Wikiversidade
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DC-UFRPE
0
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187176
158369
2026-10-08T14:31:30Z
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/* Laboratórios de Pesquisa */
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wikitext
text/x-wiki
== <big>Departamento de Computação - UFRPE</big> ==
A Portaria No 262/2018 da Reitoria da [http://ufrpe.br/ Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)], de 22 de Fevereiro de 2018, aprovou a criação do [http://dc.ufrpe.br/ Departamento de Computação] (DC) de acordo com a Resolução No 52/2017 do Conselho Universitário, de 04 de Setembro de 2017.
== Cursos ==
*[[DC-UFRPE/Bacharelado em Ciência da Computação|Bacharelado em Ciência da Computação]]
*[[DC-UFRPE/Licenciatura Plena em Computação|Licenciatura Plena em Computação]]
== Grupos ==
*[[DC-UFRPE/Projetos de Pesquisa|Projetos de Pesquisa]]
*[[DC-UFRPE/Projetos de Extensão|Projetos de Extensão]]
*[[DC-UFRPE/Projetos de Ensino|Projetos de Ensino]]
== Docentes ==
ÁREA
*[[DC-UFRPE/Arquitetura e Redes De Computadores (ARC)|Arquitetura e Redes De Computadores (ARC)]]
*[[DC-UFRPE/Engenharia De Sistemas De Software (ENSISO)|Engenharia De Sistemas De Software (ENSISO)]]
*[[DC-UFRPE/Fundamentos Da Computação (FC))|Fundamentos Da Computação (FC)]]
== Estudante ==
*[https://issuu.com/ufrpeonline2/docs/manual_do_estudante_2018 Manual do Estudante]
*[[Calendário Acadêmico]]
*[http://ava.ufrpe.br/ Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)]
*[[DC-UFRPE/Resoluções da PREG|Resoluções da PREG]]
*[[/DC-UFRPE/biblioteca|Biblioteca]]
*[[DC-UFRPE/servicos-ufrpe|Serviços Integrados]]
*[https://siga.ufrpe.br Sig@]
*[https://sigs.ufrpe.br/sigaa/ Sigaa]
*[[DC-UFRPE/Matrícula|Matrícula]]
*[[DC-UFRPE/Depósito de TCC|Depósito de TCC]]
== Laboratórios de Pesquisa ==
* [https://aiboxlab.org/ Aibox Lab]
* [http://innovagovlab.org/ Innova Gov Lab]
* [https://evante.com.br/ Evante]
* [http://dadosabertosbr.org/ Dados Abertos BR]
[[Category:Universidade Federal Rural de Pernambuco]]
1oaho8pfxrrxhw24cgxwq9ypzkbvykp
Wikiversidade:Outreach Dashboard/CEPID NeuroMat/Introdução ao Jornalismo Científico
4
22351
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187132
2026-10-09T00:47:10Z
NathaliaV98
45341
Updating course from outreachdashboard.wmflabs.org
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wikitext
text/x-wiki
{{Detalhes de programa
| course_name = Introdução ao Jornalismo Científico
| instructor_username = Joalpe
| support_staff =
| subject =
| start_date = 2018-03-19 03:00:00 UTC
| end_date = 2028-12-31 02:00:00 UTC
| institution = CEPID NeuroMat
| expected_students = 0
| assignment_page = Wikiversidade:Outreach_Dashboard/CEPID_NeuroMat/Introdução_ao_Jornalismo_Científico
| slug = CEPID_NeuroMat/Introdução_ao_Jornalismo_Científico
| campaigns = Grupo de Usuários Wiki Movimento Brasil, NeuroMat, Brazil Wikimedia Education Program, Education courses 2019-20
| outreachdashboard.wmflabs.org = yes
}}
O curso "Introdução ao Jornalismo Científico" é uma iniciativa da equipe de difusão do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (o CEPID NeuroMat), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (a FAPESP), da Universidade de São Paulo (a USP) e da Wikimedia Brasil. O objetivo do curso é oferecer uma formação básica para profissionais e estudantes de comunicação, além dos demais interessados no campo do jornalismo científico.
O conteúdo do curso abarca a formação obrigatória do edital do "Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico" (chamado ainda de "Mídia Ciência"), da própria FAPESP. Note, contudo, que para o reconhecimento da realização deste curso pelos professores responsáveis, são obrigatórias a inscrição e a realização das atividades propostas.
Para a realização do curso, foi desenvolvido um conjunto de módulos ditos de "Curso Online Aberto e Massivo" (mais conhecidos pela sigla "MOOC") nesta plataforma livre que é a Wikiversidade. Tal escolha garante a colaboração ativa de pessoas interessadas no conteúdo. Assim, para que se tenha proveito pleno do curso, é importante estar autenticado na Wikiversidade, o que permitirá que suas tarefas e dúvidas sejam devidamente registradas sob um mesmo usuário.
{{Tabela de participantes}}
{{Linha da tabela do participante|Ixocactus||}}
{{Linha da tabela do participante|Thaismay||}}
{{Linha da tabela do participante|Hedestad||}}
{{Linha da tabela do participante|Ricardosdag||}}
{{Linha da tabela do participante|Parzeus||}}
{{Linha da tabela do participante|Lucas de Marco Cezar||}}
{{Linha da tabela do participante|Miréia NeuroMat||}}
{{Linha da tabela do participante|CamillaTsuji||}}
{{Linha da tabela do participante|Nicole Dittrich Hosni||}}
{{Linha da tabela do participante|Alebasi24||}}
{{Linha da tabela do participante|AnaCristinaADS||}}
{{Linha da tabela do participante|Carolinagoetten||}}
{{Linha da tabela do participante|EditorWiki1917||}}
{{Linha da tabela do participante|Niqlima||}}
{{Linha da tabela do participante|Cazanijr||}}
{{Linha da tabela do participante|Daniele Seridório||}}
{{Linha da tabela do participante|Túllio F||}}
{{Linha da tabela do participante|Mariana Milani||}}
{{Linha da tabela do participante|Marvelnessa||}}
{{Linha da tabela do participante|AnaLuizaFur||}}
{{Linha da tabela do participante|Editor ArmandoSP||}}
{{Linha da tabela do participante|Juliana Di Beo||}}
{{Linha da tabela do participante|ErikaGuetti||}}
{{Linha da tabela do participante|Gustavo Kenzo||}}
{{Linha da tabela do participante|Barbara Moraes99||}}
{{Linha da tabela do participante|Dougnate||}}
{{Linha da tabela do participante|N.tenca||}}
{{Linha da tabela do participante|Enxama||}}
{{Linha da tabela do participante|Bifasano||}}
{{Linha da tabela do participante|Lua Airoldi||}}
{{Linha da tabela do participante|Carolfrandsenpcosta||}}
{{Linha da tabela do participante|Danielva963||}}
{{Linha da tabela do participante|Aldemir Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Volletfilho|[[Ciência, Religião e a Arte]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Jvpeixe||}}
{{Linha da tabela do participante|Anacarolcoelho||}}
{{Linha da tabela do participante|Stella PM Santos||}}
{{Linha da tabela do participante|Giane Corrêa Ferreira||}}
{{Linha da tabela do participante|Tainan pauli||}}
{{Linha da tabela do participante|Aldebara2021||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcio Granez||}}
{{Linha da tabela do participante|Monique Polera||}}
{{Linha da tabela do participante|Camillebroppcardoso82||}}
{{Linha da tabela do participante|Sallescarolina||}}
{{Linha da tabela do participante|Sallescarolinato||}}
{{Linha da tabela do participante|Mercúrio-RSN||}}
{{Linha da tabela do participante|Joao Ider||}}
{{Linha da tabela do participante|Mari.moti||}}
{{Linha da tabela do participante|Sayonaraea||}}
{{Linha da tabela do participante|Hemilly Luanna||}}
{{Linha da tabela do participante|Anderson Tertuliano Ferreira||}}
{{Linha da tabela do participante|Wilma Barrionuevo||}}
{{Linha da tabela do participante|Tata Nzito||}}
{{Linha da tabela do participante|Chantalmedaets||}}
{{Linha da tabela do participante|WilmaBarrion||}}
{{Linha da tabela do participante|Poleramonique||}}
{{Linha da tabela do participante|Jiums22||}}
{{Linha da tabela do participante|Anefrosa||}}
{{Linha da tabela do participante|Camilararezende||}}
{{Linha da tabela do participante|Camilararezende1||}}
{{Linha da tabela do participante|Beatriz Cristina Sabino Garcia||}}
{{Linha da tabela do participante|Eliezerfsjunior||}}
{{Linha da tabela do participante|Ivanice A M||}}
{{Linha da tabela do participante|Alabora42||}}
{{Linha da tabela do participante|MaximGoncharov86||}}
{{Linha da tabela do participante|Paulo Tebet||}}
{{Linha da tabela do participante|Paulo Carneiro de Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Paulo Eduardo Carneiro de Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Tayaneabib||}}
{{Linha da tabela do participante|Samara.rodriguesalves 1||}}
{{Linha da tabela do participante|Paulo Sérgio Pires||}}
{{Linha da tabela do participante|Barbaramaiap||}}
{{Linha da tabela do participante|Agatha.Nagli||}}
{{Linha da tabela do participante|Cauasider||}}
{{Linha da tabela do participante|Lecysartori||}}
{{Linha da tabela do participante|Otávio Uzumaki||}}
{{Linha da tabela do participante|Dindara Silva Galvão||}}
{{Linha da tabela do participante|Virginiacoda||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriela de Oliveira Paskevicius||}}
{{Linha da tabela do participante|Eliezer Francisco de Santana Junior||}}
{{Linha da tabela do participante|GPask17||}}
{{Linha da tabela do participante|Giancarlo.souza||}}
{{Linha da tabela do participante|Claricepc||}}
{{Linha da tabela do participante|Ísis Maéve Sobrinho||}}
{{Linha da tabela do participante|Cloudywoodstock||}}
{{Linha da tabela do participante|Danúbia Esprega Gonçalves||}}
{{Linha da tabela do participante|Leocamararibeiro||}}
{{Linha da tabela do participante|Matippi||}}
{{Linha da tabela do participante|Pedro Ambrósio Caiomb||}}
{{Linha da tabela do participante|Viniciuscoimbraalves||}}
{{Linha da tabela do participante|Mapaaustral||}}
{{Linha da tabela do participante|Fernando Ananias||}}
{{Linha da tabela do participante|Guilherme A Hansen||}}
{{Linha da tabela do participante|Alybnp||}}
{{Linha da tabela do participante|Karys Reis||}}
{{Linha da tabela do participante|Thaciane Mendes de Souza||}}
{{Linha da tabela do participante|Leonardo Câmara||}}
{{Linha da tabela do participante|Vfigueira||}}
{{Linha da tabela do participante|Aline Fernandes Carrijo||}}
{{Linha da tabela do participante|Arrasta o X||}}
{{Linha da tabela do participante|Leo.omagalhaes||}}
{{Linha da tabela do participante|Júlia Blank||}}
{{Linha da tabela do participante|Edupaschoal||}}
{{Linha da tabela do participante|EvelineAraujo||}}
{{Linha da tabela do participante|Melina Silva de Lima||}}
{{Linha da tabela do participante|Jake456545||}}
{{Linha da tabela do participante|Edson Nova||}}
{{Linha da tabela do participante|Rogério Bordini||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabrielcondoto||}}
{{Linha da tabela do participante|Eveelynsilva||}}
{{Linha da tabela do participante|Rlazani||}}
{{Linha da tabela do participante|Cynito||}}
{{Linha da tabela do participante|AJurno (WMB)||}}
{{Linha da tabela do participante|Bverzili||}}
{{Linha da tabela do participante|Ksogabe||}}
{{Linha da tabela do participante|Lisiane Muller||}}
{{Linha da tabela do participante|KaioLimajr||}}
{{Linha da tabela do participante|Anaritanpaiva||}}
{{Linha da tabela do participante|FSaldanha||}}
{{Linha da tabela do participante|Agnessa Kling Nóbrega||}}
{{Linha da tabela do participante|Adrian Diegues||}}
{{Linha da tabela do participante|SashaCruzAlvesPereira||}}
{{Linha da tabela do participante|Bela Cascão||}}
{{Linha da tabela do participante|Adriana de Farias||}}
{{Linha da tabela do participante|AdrianaFarias09||}}
{{Linha da tabela do participante|Esteralkimim||}}
{{Linha da tabela do participante|Aarrigo||}}
{{Linha da tabela do participante|Guicelest||}}
{{Linha da tabela do participante|Anaclara11||}}
{{Linha da tabela do participante|Camila Cinque||}}
{{Linha da tabela do participante|Fideliscelso||}}
{{Linha da tabela do participante|Clarissa Viana||}}
{{Linha da tabela do participante|Fernando da Cruz Souza||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriela Andrietta||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabiandrietta||}}
{{Linha da tabela do participante|Thluccaas||}}
{{Linha da tabela do participante|Manuella Reale||}}
{{Linha da tabela do participante|Janize Colaço||}}
{{Linha da tabela do participante|Kelly De Conti Rodrigues||}}
{{Linha da tabela do participante|PetermoonBR||}}
{{Linha da tabela do participante|Ismaelunicamp||}}
{{Linha da tabela do participante|Victoriacbrl||}}
{{Linha da tabela do participante|Mariacarolinahr||[[:w:pt:Hydrodamalis gigas]], [[:w:pt:Pasquale Cipro Neto]]}}
{{Linha da tabela do participante|Priscila cassia||}}
{{Linha da tabela do participante|Rmitsuo||}}
{{Linha da tabela do participante|Julia10br||}}
{{Linha da tabela do participante|Aline Menoncello||}}
{{Linha da tabela do participante|Celer01||}}
{{Linha da tabela do participante|Guilherme1754||}}
{{Linha da tabela do participante|Jubdevito|[[Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/Jubdevito]], [[:w:pt:Academia das Ciências de Berlim]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Milena Monteiro Antunes||}}
{{Linha da tabela do participante|Carolfrandsen||}}
{{Linha da tabela do participante|Sgcalazans||}}
{{Linha da tabela do participante|Tahnee Valzachi Sugano||}}
{{Linha da tabela do participante|Fernando Sabatini||}}
{{Linha da tabela do participante|Tacia.Rocha||}}
{{Linha da tabela do participante|Eduarda Veiga Carvalho||}}
{{Linha da tabela do participante|Carnachion||}}
{{Linha da tabela do participante|Luca.bio1987||}}
{{Linha da tabela do participante|Kris Herik de Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Paulabre73||}}
{{Linha da tabela do participante|Maycon Jordan Costa da Silva||}}
{{Linha da tabela do participante|Lauren.ssteffen||}}
{{Linha da tabela do participante|João Damasio da Silva Neto||}}
{{Linha da tabela do participante|MEugêniaArantes||}}
{{Linha da tabela do participante|Luís Enrique Cazani Júnior||}}
{{Linha da tabela do participante|Victor.o.moura|[[Http://hepic.if.usp.br/?q=pt-br/blog/116/victor-oliveira/físicos-por-um-dia-hepic-realiza-masterclasses-2024-para-alunos-do-ensino]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Sardinha.Lara||}}
{{Linha da tabela do participante|Kaio Alevi||}}
{{Linha da tabela do participante|Letícia Sarturi||}}
{{Linha da tabela do participante|Ferik80||}}
{{Linha da tabela do participante|CarolineFerreiraa||}}
{{Linha da tabela do participante|Luis Forte Rasmussem||}}
{{Linha da tabela do participante|Lais Caroline Souza e Silva||}}
{{Linha da tabela do participante|Bruna Jeronimo||}}
{{Linha da tabela do participante|Alexmaxhil||}}
{{Linha da tabela do participante|Jessica0997||}}
{{Linha da tabela do participante|Patriciaseri||}}
{{Linha da tabela do participante|Pantunes83||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcelo Lapola||}}
{{Linha da tabela do participante|Julia Rodrigues 2022||}}
{{Linha da tabela do participante|Camargo.fmcfernando||}}
{{Linha da tabela do participante|Christiane Matos Batista||}}
{{Linha da tabela do participante|Cadeoluishenrique||}}
{{Linha da tabela do participante|Thalesfig||}}
{{Linha da tabela do participante|Tatiane Buzanello||}}
{{Linha da tabela do participante|Giudenari||}}
{{Linha da tabela do participante|Byreom||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcela Martins Chiudo||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcia Cominetti||}}
{{Linha da tabela do participante|CarolineSCorrêa||}}
{{Linha da tabela do participante|Cogno Gabriel Nardi||}}
{{Linha da tabela do participante|Rgfeitosa||}}
{{Linha da tabela do participante|Bedacardim||}}
{{Linha da tabela do participante|Luizamuller||}}
{{Linha da tabela do participante|Helen.takamitsu||}}
{{Linha da tabela do participante|AHilsenbeck (WMB)||}}
{{Linha da tabela do participante|Alessandra Gabrielli de Oliveira Lé||}}
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{{Linha da tabela do participante|Tatiana Soares Araujo||}}
{{Linha da tabela do participante|Victor.oliveira.moura|[[Https://ijc.toolforge.org/]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Laura.costacamargo1||}}
{{Linha da tabela do participante|MarianaGuizelini||}}
{{Linha da tabela do participante|Luiz.g.santos||}}
{{Linha da tabela do participante|Viniciusrosa2k||}}
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{{Linha da tabela do participante|Thaís Martins de Sousa||}}
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{{Linha da tabela do participante|Juliana Ramiro||}}
{{Linha da tabela do participante|Maria Angélica Santos|[[:w:pt:Papiros medicinais egípcios]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Melissa Arruda Vieira||}}
{{Linha da tabela do participante|Rodolfo Fagundes Costa||}}
{{Linha da tabela do participante|Juliana.willers||}}
{{Linha da tabela do participante|Mariana Dolci||}}
{{Linha da tabela do participante|Biancamaria Radialista||}}
{{Linha da tabela do participante|Antônio Laranjeira||}}
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{{Linha da tabela do participante|Igor Zolnerkevic||}}
{{Linha da tabela do participante|Matheusclins||}}
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{{Linha da tabela do participante|Victor Kubo Machado||}}
{{Linha da tabela do participante|Tflassali||}}
{{Linha da tabela do participante|Miranda Anna||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabs38||}}
{{Linha da tabela do participante|Juliana.marques120703||}}
{{Linha da tabela do participante|Linianebrum||}}
{{Linha da tabela do participante|Renata Alitto||}}
{{Linha da tabela do participante|Renata Aparecida dos Santos Alitto||}}
{{Linha da tabela do participante|Anagabryelem||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriela Almeida Silva||}}
{{Linha da tabela do participante|Tatiana de Lourdes||}}
{{Linha da tabela do participante|EDJOLY||}}
{{Linha da tabela do participante|Marloncastros||}}
{{Linha da tabela do participante|Tatiana de Lourdes Massaro 1||}}
{{Linha da tabela do participante|GabrielaGelain||}}
{{Linha da tabela do participante|Yana Teixeira||}}
{{Linha da tabela do participante|LCFeitosa||}}
{{Linha da tabela do participante|Sofia Helena Lanza||}}
{{Linha da tabela do participante|Mariana Pezzatte Pollo||}}
{{Linha da tabela do participante|Larissa Takeda||}}
{{Linha da tabela do participante|Lucas José Momberg||}}
{{Linha da tabela do participante|Amanda Gurgel Ávila||}}
{{Linha da tabela do participante|Eduardo Toito Garcia||}}
{{Linha da tabela do participante|Aline120||}}
{{Linha da tabela do participante|Mpaulabm||}}
{{Linha da tabela do participante|Nicole Nikaia||}}
{{Linha da tabela do participante|Dominik Pereira||}}
{{Linha da tabela do participante|Crissouza2||}}
{{Linha da tabela do participante|Gui Adorno||}}
{{Linha da tabela do participante|Coutinhomario||}}
{{Linha da tabela do participante|LaisDavid||}}
{{Linha da tabela do participante|Isabela Batistella||}}
{{Linha da tabela do participante|Vanessafvgarcia||}}
{{Linha da tabela do participante|Varela101||}}
{{Linha da tabela do participante|Deboragallas||}}
{{Linha da tabela do participante|Melmurgel||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriela Rocha Nangino||}}
{{Linha da tabela do participante|Victoria Regina Siqueira Manara||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcoportugal||}}
{{Linha da tabela do participante|PEDRO HENRIQUE VISENTINI PANTAROTTO||}}
{{Linha da tabela do participante|Girliani||}}
{{Linha da tabela do participante|Luiz Henrique Gonçalves Santos||}}
{{Linha da tabela do participante|Gilvaneide de Sousa Santos|[[:w:pt:História da linguística]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Nayana Alves||}}
{{Linha da tabela do participante|Thaisa Sallum Bacco||}}
{{Linha da tabela do participante|Gavadams||}}
{{Linha da tabela do participante|MLConti||}}
{{Linha da tabela do participante|Caio Lamas||}}
{{Linha da tabela do participante|Eandroduarte||}}
{{Linha da tabela do participante|Tamires S Tavares||}}
{{Linha da tabela do participante|Vinicius.pachecob||}}
{{Linha da tabela do participante|SuelyPorfirio||}}
{{Linha da tabela do participante|PriCardoso||}}
{{Linha da tabela do participante|NAALVES||}}
{{Linha da tabela do participante|Natalia Mello Franco||}}
{{Linha da tabela do participante|Sah.fernandes||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriela Almeida 31||}}
{{Linha da tabela do participante|Larabaesteiro||}}
{{Linha da tabela do participante|Matheus Grael||}}
{{Linha da tabela do participante|NayAlves0901||}}
{{Linha da tabela do participante|Lisimuller||}}
{{Linha da tabela do participante|MatheusPANarcizo||}}
{{Linha da tabela do participante|Mirian muginski||}}
{{Linha da tabela do participante|Ana Noele Brito Silva||}}
{{Linha da tabela do participante|Monarakl||}}
{{Linha da tabela do participante|Marco Vinicius Ropelli|[[:w:pt:História da virologia]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriela Wick||}}
{{Linha da tabela do participante|Pedro Alípio||}}
{{Linha da tabela do participante|Juan.mattheus||}}
{{Linha da tabela do participante|AdrianaAFranco||}}
{{Linha da tabela do participante|Marimesquitta||}}
{{Linha da tabela do participante|Sasasayuri||}}
{{Linha da tabela do participante|Ajmarrtins||}}
{{Linha da tabela do participante|MartinGabriela||}}
{{Linha da tabela do participante|CalvinCousin||}}
{{Linha da tabela do participante|Roberta Navas Battistella||}}
{{Linha da tabela do participante|Calvincou||}}
{{Linha da tabela do participante|Camilafortesmonte||}}
{{Linha da tabela do participante|Rafaelbragacunha||}}
{{Linha da tabela do participante|Ana Maria Augusti||}}
{{Linha da tabela do participante|BeatrizPiffer||}}
{{Linha da tabela do participante|Thalef Sousa Santos||}}
{{Linha da tabela do participante|Damny Laya||}}
{{Linha da tabela do participante|Vannieaurin||}}
{{Linha da tabela do participante|Renan Silveira Girotto||}}
{{Linha da tabela do participante|Dorasiq||}}
{{Linha da tabela do participante|FilipeAN||}}
{{Linha da tabela do participante|Daalvesd||}}
{{Linha da tabela do participante|Guilhermemcosta||}}
{{Linha da tabela do participante|Gustavo Alves Machado||}}
{{Linha da tabela do participante|MarianaMouraSouza||}}
{{Linha da tabela do participante|Carla Magliano||}}
{{Linha da tabela do participante|Magliano19||}}
{{Linha da tabela do participante|Thiago.auer||}}
{{Linha da tabela do participante|Neuryelen||}}
{{Linha da tabela do participante|Rodrigo Fessel Sega||}}
{{Linha da tabela do participante|Fabriciosolagna||}}
{{Linha da tabela do participante|DiegoMalvasio||}}
{{Linha da tabela do participante|Alessandra Smaniotto||}}
{{Linha da tabela do participante|IlanaGoldstein||}}
{{Linha da tabela do participante|Marianakehl||}}
{{Linha da tabela do participante|Nataliasmf||}}
{{Linha da tabela do participante|Matngutierrez||}}
{{Linha da tabela do participante|Isabelacln||}}
{{Linha da tabela do participante|Jayne Mayrink||}}
{{Linha da tabela do participante|Cpantaleao||}}
{{Linha da tabela do participante|Campos.acrs||}}
{{Linha da tabela do participante|Fabiaberlatto||}}
{{Linha da tabela do participante|Tonilen||}}
{{Linha da tabela do participante|Paula Custódio de Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Apaulichen||}}
{{Linha da tabela do participante|Vanessa Tiemi||}}
{{Linha da tabela do participante|Vicfcarvalho||}}
{{Linha da tabela do participante|KarolinaGuerrero||}}
{{Linha da tabela do participante|Miguel Lupetti||}}
{{Linha da tabela do participante|Dmendes2||}}
{{Linha da tabela do participante|Lupetti 1234||}}
{{Linha da tabela do participante|Erika de Farias Lisboa||}}
{{Linha da tabela do participante|Giovxnnaes||}}
{{Linha da tabela do participante|Emilycsilva||}}
{{Linha da tabela do participante|Pamlemoraes||}}
{{Linha da tabela do participante|Bettyalagwu||}}
{{Linha da tabela do participante|Maria Clara Rodriguez Sosa||}}
{{Linha da tabela do participante|Lauracrlessa||}}
{{Linha da tabela do participante|Lulencioni||}}
{{Linha da tabela do participante|Rangelwinch||}}
{{Linha da tabela do participante|Giovanna Mafra||}}
{{Linha da tabela do participante|Gimeteorologia||}}
{{Linha da tabela do participante|Deboragomesbio||}}
{{Linha da tabela do participante|CarolBranco||}}
{{Linha da tabela do participante|Daniloqueirozpb||}}
{{Linha da tabela do participante|Franfrancos||}}
{{Linha da tabela do participante|Heloisapcosta||}}
{{Linha da tabela do participante|Sabrina Jesus||}}
{{Linha da tabela do participante|Luize Elena Oliveira Teixeira||}}
{{Linha da tabela do participante|Lyxavier||}}
{{Linha da tabela do participante|ArieleLima||}}
{{Linha da tabela do participante|BiancaBMF||}}
{{Linha da tabela do participante|Deboracamacholuz||}}
{{Linha da tabela do participante|Gbrl.moliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Guilherme Ribeiro de Carvalho||}}
{{Linha da tabela do participante|Denise Casatti||}}
{{Linha da tabela do participante|Andrea Rossil||}}
{{Linha da tabela do participante|Danielribao||}}
{{Linha da tabela do participante|Milena da Silva Gimenes||}}
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{{Linha da tabela do participante|Alexandre Duarte dos Santos||}}
{{Linha da tabela do participante|Victor Kinjo||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcusdores||}}
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{{Linha da tabela do participante|Leognclvs||}}
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{{Linha da tabela do participante|Melissa França de Freitas Pereira||}}
{{Linha da tabela do participante|Lais CF|[[:w:pt:Tecnologia medieval]], [[Naomi oreskes]]|}}
{{Linha da tabela do participante|Rebeca Rayssa da S. Honorio||}}
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{{Linha da tabela do participante|Lali268||[[:w:pt:Academia das Ciências de Berlim]]}}
{{Linha da tabela do participante|Julianna Sato||}}
{{Linha da tabela do participante|Ingrid.viebat||}}
{{Linha da tabela do participante|Keylaprp||}}
{{Linha da tabela do participante|Tayná Reis||}}
{{Linha da tabela do participante|Anacatisti||}}
{{Linha da tabela do participante|Willian Wallace Moreira Costa||}}
{{Linha da tabela do participante|GuilhermeSA95||}}
{{Linha da tabela do participante|Britto98||}}
{{Linha da tabela do participante|Marinamatteu||}}
{{Linha da tabela do participante|GabrielBeleze12||}}
{{Linha da tabela do participante|BonaldoRO||}}
{{Linha da tabela do participante|CarolineLK||}}
{{Linha da tabela do participante|Mariana1605||}}
{{Linha da tabela do participante|KJLM26||}}
{{Linha da tabela do participante|Guilherme PMM||}}
{{Linha da tabela do participante|JuliaSantiLombardi||}}
{{Linha da tabela do participante|Luiza8381||}}
{{Linha da tabela do participante|Gabriele Gouveia Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Laís Costa Brito||}}
{{Linha da tabela do participante|Bmrodrigues6||}}
{{Linha da tabela do participante|Yuguem||}}
{{Linha da tabela do participante|Carla Sohler||}}
{{Linha da tabela do participante|Marianagbarros||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcellebeathriz||}}
{{Linha da tabela do participante|Bricciabr||}}
{{Linha da tabela do participante|Rau10||}}
{{Linha da tabela do participante|Experiencia 1||}}
{{Linha da tabela do participante|Rafaela Marroni||}}
{{Linha da tabela do participante|Matheus H Modesto||}}
{{Linha da tabela do participante|Petruovich||}}
{{Linha da tabela do participante|Firmino Martins dos Santos neto||}}
{{Linha da tabela do participante|Manginijor||}}
{{Linha da tabela do participante|KDx26||}}
{{Linha da tabela do participante|SolakeClaire||}}
{{Linha da tabela do participante|Caroll Allves||}}
{{Linha da tabela do participante|Jornalismo1612||}}
{{Linha da tabela do participante|Lelis Josino de Assis||}}
{{Linha da tabela do participante|Sergiorbn||}}
{{Linha da tabela do participante|Gvernilo||}}
{{Linha da tabela do participante|Marv4LF||}}
{{Linha da tabela do participante|Rauany Pessoa||}}
{{Linha da tabela do participante|Clairesolake||}}
{{Linha da tabela do participante|JORNA86||}}
{{Linha da tabela do participante|CZorzella||}}
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{{Linha da tabela do participante|Iwangot7||}}
{{Linha da tabela do participante|Gleisonneres||}}
{{Linha da tabela do participante|Johnny Guarulhos||}}
{{Linha da tabela do participante|Mcscunha||}}
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{{Linha da tabela do participante|Yg247651||}}
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{{Linha da tabela do participante|Thailirow||}}
{{Linha da tabela do participante|Carolina Genez||}}
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{{Linha da tabela do participante|Rafael Martins da Silva Afeto||}}
{{Linha da tabela do participante|Nissy Budry Rode Gaensly Toussaint||}}
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{{Linha da tabela do participante|Lineia.soares||}}
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{{Linha da tabela do participante|Elton Conceição||}}
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{{Linha da tabela do participante|Kcnn||}}
{{Linha da tabela do participante|PINHEIRO Leandro||}}
{{Linha da tabela do participante|Orlando Andrade dos Santos||}}
{{Linha da tabela do participante|Marcos V123||}}
{{Linha da tabela do participante|VanessaGuima||}}
{{Linha da tabela do participante|Olgajornalista||}}
{{Linha da tabela do participante|JoaquimECToledoJr||}}
{{Linha da tabela do participante|Isolda Santiago||}}
{{Linha da tabela do participante|Wikigleison||}}
{{Linha da tabela do participante|Orioncygnus33||}}
{{Linha da tabela do participante|Mariaclaraniemeyer||}}
{{Linha da tabela do participante|Babipc1||}}
{{Linha da tabela do participante|Rizzoletta Editor||}}
{{Linha da tabela do participante|PMCP7||}}
{{Linha da tabela do participante|Anelise dos Santos Gutterres||}}
{{Linha da tabela do participante|Nana0103||}}
{{Linha da tabela do participante|Franciellen Carneiro||}}
{{Linha da tabela do participante|Pitta1803||}}
{{Linha da tabela do participante|Vitagomes||}}
{{Linha da tabela do participante|Carquy||}}
{{Linha da tabela do participante|Usermatheuslima||}}
{{Linha da tabela do participante|Bellawtr||}}
{{Linha da tabela do participante|Drinocs||}}
{{Linha da tabela do participante|Beck2026||}}
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{{Linha da tabela do participante|LilianJM||}}
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{{Linha da tabela do participante|Gabriela Toquetti||}}
{{Linha da tabela do participante|PedroPedrosoPedríssimo||}}
{{Linha da tabela do participante|Vicksimonato||}}
{{Linha da tabela do participante|Gambasarue||}}
{{Linha da tabela do participante|Celso Faccio||}}
{{Linha da tabela do participante|Sandoval001||}}
{{Linha da tabela do participante|Belagnr||}}
{{Linha da tabela do participante|Giseli Alves Rodrigues||}}
{{Linha da tabela do participante|Josefredo Gadelha da Silva||}}
{{Linha da tabela do participante|VeigaCil||}}
{{Linha da tabela do participante|Luciana R Rodrigues||}}
{{Linha da tabela do participante|Anajulia.melocouto||}}
{{Linha da tabela do participante|WCastilhos||}}
{{Linha da tabela do participante|Everton Roberto de Oliveira||}}
{{Linha da tabela do participante|Renafini||}}
{{Linha da tabela do participante|SereiasdaVila||}}
{{Linha da tabela do participante|CursinoCarla||}}
{{Linha da tabela do participante|NathaliaV98||}}
{{Fim da tabela de participantes}}
gqi8jid3tkc4urbpec7hifjj30xo6tt
História Oral - Margot-Ann Bachi dos Santos
0
24928
187199
165046
2026-10-09T11:04:17Z
BahYajé e Y4guarEtã
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187199
wikitext
text/x-wiki
<h1> Primeira Parte </h1>
<h3>Memórias de luta por reconhecimento: relatos sobre os anos iniciais do curso de Cinema da UFSC</h3>
''Margot-Ann Bachi dos Santos''
<h3>Resumo</h3>
O presente trabalho, apresentado como exigência da disciplina História do Brasil II, ministrada pelo Prof. Dr. Paulo Eduardo Teixeira, pretende trazer à tona, através dos relatos de uma entrevistada, algumas das vivências dessa entrevistada nos anos iniciais de formação do curso de cinema da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
<h1> Segunda Parte </h1>
<h3> A história da universidade e do Movimento Passe Livre </h3>
[https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Passe_Livre Movimento Passe Livre na wikipedia]
[https://revoltadacatraca.wordpress.com/programacao/ Blog da Revolta da Catraca]
[https://web.archive.org/web/20080511061715/http://carosamigos.terra.com.br/do_site/reportagem/floripa01.asp Página arquivada de um blog com relatos sobre a Revolta da Catraca]
[https://cinema.ufsc.br/historia/ Página da história do curso de Cinema da UFSC]
<h3> Entrevista </h3>
- Eu gostaria, se você pudesse, que você trouxesse essas memórias do ME à tona, sobre qual era o cenário político no qual você acabou entrando...
- eu não fazia parte do movimento estudantil dentro de assembleia nem dentro de nada... eu participava e sempre quando eu fui... quando eu comecei a ir... eu fui mais porque eram coisas muito escandalosas [...] eu não estou dentro da conversa mas isso é importante, então eu preciso marcar presença ou eu ia pra documentar.
- Não precisa se atentar necessariamente ao espaço formal do ME...
- Ai a gente entra agora num... [pede anonimato]
- É uma questão muito pontual, uma questão muito diferente, eu, paulista, estando lá quando tudo isso começou, numa cidade onde existia todo um movimento [não entendível] que é tipo 'vocês vem aqui pra roubar nossas vagas' e ... de alguém que é Catarinense mesmo, por isso que é... tinha muito dessa... divisão, mesmo, porque querendo ou não a época que eu passei no vestibular não existia o ENEM, o ENEM era tipo.. se faltar tantos pontos pra você passar você consegue uns pontinhos com o ENEM, não era como hoje, unificado... então o que acontecia: a galera que era do estado estudando muito pra passar na FUVEST e todas as escolas particulares de SP focam no aluno passar na FUVEST, fui prestar o vestibular lá, na parte... cretiníssimo, porque a parte de literatura e redação eles tentavam ser super regionalistas, pra tipo, pra não querer gente de fora, mas é uma universidade federal, que recebe verba federal, então não preciso saber que a ponte [não entendível] existe desde quando. É uma ponte bonita que existe ai.
- Se você puder contextualizar a data...
- Eu prestei na turma de 2007, ou seja, prestei o vestibular em 2006, foi essa coisa... foi tipo... foi, eu não ia prestar cinema, ia prestar engenharia, foi toda uma briga do caramba, fui de última hora, cheguei de ressaca pra prestar o vestibular, eu sempre estudei no sistema ETAPA, que é uma preparação pesada pra galera entrar no ITA, cheguei podre no vestibular e tinha muita coisa regionalista principalmente na parte de literatura, que eram completamente diferente dos livros da FUVEST, que era o que a gente tinha lido a vida inteira... eu não li nenhum dos livros que caíam em específico na região porque eu estava me preparando para a FUVEST mesmo, o máximo que eles podiam colocar de regionalismo eles colocavam, tanto que eu fui a terceira turma de cinema, entrou pelo menos uns 70% das três turmas da faculdade eram paulistas. Ai dentro do curso, a gente não foi, foi mal recebido porque era todo mundo, o que tinha de campineiro, tu cuspia e acertava um campineiro. Mas assim, o sentimento geral era que paulista ia pra lá roubar vaga de catarinense e era uma universidade federal que recebe verba federal. Educação é pra todos. Isso me estressava um pouco.
- Se você puder comentar como foi esse primeiro momento da sua vivência da faculdade...
[resto da transcrição]
<h1> Terceira Parte </h1>
<h3> A escolha pela entrevista semiestruturada </h3>
A escolha pela entrevista semiestruturada se deu principalmente pela possibilidade de abertura para outras temáticas e para se aproximar à fluidez natural de uma conversa, dando liberdade para a entrevistada expor detalhes que não se sentiria confortável para dar caso contrário.
<h3> A experiência do campo </h3>
A experiência do campo é sempre interessante porque sempre nos apresenta com situações inesperadas. Minha expectativa, ao realizar a entrevista, era dirigir a conversa para o assunto das Jornadas de Julho e a importância do histórico da participação da UFSC de Florianópolis nos eventos do Movimento Passe Livre; isso, porém, não aconteceu, ficando mais evidente, pela entrevista, a importância de realizar ações políticas mais imediatas para o reconhecimento do curso.
63gze4citdzh97i2erc2mkrg9oin1tl
CCT-UFCA/Matemática Computacional
0
29942
187189
186403
2026-10-08T20:53:55Z
Alícia Brito
43242
187189
wikitext
text/x-wiki
== Apresentação ==
O ramo da Matemática que desenvolve teorias para abordagem de problemas tecnológicos/científicos, passou a ser denominado, genericamente, de Matemática Aplicada. O crescimento vertiginoso da capacidade de processamento dos computadores nas últimas décadas teve como consequência o surgimento de várias teorias matemáticas novas e o desenvolvimento de outras teorias clássicas, agora sob o ponto de vista de aplicação. Destacamos algumas destas teorias novas e clássicas: Cálculo Numérico, Matemática para a Engenharia, Programação Linear, Otimização, Modelagem Contínua, Biomatemática, Bioinformática, Teoria da Informação, Teoria dos Jogos, Probabilidade e Estatística, Matemática Financeira, Criptografia, Combinatória, Geometria Finita, Teoria de Grafos, Teoria da Escolha Social, etc.
Aproximadamente, sessenta por cento (60%) da matriz curricular é constituída por conteúdos típicos de um Bacharelado em Matemática e o restante por disciplinas da Computação no campo de Modelagem. O curso de Matemática Computacional da UFCA funciona na modalidade presencial, integral, com a oferta de 50 vagas anuais, com ingresso via SISU, de acordo com Portaria Normativa nº 21, de 05/11/2012.
A duração do curso varia entre 7 (sete) semestres, equivalente a 3,5 (três e meio) anos, e o máximo de 11 (onze) semestres. O currículo é organizado em disciplinas obrigatórias, optativas, optativas livres e atividades complementares e de extensão, distribuídas da seguinte forma: 1.760 horas (110 créditos) em disciplinas obrigatórias; 320 horas (20 créditos) em disciplinas optativas e/ou livres; 80 horas (5 créditos) em atividades complementares; e 240 horas (15 créditos) em integralização de extensão.
== Perfil Profissional ==
O Bacharel em Matemática Computacional terá formação sólida e abrangente em Matemática Pura e Aplicada, de modo que poderá atuar nas mesmas áreas do Bacharel em Matemática. Isto, associado aos conhecimentos em técnicas computacionais diversificadas, permitirá que este profissional esteja habilitado a abordar problemas complexos através de simulações e/ou modelagens matemáticas. Também poderá atuar em áreas como as de desenvolvimento de algoritmos e estruturas de dados, utilização de métodos computacionais em Matemática (Programação Simbólica, Inteligência Artificial, Computação de Alto Desempenho), Análise Numérica, Computação Gráfica, entre outras. Além da atuação no Ensino Superior após estudos em programas de pós-graduação, tal profissional pode integrar equipes de pesquisa e desenvolvimento tecnológico de institutos, indústrias ou empresas que lidem com softwares de modelagem.
== Organização Curricular ==
O Curso Bacharelado em Matemática Computacional será administrado academicamente pelo Centro de Ciências e Tecnologia. A matriz curricular é constituída por disciplinas distribuídas ao longo de quatro eixos curriculares e organizadas em ordem crescente de complexidade: Matemática Pura; Matemática Aplicada; Computação; Estatística.
== Coordenação do Curso ==
* '''Coordenador''': Prof. Francisco Calvi da Cruz Junior
* '''Vice-Coordenador:''' Prof. Diego Frankin de S. Veras Sant’ana
* '''Técnico-Administrativo''': Samia Shara P. Sobral Ferreira
* '''Telefone''': (88) 3221-9736
* '''E-mail Secretaria''': secretaria.cct@ufca.edu.br
* '''E-mail Coordenação''': matcomp.cct@ufca.edu.br
* '''Site do Curso''': https://www.ufca.edu.br/cursos/graduacao/matematica-computacional/
* '''Horário de Atendimento''': 08:00 às 12:00 e 14:00 às 17:00
== Da Estrutura Curricular ==
O Curso Bacharelado em Matemática Computacional destina-se a formação profissional para atuar na interface da Matemática e Computação Científica com ênfase em Teoria de Modelagem de Equações Diferenciais.
{| class="wikitable"
!Integralização
!Carga Horária
!Créditos
!Percentual
|-
|Disciplinas Obrigatórias
|1760
|110
|73.3%
|-
|Disciplinas Optativas e/ou Livres
|320
|20
|13.4%
|-
|Atividades complementares
|80
|5
|3.3%
|-
|Unidade Curricular de Extensão
|240
|15
|10%
|-
|Total
|2400
|200
|100%
|}
= Integralização da Extensão =
A extensão universitária, como uma das três dimensões indissociáveis da universidade, ao lado do ensino e da pesquisa, conforme estabelece o Art. 207 da Constituição Federal brasileira, precisa ser pensada como uma unidade e ser desempenhada na interface permanente com as outras áreas e integrada ao planejamento geral da instituição. A Política Nacional de Extensão também reforça que a Extensão Universitária é o processo educativo, cultural, científico e político que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade.
O estudante deve perfazer 240 horas ao longo do curso, que corresponde a 10% da carga horária total do curso, para integralizar as horas correspondentes à UCE. O curso deve ofertar ações de extensão de forma que o estudante possa ser capaz de integralizar o número total de horas da UCE participando apenas de ações de extensão do curso, porém o estudante pode escolher participar de quaisquer ações de extensão entre todas as ações de extensão em desenvolvimento na UFCA, sejam elas desenvolvidas no âmbito do curso ou não
= Matriz Curricular do Curso =
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |1º Semestre
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Créditos
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teórica'''
|'''Prática'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo I|MC0001]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo I|Cálculo I]]
|Disciplina
|Obrigatório
|N/A
|[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Cálculo Diferencial e Integral I|CC0002]] ou [[CCT-UFCA/Engenharia Civil/Cálculo I|CAR0008]]
|6
|96
|0
|96
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Vetorial e Geometria Analítica|MC0002]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Vetorial e Geometria Analítica|Álgebra Vetorial e Geometria Analítica]]
|Disciplina
|Obrigatório
|N/A
|EM0004 ou [[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Álgebra Vetorial e Geometria Analítica|CC0004]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Matemática Discreta|MC0003]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Matemática Discreta|Fundamentos de Matemática Discreta]]
|Disciplina
|Obrigatório
|N/A
|[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Fundamentos de Matemática Discreta|CC0005]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Programação|MC0004]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Programação|Introdução à Programação]]
|Disciplina
|Obrigatório
|N/A
|[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Introdução à Programação|CC0001]] ou EM0006 ou ECI0099
|4
|32
|32
|64
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|18
|256
|32
|288
|}
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |2º Semestre
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Créditos
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teó'''
|'''Prá'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo II|MC0005]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo II|Cálculo II]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo I|MC0001]]
|CAR0011 ou [[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Cálculo Diferencial e Integral II|CC0007]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|Álgebra Linear I]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Vetorial e Geometria Analítica|MC0002]]
|EM0010 ou ECI0002 ou [[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Álgebra Linear|CC0063]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Probabilidade e Estatística|MC0007]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Probabilidade e Estatística|Probabilidade e Estatística]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo I|MC0001]]
|CAR0003 ou [[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Probabilidade e Estatística|CC0010]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Mecânica|MC0009]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Mecânica|Fundamentos de Mecânica]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo I|MC0001]]
|CAR0002
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Programação Orientada a Objetos|MC0018]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Programação Orientada a Objetos|Programação Orientada a Objetos]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Programação|MC0004]]
|[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Programação Orientada a Objetos|CC0019]]
|4
|32
|32
|64
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|20
|288
|32
|320
|}
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |3º Semestre
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Créditos
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teórica'''
|'''Prática'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Vetorial|MC0011]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Vetorial|Cálculo Vetorial]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo II|MC0005]]
|CAR0012
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Eletromagnetismo|MC0041]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Eletromagnetismo|Fundamentos de Eletromagnetismo]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Mecânica|MC0009]]
|CAR0002 e EM0020
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Laboratório de Algoritmos e Estrutura de Dados|MC0042]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Laboratório de Algoritmos e Estrutura de Dados|Laboratório de Algoritmos e Estrutura de Dados]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Matemática Discreta|MC0003]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Programação|MC0004]]
|CC0006, MC0008, CC0012 e MC0013
|4
|0
|64
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos e Estrutura de Dados|MC0043]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos e Estrutura de Dados|Algoritmos e Estrutura de Dados]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Matemática Discreta|MC0003]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Programação|MC0004]]
|CC0006 ou MC0008 e CC0012 ou MC0013
|6
|96
|0
|96
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|18
|224
|64
|288
|}
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |4º Semestre
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Créditos
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teórica'''
|'''Prática'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|Cálculo Numérico]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo II|MC0005]]
|ECI0080 ou EM0014 ou [[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Cálculo Numérico|CC0018]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos em Grafos|MC0016]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos em Grafos|Algoritmos em Grafos]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos e Estrutura de Dados|MC0043]]
|[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Algoritmos em Grafos|CC0017]]
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução às EDOs|MC0017]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução às EDOs|Introdução às Equações Diferenciais Ordinárias]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo II|MC0005]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]]
|CAR0017 ou EM0019
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear II|MC0044]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear II|Álgebra Linear II]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]]
|N/A
|6
|96
|0
|96
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|18
|272
|0
|288
|}
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |5º Semestre
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Crédito
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teórica'''
|'''Prática'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|Análise I]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Vetorial|MC0011]]
|
|6
|96
|0
|96
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear Computacional|MC0020]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear Computacional|Álgebra Linear Computacional]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Teoria dos Números|MC0021]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Teoria dos Números|Introdução à Teoria dos Números]]
|Disciplina
|Obrigatório
|
|
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Métodos Numéricos para EDOs|MC0022]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Métodos Numéricos para EDOs|Métodos Numéricos para Equações Diferenciais]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|18
|288
|0
|288
|}
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |6º Semestre
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Crédito
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teórica'''
|'''Prática'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise II|MC0023]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise II|Análise II]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|
|6
|96
|0
|96
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Variáveis Complexas|MC0026]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Variáveis Complexas|Variáveis Complexas]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Vetorial|MC0011]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|Estatística Computacional]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Probabilidade e Estatística|MC0007]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Teoria de Anéis e Corpos|MC0045]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Teoria de Anéis e Corpos|Teoria de Anéis e Corpos]]
|Disciplina
|Obrigatório
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Teoria dos Números|MC0021]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|18
|256
|32
|288
|}
{| class="wikitable" style="text-align:center; width:100%;"
! colspan="10" |Componentes Optativos
|-
! rowspan="2" |CÓD
! rowspan="2" |Componente Curricular
! rowspan="2" |Tipo
! rowspan="2" |Caráter
! rowspan="2" |Pré-requisito
! rowspan="2" |Equivalência
! rowspan="2" |Crédito
! colspan="3" |Carga Horária
|-
|'''Teórica'''
|'''Prática'''
|'''Total'''
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Teoria de Grupos|MC0024]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Teoria de Grupos|Introdução à Teoria de Grupos]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Teoria de Anéis e Corpos|MC0045]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução a EDP|MC0025]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução a EDP|Introdução a Equações Diferenciais Parciais]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Vetorial|MC0011]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução aos Espaços Métricos|MC0028]]
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução aos Espaços Métricos|Introdução aos Espaços Métricos]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0029
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Geometria Diferencial|Introdução à Geometria Diferencial]]
|Disciplina
|Optativo
|MC0011
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0031
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Análise Funcional|Introdução à Análise Funcional]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]] e MC0028
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0032
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Método dos Elementos Finitos|Método dos Elementos Finitos]]
|Disciplina
|Optativo
|MC0020
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0033
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Visualização Científica|Introdução à Visualização Científica]]
|Disciplina
|Optativo
|MC0018
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0037
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Modelagem e Análise Multivariada|Modelagem e Análise Multivariada]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0038
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Pesquisa Operacional 1|Pesquisa Operacional 1]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0039
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Séries Temporais|Séries Temporais]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0046
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Equações Diferenciais Ordinárias|Equações Diferenciais Ordinárias]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0047
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Teoria da Medida|Introdução à Teoria da Medida]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0048
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Topologia Geral|Introdução à Topologia Geral]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0049
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Computação de Alto Desempenho|Computação de Alto Desempenho]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]] e MC0042
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0050
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Computação Gráfica|Computação Gráfica]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]] e MC0043
|
|4
|48
|16
|64
|-
|MC0051
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Dinâmica dos Fluidos Computacional|Introdução à Dinâmica dos Fluidos Computacional]]
|Disciplina
|Optativo
|MC0018
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0052
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução ao Cálculo Variacional|Introdução ao Cálculo Variacional]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise I|MC0019]]
|
|4
|64
|0
|64
|-
|MC0053
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Análise de Decisão|Análise de Decisão]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0054
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Introdução à Inferência Bayesiana|Introdução à Inferência Bayesiana]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0055
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Pesquisa Operacional 2|Pesquisa Operacional 2]]
|Disciplina
|Optativo
|MC0038
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0056
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Processos Estocásticos|Processos Estocásticos]]
|Disciplina
|Optativo
|MC0017 e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0057
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Programação Matemática|Programação Matemática]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Álgebra Linear I|MC0006]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|32
|32
|64
|-
|MC0058
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Técnicas de Simulação da Produção|Técnicas de Simulação da Produção]]
|Disciplina
|Optativo
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Cálculo Numérico|MC0014]] e [[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Estatística Computacional|MC0036]]
|
|4
|20
|44
|64
|-
|MC0059
|[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Trabalho de Conclusão de Curso - TCC|Trabalho de Conclusão de Curso - TCC]]
|Trabalho de Conclusão de Curso
|Optativo
|
|
|4
|64
|0
|64
|-
| colspan="6" |'''Carga Horária Total'''
|
|
|
|1536
|}
bn52ujptzw20u0mpkuw0yqgqa9dqfle
CCT-UFCA/Matemática Computacional/Fundamentos de Matemática Discreta
0
30463
187190
172630
2026-10-08T21:18:55Z
Alícia Brito
43242
187190
wikitext
text/x-wiki
== Programa do Componente Curricular ==
{| class="wikitable"
|+
|'''Código:'''
| colspan="9" |MC0003
|-
|'''Componente Curricular:'''
| colspan="9" |Fundamentos de Matemática Discreta
|-
|'''Semestre de Oferta:'''
| colspan="2" |1º
|'''Tipo:'''
|Disciplina
|'''Caráter:'''
| colspan="4" |Obrigatória
|-
|'''Unidade Acadêmica Responsável:'''
| colspan="9" |[[CCT-UFCA|Centro de Ciências e Tecnologia - CCT]]
|-
|'''Área:'''
| colspan="9" |Álgebra
|-
|'''Créditos:'''
|4
|'''Carga horária:'''
|64
|'''Teórica:'''
|64
|'''Prática'''
| -
|'''Extensão:'''
| -
|-
|'''Pré-requisito:'''
| colspan="9" |
|-
|'''Co-requisito:'''
| colspan="9" |
|-
|'''Equivalência:'''
| colspan="9" |[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Fundamentos de Matemática Discreta|CC0005]]
|}
= Objetivos =
Apresentar conceitos, métodos e técnicas da Matemática Discreta e usá-los como ferramentas para modelar e resolver, de modo formal, problemas de Computação.
= Conteúdo =
* '''Relações'''
** Conceito e representação de relações
** Propriedades e classificações estudadas na disciplina
* '''Técnicas de Demonstração'''
** Organização de uma demonstração matemática
** Técnicas de demonstração trabalhadas no componente
* '''Princípio da Indução Finita'''
** Caso inicial
** Hipótese de indução
** Passo indutivo
** Conclusão da demonstração
* '''Contagem'''
** Princípios e técnicas de contagem
** Problemas de contagem trabalhados no componente
* '''Introdução à Teoria dos Grafos'''
** Conceitos básicos de grafos
** Vértices, arestas e formas de representação
** Propriedades e problemas introdutórios estudados
* '''Relações de Recorrência'''
** Definição da relação e condições iniciais
** Cálculo de termos a partir da recorrência
** Resolução das relações estudadas na disciplina
= Metodologia =
A metodologia adotada na disciplina inclui aulas teóricas. Além disso, os alunos realizam a resolução de exercícios, que são propostos para aplicar os conhecimentos adquiridos e reforçar o entendimento dos conteúdos abordados.
= Avaliação =
A avaliação dos alunos pode ser composta por diferentes métodos, incluindo provas teóricas que abrangem os conteúdos teóricos estudados ao longo do curso. Alternativamente, a avaliação pode incluir tanto provas teóricas quanto trabalhos, que podem ser individuais ou em grupo. Além disso, a participação dos alunos nas aulas e a realização dos exercícios propostos podem ser considerados como parte da avaliação contínua. A participação nas aulas pode ou não ser um critério de avaliação, dependendo dos critérios estabelecidos pelo professor.
= Ementa =
Relações. Técnicas de Demonstração. Princípio da Indução Finita. Contagem. Introdução à Teoria dos Grafos. Relações de recorrência.
= Bibliografia Básica =
SANTOS, José Plínio O.; MELLO, Margarida P.; MURARI, Idani T. C.. Introdução à analise combinatória. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, 2007. 390 p. <nowiki>ISBN 9788573936346</nowiki>.
SCHEINERMAN, Edward. Matemática discreta: uma introdução. 2 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011. 573 p. <nowiki>ISBN 9788522107964</nowiki>.
GERSTING, Judith L.; Fundamentos matemáticos para a ciência da computação: um tratamento moderno de matemática discreta. 5 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. 597 p. <nowiki>ISBN 9788521614227</nowiki>.
= Bibliografia Complementar =
Meneses, Paulo Blauth. Matemática Discreta para Computação e Informática. Porto Alegre, RS: Editora Sagra Luzzatto, 2ª. ed. 2005
Lipshutz, S. & Lipson, M. Teoria e Problemas de Matemática Discreta. Rio de Janeiro, RJ: Editora Bookman, 2ª. ed. 2004. Coleção Schaum.
Nicoletti, M. C. & Hruschka Jr. E. R. Fundamentos da Teoria dos Grafos para Computação. São Carlos, SP: Editora da UFSCar, 2ª. ed. 2007.
Murari, I. T. C. et al. Introdução à Análise Combinatória. Rio de Janeiro, RJ: Editora Ciência Moderna, 1ª. ed. 2008.
KNUTH D.E., The Art of Computer Programming, Volume 2: Seminumerical Algorithms, 3rd Edition, Addison-Wesley, ISBN-10: 0201896842, ISBN-13: 978-02018968482.
GRAHAM, R.L., KNUTH D.L., PATASHNIK, O., Concrete Mathematics: A Foundation for Computer Science ISBN-10: 0201558025ISBN-13: 978-02015580292.
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CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos em Grafos
0
30563
187184
172639
2026-10-08T20:15:41Z
Alícia Brito
43242
187184
wikitext
text/x-wiki
== Programa do Componente Curricular ==
{| class="wikitable"
|+
|'''Código:'''
| colspan="9" |MC0016
|-
|'''Componente Curricular:'''
| colspan="9" |Algoritmos em Grafos
|-
|'''Semestre de Oferta:'''
| colspan="2" |4º
|'''Tipo:'''
|Disciplina
|'''Caráter:'''
| colspan="4" |Obrigatória
|-
|'''Unidade Acadêmica Responsável:'''
| colspan="9" |[[CCT-UFCA|Centro de Ciências e Tecnologia - CCT]]
|-
|'''Área:'''
| colspan="9" |Ciência da Computação e Matemática Computacional
|-
|'''Créditos:'''
|4
|'''Carga horária:'''
|64
|'''Teórica:'''
|64
|'''Prática'''
|0
|'''EAD:'''
|0
|-
|'''Pré-requisito:'''
| colspan="9" |[[CCT-UFCA/Matemática Computacional/Algoritmos e Estrutura de Dados|Algoritmos e Estrutura de Dados]]
|-
|'''Co-requisito:'''
| colspan="9" |
|-
|'''Equivalência:'''
| colspan="9" |[[CCT-UFCA/Ciência da Computação/Algoritmos em Grafos|CC0017]]
|}
== Objetivos ==
Explorar com profundidade os mais diversos algoritmos aplicados em grafos.
== Conteúdo ==
* [[Conceitos básicos de grafos]]
* [[Subgrafos|Conceitos básicos iniciais: Subgrafos, Caminhos e Ciclos, Algumas classes de grafos, grafos bipartidos, etc.]]
* [[Árvores e Florestas|Grafos acíclicos: Árvores e Florestas]]
* [[Grafos orientados|Grafos orientados e Representação de grafos]]
* [[Busca em Profundidade|Busca em Profundidade - DFS]]
* [[Ordenação topológica|Aplicações de busca em profundidade - ordenação topológica]]
* [[Componentes fortemente conexas|Aplicações de busca em profundidade - componentes fortemente conexas]]
* [[Busca em Largura]]
* [[Distância em grafos|Cálculo das distâncias entre um vértice aos demais em grafos não ponderados]]
* [[Busca em Largura|Aplicação da Busca em Largura]]
* [[Distância em grafos|Determinação das distâncias de um vértice aos demais]]
* [[Caminho mínimo|Problema dos Caminhos mínimos]]
* [[Algoritmo de Dijkstra]]
* [[Algoritmo de Bellman-Ford]]
* [[Algoritmo de Floyd-Warshall]]
* [[Árvores geradoras mínimas|Árvores geradora Mínima: Algoritmo de Kruskal -Técnica de Union-Find]]
* [[Árvores geradoras mínimas|Árvores geradora Mínima: Algoritmo de Kruskal]]
* [[Árvores geradoras mínimas|Árvore geradora Mínima: Algoritmo de Prim]]
* [[Fluxo em grafos]]
== Metodologia ==
A disciplina e conduzida por meio de aulas teóricas presenciais, nas quais o "universo" dos grafos será apresentado e detalhado, formando uma base sólida para a abstração de problemas em grafos diversos sob os quais serão desenvolvidos algoritmos para soluciona-los. As aulas são dinâmicas e valorizam a participação ativa dos estudantes, principalmente por meio de atividades e projetos práticos, enfatizando a usabilidade dos grafos no contexto da computação.
A disciplina usualmente (mas não obrigatoriamente) conta com um mentor para auxiliar os alunos em horários alternativos aos das aulas.
== Avaliação ==
Ao decorrer da disciplina, serão aplicadas provas três provas teóricas e será desenvolvido um trabalho prático (geralmente em dupla). A média final consistirá na média aritmética simples das notas das provas e do trabalho prático. O trabalho prático deverá ser adequadamente apresentado pela dupla especificando as contribuições de cada membro, pois a nota do trabalho em si é individual e pode variar entre os membros da dupla.
A metodologia de avaliação acima descrita pode variar de acordo com as especificidades de cada turma bem como com o calendário semestral.
== Ementa ==
Conceitos e definições de grafos; Representação de grafos: matriz e listas de adjacências. Algoritmos de percurso em grafos. Árvore geradora mínima. Caminhos mínimos. Fluxo máximo.
== Bibliografia Básica ==
# Jayme L. Szwarcfiter. Teoria Computacional de Grafos . Elsevier, Rio de Janeiro, 2018.
# Alan Gibbons. Algorithmic Graph Theory. . Cambridge University Press, 1985.
# Cormen T. H et al., Algoritmos: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 3ª edição, 2012.
== Bibliografia Complementar ==
# J. A. Bondy, U.S. Rama Murty, Graph Theory, Springer, 2007
# D. Easley, J. Kleinberg, Networks, Crowds, and Markes: Reasoning About a Highly Connected World, Cambridge University Press, 2010.
# D. E. Knuth, The Stanford GraphBase, Addison-Wesley, 1993.
# D. Joyner, M. Van Nguyen, N. Cohen, Algorithmic Graph Theory, <nowiki>http://code.google.com/p/graph-theory-algorithms-book/</nowiki>, Google Code, 2010.
# R. Sedgewick, Algorithms in C (part 5: Graph Algorithms), 3rd ed., AddisonWesley/Longman, 1998.
# R. Sedgewick, K. Wayne, Algorithms, 4th. ed., Addison-Wesley, 2011.
# M. van Steen, Graph Theory and Complex Networks: An Introduction, Maarten van Steen, 2010.
mjh80n464c4wf9glkau654qm4tbp12x
Discussão:Sociologia, Educação e Comunicação
1
33902
187197
186318
2026-10-09T00:51:12Z
~2026-54308-75
45340
/* Nota sobre a elaboração deste material */
187197
wikitext
text/x-wiki
== Nota sobre a elaboração deste material ==
Este curso é uma reelaboração do material tradicional (elaborado a partir de meus fichamentos, slides e textos) de Sociologia da Comunicação utilizado nas turmas da Cásper Líbero em 2024 e 2025, reorganizado a partir de uma metodologia ativa de ensino: [[Sociologia e Comunicação Cásper]]
O processo de reelaboração envolveu diversos turnos de iteração com dois sistemas
de inteligência artificial — Claude (Anthropic) e Kimi (Moonshot AI) — utilizados
como ferramentas de apoio ao planejamento pedagógico, não como autores do conteúdo.
A partir dessas iterações, foi desenvolvido um template de aula (após várias
versões testadas e descartadas) e um conjunto de instruções e procedimentos de
memória que orientam a produção de cada página do projeto "Aulas na Graduação".
A abordagem pedagógica adotada tem como base a teoria da aprendizagem significativa
de David Ausubel, na leitura de Marco Antonio Moreira, organizada em torno de um
subsunçor único por unidade — um objeto do repertório do próprio aluno (uma
música, um filme, uma campanha) que ancora a progressão dos conceitos. A essa base
somam-se elementos de aprendizagem baseada em problemas, de aprendizagem
cooperativa (técnica jigsaw, nos roteiros presenciais) e de prática
reflexiva. Trata-se, portanto, de uma síntese metodológica construída para este curso,
e não da aplicação de um único método ativo pré-existente.
Toda decisão de conteúdo, seleção bibliográfica, exemplos e avaliação é de
responsabilidade do professor. As ferramentas de IA foram usadas para estruturação,
redação de rascunhos e revisão iterativa; nenhuma citação, dado ou atribuição
constante neste material foi publicada sem verificação prévia do professor. [[Utilizador:Lgjunior|Lgjunior]] ([[Utilizador Discussão:Lgjunior|discussão]]) 01h29min de 2 de agosto de 2026 (UTC)
== Teste de design de página==
Página de teste para [http://Teste%20com%20um%20novo%20design:%20https://pt.wikiversity.org/wiki/Sociologia,_Educa%C3%A7%C3%A3o_e_Comunica%C3%A7%C3%A3o/_teste novo design]
==Teste de design de página==
[https://pt.wikiversity.org/wiki/Sociologia,_Educa%C3%A7%C3%A3o_e_Comunica%C3%A7%C3%A3o/teste_de_design_de_p%C3%A1gina Novo design] (Gemini - código)
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Análise de Filme (Bloco I)
0
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187185
186936
2026-10-08T20:31:48Z
~2026-54411-68
45339
187185
wikitext
text/x-wiki
== '''Análise de Filme | Bloco I - 2026''' ==
[[- Analise do filme Memorias do Cárcere (1984) - Savana Santos Dias]]
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Análise do Filme "Memórias do Cárcere" (1984) - Miguel Sotelo Fachini
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Cultura Digital e Práticas Educativas/Educação, Sociologia e Comunicação
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/* 9. O que acontece concretamente nas escolas brasileiras? */
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text/x-wiki
= Aula 1 — Cultura digital, sociedade e educação =
'''Cultura Digital, Plataformas e Práticas Educativas — PPGE/USCS'''
== Ponto de partida ==
Nesta disciplina, cultura digital não será entendida como um conjunto de tecnologias disponíveis para professores e estudantes.
O problema é mais amplo.
Chamamos de cultura digital o conjunto de práticas, linguagens, valores e relações sociais que se constituem quando comunicação, informação, conhecimento e interação passam a depender crescentemente de infraestruturas digitais.
Isso significa que estudar tecnologias na Educação não consiste apenas em perguntar:<blockquote>Como utilizar determinada ferramenta para ensinar?</blockquote>É necessário acrescentar outras perguntas:<blockquote>Que práticas sociais tornam essa tecnologia possível?</blockquote><blockquote>Como ela reorganiza comunicação, informação e conhecimento?</blockquote><blockquote>Que relações de poder estão incorporadas às infraestruturas que utilizamos?</blockquote><blockquote>E, finalmente, o que acontece quando essas transformações chegam às práticas educativas?</blockquote>É nesse ponto que Sociologia, Comunicação e Educação se encontram.
Não como três disciplinas que dividem um objeto em partes, mas como três modos de interrogar '''uma mesma transformação social'''.
----
= 1. Antes da tecnologia: educação é uma relação social =
Um primeiro deslocamento é necessário.
Para compreender cultura digital e Educação, precisamos começar não pelo digital, mas pela própria educação.
Na tradição sociológica, a educação é uma das formas pelas quais uma sociedade produz continuidade entre gerações. Durkheim (1922) chama atenção para sua dimensão de socialização: ensinar significa introduzir sujeitos em formas socialmente constituídas de conhecimento, comportamento e participação.
Entretanto, aquilo que a escola transmite nunca é socialmente neutro.
Currículos, linguagens, maneiras de falar, critérios de avaliação e formas legítimas de conhecimento resultam de processos históricos e institucionais.
Bourdieu e Passeron (1970) acrescentam outro problema. A comunicação pedagógica ocorre entre sujeitos que não dispõem dos mesmos repertórios culturais.
O professor pode pressupor conhecimentos, formas de expressão e maneiras de interpretar que parte dos estudantes já adquiriu em outros espaços sociais.
Laurens (2009) recupera exatamente esse ponto ao discutir a relação entre comunicação e educação: não basta uma mensagem ter sido transmitida para que ela tenha sido igualmente compreendida.
=== Uma primeira distinção ===
{| class="wikitable"
!Pensar a educação apenas como transmissão
!Pensar a educação sociologicamente
|-
|O professor transmite conteúdos
|Professor e estudantes ocupam posições sociais
|-
|O problema é a clareza da mensagem
|A compreensão depende também de repertórios e condições sociais
|-
|Aprender depende principalmente da exposição ao conteúdo
|Apropriar-se do conhecimento depende de condições desigualmente distribuídas
|}
Esse problema não desaparece com a expansão das tecnologias digitais.
Na realidade, ele pode tornar-se mais complexo.
O acesso à Internet amplia extraordinariamente a disponibilidade de informação, mas disponibilidade de informação e possibilidade de apropriação não são equivalentes.
Por isso, a pergunta sociológica contemporânea não pode ser apenas:
'''Quem está conectado?'''
Ela precisa ser complementada:
'''Com quais recursos, repertórios e condições diferentes sujeitos conseguem transformar conectividade em conhecimento e reconhecimento escolar?'''
----
= 2. Educação também é comunicação =
Ensinar e aprender envolvem comunicação.
Mas comunicação, neste caso, não significa simplesmente transportar uma informação de um ponto a outro.
Durante muito tempo, a relação entre Comunicação e Educação foi analisada a partir de uma divisão relativamente clara.
A escola aparecia como espaço de produção e transmissão do conhecimento legítimo.
Os meios de comunicação apareciam sobretudo como espaços de informação, entretenimento e circulação cultural.
Sousa (1999) mostra os limites dessa separação. Quando comunicação é reduzida aos meios técnicos que transportam conteúdos, ela tende a ser tratada na Educação como recurso instrumental.
Televisão, computador, Internet ou plataforma tornam-se diferentes canais utilizados para transmitir conteúdos pedagógicos.
O problema dessa abordagem é que ela reduz comunicação ao meio.
A perspectiva das mediações, associada a Martín-Barbero (1997), modifica profundamente essa questão.
=== Dos meios às mediações ===
{| class="wikitable"
!Abordagem centrada nos meios
!Abordagem das mediações
|-
|O que a mídia transmite?
|Como os sujeitos produzem sentidos?
|-
|Qual é o efeito do meio?
|Em quais condições culturais ocorre a apropriação?
|-
|Emissor → mensagem → receptor
|Sujeitos situados em relações sociais e culturais
|-
|Tecnologia como canal
|Tecnologia integrada a práticas sociais
|}
O estudante não chega à escola como uma espécie de página em branco cultural.
Ele já participa de diferentes circuitos de comunicação.
Assiste a vídeos.
Participa de redes.
Produz imagens.
Segue influenciadores.
Pesquisa.
Compartilha.
Compara informações.
Aprende procedimentos.
Constrói formas de reconhecimento e pertencimento.
Por isso, TikTok, YouTube ou Instagram não são apenas concorrentes da escola na disputa pela atenção.
Eles integram ambientes culturais nos quais estudantes constroem repertórios, linguagens e expectativas sobre informação e conhecimento.
Mas as plataformas contemporâneas introduzem algo que os estudos clássicos das mediações não tinham como problema central.
Elas não apenas fazem mensagens circularem.
'''Elas observam as interações, registram-nas e utilizam esses registros para reorganizar a própria circulação.'''
É nesse ponto que precisamos passar da discussão sobre comunicação para a discussão sobre digitalização.
----
= 3. O que muda quando a vida social se digitaliza? =
Digitalizar não significa apenas colocar algo em uma tela.
O desenvolvimento das tecnologias digitais modificou profundamente as condições materiais de registro, armazenamento, processamento e circulação da informação.
Cordeiro, Gomes e Waizbort (2023) destacam a combinação de três processos históricos: expansão das telecomunicações, desenvolvimento da eletrônica e da computação e criação de protocolos capazes de conectar dispositivos.
O resultado não foi simplesmente o aparecimento de novas mídias.
Foi a criação de uma infraestrutura capaz de integrar atividades sociais anteriormente separadas.
Trabalho.
Comunicação.
Consumo.
Lazer.
Administração pública.
Educação.
A sociologia digital parte justamente desse ponto.
Para Nascimento (2020), torna-se cada vez menos produtivo tratar o digital como uma realidade separada da chamada “vida real”. Atividades realizadas em ambientes digitais produzem efeitos sobre relações familiares, escolares, políticas e profissionais; ao mesmo tempo, desigualdades constituídas fora desses ambientes condicionam aquilo que os sujeitos conseguem fazer neles.
A distinção rígida entre ''online'' e ''offline'' perde, portanto, capacidade explicativa.
=== Cinco processos ajudam a compreender essa transformação ===
{| class="wikitable"
!Processo
!O que transforma
!Pergunta para a Educação
|-
|'''Digitalização'''
|Informação torna-se manipulável computacionalmente
|Como mudam os materiais e as linguagens do conhecimento?
|-
|'''Conectividade'''
|Pessoas, dispositivos e sistemas tornam-se permanentemente ligados
|Como a aprendizagem se relaciona com redes externas à escola?
|-
|'''Dataficação'''
|Atividades tornam-se registros e indicadores
|O que da aprendizagem pode ser registrado?
|-
|'''Plataformização'''
|Interações passam a ocorrer em ambientes organizados por regras específicas
|Quem define as condições de participação?
|-
|'''Algoritmização'''
|Sistemas classificam, selecionam e recomendam
|Como decisões computacionais passam a participar das práticas educativas?
|}
Esses processos não constituem etapas sucessivas.
Eles coexistem e se combinam.
----
= 4. Um passo decisivo: da digitalização à dataficação =
Há uma diferença importante entre digitalização e dataficação.
Imagine dois casos.
=== Caso A ===
Um livro impresso torna-se PDF.
O suporte mudou.
=== Caso B ===
Uma atividade é realizada em uma plataforma.
O sistema registra:
* quem acessou;
* quando acessou;
* quanto tempo permaneceu;
* quais respostas forneceu;
* quantas tentativas realizou;
* qual foi seu desempenho.
Neste segundo caso ocorreu algo além da digitalização.
Uma atividade social tornou-se um conjunto de dados passíveis de comparação, classificação e processamento.
É isso que chamamos de '''dataficação'''.
A diferença é fundamental para a Educação.
Uma plataforma não apenas oferece um ambiente no qual a aprendizagem ocorre.
Ela pode construir uma determinada representação computacional da aprendizagem.
E toda representação seleciona algumas coisas e deixa outras de fora.
Por isso, diante de um painel que mostra o “desempenho” de um estudante, uma pergunta pedagógica fundamental seria:<blockquote>O que exatamente esse sistema conseguiu observar?</blockquote>E outra, igualmente importante:<blockquote>O que permaneceu fora do registro?</blockquote>
----
= 5. Da Internet às plataformas =
A cultura digital das primeiras décadas da Internet foi frequentemente interpretada a partir de ideias como abertura das redes, participação, produção colaborativa e ampliação da emissão.
Essas dimensões continuam relevantes.
Entretanto, o desenvolvimento das grandes plataformas introduziu uma transformação adicional.
A maior parte das atividades digitais contemporâneas não ocorre simplesmente “na Internet”.
Ela acontece em ambientes privados que organizam tecnicamente a participação dos usuários.
Van Dijck, Poell e de Waal (2018) descrevem esse processo como '''plataformização'''.
Uma plataforma não é simplesmente um site.
Ela combina diferentes camadas.
=== Arquitetura simplificada de uma plataforma ===
'''Interface'''
O que podemos ver e fazer.
↓
'''Regras de participação'''
Papéis, permissões, formatos e possibilidades de interação.
↓
'''Operações algorítmicas'''
Seleção, classificação, recomendação.
↓
'''Infraestrutura de dados'''
Registro, armazenamento, processamento.
Essas camadas são interdependentes.
Quando uma escola utiliza uma plataforma para distribuir tarefas, receber atividades, atribuir notas e acompanhar estudantes, ela não está apenas utilizando um meio de comunicação.
Uma parte da organização da prática educativa passa a ocorrer dentro de uma arquitetura técnica que define possibilidades e limites de ação.
Isso não significa que a plataforma determine automaticamente o comportamento do professor.
Esse cuidado é importante.
'''As propriedades técnicas condicionam práticas, mas não permitem deduzi-las antecipadamente.'''
É necessário investigar como professores, estudantes e instituições se apropriam das funcionalidades disponíveis.
----
= 6. Cultura digital também é cultura algorítmica =
As plataformas introduzem outro elemento importante.
Elas não apenas armazenam aquilo que publicamos.
Também selecionam aquilo que vemos.
Um algoritmo, em sentido amplo, consiste em uma sequência estruturada de operações destinada a produzir determinado resultado.
Nas plataformas contemporâneas, algoritmos, modelos estatísticos e sistemas de aprendizado de máquina podem participar da seleção, classificação e recomendação de conteúdos.
Gillespie (2018) chama atenção para a dimensão social dessas operações.
Quando uma plataforma decide quais conteúdos aparecerão primeiro, ela participa da produção de '''critérios de relevância'''.
O problema não está simplesmente em saber como funciona tecnicamente o algoritmo.
A pergunta sociológica e comunicacional é outra:
'''Quais critérios passam a organizar a visibilidade?'''
----
= 7. O encontro entre cultura algorítmica e cultura escolar =
É aqui que chegamos ao núcleo educacional da questão.
A escola também é uma instituição de seleção.
Seleciona conhecimentos.
Organiza currículos.
Define progressões.
Constrói critérios de avaliação.
Certifica aprendizagens.
As plataformas também selecionam.
Mas seus critérios podem ser diferentes.
=== Dois regimes de relevância ===
{| class="wikitable"
!Cultura escolar
!Plataformas
|-
|Currículo
|Sistemas de recomendação
|-
|Progressão formativa
|Histórico de interação
|-
|Validade do conhecimento
|Engajamento
|-
|Avaliação
|Métricas
|-
|Certificação
|Visibilidade
|-
|Professor e instituição
|Arquitetura da plataforma e seus operadores
|}
O quadro apresenta tipos analíticos. Na prática, esses regimes podem se combinar, sobretudo em plataformas especificamente educacionais.
Calixto (2025), investigando escolas públicas de uma região periférica de São Paulo, mostra como vídeos curtos, influenciadores e conteúdos de TikTok, Instagram e YouTube integram os repertórios de professores e estudantes. O ponto importante de sua análise é não atribuir aos algoritmos uma capacidade automática de determinar comportamentos.
Os sujeitos interpretam e reelaboram aquilo que recebem.
Mas também não atuam em um espaço inteiramente aberto.
As possibilidades de visibilidade e circulação são organizadas pelas arquiteturas das plataformas.
Isso permite evitar dois extremos.
=== Determinismo tecnológico ===
A tecnologia determinaria aquilo que as pessoas fazem.
=== Voluntarismo dos usos ===
Os sujeitos fariam livremente aquilo que desejam com as tecnologias.
A investigação sociotécnica procura justamente o espaço entre os dois.
'''Práticas sociais ocorrem em ambientes tecnicamente condicionados, mas os efeitos desses condicionamentos dependem das formas concretas de apropriação.'''
----
= 8. Onde entra especificamente a Educação? =
Até aqui, Sociologia e Comunicação nos ajudaram a compreender condições sociais, mediações culturais, infraestruturas e regimes de visibilidade.
Mas há uma questão que nenhuma dessas perspectivas resolve sozinha.
A Educação introduz a '''intencionalidade formativa'''.
O professor não apenas participa de uma interação social ou comunicacional.
Ele organiza deliberadamente situações para produzir determinadas possibilidades de aprendizagem.
Por isso, a análise educacional precisa acrescentar perguntas próprias.<blockquote>O que se pretende que os estudantes aprendam?</blockquote><blockquote>Por que determinado conhecimento foi selecionado?</blockquote><blockquote>Que atividade pode favorecer determinada aprendizagem?</blockquote><blockquote>O que o professor conhece sobre aquela turma?</blockquote><blockquote>Que evidências permitem interpretar o que os estudantes aprenderam?</blockquote><blockquote>Que decisão pedagógica deve ser tomada diante dessas evidências?</blockquote>É nesse ponto que aparece aquilo que podemos chamar de '''julgamento pedagógico'''.
O dado produzido por uma plataforma pode informar uma decisão.
Não pode, entretanto, ser automaticamente confundido com a própria decisão pedagógica.
Uma plataforma pode informar que um estudante acertou seis de dez questões.
Mas determinar:
* por que ele errou;
* que conhecimento está mobilizando;
* que dificuldade enfrenta;
* que explicação pode ajudá-lo;
* se a atividade era adequada;
continua sendo uma questão pedagógica.
Essa distinção será particularmente importante quando tratarmos de inteligência artificial.
----
= 9. O que acontece concretamente nas escolas brasileiras? =
A pesquisa '''TIC Educação 2024''', realizada pelo Cetic.br/NIC.br, permite observar como essas transformações estão chegando às instituições brasileiras.
A coleta envolveu 1.023 escolas de Ensino Fundamental e Médio, com entrevistas de estudantes, professores, coordenadores pedagógicos e gestores. tic_educacao_2024_livro_completo
Os resultados mostram algo importante:
'''a expansão da conectividade não eliminou as desigualdades de apropriação.'''
Entre 2020 e 2024:
* escolas municipais com Internet passaram de '''71% para 94%''';
* escolas rurais passaram de '''52% para 89%'''. tic_educacao_2024_livro_completo
O crescimento é expressivo.
Mas apenas '''62% das escolas''' dispunham de dispositivos digitais destinados ao uso educacional pelos estudantes.
Nas escolas municipais, eram '''51%'''.
Nas escolas rurais, apenas '''33%'''. tic_educacao_2024_livro_completo
Portanto:<blockquote>conexão não equivale a condição efetiva de participação.</blockquote>A desigualdade torna-se ainda mais evidente quando observamos os estudantes que acessavam a Internet utilizando computadores fornecidos pela própria escola:
{| class="wikitable"
!Região
!Estudantes
|-
|Norte
|29%
|-
|Nordeste
|31%
|-
|Centro-Oeste
|54%
|-
|Sudeste
|64%
|-
|Sul
|87%
|}
tic_educacao_2024_livro_completo
O intervalo de 58 pontos percentuais entre Norte e Sul mostra por que a desigualdade digital não pode mais ser descrita simplesmente pela oposição entre “conectados” e “desconectados”.
É necessário investigar:
'''conectados como, com que recursos, para realizar quais atividades e em quais condições?'''
== Leituras ==
=== Referência-chave ===
* BORTOLAZZO, Sandro Faccin. Das conexões entre cultura digital e educação: pensando a condição digital na sociedade contemporânea. '''ETD - Educação Temática Digital''', Campinas, v. 22, n. 2, p. 369-388, 2020. DOI: https://doi.org/10.20396/etd.v22i2.8654547.
=== Leituras complementares ===
* COSTA, Douglas Pereira da; MOURA, Maria da Glória Carvalho. Formação de professores para a cultura digital: elementos em perspectivas diferentes da visão instrumental. '''Práxis Educativa''', Ponta Grossa, v. 18, e21276, p. 1-21, 2023. DOI: https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.18.21276.070.
* NASCIMENTO, Leonardo Fernandes. '''Sociologia digital''': uma breve introdução. Salvador: EDUFBA, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32746.
* SOUSA, Mauro Wilton de. Comunicação e educação: entre meios e mediações. '''Cadernos de Pesquisa''', São Paulo, n. 106, p. 9-25, mar. 1999.
* SOUZA, Joseilda Sampaio de; BONILLA, Maria Helena Silveira. A cultura digital e a cibercultura: diferenças e aproximações. '''ETD - Educação Temática Digital''', Campinas, v. 26, e024063, p. 1-16, 2024. DOI: https://doi.org/10.20396/etd.v26i00.8674523.
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= 10. A escola ensina a viver nas plataformas, mas ainda pouco a compreendê-las =
Outro dado da TIC Educação é especialmente importante para esta disciplina.
Segundo coordenadores pedagógicos, 89% das escolas realizaram atividades relacionadas ao uso seguro, responsável e crítico da Internet. tic_educacao_2024_livro_completo
Entre professores, os temas aparecem de maneira desigual.
{| class="wikitable"
!Tema trabalhado
!Professores
|-
|Cyberbullying, discurso de ódio e discriminação
|75%
|-
|Saúde física e mental
|67%
|-
|Privacidade e dados pessoais
|57%
|-
|Algoritmos, rastros digitais e uso de dados
|30%
|}
tic_educacao_2024_livro_completo
Podemos extrair daqui uma distinção analítica importante.
=== Educação para o uso ===
Como participar de maneira segura, ética e responsável?
=== Educação para a compreensão ===
Como funcionam os ambientes digitais dos quais participamos?
A primeira envolve cidadania digital.
A segunda exige compreender:
* dataficação;
* modelos de negócio;
* recomendação;
* classificação;
* rastreamento;
* governança das plataformas.
As duas são necessárias.
Mas não são equivalentes.
----
= 11. A inteligência artificial torna essa tensão ainda mais visível =
Os dados da TIC Educação 2024 oferecem um exemplo particularmente interessante.
Entre os estudantes, '''37% declararam já utilizar IA generativa em pesquisas escolares'''.
No Ensino Médio, o percentual chegava a '''70%'''. Texto colado
Entretanto, apenas '''19%''' relataram que professores haviam conversado com eles sobre como utilizar IA generativa em atividades escolares. Texto colado
Esse contraste merece atenção.
Ele sugere uma diferença entre:
'''apropriação social da tecnologia'''
e
'''mediação pedagógica da tecnologia'''.
Os estudantes não esperam necessariamente que a escola introduza uma tecnologia para começar a utilizá-la.
Ela chega por outros circuitos sociais.
A questão educativa aparece depois.
'''Como transformar uma prática que já existe socialmente em objeto de reflexão, aprendizagem e formação?'''
Essa pergunta sintetiza bastante bem o problema desta disciplina.
----
= 12. Três lentes sobre um mesmo problema =
Podemos agora retomar o ponto de partida.
Imagine que uma rede de ensino adote uma plataforma que distribui tarefas, recebe respostas e produz relatórios sobre o desempenho dos estudantes.
=== Sociologia ===
Pergunta:<blockquote>Quem dispõe das condições necessárias para participar?</blockquote>Observa:
desigualdades, instituições, governança, relações de poder.
=== Comunicação ===
Pergunta:<blockquote>Como a plataforma organiza aquilo que pode circular e tornar-se visível?</blockquote>Observa:
interfaces, linguagens, mediações, regimes de visibilidade.
=== Educação ===
Pergunta:<blockquote>Como esses recursos participam das decisões sobre ensino e aprendizagem?</blockquote>Observa:
intencionalidade formativa, conhecimento, avaliação e julgamento pedagógico.
Nenhuma lente é suficiente isoladamente.
O objeto da disciplina está justamente na articulação entre elas.
----
= 13. Uma definição de trabalho para a disciplina =
Podemos, então, adotar provisoriamente a seguinte formulação:<blockquote>'''Cultura digital designa o conjunto de práticas, significados, relações sociais e disputas que se desenvolvem em sociedades nas quais comunicação, informação e conhecimento passam a ser crescentemente mediados por infraestruturas digitais, plataformas, dados e operações algorítmicas.'''</blockquote>Essa definição possui três dimensões.
=== Práticas e sentidos ===
O que as pessoas fazem, interpretam e valorizam.
=== Infraestruturas e regras ===
Os sistemas técnicos que tornam determinadas práticas possíveis e condicionam sua realização.
=== Disputas ===
Quem consegue definir aquilo que é visível, legítimo, relevante ou valioso.
Uma análise que observe apenas a primeira dimensão corre o risco de reduzir cultura digital a hábitos.
Uma análise exclusivamente infraestrutural pode cair no determinismo tecnológico.
Uma análise crítica precisa compreender '''como práticas sociais e arquiteturas técnicas se constituem mutuamente em relações historicamente situadas'''.
----
= Atividade — Da prática profissional ao problema de pesquisa =
Escolha uma situação concreta de seu trabalho na qual tecnologias digitais participem da organização do ensino, da comunicação, da avaliação ou da aprendizagem.
Não escolha inicialmente “uma tecnologia”.
Escolha '''uma situação'''.
Por exemplo:
professores acompanhando estudantes em uma plataforma;
uso de celulares durante uma atividade;
produção de trabalhos com IA generativa;
avaliações realizadas em ambiente digital;
comunicação entre escola, estudantes e famílias.
Analise-a em cinco movimentos.
{| class="wikitable"
!Movimento
!Questão
|-
|'''1. Situação'''
|O que está acontecendo concretamente? Quem participa?
|-
|'''2. Intencionalidade educativa'''
|O que se pretende formar ou produzir pedagogicamente?
|-
|'''3. Condições sociais'''
|Quem consegue participar e em quais condições?
|-
|'''4. Mediações sociotécnicas'''
|O que a tecnologia permite, registra, organiza ou torna visível?
|-
|'''5. Problema de pesquisa'''
|Que tensão aparece entre intenção pedagógica, práticas dos sujeitos e condições sociotécnicas?
|}
q0jvk5tfjgafdgudlj4dgs8ns8a3rh2
187178
187177
2026-10-08T16:59:22Z
Lgjunior
21602
187178
wikitext
text/x-wiki
= Aula 1 — Cultura digital, sociedade e educação =
'''Cultura Digital, Plataformas e Práticas Educativas — PPGE/USCS'''
== Ponto de partida ==
Nesta disciplina, cultura digital não será entendida como um conjunto de tecnologias disponíveis para professores e estudantes.
O problema é mais amplo.
Chamamos de cultura digital o conjunto de práticas, linguagens, valores e relações sociais que se constituem quando comunicação, informação, conhecimento e interação passam a depender crescentemente de infraestruturas digitais.
Isso significa que estudar tecnologias na Educação não consiste apenas em perguntar:<blockquote>Como utilizar determinada ferramenta para ensinar?</blockquote>É necessário acrescentar outras perguntas:<blockquote>Que práticas sociais tornam essa tecnologia possível?</blockquote><blockquote>Como ela reorganiza comunicação, informação e conhecimento?</blockquote><blockquote>Que relações de poder estão incorporadas às infraestruturas que utilizamos?</blockquote><blockquote>E, finalmente, o que acontece quando essas transformações chegam às práticas educativas?</blockquote>É nesse ponto que Sociologia, Comunicação e Educação se encontram.
Não como três disciplinas que dividem um objeto em partes, mas como três modos de interrogar '''uma mesma transformação social'''.
----
= 1. Antes da tecnologia: educação é uma relação social =
Um primeiro deslocamento é necessário.
Para compreender cultura digital e Educação, precisamos começar não pelo digital, mas pela própria educação.
Na tradição sociológica, a educação é uma das formas pelas quais uma sociedade produz continuidade entre gerações. Durkheim (1922) chama atenção para sua dimensão de socialização: ensinar significa introduzir sujeitos em formas socialmente constituídas de conhecimento, comportamento e participação.
Entretanto, aquilo que a escola transmite nunca é socialmente neutro.
Currículos, linguagens, maneiras de falar, critérios de avaliação e formas legítimas de conhecimento resultam de processos históricos e institucionais.
Bourdieu e Passeron (1970) acrescentam outro problema. A comunicação pedagógica ocorre entre sujeitos que não dispõem dos mesmos repertórios culturais.
O professor pode pressupor conhecimentos, formas de expressão e maneiras de interpretar que parte dos estudantes já adquiriu em outros espaços sociais.
Laurens (2009) recupera exatamente esse ponto ao discutir a relação entre comunicação e educação: não basta uma mensagem ter sido transmitida para que ela tenha sido igualmente compreendida.
=== Uma primeira distinção ===
{| class="wikitable"
!Pensar a educação apenas como transmissão
!Pensar a educação sociologicamente
|-
|O professor transmite conteúdos
|Professor e estudantes ocupam posições sociais
|-
|O problema é a clareza da mensagem
|A compreensão depende também de repertórios e condições sociais
|-
|Aprender depende principalmente da exposição ao conteúdo
|Apropriar-se do conhecimento depende de condições desigualmente distribuídas
|}
Esse problema não desaparece com a expansão das tecnologias digitais.
Na realidade, ele pode tornar-se mais complexo.
O acesso à Internet amplia extraordinariamente a disponibilidade de informação, mas disponibilidade de informação e possibilidade de apropriação não são equivalentes.
Por isso, a pergunta sociológica contemporânea não pode ser apenas:
'''Quem está conectado?'''
Ela precisa ser complementada:
'''Com quais recursos, repertórios e condições diferentes sujeitos conseguem transformar conectividade em conhecimento e reconhecimento escolar?'''
----
= 2. Educação também é comunicação =
Ensinar e aprender envolvem comunicação.
Mas comunicação, neste caso, não significa simplesmente transportar uma informação de um ponto a outro.
Durante muito tempo, a relação entre Comunicação e Educação foi analisada a partir de uma divisão relativamente clara.
A escola aparecia como espaço de produção e transmissão do conhecimento legítimo.
Os meios de comunicação apareciam sobretudo como espaços de informação, entretenimento e circulação cultural.
Sousa (1999) mostra os limites dessa separação. Quando comunicação é reduzida aos meios técnicos que transportam conteúdos, ela tende a ser tratada na Educação como recurso instrumental.
Televisão, computador, Internet ou plataforma tornam-se diferentes canais utilizados para transmitir conteúdos pedagógicos.
O problema dessa abordagem é que ela reduz comunicação ao meio.
A perspectiva das mediações, associada a Martín-Barbero (1997), modifica profundamente essa questão.
=== Dos meios às mediações ===
{| class="wikitable"
!Abordagem centrada nos meios
!Abordagem das mediações
|-
|O que a mídia transmite?
|Como os sujeitos produzem sentidos?
|-
|Qual é o efeito do meio?
|Em quais condições culturais ocorre a apropriação?
|-
|Emissor → mensagem → receptor
|Sujeitos situados em relações sociais e culturais
|-
|Tecnologia como canal
|Tecnologia integrada a práticas sociais
|}
O estudante não chega à escola como uma espécie de página em branco cultural.
Ele já participa de diferentes circuitos de comunicação.
Assiste a vídeos.
Participa de redes.
Produz imagens.
Segue influenciadores.
Pesquisa.
Compartilha.
Compara informações.
Aprende procedimentos.
Constrói formas de reconhecimento e pertencimento.
Por isso, TikTok, YouTube ou Instagram não são apenas concorrentes da escola na disputa pela atenção.
Eles integram ambientes culturais nos quais estudantes constroem repertórios, linguagens e expectativas sobre informação e conhecimento.
Mas as plataformas contemporâneas introduzem algo que os estudos clássicos das mediações não tinham como problema central.
Elas não apenas fazem mensagens circularem.
'''Elas observam as interações, registram-nas e utilizam esses registros para reorganizar a própria circulação.'''
É nesse ponto que precisamos passar da discussão sobre comunicação para a discussão sobre digitalização.
----
= 3. O que muda quando a vida social se digitaliza? =
Digitalizar não significa apenas colocar algo em uma tela.
O desenvolvimento das tecnologias digitais modificou profundamente as condições materiais de registro, armazenamento, processamento e circulação da informação.
Cordeiro, Gomes e Waizbort (2023) destacam a combinação de três processos históricos: expansão das telecomunicações, desenvolvimento da eletrônica e da computação e criação de protocolos capazes de conectar dispositivos.
O resultado não foi simplesmente o aparecimento de novas mídias.
Foi a criação de uma infraestrutura capaz de integrar atividades sociais anteriormente separadas.
Trabalho.
Comunicação.
Consumo.
Lazer.
Administração pública.
Educação.
A sociologia digital parte justamente desse ponto.
Para Nascimento (2020), torna-se cada vez menos produtivo tratar o digital como uma realidade separada da chamada “vida real”. Atividades realizadas em ambientes digitais produzem efeitos sobre relações familiares, escolares, políticas e profissionais; ao mesmo tempo, desigualdades constituídas fora desses ambientes condicionam aquilo que os sujeitos conseguem fazer neles.
A distinção rígida entre ''online'' e ''offline'' perde, portanto, capacidade explicativa.
=== Cinco processos ajudam a compreender essa transformação ===
{| class="wikitable"
!Processo
!O que transforma
!Pergunta para a Educação
|-
|'''Digitalização'''
|Informação torna-se manipulável computacionalmente
|Como mudam os materiais e as linguagens do conhecimento?
|-
|'''Conectividade'''
|Pessoas, dispositivos e sistemas tornam-se permanentemente ligados
|Como a aprendizagem se relaciona com redes externas à escola?
|-
|'''Dataficação'''
|Atividades tornam-se registros e indicadores
|O que da aprendizagem pode ser registrado?
|-
|'''Plataformização'''
|Interações passam a ocorrer em ambientes organizados por regras específicas
|Quem define as condições de participação?
|-
|'''Algoritmização'''
|Sistemas classificam, selecionam e recomendam
|Como decisões computacionais passam a participar das práticas educativas?
|}
Esses processos não constituem etapas sucessivas.
Eles coexistem e se combinam.
----
= 4. Um passo decisivo: da digitalização à dataficação =
Há uma diferença importante entre digitalização e dataficação.
Imagine dois casos.
=== Caso A ===
Um livro impresso torna-se PDF.
O suporte mudou.
=== Caso B ===
Uma atividade é realizada em uma plataforma.
O sistema registra:
* quem acessou;
* quando acessou;
* quanto tempo permaneceu;
* quais respostas forneceu;
* quantas tentativas realizou;
* qual foi seu desempenho.
Neste segundo caso ocorreu algo além da digitalização.
Uma atividade social tornou-se um conjunto de dados passíveis de comparação, classificação e processamento.
É isso que chamamos de '''dataficação'''.
A diferença é fundamental para a Educação.
Uma plataforma não apenas oferece um ambiente no qual a aprendizagem ocorre.
Ela pode construir uma determinada representação computacional da aprendizagem.
E toda representação seleciona algumas coisas e deixa outras de fora.
Por isso, diante de um painel que mostra o “desempenho” de um estudante, uma pergunta pedagógica fundamental seria:<blockquote>O que exatamente esse sistema conseguiu observar?</blockquote>E outra, igualmente importante:<blockquote>O que permaneceu fora do registro?</blockquote>
----
= 5. Da Internet às plataformas =
A cultura digital das primeiras décadas da Internet foi frequentemente interpretada a partir de ideias como abertura das redes, participação, produção colaborativa e ampliação da emissão.
Essas dimensões continuam relevantes.
Entretanto, o desenvolvimento das grandes plataformas introduziu uma transformação adicional.
A maior parte das atividades digitais contemporâneas não ocorre simplesmente “na Internet”.
Ela acontece em ambientes privados que organizam tecnicamente a participação dos usuários.
Van Dijck, Poell e de Waal (2018) descrevem esse processo como '''plataformização'''.
Uma plataforma não é simplesmente um site.
Ela combina diferentes camadas.
=== Arquitetura simplificada de uma plataforma ===
'''Interface'''
O que podemos ver e fazer.
↓
'''Regras de participação'''
Papéis, permissões, formatos e possibilidades de interação.
↓
'''Operações algorítmicas'''
Seleção, classificação, recomendação.
↓
'''Infraestrutura de dados'''
Registro, armazenamento, processamento.
Essas camadas são interdependentes.
Quando uma escola utiliza uma plataforma para distribuir tarefas, receber atividades, atribuir notas e acompanhar estudantes, ela não está apenas utilizando um meio de comunicação.
Uma parte da organização da prática educativa passa a ocorrer dentro de uma arquitetura técnica que define possibilidades e limites de ação.
Isso não significa que a plataforma determine automaticamente o comportamento do professor.
Esse cuidado é importante.
'''As propriedades técnicas condicionam práticas, mas não permitem deduzi-las antecipadamente.'''
É necessário investigar como professores, estudantes e instituições se apropriam das funcionalidades disponíveis.
----
= 6. Cultura digital também é cultura algorítmica =
As plataformas introduzem outro elemento importante.
Elas não apenas armazenam aquilo que publicamos.
Também selecionam aquilo que vemos.
Um algoritmo, em sentido amplo, consiste em uma sequência estruturada de operações destinada a produzir determinado resultado.
Nas plataformas contemporâneas, algoritmos, modelos estatísticos e sistemas de aprendizado de máquina podem participar da seleção, classificação e recomendação de conteúdos.
Gillespie (2018) chama atenção para a dimensão social dessas operações.
Quando uma plataforma decide quais conteúdos aparecerão primeiro, ela participa da produção de '''critérios de relevância'''.
O problema não está simplesmente em saber como funciona tecnicamente o algoritmo.
A pergunta sociológica e comunicacional é outra:
'''Quais critérios passam a organizar a visibilidade?'''
----
= 7. O encontro entre cultura algorítmica e cultura escolar =
É aqui que chegamos ao núcleo educacional da questão.
A escola também é uma instituição de seleção.
Seleciona conhecimentos.
Organiza currículos.
Define progressões.
Constrói critérios de avaliação.
Certifica aprendizagens.
As plataformas também selecionam.
Mas seus critérios podem ser diferentes.
=== Dois regimes de relevância ===
{| class="wikitable"
!Cultura escolar
!Plataformas
|-
|Currículo
|Sistemas de recomendação
|-
|Progressão formativa
|Histórico de interação
|-
|Validade do conhecimento
|Engajamento
|-
|Avaliação
|Métricas
|-
|Certificação
|Visibilidade
|-
|Professor e instituição
|Arquitetura da plataforma e seus operadores
|}
O quadro apresenta tipos analíticos. Na prática, esses regimes podem se combinar, sobretudo em plataformas especificamente educacionais.
Calixto (2025), investigando escolas públicas de uma região periférica de São Paulo, mostra como vídeos curtos, influenciadores e conteúdos de TikTok, Instagram e YouTube integram os repertórios de professores e estudantes. O ponto importante de sua análise é não atribuir aos algoritmos uma capacidade automática de determinar comportamentos.
Os sujeitos interpretam e reelaboram aquilo que recebem.
Mas também não atuam em um espaço inteiramente aberto.
As possibilidades de visibilidade e circulação são organizadas pelas arquiteturas das plataformas.
Isso permite evitar dois extremos.
=== Determinismo tecnológico ===
A tecnologia determinaria aquilo que as pessoas fazem.
=== Voluntarismo dos usos ===
Os sujeitos fariam livremente aquilo que desejam com as tecnologias.
A investigação sociotécnica procura justamente o espaço entre os dois.
'''Práticas sociais ocorrem em ambientes tecnicamente condicionados, mas os efeitos desses condicionamentos dependem das formas concretas de apropriação.'''
----
= 8. Onde entra especificamente a Educação? =
Até aqui, Sociologia e Comunicação nos ajudaram a compreender condições sociais, mediações culturais, infraestruturas e regimes de visibilidade.
Mas há uma questão que nenhuma dessas perspectivas resolve sozinha.
A Educação introduz a '''intencionalidade formativa'''.
O professor não apenas participa de uma interação social ou comunicacional.
Ele organiza deliberadamente situações para produzir determinadas possibilidades de aprendizagem.
Por isso, a análise educacional precisa acrescentar perguntas próprias.<blockquote>O que se pretende que os estudantes aprendam?</blockquote><blockquote>Por que determinado conhecimento foi selecionado?</blockquote><blockquote>Que atividade pode favorecer determinada aprendizagem?</blockquote><blockquote>O que o professor conhece sobre aquela turma?</blockquote><blockquote>Que evidências permitem interpretar o que os estudantes aprenderam?</blockquote><blockquote>Que decisão pedagógica deve ser tomada diante dessas evidências?</blockquote>É nesse ponto que aparece aquilo que podemos chamar de '''julgamento pedagógico'''.
O dado produzido por uma plataforma pode informar uma decisão.
Não pode, entretanto, ser automaticamente confundido com a própria decisão pedagógica.
Uma plataforma pode informar que um estudante acertou seis de dez questões.
Mas determinar:
* por que ele errou;
* que conhecimento está mobilizando;
* que dificuldade enfrenta;
* que explicação pode ajudá-lo;
* se a atividade era adequada;
continua sendo uma questão pedagógica.
Essa distinção será particularmente importante quando tratarmos de inteligência artificial.
----
= 9. O que acontece concretamente nas escolas brasileiras? =
A pesquisa '''TIC Educação 2024''', realizada pelo Cetic.br/NIC.br, permite observar como essas transformações estão chegando às instituições brasileiras.
A coleta envolveu 1.023 escolas de Ensino Fundamental e Médio, com entrevistas de estudantes, professores, coordenadores pedagógicos e gestores. tic_educacao_2024_livro_completo
Os resultados mostram algo importante:
'''a expansão da conectividade não eliminou as desigualdades de apropriação.'''
Entre 2020 e 2024:
* escolas municipais com Internet passaram de '''71% para 94%''';
* escolas rurais passaram de '''52% para 89%'''. tic_educacao_2024_livro_completo
O crescimento é expressivo.
Mas apenas '''62% das escolas''' dispunham de dispositivos digitais destinados ao uso educacional pelos estudantes.
Nas escolas municipais, eram '''51%'''.
Nas escolas rurais, apenas '''33%'''. tic_educacao_2024_livro_completo
Portanto:<blockquote>conexão não equivale a condição efetiva de participação.</blockquote>A desigualdade torna-se ainda mais evidente quando observamos os estudantes que acessavam a Internet utilizando computadores fornecidos pela própria escola:
{| class="wikitable"
!Região
!Estudantes
|-
|Norte
|29%
|-
|Nordeste
|31%
|-
|Centro-Oeste
|54%
|-
|Sudeste
|64%
|-
|Sul
|87%
|}
tic_educacao_2024_livro_completo
O intervalo de 58 pontos percentuais entre Norte e Sul mostra por que a desigualdade digital não pode mais ser descrita simplesmente pela oposição entre “conectados” e “desconectados”.
É necessário investigar:
'''conectados como, com que recursos, para realizar quais atividades e em quais condições?'''
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= 10. A escola ensina a viver nas plataformas, mas ainda pouco a compreendê-las =
Outro dado da TIC Educação é especialmente importante para esta disciplina.
Segundo coordenadores pedagógicos, 89% das escolas realizaram atividades relacionadas ao uso seguro, responsável e crítico da Internet. tic_educacao_2024_livro_completo
Entre professores, os temas aparecem de maneira desigual.
{| class="wikitable"
!Tema trabalhado
!Professores
|-
|Cyberbullying, discurso de ódio e discriminação
|75%
|-
|Saúde física e mental
|67%
|-
|Privacidade e dados pessoais
|57%
|-
|Algoritmos, rastros digitais e uso de dados
|30%
|}
tic_educacao_2024_livro_completo
Podemos extrair daqui uma distinção analítica importante.
=== Educação para o uso ===
Como participar de maneira segura, ética e responsável?
=== Educação para a compreensão ===
Como funcionam os ambientes digitais dos quais participamos?
A primeira envolve cidadania digital.
A segunda exige compreender:
* dataficação;
* modelos de negócio;
* recomendação;
* classificação;
* rastreamento;
* governança das plataformas.
As duas são necessárias.
Mas não são equivalentes.
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= 11. A inteligência artificial torna essa tensão ainda mais visível =
Os dados da TIC Educação 2024 oferecem um exemplo particularmente interessante.
Entre os estudantes, '''37% declararam já utilizar IA generativa em pesquisas escolares'''.
No Ensino Médio, o percentual chegava a '''70%'''. Texto colado
Entretanto, apenas '''19%''' relataram que professores haviam conversado com eles sobre como utilizar IA generativa em atividades escolares. Texto colado
Esse contraste merece atenção.
Ele sugere uma diferença entre:
'''apropriação social da tecnologia'''
e
'''mediação pedagógica da tecnologia'''.
Os estudantes não esperam necessariamente que a escola introduza uma tecnologia para começar a utilizá-la.
Ela chega por outros circuitos sociais.
A questão educativa aparece depois.
'''Como transformar uma prática que já existe socialmente em objeto de reflexão, aprendizagem e formação?'''
Essa pergunta sintetiza bastante bem o problema desta disciplina.
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= 12. Três lentes sobre um mesmo problema =
Podemos agora retomar o ponto de partida.
Imagine que uma rede de ensino adote uma plataforma que distribui tarefas, recebe respostas e produz relatórios sobre o desempenho dos estudantes.
=== Sociologia ===
Pergunta:<blockquote>Quem dispõe das condições necessárias para participar?</blockquote>Observa:
desigualdades, instituições, governança, relações de poder.
=== Comunicação ===
Pergunta:<blockquote>Como a plataforma organiza aquilo que pode circular e tornar-se visível?</blockquote>Observa:
interfaces, linguagens, mediações, regimes de visibilidade.
=== Educação ===
Pergunta:<blockquote>Como esses recursos participam das decisões sobre ensino e aprendizagem?</blockquote>Observa:
intencionalidade formativa, conhecimento, avaliação e julgamento pedagógico.
Nenhuma lente é suficiente isoladamente.
O objeto da disciplina está justamente na articulação entre elas.
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= 13. Uma definição de trabalho para a disciplina =
Podemos, então, adotar provisoriamente a seguinte formulação:<blockquote>'''Cultura digital designa o conjunto de práticas, significados, relações sociais e disputas que se desenvolvem em sociedades nas quais comunicação, informação e conhecimento passam a ser crescentemente mediados por infraestruturas digitais, plataformas, dados e operações algorítmicas.'''</blockquote>Essa definição possui três dimensões.
=== Práticas e sentidos ===
O que as pessoas fazem, interpretam e valorizam.
=== Infraestruturas e regras ===
Os sistemas técnicos que tornam determinadas práticas possíveis e condicionam sua realização.
=== Disputas ===
Quem consegue definir aquilo que é visível, legítimo, relevante ou valioso.
Uma análise que observe apenas a primeira dimensão corre o risco de reduzir cultura digital a hábitos.
Uma análise exclusivamente infraestrutural pode cair no determinismo tecnológico.
Uma análise crítica precisa compreender '''como práticas sociais e arquiteturas técnicas se constituem mutuamente em relações historicamente situadas'''.
----
= Atividade — Da prática profissional ao problema de pesquisa =
Escolha uma situação concreta de seu trabalho na qual tecnologias digitais participem da organização do ensino, da comunicação, da avaliação ou da aprendizagem.
Não escolha inicialmente “uma tecnologia”.
Escolha '''uma situação'''.
Por exemplo:
professores acompanhando estudantes em uma plataforma;
uso de celulares durante uma atividade;
produção de trabalhos com IA generativa;
avaliações realizadas em ambiente digital;
comunicação entre escola, estudantes e famílias.
== Leituras ==
=== Referência-chave ===
* BORTOLAZZO, Sandro Faccin. Das conexões entre cultura digital e educação: pensando a condição digital na sociedade contemporânea. '''ETD - Educação Temática Digital''', Campinas, v. 22, n. 2, p. 369-388, 2020. DOI: https://doi.org/10.20396/etd.v22i2.8654547.
=== Leituras complementares ===
* COSTA, Douglas Pereira da; MOURA, Maria da Glória Carvalho. Formação de professores para a cultura digital: elementos em perspectivas diferentes da visão instrumental. '''Práxis Educativa''', Ponta Grossa, v. 18, e21276, p. 1-21, 2023. DOI: https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.18.21276.070.
* NASCIMENTO, Leonardo Fernandes. '''Sociologia digital''': uma breve introdução. Salvador: EDUFBA, 2020. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32746.
* SOUSA, Mauro Wilton de. Comunicação e educação: entre meios e mediações. '''Cadernos de Pesquisa''', São Paulo, n. 106, p. 9-25, mar. 1999.
* SOUZA, Joseilda Sampaio de; BONILLA, Maria Helena Silveira. A cultura digital e a cibercultura: diferenças e aproximações. '''ETD - Educação Temática Digital''', Campinas, v. 26, e024063, p. 1-16, 2024. DOI: https://doi.org/10.20396/etd.v26i00.8674523.
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Introdução ao Jornalismo Científico/Mídias, Linguagens e Prática do Jornalismo Científico/Atividade/Clemie Blaud
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2026-10-08T12:40:37Z
Clêmie Blaud
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text/x-wiki
[[Ficheiro:Etica e genetica -Dir. e Prod. Clemie Blaud.wav|miniaturadaimagem|Podcast Módulo 6 Introdução ao Jornalismo Científico Clemie Blaud]]
“De quem é meu DNA?” – Podcast do CIGEN discute se a informação contida em nosso genoma pode realmente ser tratada como propriedade privada. Sob a direção e a produção de Clêmie Blaud, jornalista científica JC-IV Fapesp, Valquíria Reis, doutoranda da Faculdade de Medicina da USP, recebe o Prof. João Cortese, o Prof. Michel Naslavsky e o aluno Pedro Poli, todos do Instituto de Biociências da USP, para uma conversa sobre o compartilhamento de dados em testes genéticos. A provocação central do novo podcast realizado pelo Centro Integrado de Doenças Genéticas e Raras da Faculdade de Medicina da USP (CIGEN-FMUSP) traz no título uma dúvida que atinge pesquisadores, médicos, pacientes e toda a sociedade: "De quem é meu DNA?". Baseado no artigo homônimo publicado na revista Trama Interdisciplinar (junho de 2025), Valquíria Reis, doutoranda em análise genética na FMUSP, recebeu os autores do estudo — Pedro Jardim Poli (graduando em Ciências Biológicas na USP e integrante do Laboratório de Ciclo Celular do Instituto Butantan), o Prof. Dr. Michel Satya Naslavsky (geneticista e docente do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB-USP) e o Prof. Dr. João F. N. B. Cortese (filósofo e também docente do IB-USP) — para debater o tema sob as perspectivas complementares da biologia, da genética humana e da filosofia. Há bons motivos para nos preocuparmos com a privacidade dos dados genéticos e com os riscos associados ao seu uso indevido por empresas ou terceiros. Diante da expansão acelerada de empresas que oferecem testes genéticos diretos ao consumidor, muitos usuários realizam o exame sem ter plena consciência de tudo o que envolve o simples "clique" de aceitação dos termos de contrato. Descobrir ancestralidades, identificar traços físicos e prever a predisposição a doenças estão entre os principais apelos de marketing para atrair clientes. No entanto, por trás da aparente diversão e do autoconhecimento, esconde-se um dilema bioético profundo: afinal, de quem é o DNA que carregamos em nossas células? Enganam-se aqueles que tentam responder a essa pergunta com argumentos influenciados pelo pensamento liberal — o de que nosso DNA seria uma propriedade estritamente privada. Os direitos tradicionais de propriedade não são suficientes para proteger o usuário e a decisão de fazer um teste genético por pura diversão expõe dados sensíveis de pais, irmãos e filhos que não autorizaram essa busca. O podcast traz para o debate casos reais e surpreendentes — que vão desde a revelação inesperada de não paternidade até a descoberta de variantes patogênicas hereditárias que geram sérios impactos psicológicos e éticos no núcleo familiar. O episódio aborda a necessidade de regulamentações mais eficientes no mundo e no Brasil, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). No entanto, o caminho para mitigar abusos corporativos e proteger a autonomia individual e familiar frente à expansão desse mercado depende da conscientização da sociedade sobre os limites dos testes genéticos "recreativos". A primeira pergunta diante de qualquer teste genético deveria ser: qual é sua finalidade? Embora frequentemente apresentados como ferramentas para conhecer a própria saúde, testes genéticos recreativos são voltados principalmente ao entretenimento e ao autoconhecimento, não sendo concebidos nem validados para substituir exames com finalidade clínica. Já os exames genéticos clínicos são indicados para responder a uma necessidade médica específica, sendo realizados em centros habilitados, com metodologias validadas, interpretação especializada, elaboração de laudo, aconselhamento genético e termo de consentimento devidamente esclarecido ao paciente ou ao seu responsável. Direção e produção: Clêmie Blaud, Jornalista Científica Coordenador de Estúdio: José Veloso Edição de som e imagem: Otávio Silva Gravado em julho de 2026 no Estúdio Oswaldo Porchat - FFLCH-USP
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Clêmie Blaud
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Inseri link para Autorizações no final do artigo.
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[[Ficheiro:Etica e genetica -Dir. e Prod. Clemie Blaud.wav|miniaturadaimagem|Podcast Módulo 6 Introdução ao Jornalismo Científico Clemie Blaud]]
“De quem é meu DNA?” – Podcast do CIGEN discute se a informação contida em nosso genoma pode realmente ser tratada como propriedade privada. Sob a direção e a produção de Clêmie Blaud, jornalista científica JC-IV Fapesp, Valquíria Reis, doutoranda da Faculdade de Medicina da USP, recebe o Prof. João Cortese, o Prof. Michel Naslavsky e o aluno Pedro Poli, todos do Instituto de Biociências da USP, para uma conversa sobre o compartilhamento de dados em testes genéticos. A provocação central do novo podcast realizado pelo Centro Integrado de Doenças Genéticas e Raras da Faculdade de Medicina da USP (CIGEN-FMUSP) traz no título uma dúvida que atinge pesquisadores, médicos, pacientes e toda a sociedade: "De quem é meu DNA?". Baseado no artigo homônimo publicado na revista Trama Interdisciplinar (junho de 2025), Valquíria Reis, doutoranda em análise genética na FMUSP, recebeu os autores do estudo — Pedro Jardim Poli (graduando em Ciências Biológicas na USP e integrante do Laboratório de Ciclo Celular do Instituto Butantan), o Prof. Dr. Michel Satya Naslavsky (geneticista e docente do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB-USP) e o Prof. Dr. João F. N. B. Cortese (filósofo e também docente do IB-USP) — para debater o tema sob as perspectivas complementares da biologia, da genética humana e da filosofia. Há bons motivos para nos preocuparmos com a privacidade dos dados genéticos e com os riscos associados ao seu uso indevido por empresas ou terceiros. Diante da expansão acelerada de empresas que oferecem testes genéticos diretos ao consumidor, muitos usuários realizam o exame sem ter plena consciência de tudo o que envolve o simples "clique" de aceitação dos termos de contrato. Descobrir ancestralidades, identificar traços físicos e prever a predisposição a doenças estão entre os principais apelos de marketing para atrair clientes. No entanto, por trás da aparente diversão e do autoconhecimento, esconde-se um dilema bioético profundo: afinal, de quem é o DNA que carregamos em nossas células? Enganam-se aqueles que tentam responder a essa pergunta com argumentos influenciados pelo pensamento liberal — o de que nosso DNA seria uma propriedade estritamente privada. Os direitos tradicionais de propriedade não são suficientes para proteger o usuário e a decisão de fazer um teste genético por pura diversão expõe dados sensíveis de pais, irmãos e filhos que não autorizaram essa busca. O podcast traz para o debate casos reais e surpreendentes — que vão desde a revelação inesperada de não paternidade até a descoberta de variantes patogênicas hereditárias que geram sérios impactos psicológicos e éticos no núcleo familiar. O episódio aborda a necessidade de regulamentações mais eficientes no mundo e no Brasil, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). No entanto, o caminho para mitigar abusos corporativos e proteger a autonomia individual e familiar frente à expansão desse mercado depende da conscientização da sociedade sobre os limites dos testes genéticos "recreativos". A primeira pergunta diante de qualquer teste genético deveria ser: qual é sua finalidade? Embora frequentemente apresentados como ferramentas para conhecer a própria saúde, testes genéticos recreativos são voltados principalmente ao entretenimento e ao autoconhecimento, não sendo concebidos nem validados para substituir exames com finalidade clínica. Já os exames genéticos clínicos são indicados para responder a uma necessidade médica específica, sendo realizados em centros habilitados, com metodologias validadas, interpretação especializada, elaboração de laudo, aconselhamento genético e termo de consentimento devidamente esclarecido ao paciente ou ao seu responsável. Direção e produção: Clêmie Blaud, Jornalista Científica Coordenador de Estúdio: José Veloso Edição de som e imagem: Otávio Silva Gravado em julho de 2026 no Estúdio Oswaldo Porchat - FFLCH-USP
AUTORIZAÇÕES: [[:Ficheiro:Autoriza-todos.pdf]]
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Introdução ao Jornalismo Científico/Mídias, Linguagens e Prática do Jornalismo Científico/Atividade/06Duda418589
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: __NOTOC__ == Nome da atividade == <!-- Não altere a informação abaixo desta linha --> <div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;"> Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 6 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de '''estar logado na Wikiversidade'''. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho. </div> <...
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__NOTOC__
== Nome da atividade ==
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<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 6 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de '''estar logado na Wikiversidade'''. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
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<!-- Não altere a informação acima desta linha -->
== Nome de usuário(a) ==
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== Análise ==
<!-- Não altere a informação abaixo desta linha -->
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Escolha dois programas de podcasts de divulgação científica, nacional ou internacional, e escute 3 episódios de cada (podendo ser trechos ou o episódio completo). Em seguida, publique na sua página de atividades as respostas das questões abaixo.
</div>
<!-- Escreva sua resposta abaixo desta linha -->
* Qual você acha que é o público-alvo do podcast
*: Resposta:
* Como você acha que ele é feito
*: Resposta:
* Qual é a principal força e a principal fragilidade do programa
*: Resposta:
<!-- Escreva sua resposta acima desta linha-->
== Preparação ==
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Feita sua análise, agora é hora de produzir o seu próprio episódio de podcast científico. Ele deverá ter entre 10 e 40 minutos e ser publicado no [https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:UploadWizard&descriptionlang=pt&categories=Podcasts_do_curso_Introdu%C3%A7%C3%A3o_ao_Jornalismo_Cient%C3%ADfico,_m%C3%B3dulo_6 Wikimedia Commons]. Como o episódio será publicado em licença livre, não se esqueça de pedir aos convidados que assinem e lhe enviem um termo de cessão de direitos, tal qual o [[Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Termo|deste modelo]].
Antes de elaborar o roteiro é necessário definir alguns pontos do seu podcast. Responda às questões abaixo.
</div>
* Qual será o assunto?
*: Resposta
* Qual será o formato (narrativo, entrevista, debate, roda de conversa)?
*: Resposta
* Quem serão os apresentadores e os convidados?
*: Resposta
* Qual é o público-alvo?
*: Resposta
* Qual é a identidade sonora do podcast?
*: Resposta
== Produção ==
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Com a preparação realizada, você já pode partir para o roteiro. Aqui, disponibilizamos uma estrutura básica de um podcast de entrevista:
# Vinheta de abertura
# Apresentador cumprimenta o ouvinte
# Apresentador comenta o tema do episódio
# Apresentador introduz os convidados
# Apresentador faz perguntas para os convidados
# Convidados falam livremente
# Encerramento
# Vinheta de encerramento
Anotar as perguntas para os convidados antes da gravação facilitará este processo. Durante a conversa, podem surgir outras questões, mas ter organizado os principais pontos a serem discutidos ajuda a direcionar a entrevista. Grave o conteúdo com equipamentos pessoais, tais como computador, celular e fone de ouvido. A qualidade de som é a base do podcast, por isso opte por ambientes silenciosos e, se necessário, regrave as perguntas depois da entrevista já feita. Caso realize a gravação por videochamada, o software livre [https://pt.wikipedia.org/wiki/Open_Broadcaster_Software/ OBS] pode te ajudar na gravação da tela.
Na edição, procure remover ruídos, pausas longas e sons de hesitação. Intercalar vozes e adicionar efeitos sonoros são recursos que ajudam a dinamizar o episódio. Para efeitos sonoros, certifique-se de usar arquivos de bibliotecas de som livres. Algumas sugestões são: [https://commons.wikimedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal/ Wikimedia Commons], YouTube Library, [https://sound-effects.bbcrewind.co.uk/ BBC Sound Effects], [https://freesound.org/ Freesound], Facebook Sound Collection e [https://freesfx.co.uk/ freeSFX]. Para editar, recomendamos o software livre Audacity e o Reaper.
Depois de editado, o seu podcast está pronto para ser publicado na Wikimedia Commons, na categoria ''[[c:Category:Podcasts do curso Introdução ao Jornalismo Científico, módulo 6|Podcasts do curso Introdução ao Jornalismo Científico, módulo 6]]''.
<center>
[https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:UploadWizard&descriptionlang=pt&categories=Podcasts_do_curso_Introdu%C3%A7%C3%A3o_ao_Jornalismo_Cient%C3%ADfico,_m%C3%B3dulo_6 '''Clique aqui para carregar o arquivo na categoria correta.''']
</center>
</div>
<!-- Não altere a informação acima desta linha -->
<!-- Escreva sua resposta abaixo desta linha -->
Deixe aqui o link para o podcast carregado no Wikimedia Commons:
<!-- Escreva sua resposta acima desta linha-->
== Próximos passos ==
Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para verificar todas as atividades concluídas do curso.
<div style="float:left; width:0em">
<inputbox>
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</div>
[[Categoria:Introdução ao Jornalismo Científico/Atividade 6]]
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__NOTOC__
== Nome da atividade ==
<!-- Não altere a informação abaixo desta linha -->
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Esta tarefa é realizada para cumprimento do módulo 6 do curso de Introdução ao Jornalismo Científico. Tome cuidado de '''estar logado na Wikiversidade'''. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
</div>
<!-- Não altere a informação acima desta linha -->
== Nome de usuário(a) ==
<!-- Não altere a informação abaixo desta linha -->
06Duda418589
<!-- Não altere a informação acima desta linha -->
== Análise ==
<!-- Não altere a informação abaixo desta linha -->
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Escolha dois programas de podcasts de divulgação científica, nacional ou internacional, e escute 3 episódios de cada (podendo ser trechos ou o episódio completo). Em seguida, publique na sua página de atividades as respostas das questões abaixo.
</div>
<!-- Escreva sua resposta abaixo desta linha -->
* Qual você acha que é o público-alvo do podcast
*: Resposta: Pessoas interessadas em ciência e desenvolvimento infantil, principalmente estudantes, pais, educadores e pessoas que não possuem formação na área científica, mas querem entender o assunto de forma simples.
* Como você acha que ele é feito
*: Resposta: É feito a partir de um roteiro planejado e com uma única apresentadora. Ela explica o tema, apresenta exemplos e conceitos científicos e organiza o conteúdo em diferentes blocos. Depois, o áudio é ser editado.
* Qual é a principal força e a principal fragilidade do programa
*: Resposta: A principal força é apresentar um tema científico complexo em uma linguagem simples e acessível. A principal fragilidade é não ter convidados ou diferentes vozes, o que pode deixar o episódio menos dinâmico.
<!-- Escreva sua resposta acima desta linha-->
== Preparação ==
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Feita sua análise, agora é hora de produzir o seu próprio episódio de podcast científico. Ele deverá ter entre 10 e 40 minutos e ser publicado no [https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:UploadWizard&descriptionlang=pt&categories=Podcasts_do_curso_Introdu%C3%A7%C3%A3o_ao_Jornalismo_Cient%C3%ADfico,_m%C3%B3dulo_6 Wikimedia Commons]. Como o episódio será publicado em licença livre, não se esqueça de pedir aos convidados que assinem e lhe enviem um termo de cessão de direitos, tal qual o [[Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Termo|deste modelo]].
Antes de elaborar o roteiro é necessário definir alguns pontos do seu podcast. Responda às questões abaixo.
</div>
* Qual será o assunto?
*: Resposta: O desenvolvimento dos bebês nos primeiros meses de vida e como a ciência consegue estudar o que eles percebem, aprendem e compreendem antes de começarem a falar.
* Qual será o formato (narrativo, entrevista, debate, roda de conversa)?
*: Resposta: Narrativo e explicativo, com uma única apresentadora conduzindo o episódio e apresentando o conteúdo de forma organizada.
* Quem serão os apresentadores e os convidados?
*: Resposta: A apresentadora será a Duda Barreto. Não haverá convidados, pois o episódio será produzido individualmente.
* Qual é o público-alvo?
*: Resposta: Público geral interessado em desenvolvimento infantil e ciência, especialmente estudantes, pais, educadores e pessoas sem formação científica que tenham interesse pelo desenvolvimento dos bebês.
* Qual é a identidade sonora do podcast?
*: Resposta: Leve, tranquila e acolhedora. Durante o conteúdo, a voz será o principal elemento sonoro, com poucos efeitos para não tirar a atenção das informações científicas.
== Produção ==
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Com a preparação realizada, você já pode partir para o roteiro. Aqui, disponibilizamos uma estrutura básica de um podcast de entrevista:
# Vinheta de abertura
# Apresentador cumprimenta o ouvinte
# Apresentador comenta o tema do episódio
# Apresentador introduz os convidados
# Apresentador faz perguntas para os convidados
# Convidados falam livremente
# Encerramento
# Vinheta de encerramento
Anotar as perguntas para os convidados antes da gravação facilitará este processo. Durante a conversa, podem surgir outras questões, mas ter organizado os principais pontos a serem discutidos ajuda a direcionar a entrevista. Grave o conteúdo com equipamentos pessoais, tais como computador, celular e fone de ouvido. A qualidade de som é a base do podcast, por isso opte por ambientes silenciosos e, se necessário, regrave as perguntas depois da entrevista já feita. Caso realize a gravação por videochamada, o software livre [https://pt.wikipedia.org/wiki/Open_Broadcaster_Software/ OBS] pode te ajudar na gravação da tela.
Na edição, procure remover ruídos, pausas longas e sons de hesitação. Intercalar vozes e adicionar efeitos sonoros são recursos que ajudam a dinamizar o episódio. Para efeitos sonoros, certifique-se de usar arquivos de bibliotecas de som livres. Algumas sugestões são: [https://commons.wikimedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal/ Wikimedia Commons], YouTube Library, [https://sound-effects.bbcrewind.co.uk/ BBC Sound Effects], [https://freesound.org/ Freesound], Facebook Sound Collection e [https://freesfx.co.uk/ freeSFX]. Para editar, recomendamos o software livre Audacity e o Reaper.
Depois de editado, o seu podcast está pronto para ser publicado na Wikimedia Commons, na categoria ''[[c:Category:Podcasts do curso Introdução ao Jornalismo Científico, módulo 6|Podcasts do curso Introdução ao Jornalismo Científico, módulo 6]]''.
<center>
[https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:UploadWizard&descriptionlang=pt&categories=Podcasts_do_curso_Introdu%C3%A7%C3%A3o_ao_Jornalismo_Cient%C3%ADfico,_m%C3%B3dulo_6 '''Clique aqui para carregar o arquivo na categoria correta.''']
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</div>
<!-- Não altere a informação acima desta linha -->
<!-- Escreva sua resposta abaixo desta linha -->
Deixe aqui o link para o podcast carregado no Wikimedia Commons:
[[Ficheiro:Atividade_final_módulo_6_-_Como_a_ciência_entende_os_bebês%3F.ogg|miniaturadaimagem|Episodio de podcast que trata sobre como funciona a pesquisa com bebes para assuntos sobre a primeira infacia (5 a 6 meses)]]<!-- Escreva sua resposta acima desta linha-->
== Próximos passos ==
Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para verificar todas as atividades concluídas do curso.
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[[Categoria:Introdução ao Jornalismo Científico/Atividade 6]]
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Introdução ao Jornalismo Científico/Verificação de atividades/06Duda418589
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: {{#invoke:IJC/Verificação de atividades|main|v=2|user={{subst:SUBPAGENAME}}}}
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text/x-wiki
{{#invoke:IJC/Verificação de atividades|main|v=2|user=06Duda418589}}
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Introdução ao Jornalismo Científico/Modos de Organização e Financiamento dos Sistemas de Pesquisa, no Brasil e no Exterior/Atividade/Clemie Blaud
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2026-10-08T17:07:51Z
Clêmie Blaud
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O texto apresenta a Chamada de Propostas - Programa FICA-SP - Fixação e Incentivo à Carreira Acadêmica em São Paulo
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Em junho de 2026, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), anunciou a abertura do edital '''FICA-SP (Fixação e Incentivo à Carreira Acadêmica em São Paulo)'''. A iniciativa integra o programa nacional PROFIX do CNPq e visa selecionar até 100 projetos liderados por recém-doutores de alto potencial sem vínculo empregatício. O objetivo central do programa é incentivar a permanência e a consolidação de jovens pesquisadores em instituições de ensino superior e institutos de pesquisa paulistas, oferecendo recursos financeiros expressivos e bolsas de fomento para a liderança de novos grupos de pesquisa.
Sempre que uma Chamada de Propostas oferece bolsas de auxílio à pesquisa, muitas dúvidas são levantadas: “Quem consegue fazer ciência no Brasil?”, “Por que a ciência precisa de financiamento?” e “Quem tem acesso às bolsas?” Para responder à essas questões, explicamos abaixo a estrutura do financiamento desta Chamada, quem pode recorrer ao benefício e quais os prazos para apresentação de propostas.
'''Estrutura do Financiamento'''
O edital reúne aportes das três principais agências de fomento do país, cobrindo o projeto de pesquisa e a remuneração dos envolvidos:
{| class="wikitable"
|'''Agência'''
|'''Modalidade de Apoio'''
|'''Detalhes do Benefício'''
|-
|'''FAPESP'''
|Auxílio à Pesquisa (Projeto Geração)
|Até '''R$ 1.500.000,00''' por proposta, com duração excepcional de até 51 meses.
|-
|'''CNPq'''
|Bolsa Conhecimento Brasil (BCB-1)
|Valor mensal de '''R$ 13.000,00''', com duração de até 48 meses para o pesquisador responsável.
|-
|'''CAPES'''
|Bolsas de Pós-Graduação
|1 bolsa de '''Mestrado ou Doutorado''' por projeto aprovado para orientadores credenciados.
|}
As propostas podem ser submetidas em todas as áreas do conhecimento. O edital prevê que até 50% das propostas contempladas estejam alinhadas aos eixos estratégicos de ciência, tecnologia e inovação definidos pela FAPESP para o triênio 2026–2028. Serão aceitas tanto pesquisas '''disruptivas''' (de alto risco e potencial transformador) quanto pesquisas '''incrementais''' (que aprofundam e aprimoram teorias e tecnologias existentes). Além disso, todos os projetos aprovados deverão obrigatoriamente incluir '''ações de divulgação e popularização científica''' voltadas à sociedade, em parceria com escolas, museus, centros de ciência ou organizações da sociedade civil.
Para concorrer, os proponentes devem atender aos seguintes critérios de elegibilidade no momento da submissão:
* '''Vínculo empregatício:''' Não possuir qualquer tipo de vínculo de trabalho.
* '''Titulação:''' Ter obtido o título de Doutor há no máximo '''7 anos''' ou concluído a graduação há no máximo '''12 anos'''.
* '''Autonomia científica:''' Demonstrar independência em relação a orientadores anteriores e potencial de liderança de novos grupos de pesquisa.
As submissões devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma '''SAGe da FAPESP''' (fapesp.br/sage). O edital é estruturado em dois ciclos de submissão:
* '''Ciclo 1:''' Envio de propostas até '''30 de setembro de 2026'''; resultados previstos para março de 2027.
* '''Ciclo 2:''' Envio de propostas até '''26 de fevereiro de 2027'''; resultados previstos para agosto de 2027.
Fonte: https://fapesp.br/18238/chamada-de-propostas-profix-fapespcnpqcapes-20262027-edital-do-programa-fica-sp-fixacao-e-incentivo-a-carreira-academica-em-sao-paulo
624527z9zqf07sdbuqdof79n0cegcwn
Introdução ao Jornalismo Científico/Ética da Ciência/Atividade/Clêmie Blaud
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187181
2026-10-08T17:51:04Z
Clêmie Blaud
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Atividade do Módulo 3
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I - Link para Entrevista com Pablo Pamplona
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:%C3%89tica_e_Mem%C3%B3ria_da_Ditadura_-_Entrevista_com_Pablo_Pamplona_por_Clemie_Blaud.wav
II - TRANSCRIÇÃO ENTREVISTA
Entrevistado: Pablo Pamplona de Castro, Pós-doutor na FAU - USP
Jornalista científica: Clêmie Ferreira Blaud
CLEMIE BLAUD: Olá, pessoal, meu nome é Clêmie Blaud. Eu sou jornalista científica do programa Mídia Ciência Fapesp. Hoje, nós vamos conversar com Pablo Pamplona de Castro. O Pablo é pós-doutor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde realiza pesquisa sobre memória social com bolsa da Fapesp. Ele é doutor e mestre em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP, com experiência de seis meses na Alemanha, e é Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Minas Gerais. O Pablo também é cofundador do Centro de Memória das Lutas Populares Ana Dias. Pablo, eu queria que você falasse um pouco sobre essa sua experiência em centros de memória e descrevesse como é o campo de pesquisa para alguém que não é da área.
PABLO PAMPLONA: Certo. O Centro de Memória das Lutas Populares é uma organização que nasceu no contexto de luta por direitos da zona sul, mais especificamente, no contexto do Fórum de Defesa da Vida, que é uma organização que tá aí desde 1996 e nasceu justamente com o objetivo de construir a memória, orientando pesquisadores relacionados a essas lutas da Zona Sul (do município de São Paulo) e ativistas da construção da memória dessas lutas sociais. Então, é um coletivo de pesquisadores e ativistas. Isso se relaciona com a minha pesquisa e as memórias que são construídas pelos dois agentes. Eu diria que sou do campo interdisciplinar que, aqui no norte Global, já se convencionou chamar de estudos da memória na América Latina no Brasil. Esse é um termo, ainda em construção, eu diria, mas é um campo interdisciplinar do qual há diversos outros campos entre eles. Urbanismo – que estuda o sítio de memória, inconsciência, sociologia e psicologia – trata muito dessas questões também relacionando a memória psicológica com a questão do trauma, né? Eu diria que é o estudo da memória. Se for para resumir o que é esse campo, eu diria que é o estudo das relações do presente com o passado; das relações da sociedade com seu passado e com o tempo histórico. Também na evolução do tempo histórico estão o passado, o presente e o futuro, mas especialmente focado na questão do passado e os sentidos que a gente atribui ao passado. Como que a gente disputa esse passado e busca transformar a realidade a partir disso. É mais ou menos isso.
CLEMIE BLAUD: Que tipo de problema científico social o seu trabalho tenta compreender?
PABLO PAMPLONA: Atualmente estou fazendo uma pesquisa sobre a política de memória de reparação da Universidade de São Paulo e a, assim chamada, “Diplomação da Resistência”, que diplomou estudantes que foram mortos e desaparecidos pela ditadura e discutindo os limites também das contradições aplicados em uma busca de reparação. Então, a Diplomação da Resistência foi uma iniciativa que recebeu muitos elogios e foi muito louvada pelos familiares dos mortos desaparecidos da ditadura, né? Os estudantes foram mortos [pela ditadura pela sua atuação] no movimento estudantil. Também participaram da cerimônia os professores a pró-reitores de graduação; então, teve vários agentes diferentes. [A Diplomação] foi muito bem recebida, ao mesmo tempo que teve algum reconhecimento de limites focados nessa iniciativa de reparação de São Paulo, que estava realmente disposta a uma prática reparadora simbólica, por exemplo. E eu queria deixar uma contribuição com uma pesquisa como essa, que pode dar um aprimoramento [a todo o trabalho de memória da ditadura].
CLEMIE BLAUD: No seu campo de trabalho, existem cuidados éticos que você precisa tomar? Que tipo de situações você se depara com questões éticas?
PABLO PAMPLONA: Com certeza. A minha pesquisa envolve entrevistas. Então, a primeira coisa que que eu devo me preocupar é com o anonimato ou não das pessoas que estão sendo entrevistadas. Isso ainda não foi uma coisa...um problema solucionado. Acredito que isso vai ser conversado com cada pessoa entrevistada, que são os familiares das vítimas, além de professores, funcionários e militantes do movimento estudantil. Então, o problema que eu preciso enfrentar é que essas pessoas vão narrar e discutir um passado sensível, né? Como a gente costuma dizer nos estudos da memória: um passado traumático ou um passado sensível, né? Que envolve a morte de desaparecimento de pessoas e que pode trazer sofrimento também no próprio ato de rememorar. Que pode trazer também sofrimento no ato de problematizar. Então, tanto na rememoração do seu ente querido, vamos dizer... Um familiar que tá rememorando o seu parente que foi morto pela ditadura isso pode ser uma questão sensível e delicada que pode trazer sentimentos conflitivos. Como eu vou estar discutindo, aí é uma coisa mais da minha pesquisa, como eu vou estar discutindo os limites também da reparação? Isso envolve também conflitos éticos que é do tipo como que eu vou questionar um familiar é sobre isso? Os limites da reparação que seu familiar recebeu da Universidade, por exemplo. Alguém pode sentir, pessoalmente, e não querer dizer, talvez [sentir-se] até mesmo ofendido. Dependendo da forma como eu faço a pergunta, a pessoa pode sentir-se mesmo ofendida de falar: “Como assim você está dizendo não importa?” É claro que importa, esse ato de reparação. Mas é claro que não vou ter questionado o que importa [se importa ou não, pois é claro que importa]. Justamente, [por isso, é preciso] esse cuidado com as perguntas certas, com os termos certos, para provocar a reflexão crítica sobre a política de memória e reparaçã
CLEMIE BLAUD: Você já precisou tomar alguma decisão difícil relacionada ao uso de dados informações que você tem e que, talvez, a família ainda não tenha conhecimento de que aconteceu alguma coisa desse tipo?
PABLO PAMPLONA: Não nessa pesquisa nova. Em pesquisas anteriores, eu não tive esse problema, especialmente porque as pesquisas anteriores que eu fiz foram sobre memórias de movimentos sociais e não envolvia tanta questão do passado traumático, né? Então, eram pessoas que tinham orgulho de contar a experiência de ativista. Essas pesquisas tiveram entrevista com mulheres que participaram da base e elas tinham orgulho, elas queriam compartilhar aquilo com o nome delas [exposto]. Então, não teve nenhum problema de reviver experiências traumáticas, nem discutir em relação ao anonimato ou não. Porque isso era dado desde o começo que essas pessoas querem compartilhar essas histórias com o nome delas. Então, não houve anonimato e nunca tive exatamente um problema com isso.
CLEMIE BLAUD: Bom. Pablo, eu agradeço a sua colaboração e entrevista e desejo sucesso na sua pesquisa.
PABLO PAMPLONA: Obrigado.
III - ROTEIRO
# Que tipo de problema científico social o seu trabalho tenta compreender?
# No seu campo de trabalho existem cuidados éticos que você precisa tomar? Que tipo de situações você se depara com questões éticas?
# Você já precisou tomar alguma decisão difícil relacionada ao uso de dados informações que você tem e que, talvez, a família ainda não tenha conhecimento de que aconteceu alguma coisa desse tipo?[[Ficheiro:Termo de Cessão Pablo Pamplona.pdf]]
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Introdução ao Jornalismo Científico/Modos de Organização e Financiamento dos Sistemas de Pesquisa, no Brasil e no Exterior/Atividade/Clêmie Blaud
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2026-10-08T17:53:49Z
Clêmie Blaud
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Chamada de Propostas – PROFIX FAPESP/CNPq/CAPES 2026/2027 Edital do Programa FICA-SP (Fixação e Incentivo à Carreira Acadêmica em São Paulo)
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Chamada de Propostas – PROFIX FAPESP/CNPq/CAPES 2026/2027 Edital do Programa FICA-SP (Fixação e Incentivo à Carreira Acadêmica em São Paulo)
Fonte: Fapesp – Chamada de Propostas – FICA-SP
Em junho de 2026, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), anunciou a abertura do edital '''FICA-SP (Fixação e Incentivo à Carreira Acadêmica em São Paulo)'''. A iniciativa integra o programa nacional PROFIX do CNPq e visa selecionar até 100 projetos liderados por recém-doutores de alto potencial sem vínculo empregatício. O objetivo central do programa é incentivar a permanência e a consolidação de jovens pesquisadores em instituições de ensino superior e institutos de pesquisa paulistas, oferecendo recursos financeiros expressivos e bolsas de fomento para a liderança de novos grupos de pesquisa.
Sempre que uma Chamada de Propostas oferece bolsas de auxílio à pesquisa, muitas dúvidas são levantadas: “Quem consegue fazer ciência no Brasil?”, “Por que a ciência precisa de financiamento?” e “Quem tem acesso às bolsas?” Para responder à essas questões, explicamos abaixo a estrutura do financiamento desta Chamada, quem pode recorrer ao benefício e quais os prazos para apresentação de propostas.
'''Estrutura do Financiamento'''
O edital reúne aportes das três principais agências de fomento do país, cobrindo o projeto de pesquisa e a remuneração dos envolvidos:
{| class="wikitable"
|'''Agência'''
|'''Modalidade de Apoio'''
|'''Detalhes do Benefício'''
|-
|'''FAPESP'''
|Auxílio à Pesquisa (Projeto Geração)
|Até '''R$ 1.500.000,00''' por proposta, com duração excepcional de até 51 meses.
|-
|'''CNPq'''
|Bolsa Conhecimento Brasil (BCB-1)
|Valor mensal de '''R$ 13.000,00''', com duração de até 48 meses para o pesquisador responsável.
|-
|'''CAPES'''
|Bolsas de Pós-Graduação
|1 bolsa de '''Mestrado ou Doutorado''' por projeto aprovado para orientadores credenciados.
|}
As propostas podem ser submetidas em todas as áreas do conhecimento. O edital prevê que até 50% das propostas contempladas estejam alinhadas aos eixos estratégicos de ciência, tecnologia e inovação definidos pela FAPESP para o triênio 2026–2028. Serão aceitas tanto pesquisas '''disruptivas''' (de alto risco e potencial transformador) quanto pesquisas '''incrementais''' (que aprofundam e aprimoram teorias e tecnologias existentes). Além disso, todos os projetos aprovados deverão obrigatoriamente incluir '''ações de divulgação e popularização científica''' voltadas à sociedade, em parceria com escolas, museus, centros de ciência ou organizações da sociedade civil.
Para concorrer, os proponentes devem atender aos seguintes critérios de elegibilidade no momento da submissão:
* '''Vínculo empregatício:''' Não possuir qualquer tipo de vínculo de trabalho.
* '''Titulação:''' Ter obtido o título de Doutor há no máximo '''7 anos''' ou concluído a graduação há no máximo '''12 anos'''.
* '''Autonomia científica:''' Demonstrar independência em relação a orientadores anteriores e potencial de liderança de novos grupos de pesquisa.
As submissões devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma '''SAGe da FAPESP''' (fapesp.br/sage). O edital é estruturado em dois ciclos de submissão:
* '''Ciclo 1:''' Envio de propostas até '''30 de setembro de 2026'''; resultados previstos para março de 2027.
* '''Ciclo 2:''' Envio de propostas até '''26 de fevereiro de 2027'''; resultados previstos para agosto de 2027.
FONTE: https://fapesp.br/18238/chamada-de-propostas-profix-fapespcnpqcapes-20262027-edital-do-programa-fica-sp-fixacao-e-incentivo-a-carreira-academica-em-sao-paulo
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Introdução ao Jornalismo Científico/Mídias, Linguagens e Prática do Jornalismo Científico/Atividade/Clêmie Blaud
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2026-10-08T17:57:42Z
Clêmie Blaud
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LINK PODCAST: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Etica_e_genetica_-Dir._e_Prod._Clemie_Blaud.wav
“De quem é meu DNA?” – Podcast do CIGEN discute se a informação contida em nosso genoma pode realmente ser tratada como propriedade privada. Sob a direção e a produção de Clêmie Blaud, jornalista científica JC-IV Fapesp, Valquíria Reis, doutoranda da Faculdade de Medicina da USP, recebe o Prof. João Cortese, o Prof. Michel Naslavsky e o aluno Pedro Poli, todos do Instituto de Biociências da USP, para uma conversa sobre o compartilhamento de dados em testes genéticos. A provocação central do novo podcast realizado pelo Centro Integrado de Doenças Genéticas e Raras da Faculdade de Medicina da USP (CIGEN-FMUSP) traz no título uma dúvida que atinge pesquisadores, médicos, pacientes e toda a sociedade: "De quem é meu DNA?". Baseado no artigo homônimo publicado na revista Trama Interdisciplinar (junho de 2025), Valquíria Reis, doutoranda em análise genética na FMUSP, recebeu os autores do estudo — Pedro Jardim Poli (graduando em Ciências Biológicas na USP e integrante do Laboratório de Ciclo Celular do Instituto Butantan), o Prof. Dr. Michel Satya Naslavsky (geneticista e docente do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB-USP) e o Prof. Dr. João F. N. B. Cortese (filósofo e também docente do IB-USP) — para debater o tema sob as perspectivas complementares da biologia, da genética humana e da filosofia. Há bons motivos para nos preocuparmos com a privacidade dos dados genéticos e com os riscos associados ao seu uso indevido por empresas ou terceiros. Diante da expansão acelerada de empresas que oferecem testes genéticos diretos ao consumidor, muitos usuários realizam o exame sem ter plena consciência de tudo o que envolve o simples "clique" de aceitação dos termos de contrato. Descobrir ancestralidades, identificar traços físicos e prever a predisposição a doenças estão entre os principais apelos de marketing para atrair clientes. No entanto, por trás da aparente diversão e do autoconhecimento, esconde-se um dilema bioético profundo: afinal, de quem é o DNA que carregamos em nossas células? Enganam-se aqueles que tentam responder a essa pergunta com argumentos influenciados pelo pensamento liberal — o de que nosso DNA seria uma propriedade estritamente privada. Os direitos tradicionais de propriedade não são suficientes para proteger o usuário e a decisão de fazer um teste genético por pura diversão expõe dados sensíveis de pais, irmãos e filhos que não autorizaram essa busca. O podcast traz para o debate casos reais e surpreendentes — que vão desde a revelação inesperada de não paternidade até a descoberta de variantes patogênicas hereditárias que geram sérios impactos psicológicos e éticos no núcleo familiar. O episódio aborda a necessidade de regulamentações mais eficientes no mundo e no Brasil, em consonância com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). No entanto, o caminho para mitigar abusos corporativos e proteger a autonomia individual e familiar frente à expansão desse mercado depende da conscientização da sociedade sobre os limites dos testes genéticos "recreativos". A primeira pergunta diante de qualquer teste genético deveria ser: qual é sua finalidade? Embora frequentemente apresentados como ferramentas para conhecer a própria saúde, testes genéticos recreativos são voltados principalmente ao entretenimento e ao autoconhecimento, não sendo concebidos nem validados para substituir exames com finalidade clínica. Já os exames genéticos clínicos são indicados para responder a uma necessidade médica específica, sendo realizados em centros habilitados, com metodologias validadas, interpretação especializada, elaboração de laudo, aconselhamento genético e termo de consentimento devidamente esclarecido ao paciente ou ao seu responsável. Direção e produção: Clêmie Blaud, Jornalista Científica Coordenador de Estúdio: José Veloso Edição de som e imagem: Otávio Silva Gravado em julho de 2026 no Estúdio Oswaldo Porchat - FFLCH-USP
Link para Autorizações de uso de imagens:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Autoriza-todos.pdf
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Análise do Filme "Memórias do Cárcere" (1984) - Miguel Sotelo Fachini
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: '''unesp''' - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - CÂMPUS DE MARÍLIA - Faculdade de Filosofia e Ciências Disciplina: História do Brasil II Prof. Paulo Eduardo Teixeira '''Aluno/a:''' Miguel Sotelo Fachini Ciências Sociais – 2026 – '''Turma Matutino ( ) Turma Noturno ( X )''' '''Título do Filme:''' Memórias do Cárcere '''Ano:''' 1984 '''País:''' Brasil '''Gênero:''' Drama Biográfico/ Histórico '''Duração:''' 185 minutos '''Dire...
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'''unesp''' - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - CÂMPUS DE MARÍLIA - Faculdade de Filosofia e Ciências
Disciplina: História do Brasil II
Prof. Paulo Eduardo Teixeira
'''Aluno/a:''' Miguel Sotelo Fachini
Ciências Sociais – 2026 – '''Turma Matutino ( ) Turma Noturno ( X )'''
'''Título do Filme:''' Memórias do Cárcere
'''Ano:''' 1984 '''País:''' Brasil
'''Gênero:''' Drama Biográfico/ Histórico
'''Duração:''' 185 minutos
'''Direção:''' Nelson Pereira dos Santos
'''DINÂMICA DA NARRATIVA'''
A) Idéia Inicial – História
1- O filme conta uma história. Sobre quem?
O filme retrata a trajetória de Graciliano Ramos após sua prisão, ocorrida em 1936 no contexto do Estado Novo de Getúlio Vargas. Baseada em autobiografia, a narrativa evidencia o caráter arbitrário da detenção, marcada pela falta de acusação oficial e de julgamento, além de mostrar as condições difíceis enfrentadas pelo autor nas prisões.
2- Quais são as personagens principais?
● Graciliano Ramos (Carlos Vereza): Protagonista da narrativa, o autor acompanha e registra criticamente a realidade encontrada durante sua passagem pelo cárcere.
● Heloísa Ramos (Glória Pires): Companheira de Graciliano, mantém a comunicação entre ele e o mundo exterior, além de contribuir para que seus escritos sejam preservados.
● Companheiros de Prisão: São representados por um conjunto diverso de detentos, reunindo figuras como comunistas, intelectuais, milicianos, presos comuns e militares envolvidos em rebeliões. Temos por exemplo Mario Pinto, prisioneiro militar, e Sérgio, prisioneiro trotskista.
3- Qual delas mereceu a sua atenção?
A personagem de Graciliano Ramos, por seu comportamento discreto e sua capacidade de analisar o que acontece ao seu redor. Diante das condições precárias, ele assume tanto o papel de observador quanto de participante daquela realidade. Ao registrar essas experiências vividas sob a repressão, a escrita se torna para o ele um meio de enfrentar a situação sem abrir mão de sua consciência e de seus princípios intelectuais.
4- Como termina o filme? O que você achou sobre ele e porquê?
Ao final da narrativa, Graciliano é colocado em liberdade, porém apresenta sinais de doença e fraqueza. Durante o período de encarceramento, seus escritos conseguem ser preservados com o auxílio de Heloísa e de outros presos. Em vez de apresentar um final grandioso, o filme valoriza o significado de manter viva a experiência registrada por Graciliano, ressaltando o papel da literatura e da memória histórica contra o esquecimento imposto.
B) Tema de Fundo – Tese
1- Quais são os temas tratados no filme?
A atuação autoritária do Estado durante o Estado Novo e os abusos cometidos pelas instituições carcerárias. Também destaca as relações de solidariedade política construídas entre os presos e a literatura e a escrita como meios de resistência e preservação diante da repressão.
2- Em que cena compreendeu o tema de fundo do filme?
A transferência dos prisioneiros pelo navio “Manaus”, em direção à Colônia Penal de Ilha Grande. O ambiente degradante dos porões revela a forma como o regime submetia seus opositores e grupos marginalizados a um processo contínuo de desumanização.
3- Qual o problema ou questão que foi tratada mais demoradamente?
A luta para manter a identidade e o equilíbrio psicológico diante de um ambiente que busca destruir a individualidade. O filme acompanha de perto o dia a dia na prisão, os diálogos políticos e ideológicos e a convivência obrigatória entre detentos, mostrando como a resistência também se manifestava nas pequenas ações cotidianas.
4- Os realizadores descreveram bem os protagonistas?
Sim. A interpretação de Carlos Vereza destaca o caráter reservado e o sofrimento vivido por Graciliano, ao passo que Glória Pires ressalta o papel fundamental do apoio vindo do ambiente familiar e do meio político externo.
C) Ritmo e Montagem – Edição
1- Qual a cena ou sequência que mais chamou sua atenção ou lhe impactou? Porquê?
Na Colônia Penal de Ilha Grande, os prisioneiros políticos estruturam a “Comuna” como uma maneira de estabelecer uma convivência organizada dentro do cárcere. As medidas voltadas para a higiene, o ensino da leitura e escrita e a repartição dos mantimentos mostraram a importância da ação coletiva diante do ambiente de desorganização e repressão imposto pelo Estado.
2- Houve algo no filme que te aborreceu? Em que parte do filme? Eram cenas de diálogo ou de ação?
Com mais de três horas de duração e uma narrativa conduzida de maneira pausada, o segundo ato apresenta cenas de diálogo em que o ritmo pode se tornar ainda mais lento. Mas essa escolha teve uma função certeira, pois transmitiu a claustrofobia e a passagem prolongada do tempo enfrentada pelos detentos durante o encarceramento.
3- Qual a cena/sequência que não foi bem compreendida por você? Porquê?
As discussões iniciais envolvendo as diferentes correntes políticas de esquerda no Pavilhão dos Primários. Sem um conhecimento prévio, esses diálogos apresentam um conteúdo mais difícil de acompanhar, especialmente em um primeiro contato com o filme.
D) Mensagem
1- O que é proposto pelo filme é aceitável ou não? Porquê?
A obra reforça a importância da preservação da memória histórica como elemento fundamental para a formação da consciência sobre o passado, além de destacar a necessidade de recordar e denunciar as violações dos direitos humanos ocorridas durante períodos de autoritarismo, portanto sim.
2- A quem se dirige, em sua opinião, o filme?
É um filme destinado a pessoas que entendem o contexto histórico em que se passa o filme e que o entendam como instrumento de denúncia, pois é um convite a refletir sobre o autoritarismo e a importância da liberdade de expressão.
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Sociologia, Educação e Comunicação/Parte III/Sistemas de Vigilância
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: = Dispositivos e regimes de vigilância: do Panóptico ao rastreamento digital = == Perguntas que vão orientar esta investigação == # O que é um dispositivo — e por que uma prisão, um regulamento, uma câmera e um aplicativo podem fazer parte do mesmo? # Como uma arquitetura consegue fazer com que as pessoas vigiem a si mesmas? # O que muda quando o olhar do vigia é substituído por uma lente que grava? # O que significa ser vigiado por meio de ras...
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= Dispositivos e regimes de vigilância: do Panóptico ao rastreamento digital =
== Perguntas que vão orientar esta investigação ==
# O que é um dispositivo — e por que uma prisão, um regulamento, uma câmera e um aplicativo podem fazer parte do mesmo?
# Como uma arquitetura consegue fazer com que as pessoas vigiem a si mesmas?
# O que muda quando o olhar do vigia é substituído por uma lente que grava?
# O que significa ser vigiado por meio de rastros, sem que ninguém esteja olhando?
# O que acontece quando bancos de dados criados para finalidades diferentes são cruzados para localizar pessoas?
Na aula sobre a [[Sociologia, Educação e Comunicação/Parte III/Modernidade|modernidade]], você reconstituiu o seu dia de ontem e identificou sistemas nos quais confiou sem conhecer seu funcionamento. Volte a esse mesmo dia, agora com a pergunta invertida: '''quem, ou o quê, viu você ontem?''' A catraca, a câmera do ônibus, o crachá, o aplicativo de transporte, o cartão, a lista de presença, as redes sociais. Faça essa lista mentalmente. Ela será retomada ao longo da aula.
Os mesmos sistemas abstratos aos quais delegamos confiança e responsabilidades podem produzir informações sobre nossas ações, mesmo quando desconhecemos seus mecanismos de funcionamento. Essa relação entre confiança, conhecimento e poder orientará nossa investigação.
== Bloco 1 — O que é um dispositivo? ==
'''Pergunta-guia:''' O que é um dispositivo — e por que uma prisão, um regulamento, uma câmera e um aplicativo podem fazer parte do mesmo?
Pense na sala de aula em que você estuda. As carteiras estão voltadas para onde? Quem pode ver quem? Há uma lista de presença, um horário, um regulamento, uma nota no fim do semestre. Alguém decidiu tudo isso de uma vez? E, ainda assim, esses elementos se articulam.
Na linguagem cotidiana, "dispositivo" costuma indicar um aparelho. '''Michel Foucault''' (1926–1984) emprega a palavra em sentido mais amplo: um conjunto heterogêneo de discursos, instituições, arranjos arquitetônicos, regulamentos, leis, medidas administrativas, conhecimentos científicos e proposições morais. O dispositivo não corresponde a um elemento isolado, mas à '''rede de relações estabelecida entre eles'''. Três aspectos ajudam a examiná-lo:
* '''Heterogeneidade:''' reúne elementos de natureza diferente — um prédio, uma norma, um conhecimento, uma classificação, uma prática.
* '''Função estratégica:''' constitui-se historicamente em relação a problemas e urgências específicos. É necessário perguntar quem define tais problemas, com quais interesses e consequências.
* '''Efeitos de poder e saber:''' não opera somente por proibição. Também produz conhecimentos, categorias, possibilidades de ação e formas de conduzir comportamentos.
Para Foucault, os dispositivos participam historicamente da constituição de objetos de conhecimento e de modos de subjetivação: a delinquência, a doença e a sexualidade, por exemplo, não são compreendidas independentemente das instituições, dos discursos e das práticas que as classificam e administram.
O filósofo '''Giorgio Agamben''' retoma e amplia deliberadamente o conceito. Sua lista de dispositivos inclui prisões, escolas e fábricas, mas também a escrita, os computadores, os telefones celulares e a própria linguagem. Seu interesse se volta às formas pelas quais os seres viventes são capturados, orientados e constituídos como sujeitos em suas relações com esses dispositivos.
'''Exemplo:''' uma catraca de metrô não é apenas um mecanismo metálico. Ela participa de uma rede de tarifas, normas de acesso, cartões, registros de passagem, fiscalização, um controle dos corpos e categorias administrativas, como passageiro pagante, estudante e usuário isento. Essas classificações não explicam integralmente quem são as pessoas, mas interferem em como elas são reconhecidas e tratadas naquela situação.
''Leitura de aprofundamento:'' FOUCAULT, Michel. Sobre a história da sexualidade. In: '''Microfísica do poder'''. AGAMBEN, Giorgio. O que é um dispositivo?
== Bloco 2 — Da masmorra à torre: o regime panóptico ==
'''Pergunta-guia:''' Como uma arquitetura consegue fazer com que as pessoas vigiem a si mesmas?
Você já mudou o que estava fazendo porque ''talvez'' alguém estivesse olhando? Em uma prova, no trabalho ou diante de uma câmera?
No início dos anos 1970, Foucault participou do Grupo de Informação sobre as Prisões, iniciativa que reuniu e tornou públicas experiências de pessoas encarceradas na França. Em '''Vigiar e punir''' (1975), investigou transformações das práticas de punição: do suplício público, que manifestava a autoridade soberana no corpo do condenado, à disciplina e às instituições modernas de vigilância.
O '''Panóptico''', concebido por '''Jeremy Bentham''' no final do século XVIII, apresenta um princípio arquitetônico dessa vigilância. Seu desenho prevê um edifício em anel, dividido em celas, e uma torre central. Quem está na torre pode observar os ocupantes, enquanto estes não conseguem verificar se estão sendo observados naquele momento.
A força do modelo depende de uma assimetria: o poder é '''visível''' — a torre está ali — e '''inverificável''' — não se sabe se há alguém observando. Assim, a possibilidade de vigilância pode induzir as pessoas a regular sua própria conduta. Esse princípio ultrapassa a prisão e ajuda a compreender formas de organização em escolas, fábricas, hospitais e quartéis, embora essas instituições não sejam idênticas.
O Panóptico também inverte a imagem da masmorra escura: a luz, a exposição e a visibilidade passam a integrar uma técnica de poder. A transparência, portanto, não é necessariamente sinônimo de liberdade.
'''Exemplo:''' uma sala de prova organizada para permitir que o fiscal observe os estudantes. Não é preciso que ele acompanhe cada movimento para que a possibilidade de ser visto influencie as condutas. Ao mesmo tempo, as reações dos estudantes não são uniformes: podem envolver obediência, negociação ou resistência.
''Leitura de aprofundamento:'' FOUCAULT, Michel. O panoptismo. In: '''Vigiar e punir'''.
== Bloco 3 — A lente que grava: o regime escópico ==
'''Pergunta-guia:''' O que muda quando o olhar do vigia é substituído por uma lente que grava?
Quantas câmeras registraram você entre sua casa e a sala de aula? Você percebeu todas elas?
'''Lucia Santaella''' distingue regimes de vigilância que não precisam ser compreendidos como etapas sucessivas e encerradas. Eles podem coexistir, combinar-se e reforçar-se. Ao princípio panóptico somam-se formas de observação mediadas por equipamentos ópticos e eletrônicos: o '''regime escópico'''. Câmeras de vigilância se espalham por ruas, transportes, condomínios, escolas e locais de trabalho; drones ampliam algumas dessas possibilidades.
Três deslocamentos ajudam a compreender o regime escópico:
* '''Do espaço fechado ao espaço de circulação:''' câmeras podem observar pessoas em deslocamento, além das instituições de confinamento.
* '''Do instante ao arquivo:''' imagens podem ser gravadas e examinadas posteriormente. A observação não precisa ocorrer ao mesmo tempo que a ação.
* '''Da imagem ao dado:''' quando associadas a sistemas de processamento, as imagens podem ser classificadas, comparadas ou transformadas em registros pesquisáveis. Essa operação depende de capacidades técnicas e institucionais concretas, não acontece automaticamente.
'''Exemplo:''' câmeras de um condomínio cujas imagens podem ser consultadas por funcionários e moradores autorizados. Conforme as regras de acesso, retenção e circulação dessas imagens, uma tecnologia destinada à segurança pode também ser utilizada para observar comportamentos cotidianos. O dispositivo envolve, portanto, equipamentos, normas, permissões e usos sociais.
''Leitura de aprofundamento:'' SANTAELLA, Lucia. '''A ecologia pluralista da comunicação'''. BRUNO, Fernanda. '''Máquinas de ver, modos de ser'''.
== Bloco 4 — Vigiar sem olhar: o regime de rastreamento ==
'''Pergunta-guia:''' O que significa ser vigiado por meio de rastros, sem que ninguém esteja olhando?
Quais rastros você deixou ontem sem necessariamente ser observado por alguém? Um trajeto registrado, uma compra, uma busca, o tempo de visualização de um vídeo ou uma interação com um aplicativo.
Outro regime destacado por Santaella é o de '''rastreamento''' (''tracking''), associado ao registro e ao tratamento de ações em ambientes digitais. Dependendo da arquitetura do serviço e de suas configurações, interações podem gerar dados sobre cliques, deslocamentos, horários, transações ou contatos. Nem todo registro é permanente, identificável ou acessível a terceiros; investigar '''quais dados são coletados, preservados, combinados e utilizados''' é parte da análise sociológica.
Três dimensões merecem atenção:
* '''O objeto da observação:''' além dos corpos e das imagens, comportamentos podem ser convertidos em registros analisáveis.
* '''A relação com o tempo:''' os dados podem reconstruir ações passadas e, em certos sistemas, sustentar previsões probabilísticas sobre ações futuras.
* '''As formas de intervenção:''' classificações e recomendações podem influenciar oportunidades e escolhas, combinando-se com normas, sanções e outras formas de exercício do poder.
A associação de registros pode produzir um '''duplo''' (de dados) de nós mesmos, uma representação parcial de uma pessoa, construída a partir de informações, categorias e inferências. Esse perfil não equivale ao indivíduo e pode conter lacunas ou erros. Sua construção depende de condições de acesso, regras institucionais, interoperabilidade e decisões sobre os usos dos dados.
'''Shoshana Zuboff''' denomina '''capitalismo de vigilância''' a lógica econômica em que experiências e comportamentos são convertidos em dados para produzir previsões e orientar intervenções comerciais. Não se deve, contudo, confundir todo uso de dados com esse modelo econômico: órgãos públicos, instituições educacionais e empresas podem operar sob finalidades e regras distintas.
O rastreamento também não elimina a autovigilância. Saber que uma ação pode deixar registros recuperáveis pode levar alguém a modificar sua conduta, mesmo sem a presença de um observador. O poder pode operar ao mesmo tempo pela possibilidade de ser visto, pelo registro e pela classificação.
'''Exemplo:''' uma estudante utiliza serviços de transporte, compras e monitoramento do sono. Cada aplicativo pode produzir certos registros para prestar o serviço. Se informações de diferentes fontes pudessem ser legitimamente ou indevidamente combinadas, novas inferências talvez se tornassem possíveis. Para afirmar que isso ocorre, entretanto, seria necessário verificar quais dados existem, quem tem acesso e se há efetivo compartilhamento entre os sistemas.
''Leitura de aprofundamento:'' SANTAELLA, Lucia. '''A ecologia pluralista da comunicação'''. ZUBOFF, Shoshana. '''A era do capitalismo de vigilância'''.
== Bloco 5 — Da torre ao mapa: Palantir e a identificação de imigrantes nos Estados Unidos ==
'''Pergunta-guia:''' O que acontece quando bancos de dados criados para finalidades diferentes são cruzados para localizar pessoas?
Em quantos cadastros está registrado o seu endereço? Na escola, no banco, em um serviço de saúde, numa plataforma de entregas? Para que você forneceu essa informação? O que mudaria se ela pudesse ser utilizada para outra finalidade?
A '''Palantir Technologies''' é uma empresa norte-americana que desenvolve plataformas de integração e análise de dados. Entre seus clientes estão órgãos governamentais. A atuação da empresa em atividades de imigração nos Estados Unidos oferece um caso para discutir a relação entre infraestrutura técnica, contratos públicos, classificações administrativas e decisões institucionais.
Em abril de 2025, o serviço norte-americano de imigração e fiscalização aduaneira ('''ICE''') contratou a Palantir para desenvolver o '''ImmigrationOS''', voltado ao apoio de processos de identificação, acompanhamento e remoção migratória. Em 15 de janeiro de 2026, uma reportagem de '''Joseph Cox, na 404 Media''', apresentou documentação interna e depoimentos relativos a outra ferramenta, chamada '''ELITE''' (''Enhanced Leads Identification & Targeting for Enforcement''). Segundo a investigação jornalística, essa ferramenta permite identificar possíveis alvos de operações em mapas, consultar dados associados a pessoas e apresentar uma pontuação de confiança acerca da atualização de endereços.
'''O que o caso permite analisar sociologicamente?'''
* '''Um dispositivo, e não apenas um software.''' O funcionamento das ferramentas depende da articulação entre políticas migratórias, contratos, instituições, regras de acesso a dados, infraestrutura computacional e atuação de agentes. A análise não pode reduzir seus efeitos às características técnicas do programa.
* '''A mudança de finalidade.''' Um dado inicialmente fornecido para atendimento administrativo ou acesso a serviços pode assumir outro significado quando utilizado em uma investigação. A possibilidade de reutilização deve ser distinguida da comprovação de que ela ocorreu em cada base específica.
* '''A produção de perfis.''' A ferramenta opera com registros e classificações que não equivalem diretamente às pessoas. Uma pontuação de confiança sobre o endereço não elimina a possibilidade de erro, atualização incompleta ou identificação equivocada.
* '''A combinação de regimes.''' Registros digitais, procedimentos institucionais e diferentes tecnologias de observação podem articular-se. O conhecimento público sobre esse sistema não autoriza afirmar que todas essas técnicas estejam integradas à ferramenta ELITE.
* '''Efeitos possíveis sobre a conduta.''' A percepção de que cadastros podem servir a outras finalidades pode desencorajar pessoas a recorrer a serviços públicos. Essa é uma hipótese relevante para investigação, mas não é, por si só, um efeito empiricamente demonstrado pela reportagem citada.
A empresa sustenta, em sua comunicação institucional, que fornece infraestrutura tecnológica e que os clientes são responsáveis pelo controle dos dados e por decisões operacionais. A questão sociológica é examinar a distribuição concreta dessas responsabilidades, sem supor que o software decide sozinho nem que sua configuração seja socialmente neutra.'''Exemplo para pensar:''' uma prefeitura integra cadastros de saúde, educação e transporte para simplificar o atendimento. A integração pode trazer benefícios administrativos. Mas também produz questões: quais instituições podem consultar os registros? Para quais finalidades? Quem controla sua reutilização? Como os cidadãos podem contestar classificações incorretas? A análise do dispositivo exige examinar tanto suas possibilidades quanto suas condições reais de operação.
'''Fonte para discussão do caso:''' COX, Joseph. 'ELITE': The Palantir App ICE Uses to Find Neighborhoods to Raid. '''404 Media''', 15 jan. 2026. Disponível em: https://www.404media.co/elite-the-palantir-app-ice-uses-to-find-neighborhoods-to-raid/.
== Obras indicadas ==
(*) AGAMBEN, Giorgio. O que é um dispositivo? In: '''O que é o contemporâneo? e outros ensaios'''. Chapecó: Argos, 2009. p. 27-51.
BAUMAN, Zygmunt. '''Tempos líquidos'''. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
BENTHAM, Jeremy. '''O panóptico'''. Organização de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
BRUNO, Fernanda. '''Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade'''. Porto Alegre: Sulina, 2013.
CHIGNOLA, Sandro. Sobre o dispositivo: Foucault, Agamben, Deleuze. '''Cadernos IHU Ideias''', São Leopoldo, ano 12, n. 214, 2014.
COX, Joseph. 'ELITE': The Palantir App ICE Uses to Find Neighborhoods to Raid. '''404 Media''', 15 jan. 2026. Disponível em: https://www.404media.co/elite-the-palantir-app-ice-uses-to-find-neighborhoods-to-raid/. Acesso em: 8 out. 2026.
DOYLE, Aaron. Revisiting the synopticon: reconsidering Mathiesen's 'The Viewer Society' in the age of Web 2.0. '''Theoretical Criminology''', v. 15, n. 3, p. 283-299, 2011.
(*) FOUCAULT, Michel. '''Vigiar e punir: nascimento da prisão'''. Petrópolis: Vozes, 1987. Capítulo: O panoptismo.
(*) FOUCAULT, Michel. '''Microfísica do poder'''. Rio de Janeiro: Graal, 1979. Capítulos: O olho do poder; Sobre a história da sexualidade.
MACHADO, Arlindo. Máquinas de vigiar. '''Revista USP''', São Paulo, n. 7, p. 23-32, set./nov. 1990.
MATHIESEN, Thomas. The viewer society: Michel Foucault's 'Panopticon' revisited. '''Theoretical Criminology''', v. 1, n. 2, p. 215-234, 1997.
(*) SANTAELLA, Lucia. '''A ecologia pluralista da comunicação: conectividade, mobilidade, ubiquidade'''. São Paulo: Paulus, 2010.
ZUBOFF, Shoshana. '''A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder'''. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2020.
== Filmes e outras dicas ==
* Florian Henckel von Donnersmarck. ''A vida dos outros''.
* Steven Spielberg. ''Minority Report: A nova lei''.
* Laura Poitras. ''Citizenfour''.
* Francis Ford Coppola. ''A conversação''.
* Jogo ''Panopticon Pandemonium'', do Bentham Project (University College London).
* Thomas McMullan. ''What does the panopticon mean in the age of digital surveillance?'' '''The Guardian''', 23 jul. 2015.
[[Categoria:Casper Wikipedia Education Program]]
[[Categoria:USCS Wikipedia Education Program]]
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Sociologia, Educação e Comunicação/Parte III/Sociedades disciplinares e Sociedades de Controle
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[[Ajuda:SEA|←]] nova página: == Perguntas que vão orientar esta investigação == # O que as escolas, as fábricas, os quartéis e as prisões tinham em comum — e o que elas faziam com quem passava por elas? # O que muda quando o controle deixa de precisar de muros? # O que significa ser identificado por uma senha, e não mais por uma assinatura? # Por que passamos a medir o próprio corpo — e para quem vão essas medidas? # Como relógios, sensores, drones e aplicativos de mobilid...
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== Perguntas que vão orientar esta investigação ==
# O que as escolas, as fábricas, os quartéis e as prisões tinham em comum — e o que elas faziam com quem passava por elas?
# O que muda quando o controle deixa de precisar de muros?
# O que significa ser identificado por uma senha, e não mais por uma assinatura?
# Por que passamos a medir o próprio corpo — e para quem vão essas medidas?
# Como relógios, sensores, drones e aplicativos de mobilidade reorganizam a vida na cidade?
# Se o controle mudou de forma, o que acontece com as formas de resistir a ele?
''Antes de entrar nos blocos: uma observação sobre o próprio olhar sociológico. A Sociologia não estuda "temas" apenas — o relógio inteligente, o aplicativo, o drone — como se fossem gavetas separadas da realidade. Ela constrói, por meio de conceitos e teorias, instrumentos que fazem aparecer, nas nossas ações mais cotidianas, uma dimensão social que normalmente passa despercebida. Isso não elimina a experiência individual, mas lembra que ela não acontece no vazio. Nesta aula, os conceitos servem para comparar: duas maneiras históricas de organizar os corpos, o tempo e o acesso, que hoje convivem no mesmo dia de qualquer um de nós.''
Na aula sobre [[Sociologia, Educação e Comunicação/Parte III/Sistemas de Vigilância|Sistemas de Vigilância]] você listou quem, ou o quê, viu você ontem. Volte ao mesmo dia com outra pergunta: '''quantas vezes você precisou provar quem é para passar?''' A catraca, o crachá, a senha do celular, a digital no banco, o ''login'' da faculdade, o código que chegou por mensagem, o rosto diante da câmera. E, do outro lado, quantas vezes foi avaliado: a nota do motorista, as estrelas da entrega, a meta do relógio, a curtida. Essa lista de passagens e avaliações é o material desta aula.
== Bloco 1 — Confinar e moldar: as sociedades disciplinares ==
''Sugestão de imagem para a página: planta de uma escola, fábrica ou instituição disciplinar, com identificação da fonte e da licença no Wikimedia Commons.''
'''Pergunta-guia:''' O que as escolas, as fábricas, os quartéis e as prisões tinham em comum — e o que elas faziam com quem passava por elas?
Lembre-se da escola em que você estudou quando criança. A que horas tocava o sinal? Onde você se sentava? Quem decidia quando podia falar, levantar-se, ir ao banheiro? Que número você tinha na chamada?
Na aula anterior vimos, com '''Michel Foucault''', como a disciplina substituiu o suplício: em vez de exibir o poder do soberano sobre o corpo do condenado, passou-se a distribuir, observar e registrar os corpos, um a um. '''Gilles Deleuze''', amigo e interlocutor de Foucault, resume em poucas páginas, no "Post-scriptum sobre as sociedades de controle" (1990), o desenho dessas '''sociedades disciplinares''', que tiveram o seu auge entre o século XVIII e o início do XX.
Elas funcionam por '''confinamento'''. O indivíduo passa a vida indo de um meio fechado a outro, cada um com suas leis: a família, depois a escola, depois o quartel, depois a fábrica; de vez em quando o hospital; eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência. Em termos analíticos, cada passagem introduz regras e avaliações próprias: "você não está mais em casa", "você não está mais na escola".
Dentro de cada um desses meios, a disciplina faz quatro coisas:
'''Distribui no espaço:''' cada um em seu lugar. Fileiras, carteiras, postos de trabalho, leitos, celas.
'''Ordena no tempo:''' horários de entrada e de saída, sinais, turnos, calendários, etapas que se sucedem.
'''Compõe uma força:''' o conjunto organizado rende mais do que a soma das partes. A linha de montagem é o exemplo perfeito.
'''Individualiza e massifica ao mesmo tempo:''' a '''assinatura''' indica o indivíduo; o '''número de matrícula''' indica a sua posição em uma massa. Somos alguém e somos mais um.
O resultado é o que Foucault chama de '''corpos dóceis''': corpos tornados úteis e obedientes na mesma operação. Deleuze propõe uma imagem para isso: os confinamentos são '''moldes'''. Cada instituição é uma fôrma, e quem passa por ela sai com um formato reconhecível: o aluno, o soldado, o operário. A tecnologia dessas sociedades é a das máquinas que transformam energia; seu centro é a fábrica; sua forma de propriedade é a da posse, da patente e do direito autoral; e a resistência que lhes corresponde tem lugar e hora: a greve, o motim, a rebelião, a ocupação do pátio.
'''Exemplo:''' um dia de fábrica nos anos 1950. O apito marca a entrada; o cartão de ponto registra o minuto; cada operário tem uma bancada, uma tarefa, um número no macacão. O chefe de seção circula. Às dezoito horas o apito toca e o portão se abre. O exemplo enfatiza a delimitação institucional do turno, embora a vida operária e as relações de trabalho nunca tenham ficado inteiramente circunscritas aos muros da fábrica. Guarde a diferença: a fronteira entre tempo institucional e outros tempos era mais claramente marcada.
'''Leitura de aprofundamento:''' FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In: Vigiar e punir. DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle.
== Bloco 2 — Do molde à modulação: as sociedades de controle ==
''Sugestão de recurso visual: pequeno esquema comparando molde (etapas delimitadas) e modulação (ajustes variáveis). Uma imagem didática produzida para a aula precisará ser identificada como elaboração própria.''
'''Pergunta-guia:''' O que muda quando o controle deixa de precisar de muros?
Ontem, a que horas terminou o seu dia de estudo ou de trabalho? Tem certeza? Depois de sair da sala, você respondeu a alguma mensagem do grupo, abriu o portal da faculdade, viu um e-mail "só para adiantar"?
Deleuze escreve em um momento em que todos os meios de confinamento parecem estar em crise: fala-se sem parar em reformar a escola, o hospital, a prisão, a fábrica, a família. Para ele, isso não é sinal de libertação, e sim de troca de regime. Deleuze propõe pensar a emergência das '''sociedades de controle''', expressão que associa a '''William S. Burroughs'''. Isso não significa o fim da disciplina: mecanismos de confinamento e formas de acompanhamento contínuo podem coexistir. O controle pode operar em espaços abertos, por acompanhamento variável e comunicação rápida, mesmo quando depende de instituições e infraestruturas materiais.
A diferença central está em uma palavra. Os confinamentos funcionam como moldes; os controles, como uma '''modulação''': uma moldagem variável, comparável a uma peneira cujas malhas se alteram de um ponto a outro. Enquanto o molde remete a etapas e espaços relativamente delimitados, a modulação descreve ajustes contínuos de condições, desempenhos e possibilidades de acesso. Trata-se de uma distinção analítica, não da afirmação de que todas as instituições disciplinares desapareceram. Deleuze desdobra essa diferença em alguns pares:
'''Da fábrica à empresa:''' na formulação de Deleuze, a fábrica tende a organizar trabalhadores em um corpo coletivo, enquanto a empresa enfatiza incentivos e diferenciações individuais. A empresa introduz entre os indivíduos uma rivalidade permanente, apresentada como motivação saudável: metas, bônus, prêmios, salário por mérito, desafios. Cada um passa a concorrer com os colegas e consigo mesmo.
'''Da escola à formação permanente:''' na disciplina, terminava-se a escola e começava-se outra coisa. No controle, nunca se termina nada: a formação continua pela vida inteira, e a prova dá lugar à avaliação contínua.
'''Do recomeço à dívida:''' o homem das disciplinas era um homem confinado; o do controle, diz Deleuze, é um homem endividado. O crédito, a parcela, a assinatura mensal prendem sem muros e por muito mais tempo.
'''Da produção ao serviço:''' Deleuze destaca a centralidade crescente da empresa, dos serviços, das finanças e da comercialização, sem sugerir o desaparecimento da produção industrial. O ''marketing'' torna-se, nas palavras duras de Deleuze, o instrumento de controle social.
'''Das máquinas de energia às máquinas de informação:''' cada tipo de sociedade se exprime em um tipo de máquina. As disciplinares, nas máquinas energéticas; as de controle, nos computadores e nas redes. Deleuze insiste que as máquinas não explicam nada sozinhas: é preciso olhar para o arranjo coletivo (o '''agenciamento''') de que fazem parte.
Deleuze oferece ainda duas imagens de animais. A velha '''toupeira''' cava galerias fechadas, uma depois da outra: é o bicho dos confinamentos. A '''serpente''' ondula em espaço aberto: é o bicho do controle. E avisa que os anéis de uma serpente são ainda mais complicados do que os buracos de uma toupeira.
Um cuidado: os dois regimes não se sucedem como capítulos encerrados. Escolas, prisões e fábricas continuam existindo, com seus muros e seus horários. O que acontece é que o controle as atravessa: a escola combina horários e salas com plataformas acessadas em casa; medidas penais podem incluir monitoramento eletrônico; mensagens profissionais chegam ao celular fora do expediente.
'''Exemplo:''' um estagiário trabalha de casa três dias por semana. Não há cartão de ponto nem chefe circulando. Há, em compensação, um indicador verde ao lado do seu nome, que fica amarelo depois de cinco minutos sem atividade; um painel de metas semanais comparadas às dos colegas; uma trilha de cursos "recomendados" que ninguém obriga a fazer, mas que aparece na avaliação semestral; e mensagens às dez da noite, que ele responde para não parecer ausente. O horário formal pode continuar existindo, mas a fronteira entre trabalho e tempo pessoal torna-se mais permeável.
'''Leitura de aprofundamento:''' DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações.
== Bloco 3 — Da assinatura à senha: o indivíduo divisível ==
'''Pergunta-guia:''' O que significa ser identificado por uma senha, e não mais por uma assinatura?
Quando foi a última vez que você assinou alguma coisa à mão? E quantas senhas, códigos e confirmações você digitou só ontem?
Nas sociedades disciplinares, dois sinais bastavam: a assinatura e o número de matrícula. Nas de controle, diz Deleuze, o essencial passa a ser uma '''cifra''': uma senha. A linguagem do controle é feita de códigos que marcam o '''acesso''' à informação ou a recusa. À pergunta disciplinar sobre a posição que alguém ocupa soma-se a pergunta sobre as condições de acesso: 'você pode entrar?'.
Com isso, muda o próprio objeto do poder. Na distinção proposta por Deleuze, a disciplina identificava indivíduos e os inseria em conjuntos; nas sociedades de controle, ganham centralidade operações sobre informações fragmentadas: os indivíduos tornam-se '''"dividuais"''', divisíveis, e as massas tornam-se amostras, dados, mercados, bancos. O sistema não precisa de você inteiro. Precisa de pedaços: o seu histórico de pagamentos para o banco, o seu trajeto para o aplicativo, seus registros de atividade para um aplicativo de saúde, o que você assiste para a plataforma. Conforme as condições técnicas e institucionais, informações distintas podem ser reunidas e relacionadas a outras bases para produzir classificações. É o '''duplo de dados''' de que falamos na aula anterior, agora visto por dentro.
Deleuze recorda uma cidade imaginada por '''Félix Guattari''': cada um poderia deixar o seu apartamento, a sua rua, o seu bairro, graças a um cartão eletrônico que abriria as barreiras. Mas o cartão poderia ser recusado em certo dia, ou entre certas horas. O que conta não é a barreira, e sim o computador que localiza a posição de cada um e opera uma modulação universal. Escrito em 1990, o trecho descreve com precisão o bilhete de transporte, o crachá, o aplicativo e a conta bloqueada.
Pesquisadores posteriores deram nomes a esse funcionamento. '''John Cheney-Lippold''' fala em '''identidade algorítmica''': categorias como "jovem", "mulher", "interessado em viagens" deixam de ser algo que declaramos e passam a ser inferidas estatisticamente, a partir do nosso comportamento, e revistas a cada novo dado. Referindo-se a Foucault, ele chama isso de '''biopolítica suave''' (''soft biopolitics''): um poder que não diz o que você deve ser, apenas ajusta, sem alarde, o que lhe é oferecido conforme a categoria em que você foi posto. '''Fernanda Bruno''' mostra que esses perfis não descrevem apenas o que alguém fez: projetam o que alguém como ele provavelmente fará, e agem sobre esse futuro antes que ele chegue.
'''Exemplo:''' uma estudante pede um cartão de crédito pelo aplicativo. Ninguém a entrevista. Em segundos, um sistema combina pedaços dela (renda declarada, histórico financeiro e outras variáveis eventualmente utilizadas pelo serviço, conforme suas práticas e limites legais) e devolve um limite. Ela não sabe quais pedaços pesaram nem com quem foi comparada. A decisão pode mobilizar classificações individuais e coletivas, inclusive desigualdades ligadas ao território e à renda. O ponto analítico é que a avaliação opera por variáveis e correlações, sem exigir o conhecimento pessoal da estudante. Volte à sua lista: em quantas das "passagens" de ontem quem passou foi você, e em quantas foi um conjunto de dados a seu respeito?
'''Leitura de aprofundamento:''' CHENEY-LIPPOLD, John. A new algorithmic identity. BRUNO, Fernanda. Monitoramento, classificação e controle nos dispositivos de vigilância digital.
== Bloco 4 — O corpo que se mede: relógios, sensores e drones ==
''Sugestão de imagem: painel de métricas de um dispositivo vestível, preferencialmente com dados fictícios e licença de reutilização verificada.''
'''Pergunta-guia:''' Por que passamos a medir o próprio corpo — e para quem vão essas medidas?
Você sabe quantos passos deu ontem? Quantas horas dormiu, e com que "qualidade"? Se sabe, quem lhe contou? E quem mais ficou sabendo?
As disciplinas organizavam os corpos por meio de espaços, horários, exercícios e exames. Nas práticas contemporâneas de automonitoramento, parte desse trabalho também é realizada pelas próprias pessoas, com a mediação de aplicativos, metas e indicadores. O '''relógio inteligente''' e as pulseiras de atividade (os ''wearables'', tecnologias vestíveis) podem registrar passos e frequência cardíaca, estimar padrões de sono e, conforme o modelo, produzir indicadores adicionais. Nem todos coletam as mesmas informações, e suas estimativas não equivalem automaticamente a avaliações clínicas. Muitas pessoas os adotam voluntariamente, em busca de informações sobre saúde e atividade física. Em determinados contextos, porém, seu uso também pode ser estimulado por instituições e programas de incentivo.
É aqui que a ideia de modulação fica mais concreta. O relógio pode combinar referências relativamente fixas (como uma meta diária) com indicadores ajustáveis: fechar os anéis, superar a semana anterior ou revisar objetivos. Algumas metas são definidas pela pessoa; outras podem incorporar parâmetros do aplicativo ou comparações estatísticas. A norma pode ser incorporada às rotinas sem depender de uma ordem institucional direta. É a formação permanente de Deleuze aplicada ao organismo: nunca se termina de estar em forma.
Na aula anterior, o Panóptico nos ensinou a autovigilância pela dúvida ("tem alguém olhando?"). Aqui ela muda de sinal: vigiamo-nos por cuidado, por curiosidade, por prazer. A socióloga '''Deborah Lupton''' estuda essas práticas de '''automonitoramento''' e mostra como o que começa como escolha pessoal pode ser "empurrado" (pelo empregador que oferece desconto a quem bate metas de passos) ou imposto (pela seguradora que condiciona o preço aos dados). A discussão pode ser relacionada à '''evasão de privacidade''', expressão empregada por '''Lucia Santaella''' para pensar situações em que as próprias pessoas participam da exposição de informações pessoais. Isso não significa que todo fornecimento de dados seja livre ou plenamente informado: é preciso examinar as condições de consentimento, os incentivos e as assimetrias entre usuários e organizações.
O mesmo movimento acontece fora do corpo. Os '''sensores''' saem dos aparelhos pessoais e se espalham pelas coisas e pelos lugares: a casa (assistentes de voz, fechaduras, medidores), o carro, a rua (semáforos, leitores de placas, câmeras que contam pessoas, medidores de ruído e de qualidade do ar). O ambiente deixa de ser cenário e passa a registrar. E os '''drones''' dão mobilidade a tudo isso: um ponto de observação que não precisa de torre nem de poste, que acompanha uma manifestação, uma fronteira, uma plantação, uma entrega. Se o Panóptico era um edifício e a câmera era um ponto fixo, o drone é a vigilância que se desloca junto com o que observa. É a serpente de Deleuze com hélices.
Repare que nenhum desses aparelhos é um "dispositivo" sozinho, no sentido que demos à palavra na aula anterior. O relógio se articula com aplicativos, regras de uso, possíveis serviços em nuvem e discursos sobre bem-estar e responsabilidade individual. Quando existem parcerias com instituições de saúde ou pesquisa, elas acrescentam novas relações a essa rede. A pergunta de Foucault continua valendo: a que urgência essa rede responde? E a de Agamben: que sujeito ela produz? Talvez o que se sente em falta consigo mesmo quando não bate a meta.
'''Situação hipotética para análise:''' uma empresa oferece aos funcionários um relógio gratuito e um programa de bem-estar: quem atinge dez mil passos por dia acumula pontos e reduz a mensalidade do plano de saúde. Tudo é voluntário. Se o incentivo se tornar economicamente relevante, a adesão pode deixar de ser percebida como uma escolha inteiramente livre. Não há necessidade de confinamento para que se exerça pressão sobre as condutas. Nesse cenário hipotético, as metas corporais ultrapassam o expediente e transformam indicadores pessoais em critérios de recompensa.
'''Leitura de aprofundamento:''' LUPTON, Deborah. The quantified self. SANTAELLA, Lucia. A ecologia pluralista da comunicação.
== Bloco 5 — A cidade como plataforma: mobilidade, acesso e avaliação ==
''Sugestão de imagem: visualização de trajetos ou interface de mobilidade, sem dados pessoais identificáveis, com fonte e licença verificadas.''
'''Pergunta-guia:''' Como aplicativos de mobilidade e entrega reorganizam a vida na cidade?
Como você se deslocou ontem? Quem escolheu o trajeto? Quem definiu o preço? Você avaliou alguém ao final, e sabe que nota recebeu?
A cidade imaginada por Guattari ajuda a interpretar um processo contemporâneo mais amplo: a '''plataformização''' de diferentes serviços e relações sociais. '''José van Dijck''', '''Thomas Poell''' e '''Martijn de Waal''' chamam de '''sociedade da plataforma''' aquela em que setores inteiros da vida coletiva (transporte, saúde, educação, jornalismo, hospedagem) passam a se organizar por meio de plataformas digitais privadas, que funcionam por três mecanismos:
'''Dataficação:''' tudo o que acontece na plataforma é convertido em dado: trajetos, tempos de espera, recusas, avaliações.
'''Mercantilização:''' esses dados, e a atenção e o trabalho de quem os produz, tornam-se fonte de valor econômico.
'''Seleção:''' algoritmos decidem o que cada um vê e a quem cada um é conectado: qual motorista para qual passageiro, por qual rota, a que preço.
A mobilidade urbana é um bom laboratório, porque nela aparecem lado a lado os dois regimes desta aula. O transporte coletivo regular conserva elementos de organização por rotas, pontos e horários, mas também pode incorporar bilhetagem digital e rastreamento. Os serviços mediados por aplicativos enfatizam outros mecanismos de controle, como alocação dinâmica de corridas, avaliações e condições variáveis de acesso. Nenhum dos dois exemplos corresponde integralmente a um único regime:
* a entrada e a saída pelo aplicativo podem parecer flexíveis, mas a remuneração, a demanda e os incentivos condicionam os períodos em que compensa trabalhar;
* as tarifas podem variar conforme a oferta, a demanda e outros parâmetros definidos pela plataforma;
* a supervisão presencial pode ser combinada ou substituída, em certos aspectos, por métricas, avaliações de usuários e sistemas automatizados;
* a exclusão do trabalho também pode ocorrer por suspensão ou bloqueio da conta, com procedimentos de contestação que variam conforme a plataforma e a regulação;
* os sistemas de incentivo individual podem produzir competição, sem eliminar vínculos coletivos, organização profissional e mobilizações de trabalhadores.
'''Ludmila Abílio''' chama essa figura de '''trabalhador ''just-in-time''''': alguém permanentemente disponível, remunerado apenas pelo tempo em que é efetivamente usado, e gerenciado por regras que não conhece por inteiro e que mudam sem aviso. É um gerenciamento sem gerente.
Do lado de quem usa, a cidade também muda. O aplicativo de rotas recalcula o caminho a cada minuto e, somando as escolhas de milhares de motoristas, redistribui o trânsito por ruas que nunca foram pensadas para ele. O bilhete eletrônico registra cada embarque. A bicicleta e o patinete compartilhados sabem onde foram deixados. Em algumas cidades, drones e pequenos robôs começam a fazer entregas. O espaço urbano inteiro passa a funcionar como um ambiente de acesso condicional: aberto, sem muros, e legível o tempo todo.
Nada disso funciona sem '''mediadores algorítmicos''', sistemas que filtram, ordenam e recomendam, e que se tornam invisíveis justamente por estarem sempre presentes. Eles não são neutros nem facilmente auditáveis, e raramente há debate público sobre os critérios que seguem. Esse tema será desenvolvido na Parte IV, na aula sobre [[Sociologia, Educação e Comunicação/Parte IV/Plataformas e Cultura do Algoritmo|Plataformas e Cultura do Algoritmo]].
'''Situação hipotética para análise:''' sexta-feira, dezenove horas, começa a chover. Uma estudante abre o aplicativo: a corrida que custava dezoito reais custa quarenta e um. A três quarteirões dali, um motorista recebe a oferta, conforme as informações disponibilizadas naquela modalidade e pelas regras vigentes da plataforma. Ele dispõe de tempo limitado para responder e pode considerar como sua decisão afeta indicadores ou oportunidades futuras, quando esse efeito estiver previsto no sistema. Os sistemas de avaliação podem ainda influenciar futuras interações. O interesse sociológico está em examinar como regras e cálculos organizam possibilidades de escolha sem depender de uma ordem direta a cada corrida. Volte à sua lista de passagens e avaliações: quantas delas tinham um muro, e quantas tinham apenas uma tela?
'''Leitura de aprofundamento:''' VAN DIJCK, José; POELL, Thomas; DE WAAL, Martijn. The platform society. ABÍLIO, Ludmila Costhek. Uberização: a era do trabalhador just-in-time?
== O que vimos nesta aula ==
Começamos pela lista das vezes em que você precisou provar quem é e das vezes em que foi avaliado, e por uma suspeita: a de que os muros diminuíram, mas o controle não. Vimos que as '''sociedades disciplinares''' confinam e moldam, e que as '''sociedades de controle''' acompanham e modulam; que a assinatura cedeu lugar à '''senha''' e o indivíduo ao '''dividual'''; que o automonitoramento pode associar cuidado pessoal, metas e circulação institucional de dados; e que a cidade plataformizada reúne tudo isso em uma corrida de aplicativo.
{| class="wikitable" style="width:100%;"
! !! Sociedades disciplinares !! Sociedades de controle
|-
| '''Espaço''' || meios fechados (escola, fábrica, quartel, prisão) || espaço aberto, acompanhado em movimento
|-
| '''Operação''' || molde: dá uma forma e solta || modulação: ajusta continuamente, nunca termina
|-
| '''Tempo''' || etapas que começam e acabam; horário || formação permanente; disponibilidade contínua
|-
| '''Identificação''' || assinatura e número de matrícula || senha, cifra, biometria, perfil
|-
| '''Objeto do poder''' || indivíduo e massa || "dividual" e bancos de dados
|-
| '''Instituição-modelo''' || a fábrica || a empresa; a plataforma
|-
| '''Avaliação''' || o exame, em datas marcadas || controle contínuo: notas, métricas, metas móveis
|-
| '''Sanção''' || punição, expulsão || recusa de acesso, bloqueio
|-
| '''Máquinas''' || energéticas || computadores, redes, sensores
|-
| '''Exemplos para análise''' || organização escolar por salas e horários; rotinas industriais || avaliação contínua em plataformas; monitoramento por aplicativos e sensores
|-
| '''Possibilidades de resistência''' || greve, motim, organização coletiva || paralisações de trabalhadores de plataforma, contestação de bloqueios, mobilização por transparência e regulação; formas coletivas persistem nos dois regimes
|}
Os dois regimes convivem, e é isso que torna o presente difícil de ler: continuamos sentados em fileiras e, ao mesmo tempo, somos acompanhados fora da sala. Deleuze termina o seu texto recusando duas atitudes, o medo e a esperança, e dizendo que a tarefa é buscar novas armas. Caberia aos mais jovens, escreve ele, descobrir a que estão sendo levados a servir, assim como os mais velhos tiveram de descobrir, não sem esforço, a finalidade das disciplinas.
O olhar sociológico não desbloqueia nenhuma conta. Oferece instrumentos para notar onde havia um muro e hoje há uma senha — e para perguntar quem decide quando ela deixa de funcionar.
== Conceitos fundamentais ==
Sociedade disciplinar · Confinamento · Corpos dóceis · Molde · Sociedade de controle · Modulação · Formação permanente · Cifra e acesso · Dividual · Identidade algorítmica · Automonitoramento · Evasão de privacidade · Plataformização · Dataficação · Gerenciamento algorítmico · Mediadores algorítmicos
== Exercícios ==
'''Registro 1 — Compreensão'''
Explique, com suas palavras, a diferença entre molde e modulação. Depois, indique por que Deleuze afirma que, nas sociedades de controle, "nunca se termina nada".
'''Registro 2 — Aplicação'''
Escolha uma situação da sua lista de "passagens e avaliações" de ontem (uma catraca, um ''login'', uma corrida de aplicativo, uma meta do relógio, uma plataforma da faculdade) e analise-a:
* ela se parece mais com um molde ou com uma modulação? Por quê?
* o que identifica você nessa situação: uma assinatura, um número, uma senha, um dado do corpo, um perfil?
* quem avalia quem, com que frequência, e o que acontece com essa avaliação?
* o que aconteceria se o acesso fosse recusado? A quem você poderia recorrer?
* há nela algum resto disciplinar (horário, lugar marcado, muro) convivendo com o controle?
'''Registro 3 — Metacognição'''
Retome uma situação da lista inicial. O que você teria interpretado apenas como rotina de identificação ou avaliação e agora consegue analisar como combinação de disciplina e controle? Identifique também uma informação que ainda precisaria investigar para sustentar sua interpretação. (5 a 8 linhas)
== Obras Indicadas ==
ABÍLIO, Ludmila Costhek. Uberização: a era do trabalhador just-in-time? '''Estudos Avançados''', São Paulo, v. 34, n. 98, p. 111-126, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.3498.008.
(*) BRUNO, Fernanda. Monitoramento, classificação e controle nos dispositivos de vigilância digital. '''Revista FAMECOS''', Porto Alegre, n. 36, p. 10-16, ago. 2008.
BURROUGHS, William S. Os limites do controle. [Texto apresentado no colóquio Schizo-Culture, Nova York, 1975].
CHENEY-LIPPOLD, John. A new algorithmic identity: soft biopolitics and the modulation of control. '''Theory, Culture & Society''', v. 28, n. 6, p. 164-181, 2011.
(*) DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: '''Conversações (1972-1990)'''. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. p. 219-226.
(*) FOUCAULT, Michel. '''Vigiar e punir: nascimento da prisão'''. Petrópolis: Vozes, 1987. (Capítulo: Os corpos dóceis).
GIBSON, William. '''Neuromancer'''. São Paulo: Aleph, 2008.
GIRARDI JÚNIOR, Liráucio. O estranho mundo da informação — e da materialidade — no campo da comunicação. '''E-Compós''', Brasília, v. 20, n. 3, 2017.
LUPTON, Deborah. '''The quantified self: a sociology of self-tracking'''. Cambridge: Polity Press, 2016.
PASQUALE, Frank. A esfera pública automatizada. '''Líbero''', São Paulo, ano XX, n. 39, p. 16-35, jan./ago. 2017.
(*) SANTAELLA, Lucia. '''A ecologia pluralista da comunicação: conectividade, mobilidade, ubiquidade'''. São Paulo: Paulus, 2010.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Governo dos algoritmos. '''Revista de Políticas Públicas''', São Luís, v. 21, n. 1, p. 267-281, 2017.
VAN DIJCK, José; POELL, Thomas; DE WAAL, Martijn. '''The platform society: public values in a connective world'''. Oxford: Oxford University Press, 2018.
== Filmes e outras dicas ==
Alan Parker. ''Pink Floyd – The Wall''
Ken Loach. ''Você Não Estava Aqui''
Charlie Brooker (criador). ''Black Mirror'' — episódio "Queda Livre"
Adam Curtis. ''All Watched Over by Machines of Loving Grace'' (série documental, BBC, 2011)
''The Last Enemy'' (minissérie, BBC, 2008)
[[Categoria:Casper Wikipedia Education Program]]
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== Perguntas que vão orientar esta investigação ==
# O que as escolas, as fábricas, os quartéis e as prisões tinham em comum — e o que elas faziam com quem passava por elas?
# O que muda quando o controle deixa de precisar de muros?
# O que significa ser identificado por uma senha, e não mais por uma assinatura?
# Por que passamos a medir o próprio corpo — e para quem vão essas medidas?
# Como relógios, sensores, drones e aplicativos de mobilidade reorganizam a vida na cidade?
# Se o controle mudou de forma, o que acontece com as formas de resistir a ele?
== Bloco 1 — Confinar e moldar: as sociedades disciplinares ==
'''Pergunta-guia:''' O que as escolas, as fábricas, os quartéis e as prisões tinham em comum — e o que elas faziam com quem passava por elas?
Lembre-se da escola em que você estudou quando criança. A que horas tocava o sinal? Onde você se sentava? Quem decidia quando podia falar, levantar-se, ir ao banheiro? Que número você tinha na chamada?
Na aula anterior vimos, com '''Michel Foucault''', como a disciplina substituiu o suplício: em vez de exibir o poder do soberano sobre o corpo do condenado, passou-se a distribuir, observar e registrar os corpos, um a um. '''Gilles Deleuze''', amigo e interlocutor de Foucault, resume em poucas páginas, no "Post-scriptum sobre as sociedades de controle" (1990), o desenho dessas '''sociedades disciplinares''', que tiveram o seu auge entre o século XVIII e o início do XX.
Elas funcionam por '''confinamento'''. O indivíduo passa a vida indo de um meio fechado a outro, cada um com suas leis: a família, depois a escola, depois o quartel, depois a fábrica; de vez em quando o hospital; eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência. Em termos analíticos, cada passagem introduz regras e avaliações próprias: "você não está mais em casa", "você não está mais na escola".
Dentro de cada um desses meios, a disciplina faz quatro coisas:
'''Distribui no espaço:''' cada um em seu lugar. Fileiras, carteiras, postos de trabalho, leitos, celas.
'''Ordena no tempo:''' horários de entrada e de saída, sinais, turnos, calendários, etapas que se sucedem.
'''Compõe uma força:''' o conjunto organizado rende mais do que a soma das partes. A linha de montagem é o exemplo perfeito.
'''Individualiza e massifica ao mesmo tempo:''' a '''assinatura''' indica o indivíduo; o '''número de matrícula''' indica a sua posição em uma massa. Somos alguém e somos mais um.
O resultado é o que Foucault chama de '''corpos dóceis''': corpos tornados úteis e obedientes na mesma operação. Deleuze propõe uma imagem para isso: os confinamentos são '''moldes'''. Cada instituição é uma fôrma, e quem passa por ela sai com um formato reconhecível: o aluno, o soldado, o operário. A tecnologia dessas sociedades é a das máquinas que transformam energia; seu centro é a fábrica; sua forma de propriedade é a da posse, da patente e do direito autoral; e a resistência que lhes corresponde tem lugar e hora: a greve, o motim, a rebelião, a ocupação do pátio.
'''Leitura de aprofundamento:''' FOUCAULT, Michel. Os corpos dóceis. In: Vigiar e punir. DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle.
== Bloco 2 — Do molde à modulação: as sociedades de controle ==
'''Pergunta-guia:''' O que muda quando o controle deixa de precisar de muros?
Ontem, a que horas terminou o seu dia de estudo ou de trabalho? Tem certeza? Depois de sair da sala, você respondeu a alguma mensagem do grupo, abriu o portal da faculdade, viu um e-mail "só para adiantar"?
Deleuze escreve em um momento em que todos os meios de confinamento parecem estar em crise: fala-se sem parar em reformar a escola, o hospital, a prisão, a fábrica, a família. Para ele, isso não é sinal de libertação, e sim de troca de regime. Deleuze propõe pensar a emergência das '''sociedades de controle''', expressão que associa a '''William S. Burroughs'''. Isso não significa o fim da disciplina: mecanismos de confinamento e formas de acompanhamento contínuo podem coexistir. O controle pode operar em espaços abertos, por acompanhamento variável e comunicação rápida, mesmo quando depende de instituições e infraestruturas materiais.
A diferença central está em uma palavra. Os confinamentos funcionam como moldes; os controles, como uma '''modulação''': uma moldagem variável, comparável a uma peneira cujas malhas se alteram de um ponto a outro. Enquanto o molde remete a etapas e espaços relativamente delimitados, a modulação descreve ajustes contínuos de condições, desempenhos e possibilidades de acesso. Trata-se de uma distinção analítica, não da afirmação de que todas as instituições disciplinares desapareceram. Deleuze desdobra essa diferença em alguns pares:
{| class="wikitable"
!Molde
!Modulação
|-
|Tarifa de ônibus fixa
|Preço dinâmico do aplicativo, que muda com a chuva e a hora
|-
|Prova em data marcada
|Plataforma que acompanha cada exercício e ajusta o próximo
|-
|Uniforme e “peso ideal” da tabela
|Relógio que propõe uma meta nova com base na sua semana passada
|-
|Grade de programação da TV
|Feed que se reorganiza a cada vídeo que você assiste ou pula
|-
|Salário da categoria
|Bônus, metas e desafios que variam por pessoa e por semana
|}
'''Da fábrica à empresa:''' na formulação de Deleuze, a fábrica tende a organizar trabalhadores em um corpo coletivo, enquanto a empresa enfatiza incentivos e diferenciações individuais. A empresa introduz entre os indivíduos uma rivalidade permanente, apresentada como motivação saudável: metas, bônus, prêmios, salário por mérito, desafios. Cada um passa a concorrer com os colegas e consigo mesmo.
'''Da escola à formação permanente:''' na disciplina, terminava-se a escola e começava-se outra coisa. No controle, nunca se termina nada: a formação continua pela vida inteira, e a prova dá lugar à avaliação contínua.
'''Do recomeço à dívida:''' o homem das disciplinas era um homem confinado; o do controle, diz Deleuze, é um homem endividado. O crédito, a parcela, a assinatura mensal prendem sem muros e por muito mais tempo.
'''Da produção ao serviço:''' Deleuze destaca a centralidade crescente da empresa, dos serviços, das finanças e da comercialização, sem sugerir o desaparecimento da produção industrial. O ''marketing'' torna-se, nas palavras duras de Deleuze, o instrumento de controle social.
'''Das máquinas de energia às máquinas de informação:''' cada tipo de sociedade se exprime em um tipo de máquina. As disciplinares, nas máquinas energéticas; as de controle, nos computadores e nas redes. Deleuze insiste que as máquinas não explicam nada sozinhas: é preciso olhar para o arranjo coletivo (o '''agenciamento''') de que fazem parte.
Um cuidado: os dois regimes não se sucedem como capítulos encerrados. Escolas, prisões e fábricas continuam existindo, com seus muros e seus horários. O que acontece é que o controle as atravessa: a escola combina horários e salas com plataformas acessadas em casa; medidas penais podem incluir monitoramento eletrônico; mensagens profissionais chegam ao celular fora do expediente.
'''Exemplo:''' um estagiário trabalha de casa três dias por semana. Não há cartão de ponto nem chefe circulando. Há, em compensação, um indicador verde ao lado do seu nome, que fica amarelo depois de cinco minutos sem atividade; um painel de metas semanais comparadas às dos colegas; uma trilha de cursos "recomendados" que ninguém obriga a fazer, mas que aparece na avaliação semestral; e mensagens às dez da noite, que ele responde para não parecer ausente. O horário formal pode continuar existindo, mas a fronteira entre trabalho e tempo pessoal torna-se mais permeável.
'''Leitura de aprofundamento:''' DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações.
== Bloco 3 — Da assinatura à senha: o indivíduo divisível ==
'''Pergunta-guia:''' O que significa ser identificado por uma senha, e não mais por uma assinatura?
Quando foi a última vez que você assinou alguma coisa à mão? E quantas senhas, códigos e confirmações você digitou só ontem?
Nas sociedades disciplinares, dois sinais bastavam: a assinatura e o número de matrícula. Nas de controle, diz Deleuze, o essencial passa a ser uma '''cifra''': uma senha. A linguagem do controle é feita de códigos que marcam o '''acesso''' à informação ou a recusa. À pergunta disciplinar sobre a posição que alguém ocupa soma-se a pergunta sobre as condições de acesso: 'você pode entrar?'.
Com isso, muda o próprio objeto do poder. Na distinção proposta por Deleuze, a disciplina identificava indivíduos e os inseria em conjuntos; nas sociedades de controle, ganham centralidade operações sobre informações fragmentadas: os indivíduos tornam-se '''"dividuais"''', divisíveis, e as massas tornam-se amostras, dados, mercados, bancos. O sistema não precisa de você inteiro. Precisa de pedaços: o seu histórico de pagamentos para o banco, o seu trajeto para o aplicativo, seus registros de atividade para um aplicativo de saúde, o que você assiste para a plataforma. Conforme as condições técnicas e institucionais, informações distintas podem ser reunidas e relacionadas a outras bases para produzir classificações. É o '''duplo de dados''' de que falamos na aula anterior, agora visto por dentro.
Pesquisadores posteriores deram nomes a esse funcionamento. '''John Cheney-Lippold''' fala em '''identidade algorítmica''': categorias como "jovem", "mulher", "interessado em viagens" deixam de ser algo que declaramos e passam a ser inferidas estatisticamente, a partir do nosso comportamento, e revistas a cada novo dado. Referindo-se a Foucault, ele chama isso de '''biopolítica suave''' (''soft biopolitics''): um poder que não diz o que você deve ser, apenas ajusta, sem alarde, o que lhe é oferecido conforme a categoria em que você foi posto.
'''Exemplo:''' uma estudante pede um cartão de crédito pelo aplicativo. Ninguém a entrevista. Em segundos, um sistema combina pedaços dela (renda declarada, histórico financeiro e outras variáveis eventualmente utilizadas pelo serviço, conforme suas práticas e limites legais) e devolve um limite. Ela não sabe quais pedaços pesaram nem com quem foi comparada. A decisão pode mobilizar classificações individuais e coletivas, inclusive desigualdades ligadas ao território e à renda. O ponto analítico é que a avaliação opera por variáveis e correlações, sem exigir o conhecimento pessoal da estudante. Volte à sua lista: em quantas das "passagens" de ontem quem passou foi você, e em quantas foi um conjunto de dados a seu respeito?
'''Leitura de aprofundamento:''' CHENEY-LIPPOLD, John. A new algorithmic identity. BRUNO, Fernanda. Monitoramento, classificação e controle nos dispositivos de vigilância digital.
== Bloco 4 — O corpo que se mede: relógios, sensores e drones ==
'''Pergunta-guia:''' Por que passamos a medir o próprio corpo — e para quem vão essas medidas?
Você sabe quantos passos deu ontem? Quantas horas dormiu, e com que "qualidade"? Se sabe, quem lhe contou? E quem mais ficou sabendo?
As disciplinas organizavam os corpos por meio de espaços, horários, exercícios e exames. Nas práticas contemporâneas de automonitoramento, parte desse trabalho também é realizada pelas próprias pessoas, com a mediação de aplicativos, metas e indicadores. O '''relógio inteligente''' e as pulseiras de atividade (os ''wearables'', tecnologias vestíveis) podem registrar passos e frequência cardíaca, estimar padrões de sono e, conforme o modelo, produzir indicadores adicionais. Nem todos coletam as mesmas informações, e suas estimativas não equivalem automaticamente a avaliações clínicas. Muitas pessoas os adotam voluntariamente, em busca de informações sobre saúde e atividade física. Em determinados contextos, porém, seu uso também pode ser estimulado por instituições e programas de incentivo.
É aqui que a ideia de modulação fica mais concreta. O relógio pode combinar referências relativamente fixas (como uma meta diária) com indicadores ajustáveis: fechar as metas, superar a semana anterior ou revisar objetivos. Algumas metas são definidas pela pessoa; outras podem incorporar parâmetros do aplicativo ou comparações estatísticas. A norma pode ser incorporada às rotinas sem depender de uma ordem institucional direta. É a formação permanente de Deleuze aplicada ao organismo: nunca se termina de estar em forma.
Na aula anterior, o Panóptico nos ensinou a autovigilância pela dúvida ("tem alguém olhando?"). Aqui ela muda de sinal: vigiamo-nos por cuidado, por curiosidade, por prazer. A socióloga '''Deborah Lupton''' estuda essas práticas de '''automonitoramento''' e mostra como o que começa como escolha pessoal pode ser "empurrado" (pelo empregador que oferece desconto a quem bate metas de passos) ou imposto (pela seguradora que condiciona o preço aos dados). A discussão pode ser relacionada à '''evasão de privacidade''', expressão empregada por '''Lucia Santaella''' para pensar situações em que as próprias pessoas participam da exposição de informações pessoais. Isso não significa que todo fornecimento de dados seja livre ou plenamente informado: é preciso examinar as condições de consentimento, os incentivos e as assimetrias entre usuários e organizações.
O mesmo movimento acontece fora do corpo. Os '''sensores''' saem dos aparelhos pessoais e se espalham pelas coisas e pelos lugares: a casa (assistentes de voz, fechaduras, medidores), o carro, a rua (semáforos, leitores de placas, câmeras que contam pessoas, medidores de ruído e de qualidade do ar). O ambiente deixa de ser cenário e passa a registrar dados constantemente. E os '''drones''' dão mobilidade a tudo isso: um ponto de observação que não precisa de torre nem de poste, que acompanha uma manifestação, uma fronteira, uma plantação, uma entrega.
Repare que nenhum desses aparelhos é um "dispositivo" sozinho, no sentido que demos à palavra na aula anterior. O relógio se articula com aplicativos, regras de uso, possíveis serviços em nuvem e discursos sobre bem-estar e responsabilidade individual. Quando existem parcerias com instituições de saúde ou pesquisa, elas acrescentam novas relações a essa rede. A pergunta de Foucault continua valendo: a que urgência essa rede responde? E a de Agamben: que sujeito ela produz? Talvez o que se sente em falta consigo mesmo quando não bate a meta.
'''Situação hipotética para análise:''' uma empresa oferece aos funcionários um relógio gratuito e um programa de bem-estar: quem atinge dez mil passos por dia acumula pontos e reduz a mensalidade do plano de saúde. Tudo é voluntário. Se o incentivo se tornar economicamente relevante, a adesão pode deixar de ser percebida como uma escolha inteiramente livre. Não há necessidade de confinamento para que se exerça pressão sobre as condutas. Nesse cenário hipotético, as metas corporais ultrapassam o expediente e transformam indicadores pessoais em critérios de recompensa.
'''Leitura de aprofundamento:''' LUPTON, Deborah. The quantified self. SANTAELLA, Lucia. A ecologia pluralista da comunicação.
== Bloco 5 — A cidade como plataforma: mobilidade, acesso e avaliação ==
'''Pergunta-guia:''' Como aplicativos de mobilidade e entrega reorganizam a vida na cidade?
Como você se deslocou ontem? Quem escolheu o trajeto? Quem definiu o preço? Você avaliou alguém ao final, e sabe que nota recebeu?
A cidade imaginada por Guattari ajuda a interpretar um processo contemporâneo mais amplo: a '''plataformização''' de diferentes serviços e relações sociais. '''José van Dijck''', '''Thomas Poell''' e '''Martijn de Waal''' chamam de '''sociedade da plataforma''' aquela em que setores inteiros da vida coletiva (transporte, saúde, educação, jornalismo, hospedagem) passam a se organizar por meio de plataformas digitais privadas, que funcionam por três mecanismos:
'''Dataficação:''' tudo o que acontece na plataforma é convertido em dado: trajetos, tempos de espera, recusas, avaliações.
'''Mercantilização:''' esses dados, e a atenção e o trabalho de quem os produz, tornam-se fonte de valor econômico.
'''Seleção:''' algoritmos decidem o que cada um vê e a quem cada um é conectado: qual motorista para qual passageiro, por qual rota, a que preço.
A mobilidade urbana é um bom laboratório, porque nela aparecem lado a lado os dois regimes desta aula. O transporte coletivo regular conserva elementos de organização por rotas, pontos e horários, mas também pode incorporar bilhetagem digital e rastreamento. Os serviços mediados por aplicativos enfatizam outros mecanismos de controle, como alocação dinâmica de corridas, avaliações e condições variáveis de acesso. Nenhum dos dois exemplos corresponde integralmente a um único regime:
* a entrada e a saída pelo aplicativo podem parecer flexíveis, mas a remuneração, a demanda e os incentivos condicionam os períodos em que compensa trabalhar;
* as tarifas podem variar conforme a oferta, a demanda e outros parâmetros definidos pela plataforma;
* a supervisão presencial pode ser combinada ou substituída, em certos aspectos, por métricas, avaliações de usuários e sistemas automatizados;
* a exclusão do trabalho também pode ocorrer por suspensão ou bloqueio da conta, com procedimentos de contestação que variam conforme a plataforma e a regulação;
* os sistemas de incentivo individual podem produzir competição, sem eliminar vínculos coletivos, organização profissional e mobilizações de trabalhadores.
Do lado de quem usa essas plataformas, a cidade também muda. O aplicativo de rotas recalcula o caminho a cada minuto e, somando as escolhas de milhares de motoristas, redistribui o trânsito por ruas que nunca foram pensadas para ele. O bilhete eletrônico registra cada embarque. A bicicleta e o patinete compartilhados sabem onde foram deixados. Em algumas cidades, drones e pequenos robôs começam a fazer entregas. O espaço urbano inteiro passa a funcionar como um ambiente de acesso condicional: aberto, sem muros, e legível o tempo todo.
Nada disso funciona sem '''mediadores algorítmicos''', sistemas que filtram, ordenam e recomendam, e que se tornam invisíveis justamente por estarem sempre presentes. Eles não são neutros nem facilmente auditáveis, e raramente há debate público sobre os critérios que seguem. Esse tema será desenvolvido na Parte IV, na aula sobre [[Sociologia, Educação e Comunicação/Parte IV/Plataformas e Cultura do Algoritmo|Plataformas e Cultura do Algoritmo]].
'''Leitura de aprofundamento:''' VAN DIJCK, José; POELL, Thomas; DE WAAL, Martijn. The platform society. ABÍLIO, Ludmila Costhek. Uberização: a era do trabalhador just-in-time?
== Obras Indicadas ==
ABÍLIO, Ludmila Costhek. Uberização: a era do trabalhador just-in-time? '''Estudos Avançados''', São Paulo, v. 34, n. 98, p. 111-126, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.3498.008.
(*) BRUNO, Fernanda. Monitoramento, classificação e controle nos dispositivos de vigilância digital. '''Revista FAMECOS''', Porto Alegre, n. 36, p. 10-16, ago. 2008.
BURROUGHS, William S. Os limites do controle. [Texto apresentado no colóquio Schizo-Culture, Nova York, 1975].
CHENEY-LIPPOLD, John. A new algorithmic identity: soft biopolitics and the modulation of control. '''Theory, Culture & Society''', v. 28, n. 6, p. 164-181, 2011.
(*) DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: '''Conversações (1972-1990)'''. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992. p. 219-226.
(*) FOUCAULT, Michel. '''Vigiar e punir: nascimento da prisão'''. Petrópolis: Vozes, 1987. (Capítulo: Os corpos dóceis).
GIBSON, William. '''Neuromancer'''. São Paulo: Aleph, 2008.
GIRARDI JÚNIOR, Liráucio. O estranho mundo da informação — e da materialidade — no campo da comunicação. '''E-Compós''', Brasília, v. 20, n. 3, 2017.
LUPTON, Deborah. '''The quantified self: a sociology of self-tracking'''. Cambridge: Polity Press, 2016.
PASQUALE, Frank. A esfera pública automatizada. '''Líbero''', São Paulo, ano XX, n. 39, p. 16-35, jan./ago. 2017.
(*) SANTAELLA, Lucia. '''A ecologia pluralista da comunicação: conectividade, mobilidade, ubiquidade'''. São Paulo: Paulus, 2010.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Governo dos algoritmos. '''Revista de Políticas Públicas''', São Luís, v. 21, n. 1, p. 267-281, 2017.
VAN DIJCK, José; POELL, Thomas; DE WAAL, Martijn. '''The platform society: public values in a connective world'''. Oxford: Oxford University Press, 2018.
== Filmes e outras dicas ==
Alan Parker. ''Pink Floyd – The Wall''
Ken Loach. ''Você Não Estava Aqui''
Charlie Brooker (criador). ''Black Mirror'' — episódio "Queda Livre"
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''The Last Enemy'' (minissérie, BBC, 2008)
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''"O problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser" (Paul Valéry)''
<!-- EPÍGRAFES MUSICAIS: a página antiga trazia aqui os versos de "Índios" (Legião Urbana) e de "O tempo não para" (Cazuza). Colar manualmente, se desejar mantê-los. -->
Perguntas que vão orientar esta investigação
# O que acontece quando os maiores perigos de uma sociedade são produzidos pelo seu próprio sucesso?
# Como decidir quando os especialistas discordam e ninguém pode garantir o resultado?
# O que a história da modernidade deixa de fora quando é contada apenas a partir da Europa?
# Quem, hoje, é tratado como descartável — e o que torna isso aceitável?
# Por que instituições democráticas perdem confiança em tantos países ao mesmo tempo, e que movimentos crescem nesse vazio?
# Por que, no mesmo momento, ganha força um discurso que cobra da modernidade a conta do colonialismo?
== Bloco 1 — O futuro não é mais o que era: a sociedade de risco ==
'''Pergunta-guia:''' O que acontece quando os maiores perigos de uma sociedade são produzidos pelo seu próprio sucesso?
No noticiário de ontem, quantos dos perigos eram "naturais" e quantos foram fabricados por nós? A enchente, o calor recorde, o agrotóxico, o vazamento de dados, o remédio retirado do mercado, o microplástico.
Em 1986, o sociólogo alemão '''Ulrich Beck''' (1944-2015) publicou ''Sociedade de risco''. Naquele mesmo ano, o reator de Chernobyl explodiu, e uma nuvem radioativa atravessou fronteiras sem pedir visto. O livro parecia ter sido escrito para explicar o acidente.
A tese de Beck parte de uma distinção. A '''primeira modernidade''', a sociedade industrial que vimos na aula anterior, organizava-se em torno da produção e da distribuição de '''riqueza'''. Seus conflitos eram sobre quem ficava com quanto: salários, propriedade, direitos. Os efeitos colaterais desse modelo (a poluição, o desmatamento, o lixo) existiam, mas eram tratados como preço do progresso e não chegavam ao centro do debate público. Na '''segunda modernidade''', esses efeitos deixam de ser colaterais. A sociedade passa a se organizar também em torno da produção e da distribuição de '''riscos'''. Eles têm características novas:
'''São fabricados:''' não vêm de fora, como a peste ou o terremoto. São produto das nossas próprias decisões técnicas e econômicas. O perigo é filho do êxito.
'''Escapam aos sentidos:''' a radiação, o resíduo químico, o aquecimento de um grau e meio não se veem, não se cheiram, não se tocam. Só passam a existir socialmente quando alguém os mede, os nomeia e os divulga. Dependem de ciência, de imprensa e de disputa pública para "aparecer", e por isso a definição do que é um risco torna-se, ela mesma, objeto de luta.
'''Não respeitam fronteiras nem prazos:''' atravessam países e gerações. As instituições que a primeira modernidade criou para lidar com acidentes (o seguro, a indenização, o cálculo de probabilidades) deixam de dar conta. Como segurar um dano que não tem limite no espaço nem no tempo?
'''Voltam contra quem os produz:''' Beck fala em efeito bumerangue. Cedo ou tarde, o risco alcança também os que lucraram com ele. Daí uma de suas imagens mais citadas: a pobreza é hierárquica, a poluição é democrática. Guarde essa afirmação. Ela será contestada no Bloco 3.
Beck chama de '''irresponsabilidade organizada''' o resultado: sistemas tão complexos, com tantos envolvidos, que os danos acontecem e ninguém, em particular, responde por eles.
É aqui que a frase de Valéry ganha sentido sociológico. A primeira modernidade vivia de uma promessa: amanhã será melhor do que hoje, porque saberemos e produziremos mais. Na sociedade de risco, o futuro deixa de ser o lugar da promessa e passa a ser o lugar da ameaça a administrar. Não se pergunta mais apenas "o que vamos conquistar?", e sim "o que precisamos evitar?".
'''Exemplo:''' uma mineradora opera durante décadas em uma região, gera empregos, paga impostos, patrocina a festa da cidade. Um dia, a barragem de rejeitos se rompe. A lama percorre centenas de quilômetros, atravessa municípios e estados, chega ao mar. Quem responde? A empresa aponta as licenças que recebeu; os órgãos apontam os laudos que lhes foram apresentados; os técnicos apontam as normas que seguiram. Todos cumpriram um procedimento, e o rio morreu. É a irresponsabilidade organizada, e é também um risco que só "existia" para quem lia relatórios técnicos, até o dia em que passou a existir para todos.
'''Leitura de aprofundamento:''' BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade.
== Bloco 2 — Modernização reflexiva: a sociedade como problema para si mesma ==
'''Pergunta-guia:''' Como decidir quando os especialistas discordam e ninguém pode garantir o resultado?
Ontem, você viu dois especialistas afirmando coisas opostas sobre o mesmo assunto? Em qual acreditou, e por quê?
Beck, '''Anthony Giddens''' e '''Scott Lash''' chamam de '''modernização reflexiva''' o momento em que a modernidade se volta sobre si mesma. Atenção à palavra: "reflexiva" aqui não quer dizer "mais pensativa" nem "mais sábia". Quer dizer algo próximo de um reflexo: a sociedade é confrontada com as consequências do que ela própria fez, queira ou não. Torna-se um problema para si mesma.
Disso decorrem três mudanças que você reconhecerá no seu cotidiano.
'''A ciência deixa de ser árbitro e vira parte.''' Na aula anterior, vimos com Giddens que a vida moderna depende de confiar em sistemas peritos. Na sociedade de risco, essa confiança fica mais difícil: a mesma ciência que mede o risco ajudou a produzi-lo, e para cada laudo aparece um contralaudo. Os peritos discordam em público. O cidadão, que não tem como refazer os cálculos, precisa escolher em quem confiar.
'''As decisões descem para o indivíduo.''' Beck chama esse processo de '''individualização'''. O que antes era resolvido pela tradição, pela classe ou pelo Estado passa a ser tarefa de cada um: o que comer, que vacina tomar, onde morar, como se aposentar, se vale a pena ter filhos em um planeta mais quente. Problemas produzidos coletivamente pedem soluções biográficas. A liberdade aumenta, e com ela o peso de errar sozinho.
'''A política muda de lugar.''' Decisões que afetam a vida de todos (o que se planta, que tecnologia se adota, que dados se coletam) são tomadas em laboratórios, conselhos de empresas e órgãos técnicos, longe do voto. Ao mesmo tempo, grupos que não passam pelos partidos (movimentos, associações de atingidos, consumidores, redes) passam a fazer política por outros meios. Beck chama isso de '''subpolítica''': a política oficial se esvazia enquanto o político renasce em outros lugares.
O resultado tem duas faces. De um lado, abre-se a possibilidade de discutir o que antes era indiscutível: o modelo de desenvolvimento, os limites do crescimento, a necessidade de acordos entre países para problemas que nenhum resolve sozinho (o que Beck chama de '''cosmopolitização'''). De outro, tudo passa a ser escrutinado, contestado e debatido sem fim, e ao final ninguém se dá por satisfeito. No pior dos casos, a paralisia. As instituições da primeira modernidade continuam de pé, mas tratam de problemas para os quais não foram desenhadas. Guarde essa imagem: ela volta no Bloco 5.
'''Exemplo:''' uma jovem quer saber se deve continuar comendo um alimento ultraprocessado de que gosta. Encontra um estudo que o associa a doenças, um nutricionista que relativiza, uma nota da indústria, um influenciador que o condena e outro que o defende. O rótulo traz um aviso que não existia há cinco anos. Ninguém decidirá por ela. Um problema que nasceu em fábricas, laboratórios, agências reguladoras e campanhas publicitárias termina, inteiro, no prato de uma pessoa, diante do celular.
'''Leitura de aprofundamento:''' BECK, Ulrich. A reinvenção da política: rumo a uma teoria da modernização reflexiva. In: GIDDENS, Anthony; BECK, Ulrich; LASH, Scott. Modernização reflexiva.
== Bloco 3 — O avesso da modernidade: colônia, ''plantation'' e necropolítica ==
'''Pergunta-guia:''' O que a história da modernidade deixa de fora quando é contada apenas a partir da Europa?
No noticiário de ontem, de quem eram as mortes que ganharam nome, rosto e história? E de quem eram as que apareceram como número, ou não apareceram?
Até aqui, contamos a modernidade como costuma ser contada: a metrópole, a fábrica, o relógio, a ciência, a democracia. O filósofo camaronês '''Achille Mbembe''' (1957- ) propõe que essa narrativa tem um avesso, e que ele não é um acidente nem um atraso: é condição. Enquanto a Europa inventava o cidadão e os direitos do homem, inventava também a colônia e a '''''plantation''''', a grande lavoura escravista das Américas. Mais de doze milhões de africanos foram embarcados à força através do Atlântico ao longo de mais de três séculos; o Brasil foi o principal destino. Não se tratava de uma escravidão como as que existiram em outros tempos: era um empreendimento econômico racionalizado, calculado, financiado e segurado, moderno em todos os sentidos que vimos com Weber.
Na ''plantation'', diz Mbembe, o escravizado sofre uma tripla perda: de um lar, dos direitos sobre o próprio corpo e de qualquer estatuto político. Vive uma espécie de '''morte social''': é mantido vivo, mas como coisa, em um estado de alienação permanente de si. E é para justificar essa condição que se fabrica a '''raça'''. O "negro" não existe antes do encontro colonial; é uma categoria produzida por ele, para marcar quais vidas podiam ser exploradas sem limite.
Para nomear o tipo de poder que opera aí, Mbembe parte de Foucault. Nas aulas anteriores vimos a disciplina, que age sobre os corpos. Foucault descreve também o '''biopoder''', que se ocupa da vida das populações: natalidade, saúde, longevidade. Um poder de fazer viver e deixar morrer. Mbembe observa que essa descrição serve à metrópole, mas não basta para a colônia. Ali, o poder se exerce de outra maneira: como direito de matar, de expor à morte, de manter populações inteiras em condições nas quais a vida mal se distingue da morte. Ele chama isso de '''necropolítica''': formas de soberania cuja expressão máxima é decidir quem pode viver e quem deve morrer, e que criam o que ele chama de '''mundos de morte'''.
Dois autores da Martinica tinham preparado o terreno. '''Frantz Fanon''' descreveu o mundo colonial como um mundo cortado em dois, em que o colonizado é fixado em uma zona de não ser. E '''Aimé Césaire''', escrevendo logo depois da Segunda Guerra, formulou a tese mais incômoda: o que chocou a Europa no nazismo não foi o crime em si, e sim o fato de terem sido aplicados a europeus procedimentos que até então estavam reservados aos povos colonizados. A deportação, o campo, o trabalho até a morte, o extermínio tinham sido ensaiados antes, longe dos olhos. O horror voltou para casa.
Agora podemos retomar a frase de Beck. A poluição é democrática? Vista daqui, a resposta é: nem tanto. Os riscos são distribuídos, e a distribuição tem cor, endereço e passaporte. A barragem fica acima de certas comunidades e não de outras; o lixo tóxico viaja para certos países; a enchente destrói mais em certos bairros. Beck descreve uma modernidade que se assusta ao descobrir que pode se destruir. Mbembe lembra que, para muita gente, ela já vinha destruindo havia quinhentos anos.
'''Exemplo:''' na mesma cidade e na mesma semana, duas pessoas morrem de forma violenta. Uma tem nome, fotografia, depoimento da família, repercussão, cobrança por investigação. A outra entra em uma contagem: "mais um", em um bairro identificado apenas pela região. Ninguém decidiu isso em uma reunião. A diferença está pronta antes de a notícia ser escrita, e quem trabalha com comunicação participa dela todos os dias: na escolha da palavra, da imagem, do espaço. A necropolítica não é só o ato de matar. É também a organização do que conta, e do que não conta, como perda.
'''Leitura de aprofundamento:''' MBEMBE, Achille. Necropolítica. CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas.
== Bloco 4 — Quem pode ser descartado? O devir-negro do mundo ==
'''Pergunta-guia:''' Quem, hoje, é tratado como descartável — e o que torna isso aceitável?
Pense nas palavras que o noticiário de ontem usou para falar de certas pessoas: "ilegais", "invasores", "vagabundos", "suspeitos", "excedente". O que essas palavras permitem que se faça com quem é chamado assim?
Mbembe não trata a necropolítica como coisa do passado. Em ''Crítica da razão negra'', ele propõe a ideia de um '''devir-negro do mundo''': a condição que o capitalismo escravista reservou aos africanos (ser tratado como corpo explorável e, depois, dispensável) tende, sob o neoliberalismo, a se estender a parcelas cada vez maiores da humanidade, independentemente da cor. Não porque o racismo tenha acabado; ele continua organizando quem chega primeiro a essa condição. Mas a lógica se generaliza.
Quem são essas figuras? O trabalhador que deixou de ser explorável de modo estável e virou, na expressão de Mbembe, um '''nômade do trabalho''': disponível, intermitente, substituível. Você o encontrou na aula anterior, no motorista de aplicativo. O desempregado de longa duração, de quem a economia já não precisa. O morador de territórios onde o Estado chega principalmente pela polícia. O refugiado e o migrante, retidos em campos, centros de detenção e fronteiras.
A fronteira ocupa um lugar central nessa reflexão. Para Mbembe, ela deixou de ser uma linha no mapa e se tornou uma tecnologia: muros, bancos de dados, biometria, patrulhas, zonas de espera. O mundo se divide entre os que podem circular e os que são imobilizados ou expulsos. Volte à aula sobre [[Sociologia, Educação e Comunicação/Parte III/Sistemas de Vigilância|Sistemas de Vigilância]]: o mapa de "alvos" que cruza cadastros de saúde para localizar imigrantes pode ser relido agora com este vocabulário. O dispositivo de vigilância e a necropolítica se encontram no ponto em que um banco de dados decide quem pertence e quem pode ser removido.
O que torna tudo isso suportável para os demais é um trabalho simbólico: reduzir o '''custo moral''' do descarte. Isso se faz com palavras e imagens. Chama-se alguém de "ilegal" e a pessoa desaparece atrás do adjetivo; fala-se em "onda", "enxurrada", "invasão", e seres humanos viram fenômeno natural ou ataque militar. Por isso a sobrevivência, para muitos, é um esforço cotidiano, e por isso a comunicação não é um detalhe nesse processo.
Uma ressalva de rigor: o conceito de necropolítica é forte e, justamente por isso, corre o risco de ser usado para tudo. Nem toda desigualdade é necropolítica. O conceito ganha precisão quando aponta situações em que populações definidas são sistematicamente expostas à morte ou mantidas em condições de vida degradadas, e em que isso é tratado como aceitável ou necessário.
'''Exemplo:''' um entregador de aplicativo sofre um acidente durante uma entrega, numa noite de chuva em que a tarifa estava mais alta. A plataforma informa que ele é um "parceiro independente". O pedido é redirecionado a outro entregador em menos de um minuto. A conta do acidentado é pausada por inatividade. Ninguém quis a sua morte, e nenhuma lei foi violada de modo evidente. O sistema apenas está desenhado de forma que o corpo dele seja inteiramente substituível, e que o custo de perdê-lo seja de quase ninguém.
'''Leitura de aprofundamento:''' MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. MBEMBE, Achille. A ideia de um mundo sem fronteiras.
== Bloco 5 — Democracias sob tensão: crise das instituições e novas direitas ==
'''Pergunta-guia:''' Por que instituições democráticas perdem confiança em tantos países ao mesmo tempo, e que movimentos crescem nesse vazio?
No noticiário de ontem, que instituição foi tratada como inimiga ou como farsa: o parlamento, o tribunal, a imprensa, a universidade, a ciência, as urnas? E quem se apresentava como a voz do "povo de verdade" contra ela?
Os dois diagnósticos anteriores ajudam a entender um fenômeno das últimas décadas: em países muito diferentes, cresce a desconfiança em relação a partidos, parlamentos, tribunais, imprensa e ciência, e ganham força movimentos e lideranças que se apresentam como alternativa ao "sistema". Boa parte deles se situa à direita, e convém começar pelas distinções.
O cientista político '''Cas Mudde''' separa a direita tradicional (conservadora ou liberal, que disputa o poder dentro das regras da democracia liberal) da '''ultradireita''', que ele divide em duas: a '''direita radical''', que aceita eleições mas contesta elementos centrais da democracia liberal, como os direitos de minorias, a separação de poderes e a independência da imprensa e do Judiciário; e a '''extrema direita''', que rejeita a própria democracia. Na direita radical, ele identifica três traços combinados:
'''Nativismo:''' a ideia de que o país deve pertencer aos "nativos" e de que os elementos "de fora" (pessoas ou ideias) o ameaçam.
'''Autoritarismo:''' a crença em uma sociedade rigidamente ordenada, em que as infrações à autoridade devem ser punidas com dureza.
'''Populismo:''' a visão de que a sociedade se divide em dois blocos homogêneos, o "povo puro" e a "elite corrupta", e de que a política deve expressar diretamente a vontade do primeiro.
Como explicar esse crescimento? Há várias leituras, e elas não se excluem.
'''A leitura pelo risco (Beck).''' As instituições da primeira modernidade foram desenhadas para problemas nacionais e para conflitos de distribuição de riqueza. Diante de riscos globais (clima, pandemias, crises financeiras, fluxos migratórios, plataformas digitais), parecem lentas e impotentes. A política oficial se esvazia. Nesse vazio cabem tanto as novas coalizões que Beck esperava quanto a promessa de alguém que diz: o problema é simples, tem culpados e eu resolvo.
'''A leitura pela insegurança.''' A individualização transferiu a cada um o peso de riscos que ninguém controla sozinho: emprego, moradia, aposentadoria. Quem se sente descartável, ou teme tornar-se, busca proteção e pertencimento. A filósofa '''Wendy Brown''' sustenta que décadas de políticas neoliberais enfraqueceram a própria ideia de sociedade e de bem comum, deixando o terreno livre para respostas baseadas na família, na nação e na tradição.
'''A leitura pela inimizade (Mbembe).''' Em ''Políticas da inimizade'', Mbembe argumenta que as democracias modernas sempre tiveram um lado noturno: conviveram com a colônia e a escravidão, guardando para dentro a liberdade e para fora a violência. Quando a insegurança cresce, esse lado retorna na forma de um '''desejo de inimigo''' e de separação: muros, expulsões, a divisão entre os que merecem proteção e os que a ameaçam.
'''A leitura pela comunicação.''' A confiança nos sistemas peritos, de que falava Giddens, corrói-se também porque mudou o ambiente em que a informação circula. Plataformas que recompensam o engajamento favorecem a indignação e o conflito; lideranças falam diretamente a seus seguidores, sem a mediação (e o filtro) da imprensa; e a própria ideia de fato compartilhado fica sob pressão. Esse ponto será retomado na Parte IV.
'''A leitura institucional.''' Os cientistas políticos '''Steven Levitsky''' e '''Daniel Ziblatt''' chamam a atenção para a forma: hoje, democracias raramente caem por golpes com tanques. Erodem por dentro, pelas mãos de governantes eleitos que, passo a passo, enfraquecem tribunais, imprensa e órgãos de controle, e abandonam as regras não escritas de tolerância e de contenção entre adversários.
Três cuidados para manter o rigor. Primeiro, tratar os eleitores desses movimentos como enganados ou irracionais não explica nada: as inseguranças a que eles respondem são reais, e muitos dos seus apoiadores têm razões concretas para desconfiar de instituições que os atenderam mal. Segundo, o diagnóstico de "crise da democracia" é ele próprio discutido: há quem veja nesses movimentos uma correção democrática a elites distantes, e há quem lembre que desconfiar de instituições não é o mesmo que querer derrubá-las. Terceiro, o desgaste institucional e o apelo a soluções autoritárias não são exclusivos de um lado do espectro; o que esta aula examina é a forma que hoje tem mais peso eleitoral em muitos países.
'''Exemplo:''' uma cidade média perde em dez anos a sua maior fábrica. Os empregos que surgem são de entrega e de atendimento, sem carteira. O hospital regional fecha alas; o jornal local deixa de circular. Chega um candidato que nunca ocupou cargo e diz três coisas: que os políticos "de sempre" abandonaram a cidade, que os recém-chegados de fora tomam o que sobrou, e que a imprensa e os "especialistas" mentem. As duas últimas são discutíveis; a primeira, para muitos moradores, é a descrição exata do que viveram. É dessa mistura que o fenômeno é feito.
'''Leitura de aprofundamento:''' MUDDE, Cas. A extrema direita hoje. LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade.
== Bloco 6 — O passado em disputa: o discurso anticolonial ==
'''Pergunta-guia:''' Por que, no mesmo momento, ganha força um discurso que cobra da modernidade a conta do colonialismo?
Que nomes têm as ruas, as praças e as estátuas do seu trajeto? Quem eles homenageiam? Algum deles foi contestado, rebatizado ou pichado nos últimos anos?
Ao mesmo tempo em que crescem os movimentos do bloco anterior, ganha espaço público um discurso que vem de outra direção. Ele não é novo: Césaire e Fanon escreveram em meados do século XX, no calor das lutas de libertação na África, na Ásia e no Caribe. Mas ganhou nas últimas décadas uma presença inédita em universidades, museus, redações, tribunais e ruas. Convém distinguir três termos que costumam aparecer juntos:
'''Anticolonial:''' as lutas políticas e intelectuais contra o domínio colonial, sobretudo no século XX. Césaire, Fanon, Amílcar Cabral.
'''Pós-colonial:''' os estudos que, a partir dos anos 1970 e 1980, examinam como o colonialismo moldou saberes, imagens e identidades, tanto nas ex-colônias quanto nas ex-metrópoles.
'''Decolonial:''' a corrente formada principalmente por pensadores latino-americanos. O sociólogo peruano '''Aníbal Quijano''' propôs o conceito de '''colonialidade do poder''': o colonialismo, como administração direta de um território, terminou; a colonialidade, como padrão de classificação das pessoas pela raça e de hierarquia entre saberes, continua. '''Ramón Grosfoguel''' e outros insistem que modernidade e colonialidade são duas faces da mesma moeda: não há uma sem a outra.
Na prática, esse discurso aparece em disputas muito concretas: a devolução de objetos levados de povos colonizados e hoje guardados em museus europeus; a remoção ou ressignificação de monumentos a traficantes de escravizados e conquistadores; pedidos de reparação; a revisão de currículos escolares e universitários; a demarcação de terras indígenas e quilombolas; e a ideia de '''justiça climática''', segundo a qual os países e povos que menos contribuíram para o aquecimento global são os que mais sofrem com ele. Neste último ponto, Beck e Mbembe se encontram: o risco global tem uma história colonial. No Brasil, pensadores indígenas como '''Ailton Krenak''' lembram que, para os povos originários, o "fim do mundo" não é uma ameaça futura: já aconteceu, mais de uma vez, e eles têm algo a ensinar sobre como continuar depois.
Por que as duas coisas ao mesmo tempo, o avanço da direita radical e o do discurso anticolonial? Algumas hipóteses para discutir:
* ambas respondem ao esgotamento da narrativa da primeira modernidade, a do progresso que beneficiaria a todos. Uma responde com nostalgia de uma ordem perdida ("o país já foi grande"); a outra, lembrando que essa ordem foi construída à custa de alguém;
* ambas disputam o '''passado''' como forma de disputar o futuro. Se o futuro não é mais o que era, o passado também não é: a estátua, o livro didático e o nome da rua tornam-se campos de batalha;
* uma alimenta a outra. A cada avanço das demandas por reconhecimento e reparação, parte da sociedade reage como se estivesse sendo acusada ou despojada; a cada endurecimento contra migrantes e minorias, as demandas ganham urgência. É o que se costuma chamar, sem muita precisão, de "guerras culturais";
* e as fronteiras entre elas são menos nítidas do que parecem. O vocabulário anticolonial pode ser apropriado por projetos nacionalistas e autoritários, que denunciam o "Ocidente" para justificar a repressão interna; e a crítica à modernidade europeia pode escorregar para a idealização de um passado puro, o que os próprios autores decoloniais mais cuidadosos rejeitam.
Há ainda críticas internas que vale conhecer: a de que o debate, quando fica restrito a símbolos e vocabulário, deixa intactas as desigualdades materiais; e a de que tratar "o Ocidente" e "o Sul" como blocos homogêneos repete, com o sinal trocado, a simplificação que se queria combater.
'''Exemplo:''' em uma capital, a estátua de um bandeirante amanhece coberta de tinta vermelha. Em poucas horas há três narrativas. Para uns, vandalismo contra a história e os fundadores da cidade. Para outros, um ato de memória: o homenageado caçava e escravizava indígenas. Para a prefeitura, um problema técnico: quem paga a limpeza, e se cabe uma placa explicativa. A estátua é a mesma há décadas. O que mudou foi quem pode falar sobre ela, e ser ouvido. Volte ao noticiário de ontem: que passado estava em disputa, e quem disputava?
'''Leitura de aprofundamento:''' QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais. KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo.
== O que vimos nesta aula ==
Começamos pelo noticiário de ontem e por uma frase: o futuro não é o que costumava ser. Vimos que a modernidade passou a produzir '''riscos''' que suas instituições não conseguem conter, e que isso a obriga a se confrontar consigo mesma ('''modernização reflexiva'''); que essa mesma modernidade tem um avesso colonial, no qual o poder se exerce como direito de expor à morte ('''necropolítica'''); que a condição de descartável tende a se estender ('''devir-negro do mundo'''); que, nesse cenário, instituições democráticas perdem confiança e cresce uma '''direita radical''' que promete ordem e pertencimento; e que, ao mesmo tempo, um discurso '''anticolonial e decolonial''' cobra a revisão da própria história moderna.
{| class="wikitable" style="width:100%;"
! Diagnóstico !! Autor de referência !! O que a modernidade produz !! Quem é afetado !! Pergunta que deixa
|-
| '''Sociedade de risco''' || Ulrich Beck || perigos fabricados, invisíveis e sem fronteiras || em princípio, todos || Quem responde por danos que ninguém decidiu?
|-
| '''Necropolítica''' || Achille Mbembe || populações expostas à morte e ao descarte || os racializados, os colonizados e, cada vez mais, os "supérfluos" || Que vidas contam como perda?
|-
| '''Erosão democrática''' || Mudde; Levitsky e Ziblatt; Brown || desconfiança nas instituições, desejo de inimigo || maiorias inseguras e minorias visadas || Quem é o "povo", e quem fica fora dele?
|-
| '''Colonialidade''' || Quijano; Césaire; Fanon || hierarquias de raça e de saber que sobrevivem à colônia || povos e saberes subalternizados || Quem conta a história da modernidade?
|}
Repare que os quatro diagnósticos falam da mesma coisa por ângulos diferentes: uma promessa de futuro que deixou de convencer. Na Parte IV, a aula sobre a [[Sociologia, Educação e Comunicação/Parte IV/Sociedade do Cansaço e a Economia da Atenção|Sociedade do Cansaço]] mostrará como esse esgotamento aparece do lado de dentro, no sujeito que se cobra sem descanso.
O olhar sociológico não diz em quem votar nem que estátua derrubar. Oferece instrumentos para perguntar, diante de cada manchete, que risco está sendo distribuído, que vida está sendo contada, e que passado está sendo convocado para decidir o futuro.
== Conceitos fundamentais ==
Sociedade de risco · Riscos fabricados · Irresponsabilidade organizada · Modernização reflexiva · Individualização · Subpolítica · Cosmopolitização · ''Plantation'' · Morte social · Biopoder · Necropolítica · Devir-negro do mundo · Nativismo · Populismo · Erosão democrática · Colonialidade do poder · Decolonial · Justiça climática
== Exercícios ==
'''Registro 1 — Compreensão'''
Explique, com suas palavras, por que Beck afirma que os riscos da segunda modernidade "escapam aos sentidos" e o que isso tem a ver com a comunicação. Em seguida, indique em que ponto a análise de Mbembe contesta a ideia de que esses riscos atingem a todos igualmente.
'''Registro 2 — Aplicação'''
Escolha uma notícia que passou por você nesta semana e analise-a com pelo menos dois conceitos da aula:
* há nela um risco? Ele é fabricado? Quem o tornou visível, e quem contesta essa definição?
* de quem são as vidas em jogo, e como são nomeadas (com nome e história, como número, por um adjetivo)?
* que instituição aparece como confiável ou como suspeita, e quem fala em nome do "povo"?
* algum passado é convocado para explicar ou justificar o presente?
* compare como dois veículos ou perfis de orientações diferentes apresentaram o mesmo fato. O que muda nas palavras e nas imagens?
'''Registro 3 — Metacognição'''
O que você percebe hoje que não teria percebido antes desta leitura? (resposta de 5 a 8 linhas)
== Obras Indicadas ==
BAUMAN, Zygmunt. '''Modernidade líquida'''. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
(*) BECK, Ulrich. '''Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade'''. São Paulo: Editora 34, 2010.
(*) BECK, Ulrich. A reinvenção da política: rumo a uma teoria da modernização reflexiva. In: GIDDENS, Anthony; BECK, Ulrich; LASH, Scott. '''Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna'''. São Paulo: Editora Unesp, 1997.
BORTOLUCI, José H. Para além das múltiplas modernidades: eurocentrismo, modernidade e as sociedades periféricas. '''Plural''', São Paulo, v. 16, n. 1, p. 53-80, 2009.
BROWN, Wendy. '''Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no Ocidente'''. São Paulo: Politeia, 2019.
CÉSAIRE, Aimé. '''Discurso sobre o colonialismo'''. Lisboa: Sá da Costa, 1978.
DIAS, Bruno Nascimento S. América Latina por uma epistemologia decolonial da comunicação. '''Cadernos Prolam/USP''', São Paulo, v. 19, n. 38, p. 46-74, jul./dez. 2020.
FANON, Frantz. '''Pele negra, máscaras brancas'''. Salvador: EDUFBA, 2008.
GIDDENS, Anthony. '''Modernidade e identidade'''. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. '''Revista Crítica de Ciências Sociais''', Coimbra, n. 80, p. 115-147, 2008.
HAN, Byung-Chul. '''Sociedade do cansaço'''. Petrópolis: Vozes, 2015.
KRENAK, Ailton. '''Ideias para adiar o fim do mundo'''. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. '''Como as democracias morrem'''. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
(*) MBEMBE, Achille. '''Necropolítica'''. 3. ed. São Paulo: n-1 edições, 2018.
MBEMBE, Achille. '''Crítica da razão negra'''. São Paulo: n-1 edições, 2018.
MBEMBE, Achille. '''Políticas da inimizade'''. São Paulo: n-1 edições, 2020.
MBEMBE, Achille. A ideia de um mundo sem fronteiras. '''Serrote''', São Paulo, n. 34, 2020.
MUDDE, Cas. '''A extrema direita hoje'''. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2022.
PELBART, Peter Pál. O devir-negro do mundo. '''Cult''', São Paulo, 5 nov. 2018. (Dossiê Achille Mbembe).
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). '''A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais'''. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
QUINTERO, Pablo; FIGUEIRA, Patrícia; ELIZALDE, Paz Concha. '''Uma breve história dos estudos decoloniais'''. São Paulo: MASP, 2019.
== Filmes e outras dicas ==
Craig Mazin (criador). ''Chernobyl'' (minissérie, 2019)
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. ''Bacurau''
Raoul Peck. ''Eu Não Sou Seu Negro''
Mati Diop. ''Dahomey''
Adam McKay. ''Não Olhe para Cima''
Luiz Bolognesi. ''A Última Floresta''
[[Categoria:Casper Wikipedia Education Program]]
[[Categoria:USCS Wikipedia Education Program]]
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Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Atividade/ALESSANDRA RIBEIRO MARTINS
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2026-10-09T11:30:59Z
ALESSANDRA RIBEIRO MARTINS
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Plataforma que simula desequilíbrios quer antecipar risco de quedas em idosos Autoria: Marcelo Camargo/Agencia Brasil Data on line: 15 de julho 2026 Edição 365 - Setembro 2026 Palavra Chave: Inovação, Saúde Pública , Tecnologia Link: Plataforma que simula desequilíbrios quer antecipar risco de quedas em idosos : Revista Pesquisa FAPESP Resumo A Universidade Mogi das Cruzes (UNC) por meio de seus professores, pesquisadores e patrocínio da FAPESP, está desenvolvendo pesquisas sobre um protótipo
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wikitext
text/x-wiki
__NOTOC__
== Nome da atividade == MODULO 1
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<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Esta seção apresenta a tarefa principal do Módulo 1 do curso de "Introdução ao Jornalismo Científico". A realização da tarefa é indispensável para o reconhecimento de participação no curso. Seu trabalho estará acessível, publicado no ambiente wiki, e será anexado ao certificado de realização do curso, quando finalizar todas as atividades. Tome cuidado de '''estar logado na Wikiversidade'''. Se não estiver logado, não será possível verificar o trabalho.
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== Descrição da atividade == ATIVIDADE FINAL DO MÓDULO I
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Atuar no jornalismo científico é às vezes comparado ao de ser um tradutor, no jargão da área da comunicação um 'tradutor intersemiótico', que passa a linguagem de um campo para o de outro campo. Nesta atividade, vamos observar e analisar como isso foi feito em uma das principais publicações acadêmicas brasileiras, a ''Pesquisa FAPESP''.
Você deverá selecionar um artigo na revista Pesquisa FAPESP. Estão acessíveis na [https://revistapesquisa.fapesp.br/ página principal da publicação]. Escolha um artigo sobre um tema de pesquisa - ou seja, que seja baseado em uma ou mais de uma publicação científica - e leia-o com cuidado. Responda às perguntas que seguem.
As respostas deverão ser publicadas nesta página individual. Apenas altere os campos indicados.
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== Nome de usuário(a) == ALESSANDRA RIBEIRO MARTINS
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ALESSANDRA RIBEIRO MARTINS
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== Link para a matéria selecionada == https://revistapesquisa.fapesp.br/plataforma-que-simula-desequilibrios-quer-antecipar-risco-de-quedas-em-idosos/
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Nesta seção, você deverá colocar os links da matéria selecionada. Esteja logado.
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* Título de matéria: Plataforma que simula desequilíbrios quer antecipar risco de quedas em idosos
* Autoria de matéria: Marcelo Camargo/Agência Brasil
* Link de matéria: https://revistapesquisa.fapesp.br/plataforma-que-simula-desequilibrios-quer-antecipar-risco-de-quedas-em-idosos/
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== Resumo da matéria ==
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Para esta etapa, resuma a matéria em até 300 caracteres. Esteja logado.
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A Universidade Mogi das Cruzes (UNC) por meio de seus professores, pesquisadores e patrocínio da FAPESP, está desenvolvendo pesquisas sobre um protótipo que tem por objetivo antecipar, prevenir e auxiliar na redução da queda de idosos.
Por meio de uma plataforma que simula situações reais de desequilíbrios e apoio da inteligência artificial, o protótipo busca auxiliar nos diagnósticos de idosos que sofrem com quedas como para atletas em recuperação e/ou pessoas com doenças relativas.
Para realização da pesquisa uniu um grupo de fisioterapeutas, engenheiro de computação, professores e afirmam que a tecnologia não pretende substituir o tratamento fisioterapêutico e a meta é transformar o protótipo acessível e disponível, para além de pesquisas dentro da universidade.
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== Análise da matéria ==
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Para esta etapa, identifique e analise com base na matéria: o objeto e a metodologia (observação, hipótese, experimentação, análise e publicação) da pesquisa. Esteja logado.
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Objeto da pesquisa - Elaborar uma plataforma que simula situações reais de desequilíbrio, por meio de um protótipo que auxilie na prevenção de quedas em idosos, doenças neurológicas, obesidade, problemas vestibulares, amputações , atletas em recuperação e pessoas com doenços correlatas ao desequilíbrio com possibilidade de quedas
Metodologia: Experimentação, análise, simulação.
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== Análise da pesquisa ==
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Para esta etapa, acesse a(s) pesquisa(s) de origem, de base para o artigo na Pesquisa FAPESP, identifique e analise a seção metodológica. Em especial, explique em que medida o processo de pesquisa foi bem documentado no artigo que você selecionou. Esteja logado.
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Consultas a pesquisa original - Ficou claro o processo, público alvo, ferramentas tecnológicas utilizadas, equipe de especialistas envolvidos, mas não evidencia a viabilidade concreta de disponibilização dos protótipos e nem as limitações de seu uso.
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== Metáfora científica ==
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Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre [[Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/A metáfora científica|"A metáfora científica"]]. No artigo da Pesquisa FAPESP selecionado, identifique quais foram as metáforas científicas ou cientificamente inspiradas utilizadas e justifique esse uso a partir das indicações da aula. Analise em que medida contribuem ou dificultam o entendimento da ciência. Esteja logado.
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As metáforas referem-se a simplificação dos nomes científicos dos testes realizados e facilita a compreensão do texto, a exemplo do EEG - ajuda a identificar como o cérebro responde ao desequilíbrio , EMG - ativação elétrica dos músculos estabilizadores envolvidos no equilíbrio postural e o COP - indicador que mostra como o corpo distribui o peso para manter o equilíbrio.
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== Filosofia da ciência ==
<div style="font-size: 1.1em; line-height:1.2em; background: #dde7ed; padding: 1em; border-radius:10px;box-shadow:-2px -2px 1px #8e8a78;">
Para esta etapa, reveja o conteúdo da aula sobre [[Introdução ao Jornalismo Científico/Metodologia e Filosofia da Ciência/Ciência e Filosofia|"Ciência e Filosofia"]]. Discorra sobre em que medida o artigo da Pesquisa FAPESP que você selecionou coloca questões filosóficas e apresente exemplos extraídos do texto. Esteja logado.
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<!-- Escreva sua resposta abaixo desta linha -->
Mediador crítico: 1. quando apresenta a problemática enquanto necessidade de auxílio para a saúde pública devido o alto índice de quedas; 2. o avanço da inserção tecnológica frente aos métodos tradicionais; 3. o avanço da sincronização de índices para ampliação das análises das causas EEG, EMG e COP;
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== Próximos passos ==
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Após concluir a atividade, clique no botão abaixo para incluí-la na listagem do módulo.
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[[Categoria:Introdução ao Jornalismo Científico/Atividades|ALESSANDRA RIBEIRO MARTINS]]
Palavra Chave: Inovação, Saúde Pública , Tecnologia
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