.'' <span style="font-variant:small-caps">Caſtr.</span> Ulyſſ. 7, 115. ''Numeroſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Voz, 1, 4, 163. ''Pequena.'' <span style="font-variant:small-caps">Pint. Per.</span> Hiſt. 2, 30, 82 ℣. <span style="font-variant:small-caps">Andrad.</span> Cerc. 5, 20, 1. ''Pobre.'' <span style="font-variant:small-caps">Heit. Pint.</span> Dial. 2, 5, 20. ''Populoſa.'' <span style="font-variant:small-caps">Lob.</span> Peregr. 4. ''Rude.'' <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 3, 29. ''Secca.'' <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 9, 13. ''Triſte.'' <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. Quadr. 2, 14, 3. <span style="font-variant:small-caps">Veig.</span> Laur. Ecl. 4. ''Vil.'' <span style="font-variant:small-caps">Arr.</span> Dial. 10, 22. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{lema|Eſtar na aldéa, e não vêr as caſas.}} Fraſ. proverb. {{Def|para denotar a inadvertencia de alguem no tocante a huma couſa facil de ſaber ou conhecer.}} <span style="font-variant:small-caps">Preſt.</span> Aut. 170 Oh! qu' ''eſtavamos n'aldéa, E não viamos as caſas''. <span style="font-variant:small-caps">Leit. d'Andrad.</span> Miſc. 4, 98 Bem ſe póde dizer por nós, ''eſtar na aldéa, e não vêr as caſas''. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Quadrag. 1, 79, 1 Mais cégos, que os que ''eſtão na aldéa, e não vem as caſas''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Amigo de ''aldéa'', teu ſeja. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab.<br />Eſtais na ''aldéa'', não vedes as caſas. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 100.<br />Fazenda em duas ''aldéas'', pão em duas taleigas. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 169.<br />Juiz da ''aldéa'' hum anno manda, outro na cadeia. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 109.<br />Juiz de ''aldéa'', quem o deſeja, o ſeja. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 109.<br />Na ''aldéa'', que não he boa, mais mal ha, que soa. <span style="font-variant:small-caps">Eufros.</span> 2, 4.<br />Quem deixa a Villa pela ''aldéa'', venhalhe má eſtrea. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 73.<br />Quem te fez rico? o não da minha ''aldéa''. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 74.<br />Veſporas da ''aldéa'' põe a meſa, e a cea. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 64.<br />Vida de ''aldéa'', Deos a dê a quem a deſeja. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 16. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEÃA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Mulher da aldéa.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. <span style="font-variant:small-caps">Barbos.</span> Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEÃAMENTE.}} {{catgram|adv. mod.}} {{Def|A’ maneira da aldéa.}} <span style="font-variant:small-caps">Jer. Cardos.</span> Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEADO, A.}} {{catgram|adj.}} pouc. uſ. {{Def|Diſtribuido em aldéas.}} <span style="font-variant:small-caps">Vieir.</span> Serm. 12, 13, 4. n. 356 E os [eſcravos] que não conſtar que a ſé a guerra, em que forão tomados, foi juſta, que fará delles? Todos ſerão ''aldeados'' em novas povoações. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEANA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|O meſmo que}} Aldeãa. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 1, 251, 4 Após eſte entra huma ''aldeana'' deſpida, e ſalteada dos malſins. <span style="font-variant:small-caps">M. Bern.</span> Floreſt. 5, 4, 266, C Eſta ſerva de Deos, lavradora ou ''aldeana'' em hum lugar do Biſpado de Coria, pertendia a fundação de hum Moſteiro. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEÃO, AA.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Natural ou morador da aldéa.}} <span style="font-variant:small-caps">Fern. Lop.</span> Chr. de D. J. I. 1, 148 Homens ''aldeões'' com mulheres e filhos. <span style="font-variant:small-caps">Guerreir.</span> Rel. 5, 3, 14 Veſtindoſe dos trajos de hum homem ''aldeão''. <span style="font-variant:small-caps">D. F. Man.</span> Apol. 3 Zomba V. M. porque me vê ''aldeão''. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Da aldéa ou pertencente a aldéa.}} <span style="font-variant:small-caps">Sa’ de Mir.</span> Cart. 2, 11 Derribar aves... Que al he, ſenão remir dias Do enfadamento ''aldeão''. <span style="font-variant:small-caps">Bern.</span> Lim. Cart. 27 A vida que eſcolheſte ''aldeãa''. <span style="font-variant:small-caps">Leon da Coſt.</span> Ecl. 1. Argum. Com huma certa benevolencia ''aldeãa'' convida a Melibéo a que fique alli aquella noite. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. {{Def|Ruſtico, groſſeiro, pouco elegante ou polido.}} <span style="font-variant:small-caps">Sa’ de Mir.</span> Eſtrang. Ded. A Comedia tal he, tal vai, ''aldeãa'', e mal ataviada. <span style="font-variant:small-caps">Feo</span>, Tr. 3, 136, 4 Inda que hoje em dia anda a mentira muito afidalgada, e a verdade ''aldeãa''. <span style="font-variant:small-caps">Fernand, Galv.</span> Serm. 2, 32, 4 E hum ſó S. João Baptiſta, que quiz levar a verdade á Corte para que foſſe tida em boa conta, e que não foſſe ''aldeãa'', ſenão corteſãa, lhe cuſtou a cabeça e a vida. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. ''Aldeãa'' he a gallinha, e comea o de Coimbra. <span style="font-variant:small-caps">Delic.</span> Adag. 85. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEÃO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Homem da aldéa.}} Pl. Aldeães, Aldeões. <span style="font-variant:small-caps">Gran.</span> Comp. 3, 13 Quando elRei vai a pouſar n'alguma aldéa, não eſpera que os ''aldeões'' lhe concertem o apoſento. <span style="font-variant:small-caps">Ceit.</span> Serm. 2, 86, 4 Em duas couſas ſe vê a diſtinção do ''aldeão'' com o Corteſão, por fóra no veſtido, por dentro no entendimento e fallar. <span style="font-variant:small-caps">Cout.</span> Dec. 7, 9, 3 E os ''aldeães'' [começárão] a trazer gallinhas, frangãos, &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ALDEÃOZINHO.}} {{catgram|s. m.}} dim. de Aldeão. <span style="font-variant:small-caps">Blut.</span> Vocab. </p> |}<noinclude>{{Cabeçalho|||AL-}}</noinclude> hgclyk7ypg97ox936l0a4n7mt2gy8gq