Wikisource ptwikisource https://pt.wikisource.org/wiki/Wikisource:P%C3%A1gina_principal MediaWiki 1.47.0-wmf.24 first-letter Multimédia Especial Discussão Utilizador Utilizador Discussão Wikisource Wikisource Discussão Ficheiro Ficheiro Discussão MediaWiki MediaWiki Discussão Predefinição Predefinição Discussão Ajuda Ajuda Discussão Categoria Categoria Discussão Portal Portal Discussão Autor Autor Discussão Galeria Galeria Discussão Página Página Discussão Em Tradução Discussão Em Tradução Anexo Anexo Discussão TimedText TimedText talk Módulo Módulo Discussão Translations Translations talk Evento Evento Discussão Hino do município de Ilha Comprida 0 14098 566429 345094 2026-10-21T11:05:37Z Ricardoaguiar.7 44083 566429 wikitext text/x-wiki {{hino |obra=Hino do município de [[w:Ilha Comprida|Ilha Comprida]] |letra por= Ricardo Aguiar |melodia por= Ricardo Aguiar |notas= }} <poem> Eis que surge um brado de liberdade Unindo o Norte ao Sul Ilha Comprida emancipada Anunciava o Mar Azul Sepulcro das desigualdades A prosperidade Foi a nossa Luz Ó Deus guia todos nós Pra que a paz e a justiça sejam sempre a nossa voz ''Liberdade, liberdade,'' ''o clamor que nos fez fortes'' ''Ilha Comprida minha terra, minha vida,'' ''por ti eu lutarei até a morte'' Sob a inspiração da liberdade com justiça Nunca se abalar Por altruísmo, com denodo veemente Faz lembrar sempre essa gente Do teu brado acirrar Que a chama da revolução Renasça a cada dia em nossos corações Iluminados pelo criador Ó terra opima, és meu grande amor. </poem> [[Categoria:Hinos de São Paulo|Ilha Comprida]] 1ww3ag54fzakmh06ydba4tqnjdtd1a7 Discurso de Tomada de Posse do Presidente Getúlio Vargas (10 de novembro de 1937) 0 187992 566387 399580 2026-10-20T14:07:48Z Erick Soares3 19404 566387 wikitext text/x-wiki {{navegar |obra = Proclamação ao povo brasileiro |autor = Getúlio Vargas |anterior = |posterior = |seção = |notas = Versão atualizada baseada no texto disponível na Biblioteca da Presidência [http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/presidencia/ex-presidentes/getulio-vargas/discursos/discursos-de-posse/discurso-de-posse-1937/view]. Este discurso marca o início do [[w:Estado Novo (Brasil)|Estado Novo]] no Brasil. }} <center> <big>Proclamação ao povo brasileiro</big> <small>(LIDA NO PALÁCIO GUANABARA E IRRADIADA PARA TODO O PAÍS, NA NOITE DE 10 DE NOVEMBRO DE 1937)</small></center> '''SUMÁRIO''' À Nação — As exigências do momento histórico e as solicitações do interesse coletivo — O Governo e a restauração econômica e financeira — A obra da justiça social — Os velhos e novos partidos — Os nossos agrupamentos partidários tradicionais não exercem a verdadeira função dos partidos políticos — O sufrágio universal como instrumento dos mais audazes — As novas formações partidárias surgirão em todo o mundo refratárias aos processos democráticos — A organização constitucional de 1934 — A Câmara dos Deputados não conseguiu até agora ultimar as leis complementares constantes da Mensagem do Chefe do Governo Provisório, de 10 de abril de 1934 — O Senado permaneceu no período da definição de suas atribuições — Os defeitos de estrutura do próprio órgão legislativo — Desaconselhável a manutenção desse aparelho inadequado e dispendioso — Vinte anos de artificialismo econômico — O equipamento das vias férreas do país — As forças armadas precisam de aparelhamento eficiente — A nova Constituição — A lição dos acontecimentos — A campanha presidencial não encontrou repercussão no país — Necessário e urgente optar pela continuação do Brasil. '''À NAÇÃO''' O homem de Estado, quando as circunstâncias impõem uma decisão excepcional, de amplas repercussões e profundos efeitos na vida do país, acima das deliberações ordinárias da atividade governamental, não pode fugir ao dever de tomá-la, assumindo, perante a sua consciência e a consciência dos seus concidadãos, as responsabilidades inerentes à alta função que lhe foi delegada pela confiança nacional. A investidura na suprema direção dos negócios públicos não envolve, apenas, a obrigação de cuidar e prover as necessidades imediatas e comuns da administração. As exigências do momento histórico e as solicitações do interesse coletivo reclamam, por vezes, imperiosamente, a adoção de medidas que afetam os pressupostos e convenções do regime, os próprios quadros institucionais, os processos e métodos de governo. Por certo, essa situação especialíssima só se caracteriza sob aspectos graves e decisivos nos períodos de profunda perturbação política, econômica e social. A contingência de tal ordem chegámos, infelizmente, como resultante de acontecimentos conhecidos, estranhos à ação governamental, que não os provocou nem dispunha de meios adequados para evitá-los ou remover-lhes as funestas consequências. Oriundo de um movimento revolucionário de amplitude nacional e mantido pelo poder constituinte da Nação, o Governo continuou, no período legal, a tarefa encetada de restauração econômica e financeira e, fiel às convenções do regime, procurou criar, pelo alheamento às competições partidárias, uma atmosfera de serenidade e confiança, propícia ao desenvolvimento das instituições democráticas. Enquanto assim procedia, na esfera estritamente política, aperfeiçoava a obra de justiça social a que se votara desde o seu advento, pondo em prática um programa isento de perturbações e capaz de atender às justas reivindicações das classes trabalhadoras, de preferência as concernentes às garantias elementares de estabilidade e segurança econômica, sem as quais não pode o indivíduo tornar-se útil à coletividade e compartilhar dos benefícios da civilização. Contrastando com as diretrizes governamentais, inspiradas sempre no sentido construtivo e propulsor das atividades gerais, os quadros políticos permaneciam adstritos aos simples processos de aliciamento eleitoral. Tanto os velhos partidos, como os novos em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimiam ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojes e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos. A verdadeira função dos partidos políticos, que consiste em dar expressão e reduzir a princípios de governo as aspirações e necessidades coletivas, orientando e disciplinando as correntes de opinião, essa, de há muito, não a exercem os nossos agrupamentos partidários tradicionais. O fato é sobremodo sintomático se lembrarmos que da sua atividade depende o bom funcionamento de todo sistema baseado na livre concorrência de opiniões e interesses. Para comprovar a pobreza e desorganização da nossa vida política, nos moldes em que se vem processando, aí está o problema da sucessão presidencial, transformado em irrisória competição de grupos, obrigados a operar pelo suborno e pelas promessas demagógicas, diante do completo desinteresse e total indiferença das forças vivas da Nação. Chefes de governos locais, capitaneando desassossegos e oportunismos, transformaram-se, de um dia para outro, à revelia da vontade popular, em centros de decisão política, cada qual decretando uma candidatura, como sé a vida do país, na sua significação coletiva, fosse simples convencionalismo, destinado a legitimar as ambições do caudilhismo provinciano. Nos períodos de crise, como o que atravessamos, a democracia de partidos, em lugar de oferecer segura oportunidade de crescimento e de progresso, dentro das garantias essenciais à vida e à condição humana, subverte a hierarquia, ameaça a unidade pátria e põe em perigo a existência da Nação, extremando as competições e acendendo o facho da discórdia civil. Acresce, ainda, notar que, alarmados pela atoarda dos agitadores profissionais e diante da complexidade da luta política, os homens que não vivem dela mas do seu trabalho deixam os partidos entregues aos que vivem deles, abstendo-se de participar da vida pública, que só poderia beneficiar-se com a intervenção dos elementos de ordem e de ação construtora. O sufrágio universal passa, assim, a ser instrumento dos mais audazes e máscara que mal dissimula o conluio dos apetites pessoais e de corrilhos. Resulta daí não ser a economia nacional organizada que influe ou prepondera nas decisões governamentais, mas as forças econômicas de caráter privado, insinuadas no poder e dele se servindo em prejuízo dos legítimos interesses da comunidade. Quando os partidos tinham objetivos de caráter meramente político, com a extensão de franquias constitucionais e reivindicações semelhantes, as suas agitações ainda podiam processar-se à superfície da vida social, sem perturbar as atividades do trabalho e da produção. Hoje, porém, quando a influência e o controle do Estado sobre a economia tendem a crescer, a competição política tem por objetivo o domínio das forças econômicas, e a perspectiva da luta civil, que espia, a todo momento, os regimes dependentes das flutuações partidárias, é substituída pela perspectiva incomparavelmente mais sombria da luta de classes. Em tais circunstâncias, a capacidade de resistência do regime desaparece e a disputa pacífica das urnas é transportada para o campo da turbulência agressiva e dos choques armados. É dessa situação perigosa que nos vamos aproximando. A inércia do quadro político tradicional e a degenerescência dos partidos em clãs facciosos são fatores que levam, necessariamente, a armar o problema político, não em termos democráticos, mas em termos de violência e de guerra social. Os preparativos eleitorais foram substituídos, em alguns Estados, pelos preparativos militares, agravando os prejuízos que já vinha sofrendo a Nação, em consequência da incerteza e instabilidade criadas pela agitação facciosa. O caudilhismo regional, dissimulado sob aparências de organização partidária, armava-se para impor à Nação as suas decisões, constituindo-se, assim, em ameaça ostensiva à unidade nacional. Por outro lado, as novas formações partidárias surgidas em todo o mundo, por sua própria natureza refratárias aos processos democráticos, oferecem perigo imediato para as instituições, exigindo, de maneira urgente e proporcional à virulência dos antagonismos, o reforço do poder central. Isto mesmo já se evidenciou por ocasião do golpe extremista de 1935, quando o Poder Legislativo foi compelido a emendar a Constituição e a instituir o estado de guerra, que, depois de vigorar mais de um ano, teve de ser restabelecido por solicitação das forças armadas, em virtude do recrudescimento do surto comunista, favorecido pelo ambiente turvo dos comícios e da caça ao eleitorado. A consciência das nossas responsabilidades indicava, imperativamente, o dever de restaurar a autoridade nacional, pondo termo a essa condição anômala da nossa existência política, que poderá conduzir-nos à desintegração, como resultado final dos choques de tendências inconciliáveis e do predomínio dos particularismos de ordem local. Colocada entre as ameaças caudilhescas e o perigo das formações partidárias sistematicamente agressivas, a Nação, embora tenha por si o patriotismo da maioria absoluta dos brasileiros e o amparo decisivo e vigilante das forças armadas, não dispõe de meios defensivos eficazes dentro dos quadros legais, vendo-se obrigada a lançar mão, de modo normal, das medidas excepcionais que caracterizam o estado de risco iminente da soberania nacional e da agressão externa. Essa é a verdade, que precisa ser proclamada, acima de temores e subterfúgios. A organização constitucional de 1934, vazada nos moldes clássicos do liberalismo e do sistema representativo, evidenciara falhas lamentáveis, sob esse e outros aspectos. A Constituição estava, evidentemente, antedatada em relação ao espírito do tempo. Destinava-se a uma realidade que deixara de existir. Conformada em princípios cuja validade não resistira ao abalo da crise mundial, expunha as instituições por ela mesma criadas à investida dos seus inimigos, com a agravante de enfraquecer e anemizar o poder público. O aparelhamento governamental instituído não se ajustava às exigências da vida nacional; antes, dificultava-lhe a expansão e inibia-lhe os movimentos. Na distribuição das atribuições legais, não se colocara, como se devera fazer, em primeiro plano, o interesse geral; aluíram-se as responsabilidades entre os diversos poderes, de tal sorte que o rendimento do aparelho do Estado ficou reduzido ao mínimo, e a sua eficiência sofreu danos irreparáveis, continuamente expostos à influência dos interesses personalistas e das composições políticas eventuais. Não obstante o esforço feito para evitar os inconvenientes das assembleias exclusivamente políticas, o Poder Legislativo, no regime da Constituição de 1934, mostrou-se, irremediavelmente, inoperante. Transformada a Assembleia Nacional Constituinte em Câmara de Deputados, para elaborar, nos precisos termos do dispositivo constitucional, as leis complementares constantes da Mensagem do Chefe do Governo Provisório, de 10 de abril de 1934, não se conseguira, até agora, que qualquer delas fosse ultimada, mau grado o funcionamento quase ininterrupto das respectivas sessões. Nas suas pastas e comissões se encontram, aguardando deliberação, numerosas iniciativas de inadiável necessidade nacional, como sejam: o Código do Ar, o Código das Águas, o Código de Minas, o Código Penal, o Código do Processo, os projectos da Justiça do Trabalho, da criação dos Institutos do Mate e do Trigo, etc. etc.. Não deixaram, entretanto, de ter andamento e aprovação as medidas destinadas a favorecer interesses particulares, algumas, evidentemente, contrárias aos interesses nacionais e que, por isso mesmo, receberam veto do Poder Executivo. Por seu turno, o Senado Federal permanecia no período de definição das suas atribuições, que constituíam motivo de controvérsia e de contestação entre as duas casas legislativas. A fase parlamentar da obra governamental se processava, antes como um obstáculo do que como uma colaboração digna de ser conservada nos termos em que a estabelecera a Constituição de 1934. Função elementar e, ao mesmo tempo, fundamental, a própria elaboração orçamentaria nunca se ultimou nos prazos regimentais, com o cuidado que era de exigir. Todos os esforços realizados pelo Governo no sentido de estabelecer o equilíbrio orçamentário se tornavam inúteis, desde que os representantes da Nação agravavam sempre o montante das despesas, muitas vezes, em benefício de iniciativas ou de interesses que nada tinham a ver com o interesse público. Constitui ato de estrita justiça consignar que em ambas as casas do Poder Legislativo existiam homens cultos, devotados e patriotas, capazes de prestar esclarecido concurso às mais delicadas funções públicas, tendo, entretanto, os seus esforços invalidados pelos próprios defeitos de estrutura do órgão a que não conseguiam emprestar as suas altas qualidades pessoais. A manutenção desse aparelho inadequado e dispendioso era de todo desaconselhável. Conservá-lo seria, evidentemente, obra de espírito acomodatício e displicente, mais interessado pelas acomodações da clientela política do que pelo sentimento das responsabilidades assumidas. Outros, por certo, prefeririam transferir aos ombros do Legislativo os ônus e dificuldades que o Executivo terá de enfrentar para resolver diversos problemas de grande relevância e de graves repercussões, visto afetarem poderosos interesses organizados, interna e externamente. Compreende-se, desde logo, que me refiro, entre outros, aos da produção cafeeira e regularização da nossa dívida externa. O Governo atual herdou os erros acumulados em cerca de vinte anos de artificialismo econômico, que produziram o efeito catastrófico de reter stocks e valorizar o café, dando em resultado o surto da produção noutros países, apesar dos esforços empreendidos para equilibrar, por meio de quotas, a produção e o consumo mundial da nossa mercadoria básica. Procurando neutralizar a situação calamitosa encontrada em 1930, iniciámos uma política de descongestionamento, salvando da ruína a lavoura cafeeira e encaminhando os negócios de modo que fosse possível restituir, sem abalos, o mercado do café às suas condições normais. Para atingir esse objetivo, cumpria aliviar a mercadoria dos pesados ônus que a encareciam, o que será feito sem perda de tempo, resolvendo-se o problema da concorrência no mercado mundial e marchando decisivamente para a liberdade de comércio do produto. No concernente à dívida externa, o serviço de amortização e juros constitui questão vital para a nossa economia. Enquanto foi possível o sacrifício da exportação de ouro, afim de satisfazer as prestações estabelecidas, o Brasil não se recusou a fazê-lo. É claro, porém, que os pagamentos, no exterior, só podem ser realizados com o saldo da balança comercial. Sob a aparência de moeda, que vela e disfarça a natureza do fenômeno de base nas relações econômicas, o que existe, em última análise, é a permuta de produtos. A transferência de valores destinados a atender a esses compromissos pressupõe, naturalmente, um movimento de mercadorias do país devedor para os seus clientes no exterior, em volume suficiente para cobrir as responsabilidades contraídas. Nas circunstâncias atuais, dados os fatores que tendem a criar restrições à livre circulação das riquezas no mercado mundial, a aplicação de recursos em condições de compensar a diferença entre as nossas disponibilidades e as nossas obrigações só pode ser feita mediante o endividamento crescente do país e a debilitação da sua economia interna. Não é demais repetir que os sistemas de quotas, contingenciamentos e compensações, limitando, dia a dia, o movimento e volume das trocas internacionais, têm exigido, mesmo nos países de maior rendimento agrícola e industrial, a revisão das obrigações externas. A situação impõe, no momento, a suspensão do pagamento de juros e amortizações, até que seja possível reajustar os compromissos sem dessangrar e empobrecer o nosso organismo econômico. Não podemos por mais tempo continuar a solver dívidas antigas pelo processo ruinoso de contrair outras mais vultosas, o que nos levaria, dentro de pouco, à dura contingência de adotar solução mais radical. Para fazer face às responsabilidades decorrentes dos nossos compromissos externos, lançámos sobre a produção nacional o pesado tributo que consiste no confisco cambial, expresso na cobrança de uma taxa oficial de 35 %, redundando, em última análise, em reduzir de igual percentagem os preços, já tão aviltados, das mercadorias de exportação. É imperioso pôr um termo a esse confisco, restituindo o comércio de câmbio às suas condições normais. As nossas disponibilidades no estrangeiro, absorvidas, na sua totalidade, pelo serviço da dívida e não bastando, ainda assim, às suas exigências, dão em resultado nada nos sobrar para a renovação do aparelhamento econômico, do qual depende todo o progresso nacional. Precisamos equipar as vias férreas do país, de modo a oferecerem transporte econômico aos produtos das diversas regiões, bem como construir novos traçados e abrir rodovias, prosseguindo na execução do nosso plano de comunicações, particularmente no que se refere à penetração do ''hinterland'' e articulação dos centros de consumo interno com os escoadouros de exportação. Por outro lado, essas realizações exigem que se instale a grande siderurgia, aproveitando a abundância de minéreo, num vasto plano de colaboração do Governo com os capitais estrangeiros que pretendam emprego remunerativo, e fundando, de maneira definitiva, as nossas indústrias de base, em cuja dependência se acha o magno problema da defesa nacional. É necessidade inadiável, também, dotar as forças armadas de aparelhamento eficiente, que as habilite a assegurar a integridade e a independência do país, permitindo-lhe cooperar com as demais nações do Continente na obra de preservação da paz. Para reajustar o organismo político às necessidades econômicas do país e garantir as medidas apontadas, não se oferecia outra alternativa além da que foi tomada, instaurando-se um regime forte, de paz, de justiça e de trabalho. Quando os meios de governo não correspondem mais às condições de existência de um povo, não há outra solução senão mudá-los, estabelecendo outros moldes de ação. A Constituição hoje promulgada criou uma nova estrutura legal, sem alterar o que se considera substancial nos sistemas de opinião: manteve a forma democrática, o processo representativo e a autonomia dos Estados, dentro das linhas tradicionais da federação orgânica. Circunstâncias de diversa natureza apressaram o desfecho deste movimento, que constitui manifestação vitalidade das energias nacionais extra-partidárias. O povo o estimulou e acolheu com inequívocas demonstrações de regozijo, impacientado e saturado pelos lances entristecedores da política profissional; o Exército e a Marinha o reclamaram como imperativo da ordem e da segurança nacional. Ainda ontem, culminando nos propósitos demagógicos, um dos candidatos presidenciais mandava ler da tribuna da Câmara dos Deputados documento francamente sedicioso e o fazia distribuir nos quartéis das corporações militares, que, num movimento de saudável reação às incursões facciosas, souberam repelir tão aleivosa exploração, discernindo, com admirável clareza, de que lado estavam, no momento, os legitimes reclamos da conciência brasileira. Tenho suficiente experiência das asperezas do poder para deixar-me seduzir pelas suas exterioridades e satisfações de caráter pessoal. Jamais concordaria, por isso, em permanecer à frente dos negócios públicos se tivesse de ceder quotidianamente às mesquinhas injunções da acomodação política, sem a certeza de poder trabalhar, com real proveito, pelo maior bem da coletividade. Prestigiado pela confiança das forças armadas e correspondendo aos generalizados apelos dos meus concidadãos, só acedi em sacrificar o justo repouso a que tinha direito, ocupando a posição em que me encontro, com o firme propósito de continuar servindo à Nação. As decepções que o regime derrogado trouxe ao país não se limitaram ao campo moral e político. A economia nacional, que pretendera participar das responsabilidades do Governo, foi também frustrada nas suas justas aspirações. Cumpre restabelecer, por meio adequado, a eficácia da sua intervenção e colaboração na vida do Estado. Ao invés de pertencer a uma assembleia política, em que, é óbvio, não se encontram os elementos essenciais às suas atividades, a representação profissional deve constituir um órgão de cooperação na esfera do poder público, em condições de influir na propulsão das forças econômicas e de resolver o problema do equilíbrio entre o capital e o trabalho. Considerando de frente e acima dos formalismos jurídicos a lição dos acontecimentos, chega-se a uma conclusão iniludível, a respeito da gênese política das nossas instituições: elas não corresponderam, desde 1889, aos fins para que se destinavam. Um regime que, dentro dos ciclos prefixados de quatro anos, quando se apresentava o problema sucessório presidencial, sofria tremendos abalos, verdadeiros traumatismos mortais, dada a inexistência de partidos nacionais e de princípios doutrinários que exprimissem as aspirações coletivas, certamente não valia o que representava e operava, apenas, em sentido negativo. Numa atmosfera privada de espírito público, como essa em que temos vivido, onde as instituições se reduziam às aparências e aos formalismos, não era possível realizar reformas radicais sem a preparação prévia dos diversos fatores da vida social. Torna-se impossível estabelecer normas sérias e sistematização eficiente à educação, à defesa e aos próprios empreendimentos de ordem material, se o espírito que rege a política geral não estiver conformado em princípios que se ajustem às realidades nacionais. Se queremos reformar, façamos, desde logo, a reforma política. Todas as outras serão consectárias desta, e sem ela não passarão de inconsistentes documentos de teoria política. Passando do Governo propriamente dito ao processo da sua constituição, verificava-se, ainda, que os meios não correspondiam aos fins. A fase culminante do processo político sempre foi a da escolha de candidato à Presidência da República. Não existia mecanismo constitucional prescrito a esse processo. Como a função de escolher pertencia aos partidos e como estes se achavam reduzidos a uma expressão puramente nominal, encontravamo-nos em face de uma solução impossível, por falta de instrumento adequado. Daí, as crises periódicas do regime, pondo, quadrienalmente, em perigo a segurança das instituições. Era indispensável preencher a lacuna, incluindo na própria Constituição o processo de escolha dos candidatos à suprema investidura, de maneira a não se reproduzir o espetáculo de um corpo político desorganizado e perplexo, que não sabe, sequer, por onde começar o ato em virtude do qual se define e afirma o fato mesmo da sua existência. A campanha presidencial, de que tivemos, apenas, um tímido ensaio, não podia, assim, encontrar, como efetivamente não encontrou, repercussão no país. Pelo seu silêncio, a sua indiferença, o seu desinteresse, a Nação pronunciou julgamento irrecorrível sobre os artifícios e as manobras a que se habituou a assistir periodicamente, sem qualquer modificação no quadro governamental que se seguia às contendas eleitorais. Todos sentem, de maneira profunda, que o problema de organização do Governo deve processar-se em plano diferente e que a sua solução transcende os mesquinhos quadros partidários, improvisados nas vésperas dos pleitos, com o único fim de servir de bandeira a interesses transitoriamente agrupados para a conquista do poder. A gravidade da situação que acabo de escrever em rápidos traços está na consciência de todos os brasileiros. Era necessário e urgente optar pela continuação desse estado de coisas ou pela continuação do Brasil. Entre a existência nacional e a situação de caos, de irresponsabilidade e desordem em que nos encontrávamos, não podia haver meio termo ou contemporização. Quando as competições políticas ameaçam degenerar em guerra civil, é sinal de que o regime constitucional perdeu o seu valor prático, subsistindo, apenas, como abstração. A tanto havia chegado o país. A complicada máquina de que dispunha para governar-se não funcionava. Não existiam órgãos apropriados através dos quais pudesse exprimir os pronunciamentos da sua inteligência e os decretos da sua vontade. Restauremos a Nação na sua autoridade e liberdade de ação: — na sua autoridade, dando-lhe os instrumentos de poder real e efetivo com que possa sobrepor-se às influências desagregadoras, internas ou externas; na sua liberdade, abrindo o plenário do julgamento nacional sobre os meios e os fins do Governo e deixando-a construir livremente a sua história e o seu destino. [[en:The New Constitution of the United States of Brazil/Proclamation]] [[Categoria:1937]] [[Categoria:Getúlio Vargas]] [[Categoria:Discursos]] [[Categoria:Documentos históricos brasileiros]] [[Categoria:Presidência do Brasil]] qpsnbgxvpsgp1ew78ejus27onc48lyy Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/2 106 215094 566402 460537 2026-10-20T18:11:10Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566402 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>''phenomenon were the strengthening of political nationalisms in the last century, with reflections in Brazil, the advent of Modernism, with profound effects on Western culture in general and on Brazilian culture in particular. This paper analyzes such artificial place names, making an attempt to classify them.'' '''''KEYWORDS:''''' ''Artificial Place Names; Old Tupi; General Languages.'' {{left|'''1 Introdução'''}} A maior parte dos nomes de lugares que compõem o sistema toponímico brasileiro provém da língua portuguesa. Com efeito, o português, como língua de um império ultramarino, haveria de suplantar em emprego, em todo o território do Brasil, as línguas indígenas e as línguas gerais aqui faladas. A única região do Brasil onde ainda a língua portuguesa não era majoritariamente empregada até a segunda metade do século XIX era a Amazônia. Contudo, com a grande migração de nordestinos para aquela porção do país, durante o Ciclo da Borracha, o nheengatu perdeu a primazia de emprego para o português. O ano de 1877 foi, com efeito, aquele em que isso finalmente ocorreu. A famosa ''Seca dos Dois Setes'', no sertão nordestino, foi o acontecimento que fez mudar o perfil linguístico da Amazônia, dada a magnitude do êxodo de 500.000 sertanejos, monolíngues em português, que emigraram para lá. Contudo, as línguas de povos aborígines também haveriam de ter importante participação no sistema toponímico brasileiro. Entre as línguas indígenas e as línguas gerais de matrizes indígenas, quatro foram fundamentais para a nomeação dos lugares no Brasil: o tupi antigo da costa, a língua geral amazônica, a língua geral paulista e o nheengatu. Com efeito, o tupi antigo foi a língua matricial de línguas supraétnicas que se desenvolveram historicamente a partir do século XVII, quando começou a interiorização da colonização brasileira. Tal toponímia é um dos testemunhos mais visíveis da ancestralidade indígena da sociedade brasileira. Ao tratarmos de ''topônimos de origem indígena'', estamos aqui considerando somente o nome do ponto de vista de sua forma, enquanto um lexema. Isso para evitarmos ambiguidades, fazendo-se supor um nomeador indígena que, muitas vezes, não existiu. Além disso, é preciso considerar que os nomes de origem indígena de que aqui tratamos seguem os processos fonológicos da língua portuguesa. Assim, fonemas não existentes em português realizam-se de diferentes formas quando surgem topônimos a nomear o território nacional. É o que ocorre, por exemplo, com o fonema /'''ɨ'''/ do tupi antigo, que se realiza em português como /i/ ou /u/. O mesmo<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|253}}</noinclude> 6u7ufsxtivdpjvifu8r1p705kkiprh3 Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/3 106 215105 566403 460567 2026-10-20T18:11:34Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566403 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>ocorre com o fonema /β/ daquela língua, que se realiza como /b/ ou /v/. Com relação à consoante oclusiva glotal /Ɂ/, ela desaparece nos nomes portugueses de origem indígena. Foi o engenheiro baiano Teodoro Sampaio, autor de ''O Tupi na Geografia Nacional'', publicado em 1901, quem primeiro chamou a atenção para o fato de haver importante toponímia de origem tupi em regiões que nunca foram habitadas por índios falantes de tupi antigo. São, na verdade, nomes originados das línguas gerais coloniais faladas nos aldeamentos missionários, nas bandeiras, nas monções e nas tropas, enfim, por grande parte dos membros do sistema colonial brasileiro. Efetivamente, nomes com origem em tais línguas gerais estão presentes em quase todas as regiões do interior do Brasil. Com relação às outras centenas de línguas indígenas faladas no período colonial e nos dois séculos do Brasil independente, pequena foi sua participação individual na nomeação do espaço brasileiro. Se consideradas, porém, em seu conjunto, elas também tiveram uma participação expressiva em nosso sistema toponímico. Os topônimos delas originários, contudo, estão circunscritos territorialmente. Ademais, sucede que muitos desses nomes são intraduzíveis por serem oriundos de línguas já desaparecidas e que não foram estudadas nem gramaticalizadas no passado, diferentemente do que ocorreu com o tupi antigo, com a língua geral amazônica e com o nheengatu. O tupi antigo foi falado até o final do século XVII. Em fins do século XIX foi a vez de o nheengatu perder primazia para o português em grande parte da Amazônia, sendo hoje usado quase somente no Alto Rio Negro. Já a língua geral paulista desapareceu com o grande fluxo migratório europeu para o sul e sudeste do Brasil a partir de 1850. Assim, o que explica as centenas de topônimos de origem indígena surgidos no final do século XIX e na primeira metade do século XX em todo o Brasil é a nomeação artificial. A criação toponímica artificial em tupi antigo ou em línguas gerais dele oriundas foi muito estimulada, com efeito, pela publicação da obra já mencionada de Teodoro Sampaio, que ajudou a fornecer muitos nomes para frentes pioneiras no Brasil do século XX, com o surgimento de muitos povoados e transformação de antigos distritos em municípios. Assim, na terceira edição de ''O Tupi na Geografia Nacional'', lê-se o seguinte: {{right|A predileção dos brasileiros pelos nomes indígenas na denominação dos lugares é hoje tão acentuada que a toponímia primitiva vai aos poucos se restaurando e às localidades novas dão-se, de preferência, nomes tirados da língua dos ameríndios tupis. (SAMPAIO, 1987, prefácio).}} {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|254}}</noinclude> 7dlkf31qidechsxx8g9fgz5x0e1ijrp Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/4 106 215106 566404 460568 2026-10-20T18:12:03Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566404 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>{{left|'''2 A base teórica para a presente classificação dos topônimos'''}} A classificação dos topônimos não é tarefa simples, dada sua natureza multiforme. Tal classificação pode ser feita segundo muitos critérios: o etimológico, o sociolinguístico, o ontológico, o cultural etc. Stewart (1954) foi um dos primeiros que empreenderam uma classificação geral deles. Outra tentativa mais recente de classificação abrangente dos nomes de lugares foi feita por Urazmetova et al. (2017). Segundo elas, “é obviamente impossível criar uma classificação unificada dos nomes dos lugares que pudesse refletir a natureza multidimensional total do vocabulário toponímico<ref>“It is obvious that it is impossible to create a unified classification of place names which would reflect the entire multidimensional nature of the toponymic vocabulary.”</ref>” (URAZMETOVA et al., 2017, p. 28, tradução nossa). Tais autoras apresentaram onze princípios ou critérios para se classificarem os topônimos e, assim, segundo elas, devem-se considerar as características paramétricas e ontológicas de um objeto, o tipo de base toponímica, as características etimológicas, motivacionais, cronológicas e estruturais dos nomes de lugares, a polissemia, o grau e a variedade de nomeação toponímica e, finalmente, a localização de um objeto (URAZMETOVA et al., 2017). Tais princípios mencionados pelas referidas autoras são intralinguísticos e extralinguísticos, donde sua multiplicidade. Segundo o critério da origem dos topônimos, apresentado na classificação de Urazmetova et al. (2017), podemos dividi-los em ''espontâneos'' ou ''artificiais'', embora tais autoras não mencionem estas duas categorias. Definimos aqui como ''espontâneo'' o nome de lugar que foi atribuído por falantes da língua na qual ele foi criado, de forma anônima. Espontâneos são, geralmente, os nomes de elementos físico-naturais, tais como os cursos d´água, as montanhas, os morros, as serras, as praias etc. ''Artificiais'' são os topônimos de atribuição planejada, sendo que os autores da nomeação são conhecidos. Como exemplos de topônimos artificiais estão aqueles atribuídos por iniciativa oficial, como é o caso dos nomes de ruas, de praças, de distritos, de cidades, de municípios etc. Estes geralmente substituem topônimos mais antigos. Artificiais também são os nomes dados a propriedades particulares, tanto rurais quanto urbanas, sem a fixidez, a permanência e o anonimato que caracterizam os nomes espontâneos dados aos elementos físico-naturais. {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|255}}</noinclude> ry7wavtj5gj398zlg3cpz791wdws4an Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/5 106 215115 566405 460605 2026-10-20T18:12:29Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566405 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>{{c|'''3 A nomeação toponímica artificial no mundo e no Brasil e algumas de suas causas'''}} A criação de topônimos artificiais pode ter diversas causas e motivações, dentre as quais arrolamos as seguintes: :::a) A necessidade de se incorporar um objeto geográfico a um determinado sistema toponímico. Conforme bem observaram Urazmetova et. al. (2017, p. 26), os objetos geográficos não nomeados diminuem cada vez mais à medida que a humanidade expande seus horizontes sobre a superfície terrestre. :::b) A intenção de marcar o início de um novo momento histórico, como é o caso da substituição do nome São Petersburgo por ''Leningrado'', depois da Revolução Russa. Com a descolonização da África e da Ásia, no Pós-Guerra, por exemplo, buscou-se muitas vezes a eliminação de heranças coloniais, como foi o caso da substituição dos nomes ''Birmânia'', ''Ceilão'', ''Calcutá'' e ''Lourenço Marques'' por ''Myamar'', ''Sri Lanka'', ''Kolkata'' e ''Maputo'', respectivamente. :::c) O projeto de valorizar raízes nacionais e identidades culturais, em consequência de fortalecimento de nacionalismos políticos. Tal foi o que ocorreu no Brasil na primeira metade do século XX, quando houve intensa nomeação em línguas ameríndias faladas no passado, como veremos adiante. :::d. A busca de uma estratégia geopolítica de dominação de um território, por meio de eliminação de elementos culturais de um povo que nele vive. Foi o que aconteceu em territórios palestinos ocupados por Israel. Segundo Nur Masalha, apud Moore et al. (2015, p. 17, tradução nossa), lá ocorreu um “''toponimicídio''”, isto é, “...a ‘desarabização’ da terra, a eliminação de antigos topônimos palestinos e sua substituição por toponímia sionista hebraica, criada recentemente<ref>“the de-Arabisation of the land […] the erasure of ancient Palestinian place names and their replacement by newly coined Zionist Hebrew toponymy.”</ref>”. No caso específico do Brasil, a nomeação artificial em línguas indígenas é explicada por certos fenômenos culturais e sociológicos observados no mundo ocidental desde o século XIX. Um deles foi o Romantismo, que valorizou a tradição histórica e nacional sobre os modelos estéticos da Antiguidade. Volta-se para o passado em busca de modelos e representações das novas nações que então surgiam. No caso do Brasil, tais modelos foram os índios de outros<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|256}}</noinclude> 47ma8jajdkupphf0dfwp87q0ecnqxj5 Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/6 106 215117 566406 460640 2026-10-20T18:14:56Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566406 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>séculos e a língua indígena falada nos primeiros tempos da Conquista. Mitificou-se o índio da costa, o ''tupi''. Tal termo era um genérico usado para designar os grupos indígenas que falavam a língua brasílica descrita por Anchieta e Figueira em suas gramáticas. Eram aqueles os tupiniquins, os tupinambás, os potiguaras, os caetés, os temiminós, os tupis de São Vicente etc. Enquanto isso, os muitos índios ainda existentes no século XIX pelo Brasil afora eram socialmente menosprezados, discriminados e suas línguas eram ignoradas. Com o advento do Modernismo no nosso país, iniciado com a Semana de Arte Moderna, em 1922, os índios do passado tornaram-se novamente uma referência cultural basilar para a renovação estética e cultural que se pretendia. Formava-se um ambiente propício aos estudos das línguas indígenas brasileiras de importância histórica, principalmente o tupi antigo e o nheengatu. Isso também se explicava pelo surgimento de ideologias nacionalistas no mundo ocidental. No Brasil, a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, foi o início de uma fase histórica assinalada por grande nacionalismo político e econômico. A Era de Vargas foi, com efeito, uma época em que os topônimos de origem indígena foram abundantemente criados no país. Com efeito, o decreto-lei n. 5.901, de 21 de outubro de 1943, estabelecia normas para a “''eliminação no país da repetição de topônimos de cidades e vilas''”. O artigo 7º, III, desse decreto-lei rezava o seguinte: {{right|Como novos topônimos, deverão ser evitadas designações de datas, vocábulos estrangeiros, nomes de pessoas vivas, expressões compostas de mais de duas palavras, sendo, no entanto, <u>recomendável a adoção de nomes indígenas</u> ou outros com propriedade local. (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 1943, p. 15750).}} Assim, em cumprimento a tal decreto-lei, muitos municípios tiveram seus nomes substituídos no ano seguinte, e, muitos deles, por nomes de origem tupi. Ainda na Era de Vargas, em 1935, foi criada a cadeira de língua tupi na faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Naquele ano, Tupi e Toponímia passaram a figurar no currículo do curso de Geografia. O primeiro regente de tais cadeiras foi Plínio Ayrosa, um engenheiro e pesquisador autônomo que ministrava palestras no Centro do Professorado Paulista havia já algum tempo e que, pela nomeada que alcançara em virtude disso, foi convidado pelo reitor da novel universidade para criar nela os aludidos cursos. Nos anos quarenta, novas iniciativas semelhantes àquela surgiriam no Brasil. Criam-se cursos de tupi antigo na PUC do Rio de Janeiro (sob a regência do Pe. Antônio Lemos Barbosa), na<noinclude> {{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|257}}</noinclude> erodk3mviz0v5dwqox8k0cpt97oe67z Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/7 106 215127 566407 460653 2026-10-20T18:15:13Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566407 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>Universidade da Bahia (com Frederico Edelweiss à frente da dita cadeira) e na Universidade do Paraná (com Mansur Guérios). Assim, por duas décadas, os estudos tupinológicos dominaram nas universidades que passaram a manter cursos de línguas indígenas. Tal foi a voga que tiveram tais estudos que, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, de 1950 a 1954, tramitou no Congresso Nacional um projeto de lei que tornava obrigatória a criação da cadeira de língua tupi em todas as faculdades de Letras do Brasil. Em 3 de setembro daquele ano, poucos dias após o suicídio de Vargas, o presidente Café Filho, seu substituto, assinou a lei n. 2.311, que instituía em todas as faculdades de Filosofia e Letras do País a cadeira de Etnografia Brasileira e Língua Tupi. Tal lei tinha um sentido nacionalista evidente. Era consequência de uma forte tendência estatizante que o segundo governo de Vargas apresentava, um dos últimos ecos dos pactos populistas que o capital internacional faria soçobrar em todo o Terceiro Mundo nos anos cinquenta e sessenta, fato exemplificado, no Brasil, pelo golpe militar de 1964, pela queda de Perón na Argentina e pela deposição de Ahmed Sukarno, na Indonésia. Nesse momento de desnacionalização econômica e de alinhamento político do Brasil com os Estados Unidos, o Estruturalismo começou a deitar raízes na universidade e na ''intelligentsia'' brasileiras. Assim, a partir dos anos sessenta, a criação toponímica artificial em línguas indígenas enfraqueceu-se grandemente. {{left|'''4 Metodologia e dados utilizados'''}} A fonte dos dados utilizados e de todas as informações apresentadas nesta pesquisa foi o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que, no sítio ''<u>[https://cidades.ibge.gov.br/ www.cidades.ibge.gov.br]</u>'', divulga informações acerca dos municípios brasileiros nos seus aspectos econômicos, políticos, sociais, demográficos e históricos. O IBGE fornece tabelas e gráficos com as suas pesquisas sobre todas as cidades e estados do país, oferecendo informações sobre a história dos 5570 municípios brasileiros e, inclusive, sobre seus nomes, desde os seus primeiros tempos. Depois de analisarmos centenas de topônimos artificiais de matriz tupi de todos os estados brasileiros, escolhemos vinte nomes que exemplificam bem as categorias nas quais todos os outros podem classificar-se. Fizemos desses vinte nomes uma análise mais detida e minuciosa, por verificarmos que eles são paradigmáticos das classes que definimos. {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|258}}</noinclude> ly143q0ncwmvuai4eameegnsxy2f6j7 Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/8 106 215136 566408 460695 2026-10-20T18:15:33Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566408 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>Os nomes para os quais a presente pesquisa voltou-se foram somente os de matrizes tupis, que são os mais numerosos entre os de origem indígena, e fundamentalmente os nomes de espaços urbanos, isto é, sedes de municípios ou de distritos. É nos nomes destes que encontramos grande variabilidade onomástica, o que não ocorre com relação aos nomes de aspectos físico-naturais do espaço. Com efeito, conforme lembra Dauzat (1937), estes últimos tendem a se manter ao longo dos séculos. Assim, por meio de levantamento dos topônimos nas línguas indígenas aqui consideradas, procedeu-se a uma pesquisa sobre a antiguidade deles, buscando-se conhecer desde quando tais nomes existem. Levando-se em conta que a língua brasílica da costa (i.e., o tupi antigo) e as línguas gerais dele originadas (com exceção do nheengatu), não eram mais faladas a partir da segunda metade do século XIX, consideramos todos os topônimos dessa origem, surgidos a partir de então fora das áreas de utilização do nheengatu (que ainda é língua viva), como artificiais. Não tratamos aqui de topônimos híbridos, tais como Itainópolis (PI) ou Cotriguaçu (MT), que contêm étimos de origem não indígena. Não consideraremos tampouco os topônimos “pseudotupis”, isto é, aqueles que são composições e só aparentemente são de origem indígena, como é o caso de JUSSARA (BA), iniciais de Juscelino e Sara, prenomes de um ex-presidente do Brasil e de sua esposa, respectivamente. {{left|'''5 Resultados e discussão'''}} {{left|'''5.1 Análise das categorias de topônimos artificiais em questão'''}} Após analisarmos os nomes artificiais de matrizes tupis no Brasil, concluímos poder dividi-los em duas categorias principais: ''A. Topônimos adequados'': São nomes formados corretamente do ponto de vista gramatical e atribuídos a lugares onde as línguas de que se originaram foram efetivamente faladas. Ou, ainda, são nomes de origem tupi já incorporados ao léxico do português. Se compostos, obedecem às regras de composição das línguas de matrizes tupis nas quais foram criados. {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|259}}</noinclude> rx9b7hu0rhsxzyreqpn1604csjpx2bs Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/9 106 215328 566409 461339 2026-10-20T18:15:52Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566409 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>{{left|''B. Topônimos inadequados:''}} ''a. Geograficamente inadequados'' - São formados corretamente do ponto de vista gramatical, mas atribuídos indevidamente a lugares onde as línguas das quais se originaram nunca foram faladas. ''b. Linguisticamente inadequados'' - São formados incorretamente do ponto de vista gramatical, sem respeito às regras de composição das línguas em que foram criados ou com errada ortografia, semântica etc. Podem ser também nomes híbridos, formados por palavras de mais de uma língua indígena, fato causado pelo desconhecimento de seu criador das diferenças entre elas. Contudo, tais topônimos nomeiam lugares em que as línguas usadas em sua criação foram faladas no passado. ''c. Geográfica e linguisticamente inadequados'' - São aqueles atribuídos indevidamente a lugares onde nunca foram faladas as línguas nas quais tais nomes foram criados e que foram mal formados linguisticamente, sem respeito às regras de composição daquelas línguas, ou com errada ortografia, semântica etc. Podem ser também nomes híbridos, formados com palavras de mais de uma língua indígena de matriz tupi. {{left|5.2 Topônimos representativos das categorias acima definidas}} Analisaremos, a seguir, topônimos paradigmáticos de cada uma das categorias acima definidas. As etimologias apresentadas baseiam-se em informações do ''Diccionario Portuguez e Brasiliano'' (ANÔNIMO, 1795), do ''Vocabulário Português-Nheengatu, Nheengatu-Português'' (Stradelli, 2014) e do ''Dicionário de Tupi Antigo'' (NAVARRO, 2019). As informações históricas e geográficas, por sua vez, têm por fonte o IBGE (<u>''www.cidades.ibge.gov.br''</u>). {{left|''5.2.1 Topônimos adequados: exemplos de algumas modalidades''}} {{left|''5.2.1.1 Decalques, traduções livres ou perífrases de nomes pré-existentes em português''}} ''Aiquara (BA)'' - Uma modalidade muito comum de topônimos artificiais no Brasil é a daqueles criados por substituição de um nome de origem portuguesa por sua correspondente tradução em tupi antigo, às vezes bem literal, às vezes menos. {{nop}}<noinclude> {{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|260}}</noinclude> ce6jiijw6ourem31r4lyn8vll1wso5n Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/10 106 215329 566410 461340 2026-10-20T18:16:11Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566410 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>Foi o que ocorreu com o atual município baiano de ''Aiquara'' (de a’''y'' + ''kûara'', “''toca da preguiça''”). Com efeito, tal localidade chamava-se, até 1915, ''Preguiça'', nome de um mamífero da família dos bradipodídeos, encontrado nas matas tropicais e equatoriais da América. Segundo o IBGE, tal nome foi escolhido por meio de um plebiscito feito no ano de 1924. É uma composição correta em tupi antigo e, é claro, adaptada à fonologia do português. ''Abaiara (CE)'' - O município cearense de ''Abaiara'' foi primeiramente chamado ''São Pedro'', por ato provincial de 1837, como distrito do município de Milagres. Em 1938, o distrito de São Pedro passou a chamar-se ''Pedro Segundo'', em homenagem ao antigo imperador do Brasil. O nome foi novamente alterado por decreto-lei estadual em 1943. Foi criada uma perífrase em tupi para ''Pedro Segundo'', a saber, ''Abaiara'', isto é, “''o senhor dos homens''”. ''Paratinga (BA)'' - Às vezes, um nome de origem indígena constitui decalque de um nome em português que substituiu outro topônimo de origem indígena considerado depreciativo. Um exemplo de nome de origem indígena dessa natureza é ''Xiririca'', no Vale do Ribeira, em São Paulo. Com efeito, o nome ''Xiririca'', certamente da Língua Geral Paulista, tornou-se sinônimo de ''fim do mundo'', ''lugar remoto'', ''de difícil acesso'', ''primitivo'', ''pouco habitado'', ''cafundó''. Era corrente nas primeiras décadas do século XX a expressão “''Isso é para lá de Xiririca''”. No ano de 1948, tal nome foi, então, alterado. Esse foi também o caso de um município baiano que se chamava ''Urubu'', nome este que foi alterado em 1912 por projeto de lei, passando, então, a denominar-se ''Rio Branco''. Em 1943, por outro decreto estadual, tal topônimo foi substituído pelo decalque ''Paratinga'', de ''pará'' – rio + ''ting'' – branco + -a – sufixo nominalizador: “''rio branco''”. {{left|''5.2.1.2 Topônimos de origem tupi, já incorporados ao léxico do português do Brasil, que substituem nomes portugueses pré-existentes, com sentidos diferentes destes''}} ''Ubatã (BA)'' e ''Sapiranga (RS)'' - Muitas vezes, um nome de origem tupi já incorporado ao léxico do português e que designa uma planta, um animal, um artefato indígena, um grupo étnico substitui outro nome em português. O distrito de ''Dois Irmãos'', depois de se chamar ''Alfredo Martins'', teve seu nome modificado para ''Ubatã'', que designa diferentes árvores do gênero ''Astronium'' (de ''‘yba-atã'' – “''árvore dura''”). A mesma coisa ocorreu com relação ao nome ''Sapiranga'', de município sulino. Com efeito, os estados do Sul tiveram forte influência da cultura guarani, tanto por sua proximidade com o Paraguai, quanto pelas incursões paulistas às missões jesuíticas lá estabelecidas. O<noinclude> {{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|261}}</noinclude> 578ty3yhi1g993xoqjl6dz03557t50c Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/11 106 215330 566411 461341 2026-10-20T18:16:32Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566411 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>guarani foi, inclusive, uma língua que influenciou a língua geral paulista. O termo ''congonha'', por exemplo, nome do chimarrão dos antigos bandeirantes, provém do guarani antigo e figura no dicionário de Montoya. O nome ''Sapiranga'', contudo, não é de origem guarani, mas deve provir da língua geral paulista. Tal nome foi atribuído a um distrito do município de São Leopoldo, em 1890, e proviria de ''arasá piranga'', “''araçá vermelho''”, designativo de planta da família das mirtáceas, ou seja, nome já incorporado ao léxico do português do Brasil antes do surgimento do nome da localidade. {{left|''5.2.1.3 Topônimos criados por meio de substituição de hibridismo tupi-português por nomes de origem exclusivamente tupi''}} ''Acajutiba (BA)'' - Uma modalidade menos comum de criação de topônimos artificiais em tupi consiste na substituição de nomes híbridos, incorporados ao léxico do português do Brasil, por um nome de origem exclusivamente tupi. Foi o que ocorreu com o povoado de ''Cajueiro'', que em 1937 passou a ser um distrito de Esplanada e teve seu nome alterado para ''Acajutiba'', do tupi antigo ''akaîu'' + ''tyba'', “''ajuntamento de pés de cajus''”. {{left|''5.2.1.4 Topônimos criados por substituição de nomes de origem tupi por outros nomes desta mesma origem''}} ''Andirá (PR)'' e ''Abaetetuba (PA)'' - Tais nomes são exemplos de outra modalidade de formação de topônimos artificiais adequados, em que ocorreu a substituição de um nome de origem tupi por outro nome desta origem. O município paranaense de ''Andirá'', chamado anteriormente ''Ingá'', era um distrito de Cambará, PR. Ao ser elevado à categoria de município, em 1943, teve de mudar seu nome porque já havia outro município homônimo no estado do Paraná, o que foi proibido pelo decretolei n. 5.901 do presidente Getúlio Vargas, que já mencionamos anteriormente. O topônimo ''Abaetetuba'' (composição de ''abaeté'' – “''homem muito bom''”, termo incorporado ao léxico do português + ''tyba'' - ''ajuntamento, existência'': “''ajuntamento de homens muito bons''”) substituiu um nome anterior, ''Abaeté'', de município paraense, por força do decreto-lei n. 5.901, de 1943, já referido. {{nop}}<noinclude> {{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|262}}</noinclude> fjet5x45v8u6c7qedlk1lycwmhmzgbz Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/12 106 215331 566412 461343 2026-10-20T18:16:52Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566412 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>{{left|''5.2.1.5 Topônimos que são fruto de criação onomástica original''}} ''Itajá (RN)'' - Este topônimo é exemplo de nomeação original, não inspirada em denominação anterior nem tomada de dicionários do português. Foi atribuído artificialmente ao povoado dos Lopes, elevado à condição de município em 1992. É uma composição correta: ''itá'' – pedra + ''îá'': repleção, ''apinhamento'': “''repleção de pedras''”. Todos os topônimos artificiais considerados adequados foram atribuídos a lugares onde as línguas usadas na sua criação foram efetivamente faladas no passado. {{left|''5.2.2 Topônimos inadequados: exemplos de suas modalidades''}} {{left|''5.2.2.1. Topônimos geograficamente inadequados''}} ''Miracatu (SP)'' – Tal nome é uma composição correta em nheengatu, porém foi atribuído a uma localidade do sudeste do Brasil, onde nunca se falou aquela língua geral da Amazônia. Foi atribuído por decreto-lei estadual, em 1944. ''Itaocara (RJ)'' - É uma composição correta em tupi antigo, mas nome dado à velha Aldeia da Pedra, de índios Puris e Coroados, do tronco Macro-Jê. O nome de tal município fluminense é de criação mais antiga que a da maioria dos outros topônimos artificiais, tendo surgido em 1850. ''Itaporanga (PB)'' - É uma correta composição em tupi antigo: ''itá'' – pedra + ''porang'' – bonito + -a – sufixo nominalizador: “''pedra bonita''”. O nome, porém, foi atribuído por um decreto-lei estadual de 1938 a um lugar habitado tradicionalmente por índios do grupo Corema, do tronco Macro-Jê, já extinto. {{left|''5.2.2.2. Topônimos linguisticamente inadequados''}} ''Ibateguara (AL)'' - Até 1959, Ibateguara tinha o nome de ''Horizonte''. Foi sugerido o topônimo atual pelo arcebispo de Maceió, D. Ranulfo de Farias, que, ao que consta, queria criar um nome de origem tupi que significasse “''lugar alto''”. O nome Ibateguara, parece, contudo, provir da junção do substantivo tupi ''ybaté'' com o sufixo –''ygûara'', que forma substantivos gentílicos como ''paraibyguara'', “''paraibano''”, “''morador da Paraíba''”. ''Ybateygûara'' significa, assim, “''moradores do alto''”, “''moradores das alturas''”. O topônimo está, assim, mal formado, sendo<noinclude> {{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|263}}</noinclude> cfq4jeemwhjzh3j00424mogbw1f9ehm Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/13 106 215332 566413 461344 2026-10-20T18:17:09Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566413 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>inadequado semanticamente e tendo sentido diferente daquele que se buscava, embora tenha uma legítima feição tupi. ''Ecoporanga (ES)'' - Este topônimo porta lexemas do tupi antigo, faltando-lhe, contudo, o prefixo de relação T- para ser um nome correto naquela língua. Deveria, assim, escrever-se ''Tecoporanga''. Tal localidade do estado do Espírito Santo recebeu tal nome quando foi elevada, por lei estadual, à categoria de município, em 1955. ''Buritama (SP)'' – É uma incorreta variante de ''buriti retama'', “''terra dos buritis''”, que fere as regras de composição do tupi antigo. Nome criado em 1948, quando o distrito de Palmeiras, chamado depois, em 1919, ''Buriti'', tornou-se município. ''Unaí (MG)'' – É um nome composto, que, para significar aquilo que seus criadores pretendiam, fere as regras de composição do tupi antigo ou das línguas gerais deste originadas. Unaí foi um distrito criado com o nome ''Rio Preto'', por lei provincial de 1873. Por lei estadual de 1923, o distrito de Rio Preto tomou o nome atual. Ora, naquelas línguas indígenas mencionadas, o adjetivo qualificativo nunca antecede o substantivo. ''Rio Preto'' deveria, assim, traduzir-se por ‘''yúna'', resultando no nome próprio ''Iúna''. ''Jaguariúna (SP)'' – A mesma coisa ocorreu com o nome do município paulista de ''Jaguariúna''. Em 1896 foi criado por lei estadual o distrito de Jaguari, subordinado ao município de Mogi-Mirim. Por decreto-lei estadual de 1944, o distrito de Jaguari tomou o nome ''Jaguariúna'', que conservou ao se tornar município, em 1953. Vemos no brasão de Jaguariúna (Fig. 1) a motivação do criador de seu nome: uma onça preta à beira de um rio azul. Ora, “''rio da onça preta''”, em tupi antigo, deveria traduzir-se por ''îaguaruny'', resultando no topônimo ''Jaguaruni''. A forma ''Jaguariúna'' fere as regras de composição do tupi antigo, do qual foram tomados os étimos de tal palavra. {{c|'''Figura 1 - Brasão do município de Jaguariúna (SP)'''}} [[File:Brasao Jaguariuna.png|center|150px]] {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|264}}</noinclude> d0gmgbxl6ntshw3audf5mod29vvzhj9 Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/14 106 215333 566414 461346 2026-10-20T18:17:37Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566414 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>{{left|''5.2.2.3 Topônimos geográfica e linguisticamente inadequados''}} ''Umuarama (PR)'' – Em 1927, Silveira Bueno, que seria depois professor de língua portuguesa na Universidade de São Paulo, criou o nome ''Umuarama'' para nomear uma colônia de férias do ''Mackenzie College'', a pedido de seu diretor. Como ele próprio afirma, ''Umuarama'' foi {{quote|[...] neologismo feito por nós, com elementos tupis e significa: lugar ensolarado para encontro de amigos. A primeira forma foi Emuarama, de embu; lugar; ara, cheio de luz, de claridades, bom clima. Depois suavizamos para Umuarama. A terminação ama é um coletivo, equivalendo a muitos, reunião etc. (BUENO, 1984, p. 601)}} Onde se encontra em tal composição algo que signifique “''para encontro de amigos''”, que faria parte, segundo Silveira Bueno, da etimologia de ''Umuarama''? Em qual dicionário de tupi antigo, guarani ou de nheengatu vemos que ''embu'' significa lugar? Por aquelas palavras vê-se como era grande o despreparo daquele autor para tratar de língua tupi, antiga ou moderna. Seu ''Vocabulário Tupi-Guarani Português'' contribuiu muito para desorientar os interessados pela Tupinologia. Seu desconhecimento da gramática daquelas línguas ficou completamente demonstrado nas palavras acima. Para a formação do topônimo ''Umuarama'', Silveira Bueno tomou o termo nheengatu ''sumuara'', “''amigo''”, retirou-lhe indevidamente o prefixo de relação S- e acrescentou-lhe a forma ''rama'', variante de ''retama''. ''Sumuararama'', com efeito, traduzir-se-ia por ''terra de amigos'', em nheengatu. Retirando-se o prefixo S-, porém, a composição fica sem sentido. Além disso, o fato de atribuir um nome em nheengatu (''a língua boa amazônica'') a uma localidade do Paraná é uma grande incoerência geográfica. ''Mairiporã (SP)'' - O nome desse município paulista é um hibridismo, formado da composição de um termo da língua geral amazônica (''mairi'', ''cidade'') e um termo guarani (''porã'', ''bonito'',a). Foi criado artificialmente por lei estadual de 1948 e substituiu o nome antigo e espontâneo ''Juqueri''. A substituição de tal nome tupi deveu-se ao sentido depreciativo que este topônimo assumiu com a instalação de uma grande colônia psiquiátrica naquela localidade, o ''Asilo de Alienados do Juqueri'', fundado em 1898 pelo médico Francisco Franco da Rocha. Surgiu, assim, um topônimo com origem em línguas que nunca foram faladas naquela região do Brasil. {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|265}}</noinclude> ew2baspx41f8abxb1igubaiszvxc2e5 Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/15 106 215334 566415 461347 2026-10-20T18:17:54Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566415 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>''Itacajá (TO)'' - O território de tal município do estado do Tocantins foi tradicionalmente habitado por índios Craós, que foram missionados pelo pastor Francisco Colares, o que originou um adensamento humano que se tornou distrito em 1938 e município em 1953. Aquele topônimo provém do nome de uma cachoeira chamada ''Cajá'', no rio Manoel Alves, que banha aquela localidade, sendo ''Cajá'' um nome espontâneo, simples e motivado pela existência de uma planta anacardiácea, também chamada ''cajazeira''. Por sua vez, o nome ''Itacajá'', criado artificialmente com étimos do tupi antigo, tem sentido absurdo (“''cajá de pedra''”) e foi, além disso, atribuído a um lugar onde nunca se falou tupi antigo nem nenhuma língua geral dele oriunda. {{left|Conclusão}} A nomeação artificial com origem no tupi antigo e nas línguas gerais dele originadas convive, no Brasil, com a toponímia espontânea e tal fato passa despercebido por muitos. Isso hipertrofiou a influência tupi, que já não foi pequena, na formação do sistema toponímico brasileiro. Não afetou, por razões anteriormente mostradas, a nomeação de elementos físico-naturais, como rios, córregos, morros, serras etc., a qual é infensa a mudanças fáceis. Tais topônimos têm grande importância como crônica do espaço geográfico, revelando aspectos pretéritos dele. Se foram criados nomes adequados e corretos, também surgiram nomes sem sentido e erroneamente formados, que nada revelam senão o despreparo de seus criadores nas línguas indígenas históricas do Brasil. Há, contudo, um aspecto positivo nessa nomeação artificial: ela nobilitou ou tentou nobilitar línguas indígenas num século de grande modernização tecnológica como foi o século XX, no qual o índio representou, muitas vezes, o passado e o atraso social e econômico. Inda que mitificado, ele foi, de certa forma, valorizado num Brasil que tinha olhos mais voltados para a Europa e os Estados Unidos. Foi uma maneira de o Brasil homenagear os derrotados da sua história. Tal fenômeno significava também um preito saudosista a um Brasil tradicional que começava a se transformar e a se modernizar. Representava as vozes de um passado que não queria morrer. Bem expressou Teodoro Sampaio tal fenômeno sociocultural do século XX, no prefácio da terceira edição de ''O Tupi na Geografia Nacional'': {{nop}}<noinclude>{{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|266}}</noinclude> mpfcv0dsuyx6l64zw1lpunl1bwphr1y Página:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf/16 106 215335 566416 468081 2026-10-20T18:18:10Z Sandi rambe 44076 /* Validada */ 566416 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="4" user="Sandi rambe" />{{c|[[File:Revista Letras Raras.jpg|200px]]}} {{c|ISSN: 2317-2347 – v. 9, n. 2 (2020)}} {{c|Todo o conteúdo da RLR está licenciado sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional}}</noinclude>::Há aqui um sentimento nacionalista que se quer integrado e vívido, como que a dizer que, da raça americana, vencida, nem tudo se perdeu e que se, no sangue dos descendentes, a dosagem diminui a se apagar, a memória dos primitivos íncolas perdurará com os nomes dos lugares onde a civilização ostenta seus triunfos. (SAMPAIO, 1987, p. 41) {{left|'''Referências'''}} ANÔNIMO. ''Diccionario portuguez e brasiliano''. 1ª edição facsimilar. Leipzig: B. G. Teubner, 1896 [1795]. BUENO, F.S. ''Vocabulário tupi-guarani português''. 3ª edição. São Paulo, Brasilivros, 1984. DAUZAT, A. ''Les noms de lieux''. 1ª edição. Paris: Librairie Delagrave, 1937. DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. Seção 1, p. 15.750, 23 de outubro de 1943. IBGE CIDADES: <u>''www.cidade.ibge.gov.br''</u> MOORE, L. et al. Chronic Trauma, (Post)Colonial Chronotopes and Palestinian Lives: Omar Robert Hamilton’s Though I Know the River is Dry. In: WARD, Abigail. ''Postcolonial traumas'' – memory, narrative, resistance. 1ª edição. New York: Palgrave Macmillan, 2015, pp.14-29. NAVARRO, E. A. ''Dicionário de tupi antigo'' – A língua indígena clássica do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Global Editora, 2019. SAMPAIO, T. ''O tupi na geografia nacional''. 4ª edição. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1987. STEWART, G.R. A classification of place names. ''Names'', New York, vol. 2, n. 1, pp. 1-13, 1954. STRADELLI, E. ''Vocabulário português-nheengatu, nheengatu-português''. 1ª edição. São Paulo, Ateliê Editorial, 2014. URAZMETOVA, A.V. et al. Principles of Place Names Classifications. ''XLinguae''. Bashkir, Vol. 10, n. 4, 2017. Disponível em: <u>''http://www.xlinguae.eu''</u>. Acesso em 10 de abril de 2020. VOGEL, V.J. ''Indian names on Wisconsin’s map''. 1ª edição. Madison: The University of Wisconsin Press, 1991.<noinclude> {{left|[[File:DOI logo.svg|40px]] http://dx.doi.org/10.35572/rlr.v9i2.1700}} {{right|267}}</noinclude> s5o61ps7pnw682k0snxotvmbv8vsmr7 Predefinição:Progressos recentes 10 220893 566374 566362 2026-10-20T13:00:12Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 566374 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|94|6|0|0}} | [[Index:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|A toponímia indígena artificial no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|58|0|0|0|4|38}} | [[Index:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf|Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |- | {{Barra de progresso|66|0|4|0|1|29}} | [[Index:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf|Constituição do Brasil de 1937]] |- | {{Barra de progresso|1|0|6|0|2|91}} | [[Index:Contrastes e confrontos.pdf|Contrastes e Confrontos]] |- | {{Barra de progresso|46|2|22|4|2|24}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|1|0|0|0|3|96}} | [[Index:Gallica’s Nippo Jisho.pdf|Vocabvlario da Lingoa de Iapam]] |- | {{Barra de progresso|0|0|7|0|0|93}} | [[Index:Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça, por Bernardim Rybeiro agora de novo estampada e com summa deligencia emendada]] |- | {{Barra de progresso|0|0|56|6|5|33}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|6|0|24|1|2|67}} | [[Index:O Selvagem (Senado Federal).pdf|O Selvagem]] |- | {{Barra de progresso|4|0|59|1|5|31}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> 6f5br96ccfgydwjqvytnge30l7svgh2 566388 566374 2026-10-20T15:00:14Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 566388 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|94|6|0|0}} | [[Index:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|A toponímia indígena artificial no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|58|0|0|0|4|38}} | [[Index:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf|Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |- | {{Barra de progresso|66|0|4|0|1|29}} | [[Index:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf|Constituição do Brasil de 1937]] |- | {{Barra de progresso|1|0|6|0|2|91}} | [[Index:Contrastes e confrontos.pdf|Contrastes e Confrontos]] |- | {{Barra de progresso|46|2|23|4|2|23}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|1|0|0|0|3|96}} | [[Index:Gallica’s Nippo Jisho.pdf|Vocabvlario da Lingoa de Iapam]] |- | {{Barra de progresso|0|0|7|0|0|93}} | [[Index:Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça, por Bernardim Rybeiro agora de novo estampada e com summa deligencia emendada]] |- | {{Barra de progresso|0|0|56|6|5|33}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|6|0|24|1|2|67}} | [[Index:O Selvagem (Senado Federal).pdf|O Selvagem]] |- | {{Barra de progresso|4|0|59|1|5|31}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> jn1kkpqezzv5srenkl3wg5gyzc4y98h 566400 566388 2026-10-20T18:00:15Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 566400 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|94|6|0|0}} | [[Index:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|A toponímia indígena artificial no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|59|0|0|0|4|37}} | [[Index:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf|Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |- | {{Barra de progresso|69|0|4|0|1|26}} | [[Index:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf|Constituição do Brasil de 1937]] |- | {{Barra de progresso|1|0|6|0|2|91}} | [[Index:Contrastes e confrontos.pdf|Contrastes e Confrontos]] |- | {{Barra de progresso|46|2|23|4|2|23}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|1|0|0|0|3|96}} | [[Index:Gallica’s Nippo Jisho.pdf|Vocabvlario da Lingoa de Iapam]] |- | {{Barra de progresso|0|0|7|0|0|93}} | [[Index:Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça, por Bernardim Rybeiro agora de novo estampada e com summa deligencia emendada]] |- | {{Barra de progresso|0|0|56|6|5|33}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|6|0|24|1|2|67}} | [[Index:O Selvagem (Senado Federal).pdf|O Selvagem]] |- | {{Barra de progresso|4|0|59|1|5|31}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> cv6a3dk34ah6wp17q0t3dtiuxdb4b7z 566417 566400 2026-10-20T19:00:13Z AlbeROBOT 35938 bot: Atualizando progressos 566417 wikitext text/x-wiki <templatestyles src='Progressos recentes/styles.css' /> {| |- | {{Barra de progresso|0|0|0|100|0|0}} | [[Index:A toponímia indígena artificial no Brasil.pdf|A toponímia indígena artificial no Brasil]] |- | {{Barra de progresso|59|0|0|0|4|37}} | [[Index:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf|Biographia de Gervasio Pires Ferreira]] |- | {{Barra de progresso|69|0|4|0|1|26}} | [[Index:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf|Constituição do Brasil de 1937]] |- | {{Barra de progresso|1|0|6|0|2|91}} | [[Index:Contrastes e confrontos.pdf|Contrastes e Confrontos]] |- | {{Barra de progresso|46|2|23|4|2|23}} | [[Index:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf|Diccionario da Lingoa Portugueza]] |- | {{Barra de progresso|1|0|0|0|3|96}} | [[Index:Gallica’s Nippo Jisho.pdf|Vocabvlario da Lingoa de Iapam]] |- | {{Barra de progresso|0|0|7|0|0|93}} | [[Index:Hystoria de Menina e Moça.pdf|Hystoria de Menina e Moça, por Bernardim Rybeiro agora de novo estampada e com summa deligencia emendada]] |- | {{Barra de progresso|0|0|56|6|5|33}} | [[Index:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf|A Volta do Mundo em Oitenta Dias]] |- | {{Barra de progresso|6|0|24|1|2|67}} | [[Index:O Selvagem (Senado Federal).pdf|O Selvagem]] |- | {{Barra de progresso|4|0|59|1|5|31}} | [[Index:Urupês 1918 (ed.3, 4º milheiro).pdf|Urupês]] |}<noinclude>{{documentação}}</noinclude> k2xxmmkyryy1pye0tmnp4gpj82fjx3m Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/634 106 259220 566381 566371 2026-10-20T13:34:55Z MLReis 41056 566381 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|426|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Os Santos no meio das tribulações e tormentos arrebentão em palavras gracioſas, não leves, mas animoſas e graves. Das paixões e dos meſmos actos violentos. Fr. Th. de Jes. Tr. 1, 3, 79 Todo tempo, que era neceſſário eſperar, e deſprezar a fúria de amor, que deſejava arrebentar, lhe dava mui grande trabalho. Lob. Condeſt. 1, 20 A morte eſte temor lhe repreſenta, e a voz dentro no peito lhe arrebenta. Tell. Chr. 2, 6, 39, n. 7 Diſſimulou [o Emperador] a paixão, que lhe arrebentava fora. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar.}} {{catgram|v.}} {{Def|Ser fortemente penetrado de alguma paixão.}} Reg. com ou de. Cruz, Poſf. Eleg. 6 Huma vez me perturbo, outra me indigno, Outra com puras mágoas arrebento. Feo, Tr. 1, 187, 3 Foram eſtas palavras de Chriſto tão brandas, que os corações dos que as ouvirão, começarão a arrebentar de ſaudades e triſteza. Sous. Hiſt. 1, 1, 1 Raivem e arrebentem de fúria. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Ser moleſtado de algum mal ou incommodo, ſenti-lo gravemente.}} Reg. de. Sous. Hiſt. 3, 4, 16 Os povos arrebentão de opprimidos e apertados. Luz, Tr. do Deſej. 6, 3 Bem pôde o leão eſtar arrebentando de fome, não hajais medo, que coma herva. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Ter ancia ou deſejo efficaz de alguma couſa.}} Reg. de ou por. Gil Vic. Obr. 1, 28 Toda mora eu arrebento Pola tua maridança. Per. d'Afons. Poder. 13, 234 De preſumidos arrebentão os fidalgos. D. F. Man. Cart. 3, 21 Não ſei que por cá arrebente ninguem de contente. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar,}} abs. ou {{lema|Arrebentar em flor.}} {{Def|Do mar e das ſuas ondas.}} Albuq. Comm. 1, 14 Por ſer coſta brava arrebentava [o mar] muito em terra. Mend. Pint. Peregr. 61 Como a cerração da noite era muito grande, e o eſcarceo arrebentava todo em flor, não enxergou o baixo. Luc. Vid. 5, 20 As agoas, que arrebentando em flor, de dia erão da cor de pez, feias e eſcuras &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|A muito arrebentar}} ou {{lema|quando muito arrebentar.}} {{Def|Locução fam. que val o meſmo que quando muito, ao mais.}} Feo, Tr. 2, 147, 5 Se vos parece inſuſtentavel huma vida penoſa, que quando muito arrebentar, durará cento e vinte annos, os quaes a reſpeito da eternidade não valem por hum momento, como vos atreveis com tormentos eternos? </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar.}} {{Def|Abrir-ſe a poſtema, tumor, &c. ou naturalmente por ſi, ou por virtude de remedio, ſem ſer com inſtrumento.}} Brit. Chr. 6, 36 Tanto que a bebeo [a agoa] arrebentou a poſtema, e lançando muita copia de materia pela bocca, ficou ſão da enfermidade. Sous. Hiſt. 3, 2, 4 Lavado com agoa de roſas e poſtas outras em cima [do lobinho] veio a arrebentar. Brand. Mon. 4, 15, 10 No proprio inſtante arrebentou huma poſtema ao doente, com que ficou ſão, e livre do mal, que padecia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Lançar rebentões, olhos, pimpolhos, folhas, flores, &c.}} Das arvores, plantas, ſementes, &c. Lob. Ecl. 1 O grão, que na varzea creſce, Com a humidade arrebenta. Sant. Ethiop. 1, 1, 4 Se lhe cortão hum ramo, e o deitão na agoa, em eſpaço de doze horas arrebenta. A. de Vaſconc. Anj. 2, 6, 2, part. 7, n. 80 Tinha promettido [Deos] que a vara prenderia e arrebentaria; mas vede quantas couſas accreſcentou: prendeu, arrebentou, lançou ramos, cobrio-ſe de flores e de amendoas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Dos meſmos rebentões, pimpolhos, olhos, folhas, &c. quando brotão ou naſcem.}} Leon. da Coſt. Ecl. 7, 29 Já vem o ardente eſtio: já no ramo Alegre os olhos vem arrebentando. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} Cay. Gloſs. Tão pouco o bem permanece, Que ſe o deſcanſo floreſce, Logo o trabalho arrebenta. Calv. Defens. 4, 13 Só [os deſgoſtos] que procedem e arrebentão deſta amargoſa raiz, nunca ſe acabão. Sous. Hiſt. 2, 5, 9 Vierão a arrebentar todos [os achaques] com a malignidade do eclipſe. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar em alguma couſa.}} {{Def|Ir dar ou a parar nella.}} Goes, Chr. do Princ. 8 E lhe fez grandes offerecimentos, que todos arrebentarão em falſidades e enganos. Hiſt. Trag. Marit. 2, 64 Começarão a experimentar a fúria daquelles mares, arrebentando todos eſtes vagares em huma tormenta deſfeita. Sous. Hiſt. 3, 6, 10 E em fim arrebentarão [os ares] em hum temeroſo accidente de febres malignas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentarem os beiços, a cara}} ou qualquer outra parte do corpo. {{Def|Diz-ſe quando alli naſce alguma borbulha ou couſa ſemelhante.}} Sous. Hiſt. 3, 2, 17 Franciſca das Chagas teve os narizes inchados e arrebentados. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar.}} {{Def|Brotar, naſcer, ſahir com impeto.}} Das fontes. Reg. abs. de ou em. Barr. Dec. 2, 4, 5 Alli arrebentava huma fonte de muita e boa agoa. Fernand. Palm. 3, 45 Vio huma pequena fonte, que de hum penedo arrebentava. Alão, Antig. Prol. Huma fermoſa fonte, que com grande quantidade de agoa arrebenta. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Saltar ou começar a correr com violencia.}} Do ſangue. Fr. Marc. Exerc. 9, 45 Por o exceſſivo trabalho arrebentou o ſuor de ſangue de todos os ſeus membros. Fr. Gaſp. da Cruz, Tr. 20, 5 São eſtes açoutes mui crueis, que o primeiro faz logo arrebentar o ſangue. Sous. Lagrim. 4 Creſce a dor reprimida, confrange-ſe a ſagrada humanidade, reconhecendo a ſua fraqueza, arrebenta o ſangue em rios. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Soltar-ſe copioſamente e com grande força.}} Das lagrimas, ſoluços, ſuſpiros, &c. Mor. Palm. 2, 166 Não teve tanta força o ſeu coração robuſto e forte, que delle não arrebentaſſem ſoluços e lagrimas. Calv. Homil. 1, 321 E não ſe cuide, que arrebentando-lhe as lagrimas de ſeus olhos &c. Sous. Lagrim. 4 Morrem por arrebentar, como em mina, ſuſpiros repreſados. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar em alguma couſa.}} {{Def|Lançá-la ou deſpedil-a de dentro de ſi com vehemencia.}} Barreiros, Chorogr. 12 A qual he couſa mui uſada acerca dos rios, ou porque a natureza ſe ſerve daquellas agoas, tomando dellas alguma parte, pera em outras arrebentar em fontes ou em rios &c. Mend. Pint. Peregr. 96 E arrebentando a terra em borbulhões de agoa, ſe ſubverteo toda a cidade. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar.}} {{Def|Apparecer ou ſahir de algum lugar ſubita e ineſperadamente.}} Das peſſoas e animaes. Gavi, Cerc. 18, 91 O Alcaide, ſentindo fraqueza nos ſeus, arrebentou da cilada, onde eſtava, com ſuas bandeiras, e trezentos de cavallo mais. Cout. Dec. 5, 4, 9 E arrebentando Simão Furtado pela cava fora, deo nos inimigos, como hum raio. Caſtr. Ulyſs. 7, 30 Hum veado arrebenta, que &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met. Das couſas.}} Tell. Hiſt. 4, 30, 381 E ainda he muito mais prejudicial eſte vicio [a inveja] quando arrebenta do peito daquelles, que &c. Ces. Summ. 2, 5 Se na Religião ſe admitte novidade, em continente arrebenta hum ſeminario de tumultos civis. Barret. Eneid. 1, 21 E da prizão eſcura arrebentando Soltos os ventos vão varrendo a terra. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|Arrebentar o diabo.}} {{Def|Fras. vulg. Beber huma vez de vinho depois de dar graças.}} Blut. Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREBIQUE.}} {{catgram|s. m.}} Vej. Arrabique. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREBITAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Voltar ou revirar a ponta de alguma couſa.}} Blut. Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREBOL.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Poet. e pouc. uf. Côr vermelha, que tomão as nuvens oppoſtas ao Sol, o que de ordinario ſuccede quando eſte naſce ou ſe põe.}} Caſtr. Ulyſs. 8, 162 Já neſte tempo o Sol, que ao mar guiava O ſeu carro de fogo, aos horizontes De varios arrebois de luz bordava, E a noite dece dos ceruleos montes. Acad. dos Sing. 1, 5, Decim. O tyranno amor, que impedes De hum e outro Sol o arrebol. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> O meſmo que Arrabique. Jer. Cardos. Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREBOLADO, A.}} {{catgram|adj.}} {{Def|pouc. uf. Que tem arrebol, ou de côr de arrebol.}} Applicaſe às nuvens. F. de Mendoç. Serm. III, 409, 13 E qual o Sol enveſtindo com ſeus raios em huma nuvem fronteira, a torna toda dourada, e eſmaltada, e arrebolada, hum pino de ouro; tal aquella alma ſacratiſſima &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREBUNHAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Arranhar.}} Jer. Cardos. Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREBURRINHO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Certo jogo de rapazes.}} Blut. Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECABE.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Corda curta, que os peſcadores de rede de arraſtar cingem à cintura, como cordão de Frade, com que, dando huma volta na corda da rede, puxão por ella, andando de coſtas para traz.}} Blut. Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECADA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Brinco das orelhas, de que uſão, eſpecialmente as mulheres, por adorno.}} Paiv. Serm. 3, 24 Os filhos de Iſrael... para fazerem hum idolo, que adoraſſem, não ficou arrecada, que não tiraſſem, e não queimaſſem. Gouv. Jorn. 2, 3 Trazendo nella [venta] huma como arrecada d'ouro. Luc. Vid. 2, 7 Nas da briga ſahio o Gentio com huma orelha raſgada, levando-o o Mouro furioſamente pela arrecada della. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Pl. e aſſim ſe uſa mais frequentemente.}} Fernand. Palm. 3, 87 Com humas arrecadas, que nas orelhas pôs. Sottom. Ribeir. 4, 97 Conchinhas de varias cores, de que levavão nos braços manilhas, e nas orelhas arrecadas. Vieir. Serm. 1, 7, 2, col. 467 Trazidas as arrecadas, tomouas Arão. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Met. </p> |}<noinclude></noinclude> jk31u4tjeyityjdqkay7u7szfn2w6ok Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/141 106 259221 566372 2026-10-20T12:53:47Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 566372 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|135|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>de panno, de sandalias de palha ou de sócos de madeira com lavores, algumas mulheres pouco bonitas, com os olhos contraidos, o peito deprimido, os dentes ennegrecidos á moda do tempo, mas vestindo com elegancia o trajo nacional, o «kirimon», especie de ''chambre'' cingido por uma facha de seda formando na cintura, pelo lado de trás, um laço extravagante, — que as senhoras de hoje parecem ter imitado das japonezas. Passepartout passeou algumas horas pelo meio dʼesta multidāo de cores variegadas, contemplando as lojas curiosas e opulentas, os bazares onde se accumula toda a farfalhada da ourivesaria japoneza, as casas de pasto enfeitadas de bandeiras e flamulas, nas quaes lhe era prohibido entrar, e as lojas de chá onde se tomam chavenas cheias de agua quente odorifera, e bem assim, o «saki» licôr tirado, arroz fermentado, e essas commodas casas de fumo onde se saboreia um tabaco muito lino, e nāo opio, cujo uso é desconhecido no Japāo. Depois, Passepartout achou-se nos campos, em meio de immensos arrozaes. Ali, nāo em arbustos, mas em arvores, em meio de muitas outras especies de flores que rescendiam os seus derradeiros perfumes, viam-se brilhantes camelias, e dentro de cerrades de bambús, cresciam pereiras, cerejeiras e macieiras, que os indigenas cultivam mais por causa das flôres que dos fructos, os quaes sāo defendidos por meio de espantalhos e de ruinosos molinetes do bico dos pardaes, dos pombos, dos corvos e de outras aves vorazes. Nāo havia cedro magestoso que nāo abrigasse alguma grande aguia, nem salgueiro sob cuja folhagem se nāo occultasse alguma graça real, melancholicamente empoleirada nʼum pé; finalmente, por toda a parte abundavam as gralhas, os patos mansos e bravos, os gaviōes, e grande numero dʼessas cegonhas a que os japonezes chamam senhorias e que para elles symbolisam a longevidade e a ventura. Vagueando dʼeste modo, Passepartout descobria algumas violetas entre a relva. — Bom, disse elle, eis aqui a minha ceia. {{nop}}<noinclude></noinclude> 6h6zxxehxek3y83lfy0hgta88oe43bo Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/142 106 259222 566373 2026-10-20T12:58:28Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 566373 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|136|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>Mas, quando as collheu, nāo lhes achou nenhum perfume. — A sorte nāo me favorece, pensou elle. Era verdade que o excellente moço tinha, por previsāo, almoçado o mais copiosamente que podéra antes de desembarcar: mas, depois de um dia de passeio, sentia o estomago muito vasio. Observára effectivamente que nos açougues indigenas fallava carne de porco ou de carneiro, e como sabia que é um sacrilegio matar os bois, que sāo unicamente destinados á agricultura, concluira elle que no Japāo a carne é muito rara. Nāo se enganára; mas á falta de carne no açougue, o seu estomago dar-se-ia perfeitamente com algum naco de javali ou de gamo, com alguma perdiz ou codorniz, com algum pedaço de ave ou de peixe, de que os japonezes, conjuctamente com o arroz, se sustentam exclusivamente. Mas teve de se resignar á sorte, e guardar para o dia seguinte a tarefa de prover ao seu sustento. A noite sobreveiu. Passepartont tornou a entrar na cidade indigena, e divagou pelas ruas no meio de lanternas maticores, e contemplou os diversos grupos de volantins que executavam os seus prodigiosos exercicios, e varios astrologos que, ao livre, reuniam a multidāo em volta do seu oculo Em seguida voltou para o ancoradouro, illuminado pelos fogos dos pescadores, que attraiam o peixe ao clarāo de pedaços de resina inflammados. A final as ruas despovoaram-se. Á multidão succederam as rondas dos yakounines. Estes officiaes, com os seus trajos magnificos e no meio de luzido acompanhamento, pareciam embaixadores, e Passepartout repetia em tom de gracejo, cada vez que encontrava alguma das deslumbrantes patrulhas: — Ainda bem! mais una embaixada japoneza que parte para a Europa. {{nop}}<noinclude></noinclude> s9ooyvv9hrhyafana2wpf4yoatkzgdh Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/635 106 259223 566375 2026-10-20T13:15:02Z MLReis 41056 /* Revista */ Transcrição revista com confronto do fac-símile; corrigido OCR. 566375 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />427</noinclude> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td></tr></table> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;vertical-align:top">Mct. FERR. DE VASC. Ulyſs. 1, 1 Simplicidade de coração, e obediencia de amor ſão arrecadas, que fazem a mulher fermoſa e amada. Arrecadas. Anat. MADEIR. Meth. 1, 19, 5 A folha he a modo de hera, mas mui branda e quaſi parece hum coração com ſuas arrecadas ou farcilhos. {{lema|ARRECADAÇÃO}}. {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção, e effeito de arrecadar.}} BLUT. Vocab. {{Def|Cobrança de tributo, renda, divida, &c.}} BARR. Dec. 1, 4, 8 Entre alguns officiaes da arrecadação dos direitos del Rei, que vierão com elle. MEND. PINT. Peregr. 112 E pera arrecadação deſtas rendas ha homens poſtos pela Cidade, a que ſe dão por iſſo bons ordenados. Sous. Vid. 1, 13 A arrecadação das rendas mettida em mão de peſſoa de conſciencia. {{Def|Documento ou livro, por onde conſta que ſe arrecadou ou cobrou algum direito, tributo ou renda.}} Pin. Chr. de D. Din. 1 Que foi na era de mil trezentos e tres annos, ſe acha por certa arrecadação da deſpeza do theſouro del Rei. ALBUQ. Comm. 2, 2 E os que a guardarem e acompanharem em todos os trabalhos e fortunas, como mui bons e leaes cavalleiros, acharão ſuas arrecadações em branco, ſem lhes ſerem carregadas ſuas quintaladas. Certidão, bilhete ou qualquer outro documento, por onde conſta que ſe arrecadárão e cobrárão os direitos, que ſe devião. REGIM. DA FAZEND. 239, 103 Levando diſſo ſuas arrecadações dos ditos officiaes, em que lhe dêem fé das mercadorias quantas ſão, &c. GUERREIR. Rel. 4, 1, 19 Com tudo tirou arrecadação delles [direitos] das mãos dos Eunuchos. CEIT. Serm. 1, 306 Porém ſe vai ſão, e leva ſua arrecadação bem regiſtada, &c. A Verb. Dar... RODRIG. D'OLIV. Summar. 50. Pôr alg. c. em boa... FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 26, 5. Poſto em... Sous. COUTINH. Cerc. 1, 14. {{lema|ARRECADADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrecadar.}} MEND. PINT. Peregr. 35. HEIT. PINT. Dial. 1, 6, 1. Sous. Hiſt. 1, 1, 2. {{Def|Uſaſe como adj. Prezo, guardado debaixo de priſão.}} FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 1, 43 Amigos, mandai-me a meu Senhor o Meſtre, bem prezo e arrecadado, e não me queirais matar ſem porque. ORDEN. DE D. MAN. 1, 27 E buſcar em cada hum dia duas vezes os prezos das priſões pera ver ſe ſão bem prezos e arrecadados. HIST. TRAG. MARIT. 1, 215 Com me deixarem no ſeu batel arrecadado, que não fugiſſe. {{Def|Parco, economico.}} D. F. MAN. Mus. 60. Cans. de Euterp. Ecl. 1 Arrecadada, guardoſa, De Comadres quanto menos, Nem migalha de guloſa. SALGAD. Theatr. 1, 2 Que como he ſoldado, Não he muito arrecadado, Pouco adquire e muito gaſta. {{lema|ARRECADADOR}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O que arrecada.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 45 Ou ſabendo que ſe levão [maiores direitos] por ſeus feitores ou arrecadadores, &c. ANDRAD. Chr. 4, 114 Entregarião logo todas as terras de Concão para o Viſo-Rei as prover de Capitães, e arrecadadores. FEO, Tr. 1, 240, 1 E ainda mal, porque os Senhores do mundo pera arrecadadores dos tributos buſcam os peor inclinados, que eſfolão melhor os povos pera que o theſouro publico fique ſendo hum covil de roubos. {{lema|ARRECADAMENTO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O meſmo que Arrecadação.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 29 As ditas peſſoas lhe impedem ſeu arrecadamento. REGIM. DA FAZEND. 3, 1 Irão os ditos Veadores da fazenda, ſerão mui diligentes, e com mui grande cuidado proverão ſempre no arrecadamento de todas noſſas rendas por ſuas peſſoas. {{lema|ARRECADAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Guardar.}} CAMP. Receb. 91 Que o vio eſtar no chão [hum botão d'ouro] e o fez arrecadar. HIST. TRAG. MARIT. 1, 183 Mandou logo arrecadar os mantimentos todos juntos, que alli havia. {{Def|Prender.}} Sous. Lagrim. 6 E ſoou huma voz do maldito traidor, que o arrecadaſſem bem. {{Def|Met.}} FEO, Tr. 2, 84, 3 Moſtrou que mais poderoſas erão as cadeias do céo, com que elle arrecadava as almas, do que erão efficazes as dos Judeos pera prenderem os corpos. {{Def|Cobrar, receber as rendas, tributos, &c.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 19 As quaes malfeitorias ſe hão arrecadar em treſdobro pera a dita arca da piedade. MEND. PINT. Peregr. 43 Vindo elle na meſma não pera beneficiar, e arrecadar o ſeu frete. Sous. Hiſt. 1, 1, 25 (Eſcritur. de 1292) Eſtabelecemos e confirmamos por noſſo legitimo procurador, Fr. Fernando Fruit[u]oſo, portador deſta noſſa procuração, pera arrecadar aquelle herdamento.</td><td style="width:50%;vertical-align:top">Met. Fr. MARC. Chr. 1, 2, 52 E ſaibão todos que onde quer, e como quer que o homem morre em peccado ſem ſatiſfação, podendo ſatiſfazer antes da morte, o diabo arrecada ſua alma do corpo. M. BERN. Luz. Cal. 2, 4, 363 A natureza arrecada furtivamente com huma mão, o que liberalmente tinha dado com outra. {{Def|Conſeguir, alcançar.}} SA' DE MIR. Eſtrang. 5, 58 Em fim tantas vezes fui lá, até que arrecadei. MOR. Palm. 1, 15 Do que os outros hião eſpantados e triſtes, pelo muito tempo, que havia que de Conſtantinopla ſahirão, e pouco que em ſua viagem arrecadavão. Feo, Tr. 1, 5, 1 Quem quizer arrecadar ſua ſalvação, e negocia com Deos. Arrecadar feitos. Forens. FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 2, 202 E muito mais pouco ſe vieſſem arrecadar ſeus feitos à Corte. T. da Caça. FERNAND. FERR. Art. 3, 7 Depois que o falcão haja hum pouco voado, e açoutado com ellas [aves], ſe dê rol perto d'agoa, e de comer; ainda que não arrecade. {{Def|Tardar e, ou mas arrecadar.}} Fras. proverb. que denota ſe conſeguio o que ſe queria, ainda que com trabalho. Feo, Tr. 1, 152, 4. D. F. MAN. Cart. 1, 146. M. BERN. Floreſt. 3, 3, 26, B. Adag. Não tarda quem arrecada. Vieir. Cart. 2; O que tarda, arrecada. DELIC. Adag. 77. Quem tarda, arrecada. DELIC. Adag. 57. Tarde madruguei; mas bem arrecadei. DELIC. Adag. 58. {{lema|ARREÇAGA}}. {{catgram|s. f. antiq.}} {{Def|O meſmo que Reçaga.}} Leão, Chr. de D. Aff. V, 58 Vendo iſto o Arcebiſpo de Toledo, e o Conde de Monſanto, que hião na arreçaga, abalárão logo com toda ſua gente. {{lema|ARRECEADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrecear.}} A. GALV. Tr. 18. CORT. R. Nauſt. 1, 2. Par. Elegiad. 1, 14. {{lema|ARRECEAR}}. {{catgram|v. a. e n. e com pron. peſs. ant.}} {{Def|O meſmo que Recear, e he como hoje ſe diz.}} GOES, Chr. do Princ. 71 E o mais de arrecear era eſtarem os negocios del Rei Dom Affonſo em eſtado, que, &c. PAIV. Serm. 3, 17 Porque quanto a dureza delles [Iſraelitas] ſe podia arrecear mais da ira de Deos, tanto tinha mais neceſſidade de ſeu amparo. CAM. Lus. 1, 34 Aſſi que hum pela infamia, que arrecea, &c. Adag. O bom pagador não arreceia pena. DELIC. Adag. 69. {{lema|ARRECEIO}}. {{catgram|s. m. ant.}} {{Def|O meſmo que Receio, e he como hoje ſe diz. (Arreceo)}} SA' DE MIR. Eſtrang. 1, 45 Grandes arreceos trazes a eſta tua vida. Sous. COUTINH. Cerc. 2, 6, 42 Com tão pouca guarda e arreceo. A. GALV. Tr. 23 E com grande arreceo chegarão às Antilhas. {{lema|ARRECEOSAMENTE}};; {{catgram|adv. mod. ant.}} {{Def|O meſmo que Receoſamente.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. {{lema|ARRECEOSO, A}}. {{catgram|adj. ant.}} {{Def|O meſmo que Receoſo, e he como hoje ſe diz.}} PAIV. Serm. 3, 109 Muita mais he a gente, que ſe agora perde de confiada, que de arreceoſa. CAM. Lus. 3, 66 Mas qual no mez de Maio o bravo touro; C'os ciumes da vacca arreceoſos, Sentindo gente o bruto e cego amante, Saltea o deſcuidado caminhante. MEND. PINT. Peregr. 8 Nos arreceoſos de nos acontecer alli outro caſo ſemelhante ao paſſado, nos partimos logo dalli. {{lema|ARRECIFE}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Penhaſco ou eſcolho nas coſtas do mar, cujo fundo não he inteiramente de areia, porem parte delle de rocha viva. Do Arab. Racif, ſegundo o P. Guadix, ou Razif, ſegundo João Lopes de Velaſco, citados ambos por Covarrubias, e tanto huma como outra voz ſignifica calçada.}} ALBUQ. Comm. 4, 7 Eſte porto de Juda he cercado de arrecifes de pedra à maneira de ilhas. MEND. PINT. Peregr. 57 Neſte tempo acabou o noſſo junco de aſſentar ſobre a eſtacada das pequenas peſqueiras, que eſtavão junto do arrecife. BRIT. Mon. 2, 7, c. 25 Lugar fortificado da propria natureza em hum arrecife pendente ſobre o rio Tavora. {{lema|ARRECOVA}}. {{catgram|s. f. antiq.}} {{Def|O meſmo que Recova.}} Pin. Chr. de D. Aff. III, 8 Ivos, e leixai eſſas arrecovas. {{lema|ARREDADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arredar.}} BERNARD. RIB. Menin. 1, 12. ORDEN. DE D. MAN. 2, 29. BARR. Dec. 1, 9, 3. {{Def|Teſtemunha arredada.}} ESTAÇ. Antig. 73, 16 Como que eſta [verdade] ſe confirmaſſe e autorizaſſe com teſtemunhas arredadas, como cá dizemos. {{lema|ARREDAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Afaſtar, deſviar, apartar, ſeparar.}} MEMOR. DAS PROUZ. 1, 24 A eſte tempo via Samuntino</td></tr></table><noinclude></noinclude> evppzwiqpbpzgcje9qyr1zp9wlhfkv9 566376 566375 2026-10-20T13:19:33Z MLReis 41056 566376 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />427</noinclude> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td></tr></table> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;vertical-align:top">Mct. FERR. DE VASC. Ulyſs. 1, 1 Simplicidade de coração, e obediencia de amor ſão arrecadas, que fazem a mulher fermoſa e amada. Arrecadas. Anat. MADEIR. Meth. 1, 19, 5 A folha he a modo de hera, mas mui branda e quaſi parece hum coração com ſuas arrecadas ou farcilhos. {{lema|ARRECADAÇÃO}}. {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção, e effeito de arrecadar.}} BLUT. Vocab. {{Def|Cobrança de tributo, renda, divida, &c.}} BARR. Dec. 1, 4, 8 Entre alguns officiaes da arrecadação dos direitos del Rei, que vierão com elle. MEND. PINT. Peregr. 112 E pera arrecadação deſtas rendas ha homens poſtos pela Cidade, a que ſe dão por iſſo bons ordenados. Sous. Vid. 1, 13 A arrecadação das rendas mettida em mão de peſſoa de conſciencia. {{Def|Documento ou livro, por onde conſta que ſe arrecadou ou cobrou algum direito, tributo ou renda.}} Pin. Chr. de D. Din. 1 Que foi na era de mil trezentos e tres annos, ſe acha por certa arrecadação da deſpeza do theſouro del Rei. ALBUQ. Comm. 2, 2 E os que a guardarem e acompanharem em todos os trabalhos e fortunas, como mui bons e leaes cavalleiros, acharão ſuas arrecadações em branco, ſem lhes ſerem carregadas ſuas quintaladas. Certidão, bilhete ou qualquer outro documento, por onde conſta que ſe arrecadárão e cobrárão os direitos, que ſe devião. REGIM. DA FAZEND. 239, 103 Levando diſſo ſuas arrecadações dos ditos officiaes, em que lhe dêem fé das mercadorias quantas ſão, &c. GUERREIR. Rel. 4, 1, 19 Com tudo tirou arrecadação delles [direitos] das mãos dos Eunuchos. CEIT. Serm. 1, 306 Porém ſe vai ſão, e leva ſua arrecadação bem regiſtada, &c. A Verb. Dar... RODRIG. D'OLIV. Summar. 50. Pôr alg. c. em boa... FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 26, 5. Poſto em... Sous. COUTINH. Cerc. 1, 14. {{lema|ARRECADADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrecadar.}} MEND. PINT. Peregr. 35. HEIT. PINT. Dial. 1, 6, 1. Sous. Hiſt. 1, 1, 2. {{Def|Uſaſe como adj. Prezo, guardado debaixo de priſão.}} FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 1, 43 Amigos, mandai-me a meu Senhor o Meſtre, bem prezo e arrecadado, e não me queirais matar ſem porque. ORDEN. DE D. MAN. 1, 27 E buſcar em cada hum dia duas vezes os prezos das priſões pera ver ſe ſão bem prezos e arrecadados. HIST. TRAG. MARIT. 1, 215 Com me deixarem no ſeu batel arrecadado, que não fugiſſe. {{Def|Parco, economico.}} D. F. MAN. Mus. 60. Cans. de Euterp. Ecl. 1 Arrecadada, guardoſa, De Comadres quanto menos, Nem migalha de guloſa. SALGAD. Theatr. 1, 2 Que como he ſoldado, Não he muito arrecadado, Pouco adquire e muito gaſta. {{lema|ARRECADADOR}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O que arrecada.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 45 Ou ſabendo que ſe levão [maiores direitos] por ſeus feitores ou arrecadadores, &c. ANDRAD. Chr. 4, 114 Entregarião logo todas as terras de Concão para o Viſo-Rei as prover de Capitães, e arrecadadores. FEO, Tr. 1, 240, 1 E ainda mal, porque os Senhores do mundo pera arrecadadores dos tributos buſcam os peor inclinados, que eſfolão melhor os povos pera que o theſouro publico fique ſendo hum covil de roubos. {{lema|ARRECADAMENTO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O meſmo que Arrecadação.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 29 As ditas peſſoas lhe impedem ſeu arrecadamento. REGIM. DA FAZEND. 3, 1 Irão os ditos Veadores da fazenda, ſerão mui diligentes, e com mui grande cuidado proverão ſempre no arrecadamento de todas noſſas rendas por ſuas peſſoas. {{lema|ARRECADAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Guardar.}} CAMP. Receb. 91 Que o vio eſtar no chão [hum botão d'ouro] e o fez arrecadar. HIST. TRAG. MARIT. 1, 183 Mandou logo arrecadar os mantimentos todos juntos, que alli havia. {{Def|Prender.}} Sous. Lagrim. 6 E ſoou huma voz do maldito traidor, que o arrecadaſſem bem. {{Def|Met.}} FEO, Tr. 2, 84, 3 Moſtrou que mais poderoſas erão as cadeias do céo, com que elle arrecadava as almas, do que erão efficazes as dos Judeos pera prenderem os corpos. {{Def|Cobrar, receber as rendas, tributos, &c.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 19 As quaes malfeitorias ſe hão arrecadar em treſdobro pera a dita arca da piedade. MEND. PINT. Peregr. 43 Vindo elle na meſma não pera beneficiar, e arrecadar o ſeu frete. Sous. Hiſt. 1, 1, 25 (Eſcritur. de 1292) Eſtabelecemos e confirmamos por noſſo legitimo procurador, Fr. Fernando Fruit[u]oſo, portador deſta noſſa procuração, pera arrecadar aquelle herdamento.</td><td style="width:50%;vertical-align:top">Met. Fr. MARC. Chr. 1, 2, 52 E ſaibão todos que onde quer, e como quer que o homem morre em peccado ſem ſatiſfação, podendo ſatiſfazer antes da morte, o diabo arrecada ſua alma do corpo. M. BERN. Luz. Cal. 2, 4, 363 A natureza arrecada furtivamente com huma mão, o que liberalmente tinha dado com outra. {{Def|Conſeguir, alcançar.}} SA' DE MIR. Eſtrang. 5, 58 Em fim tantas vezes fui lá, até que arrecadei. MOR. Palm. 1, 15 Do que os outros hião eſpantados e triſtes, pelo muito tempo, que havia que de Conſtantinopla ſahirão, e pouco que em ſua viagem arrecadavão. Feo, Tr. 1, 5, 1 Quem quizer arrecadar ſua ſalvação, e negocia com Deos. Arrecadar feitos. Forens. FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 2, 202 E muito mais pouco ſe vieſſem arrecadar ſeus feitos à Corte. T. da Caça. FERNAND. FERR. Art. 3, 7 Depois que o falcão haja hum pouco voado, e açoutado com ellas [aves], ſe dê rol perto d'agoa, e de comer; ainda que não arrecade. {{Def|Tardar e, ou mas arrecadar.}} Fras. proverb. que denota ſe conſeguio o que ſe queria, ainda que com trabalho. Feo, Tr. 1, 152, 4. D. F. MAN. Cart. 1, 146. M. BERN. Floreſt. 3, 3, 26, B. Adag. Não tarda quem arrecada. Vieir. Cart. 2; O que tarda, arrecada. DELIC. Adag. 77. Quem tarda, arrecada. DELIC. Adag. 57. Tarde madruguei; mas bem arrecadei. DELIC. Adag. 58. {{lema|ARREÇAGA}}. {{catgram|s. f.}} {{Uso|antiq}}. {{Def|O meſmo que Reçaga.}} Leão, Chr. de D. Aff. V, 58 Vendo iſto o Arcebiſpo de Toledo, e o Conde de Monſanto, que hião na arreçaga, abalárão logo com toda ſua gente. {{lema|ARRECEADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrecear.}} A. GALV. Tr. 18. CORT. R. Nauſt. 1, 2. Par. Elegiad. 1, 14. {{lema|ARRECEAR}}. {{catgram|v. a. e n. e com pron. peſs. ant.}} {{Def|O meſmo que Recear, e he como hoje ſe diz.}} GOES, Chr. do Princ. 71 E o mais de arrecear era eſtarem os negocios del Rei Dom Affonſo em eſtado, que, &c. PAIV. Serm. 3, 17 Porque quanto a dureza delles [Iſraelitas] ſe podia arrecear mais da ira de Deos, tanto tinha mais neceſſidade de ſeu amparo. CAM. Lus. 1, 34 Aſſi que hum pela infamia, que arrecea, &c. {{Uso|Adag}}. O bom pagador não arreceia pena. DELIC. Adag. 69. {{lema|ARRECEIO}}. {{catgram|s. m.}} {{Uso|ant.}} {{Def|O meſmo que Receio, e he como hoje ſe diz. (Arreceo)}} SA' DE MIR. Eſtrang. 1, 45 Grandes arreceos trazes a eſta tua vida. Sous. COUTINH. Cerc. 2, 6, 42 Com tão pouca guarda e arreceo. A. GALV. Tr. 23 E com grande arreceo chegarão às Antilhas. {{lema|ARRECEOSAMENTE}};; {{catgram|adv. mod.}} {{Uso|ant.}} {{Def|O meſmo que Receoſamente.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. {{lema|ARRECEOSO, A}}. {{catgram|adj.}} {{Uso|ant}}. {{Def|O meſmo que Receoſo, e he como hoje ſe diz.}} PAIV. Serm. 3, 109 Muita mais he a gente, que ſe agora perde de confiada, que de arreceoſa. CAM. Lus. 3, 66 Mas qual no mez de Maio o bravo touro; C'os ciumes da vacca arreceoſos, Sentindo gente o bruto e cego amante, Saltea o deſcuidado caminhante. MEND. PINT. Peregr. 8 Nos arreceoſos de nos acontecer alli outro caſo ſemelhante ao paſſado, nos partimos logo dalli. {{lema|ARRECIFE}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Penhaſco ou eſcolho nas coſtas do mar, cujo fundo não he inteiramente de areia, porem parte delle de rocha viva. Do Arab. Racif, ſegundo o P. Guadix, ou Razif, ſegundo João Lopes de Velaſco, citados ambos por Covarrubias, e tanto huma como outra voz ſignifica calçada.}} ALBUQ. Comm. 4, 7 Eſte porto de Juda he cercado de arrecifes de pedra à maneira de ilhas. MEND. PINT. Peregr. 57 Neſte tempo acabou o noſſo junco de aſſentar ſobre a eſtacada das pequenas peſqueiras, que eſtavão junto do arrecife. BRIT. Mon. 2, 7, c. 25 Lugar fortificado da propria natureza em hum arrecife pendente ſobre o rio Tavora. {{lema|ARRECOVA}}. {{catgram|s. f.}} {{Uso|antiq}}. {{Def|O meſmo que Recova.}} Pin. Chr. de D. Aff. III, 8 Ivos, e leixai eſſas arrecovas. {{lema|ARREDADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arredar.}} BERNARD. RIB. Menin. 1, 12. ORDEN. DE D. MAN. 2, 29. BARR. Dec. 1, 9, 3. {{Def|Teſtemunha arredada.}} ESTAÇ. Antig. 73, 16 Como que eſta [verdade] ſe confirmaſſe e autorizaſſe com teſtemunhas arredadas, como cá dizemos. {{lema|ARREDAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Afaſtar, deſviar, apartar, ſeparar.}} MEMOR. DAS PROUZ. 1, 24 A eſte tempo via Samuntino</td></tr></table><noinclude></noinclude> 27tzbwf9r8ba732rlg6sh63qq4mulcs 566380 566376 2026-10-20T13:33:14Z MLReis 41056 566380 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|427|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Mct. FERR. DE VASC. Ulyſs. 1, 1 Simplicidade de coração, e obediencia de amor ſão arrecadas, que fazem a mulher fermoſa e amada. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Arrecadas. Anat. MADEIR. Meth. 1, 19, 5 A folha he a modo de hera, mas mui branda e quaſi parece hum coração com ſuas arrecadas ou farcilhos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECADAÇÃO}}. {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção, e effeito de arrecadar.}} BLUT. Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Cobrança de tributo, renda, divida, &c.}} BARR. Dec. 1, 4, 8 Entre alguns officiaes da arrecadação dos direitos del Rei, que vierão com elle. MEND. PINT. Peregr. 112 E pera arrecadação deſtas rendas ha homens poſtos pela Cidade, a que ſe dão por iſſo bons ordenados. Sous. Vid. 1, 13 A arrecadação das rendas mettida em mão de peſſoa de conſciencia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Documento ou livro, por onde conſta que ſe arrecadou ou cobrou algum direito, tributo ou renda.}} Pin. Chr. de D. Din. 1 Que foi na era de mil trezentos e tres annos, ſe acha por certa arrecadação da deſpeza do theſouro del Rei. ALBUQ. Comm. 2, 2 E os que a guardarem e acompanharem em todos os trabalhos e fortunas, como mui bons e leaes cavalleiros, acharão ſuas arrecadações em branco, ſem lhes ſerem carregadas ſuas quintaladas. Certidão, bilhete ou qualquer outro documento, por onde conſta que ſe arrecadárão e cobrárão os direitos, que ſe devião. REGIM. DA FAZEND. 239, 103 Levando diſſo ſuas arrecadações dos ditos officiaes, em que lhe dêem fé das mercadorias quantas ſão, &c. GUERREIR. Rel. 4, 1, 19 Com tudo tirou arrecadação delles [direitos] das mãos dos Eunuchos. CEIT. Serm. 1, 306 Porém ſe vai ſão, e leva ſua arrecadação bem regiſtada, &c. A Verb. Dar... RODRIG. D'OLIV. Summar. 50. Pôr alg. c. em boa... FR. GASP. DA CRUZ, Tr. 26, 5. Poſto em... Sous. COUTINH. Cerc. 1, 14. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECADADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrecadar.}} MEND. PINT. Peregr. 35. HEIT. PINT. Dial. 1, 6, 1. Sous. Hiſt. 1, 1, 2. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Uſaſe como adj. Prezo, guardado debaixo de priſão.}} FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 1, 43 Amigos, mandai-me a meu Senhor o Meſtre, bem prezo e arrecadado, e não me queirais matar ſem porque. ORDEN. DE D. MAN. 1, 27 E buſcar em cada hum dia duas vezes os prezos das priſões pera ver ſe ſão bem prezos e arrecadados. HIST. TRAG. MARIT. 1, 215 Com me deixarem no ſeu batel arrecadado, que não fugiſſe. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Parco, economico.}} D. F. MAN. Mus. 60. Cans. de Euterp. Ecl. 1 Arrecadada, guardoſa, De Comadres quanto menos, Nem migalha de guloſa. SALGAD. Theatr. 1, 2 Que como he ſoldado, Não he muito arrecadado, Pouco adquire e muito gaſta. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECADADOR}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O que arrecada.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 45 Ou ſabendo que ſe levão [maiores direitos] por ſeus feitores ou arrecadadores, &c. ANDRAD. Chr. 4, 114 Entregarião logo todas as terras de Concão para o Viſo-Rei as prover de Capitães, e arrecadadores. FEO, Tr. 1, 240, 1 E ainda mal, porque os Senhores do mundo pera arrecadadores dos tributos buſcam os peor inclinados, que eſfolão melhor os povos pera que o theſouro publico fique ſendo hum covil de roubos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECADAMENTO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O meſmo que Arrecadação.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 29 As ditas peſſoas lhe impedem ſeu arrecadamento. REGIM. DA FAZEND. 3, 1 Irão os ditos Veadores da fazenda, ſerão mui diligentes, e com mui grande cuidado proverão ſempre no arrecadamento de todas noſſas rendas por ſuas peſſoas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECADAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Guardar.}} CAMP. Receb. 91 Que o vio eſtar no chão [hum botão d'ouro] e o fez arrecadar. HIST. TRAG. MARIT. 1, 183 Mandou logo arrecadar os mantimentos todos juntos, que alli havia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Prender.}} Sous. Lagrim. 6 E ſoou huma voz do maldito traidor, que o arrecadaſſem bem. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} FEO, Tr. 2, 84, 3 Moſtrou que mais poderoſas erão as cadeias do céo, com que elle arrecadava as almas, do que erão efficazes as dos Judeos pera prenderem os corpos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Cobrar, receber as rendas, tributos, &c.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 19 As quaes malfeitorias ſe hão arrecadar em treſdobro pera a dita arca da piedade. MEND. PINT. Peregr. 43 Vindo elle na meſma não pera beneficiar, e arrecadar o ſeu frete. Sous. Hiſt. 1, 1, 25 (Eſcritur. de 1292) Eſtabelecemos e confirmamos por noſſo legitimo procurador, Fr. Fernando Fruit[u]oſo, portador deſta noſſa procuração, pera arrecadar aquelle herdamento. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Met. Fr. MARC. Chr. 1, 2, 52 E ſaibão todos que onde quer, e como quer que o homem morre em peccado ſem ſatiſfação, podendo ſatiſfazer antes da morte, o diabo arrecada ſua alma do corpo. M. BERN. Luz. Cal. 2, 4, 363 A natureza arrecada furtivamente com huma mão, o que liberalmente tinha dado com outra. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Conſeguir, alcançar.}} SA' DE MIR. Eſtrang. 5, 58 Em fim tantas vezes fui lá, até que arrecadei. MOR. Palm. 1, 15 Do que os outros hião eſpantados e triſtes, pelo muito tempo, que havia que de Conſtantinopla ſahirão, e pouco que em ſua viagem arrecadavão. Feo, Tr. 1, 5, 1 Quem quizer arrecadar ſua ſalvação, e negocia com Deos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Arrecadar feitos. Forens. FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 2, 202 E muito mais pouco ſe vieſſem arrecadar ſeus feitos à Corte. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> T. da Caça. FERNAND. FERR. Art. 3, 7 Depois que o falcão haja hum pouco voado, e açoutado com ellas [aves], ſe dê rol perto d'agoa, e de comer; ainda que não arrecade. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Tardar e, ou mas arrecadar.}} Fras. proverb. que denota ſe conſeguio o que ſe queria, ainda que com trabalho. Feo, Tr. 1, 152, 4. D. F. MAN. Cart. 1, 146. M. BERN. Floreſt. 3, 3, 26, B. Adag. Não tarda quem arrecada. Vieir. Cart. 2; O que tarda, arrecada. DELIC. Adag. 77. Quem tarda, arrecada. DELIC. Adag. 57. Tarde madruguei; mas bem arrecadei. DELIC. Adag. 58. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREÇAGA}}. {{catgram|s. f.}} {{Uso|antiq}}. {{Def|O meſmo que Reçaga.}} Leão, Chr. de D. Aff. V, 58 Vendo iſto o Arcebiſpo de Toledo, e o Conde de Monſanto, que hião na arreçaga, abalárão logo com toda ſua gente. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECEADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrecear.}} A. GALV. Tr. 18. CORT. R. Nauſt. 1, 2. Par. Elegiad. 1, 14. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECEAR}}. {{catgram|v. a. e n. e com pron. peſs. ant.}} {{Def|O meſmo que Recear, e he como hoje ſe diz.}} GOES, Chr. do Princ. 71 E o mais de arrecear era eſtarem os negocios del Rei Dom Affonſo em eſtado, que, &c. PAIV. Serm. 3, 17 Porque quanto a dureza delles [Iſraelitas] ſe podia arrecear mais da ira de Deos, tanto tinha mais neceſſidade de ſeu amparo. CAM. Lus. 1, 34 Aſſi que hum pela infamia, que arrecea, &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Uso|Adag}}. O bom pagador não arreceia pena. DELIC. Adag. 69. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECEIO}}. {{catgram|s. m.}} {{Uso|ant.}} {{Def|O meſmo que Receio, e he como hoje ſe diz. (Arreceo)}} SA' DE MIR. Eſtrang. 1, 45 Grandes arreceos trazes a eſta tua vida. Sous. COUTINH. Cerc. 2, 6, 42 Com tão pouca guarda e arreceo. A. GALV. Tr. 23 E com grande arreceo chegarão às Antilhas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECEOSAMENTE}}. {{catgram|adv. mod.}} {{Uso|ant.}} {{Def|O meſmo que Receoſamente.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECEOSO, A}}. {{catgram|adj.}} {{Uso|ant}}. {{Def|O meſmo que Receoſo, e he como hoje ſe diz.}} PAIV. Serm. 3, 109 Muita mais he a gente, que ſe agora perde de confiada, que de arreceoſa. CAM. Lus. 3, 66 Mas qual no mez de Maio o bravo touro; C'os ciumes da vacca arreceoſos, Sentindo gente o bruto e cego amante, Saltea o deſcuidado caminhante. MEND. PINT. Peregr. 8 Nos arreceoſos de nos acontecer alli outro caſo ſemelhante ao paſſado, nos partimos logo dalli. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECIFE}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Penhaſco ou eſcolho nas coſtas do mar, cujo fundo não he inteiramente de areia, porem parte delle de rocha viva. Do Arab. Racif, ſegundo o P. Guadix, ou Razif, ſegundo João Lopes de Velaſco, citados ambos por Covarrubias, e tanto huma como outra voz ſignifica calçada.}} ALBUQ. Comm. 4, 7 Eſte porto de Juda he cercado de arrecifes de pedra à maneira de ilhas. MEND. PINT. Peregr. 57 Neſte tempo acabou o noſſo junco de aſſentar ſobre a eſtacada das pequenas peſqueiras, que eſtavão junto do arrecife. BRIT. Mon. 2, 7, c. 25 Lugar fortificado da propria natureza em hum arrecife pendente ſobre o rio Tavora. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRECOVA}}. {{catgram|s. f.}} {{Uso|antiq}}. {{Def|O meſmo que Recova.}} Pin. Chr. de D. Aff. III, 8 Ivos, e leixai eſſas arrecovas. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arredar.}} BERNARD. RIB. Menin. 1, 12. ORDEN. DE D. MAN. 2, 29. BARR. Dec. 1, 9, 3. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Teſtemunha arredada.}} ESTAÇ. Antig. 73, 16 Como que eſta [verdade] ſe confirmaſſe e autorizaſſe com teſtemunhas arredadas, como cá dizemos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Afaſtar, deſviar, apartar, ſeparar.}} MEMOR. DAS PROUZ. 1, 24 A eſte tempo via Samuntino </p> |}<noinclude></noinclude> 94m9kyaw55nnphzdxw7tkndcdrsdsbl Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/636 106 259224 566377 2026-10-20T13:25:24Z MLReis 41056 /* Revista */ Transcrição revista com confronto do fac-símile; corrigido OCR. 566377 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />428</noinclude> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td></tr></table> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;vertical-align:top">no os filhos arredando o povo. CAM. Lus. 8, 79 Com elle parte aos caes, porque o arrede longe, quanto puder, dos regios Paços. A. da Cruz, Recop. 2, 3 E arredarão o pericraneo com as unhas ou com o ferro, lanção os meninos. BENT. Per. Thes. {{Def|Met.}} AZUK. Chr. 3, 19 Communmente as madres requerem aos padres, que arredem ſeus filhos dos trabalhos perigoſos. SA' DE MIR. Vilhalp. 4, 5 Eu queria arredar inconvenientes. ANDRAD. Inſtit. 91 E aſſim como mil couſas ha que podem. Hum Principe arredar do bom caminho. Aſſim lhe hão de moſtrar o que he contrario. {{Def|Neutr. Afaſtar-ſe, deſviar-ſe.}} F. ALV. Inform. 98 Vão diante delle quatro homens do azorrague, que fazem arredar a gente. {{Def|Met.}} Prov. da Hiſt. Gen. 3, 4, 138, p. 53 Quem eſtudioſo deſta Philoſophia arredará della? {{Def|Com pron. peſs.}} MOR. Palm. 1, 20 O outro ſe arredou agaſtado por não fazer ſua vontade; ALBUQ. Comm. 1, 15 E derão com hum canto no capacete de Affonſo d'Albuquerque, que logo cahio no chão maltratado, e nem por iſſo perdeu o ſentido de mandar à gente, que não ſe arredaſſe. MEND. PINT. Peregr. 85 Dalli bradavão à gente, que paſſava, que ſe arredaſſem de nós, porque eramos ladrões. {{Def|Arredar-ſe em algum lugar. Retirar-ſe a elle.}} D. CATH. Inf. Regr. 2, 2 Dá-ſe certo o Senhor avondoſamente aos que por ſeu amor ſe arredão em os deſertos. Adag. Lá te arreda ganho, não me dês perda. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 1, 6. HERN. NUNEZ, Refran. 62. Mettes os cães na mouta, e arredaſte à fóra. DELIC. Adag. 52. Quem arreda azo, arreda peccado. DELIC. Adag. 30. Quem mente ou quer ou quizer mentir, arrede teſtemunhas. Eufros. 1, 2. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 1, 8. AZEV. Correcç. 2, 3, 9, p. 83. {{lema|ARREDIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{Def|Apartado do rebanho. Diz-ſe das rezes. Applicaſe também aos que fogem da companhia dos amigos.}} BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ARREDO}}. {{catgram|adv.}} vulg. {{Def|Atraz ou para traz. Voz, de que ſe uſa para eſconjurar o demonio, ou afugentar algum mao agouro.}} D. F. MAN. Mus. 16. Tub. de Calliop. Son. 30 Arredo vá de nós o fêſtro agouro. {{lema|ARREDOMA}}. {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que Redoma, e he como hoje ſe diz.}} CASTANH. Hiſt. 3, 89. FERNAND. Palm. 3, 85. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 18. {{lema|ARREDONDA}}. {{catgram|adv.}} antiq. {{Def|O meſmo que Ao redor.}} Chr. do Condeſt. 51 Levantou-ſe hum corço no meio do arraial, e correu todo arredonda. {{lema|ARREDONDADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arredondar.}} M. BERN. Floreſt. 3, 7, 390, A. {{lema|ARREDONDAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Fazer redondo, dar a alguma couſa figura redonda.}} F. ALV. Inform. 12 E arredondão [o bolo] mui bem. ORT. Colloq. 15, 62 E Alguma [anella] he muito ruim, que ſe não arredondou bem. {{lema|ARREDOR}}. {{catgram|adv.}} {{Def|A' roda, em torno. Uſa-ſe às vezes antepondo-ſe-lhe a particula de, com a qual também ſe rege.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 29 Nos lugares, onde eſtivermos, e arredor cinco legoas. Cart. de Jap. 1, 259, 2 Que por cima de tudo iſto elle mandaria vir ſua gente dos lugares de arredor, que de dia e de noite vigiaſſem a Igreja. PINT. Per. Hiſt. 1, 9, 40 Por ſer huma força muito importante pera ter ſujeitas todas as povoações d'arredor. {{lema|ARREDORES}}. {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Contornos, lugares ou terrenos circunvizinhos de outros.}} MARIZ, Dial. 4, 15 Pelo que Affonſo de Albuquerque lhe tornou a fazer cruel guerra pelos arredores da cidade. BRIT. Mon. 1, 2, c. 6 Nenhum cidadão natural de Carthago, ſenão da ſua comarca e arredores. FEO, Tr. 1, 67, 1 Andando elle pregando nos arredores de Jeruſalem. {{Def|Circunferencias ou tudo o que ſe approxima em roda a alguma couſa.}} PINT. Per. Hiſt. 2, 48, 129 Forão afaſtando todos os arredores, onde ſe podião abrir minas. A. DA CRUZ, Recop. 2, 4 E eſtes emplaſtos ſe podem uſar ſobre a meſma eſcara, e nos arredores, ou nos arredores ſómente. {{Def|Fazer arredores.}} Fraſe, de que uſão as mulheres, quando, não caindo a caſa toda, caíão, quando muito, até meias paredes. BLUT. Vocab. Suppl.</td><td style="width:50%;vertical-align:top">{{lema|ARREDOUÇA}}. {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que Redouça, e he como hoje ſe diz.}} FERNAND. FERR. Art. Põe hum pão, que atão como arredouça, a modo dos em que ſe embalão os meninos. BENT. Per. Thes. {{lema|ARREEIRO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O que anda com beſtas de aluguer.}} (Arreeiro) D. G. COUTINH. Jorn. 131. Os arreeiros das caſillas fallavão variamente na quantidade da gente. D. F. MAN. Apol. 212 A vereda que os arreeiros não ſabem, mal a pôde achar aquelle que já mais... pizão as eſtradas. LISB. Jard. 72, 3 Bem podia ſer primeiro arreeiro, e depois melhorar-ſe a ovelheiro. {{lema|ARREFANHAR}}. {{catgram|v. a.}} vulg. {{Def|Tirar das mãos de outro com violencia.}} BLUT. Vocab. e diz ſer palavra da Beira. {{lema|ARREFEÇAR}}. {{catgram|v. n.}} antiq. Uſaſe com pron. peſs. VIT. CHRIST. 1, 150 E por ſe nom arrefeçar e aviltar a couſa, que nom pôde ſer eſtimada, quando he apreſſada ou por preço dada, &c. {{lema|ARREFECER}}. {{catgram|v. n.}} {{Def|Eſfriar, perder o calor.}} BARR. Dec. 1, 5, 7 Ante que arrefeceſſe o ſangue daquelles, que alli perecerão. PINT. Per. Hiſt. 1, 14, 62 Vendo que não arrefecia [o corpo] quaſi por demais começarão de o curar. Per. Elegiad. 7, 101 A iſto o Mouro pallido ſuſpira, E começando, a lingoa lhe arrefece. {{Def|Met. Afroxar.}} CASTANH. Hiſt. 7, 28 Depois que [Pero Maſcarenhas] arrefeceo da furia, que lhe cauſou a injuria, que recebeu. FR. MARC. Vid. 1, 3 E nem por muitas vezes vir, arrefeceo a caridade delles, antes creſceu mais. GUERREIR. Rel. 4, 3, 8 Pelo que foi arrefecendo o amor, que el Rei lhe tinha. {{Def|Arrefecer.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Fazer ou tornar frio, tirar o calor.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. Per. Thes. {{lema|ARREFECIDO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrefecer.}} FR. MARC. Vid. 5, 11. D. HILAR. Voz. 3, 10. CHAG. Obr. 2, 343. {{lema|ARREFECIMENTO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção e effeito de arrefecer.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. Per. Thes. {{Def|Met. Froxidão, tibieza.}} FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 1, 149 Deſhi todos cheos de arrefecimento de alguma eſperança, que &c. {{lema|ARREFEM}}. {{catgram|s. m.}} pouc. us. {{Def|O meſmo que Arrefens.}} MOR. Palm. 2, 112 Eu bem creio que a verdade do Turco ſe deve ter pelo melhor arrefem do mundo. {{lema|ARREFENS}}. {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Peſſoas, que entre inimigos, que tem guerra, reciprocamente ſe dão, como em caução para ſegurança da ſua mutua fidelidade. Do Arab. Arrhani. Deriva-ſe do verbo rahana, penhorar.}} RESEND. Chr. 67 Pera que logo deo filhos ſeus e outras peſſoas principaes por ſeus arrefens. GOES, Chr. de D. Man. 1, 58 Dados arrefens de huma e outra parte. Antiq. fem. SABEL. Eneid. 1, 6, 61 Deolhe as arrefens ao theſêro de ſua livre vontade. 2, 8, 123 A eſtas palavras tão amigaveis accrecentou obras com reſtituir ao povo Romão o campo Vejentano, e as arrefens, que lhe tinhão dado. {{Def|Caução ou penhor, que ſe dá para ſegurança de alguma couſa, que ſe empreſta ou vende fiada.}} GAVI, Cerc. 1, 4 Lhe deo os favos fiados ſobre dous arrefens. {{Def|Met.}} PAIV. Serm. 3, 37 Toda a gente Chriſtãa, a quem as adverſidades humanas fazem viver triſte e deſcontente, parece que injurião o Eſpirito Santo, e dão certa moſtra de quão pouco eſtimão os bens do ceo, ou quão pequeno caſo fazem de huns tão divinos arrefens, como he o Eſpirito Santo. {{lema|ARREFENTAR}}. {{catgram|v. a.}} ant. {{Def|Eſfriar, tirar o calor.}} Eufros. Prol. Que iſto não me deſcoze o fato, nem me aquenta, nem me arrefenta. FERR. de VASC. Ulyſſip. 6 Chamavão os Antigos [ao vinho] triaga grande, aquenta ao frio, arrefenta o quente, amollenta o ſecco, ſeca o humido. D. F. MAN. Cart. 2, 22 Entendimento ha cá da caſta da boca da rapoſa, de quem dizem as velhas... que aquenta e arrefenta. {{Def|Met.}} D. CATH. Inf. Regr. 2, 4 Por certo a lingua ſolta cega e enfuſca a mente, arrefenta o lume do eſpirito, ſecca a fonte das lagrimas, &c. {{lema|ARREGAÇADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arregaçar.}} CASTANH. Hiſt. 24. MEND. PINT. Peregr. 103. HIST. TRAG. MARIT. 1, 291. {{lema|ARREGAÇAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Apanhar ou levar acima o veſtido ou alguma parte delle para mais deſembaraço no andar ou no trabalho.}} JER. CARDOS. Dict. BENT. Per. Thes. {{Def|Arregaçar o braço ou os braços. Levantar ou puxar acima a manga ou as mangas da camiſa ou do veſtido, ficando hum dos braços ou ambos elles nus.}} MEND. PINT. Peregr. 91 E arregaçando o braço, nos moſtrou huma cruz, que nelle tinha eſculpida. LUZ. Serm. 1, 2, 2</td></tr></table><noinclude></noinclude> r4wfvr6wec8d36pg4ya0z49fmhz8bj0 566378 566377 2026-10-20T13:27:56Z MLReis 41056 Texto justificado nas duas colunas. 566378 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />428</noinclude> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td><td style="width:50%;text-align:center">A R R</td></tr></table> <table style="width:100%;border-collapse:collapse"><tr><td style="width:50%;vertical-align:top;text-align:justify">no os filhos arredando o povo. CAM. Lus. 8, 79 Com elle parte aos caes, porque o arrede longe, quanto puder, dos regios Paços. A. da Cruz, Recop. 2, 3 E arredarão o pericraneo com as unhas ou com o ferro, lanção os meninos. BENT. Per. Thes. {{Def|Met.}} AZUK. Chr. 3, 19 Communmente as madres requerem aos padres, que arredem ſeus filhos dos trabalhos perigoſos. SA' DE MIR. Vilhalp. 4, 5 Eu queria arredar inconvenientes. ANDRAD. Inſtit. 91 E aſſim como mil couſas ha que podem. Hum Principe arredar do bom caminho. Aſſim lhe hão de moſtrar o que he contrario. {{Def|Neutr. Afaſtar-ſe, deſviar-ſe.}} F. ALV. Inform. 98 Vão diante delle quatro homens do azorrague, que fazem arredar a gente. {{Def|Met.}} Prov. da Hiſt. Gen. 3, 4, 138, p. 53 Quem eſtudioſo deſta Philoſophia arredará della? {{Def|Com pron. peſs.}} MOR. Palm. 1, 20 O outro ſe arredou agaſtado por não fazer ſua vontade; ALBUQ. Comm. 1, 15 E derão com hum canto no capacete de Affonſo d'Albuquerque, que logo cahio no chão maltratado, e nem por iſſo perdeu o ſentido de mandar à gente, que não ſe arredaſſe. MEND. PINT. Peregr. 85 Dalli bradavão à gente, que paſſava, que ſe arredaſſem de nós, porque eramos ladrões. {{Def|Arredar-ſe em algum lugar. Retirar-ſe a elle.}} D. CATH. Inf. Regr. 2, 2 Dá-ſe certo o Senhor avondoſamente aos que por ſeu amor ſe arredão em os deſertos. Adag. Lá te arreda ganho, não me dês perda. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 1, 6. HERN. NUNEZ, Refran. 62. Mettes os cães na mouta, e arredaſte à fóra. DELIC. Adag. 52. Quem arreda azo, arreda peccado. DELIC. Adag. 30. Quem mente ou quer ou quizer mentir, arrede teſtemunhas. Eufros. 1, 2. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 1, 8. AZEV. Correcç. 2, 3, 9, p. 83. {{lema|ARREDIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{Def|Apartado do rebanho. Diz-ſe das rezes. Applicaſe também aos que fogem da companhia dos amigos.}} BLUT. Vocab. Suppl. {{lema|ARREDO}}. {{catgram|adv.}} vulg. {{Def|Atraz ou para traz. Voz, de que ſe uſa para eſconjurar o demonio, ou afugentar algum mao agouro.}} D. F. MAN. Mus. 16. Tub. de Calliop. Son. 30 Arredo vá de nós o fêſtro agouro. {{lema|ARREDOMA}}. {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que Redoma, e he como hoje ſe diz.}} CASTANH. Hiſt. 3, 89. FERNAND. Palm. 3, 85. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 18. {{lema|ARREDONDA}}. {{catgram|adv.}} antiq. {{Def|O meſmo que Ao redor.}} Chr. do Condeſt. 51 Levantou-ſe hum corço no meio do arraial, e correu todo arredonda. {{lema|ARREDONDADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arredondar.}} M. BERN. Floreſt. 3, 7, 390, A. {{lema|ARREDONDAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Fazer redondo, dar a alguma couſa figura redonda.}} F. ALV. Inform. 12 E arredondão [o bolo] mui bem. ORT. Colloq. 15, 62 E Alguma [anella] he muito ruim, que ſe não arredondou bem. {{lema|ARREDOR}}. {{catgram|adv.}} {{Def|A' roda, em torno. Uſa-ſe às vezes antepondo-ſe-lhe a particula de, com a qual também ſe rege.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 29 Nos lugares, onde eſtivermos, e arredor cinco legoas. Cart. de Jap. 1, 259, 2 Que por cima de tudo iſto elle mandaria vir ſua gente dos lugares de arredor, que de dia e de noite vigiaſſem a Igreja. PINT. Per. Hiſt. 1, 9, 40 Por ſer huma força muito importante pera ter ſujeitas todas as povoações d'arredor. {{lema|ARREDORES}}. {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Contornos, lugares ou terrenos circunvizinhos de outros.}} MARIZ, Dial. 4, 15 Pelo que Affonſo de Albuquerque lhe tornou a fazer cruel guerra pelos arredores da cidade. BRIT. Mon. 1, 2, c. 6 Nenhum cidadão natural de Carthago, ſenão da ſua comarca e arredores. FEO, Tr. 1, 67, 1 Andando elle pregando nos arredores de Jeruſalem. {{Def|Circunferencias ou tudo o que ſe approxima em roda a alguma couſa.}} PINT. Per. Hiſt. 2, 48, 129 Forão afaſtando todos os arredores, onde ſe podião abrir minas. A. DA CRUZ, Recop. 2, 4 E eſtes emplaſtos ſe podem uſar ſobre a meſma eſcara, e nos arredores, ou nos arredores ſómente. {{Def|Fazer arredores.}} Fraſe, de que uſão as mulheres, quando, não caindo a caſa toda, caíão, quando muito, até meias paredes. BLUT. Vocab. Suppl.</td><td style="width:50%;vertical-align:top;text-align:justify">{{lema|ARREDOUÇA}}. {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que Redouça, e he como hoje ſe diz.}} FERNAND. FERR. Art. Põe hum pão, que atão como arredouça, a modo dos em que ſe embalão os meninos. BENT. Per. Thes. {{lema|ARREEIRO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O que anda com beſtas de aluguer.}} (Arreeiro) D. G. COUTINH. Jorn. 131. Os arreeiros das caſillas fallavão variamente na quantidade da gente. D. F. MAN. Apol. 212 A vereda que os arreeiros não ſabem, mal a pôde achar aquelle que já mais... pizão as eſtradas. LISB. Jard. 72, 3 Bem podia ſer primeiro arreeiro, e depois melhorar-ſe a ovelheiro. {{lema|ARREFANHAR}}. {{catgram|v. a.}} vulg. {{Def|Tirar das mãos de outro com violencia.}} BLUT. Vocab. e diz ſer palavra da Beira. {{lema|ARREFEÇAR}}. {{catgram|v. n.}} antiq. Uſaſe com pron. peſs. VIT. CHRIST. 1, 150 E por ſe nom arrefeçar e aviltar a couſa, que nom pôde ſer eſtimada, quando he apreſſada ou por preço dada, &c. {{lema|ARREFECER}}. {{catgram|v. n.}} {{Def|Eſfriar, perder o calor.}} BARR. Dec. 1, 5, 7 Ante que arrefeceſſe o ſangue daquelles, que alli perecerão. PINT. Per. Hiſt. 1, 14, 62 Vendo que não arrefecia [o corpo] quaſi por demais começarão de o curar. Per. Elegiad. 7, 101 A iſto o Mouro pallido ſuſpira, E começando, a lingoa lhe arrefece. {{Def|Met. Afroxar.}} CASTANH. Hiſt. 7, 28 Depois que [Pero Maſcarenhas] arrefeceo da furia, que lhe cauſou a injuria, que recebeu. FR. MARC. Vid. 1, 3 E nem por muitas vezes vir, arrefeceo a caridade delles, antes creſceu mais. GUERREIR. Rel. 4, 3, 8 Pelo que foi arrefecendo o amor, que el Rei lhe tinha. {{Def|Arrefecer.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Fazer ou tornar frio, tirar o calor.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. Per. Thes. {{lema|ARREFECIDO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrefecer.}} FR. MARC. Vid. 5, 11. D. HILAR. Voz. 3, 10. CHAG. Obr. 2, 343. {{lema|ARREFECIMENTO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção e effeito de arrefecer.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. Per. Thes. {{Def|Met. Froxidão, tibieza.}} FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 1, 149 Deſhi todos cheos de arrefecimento de alguma eſperança, que &c. {{lema|ARREFEM}}. {{catgram|s. m.}} pouc. us. {{Def|O meſmo que Arrefens.}} MOR. Palm. 2, 112 Eu bem creio que a verdade do Turco ſe deve ter pelo melhor arrefem do mundo. {{lema|ARREFENS}}. {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Peſſoas, que entre inimigos, que tem guerra, reciprocamente ſe dão, como em caução para ſegurança da ſua mutua fidelidade. Do Arab. Arrhani. Deriva-ſe do verbo rahana, penhorar.}} RESEND. Chr. 67 Pera que logo deo filhos ſeus e outras peſſoas principaes por ſeus arrefens. GOES, Chr. de D. Man. 1, 58 Dados arrefens de huma e outra parte. Antiq. fem. SABEL. Eneid. 1, 6, 61 Deolhe as arrefens ao theſêro de ſua livre vontade. 2, 8, 123 A eſtas palavras tão amigaveis accrecentou obras com reſtituir ao povo Romão o campo Vejentano, e as arrefens, que lhe tinhão dado. {{Def|Caução ou penhor, que ſe dá para ſegurança de alguma couſa, que ſe empreſta ou vende fiada.}} GAVI, Cerc. 1, 4 Lhe deo os favos fiados ſobre dous arrefens. {{Def|Met.}} PAIV. Serm. 3, 37 Toda a gente Chriſtãa, a quem as adverſidades humanas fazem viver triſte e deſcontente, parece que injurião o Eſpirito Santo, e dão certa moſtra de quão pouco eſtimão os bens do ceo, ou quão pequeno caſo fazem de huns tão divinos arrefens, como he o Eſpirito Santo. {{lema|ARREFENTAR}}. {{catgram|v. a.}} ant. {{Def|Eſfriar, tirar o calor.}} Eufros. Prol. Que iſto não me deſcoze o fato, nem me aquenta, nem me arrefenta. FERR. de VASC. Ulyſſip. 6 Chamavão os Antigos [ao vinho] triaga grande, aquenta ao frio, arrefenta o quente, amollenta o ſecco, ſeca o humido. D. F. MAN. Cart. 2, 22 Entendimento ha cá da caſta da boca da rapoſa, de quem dizem as velhas... que aquenta e arrefenta. {{Def|Met.}} D. CATH. Inf. Regr. 2, 4 Por certo a lingua ſolta cega e enfuſca a mente, arrefenta o lume do eſpirito, ſecca a fonte das lagrimas, &c. {{lema|ARREGAÇADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arregaçar.}} CASTANH. Hiſt. 24. MEND. PINT. Peregr. 103. HIST. TRAG. MARIT. 1, 291. {{lema|ARREGAÇAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Apanhar ou levar acima o veſtido ou alguma parte delle para mais deſembaraço no andar ou no trabalho.}} JER. CARDOS. Dict. BENT. Per. Thes. {{Def|Arregaçar o braço ou os braços. Levantar ou puxar acima a manga ou as mangas da camiſa ou do veſtido, ficando hum dos braços ou ambos elles nus.}} MEND. PINT. Peregr. 91 E arregaçando o braço, nos moſtrou huma cruz, que nelle tinha eſculpida. LUZ. Serm. 1, 2, 2</td></tr></table><noinclude></noinclude> 6i8c4u3xhcz30refy42fkr718r7jghp 566379 566378 2026-10-20T13:30:34Z MLReis 41056 Formatação harmonizada com a página 626. 566379 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|428|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> no os filhos arredando o povo. CAM. Lus. 8, 79 Com elle parte aos caes, porque o arrede longe, quanto puder, dos regios Paços. A. da Cruz, Recop. 2, 3 E arredarão o pericraneo com as unhas ou com o ferro, lanção os meninos. BENT. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} AZUK. Chr. 3, 19 Communmente as madres requerem aos padres, que arredem ſeus filhos dos trabalhos perigoſos. SA' DE MIR. Vilhalp. 4, 5 Eu queria arredar inconvenientes. ANDRAD. Inſtit. 91 E aſſim como mil couſas ha que podem. Hum Principe arredar do bom caminho. Aſſim lhe hão de moſtrar o que he contrario. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Neutr. Afaſtar-ſe, deſviar-ſe.}} F. ALV. Inform. 98 Vão diante delle quatro homens do azorrague, que fazem arredar a gente. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} Prov. da Hiſt. Gen. 3, 4, 138, p. 53 Quem eſtudioſo deſta Philoſophia arredará della? </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Com pron. peſs.}} MOR. Palm. 1, 20 O outro ſe arredou agaſtado por não fazer ſua vontade; ALBUQ. Comm. 1, 15 E derão com hum canto no capacete de Affonſo d'Albuquerque, que logo cahio no chão maltratado, e nem por iſſo perdeu o ſentido de mandar à gente, que não ſe arredaſſe. MEND. PINT. Peregr. 85 Dalli bradavão à gente, que paſſava, que ſe arredaſſem de nós, porque eramos ladrões. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arredar-ſe em algum lugar. Retirar-ſe a elle.}} D. CATH. Inf. Regr. 2, 2 Dá-ſe certo o Senhor avondoſamente aos que por ſeu amor ſe arredão em os deſertos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Lá te arreda ganho, não me dês perda. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 1, 6. HERN. NUNEZ, Refran. 62. Mettes os cães na mouta, e arredaſte à fóra. DELIC. Adag. 52. Quem arreda azo, arreda peccado. DELIC. Adag. 30. Quem mente ou quer ou quizer mentir, arrede teſtemunhas. Eufros. 1, 2. FERR. DE VASC. Ulyſſip. 1, 8. AZEV. Correcç. 2, 3, 9, p. 83. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDIO, A}}. {{catgram|adj.}} {{Def|Apartado do rebanho. Diz-ſe das rezes. Applicaſe também aos que fogem da companhia dos amigos.}} BLUT. Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDO}}. {{catgram|adv.}} vulg. {{Def|Atraz ou para traz. Voz, de que ſe uſa para eſconjurar o demonio, ou afugentar algum mao agouro.}} D. F. MAN. Mus. 16. Tub. de Calliop. Son. 30 Arredo vá de nós o fêſtro agouro. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDOMA}}. {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que Redoma, e he como hoje ſe diz.}} CASTANH. Hiſt. 3, 89. FERNAND. Palm. 3, 85. HEIT. PINT. Dial. 2, 3, 18. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDONDA}}. {{catgram|adv.}} antiq. {{Def|O meſmo que Ao redor.}} Chr. do Condeſt. 51 Levantou-ſe hum corço no meio do arraial, e correu todo arredonda. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDONDADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arredondar.}} M. BERN. Floreſt. 3, 7, 390, A. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDONDAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Fazer redondo, dar a alguma couſa figura redonda.}} F. ALV. Inform. 12 E arredondão [o bolo] mui bem. ORT. Colloq. 15, 62 E Alguma [anella] he muito ruim, que ſe não arredondou bem. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDOR}}. {{catgram|adv.}} {{Def|A' roda, em torno. Uſa-ſe às vezes antepondo-ſe-lhe a particula de, com a qual também ſe rege.}} ORDEN. DE D. MAN. 2, 29 Nos lugares, onde eſtivermos, e arredor cinco legoas. Cart. de Jap. 1, 259, 2 Que por cima de tudo iſto elle mandaria vir ſua gente dos lugares de arredor, que de dia e de noite vigiaſſem a Igreja. PINT. Per. Hiſt. 1, 9, 40 Por ſer huma força muito importante pera ter ſujeitas todas as povoações d'arredor. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDORES}}. {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Contornos, lugares ou terrenos circunvizinhos de outros.}} MARIZ, Dial. 4, 15 Pelo que Affonſo de Albuquerque lhe tornou a fazer cruel guerra pelos arredores da cidade. BRIT. Mon. 1, 2, c. 6 Nenhum cidadão natural de Carthago, ſenão da ſua comarca e arredores. FEO, Tr. 1, 67, 1 Andando elle pregando nos arredores de Jeruſalem. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Circunferencias ou tudo o que ſe approxima em roda a alguma couſa.}} PINT. Per. Hiſt. 2, 48, 129 Forão afaſtando todos os arredores, onde ſe podião abrir minas. A. DA CRUZ, Recop. 2, 4 E eſtes emplaſtos ſe podem uſar ſobre a meſma eſcara, e nos arredores, ou nos arredores ſómente. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Fazer arredores.}} Fraſe, de que uſão as mulheres, quando, não caindo a caſa toda, caíão, quando muito, até meias paredes. BLUT. Vocab. Suppl. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREDOUÇA}}. {{catgram|s. f.}} ant. {{Def|O meſmo que Redouça, e he como hoje ſe diz.}} FERNAND. FERR. Art. Põe hum pão, que atão como arredouça, a modo dos em que ſe embalão os meninos. BENT. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREEIRO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|O que anda com beſtas de aluguer.}} (Arreeiro) D. G. COUTINH. Jorn. 131. Os arreeiros das caſillas fallavão variamente na quantidade da gente. D. F. MAN. Apol. 212 A vereda que os arreeiros não ſabem, mal a pôde achar aquelle que já mais... pizão as eſtradas. LISB. Jard. 72, 3 Bem podia ſer primeiro arreeiro, e depois melhorar-ſe a ovelheiro. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFANHAR}}. {{catgram|v. a.}} vulg. {{Def|Tirar das mãos de outro com violencia.}} BLUT. Vocab. e diz ſer palavra da Beira. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFEÇAR}}. {{catgram|v. n.}} antiq. Uſaſe com pron. peſs. VIT. CHRIST. 1, 150 E por ſe nom arrefeçar e aviltar a couſa, que nom pôde ſer eſtimada, quando he apreſſada ou por preço dada, &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFECER}}. {{catgram|v. n.}} {{Def|Eſfriar, perder o calor.}} BARR. Dec. 1, 5, 7 Ante que arrefeceſſe o ſangue daquelles, que alli perecerão. PINT. Per. Hiſt. 1, 14, 62 Vendo que não arrefecia [o corpo] quaſi por demais começarão de o curar. Per. Elegiad. 7, 101 A iſto o Mouro pallido ſuſpira, E começando, a lingoa lhe arrefece. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met. Afroxar.}} CASTANH. Hiſt. 7, 28 Depois que [Pero Maſcarenhas] arrefeceo da furia, que lhe cauſou a injuria, que recebeu. FR. MARC. Vid. 1, 3 E nem por muitas vezes vir, arrefeceo a caridade delles, antes creſceu mais. GUERREIR. Rel. 4, 3, 8 Pelo que foi arrefecendo o amor, que el Rei lhe tinha. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arrefecer.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Fazer ou tornar frio, tirar o calor.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFECIDO, A}}. {{catgram|p. p. de Arrefecer.}} FR. MARC. Vid. 5, 11. D. HILAR. Voz. 3, 10. CHAG. Obr. 2, 343. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFECIMENTO}}. {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção e effeito de arrefecer.}} JER. CARDOS. Dict. BARBOS. Dict. BENT. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met. Froxidão, tibieza.}} FERN. LOP. Chr. de D. J. 1, 1, 149 Deſhi todos cheos de arrefecimento de alguma eſperança, que &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFEM}}. {{catgram|s. m.}} pouc. us. {{Def|O meſmo que Arrefens.}} MOR. Palm. 2, 112 Eu bem creio que a verdade do Turco ſe deve ter pelo melhor arrefem do mundo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFENS}}. {{catgram|s. m. pl.}} {{Def|Peſſoas, que entre inimigos, que tem guerra, reciprocamente ſe dão, como em caução para ſegurança da ſua mutua fidelidade. Do Arab. Arrhani. Deriva-ſe do verbo rahana, penhorar.}} RESEND. Chr. 67 Pera que logo deo filhos ſeus e outras peſſoas principaes por ſeus arrefens. GOES, Chr. de D. Man. 1, 58 Dados arrefens de huma e outra parte. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Antiq. fem. SABEL. Eneid. 1, 6, 61 Deolhe as arrefens ao theſêro de ſua livre vontade. 2, 8, 123 A eſtas palavras tão amigaveis accrecentou obras com reſtituir ao povo Romão o campo Vejentano, e as arrefens, que lhe tinhão dado. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Caução ou penhor, que ſe dá para ſegurança de alguma couſa, que ſe empreſta ou vende fiada.}} GAVI, Cerc. 1, 4 Lhe deo os favos fiados ſobre dous arrefens. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} PAIV. Serm. 3, 37 Toda a gente Chriſtãa, a quem as adverſidades humanas fazem viver triſte e deſcontente, parece que injurião o Eſpirito Santo, e dão certa moſtra de quão pouco eſtimão os bens do ceo, ou quão pequeno caſo fazem de huns tão divinos arrefens, como he o Eſpirito Santo. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREFENTAR}}. {{catgram|v. a.}} ant. {{Def|Eſfriar, tirar o calor.}} Eufros. Prol. Que iſto não me deſcoze o fato, nem me aquenta, nem me arrefenta. FERR. de VASC. Ulyſſip. 6 Chamavão os Antigos [ao vinho] triaga grande, aquenta ao frio, arrefenta o quente, amollenta o ſecco, ſeca o humido. D. F. MAN. Cart. 2, 22 Entendimento ha cá da caſta da boca da rapoſa, de quem dizem as velhas... que aquenta e arrefenta. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} D. CATH. Inf. Regr. 2, 4 Por certo a lingua ſolta cega e enfuſca a mente, arrefenta o lume do eſpirito, ſecca a fonte das lagrimas, &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGAÇADO, A}}. {{catgram|p. p. de Arregaçar.}} CASTANH. Hiſt. 24. MEND. PINT. Peregr. 103. HIST. TRAG. MARIT. 1, 291. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGAÇAR}}. {{catgram|v. a.}} {{Def|Apanhar ou levar acima o veſtido ou alguma parte delle para mais deſembaraço no andar ou no trabalho.}} JER. CARDOS. Dict. BENT. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arregaçar o braço ou os braços. Levantar ou puxar acima a manga ou as mangas da camiſa ou do veſtido, ficando hum dos braços ou ambos elles nus.}} MEND. PINT. Peregr. 91 E arregaçando o braço, nos moſtrou huma cruz, que nelle tinha eſculpida. LUZ. Serm. 1, 2, 2 </p> |}<noinclude></noinclude> 7f92epl1kda3qxgbitcz4wq2cj8qggf Página:Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf/143 106 259225 566382 2026-10-20T13:46:29Z Erick Soares3 19404 /* Revistas e corrigidas */ 566382 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="Erick Soares3" />{{rvh|137|{{sc|a volta do mundo em oitenta dias}}|{{sc|viagens maravilhosas}}}}{{rule}}</noinclude>{{t2|{{smaller|{{sc|em que o nariz de passepartout toma avantajadas proporçōes}}}}|CAPITULO XXIII}} {{dhr}} No dia seguinte, Passepartout, estafado, esfomeado, disse comsigo que lhe era preciso comer a todo o custo, e quanto mais depressa melhor. Restava-lhe, é verdade, o recurso de vender o relogio, mas mais depressa se deixaria morrer de fome. Apresentava-se lhe entāo uma occasiāo, como poucas, de utilisar a voz sonora, se nāo melodiosa, de que a natureza o dotára. Sabia algumas cançōes de França e de Inglaterra, e resolveu experimental-as. Os japonezes deviam por força ser amadores de musica, pois que entre elles tudo se faz ao som dos cymbalos, do tam-tan ede tambores, e nāo podiam deixar de apreciar o talento do ''virtuose'' europeu. Mas era talvez cedo de mais para organisar um concerto, e os ''dilettanti'', acordados de repente, nāo era de crer que pagassem ao cantor em moeda com effige do mikado. Passepartout decidiu, pois, esperar algumas horas; mas pelo eaminho reflectiu que, para um cantor ambulante, parecia vestido com muito luxo, e veiu-lhe á idéa trocar aquelle trajo por alguma vestimenta mais em harmonia com a sua posiçāo. Alem dʼisso, a troca devia produzir um saldo, que immediatamente podia applicar á satisfaçāo do seu appetite. Tomada esta resoluçāo, apenas lhe faltava executal-a. Só depois de demoradas pesquizas é que achou um adelo japonez, a quem expoz o pedido. O trajo europeu agradou ao adelo, e dʼali a nada Passsepartout saia envolvido nʼum velho vestido japonez e com uma especie de turbante na cabeça, desbotado pela acçāo do tempo. Mas, em compensaçāo, tiniam-lhe na bolsa algumas pequenas moedas de prata. — Bem, pensou elle, imagino que estamos no carnaval! O primeiro cuidado de Passepartout, assim ''japonificado'', foi entrar nʼum «tea-house», loja onde se bebe chá, de modesta apparencia, e ahi almoçou um resto de ave e alguns punhados de<noinclude></noinclude> 558c8313txuuujfa65ftwtk3bw7f04n A Volta do Mundo em Oitenta Dias (3ª edição)/XXII 0 259226 566383 2026-10-20T13:47:59Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=135 to=142 fromsection="Cap. XXII" header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 22]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo XXII]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab XXII]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/22]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 22]] he:סביב הארץ בשמונים יום/... 566383 wikitext text/x-wiki <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=135 to=142 fromsection="Cap. XXII" header=1/> {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 22]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo XXII]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab XXII]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/22]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 22]] [[he:סביב הארץ בשמונים יום/פרק כב]] [[it:Il giro del mondo in ottanta giorni/Capitolo XXII]] [[pl:Podróż naokoło świata w 80-ciu dniach/Rozdział XXII]] [[uk:Подорож довкола землї в 80 днях/XXII]] qxmfiv7l7us55q33qt4g4fbdg9imw59 566384 566383 2026-10-20T13:48:18Z Erick Soares3 19404 566384 wikitext text/x-wiki <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=135 to=142 fromsection="Cap. XXII" header=1/> {{smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 22]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo XXII]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab XXII]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/22]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 22]] [[he:סביב הארץ בשמונים יום/פרק כב]] [[it:Il giro del mondo in ottanta giorni/Capitolo XXII]] [[pl:Podróż naokoło świata w 80-ciu dniach/Rozdział XXII]] [[uk:Подорож довкола землї в 80 днях/XXII]] 8mjmx57asvoan0vu8xijwv5hfb5jqht 566385 566384 2026-10-20T13:48:50Z Erick Soares3 19404 566385 wikitext text/x-wiki <pages index="Júlio Verne - A Volta do Mundo em Oitenta Dias (1886).pdf" from=135 to=142 fromsection="Cap. XXII" header=1/> {{rule|align=left|5em}} {{smallrefs}} {{Modernização}} {{DP-3}} [[en:Around the World in Eighty Days (Towle)/Chapter 22]] [[es:La vuelta al mundo en ochenta días/Capítulo XXII]] [[id:Mengelilingi Doenia Dalam 80 Hari/Bab XXII]] [[sv:Jorden rundt på åttio dagar/22]] [[fr:Le Tour du monde en quatre-vingts jours/Chapitre 22]] [[he:סביב הארץ בשמונים יום/פרק כב]] [[it:Il giro del mondo in ottanta giorni/Capitolo XXII]] [[pl:Podróż naokoło świata w 80-ciu dniach/Rozdział XXII]] [[uk:Подорож довкола землї в 80 днях/XXII]] inkkmeryc9runx9h2q9lg4lxlk0ezje Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/637 106 259227 566386 2026-10-20T14:03:12Z MLReis 41056 /* Revista */ 566386 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|429|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> 2, 82. col. 2 Começa o Senhor a arregaçar ſeus alvos braços. M. Bern. Floreſt. 1, 8, 369 A Deſpio as armas, e arregaçando o braço direito até o cotovelo, arremetteo aos inimigos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Tal grado haja quem a velha arregaça. Hern. Nun. Refran. 113, 4. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGAÇO.}} {{catgram|s. m.}} {{Uso|antiq.}} {{Def|O meſmo que Regaço, e he como hoje ſe diz.}} Luz, Serm. 1, 2, 105. col. ; Agora vos tenho no meu arregaço. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGALAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|(os olhos) Abrilos muito, alevantando as Sobrancelhas.}} Blut. Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGANHADO, A.}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arreganhar.}} Mend. Pint. Peregr. 109. Guerreir. Rel. 3, 3, 8. Vieir. Serm. 11, 7, 3. n. 293. {{Def|Uſa-ſe como adj. uf. Eſgarçado, mal cozido ou muito pela extremidade. Das coſturas mal feitas.}} </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGANHAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Encolher e comprimir os beiços de forte que fiquem os dentes à moſtra.}} Commummente reg. Arreganhar os dentes, e ſe diz tambem em ſignificação neutra, Arreganhar de dentes. Particularmente ſerve para denotar o modo, com que ſe abre a bocca deſcompoſtamente, rindo ou para algum outro fim. Gil Vic. Obr. 4, 233 Laudate Nuno Ribeiro, Que nunca paga dinheiro, E ſempre arreganha os dentes. Mend. Pint. Peregr. 55 Como homens, que lhes parece, que baſta arreganhar os dentes ao ceo, ſem ſatiſfazer o que tem roubado. Fr. Gaſp. de S. Bernard. Itin. 5 Começárão huma gralhada, e arreganhar de dentes, que &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arreganhar os dentes a alguem. Fras. met. Moſtrar-lhe oppoſição ou reſiſtencia.}} Ferr. de Vaſc. Aulegr. 1, 6 Vos outros, ſe vos arreganhão os dentes, fugis montes e valles. M. Fernand. Alm. 2, 1, 22. n. 170 Todos os ſinaes de animo malévolo, como murmurando, arreganhandolhe os dentes, como cá dizemos em Portuguez, ou cuſpindo &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arreganhar, com pron. peſs. vulg. Rir-ſe.}} Gil Vic. Obr. 4, 197 Que fallas? que te arreganhas? {{Def|Irar-ſe.}} Barbos. Dict. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arreganhar, neutr. Arregoar, gretar-ſe. Dos fructos.}} Blut. Vocab. Suppl. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> Adag. Temporáa he a caſtanha, que por Março arreganha. Delic. Adag. 15. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGEITAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Uso|ruſtic.}} {{Uso|pouc. uf.}} {{Def|Atirar.}} Dos paſtores quando arremeſſão o cajado às pernas do gado. Machad. Alf. 2, 8; y Tudo ſe te vai em gritas, regeita-lhe o cajado. 3, 17. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGOADO, A.}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arregoar.}} Sant. Ethiop. 1, 3, 17. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREGOAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Abrir ou fazer regos, lavrando a terra.}} Jer. Cardos. Dict. Barbos. Dict. Bent. Per. Thes. {{Def|Neutr. Abrir-ſe, gretar-ſe. Dos figos particularmente quando eſtão muito maduros: porém por ſemelhança tambem de outras couſas.}} Eſper. Hiſt. 2, 10, 36. n. 3 Fez-ſe [a impigem] azul, e arregoou em partes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREIGADA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|A parte por onde a lingoa ſe une às outras partes do corpo.}} M. Fernand. Alm. 3, 3, 2, 1. n. 111 Sua lingoa blaſfema lá na arreigada criou bichos. Curv. Atal. 149 O meſmo proveito experimentárão outros, ſangrando-ſe nas veias leonicas, que eſtão debaixo da lingoa, juntas à arreigada. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arreigada das unhas.}} Bent. Per. Thes. {{Def|Arreigada do rabo do cavallo.}} Bent. Per. Thes. {{Def|Arreigadas. pl. Marinh. Certos cabos, que paſſão da enxarcia dos maſtarcos pelas gaveas, e vêm a fazer fixo em os ovéns da enxarcia grande.}} Blut. Vocab. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREIGAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Uso|ant.}} e os ſeus derivados. Vej. Arraigar. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREIO.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Ornato, adorno.}} Das peſſoas. {{Uso|ant.}} Arrêo. Caſtanh. Hiſt. 3, 137 O Governador eſtava com todo ſeu eſtado, veſtido d'arreio com quantos eſtavão co' elle. Fr. Sim. Coelh. Chr. 2, 2, 102 Abraçando com todas as forças os arreos do corpo. Leão, Deſcripç. 88 E fóra dos arreos, que as donzellas daquelle eſtado trazem &c. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Das beſtas.}} Mend. Pint. Peregr. 4 Elle ſómente vinha em hum cavallo ajaezado à Portugueza, com hum arreio de veludo roxo, franjado de ouro. Brit. Chr. 1, 27 Vendo no cavallo, em que o Santo hia, huns arreios mais curioſos. M. Thom. Inſul. 6, 131 A pé levando com cuſtoſo arreo Hum cavallo da Perſia. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Das couſas e lugares.}} Reſend. Chr. 116 Enviou muitas peſſoas a comprar todas as couſas, que pera arreo e comprimento de tão ricas feſtas erão neceſſarias. Cam. Lus. 9, 21 Inſula divina Ornada de eſmaltado, e verde arreio. </p> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:0"> Met. Cam. Lus. 6, 89 Que brandura he de Amor mais certo arreio. Sous. Vid. 2, 17 Que juntando com a nobreza do ſangue, doutrina, piedade, religião, e todos os mais arreios da virtude &c. P. Rib. Rel. 1, 44 Os cargos e officios não ſão ſenão veſtidos e arreios da peſſoa, que mais facilmente ſe deſpem, do que ſe veſtem. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Arreios da oração.}} Met. {{Def|Ornatos da elocução.}} Sous. Hiſt. 1, 3, 38 Porém de força ſe ha de ſupprir com conceitos, e ſentenças, e lugares de ſubſtancia o que falta de elegancia e ornato de palavras, de que os Gregos e Latinos fazião tanto caſo, que lhe chamavão arreios e jaezes da oração. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Pl. Apparato e trem de couſas, que pertencem ao uſo das carruagens.}} Luz, Serm. 1, 1, Nas eſtribarias, cavallos, coches e arreios delles. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREIO.}} {{catgram|adv. temp.}} {{Def|Seguidamente, a fio, ſucceſſivamente, hum depois do outro.}} {{Uso|ant.}} Arrêo. Pint. Per. Hiſt. 1, 8, 36 Bateo-ſe a fortaleza tres dias arrêo. Guerreir. Rel. 3, 2, 5 Por eſpaço de vinte dias veio todos arreio fallar com o Padre. Sous. Vid. 6, 13 Que vigiou quarenta horas arreio ſem nunca ſe aſſentar. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRELEQUIM.}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Vej. Arlequim.}} </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRELHADA.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Pá de ferro no pé da aguilhada de lavrar, com que ſe alimpa o arado.}} Bent. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRELICARIO.}} {{catgram|s. m.}} {{Uso|antiq.}} {{Def|O meſmo que Relicario.}} Alão, Antig. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARRELIQUIA.}} {{catgram|s. f.}} {{Uso|antiq.}} {{Def|O meſmo que Reliquia.}} Gavi, Cerc. 18, 86. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREMANGADO, A.}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arremangar.}} Fernand. Palm. 9. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREMANGAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Arregaçar ou levantar as mangas até cima.}} Jer. Cardos. Dict. Bent. Per. Thes. {{Def|Levantar a mão para alguem, ameaçando-o.}} Blut. Vocab. Suppl. {{Def|Adag. Ao comprar te arremanga.}} Delic. Adag. 61. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREMATAÇÃO.}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção de arrematar.}} Orden. de D. Man. 1, 25 Item ha de fazer (o pregoeiro da Corte) todas as arrematações das execuções das ſentenças do Corregedor da Corte. Regim. da Fazend. 34 E iſto meſmo ſe ajuntará ao caderno das arrematações. Regim. de Evor. 4, 176 E primeiro ſe fará penhora e arrematação nos moves, que nos bens de raiz. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREMATADO, A.}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arrematar.}} Fr. Gaſp. da Cruz, Tr. 13, 2. Coſt. de Brag. 38, 2, 1. Feſt. 5. Na Canon. 18. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Uſa-ſe como adj. Acabado, aperfeiçoado, concluido. Dos ajuſtes, negocios, acções, &c.}} Ferr. de Vaſc. Aulegr. 5, 5 Per maneira, que o negocio eſtá arrematado, e niſto não ha duvida. Sous. Coutinh. Cerc. 1, 12 Deſejoſo que eſte negocio por ſuas mãos foſſe arrematado. Fr. Th. de Jes. Trab. 2, 26, 20 Feita e arrematada a venda. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Tambem ſe applica a loucura para exprimir o ſeu complemento.}} Vieir. Serm. 8, 311 Em ambos os exemplos arrematada doudice. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREMATADOR, ORA.}} {{catgram|adj.}} {{Def|Que arremata.}} Jer. Cardos. Dict. Bent. Per. Thes. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:-1em"> {{lema|ARREMATAR.}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Acabar, concluir, finalizar, pôr termo ou remate.}} Sous. Coutinh. Cerc. 2, 15 Arrematando tudo o que nas ditas eſtancias ficava por fazer. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met. Completar, levar alguma couſa ao cabo ou ao ſeu ultimo ponto.}} Sous. Coutinh. Cerc. 1, 5 Deſde que ſua auſencia foi certa, arrematou o medo tudo o que faltava. Fr. Th. de Jes. Trab. 1, 19, 433 Não ſó o não receberão ao Filho de Deos, mas arrematarão ſuas durezas, em lhe darem o galardão, que derão aos outros ſeus ſervos Profetas com cruiſſima morte. Sous. Vid. 4, 2 Promptamente eſperavão arrematar a victoria. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Abl. Terminar ou fechar huma oração ou diſcurſo.}} Sous. Vid. 4, 11 Arrematou, pedindo a todos o encommendaſſem a Deos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Atar bem ou com ſegurança alguma couſa na ſua extremidade.}} Fr. Gaſp. da Cruz, Tr. 2, 3 He gente limpa e bem tratada, curão o cabello, como mulheres, e arrematão-no n'huma ilharga da cabeça, atraveſſado com hum prego de prata. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Met.}} Feo, Tr. 1, 34, 3 Quer dizer o Santo (Thomas) que em quanto Chriſtão eſtava o Religioſo atado com preceitos, mas que pela profiſſão ſe arrecadou mais, e arrematou de novo com os conſelhos, que ſão a materia dos votos. </p> <p style="margin:0 0 0 1em;text-indent:2em"> {{Def|Diz-ſe particularmente das contas, da amizade, dos contratos, &c.}} Caſtanh. Hiſt. 8, 23 E pera a elle </p> |}<noinclude></noinclude> my3cwcvreqvuu0w6o1x471bobcquw2p Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa/História do Príncipe Monstro 0 259228 566389 2026-10-20T15:06:42Z Mt516 43586 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História do Príncipe Monstro | anterior = [[../História do mercador e seus três filhos/]] | posterior = [[../Príncipe com orelhas de burro/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DO PRÍNCIPE MONSTRO</big>''' UM Rei e uma Rainha, de um grande reino de outrora, viviam muito desconsolados por não terem filhos. A Rainha principalmente sentia c... 566389 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História do Príncipe Monstro | anterior = [[../História do mercador e seus três filhos/]] | posterior = [[../Príncipe com orelhas de burro/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DO PRÍNCIPE MONSTRO</big>''' UM Rei e uma Rainha, de um grande reino de outrora, viviam muito desconsolados por não terem filhos. A Rainha principalmente sentia com isso tal desgosto que, chegando uma vez a uma varanda no seu palácio e vendo umas criancinhas a brincar na rua, gritou: — Ai quem me dera ter um filho, ainda que fosse um monstro! Daí a tempo nasceu um Principezinho em palácio. Mas, com espanto de todos, era um verdadeiro monstro. O seu corpo, coberto de pêlo de animal, não tinha forma humana, antes parecia o de um urso. Não se pode imaginar de um ser humano coisa mais horrorosa! O Rei, cheio de mágoa e de vergonha, deu ordem para que jamais o triste monstro saísse do seu quarto nem de dia nem de noite. Assim queria evitar que no Mundo se soubesse a sua desventura e que nas cortes estrangeiras, e mesmo em casa dos seus súbditos, fosse motivo de troça. A Rainha escolheu um bom quarto com um terraço que não era visto da rua, mas donde a infeliz criança podia ver o que se passava e recrear-se, ainda que só de longe, com a verdura dos campos, os jardins, pomares e o canto dos pássaros. Chamou um velho criado da sua confiança para aio do filho, porque, apesar dele ser um mísero ente disforme, não deixava de o amar com ternura. Não queria o Rei que ninguém o visse. Mas um dia que, iludindo a vigilância do aio, chegou até à sala das damas, elas fugiram gritando e levantando a cidade com o alarido, dizendo que no palácio andava um bicho medonho. O pai possuiu-se de tamanha fúria e disse tais horrores, que a triste mãe cuidou morrer de pena. Por este motivo, é claro que nunca teve professores além da Rainha e do velho aio. Mas a sua inteligência era tão viva que tudo aprendia sem custo, quanto lhe ensinavam e o muito que lia constantemente. Além disso era muito bom e, se não fossem os estranhos, a mãe nem já teria desgosto duma fealdade que escondia uma tão linda alma. Quando chegou à idade varonil disse um dia para o criado: — Amigo, vai dizer a meu pai que me arranje noiva, de contrário o seu palácio será arrazado, o seu país será devastado e os seus súbditos, desesperados, matá-lo-ão. — Ó menino, como pode isso ser?! Quem há-de fazer tanto dano a um tão rico e poderoso Rei? Não sabe que é o nosso exército o maior do Mundo? Que os mares estão coalhados com os navios da nossa armada? E os nossos generais são os mais hábeis e valentes? E as nossas fortalezas são inexpugnáveis?!... — Deixa! Não há exércitos nem armadas, generais nem fortalezas que vençam o destino dos povos. E o Destino quer que meu pai me dê uma esposa. De contrário o seu reino será arrazado. É a ordem que eu recebi de quem pode mais do que todos os reis da Terra. Foi o bom do homem dar parte aos monarcas do que dissera o Príncipe. Apertaram as mãos na cabeça, gritando: — Qual será a mulher que se há-de sujeitar a casar com um monstro? Um velho ministro que estava presente respondeu: — Não me parece coisa difícil encontrar mulher para o Príncipe, visto que é senhor duma grande fortuna e possível herdeiro dum grande reino. A maior parte das pessoas só querem o dinheiro e as grandezas do Mundo, e pouco lhes importam os meios porque as obtêm. A Rainha do país vizinho tem três filhas formosas e ficará satisfeitíssima se lhe forem pedir a mão dalguma delas para o Príncipe. O Rei aceitou o conselho do ministro e logo o encarregou da embaixada que devia ir buscar a noiva do Príncipe Monstro. A velha Rainha, que era ambiciosa e má e até passava por feiticeira, ficou doida de alegria, pois toda a sua raiva era ser soberana dum país pequeno e pobre enquanto ao seu lado os reis, pais do Príncipe Monstro, governavam um enorme país, próspero e belo. Achando pois que era uma grande honra aquele pedido e esperando ver nele um caminho para a sua ambição, chamou a filha mais velha e ordenou-lhe que se preparasse para seguir com a embaixada. — Mas eu não quero casar com o Príncipe Monstro, porque dizem que é um bicho e será capaz de matar-me. — Se te matar é porque és tola. Eu dou-te um canivete de prata e com ele tirarás os olhos ao Monstro, que morrerá imediatamente. E tu serás um dia a Rainha de um grande povo. A Princesa convenceu-se logo e combinaram com o embaixador o dia da partida. Ora o Príncipe Monstro estava nessa noite no seu quarto, triste e só como de costume, entregue ao estudo que das injustiças da sorte o consolava quando o génio que já o visitara uma vez para lhe ordenar que mandasse procurar noiva, lhe apareceu e disse: — Príncipe, amanhã virá a senhora que aceitou ser tua esposa. É preciso que a vás esperar para experimentares os seus sentimentos, pois só te é dado casar com uma mulher de grande bondade e coração leal. Aqui tens um fato de veludo e seda, próprio dum Príncipe. Lá em baixo espera-te um cavalo do mais puro sangue, como teu pai os não tem nas suas caudelarias reais. Monta-o e parte a galope a esperar a tua futura noiva, conversa com ela, e pergunta-lhe o que pensa a teu respeito. Mas, diga o que disser, não te dês a conhecer. No dia seguinte levantou-se o Príncipe, vestiu-se com o fato que lhe fora deixado por seu protector e logo se transformou num elegante mancebo. Desceu as escadarias por entre a turba dos cortesãos, sem que ninguém se lembrasse de sonhar que tão garboso cavaleiro era o Príncipe Monstro. E montando o cavalo, que à porta o esperava, partiu a galope seguindo o caminho que devia trazer a noiva. Quando chegou junto da formosa senhora, que vinha na carruagem seguida de numerosa comitiva própria, aumentada com a que lhe tinham mandado os reis seus pais, cumprimentou-a com galanteria e perguntou: — Sois vós, formosa dama, que vindes casar com o Príncipe Monstro? — Sim, sou eu mesma! — Mal empregada! Dizem que ele é um bicho horroroso, bem capaz de vos matar. — Não mata, que minha mãe deu-me este canivete de prata para lhe tirar os olhos. Ele morrerá logo, e eu ficarei senhora do seu reino. O Príncipe cumprimentou-a outra vez e voltou muito triste para o palácio. Apareceu-lhe de novo o génio e perguntou o que dissera a menina. — Disse — volveu o Príncipe Monstro com tristeza — que tem um canivete para me tirar os olhos! — Não é digna de ser tua mulher — exclamou o génio e desapareceu. A futura Princesa chegou muito satisfeita com as homenagens e festas que lhe fizeram, e nem se lembrou de perguntar por seu noivo senão quando lho apresentaram para se realizar a cerimónia. Então assustou-se e disse consigo: — Ai, que medonho é! Tomara já tirar-lhe os olhos para ficar senhora do reino, sem ver mais semelhante bicho ao pé de mim! Logo que foi celebrado o casamento, recolheu-se o pobre monstro ao quarto e pôs-se a chorar. Só muito tarde, quando terminou o baile, a Princesa foi ver se ele dormia. Como estava acordado sentou-se à espera de que adormecesse para realizar o seu intento. Mas o Príncipe era tão feio e monstruoso que para o não ver cobriu a cabeça, o que a fez cair imediatamente num pesado sono. Logo que adormeceu, abriu-se a janela com estrondo e o génio entrou por ela, pegou na menina adormecida, e ia levá-la quando o Príncipe Monstro lhe perguntou se lhe ia fazer mal. — Olha! Levantou o véu que lhe cobria a cara e o Príncipe recuou horrorizado vendo-a tão feia e tão disfigurada que ninguém que a tivesse visto antes, linda e sã, seria capaz de a reconhecer. — Mas, o que é isto?! — disse o Príncipe recuando aflito. — O rosto deverá ser o espelho da alma. Nestas rugas horrorosas represento a sua alma chagada de vaidade e orgulho. Agora vou deixá-la na praça pública, e, quando amanhã se vir desprezada e escarnecida por todos, talvez compreenda a injustiça do seu procedimento para contigo. — Não a trateis mal, que eu perdoo-lhe tudo. — Mais tarde o farás. Adeus! No dia seguinte perguntaram a noiva por toda a parte, em vista do Monstro ter dito que ela tinha saído. Mas só pelas ruas encontraram uma mulher gritando que era a Princesa, mas tão descomposta, feia e miserável que a tomaram por doida e foi levada para o hospital. Passados oito dias, tornou o Príncipe Monstro a dizer ao aio: — Vai dizer a meu pai que me arranje noiva. De contrário o seu palácio será arrazado, o seu reino devastado, e os seus súbditos, desesperados, matá-lo-ão. — Ó menino, como pode isso ser, se a primeira noiva desapareceu sem ninguém saber como!? — Embora! Vai lá dizer isto, porque é a ordem que tenho, de quem pode mais do que todos os reis da Terra. O aio foi falar aos reis, que apertaram as mãos na cabeça. Mas ainda desta vez os auxiliou com o seu conselho o velho ministro, dizendo que a mesma Rainha daria por bem empregada no Príncipe Monstro a segunda filha. Foi pois encarregado da embaixada e de trazer a noiva que tão à viva força era pedida. O embaixador partiu de caminho, e, como da primeira vez, a velha Rainha encheu-o de obséquios, e disse-lhe logo que sim, sem mesmo perguntar o que era feito da filha mais velha. Chamou a segunda e disse-lhe que se preparasse para ir casar com o Príncipe Monstro. — Sim, para desaparecer como desapareceu minha irmã, que talvez fosse comida por esse horrível bicho?!... — Se assim sucedeu, a culpa foi só dela, porque lhe dei defesa, como te dou a ti. E entregou-lhe uma tesourinha de prata para tirar os olhos ao marido. No dia seguinte, à hora em que a nova Princesa havia de vir em caminho, apareceu o génio seu protector ao Príncipe Monstro e disse-lhe: — Despe essa pele que te desfigura, Príncipe. Ali tens fato de rei e em baixo te esperará o melhor cavalo. Vai esperar a tua noiva e vê o que ela te diz. O Príncipe assim fez. Quando chegou perto da Princesa, mal pôde romper até à carruagem, tanto era o povo que se reunira para ver a famosa comitiva. Mas quem via tão magnífico cavalo e tão belo cavaleiro, logo se afastava murmurando: — Este e não o Monstro, é que deveria ser o nosso Príncipe. Acercou-se da noiva e perguntou: — É Vossa Alteza quem vem casar com o Príncipe Monstro? — Sou eu a noiva do Príncipe. — Mal empregada! Se a primeira mulher era bonita, Vossa Alteza ainda o é mais. Dizem que a matou, porque é um horrendo bicho. — Se a matou é porque minha irmã era tola, pois a nossa mãe, assim como me deu esta tesourinha de prata para lhe tirar os olhos, também lhe deu a ela um canivete para o mesmo fim. — E a Princesa será capaz de fazer isso? — Sou, porque o que eu quero é ser Rainha. Que me importa a vida do mostrengo? O Príncipe cumprimentou e dando volta ao cavalo voltou para casa na maior tristeza. Quando chegou ao quarto vestiu a pele e logo lhe apareceu o génio perguntando o que se passara: — Traz uma tesourinha para me tirar os olhos! — disse o Príncipe, com a maior tristeza. — Pois ainda esta não será tua mulher — disse o génio e desapareceu. Chegou a noiva ao palácio, sendo muito bem recebida por toda a corte que a achava mal empregada para o pobre e desventurado Príncipe, já considerado um monstro de maldade também. Também esta Princesa não se incomodou a perguntar sequer por seu noivo. Só quando o viu na hora do casamento é que tremeu de susto, tão horripilante aspecto ele tinha. Meteu a tesoura no peito e disse consigo: — Logo quando dormires me livrarei de ti e ficarei senhora destes Reinos, sem o desgosto de te ver. O desgraçado recolheu logo ao seu quarto, e, no fim do baile, foi a Princesa pé-ante-pé ver se o esposo dormia. Como o visse acordado, sentou-se numa cadeira à espera que o sono lhe entregasse a vítima. Mas daí a instantes foi ela que caiu num sono tão forte que não pôde resistir e fechou os olhos. Apareceu logo o génio que a tomou nos braços e ia levá-la, quando o Príncipe lhe perguntou o destino que lhe daria. — O mesmo que à outra — respondeu. — Isso não! Ninguém tem direito de fazer mal. Deixe-a, que ela se arrependerá. — Pois bem, ficará formosa como é. Mas o castigo mais cruel será ainda, para uma alma tão ambiciosa e vil. Porque a vou condenar à pobreza e trabalhará para viver. Se fosse boa e modesta, seria feliz na pobreza como na abundância. Assim, a sua própria alma se encarregará de a fazer sofrer todos os martírios, sentindo os seus orgulhos aviltados e as ambições despedaçadas. No dia seguinte, quando as aias vieram para vestir a senhora, disse-lhes o Príncipe que ela tinha saído. Procurada por toda a parte, só encontraram numa água-furtada uma menina parecida com a Princesa. Mas ninguém acreditou que fosse ela quem vivia em tão grande pobreza, convenceram-se de que era uma intrujona, intriguista e ambiciosa, querendo aproveitar-se do desaparecimento da Princesa, devorada por seu noivo o Príncipe Monstro. Os reis vestiram-se de luto e houve sentimento geral. Mas passados quinze dias voltou o Monstro a dizer ao aio que prevenisse o pai que lhe arranjasse noiva, aliás o seu palácio seria arrazado, o reino devastado, e os súbditos, desesperados, o matariam. Porque mais que todos os reis da Terra pode o génio do Destino. O pobre monarca atou as mãos à cabeça, mas não havia remédio senão obedecer. Ainda desta vez o velho ministro se encarregou de ir buscar a terceira filha da Rainha ambiciosa. Foi o embaixador com grande comitiva, e, ao fazer a medo o seu pedido, logo respondeu a Rainha que a menina estava preparada e no dia seguinte partiriam. Depois chamou a filha e disse-lhe: — A menina prepare-se para ser Rainha, pois o Príncipe Monstro lhe dá a honra de a mandar pedir para esposa. — Então as minhas irmãs, que é feito delas? — Morreram por sua culpa, pois que eu lhes dei armas para se defenderem, assim como lhe darei a si. — Não me dê nada, que é escusado. Ou não hei-de casar, ou casando é para estimar meu marido e não para o matar. A Rainha ficou desesperada, pois era uma feiticeira que tudo fazia para mal do Príncipe e do reino que tanta inveja lhe causava. Tão desesperada ficou com a resposta da mais nova das Princesas, que nem lhe deu ninguém que a acompanhasse. No dia em que a menina havia de chegar apareceu o génio do Destino ao Príncipe, trazendo-lhe um fato riquíssimo e disse-lhe: — Despe a tua pele; enverga este fato, monta a cavalo e vai esperar a Princesa a ver o que ela te diz. O Príncipe assim fez. Mas ficou admirado ao ver a noiva, que era mais formosa ainda do que as outras, modestamente vestida, sem comitiva sua, despertando por isso pouca atenção do povo. Chegou ao pé da carruagem, cumprimentou-a e perguntou-lhe se era a noiva do Príncipe Monstro. — Sou eu a própria! — respondeu. — Mal empregada! Se as outras Princesas eram bonitas, Vossa Alteza ainda tem maior formosura. Dizem que ele as matou porque é muito mau. — Não sei se é bom ou mau. Minha mãe queria dar-me defesa mas eu recusei-a. — Fez mal, porque segundo consta é um bicho medonho, capaz de a tragar. — Deixá-lo. Desde que eu o aceito como esposo é para o estimar. Se tiver de matar-me será injustamente. Por mim não lhe farei mal. — Pense, Princesa, que ainda é tempo! — Já pensei e não volto atrás com as minhas ideias. Quem aceita o bem, aceita o mal que ele possa trazer. O Príncipe cumprimentou-a, e, cheio de alegria, partiu a galope para o palácio, onde já encontrou o génio a quem referiu a conversa. — Bem, encontrámos enfim a que há-de ser tua mulher. Nisto chegou a Princesa e todos ficaram admirados de a verem tão só, simplesmente acompanhada pela embaixada que a fora buscar e sem ninguém do seu país. Mais bonita do que as outras, era muito modesta nas maneiras, assim ainda mais distintas do que as das vaidosas irmãs. Por isso toda a corte ficou a gostar da nova Princesa e a lamentar o perigo que ela ia correr. Cumprimentando os reis, perguntou logo onde estava o Príncipe que seria seu esposo, pois lhe parecia mal não o ver entre os seus. Responderam-lhe os reis que ele estava no seu quarto e só apareceria para a cerimónia do casamento. Mas a Princesa insistiu e não houve remédio senão ir chamar o noivo, de quem a corte se começou a rir, imaginando agradar assim à que ia ser Rainha. Tal não sucedeu, porém, pois a menina mostrou que não gostava de tanta falta de piedade e, chegando ao Príncipe cumprimentou-o com delicadeza, não mostrando reparar na sua fealdade. Imaginem a alegria e reconhecimento do pobre feio quando se viu tratado com tanta piedade e gentileza. No dia do banquete, como havia muitos príncipes e embaixadores de fora, queriam os reis que não aparecesse à mesa o Príncipe Monstro. Mas a noiva disse que se não viesse o noivo assistir ao banquete também a noiva ali não deveria estar. Com vontade ou sem ela, tiveram de aceitar o que desejava a Princesa, e muito admirava os reis e a corte, e mais por ser tudo ao contrário do que as irmãs tinham feito. Quando chegou a noite, o Príncipe foi para o seu quarto e depois foi a Princesa ver se ele já dormia. Mas qual não foi o seu espanto, vendo o mesmo belo cavaleiro que no caminho lhe tinha falado, em vez do Monstro. — O que é isto, senhor?!... — Entre, Princesa, que sou eu o Príncipe Monstro! Para todos continuarei a ser feio, monstruoso e talvez mau. Só para a boa esposa que a minha felicidade me deparou, despirei o encanto que me desforma e mostrar-me-ei tal qual sou. No dia seguinte, quando todos esperavam que a Princesa tivesse desaparecido, entrou na sala do trono pelo braço do esposo e foram beijar a mão dos reis. Assim se passou muito tempo até que um dia a Rainha-mãe disse à nora: — A menina há-de dizer-me porque estima tanto meu filho. O meu amor de mãe não me esconde que ele é medonho e causa horror a toda a gente... — O Príncipe é muito bom e é muito meu amigo. Por isso o estimo. Mas a Rainha tanto insistiu que a Princesa contou-lhe tudo: — como o Príncipe andava encantado e a sua gentileza e formosura. — Pois a Princesa, quando ele estiver a dormir há-de dar-me a pele para eu deitar ao rio, porque não a tendo para vestir, acabar-se-á o encanto. Assim faremos a alegria do Rei, seu pai, e de todo este povo. E também me tarda a mim, que sou mãe, conhecer o meu verdadeiro filho. Estas razões e as lágrimas de alegria de boa Rainha-mãe convenceram fàcilmente a Princesa. De noite, quando o Príncipe estava dormindo, entregou à Rainha a pele mágica de fera que em monstro horrendo o transformava. Mas tão depressa a Rainha atirou a pele de monstro às águas do rio, acordou o Príncipe com um grito de terror e disse para a Princesa: — Ai, desgraçada, que me dobraste o encanto! Corre à janela, se me queres ver. E logo se transformou num pássaro verde e fugiu, voando, até que desapareceu da vista da Princesa, que em vão o chamava com gritos de desespero. Acudiu toda a gente do palácio, mas só a encontraram estendida por morta no chão, pois quando deixou de avistar o pássaro verde desmaiara de dor. Algum tempo se passou em que a Princesa esteve entre a vida e a morte. Quando se levantou da cama, pediu ao Rei que lhe desse um palácio com alojamentos que servissem de albergaria a peregrinos, pois nenhum bem poderia gozar na corte. Fizeram-lhe a vontade, e a Princesa, acompanhada por uma criada da sua maior confiança, foi para lá viver, na esperança de saber notícias do Príncipe Monstro ou do pássaro verde, por algum peregrino que viesse de longes terras. As portas do albergue estavam sempre abertas, e quem queria entrar tinha a certeza de encontrar boa cama, comida abundante e lume na lareira durante os frios do inverno. A criada da Princesa vinha então, quando os pobres estavam reunidos e contavam as suas aventuras em longes terras porque tinham passado, escutar o que diziam, a ver se dava a boa nova duma indicação sobre o pássaro verde à sua pobre ama. Muito tempo se passou sem que lhe viesse aos ouvidos nenhum indício do Príncipe Monstro nem do pássaro verde. E a Princesa, cada vez mais triste, começava a desanimar. Até que numa noite de inverno, em que a albergaria estava cheia de pobres e peregrinos, e eles se distraíam contando coisas maravilhosas que seus olhos de vagabundos tinham presenciado, um deles, um velho de longas barbas brancas, quebrou o silêncio que tinha guardado desde o princípio da noite e disse: — Estão vocês admirados com o que têm visto, que são coisas naturais e que todos os dias sucedem. O que diriam então se assistissem ao que eu vi hoje por volta do meio-dia? Para me livrar da grande calma sentei-me debaixo de uma oliveira na berma do caminho. Nisto, vejo eu vir um pássaro verde muito bonito, seguido por mais sete pássaros que traziam uns alforgezinhos sob as asas. O pássaro verde tirou dos seus alforges um pão e um queijo e fez oito quinhões que repartiu por todos os pássaros dizendo: ''— Toma tu, toma tu, toma tu...'' E deixou ficar o oitavo quinhão dizendo: ''Este é para a Princesa da Calçada, que não é viúva, nem solteira, nem casada.'' Levantaram o voo e adeus, não os tornei a ver! A criada, que isto ouviu, foi a correr contar aquela boa nova à sua senhora. A Princesa mandou pedir ao pobre que subisse para lhe ir contar a ela esse caso tão extraordinário. Entrou o pobre e diante da Princesa disse o mesmo que já tinha contado aos outros pobres e peregrinos. — Isso há-de ser uma coisa linda! — disse a Princesa. — Amanhã há-de levar-nos lá, a mim e à minha criada. — Da melhor vontade, senhora. E aquilo tem que ver. Com esta idade que tenho ainda não assisti a coisa semelhante. O pior é ser longe. No outro dia de madrugada mandou a Princesa arranjar uma carruagem, embrulhou-se numa capa, e, acompanhada pela criada e o pobre, partiu. Antes do meio-dia chegaram a um sítio onde uma enorme oliveira era a única sombra à beira do caminho. — Foi aqui, disse o pobre. Sentaram-se e esperaram. Daí a momentos viram chegar o pássaro verde, que a Princesa logo reconheceu, seguido pela sua comitiva de pássaros, e fazer o mesmo da véspera. Quando não tinha senhão um quinhão, disse: ''Este é para a Princesa da Calçada, que não é viúva, nem solteira, nem casada.'' A Princesa correu para ele estendeu a mão e disse: — Então é para mim! Instantâneamente o pássaro verde se transformou no bonito homem que era, e gritou: — Obrigado, obrigado! Com o teu amor e a tua coragem, soubeste quebrar o meu encanto para sempre. E o antigo Príncipe Monstro de novo e para sempre desencantado e a Princesa abraçaram-se com lágrimas de alegria. Ela envolveu-o na capa e, amparando-o, levou-o para a carruagem enquanto os outros pássaros, seus companheiros, voavam para longe no seu fadário, até que um dia houvesse quem os desencantasse também. Chegados ao palácio, a Princesa deu um saco de dinheiro ao pobre, pedindo-lhe que não tornasse a mendigar e que se algum dia tivesse precisões, a procurasse ou ao Príncipe que da melhor vontade o socorreriam. Mandou a Princesa, depois, um recado ao Rei e à Rainha para que fossem vê-la, pois na albergaria estava um peregrino que viera de longe e lhes queria dar em mão uma relíquia sagrada. Logo que chegaram levou-os ao quarto e apresentou o Príncipe Monstro transformado no mais elegante e belo dos homens. — Este é o peregrino — disse a Princesa. — Vem de mais longe que todas as terras conhecidas, de além de toda a desgraça. E a relíquia santa que ele tem para vos dar é a felicidade e o orgulho bom de ter-des um filho perfeito e um herdeiro do vosso nome e poder. Os reis ficaram assombrados com tamanha felicidade e quase não queriam crer no que viam. Foram todos para o palácio real, deixando a Princesa quem governasse a albergaria e continuasse a receber os peregrinos e a tratá-los com afectuoso interesse. Fizeram-se grandes festejos, houve regozijo geral, e o Príncipe, que deixou de se chamar o Monstro para ser o Formoso, foi chamado herdeiro do reino. Lembrou-se o Príncipe das suas duas primeiras noivas e chamou o seu génio protector, para que as tornasse a fazer como eram, pois ele tudo lhes perdoava. Quando elas souberam a história do Príncipe ficaram arrependidas, e, por saberem o que custa sofrer injustamente, juraram nunca mais serem más. E porque sempre o mantiveram, sem inveja da felicidade e posição de sua irmã, foram também felizes. Contam as lendas que a Princesa e o Príncipe Monstro foram desde então muito ditosos e que neles e nos filhos que tiveram e em todos os seus descendentes se manteve a protecção do génio de um bom destino que lutara e vencera a má sorte. Mas porque haviam conhecido as lutas e desditas foram mais perfeitos na felicidade e os melhores reis de quantos governaram aquele grande reino de outrora. [[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História do Príncipe Monstro]] depcus5qeckeaqo3fo9syvvr1vdlgaq 566390 566389 2026-10-20T15:19:27Z Mt516 43586 566390 wikitext text/x-wiki {{navegar | título = [[../]] | autor = Ana de Castro Osório | tradutor = | seção = História do Príncipe Monstro | anterior = [[../História do mercador e seus três filhos/]] | posterior = [[../Príncipe com orelhas de burro/]] | notas = }} '''<big>HISTÓRIA DO PRÍNCIPE MONSTRO</big>''' UM Rei e uma Rainha, de um grande reino de outrora, viviam muito desconsolados por não terem filhos. A Rainha principalmente sentia com isso tal desgosto que, chegando uma vez a uma varanda no seu palácio e vendo umas criancinhas a brincar na rua, gritou: — Ai quem me dera ter um filho, ainda que fosse um monstro! Daí a tempo nasceu um Principezinho em palácio. Mas, com espanto de todos, era um verdadeiro monstro. O seu corpo, coberto de pêlo de animal, não tinha forma humana, antes parecia o de um urso. Não se pode imaginar de um ser humano coisa mais horrorosa! O Rei, cheio de mágoa e de vergonha, deu ordem para que jamais o triste monstro saísse do seu quarto nem de dia nem de noite. Assim queria evitar que no Mundo se soubesse a sua desventura e que nas cortes estrangeiras, e mesmo em casa dos seus súbditos, fosse motivo de troça. A Rainha escolheu um bom quarto com um terraço que não era visto da rua, mas donde a infeliz criança podia ver o que se passava e recrear-se, ainda que só de longe, com a verdura dos campos, os jardins, pomares e o canto dos pássaros. Chamou um velho criado da sua confiança para aio do filho, porque, apesar dele ser um mísero ente disforme, não deixava de o amar com ternura. Não queria o Rei que ninguém o visse. Mas um dia que, iludindo a vigilância do aio, chegou até à sala das damas, elas fugiram gritando e levantando a cidade com o alarido, dizendo que no palácio andava um bicho medonho. O pai possuiu-se de tamanha fúria e disse tais horrores, que a triste mãe cuidou morrer de pena. Por este motivo, é claro que nunca teve professores além da Rainha e do velho aio. Mas a sua inteligência era tão viva que tudo aprendia sem custo, quanto lhe ensinavam e o muito que lia constantemente. Além disso era muito bom e, se não fossem os estranhos, a mãe nem já teria desgosto duma fealdade que escondia uma tão linda alma. Quando chegou à idade varonil disse um dia para o criado: — Amigo, vai dizer a meu pai que me arranje noiva, de contrário o seu palácio será arrazado, o seu país será devastado e os seus súbditos, desesperados, matá-lo-ão. — Ó menino, como pode isso ser?! Quem há-de fazer tanto dano a um tão rico e poderoso Rei? Não sabe que é o nosso exército o maior do Mundo? Que os mares estão coalhados com os navios da nossa armada? E os nossos generais são os mais hábeis e valentes? E as nossas fortalezas são inexpugnáveis?!… — Deixa! Não há exércitos nem armadas, generais nem fortalezas que vençam o destino dos povos. E o Destino quer que meu pai me dê uma esposa. De contrário o seu reino será arrazado. É a ordem que eu recebi de quem pode mais do que todos os reis da Terra. Foi o bom do homem dar parte aos monarcas do que dissera o Príncipe. Apertaram as mãos na cabeça, gritando: — Qual será a mulher que se há-de sujeitar a casar com um monstro? Um velho ministro que estava presente respondeu: — Não me parece coisa difícil encontrar mulher para o Príncipe, visto que é senhor duma grande fortuna e possível herdeiro dum grande reino. A maior parte das pessoas só querem o dinheiro e as grandezas do Mundo, e pouco lhes importam os meios porque as obtêm. A Rainha do país vizinho tem três filhas formosas e ficará satisfeitíssima se lhe forem pedir a mão dalguma delas para o Príncipe. O Rei aceitou o conselho do ministro e logo o encarregou da embaixada que devia ir buscar a noiva do Príncipe Monstro. A velha Rainha, que era ambiciosa e má e até passava por feiticeira, ficou doida de alegria, pois toda a sua raiva era ser soberana dum país pequeno e pobre enquanto ao seu lado os reis, pais do Príncipe Monstro, governavam um enorme país, próspero e belo. Achando pois que era uma grande honra aquele pedido e esperando ver nele um caminho para a sua ambição, chamou a filha mais velha e ordenou-lhe que se preparasse para seguir com a embaixada. — Mas eu não quero casar com o Príncipe Monstro, porque dizem que é um bicho e será capaz de matar-me. — Se te matar é porque és tola. Eu dou-te um canivete de prata e com ele tirarás os olhos ao Monstro, que morrerá imediatamente. E tu serás um dia a Rainha de um grande povo. A Princesa convenceu-se logo e combinaram com o embaixador o dia da partida. Ora o Príncipe Monstro estava nessa noite no seu quarto, triste e só como de costume, entregue ao estudo que das injustiças da sorte o consolava quando o génio que já o visitara uma vez para lhe ordenar que mandasse procurar noiva, lhe apareceu e disse: — Príncipe, amanhã virá a senhora que aceitou ser tua esposa. É preciso que a vás esperar para experimentares os seus sentimentos, pois só te é dado casar com uma mulher de grande bondade e coração leal. Aqui tens um fato de veludo e seda, próprio dum Príncipe. Lá em baixo espera-te um cavalo do mais puro sangue, como teu pai os não tem nas suas caudelarias reais. Monta-o e parte a galope a esperar a tua futura noiva, conversa com ela, e pergunta-lhe o que pensa a teu respeito. Mas, diga o que disser, não te dês a conhecer. No dia seguinte levantou-se o Príncipe, vestiu-se com o fato que lhe fora deixado por seu protector e logo se transformou num elegante mancebo. Desceu as escadarias por entre a turba dos cortesãos, sem que ninguém se lembrasse de sonhar que tão garboso cavaleiro era o Príncipe Monstro. E montando o cavalo, que à porta o esperava, partiu a galope seguindo o caminho que devia trazer a noiva. Quando chegou junto da formosa senhora, que vinha na carruagem seguida de numerosa comitiva própria, aumentada com a que lhe tinham mandado os reis seus pais, cumprimentou-a com galanteria e perguntou: — Sois vós, formosa dama, que vindes casar com o Príncipe Monstro? — Sim, sou eu mesma! — Mal empregada! Dizem que ele é um bicho horroroso, bem capaz de vos matar. — Não mata, que minha mãe deu-me este canivete de prata para lhe tirar os olhos. Ele morrerá logo, e eu ficarei senhora do seu reino. O Príncipe cumprimentou-a outra vez e voltou muito triste para o palácio. Apareceu-lhe de novo o génio e perguntou o que dissera a menina. — Disse — volveu o Príncipe Monstro com tristeza — que tem um canivete para me tirar os olhos! — Não é digna de ser tua mulher — exclamou o génio e desapareceu. A futura Princesa chegou muito satisfeita com as homenagens e festas que lhe fizeram, e nem se lembrou de perguntar por seu noivo senão quando lho apresentaram para se realizar a cerimónia. Então assustou-se e disse consigo: — Ai, que medonho é! Tomara já tirar-lhe os olhos para ficar senhora do reino, sem ver mais semelhante bicho ao pé de mim! Logo que foi celebrado o casamento, recolheu-se o pobre monstro ao quarto e pôs-se a chorar. Só muito tarde, quando terminou o baile, a Princesa foi ver se ele dormia. Como estava acordado sentou-se à espera de que adormecesse para realizar o seu intento. Mas o Príncipe era tão feio e monstruoso que para o não ver cobriu a cabeça, o que a fez cair imediatamente num pesado sono. Logo que adormeceu, abriu-se a janela com estrondo e o génio entrou por ela, pegou na menina adormecida, e ia levá-la quando o Príncipe Monstro lhe perguntou se lhe ia fazer mal. — Olha! Levantou o véu que lhe cobria a cara e o Príncipe recuou horrorizado vendo-a tão feia e tão disfigurada que ninguém que a tivesse visto antes, linda e sã, seria capaz de a reconhecer. — Mas, o que é isto?! — disse o Príncipe recuando aflito. — O rosto deverá ser o espelho da alma. Nestas rugas horrorosas represento a sua alma chagada de vaidade e orgulho. Agora vou deixá-la na praça pública, e, quando amanhã se vir desprezada e escarnecida por todos, talvez compreenda a injustiça do seu procedimento para contigo. — Não a trateis mal, que eu perdoo-lhe tudo. — Mais tarde o farás. Adeus! No dia seguinte perguntaram a noiva por toda a parte, em vista do Monstro ter dito que ela tinha saído. Mas só pelas ruas encontraram uma mulher gritando que era a Princesa, mas tão descomposta, feia e miserável que a tomaram por doida e foi levada para o hospital. Passados oito dias, tornou o Príncipe Monstro a dizer ao aio: — Vai dizer a meu pai que me arranje noiva. De contrário o seu palácio será arrazado, o seu reino devastado, e os seus súbditos, desesperados, matá-lo-ão. — Ó menino, como pode isso ser, se a primeira noiva desapareceu sem ninguém saber como!? — Embora! Vai lá dizer isto, porque é a ordem que tenho, de quem pode mais do que todos os reis da Terra. O aio foi falar aos reis, que apertaram as mãos na cabeça. Mas ainda desta vez os auxiliou com o seu conselho o velho ministro, dizendo que a mesma Rainha daria por bem empregada no Príncipe Monstro a segunda filha. Foi pois encarregado da embaixada e de trazer a noiva que tão à viva força era pedida. O embaixador partiu de caminho, e, como da primeira vez, a velha Rainha encheu-o de obséquios, e disse-lhe logo que sim, sem mesmo perguntar o que era feito da filha mais velha. Chamou a segunda e disse-lhe que se preparasse para ir casar com o Príncipe Monstro. — Sim, para desaparecer como desapareceu minha irmã, que talvez fosse comida por esse horrível bicho?!… — Se assim sucedeu, a culpa foi só dela, porque lhe dei defesa, como te dou a ti. E entregou-lhe uma tesourinha de prata para tirar os olhos ao marido. No dia seguinte, à hora em que a nova Princesa havia de vir em caminho, apareceu o génio seu protector ao Príncipe Monstro e disse-lhe: — Despe essa pele que te desfigura, Príncipe. Ali tens fato de rei e em baixo te esperará o melhor cavalo. Vai esperar a tua noiva e vê o que ela te diz. O Príncipe assim fez. Quando chegou perto da Princesa, mal pôde romper até à carruagem, tanto era o povo que se reunira para ver a famosa comitiva. Mas quem via tão magnífico cavalo e tão belo cavaleiro, logo se afastava murmurando: — Este e não o Monstro, é que deveria ser o nosso Príncipe. Acercou-se da noiva e perguntou: — É Vossa Alteza quem vem casar com o Príncipe Monstro? — Sou eu a noiva do Príncipe. — Mal empregada! Se a primeira mulher era bonita, Vossa Alteza ainda o é mais. Dizem que a matou, porque é um horrendo bicho. — Se a matou é porque minha irmã era tola, pois a nossa mãe, assim como me deu esta tesourinha de prata para lhe tirar os olhos, também lhe deu a ela um canivete para o mesmo fim. — E a Princesa será capaz de fazer isso? — Sou, porque o que eu quero é ser Rainha. Que me importa a vida do mostrengo? O Príncipe cumprimentou e dando volta ao cavalo voltou para casa na maior tristeza. Quando chegou ao quarto vestiu a pele e logo lhe apareceu o génio perguntando o que se passara: — Traz uma tesourinha para me tirar os olhos! — disse o Príncipe, com a maior tristeza. — Pois ainda esta não será tua mulher — disse o génio e desapareceu. Chegou a noiva ao palácio, sendo muito bem recebida por toda a corte que a achava mal empregada para o pobre e desventurado Príncipe, já considerado um monstro de maldade também. Também esta Princesa não se incomodou a perguntar sequer por seu noivo. Só quando o viu na hora do casamento é que tremeu de susto, tão horripilante aspecto ele tinha. Meteu a tesoura no peito e disse consigo: — Logo quando dormires me livrarei de ti e ficarei senhora destes Reinos, sem o desgosto de te ver. O desgraçado recolheu logo ao seu quarto, e, no fim do baile, foi a Princesa pé-ante-pé ver se o esposo dormia. Como o visse acordado, sentou-se numa cadeira à espera que o sono lhe entregasse a vítima. Mas daí a instantes foi ela que caiu num sono tão forte que não pôde resistir e fechou os olhos. Apareceu logo o génio que a tomou nos braços e ia levá-la, quando o Príncipe lhe perguntou o destino que lhe daria. — O mesmo que à outra — respondeu. — Isso não! Ninguém tem direito de fazer mal. Deixe-a, que ela se arrependerá. — Pois bem, ficará formosa como é. Mas o castigo mais cruel será ainda, para uma alma tão ambiciosa e vil. Porque a vou condenar à pobreza e trabalhará para viver. Se fosse boa e modesta, seria feliz na pobreza como na abundância. Assim, a sua própria alma se encarregará de a fazer sofrer todos os martírios, sentindo os seus orgulhos aviltados e as ambições despedaçadas. No dia seguinte, quando as aias vieram para vestir a senhora, disse-lhes o Príncipe que ela tinha saído. Procurada por toda a parte, só encontraram numa água-furtada uma menina parecida com a Princesa. Mas ninguém acreditou que fosse ela quem vivia em tão grande pobreza, convenceram-se de que era uma intrujona, intriguista e ambiciosa, querendo aproveitar-se do desaparecimento da Princesa, devorada por seu noivo o Príncipe Monstro. Os reis vestiram-se de luto e houve sentimento geral. Mas passados quinze dias voltou o Monstro a dizer ao aio que prevenisse o pai que lhe arranjasse noiva, aliás o seu palácio seria arrazado, o reino devastado, e os súbditos, desesperados, o matariam. Porque mais que todos os reis da Terra pode o génio do Destino. O pobre monarca atou as mãos à cabeça, mas não havia remédio senão obedecer. Ainda desta vez o velho ministro se encarregou de ir buscar a terceira filha da Rainha ambiciosa. Foi o embaixador com grande comitiva, e, ao fazer a medo o seu pedido, logo respondeu a Rainha que a menina estava preparada e no dia seguinte partiriam. Depois chamou a filha e disse-lhe: — A menina prepare-se para ser Rainha, pois o Príncipe Monstro lhe dá a honra de a mandar pedir para esposa. — Então as minhas irmãs, que é feito delas? — Morreram por sua culpa, pois que eu lhes dei armas para se defenderem, assim como lhe darei a si. — Não me dê nada, que é escusado. Ou não hei-de casar, ou casando é para estimar meu marido e não para o matar. A Rainha ficou desesperada, pois era uma feiticeira que tudo fazia para mal do Príncipe e do reino que tanta inveja lhe causava. Tão desesperada ficou com a resposta da mais nova das Princesas, que nem lhe deu ninguém que a acompanhasse. No dia em que a menina havia de chegar apareceu o génio do Destino ao Príncipe, trazendo-lhe um fato riquíssimo e disse-lhe: — Despe a tua pele; enverga este fato, monta a cavalo e vai esperar a Princesa a ver o que ela te diz. O Príncipe assim fez. Mas ficou admirado ao ver a noiva, que era mais formosa ainda do que as outras, modestamente vestida, sem comitiva sua, despertando por isso pouca atenção do povo. Chegou ao pé da carruagem, cumprimentou-a e perguntou-lhe se era a noiva do Príncipe Monstro. — Sou eu a própria! — respondeu. — Mal empregada! Se as outras Princesas eram bonitas, Vossa Alteza ainda tem maior formosura. Dizem que ele as matou porque é muito mau. — Não sei se é bom ou mau. Minha mãe queria dar-me defesa mas eu recusei-a. — Fez mal, porque segundo consta é um bicho medonho, capaz de a tragar. — Deixá-lo. Desde que eu o aceito como esposo é para o estimar. Se tiver de matar-me será injustamente. Por mim não lhe farei mal. — Pense, Princesa, que ainda é tempo! — Já pensei e não volto atrás com as minhas ideias. Quem aceita o bem, aceita o mal que ele possa trazer. O Príncipe cumprimentou-a, e, cheio de alegria, partiu a galope para o palácio, onde já encontrou o génio a quem referiu a conversa. — Bem, encontrámos enfim a que há-de ser tua mulher. Nisto chegou a Princesa e todos ficaram admirados de a verem tão só, simplesmente acompanhada pela embaixada que a fora buscar e sem ninguém do seu país. Mais bonita do que as outras, era muito modesta nas maneiras, assim ainda mais distintas do que as das vaidosas irmãs. Por isso toda a corte ficou a gostar da nova Princesa e a lamentar o perigo que ela ia correr. Cumprimentando os reis, perguntou logo onde estava o Príncipe que seria seu esposo, pois lhe parecia mal não o ver entre os seus. Responderam-lhe os reis que ele estava no seu quarto e só apareceria para a cerimónia do casamento. Mas a Princesa insistiu e não houve remédio senão ir chamar o noivo, de quem a corte se começou a rir, imaginando agradar assim à que ia ser Rainha. Tal não sucedeu, porém, pois a menina mostrou que não gostava de tanta falta de piedade e, chegando ao Príncipe cumprimentou-o com delicadeza, não mostrando reparar na sua fealdade. Imaginem a alegria e reconhecimento do pobre feio quando se viu tratado com tanta piedade e gentileza. No dia do banquete, como havia muitos príncipes e embaixadores de fora, queriam os reis que não aparecesse à mesa o Príncipe Monstro. Mas a noiva disse que se não viesse o noivo assistir ao banquete também a noiva ali não deveria estar. Com vontade ou sem ela, tiveram de aceitar o que desejava a Princesa, e muito admirava os reis e a corte, e mais por ser tudo ao contrário do que as irmãs tinham feito. Quando chegou a noite, o Príncipe foi para o seu quarto e depois foi a Princesa ver se ele já dormia. Mas qual não foi o seu espanto, vendo o mesmo belo cavaleiro que no caminho lhe tinha falado, em vez do Monstro. — O que é isto, senhor?!… — Entre, Princesa, que sou eu o Príncipe Monstro! Para todos continuarei a ser feio, monstruoso e talvez mau. Só para a boa esposa que a minha felicidade me deparou, despirei o encanto que me desforma e mostrar-me-ei tal qual sou. No dia seguinte, quando todos esperavam que a Princesa tivesse desaparecido, entrou na sala do trono pelo braço do esposo e foram beijar a mão dos reis. Assim se passou muito tempo até que um dia a Rainha-mãe disse à nora: — A menina há-de dizer-me porque estima tanto meu filho. O meu amor de mãe não me esconde que ele é medonho e causa horror a toda a gente… — O Príncipe é muito bom e é muito meu amigo. Por isso o estimo. Mas a Rainha tanto insistiu que a Princesa contou-lhe tudo: — como o Príncipe andava encantado e a sua gentileza e formosura. — Pois a Princesa, quando ele estiver a dormir há-de dar-me a pele para eu deitar ao rio, porque não a tendo para vestir, acabar-se-á o encanto. Assim faremos a alegria do Rei, seu pai, e de todo este povo. E também me tarda a mim, que sou mãe, conhecer o meu verdadeiro filho. Estas razões e as lágrimas de alegria de boa Rainha-mãe convenceram fàcilmente a Princesa. De noite, quando o Príncipe estava dormindo, entregou à Rainha a pele mágica de fera que em monstro horrendo o transformava. Mas tão depressa a Rainha atirou a pele de monstro às águas do rio, acordou o Príncipe com um grito de terror e disse para a Princesa: — Ai, desgraçada, que me dobraste o encanto! Corre à janela, se me queres ver. E logo se transformou num pássaro verde e fugiu, voando, até que desapareceu da vista da Princesa, que em vão o chamava com gritos de desespero. Acudiu toda a gente do palácio, mas só a encontraram estendida por morta no chão, pois quando deixou de avistar o pássaro verde desmaiara de dor. Algum tempo se passou em que a Princesa esteve entre a vida e a morte. Quando se levantou da cama, pediu ao Rei que lhe desse um palácio com alojamentos que servissem de albergaria a peregrinos, pois nenhum bem poderia gozar na corte. Fizeram-lhe a vontade, e a Princesa, acompanhada por uma criada da sua maior confiança, foi para lá viver, na esperança de saber notícias do Príncipe Monstro ou do pássaro verde, por algum peregrino que viesse de longes terras. As portas do albergue estavam sempre abertas, e quem queria entrar tinha a certeza de encontrar boa cama, comida abundante e lume na lareira durante os frios do inverno. A criada da Princesa vinha então, quando os pobres estavam reunidos e contavam as suas aventuras em longes terras porque tinham passado, escutar o que diziam, a ver se dava a boa nova duma indicação sobre o pássaro verde à sua pobre ama. Muito tempo se passou sem que lhe viesse aos ouvidos nenhum indício do Príncipe Monstro nem do pássaro verde. E a Princesa, cada vez mais triste, começava a desanimar. Até que numa noite de inverno, em que a albergaria estava cheia de pobres e peregrinos, e eles se distraíam contando coisas maravilhosas que seus olhos de vagabundos tinham presenciado, um deles, um velho de longas barbas brancas, quebrou o silêncio que tinha guardado desde o princípio da noite e disse: — Estão vocês admirados com o que têm visto, que são coisas naturais e que todos os dias sucedem. O que diriam então se assistissem ao que eu vi hoje por volta do meio-dia? Para me livrar da grande calma sentei-me debaixo de uma oliveira na berma do caminho. Nisto, vejo eu vir um pássaro verde muito bonito, seguido por mais sete pássaros que traziam uns alforgezinhos sob as asas. O pássaro verde tirou dos seus alforges um pão e um queijo e fez oito quinhões que repartiu por todos os pássaros dizendo: ''— Toma tu, toma tu, toma tu…'' E deixou ficar o oitavo quinhão dizendo: ''Este é para a Princesa da Calçada, que não é viúva, nem solteira, nem casada.'' Levantaram o voo e adeus, não os tornei a ver! A criada, que isto ouviu, foi a correr contar aquela boa nova à sua senhora. A Princesa mandou pedir ao pobre que subisse para lhe ir contar a ela esse caso tão extraordinário. Entrou o pobre e diante da Princesa disse o mesmo que já tinha contado aos outros pobres e peregrinos. — Isso há-de ser uma coisa linda! — disse a Princesa. — Amanhã há-de levar-nos lá, a mim e à minha criada. — Da melhor vontade, senhora. E aquilo tem que ver. Com esta idade que tenho ainda não assisti a coisa semelhante. O pior é ser longe. No outro dia de madrugada mandou a Princesa arranjar uma carruagem, embrulhou-se numa capa, e, acompanhada pela criada e o pobre, partiu. Antes do meio-dia chegaram a um sítio onde uma enorme oliveira era a única sombra à beira do caminho. — Foi aqui, disse o pobre. Sentaram-se e esperaram. Daí a momentos viram chegar o pássaro verde, que a Princesa logo reconheceu, seguido pela sua comitiva de pássaros, e fazer o mesmo da véspera. Quando não tinha senhão um quinhão, disse: ''Este é para a Princesa da Calçada, que não é viúva, nem solteira, nem casada.'' A Princesa correu para ele estendeu a mão e disse: — Então é para mim! Instantâneamente o pássaro verde se transformou no bonito homem que era, e gritou: — Obrigado, obrigado! Com o teu amor e a tua coragem, soubeste quebrar o meu encanto para sempre. E o antigo Príncipe Monstro de novo e para sempre desencantado e a Princesa abraçaram-se com lágrimas de alegria. Ela envolveu-o na capa e, amparando-o, levou-o para a carruagem enquanto os outros pássaros, seus companheiros, voavam para longe no seu fadário, até que um dia houvesse quem os desencantasse também. Chegados ao palácio, a Princesa deu um saco de dinheiro ao pobre, pedindo-lhe que não tornasse a mendigar e que se algum dia tivesse precisões, a procurasse ou ao Príncipe que da melhor vontade o socorreriam. Mandou a Princesa, depois, um recado ao Rei e à Rainha para que fossem vê-la, pois na albergaria estava um peregrino que viera de longe e lhes queria dar em mão uma relíquia sagrada. Logo que chegaram levou-os ao quarto e apresentou o Príncipe Monstro transformado no mais elegante e belo dos homens. — Este é o peregrino — disse a Princesa. — Vem de mais longe que todas as terras conhecidas, de além de toda a desgraça. E a relíquia santa que ele tem para vos dar é a felicidade e o orgulho bom de ter-des um filho perfeito e um herdeiro do vosso nome e poder. Os reis ficaram assombrados com tamanha felicidade e quase não queriam crer no que viam. Foram todos para o palácio real, deixando a Princesa quem governasse a albergaria e continuasse a receber os peregrinos e a tratá-los com afectuoso interesse. Fizeram-se grandes festejos, houve regozijo geral, e o Príncipe, que deixou de se chamar o Monstro para ser o Formoso, foi chamado herdeiro do reino. Lembrou-se o Príncipe das suas duas primeiras noivas e chamou o seu génio protector, para que as tornasse a fazer como eram, pois ele tudo lhes perdoava. Quando elas souberam a história do Príncipe ficaram arrependidas, e, por saberem o que custa sofrer injustamente, juraram nunca mais serem más. E porque sempre o mantiveram, sem inveja da felicidade e posição de sua irmã, foram também felizes. Contam as lendas que a Princesa e o Príncipe Monstro foram desde então muito ditosos e que neles e nos filhos que tiveram e em todos os seus descendentes se manteve a protecção do génio de um bom destino que lutara e vencera a má sorte. Mas porque haviam conhecido as lutas e desditas foram mais perfeitos na felicidade e os melhores reis de quantos governaram aquele grande reino de outrora. [[Categoria:Histórias maravilhosas da tradição popular portuguesa|História do Príncipe Monstro]] bk6od7c40s7pqysqcgvw1a203iyocyo Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/638 106 259229 566391 2026-10-20T16:55:49Z MLReis 41056 /* Revista */ Transcrição integral conferida com o fac-símile; formatação e marcação dos lemas, categorias e definições. 566391 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|430|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" |- | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <div style="text-align:justify; line-height:1.25"> <p style="margin:0 0 0 1em">arrematar mais e ſegurar [a amizade] fez hum Governador do Reino com aprazimento dos Mandarins e da Rainha. Dias, Paix. 3 Sem mais regatear, ſe deo por contente, e arrematou a venda. Sous. Vid. 4, 30 Mas ſe deſejou morrer, he por acabar de ſahir deſte máo mundo e arrematar contas com tudo, que não he Deos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Dar a venda ou arrendamento de alguma couſa ao que em leilão ou publicamente lançou mais nella.}} Gil Vic. Obr. 4, 221 Quem quizer vir arrendar as charnecas de Coruche, antes que o lanço mais puxe, que ſe querem arrematar. Prov. da Hiſt. Gen. 2, 4, 103, p. 590, ann. 1533. E por eſta lha arrematamos no dito lanço das nove &c. Conſt. dos Coneg. Regram. 3, 16, 84 Se algum Prior ao tempo do arrendar as rendas, as arrematar ſem conſelho do convento &c.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar o ramo}} {{Uso|uf.}} {{Def|O meſmo que Arrematar na precedente ſignificação.}} Era coſtume no acto da arrematação dar um ramo à peſſoa a que ella ſe fazia. Met. Ferr. de Vaſc. Aulegr. 3, 2 Dão preſſa a arrematar-vos o ramo, por ſe verem livres de ſeu fadario.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. a.}} {{Uso|T. de Alfaiate ou Coſtureira, uf.}} {{Def|Segurar a coſtura com dobrado ponto ou com algum nó.}}</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar as terras}} {{Uso|Agric.}} {{Def|Tornar a lavrar o que já eſtava ſemeado.}} Babeos. Dict.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar os milhos}} {{Uso|Agric.}} {{Def|Dar-lhes ſegundo facho.}} Barbos. Dict.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. a.}} {{Uso|vulg.}} {{Def|Praguejar, dar ao diabo.}} Bent. Per. Thes.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. n.}} {{Def|Servir de remate, ou terminar em remate.}} Também ſe uſa com pron. peſs. e ſe diz particularmente das fábricas de architectura. Camp. Receb. 71 E no ponto do fronteſpicio acabava de ſe arrematar toda a obra em hum altar. Sous. Hiſt. 2, 2, 18. Addiç. Finalmente ſobre eſſa ultima peça arremata hum globo cercado de huns quartões &c. Luz, Serm. 1, 117, 1. Mas toda a machina deſta arca, como de hum pyramide, mandou Deos, que ſe arremataſſe em hum covado.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Acabar-ſe, finalizar-ſe, fenecer, concluir-ſe.}} Souv. Hiſt. 3, 12 Mandou logo armada, e na Mina fazer huma fortaleza, como a lançar a primeira pedra da obra, que ſe havia de ir fazer e arrematar na parte do Oriente. Sous. Vid. 5, 1 Por outra [parte] cortava-lhe as entranhas ver arrematar huma vida tão inculpavel com morte tão penoſa. L. Brand. Medit. 4, 7, 376, p. 520 E eſta he a miſericordia do Senhor, não julgar noſſas obras pelos defeitos com que começam; attenta aos ſucceſſos com que ſe arrematão.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDADO, A}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arremedar.}} Ceit. Quadrag. 2, 104, 1. Sous. Vid. 6, 5. Hiſt. 2, 2, 17.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{catgram|Subſt.}} {{Def|O meſmo que Arremedo.}} D. Hilar. Voz, 11, 59 Queria dizer eſte Santo Doutor, que os arremedados da cobiça de fóra parecem communs com as obras da caridade. Ceit. Quadrag. 1, 23, 4 De maneira que ſubio o poder da creação a fazer ao homem hum arremedado de Deos. Vieir. Serm. 1, 3, 3, col. 168 Se os Gentios derão fé ao arremedado ſomente dos noſſos myſterios, porque a não hão de dar ao verdadeiro delles?</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDADOR, ORA}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O que e a que arremeda.}} Pint. Per. Hiſt. Prol. Salluſtio ... também de muitos foi geralmente vituperado, chamando-lhe ladrão de Thucydides e dos annales de Marco Catão, arremedador da antiguidade &c. M. Bern. Floreſt. 4, 1, 267 Plinio com o ſeu arremedador Solino &c. No fem. D. Hilar. Voz, 11, 58 A ambição he huma certa bugia da caridade, iſto he, arremedadora da caridade.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDAR}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Imitar.}} Das peſſoas a reſpeito de outras, em boa parte. S' de Mir. Estrang. Ded. Esta ſó lembrança lhe fiz à partida, que ſe não deſculpaſſe de querer às vezes arremedar Plauto e Terencio. Mor. Palm. 2, 134 Criava temor, e punha medo em qualquer peſſoa, e em os eſforçados inveja e cobiça de os quererem arremedar. Er. Marc. Chr. 1, 1, 47 Em verdade vos affirmo, que todos os outros Religioſos havião de arremedar e ſeguir a eſte varão. {{Def|Contrafazer alguma couſa para que ſeja ſemelhante a outra.}} Das peſſoas a reſpeito das couſas ou acções. Mor. Palm. 1, 90 Muito a que era obrigado pera arremedar os feitos de ſeu pai e avós. Luc. Vid. 6, 4 O Governador arremedando os arcos de Tito e columnas de Trajano, ennobreceo os muros, portas e entradas </div> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <div style="text-align:justify; line-height:1.25"> <p style="margin:0 0 0 1em">da cidade de Goa. Ceit. Serm. 2, 157, 3 O Medico remedeia a natureza, e o Pintor arremeda-a.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Das couſas a reſpeito de outras.}} Sous. Vid. 2, 29 He o edificio forte, fundado de paredes groſſas e dobradas, que querem arremedar fortaleza bellicoſa.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Fazer as meſmas acções, geſtos ou viſagens, que outro faz, para o eſcarnecer ou por zombaria.}} Luc. Vid. 3, 7 Quando os malignos Espiritos ſe puzerão no coro a arremedar os Clerigos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imitação ou ſemelhança de huma couſa com outra.}} Ceit. Serm. 2, 219, 4 E ſem duvida que nella por ſua pureza ſe depoſitou o divino Espirito com todos ſeus ſete dões em arremedo e imitação daquella divina flor, ſahida da vara de Jeſſé. Vieir. Serm. 1, 3, 3, col. 168 As fabulas dos Gentios, ſe bem ſe conſiderão, ſão huns arremedos ... dos myſterios dos Chriſtãos. M. Bern. Luz e Cal. 2, 1, 328 Primeiramente o amor ſempre intenta aſſemelhar os que ſe amão; porque leva a mira em os unir, e a união, que he hum arremedo da unidade, começa pela ſemelhança dos extremos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESQUINHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Uso|vulg.}} {{Def|Arrabiques, e adereçozinhos de pôr no roſto, como ſignaes, &c.}} Blut. Vocab. Suppl.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSADAMENTE}} {{catgram|adv. mod.}} {{Uso|pouc. uf.}} {{Def|Inconſideradamente, com precipitação.}} Parad. Art. 2, 21, 114, col. 3 Não ha poder e mageſtade tão ſoberana, que poſſa uſar da confiança arremeſſadamente ſem cautela.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSADO, A}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arremeſſar.}} Cort. R. Naufr. 5, 52. Cerc. 6, 66. Vieir. Serm. 9. do Ros. 9, 6, 346.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{catgram|adj.}} {{Def|Que acomette ou ſe arremeſſa furioſamente, ardido, violento, impetuoſo.}} Fr. Th. de Jes. Trab. 2, 3, 70 Alevantados pois todos os daquelle infernal conſelho, e arremeſſados ao brando cordeiro às bofetadas &c. Sous. Hiſt. 1, 3, 12 E pudera com razão ſer arremeſſado executor.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Temerário, imprudente, inconſiderado, precipitado.}} Das peſſoas. Fr. Th. de Jes. Trab. 1, 13, 311 Ser muito ponderado na propria honra, e nas conjunções e modos com que ha de fazer o ſeu, e muito arremeſſado no alhêo, he zelo monſtruoſo, e pela maior parte aproveita pouco. Ceit. Quadrag. 1, 57, 1 Os homens pelo que ouvem ſão mui coléricos e arremeſſados.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Das acções e couſas.}} Sous. Vid. 5, 11 Acto ao parecer arremeſſado, e que em tal lugar fora reprehenſivel. Pint. Rib. Rel. 1, 30 Daqui deſta juſtiça voluntaria brotão as ſentenças arremeſſadas e injuſtas, alheas de toda a tenção da lei.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSADOR, ORA}} {{catgram|adj.}} {{Def|Que arremeſſa.}} Bent. Per. Thes.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSAMENTO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção e effeito de arremeſſar.}} Bent. Per. Thes.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSAR}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Arrojar, lançar com força.}} (Arremeçar) {{Uso|ant.}} Arremeſſar. Reg. alg. c. a, em, por. Cam. Lus. 6, 79 Nem tanto o grão Tonante arremeſſou relampagos ao mundo fulminantes. Luc. Vid. 5, 17 Sonhava que cahia no pégo, ou que o touro o arremeſſava pelos ares. Leon. da Coſt. Convers. 3 Eu no chão arremeſſando o fuſo, me fui andando. {{Def|Particularmente armas miſſivas, ou qualquer couſa com que ſe atira para offender.}} Gavi, Cerc. 14, 51 Arremeſſando dardos e lanças nos imigos. Cort. R. Cerc. 14, 241 Outros, que agudos dardos arremeſſão &c. Sous. Hiſt. 1, 2, 5 Começou também [o gallo] a ſua natural muſica, replicando-a com tanta importunação e deſaſſoſſego, que o Santo lhe arremeſſou o bordão. Met. Sous. Vid. 1, 6 Como o vulgo em tudo arremeſſa ſeu voto &c. Maus. Aff. Afr. 3, 49 Começa arremeſſar com novo eſpanto o céo lanças de fogo, d'agoa raios. {{Def|Repellir, empuxar, mover com violencia do lugar em que eſtava.}} Lou. Ecl. 6 Senão quando chegando, o arremeſſa de ſi com tanta força e tanta ira, que lhe valeo ſoltar-ſe bem depreſſa. Sous. Hiſt. 1, 5, 3 Que como jogando com elle a pela, o arremeſſarão contra o moimento. Caſt. Ulyſs. 2, 3 Pelo convés entrando o mar irado, os duros marinheiros arremeſſa. Met. Fr. Marc. Chr. 1, 1, 74 Deſtruia todo o eſpirito da vaidade, arremeſſando e matando ſeus primeiros movimentos. {{Def|Incitar, fazer partir ou ſahir com impeto.}} Dos cavalleiros a reſpeito dos cavallos. Cam. Lus. 3, 50 Não foge, mas eſpera confiado, e o ginete bellicoſo arremeſſa. Brit. Mon. 2, 7, c. 14 Succedeo que arremeſſando </div> |}<noinclude></noinclude> jhf8peyqz9rwdqi1qhx50f4swi96kf1 566392 566391 2026-10-20T16:58:16Z MLReis 41056 566392 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|430|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" |- | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <div style="text-align:justify; line-height:1.25"> <p style="margin:0 0 0 1em">arrematar mais e ſegurar [a amizade] fez hum Governador do Reino com aprazimento dos Mandarins e da Rainha. Dias, Paix. 3 Sem mais regatear, ſe deo por contente, e arrematou a venda. Sous. Vid. 4, 30 Mas ſe deſejou morrer, he por acabar de ſahir deſte máo mundo e arrematar contas com tudo, que não he Deos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Dar a venda ou arrendamento de alguma couſa ao que em leilão ou publicamente lançou mais nella.}} Gil Vic. Obr. 4, 221 Quem quizer vir arrendar as charnecas de Coruche, antes que o lanço mais puxe, que ſe querem arrematar. Prov. da Hiſt. Gen. 2, 4, 103, p. 590, ann. 1533. E por eſta lha arrematamos no dito lanço das nove &c. Conſt. dos Coneg. Regram. 3, 16, 84 Se algum Prior ao tempo do arrendar as rendas, as arrematar ſem conſelho do convento &c.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar o ramo}} {{Uso|uf.}} {{Def|O meſmo que Arrematar na precedente ſignificação.}} Era coſtume no acto da arrematação dar um ramo à peſſoa a que ella ſe fazia. Met. Ferr. de Vaſc. Aulegr. 3, 2 Dão preſſa a arrematar-vos o ramo, por ſe verem livres de ſeu fadario.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. a.}} {{Uso|T. de Alfaiate ou Coſtureira, uſ.}} {{Def|Segurar a coſtura com dobrado ponto ou com algum nó.}}</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar as terras}} {{Uso|Agric.}} {{Def|Tornar a lavrar o que já eſtava ſemeado.}} Babeos. Dict.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar os milhos}} {{Uso|Agric.}} {{Def|Dar-lhes ſegundo facho.}} Barbos. Dict.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. a.}} {{Uso|vulg.}} {{Def|Praguejar, dar ao diabo.}} Bent. Per. Thes.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arrematar}} {{catgram|v. n.}} {{Def|Servir de remate, ou terminar em remate.}} Também ſe uſa com pron. peſs. e ſe diz particularmente das fábricas de architectura. Camp. Receb. 71 E no ponto do fronteſpicio acabava de ſe arrematar toda a obra em hum altar. Sous. Hiſt. 2, 2, 18. Addiç. Finalmente ſobre eſſa ultima peça arremata hum globo cercado de huns quartões &c. Luz, Serm. 1, 117, 1. Mas toda a machina deſta arca, como de hum pyramide, mandou Deos, que ſe arremataſſe em hum covado.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Acabar-ſe, finalizar-ſe, fenecer, concluir-ſe.}} Souv. Hiſt. 3, 12 Mandou logo armada, e na Mina fazer huma fortaleza, como a lançar a primeira pedra da obra, que ſe havia de ir fazer e arrematar na parte do Oriente. Sous. Vid. 5, 1 Por outra [parte] cortava-lhe as entranhas ver arrematar huma vida tão inculpavel com morte tão penoſa. L. Brand. Medit. 4, 7, 376, p. 520 E eſta he a miſericordia do Senhor, não julgar noſſas obras pelos defeitos com que começam; attenta aos ſucceſſos com que ſe arrematão.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDADO, A}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arremedar.}} Ceit. Quadrag. 2, 104, 1. Sous. Vid. 6, 5. Hiſt. 2, 2, 17.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{catgram|Subſt.}} {{Def|O meſmo que Arremedo.}} D. Hilar. Voz, 11, 59 Queria dizer eſte Santo Doutor, que os arremedados da cobiça de fóra parecem communs com as obras da caridade. Ceit. Quadrag. 1, 23, 4 De maneira que ſubio o poder da creação a fazer ao homem hum arremedado de Deos. Vieir. Serm. 1, 3, 3, col. 168 Se os Gentios derão fé ao arremedado ſomente dos noſſos myſterios, porque a não hão de dar ao verdadeiro delles?</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDADOR, ORA}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O que e a que arremeda.}} Pint. Per. Hiſt. Prol. Salluſtio ... também de muitos foi geralmente vituperado, chamando-lhe ladrão de Thucydides e dos annales de Marco Catão, arremedador da antiguidade &c. M. Bern. Floreſt. 4, 1, 267 Plinio com o ſeu arremedador Solino &c. No fem. D. Hilar. Voz, 11, 58 A ambição he huma certa bugia da caridade, iſto he, arremedadora da caridade.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDAR}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Imitar.}} Das peſſoas a reſpeito de outras, em boa parte. S' de Mir. Estrang. Ded. Esta ſó lembrança lhe fiz à partida, que ſe não deſculpaſſe de querer às vezes arremedar Plauto e Terencio. Mor. Palm. 2, 134 Criava temor, e punha medo em qualquer peſſoa, e em os eſforçados inveja e cobiça de os quererem arremedar. Er. Marc. Chr. 1, 1, 47 Em verdade vos affirmo, que todos os outros Religioſos havião de arremedar e ſeguir a eſte varão. {{Def|Contrafazer alguma couſa para que ſeja ſemelhante a outra.}} Das peſſoas a reſpeito das couſas ou acções. Mor. Palm. 1, 90 Muito a que era obrigado pera arremedar os feitos de ſeu pai e avós. Luc. Vid. 6, 4 O Governador arremedando os arcos de Tito e columnas de Trajano, ennobreceo os muros, portas e entradas </div> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <div style="text-align:justify; line-height:1.25"> <p style="margin:0 0 0 1em">da cidade de Goa. Ceit. Serm. 2, 157, 3 O Medico remedeia a natureza, e o Pintor arremeda-a.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Das couſas a reſpeito de outras.}} Sous. Vid. 2, 29 He o edificio forte, fundado de paredes groſſas e dobradas, que querem arremedar fortaleza bellicoſa.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Fazer as meſmas acções, geſtos ou viſagens, que outro faz, para o eſcarnecer ou por zombaria.}} Luc. Vid. 3, 7 Quando os malignos Espiritos ſe puzerão no coro a arremedar os Clerigos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMEDO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Imitação ou ſemelhança de huma couſa com outra.}} Ceit. Serm. 2, 219, 4 E ſem duvida que nella por ſua pureza ſe depoſitou o divino Espirito com todos ſeus ſete dões em arremedo e imitação daquella divina flor, ſahida da vara de Jeſſé. Vieir. Serm. 1, 3, 3, col. 168 As fabulas dos Gentios, ſe bem ſe conſiderão, ſão huns arremedos ... dos myſterios dos Chriſtãos. M. Bern. Luz e Cal. 2, 1, 328 Primeiramente o amor ſempre intenta aſſemelhar os que ſe amão; porque leva a mira em os unir, e a união, que he hum arremedo da unidade, começa pela ſemelhança dos extremos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESQUINHOS}} {{catgram|s. m. pl.}} {{Uso|vulg.}} {{Def|Arrabiques, e adereçozinhos de pôr no roſto, como ſignaes, &c.}} Blut. Vocab. Suppl.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSADAMENTE}} {{catgram|adv. mod.}} {{Uso|pouc. uf.}} {{Def|Inconſideradamente, com precipitação.}} Parad. Art. 2, 21, 114, col. 3 Não ha poder e mageſtade tão ſoberana, que poſſa uſar da confiança arremeſſadamente ſem cautela.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSADO, A}} {{catgram|p. p.}} {{Def|De Arremeſſar.}} Cort. R. Naufr. 5, 52. Cerc. 6, 66. Vieir. Serm. 9. do Ros. 9, 6, 346.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{catgram|adj.}} {{Def|Que acomette ou ſe arremeſſa furioſamente, ardido, violento, impetuoſo.}} Fr. Th. de Jes. Trab. 2, 3, 70 Alevantados pois todos os daquelle infernal conſelho, e arremeſſados ao brando cordeiro às bofetadas &c. Sous. Hiſt. 1, 3, 12 E pudera com razão ſer arremeſſado executor.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Temerário, imprudente, inconſiderado, precipitado.}} Das peſſoas. Fr. Th. de Jes. Trab. 1, 13, 311 Ser muito ponderado na propria honra, e nas conjunções e modos com que ha de fazer o ſeu, e muito arremeſſado no alhêo, he zelo monſtruoſo, e pela maior parte aproveita pouco. Ceit. Quadrag. 1, 57, 1 Os homens pelo que ouvem ſão mui coléricos e arremeſſados.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Das acções e couſas.}} Sous. Vid. 5, 11 Acto ao parecer arremeſſado, e que em tal lugar fora reprehenſivel. Pint. Rib. Rel. 1, 30 Daqui deſta juſtiça voluntaria brotão as ſentenças arremeſſadas e injuſtas, alheas de toda a tenção da lei.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSADOR, ORA}} {{catgram|adj.}} {{Def|Que arremeſſa.}} Bent. Per. Thes.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSAMENTO}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção e effeito de arremeſſar.}} Bent. Per. Thes.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|ARREMESSAR}} {{catgram|v. a.}} {{Def|Arrojar, lançar com força.}} (Arremeçar) {{Uso|ant.}} Arremeſſar. Reg. alg. c. a, em, por. Cam. Lus. 6, 79 Nem tanto o grão Tonante arremeſſou relampagos ao mundo fulminantes. Luc. Vid. 5, 17 Sonhava que cahia no pégo, ou que o touro o arremeſſava pelos ares. Leon. da Coſt. Convers. 3 Eu no chão arremeſſando o fuſo, me fui andando. {{Def|Particularmente armas miſſivas, ou qualquer couſa com que ſe atira para offender.}} Gavi, Cerc. 14, 51 Arremeſſando dardos e lanças nos imigos. Cort. R. Cerc. 14, 241 Outros, que agudos dardos arremeſſão &c. Sous. Hiſt. 1, 2, 5 Começou também [o gallo] a ſua natural muſica, replicando-a com tanta importunação e deſaſſoſſego, que o Santo lhe arremeſſou o bordão. Met. Sous. Vid. 1, 6 Como o vulgo em tudo arremeſſa ſeu voto &c. Maus. Aff. Afr. 3, 49 Começa arremeſſar com novo eſpanto o céo lanças de fogo, d'agoa raios. {{Def|Repellir, empuxar, mover com violencia do lugar em que eſtava.}} Lou. Ecl. 6 Senão quando chegando, o arremeſſa de ſi com tanta força e tanta ira, que lhe valeo ſoltar-ſe bem depreſſa. Sous. Hiſt. 1, 5, 3 Que como jogando com elle a pela, o arremeſſarão contra o moimento. Caſt. Ulyſs. 2, 3 Pelo convés entrando o mar irado, os duros marinheiros arremeſſa. Met. Fr. Marc. Chr. 1, 1, 74 Deſtruia todo o eſpirito da vaidade, arremeſſando e matando ſeus primeiros movimentos. {{Def|Incitar, fazer partir ou ſahir com impeto.}} Dos cavalleiros a reſpeito dos cavallos. Cam. Lus. 3, 50 Não foge, mas eſpera confiado, e o ginete bellicoſo arremeſſa. Brit. Mon. 2, 7, c. 14 Succedeo que arremeſſando </div> |}<noinclude></noinclude> hfe8yb3gi7o9rwb7iix997e8512bonz Página:Diccionario da Lingoa Portugueza.pdf/639 106 259230 566393 2026-10-20T17:04:39Z MLReis 41056 /* Revista */ 566393 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="3" user="MLReis" />{{Cabeçalho|431|ARR|ARR}}</noinclude>{| style="width:100%; border-collapse:collapse; font-family:serif; line-height:1.25; text-align:justify" |- | style="width:50%; vertical-align:top; padding-right:1em" | <div style="text-align:justify; line-height:1.25"> <p style="margin:0 0 0 1em">do inconſideradamente o cavallo no alcance de hum cervo, que lhe fugia &c. Sous. Hiſt. 1, 2, 14 Arremeſſando-lhe o cavallo, como que o queria levar debaixo dos pés.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Com pron. peſſ. Arrojar-ſe, precipitar-ſe, lançar-ſe com violencia.}} Cam. Od. 5, 11 Diſſe; e dos altos ares Pendente, com furor ſe arremeſſou. Mend. Pint. Peregr. 7, 5 E elles ſe arremeſſárão todos no chão. Gavi, Cerc. 14, 50 Muitos, que arremeſſando-ſe ſobre o parapeito com grandíſſima furia não puderão &c.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Atrever-ſe, determinar-ſe a alguma couſa temerariamente e ſem conſideração.}} Reg. abſ. a, em ou após alg. c. Fernand. Palm. 3, 85 Entendo juntamente quão mal empregado he o trabalho, com que os homens ſe arremeſſão após a ſoltura de ſuas cobiças. Fr. Th. de Jes. Trab. 1, 14, 325 O povo inconſideradamente ſe arremeſſa a juizos temerarios, e deſprezos do que não ſabe eſtimar. Fernand. Galv. Serm. 2, 86, 1 Por iſſo não ſe arremeſſou, nem deliberou, nem tratou com outrem couſa de tanto pezo, ſenão com Deos. Mend. de Vaſc. Sit. 1, 44 Eſforçado ſerá aquelle, que prudentemente ſe governa, e ſe não arremeſſa precipitadamente em deſneceſſarias emprezas.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Arremetter, inveſtir, acommetter com impeto.}} Reg. a, contra ou traz alg. Cam. Lus. 5, 32 Mas antes que chegaſſe, Hum Ethiope ouſado ſe arremeſſa a elle, porque não ſe lhe eſcapaſſe. Maus. Aff. Afr. 7, 109 O Principe traz elle ſe arremeſſa. Caſtr. Ulyſſ. 6, 22 E Paris affrontado da tardança, Coberto do eſcudo com mór preſſa Contra o fero inimigo ſe arremeſſa.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Avançar, chegar rapidamente.}} Luc. Vid. 6, 2 Arremeſſa-ſe com muito prazer e alvoroço pera lhe beijar a mão, mui confiado. Sous. Vid. 2, 34 Arremeſſão-ſe todos a lhe tomar as mãos, e beijar-lhas. Maus. Vid. 4, 40 Ella, como ſe forão chagas bellas, aſſi ſe vai, e ſe arremeſſa a ellas.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremeſſão}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção e effeito de arremeſſar.}} M. Bern. Floreſt. 3, 8, 492; B Lançou o demonio a pelle de arremeſſão ſobre huma meza.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Qualquer arma miſſiva ou de arremeſſa, como lança, dardo, &c.}} Cam. Lus. 4, 21 Brandindo e volteando arremeſſões. Aff. Guerreir. Feſt. 10 Após elles [homens] hia Pallas com hum eſcudo em hum braço, e arremeſſão na mão do outro. Tell. Hiſt. 1, 21, 54 Os [Abexins] de cavallo ferem e pelejão ſó com lanças curtas, ao modo dos noſſos arremeſſões. Met. Liſb. Jard. 235, 11 As ſuas palavras ſão oleo, porém tambem ſão huns arremeſſões, que paſſão e penetrão todo peito.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremeſſo}} {{catgram|s. m.}} {{Def|Acção e effeito de arremeſſar.}} Barr. Dec. 1, 1, 11 E embarravão-ſe com as penedias, donde fazião ſeus arremeſſos. Hiſt. Trag. Marit. 2, 182 Deitando ſobre elles muitos arremeſſos de páos toſtados. Mend. Pint. Peregr. 50 Travando-ſe deſta junta huma fermoſa briga de cutiladas dos que eſtavão perto, e arremeſſos de chuças, e de panellas de fogo dos que eſtavão longe. Memor. das Proez. 1, 36 As pedradas e armas de arremeſſo chovião ſobre elles. Cout. Dec. 5, 4, 10 Não ouſando a ſe chegarem, os perſeguião com tiros de arremeſſo.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|De arremeſſo}} {{catgram|fórm. adv.}} {{Def|Atirando, largando da mão com impulſo e direcção a alguma parte.}} Mor. Palm. 2, 169 Ali o arreceavão, que mais era combatido d'arremeſſo, que de outros golpes. Brit. Chr. 6, 1 E dado que com a lança de arremeſſo lhe pudera fazer damno [ao Mouro] deixou de lhe atirar, por não offender a Moura, que levava comſigo.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremeſſo}} {{Def|Arma miſſiva, e que ſe deſpede de longe.}} Caſtanh. Hiſt. 1, 43 Tudo cheo de Mouros bem apercebidos de frechas, de lanças, e d'eſpadas, e de muitos arremeſſos.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Arremetida, acommettimento, impeto.}} Ros. Summ. 9 He como entrar d'arremeſſo no derradeiro retrete da caſa. Ceit. Serm. 1, 178, 4 Já eſcuſo os arremeſſos de Pedro. Mercur. de Fever. de 666 Tudo iſto vio Caiacena da outra parte da ribeira; fez arremeſſos de a paſſar, mas abſteve-ſe. Met. D. F. Man. Apol. 343 Porque em nenhum [Poeta] ſe achão melhores arremeſſos. Cunh. Hiſt. de Brag. 2, 69, 289 O certo he que na cortezia de D. Diogo eſtavão bem aquelles arremeſſos, e na piedade del Rei D. João o II regeitalos e eſtranhalos. Puriſ. Chr. 1, 3, 7, 9 Como fora a victoria preſente, que</p> </div> | style="width:50%; vertical-align:top; padding-left:1em" | <div style="text-align:justify; line-height:1.25"> <p style="margin:0 0 0 1em">hum arremeſſo da fortuna lhes dera em lugar da morte.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Arrojo inconſiderado e imprudente.}} Paiv. Serm. 2, 214 Não mora a ſabedoria e conſelho de Deos nas couſas feitas d'arremeſſo, ſenão nas que ſe fazem com uſo e com rezão. Brit. Mon. 2, 7, c. 6 Attribuindo a proſperidade de ſuas victorias a hum arremeſſo inconſiderado da ventura. Pint. Rib. Rel. 1, 44 Os arremeſſos injuſtos e voluntarios hão de alcançar o galardão, que merecem.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Uso|Cavall.}} {{Def|Acção e effeito de arremeſſar ou fazer ſahir o cavallo com impeto.}} Lob. Cort. 13 Concertalo [o cavallo] nas redeas, no pizar, no arremeſſo, na furia, &c.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremetedor, ora}} {{catgram|adj.}} {{Def|Que arremette.}} Jer. Cardos. Dict. Barbos. Dict. Bent. Per. Theſ.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremetedura}} {{catgram|s. f.}} {{Uso|pouc. uf.}} {{Def|Acção e effeito de arremetter.}} Azur. Chr. 3, 78 Durou a contenda hum grande pedaço até que o Infante deu huma arremetedura grande, a qual os Mouros não quizerão eſperar. Bent. Per. Theſ. eſcreve Arremetidura. Met. Luz, Tr. do Deſej. 4, 5 Contra o que fazem alguns, que por quanto nem ſejão tidos em pouco, ſenão affoalharem ſuas virtudes e bens, dão humas arremeteduras a os encobrir, mas com traição ao proprio encobrimento. Vid. Contempl. 1, 2, 12 Não tem mais que humas arremeteduras à virtude.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremetente}} {{catgram|p. a.}} de Arremeter. Armar. {{Def|Que eſtá em acção de arremeter.}} Vill. Boas, Nobiliarch. 26 O leão ha de eſtar [no eſcudo] rapante ... o touro arremetente.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremeter}} {{catgram|v. n.}} {{Def|Acommetter com impeto e furia.}} Reg. abſ. a ou contra. A reſpeito das peſſoas. Mor. Palm. 1, 15 Depois de tomar a lança, e ſe correger na ſella, arremeteo contra elle. Gavi, Cerc. 6, 17 Arremeteo a elle hum Mouro. Cort. R. Cerc. 13, 231 O Capitão, ſentindo eſte deſmaio, com todos os fidalgos arremete.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">A reſpeito de couſas ou lugares. Mend. Pint. Peregr. 10 E arremetendo com eſtas palavras outra vez à tranqueira &c. Maus. Aff. Afr. 5, 79 Arremetendo áquelles fracos vallos. Fernand. Galv. Serm. 1, 25, 1 O cão arremete à pedra, e não attenta a quem lha tira. Met. Feo, Tr. 1, 124, 3 A peçonha ordinariamente arremete com o coração.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Correr contra ou lançar-ſe apreſſadamente a alguma couſa.}} Fr. Marc. Chr. 1, 1, 5 E às vezes com incrivel fervor de devoção arremetia com beijos às vivas e fedorentas chagas. Sous. Vid. 1, 16 Aſſim arremeterão os creados à torre pera lhe fazer apoſento nella. Caſtr. Ulyſſ. 9, 67 Qual coſtuma o belligero ginete, Que das prizões, que teve, deſatado, Ao campo livre fervido arremete, Correndo alegre n'hum e n'outro lado.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Arrojar-ſe precipitadamente a pegar ou lançar mão de alguma couſa.}} Reg. abſ. ou a. Luc. Vid. 4, 1 Dando-ſe elle por acabado, arremete e abraça-ſe com huma cruz. Sottom. Ribeir. 3, 96 A confiada caçadora, imaginando ſeguia a defenſão, arremetendo às armas, que pendurára do alamo, as não achou. Guerreir. Rel. 4, 1 Arremeti a eſte bordão, que tinha junto de mim.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{Def|Abalançar-ſe a fazer alguma acção ardua ou perigofa.}} Ceit. Quadrag. 2, 193, 1 Como he certo em alguns, cuja vida pera Deos foi ſempre mais inutil, do que he a terra do ſabro ... dando em algum caſo, em que com o mundo ficarão mal engraçados, arremeterem a bons propoſitos. Feo, Tr. 1, 182, 1 O primeiro, que arremeteo para ſer açoutado. Tell. Chr. 1, 1, 13, n. 10 De Goa arremeteo com a glorioſa empreza do Japão.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremeter o cavallo}} {{Def|Arremeſſalo, fazelo correr.}} Eufros. 4, 5 E como me vê, arremete logo o cavallo.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremetida}} {{catgram|s. f.}} {{Def|Acção e effeito de arremeter, acommettimento impetuoſo e repentino.}} Barr. Dec. 2, 10, 3 Vendo o Avellar que todas as arremetidas erão mais damno ſeu, que noſſo &c. Fernand. Palm. 4, 41 A tempo que os juizes mandavão tocar huma trombeta, ſinal da arremetida. Brit. Mon. 2, 6, c. 1 Seu modo de pelejar era tumultuario e ligeiro com arremetidas.</p> <p style="margin:0 0 0 1em">{{lema|Arremetimento}} {{catgram|s. m.}} {{Def|O meſmo que Arremetida.}} Fernand. Palm. 3, 86 E vendo-ſe com o outro [touro] depois</p> </div> |}<noinclude></noinclude> 4ga9zk5rd5c1b37i0g1iw030rgiuwrh Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/180 106 259231 566394 2026-10-20T17:47:42Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{tph|ça}} com cães de fila deve-se porventura esperar cousa bôa? Nem se lhes responde com humilhações e osculos. A' Assembléa Brazileira! A' Assembléa! E todas as communicações e diligencias estavam em andamento para a eleição dos Deputados, segundo o Decreto de 3 de Junho e as respectivas Instrucções. Neste interim recebe Gervasio de Lisbôa a noticia de que o predito Additamento á Constinuição, depois de calorosamente discutido, fôr... 566394 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 172 —'''}}</noinclude>{{tph|ça}} com cães de fila deve-se porventura esperar cousa bôa? Nem se lhes responde com humilhações e osculos. A' Assembléa Brazileira! A' Assembléa! E todas as communicações e diligencias estavam em andamento para a eleição dos Deputados, segundo o Decreto de 3 de Junho e as respectivas Instrucções. Neste interim recebe Gervasio de Lisbôa a noticia de que o predito Additamento á Constinuição, depois de calorosamente discutido, fôra pelo Congresso regeitado. Então Gervasio e seus companheiros immediatamente proclamam aos habitantes da provincia nos termos que vamos a vêr, e officiam ao Rei e ao Principe Regente com a franqueza, nobre altivez e decoro que lhes dictam a honra e a grandeza da provincia.<ref name="p180"> « Estão fixados os nossos venturosos destinos! Espiritos orgulhosos e desorganisadores desde o mundo velho apuraram a nossa paciencia! Audazes e insolentes desafiaram a nossa indignação! Mas um Principe Incomparavel nos indemnisa de tantos máos feitos; elle conhece o nosso valor e brio; elle se sacrifica todo em nossa defesa: adquirimos maior gloria em nos unirmos a elle, do que perdemos nos improperios com que nos ultrajaram. Viva o Principe Regente Constitucional! Vêde amados Concidadãos, que a ingratidão é a mais vil das paixões; não sejamos ingratos ao Ramo Bragantino que, salvando a realeza dos improperios, salva a honra e a gloria Braziliense. Viva a Dinastia de Bragança! Proclamou-se-nos outr'ora uma Constituição, e patenteou-se-nos aurea porta para </ref> {{nop}}<noinclude></noinclude> p6g41vuuj8gufucxz6m4jokonox0z65 Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/38 106 259232 566395 2026-10-20T17:53:10Z Erick Soares3 19404 /* Não revisadas */ Copiado de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm 566395 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-36-}}</noinclude>§ 1º - Cabe, igualmente, ao Presidente da República designar, dentre pessoas qualificadas pela sua competência especial, até três membros para cada uma das Seções do Conselho da Economia Nacional. § 2º - Das reuniões das várias Seções, órgãos, Comissões ou Assembléia Geral do Conselho poderão participar, sem direito a voto, mediante autorização do Presidente da República, os Ministros, Diretores de Ministério e representantes de Governos estaduais; igualmente, sem direito a voto, poderão participar das mesmas reuniões representantes de sindicatos ou associações de categoria compreendida em algum dos ramos da produção nacional, quando se trate do seu especial interesse. Art 60 - O Conselho da Economia Nacional organizará os seus Conselhos Técnicos permanentes, podendo, ainda, contratar o auxílio de especialistas para o estudo de determinadas questões sujeitas a seu parecer ou inquéri-<noinclude></noinclude> fvo0g8s52on5rr32nyxujr3fd9ihale Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/181 106 259233 566396 2026-10-20T17:56:51Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> o grande passo da apeticida Liberdade; e quando vamos querer entrar e gosar, quiseram agrilhoar-nos os pulsos! Mas, o Heroe Braziliense, nosso Amigo, não consente; offerecem-nos Constituição amiga: abracemol-a. Corramos a cooperar com elle para edificarmos o grande edificio da nossa felicidade. A's armas, pois, amados concidadãos, para sustentar a nossa glora. A' assembléa Geral para firmar nossos direitos. Si não v... 566396 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 173 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> o grande passo da apeticida Liberdade; e quando vamos querer entrar e gosar, quiseram agrilhoar-nos os pulsos! Mas, o Heroe Braziliense, nosso Amigo, não consente; offerecem-nos Constituição amiga: abracemol-a. Corramos a cooperar com elle para edificarmos o grande edificio da nossa felicidade. A's armas, pois, amados concidadãos, para sustentar a nossa glora. A' assembléa Geral para firmar nossos direitos. Si não vos fallamos tão claro ha mais tempo, foi porque conhecemos que o Grande Genio Tutelar do Brazil tambem até agora mostrava ainda esperar alguma emenda nos attentadores contra a nossa Liberdade; e nisto mesmo lhes obedeciamos e o seguiamos. Eia pois, amados Concidadãos, União e mais União! Systema Constinental é o que nos convém: adhesão e firmeza para com o nosso constitucional e amavel Principe é só o que nos pode salvar. O primeiro ponto que se separar, será o primeiro escravisado; o que assim o fizer, arrastará após de si o perigo dos outros, attrahirá sobre si as maldições dos presentes e futuros Brazileiros. União, obediencia e ordem. Viva, pois, a união Braziliense! Viva a santa religião! Viva o senhor D. João VI nosso bom rei constitucional! Viva o Principe Regente Constitucional e Perpetuo Defensor do Brazil. Gervasio Pires Ferreira, Presidente. Bento José da Costa. Joaquim José de Miranda. Manoel Ignacio de Carvalho. Felippe Nery Ferreira. Antonio José Vctoriano Borges da Fonseca. Laurentino Antonio Moreira de Carvalho, Secretario. <br> (Publicada em 26 de Agosto de 1822.) {{nop}} </ref>Mas nada satisfazia as ambições desregradas, a ignorancia illudida, o patriotismo allucinado; não valeo a Gervasio e a seus collegas o terem já pedido as suas demissões ao Rei e ao Principe,<noinclude></noinclude> asmjbjrk7cl9dsbqsqwco1iyku7r0y2 Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/39 106 259234 566397 2026-10-20T17:57:29Z Erick Soares3 19404 Copiado de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm 566397 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-37-}}</noinclude>tos recomendados pelo Governo ou necessários ao preparo de projetos de sua iniciativa. Art 61 - São atribuições do Conselho da Economia Nacional: a) promover a organização corporativa da economia nacional; b) estabelecer normas relativas à assistência prestada pelas associações, sindicatos ou institutos; c) editar normas reguladoras dos contratos coletivos de trabalho entre os sindicatos da mesma categoria da produção ou entre associações representativas de duas ou mais categorias; d) emitir parecer sobre todos os projetos, de iniciativa do Governo ou de qualquer das Câmaras, que interessem diretamente à produção nacional; e) organizar, por iniciativa própria ou proposta<noinclude></noinclude> gr2qkcl5sz78uj1cqh330z3r2aq48pm Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/40 106 259235 566398 2026-10-20T17:58:08Z Erick Soares3 19404 Copiado de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm 566398 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-38-}}</noinclude>do Governo, inquérito sobre as condições do trabalho, da agricultura, da indústria, do comércio, dos transportes e do crédito, com o fim de incrementar, coordenar e aperfeiçoar a produção nacional; f) preparar as bases para a fundação de institutos de pesquisas que, atendendo à diversidade das condições econômicas, geográficas e sociais do País, tenham por objeto: I - racionalizar a organização e administração da agricultura e da indústria; II - estudar os problemas do crédito, da distribuição e da venda, e os relativos à organização do trabalho; g) emitir parecer sobre todas as questões relativas à organização e reconhecimento de sindicatos ou associações profissionais; {{nop}}<noinclude></noinclude> pwt00967jd8b3iafumvova78k3asfwh Página:Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf/41 106 259236 566399 2026-10-20T17:59:39Z Erick Soares3 19404 Copiado de https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm 566399 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Erick Soares3" />{{c|-39-}}</noinclude>h) propor ao Governo a criação de corporação de categoria. Art 62 - As normas, a que se referem as letras b e c do artigo antecedente, só se tornarão obrigatórias mediante aprovação do Presidente da República. Art 63 - A todo tempo podem ser conferidos ao Conselho da Economia Nacional, mediante plebiscito a regular-se em lei, poderes de legislação sobre algumas ou todas as matérias da sua competência. Parágrafo único - A iniciativa do plebiscito caberá ao Presidente da República, que especificará no decreto respectivo as condições em que, e as matérias sobre as quais poderá o Conselho da Economia Nacional exercer poderes de legislação. {{nop}}<noinclude></noinclude> 0cadt9okkfjvx1pbrjydlidymjxaj51 Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937/Capítulo 5 0 259237 566401 2026-10-20T18:00:50Z Erick Soares3 19404 [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <pages index="Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf" from=36 to=41 fromsection="Cap. 5" header=1/> {{PD-Brasil-Gov}} [[en:The New Constitution of the United States of Brazil/Chapter 5]] [[Categoria:Constituição do Brasil de 1937]] 566401 wikitext text/x-wiki <pages index="Constituição dos Estados Unidos do Brazil de 1937.pdf" from=36 to=41 fromsection="Cap. 5" header=1/> {{PD-Brasil-Gov}} [[en:The New Constitution of the United States of Brazil/Chapter 5]] [[Categoria:Constituição do Brasil de 1937]] d6lca5q2dzcz48j98s4qaxwzlv673da Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/182 106 259238 566418 2026-10-20T23:14:33Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> Senhor. Depois de termos officiado a V Magestade em 20 do corrente, soubemos por uma carta particular fidedigna que o addittamento á Constituição na parte que respeitava a organisação politica deste Reino do Brazil fôra pelas Côrtes de Portugal ''in limine'' desapprovadas e com expansões do mais alto desprezo. Ao mesmo tempo chegou do Rio de Janeiro o nosso companheiro o Illm. Felippe Nery Ferreira, que haviamos man... 566418 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 174 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> Senhor. Depois de termos officiado a V Magestade em 20 do corrente, soubemos por uma carta particular fidedigna que o addittamento á Constituição na parte que respeitava a organisação politica deste Reino do Brazil fôra pelas Côrtes de Portugal ''in limine'' desapprovadas e com expansões do mais alto desprezo. Ao mesmo tempo chegou do Rio de Janeiro o nosso companheiro o Illm. Felippe Nery Ferreira, que haviamos mandado a comprimentar a S. A. R. o Principe Regente do Brazil e a agradecer-lhe a generosa resolução de ficar entre nós, como o meio mais poderoso, assim de segurar o respeito, amor e fidelidade que a V. Magestade tributam os habitantes deste vasto Continente, como para servir de nexo á nossa união e força. Com a sua chegada, novas ordens vieram da Côrte do Rio de Janeiro, que deixamos de levar á presença de V. Magestade, por convençidos que já lhe terão por diversas vias sido presentes. Não foi sem motivos, Senhor, que conceituavamos aquelle additamento como o mais especifico calmante na febre politica em que nos achavamos por fundado em justiça e na reciprocidade de interesses dos dous Reinos de Portugal e Brazil; o alvoroço do povo e tropa desta capital ao vel-o desapprovado com insultante desprezo dos vogaes que o redigiram, nos convenceo desta verdade, porquanto, recordando este povo todos os justificados queixumes, que já tinha levado á presença de V. Magestade contra grande das resoluções do Congresso de Lisbôa, relativas á administração publica </ref>nem o estarem já reunidos os eleitores da Comarca de Olinda, nessa cidade, capital da provincia, e os da comarca do Recife, já quasi tambem todos nesta cidade para elegerem os Deputados á {{Cph|Assem|Assembléa}}<noinclude></noinclude> 1bieiuwy7sc8tcika9ty4u35b4kxls4 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/183 106 259239 566419 2026-10-20T23:27:12Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> do Brazil e de novo expendidas no Manifesto de S. A. R. o Principe Regente do Brazil e vendo-se, alem de abandonado, ignominiosamente tratado pelas Côrtes, e por outro lado graciosamente acolhido e protegido por S. A. R., não pode conter-se na declaração de seus sentimentos de magoa contra as sinistras inteçõesʇdo Congresso, e de respeito, amor e fidelidade para com S. A. R. e para com V. Magestade seu augusto Proge... 566419 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 175 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> do Brazil e de novo expendidas no Manifesto de S. A. R. o Principe Regente do Brazil e vendo-se, alem de abandonado, ignominiosamente tratado pelas Côrtes, e por outro lado graciosamente acolhido e protegido por S. A. R., não pode conter-se na declaração de seus sentimentos de magoa contra as sinistras inteçõesʇdo Congresso, e de respeito, amor e fidelidade para com S. A. R. e para com V. Magestade seu augusto Progenitor e nosso amado Rei. Olhando para a Bahia como o centro projectado das oerações militares e hostis contra a liberdade constitucional do Brazil, este povo não pode deixar de reconhecer o grande dedo da Providencia, quando reflictio que no meio dos males que lhe acarretava o despotismo de Luiz do Rego, havia ganhado um genio mulitar e via-se com uma força organisada de quatro batalhões de linha, dezesseis de infantaria, oito de cavallaria e duas brigadas de artilharia miliciana para poder defender-se quando fosse atacado nos seus direitos. Para uma tão natural defeza, ainda mais o animou o Decreto de S. A. R. do 1.º de Agosto, que assim o manda. E nesta posição que outra cousa poderemos nós comprehender contra votos e ordens tão decisivas, sendo a nossa partilha de amor da ordem e da desobediencia? No meio de tão desagradaveis circumstancias, o nome de V. Magestade e da Real Casa de Bragança e a união fraternal, mas mutualmente independentes com os nossos irmãos de Portugal, mas mutualmente independentes com os nossos irmãos de Portugal, tem sido repetido com enthusiasmo raras vezes visto na historia dos homens. Queira, pois, V. Magestade aceitar </ref>{{tph|bléa}} Geral Constituinte do Brazil; os conspiradores decidiram a deposição da Junta. Somos do Norte do Brazil; na America do Norte algumas mulheres selvagens adoptavam talvez como filho,<noinclude></noinclude> 5fwbm0spiz120gzix2dpvgq26v7hkjv Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/184 106 259240 566420 2026-10-20T23:38:27Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> de novo os nossos leaes sentimentos de amor e fidelidade, e ordernar-mos por intenvenção de S. A. R. o Principe Regente deste Reino do Brazil o que devemos obrar a bem do seu Real serviço. <br> Amigos da liberdade como são, os Pernambucanos não merecem comtudo o nome de anarchicos e independentes, com que tem sido tratados para se encobrirem os projectos de uma dominação colonial: a sua reunião debaixo da protecção... 566420 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 176 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> de novo os nossos leaes sentimentos de amor e fidelidade, e ordernar-mos por intenvenção de S. A. R. o Principe Regente deste Reino do Brazil o que devemos obrar a bem do seu Real serviço. <br> Amigos da liberdade como são, os Pernambucanos não merecem comtudo o nome de anarchicos e independentes, com que tem sido tratados para se encobrirem os projectos de uma dominação colonial: a sua reunião debaixo da protecção de S. A. R. é a ultima prova da sua constitucionalidade e fidelidade á Real Casa de Bragança. Com taes sentimentos não podem ser baldados os nossos rogos ao Omnipotente pela conservação da preciosa vida de V. Magestade, a quem Deus Guarde como nos é mister e cordialmente o desejamos Recife de Pernambuco aos 23 de Agosto de 1822. De V. Magestade—Subditos obedientes e leaes. Gervasio Pires Ferreira, Presidente. Bento Jos[e da Costa. Joaquim José de Miranda. Manoel Ignacio de Carvalho. Felippe Nery Ferreira. Antonio José Victoriano Borges da Fonseca. Laurentino Antonio Moreira de Carvalho, Secretario. <br> {{linha horizontal|2em}} <br> Senhor. A certeza de que o additamento á Constituição da Monarchia Portugueza, na parte relativa a este Reino do Brazil, fôra ''in limine'' maltratado nas Côrtes de Portugal e afinal desprezado, em menoscabo da dignidade deste Reino e dos nossos direitos, acabou de confirmar aos habitantes desta </ref>não os tendo proprios, algum rapaz, mesmo até d'entre os prisioneiros, mas, por qualquer perda e transtorno que soffressem, não era novo alguma dellas dividir com um golpe de machado em dous<noinclude></noinclude> 0xr7g5xihzvs4561u4bmwbz5rxf8o2f Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/185 106 259241 566421 2026-10-20T23:48:33Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> provincia das vistas inconstitucionaes do Congresso de Lisbôa. Para um povo cioso da sua liberdade e conhecedor dos seus direitos, nada mais era preciso para se decidir. Desvanecidas pelas suggestões de um partido ambicioso, as lisongeiras esperanças de formar com seu irmãos de Portugal uma só familia politica ainda que pelo Atlantico duas mil leguas separada, este povo brioso conhecia bem os deveres da honra e os s... 566421 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 177 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> provincia das vistas inconstitucionaes do Congresso de Lisbôa. Para um povo cioso da sua liberdade e conhecedor dos seus direitos, nada mais era preciso para se decidir. Desvanecidas pelas suggestões de um partido ambicioso, as lisongeiras esperanças de formar com seu irmãos de Portugal uma só familia politica ainda que pelo Atlantico duas mil leguas separada, este povo brioso conhecia bem os deveres da honra e os seus interesses para deixar de fazer, á vista de tal procedimento, causa commum com seus irmãos do Sul. Si na nossa prudencia, Senhor, haviamos notado o estylo acrimonioso dos nossos irmãos paulistas e o prematuro da marcha da Camara dessa, entretanto que os nossos deputados discutiam as bases em que devia firmar-se a nossa união com Portugal; si na nossa franqueza estranhamos a marcha da mesma Camara e dos Ministros de V. A. R. quando se dirigiram por outra verêdas aos povos desta provincia, sem intervenção deste Governo, que só lhes podia dar o impulso necessario ao bom andamento e harmonia dos negocios publicos; ''si no cioso zelo pela nossa liberdade, e sobretudo na confiança dos sentimentos liberaes de V. A. R. dirigimos a V. A. R. nossas respeitosas reflexões sobre os Decretos de 16 de Fevereiro e 3 de Junho, direito aliás de que jamais nos despojaremos;'' não receiavamos com tudo que homem algum podesse duvidar dos nossos sentimentos de amor e fidelidade para com V. A. R. ''e de adhesão á causa da liberdade do Brazil,'' como alguns desgraçados para se fazerem valer procuraram incultar. {{nop}} </ref>o caro filho adoptivo. Gervasio teve noticia da sedição e tentou ainda poupar essa injuria aos sediciosos, á moralidade politica da provincia, e para esse effeito officiou ao collegio eleitoral {{Cph|reu|reunido}}<noinclude>{{d|23}}</noinclude> fdswx88b00p0zcrbz9kilswebf7l334 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/186 106 259242 566422 2026-10-21T00:03:46Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> Assás cara tinha sido para este povo a licção de 1817, ''e de longo tempo conheciamos a necessidade da união das provincias do Brazil entre si para melhor sustentarem os seus direitos'' e de termos a V. A. R. entre nós como o unico centro desta união, para que fosse preciso tão graciosas e terminantes ordens de V. A. R. para ''nossa cooperação, logo que as circumstancias o exigissem, á grande obra da independencia d... 566422 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 178 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> Assás cara tinha sido para este povo a licção de 1817, ''e de longo tempo conheciamos a necessidade da união das provincias do Brazil entre si para melhor sustentarem os seus direitos'' e de termos a V. A. R. entre nós como o unico centro desta união, para que fosse preciso tão graciosas e terminantes ordens de V. A. R. para ''nossa cooperação, logo que as circumstancias o exigissem, á grande obra da independencia do Brazil.'' Felizmente estas já impressas são patentes ao mundo inteiro; o desprezo pelas Côrtes de Lisbôa do pacto social que só nos deveria ligar politicamente em uma unica nação, nos deve justificar tanto quanto nos deve ter honrado a nossa firmeza emquanto se discutia esse passo nacional; e si á vista de tão ponderosa razão não ha motivo para sermos increpados de imprudencia no nosso comportamento, os nossos irmãos do Sul e V. A. R. terão ainda melhor occasião de conhecer o caracter dos descendentes dos Vieiras pela firmeza e constancia nas suas resoluções. <br> De caminho levamos á presença de V. A. R., sob n. 1 o officio que haviamos dirigido a El-Rei o Senhor D. João VI em 20 do corrente, logo que recebemos o projecto das bases das relações politicas de Portugal e Brazil, e sob n. 2 o que igualmente lhe dirigimos assim que soubemos do seu ignominioso desprezo e nos foram presentes as ordens de V. A. R. <br> Por elles verá V. A. R. a decisão deste povo, para cuja sustentação passamos, pela urgencia das circunstancias, a crear tres Corpos de linha de duas </ref>{{tph|nido}} em Olinda para a eleição dos Deputados reiterando o pedido da sua demissão de Presidente da Junta do Governo. Recusou-se, porém, o collegio, nos termos do seu officio de resposta, e os {{Cph|se|sediciosos}}<noinclude></noinclude> 4n3devlpzkkhopert4k96jj0fkivfqf Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/187 106 259243 566423 2026-10-21T00:12:16Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> companhias cada um, sendo um de homens pretos, outro de pardos, outro de brancos, para augmentar a guarnição dos portos principaes da Costa e servirem de cascos e pontos de reunião a outras mais companhias, sendo precisas, e não duvidamos que mereça a approvação de V. A. R. uma tão importante medida. <br> Tendo de concorrer para a defesa das provincias limitrophes e nossas filliaes do Rio Grande do Norte, Parahyba e... 566423 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 179 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> companhias cada um, sendo um de homens pretos, outro de pardos, outro de brancos, para augmentar a guarnição dos portos principaes da Costa e servirem de cascos e pontos de reunião a outras mais companhias, sendo precisas, e não duvidamos que mereça a approvação de V. A. R. uma tão importante medida. <br> Tendo de concorrer para a defesa das provincias limitrophes e nossas filliaes do Rio Grande do Norte, Parahyba e Alagôas, temo-nos offerecido e prestado já alguns serviços, e desconfiados que, no caso de algum attentado contra a nossa provincia, elle terá principio pelo lado do Sul, estão já em vista os pontos principaes do Cabo, Serinhaem e Una, e as fortalezas de Tamandaré, Gaibú e Nazareth, e para elles já marcham grossos destacamentos, munições e armamento, e por todo mez que vem ficará Olinda, Itamarca e Goyanna, do lado do Norte, em termos de receber qualquer hospede. Vendo, porém, por um lado que as estradas do Sul difficultam pela sua aspereza o serviçoda artilharia montada de calibre 6 e 9, de que é composto o nosso parque, e que só temos quatro peças de calibre 3, as quaes já mandamos para o Sul e Norte, e constando-nos por outros lado que nessa sobeja artilharia e armamento e que para mandarmos buscar á Inglaterra soffreriamos demora que talvez nos fosse prejudicial, por isso rogamos a V. A. R. queira mandar-nos immediatamente por este Brigue Escuna doze peças de artilharia de montanha de calibre 4, ou ligeiras de calibre3da nossa fundição, e 2 granadeiras </ref>{{tph|diciosos}} então arvoraram um Commandante das Armas, dirigiram-se á casa da Camara da cidade do Recife e declararam deposta a Junta do Governo, pela rasão de que esta officiára a S. A. R.<noinclude></noinclude> 15n4xn1l61wo7fynw2957gveqtpvqk0 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/188 106 259244 566424 2026-10-21T00:21:22Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> do adarme 17, para podermos supprir, sem damno da nossa defesa á dos nossos vizinhos, mandando saccar á vista sobre a Junta da Fazenda, para o que fazemos de antemão apromptar os fundos necessarios. Temos encommendado ao negociante Francisco Xavier Pires, dessa, uma porção de farinha para segurar a subsistencia da tropa no caso de algum bloqueio e para evitar a necessaria alta de preço da desta em grandes compras re... 566424 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 180 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> do adarme 17, para podermos supprir, sem damno da nossa defesa á dos nossos vizinhos, mandando saccar á vista sobre a Junta da Fazenda, para o que fazemos de antemão apromptar os fundos necessarios. Temos encommendado ao negociante Francisco Xavier Pires, dessa, uma porção de farinha para segurar a subsistencia da tropa no caso de algum bloqueio e para evitar a necessaria alta de preço da desta em grandes compras repentinas, e por essa razão rogamos igualmente a V. A. R. queira mandar facilitar essa remessa quando haja algum incoveniente. Corre rumor que o Barão de Laguna tem feito alguns movimentos pouco conformes á união do Brazil da provincia cisplatina, e isto nos convence que não eram mal fundadas as reflexões que ha tempo levamos sobre artigo á presença de V. A. R. nos dirigio, e daremos conta de nós logo que desassombrados dos necessarios trabalhos á tranquillidade e segurança desta provincia. Entretanto, porém, não podemos deixar de levar á consideração de V. A. R. que supposto </ref>o Principe Regente contra a tropa e povo da villa do Recife, tratando-os de facciosos pelo acontecimento do 1.º de Junho. Ainda sobre esta phase da vida publica de Gervasio os dous ultimos seguintes documentos.<ref name="p188"> Foi presente a este collegio eleitoral os officios de V. Excs., sendo o 1.º o do Exm. Presidente, em que pediam a demissão de seus cargos, afim de se poder conseguir a paz e tranquilidade da provincia, negocio de primeira </ref> {{nop}}<noinclude></noinclude> nzw499bcogzeyjs2honvaguv5d5taxk Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/189 106 259245 566425 2026-10-21T00:29:48Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> desde a nossa installação tenhamos sustentado á vista do mesmo Decreto das Côrtes de Portugal do 1.º de Setembro, a subordinação da Junta da Fazenda á Junta deste Governo, e que de presente esteja aquella Junta mais conforme depois que nella entraram dous cidadãos verdadeiramente patriotas, comtudo, como por um lado outros ainda a considerarem independente do Governo, e por outro ainda se ache sem presidente, por fa... 566425 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 181 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> desde a nossa installação tenhamos sustentado á vista do mesmo Decreto das Côrtes de Portugal do 1.º de Setembro, a subordinação da Junta da Fazenda á Junta deste Governo, e que de presente esteja aquella Junta mais conforme depois que nella entraram dous cidadãos verdadeiramente patriotas, comtudo, como por um lado outros ainda a considerarem independente do Governo, e por outro ainda se ache sem presidente, por fazerem os antigos Governadores este logar, o que, alem de outras razões, não se pode combinar com o estado actual das cousas, como já fôra previsto pelo parecer da Commissão especial dos negocios do Brazil nas Côrtes da Lisbôa, em razão dos estorvos que promove á unidade e marcha regular da administração publica, por isso rogamos tambem a V. A. R que, em conformidade do mesmo parecer, haja de mandar declarar, emquanto a Assembléa Geral do Reino da Fazenda deve considerar-se subordinada em todos os respeitos á Junta do Governo da Provincia; e 2.º sem que por isso perceba outra alguma gratificação. E considerando mais que a {{Cph|correspon|correspondencia}} </ref><ref follow="p188"> importancia, uma vez que a tropa se achava em armas a pretexto de coadjuvar o projecto que este collegio havia concebido de crear novo Governo. Importando o negocio de V. Excs. nos {{Cph|encarre|encarregaram,}} </ref>Cumpre-nos provar que as agitações do 1.<small>o</small> e 2 de Junho e a deposição anarchica e louca da Junta, cuja acta deixamos transcripta, foram obras directamente ordenadas pelo Ministerio,<noinclude></noinclude> 6hoaksq5avv3685tvqr7m560ztnwfyw Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/190 106 259246 566426 2026-10-21T00:38:28Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p180"> {{tph|dencia}} directa do Thesouro do Rio de Janeiro com o Erario Provincial desta sem intervenção desta Junta do Governo pode comprometter ou o credito publico, a mola real de toda a administração, ou as disposições dos trabalhos precisos e já ordenados, por isso rogamos a V. A. R. queira mandar, afim de conservar-se a unidade necessaria em toda a administração, que as ordens que se expedirem pela Secretaria da Faz... 566426 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 182 —'''}}</noinclude><ref follow="p180"> {{tph|dencia}} directa do Thesouro do Rio de Janeiro com o Erario Provincial desta sem intervenção desta Junta do Governo pode comprometter ou o credito publico, a mola real de toda a administração, ou as disposições dos trabalhos precisos e já ordenados, por isso rogamos a V. A. R. queira mandar, afim de conservar-se a unidade necessaria em toda a administração, que as ordens que se expedirem pela Secretaria da Fazenda, sejam dirigidas, como as expedidas pelas outras Secretarias, directamente á Junta do Governo, como o centro dessa unidade. Resta-nos, finalmente, renovar os protestos de respeito e fidelidade que tributamos á pessoa de V. A. R, a quem Deus Guarde como nos é mister e cordialmente o desejamos. Palacio da Junta Provisoria do Governo da Provincia de Pernambuco, 23 de Agosto de 1822. De V A. R.—Subditos obedientes e leaes. Gervasio Pires Ferreira, Presidente. Bento José da Costa. Joaquim José de Miranda. Manoel Ignacio de Carvalho. Felippe Nery Ferreira. Laurentino Antonio Moreira de Carvalho, Secretario. </ref><ref follow="p188"> {{tph|garam,}} a toda esta provincia, cumpre que toda ella seja ouvida, e, sendo um impossivel conseguir-se, convém que ao menos se ouçam os dous terços que nessa villa se acham reconcentrados, em qualidade de eleitores dessa comarca, sendo uma verdade certa que nunca foi da mente dese collegio {{Cph|proce|proceder}} </ref>visto que algumas pessoas, á falta de provas terminantes, duvidavam, e talvez ainda hoje algumas duvidem, de uma tal paternidade e decretação. {{nop}}<noinclude></noinclude> krq4lodmoh5v1o2faoqcpjfn09ymei5 Página:Biographia de Gervasio Pires Ferreira.pdf/191 106 259247 566427 2026-10-21T00:46:39Z Notsonotoriousbig 43614 /* !Páginas não revisadas */ [[Ajuda:SEA|←]] nova página: <ref follow="p188"> {{tph|der}} á eleição pretextada desse Governo, pois que nenhum dos membros deste collegio jamais pretendeo uma tal innovação, por não nos ser permittido transgredir o circulo dos poderes que nos foram confiados nos nossos diplomas, pelos quaes somos apoderados para a eleição de Deputados não para a deposição do Governo. Deus Guarde a V. Excs. muitos annos. Sé de Olinda 16 de Setembro de 1822. Illms. e Exms. Srs. Pr... 566427 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 183 —'''}}</noinclude><ref follow="p188"> {{tph|der}} á eleição pretextada desse Governo, pois que nenhum dos membros deste collegio jamais pretendeo uma tal innovação, por não nos ser permittido transgredir o circulo dos poderes que nos foram confiados nos nossos diplomas, pelos quaes somos apoderados para a eleição de Deputados não para a deposição do Governo. Deus Guarde a V. Excs. muitos annos. Sé de Olinda 16 de Setembro de 1822. Illms. e Exms. Srs. Presidente e mais Membros da Junta Provisoria do Governo da Provincia de Pernambuco. João Carlos de Mello, Presidente. O padre Francisco Antonio de Oliveira Roseles. O padre Luiz Ignacio de Andrade Lima. Francisco de Paula Gomes, Secretario. <br> {{linha horizontal|2em}} <br> Aos 17 dias do mez de Setembro de 1822, nesta villa do Recife e Paço do Conselho della, ahi se ajuntaram os actuaes Juiz de Fóra pela lei, Vereadores e Procurador abaixo assignados por serem convocados pela força armada e povo e sendo ahi se apresentou como commandante da força armada o Capitão Pedro da Silva Pedroso, e disse que a força armada e povo que se achavam presentes, tinham deposto o actual Governo desta provincia por ter officiado a S. A. R. o Principe Regente e Defensor tratando-os de facciosos pelo acontecimento do 1.º de Junho. O que ouvio por este Senado, respondeo que elle era um mero orgão do povo, e que só servia de patentear a sua vontade, quando era requerido, e que por isso receberia os seus votos, té que S. A. R. não mandasse o contrario; ao que {{Cph|res|responderam}} </ref><noinclude></noinclude> 4f7kk4x8rc6inxge9ogmwn8aqszvb3w 566428 566427 2026-10-21T00:47:38Z Notsonotoriousbig 43614 566428 proofread-page text/x-wiki <noinclude><pagequality level="1" user="Notsonotoriousbig" />{{c|'''— 183 —'''}}</noinclude><ref follow="p188"> {{tph|der}} á eleição pretextada desse Governo, pois que nenhum dos membros deste collegio jamais pretendeo uma tal innovação, por não nos ser permittido transgredir o circulo dos poderes que nos foram confiados nos nossos diplomas, pelos quaes somos apoderados para a eleição de Deputados não para a deposição do Governo. Deus Guarde a V. Excs. muitos annos. Sé de Olinda 16 de Setembro de 1822. Illms. e Exms. Srs. Presidente e mais Membros da Junta Provisoria do Governo da Provincia de Pernambuco. João Carlos de Mello, Presidente. O padre Francisco Antonio de Oliveira Roseles. O padre Luiz Ignacio de Andrade Lima. Francisco de Paula Gomes, Secretario. <br> {{linha horizontal|2em}} <br> Aos 17 dias do mez de Setembro de 1822, nesta villa do Recife e Paço do Conselho della, ahi se ajuntaram os actuaes Juiz de Fóra pela lei, Vereadores e Procurador abaixo assignados por serem convocados pela força armada e povo e sendo ahi se apresentou como commandante da força armada o Capitão Pedro da Silva Pedroso, e disse que a força armada e povo que se achavam presentes, tinham deposto o actual Governo desta provincia por ter officiado a S. A. R. o Principe Regente e Defensor tratando-os de facciosos pelo acontecimento do 1.º de Junho. O que ouvio por este Senado, respondeo que elle era um mero orgão do povo, e que só servia de patentear a sua vontade, quando era requerido, e que por isso receberia os seus votos, té que S. A. R. não mandasse o contrario; ao que {{Cph|res|responderam}} </ref>Martim Francisco Ribeiro de Andrade, que então era Ministro da Fazenda, confessou essa bela tramoia na Camara dos Deputados, em que tinha assento na Legislatura de 1830 e 1833, quando em<noinclude></noinclude> n0wdzigxibm2lq7raqxy4wp4utcjdfo