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<div class = "usermessage"><center>Bem vindos à página do usuário [[Usuário:Fabsouza1|<font color="#008000" face="Arial" size="3"><i>Fabsouza1</i></font>]]<br />Hoje é [[{{CURRENTDAYNAME}}]], [[{{CURRENTDAY}} de {{CURRENTMONTHNAME}}]] de [[{{CURRENTYEAR}}]].<br />Existem {{NUMBEROFARTICLES}} artigos nesta wiki.</center></div>
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<!--- Fim dos Projetos Correlatos! ----------->
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Introdução ao Jornalismo Científico/Autores1
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CommonsDelinker
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text/x-wiki
<big>'''Iniciativa de'''</big>
<br>
<br>
<center>
[[File:Logo - Neuromat - Horizontal v2.svg|x60px|CEPID NeuroMat|300px|link=http://neuromat.numec.prp.usp.br]]
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<br>
<big>'''Com o apoio de'''</big>
<br>
<br>
<center>
[[File:FAPESP.svg|FAPESP|150px|link=http://www.fapesp.br]]    
[[File:Wikimedia Brasil logo (until 2013).svg|Wikimedia Brasil|150px|link=http://wmnobrasil.org]]
</center>
<br>
Para saber mais sobre os autores deste curso e para eventuais contatos, clique em "'''Veja mais'''" abaixo.
<!--'''Coordenação:'''
* Fernando J. da Paixão, UNICAMP
* [[User:Joalpe|João Alexandre Peschanski]], Wikimedia Brasil
'''Professores colaboradores:'''
*
*
'''Conteúdo:'''
* Daniel Dieb, [http://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/691959/daniel-almeida-abrahao-dieb/ bolsa FAPESP 17/05969-0]
* Célio Costa
'''Desenvolvimento:'''
* Bruna Meneguzzi, USP
* Éder Porto, USP
-->
<div style="display:block;text-align:right;;clear:both;text-transform:uppercase;font-size:0.8em;text-right;border-top:1px solid #A7D7F9"><span style="border:1px solid #A7D7F9; padding:3px 8px;background:#E0EFFF">[[Introdução ao Jornalismo Científico/Contato|+ veja mais]]</span></div>
[[Categoria:Introdução ao Jornalismo Científico]]
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CCT-UFCA/Engenharia Civil/Hidráulica Aplicada
0
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183109
182868
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João Mendes B
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/* Avaliação */
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wikitext
text/x-wiki
== Programa do Componente Curricular ==
{| class="wikitable"
|+
|'''Código:'''
| colspan="9" |ECI(NOVO)
|-
|'''Componente Curricular:'''
| colspan="9" |Hidráulica Aplicada
|-
|'''Semestre de Oferta:'''
| colspan="2" |5º
|'''Tipo:'''
|Disciplina
|'''Caráter:'''
| colspan="4" |Obrigatória
|-
|'''Unidade Acadêmica Responsável:'''
| colspan="9" |Centro de Ciências e Tecnologia - CCT
|-
|'''Regime:'''
| colspan="9" |Semestral
|-
|'''Créditos:'''
|4
|'''Carga horária:'''
|64
|'''Teórica:'''
|48
|'''Prática'''
|16
|'''Extensão:'''
| -
|-
|'''Pré-requisito:'''
| colspan="9" |ECI0023 - Mecânica dos Fluidos
|-
|'''Correquisito:'''
| colspan="9" | -
|-
|'''Equivalência:'''
| colspan="9" |ECI0032 - Hidráulica Aplicada
|}
== Ementa ==
* Conceitos básicos;
* Escoamento permanente e uniforme em condutos forçados;
* Perda de carga localizada;
* Sistemas hidráulicos de tubulações;
* Sistemas elevatórios e cavitação;
* Redes de distribuição de água;
* Características básicas dos escoamentos livres;
* Princípios da energia e controle hidráulico;
* Escoamento permanente e uniforme em canais;
* Ressalto hidráulico;
* Estruturas hidráulicas de condução e controle.
== Objetivos ==
Desenvolver no estudante o domínio dos conceitos básicos necessários à elaboração de projetos e solução de problemas nas diversas áreas de aplicação da Hidráulica na Engenharia Civil.
== Conteúdo ==
== Metodologia ==
== Avaliação ==
'''1ª Avaliação Progressiva:'''
* Condutos forçados:
** Perdas de carga distribuídas
** Perdas de carga localizadas
** Sistemas hidráulicos de tubulações
'''2ª Avaliação Progressiva:'''
* Condutos forçados:
** Sistemas elevatórios
** Redes de distribuição de água
'''3ª Avaliação Progressiva:'''
* Escoamento Livre
== Bibliografia ==
=== Bibliografia Básica ===
# HOUGHTALEN, R. J.; HWANG, N. H. C.; AKAN, A. O. Engenharia hidráulica. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. 316 p.
# BAPTISTA, M.; LARA, M. Fundamentos de engenharia hidráulica. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010. 480 p.
# AZEVEDO NETTO, J. M. Manual de hidráulica. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. 8. ed., 680 p.
=== Bibliografia Complementar ===
# PORTO, R. M. Hidráulica básica. São Carlos: Editora da EESC, 1998. 540 p.
# BATISTA, M. B. et al. Hidráulica aplicada. Porto Alegre: ABRH, 2003. 620 p.
# FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à mecânica dos fluidos. 8. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2014.
# MACINTYRE, A. J. Bombas e instalações de bombeamento. Rio de Janeiro: LTC, 1997. 808 p.
# DELMEÉ, G. J. Manual de medição de vazão. São Paulo: Edgard Blücher, 2003. 3.ed., 366 p.
# SILVA, R. C. V.; MASCARENHAS, F. C. B.; MIGUEZ, M. G. Hidráulica fluvial. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ, 2007.
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CCT-UFCA/Engenharia Civil/hidrologia
0
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183110
173003
2026-06-07T15:33:41Z
João Mendes B
44347
/* Conteúdo */
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wikitext
text/x-wiki
== Programa do Componente Curricular ==
[editar | editar código-fonte]
{| class="wikitable"
|+
|'''Código:'''
| colspan="9" |ECI0044
|-
|'''Componente Curricular:'''
| colspan="9" |HIDROLOGIA
|-
|'''Semestre de Oferta:'''
| colspan="2" |6º
|'''Tipo:'''
|Disciplina
|'''Caráter:'''
| colspan="4" |Obrigatória
|-
|'''Unidade Acadêmica Responsável:'''
| colspan="9" |Centro de Ciências e Tecnologia - CCT
|-
|'''Regime:'''
| colspan="9" |Semestral
|-
|'''Créditos:'''
|4
|'''Carga horária:'''
|64
|'''Teórica:'''
| -
|'''Prática'''
| -
|'''Extensão:'''
| -
|-
|'''Pré-requisito:'''
| colspan="9" |CAR0003 E (ECI0032 OU ECI0135)
|-
|'''Co-requisito:'''
| colspan="9" |
|-
|'''Equivalência:'''
|}
== Ementa ==
[editar | editar código-fonte]
Apresentação do ciclo hidrológico em sua escala planetária e regional identificando os principais componentes. Bacia hidrográfica e as principais características fisiográficas. Noções básicas de hidrometeorologia e dos sistemas meteorológicos atuantes no nordeste brasileiro. Processo de precipitação, estimativa de precipitação média e máximas em uma bacia. Evaporação e evapotranspiração equações e aplicações. Processo de Infiltração e seu equacionamento. Escoamento superficial, estimativa de cheias por modelo chuva-deflúvio e estimativa de vazões médias. Propagação e o controle de enchentes. Vazões regularizadas para o reservatório de águas superficiais com vistas ao dimensionamento.
== Objetivos ==
[editar | editar código-fonte]
Conhecer basicamente a Hidrologia, especialmente no que se refere às suas aplicações no âmbito da Engenharia Civil, de forma a estar apto ao exercício profissional das atividades relacionadas à obtenção e ao uso de dados hidrológicos com vistas ao dimensionamento e operação de obras hidráulicas.
== Conteúdo ==
* Ciclo hidrológico e Climatologia
* Bacia hidrográfica e balanço hídrico
* Precipitação
* Infiltração
* Evaporação e Evapotranspiração
* Escoamento superficial
* Hidrograma unitário
* Hidrologia estatística: previsão, propagação, controle de cheias/enchentes e Curva de permanência
* Regularização de vazão
== Metodologia ==
[editar | editar código-fonte]
== Avaliação ==
[editar | editar código-fonte]
== Bibliografia ==
COLLISCHONN, W; DORNELLES F. Hidrologia para engenharia e ciências ambientais. 2ª Edição revisada e ampliada. Editora ABRH. Porto Alegre. 2015. TUCCI, C.E.M. Hidrologia: Ciência e Aplicação. 4ª Edição. Editora UFRGS/ABRH. Porto Alegre, 2009. PINTO, N.L. de Souza et al.. Hidrologia Básica, São Paulo. Editora Edgard Blucher, 1976
NAGHETTINI, M.; PINTO, E. J. A. Hidrologia estatística. Belo Horizonte: CPRM, 2007. RIGHETTO, A. M. Hidrologia e recursos hídricos. EESC/USP, 1998. TE CHOW, Ven. Applied hydrology. Tata McGraw-Hill Education, 2010. VILLELA, S. M.; MATTOS, A. Hidrologia aplicada. Editora McGraw-Hill do Brasil, 1975. GRIBBIN, J. E. Introdução à hidráulica, hidrologia e gestão de águas pluviais. Tradução da 3® Edição Norte-Americana. Cengage Learning Edições Ltda., 2010. BARBOSA JÚNIOR, A. R. Apostila ELEMENTOS DE HIDROLOGIA APLICADA. UFOP. 2007.
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João Mendes B
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/* Conteúdo */
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text/x-wiki
== Programa do Componente Curricular ==
[editar | editar código-fonte]
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|+
|'''Código:'''
| colspan="9" |ECI0044
|-
|'''Componente Curricular:'''
| colspan="9" |HIDROLOGIA
|-
|'''Semestre de Oferta:'''
| colspan="2" |6º
|'''Tipo:'''
|Disciplina
|'''Caráter:'''
| colspan="4" |Obrigatória
|-
|'''Unidade Acadêmica Responsável:'''
| colspan="9" |Centro de Ciências e Tecnologia - CCT
|-
|'''Regime:'''
| colspan="9" |Semestral
|-
|'''Créditos:'''
|4
|'''Carga horária:'''
|64
|'''Teórica:'''
| -
|'''Prática'''
| -
|'''Extensão:'''
| -
|-
|'''Pré-requisito:'''
| colspan="9" |CAR0003 E (ECI0032 OU ECI0135)
|-
|'''Co-requisito:'''
| colspan="9" |
|-
|'''Equivalência:'''
|}
== Ementa ==
[editar | editar código-fonte]
Apresentação do ciclo hidrológico em sua escala planetária e regional identificando os principais componentes. Bacia hidrográfica e as principais características fisiográficas. Noções básicas de hidrometeorologia e dos sistemas meteorológicos atuantes no nordeste brasileiro. Processo de precipitação, estimativa de precipitação média e máximas em uma bacia. Evaporação e evapotranspiração equações e aplicações. Processo de Infiltração e seu equacionamento. Escoamento superficial, estimativa de cheias por modelo chuva-deflúvio e estimativa de vazões médias. Propagação e o controle de enchentes. Vazões regularizadas para o reservatório de águas superficiais com vistas ao dimensionamento.
== Objetivos ==
[editar | editar código-fonte]
Conhecer basicamente a Hidrologia, especialmente no que se refere às suas aplicações no âmbito da Engenharia Civil, de forma a estar apto ao exercício profissional das atividades relacionadas à obtenção e ao uso de dados hidrológicos com vistas ao dimensionamento e operação de obras hidráulicas.
== Conteúdo ==
O conteúdo da disciplina é dividido em 3 unidades:
* '''Unidade 1 -''' Ciclo hidrológico e Climatologia; Bacia hidrográfica e balanço hídrico; Precipitação.
* '''Unidade 2 -''' Infiltração; Evaporação e Evapotranspiração; Escoamento superficial.
* '''Unidade 3 -''' Hidrograma unitário; Hidrologia estatística: previsão, propagação, controle de cheias/enchentes e Curva de permanência; Regularização de vazão.
== Metodologia ==
[editar | editar código-fonte]
== Avaliação ==
[editar | editar código-fonte]
== Bibliografia ==
COLLISCHONN, W; DORNELLES F. Hidrologia para engenharia e ciências ambientais. 2ª Edição revisada e ampliada. Editora ABRH. Porto Alegre. 2015. TUCCI, C.E.M. Hidrologia: Ciência e Aplicação. 4ª Edição. Editora UFRGS/ABRH. Porto Alegre, 2009. PINTO, N.L. de Souza et al.. Hidrologia Básica, São Paulo. Editora Edgard Blucher, 1976
NAGHETTINI, M.; PINTO, E. J. A. Hidrologia estatística. Belo Horizonte: CPRM, 2007. RIGHETTO, A. M. Hidrologia e recursos hídricos. EESC/USP, 1998. TE CHOW, Ven. Applied hydrology. Tata McGraw-Hill Education, 2010. VILLELA, S. M.; MATTOS, A. Hidrologia aplicada. Editora McGraw-Hill do Brasil, 1975. GRIBBIN, J. E. Introdução à hidráulica, hidrologia e gestão de águas pluviais. Tradução da 3® Edição Norte-Americana. Cengage Learning Edições Ltda., 2010. BARBOSA JÚNIOR, A. R. Apostila ELEMENTOS DE HIDROLOGIA APLICADA. UFOP. 2007.
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Relatório - Temporada de chuvas de 2025-2026 em Piracicaba
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'''<big>Temporada de chuvas de 2025-2026 em Piracicaba</big>'''
* '''ENTIDADE RESPONSÁVEL:''' Piracicaba Meteorológica
* '''GERENCIAMENTO DO BANCO DE DADOS:''' Erik dos Santos
* '''PONTO DE OBSERVAÇÃO REMOTA (TEMPORÁRIO) E LOCAL DE PUBLICAÇÃO:''' St. Marys, Ontário, Canadá
* '''DATA DE EMISSÃO:''' 6 de junho de 2026
=== 1. Análise Sinótica e Condicionantes Atmosféricos ===
A temporada de chuvas de 2025/2026 em Piracicaba, delimitada em 6 de junho de 2026 pela Piracicaba Meteorológica como o período entre 22 de setembro de 2025 e 19 de abril de 2026, operou sob condições de neutralidade no Oceano Pacífico Equatorial (ENSO neutro). Sem a influência de anomalias da Oscilação ENSO (El Niño/La Niña), o comportamento das precipitações e a termodinâmica local foram modulados estritamente por oscilações intra-sazonais e regionais.
Durante a primeira metade da temporada, correspondente aos meses da Primavera Meteorológica (SON), o acoplamento entre a fase negativa da Oscilação Antártica (AAO), operando em patamares de até -1,8, e o Dipolo do Atlântico Sul em fase negativa (-0,6) estabeleceu um canal livre para o avanço de sistemas frontais e ciclogêneses a partir do Sul do país. A atmosfera paulista recebeu frequentes injeções de ar frio em médios níveis e abundante umidade tropical, que colidiram com o ar quente acumulado pelo Anticiclone do Brasil Central entre agosto e setembro causado pela fase 8 a 1 da Oscilação Madden-Julian (MJO) entre 15 e 20 de setembro em intensidade fraca. Essa condição, combinada com AAO positiva e Dipolo do Atlântico Sul negativo, resultou em frequentes explosões convectivas entre o fim de setembro e início de outubro. A MJO em fases desfavoráveis (6 a 2) sob intensidade moderada impediu contrastes térmicos que resultariam em convecção profunda generalizada entre o período de 18 de outubro e 20 de novembro quando combinadas com a AAO negativa, causando precipitações moderadas contínuas (chuvas frontais). No entanto um cenário favorável à convecção severa isolada desenvolveu-se subsequentemente: a MJO, ainda sob intensidade moderada, esteve estagnada entre as fases 3 a 6 entre o final de novembro e início de dezembro, combinada com a AAO ainda negativa e o Dipolo do Atlântico Sul negativo. Isso favoreceu cenários de alta pressão marginal tardia, mais típica do início da primavera, alimentada pelo fluxo de aquecimento amazônico acelerado do verão. Sem o resfriamento causado pela alta pressão mesoescalar pós-sistemas frontais (mesoalta) e a AAO em fase negativa, houve condições favoráveis à formação de correntes ascendentes com alta taxa de resfriamento vertical (-7°C/km ou menos), resultando em alta incidência de episódios de granizo, mesmo em sistemas menos organizados. Esse contraste entre o ar quente continental e as frentes frias também resultaram na ocorrência de um ciclone extratropical atípico entre os dias 8 e 10 de dezembro, com rajadas de vento intensas e precipitação volumosa.
A partir de janeiro de 2026, a circulação atmosférica sofreu uma guinada radical com a inversão da AAO para valores positivos de até +1 e a MJO oscilando transitoriamente para as fases 7 e 8 em intensidade moderada. Essa configuração sinótica permitiu a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) no início de janeiro e a formação de grandes aglomerados de tempestades, consequentemente inibindo a ocorrência de mesoaltas e favorecendo o surgimento de células de tempestade explosivas. O verão e o início do outono foram marcados por forte subsidência do ar, gerando prolongados períodos de calor extremo na região, com temperaturas máximas frequentemente superando os 35°C. Essa energia térmica armazenada na camada limite planetária, combinada com a umidade remanescente, MJO em fase desfavorável, Dipolo do Atlântico negativo e AAO positiva, resultou em severa instabilidade termodinâmica, convertida em convecção profunda de caráter isolado.
O encerramento da temporada foi delimitado em 19 de abril de 2026 após a passagem de uma supercélula tardia de excepcional energia física. O monitoramento final do período enfrentou severas limitações operacionais a partir de 7 de abril devido à transferência temporária do gerente do banco de dados, Erik dos Santos, para o exterior. A ausência de triagem presencial contínua dificultou a checagem de acumulados finos na transição para o período seco, em razão da dificuldade de captação de precipitações isoladas pelos pluviômetros oficiais do CIIAGRO e do INMET.
----
=== 2. Estatísticas Gerais da Temporada ===
Abaixo são consolidados os parâmetros volumétricos e dinâmicos mensurados na estação meteorológica do CIIAGRO de Piracicaba ao longo de toda a extensão cronológica da temporada.
=== Tabela 2.1: Balanço Climatológico Mensal (Temporada 2025/2026) ===
{| class="wikitable"
|'''Mês'''
|'''Temp. Média Mínima (°C)'''
|'''Temp. Média Máxima (°C)'''
|'''Precipitação Total (mm)'''
|'''Dias com Chuva (≥ 1mm)'''
|-
|Setembro (22 a 30/2025)
|16,3
|31,6
|21,6
|2
|-
|Outubro/2025
|16,3
|31,3
|82,2
|8
|-
|Novembro/2025
|16,8
|30,2
|118,5
|13
|-
|Dezembro/2025
|19,8
|33,3
|258,4
|8
|-
|Janeiro/2026
|19,1
|31,7
|309,5
|17
|-
|Fevereiro/2026
|20,0
|31,7
|254,4
|12
|-
|Março/2026
|17,9
|31,8
|151,3
|9
|-
|Abril (01 a 19/2026)
|17,9
|31,7
|65,2
|4
|-
|'''Total do Período'''
|'''18,1 (Média)'''
|'''31,7 (Média)'''
|'''1261,3 mm'''
|'''73 dias'''
|}
----
=== 3. Crônica dos Eventos Severos e Danos Catalogados ===
O ciclo de 2025/2026 posicionou-se como o mais ativo na história recente de Piracicaba, posicionando-se como o mais severo em quatro das cinco categorias de tempo severo estabelecidas pela Piracicaba Meteorológica (granizo, ventos >72 km/h, supercélulas, tornados e gustnados); a única exceção é a categoria dos gustnados, que ainda não possui uma metodologia de identificação, classificação e contagem. O primeiro pico de severidade ocorreu em 22 de setembro de 2025, quando um Sistema Convectivo de Escala Linear (QLCS), resultado de um Jato de Baixos Níveis de alta intensidade (>80 km/h), avançou pelo interior paulista portando duas supercélulas de alta precipitação (HP) embutidas. O sistema descarregou uma onda de ''downbursts'' sucessivos sobre o perímetro urbano, com rajadas estimadas em 111,2 km/h no bairro Jupiá.
O mês de outubro registrou um ''microburst'' úmido de intensidade severa no dia 10, gerado por uma supercélula de topo baixo em desenvolvimento sobre os distritos de Artemis e Santa Teresinha de Piracicaba, com ventos estimados em até 150 km/h. Tal evento se classifica como o segundo mais violento da história de Piracicaba em velocidade do vento, apenas aquém da tempestade supercelular de 29 de março de 2006, com rajadas medidas oficialmente pela ESALQ em até 158 km/h, valor que foi compensado para 163 km/h este ano. Entre o final de novembro e início de dezembro, a atividade convectiva anteriormente mencionada gerou vários episódios de granizo, destacando-se o dia 22 de novembro, quando uma unicélula despejou granizo de até 2 cm de diâmetro com uma frequência de queda superior a 300 impactos por metro quadrado por minuto nos bairros Monte Líbano e Jardim Itapuã, causando descascamento da pintura de telhados de fibrocimento. Além disso, dezembro concentrou os maiores volumes hídricos da temporada. Em 9 de dezembro, a frente fria de um ciclone extratropical resultou em valores elevados de precipitação de 103,1 mm (INMET), enquanto a presença de uma célula de granizo embebida no aglomerado aparentemente desfavorável para tal fenômeno reforçou as condições favoráveis para o desenvolvimento de precipitação sólida. A tempestade multicelular do dia 12 gerou um ''microburst'' com ventos estimados em 120 km/h e granizo no centro da cidade, com taxa de precipitação extrema (>100 mm/h). A família de tornados em Piracicaba, Rio das Pedras e Mombuca em 7 de dezembro também ocorreu nesse cenário, favorecida pela injeção de ar frio e seco de um Sistema Convectivo de Mesoescala (SCM) em ambiente de elevado CAPE, DCAPE e ar quente e úmido. Outros episódios de granizo foram registrados em 27, 28 e 31 de dezembro.
O primeiro quadrimestre de 2026 manteve o padrão de severidade e condições altamente propícias a granizo. Janeiro iniciou com tempestades severas na zona rural no dia 1º, seguido por registros de supercélulas nos dias 3, 10 e 30 de janeiro, esta última sendo anomalamente organizada para uma supercélula de origem marginal e produzindo pedras de 2,9 cm de diâmetro no distrito de Anhumas. Fevereiro apresentou comportamento típico de verão, com duas supercélulas marginais embebidas em sistemas multicelulares nos dias 21 e 24.
A reta final da temporada, em abril, concentrou uma frequência anômala de eventos severos. No dia 2 de abril, uma multicélula gerou uma sequência de 7 núcleos de granizo distintos e um ''microburst'' com ventos superiores a 90 km/h que arrastou coberturas metálicas no bairro Campestre. O encerramento definitivo do ciclo dinâmico ocorreu em 18 de abril, com uma supercélula clássica vinda de Anhembi que atingiu o distrito de Ibitiruna, gerando pedras de granizo de 4,8 cm (Nível 5), o segundo maior diâmetro documentado no município desde o início dos registros em 1995.
=== Tabela 3.1: Catálogo Sistemático de Ventos Fortes e Danos Convectivos ===
{| class="wikitable"
|'''Data/Hora'''
|'''Tipo de Sistema'''
|'''Fenômeno Associado'''
|'''Intensidade Registrada/Estimada'''
|'''Principais Impactos Documentados'''
|-
|22/09/2025 - 13h22
|QLCS / Supercélulas HP
|Onda de downbursts
|95,0 km/h (Medido na Agronomia) / 111,2 km/h (Estimado no Jupiá)
|Quedas de árvores de grande porte, destelhamentos e interrupção de energia.
|-
|10/10/2025 - 16h45
|Supercélula Isolada
|Microburst úmido
|~150 km/h (Estimado)
|Paredes de concreto em construção derrubadas, veículos chacoalhados e alta densidade de árvores e galhos caídos.
|-
|03/12/2025 - 15h55
|Multicélula
|Ventania convectiva
|68,8 km/h (Medido) / >75 km/h (Estimado)
|Queda de galhos e destelhamentos parciais em pontos isolados.
|-
|12/12/2025 - 14h45
|Multicélula
|Microburst úmido
|~120 km/h (Estimado)
|Danos estruturais graves na Vila Rezende e Centro; queda de postes.
|-
|01/01/2026 - 17h00
|Multicélula
|Microburst úmido
|>75 km/h (Estimado)
|Danos na fiação e curto-circuito no bairro Novo Horizonte.
|-
|03/01/2026 - 19h40
|Supercélula
|Microburst úmido
|>72 km/h (Estimado)
|Sem danos.
|-
|03/03/2026 - 15h00
|Multicélula
|Downburst
|>75 km/h (Estimado)
|Destelhamentos isolados e queda de árvores no Pau d'Alhinho.
|-
|02/04/2026 - 14h15
|Multicélula
|Microburst úmido
|>90 km/h (Estimado)
|Queda de galhos no Monte Líbano.
|}
=== Tabela 3.2: Cronologia de Precipitação de Granizo ===
{| class="wikitable"
|'''Data/Hora'''
|'''Tipo de Tempestade'''
|'''Diâmetro Máximo'''
|'''Nível'''
|'''Locais Afetados'''
|'''Confirmação'''
|-
|10/10/2025 - 16h55
|Supercélula
|~2 cm
|Nível 3
|Agronomia, Algodoal, Bairro Alto, Bongue, Centro, Dois Córregos, Estância Lago Azul, Jupiá, Santa Teresinha, São Dimas, São Judas, Vila Rezende, Artemis
|Terceirizada
|-
|01/11/2025 - 16h30
|Unicélula
|~1 cm
|Nível 2
|Bairro Santa Rosa
|Terceirizada
|-
|22/11/2025 - 15h00
|Unicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Água Branca, Campestre, Chicó, Jardim Itapuã, Monte Líbano, Pauliceia
|Presencial
|-
|23/11/2025 - 15h10
|Multicélula
|<1 cm
|Nível 1
|Água Branca, Bairro Alto, Bairro Verde, Higienópolis, Jardim Caxambu, Jardim Elite, Jardim Itapuã, Monte Líbano, Nova América, Pauliceia, Piracicamirim, Santa Cecília, São Judas, Vila Independência, Vila Monteiro
|Presencial
|-
|09/12/2025 - 21h40
|Multicélula
|<1 cm
|Nível 1
|Relatos no São Dimas e vários bairros da área urbana
|Terceirizada
|-
|12/12/2025 - 14h40
|Multicélula
|~2 cm
|Nível 3
|Bairro Alto, Centro, Vila Rezende
|Terceirizada
|-
|27/12/2025 - 15h10
|Unicélula
|~1 cm
|Nível 2
|Jardim Itapuã e São Jorge
|Presencial
|-
|28/12/2025 - 19h30
|Unicélula
|Desconhecido
|?
|Comunidade rural de Estiva
|Remota (fase piloto)
|-
|31/12/2025 - 17h15
|Multicélula
|0,5 a 1,5 cm
|Nível 2
|Água Bonita, Estiva, Ibitiruna, Itaperu, Monjolada e Monjolinho
|Remota (fase piloto)
|-
|03/01/2026 - 19h52
|Supercélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Povoado do Formigueiro, divisa com Saltinho
|Remota
|-
|07/01/2026 - 18h07
|Unicélula
|~0,7 cm
|Nível 1
|Centro
|Remota
|-
|10/01/2026 - 18h52
|Unicélula
|~2,2 cm
|Nível 3
|Tanquã
|Remota
|-
|10/01/2026 - 18h52
|Supercélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Povoados de Figueira e Monjolada
|Remota
|-
|12/01/2026 - 13h22
|Multicélula
|~1,5 cm
|Nível 2
|Nova Suíça, Pau d'Alhinho, Pau Queimado
|Terceirizada
|-
|12/01/2026 - 13h45
|Multicélula
|~2,2 cm
|Nível 3
|Norte do distrito de Ibitiruna (inclui Tanquã e Laranjeiras)
|Remota
|-
|12/01/2026 - 22h37
|Unicélula
|~1,8 cm
|Nível 2
|Povoado de Água Bonita
|Remota
|-
|25/01/2026 - 18h50
|Unicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Povoados de Monjolada e Glebas Primavera
|Remota
|-
|28/01/2026 - 14h55
|Unicélula
|~2,1 cm
|Nível 2
|Povoados do Pau Queimado e dos Alpes Suíços; bairro do São Jorge
|Remota
|-
|30/01/2026 - 17h30
|Supercélula marginal
|~2,9 cm
|Nível 3
|Povoados de Ibitiruna e Anhumas
|Mista
|-
|21/02/2026 - 17h05
|Supercélula marginal
|~1,5 cm
|Nível 2
|Bosque dos Lenheiros
|Remota
|-
|21/02/2026 - 17h15
|Supercélula marginal
|~0,8 cm
|Nível 1
|Santana (1,5 km sudoeste da Fazenda Glória)
|Remota
|-
|02/04/2026 - 13h10
|Multicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Guamium, Capim Fino, Santa Rosa, Uninorte, Agronomia
|Presencial
|-
|02/04/2026 - 13h22
|Multicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Povoado de São Joaquim
|Remota
|-
|02/04/2026 - 14h00
|Multicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Campestre
|Remota
|-
|02/04/2026 - 14h07
|Multicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Artemis, Monjolada, Vale do Sol, Vila Sônia, Santa Teresinha, Uninorte, Santa Rosa, Agronomia
|Remota
|-
|02/04/2026 - 14h15
|Multicélula
|~1,5 cm
|Nível 2
|Campestre, Monte Líbano, Jardim Itapuã
|Presencial
|-
|02/04/2026 - 14h37
|Multicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Artemis, Água Bonita
|Remota
|-
|02/04/2026 - 15h00
|Multicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Alpes Suíços, Pau Queimado, Nova Suíça
|Remota
|-
|06/04/2026 - 17h45
|Multicélula
|~2,3 cm
|Nível 3
|22°37'30"S, 47°32'17"W (Fazenda Boa Vista)
|Remota
|-
|06/04/2026 - 17h52
|Unicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Campestre, Jardim Planalto, Novo Horizonte, Vila Cristina
|Presencial
|-
|18/04/2026 - 11h45
|Supercélula
|~4,8 cm
|Nível 5
|Ibitiruna, Tanquã (Início em Anhembi)
|Remota
|-
|28/04/2026 - 17h07
|Unicélula
|<1,0 cm
|Nível 1
|Água das Pedras, Novo Horizonte, Campestre
|Terceirizada
|}
[[Categoria:Clima e Meteorologia de Piracicaba]]
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183113
183112
2026-06-07T23:44:05Z
~2026-33670-49
44413
183113
wikitext
text/x-wiki
'''<big>Temporada de chuvas de 2025-2026 em Piracicaba</big>'''
* '''ENTIDADE RESPONSÁVEL:''' Piracicaba Meteorológica
* '''GERENCIAMENTO DO BANCO DE DADOS:''' Erik dos Santos
* '''PONTO DE OBSERVAÇÃO REMOTA (TEMPORÁRIO) E LOCAL DE PUBLICAÇÃO:''' St. Marys, Ontário, Canadá
* '''DATA DE EMISSÃO:''' 6 de junho de 2026
=== 1. Análise Sinótica e Condicionantes Atmosféricos ===
A temporada de chuvas de 2025/2026 em Piracicaba, delimitada em 6 de junho de 2026 pela Piracicaba Meteorológica como o período entre 22 de setembro de 2025 e 19 de abril de 2026, operou sob condições de neutralidade no Oceano Pacífico Equatorial (ENSO neutro). Sem a influência de anomalias da Oscilação ENSO (El Niño/La Niña), o comportamento das precipitações e a termodinâmica local foram modulados estritamente por oscilações intra-sazonais e regionais.
As previsões preliminares emitidas pela Piracicaba Meteorológica desde julho de 2025 já sugeriam uma temporada subsequente com alta atividade de tempo severo. O ano de 2025 apresentou um comportamento anormalmente ativo desde o início, impulsionado pelo histórico da temporada de 2024-2025 (20 de setembro de 2024 a 25 de abril de 2025), que registrou elevada frequência de queda de granizo. Em pleno inverno e durante a estação seca, o suporte dinâmico na média e alta troposfera manteve a ocorrência de convecção profunda mesmo em uma época teoricamente desfavorável. Em 27 de junho, o confronto entre uma frente quente e uma frente fria gerou uma supercélula de baixa precipitação (LP), provocando queda de granizo fora de época com acúmulo no solo na zona rural. Esse evento foi sucedido por uma multicélula anômala em 25 de julho.
Ademais, o inverno de 2025 foi marcado pela passagem de frentes frias intensas em termos de velocidade do vento, caracterizadas por cisalhamento extremo do vento (>20 m/s). Esse padrão sinótico foi o fator determinante para os vendavais e rajadas de vento severas registrados nos dias 28 de julho e 9 de setembro. Os modelos numéricos e o monitoramento de mesoescala indicavam que o acúmulo de energia térmica na camada limite planetária, associado à ausência de chuvas volumosas devido à Oscilação Madden-Julian (MJO) em fases desfavoráveis sob moderada intensidade, forneceria o gatilho dinâmico para uma temporada com alta incidência de granizo e desenvolvimento de estruturas supercelulares isoladas.
Durante a primeira metade da temporada, correspondente aos meses da Primavera Meteorológica (SON), o acoplamento entre a fase negativa da Oscilação Antártica (AAO), operando em patamares de até -1,8, e o Dipolo do Atlântico Sul em fase negativa (-0,6) estabeleceu um canal livre para o avanço de sistemas frontais e ciclogêneses a partir do Sul do país. A atmosfera paulista recebeu frequentes injeções de ar frio em médios níveis e abundante umidade tropical, que colidiram com o ar quente acumulado pelo Anticiclone do Brasil Central entre agosto e setembro causado pela fase 8 a 1 da MJO entre 15 e 20 de setembro em intensidade fraca. Essa condição, combinada com AAO positiva e Dipolo do Atlântico Sul negativo, resultou em frequentes explosões convectivas entre o fim de setembro e início de outubro. A MJO em fases desfavoráveis (6 a 2) sob intensidade moderada impediu contrastes térmicos que resultariam em convecção profunda generalizada entre o período de 18 de outubro e 20 de novembro quando combinadas com a AAO negativa, causando precipitações moderadas contínuas (chuvas frontais). No entanto um cenário favorável à convecção severa isolada desenvolveu-se subsequentemente: a MJO, ainda sob intensidade moderada, esteve estagnada entre as fases 3 a 6 entre o final de novembro e início de dezembro, combinada com a AAO ainda negativa e o Dipolo do Atlântico Sul negativo. Isso favoreceu cenários de alta pressão marginal tardia, mais típica do início da primavera, alimentada pelo fluxo de aquecimento amazônico acelerado do verão. Sem o resfriamento causado pela alta pressão mesoescalar pós-sistemas frontais (mesoalta) e a AAO em fase negativa, houve condições favoráveis à formação de correntes ascendentes com alta taxa de resfriamento vertical (-7°C/km ou menos), resultando em alta incidência de episódios de granizo, mesmo em sistemas menos organizados. Esse contraste entre o ar quente continental e as frentes frias também resultaram na ocorrência de um ciclone extratropical atípico entre os dias 8 e 10 de dezembro, com rajadas de vento intensas e precipitação volumosa.
A partir de janeiro de 2026, a circulação atmosférica sofreu uma guinada radical com a inversão da AAO para valores positivos de até +1 e a MJO oscilando transitoriamente para as fases 7 e 8 em intensidade moderada. Essa configuração sinótica permitiu a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) no início de janeiro e a formação de grandes aglomerados de tempestades, consequentemente inibindo a ocorrência de mesoaltas e favorecendo o surgimento de células de tempestade explosivas. O verão e o início do outono foram marcados por forte subsidência do ar, gerando prolongados períodos de calor extremo na região, com temperaturas máximas frequentemente superando os 35°C. Essa energia térmica armazenada na camada limite planetária, combinada com a umidade remanescente, MJO em fase desfavorável, Dipolo do Atlântico negativo e AAO positiva, resultou em severa instabilidade termodinâmica, convertida em convecção profunda de caráter isolado.
O encerramento da temporada foi delimitado em 19 de abril de 2026 após a passagem de uma supercélula tardia de excepcional energia física. O monitoramento final do período enfrentou severas limitações operacionais a partir de 7 de abril devido à transferência temporária do gerente do banco de dados, Erik dos Santos, para o exterior. A ausência de triagem presencial contínua dificultou a checagem de acumulados finos na transição para o período seco, em razão da dificuldade de captação de precipitações isoladas pelos pluviômetros oficiais do CIIAGRO e do INMET.
----
=== 2. Estatísticas Gerais da Temporada ===
Abaixo são consolidados os parâmetros volumétricos e dinâmicos mensurados na estação meteorológica do CIIAGRO de Piracicaba ao longo de toda a extensão cronológica da temporada.
=== Tabela 2.1: Balanço Climatológico Mensal (Temporada 2025/2026) ===
{| class="wikitable"
|'''Mês'''
|'''Temp. Média Mínima (°C)'''
|'''Temp. Média Máxima (°C)'''
|'''Precipitação Total (mm)'''
|'''Dias com Chuva (≥ 1mm)'''
|-
|Setembro (22 a 30/2025)
|16,3
|31,6
|21,6
|2
|-
|Outubro/2025
|16,3
|31,3
|82,2
|8
|-
|Novembro/2025
|16,8
|30,2
|118,5
|13
|-
|Dezembro/2025
|19,8
|33,3
|258,4
|8
|-
|Janeiro/2026
|19,1
|31,7
|309,5
|17
|-
|Fevereiro/2026
|20,0
|31,7
|254,4
|12
|-
|Março/2026
|17,9
|31,8
|151,3
|9
|-
|Abril (01 a 19/2026)
|17,9
|31,7
|65,2
|4
|-
|'''Total do Período'''
|'''18,1 (Média)'''
|'''31,7 (Média)'''
|'''1261,3 mm'''
|'''73 dias'''
|}
----
=== 3. Crônica dos Eventos Severos e Danos Catalogados ===
O ciclo de 2025/2026 posicionou-se como o mais ativo na história recente de Piracicaba, posicionando-se como o mais severo em quatro das cinco categorias de tempo severo estabelecidas pela Piracicaba Meteorológica (granizo, ventos >72 km/h, supercélulas, tornados e gustnados); a única exceção é a categoria dos gustnados, que ainda não possui uma metodologia de identificação, classificação e contagem. O primeiro pico de severidade ocorreu em 22 de setembro de 2025, quando um Sistema Convectivo de Escala Linear (QLCS), resultado de um Jato de Baixos Níveis de alta intensidade (>80 km/h), avançou pelo interior paulista portando duas supercélulas de alta precipitação (HP) embutidas. O sistema descarregou uma onda de ''downbursts'' sucessivos sobre o perímetro urbano, com rajadas estimadas em 111,2 km/h no bairro Jupiá.
O mês de outubro registrou um ''microburst'' úmido de intensidade severa no dia 10, gerado por uma supercélula de topo baixo em desenvolvimento sobre os distritos de Artemis e Santa Teresinha de Piracicaba, com ventos estimados em até 150 km/h. Tal evento se classifica como o segundo mais violento da história de Piracicaba em velocidade do vento, apenas aquém da tempestade supercelular de 29 de março de 2006, com rajadas medidas oficialmente pela ESALQ em até 158 km/h, valor que foi compensado para 163 km/h este ano. Entre o final de novembro e início de dezembro, a atividade convectiva anteriormente mencionada gerou vários episódios de granizo, destacando-se o dia 22 de novembro, quando uma unicélula despejou granizo de até 2 cm de diâmetro com uma frequência de queda superior a 300 impactos por metro quadrado por minuto nos bairros Monte Líbano e Jardim Itapuã, causando descascamento da pintura de telhados de fibrocimento. Além disso, dezembro concentrou os maiores volumes hídricos da temporada. Em 9 de dezembro, a frente fria de um ciclone extratropical resultou em valores elevados de precipitação de 103,1 mm (INMET), enquanto a presença de uma célula de granizo embebida no aglomerado aparentemente desfavorável para tal fenômeno reforçou as condições favoráveis para o desenvolvimento de precipitação sólida. A tempestade multicelular do dia 12 gerou um ''microburst'' com ventos estimados em 120 km/h e granizo no centro da cidade, com taxa de precipitação extrema (>100 mm/h). A família de tornados em Piracicaba, Rio das Pedras e Mombuca em 7 de dezembro também ocorreu nesse cenário, favorecida pela injeção de ar frio e seco de um Sistema Convectivo de Mesoescala (SCM) em ambiente de elevado CAPE, DCAPE e ar quente e úmido. Outros episódios de granizo foram registrados em 27, 28 e 31 de dezembro.
O primeiro quadrimestre de 2026 manteve o padrão de severidade e condições altamente propícias a granizo. Janeiro iniciou com tempestades severas na zona rural no dia 1º, seguido por registros de supercélulas nos dias 3, 10 e 30 de janeiro, esta última sendo anomalamente organizada para uma supercélula de origem marginal e produzindo pedras de 2,9 cm de diâmetro no distrito de Anhumas. Fevereiro apresentou comportamento típico de verão, com duas supercélulas marginais embebidas em sistemas multicelulares nos dias 21 e 24.
A reta final da temporada, em abril, concentrou uma frequência anômala de eventos severos. No dia 2 de abril, uma multicélula gerou uma sequência de 7 núcleos de granizo distintos e um ''microburst'' com ventos superiores a 90 km/h que arrastou coberturas metálicas no bairro Campestre. O encerramento definitivo do ciclo dinâmico ocorreu em 18 de abril, com uma supercélula clássica vinda de Anhembi que atingiu o distrito de Ibitiruna, gerando pedras de granizo de 4,8 cm (Nível 5), o segundo maior diâmetro documentado no município desde o início dos registros em 1995.
=== Tabela 3.1: Catálogo Sistemático de Ventos Fortes e Danos Convectivos ===
{| class="wikitable"
|'''Data/Hora'''
|'''Tipo de Sistema'''
|'''Fenômeno Associado'''
|'''Intensidade Registrada/Estimada'''
|'''Principais Impactos Documentados'''
|-
|22/09/2025 - 13h22
|QLCS / Supercélulas HP
|Onda de downbursts
|95,0 km/h (Medido na Agronomia) / 111,2 km/h (Estimado no Jupiá)
|Quedas de árvores de grande porte, destelhamentos e interrupção de energia.
|-
|10/10/2025 - 16h45
|Supercélula Isolada
|Microburst úmido
|~150 km/h (Estimado)
|Paredes de concreto em construção derrubadas, veículos chacoalhados e alta densidade de árvores e galhos caídos.
|-
|03/12/2025 - 15h55
|Multicélula
|Ventania convectiva
|68,8 km/h (Medido) / >75 km/h (Estimado)
|Queda de galhos e destelhamentos parciais em pontos isolados.
|-
|12/12/2025 - 14h45
|Multicélula
|Microburst úmido
|~120 km/h (Estimado)
|Danos estruturais graves na Vila Rezende e Centro; queda de postes.
|-
|01/01/2026 - 17h00
|Multicélula
|Microburst úmido
|>75 km/h (Estimado)
|Danos na fiação e curto-circuito no bairro Novo Horizonte.
|-
|03/01/2026 - 19h40
|Supercélula
|Microburst úmido
|>72 km/h (Estimado)
|Sem danos.
|-
|03/03/2026 - 15h00
|Multicélula
|Downburst
|>75 km/h (Estimado)
|Destelhamentos isolados e queda de árvores no Pau d'Alhinho.
|-
|02/04/2026 - 14h15
|Multicélula
|Microburst úmido
|>90 km/h (Estimado)
|Queda de galhos no Monte Líbano.
|}
=== Tabela 3.2: Cronologia de Precipitação de Granizo ===
{| class="wikitable"
|'''Data/Hora'''
|'''Tipo de Tempestade'''
|'''Diâmetro Máximo'''
|'''Nível'''
|'''Locais Afetados'''
|'''Confirmação'''
|-
|10/10/2025 - 16h55
|Supercélula
|~2 cm
|Nível 3
|Agronomia, Algodoal, Bairro Alto, Bongue, Centro, Dois Córregos, Estância Lago Azul, Jupiá, Santa Teresinha, São Dimas, São Judas, Vila Rezende, Artemis
|Terceirizada
|-
|01/11/2025 - 16h30
|Unicélula
|~1 cm
|Nível 2
|Bairro Santa Rosa
|Terceirizada
|-
|22/11/2025 - 15h00
|Unicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Água Branca, Campestre, Chicó, Jardim Itapuã, Monte Líbano, Pauliceia
|Presencial
|-
|23/11/2025 - 15h10
|Multicélula
|<1 cm
|Nível 1
|Água Branca, Bairro Alto, Bairro Verde, Higienópolis, Jardim Caxambu, Jardim Elite, Jardim Itapuã, Monte Líbano, Nova América, Pauliceia, Piracicamirim, Santa Cecília, São Judas, Vila Independência, Vila Monteiro
|Presencial
|-
|09/12/2025 - 21h40
|Multicélula
|<1 cm
|Nível 1
|Relatos no São Dimas e vários bairros da área urbana
|Terceirizada
|-
|12/12/2025 - 14h40
|Multicélula
|~2 cm
|Nível 3
|Bairro Alto, Centro, Vila Rezende
|Terceirizada
|-
|27/12/2025 - 15h10
|Unicélula
|~1 cm
|Nível 2
|Jardim Itapuã e São Jorge
|Presencial
|-
|28/12/2025 - 19h30
|Unicélula
|Desconhecido
|?
|Comunidade rural de Estiva
|Remota (fase piloto)
|-
|31/12/2025 - 17h15
|Multicélula
|0,5 a 1,5 cm
|Nível 2
|Água Bonita, Estiva, Ibitiruna, Itaperu, Monjolada e Monjolinho
|Remota (fase piloto)
|-
|03/01/2026 - 19h52
|Supercélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Povoado do Formigueiro, divisa com Saltinho
|Remota
|-
|07/01/2026 - 18h07
|Unicélula
|~0,7 cm
|Nível 1
|Centro
|Remota
|-
|10/01/2026 - 18h52
|Unicélula
|~2,2 cm
|Nível 3
|Tanquã
|Remota
|-
|10/01/2026 - 18h52
|Supercélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Povoados de Figueira e Monjolada
|Remota
|-
|12/01/2026 - 13h22
|Multicélula
|~1,5 cm
|Nível 2
|Nova Suíça, Pau d'Alhinho, Pau Queimado
|Terceirizada
|-
|12/01/2026 - 13h45
|Multicélula
|~2,2 cm
|Nível 3
|Norte do distrito de Ibitiruna (inclui Tanquã e Laranjeiras)
|Remota
|-
|12/01/2026 - 22h37
|Unicélula
|~1,8 cm
|Nível 2
|Povoado de Água Bonita
|Remota
|-
|25/01/2026 - 18h50
|Unicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Povoados de Monjolada e Glebas Primavera
|Remota
|-
|28/01/2026 - 14h55
|Unicélula
|~2,1 cm
|Nível 2
|Povoados do Pau Queimado e dos Alpes Suíços; bairro do São Jorge
|Remota
|-
|30/01/2026 - 17h30
|Supercélula marginal
|~2,9 cm
|Nível 3
|Povoados de Ibitiruna e Anhumas
|Mista
|-
|21/02/2026 - 17h05
|Supercélula marginal
|~1,5 cm
|Nível 2
|Bosque dos Lenheiros
|Remota
|-
|21/02/2026 - 17h15
|Supercélula marginal
|~0,8 cm
|Nível 1
|Santana (1,5 km sudoeste da Fazenda Glória)
|Remota
|-
|02/04/2026 - 13h10
|Multicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Guamium, Capim Fino, Santa Rosa, Uninorte, Agronomia
|Presencial
|-
|02/04/2026 - 13h22
|Multicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Povoado de São Joaquim
|Remota
|-
|02/04/2026 - 14h00
|Multicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Campestre
|Remota
|-
|02/04/2026 - 14h07
|Multicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Artemis, Monjolada, Vale do Sol, Vila Sônia, Santa Teresinha, Uninorte, Santa Rosa, Agronomia
|Remota
|-
|02/04/2026 - 14h15
|Multicélula
|~1,5 cm
|Nível 2
|Campestre, Monte Líbano, Jardim Itapuã
|Presencial
|-
|02/04/2026 - 14h37
|Multicélula
|~2,0 cm
|Nível 3
|Artemis, Água Bonita
|Remota
|-
|02/04/2026 - 15h00
|Multicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Alpes Suíços, Pau Queimado, Nova Suíça
|Remota
|-
|06/04/2026 - 17h45
|Multicélula
|~2,3 cm
|Nível 3
|22°37'30"S, 47°32'17"W (Fazenda Boa Vista)
|Remota
|-
|06/04/2026 - 17h52
|Unicélula
|~1,0 cm
|Nível 2
|Campestre, Jardim Planalto, Novo Horizonte, Vila Cristina
|Presencial
|-
|18/04/2026 - 11h45
|Supercélula
|~4,8 cm
|Nível 5
|Ibitiruna, Tanquã (Início em Anhembi)
|Remota
|-
|28/04/2026 - 17h07
|Unicélula
|<1,0 cm
|Nível 1
|Água das Pedras, Novo Horizonte, Campestre
|Terceirizada
|}
[[Categoria:Clima e Meteorologia de Piracicaba]]
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